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Numero do processo: 13839.905382/2015-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2015 a 30/04/2015
ATO ADMINISTRATIVO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA.
Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados.
Numero da decisão: 3402-006.518
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula acompanhou o relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2015 a 30/04/2015 ATO ADMINISTRATIVO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA. Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados.
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MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA. Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 53 82 /2 01 5- 43 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13839.905382/201543 Acórdão n.º 3402006.518 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo do PER/DCOMP transmitido pelo contribuinte acima identificado, no qual solicita a compensação de COFINS paga indevidamente a maior. O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem concluiu pela improcedência do crédito original informado no PER/DCOMP, sob o fundamento de que o pagamento relacionado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado desta decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade tempestiva, alegando, em resumo: Preliminarmente, a violação ao principio da ampla defesa e ao princípio do devido processo legal. Afirma que a decisão originária se apresenta genérica, lacônica, beira as raias da inépcia e torna difícil a contra argumentação da recorrente. Afirma também que haviam vários outros elementos que poderiam, e deveriam, ser analisados, e se os fossem, certamente permitiriam inferirse de modo diverso, e que esta decisão (do Despacho Decisório) deve ser anulada. No mérito, afirma possuir direito a crédito a ser utilizado e homologado, pois pagou indevidamente ou a maior as contribuições para o PIS e a COFINS ao não excluir de suas bases de cálculo os valores ali embutidos referentes ao ICMS. O valor do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS por não integrar conceito de "faturamento", pois esse valor de ICMS é mero "ingresso" na escrituração contábil das empresas. A este respeito cita o voto proferido pelo Min. Luiz Gallotti no Recurso Extraordinário nº 71.758 no STF e o Recurso Extraordinário nº 240785 no STF que tem por relator o Ministro Marco Auréio. Requer, que fique sobrestada qualquer eventual cobrança para o pagamento de impostos atinentes ao caso vertente até o julgamento em definitivo no âmbito administrativo do referido processo. Requer também PROVIMENTO TOTAL à Manifestação de Inconformidade, para ser acatada a matéria preliminar e anulada a decisão, ou, que seja reformada a decisão para HOMOLOGAÇÃO da compensação. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo DRJ, nos termos do Acórdão nº 12091.523. Devidamente intimado, o contribuinte interpôs o recurso voluntário ora em apreço, oportunidade em que continuou alegando que despacho decisório seria nulo, porque carente de motivação, o que, por seu turno, implicaria cerceamento de defesa em prejuízo do recorrente, bem como defendeu a juridicidade do seu crédito, decorrente da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13839.905382/201543 Acórdão n.º 3402006.518 S3C4T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.481, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 13839.905347/201524, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3402006.481): "5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. I. Preliminarmente (i) Da pretensa ausência de motivação do despacho decisório e suposta ofensa ao direito de defesa do contribuinte 6. A título de preliminar de mérito, o contribuinte se apega ao pretenso fundamento de que o despacho decisório que implicou a denegação da compensação por ele perpetrada seria carente de motivação. Acontece que, apesar de sucinto, o citado despacho é claro ao expor o motivo da denegação aqui combatida: o contribuinte compensou o pretenso crédito com outro débito, sendo este o teor do referido despacho: 7. Embora sucinto, o despacho é claro em apontar o motivo para não homologar o crédito do contribuinte: o pretenso crédito teria sido utilizado para a quitação de outros débitos para com a Receita Federal do Brasil. Aliás, precisando tal assertiva, o citado despacho aponta que tal crédito teria sido Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13839.905382/201543 Acórdão n.º 3402006.518 S3C4T2 Fl. 5 4 utilizado para o pagamento de n. 43687704232, com código n. 2172, referente a processo administrativo de compensação de 30/04/2015. Tais informações são suficientes para identificar o débito para o qual o "crédito" indicado neste processo administrativo foi previamente utilizado. 8. Apesar da objetividade do referido despacho, tal ato atende a exigência da motivação de todo e qualquer ato administrativo, na medida em que justifica em concreto a recusa da compensação efetuada pelo contribuinte no presente caso. O fato de ser sucinta não implica, per si, a nulidade da decisão por carência de motivação, como aliás já decidiu o Supremo Tribunal Federal em sede de recurso julgado sob repercussão geral, in verbis: 1. Questão de ordem. Agravo de Instrumento. Conversão em recurso extraordinário (CPC, art. 544, §§ 3° e 4°). 2. Alegação de ofensa aos incisos XXXV e LX do art. 5º e ao inciso IX do art. 93 da Constituição Federal. Inocorrência. 3. O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. 4. Questão de ordem acolhida para reconhecer a repercussão geral, reafirmar a jurisprudência do Tribunal, negar provimento ao recurso e autorizar a adoção dos procedimentos relacionados à repercussão geral. (STF; AI 791.292 QORG, Relator: Min. GILMAR MENDES, j. em 23/06/2010, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe149 DIVULG 12082010 PUBLIC 1308 2010) (grifos nosso). 9. É também neste diapasão o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, bem como deste CARF, conforme se observa das ementas exemplarmente colacionadas abaixo: AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. ART. 620 DO CPC/1973. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS N. 282 E 356 DO STF. REEXAME DE PROVAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7 DO STJ. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DA DECISÃO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. 1. A ausência de prequestionamento de dispositivo legal tido por violado impede o conhecimento do recurso especial. Incidem as Súmulas n. 282 e 356 do STF. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13839.905382/201543 Acórdão n.º 3402006.518 S3C4T2 Fl. 6 5 2. Não cabe, em recurso especial, reexaminar matéria fáticoprobatória (Súmula n. 7/STJ). 3. A decisão que se mostra fundamentada, ainda que de forma sucinta, não dá ensejo ao decreto de nulidade. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (STJ; AgInt no AREsp 1.004.066/SP, Rel. Min. MARIA ISABEL GALLOTTI, 4a T., j. em 22/05/2018, DJe 01/06/2018) (g.n.). Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2001, 2002 NULIDADE. ACÓRDÃO DA DRJ. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Não é nulo acórdão da DRJ fundamentado, ainda que de forma sucinta. A fundamentação breve não caracteriza ausência de motivação. IRPF. COMPROVAÇÃO. DEPÓSITO EM CONTA DE PESSOA FÍSICA. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O depósito em conta bancária de pessoa física, sócia de empresa prestadora de serviço, caracteriza a pessoa física como beneficiária da renda, sendo devido IRPF sobre os valores recebidos. Registros contábeis e contratos não são capazes de elidir a natureza fática do depósito bancário. IRPF. REMUNERAÇÃO INDIRETA. DESPESAS COM VIAGEM, ESTADIA E ALIMENTAÇÃO. CUSTEADAS PELA CONTRATANTE. AUSÊNCIA DE FATO GERADOR. Despesas de locomoção, hospedagem e alimentação quando incorridas pelo contratante dos serviços em benefício do prestador do serviço para viabilizar a prestação do serviço não caracterizam remuneração indireta. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS PAGOS. O CARF não é órgão competente para promover de ofício compensação do crédito tributário mantido em sede de processo administrativo em face de eventuais valores que o contribuinte detenha a seu favor junto a autoridade tributária. (CARF; Processo n. 11080.011496/200614; acórdão n. 2201002.349; Data da sessão: 19/03/2014) (g.n.). Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13839.905382/201543 Acórdão n.º 3402006.518 S3C4T2 Fl. 7 6 10. Ressaltese, por fim, que nem sede de manifestação de inconformidade nem no âmbito do recurso voluntário, o contribuinte trouxe qualquer contraprova no sentido de refutar a motivação do ato administrativo, limitandose a aduzir, genericamente, que tal despacho seria carente de motivação. Convém lembrar, todavia, que o presente caso é um pedido de compensação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar o fato constitutivo do seu direito, i.e., seu crédito, exatamente como estipulado no art. 373, inciso I do CPC1. 11. Nesse sentido, não há que se falar em nulidade do despacho decisório proferido no presente caso, muito menos em ofensa ao direito de defesa do contribuinte, devendo o r. acórdão recorrido ser mantido em sua íntegra. II. Mérito (i) A exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS e a ausência de prova 12. Quanto ao mérito, convém novamente repisar que o contribuinte figura como titular da pretensão de compensação e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando que o direito invocado existe. 13. Assim, caberia ao sujeito passivo trazer aos autos os elementos aptos a comprovar a existência de direito creditório, capazes de demonstrar, de forma cabal, que a fiscalização incorreu em erro ao não homologar a compensação pleiteada, em conformidade com os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/19722. Em outros termos, o ônus probatório nos processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito, no entendimento reiterado desse Conselho: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. 1 "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." 2 “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13839.905382/201543 Acórdão n.º 3402006.518 S3C4T2 Fl. 8 7 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...) (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifos nosso). 14. Atentandose para o presente caso, não se vislumbra qualquer fundamento fático ou jurídico trazido pela recorrente capaz de alterar a conclusão em torno do direito ao crédito alcançada no despacho decisório e mantida pela decisão recorrida, a qual limitase a discutir, em abstrato, a validade material do suposto crédito por ela vindicado. Dispositivo 15. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720031/2012-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2007 a 31/08/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EXISTÊNCIA.
Havendo omissão, os embargos declaratórios devem ser acolhidos, para que seja suprido o ponto ou questão sobre o qual deveria se pronunciar o julgador de ofício ou a requerimento.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. INAPLICABILIDADE AO CASO.
Em caráter excepcional, é admissível a concessão de efeitos infringentes aos embargos, quando o suprimento da omissão implicar a alteração do próprio resultado do julgamento, o que, definitivamente, não se aplica ao caso em exame.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NATUREZA REMUNERATÓRIA. NÃO EVENTUALIDADE.
Pagamentos feitos pelo empregador aos empregados previamente ajustados integram o salário de contribuição, pois têm natureza remuneratória e não podem ser considerados pagamentos eventuais, ainda que pagos apenas uma vez no ano.
O termo "eventual" designa aquilo que é incerto, imprevisível e não o que é raro ou pouco freqüente.
Numero da decisão: 2402-007.170
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão apontada no voto vencedor. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Fernanda Melo Leal, Wilderson Botto e Gregório Rechmann Junior, que acolheram os embargos com efeitos infringentes, dando parcial provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Maurício Nogueira Righetti.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada), Luis Henrique Dias Lima, Wilderson Botto (Suplente Convocado) e Gregorio Rechmann Junior. Ausente a conselheira Renata Toratti Cassini, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto (Suplente Convocado).
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2007 a 31/08/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EXISTÊNCIA. Havendo omissão, os embargos declaratórios devem ser acolhidos, para que seja suprido o ponto ou questão sobre o qual deveria se pronunciar o julgador de ofício ou a requerimento. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. INAPLICABILIDADE AO CASO. Em caráter excepcional, é admissível a concessão de efeitos infringentes aos embargos, quando o suprimento da omissão implicar a alteração do próprio resultado do julgamento, o que, definitivamente, não se aplica ao caso em exame. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NATUREZA REMUNERATÓRIA. NÃO EVENTUALIDADE. Pagamentos feitos pelo empregador aos empregados previamente ajustados integram o salário de contribuição, pois têm natureza remuneratória e não podem ser considerados pagamentos eventuais, ainda que pagos apenas uma vez no ano. O termo "eventual" designa aquilo que é incerto, imprevisível e não o que é raro ou pouco freqüente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão apontada no voto vencedor. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Fernanda Melo Leal, Wilderson Botto e Gregório Rechmann Junior, que acolheram os embargos com efeitos infringentes, dando parcial provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Maurício Nogueira Righetti. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada), Luis Henrique Dias Lima, Wilderson Botto (Suplente Convocado) e Gregorio Rechmann Junior. Ausente a conselheira Renata Toratti Cassini, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto (Suplente Convocado).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1885; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 349 1 348 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.720031/201251 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2402007.170 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 9 de abril de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. Embargante GP INVESTIMENTOS S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2007 a 31/08/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EXISTÊNCIA. Havendo omissão, os embargos declaratórios devem ser acolhidos, para que seja suprido o ponto ou questão sobre o qual deveria se pronunciar o julgador de ofício ou a requerimento. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. INAPLICABILIDADE AO CASO. Em caráter excepcional, é admissível a concessão de efeitos infringentes aos embargos, quando o suprimento da omissão implicar a alteração do próprio resultado do julgamento, o que, definitivamente, não se aplica ao caso em exame. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NATUREZA REMUNERATÓRIA. NÃO EVENTUALIDADE. Pagamentos feitos pelo empregador aos empregados previamente ajustados integram o salário de contribuição, pois têm natureza remuneratória e não podem ser considerados pagamentos eventuais, ainda que pagos apenas uma vez no ano. O termo "eventual" designa aquilo que é incerto, imprevisível e não o que é raro ou pouco freqüente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão apontada no voto vencedor. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Fernanda Melo Leal, Wilderson Botto e Gregório Rechmann Junior, que acolheram os embargos com efeitos infringentes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 00 31 /2 01 2- 51 Fl. 349DF CARF MF Processo nº 19515.720031/201251 Acórdão n.º 2402007.170 S2C4T2 Fl. 350 2 dando parcial provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Maurício Nogueira Righetti. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada), Luis Henrique Dias Lima, Wilderson Botto (Suplente Convocado) e Gregorio Rechmann Junior. Ausente a conselheira Renata Toratti Cassini, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto (Suplente Convocado). Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pelo contribuinte, especificamente em face do voto vencedor do ilustre Conselheiro Ronnie Soares Anderson, que integrava este Colegiado. No entender da embargante, o voto vencedor do citado julgador não teria analisado os seus argumentos quanto à não incidência de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos desvinculados do PPR e que representariam ganhos eventuais de seus empregados. O então Presidente desta Turma, Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho, admitiu os embargos, para que fossem distribuídos a este relator, para apreciação e saneamento da omissão apontada. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento Os embargos são tempestivos e a omissão foi objetivamente apontada, de tal forma que devem ser conhecidos. Fl. 350DF CARF MF Processo nº 19515.720031/201251 Acórdão n.º 2402007.170 S2C4T2 Fl. 351 3 2 No mérito Muito embora meu voto não tenha sido omisso na análise do ponto levantado em sede de embargos, eles me foram distribuídos, uma vez que o Conselheiro redator do voto vencedor não integra mais o presente colegiado. Analisandose o citado voto vencedor, observase que ele realmente foi omisso na análise da eventualidade ou não dos pagamentos do PPR, de tal forma que os embargos devem ser acolhidos. Como eu já havia me pronunciado sobre essa questão, peço licença para transcrever os fundamentos que me levaram a dar provimento ao recurso voluntário neste ponto: Entretanto, parece ter passado despercebido pela decisão de piso, que as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais não integram o saláriodecontribuição por força de expressa previsão contida no art. 28, § 9º, alínea "e", item 7, da Lei 8212/91. Tal dispositivo apenas explicita que as importâncias pagas sem habitualidade o que revela a sua eventualidade , desvinculadas do salário, não constituem base de cálculo das contribuições devidas à seguridade social, mesmo porque, como não são pagas de forma continuada ao trabalhador, não serão futuramente substituídas pelos benefícios previdenciários a lhe serem pagos. O exame do relatório fiscal demonstra que os quatro trabalhadores contemplados receberam a rubrica uma única vez (sem habitualidade, portanto). Além disso, segundo a explanação plausível apresentada pela empresa, os pagamentos foram efetuados àqueles trabalhadores que, muito embora não elegíveis ao PPR, contribuíram para a formação do resultado, de forma que fizeram jus à uma gratificação não eventual, desvinculada da remuneração. Lembrese: a não inclusão desses valores no saláriode contribuição se explica pelo fato de que, não sendo habituais, não integrarão os futuros benefícios a serem pagos pela Previdência. A situação é análoga ao abono único de que trata o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2114/2011 e o Ato Declaratório nº 16/2011, segundo os quais não há incidência de contribuição previdenciária sobre o abono único desvinculado do salário e pago sem habitualidade. Em sendo assim, embora a desvinculação do salário não decorra do pagamento de participação nos resultados, diante da regra excludente prevista no próprio PPR firmado pela comissão paritária (a regra dos seis meses), deve ser dado provimento ao recurso, vez que se trata de gratificações eventuais, as quais, na dicção legal, não integram o saláriodecontribuição. Como se vê, o suprimento da omissão implica alteração do resultado do julgamento, para dar provimento parcial ao recurso voluntário, a fim de excluir da base de Fl. 351DF CARF MF Processo nº 19515.720031/201251 Acórdão n.º 2402007.170 S2C4T2 Fl. 352 4 cálculo do lançamento os pagamentos eventuais realizados em favor de Allan Hadid, Frederico Arieta da Costa Ferreira, Guilherme Barbosa Pereira de Souza e Rogério Miranda de Sousa (v. fl. 297 do eProcesso). 3 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e acolher os embargos de declaração, com a concessão de efeitos infringentes, para excluir da base de cálculo do lançamento os pagamentos eventuais realizados em favor de Allan Hadid, Frederico Arieta da Costa Ferreira, Guilherme Barbosa Pereira de Souza e Rogério Miranda de Sousa (v. fl. 297 do eProcesso). (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Voto Vencedor Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, redator designado Em que pese as, como de praxe, muito bem lançadas razões de decidir do eminente relator, ouso a descordar quando a considerar tais verbas como fora do campo de incidência da contribuição ao suposto amparo do item 7, da alínea "e" do parágrafo 9º do artigo 28 da Lei 8.212/91, verbis: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] e) as importâncias: [...] 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; Conceitualmente, como bem colocado pelo voto vencedor no acórdão 9202 007.047, de 24/7/18, "o termo eventual não significa raro, pouco freqüente, mas incerto, imprevisível, fortuito, e não é o caso do prêmio, que é, por definição, renda vinculada ao desempenho do beneficiário e, portanto, é algo prometido, anunciado, previamente pactuado expressa ou tacitamente, vinculado a um desempenho prévio, do que é contrapartida." Como noticiado pelo I. relator, os pagamentos teriam sido efetuados àqueles trabalhadores que, muito embora não elegíveis ao PPR, teriam contribuído para a formação do resultado. Vale dizer, havia o prévio ajuste a caracterizar a previsibilidade do recebimento. Fl. 352DF CARF MF Processo nº 19515.720031/201251 Acórdão n.º 2402007.170 S2C4T2 Fl. 353 5 Assim sendo, no caso em tela, não obstante, segundo o relator, terem sido pagas verbas a esse título a apenas alguns empregados e, embora tenham sido pagas apenas um a vez no ano, não podem ser encaradas como eventuais, pois, com abordado anteriormente, não se tratou de pagamento imprevisível. Por sua vez, o art. 28, inciso I, da Lei nº 8.212, de 1991 é claro ao estabelecer salário de contribuição como a totalidade dos pagamentos “destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma”. Nesse rumo, há de se considerar tributáveis os pagamentos realizados em favor de Allan Hadid, Frederico Arieta da Costa Ferreira, Guilherme Barbosa Pereira de Souza e Rogério Miranda de Sousa. Assim sendo, VOTO no sentido de conhecer e acolher os embargos de declaração para suprir a omissão apontada, sem, todavia, empregarlhes efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 353DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13362.720388/2016-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1201-000.660
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado em converter o julgamento em diligência, por unanimidade, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Relatório
Nome do relator: GISELE BARRA BOSSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado em converter o julgamento em diligência, por unanimidade, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório
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Resolvem os membros do colegiado em converter o julgamento em diligência, por unanimidade, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório 1. Tratase de processo administrativo decorrente de autos de infração lavrados em 16/06/2016 para a cobrança de IRPJ e CSLL, no montante inicial de R$ 26.501,831,99, referente aos anoscalendário de 2012 e 2013. 2. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal TVF (fls. 27/32), a autoridade fiscal constatou as seguintes inconsistências na documentação apresentada: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 33 62 .7 20 38 8/ 20 16 -7 7 Fl. 2323DF CARF MF Processo nº 13362.720388/201677 Resolução nº 1201000.660 S1C2T1 Fl. 3 2 “No tocante à Escrituração Contábil DigitalECD, foi constatado que os arquivos da fiscalizada encaminhados através do SPED, relativamente aos anoscalendário de 2012 e 2013, e já na situação de "autenticados" perante a JUCEPI, de fato apresentam erros e inconsistências que, no conjunto, os tornam imprestáveis tais como: divergência entre o total do ativo e do passivo; a soma dos lançamentos a débito divergem da soma dos lançamentos a crédito; não encerramento de várias contas de resultado; os saldos finais de várias contas (inclusive de estoques) do ano de 2012 divergem dos saldos iniciais de 2013; a contabilidade de 2013 foi apresentada com a situação de "cisão", dentre outros. (...) Dessa forma, e levandose em consideração a morosidade no processamento de retificação dos arquivos do SPED na junta comercial, as verificações realizadas na presente ação fiscal foram baseadas nos arquivos da escrituração contábil digitalECO apresentados através de mídia digital (DVD) em 25/01/2016, (...) bem como nos livros LALUR e de apuração da CSLL, além dos balancetes apresentados no curso da fiscalização. Quanto à retificação de obrigações acessórias, foi constatado que o sujeito passivo apresentou para processamento várias declarações DCTF retificadoras, na data de 24/01/2016, no curso da fiscalização, com a inclusão de débitos de IRPJ e de CSLL que não haviam sido declarados nas DCTF originais. Ressaltese que naquela data a fiscalizada já se encontrava com sua espontaneidade excluída, por força do art. 7°, § 1 e 2°, do Decreto n° 70.235/72. Registrese que, não obstante a fiscalização haver autorizado a retificação das obrigações acessórias, conforme termo de 25/11/2015, foi esclarecido ao sujeito passivo, na oportunidade, que: “No tocante à retificação das declarações DCTF, ressaltamos que a apresentação de declarações retificadoras (no curso da ação fiscal) não obsta o lançamento dos valores acrescidos às declarações originais, com as respectivas multas de ofício.””. 3. A contribuinte foi autuada em razão da constatação das seguintes infrações à legislação tributária: (i) dedução a maior do valor do ICMS destacado nas notas fiscais de venda de mercadorias e produtos; e (ii) ausência de comprovação do recolhimento das antecipações do IRPJ e da CSLL. Diante da ausência do recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e de CSLL, foi aplicada multa isolada, nos termos do artigo 44, inciso II, alínea b, da Lei nº 9.430/96. 4. No TVF, a douta autoridade autuante fundamenta cada infração constatada, conforme trecho abaixo transcrito: “INFRAÇÃO 1 IMPOSTOS, TAXAS E CONTRIBUIÇÕES NÃO DEDUTÍVEIS 24. O sujeito passivo deduziu a maior da receita bruta o valor do ICMS destacado nas notas fiscais de vendas de mercadorias e produtos, no anocalendário de 2012, fato que resultou na apuração a menor da receita líquida e, por conseguinte, do lucro operacional do período. Fl. 2324DF CARF MF Processo nº 13362.720388/201677 Resolução nº 1201000.660 S1C2T1 Fl. 4 3 25. Segundo consta da escrituração fiscal, o montante do ICMS destacado nas notas fiscais de vendas totalizou R$5.407.316,77, enquanto que o valor escriturado na conta contábil 79209 ()ICMS S/Faturamento, e deduzido da receita bruta, foi de 10.390.121,42, uma dedução a maior de R$4.982.804,65. 26. Solicitada a prestar esclarecimentos (email de 01/06/2016), o sujeito passivo informou que "tais diferenças referemse ao ICMS incidente sobre demais operações de saídas, os quais foram lançados juntamente na conta de ICMS sobre vendas...". Ou seja, tratase de parcela não dedutível. 27. Ressaltese que nos termos do art. 280 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de RendaRIR/99), apenas a parcela corresponde ao ICMS sobre vendas é dedutível da receita bruta na apuração da receita líquida. INFRAÇÃO 2 MULTA PELA FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E DE CSLL 28. O sujeito passivo não efetuou os pagamentos mensais do Imposto de Renda e da CSLL incidentes sobre a base de cálculo estimada, nos anoscalendário de 2012 e 2013, conforme previsto nos arts.222 e 230 do RIR/99. 29. Além do mais, as DCTF retificadoras, com a inclusão dos débitos de estimativas mensais e vinculação a pedidos de compensação Perdcomp, somente foram apresentadas para processamento na Receita Federal na data de 24/01/2016, ou seja, no curso da fiscalização, período em que o sujeito passivo já estava com sua espontaneidade excluída. 30. Assim, com base nas informações das declarações DIPJ (Fichas 11 e 16), procedeuse à apuração das multas pelo não recolhimento das estimativas mensais, que nos termos do art. 44, inciso II, alínea "b", da Lei n° 9.430/96, com redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/2007, corresponde a 50% (cinquenta por cento) do valor mensal que deixou de ser pago. INFRAÇÃO 3 AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO RECOLHIMENTO DAS ANTECIPAÇÕES DO IRPJ E DA CSLL 31. O sujeito passivo não comprovou o recolhimento do valor total das estimativas mensais do imposto de renda e da CSLL, conforme já exposto na infração 2, acima. Em todo o período fiscalizado, consta a existência de apenas um único DARF de recolhimento de estimativa, o qual se refere ao IRPJ do mês abril/2012, no valor de R$ 20.000,00. 32. Por conseguinte, houve apuração incorreta do saldo do IRPJ e da CSLL a pagar, no ajuste, uma vez que os montantes das estimativas foram deduzidos como se efetivamente pagos, conforme demonstrativo nas fichas 12A e 17 da DIPJ”. 5. Devidamente intimada, a contribuinte apresentou Impugnação ao lançamento (fls. 655/676), em 22/06/2016, na qual apontou a ocorrência de nulidades no procedimento fiscal e enfrentou o mérito do lançamento. Fl. 2325DF CARF MF Processo nº 13362.720388/201677 Resolução nº 1201000.660 S1C2T1 Fl. 5 4 6. Em sessão de 7 de março de 2017, a 1ª Turma da DRJ/POA, por unanimidade de votos, negou provimento às preliminares de nulidade e no mérito julgou procedente em parte a impugnação, nos termos do voto relator, Acórdão nº 1058.113 (fls.736/752), cuja ementa recebeu o seguinte descritivo, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012, 2013 PROCEDIMENTO FISCAL. COMPARECIMENTO PESSOAL DO AUDITOR NO DOMICÍLIO DO CONTRIBUINTE. O fato de não ter havido comparecimento pessoal do AuditorFiscal no domicílio do contribuinte não configura vício de qualquer espécie quanto ao procedimento fiscal, visto que essa conduta não é a única forma de atuação delineada pela legislação de regência para fins de execução das atividades de fiscalização da Receita Federal. PAGAMENTOS OU COMPENSAÇÕES REALIZADOS POSTERIOR MENTE AO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL E ANTES DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. EFEITOS. Recolhimentos ou compensações realizados posteriormente ao início do procedimento fiscal não são hábeis para descaracterizar as infrações cometidas. Cabível, portanto, o lançamento do tributo, acompanhado da multa de ofício e dos juros de mora. Os valores eventualmente recolhidos ou compensados no curso da ação fiscal, relativos à exigência contida no auto de infração, serão considerados pela autoridade preparadora na fase de liquidação do débito, que ocorrerá após o encerramento da fase litigiosa. TERMO DE DISTRIBUIÇÃO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INCLUSÃO DE NOVOS TRIBUTOS. IDENTIDADE DE ELEMENTOS DE PROVA. Quando os procedimentos de fiscalização relativos a tributos objeto do Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal TDPF identificarem infrações relativas a outros tributos, com base nos mesmos elementos de prova, estes serão considerados incluídos no procedimento, independentemente de menção expressa no TDPF. CUSTOS E DESPESAS. EFETIVIDADE. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova cabe a quem alega. Logo, é do sujeito passivo o encargo de comprovar a efetividade de custos ou despesas utilizados na apuração do lucro real, declarados na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AJUSTES. Cabível a realização de ajustes na exigência fiscal, diante da comprovação, por parte da impugnante, da existência de valores de IRRF Imposto de Renda Retido na Fonte que não foram contemplados pela fiscalização no lançamento de ofício. Fl. 2326DF CARF MF Processo nº 13362.720388/201677 Resolução nº 1201000.660 S1C2T1 Fl. 6 5 MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. POSSIBILIDADE. A multa isolada, devida pela insuficiência de recolhimento da estimativa mensal do imposto, e a multa de ofício regulamentar, devida pela insuficiência de recolhimento do imposto apurado na data do fato gerador, têm hipóteses de incidência distintas. Portanto, cabível o lançamento concomitante dessas penalidades, mormente quando ato normativo expedido pela administração tributária orienta esse procedimento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte”. 7. A DRJ/POA reconheceu que a contribuinte tem razão no que diz respeito aos valores de IR e CSLL retidos na fonte, utilizados na quitação das estimativas devidas dos meses de dezembro de 2012, outubro e novembro de 2013. Após ajustes (indicados no Anexo do Acórdão fl. 752), os valores exigidos a título de IRPJ e CSLL, sem incluir os devidos acréscimos de multa e juros, foram alterados para R$ 5.213.059,93 e R$ 3.064.664,90, respectivamente. 8. Cientificada da decisão (AR de 08/06/2017, fls.778/779) a contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 07/07/2017 (fls.783/812), no qual reitera as razões de defesa apresentadas em Impugnação e apresenta, em síntese, os seguintes pontos: (i) o Termo Inicial do Procedimento Fiscal é nulo, assim como os termos subsequentes, diante da ausência de condições legais preliminares para sua emissão previstas no artigo 904 do RIR/99; (ii) o auto de infração é nulo, no que tange a exigência da CSLL, em razão da equivocada desconsideração da espontaneidade; (iii) as autoridades fiscais não consideraram as provas apresentadas para comprovar as operações que originaram os valores deduzidos de ICMS; (iv) a cobrança de multa de ofício concomitante com a multa isolada é indevida; e (v) a decisão recorrida não apreciou o pedido da Recorrente solicitando que fossem restabelecidos os saldo negativos de IRPJ. 9. Por fim, a Recorrente requer que: (i) seja declarada a nulidade de todo o procedimento fiscal, ou pelo menos quanto à CSLL; (ii) se determine o recálculo da exigência com o expurgo do ICMS que, independentemente da forma pela qual foi registrado, compõe o resultado operacional da Requerente; (iii) se restabeleça o saldo negativo de IRPJ para o ano de 2013; e (iv) se exclua a multa isolada, diante da impossibilidade de cumulação com a multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheira Gisele Barra Bossa, Relatora. 10. O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Fl. 2327DF CARF MF Processo nº 13362.720388/201677 Resolução nº 1201000.660 S1C2T1 Fl. 7 6 Da Necessária Realização de Diligência 11. Em virtude da necessidade de baixar os autos em diligência, atenhome aos pressupostos e fundamentos hábeis a justificar tal providência a ser atendida pela douta autoridade preparadora. 12. Inicialmente, cumpre consignar que o deferimento da diligência visa garantir o direito ao contraditório, a ampla defesa e, fundamentalmente, a busca da verdade material, sob pena de enriquecimento ilícito da União. 13. Ademais, alinhome ao entendimento de que a Administração não pode ficar restrita ao que as partes demonstram no curso do processo e, além de fundamentar a decisão com base nas provas apresentadas, deve buscar a verdade material por meio das diligências necessárias, o que in casu envolve a análise detida da documentação fiscal e contábil disponibilizada pela ora Recorrente (constantes das próprias plataformas digitais da SRFB), bem como de eventual troca de informações/abertura de acessos sistêmicos entre as autoridades fiscais federal e estaduais para fins de bem contrapor os argumentos trazidos pela contribuinte em sede de Impugnação e, posteriormente, quando da eventual interposição de Recurso Voluntário. 14. Nessa esteira, e em última análise, deixar de observar os preceitos aqui descritos violam o princípio da eficiência, pois os litígios acabam sendo levados para o âmbito do Poder Judiciário. Para além do ônus suportado pelas partes, temos o ônus para o própria Administração Pública potencial sucumbência, prevista no CPC/2015. O Estado é um só e os custos do contencioso são suportados por todos os cidadãos brasileiros. A eficiência de gestão dos recursos públicos e o cuidado na busca de soluções satisfativas1 são valores legais necessários à promoção do interesse público e não podem ser considerados incompatíveis com esse objetivo. 15. Lembro que, as atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão devem ser realizadas de ofício pela autoridade fiscal, nos termos do artigo 29, da Lei nº 9.784/992. 16. Tendo essas premissas em mente, passo a trazer algumas ponderações em concreto. 1 Sobre o tema, não é demais citar os valores processuais contantes dos artigos 4º, 6º e 8º, da Lei nº 13.105/2015: "Art. 4º As partes têm o direito de obter em prazo razoável a solução integral do mérito, incluída a atividade satisfativa. (...) Art. 6º Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. (...) Art. 8º Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência." 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. Fl. 2328DF CARF MF Processo nº 13362.720388/201677 Resolução nº 1201000.660 S1C2T1 Fl. 8 7 Infração 001 DOS IMPOSTOS, TAXAS E CONTRIBUIÇÕES NÃO DEDUTÍVEIS 17. Conforme relatado, a fiscalização considerou que a Recorrente deduziu de forma equivocada o montante de R$ 4.982.804,65, a título de ICMS. 18. A Recorrente, por sua vez, afirma que os valores são dedutíveis, em que pese tenham sido contabilizados em conta ou grupo de resultado diverso daquele ao qual deveriam ter sido registrados. Afirma ainda que, a adoção de uma forma de contabilização específica não pode ensejar indedutibilidade, visto que tais operações compõem o lucro operacional da contribuinte. 19. Segundo a Recorrente, os valores que compuseram a diferença de R$ 4.982.804,65, correspondem a débitos de ICMS sobre outras saídas, que seriam igualmente dedutíveis para fins de apuração do lucro real. 20. Em sede de Impugnação e agora em seu Recurso Voluntário reitera que o auditor fiscal em seu relatório desconsiderou a ressalva dada pela contribuinte quanto ao registro dos créditos de ICMS na DIEF todos os valores de ICMS a débito apurados na DIEF foram registrados na conta de ICMS sobre vendas, assim como todos os créditos de ICMS apurados na DIEF foram registrados em contas de Estoque ou do CMV (Custo das mercadorias vendidas), e simplesmente classificou como indedutíveis os valores de ICMS (R$ 4.982.804,65) que supostamente não correspondiam à saída de vendas com base no art. 280 do RIR/99. 21. Por sua vez, a r. DRJ entendeu que as operações de saída de bens descritas na impugnação, em regra, não geram despesas dedutíveis de ICMS para fins de apuração do lucro real e que a contribuinte não teria apresentado cópia do livro de apuração do ICMS para demonstrar o efetivo registro das operações de outras saídas e o devido destaque do ICMS e, portanto, as provas apresentas seriam insuficientes. 22. De fato, não evidencio maiores esforços por parte da autoridades fiscal e julgadoras em verificar se esses valores de ICMS eram de fato indedutíveis, bem como os efeitos advindos do ICMS relativo as devoluções de vendas. No mais, repitase, as autoridades fiscais federal e estaduais têm plataformas e sistemas de alta performance aptos a bem conciliar tais informações e trazer com assertividade a verdade dos fatos. 23. Ademais, neste quesito da escrituração digital, verifico que o r. acórdão da DRJ não analisou os anexos I e II juntados pela Recorrente na Impugnação. 24. Em seu Recurso Voluntário, a contribuinte cuida de justificar e rebater a fundamentação do r. acórdão da DRJ para cada grupo de operação e, para tanto, anexa farta documentação (documentos às fls. 823/2317). Confirase: "Rol de documentos anexados: ANEXO 1 – Notas Fiscais de Bonificação; ANEXO 2 – Comprovações das Devoluções de Compras; Fl. 2329DF CARF MF Processo nº 13362.720388/201677 Resolução nº 1201000.660 S1C2T1 Fl. 9 8 ANEXO 3 – Notas Fiscais de Venda de Bens do Ativo Imobilizado; ANEXO 4 Notas Fiscais de Transferência de Bens de Uso e Consumo; ANEXO 5 Notas Fiscais de Transferência de Bens do Ativo Imobilizado; ANEXO 6 – Notas Fiscais de Utilização de Saldo Credor de ICMS para Extinção/Pagamento de Débitos; ANEXO 7 – Planilha do ICMS Destacado nas Notas Fiscais de Venda – Ano 2012; ANEXO 8 – Notas Fiscais de Remessa de Venda para Entrega Futura; ANEXO 9 – Comprovações das Operações de Transferência de Mercadorias entre estabelecimentos da empresa; ANEXO 10 Comprovações das Operações de Remessa e Retorno para Depósito Fechado ou Armazém Geral; ANEXO 11 – Comprovações das Operações de Consignação; ANEXO 12 – Comprovações de Outras Remessas e Retornos; ANEXO 13 – Comprovações das Devoluções de Vendas; Outros documentos anexados: Cópia do Contrato Social; Procuração; Cópia da Cédula de identidade do Representante Legal; Razão Contábil da Conta “79209 () ICMS s/ Faturamento; Razão Contábil da Conta “69050 ICMS a Recuperar”; Arquivo EFD com Resumo das Entradas e Saídas; Lotes Contábeis de Registro do ICMS das Saídas; Lotes Contábeis de Registro do ICMS das Entradas; Arquivo do SPED Contábil entregue ao Auditor Fiscal em mídia digital." 25. Dado o volume de documentos e o necessário cotejo sistêmico considero que a douta autoridade preparadora deve cuidar de verificar, dentro do universo dos R$ 4.982.804,65 (valor supostamente deduzido de forma equivocada pela contribuinte), os seguintes pontos: 1. Despesas e Custos de ICMS sobre outras operações de Saídas que compõem o Lucro Operacional Fl. 2330DF CARF MF Processo nº 13362.720388/201677 Resolução nº 1201000.660 S1C2T1 Fl. 10 9 a) Remessas em bonificação, doação ou brinde – CFOPS 5.910 e 6.910 Anexo 1 Confirmar o montante que representa esses CFOPS (liquidez), bem como proceder a devida apreciação da documentação fiscal e contábil apresentada em cotejo com as plataformas sistêmicas federal e estaduais de forma a ratificar as operações com itens bonificados, doação ou brindes. b) Devoluções de compras para industrialização ou comercialização CFOPS 6.201 e 6.202 Anexo 2 Confirmar o montante que representa esses CFOPS (liquidez), bem como proceder a devida apreciação da documentação fiscal e contábil apresentada em cotejo com as plataformas sistêmicas federal e estaduais, a fim de ratificar se a despesa em questão é dedutível. c) Vendas do Ativo Imobilizado – CFOPS 5.551 e 6.551 Anexo 3 Confirmar o montante que representa esses CFOPS (liquidez), bem como proceder a devida apreciação da documentação fiscal e contábil apresentada em cotejo com as plataformas sistêmicas federal e estaduais a fim de verificar se de fato nos Estados do Maranhão e Piauí, onde a Recorrente tem seus estabelecimentos, ocorreu a tributação do ICMS sobre as saídas de bens do ativo imobilizado com redução de base de cálculo de 95% e 80%, respectivamente. d) Transferências de Material de Uso e Consumo – CFOP 6.557 Anexo 4 A Lei Complementar 87/96 (lei Kandir) em seu artigo 13, §4º e 5º, estabelece que a incidência de ICMS nas operações de transferência de mercadorias entre estabelecimentos interestaduais da mesma empresa. Deste modo, a Recorrente alega que (i) tributou pelo ICMS as transferências de matérias de uso e consumo que ocorreram entre estabelecimentos situados no Maranhão e Piauí; e (ii) não há possibilidade de creditamento do ICMS pelo estabelecimento destinatário dos materiais. Diante desse racional fático, deve a autoridade preparadora confirmar o montante que representa esse CFOP (liquidez), bem como proceder a devida apreciação da documentação fiscal e contábil apresentada em cotejo com as plataformas sistêmicas federal e estaduais, a fim de verificar se de fato houve a tributação pelo ICMS de forma a ratificar a dedutibilidade desta despesa. e) Transferências de Bens do Ativo Imobilizado – CFOPs 5.552 e 6.552 Anexo 5 Assim como ocorre nas operações de venda do ativo imobilizado (item c), a ora Recorrente alega que nas transferências de ativo imobilizado entre estabelecimentos da mesma empresa, sejam interestaduais ou não, cujo emitente seja dos Estados do Maranhão ou Piauí, há a incidência de ICMS. Diante deste racional fático, deve a autoridade preparadora confirmar o montante que representa esses CFOPS (liquidez), bem como proceder a devida apreciação da documentação fiscal e contábil apresentada em cotejo com as plataformas sistêmicas federal e estaduais, a fim de verificar se de fato nos Estados do Maranhão e Piauí há a tributação do ICMS sobre as transferência de bens do ativo imobilizado, bem como se houve ou não creditamento do ICMS pelo estabelecimento destinatário dos bens. f) Utilização de Saldo credor do ICMS para extinção por compensação de débitos fiscais – CFOP 5.606 Anexo 6 Confirmar o montante que representa esses CFOPS (liquidez), bem como proceder a devida apreciação da documentação fiscal e contábil apresentada em cotejo com as plataformas sistêmicas federal e estaduais, a fim de ratificar a dedutibilidade desta despesa. Fl. 2331DF CARF MF Processo nº 13362.720388/201677 Resolução nº 1201000.660 S1C2T1 Fl. 11 10 g) Venda de produção do Estabelecimento originada de encomenda para entrega futura – CFOP 6.116 Anexo 7 e Anexo 8 Em análise do Anexo 7, é possível constatar que o auditorfiscal elencou somente o CFOP 6.922 relativo à venda de mercadorias, mas não relacionou o CFOP 6.116 que, nas operações em questão, é o que tem o ICMS destacado destas vendas. Diante deste racional fático, deve a autoridade preparadora confirmar o montante que representa esse CFOP (liquidez), bem como proceder a devida apreciação da documentação fiscal e contábil apresentada em cotejo com as plataformas sistêmicas federal e estaduais, a fim de ratificar a dedutibilidade desta despesa. 2. ICMS sobre transferência de Mercadorias e de Remessa e Retorno a) Transferência de Mercadorias entre Estabelecimentos Anexo 9 Para comprovar os valores de ICMS nas operações de transferência de mercadorias entre estabelecimentos, a Recorrente apresenta operações fiscais e contábeis resultantes das transferências remetidas dos estabelecimentos /000188 e /000340 para o estabelecimento /000773 no mês de dezembro de 2012 junta as demonstrações das entradas e saídas pertinentes extraídos da ECFFiscal, notas fiscais e os correspondentes lançamentos contábeis. Diante deste racional fático, deve a autoridade preparadora confirmar o montante que representa essa rubrica (liquidez), bem como proceder a devida apreciação da documentação fiscal e contábil apresentada em cotejo com as plataformas sistêmicas federal e estaduais, a fim de ratificar a dedutibilidade desta despesa. A priori o eventual destaque do ICMS nas entradas e saídas de mercadorias transferidas não geraria efeitos tributários em relação ao IRPJ e CSLL. b) Remessas e Retorno de Mercadorias para Depósito Fechado ou Armazém Geral; c) Remessas e Retorno de Consignação de Mercadorias; d) Remessas e Retorno de Mercadorias para Conserto ou Demonstração; e) Outras Operações de Remessa e Retorno (itens tratados em conjunto) Anexos 10 a 13. Como regra, no registro de operações de remessa e retorno de mercadorias, utilizase as contas de ativo circulante e passivo circulante, a saber: a) registro do ICMS na entrada das mercadorias: D ICMS A RECUPERAR (Ativo circulante) C – ICMS S/CONSIGNAÇÃO (Passivo circulante) b) registro do ICMS incidente sobre o retorno ao consignante: D – ICMS S/CONSIGNAÇÃO (Passivo circulante) C – ICMS A RECUPERAR (Ativo circulante) Logo, a priori, o registro contábil dessas operações não gera efeitos em relação à apuração do lucro operacional. Fl. 2332DF CARF MF Processo nº 13362.720388/201677 Resolução nº 1201000.660 S1C2T1 Fl. 12 11 Por seu turno, a Recorrente contesta tal dinâmica e traz a seguinte amostragem: (a) para comprovar os valores de ICMS nas operações de remessa e retorno de mercadorias para Depósito Fechado ou Armazém Geral, apresenta as operações de remessas realizadas pelo estabelecimento /000854 no mês de março de 2012, cujo retorno ocorreu em outubro de 2012. Junta as demonstrações das entradas e saídas pertinentes extraídos da ECFFiscal, notas fiscais e os correspondentes lançamento contábeis (Anexo 10). (b) para comprovar os valores de ICMS nas operações de remessa e retorno de mercadorias consignadas, apresenta operação realizada pelo estabelecimento /000501 nos meses de julho e dezembro de 2012. Junta as demonstrações das entradas e saídas pertinentes extraídos da ECFFiscal, notas fiscais e os correspondentes lançamento contábeis (Anexo 11). (c) Idem situação das operações consignadas tratada no item (b) (d) para comprovar os valores de ICMS de outras operações de remessa e retorno de mercadorias, apresenta operação realizada pelo estabelecimento /000854 nos meses de maio, junho e julho de 2012. Junta as demonstrações das entradas e saídas pertinentes extraídos da ECFFiscal, notas fiscais e os correspondentes lançamento contábeis (Anexo 12). Diante deste racional fático, deve a autoridade preparadora confirmar o montante que representa essas rubricas (liquidez), bem como proceder a devida apreciação da documentação fiscal e contábil apresentada em cotejo com as plataformas sistêmicas federal e estaduais, a fim de ratificar a dedutibilidade desta despesa. Conforme acima consignado, a priori tais operações não gerariam efeitos tributários em relação ao IRPJ e CSLL. 3. ICMS sobre operações de Devoluções de Vendas De acordo com o r. acórdão da DRJ, as devoluções de vendas geram lançamentos a crédito – e não a débito – da conta de despesas com vendas. E, portanto, inadmite que lançamentos contábeis a título de devolução de vendas tenham repercutido na alteração, para maior, do saldo da conta contábil [devedora] “79209 () ICMS s/Faturamento”. Por sua vez, a Recorrente consigna que nem no curso do procedimento fiscalizatório ou em sede de Impugnação informou ser o valor do ICMS das devoluções lançado na conta “79209 – ICMS/ Faturamento”. Pelo contrário, teria procurado demonstrar que o auditor fiscal havia sido omisso quanto a essa rubrica. Por meio do Anexo 13 apresenta relatório das demonstrações das entradas e saídas pertinentes extraídos da ECF dos estabelecimentos e meses em que ocorreram devoluções de vendas. Diante deste racional fático, deve a autoridade preparadora confirmar o montante que representa essas rubricas (liquidez), bem como proceder a devida apreciação da documentação fiscal e contábil apresentada em cotejo com as plataformas sistêmicas federal e estaduais, a fim de verificar se tais devoluções geraram ou não efeitos tributários em relação ao IRPJ e a CSLL. Saldo Negativo de IRPJ Fl. 2333DF CARF MF Processo nº 13362.720388/201677 Resolução nº 1201000.660 S1C2T1 Fl. 13 12 26. Conforme relatado, a DRJ reconheceu que a contribuinte teria razão quanto a alegação de que a apuração dos tributos devidos no ajuste anual não contemplou os valores de IR e CSLL retidos na fonte e utilizados na quitação das estimativas devidas dos meses de dez/2012, out/2013 e nov/2013. 27. De acordo com o anexo do r. acórdão da DRJ, após os ajustes não restou débito de IRPJ para o anocalendário de 2013. Confirase: 28. O valor de IRPJ (2013) exigido originalmente no auto de infração era de R$ 565.175,37. Considerando o montante retido na fonte de R$ 878.606,50, não restou débitos em aberto de IRPJ em 2013. 29. A Recorrente, por sua vez, alega que ao subtrair o montante retido na fonte (R$ 878.606,50) do valor exigido de IRPJ em 2013 (R$ 565.175,37) a DRJ deveria ter reconhecido saldo negativo de IRPJ em 2013 de R$ 313.431,13, conforme demonstra a planilha abaixo: 30. Tal requerimento foi formulado já em sede de Impugnação e, diante do reconhecimento por parte da r. DRJ dos valores retidos na fonte, a ora Recorrente reforça tal pleito em seu Recurso Voluntário. De fato, a r. DRJ não se manifestou sobre esse aspecto. Fl. 2334DF CARF MF Processo nº 13362.720388/201677 Resolução nº 1201000.660 S1C2T1 Fl. 14 13 31. Nesse sentido, considero prudente que a douta autoridade preparadora confirme se a fiscalização já não tinha contemplado os valores retidos na apuração (vide TVF, fls. 40 e fls. 36) e, caso sejam validados os valores imputados no referido anexo (r. acórdão da DRJ), faça constar dos autos nova memória de cálculo com o reconhecimento do saldo negativo do IRPJ. 32. Diante do exposto, e em linhas com as razões fáticas acima apresentadas, entendo cabível a realização de diligência para que autoridade preparadora preste os devidos esclarecimentos acima e pontualmente relacionados. 33. Caso se verifique inexatidão nas informações prestadas pela contribuinte, esta deve ser intimada a apresentar esclarecimentos e provas complementares para que essa diligência seja plenamente atendida, em homenagem aos princípios da cooperação, eficiência processual e busca da verdade material. 34. Após a conclusão da diligência, a r. DRF deverá elaborar Relatório Conclusivo, com posterior ciência à Recorrente, para que, se assim desejar, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e na seqüência retornem os autos ao E. CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Fl. 2335DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.720767/2017-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2014
DECISÃO NULA. NÃO ENFRENTAMENTO DE TODAS AS QUESTÕES.
