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Numero do processo: 19515.001924/2007-36
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
RECURSO ESPECIAL DA PGFN. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA.
A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. Se o acórdão recorrido buscou fundamento em dispositivo legal que nem mesmo existia no contexto do acórdão tido como paradigma, não há como cotejar essas decisões para fins de comprovação de divergência jurisprudencial.
RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA.
A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. Os acórdãos paradigmas trataram de omissão de receita apurada de forma indireta, mediante uso de presunção legal, e esse aspecto foi relevante para o afastamento da multa qualificada. No que toca à infração apurada por presunção legal nestes autos, a própria fiscalização já aplicou a multa normal de 75%, fazendo incidir a multa de 150% apenas sobre a omissão de receita apurada de forma direta, o que compromete a comprovação da alegada divergência.
Numero da decisão: 9101-002.820
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Adriana Gomes Rego e Carlos Alberto Freitas Barreto, que conheceram do recurso fazendário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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MULTA QUALIFICADA. Recorrentes FAZENDA NACIONAL FORÇA 10 PRODUTOS ESPORTIVOS ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003, 2004 RECURSO ESPECIAL DA PGFN. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. Se o acórdão recorrido buscou fundamento em dispositivo legal que nem mesmo existia no contexto do acórdão tido como paradigma, não há como cotejar essas decisões para fins de comprovação de divergência jurisprudencial. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. Os acórdãos paradigmas trataram de omissão de receita apurada de forma indireta, mediante uso de presunção legal, e esse aspecto foi relevante para o afastamento da multa qualificada. No que toca à infração apurada por presunção legal nestes autos, a própria fiscalização já aplicou a multa normal de 75%, fazendo incidir a multa de 150% apenas sobre a omissão de receita apurada de forma direta, o que compromete a comprovação da alegada divergência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Adriana Gomes Rego e Carlos Alberto Freitas Barreto, que conheceram do recurso fazendário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 19 24 /2 00 7- 36 Fl. 2577DF CARF MF Processo nº 19515.001924/200736 Acórdão n.º 9101002.820 CSRFT1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recursos especiais interpostos pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) e pela contribuinte acima identificada, ambos fundamentados atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015. Os referidos recursos buscam reverter parcialmente o que foi decidido pela 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, decisão que está composta por três acórdãos exarados pelo referido colegiado. Pelo Acórdão nº 110300.293, os membros do colegiado acordaram, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir (i) as exigências de IRPJ e CSLL relativas ao anocalendário 2002, por maioria de votos, e (ii) as parcelas correspondentes aos créditos em conta bancária sob o histórico de "TEDD" das bases de cálculo de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins dos anoscalendário 2003 e 2004, nos termos da ementa e da parte dispositiva abaixo transcritas: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004. Ementa: DEPÓSITOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os depósitos em contacorrente da empresa cujas operações que lhes deram origem restem incomprovadas presumemse advindos de transações realizadas a margem da contabilidade. ARBITRAMENTO DE LUCROS. A manutenção de vultosa movimentação financeira à margem da escrituração contábil fiscal da pessoa jurídica autoriza o arbitramento dos lucros ex officio. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL PIS, COFINS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Fl. 2578DF CARF MF Processo nº 19515.001924/200736 Acórdão n.º 9101002.820 CSRFT1 Fl. 4 3 MULTA QUALIFICADA. Presentes os elementos subjetivos dolo (consciência) e elemento subjetivo do injusto (finalidade) pagar menos imposto, correta é a multa qualificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência, por unanimidade, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir (i) as exigências de IRPJ e CSLL relativas ao anocalendário 2002, por maioria de votos, vencidos os Cons. Mário Sérgio Fernandes Barroso (Relator) e Gervásio Nicolau Recktenvald, e (ii) as parcelas correspondentes aos créditos em conta bancária sob o histórico de "TEDD" das bases de cálculo de IRPJ, CSLL„ PIS e Cofins dos anos calendário 2003 e 2004, por unanimidade. O Conselheiro Leonardo Henrique M. de Oliveira considerou errado o enquadramento legal da omissão de receitas, tendo em vista, na opinião do referido conselheiro, a apuração com base em prova direta e não na presunção do art. 42 da Lei 9.430/96. A tributação pelo regime do lucro presumido com base no coeficiente de 32% nos anoscalendário 2003 e 2004 foi mantida por maioria de votos, vencidos os Cons. Leonardo Henrique M. de Oliveira e Hugo Correia Sotero, e a multa qualificada foi mantida pelo voto de qualidade, vencidos os Cons. Marcos Shigueo Takata, Leonardo Henrique M. de Oliveira e Hugo Correia Sotero, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva redigirá o voto vencedor. Essa primeira decisão foi modificada pelo Acórdão nº 110300.431, pelo qual os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolheram embargos de declaração opostos pelo conselheirorelator, para fins de incluir no Acórdão n° 110300.293 a especificação das parcelas excluídas das bases de cálculo de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, correspondentes aos créditos em conta bancária sob o histórico de "TEDD", nos valores de R$ 13.000,00, R$ 194.200,00 e R$ 650.000.00, relativamente aos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, respectivamente, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 DIFERENÇA Constatada diferença entre o decisum e o voto devese verificar a diferença e, no caso, retificar o voto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos de declaração para incluir no Acórdão n° 1103 00.293/2010 a especificação das parcelas excluídas das bases de cálculo de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, correspondentes aos créditos em conta bancária sob o histórico de "TEDD", nos valores de R$ 13.000,00, R$ 194.200,00 e R$ 650.000.00, relativamente aos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, respectivamente. Fl. 2579DF CARF MF Processo nº 19515.001924/200736 Acórdão n.º 9101002.820 CSRFT1 Fl. 5 4 E, finalmente, pelo Acórdão nº 1103000.955, os membros do colegiado, por maioria de votos, acordaram em dar provimento parcial aos embargos de declaração opostos pela contribuinte, para sanar a omissão relativa à parte da exigência de IRPJ e CSLL correspondente ao crédito tributário do 3º e do 4º trimestres de 2004 e à contradição relativa à decadência do direito de constituir o crédito tributário, conferindolhes efeito modificativo para incluir no Acórdão nº 110300.293/2010, com a retificação introduzida pelo Acórdão nº 1103 00.431/2011, a determinação para afastamento das parcelas do crédito tributário de IRPJ e de CSLL relativas ao 3º e ao 4º trimestres de 2004, ratificando o dispositivo em tudo o mais, conforme a ementa e a parte dispositiva abaixo transcritas: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003, 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REABERTURA DA DISCUSSÃO DE MÉRITO. DESCABIMENTO. A utilização dos embargos de declaração para contestar a fundamentação da decisão atacada, sem comprovação da ocorrência dos seus pressupostos (dos embargos), não é cabível nessa restrita via recursal. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITO MODIFICATIVO. Conferese efeito modificativo aos embargos de declaração quando a solução do vício que deu causa ao recurso resulte necessariamente, por decorrência lógica, na alteração da decisão embargada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado dar provimento parcial aos embargos de declaração opostos pela contribuinte para sanar a omissão relativa à parte da exigência de IRPJ e CSLL correspondente ao crédito tributário do 3º e do 4º trimestres de 2004 e a contradição relativa à decadência do direito de constituir o crédito tributário, conferindolhes efeito modificativo para incluir no Acórdão nº 110300.293/2010, com a retificação introduzida pelo Acórdão nº 1103 00.431/2011, a determinação para afastamento das parcelas do crédito tributário de IRPJ e de CSLL relativas ao 3º e ao 4º trimestres de 2004, ratificando o dispositivo em tudo o mais, por maioria, vencidos os Conselheiros Eduardo Monteiro e André Moura, que negaram provimento. O recurso especial da PGFN suscita divergência jurisprudencial em relação à parte da decisão que cancelou exigências de IRPJ e CSLL no anocalendário de 2002 e no 3º e 4º trimestres de 2004, com o argumento de que, em razão do montante das receitas omitidas, a tributação deveria ter se dado pelo lucro arbitrado e não pelo lucro real. Esse recurso foi admitido pelo Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF. Já o recurso especial da contribuinte suscita divergência sobre as seguintes matérias: 1 nulidade dos lançamentos que teriam sido efetuados exclusivamente com base em extratos bancários; 2 descabimento do coeficiente utilizado para o cálculo do lucro presumido; e 3 impossibilidade de aplicação da multa qualificada, por inexistência de evidente intuito de fraude. Fl. 2580DF CARF MF Processo nº 19515.001924/200736 Acórdão n.º 9101002.820 CSRFT1 Fl. 6 5 O exame de admissibilidade do recurso especial da contribuinte também foi feito pelo Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, que só admitiu o recurso em relação à terceira divergência acima indicada, relativa à aplicação da multa qualificada. Houve negativa de seguimento do recurso da contribuinte em relação às duas primeiras divergências, o que foi confirmado por despacho de reexame de admissibilidade exarado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em caráter definitivo, nos termos do art. 71 do Anexo II do RICARF. RECURSO ESPECIAL DA PGFN Conforme mencionado, em seu recurso especial a PGFN suscita divergência jurisprudencial em relação à parte da decisão que cancelou exigências de IRPJ e CSLL no ano calendário de 2002 e no 3º e 4º trimestres de 2004, com o argumento de que, em razão do montante das receitas omitidas, a tributação deveria ter se dado pelo lucro arbitrado e não pelo lucro real. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL (DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL) o voto vencedor do Acórdão nº 110300.293 entendeu que a omissão de vultosa movimentação bancária tornaria imprestável a escrituração contábil do contribuinte, motivo por que deveria ter a Fiscalização procedido à apuração do lucro por arbitramento, e não com base no lucro real, como de fato o fez, excluindo, por conseguinte as referidas exações em relação ao anocalendário de 2002; no Acórdão nº 1103000.955, que julgou os embargos de declaração da contribuinte, a Egrégia Turma estendeu os efeitos da decisão de exclusão do IRPJ e da CSLL também aos 3° e 4° trimestres de 2004 (em razão dos mesmos motivos acima indicados); a decisão recorrida e posteriormente integrada, contudo, proferida pela 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, está em evidente divergência com decisão da lª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento (Acórdão nº 1101 000.854), cuja ementa segue abaixo integralmente transcrita, verbis: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA E OUTROS Anoscalendário: 2005 e 2006 ARBITRAMENTO DO LUCRO. MEDIDA EXTREMA. NÃO CONTABILIZAÇÃO PARCIAL DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA, INCLUSIVE BANCÁRIA. PRESTABILIDADE DOS LIVROS FISCAIS. O arbitramento do lucro é medida extrema que somente deve ser utilizada pela autoridade lançadora do tributo se comprovadamente inexistirem meios que viabilizem a apuração do lucro real. A simples constatação de contas correntes bancárias não contabilizadas não se Fl. 2581DF CARF MF Processo nº 19515.001924/200736 Acórdão n.º 9101002.820 CSRFT1 Fl. 7 6 constitui, por si só, em motivo bastante e suficiente à desclassificação da escrita e ao conseqüente arbitramento do lucro. COFINS. PIS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS. ARBITRAMENTO AFASTADO. APURAÇÃO PELO REGIME DO LUCRO REAL. SUBMISSÃO A APURAÇÃO PELO SISTEMA NÃO CUMULATIVO. As receitas apuradas pelo regime do lucro real são submetidas à sistemática da não cumulatividade. PAGAMENTO SEM CAUSA. INCIDÊNCIA DE IRRF, À ALÍQUOTA DE 35%. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35% (trinta e cinco por cento), os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. MULTA PUNITIVA QUALIFICADA. SIMPLES OMISSÃO DE RECEITAS. CONTUMÁCIA. IRRELEVÂNCIA. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, ainda que contumaz, não autoriza, por si só, a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo." conforme se observa, no acórdão paradigma a Turma deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte para excluir a exação exatamente porque a Fiscalização apurou o crédito por meio de arbitramento, quando o correto seria têlo apurado pela sistemática do lucro real; sendo assim, diante das teses firmadas nos acórdãos recorrido e paradigma, fica patente a divergência jurisprudencial, encontrandose presentes, portanto, os requisitos de admissibilidade do recurso especial, nos termos da legislação de regência (Decreto n° 70.235/72, art. 37, § 2º, II, c/c art. 67 e §§, do RICARF). MÉRITO o lançamento foi realizado com fulcro na presunção prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/96; o art. 24 da Lei n" 9.249/95, por sua vez, determina que "verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão"; é grande a disparidade entre os valores informados nas Declarações de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) e os recursos movimentados nas contas bancárias nos respectivos períodos; mesmo intimada para justificar a origem dos recursos depositados, a impugnante não o fez de forma satisfatória, o que rendeu ensejo ao lançamento de oficio; no caso dos autos, no anocalendário de 2002 e no 3º e 4° trimestres de 2004 o contribuinte estava submetido à sistemática de apuração dos tributos pelo lucro real, não tendo feito a fiscalização nada exceto aplicar com exatidão o comando legal; Fl. 2582DF CARF MF Processo nº 19515.001924/200736 Acórdão n.º 9101002.820 CSRFT1 Fl. 8 7 a jurisprudência desse Conselho entende que o arbitramento é medida excepcional, justificada por irregularidades na escrita contábil que impeçam a apuração do lucro real, desde que exaustivamente demonstrada pelas autoridades fiscais. Contudo essas irregularidades não se traduzem em simples omissão de receitas, desvio de recursos ou outros ilícitos fiscais cometidos pelos contribuintes; desse modo, as irregularidades mencionadas no acórdão recorrido não justificariam o arbitramento. Quanto à manutenção de recursos à margem da contabilidade, a Eg. 1ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes já decidiu que não se faz necessário, nessa hipótese, o arbitramento. Confirase trecho da ementa do Acórdão n° 10186.382, verbis: "ARBITRAMENTO DE LUCRO — O arbitramento de lucro é procedimento reservado aos casos de inexistência ou imprestabilidade da escrituração contábil e aplicável apenas nas hipóteses previstas nos incisos I a VI do artigo 399 do RIR/80, entre os quais não se inclui a existência de valores mantidos à margem da contabilidade, quando os mesmos são devidamente quantificados e tributados como omissão de receitas." nessa linha de raciocínio, se a pessoa jurídica estiver mantendo escrituração mercantil nos termos das leis comerciais e fiscais, embora haja omissão quanto a depósitos bancários de origem não comprovada, o arbitramento do lucro não terá, nessa hipótese, cabimento; DO PEDIDO ante o exposto, nos termos da fundamentação supra, requer a FAZENDA NACIONAL seja conhecido e provido o presente recurso especial para reformar o acórdão atacado e restabelecer o crédito tributário do IRPJ e da CSLL referentes ao anocalendário de 2002 e aos 3° e 4° trimestre de 2004, conforme decidido na primeira instância. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 1101 268, de 24/07/2014, admitiu o recurso especial, nos seguintes termos: [...] No caso em exame, o relator do voto vencedor do acórdão entendeu por afastar a imputação de IRPJ e CSLL em razão de a fiscalização ter adotado o valor total da movimentação bancária omitida da escrituração como base de cálculo dos tributos apurados pela sistemática do lucro real, resultando em tributação da receita omitida e não do lucro. Julgou que a fiscalização deveria ter adotado a tributação pelo lucro arbitrado e não pelo lucro real. Afastou, por isso, a exação. Os acórdãos acostados como paradigmas, trazem em suas ementas: ACÓRDÃO Nº 1101000.854 [...] Nesse paradigma, foi constatado pela fiscalização que a escrituração mantida pelo contribuinte seria imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, do período fiscalizado, bem como, para a determinação do correto lucro real. O lucro exacionável foi Fl. 2583DF CARF MF Processo nº 19515.001924/200736 Acórdão n.º 9101002.820 CSRFT1 Fl. 9 8 arbitrado pelo Fisco com amparo na receita bruta conhecida. No entanto, a Turma julgadora considerou que o arbitramento só caberia em situações excepcionais e que o lucro real, no caso, poderia ser constatado. Afastou, por isso, o arbitramento. Nesse caso, os depósitos bancários representavam em torno de 2,43% da renda bruta informada espontaneamente. Foi decidido, por essa razão, que não havia óbice à aferição do lucro real. Consideraramse descabidos os lançamentos baseados em arbitramento do lucro exacionável, cancelandose os autos de infração arrolados. Como se constata, tratase de situações fáticas diferentes. No paradigma, em razão de o percentual da receita omitida ter sido muito pequeno, entendeuse possível aferir a tributação pelo lucro real. Na decisão combatida, o percentual da receita declarada, de aproximadamente 55% dos depósitos não comprovados no ano de 2002, levou ao afastamento da apuração pelo lucro real. O próprio relator do voto vencedor do julgado recorrido assim se manifestou sobre esse fato: Observese que não é o caso de omissão de poucos depósitos, de valor irrelevante, o que, obviamente, seria insuficiente para caracterizar como “imprestável”a escrituração da recorrente. Por se fundamentar em situação fática diversa desta em exame, o Acórdão nº 1101000.854 não serve como paradigma ao recurso interposto. ACÓRDÃO Nº 10186.382 [...] No caso desse paradigma, restou provado que a empresa não registrava seu movimento bancário, não havendo comprovação de que a diferença entre os depósitos bancários e as receitas de vendas estivessem registradas na sua escrituração. Devidamente intimada, a sociedade empresária não apresentou nenhuma justificativa de que a diferença estivesse registrada em suas operações. Em razão desses fatos, houve a desclassificação de sua escrita e a fiscalização apurou o lucro por arbitramento. A decisão decorrente do exame desses fatos considerou o arbitramento como medida extrema não aplicável ao caso, posto que: “a irregularidade apurada não obstaculizaria a apuração do real movimento econômico e financeiro da empresa”. No acórdão recorrido, verificase, como consta do Termo de Verificação Fiscal às fls. 608/611, que houve nos anos de 2002, 2003, 2004, ausência de comprovação da origem dos valores creditados em contas bancárias pela contribuintes e que, embora intimada e reintimada a demonstrar e comprovar a origem dos valores depositados/creditados, a contribuinte não atendeu às intimações, permanecendo sem justificar e comprovar a origem dos recursos movimentados. Em vista disso, lavraram se os autos de IRPJ, PIS, Cofins e CSLL. É de se ressaltar que, de acordo com a decisão recorrida: a escrita dos valores declarados não foi desqualificada pela fiscalização, pois, em Fl. 2584DF CARF MF Processo nº 19515.001924/200736 Acórdão n.º 9101002.820 CSRFT1 Fl. 10 9 principio, estaria em ordem, uma vez que os livros contábeis solicitados pela fiscalização foram apresentados sem irregularidades. Considerouse que a omissão por si só não seria suficiente para a desqualificação. Em média a receita declarada foi de 55% dos depósitos não comprovados durante os anos calendários de 2002, 2003, 2004, totalizando 36 meses. Assim, restaria configurada a reiteração, a qual demonstraria a intenção, dolo específico, no sentido de pagar menos tributos do que o devido. No voto vencedor do acórdão recorrido, entendeuse que o vulto da omissão bancária não permitiria a apuração do IRPJ e da CSLL pelas normas do lucro real, uma vez que estarseia incorrendo em tributação da receita e não do resultado. Foi, por essas razões, determinada a aplicação do arbitramento do lucro. A primeira decisão combatida, Acórdão nº 110300.293, excluiu as exações relativas ao anocalendário de 2002. Embargada essa decisão, o Colegiado proferiu o Acórdão nº 110300.955, estendendo o arbitramento aos 3º e 4º semestres de 2004. Confrontando os dois julgados, vislumbrase a possibilidade de divergência. Embora que por motivações diversas, mas diante de fatos semelhantes os colegiados adotaram sistemas de tributação diferentes. No paradigma foi adotada a apuração dos tributos pela sistemática do lucro real ante a existência de significativas movimentações bancárias não registradas na escrituração contábil, enquanto que no acórdão recorrido foi adotado o arbitramento do lucro. Num exame prelibatório, como o é o de admissibilidade de recurso especial, verifico que o Acórdão nº 10186.382 atende à divergência. IV Conclusão Em vista da divergência de resultados entre o acórdão paradigma e o acórdão recorrido, que decidiram sobre questões semelhantes, considero preenchidos os requisitos previstos no RICARF a ensejar a subida dos autos à CSRF e DOU SEGUIMENTO AO RECURSO ESPECIAL POR DIVERGÊNCIA. CONTRARRAZÕES DA CONTRIBUINTE Em 01/10/2014, a contribuinte foi intimada do despacho que admitiu o recurso especial da PGFN, e em 14/10/2014, ela apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com os argumentos descritos a seguir: DAS RAZÕES DE INSUBSISTÊNCIA DO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL DA EXISTÊNCIA DE APENAS UM ÚNICO PARADIGMA NO PRESENTE CASO (ACÓRDÃO N° 1101000.854), O QUAL NÃO FOI ADMITIDO PELO DESPACHO DE ADMISSIBILIDADE inicialmente, cumpre atestar que o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional pautase em um único acórdão paradigma para demonstração da divergência Fl. 2585DF CARF MF Processo nº 19515.001924/200736 Acórdão n.º 9101002.820 CSRFT1 Fl. 11 10 jurisprudencial, qual seja, o Acórdão n° 1101000.854, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do E. Conselho; confirase, por oportuno, trecho retirado do mencionado recurso especial, em tópico denominado "Da admissibilidade do Recurso Especial (divergência jurisprudencial)", constante na fl. 2.302 dos autos (transcrição contida nas contrarrazões); verificase que o recurso especial da Fazenda Nacional fundouse apenas no Acórdão paradigma n° 1101000.854, a fim de preencher os requisitos para sua admissibilidade; no entanto, de acordo com o disposto no despacho de admissibilidade do referido recurso especial (fls. 2.328 a 2.333 dos autos), o Presidente da E. 1ª Câmara, da 1ª Seção de Julgamento do CARF, entendeu que o referido Acórdão n° 1101000.854 não serviria como paradigma no presente caso, uma vez que este se baseia em situação fática diversa daquela tratada nos presentes autos; desta forma, sem maiores esforços de raciocínio, não resta dúvida de que o recurso especial interposto pela recorrente não deveria ser conhecido, uma vez que o único acórdão paradigma trazido pela recorrente foi afastado pelo citado despacho de admissibilidade, em razão da ausência de demonstração da divergência jurisprudencial como descrita no artigo 67 do RICARF; ocorre que o despacho de admissibilidade do recurso especial ora contrarrazoado equivocadamente considerou que haveria um segundo acórdão paradigma suscitado pela recorrente, qual seja, o Acórdão n° 10186.382, proferido pela extinta Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes; deveras, ao analisar o suposto paradigma acima mencionado, houve por bem considerar que este atenderia ao requisito da divergência de interpretação, dando seguimento ao referido recurso especial; contudo, não é essa a interpretação que se vislumbra ao analisar o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Mormente porque, como já aduzido, a própria recorrente é clara em afirmar, por diversas vezes, que se trata de um único acórdão paradigma, o de n° 1101000.854; deveras, a menção feita ao Acórdão n° 10186.382 no recurso especial interposto pela recorrente tem claro caráter complementar da própria argumentação, sendo que a referência a este cuja ementa sequer foi reproduzida na íntegra em atenção ao §7° do citado art. 67 do RICARF encontrase apenas no parágrafo conclusivo da peça; está claro que o mencionado Acórdão n° 10186.382, sobre o qual o despacho de admissibilidade entendeu tratarse de paradigma, não preenche tal condição, tratandose de mero "apoio jurisprudencial" ao que alegou a Fazenda Nacional em seu recurso, de modo que não pode ser considerado como paradigma citado com o objetivo de comprovar a divergência jurisprudencial com o entendimento esposado no acórdão recorrido; Fl. 2586DF CARF MF Processo nº 19515.001924/200736 Acórdão n.º 9101002.820 CSRFT1 Fl. 12 11 assim, desde já, pugnase pelo não conhecimento do apelo fazendário de plano, haja vista a desqualificação pelo Despacho de Admissibilidade do único acórdão paradigma utilizado pela PGFN (Acórdão n° 1101000.854); caso assim não se entenda, o que se alega apenas a título argumentativo, requerse o reconhecimento acerca da inobservância dos requisitos estabelecidos nos parágrafos do citado artigo 67 do RICARF, com relação à utilização do acórdão n° 10186.382 como suposto paradigma, devendo ser mantido incólume o acórdão recorrido na parte em que foi favorável à Recorrida; AD ARGUMENTANDUM DA AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE O SUPOSTO ACÓRDÃO PARADIGMA N° 10186.382 E A SITUAÇÃO DESCRITA NOS AUTOS além dos requisitos de forma que não foram respeitados pela Fazenda Nacional, cumpre observar que nem mesmo a situação fática descrita no suposto paradigma considerado pelo Despacho de Admissibilidade encontra semelhança com o presente caso; isso porque, de início, verificase que o suposto Acórdão paradigma n° 101 86.382, cujo julgamento ocorreu em 26 de abril de 1994, referese à exigência de crédito tributário de IRPJ relativo ao anocalendário de 1987, com base em disposições contidas no Regulamento do Imposto de Renda de 1980 ("RIR/80"), que, por óbvio, não tem qualquer aplicação ao cenário atual; conforme indicado no próprio acórdão recorrido, o arbitramento do lucro no presente caso decorreu da aplicação do disposto no artigo 530, inciso II do RIR/99, o qual encontra respaldo legal no disposto no artigo 47 da Lei 8.981/95. bem com no artigo 1º da Lei 9.430/96. Ou seja, dispositivos legais posteriores ao próprio fato gerador que ensejou a exigência consubstanciada no suposto acórdão paradigma, cuja sessão de julgamento, inclusive, também ocorreu antes da edição da citada Lei n° 8.981/95; ora, em verdade, o alegado paradigma fundase em situação fática anterior até mesmo à Constituição Federal atualmente vigente, sem falar nas incontáveis e diversas alterações legais que ocorreram no período, tanto em matéria tributária quanto em relação à própria contabilidade; desta forma, buscar exprimir similitude fática entre acórdão proferido há mais de 20 anos, sobre fato gerador ocorrido antes mesmo da entrada em vigor da Carta de 1988 e demais disposições legais atinentes ao presente caso, com a situação ora abordada nos presentes autos representa total desconhecimento dos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e, principalmente, legalidade; e mais, de acordo com o suposto paradigma, o arbitramento seria medida de exceção que não poderia ser levada a efeito nos casos em que, mesmo verificada a ocorrência de omissão de receita, ainda assim fosse possível se apurar o lucro real; ocorre que tal situação diverge da dos presentes autos, uma vez que, de acordo com o próprio entendimento da E. Turma Julgadora, o arbitramento teria se dado justamente em caráter excepcional, uma vez que verificada a ocorrência de hipótese descrita no já citado artigo 530, inciso II, do RIR/99; Fl. 2587DF CARF MF Processo nº 19515.001924/200736 Acórdão n.