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Numero do processo: 10711.728589/2012-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 06/05/2009
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO.
É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto Lei nº 37/66.
MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE A CARGA. APLICAÇÃO POR MANIFESTO DE CARGA. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
A multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem. Contudo, se não estiverem presentes nos autos informações suficientes que comprovem a penalização por cada manifesto de carga, não há como cancelar o lançamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.560
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 06/05/2009 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto Lei nº 37/66. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE A CARGA. APLICAÇÃO POR MANIFESTO DE CARGA. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. A multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem. Contudo, se não estiverem presentes nos autos informações suficientes que comprovem a penalização por cada manifesto de carga, não há como cancelar o lançamento. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario.
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MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA Recorrente CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 06/05/2009 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitarse à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto Lei nº 37/66. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE A CARGA. APLICAÇÃO POR MANIFESTO DE CARGA. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. A multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem. Contudo, se não estiverem presentes nos autos informações suficientes que comprovem a penalização por cada manifesto de carga, não há como cancelar o lançamento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 85 89 /2 01 2- 93 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10711.728589/201293 Acórdão n.º 3201002.560 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Tratase de processo referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. A irregularidade identificada consta do tópico "Dos Fatos", parte da Descrição dos Fatos do Auto de Infração. Segundo o relatado, consistiu na prestação intempestiva de informação referente ao conhecimento eletrônico (CE) ali indicado, o que acarretou no bloqueio automático do conhecimento no sistema Carga, conforme extrato anexado aos autos. Diante dos fatos apurados, a fiscalização entendeu configurada a infração tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, e aplicou a multa ali cominada. Não conformada com a exigência, a contribuinte apresentou Impugnação, cujos argumentos de defesa foram assim sintetizados pela DRJ: a) Princípio da razoabilidade. O atraso incorrido pela impugnante não causou embaraço ao controle aduaneiro, eis que as informações foram prestadas com suficiente antecedência da chegada do navio ao porto, o que comprova, também, o fato de a autuada não ter agido com intuito de cometer qualquer infração. Dessa forma, a aplicação de multa no presente caso ofende ao princípio da razoabilidade, que impõe à Administração Pública o dever de agir com bom senso, prudência e moderação, levando em conta a relação de proporcionalidade entre os meios empregados e a finalidade a ser alcançada, bem como as circunstâncias que envolvem a prática do ato. b) Bis in Idem. A impugnante foi penalizada mais de uma vez pela mesma conduta, uma vez que foram cobradas multas pelo atraso na entrega de informações referentes a cargas transportadas no mesmo navio/viagem, conforme processos administrativos indicados, não podendo subsistir mais de uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) nº 8, de 14/2/2008. Ao final a impugnante requer que seja cancelado o lançamento ou, subsidiariamente, que seja aplicado o entendimento de que só é cabível uma multa em relação a cada navio/viagem, excluindose as penalidades excedentes. A DRJ/Fortaleza julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo a exigência da penalidade nos termos do Acórdão 08033.163. No recurso voluntário foram repisadas as alegações trazidas na impugnação. É o relatório. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10711.728589/201293 Acórdão n.º 3201002.560 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.523, de 21 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10711.724209/201241, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3201002.523): "Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresento e relato o seguinte voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e considerando o tempestivo Recurso Voluntário, dele conheço. A alegação da fiscalização de 'Não Prestação de Informação sobre Carga Transportada' e a consequente aplicação de multa de R$ 5.000,00 prevista no Art. 107 do DL 37/66, em razão do descumprimento do prazo previsto na IN RFB 800/2007, Art. 22, ocorreu em razão da fiscalização ter constatado que o contribuinte era consignatário e deveria ter cumprido o prazo em no máximo até 29/07/09 às 07:58, sendo que desconsolidou o mercante agregado HBL de fls. 23 e 24 às 18:00 do mesmo dia 29. Conforme alegação de bis in idem do contribuinte em seu Recurso Voluntário, a autuação seria atrelada a dois outros autos de infração, Processos Administrativos de n°. 10711.724.250/201218 e 10711.724.251/201262, com os mesmos fatos e penalidade. Vencido no voto de diligência, para que fossem juntadas aos autos cópias dos mencionados processos e fosse verificada a possibilidade da duplicidade da pena, conforme Resolução por mim proposta na sessão de Janeiro deste ano, é certo que devo proceder à análise do mérito desta lide. Em que pese existir precedente favorável à situação do contribuinte, como o encontrado no Acórdão 3102001.988 deste Conselho, que determinou que a multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem, como fora consignado na autuação, não houve comprovação da existência de duplicidade ou do bis in idem, tampouco argumentos capazes de prejudicar o lançamento fiscal ou contradizer os argumentos utilizados pela turma de origem que afirmou 'que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos'. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10711.728589/201293 Acórdão n.º 3201002.560 S3C2T1 Fl. 5 4 Mas cópias dos Autos de Infração, um demonstrativo analítico, com os registros relativos às operações tratadas em cada processo apontado no recurso, não foram juntados pelo contribuinte. Esta situação (não juntada de documentos ou provas) diverge do previsto no Art. 16, inciso III e §4º, do inciso V , do Decreto nº 70.235/72, bem como do artigo 373, inciso II, do Código de Processo Civil. Nestes termos, considerando que a Recorrente deixou de comprovar suas alegações, não há como acolher o pedido de nulidade do lançamento suscitado pela contribuinte. Restam prejudicados os demais argumentos do contribuinte, pois todos são decorrentes da alegação de bis in idem, exceto pela alegação de aplicação do princípio da razoabilidade, o que certamente teria valia porque é um princípio constitucional, contudo, está correta a fundamentação legal do lançamento, vigente e aplicável aos fatos narrados. O lançamento capitulou corretamente a multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decreto Lei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, pelo fato da Recorrente ter prestado informações sobre a desconsolidação da carga fora do preceitos e prazos previstos nos artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007. Assim, deve ser aplicada a multa prevista pela letra “e” do inciso IV, art. 107 do Decreto nº 37, isso é, no montante de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Diante do exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para manter o lançamento em uma só multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais)." Quanto à questão do bis in idem, da mesma forma que no caso do paradigma a contribuinte não juntou ao presente processo "cópias dos Autos de Infração, um demonstrativo analítico, com os registros relativos às operações tratadas em cada processo apontado no recurso". Não comprovada a ocorrência de duplicidade da exigência, não há como acolher o pleito de nulidade do presente lançamento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 113DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15165.003091/2008-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 23/03/2004, 26/07/2005, 13/09/2005, 10/10/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO . OMISSÃO E ERRO . OCORRÊNCIA.NULIDADE DA DECISÃO DE PISO.
Constatada a ocorrência de omissão e erro na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos de declaração com efeitos infringentes, para declarar nula a decisão de primeira instância.
Inexistindo a preclusão temporal aduzida no acórdão embargado, para evitar supressão de instância, deve o processo ser devolvido à instância de origem para se pronuncie sobre as provas apresentadas pela impugnante antes de proferida a decisão de piso.
Numero da decisão: 3302-003.721
Decisão: Embargos Acolhidos
Aguardando Nova Decisão
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para declarar nula a decisão de primeira instância.
[assinado digitalmente]
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 23/03/2004, 26/07/2005, 13/09/2005, 10/10/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO . OMISSÃO E ERRO . OCORRÊNCIA.NULIDADE DA DECISÃO DE PISO. Constatada a ocorrência de omissão e erro na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos de declaração com efeitos infringentes, para declarar nula a decisão de primeira instância. Inexistindo a preclusão temporal aduzida no acórdão embargado, para evitar supressão de instância, deve o processo ser devolvido à instância de origem para se pronuncie sobre as provas apresentadas pela impugnante antes de proferida a decisão de piso.
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decisao_txt : Embargos Acolhidos Aguardando Nova Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para declarar nula a decisão de primeira instância. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa - Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1510; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 8.303 1 8.302 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15165.003091/200895 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3302003.721 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de março de 2017 Matéria Regimes Aduaneiros Embargante HEXION QUIMICA INDUSTRIA E COMERCIO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 23/03/2004, 26/07/2005, 13/09/2005, 10/10/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO . OMISSÃO E ERRO . OCORRÊNCIA.NULIDADE DA DECISÃO DE PISO. Constatada a ocorrência de omissão e erro na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos de declaração com efeitos infringentes, para declarar nula a decisão de primeira instância. Inexistindo a preclusão temporal aduzida no acórdão embargado, para evitar supressão de instância, deve o processo ser devolvido à instância de origem para se pronuncie sobre as provas apresentadas pela impugnante antes de proferida a decisão de piso. Embargos Acolhidos Aguardando Nova Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para declarar nula a decisão de primeira instância. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 00 30 91 /2 00 8- 95 Fl. 8303DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Tratamse de Embargos de Declaração opostos pelo Conselheiro Redator do voto vencedor com o objetivo de sanar suposta omissão no Acórdão nº 3802.001.728, de 21 de março de 2013, que, em preliminar, por maioria de votos, decidiu não conhecer das novas provas acostadas aos autos na segunda instância recursal, posto que precluso direito nesse sentido e no mérito, por unanimidade de votos decidiu negar provimento ao recurso voluntário. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 23/03/2004, 26/07/2005, 13/09/2005, 10/10/2005 DRAWBACK SUSPENSÃO. ADIMPLEMENTO DO REGIME. PROVA SÓ APRESENTADA EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO.SUPRESSÃO INDEVIDA E NÃO JUSTIFICADA DE INSTÂNCIA. INADMISSIBILIDADE. Não obstante o disposto nos artigos 15 e 16 da norma que rege o Processo Administrativo Fiscal (Decreto no 70.235/72), a tendência moderna é a de se mitigar os rigores das regras preclusivas contidas no PAF, e isso diante do princípio da efetividade do processo, que tem como norte um processo menos formalista, mais participativo e mais orientado a um escopo social, viés, aliás, retratado na Lei no 9.784/99. A aceitação de novas provas e argumentos na fase recursal, porém, deve ser conduzida de forma a conciliar, com razoabilidade, os valores e os princípios que norteiam o processo administrativo, procurando harmonizar a verdade material com a segurança e a celeridade exigidas nas lides administrativas. Assim, não é razoável admitir a apresentação de provas de adimplemento de regime de drawback quando já na fase recursal, e, ainda, sem qualquer justificativa para seu não fornecimento quando da apresentação da impugnação, uma vez que a interessada ficou ciente da necessidade de comprovação integral das exportações desde o início do procedimento fiscal. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 23/03/2004, 26/07/2005, 13/09/2005, 10/10/2005 DRAWBACK SUSPENSÃO. AUSÊNCIA DE PROVA QUANTO AO ADIMPLEMENTO DO REGIME. Inadmissível reconhecer o adimplemento do regime de drawback suspensão se o sujeito passivo não apresenta prova hábil comprobatória das exportações compromissadas. Fl. 8304DF CARF MF Processo nº 15165.003091/200895 Acórdão n.º 3302003.721 S3C3T2 Fl. 8.304 3 Através de Embargos de Declaração de fls.8297/8299, apresentados em 30/08/203, argui o Embargante sobre a necessidade de reexame do julgamento pelo colegiado frente [ à falsidade da premissa em que referido entendimento sobre a preclusão probatória foi alicerçado], nos seguintes termos: A lide diz respeito a lançamento decorrente do descumprimento parcial de compromissos de exportação firmados no âmbito de atos concessórios de drawback suspensão (intermediário e comum). A interessada apresentou impugnação onde fez referência a farta documentação comprobatória de seus argumentos, os quais, todavia, foram equivocadamente considerados pela DRJ como não juntados ao processo, como fica bem claro do seguinte trecho do voto condutor da decisão de primeira instância (v. fls. 280 da cópia digitalizada do processo); Todavia, necessário admitir que os anexos referenciados pela interessada em sua impugnação foram de fato apresentados juntamente com referido recurso, já que enquanto a impugnação foi protocolizada em 29/10/2008 (fls. 243 da cópia digitalizada do processo eletrônico), o termo de juntada dos referidos anexos data de 25/11/2008 (v. fls. 272). A decisão da DRJ, por seu turno, é de 30/09/2011. Assim, não é correta a informação constante do voto de primeira instância – repetida quando do relato do caso nesta turma do CARF –segundo a qual não teriam sida trazidos elementos de prova dos argumentos aduzidos pela suplicante quando da impugnação do lançamento.(grifei); Nessa irreal conjuntura foi que me pronunciei no sentido de considerar precluso o direito de apresentação de provas, a teor do disposto no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, já que não evidenciada nenhuma das hipóteses autorizadoras de apresentação de prova posteriormente à impugnação elencadas nos correspondentes incisos do dispositivo em tela. E fiz isso mesmo ciente do disposto no artigo 3º, inciso III, da Lei nº 9.784/99, aplicável subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal, frente à (falsa) realidade retratada de que o sujeito passivo, embora ciente da natureza da infração, não teria apresentado as provas que, sabia, seriam a única forma de comprovar o alegado em seu recurso. O caput do artigo 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (Portaria MF no 256, de 22/06/2009) estabelece que “cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma”. A hipótese objeto do preceito em tela se amolda perfeitamente à realidade fática, em que a decisão colegiada foi proferida com base em questão involuntariamente omitida dos membros do colegiado, qual seja, a de que os documentos comprobatórios dos argumentos aduzidos na impugnação foram efetivamente anexados aos autos quando da formalização do referido recurso. Portanto, ao menos em tese, não haveria razão para que a DRJ e este CARF não examinassem as provas acostadas pelo sujeito passivo.: Com base nas razões aduzidas no despacho de fls. 8301/8302, com fundamento no art. 65, § 3º, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF 259/2009 (RICARF/2009), o então presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF assim se pronunciou: Em cumprimento ao disposto no art. 18, I, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 10/06/2015, e com base nas razões acima, que aprovo e adoto como fundamentos deste Despacho, determino a inclusão deste PAF Fl. 8305DF CARF MF 4 em pauta de julgamento, a fim de que seja apreciado e julgado os Embargos de Declaração de fls. 8.297/8.299, que foram acolhidos pelo Presidente da 2ª TE. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Dos requisitos de admissibilidade Uma vez cumpridos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento dos presentes embargos de declaração, para análise do alegado vício de omissão. Assiste razão à Embargante como a seguir se demonstra. O auto de infração que ensejou a lide em apreço diz respeito a lançamento decorrente do descumprimento parcial de compromissos de exportação firmados no âmbito de atos concessórios de drawback suspensão (intermediário e comum), cujo Relatório de Procedimento Fiscal de fls. 230/241, após discorrer sobre o inadimplemento dos compromissos de exportar o material importado (metanol) nas quantidades compromissadas, conclui: Cabe à empresa beneficiária do regime o ônus da prova, ou seja, deve demonstrar e comprovar ao Fisco que cumpriu todas as condições e requisitos estabelecidos para que possa usufruir os incentivos previstos no regime aduaneiro especial de Drawback: caso não o faca, suas operações de importação devem ser tratadas sob o regime aduaneiro comum, onde a regra é o pagamento dos tributos. A empresa foi cientificada do auto de infração em 30/09/2008, fls.228 e 241, apresentando em 29/10/2008, fl.243 a impugnação parcial de fls.243/248 e documentos de fls.250/265, entre os quais, procuração, cópia de DARF e Contrato Social. Consta à fl. 272 o TERMO DE JUNTADA DE ANEXOS, emitido em 05/11/2008, nos seguintes termos: Nesta data, juntei ao presente processo os Anexos especificados a seguir, que formei nesta data, os quais foram identificados com o n° do processo, o nome do interessado e o número do seqüencial de anexo. Especificação: ANEXOS I, II, III e IV — Ato Concessório 2005.017.9616 com respectivos registros de exportação. ANEXOS V, VI, VII, VIII, IX e X — Ato Concessório• 2005.023.0638 com respectivos registros de exportação. ANEXOS XI, XII, XIII, XIV, XV, XVI, XVII — Ato Concessório 2005.025.1686 com respectivos registros de exportação. Fl. 8306DF CARF MF Processo nº 15165.003091/200895 Acórdão n.º 3302003.721 S3C3T2 Fl. 8.305 5 Em 30/09/2011, foi proferido o Acórdão 0726.205 2ª Turma da DRJ/FNS, fls.274/281, merecendo destaque os seguintes excertos do relatório e voto: Excertos do Relatório: Cientificada do lançamento, em 30.09.2008, a autuada protocolou, 29.10.2008, a impugnação de fls. 240 a 245, acompanhada dos documentos de fls. 246 a 262, para aduzir que cumpriu todos os requisitos e formalidades dos citados atos concessórios, de modo que solicita a improcedência dos lançamentos ora impugnado. Fundamenta seu entendimento nos seguintes fatos, que com relação ao: (...) Do expediente de fl. 269 depreendese que a unidade de preparo providenciou a juntada, ao presente processo, dos Anexos I a XVII, formados para abrigar os Atos Concessórios n° 2005.017.9616, 2005.023.0638 e 2005.025.1686 e seus respectivos registros de exportação (RE).(grifei) Do despacho de fl. 270 observase que a unidade de preparo, além de confirmar a tempestividade da impugnação apresentada pela autuada as fls. 240 a 245 e, por conseguinte, encaminhar o presente processo, também ressalta o desmembramento de parte do crédito tributário em referencia, em conformidade com a Representação IRF/CTA/SECAT n° 003/2008 (fl. 265), e do termo de transferência de crédito tributário de fl. 268. Excertos do Voto: Nesse passo, quando a impugnante aventa que, em relação aos AC n° 2005.017.9616, 2005.023.0638 e 2005.025.1686, a fiscalização equivocouse ao mensurar a quantidade do produto exportado, denominado comercialmente como "Cascamite BF 55", na medida em que desconsiderou outros Registros de Exportação (RE) que comprovariam a exportação de 16.000.000 Kg do "Cascamite BF 55", e conseqüentemente 5.056.000 Kg do insumo Metanol, importado pelas DI n° 05/07884226, 05/09827521, 05/09827530 e 05/10940220, tudo conforme demonstram os Relatórios Unificados de Drawback — RUD, juntados à impugnação (doc. 04, 06 e 08), porém, não os traz efetivamente, haja vista que nela foram acostada, tão somente, a procuração de fl. 247, o Darf de fl. 249, as atas das assembléias de fls. 250 a 260 e, por fim, a certidão de fls. 261/262, deixa de apresentar os necessários elementos de prova a que está obrigada, e tampouco quaisquer elementos subsidiários, inviabilizando, dessa forma, a demonstração do controle efetivo dos estoques, não logrando comprovar a correlação física entre insumos importados e os produtos exportados, menos ainda, o cumprimento integral das condições assumidas nos Atos Concessórios relativos ao regime drawback. Fl. 8307DF CARF MF 6 Portanto, concluo que o regime de drawback suspensão, relativo aos Atos Concessórios fiscalizados, deve somente ser parcialmente reconhecido à impugnante, conforme procedeu a fiscalização, haja vista que não há qualquer prova, nem ao menos indicio de que a beneficiária adimpliu integralmente com o compromisso de exportar, quando lhe cabia esse ônus.(grifei). Inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após ciência em 02/02/2012, conforme AR de fl. 4437, apresenta em 02/03/2012, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, fls.4.443/4.457, arguindo em síntese, preliminarmente: A Recorrente apresentou impugnação requerendo, em síntese, primeiramente, o cancelamento do AIIM em relação ao Ato Concessório de Drawback do tipo intermediário número 2003.0197.856, vez que havia pago o montante devido pela nacionalização do mesmo com a redução de 50% de seu valor e na forma prevista no AIIM. E, quanto aos demais Atos Concessório, juntou provas documentais do efetivo cumprimento, ou seja, demonstrou que o produto importado (Metanol) foi utilizado como insumo na industrialização de produtos exportados, informando para tanto, os devidos Registros de Exportação REs que acobertaram as operações e não foram considerados por ocasião da lavratura do Auto de Infração. Para tanto, elaborou planilhas demonstrado a quantidade de Metanol utilizado em produtos exportados, a data das exportações e os respectivos números dos REs e suas cópias. Os comprovantes foram juntados na forma de anexos (I a XVII), sendo subdivididos da seguinte forma: Ato Concessório 2005.0179.616 Anexos I e II exportações consideradas pela fiscalização na lavratura do Auto de Infração Anexos III e IV exportações complementares não consideradas pela fiscalização e que comprovam o adimplemento do Ato Concessório Ato Concessório 2005.0230.638 Anexos V, VI, VII exportações consideradas pela fiscalização na lavratura do Auto de Infração Anexos VIII, IX e X exportações complementares não consideradas pela fiscalização e que comprovam o adimplemento do Ato Concessório Ato Concessório 2005.0251.686 Anexos XI e XII exportações consideradas pela fiscalização na lavratura do Auto de Infração Anexos XIII, XIV e XV exportações complementares não consideradas pela fiscalização e que comprovam o adimplemento do Ato Concessório Porém, não se sabe o motivo, todas as provas documentais foram desconsideradas na análise da Impugnação apresentada, e para sua Fl. 8308DF CARF MF Processo nº 15165.003091/200895 Acórdão n.º 3302003.721 S3C3T2 Fl. 8.306 7 surpresa sobreveio Acórdão n° 0726.205, proferido pela 2a Turma de Julgamento que reconheceu, tão somente, o recolhimento do crédito tributário decorrente da nacionalização do Fenol importado no AC n° 2003.019.7856.(grifos do original). Neste contexto reiterese que a efetiva comprovação, como já mencionado, encontrase acostada ao processo em Anexos (Anexo I a XV). os quais deixaram de ser apreciados na Impugnação apresentada e será novamente no presente Recurso, não merecendo, assim prosperar o referido AIIM. porquanto perfeitamente cumpridos todos os requisitos e formalidades dos Atos Concessórios supramencionados, de modo que deverá ser julgado totalmente improcedente o AIIM ora impugnado, senão vejamos. .(grifos do original). O Acórdão/CARF nº 3802.001.728, por maioria de votos, decidiu considerar preclusa a apresentação de provas no recurso voluntário, rejeitou a proposta do Conselheiro Relator, no sentido de converter o julgamento em diligência à unidade de origem para exame das provas acostadas aos autos na fase de recurso voluntário. O Redator do voto vencedor, autor dos presentes embargos, constatou, conforme declinou nos referidos embargos que não ocorreu a preclusão probatória que motivou o voto vencedor, mas sim a não apreciação das provas pela unidade de origem. Observese que o julgador tem a prerrogativa legal da livre convicção motivada na apreciação das provas dos autos, conforme lhe assegura o 1art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972, no entanto, verificase no contexto dos atos processuais acima dispostos que o relator da decisão de piso, embora relate a juntada dos anexos, reportandose à fl. 269 (do processo físico), fl.272 do eprocesso, não faz referência na decisão às citadas provas, seja em preliminar de admissibilidade para não acolhêlas, por entender que não atendem às disposições excepcionais do § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, seja na análise meritória dos Atos Concessórios objeto da lide, já que em nenhum momento dessa análise qualquer documento dos referidos anexos foi citado, seja para acatar ou para refutar. Ante as considerações acima podese inferir que efetivamente não houve a preclusão para apresentação das provas como entendeu o voto vencedor, visto que proferido sem a informação precisa de que o suporte probatório apresentado em sede recursal, de fato já havia sido apresentado antes de proferida a decisão de piso, não sendo porém objeto de apreciação pela referida instância de julgamento. Desse modo, acolho os presentes embargos, com efeitos infringentes, para declarar nula a decisão de primeira instância, para que seja proferido novo julgamento, com apreciação das referidas provas, ainda que em sede preliminar de admissibilidade, evitandose assim a supressão de instância. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar 1 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Fl. 8309DF CARF MF 8 Fl. 8310DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11060.724029/2011-53
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
Numero da decisão: 9202-005.138
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento para declarar a definitividade do lançamento, por concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial. Votou pelas conclusões a conselheira Ana Paula Fernandes.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Fábio Piovesan Bozza.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento para declarar a definitividade do lançamento, por concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial. Votou pelas conclusões a conselheira Ana Paula Fernandes. Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício. Heitor de Souza Lima Junior Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Fábio Piovesan Bozza.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento para declarar a definitividade do lançamento, por concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial. Votou pelas conclusões a conselheira Ana Paula Fernandes. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. Heitor de Souza Lima Junior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 72 40 29 /2 01 1- 53 Fl. 571DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Fábio Piovesan Bozza. Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2803002.920, prolatado pela 3a Turma Especial da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 21 de janeiro de 2014 (efls. 518 a 526). Ali, por unanimidade de votos, deu se provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e a decisão a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL. INCONSTITUCIONALIDADE. A Suprema Corte no julgamento do RE 363.852, declarou a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei n.º 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos IV, da Lei n.º 8.212/91. Indevido o recolhimento de contribuição para o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (FUNRURAL) sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural de empregadores, pessoas naturais. Recurso Voluntário Provido. Decisão: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Enviados os autos à PGFN para fins de ciência do Acórdão em 18/02/2014 (efl. 527), esta apresentou, em 18/03/2014 (efl. 538), Recurso Especial (efls. 528 a 537), com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal. Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido pela 1a. Turma Ordinária da 3a. Câmara deste CARF, através do Acórdão 2301003.718, prolatado em 19 de janeiro de 2012, de ementa e decisão a seguir transcritas: Acórdão 2301003.718 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. Sempre que uma ou mais empresas, tendo cada uma personalidade jurídica própria, Fl. 572DF CARF MF Processo nº 11060.724029/201153 Acórdão n.º 9202005.138 CSRFT2 Fl. 572 3 porém sob a direção, controle ou administração de outra; ficará caracterizada a constituição de grupo econômico. AFERIÇÃO INDIRETA. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Quanto aos segurados obrigatórios, o inciso V, alínea g, do artigo 12 da Lei 8.212/91, caracteriza como contribuinte individual, “quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego.” CONTRIBUIÇÃO DO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA SUBROGAÇÃO É devida, pelo produtor rural pessoa física, contribuição previdenciária incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção A empresa adquirente da produção de produtores rurais pessoas físicas fica subrogada nas obrigações de tais produtores e está obrigada a arrecadar, mediante desconto, a contribuição previdenciária por ele devida. Em relação à aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária, o seu cálculo final deve observar o disposto no artigo 32A, da Lei 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei 11.941/09. POSSIBILIDADE. MULTA. MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. SELIC. JUROS MORATÓRIOS. POSSIBILIDADE. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Decisão: I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso quanto à caracterização do grupo econômico, nos termos do voto do Relator; II) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso quanto à questão da comercialização da produção rural pessoa física, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; III) a) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se Fl. 573DF CARF MF 4 mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. Redator: Bernadete de Oliveira Barros. Em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda: a) a decisão nos autos do RE nº 596.177/RS não abrange a discussão da constitucionalidade da redação do art. 25 da Lei nº 8.212, de 1991 com a redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001, inclusive posteriormente à Emenda Constitucional nº 20, de 1998; b) A inconstitucionalidade da Lei no. 10.256, de 2001, foi reconhecida como matéria de Repercussão Geral no RE nº 718.874/RS, ainda pendente de julgamento. Em assim sendo, não competiria ao Colegiado a quo o pronunciamento da inconstitucionalidade da Lei nº 10.256, de 2001, por força do enunciado nº 2 da Súmula do CARF. Ou seja, atualmente, a contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física é recolhida com base na redação do art. 25 da Lei nº 8.212 conferida pela Lei nº 10.256, de 2001 – cuja constitucionalidade não foi apreciada pelo STF. Isso porque, nos termos do RE nº 363.852/MG, a superveniência de lei ordinária, posterior à EC nº 20 de 1998, seria suficiente para afastar a pecha de inconstitucionalidade da contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física. Com a edição da Lei nº 10.256, no ano de 2001, sanouse o referido vício. Requer, assim, o conhecimento do Recurso e seu provimento para que seja restabelecido o auto de infração. O recurso foi admitido, consoante despachos de efls. 539 a 542. Encaminhados os autos ao autuado para fins de ciência, ocorrida em 12/04/14 (efl. 567), o contribuinte apresentou contrarrazões tempestivas de efls. 547 a 565, onde: a) Argumenta, inicialmente, a existência de vício formal no lançamento pelo fato de divergência entre os números constantes dos demonstrativos de débitos dos Autos de Infração e o Relatório de Fiscalização; b) A seguir, reitera a existência de Mandado de Segurança (MS 5000333 97.2010.404.7102) objetivando: a) o reconhecimento e declaração da inexigibilidade da contribuição destinada a Previdência Social incidente sobre a comercialização da produção agrícola do empregador rural, pessoa natural, com a consequente ausência de responsabilidade tributária (art. 30, da Lei n° 8.212, de 1991), desobrigando, com isso, a Impetrante de "pagar, reter e/ou repassar" a exação, e b) a restituição dos valores recolhidos a maior, relativamente aos últimos cinco anos que antecederam o ajuizamento do mandamus. Relata todo o desenvolvimento judicial, ressaltando, ao final, que, por força de decisão judicial em sede de liminar que permanece em vigor até a presente data, o Fisco não poderia exigir que a recorrida cumprisse com a obrigação prevista no art. 30, da Lei no. 8.212, de 1991, como ocorreu no lançamento fiscal ora impugnado, em razão da obrigação de não fazer imposta pelo Poder Judiciário; c) Entende que o art. 1°, da Lei n° 8.540, de 1992 criou nova contribuição social, estendendo a regra do art. 195, § 8°, da CF/88, a qual trata apenas de segurados especiais e que seria necessária lei complementar para a sua instituição, por força do previsto no art. 195, § 4°, da CF/88. Ademais, por mais que se considere que a contribuição em comento está amparada no art. 195, I, "b", da CF/88, equiparando receita bruta proveniente da comercialização com receita ou faturamento a inconstitucionalidade ainda reside, por dois Fl. 574DF CARF MF Processo nº 11060.724029/201153 Acórdão n.