Merece ser declarada nula a decisão de primeiro grau que não enfrenta todas as questões com potencial de modificar o lançamento, sendo necessário o retorno do expediente à unidade competente, para prolatação de nova decisão, em boa forma.
Numero da decisão: 3302-006.893
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para anular a decisão de primeira instância por não enfrentamento de argumentos autônomos especificados no voto do relator, vencidos os Conselheiros Walker Araújo e Jorge Lima Abud que afastavam a preliminar de nulidade.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1492; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 1.070 1 1.069 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.720767/201733 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302006.893 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2019 Matéria IOF Recorrente FLORA DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS DE HIGIENE E LIMPEZA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2014 DECISÃO NULA. NÃO ENFRENTAMENTO DE TODAS AS QUESTÕES. Merece ser declarada nula a decisão de primeiro grau que não enfrenta todas as questões com potencial de modificar o lançamento, sendo necessário o retorno do expediente à unidade competente, para prolatação de nova decisão, em boa forma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para anular a decisão de primeira instância por não enfrentamento de argumentos autônomos especificados no voto do relator, vencidos os Conselheiros Walker Araújo e Jorge Lima Abud que afastavam a preliminar de nulidade. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 07 67 /2 01 7- 33 Fl. 1070DF CARF MF Processo nº 19515.720767/201733 Acórdão n.º 3302006.893 S3C3T2 Fl. 1.071 2 Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório Por bem descrever a realidade dos fatos, adoto e transcrevo relatório da decisão de primeira instância, acórdão nº 0965.573 2ª Turma da DRJ/JFA: Trata o presente processo de crédito constituído pela fiscalização, mediante a lavratura de auto de infração, para lançamento de IOF, incidente sobre operações de crédito entre pessoas ligadas, no anocalendário 2013, sendo R$ 9.419.031,54 relativos ao imposto, R$ 4.407.139,14 relativos aos juros de mora e R$ 7.064.273,61 relativos a multa proporcional (passível de redução). Toda a ação fiscal encontrase descrita no Termo de Verificação Fiscal de fls. 54/65, que acompanha os autos, de onde extraímos alguns trechos com a finalidade de trazer, de forma resumida, as razões fiscais para a realização do lançamento. Vejamos: "10. Pela natureza das operações entre Flora Distribuidora de Produtos de Higiene e Limpeza Ltda e as empresas do grupo, concluise que se trata de mútuo financeiro conforme justificaremos a seguir. 11. O mecanismo denominado de conta corrente pela Fiscalizada com as demais empresas do grupo, em que Ms partes estabelecem uma relação na qual cada um das partes pode estar simultaneamente na posição de credor e devedor, caracterizando assim um contrato bilateral com direitos e obrigações recíprocas:'[sic), é comumente utilizado para registrar a movimentação de recursos financeiros que transitam reciprocamente entre os dois patrimônios. Por esse instrumento de registro de débitos e créditos recíprocos, os recursos eventualmente disponibilizados por uma das partes podem perfeitamente ser restituídos pela outra também em recursos da mesma espécie. 12. Notase, contudo, que a sistemática de conta corrente de forma alguma se mostra como algo incompatível com uma operação de mútuo. Essa sistemática se amolda com perfeição ao fim de instrumentalizar operações de mútuo financeiro haja vista a facilidade que representa (principalmente quando envolvidas empresas/pessoas vinculadas), no que tange ao empréstimo do recurso por uma das partes e a posterior restituição, pela outra parte, por intermédio da mera sistemática de débitos e créditos em conta corrente." Fl. 1071DF CARF MF Processo nº 19515.720767/201733 Acórdão n.º 3302006.893 S3C3T2 Fl. 1.072 3 Estas foram, em resumo, as constatações e conclusões que levaram a autoridade fiscal a proceder a lavratura do auto de infração combatido. A ciência do lançamento ocorreu em 09/08/2017 e em 06/09/2017 foi protocolada a peça de defesa de fls. 941/965. Após fazer uma curta explanação dos fatos apresentou suas razões de discordância que seguem a linha demonstrada pelos excertos abaixo: "2. PRELIMINARMENTE 2.1 DA APLICAÇÃO DOS ARTS. 15 E 1.037, II DO NOVO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. NECESSÁRIA SUSPENSÃO DO TRÂMITE DO PROCESSO, SOB PENA DE AFRONTA À LEI... Sendo assim, é imperiosa a suspensão do processo, em razão da economia processual, em virtude da questão jurídica estar afeta a regime de repercussão geral pelo STF (RE 590.186). ... 3. DO DIREITO HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DO IOF NOS TERMOS DA LEI Nº 9.779/99– CONTRATOS DE CONTA CORRENTE NÃO ABRANGIDOS PELA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA... É de se ver, contudo, que referidas disponibilizações não configuram operações de mútuo, mas sim de conta corrente entre a Impugnante e as pessoas jurídicas a ela ligadas, conforme atestado pela própria Autoridade Fiscal, não havendo que se falar em hipótese de incidência do IOF. ... Ao editar a Instrução Normativa nº 907/2009, com o intuito de disciplinar as disposições da Lei nº 9.779/99, a Receita Federal do Brasil (RFB) equiparou as operações de mútuo às operações de conta corrente... ... Ora, ao equiparar as operações de conta corrente às de mútuo, a Instrução Normativa nº 907/2009 acabou não apenas por violar o Princípio Constitucional da Estrita Legalidade, estabelecido no inciso I do art. 150 da Carta Magna, como também criou tributação por analogia... Como se sabe, uma norma de nível hierárquico inferior à lei não pode criar nova exação ou alargar escopo da tributação legalmente definida. A edição da referida Instrução Normativa, apesar de confirmar a diferença entre os contratos de mútuo e os de conta corrente, acaba por alargar a hipótese de incidência do IOF. Fl. 1072DF CARF MF Processo nº 19515.720767/201733 Acórdão n.º 3302006.893 S3C3T2 Fl. 1.073 4 Ademais, ao estender às operações de conta corrente a tributação tipificada para os casos de mútuo, restou configurada flagrante afronta ao que dispõe o art. 97 do CTN, em especial seu inciso III... ... Entendese como operação de conta corrente, fundamentada ou não em contrato formal, a prática por meio da qual “duas pessoas estipulam a obrigação, para ambas as partes, ou para uma delas, de inscrever, em contas especiais de débito e crédito, os valores monetários correspondentes às suas remessas, sem que uma credora ou devedora da outra se julgue, senão no instante do encerramento de cada conta”. Assim, enquanto no mútuo o ajuste efetuado entre as empresas é simultâneo à entrega da quantia pactuada, o acordo estabelecido entre as pessoas jurídicas do grupo da Impugnante as obriga tão somente a disponibilizar créditos, de modo a permitir que sejam empregados quando se verificar a necessidade de adimplemento de suas obrigações, sem que haja prévia estipulação, ressaltese, dos montantes a disponibilizar, dado o dinamismo do diaa dia típico da atividade empresarial. Ademais, a estrutura de conta corrente implica em uma diversidade de operações recíprocas, que não se liquidam de imediato. ... Ora, a análise das operações praticadas pela Impugnante permite inferir que o respectivo negócio jurídico praticado não se enquadra no conceito de mútuo. Isto porque não há, entre as empresas ligadas àquele, a pretensão de transferir bens fungíveis para posterior devolução no mesmo gênero, qualidade e quantidade, o que pode ser comprovado pela própria movimentação das contas contábeis utilizadas pelas empresas para registro das operações de conta corrente praticadas. ... A Impugnante esclarece não trataremse as operações fiscalizadas de operações de mútuo, mas de mero conta corrente entre as empresas do Grupo. Tratase, no caso concreto, de remessas recíprocas entre a Impugnante e demais empresas do Grupo, caracterizando situação de contacorrente. Isto porque, no período autuado, a Impugnante além de ter figurado como cessora de crédito para as demais empresas do Grupo, também figurou como beneficiária de crédito em operações de igual natureza com tais empresas. ... A situação acima narrada afasta qualquer alegação de caracterização de contratos de mútuo, deixando muito claro tratarse de situação de conta corrente entre as empresas do Fl. 1073DF CARF MF Processo nº 19515.720767/201733 Acórdão n.º 3302006.893 S3C3T2 Fl. 1.074 5 Grupo, na qual a Impugnante atua como gestora de caixa de todo o Grupo. ... 4. DAS DEMAIS RAZÕES PELAS QUAIS A PRESENTE AUTUAÇÃO NÃO DEVE PROSPERAR... 5. DA DILIGÊNCIA... 6. DO ERRO DE CÁLCULO (negritos no original)" Citou doutrina, decisões judiciais e decisões administrativas que amparariam seu entendimento. Finalizando sua peça defensiva, vem a impugnante requerer a suspensão do andamentos do processo e, no caso de indeferimento deste pedido, a declaração da improcedência do lançamento. Em 29/01/2018, a 2ª Turma da DRJ/JFA, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2014 VALIDADE DA LEI. COMPETÊNCIA. Falece competência à autoridade julgadora de instância administrativa para a apreciação de aspectos relacionados com a validade de Lei, tarefa privativa do Poder Judiciário. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa SELIC, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 OPERAÇÃO DE MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS POR MEIO DE CONTA CORRENTE. INCIDÊNCIA. O IOF previsto no art. 13 da Lei nº 9.779, de 1999, incide sobre as operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros, independentemente da forma pela qual os recursos sejam entregues ou disponibilizados ao mutuário. Dessa forma, ocorre o fato gerador do imposto nas operações de crédito dessa Fl. 1074DF CARF MF Processo nº 19515.720767/201733 Acórdão n.º 3302006.893 S3C3T2 Fl. 1.075 6 natureza também quando realizadas por meio de conta corrente, sendo irrelevante ainda a relação de controle ou coligação entre as pessoas jurídicas envolvidas. MÚTUO ENTRE EMPRESAS LIGADAS. CONTA CORRENTE CONTÁBIL. CRÉDITO ROTATIVO. INCIDÊNCIA. CONTRATO DE MÚTUO. INEXIGIBILIDADE. Os aportes de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ligadas e entre pessoa jurídica e pessoa física, sem prazo e valor determinado, realizado por meio de lançamentos em conta corrente contábil, caracterizam as operações de crédito correspondentes a mútuo, independente da formalização de contrato, sujeitas ao IOF. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Intimada da decisão, em 13/06/2018, consoante Termo de ciência por abertura de mensagem, fl. 1031, a Recorrente interpôs recurso voluntário em 13/07/2018, consoante Termo de solicitação de juntada de documentos acostado, no qual alegou preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau (falta de manifestação acerca de argumento autônomo e parecer acostado que tratam do art 1º da Lei 5.143/66 (instituidora do IOF) necessidade de anulação do acórdão ora recorrido para que analise a questão sob pena de supressão de instância), e no mérito reproduz as alegações esgrimidas no momento da impugnação, para subsidiariamente pedir o cancelamento da exigência fiscal. Alternativamente, requer diligência e traz quesitos. E por fim, caso seja julgado subsistente o auto de infração, requer a correção do cálculo do tributo devido e o afastamento dos juros de mora sobre a multa aplicada. Posteriormente, o expediente foi encaminhado a esta Turma ordinária para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. DA NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA No que tange à preliminar de nulidade da decisão recorrida, por falta de manifestação acerca de argumento autônomo e parecer acostado que tratam do art 1º da Lei Fl. 1075DF CARF MF Processo nº 19515.720767/201733 Acórdão n.º 3302006.893 S3C3T2 Fl. 1.076 7 5.143/66 (instituidora do IOF) necessidade de anulação do acórdão ora recorrido para que analise a questão sob pena de supressão de instância, ao meu sentir merece crédito, uma vez que, de fato, o acórdão recorrido não tratou especificamente do tema durante o voto, mesmo fazendo constar dele en passant no seu relatório: 4. DAS DEMAIS RAZÕES PELAS QUAIS A PRESENTE AUTUAÇÃO NÃO DEVE PROSPERAR. O supra citado item 4 da impugnação dizia o seguinte: Na remota hipótese de Vossas Senhorias entenderam(sic) pela insubsistência dos argumentos elencados acima, a Impugnante entende oportuno apresentar argumentos adicionais, pelo quais entende que restaria cancelada a autuação, pois: (i) O histórico legislativo do IOF limita o conceito de operações financeiras àquelas realizadas por instituições financeiras, pois o artigo 1º da Lei nº 5.143/66 foi recepcionado pela Constituição Federal como Lei Complementar (no artigo 146, III, a) e não foi revogado, expressa ou tacitamente, pelo Código Tributário Nacional; e, (ii) Em razão do conceito de instituições financeiras ser definido pelo Direito Privado, não poderia o legislador ordinário extrapolar tal conceito para prever hipótese de incidência sobre entidades não integrantes do Sistema Financeiro Nacional, nos termos do artigo 110 do CTN. Além disso, tal conduta estabeleceria ficção jurídica não condizente com a função extrafiscal do IOF. O parecer anexo explora os argumentos acima elencados de forma mais detalhada (Doc. 03). Como o argumento tem condições, em tese, de alterar o rumo da solução da lide, e não foi abordado pela decisão recorrida, este Colegiado se vê impossibilitado de enfrentálo agora sob pena de dar azo à supressão de instância. Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para tornar nula a decisão de primeiro grau, por não enfrentamento das matérias acima especificadas, sendo necessário o retorno do expediente à DRJ/JFA, para prolatação de nova decisão, em boa forma. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Fl. 1076DF CARF MF Processo nº 19515.720767/201733 Acórdão n.º 3302006.893 S3C3T2 Fl. 1.077 8 Fl. 1077DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.009329/2008-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Período de apuração: 31/01/2004 a 31/12/2004
RECURSO DE OFÍCIO. INADMISSIBILIDADE. INFERIOR AO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso de ofício não preenche condições de admissibilidade, posto que, não atinge o valor de alçada, hoje fixado em R$ 2.500.000,00 pela Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017.
Recurso de Ofício Não Conhecido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 3402-006.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso de Ofício, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Período de apuração: 31/01/2004 a 31/12/2004 RECURSO DE OFÍCIO. INADMISSIBILIDADE. INFERIOR AO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. O recurso de ofício não preenche condições de admissibilidade, posto que, não atinge o valor de alçada, hoje fixado em R$ 2.500.000,00 pela Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017. Recurso de Ofício Não Conhecido Crédito Tributário Exonerado
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INADMISSIBILIDADE. INFERIOR AO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. O recurso de ofício não preenche condições de admissibilidade, posto que, não atinge o valor de alçada, hoje fixado em R$ 2.500.000,00 pela Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017. Recurso de Ofício Não Conhecido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso de Ofício, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 93 29 /2 00 8- 28 Fl. 444DF CARF MF 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos: Contra a contribuinte identificada no preâmbulo foi lavrado o auto de infração às fls. 3/16, formalizando lançamento de ofício do crédito tributário abaixo discriminado, relativo ao Imposto Sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários – IOF dos períodos de 31/01/2004 a 31/12/2004, incluindo juros de mora calculados até 30/05/2008 e multa proporcional de 75%, totalizando R$ 1.150.348,04 (um milhão cento e cinquenta mil trezentos e quarenta e oito reais e quatro centavos): Segundo a fiscalização, após analise da escrita contábil da empresa, durante o anocalendário de 2004, foi identificado falta de recolhimento e de declaração em DCTF do Imposto sobre Operações Financeiras IOF, referente a operações de crédito realizadas entre a empresa fiscalizada e duas outras pessoas jurídicas coligadas/controladas, na forma prevista no art. 13 da lei n° 9.779, de 19/01/1999, pela ocorrência de mútuo de recursos financeiros entre o sujeito passivo (mutuante) e essas duas empresas coligadas/controladas, na condição de mutuarias. A partir da verificação dos livros contábeis e demais documentos apresentados pela contribuinte, no ano de 2004, verificouse que a fiscalizada teria atuado como mutuante em relação a duas empresas controladas/coligadas, no caso, a EMPESCA S/A – LAGOSTA e EMPESCA S/A – CAMARÃO. Por conta dessas operações, a mutuante fez constar, em 2004, no seu livro razão como também em seus balancetes as respectivas contas do Ativo Realizável a Longo Prazo (Adiantamento a Controladas/Coligadas) conta n ° 1.2.01.03.0023 Empesca S/A CNPE – Lagosta e conta n° 1.2.01.03.0025 Empesca S/A CNPE – Castanha. Entendeu, portanto, a fiscalização que efetivamente teria ocorrido o fato gerador do IOF pelas operações de crédito realizadas entre as pessoas jurídicas aventadas; Assim, procedeuse ao lançamento de oficio onde, conforme prescreve o art 7º do Decreto n° 4.494/2002, a base de calculo é o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês inclusive na prorrogação ou renovação. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada, das exigências, em 04/07/2008 (Aviso de Recebimento – AR de fls. 130), a autuada, em 05/08/2008, apresentou sua Impugnação constante das fls. Fl. 445DF CARF MF Processo nº 10380.009329/200828 Acórdão n.º 3402006.554 S3C4T2 Fl. 445 3 133 a 152 (e anexos), atacando o procedimento fiscal com os argumentos a seguir expostos. Em sede de preliminar vem aos autos para pugnar pela decadência parcial das operações mercantis ocorridas anteriormente a julho 2003, pois, em se tratando de lançamento por homologação, aplicarseá a regra insculpida no artigo 150, § 4º da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). DO MÉRITO Inicia a sua narrativa destacando que existe apenas uma empresa, controladora da Impugnante, denominada EMPESCA S/A Construções Navais, Pesca e Exportação (Empesca S/A – CNPE), inscrita no CNPJ (MF) sob o n° 09.119.033/000120. As denominações Empesca S/A – Lagosta; Empesca S/A – Camarão; e Empesca S/A – Castanha, foram utilizadas, em seu plano de contas contábil, apenas para identificar as operações realizadas pela Impugnante com sua controladora de forma segregada, por atividade operacional da Impugnante, haja vista que a empresa tem por objetivo social preponderante a industrialização e comercialização de lagosta, camarão e castanha. Assim, todas as contas contábeis mencionadas pelo d. Fiscal tem como titular uma única empresa, a Empesca S/A – CNPE, apesar de operar com três diferentes produtos: camarão, lagosta e castanha. Ressalta a Impugnante que embora a contacontábil 1.2.01.03.0025 –Empesca S/A CNPE – Castanha tenha sido mencionada pela fiscalização na descrição dos fatos, não chegou a ser utilizada no cálculo do pretenso imposto lançado, o que demonstra a improcedência do mesmo, pois, no caso especifico desta lide, o lançamento deveria abranger as operações realizadas entre a Impugnante e sua controladora (Empesca S/A – CNPE), cujo objeto dessas operações fosse movimentação de dinheiro, com características de empréstimo financeiro e para apurar os saldos diários dos mútuos seria necessário somar as três contas identificadas como Lagosta, Camarão e Castanha. Destarte, ao não adicionar os valores dos saldos da conta contábil “Empesca S/A CNPE – Castanha” incorre em erro a fiscalização, haja vista que todas as contas refletem as operações de uma única empresa, a Empesca S/A – CNPE. Aduz que o imposto incide sobre operações de crédito (empréstimos, mútuo entre empresas, factoring, etc.) que tenham como objeto recursos financeiros (dinheiro), mas, no caso concreto, os saldos das contas analisadas eram compostos, praticamente, por operações que envolviam outros bens que não recursos financeiros, principalmente, operações mercantis de produção da Impugnante (lagosta, camarão e castanha). Essas operações mercantis eram simplesmente compra e venda de produtos para exportação. Os históricos de cada lançamento a débito, dos razões das contascorrentes analisadas, demonstram que os valores significativos tratavamse de: (i) vendas de mercadorias; (ii) transferências de bens e direitos; (iii) arrendamento de instalações, como se confirma com as cópias dos razões anexo. As contas contábeis analisadas pelo d. Fiscal começaram a ser movimentadas em outubro de 1997, notadamente em decorrência de movimentações financeiras (pagamentos e recebimentos por ordem e conta da controladora), bem como Fl. 446DF CARF MF 4 movimentações oriundas de transferência de bens, direitos e obrigações, que pertenciam, de fato, à controladora, ou de bens e direitos não necessários às suas atividades. No período entre os anos de 1998 a 2000, nas contas contábeis analisadas pela fiscalização, predominaram os lançamentos decorrentes de operações mercantis venda da produção da Impugnante à Empesca S/A – CNPE, notadamente vendas destinadas à exportação. Anteriormente à constituição da Impugnante, a empresa que produzia lagosta, camarão e castanha era a sua controladora, a Empesca S/A – CNPE, que, por questão de controle e gestão, deixou de ser uma empresa de características operacionais, passando a ser uma gestora de participações societárias (holding). Entretanto, como havia firmado contratos de exportação junto aos seus clientes, bem como possuía obrigações junto a instituições financeiras, decorrentes de ACC — Adiantamento de Contratos de Câmbio, necessitava cumprir tantos os contratos de exportação, bem como a liquidação dos ACCs em aberto, assim, continuou a exportar, através de aquisição de “performance” (termo utilizado no mercado exportador, para definir as aquisições de produtos de uma empresa produtora/exportadora, junto a outra empresa, também produtora/exportadora, com o intuito de liquidar os compromissos de ACCs assumidos pela adquirente), comprando a produção da Impugnante, sua controlada, e exportando em seu nome. Foram essas operações que formaram os saldos das ditas contas contábeis, que serviram de base para o presente auto de infração. Assim, se conclui que, nas contas analisadas pela fiscalização predominaram lançamentos contábeis que refletem operações de venda de mercadorias, arrendamento mercantil e transferência de bens e direitos, operações estas não previstas no art. 13, da Lei n° 9.779/99, por não se tratar de operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas. Noutra ponta, como os saldos das mencionadas contas tiveram origem em 1997, os possíveis créditos financeiros formados entre 1997 e janeiro de 1999 não estão sujeitos à incidência do IOF, haja vista que as operações de credito de mútuos financeiros entre pessoas jurídicas, não financeiras, passaram a servir de base para a incidência desse imposto a partir da vigência da Lei n° 9.779/99, ou seja, a partir de 20/01/1999. De todo o exposto, concluise que a ação do d. Fiscal foi, única e exclusivamente, somar os saldos diários dos razões de duas contas, esquecendose de uma terceira conta, e calcular o imposto. Nada mais. Não questionou qualquer lançamento dos razões analisados. Não buscou sequer saber quem eram os titulares das contas auditadas. Enfim, não buscou a verdade material. O que se tributa é o fato gerador do imposto não simples saldos contábeis. Portanto, requer o acolhimento da preliminar de decadência para o período indicado e, no mérito, que o auto seja julgado totalmente improcedente, ou que o julgamento seja convertido em diligência para que sejam esclarecidas todas as questões suscitadas nesta impugnação. Ato contínuo, a DRJBRASÍLIA (DF) julgou a Impugnação do contribuinte nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Fl. 447DF CARF MF Processo nº 10380.009329/200828 Acórdão n.º 3402006.554 S3C4T2 Fl. 446 5 Período de apuração: 31/01/2004 a 31/12/2004 MUTUO. EMPRESAS NÃO FINANCEIRAS. FATO GERADOR. A obrigação tributária nasce à vista de fato previamente descrito, cuja ocorrência tem a aptidão de gerar aquela obrigação. Em se tratando de empresas jurídicas não financeiras, a incidência do IOF está adstrita às operações de crédito correspondentes a operações de mútuo que tenham por objeto recursos em dinheiro. LANÇAMENTO. Verificado o equívoco na tributação, cancelase a exigência. Compete à autoridade fiscal demonstrar a existência dos requisitos configuradores incidência do IOF. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Tendo em vista a exoneração do total do crédito em valor superior ao limite estabelecido no o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de1997, e na forma do art. 1º da Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008, a decisão deve ser submetida a apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em Recurso de Ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Sousa Bispo O recurso de ofício não deve ser conhecido, visto que a decisão recorrida exonerou tributo e encargos de multa em valor inferior a R$ 2.500.000,00, no montante de R$ 882.691,02 para ser exato. Nesse sentido, eis o teor do art. 1º da Portaria MF 63/2017: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 448DF CARF MF 6 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Como se sabe, a Súmula CARF nº 103 preceitua que o limite de alçada deve ser aferido na data de apreciação do recurso em segunda instância: Súmula CARF nº 103 : Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. A decisão recorrida cancelou totalmente o auto de infração de diferenças de IOF decorrente de contratos de mútuo celebrados com duas empresas coligadas da Fiscalizada. As importâncias exoneradas foram discriminadas no acórdão recorrido de acordo com a tabela abaixo reproduzida: Diante do exposto, voto no sentido de não reconhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator Fl. 449DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.901636/2013-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2012 a 29/02/2012
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracteriza-se a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade.
Numero da decisão: 3302-006.857
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracterizase a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. Relatório Trata o presente processo do Pedido de Restituição (PER), transmitido pelo contribuinte acima identificado, no qual solicita a restituição de PIS. Consta no processo Despacho Decisório Eletrônico proferido pela unidade de origem, o qual concluiu pela improcedência do crédito original informado no PER, sob o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 16 36 /2 01 3- 10 Fl. 372DF CARF MF Processo nº 16682.901636/201310 Acórdão n.º 3302006.857 S3C3T2 Fl. 3 2 fundamento de que o pagamento relacionado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Cientificado desta decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ, nos termos do Acórdão nº 12089.003. Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) A ausência de retificação de DCTF ou de qualquer outra obrigação acessória jamais poderia ser impeditivo do reconhecimento do seu direito ao crédito, na medida em que o Fisco possui outros meios de apurar a existência de eventual indébito tributário. Assim, não restam dúvidas de que a falta de retificação da DCTF não deve implicar na perda do direito ao crédito; b) Não há concomitância entre o presente processo e o Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. A lide proposta foi no sentido de que fosse reconhecido o direito líquido e certo da recorrente não se sujeitar à incidência do PIS/Cofins sobre as receitas de interconexão, bem como para reconhecer o crédito referente a eventuais valores pagos indevidamente, relativamente a contribuições apuradas e recolhidas após a impetração do writ. O objeto da ação judicial se destina apenas às contribuições de PIS e Cofins apuradas e recolhidas após a distribuição do referido MS; c) No caso concreto, há uma divisão muito clara. Os pagamentos indevidos de PIS/COFINS sobre receitas de interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013, foram objeto de pedido administrativo de restituição. Apenas os pagamentos realizados com base em apurações de PIS/COFINS feitas partir de 23.9.2013, foram objeto do pedido judicial formulado no Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. Bem verdade que há certa semelhança entre as causas de pedir dos processos administrativos e judicial. Ambos estão fundados na “não incidência do PIS/COFINS sobre receitas de interconexão”. Todavia, os pedidos efetuados para se afastar o PIS e a COFINS sobre as receitas de interconexão, bem como para se reconhecer o crédito sobre pagamentos indevidos realizados envolvem a mesma discussão para períodos de apuração distintos. Frisese: os pedidos administrativos se voltam às contribuições apuradas e pagas antes da impetração do mandado de segurança. Já aquelas apuradas e pagas após o ajuizamento da ação judicial são objeto do mandado de segurança. Diante desse cenário, verificase que não há concomitância entre o mandado de segurança em curso perante o Poder Judiciário e o presente processo administrativo, tendo em vista que os períodos de apuração relativos ao crédito referente ao indébito tributário são distintos; d) Os valores recebidos pela Recorrente e repassados a outras operadoras a título de interconexão de redes não configuram receita tributável pelo PIS e COFINS, pois não se trata de “receita” auferida pela Recorrente, quer do ponto de vista jurídico, quer mesmo do ponto de vista contábil. No caso dos valores recebidos pela Recorrente e repassados a terceiros a título de interconexão de redes, o que se verifica é um mero e transitório ingresso de recursos que devem ser repassados ao terceiro que cedeu seus meios de rede à Recorrente. Não há, portanto, qualquer efetivo acréscimo patrimonial da Recorrente, porque já há um imediato e compulsório destino para aquele valor recebido, que é repassado para as outras operadoras de telecomunicação; e) A tributação nos moldes pretendidos pelo Fisco implica a tributação pelo PIS/COFINS da receita total auferida pela Recorrente pela prestação do serviço de Fl. 373DF CARF MF Processo nº 16682.901636/201310 Acórdão n.º 3302006.857 S3C3T2 Fl. 4 3 telecomunicação, incluindo a parcela que será repassada a terceiros pela interconexão de redes. E, além dessa tributação, nos termos da pretensão fiscal, haveria uma nova incidência do PIS/COFINS pelo terceiro que realiza a interconexão, no momento em que ele apropriar a receita que lhe é repassada, caracterizando o bis in idem tributário; f) A base de cálculo do PIS/COFINS não deve ser integrada por elementos estranhos à receita auferida, notadamente pelos valores que devem ser repassados a terceiros a título de interconexão de redes. Na prática, isso faz com que todo o valor pago pela Recorrente a título de PIS/COFINS sobre esses valores de interconexão de redes seja qualificado como indébito tributário, que lhe deve ser restituído. Termina o recurso requerendo o provimento para que seja reformado o acórdão recorrido, a fim de que seja deferido o pedido de restituição formulado. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.815, de 25 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.900008/201490, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.815): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise. O cerne da questão está em decidir se há concomitância entre esse processo administrativo e o Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. Para tanto, é necessário analisar os objetos dos respectivos processos. Conforme já mencionado na decisão a quo, o indébito pleiteado no Pedido de Restituição decorre, nas palavras do contribuinte, “da indevida inclusão na base de cálculo do PIS de valores referentes a ingressos de numerário em razão de contratos de interconexão, os quais não constituem "receita" da Manifestante”. Portanto, defende em processo administrativo a não incidência do PIS/COFINS sobre tarifas de interconexão. Vejamos o objeto do MS nº 002418579.2013.4.02.5101: Pela petição inicial, temos os seguintes pedidos: a) concessão de medida liminar para assegurar o direito liquido e certo da impetrante à suspensão da exigibilidade dos créditos tributários, nos termos do art. 151, IV, do CTN, das Fl. 374DF CARF MF Processo nº 16682.901636/201310 Acórdão n.º 3302006.857 S3C3T2 Fl. 5 4 contribuições ao PIS e a Cofins, sobre os meros ingressos apurados mensalmente pelo regime de competência pela impetrante decorrentes tão somente das tarifas de interconexão recebidas dos usuários pela coprestação dos serviços de telecomunicações prestados pelas demais operadoras e a elas integralmente repassadas (serviços de transmissão, emissão ou recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza); b) determinação à Autoridade Coatora sobre o contudo da decisão liminar, bem como acerca do conteúdo do presente mandamus, para que no prazo legal, preste as informações que entender necessárias, com a posterior oitiva do representante do Ministério Público; c) Ciência à União Federal, nos termos do art. 7º, II, da Lei nº 12.016/2009; d) ao final, a concessão da segurança para confirmar a liminar requerida e assegurar o direito liquido e certo de a impetrante não se sujeitar à incidência das contribuições ao PIS e à Cofins, sobre meros ingressos apurados mensalmente pelo regime da competência pela impetrante decorrentes tão somente das tarifas de interconexão recebidas dos usuários pela coprestação dos serviços de telecomunicações prestados pelas demais operadoras e a elas integralmente repassadas (serviços de transmissão, emissão ou recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza), sob pena de violação ao art. 2º da Lei nº 9,718/99 e aos arts. 5º, II; 145 § 1º; 150, I e IV e 195, I, "b" da Constituição Republicana de 1988, com a consequente compensação do indébito dessas contribuições, apurados desde a distribuição do presente writ, devidamente atualizado pela Taxa Selic, após o trânsito em julgado, nos termos dos artigos 165, 170 e 170A do CTN. A sentença de primeiro grau do Mandado de Segurança nº 002418579.2013.4.02.5101, assim decidiu: Tratase de mandado de segurança com pedido de liminar impetrado por INTELIG COMUNICAÇÕES LTDA contra ato atribuído ao DELEGADO DA DELEGACIA ESPECIAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE MAIORES CONTRIBUINTES NO RIO DE JANEIRO DEMAC, objetivando a declaração de não incidência das contribuições ao PIS e à COFINS, sobre os ingressos apurados mensalmente pelo regime de competência pela Impetrante, decorrentes de tarifas de interconexão serviços prestados pelas demais operadoras, que são posteriormente repassados àquelas congêneres, bem como a declaração do direito de compensar o indébito referente a estas contribuições, apurado desde a distribuição do writ. Sustenta, em apertada síntese, que as chamadas "tarifas de interconexão" não constituem receita, e sim meros ingressos econômicos ou financeiros, tendo cm vista que são recebidas, cm um primeiro momento, pela Impetrante, porem repassadas cm seguida às operadoras que efetivamente prestaram os serviços ao cliente usuário da Impetrante. (...) Fl. 375DF CARF MF Processo nº 16682.901636/201310 Acórdão n.º 3302006.857 S3C3T2 Fl. 6 5 Pelo exposto, com fulcro no art. 269. I, do CPC. JULGO PROCEDENTE O PEDIDO e CONCEDO A SEGURANÇA, para determinar ao Impetrado que se abstenha de exigir da Impetrante que recolha o PIS e a Cofins, incluindo na base de cálculo o valor recebido pela Impetrante e posteriormente repassado a operadora congênere, que prestou efetivamente o serviço, a título de "tarifa de interconexão", bem como para declarar o direito da Impetrante à compensação do indébito, apurado desde a distribuição do presente, na forma da lei de regência, de acordo com a modalidade escolhida pelas Impetrantes, aplicandose a SELIC como critério de atualização do indébito, vedada a cumulação com qualquer outro índice, nos termos da fundamentação supra. Analisando as razões jurídicas apresentadas na peça recursal, fico convencido da identidade das demandas administrativa e judicial, pois nas duas esferas o que se discute é a inexistência de relação jurídica tributária do PIS e da Cofins em relação as receitas de interconexão. O próprio recorrente reconhece essa congruência entre os processos administrativo e judicial. Sua alegação para afastar a concomitância se ampara no fato de que os pagamentos indevidos de PIS/COFINS sobre receitas de interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013, foram objeto de pedido administrativo de restituição, e que apenas os pagamentos realizados com base em apurações de PIS/COFINS feitas partir de 23.9.2013, foram objeto do pedido judicial formulado no Mandado de Segurança n° 0024185 79.2013.4.02.5101. Não comungo do entendimento no qual a concomitância é afastada pela falta de identidade entre os períodos de apuração apontados nos processos judicial e administrativo. O diferencial entre os períodos de apuração, aqueles contemplados pelo mandamus e os não contemplados, na minha visão, referese somente à possibilidade de o recorrente utilizálos para pedido de compensação antes do trânsito em julgado, por ordem judicial, conforme sua solicitação na exordial. Os demais períodos de apuração, os que foram apurados antes da distribuições do writ, deverão esperar o trânsito em julgado da ação para poderem se credenciar a objeto de um pedido de restituição, com possíveis compensações. Digo isso, pois a decisão do Poder Judiciário sobre a incidência do PIS e da Cofins nas receitas oriundas das tarifas de interconexão, terá reflexos para todos os períodos de apuração, independentemente se foi contemplado no pedido do MS nº 002418579.2013.4.02.5101 ou não Isso se deve ao fato de que na existência de processos paralelos, com objeto e finalidade idênticos, não é salutar que haja decisões com efeitos redundantes ou antagônicos. Em qualquer das hipóteses, prevalecerá a decisão judicial, motivo pelo qual a concomitância de processos ofende o princípio da economia processual. Em face disso, a opção do contribuinte pela via judicial encerra o processo administrativo fiscal em definitivo, em qualquer das fases em que ele se encontre. Fl. 376DF CARF MF Processo nº 16682.901636/201310 Acórdão n.º 3302006.857 S3C3T2 Fl. 7 6 Registrese que a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal, que adota o modelo de jurisdição una, onde são soberanas as decisões judiciais. Sendo assim, nos casos em que o sujeito passivo opta pela via judicial para a discussão de matéria tributária implica na renúncia ao poder de recorrer nesta instância, nos termos do parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80 e do § 2º, art. 1º do Decretolei nº 1.737, de 1979. Ratificando este entendimento, foi aprovado o enunciado de Súmula CARF nº 01, in verbis: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Na linha do entendimento fixado, não conheço do recurso quanto à matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário e na parte conhecida, nego provimento ao recurso por enxergar identidade entre os pedidos e as causas de pedir apresentados no MS nº 2007.70.00.0222765 e neste recurso administrativo." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 377DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.912491/2009-50
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
INCLUSÃO DE DOCUMENTOS INÉDITOS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. PRECLUSÃO CONSUMATIVA.
Documentos inéditos colacionados apenas por ocasião da apresentação do Recurso Voluntário não podem ser conhecidos pela instância recursal em razão da ocorrência da preclusão consumativa.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004
NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO.
Correta a não homologação de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora integralmente utilizado para a quitação de débito com características distintas.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DO RECORRENTE.
Compete ao Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente o direito creditório vindicado, utilizando-se de meios idôneos e na forma prescrita pela legislação.
Ausentes os elementos mínimos de comprovação do crédito, não cabe realização de auditoria pelo julgador do Recurso Voluntário neste momento processual, eis que implicaria o revolvimento do contexto fático-probatório dos autos.