º 9101002.820 CSRFT1 Fl. 13 12 isso porque, considerando que a receita omitida nos períodos, como já mencionado nessas contrarrazões, correspondia à parcela expressiva da receita declarada "a receita declarada seria em média 55% dos depósitos não comprovados", de fato, não há dúvida que estaria caracterizada situação em que a escrituração fiscal da Recorrida conteria vícios, erros e deficiências que a tornaram imprestável à apuração do lucro real, bem como à identificação da efetiva movimentação bancária, nos próprios termos do artigo 530, II, alíneas "a" e "b"; a própria recorrente reconhece a vultosa divergência entre as declarações da recorrida e os depósitos bancários que supostamente não teria comprovado a origem; desta forma, não poderia se manter a tributação com base no lucro real, como pretende a recorrente, uma vez que, ante a massiva receita suspostamente omitida, não se estaria tributando o lucro, mas sim a própria receita auferida pela recorrida, sem qualquer distinção das despesas incorridas por esta; deveras, tal situação fática representatividade do valor supostamente omitido em relação à receita declarada pelo contribuinte não se verifica no Acórdão n° 101 86.382, suposto "paradigma", de modo que não se pode concluir que aquele caso se amolda à situação dos presentes autos; na forma em que realizada a apuração do suposto lucro real nos períodos autuados, a qual a recorrente busca restabelecer, a recorrida teria atingido margens de lucro de cerca de 60% de sua receita bruta, o que nem mesmo no mais favorável dos cenários se concretizaria. Ou seja, claramente se deturpou a base de cálculo do crédito tributário; destarte, considerando que o suposto acórdão paradigma não representa a mesma situação fática retratada nos presentes autos, em que o montante dos depósitos cuja origem supostamente não se comprovou tem enorme representatividade dentro da receita declarada da recorrida, não há como se buscar a aplicação daquela decisão ao presente caso; desta feita, resta demonstrada a insubsistência da pretensão da recorrente, uma vez que, considerando inexistência de similitude fática entre o acórdão recorrido e o suposto Acórdão paradigma n° 10186.382 o qual nem mesmo poderia ser aceito por esta E. Câmara não restam atendidos os requisitos estabelecidos na legislação para se admitir o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, motivo pelo qual esta E. CSRF deverá negar seguimento ao apelo fazendário; DO PEDIDO diante de todo o exposto, requerse que não seja conhecido o recurso especial ora combatido, uma vez que o único paradigma suscitado pela recorrente (Acórdão n° 1101000.854) não foi acolhido pelo despacho de admissibilidade do recurso; caso assim não se entenda, e se admita o Acórdão n° 10186.382 como paradigma o que se admite apenas a título argumentativo requer seja negado provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, pois não foram preenchidos os requisitos de admissibilidade dispostos no artigo 67 do Regimento Interno deste E. Conselho, não tendo sido demonstrada a similitude fática entre o alegado paradigma e o presente caso, de forma que seja mantido incólume o acórdão recorrido no tocante ao cancelamento das exigências relativas ao ano de 2002 e 3º e 4º trimestres de 2004. Fl. 2588DF CARF MF Processo nº 19515.001924/200736 Acórdão n.º 9101002.820 CSRFT1 Fl. 14 13 RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE Conforme já mencionado, além das contrarrazões acima mencionadas, a contribuinte também apresentou o seu próprio recurso especial. Quanto à matéria admitida do recurso (impossibilidade de aplicação da multa qualificada, por inexistência de evidente intuito de fraude), a contribuinte desenvolve os argumentos apresentados a seguir: a E. Turma Julgadora entendeu por bem manter a multa qualificada no percentual de 150%, uma vez que supostamente estaria preenchido o requisito para tanto, ou seja, dolo específico por parte do contribuinte, caracterizado pela alegada reiteração da conduta de omissão de receitas e pelo montante omitido; contudo, o entendimento exposto pela E. Turma Julgadora não pode prosperar, haja vista que a ocorrência da suposta omissão de receita, independentemente do valor que se considerou omitido ou do fato de ser reiterada, não constitui fundamento para a aplicação da multa qualificada; de acordo com o já decidido pelo E. CARF, por reiteradas vezes, o intuito de fraude deve estar devidamente demonstrado nos autos de maneira inequívoca e mediante prova, de modo que a mera verificação de omissão de receita, ainda que reiterada, não representa condição suficiente a fundamentar o agravamento da penalidade; nesse sentido, confirase o entendimento dessa E. CSRF no julgamento que deu origem ao Acórdão paradigma n° 9101001.615, cuja ementa se destaca abaixo: "MULTA QUALIFICADA REQUISITO DEMONSTRAÇÃO DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE A qualificação da multa de ofício, conforme determinado no II, Art. 44, da Lei 9.430/1996, só pode ocorrer quando restar comprovado no lançamento, de forma clara e precisa, o evidente intuito de fraude. A existência de depósitos bancários em contas de depósito ou investimento de titularidade do contribuinte, cuja origem não foi justificada, independentemente da forma reiterada e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada. MULTA AGRAVADA NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS IMPOSSIBILIDADE Quando se intima o sujeito passivo a apresentar provas que a lei define como de responsabilidade dele e que se consubstanciam nos meios hábeis à conformação ou não da presunção, a não apresentação destas provas tem por única decorrência terse por verdade aquilo que a hipótese legal presume, não sendo suficiente para o agravamento da penalidade." (Acórdão Paradigma n° 9101001.615 PA n° 13971.000841/200502) neste mesmo sentido, também é entendimento do Acórdão paradigma n° 1402001.578, verbis: "MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITA EXPRESSIVA E REITERADA. Fl. 2589DF CARF MF Processo nº 19515.001924/200736 Acórdão n.º 9101002.820 CSRFT1 Fl. 15 14 Descabe a qualificação da multa de ofício quando, em presunção legal de omissão de receitas por depósitos bancários, não há outros elementos levantados pela Fiscalização que apontem para uma conduta dolosa da autuada." (Acórdão Paradigma n° 1402001.578 PA n° 10580.725972/201141) conforme se verifica dos acórdãos paradigmas ora colacionados, a demonstração do intuito de fraude é condição sine qua non para a subsistência da aplicação de multa qualificada, condição esta que não se verifica em razão do (i) montante da receita omitida e, tampouco, (ü) da simples reiteração dessa infração, diferentemente do sustentado no acórdão recorrido; com efeito, cumpre ressaltar o disposto nas Súmulas 14 e 25 do E. CARF, nas quais se firmou, em definitivo, o entendimento de que a simples apuração de omissão de receita não autoriza a qualificação da multa; ademais, importante frisar que o próprio Acórdão n° 1101000.854, suscitado pela Fazenda Nacional como paradigma em seu recurso especial interposto nos presentes autos (Fl. 2.302 dos autos), segue em linha com entendimento ora defendido pela recorrente, conforme se verifica de sua ementa (transcrição contida no recurso); e mais, a título meramente ilustrativo, verificase que tal entendimento não é, de forma alguma, único neste E. Conselho (ementas transcritas); logo, em sentido diametralmente oposto ao decidido no acórdão recorrido, demonstrado está que a simples verificação da omissão de receita ou rendimento, ainda que reiterada e em montante considerado elevado (critério meramente subjetivo), não é fim em si mesmo para demonstração do "evidente intuito de fraude" a que se refere o artigo 44, II, da Lei n° 9.430/96 para fins de agravamento da multa aplicada; ademais, reconhecendose a inaplicabilidade da multa qualificada nos termos que delineada nos presentes autos, por consectário, deverá também ser reconhecida a necessidade de aplicação do prazo decadencial como descrito no artigo 150, §4º, do CTN para, desta forma, declarar extinta pela decadência as exigências fiscais relativas a fatos geradores anteriores a agosto de 2002; nestes termos, conforme a jurisprudência do E. CARF emanada dos acórdãos paradigmas mencionados nesse tópico, mister se faz a reforma do acórdão recorrido, a fim de que seja reduzida para 75% a penalidade aplicada , uma vez que não foi comprovada a hipótese de aplicação da multa agravada, conforme disposto no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96. Como já mencionado, quando do exame de admissibilidade do recurso especial da contribuinte, o Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 30/07/2015, deu seguimento parcial ao recurso, reconhecendo a existência de divergência apenas em relação à aplicação da multa qualificada, nos seguintes termos: [...] 3 – Impossibilidade de aplicação da multa agravada, por inexistência de evidente intuito de fraude Fl. 2590DF CARF MF Processo nº 19515.001924/200736 Acórdão n.º 9101002.820 CSRFT1 Fl. 16 15 Foram acostados os Acórdãos nºs 9101001.615 e 140200.578 como paradigmas, cujas ementas reproduzo a seguir: [...] Na decisão recorrida entendeuse, em razão da reiterada omissão de receitas e do significativo valor omitido, em comparação com o declarado, caracterizada a fraude e o dolo, fato que motivou a manutenção da multa qualificada. De outro modo, nos acórdãos paradigmas, entendeuse que a demonstração do intuito de fraude não se verifica em razão do montante da receita omitida ou da reiteração desse tipo de infração. Entendo que as duas decisões atendem à divergência face a semelhança dos fatos em julgamento e a discrepância de resultados obtidos relativamente ao acórdão recorrido. DOU SEGUIMENTO à matéria. CONTRARRAZÕES DA PGFN Em 27/08/2015, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que admitiu parcialmente o recurso especial da contribuinte, e em 03/09/2015, o referido órgão apresentou tempestivamente suas contrarrazões, com os seguintes argumentos: o contribuinte apresenta recurso especial de divergência contra acórdão que manteve a qualificação da multa de ofício em 150%, tendo em vista a presença dos elementos subjetivos dolo; o recurso não merece provimento; como se sabe, no processo administrativo em geral, e no fiscal em particular, não há necessidade de demonstração absoluta da vontade íntima do contribuinte de fraudar o Fisco, sendo suficiente a apresentação de dados objetivos que façam presumir com certo grau de certeza a conduta fraudulenta. A exigência de que a autoridade fiscal demonstre a vontade íntima do contribuinte de fraudar o Fisco constitui prova macabra, de difícil confecção, senão impossível; a sonegação do art. 71 da Lei 4.502/1964 referese à conduta (comissiva ou omissiva) para impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador ou das condições pessoais da contribuinte. A fraude, do art. 72 da mesma lei, que não se trata de fraude à lei, mas ao Fisco, atua na formação do fato gerador da obrigação tributária principal, impedindo ou retardando sua ocorrência, como, também, depois de formado, modificandoo para reduzir imposto ou diferir seu pagamento; no caso dos autos, está absolutamente comprovada a conduta fraudatória do contribuinte, bem como o intuito de sonegação. Pela conduta praticada pela contribuinte, o intuito fraudatório está evidente, pois, no caso, houve omissão reiterada de vultosas quantias, o que impediu a autoridade fiscal de conhecer o fato gerador dos tributos. Conforme se observa, essa conduta se subsume com perfeição ao art. 71 da Lei nº 4.502/66, que conceitua sonegação; Fl. 2591DF CARF MF Processo nº 19515.001924/200736 Acórdão n.º 9101002.820 CSRFT1 Fl. 17 16 além do mais, não se pode afirmar que a contribuinte estava de boafé, pois os valores movimentados são exageradamente divergentes dos valores declarados, além de a conduta ter sido praticada de forma reiterada; a conduta fraudatória, portanto, é perfeitamente perceptível, devendo ser mantida a qualificação da multa imposta à contribuinte, posto que o dolo está perfeitamente demonstrado nos elementos probatórios que instruem os presentes autos; ante o exposto, nos termos da fundamentação supra, requer a Fazenda Nacional seja negado provimento ao recurso especial do contribuinte, mantendose o acórdão atacado por seus próprios fundamentos, bem como pelas razões acima apresentadas. É o relatório. Fl. 2592DF CARF MF Processo nº 19515.001924/200736 Acórdão n.º 9101002.820 CSRFT1 Fl. 18 17 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator O presente processo tem por objeto lançamento a título de IRPJ e tributos reflexos (CSLL, PIS e COFINS) sobre fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 2002, 2003 e 2004. A autuação fiscal está embasada em omissão de receita apurada a partir da análise de extratos de contas bancárias mantidas pela empresa. De acordo com a fiscalização, "grande parte dos valores recebidos caracterizase como oriunda das atividades exercidas pela empresa, tais como operações com cartões de crédito e de débito (American Express, Visa, Visanet, Redecard, Redeshop, Venda com Cartão, etc) e cobrança bancária (Titulo de Cobrança, Liquidação de Cobrança, etc)". Também foram detectados depósitos bancários com origem não comprovada (omissão de receita apurada por presunção legal). O lançamento de IRPJ/CSLL foi realizado de acordo com os regimes de apuração adotados pela contribuinte. Observouse o regime do lucro real nos quatro trimestres de 2002, e no 3º e 4º trimestres de 2004. Para os quatro trimestres de 2003 e para os dois primeiros trimestres de 2004, o lançamento foi feito pelo regime do lucro presumido. O regime não cumulativo foi adotado para a apuração do PIS nos meses de dezembro/2002, e de julho a dezembro/2004, e para a apuração da COFINS nos meses de julho a dezembro/2004. Nos demais meses, essas contribuições foram apuradas pelo regime de incidência cumulativa. Foi aplicada a multa qualificada de 150% sobre a omissão de receita apurada de forma direta, e sobre a omissão de receita apurada com base em depósitos bancários com origem não comprovada (presunção legal), foi aplicada a multa de 75%. A decisão de primeira instância administrativa identificou algumas transferências bancárias entre contas de mesma titularidade, e excluiu esses valores da base de cálculo autuada. A decisão de segunda instância administrativa (que é objeto dos recursos especiais sob exame), por sua vez, entre outras questões que examinou, decidiu cancelar as exigências de IRPJ e CSLL no anocalendário de 2002 e no 3º e 4º trimestres de 2004, com o argumento de que, em razão do montante das receitas omitidas, a tributação deveria ter se dado pelo lucro arbitrado e não pelo lucro real. O recurso especial da PGFN questiona justamente esse aspecto da decisão, e procura restabelecer as exigência de IRPJ/CSLL com base no lucro real para os referidos períodos. Fl. 2593DF CARF MF Processo nº 19515.001924/200736 Acórdão n.º 9101002.820 CSRFT1 Fl. 19 18 Já o recurso especial da contribuinte contesta a parte da decisão que considerou correta a aplicação da multa qualificada de 150%. RECURSO ESPECIAL DA PGFN Em sede de contrarrazões, a contribuinte apresenta preliminar de não conhecimento do recurso especial da PGFN. Realmente, não há condições para se conhecer do recurso. O recurso da PGFN está pautado em um único acórdão paradigma (Acórdão n° 1101000.854), que, de acordo com o próprio despacho de admissibilidade, não serve como paradigma de divergência porque está baseado em situação fática diversa da tratada nos presentes autos. Não deixo de perceber que o recurso da PGFN foi admitido com base em outro paradigma, o Acórdão n° 10186.382, e que, conforme alegado nas contrarrazões da contribuinte, essa decisão foi trazida pela PGFN em caráter complementar da argumentação que vinha sendo desenvolvida no recurso especial, etc. Ocorre que esse segundo paradigma, ainda que superadas as questões formais apontadas pela contribuinte em sede de contrarrazões, também não serve para a comprovação da alegada divergência. Primeiro, porque ele tratou de crédito tributário de IRPJ relativo ao ano calendário de 1987, fundamentado em disposições contidas no Regulamento do Imposto de Renda de 1980 ("RIR/80"), que guardam algumas diferenças com o cenário atual do RIR/99 (em que está baseado o acórdão recorrido). Vale transcrever e cotejar as hipóteses de arbitramento previstas nestes regulamentos, com a indicação de suas respectivas bases legais: DECRETO Nº 85.450/1980 (RIR/80) HIPÓTESES DE ARBITRAMENTO Art. 399. A autoridade tributária arbitrará o lucro da pessoa jurídica, inclusive da empresa individual equiparada, que servirá de base de cálculo do imposto, quando (DecretoLei n° 1.648/78, art. 7°): I o contribuinte sujeito à tributação com base no lucro real não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras de que trata o art. 172; II o contribuinte autorizado a optar pela tributação com base no lucro presumido não cumprir as obrigações acessórias relativas à sua determinação; III o contribuinte recusarse a apresentar os livros ou documentos da escrituração à autoridade tributária; IV a escrituração mantida pelo contribuinte contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real ou presumido, ou revelar evidentes indícios de fraude; Fl. 2594DF CARF MF Processo nº 19515.001924/200736 Acórdão n.º 9101002.820 CSRFT1 Fl. 20 19 V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de cumprir o disposto na alínea a do parágrafo único do art. 270; VI o contribuinte, na situação referida no inciso I e não autorizado a optar pela tributação com base no lucro presumido, espontaneamente apresentar declaração de rendimentos. DECRETO Nº 3000/1999 (RIR/99) HIPÓTESES DE ARBITRAMENTO Art. 529. A tributação com base no lucro arbitrado obedecerá as disposições previstas neste Subtítulo. Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398); VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. Vêse que há muitas semelhanças entre as regras anteriores e as atuais, no que diz respeito às hipóteses de arbitramento. Mas também há algumas diferenças, e, para este caso, há uma diferença fundamental, que diz respeito à impossibilidade de "identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária" (alínea "a" do inciso II, acima transcrita), hipótese que não estava prevista no regramento anterior, e que foi expressamente citada no voto que orientou a decisão recorrida (quando se entendeu que a fiscalização deveria ter realizado o arbitramento do lucro). Fl. 2595DF CARF MF Processo nº 19515.001924/200736 Acórdão n.º 9101002.820 CSRFT1 Fl. 21 20 Se o acórdão recorrido buscou fundamento em dispositivo legal que nem mesmo existia no contexto do acórdão tido como paradigma, não há como cotejar essas decisões para fins de comprovação de divergência jurisprudencial. Mas há ainda uma outra questão. É que segundo paradigma incorre no mesmo problema do primeiro. O segundo paradigma tratou de situação em que foram apuradas diferenças entre os depósitos bancários e as receitas registradas na contabilidade. O Termo de Verificação apresenta a seguinte motivação para o arbitramento naquele caso: [...] considerando que ficou comprovado que a empresa não registrava seu movimento bancário e tampouco comprovou que a diferença havida entre os depósitos bancários e as receitas de vendas estivesse registrada na sua escrituração, solicitamos a desclassificação da mesma por não atender aos princípios da legislação comercial e pela técnica contábil. O referido acórdão tido como paradigma cancelou o arbitramento por entender que a "falta de contabilização do movimento bancário da empresa" e a ausência de esclarecimentos quanto à origem dos valores dos depósitos que ultrapassaram a receita contabilizada não justificavam (naquela época) o arbitramento, e nem obstaculizavam a apuração do lucro real, manifestando a seguinte conclusão: [...] Tanto é assim que a fiscalização apurou, sem nenhuma dificuldade o montante dos depósitos, a receita registrada na contabilidade e a diferença entre ambos, a qual, inclusive, caracterizou como omisso de receita e submeteu à tributação, com vistas a ressarcir a Fazenda Nacional da parcela do tributo pago a menor, pela omissão cometida. Mas em nenhum momento o acórdão tido como paradigma trata de alguma questão sobre o montante/proporção das receitas omitidas em relação às receitas tributadas, não diz que as receitas omitidas eram significativas, e nem declara que esse tipo de circunstância é irrelevante para a definição do regime de tributação, ou que o arbitramento seria cancelado mesmo diante desse quadro. Está bem claro que o acórdão recorrido afirmou a necessidade de arbitramento, ou seja, a vultosa movimentação bancária e principalmente a elevada proporção da receita omitida (destacando que a receita declarada representava 55% da receita omitida), e que o acórdão tido como paradigma não enfrentou esse tipo de questão. Não há, assim, como identificar a alegada divergência jurisprudencial a partir do Acórdão nº 10186.382. Desse modo, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE Em seu recurso especial, a contribuinte suscita divergência jurisprudencial sobre a aplicação da multa qualificada de 150%. Fl. 2596DF CARF MF Processo nº 19515.001924/200736 Acórdão n.º 9101002.820 CSRFT1 Fl. 22 21 Ela trouxe como paradigmas de divergência os Acórdãos 9101001.615 e 1402001.578, que afastaram a multa qualificada no contexto de lançamentos realizados com base em omissão de receita apurada por presunção legal a partir de depósitos bancários com origem não comprovada. Nos dois casos paradigmas, o fato de a tributação ter se dado por presunção legal foi aspecto relevante para o afastamento da multa qualificada. No caso do Acórdão nº 9101001.615, a própria ementa já é bastante reveladora disso: MULTA QUALIFICADA REQUISITO DEMONSTRAÇÃO DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE A qualificação da multa de ofício, conforme determinado no II, Art. 44, da Lei 9.430/1996, só pode ocorrer quando restar comprovado no lançamento, de forma clara e precisa, o evidente intuito de fraude. A existência de depósitos bancários em contas de depósito ou investimento de titularidade do contribuinte, cuja origem não foi justificada, independentemente da forma reiterada e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada. MULTA AGRAVADA NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS IMPOSSIBILIDADE Quando se intima o sujeito passivo a apresentar provas que a lei define como de responsabilidade dele e que se consubstanciam nos meios hábeis à conformação ou não da presunção, a não apresentação destas provas tem por única decorrência terse por verdade aquilo que a hipótese legal presume, não sendo suficiente para o agravamento da penalidade. (grifos acrescidos) A ementa do Acórdão nº 1402001.578 também deixa claro que o julgamento da multa qualificada se dá em torno de lançamento por presunção legal: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITA EXPRESSIVA E REITERADA. Descabe a qualificação da multa de ofício quando, em presunção legal de omissão de receitas por depósitos bancários, não há outros elementos levantados pela Fiscalização que apontem para uma conduta dolosa da autuada. Mas é a parte final do voto que orientou essa segunda decisão paradigma que não deixa dúvidas de que o uso da presunção legal foi aspecto relevante para o afastamento da multa qualificada: Noutro giro, tendo em vista que a autuação, na parte aqui analisada, se baseou em presunção da omissão de receitas por depósitos bancários, onde o faturamento da empresa é presumido, com previsão legal, e que não há outros elementos levantados pela Fiscalização que apontem para uma conduta dolosa da Recorrente, não reputo comprovada a conduta dolosa da empresa. Fl. 2597DF CARF MF Processo nº 19515.001924/200736 Acórdão n.º 9101002.820 CSRFT1 Fl. 23 22 Por outro lado, já foi esclarecido no início deste voto que o lançamento objeto deste processo está embasado tanto em omissão de receitas decorrentes das atividades exercidas pela empresa, apuradas a partir de recebimentos via cartões de crédito/débito e de recebimentos a título de cobrança bancária, quanto em omissão de receitas apuradas por presunção legal, a partir de depósitos bancários com origem não comprovada. Também foi esclarecido que a multa qualificada de 150% incidiu apenas sobre a omissão de receita apurada de forma direta, e que sobre a omissão de receita apurada com base em depósitos bancários com origem não comprovada (presunção legal), foi aplicada a multa de 75%. Nesse contexto, a comprovação da divergência jurisprudencial fica prejudicada, pois, no que toca à infração apurada por presunção legal, a própria fiscalização já aplicou a multa normal de 75% nestes autos, fazendo incidir a multa de 150% apenas sobre a omissão de receita apurada de forma direta. Os acórdãos paradigmas, por sua vez, somente trataram de omissão de receita apurada de forma indireta, mediante uso de presunção legal. Nesses termos, não há comprovação da alegada divergência jurisprudencial, de modo que o recurso especial da contribuinte também não deve ser conhecido. Em resumo, voto no sentido de NÃO CONHECER dos recursos especiais apresentados pela PGFN e pela contribuinte. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 2598DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.002703/2003-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998
ISENÇÃO DO IPI. PRODUTO INDUSTRIALIZADO NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INTERNAÇÃO PARA O RESTANTE DO TERRITÓRIO NACIONAL. DESCUMPRIMENTO DO PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO (PPB). EXIGÊNCIA DO IPI INCIDENTE SOBRE A OPERAÇÃO. POSSIBILIDADE.
1. A aprovação do PPB pelo Conselho de Administração da Suframa (CAS) constitui requisito formal necessário para que o estabelecimento industrial instalado na ZFM possa usufruir da isenção do IPI, prevista no art. 9º, § 1º, do Decreto-lei 288/1967, porém, a efetiva fruição desse benefício fiscal ainda depende da comprovação de que o produto industrializado e internalizado para restante do Território Nacional cumpriu, integralmente, as etapas mínimas de industrialização fixadas no correspondente PPB.
2. Se comprovado, nos autos, que o produto internalizado não cumpriu as etapas mínimas de industrialização determinadas para o seu PPB passa a ser devida a cobrança do IPI incidente sobre a correspondente operação de internação, em razão da perda da isenção por descumprimento de requisito essencial para fruição do benefício.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998
MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO DE TRIBUTO POR DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS DE ISENÇÃO. INEXISTÊNCIA DE DESPACHO DE CONCESSÃO. COMPROVAÇÃO DO DOLO OU SIMULAÇÃO. DESNECESSIDADE.
A necessidade de comprovação do dolo ou da simulação, exigida no art. 155, I, do CTN, para imposição da multa de ofício, aplica-se somente aos casos de isenção concedida por despacho da autoridade administrativa, em que o requerente faz prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão do benefício isencional.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998
NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA GRAU. INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. MOTIVAÇÃO ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DEFESA. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade por cerceamento de direito de defesa a decisão de primeiro grau que, fundamentadamente, indefere pedido de realização de diligência/perícia respaldada no entendimento de que era prescindível a produção de novas provas, porque eram suficientes para o deslinde da controvérsia as provas coligidas aos autos.
AUTO DE INFRAÇÃO. COMPETÊNCIA DO AUDITOR-FISCAL. LANÇAMENTO DO IPI POR DESCUMPRIMENTO PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO. NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
1. O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de isenção do IPI, instituído no art. 9º, § 1º, do Decreto-lei 288/1967, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio e a verificação, a qualquer tempo, da regular observância das condições fixadas na legislação pertinente pelo estabelecimento industrial internalizador do produto no restante do Território Nacional.
2. Não é passível de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade fiscal competente, se atendido os demais requisitos formais e materiais fixados na legislação de regência.
