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Numero do processo: 19515.002758/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
ARBITRAMENTO. O arbitramento do lucro do contribuinte quando regularmente intimado a apresentar livros contábeis/fiscais, não o faz, deixando de apresentá-los. Não havendo a possibilidade de determinação do lucro real, impõe-se apuração pela forma do lucro arbitrado não apresenta explicações e documentos para justificar as diferenças apuradas pela
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS.
Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento Fiscal.
OMISSÃO DE RECEITA. VALOR DECLARADO NA "GIA", SUPERIOR AO DECLARADO NA DIPJ.
É válido o lançamento realizado em decorrência da comprovação da omissão de receita caracterizada pela informação à Receita Federal do Brasil, através da DIPJ, de valor de receita inferior ao declarado, através da GIA, para o fisco Estadual quando dado ciência dessa diferença ao Contribuinte oportunizando-lhe condições de exercer o seu direito de defesa.
PROVA EMPRESTADA. FASE OFICIOSA. ADMISSIBILIDADE.
As provas obtidas do Fisco Estadual na fase de fiscalização são admissíveis no processo administrativo fiscal desde que submetidas a novo contraditório por justamente não prejudicarem o direito de defesa do contribuinte.
PRAZO DECADENCIAL. DOLO FRAUDE OU SIMULAÇÃO.
A existência de dolo, fraude ou simulação na conduta do contribuinte impõe que o termo inicial do prazo decadencial de 5 anos para constituição de créditos referentes ao IRPJ, submetido a lançamento por homologação, seja deslocado da ocorrência do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado. Contudo, no caso dos autos a regra do art. 150, 4 já é suficiente para o afastamento da decadência.
MULTA AGRAVADA. ATRASO NO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO -
Não tendo o contribuinte se negado a colaborar com a fiscalização, inclusive respondendo a todas as intimações, conquanto não tenha tido condições de atendê-las plenamente em alguns prazos, descabe o agravamento da multa, mormente quando a consequência do não atendimento redundou em arbitramento do lucro.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
Não tendo sido demonstrado nos autos o dolo/fraude necessário para a qualificação da multa a mesma deve ser reduzida para 75%.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2)
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. - PIS - COFINS - CSLL. Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1401-000.816
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado Pelo voto de qualidade, REJEITAR a preliminar de nulidade. Vencidos os Conselheiros Maurício Pereira Faro, Gilberto Baptista e Sérgio Luiz Bezerra Presta; Por unanimidade de votos, AFASTARAM decadência e, no mérito, DERAM provimento PARCIAL, nos seguintes termos:I) Por maioria de votos, deram provimento para desqualificar a multa de 150% (cento e cinquenta por cento) para 75% (setenta e cinco por cento). Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (Relator), Fernando Luiz Gomes de Mattos. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Maurício Pereira Faro; II) Por unanimidade de votos, deram provimento para desagravar a multa em 50% (cinquenta por cento).
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
(assinado digitalmente)
Maurício Pereira Faro Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Maurício Pereira Faro, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Gilberto Baptista, Sergio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 ARBITRAMENTO. O arbitramento do lucro do contribuinte quando regularmente intimado a apresentar livros contábeis/fiscais, não o faz, deixando de apresentálos. Não havendo a possibilidade de determinação do lucro real, impõese apuração pela forma do lucro arbitrado não apresenta explicações e documentos para justificar as diferenças apuradas pela NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento Fiscal. OMISSÃO DE RECEITA. VALOR DECLARADO NA "GIA", SUPERIOR AO DECLARADO NA DIPJ. É válido o lançamento realizado em decorrência da comprovação da omissão de receita caracterizada pela informação à Receita Federal do Brasil, através da DIPJ, de valor de receita inferior ao declarado, através da GIA, para o fisco Estadual quando dado ciência dessa diferença ao Contribuinte oportunizandolhe condições de exercer o seu direito de defesa. PROVA EMPRESTADA. FASE OFICIOSA. ADMISSIBILIDADE. As provas obtidas do Fisco Estadual na fase de fiscalização são admissíveis no processo administrativo fiscal desde que submetidas a novo contraditório por justamente não prejudicarem o direito de defesa do contribuinte. PRAZO DECADENCIAL. DOLO FRAUDE OU SIMULAÇÃO. A existência de dolo, fraude ou simulação na conduta do contribuinte impõe que o termo inicial do prazo decadencial de 5 anos para constituição de créditos referentes ao IRPJ, submetido a lançamento por homologação, seja deslocado da ocorrência do fato gerador para o primeiro dia do exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 27 58 /2 01 0- 91 Fl. 631DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Ass inado digitalmente em 13/02/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.002758/201091 Acórdão n.º 1401000.816 S1C4T1 Fl. 632 2 seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado. Contudo, no caso dos autos a regra do art. 150, 4 já é suficiente para o afastamento da decadência. MULTA AGRAVADA. ATRASO NO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO Não tendo o contribuinte se negado a colaborar com a fiscalização, inclusive respondendo a todas as intimações, conquanto não tenha tido condições de atendêlas plenamente em alguns prazos, descabe o agravamento da multa, mormente quando a consequência do não atendimento redundou em arbitramento do lucro. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Não tendo sido demonstrado nos autos o dolo/fraude necessário para a qualificação da multa a mesma deve ser reduzida para 75%. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS COFINS CSLL. Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado Pelo voto de qualidade, REJEITAR a preliminar de nulidade. Vencidos os Conselheiros Maurício Pereira Faro, Gilberto Baptista e Sérgio Luiz Bezerra Presta; Por unanimidade de votos, AFASTARAM decadência e, no mérito, DERAM provimento PARCIAL, nos seguintes termos:I) Por maioria de votos, deram provimento para desqualificar a multa de 150% (cento e cinquenta por cento) para 75% (setenta e cinco por cento). Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (Relator), Fernando Luiz Gomes de Mattos. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Maurício Pereira Faro; II) Por unanimidade de votos, deram provimento para desagravar a multa em 50% (cinquenta por cento). (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator (assinado digitalmente) Fl. 632DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Ass inado digitalmente em 13/02/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.002758/201091 Acórdão n.º 1401000.816 S1C4T1 Fl. 633 3 Maurício Pereira Faro – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Maurício Pereira Faro, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Gilberto Baptista, Sergio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 633DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Ass inado digitalmente em 13/02/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.002758/201091 Acórdão n.º 1401000.816 S1C4T1 Fl. 634 4 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1629.356, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo ISP. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Em decorrência de ação fiscal levada a efeito junto ao contribuinte acima identificado e, em razão de irregularidades apuradas, foram lavrados 4 (quatro) Autos de Infração, em 02/09/2010, com ciência dada em 09/09/2010, por meio dos quais foram constituídos os seguintes créditos tributários: IRPJ (fl. 344) => R$ 840.354,75; CSLL (fl. 382) => R$ 327.743,86; PIS (fl. 357) => R$ 248.400,33 e COFINS (fl. 368) => R$ 1.146.465,41. 2. Totalizaram, portanto, tais lançamentos, a importância de R$ 2.562.964,35, aí incluídos os valores dos tributos, das multas de ofício e dos juros de mora (estes calculados até 31/08/2010). Os enquadramentos legais utilizados para fundamentar as autuações encontramse nos respectivos autos de infração. 3. A fiscalização apresenta, por meio do "Termo de Verificação Fiscal IRPJ e Reflexos" (fls. 315 a 332), resumidamente, o seguinte. 3.1. O contribuinte mesmo após ser intimado por três vezes, com concessão de prorrogação de prazo, não apresentou toda a documentação solicitada e nem os livros fiscais, sendo alertado de que seria aplicado o arbitramento do lucro, conforme previsto no artigo 530, inciso III, do RIR/99. 3.2. Além disso, foram apuradas omissões de receita ocorridas em todos os meses dos anoscalendário de 2006 e 2007. 3.3. Tais constatações foram realizadas através do confronto das receitas declaradas mensalmente nas "GIA Guia de Informação e Apuração do ICMS" (fornecidas à fiscalização pelo "CAT da Secretaria da Fazenda Estadual de São Paulo"), com as declaradas, pelo contribuinte, nas: DIPJ's; DCTF's e DACON's. Os valores das omissões apuradas e oferecidas à tributação foram: PERÍODO GIA DECLARADA OMISSÃO jan06 475.174,94 361.250,15 113.924,79 fev06 417.563,04 327.428,05 90.134,99 mar06 524.420,84 351.236,75 173.184,09 abr06 465.451,53 345.688,83 119.762,70 jun06 366.202,98 332.246,26 33.956,72 jul06 459.972,01 311.230,61 148.741,40 ago06 841.928,49 319.123,04 522.805,45 set06 610.530,51 345.192,58 265.337,93 Fl. 634DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Ass inado digitalmente em 13/02/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.002758/201091 Acórdão n.º 1401000.816 S1C4T1 Fl. 635 5 out06 601.464,45 329.042,32 272.422,13 nov06 1.347.222,42 346.812,98 1.000.409,44 dez06 1.388.526,77 290.713,30 1.097.813,47 2006 7.498.457,98 3.659.964,87 3.838.493,11 jan07 969.190,24 378.027,00 591.163,24 fev07 569.216,96 389.536,32 179.680,64 mar07 1.149.492,13 405.743,12 743.749,01 abr07 1.082.191,87 398.654,88 683.536,99 mai07 719.262,15 392.247,53 327.014,62 jun07 630.149,48 376.207,96 253.941,52 jul07 1.094.878,52 344.495,00 750.383,52 ago07 807.578,26 342.208,82 465.369,44 set07 1.280.914,66 343.974,39 936.940,27 out07 809.800,48 347.430,77 462.369,71 nov07 815.665,34 374.439,86 441.225,48 dez07 1.348.983,49 386.219,40 962.764,09 2007 11.277.323,58 4.479.185,05 6.798.138,53 3.4. Em decorrência do apurado, no lançamento da omissão de receita, foi aplicada a multa de 150%, com agravamento de 50%, pelo não atendimento, pelo contribuinte, das intimações recebidas. 4. A fiscalização, para efeito de arbitramento do lucro, considerou as receitas declaradas pelo contribuinte, nas DIPJ's dos anoscalendario de 2006 e 2007, e as omitidas. Nos autos lavrados foram descontados os tributos apurados e recolhidos pelo contribuinte, em decorrência das receitas declaradas IMPUGNAÇÃO 5. A Empresa tempestivamente apresentou impugnação protocolada em 08/10/2010 (fls. 398 a 414) contestando a lavratura dos Autos de Infração, nos seguintes termos, resumidamente. PRELIMINAR 6. Quanto à decadência a Impugnante declara que: "Requer seja observado em preliminar de mérito a decadência ao direito de efetivação do crédito tributário nos termos do artigo 169 do Código Tributário Nacional" (a Impugnante deve ter se referido ao artigo 150, que trata da decadência nos casos de lançamentos por homologação). 7. Aduz o direito à ampla defesa. Diz que é indispensável, na formação do processo administrativo, a aplicação ampla e plena do contraditório, para que a empresa disponha de todos os meios legais, inclusive via perícia contábil. Fl. 635DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Ass inado digitalmente em 13/02/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.002758/201091 Acórdão n.º 1401000.816 S1C4T1 Fl. 636 6 MÉRITO 8. Alega que, "em boa parte dos casos de notificação por arbitramento de omissão de receita, são abusos de autoridade fiscalizadora, ao extrapolar os critérios previstos na legislação para proceder ao lançamento". 9. Diz que a fiscalização não construiu provas que legitimassem a manutenção da presunção, embasando a dita omissão de receita. Que se o "processo fiscal homenageia o princípio da verdade material, qual seja, de dar as provas aqui contidas na impugnação o peso e a veracidade comprobatória dos fatos alegados, merecem, se necessário abrir prova pericial". 10. Declara que "impugna veementemente a presente atuação, quanto as alegações declaradas acima, pelo Senhor Agente Fiscalizador, sendo que a Impugnante é empresa absolutamente idônea, com anos de atividades no mercado, jamais necessitou de tais expedientes para se locupletar, sendo certo que jamais deixou de recolher corretamente seus tributos perante aos Órgãos Públicos". 11. "Sendo assim, as alegações apresentadas pelo Senhor Agente Fiscalizador não devem prosperar, é certo que toda documentação solicitada pelo mesmo foi apresentada, referente ao período exigido, onde se pode verificar a exatidão das informações, devendo ser considerado que o ora Impugnante se encontra quites com os cofres públicos estaduais". 12. Alega que as multas aplicadas são exorbitantes. Diz que não é qualquer atraso no pagamento dos tributos, ou suposta alegação de débito deste, que deve legitimar a previsão de multa, no patamar de 75%, quando a inflação anual gira em torno de 12%. Afirma a inconstitucionalidade da multa de 75%, por ter caráter confiscatório e, portanto, ferir o disposto no inciso IV, do artigo 150, da Lei Maior. 13. Quanto à multa de 150%, a Impugnante deixa a entender que contesta a sua aplicação, pois, não teve oportunidade de provar que não houve ato fraudulento. 14. É o relatório. Passo ao voto. A DRJ , por unanimidade de votos, julgou procedentes os lançamentos, nos termos da ementa que se transcreve: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese, segundo o previsto pelo artigo 150 do CTN, em cinco anos contados da ocorrência do fato gerador do tributo, em razão da ocorrência de pagamento (recolhimento) efetuado por parte do contribuinte. No caso de não haver pagamento ou de haver a ocorrência de situação prevista para qualificação da multa de ofício, aplicase o previsto no artigo 173 do CTN. LUCRO ARBITRADO. Correto o arbitramento do lucro quando a pessoa jurídica não apresenta os livros e documentos, conforme previsto no inciso III, artigo 530 do RIR/99. OMISSÃO DE RECEITA. VALOR DECLARADO NA "GIA", SUPERIOR AO DECLARADO NA DIPJ. Fl. 636DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Ass inado digitalmente em 13/02/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.002758/201091 Acórdão n.º 1401000.816 S1C4T1 Fl. 637 7 É válido o lançamento realizado em decorrência da comprovação da omissão de receita caracterizada pela informação à Receita Federal do Brasil, através da DIPJ, de valor de receita inferior ao declarado, através da GIA, para o fisco Estadual. MULTA AGRAVADA. Correto o agravamento da multa em 50%, em razão do não atendimento às intimações. MULTA QUALIFICADA. Correta a aplicação da multa qualificada sobre o IRPJ e lançamentos reflexos decorrente das receitas omitidas, pois a conduta do contribuinte se enquadrou no previsto no art. 71, inciso I, da Lei n.° 4.502/64, ao sonegar imposto e contribuições informando valores de receita tributável muito inferiores aos reais, agindo reiteradamente para essa finalidade e tentando impedir o conhecimento, por parte das autoridades tributárias, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. O decidido quanto ao IRPJ aplicase à tributação dele decorrente. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Primeiro Conselho de Contribuinte, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação e aduzindo em complemento: A necessidade da prova pericial, nesse caso, é contundente para Recorrente, a fim de comprovar se houve realmente omissão de receita nos exercícios de 2006 e 2007, em sua empresa. Ademais, o trabalho do perito é de suma importância na presente demanda, visto que, embasa condições legais, capacidade técnica e idoneidade moral, por parte do agente ativo da perícia, resultando, assim na prova que auxilia o presente ordenamento decisório, bem como no julgamento dos fatos controversos. O direito à ampla defesa atende não só a observância do rito adequado como a oportunidade do interesse em contestar a acusação que lhe é imposta, produzir provas de seu direito, acompanhar os atos da instrução e utilizase dos recursos cabíveis, durante a formação do processo administrativo ou judicial. A suposta omissão de receita alegada pelos agentes do fisco foi fundada em critérios não explicitados baseados em indícios ou mera presunção, quando na verdade o arbitramento não poderia ser realizado, uma vez que os elementos eram suficientes para a apuração do montante real da base de cálculo, pois o método utilizado pelos agentes do fisco é censurável do ponto de vista lógico, por não revelar os meios seguros para a averiguação. É o relatório. Fl. 637DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Ass inado digitalmente em 13/02/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.002758/201091 Acórdão n.º 1401000.816 S1C4T1 Fl. 638 8 Voto Vencido Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar de Nulidade A Recorrente, em síntese, apregoa a nulidade do feito sob o argumento de que houve cerceamento do direito de defesa na fase de procedimento fiscal, bem assim foilhe negado perícia contábil, imprescindível para o deslinde do feito. Apenas para um melhor esclarecimento sobre o assunto, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no processo administrativo fiscal. Prescreve o art. 59 do Decreto 70235/72 com a nova redação dada pela Lei 8748/93: Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Por conseguinte, considerase nulo o ato, se praticado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, não tendo se caracterizado quaisquer das situações, pois não se põe em dúvida a competência do autor, nem há que se falar em preterição do direito de defesa, vez que os fatos apurados foram descritos com o respectivo enquadramento legal, e levados ao conhecimento, da autuada, levando a mesma a defenderse plenamente através da peça impugnatória acostada aos autos. Em relação ao suposto cerceamento do direito de defesa em fase procedimental, digase que no procedimento administrativo de fiscalização, inexiste um amplo contraditório, nos moldes garantidos nos processos judiciais. Por outro lado, cabe salientar que o processo administrativo fiscal não se esgota nos atos do lançamento, já que também fazem parte dele a impugnação e o recurso voluntário, ou de ofício. É nesse sentido que se deve compreender o alcance do contraditório previsto no art. 5°, LV da Constituição Federal, já que é mais propriamente exercido nesta fase de apreciação do lançamento. Assim também entende o tributarista Alberto Xavier, que na obra “Do Lançamento. Teoria Geral do Ato do Procedimento e do Processo Tributário”, Rio de Janeiro: Forense, 1998, p. 165, assim leciona: Em matéria de lançamento tributário a garantia de ampla defesa não atua necessariamente pela via do direito de audiência prévia à prática do ato primário, mas no “direito de recurso” deste mesmo ato, pelo qual o particular toma a iniciativa de uma impugnação em que o seu direito assumirá força plena. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Ass inado digitalmente em 13/02/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.002758/201091 Acórdão n.º 1401000.816 S1C4T1 Fl. 639 9 E , efetivamente, a recorrente exerceu o contraditório a que tem direito, por meio da peça impugnatória e recursal que ora se aprecia. O que se vê foi um grande empenho da fiscalização em cumprir o seu papel e somente após inúmeras negativas do Contribuinte de apresentar sua escrituração, é que procedeu ao arbitramento dos lucros. Como consta do TVF o procedimento fiscal iniciouse em 17/11/2009 e terminou em 30/06/2010, perfazendo um período de aguardo de mais de sete meses, onde se deflagrou 3(três) Termos de Intimação Fiscal e Reintimação: O contribuinte não atendeu o Termo de Intimação Fiscal N. 001, de 17/11/2009, Termo de Reintimação Fiscal N. 001, de 07/01/2010 e Termo de Reintimação Fiscal N. 002, de 30/06/2010, procedemos assim o agravamento de multa de oficio, nos termos do Inciso II do artigo 44 do RIR — Decreto 3000/99. (fl.321) Acrescentese que, quando muito, em se admitindo o fato da autoridade lançadora ter cometido algum engano com relação à falta de prova ou matéria de fato e a sua subsunção à norma, tratarseia então de questão de mérito e não de preliminar de nulidade. Perícia: A contribuinte requer a realização de perícia, bem assim se insurge contra a decisão de primeira instância que a considerou prescindível, maculando assim de nulidade o procedimento fiscal. Porém, conforme se verificará na exposição mais adiante do mérito, assim como também ficou bastante claro em todo o contexto da decisão de primeira instância, os elementos indispensáveis à solução do litígio encontrase nos autos, motivo pelo qual o pedido de perícia dever ser indeferido nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Ademais, o deferimento de diligência e perícia é uma decisão do âmbito de discricionariedade do julgador, cabendo a ele fazêla ou não a depender da formação de sua convicção (diligência) ou mesmo que se lhe exigirá conhecimentos técnicos específicos que somente um perito especializado poderia ter (perícia), o que não é o caso dos autos em que se requer apenas análise de meros dados contábeis, fiscais e legais., perfeitamente dentro da alçada de competência do Auditor Fiscal. Portanto, indefiro o pedido de perícia e rejeito a preliminar de nulidade suscitada. Decadência No tocante ao prazo de decadência, em primeiro lugar, reconhecendo a controvérsia que o tema envolve, ressalvo a minha opinião particular de ter defendido anteriormente que o fato contingente de existir ou não pagamentos não teria o condão de interferir na natureza do tributo sujeito a homologação e por conseqüência aplicarseia a regra do art. art. 150, § 4º do CTN, ressalvado o caso de fraude ou dolo em que preponderaria a regra do art. 173, I do CTN. Entretanto, curvome a partir à jurisprudência atual do STJ, no sentido de entender que a aplicação do art.150, §4º, do CTN atrai a realização de um pagamento. Na ausência desse pagamento, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário Fl. 639DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Ass inado digitalmente em 13/02/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.002758/201091 Acórdão n.º 1401000.816 S1C4T1 Fl. 640 10 extinguese também após 5 (cinco) anos, mas, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art.173, I, do CTN). Quanto à matéria, adoto, portanto, a posição consolidada do STJ: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PETIÇÃO DE RECURSO ESPECIAL ASSINADA POR ADVOGADO SEM PROCURAÇÃO NOS AUTOS. SÚMULA 115/STJ. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. COMPETÊNCIA DA SUPREMA CORTE. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. ..... 3. Nos créditos tributários relativos à contribuição previdenciária – tributo sujeito a lançamento por homologação – cujo pagamento não foi antecipado pelo contribuinte, caso em que se aplica o art. 173, I, do CTN, deve o prazo decadencial de cinco anos para a sua constituição ser contado a partir do primeiro dia do exercício financeiro seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Portanto, escorreito o acórdão recorrido, o qual entendeu pela exigibilidade integral dos débitos referentes ao ano base de 1992. ..... 