º 9202005.138 CSRFT2 Fl. 573 5 motivos, quais sejam: i) a contribuição em comento utiliza a mesma base de cálculo da COFINS, o que implica na bitributação; ii) a contribuição em comento institui tratamento desfavorável aos contribuintes produtores rurais em relação aos nãorurais, que contribuem apenas sobre as fontes previstas nas alíneas do art. 195, I, da CF/88 e as agroindústrias (art. 25, § 2°, da Lei n° 8.870/94), onde foi restaurada a incidência sobre a folha de salários, indo de encontro ao Principio da Isonomia, pois fere o disposto no art. 150, II e art. 194, V, ambos da CF/88, que prevê a equidade na forma de participação no custeio da previdência. Portanto, a norma é inconstitucional. d) Ressalta que, consoante doutrina trazida aos autos, somente a partir da edição da Emenda Constitucional no. 42, de 2003, poderia se substituir a base econômica da contribuição sobre a folha de salários pela contribuição sobre a receita, resultando assim invalidadas as substituições da base de cálculo da folha de salários pela receita de comercialização realizada pelas Lei no. 8.540, de 1992 e no. 10.256, de 2001; e) Entende que o art. 1°, da Lei n° 10.256, de 2001, ainda que posterior a EC 20, de 1998, não tem o condão de constitucionalizar a exação. Isto porque, não instituiu nova contribuição, com a previsão da alíquota, base de cálculo, sujeito passivo, multa e fato gerador. Mas sim, apenas alterou a redação do caput do art. 25 da Lei n° 8.212, de 1991, esclarecendo que a contribuição do empregador rural pessoa física se daria em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22 da Lei n° 8.212, de 1991. Portanto, não se pode considerar que a Lei n° 10.256, de 2001 tenha instituído validamente nova contribuição, pois afronta o principio da estrita legalidade; f) Ainda, ressalta que a inconstitucionalidade da exação vai além da mera formalidade, exigindo lei complementar para sua instituição. A exação possui vicio de formalidade no aspecto da inexistência de previsão em lei do fato gerador, bem como vicio material, por afrontar o principio da isonomia (art. 150, II, da CF/88) e da equidade no custeio (art. 194, V, da CF/88), bem como demais princípios constitucionais, os quais foram elencados pelo Ministro Cezar Peluso (pág. 740/741, do RE 363.852), a saber: valor social do trabalho (art. 1, IV, da CF/88) e objetivo fundamental do desenvolvimento social (art. 3°, II, da CF/88). Destarte, não subsistem os argumentos levantados pela Requerida de que é constitucional a exação, ou porque inexiste previsão na CF/88 da necessidade de lei complementar para a alteração da base de cálculo das contribuições previdenciárias ou porque a Lei n° 10.256/01 a constitucionalizou; g) Rejeita, ainda a equiparação entre os conceitos de faturamento e receita e, assim, ao final, requer o improvimento do pleito fazendário. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, bem como a caracterização de divergência interpretativa, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, assim, dele conheço. Fl. 575DF CARF MF 6 Inicialmente, quanto à alegação levantada pelo contribuinte em sede de contrarrazões de existência de vício formal, faço notar que se trata de matéria estranha ao presente litígio, mantido por força de pleito recursal exclusivamente fazendário, sendo certo não se tratar aqui tal alegação de questão que deva ser conhecida de ofício, visto que não se trata de matéria de ordem pública. A bem do debate, ainda, faço notar não entender ter se caracterizado prejuízo à defesa do contribuinte pela simples inversão de números de AIs no Relatório de Fiscalização, ainda mais ao se considerar que se tratam de matérias completamente análogas, tendo em vista a aplicação da legislação das contribuições previdenciárias em geral ao SENAR, por força do disposto no art. 94 da Lei no. 8.212, de 1991. O teor da Impugnação, do Recurso Voluntário e das contrarrazões anexadas demonstram que o contribuinte teve plena ciência das acusações que lhe foram imputadas, possibilitado assim seu pleno exercício de defesa. Assim, não conheço desta primeira alegação. Todavia, quanto à existência do MS 500033397.2010.404.7102, entendo restar claro que o mesmo abrange a discussão dos débitos aqui objeto de lançamento, uma vez que: a) O próprio contribuinte admite que o mandamus se destinava a desobrigar a impetrante de pagar reter ou repassar a exação e repetir eventual indébito relativamente aos últimos cinco anos que antecederam o ajuizamento do mandamus, impetrado em 03/03/2010 (assim abrangendo o período de apuração em discussão) e b) O teor da sentença, confirmando a liminar inicialmente concedida ao impetrante, é expresso em mencionar que se está a discutir judicialmente também a incidência com fulcro na Lei no. 10.256, de 2001, verbis: definitividade do lançamento, por concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial. Votou pelas conclusões a conselheira Ana Paula Fernandes. " (...) Tratase de ação mandamental impetrada por RICARDO L. CASTRO & FILHO LTDA.em face do DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM SANTA MARIA, objetivando provimento jurisdicional declaratório de ilegalidade e de inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei n.° 8.450/02 e do artigo 1° da Lei n.° 10.256/2001 (grifei), que alteraram os artigos 25 e 30 da Lei n.° 8.212/91, reconhecendo o direito líquido e certo do Impetrante não ter mais que recolher a contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural ao órgão fazendário, quando da aquisição das mercadorias de produtores rurais que sejam empregadores rurais, tendo em vista que esses já contribuem com o Erário, constituindo a tributação sobre a comercialização rural efetiva cobrança inconstitucional, conforme posicionamento do pleno do STF no RE 363852. Requereu fosse deferida a correção e a compensação dos créditos recolhidos indevidamente, nesse sentido, limitados ao prazo prescricional regulado pelo CTN aplicável aos tributos sujeitos a lançamento por homologação (5 anos) sujeitandose o encontro a posterior fiscalização do órgão fazendário; bem como o direito de compensar os créditos descritos no item 'd' do pedido contido na inicial com outros tributos arrecadados pela União, conforme o disposto no artigo 74 da Lei 9.430/96. (...)" A questão da concomitância entre ação judicial e processo administrativo, versando sobre o mesmo objeto, já se encontra regrada na Súmula CARF nº 1: Importa Fl. 576DF CARF MF Processo nº 11060.724029/201153 Acórdão n.º 9202005.138 CSRFT2 Fl. 574 7 renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assim, caracterizada a renúncia do contribuinte a esta instância administrativa, a partir da impetração do MS citado. Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, declarando a definitividade do lançamento. É como voto. Heitor de Souza Lima Junior Fl. 577DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.900517/2014-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010
CRÉDITO DE IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES EM RAZÃO DO ART. 150, INCISO VI, alínea d da CF. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO.
A aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do art. 150, inciso VI, alínea d da Constituição Federal (livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão) não gera crédito de IPI, em face de a previsão para manutenção de créditos prevista no artigo 11 da Lei no 9.779/99 alcançar apenas insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorra de exportação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.322
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES EM RAZÃO DO ART. 150, INCISO VI, alínea “d” da CF. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. A aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do art. 150, inciso VI, alínea “d” da Constituição Federal (livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão) não gera crédito de IPI, em face de a previsão para manutenção de créditos prevista no artigo 11 da Lei no 9.779/99 alcançar apenas insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorra de exportação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 05 17 /2 01 4- 76 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 11065.900517/201476 Acórdão n.º 3401003.322 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Ressarcimento com Declaração de Compensação (PER/DCOMP), invocando crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), relativo ao período de apuração acima identificado. Por meio do Despacho Decisório exarado pelo Seort/DRF/ Novo Hamburgo, o pedido de restituição foi indeferido e a compensação não homologada, sob o fundamento de que o valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado, por ter havido glosa em procedimento fiscal. Cientificado da decisão, o contribuinte interpôs manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: (a) não houve mandado de procedimento fiscal para o procedimento de análise do crédito, sendo inválido o ato administrativo; (b) a fundamentação para a negativa de crédito é improcedente e está centrada no fato de a empresa ser abrangida por imunidade objetiva; (c) para aplicação da não cumulatividade constitucionalmente assegurada, pouco importa se a última operação foi ou não onerada pelo IPI; e (d) não houve constituição do crédito tributário, e embora o documento da glosa seja intitulado de auto de infração, não se concretizou o lançamento, ensejando a impossibilidade de ser o crédito glosado. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto por intermédio do Acórdão 14 052.967, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTO N/T. Inexiste direito de crédito pela entrada de insumos para fabricação de produtos que estão fora do campo de incidência do imposto, pois neste caso o IPI deve ser contabilizado como custo Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada do acórdão da DRJ, a empresa apresenta Recurso Voluntário, sustentando que: (a) a juntada posterior de Mandado de Procedimento Fiscal não tem o condão de validar o ato praticado ao seu desabrigo; (b) o crédito não pode ser exigido por absoluta ausência de lançamento; e (c) a imunidade se constitui em cláusula pétrea inserida nas limitações constitucionais ao poder de tributar. Pede, ao fim, exame para fins de pré questionamento, mormente no que se refere aos artigos 142 e 149 do Código Tributário Nacional (CTN). É o relatório. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 11065.900517/201476 Acórdão n.º 3401003.322 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.313, de 25 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 11065.900523/201423, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.313): "O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. No Despacho Decisório, a razão para o indeferimento do direito de crédito, e a consequente não homologação da compensação, é a seguinte (fl. 22): O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivos(s): Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página Internet da Receita Federal, e integram este despacho. No próprio despacho decisório há orientações (aqui seguidas, em nome da verdade material) sobre como encontrar tais "informações complementares da análise de crédito", no sítio eletrônico da RFB (menu principal, opção "onde encontro" / "PERDCOMP" / "consulta despacho decisório", indicando o CNPJ da empresa e o número do PER/DCOMP. Nas informações complementares, percebo que há link para o relatório fiscal (Clique aqui para Download do arquivo: RELATORIO FISCAL GRUPO SINOS.PDF). Evidencio, então, que o Relatório Fiscal se presta a este e a outros nove processos administrativos de ressarcimento, e que ali realmente se encontram as razões detalhadas para as glosas: (a) a empresa tem como principal atividade a edição integrada à impressão de jornais, sendo detentora de registro especial de papel imune, e os produtos resultantes de seu processo de industrialização têm a classificação "NT" (não tributáveis) relativamente à incidência do IPI, em razão de benefício de imunidade constitucional; e (b) os créditos pleiteados se referem à aquisição de insumos utilizados para produção de jornais e revistas imunes, no período considerado, e, portanto, não encontram guarida normativa para fruição. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 11065.900517/201476 Acórdão n.º 3401003.322 S3C4T1 Fl. 5 4 Verificadas as motivações específicas para as glosas, cabe avaliar se as razões de defesa são aptas a afastálas, e a confirmar a regularidade do crédito. A primeira alegação de defesa se referia à ausência de Mandado de Procedimento Fiscal. No entanto, o Mandado de Procedimento Fiscal, como bem destacou o julgador de piso, foi emitido, havendo no próprio relatório da ação fiscal a informação de seu número (10.1.07.00 2014.002302) e a aposição de mensagem de que estava disponível para consulta no endereço <http://receita.fazenda.gov.br/aplicacoes/atpae/mpf/default.asp>, com a utilização do código de acesso 29365075. Também em nome da verdade material acessei o referido sítio, com a senha de acesso concedida na ação fiscal, verificando a existência do MPF, que sempre esteve disponível para consulta por parte da empresa. Improcedentes, assim, tanto a alegação de ausência de MPF, suscitada na manifestação de inconformidade, quanto a de que tal MPF teria sido juntado apenas posteriormente, presente no recurso voluntário. A segunda alegação da empresa, de que deveria ter havido lançamento para exigência do crédito, é absolutamente desconectada da realidade fática destes autos. Vejase que o presente processo não trata de lançamento para exigência de crédito, mas de reconhecimento de direito de crédito pleiteado pela empresa. As glosas efetuadas impedem a fruição do crédito, devendo a postulante do ressarcimento (e da compensação) carrear aos autos documentação que comprovem a liquidez e a certeza do crédito. Descabe, assim, a demandada análise (ainda que para fins de prequestionamento) dos artigos 142 e 149 do CTN, afetos ao lançamento. Cabe retomar, então, a análise no sentido de ter ou não havido prova apresentada pela empresa apta a afastar as razões de glosa (ausência de fundamento normativo para tomada de crédito em relação a insumos destinados a industrialização de jornais e revistas imunes). Sobre o tema, a empresa, em seu recurso voluntário, endossa que industrializa produtos imunes com os insumos adquiridos, mas entende que, por ser a imunidade cláusula pétrea, faz jus ao crédito. Tais alegações seriam relevantes se o fisco estivesse a exigir o IPI em relação aos produtos imunes, mas esse não é o caso em análise nestes autos, limitado a demanda de crédito, por parte da empresa, em relação à aquisição de insumos para fabricação de produtos imunes. Não se está, repitase, a analisar tributação de operação imune, mas a avaliar se a empresa faz jus a crédito sobre operação não tributada em função de imunidade. E, nesse sentido, cabível verificar o teor do artigo 11 da Lei no 9.779/1999: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado Fl. 83DF CARF MF Processo nº 11065.900517/201476 Acórdão n.º 3401003.322 S3C4T1 Fl. 6 5 à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. (grifo nosso) Vejase que o dispositivo legal expressamente assume a possibilidade de crédito em relação a insumos aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero (silenciando em relação aos imunes e não tributados). E vejase também que a fruição fica condicionada à observância das normas expedidas pela RFB. A RFB expediu, em relação ao tema, a Instrução Normativa no 33/1999, que, em seu artigo 4o, já não silenciou em relação a produtos imunes: Art. 4o O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei No 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1o de janeiro de 1999. (grifo nosso) Mas a própria RFB, no Ato Declaratório Interpretativo no 6/2008, esclareceu que: Art. 1o Os produtos a que se refere o art. 4o da Instrução Normativa SRF no 33, de 4 de março de 1999, são aqueles aos quais ao legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) garante o direito à manutenção e utilização dos créditos.http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action ?idArquivoBinario=0 Art. 2o O disposto no art. 11 da Lei no 9.779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5o do Decretolei no 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4o da Instrução Normativa SRF no 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação "NT" (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto no 4.542, de 26 de dezembro de 2002; II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5o do Decreto no 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI). Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na TIPI que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior." (grifo nosso) Assim, a empresa poderia utilizar o saldo credor, na forma do artigo 11 da Lei no 9.779/1999, apenas se as aquisições de insumos fossem efetivamente para um processo industrial de fabricação de produto imune, destinado à exportação. No entanto, no presente processo, sequer se esforça a recorrente para demonstrálo, pecando em seu dever de Fl. 84DF CARF MF Processo nº 11065.900517/201476 Acórdão n.º 3401003.322 S3C4T1 Fl. 7 6 carrear ao processo elementos que atestem a liquidez e a certeza do direito de crédito. Ainda que se afaste a imperfeição, às vezes presente na Tabela de Incidência do IPI, de considerar como "NT" (não tributados) produtos que, em verdade, são efetivamente resultantes de um processo de industrialização, mas imunes, permanece sem amparo o direito de crédito, visto não se verificar, nos autos, ser o produto destinado à exportação. Nesse sentido tem decidido este CARF: CRÉDITO DE IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES EM RAZÃO DO ART. 150, INCISO III, alínea “d” da CF. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. Não gera crédito de IPI a aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do art. 150, inciso III, alínea “d” da Constituição Federal. A previsão para manutenção dos créditos previsto no art. 11, da Lei no 9.779/99, alcança exclusivamente aqueles insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorrer da exportação. (Acórdão no 3201002.096, Rel. Cons. Charles Mayer de Castro Souza, unânime, sessão de 15 mar. 2016) (a menção deveria ser ao inciso VI e não ao inciso III do art. 150 da CF) (No mesmo sentido, e também unânime, o Acórdão no 3301 002.280, de 27 mar. 2014) Por derradeiro, destaquese que também o Superior Tribunal de Justiça tem leitura não alargada do artigo 11 da Lei no 9.779/1999 (REsp no 1.015.855/SP). Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 85DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.907546/2009-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/04/2006
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COFINS.
Considerando a comprovação documental da validade do crédito, não pode ser o sujeito passivo deixar de ter atendido o seu pleito creditório negado em virtude de mero equívoco material no preenchimento da documentação fiscal. Aplicação do art. 165 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário provido. Direito creditório reconhecido.
Numero da decisão: 3401-003.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
ROBSON BAYERL - Presidente.
LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rodolfo Tsuboi.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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COFINS. Considerando a comprovação documental da validade do crédito, não pode ser o sujeito passivo deixar de ter atendido o seu pleito creditório negado em virtude de mero equívoco material no preenchimento da documentação fiscal. Aplicação do art. 165 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. ROBSON BAYERL Presidente. LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vicepresidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rodolfo Tsuboi. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 75 46 /2 00 9- 64 Fl. 241DF CARF MF 2 Tratase de PER/Dcomp nº 27493.68582.281207.1.3.041356, apresentada pela contribuinte em 28/12/2007, para a compensação de débitos de tributos federais diversos com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de COFINS apurado no regime não cumulativo recolhido a maior em 15/08/2006, com período de apuração relativo a julho de 2006. Por meio de Despacho Decisório eletrônico, a DRF/ManausAM não reconheceu o credito e não homologou a compensação sob o argumento de que o pagamento localizado nos sistemas da Receita Federal não revelaram a existência de valor disponível para suportar a compensação declarada. Por considerar que o crédito pleiteado teria sido integralmente utilizado para quitar o débito de COFINS da competência de abril/2006, foi emitido despacho decisório eletrônico de fl. 11 pela DRF/Manaus não homologando a compensação objeto deste processo. Inconformada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade informando que a única razão para a não visualização da validade do crédito seria a divergência de informações entre o DACON e a DCTF, tendo sido esta última retificada para indicar a inexistência de débitos de COFINS no código de receita 2172, conforme DACON originário acostado ao presente processo. Por considerar que não foram trazidas aos autos provas suficientes para comprovar o alegado, e que a DCTF original implicaria confissão de dívida, a DRJ em Belém/PA julgou improcedente a manifestação de inconformidade. A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, oportunidade na qual apresentou novos documentos para respaldar a validade do crédito (planilha de composição das receitas, planilha de composição dos créditos, livro razão, balancete e DCTF retificada) invocando, por conseguinte, a aplicação ao caso do princípio da busca da verdade material. Por considerar que existia indício de que a contribuinte teria direito ao crédito, este Conselho resolveu converter o julgamento em diligência conforme Resolução CARF nº 3401000.249 de fls. 165 a 169 para que a Delegacia de origem apurasse "o valor a recolher da contribuição Cofins com base na escrituração fiscal e contábil, com todos os documentos existentes nos autos (...) e se existe o recolhimento a maior (...) recolhido através de DARF". Em cumprimento da diligência foi proferido o Parecer SEORT/DRF/MNS nº 10 no qual a autoridade fiscal da DRF/Manaus indicou com clareza a validade do crédito e a sua suficiência para a liquidação total dos débitos objeto deste processo e dos processos correlatos mencionados acima. A proposição do parecer foi exarada nos seguintes termos: "Observarmos que o contribuinte apresentou 2 (duas) DCTF’s para o período de apuração de 07/2006. Verificamos que na DCTF Original (fls. 205214) foi informado, equivocadamente, débito apurado de COFINS (2172) no valor de R$ 77.978,66 (fl. 209). Há ainda a informação que este débito foi extinto através de pagamento em DARF, pagamento este ocorrido em 15/08/2006. Já na DCTF Retificadora (fls. 215220), constatase que não há débito apurado de COFINS (2172), estando a DCTF em conformidade com a DACON apresentada. 14. Em consulta realizada no sistema SIEF/Documentos de Arrecadação (fls. 221 222), observase que o contribuinte, de fato, efetuou o recolhimento de DARF, em Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10283.907546/200964 Acórdão n.º 3401003.281 S3C4T1 Fl. 221 3 15/08/2006, no valor de R$ 77.978,66, para o tributo COFINS, código de receita 2172. 15. Observase ainda na mesma consulta, que não há alocações para este pagamento, estando o mesmo, tão e somente, vinculado a este processo ora analisado. 16. Portanto, com base em análise dos documentos apresentados pelo contribuinte, bem como na análise de sua DACON e DCTF, entendo que, de fato, ocorreu pagamento indevido ou a maior de COFINS (2172), para o período de apuração 07/2006, no valor de R$ 77.978,66, conforme DARF recolhido em 15/08/2006. Entendo também que, apesar da DCTF ter poder de confissão de dívida, não pode ser o contribuinte penalizado por um equívoco no preenchimento da mesma, ainda mais quando apresentou declaração retificadora, tendo sido esta aceita e processada pela Receita Federal. 17. Desta forma, pelo até aqui exposto, entendo que o contribuinte faz jus a Homologação Total da DCOMP no 27493.68582.281207.1.3.041356 (fls. 26), já que o crédito alegado na referida DCOMP encontrase integralmente disponível." (seleção e grifos nossos). É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Observase que, após a conversão do processo em diligência, a própria unidade de origem confirmou a validade do crédito aproveitado propugnado pela contribuinte, em seguida à análise da documentação pertinente. Transcrevese, a seguir, trecho do Despacho Decisório de fls. 230 a 231: "a) INFORMAR que, após análise da escrituração fiscal e contábil da empresa, bem como a análise das declarações entregues à Receita Federal (DACON e DCTF), o contribuinte, de fato, efetuou pagamento indevido ou a maior no valor de R$ 77.978,66 (setenta e sete mil novecentos e setenta e oito reais e sessenta e seis centavos), de COFINS Cumulativa (2172), ocorrido em 15/08/2006, para o período de apuração 07/2006; b) INFORMAR ainda que, após as análises já citadas, é entendimento deste SEORT/DRF/MNS que deva haver a homologação total da Declaração de Compensação no 27493.68582.281207.1.3.041356, haja vista a existência do crédito indicado como origem da compensação e este ser suficiente para a liquidação total do débito;" (seleção e grifos nossos). Fl. 243DF CARF MF 4 PARECER Nº 10/2016 Processo Administrativo DCOMP 10283907546200964 27493.68582.281207.1.3.041356 Como bem consignado pela autoridade fiscal, atestada a comprovação documental da validade do crédito, não pode ser o sujeito passivo penalizado pelo simples equívoco no preenchimento da documentação fiscal (no caso, a DCTF) uma vez que o Código Tributário Nacional não dispõe sobre limitação formal para o reconhecimento do direito creditório. Neste ponto, inclusive para que se proveja prestação jurisdicional coesa à contribuinte, uma vez que os diversos processos administrativos que comungam idêntica origem creditícia foram distribuídos para as duas turmas ordinárias desta 4ª Câmara, transcrevese, a seguir, trecho do escorreito voto da Conselheira Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne no Processo nº 10283.907541/200931 e noProcesso nº 10283.908109/2009 68 sob sua relatoria: "Ora, de fato, o art. 165 do Código Tributário Nacional não traz qualquer limite de ordem formal para o reconhecimento do direito creditório do sujeito passivo, devendo ser reconhecido quando comprovada a sua validade material, inclusive no caso de elaboração indevida de qualquer documento relativo ao pagamento: "Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento." (grifei) Ademais, restou fartamente demonstrado que o caso se trata, apenas, de simples erro formal de preenchimento da DCTF, atraindo a aplicação do Princípio da Verdade Material, que exige o acolhimento e análise das provas acostadas pelo sujeito passivo. Esse é o entendimento sólido deste E. CARF: “ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas. Recurso Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10283.907546/200964 Acórdão n.º 3401003.281 S3C4T1 Fl. 222 5 parcialmente provido.” (Acórdão 3302002.208. Sessão de 27/06/2013. Relatora Fabíola Cassiano Keramidas.– grifei). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2003 a 30/05/2003 COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. INFORMAÇÕES CONSTANTES DA DOCUMENTAÇÃO DE SUPORTE. LIQUIDEZ E CERTEZA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O direito creditório pleiteado não pode ser vinculado a requisitos meramente formais, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional. Assim, ainda que a DCTF seja instrumento de confissão de dívida, a comprovação por meio de outros elementos contábeis e fiscais que denotem erro na informação constante da obrigação acessória, acoberta a declaração de compensação, em apreço ao princípio da verdade material. Recurso Voluntário Provido." (Acórdão 3301 002.677. Sessão de 08/12/2015. Relator Luiz Augusto do Couto Chagas grifei) “AUTOS DE INFRAÇÃO. DIVERGÊNCIA ENTRE DCTF E DACON. ARGUIÇÃO DE MERO ERRO MATERIAL PELO SUJEITO PASSIVO NO PREENCHIMENTO DA DACON. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO PELO RECORRENTE. PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL . Restando comprovado pelo sujeito passivo que houve retenções dos tributos indicados em DCTF, e que houve apenas erro material no preenchimento da DACON, a verdade material recomenda sejam acolhidas as provas apresentadas pelo sujeito passivo. Remanescem, todavia, as receitas não comprovadas no processo. Recurso Voluntário parcialmente provido.” (Acórdão 3802 001.071. Sessão de 16/09/2013. Relator Bruno Mauricio Macedo Curi)" (seleção e grifos nossos). Assim, diante do exposto, voto no sentido de dar provimento integral ao recurso voluntário para reconhecer a integralidade do crédito objeto da DCOMP nº 27493.68582.281207.1.3.041356 e homologar integralmente as compensações nela indicadas, nos termos do Parecer SEORT/DRF/MNS nº 10. É como voto. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Fl. 245DF CARF MF 6 Fl. 246DF CARF MF
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Numero do processo: 36202.004792/2006-66
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1996 a 28/02/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DECADÊNCIA. SALÁRIO INDIRETO. VALE TRANSPORTE. PROVIMENTO INTEGRAL DO RECURSO VOLUNTÁRIO NO MÉRITO. NÃO APROVEITAMENTO DO RECURSO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO.
O Recurso Especial de Divergência somente poderá ser conhecido quando o colegiado, apreciando a matéria, seja capaz de modificar total ou parcialmente o acórdão recorrido.
Não merece conhecimento o recurso que apenas suscita a apreciação da decadência, quando, no mérito, o acórdão recorrido deu provimento integral ao recurso voluntário e, não é trazido no recurso especial, qualquer argumentação acerca do mérito.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9202-005.164
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencido o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior, que conheceu do recurso.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1996 a 28/02/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DECADÊNCIA. SALÁRIO INDIRETO. VALE TRANSPORTE. PROVIMENTO INTEGRAL DO RECURSO VOLUNTÁRIO NO MÉRITO. NÃO APROVEITAMENTO DO RECURSO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO. O Recurso Especial de Divergência somente poderá ser conhecido quando o colegiado, apreciando a matéria, seja capaz de modificar total ou parcialmente o acórdão recorrido. Não merece conhecimento o recurso que apenas suscita a apreciação da decadência, quando, no mérito, o acórdão recorrido deu provimento integral ao recurso voluntário e, não é trazido no recurso especial, qualquer argumentação acerca do mérito. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencido o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior, que conheceu do recurso. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DECADÊNCIA. SALÁRIO INDIRETO. VALE TRANSPORTE. PROVIMENTO INTEGRAL DO RECURSO VOLUNTÁRIO NO MÉRITO. NÃO APROVEITAMENTO DO RECURSO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO. O Recurso Especial de Divergência somente poderá ser conhecido quando o colegiado, apreciando a matéria, seja capaz de modificar total ou parcialmente o acórdão recorrido. Não merece conhecimento o recurso que apenas suscita a apreciação da decadência, quando, no mérito, o acórdão recorrido deu provimento integral ao recurso voluntário e, não é trazido no recurso especial, qualquer argumentação acerca do mérito. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 20 2. 00 47 92 /2 00 6- 66 Fl. 406DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencido o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior, que conheceu do recurso. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Fl. 407DF CARF MF Processo nº 36202.004792/200666 Acórdão n.º 9202005.164 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, nº 37.048.0953, lavrado contra o contribuinte identificado acima, e tem por finalidade apurar e constituir as contribuições previdenciárias, correspondente às contribuições da empresa, do financiamento concedido em razão do grau de incidência laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (antigo SAT) e as destinadas a outras entidades (terceiros), referentes a valores relativos a vale transporte concedidos aos empregados em desacordo com a lei 7418/85, contrariando o art. 28, §9º, "f" da lei 8212/91. O período do lançamento envolve as competências 02/1996 a 02/2006 A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgado o lançamento procedente, fls. 295 e seguintes. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. No Acórdão de Recurso Voluntário, fls. 353/375, o Colegiado, por maioria de votos, acordaram em dar provimento ao recurso. Portanto, em sessão plenária de 1/12/2010, deuse provimento ao recurso, prolatandose o Acórdão nº 2301001.740, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/2006 VALE TRANSPORTE. AUSÊNCIA DE DESCONTO DO EMPREGADO. MANUTENÇÃO DA ISENÇÃO PARA A PARTE DO EMPREGADOR QUE EXCEDE 6% DO SALÁRIO BASE. A parcela que deveria ser suportada pelo empregado não deve ser considerada salário. O pagamento do vale transporte na forma citada na presente notificação não gera nenhum prejuízo ao trabalhador, pois resta mantida a natureza (indenizatória) do benefício concedido pelo empregador. Não há ganho para o trabalhador, pois a verba é paga para que o trabalhador faça o percurso ao trabalho, ou seja tem caráter indenizatório. Recurso Voluntário Provido. O processo foi encaminhado, para ciência da Fazenda Nacional, em 10/10/2013 segundo RM, fls. 378, considerandose intimada 30 (trinta) dias após (§§ 7o ao 9o, do artigo 23, do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pela Lei n° 11.457, de 16/03/2007, D.O.U. de 19/03/2007). Recurso especial apresentado em 25/11/2013, segundo RM n° 13.845, fls. 255, dentro, portanto, do prazo de 15 (quinze) dias estabelecido no artigo 68 do RICARF. Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido a fim de afastar a decadência declarada. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho 2300 099/2014, de 12/2/2014. A recorrente traz como alegações, que: Fl. 408DF CARF MF 4 · Assevera que a interpretação dada na decisão recorrida abriga a tese de que, em havendo pagamento antecipado do tributo como um todo, considerandose guia de recolhimento genérica para contribuições previdenciárias, a contagem do prazo decadencial na espécie deve obedecer ao disposto no art. 150, § 4• 9, do CTN não é a mais acertada. · Descreve que não obstante a argumentação do r. votocondutor, o aresto merece reforma, visto que negou vigência ao art. 173, I, do CTN, bem corno aplicou indevidamente o art. 150, § 4.°, do CTN, situação que implica manifesta violação dos aludidos preceitos legais e ao entendimento exposado pelo CARF. Isso porque a aplicação dessas normas está umbilicalmente associada à verificação do pagamento parcial antecipado das contribuições objeto de cobrança, e tal exame foi realizado de maneira equivocada na espécie, promovendo distorções inaceitáveis, consoante será demonstrado doravante. · No caso, impende destacar que não se operou lançamento por homologação algum, afinal a contribuinte não antecipou o pagamento do tributo, tendo em vista que não individualizou o fato gerador e não efetuou o recolhimento antecipado da contribuição em comento. · Ressaltese que não há que se falar em recolhimento das contribuições previdenciárias devidas pelo contribuinte como um todo, de modo que qualquer recolhimento efetuado, ainda que não se refira ao objeto do lançamento, possa influir na contagem do prazo decadencial deste de forma a ensejar a aplicação do art. 150, § 4.Q., do CTN. Este raciocínio não pode prevalecer, sob pena de fulminar as normas legais de regência e abrir ensanchas para injustiças e inauditas lesões ao Erário. · Para o exame da ocorrência de pagamento antecipado parcial, para os fins ora colimados, afigurase Obvia a necessidade de se verificar se o contribuinte pagou parte do debito tributário objeto de cobrança, e não daqueles afetos a outros fatos. · Por todas essas razões, considerando que o contribuinte não efetuou qualquer antecipação de pagamento em relação às rubricas exigidas no presente feito, ainda que parcial, e imperativa a aplicação do art. 173, I, do CTN para a contagem da decadência, conforme entendimento exposto pelos Conselheiros vencidos. Cientificado do Acórdão nº 2301001.740, do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial, em 09/4/2015, o contribuinte não se manifestou. É o relatório. Fl. 409DF CARF MF Processo nº 36202.004792/200666 Acórdão n.º 9202005.164 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pelo Procurador é tempestivo, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial S/N, fls. 396/399. Contudo, ainda quanto ao conhecimento, entendo necessário tecer algumas observações, mesmo não tendo sido suscitado em sede de contrarrazões, por entender que o recurso não merece conhecimento face impossibilidade de seu aproveitamento. No Acórdão de Recurso Voluntário, fls. 353/375, o Colegiado, por maioria de votos, acordou em dar provimento ao recurso. Portanto, em sessão plenária de 1/12/2010, deu se provimento ao recurso, prolatandose o Acórdão nº 2301001.740, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/2006 VALE TRANSPORTE. AUSÊNCIA DE DESCONTO DO EMPREGADO. MANUTENÇÃO DA ISENÇÃO PARA A PARTE DO EMPREGADOR QUE EXCEDE 6% DO SALÁRIO BASE. A parcela que deveria ser suportada pelo empregado não deve ser considerada salário. O pagamento do vale transporte na forma citada na presente notificação não gera nenhum prejuízo ao trabalhador, pois resta mantida a natureza (indenizatória) do benefício concedido pelo empregador. Não há ganho para o trabalhador, pois a verba é paga para que o trabalhador faça o percurso ao trabalho, ou seja tem caráter indenizatório. Recurso Voluntário Provido. Adentrando ao mérito da decisão proferida, vêse que em julgamento de segunda instância a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF deu provimento ao Recurso Voluntário, por maioria de votos, tendo sido vencido o relator que, no mérito, deu provimento apenas parcial. Transcrevo a seguir, os fundamentos adotados no julgado que ajudam a entender melhor a questão: [...] 