Recurso de Ofício Não Conhecido e Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.114
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, na reunião de fevereiro de 2017, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício.Por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado e, por unanimidade de votos, foi rejeitada a preliminar de nulidade do auto de infração. Pelo voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza e Walker Araújo. Na reunião de abril de 2017, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá e Hélcio Lafetá e a Conselheira Lenisa Prado, que davam provimento ao recurso. A Conselheira Lenisa Prado fez declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998 ISENÇÃO DO IPI. PRODUTO INDUSTRIALIZADO NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INTERNAÇÃO PARA O RESTANTE DO TERRITÓRIO NACIONAL. DESCUMPRIMENTO DO PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO (PPB). EXIGÊNCIA DO IPI INCIDENTE SOBRE A OPERAÇÃO. POSSIBILIDADE. 1. A aprovação do PPB pelo Conselho de Administração da Suframa (CAS) constitui requisito formal necessário para que o estabelecimento industrial instalado na ZFM possa usufruir da isenção do IPI, prevista no art. 9º, § 1º, do Decretolei 288/1967, porém, a efetiva fruição desse benefício fiscal ainda depende da comprovação de que o produto industrializado e internalizado para restante do Território Nacional cumpriu, integralmente, as etapas mínimas de industrialização fixadas no correspondente PPB. 2. Se comprovado, nos autos, que o produto internalizado não cumpriu as etapas mínimas de industrialização determinadas para o seu PPB passa a ser devida a cobrança do IPI incidente sobre a correspondente operação de internação, em razão da perda da isenção por descumprimento de requisito essencial para fruição do benefício. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998 MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO DE TRIBUTO POR DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS DE ISENÇÃO. INEXISTÊNCIA DE DESPACHO DE CONCESSÃO. COMPROVAÇÃO DO DOLO OU SIMULAÇÃO. DESNECESSIDADE. A necessidade de comprovação do dolo ou da simulação, exigida no art. 155, I, do CTN, para imposição da multa de ofício, aplicase somente aos casos de isenção concedida por despacho da autoridade administrativa, em que o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 27 03 /2 00 3- 58 Fl. 288DF CARF MF 2 requerente faz prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão do benefício isencional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998 NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA GRAU. INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. MOTIVAÇÃO ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por cerceamento de direito de defesa a decisão de primeiro grau que, fundamentadamente, indefere pedido de realização de diligência/perícia respaldada no entendimento de que era prescindível a produção de novas provas, porque eram suficientes para o deslinde da controvérsia as provas coligidas aos autos. AUTO DE INFRAÇÃO. COMPETÊNCIA DO AUDITORFISCAL. LANÇAMENTO DO IPI POR DESCUMPRIMENTO PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO. NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. 1. O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de isenção do IPI, instituído no art. 9º, § 1º, do Decretolei 288/1967, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio e a verificação, a qualquer tempo, da regular observância das condições fixadas na legislação pertinente pelo estabelecimento industrial internalizador do produto no restante do Território Nacional. 2. Não é passível de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade fiscal competente, se atendido os demais requisitos formais e materiais fixados na legislação de regência. Recurso de Ofício Não Conhecido e Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, na reunião de fevereiro de 2017, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício.Por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado e, por unanimidade de votos, foi rejeitada a preliminar de nulidade do auto de infração. Pelo voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza e Walker Araújo. Na reunião de abril de 2017, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá e Hélcio Lafetá e a Conselheira Lenisa Prado, que davam provimento ao recurso. A Conselheira Lenisa Prado fez declaração de voto. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10283.002703/200358 Acórdão n.º 3302004.114 S3C3T2 Fl. 289 3 Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 6/12), em que formalizada a cobrança do crédito tributário, no valor total de R$ 6.426.247,83, correspondente ao somatório do Imposto sobre Produtos Industrializados, acrescido de multa de oficio de 75% (setenta e cinco por cento) e de dos juros moratórios, calculados até 30/4/2003. De acordo com a descrição dos fatos que integra o referido auto de infração, a fiscalização apurou que a autuada descumprira Processo Produtivo Básico (PPB) exigido para produção de unidades centrais de processamento. Segundo a fiscalização, mediante análise das estruturas de custo dos três principais produtos fabricados pela autuada no ano de 1998, constatou a utilização indevida, no processo industrial do produto “Conjunto Mini System, modelo NSXF12”, do subconjunto “Painel Frontal Montado”, importados já montados por meio das Declarações de Importação (DI) nºs 98/01664061, 98/03370030 e 98/03370065, fato que caracterizava o descumprimento do PPB, determinado para o produto, acarretando a perda do beneficio fiscal, estabelecido no Decretolei 288/1967. Em sede de impugnação, a autuada apresentou as suas razões de defesa, em síntese, baseadas nas seguintes alegações: a) houve decadência dos débitos relativos a fatos geradores anteriores a 22/5/1998; b) como estava situada na Zona Franca de Manaus (ZFM) e tinha seus projetos industriais aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), nos termos da legislação em vigor, gozava dos benefícios fiscais regularmente estabelecidos, dentre os quais a isenção do IPI na saída dos produtos da ZFM, para qualquer ponto do território nacional, desde que cumpridos os requisitos do art. 9º do Decretolei 288/1967; c) era produtora de aparelhos de áudio e vídeo, cujo conjunto mínimo de operações necessárias para a concessão dos benefícios fiscais estava previsto no Anexo XI do Decreto 783/1993; d) somente poderia fruir da isenção do IPI, na internação no território nacional, das mercadorias de áudio e vídeo, o contribuinte que tivesse projeto aprovado pelo CAS, nos termos do art. 7º, § 7º, do Decreto 288/1967; e) a Suframa era o órgão competente para verificar o atendimento dos requisitos necessários ao cumprimento do PPB, logo a lavratura do auto de infração, sem o prévio despacho revogatório da isenção do IPI exarado pelo Conselho de Administração da Suframa (CAS), por descumprimento do PPB, configurava invasão da competência atribuída ao CAS por parte da fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), o que implicaria nulidade a autuação; Fl. 290DF CARF MF 4 f) segundo a fiscalização, a impugnante teria importado e utilizado conjuntos já montados na produção de aparelhos de áudio, previstos na Resolução n° 286/1994, irregularidade que poderia ser comprovada a partir da análise das Declarações de Importação (DI) de insumos utilizados na produção do referido produto; g) os documentos acostados aos autos não demonstravam que os painéis importados pela impugnante estariam em desacordo com os requisitos do PPB, pelo contrário, demonstravam que a impugnante jamais descumpriu os níveis básicos de industrialização previstos na legislação; h) não havia importado painéis frontais montados, para aplicação no mini system NSXF12, mas “painel frontal com tampas cassete 1/2, visor das tampas cassete 1/2 e teclas (encaixadas para efeito de transporte)”, logo não se tratava de painel montado, mas de peças encaixadas, em razão da redução do custo logístico e das perdas no transporte; i) as únicas razões que levaram o impugnante a importar o painel encaixado eram de ordem econômica, haja vista que a aquisição de painéis totalmente desmontados causaria substancial acréscimo de custos, devido à elevação no valor do frete; j) não havia qualquer vedação para que o painel frontal fosse importado encaixado, para efeito de transporte, como ocorrera no presente caso, que tratavase de prática comum no comércio internacional, que visava, preponderantemente, a redução de custos. Ao chegar na fábrica, tais peças eram desencaixadas, sendo que o painel recebia outras peças e somente então era montado de forma definitiva, possibilitando sua venda aos lojistas e consumidores finais, porém, a existência de um encaixe prévio não reduzia a mãodeobra necessária para a fabricação do bem na ZFM; l) a Suframa apenas determinava a necessidade de fixação do mecanismo do deck e das PCIs no painel frontal pela impugnante, e que tal determinação era cumprida à risca pela autuada; m) não foram observados os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade na aplicação da multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), que era indevida, porque não houve demonstração de dolo ou simulação, conforme exige o art. 155, I, do CTN, no caso de revogação da isenção condicional; e n) havia possibilidade de comprovação das alegações por intermédio de perícia. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 203/209), em que, por unanimidade de votos, o lançamento foi considerado procedente em parte, para excluir parcela do valor crédito extintos pela decadência, no valor total de R$ 779.864,56, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 1998 ZONA FRANCA DE MANAUS. DESCUMPRIMENTO DE PPB. O descumprimento do Processo Produtivo Básico fixado para a fabricação de produtos com isenção do imposto, na Zona Franca de Manaus, acarreta a perda do benefício. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10283.002703/200358 Acórdão n.º 3302004.114 S3C3T2 Fl. 290 5 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO DO LANÇAMENTO. FATO GERADOR. Havendo antecipação do tributo, a homologação do lançamento ocorrerá no prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, na forma do artigo 150, § 4°, do CTN. Lançamento Procedente em Parte Em 8/2/2008 (fl. 216), a autuada foi cientificada do referido acórdão. Inconformada, em 11/3/2008, protocolou o recurso de voluntário de fls. 242/261, em que reproduz, parcialmente, as alegações apresentadas na fase impugnatória. Em aditamento, a recorrente alegou nulidade da decisão de primeiro grau, sob o argumento de que o indeferimento do pedido da perícia pleiteado implicara cerceamento do direito de defesa, pois impediu que fosse verificado o efetivo cumprimento do PPB por parte do CAS, o que afrontava o princípio da verdade material. Em obediência ao disposto no art. 34, I, do Decreto 70.235/1972, por ter exonerado valor de crédito tributário superior ao seu limite de alçada, determinado na Portaria MF 03/2008, o Colegiado julgador a quo interpôs recurso de ofício perante este Conselho, em relação à parcela do crédito exonerada. Enfim, depois de sucessivos sorteios, seguidos de devoluções dos autos à Secretaria, na Sessão de 13 de novembro de 2014, os presentes autos foram redistribuídos a este Relator É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos de admissibilidade e trata de matéria da competência deste Colegiado, portanto, dele tomase conhecimento. Mas do recurso de ofício não se toma conhecimento, por não atender os pressuposto de admissibilidade estabelecido no art. 34, I, do Decreto 70.235/1972, haja vista que o total de tributo e encargos de multa exonerado, no valor de R$ 779.864,56, pela decisão de primeira instância, foi inferior ao limite de alçada no valor de R$ 2.500.000,00, atualmente fixado no art. 1º da Portaria MF 63/2017, a seguir transcrito: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Fl. 292DF CARF MF 6 § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Ressaltase ainda que, no âmbito deste Conselho, o requisito atinente ao limite de alçada deve ser atendido na data de sua apreciação do recurso de ofício, conforme dispõe a Súmula CARF nº 103, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Da Apreciação do Recurso Voluntário. No recurso voluntário, as razões de defesa suscitadas pela recorrente envolvem questões preliminares e de mérito. Em sede de preliminar, a recorrente alegou nulidade da decisão de primeiro grau e do auto de infração. No mérito, a recorrente alegou improcedência da autuação. Da preliminar de nulidade da decisão de recorrida. A recorrente alegou que era nula a decisão de primeiro grau, sob o argumento de que o indeferimento do pedido da perícia pleiteada na peça impugnatória implicara cerceamento do seu direito de defesa, pois impedira que fosse verificado o efetivo cumprimento do PPB por parte do Conselho de Administração da Suframa (CAS), o que afrontava o princípio da verdade material, que rege do processo administrativo fiscal. No âmbito do processo administrativo fiscal, sabidamente, a decisão quanto ao deferimento ou não de produção prova pericial tratase de prerrogativa da autoridade julgadora, portanto, constitui decisão que se encontra na alçada do seu poder discricionário da dita autoridade. Dessa forma, somente se esta entender necessária obtenção de informações adicionais para o deslinde da lide é que, fundamentadamente, deferirá ou não o pedido, conforme determina os arts. 18, 28 e 29 do Decreto 70.235/1972, com as alterações posteriores, que seguem transcritos. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. [...] Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. (grifos não originais) No caso, da simples leitura do voto condutor da decisão recorrida, verificase que foram apresentadas, de forma expressa e devidamente fundamentada, as razões pelas quais a Turma de Julgamento de primeiro grau, com respaldo no art. 18, caput, do Decreto Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10283.002703/200358 Acórdão n.º 3302004.114 S3C3T2 Fl. 291 7 70.235/1972, indeferiu o pedido de perícia formulado pela autuada, ou seja, o referido Colegiado considerou desnecessária a produção da prova pericial pleiteada, respaldada no entendimento de que, a realização dessa modalidade de prova necessitava de conhecimento técnico especializado e/ou esclarecimento de fatos considerados obscuros no processo, porém, no caso em tela, não havia motivo para tal providência e respostas aos quesitos apresentados revelavamse desnecessárias, uma vez que nos autos constavam “todas as informações necessárias e suficientes para o deslinde da questão.” Assim, uma vez devidamente fundamentado o indeferimento da realização da referida diligência, não procede o alegado cerceamento do direito de defesa suscitado pela recorrente nem violação ao princípio da verdade material, por conseguinte, rejeitase a presente preliminar de nulidade. Da preliminar de nulidade do auto de infração. Ainda em sede de preliminar, a recorrente alegou nulidade do auto de infração, respaldada no argumento de que a lavratura do referido documento, sem prévio despacho revogatório da isenção do IPI, por descumprimento do PPB, exarado pelo CAS, configurava invasão da competência deste órgão por parte da fiscalização da RFB. Inicialmente, cabe esclarecer que, diferentemente do alegado pela recorrente, o CAS (ou a própria Suframa) não tem competência para reconhecer isenção ou conceder qualquer outro benefício fiscal previsto no Decretolei 288/1967. Em relação aos requisitos para a fruição dos referidos benefícios fiscais, a competência atribuída ao CAS limitase a aprovação do PPB referente ao produto industrializado na ZFM, conforme se do disposto no art. 7º, §§ 6º e 7º, do referido diploma legal, a seguir transcritos: Art. 7° Os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus, salvo os bens de informática e os veículos automóveis, tratores e outros veículos terrestres, suas partes e peças, excluídos os das posições 8711 a 8714 da Tarifa Aduaneira do Brasil (TAB), e respectivas partes e peças, quando dela saírem para qualquer ponto do Território Nacional, estarão sujeitos à exigibilidade do Imposto sobre Importação relativo a matériasprimas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagem, componentes e outros insumos de origem estrangeira neles empregados, calculado o tributo mediante coeficiente de redução de sua alíquota ad valorem, na conformidade do § 1° deste artigo, desde que atendam nível de industrialização local compatível com processo produtivo básico para produtos compreendidos na mesma posição e subposição da Tarifa Aduaneira do Brasil (TAB).(Redação dada pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) [...] § 7° A redução do Imposto sobre Importação, de que trata este artigo, somente será deferida a produtos industrializados previstos em projeto aprovado pelo Conselho de Administração da Suframa que: (Parágrafo incluído pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) I se atenha aos limites anuais de importação de matérias primas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagem, constantes da respectiva resolução aprobatória do Fl. 294DF CARF MF 8 projeto e suas alterações; (Inciso incluído pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) II objetive: (Inciso incluído pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) a) o incremento de oferta de emprego na região; (Alínea incluída pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) b) a concessão de benefícios sociais aos trabalhadores; (Alínea incluída pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) c) a incorporação de tecnologias de produtos e de processos de produção compatíveis com o estado da arte e da técnica; (Alínea incluída pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) d) níveis crescentes de produtividade e de competitividade; (Alínea incluída pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) e) reinvestimento de lucros na região; e (Alínea incluída pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) f) investimento na formação e capacitação de recursos humanos para o desenvolvimento científico e tecnológico. (Alínea incluída pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) § 8° Para os efeitos deste artigo, consideramse: (Parágrafo incluído pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) a) produtos industrializados os resultantes das operações de transformação, beneficiamento, montagem e recondicionamento, como definidas na legislação de regência do Imposto sobre Produtos Industrializados; (Alínea incluída pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) b) processo produtivo básico é o conjunto mínimo de operações, no estabelecimento fabril, que caracteriza a efetiva industrialização de determinado produto. (Alínea incluída pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) [...] Em consonância com a referida competência, ao CAS também foi atribuída a função de acompanhar a implementação do PPB, nos termos do art. 3º do Decreto 783/1993, que fixa o PPB para os produtos industrializados na ZFM, a seguir reproduzido: Art. 3º Para permitir o acompanhamento da implementação do processo produtivo básico, a empresa titular do projeto industrial deverá apresentar à Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), anualmente, de acordo com cronograma por ela fixado, laudos técnicos emitidos por entidades de auditoria independente, relativamente ao processo produtivo básico e ao sistema da qualidade. Parágrafo único. O laudo técnico relativo à implantação das normas técnicas de qualidade somente poderá ser expedido por entidade credenciada pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro). Da leitura combinada dos referidos preceitos normativos, chegase a conclusão que a competência do CAS restringese à aprovação e ao acompanhamento da Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10283.002703/200358 Acórdão n.º 3302004.114 S3C3T2 Fl. 292 9 implantação do PPB, condição necessária, mas não suficiente, para que os produtos detentores de PPB, quando internalizados para qualquer ponto do Território Nacional fora da ZFM, beneficiemse da isenção do IPI, instituída no art. 9º, § 1º, do Decretolei 288/1967, a seguir transcrito: Art. 9° Estão isentas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) todas as mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus, quer se destinem ao seu consumo interno, quer à comercialização em qualquer ponto do Território Nacional.(Redação dada pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) § 1° A isenção de que trata este artigo, no que respeita aos produtos industrializados na Zona Franca de Manaus que devam ser internados em outras regiões do País, ficará condicionada à observância dos requisitos estabelecidos no art. 7° deste decretolei. (Incluído pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) [...] (grifos não originais) Com base no exposto, verificase que a aprovação do PPB e a sua manutenção pelo CAS revestese de requisito formal necessário para que o estabelecimento industrial favorecido possa usufruir da isenção do IPI, prevista no art. 9º, § 1º, do Decretolei 288/1967. Entretanto, além do atendimento desse requisito, concretamente, a efetiva fruição desse benefício fiscal ainda depende da comprovação de que o produto industrializado e internalizado/comercializado para restante do Território Nacional cumpriu o correspondente PPB. E a competência para verificar o cumprimento do mencionado requisito forma, indubitavelmente, é da fiscalização da RFB, cujas prerrogativas e de seus auditores fiscais encontramse expressamente atribuídas no art. 37, XVIII, da Constituição Federal de 1988, ao determinar que, em matéria de competência para fiscalizar o cumprimento da legislação relativa a tributos, atribuiu ao referido órgão precedência sobre os demais. Portanto, é de índole constitucional a prerrogativa atribuída à RFB para fiscalizar o cumprimento da legislação tributária, incluindo a verificação do cumprimento dos requisitos para fruição de qualquer benefício fiscal, o que, obviamente, compreende a verificação do cumprimento do PPB para fruição da isenção do IPI em comento. Assim, por força dessa competência, uma vez constatada qualquer irregularidade que implique exigência de crédito tributário, a autoridade fiscal tem o poder dever de realizar o lançamento do crédito tributário, sob pena de responsabilidade funcional, conforme expressamente dispõe o art. 142 do CTN. No caso, por se tratar de isenção do IPI condicionada ao cumprimento do PPB, evento futuro e incerto, em conformidade com disposto no art. 179, § 2º, combinado com o artigo 155, ambos do CTN, como foi constatado que a recorrente não cumpriu com o PPB, fixado no Anexo XI do Decreto 783/1993 e aprovado pela Resolução CAS 286/1994, o correspondente crédito tributário deveria ser lançado, como acertadamente fez a fiscalização na vergastada autuação. Não se pode olvidar, ademais, que a mera aprovação do PPB pelo CAS, não impede que a fiscalização da RFB verifique se foram integralmente cumpridas as etapas Fl. 296DF CARF MF 10 mínimas de industrialização dos insumos importados pela beneficiário do regime isencional em questão. Por fim, cabe ainda ressaltar, que, no mesmo sentido do entendimento aqui esposado, em relação à matéria semelhante, ou seja, cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade suspensão, consolidouse a jurisprudência deste Conselho, por meio da Súmula CARF nº 100, de obrigatória adoção pelo membros deste Órgão de julgamento, cujo enunciado segue transcrito: O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade suspensão, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente. Com base nessas considerações, fica demonstrado que, no caso em tela, a fiscalização tinha sim competência para verificar o cumprimento dos requisitos relativos ao cumprimento do PPB do produto comercializado para fora ZFM e uma comprovado que o produto não cumpriu tal requisito, com acerto, procedeu a presente autuação. Em decorrência, rejeitase a presente preliminar de nulidade do questionado auto de infração. Da análise da questão de mérito. No mérito, o cerne da presente controvérsia cingese à questão atinente ao descumprimento do Processo Produtivo Básico (PPB) fixado para o produto denominado “CONJUNTO MINI SYSTEM, MODELO NSXF12”, internalizado pela autuada para o restante do território nacional, no período de 30/04/1998 a 20/12/1998, objeto das notas fiscais de saída/venda discriminadas no "Demonstrativo de Apuração do Valor Tributável IPI" de fls. 23/31, elaborado pela fiscalização, com base no "Demonstrativo de Notas Fiscais de Saída" de fls. 33/38, apresentado pela recorrente, atendendo solicitação da fiscalização formalizada no Termo de Início de Fiscalização. Previamente, cabe consignar, que o benefício da redução do II, cujo percentual é determinado/fixado (geralmente, percentual de 88%) nos §§ 1º a 4º do art. 7º do Decretolei 288/1967, com a nova redação dada pelo Lei 8.387/1991, somente se aplica às matériasprimas, aos produtos intermediários, materiais secundários e de embalagem, componentes e outros insumos de origem estrangeira neles empregados, que forem aplicados no processo industrial de produto final que tenha PPB aprovado pelo Conselho de Administração da Suframa e que atenda os demais requisitos estabelecidos no § 7º do art. 7º do citado diploma legal, a seguir parcialmente transcrito: Art. 7° Os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus, salvo os bens de informática e os veículos automóveis, tratores e outros veículos terrestres, suas partes e peças, excluídos os das posições 8711 a 8714 da Tarifa Aduaneira do Brasil (TAB), e respectivas partes e peças, quando dela saírem para qualquer ponto do Território Nacional, estarão sujeitos à exigibilidade do Imposto sobre Importação relativo a matériasprimas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagem, componentes e outros insumos de origem estrangeira neles empregados, calculado o tributo mediante coeficiente de redução de sua alíquota ad valorem, na conformidade do § 1° deste artigo, desde que atendam nível de industrialização local Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10283.002703/200358 Acórdão n.º 3302004.114 S3C3T2 Fl. 293 11 compatível com processo produtivo básico para produtos compreendidos na mesma posição e subposição da Tarifa Aduaneira do Brasil (TAB). (Redação dada pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) § 1° O coeficiente de redução do imposto será obtido mediante a aplicação da fórmula que tenha:(Parágrafo incluído pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) I no dividendo, a soma dos valores de matériasprimas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagem, componentes e outros insumos de produção nacional e da mão deobra empregada no processo produtivo; (Inciso incluído pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) II no divisor, a soma dos valores de matériasprimas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagem, componentes e outros insumos de produção nacional e de origem estrangeira, e da mãodeobra empregada no processo produtivo. (Inciso incluído pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) § 2° No prazo de até doze meses, contado da data de vigência desta lei, o Poder Executivo enviará ao Congresso Nacional projeto de lei estabelecendo os coeficientes diferenciados de redução das alíquotas do Imposto sobre Importação, em substituição à fórmula de que trata o parágrafo anterior. (Inciso incluído pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) § 3° Os projetos para produção de bens sem similares ou congêneres na Zona Franca de Manaus, que vierem a ser aprovados entre o início da vigência desta lei e o da lei a que se refere o § 2°, poderão optar pela fórmula prevista no § 1°.(Parágrafo incluído pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) § 4° Para os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus, salvo os bens de informática e os veículos automóveis, tratores e outros veículos terrestres, suas partes e peças, excluídos os das posições 8711 a 8714 da Tarifa Aduaneira do Brasil (TAB), cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da Suframa até 31 de março de 1991 ou para seus congêneres ou similares, compreendidos na mesma posição e subposição da Tarifa Aduaneira do Brasil (TAB), constantes de projetos que venham a ser aprovados, no prazo de que trata o art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, a redução de que trata o caput deste artigo será de oitenta e oito por cento. (Parágrafo incluído pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) § 5° A exigibilidade do Imposto sobre Importação, de que trata o caput deste artigo, abrange as matériasprimas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagem empregados no processo produtivo industrial do produto final, exceto quando empregados por estabelecimento industrial localizado na Zona Franca de Manaus, de acordo com projeto aprovado com processo produtivo básico, na fabricação de produto que, por sua vez tenha sido utilizado como insumo por Fl. 298DF CARF MF 12 outra empresa, não coligada à empresa fornecedora do referido insumo, estabelecida na mencionada Região, na industrialização dos produtos de que trata o parágrafo anterior.(Parágrafo incluído pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) § 6º Os Ministros de Estado do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e da Ciência e Tecnologia estabelecerão os processos produtivos básicos no prazo máximo de cento e vinte dias, contado da data da solicitação fundada da empresa interessada, devendo ser indicados em portaria interministerial os processos aprovados, bem como os motivos determinantes do indeferimento. (Redação dada pela Lei nº 10.176, de 2001) § 7° A redução do Imposto sobre Importação, de que trata este artigo, somente será deferida a produtos industrializados previstos em projeto aprovado pelo Conselho de Administração da Suframa que: (Parágrafo incluído pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) (Regulamento) I se atenha aos limites anuais de importação de matérias primas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagem, constantes da respectiva resolução aprobatória do projeto e suas alterações;(Inciso incluído pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) II objetive:(Inciso incluído pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) a) o incremento de oferta de emprego na região;(Incluída pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) b) a concessão de benefícios sociais aos trabalhadores;(Incluída pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) c) a incorporação de tecnologias de produtos e de processos de produção compatíveis com o estado da arte e da técnica;(Incluída pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) d) níveis crescentes de produtividade e de competitividade;(Incluída pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) e) reinvestimento de lucros na região; e(Incluída pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) f) investimento na formação e capacitação de recursos humanos para o desenvolvimento científico e tecnológico.