7. Recurso especial não conhecido.(Segunda Turma, REsp 1154592 / PR, Min. Castro Meira, Julg. 20/05/2010, DJe 02/06/2010). AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. 1. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando inocorre o pagamento antecipado pelo contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de ofício substitutivo é determinado pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. 2. Orientação reafirmada pela Primeira Seção desta Corte, no julgamento do REsp nº 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, sob o rito dos recursos repetitivos (Código de Processo Civil, artigo 543C). 3. Agravo regimental improvido. (Primeira Turma, AgRg no REsp 1120220 / PR, Min. Hamilton Carvalhido, Julg. 18/05/2010, DJe 02/06/2010) PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS Fl. 640DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Ass inado digitalmente em 13/02/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.002758/201091 Acórdão n.º 1401000.816 S1C4T1 Fl. 641 11 PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). ..... 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (Primeira Seção, REsp 973.733/SC, Min. Luiz Fux, Julg. 12/08/2009, DJe 18/09/2009) De qualquer sorte, como se demonstrará mais adiante neste voto, a regra do art. 173, I seria atraída de qualquer forma por força da existência de fraude/dolo no presente caso. Porém, nem mesmo a regra do art. 150, § 4 do CTN, a melhor das situações, aproveita à Recorrente. É de se ver mais adiante no próximo tópico. Dos demais tributos (CSLL, PIS E COFINS) Ressaltese que a conclusão supra não prejudica, nesse particular, os lançamentos decorrentes relativamente às contribuições sociais, cujo disciplinamento envolvendo a decadência não mais possui regramento próprio (artigo 45, da Lei nº 8.212, de 1991), após a declaração de inconstitucionalidade dos artigos 44 e 45 do referido diploma legal. A matéria foi contemplada com a Súmula Vinculante nº 8: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Fl. 641DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Ass inado digitalmente em 13/02/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.002758/201091 Acórdão n.º 1401000.816 S1C4T1 Fl. 642 12 Dessa forma, a regra do art. 173, I do CTN, no caso de ausência de pagamento ou de fraude ou dolo, como é o caso, também se aplica às contribuições sociais (tributos sujeitos à homologação). Porém, nem mesmo a regra do art. 150, § 4 do CTN, a melhor das situações, considerando o fato gerador janeiro de 2006 como sendo o mais antigo, aproveita à Recorrente, como colocado pela DRJ e não refutado pela Recorrente: Cabe ressaltar, que mesmo no caso de ser considerada a regra de decadência prevista no artigo 150, ou seja, cinco anos da data do fato gerador, também não teria ocorrido esta situação. No caso do IRPJ e da CSLL, somente ocorreria em 31/03/2011, e das contribuições do PIS e COFINS em 31/01/20011. Os lançamentos foram realizados antes destas datas, em 09/09/2010. Portanto, afastado está a decadência por qualquer via que se adote. MÉRITO ARBITRAMENTO Em relação ao arbitramento do lucro, a Recorrente aduz que a fiscalização teria praticado abuso de autoridade com aplicação do arbitramento do resultado. Como já se colocou retro, o que se vê foi um grande empenho da fiscalização em cumprir o seu papel e somente após inúmeras negativas do Contribuinte de apresentar sua escrituração, é que procedeu ao arbitramento dos lucros. Como consta do TVF o procedimento fiscal iniciouse em 17/11/2009 e terminou em 30/06/2010, perfazendo um período de aguardo de mais de sete meses, onde se deflagrou 3(três) Termos de Intimação Fiscal e Reintimação: O contribuinte não atendeu o Termo de Intimação Fiscal N. 001, de 17/11/2009, Termo de Reintimação Fiscal N. 001, de 07/01/2010 e Termo de Reintimação Fiscal N. 002, de 30/06/2010, procedemos assim o agravamento de multa de oficio, nos termos do Inciso II do artigo 44 do RIR — Decreto 3000/99. (fl.321) Só restou à autoridade fiscal, então, arbitrar o lucro, com fundamento no artigo 530, inciso III do RIR/1999, abaixo transcrito: Art.530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; Fl. 642DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Ass inado digitalmente em 13/02/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.002758/201091 Acórdão n.º 1401000.816 S1C4T1 Fl. 643 13 Dessa forma, o arbitramento deve ser mantido. BASE DE CÁLCULO UTILIZADA NO ARBITRAMENTO Prova Emprestada ou aproveitamento de dados declarados ao Fisco Estadual A esse respeito a Recorrente aduz que a fiscalização não construiu provas que legitimassem a manutenção da presunção, embasando a dita omissão de receita. Conforme bem colocado pela DRJ: A fiscalização apurou através das "GIA's" (fornecidas pela "Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo") valores das receitas mensais, declaradas pela Impugnante, totalmente discrepantes dos valores informados na DIPJ, DCTF e DACON. Foram declaradas nestes documentos receitas, nos anoscalendário de 2006 e 2007, menores do que as informadas nas "GlA's", em 51% e 60%, respectivamente. A defesa da Recorrente deixa entrever uma desconfiança com relação à chamada prova emprestada. É de se esclarecer.Devese ter em conta que, no processo civil,as provas, em princípio, são produzidas no processo (arts. 130 e 336 do CPC). O motivo de uma eventual rejeição da prova emprestada resulta unicamente do possível cerceamento ao direito de defesa da parte contra a qual é oposta. Dessa forma, a prova emprestada não poderia ser admitida nos casos em que devesse ser constituída no andamento do processo, sem a participação da outra parte ou sem se demonstrar que, nessas condições, pudesse ela ser reproduzida no próprio processo. No caso do processo administrativo fiscal, a grande maioria das provas apresentadas pelo Fisco ocorre na fase oficiosa. O Decreto nº 70.235, de 1972, art. 7º, I, explicita que o procedimento fiscal iniciase com a lavratura escrita do primeiro ato de ofício. Entretanto, a fase litigiosa iniciase unicamente com a apresentação da impugnação de lançamento, conforme determinado no art. 15. Dessa forma, tudo o que for apurado pela Fiscalização na fase oficiosa representa, em princípio, prova legítima. No presente caso, o empréstimo da prova, que resultou da própria Fiscalização, ocorreu antes do início da discussão administrativa, de forma que não resultou prejudicado o direito de defesa da interessada. Portanto, é lícito à fiscalização federal valerse de informações colhidas por outras autoridades fiscais para efeito de lançamento. A cooperação entre os entes tributantes é prevista em lei, nos termos do artigo 199 do Código Tributário Nacional, o qual prescreve que: “A Fazenda Pública da União e as dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios prestarseão mutuamente assistência para a fiscalização dos tributos respectivos e permuta de informações, na forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio”. Fl. 643DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Ass inado digitalmente em 13/02/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.002758/201091 Acórdão n.º 1401000.816 S1C4T1 Fl. 644 14 É claro que tal coleta de dados guarde pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer e deve ser dado ciência ao contribuinte para que ele exerça o seu direito de defesa. O autuante utilizouse de valores declarados pela interessada à Secretaria do Estado de Alagoas nas GIA (guia de informações Anuais de ICMS), uma vez que estas eram manifestamente superiores às receitas declaradas à Secretaria da Receita Federal. Conforme consta do TVF de fls.319 O contribuinte, antes do inícios da ação fiscal, possuía na sua,DJPJ Ano exercicio de 2006 a Receita Bruta Total declarada em DIPJ com o valor de R$ . 984.765,49 (sic, 3.984.765,49) em discrepância com os valores declarado em GIA de R$ 7.782.035,35, a apontar diferença Omissão de Receita GIA x,DIPJ/DCTF/DACON de R$ 3.797.269,86. Para o anoexercicio de 2007,antes do inicio da ação fiscal, o contribuinte possuía DIPJ com os valores de Receita Bruta Total declarada em DIPJ com o valor de R$ 4.479.185,05, em discrepância com os valores declarados em GIA de R$ 11.277.323,58, a apontar diferença Omissão de Receita CIA x DIPJ/DCTF/DACON de R$ 6.798.138,53. Cabe salientar que os valores escriturados nas guias de informação de ICMS (GIA), declaradas pela interessada como retrato das informações contidas nos Livros Registro de Apuração de ICMS, presumemse verdadeiros. Caberia, pois, à Recorrente provar o contrário, com elementos objetivos, o que não foi feito. Outrossim, o que se verifica é que as provas trazidas pelo fisco estadual serviram apenas de indício para que o Fisco federal procedesse com suas próprias diligências. E esse último o fez, na medida em que solicitou a recorrente todos os livros contábeis e fiscais e documentos que os lastreariam; bem assim empreendeu novas intimações a título de se comprovar as diferenças levantadas. Como a Recorrente não apresenta explicações e documentos para justificar as diferenças apuradas pela fiscalização, entre as receitas declaradas na "GlA's" e na DIPJs, esta constatação constituiu prova suficiente para evidenciar a omissão de receita. Ao contrário, não traz um único caso concreto, uma única prova de que a base de cálculo utilizada pelo fisco não corresponderia à receita bruta tributada. Portanto, o procedimento nada teve de ilegal e foram mantidos os direitos constitucionais da recorrente. Multa Qualificada (150%) – Prática reiterada Conforme consta do TVF de fls.319 O contribuinte, antes do inícios da ação fiscal, possuía na sua,DJPJ Ano exercicio de 2006 a Receita Bruta Total declarada em DIPJ com o valor de R$ .984.765,49 em discrepância com os valores declarado em GIA de R$ 7.782.035,35, a apontar diferença Omissão de Receita GIA x,DIPJ/DCTF/DACON de R$ 3.797.269,86. Fl. 644DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Ass inado digitalmente em 13/02/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.002758/201091 Acórdão n.º 1401000.816 S1C4T1 Fl. 645 15 Para o anoexercício de 2007,antes do inicio da ação fiscal, o contribuinte possuía DIPJ com os valores de Receita Bruta Total declarada em DIPJ com o valor de R$ 4.479.185,05, em discrepância com os valores declarados em GIA de R$ 11.277.323,58, a apontar diferença Omissão de Receita x DIPJ/DCTF/DACON de R$ 6.798.138,53. Assoma claro nos autos que a empresa, de forma intencional e reiterada, buscou ocultar receitas com o fim de eximirse do devido recolhimento dos tributos, o que caracteriza ação dolosa visando a impedir ou retardar o conhecimento da obrigação tributária por parte da Fazenda Pública, nos termos do art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, adiante reproduzido: “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.” Nestes termos, como nos autos está devidamente evidenciado que o contribuinte, ao longo de vários anos, omitia receitas de forma contínua e reiterada, em valores substancialmente mais elevados do que os montantes declarados, não se pode chegar a outra conclusão que não seja a de que o que houve, concretamente, foi conduta tendente a manter ao largo da tributação o montante dos seus ganhos auferidos. A existência da chamada “prática reiterada” de omissão de receitas, para mim, por si só já constitui condição suficiente para a caracterização do intuito de fraude. É que pauto o meu sistema de referência em cima da impossibilidade epistemológica (limites do conhecimento) de se caracterizar o evidente “intuito” de fraude nos termos postos por alguns julgados. Parto do princípio de que não se deve nunca interpretar uma lei quando o resultado dessa exegese leve a absurdos tais como o de imaginar que o dolo ou “o evidente intuito de fraude” devam ser extraídos da mente do sujeito passivo e não das circunstâncias fáticas que permeiam todo o contexto onde a prática aconteceu. É o elemento objetivo que se deve procurar e daí, a partir dele, valendose do raciocínio lógico e probabilístico, extrair aquilo que o impregna: o elemento subjetivo (dolo). Dessa forma, a prática de omitir receitas por 2(dois) anos de forma reiterada (elemento objetiva) e em montantes bastante superiores ao declarado denota concretamente o “evidente intuito de fraude”. Não se pode aqui imaginar que o agente que pratica “erros” de forma contínua por um longo tempo não possua a intenção de retardar/impedir ou afetar as características essenciais da ocorrência do fato gerador. Diante desse contexto, deve ser mantida a multa qualificada de 150%. Multa confiscatória Fl. 645DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Ass inado digitalmente em 13/02/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.002758/201091 Acórdão n.º 1401000.816 S1C4T1 Fl. 646 16 Sobre a argüição de ser confiscatória a multa aplicada, cumpre gizar que ao julgador administrativo, que se encontra totalmente vinculado aos ditames legais, mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN), não é dado apreciar questões – como a de que a multa fiscal seria confiscatória – que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal válido e vigente. Tal prática encontra óbice, inclusive na Súmulas nº 2 deste E. Primeiro Conselho de Contribuintes, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010). Multa – agravamento em 50% Entretanto, o agravamento da multa em 50% deve ser reparado uma vez que não consta dos autos motivo suficiente para tal agravamento no presente processo. A autuada também questiona a multa de ofício aplicada em relação ao percentual majorado (112,5%). A multa cabível nos lançamentos de ofício é regulada pelo artigo 44 da Lei 9.430/1996: “Art.44.Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; (...) § 2º As multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: a) prestar esclarecimentos; (...)” (negritei) A jurisprudência deste Colegiado vem seguindo na linha de que o agravamento da multa só se justifica quando plenamente caracterizada a recusa no atendimento às solicitações ou ainda quando o atraso ou o não atendimento causa prejuízos à ação fiscal. Fl. 646DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Ass inado digitalmente em 13/02/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.002758/201091 Acórdão n.º 1401000.816 S1C4T1 Fl. 647 17 De fato a intenção do legislador foi mesmo estabelecer um mecanismo de punição nas situações em que o atraso no fornecimento das informações solicitadas possa acarretar prejuízos ao procedimento fiscal. Registrese que a norma fala em “prestar esclarecimentos” e não em “apresentar documentos”. Isso porque a não apresentação de documentos implicaria para o sujeito passivo a possibilidade de ter seu resultado apurado por arbitramento, o que lhe imputaria um ônus tributário maior, como de fato aconteceu. Ainda que se pudesse interpretar extensivamente o preceito legal para incluir situações em que o atraso referese a documentos solicitados, como já se colocou retro a jurisprudência deste Colegiado restringe a aplicação da multa às situações nas quais o atraso ou o não atendimento tenha comprovadamente causado prejuízos ao Fisco. Não foi o que aconteceu. Ao contrário, como já se colocou, IRPJ/CSLL foi tributado justamente pelo não atendimento da intimação para eventos específicos e a exigência foi formalizada com base nas informações prestadas pelo sujeito passivo, ou seja, o não atendimento ou o atendimento insuficiente não afetou a apuração da irregularidade. . Nesse contexto, não tendo o contribuinte se negado a colaborar com a fiscalização, se visto pelo conjunto, inclusive respondendo as intimações e solicitando prorrogações, conquanto não tenha tido condições de atendêlas plenamente em alguns prazos, descabe o agravamento da multa, mormente quando a consequência do não atendimento redundou em arbitramento do lucro Desagravo, portanto, a multa em 50%, remanescendo apenas a multa de 150%. Lançamentos Reflexos Por estarem sustentados na mesma matéria fática, os mesmos fundamentos devem nortear a manutenção em parte das exigências lançadas por via reflexa. Por todo o exposto, rejeito pedido de perícia, afasto a preliminar de nulidade e, no mérito, dou provimento parcial ao recurso apenas para desagravar a multa em 50%. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 647DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Ass inado digitalmente em 13/02/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.002758/201091 Acórdão n.º 1401000.816 S1C4T1 Fl. 648 18 Voto Vencedor Conselheiro Maurício Pereira Faro – Redator Designado. Divergi do ilustre Relator apenas no que tange à aplicação da multa qualificada. Isso porque, conforme já me manifestei em diversos outros julgados, entendo que a qualificação da multa somente se justifica em situaçoes exepcionais. Para a Fiscalização aplicar a multa qualificada, há que restar provado, ao menos, a existência da sonegação ou da fraude. Tanto a fraude quanto a sonegação correspondem, segundo os art. 71 e 72, da Lei n° 4.502/64, a atos comissivos ou omissivos que visem impedir ou retardar a constituição do crédito tributário ou a sua satisfação. Depreende se, ainda, da leitura dos dispositivos acima transcritos que, para aplicar a multa qualificada, é necessário observar a existência do elemento subjetivo — dolo — para caracterizar o intuito (dolo direto), ou o risco assumido (dolo indireto), de fraudar ou de sonegar. Sustenta a decisão recorrida que, no caso em tela, resta justificada a aplicação da multa no percentual de 150% pela ocorrência dos ilícitos previstos na Lei n° 4.502/64, conclusão a que se chegou em razão dos fatos e situações que teriam sido colhidos dos autos do presente processo e que demonstram clara intenção em reduzir, indevidamente, o montante de tributos a recolher. Nesse aspecto, entendo que merece reforma a decisão recorrida. Isso porque, para que ocorra a fraude definida pelo artigo 72 da Lei n.º 4.502/64 como “toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento” é necessário demonstrar não que o contribuinte teve a intenção de pagar menos imposto, mas que ele teve a intenção de empregar meios ilícitos, “fraudulentos”, para obter a economia fiscal desejada. É o que se depreende, inclusive, da leitura de dispositivos da Lei n.º 8.137/90, que define os crimes contra a ordem tributária, nos seguintes termos: “Artigo 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: (...) II FRAUDAR a fiscalização tributária, INSERINDO ELEMENTOS INEXATOS, OU OMITINDO OPERAÇÃO DE QUALQUER NATUREZA, EM DOCUMENTO OU LIVRO EXIGIDO PELA LEI FISCAL; (...).” Fl. 648DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Ass inado digitalmente em 13/02/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.002758/201091 Acórdão n.º 1401000.816 S1C4T1 Fl. 649 19 “Artigo 2° Constitui crime da mesma natureza: I FAZER DECLARAÇÃO FALSA OU OMITIR DECLARAÇÃO SOBRE RENDAS, BENS OU FATOS, OU EMPREGAR OUTRA FRAUDE, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo; (...)” (não destacados no original). Como se percebe pela simples leitura do inciso II do artigo 1º da Lei n.º 8.137/90, fraudar a fiscalização tributária significa inserir elementos inexatos ou omitir operação de qualquer natureza em documento ou livro exigido pela lei fiscal. Da mesma forma, o inciso I do artigo 2º desta lei deixa bem claro que o núcleo do tipo correspondente à fraude fiscal é a falsidade. Ora, se a fraude pressupõe a apresentação pelo sujeito passivo de elementos falsos ou a omissão de ato sobre o qual a administração tributária deveria ter ciência, é certo que a autoridade autuante, para impor a multa qualificada, deve apontar com toda a precisão os elementos que demonstrem a fraude. Este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já editou Súmula quanto à qualificação da multa de ofício, ainda que naquele caso seja referente à omissão de receita, e no presente caso verse sobre glosa de despesas, o que importa é a questão da presunção: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Ante todo o exposto, dou provimento ao recurso voluntário para cancelar a multa qualificada da presente autuação. Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro Relator Fl. 649DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Ass inado digitalmente em 13/02/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO
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Numero do processo: 10935.904593/2012-30
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 13/01/2006
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA.
Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.382
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 13/01/2006 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. .
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1669; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 64 1 63 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.904593/201230 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801002.382 – 1ª Turma Especial Sessão de 27 de novembro de 2013 Matéria DCOMP ELETRÔNICO PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO Recorrente ANHAMBI ALIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/01/2006 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 45 93 /2 01 2- 30 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904593/201230 Acórdão n.º 3801002.382 S3TE01 Fl. 65 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904593/201230 Acórdão n.º 3801002.382 S3TE01 Fl. 66 3 . Relatório Tratase de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior formulado pelo ora Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda., que não foi reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de origem. Não concordando com o indeferimento do seu pleito, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento. Restou assim ementado o acórdão: COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão proferida e repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”. É o relatório. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904593/201230 Acórdão n.º 3801002.382 S3TE01 Fl. 67 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito decorre da inconstitucional inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, do valor do ICMS devido aos Estadosmembros. Sem trazer nenhum provimento jurisdicional favorável, em suas razões recursais, alega que o ICMS é tributo devido aos Estadosmembros e, por isso, não pode ser considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o tema para embasar suas alegações. Em que pese essa Relatora ter o mesmo entendimento do Recorrente com relação à matéria, ou seja, o ICMS, de fato, não poderia compor a base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, como muito bem colocado no acórdão recorrido, “cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”. Inexistindo na legislação em vigor a possibilidade de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o direito creditório do Recorrente. Ademais, importante ressaltar que os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a favor dos contribuintes. Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em 2007 e ainda pendente de julgamento. Assim, não há, até o presente momento, qualquer definição do Poder Judiciário acerca da questão. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904593/201230 Acórdão n.º 3801002.382 S3TE01 Fl. 68 5 Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 74DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 11853.000860/2011-90
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2007
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON.
A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais-Dacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF Nº 49.