2. Narra o relatório fiscal da NFL, ff. 8184, que “o crédito apurado referese à contribuição previdenciária devida sobre os valores relativos a vale transporte, concedidos aos empregados em desacordo com a Lei 7.418 de 16 de dezembro de 1985, contrariando assim o artigo 28, parágrafo 9º, alínea “f” da Lei Fl. 410DF CARF MF 6 8.212/91 e suas alterações” tendo em vista que “o contribuinte concedeu gratuitamente os vales transportes aos seus empregados, sendo tal procedimento previsto em todos os acordos coletivos de trabalho”. 3. Assim, em razão de previsão estabelecida em Acordo Coletivo de Trabalho, a empresa não descontou do salário do trabalhador a parcela de 6%, arcando integralmente com o benefício, fato que originou o lançamento pelo auditor notificante que considerou os valores salário indireto. 4. No meu sentir, a origem da verba paga tem natureza jurídica indenizatória, pois foi assim que a norma que criou o benefício deixou consignado. 4. Além disso, no caso da Recorrente, a convenção coletiva de trabalho que estava obrigada a cumprir prevê expressamente tal forma de pagamento, devendo a mesma ser observada entre as partes, já que tem ela caráter normativo, conforme acordo coletivo f.184. “Cláusula Décima Sexta Transporte dos empregados A CESAN se compromete a fornecer transporte gratuito, mediante o fornecimento de vales transporte, a todos os seus empregados que dele necessitem para exercerem suas atividades profissionais junto a Empresa” (negritamos) 5. Com efeito, dispõe o artigo 7º, inciso XXVI da Constituição Federal: “Art. 7º. São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XXVI – reconhecimento das convenções e acordos coletivos de trabalho.” 6. Sendo assim, em face do reconhecimento constitucional expresso das convenções coletivas trabalhistas, corroborado pelo simples fato de que “salário” é um instituto advindo da legislação trabalhista, tornase inquestionável a validade não só das convenções, como de toda a legislação trabalhista envolvida em matéria previdenciária. 7. A norma previdenciária tratou da matéria da seguinte forma: [...] 8. Como se pode perceber, nos termos do art. 28, parágrafo 9º, alínea “f”, da Lei nº 8.212/91, a quantia (parcela) recebida a título de vale transporte não compõe o salário de contribuição, para fins de apuração da contribuição previdenciária. 9. Ademais, seria completamente desprovido de sentido entender que o legislador isenta da contribuição previdenciária o valetransporte em vales e tributa o que não é descontados pela empresa, porquanto em ambas situações buscase a mesma finalidade para o trabalhador, ou seja, o reembolso pelos valores pagos pelos seus deslocamentos para o trabalho. Fl. 411DF CARF MF Processo nº 36202.004792/200666 Acórdão n.º 9202005.164 CSRFT2 Fl. 5 7 10. É dizer, não se pode admitir que a simples forma de pagamento possa descaracterizar ou alterar a natureza jurídica do vale transporte. Até porque, o simples fato de o empregador arcar sozinho com o benefício não agride o instituto, que continua mantendo a sua destinação específica, qual seja, a de ajudar no custeio do transporte dos empregados. 8. O STJ já pacificou seu entendimento no sentido de que o fornecimento de transporte aos seus empregados, quer em dinheiro, quer em vale transporte, não possui natureza salarial, pois o seu pagamento é imprescindível para a execução do trabalho e não pela execução do mesmo. Ora, tal ordem de raciocínio é mais do que suficiente para afastar a legitimidade do lançamento efetivado, pois quando o benefício é ofertado para a execução do trabalho, o mesmo não pode compor a base de cálculo da contribuição previdenciária. 9. E quando o legislador fala no valetransporte, fazendo menção à sua legislação, prevê os limites e prazos para pagamento, independentemente do mesmo ser feito em dinheiro ou em papel, importandose sim com o benefício concedido ao empregado. 10. Ademais, patente que o Decreto nº 95.247/87 ao vedar a antecipação em dinheiro do valetransporte contraia frontalmente o princípio da estrita legalidade. Até porque, a Lei nº 7.418/85 não é expressa no sentido de ser vedado ao empregador pagar o vale transporte em dinheiro, de maneira que o art. 5º do Decreto 95.247/87 extrapolou em muito o seu campo de ação, pois regulamentou o que não está na lei. Nesse sentido, o TRF da 4ª já decidiu que o fato do empregador arcar integralmente com o ônus financeiro do vale transporte não caracteriza salário utilidade ou benefício concedido em prol dos empregados, mas uma verba necessária para o trabalho. Concluise que se o empregador arca com todos os custos de transporte dos empregados, resta integralmente atingida a finalidade da Lei nº 7.418/1985 e ainda acrescenta que o disposto no parágrafo único do art. 4º não estabelece a obrigatoriedade de desconto do salário do empregado para custeio do vale transporte; ao contrário, determina a obrigatoriedade de valor mínimo de custeio pelo empregador. 11. Cumpre ressaltar, porque importante, que mesmo nos casos em que o benefício é pago em espécie, o entendimento asseverado pelo Egrégio Tribunal Superior do Trabalho, corroborou o acima exposto quando reconheceu a validade da antecipação em dinheiro do vale transporte, acordado coletivamente, consoante se observa da ementa a seguir reproduzida: [...] 12. Deixo registrado, também, que o pagamento do vale transporte na forma citada na presente notificação não gera Fl. 412DF CARF MF 8 nenhum prejuízo ao trabalhador, pois resta mantida a natureza (indenizatória) do benefício concedido pelo empregador. 13. Não há ganho para o trabalhador, pois a verba é paga para que o trabalhador faça o percurso ao trabalho, ou seja tem caráter indenizatório. CONCLUSÃO 1 4. 33. Diante do exposto, CONHEÇO do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, considerando o lançamento improcedente. A PGFN apresentou Recurso Especial de Divergência alegando que a aplicação da decadência, a luz do art. 150, §4º do CTN, não se mostrou a mais acertada, tendo em vista a inexistência de antecipação de pagamento sobre a rubrica especifica. Senão vejamos a base do recurso: Descreve que não obstante a argumentação do r. votocondutor, o aresto merece reforma, visto que negou vigência ao art. 173, I, do CTN, bem corno aplicou indevidamente o art. 150, § 4.°, do CTN, situação que implica manifesta violação dos aludidos preceitos legais e ao entendimento exposado pelo CARF. Isso porque a aplicação dessas normas está umbilicalmente associada à verificação do pagamento parcial antecipado das contribuições objeto de cobrança, e tal exame foi realizado de maneira equivocada na espécie, promovendo distorções inaceitáveis, consoante será demonstrado doravante. No caso, impende destacar que não se operou lançamento por homologação algum, afinal a contribuinte não antecipou o pagamento do tributo, tendo em vista que não individualizou o fato gerador e não efetuou o recolhimento antecipado da contribuição em comento. Para confirmar suas assertivas acosta como paradigmas os Acórdãos n.º 2302 00.359), proferido pela 2º Turma Ordinária, da 3ª Câmara, e o Acórdão 240100.362 exarado pela 1ª Turma Especial da 4ª Câmara ambas da 2ª seção do CARF. "CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, I, DO CTN. (.) Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, I do CTN." (Acórdão n.° 230200.359) "DECADÊNCIA — ARTS 45 E 46 LEI N° 8.212/1991 — INCONSTITUCIONALIDADE — STF — SÚMULA VINCULANTE. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência o que dispõe o §4° do art. 150 ou o art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de paganiento ou não. (..)." (AC 2402 00.362) Fl. 413DF CARF MF Processo nº 36202.004792/200666 Acórdão n.º 9202005.164 CSRFT2 Fl. 6 9 Entretanto, cotejando os acórdãos recorrido e paradigmas, vislumbro uma prejudicial que inviabiliza a reapreciação da decisão por esta CSRF. O acórdão recorrido é expresso ao dar provimento ao recurso voluntário, porque, no entender da maioria do Colegiado, o mero não desconto da parcela de 6% permitida por lei, quando do fornecimento do vale transporte, não lhe tira a natureza indenizatória. Dessa forma, o acórdão, no mérito, tornou totalmente improcedente a autuação. Vale destacar que a fundamentação para o lançamento é a mesma para todo o período do presente auto de infração. Realmente, em relação a decadência foram cumpridos os pressupostos de admissibilidade do recurso, todavia, a natureza recursal tem por base a possibilidade de rever decisão anterior, o que não vislumbro no presente caso. Mesmo que considerássemos aplicável a tese trazida pela procuradoria (apenas á título de argumentação, tendo em vista que estamos apenas apreciando os pressupostos), o recurso deve ter um objeto válido. Ou seja, tendo o mérito sido favorável ao contribuinte a alteração do resultado (se cabível) não se mostraria válida, pois não alteraria a decisão final proferida. No caso, seria necessário apresentar recurso não apenas para decadência, mas também, para o mérito da incidência de contribuições sobre o vale transporte, o que não foi feito. Dessa forma, mostrase inviável o conhecimento do recurso especial apresentado pela PGFN, pois a tese apresentada, sozinha, não possui o condão de alterar a decisão proferida. Apenas esclareço que, mesmo que afastássemos a decadência declarada pelo acordão recorrido, o julgamento do colegiado não seria alterado, posto que no lançamento, a legislação e os fundamentos para o provimento do recurso não sofreram qualquer alteração para o período objeto da autuação. Conclusão Face o exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Especial do Procurador posto que a matéria objeto do recurso especial, sozinha, é incapaz de alterar o julgamento proferido. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 414DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10711.729534/2012-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 27/07/2009
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO.
É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto Lei nº 37/66.
MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE A CARGA. APLICAÇÃO POR MANIFESTO DE CARGA. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
A multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem. Contudo, se não estiverem presentes nos autos informações suficientes que comprovem a penalização por cada manifesto de carga, não há como cancelar o lançamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.568
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 27/07/2009 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto Lei nº 37/66. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE A CARGA. APLICAÇÃO POR MANIFESTO DE CARGA. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. A multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem. Contudo, se não estiverem presentes nos autos informações suficientes que comprovem a penalização por cada manifesto de carga, não há como cancelar o lançamento. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1785; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10711.729534/201209 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201002.568 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de fevereiro de 2017 Matéria OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA Recorrente CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/07/2009 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitarse à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto Lei nº 37/66. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE A CARGA. APLICAÇÃO POR MANIFESTO DE CARGA. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. A multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem. Contudo, se não estiverem presentes nos autos informações suficientes que comprovem a penalização por cada manifesto de carga, não há como cancelar o lançamento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 95 34 /2 01 2- 09 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10711.729534/201209 Acórdão n.º 3201002.568 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Tratase de processo referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. A irregularidade identificada consta do tópico "Dos Fatos", parte da Descrição dos Fatos do Auto de Infração. Segundo o relatado, consistiu na prestação intempestiva de informação referente ao conhecimento eletrônico (CE) ali indicado, o que acarretou no bloqueio automático do conhecimento no sistema Carga, conforme extrato anexado aos autos. Diante dos fatos apurados, a fiscalização entendeu configurada a infração tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, e aplicou a multa ali cominada. Não conformada com a exigência, a contribuinte apresentou Impugnação, cujos argumentos de defesa foram assim sintetizados pela DRJ: a) Princípio da razoabilidade. O atraso incorrido pela impugnante não causou embaraço ao controle aduaneiro, eis que as informações foram prestadas com suficiente antecedência da chegada do navio ao porto, o que comprova, também, o fato de a autuada não ter agido com intuito de cometer qualquer infração. Dessa forma, a aplicação de multa no presente caso ofende ao princípio da razoabilidade, que impõe à Administração Pública o dever de agir com bom senso, prudência e moderação, levando em conta a relação de proporcionalidade entre os meios empregados e a finalidade a ser alcançada, bem como as circunstâncias que envolvem a prática do ato. b) Bis in Idem. A impugnante foi penalizada mais de uma vez pela mesma conduta, uma vez que foram cobradas multas pelo atraso na entrega de informações referentes a cargas transportadas no mesmo navio/viagem, conforme processos administrativos indicados, não podendo subsistir mais de uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) nº 8, de 14/2/2008. Ao final a impugnante requer que seja cancelado o lançamento ou, subsidiariamente, que seja aplicado o entendimento de que só é cabível uma multa em relação a cada navio/viagem, excluindose as penalidades excedentes. A DRJ/Fortaleza julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo a exigência da penalidade nos termos do Acórdão 08033.172. No recurso voluntário foram repisadas as alegações trazidas na impugnação. É o relatório. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10711.729534/201209 Acórdão n.º 3201002.568 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.523, de 21 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10711.724209/201241, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3201002.523): "Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresento e relato o seguinte voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e considerando o tempestivo Recurso Voluntário, dele conheço. A alegação da fiscalização de 'Não Prestação de Informação sobre Carga Transportada' e a consequente aplicação de multa de R$ 5.000,00 prevista no Art. 107 do DL 37/66, em razão do descumprimento do prazo previsto na IN RFB 800/2007, Art. 22, ocorreu em razão da fiscalização ter constatado que o contribuinte era consignatário e deveria ter cumprido o prazo em no máximo até 29/07/09 às 07:58, sendo que desconsolidou o mercante agregado HBL de fls. 23 e 24 às 18:00 do mesmo dia 29. Conforme alegação de bis in idem do contribuinte em seu Recurso Voluntário, a autuação seria atrelada a dois outros autos de infração, Processos Administrativos de n°. 10711.724.250/201218 e 10711.724.251/201262, com os mesmos fatos e penalidade. Vencido no voto de diligência, para que fossem juntadas aos autos cópias dos mencionados processos e fosse verificada a possibilidade da duplicidade da pena, conforme Resolução por mim proposta na sessão de Janeiro deste ano, é certo que devo proceder à análise do mérito desta lide. Em que pese existir precedente favorável à situação do contribuinte, como o encontrado no Acórdão 3102001.988 deste Conselho, que determinou que a multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem, como fora consignado na autuação, não houve comprovação da existência de duplicidade ou do bis in idem, tampouco argumentos capazes de prejudicar o lançamento fiscal ou contradizer os argumentos utilizados pela turma de origem que afirmou 'que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos'. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10711.729534/201209 Acórdão n.º 3201002.568 S3C2T1 Fl. 5 4 Mas cópias dos Autos de Infração, um demonstrativo analítico, com os registros relativos às operações tratadas em cada processo apontado no recurso, não foram juntados pelo contribuinte. Esta situação (não juntada de documentos ou provas) diverge do previsto no Art. 16, inciso III e §4º, do inciso V , do Decreto nº 70.235/72, bem como do artigo 373, inciso II, do Código de Processo Civil. Nestes termos, considerando que a Recorrente deixou de comprovar suas alegações, não há como acolher o pedido de nulidade do lançamento suscitado pela contribuinte. Restam prejudicados os demais argumentos do contribuinte, pois todos são decorrentes da alegação de bis in idem, exceto pela alegação de aplicação do princípio da razoabilidade, o que certamente teria valia porque é um princípio constitucional, contudo, está correta a fundamentação legal do lançamento, vigente e aplicável aos fatos narrados. O lançamento capitulou corretamente a multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decreto Lei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, pelo fato da Recorrente ter prestado informações sobre a desconsolidação da carga fora do preceitos e prazos previstos nos artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007. Assim, deve ser aplicada a multa prevista pela letra “e” do inciso IV, art. 107 do Decreto nº 37, isso é, no montante de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Diante do exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para manter o lançamento em uma só multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais)." Quanto à questão do bis in idem, da mesma forma que no caso do paradigma a contribuinte não juntou ao presente processo "cópias dos Autos de Infração, um demonstrativo analítico, com os registros relativos às operações tratadas em cada processo apontado no recurso". Não comprovada a ocorrência de duplicidade da exigência, não há como acolher o pleito de nulidade do presente lançamento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 111DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.901414/2010-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO.