(Incluída pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) § 8° Para os efeitos deste artigo, consideramse: (Parágrafo incluído pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) a) produtos industrializados os resultantes das operações de transformação, beneficiamento, montagem e recondicionamento, como definidas na legislação de regência do Imposto sobre Produtos Industrializados; (Alínea incluída pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) b) processo produtivo básico é o conjunto mínimo de operações, no estabelecimento fabril, que caracteriza a efetiva industrialização de determinado produto. (Incluída pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10283.002703/200358 Acórdão n.º 3302004.114 S3C3T2 Fl. 294 13 [...] (grifos não originais) Da mesma forma, a isenção do IPI também depende do cumprimento do PPB, conforme estabelecido no art. 9º do citado DL, que segue transcrito: Art. 9° Estão isentas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) todas as mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus, quer se destinem ao seu consumo interno, quer à comercialização em qualquer ponto do Território Nacional. (Redação dada pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) § 1° A isenção de que trata este artigo, no que respeita aos produtos industrializados na Zona Franca de Manaus que devam ser internados em outras regiões do País, ficará condicionada à observância dos requisitos estabelecidos no art. 7° deste decretolei. (Incluído pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) § 2° A isenção de que trata este artigo não se aplica às mercadorias referidas no § 1° do art. 3° deste decretolei. (Incluído pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) grifos não originais. E segundo o disposto nas alíneas "a" e "b" do § 8º do artigo 7º anteriormente transcrito, o PPB consiste no "conjunto mínimo de operações, no estabelecimento fabril, que caracteriza a efetiva industrialização de determinado produto". Ademais, em relação do II, a redução alcança apenas o produto final industrializado na referida região, ao passo que, no que ao IPI, a isenção alcança todas as mercadorias produzidas na referida região. Em ambos os casos, o benefício fiscal somente será assegurado se o produto submeteuse a operações de transformação, beneficiamento, montagem e recondicionamento, conforme definidas na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados. Assim, não estão contemplados com o referido benefício fiscal os produtos que tenham sido submetidos apenas à operação de acondicionamento ou reaconcidionamento, ou seja, a operação que importe em alterar apenas a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, conforme definido no art. 4º, IV, do Decreto 7.212/2010 (RIPI/2010). No caso em tela, relatou a fiscalização, que a recorrente não fazia jus a isenção do IPI em apreço, porque o produto intermediário por ela importado, identificado como “PAINEL FRONTAL”, utilizado na fabricação do aparelho de som denominado “CONJUNTO MINI SYSTEM, MODELO NSXF12”, havia sido importado já montado. Em decorrência, entendeu a autoridade que foram descumpridas as etapas mínimas de industrialização definidas para o PPB do citado produto, especificamente, a etapa de montagem das partes elétricas e mecânicas, que deveriam ter sido importadas totalmente desagregadas, em nível de componentes, conforme determinado, expressamente, na alínea “b” do Anexo XI do Decreto 783/1993, que trata do PPB dos aparelhos de áudio e vídeo, a seguir reproduzido: ANEXO XI Produto: Aparelho de Áudio e de Vídeo a) montagem e soldagem de todos os componentes nas placas de circuito impresso; Fl. 300DF CARF MF 14 b) montagem das partes elétricas e mecânicas, totalmente desagregadas, em nível de componentes; [...] (grifos não originais) Por sua vez, a recorrente alegou que cumprira o referido PPB, pois, o mencionado componente não se tratava de painel montado, mas de peças encaixadas, para efeito de transporte, em “razão da redução (i) do custo logístico e (ii) das perdas no transporte” e que as únicas razões que levaram a recorrente “a importar o painel encaixado eram de ordem econômica, haja vista que a aquisição de painéis totalmente desmontados causaria substancial acréscimo de custos devido à elevação no valor do frete.” No caso, embora a recorrente não reconheça que o referido componente/subconjunto tenha sido importado montado, mas apenas encaixado, para fins de transporte e redução de custo, a descrição do citado insumo nas adições 007 das Declarações de Importação (DI) nºs 98/01664061, 98/03370030 e 98/03370065 (fls. 54/111), revela que ele foi, de fato, importado montado, pois, o termo encaixado, além de outros significados, no âmbito da engenharia mecânica/eletrônica, significa montado, ou seja, a "peça metida em outra apta a recebêla", conforme redação do item 5 do texto do Dicionário inFormal, extraído da internet1, a seguir transcrito: Significado de Encaixado 1. Que foi colocado em caixa 2. Que se encaixou 3. [Figurativo] Colocado entre outras pessoas ou outras coisas4. Adaptado, ajustado 5. [Mecânica] Dizse da peça metida em outra apta a recebêla 6. [Linguística] Dizse de elemento que foi incluído em outro numa determinada estrutura sintática (grifos não originais) E a forma como o citado componente fora descrito nas referidas adições, não deixa qualquer dúvida que ele fora, efetivamente, importado montado, senão veja: PAINEL FRONTAL COMPOSTO COM: VISOR DO CD, VISOR DO DISPLAY, CONJUTO DE TECLAS, TAMPAS K7k VISOR DAS TAMPAS K7, ENGRENAGEM DAS TAMPAS K7 E PLACA DE CONTROLE FRONTAL (ENCAIXADAS PARA EFEITO DE TRANSPORTE) (grifos não originais) A propósito, cabe consigna que, além do referido aparelho de som, a recorrente ainda produzia mais dois aparelhos do mesmo tipo, mas de modelo distinto, a saber, os modelos "NSXS305 SERIE B" e "NSXF969", cuja composição de custos/insumos encontrase descrita nas planilhas de fls. 43/53. Da leitura da referida relação de insumos, verificase que, enquanto no modelo objeto da referida autuação, o painel foi importado montado, nos outros dois modelos os componentes integrantes do painel montado foram importados em separado. Assim, embora o referido componente ou subconjunto, aplicado no processo de industrialização do produto final, denominado “CONJUNTO MINI SYSTEM, MODELO NSXF12”, tenha sido importado montado, para justificar que o citado produto final atendia os requisitos do seu PPB, a recorrente alegou que: 1 Disponível em: <http://www.dicionarioinformal.com.br/encaixado/>. Acesso em 18 mar. 2017. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10283.002703/200358 Acórdão n.º 3302004.114 S3C3T2 Fl. 295 15 a) não havia qualquer vedação para que o citado painel frontal fosse importado encaixado, para efeito de transporte, uma vez que a “existência de um ‘encaixe’ prévio não reduz a quantidade de mãodeobra necessária para a fabricação do bem na Zona Franca de Manaus.”; e b) o desenvolvimento da região amazônica era o bem maior protegido pelos benefícios fiscais instituídos no Decretolei 288/1967, que continuava sendo integralmente atendido. Nesse contexto, a recorrente asseverou que “o desencaixe de peças, adição de outras partes e, finalmente, a realização de uma nova montagem supera a exigência do Decreto 783/93, Anexo XI, o qual prevê as condições de cumprimento do PPB.” Com a devida vênia, ainda que os aspectos de natureza logística, social e econômica apresentados pela recorrente possam servir de justificativa no plano ético e político, certamente, na esfera jurídica, especialmente no que tange à concessão de benefício fiscal, cuja preceito normativo deve ser interpretado de forma literal, nos termos do art. 111 do CTN, tais condições não têm qualquer relevância para justificar o descumprimento de etapas mínimas do PPB do produto internalizado/comercializado pela recorrente, objeto das presentes autuações. E por não ser plausível e racionalmente crível, não há como aceitar, sem apresentação de uma prova cabal, que, apesar de ter sido importado montado, o citado subconjunto fora submetido a processo desmontagem e em seguida novamente montado. Ademais, essa forma inusitado de cumprir o PPB contraria a alegada finalidade de reduzir custos, haja vista que a realização da etapa adicional de desmontagem, não prevista no PPB, certamente, implicaria custos adicionais relevantes de produção. No mesmo sentido, a conclusão apresentada pelo nobre Relator do voto condutor do julgado recorrido no fragmento que segue transcrito: Relativamente às Declaração de Importação trazidas pela autoridade lançadora, sobre as quais se manifestou a empresa interessada somente para tentar convencer de que a montagem se deu apenas para economizar custos com fretes, não induz ao convencimento, haja vista que é impraticável se adquirir algo pronto, para posteriormente desfazer e tornar a fazer. (grifos do original) Além disso, diferente do que fora suscitado na última Sessão de julgamento, por meio do Termo de Início de Fiscalização, a autoridade fiscal solicitou as seguintes informações à recorrente: a. Elermentos solicitados: a.1 Informar, com base no CFOP 6.99, quais os três (03) principais produtos saldos da empresa no ano calendário de 1998, fornecendo, igualmente, os códigos relativos aos citados produtos. a.2 Apresentar à fiscalização a Estrutura de Custos desses produtos, que contenha, dentre outras informações, os componentes importados, valor de aquisição dos mesmos e respectivos códigos utilizados internamente pela empresa. Tais informações foram prestadas pela recorrente, por meio dos documentos de fls. 39/53, em que consta a relação das notas fiscais de saída e de todos Fl. 302DF CARF MF 16 componentes/insumos do citado produto final, extraída do sistema "Gerenciador de Processo Produtivo" da própria recorrente. Da simples leitura da mencionada relação, verificase que várias peças que deveriam ser importadas desmontas e separadas foram importadas montadas no referido subconjunto. Dessa forma, fica demonstrado que, diferentemente do alegado na última assentada, com base na descrição na DI e na estrutura do produto informada pela recorrente, com base na referida documentação colacionada aos autos, a fiscalização concluiu, com acerto, que a recorrente tinha importado o citado componente montado e assim descumprido o PPB fixado para o produto final. E se a fiscalização baseouse nas DI e nos demonstrativos da estrutura de custos/insumos de fabricação do produto, fornecidos pela própria autuada, revela se sem substância e desprovida de propósito a alegação da recorrente de que o trabalho fiscal fora realizado "com total descaso e desatenção, baseado em sucessivas suposições e presunções". Além dessa comprovação, pretender que a autoridade fiscal tivesse ainda comprovado que o citado componente fora importado montado por conveniência de transporte, por óbvio, representaria indevida inversão do ônus da prova, uma vez que se trata de fato, nitidamente, impeditivo, modificativo ou extintivo do direito, cuja comprovação era da incumbência da recorrente, conforme dispõe o art. 373, II, da Lei 13.105/2015, que instituiu o vigente Código de Processo Civil (CPC), que corresponde ao art. 333, II, do revogado CPC. Também não procede a alegação de que autoridade fiscal teria de demonstrar que o componente fora montado e em seguida desmontado, por se revestir, de produção de prova negativa, a denominada de prova diabólica, no caso, nitidamente, de impossível produção pela autoridade fiscal. Com base nessas considerações e tendo em vista que a recorrente não apresentou qualquer elemento de prova que infirmasse a irregularidade apontada pela fiscalização, com a devida vênia aos que entendem de forma distinta, este Relator está convencido que houve o descumprimento do PPB, em consequência, deve ser mantida a cobrança dos tributos lançados, conforme decisão de primeiro grau. Da multa de ofício aplicada. No que tange à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), a recorrente alegou que era indevida a sua aplicação, porque, no caso em tela, não houve demonstração de dolo ou simulação por parte da fiscalização, conforme exige o art. 155, I, do CTN, no caso de revogação de isenção condicional. Mais uma vez, sem razão a recorrente. A exigência da comprovação do dolo ou simulação, exigida no art. 155, I, do CTN para imposição da multa de ofício, aplicase somente aos casos de isenção concedida por despacho da autoridade administrativa, em que o requerente faz prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão, conforme estabelecido no art. 179 do CTN, a seguir transcrito: Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão. Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10283.002703/200358 Acórdão n.º 3302004.114 S3C3T2 Fl. 296 17 § 1º Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. A isenção em apreço não se enquadra nas condições determinadas no transcrito preceito legal, porque ela não foi concedida por autoridade fiscal. O ato de aprovação do PPB, emitido pelo CAS em favor da recorrente, conforme anteriormente demonstrado, apenas estabelece o requisito necessário para fruição da isenção do IPI em comento, mas não tem o efeito de ato de concessão da isenção, previsto no preceito legal em destaque. Dessa forma, por não atender tal condição, a imposição da multa ofício em questão não prescinde da comprovação do dolo ou da simulação do beneficiado, conforme exige o art. 155, I, do CTN. Além disso, a recorrente deixou de lançar o imposto devido nas correspondentes operações, conduta que se subsome perfeitamente a hipótese infracional definida no art. 80, I, da Lei 4.502/1964, com a redação da Lei 9.430/1996, a seguir transcrito: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto lançado ou o recolhimento após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória,sujeitará o contribuinte às seguintes multas de ofício: (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996)(Produção de efeito) I setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória; (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) [...] (grifos não originais) Por essas razões, deve ser mantida a cobrança da referida multa, conforme proposto no questionado auto de infração. Da Conclusão. Por todo o exposto, votase por não conhecer do recurso de ofício e conhecer do recurso voluntário, para rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, negar lhe provimento, para manter na íntegra a decisão recorrida. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 304DF CARF MF 18 Declaração de Voto Conselheira Lenisa Rodrigues Prado. Peço vênia ao brilhante relator para dele divergir em alguns aspectos. De acordo com a descrição dos fatos que integra o referido auto de infração, a fiscalização constatou que a autuada descumprira Processo Produtivo Básico (PPB) exigido para produção de unidades centrais de processamento. Segundo a fiscalização, mediante análise das estruturas de custo dos três principais produtos fabricados pela autuada no ano de 1998, constatou a utilização indevida, no processo industrial do produto “Conjunto Mini System, modelo NSXF12”, do subconjunto “Painel Frontal Montado”, importados já montados por meio das Declarações de Importação (DI) nºs 98/01664061, 98/03370030 e 98/03370065, fato que caracterizava o descumprimento do PPB, determinado para o produto, acarretando a perda do beneficio fiscal, estabelecido no Decretolei 288/1967. Ao se deparar com as imputações apresentadas pelo auditor fiscal, a contribuinte apresentou tempestiva impugnação, oportunidade na qual requereu a designação de perícia, para que fossem respondidos os quesitos: "1. Descrever detalhadamente o processo industrial procedido pela Impugnante; 2. Qual o valor do frete dos painéis encaixados para transporte e dos painéis totalmente desmontados? 3. Qual o valor da mãodeobra aplicada na montagem dos aparelhos e qual o seus valor final? 4. Qual a porcentagem do custo da mãodeobra aplicada na montagem dos painéis frontais em comparação com o total do custo da mãodeobra aplicada aos aparelhos? 5. Quantas pessoas eram empregadas na linha de produção dos painéis frontais? 6. Caso os painéis fossem importados totalmente desmontados, qual seria a demora no processo produtivo em decorrência dos defeitos a que estariam sujeitos as peças? 7. Caso a impugnante tivesse trazido os painéis montados, teria efetuado demissões ou deixado de efetuar os investimentos acordados com a Suframa? 8. Caso a impugnante tivesse trazido os painéis montados, haveria qualquer modificação nos treinamentos disponibilizados a seu pessoal? Algum outro requisito do projeto apresentado à Suframa não teria sido atendido? Especificar" (fls. 164/165 do autos eletrônicos grifos nossos). Os quesitos apresentados são coerentes com a defesa apresentada pela contribuinte, que afirma categoricamente que jamais descumpriu os requisitos do PPB; que importou os produtos encaixados para transporte (por motivos econômicos); que as regras emitidas pela Suframa não vedam a importação dos produtos encaixados para transporte; que Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10283.002703/200358 Acórdão n.º 3302004.114 S3C3T2 Fl. 297 19 os produtos importados eram submetidos a várias etapas de industrialização, conforme acordado. Deste modo, há se concluir que o pedido de perícia formulado pela contribuinte foi oportunamente apresentado e preencheu os requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto 70.235/1972. Passo a minha opinião, no que concerne a indispensabilidade da perícia requerida. O Anexo XI do Decreto n. 783/93 estabelece que o Processo Produtivo Básico dos aparelhos de áudio e vídeo compreende: "A. montagem e soldagem de todos os componentes nas placas de circuito impresso; B. montagem das partes elétricas e mecânicas, totalmente desagregadas, em nível de componente; C. integração das placas de circuito impresso e das partes elétricas e mecânicas na formação do produto final, montadas de acordo com os itens 'a' e 'b' acima, e; D. gestão da qualidade e produtividade do processo e do produto final envolvendo inicialmente, a inspeção de matérias primas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagem, o controle estatístico do processo, os ensaios e medições e a qualidade do produto final, ressalvado o disposto no artigo 2 deste Decreto" A observação a que se refere o item D acima transcrito se refere a permissão da: "(...) importação de placas de circuito impressos montadas, com seus componentes, até o limite anual de 18%, sendo que esse limite será calculado tomandose como 100% da quantidade de placas de circuitos impressos, de montagem nacional, utilizada pela empresa no ano imediatamente anterior". Ou seja, a norma que descreve o PPB prevê uma exceção, que corresponde a importação de 18% dos produtos montados. Esse percentual é calculado com base na quantidade de placas de circuitos impressos utilizados no ano anterior pela contribuinte. Ao que tudo indica, essa exceção é a comprovação que a Administração Pública reconhece que a importação de uma parcela dos produtos já montados equivale a importante redução dos custos de transporte. Considerando que (i) não há nos autos prova cabal que conteste a afirmação do contribuinte que os produtos foram importados encaixados para fins de redução dos custos de frete, e que (ii) a fiscalização não conseguiu apresentar provas que comprovassem que os produtos importados excedem a cota de 18% permitida para os produtos encaixados, entendo que a perícia oportuna e corretamente requerida pela contribuinte é essencial para o deslinde do processo. Fl. 306DF CARF MF 20 Adoto a conclusão da Conselheira Irene Torres, ao analisar recurso em muito semelhante ao que está sob julgamento, quando afirma que: "Os elementos probatórios que fundamentaram a autuação, na verdade, não se prestam para tal, visto não ter restado comprovado pela Fiscalização o efetivo descumprimento do PPB por parte do contribuinte. São meros indícios probatórios os registros constantes das Declarações de Importação. Entretanto, por si só, tais documentos não importam na sua comprovação do descumprimento do PPB pela recorrente, que poderia utilizar, na sua produção, até 18% de placas de circuitos internos importadas montadas sem que, com isso, descumprisse o PPB, conforme estabelecido na observação 2 do Anexo XI do Decreto n. 783, de 23/05/1993". (Acórdão n. 3202001.144, proferido pela 2ª Turma da 2ª Câmara em 27/02/2015). Diante do exposto, por ser impossível afirmar se os produtos foram importados dentro da exceção prevista na norma e se esses foram trazidos somente encaixados para fins de transporte (e não montados), entendo que a decisão recorrida é nula ao indeferir o pedido de perícia, por resultar em evidente cerceamento ao direito de defesa da contribuinte. (assinado digitalmente) Lenisa Rodrigues Prado Fl. 307DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.004894/2008-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 26 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2202-000.465
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por Ricardo Ono Hayama.
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann.
Nome do relator: Não se aplica
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1422; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 96 1 95 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.004894/200809 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2202000.465 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 13 de março de 2013 Assunto Sobrestamento Recorrente Ricardo Ono Hayama Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por Ricardo Ono Hayama. RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 04 89 4/ 20 08 -0 9 Fl. 530DF CARF MF Processo nº 19515.004894/200809 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.465 S2C2T2 Fl. 97 2 RELATÓRIO Tratase de Auto de Infração de fls. 416 a 424, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anoscalendário 2003 e 2004, lavrado contra o contribuinte acima identificado por omissão de rendimentos nas declarações dos exercícios correspondentes, fls. 04 a 11. Esclarece a autoridade administrativa no Termo de Verificação Fiscal, fls. 364/366, que a fiscalização foi reaberta em relação ao contribuinte acima identificado, mediante o Mandado n° 08.190.002008044014, fls. 01, como consequência da fiscalização a contribuinte Fumie Nagase Hayama. Aponta a Auditora Fiscal que tendo expedido intimação para que a contribuinte Fumie Nagase Hayama apresentasse extratos bancários relativos à movimentação financeira na conta corrente do Unibanco S/A, compareceram em 30/08/2007 perante a fiscalização sua filha Iolanda Hayama Osiro e seu cônjuge, informando o falecimento da fiscalizada em 25/08/07. Acrescenta que moravam juntos desde 2003 e que tanto eles como ela, desconheciam a existência de qualquer conta bancária movimentada no Unibanco. Informaram que a contribuinte permaneceu internada desde 11/05/2005, que apresentava déficit cognitivo e estava impossibilitada de exercer os atos da vida civil. Prosseguindo na descrição dos fatos, informa que foi emitida Requisição de Movimentação Financeira — RMF ao Unibanco S/A solicitando extratos bancários da fiscalizada e outros documentos como contrato de abertura de conta, cartão de assinaturas e eventual procuração a terceiro. Ao final foi constatado que o Sr. Ricardo Ono Hayama detinha procuração lhe outorgando amplos poderes para movimentar a conta fiscalizada. Diante dos fatos apurados, a fiscalização concluiu que a conta corrente 132822 5, na agência 474 do Unibanco S/A, tem como titular de fato o Sr. Ricardo Ono Hayama detentor dos recursosque nela transitaram. Prosseguindo em sua narrativa a Auditora informa que o procedimento teve início em 17/06/2008 com o envio do Termo de Intimação para que o contribuinte apresentasse documentação que comprovasse a origem dos recursos depositados na conta bancária em questão. Depois de reiteradas e infrutíferas intimações, sendo a última recebida em 04/08/2008, informa que o contribuinte não compareceu, portanto deixou de comprovar a origem dos créditos bancários, caracterizando a omissão de rendimentos nos anos calendários de 2003 e 2004 nos montantes de R$ 3.088.222,75 e R$ 7.372.377,16 respectivamente. Nas declarações de ajuste anual em ambos exercícios a renda tributável informada pelo contribuinte foi de R$ 14.000,00 Fl. 531DF CARF MF Processo nº 19515.004894/200809 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.465 S2C2T2 Fl. 98 3 Cientificado do lançamento o contribuinte ingressou, , com a impugnação de fls. (fls. 428/453). A 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo– DRJ/SPOII, negou provimento a impugnação, nos termos do acórdão 1730.118, de 19 de fevereiro de 2009. Devidamente cientificado dessa decisão, o Recorrente apresenta tempestivamente recurso voluntário. É o relatório. Fl. 532DF CARF MF Processo nº 19515.004894/200809 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.465 S2C2T2 Fl. 99 4 VOTO Conselheiro Pedro Anan Junior, Relator Ante de apreciar o recurso cabe discutir se o referido processo estaria sujeito a sobrestamento. Após análise pormenorizada dos autos entendo que cabe aqui sobrestamento de julgado feito de ofício pelo relator, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ocorre que está em Repercussão Geral pela utilização de dados obtidos com base em RMF. Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos artigos 5º, X, XII, XXXVI, LIV, LV; 145, § 1º; e 150, III, a, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial, bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. A constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais utilização de dados da CPMF e obtenção de informações junto às instituições através da RMF está sendo analisada pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramita em regime de repercussão geral, reconhecida em 22/10/09, conforme ementa abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL Fl. 533DF CARF MF Processo nº 19515.004894/200809 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.465 S2C2T2 Fl. 100 5 Conforme disposto no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256/09, devem ficar sobrestados os julgamentos dos recursos que versarem sobre matéria cuja repercussão geral tenha sido admitida pelo STF. O dispositivo há pouco referido vai ao encontro da segurança jurídica, da estabilidade e da eficiência, pois ao tempo em que assegura a coerência do ordenamento, confere utilidade à atividade judicante exercida no âmbito do CARF. Assim, reconhecida, pelo STF, a relevância constitucional de tema prejudicial à validade do procedimento utilizado na constituição do crédito tributário, deve ser sobrestado o julgamento do recurso no CARF. Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua consequência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as consequências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura ? Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro D IAS T OFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA ? PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA ? SIGILO DADOS BANCÁRIOS ? FISCO ? AFASTAMENTO ? ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 ? SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, Fl. 534DF CARF MF Processo nº 19515.004894/200809 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.465 S2C2T2 Fl. 101 6 concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): "ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO ? UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS ? IMPOSTO DE RENDA ? QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO ? PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 ? APLICAÇÃO IMEDIATA ? RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN ? PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO ? RECURSO ESPECIAL PROVIDO." Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus Fl. 535DF CARF MF Processo nº 19515.004894/200809 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.465 S2C2T2 Fl. 102 7 parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal ?discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Sendo assim, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09, ratificado pelas decisões acima transcritas, que retratam o quadro descrito pela Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Nesses termos, voto para que seja sobrestado o presente recurso, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314, pelo STF. Diante de todo o exposto, proponho o SOBRESTAMENTO do julgamento do presente Recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. Observandose que após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior Fl. 536DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.905043/2008-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004
RETENÇÃO NA FONTE POR ÓRGÃOS PÚBLICOS. COMPENSAÇÃO DOS VALORES RETIDOS COM DÉBITOS POSTERIORES.
O direito à compensação dos valores retidos por órgãos públicos quando de pagamentos efetuados pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, com débitos posteriores existe, mas antes é preciso que tais retenções na fonte, como antecipações das exações devidas no período a que se referem que são, sejam antes utilizadas como dedução dos impostos e contribuições referentes ao mesmo período-base de que fazem parte. Apenas o saldo eventualmente remanescente desta confrontação, é que é passível de compensação com débitos de períodos-base posteriores.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3401-003.648
Decisão: Por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso voluntário, acolhendo o colegiado os valores apurados na diligência, reconhecendo-os como pagamentos a maior.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson Bayerl (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, André Henrique Lemos e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2004 RETENÇÃO NA FONTE POR ÓRGÃOS PÚBLICOS. COMPENSAÇÃO DOS VALORES RETIDOS COM DÉBITOS POSTERIORES. O direito à compensação dos valores retidos por órgãos públicos quando de pagamentos efetuados pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, com débitos posteriores existe, mas antes é preciso que tais retenções na fonte, como antecipações das exações devidas no período a que se referem que são, sejam antes utilizadas como dedução dos impostos e contribuições referentes ao mesmo período-base de que fazem parte. Apenas o saldo eventualmente remanescente desta confrontação, é que é passível de compensação com débitos de períodos-base posteriores. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso voluntário, acolhendo o colegiado os valores apurados na diligência, reconhecendo-os como pagamentos a maior. ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson Bayerl (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, André Henrique Lemos e Tiago Guerra Machado.