Numero da decisão: 1002-000.672
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos documentos inéditos juntados no recurso voluntário, em razão da preclusão consumativa, e, no mérito, na parte conhecida, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. Documentos inéditos colacionados apenas por ocasião da apresentação do Recurso Voluntário não podem ser conhecidos pela instância recursal em razão da ocorrência da preclusão consumativa. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a não homologação de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora integralmente utilizado para a quitação de débito com características distintas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DO RECORRENTE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 24 91 /2 00 9- 50 Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10580.912491/200950 Acórdão n.º 1002000.672 S1C0T2 Fl. 129 2 Compete ao Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente o direito creditório vindicado, utilizandose de meios idôneos e na forma prescrita pela legislação. Ausentes os elementos mínimos de comprovação do crédito, não cabe realização de auditoria pelo julgador do Recurso Voluntário neste momento processual, eis que implicaria o revolvimento do contexto fáticoprobatório dos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos documentos inéditos juntados no recurso voluntário, em razão da preclusão consumativa, e, no mérito, na parte conhecida, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo. Relatório Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação da compensação, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/REC: Tratam os autos de análise eletrônica da Declaração de Compensação (Dcomp) retificadora nº 42847.75153.311008.1.3.040269, com cópia às fl. 02 a 051, por intermédio da qual o contribuinte acima qualificado efetuou compensação, sob condição resolutória, do débito abaixo indicado, com suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor de R$ 17.612,17 (cód 2372), apurado junho de 2004, decorrente de Darf de R$ 27.554,00, com vencimento e arrecadação em 29 de julho de 2004. Consoante indicado na Dcomp, todo o crédito foi utilizado na compensação. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10580.912491/200950 Acórdão n.º 1002000.672 S1C0T2 Fl. 130 3 2. Como resultado desta análise foi emitido o Despacho Decisório nº 848514681, de 07 de outubro de 2009, às fl. 06 a 08, que decidiu pela não homologação da compensação declarada em virtude da inexistência do crédito pleiteado. 2.1. Segundo a decisão, o Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado de igual valor (R$ 27.554,00), de igual código de receita (2372), referente ao mesmo período de apuração (30 de junho de 2004). 3. Cientificado por via postal da decisão em 21 de outubro de 2009, conforme faz a cópia do Aviso de Recebimento à fl. 09, em 17de novembro de 2009 o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade às fl. 10 a 12, instruída com os documentos às fl. 13 a 72, onde argumentou, em síntese, o que segue: 3.1. tempestividade; 3.2. após quitação /recolhimento do Darf objeto do crédito em questão, constatou que havia se equivocado na aplicação do percentual de presunção para a determinação do lucro presumido. Ao invés do percentual de 32%, deveria ter utilizado 12%, haja vista se enquadrar no conceito de serviços hospitalares, conforme processo de consulta nº 10580.010938/200440. Assim, pagou tributo a maior no 2º trimestre de 2004, sendo devida a restituição do excedente. O cálculo correto pode ser visto na DIPJ/2005 retificadora anexada. Retificou a DCTF para proceder o ajuste; 4. Ao final, requereu a admissão da retificação da DCTF e que seja homologada a compensação. 5. Em 03 de novembro de 2010, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador/BA (DRF/SDR) emitiu o despacho à fl. 73, por intermédio do qual pronunciouse pela tempestividade da manifestação de inconformidade e encaminhou os autos para julgamento pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (DRJ/SDR). Contudo, tendo em vista o disposto na Portaria RFB nº 453, de 11 de abril de 2013, e no art. 2º da Portaria RFB nº 1.006, de 24 de julho de 2013, os autos foram remetidos para esta DRJ/Recife (fl. 74). A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/REC, conforme acórdão n. 1142.053 (efl. 75), que recebeu a seguinte ementa: Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10580.912491/200950 Acórdão n.º 1002000.672 S1C0T2 Fl. 131 4 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 DCTF RETIFICADORA. AUSÊNCIA DE ESPONTANEIDADE. DESQUALIFICAÇÃO. DCTF entregue após ciência de despacho decisório que não homologou compensação declarada não produz efeitos em relação aos créditos e débitos objetos da análise. RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO DE DCTF. NECESSIDADE DE PROVA DOCUMENTAL. Para fins de comprovar erro cometido no preenchimento de DCTF não basta carrear aos autos cópia de DIPJ, sendo necessária a comprovação documental de cometimento de erro na determinação do tributo. SOLUÇÃO EM PROCESSO DE CONSULTA. A solução em processo de consulta é proferida em tese, cabendo ao contribuinte comprovar, quando necessário, que atende às condições estabelecidas no referido ato. COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. NÃO CABE HOMOLOGAÇÃO. Somente é passível de compensação crédito líquido e certo. Inexistindo o mesmo, é devido não homologar a compensação. Irresignado, o ora Recorrente apresenta Recurso Voluntário (efls. 82), no qual propõe os fundamentos de fato e de direito abaixo sintetizados (destaques do original): Sustenta que "Quanto ao primeiro fundamento, é pacífico o entendimento da doutrina e da jurisprudência administrativa no sentido de que a retificação da DCTF e da DIPJ poderá ser admitida, desde que fique devidamente evidenciada a existência de ERRO MATERIAL DE FATO, tudo em nome do princípio da busca da VERDADE MATERIAL. Afirma que "No tocante ao segundo fundamento, relativamente à apresentação das provas do efetivo exercício da atividade de 'serviços hospitalares', cumpre ressaltar que não era esse o cerne da questão que motivou o despacho decisório que indeferiu ou não homologou a compensação" e que "...da leitura do próprio despacho decisório se conclui que a motivação foi exclusivamente a inexistência do direito ao crédito por não ter sido identificado, tais créditos, no confronto dos débitos e créditos informados na respectiva DCTF". Aduz que "...em momento algum foi questionado no respectivo despacho decisório sobre o direito da Recorrente de se utilizar dos percentuais reduzidos para os fins do lucro presumido" e que "Nesse ponto, há de se conceber que somente com a ciência do Acórdão ora atacado é que a Recorrente se vê na obrigação de apresentar tais provas, não havendo o que se falar, portanto, em preclusão". Alega que "Quanto ao fato da DCTF retificadora ter sido apresentada mesmo após a ciência do despacho decisório, é pacífico o entendimento da doutrina e da Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10580.912491/200950 Acórdão n.º 1002000.672 S1C0T2 Fl. 132 5 jurisprudência administrativa no sentido de que a retificação da DCTF poderá ser admitida, desde que fique devidamente evidenciada a existência de ERRO MATERIAL DE FATO, tudo em nome do princípio da busca da VERDADE MATERIAL. Com relação à prestação de serviços hospitalares, afirma que "A partir da publicação da Instrução Normativa 306 SRF, de 1232003, publicada no DOU de 342003, a administração tributária firmou um entendimento mais abrangente para o conceito de serviços hospitalares. Isto porque, o art. 23 do referido ato normativo disciplina que para os fins previstos no art. 15, § 1.°, inciso III, alínea "a", da Lei 9.249/95 (matriz legal do lucro presumido), poderão ser considerados serviços hospitalares aqueles prestados por pessoas jurídicas, diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução de uma das atividades ou a combinação de uma ou mais das atribuições relacionadas na Parte II. Capítulo 2. da Portaria GM n.º 1.884/94, do Ministério da Saúde". Aduz que "A Coordenação Geral do Sistema de Tributação (COSIT) da Secretaria da Receita Federal, através da Solução de Divergência n.° 11, também se manifestou favoravelmente à aplicação da alíquota reduzida..." e que "Com a finalidade de se confirmar o direito à aplicação da alíquota reduzida concernente aos serviços hospitalares, a Recorrente protocolou consulta nesse sentido na RFB da 5ª Região Fiscal, tendo recebendo a resposta através da Solução de Consulta 16, de 31 de maio de 2005...". Conclui que "não restam dúvidas que os serviços prestados pela Recorrente nas diversas especialidades da área médica e de saúde, tais como, clínica médica geral, cirurgia geral, ortopedia e traumotologia, ultrassonografia, urologia, angiologia e cirurgia vascular, proctologia, oftalmologia, endoscopia digestiva, audiometria, otorrinolaringologia, ginecologia e obstetrícia, etc, consoante os documentos de que trata o item 4 adiante, se enquadravam perfeitamente nas disposições dos itens 1.7 e 1.8 da Atribuição 1, 2.1.5 e 2.2.5, da Atribuição 2, todos da Parte II da mencionada Resolução ANVISA 50/2002. Consigna, ainda, que "Face aos argumentos acima aduzidos, no tópico 2, acerca da admissão da apresentação das provas requeridas, ainda que em sede de Recurso Voluntário, juntase ao presente os seguintes documentos comprobatórios do exercício da atividade de 'serviços hospitalares' : a) Contrato Social original e alterações, onde constam as atividades de serviços de medicina em geral, além de outros relacionados à área de saúde (doc. 2); b) Contratos de Prestação de Serviços Médicos firmados com entidades contratantes de tais serviços, com o plano de saúde MASTERMED (doc. 3); c) Notas Fiscais de prestação de serviços faturados para os contratantes em que comprovam a prestação de serviços médicos nas diversas especialidades acima mencionadas (doc. 5). Ao final, requer o acolhimento do presente recurso, para o fim de viabilizar o direito de retificação da DCTF e de reconhecer o exercício da atividade de prestação de serviços hospitalares à época dos fatos, homologandose integralmente a compensação declarada. É o Relatório do essencial. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10580.912491/200950 Acórdão n.º 1002000.672 S1C0T2 Fl. 133 6 Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator 1. Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23B do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, com redação dada pela Portaria MF nº 329/2017. Demais disso, observo que o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, entretanto, conheçoo parcialmente, em razão da ocorrência da preclusão consumativa relativa ao direito de apresentação no Recurso Voluntário de documentos não juntados por ocasião da Manifestação de Inconformidade, quais sejam: Alteração contratual n° 04, Contrato de garantia de coberturas médicohospitalares e respectivas notas Fiscais de prestação de serviços à empresa Mastermed dos anoscalendário de 2003 e 2004. Documentos novos, assim entendidos aqueles trazidos pela primeira vez a debate no Recurso Voluntário, não podem ser analisados por este colegiado por falta de prequestionamento, em razão de não terem sido apresentados no momento processual próprio, caracterizandose como prova preclusa, a teor do disposto no artigo art.16, III e 17 do Decreto 70.235/72, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos (art.16, § 4.º III do Decreto 70.235/72), o que efetivamente não fica demonstrado neste processo. Aliás, esta temática já foi debatida por esta 2ª TE no Acórdão 1002000.576, de 16/01/2019, de relatoria do conselheiro Ângelo Abrantes Nunes, motivo porque valhome das explicações ali expendidas, constantes do excerto seguinte, para fundamentar meu entendimento sobre o tema ora examinado (destaques do original): (...) A possibilidade de conhecimento e apreciação de novos documentos deve ser avaliada à luz das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, instituído pelo Decreto n.º 70.235, de 1972, o qual dispõe: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10580.912491/200950 Acórdão n.º 1002000.672 S1C0T2 Fl. 134 7 (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4.º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). (grifei). Desta forma, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto n.º 70.235/72, acima transcritos, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou a impugnação contendo as matérias que delimitam expressamente os limites da lide com os elementos de prova correlatos, sendo eles submetidos à primeira instância (DRJ) para apreciação e decisão, tornando possível a veiculação de recurso voluntário para o CARF (segunda instância) em caso de inconformismo, não se admitindo conhecer de inovação probatória ou recursal. Antes de analisar a prova devolvida para reexame na segunda instância de julgamento é preciso verificar se foi observado o princípio recursal da dialeticidade, que determina que o recurso deve conter os fundamentos de fato e de direito que deram causa ao inconformismo com a decisão de primeira instância de julgamento, juntamente com os itens que o impugnante pretende que façam prova a seu favor. A legislação processual determina que a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento devendo ser formalizada por escrito e com o detalhamento dos motivos de fato e de direito em que se basear, devendo os pontos de Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10580.912491/200950 Acórdão n.º 1002000.672 S1C0T2 Fl. 135 8 discordância e as razões estarem expostas de forma minuciosa, sob pena de serem considerados não refutados. De modo geral, a peça de defesa deve estar instruída com prova documental pré constituída imprescindível à comprovação das matérias de defesa suscitadas. O recurso voluntário é o meio idôneo a ensejar o reexame das questões decididas em primeira instância de julgamento com a finalidade de obter um pronunciamento mais favorável relativamente à sucumbência. Com exceção da avaliação de uma objeção, por ser matéria de ordem pública que pode ser conhecida a requerimento da parte ou de ofício, a qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento, em regra o efeito devolutivo, inerente ao mecanismo recursal, promove o restabelecimento do poder de apreciar a mesma questão em segunda instância de julgamento. As provas extemporâneas juntadas aos autos e que representam inovação à lide não se contrapõem aos termos previstos no ato de deliberação que se pretende reformar, evidenciando violação ao princípio da dialeticidade, e caracterizada a supressão de instância. Na peça impugnatória (manifestação de inconformidade) não constam as cópias do Livro Diário apresentadas com o recurso voluntário, mas somente cópias da DIPJ 2003, de DARF pago no valor de R$ 24.845,89 e da DCTF retificadora, que denotariam pagamento a maior. Diferentemente, na fase recursal foram trazidas cópias de 3 fls. do seu livro Diário, sendo 2 referentes a Termos de Abertura e Encerramento. Excetuandose as objeções, circunstância que não se verifica no caso dos autos, não se toma conhecimento das provas juntadas pela primeira vez em sede de recurso voluntário, porque alcançadas pela preclusão. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial", de forma que não se aprecia contexto probatório extemporâneo. Se não foi apresentado ao tempo da impugnação ou manifestação de inconformidade ocorreu a preclusão consumativa, tornando inviável aventálo em sede de recurso voluntário como uma inovação. O CARF não pode apreciar prova não apreciada pela DRJ, caso contrário, estaríamos diante de patente supressão de instância. A análise destes elementos novos trazidos ao processo administrativo implicaria supressão de instância porque a Turma Julgadora da DRJ/RJ1 foi privada da apreciação destes itens, motivo pelo qual deve ser reconhecida a preclusão consumativa na forma dos dispositivos do Dec. n.º 70.235/72, já reproduzidos. As normas processuais não permitem que qualquer das partes mantenha desconhecida determinada prova, de que já dispunha, com o propósito de aguardar o momento que lhe seja mais favorável para a apresentação, gerando surpresas e danos ao contraditório para a outra parte e suprimindo o exame por instâncias de julgamento. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10580.912491/200950 Acórdão n.º 1002000.672 S1C0T2 Fl. 136 9 O conjunto probatório inédito apresentado com o recurso voluntário ultrapassa os limites do § 4.º do art. 16 do Decreto n.º 70.235/72, pois já poderia ter sido inserido aos autos no momento da manifestação de inconformidade, porque diz respeito à escrita contábil da qual o postulante do direito creditório tinha posse desde o ano calendário 2002. Como entender reformável, nesse aspecto, a decisão que não identificou conjunto probatório que pudesse amparar a liquidez do crédito em análise, se este era necessário? E como admitir prova extemporânea que busca comprovar o pagamento indevido de IR sem que tenha ocorrido qualquer das hipóteses que excepcionam a preclusão contidas nas alíneas "a", "b" e "c" desse § 4.º? A impossibilidade de inovação probatória impede que sejam considerados para a apuração do direito creditório e a liquidez do crédito os novos elementos de prova anexados na oportunidade de interposição do recurso voluntário. Tampouco se trata de matéria de ordem pública, como de demonstrará adiante, que, esta sim, justificaria o exame dos elementos à margem do que determinam os §§ 4.º e 5.º do Decreto n.º 70.235/72. Patente, pois, a ocorrência da preclusão consumativa dos documentos inéditos colacionados apenas por ocasião do Recurso Voluntário. De outro lado, ainda que se possa aceitar a alegação do Recorrente e contrapor o princípio da verdade material ao instituto da preclusão consumativa o que se faz tão somente por raciocínio jurídico constato que os documentos juntados ao Recurso Voluntário não dão suporte ao reconhecimento do crédito postulado, conforme explicase na sequência. A alteração contratual nº 4 visou a inclusão da atividade de locação de imóveis no objeto social da empresa, que tinha, até então, segundo este documento, a atividade de prestação de serviços na área médica e pronto atendimento como objeto principal (efls. 95). Entretanto, esta alteração não corresponde ao objeto social constante do cadastro existente na base de dados da Receita Federal do Brasil, conforme registro seguinte, extraído de seu sítio1 (destaques deste relator): 1 httpswww.receita.fazenda.gov.brpessoajuridicacnpjcnpjrevaCnpjreva_Comprovante Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10580.912491/200950 Acórdão n.º 1002000.672 S1C0T2 Fl. 137 10 Como se nota, o registro constante na base de dados da RFB indica que a empresa presta serviços exclusivamente no ramo imobiliário desde 31/08/2000, causando estranheza o fato de esta atividade já não constar no objeto social da empresa na alteração contratual nº 04, de 01/03/2009 e nas alterações do contrato social de efls. 20, de 16/03/2000, e de efls. 17, de 15/12/2003. A divergência cadastral não autoriza que a alteração contratual colacionada aos autos seja considerada como prova apta a, isoladamente, ensejar qualquer inferência de que o objeto social da empresa é a prestação de serviços médicos hospitalares, necessitando, por isso, ser corroborada por outros elementos. A este respeito, o Recorrente junta ao Recurso Voluntário cópia não autenticada de um documento intitulado "contrato de garantia de coberturas médico hospitalares" (efls. 99), firmado com a empresa Mastermed, que sequer possui data, assinaturas e identificação dos signatários. Mesmo assim, é possível verificar na cláusula primeira deste documento que o objeto contratual não é a prestação de serviços médico hospitalares pela contratada (Megadate), mas a coordenação e supervisão de serviços médico hospitalares pelas empresas conveniadas da contratante (Mastermed), através do controle de custos assistenciais e da disponibilização das dependências da contratada para realização de atividade necessárias que visem a racionalização de custos assistenciais. Vejase: Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10580.912491/200950 Acórdão n.º 1002000.672 S1C0T2 Fl. 138 11 No que toca às notas fiscais juntadas aos autos (efls. 108 a 125) constam no campo discriminação dos serviços a rubrica genérica de "serviços médicos prestados", contradizendo a afirmação do Recorrente de que juntou "Notas Fiscais de prestação de serviços faturados para os contratantes em que comprovam a prestação de serviços médicos nas diversas especialidades acima mencionadas[clínica médica geral, cirurgia geral, ortopedia e traumotologia, ultrassonografia, urologia, angiologia e cirurgia vascular, proctologia, oftalmologia, endoscopia digestiva, audiometria, otorrinolaringologia, ginecologia e obstetrícia, etc]". Portanto, mesmo supondo a validade jurídica dessas provas preclusas e admitido o seu conhecimento por parte deste julgador, melhor sorte não assistiria ao Recorrente, porquanto as notas fiscais juntadas não especificam o tipo de serviço médico prestado e porque a prestação dos serviços médicohospitalares não é feita pela Megadate (contratada), mas por empresas conveniadas da Mastermed (contratante), tendo aquela somente a incumbência de supervisão e coordenação dos serviços realizados. Pelo exposto, não conheço, por preclusão consumativa, dos documentos inéditos colacionados no Recurso Voluntário e não apresentados no momento processual oportuno, uma vez que não cabe a esta instância recursal o exame de documentos e de matéria não apreciados pela DRJ, sob pena de supressão de instância e violação do princípio do contraditório. 2. Mérito No mérito, vejo que o ora Recorrente não teve homologado o PER/DCOMP nº 42847.75153.311008.1.3.040269 transmitido em 31/10/2008, sob a alegação de que o crédito de R$ 17.612,17, nele informado, já havia sido utilizado no pagamento do débito do tributo de código 2372 (CSLL PJ que apuram o IRPJ com base em Lucro Presumido ou Arbitrado), do período de apuração de 30/06/2004, conforme mostra o excerto do Despacho Decisório Eletrônico abaixo: Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10580.912491/200950 Acórdão n.º 1002000.672 S1C0T2 Fl. 139 12 O fundamento jurídico do crédito pleiteado no PER/DCOMP deriva de uma interpretação do Recorrente extraída da resposta da Solução de Consulta da SRRF/5ª RF/DISIT nº 16, de 31/05/2005 (efls. 64), a partir da qual entendeu que os serviços por ele prestados poderiam ser enquadrados como serviços hospitalares de que trata o artigo 23 da Instrução Normativa SRF nº 306/2003 e, assim, usufruir no cálculo da CSLL da alíquota de presunção de lucro de 12%, ao invés de 32% prevista para a prestação de serviços em geral. Reproduzse o dispositivo em comento no que interessa ao deslinde do caso: Art. 23. Para os fins previstos no art. 15, § 1º inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249, de 1995, poderão ser considerados serviços hospitalares aqueles prestados por pessoas jurídicas, diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução de uma das atividades ou a combinação de uma ou mais das atribuições de que trata a Parte II, Capítulo 2, da Portaria GM nº 1.884, de 11 de novembro de 1994, do Ministério da Saúde, relacionadas nos incisos seguintes: I realização de ações básicas de saúde, compreendendo as seguintes atividades: a) ações individuais ou coletivas de prevenção à saúde tais como: imunizações, primeiro atendimento, controle de doenças transmissíveis, visita domiciliar, coleta de material para exames, etc.; b) vigilância epidemiológica por meio de coleta e análise sistemática de dados, investigação epidemiológica, informação sobre doenças, etc.; Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10580.912491/200950 Acórdão n.º 1002000.672 S1C0T2 Fl. 140 13 c) ações de educação para a saúde, mediante palestras, demonstrações e treinamento in loco, campanhas, etc.; d) orientar as ações em saneamento básico por meio de instalação e manutenção de melhorias sanitárias domiciliares relacionadas com água, dejetos e lixo; e) vigilância nutricional por meio das atividades continuadas e rotineiras de observação, coleta e análise de dados e disseminação da informação referente ao estado nutricional, desde a ingestão de alimentos à sua utilização biológica; f) vigilância sanitária, por meio de fiscalização e controle que garantam a qualidade aos produtos, serviços e do meio ambiente. II prestação de atendimento eletivo de assistência à saúde em regime ambulatorial, compreendendo as seguintes atividades: a) recepcionar, registrar e fazer marcação de consultas; b) realizar procedimentos de enfermagem; c) proceder a consulta médica, odontológica, psicológica, de assistência social, de nutrição, de fisioterapia, de terapia ocupacional, de fonoaudiologia e de enfermagem; d) recepcionar, transferir e preparar pacientes; e) assegurar a execução de procedimentos préanestésicos e realizar procedimentos anestésicos nos pacientes; f) executar cirurgias e exames endoscópios em regime de rotina; g) emitir relatórios médico e de enfermagem e registro das cirurgias e endoscopias realizadas; h) proporcionar cuidados pósanestésicos; i) garantir o apoio diagnóstico necessário. III prestação de atendimento imediato de assistência à saúde, compreendendo as seguintes atividades: a) nos casos sem risco de vida (urgência de baixa e média complexidade): 1. triagem para os atendimentos; 2. prestar atendimento social ao paciente e/ou acompanhante; 3. fazer higienização do paciente; 4. realizar procedimentos de enfermagem; 5. realizar atendimentos e procedimentos de urgência; 6. prestar apoio diagnóstico e terapêutico por 24 hs; Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10580.912491/200950 Acórdão n.º 1002000.672 S1C0T2 Fl. 141 14 7. manter em observação o paciente por período de até 24 horas. b) nos casos com risco de vida (emergência) e nos casos sem risco (urgência de alta complexidade): 1. prestar o primeiro atendimento ao paciente; 2. prestar atendimento social ao paciente e/ou acompanhante; 3. fazer higienização do paciente; 4. realizar procedimentos de enfermagem; 5. realizar atendimentos e procedimentos de urgência; 6. prestar apoio diagnóstico e terapia por 24 horas; 7. manter em observação o paciente por período de até 24 horas. IV prestação de atendimento de assistência a saúde em regime de internação, compreendendo as seguintes atividades: a) internação de pacientes adultos e infantis: 1. proporcionar condições de internar pacientes, em ambientes individuais ou coletivos, conforme faixa etária, patologia, sexo e intensividade de cuidados; 2. executar e registrar a assistência médica diária; 3. executar e registrar a assistência de enfermagem, administrando as diferentes intervenções sobre o paciente; 4. prestar assistência nutricional e distribuir alimentação a pacientes (em locais específicos ou no leito) e a acompanhante (quando for o caso); 5. prestar assistência psicológica e social; 6. realizar atividade de recreação infantil e de terapia ocupacional; 7. prestar assistência pedagógica infantil (de 1ºgrau) quando o período de internação for superior a 30 dias. b. internação de recémnascido até 28 dias: 1. proporcionar condições de internar recémnascidos normais patológicos, prematuros e externos que necessitam de observação; 2. executar e registrar a assistência médica diária; 3. executar e registrar a assistência de enfermagem, administrando as diferentes intervenções sobre o paciente; 4. prestar assistência nutricional e dar alimentação aos recém nascidos; Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10580.912491/200950 Acórdão n.º 1002000.672 S1C0T2 Fl. 142 15 5. executar o controle de entrada e saída de recémnascido. c. internação de pacientes em regime de terapia intensiva: 1. proporcionar condições de internar pacientes críticos, em ambientes individuais e coletivos, conforme grau de risco (intensiva ou semiintensiva), faixa etária, patologia e requisitos de privacidade; 2. executar e registrar assistência médica intensiva; 3. executar e registrar assistência de enfermagem intensiva; 4. prestar apoio diagnóstico laboratorial, de imagens e terapêutico durante 24 horas; 5. manter condições de monitoramento e assistência respiratória 24 horas; 6. prestar assistência nutricional e distribuir alimentação aos pacientes; 7. manter pacientes com morte cerebral, nas condições de permitir a retirada de órgãos para transplante, quando consentida. d. internação de pacientes queimados: 1. proporcionar condições de internara pacientes com queimaduras graves, em ambientes individuais ou coletivos, conforme faixa etária, sexo e grau de queimadura; 2. executar e registrar a assistência médica ininterrupta; 3. executar e registrar a assistência de enfermagem ininterrupta; 4. dar banhos com fins terapêuticos nos pacientes; 5. assegurar a execução dos procedimentos préanestésicos executar procedimentos anestésicos; 6. prestar apoio terapêutico cirúrgicos, como rotina de tratamento (vide alínea "f", inciso V); 7. prestar apoio diagnóstico laboratorial e de imagem ininterrupto; 8. manter condições de monitoramento e assistência respiratória ininterrupta; 9. prestar assistência nutricional de alimentação e de hidratação dos pacientes; 10. prestar apoio terapêutico de reabilitação fisioterápica aos pacientes. V prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia, compreendendo as seguintes atividades: Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10580.912491/200950 Acórdão n.º 1002000.672 S1C0T2 Fl. 143 16 a) patologia clínica; b) imagenologia; c) métodos gráficos; d) anatomia patológica; e) desenvolvimento de atividade de medicina nuclear; f) realização de procedimentos cirúrgicos e endoscópicos, tais como: 1. recepcionar e transferir pacientes; 2. assegurar a execução dos procedimentos préanestésicos e executar procedimentos anestésicos nos pacientes; 3. executar cirurgias e exames endoscópios em regime de rotina; 4. emitir relatórios médicos e de enfermagem e registro das cirurgias e endoscopias realizadas; 5. proporcionar cuidados pósanestésicos; 6. garantir o apoio diagnóstico necessário. g) realização de partos normais e cirúrgicos; h) desenvolvimento de atividades de reabilitação em pacientes externos e internos; i) desenvolvimento de atividades hemoterápicas; j) desenvolvimento de atividades de radioterapia; k) desenvolvimento de atividades de quimioterapia; l) desenvolvimento de atividades de diálise; m) desenvolvimento de atividades relacionadas ao leite humano (...) Sobre o assunto a DRJ assim manifestouse: Na espécie, ele carreou aos autos apenas cópia de Solução de Consulta SRRF/5º RF/DISIT nº 16, de 31 de maio de 2005, a fim de justificar seu direito à aplicação do percentual de 12%, pois tal ato enquadraria sua atividade como serviço hospitalar. 14. Equivocase o interessado, pois a solução em processos de consulta sempre é proferida em tese, cabendo ao consulente provar, quando necessário, que se enquadra nas condições estabelecidas naquele ato. No caso, a solução de consulta afirmou apenas que, para ter suas atividades enquadradas como serviços hospitalares, o empresário ou sociedade empresária Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10580.912491/200950 Acórdão n.º 1002000.672 S1C0T2 Fl. 144 17 teria que demonstrar o desenvolvimento de 'atividades de atendimento eletivo de promoção e assistência à saúde em regime ambulatorial e de hospitaldia (atribuição 1) e prestação de atendimento imediato de assistência à saúde (atribuição 2), de que trata a Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, alterada pela RDC nº 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC nº 189, de 18 de julho de 2003', e que tais serviços são prestados em 'estabelecimento que atenda o disposto no parágrafo primeiro do art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004. 15. Caberia ao contribuinte provar com documentos a realização de tais atividades, a fim de permitir a este julgador verificar se efetivamente houve erro de aplicação do percentual de presunção. 15. Na ausência de qualquer outra prova de que documental, considero não comprovado erro de cálculo da CSLL do 1º trimestre de 2004 confessada na DCTF, e, por conseguinte, que todo o montante recolhido via Darf foi integralmente utilizado para liquidar este valor. O crédito pretendido é inexistente. Assiste razão à DRJ. O artigo 27 da IN SRF nº 480/2004 determinou que somente seriam considerados serviços hospitalares aqueles prestados por estabelecimentos hospitalares, explicitando as condições que deveriam ser atendidas para que os estabelecimentos fossem assim qualificados (destaques deste relator): Art. 27. Para fins do disposto nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles diretamente ligados à atenção e assistência à saúde, de que trata o subitem 2.1 da Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, alterada pela RDC nº 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC nº 189, de 18 de julho de 2003, prestados por empresário ou sociedade empresária, que exerça uma ou mais das: § 1º Para os efeitos deste artigo, consideramse estabelecimentos hospitalares, aqueles estabelecimentos com pelo menos 5 (cinco) leitos para internação de pacientes, que garantam um atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, que possuam serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. I seguintes atribuições: Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10580.912491/200950 Acórdão n.º 1002000.672 S1C0T2 Fl. 145 18 a) prestação de atendimento eletivo de promoção e assistência à saúde em regime ambulatorial e de hospitaldia (atribuição 1); b) prestação de atendimento imediato de assistência à saúde (atribuição 2); ou c) prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação (atribuição 3); II atividades fins da prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia (atribuição 4). § 2º Para efeito de enquadramento do estabelecimento como hospitalar levarseá, ainda, em conta se o mesmo está compreendido na classificação fiscal do Cadastro Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), na classe 85111 Atividades de Atendimento Hospitalar. (...) O então manifestante não trouxe prova material atestando o cumprimento das condições estabelecidas no parágrafo primeiro do artigo 27 da IN SRF nº 480/2004 para que seu estabelecimento fosse considerado como de serviço hospitalar e tampouco comprovou o atendimento ao disposto no parágrafo 2º do mesmo artigo, porquanto os registros cadastrais constantes na base de dados da RFB (mencionados no item 1 deste Voto) indicam que o contribuinte opera exclusivamente no ramo imobiliário, inexistindo qualquer referência à atividade de atendimento hospitalar compreendida na classe 85111 do CNAE. No que concerne à solução de processos de consulta, adiro ao entendimento expresso no acórdão recorrido, segundo o qual são elas proferidas "em tese", isto é, em termos genéricos e condicionais, não se mostrando razoável, por isso, supor que a resposta da Solução de Consulta SRRF/5º RF/DISIT nº 16/2005 possa, pura e simplesmente, ser aceita como lastro probatório da tese do Recorrente, de modo a legitimar, per se, o reconhecimento do direito creditório pretendido por meio da redução do percentual de presunção de lucro de 32% para 12% no cálculo da CSLL. Caberia ao Recorrente, portanto, apresentar conjunto probatório específico e congruente, que permitisse avaliação objetiva e detalhada da utilização da alíquota reduzida de presunção do lucro presumido, de modo a autorizar o julgador ao reconhecimento de que a situação alegada amoldase (ou não) à descrita hipoteticamente na referida Solução de Consulta, o que efetivamente não ocorreu. Assim, a falta de apresentação de documentos de comprovação da existência de estabelecimento hospitalar e da realização da atividade de prestação de serviços hospitalares na forma prescrita pela legislação inviabiliza a verificação efetiva do exercício desta atividade pelo julgador e, conseqüentemente, a apuração de eventual erro na aplicação do percentual de presunção da base de cálculo presumida da CSLL. Com relação à retificação da DCTF feita após a emissão do Despacho Decisório Eletrônico, como dito pelo próprio Recorrente, esta possibilidade é admitida pela doutrina e jurisprudência (e até mesmo por atos normativos), desde que acompanhada de prova Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10580.912491/200950 Acórdão n.º 1002000.672 S1C0T2 Fl. 146 19 inequívoca da existência do erro e do crédito declarado, o que efetivamente não ocorreu no presente caso, conforme discorrido anteriormente. Importante frisar que na análise de mérito relativo a processos de compensação, é cediço que o onus probandi do crédito pleiteado compete àquele que o alega possuir2 e que a falta de documentos hábeis e de declarações retificadoras válidas nos autos afasta a possibilidade de confirmação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, requisito legal para a concessão da compensação, conforme dispõe o art. 170 do CTN (grifos nossos): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Nesse quadro, é forçoso reconhecer que o Recorrente não logrou comprovar de forma idônea e indubitável o crédito que entendia possuir, sendo, portanto, correta a não homologação do PERD/COMP nº 42847.75153.311008.1.3.040269. 3. Dispositivo Diante do exposto, voto por conhecer parcialmente o Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento, mantendo integralmente a decisão de piso. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva 2 CPC Lei nº 5.869 de 11 de Janeiro de 1973 Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Fl. 146DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.910757/2012-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 23/09/2011
COMPENSAÇÃO. PROVA SUFICIENTE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. DOCUMENTOS CONTÁBEIS E FISCAIS. HOMOLOGAÇÃO.
Deve ser homologada a compensação em que a declarante tenha comprovado suficientemente, mediante documentos contábeis e fiscais, a existência do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-006.046
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 23/09/2011 COMPENSAÇÃO. PROVA SUFICIENTE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. DOCUMENTOS CONTÁBEIS E FISCAIS. HOMOLOGAÇÃO. Deve ser homologada a compensação em que a declarante tenha comprovado suficientemente, mediante documentos contábeis e fiscais, a existência do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 07 57 /2 01 2- 69 Fl. 234DF CARF MF Processo nº 13888.910757/201269 Acórdão n.º 3401006.046 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Despacho Decisório eletrônico que não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP, sob o fundamento da integral vinculação do crédito indicado a outro(s) débito(s) de titularidade do contribuinte. A decisão de 1ª instância julgou o recurso improcedente ao argumento de que não havia prova exaustiva da liquidez e certeza do crédito vindicado, pois não foram juntados os registros contábeis da operação, imputando ao recorrente o ônus da prova do direito requerido. O Recurso Voluntário sustentou a possibilidade de juntada de documentos nessa fase processual, em observância ao princípio da verdade material; pugnou pela devolução dos autos à unidade de origem para revisão do despacho eletrônico, por força do Parecer Normativo Cosit nº 02/2015; e ratificou as alegações já deduzidas em primeira instância quanto ao direito pleiteado. Foram anexados à peça recursal o ADE nº 53/06 (CARTEPILLAR BRASIL LTDA, admissão no RECOF), laudo técnico contábil e extrato do livro Registro de Saídas. Considerando a documentação carreada aos autos pela Recorrente no Recurso Voluntário, este Colegiado converteu o feito em diligência para que a unidade preparadora da RFB se manifestasse acerca da procedência e quantificação do direito creditório, bem como da disponibilidade e da suficiência do crédito para a compensação pretendida. O processo retornou para julgamento com Informação Fiscal no sentido da procedência, disponibilidade e suficiência do crédito para extinguir o débito declarado no PER/DCOMP. A Recorrente ratifica as razões recursais. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.017, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13888.910728/201205. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.017): "A controvérsia posta nos autos cingiase à existência de crédito de COFINS decorrente de pagamento a maior no valor de R$ 36.019,17 (competência MAI/2008), recolhido mediante DARF, Fl. 235DF CARF MF Processo nº 13888.910757/201269 Acórdão n.º 3401006.046 S3C4T1 Fl. 4 3 hábil a ser compensado com débito do mesmo tributo no valor de R$ 19.860,91 (competência AGO/2012). O feito tramitou em 1ª instância sem que a Recorrente fizesse prova suficiente do indébito, posto que alegava ser beneficiária da suspensão do tributo por vender mercadorias à pessoa jurídica habilitada no RECOF sem juntar os respectivos documentos contábeis e fiscais que espelhassem as operações. Ocorre que, em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente supriu tal carência probatório, de modo que este Colegiado resolveu converter o feito em diligência para que a unidade preparadora da RFB se manifestasse conclusivamente acerca da procedência, disponibilidade e suficiência do direito creditório. Assento pois as informações apresentadas pela autoridade fiscal em sede de diligência: 3. Em nossa análise verificamos que o crédito alegado pelo contribuinte na Dcomp (R$ 36.019,17), encontrase disponível para compensação, em nossos sistemas, após as retificações efetuadas na DCTF e DACON, relativas ao período de apuração 05/2008. A emissão Despacho Decisório de nº de Rastreamento 042024158 foi realizada em 03/01/2013 e as retificações citadas foram realizadas em 29/01/2013 e 30/01/2013, respectivamente. Portanto, não havia saldo disponível quando da emissão do Despacho Decisório, o que motivou seu indeferimento inicial. 4. Ademais, da análise do Livro de Registro de Entradas e Saídas, do DACON, dos documentos fiscais apresentados pela recorrente e tendo em vista que as notas fiscais apresentadas são de venda de produtos a empresa beneficiária do RECOF e, por consequência, com benefício da suspensão do PIS/Pasep e Cofins em suas aquisições no mercado interno, dentro das condições previstas no ADE nº 53, de 24 de julho de 2006 e da IN SRF 417/2004 (alterada pela IN SRF 547/2005 e posteriores), concluímos que a manifestante faz jus a compensação dos créditos de R$ 36.019,17, de Cofins (cód. 5856), período de apuração 30/05/2008, demonstrados na Dcomp nº 28653.88994.190912.1.3.046142. Conforme verificamos nos relatórios do Sistema de Apoio Operacional (fls. 198 a 200), o crédito utilizado na Dcomp tratada nesse processo é suficiente para extinguir o débito declarado (R$ 19.860,91, Cofins (5856), vencido em 25/09/2012). O saldo do crédito não utilizado nessa Dcomp foi utilizado em outra Dcomp relacionada, de nº 04211.25185.270912.1.3.040704, tratada no processo nº 13888.910730/201276, sendo que também nessa Dcomp relacionada o crédito utilizado também foi suficiente para extinguir o débito declarado (R$ 30.778,44, CSLL (2484), vencido em 28/09/2012), conforme vemos no relatório de fls. 200. (grifo nosso) É de se concluir que, ante a informação de que o crédito existe, está disponível e é suficiente para se homologar a compensação pretendida, cai por terra a matéria antes controvertida, de modo Fl. 236DF CARF MF Processo nº 13888.910757/201269 Acórdão n.º 3401006.046 S3C4T1 Fl. 5 4 que deve ser acolhido o resultado da diligência para se reconhecer o direito creditório e homologar a compensação declarada no PER/DCOMP 28653.88994.190912.1.3.046142. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 237DF CARF MF
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Numero do processo: 10469.725297/2016-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 28/02/2011 a 31/12/2013
INFORMAÇÕES SOBRE PROCEDIMENTO POLICIAL E POR PARTE DO MINISTÉRIO PÚBLICO. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. UTILIZAÇÃO. LEGITIMIDADE.
É legítima a utilização, no processo administrativo de determinação e exigência de crédito tributário, de informações provenientes de inquérito policial ou denúncia oferecida pelo Ministério Público, ainda mais quando há expressa autorização judicial nesse sentido.
RESPONSABILIADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. TERCEIROS. COEXISTÊNCIA. POSSIBILIDADE. REAIS BENEFICIÁRIOS DE ESQUEMA FRAUDULENTO. RESPONSABILIZAÇÃO. CABIMENTO.
Em uma mesma autuação, é possível coexistirem responsáveis solidários de direito e de fato (terceiros) com fundamento nos arts. 124 e 135 do Código Tributário Nacional. Cabível a atribuição de responsabilidade quando se comprova tanto o interesse comum por parte de administrador de fato de empresa que perpetrou a fraude quanto sua atuação, por meio de gestão com violação a disposição legal, voltada exatamente à prática de fraude.