A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal, sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-002.652
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, EM NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Sidney Eduardo Stahl, e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento ao recurso com o reconhecimento da ocorrência da denúncia espontânea. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2007 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais-Dacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal, sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições SociaisDacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal, sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, EM NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Sidney Eduardo Stahl, e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento ao recurso com o reconhecimento da ocorrência da denúncia espontânea. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 85 3. 00 08 60 /2 01 1- 90 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000860/201190 Acórdão n.º 3801002.652 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes Fl. 58DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000860/201190 Acórdão n.º 3801002.652 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão n° 0348.230, julgado na sessão de 10 de maio de 2012, pela 4ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Brasília, referente ao processo administrativo n° 11853.000860/201190, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresenta pela contribuinte, mantendose por conseguinte o Despacho Decisório que não reconheceu o direito creditório pleiteado. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Contra a contribuinte acima identificada foi formalizado Auto d e Infração relativo a cobrança de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais Dacon do mês de apuração de janeiro/20 07, no qual está sendo exigido o crédito tributário no valor de R$ 9.039,02. O enquadramento legal do lançamento é o art 7 o da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº11.051, de 29 de dezembro de 2004. Cientificada, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 5/9) ao lançamento alegando, em síntese, que de acordo com as imposições do Art 142 do CTN, o lançamento fiscal obrigatoriam ente deve conter elementos confirmatórios para a sua essência, e deixar clara a tipificação e fundamentação da origem da infraçãotributária. Observa que o inciso IV, art 10 do Dec. 70.235/72, obriga o autu ante a mencionar o dispositivo legal infringido pela contribuinte. No caso, a autoridade lançadora no campo 05 (descrição dos fa tos e fundamento legal) identificou a Lei nº10.246, de 24/04/2002 com fundamento para lançamento de multa por atraso na entreg a do Dacon, normativo este que não trata de penalidades tributárias e sim da Política Agrícola no País; capitulação imprópria que torna nulo o lançamento fiscal.Acrescenta que apresentou a Declaração em atraso, porém espontaneamente, nos termos do artigo 138 do CTN, não cabendo a aplicação de multa sancionatória ou moratória. Cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes nesse sentido, de não cabimento da multa. Ante todo o exposto, entendendo demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, requer seja acolhida a presente impugnação e cancelado o débito fiscal reclamado. É o relatório. ” Fl. 59DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000860/201190 Acórdão n.º 3801002.652 S3TE01 Fl. 5 4 A manifestação de inconformidade foi conhecida pela DDF de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DDF conta com a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS (DACON). ESPONTANEIDADE. INFRAÇÃO DE NATUREZA FORMAL. A entrega da Declaração, intempestivamente, embora feito o rec olhimento dos tributos devidos, não caracteriza a espontaneidade, com o condão de ensejar a dispensa da multa prevista na legislação. O princípio da denúncia espontânea não inclui a prática de ato formal,não estando alcançado pelos ditames do art. 138 do Código Tributário Nacional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs, em 21.06.2012, Recurso Voluntário a este Conselho, a fls. 4951, onde em suas razões, requer a reforma do acórdão. É o sucinto relatório. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000860/201190 Acórdão n.º 3801002.652 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. No presente caso, temos que o Despacho Decisório ora contestado não homologou a compensação declarada, sob o argumento de inexistência do crédito a compensar, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos da pessoa jurídica. Esclareceu a recorrente que o pagamento efetuado seria indevido, por se tratar de sociedade civil de profissão regulamentada, prestando serviços de engenharia, e, como tal, estaria isenta da Cofins, nos termos do artigo 6º, inciso II, da Lei Complementar nº 70/91. Alegou, também que o STF ainda não teve uma solução definitiva sobre a matéria. Em que pese em casos idênticos, este Relator tenha sido vencido na questão, entendo ainda assim, por bem, acompanhar a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, nos termos da declaração de voto proferida no acórdão nº 3801002.085, desta Colenda Turma Especial: Como bem se infere da análise do lançamento, tratase de imposição de Multa Regulamentar pelo descumprimento de obrigação acessória convertida em obrigação principal em relação à penalidade aplicável. Há lei em vigor prevendo a aplicação da multa na data da ocorrência da situação que constitui o fato gerador da obrigação acessória. No caso em questão, foi realizada a entrega do DACON após o prazo especificado em lei, o que ensejaria a aplicação da Multa. Ocorre que o artigo 138 do Código Tributário Nacional assim dispõe: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Trata o dispositivo transcrito da chamada denúncia espontânea. A denúncia espontânea, por sua vez, é o instrumento através do qual se exclui a responsabilidade pela prática de alguma infração tributária por parte do contribuinte, ou responsável, desde que sejam obedecidos os preceitos ali constantes, quais Fl. 61DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000860/201190 Acórdão n.º 3801002.652 S3TE01 Fl. 7 6 sejam, pagamento do tributo devido, se for o caso, e inexistência de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte da autoridade fazendária. Deveras, o sujeito passivo tem determinadas obrigações para com o sujeito ativo da relação jurídico tributária, seja de pagamento de tributos no prazo correto, seja de entregar o DACON dentro de prazo determinado pela lei, dentre outros comportamentos legalmente previstos. É, pois, a infração tributária, uma ação ou omissão praticada pelo agente da relação jurídica que, seja de forma direta ou indireta, descumpra deveres jurídicos normatizados em legislações fiscais. No caso em análise, de fato, o Recorrente cometeu uma infração, de natureza formal: a entrega do DACON em atraso. Sempre que ocorrida uma infração tributária, fato seguinte é o surgimento de suas respectivas sanções, as quais fazem com que o contribuinte tenha a ele imputada determinada penalidade. Ocorrida a infração tributária, podem ser desencadeadas três distintas situações: 1) Na primeira, o agente responsável pela infração não realiza nenhum procedimento, que dandose silente e aguarda a eventual ocorrência da decadência do direito da Fazenda Pública em lançar tais valores. 2) A segunda possibilidade é a Fazenda Pública fiscalizar o agente infrator e, desta feita, lavrar o Auto de Infração, onde o sujeito passivo poderá impugnálo administrativamente, recorrer ao Poder Judiciário para anulálo ou, até, adimplir os valores devidos de pronto. 3) Terceira possibilidade é a chamada denúncia espontânea, ou seja, o agente se antecipa a qualquer procedimento fiscalizatório do Poder Público e efetua o pagamento dos valores de pronto, ou realiza a obrigação que deixou de cumprir, comunicandoo, após, do ocorrido. Neste último caso, como exposto acima, o CTN expressamente prevê que, para beneficiar tanto o contribuinte como o próprio Fisco, os contribuintes se valham de um instituto excludente de responsabilidade, desde que cumpram os requisitos lá constantes para sua fruição. A referida norma, art. 138 do CTN, nada mais é do que uma norma indutora de conduta, uma vez que sua hipótese de incidência conclama apenas uma atitude exclusiva do sujeito passivo, não havendo qualquer obrigação para forçálo a agir de tal forma. É uma faculdade do sujeito passivo em se autodenunciar perante a fiscalização e, desta feita, ser beneficiado pela exclusão da penalidade decorrente da infração cometida. E tal faculdade tem Fl. 62DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000860/201190 Acórdão n.º 3801002.652 S3TE01 Fl. 8 7 o dom de beneficiar tanto o sujeito passivo que recebe tal benesse, quanto à própria Fazenda. O primeiro é beneficiado porque a legislação lhe dá a oportunidade de ser perdoada a sanção, desde que satisfeitos os pressupostos daquele instituto, o que estimula o adimplemento volitivo de suas obrigações tributárias; enquanto que, para o segundo, representa um estímulo maior para o controle fiscal e o ingresso de divisas, sem que este tenha que ir fiscalizar as empresas e verificar a correição dos procedimentos adotados pelos contribuintes Para que a denúncia espontânea surta seus efeitos, imprescindível a ocorrência de seus pressupostos. No caso ora analisado, todos os pressupostos foram observados, senão vejamos: Os pressupostos da denúncia espontânea são os seguintes: 1º) Denúncia espontânea da infração entrega extemporânea do DACON, e, conseqüentemente, o surgimento da respectiva sanção – no caso, o pagamento de multa pelo descumprimento da obrigação fiscal. Passada esta parte, necessário se faz que o contribuinte realize a chamada “denúncia espontânea”, ou seja, que comunique à Fazenda a ocorrência da infração e o seu respectivo adimplemento. A comunicação solene foi realizada pela Recorrente, através da entrega da DACON espontaneamente, em atraso. 2º) Pagamento do tributo devido e dos juros de mora, se for o caso. Como segundo pressuposto para a plena realização da denúncia espontânea, há a necessidade do adimplemento da obrigação que eventualmente não foi realizada a tempo correto. Neste sentido, mister é que o sujeito passivo, ao denunciarse espontaneamente para o Fisco, acompanhe junto desta comunicação o comprovante de que, ressalvada a multa, a obrigação que deveria ter sido adimplida épocas atrás tenha sido efetivamente cumprida. Vale ressaltar que, apesar de a norma referirse a “pagamento do tributo devido”, a aplicação do instituto da denúncia espontânea não fica reservado apenas para os casos de descumprimento da obrigação tributária principal, relacionada com o recolhimento do tributo efetivamente. A sanção decorrente da inobservância das regras instrumentais do Direito Tributário, notadamente aquelas relacionadas com as obrigações acessórias, também pode ser elidida pela aplicação do artigo 138 do Código Tributário Nacional. Esta assertiva resta absolutamente óbvia quando o legislador utiliza a expressão “se for o caso”. Com efeito, este pressuposto guarda íntima e direta relação com a chamada natureza das infrações fiscais, que podem ser tanto materiais, resultantes diretamente do não adimplemento de uma obrigação tributária principal ou de prestação pecuniária; quanto formais, decorrentes do não cumprimento de uma obrigação, seja através de uma atitude positiva ou negativa. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000860/201190 Acórdão n.º 3801002.652 S3TE01 Fl. 9 8 Assim, o não cumprimento de uma obrigação tributária principal ou de prestação pecuniária acarretará no nascimento de uma infração tributária material, relacionada com a expressão “pagamento do tributo”. Já o de um dever instrumental, uma infração formal, está relacionada com a expressão “se for o caso”. Sempre que uma obrigação tributária principal for inadimplida, para os efeitos da aplicação do art. 138 do CTN, necessário será que se pague o tributo devido. Entretanto, se a infração ocorrida for de natureza formal, como no caso presente, a denúncia espontânea consiste simplesmente na formalização junto ao órgão fiscal, do descumprimento de sua obrigação de prestar informações tempestivamente. Não há dúvidas, portanto, que a Recorrente preencheu este segundo pressuposto necessário para que possa usufruir do instituto da denúncia espontânea como forma de afastar a responsabilidade (leiase, punição) pela infração formal cometida. Vale reiterar a importância do caput do artigo 138 do CTN, que abrange sua aplicação tanto para os casos em que há “pagamento do tributo devido”, quanto para os casos em que não há “pagamento do tributo”, como é o caso da expressão “se for o caso”, constante do final daquele texto. Qual a validade da expressão “se for o caso”, se não para as infrações em que não há qualquer relação com valores pecuniários, como são os casos dos deveres instrumentais? CTN, pois não teria aplicação alguma. Só haverá pagamento de tributo devido quando a infração tenha sido não pagálo. Nesse caso, o autodenunciante, ao confessarse, deverá pagar o tributo nãopago. Mas se a infração cometida tenha sido a não prestação de uma informação, a confissão do Recorrente não ensejará o pagamento de tributo, porquanto esse pagamento representaria a não observância do artigo 138 do CTN. 3º) Inexistência de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração. Último pressuposto para a configuração da denúncia espontânea se encontra na figura da ausência de fiscalização, por parte do Fisco, em relação ao tributo sobre o qual o contribuinte, ou o responsável, se autodenuncia. Em suma, entendo que a Recorrente preencheu correta e satisfatoriamente todos os requisitos inerentes ao instituto da denúncia espontânea. É justamente no afastamento da responsabilidade pela infração e, consequentemente, na escusa de toda forma de penalidade, de sanção, que age a denúncia espontânea. Ela funciona como uma “excludente da culpabilidade”. A infração continua existindo. Todavia, o contribuinte não é mais punível. Ou seja, as conseqüências oriundas desta nova relação jurídica (todas elas) não podem mais se externar, pois prejudicado jus puniendi em relação àquele infrator. Isto é o que diz o artigo 138 do Código Tributário Nacional ao dispor que o agente, uma vez realizada a denúncia espontânea, Fl. 64DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000860/201190 Acórdão n.º 3801002.652 S3TE01 Fl. 10 9 não pode mais ser responsabilizado pela infração cometida. A norma optou por ser o mais abrangente possível e excluiu a própria responsabilização do agente, o que impossibilita, de resto, a incidência de qualquer penalidade – ou seja, de qualquer medida que possa lhe prejudicar. Por todo o acima exposto, divirjo do voto do Exmo. Relator, e decido no sentido de dar provimento ao recurso voluntário apresentado, cancelando a exigência consubstanciada no auto de infração de fls.. É assim que voto. Muito embora ainda seja vencido nesta Colenda Turma quanto a presente matéria, mantenho as referidas razões de decidir, nos termos do voto da ilustre Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, cancelando a exigência consubstanciada no auto de infração. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Voto Vencedor Conselheiro Paulo Sérgio Celani, Redator Designado. Discordo do voto do Conselheiro Relator, pelas razões abaixo. A fiscalização apurou que a contribuinte entregou fora do prazo o Demonstrativo de Apuração de Contribuições SociaisDacon e exigiu multa pelo atraso. Os fatos são incontroversos. A infração está tipificada no art. 7º, da Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com redação dada pelo art. 19, da Lei nº 11.051, de 29/12/2004. Cito: “Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e Fl. 65DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000860/201190 Acórdão n.º 3801002.652 S3TE01 Fl. 11 10 sujeitarseá às seguintes multas: ( Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004.) (...) III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo; ( Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004.) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004.) § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I e II do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. ( Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004 ) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a 75%(setenta e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (...) § 6º No caso de a obrigação acessória referente ao Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON ter periodicidade semestral, a multa de que trata o inciso III do caput deste artigo será calculada com base nos valores da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS ou da Contribuição para o PIS/Pasep, informados nos demonstrativos mensais entregues após o prazo.( Redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009.) Logo, não há razão para se considerar nula a exigência. Quanto à aplicação da denúncia espontânea ao caso, observo que decisões reiteradas e uniformes proferidas neste Conselho foram consubstanciadas na Súmula CARF nº 49, de observância obrigatória pelos seus membros, por força do art. 72, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000860/201190 Acórdão n.º 3801002.652 S3TE01 Fl. 12 11 O enunciado da súmula é o seguinte: “Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente de atraso na entrega de declaração.” Serviram de acórdãos paradigmas para ela, entre outros, os seguintes: CSRF/0400.574, de 19/06/2007; 19200.096, de 06/10/2008; 10709.410, de 30/05/2008; 101 96.625, de 07/03/2008; 10516.674, de 14/09/2007; 10809.252, de 02/03/2007. Cito as ementas: Acórdão CSRF/0400.574: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO – PENALIDADE As penalidades por descumprimento de obrigações acessórias autônomas, sem vínculo direto com fato gerador de tributo, não estão alcançadas pelo instituto da denúncia espontânea grafado no art. 138 do CTN. Recurso especial provido Acórdão 19200.096: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF EXERCÍCIO: 2005 DECLARAÇÃO IRPF. MULTA POR ENTREGA EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN (precedentes CSRF). DECLARAÇÃO IRPF. MULTA POR ENTREGA EM ATRASO. CONFISCO. A penalidade pela entrega da declaração extemporaneamente não se caracteriza como tributo. Inaplicável, assim, o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal de 1988. Recurso negado. Acórdão 10709.410: Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2001, 2002 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000860/201190 Acórdão n.º 3801002.652 S3TE01 Fl. 13 12 A entrega da declaração de IRPJ fora do prazo legal, mesmo que espontaneamente, sujeita à multa estabelecida na legislação de regência do tributo, posto que não ocorre a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, por tratarse de descumprimento de obrigação acessória com prazo fixado em lei para todos os contribuintes. Acórdão 10196.625: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇAO – DIPJ. A cobrança de multa por atraso na entrega de declaração tem previsão legal e deve ser efetuada pelo Fisco, uma vez que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea se refere à obrigação principal, não se aplicando às obrigações acessórias, por não estar vinculado diretamente com a existência do fato gerador do tributo. Recurso Voluntário Negado Acórdão 10809.252: IRPJ – MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Recurso negado. Verificase que o fundamento para não se aplicar a denúncia espontânea às declarações, nos acórdãos que serviram de paradigma para a edição da Súmula CARF nº 49, também justifica sua não aplicação ao caso presente, pois a apresentação do Dacon é obrigação acessória autônoma, ato formal, sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Fl. 68DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10865.904662/2009-81
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 20 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.494
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Luis Roberto Bueloni Ferreira, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Luis Roberto Bueloni Ferreira, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .9 04 66 2/ 20 09 -8 1 Fl. 568DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.904662/200981 Resolução nº 1802000.494 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem (DRF Limeira/SP). Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1436.466, às fls. 33 a 38: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 02/06, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de IRPJ (código de receita: 5993) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ: 5993). Por intermédio do despacho decisório de fl. 07, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada, em 26/05/2009, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fl. 12, na qual alega, em síntese: a) no ano calendário de 2005, efetuou recolhimento por estimativa de IRPJ com base em balancete de redução; b) no fechamento do ano base de 2005, apurouse o IRPJ sobre lucro real, no valor de R$ 2.613,52, conforme página 11 da DIPJ/2006; c) ao apurar o IRPJ de janeiro/2006 e fevereiro/2006, com base em balancete de redução, utilizouse de parte do valor pago a maior no ano de 2005 para compensar os referidos débitos; d) ao transmitir a PER/Dcomp nº 35941.31519.051006.1.3.047420, em 05/10/2006, para compensar os débitos apurados conforme consta da letra “c”, por desconhecimento informou erroneamente como tipo de crédito: pagamento indevido ou a maior, quando o correto seria tipo de crédito: saldo negativo de IRPJ; e) ao analisar as PER/Dcomp acima, o Auditor Fiscal concluiu que o crédito constante da PER/Dcomp já tinha sido utilizado para quitação de débito do anocalendário de 2005, não se atentando que no referido ano foi apurado saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 2.613,52, valor esse que poderia ser compensado no anoseguinte.Ao final, solicita a homologação total da compensação declarada, uma vez que o contribuinte incorreu em erro ao elaborar a referida PER/Dcomp, mas não lesou o Fisco. Fl. 569DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.904662/200981 Resolução nº 1802000.494 S1TE02 Fl. 4 3 Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 29/04/2005 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO. O reconhecimento de direito creditório a título de saldo negativo de IRPJ reclama efetividade no pagamento ou compensação das antecipações calculadas por estimativa ou das retenções na fonte pagadora, a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções e a comprovação contábil e fiscal do valor do tributo apurado no anocalendário. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. A DCOMP foi criada como instrumento essencial à eficácia jurídica da compensação tributária realizada por opção do contribuinte, tendo, além de óbvio efeito declaratório, efeito constitutivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 29/04/2005 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em sua decisão, a Delegacia de Julgamento (DRJ) consignou que a apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado estava na dependência da efetiva demonstração, pela requerente, do saldo negativo de IRPJ apurado no final do período, uma vez que os valores recolhidos a título de estimativa são considerados pela lei como antecipações do imposto de renda devido. Nesse contexto, fez uma série de considerações e enumerou requisitos para a caracterização de saldo negativo a ser restituído/compensado, afirmando que a Contribuinte não havia apresentado qualquer documentação nesse sentido. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.904662/200981 Resolução nº 1802000.494 S1TE02 Fl. 5 4 De acordo com a DRJ, a Contribuinte deveria ter trazido provas lastreadas em lançamentos contábeis, entre elas: os registros contábeis de conta no ativo do IRPJ a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, os Livros Diário e Razão, etc., para comprovar inequivocamente a base de cálculo do IRPJ e, por conseguinte, o saldo negativo de IRPJ. Inconformada com a decisão de primeira instância administrativa, da qual tomou ciência em 16/10/2012, a Contribuinte apresentou em 12/11/2012 o recurso voluntário de fls. 50 a 53, com os argumentos abaixo: em 2005 a ora Recorrente efetuou recolhimentos apurados em Balanços de Suspensão/Redução de IRPJ, no valor de R$ 3.894,23, conforme cópias de DARF (doc. 01), como consta da folha 312 do Balancete de Encerramento na conta do Ativo Créditos diversos (doc. 02); no fechamento do Balanço Anual, anobase 2005, ficou devidamente demonstrado o IRPJ sobre Lucro Real, no valor de R$ 2.193,66, vide pág. 11 da DIPJ de 2006, transmitida em 20/06/2006 (doc. 03), bem como fls. 320 do Balancete de Encerramento (doc. 02) e fls. 322 da conta Demonstração de Resultado do Exercício (doc. 02); como restou demonstrado na pág. 11 da DIPJ de 2006, linha 19 (ver doc. 03), foi devidamente apurado saldo negativo de IRPJ na ordem de R$ 2.613,52, referentes aos recolhimentos indicados abaixo [...] (a Contribuinte detalha no recurso o Lucro Real, o IRPJ e os recolhimentos realizados desde o anocalendário de 2002 até 2005); do total do IRPJ recolhido nos anos de 2002, 2003, e 2005, no valor de R$ 11.339,25, descontando os valores devidos nos anos de 2002 a 2005, no valor de R$ 8.725,73, resulta um saldo negativo de R$ 2.613,52; é inquestionável que a Recorrente recolheu antecipações apuradas através de Balancetes de Suspensão/Redução, as quais posteriormente pediu compensação em razão de ter a empresa efetuado recolhimento a maior nos anosbase de 2002 a 2005; os créditos solicitados são líquidos e certos, portanto passíveis de compensação tributária, conforme art. 170 do Código Tributário Nacional, independente de qualquer dilação probatória, além das anexas a este instrumento de recurso; demonstrada a insubsistência e improcedência da decisão recorrida, espera e requer a Recorrente seja acolhido o presente recurso e homologada a compensação em pauta. Este é o Relatório. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.904662/200981 Resolução nº 1802000.494 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação por ela apresentada em 05/10/2006, na qual utiliza um alegado crédito de R$ 772,71, decorrente de pagamento indevido ou a maior referente ao IRPJ no ano calendário de 2005. O PER/DCOMP indica como origem desse crédito de R$ 772,71 um recolhimento realizado em 29/04/2005 com o código 5993 (estimativa mensal), no valor de R$ 1.107,97. A negativa da Delegacia de origem foi motivada pelo fato de o recolhimento gerador do crédito já ter sido integralmente utilizado para a quitação de débito declarado em DCTF. Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (DRJ), ao examinar a manifestação de inconformidade da Contribuinte, manteve a negativa em relação à compensação. Em sua decisão, a DRJ consignou que a apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado estava na dependência da efetiva demonstração, pela requerente, do saldo negativo de IRPJ apurado no final do período, uma vez que os valores recolhidos a título de estimativa são considerados pela lei como antecipações do imposto de renda devido. Nesse contexto, fez uma série de considerações e enumerou requisitos para a caracterização de saldo negativo a ser restituído/compensado, afirmando que a Contribuinte não havia apresentado qualquer documentação nesse sentido. Ainda de acordo com a DRJ, a Contribuinte deveria ter trazido provas lastreadas em lançamentos contábeis, entre elas: os registros contábeis de conta no ativo do IRPJ a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, os Livros Diário e Razão, etc., para comprovar inequivocamente a base de cálculo do IRPJ e, por conseguinte, o alegado saldo negativo de IRPJ. Na atual fase de recurso voluntário, a Contribuinte sustenta a legitimidade de seu crédito, argumentando: que em 2005 efetuou recolhimentos de estimativas de IRPJ apuradas em Balanços de Suspensão/Redução, no montante de R$ 3.894,23; que para esse mesmo ano, a DIPJ e os registros contábeis demonstram apuração de IRPJ sobre lucro real no valor de R$ 2.193,66; Fl. 572DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.904662/200981 Resolução nº 1802000.494 S1TE02 Fl. 7 6 e que do total do IRPJ recolhido nos anos de 2002, 2003, e 2005, no valor de R$ 11.339,25, descontando os valores devidos nos anos de 2002 a 2005, no valor de R$ 8.725,73, resulta um saldo negativo de R$ 2.613,52. Para comprovar suas alegações, a Contribuinte apresenta cópias dos DARF recolhidos ao longo de 2005 e do Livro Diário de 2005 contendo: balancetes cumulativos de verificação; Balanço Patrimonial e Demonstração de Lucros/Prejuízos Acumulados; cópia da DIPJ do anocalendário de 2005; cópias dos DARF, balancetes cumulativos de verificação, Balanço Patrimonial e Demonstração de Lucros/Prejuízos Acumulados, relativamente aos anoscalendário de 2002 a 2004; cópias do LALUR contendo registros desde 2002 até 2005. No que toca à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. É por isso também que antes de proferir o despacho decisório, ainda na fase de auditoria fiscal, pode e deve a Delegacia de origem inquirir o Contribuinte, solicitar os meios de prova que entende necessários, diligenciar diretamente em seu estabelecimento (se for o caso), enfim, buscar todos os elementos fáticos considerados relevantes para que na seqüência, na fase litigiosa do procedimento administrativo (fase processual), as questões envolvam mais a aplicação das normas tributárias e não propriamente a prova de fatos. Tudo isso porque não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, a Delegacia de Julgamento mencionou que a Contribuinte não havia apresentado qualquer documentação que pudesse caracterizar a existência de saldo negativo de IRPJ em 2005, a ser restituído ou compensado. Ocorre que a Contribuinte não foi em nenhum momento intimada a apresentar quaisquer esclarecimentos ou documentos relativos ao seu PER/DCOMP. Fl. 573DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.904662/200981 Resolução nº 1802000.494 S1TE02 Fl. 8 7 Vale registrar que a prova tem sempre um aspecto de verossimilhança, que é medida em cada caso pelo aplicador do direito. Além disso, em razão da dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, como já mencionado acima, é a Autoridade Fiscal que, em cada caso, por meio de intimações fiscais, acaba fixando os critérios para a composição do ônus que incumbe à Contribuinte. Na linha, então, do que apontou a Delegacia de Julgamento, a Contribuinte juntou ao recurso voluntário uma série de documentos contábeis e fiscais, conforme registrado acima. O fato de a Contribuinte ter indicado no PER/DCOMP o recolhimento de estimativa como origem do crédito, e não o saldo negativo do período, não prejudica o seu pleito, porque o art. 165 do Código Tributário Nacional CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. O que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração. Nesse sentido, vale lembrar que tanto as retenções na fonte quanto as estimativas representam meras antecipações do devido ao final do período, que guardam uma implicação direta com a figura jurídica do saldo negativo, já que correspondem ao mesmo período anual e ao mesmo tributo que aquele. Na sistemática da apuração anual, caso haja tributo devido no encerramento do ano, as antecipações se convertem em pagamento definitivo. Por outro lado, se houver prejuízo fiscal, ou ainda se as antecipações superarem o valor do tributo devido ao final do período, fica configurado o indébito, a ser restituído ou compensado a partir do ajuste, na forma de saldo negativo. Deste modo, se as antecipações superaram o valor do tributo devido ao final do período (como vem alegando a Contribuinte), o excedente desses pagamentos a título de estimativa passa a configurar indébito a ser restituído ou compensado, na forma de saldo negativo. Por essa razão, este colegiado normalmente desconsidera o erro formal de a Contribuinte indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas. Nesse caso, isso já foi feito pela DRJ, que admitiu o exame do crédito sob a ótica de saldo negativo, mas manteve a negativa por falta de elementos probatórios (os quais estão sendo apresentados nessa fase processual). Cabe, então, apreciar a liquidez e a certeza do crédito tributário à luz dos documentos apresentados. Tais documentos, relativamente ao anocalendário de 2005, indicam que a Contribuinte apurou Lucro Real de R$ 14.624,38 e IRPJ de R$ 2.193,66, deduzindo estimativas mensais no montante de R$ 4.807,18, o que resultou em saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 2.613,52. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.904662/200981 Resolução nº 1802000.494 S1TE02 Fl. 9 8 Os DARF de estimativas em 2005 somam R$ 3.894,23. Para o ajuste anual, não houve dedução a título de retenção na fonte. Os Balancetes de Verificação indicam que a conta “IRPJ a recuperar” iniciou o ano de 2005 com saldo de R$ 912,95. A formação do alegado saldo negativo deuse, portanto, pelos recolhimentos de estimativas em DARF, e pelo aproveitamento de saldo negativo vindo de anos anteriores. Embora os documentos apontem para a existência de saldo negativo, a decisão do presente processo demanda ainda uma instrução complementar. É necessário que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Limeira/SP, para que a referida unidade, à luz dos elementos já apresentados e de outros que julgar convenientes: 1) verifique e informe: a base de cálculo e o respectivo IRPJ para o anocalendário de 2005; o valor das estimativas recolhidas referentes a 2005, seja por meio de DARF, seja mediante quitação por compensação com outros créditos; 2) havendo quitação de estimativas por compensação, identifique os respectivos PER/DCOMP, prestando informação sobre a condição atual dos mesmos; 3) apresente relatório circunstanciado esclarecendo se há saldo negativo de IRPJ em 2005 a ser restituído/compensado, e qual o seu valor, observando para tanto a existência de outros processos em que a Contribuinte utiliza partes desse mesmo crédito; 4) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Limeira/SP atenda ao acima solicitado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 575DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 13898.000597/2002-57