A isenção prevista no art. 4º do Decreto-Lei nº 1.510, de 1976, por ter sido expressamente revogada pelo art. 58 da Lei nº 7.713, de 1988, não se aplica a fato gerador (alienação) ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989 (data de vigência da Lei nº 7.713, de 1988), pois inexiste direito adquirido a regime jurídico.
Numero da decisão: 2402-005.791
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, por maioria, negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci, que davam provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO. A isenção prevista no art. 4º do DecretoLei nº 1.510, de 1976, por ter sido expressamente revogada pelo art. 58 da Lei nº 7.713, de 1988, não se aplica a fato gerador (alienação) ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989 (data de vigência da Lei nº 7.713, de 1988), pois inexiste direito adquirido a regime jurídico. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 14 14 /2 01 0- 23 Fl. 725DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, por maioria, negarlhe provimento, vencidos os Conselheiros Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci, que davam provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 726DF CARF MF Processo nº 10880.901414/201023 Acórdão n.º 2402005.791 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 437/451) interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I – DRJ/SP1 (fls. 426/434), que considerou improcedente manifestação de inconformidade do contribuinte, não reconhecendo o direito creditório requerido por meio de Pedido de Restituição – PER. Por bem retratar as razões trazidas no PER (fls. 422/425), os fundamentos aduzidos no Despacho Decisório que denegou o requerimento do sujeito passivo (fls. 172/173) e as considerações trazidas pelo recorrente em sua manifestação de inconformidade (fls. 175/184), reproduzse trechos correspondentes do relatório do Acórdão nº 1642.693 da 15ª Turma da DRJ/SP1: Trata o presente processo de Pedido Eletrônico de Restituição – PER, de fls. 257/260, criado em 08/10/2009, n.º 20794.72592.211009.2.6.047338, através do qual o interessado solicita a restituição da importância de R$ 3.481.478,48, referente aos recolhimentos efetuados a título de ganhos líquidos em operações em bolsa (código 6015), em: 29/02/2008, no valor de R$ 2.078.586,13; 31/03/2008, no valor de R$ 1.002.882,14; 30/04/2008, no valor de R$ 1.068.616,66; 30/05/2008, no valor de R$ 1.655.901,63; 30/06/2008, no valor de R$ 143.593,09; 31/07/2008, no valor de R$ 929.736,60 e em 30/12/2008, no valor de R$ 383.877,23, sob a alegação de pagamento em valor maior que o devido. Mediante Despacho Decisório eletrônico (fl. 07), da Delegacia de Administração Tributária de São Paulo, nº de rastreamento 855640813, emitido em 22/01/2010, foi indeferido o pedido de restituição, sob o argumento de que os pagamentos foram utilizados integralmente para quitação de débitos do contribuinte referentes ao ganho em operações em bolsa do exercício de 2009 (fl. 06). Cientificado do indeferimento do pedido de restituição em 03/02/2010 (fl. 09), o interessado apresentou, em 04/03/2010, a manifestação de inconformidade de fls. 10 a 19, por intermédio de procuradores (procurações as fls. 23/25 e 26 a 27 e substabelecimento a fl. 28), acompanhada dos documentos de fls. 37 a 169, alegando que: participa societariamente de pessoas jurídicas, inclusive em companhias abertas, por meio de ações negociadas em bolsa de valores; parte dessas ações foi adquirida anteriormente a 31/12/1988, na vigência do artigo 49, alínea d, do Decretolei n.º 1.510/76, que isentava do recolhimento do imposto de renda sobre o ganho de capital a pessoa física que alienasse participação societária Fl. 727DF CARF MF 4 após decorrido o período de 5 anos de sua subscrição ou aquisição; com a edição da Lei n.º 7.713/88, a referida isenção restou revogada, passando o Imposto de Renda incidente sobre o ganho de capital auferido em decorrência da alienação de participação societária a ser exigido das pessoas físicas; todavia, no caso de participações societárias adquiridas na vigência do art. 4º, d, do DL n.º 1.510/76 e desde que cumprido o requisito (alienação após 5 anos da aquisição ou da subscrição da participação societária), tendo em vista tratarse de isenção de caráter oneroso (art. 178 do CTN), temse que não pode ser exigido o IR, em razão da presença do direito adquirido; por essa razão, o recolhimento do IR efetuado pelo Requerente, relativamente ao ganho de capital auferido em razão da alienação, após o decurso de 5 anos, das participações societárias adquiridas na vigência do art. 4º, d, do DL 1.510/76, é manifestamente indevido; entretanto, foi negado o direito do requerente à restituição por terem os pagamentos sido entendidos, equivocadamente, como devidos; do DIREITO preliminarmente, requer a prioridade na tramitação do processo, com base no Estatuto do Idoso; requer também que a presente seja analisada em conjunto com a Manifestação de Inconformidade relativa ao processo administrativo n.º 10880.901413/201089, uma vez que há conexão entre os processos, pois tratam da mesma matéria; Ofensa à Isenção Tributária – reproduz o artigo 4º, alínea d, do DecretoLei n.º 1.510/76, para afirmar que foi isentado do IR o lucro auferido por pessoa física em virtude de venda de ações mediante o cumprimento de determinado requisito (condição), qual seja, efetivação da alienação após decorridos cinco anos da subscrição ou da aquisição da participação societária; tratase, portanto, de isenção condicionada à determinada condição onerosa, repitase: a alienação somente pode se efetivar após 5 anos da subscrição ou aquisição da participação societária para que o ganho seja isento do IR; o artigo 178, do CTN veda expressamente a possibilidade de revogação quando de isenção, quando esta tiver sido concedida por prazo certo e sob determinadas condições. Nessa esteira, o Judiciário já se manifestou através da Súmula n.º 544, do STF, no sentido de que a isenção onerosa ou condicionada não pode ser revogada ou modificada. Transcreve jurisprudência sobre o tema; a presença de condição onerosa na isenção tributária do artigo 4º do DecretoLei n.º 1.510/76 já foi expressamente reconhecida pelo E.STJ que, inclusive, afastou a cobrança do imposto de renda sobre a mencionada operação, consoante se verifica de decisão judicial que transcreve a fl. 12; Fl. 728DF CARF MF Processo nº 10880.901414/201023 Acórdão n.º 2402005.791 S2C4T2 Fl. 4 5 resta inconteste que a Lei n.º 7.713/88 (art. 58) não revogou a isenção (onerosa) prevista no art. 4º, do DL n.º 1.510/76, relativamente às participações societárias adquiridas na vigência deste último dispositivo, as quais apenas foram alienadas após adimplida a condição, razão pela qual o Requerente tem o inequívoco direito à recuperação (via restituição) do IR pago sobre o ganho de capital auferido na alienação das ações discriminadas nos documentos anexos; Ofensa ao Direito Adquirido – considerando cumpridos os requisitos estabelecidos pelo Decreto Lei n.º 1.510/76 não deve (e não pode) arcar o Requerente com a exigência do Imposto de Renda sobre o ganho de capital apurado, em face da existência do direito adquirido ao mencionado benefício fiscal, nos termos dos artigos 5º, XXXVI, da CF/88; 6º, § 2º, da LICC, que reproduz; a aquisição do direito é um fato independente do seu exercício após a sua aquisição. Tal aquisição dá o direito de exercêla, independentemente de condições ou prazos, salvo se a lei instituidora expressamente preveja hipóteses dessa natureza; o então E. 1º Conselho de Contribuintes e a C. Câmara Superior de Recursos Fiscais já se posicionaram no sentido de que o artigo 4º, alínea d, do citado DecretoLei n.º 1.510/76, gerou direito adquirido aos contribuintes que não alienaram as ações nos primeiros 5 anos da respectiva subscrição ou aquisição, ainda que o ganho de capital tenha sido apurado em venda após a revogação da norma isentiva. Cita julgados do Conselho de Contribuintes e da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo; o STJ também já reconheceu expressamente a existência do direito adquirido e, por conseguinte, como indevida a cobrança do Imposto de Renda na hipótese do art. 4º, alínea d, do DL n.º1.510/76, conforme decisão que transcreve; por fim, pede no mérito, que seja reformado o Despacho Decisório ora recorrido, para que seja autorizada a restituição das importâncias recolhidas indevidamente a título de imposto de renda no anocalendário de 2005, quando das alienações das participações societárias, inclusive de ações negociadas em bolsa de valores, adquiridas até 31/12/1988. A DRJ/SP1 considerou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme se extrai da ementa da decisão recorrida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ISENÇÃO. No direito brasileiro, quanto à isenção, prevalece o princípio da revogabilidade, que pode ocorrer a qualquer tempo, sem que se Fl. 729DF CARF MF 6 gere direito adquirido ao contribuinte. Para que possa haver a fruição do incentivo, a lei isentiva deve estar em vigor no momento em que ocorre o fato gerador. Em se tratando de ganho de capital por parte de pessoa física, o fato gerador ocorre no momento da alienação do bem ou direito. A não incidência prevista no Decretolei 1.510/76, artigo 4.º, “d”, não produziu direito adquirido ao contribuinte, eis que não era onerosa e nem foi estabelecida a prazo determinado. Estão sujeitas ao imposto sobre o ganho de capital as vendas efetuadas após 1.º.01.1989, ainda que, nessa data, a participação societária já contasse com mais de cinco anos no domínio do alienante. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINA. EFEITOS As decisões judiciais e administrativas invocadas, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Assim, seus efeitos não podem ser estendidos genericamente a outros casos, somente se aplicam à questão em análise e vinculam as partes envolvidas naqueles litígios, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade de lei, que não é o caso dos julgados transcritos. A doutrina reproduzida não pode ser oposta ao texto explícito do direito positivo, sobretudo em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificado da decisão a quo, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 575/589) no qual repisa as questões trazidas na impugnação, acrescentando, em síntese, o seguinte: a) adquiriu ações do Banco Itaú S/A ("Ações do Banco Itaú"), inscrito no CNPJ sob o nº 60.701.190/000104, e ações da Itaúsa Investimentos Itaú S/A ("Ações do Itausa"), inscrita no CNPJ sob o nº 61.532.644/000115, anteriormente a 31/12/1988; b) alienou, no anocalendário de 2008, parte das ações adquiridas antes de 31/12/1988; c) sobre o valor do ganho de capital auferido, procedeu ao pagamento de Imposto de Renda; d) o ganho de capital auferido por pessoa física, decorrente da alienação de participações societárias, após o transcurso do prazo de cinco anos da data da subscrição ou da aquisição da participação, estava isento do Imposto de Renda, conforme instituído pelo art. 4º alínea “d”, do DecretoLei n° 1.510/1976; e) embora referida isenção tenha sido revogada pela Lei n° 7.713/1988, passando a incidir Imposto de Renda sobre o ganho de capital auferido por pessoas físicas, em decorrência de alienação de participação societária na bolsa de valores, tal revogação não poderia alcançar os contribuintes que tivessem participações societárias adquiridas na vigência do art. 4º, alínea “d”, do DecretoLei nº 1.510/76 e cumprido o requisito nele disposto (alienação após 5 anos da sua aquisição), tendo em vista tratarse de isenção de caráter oneroso, nos termos do que estabelece o art. 178, do CTN, em Fl. 730DF CARF MF Processo nº 10880.901414/201023 Acórdão n.º 2402005.791 S2C4T2 Fl. 5 7 razão do direito adquirido à isenção (art. 5, inciso XXXVI, da CF/88, e art. 6º, § 2º, da LICC); f) a discussão travada no presente processo cingese à definição se a isenção concedida pelo art. 4º, alínea “d”, do DecretoLei nº 1.510/76, tem natureza de isenção condicionada ou, ao contrário, não se trata de uma isenção que requer o implemento de determinada condição onerosa para ser concedida; g) ao contrário do que restou decidido em primeira instância, a isenção do Imposto de Renda sobre o ganho de capital auferido por pessoa física na alienação de participação societária, estava, sim, condicionada ao cumprimento de determinado requisito (condição), qual seja, que a alienação fosse realizada após decorridos cinco anos da subscrição ou da aquisição da participação societária; h) uma vez existente condição específica, aplicável, portanto, o disposto no art. 178 do CTN, que veda expressamente a revogação de isenção quando esta tiver sido concedida por prazo certo e sob determinadas condições. Cita jurisprudência administrativa e decisões judiciais e a Súmula nº 544 do STF, as quais corroborariam suas argumentações; i) Na parte final do voto proferido na primeira instância, afirmase que "quanto ao fato dos pagamentos considerados efetuados em valor maior que o devido pelo manifestante, estarem indisponíveis para restituição, cumpre dizer que os mesmos estão alocados aos débitos informados pelo próprio contribuinte em sua declaração de ajuste anual; j) assim, além da suposta inaplicabilidade da isenção ao caso dos autos, segundo a decisão recorrida, a restituição não poderia ter sido procedida em razão de os pagamentos terem sido alocados a débitos declarados pelo próprio contribuinte; k) o fato de a Recorrente ter cometido erro no preenchimento de sua declaração (informando como devido imposto sobre ganho de capital isento) não pode impedir o exercício do direito à restituição, nos termos do que estabelece o art. 165, do Código Tributário Nacional. Cita jurisprudência do CARF a esse respeito; Por fim, solicita que os valores a serem restituídos sejam corrigidos pela Taxa Selic ou outro índice que venha a substituíla e repisa os pedidos apresentados na impugnação. É o relatório. Fl. 731DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator O recurso foi apresentado no prazo legal e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Com relação à isenção postulada pelo recorrente, o art. 4º do DecretoLei nº 1.510/1976 estabelecia: Art 4º Não incidirá o imposto de que trata o artigo 1º: (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) [...] d) nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação. Ocorre que o dispositivo acima reproduzido foi revogado pelo art. 58 da Lei nº 7.713/1988. Vejamos: Art. 58. Revogamse o art. 50 da Lei nº 4.862, de 29 de novembro de 1965, os arts. 1º a 9º do DecretoLei nº 1.510, de 27 de dezembro de 1976, os arts. 65 e 66 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, os arts. 1º a 4º do Decreto Lei nº 1.641, de 7 de dezembro de 1978, os arts. 12 e 13 do DecretoLei nº 1.950, de 14 de julho de 1982, os arts. 15 e 100 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, o art. 18 do DecretoLei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, o item IV e o parágrafo único do art. 12 do DecretoLei nº 2.292, de 21 de novembro de 1986, o item III do art. 2º do DecretoLei nº 2.301, de 21 de novembro de 1986, o item III do art. 7º do DecretoLei nº 2.394, de 21 de dezembro de 1987, e demais disposições em contrário. Como se viu, com o advento da Lei nº 7.713/1988, a isenção estabelecida na alínea “d” do art. 4º do DecretoLei nº 1.510/1976, restou expressamente revogada, sendo que, de conformidade com o art. 57 da citada Lei nº 7.713/1988, essa revogação se deu a partir de 1º/1/1989. Com relação a revogação de isenção, e a exemplo do que se fez na decisão recorrida, cumpre reproduzir as disposições do CTN que tratam da matéria: Art. 178. A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104. (Redação dada pela Lei Complementar nº 24, de 7.1.1975) Fl. 732DF CARF MF Processo nº 10880.901414/201023 Acórdão n.