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COMPENSAÇÃO DOS VALORES RETIDOS COM DÉBITOS POSTERIORES. O direito à compensação dos valores retidos por órgãos públicos quando de pagamentos efetuados pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, com débitos posteriores existe, mas antes é preciso que tais retenções na fonte, como antecipações das exações devidas no período a que se referem que são, sejam antes utilizadas como dedução dos impostos e contribuições referentes ao mesmo períodobase de que fazem parte. Apenas o saldo eventualmente remanescente desta confrontação, é que é passível de compensação com débitos de períodosbase posteriores. Recurso Voluntário Provido. Por unanimidade de votos, deuse provimento ao recurso voluntário, acolhendo o colegiado os valores apurados na diligência, reconhecendoos como pagamentos a maior. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson Bayerl (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, André Henrique Lemos e Tiago Guerra Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 50 43 /2 00 8- 86 Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10983.905043/200886 Acórdão n.º 3401003.648 S3C4T1 Fl. 3 2 Tratase de Pedido de Compensação de crédito de contribuição para a PIS, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior. A Delegacia da Receita Federal (DRF) proferiu Despacho Decisório indeferindo o pedido formulado, sob o fundamento de que o DARF discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade na qual alegou, em síntese, que: (i) a não identificação do DARF está associada ao fato de que o recolhimento é uma consolidação das retenções na fonte relativas a quatro exações distintas (IRPJ, CSL, COFINS e PIS), e que a DCOMP, ao incluir os dados relativos ao DARF, segregou o valor retido referente a cada uma destas exações; (ii) não se utilizou das retenções para deduzilas das contribuições devidas relativas aos períodosbase a que se referem, porque só percebeu que a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) vinha efetuando tais retenções posteriormente; como já havia anteriormente adimplido as contribuições devidas relativas a estes períodosbase, só lhe restou a utilização daqueles valores retidos e não contemporaneamente deduzidos, para a compensação de débitos posteriores; (iii) está acobertado pelo artigo 74 da Lei n° 9.430/1996, razão pela qual entende que o Despacho Decisório deve ser revisado, com a conseqüente homologação da compensação declarada. Foi proferido Acórdão DRJ julgando improcedente a manifestação de inconformidade interposta, de maneira a não reconhecer o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 RETENÇÃO NA FONTE POR ÓRGÃOS PÚBLICOS. COMPENSAÇÃO DOS VALORES RETIDOS COM DÉBITOS POSTERIORES. O direito à compensação dos valores retidos por órgãos públicos quando de pagamentos efetuados pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, com débitos posteriores existe, mas antes é preciso que tais retenções na fonte, como antecipações das exações devidas no período a que se referem que são, sejam antes utilizadas como dedução dos impostos e contribuições referentes ao mesmo períodobase de que fazem parte. Apenas o saldo eventualmente remanescente desta confrontação, é que é passível de compensação com débitos de períodosbase posteriores. A contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando as razões veiculadas em sua manifestação de inconformidade, em especial que a retenção é uma forma de pagamento, e afirmou, ainda, nunca ter utilizado o valor da retenção para fins de redução do saldo a pagar da Contribuição devida. Após encaminhamento e distribuição a este Conselho, resolveram os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, proferindo, assim, Resolução CARF para que a unidade local se pronunciasse acerca da existência de DCTF retificadora e sobre o seu acatamento ou não, bem como sobre a existência ou não de pagamento a maior realizado pela contribuinte. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10983.905043/200886 Acórdão n.º 3401003.648 S3C4T1 Fl. 4 3 A unidade, em resposta à diligência formulada, concluiu, em síntese, que verificouse a ilegitimidade ad causam da contribuinte; e que não foi verificada a existência de pagamento a maior no período de apuração analisado. O processo foi encaminhado a este Conselho, e resolveram os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter novamente o julgamento em diligência, proferindo, assim, Resolução CARF nº 3401000.605 para conceder prazo para a contribuinte sanar a irregularidade na sua representação processual, bem como se manifestar acerca da resposta formulada em sede de diligência. A unidade realizou nova resposta à diligência, na qual informa ter constatado "(...) a existência de retenção em benefício da recorrente, equivalente à quantia de R$ 10.629,34(código 6147)1, a qual foi realizada pela fonte pagadora Universidade Federal de Santa Catarina (CNPJ 83.899.526/000182), ..., o qual foi obtido por meio de diligência outrora realizada por esta Unidade junto àquela fonte pagadora", e reforçou o entendimento, na mesma oportunidade, de se tratar de crédito inidôneo para fins de compensação, por falta de amparo legal. Em manifestação sobre a diligência, a contribuinte apontou a informação prestada pela autoridade fiscal no sentido de que a empresa de fato teria deixado de se valer da faculdade de dedução do valor relativo à PIS retido na fonte, no montante mencionado, e mencionou, ainda, que a diligência, ao defender que a retenção não pode ser considerada como uma modalidade de pagamento indevido, adentra inadvertidamente a matéria de mérito em momento inoportuno. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.637 de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10983.901975/200850, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3401003.637): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10983.905043/200886 Acórdão n.º 3401003.648 S3C4T1 Fl. 5 4 A questão se resume (i) à comprovação, em primeiro lugar, da afirmação da contribuinte recorrente de que adimpliu as parcelas referentes à Cofins sem antes deduzir os respectivos valores retidos pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), bem como do quantum retido e não utilizado, e (ii) à resposta à indagação, em segundo lugar, sobre se as retenções na fonte podem ou não ser consideradas "pagamento indevido" ou a maior e, logo, se são ou não suscetíveis de compensação posterior. Quanto à primeira questão, destacamse, da segunda diligência efetuada, os seguintes trechos: "(...) a existência de retenção em benefício da recorrente, equivalente à quantia de R$ 17.281,96 (código 6147), a qual foi realizada pela fonte pagadora Universidade Federal de Santa Catarina (CNPJ 83.899.526/000182), consoante o documento de fls. 146, o qual foi obtido por meio de diligência outrora realizada por esta Unidade junto àquela fonte pagadora. (...) Em consulta aos Sistemas da RFB, notadamente o DIPJ, verificase que a recorrente teria, de fato, deixado de se valer da faculdade de dedução do valor relativo ao PIS/PASEP retido na fonte, nos termos do art. 64, § 3º, da Lei nº 9430/1996, consoante se verifica da Ficha 19a,/Linha 20 – Cálculo do PIS/PASEP (junho/2001), extraído da DIPJ 2002 (entregue à RFB na data de 29/03/2007) – fls. 149" (seleção e grifos nossos). Entendemos que os obstáculos procedimentais, em especial aqueles relativos ao fato de não ter a contribuinte procedido à entrega de DCTF retificadora mencionado pela segunda diligência, possam ser plenamente superáveis caso se comprove a existência efetiva de valores recolhidos a maior, o que de todo modo foi feito por meio da diligência realizada, em conformidade com os trechos acima transcritos, restando, assim, comprovada a alegação de fato da contribuinte. Quanto à segunda questão, de maneira a melhor colocála, o que se discute no presente caso é se houve ou não o recolhimento a maior; neste sentido, descabe se aventar se o valor a ser restituído é proveniente da retenção, pois esta era devida: indevido foi o recolhimento por parte da contribuinte, que, por lapso, deixou de deduzir o valor retido. Assim, nos termos do art. 64 da Lei nº 9.430/1996, acresce à fundamentação da contribuinte o fato de que todos os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal se sujeitam à incidência, na fonte do IRPJ, da CSL, da Cofins e do PIS/PASEP, sendo que o "valor retido" é, de um lado, nos termos do § 2º do dispositivo legal, levado a crédito da respectiva conta de receita da União Federal, e, de outro, nos termos do § 3º, é considerado como antecipação do que for devido pela contribuinte em relação ao mesmo imposto e às mesmas contribuições. Assim, assiste razão ao despacho decisório quando menciona que a contribuinte não observou a forma adequada para a realização da compensação, i.e., apontar como a origem do crédito o pagamento indevido, mas a retenção realizada pela Universidade Federal de Santa Catarina. Tal inobservância, no entanto, merece ser superada uma vez constatada a existência do crédito, conforme apontado pela diligência efetuada. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10983.905043/200886 Acórdão n.º 3401003.648 S3C4T1 Fl. 6 5 Neste sentido, ademais, vem decidindo este Conselho, como no Acórdão CARF nº 3401002.805, proferido em sessão de 11/11/2014, de relatoria do Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça, que julgou procedente, por unanimidade de votos, o recurso voluntário interposto pela mesma contribuinte do presente caso, em sessão da qual participaram, além do relator, os conselheiros Júlio César Alves Ramos (presidente), Robson José Bayerl, Ângela Sartori, Eloy Eros da Silva e Bernardo Leite de Queiroz Lima, e cuja ementa abaixo se transcreve: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2002 PIS. VALOR RETIDO NA FONTE POR ENTIDADE PÚBLICA. NÃO UTILIZAÇÃO PARA DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO. O valor referente à retenção na fonte do PIS por entidade pública e não utilizado pelo contribuinte para dedução do valor devido pode ser posteriormente utilizado para compensar outros débitos. Não obstante, conforme também já decidido por este Conselho em inúmeros casos desta mesma contribuinte, fixase desde já, com a finalidade de se evitar a prorrogação indefinida deste contencioso, que a correção monetária dos valores a maior deverá ser calculada a partir do pagamento indevido, ou seja, jamais a partir do momento da retenção (devida), mas sim a partir do dies a quo do lapso do recolhimento sem a dedução realizado pela empresa, em conformidade com a ementa abaixo transcrita do Acórdão CARF nº 3401002.120, proferido em sessão de 31/01/2013, por unanimidade de votos, e de relatoria do Conselheiro Odassi Guerzoni Filho: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 20/08/2002 PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. RETENÇÃO NA FONTE FEITA POR ÓRGÃO PÚBLICO. DEDUÇÃO LEGAL DO VALOR DEVIDO NÃO EXERCIDA. CARACTERIZAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA A PARTIR DO PAGAMENTO E NÃO DA RETENÇÃO. Caracterizase como “pagamento indevido ou a maior” a parcela correspondente ao valor da retenção na fonte feita por órgão publico sobre o valor das receitas auferidas, retenção essa que, por lapso da empresa que sofreu a retenção, deixou de ser utilizada na época correspondente para reduzir o valor da contribuição devida. De outra parte, a atualização monetária do valor reconhecido como pago a maior deve levar em conta a data do recolhimento/pagamento” da contribuição, e não a data em que houve a retenção. Recurso Voluntário Provido em Parte. Assim, voto por conhecer e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o crédito no valor de R$ 17.281,96, de modo a acolher os exatos e precisos termos, quanto à apuração dos esclarecimentos de fato, da diligência realizada, devendo ser a correção monetária realizada a partir do efetivo pagamento indevido, e não do momento da retenção." Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10983.905043/200886 Acórdão n.º 3401003.648 S3C4T1 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer o crédito no valor de R$ 10.629,34, de modo a acolher os exatos e precisos termos, quanto à apuração dos esclarecimentos de fato, da diligência realizada, devendo ser a correção monetária realizada a partir do efetivo pagamento indevido, e não do momento da retenção. assinado digitalmente. Rosaldo Trevisan Relator Fl. 180DF CARF MF
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Numero do processo: 15540.000806/2008-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004
ERRO MATERIAL. CONSTATAÇÃO NAS RAZÕES DE RECURSO ESPECIAL INTERPOSTO PELA FAZENDA NACIONAL. RECEPÇÃO DO RECURSO COMO EMBARGOS INOMINADOS PARA CORREÇÃO DA CONTRADIÇÃO APONTADA.
O recurso especial interposto pela Fazenda Nacional que aponta a existência de erro material no acórdão recorrido deverá ser recepcionado como embargos inominados, nos termos do art. 66 do RICARF, para correção do vício.
SÚMULA 437 DO TST.INTERVALO INTRAJORNADA PARA REPOUSO E ALIMENTAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 71 DA CLT (conversão das Orientações Jurisprudenciais nºs 307, 342, 354, 380 e 381 da SBDI1) Res. 185/2012, DEJT divulgado em 25, 26 e 27.09.2012
Na forma do item II da Súmula n° 437 do TST, é inválida cláusula de acordo ou convenção coletiva de trabalho contemplando a supressão ou redução do intervalo intrajornada porque este constitui medida de higiene, saúde e segurança do trabalho, garantido por norma de ordem pública (art. 71 da CLT e art. 7º, XXII, da CF/1988), infenso à negociação coletiva. Releva observar o item III da referida súmula que assevera que possui natureza salarial a parcela prevista no art. 71, § 4º, da CLT, com redação introduzida pela Lei nº 8.923, de 27 de julho de 1994, quando não concedido ou reduzido pelo empregador o intervalo mínimo intrajornada para repouso e alimentação, repercutindo, assim, no cálculo de outras parcelas salariais.
Numero da decisão: 2301-004.992
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional como embargos inominados e, nessa qualidade, dar-lhe provimento com o objetivo de reconhecer a existência de contradição na parte dispositiva do acórdão embargado, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Andréa Brose Adolfo Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Fábio Piovesan Bozza Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício), Júlio César Vieira Gomes, Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Alexandre Evaristo Pinto, Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: FABIO PIOVESAN BOZZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 ERRO MATERIAL. CONSTATAÇÃO NAS RAZÕES DE RECURSO ESPECIAL INTERPOSTO PELA FAZENDA NACIONAL. RECEPÇÃO DO RECURSO COMO EMBARGOS INOMINADOS PARA CORREÇÃO DA CONTRADIÇÃO APONTADA. O recurso especial interposto pela Fazenda Nacional que aponta a existência de erro material no acórdão recorrido deverá ser recepcionado como embargos inominados, nos termos do art. 66 do RICARF, para correção do vício. SÚMULA 437 DO TST.INTERVALO INTRAJORNADA PARA REPOUSO E ALIMENTAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 71 DA CLT (conversão das Orientações Jurisprudenciais nºs 307, 342, 354, 380 e 381 da SBDI1) Res. 185/2012, DEJT divulgado em 25, 26 e 27.09.2012 Na forma do item II da Súmula n° 437 do TST, é inválida cláusula de acordo ou convenção coletiva de trabalho contemplando a supressão ou redução do intervalo intrajornada porque este constitui medida de higiene, saúde e segurança do trabalho, garantido por norma de ordem pública (art. 71 da CLT e art. 7º, XXII, da CF/1988), infenso à negociação coletiva. Releva observar o item III da referida súmula que assevera que possui natureza salarial a parcela prevista no art. 71, § 4º, da CLT, com redação introduzida pela Lei nº 8.923, de 27 de julho de 1994, quando não concedido ou reduzido pelo empregador o intervalo mínimo intrajornada para repouso e alimentação, repercutindo, assim, no cálculo de outras parcelas salariais.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 ERRO MATERIAL. CONSTATAÇÃO NAS RAZÕES DE RECURSO ESPECIAL INTERPOSTO PELA FAZENDA NACIONAL. RECEPÇÃO DO RECURSO COMO EMBARGOS INOMINADOS PARA CORREÇÃO DA CONTRADIÇÃO APONTADA. O recurso especial interposto pela Fazenda Nacional que aponta a existência de erro material no acórdão recorrido deverá ser recepcionado como embargos inominados, nos termos do art. 66 do RICARF, para correção do vício. SÚMULA 437 DO TST.INTERVALO INTRAJORNADA PARA REPOUSO E ALIMENTAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 71 DA CLT (conversão das Orientações Jurisprudenciais nºs 307, 342, 354, 380 e 381 da SBDI1) Res. 185/2012, DEJT divulgado em 25, 26 e 27.09.2012 Na forma do item II da Súmula n° 437 do TST, é inválida cláusula de acordo ou convenção coletiva de trabalho contemplando a supressão ou redução do intervalo intrajornada porque este constitui medida de higiene, saúde e segurança do trabalho, garantido por norma de ordem pública (art. 71 da CLT e art. 7º, XXII, da CF/1988), infenso à negociação coletiva. Releva observar o item III da referida súmula que assevera que possui natureza salarial a parcela prevista no art. 71, § 4º, da CLT, com redação introduzida pela Lei nº 8.923, de 27 de julho de 1994, quando não concedido ou reduzido pelo empregador o intervalo mínimo intrajornada para repouso e alimentação, repercutindo, assim, no cálculo de outras parcelas salariais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional como embargos inominados e, nessa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 08 06 /2 00 8- 23 Fl. 194DF CARF MF 2 qualidade, darlhe provimento com o objetivo de reconhecer a existência de contradição na parte dispositiva do acórdão embargado, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Andréa Brose Adolfo – Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício), Júlio César Vieira Gomes, Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Alexandre Evaristo Pinto, Maria Anselma Coscrato dos Santos. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, o qual foi recebido como embargos inominados pela Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção (despacho de admissibilidade às fls. 191), fundados no art. 66 do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF nº 343/2015), com o intuito de corrigir supostas inexatidões materiais devidas a lapso manifesto, existentes no acórdão nº 2403002.920, de 10/02/2015. Referido julgado possui as seguintes ementa e parte dispositiva (grifos nossos): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 AUXÍLIO UNIFORME. CUSTEIO. Não integra o salário de contribuição o valor correspondente a vestuário fornecido ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços. SÚMULA 437 DO TST.INTERVALO INTRAJORNADA PARA REPOUSO E ALIMENTAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 71 DA CLT (conversão das Orientações Jurisprudenciais nºs 307, 342, 354, 380 e 381 da SBDI1) Res. 185/2012, DEJT divulgado em 25, 26 e 27.09.2012 Na forma do item II da Súmula n° 437 do TST, é inválida cláusula de acordo ou convenção coletiva de trabalho contemplando a supressão ou redução do intervalo intrajornada porque este constitui medida de higiene, saúde e segurança do trabalho, garantido por norma de ordem pública (art. 71 da CLT e art. 7º, XXII, da CF/1988), infenso à negociação coletiva. Releva observar o item III da referida súmula que assevera que possui natureza salarial a parcela prevista no art. 71, § 4º, da CLT, com redação introduzida pela Lei nº 8.923, de 27 de julho de 1994, quando não concedido ou reduzido pelo empregador o Fl. 195DF CARF MF Processo nº 15540.000806/200823 Acórdão n.º 2301004.992 S2C3T1 Fl. 195 3 intervalo mínimo intrajornada para repouso e alimentação, repercutindo, assim, no cálculo de outras parcelas salariais. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, a) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar a exclusão dos valores pagos a titilo de Auxilio Uniforme (Levantamento IU RUBRICA INDENIZAÇÃO UNIFORME), b) por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para manter a Indenização Hora Refeição (Levantamento HR RUBRICA HORA REFEIÇÃO). Vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães(relator) e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro; c) por maioria de votos, determinar o recálculo da multa de mora do saldo remanescente, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza. Aduz a Embargante a existência de erro material na parte dispositiva do acórdão no trecho em que declara que a turma acordou, “b) por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para manter a Indenização Hora Refeição (Levantamento HRRUBRICA HORA REFEIÇÃO). Vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães (relator) e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro”, tendo sido designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza. De acordo com a Embargante, a turma teria, na verdade, negado provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Para provar o alegado, ela confronta o teor do voto vencido do conselheiro relator Marcelo Magalhães Peixoto com o teor do voto vencedor do conselheiro redator Ivacir Júlio de Souza. É o relatório. Fl. 196DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Fábio Piovesan Bozza Com razão a ora Embargante. Enquanto o voto vencido do conselheiro relator Marcelo Magalhães Peixoto foi por afastar a incidência da contribuição previdenciária no item que trata da verba denominada “indenização intrajornada”, o voto vencedor do conselheiro redator Ivacir Júlio de Souza foi por manter a referida incidência. Aliás, a redação da parte dispositiva do acórdão embargado já prenunciava tal conclusão ao “manter a Indenização Hora Refeição (Levantamento HRRUBRICA HORA REFEIÇÃO)”. Conclusão Em face do exposto, voto por conhecer o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional como embargos inominados e, nessa qualidade, darlhe provimento com o objetivo de reconhecer a existência de contradição na parte dispositiva do acórdão embargado, cuja redação passa a ser a seguinte: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, a) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar a exclusão dos valores pagos a titilo de Auxilio Uniforme (Levantamento IU RUBRICA INDENIZAÇÃO UNIFORME), b) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso para manter a Indenização Hora Refeição (Levantamento HR RUBRICA HORA REFEIÇÃO). Vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães(relator) e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro; c) por maioria de votos, determinar o recálculo da multa de mora do saldo remanescente, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza. É como voto. Fábio Piovesan Bozza – Relator. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 15540.000806/200823 Acórdão n.º 2301004.992 S2C3T1 Fl. 196 5 Fl. 198DF CARF MF
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Numero do processo: 10976.000752/2009-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2007
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I.
CONTRIBUIÇÃO A CARGO DO SEGURADOS.
A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições a cargo dos segurados, mediante descontos nas respectivas remunerações, e efetuar os recolhimentos no prazo legal.
AUXÍLIO-EDUCAÇÃO. BENEFÍCIO. CURSO SUPERIOR RELACIONADO ÀS ATIVIDADES DA EMPRESA. NÃO INCIDÊNCIA.
O custeio de curso superior relacionado às atividades desenvolvidas pela empresa, ainda que não disponibilizado a todos os segurados, é isento da contribuição previdenciária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - TAXA SELIC - APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
Nos termos da Súmula CARF n° 4, a partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2201-003.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o recurso voluntário para, no mérito, dar-lhe provimento parcial nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: Relator
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. CONTRIBUIÇÃO A CARGO DO SEGURADOS. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições a cargo dos segurados, mediante descontos nas respectivas remunerações, e efetuar os recolhimentos no prazo legal. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. BENEFÍCIO. CURSO SUPERIOR RELACIONADO ÀS ATIVIDADES DA EMPRESA. NÃO INCIDÊNCIA. O custeio de curso superior relacionado às atividades desenvolvidas pela empresa, ainda que não disponibilizado a todos os segurados, é isento da contribuição previdenciária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO TAXA SELIC APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Nos termos da Súmula CARF n° 4, a partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 6. 00 07 52 /2 00 9- 43 Fl. 611DF CARF MF Processo nº 10976.000752/200943 Acórdão n.º 2201003.623 S2C2T1 Fl. 612 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o recurso voluntário para, no mérito, darlhe provimento parcial nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, Acórdão 0232.558 da 8ª Turma, que julgou a impugnação procedente em parte, reconhecendo a decadência do período compreendido entre 03 e 11/2004 com base no artigo 173, I do CTN, em razão da ausência de recolhimentos. A autuação foi assim sintetizada no relatório do acórdão recorrido: Tratase de Auto de Infração lavrado pela fiscalização contra a empresa acima identificada, no montante de R$ 636.887,07, nas competências 03/2004 a 12/2007, consolidado em 23/12/2009. Conforme informado no Relatório Fiscal de fls.392/422, o crédito lançado referese à contribuição social destinada à Seguridade Social, correspondente à parte da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidente sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais, conforme discriminado na planilha de fls. 425/501. Foram efetuados os seguintes levantamentos: PR1 PRÊMIO A SEGURADOS — 11/2005 a 05/2006, 07/2006 a 12/2007 —contribuições incidentes sobre pagamento realizado a titulo de Prêmio a segurados empregados (cartão premiação) por intermédio de empresa prestadora de serviço especializada na área de marketing promocional (Incentive Fl. 612DF CARF MF Processo nº 10976.000752/200943 Acórdão n.º 2201003.623 S2C2T1 Fl. 613 3 House S/A), apuradas com base nos lançamentos contábeis, notas fiscais e folhas de pagamento. Apesar de intimada, a empresa deixou de discriminar os valores pagos a titulo de Programa de Estimulo ao Aumento de Produtividade, por segurado e por competência, correlacionandoos com as respectivas Notas Fiscais/Faturas, bem como quanto a natureza dos serviços prestados pelos referidos segurados e do vinculo com a empresa. Pelo não atendimento dos esclarecimentos solicitados, a multa aplicada neste levantamento foi agravada em 50%, nos termos do inciso I, do §2° do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996. PL1 PRO LABORE A SÓCIOS — 03/2004 a 12/2007 contribuições incidentes sobre pagamento realizado a segurados contribuinte individuais, apuradas com base nos lançamentos contábeis e folhas de pagamento. C11, C21 PAGAMENTO A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS 01/2005, 05/2005, 07/2005, 09/2005 a 12/2005 contribuições incidentes sobre pagamento realizado a segurados contribuinte individuais, apuradas com base nos lançamentos contábeis e folhas de pagamento. F11, F21, F31 e F41 FRETES A CONTRIB INDIVIDUAIS 11/2004 a 09/2005, /2005 e 12/2005 contribuições incidentes sobre pagamento realizado a segurados contribuinte individuais, apuradas com base nos lançamentos contábeis e folhas de pagamento. AB1 ABONO CCT 2007, 2009 FILIAL 08 — 06/2004 e 08/2006 contribuições incidentes sobre pagamento realizado a titulo de Abono CCT 2007/2009 Filial 08 — código 70, da Folha de Pagamento. Dos Acordos Coletivos apresentados, o único que faz menção ao Abono é a CCT celebrada entre o SINDICOMERCIO e o SECTEO/CF para os anos de 2007/2009. Contudo os valores a titulo de Abono pagos a segurados lotados na Matriz em Contagem/MG e na Filial de Ribeirão das Neves/MG, nos exercícios de 2004 e 2006, não se vinculam ao acordo coletivo apresentado A fiscalização 6) ED1 — REEMBOLSO CONTRATO N PAIVA — 01/2005 a 01/2007 contribuições incidentes sobre valores pagos a titulo de Reembolso Contrato Newton Paiva — código 194, da Folha de Pagamento. Ficou comprovado que a autuada efetuada pagamento das faturas ao Instituto Cultural Newton Ferreira Paiva Ltda e, posteriormente, descontava o valor das faturas, mediante rateio, aos beneficiários, conforme código de desconto 193 — Contrato Newton Paiva, da Folha de Pagamento e simultaneamente promovia o reembolso de parte do valor descontado através do ressarcimento código de provento 194 — Fl. 613DF CARF MF Processo nº 10976.000752/200943 Acórdão n.º 2201003.623 S2C2T1 Fl. 614 4 Reembolso Contrato Newton Paiva, correspondendo a aproximadamente 30% do valor da mensalidade. Sobe tais valores incide contribuição, pois se referem a pagamento de curso superior em Gestão de Varejo, não estando, portanto incluído no rol de exclusão/não incidência da Lei n°8.212/91, art.28, §9°, bem como não havia previsão, regulamento ou norma na empresa para concessão do beneficio, restando comprovada sua exclusividade a determinados segurados empregados e sua não extensividade a todos os empregados e dirigentes. CO1 — PAGAMENTO A COOPERATIVAS — 01/2005 a 03/2005, 05/2005, 12/2005 contribuições incidentes sobre pagamento realizado a cooperativas de trabalho. RA a RM — RETENÇÃO NÃO EFET NF FATURA — 09/2004 a 12/2005 — retenção incidente sobre o valor bruto das notas fiscais e faturas ou recibos de prestação de serviços. MA a MP — RETENÇÃO A MENOR NF FAT — 12/2004, 01/2005, 03/2005 a 08/2005, 10/2005, 11/2005, 01/2006 — retenção incidente sobre o valor bruto das notas fiscais e faturas ou recibos de prestação de serviços. S1 — RETENÇÃO NÃO EFET RECIBO — 11/2004 a 06/2005 retenção incidente sobre o valor bruto das notas fiscais e faturas ou recibos de prestação de serviços. S2 — RETENÇÃO NÃO EFET NF SGO — 08/2004 a 09/2005, 12/2005, 01/2006 —retenção incidente sobre o valor bruto das notas fiscais e faturas ou recibos de prestação de serviços. A interessada foi cientificada da presente autuação em 11/01/2010 (Aviso de Recebimento — AR de fl.1611), e apresentou defesa de fls.1615/1663, erri 10/02/2010 (data de postagem dos correios — envelope de fl.1614). Contudo, em 01/03/2010, conforme Requerimento de Desistência de Impugnação (fls.2125/2126), o contribuinte desistiu parcialmente da defesa apresentada, para inclusão das contribuições discriminadas nas planilhas de fls.2127/2136 no parcelamento especial previsto na Lei n° 11.941/2009. Os autos foram, então, encaminhados A. Delegacia da Receita Federal do Brasil em Contagem, para as providencias relacionadas ao parcelamento (despachos de fls.2148 e 2151). Assim, o presente auto foi desmembrado, conforme documentos de fls.2158/2226, permanecendo no mesmo apenas a parte "controversa" das contribuições lançadas. Ou seja, parte do débito da qual o contribuinte desistiu de impugnar foi transferida para outro processo (AI DEBCAD no 37.329.6037), que foi incluído em parcelamento, conforme despacho de fls.2228/2229. Fl. 614DF CARF MF Processo nº 10976.000752/200943 Acórdão n.