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 16 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3403-000.552
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de IPI protocolado em 09/10/2002, relativo ao 2º Trimestre de 2001, com fulcro no art. 11 da Lei nº 9.779/99. Informou a fiscalização à fl. 563 que não há pedidos de compensação tratados neste processo. Por meio do despacho decisório de fls. 390 a 392, notificados pessoalmente ao contribuinte em 25/05/2007 (fls. 390 e 391), a autoridade administrativa reconheceu em parte do direito de crédito e homologou parcialmente a compensação declarada. Do valor pleiteado originalmente (R$ 700.000,00) foi reconhecido o direito a R$ 655.743,66. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 98 .0 00 59 7/ 20 02 -5 7 Fl. 829DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13898.000597/200257 Resolução nº 3403000.552 S3C4T3 Fl. 4 2 A fiscalização efetuou os seguintes ajustes no crédito do contribuinte: 1) foi deduzido o valor o valor de R$ 48.987,15 por não se referir a créditos passíveis de ressarcimento; e 2) foi deduzido do crédito pleiteado, o valor de R$ 308.069,48 relativo aos débitos de IPI apurados no trimestre. Em sede de manifestação de inconformidade, o contribuinte alegou, em síntese, o seguinte: 1) Em relação à parcela dos créditos considerada não ressarcível, a contribuinte pretende demonstrar a validade de todos os créditos e o faz discorrendo sobre a natureza das operações correspondentes a cada grupo de CFOPs abrangido. Dessa forma, os CFOPs 1.99 e 2.99 referemse a entradas de mercadorias a título de amostra ou bonificação utilizadas como insumos na industrialização de produtos isentos ou tributados pela alíquota zero, e os créditos correspondentes devem ser admitidos por não caberem restrições infraconstitucionais à não cumulatividade do IPI; o CFOP 2.32 referemse a devolução de vendas, cujos créditos correspondentes são previstos no art. 150 do Decreto 2.637/1998; e o CFOPs 1.22 referese a créditos relativos a transferência de mercadorias entre estabelecimentos da requerente, previsto no art. 147, X, do Decreto 2.637/1998. Traz doutrina no sentido de não se admitir restrições à nãocumulatividade do IPI; 2) Defende seu direito à manutenção do saldo credor remanescente do período anterior no valor a ser ressarcido, fundamentandose no art. 49, § único, do CTN, no art. 195, §1º, do RIPI, e no art. 2º, §2º, I e II, da IN 33/1999, que permitem a transferência do saldo credor ao final de um trimestre para o trimestre subseqüente como forma de aplicação do princípio da nãocumulatividade, associado ao direito a ressarcimento do saldo credor ao final de cada trimestre. Complementa afirmando que a existência do campo “saldo credor do período anterior” no programa PER/DCOMP corrobora a interpretação de que esse valor compõe o montante a ser ressarcido ao contribuinte; 3) no que tange à glosa do crédito presumido, alegou que o que importa é a existência do crédito e não a forma de apuração. O crédito foi comprovado pela documentação apresentada ao fisco e em homenagem ao princípio da verdade material deveria ter sido considerado, independentemente de qual estabelecimento o apurou. Por meio do Acórdão 37.065, de 27 de março de 2012, a 8ª Turma da DRJ Ribeirão Preto julgou a manifestação de inconformidade improcedente, em julgado que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 RESSARCIMENTO. CRÉDITOS. HABILITAÇÃO NO TRIMESTRE DE ESCRITURAÇÃO. Somente fazem jus a ressarcimento os créditos escriturados no trimestre calendário de que trata o pedido e que não tenham sido absorvidos pelos débitos escriturados em cada período de apuração ao longo do referido trimestre. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO CENTRALIZADA. OBRIGATORIEDADE. A partir do primeiro trimestre de 1999, o crédito presumido do IPI deve ser, obrigatoriamente, apurado de forma centralizada no estabelecimento matriz. TRANSFERÊNCIA DE CREDITO PRESUMIDO DE IPI. VEDAÇÃO AO RESSARCIMENTO. Fl. 830DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13898.000597/200257 Resolução nº 3403000.552 S3C4T3 Fl. 5 3 O crédito presumido de IPI, transferido da matriz para a filial, somente pode ser utilizado no abatimento de débitos do imposto em conta gráfica, vedado seu ressarcimento. PROVAS. OPORTUNIDADE Com a impugnação ocorre a oportunidade da apresentação de provas, precluindo o direito de o impugnante apresentálas em outro momento processual. COMUNICAÇÃO DOS ATOS PROCESSUAIS. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO DO SUJEITO PASSIVO. As notificações e intimações devem ser enviadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Regularmente notificado do acórdão de primeira instância em 25/05/2013 (fl. 747), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 27/09/2013 (fl. 768) alegando, em síntese, o seguinte: 1) nulidade da notificação por decurso de prazo do acórdão de primeira instância, efetuada em 25/05/2013, devendo prevalecer a data em que a autoridade administrativa deu vista dos autos ao contribuinte na sede da repartição fiscal (16/09/2013). A defesa alega, em síntese, deficiência técnica no sistema da Receita Federal. Disse que embora tenha recebido pela via eletrônica a notificação informando a existência de documentos para sua ciência em processo digital no "ecac", o processo não se encontrava e ainda não se encontra disponível para consulta por meio da opção "Processos Digitais Consulta Comunicados/Intimações". Juntou cópias das telas do "e cac" de fls. 816 a 821 para comprovar a alegação; 2) ao preencher a DCTF do 4º Trimestre de 2001, a empresa informou a apuração do crédito presumido pela sistemática da Lei nº 9.363/96 para o ano de 2002. Entretanto, em momento posterior, retificou essa DCTF alterando a opção para o regime alternativo da Lei nº 10.276/2001. Assim, ao preencher a DCTF do 3º Trimestre de 2002, a empresa informou corretamente a opção pelo regime alternativo da Lei nº 10.276/2001; 3) ainda que tivesse optado pelo regime da Lei nº 9.363/96, na época da opção (4º Trim de 2001) não havia regulamentação que vedasse a alteração do regime de apuração do crédito presumido, o que só passou a existir com o advento do art. 2º da IN 420/2004; 4) mesmo que superada a argumentação contida nos itens anteriores, o contribuinte tem direito de incluir o custo da industrialização por encomenda e a energia elétrica no cálculo do crédito presumido, pois são insumos indispensáveis ao seu processo produtivo. Finalizou sua defesa requerendo o reconhecimento da totalidade do crédito pleiteado, a juntada de provas e demais documentos que se fizerem necessários e o envio da correspondência ao endereço indicado na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. Fl. 831DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13898.000597/200257 Resolução nº 3403000.552 S3C4T3 Fl. 6 4 O problema reside na aferição da tempestividade do recurso voluntário. Muito embora os documentos de fls. 816 a 821 nada comprovem acerca da alegada "deficiência técnica", que teria impossibilitado o acesso da recorrente ao conteúdo do Acórdão de primeira instância, fui convencido pelo colegiado a converter o julgamento em diligência, pois realmente é difícil para o contribuinte fazer a prova de um fato negativo, ou seja, de um fato que segundo ele não teria ocorrido. A recorrente nega a ciência em 25/05/2013 (por decurso de prazo) do Acórdão 37.065, de 27/03/2012, da 8ª Turma da DRJ/RPO, pois, segundo a defesa, o processo não estava disponível para visualização por meio do "ecac" na época em que a notificação eletrônica foi recebida (fls. 777 a 783 do recurso voluntário). Portanto, o fato positivo a ser comprovado pela repartição fiscal é que o Acórdão 37.065, de 27/03/2012, estava disponível para consulta por parte do contribuinte no "ecac" a partir do dia 10/05/2013, conforme nos dá conta o termo de fl. 747. Com essas considerações, voto no sentido de que o julgamento seja convertido em diligência, a fim de que a autoridade administrativa esclareça de forma conclusiva os seguintes quesitos: 1) Qual a data a partir da qual a imagem do Acórdão 37.065, de 27/03/2012, da 8ª Turma da DRJ/RPO, tornouse disponível para visualização do contribuinte por meio do "e cac"?; 2) Qual a data em que o contribuinte visualizou, por meio do "ecac", a imagem do Acórdão 37.065, de 27/03/2012?; 3) Qual a data em que o contribuinte visualizou, por meio do "ecac", a imagem da intimação da carta de cobrança de fls. 750 a 752?; 4) Se o Acórdão 37.065, de 27/03/2012, da 8ª Turma da DRJ/RPO não estava disponível para visualização por parte do contribuinte, esclarecer qual foi a deficiência técnica que impediu a visualização; 5) Indicar conclusivamente a data em que o contribuinte tomou conhecimento do inteiro teor do Acórdão 37.065, de 27/03/2012, da 8ª Turma da DRJ/RPO; 6) A autoridade administrativa deverá elaborar termo conclusivo das averiguações e juntar aos autos os documentos comprobatórios de todos os fatos que forem constatados, tais como telas do sistema, telas de log do sistema e telas do histórico do sistema, se existirem, tudo com o objetivo de comprovar inequivocamente a data a partir da qual a imagem do acórdão de primeira instância tornouse disponível no "ecac" para ser visualizada pelo contribuinte; 7) A autoridade administrativa deverá dar cumprimento ao art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011, ou seja, deverá dar ciência ao contribuinte do termo e dos demais documentos mencionados no item 6, concedendolhe prazo de trinta dias para manifestação. A notificação poderá ser efetuada, a critério da autoridade administrativa, por qualquer das formas previstas no art. 23 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 832DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13898.000597/200257 Resolução nº 3403000.552 S3C4T3 Fl. 7 5 Atendida a diligência acima solicitada o processo deverá retornar a este colegiado para prosseguimento. Antonio Carlos Atulim Fl. 833DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10410.001471/2009-11
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA DE DÉBITOS DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS COM SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO. INAPLICABILIDADE DO PROCEDIMENTO DO ART. 74 DA LEI N° 9.430/96. VEDAÇÃO LEGAL.
Às contribuições previdenciárias previstas no art. 11, parágrafo único, alíneas "a", "b", e "c" da Lei n° 8.212/1991 e às instituídas a título de substituição (contribuições da Agroindústria, Lei nº 8.212/91, art. 22A, redação da Lei nº 10.256/2001, art. 1º) não se aplicam as disposições relativas à restituição e compensação do art. 74 da Lei n° 9430/1996, inteligência dos artigos 2° e 26, parágrafo único, da Lei n° 11.457/2007.
A declaração de compensação tributária apresentada de débitos de contribuições previdenciárias com créditos de outros tributos federais também não se subsume ao procedimento dos artigos 44 a 48 da Instrução Normativa RFB n° 900/2008.
LEI Nº 11.457/2007, ART. 26, PARÁGRAFO ÚNICO. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXISTÊNCIA DE DIVERSOS PROCEDIMENTOS INAPLICÁVEIS À HIPÓTESE DOS AUTOS. COMPENSAÇÃO MEDIANTE PRÉVIO REQUERIMENTO DE QUE TRATA O ARTIGO 26, CAPUT, DA LEI N°11.457/2007. FUNDAMENTO NÃO ENFRENTADO PELAS DECISÕES ANTERIORES NOS AUTOS.
Sendo inaplicável o procedimento do artigo 74 da Lei n° 9.430/96 para a declaração de compensação apresentada e, também, sendo situação que não se subsume às hipóteses da Instrução Normativa RFB n° 900/2008 (artigos 44 a 48), é incabível a denegação do pleito pelas decisões anteriores sem apreciar, sem enfrentar a questão se a declaração de compensação apresentada pelo contribuinte se subsume, ou não, à hipótese do artigo 26, caput, da Lei 11.457/2007 que, em tese, estaria permitindo a compensação de débitos de contribuições previdenciárias com créditos de outros tributos federais, mediante requerimento.
Numero da decisão: 1802-001.578
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para devolver os autos do processo à DRF de origem.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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INAPLICABILIDADE DO PROCEDIMENTO DO ART. 74 DA LEI N° 9.430/96. VEDAÇÃO LEGAL. Às contribuições previdenciárias previstas no art. 11, parágrafo único, alíneas "a", "b", e "c" da Lei n° 8.212/1991 e às instituídas a título de substituição (contribuições da Agroindústria, Lei nº 8.212/91, art. 22A, redação da Lei nº 10.256/2001, art. 1º) não se aplicam as disposições relativas à restituição e compensação do art. 74 da Lei n° 9430/1996, inteligência dos artigos 2° e 26, parágrafo único, da Lei n° 11.457/2007. A declaração de compensação tributária apresentada de débitos de contribuições previdenciárias com créditos de outros tributos federais também não se subsume ao procedimento dos artigos 44 a 48 da Instrução Normativa RFB n° 900/2008. LEI Nº 11.457/2007, ART. 26, PARÁGRAFO ÚNICO. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXISTÊNCIA DE DIVERSOS PROCEDIMENTOS INAPLICÁVEIS À HIPÓTESE DOS AUTOS. COMPENSAÇÃO MEDIANTE PRÉVIO REQUERIMENTO DE QUE TRATA O ARTIGO 26, CAPUT, DA LEI N°11.457/2007. FUNDAMENTO NÃO ENFRENTADO PELAS DECISÕES ANTERIORES NOS AUTOS. Sendo inaplicável o procedimento do artigo 74 da Lei n° 9.430/96 para a declaração de compensação apresentada e, também, sendo situação que não se subsume às hipóteses da Instrução Normativa RFB n° 900/2008 (artigos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 14 71 /2 00 9- 11 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001471/200911 Acórdão n.º 1802001.578 S1TE02 Fl. 107 2 44 a 48), é incabível a denegação do pleito pelas decisões anteriores sem apreciar, sem enfrentar a questão se a declaração de compensação apresentada pelo contribuinte se subsume, ou não, à hipótese do artigo 26, caput, da Lei 11.457/2007 que, em tese, estaria permitindo a compensação de débitos de contribuições previdenciárias com créditos de outros tributos federais, mediante requerimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para devolver os autos do processo à DRF de origem. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001471/200911 Acórdão n.º 1802001.578 S1TE02 Fl. 108 3 Relatório Cuidam os autos de Recurso Voluntário de fls.79/93 contra decisão da 3ª Turma da DRJ/Recife (fls. 70/75) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada. Quanto aos fatos, consta dos autos: que, em 20/03/2009, a Contribuinte protocolizou Declaração de Compensação Tributária, formulário em papel (modelo previsto no Anexo VII da IN RFB n° 900/2008), informando (fls. 02/04): a) débitos previdenciários Fundo de Asistência da Previdência Social FPAS: Código de Receita – FPAS Período de Apuração Vencimento Valor Orginal do Débito (R$) Outras Informações 2100 02/2009 20/03/2009 50.331,88 FPAS 833 2100 02/2009 20/03/2009 170.253,08 FPAS 604 2607 02/2009 20/03/2009 11.352,00 FPAS 744 Obs: Os débitos discriminados acima são da Contribuinte USINA CAETÉ, unidade Faz. Cachoeira, Ipioca, MaceióAL. b) crédito utilizado (valor original): R$ 231.936,96. que, segundo a Contribuinte, a origem desse direito creditório utilizado seria o saldo negativo do IRPJ do anocalendáro 2008, no montante de R$ 5.484.010,68 (valor original), objeto do Processo de restituição/ressarcimento – PER/DCOMP: 02581.89116.190309.1.3.028782, protocolizada em 19/03/2009, cópia juntada (fls. 17/19). Não informou o número daquele processo; que o reconhecimento do direito de compensação impõese com base na Lei nº 11.457/2007; A DRF/Maceió (4ª Região Fiscal), por Despacho Decisório de 22/06/2009 (fls. 26/28), sem enfrentar o mérito quanto ao direito creditório pleiteado nestes autos, indeferiu a Compensação tributária informada, em face de utilização pela contribuinte de procedimento de compensação diverso do previsto legalmente. A propósito, transcrevo, no que pertinente, a fundamentação constante do Parecer da Seção – SAORT, parte integrante do referido Despacho Decisório (fls. 26/28), in verbis: (...) Fundamentação Fl. 108DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001471/200911 Acórdão n.º 1802001.578 S1TE02 Fl. 109 4 2. De acordo com o que consta às fls. 01 e 02 dos autos, as compensações requeridas têm como alvos débitos relativos a contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a seus empregados, demais segurados do regime geral de previdência social e de suas operações normais durante o mês de fevereiro de 2.009. No caso, observase que os débitos sobre os quais se requer as compensações são decorrentes do que consta na alínea "a", parágrafo único, art. 11 da Lei n° 8.212, de 1.991. 3. O requerente fundamentase na Lei n° 11.457, de 2.007, para solicitar o reconhecimento do direito às compensações (ver fls. 01). 4. A Lei n° 11.457, de 2.007, em seu art. 26, parágrafo único, determina que o disposto no art. 74 da Lei n° 9.430, de 1.996, não se aplica às contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei n° 8.212, de 1.991. 5.Entendo, no caso, que as compensações pretendidas utilizaram como base o art. 74 da Lei n° 9.430, de 1.996, atualmente com redação dada pela dada pela Lei n° 10.637, de 2.002, tendo em vista que a declaração de compensação de fls. 02 dos autos foi efetivada com base em crédito de saldo negativo de imposto de renda pessoa jurídica (IRPJ). Conclusão 6. Tendo em vista o que consta neste parecer, proponho que seja indeferida a petição de fls. 01 e 02 dos autos. (...) Despacho decisório À vista dos elementos que instruem este processo e dos fundamentos contidos no parecer que integra este ato, conforme § 1º, art. 50, da Lei n° 9.784, de 1.999, indefiro a petição de fls. 01 e 02 dos autos. (...) Ciente dessa decisão monocrática em 06/07/2009 (fl. 29), a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade para a DRF/Recife em 05/08/2009 (fls. 30/38), cujas razões, em síntese, são as seguintes: que pela Lei 11.457/2007 ocorreu a unificação da Secretaria da Receita Federal com a Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social, dando origem à Secretaria da Receita Federal do Brasil (Super Receita); que, pelo art. 2º da Lei nº 11.457/2007, foi transferida toda a competência sobre a fiscalização e administração das Contribuições Previdenciárias, de que tratam as alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei 8.212/91, para a Secretaria da Receita Federal do Brasil; Fl. 109DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001471/200911 Acórdão n.º 1802001.578 S1TE02 Fl. 110 5 que não há, absolutamente, nenhuma vedação expressa na lei no sentido de que não poderia a Contribuinte compensar seu débito correspondente à contribuição previdenciária com crédito originário de outros tributos como, por exemplo, saldo negativo de IRPJ e também não haveria de ter, pois são tributos administrados pelo mesmo órgão; que a Lei 11.457/2007 e a Instrução Normativa n° 900/08 não apresentam quaisquer restrições ou justificativas no sentido da impossibilidade de compensação dos débitos relativos às contribuições previdenciárias com créditos relativos a outros tributos; que se encontra consolidado pelo Supremo Tribunal Federal o reconhecimento de que as contribuições sociais têm natureza tributária e que, antes da edição da Lei 11.457/2007, o único empecilho que permanecia à compensação, entre contribuições previdenciárias e demais tributos federais, era o fato de que àquelas eram administradas pela Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social; que o art. 7° do DecretoLei n° 2.287/1986 (nova redação dada pelo art. 114 da Lei n° 11.196/2005) já determinava que o fisco, antes de proceder à restituição ou ao ressarcimento de tributos, deveria averiguar se o contribuinte era devedor da Fazenda Nacional e, no caso de existência de débitos, inclusive previdenciários, o valor correspondente ao crédito deveria ser compensado de ofício, total ou parcialmente, com o valor do débito; que atinente a débitos das contribuições previdenciárias previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei n° 8.212/91 ou das contribuições instituídas a título de substituição – incidentes sobre o faturamento – Agroindústria (Lei nº 8.212/91, art. 11, § parágrafo único, “d” c/c art. 22A) e em relação à Divida Ativa do Instituto Nacional do Seguro Social, o dispositivo prevê o mesmo procedimento. Ou seja, a autoridade fiscal deve compensar de oficio créditos de tributos federais com débitos previdenciários antes de qualquer ressarcimento ou restituição; que as compensações de créditos de tributos federais com débitos de contribuições administrados pela extinta Secretaria da Receita Previdencidria já eram realizadas, independentemente de requerimento do contribuinte e, sendo assim, a Lei 11.457/2007 buscou justamente tornar possível também a compensação pelo próprio contribuinte. Ademais, seria injustificável que este procedimento somente pudesse ser realizado de oficio pelo fisco, razão pela qual as compensações, do caso em tela, devem ser aceitas/homologadas com base em declaração da própria Contribuinte, na forma prevista pelo art. 74 da Lei n° 9.430/1996; que todos os tributos federais passaram a ser administrados pelo mesmo órgão, ou seja, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatase que a compensação objeto do processo em comento se mostra absolutamente legitima, motivo pelo qual o suposto débito de contribuição previdenciária deve ser extinto; que, caso se entenda pela impossibilidade de realização das compensações, sob hipótese alguma poderia ser fundamentada pela aplicação do artigo 26 da Lei 11.457/2007, pois esse dispositivo se refere, exclusivamente, às contribuições: a) das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço; b) dos empregados domésticos e c) dos trabalhadores, incidentes sobre o seu salário de contribuição, o que, definitivamente, não é o caso dos autos; Fl. 110DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001471/200911 Acórdão n.º 1802001.578 S1TE02 Fl. 111 6 que, vale dizer, os artigos 2º e 26, parágrafo único, da Lei 11.457/2007 somente vedam a compensação nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96 para as constribuições previdenciárias das alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei 8.212/91; que a situação da Contribuinte é diversa, pois tratase de Agroindústria e, por isso, o débito compensado se enquadra na alínea "d" do § único do artigo 11 da Lei 8.212/91, ou seja, contribuição social incidente sobre o faturamento, por força do disposto no art. 22A da Lei 8.212/91, redação dada pelo art. 1º da Lei 10.256/2001, e que, por conseguinte, a compensação efetuada não é vedada; que, não obstante, a vedação de compensação (alineas a, b e c do § único do art. 11 da Lei 8.212/91), também, não deve prevalecer por ser flagrantemente inconstitucional, por falta de proporcionalidade ou razoabilidade da restrição; que, desta forma, em face da inexistência de vedação pelo art. 26 da Lei 11.457/2007 ao caso em apreço (Agroindústria, alínea "d" do § único do art. 11 da Lei n° 8.212/91), e considerando que a justificativa de fato e de direito que existia para se vedar a compensação entre créditos antes administrados separadamente pelo INSS e pela Secretaria da Receita Federal deixou de existir com a criação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, merece ser homologada a compensação formalizada, objeto dos autos; que, por fim, pedidu a revisão do indigitado Despacho Decisório. A DRJ/Recife, na mesma esteira do Despacho Decisório, julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente pela vedação da compensação pleiteada no rito do procedimento previsto no art. 74 da Lei n° 9.430/96, não entrando no mérito do direito creditório, cuja menta do acórdão transcrevo a seguir (fl. 70), in verbis: (...) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL. Às contribuições previdenciárias previstas no art. 11, parágrafo único, "a", "b" e "c" da Lei n° 8.212/1991 e às instituídas a título de substituição não se aplicam às disposições relativas à restituição e compensação previstas no art. 74 da Lei n° 9430/1996, inteligência do art. 26 da Lei n° 11.457/2007. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2008 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA. Incabível a arguição de inconstitucionalidade na esfera administrativa visando afastar obrigação tributária regularmente constituída, por transbordar os limites de Fl. 111DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001471/200911 Acórdão n.º 1802001.578 S1TE02 Fl. 112 7 competência desta esfera, o exame da matéria do ponto de vista constitucional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. (...) Ciente desse decisum em 22/03/2012sextafeira (fl. 78), a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 23/04/2012 (fls. 79/93), juntando ainda os documentos de fls. 94/100, aduzindo, em suma, as mesmas razões já apresentadas na instância a quo, já resumidas anteriormente, neste relatório. Por fim, a Recorrente pediu a revisão da decisão recorrida, reiterando que, em face da inexistência de vedação pelo art. 26 da Lei 11.457/2007 ao caso em apreço (Agroindústria alínea "d" do § único do art. 11 da Lei n° 8.212/91) e considerando que a justificativa de fato e de direito que existia para se vedar a compensação entre créditos antes administrados separadamente pelo INSS e pela Secretaria da Receita Federal deixou de existir com a criação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, merece ser homologada a compensação formalizada, objeto dos autos. Aduziu, também, a tese de que o art. 26, caput, da Lei nº 11.457/2007 estaria permitindo a compensação de débitos de contribuição previdenciária com créditos de outros tributos mediante prévio requerimento. É o relatório. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001471/200911 Acórdão n.