º 2402005.791 S2C4T2 Fl. 6 9 Art. 104. Entram em vigor no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorra a sua publicação os dispositivos de lei, referentes a impostos sobre o patrimônio ou a renda: I que instituem ou majoram tais impostos; II que definem novas hipóteses de incidência; III que extinguem ou reduzem isenções, salvo se a lei dispuser de maneira mais favorável ao contribuinte, e observado o disposto no artigo 178. Resta claro que a regra estabelecida no CTN é no sentido de que as isenções podem, a qualquer tempo, ser revogadas ou modificadas, desde que a revogação ou modificação que represente prejuízo ao contribuinte entrem em vigor no exercício seguinte ao de publicação da lei respectiva. Exceção a essa regra diz respeito à isenção concedida por prazo certo e em função de determinadas condições (art. 78 do Código Tributário) que é irrevogável, ou seja, atendidas as condições estabelecidas em lei, perdura por todo o período previsto na norma instituidora em face do direito adquirido. Resta saber, e isso é questão essencial para o deslinde da presente controvérsia, se a isenção instituída pela alínea “d”do art. 4º do DecretoLei nº 1.510/76 tem natureza de isenção concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, ou seja, se os dois requisitos presentes no art. 178 encontramse cumulativamente contemplados na norma isentiva. Entendo que não. Nesse ponto, filiome integralmente ao entendimento exarado na decisão recorrida o qual se faz mister reproduzir: Esclareçase que a expressão “em função de determinadas condições” (art. 178 do CTN) não significa a exigência de meros “requisitos”, mas sim a de uma contraprestação por parte do contribuinte que lhe impõe um ônus a que ordinariamente não estaria sujeito, uma atividade que será desempenhada exatamente para fazer jus à isenção. É de se ressaltar que a redação originária do art. 178 do CTN, foi modificada pela Lei Complementar nº 24, de 7 de janeiro de 1975, quando foi substituído o conectivo “ou” por “e”. Significa dizer que a isenção cujo direito do contribuinte está a salvo da lei revogadora é aquela que, concomitantemente, foi deferida para prevalecer por período determinado de tempo e impondo ao contribuinte um esforço ou um investimento que, normalmente, não empreenderia. Ambas as condições devem ser cumpridas. Observese que a isenção do art. 4°, alínea "d", do DecretoLei nº 1.510, de 1976, não foi concedida por prazo determinado, há apenas a fixação de um termo inicial do benefício fiscal (após cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação), mas no referido decretolei não há, nem em qualquer outro dispositivo legal, qualquer determinação quanto ao termo final Fl. 733DF CARF MF 10 desse benefício. Desta forma, tratandose de isenção por prazo indeterminado pode ser revogada, a qualquer tempo, por lei posterior. A revogação deve atender a regra do art. 104, inciso III, do CTN, o que foi observado pela Lei nº 7.713, de 1988, que revogou a citada isenção a partir de 1º de janeiro de 1989, conforme os seus arts. 57 e 58. [...] Dessa forma, não se pode considerar que haja direito adquirido à isenção prevista no art. 4°, alínea "d", do DecretoLei nº 1.510, de 1976, ainda que o lapso temporal de cinco anos da aquisição ou subscrição da participação tenho ocorrido até 31.12.1988, pois o referido art. 4º foi expressamente revogado pela Lei nº 7.713, de 1988, e a tributação deve se reportar à legislação vigente na data da ocorrência do fato gerador (data da alienação), na forma do art. 144 do CTN. Com efeito, nos termos do art. 144 do CTN, “O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada”. Pois bem, o fato gerador do imposto de renda sobre o ganho de capital somente ocorre no momento da alienação e, no caso dos autos, esta, consoante se admite no recurso especial, se deu somente em 2008, ou seja, sob a vigência da Lei nº 7.713/1988. Ainda na esteira do entendimento albergado no acórdão recorrido, penso que a Súmula 544 do STF não socorre o sujeito passivo, pois, consoante ficou assentado em seu enunciado, somente “Isenções tributárias concedidas, sob condição onerosa, não podem ser livremente suprimidas”. Além disso, tendo em vista que a Súmula supracitada foi editada em 1969 (quando o texto do Código tributário ainda não previa o atendimento cumulativo dos requisitos de concessão por prazo certo e em função de determinadas condições), temse que além da condição onerosa, a irrevogabilidade da isenção reclamada dependeria também de outro atributo: ter sido concedida por prazo certo. Não tendo a isenção entabulada na alínea “d” do art. 4º do DecretoLei nº 1.510, sido concedida quer sob condição onerosa, quer a por prazo determinado, não há que se falar em irrevogabilidade, tampouco em direito adquirido. Até porque não há direito adquirido a regime jurídico, conforme jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal STF, como por exemplo no caso do RE 227755 AgR / CE: EMENTA Agravo regimental no recurso extraordinário. Servidor público. Aposentadoria. Lei estadual nº 11.171/86. Gratificação. Incorporação. Estabilidade financeira. Inexistência de direito adquirido a regime jurídico. Redução de vencimentos. Impossibilidade. Legislação local. Reexame de fatos e provas. Precedentes. 1. Aplicase à aposentadoria a norma vigente à época do preenchimento dos requisitos para a sua concessão. 2. A jurisprudência desta Corte está consolidada no sentido de que não viola a Constituição o cálculo de vantagens nos termos da Lei estadual nº 11.171/86 em face de fato que tenha se consolidado antes da alteração, pela Emenda Constitucional nº 19/98, do art. 37, inciso XIV, da Constituição Federal. 3. É pacífica a jurisprudência desta Corte no sentido de que, embora constitucional o instituto da estabilidade financeira, Fl. 734DF CARF MF Processo nº 10880.901414/201023 Acórdão n.º 2402005.791 S2C4T2 Fl. 7 11 não há direito adquirido a regime jurídico, ficando assegurada, entretanto, a irredutibilidade de vencimentos. 4. Rever o entendimento assentado no Tribunal de origem quanto à ocorrência de redução nos proventos do servidor demandaria a análise das Leis estaduais nºs 11.17186 e 12.386/94, e dos fatos e das provas dos autos. Incidência das Súmulas nºs 280 e 279/STF. 5. Agravo regimental não provido. (Grifos nossos) Corrobora com o exposto, o julgamento pelo STF das ADIN’s nº 3.105/DF e 3.128/DF, relativas ao art. 4º, caput, da Emenda Constitucional nº 41, de 19 de dezembro de 2003. Na ocasião, entendeu a Corte Suprema que é constitucional a incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração de servidores inativos e seus pensionistas, pois, como inexiste norma de exoneração tributária absoluta, a lei deve incidir sobre fatos geradores ocorridos depois do início de sua vigência. Vejase o teor da ementa do julgado: 1. Inconstitucionalidade. Seguridade social. Servidor público. Vencimentos. Proventos de aposentadoria e pensões. Sujeição à incidência de contribuição previdenciária. Ofensa a direito adquirido no ato de aposentadoria. Não ocorrência. Contribuição social. Exigência patrimonial de natureza tributária. Inexistência de norma de imunidade tributária absoluta. Emenda Constitucional nº 41/2003 (art. 4º, caput). Regra não retroativa. Incidência sobre fatos geradores ocorridos depois do início de sua vigência. Precedentes da Corte. Inteligência dos arts. 5º, XXXVI, 146, III, 149, 150, I e III, 194, 195, caput, II e § 6º, da CF, e art. 4º, caput, da EC nº 41/2003. No ordenamento jurídico vigente, não há norma, expressa nem sistemática, que atribua à condição jurídicosubjetiva da aposentadoria de servidor público o efeito de lhe gerar direito subjetivo como poder de subtrair ad aeternum a percepção dos respectivos proventos e pensões à incidência de lei tributária que, anterior ou ulterior, os submeta à incidência de contribuição previdencial. Noutras palavras, não há, em nosso ordenamento, nenhuma norma jurídica válida que, como efeito específico do fato jurídico da aposentadoria, lhe imunize os proventos e as pensões, de modo absoluto, à tributação de ordem constitucional, qualquer que seja a modalidade do tributo eleito, donde não haver, a respeito, direito adquirido com o aposentamento. (Grifos Nossos) No mesmo sentido do aqui esposado, e a despeito da jurisprudência administrativa e judicial suscitada pelo contribuinte (a qual não se constitui em norma complementar de direito tributário e não tem o condão se vincular o julgador administrativo), especificamente sobre a matéria objeto de controvérsia, o Superior Tribunal de Justiça – STJ firmou entendimento de que com, o advento da Lei 7.713/1988, operouse a revogação da isenção. Transcrevese a ementa do julgado: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. ALIENAÇÃO DE AÇÕES SOCIETÁRIAS. DECRETOLEI 1.510/76. ISENÇÃO. REQUISITOS PARA IRREVOGABILIDADE. ART. 178 DO CTN. NÃO OCORRÊNCIA. LEI 7.713/1988. REVOGAÇÃO. POSSIBILIDADE. Fl. 735DF CARF MF 12 1. A irrevogabilidade da isenção concedida, nos termos do art. 178 do CTN, só ocorrerá se atendidos os requisitos de prazo certo e condições determinadas. Situação não configurada nos autos. 2. O art. 4º, "d", do DecretoLei 1.510/76 fixa o termo inicial do benefício fiscal (após cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação), não determinando o termo final, ou seja, é isenção por prazo indeterminado, revogável, portanto, por lei posterior. 3. Com o advento da Lei 7.713/88 operouse a revogação da isenção. Precedentes do STJ. 4. Agravo Regimental não provido. (Agravo Regimental no Recurso Especial n° 1.164.494/RS 09 de fevereiro de 2010) No mesmo sentido, a recente jurisprudência deste Conselho espanca quaisquer dúvidas quanto ao entendimento consolidado em âmbito administrativo: Acórdão nº 2201 002.342 da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 18 de março de 2014 – Relator: Eduardo Tadeu Farah GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO. A isenção prevista no artigo 4º do DecretoLei nº 1.510, de 1976, por ter sido expressamente revogada pelo artigo 58 da Lei nº 7.713, de 1988, não se aplica a fato gerador (alienação) ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989 (vigência da Lei nº 7.713, de 1988), pois inexiste direito adquirido a regime jurídico. Acórdão nº 9202003.882 da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais de 12 de abril de 2016 – Relator: Luiz Eduardo de Oliveira Santos ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000, 2001 IRPF. PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. AQUISIÇÃO SOBRE OS EFEITOS DA HIPÓTESE DE NÃO INCIDÊNCIA PREVISTOS NO DECRETO 1.510/76. NÃO OCORRÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE NA DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Se a pessoa física titular da participação societária, sob a égide do art. 4°, "d", do DecretoLei 1.510/76, E subseqüentemente ao período de 5 (cinco) anos da aquisição da participação, alienou a, aplicase a legislação vigente na data do fato gerador. Não há direito adquirido à isenção por não ter sido deferida por prazo certo e legislação posterior tornou a alienação tributável, não havendo que se falar em direito adquirido a regime jurídico. Recurso especial provido. Fl. 736DF CARF MF Processo nº 10880.901414/201023 Acórdão n.º 2402005.791 S2C4T2 Fl. 8 13 Acórdão nº 9202003.763 da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais de 12 de abril de 2016 – Relatora: Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008, 2009 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DECRETO LEI 1.510/76. ISENÇÃO POR PRAZO INDETERMINADO. Sendo a isenção do art. 4º, 'd', do Decreto Lei nº 1.510/76 do tipo incondicionada, afastase a aplicação da exceção do art. 178 do CNT, não havendo que se falar em isenção do IRPF aos fatos geradores posteriores à Lei nº 7.713/88. Por todas essas razões, em vista da expressa revogação, pela Lei nº 7.713/1988, da isenção aqui discutida e considerandose que a lei nova deve ser aplicada aos fatos geradores ocorridos durante sua vigência, não vejo como atender ao pleito do recorrente. Feitas essas considerações, considero prescindível adentrar à discussão acerca da correção pela taxa Selic dos créditos decorrentes de restituição, bem assim sobre a possibilidade de exercício do direito à repetição do indébito, independentemente de erro no preenchimento de declaração, haja vista que restou plenamente demonstrado que, à época do fato gerador tributo, a isenção suscitada pelo contribuinte já havia sido revogada. Conclusão Por todo o exposto voto no sentido de CONHECER E NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 737DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.900023/2012-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 14/11/2002
BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE.