Numero da decisão: 3401-006.153
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte dos recursos apresentados, e, na parte conhecida, negar-lhes provimento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. UTILIZAÇÃO. LEGITIMIDADE. É legítima a utilização, no processo administrativo de determinação e exigência de crédito tributário, de informações provenientes de inquérito policial ou denúncia oferecida pelo Ministério Público, ainda mais quando há expressa autorização judicial nesse sentido. RESPONSABILIADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. TERCEIROS. COEXISTÊNCIA. POSSIBILIDADE. REAIS BENEFICIÁRIOS DE ESQUEMA FRAUDULENTO. RESPONSABILIZAÇÃO. CABIMENTO. Em uma mesma autuação, é possível coexistirem responsáveis solidários de direito e de fato (terceiros) com fundamento nos arts. 124 e 135 do Código Tributário Nacional. Cabível a atribuição de responsabilidade quando se comprova tanto o interesse comum por parte de administrador de fato de empresa que perpetrou a fraude quanto sua atuação, por meio de gestão com violação a disposição legal, voltada exatamente à prática de fraude. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte dos recursos apresentados, e, na parte conhecida, negarlhes provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 52 97 /2 01 6- 41 Fl. 3018DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre os Autos de Infração de fls. 2 a 21, e 22 a 421, lavrados em 23/12/2016, e cientificados ao autuado em 26/12/2016 (fl. 2722), para exigência de Contribuição para o PIS/PASEP, e de COFINS, referentes ao período de 28/02/2011 a 31/12/2013, acrescidas de juros de mora e de multa de ofício majorada (150 %), totalizando originalmente R$ 1.542.665,41 (PIS) e R$ 7.104.026,55 (COFINS), por ter a empresa utilizado créditos da nãocumulatividade em desacordo com os preceitos legais que regem a matéria. São ainda arrolados como sujeitos passivos, além da empresa “INTERBRASIL”, na qualidade de responsáveis solidários: “Francisco das Chagas de Souza Ribeiro” (doravante “FRANCISCO”), ciente da autuação em 28/12/2016 (fl. 2734); “CLEANLocação de Mãode Obra LTDAEPP” (doravante “CLEAN”), cujo representante compareceu à RFB em 12/01/2017 e se recusou a atestar ciência (fl. 2730); e “PRESERVICE Recursos Humanos LTDA” (doravante “PRESERVICE”), ciente em 28/12/2016 (fl. 2726). No Relatório Fiscal (RF) de fls. 42 a 65, narrase que: (a) a fiscalização originouse do fato de a escrituração contábil digital (ECD) indicar a existência de mútuos sem o recolhimento de IOF (sendo a parcela referente a IOF de 2011 a 2013 no processo administrativo no 10469.720221/201620), mas foi estendida a bens e serviços utilizados como insumos em relação a contribuições (“PIS e COFINS”, de 2011 a 2013), identificados genericamente como “vlr ref serviços prestados PJ” e “vlr ref serviços utilizados como insumos” (fls. 45/46), e como “bens/materiais utilizados como insumos” (fl. 46); (b) a “INTERBRASIL” foi constituída em 06/11/1996, tendo os sócios fundadores se retirado da sociedade em 15/06/2007, sendo substituídos por “João Eudes Andrade de Macedo” (administrador de direito) e “Sonia Ribeiro Freire de Macedo”, sendo administrada de fato por “FRANCISCO” (vulgo “Quinho”), conforme se depreende de depoimento em Ação Cautelar promovida pela Procuradoria da União no RN, assim como as empresas “CLEAN” e “PRESERVICE”, como consta de denúncia oferecida ao Poder Judiciário (excertos às fls. 43 a 45); (c) em relação a serviços, solicitadas as notas fiscais e outros documentos idôneos que comprovassem a escrituração dos insumos pela empresa “INTERBRASIL”, e após sucessivas reintimações e prorrogações de prazo, foram apresentadas cópias de notas fiscais e recibos (não identificados de forma individual na contabilidade), e, reintimada, para que se comprovasse o pagamento das operações (por cheque, movimentação bancária ou outro meio), a empresa não atendeu as intimações e informou apenas que os documentos haviam se perdido; (d) em relação a bens, havia aquisições de duas empresas: “PJ Comércio de Frios LTDA ME” (despesa de R$ 7.350.750,00 em 2011, enquanto a receita de tal empresa, naquele mesmo ano de 2011, na 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 3019DF CARF MF Processo nº 10469.725297/201641 Acórdão n.º 3401006.153 S3C4T1 Fl. 3.019 3 sistemática do SIMPLES, totalizou R$ 179.451,36) e “FDB Andrade de Oliveira ME” (esta também comandada de fato por “FRANCISCO” e inativa – com despesas que excederam, em 2012/2013, os R$ 17 milhões); (e) intimada a empresa “PJ Comércio de Frios LTDA ME”, que atua no comércio de frios e de material de construção, a prestar esclarecimentos, a correspondência retornou com indicação de endereço inexistente, e, verificandose as notas, percebese que estão em numeração sequencial (tabela às fls. 48/49) e se referem a consultoria, treinamento e gestão de RH (o que indica que eram a única atividade da empresa), cabendo ainda destacar que tal empresa não possui conta bancária, o que apontaria para recebimentos em espécie; (f) pesquisandose nos sistemas informatizados da RFB, verificouse que a empresa “FDB Andrade de Oliveira ME” é microempresa de locação de mãodeobra temporária com natureza jurídica de empresário individual, e não apurou ou recolheu tributos no período em análise, estando inativa de 2001 a 2004, de 2010 a 2012, omissa em 2008, 2013 e 2014, tendo declarado receitas apenas de 2004 a 2006 (tabela às fls. 49/50), não tendo sido localizada no endereço cadastral fornecido à RFB, onde vizinha que morava no local há 20 anos informou que há algum tempo residia um senhor de nome “Francisco”, empregado de empresa de alguém conhecido como “Quinho”, que trabalha com terceirização de mãodeobra (sendo que o Sr. Francisco, por ela referido, é marido da sócia individual da empresa “FDB Andrade de Oliveira ME”); (g) as notas fiscais emitidas pela “FDB Andrade de Oliveira ME” (em período no qual a empresa não tinha empregados, cf. registro no INSS) desrespeitaram o prazo de validade da autorização de impressão, e foram escrituradas em formulário impresso, quando a empresa já estava obrigada ao uso de modelo digital, cabendo ainda destacar que os comprovantes que atestam que os serviços foram prestados sequer foram destacados; (h) “a emissão das notas fiscais pela FDB fez parte de um esquema montado exclusivamente para fornecer notas fiscais inidôneas para o grupo econômico formado pelas empresas INTERBRASIL, PRESERVICE e CLEAN, com vistas a elevar custos e ao aproveitamento de créditos de PIS e de COFINS não cumulativos” (fl. 52); (i) a “INTERBRASIL” transmitiu demonstrativos DACON no período fiscalizado com erros e campos de preenchimento obrigatório “zerados”, e, intimada e reintimada a apresentar planilha com memória de cálculo de apuração dos créditos, não o fez; (j) os valores indevidamente apropriados às bases de cálculo de créditos de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS foram recompostos, qualificandose a multa de ofício em função de sonegação e fraude; (k) na denúncia do Ministério Público, verificouse que “FRANCISCO” estruturou organização criminosa com a finalidade de fraudar licitações, envolvendo as empresas “FDB Andrade de Oliveira ME”, “INTERBRASIL”, “CLEAN” e “PRESERVICE” (fl. 55), caracterizandose a formação de grupo econômico, desenvolvendo a mesma atividade, sob mesmo comando administrativo, com reiteradas transferências de empregados entre as empresas do grupo, e confusão patrimonial (como também apurado pelo Ministério Público (fls. 56/57), coincidindo os endereços das empresas “FDB Andrade de Oliveira ME” e “PRESERVICE”, os IP das transmissões de DIPJ e o contador responsável pelas empresas; (l) o Sr. “FRANCISCO” responde solidariamente (art. 124, I, do CTN) com a empresa “INTERBRASIL”, pelo interesse comum, e pessoalmente (art. 135, III, do CTN) por prática de ato com infração à lei; (m) as empresas “FDB Andrade de Oliveira ME”, “CLEAN” e “PRESERVICE” respondem solidariamente por interesse comum (art. 124, I, do CTN); e (n) em função do verificado, foi elaborada representação fiscal para fins penais. A empresa “INTERBRASIL” apresentou Impugnação (intempestiva) em 27/01/2017 (fls. 2754 a 2781), alegando, basicamente, que: (a) a ciência do lançamento ocorreu em 28/12/2016, tendo decaído o direito de lançar os onze meses iniciais de 2011; (b) a autoridade fiscal não esclareceu como apurou a infração, não esclarecendo quais seriam os campos obrigatórios “zerados” das DCOMP, ou como calculou o valor das contribuições, o Fl. 3020DF CARF MF 4 que eiva de nulidade o lançamento; (c) as glosas são improcedentes, pois não foi comprovada a inidoneidade dos documentos (e os dados das demais empresas fogem ao absoluto controle da impugnante); (d) a multa não pode ser majorada, pois não houve comprovação da existência de dolo ou fraude; e (e) há impossibilidade de exigência de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada. “FRANCISCO”, por seu turno, apresentou Impugnação ainda em 27/01/2017 (fls. 2738 a 2749), suscitando que: (a) a autuação é nula, por ilicitude da prova emprestada de procedimento judicial e policial; e (b) não é responsável solidário, por não ter relação pessoal e direta com a ocorrência do fato gerador da obrigação da pessoa jurídica. Também em 27/01/2017 (fls. 2795 a 2807) apresentaram Impugnação conjunta as empresas “CLEAN” e “PRESERVICE”, argumentando igualmente pela ilicitude das provas obtidas e pela inexistência de solidariedade passiva, agregando que não há solidariedade em razão de grupo econômico. A decisão de primeira instância (fls. 2858 a 2868), proferida em 27/04/2017, foi, por unanimidade de votos, pela improcedência das impugnações apresentadas pelos responsáveis solidários, sob os seguintes fundamentos: (a) é possível a utilização em processo administrativo de provas colhidas em processo penal, sobretudo quando o acesso foi autorizado pelo juiz competente; (b) é lícita a utilização de informações colhidas por outras autoridades desde que guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer; (c) sociedades empresárias que compõem grupo econômico de fato, exercendo atividades integradas e confundindose patrimonialmente, em benefício de administrador idêntico, demonstram interesse comum em situações que constituem fato gerador de obrigação principal; (d) o proprietário de fato, que utiliza sociedade empresária em benefício próprio, é responsável solidário por interesse comum nas situações que constituem fato gerador de obrigação principal; e (e) os administradores ou gerentes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. A empresa “INTERBRASIL” foi cientificada da decisão e piso em 24/05/2017 (fl. 2881), tendo solicitado a juntada de peça recursal em 21/06/2017 (fls. 2970 a 3001), na qual sustenta a tempestividade de sua impugnação, tendo em vista ter se dado a ciência em 28/12/2016, e reitera os argumentos naquela peça inicial externados. Às fls. 2885 a 2926, consta Recurso Voluntário conjunto das empresas “CLEAN” e “PRESERVICE”, datado de 17/06/2017, no qual se reitera o argumento pela ilicitude das provas obtidas (destacandose que em nenhum momento houve autorização judicial para o compartilhamento das provas, e, ainda que houvesse, tal permissão não seria suficiente para imputação às recorrentes, que não figuram na ação penal), e pela ilegitimidade passiva das partes (sob o argumento de que há infundado uso do art. 124, I do CTN), assim como pela inexistência de grupo econômico, ou de solidariedade por tal causa (por não terem as empresas relação com o fato gerador). Afirma ainda a peça recursal que, em virtude da intempestividade da impugnação da empresa “INTERBRASIL”, fazse necessário atacar o mérito do lançamento tributário, devendo ser a matéria conhecida de ofício, no que busca restaurar os argumentos inicialmente suscitados de forma intempestiva sobre decadência, nulidade por carência de fundamento, improcedência das glosas, impossibilidade de majoração da multa e ausência da incidência de juros sobre seu valor. Às fls. 2929 a 2968, figura o Recurso Voluntário apresentado por “FRANCISCO”, também datado de 17/06/2017, e basicamente no mesmo sentido, apenas Fl. 3021DF CARF MF Processo nº 10469.725297/201641 Acórdão n.º 3401006.153 S3C4T1 Fl. 3.020 5 expurgando as menções específicas às empresas “CLEAN” e “PRESERVICE”, tomandoas em relação ao recorrente. À fl. 3016, consta despacho da unidade preparadora da RFB encaminhando o processo ao CARF e atestando a tempestividade das peças recursais, tendo o processo sido distribuído, por sorteio, a este relator, em outubro de 2018. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator Os recursos apresentados por “FRANCISCO”, “CLEAN” e “PRESERVICE” atendem aos requisitos de admissibilidade e, portanto, deles se conhece, a priori. Quanto à peça recursal apresentada por “INTERBRASIL”, cabe preliminarmente conhecer apenas do argumento inicial, no qual se questiona a tempestividade da impugnação, tendo em vista que a DRJ entendeu ser intempestiva a peça inicial apresentada. A ciência da autuação por parte da empresa “INTERBRASIL” se deu, indiscutivelmente, em 26/12/2016, conforme termo de fls. 2721/2722: Amplio a parte da data, manuscrita, para que não reste dúvida: Em seu recurso voluntário, a empresa ignora a ciência constante no próprio processo, para afirmar que foi cientificada em 28/12/2016, o que não encontra qualquer amparo documental para tal sujeito passivo, e sequer discute se quem assina a ciência representava a Fl. 3022DF CARF MF 6 empresa. Entretanto, é de se adiantar que dita discussão seria pouco produtiva, seja pelo momento processual em que se encontram os autos, seja pela leitura da Súmula CARF no 9. E, configurada conclusivamente a intempestividade da peça impugnatória apresentada por “INTERBRASIL”, não se deve conhecer dos demais argumentos apresentados no recurso voluntário, pois a empresa já não compõe o contencioso em relação a eles. Passase, assim, a seguir, à análise dos argumentos de defesa apresentados pelas partes que remanescem no contencioso: “FRANCISCO”, “CLEAN” e “PRESERVICE”. Como relatado, os argumentos de defesa centramse na discussão sobre a (i)licitude das provas obtidas e sobre a (i)legitimidade passiva dos imputados como responsáveis. No entanto, entendo, em nome da verdade material, que antes de analisar tais itens, tornase relevante verificar, de forma preliminar, a validade do lançamento, que poderia impactar negativamente a própria sujeição passiva. Isso coincide, inclusive, com pleito dos recorrentes, ainda que inovador, em sede recursal. Assim, embora não conheçamos de tais pleitos efetuados pelos recorrentes que remanescem no contencioso em nome da “INTERBRASIL” (daí o “a priori” no início do voto), analisaremos as matérias relacionadas em sede preliminar, de ofício, em nome da verdade material. 1. Das preliminares, em geral Como relatado, o lançamento deriva de glosas de créditos tomados pela “INTERBRASIL” em relação a bens e serviços que teriam sido utilizados como insumos na prestação de serviços, e descritos genericamente como “vlr ref serviços prestados PJ”, “vlr ref serviços utilizados como insumos” e “bens/materiais utilizados como insumos”. E, na tentativa de identificar e motivar especificamente tais créditos, pouco colaborou a empresa tomadora, que, após sucessivas (re)intimações e prorrogações de prazo, apresentou apenas cópias de notas fiscais e recibos (não identificados de forma individual na contabilidade), e não conseguiu, após nova intimação, sequer comprovar o pagamento das operações (por cheque, movimentação bancária ou outro meio), alegando que os documentos haviam se perdido. Quando a fiscalização passa a verificar os “serviços” ensejadores dos créditos, deparase com contabilização de despesa de R$ 7.350.750,00, em 2011, referente a consultoria, treinamento e gestão de RH prestados pela empresa “PJ Comércio de Frios LTDA ME” absolutamente incompatível com a receita daquela empresa no mesmo ano (R$ 179.451,36), e avessa à própria atividade da empresa (comércio de frios e de material de construção). Aliás, tal empresa sequer possuía conta bancária, o que torna curiosa a forma pela qual deva ter recebido os citados R$ 7.350.750,00, se é que os recebeu, porque ainda resta não comprovado o efetivo pagamento, mesmo após reintimações possibilitando a prestação da informação (que, digase, não se encontra detalhada nem na peça impugnatória intempestiva). Nesse cenário, que se soma à verificação de inexistência da empresa “PJ Comércio de Frios LTDA ME” no endereço informado à RFB, não se tem dúvidas de que tal empresa não tinha a menor condição de prestar o serviço sobre o qual desejou tomar créditos a Fl. 3023DF CARF MF Processo nº 10469.725297/201641 Acórdão n.º 3401006.153 S3C4T1 Fl. 3.021 7 “INTERBRASIL”, sendo que tal circunstância era cristalina e visível à empresa tomadora, não demandando nenhum conhecimento que extrapole o do ser mediano. Em relação a “serviços” prestados pela “FDB Andrade de Oliveira ME”, microempresa de locação de mãodeobra temporária com natureza jurídica de empresário individual, inativa, mas com despesas que excederam, em 2012/2013, os R$ 17 milhões, e igualmente não localizada no endereço cadastral fornecido à RFB, a fiscalização obteve declaração de pessoa vizinha do imóvel há 20 anos, no sentido de que ali residia senhor que empregado de “Quinho” (“FRANCISCO”), e marido da sócia individual da empresa “FDB Andrade de Oliveira ME”. Aliás, nas notas os comprovantes de efetiva prestação dos serviços sequer foram destacados. Tudo isso é incontroverso nos autos, não havendo nenhum esforço lógico da defesa no sentido de identificar o que ocorreu, de fato, ou, no mínimo, contrapor com documentos o que o fisco já havia comprovado também documentalmente. Nessa magnitude de ocorrências, chega a ser secundária a detecção de irregularidades formais nas emissões de notas fiscais, visto que sua própria materialidade sequer restou demonstrada (afinal de contas, incumbia à defesa a comprovação da efetiva prestação dos serviços, de modo a rechaçar a comprovação documentada, pela fiscalização, de que as empresas prestadoras obviamente não possuíam estrutura mínima ou capacidade operacional para tanto). A empresa “INTERBRASIL”, tomadora dos serviços, como informa a fiscalização, transmitiu demonstrativos DACON no período fiscalizado com erros e campos de preenchimento obrigatório “zerados”, e, intimada e reintimada a apresentar planilha com memória de cálculo de apuração dos créditos, não o fez. Por certo que a empresa tem o dever de prestar informações ao fisco, assim como o dever de preencher (e saber quais são) os campos obrigatórios das declarações. Ademais, o mínimo que se espera do declarante é que apresente ao fisco as transações que realiza, sem nada esconder. Nítida, nesse ambiente, tanto a caracterização de sonegação, na forma descrita no art. 71 da Lei no 4.502/1964, quanto de fraude, retratada no art. 72 do mesmo diploma legal. Assim, presentes os atributos tanto para a majoração da multa referida no art. 44 da Lei no 9.430/1996, quanto para a aplicação da regra decadencial prevista no art. 173, I do Código Tributário Nacional. E, sobre a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício lançada, simplesmente se remete à Súmula CARF no 108. Não reside qualquer mácula, portanto, no lançamento, que compreende todos os atributos previstos em lei, e aclara sua fundamentação e o cenário evidenciado, de forma a não restar qualquer dúvida a este julgador sobre a ocorrência de fraude visando à artificial obtenção de créditos, sabidamente indevidos. Entendo que a verificação preliminar aqui empreendida constitui um pressuposto para a análise dos itens a seguir, porque para que haja responsabilidade solidária, ou de terceiros, é importante que se esteja certo sobre a própria existência da infração e de sua delimitação. Fl. 3024DF CARF MF 8 Pelo exposto neste item, concluise pela existência de fraude (e de sonegação), havendo deliberada conduta de apropriação de créditos tributários sabidamente indevidos, o que é suficiente para a manutenção do lançamento em relação à empresa “INTERBRASIL”, mesmo antes das discussões que serão a seguir travadas. 2. Da preliminar de nulidade em relação às provas obtidas Desde sua impugnação, alega “FRANCISCO” que a autuação é nula, por ilicitude da prova emprestada de procedimento judicial e policial. No mesmo sentido, as empresas “CLEAN” e “PRESERVICE”. Vejase, de início, que tudo o que se concluiu no tópico anterior sequer invocou tais provas, que se resumem a um único excerto de depoimento no IPL no 40/2008 PF/RN (fls. 42/43), na “Operação Hígia”, e de vários excertos de denúncia do Ministério Público (fls. 43 a 45, e 55), que atestam (i) que “FRANCISCO” (“Quinho”) é proprietário de fato da “PRESERVICE” e da “FDB Andrade de Oliveira ME” (fls. 42/43); (ii) que “restou evidente o vínculo mantido entre as duas pessoas jurídicas, sendo indene de dúvidas, igualmente, que o acusado FRANCISCO DAS CHAGAS DE SOUZA RIBEIRO” (“FRANCISCO”) “é quem detém o domínio de fato das empresas, controlando suas atividades comerciais e gerindo o interesse de ambas”; (iii) que “no que tange aos denunciados JOÃO EUDES ANDRADE DE MACEDO, SÔNIA RIBEIRO FREIRE DE MACEDO, JIVANICE SOARES LOURENÇO e FRANCISCA IZAURA DE LIMA NETA, tem se, com relação aos dois primeiros, constarem como sócios fictícios da INTERBRASIL REPRESENTAÇÕES DE SERVIÇOS E MÃO DE OBRA LTDA” (“INTERBRASIL”), “ao passo que as outras duas são sócias fictícias da CLEAN LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA LTDA” (“CLEAN”), e que a “participação de todos eles nas sociedades, no entanto, se dá com o propósito exclusivo de ocultar o verdadeiro proprietário das empresas, que é o denunciado FRANCISCO DAS CHAGAS DE SOUZA RIBEIRO, viabilizando, com isso, a simulação da existência de concorrência entre as empresas do grupo empresarial nas contratações públicas”; (iv) que a “conclusão é facilmente extraída, no que atine aos sócios da INTERBRASIL REPRESENTAÇÕES DE SERVIÇOS E MÃO DE OBRA LTDA., pela quebra do sigilo bancário da empresa (Anexo 03), cuja análise revela uma grande quantidade de recursos destinados ao adimplemento de obrigações titularizadas pelo Sr. FRANCISCO DAS CHAGAS DE SOUZA RIBEIRO e sua família, desde o pagamento de faculdade, multas junto ao DETRAN e financiamento de imóveis, até a emissão de cheques nominativos em benefício do mencionado clã familiar”, sendo “nada, no entanto, direcionado aos sócios formais, o que deixa indene de dúvidas a falsidade ideológica por eles cometida”; (v) que “no que diz respeito à CLEAN LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA LTDA., cujas proprietárias fictícias são JIVANICE SOARES LOURENÇO e FRANCISCA IZAURA DE LIMA NETA, é facilmente perceptível que não há, por parte das sócias, qualquer poder de comando junto à empresa, sendo outorgado a FRANCISCO DAS CHAGAS DE SOUZA RIBEIRO, verdadeiro proprietário, o controle de fato da pessoa jurídica”; (vi) que o “poder de gerência de FRANCISCO DAS CHAGAS DE SOUZA RIBEIRO sobre a CLEAN LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA LTDA. é a todo momento confirmado pelas interceptações telefônicas obtidas mediante autorização judicial (fls. 544/547 622 do Volume III, e demais transcrições do volume IV dos autos de n. 20013622 05.2009.8.20.0001), as quais demonstram a subordinação da Gerente de Recursos Humanos da citada empresa às ordens e recomendações de "QUINHO", que lhe orienta acerca de todos os atos de administração”; e (vii) que “FRANCISCO DAS CHAGAS DE SOUZA RIBEIRO controla um grupo empresarial composto por quatro empresas, todas atuantes no segmento de locação de mão de obra, quais sejam F.D.B. ANDRADE DE OLIVEIRA LTDA., PRESERVICE Fl. 3025DF CARF MF Processo nº 10469.725297/201641 Acórdão n.º 3401006.153 S3C4T1 Fl. 3.022 9 RECURSOS HUMANOS LTDA., INTERBRASIL REPRESENTAÇÕES DE SERVIÇOS E MÃO DE OBRA LTDA. e CLEAN LOCAÇÃO DEMÃO DE OBRA LTDA”. Embora a fiscalização sequer necessite de tais elementos para configuração da fraude tributária, eles são importantes para evidenciação da cadeia de comando do grupo econômico dissimulado, que foi criado fictamente para perpetrar ilícitos, havendo ainda outros excertos da denúncia oferecida pelo Ministério Público às fls. 56/57 (para explicar a confusão patrimonial), fls. 57/58 (para aclarar a identidade de endereços), e fl. 61 (para endossar o poder de gerência de “FRANCISCO”). Sobre tais excertos, os recorrentes afirmam que a autorização judicial para utilização pela RFB era limitada a dados bancários. No entanto, a simples leitura do excerto transcrito pelas próprias peças recursais atesta o contrário (fl. 2891 e 2935, com textos idênticos): Parecem não notar as recorrentes a expressão “De igual modo”, no texto, buscando distorcer a autorização judicial, que, digase, não demanda certificação ou expressa peça específica. Ademais, qualquer informação constante na citada denúncia poderia ter sido objeto de contraposição pela parte, no presente processo, tarefa que sequer tenta a defesa levar a cabo. Ao afirmar que poderiam não ser autênticas determinadas informações, caberia a “FRANCISCO” ter informado detalhadamente quais, pois tem plena ciência daquele procedimento. Quanto às empresas “CLEAN” e “PRESERVICE”, que, segundo a defesa, não figuram no polo passivo da ação penal, entendese que, igualmente, poderiam refutar as eventuais informações incorretas a seu respeito nas citadas peças transcritas, ou, ao menos, questionálas objetivamente, excedendo a simples alegação de falta de certificação ou autenticidade. Ao que se evidencia, as defesas limitamse a entender ilícitas as provas, mas não a refutar especificamente seu conteúdo. Observando o que consta do processo, inclusive a autorização aqui transcrita, não tenho dúvidas sobre a legalidade do procedimento fiscal, que foi equivocadamente atacado quanto à forma, e sequer questionado especificamente, no mérito. E, de posse das informações que figuram na denúncia, passase à análise da responsabilidade imputada no presente processo. Fl. 3026DF CARF MF 10 3. Da sujeição passiva Alega “FRANCISCO”, em sua peça recursal, inicialmente, que houve equivocado emprego, pela fiscalização, dos arts. 124, I, e 135, III, do Código Tributário Nacional. Sobre tema conexo, já tratamos no Acórdão no 3403002.517, de 22/10/2013, entre outros, nos quais se aclarou que “a responsabilidade pessoal referida no art. 135 não implica o afastamento do contribuinte da relação tributária”: “SUJEIÇÃO PASSIVA. LANÇAMENTO. RESPONSABILIDADE PESSOAL. ART. 135, III DO CTN. SOLIDARIEDADE. Na hipótese prevista no art. 135, III do CTN não incorre em erro na eleição do sujeito passivo o lançamento efetuado contra o contribuinte. A responsabilidade pessoal referida no art. 135 não implica o afastamento do contribuinte da relação tributária.” (Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação ao tema, sessão de 22.out.2013) (grifo nosso) Na ocasião, endossamos, com acolhida do colegiado, que não há relação excludente entre a responsabilização do art. 135 e aquela prevista, em geral, na legislação tributária (remetendo ao contribuinte): “Nesse tópico, há que se destacar, de início, que não se discorda da aplicabilidade do art. 135, III ao caso, mas se opõe veementemente à interpretação de que a responsabilidade aí tratada seja exclusiva, e afaste a figura do contribuinte. O tema é controverso, e nem de longe as poucas referências bibliográficas citadas no Recurso Voluntário espelham um entendimento doutrinário dominante. Poderíamos inclusive endossála, de início, com obra expressiva, de Luciano AMARO, que afirma que o dispositivo (art. 135, III do CTN) exclui do pólo passivo da obrigação a figura do contribuinte (que, em princípio, seria a pessoa em cujo nome e por cuja conta agiria o terceiro), ao dispor no sentido de que o executor do ato responda pessoalmente. A responsabilidade pessoal deve ter aí o sentido (que já se adivinhava no art. 131) de que ela não é compartilhada com o devedor “original” ou “natural”. Não se trata, portanto, de responsabilidade subsidiária do terceiro, nem de responsabilidade solidária. Somente o terceiro responde “pessoalmente”. Para que incida o dispositivo, um requisito básico é necessário: deve haver a prática de ato para o qual o terceiro não detinha poderes, ou de ato que tenha infringido a lei, o contrato social ou o estatuto de uma sociedade. [...] O problema está em se definir os atos a que se refere o art. 135. 2 (grifo nosso) Hugo de Brito MACHADO, no entanto, considera inaceitável tal entendimento, afirmando que 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10. ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 318319. Fl. 3027DF CARF MF Processo nº 10469.725297/201641 Acórdão n.º 3401006.153 S3C4T1 Fl. 3.023 11 A lei diz que são pessoalmente responsáveis, mas não são os únicos. A exclusão da responsabilidade, a nosso ver, teria de ser expressa. Com efeito, a responsabilidade do contribuinte decorre de sua condição de sujeito passivo direto da relação obrigacional tributária. Independe de disposição legal que expressamente a estabeleça. Assim, em se tratando de responsabilidade inerente à própria condição de contribuinte, não é razoável admitirse que desapareça sem que a lei o diga expressamente. Isto, aliás, é o que se depreende do disposto no art. 128 do Código Tributário Nacional, segundo o qual “a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação”. Pela mesma razão que se exige dispositivo legal expresso para a atribuição da responsabilidade a terceiro, também se há de exigir dispositivo legal expresso para excluir a responsabilidade do contribuinte. 3 (grifo nosso) Nelson Gustavo Mesquita Ribeiro ALVES, em obra coordenada por Paulo Afonso Brum Vaz e Leandro Paulsen, redige artigo específico sobre o art. 135, III, do CTN, sustentando que [...] é de se ter em mente que a doutrina classificou a responsabilidade tributária como por substituição ou por transferência. Haverá responsabilidade por substituição quando é esquecido, desde logo, o contribuinte, e chamado a responder pela obrigação o responsável, e responsabilidade por transferência quando este somente é chamado a responder após a tentativa de satisfação da obrigação em face do contribuinte (subsidiária) ou quando são acionados de forma conjunta (solidariedade). [...] A este trabalho nos interessa uma modalidade de responsabilidade de terceiros, especialmente aquela delineada no art. 135, III, do CTN. Da análise inicial da responsabilidade tributária em sentido amplo, [...] temse que aquela prevista no art. 135, III, do CTN pode ser classificada como responsabilidade por transferência, pois há a exigência do tributos do contribuinte (a sociedade empresária), não sendo excluída a responsabilidade desta pelo cumprimento da obrigação. Aliás, conforme ensina Zenildo BODNAR, ainda que se proceda à responsabilização do sóciogerente ou do administrador, esta não exclui a responsabilidade da pessoa 3 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 21. ed. Malheiros: São Paulo, 2002, p. 142. Fl. 3028DF CARF MF 12 jurídica, face ao princípio da separação patrimonial entre a pessoa jurídica e os seus sócios. 4 (grifo nosso). Outro trabalho específico sobre o tema, recentemente merecedor do Prêmio CARF 2010 de monografias em Direito Tributário, de autoria de Fabrizio Candia dos SANTOS, apresenta visão complementar sobre o tema, dispondo que [...] ao tratar da responsabilidade de terceiros, o CTN estabeleceu duas regras distintas: uma, conservando a sua caracterização de terceiro para vinculálo subsidiariamente ao credor nos casos em que, por sua omissão ou ação, reste inadimplida obrigação tributária. Em outra ponta, caso um ato ilícito do terceiro produza um fato gerador, deixa o mesmo (sic) de ser terceiro para vincularse pessoal e solidariamente à obrigação. A solidariedade decorre do comum interesse na situação que constitui o fato gerador, interesse esse revelado no momento em que excede os limites da lei. 5 (grifo nosso) A análise destes dois últimos posicionamentos é ainda mais enriquecedora quando aliada aos ensinamentos de Paulo de Barros CARVALHO, que entende tratarem os artigos referentes à responsabilidade de terceiros (como o art. 135) não de uma relação tributária, mas de uma relação de cunho obrigacional, de índole sancionatória (sanção administrativa): Nosso entendimento é no sentido de que as relações jurídicas integradas por sujeitos passivos alheios ao fato tributado apresentam a natureza de sanções administrativas. [...] Tudo fica mais evidente, porém, quando atinamos ao disposto na Seção II – “Responsabilidade de Terceiros”. Sob o manto jurídico da solidariedade, escondese a providência sancionatória, de maneira nítida e insofismável. [...] Cremos haver demonstrado a natureza do vínculo que se instala, sempre que pessoa externa ao acontecimento do fato jurídico tributário é transportada para o tópico de sujeito passivo. Teremos uma relação jurídica, de cunho obrigacional, mas de índole sancionatória. Alguns autores invocam a extinção da obrigação tributária, quando o responsável paga a dívida, como um argumento contrário à tese que advogamos. O argumento, todavia, é inconsistente. Nada obsta a que o legislador declare extinta a obrigação tributária, no mesmo instante em que também se extingue a relação sancionatória. Dáse por satisfeito, havendo conseguido seu objetivo final. 6 (grifo nosso) 4 ALVES, Nelson Gustavo Mesquita Ribeiro. Resstudo da responsabilidade tributária (Art. 135, III, do CTN) em face da Lei COmplementar n. 123, de 14122006. In PAULSEN, Leandro; VAZ, Paulo Afonso Brum (org.). Curso Modular de Direito Tributário. Florianópolis: Conceito, 2008, p. 213214. 5 SANTOS, Fabrizio Candia dos. A responsabilidade tributária de todos os sócios na dissolução irregular de sociedades limitadas. In I Prêmio CARF de monografias em direito tributário 2010. Brasília: Valentim, 2011, p. 225226. 6 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 17. ed. São Paulo: Saraiva, 2005, p. 324327. Fl. 3029DF CARF MF Processo nº 10469.725297/201641 Acórdão n.º 3401006.153 S3C4T1 Fl. 3.024 13 A que obrigação tributária se refere o professor da PUC/SP, quando fala que o legislador pode declarála extinta com o termo da relação sancionatória? Certamente o rigor terminológico do mestre não faria com que sustentasse que está extinta uma obrigação que jamais nasceu. E se ela nasceu, tem alguém no pólo passivo. E esse alguém é originariamente o contribuinte. Percebase que aquilo que Paulo de Barros CARVALHO designa como sanção administrativa é albergado pela chamada responsabilidade tributária em sentido amplo, referida por Nelson Gustavo Mesquita Ribeiro ALVES. E notese ainda que, independentemente de ser designada a pessoa a que se refere o art. 135, III como responsável tributário ou responsável por sanção administrativa, a figura do contribuinte é inafastável. Arrematese a discussão sobre o tema com a ponderação de Ricardo Lobo TORRES, que objetivamente assevera que Outra coisa é a responsabilidade de que cuida o art. 135. Nela existe a solidariedade ab initio, e o responsável se coloca junto do contribuinte desde a ocorrência do fato gerador. [...]. A Fazenda credora pode dirigir a execução contra o contribuinte ou o responsável. 7 (grifo nosso) Aliás, esse é o entendimento externado por este CARF em decisões recentes. A título ilustrativo, transcrevase excerto de Acórdão unânime da 1a Seção, proferido em 2011: “RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOCIEDADE EMPRESÁRIA. SÓCIOADMINISTRADOR. SOLIDARIEDADE. I Condutas do sócioadministrador, desde a não escrituração das operações contábeis, passando pelo não envio declarações obrigatórias de pessoa jurídica, consubstanciaram uma série de atos ordenados, um por um, visando ocultar as receitas auferidas que deveriam ter sido oferecidas á tributação. Tais ações e omissões, além de infringirem a legislação comercial e tributária vigente, caracterizaram o dolo, restando demonstrada subsunção ao inciso III, art. 135 do CTN. II O termo “pessoalmente responsável”, do artigo 135 do CTN, trata de responsabilidade surgida direta e pessoalmente, o que não quer dizer, contudo, que a pessoa jurídica fique desobrigada, até porque, caso o fosse, deveria haver uma menção expressa de exclusão de responsabilidade. CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS.O decidido em relação à matéria principal estendese aos lançamentos decorrentes, formalizados a partir de idêntica motivação. 8 (grifo nosso) 7 TORRES, Ricardo Lobo. Curso de Direito Tributário e Financeiro. 14. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2007, p. 268. 8 CARF. Acórdão 1302000.458. 3a Câmara. 1a Seção. Rel. Cons. Marcos Rodrigues de Mello, unânime, Sessão de 26.jan.2011. Fl. 3030DF CARF MF 14 Também nesta turma, a matéria já foi assim decidida de forma unânime, recentemente: “SUJEIÇÃO PASSIVA. LANÇAMENTO. RESPONSABILIDADE PESSOAL. ART. 135, III DO CTN. SOLIDARIEDADE. Na hipótese prevista no art. 135, III do CTN não incorre em erro na eleição do sujeito passivo o lançamento efetuado contra o contribuinte. A responsabilidade pessoal referida no art. 135 não implica o afastamento do contribuinte da relação tributária.” 9 (grifo nosso) A construção jurídica mais sólida, assim, a nosso ver, aponta para a manutenção do contribuinte na relação tributária, nas hipóteses de que trata o art. 135, III. Incabível, destarte, a alegação de haveria erro na eleição do sujeito passivo, por ser exclusiva a responsabilidade do terceiro.” (grifos no original) O raciocínio expendido é válido para enfrentar a acusação de que seriam incoerentes as figuras da responsabilidade solidária (art. 124 do CTN) e pessoal (art. 135 do CTN) em uma mesma imputação fiscal. Aliás, havendo provas de que pessoas, inclusive alheias aos quadros societários de empresa, atuaram organizadamente como grupo econômico ou para blindar o patrimônio da empresa, este colegiado já admitiu a menção a ambas as responsabilizações no mesmo procedimento: “RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. SÓCIOS E PESSOA JURÍDICA. GRUPO ECONÔMICO. ARTIGOS 124, I E 135, III, AMBOS DO CTN. INTERESSE COMUM. ILICITUDES COMETIDAS. DEFLAGRAÇÃO. Sócios e pessoa jurídica que formam grupo econômico com o interesse comum em lesar a Administração Pública, com farta documentação comprovando ilícitos em fraudes de merenda escolar, licitações e ausência de recolhimento de tributos são responsáveis tributários, a teor dos artigos 124, I e 135, III, ambos do CTN.” (Acórdão 3401 003.427, Rel. Cons. Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, maioria, sessão de 28.mar.2017) (grifo nosso) CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. CONFIGURAÇÃO. Nos termos dos arts. 124, I e 135, III do Código Tributário Nacional, há solidariedade entre os agentes quando houver interesse comum na situação que constitua o fato gerador, o que se verifica quando os dirigentes de grupo econômico empresarial, através de sucessivas alterações societárias e operações de cisão e incorporação, em clara violação da lei, transferem os ativos para determinadas pessoas jurídicas do conglomerado visando a blindagem do patrimônio contra ações tendentes à exigência e satisfação do crédito tributário constituído, o que também sujeita os envolvidos à responsabilidade pessoal pelo crédito respectivo.” (Acórdão 3401003.888, Rel. Cons. Robson José Bayerl, maioria, sessão de 26.jul.2017) (grifo nosso) 9 CARF. Acórdãos 3403001.763 e 764, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, Sessão de 25.set.2012. Fl. 3031DF CARF MF Processo nº 10469.725297/201641 Acórdão n.º 3401006.153 S3C4T1 Fl. 3.025 15 Basta, assim, que reste delineada a forma pela qual as pessoas físicas e jurídicas que figuram no polo passivo da autuação possuem relação com a conduta imputada, para que se configure, dentro das figuras arroladas pelo CTN, a responsabilização, que, digase, não é excludente (entre as figuras). “FRANCISCO”, após insistir na tese (aqui já rechaçada) de que seriam ilícitas as menções à denúncia oferecida pelo Ministério Público, e que não teriam sido comprovados ou “autenticados” os fatos ali narrados (digase, endossados de forma documentada pela realidade encontrada no presente processo), reconhece, v.g., a existência de pagamentos de contas particulares suas e de seus familiares por parte das empresas, mas afirma que tais fatos seriam insuficientes para a configuração de sua responsabilidade. Nas palavras do recorrente (fl. 2940): Sustenta, assim, que ao invés de mandante, era mandatário, e que agia sempre de acordo com lei, como se não houvesse robustos elementos em contrário nos autos, e como se sua imputação de responsabilidade fosse simplesmente fundada em contas suas e de familiares (repita=se, pagamento de faculdade, multas junto ao DETRAN e financiamento de imóveis) pagas pelas empresas das quais sequer participava de comando, em detrimento dos efetivos comandantes. Nas palavras do Ministério Público (fl. 57): “36. Dentre os gastos custeados pela INTERBRASIL REPRESENTAÇÕES DE SERVIÇOS E MÃO DE OBRA LTDA. consta o pagamento de boletos relativos a empreendimentos imobiliários, consórcios de automóveis, mensalidades de faculdade, multas junto ao DETRAN/RN, cartões de crédito, planos de saúde, faturas de telefone e uma infinidade de outras despesas de caráter estritamente pessoal pertencentes aos sócios da PRESERVICE RECURSOS HUMANOS LTDA., MAYFRAN FERREIRA RIBEIRO e MAYRA MIRELLE FERREIRA RIBEIRO, bem assim de seu procurador e real proprietário, FRANCISCO DAS CHAGAS DE SOUZA RIBEIRO.” As rasas alegações da recorrente estão distantes de afastar o aqui exposto ao início do tópico anterior, assim como o imputado às fls. 57 a 61, e a confusão de endereço entre as empresas (fls. 57/58), escrituração e IP coincidentes, e sequer são suficientes para rechaçar o único argumento ao qual se destinam, a demonstração de que “FRANCISCO” detinha controle sobre a “INTERBRASIL”. Mais efetiva seria a defesa se, ao invés de tecer argumentos genéricos destinados a rebater as imputações específicas, demonstrasse efetivamente a natureza de quais Fl. 3032DF CARF MF 16 serviços teria prestado “FRANCISCO” de modo a justificar o pagamento direto de suas despesas e de seus familiares pela empresa, detalhandoos e documentandoos. Resta, a nosso ver, cabalmente demonstrado o interesse comum (art. 124 do CTN) de “FRANCISCO” na fraude perpetrada com a utilização da empresa “INTERBRASIL”, que, ademais, era de fato por ele controlada, para realizar condutas em flagrante descumprimento da lei, como a aqui imputada (art. 135 do CTN). E, sobre tal responsabilidade, não paira qualquer dúvida a ensejar a demandada aplicação do art. 112 do mesmo CTN. No que se refere à responsabilização das empresas “CLEAN” e “PRESERVICE” (no relatório parecia também se desejar imputar responsabilidade à “FDB”, o que não se efetuou de fato na autuação), a acusação fiscal é de que as empresas participavam de um grupo econômico de fato, caracterizado por exercerem a mesma atividade, pela unicidade de comando e pela confusão patrimonial. Não tenho dúvidas em relação a nenhuma das imputações. A unicidade de comando é bem delineada nas peças advindas da denúncia do Ministério Público, aqui já parcialmente transcritas, e jamais questionadas no mérito, mas que as defesas das empresas “CLEAN” e “PRESERVICE” também insistem em tratar formalmente como inválidas, argumento que aqui já foi objeto de enfrentamento e afastamento. O exercício da mesma atividade, que, por si, não enseja imputação alguma, passa a ser relevante apenas quando somado às demais circunstâncias. Assim, o que alegam as empresas “CLEAN” e “PRESERVICE”, no sentido de que é perfeitamente possível que empresas do mesmo ramo comunguem advogados e contadores, é plausível, ainda no que se refere a IP de envio de declarações, assim como apresentação conjunta de peças jurídicas (a exemplo do recurso voluntário, e com texto bastante próximo daquele que consta do recurso de “FRANCISCO”). Tais circunstâncias, que, isoladamente, repitase, não possuem muito significado, tornamse relevantes, no contexto evidenciado, somente como elemento de endosso às demais detectadas. A sequência de possíveis coincidências começa a ficar menos crível com conclusões como a seguinte (fl. 2899): Caso a afirmação viesse acompanhada da prova dos empréstimos, detalhandoos, da motivação de comunhão de instalações e funcionários, e de justificativas, por exemplo, para que a autuada “INTERBRASIL” depositasse valores nas contas das pessoas físicas responsáveis pela “PRESERVICE”, confesso que o grau de credibilidade seria mais próximo do desejável a afastar a imputação fiscal de confusão patrimonial. Mas, novamente, ao que parece, as defesas genéricas evitam discutir detalhadamente qualquer tópico numérico ou documental do lançamento. O cenário que evidencio, nesse contexto, é muito próximo daquele descrito em precedente citado nos autos, assim ementado: Fl. 3033DF CARF MF Processo nº 10469.725297/201641 Acórdão n.º 3401006.153 S3C4T1 Fl. 3.026 17 “COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIAS DAS EMPRESAS INTEGRANTES PELAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO ADIMPLIDAS. Caracterizado o grupo econômico de fato, dada a existência de comando único e confusão patrimonial, financeira e operacional entre as empresas integrantes, respondem estas solidariamente pelas contribuições sociais não recolhidas.” E, nesse cenário, tenho como pouco relevante que as empresas “CLEAN” e “PRESERVICE”, sob a gestão de fato do mesmo “FRANCISCO” que responde pela autuada (ainda no reino “de fato”), não sejam as fornecedoras das notas para as quais se detectou a fraude, porque tais empresas figuram em outro polo, o da “INTERBRASIL”, com a qual possuem distinção apenas de direito, mas confusão de fato, com confluência de desígnio, centralizada na figura de comando de “FRANCISCO”. Pelo exposto, entendo procedente o lançamento no que se refere à responsabilidade de tais empresas. 4. Considerações Finais Tendo em vista o aqui exposto, voto por conhecer em parte dos recursos apresentados, e, na parte conhecida, negarlhes provimento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 3034DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.723816/2017-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2014, 2015
CONHECIMENTO. RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE RAZÕES DE FATO E DE DIREITO. Nega-se conhecimento ao recurso voluntário destituído de razões de defesa.
CONEXÃO. INOCORRÊNCIA. Indefere-se o pedido de reunião de processos para julgamento conjunto se não demonstrado que os lançamentos repousam em fatos idênticos.
NULIDADE. ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Afasta-se a arguição de vício material do lançamento por erro de identificação do sujeito passivo quando constatada consistência na acusação fiscal e nas provas reunidas de que o lançamento recai sobre valores auferidos por pessoa jurídica na prestação de serviços.
OMISSÃO DE RECEITAS. SERVIÇOS PRESTADOS. PROVA. NECESSIDADE DE ARBITRAMENTO. Confirmada a consistência dos elementos reunidos pela autoridade fiscal, a partir de testemunhos e provas documentais acerca dos pagamentos em espécie promovidos por ordem de representantes de partido político em razão de serviços prestados em campanhas eleitorais, são devidos os tributos incidentes sobre o faturamento e o lucro, descabendo o arbitramento dos lucros se não evidenciada a imprestabilidade da escrituração da contribuinte.
PROVA. COLABORAÇÃO PREMIADA. CONVICÇÃO DO JULGADOR. Válida a conclusão da autoridade julgadora de 1ª instância no sentido de que, malgrado a colaboração premiada (Lei nº 12.850, de 2013) não se constituir em meio de prova, a convicção do julgador não lhe é imune; mormente quando os depoimentos dos diversos atores envolvidos na delação apontam para a mesma direção.
EXPROPRIAÇÃO DE PRODUTO DE CRIME. FATO GERADOR. OCORRÊNCIA. A expropriação de valores angariados pelo sujeito passivo em prol da União, em razão da prática de ilícito criminal, acordada em Termo de Colaboração Premiada, não altera a ocorrência do fato gerador dos tributos incidentes sobre o faturamento e o lucro.
QUALIFICAÇÃO DA PENALIDADE. Correta a aplicação de multa de ofício no percentual de 150% se demonstrada a intenção do sujeito passivo de reiteradamente não contabilizar receitas de prestação de serviços.
JUROS SOBRE MULTA. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício (Súmula CARF nº 108).
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Os administradores da contribuinte respondem pessoal e solidariamente, na forma dos art. 124, I e 135, III do CTN, pelo crédito tributário lançado em razão de omissão reiterada e intencional de receitas mantidas à margem da escrituração contábil.
Numero da decisão: 1402-003.893
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: i) por unanimidade de votos: i.i) negar conhecimento ao recurso voluntário de Polis Propaganda e Marketing Ltda; i.ii) indeferir o pedido de reunião deste processo administrativo aos de nº 16561.720199/2016-46 e 16561.720052/2017-37; i.iii) rejeitar a arguição de nulidade do lançamento, votando pelas conclusões o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella; i.iv) negar provimento aos recursos voluntários de João Cerqueira de Santana Filho e Mônica Regina Cunha Moura relativamente à qualificação da penalidade e à aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício; ii) por maioria de votos, negar provimento aos recursos voluntários de João Cerqueira de Santana Filho e Mônica Regina Cunha Moura relativamente aos tributos remanescentes na decisão de 1ª instância, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Junia Roberta Gouveia Sampaio que davam provimento aos recursos; e iii) por voto qualidade, negar provimento aos recursos voluntários de João Cerqueira de Santana Filho e Mônica Regina Cunha Moura para manter a imputação de responsabilidade tributária aos recorrentes com fundamento nos arts. 124, I e 135, III do CTN, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que davam provimento parcial para afastar a imputação com base no art. 124, I do CTN.
(assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (Suplente Convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE RAZÕES DE FATO E DE DIREITO. Negase conhecimento ao recurso voluntário destituído de razões de defesa. CONEXÃO. INOCORRÊNCIA. Indeferese o pedido de reunião de processos para julgamento conjunto se não demonstrado que os lançamentos repousam em fatos idênticos. NULIDADE. ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Afastase a arguição de vício material do lançamento por erro de identificação do sujeito passivo quando constatada consistência na acusação fiscal e nas provas reunidas de que o lançamento recai sobre valores auferidos por pessoa jurídica na prestação de serviços. OMISSÃO DE RECEITAS. SERVIÇOS PRESTADOS. PROVA. NECESSIDADE DE ARBITRAMENTO. Confirmada a consistência dos elementos reunidos pela autoridade fiscal, a partir de testemunhos e provas documentais acerca dos pagamentos em espécie promovidos por ordem de representantes de partido político em razão de serviços prestados em campanhas eleitorais, são devidos os tributos incidentes sobre o faturamento e o lucro, descabendo o arbitramento dos lucros se não evidenciada a imprestabilidade da escrituração da contribuinte. PROVA. COLABORAÇÃO PREMIADA. CONVICÇÃO DO JULGADOR. Válida a conclusão da autoridade julgadora de 1ª instância no sentido de que, malgrado a colaboração premiada (Lei nº 12.850, de 2013) não se constituir em meio de prova, a convicção do julgador não lhe é imune; mormente quando os depoimentos dos diversos atores envolvidos na delação apontam para a mesma direção. EXPROPRIAÇÃO DE PRODUTO DE CRIME. FATO GERADOR. OCORRÊNCIA. A expropriação de valores angariados pelo sujeito passivo AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 38 16 /2 01 7- 31 Fl. 5605DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 3 2 em prol da União, em razão da prática de ilícito criminal, acordada em Termo de Colaboração Premiada, não altera a ocorrência do fato gerador dos tributos incidentes sobre o faturamento e o lucro. QUALIFICAÇÃO DA PENALIDADE. Correta a aplicação de multa de ofício no percentual de 150% se demonstrada a intenção do sujeito passivo de reiteradamente não contabilizar receitas de prestação de serviços. JUROS SOBRE MULTA. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício (Súmula CARF nº 108). RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Os administradores da contribuinte respondem pessoal e solidariamente, na forma dos art. 124, I e 135, III do CTN, pelo crédito tributário lançado em razão de omissão reiterada e intencional de receitas mantidas à margem da escrituração contábil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: i) por unanimidade de votos: i.i) negar conhecimento ao recurso voluntário de Polis Propaganda e Marketing Ltda; i.ii) indeferir o pedido de reunião deste processo administrativo aos de nº 16561.720199/201646 e 16561.720052/201737; i.iii) rejeitar a arguição de nulidade do lançamento, votando pelas conclusões o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella; i.iv) negar provimento aos recursos voluntários de João Cerqueira de Santana Filho e Mônica Regina Cunha Moura relativamente à qualificação da penalidade e à aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício; ii) por maioria de votos, negar provimento aos recursos voluntários de João Cerqueira de Santana Filho e Mônica Regina Cunha Moura relativamente aos tributos remanescentes na decisão de 1ª instância, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Junia Roberta Gouveia Sampaio que davam provimento aos recursos; e iii) por voto qualidade, negar provimento aos recursos voluntários de João Cerqueira de Santana Filho e Mônica Regina Cunha Moura para manter a imputação de responsabilidade tributária aos recorrentes com fundamento nos arts. 124, I e 135, III do CTN, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que davam provimento parcial para afastar a imputação com base no art. 124, I do CTN. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (Suplente Convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Fl. 5606DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 4 3 Relatório POLIS PROPAGANDA & MARKETING LTDA e os responsáveis tributários JOÃO CERQUEIRA DE SANTANA FILHO e MÔNICA REGINA CUNHA MOURA, já qualificados nos autos, recorrem de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Recife/PE que, por maioria de votos, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 08/09/2017, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 21.555.956,44. Consta da decisão recorrida o seguinte relato e introdução de voto: Tratase de autos de infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 02 a 20), do Programa de Integração Social – PIS (fls. 39 a 56), da Contribuição Social para a Seguridade Social – Cofins (fls. 58 a 75) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 22 a 37), lavrados para formalização e exigência de crédito tributário no montante de R$ 21.555.956,44. 2. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 77 a 117), o lançamento decorreu de omissão de receitas. Verificouse, a Polis recebera, nos anos objeto da autuação, R$ 23.500.000,00 da Odebrecht, em espécie, como pagamento por serviços prestados ao Partido dos Trabalhadores, e não os oferecera à tributação. 3. Qualificouse a multa. Os Srs. João Cerqueira de Santana Filho e Mônica Regina Cunha Moura foram responsabilizados pelo crédito, motivo por que compõem o pólo passivo da obrigação. 4. A contribuinte e os responsáveis apresentaram as impugnações das fls. 3650 a 3719 (Polis Propaganda & Marketing), 5047 a 5120 (Mônica Regina Cunha Moura) e 4944 a 5017 (João Cerqueira de Santana Filho), contrapondo, em síntese: 4.1 A "Autoridade Fiscal" não teria levado em conta o regime jurídico das agências de publicidade. Também não teria apurado "créditos de PIS/COFINS a que faria jus à impugnante", o que destoaria do "critério jurídico utilizado para lançamento de IRPJ/CSLL"1. Deverseia ter observado o regime do lucro arbitrado na constituição do crédito relativo a esses últimos tributos2. 4.2 – O lançamento estaria fundamentado em fatos extraídos do Processo Criminal nº 501972795.2016.404.7000, cuja sentença de mérito ainda não teria sido proferida, de sorte que "a versão dos fatos" poderia ser "modificada pelo Poder Judiciário e infirmar a tese de acusação da Autoridade Fiscal". Os fatos narrados não teriam suporte em elementos probatórios, o que caracterizaria "vício material por ausência de motivação". 4.3 O Termo de Verificação Fiscal estaria eivado de inconsistências. 4.4 A qualificação da multa teria sido indevida. 1 No qual teriam sido "consideradas as despesas incorridas pela impugnante". 2 fl. 3718: (ii) uma vez que não há elementos suficientes a comprovar com certeza o valor da receita bruta da Impugnante, não há base para lançamento de PIS/COFINS, considerandose que a legislação desses tributos não estabelece regras para o arbitramento da receita tributável do contribuinte, à semelhança do que sucede para IRPJ/CSLL. Fl. 5607DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 5 4 4.5 – A imputação dos sócios administradores não poderia prosperar, porquanto o próprio lançamento também não prosperaria e porque estariam ausentes os requisitos previstos no inciso III do art. 135 do CTN. Voto Do crédito 5. Antes de mais nada, não se verifica no caso em questão nenhuma das hipóteses dos incisos do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 19723, ou qualquer outro motivo4, que enseje nulidade do lançamento, o que restará evidenciado ao longo deste voto. Relevese, foram observadas fielmente pela fiscalização as determinações do art. 10 do referido Decreto5, bem assim às do art. 142 do CTN6. 6. Não obstante a copiosidade das peças de defesa, vêse o inconformismo, em substância, cingese ao seguinte: 6.1 – Não teria sido considerado o “regime jurídico” das agências de publicidade. Terseia olvidado, nem todos recursos que transitam "pelas mãos da agência" tratarseia de receitas, uma vez que poderiam dizer respeito a "reembolsos de custos" ou a "depósitos a serem repassados"7, particularidade prevista no Parecer Normativo CST nº 7, de 02 de abril de 198689. 3 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. 4 Vide art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965 5 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. 6 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. 7 fl. 3663: 21. Logo, nem todos recursos que transitam pelas mãos da agência devem ser por elas computados como receitas. Parte deles deve ser tratada como (a) reembolsos de custos ou (b) depósitos a serem repassados. 8 fl. 3671: Parecer Normativo CST nº 7/1986 19. Desse modo, estarão excluídas da base de cálculo as importâncias que se refiram ao reembolso de despesas (gastos feitos com terceiros em nome da Agência, mas reembolsáveis, pelo Anunciante, nos limites e termos contratuais) ou os valores repassados (gastos feitos com terceiros pela beneficiária por conta e ordem do Anunciante e em nome deste). 20. Também não integram a base de cálculo as importâncias pagas diretamente ou repassadas ao Veículo de Divulgação, consoante exaustiva enunciação feita no parágrafo único do artigo 53. 9 fl.3669: 42. Para efeito da Contribuição ao PIS e da Cofins no regime cumulativo, aplicase a Lei nº 9.718/1998, art. 3º. Até 2014, esse dispositivo definia a base de cálculo apenas como sendo a “receita bruta” da sociedade, assim entendida como aquelas concernentes seu objeto social. De 2015 em diante, passou a ser aplicável o conceito definido no DecretoLei nº 1.598/1977, art. 12, acima referido. 43. Para efeito da Contribuição ao PIS e da Cofins no regime nãocumulativo, aplicase a Lei nº 10.637/2002, art. 1º, §1º, a Lei nº 10.833/2003, art. 1º, §1º. Até 2014, a receita bruta correspondia à “venda de bens e serviços nas Fl. 5608DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 6 5 6.2 – Os autos de infração do PIS e da Cofins, “apurados segundo o regime não cumulativo em 2015”, deveriam ser anulados por “vício material na quantificação dos tributos, nos termos do CTN, art.142”, porquanto a fiscalização não teria considerado “os créditos a que faz jus o contribuinte, nos termos da Lei nº 10.637/2002, art.3º, e Lei nº 10.833/2003, art. 3º”10. 6.3 – A fiscalização não teria apresentado provas do recebimento dos valores tidos como omitidos11. Os únicos “meios de prova” utilizados para fundamentar a autuação teriam sido “colaborações prestadas por investigados e uma planilha elaborada, mantida e atualizada por esses mesmos investigados”, que, por se tratar de “documento não oficial”, não possuiria “qualquer valor ou respaldo legal” 12. A colaboração premiada não teria natureza de prova, consistindo apenas em um meio utilizado para sua obtenção13. De sorte que não teria havido motivo para o lançamento1415. operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica”. De 2015 em diante, passou a ser aplicável o conceito definido no DecretoLei nº 1.598/1977, acima referido. 44. Em vista da redação desses dispositivos, concluise que as mesmas conclusões aplicáveis ao IRPJ e à CSLL, se aplicam à Contribuição ao PIS e à Cofins. 10 Fl. 3.713: 197. As contribuições em comento são apuradas em lançamento por homologação, nos termos do CTN, art. 150, §4º, o que quer dizer que o contribuinte poderá, ao executar o lançamento, descontar os créditos a que tem direito. Quando o lançamento é executado de ofício, a Autoridade Fiscal excepcionalmente subrogase no papel originalmente cabível ao contribuinte, de modo que, por lealdade (Lei nº 9.784/1999)28 e moralidade (Constituição Federal, art. 3729), deve considerar todos elementos que servem para a apuração de tributos, inclusive os créditos tributários, consoante o CTN, art. 142 citado. 11 11 fl. 3687: 100. Aliás, como não conseguiu apresentar provas do recebimento efetivo dos valores mencionados, preocupou se, inclusive, em mencionar outros processos judicias, que sequer serviram para fundamentar esse Auto de Infração, reproduzindo no TVF nº 02, nos §§ 31 e 32, uma série de trechos da denúncia do MPF e da sentença judicial referentes ao Processo Criminal nº 5013405 9.2016.404.7000. fl. 3688: 103. Entretanto, o que se viu no caso foi um Auto de Infração baseado única e exclusivamente em colaborações premiadas e em uma denúncia do MPF. 12 fl. 3687: 97. Os únicos meios de prova utilizados para fundamentar a autuação foram colaborações prestadas por investigados e uma planilha de pagamentos elaborada, mantida e atualizada por esses mesmos investigados, de modo que se trata de um documento não oficial, que sozinho não possui qualquer valor ou respaldo legal. 13 fls. 3685, 3687, 3692 e 3694: 87. Ao levar em conta a natureza jurídica da colaboração premiada, chegase à conclusão de que esta não tem natureza de prova. O instituto tal qual reproduzido pela Lei nº 12.850/2013 consiste em um meio para obtenção da prova. 94. O entendimento adequado a respeito do instituto é de suma relevância para que sejam evitadas as distorções que tem se tornado cada vez mais frequentes, quando as delações são utilizadas como único meio de prova. Sucede que a colaboração premiada foi concebida para ser aplicada como o ponto de partida ou como um norte para as investigações, que, a propósito, continuam sendo imprescindíveis para que sejam produzidas provas robustas a serem aproveitadas no caso. 118. Além de todo o exposto, é importante enfatizar que o instituto da colaboração premiada, tal qual previsto na Lei nº 12.850/2013, foi pensado para as infrações penais relacionadas aos crimes de organização criminosa. Ainda que o Juízo Penal autorize o compartilhamento das informações, não pode a Autoridade Fiscal se valer delas deliberadamente, como único meio de prova. 125. O devido processo legal e os princípios da ampla defesa e do contraditório em matéria tributária não são permeáveis à prova emprestada. 14 fl. 3691: 114. Em síntese do exposto, sem prova, não há motivo, e sem motivo, não há lançamento válido. Aceitar que o Auto de Infração seja expedido única e exclusivamente com base em depoimentos de investigados e em denúncia o MPF equivale a concordar com uma construção normativa sem provas, o que não se admite. 15 fls. 3699 e 3700: Fl. 5609DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 7 6 6.4 O direito de defesa da Polis teria sido cerceado16, teria havido “desvio de finalidade” no uso de prova emprestada17 e teria sido maculado o princípio da verdade material18. 6.5 O crédito em questão englobaria o montante de R$ 16.000.000,00 pago pela Odebrecht em favor da Shellbil Finance, no exterior , de forma indevida; o valor teria sido objeto de perdimento em face dos acordos de colaboração premiada firmados pelos sócios1920. 6.6 O Termo de Verificação Fiscal padeceria das seguintes inconsistências: a) o auditor fiscal não teria demonstrado por que considerara o valor de R$ 24.500.000,00 como sendo a receita bruta que fora omitida, "quando há indicativos de que esse total poderia ser, por exemplo, de R$ 23.500.000,00, de R$ 24.200.000,00 ou R$ 35.000.000,00”; 147. Como elemento intrínseco ao ato administrativo de lançamento, se constatada a ausência da respectiva motivação ou caso ela não subsista no plano fático, não é possível manter a exigência fiscal, devendo ser anulado o ato. 151. Isto posto, o presente Auto de Infração merece ser anulado ante a falta de motivação do ato, posto não foram apresentadas provas hábeis e suficientes a justificar e comprovar a efetiva existência do fato gerador da obrigação tributária. 16 fl. 3695: 130. Diante da ausência de todos os elementos necessários à identificação do fato gerador e da infração supostamente praticada, temos como consequência a ocorrência de cerceamento de defesa, indo de encontro ao que dispõe os incisos LIV e LV do artigo 5º da Constituição Federal. 17 fls. 3696 e 3697: 134. Sucede, no entanto, que toda prova deve sofrer o tratamento adequado antes de ser julgada válida para produzir efeitos fiscais. A Secretaria da Receita Federal do Brasil não tem permissão para simplesmente tratar a prova emprestada da maneira tal qual recebe de outras autoridades; deve conferirlhe o tratamento pertinente para que, somente então, possa lançar tributos da maneira adequada. 139. Portanto, concluise que a aplicação da prova criminal sem que a elas se ajuntem elementos que sirvam bem a caracterizar o fato gerador da obrigação tributária, com todas as suas características (base de cálculo, natureza do valor, origem), configurase desvio de finalidade no uso da prova. 18 fl. 3695: 128. Já restou demonstrado que no presente caso a lavratura do Auto de Infração decorreu unicamente dos depoimentos nos acordos de colaboração e na denúncia do MPF no processo judicial. Salvo as afirmações dos colaboradores e do próprio órgão de acusação, não foi apresentada qualquer outra prova pela Autoridade Fiscal, que acabou se utilizando de verdadeira presunção. Assim sendo, não pode a presente autuação prevalecer sob pena de caracterizarse lançamento arbitrário que não corresponde efetivamente aos fatos havidos. 19 fls. 3701 e 3702: 155. No TVF nº 02, §56, indicase que o Sr. Fernando Migliaccio teria pago à Impugnante o valor de R$ 16.000.000,00 em conta no exterior. Todos os pagamentos feitos pela Odebrecht no exterior foram feitos em favor da Shellbil Finance,de onde então devese concluir que, a prevalecer a tese da Autoridade Fiscal, o valor de R$ 16.000.000,00 teria sofrido perdimento. 156. O problema de o lançamento tributário apoiarse em colaborações premiadas é que elas não são detalhas o suficiente para vincular esse pagamento no exterior à Shellbil Finance. Nada obstante, examinandose os Acordos de Colaboração, notase que todos os pagamentos no exterior mencionados aos sócios da Impugnante foram feitos à Shellbil Finance. 157. A Impugnante insurgese contra a tributação desse valor dado que o TVF e os Acordos de Colaboração indicam que os R$ 16.000.000,00 foram submetidos a perdimento. 20 fl. 3708: 178. Ou seja, eventual interpretação que levasse à conclusão de que o valor auferido em decorrência da prática de atos ilícitos deveria ser tributado e, posteriormente, confiscado pela União, não encontra fundamento legal. Havendo o perdimento, cessa a capacidade contributiva e a possibilidade de o fisco tributar a riqueza oriunda da atividade ilícita, pois essa deixa de pertencer ao autor do ilícito, retornando ao Estado ou, nos casos de delação premiada, ao ente lesado. Fl. 5610DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 8 7 b) para o período de 24.10.2014 a 07.11.2014, os dados da contabilidade extra oficial “paulistinha” seriam incongruentes com os do Anexo 01; c) o Sr. Marcelo Bahia Odebrecht declarara ter feito 39 pagamentos, ao passo que o Sr. Fernando Migliaccio e a Sra. Lucia Tavares declararam terem feito 45 pagamentos; d) do total que "se supõe" ter sido combinado com a Sra. Mônica Moura, sócia da impugnante, o Sr. Marcelo Bahia Odebrecht declarou não ter pago R$ 18.000.000,00, o Sr. Fernando Migliaccio declarou não ter pago R$ 16.000.000,00, o que seria contraditório; e) não teria sido especificada a parte da receita que poderia se referir a exportações de serviços, "imune à contribuição ao PIS e à Cofins"; d) não teria sido especificada a parte das receitas que competiria a sociedades do grupo econômico domiciliadas no exterior, "não sujeitas a tributação no Brasil enquanto não distribuídos dividendos a seus sócios, pessoas físicas"; e) não teria sido especificada a parte dos recebimentos que seria destinada à repasse de fornecedores, e que, portanto, não comporia a receita bruta da impugnante. 6.7 – A prevalecer a “tese da fiscalização” de que houvera omissão de receita, perpetrada de forma fraudulenta, O IRPJ e a CSLL deveriam ter sido apurados por meio do regime do lucro arbitrado, ex vi inciso II do art. 530 do RIR, de 1999 (fl. 3709). Uma vez que “a tese acusatória da Autoridade Fiscal” assentarseia no “suposto de ter havido fraude por parte da impugnante e seus sócios”, o que, por consequencia, implicaria desconhecimento da receita bruta, o “lucro arbitrado” deveria ser apurado segundo os ditames do art. 535 do RIR, de 1999 (fl.3710). 6.8 O percentual da multa deveria ser reduzido para 75%, porquanto não estaria “provado em sentença judicial os fatos alegados pela r. Fiscalização” e por a impugnante ter “dúvidas se a alegada corrupção é fundamento da multa que lhe foi imposta" – o art.112 do CTN impediria a aplicação de multas “quando há dúvidas sobre as “circunstâncias materiais do fato”, à “extensão dos seus efeitos” ou à “gradação [da penalidade]” (fl.3715). [...] Da Imputação de Responsabilidade 33. Consoante as impugnações das fls. 5007 a 5011 e 5047 a 5120, os imputados não poderiam ser responsabilizados pela integralidade do crédito, porquanto a) nem todos os recursos que transitam pelas agências de publicidade se trata de receitas delas (207, fl. 5008), b) nem todos os pagamentos se referiam a vantagens indevidas (210, fl. 5008), c) eles não teriam agido com dolo, omitido informações, prestado declaração falsa ou fraudado a fiscalização (212, 5009), d) ainda não existiria sentença penal condenatória transitada em julgado contra eles, e) a responsabilização com fundamento no inciso III do art. 135 do CTN não prescindiria da prática de ato ilícito não tributário. [...] A Turma julgadora acolheu parcialmente estes argumentos aduzindo que: Fl. 5611DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 9 8 · Não há prova de que os valores omitidos corresponderiam a receitas tributáveis de agências de publicidade, sujeitandose a regime tributário próprio, e ao pretendido destaque dos valores destinados a repasse de fornecedores. Cumpria à autuada contabilizar os referidos valores, momento em que poderia ter consignado, com suporte em elementos probatórios hábeis, que não se tratava de receitas tributáveis, o que efetivamente não ocorreu21; tampouco se trouxe algum elemento nesse sentido com a impugnação. O mesmo se verifica em relação aos alegados "créditos" de PIS e Cofins, dado que a apuração não cumulativa não rescinde de escrituração, cabendo ao contribuinte registrálos em regime regular de apuração de resultado22. Também nesta linha não cumpria à fiscalização perscrutar se parte da receita omitida dizia respeito a "exportações de serviços", tampouco que competiriam a sociedades do grupo econômico da Polis domiciliadas no exterior; · Embora admitindo que o depoimento em "colaboração premiada" não se preste a comprovar a existência de determinado fato e sequer seja meio de prova23, observouse que a convicção do julgador não lhe é imune, uma vez que cumpre a este, na construção de seu convencimento (sentido subjetivo da prova24), levar em consideração todos os aspectos trazidos aos autos25. · E, no presente caso, além dos depoimentos prestados em sede de "colaboração premiada", pelos diversos atores envolvidos nos esquemas fraudulentos de "caixa dois" que apontam para a mesma direção , inclusive pelos próprios sócios da Pólis, exaustivamente detalhados no 21 RIR de 1999: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). 22 À símile, na apuração do IRPJ e da CSLL, pelo regime do lucro real, não há falar em dedução de custos e/ou despesas não contabilizados. Nesse sentido, de há muito já se pronunciou o Conselho de Contribuinte (atual CARF): “IRPJ – COMPRAS NÃO CONTABILIZADAS – DEDUÇÃO A pessoa jurídica que apura resultados pelo lucro real está obrigada a manter o registro de todas as suas operações em conformidade com a legislação comercial e fiscal. A falta de registro impede a identificação e dedução de despesas incorridas na compra de mercadorias.” (Acórdão 10194674 – Sessão de 13/08/2004). “LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DEDUÇÃO DE DISPÊNDIOS IMPOSSIBILIDADE Tratandose de lançamento efetuado através de procedimento de ofício, não há que se falar em dedução de custos e/ou despesas não contabilizados.” (Acórdão 10516628 – Sessão de 12/09/2007). 23 A colaboração premiada possui natureza jurídica de "meio de obtenção de prova" (art. 3º, I, da Lei nº 12.850/2013). Chamo atenção para esse fato: a colaboração premiada não é um meio de prova propriamente dito. A colaboração premiada não prova nada (ela não é uma prova). A colaboração premiada é um meio, uma técnica, um instrumento para se obter as provas. “Enquanto os meios de prova são aptos a servir, diretamente, ao convencimento do juiz sobre a veracidade ou não de uma afirmação fática (p. ex., o depoimento de uma testemunha, ou o teor de uma escritura pública), os meios de obtenção de provas (p. ex.: uma busca e apreensão) são instrumentos para a colheita de elementos ou fontes de provas, estes sim, aptos a convencer o julgador (p. ex.: um extrato bancário [documento] encontrado em uma busca e apreensão domiciliar). Ou seja, enquanto o meio de prova se presta ao convencimento direto do julgador, os meios de obtenção de provas somente indiretamente, e dependendo do resultado de sua realização, poderão servir à reconstrução da história dos fatos” (BADARÓ, Gustavo. Processo Penal. Rio de Janeiro. Campus: Elsevier. 2012, p. 270). 24 Humberto Theodoro Júnior, in Curso de Direito Processual Civil, 17ª edição, Editora Forense, professa "a prova não é somente um fato processual, mas ainda uma indução lógica, é um meio com que se estabelece a existência positiva ou negativa do fato probando, e é a própria certeza dessa existência”. 25 Alexandre Câmara, em Lições de Direito Processual Civil, 18. ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2008, p 373. 1v, entende a prova como sendo "todo elemento que contribui para a formação da convicção do juiz a respeito da existência de determinado fato". Fl. 5612DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 10 9 Termo de Verificação Fiscal, foram apreendidos documentos na residência da Sra. Maria Lúcia Guimarães Tavares, secretária do Setor de "Operações Estruturadas da Odebrecht", que reproduzem dados contidos no sistema informatizado MyWebDay26, utilizado exclusivamente para controle das propinas pagas por aquela empresa, e extrato da conta denominada Paulistinha (fl. 100), que evidenciam o pagamento, em dinheiro, dos valores em questão (vide item 36, 45 e 46 do Termo de Verificação Fiscal). Apesar de não se tratarem de "documento oficial" e terem se originado de informações prestadas pelos próprios investigados, tais elementos não seriam ilegítimos, constituindo provas da infração, que assim não se baseou exclusivamente em colaborações premiadas; · Inexiste qualquer prejuízo à defesa, desvio de finalidade no uso de "prova emprestada" ou mácula ao princípio da verdade material. Restrições existem quanto à simples transposição das conclusões, o que não ocorreu in casu. A infração fiscal foi apurada de forma independente, a partir dos elementos originados da esfera judicial, inclusive com prévia ciência da empresa acerca dos extratos e planilhas nos quais restam consolidados os valores pagos, o que torna a presente exigência independente do venha ocorrer na esfera judicial, ou mesmo na ação penal nº 501972795.2016.404.7000, até porque mesmo a prova obtida por meio ilícito não é contaminada se a infração puder ser demonstrada por uma fonte independente (art. 157, §§ 1º e 2º do Código de Processo Penal); · A alegação de que o montante de R$ 16.000.000,00, pago pela Odebrecht em favor da Shellbill Finance (item 6.5), faria parte dos valores tidos como omitidos, não merece crédito, porquanto desacompanhada de elemento probatório a confirmála (allegatio et non probatio quasi non allegatio). Ademais, da leitura do Termo de Verificação Fiscal resta claro os referidos valores não são objeto do presente processo. Isto porque os repasses para a conta da offshore SHELLBILL mantida no Banco Heritage na Suiça em conformidade com os processos judiciais citados acima, não são objetos do presente procedimento fiscal, as implicações fiscais desses repasses de recursos são objetos de verificações no procedimento fiscal TDPF n° 0510100 2016 00026 na pessoa física João Cerqueira de Santana; · Equívoco nos valores lançados não desqualifica in totum o Termo de Verificação Fiscal, e, considerando as informações contidas nos "extratos" (planilhas) do sistema MyWebDay (vide fls. 91, 97, 98) e em tabela relativa à movimentação da conta "Paulistinha" (fls. 99 e 100), constatouse que o pagamento registrado no dia 06.11.2014 (ref. p1478) foi computado duas vezes; o pagamento do dia 30.10.2014 (ref p14166), computado três vezes e o pagamento do dia 28.04.2015 (ref. p15.20), computado duas vezes. Deixouse todavia de computar o pagamento do dia 29.04.2015 (ref.15.22), afirmandose a necessidade de exoneração do crédito computado a maior; · Divergência entre declarações do Sr. Marcelo Bahia Odebrecht, do Sr. Fernando Migliaccio e da Sra. Lucia Tavares quanto ao número de pagamentos em nada altera a evidência de que forma efetuados os pagamentos conforme discriminados na tabela apresentada no voto. · O fato de a omissão ter sido perpetrada de "forma fraudulenta" não implica o IRPJ e a CSLL deveriam ter sido apurados por meio de lucro arbitrado. 26 Vide item 39 do Termo de Verificação Fiscal. Fl. 5613DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 11 10 Ausente irregularidades na escrituração da Pólis, não havia por que arbitrarse o lucro, observandose o que determina o art. 24 da Lei nº 9.249/95; · Ao omitir receitas, de forma reiterada, mediante a utilização de "caixa dois", como dito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 114), o contribuinte agiu em conformidade com o disposto nos art. 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 1964, o que enseja a qualificação da multa, ex vi § 1 c/c inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996; · Por as referidas condutas não se confundirem com "corrupção", não há atrelar a qualificação da multa à sentença que venha a ser proferida no bojo do Processo nº 501972795.2016.404.7000. Uma vez que não há dúvidas de que o contribuinte teve a intenção de fraudar e sonegar, não há por que aplicarse o art. 112 do CTN; · Afastadas as alegações acerca da natureza dos valores omitidos e mantida a imputação de dolo e a qualificação da penalidade, há responsabilidade pelo art. 135 do CTN, trazendo à responsabilidade os sócios do tempo do fato gerador. Desvinculadas as imputações da acusação penal, e caracterizando a infração à lei ainda que não tributária, mas com consequências tributárias, a imputação de responsabilidade decorre da conduta perpetrada pelos sócios no sentido de ocultar o conhecimento ou a ocorrência de fato gerador, motivo inclusive por que se qualificou a multa. Restaram vencidos dois julgadores que votaram por exonerar integralmente o crédito tributário, em face (i) da ausência de provas materiais das infrações e (ii) da incerteza na determinação da base de cálculo. Declaração de voto acompanhando o relator no entendimento de julgar parcialmente procedente a impugnação foi apresentada nos seguintes termos: A infração tipificada é Omissão de Receitas caracterizada pela prática de caixa 2 através da realização de pagamentos em espécie feitos à "Feira" codinome dos sócios da Polis Sr. João Santana e Sra. Mônica Moura. Importante ressaltar que restou comprovado nos autos que o codinome "Feira", constante das planilhas retiradas do sistema MyWebDay, espécie de contabilidade paralela do caixa 2 utilizada apenas pelo Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, se refere ao casal Mônica Moura e João Santana conforme consta de caderno de anotações apreendido na residência de Maria Lúcia Tavares (descrição constante do Termo de Verificação, 16/41, fl. 92) e conforme corroboram os depoimentos em Termo de Colaboração Premiada o Sr. Fernando Miglliacio (Tesoureiro do Setor de Operações Estruturadas), o executivo do mesmo setor Sr. Hilberto Silva e os próprios sócios da autuada além do Sr. André Santana, funcionário da Polis (20/41, fl. 96). Com relação a alegação relativa ao perdimento dos valores em espécie obtidos em atividades ilícitas previsto nos Termos de Delação Premiada dos sócios da Polis e a impossibilidade de tributação, não houve referido perdimento em que pese sua previsão na denúncia do Ministério Público Federal de sorte que não há qualquer influência a ser analisada na área tributária. O crédito tributário exonerado representou, em valores principais, R$ 217.950,00, de modo que, adicionandose a exoneração correspondente da multa de ofício de 150%, não foi ultrapassado o limite de alçada para fins de reexame necessário. Fl. 5614DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 12 11 Em 26/04/2018, a contribuinte ingressou com requerimento de correção de inexatidão material (fls. 5222/5227), apontando que a declaração de voto integrada ao acórdão recorrido pautouse em premissa fática equivocada na medida em que os valores controvertidos foram, sim, objeto de pena de perdimento, decorrente dos Acordos de Colaboração premiada firmada pelos sócios. Na sequência, em 03/05/2018, interpôs recurso voluntário (fls. 5267/5269), afirmandose cientificada mediante abertura de intimação na caixa postal eletrônica do eCAC em 03/04/2018. Todavia, referida petição não foi acompanhada das razões de recurso. Os responsáveis tributários João Cerqueira de Santana Filho e Mônica Regina Cunha Moura interpuseram recursos voluntário em 04/05/2018 (fls. 5272/5400 e 5401/5529), de idêntico teor. Em 30/07/2018 juntaram aos autos a procuração de seus patronos (fls. 5588/5592 e 5595/5599). Preliminarmente afirmam a tempestividade de seu recurso porque apresentado antes da intimação do acórdão de 1ª instância. Ainda em preliminar, requerem a reunião deste processo administrativo aos de nº 16561.720199/201646 e 16561.720052/201737, que também decorreriam do recebimento de recursos para prestação de serviços de propaganda e marketing político, não contabilizados nem oferecidos à tributação pela pessoa jurídica ou por seus sócios, sendo todos os fatos apurados pela Polícia Federal em inquéritos integrantes da Operação LavaJato. Os dois processos citados têm por objeto valores recebidos no exterior, por meio de depósito bancário em favor da offshore Shellbi Finance S/A, sendo a responsabilidade pelo crédito tributário atribuída exclusivamente aos sócios da Polis (como contribuintes), ao passo que a responsabilidade pelos recebimentos ocorrida em dinheiro no Brasil foi atribuída à própria Polis (como contribuinte) e aos sócios (como responsáveis). Requerem, porém, seu julgamento conjunto em razão de os processos decorrerem dos mesmos fatos, a saber, o recebimento não contabilizado por serviços de propaganda. Invocam o art. 6º, §1º do Anexo II do RICARF para afirmar a conexão em razão de os lançamentos decorrerem do mesmo conjunto de fatos, produzindose julgamentos consistentes entre si, e acrescentam que os valores autuados neste processo não deveriam ser tributados pela Polis, ao passo que os valores tratados nos outros dois processos correspondem aos resultados próprios decorrentes das prestação de serviços de propaganda de titularidade da Polis, mas que não se sujeitariam a tributação porque dados em perdimento nos termos de Acordo de Colaboração Premiada firmado pelos sócios da Polis. Afirmam a conexão, também, com o processo administrativo nº 10580.721823/201707, no qual são indicadas outras supostas irregularidades que a Polis e seus sócios teriam cometido no recebimento de recursos nos anos de 2012 e 2013, também apurados no contexto da Operação Lava Jato, mas veiculariam cobrança de tributos em duplicidade, relativamente a serviços prestados a cliente domiciliado no exterior (Angola), grande absurdo que foi rechaçado no acórdão proferido nesse processo, no qual foi afastada a tributação segundo o regime de caixa, implicitamente reconhecendo que os depósitos lá tratados têm lastro nos contratos, o que também desconstituiu a imputação de dolo. Apontam que a diferença entre os serviços pagos pelo cliente angolano (USD 50 milhões) e os valores tributados (USD 30 milhões) correspondem aos valores agenciados pela Polis e repassados aos fornecedores, a evidenciar o "modus operandi" também aplicado nas operações tratadas nestes autos. Fl. 5615DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 13 12 Prosseguem indicando vício material do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo, evidenciado na reunião dos processos citados, dado que apesar de todos decorrerem de valores auferidos pela sociedade Polis Propaganda & Marketing Ltda em razão da prestação de serviços de publicidade e marketing político, a autoridade fiscal elegeu diferentes contribuintes, erro este que, a teor do art. 142 do CTN, do art. 53 da Lei nº 9.784/99 e do art. 9º do Decreto nº 70.235/72, ensejam a nulidade dos lançamentos. Citam doutrina e julgado administrativo em favor da existência de nulidade em lançamento formalizado com erro na identificação do sujeito passivo, ressalvando que a ocorrência de fraude tendente a impedir a ocorrência do fato gerador não afeta esta conclusão, vez que esclarecida a fraude o lançamento tornouse possível e já estava claro que os recursos omitidos tinham origem na prestação de serviços de propagada prestados pela Polis. Acrescenta que os lançamentos não estão fundamentados em confusão patrimonial e que houve falta de consistência na aplicação do CTN, art. 142, entre os Lançamentos Tributários, porque formalizados por diferentes autoridades. Apresentam o histórico e o trabalho desenvolvido pela Polis Propaganda & Marketing, discorrendo sobre sua atividade e resultados alcançados em eleições, reconhecendo ter recebido recursos à margem da contabilidade em decorrência da prestação de serviços para partidos políticos, mas observando que foram absolvidos do crime de corrupção, por entender o Juiz Sergio Moro que seus ganhos decorreram exclusivamente da prestação de serviços lícitos, e firmaram Acordo de Colaboração Premiada com o Ministério Público Federal em decorrência da condenação por lavagem de dinheiro, comprometendose a dar em perdimento à União o ganho auferido ocultado, num total de R$ 71.646.517,40, perdimento este já processado e o valor em cofres da União. Observam que nestes autos se defendem da tributação de valores repassados a fornecedores, ainda que o Recorrente seja uma agência, e relatam o julgamento em 1ª instância, destacando a decisão por maioria e a declaração de voto indicando que, a contrario sensu, que se houvesse o perdimento dos valores, o julgamento poderia ter outro resultado, porque passaria a contar com três votos contra e dois a favor do lançamento. Frisam que, como se demonstrará, o lucro auferido com recursos não contabilizados, no valor de R$ 71.646.517,40 foi dado em perdimento e isso deve provocar reflexos na área tributária, quais sejam, o reconhecimento de que os demais valores recebidos referemse a despesas repassadas a fornecedores, e que os lucros auferidos não mais devem estar submetidos a tributos, já que juridicamente houve a desconstrução do fato gerador com efeitos retroativos (retorno ao status quo). Assim sintetizam os argumentos que demonstram a impossibilidade do lançamento prosperar, inclusive quando considerados os processos considerados conexos: · A Autoridade Fiscal se baseou exclusivamente em depoimentos prestados em colaboração premiada em sede de ação criminal, além de uma planilha elaborada de maneira unilateral por um dos investigados nessa mesma ação; · Ocorre que os próprios depoimentos prestados pelos colaboradores são conflitantes entre si, no que se refere aos valores supostamente repassados sos sócios da Polis; Fl. 5616DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 14 13 · Foi inclusive desconsiderado o depoimento do Recorrente que apontava para um recebimento de valor diferente daquele indicado pela Autoridade Fiscal. · O Termo de Verificação Fiscal apresenta inconsistências que impedem a construção de uma narrativa coerente para determinar o total de valores que o Recorrente hipoteticamente teria omitido; · Foi desconsiderado o regime jurídico tributário de agência de publicidade da sociedade, em que os recebimentos a serem repassados a fornecedores não devem compor o valor de sua receita bruta; · A Autoridade Fiscal aduziu haver fraude nos livros contábeis da sociedade, e demonstrou não conhecer com certeza a sua receita bruta, de maneira que, quando muito, deveria ter lançado IRPJ/CSLL com base no Lucro Arbitrado, e nada poderia fazer em respeito à PIS/COFINS, visto que não há previsão legal sobre o modo de arbitramento para esses tributos; · Deixouse de apurar créditos de PIS/COFINS a que faria jus à sociedade, o que destoa do critério jurídico utilizado para lançamento de IRPJ/CSLL, em que foram consideradas as despesas incorridas. Esse vício implica falha no lançamento de tributos; · Faltam elementos de prova aptos a certificar os fatos que ensejaram a autuação, o que caracteriza o vício material por ausência de motivação; · Por demais, os atos imputados pela Autoridade Fiscal configuram atos ilícitos e se o Estado pretende reter para si tais valores, o fará como penalidade, não como tributo, de acordo com o que fora expressamente consignado nos acordos de colaboração; · Os valores oriundos de ilícitos sequer adentraram na esfera de direitos da Polis ou de qualquer de seus sócios, notadamente devido ao fato de que, na hipótese de condenação penal, o produto do crime tem sobre si imposta a pena de perdimento. · Ao cabo, o percentual da multa no patamar de 150% constitui verdadeiro confisco, tendo em vista que supera o próprio valor cobrado a título de tributo. [...] · Os recursos objeto do PAF nº 10.580.723.816/201731 referemse, de fato, a repasses de recursos a serviços agenciados pela Polis, os quais não compõem sua receita bruta. · Há erro de identificação do sujeito passivo no PAF nº 10580.723.816/201731, segundo o qual o contribuinte dos recursos recebidos à margem da contabilidade é a Polis, ou nos PAFs nº 16561.720.199/201646 e 16561.720.052/201737, segundo os quais os contribuintes em tais recursos são os seus sócios. Na visão do Recorrente, o erro de identificação do sujeito passivo está nos PAFs nº 16561.720199/201646 e 16561.720052/201737. [...] Fl. 5617DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 15 14 · Os recursos recebidos em dinheiro pelo Grupo Odebrechet pela Polis foram repassados a fornecedores e, portanto, não devem ser tributados como receita própria da agência. (destaques do original) Abordando o lançamento tributário, observam que a acusação se pauta em informações constantes do Processo Criminal nº 501972795.2016.404.7000, mas destacam que no momento do lançamento não havia sentença proferida, defendendo, assim, que a verdade material sobre a qual se assenta o TVF nº 02 é contingente, visto que comete ao Poder Judiciário julgar definitivamente sobre a existência de fatos apresentados a seu exame. Registram que a acusação de auferir rendimentos de origem ilícita, sem oferecêlos à tributação mediante sonegação e fraude, repousou em receitas de R$ 7.000.000,00 em 2014, período no qual a contribuinte contabilizou R$ 87.850.000,00, sendo R$ 70.000.000,00 referentes à "Eleição Dilma Vana Roussef", e acerca dos quais a autoridade fiscal informou não ter encontrado irregularidades. Em 2015 a omissão representaria R$ 17.000.000,00, período no qual foram contabilizados R$ 2.910.000,00 em receitas, mas com apuração de prejuízos fiscais trimestrais e sem a constatação de irregularidades pela fiscalização na apuração da Contribuição ao PIS e da Cofins. Abordando as inconsistências no lançamento tributário, os recorrentes apontam inconsistências acerca do valor das 45 remessas citadas no processo criminal, que em diferentes pontos da acusação fiscal são totalizadas em R$ 23.500.000,00, R$ 24.500.000,00 e R$ 24.200.000,00, discrepâncias estas não esclarecidas pela autoridade lançadora. Prosseguem apontando que: 70. Também no TVF nº 02, §45, apresentase extrato da contabilidade extraoficial do Grupo Odebrecht, na conta denominada "Paulistinha", de onde proviriam os valores não contabilizados pela sociedade. Nessa contabilidade, "Feira" foi o cognome usado para designar os sócios da Polis, que teriam agido em benefício desta. Segundo extrato daquela conta, entre 24.10.2014 e 07.11.2014 teriam executados 07 pagamentos a "Feira" que, somados, resultaria em R$ 4.000.000,00. A respeito da inconsistência que havia entre o valor apurado no Anexo 01 do TV nº 02 e na planilha "Paulistinha", a Autoridade Julgadora já se manifestou e exonerou o crédito tributário constituído com base nos valores em duplicidade. 71. No TVF nº 02, §46, a Autoridade Fiscal segue a relacionar os "demais pagamentos a favor do codinome "Feira" constantes da contabilidade extraoficial "Paulistinha". Admitindose que no §45 constavam todos os pagamentos de 24.10.2014 até 07.11.2014, seria de se esperar que os "demais pagamentos" do §46 fossem se referir a outro período. Seguindo a ordem lógica da narrativa, seria esperado que esse outro período fosse posterior ao primeiro. No entanto, no §46 também constam não apenas lançamentos para período posterior, como também para o período compreendido entre 24.10.2014 e 07.11.2014. 72. Notase que, no §45, indicase ter havido 7 pagamentos no período, ao passo que no §46 há 6 pagamentos. Isso representa 1 inconsistência quanto à frequência de pagamentos no período. 