º 2201003.623 S2C2T1 Fl. 615 5 Foram transferidas para o AI DEBCAD n° 37.329.6037 as contribuições lançadas nas competências 01/2005 a 12/2007, referentes aos levantamento: PL1 — PRO LABORE A SÓCIOS, PR1 — PREMIO A SEGURADOS, C11, C21 — PAGAMENTO A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS, CO1 — PAGAMENTO A COOPERATIVAS e F11, F21, F41 — FRETES A CONT.INDIVIDUAIS. Permaneceram os seguintes levantamentos/competências: PL1— PRO LABORE A SÓCIOS — 03/2004 a 12/2004 F21, F31 e F41 FRETES A CONTRIB INDIV. 11/2004 e 12/2004 AB1 — ABONO CCT 2007, 2009 FILIAL 08 — 06/2004, 08/2006 ED1 — REEMBOLSO CONTRATO NPAIVA — 01/2005 a 01/2007 RA a RM — RETENÇÃO NÃO EFET NF FATURA — 09/2004 a 12/2005 MA a MP — RETENÇÃO A MENOR NF FAT — 12/2004, 01/2005, 03/2005 a 08/2005, 10/2005, 11/2005, 01/2006 S1 — RETENÇÃO NÃO EFET RECIBO — 11/2004 a 06/2005 S2 — RETENÇÃO NÃO EFET NF SGO — 08/2004 a 09/2005, 12/2005, 01/2006 0 contribuinte foi cientificado do desmembramento, conforme Comunicado de fl.2230 e copia de Aviso de Recebimento de fl.2231. O Relatório Fiscal informa que a recorrente não prestou todos os esclarecimentos e informações solicitados pelo Fisco e também a sistemática adotada em razão dessa falta. Tendo em vista os esclarecimentos prestados de forma deficiente e inconclusa, ou seja, em momento algum a empresa CEMA CENTRAL MINEIRA ATACADISTA LTDA, não se empenha em prestar as informações basilares elencadas nos TIF's nos. 004 e 009/2009: discriminar os valores pagos a titulo de PROGRAMA DE ESTIMULO AO AUMENTO DE PRODUTIVIDADE, por segurado e por competência, correlacionandoos com as respectivas Notas Fiscais/Faturas, bem como quanto a natureza dos serviços prestados pelos referidos segurados e do vinculo com a empresa, restou comprovado o não atendimento da prestação de todos os esclarecimentos e informação solicitados pela Fiscalização, a teor dos §§ 1°.e 3 0, do art. 33, da Lei n° 8.212/91. Para a apuração das contribuições previdenciárias devidas, a Fiscalização embasouse nas Notas Fiscais/Faturas apresentadas em resposta ao TIF 003/2009, de 31/03/2009, tomando, tão somente, como saláriodecontribuição os valores brutos pagos a titulo de PROGRAMA DE ESTIMULO AO AUMENTO DE PRODUTIVIDADE, expurgando os valores contidos nos referidos documentos, tais como: comissão sobre serviços e tarifas adicionais, e, elaborando o Anexo: PR— PREMIO A SEGURADOS, integrante do presente Relatório do Auto de Infração. Fl. 615DF CARF MF Processo nº 10976.000752/200943 Acórdão n.º 2201003.623 S2C2T1 Fl. 616 6 —O Anexo PR/período: 11/2005 a 12/2007, discrimina, mês a mês, os valores devidos relativamente aos saláriosde contribuição e contribuição previdenciária dos segurados empregados, originários da rubrica: PREMIO A SEGURADOS, e, pagos através do PROGRAMA ESTIMULO AUMENTO PRODUTIVIDADE da empresa prestadora INCENTIVE HOUSE S/A. — Pelo fato de não terem sido identificados os segurados empregados foi aplicado a alíquota mínima de 8%(oito) por cento) relativa a contribuição previdenciária do segurado empregado conforme demonstrado no Anexo: PR— PREMIO A SEGURADO, nos termos do art. 33, da Lei 8.212/91. A contabilização dos valores pagos a titulo PREMIO A SEGURADO, com o lançamento das Notas Fiscais/Faturas emitidas pela INCENTIVE HOUSE S/A, na conta contábil 2795 — 5.1.01.07.0032 — OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS, ensejou a lavratura do AI — AUTO DE INFRAÇÃO — DEBCAD: 37.211.7686; Constatouse, ainda, que a CEMA CENTRAL MINEIRA ATACADISTA LTDA, deixou de incluir em suas Folhas de Pagamento os pagamentos efetuados a segurados empregados, à titulo de PREMIO A SEGURADO, através do PROGRAMA ESTIMULO AUMENTO PRODUTIVIDADE por intermédio de empresa prestadora de serviço de marketing promocional, bem como deixou de descontar e arrecadar as contribuições devidas pelos segurados na forma da legislação, motivos pelos quais foram lavrados os Al — AUTOS DE INFRAÇÃO —DEBCAD’s : 37.211.7678 e37.211.7708, respectivamente. 3.1.1.10 — Pelo não atendimento de esclarecimentos pleno demonstrado nos itens 3.11.4 a 31.1.6 retro, inclusive o não atendimento a reiteração dos esclarecimentos pela Fiscalização, nos prazos estabelecidos, foi lavrado o AI —AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD: 37.211.7694, e, restou, ainda, a caracterização da aplicabilidade da multa de lançamento de oficio preconizada no inciso I e § 20 do artigo 44 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, para o fato gerador apurado mediante a elaboração do Anexo: PR PREMIO A SEGURADO. 3.1.1.11. A Fiscalização cotejando as folhas de pagamentos e resumos, e, GPS — Guias de Recolhimento da Previdência fornecidas pela empresa e registros próprios da RFB constatou que as contribuições devidas à Seguridade Social relativa à parte patronal não foram recolhidas ou parceladas, razão pela qual apurouse de plano o crédito previdenciário. Inconformada com a decisão da qual foi cientificada em 13/07/2011, a recorrente apresentou recurso voluntário, tempestivamente, em 11/08/2011, onde alega, em síntese, que: Impossibilidade da incidência das contribuições previdenciárias sobre marketing de incentivo. Fl. 616DF CARF MF Processo nº 10976.000752/200943 Acórdão n.º 2201003.623 S2C2T1 Fl. 617 7 Retenção do pró labore dirigentes não são contribuintes obrigatórios e o fisco não pode exigir a retenção e recolhimento por parte da empresa sem verificar se os próprios contribuintes (pessoas físicas) já efetuaram os recolhimentos. Anexa cópias das GPS’s recolhidas . Abono previsto em convenção coletiva. Ocorreu simples equívoco ma utilização de código para a folha de pagamento da recorrente, o que está registrado como abono é reembolso (“não há como se comprovar, mediante documentos ou quaisquer outros meios probatórios que o equívoco ocorreu. Tal fato pode ser facilmente constatado quando a recorrente respondeu à intimação entregando as folhas de pagamento, como dito acima”). Impossibilidade de tributação de verbas pagas a título de educação e formação profissional Reembolso Contrato Newton Paiva. O curso foi oferecido a todos, mas apenas alguns se interessaram, fato que ocorre normalmente em qualquer empresa. O fato de a bolsa ser parcial (30%) contribuiu para esse fato. Tributação de cooperativas inconstitucionalidade.. Retenção cessão de mão de obra/empreitada: Inexistência da obrigação de reter contrato de administração de obra (SGO Construções LTDA). Todos funcionários que trabalharam diretamente na obra são empregados da própria recorrente, submetidos ao controle da SGO. SGO recolheu a totalidade das contribuições por ela devidas. Caso persista o lançamento configuraria caso de duplicidade de tributação. Exigências indevidas de retenção locação de equipamentos e instalação de antena coletiva. Retenções não computadas pela fiscalização. Cumulação de penalidades. Princípios da vedação ao confisco e capacidade contributiva Penalidades. Princípio da proporcionalidade/razoabilidade Penalidades. Impossibilidade da aplicação da multas agravada. SELIC. O julgamento foi convertido em diligência, através da Resolução nº 2403 000.090 4a Câmara / 3a Turma Ordinária (fls. 2402/2411), que foi exarada nos seguintes termos: Inicialmente, cumpre ressaltar, conforme relatado, que o sujeito passivo desistiu parcialmente da defesa apresentada e incluiu em parcelamento as contribuições lançadas nas competências 01/2005 a 12/2007. Disso resultou totalmente incontroversos os levantamentos , que, por essa razão, não serão apreciados neste julgamento: Fl. 617DF CARF MF Processo nº 10976.000752/200943 Acórdão n.º 2201003.623 S2C2T1 Fl. 618 8 PR1 — PRÊMIO A SEGURADOS C11, C21 — PAGAMENTO A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS CO1 — PAGAMENTO A COOPERATIVAS Outro ponto que cabe destaque é que o lançamento é específico da contribuição a cargo da empresa, isto é, não contém contribuição de pessoas físicas. Após o julgamento de primeira instância ficam mantidos os seguintes levantamentos e competências: PL1 PRO LABORE A SÓCIOS 12/2004 F21 e F31 FRETES A CONTRIB INDIV. 12/2004 AB1 ABONO CCT 2007, 2009 FILIAL 08 —08/2006 ED1 REEMBOLSO CONTRATO N PAIVA — 01/2005 a 01/2007 RA a RM RETENÇÃO NÃO EFET NF FATURA — 12/2004 a 12/2005 MA a MP RETENÇÃO A MENOR NF FAT — 12/2004 a 01/2006 S1 RETENÇÃO NÃO EFET RECIBO 12/2004 a 06/2005 S2 RETENÇÃO NAO EFET NF SGO 12/2004 a 01/2006 Em razão do recurso apresentado, entendo necessário alguns esclarecimentos por parte da fiscalização. Para tanto, utilizo abaixo, como referência a itemização utilizada no Recurso Voluntário. IV.6.1 Dos pagamentos efetuados para a SGO CONSTRUÇÕES LTDA Várias notas fiscais contém discriminado “Taxa de Administração”. Informar qual a relação entre essa “Taxa de Administração” e o serviço de administração da obra. IV.6.2 Da exigência indevida de retenção sobre atividades não sujeitas a essa sistemática. Identificar se existe algum lançamento referente a: locação de caçamba locação de máquinas, de ferramentas, de equipamentos ou de outros utensílios sem fornecimento de mãodeobra prestação de serviço com cessão de mão de obra onde a utilização de equipamento é inerente à execução dos serviços contratados. Fl. 618DF CARF MF Processo nº 10976.000752/200943 Acórdão n.º 2201003.623 S2C2T1 Fl. 619 9 IV.6.3 Das notas fiscais cuja retenção não foi computada pela fiscalização Solicito manifestação conclusiva acerca de cada uma das notas fiscais apontadas pela recorrente, se o alegado no recurso é procedente e se não, por qual razão. IV.6.4 Impossibilidade de exigência das contribuições previdenciárias decorrentes de serviços não sujeitos à retenção. Solicito manifestação conclusiva acerca de cada uma das notas fiscais apontadas pela recorrente, se o alegado no recurso é procedente e se não, por qual razão. A Recorrente solicitou a vinculação deste processo às demais autuações sofridas na mesma ação fiscal (processos 10976.000752/200943, 10976.000754/200932, 10976.000755/200987, 10976.000757/2009 76,10976.000770/200925 e 10976.000758/200911). Observo que por economia processual, restringirei a diligência a este processo, utilizando as manifestações também nos demais. Da diligência deve ser dada ciência à recorrente oportunizando manifestação. A Informação Fiscal em cumprimento à diligência determinada pelo CARF dormita às fls. 2450/2472, cujas passagens mais relevantes correspondem aos excertos abaixo: Preliminarmente, elaborouse o demonstrativo abaixo discriminado, com todas a funções dos funcionários alocados na Obra do Centro de Distribuição, conforme cópia, por amostragem de Folhas de Pagamento e Rescisões, apresentadas pelo sujeito passivo em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal n° 016/2009, datado de 01/01/2013, e, que constam das folhas de 1323 a 1602, dos presentes autos, a saber: Ainda, de acordo com o descrito nos itens 3.1.6.4.2, 3.1.6.4.3 e 3.1.6.4.3.1, do Relatório Fiscal, restou demonstrado que as obras de construção do Centro de Distribuição CD, foram executados sob a forma de contratação de EMPREITADA PARCIAL, haja visto, que as diversas empresas sub contratadas, discriminadas no item 3.1.6.4.2, faturaram seus serviços diretamente para o proprietário CEMA CENTRAL MINEIRA ATACADISTA LTDA, em consonância com o disposto no inciso IV § 2° do art. 413, da IN SRP 03/2005, acima descrito. O Contrato de Prestação de Serviços, descrito parcialmente no item 3.1.6.4.1 do Relatório Fiscal, na Cláusula Quinta, Parágrafo Segundo, outorga a CONTRATADA SGO CONSTRUÇÕES LTDA, mandato para poder subcontratar com terceiros (subempreiteiros), a construção por administração ou empreitada de serviços, tendo inclusive a própria SGO CONSTRUÇÕES LTDA prestado serviços de mão de obra, Fl. 619DF CARF MF Processo nº 10976.000752/200943 Acórdão n.º 2201003.623 S2C2T1 Fl. 620 10 faturando por esses serviços, além da taxa de administração prevista contratualmente, o que por si descaracteriza a modalidade única de “administração”, a teor da definição preconizada no inciso XXX, art. 413, da IN SRP 03/2005, transcrito, acima descrito. Tendo em vista a descaracterização da forma contratação das obras de construção do Centro de Distribuição consoante elementos probatórios elencados no Relatório Fiscal, de empreitada TOTAL para empreitada PARCIAL, o Contrato de Prestação de Serviços – SGO CONSTRUÇÕES LTDA CNPJ: 16.548.646/000148, passou a ter tratamento de empreitada parcial, igualmente aos demais prestadores de serviços, e, sujeito, portanto, a retenção sobre os valores brutos das Notas Fiscais/Faturas ou recibos, emitidas diretamente contra a CEMA CENTRAL MINEIRA ATACADISTA LTDA. 4.2. Inferese que a presente indagação acerca da relação entre a “taxa de administração” e serviço de administração da obra, levase a crer que ambos conceitos são similares, porém, no contexto que se apresenta, caracterizamse serem meramente parte integrante da descrição de serviços medidos a serem consignados em campo próprio da Nota Fiscal/Fatura, a uma porque a SGO CONSTRUÇÕES LTDA, não se limitou tão somente à administração da obra de construção, a teor do conceito de “contrato por administração” descrito no inciso XXX do art. 413 da IN retro mencionado, e a duas por ter faturado remuneração de mão de obra a título de reembolso de mão de obra e encargos sociais diretamente para a CEMA CENTRAL MINEIRA ATACADISTA LTDA, corroborando dessa forma a descaracterização de contrato, exclusive, por administração, para contrato por empreitada PARCIAL. 4.2.1. Portanto, a mera descrição de serviços medidos em Nota Fiscal/Fatura, a qualquer título, pertinente a contrato de empreitada PARCIAL, não tem o condão de elidir as obrigações legais previdenciárias quanto à exigência de destaque da retenção dentre outras, nem tampouco validar o contrato de prestação de serviços, exclusivamente, como sendo por administração, pelas razões acima minudenciadas. IV.6.2 DA EXIGÊNCIA INDEVIDA DE RETENÇÃO SOBRE ATIVIDADES NÃO SUJEITAS A ESSA SISTEMÁTICA Locação de caçamba. Locação de máquinas, de ferramentas, de equipamentos ou de outros utensílios sem fornecimento de mãodeobra. Prestação de serviço com cessão de mão de obra onde a utilização de equipamentos é inerente à execução dos serviços contratados. Fl. 620DF CARF MF Processo nº 10976.000752/200943 Acórdão n.º 2201003.623 S2C2T1 Fl. 621 11 5. Preliminarmente, não foram identificados nos lançamentos, a atividade de locação de caçamba, sendo as Notas Fiscais/Faturas ora sob exame, tratarem, exclusivamente, de locação de equipamentos/maquinas, a saber: retroescavadeira, motoniveladora, trator e caminhão pipa. 5.1. Na execução de serviços de terraplenagem, ou seja, a movimentação de terra corte/aterro para a implantação de empreendimento/edificação, os equipamentos/maquinas: retro escavadeira, motoniveladora, trator e caminhão pipa, são inerentes à execução dos serviços contratados e a execução dos trabalhos prescinde de mão de obra cedida/empregada, realizada por profissionais especializados(operadores/motoristas habilitados) dadas as especificidades e peculiariadades de cada equipamento. Em face ao julgado no Acórdão 0232.558 8a Turma da DRJ/BHTE, de 01/06/2011, às fls. 2301 ‘ ‘... Para as competências de 03/2004 a 11/2004 ocorreu a decadência do direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento, devendo as mesmas ser excluídas do lançamento. “ restou aplicado o instituto de decadência relativo as competências setembro/2004 e novembro/2004, sendo, portanto, os valores lançados naqueles meses, passíveis de plano de retificação, anulandose os valores lançados. 5.4. Com relação a competência 12/2004, verificase que houve um lapso de digitação relativa a NF 000183, de 13/12/2004, constante do Anexo: RA A RM RETENÇÃO NÃO EFETUADA S/NOTAS FISCAIS FATURAS de fls. 525 , sendo lançado o valor incorreto de 48.372,00 ao invés do valor correto de R$ 1.518,50. 5.4.1. Sendo assim, os valores lançados no Anexo RA A RM, no tocante as referidas Notas Fiscais ficam retificados conforme discriminados abaixo: 5.4.2. Em relação à totalidade das Notas Fiscais remanescentes relativas às competências 12/2004 a 06/2005, foram expedidos os Ofícios n°s. 234/2013/Saort/DRFCON e 235/2013/Saort/DRF CON,( anexados ao processo) para as empresas R. & R. LOCAÇÃO DE EQUIPAMENTOS LTDA ME CNPJ: 02.150.945/000115 e LOCAÇÃO DE MAQUINAS JM LTDA ME CNPJ: 19.695.683/000177, respectivamente, e, remetidos aos endereços dos sujeitos passivos constantes dos sistemas informatizados da RFB, com a seguinte solicitação de documentação e/ou esclarecimentos, a saber: • Ofício n° 234/2013/Saort/DRFCON R. & R. LOCAÇÃO DE EQUIPAMENTOS LTDA ME: • Ofício n° 235/2013/Saort/DRFCOM LOCAÇAO DE MAQUINAS JM LTDA ME: Fl. 621DF CARF MF Processo nº 10976.000752/200943 Acórdão n.º 2201003.623 S2C2T1 Fl. 622 12 “a) Copia do Contrato de Prestação de Serviços, exclusivamente, do período de emissão das Notas Fiscais acima discriminadas, com a CEMA CENTRAL MINEIRA ATACADISTA LTDA, e, em caso negativo, esclarecer o motivo; Informar, se os serviços prestados e discriminados, foram executados com o emprego equipamentos/máquinas e pessoal (operadores) da LOCAÇAO DE MAQUINAS JM LTDA ME;ou, se trata de aluguel, exclusivamente, de equipamentos/máquinas. Outros esclarecimentos que entender necessários e pertinentes ao assunto. 4. Anexo: cópias da(s) Nota(s) Fiscal(ais) n°(s): 000533, 000535, 000539, 000542, 000544, 000545, 000547, 000549, 000552 a 00560, 000562 a 000569, 000601 a 000603 e 000607.” Citado Ofício n° 234/2013/Saort/DRF/CON, endereçado à R & R LOCAÇAO DE EQUIPAMENTOS LTDA, foi devolvido pelos Correios em 04/06/2013, mediante AR n° RA 70500918 1 BR, com motivo classificado como “ Mudouse”. Conforme explicitado no item 3.1.6.5.1.2 do Relatório Fiscal, inexistindo, portando, a formalização contratual de serviços celebrados com terceiros, reconhecida pela própria CEMA CENTRAL MINEIRA ATACADISTA LTDA, a base de cálculo da retenção será o valor bruto da nota fiscal, fatura ou do recibo de prestação de serviço, consoante legislação previdenciária pertinente de regência. Restou, mantido o crédito lançado, relativo às Notas Fiscais acima alencadas no Oficio n° 234/2013/Saort/DRFCON, e, constantes do Anexo: RA A RM, integrante dos presentes Autos, por ter a Impugnante afirmar que não possuía contratos com os empreiteiros em resposta ao TIF 014/2009, de fls. 376 a 380, na qual aduz às fls. 381: “2) No que se refere ao item 1b, a relação com as empresas ora listadas ocorria de forma, fornecedor consumidor, onde fazia se a aquisição e/ou a locação do bem mediante a emissão da nota fiscal, e, seguida efetuavase o pagamento. Em resumo, não foi elaborado nenhum tipo de regulamento/contrato para usufruto ou aquisição de quaisquer serviço ou compra entre a Cema e as referidas empresas.” 5.4.3. Em resposta ao Ofício n° 235/2013/Saort/DRF/CON, o sujeito passivo apresentou correspondência (anexada ao processo) com as alegações seguintes, transcritas, parcialmente: Contagem, Minas Gerais, representado neste ato pelo seu sócio administrador, Aguimar Braga, portador da Carteira de identidade número MG.3.958.170 e CPF.771.235.57620, vem através desta e após ter enviado por email no dia 05 de junho de 2013, a mesma declaração, seguindo a solicitação do auditor por telefone, para formalização da resposta, declarar que: Fl. 622DF CARF MF Processo nº 10976.000752/200943 Acórdão n.º 2201003.623 S2C2T1 Fl. 623 13 As Notas de números, 533, 535, 539, 542, 544, 545, 547, 549, 552, 553, 554, 555, 556, 557, 558, 559, 560, 562, 563, 564, 565, 566, 567, 568, 569, 601, 602, 603, 607 emitidas ao cliente CEMA CENTRAL MINEIRA ATACADISTA LTDA, entre os períodos de 01/12/2004 até 26/06/2005, tem seus valores totais representando exclusivamente o valor da Locação de Equipamentos. Declaro ainda não existe contrato formal desta prestação de serviços.” 5.4.3.1 Ressaltase que, a despeito das argumentações trazidas pela Locação de Maquinas JM Ltda, o equipamento Retro escavadeira, somente, pode ser por operado por pessoal especializado neste tipo de equipamento, fato este não provado, tampouco pela Impugnante, restando a certeza de que o equipamento foi utilizado nas Obras com o emprego de mãode obra especializada, o que caracteriza de plano a incidência das alíquotas de retenção previstas na legislação previdenciária 5.4.3.2. Em face dos esclarecimentos insuficientes prestados pela Locação de Maquinas JM Ltda, notadamente a ausência de contrato formal daquela prestação de serviços, e, a constatação de que a Impugnante não possuía em seu quadro de funcionários alocados na Obra do Centro de Distribuição, conforme demonstrativo, por amostragem, discriminado no item 3 retro, empregados classificados com a função de Operador de Retro escavadeira, fica mantido o crédito lançado, relativo às Notas Fiscais acima alencadas no Oficio n° 235/2013/Saort/DRF CON, e, constantes do Anexo: RA a RM, integrante dos presentes Autos. IV.6.3 DAS NOTAS FISCAIS CUJA RETENÇÃO NAO FOI COMPUTADA PELA FISCALIZAÇÃO Solicito manifestação conclusiva acerca de cada uma das notas fiscais apontadas pela recorrente, se o alegado no recurso é procedente e se não, por qual razão 6. Transcrevese, a seguir a tabela de notas fiscais relacionadas pela Impugnante, tida como Das Notas Fiscais Cuja Retenção Não Foi Computada pela Fiscalização: Em face ao julgado no Acórdão 0232.558 8a Turma da DRJ/BHTE, de 01/06/2011, às fls. 2301 ‘ ‘... Para as competências de 03/2004 a 11/2004 ocorreu a decadência do direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento, devendo as mesmas ser excluídas do lançamento. “ restou aplicado o instituto de decadência relativo as competências setembro/2004 e novembro/2004, sendo, portanto, os valores lançados naqueles meses, relativo às Notas Fiscais n°s. 002856, 002864 e 002887, passíveis de plano de retificação, anulandose os valores lançados. Sendo assim, os valores lançados no Anexo: RA A RM, no tocante as referidas Notas Fiscais ficam retificados conforme discriminados abaixo(...) Fl. 623DF CARF MF Processo nº 10976.000752/200943 Acórdão n.º 2201003.623 S2C2T1 Fl. 624 14 6.2. No tocante, a Nota Fiscal n ° 000079 emitente FERRAZ AMARAL PRESTAÇAO DE SERVIÇOS LTDA ME CNPJ: 04.856.314/000141, em 11/01/05 valor R$ 4.590,00, resulta que a Impugnante apresentou no curso do procedimento fiscal à Fiscalização, a Nota Fiscal n° 000079 às fls. 1151, cuja originalidade foi atestada pela autoridade notificante conforme carimbo aposto para fins de instrução do processo e na qual não consta qualquer destaque de retenção previdenciária. Diferentemente, em seu recurso voluntário, a Impugnante, faz juntada da mesma Nota Fiscal n° 000079 às fls. 2069, com a “inclusão manual e EXTEMPORÂNEA” logo abaixo do valor total, a expressão manuscrita “INSS (11%) 504,90 e ISSQN (2%) 91,80” e juntando GPS sem autenticação no valor de R$ 504,90. Em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, constatase que o suposto valor de retenção “destacado” tardiamente de forma manuscrito, não foi declarado em GFIP pela emitente FERRAZ AMARAL PRESTAÇAO DE SERVIÇOS LTDA ME, nem tampouco, houve a vinculação de segurados à matrícula CEI 40.990.03248/78 da Obra do Centro de Distribuição CEMA, consoante exigência na legislação previdenciária de regência. 6.2.21. Na tela CCORGFIP (anexada ao processo), a empresa FERRAZ AMARAL PRESTAÇAO DE SERVIÇOS LTDA ME CNPJ: 04.856.314/000141,declarou na competência janeiro/2005, o montante de retenção da Lei n° 9.718, o valor de R$ 3.161,11; Na tela DATAPREV/ CNIS Cadastro Nacional de Informações Sociais Tomador de Serviço GFIP(anexada ao processo), consta o seguinte detalhamento do montante de R$3.161,11, declarado à título de retenção na competência janeiro/2005, a saber: Restou demonstrado que não houve o suposto equívoco da Fiscalização assinalado pela Impugnante em sua peça recursal, e, sim o comportamento inadequado da Impugnante ao oferecer ao Fisco, em seu Recurso Voluntário ao CRPS, documentação “rasurada”, com o intuito de elidir de suas obrigações legais a seu tempo. Fica, portanto, mantido na integralidade os valores lançados à título de retenção relativo à Nota Fiscal n ° 000079 emitente FERRAZ AMARAL PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS LTDA ME CNPJ: 04.856.314/000141, em 11/01/05 valor R$ 4.590,00. 6.3 No tocante, a Nota Fiscal n ° 000041 emitente A & R EMPREITEIRA LTDA ME CNPJ: 02.969.081/000168, em 01/03/05 valor R$ 846,00, resulta que a Impugnante, apresentou no curso do procedimento fiscal à Fiscalização, a Fl. 624DF CARF MF Processo nº 10976.000752/200943 Acórdão n.º 2201003.623 S2C2T1 Fl. 625 15 referida Nota Fiscal n° 000041 às fls. 1164, na qual não consta qualquer destaque de retenção previdenciária. Diferentemente, em seu recurso voluntário, a Impugnante, faz juntada da mesma Nota Fiscal às fls. 2071, com a “inclusão manual EXTEMPORÂNEA” logo abaixo do valor total, a expressão manuscrita “INSS (93,06) e ISSQN (16,92)” e juntando GPS sem autenticação no valor de R$ 213,51. Em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, constatase que o suposto valor de retenção “destacado” tardiamente de forma manuscrito, não foi declarado em GFIP pela emitente A & R EMPREITEIRA LTDA ME, nem tampouco, houve a vinculação de segurados à matrícula CEI 40.990.03248/78 da Obra do Centro de Distribuição CEMA, consoante exigência na legislação previdenciária de regência. Restou demonstrado que não houve o suposto equívoco da Fiscalização assinalado pela Impugnante em sua peça recursal, e, sim o comportamento inadequado da Impugnante ao Fisco documentação rasurada. (...) Ressaltase que, a despeito das argumentações trazidas pela Real Guindastes e Equipamentos Ltda, o equipamento Guindaste, somente, pode ser por operado por pessoal especializado neste tipo de equipamento, fato este não provado, tampouco pela Impugnante, restando a certeza de que o equipamento foi utilizado nas obras com o emprego de mãode obra especializada, o que caracteriza de plano a incidência das alíquotas de retenção previstas na legislação previdenciária. Em face dos esclarecimentos insuficientes prestados pela Real Guindastes e Equipamentos Ltda, notadamente, não ter como afirmar se a locação do Guindaste teve ou não o concurso de mão de obra, e, a constatação de que a Impugnante não possuía em seu quadro de funcionários alocados na Obra do Centro de Distribuição, conforme demonstrativo, por amostragem, discriminado no item 3 retro, empregados classificados com a função de Operador de Guindaste, fica mantido o crédito lançado, relativo à Nota Fiscal n° 0004580, constante do Anexo: RA a RM, integrante dos presentes Autos. Com relação a NF 000269, de 28/06/05, foi emitido OFÍCIO N° 239/2013/Saort/DRF/CON, datado de 22/05/2013(anexado ao processo), para a empresa ADVANCED SERVIÇOS LTDA ME, intimando o sujeito passivo os seguintes elementos discriminados abaixo(...) De conformidade com a descrição dos serviços discriminados na NF 000269 acima mencionados, restou comprovado que os serviços de instalação de pararaios e aterramento não estão contemplados como serviços não sujeitos à retenção, ficando mantido o crédito lançado, relativo à Nota Fiscal n° 000269, constante do Anexo: RA A RM, integrante dos presentes Autos. Fl. 625DF CARF MF Processo nº 10976.000752/200943 Acórdão n.º 2201003.623 S2C2T1 Fl. 626 16 Com relação à NF 000847, de 22/11/05, de fls. 1229, a empresa ENGEFUROS Engenharia e Furos em Concreto Ltda CNPJ: 04.658.491/000113, reconhece a incidência da retenção e discrimina no campo próprio da Nota Fiscal, da seguinte forma: Locação de perfuratriz diamantada dd 160 p/execução furos em concreto 97,50 MãodeObra 52,50 Retenção INSS 11% 5,78 Reconhece, ainda, nas Notas Fiscais de sua emissão, de n°s. 000730, 000737, 000751 e 000827, de fls. 1225 a 1228, respectivamente, a incidência da retenção, mantendo a mesma discriminação dos serviços, acima descrita. A constatação da incidência da retenção está em consonância com o disposto no art. 170, da IN SRP 03/2005 (e IN/INSS/DC n° 100/2003), que não contempla a execução de furos em concreto como não sujeitos a retenção. A citada Nota Fiscal 000847, consta do Anexo: MA A MP RETENÇÃO A MENOR EFETUADA S/NFS/FATURAS, de fls. 539, pelo fato de não ter sido apresentado o Contrato de Prestação de Serviços, restando a incidência sobre o valor bruto da citada Nota Fiscal, sobejando saldo de retenção a menor, objeto do Auto de Infração. Diante do exposto, fica mantido o lançamento do crédito relativo à Nota Fiscal n° 000847, constante do Anexo: MA A MP, integrante dos presentes Autos. Atendida a solicitação de fls. 2410, com os esclarecimentos e considerações do Auditor notificante, bem como a concessão de prazo de 30(trinta dias), para manifestação da Impugnante, a partir da ciência do presente Termo. Cientificada do teor da Informação Fiscal supra, a recorrente apresentou manifestação, alegando, em síntese, que: Com registro dos trabalhadores da obra em seu nome, fica ainda mais inquestionável a validade do contrato e das notas fiscais que não divergem quanto ao ponto de se tratar de obra realizada mediante a administração da SGO CONSTRUÇÕES LTDA. A SGO simplesmente intermediou a terceirização de alguns serviços, sendo reembolsada pela CEMA dos respectivos valores, o que, sem sombra de dúvidas, não transforma administração em empreitada parcial, como equivocadamente pretende a d. Fiscalização. Por fim, cumpre lembrar que a SGO recolheu devidamente todas as contribuições que lhe competia, conforme comprovado nos autos, sem descontar qualquer montante a título de retenção. Dito de outro modo, todas as contribuições foram recolhidas Fl. 626DF CARF MF Processo nº 10976.000752/200943 Acórdão n.