A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, inclui-se na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-003.564
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que dava provimento.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente BEBIDAS NOVA GERAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/11/2002 BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, incluise na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que dava provimento. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Tratase de Pedido de Restituição cujo direito creditório é oriundo de recolhimento informado como indevido ou a maior que o devido a título de PIS, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 00 23 /2 01 2- 25 Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10980.900023/201225 Acórdão n.º 3302003.564 S3C3T2 Fl. 3 2 A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico indeferindo a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Após ser intimada, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade que foi julgada improcedente por intermédio do Acórdão 06045.790. Em síntese, entendeu a DRJ que não existe previsão legal para excluir o ICMS da base de cálculo das contribuições, do que resultou mantido o indeferimento do pleito de restituição. Inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário pugnando pelo reconhecimento de seu direito creditório. O principal argumento da defesa é o de que o ICMS não pode ser considerado como faturamento da empresa, não podendo, desta forma, compor a base de cálculo das contribuições. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.520, de 26 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10875.906543/201249, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, na parte aplicável ao presente caso (Acórdão 3302003.520): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. No que tange à exclusão do ICMS devido nas operações de venda, na condição de contribuinte, o §2º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 estabeleceu as hipóteses de exclusão da base de cálculo das contribuições, à época dos fatos: § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10980.900023/201225 Acórdão n.º 3302003.564 S3C3T2 Fl. 4 3 que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Vide Medida Provisória nº 1.99118, de 2000) (Revogado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. Verificase no inciso I, que o ICMS incidente nas operações na condição de contribuinte (próprio) não foi elencado como parcela a ser excluída da base de cálculo. Juridicamente e contabilmente, o ICMS compõe a receita de venda e consiste em redutor da receita bruta. A legislação, ao longo do tempo, dispôs sobre a receita bruta, sempre indicando que os impostos incidentes sobre a venda a compunham. Assim, citamse o artigo 12 do Decretolei nº 1.598/1977, o artigo 187 da Lei nº 6.404, o artigo 31 da Lei nº 8.981/1995, bem como a IN SRF nº 51/1978: Decretolei nº 1.598/1977: Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. Art. 12. A receita bruta compreende: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II o preço da prestação de serviços em geral; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. § 1o A receita líquida será a receita bruta diminuída de: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I devoluções e vendas canceladas; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II descontos concedidos incondicionalmente; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III tributos sobre ela incidentes; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações vinculadas à receita bruta. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 6.404/1976: Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10980.900023/201225 Acórdão n.º 3302003.564 S3C3T2 Fl. 5 4 II a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; IN SRF nº 51/1978: 1. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens, nas operações de conta própria, e o preço dos serviços prestados (artigo 12 do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). 2. Na receita bruta não se incluem os impostos nãocumulativos cobrados do comprador ou contratante impostos nãocumulativos cobrados do comprador ou contratante (imposto sobre produtos industrializados e imposto único sobre minerais do País) e do qual o vendedor dos bens ou prestador dos serviços seja mero depositário. Imposto não cumulativo é aquele em que se abate, em cada operação, o montante de imposto cobrado nas anteriores. 3. Igualmente não se computam no custo de aquisição das mercadorias para revenda e das matériasprimas os impostos mencionados no item anterior, que devam ser recuperados. 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. 4.1 Vendas canceladas correspondentes a anulação de valores registrados como receita bruta de vendas e serviços; eventuais perdas ou ganhos decorrentes de cancelamento de venda, ou de rescisão contratual, não devem afetar a receita líquida de vendas e serviços, mas serão computados nos resultados operacionais. 4.2 Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. Neste sentido o STJ publicou as súmulas 69 e 94, cujos enunciados dispõem: Súmula n. 68 : "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". É de se concluir que a legislação inclui o ICMS incidente sobre as vendas no conceito de receita bruta, excluindoo apenas do conceito de receita líquida. Sobre o tema, há decisões recentes do STJ entendendo pela inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, como o AgRg no REsp 1576424 / RS, de 10/03/2016, cuja ementa transcrevese: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SUBSTITUTIVA. ARTS. 7º e 8º DA LEI Nº 12.546/2011. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO, MUTATIS Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.900023/201225 Acórdão n.º 3302003.564 S3C3T2 Fl. 6 5 MUTANDIS, DA ORIENTAÇÃO FIRMADA NO RESP Nº 1.330.737/SP, REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RELATIVA À INCLUSÃO DO ISSQN NA BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP E DA COFINS NA SISTEMÁTICA NÃOCUMULATIVA. 1. A possibilidade de inclusão, na receita bruta, de parcela relativa a tributo recolhido a título próprio foi pacificada, por maioria, pela Primeira Seção desta Corte em 10.6.2015, quando da conclusão do julgamento do recurso representativo da controvérsia REsp nº 1.330.737/SP, de relatoria do Ministro Og Fernandes, ocasião em que se concluiu que o ISSQN integra o conceito maior de receita bruta, base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS. 2. As razões que fundamentam o supracitado recurso especial representativo de controvérsia se aplicam, mutatis mutandis, à inclusão das parcelas relativas ao ICMS na base de cálculo da contribuição substitutiva prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546/2011. Precedente: REsp nº 1.528.604, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17.9.2015. 3. A contribuição substitutiva prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546/2011, da mesma forma que as contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS na sistemática não cumulativa previstas nas Leis n.s 10.637/2002 e 10.833/2003, adotou conceito amplo de receita bruta, o que afasta a aplicação ao caso em tela do precedente firmado no RE n. 240.785/MG (STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 08.10.2014), eis que o referido julgado da Suprema Corte tratou das contribuições ao PIS/Pasep e COFINS regidas pela Lei n. 9.718/98, sob a sistemática cumulativa que adotou, à época, um conceito restrito de faturamento. Precedente. 4. Agravo regimental não provido. Ressaltase que a inclusão do ISS na base de cálculo das contribuições foi considerada legítima e julgada sob a sistemática de recursos repetitivos no REsp 1.330.737/SP, em 10/06/2015, que possuiu a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C DO CPC E RESOLUÇÃO STJ N. 8/2008. PRESTADOR DE SERVIÇO. PIS E COFINS. INCLUSÃO DO ISSQN NO CONCEITO DE RECEITA OU FATURAMENTO. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO DOS ARTS. 109 E 110 DO CTN. 1. Para efeitos de aplicação do disposto no art. 543C do CPC, e levando em consideração o entendimento consolidado por esta Corte Superior de Justiça, firmase compreensão no sentido de que o valor suportado pelo beneficiário do serviço, nele incluindo a quantia referente ao ISSQN, compõe o conceito de receita ou faturamento para fins de adequação à hipótese de incidência do PIS e da COFINS. 2. A orientação das Turmas que compõem a Primeira Seção deste Tribunal Superior consolidouse no sentido de que "o valor do ISSQN integra o conceito de receita bruta, assim entendida como a totalidade das receitas auferidas com o exercício da atividade econômica, de modo que não pode ser dedutível da base de cálculo do PIS e da COFINS" (REsp 1.145.611/PR, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 8/9/2010; AgRg no REsp 1.197.712/RJ, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 9/6/2011; AgRg nos EDcl no REsp 1.218.448/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 24/8/2011; AgRg no AREsp 157.345/SE, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 2/8/2012; AgRg no AREsp 166.149/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 28/08/2012, DJe 4/9/2012; EDcl no AgRg no Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.900023/201225 Acórdão n.º 3302003.564 S3C3T2 Fl. 7 6 REsp 1.233.741/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 7/3/2013, DJe 18/3/2013; AgRg no AREsp 75.356/SC, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 15/10/2013, DJe 21/10/2013). 3. Nas atividades de prestação de serviço, o conceito de receita e faturamento para fins de incidência do PIS e da COFINS deve levar em consideração o valor auferido pelo prestador do serviço, ou seja, valor desembolsado pelo beneficiário da prestação; e não o fato de o prestador do serviço utilizar parte do valor recebido pela prestação do serviço para pagar o ISSQN Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza. Isso por uma razão muito simples: o consumidor (beneficiário do serviço) não é contribuinte do ISSQN. 4. O fato de constar em nota fiscal informação no sentido de que o valor com o qual arcará o destinatário do serviço compreende quantia correspondente ao valor do ISSQN não torna o consumidor contribuinte desse tributo a ponto de se acolher a principal alegação das recorrentes, qual seja, de que o ISSQN não constituiu receita porque, em tese, diz respeito apenas a uma importância que não lhe pertence (e sim ao município competente), mas que transita em sua contabilidade sem representar, entretanto, acréscimo patrimonial. 5. Admitir essa tese seria o mesmo que considerar o consumidor como sujeito passivo de direito do tributo (contribuinte de direito) e a sociedade empresária, por sua vez, apenas uma simples espécie de "substituto tributário", cuja responsabilidade consistiria unicamente em recolher aos cofres públicos a exação devida por terceiro, no caso o consumidor. Não é isso que se tem sob o ponto de vista jurídico, pois o consumidor não é contribuinte (sujeito passivo de direito da relação jurídicotributária). 6. O consumidor acaba suportando o valor do tributo em razão de uma política do sistema tributário nacional que permite a repercussão do ônus tributário ao beneficiário do serviço, e não porque aquele (consumidor) figura no polo passivo da relação jurídicotributária como sujeito passivo de direito. 7. A hipótese dos autos não se confunde com aquela em que se tem a chamada responsabilidade tributária por substituição, em que determinada entidade, por força de lei, figura no polo passivo de uma relação jurídico tributária obrigacional, cuja prestação (o dever) consiste em reter o tributo devido pelo substituído para, posteriormente, repassar a quantia correspondente aos cofres públicos. Se fosse essa a hipótese (substituição tributária), é certo que a quantia recebida pelo contribuinte do PIS e da COFINS a título de ISSQN não integraria o conceito de faturamento. No mesmo sentido se o ônus referente ao ISSQN não fosse transferido ao consumidor do serviço. Nesse caso, não haveria dúvida de que o valor referente ao ISSQN não corresponderia a receita ou faturamento, já que faticamente suportado pelo contribuinte de direito, qual seja, o prestador do serviço. 8. Inexistência, portanto, de ofensa aos arts. 109 e 110 do CTN, na medida em que a consideração do valor correspondente ao ISSQN na base de cálculo do PIS e da COFINS não desnatura a definição de receita ou faturamento para fins de incidência de referidas contribuições. 9. Recurso especial a que se nega provimento. De fato, as mesmas razões utilizadas no repetitivo acima são aplicáveis na análise da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, o que restou Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.900023/201225 Acórdão n.º 3302003.564 S3C3T2 Fl. 8 7 configurado no julgamento do REsp nº 1.144.469, em 10/08/2016, sob a sistemática de recursos repetitivos, embora não possa ser aplicado pelo artigo 62 do RICARF, pois que ainda não transitado em julgado. A certidão deste julgamento constante no site do Superior Tribunal de Justiça traz o seguinte teor: AUTUAÇÃO RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRENTE: HUBNER COMPONENTES E SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA ADVOGADOS: ANETE MAIR MACIEL MEDEIROS HENRIQUE GAEDE E OUTRO(S) RECORRIDO : OS MESMOS ASSUNTO: DIREITO TRIBUTÁRIO Crédito Tributário Base de Cálculo CERTIDÃO Certifico que a egrégia PRIMEIRA SEÇÃO, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: "Prosseguindo no julgamento, a Seção, por unanimidade, deu provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e, por maioria, vencidos os Srs. Ministros Relator e Regina Helena Costa, negou provimento ao recurso especial da empresa recorrente, nos termos do voto do Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, que lavrará o acórdão." Votaram com o Sr. Ministro Mauro Campbell Marques os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Assusete Magalhães, Sérgio Kukina, Gurgel de Faria, Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3a. Região) e Humberto Martins. Quanto à jurisprudência do STF, não obstante o RE 240.785 ter sido julgado favorável à tese defendida pela recorrente, não há, ainda, posicionamento definitivo no STF, uma vez que o RE 574.906 RG/PR, sob repercussão geral, ainda não foi julgado. Assim, enquanto não julgado o recurso extraordinário sob repercussão geral, devese prestigiar a legislação vigente que considera o ICMS das operações próprias como componente do preço de venda. Neste mesmo sentido, é a posição pacífica deste Conselho, como decidido no Acórdão nº 9303003549, de 17/03/2016, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 Cofins. Base de Cálculo. Exclusão ICMS. Por se tratar de imposto próprio, que não comporta a transferência do encargo, a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. Precedentes do STJ (Súmulas n°s 68 e 94). Às autoridades administrativas e tribunais que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, benefícios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador não contemplou com a vantagem A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS. (...) Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.900023/201225 Acórdão n.º 3302003.564 S3C3T2 Fl. 9 8 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.901414/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
EMBARGOS INOMINADOS. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. SANEAMENTO.
Padece de erro material a decisão que adota premissa fática equivocada no desenvolvimento e conclusão do raciocínio, mormente quando julgado sob o rito estabelecido no art. 47, §§ 1º e 2º do RICARF/15 (Portaria MF nº 343/2015), cabendo o seu saneamento mediante acolhimento dos embargos inominados que apontam o defeito.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 3401-003.473
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos inominados opostos, com efeitos infringentes, para retificar o resultado original do julgamento, dando parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do resultado da diligência fiscal.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: Relator Robson José Bayerl
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 EMBARGOS INOMINADOS. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. SANEAMENTO. Padece de erro material a decisão que adota premissa fática equivocada no desenvolvimento e conclusão do raciocínio, mormente quando julgado sob o rito estabelecido no art. 47, §§ 1º e 2º do RICARF/15 (Portaria MF nº 343/2015), cabendo o seu saneamento mediante acolhimento dos embargos inominados que apontam o defeito. Embargos acolhidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos inominados opostos, com efeitos infringentes, para retificar o resultado original do julgamento, dando parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do resultado da diligência fiscal. Rosaldo Trevisan Presidente Robson José Bayerl Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 EMBARGOS INOMINADOS. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. SANEAMENTO. Padece de erro material a decisão que adota premissa fática equivocada no desenvolvimento e conclusão do raciocínio, mormente quando julgado sob o rito estabelecido no art. 47, §§ 1º e 2º do RICARF/15 (Portaria MF nº 343/2015), cabendo o seu saneamento mediante acolhimento dos embargos inominados que apontam o defeito. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos inominados opostos, com efeitos infringentes, para retificar o resultado original do julgamento, dando parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do resultado da diligência fiscal. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 14 14 /2 00 9- 15Fl. 1211DF CARF MF 2 Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Cuidamse de embargos inominados, fundados no art. 66 do RICARF/15 (Portaria MF 343/2015), opostos pelo então Presidente da Turma, em face do Acórdão nº 3401 003.301, prolatado em 25/01/2017, assim ementado: “COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Confirmada a existência do direito creditório utilizado para compensação reputada não homologada por despacho decisório eletrônico, mediante diligência específica, e não havendo outros questionamentos a respeito da sua procedência, mostrase insubsistente o argumento apresentado na lavratura do ato administrativo denegatório. Recurso voluntário provido.” Esclarece o embargante, ora relator, que, julgado o processo em referência sob o rito do art. 47, §§ 1º e 2º do regimento interno vigente, houve equívoco quanto à referência ao resultado da diligência realizada nestes autos, o que, por via reflexa, influenciou o resultado do julgamento aplicado ao aresto. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Os embargos preenchem os requisitos de admissibilidade e foram submetidos ao juízo prévio a que alude o art. 66 do RICARF/15, motivo pelo qual deles conheço. O lapso material verificado consiste na aplicação do resultado da diligência realizado, partindo da equivocada premissa que o procedimento fiscal reconhecia quantia disponível suficiente para liquidação integral do débito exigido, como acentuou o seguinte excerto do voto questionado: “Retornando ao caso deste processo, importante ressaltar que a informação fiscal coligida nestes autos (fls. 1190/1191), da mesma forma que no caso do paradigma, também atesta quantia disponível de crédito no período de apuração informado na DCOMP respectiva, oriunda de recolhimento indevido, em montante suficiente para quitação do débito compensado. Também vale ressaltar que a decisão do paradigma, que tratou da Cofins, aplica se igualmente aos processos do PIS.” Contudo, a informação fiscal em referência, diversamente do que registrado naquela oportunidade, reconheceu a procedência apenas parcial do crédito requerido pelo contribuinte, verbis: Fl. 1212DF CARF MF Processo nº 10675.901414/200915 Acórdão n.º 3401003.473 S3C4T1 Fl. 11 3 “O crédito original referente a esse pagamento é de R$ 17.096,54. Considerando que o valor de R$ 12.162,96 relativo a esse mesmo crédito foi utilizado em compensação no processo 10675.900297/200972, remanesce como crédito hábil à compensação pleiteada no presente processo somente o valor de R$ 4.933,58, e não o valor de R$ 5.104,89 solicitado pelo contribuinte. Feita a simulação do encontro de contas no Sistema Neo Sapo, demonstrativos de cálculo, anexados às fls. 1187/1189, verificase que o valor de R$ 4.933,58 não é suficiente para homologação total da compensação de que trata o presente processo, extinguindo em parte o débito abaixo detalhado, cujo saldo devedor deverá ser exigido com os acréscimos legais devidos até a data do efetivo pagamento.” (destaque no original) Em sendo assim, o motivo apresentado como fundamento para não homologação da compensação, consoante despacho decisório eletrônico expedido, é parcialmente procedente e deve ser mantido na mesma medida, de modo que o resultado do julgamento embargado, Acórdão 3401003.301, de 25/01/2017 passa a ser o seguinte: “Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso.” Pelo exposto, voto por acolher os embargos inominados opostos, com efeitos infringentes, para retificar o resultado original daquele julgamento. Robson José Bayerl Fl. 1213DF CARF MF
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