73. Comparandose as datas de pagamento, notase haver 7 inconsistências quanto à identidade de fatos. Dos valores apontados, há apenas 3 convergências de alegações nas datas: uma para 30.10.2014, uma para 06.11.2014 e uma para 07.11.2014. Somadas resultam em R$ 2.000.000,00. Fl. 5618DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 16 15 74. Quer dizer, além dos equívocos identificados pela DRJ/REC, com relação aos valores considerados em duplicidade pela Fiscalização, restam outras situações inconcebíveis e inexplicáveis. 75. Em um enorme esforço interpretativo, o Recorrente parte da "premissa especulativa" de que a Autoridade Fiscal teria considerado os lançamentos constantes de ambos §§ 45 e 46. E para validar sua pertinência, põe em cotejo essa informações com aquelas constantes no TVF, Anexo 01, obtendose, então o seguinte quadro: (destaques do original) Concluem, assim, que os equívocos cometidos pela Fiscalização não se resumem àqueles apontados pela DRJ/REC e acrescentam que no TVF nº 02, §59, a Autoridade Fiscal aduz que o Sr. Marcelo Bahia Odebrecht teria confirmado a execução de 39 pagamentos a "Feira", frequência inferior aos alegados 45 pagamentos informados pelos demais colaboradores. A autoridade fiscal não teria demonstrado a razão destas inconsistências, a evidenciar que não teve condições de verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, como exige o art. 142 do CTN. Reproduzem declaração da Sra. Mônica Moura em Termo de Colaboração, na qual nega o recebimento de R$ 24.000.000,00 e afirma que da Odebrecht eu recebi 10 milhões de dinheiro no Brasil fora o dinheiro que eles pagaram lá fora. Observam que apesar de reconhecido por funcionário da Odebrechet pagamentos a campanhas no exterior, a autoridade fiscal não se preocupou em segregar os valores que competiriam à Polis e às sociedades domiciliadas no exterior, também investidas por seus sócios e que assim só se sujeitariam à tributação por ocasião da distribuição de dividendos a seus sócios, pessoas físicas , bem como não segregou as receitas de exportação de serviços que seriam imunes à Contribuição ao PIS e à COFINS, limitandose a afirmar a necessidade de identificação dos recursos para incidência do IRPJ e das contribuições reflexas, muito embora mais à frente os recorrentes mencionem que tais parcelas não contemplariam serviços no exterior, mas sim recursos repassados a fornecedores no Brasil. Complementam que: 83. No TVF nº 02, §67, registrase que a Sra. Mônica Moura pretendia receber R$ 105.000.000,00 do Partido dos Trabalhadores pela Campanha Eleitoral de 2014 da Sra. Dilma Rousseff, dos quais R$ 70.000.000,00 foram efetivamente contabilizados e tributados (como explicado acima) porém não logrou receber o remanescente Fl. 5619DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 17 16 desejado. E dos demais pretendidos R$ 35.000.000,00 apenas recebeu afinal R$ 10.000.000,00 "por fora". No TVF nº 02, §53, indicase que o Sr. Fernando Migiliaccio relatou que a Odebrecht restou com um saldo devedor à Polis no montante de R$ 16.000.000,00, e no §56 indicase que esse valor foi liquidado no exterior. Não explica, contudo, como essa informação converge aos fatos de que a conta referirseia a pagamentos executados em São Paulo SP (conta "paulistinha"), denominados em moeda nacional, mas não a pagamentos a serem executados no exterior em moeda estrangeira. Também não explica a função das "senhas" no exterior, visto que elas eram usadas para recebimento dos valores em encontros em hotéis e shopping centers no Brasil. No §59, informa que o Sr. Marcelo Bahia Odebrecht teria dito que o valor a pagar à Polis seria de R$ 18.000.000,00, em desacordo com o depoimento do Sr. Fernando Migliaccio. 84. Tudo isso revela as inconsistências na prova utilizada pela Autoridade Fiscal para cobrar tributos. Ao invés de admitir como verdade a palavra da Sra. Mônica Moura de que teria recebido R$ 10.000.000,00, preferiuse a versão de que ela teria recebido R$ 24.500.000,00, como consta "escriturado" na conta "paulistinha". 85. No TVF nº 02, §69, registrase que o Sr. André Santana, funcionário da Polis, receberia valores "para pagamento a fornecedores". Parte dos pagamentos aos fornecedores ele mesmo fazia, outros eram feitos pela sócia Sra. Mônica Moura por meio de boletos e de depósitos. Na colaboração premiada da Sra. Mônica Moura, sobre a qual apoiase a pretensão fiscal, indicamse diversos fornecedores aos quais foram repassados os recebimentos do Grupo Odebrechet. (destaques do original) Frente a tais dúvidas, decorrentes do uso de pretensa "contabilidade extraoficial" para lançar tributos, os recorrentes afirmam violado o art. 142 do CTN e concluem que os valores recebidos pelo Grupo Odebrecht em dinheiro destinamse ao pagamento dos fornecedores e, portanto, não compõem a receita bruta da agência. Passando a explicar este aspecto, abordam a prova do destino dos recursos obtidos do Grupo Odebrecht, criticando o uso dos Acordos de Colaboração Premiada mediante apresentação de uma versão parcial dos fatos, os recorrentes reiteram sua defesa acerca da necessidade de exame integral dos depoimentos e documentos, bem como do arbitramento do lucro se há fraude na contabilidade do contribuinte, retomando as deficiências antes descritas que lhes exigiria executar seu contraditório numa situação precária, pois embora seja verdade que, via de regra, o contribuinte deve produzir provas em seu favor, também é verdade que, em casos extremos, devese adotar o arbitramento dos resultados, segundo parâmetro legal. Defendem que os mesmos meios de provas utilizados pela autoridade fiscal devem serlhes deferidos, e insistem na explicação de que os recursos recebidos em espécie do Grupo Odebrecht no Brasil destinaramse aos pagamentos de fornecedores e que, portanto, não devem compor seus resultados tributáveis, reportando passagens do Termo de Colaboração da Sra. Mônica Moura em que fica destacada finalidade desses recursos, evidenciando gastos altos, efetivados logo em seguida ao retorno das viagens breves a São Paulo para recebimentos dos valores. Procedimentos semelhantes foram adotados em 2010 e 2014, com viagens a São Paulo para recebimento dos pagamentos feitos pela Odebrechet. Finalizam consignando que: 104. Notase que, à semelhança do que sucedeu no pagamento de fornecedores em Angola, os recursos destinados ao pagamento de fornecedores no Brasil foram pagos pelo Grupo Odebrecht em espécie. Fl. 5620DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 18 17 105. Os valores correspondentes aos honorários próprios da Polis foram pagos à Shellbill Finance S/A, e foram todas dados em perdimento. Uma vez perdidos, tais valores não devem ser tributados, como melhor detalhado mais adiante. 106. Em vista do exposto, concluise que os valores recebidos em dinheiro do Grupo Odebrecht, contabilizados na contabilidade "Paulistinha", eram todos destinados a fornecedores agenciados pela Polis. Dessa maneira, tais recursos devem ser tributados como receita própria da sociedade, segundo o Regime Tributário aplicável às agências de propaganda, pelas razões jurídicas a seguir aduzidas. Abordando o regime tributário aplicável à Polis, os recorrentes descrevem a regulação da atividade da agência de publicidade e a obrigação de separar os recebimentos dos clientes como receitas próprias de agenciamento ("comissão", "honorários", "fees") e receitas de terceiros ("repasse"), destacando que o fato de a agência de publicidade atuar por conta e ordem do anunciante, de modo que nem todos os recursos que transitam pelas mãos da agência devem ser por elas computados como receitas. Parte deles devem ser tratada como (a) reembolsos de custos ou (b) depósitos a serem repassados. Discorrem sobre a regulação da atividade no Direito Civil e sua semelhança com os contratos típicos de Comissão, Agência e Distribuição (diferente do contrato de agência de publicidade acima descrito), e Corretagem, especialmente no que tange ao reembolso de despesas, que assim também não integram a receita da agência. Na mesma linha, expõem o tratamento dado pelas normas contábeis (Pronunciamento Contábil nº 30 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis "CPC 30"), no sentido de que as agências são intermediadora de negócios para seus clientes anunciantes. Por tanto, nem todos os valores que recebe de seus clientes são receitas suas; parte deles referemse a depósitos de valores a serem repassados a fornecedores, e parte deles referemse a reembolso de dispêndios imputáveis aos clientes. Passando ao tratamento do Direito Tributário, diferencia o tratamento de receitas em operações em conta própria e resultado em conta alheia e concluem que as agências não devem reconhecer como receitas tributáveis os reembolsos recebidos do cliente, e os repasses destinados a terceiros, o mesmo se verificando em relação à base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS nos regimes cumulativo e nãocumulativo. Reportamse à IN SRF nº 123/92 que determina a exclusão dos repasses da base de cálculo do imposto de renda retido na fonte pago pelas agências, a evidenciar que tais valores não são receitas da agência, bem como o Parecer Normativo CST nº 7/1986, expresso no sentido de que as agências de publicidade não devem computar como receita: (i) não apenas os valores destinados aos veículos de comunicação (cf. IN nº 123/1992), mas também (ii) os repasses a outros fornecedores e, bem assim, (iii) os valores pagos pela agência aos fornecedores e que devem ser reembolsados pelo anunciante, critérios estes integrados a soluções de consultas também referidas pelos recorrentes. Na sequência, afirmam equivocada a decisão de 1ª instância pautada na falta de apresentação de provas dos repasses e reembolsos pelos autuados, dado que, em função da não vinculação dos processos administrativos, mencionada na preliminar suscitada no tópico sobre conexão, deixouse de apreciar fatos e argumentos relacionados a esses mesmos pagamentos, estando informado nos Acordos de Colaboração Premiada que os lucros do serviço prestado eram pagos no exterior, ao passo que os valores gastos com a campanha eram repassados onde ela efetivamente acontecia. Ou seja, esquece a DRJ/REC que toda a autuação fiscal tomou por base depoimentos concedidos em acordos de colaboração, elementos probatórios "não hábeis", já que não podem ser considerados como "prova" em sua Fl. 5621DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 19 18 acepção técnicojurídica, e que, dessa maneira, são incapazes de comprovar o recebimento efetivo de rendimentos tributáveis. Defendem que João Cerqueira de Santana Filho e Mônica Regina Cunha Moura não podem ser responsabilizados na integralidade pelos débitos em referência, dada a impossibilidade de contabilização de todos os recursos como receita própria, posto representarem verdadeiros repasses a fornecedores, bem como porque sob a premissa de que os pagamentos feitos à Empresa Autuada se referem a vantagens indevidas, e não contraprestação pelos serviços efetivamente prestados pela Polis. Não haveria prova de que tais valores seriam receitas, bem como que os responsáveis agiram com dolo omitindo informação, prestando declaração falsa ou fraudando a fiscalização, não sendo de se exigir a escrituração de recursos que seriam repassados a fornecedores. Observam que ainda não existe sentença penal condenatória transitado em julgado e ninguém pode ser considerado culpado antes de confirmada a sentença penal que assim o declare. Argumentam que o dolo não se presume, mas se prova e que a imputação de responsabilidade com base no art. 135 do CTN depende de do ato ilícito não tributário surja uma obrigação jurídica tributária. Reportandose ao art. 128 do CTN e a doutrina, e mencionando que omitir tributo não é fato gerador de nenhuma regra tributária, discordam da conclusão da autoridade julgadora de 1ª instância porque no caso específico sequer existe fato gerador, posto se tratarem de valores recebidos pela Polis na qualidade de agência e a título de repasses. Ademais, vincular a responsabilidade tributária à qualificação da penalidade tenta estabelecer uma hipótese de responsabilidade objetiva, até porque a qualificação da penalidade pressupõe não somente a estrita tipificação do fato, como a prova da prática pelo sujeito de maneira dolosa, e assim atrairia a aplicação do art. 137, I do CTN, sendo certo que não foram produzidas tais provas. Acrescentam que a Nota GT Responsabilidade Tributária nº 1/2010 não possui qualquer validade/eficácia normativa. Pleiteiam, assim, o cancelamento da responsabilidade dos recorrentes. Prosseguem defendendo que colaboração premiada não é prova, expondo a natureza dos Acordos de Colaboração e a extensão de seus efeitos e destacando que os efeitos materiais desse instrumento somente serão confirmados após sentença condenatória transitada em julgado, apenas na parte que tenha considerado elementos constantes dessas colaborações, bem como que nenhuma sentença condenatória será proferida com fundamento apenas nas declarações de agente colaborador, de modo que as colaborações premiadas não devem e nem podem substituir as investigações criminais. Observam que na presente autuação fiscal os únicos meios de prova utilizados para fundamentar a autuação foram colaborações prestadas por investigados e uma planilha de pagamentos elaborada, mantida e atualizada por esses mesmos investigados, de modo que se trata de um documento não oficial, que sozinho não possui qualquer valor ou respaldo legal. Ademais, como os valores em questão são disputados pelos próprios integrantes do Grupo Odebrecht como entre estes e os integrantes do grupo da Pollis, inexistiria base concreta para se ter certeza quanto aos valores movimentados. Asseveram que as referências a outros processos judiciais não se prestam a fundamentar o presente lançamento, que contribuíram e prestaram todas as informações no procedimento de fiscalização, e assim não esperavam que não fossem autuados, mas que eventual autuação seja lastreada em elementos suficientes de prova. Fl. 5622DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 20 19 Concluem ser evidente e gritante a falta de provas nos autos, porque os acordos de colaboração deveriam ser um meio para a produção de provas, mas que nunca chegaram a ser apresentadas, sobrando depoimentos abundantes em contradições e documentos produzidos unilateralmente por esses mesmos atores do processo. Como o lançamento deve apresentar motivo, com demonstração dos fatos previstos em lei para sua lavratura, consoante dispositivos legais, doutrina e jurisprudência que citam, defendem que, sem prova, não há motivo, e sem motivo, não há lançamento válido. Em suas palavras: aceitar que o Auto de Infração seja expedido única e exclusivamente com base em depoimentos de investigados e em denúncia do MPF equivale a concordar com uma construção normativa sem provas, o que não se admite. Inclusive porque no depoimento da Sra. Monica Moura está declarado que somente teria recebido R$ 10.000.000,00 do valor prometido, a evidenciar que a autoridade fiscal utiliza somente o que lhe interessa, tomando por verdade os fatos ali narrados, fazendo a sua própria valoração do que foi alegado em depoimento. Acrescentam que o instituto da colaboração premiada foi pensado para as infrações penais relacionadas aos crimes de organização criminosa, de modo que, ainda que o Juízo Penal autorize o compartilhamento das informações, não pode a Autoridade Fiscal se valer delas deliberadamente, como único meio de prova, mormente considerando, no âmbito tributário, a necessária observância ao princípio da verdade material e ao princípio da tipicidade cerrada ou estrita legalidade. Aduzem que o devido processo legal e os princípios da ampla defesa e do contraditório em matéria tributária não são permeáveis à prova emprestada e, abordando a jurisprudência, reiteram que, por não apresentar qualquer outra prova, a autoridade fiscal acabou se utilizando de verdadeira presunção, não podendo subsistir lançamento arbitrário que não corresponde efetivamente aos fatos havidos, mormente tendo em conta que à época da lavratura não havia sentença proferida para o Processo Criminal nº 501972795.2016.404.7000. Assim, ausentes todos os elementos necessários à identificação do fato gerador e da infração supostamente praticada temse por consequência a ocorrência de cerceamento de defesa. Tratando do desvio de finalidade, consignam que o Acordo de Colaboração Premiada prevê o repasse das informações coletadas à Receita Federal, mas esta não tem permissão para simplesmente tratar a prova emprestada da maneira tal qual recebe de outras autoridades, devendo conferirlhe o tratamento pertinente para que, somente então, possa lançar tributos da maneira adequada, evitando, assim, tributar valores já tributados, ou que deveriam ser repassados, ou sem deduzir despesas, ou sem aplicar imunidade constitucional a receitas de exportação. Assim, a aplicação da prova criminal sem que a elas se ajuntem elementos que sirvam bem a caracterizar o fato gerador da obrigação tributária, com todas as suas características (base de cálculo, natureza do valor, origem), configurase desvio de finalidade no uso da prova. Defendem a anulação do auto de infração diante da constatação de vício material, dado que a autoridade fiscal não conseguiu demonstrar os motivos do ato, as provas que consubstanciaram a constituição do crédito tributário, consoante jurisprudência e doutrina citadas. Subsidiariamente destacam a intributabilidade dos valores sujeito a pena de perdimento, mediante reconhecimento de que não há mais matéria objeto de tributação, uma vez que os proveitos dos atos ilícitos da sociedade foram todos dados em perdimento por seus Fl. 5623DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 21 20 sócios, circunstância que provoca o retorno da situação ao status quo anterior à prática do ilícito e, por conseguinte, impede a ocorrência do fato gerador. Reportamse aos documentos que evidenciam esta circunstância, observando que a própria autoridade fiscal, no Termo de Verificação Fiscal nº 02, §56, encampa a tese de que o Sr. Fernando Migliaccio teria pago à Requerente o valor de R$ 16.000.000,00, em conta no exterior. Logo, se a colaboração premiada admite que todos os pagamentos da Odebrecht, no exterior, foram realizados em favor da Shellbil Finance, é fato que os valores referidos foram "perdidos". Reiteram a repercussão desta ocorrência na declaração de voto que integra a decisão recorrida e frisam que todos os valores indicados pelo Recorrente nesse acordo serão dados em perdimento pelos colaboradores, especialmente os valores vinculados à offshore Shellbil Finance S/A, onde afinal foram concentrados os proveitos ilícitos. Citam despachos da lavra do Ministro Edson Fachin, nos autos da Petição nº 6.890DF, noticiando o perdimento, e destacam: 275. O problema de o lançamento tributário apoiarse em colaborações premiadas é que elas não são detalhadas o suficiente para vincular os pagamentos à Shellbil Finance. Nada obstante, examinandose os Acordos de Colaboração, notase que todos os pagamentos ao exterior mencionados aos sócios da Polis foram feitos à ShellBil Finance. Traçandose um paralelo com o "modus operandi" dos serviços prestados em Angola, inferese que há coerência na explanação da Recorrente. Argumentando que atos ilícitos não devem sujeitarse a tributação, para assim afirmar que quando há pena perdimento, não deve haver a cobrança de tributos. Contrapõemse à argumentação pela tributação dos atos ilícitos, afirmandoa preenchida por elementos éticos e morais, mas não jurídicos e observando que pretender tributar valores admitidos como ilícitos e que serão devolvidos aos cofres públicos é também locupletarse ilicitamente, o que não é de direito, pois, se o Estado pretende reter para si valores econômicos obtidos por infratores da lei, por fatos ilícitos, o fará como penalidade, não como tributo. Em suas palavras: 305. Ou seja, eventual interpretação que levasse à conclusão de que o valor auferido em decorrência da prática de atos ilícitos deveria ser tributado e, posteriormente, confiscado pela União, não encontra fundamento legal. Havendo o perdimento, cessa a capacidade contributiva e a possibilidade de o fisco tributar a riqueza oriunda da atividade ilícita, pois essa deixa de pertencer ao autor do ilícito, retornando ao Estado ou, nos casos de delação premiada, ao ente lesado. Citam doutrina para destacar que os próprios sócios da Polis admitiram em termo de colaboração premiada o recebimento de valores indevidos, e o compromisso de devolvêlos ao Estado Brasileiro, como se depreende dos Termos de Acordo de Colaboração. Logo, não poderia haver autuação sobre esse montante que deve ser deliberado em decisão a cargo do Juízo Penal. Afirmam o dever de arbitramento do lucro frente à tese da Fiscalização de que Polis teria omitido receitas de maneira fraudulenta, consoante expresso no art. 530, II do RIR/99. Ademais, como a receita bruta do contribuinte não era conhecida pela Fiscalização, seria aplicável o art. 535 do RIR/99. Reportamse a jurisprudência e concluem que as Autoridades Fiscais devem arbitrar sua receita bruta segundo os métodos próprios designados expressamente na legislação, por exemplo, com base em "quatro décimos da soma dos valores do ativo circulante". Neste contexto, os lançamentos de IRPJ e CSLL deveriam ser anulados Fl. 5624DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 22 21 por inobservância de tais determinações legais, e os autos de infração de Contribuição ao PIS e da Cofins anulados por inexistir método de arbitramento de receitas tributáveis. Prosseguem questionando a não dedução de créditos na apuração não cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS no ano de 2015, asseverando que a confrontação de débitos e créditos tributários é parte intrínseca do lançamento das contribuições sob a sistemática não cumulativa, e a desconsideração de parte do procedimento de apuração configurase negligência por parte da Autoridade Fiscal, caracterizando erro irremediável que impõe a anulação dos lançamentos. Com referência à qualificação da penalidade, observam que não são responsabilizados pelo fato de a origem dos recursos advir de corrupção e que não há sentença no processo criminal nº 501972795.2016.404.7000 acerca da acusação de corrupção e lavagem de dinheiro. Requerem, assim, seja rechaçada a exigência de multa pelos tributos supostamente não recolhidos, visto que: (A) não está provado em sentença judicial os fatos alegados pela r. Fiscalização, e (B) o Recorrente tem dúvidas se a alegada corrupção é fundamento da multa que lhe foi imposta. Acrescentam que o art. 112 do CTN impede a aplicação de multas quando há dúvidas, devendo a legislação ser interpretada de maneira mais favorável ao sujeito passivo da obrigação tributária, consoante jurisprudência citada. Discorrem sobre a falta de capacidade contributiva do recorrente e afirmam o caráter confiscatório da penalidade que supera o valor do próprio tributo, finalizando que seja pela absoluta incompetência da i. Autoridade Fiscal para fiscalizar sociedade estrangeira, seja pelo caráter confiscatório da multa qualificada imposto, deve ser cancelada. Mas acrescentam abordagem acerca do princípio do indubio pro reo e a exclusão das multas de ofício, concluindo que caso reste inequívoca a presença de dúvida quanto à manutenção da autuação originária do presente processo, requerse que esta E. Turma Julgadora reconheça, ao menos, que não será possível manter a exigência da multa agravada no caso em tela. Arrematam arguindo a ilegalidade da incidência de juros sobre as multas de ofício e isolada. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso voluntário (fls. 5533/5584). Inicialmente pleiteia que não seja conhecido o recurso voluntário da empresa autuada, vez que desacompanhado das respectivas razões. E, com referência aos recursos voluntários dos responsáveis tributários: · Discorda da reunião dos processos, vez que a pretensão recursal confunde similitude dos fatos com identidade dos fatos, o que afasta a hipótese de conexão; · Entende imprópria a arguição de nulidade de lançamento em cotejo com outro, observa que não estão presentes os requisitos do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, bem como que os processos referidos possuem contornos fáticos bem distintos, o que justifica o lançamento contra sujeitos passivos diferentes; · Afirma validamente motivado o lançamento, vez que a Fiscalização utilizouse de vários elementos de prova, contextualizando o modus Fl. 5625DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 23 22 operandi do esquema criminoso subjacente à obtenção dos recursos pela POLIS conforme apurações da Operação Lava Jato, valendose também de outros elementos de prova: (a) colaboração premiada de Marcelo Bahia Odebrecht; (b) documentos apreendidos na residência de Maria Lúcia Guimarães Tavares, secretária do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht (documentos esses que reproduziam dados contidos no sistema informatizado My WebDay, incluindo planilhas/tabelas e extrato da conta paralela “Paulistinha”); (c) registros do celular de Marcelo Bahia Odebrecht etc. Aponta a origem dos valores autuados e entende que estão provados os recebimentos, datas e valores, ressaltando que não houve cerceamento de defesa; · Ainda que a colaboração premiada seja meio de prova, elas forma confirmadas por elementos outros, inclusive provas indiciárias, pelo que não podem ser desconsideradas, até porque envolvem confissões dos sócios da Polis; · A planilha de pagamentos utilizada pela Fiscalização está corroborada por outros elementos e foi produzida em um setor organizado e específico dentro da estrutura da Odebrecht, que se especializou na distribuição de recursos ilícitos, possuindo pessoal próprio e sistemas informatizados exclusivos de comunicação e de controle. Ademais, a Fiscalização utilizou extrato da conta denominada Paulistinha, que também evidencia o pagamento, em dinheiro, dos valores em questão; · Não há prova de que os valores tidos como omitidos tratarseiam de "reembolso de custos" ou a "depósitos a serem repassados", cumprindo à Polis de antemão, contabilizar os referidos valores, momento em que poderia ter consignado, com suporte em elementos probatórios hábeis, que não se tratava de receitas tributáveis, o que efetivamente não ocorreu; tampouco se trouxe algum elemento nesse sentido com a impugnação; · A Fiscalização justificou as divergências identificadas e somente levou em consideração os valores mencionados nas colaborações premiadas quando foram confirmados por elementos documentais confiáveis. A DRJ, por sua vez, exonerou os valores exigidos indevidamente, e acertadamente, manteve o crédito remanescente; · A decisão de 1ª instância validamente demonstra que não há vício nas exigências de Contribuição ao PIS e de Cofins; · Os argumentos relacionados ao requerimento de correção de inexatidão material no acórdão recorrido foram reproduzidos no recurso voluntário, o alegado erro de premissa fática está adstrito ao um único voto e não caracteriza do fundamento do acórdão, e tratase, na verdade, de juízo valorativo na apreciação de um fato, que somente pode ser revisto no âmbito do adequado recurso voluntário; Fl. 5626DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 24 23 · Em todo caso, é evidente que não houve a aplicação da pena de perdimento, conforme prevista no Direito Tributário. O fundamento do perdimento de bens previsto no acordo de colaboração premiada encontrase no âmbito penal e processual penal, e não no âmbito tributário. Os fatos geradores ocorridos foram suficientes para atrair a presunção legal da omissão de receitas e a hipótese de incidência dos tributos lançados; · A tese da empresa e dos recorrentes transformaria o Termo de Colaboração Premiada, que tem natureza jurídica de acordo bilateral de vontades (estando o Ministério Público/Polícia Federal de um lado, e, o Acusado/Indicado criminal, de outro) em verdadeiro elemento de modulação dos efeitos temporais e materiais dos fatos geradores dos tributos, o que é inadmissível; · Nem mesmo o perdão criminal é garantido nas circunstâncias ocorridas, quiçá afastar a responsabilização tributária, mormente sem a participação de representante judicial da União, sendo certo que o MPF não tem o poder, seja constitucional ou legal, de transacionar sobre tributos; · Irrelevante a alegada cessação da capacidade contribuinte, pois os fatos geradores já haviam ocorrido; · Descabe o arbitramento dos lucros ausente a impossibilidade de se apurar os tributos devidos por imprestabilidade da escrituração contábil; · Este CARF entende que a multa qualificada não é aplicada somente quando existem nos autos documentos com fraudes materiais, como contratos e recibos falsos, notas frias etc. Ela decorre, do mesmo modo, da análise da conduta ou dos procedimentos adotados pelo contribuinte que emergem do processo. O lançamento está adequadamente fundamentado e não há dúvida alguma acerca dos fatos autorizadores da qualificação da multa. Quanto às demais alegações, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária; · ... eventual absolvição somente influiria na esfera administrativa, que é relativamente independente da esfera penal, caso se provasse a inexistência do fato ou a não autoria do crime. Ademais, já houve condenação em 1ª instância pelo crime de lavagem de dinheiro; · O fundamento da multa, conforme esclareceu o TVF, é a omissão de receitas recebidas em espécie e não contabilizadas em razão da utilização de caixa dois, conforme foi descrito e demonstrado no TVF, o que caracterizou sonegação e fraude. Assim, não procede o argumento de que os recorrentes “tem dúvidas se a alegada corrupção é fundamento da multa que lhe foi imposta”, levando em conta que foram absolvidos dos crimes de corrupção, pois a Fl. 5627DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 25 24 acusação fiscal está clara e independente da ocorrência do tipo penal mencionado; · Os juros de mora sobre as multas de ofício e isolada devem ser mantidos. · ... a Fiscalização demonstrou, por nome e CPF, a titularidade dos cargos de administrador de cada um dos responsáveis, bem como os atos praticados sob sua administração, consistentes na obtenção “de receitas não contabilizadas recebidas em espécie mediante utilização de caixa dois minuciosamente descrito ao longo do Termo de Verificação Fiscal, ficando constatado que o fiscalizado cometeu sonegação fiscal e fraude fiscal”, que deram ensejo às suas responsabilizações com fundamento nos arts. 124, inciso I; e 135, inciso III; ambos do CTN, considerando que são pessoas com interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal e que os referidos atos foram praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos (sonegação e fraude). · No que se refere às alegações de ausência de comprovação do intuito doloso e de não ocorrência de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, registrese que, em relação ao elemento subjetivo, o Parecer PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009 concluiu que se exige apenas o dolo gênero e não o dolo espécie; · Os recorrentes praticaram atos comissivos consistentes da estruturação e operacionalização de “caixa dois”, decorrendo daí a omissão de receitas. A utilização de “caixa dois” caracteriza infração à lei e infração ao contrato social da POLIS, além de caracterizar o excesso de poderes. Em outras palavras, a omissão de receitas é um comportamento negativo perante o Fisco, mas os ardis utilizados para resultar nessa omissão são comportamentos positivos, ou seja, atos comissivos; · ... no Parecer PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009, com fundamento na jurisprudência do eg. Superior Tribunal de Justiça, ressaltou que o dispositivo trata de responsabilidade solidária. Ademais, foi imposta multa qualificada em decorrência de sonegação e fraude praticadas pelos administradores responsáveis tributários. Requer, assim, o não conhecimento do recurso voluntário interposto pela empresa contribuinte e o desprovimento dos recursos voluntários interpostos pelos responsáveis solidários, mantendose o lançamento fiscal questionado. Fl. 5628DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 26 25 Voto Conselheira Edeli Pereira Bessa Relatora Inicialmente esclareçase que o requerimento de correção de inexatidão material, juntado às fls. 5222/5227, dirigido aos Auditores Fiscais da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife/PE, não impõe a remessa dos autos à Turma Julgadora de 1ª instância, vez que a interessada referencia indevidamente o art. 32 do decreto nº 70.235/72, destinado à correção de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão, para apontar que a declaração de voto integrada ao acórdão recorrido pautouse em premissa fática equivocada na medida em que os valores controvertidos foram, sim, objeto de pena de perdimento, decorrente dos Acordos de Colaboração premiada firmada pelos sócios. Ou seja, a requerente manifesta discordância em face da interpretação dos fatos pela julgadora que declarou seu voto no acórdão recorrido, arguição que, por sua natureza, deve ter lugar, e teve, em recurso voluntário. Passando aos recursos voluntários apresentados, cumpre primeiramente evidenciar a impossibilidade de conhecimento do recurso voluntário interposto pela contribuinte, vez que desacompanhado das ditas razões de fato e de direito a seguir delineadas, consignadas na petição de fl. 5269. Como se constata às fls. 5264/5269, em 03/05/2018 a contribuinte apresentou arquivo digital denominado "Petição.pdf", com somente 25.786 bytes, e que, anexado aos autos, representou apenas a primeira página do recurso voluntário, no qual a contribuinte se limita a afirmar a tempestividade de sua apresentação, em razão da ciência ocorrida em 03/04/2018. Diversamente do procedido em relação ao requerimento de fls. fls. 5222/5227, juntado aos autos mediante solicitação eletrônica apresentada pela contribuinte no eCAC, a apresentação do recurso voluntário foi promovida mediante entrega do correspondente arquivo digital na DERAT/CACPaulista, arquivo este gerado com a primeira página, na qual não foi veiculada qualquer alegação recursal que demande apreciação. Por tais razões, o presente voto é no sentido de NEGAR CONHECIMENTO ao recurso voluntário de Polis Propaganda e Marketing Ltda. Os responsáveis tributários João Cerqueira de Santana Filho e Mônica Regina Cunha Moura, por sua vez, questionaram não só o vínculo de responsabilidade estabelecido na acusação fiscal, como também o mérito da exigência e outros aspectos processuais, argumentos estes que serão, na sequência, apreciados porque deduzidos tempestivamente e por partes legítimas. Os recorrentes requerem, preliminarmente, a reunião deste processo administrativo aos de nº 16561.720199/201646 e 16561.720052/201737, que também decorreriam do recebimento de recursos para prestação de serviços de propaganda e marketing político, não contabilizados nem oferecidos à tributação pela pessoa jurídica ou por seus sócios, sendo todos os fatos apurados pela Polícia Federal em inquéritos integrantes da Operação LavaJato. Em seu entendimento, estaria presente a hipótese de conexão prevista no art. 6º, §1º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterado pela Portaria MF nº 152/2016 RICARF, vez que os dois processos citados têm por objeto valores recebidos no exterior, por meio de depósito bancário em favor Fl. 5629DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 27 26 da offshore Shellbil Finance S/A, mas ensejaram exigências atribuídas exclusivamente aos responsáveis tributários. Contudo, a conexão que autoriza a reunião de processos para julgamento conjunto tem em conta exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, nos termos do art. 6º, §1º, inciso I do Anexo II do RICARF. Assim, para requerêla, cumpria aos interessados, minimamente, demonstrarem que os lançamentos referidos tiveram em conta os mesmos pagamentos que motivaram a presente exigência. A semelhança entre a origem das autuações é insuficiente para atrair a competência de julgamento dos referidos processos para a 1ª Seção de Julgamento, mormente considerando que, nos termos dos arts. 2º e 3º do Anexo II do RICARF, compete exclusivamente à 2ª Seção de Julgamento a apreciação de recursos que versem sobre aplicação da legislação relativa ao Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF. Neste contexto, deve ser INDEFERIDO o pedido de reunião deste processo administrativo aos de nº 16561.720199/201646 e 16561.720052/201737. Com referência ao processo administrativo nº 10580.721823/201707, o pedido dos recorrentes já restou indiretamente atendido com a reunião dos processos em um mesmo lote sorteado para relatoria desta Conselheira. Os recorrentes argúem vício material do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo, dado os diferentes procedimentos adotados pela autoridade fiscal em face de valores auferidos pela sociedade Polis Propaganda & Marketing Ltda em razão da prestação de serviços de publicidade e marketing político, discorrendo sobre a natureza dos valores recebidos e repassados a fornecedores, bem como questionando as provas recolhidas, exclusivamente, de depoimentos prestados em colaboração premiada em sede de ação criminal, afirmando que a acusação fiscal apresenta inconsistências que impedem a construção de uma narrativa coerente para determinar o total de valores que o Recorrente hipoteticamente teria omitido. Os lançamentos presentes nestes autos decorrem da constatação de: · "Omissão de receitas da atividade", correspondentes a "receitas não contabilizadas" na sistemática do lucro presumido, em diferentes dias de 24/10/2014 a 13/11/2014, tendo por enquadramento legal: art. 3º da Lei nº 9.249/95; arts. 518, 519 e 528 do RIR/99; e art. 541 e 542 do RIR/99; e · "Omissão de receitas de venda e serviços", correspondentes a "receitas não contabilizadas" na sistemática do lucro real trimestral em diferentes dias de 13/03/2015 a 22/05/2015, tendo por enquadramento legal: art. 3º da Lei nº 9.249/95; arts. 247, 248, 249, inciso II, 251, 277, 279, 280 e 288 do RIR/99; e arts. 541 e 542 do RIR/99. Além das exigências de IRPJ e CSLL, também foram formalizados lançamentos de Contribuição ao PIS e de Cofins em sistemática cumulativa nos períodos de 2014 e sistemática nãocumulativa nos períodos de 2015. Fl. 5630DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 28 27 No Termo de Verificação Fiscal de fls. 77/120, depois de relatar as informações recolhidas nos processos judiciais e nos Acordos de Colaboração Premiada, a autoridade fiscal assim descreve as infrações apuradas: 73. INFRAÇÕES: Omissão de Receitas – Receitas Não Contabilizadas – 2014 Lucro Presumido – IRPJ e Reflexos CSLL – PIS – COFINS e Omissão de Receitas – Receitas Não Contabilizadas 2015 Lucro Real Trimestral – IRPJ e Reflexos CSLL – PIS – COFINS: O tratamento para fins fiscais dos 45 (quarenta e cinco) pagamentos em espécie oriundos do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht conforme datas e valores demonstrados no Anexo 01 deste Termo de Verificação Fiscal n° 02, e exaustivamente detalhado ao longo deste, recai em omissão de receitas de prestação de serviços no mercado interno, pois os documentos acostados ao processo judicial 501972795.2016.404.7000, com tramitação na 13ª Vara da Justiça Federal em Curitiba/PR fornecem elementos inequívocos das datas dos pagamentos e valores dos mesmos, e não foram levados a apuração da base de cálculo do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS dos períodos de apuração em 2014 e 2015. 74. Tratados como caixa dois, ou seja, receitas não contabilizadas oriundas de atividades operacionais do contribuinte em prestação de serviços de campanhas eleitorais conduzidas no Brasil, não é escopo da fiscalização determinar a quais campanhas se referem, mas sim identificados os recursos fazer incidir a tributação correspondente quanto ao IRPJ e contribuições reflexas. 75. Se assim fosse tendo a sócia do contribuinte declarado em sede de colaboração premiada que a campanha eleitoral a presidente da República em 2014 tenha um custo total de R$ 105.000.000,00, sendo R$ 70.000.000,00 de forma oficial e R$ 35.000.000,00 “por fora” ou seja via “caixa dois” poderíamos concluir pela tributação deste valor confessado pelo regime de competência, ou seja, um verdadeiro absurdo e ilegalidade que seria cometido pelo Fisco. 76. Portanto os fatos correlatos aduzem que o contribuinte por intermédio de seus sócios identificado pelo codinome/apelido ‘FEIRA” atribuído pelo Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht fazem relacionar 45 recebimentos em espécie em “conta corrente” que os mesmos mantinham com a Odebrecht. Provados os recebimentos, datas e valores resta de forma factível apurada as receitas tributáveis do contribuinte ora fiscalizado nos períodos considerados e nas datas e valores individualizados no Anexo 01 a este Termo de Verificação Fiscal n° 02. 77. Posto isto para contradizer ou esclarecer afirmativa da sócia do contribuinte em sua colaboração premiada que somente teria recebido R$ 10.000.000,00 da parcela negociada em espécie, não contabilizada referente a campanha presidencial de 2014. O que resta comprovado são os recebimentos de diversos pagamentos em espécie, conforme provas apresentadas que as 45 remessas de pagamentos se referiram a Evento CP14 que corresponderia a condução da campanha eleitoral de 2014, capitaneada pela Polis Propaganda & Marketing LTDA. Como em diversos trechos das delações premiadas descritas neste Termo, verificouse um conta corrente entre PT, Odebrecht e “FEIRA”, importando para o fisco os valores efetivamente recebidos e não levados a tributação do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. 78. Através de vários depoimentos e provas apresentadas, firmamos convicção de que “FEIRA” das planilhas do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht referemse a João Santana e Mônica Moura para recebimento em espécie de recursos provenientes da prestação de serviços efetuadas pelo contribuinte Polis Propaganda & Marketing LTDA durante os anos 2014 e 2015 conforme Anexo 01 Fl. 5631DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 29 28 deste Termo. Em confirmação aos 45 pagamentos em espécie recebidos por “FEIRA” no período mencionado, constam planilhas e documentos apreendidos com Maria Lúcia Tavares secretaria da Odebrecht, planilha/extrato da conta paulistinha apresentada por Marcelo Bahia Odebrecht, além de depoimento de Fernando Migliaccio que declarou que os valores pagos a “FEIRA” são os que constam nas planilhas apreendidas, e depoimento do funcionário dos sócios da Polis Propaganda André Santana que declarou que atuou como emissário de Mônica Moura para diversos recebimento nos períodos relacionados aos 45 recebimentos de recursos em espécie. 79. Cabe destacar que apesar da resposta do contribuinte que teria recebido somente R$ 10.000.000,00 em espécie, não encontra respaldo nos documentos que comprovam os vários recebimentos em espécie através de documentos e planilhas do sistema MyWebDay e extratos da conta “Paulistinha” conforme citado no item anterior. E também quanto a alegada suspensão do processo judicial, tal fato não interfere no presente procedimento fiscal, pois a via administrativa é independente a judicial, e resta comprovado para fins fiscais que o contribuinte auferiu receitas não contabilizadas e não oferecidas a tributação de forma espontânea. 80. Para o Fisco mesmo a origem ilícita dos recursos auferidos e a qual campanha se referiram, não criam obstáculos aos lançamentos de ofício do imposto e contribuições incidentes sobre esta base tributável. Estamos tratando aqui de recebimento de recursos não contabilizados pela prestação de serviços, oriundos de desvios de recursos em contratos envolvendo a PETROBRÁS, para pagamentos de campanhas eleitorais. Não se trata de um evento normal, como quer fazer transparecer os sócios do fiscalizado, quando afirmam que a maioria das campanhas eleitorais no Brasil envolvem “caixa dois”. Receberam recursos não contabilizados, logo cabe o fisco identificar as bases de cálculos dos tributos e contribuições e promover o lançamento de ofício do crédito tributário apurado correspondente. 81. Aqui cabe observar a cláusula “pecúnia non olet”, pois sabese que os recursos utilizados para pagamentos via caixa dois a Polis Propaganda através do codinome “FEIRA” pelo Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht foram provenientes de desvios de recursos através de Contratos envolvendo a PETROBRÁS. Logo diante de fato tributável identificado pelo fisco com fato gerador definido, não importa se decorre de ato lícito ou ilícito, e sim somente o resultado do negócio jurídico efetuado, cabendo o decorrente lançamento de ofício para constituição do crédito tributário devido. 82. O Código Tributário Nacional – Lei n° 5.172/66 dispõe: [...] 83. Ademais em diversos trechos das delações dos sócios do contribuinte, os mesmos declaram que tais recursos não contabilizados recebidos em espécie eram provenientes das atividades operacionais do contribuinte Polis Propaganda, ou seja, prestação de serviços em campanhas eleitorais. Ou seja, temos atividades de prestação de serviços efetuadas pela Polis Propaganda & Marketing LTDA, mas sem contabilização destas receitas/caixa dois, e origem ilícita dos recursos utilizados para os recebimentos destes serviços prestados. 