º 1802001.578 S1TE02 Fl. 113 8 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de processo de compensação tributária. A Contribuinte, em 20/03/2009 (fls. 02/03), formalizou compensação tributária de débitos das contribuições previdenciárias previstas no art. 11, parágrafo único, alíneas "a", "b", e "c" da Lei n° 8.212/1991 e/ou das instituídas a título de substituição (contribuições da Agroindústria, Lei nº 8.212/91, art. 22A, redação da Lei nº 10.256/2001, art. 1º) com direito creditório saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2008, utilizando o procedimento do art. 74 da Lei nº 9.430/96. A decisão a quo, assim como acontecera com o despacho decisório, sem entrar no mérito do direito creditório, rejeitou a compensação tributária, pela impossibilidade jurídica do encontro de contas pelo procedimento do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Nesta instância recursal, a Recorrente rebelase contra a decisão a quo, argumentando que é inaplicável a vedação do art. 26, parágrafo único, da Lei nº 11.457/2007, pelas seguintes razões: a) que a vedação estendese, apenas, às exações fiscais das alínesas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91; b) que, por ser agroindústria (contribuições da Agoindústria, Lei nº 8.212/91, art. 22A, redação da Lei nº 10.256/2001, art. 1º), os débitos compensados do INSS referemse à alínea “d” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91; c) que, caso esse entendimento não seja acatado e ainda assim, a partir da criação da Super Receita Lei nº 11.457/2007 (unificação da Secretaria da Receita Federal com a Secretaria de Arrecadação Previdenciária do Ministério da Previdência Social), não deve prevalecer a vedação de aplicação do art. 74 da Lei 9.430/96. Vale dizer: que é inconstitucional o dispositivo legal que veda a compensação tributária, via DCOMP, de débitos do INSS com créditos de tributos federais, pois tais exações fiscais passaram a ser administradas pelo mesmo órgão, ou seja, a Secretaria da Receita Federal do Brasil; d) que, por fim ainda, defende a tese de que o art. 26, caput, da Lei nº 11.457/2007 estaria permitindo a compensação por prévio requerimento entre débitos de contribuições previdenciárias com créditos de outros tributos. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001471/200911 Acórdão n.º 1802001.578 S1TE02 Fl. 114 9 Inexistindo preliminar suscitada de natureza processual, passo diretamente à análise do mérito. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. PROCEDIMENTOS. O ponto controvertido, que precede à análise de mérito do direito creditório pleiteado, diz respeito ao procedimento utilizado pela Recorrente para viabilizar o “encontro de contas” de débitos de contribuições sociais do INSS (estatuídas na Lei nº 8.212, art. 11, parágrafo único, alíneas “a”, “b”, e “c”) e/ou das instituídas a título de substituição (contribuições sociais da Agroindústria, Lei nº 8.212/91, art. 22A, redação da Lei nº 10.256/2001, art. 1º) com créditos de outros tributos federais. Em relação às contribuições previdenciárias do INSS, antes da fusão da Receita Federal com a Receita Previdenciária promovida pela Lei nº 11.457/07 (Lei que criou a "Super Receita"), as hipóteses de compensação dessas exações fiscais estavam bem delineadas na legislação de regência. Senão vejamos: a) compensação voluntária, via declaração (GFIP), somente entre débitos tributários de contribuições previdenciárias do INSS e crédito dessas mesmas exações fiscais, decorrente de pagamento indevido ou a maior (Lei nº 8.212/91, art. 89 c/c Lei nº 9.032/95); b) compensação de ofício, entre débitos do sujeito passivo com a Fazenda Nacional e créditos de competência do Instituto Nacional do Seguro Social INSS (Lei nº 8.212/91, art. 89, § 8º, MP 252/2005 e Lei nº 11.196/05); c) compensação de ofício, realizada entre créditos de quaisquer tributos federais com débitos de contribuições previdenciárias, cuja competência era exercida pela Secretaria da Receita Federal. (DecretoLei nº 2.287/86, art. 7º, § 2º, com redação dada pelo art. 114, da Lei nº 11.196/05). Portanto, enquanto vigente o art. 89, § 2º, da Lei nº 8.212/91, o qual foi objeto de revogação pela Medida Provisória nº 449/08, convertida na Lei nº 11.941/09, havia expressa disposição de que a restituição ou compensação de contribuições previdenciárias, por iniciativa voluntária do contribuinte, somente envolvia débitos e créditos tributários decorrentes dessas mesmas contribuições, in verbis: "Art. 89. (...) § 2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 desta Lei." Quando da entrada em vigor da Lei nº 11.457/07 (unificação da Secretaria da Receita Federal e da Secretaria de Arrecadação da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social), o caput do art. 26 trouxe uma inovação legislativa atinente à compensação de contribuições previdenciárias, ou seja, além da compensação voluntária entre débitos e créditos de contribuições sociais do INSS, prevê a compensação, por requerimento, em procedimento diverso da Declaração de Compensação do art. 74 da Lei nº 9.430/96, para débitos de contribuições sociais do INSS com créditos de outros tributos federais. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001471/200911 Acórdão n.º 1802001.578 S1TE02 Fl. 115 10 Vale dizer, a partir data da entrada em vigor da MP 449/08, restou revogada a restrição contida no § 2º, do art. 89, da Lei nº 8.212/91 (norma específica). A mencionada medida provisória foi convertida na Lei nº 11.941/09, que manteve a revogação. Em face disso, e em consonância com o caput do art. 26 da Lei nº 11.457/07, há previsão legal, em abstrato, de compensação voluntária, por requerimento, de débitos previdenciários com créditos de tributos federais. Já, os Tribunais brasileiros, interpretando a norma inserta no art. 26, e parágrafo único, da Lei nº 11.457/07, têm enfrentado a questão, apenas, sob o ângulo se cábivel ou não a aplicação do procedimento do art. 74 da Lei nº 9.430/96 para efeito de compensação voluntária, por iniciativa do contribuinte, entre débitos de contribuições previdenciárias do INSS com créditos de tributos federais. A propósito da norma insculpida no art. 26, da Lei nº 11.457/07, o Superior Tribunal Justiça (STJ) já se manifestou acerca de compensação entre contribuições federais e os demais tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Vale dizer, a Segunda Turma desse Excelso Tribunal, em julgado datado 05/04/2011 (STJ. REsp 1235348/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe 02/05/2011), quanto ao alcance do art. 26, e seu parágrafo único, da Lei nº 11.457/07, assim concluiu, in verbis: "(...) consignou expressamente que o art. 74 da Lei 9.430/96 não se aplica às exações cuja competência arrecadatória foi transferida, ou seja, vedou a compensação entre créditos de tributos que eram administrados pela antiga Receita Federal com débitos de natureza previdenciária, até então sob o pálio do INSS." (p.08). Em outro julgado, mais recente da mesma Turma julgadora do STJ (AgRg no REsp 1267060/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/10/2011, DJe 24/10/2011), reafirmase o entendimento exposado no início do ano de 2011, in verbis: "É incontroverso que, em regra, os créditos do contribuinte contra a Receita Federal do Brasil podem ser compensados com quaisquer débitos tributários administrados pelo mesmo órgão, por meio da declaração eletrônica (DCOMP), nos termos do art. 74 da Lei 9.430/1996 (redação dada pela Lei 10.637/2002). Ocorre que o art. 26, parágrafo único, c/c o art. 2º da Lei 11.457/2007 afastou expressamente essa prerrogativa em relação às contribuições sociais do art. 11, parágrafo único, "a", "b" e "c", da Lei 8.212/1991 (contribuições patronais, dos empregadores domésticos e dos trabalhadores) e àquelas instituídas a título de substituição: Fl. 115DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001471/200911 Acórdão n.º 1802001.578 S1TE02 Fl. 116 11 Art. 26. O valor correspondente à compensação de débitos relativos às contribuições de que trata o art. 2º desta Lei será repassado ao Fundo do Regime Geral de Previdência Social no máximo 2 (dois) dias úteis após a data em que ela for promovida de ofício ou em que for deferido o respectivo requerimento. Parágrafo único. O disposto no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não se aplica às contribuições sociais a que se refere o art. 2º desta Lei. A intenção do legislador foi, claramente, resguardar as receitas necessárias para o atendimento aos benefícios, que serão creditadas diretamente ao Fundo do Regime Geral de Previdência Social, nos termos do art. 2º, § 1º, da Lei 11.457/2007”. Portanto, conforme entendimento do Poder Judiciário, o disposto no art. 74 da Lei nº 9.430/96 (compensação por PER/DCOMP) não se aplica às contribuições sociais aludidas no art. 2º da Lei nº 11.457/07. Não obstante, como já disse alhures, entendo que a partir da revogação do § 2º do art. 89 Lei nº 8.212/91 (norma específica), operada pela Lei nº 11.941/09, abriuse possibilidade legal de compensação voluntária, de iniciativa do contribuinte (prévio requerimento), de débitos de contribuições previdenciárias do INSS com créditos dos demais tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, desde que observado específico procedimento legal de compensação a ser implementado, conforme será demonstrado a seguir. Primeiramente, tornase mister transcrever o texto dos arts. 2º e 26 da Lei nº 11.457/2007, in verbis: Art. 2º Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. (Vide Decreto nº 6.103, de 2007). § 1º O produto da arrecadação das contribuições especificadas no caput deste artigo e acréscimos legais incidentes serão destinados, em caráter exclusivo, ao pagamento de benefícios do Regime Geral de Previdência Social e creditados diretamente ao Fundo do Regime Geral de Previdência Social, de que trata o art. 68 da Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000. (...) Fl. 116DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001471/200911 Acórdão n.º 1802001.578 S1TE02 Fl. 117 12 Art. 26. O valor correspondente à compensação de débitos relativos às contribuições de que trata o art. 2º desta Lei será repassado ao Fundo do Regime Geral de Previdência Social no máximo 2 (dois) dias úteis após a data em que ela for promovida de ofício ou em que for deferido o respectivo requerimento. Parágrafo único. O disposto no art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não se aplica às contribuições sociais a que se refere o art. 2º desta Lei." No contexto sistemáticonormativo que se insere a Lei nº 11.457/07 (arts. 2º e 26), é cediço que o referido diploma legal procedeu à fusão da Secretaria da Receita Federal com a Secretaria da Receita Previdenciária, criando a cognominada "SUPER RECEITA", cujo órgão passou a ser chamado de Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). E, no contexto da referida fusão, foram criadas regras para a estrutura administrativa e de procedimentos administrativos para harmonização e operacionalização da reunião das competências de administração, fiscalização e arrecadação dos tributos federais, incluindo agora as contribuições previdenciárias, previstas no art. 11, parágrafo único, "a", "b" e "c", da Lei nº 8.212/91 e das contribuições instituídas a título de substituição. A norma insculpida no caput do art. 26 da Lei 11.457/07, numa primeira análise, diz respeito apenas à obrigatoriedade do repasse, pela União (RFB), do valor correspondente à compensação de débitos relativos às contribuições previdenciárias do INSS ao Fundo do Regime Geral de Previdência Social (RGPS). Já, a regra contida no parágrafo único do art. 26 da Lei nº 11.457/07 dispõe apenas acerca do alinhamento e adaptação do procedimento administrativo de compensação, para operacionalização do repasse, pela União (RFB), do valor correspondente à compensação de débitos relativos às contribuições previdenciárias ao Fundo do Regime Geral de Previdência Social. Mas, não é só isso! Em análise detida, o art. 26 da Lei nº 11.457/07 diz mais: busca equalizar o fluxo de arrecadação e manter íntegra a destinação dos valores arrecadados a título de contribuições previdenciárias do INSS, diante da característica das contribuições especiais: a destinação específica do produto de sua arrecadação. A equalização do fluxo de arrecadação, para manutenção da correta destinação dos valores das contribuições previdenciárias ao Fundo do RGPS, somente se justifica se, e apenas se, na compensação (débitos x créditos) os créditos utilizados para o encontro de contas não forem de natureza previdência (contribuições previdenciárias). A propósito, os efeitos financeiros da compensação tributária, se operada apenas entre contribuições previdenciárias ou entre contribuições previdenciárias e demais tributos federais, são os seguintes: Fl. 117DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001471/200911 Acórdão n.º 1802001.578 S1TE02 Fl. 118 13 a) compensação de débito de contribuição previdenciária com créditos previdenciários. O produto da arrecadação da contribuição previdenciária, já descontada a compensação, é creditado diretamente ao Fundo RGPS (Lei 11.457/2007, art. 2º, § 1º). Aqui, não há equalização do fluxo de arrecadação, pois tudo é feito no âmbito da GFIP, conforme será abordado mais adiante. b) compensação débito de contribuição previdenciária do INSS com créditos de tributos federais. O produto da arrecadação da contribuição previdenciária (valor recolhido pelo contribuinte + o valor compensado) é creditado diretamente ao Fundo RGPS (Lei nº 11.457/2007, art. 2º, § 1º). Quanto ao valor compensado (crédito utilizado de tributos administrado pela RFB), o repasse do respectivo valor pela União (RFB) ao Fundo RGPS deve ocorrer em dois dias úteis (Lei nº 11.457/2007, art. 26). Aqui, destarte, que se dá a equalização para que haja o repasse integral da arrecadação das contribuições previdenciárias. É essa equalização de arrecadação que está regulamentada no caput art. 26, da Lei nº 11.457/07. Tal procedimento financeirocontábil já era adotado desde o ano de 2005, antes mesmo da criação da "Super Receita", com o advento Lei nº 11.196/05, que modificou o DecretoLei nº 2.287/86, instituindo a compensação de ofício entre as contribuições previdenciárias e créditos de outros tributos federais. Entretanto, o caput do art. 26 da Lei nº 11.457/2007 foi além dessa compensação de ofício, ou seja, prevê também a compensação voluntária, mediante requerimento do contribuinte, de débito de contribuição previdenciária (INSS) com créditos de tributos federais, porém, neste último caso, em procedimento diverso do art. 74 da Lei n° 9.430/96. Logo, o parágrafo único do art. 26 da Lei nº 11.457/2007 deve ser entendido no sentido de que o procedimento de compensação previsto no art. 74, da Lei nº 9.430/96 não se aplica às compensações de débitos previdenciários via DCOMP eletrônica ou em papel, quando estiverem envolvidos créditos de tributos federais e débitos de contribuições previdenciárias. E não se aplica o mencionado procedimento administrativo fiscal do art. 74 da Lei 9.430/96 para as compensações de débitos previdenciários com créditos de outros tributos federais por uma razão lógica e sistêmica após unificação da arrecadação dos tributos federais, promovida pela Lei nº 11.457/07, ou seja, em face da necessidade de equalização do fluxo de arrecadação do INSS (necessidade de repasse em dois dias úteis em procedimento de compensação ágil, diverso do procedimento do art. 74 da Lei n° 9.430/96). Como a compensação tributária, no procedimento do art. 74 da Lei n° 9.430/96, dáse imediatamente, ainda que em caráter resolutório, podendo a homologação ocorrer de forma expressa ou tácita, no prazo de até cinco anos. Vêse, logo, que o procedimento do art. 74 da Lei n° 9.430/96 é incompatível com a necessidade de equalização imediata do fluxo de arrecadação da receita previdenciária. É notório que o procedimento administrativo de compensação, previsto no art. 74, da Lei nº 9.430/96, é o denominado de "Compensação por Declaração", ou seja, o próprio contribuinte realiza a compensação e a informa à RFB, mediante utilização do Programa Gerador PER/DCOMP eletrônica ou, em certos casos, mediante DCOMP em formulário em papel. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001471/200911 Acórdão n.º 1802001.578 S1TE02 Fl. 119 14 O procedimento de compensação por declaração (DCOMP) é incompatível com o procedimento de equalização do fluxo de recursos financeiros, prevista no caput art. 26, da Lei nº 11.457/07. É incompatível pelas seguintes razões: necessidade de controle prévio da compensação de crédito de tributos federais (exceto previdenciários) com os débitos de contribuição previdenciária, para fins de determinação do quantum a ser repassado para o Fundo do RGPS; exíguo lapso temporal para o repasse pela União (RFB) ao Fundo do RGPS dos valores compensados, uma vez que fixado dois dias úteis da data da compensação de ofício ou do deferimento do requerimento. Prazo incompatível com a DCOMP que exingue o débito sob condição resolutória na data de sua transmissão. Cabe mencionar, ainda, que a Lei nº 11.457/07 faz referência à data do deferimento do requerimento. Tal REQUERIMENTO somente pode ser considerado o pedido administrativo prévio de compensação voluntária pelo contribuinte. É indubitável que a compensação via requerimento é completamente distinta da compensação por intermédio de declaração. Nesta, o contribuinte realiza a compensação sob condição resolutória e, ato contínuo, informa à RFB, que tem determinado prazo para homologála ou não. Naquela, o contribuinte faz meramente um pedido administrativo de compensação, o qual será analisado pela RFB, que poderá deferilo ou não. De modo que já se sabe, até mesmo por expressa menção do parágrafo único do art. 26 da referida Lei, que o procedimento via DCOMP não se aplica às compensações referidas no caput. E mais, sabese que a compensação entre crédito de contribuição previdenciária e débitos desta mesma contribuição é realizada por declaração, na denominada GFIP, pois desnecessária, nestes casos, a equalização de recursos financeiros entre a União e o INSS (RGPS). Com efeito, não faria qualquer sentido dizer que o vocábulo "requerimento", a que se refere o caput do art. 26, da Lei nº 11.457/07, estaria ligado à compensação entre crédito de contribuições previdenciárias e débitos de natureza prvidênciária. Como visto, há diversos procedimentos de compensação tributária. Resumidamente, a compensação tributária ocorre em momentos distintos a depender do tipo de procedimento adotado, ou seja: a) entre contribuições previdenciárias, conforme legislação de regência da GFIP (Lei 8.212/91, art. 89, c/c art. 44 da IN RFB nº 900/2008); b) entre tributos federais administrados pela RFB, pela legislação de regência da DCOMP (Lei nº 9.430/96, art. 74, § 1º); Fl. 119DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001471/200911 Acórdão n.º 1802001.578 S1TE02 Fl. 120 15 c) entre débitos de contribuição previdenciária do INSS e crédito de tributos federais administrados pela RFB, somente após deferimento de requerimento, em procedimento diverso do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (Lei 11.457/2007, art. 26). Assim, embora não aplicável o art. 74 da Lei 9.430/96 à compensação tributária entre créditos de tributos federais e débitos de contribuições previdenciárias, o parágrafo único do art. 26 da Lei nº 11.457/07, ao invés de vedar, está a viabilizar possível compensação tributária por “requerimento” do contribuinte prevista no seu caput. Tanto é assim que, com o fito de eliminar o último óbice quanto à compensação voluntária entre contribuições previdenciárias e créditos de outros tributos federais, a Lei nº 11.941/09 revogou, expressamente, o § 2º do art. 89 da Lei nº 8.212/91. Significa isso que, acaso o legislador desejasse vedar a compensação, por iniciativa do contribuinte, de crédito de outros tributos federais com os débitos de contribuições previdenciárias, teria mantido a norma inserta no § 2º, do art. 89, da Lei nº 8.212/91, modificando apenas o órgão arrecadador para a RFB. Mas assim não o fez, mantendo a coerência lógicosistemática da compensação de tributos administrados pela RFB. Em face do exposto, cabe concluir que a compensação de créditos de tributos federais com débitos de contribuições previdenciárias do INSS tem previsão legal, porém deve ser apresentada via “requerimento” do contribuinte, por força do art. 26, caput, da Lei nº 11.457/07, em face de necessidade de controle da compensação para fins de repasse, pela União (RFB), do valor compensado ao Fundo do RGPS, não podendo ser utilizado, por conseguinte, o procedimento de compensação por declaração (DCOMP), prevista no art. 74 da Lei nº 9.430/96, conforme dispõe o parágrafo único do art. 26 da Lei nº 11.457/07. No caso, inadvertidamente a Recorrente utilizou, para compensação tributária de débitos de contribuição previdenciária – INSS (de que tratam as alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212/91 e das contribuições instituídas a título de substituição) com créditos de tributos federais (saldo negativo do IRPJ), o procedimento vedado do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (DCOMP) quando deveria ter utilizado a via requerimento a que alude o caput do art. 26 da Lei nº 11.457/2007. A alegação da Recorrente de que as contribuições previdenciárias do INSS da agroindústria (contribuições instituídas a título de substituição) estariam enquadradas, abarcadas, no art. 11, parágrafo único, alínea “d” da Lei 8.212/91) e que não estariam abrangidas pela vedação do parágrafo único do art. 26 da Lei nº 11.457/07 também não merece prosperar. As contribuições da alínea “d” do parágrafo único do art. 11 (contribuições sobre o faturamento) são diversas das contribuições instituídas para a agroindústria, a título de substituição. Logo, a vedação de compensação tributária pelo sistema do art.74 da Lei n° 9.430/96 aplicase às contribuições instituídas a título de substituição, conforme previsão, de forma expressa, do art. 2º da Lei 11.457/2007. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001471/200911 Acórdão n.º 1802001.578 S1TE02 Fl. 121 16 Nessa parte ainda, como razão de decidir, adoto os fundamentos do voto condutor da decisão recorrida por serem plusíveis ou pertinentes e que transcrevo a seguir (fls. 72/73), in verbis: (...) O contribuinte pleiteia compensação de crédito referente ao saldo negativo do IRPJ anocalendário 2008 com débitos de Contribuição Social Previdenciária e se insurge contra o Despacho Decisório, fl. 25, que indeferiu o pleito, alegando não haver impedimento legal para a compensação após a Lei n° 11.457/2007 que unificou as competências da Receita Federal com a Receita Previdenciária. E acrescenta que por força do art. 22A da Lei n° 8.212/1991 se enquadra na alínea "d" do parágrafo único do art. 11 da citada lei, por conseguinte, não se encontra atingida pela possível vedação à aplicação do art. 74 da Lei n° 9.430/1996. Não lhe assiste razão, é impossível, para o caso em análise, a aplicação do art. 74 da Lei n° 9.430/1996, porque, diferente do que afirma a defesa, a Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007 (Lei de criação da Secretaria da Receita Federal do Brasil), mediante o art. 26, parágrafo único, veda expressamente a citada aplicação às contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. (...) O regime substitutivo está disciplinado no art. 22A da Lei n° 8.212/1991: "Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de: (Incluído pela Lei n° 10.256. de 2001). ..." (Grifei) Portanto, às contribuições previdenciárias previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do art. 2o da Lei n° 8.212/1991, bem como as instituídas a título de substituição, não se aplicam as disposições sobre compensação previstas no art. 74 da Lei n° 9.430/1996 é o que determina com clareza o art. 26 c/c art. 2o da Lei n° 11.457/2007, acima transcritos. Sendo assim, diferente do que alega a defesa, a contribuição devida e para a qual se requer compensação, com crédito de saldo negativo do IRPJ apurado no anocalendário 2008, se trata de contribuição previdenciária e seja do tipo das previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei Fl. 121DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001471/200911 Acórdão n.º 1802001.578 S1TE02 Fl. 122 17 n° 8.212/1991, seja do tipo das instituídas a título de substituição (agroindústria), se encontra excetuada das determinações contidas no art. 74 da Lei n0 9.430/1996. Pelo exposto, não prospera a tentativa da defesa de enquadrar a contribuição referida na alínea "d" do parágrafo único do art. 11 da Lei n° 8.212/1991, a qual abrange, tão somente, às contribuições incidentes sobre o faturamento e o lucro das empresas, ou seja, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, CSLL, e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, COFINS, ambas já administradas pela Receita Federal. Tanto é assim que o art. 2o da Lei n° 11.457/2007 ao atribuir a nova competência à Secretaria da Receita Federal do Brasil se referiu às contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei n° 8.212/1991 e às contribuições instituídas a título de substituição, cujo regime substitutivo está previsto no art. 22A, referido pela defesa. Corroborando o entendimento acima a Instrução Normativa RFB nº 900/2008, regulamenta a restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e determina: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. ....” (Grifei). Também divergente do que interpreta a defesa, as contribuições previdenciárias foram ressalvadas e obedecem a regime próprio de compensação previsto nos artigos 44 a 48 da referida Instrução Normativa. (...) Portanto, conforme demonstrado, às contribuições da agroindústria (contribuições substitutivas) é inaplicável o procedimento de compensação previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430/96. Por outro lado, cabe pequeno reparo na decisão recorrida, ou seja, diversamente do que consta da decisão a quo, a situação dos autos também não se amolda, não se subsume, aos artigos 44 a 48 da IN RFB n° 900/2008, pois esses dispositivos tratam de compensação de créditos decorrentes de pagamento a maior de contribuições previdenciárias com débitos dessas mesmas contribuições. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001471/200911 Acórdão n.º 1802001.578 S1TE02 Fl. 123 18 A situação dos autos, como já restou sobejamente demonstrado, tratase de situação diversa, ou seja, de declaração de compensação de crédito de outros tributos (saldo negativo do IRPJ) com débitos de contribuições previdenciárias. Tal fundamento ou possibilidade de compensação tributária não foi enfrentada pelo despacho decisório e pela decisão recorrida, embora, em abstrato, tenha sido prevista, em tese, no caput do art. 26 da Lei n° 11.457/2007, conforme já fartamente demonstrado. Por conseguinte, se a compensação pleiteada não pode se efetivar pelo art. 74 da Lei n° 9.430/96, e também não pode se efetivar pelos artigos 44 a 48 da Instrução Normativa SRF n° 900/2008, cabia ao despacho decisório e à decisão recorrida pronunciarse, de forma expressa, se na data de protocolização da Declaração de Compensação objeto dos autos (20/03/2009) já estava, ou não, implementada a possibilidade de compensação de créditos de outros tributos (saldo negativo de IRPJ) com débitos de contribuições previdenciárias, e não simplesmente denegar o pleito da Recorrente, sob pretexto de que foi utilizado procedimento vedado. Qual seria o procedimento de compensação permitido, no caso? A Recorrente tem direito de compensação tributária, em tese. Para evitar possível cerceamento do direito de defesa, negativa de prestação de jurisdição e evitar supressão de instância de julgamento, tornase necessário devolver os autos à Unidade de origem da RFB (DRF/Maceió), para que enfrente, no mérito, a questão se Recorrente tem, ou não, o direito de compensação tributária, no caso, com fulcro no caput do art.26 da Lei n° 11.457/2007 que estaria permitindo, em tese, a compensação no caso, mediante mero requerimento. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE OU INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSIÇÃO LEGAL. Nas razões do seu recurso, a Recorrente arguiu a ilegalidade ou inconstitucionalidade do parágrafo único do art. 26 da Lei nº 11.457/2007, por afronta a princípios constitucionais, em face da vedação de aplicação do art. 74 da Lei nº 9.430/96 nas compensações, entre créditos de tributos federais com débitos de contribuições previdenciárias do INSS. Não cabe aos órgãos de julgamento administrativo conhecer, no mérito, da arguição de inconstitucionalide de lei, negar vigência, afastar ou deixar de aplicar disposição legal de regência vigente sob pena de responsabilidade funcional, pois, em face da adoção do princípio da Jurisdição Una pela Carta da República, o controle de legalidade de lei é da competência do Poder Judiciário. A propósito, esse entendimento é pacífico neste Egrégio Conselho Administrativo cuja matéria já se encontra sumulada: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Na verdade, na esfera administrativa o escopo do julgamento não é o controle de legalidade da legislação aplicada (eventuais ou pretensos vícios formais ou materias da lei), Fl. 123DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001471/200911 Acórdão n.º 1802001.578 S1TE02 Fl. 124 19 mas sim o controle de legalidade do ato administrativo, do despacho decisório e da decisão recorrida, no sentido de aferir se houve, ou não, observância da legislação material e processual de regência. Por tudo que foi exposto, voto para DAR provimento PARCIAL ao recurso, para devolver os autos do processo à unidade de origem da RFB, no caso à DRF/Maceió para que se pronuncie, no mérito, se a Recorrente tem ou não, no caso, direito à compensação tributária com base no caput do artigo 26 da Lei 11.457/2007 que, em tese, estaria permitindo a compensação tributária objeto dos autos, haja vista a inaplicabilidade do procedimento do art. 74 da Lei n° 9.430/96 e do procedimento dos artigos 44 a 48 da IN SRF n° 900/2008. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 124DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 10950.900207/2006-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
Crédito Presumido. Base de Cálculo. Aquisições de Insumos de Pessoas Físicas e Cooperativas Não Contribuintes do Pis e da Confins.