84. Por diversas vezes em vários depoimentos citados neste Termo verificase a forma utilizada pelos sócios do contribuinte para recebimento de valores mantidos a margem dos livros contábeis, ou seja, em hóteis, flats, em São Paulo, em Brasília, Fl. 5632DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 30 29 em Salvador, malas de dinheiro, relato até de “roubo” de um dos recebimentos ilícitos. 85. A Lei n° 8.846/94 determina a emissão de notas fiscais e a caracterização como omissão de receitas a falta de emissão do documento: [...] 86. Portanto resta bem caracterizado a infração a título de omissão de receitas não contabilizadas referentes aos recebimentos de recursos de prestação de serviços no mercado interno, para os períodos de apuração de 2014, pelas regras do lucro presumido quanto a apuração das bases de cálculos do IRPJ e CSLL e incidência cumulativa para o PIS e COFINS: [...] 87. Para o ano 2015 a apuração das bases de cálculos segue o lucro real trimestral para apuração do IRPJ e CSLL, e apuração não cumulativa para as contribuições do PIS e COFINS: [...] Nestes termos, a autoridade fiscal afirma a omissão de receitas não contabilizadas referentes aos recebimentos de recursos de prestação de serviços no mercado interno, dadas as evidências no sentido do recebimento de recursos não contabilizados pela prestação de serviços, oriundos de desvios de recursos em contratos envolvendo a PETROBRÁS, para pagamentos de campanhas eleitorais, inclusive por que em diversos trechos das delações dos sócios do contribuinte, os mesmos declaram que tais recursos não contabilizados recebidos em espécie eram provenientes das atividades operacionais do contribuinte Polis Propaganda, ou seja, prestação de serviços em campanhas eleitorais. Do Termo de Verificação Fiscal nº 02 é possível recolher os seguintes indícios destacados pela autoridade lançadora: · Denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal MPF no âmbito do processo judicial nº 501972795.2016.404.7000 tem por objeto o repasse de R$ 23.500.000,00 em espécie, no período de 24/10/2014 a 22/05/2015, através do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht; · Na condução da campanha presidencial de 2012 em Angola, em depoimento à Polícia Federal, Mônica Regina Cunha Moura declarara que do valor total da campanha (US$ 50 milhões), US$ 20 milhões foram pagos por meio de um contrato "de gaveta", não contabilizado", indicando a habitualidade dos sócios do contribuinte em recebimento de recursos não contabilizados, operacionalização de caixa dois e contratos de gaveta, e que tal "modus operandi" vem sendo utilizado por muito tempo pelos mesmos; · Na sentença que condenou os sócios da contribuinte pelo crime de lavagem de dinheiro processo judicial n° 5013405 59.2016.404.7000 afirmouse a existência de indícios, como fundamentado na decisão na qual a preventiva foi decretada (de Fl. 5633DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 31 30 03/03/2016, evento 225 do processo 500368216.2016.4.04.7000), de que receberam com frequência recursos nãocontabilizados como remuneração de serviços eleitorais, seja por outros depósitos na conta Shellbill, seja por recursos em espécie. Parte desses fatos é objeto da ação penal 501972795.2016.4.04.7000, havendo indícios de que ambos receberam recursos milionários do Grupo Odebrecht em espécie e em depósitos em contas secretas no exterior pelos menos entre 04/2012 a 05/2015, já bastante avançada a Operação Lavajato. Destacouse que o recebimento, como praxe, de recursos não contabilizados como remuneração de serviços eleitorais é indicativo do agir indiferente dos acusados quanto ao risco de estarem recebendo valores oriundos de corrupção, próprio do dolo eventual no crime de lavagem. Em outras palavras, repetindo os doutrinadores citados, a "conduta daquele que diz a si mesmo ‘que agüente’, ‘que se incomode’, ‘se acontecer, azar’, ‘não me importo’; · Denúncia do MPF no processo judicial n° 501972795.2016.404.7000 afirma que MARCELO BAHIA ODEBRECHT determinou e orientou que, como forma de pagamento de parcela da vantagem indevida prometida em razão de contratos firmados com a PETROBRAS, fossem efetuadas transferências de recursos a pessoas vinculadas ao Partido dos Trabalhadores, como, por exemplo, aos publicitários MONICA MOURA e JOÃO SANTANA, por meio do chamado de Setor de Operações Estruturadas, implementado a partir da instalação de computadores e sistemas especificamente destinados para a programação e execução das comunicações internas relacionadas ao pagamento de propina, além da destinação de funcionários específicos para atuação nesta atividade ilícita, e que também envolvia a realização de entregas de valores em espécie no Brasil quanto transferências realizadas entre contas abertas no exterior em nome de offshores, de modo a que tais pagamentos fossem feitos de modo dissimulado, impedindo que sua natureza ilícita fosse descoberta pelas autoridades, assim funcionando plenamente, pelo menos, de 2006 até o final de 2015; · Documentos apreendidos na residência de Maria Lúcia Guimarães Tavares, secretária do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht encarregada de organizar as entregas de propina em espécie, reproduziam dados contidos no sistema informatizado utilizado (MyWebDay), registrando em planilhas impressas inúmeros pagamentos de vantagens indevidas em favor de MONICA MOURA e JOÃO SANTANA (referidos nos documentos pelo codinome "FEIRA"). Tais informações estariam confirmadas em registros encontrados no aparelho celular de Marcelo Bahia Odebrecht; · A vinculação dos sócios da contribuinte ao codinome "Feira" foi confirmada em caderno de anotações também apreendido na residência da referida secretária, no qual o referido codinome constava associado ao nome de Mônica Regina Cunha Moura e aos telefones dos sócios da contribuinte, bem como em depoimento Fl. 5634DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 32 31 prestado por Maria Lúcia Guimarães Tavares em seu Termo de Colaboração nº 04, no qual está detalhado como a secretária conheceu o significado do codinome e como procedeu para realizar os pagamentos determinados, bem como os contatos mantidos com Mônica Regina Cunha Moura; · Denúncia do MPF no processo judicial n° 501972795.2016.404.7000 dá maior clareza na interpretação dos dados contidos nos documentos armazenados nos sistemas informatizados MyWebDays e Drousys, destinados especificamente ao Setor de Operações Estruturadas, no qual MARIA LUCIA TAVARES e ANGELA PALMEIRA coordenavam remessas e entregas de recursos em outras localidades e relativos a empreendimentos vinculados aos mais diversos setores e locais, recebendo ordem diretamente de FERNANDO MIGLIACCIO e LUIZ EDUARDO SOARES31. Já a UBIRACI SILVA cabia inserir informações no sistema de pagamentos, indicando os beneficiários e os valores relativos à propina paga. O sistema MyWebDay era um sistema de computador utilizado apenas pelo Setor de operações Estruturadas, por meio do qual eram geradas e alimentadas planilhas para controlar e organizar a operacionalização do pagamento de vantagens indevidas no interesse dos contratos firmados pelo Grupo Odebrecht. O sistema Drousys, por sua vez, era um sistema de informática que funcionava por meio da instalação de computador específico, instalado na mesa de trabalho dos funcionários antes referidos, para evitar rastreamento, mas permitindo contato, também, com doleiros específicos, para viabilização de entregas de propinas em espécie no Brasil; · Denúncia do MPF no processo judicial n° 501972795.2016.404.7000 detalha que Maria Lucia Guimarães Tavares extraía semanalmente do sistema uma planilha de requisições de pagamento, somava os valores a serem entregues em cada um dos locais indicados, verificando qual seria o montante global que deveria ser disponibilizado em espécie para honrar as requisições de pagamento, comunicando a FERNANDO MIGLIACCIO, via sistema Drousys, qual seria o montante que deveria ser disponibilizado em espécie no Brasil para o pagamento dos valores de propina registrados nas planilhas, e encaminhando aos doleiros (colaboradores) participantes do esquema ilícito, também por meio do sistema Drousys, uma listagem com o valor total de propina que deveria ser entregue naquela semana, bem como a senha que estava associada a cada uma das entregas, colocando ao lado o valor de cada uma das entregas individuais. Finalizando, cabia a FERNANDO MIGLIACCIO levantar com os destinatários o endereço no qual seriam entregues os valores, e este encaminhava a MARIA LUCIA TAVARES, por intermédio do sistema Drousys, os endereços dos locais em que os valores deveriam ser entregues, a fim de que MARIA LUCIA TAVARES retransmitisse tais informações aos doleiros prestadores de serviço, utilizando, para tanto, o sistema Drousy. Fl. 5635DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 33 32 · A associação do codinome "Feira" aos publicitários João Cerqueira de Santana Filho e Mônica Regina Cunha Moura foi também evidenciada por Sr. Fernando Miglliacio (espécie de Tesoureiro do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht) em Termo de Colaboração Premiada constante da PET n° 6533/2016/STF, Sr. Hilberto Silva (executivo a frente do referido setor) e Termos de Colaboração Premiada do Sr. João Santana, Sra. Mônica Moura e Sr. André Santana (funcionário dos sócios da Polis Propaganda) no âmbito da PET n° 6890/2017/STF; · As datas e valores dos recursos pagos pelo Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht são os constantes nas planilhas apreendidas em Mandado de Busca e Apreensão nas 23ª e 2ª Fases da Operação Lava Jato na residência da colaboradora Maria Lúcia Tavares, representando 45 entregas operacionalizadas pelos executivos e funcionários vinculados ao Setor de Operações Estruturadas, perfazendo o total de R$ 23.500.000,00; · Denúncia do MPF no processo judicial n° 501972795.2016.404.7000 também reporta a manutenção de conta paralela referida como “Paulistinha”, nome utilizado para identificar a contabilidade paralela mantida entre o Grupo Odebrecht e o “doleiro” responsável pelos pagamentos realizados em São Paulo. Tabelas/extratos destas contas evidenciam: 07 entregas de recursos em espécie, no valor de R$ 4.000.000,00, conforme se depreende claramente do documento entre 24/10/2014 e 07/11/2014; pagamentos de R$ 1.000.000,00 em 12 e 13/11/2014 tratados diretamente por Marcelo Bahia Odebrecht (MBO); e movimentação da conta "Paulistinha" de 30/10/2014 a 22/05/2015 com expressa referência a outras inúmeras entregas realizadas em favor dos sócios da autuada, referidos novamente pelo codinome FEIRA. E extratos da conta "paulistinha" apreendidos na residência de MARIA LUCIA TAVARES demonstram a efetivação das entregas, mediante históricos associados às senhas anotadas nas planilhas do sistema MyWebDay; · Denúncia do MPF no processo judicial n° 501972795.2016.404.7000 expõe a forma de entrega dos recursos, com a informação de que MARIA LUCIA TAVARES, ao prestar depoimento no seu acordo de colaboração, detalhou que, quando surgiram pagamentos relacionados ao codinome “FEIRA”, HILBERTO SILVA a entregou um cartão com o nome de MONICA MOURA e diversos telefones a ela vinculados, a fim de que MARIA LUCIA TAVARES entrasse em contato para combinar a forma de entrega das quantias pactuadas. Na sequência, FERNANDO MIGLIACCIO encaminhou a MARIA LUCIA TAVARES, pelo sistema Drousys, o endereço e o contato que seria utilizado para a entrega dos valores relacionados a MONICA MOURA (FEIRA). Nas demais remessas realizadas em relação a “FEIRA”, da mesma forma, os endereços e contatos para as entregas eram fornecidos por FERNANDO MIGLIACCIO por meio do sistema Drousys; Fl. 5636DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 34 33 · Acordo de Colaboração Premiada e respectivos Termos de Colaboração firmados por Fernando Migliaccio (PET nº 6533/2016/STF), na função de Tesoureiro do Setor de Operações Estruturadas, traz relato de que foi ele apresentado em Mônica Regina Cunha Moura por Marcelo Bahia Odebrecht e Hilberto Silva aproximadamente em 2010 e 2011, para acordo quanto a entrega de recursos através da contabilidade paralela da Odebrecht, recordandose que fez inúmeros pagamentos relativos a campanhas de Angola, República Dominicana, Panamá, Venezuela, El Salvador e Brasil (“certamente na campanha presidencial de 2014”), que todos os valores formam entregues “por fora”, ou seja, não contabilizados, que indagou a Sra. Mônica porque os recursos não eram contabilizados, tendo obtido resposta que os valores deveriam ser pagos desta forma porque esgotara o limite de doação contabilizada, informou ainda que todos os pagamentos tinham anuência do Sr. Marcelo Bahia Odebrecht. Registra, ainda, que a Sra. Mônica Moura ligou para ele e foi até a Odebrecht para receber R$ 16 milhões, que eram referentes a campanha de 2014 no Brasil, onde o mesmo informou que não teria recebido ordem para este pagamento, a qual retrucou que comunicaria ao Mantega, e que daí entendeu a ligação de Mantega para pagamentos a Sra. Mônica com os codinomes PÓSITALIA (Mantega) e ITALIA (Palocci), que após este episódio recebeu ordem de Marcelo Bahia Odebrecht para efetuar o pagamento de R$ 16 milhões, que programava entregas de quantias de R$ 500.000,00, que a Sra. Mônica Moura tinha todo o cronograma de pagamento programado por ele. Informa, também, a preocupação de Mônica Regina Cunha Moura com as entregas de recursos, associa de forma inconteste o codinome "FEIRA" a tais operações, bem como a data e valores de pagamentos efetuados constantes da denúncia do MPF; · Termo de Colaboração nº 04 firmado por Fernando Migliaccio (PET nº 6533/2016/STF) finaliza com informações acerca de encontro com Mônica Moura na República Dominicana, no qual foi discutido uma dívida pendente do ano 2014 e que Mônica Moura solicitara que fosse depositado em conta no exterior, e assim se procedeu. Já no Termo de Colaboração nº 05, é informado que Mônica Moura, ao receber a confirmação de que foram efetuados pagamentos a ela no exterior em 2015, esta informou que avisaria a Presidente, pois agora tem como chegar na gente, posteriormente confirmando que a havia avisado; · Termo de Colaboração Premiada nº 08 (PET n° 6827/2017/STF) firmado por Marcelo Bahia Odebrecht, também traz a vinculação do codinome "Feira" a João Cerqueira de Santana Filho, desde pagamentos vinculados a eleições municipais de 2008, e reporta a apresentação como prova dos fatos narrados o extrato da conta paulistinha onde estão relacionados 39 pagamentos a “FEIRA” entre 2014 e 2015 além de várias transferências no exterior nos anos 2011 Fl. 5637DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 35 34 e 2012 para a conta da Offshore SHELLBILL no Banco Heritage na Suiça, conta vinculada a João Santana. · Termo de Colaboração nº 02 Anexo 02 (PET nº 6890/2017/STF) firmado por João Cerqueira de Santana Filho traz relato de que, a partir da reeleição do presidente Lula, foi aberta uma espécie de "conta corrente" informal, entre o Partido dos Trabalhadores e a Polis, onde o partido ia rolando dívidas acumuladas, ao longo de diversas campanhas, exclusivamente relacionadas a serviços efetivamente prestados. A administração destas dívidas era feita por ANTONIO PALOCCI, coordenadores financeiros das campanhas e tesoureiros do PT, com plena ciência dos candidatos e principais lideres do partido (LULA e depois DILMA). Os repasses no exterior foram feitos, exclusivamente, pela empresa ODEBRECHT. · Termo de Colaboração nº 03 Anexo 03 (PET nº 6890/2017/STF) firmado por João Cerqueira de Santana Filho historia que restos a pagar da campanha de LULA em 2006 foram se juntando aos custos das campanhas de MARTA SUPLICY e GLEISI HOFFMANN em 2008, como, por sua vez, somaramse a de DILMA em 2010, às de HADDAD e PATRUS em 2012, e, assim, rolando até a de DILMA em 2014, resultando em dívida superior a R$ 20 milhões em 2015, cujos pagamentos foram realizados com utilização de recursos que tinha para receber de empreiteiros, no caso por conta exclusiva de ODEBRECHT (no total, correspondiam aproximadamente a 20% do custo oficial). Em um círculo vicioso, a Pólis para continuar fazendo as campanhas teve que receber valores oriundos de caixa dois, enquanto o PT para poder contratar os serviços de JOÃO SANTANA, tido como o melhor marqueteiro do mercado, se valia dos recursos ilícitos transferidos pagas pelas empreiteiras, ao passo que as empreiteiras pagavam para garantir que se manteriam nas obras do governo; · Termo de Colaboração nº 06 Anexo 06 (PET nº 6890/2017/STF) firmado por João Cerqueira de Santana Filho traz informação de que JOAO SANTANA e MONICA MOURA nunca se preocuparam em identificar as causas, motivos e origens dos recursos que lhes eram pagos de forma extraoficial, e que especificamente no caso da ODEBRECHT, empresa com quem estabeleceu um vinculo mais constante por recomendação do PARTIDO DOS TRABALHADORES desde a campanha de reeleição de LULA – nunca houve curiosidade especifica, dada a amplitude de obras que a empresa realizava para os diversos governos do PARTIDO DOS TRABALHADORES; · Termo de Colaboração nº 06 Anexo 06 (PET nº 6890/2017/STF) firmado por Mônica Regina Cunha Moura, traz o reconhecimento desta que do valor pago de forma não contabilizada, cerca de R$5.000.000,00 (cinco milhões de reais) foi entregue em espécie pela empresa ODEBRECHT em São Paulo, por pessoas que MONICA MOURA imagina que eram doleiros dinheiro em hotéis ou flats Fl. 5638DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 36 35 indicados por ela, nas datas e valores indicados por HILBERTO MASCARENHAS ALVES DA SILVA FILHO. Depois HILBERTO MASCARENHAS ALVES DA SILVA FILHO colocou outra pessoa para tratar desses assuntos e operacionalizar estas entregas, FERNANDO MIGLIACCIO. O esquema era profissional: MONICA MOURA passava um endereço, recebia uma palavra senha e recebia o dinheiro no local indicado, de um desconhecido. · Termo de Colaboração nº 06 Anexo 06 (PET nº 6890/2017/STF) firmado por Mônica Regina Cunha Moura registra reuniões nas quais foi acertado que o valor total da campanha em R$ 105.000.000,00 (cento e cinco milhões de reais), sendo o valor oficial da campanha de R$70.000.000,00 (setenta milhões de reais), mas com a condição de que a expressiva quantia de R$35.000.000,00 (trinta e cinco milhões de reais) fosse recebida por fora, sendo acertada a forma desses pagamentos não oficiais com HILBERTO MASCARENHAS e FERNANDO MIGLIACCIO, os quais determinaram que uma parte seria paga em espécie no Brasil e a outra parte no exterior. Porém, dos R$35.000.000,00 (trinta e cinco milhões de reais) apenas, aproximadamente, R$10.000.000,00 (dez milhões de reais) foram entregues em espécie no Brasil através do mesmo esquema anterior: entregas em hotéis e flats, até porque, como a Operação Lava Jato já estava em franco andamento e a ODEBRECHT temia que fossem fornecidas informações da Suíça que ligasse a empresa a MONICA MOURA e JOÃO SANTANA; · Termo de Colaboração nº 13 Anexo 13 (PET nº 6890/2017/STF) firmado por Mônica Regina Cunha Moura traz o reconhecimento de que "Feira" era uma das modalidades de pagamentos do "Projeto Italiano", com referência ao qual segundo FERNANDO MIGLIACCIO, MARCELO BAHIA ODEBRECHT e ANTONIO PALOCCI sentavam uma vez por ano para definir qual seria o montante de caixa dois investido pela empresa ODEBRECHT em campanhas. Depois de estabelecido um teto, ANTONIO PALOCCI que ele tinha plena liberdade de pedir para que os pagamentos fossem feitos para quem ele indicasse, entre essas pessoas estavam MONICA MOURA e JOÃO SANTANA (POLIS), sendo que, em outro dos vários encontros de MONICA MOURA com FERNANDO MIGLIACCIO de quem se tomou próxima, em 2014, no escritório da empresa ODEBRECHT em São Paulo, MONICA MOURA viu a anotação "Feira" e perguntou a ele do que se tratava, tendo recebido a resposta de que" era o nome que eles designavam para os pagamentos de caixa dois de algumas campanhas"; · Termos de Colaboração firmados por André Luis Reis de Santana (PET nº 6890/2017/STF) traz relato de que durante vários anos foi emissário de Mônica Moura para recebimento de recursos em espécie pagos pela Odebrecht em flats e hotéis, utilizando palavras chaves para os recebimentos, que o dinheiro era entregue em sacos lacrados e as vezes em malas, que parte valores eram para Fl. 5639DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 37 36 pagamentos a fornecedores e parte ficava com Mônica Moura, parte pagavam boletos e parte faziam depósitos fracionados, tendo conhecido Fernando Migliaccio (tesoureiro do Setor de Operações Estruturadas), o qual informou palavras chaves “FEIRA”, Farinha, Legumes, Verduras, etc, para apresentação quando do recebimento do dinheiro. Também declarou que esteve na sede da Odebrecht na Bahia por duas ocasiões e tratou diretamente com Maria Lúcia Tavares (secretária do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht) e que ela entregou R$ 500.000,00 em sua sala, uma vez R$ 200.000,00 e em outra ocasião R$ 300.000,00. Relatou também que por ocasião de um dos recebimentos de recursos em espécie em São Paulo sofreu um assalto com subtração do dinheiro que estava em seu poder uma mala grande com R$ 1.500.000,00, e que continuou a ser emissário de Mônica Moura para esses recebimentos até metade de 2015. Tais indícios são convergentes no sentido de que: 1) os funcionários do "Setor de Operações Estruturadas da Odebrechet" executaram pagamentos em espécie, controlados em sistemas próprios, por serviços prestados pela autuada ao Partido dos Trabalhadores, sob o codinome "Feira"; 2) tais serviços não foram contabilizados, à semelhança do ocorrido em outras campanhas eleitorais (cerca de 20% do custo oficial), assim como, por parte da empreiteira, o registro não era possível por ter sido extrapolado o limite de doações; e 3) os pagamentos neste formato decorreram de acordo entre a empreiteira e o Partido dos Trabalhadores. De outro lado, há divergência entre as informações recolhidas nos controles do "Setor de Operações Estruturadas da Odebrechet", que indicam 45 (quarenta e cinco) entregas, totalizando R$ 23.500.000,00 muito embora no Termo de Colaboração Premiada nº 08, Marcelo Bahia Odebrechet aponte 39 (trinta e nove) pagamentos registrados no extrato da conta "paulistinha" ao passo que Mônica Regina Cunha Moura assevera que dos R$ 35.000.000,00 correspondente à parte extra oficial, apenas R$ 10.000.000,00 teriam sido recebidos, sendo que ao menos um registro de roubo, no valor de R$ 1.500.000,00, foi consignado por funcionário dos sócios da autuada. Neste cenário cabe, de plano, afastar a arguição de vício material do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo, pois há consistência, na acusação fiscal e nas provas reunidas, de que autuação recai sobre valores auferidos pela sociedade Polis Propaganda & Marketing Ltda em razão da prestação de serviços de publicidade e marketing político. O fato de, relativamente aos valores recebidos no exterior, a autoridade fiscal ter elegido outros contribuintes, em nada afeta as conclusões aqui expostas, restando apenas avaliar se as provas reunidas são suficientes para evidenciar a procedência do lançamento. De toda a sorte, consignese que um dos processos referidos pelos recorrentes, de nº 16561.720199/201646, já foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento que, à unanimidade, negou provimento ao recurso voluntário de João Cerqueira de Santana Filho (contribuinte) e de Mônica Regina Cunha Moura, mantendo a exigência de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF calculada a partir dos benefícios econômicos por eles auferidos na conta "Shellbill", mantida no exterior, e que pode ser compreendida nos seguintes excertos do relatório e voto do Acórdão nº 2301005.941: RELATÓRIO Fl. 5640DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 38 37 [...] Nos dados obtidos, foram identificadas 61 transferências realizadas entre 28/01/2011 e 30/12/2014 através do CITIBANK N.A. NY, originadas na conta SHELLBIL e destinadas a SURIA SANTANA, filha de JOÃO SANTANA, totalizando USD 297.600,00. A natureza de poupança do casal das rendas percebidas através da conta SHELLBIL foi reconhecida por JOÃO SANTANA e por MÔNICA MOURA. Em seu interrogatório JOÃO SANTANA , questionado sobre o débito de cerca de 1 milhão de dólares em 19/06/2013, em favor de Mauro Eduardo Uemura, afirma que se refere a parte de pagamento de um apartamento que comprou. Os dados obtidos provavelmente não alcançam a totalidade da movimentação da conta SHELLBIL no período, mas apenas uma parte dessa movimentação, abrangendo unicamente as transferências realizadas através do correspondente bancário CITIBANK N.A. NY. Assim, o lançamento é parcial, não incluindo eventuais rendimentos efetivamente auferidos e não revelados nos dados obtidos em resposta ao citado pedido de intercâmbio de informações. JOÃO SANTANA se reveste da condição de contribuinte, tendo em vista o caráter pessoal dos rendimentos auferidos através da conta SHELLBIL. Embora fosse JOÃO SANTANA o detentor da procuração com plenos poderes de representação e o titular dos direitos econômicos da conta SHELLBIL, a efetiva movimentação dessa conta cabia a MÔNICA MOURA, conforme afirmado por ela no INTERROGATÓRIO. Por meio dessa conta foi efetuado pagamento de USD 1 milhão relativo à aquisição de imóvel do casal que mantém relação equivalente ao casamento com separação parcial de bens. Os pagamentos efetuados por meio da conta SHELLBIL se deveram a trabalhos desenvolvidos pelo casal, consideradas as divisões de tarefas, e os rendimentos percebidos beneficiaram ambos. Assim, MÔNICA MOURA é responsável solidária pelo crédito tributário, nos termos do art. 124, inciso I, do CTN. [...] VOTO [...] Portanto, o fato de os recursos indevidos terem sido recebidos por meio de pessoas jurídicas, mediante um artifício de se forjar receitas fictícias de prestação de serviços por sociedades empresárias, não altera o lançamento, mormente porque se tratou de recursos cujo destinatário era o recorrente. Nos presentes autos, não há qualquer dúvida de que o Contribuinte atuava por interposta pessoa jurídica, constituída no exterior, através de offshores. O contribuinte como sócio da empresa tinha efetivo controle sobre os valores recebidos pela mesma, sendo responsável pelo controle de suas contas bancárias. Ou seja, a disponibilidade econômicofinanceira para as pessoas jurídicas importava disponibilidade para o Contribuinte. Verificase então que a percepção dos valores auferidos no esquema fraudulento se deu pelo contribuinte que atuou através de interposta pessoa jurídica. [...] Fl. 5641DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 39 38 Quanto à alegação de erro no valor do crédito tributário, pois somente poderiam ser tributáveis os valores consumidos pelo casal, devendo os recursos mantidos em nome da SHELLBIL ser considerados lucros acumulados não disponibilizados, registrese que a ocorrência do fato gerador se deu quando dos efetivos ingressos dos rendimentos na conta cujo beneficiário era o contribuinte, nos termos do art. 43 do CTN. Conforme este dispositivo legal, o imposto em questão incide sempre que houver aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza. No caso, inegável a aquisição de disponibilidade econômica pelo contribuinte que teve seu patrimônio aumentado. O próprio autuado reconheceu a natureza de poupança das rendas percebidas através da conta SHELLBIL, afirmando "Que a conta era mantida como uma 'poupança' para sua aposentadoria" (doc. 803B, fl. 433). Não há nenhuma prova de ter havido o desenvolvimento da atividade empresarial pela SHELLBIL, com conseqüente apuração e distribuição de lucros e dividendos. [...] Vejase que os próprios recorrentes asseveram, nestes autos, estar claro que os recursos omitidos tinham origem na prestação de serviços de propagada prestados pela Polis. Logo, a arguição de nulidade não teria lugar em face do presente lançamento que conferiu aos valores tributados esta natureza. Esclareçase inexistir qualquer demonstração de coincidência entre os valores aqui autuados e aqueles que motivaram a exigência as exigências formalizadas nos outros autos, como bem ponderado no voto condutor da decisão de 1ª instância: 23. A alegação de que o montante de R$ 16.000.000,00, pago pela Odebrecht em favor da Shellbill Finance (item 6.5), faria parte dos valores tidos como omitidos, não merece crédito, porquanto desacompanhada de elemento probatório a confirmála (allegatio et non probatio quasi non allegatio). Ademais, da leitura do Termo de Verificação Fiscal resta claro os referidos valores não são objeto do presente processo27. No mais, basta observar que a legislação, em momento algum, estipula como requisito de validade do lançamento a sua consistência em relação a outros formalizados em face do mesmo sujeito passivo e que têm por referência outros fatos, ainda que em razão de operações semelhantes. A validade da constituição do crédito tributário pressupõe a ação de autoridade competente para demonstração da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido e identificação do sujeito passivo, aspectos aqui formalmente atendidos, assim impondo a REJEIÇÃO da arguição de nulidade do lançamento. Passando ao mérito da omissão de receitas, a defesa dos recorrentes centrase em três aspectos essenciais: 1) o fato de terem firmado Acordo de Colaboração Premiada com o Ministério Público Federal em decorrência da condenação por lavagem de dinheiro, 27 fl. 86: 29. Os repasses para a conta da offshore SHELLBILL mantida no Banco Heritage na Suiça em conformidade com os processos judiciais citados acima, não são objetos do presente procedimento fiscal, as implicações fiscais desses repasses de recursos são objetos de verificações no procedimento fiscal TDPF n° 0510100 2016 00026 na pessoa física João Cerqueira de Santana. Fl. 5642DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 40 39 comprometendose a dar em perdimento à União o ganho auferido ocultado, num total de R$ 71.646.517,40, perdimento este já processado, com o valor em cofres da União; 2) o lançamento representar tributação de valores repassados a fornecedores, ainda que o Recorrente seja uma agência, desconsiderando o regime tributário a ela conferido; e 3) a acusação fiscal se basear exclusivamente em depoimentos prestados em colaboração premiada em sede de ação criminal, os quais são conflitantes nos valores supostamente repassados aos recorrentes, e não representam elementos de prova aptos a certificar os fatos que ensejaram a autuação. Inicialmente no que se refere à admissibilidade de depoimentos prestados em colaboração premiada como provas no âmbito tributário e à existência de qualquer dependência em relação ao destino do processo criminal no qual eles foram colhidos, adotam se aqui as razões de decidir assim expostas na decisão recorrida (com ajuste na numeração das notas de rodapé): 14. De fato, o depoimento em sede de “colaboração premiada” (Lei nº 12.850, de 2013), por si só, não tem força probante suficiente para comprovar a existência de determinado fato. Sequer se pode dizer, formalmente, o instrumento se trata de meio de prova28. Nada obstante, é induvidoso a convicção do julgador não lhe é imune, uma vez que cumpre a este, na construção de seu convencimento (sentido subjetivo da prova29), levar em consideração todos os aspectos trazidos aos autos30. 15. No caso em questão todavia além dos depoimentos prestados em sede de "colaboração premiada", pelos diversos atores envolvidos nos esquemas fraudulentos de "caixa dois" que apontam para a mesma direção , inclusive pelos próprios sócios da Pólis, exaustivamente detalhados no Termo de Verificação Fiscal, foram apreendidos documentos na residência da Sra. Maria Lúcia Guimarães Tavares, secretária do Setor de "Operações Estruturadas da Odebrecht", que reproduzem dados contidos no sistema informatizado MyWebDay31, utilizado exclusivamente para controle das propinas pagas por aquela empresa, e extrato da conta denominada Paulistinha (fl. 100), que evidenciam o pagamento, em dinheiro, dos valores em questão (vide item 36, 45 e 46 do Termo de Verificação Fiscal). 16. O fato de os referidos documentos não se tratar de "documento oficial" e terem se originado de informações prestadas pelos próprios investigados não implica eles 28 A colaboração premiada possui natureza jurídica de "meio de obtenção de prova" (art. 3º, I, da Lei nº 12.850/2013). Chamo atenção para esse fato: a colaboração premiada não é um meio de prova propriamente dito. A colaboração premiada não prova nada (ela não é uma prova). A colaboração premiada é um meio, uma técnica, um instrumento para se obter as provas. “Enquanto os meios de prova são aptos a servir, diretamente, ao convencimento do juiz sobre a veracidade ou não de uma afirmação fática (p. ex., o depoimento de uma testemunha, ou o teor de uma escritura pública), os meios de obtenção de provas (p. ex.: uma busca e apreensão) são instrumentos para a colheita de elementos ou fontes de provas, estes sim, aptos a convencer o julgador (p. ex.: um extrato bancário [documento] encontrado em uma busca e apreensão domiciliar). Ou seja, enquanto o meio de prova se presta ao convencimento direto do julgador, os meios de obtenção de provas somente indiretamente, e dependendo do resultado de sua realização, poderão servir à reconstrução da história dos fatos” (BADARÓ, Gustavo. Processo Penal. Rio de Janeiro. Campus: Elsevier. 2012, p. 270). 29 Humberto Theodoro Júnior, in Curso de Direito Processual Civil, 17ª edição, Editora Forense, professa "a prova não é somente um fato processual, mas ainda uma indução lógica, é um meio com que se estabelece a existência positiva ou negativa do fato probando, e é a própria certeza dessa existência”. 30 Alexandre Câmara, em Lições de Direito Processual Civil, 18. ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2008, p 373. 1v, entende a prova como sendo "todo elemento que contribui para a formação da convicção do juiz a respeito da existência de determinado fato". 31 Vide item 39 do Termo de Verificação Fiscal. Fl. 5643DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 41 40 não possam servir como prova dos pagamentos, uma vez que as particularidades não os tornam ilegítimos. Vale lembrar, consoante art. 369 do vigente CPC32, verbis: "as partes têm o direito de empregar todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, para provar a verdade dos fatos em que se funda o pedido ou a defesa e influir eficazmente na convicção do juiz"33. 17. Em suma, não se pode dizer a fiscalização não tenha apresentado provas da infração. Quedamse baldadas assim de antemão as alegações do item 6.4, uma vez que partem do pressuposto de que o lançamento teria se baseado exclusivamente em colaborações premiadas. 18. Nada obstante, não se vê dos autos nenhum óbice ou impedimento que, de alguma forma, tenha obliterado o direito de defesa, tampouco desvio de finalidade no uso de “prova emprestada” ou mácula ao princípio da verdade material. 19. É cediço, a prova produzida num processo pode ser trasladada e aproveitada em outro. Restrições existem quanto à simples transposição das conclusões, o que não ocorreu in casu. Apesar de terem se originado na esfera judicial, os elementos que suportam o lançamento não foram considerados ou tomados como verdade absoluta. A infração fiscal foi de praxe da fiscalização. 20. Os extratos e as planilhas, em que restam consolidados os valores pagos, foram levados ao conhecimento da empresa, por meio de diversos Termos de Intimação, para que ela se manifestasse sobre eles, não só ao longo do procedimento fiscal (por meio de intimações para prestarse esclarecimentos), mas também no momento da ciência do lançamento. 21. De modo que a sobrevivência do crédito em questão independe do que venha ocorrer na esfera judicial; ou seja, mesmo que a ação penal do Processo nº 501972795.2016.404.7000 malogre, e os imputados não sejam condenados, ainda assim pode ele subsistir na esfera administrativa. 22. Apenas para argumentar, mesmo quando a prova original é obtida por meio ilícito, o que não é o caso, dispõe o § 1º do art. 157 do Código de Processo Penal34 que se a infração puder ser demonstrada por uma fonte independente, não há falar em contaminação. O mesmo artigo, em seu § 2º, dispõe que "considerase fonte independente aquela que, por si só, segundo os trâmites típicos e de praxe, próprios da investigação ou instrução criminal, seria capaz de conduzir ao fato objeto da prova". O lançamento, portanto, repousa em provas testemunhais e documentais que, como antes demonstrado, são consistentes no sentido de que os pagamentos em espécie se refeririam a serviços prestados pela pessoa jurídica autuada, e eram praxe em campanhas eleitorais, também motivados pelos fato de a empreiteira já ter extrapolado o limite de doações a partidos políticos. Tais elementos, portanto, não podem ser descartados como evidências das receitas auferidas pela pessoa jurídica, mormente considerando que, como alegado, os 32 LEI Nº 13.105, DE 16 DE MARÇO DE 2015. 33 O art. 332 do Código de Processo Civil, de 1973 , dispõe "todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou a defesa" 34 Os repasses para a conta da offshore SHELLBILL mantida no Banco Heritage na Suiça em conformidade com os processos judiciais citados acima, não são objetos do presente procedimento fiscal, as implicações fiscais desses repasses de recursos são objetos de verificações no procedimento fiscal TDPF n° 0510100 2016 00026 na pessoa física João Cerqueira de Santana. Fl. 5644DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 42 41 recorrentes foram absolvidos do crime de corrupção, por entender o Juiz Sergio Moro que seus ganhos decorreram exclusivamente da prestação de serviços lícitos. Quanto ao fato de tais provas serem conflitantes nos valores repassados, vê se que a autoridade julgadora de 1ª instância promoveu ajustes em razão de descompassos identificados entre os valores reportados no lançamento e aqueles consignados nos "extratos" (planilhas) do sistema MyWebDay (vide fls. 91, 97, 98) e em tabela relativa à movimentação da conta "Paulistinha" (fls. 99 e 100), mencionada nas planilhas como vinculada aos pagamentos ali descritos. Tais ajustes resultaram na exoneração do crédito tributário calculado equivocadamente porque o pagamento registrado no dia 06.11.2014 (ref. p1478) foi computado duas vezes; o pagamento do dia 30.10.2014 (ref p14166), computado três vezes e o pagamento do dia 28.04.2015 (ref. p15.20), computado duas vezes. Deixouse todavia de computar o pagamento do dia 29.04.2015 (ref.15.22). Os recorrentes, porém, apontam divergências entre o extrato da contabilidade extraoficial do Grupo Odebrecht, na conta denominada "Paulistinha" confrontando os §§ 45 e 46 do Termo de Verificação fiscal, bem como seu Anexo I, observando que parte delas já teriam sido solucionadas na decisão de 1ª instância. E acrescentam que não foi esclarecida a confirmação, por Marcelo Bahia Odebrechet, de 39 (trinta e nove) pagamentos, e não 45 (quarenta e cinco) pagamentos, como informado pelos demais colaboradores, além de reiterar a declaração, de Mônica Regina Cunha Moura, de que recebeu no Brasil apenas R$ 10 milhões, restando R$ 16 milhões liquidados no exterior. O exame da acusação fiscal evidencia que os valores autuados foram extraídos de planilha apreendida na residência de Maria Lucia Guimarães Tavares, indicando saídas e saldo acumulado destas, todas sob o codinome "Feira", e associados à conta "Paulistinha" (fls. 3261/3263, referidas na denúncia às fls. 3196/3198). Tais pagamentos estão parcialmente confirmados nas transcrições de telas de sistema (fls. 3214/3231, referidas na denúncia às fls. 3119/3120 e 3195/3196) e no extrato da conta "Paulistinha" (fls. 3240/3256 e 3308, referido na denúncia à fl. 3198), também apreendidos na residência de Maria Lucia Guimarães Tavares, conforme arrolado na denúncia do Ministério Público Federal às fls. 3195/3198, ali totalizando R$ 23.500.000,00. Planilha semelhante à apreendida na residência de Maria Lucia Guimarães Tavares também foi apresentada por Marcelo Bahia Odebrecht no Termo de Colaboração nº 08, fls. 3365/3367. A correspondência entre as informações é estabelecida em razão da data, do valor e da referência ao codinome "Feira", bem como pela indicação no formato "P.XX.XXX", que apresenta uma numeração diferente para cada pagamento, além da informação a título de "senha", referida em telas de sistema, no extrato e nas planilhas. Ainda, especificamente dois pagamentos, promovidos em 21/05/2015 e 22/05/2015, cada um no valor de R$ 500.000,00, também constam em outras planilhas apreendidas, reproduzidas às fl. 3235, 3238, 3239 e 3313, apresentando a informação dos mesmos códigos (P.15.35 e P.15.33). Os demonstrativos a seguir elaborados correlacionam as receitas apontadas no lançamento com os registros dos documentos acima referidos, sendo que os valores tachados correspondem àqueles já excluídos na decisão de 1ª instância: Fl. 5645DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 43 42 Autos de Infração Planilha fls. 3261/3263 Telas de sistema fls. 3214/3231 Data Valor Data Valor Código Senha Data Valor Código Senha 24/10/2014 500.000,00 24/10/2014 500.000,00 P.14.162 29/10/2014 500.000,00 30/10/2014 500.000,00 P.14.165 29/10/2014 500.000,00 P.14.165 30/10/2014 500.000,00 30/10/2014 500.000,00 P.14.166 30/10/2014 500.000,00 P.14.166 30/10/2014 500.000,00 30/10/2014 500.000,00 31/10/2014 500.000,00 30/10/2014 500.000,00 P.14.167 31/10/2014 500.000,00 P.14.167 05/11/2014 500.000,00 06/11/2014 500.000,00 P.14.177 05/11/2014 500.000,00 P.14.177 06/11/2014 500.000,00 06/11/2014 500.000,00 06/11/2014 500.000,00 P.14.178 06/11/2014 500.000,00 P.14.178 07/11/2014 1.000.000,00 07/11/2014 1.000.000,00 P.14.179 07/11/2014 1.000.000,00 P.14.179 ESPINAFRE 12/11/2014 1.000.000,00 12/11/2014 1.000.000,00 P.14.185 12/11/2014 1.000.000,00 P.14.185 LEGUMES 13/11/2014 1.000.000,00 13/11/2014 1.000.000,00 P.14.186 13/11/2014 1.000.000,00 P.14.186 LEGUMES 13/03/2015 500.000,00 13/03/2015 500.000,00 P.15.2 CRISE 18/03/2015 500.000,00 18/03/2015 500.000,00 P.15.3 CHÁ 19/03/2015 500.000,00 19/03/2015 500.000,00 P.15.4 CAFÉ 20/03/2015 500.000,00 20/03/2015 500.000,00 P.15.5 ÁGUA 25/03/2015 500.000,00 25/03/2015 500.000,00 P.15.6 LEITE 26/03/2015 500.000,00 26/03/2015 500.000,00 P.15.7 CERVEJA 27/03/2015 500.000,00 27/03/2015 500.000,00 P.15.8 GUARANÁ 31/03/2015 500.000,00 31/03/2015 500.000,00 P.15.9 BACALHAU 01/04/2015 500.000,00 01/04/2015 500.000,00 P.15.10 TEMPEROS 08/04/2015 500.000,00 08/04/2015 500.000,00 P.15.11 BEIJÚ 09/04/2015 500.000,00 09/04/2015 500.000,00 P.15.34 FARINHA 10/04/2015 500.000,00 10/04/2015 500.000,00 P.15.12 MANDIOCA 15/04/2015 1.000.000,00 15/04/2015 1.000.000,00 P.15.13 MACAXEIRA 17/04/2015 500.000,00 17/04/2015 500.000,00 P.15.14 AIPIM 17/04/2015 500.000,00 17/04/2015 500.000,00 P.15.15 TAPIOCA 22/04/2015 500.000,00 22/04/2015 500.000,00 P.15.16 FUTEBOL 23/04/2015 500.000,00 23/04/2015 500.000,00 P.15.17 VOLEY 23/04/2015 500.000,00 23/04/2015 500.000,00 P.15.18 ESGRIMA 24/04/2015 500.000,00 24/04/2015 500.000,00 P.15.19 BASQUETE 28/04/2015 500.000,00 28/04/2015 500.000,00 P.15.20 NATAÇÃO 28/04/2015 500.000,00 29/04/2015 500.000,00 P.15.21 TENIS 29/04/2015 500.000,00 29/04/2015 500.000,00 P.15.22 POLO 30/04/2015 500.000,00 30/04/2015 500.000,00 P.15.23 TENIS DE MESA 06/05/2015 500.000,00 06/05/2015 500.000,00 P.15.24 BEISEBOL 07/05/2015 500.000,00 07/05/2015 500.000,00 P.15.25 ESQUASH 07/05/2015 500.000,00 07/05/2015 500.000,00 P.15.26 GINÁSTICA 08/05/2015 500.000,00 08/05/2015 500.000,00 P.15.27 POLO AQUÁTICO 13/05/2015 500.000,00 13/05/2015 500.000,00 P.15.28 REMO 14/05/2015 500.000,00 14/05/2015 500.000,00 P.15.29 HANDEBOL 14/05/2015 500.000,00 14/05/2015 500.000,00 P.15.30 HÓQUEI 15/05/2015 500.000,00 15/05/2015 500.000,00 P.15.31 TIRO 21/05/2015 500.000,00 21/05/2015 500.000,00 P.15.35 PETECA 22/05/2015 500.000,00 22/05/2015 500.000,00 P.15.33 TACO Totais 24.500.000,00 22.500.000,00 Fl. 5646DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 44 43 Autos de Infração Extrato Paulistinha fls. 3240/3256 e 3308 Planilha fls. 3365/3367 Data Valor Data Valor Histórico Data Valor Código Senha 24/10/2014 500.000,00 29/10/2014 500.000,00 30/10/2014 500.000,00 P.14.165 30/10/2014 500.000,00 30/10/2014 500.000,00 P.14.166 30/10/2014 500.000,00 30/10/2014 500.000,00 31/10/2014 500.000,00 30/10/2014 500.000,00 P.14.167 05/11/2014 500.000,00 06/11/2014 500.000,00 ESPINAFRE 1 06/11/2014 500.000,00 P.14.177 06/11/2014 500.000,00 06/11/2014 500.000,00 06/11/2014 500.000,00 ESPINAFRE 2 06/11/2014 500.000,00 P.14.178 07/11/2014 1.000.000,00 07/11/2014 1.000.000,00 ESPINAFRE 3 07/11/2014 1.000.000,00 P.14.179 12/11/2014 1.000.000,00 12/11/2014 1.000.000,00 P/VERDURAS/LEGUMES 12/11/2014 1.000.000,00 P.14.185 13/11/2014 1.000.000,00 13/11/2014 1.000.000,00 P/VERDURAS/LEGUMES 13/11/2014 1.000.000,00 P.14.186 13/03/2015 500.000,00 13/03/2015 500.000,00 SAQUE REF REQ 15.2 MOV 409851 13/03/2015 500.000,00 P.15.2 CRISE 18/03/2015 500.000,00 18/03/2015 500.000,00 SAQUE REF REQ 15.3 MOV 409852 18/03/2015 500.000,00 P.15.3 CHÁ 19/03/2015 500.000,00 19/03/2015 500.000,00 SAQUE REF REQ 15.4 MOV 409853 19/03/2015 500.000,00 P.15.4 CAFÉ 20/03/2015 500.000,00 20/03/2015 500.000,00 SAQUE REF REQ 15.5 MOV 409854 20/03/2015 500.000,00 P.15.5 ÁGUA 25/03/2015 500.000,00 25/03/2015 500.000,00 SAQUE REF REQ 15.6 MOV 409855 25/03/2015 500.000,00 P.15.6 LEITE 26/03/2015 500.000,00 26/03/2015 500.000,00 SAQUE REF REQ 15.7 MOV 409856 26/03/2015 500.000,00 P.15.7 CERVEJA 27/03/2015 500.000,00 27/03/2015 500.000,00 SAQUE REF REQ 15.8 MOV 409857 27/03/2015 500.000,00 P.15.8 GUARANÁ 31/03/2015 500.000,00 31/03/2015 500.000,00 SAQUE REF REQ 15.9 MOV 409859 31/03/2015 500.000,00 P.15.9 BACALHAU 01/04/2015 500.000,00 01/04/2015 500.000,00 SAQUE REF REQ 15.10 MOV 409858 01/04/2015 500.000,00 P.15.10 TEMPEROS 08/04/2015 500.000,00 08/04/2015 500.000,00 SAQUE REF REQ 15.11 MOV 409860 08/04/2015 500.000,00 P.15.11 BEIJÚ 09/04/2015 500.000,00 09/04/2015 500.000,00 SAQUE REF REQ 15.34 MOV 409861 09/04/2015 500.000,00 P.15.34 FARINHA 10/04/2015 500.000,00 10/04/2015 500.000,00 SAQUE REF REQ 15.12 MOV 409862 10/04/2015 500.000,00 P.15.12 MANDIOCA 15/04/2015 1.000.000,00 15/04/2015 1.000.000,00 SAQUE REF REQ 15.13 MOV 409864 15/04/2015 1.000.000,00 P.15.13 MACAXEIRA 17/04/2015 500.000,00 17/04/2015 500.000,00 SAQUE REF REQ 15.14 MOV 409865 17/04/2015 500.000,00 P.15.14 AIPIM 17/04/2015 500.000,00 17/04/2015 500.000,00 SAQUE REF REQ 15.15 MOV 409866 17/04/2015 500.000,00 P.15.15 TAPIOCA 22/04/2015 500.000,00 22/04/2015 500.000,00 SAQUE REF REQ 15.16 MOV 409868 22/04/2015 500.000,00 P.15.16 FUTEBOL 23/04/2015 500.000,00 23/04/2015 500.000,00 SAQUE REF REQ 15.17 MOV 409870 23/04/2015 500.000,00 P.15.17 VOLEY 23/04/2015 500.000,00 23/04/2015 500.000,00 SAQUE REF REQ 15.18 MOV 409869 23/04/2015 500.000,00 P.15.18 ESGRIMA 24/04/2015 500.000,00 24/04/2015 500.000,00 SAQUE REF REQ 15.19 MOV 409872 24/04/2015 500.000,00 P.15.19 BASQUETE 28/04/2015 500.000,00 28/04/2015 500.000,00 SAQUE REF REQ 15.20 MOV 409879 28/04/2015 500.000,00 P.15.20 NATAÇÃO 28/04/2015 500.000,00 29/04/2015 500.000,00 SAQUE REF REQ 15.21 MOV 409882 29/04/2015 500.000,00 P.15.21 TENIS 29/04/2015 500.000,00 29/04/2015 500.000,00 SAQUE REF REQ 15.22 MOV 409885 29/04/2015 500.000,00 P.15.22 POLO 30/04/2015 500.000,00 30/04/2015 500.000,00 SAQUE REF REQ 15.23 MOV 409887 30/04/2015 500.000,00 P.15.23 TENIS DE MESA 06/05/2015 500.000,00 06/05/2015 500.000,00 SAQUE REF REQ 15.24 MOV 409908 06/05/2015 500.000,00 P.15.24 BEISEBOL 07/05/2015 500.000,00 07/05/2015 500.000,00 SAQUE REF REQ 15.25 MOV 409913 07/05/2015 500.000,00 P.15.25 ESQUASH 07/05/2015 500.000,00 07/05/2015 500.000,00 SAQUE REF REQ 15.26 MOV 409910 07/05/2015 500.000,00 P.15.26 GINÁSTICA 08/05/2015 500.000,00 08/05/2015 500.000,00 SAQUE REF REQ 15.27 MOV 409915 08/05/2015 500.000,00 P.15.27 POLO AQUÁTICO 13/05/2015 500.000,00 13/05/2015 500.000,00 SAQUE REF REQ 15.28 MOV 409922 13/05/2015 500.000,00 P.15.28 REMO 14/05/2015 500.000,00 14/05/2015 500.000,00 SAQUE REF REQ 15.29 MOV 409926 14/05/2015 500.000,00 P.15.29 HANDEBOL 14/05/2015 500.000,00 14/05/2015 500.000,00 SAQUE REF REQ 15.30 MOV 409924 14/05/2015 500.000,00 P.15.30 HÓQUEI 15/05/2015 500.000,00 15/05/2015 500.000,00 SAQUE REF REQ 15.31 MOV 409927 15/05/2015 500.000,00 P.15.31 TIRO 21/05/2015 500.000,00 21/05/2015 500.000,00 P.15.35 PETECA 22/05/2015 500.000,00 22/05/2015 500.000,00 P.15.33 TACO Totais 24.500.000,00 22.500.000,00 Constatase, nesta demonstração, que a planilha apreendida na residência de Maria Lucia Guimarães Tavares guarda correspondência com a planilha apresentada por Marcelo Bahia Odebrecht, sendo certo que Maria Lucia Guimarães Tavares, como responsável pelos pagamentos determinados pelos demais diretores do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, não só confirmou que o codinome "Feira" era atribuído aos autuados, como também apresentou detalhes da forma como os pagamentos eram efetuados (fls. 3269/3271) e da operação dos sistemas que geraram as informações antes transcritas (fls. 3272/3274 e 3275/3277). O funcionamento do referido Setor e dos sistemas de controle está confirmado, também, nas declarações de Fernando Migliaccio da Silva (fls. 3316/3361). Nas diversas declarações dos agentes do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht juntadas aos autos há significativa consistência entre as evidências de pagamentos e os procedimentos adotados para sua efetivação. Não se trata, assim, de denúncias vagas baseadas em frágil suporte documental. Os extratos dos sistemas de controle indicam significativo cuidado no registro destas operações, como, aliás, seria esperado em razão do Fl. 5647DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 45 44 volume de recursos envolvidos. E há permanente coerência entre os números de controle atribuídos aos pagamentos nos diferentes registros mantidos pelo Setor referido. De fato, considerando que os pagamentos de 21/05/2015 e 22/05/2015, apesar de não referidos no extrato da conta "Paulistinha", constam de outras planilhas apreendidas na residência de Maria Lúcia Guimarães Tavares, restaria apenas o pagamento de 24/10/2014, no valor de R$ 500.000,00, não reportado nas planilhas de teor semelhante apresentada por Marcelo Bahia Odebrecht e apreendida na residência de Maria Lucia Guimarães Tavares. Todavia, à fl. 3314 consta extrato da conta "Paulistinha", reportando movimentos de 24/10/2014 a 29/10/2014, no qual estão identificados dois saques referentes à obra "CP14DPEVENTO14DP" (designação utilizada nas telas de sistema para controlar os pagamentos ao beneficiário "Feira") na data de 24/10/2014, sob os históricos "SAQUE RF REQ P. 14.120 MOV 405974" e "SAQUE RF REQ P. 14.112 MOV 405992", além de outro saque associado à mesma obra, na data de 29/10/2014, sob o histórico "SAQUE RF REQ 14.168 MOV 407405", requisição esta distinta da considerada como pagamento no dia 29/10/2014, ocorrências indicativas de que, na verdade, outros pagamentos podem ter existido, sem terem sido computados na acusação fiscal. Assim, as diferentes totalizações apresentadas na acusação fiscal, e até mesmo na denúncia do Ministério Público Federal, em nada afetam os fatos individualizados no lançamento, os quais, excluídos aqueles já afastados na decisão de 1ª instância, estão provados nas planilhas, extratos e/ou telas de sistema juntados aos autos. Quanto às inconsistências na quantidade dos pagamentos, apontadas pelos recorrentes, elas decorrem da extração de dados de um suporte documental isolado (planilha, extrato ou telas de sistema), os quais, como acima esclarecido, não se prestam, individualmente, a demonstrar a totalidade das operações. Por sua vez, a referência feita pela Fiscalização acerca de 39 (trinta e nove) pagamentos informados por Marcelo Bahia Odebrecht, e de pagamento no valor total de R$ 18.000.000,00, tem em conta, apenas, o extrato da conta paulistinha onde estão relacionados 39 pagamentos a “FEIRA” entre 2014 e 2015. Referido extrato, como acima demonstrado, não contempla os primeiros pagamentos de 2014 e os últimos de 2015, que estão devidamente provados nos demais suportes documentais antes referidos, não se confirmando a alegada incompatibilidade com o depoimento do Sr. Fernando Migliaccio, que repousa nos demais controles mantidos pelo Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht. Já as negativas de Mônica Regina Cunha Moura quanto a esta expressão dos valores recebidos, limitandoos a R$ 10 milhões de dinheiro no Brasil, tratamse de mera declaração que sucumbe frente aos demais testemunhos baseados em provas documentais dos pagamentos efetuados. Os recorrentes mencionam que no TVF nº 02, §53, indicase que o Sr. Fernando Migiliaccio relatou que a Odebrecht restou com um saldo devedor à Polis no montante de R$ 16.000.000,00, porém omitem o esclarecimento subsequente de que Fernando Migliaccio também relatou a ligação de Mantega para pagamentos a Sra. Mônica com os codinomes PÓSITALIA (Mantega) e ITALIA (Palocci), que após este episódio recebeu ordem de Marcelo Odebrecht para efetuar o pagamento de R$ 16 milhões, que programava entregas de quantias de R$ 500.000,00, que a Sra. Mônica Moura tinha todo o cronograma de pagamento programado por ele. Tal testemunho mostrase coerente com os pagamentos posteriormente efetuados, individualmente controlados e codificados pelo Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, inclusive com a atribuição de senhas para recebimento pelos Fl. 5648DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 46 45 beneficiários, diversamente do que pretendem fazer crer os recorrentes a partir de seus vagos questionamentos. O mesmo se diga em relação à alegação, dissociada de qualquer demonstração fática, de que a Fiscalização não teria segregado os valores que competiriam à autuada e às sociedades domiciliadas no exterior, também investidas por seus sócios, muito embora os sujeitos passivos tenham sido cientificados de todos os lançamentos formalizados em face das diferentes ocorrências verificadas. Vejase, ainda, que os testemunhos e provas reunidos são convergentes no sentido de que os pagamentos tinham por referência serviços prestados em campanha presidencial executada no Brasil, sendo imprópria a cogitação, dissociada de qualquer demonstração ou prova, de que o Fisco deveria ter segregado receitas correspondentes a receitas de exportação de serviços, imunes à Contribuição ao PIS e à Cofins. A acusação fiscal, assim, mostrase consistente e os únicos ajustes necessários eram aqueles já promovidos pela autoridade julgadora de 1ª instância, inexistindo qualquer inobservância, por parte da autoridade fiscal, acerca do que exige o art. 142 do CTN para fins da necessária verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária correspondente. Há prova, há motivo e, por tais razões, o lançamento é válido, não sendo demais registrar que a autuação não repousa, apenas, em depoimentos de investigados e em denúncia do MPF, mas também em robusto acervo documental das operações realizadas, com base no qual o Fisco extraiu as conclusões pertinentes ao âmbito tributário, assim validamente aproveitandose da prova emprestada, sem qualquer desvio de finalidade. Aliás, porque devidamente provadas as receitas de prestação de serviços auferidas pela fiscalizada, e evidenciada a inobservância do dever de emitir a nota fiscal correspondente, na forma do art. 2º da Lei nº 8.846, de 1994, mostrase improcedente a alegação de que a verdade material sobre a qual se assenta o TVF nº 02 é contingente, visto que comete ao Poder Judiciário julgar definitivamente sobre a existência de fatos apresentados a seu exame. O processo judicial em referência prestase à apreciação de denúncia criminal apresentada pelo Ministério Público, a qual não abrange as infrações tributárias aqui sob análise e assim afasta qualquer cogitação de concomitância ou prejudicialidade. Os recorrentes também argumentam que os valores autuados corresponderiam a recursos repassados a fornecedores no Brasil, destacam o depoimento de André Reis de Santana acerca dos pagamentos por ele efetuados, e estendemse em discorrer sobre as características das atividades exercidas por agência de publicidade, cujo regime jurídico impediria que tais recebimentos compusessem o valor de sua receita bruta. Defendem que as provas dos autos também reportariam o destino dos pagamentos supostamente recebidos, e assim a autoridade fiscal não poderia se basear em uma versão parcial dos fatos, razão pela qual pleiteiam a utilização dos mesmos meios de prova. Concluem que não restariam valores tributáveis vez que os recursos recebidos em espécie foram destinados ao pagamento de fornecedores e os valores correspondentes aos honorários próprios da Polis foram pagos à Shellbill Finance S/A. Adotamse, aqui, as pertinentes razões de decidir expostas na decisão de 1ª instância acerca destes aspectos: 8. Malgrado a didática explanação intitulada “Do Regime Tributário Aplicável à Impugnante”, que, ao fim e cabo, encerra a conclusão de que nem todos os recursos que transitam pelas agências de publicidade dizem respeito as suas receitas Fl. 5649DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 47 46 tributáveis, o que restaria consolidado pelo Parecer Normativo CST nº 7, de 1986 _ particularidade que em nenhum momento foi questionada pela fiscalização não se trouxe à colação nenhuma prova de que os do caso em questão, tidos como omitidos, tratarseia de recursos desse tipo. 9. Não cumpria à fiscalização perscrutar se os valores recebidos pela Pólis diriam respeito a “reembolsos de custos” ou a “depósitos a serem repassados”, como se tentou incutir percebese, a defesa tenta transferir a responsabilidade pela validação de seu argumento para o Fisco. 10. Era incumbência da Polis, isso sim, de antemão, contabilizar os referidos valores, momento em que poderia ter consignado, com suporte em elementos probatórios hábeis, que não se tratava de receitas tributáveis, o que efetivamente não ocorreu35; tampouco se trouxe algum elemento nesse sentido com a impugnação. 11. Nesse panorama, é deveras impróprio dizerse houve desconsideração do “regime jurídico” das agências de publicidade. 12. Da mesma forma, não cumpria ao Fisco perscrutar a existência de “créditos” de PIS e de Cofins. A consideração de créditos dessas contribuições, própria do regime de apuração de forma não cumulativa, além de não prescindir de escrituração, que é incumbência do contribuinte, deve se efetivar dentro de um regime regular de apuração de resultado (débitos menos créditos). De fato, os recorrentes sequer se prestam a identificar os beneficiários dos alegados repasses, mas apenas asseveram estar informado nos Acordos de Colaboração Premiada que os lucros do serviço prestado eram pagos no exterior, ao passo que os valores gastos com a campanha eram repassados onde ela efetivamente acontecia. Ao contrário do que querem fazer crer os recorrentes, não se trata, aqui, de desconsiderar provas da mesma natureza daquela admitida para evidenciar as receitas auferidas, mas sim de rejeitar meras declarações genéricas e dissociadas de qualquer suporte documental, diversamente do que verificado nos elementos reunidos acerca das atividades do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht. Impossível, assim, cogitar de qualquer tratamento diferenciado às receitas apuradas. Ainda com referência à apuração dos tributos devidos, os recorrentes asseveram que firmaram Acordo de Colaboração Premiada com o Ministério Público Federal em decorrência da condenação por lavagem de dinheiro, comprometendose a dar em perdimento à União o ganho auferido ocultado, num total de R$ 71.646.517,40, perdimento este já processado e o valor em cofres da União. Em seu entendimento, isso deve provocar reflexos na área tributária, quais sejam, o reconhecimento de que os demais valores recebidos referemse a despesas repassadas a fornecedores, e que os lucros auferidos não mais devem estar submetidos a tributos, já que juridicamente houve a desconstrução do fato gerador com efeitos retroativos (retorno ao status quo). Inicialmente recordese que os recorrentes não lograram demonstrar que os valores aqui autuados se referem a despesas repassadas a fornecedores. Para além disso, como bem apontado na declaração de voto juntada à decisão recorrida, não há prova de que o perdimento tenha recaído sobre os valores pagos em espécie aos recorrentes, e que constituem 35 RIR de 1999: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). Fl. 5650DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 48 47 a base fática da presente exigência. Para maior clareza, transcrevese a referida declaração de voto que, diversamente do alegado pelos recorrentes, não apresenta qualquer impropriedade que pudesse alterar o resultado do julgamento de 1ª instância. A infração tipificada é Omissão de Receitas caracterizada pela prática de caixa 2 através da realização de pagamentos em espécie feitos à "Feira" codinome dos sócios da Polis Sr. João Santana e Sra. Mônica Moura. Importante ressaltar que restou comprovado nos autos que o codinome "Feira", constante das planilhas retiradas do sistema MyWebDay, espécie de contabilidade paralela do caixa 2 utilizada apenas pelo Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, se refere ao casal Mônica Moura e João Santana conforme consta de caderno de anotações apreendido na residência de Maria Lúcia Tavares (descrição constante do Termo de Verificação, 16/41, fl. 92) e conforme corroboram os depoimentos em Termo de Colaboração Premiada o Sr. Fernando Miglliacio (Tesoureiro do Setor de Operações Estruturadas), o executivo do mesmo setor Sr. Hilberto Silva e os próprios sócios da autuada além do Sr. André Santana, funcionário da Polis (20/41, fl. 96). Com relação a alegação relativa ao perdimento dos valores em espécie obtidos em atividades ilícitas previsto nos Termos de Delação Premiada dos sócios da Polis e a impossibilidade de tributação, não houve referido perdimento em que pese sua previsão na denúncia do Ministério Público Federal de sorte que não há qualquer influência a ser analisada na área tributária. (destacouse) Ao contrário, parcela significativa da defesa apresentada pelos recorrentes afirma a destinação destes valores recebidos em espécie os ditos fornecedores. Logo, o que se tem, aqui, é a prova de que receitas deixaram de ser computadas no faturamento e no lucro tributável dos períodos autuados, e alegações não comprovadas de que estes valores não representariam receitas por terem sido destinados a fornecedores que, supostamente, contribuiriam para a prestação dos serviços remunerados. Em verdade, porém, a pretensão dos recorrentes seria opor, no âmbito tributário, a posterior indisponibilidade dos lucros auferidos como elemento desconstitutivo da realidade original, que deveria ter sido submetida à hipótese de incidência do IRPJ, da CSLL, da Contribuição ao PIS e da Cofins, por ocasião da ocorrência dos fatos geradores respectivos. Defende que a pena de perdimento imporia o reconhecimento de que não há mais matéria objeto de tributação, provocando o retorno da situação ao status quo anterior à prática do ilícito, assim impedindo a ocorrência do fato gerador. A Procuradoria da Fazenda Nacional, contudo, bem demonstra em suas contrarrazões a impropriedade da argumentação dos recorrentes no âmbito tributário: [...] Em todo caso, é evidente que não houve a aplicação da pena de perdimento, conforme prevista no Direito Tributário. O fundamento do perdimento de bens previsto no acordo de colaboração premiada encontrase no âmbito penal e processual penal, e não no âmbito tributário. A empresa contribuinte e os recorrentes ignoram a incondicionalidade dos fatos geradores ocorridos com a obtenção dos recursos indevidos pela autuada. Fl. 5651DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 49 48 De fato, os fatos geradores dos tributos surgiram no momento em que se verificaram as situações materiais necessárias a que produzam os efeitos que normalmente lhe são próprios (art. 116, I, do CTN36). Vale lembrar a lição de Geraldo Ataliba, para quem o fato gerador "é a materialização da hipótese de incidência, representando o momento concreto de sua realização, que se opõe à abstração do paradigma legal que o antecede. Ocorrendo o fato gerador, surge a obrigação tributária do sujeito passivo pagar o imposto devido". Nesse sentido, os fatos ocorridos foram suficientes para atrair a presunção legal da omissão de receitas e a hipótese de incidência, por exemplo, do IR, tal como previsto no art. 43 do CTN, in verbis: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) (...) (d. n.) Ademais, os tributos incidem independentemente de eventual ilicitude dos atos praticados pelos recorrentes e da devolução dos bens e valores que ele tenha se comprometido a restituir. O art. 118 do CTN37 declara que se deve abstrair a validade jurídica dos atos efetivamente praticados, bem como a natureza do seu objeto ou dos seus efeitos, e os efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Para robustecer o lançamento, vale a pena destacar o entendimento do Ministro Herman Benjamin, no Recurso Especial nº 1.493.162/DF, publicado no DJe 19/12/2014: Esclareço, para que não haja mais dúvidas, que o art. 118, I, do CTN não pode ser interpretado de forma insulada, sob pena de trazer sérias contradições aos demais dispositivos do Código Tributário Nacional. O princípio do non olet foi criado por Albert Hensel e Otmar Bühler, expresso no artigo citado, tendo como escopo a tributação das atividades consideradas ilícitas, dessa forma são irrelevantes, para a determinação do fato gerador, a validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes. Assim sendo, todas as pessoas que realizarem o fato gerador estarão participando da relação jurídica tributária como sujeitos passivos, independentemente da atividade que estiverem praticando. (...) 36 Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; 37 Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Fl. 5652DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 50 49 Ensina o renomado autor38: “se alguém realizou a hipótese de incidência tributária mediante um fato circunstancialmente ilícito, nasce e subsiste a relação obrigacional tributária na medida em que subsistir aquele fato no mundo dos fatos, vale dizer, no mundo econômico. Se no mundo dos fatos aquele fato não subsiste, não subsistirão os seus efeitos tributários. Com efeito, a lição demonstra que a tributação na espécie recai sobre os fatos geradores previstos nas hipóteses de incidência tributária e, não sobre as infrações penais, razão pela qual não há que se falar em ausência de capacidade contributiva ou mesmo de confisco em razão da expropriação da totalidade dos bens que foram produto dos crimes praticados. Caso contrário, em rigor, a tese da empresa e dos recorrentes transformaria o Termo de Colaboração Premiada, que tem natureza jurídica de acordo bilateral de vontades (estando o Ministério Público/Polícia Federal de um lado, e, o Acusado/Indicado criminal, de outro) em verdadeiro elemento de modulação dos efeitos temporais e materiais dos fatos geradores dos tributos, o que é inadmissível. Afinal, o fato gerador é objetivo e ocorreu com o implemento do fato no mundo fenomênico, isto é, independente do querer das partes, seja dos recorrentes ou de terceiros que celebraram o Termo de Colaboração. Ademais, o art. 4º e seu § 2º da Lei nº 12.850/2013 contêm a seguinte previsão: Art. 4º O juiz poderá, a requerimento das partes, conceder o perdão judicial, reduzir em até 2/3 (dois terços) a pena privativa de liberdade ou substituíla por restritiva de direitos daquele que tenha colaborado efetiva e voluntariamente com a investigação e com o processo criminal, desde que dessa colaboração advenha um ou mais dos seguintes resultados: (...) § 2º Considerando a relevância da colaboração prestada, o Ministério Público, a qualquer tempo, e o delegado de polícia, nos autos do inquérito policial, com a manifestação do Ministério Público, poderão requerer ou representar ao juiz pela concessão de perdão judicial ao colaborador, ainda que esse benefício não tenha sido previsto na proposta inicial, aplicandose, no que couber, o art. 28 do Decreto Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941 (Código de Processo Penal). Ora, se sequer o perdão criminal é garantido nesses casos, quiçá afastar a responsabilização tributária. Além disso, o acordo celebrado sequer contou com a participação de representante judicial da União (art. 1º, caput e § 4º da Lei nº 9.469/97), de modo que a esfera patrimonial da União (no caso, seus créditos tributários) jamais poderia ser atingida. Ressaltese, ainda, o que prevê o art. 26 da Lei nº 4.506/64: “Os rendimentos derivados de atividades ou transações ilícitas, ou percebidos com infração à lei, são sujeitos a tributação, sem prejuízo das sanções que couberem”. O MPF não tem o poder, seja constitucional ou legal, de transacionar sobre tributos, ou seja, não tem uma autorização normativa para transacionar interesses extrapenais da União. Ademais, em decisão recente, de 03 de julho de 2018, o Juiz Federal Sérgio Fernando Moro, na PETIÇÃO nº 505474177.2015.4.04.7000/PR, deixou assente o seguinte: 38 O Ministro Relator fez referência ao jurista Hugo de Brito Machado. Fl. 5653DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 51 50 “(...) Em primeiro lugar, a Receita Federal tem auxiliado significativamente os trabalhos de investigação no âmbito da Operação Lava Jato, atendendo a requisições específicas do MPF ou do Juízo ou realizando um trabalho paralelo, nos lançamentos fiscais, de investigação. Isso deve ser levado em consideração. Em segundo lugar, os acordos de colaboração ou de leniência têm por objetivo principalmente a recuperação do produto dos crimes e, ainda que por estimativa, reparar danos decorrentes dos crimes. Não abrange, portanto, qualquer estimativa relativa a tributos que foram sonegados pelos colaboradores ou empresas lenientes. Se lançados definitivamente tributos contra colaboradores ou empresas lenientes, devem eles ser recolhidos, não havendo motivo para isentálos. (...) Informa ainda o MPF que sempre alertou aos colaboradores e empresas lenientes de que o acordo não gerava benefícios na área tributária. Então deve ser permitida a utilização da prova pela Receita Federal para fins de lançamento e cobrança de tributos, mesmo contra colaboradores e empresas lenientes. É de se cogitar se a utilização deve também ser permitida para lançamento de multas punitivas pela Receita Federal, já que aqui não se trata propriamente de mera cobrança de tributo ou dos juros de mora e da multa de mora. Ocorre que o colaborador e a empresa leniente têm condições de, por iniciativa própria, prevenir o lançamento das multas fiscais punitivas se buscar a Receita Federal antes do início do procedimento fiscal ou de minorálas se pagar ou parcelar o tributo logo após a notificação. E se o próprio MPF entende que não deve ser feita essa restrição do uso para multas fiscais punitivas, penso que não seria apropriado ao Juízo impôla de ofício. Então, relativamente às decisões de 02/04 e de 13/06/2018, eventos 12 e 21, acolho o requerido pela Receita Federal e pelo MPF para autorizar a utilização da prova compartilhada, sem restrições, para lançamento e cobrança de tributos, incluindo as multas pertinentes, mesmo contra colaboradores ou empresas lenientes. A decisão se estende à Procuradoria da Fazenda Nacional. (...)”39 (Grifouse) Por fim, não cabe falar em cessação da capacidade contributiva, pois os fatos geradores já haviam ocorrido. Por tudo isso, não há como se negar a regularidade da incidência dos tributos no caso concreto. (destaques do original) 39 Documento eletrônico assinado por SÉRGIO FERNANDO MORO, Juiz Federal, na forma do artigo 1º, inciso III, da Lei 11.419, de 19 de dezembro de 2006 e Resolução TRF 4a Região no 17, de 26 de março de 2010. A conferência da autenticidade do documento está disponível no endereço eletrônico http://www.trf4.jus.br/trf4/processos/verifica.php, mediante o preenchimento do código verificador 700005159617v9 e do código CRC ef4c48fc. Informações adicionais da assinatura: Signatário (a): SÉRGIO FERNANDO MORO Data e Hora: 3/7/2018, às 10:30:42 Fl. 5654DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 52 51 No mesmo sentido foi o entendimento firmado no Acórdão nº 2301005.941, que apreciou alegações semelhantes, em face da exigência de IRPF sobre infração de omissão de rendimentos recebidos de fontes pagadoras situadas no exterior por João Cerqueira de Santana Filho e Mônica Regina Cunha Moura: Também não merece prosperar o entendimento do recorrente de que a aplicação da Lei nº 4.506, art. 26 implica extensão dos efeitos do confisco criminal aos bens lícitos, declarados e já tributados. Com certeza a pena de perdimento pode ensejar a expropriação do patrimônio decorrente de crime, porém isto não impede a tributação pois, a relação que ocorrerá com o patrimônio do beneficiário em momento posterior ao da disponibilidade econômica da “propina”, é fato estranho à relação jurídico tributária. A própria legislação prevê que os rendimentos derivados de atividades ilícitas são sujeitos à tributação, independente das sanções que couberem (art. 26, da Lei nº 4.506/1964). O eventual perdimento dos lucros auferidos, portanto, não representa qualquer óbice à incidência tributária em face dos fatos geradores originalmente ocorridos. Os recorrentes também defendem o necessário arbitramento dos lucros na forma do art. 530, II do RIR/99, bem como apontam que, não sendo conhecida a receita bruta do contribuinte, seria aplicável o art. 535 do RIR/99. Entendem que a acusação de fraude em seus livros contábeis conduz, necessariamente, ao arbitramento dos lucros e aduzem que nada poderia ser feito em relação às bases de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS, visto que não há previsão legal de arbitramento para estes tributos. Olvidamse os recorrentes, porém, que, nos termos do art. 530, II do RIR/99, não é qualquer fraude, vício, erro ou deficiência na escrituração que impõe o arbitramento dos lucros. A legislação exige que estas ocorrências tornem a escrituração imprestável para identificação da movimentação financeira ou para determinação do lucro real: Art 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): [...] II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; [...] No presente caso, a contribuinte deixou, intencionalmente, de registrar receitas de prestação de serviço, afirmadas em defesa como não tributáveis, vez que corresponderiam a repasses a fornecedores da agência de publicidade. Sem provar tais repasses, os recorrentes agora defendem o arbitramento dos lucros sob a justificativa de estaria Fl. 5655DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 53 52 executando seu contraditório numa situação precária, quanto à produção de provas em seu favor. Contudo, para além das incidências sobre o faturamento, que não são afetadas neste ponto da defesa, vez que se sustentam, apenas, na confirmação das receitas omitidas, à semelhança da apuração do lucro presumido em 2014, não se verifica, em 2015, qualquer deficiência que torne a escrituração imprestável para a apuração do lucro real, mormente considerando, como arguído pelos recorrentes, que a omissão representaria R$ 17.000.000,00, período no qual foram contabilizados R$ 2.910.000,00 em receitas, mas com apuração de prejuízos fiscais trimestrais, evidência de que custos e despesas significativos foram escriturados, diversamente das receitas auferidas. Oportuna, ainda, a transcrição do que decidido pela autoridade julgadora de 1ª instância: 29. O fato de a omissão ter sido perpetrada de "forma fraudulenta" não implica o IRPJ e a CSLL deveriam ter sido apurados por meio de lucro arbitrado. O inciso II do art. 530 do RIR, de 1999, diz com os casos de falta de escrituração, na forma das leis comerciais e fiscais, ou quando esta contiver evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira ou determinar o lucro real, não se confundindo com a forma fraudulenta de agir que muita vez se adota quando se omite receita. 30. Não se verificou na escrituração da Pólis nenhuma das sobreditas irregularidades, de sorte que não havia por que arbitrarse o lucro. Convém ressaltar, observouse fielmente a determinação do art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, verbis: "Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão". Incabível, assim, o arbitramento dos lucros nos períodos autuados, o que torna imprópria, também, a pretensão de que o cálculo do lucro arbitrado se desse com base em "quatro décimos da soma dos valores do ativo circulante". Ademais, válidas se mostram as apurações da Contribuição ao PIS e da Cofins, vez que desnecessário método de arbitramento de receitas tributáveis, aferíveis mediante mera confrontação das receitas apuradas com a base de cálculo originalmente oferecida à tributação pela contribuinte. E, quanto à dedução de créditos, bem consignou a autoridade julgadora de 1ª instância que: Da mesma forma, não cumpria ao Fisco perscrutar a existência de “créditos” de PIS e de Cofins. A consideração de créditos dessas contribuições, própria do regime de apuração de forma não cumulativa, além de não prescindir de escrituração, que é incumbência do contribuinte, deve se efetivar dentro de um regime regular de apuração de resultado (débitos menos créditos). Os recorrentes se opõem, também, à imputação de multa qualificada aos créditos tributários lançados, argumentando que não poderiam ser responsabilizados pelo fato de a origem dos recursos advir de corrupção, até porque não há sentença no processo criminal nº 501972795.2016.404.7000 acerca da acusação de corrupção e lavagem de dinheiro. Requerem, assim, seja rechaçada a exigência de multa pelos tributos supostamente não recolhidos, visto que: (A) não está provado em sentença judicial os fatos alegados pela r. Fl. 5656DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 54 53 Fiscalização, e (B) o Recorrente tem dúvidas se a alegada corrupção é fundamento da multa que lhe foi imposta. Ocorre que a qualificação da penalidade não está motivada pelas acusações criminais imputadas aos agentes indicados pelo Ministério Público Federal, mas sim pelas circunstâncias tributárias assim especificamente consignadas no Termo de Verificação Fiscal: 88. A constatação das infrações ora descritas advém de receitas não contabilizadas recebidas em espécie mediante utilização de caixa dois minuciosamente descrito ao longo do Termo de Verificação Fiscal, ficando constatado que o fiscalizado cometeu sonegação fiscal e fraude fiscal conforme disposto nos art. 71 e 72 da Lei n° 4.502/64, e autorizadoras da qualificação da multa de lançamento de ofício para 150% em conformidade com o que dispõe o art. 44, § 1º da Lei n° 9.430/96: Neste contexto, é pertinente, mais uma vez, reproduzir as considerações expostas na decisão de 1ª instância: 31. Ao omitir receitas, de forma reiterada, mediante a utilização de "caixa dois", como dito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 114), o contribuinte agiu em conformidade com o disposto nos art. 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 1964, o que enseja a qualificação da multa, ex vi § 1 c/c inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. 32. Por as referidas condutas não se confundirem com "corrupção", não há atrelar a qualificação da multa à sentença que venha a ser proferida no bojo do Processo nº 501972795.2016.404.7000. Uma vez que não há dúvidas de que o contribuinte teve a intenção de fraudar e sonegar, não há por que aplicarse o art. 112 do CTN De fato, os elementos reunidos nestes autos deixam patente que todos os agentes tinham consciência das infrações cometidas e, especialmente no que se refere à contribuinte e a seus sócios, estavam cientes de que os pagamentos recebidos e subtraídos da escrituração contábil e fiscal correspondiam a receitas de prestação de serviço, que deveriam ter sido oferecidas à tributação e não o foram reiteradamente, o que afasta qualquer dúvida acerca da intenção dos sujeitos passivos e evidencia inaplicável o art. 112 do CTN. Quanto aos demais argumentos, em observância à Súmula CARF nº 2 não se conhece das arguições de desrespeito à capacidade contributiva em razão do caráter confiscatório da penalidade, assim como da alegação de absoluta incompetência da i. Autoridade Fiscal para fiscalizar sociedade estrangeira, em razão de sua impropriedade com o litígio constituído nestes autos. No mais, esclarecendose aos recorrentes que não há exigência de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas nestes autos, dada a apuração do IRPJ e da CSLL segundo as sistemáticas do lucro presumido (2014) e do lucro real trimestral (2015), devem ser mantidos os juros de mora aplicados sobre a multa de ofício, em observância à Súmula CARF nº 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Por fim, passando à responsabilidade tributária imputada aos recorrentes, cabe inicialmente observar que a autoridade lançadora assim consignou no Termo de Verificação Fiscal: Fl. 5657DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 55 54 92. E ainda, a Lei n° 5.172/66 – Código Tributário Nacional em seus arts. 124, I e 135, III: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; ... Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. 93. O Sr. João Cerqueira de Santana Filho, brasileiro, CPF: 059.802.24572, e a Sra. Mônica Regina Cunha Moura, CPF: 441.627.90515, constam como sócios e administradores/representantes da pessoa jurídica fiscalizada conforme Cláusula 3ª da Quinta Alteração Contratual com registro na Junta Comercial da Bahia sob o n° 96726731 em 04/01/2007. Concluímos que os sócios administradores/representantes da Pólis Propaganda & Marketing LTDA passam a responder pessoalmente pelo crédito tributário lançado no Auto de Infração do IRPJ e do Auto de Infração da CSLL com fundamentação nos arts 124, I e 135, III da Lei n° 5172/66 – CTN, evidentemente em relação as infrações apuradas sujeitas as multas de ofício qualificadas de 150%, cometidas com excesso de poderes e infração de lei. CLAUSULA TERCEIRA ADMINISTRAÇÃO A administração da sociedade será exercida simultaneamente ou de forma isolada por ambos sócios com poderes e atribuições de representar ativa e passivamente a sociedade, em juízo ou fora dele, podendo praticar todo e qualquer ato, sempre no interesse da sociedade, sendo autorizado o uso do nome empresarial vedado, no entanto, em atividades estranhas ao interesse social ou assumir obrigações seja em favor de qualquer dos cotistas ou de terceiros, bem como onerar ou alienar bens imóveis da sociedade, sem autorização do outro sócio. E, nos autos de infração, acrescentou, em termos semelhantes para os dois responsáveis tributários: No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, em procedimento de fiscalização no contribuinte Pólis Propaganda & Marketing LTDA, verificou –se que o Sr. João Cerqueira de Santana Filho, brasileiro, CPF: 059.802.24572, consta como sócio, administrador e representante da pessoa jurídica conforme Cláusula Terceira da 4ª Alteração Contratual com registro na Junta Comercial da Bahia sob o n° 96726731em 04/01/2007. No decorrer da fiscalização ficou constatado que o sujeito passivo omitiu das autoridades fazendárias, além de não escriturar nos livros comerciais Diário e Razão dos anos 2014 e Escrituração Contábil Digital –2015, recursos recebidos em espécie mantidos a margem da contabilidade (caixa dois) referentes a prestação de serviços em campanhas eleitorais do Partido dos Trabalhadores, pagamentos estes recebidos da Odebrecht oriundos de desvios de recursos através de contratos firmados com a PETROBRÁS, objeto da Operação LavaJato com ação penal em Fl. 5658DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 56 55 desfavor dos sócios da Pólis Propaganda & Marketing LTDA n° 501972795 2016 404 7000 com tramitação na 13ª Vara Federal Criminal da Subseção Judiciária de Curitiba/PR. As descrições dos fatos constam minuciosamente detalhadas no Termo de Verificação Fiscal n° 02, lavrado nesta mesma data. Incorreu em tese no disposto do art. 1º, I e II da Lei n° 8.137/90: Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: I omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; ... Tal conduta acarretou no lançamento de ofício dos valores apurados do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS sobre as receitas não contabilizadas nos períodos considerados. No Termo de Verificação Fiscal n° 02 lavrado nesta mesma data, resta constatada infrações sujeitas a multa de ofício qualificada – 150%, devido a verificação de sonegação fiscal e fraude fiscal (arts. 71 e 72 da Lei n° 4.502/64). Ante o exposto, restou caracterizada a sujeição passiva decorrente de responsabilidade de terceiros nos termos do art. 135, III da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional), além da solidariedade expressa no art. 124, I da retro citada Lei n° 5.172/66. A responsabilidade tributária apenas alcança as infrações apuradas e lançadas de ofício sujeitas a multa qualificada de 150%. Fica o sujeito passivo responsável supra mencionado CIENTIFICADO da exigência tributária de que trata o Auto de Infração do IRPJ, do Auto de Infração da CSLL, do Auto de Infração do PIS e do Auto Infração da COFINS contra o sujeito passivo supra referido, cujas cópias, juntamente com o presente Termo são entregues neste ato. Ao contrário do que alegam os recorrentes, há provas de que os valores pagos correspondem a receitas da pessoa jurídica, assim como não há prova de que tais valores representariam verdadeiros repasses a fornecedores. Além disso, os testemunhos reunidos pela autoridade fiscal são consistentes no sentido de que os recorrentes tinham conhecimento da motivação das operações e acordaram em realizálas da forma como efetivado. Poderiam, para evitar a infração no âmbito tributário, ter reconhecido contabilmente tais valores e, inclusive, reunido provas documentais dos alegados repasses a fornecedores. Porém, optaram por omitir os registros e prestar declaração falsa reiteradamente, sendo irrelevante, neste contexto, se existe ou não sentença penal condenatória transitada em julgado em relação aos demais crimes associados às operações em questão. De fato, ao deixar intencionalmente de escriturar receitas de prestação de serviços, de forma reiterada, os administradores da pessoa jurídica respondem pessoalmente pelos créditos tributários decorrentes de suas ações, que não evidenciam mera falta de recolhimento, mas sim sonegação e fraude, consistentes em infração de lei e motivadoras, inclusive, da qualificação da penalidade. Para além disso, como os recursos foram movimentos à margem da escrituração regular, caracterizase o interesse comum nas operações Fl. 5659DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 57 56 identificadas, de modo que os administradores da pessoa jurídica não se beneficiam da proteção que o vínculo societário lhes assegura. Logo, a imputação de responsabilidade tributária aos recorrentes deve ser mantida com fundamento nos arts. 124, I e 135, III do CTN. Equivocamse os recorrentes quando defendem que o dolo não se presume. A imperatividade do uso da presunção na esfera tributária é defendida com sólidos argumentos por Maria Rita Ferragut (in Evasão Fiscal: o parágrafo único do artigo 116 do CTN e os limites de sua aplicação, Revista Dialética de Direito Tributário nº 67, Dialética, São Paulo, 2001, p. 119/120): Por outro lado, insistimos que a preservação dos interesses públicos em causa não só requer, mas impõe, a utilização da presunção no caso de dissimulação, já que a arrecadação pública não pode ser prejudicada com a alegação de que a segurança jurídica, a legalidade, a tipicidade, dentre outros princípios, estariam sendo desrespeitados. Dentre as possíveis acepções do termo, definimos presunção como sendo norma jurídica lato sensu, de natureza probatória (prova indiciária), que a partir da comprovação do fato diretamente provado (fato indiciário), implica juridicamente o fato indiretamente provado (fato indiciado), descritor de evento de ocorrência fenomênica provável, e passível de refutação probatória. É a comprovação indireta que distingue a presunção dos demais meios de prova (exceção feita ao arbitramento, que também é meio de prova indireta), e não o conhecimento ou não do evento. Com isso, não se trata de considerar que a prova direta veicula um fato conhecido, ao passo que a presunção um fato meramente presumido. Só a manifestação do evento é atingida pelo direito e, portanto, o real não tem como ser alcançado de forma objetiva: independentemente da prova ser direta ou indireta, o fato que se quer provar será ao máximo jurídica certo e fenomenicamente provável. É a realidade impondo limites ao conhecimento. Com base nessas premissas, entendemos que as presunções nada “presumem” juridicamente, mas prescrevem o reconhecimento jurídico de um fato provado de forma indireta. Faticamente, tanto elas quanto as provas diretas (perícias, documentos, depoimentos pessoais etc.) apenas “presumem”. E, mais à frente, abordando diretamente a questão da prova da fraude, a mesma autora acrescenta: As presunções assumem vital importância quando se trata de produzir provas indiretas acerca de atos praticados mediante dolo, fraude, simulação, dissimulação e máfe em geral, tendo em vista que, nessas circunstâncias, o sujeito pratica o ilícito de forma a dificultar em demasia a produção de provas diretas. Os indícios, por essa razão, convertemse em elementos fundamentais para a identificação de fatos propositadamente ocultados para se evitar a incidência normativa. Como se vê, a exigência imposta à verificação do dolo ou da fraude, para atribuirlhe uma conseqüência é a prova, e esta pode se dar por meio de presunção. Assim, tendo a autoridade fiscal reunido indícios consistentes e convergentes no sentido da deliberada intenção dos sujeitos passivos em ocultarem as receitas de prestação de serviços recebidas em espécie, há prova do dolo e do ato ilícito não tributário que autorizam a responsabilização pessoal dos administradores da sociedade, sendo impróprio cogitar, em tais circunstâncias, da responsabilização prevista no art. 137, I do CTN. Fl. 5660DF CARF MF Processo nº 10580.723816/201731 Acórdão n.º 1402003.893 S1C4T2 Fl. 58 57 Por todo o exposto, o presente voto é no sentido de · NEGAR CONHECIMENTO ao recurso voluntário de Polis Propaganda e Marketing Ltda; · INDEFERIR o pedido de reunião deste processo administrativo aos de nº 16561.720199/201646 e 16561.720052/201737; · REJEITAR da arguição de nulidade do lançamento; e · NEGAR PROVIMENTO aos recursos voluntários de João Cerqueira de Santana Filho e Mônica Regina Cunha Moura, para manter os tributos que remanesceram exigíveis na decisão de 1ª instância, com o acréscimo de multa qualificada e de juros de mora sobre a multa de ofício, além da responsabilidade tributária dos recorrentes com fundamento nos arts. 124, I e 135, III do CTN. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa – Relatora Fl. 5661DF CARF MF
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