Em atenção ao art. 62, p.u., inciso II, alínea a, do Regimento Interno do CARF, e na forma da orientação constante do Despacho s/n, de 13/12/2011 (DOU de 15/12/2011), do Exmo. Ministro da Fazenda, que aprovou o Parecer PGFN n º 2.176/2011, fica reconhecida a inclusão na base de cálculo do crédito presumido da Lei n º 9.363/1996, dos valores correspondentes aos insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas.
Crédito Presumido. Lei N.º 9.363/1996. Receita de Exportação Decorrente de Produtos Adquiridos de Terceiros. Impossibilidade.
A receita decorrente de vendas de produtos adquiridos de terceiros é insuscetível de cômputo na apuração da receita de exportação, uma vez que não há o preenchimento simultâneo das condições de produtor e exportador, visto que o beneficio fiscal é exclusivo daqueles que o façam.
Pedido de Ressarcimento. Correção Monetária. Incidência.
Incide a correção monetária sobre os pedidos de ressarcimento, a partir do protocolo deste. Preservação do direito à propriedade e vedação ao enriquecimento sem causa. Inteligência do art. 108 do CTN. TAXA SELIC. Deverá ser observada a taxa SELIC, em analogia ao art. 39, §4º, da Lei n. 9.250/95, a partir de 01.01.96. Precedentes da CSRF.
Recurso voluntário conhecido e parcialmente provido.
Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3102-001.386
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para acatar os créditos decorrentes de aquisições de pessoas físicas e cooperativas e a incidência da Taxa Selic sobre os créditos reconhecidos, a ser calculada a partir da apresentação do pedido. Vencida a Conselheira Mara Cristina Sifuentes, que não reconhecia a incidência da taxa Selic. Os conselheiros Winderley Morais Pereira e Luis Marcelo Guerra de Castro votaram pelas conclusões no que se refere à incidência da Selic.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Redator Ad Hoc
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro.
Nome do relator: LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 Crédito Presumido. Base de Cálculo. Aquisições de Insumos de Pessoas Físicas e Cooperativas Não Contribuintes do Pis e da Confins. Em atenção ao art. 62, p.u., inciso II, alínea a, do Regimento Interno do CARF, e na forma da orientação constante do Despacho s/n, de 13/12/2011 (DOU de 15/12/2011), do Exmo. Ministro da Fazenda, que aprovou o Parecer PGFN n º 2.176/2011, fica reconhecida a inclusão na base de cálculo do crédito presumido da Lei n º 9.363/1996, dos valores correspondentes aos insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas. Crédito Presumido. Lei N.º 9.363/1996. Receita de Exportação Decorrente de Produtos Adquiridos de Terceiros. Impossibilidade. A receita decorrente de vendas de produtos adquiridos de terceiros é insuscetível de cômputo na apuração da receita de exportação, uma vez que não há o preenchimento simultâneo das condições de produtor e exportador, visto que o beneficio fiscal é exclusivo daqueles que o façam. Pedido de Ressarcimento. Correção Monetária. Incidência. Incide a correção monetária sobre os pedidos de ressarcimento, a partir do protocolo deste. Preservação do direito à propriedade e vedação ao enriquecimento sem causa. Inteligência do art. 108 do CTN. TAXA SELIC. Deverá ser observada a taxa SELIC, em analogia ao art. 39, §4º, da Lei n. 9.250/95, a partir de 01.01.96. Precedentes da CSRF. Recurso voluntário conhecido e parcialmente provido. Direito Creditório Reconhecido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para acatar os créditos decorrentes de aquisições de pessoas físicas e cooperativas e a incidência da Taxa Selic sobre os créditos reconhecidos, a ser calculada a partir da apresentação do pedido. Vencida a Conselheira Mara Cristina Sifuentes, que não reconhecia a incidência da taxa Selic. Os conselheiros Winderley Morais Pereira e Luis Marcelo Guerra de Castro votaram pelas conclusões no que se refere à incidência da Selic. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Redator Ad Hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro.
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Base de Cálculo. Aquisições de Insumos de Pessoas Físicas e Cooperativas Não Contribuintes do Pis e da Confins. Em atenção ao art. 62, p.u., inciso II, alínea “a”, do Regimento Interno do CARF, e na forma da orientação constante do Despacho s/n, de 13/12/2011 (DOU de 15/12/2011), do Exmo. Ministro da Fazenda, que aprovou o Parecer PGFN n º 2.176/2011, fica reconhecida a inclusão na base de cálculo do crédito presumido da Lei n º 9.363/1996, dos valores correspondentes aos insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas. Crédito Presumido. Lei N.º 9.363/1996. Receita de Exportação Decorrente de Produtos Adquiridos de Terceiros. Impossibilidade. A receita decorrente de vendas de produtos adquiridos de terceiros é insuscetível de cômputo na apuração da receita de exportação, uma vez que não há o preenchimento simultâneo das condições de produtor e exportador, visto que o beneficio fiscal é exclusivo daqueles que o façam. Pedido de Ressarcimento. Correção Monetária. Incidência. Incide a correção monetária sobre os pedidos de ressarcimento, a partir do protocolo deste. Preservação do direito à propriedade e vedação ao enriquecimento sem causa. Inteligência do art. 108 do CTN. TAXA SELIC. Deverá ser observada a taxa SELIC, em analogia ao art. 39, §4º, da Lei n. 9.250/95, a partir de 01.01.96. Precedentes da CSRF. Recurso voluntário conhecido e parcialmente provido. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 02 07 /2 00 6- 02 Fl. 913DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 6/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10950.900207/200602 Acórdão n.º 3102001.386 S3C1T2 Fl. 852 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para acatar os créditos decorrentes de aquisições de pessoas físicas e cooperativas e a incidência da Taxa Selic sobre os créditos reconhecidos, a ser calculada a partir da apresentação do pedido. Vencida a Conselheira Mara Cristina Sifuentes, que não reconhecia a incidência da taxa Selic. Os conselheiros Winderley Morais Pereira e Luis Marcelo Guerra de Castro votaram pelas conclusões no que se refere à incidência da Selic. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Redator Ad Hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório Tratase de Recurso Voluntário que chega para exame deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF em razão da insurgência do contribuinte epigrafado ao Acórdão nº. 1429.625 (fls. 850854), da 8ª. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto/SP. Em instante prévio à apreciação da manifestação recursal, convém que sejam revisitados os atos e fases processuais já vencidas. Pois bem. Conforme bem descrito no relato empreendido pela autoridade julgadora de origem: “O estabelecimento acima identificado requereu o ressarcimento de crédito presumido do IPI, com fundamento na Lei n° 10.276/2001, referente ao 1° trimestre de 2003 e no valor de R$ 473.635,87, a ser utilizado nas compensações dos débitos vinculados ao presente processo. O Despacho Decisório de fls. 761/785 deferiu parcialmente o pleito da interessada, reconhecendo o direito creditório no montante de R$ 109.326,25 e, consequentemente, homologando as compensações até esse limite. Em síntese, os motivos expostos para o deferimento em parte do pedido de ressarcimento foram os seguintes: a) Na apuração realizada pela fiscalização, utilizouse a metodologia aplicada no Programa Gerador do DCP — Demonstrativos de Crédito Presumido, em sua versão 1.1, e ficha 06B, buscandose coincidir numeração e descrição das linhas da ficha com a presente análise; Fl. 914DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 6/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10950.900207/200602 Acórdão n.º 3102001.386 S3C1T2 Fl. 853 3 b) Foram excluídas da base de cálculo as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem realizadas sem a incidência de COFINS (aquisições de pessoas físicas e cooperativas), pois não dão direito ao cálculo do benefício; c) Documentos fiscais de entrada de insumos para produção, cujos efetivos pagamentos não foram comprovados pela requerente, não podem ser assumidos como efetiva aquisição e utilização no processo produtivo, afastados assim da apuração do benefício; d) Somente foram consideradas no cômputo do benefício fiscal as aquisições de insumos para utilização em seu processo industrial, não se admitindo mercadorias adquiridas para revenda; e) Não comprovando a apuração dos valores de insumos utilizados na produção segundo sistema de custo integrado com a escrituração, passouse à determinação destes valores considerandose os estoques iniciais e finais dos meses no período verificado. Aplicouse as disposições legais do art. 15 da IN/SRF n° 315/2003. Com as alterações efetuadas pela fiscalização, cada um dos termos da apuração do crédito presumido do IPI utilizados pela requerente sofreu a seguinte alteração: o valor da receita de exportação acumulada de R$ 6.283.183,26 para R$ 5.651.456,15, o valor da receita operacional bruta acumulada de R$ 21.638.197,07 para R$ 20.550.307,37, o valor das matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem de R$ 15.397.580,47 para R$ 8.000.128,93, o valor da energia elétrica acumulada utilizada na produção de R$ 80.715,85 para R$ 56.337,66. Inconformada com a decisão, a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 807/826, instruída com os documentos de fls. 827/845, alegando em síntese que: 1) A Receita Federal não pode ignorar a intenção do legislador quando instituiu o benefício do crédito presumido do IPI, como forma de estimular as exportações, e pretender através da produção de atos administrativos de caráter infralegal, limitar os direitos garantidos pela lei; 2) Dispositivos reguladores não podem fazer exclusões que não constam das leis, especificadamente, sobre o caso das aquisições de pessoas físicas e cooperativas, conforme julgados do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais; 3) O valor de R$ 425.882,59 correspondente às devoluções ocorridas no mês de junho de 2003 e excluído da receita de exportação pela fiscalização no 1° trimestre, não pode permanecer, pois tal valor foi excluído pela requerente no Fl. 915DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 6/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10950.900207/200602 Acórdão n.º 3102001.386 S3C1T2 Fl. 854 4 próprio mês de junho. Permanecendo a exclusão, tal valor será excluído em duplicidade, causando prejuízo para a requerente; 4) É indevido o procedimento que excluiu da receita de exportação o valor de R$ 205.844,52, referente às exportações de mercadorias adquiridas de terceiros, pois a lei em nenhum momento determina qualquer tipo de exclusão das receitas de exportação; 5) Os cálculos utilizados pelo Fisco, considerando os estoques iniciais e finais de cada mês e excluindo desses valores os estoques de produtos acabados, não está correto, pois na apuração do valor do crédito presumido do IPI do último trimestre de 2002, foi excluído o valor dos estoques existentes no final do mês de dezembro de 2002, no valor de R$ 4.122.750,01, porém, este valor não foi incluído no cálculo do 1° trimestre de 2003. Prevalecendo esse critério de cálculo utilizado pelo Fisco, devem ser considerados na base de cálculo do crédito presumido do IPI, os valores relativos aos estoques finais do ano de 2002, excluídos do cálculo do benefício naquele período; 6) Ao final, requer o acolhimento integral do pedido realizado para deferir o ressarcimento dos valores devidamente corrigidos e a suspensão da cobrança dos créditos tributários compensados. Após delimitar a matéria impugnada, a 8a. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto/SP, através do acórdão já referenciado, manteve parcialmente a linha do Despacho Decisório de fls. 761/785, o que se colhe da ementa clara e precisa do julgado guerreado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE MATÉRIASPRIMAS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. O valor dos insumos adquiridos de pessoas físicas, cooperativas e afins, não contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não se inclui na base de cálculo do crédito presumido do IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. A receita de vendas de produtos adquiridos de terceiros é insuscetível de cômputo na apuração da receita de exportação, unia vez que não há industrialização nessa hipótese e o beneficio fiscal é concernente apenas às empresas produtoras exportadoras. REGIME ALTERNATIVO. ESTOQUES. Os valores de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados em produtos em elaboração e Fl. 916DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 6/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10950.900207/200602 Acórdão n.º 3102001.386 S3C1T2 Fl. 855 5 acabados mas não vendidos serão excluídos da base de cálculo do crédito presumido do último período de apuração anterior à opção e computados a partir do primeiro período de apuração correspondente à nova sistemática de cálculo. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase como não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte. Regularmente intimado, o contribuinte manejou o Recurso Voluntário em análise, pelo qual basicamente reitera parte dos argumentos já deduzidos em sua manifestação de inconformidade, continuando sua defesa quanto: (i) à intenção do legislador, ao instituir o benefício do crédito presumido do IPI, como forma de estimular as exportações, de forma a restar impossibilitada a pretensão de, através da produção de atos administrativos de caráter infralegal, limitar os direitos garantidos por lei, assim, não poderiam dispositivos reguladores fazer exclusões que não constassem de leis, especificadamente, sobre o caso das aquisições de pessoas físicas e cooperativas; (ii) à impossibilidade de exclusão da receita de exportação do valor referente às exportações de mercadorias adquiridas de terceiros, pois a lei em nenhum momento determinaria qualquer tipo de exclusão das receitas de exportação; e, (iii) a possibilidade dos créditos serem corrigidos mediante a aplicação da taxa Selic. Em face do encerramento do mandato do conselheiro relator me autodesignei para tal tarefa. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Reproduzo o votocondutor do acórdão discutido em sessão e que foi referendado pela maioria dos presentes. Verificado o preenchimento dos pressupostos de admissibilidade recursal, dele tomo conhecimento. No que concerne ao primeiro ponto abordado no recurso voluntário, quanto às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagens para utilização no processo produtivo junto a fornecedores não contribuintes do PIS e da Cofins no âmbito da Lei n º 9.363/1996, o tema foi alvo do Despacho s/n, de 13/12/2011, do Ministro da Fazenda, publicado no DOU de 15/12/2011, aprovando o Parecer PGFN Fl. 917DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 6/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10950.900207/200602 Acórdão n.º 3102001.386 S3C1T2 Fl. 856 6 n º 2.116/2011, que dispôs sobre a dispensa da interposição de recursos relacionado ao tema em função da jurisprudência dominante acerca da admissão quanto à apropriação de créditos de pessoas físicas e cooperativas no âmbito da Lei n º 9.363/1996. Assim, atento a norma impositiva do art. 62, parágrafo único, inciso II, alínea “a”, do Regimento Interno do CARF, curvome a orientação constante do Despacho do Excelentíssimo Ministro da Fazenda, no sentido do acatamento dos créditos em questão. No tocante ao segundo ponto abordado pelo recorrente, é cabível aplicar o mesmo entendimento discorrido anteriormente, uma vez que do próprio texto legal do artigo 1º da Lei n. 9.363/1996 extraise que o contribuinte, para gozar do benefício do crédito presumido de IPI, deve preencher ambas as condições previstas, quais sejam sua caracterização simultânea como produtor e exportador. Como suprareferido, por ser norma que institui benefício fiscal, há de se atribuir a esta uma interpretação literal, não comportando ampliações de seu sentido, de modo que a própria lei, no parágrafo único do aludido artigo, estende o direito ao crédito presumido àquelas situações que entende cabível, tal como se lê: “Art. 1ºA empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafoúnico.O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior”. Desta forma, não podem ser incluídas as receitas de venda para o exterior de produtos adquiridos de terceiros, pois, para a hipótese, inexiste processo de produção na própria empresa que justifique a habilitação ao benefício fiscal, exclusiva da condição de produtoresexportadores, a qual não é ostentada pela recorrente nesse caso. O artigo 2º da Lei n. 9.363/1996 reitera o entendimento então esboçado, ao evidenciar a necessidade do enquadramento do contribuinte como produtor exportador para que usufrua da posição de beneficiário da norma jurídica em comento, tal como se observa: “Art.2oA base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de Fl. 918DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 6/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10950.900207/200602 Acórdão n.º 3102001.386 S3C1T2 Fl. 857 7 embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador”. Concluise, por logo, que se encontra justificada a exclusão da parcela do valor das exportações realizada pelo procedimento de fiscalização adotado, já que estes não correspondem a efetivas exportações. No que tange ao pleito da correção monetária sobre os créditos em questão, informados no pedido de ressarcimento apresentado pela Recorrente, divergimos das conclusões exaradas pela Instância a quo, muito embora reconheçamos não se tratar o caso de pleito de repetição de indébito, para a qual existe expressa previsão legal para a atualização com base na SELIC (art. 66, §3º, da Lei n. 8.383/91), mas de pedido de ressarcimento de créditos presumidos de IPI. Conforme muito bem pontuou a Conselheira Sílvia de Brito Oliveira em voto vencedor sobre o assunto (Acórdão n. 203 11.501), as posições contrárias à atualização monetária nos ressarcimentos de créditos de IPI subdividemse entre aqueles que se opõem a qualquer espécie de correção por ausência de disposição legal, e, uma segunda linha, que admitem a correção até 31.12.1995, por analogia ao disposto no art. 66, §3º, da Lei n. 8.383, de 30.12.1991. Segundo esta segunda linha de pensamento, tendo sido introduzida a taxa SELIC pelo §4º, do art. 39, da Lei n. 9.250, de 26.12.1995 (cuja entrada em vigor se deu em 1º de janeiro de 1996), como índice a ser aplicado aos pedidos de compensações ou restituições, a analogia não poderia mais ser invocada por não representar referido índice mera recomposição do poder aquisitivo da moeda (inflação), já que atingiria fatores bastante superiores à inflação. Deixo de cogitar qualquer espécie de filiação a primeira corrente, pois não admitir a correção monetária sobre os créditos de IPI, de qualquer espécie, ainda que em sede de pedido de ressarcimento, atentaria contra o direito à propriedade, constitucionalmente assegurado, resultando, ainda, em enriquecimento sem causa do erário federal. E não se trata aqui em transbordo da competência desta instância administrativa, pois inexiste norma positivada que vede a incidência da correção monetária em tais situações. Existe, sim, uma lacuna no Ordenamento Jurídico que abre espaço à aplicação da analogia, nos termos do art. 108 do CTN em outra ocasião já citado. Diante disto, o mais razoável seria admitir a atualização monetária, vez que tão somente revelaria a preservação do direito de propriedade do contribuinte mediante a manutenção do poder aquisitivo da moeda, aplicando a analogia de que trata o dispositivo acima citado para fazer incidir os índices aplicados aos pedidos/declarações de compensação ou restituição Fl. 919DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 6/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10950.900207/200602 Acórdão n.º 3102001.386 S3C1T2 Fl. 858 8 (SELIC), que segundo expõe com propriedade a Julgadora já outrora citada, somente se diferenciam dos pedidos de ressarcimento “no aspecto temporal da incidência da mora, visto que o indébito caracterizase como tal desde o seu pagamento, podendo ser devolvido desde então. Já os créditos de IPI devem antes ser compensados com débitos desse imposto na escrita fiscal e somente se tornariam passíveis de ressarcimento em espécie quando não houver possibilidade de se proceder essa compensação, cabendo então a formalização do pedido de ressarcimento pelo contribuinte que fará as provas necessárias ao Fisco.” (Acórdão n. 20311.501). Ademais, cai por terra qualquer argumentação restritiva que se funde na superioridade da taxa SELIC em relação aos índices oficiais de atualização monetária, constituindose verdadeiros juros moratórios, quando passa a se verificar efetiva mora administrativa a partir do protocolo do pedido de ressarcimento. Por outro lado, enveredar pela não aplicação da analogia mediante a adoção da segunda linha de argumentação acima narrada, seria compactuar com a idéia de que o contribuinte estaria à mercê da boa vontade dos agentes fiscais em homologar seu pedido de ressarcimento, e que, independentemente do tempo decorrido, haveria de ser considerado o valor principal. Aliás, seguindo a linha ora defendida, está a jurisprudência do SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, conforme se colhe de esclarecedora passagem do voto condutor do Min. José Delgado, relator do Recurso Especial n. 611.905 – RS: “Na hipótese vertente, com muito mais razão se aplica esse entendimento, na medida em que a não aplicação de correção monetária sobre os valores devolvidos tardiamente pela Fazenda Pública colocaria o contribuinte ao arbítrio do administrador que somente faria o ressarcimento quando bem lhe conviesse, mantendo os valores em seu poder, só os entregando ao seu titular quando já corroídos pela inflação. Tal fato, como se vê, contraria a própria lógica, pois não pode o Estado negligenciar e ficar imune aos efeitos de sua conduta. (...) A jurisprudência desta Corte é remansosa no sentido de que as regras atinentes à repetição de indébito são extensíveis ao ressarcimento do IPI. Portanto, tanto em um caso quando no outro, cabe a aplicação de correção monetária e a compensação desses valores com débitos vencidos e vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da Secretaria da Receita Federal. (...) Como os pedidos foram formulados após 1.01.96, tendo sido realizados quase dois anos depois, não existe óbice para a aplicação da Taxa SELIC como índice de atualização monetária. Entendimento aplicável à repetição de indébito que, conforme dito, estendese à hipótese dos autos.” De uma forma ou de outra, a despeito das motivações do entendimento aqui esposado, filiome a tese da possibilidade da Fl. 920DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 6/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10950.900207/200602 Acórdão n.º 3102001.386 S3C1T2 Fl. 859 9 adoção do índice em trato nos ressarcimentos de créditos de IPI em respeito a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais sobre a matéria, conforme indicam as ementas abaixo:Ementa: IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Cabe a atualização monetária dos ressarcimentos de créditos de IPI pela aplicação da taxa SELIC, em atendimento ao princípio da isonomia, da eqüidade e da repulsa ao enriquecimento sem causa. Precedentes do Colegiado. Recurso Negado. (Acórdão CSRF/0201.690) Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI). RESSARCIMENTO. TAXA SELIC – NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO – Incidindo a Taxa SELIC sobre a restituição, nos termos do art. 39, §4º, da Lei n. 9.250/95, a partir de 01.01.96, sendo o ressarcimento uma espécie do gênero restituição, conforme entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão CRSF/020.708, de 04.06.98, além do que, tendo o Decreto n. 2.138/97 tratado restituição o ressarcimento da mesma maneira, a referida taxa incidirá, também, sobre o ressarcimento. Recurso a que se nega provimento. Sendo assim, reconhecida como já o foi pelas instâncias inferiores a pertinência parcial dos créditos objetos dos pedidos de ressarcimento, entendo pela aplicabilidade da correção monetária a partir da data do protocolo do pedido de ressarcimento perante a Autoridade Fazendária competente, com base na taxa SELIC por analogia ao §4º, do art. 39, da Lei n. 9.250/95, situação que deve ser observada no caso presente. Ante ao exposto, voto no sentido de conhecer do presente recurso voluntário para darlhe parcial provimento, para reconhecer a apropriação de créditos presumidos no âmbito da Lei n º 9.363/1996 decorrentes de aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas, assim como assegurar a recorrente a correção monetária, pela taxa Selic, a partir da data do protocolo do pedido de ressarcimento. Deve, outrossim, observar a autoridade de origem os limites do crédito histórico reconhecido ao contribuinte. Apenas para expor os fundamentos que me fizeram acompanhar o relator pelas conclusões no que se refere à correção monetária, destaco que, segundo entendo, a recorrente faz jus a tal acréscimo por força da orientação jurisprudencial assentada no REsp nº 1.035.847 / RS1, julgado em sede de “Recurso Repetitivo”, disciplinado pelo art. 543C do Código de Processo Civil, aplicável por força no art. 62A do Regimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais2. 1 MINISTRO LUIZ FUX, julgado em 24/06/2009. 2 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de Fl. 921DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 6/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10950.900207/200602 Acórdão n.º 3102001.386 S3C1T2 Fl. 860 10 Sala das Sessões, em 15 de fevereiro de 2012 Luis Marcelo Guerra de Castro 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 922DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 6/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 14098.000076/2010-98
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
CONTRADIÇÃO - DESISTÊNCIA
Embargos não conhecidos, em face de desistência expressa do recurso.
Numero da decisão: 1103-000.995
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO conhecer dos embargos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Takata - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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Interessado 3ª TURMA ORDINÁRIA DA 1ª CÂMARA DA 1ª SEÇÃO DO CARF ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 CONTRADIÇÃO DESISTÊNCIA Embargos não conhecidos, em face de desistência expressa do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO conhecer dos embargos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 8. 00 00 76 /2 01 0- 98 Fl. 532DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14098.000076/201098 Acórdão n.º 1103000.995 S1C1T3 Fl. 527 2 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de autos de infração de IRPJ e CSL, referentes ao anocalendário de 2005, cujos instrumentos específicos dos autos de infração se encontram às fls. 68 a 75, com exigência também de multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 31/03/2010. Segundo o Termo de Verificação Fiscal de fls. 76 a 79, que integra os autos de infração, os lançamentos decorreram da falta de declaração e pagamento de IRPJ e de CSL sobre ganho de capital auferido na alienação de direitos de exploração de potenciais hidráulicos, havidos por concessão pública a custo zero, trazidos a preço de mercado por meio de laudos de avaliação utilizados para aquisição de ações de outra empresa. Em 18/03/2010, a recorrente apresentou esclarecimentos (fls. 19 a 30) aos autos de infração, informando que os direitos de exploração dos potenciais hidráulicos não haviam sido obtidos a custo zero. E, ainda, sobre outros aspectos tributários da reavaliação, sem apresentar os Livros Caixa ou Razão e Diário. Não tendo apresentado os livros solicitados no item “1” do termo de início do procedimento fiscal (fls. 2 a 4) a recorrente foi reintimada às fls. 31 e 32, em 20/04/2010. A entrega dos Livros Razão e Diário ocorreu em 23/04/2010, juntamente às cópias dos atos societários, conforme fls. 33 a 63. Restaram infringidas, portanto, as disposições dos arts. 521 do RIR/99, do art. 2º e §§, da Lei 7.689/88 e do art. 29, II, da Lei 9.430/96, bem como do art. 37 da Lei 10.637/02. DA IMPUGNAÇÃO Irresignada, a recorrente, apresentou impugnação em 28/05/2010, de fls. 86 a 99, em que aduz, em síntese, o que segue. Afirma que as operações descritas nos autos de infração não implicam dizer que houve ganho de capital capaz de gerar tributação. Ainda mais pelo fato de a recorrente ter optado por ter sua tributação apurada pelo lucro presumido e pelo regime de caixa. Houve, portanto, equívoco da autoridade fiscal quando confundiu apuração de ganho com realização, tendo em vista que não considerou o fato de não ter havido nenhum fluxo financeiro para a recorrente. Argumenta que, conforme previsão dos arts. 516, 521, § 1º, e 527, I, II e III, e parágrafo único, do RIR/99, bem como do art. 1º, I e II, da IN SRF 104/98 e do art. 30 da MP 1.858/99, é facultado ao contribuinte optar pela tributação com base no lucro presumido e regime de caixa. Assim, o reconhecimento dos seus ganhos ocorre na medida do efetivo recebimento. Fl. 533DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14098.000076/201098 Acórdão n.º 1103000.995 S1C1T3 Fl. 528 3 No mesmo sentido o julgado colacionado. O entendimento do Conselho de Contribuintes é de que, no regime de caixa, a simples troca de bens com outras pessoas jurídicas não pode ser lançada. De forma que o momento do lançamento é anterior ao da realização, que, naquele regime, somente acontece com o fluxo financeiro, que, no caso, foi zero. O exercício da competência tributária deve abranger a fixação dos elementos material, temporal e quantitativo da incidência. Assim, “a adoção do Regime de Caixa para escrituração, e, consequente tributação, não desqualifica a incidência do Imposto de Renda sobre o ganho de capital, já que a alteração de regimes tãosomente adianta ou difere o momento de consumação do fato gerador do referido tributo”. Equivale a dizer que, caso houvesse recebimentos financeiros, e.g. dividendos, juros sobre o capital próprio, realização financeira de uma alienação, seria gerada a realização de ganho. Contudo, não houve qualquer movimentação financeira no caso ora em apreço. Pelo exposto, requereu o cancelamento dos autos de infração e protestou por todos os meios de prova em direito admitidos, notadamente pela juntada de novos documentos. DA DECISÃO DA DRJ Em 17/09/2010, acordaram os membros da 2ª Turma de Julgamento da DRJ de Campo Grande, por unanimidade de votos, indeferir o pedido de produção posterior de provas e, no mérito, negar provimento à impugnação, mantendo os lançamentos de IRPJ e CSL, de acordo com o entendimento que segue. Preliminarmente, acerca do requerimento de produção de provas, salientouse que, no âmbito do procedimento administrativo fiscal, as provas devem ser carreadas aos autos junto à impugnação, a não ser que seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto 70.235/72. No mérito. Sobre as negativas da recorrente acerca da ocorrência de ganho de capital, não há como prosperarem. Isso porque no conceito de alienação se encontra também a dação em pagamento. Nesta, a disponibilidade econômica é evidente, tendo em vista que se está pagando dívida com bem, o que demonstra a ocorrência do fato previsto no art. 43 do CTN. Verificouse a ocorrência do fato gerador quando a empresa MCA e a recorrente subscreveram e integralizaram aumento de capital da empresa Linca, no montante de R$ 29.620.000,00, mediante a conferência dos valores econômicos das concessões de 5 Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH). Assim, a alienação dos direitos se deu em 25/11/2005, sob o valor supramencionado, cabendo 50% para cada um dos alienantes. Apontouse, ainda, “que tanto as empresas obrigadas pelo Lucro Real, quanto as demais, têm que oferecer à tributação o ganho de capital obtido em virtude da avaliação do Fl. 534DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14098.000076/201098 Acórdão n.º 1103000.995 S1C1T3 Fl. 529 4 ativo. Somente diferem quanto à possibilidade desta tributação ser diferida e efetivada quando da realização dos bens e direitos avaliados. Estas benesses da legislação tributária são para as pessoas jurídicas que mantêm contabilidade completa. Não são para as optantes do Lucro Presumido, como é o caso da fiscalizada”. A recorrente afirma que, em tendo optado pelo regime do lucro presumido, o reconhecimento dos seus ganhos ocorre na medida do efetivo recebimento, bem como o registro de suas perdas é feito quando do efetivo pagamento. Contudo, a empresa submetida ao lucro presumido deve apurar o ganho de capital auferido em virtude da avaliação do patrimônio na data da ocorrência da alienação. Não são aplicados a este caso, portanto, as previsões dos arts. 434, 435, 440 e 441, do RIR/99. E, ainda, a adoção do regime de caixa somente é autorizada para a tributação das receitas decorrentes de atividade operacional. De forma que as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro presumido, devem emitir nota fiscal quando da entrega do bem ou direito, ou da conclusão dos serviços, e controlar os recebimentos em conta específica. Nesta deverão ser indicadas as notas fiscais a que correspondem os recebimentos, providência que não foi adotada pela recorrente. Ademais, conforme regime instituído pela IN SRF 104/98, as receitas cujo recebimento se dá em bens ou direitos devem ter o mesmo tratamento das recebidas em dinheiro. Devem, portanto, ser reconhecidas para apuração do IRPJ quando do recebimento do pagamento. E, sendo assim, não procede o pleito da recorrente de serem excluídos da base de cálculo os valores recebidos em bens. Estendese à CSL o que decidido quanto ao IRPJ por se tratar de tributação reflexa. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário de fls. 130 a 162, em 8/11/2010, alegando, em síntese, o que segue. A recorrente historia os acontecimentos do Consórcio Juruena do qual participava ao lado da empresa MCA e, juntas, detinham 60% do referido consórcio. O consórcio foi dissolvido, e, com isso, a recorrente e a empresa MCA ficaram com o direito de exploração de 5 Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH), na fração ideal de 50% cada uma. Os custos incorridos pela recorrente foram registrados em seu ativo diferido, pelo valor total de R$ 726.822,65. A recorrente e a MCA optaram por efetuar reavaliaçãoda 5 PCH, com base em laudo elaborado por empresa especializada. O valor apurado totalizou R$ 29.620.000,00. “Dessa forma, a recorrente registrou esse ativo intangível com lançamento a débito de R$ 14.810.000,00 no seu ativo imobilizado, contra um lançamento a crédito de R$ 726.822,65 na conta de ativo diferido (investimento inicial para obtenção do direito de exploração) e um lançamento a débito na conta de patrimônio líquido Reserva de Reavaliação, no valor de R$ 14.083.177,35 (fls. 247 a 266 do Anexo I).” Fl. 535DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14098.000076/201098 Acórdão n.º 1103000.995 S1C1T3 Fl. 530 5 Sem ocorrer a realização da reserva de reavaliação, as duas empresas, recorrente e MCA, integralizaram o capital na empresa Linca com os direitos de exploração das 5 PCH, pelo valor reavaliado, na proporção de 50% cada uma. A Linca, por sua vez, integralizou o capital na empresa Juruena, conferindo lhe os mesmos direitos e pelo mesmo valor. Em seguida, um fundo de investimento (Energia PCH – Fundo de Investimento em Participações) passou a participar da Juruena, aportanto ao capital dessa R$ 134.850.000,00. Posteriormente, a Juruena integralizou o capital de 5 sociedades de propósito específico (SPE) os direitos de exploração das 5 PCH – para cada SPE o direito de exploração a 1 PCH. As SPE são: Campos de Júlio Energia S.A., Parecis Energia S.A., Rondon Energia S.A., Sapezal Energia S.A. e Telegráfica Energia S.A. Todavia, a mera reavaliação dos ativos não dá ensejo ao reconhecimento de receitas ou ganhos contábeis para fins societários e fiscais. A recorrente procedeu de acordo com a legislação vigente à época, art. 182, § 3º, da Lei de S.A., de sorte que as contrapartidas de aumento do valor de avaliação de ativos foram registradas diretamente em conta de reserva de reavaliação, sem trânsito pelo resultado como receita ou ganho. Afirma que mesmo depois da eliminação da conta de reserva de reavaliação pela Lei 11.638/07, seu art. 6º determinou que os saldos existentes poderiam ser mantidos até a sua efetiva realização. E, ainda, que a constituição de reserva de reavaliação sem reconhecimento de receita ou ganho é obrigatória a todas as pessoas jurídicas, independentemente de ser tributada sob lucro presumido ou lucro real. Ademais, a reavaliação de um ativo não possui natureza de receita ou ganho, por lhe faltar característica fundamental, qual seja, a realização. Por essa razão, a reavaliação de bens não poderia transitar pelo resultado de uma empresa, vez que caracteriza mera expectativa sobre o valor de mercado, que ainda não foi realizado. Ainda que a recorrente tenha integralizado o capital da empresa Linca com os 50% das 5 PCHs que lhe pertenciam, não houve receita ou ganho com esta operação, tendo em vista não ter ocorrido a realização contábil necessária para esse registro. E, mais, a recorrente continuou a ser titular de 50% dos direitos de exploração em virtude de sua participação societária na Linca. Somente haveria de se falar em eventual alienação desse direito no momento em que um terceiro independente adquirisse parte dele em uma operação de mercado. Antes desse momento não há realização da aludida reserva de reavaliação. No tocante à opção de regime de contabilidade, afirma que a legislação tributária permite que, em determinadas circunstâncias e obedecidos certos requisitos, os contribuintes optem pela adoção do regime de caixa, exclusivamente para fins de cálculo dos tributos. Neste sentido, a IN SRF 104/98 admite a possibilidade do regime de caixa para apuração do IRPJ e, em seu art. 2º, também para a CSL, o PIS e a COFINS. Contrariando o entendimento demonstrado na decisão recorrida, apresenta duas soluções de consulta da Receita Federal do Brasil, indicando que o regime de caixa deve ser aplicado a todas as receitas, indistintamente. Fl. 536DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14098.000076/201098 Acórdão n.º 1103000.995 S1C1T3 Fl. 531 6 Neste sentido, colaciona entendimento proferido pelo antigo 1º Conselho de Contribuintes para combater o argumento utilizado pela DRJ de que tal regime somente se aplicaria para o reconhecimento das receitas operacionais, e não para as operações de troca. Acrescenta que, no regime de caixa, o único elemento a passar efetivamente pelo caixa é o numerário. Assim, neste regime, é indispensável a disponibilidade econômica da quantia. Diferentemente do que entendido pela decisão recorrida, ao afirmar que o ingresso de dinheiro no caixa e o ingresso de outros bens no ativo devem ter o mesmo tratamento contábil. Através dos fatos retratados nestes autos, restou claro que inexistiu trânsito de valores que pudessem implicar registro na conta caixa e, consequentemente, ganho tributável pelo regime de caixa. Por essa razão devem ser integralmente cancelados os autos de infração. Ad argumentandum, alega que eventualmente só poderia ser considerado realizado o ganho sob o regime de caixa, quando o terceiro Energia PCH – Fundo de Investimento em Participações ingressou na Juruena, aportando R$ 134.850.000,00. Só com o ingresso de terceiro independente na empresa da recorrente se poderia falar de reconhecimento do valor de reavaliação dos direitos de exploração das 5 PCH pelo mercado, e, pois, em realização de ganho sob regime de caixa. Segue daí ter havido erro material nos lançamentos que os inquinam de nulidade por vício substancial. Por fim, argui que, ainda que se admita a utilização da taxa Selic para cobrança dos juros de mora incidentes sobre o tributo supostamente devido, não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício por absoluta ausência de previsão legal. Isso porque hipótese diversa da prevista pelo art. 43 da Lei 9.430/96 nos casos de exigência de multa isolada. Cita acórdão dos antigos 1º e 2º Conselhos de Contribuintes e da 2ª Turma da CSRF. Pelo exposto, requereu a reforma integral da decisão recorrida, com o consequente cancelamento das autuações em questão. DO ACÓRDÃO DO CARF Em sessão do dia 5/12/2012, a 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, mediante o Acórdão nº1103000.797, de minha relatoria, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso, conforme entendimento abaixo sintetizado. Primeiramente, foi afirmado que não há nenhuma restrição para a adoção do regime de caixa no reconhecimento do ganho de capital. Uma vez que a reavaliação de ativo é possível para as empresas que adotam o regime de caixa, registrandose a contrapartida em reserva de reavaliação, e, sendo admitido o regime de caixa para quem apura lucro presumido, não há nada que obrigue a tributação da maisvalia da reavaliação, enquanto essa não se realize sob o regime de caixa. Foi acentuado que, quando o ativo intangível (direito de exploração de 5 PCH – pequenas centrais hidroelétricas) reavaliado foi conferido ao capital da Linca, houve a relação de troca com o mercado, devido a presença de outro sócio nesta empresa, mas isso não Fl. 537DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14098.000076/201098 Acórdão n.º 1103000.995 S1C1T3 Fl. 532 7 significa realização da reserva de reavaliação nesse momento, mesmo sob o regime de competência, pois a Linca é investimento avaliado por equivalência patrimonial pela recorrente. Tampouco, o fato de outro terceiro (fundo de investimento em participações FIP) ingressar na Juruena sociedade à qual foi conferido o intangível pela Linca a valor contábil (que já era o valor de mercado, pois a Linca havia acabado de receber o intangível reavaliado pela recorrente em conferência a seu capital) – não implica que houvesse maisvalia oculta que tenha aflorado ou sido realizada nesse momento (do ingresso do outro terceiro na Juruena). Após serem feitas considerações de que só quando a Linca ou a Juruena fossem alienadas ou quando o ativo reavaliado fosse realizado (“depreciado”), haveria realização da reserva de reavaliação, por ser a Linca avaliada por equivalência patrimonial, e sobre o Pronunciamento Ibracon sobre reavaliação de ativos, concluiuse que o momento da realização de reserva de reavaliação no regime de caixa é o mesmo do regime de competência. E que isso é sintoma da paradoxal possibilidade de se reavaliar ativos com registro da contrapartida em reserva de reavaliação, para quem adota o regime de caixa. Foi deduzido que o ponto central do caso vertente corresponde ao fato de o direito contábil vigente, que deve ser observado, vedar a reavaliação do ativo intangível, conforme o Pronunciamento Ibracon sobre reavaliação de ativos, que, por ser de caráter técnico, constitui forma de interpretação integrativa do ordenamento jurídico contábil. E que, ademais de tal pronunciamento ter sido aprovado pela Deliberação CVM 183/95, a Resolução CFC 1.004/04 aprovou a NCB T 19.6 sobre reavaliação de ativos que segue a mesma linha do referido pronunciamento Ibracon. Ainda, que, nesse passo, a disciplina do IR sob o regime de lucro real prevê um rol mais extenso de bens ou direitos reavaliáveis do que admite o direito contábil. Assim, para quem apura o lucro presumido, mesmo sob o regime de caixa, a maisvalia apurada na reavaliação de intangível constitui ganho de capital tributável já no momento dessa reavaliação. Mais. Não fosse assim, o ganho de capital teria sua concreção com a conferência do ativo intangível ao capital da Linca, que, aliás, se deu no mesmo dia em que o intangível foi reavaliado. Mesmo não tendo sido vazado nos melhores moldes o motivo, de sua descrição é inferível o seguinte. Para quem apura lucro presumido, a conferência do ativo intangível configura alienação, no sentido de realização da maisvalia atribuída ao intangível, sendo inevitável a concreção do ganho de capital. Por fim, questionouse se os argumentos trazidos na decisão recorrida configuram uma inovação do motivo e, por conseguinte do lançamento. A resposta a sua questão foi negativa, tendo em vista que, conceitualmente, fundamentação jurídica não é sinônimo de motivo. Negouse, portanto, provimento ao recurso, tendo em vista os argumentos mencionados anteriormente e a não ocorrência da inovação do motivo. DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Intimada a recorrente, esta apresentou embargos de declaração de fls. 224 a 236, arguindo, em síntese, o que segue. Fl. 538DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14098.000076/201098 Acórdão n.º 1103000.995 S1C1T3 Fl. 533 8 Primeiramente, apontou contradição e obscuridade quanto à impossibilidade da reavaliação do ativo intangível, afirmando que o acórdão embargado reconhece que a reserva de reavaliação pode ser feita no regime do lucro presumido, contrariando a decisão de 1ª instância. Afirma que a autoridade julgadora só pode determinar a realização de eventuais diligencias e pericias, e conceder improcedência ou procedência do lançamento. Sendo assim, na medida em que a decisão recorrida aponta um erro cometido pela 1ª instância, esta deveria ter cancelado os autos de infração e reformado a decisão recorrida, ao invés de negar provimento ao recurso voluntário e trazer novos argumentos estranhos à lide, como a impossibilidade de reavaliação de ativo intangível, para justificar os lançamentos. Acerca deste entendimento colacionou decisão do CARF. Acrescentou que o acórdão é obscuro, pois a impossibilidade de reavaliação do ativo intangível não foi argumento utilizado na lavratura dos autos de infração, de modo que a recorrente não pode se defender acerca disso em sede de impugnação e de recurso voluntário, o que trouxe prejuízo ao seu direito de defesa. Assim, afirmou que a motivação apresentada pela fiscalização foi alterada pelo acórdão embargado, o que fez reconhecer um erro de direito cometido no auto. Asseverou que o entendimento da decisão recorrida acerca do fato de que não há sempre a necessidade do motivo coincidir com o fundamento jurídico da autuação, contraria posicionamentos anteriores do CARF. Quanto a isso, juntou decisão proferida pelo CARF. Alegou também que há contradição quanto às alegações acerca do regime de caixa. Sobre isso, afirmou que, porquanto o relator entendeu não ser necessário fluxo financeiro para concreção do ganho de capital, ele não poderia afirmar que o regime de caixa alcança as receitas operacionais e não operacionais, pois uma afirmação contraria a outra. Neste sentido, reforçou o fato alegado em seu recurso voluntário, de que no regime de caixa as receitas são consideradas na apuração do lucro da pessoa jurídica no momento em que transitam pela conta caixa, o que faz com que não haja ganho de capital no momento da conferencia do ativo da recorrente. Acerca disso colacionou doutrinas e decisão proferida pelo CARF. Entendeu que a alegação sobre a relação de troca com o mercado não traria a tributação, uma vez que não ocorreu operação independente de mercado, pois o ativo era o mesmo. Por fim, requereu que sejam sanadas as contradições e obscuridas, para, por consequência, ser reformado o acórdão embargado e cancelado os autos de infração de IRPJ e CSL. É o relatório. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14098.000076/201098 Acórdão n.º 1103000.995 S1C1T3 Fl. 534 9 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata O recurso de embargos é tempestivo (fls. 214, 224, 237 a 252 – numeração do eprocesso). Em petição de 17 de janeiro de 2014, endereçada ao Presidente do CARF, a embargante comunicou a adesão dos débitos até então em dissídio à anistia do art. 1º da Lei 11.941/09 e conforme a Lei 12.865/13, e desistiu integralmente de seu recurso, de forma expressa e irrevogável, nos termos do art. 14 da Portaria Conjunta PGFN/RFB 7/13. E, em petição protocolada em 6 de fevereiro de 2014, foi comunicada ao Presidente desta Turma a referida desistência. Dessa forma, não conheço dos embargos. É o meu voto. Sala das Sessões, em 12 de fevereiro de 2013 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 540DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/03/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10325.000593/2009-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
PEDIDO DE DILIGÊNCIA.
Presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de realização de diligência.
OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÕES.
Excluem-se da tributação os depósitos/créditos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física e os referentes a resgates de aplicações financeiras, estornos, cheques devolvidos, empréstimos bancários.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. (Súmula CARF nº 38 - Portaria MF nº 383 DOU de 14/07/2010)
MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009)
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-002.835
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir o pedido de perícia e diligência e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso, para excluir da base de cálculo do imposto devido a quantia de R$ 709.723,50.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 24/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Ewan Teles Aguiar, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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Presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de realização de diligência. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÕES. Excluemse da tributação os depósitos/créditos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física e os referentes a resgates de aplicações financeiras, estornos, cheques devolvidos, empréstimos bancários. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. (Súmula CARF nº 38 Portaria MF nº 383 DOU de 14/07/2010) MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃOCONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 5. 00 05 93 /2 00 9- 41 Fl. 369DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10325.000593/200941 Acórdão n.º 2102002.835 S2C1T2 Fl. 370 2 Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir o pedido de perícia e diligência e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso, para excluir da base de cálculo do imposto devido a quantia de R$ 709.723,50. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 24/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Ewan Teles Aguiar, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra VALDISON AQUINO BARBOSA foi lavrado Auto de Infração, fls. 260/265, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2005, exercício 2006, no valor total de R$ 3.319.366,90, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 31/03/2009. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, fls. 266/270, foi omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 268/289, que foi julgada improcedente pela autoridade julgadora de primeira instância, conforme Acórdão DRJ/FOR nº 0821.843, de 27/09/2011, fls. 303/313. Cientificado da referida decisão, por via postal, em 10/11/2011, Aviso de Recebimento (AR), fls. 360, o contribuinte apresentou, em 12/12/2011, recurso voluntário, fls. 361/367, no qual traz as alegações a seguir resumidas: Fl. 370DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10325.000593/200941 Acórdão n.º 2102002.835 S2C1T2 Fl. 371 3 que a decisão recorrida insiste em manter a presunção de omissão de receitas de outra atividade contra os firmes e fortes indícios e documentos, fls. 160/179 e 227/244, que comprovam o exercício da atividade rural, bem como a insofismável declaração do contribuinte de que sua única atividade é a rural; que o requerente comprovou, fls. 227/244, que valores ingressados nas contas correntes tem origem no exercício da atividade rural, cujo resultado tributável se confirmaria com a diligência e perícia, tudo com base nos documentos lançados no Livro Caixa; que o deferimento da diligência e da perícia irá demonstrar o efetivo resultado tributável, já que a autoridade fiscal não analisou sequer os documentos que comprovam o exercício da atividade rural, além de tributar créditos que comprovadamente são da atividade rural, tais como, FNE, liberação de financiamento e redução de saldo devedor, fls. 216/241; que o art. 42, § 4º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, determina que a tributação deve ser mensal, de modo que a autoridade fiscal não pode estender a data da ocorrência do fato gerador para dezembro; e que a multa no percentual de 75% é confiscatória. É o Relatório. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10325.000593/200941 Acórdão n.º 2102002.835 S2C1T2 Fl. 372 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Cuidase de Auto de Infração que imputa ao contribuinte a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Preliminarmente, devese examinar o pedido de diligência e perícia formulado pelo contribuinte na impugnação e reiterado no recurso. De imediato, cumpre dizer que o lançamento foi realizado sob a égide do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Essa presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos, sendo certo que não é lícito obrigar a Fazenda a substituir o recorrente no fornecimento de prova que a este competia em decorrência da apuração de omissão de rendimentos por presunção legal, pois, como já dito anteriormente, esta presunção tem o poder de inverter o ônus da prova. E mais, o contribuinte afirma que a perícia e a diligência teriam como objetivo a demonstração do resultado da atividade rural por ele desenvolvida no anocalendário 2005, com base nos documentos escriturados em seu Livro Caixa. Afirma, ainda, que os depósitos efetivados em suas contas bancárias são decorrentes da atividade rural que estaria espelhada no Livro Caixa. Ocorre que quando do procedimento fiscal o contribuinte solicitou reiteradamente prazo para apresentar o Livro Caixa, contudo, até a presente data, a cópia de tal Livro e dos correspondentes documentos não foram acostados aos autos. Ora, tal diligência mostrase totalmente desnecessária, pois, se o contribuinte de fato possui o Livro Caixa e os documentos que demonstram sua atividade rural bastaria juntálo aos autos. Caso contrário, se não tem o Livro Caixa e os documentos não é lícito determinar que o Fisco providencie, em lugar do contribuinte, o Livro e os documentos, cuja responsabilidade é ônus do recorrente, nos termos da legislação de regência. Deste modo, indeferese o pedido de diligência formulado pelo recorrente, por entendêla desnecessária, nos termos do art. 18 do Decreto n° 70.235, de 19721. 1 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 372DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10325.000593/200941 Acórdão n.º 2102002.835 S2C1T2 Fl. 373 5 No mérito, o contribuinte insiste em afirmar que a única atividade por ele desenvolvida é a rural, que o exercício de tal atividade está demonstrada nos documentos, fls. 160/179 e 227/244, e que restou comprovado que valores ingressados em suas contas bancárias tem origem no exercício da atividade rural. De pronto, cumpre dizer que para elidir a tributação calcada na presunção de omissão de rendimentos instituída pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, fazse necessário que o contribuinte comprove a origem dos créditos efetivados em suas contas bancárias, sendo certo que tal comprovação deve ser feita mediante documentos que demonstrem a vinculação entre os créditos examinados e a atividade desenvolvida pelo contribuinte. Logo, para o cancelamento do presente lançamento não basta que o contribuinte demonstre que efetivamente tem na atividade rural sua única fonte de renda, é também necessário que seja comprovado que a totalidade dos recursos movimentados em suas contas bancárias advêm de tal atividade. Ou seja, o que deve ser demonstrado não é a atividade desenvolvida pelo contribuinte, mas, sim, a origem dos depósitos havidos em suas contas bancárias. Os documentos trazidos aos autos pelo contribuinte, fls. fls. 160/179 e 227/244, prestamse na verdade para comprovar que o contribuinte de fato exerceu a atividade rural no anocalendário 2005, porém não comprovam a origem dos depósitos em questão, posto que não há correlação de datas e valores entre os créditos discriminados pela autoridade fiscal, fls. 271/275, e os referidos documentos. Portanto, permanece não comprovada a origem dos valores creditados nas contas bancárias de titularidade do contribuinte. Em sua defesa, o contribuinte diz, ainda, que foram levados à tributação créditos que comprovadamente são da atividade rural, tais como, FNE, liberação de financiamento e redução de saldo devedor, fls. 216/241. Nesse ponto, cumpre dizer que os créditos, cujos históricos eram: devolução de cheque compensado irregular e redução de saldo devedor foram excluídos da tributação pela autoridade fiscal, sendo certo que os depósitos considerados omissão de rendimentos são aqueles discriminados na planilha, fls. 271/275. Contudo, assiste razão ao contribuinte no que diz respeito aos créditos cujo histórico é lib FNE. Tais créditos estão identificados na planilha elaborada pela autoridade fiscal como tendo sido realizados na conta 071514 da agência 081 do banco 0043. Entretanto, não estão acostados aos autos os extratos de referida conta. E mais, o histórico lib FNE é bastante compatível com a alegação do recorrente de que se trata de liberação de empréstimo obtido junto ao Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste, cuja sigla é FNE, de modo que tais créditos, que correspondem à empréstimos, não podem compor a base de cálculo do imposto devido. Do mesmo modo, o histórico lib FINE também é compatível com a alegação da defesa de liberação de empréstimo. Assim, os créditos com tais históricos não podem compor a base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários. Indo além, também não é admissível que sejam tributados créditos, cujos extratos bancários sequer foram acostados aos autos, para confirmação dos elementos discriminados na planilha elaborada pela autoridade fiscal, sendo certo que em buscas em sites Fl. 373DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10325.000593/200941 Acórdão n.º 2102002.835 S2C1T2 Fl. 374 6 especializados na internet não foi possível identificar nenhuma instituição financeira, cujo número seja 0043. Assim, devem ser excluídos da base de cálculo todos os créditos discriminados na planilha, fls. 271/275, identificados como ocorridos na conta 071514 da agência 081 do banco 0043, conforme a seguir discriminados: Já a alegação do recorrente de que a autoridade fiscal não poderia estender a data da ocorrência do fato gerador para dezembro não procede, em razão do disposto na Súmula CARF nº 38, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. (Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010) Por fim, sobre o percentual de 75% da multa de ofício, que foi aplicada conforme disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, o recorrente afirma ser confiscatório. Vale dizer que o exame da obediência das leis tributárias aos princípios constitucionais é matéria que não deve ser abordada na esfera administrativa, conforme infere se da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Como se vê, os julgamentos administrativos não contemplam o exame de constitucionalidade de leis tributárias, de sorte que não será neste voto apreciada a alegação do recorrente de ofensa ao princípio constitucional de nãoconfisco. Ante o exposto, voto por indeferir o pedido de perícia e diligência e, no mérito, DAR PARCIAL provimento ao recurso para excluir da base de cálculo do imposto devido a quantia de R$ 709.723,50. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 374DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10325.000593/200941 Acórdão n.º 2102002.835 S2C1T2 Fl. 375 7 Fl. 375DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10920.000521/98-15
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2004
PETIÇÃO DE DESISTÊNCIA.
A apresentação da desistência total do recurso voluntário importa a renúncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais ele se fundamenta.
Numero da decisão: 1803-002.132
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conheceram do recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizan, Artur José André Neto e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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A apresentação da desistência total do recurso voluntário importa a renúncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais ele se fundamenta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conheceram do recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizan, Artur José André Neto e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 0511, com a exigência do crédito tributário no valor de R$4.522,35 a título da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional referente ao mês de novembro anocalendário de 1993 de apurada pelo regime de tributação com base no lucro real mensal a partir da revisão da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIRPJ) n° 9284994, relativa ao período de 01.01.01.1993 a 31.12.1993, fls. 1229. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 05 21 /9 8- 15 Fl. 271DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10920.000521/9815 Acórdão n.º 1803002.132 S1TE03 Fl. 272 2 O lançamento fundamentase no lapso na apuração do tributo como se depreende pelos valores alterados objeto de análise de ofício comparativamente àqueles constantes no Quadro 5 do Anexo 3 da DIRPJ do anocalendário de 1993. Verificouse que a Recorrente utilizouse da alíquota de 10% (dez por cento) ao invés da aplicação correta de 23% sobre a base de cálculo. Na oportunidade mantevese incólume, no valor de 1.982,07 UFIR, a compensação efetuada espontaneamente do débito com direito creditório anterior. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: §§ do art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 1º, art. 3º e art. 38 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, art. 11 da Lei nº 70, de 30 de dezembro de 1991 e art. 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Cientificada, a Recorrente apresenta a impugnação, fls. 0404, com as alegações abaixo sintetizadas. Suscita que a CSLL devida em novembro de 1993 foi calculada pela aplicação de alíquota incorreta sobre a base de cálculo, esclarecendo que incorreu em erro, já que o tributo foi “calculado automaticamente pelo Sistema de Imposto de Renda Pessoa Jurídica/94”. Discorda da exigência constante no Auto de Infração, uma vez há pagamento a maior na conta “Contribuição Social Antecipada Estimada” em 31.12.1992, em valor suficiente para compensar integralmente a exigência. Mediante o Despacho DRJ/Florianópolis/SC, de 17.05.1999, fls. 3637, e com fundamento na Instrução Normativa SRF n° 94, de 24 de dezembro de 1997 e na Nota Cosit/Gab nº 291, de 16 de julho de 1998, o processo foi enviado para DRF/Joinville/SC para as seguintes providências: (a) confirmar, por meio das verificações cabíveis, se a infração constante da autuação é, efetivamente, decorrente de erro de fato no preenchimento da DIRPJ; (b) caso positivo, cancelar de ofício o lançamento respeitado o princípio da economia processual e as orientações administrativas e proceder nos termos dos itens 4.1 e 4.2, da citada Nota COSIT/GAB n° 291/98; (c) caso contrário, elaborar relatório esclarecendo os motivos que determinaram o não reconhecimento das alegações formuladas pela autuada; e (d) do relatório retro deverá a autuada ser cientificada, com a concessão do prazo de quinze dias para eventual aditamento de sua impugnação, retornando o processo a esta DRJ. Intimada em 08.10.1999, fl. 53, a Recorrente apresentou os documentos às fls. 5492. Em conformidade com a Revisão de Lançamento da DRF/Joinville/SC em 14.10.1999, fls. 9394, restou constatado que [...] há saldo negativo da mesma CSLL remanescente de 1992 no valor de CR$51.069.611,00 (fls. 01 e 61) = 6.957,68 UFIR x CR$7.340,03, que poderia ter sido compensado [fl. 93]. [...] Constatase assim que houve recolhimento de CSLL por estimativa [...] em valores superiores àqueles declarados na correspondentes DIRPJ, sendo de direito a Fl. 272DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10920.000521/9815 Acórdão n.º 1803002.132 S1TE03 Fl. 273 3 compensação ou a restituição da quantia paga a maior [...]. Considerando que este direito pode ser exercido pelo próprio contribuinte na forma e no momento devidamente requerido, considerando que somente agora há manifestação de vontade do interessado na compensação deste valor proponho encaminhamento deste processo para SASIT para Despacho Decisório quanto ao direito à compensação. Na Informação Fiscal DRF/Joinville/SC, de 23.02.2012, fls. 9899, consta: 9. A questão giram em torno da possibilidade ou não de efetuar a compensação depois da de efetuada a autuação. A competência de apreciação de compensação é da SAORT. [...] Encaminhese o presente à [...] SAORT desta Delegacia para manifestarse sobre a oportunidade ou não da compensação e demais providências decorrentes [...]. A SAORT se pronunciou em 16.03.2012, fl. 99, no seguinte sentido: A compensação pretendida neste processo somente poderia se dar mediante requerimento, nos moldes previstos na IN SRF nº 21/97. Tendo em vista que isso não ocorreu, considerando ainda que não compete à Receita Federal verificar a existência de créditos antes do lançamento, não há compensação válida a ser considerada. A partir de todas essas informações, na Informação Fiscal DRF/Joinville/SC, de 26.03.2012, fls. 100101, está registrado: 11. Encaminhese o presente [...] SACAT para ciência da contribuinte e posterior envio para a [DRJ/Florianópolis/SC]. Notificada em 16.04.2012, fl. 103, a Recorrente permaneceu silente. Está registrado como resultado do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/FNS/SC nº 0729.995, de 15.10.2012, fls. 105110: “Impugnação Improcedente”. Consta no Voto condutor: A Autuada reconhece como correto o valor da CSLL devida no mês de novembro de 1993, no montante que resultou do procedimento de revisão da sua DIRPJ/94. No entanto, contra a cobrança que lhe é dirigida por meio do auto de infração de fls. 6 a 10, basicamente apresenta duas alegações: que o erro constatado no procedimento de ofício teria sido causado pelo programa que auxilia a elaboração da declaração; e que possui saldo na conta “Contribuição Social Antecipada Estimada” (em 31/12/1992), em montante suficiente para compensação integral da diferença exigida. Em análise aos argumentos e aos fatos demonstrados no presente processo, considerando o direito então vigente, há que se concluir que não assiste razão à Impugnante. Como se nota, a Contribuinte tenta se eximir da responsabilidade pela apuração da CSLL devida no mês de novembro de 1993, sob a alegação de que o erro constatado no procedimento de revisão da DIRPJ/94 teria sido causado pelo programa que auxilia a elaboração da declaração. Tal alegação não pode ser acolhida. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10920.000521/9815 Acórdão n.º 1803002.132 S1TE03 Fl. 274 4 Para bem elucidar a questão, cabe esclarecer que a CSLL do mês de novembro de 1993 deveria ser apurada pela Contribuinte, e eventualmente recolhida se houvesse valor a pagar, em momento anterior àquele em que deveria formalizar a apuração na DIRPJ/94. [...] Portanto, considerando que à luz da legislação vigente a apuração da CSLL do mês de novembro de 1993 deveria ser realizada em momento anterior ao de apresentação da DIRPJ/94, ainda que o programa que auxiliava a elaboração da referida declaração apresentasse o erro alegado (provocando justamente a redução no valor do tributo devido), a Contribuinte percebeu (ou deveria ter percebido) o problema na declaração, afinal, conhecia (ou deveria conhecer) o valor correto. E ao invés de reportar o fato à autoridade competente, a Contribuinte preferiu silenciar e declarar o tributo em montante inferior ao devido. Se assim procedeu, assumiu a responsabilidade pela informação declarada, e o risco decorrente de tal conduta. De toda sorte, o que se tem claramente demonstrado nos autos é a declaração de tributo devido em montante inferior ao legalmente exigido sendo, portanto, correto o lançamento fiscal que formaliza o crédito relativo à diferença. Há, ainda, que se analisar o argumento de que possuía saldo na conta “Contribuição Social Antecipada Estimada” (em 31/12/1992), em montante suficiente para compensação integral da diferença exigida. Como resultado da diligência determinada por esta DRJ, constatouse que, de fato, havia saldo negativo da CSLL remanescente de 1992 no valor de 6.957,68 UFIR, que poderia ter sido compensado pela Contribuinte (fl. 93). No entanto, também restou esclarecido que a compensação pretendida somente poderia se dar mediante requerimento, nos moldes previstos pela então vigente Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997 [...]. Portanto, ao invés de observar a legislação vigente e requerer a compensação de acordo com as regras então vigentes, a Contribuinte simplesmente optou por questionar o auto de infração que, como visto, foi corretamente lavrado. Consequentemente, conforme bem esclareceu a autoridade fiscal da Saort da DR/Joinville/SC (fl. 99), tendo em vista que a Contribuinte não apresentou o requerimento previsto na legislação, considerando ainda que não compete à Receita Federal do Brasil verificar a existência de créditos do sujeito passivo antes de constituir seu direito por meio do lançamento fiscal, não há compensação válida a ser considerada. Notificada em 13.12.2012, fl. 113, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 14.01.2012, fls. 11516, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na impugnação. Acrescenta que apresentou: [...] os livros fiscais demonstrando que o cálculo da [CSLL] foi feito utilizandose a alíquota de 23% [...] e devidamente compensado [e que] a diferença apurada pela autoridade fiscal se originou simplesmente em virtude de erro na sistema da DIRPJ/1994, que utilizou a alíquota de 10%. [...] A Recorrente não se eximiu da responsabilidade do cálculo da CSLL [...] sendo inclusive apresentada Pa autoridade fiscal copia dos resultados dos respectivos livros, onde consta demonstrado o valor devido totalmente compensado. [...] A diferença ocorreu por Fl. 274DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10920.000521/9815 Acórdão n.º 1803002.132 S1TE03 Fl. 275 5 erro de fato no programa da DIRPJ/1994 [caso em que] ficou impossibilitada de informar os valores corretos. [...] Esclarece que à época a Instrução Normativa nº 21, de 10 de março de 1997, ainda não tinha sido editada. Suscita: Conforme visto pela própria autoridade fiscal, houve recolhimento de CSLL por estimativa (fls. 69 a 71 do processo), em valores superiores aqueles declarados na correspondente DIRPJ, sendo de direito a compensação ou restituição da quantia paga a maior. Novamente entende a recorrente que o valor foi devidamente compensado na época própria, conforme demonstrado para a autoridade fiscal e devidamente registrado nos livros fiscais entregues à fiscalização, comprovando a compensação dos valores. Conclui: À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Termos em que, Pede deferimento Tendo em vista a controvérsia entre a alegação do Erário e o argumento da Recorrente, a realização da diligência se torna imprescindível para esclarecer a situação fática com o escopo de privilegiar o principio da verdade material. Por esta razão, o julgamento do feito foi convertido na realização de diligência em conformidade com a Resolução da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 180100.259, de 07.08.2013, fls. 240247, para que a Unidade da Receita Federal do Brasil que a jurisdicione intime a Recorrente: a apresentar os registros fiscais e contábeis dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais que corroborem sua alegação de defesa de forma inequívoca, explícita clara e congruente com os valores e as respectivas descrições conjugadamente com as memórias detalhadas de cálculos devidamente escrituradas que demonstrem que de fato o débito de CSLL devida em novembro de 1993 no valor remanescente de CR$283.951,00 (2.094,88 UFIR) foi totalmente extinto por compensação com utilização do direito creditório de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1992 na contabilidade. Foi elaborado o Termo de Encerramento de Diligência Fiscal, fls. 267268, com as seguintes informações: A empresa, decorrido o prazo, após vários telefonemas nos quais foi reiterado o atendimento à intimação fiscal, em resposta, protocolou PEDIDO DE DESISTÊNCIA DE RECURSO, solicitando o arquivamento do processo, em razão da reabertura do parcelamento da Lei nº 11.941/09 e a inclusão do débito ora discutido no processo em epigrafe, na forma do Art. 1º de que trata a Lei nº11941 de 2009, com a inclusão do debito no parcelamento conforme recibo nº 0003399982421959720. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10920.000521/9815 Acórdão n.º 1803002.132 S1TE03 Fl. 276 6 É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora A Recorrente apresentou petição de desistência total do recurso voluntário. Acerca da desistência total do recurso voluntário, estabelece o art. 78 do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho administrativo de Recursos Fiscais (RICARF): Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. [...] §3° No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. (redação dada pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010). A Recorrente, por meio da petição, fls. 265266, apresentou desistência total do recurso voluntário e renunciou a quaisquer alegações de direito sobre as quais ele se fundamenta. Por conseguinte, não há mais litígio por falta de objeto. Em assim sucedendo, voto por não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 276DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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