º 2201003.623 S2C2T1 Fl. 627 17 direta e integralmente pela SGO, sendo que caso a Recorrente também fosse condenada a recolher supostas parcelas que não foram retidas, não há dúvidas de que se trataria de dupla incidência sobre exatamente os mesmos fatos geradores, fato que juridicamente não se pode admitir. O Auto de Infração exige a incidência de contribuições previdenciárias sobre locação de máquinas e equipamentos (retroescavadeira, motoniveladora etc.), ou seja, sobre atividades em que não ocorre o fato gerador das referida exações. Todavia, a d. Fiscalização, ao invés de responder objetivamente a questão, insiste em sua tese de desconsideração dos contratos e notas fiscais relativas a obra realizada pela Recorrente e o que é pior, por mera suposição (sem qualquer suporte fáticoprobatório). As autoridades autuantes consertaram alguns erros constantes do trabalho fiscal, reduzindo valores lançados a maior com relação à algumas notas fiscais, mas quanto ao cerne da discussão jurídica mantiveram seu posicionamento a respeito da tributação sobre aluguel de máquinas e equipamentos. Nesse sentido, duas foram as empresas locadoras que concentraram as notas fiscais autuadas: (i) R & R Locação de Equipamentos Ltda. ME e (ii) Locação de Máquinas JM Ltda. Pois bem, a fim de tentar comprovar sua suposição de que, na verdade, não houve mera locação de equipamentos, mas locação com cessão de mão de obra, o Fisco emitiu intimação para cada uma dessas empresas a fim de que elas esclarecessem se a locação teria sido feita com ou sem o fornecimento de pessoal (operadores). Conforme se verifica dos autos, a JM expressamente afirmou que os valores recebidos da Recorrente decorrem exclusivamente da locação de equipamentos. Em relação às notas fiscais cuja retenção não foi considerada pela Fiscalização restaram atingidas pela decadência o crédito tributário até a competência 11/2004. Sobraram, então, as notas fiscais de nºs 000079 e 000041. Com relação a tais documentos fiscais, em suma, o Fisco acusa o Recorrente de ter incluído informações posteriores sobre a retenção das contribuições previdenciárias, rasurando os documentos depois de sua apresentação ao processo. Afirma, ainda, que as GPSs apresentadas não possuíram autenticação bancária, bem como que não teriam sido identificados os pagamentos informados pelo Contribuinte. Quanto a esse ponto, o que a Recorrente tem a dizer é que realmente as informações sobre a retenção foram incluídas à mão, mas de forma alguma tal procedimento foi realizado posteriormente para elidir suas obrigações fiscais “a seu tempo”. O que pode ter ocorrido é que as primeiras cópias juntadas aos autos foram retiradas das notas originais, portanto sem as informações sobre a retenção. O importante é que efetivamente houve retenção e recolhimento das contribuições previdenciárias relativas às notas fiscais em comento, não havendo dúvidas sobre a impossibilidade de autuação nesse tocante. Fl. 627DF CARF MF Processo nº 10976.000752/200943 Acórdão n.º 2201003.623 S2C2T1 Fl. 628 18 As cópias das GPS em anexo comprovam efetivamente o recolhimento das referidas contribuições e, inclusive, comprovam que tais contribuições foram recolhidas tempestivamente, o que afasta qualquer tese de que a contribuinte teria agido com máfé. Por fim, reitera a Recorrente todas as suas alegações constantes do Recurso Voluntário, notadamente no que tange a improcedência do lançamento efetuado. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Da delimitação do litígio Nos termos da decisão de primeira instância, do crédito tributário original, restaram abrangidas pela decadência as competências de 03/2004 a 11/2004. Foram transferidas para o debcad nº 37.329.6037 as parcelas sobre as quais a ora recorrente desistiu da defesa apresentada para a inclusão em parcelamento, que corresponderam ao período de 01/2005 a 12/2007. Dessa forma, a matéria contenciosa se limitou aos seguintes levantamentos e competências: PL1 PRO LABORE A SÓCIOS 12/2004 F21 e F31 FRETES A CONTRIB INDIVIDUAIS 12/2004 AB1 ABONO CCT 2007, 2009 FILIAL 06 e 08/2006 ED1 REEMBOLSO CONTRATO N PAIVA 01/2005 a 01/2007 Destarte, as alegações recursais que não correspondam às matérias sob julgamento não serão apreciadas, vez que há perda de objeto e ausência de interesse processual. Decadência O presente lançamento, originariamente, abrangeu as competências de 03/2004 a 12/2007. A decisão da DRJ reconheceu a decadência do período de 03/2004 a 11/2004, ao aplicar a regra de contagem do prazo decadencial inserta no art, 173, I, do CTN, uma vez que no entendimento daquele colegiado não ocorreu antecipação do pagamento, pelo fato de o próprio sujeito passivo não reconhecer os valores lançados como saláriodecontribuição. Todavia, esse não é o entendimento sedimentado pela Súmula CARF nº 99, verbis: Fl. 628DF CARF MF Processo nº 10976.000752/200943 Acórdão n.º 2201003.623 S2C2T1 Fl. 629 19 Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. A ciência do presente lançamento se deu em 11/01/2010, portanto, o período não decadente é de 01/2005 a 12/2007. Desse modo, a decadência deve ser estendida para abranger a competência 12/2004. Estando, pois, decadente o período de 03/2004 a 12/2004. Nova delimitação do litígio Em face da concessão da decadência em maior extensão no tópico precedente, mister se faz uma nova delimitação do litígio, uma vez que alguns levantamentos remanesceu apenas a competência 12/2004, que não fora incluída em parcelamento apenas pelo fato de o sujeito passivo acreditar que estava abarcada pela decadência. Assim, persistem os seguintes levantamentos, que serão analisados nessa sequência ao longo do presente voto: AB1 ABONO CCT 2007, 2009 FILIAL 06 e 08/2006 ED1 REEMBOLSO CONTRATO N PAIVA 01/2005 a 01/2007 Abono Convenção Coletiva de Trabalho De acordo com a Convenção Coletiva do Trabalho 2007/2009, assinada em 27/11/2007, cada segurado empregado fazia jus a um abono, pago em duas parcelas, nos meses de dezembro/2007 e dezembro de 2008. A cláusula da CCT referente ao abono, restou assim redigida: Será pago como abono, para toda a categoria, o valor de R$ 160,00 (cento e sessenta reais), em 02(duas) parcelas iguais de R$ 80,00 (oitenta reais), que serão pagos junto com os salários, respectivamente, dos meses de dezembro/2007 e dezembro de 2008. O pagamento respeitará a proporcionalidade de 1/12 trabalhados, isto é, para cada mês trabalhado por inteiro no ano, terá direito a receber R$ 6,67 (seis reais e sessenta centavos). Depreendese dos termos da Convenção Coletiva de Trabalho que o abono não era eventual e expressamente desvinculado do salário. O empregado já sabia previamente do valor e periodicidade do pagamento, que ocorria no último mês de cada ano. Dessa forma, agiu com a acerto a autoridade fiscal ao considerar tais pagamentos como integrantes da base de cálculo da contribuição previdenciária, eis que não se enquadram na regra de exceção inserta no art. 28, § 9º, “e”, item 7, que expressamente prevê Fl. 629DF CARF MF Processo nº 10976.000752/200943 Acórdão n.º 2201003.623 S2C2T1 Fl. 630 20 que não integram o salário de contribuição, exclusivamente: “as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário”. Destarte, não merece provimento o recurso nesse aspecto. Custeio de ensino superior A questão tratada versa sobre a interpretação ao art. 28, § 9º, “t”, com a redação vigente à época dos fatos geradores: t) o valor relativo a plano educacional que vise á educação básica, nos termos do Art. 21 da Lei n° 9.394 de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei n° 9. 711, de 20/11/98 A Lei nº 12/513/2011 alterou o dispositivo legal, que passou a ter a seguinte redação: t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e: (Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) No caso que se cuida, a recorrente custeou de forma parcial o ensino superior de Gestão de Varejo. No entendimento da autoridade lançadora, ratificado pela decisão de piso, não haveria subsunção do fato à norma isentiva, uma vez que a educação superior não se enquadra, por óbvio no conceito de educação básica e nem pode ser entendido como curso de captação e qualificação profissionais. De acordo com a decisão de piso, ainda que referido curso superior fosse considerado como de capacitação e qualificação profissional, a recorrente não faria jus ao benefício legal por não ter estendido o acesso a todos os empregados e dirigentes da empresa. Não obstante a lei se reportar a ocorrência do fato gerador, a alteração do mencionado dispositivo legal pela Lei nº 12/513/2011 foi de grande importância para a compreensão do alcance da norma revogada. A novel legislação modificou os requisitos para a obtenção, não mais exigindo o requisito de que o plano educacional fosse extensivo a todos os empregados. Referida exigência poderia, muitas vezes ser inexequível, vez que os empregados poderiam ter perfis distintos e não estarem aptos a usufruir do benefício concedido pela empresa em igualdades de condição. Exemplifico. Um empregado sem a conclusão do ensino médio não poderia cursar a faculdade de Gestão de Varejo. Destarte, entendo que o fato de a recorrente não ter disponibilizado o reembolso do curso à totalidade dos empregados não pode servir de óbice para aplicação da norma isentiva ao vertente caso. De outra banda, entendo que o curso disponibilizado, não obstante ser de nível superior, tem vinculação com as atividades desenvolvidas pela empresa e, teoricamente, alfim do curso os empregados contemplados estarão mais qualificados e capacitados para o trabalho. Fl. 630DF CARF MF Processo nº 10976.000752/200943 Acórdão n.º 2201003.623 S2C2T1 Fl. 631 21 Diante do exposto, entendo que o curso de Gestão de Varejo atendeu a finalidade da norma isentiva, razão pela qual os reembolsos respectivos devem ser excluídos da base de cálculo do presente lançamento. Provido o recurso nesse tocante. Da multa de ofício e da multa de mora O presente lançamento contempla as multas de ofício e de mora da redação da Lei nº 11.941/2009. Quanto à aplicação da multa constante deste Auto de Infração, cumpre salientar que a Medida Provisória MP n° 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009, alterou diversos dispositivos da Lei nº 8.212, de 24/07/1991, notadamente no que tange à aplicação de penalidades. Em princípio, as multas estabelecidas pela Lei nº 11.941/2009 serão aplicadas a fatos geradores ocorridos após a sua vigência. No entanto, para as infrações com fato gerador anterior a 04/12/2008 (data da entrada em vigor da MP 449/2008), na aplicação de multas para condutas equivalentes, devese observar o princípio da retroatividade benigna, estabelecido pelo inciso II, alínea ”c”, do artigo 106 do Código Tributário Nacional CTN (Lei 5.172, de 25/10/1966). Em relação à multa há de se registrar que o dispositivo legal que lhe dá supedâneo foi alterado pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, merecendo verificar a questão relativa à retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966. Entendo que o novo regime (aplicação da multa de 75%) é mais gravoso. Desse modo, para as competências anteriores a dezembro de 2008 (entrada em vigor da MP nº 449) deve ser aplicada a multa prevista no art. 35 da Lei nº 8.212. Para o período posterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449 há que se aplicar a multa de 75% (previsão no art. 44 da Lei 9.430). O lançamento que se cuida contempla competências de 01/2005 a 07/2007, devendo ser alterada a forma de cálculo da multa. Segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a gradação prevista na redação original do artigo 35, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento), Se a conduta atraso aqui apurado era punido com multa moratória, consequentemente, com a alteração da ordem jurídica, só pode lhe ser aplicada, se for o caso, a novel multa moratória, prevista no caput do art. 35 do diploma legal acima citado. Incide na espécie, pois, a retroatividade prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte. Fl. 631DF CARF MF Processo nº 10976.000752/200943 Acórdão n.º 2201003.623 S2C2T1 Fl. 632 22 Entretanto, é assente nessa Turma a necessidade de comparação da multas no momento do pagamento para se perquirir acerca da situação mais benéfica ao contribuinte. Assim, ressalvado o entendimento acima esposado, mas fulcrado no princípio da economia, me curvo ao entendimento da Turma, nos termos seguintes. Para fins de aplicação da retroatividade benéfica, se deve comparar àquela antiga multa por descumprimento de obrigação acessória (regrada na forma da anterior redação do art. 32, inciso IV, § 4o ou §5o da Lei n° 8.212, de 1991), quando somada à multa aplicada no âmbito do(s) NFLD(s) ou AI(s) de obrigação principal conexo(s) (regrada na forma da anterior redação do art. 35, inciso II da Lei n° 8.212, de 1991), a multa estabelecida pelo art. 44, da mesma Lei n° 9.430, de 1996, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício, consoante disposto no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. Portanto, no presente caso, devese comparar (i) o resultado da soma da multa lançada mediante os Autos de Infração por descumprimento de obrigação acessória relacionados a GFIP e a multa lançada nos autos deste processo com (ii) a multa estabelecida pelo art. 35A da Lei n° 8.112, de 1991, que remete ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, que é de 75%, prevalecendo a menor, que deverá ser verificada pela unidade preparadora no momento do pagamento. Da aplicação da Taxa Selic A insurgência da recorrente contra a aplicação da Taxa Selic como juros moratórios não pode prosperar, uma vez que se trata de matéria sumulada neste Tribunal Administrativo no sentido de sua legalidade, conforme podemos conferir a seguir: Súmula CARF nº 4 A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Acrescentese que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. Assim sendo, improcedente a argumentação da recorrente quanto à não incidência de juros de mora no presente lançamento. Conclusão Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para: Reconhecer a decadência para abranger a competência 12/2004. Estando, pois, decadente o período de 03/2004 a 12/2004; Excluir o levantamento Reembolso Contrato N Paiva (AuxílioEducação). Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 632DF CARF MF Processo nº 10976.000752/200943 Acórdão n.º 2201003.623 S2C2T1 Fl. 633 23 Fl. 633DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.000508/2003-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997, 1999
CRÉDITO DE SALDO NEGATIVO. PRAZO PARA A VERIFICAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO.
No momento em que o contribuinte apresenta pedido de compensação/restituição de direito creditório, abre-se o prazo de 5 anos para que o Fisco se pronuncie sobre ele, sob pena de haver a homologação tácita, conforme previsto no § 5º do art. 74 da Lei 9.430/96. Nesse período de 5 anos, o Fisco tem o dever de verificar a existência do direito creditório pleiteado, sendo esse o único limite temporal à ação fiscal.
JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. REGIME DE COMPETÊNCIA.
Para fins tributário, a contrapartida dos JCP é despesa financeira e, como tal, deve observar o regime de competência, razão pela qual deve ser considerada despesa do ano em que os JCP foram pagos ou creditados aos sócios.
LANÇAMENTO DECORRENTE - CSLL - Tratando-se de lançamento reflexo, a solução dada ao lançamento matriz é aplicável, no que couber, ao lançamento decorrente, ante a íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1302-002.098
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de decadência, vencidos os Conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Ester Marques Lins de Sousa, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. Ausente, momentaneamente o Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
(documento assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, momentaneamente o Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1997, 1999 CRÉDITO DE SALDO NEGATIVO. PRAZO PARA A VERIFICAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. No momento em que o contribuinte apresenta pedido de compensação/restituição de direito creditório, abre-se o prazo de 5 anos para que o Fisco se pronuncie sobre ele, sob pena de haver a homologação tácita, conforme previsto no § 5º do art. 74 da Lei 9.430/96. Nesse período de 5 anos, o Fisco tem o dever de verificar a existência do direito creditório pleiteado, sendo esse o único limite temporal à ação fiscal. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. REGIME DE COMPETÊNCIA. Para fins tributário, a contrapartida dos JCP é despesa financeira e, como tal, deve observar o regime de competência, razão pela qual deve ser considerada despesa do ano em que os JCP foram pagos ou creditados aos sócios. LANÇAMENTO DECORRENTE - CSLL - Tratando-se de lançamento reflexo, a solução dada ao lançamento matriz é aplicável, no que couber, ao lançamento decorrente, ante a íntima relação de causa e efeito que os vincula.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997, 1999 CRÉDITO DE SALDO NEGATIVO. PRAZO PARA A VERIFICAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. No momento em que o contribuinte apresenta pedido de compensação/restituição de direito creditório, abrese o prazo de 5 anos para que o Fisco se pronuncie sobre ele, sob pena de haver a homologação tácita, conforme previsto no § 5º do art. 74 da Lei 9.430/96. Nesse período de 5 anos, o Fisco tem o dever de verificar a existência do direito creditório pleiteado, sendo esse o único limite temporal à ação fiscal. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. REGIME DE COMPETÊNCIA. Para fins tributário, a contrapartida dos JCP é despesa financeira e, como tal, deve observar o regime de competência, razão pela qual deve ser considerada despesa do ano em que os JCP foram pagos ou creditados aos sócios. LANÇAMENTO DECORRENTE CSLL Tratandose de lançamento reflexo, a solução dada ao lançamento matriz é aplicável, no que couber, ao lançamento decorrente, ante a íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de decadência, vencidos os Conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Ester Marques Lins de Sousa, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. Ausente, momentaneamente o Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 05 08 /2 00 3- 62 Fl. 1088DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.089 2 Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (documento assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, momentaneamente o Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Por bem retratar o processo em análise, adoto o relatório da DRJ/SDR à seguir colacionado: Fl. 1089DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.090 3 Fl. 1090DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.091 4 Fl. 1091DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.092 5 Fl. 1092DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.093 6 Fl. 1093DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.094 7 Fl. 1094DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.095 8 Fl. 1095DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.096 9 Fl. 1096DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.097 10 Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.098 11 Fl. 1098DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.099 12 Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.100 13 Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.101 14 Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.102 15 Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.103 16 Após análise das razões expostas pelo contribuinte em sua peça de Manifestação de Inconformidade, a DRJSDR proferiu Acórdão recorrido que ficou ementado da seguinte forma: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997, 1999 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE SALDO NEGATIVO. ANÁLISE DA LIQUIDEZA E CERTEZA. PRAZO DECADENCIAL. INAPLICABILIDADE. Com o transcurso do prazo decadencial, nos termos do §4º do art. 150 do CTN, apenas o dever/poder de constituir o crédito tributário estaria obstado, tendo em vista que a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário. Não se cogita de decadência para verificação da liquidez e certeza de saldos negativos de IRPJ, objeto de pedido de restituição ou de declaração de compensação, que se submete a regramento específico e tem como limite apenas o prazo da homologação tácita de que trata o § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430 de 1996. BASE DE CÁLCULO. DESPESA COM JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. INEXISTENTE. Considerando ser cabível e necessária a verificação da liquidez e certeza do crédito postulado por ocasião da análise de direito creditório em pedido de restituição ou em compensação declarada pelo contribuinte e estando demonstrado que a despesa de juros sobre o capital próprio não ocorreu nos anos calendário de 1997 e 1999, visto que a sua contabilização se deu no anocalendário de 2001, mantémse a glosa dos valores Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.104 17 deduzidos indevidamente nas declarações retificadoras, relativas aos anoscalendário de 1997 e 1999. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Inexistindo direito creditório, incabível a homologação da declaração de compensação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1997, 1999 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE SALDO NEGATIVO. ANÁLISE DA LIQUIDEZ E CERTEZA. PRAZO DECADENCIAL. INAPLICABILIDADE. Com o transcurso do prazo decadencial, nos termos do §4º do art. 150 do CTN, apenas o dever/poder de constituir o crédito tributário estaria obstado, tendo em vista que a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário. Não se cogita de decadência para verificação da liquidez e certeza de saldos negativos de CSLL, objeto de pedido de restituição ou de declaração de compensação, que se submete a regramento específico e tem como limite apenas o prazo da homologação tácita de que trata o § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430 de 1996. BASE DE CÁLCULO. DESPESA COM JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. INEXISTENTE. Considerando ser cabível e necessária a verificação da liquidez e certeza do crédito postulado por ocasião da análise de direito creditório em pedido de restituição ou em compensação declarada pelo contribuinte e estando demonstrado que a despesa de juros sobre o capital próprio não ocorreu nos anos calendário de 1997 e 1999, visto que a sua contabilização se deu no anocalendário de 2001, mantémse a glosa dos valores deduzidos indevidamente nas declarações retificadoras, relativas aos anoscalendário de 1997 e 1999. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Há de se reconhecer, parcialmente, o direito creditório evidenciado nos autos. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte” A referida decisão julgou Procedente em Parte a Manifestação de Inconformidade para afastar a preliminar.de decadência do direito da Fazenda Pública para se pronunciar a respeito da retificação das declarações e, no mérito, não reconhecer o direito creditório referente aos saldos negativos de IRPJ e CSLL do anocalendário de 1997, bem como relativo ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999 por serem inexistentes, e por reconhecer, parcialmente, o crédito relativo ao saldo negativo de CSLL, do anocalendário Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.105 18 de 1999, no valor de R$ 125.305,97 (cento e vinte e cinco mil, trezentos e cinco reais e noventa e sete centavos). Da decisão, a Recorrente exerceu o contraditório, interpondo o presente Recurso Voluntário, aduzindo, em síntese, que o Acórdão recorrido possui dois equívocos: (i) Já havia ocorrido o término lapso temporal de que dispunha a autoridade administrativa para se pronunciar a respeito da retificação das declarações e, (ii) Ficou comprovada que a retificação da declaração objetivara o reconhecimento de diversos erros nas informações prestadas e, não apenas a exclusão dos Juros sobre capital próprio. Com relação ao primeiro item, afirmou que o direito concedido por Lei à Fazenda Pública, para indeferir a retificação dessa declaração, pereceu por decurso do prazo fixado para o seu exercício, resultando na homologação tácita do procedimento da Recorrente. Relativamente ao segundo item, a Recorrente demonstra por planilhas colacionadas ao corpo do texto, por meio das quais pretende demonstrar as parcelas que foram alteradas pelas retificadoras, e assim demonstrar que as declarações foram retificadas por diversos erros de fato, diferentes da exclusão dos juros sobre capital próprio, e que tais retificações foram alteradas estão amparadas pelas normas emanadas pela Secretaria da Receita Federal, devendo a referida compensação ser reestabelecida. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator O presente Recurso Voluntário foi apresentado em conformidade com o que dispõe o art. 33, do Decreto 70.235/72, portanto, dele conheço. Pois bem, o tema em análise requer a análise de dois pontos. Primeiramente, devese decidir em relação à existência (ou não) do direito de a Fazenda Pública se pronunciar/analisar a respeito da retificação de declarações após decorridos mais de cinco anos de sua apresentação. Subsidiariamente, caso entendase que a Fazenda Pública dispõe desse direito, cabe analisar o mérito do pedido da restituição do anocalendário de 1997, que foi negado pelo órgão julgador “a quo”, por entenderse que não existiu, no anocalendário de 1997, a despesa referente a juros sobre o capital próprio, no montante de R$5.795.716,33, Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.106 19 deduzida na declaração retificadora, uma vez que a contabilização do referido valor, a título de juros sobre o capital próprio, foi efetuada no anocalendário de 2001, como também não houve o pagamento tempestivo do IRRF incidente sobre o suposto valor dos juros de capital próprio, tendo a contribuinte lançado mão de um artifício para justificar o cumprimento do art. 9º, § 2º, da Lei nº 9.249 de 1995, que consistiu em reduzir em sua DIRPJ retificadora o valor do IRRF anteriormente informado, de R$869.357,45, para zero. Preliminar Do prazo para análise da liquidez e certeza de créditos/débitos da Fazenda Pública Como visto, a DRJSDR entendeu que “o transcurso do prazo decadencial, nos termos do §4º do art. 150 do CTN, apenas o dever/poder de constituir o crédito tributário estaria obstado, tendo em vista que a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário. Não se cogita de decadência para verificação da liquidez e certeza de saldos negativos de CSLL, objeto de pedido de restituição ou de declaração de compensação, que se submete a regramento específico e tem como limite apenas o prazo da homologação tácita de que trata o § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430 de 1996.” No entanto, creio não ser esse o melhor juízo sobre a matéria. Em sentido contrário, é possível destacar assente jurisprudência deste Conselho entendendo que o prazo decadencial de 5 (cinco) anos para constituição do crédito tributário é, igualmente, aplicável nas revisões do Lucro Real apurado e declarado pelo contribuinte para fins de apuração do direito creditório concernente ao saldo negativo de recolhimentos do IRPJ/CSLL. Senão, vejamos: “ Número do Processo: 11831.000443/0090 Data da Sessão: 29/03/2011 Relator(a): Antonio José Praga de Souza Nº Acórdão: 1402000.479 Ementa ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1995 DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO DO LANÇAMENTO. Havendo antecipação do tributo, a homologação do lançamento ocorrerá no prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, na forma do art. 150, § 4°, do CTN. Esse prazo decadencial também é aplicável nas revisões do Lucro Real apurado e declarado pelo contribuinte, para fins de apuração do direito creditório concernente ao Saldo Negativo de Recolhimentos do IRPJ/CSLL. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Número do Processo: 11831.000881/200353 Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.107 20 Data da Sessão: 25/02/2011 Relator(a): LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Nº Acórdão: 1402000.454 Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 PRELIMINAR. CONHECIMENTO DE PROVAS DOCUMENTAIS JUNTADAS AOS AUTOS APÓS A INTERPOSIÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Tendo sido determinado à elaboração de novo despacho decisório pela Unidade de origem, para apreciar o direito creditório pleiteado pelo contribuinte, resta prejudicada a apreciação prévia do conhecimento de provas documentais juntadas aos autos após a impugnação ou recurso. DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO DO LANÇAMENTO. Havendo antecipação do tributo, a homologação do lançamento ocorrerá no prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, na forma do art. 150, § 4°, do CTN. Esse prazo decadencial também é aplicável nas revisões do Lucro Real apurado e declarado pelo contribuinte, para fins de apuração do direito creditório concernente ao Saldo Negativo de Recolhimentos do IRPJ/CSLL. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. REVISÃO DO SALDO NEGATIVO DE RECOLHIMENTOS DO IRPJ/CSLL. A Fazenda Pública pode fiscalizar a formação dos saldos negativos de recolhimentos de IRPJ e CSLL no prazo de 5 anos contados do aproveitamento pelo contribuinte. Essa revisão deve partir do lucro real declarado/apurado pelo contribuinte e pode contemplar a verificação da efetividade dos recolhimentos, das retenções do IRFonte, transposição de saldos de um período para outro, compensações, enfim a própria formação do saldo. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Homologamse tacitamente após 5 anos as declarações de compensação regularmente apresentadas na vigência do art. 74 da Lei 9.430/1996 com redação dada pelo Lei 10.637/2002. Processo volvido à Unidade de origem para proferir novo despacho decisório. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.” (Grifei) Nas situações acima aventadas, o CARF decidiu à luz da legislação e da jurisprudência, que o Fisco tinha 5 (cinco) anos para fiscalizar a apuração do lucro real do contribuinte, mas somente realizou o procedimento depois de tal prazo, quando todos os anos calendário já haviam sido atingidos pelo transcurso do prazo decadencial, aplicandose o prazo decadencial do § 4º do art. 150 do CTN. No caso vertente, afirma a decisão recorrida que após ocorrida a decadência do direito de o Fisco constituir créditos tributários permaneceriam “inalterados os demais poderes conferidos ao Fisco, como, por exemplo, as prerrogativas para verificar as declarações entregues pelo sujeito passivo, bem como a correção de sua escrita contábil e fiscal, em relação a ocorrências que, por sua natureza, devem afetar fatos geradores futuros (prejuízos fiscais, lucro inflacionário, saldos negativos compensáveis, etc).” Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.108 21 No entanto, entendo que a correta interpretação do direito positivo se dá por meio da interpretação sistemática, que é o método de interpretação por excelência do direito positivo, pelo fato de investigar os três planos fundamentais da linguagem, são eles: a sintaxe, a semântica e a pragmática. É só através do percurso destes três planos que conseguimos compreender e decodificar a mensagem dos órgãos credenciados pelo direito positivo a expedir normas. Ora, mesmo inexistindo dispositivo legal expresso acerca do prazo para análise da fiscalização da composição do saldo negativo do IRPJ e do saldo negativo da CSLL elaborada pelo contribuinte, o Código Tributário Nacional no parágrafo único do art. 195 é claro ao afirmar que “os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram.” O prazo prescricional a que se refere o dispositivo legal acima mencionado é aquele previsto no art. 174 do CTN, que é de 5 (cinco) anos conforme a redação trazida do no seu caput, tendo em vista que o contribuinte tem também cinco anos para requerer a restituição ou compensação dos valores pagos indevidamente apurados através do saldo negativo do IRPJ e CSLL apontado em sua declaração de rendimento apresentado a Secretaria da Receita Federal do Brasil. No presente processo, discutese a possibilidade de o Fisco glosar a dedução de juros sobre capital próprio procedida pelo contribuinte por considerar inexistentes os saldos negativos pleiteados na DIPJ/1998 e 2000 retificadoras, reconhecendose somente o saldo negativo do IRPJ apurado na DIPJ/2000 original. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo à declaração do contribuinte informando o seu direito creditório junto ao Fisco, por meio da entrega da DIPJ, a autoridade administrativa goza de 5 (cinco) anos para rever o ato praticado pelo contribuinte, sob pena de preclusão do seu direito. O saldo credor de IRPJ e CSLL apurados pela recorrente pode ser utilizado para fins de compensação com qualquer tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, num prazo de 5 (cinco) anos, o mesmo prazo também é válido para o fisco conferir a validade dos créditos. Tal prazo (5 anos) também é aplicável ao Fisco Federal, pois segundo a Portaria SRF nº 1.265, de 22 de novembro de 1999, a fiscalização poderá verificar a correspondência entre os valores declarados e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal, em relação aos tributos e contribuições administrados pela SRF, nos últimos cinco anos. O crédito líquido e certo do saldo credor de IRPJ e CSLL são apurados com base na DIPJ entregue pelo contribuinte e, como se detém deste processo, as declarações retificadoras de DIPJs foram transmitidas em 11/03/2002, no entanto, o Fisco apenas manifestouse sobre as referidas declarações em julho de 2007, tempo em que já estava impedida de deliberar acerca da liquidez e certeza do crédito postulado em pedido de restituição ou em compensação declarada pelo contribuinte. Isto porque, como se sabe, a razão de ser do Direito é a regulação das condutas humanas nas suas relações de intersubjetividade. Ele projetase para o futuro, no momento em que dispõe, no antecedente normativo de uma norma geral e abstrata, de uma conduta de possível ocorrência no mundo social, porém se volta para o passado, colhendo as Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.109 22 condutas que juridiciza no presente, ou seja, o processo de positivação do direito parte da previsão hipotética de um fato de possível ocorrência no mundo fenomênico, e caso aconteça, se volta para o passado, relatando em linguagem competente o acontecimento daquele evento, surgindo o fato jurídico, gerando os devidos efeitos legais no presente. O direito não pode se perpetuar no tempo porque o seu objetivo principal é trazer a paz e estabilidade das relações sociais. Logo, o próprio sistema cria mecanismos para garantir a estabilidade do processo de positivação para que não se eternize no tempo. É o que ocorre no caso da coisa julgada, prescrição e decadência. A decadência rompe o processo de positivação do direito, determinando a imutabilidade dos direitos subjetivos protegidos pelos seus efeitos, estabilizando as relações jurídicas. Ela é um mecanismo do sistema jurídico para absorção de incertezas. Esse instituto, por razões de estabilidade jurídica, prestigia a transitoriedade das relações econômicas. Regra de decadência tem caráter técnico voltado para a segurança jurídica em seu embate com o tempo. São regras indiferentes à ideia de justiça, como constata Eurico Marcos Diniz de Santi, vejamos: “O tempo consome os fatos e o direito que deles advém. No tempo, a lei ganha sentido, nasce direito. No tempo morrem os fatos, somem as provas. No tempo, e pelo tempo, o direito extingue o direito: ocorre a decadência e a prescrição. Cego tal qual Chronos, o direito, implacável, devora o direito que de sua seiva surge. Decadência e prescrição não são formas de fazer justiça. São formas concretas que o direito encontrou para conviver com esse deus tão poderoso: o tempo.” É em decorrência desses argumentos que não se pode aceitar as afirmações da decisão ora recorrida, pois se fosse assim a fiscalização poderia dirigirse a qualquer contribuinte solicitando documentos fiscais declarações prestadas ao Fisco a 30 (anos) atrás sob o argumento que a decadência não fluiria em desfavor do fisco quando outros fatos jurídicos tributários sejam capazes de repercutir em períodos de apuração futuros, trazendo assim uma enorme insegurança e incerteza ao sistema jurídico. Assim, DOU provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte, homologando as compensações até o limite do crédito pleiteado. Mérito Da inexistência de prazo para deliberação sobre pagamento/creditamento dos JCP Mesmo não havendo necessidade de deliberarse sobre o mérito, uma vez que acatouse a preliminar acima suscitada pelo contribuinte, verificase a importância de declarar se diante da posição adotada quanto à questão meritória adotada pela instância julgadora “a quo”. Analisando o mérito, a autoridade julgadora não ter existido, nos anos calendários de 1997 e 1999, a despesa referente a juros sobre o capital próprio, no montante de Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.110 23 R$5.795.716,33 e R$ 13.472.239,27, deduzidas na declarações retificadoras, uma vez que a contabilização do referido valor, a título de juros sobre o capital próprio, foi efetuada no ano calendário de 2001, como também não houve o pagamento tempestivo do IRRF incidente sobre o suposto valor dos juros de capital próprio, tendo a contribuinte lançado mão de um artifício para justificar o cumprimento do art. 9º, § 2º, da Lei nº 9.249 de 1995, que consistiu em reduzir em sua DIRPJ retificadora o valor do IRRF anteriormente informado, de R$869.357,45, para zero. Fundamentou seu entendimento no art. 29 da IN SRF nº 11/96, onde consta que a dedutibilidade – para fins de determinação do lucro real – dos juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, deve obedecer ao regime de competência. Assim, o r. Acórdão debatido, alcançou que o valor relativo à remuneração de capital próprio deve ser deduzido como despesa financeira, na apuração do resultado do exercício, e que se entende ocorrido seu crédito individualizado, consoante o disposto no artigo 9º da Lei nº 9.249/1995, quando a despesa é escriturada, no períodobase ao qual compete, em contrapartida a conta específica, no passivo exigível, que represente os créditos do sócio ou acionista. Os beneficiários dos juros creditados ou pagos, na hipótese de serem também pessoas jurídicas, devem registrálos contabilmente, observandose, igualmente, o regime de competência dos exercícios. Ponderou que a o pagamento ou crédito de JCP, bem como sua dedutibilidade nos termos e condições estabelecidos pela Lei nº 9.249, de 1995, constituem uma faculdade concedida à pessoa jurídica. Ponderou também, que o período de competência dos JCP é o mesmo da deliberação sobre seu pagamento. No entanto, afirmou que não se pode admitir que não haja prazo definido para tal deliberação. O direito de exercer a opção pelo pagamento ou crédito de JCP não pode subsistir sem que haja algum limite temporal. Essa faculdade não pode ser exercida a qualquer tempo, depois de encerrado o período de apuração do respectivo resultado, como pretende a Impugnante. Portanto, a DRJSDR concluiu que a dedução dos juros sobre o capital próprio, é uma faculdade, que pode ser exercida ou não pela pessoa jurídica, em relação ao período de apuração a que competirem, e quando, dentro das condições e limites fixados, estes são efetivamente pagos ou creditados e devidamente contabilizados. Não merecem acolhimento as razões expostas no v. Acórdão. tornase indispensável a análise da legislação que permite o pagamento de JCP. Vejamos: Lei nº 9249/95 Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.111 24 Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. § 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. § 3º O imposto retido na fonte será considerado: I antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real; II tributação definitiva, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, ressalvado o disposto no § 4º; § 4º No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, os juros de que trata este artigo serão adicionados à base de cálculo de incidência do adicional previsto no § 1º do art. 3º. (Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996) § 5º No caso de beneficiário sociedade civil de prestação de serviços, submetida ao regime de tributação de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, o imposto poderá ser compensado com o retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos sócios beneficiários. § 6º No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto de que trata o § 2º poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. § 7º O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.112 25 dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º. § 8º Para os fins de cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será considerado o valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa jurídica, exceto se esta for adicionada na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido. Observase que referido artigo dispõe sobre o modo como devem ser remunerados os juros sobre o capital próprio, estabelecendo que os lucros devem ser calculados antes da atribuição dos juros e que no cálculo da remuneração não será considerado o valor da reserva de reavaliação no patrimônio líquido da pessoa jurídica. Portanto, a legislação trouxe, única e exclusivamente, duas limitações para a possibilidade de dedução dos JCP para a apuração do Lucro Real. O artigo acima transcrito não faz nenhuma restrição temporal acerca do pagamento de juros sobre o capital próprio. Assim, em observância ao princípio da legalidade, a fiscalização não poderia ter atribuído um prazo para o pagamento de JCP senão em virtude de lei. Isso porque, os juros sobre capital próprio constituem uma remuneração dos acionistas em razão dos investimentos realizados na sociedade pagadora dos juros e deve levar em consideração o exercício social da empresa, o que pode não coincidir com o exercício fiscal. Diante disso, os juros podem ser pagos sobre quaisquer períodos de tempo, sejam eles coincidentes com o anocalendário, com exercício social ou com períodobase fiscal. Ou seja, é necessário segregar as implicações no âmbito da legislação comercial e das normas que regulam a dedutibilidade fiscal. Ato continuo, mesmo na eventualidade de considerar que a ausência de deliberação do JCP em exercícios anteriores conduziria à caducidade do direito à dedução do valor do lucro real (direito material), o argumento não prosperaria em virtude da ausência de fundamento legal que ampare esse raciocínio. Isso porque, como bem salientou a DRJ, a deliberação do pagamento de JCP é uma faculdade dos acionistas. Lado outro, a caducidade extingue o direito pelo fato de seu Titular quedarse inerte e não exercer seu direito dentro do prazo legal ou convencional. Ora, se a lei não define prazo para que seja exercida a faculdade atribuída ao contribuinte, não há Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.113 26 que se falar em perda do direito por decurso de prazo que não foi limitado ou fixado por ato legal. Deste modo, não merece prosperar o argumento de preclusão temporal, vez que esse instituto não é aplicável à perda de direito material e tampouco existe previsão legal de prazo para deliberação de pagamento de JCP. Outro ponto que deve ser esclarecido é a alegação da DRJ no sentido de que “é verdade que inexiste vedação expressa a que a sociedade delibere o pagamento de JCP calculados com base em contas de patrimônio líquido de exercício pretérito. Mas também é exato que a lei consagra o princípio da competência no tratamento contábil de despesas. Se não se deliberou na época própria o pagamento ou creditamento dos juros, a conclusão óbvia é que houve renúncia ao direito facultado pela lei.” Equivocase, entretanto, o órgão julgador ao realizar tal afirmação, porque a renúncia a direitos sempre deve ser expressa, não sendo presumida pelo simples não exercício de determinada faculdade, salvo nos casos em que houver expressa previsão legal, que, definitivamente, não é a hipótese dos autos. Analisando o art. 114 do Código Civil, incluso no Capítulo das Disposições Gerais do Negócio Jurídico, cuja redação alerta que “os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretamse estritamente”. Ora, se não há previsão legal sobre a configuração de renúncia de direito no caso de ausência da deliberação do pagamento dos JCP, se até mesmo no Direito Privado a renúncia deve ser interpretada de forma restrita, não vejo como o silêncio do acionista/cotista ser interpretado como ato volitivo de abdicação de direito, gerando efeitos tributários! Ademais, mesmo no caso de se entender pela desobediência do regime de competência, como fundamentou a DRJ, não seria o caso de prosperar o lançamento. Isso porque, o RIR/99 disciplina em seu art. 273 como e quando deve ser realizado o lançamento no caso de inobservância do regime de competência. Confirase a redação do citado dispositivo, litteris: Art. 273. A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, atualização monetária, quando for o caso, ou multa, se dela resultar (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 5º): Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.114 27 I a postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido; ou II a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. § 1º O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao período de apuração de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período de apuração a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no § 2º do art. 247 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 6º). § 2º O disposto no parágrafo anterior e no § 2º do art. 247 não exclui a cobrança de atualização monetária, quando for o caso, multa de mora e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 7º, e DecretoLei nº 1.967, de 23 de novembro de 1982, art. 16). Depreendese da leitura do dispositivo acima, que somente constitui fundamento para o lançamento de imposto ou diferença de imposto (inclusive adicional, correção monetária e multa) se dá inobservância do regime de competência resultar postergação do seu pagamento para exercício posterior ao em que seria devido ou redução indevida do lucro real em qualquer períodobase. Entretanto, o pagamento retroativo de JCP não se enquadra nessa hipótese, justamente porque há a antecipação – e não postergação – do imposto devido, na medida em que a pessoa jurídica opta por deduzir em exercícios subsequentes despesas financeiras que já poderia reduzilas do lucro tributável dos anoscalendário anteriores, caso tivesse optado pela deliberação do pagamento do JCP naquela época. Por fim, de acordo com o Pronunciamento CPC nº 25 passivo “é uma obrigação presente da entidade, derivada de eventos já ocorridos, cuja liquidação se espera que resulte em saída de recursos da entidade capazes de gerar benefícios econômicos.” Fl. 1114DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.115 28 Desta forma, a obrigação de pagamento de JCP somente se torna “obrigação presente” quando da deliberação pelos sócios. A razão é simples: é apenas por meio da deliberação que nasce para a pessoa jurídica a obrigação de remunerar o capital dos sócios. Por outro lado, o direito de exigir a referida remuneração somente surge para os sócios a partir do momento em que deliberam pelo pagamento dos JCP, valendo frisar que não existe nos instrumentos normativos que regulam a matéria qualquer imposição de que a dedução dos JCP deva ser realizada no mesmo exercício financeiro em que realizado o lucro da empresa. O período de competência é, portanto, marcado pelo momento da deliberação dos sócios pelo seu creditamento ou pagamento, não havendo qualquer objeção legal à distribuição acumulada de JCP. O pagamento retroativo e acumulado de JCP é pautado exclusivamente pelos critérios de conveniência financeira da pessoa jurídica e dos seus sócios, cabendolhes a faculdade de deliberar ou não pelo seu pagamento no mesmo ano em que apurado o lucro ou nos exercícios subsequentes, não havendo que se falar em renúncia ou preclusão temporal desse direito. Entender o contrário é violar o princípio do livre exercício da atividade econômica, pois o Fisco, além de não ter respaldo legal para impedir a dedução retroativa do pagamento dos juros sobre capital próprio (já que a legislação não impõe que a dedução dos juros sobre capital próprio deva ser feita no mesmo exercíciofinanceiro em que realizado o lucro da empresa), também não tem o direito de interferir na gestão dos negócios da empresa. Tratandose de lançamento reflexo da CSLL, a solução dada ao lançamento matriz é aplicável, no que couber, ao lançamento decorrente, ante a íntima relação de causa e efeito que os vincula. Em razão do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Conclusão Em razão do exposto, voto pelo INTEGRAL PROVIMENTO do presente Recurso, acatando a preliminar de decadência do direito de o Fisco manifestarse sobre a liquidez e certeza do direito creditório após decorridos 5 (cinco) anos da entrega da declaração retificadora pelo contribuinte. É como voto. Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.116 29 (documento assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 1116DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.117 30 Voto Vencedor Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior Redator designado. Com a devida vênia, ouso divergir do voto do I. Relator, pelas razões a seguir expostas. De plano, já sustento que está correta a decisão da DRJ, pois não se pode aplicar uma regra decadencial do direito de o Fisco constituir o crédito tributário, seja o art. 173, I, ou o art. 150, § 4º, ambos do CTN, para limitar no tempo o direito de o Fisco verificar se o contribuinte tem direito creditório, in casu, SNIRPJ e SNCSLL. Ora, por mais conhecidos que sejam, vale trazer à colação os artigos do CTN em tela, primeiro, vejamos o art. 150: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Tal dispositivo trata de lançamento por homologação, ou seja, quando o contribuinte tem a obrigação de antecipar o pagamento do tributo antes de qualquer ação fiscal. A regra do § 4º apenas estipula um prazo para o Fisco verificar se o pagamento foi feito em conformidade com a legislação, sob pena de considerálo tacitamente homologado. É absurda a aplicação de tal norma na espécie, a não ser que os meus pares queiram instituir de lege ferenda uma nova homologação com base no § 4º em tela: a “homologação de direito creditório” após 5 anos de sua declaração na DIPJ. Tal interpretação desborda por completo os parâmetros hermenêuticos da norma em tela, pois só a Lei poderia chegar a tanto. Melhor sorte também não tem aqueles que entendem ser aplicável o art. 173, I, se não vejamos como dispõe: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Ora, o art. 173 estipula prazo para o Fisco constituir o crédito tributário, não para reconhecer direito creditório de contribuintes. É um erro conceitual do que seja decadência. A decadência decorre de uma inércia do titular no gozo de um direito potestativo, assim, quando falamos do direito de constituir o crédito tributário – que é um direito potestativo – a inércia do Fisco por um determinado prazo, faz com que tal direito pereça, Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.118 31 evento que chamamos de decadência tributária, seja pela regra do art. 173, I ou do art. 150, § 4º, ambos do CTN. Tanto na decadência como na prescrição são dois os fatores de sua ocorrência: a inércia do credor e o transcurso de um prazo legal. Ora, quando estamos tratando de direito creditório, o titular do direito não é o Fisco, mas o contribuinte. Assim, como falar em inércia do Fisco se o gozo do direito depende de seu titular, o contribuinte. Notese que a partir do momento que o contribuinte apurou o SNIRPJ e SNCSLL, começou a correr o prazo do art. 168 do CTN, para que ele contribuinte pleiteasse a restituição ou compensação do seu crédito. Ao fazer o pedido de compensação/ restituição do direito creditório em 20/02/2003, abriuse o prazo de 5 anos para que o Fisco se pronuncie, sob pena de haver a homologação tácita, conforme previsto no § 5º do art. 74 da Lei 9.430/96. Nesse período de 5 anos, o Fisco tinha o dever de verificar a existência do direito creditório pleiteado, seja lá a qual período ele se referisse. Ou seja, os cinco anos da apresentação da DCOMP é o único prazo legal imposto ao Fisco para concluir a investigação sobre a existência do direito creditório pleiteado pelo contribuinte. Ora, no caso em tela, a recorrente retificou, em 11/03/2002, a DIRPJ dos anoscalendários de 1997 de 1999, para deduzir ali despesas com JCP pagos em 2001, o que gerou ao final uma redução das bases tributáveis do IRPJ e CSLL e, em consequência, IRPJ e CSLL a restituir (saldos negativos de IRPJ e CSLL). O recorrente sustenta, sem qualquer base legal, a existência de um prazo decadencial para o Fisco revisar a DIPJ/DIRPJ, o qual seria de 5 anos da data da apresentação da retificadora. Equivocase a recorrente, pois não existe esse prazo na legislação de regência. O prazo que tem o Fisco é o de cinco anos do fato gerador para constituir TRIBUTO, em caso de lançamento por homologação, o qual não se interrompe ou suspende pela apresentação de DIPJ retificadora. Somese a isso o fato de que o Fisco não revisitou a DIPJ para constituir tributo, mas para verificar se o recorrente tinha o direito creditório pleiteado. Digase en passant, que a única hipótese de interrupção do prazo decadencial tributário está prevista no art. 173, II, do CTN, o qual não se aplica na espécie. Assim, o recorrente e o I. Relator estão a criar de lege ferenda uma nova hipótese de interrupção do prazo decadencial, pela apresentação da DIPJ/DIRPJ retificadora, quando sustentam que o Fisco teria mais 5 anos para apurar o lucro real de 1997 a partir da data da apresentação da retificador em 11/03/2002. Por essas razões, voto por afastar a preliminar de decadência acolhida pelo I. Relator. No mérito, a única questão a ser dirimida, então, é saber se o contribuinte poderia considerar dedutível, nos anoscalendários de 1997 e 1999, os JCP contabilizados como crédito a sócios em 2001. Em situação fática diferente da ora examinada, na qual o contribuinte deduz JCP pagos em um ano, mas referentes a anos anteriores, tenho sustentado que os limites de que tratam o § 1º e o caput do art. 9o da Lei 9.249/95, obrigatoriamente, devem se referir ao mesmo período, ou seja, tanto os lucros e os saldos dos lucros acumulados e reserva de lucros, como a variação da TJLP e os saldos das contas de PL, todos devem se referir ao ano em que há o pagamento dos JCP. No caso, embora a situação seja diferente, a conclusão é a mesma por motivo diverso, se não vejamos. Fl. 1118DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.119 32 O art. 9º da Lei 9.249/95, ao instituir os JCP, criou, em verdade uma despesa dedutível das bases tributáveis do IRPJ e da CSLL, se não vejamos: "Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. § 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. (...)" Nesse sentido, a IN SRF 11/1996, no parágrafo único do art. 30, dispôs que, para efeito de dedutibilidade na determinação do lucro real, os juros pagos ou creditados, ainda que imputados aos dividendos ou quando incorporado ao capital social ou mantido em conta de reserva destinada a aumento de capital., deverão ser registrados em contrapartida de despesas financeiras. Não obstante o disposto na lei, é verdade que a Deliberação CVM nº 207, de 13/12/1996, determinou que as companhias não lançassem em resultado a despesa financeira com JCP, mas que fossem lançados a débito de lucros acumulados. A referida deliberação ainda dispunha que: "VIII Caso a companhia opte, para fins de atendimento às disposições tributárias, por contabilizar os juros sobre o capital próprio pagos/creditados ou recebidos/auferidos como despesa ou receita financeira, deverá proceder à reversão desses valores, nos registros mercantis, de forma a que o lucro líquido ou o prejuízo do exercício seja apurado nos termos desta Deliberação." Essa deliberação da CVM, levava os contribuintes a não lançar a contrapartida dos JCP em resultado como despesa financeira, mas a lançar como exclusão do lucro líquido para fins de apuração do lucro real. No entanto, para fins tributário a contrapartida dos JCP são despesas financeiras e, como tal, devem observar o regime de competência. Notese que, no caso em tela, os JCP foram lançados em conta de passivo (Juros a sócios) apenas em 2001, ou seja, é a própria contabilidade da recorrente que reconheceu a despesa como da competência do ano de 2001. Assim, não houve, em 2001, apenas a realização financeira de uma despesa contabilizada, pelo regime de competência, em 1997 e 1999. Na verdade, a despesa foi reconhecida pela própria recorrente como sendo da competência do ano de 2001, pois, em 1997 e 1999, a recorrente apenas lançou indevidamente os valores como exclusões do lucro líquido. Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 10510.000508/200362 Acórdão n.º 1302002.098 S1C3T2 Fl. 1.120 33 Situação diversa seria aquela em que os JCP fossem registrados em conta de passivo nos anos de 1997 e 1999 e apenas o pagamento fosse feito aos sócios (realização financeira) em 2001. Não obstante, haja questões específicas envolvendo a dedutibilidade dos JCP da base ajustada, deixo de abordálas já que tais questões restam prejudicadas pelas conclusões acima expostas, as quais levam também por não reconhecer o SNCSLL em tela. Por essas razões, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Fl. 1120DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.907622/2012-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2008
ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO
O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido.
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.399
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araujo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2008 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado.
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. Recorrente PARATI S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araujo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 76 22 /2 01 2- 34 Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10925.907622/201234 Acórdão n.º 3302004.399 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER) eletrônico por meio da qual a contribuinte solicita restituição de valor que teria sido indevidamente recolhido a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba SC pelo indeferimento do pedido de restituição, mediante Despacho Decisório, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para restituição. Inconformada com o indeferimento do PER, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade na qual alega que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A DRJ julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 07034.038. O fundamento adotado, em síntese, foi: (i) que, pagamentos efetuados mediante DARF (vinculados a débitos declarados em DCTF) somente se caracterizam como indevidos ou a maior, quando o contribuinte retifica a DCTF, informando corretamente o débito (a menor); e (ii) que, não procede a alegação da contribuinte de que o ICMS não compõe as bases de cálculo da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins; e (iii) que o órgão administrativo não pode ser pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Intimada de decisão piso, a Recorrente interpôs tempestivamente recurso voluntário, aduzindo (i) ausência de previsão legal exigindo a retificação da DCTF como condição para a restituição; (ii) inconstitucionalidade e ilegalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS; (iii) sobrestamento do feito até o transito em julgado da decisão proferida pelo STF (RE 574.706). É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.379, de 28 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10925.907614/201298, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.379): Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10925.907622/201234 Acórdão n.º 3302004.399 S3C3T2 Fl. 4 3 "I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 19.03.2014 (fls.43) e protocolou Recurso Voluntário em 07.04.2014 (fls.4653), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche o requisito de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Mérito II.1 Inconstitucionalidade de lei tributária Súmula CARF nº 02 Inicialmente é imperioso destacar que nos termos da Súmula nº 02 "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Deste modo, a análise da inconstitucionalidade da legislação tributária envolvendo a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS resta totalmente prejudicada. II.2 Ausência de retificação da DCTF direito creditório É incontroverso nos autos que a Recorrente não retificou a DCTF antes de apresentar o Pedido de Restituição (PER) Eletrônico nº 15219.42808.210808.1.2.043337, fato este que para fiscalização obsta o direito ao crédito buscado pelo contribuinte. Contudo, o fato de a Recorrente não ter retificado a DCTF antes de apresentar o pedido de restituição, por si só, não é motivo suficiente para que seu crédito não seja reconhecido, podendo, tal procedimento, ser superado com a apresentação de provas capazes de comprovar a existência de erro na apuração contábil/fiscal e consequentemente do pagamento indevido ou a maior alegado pelo contribuinte, nos termos do §1º ao art. 147 do CTN, a saber: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. §1º. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. No presente caso, a Recorrente não trouxe aos autos documentos necessários e substanciais à comprovar suas alegações e demonstrar a origem do crédito apresentado no Pedido de Restituição (PER) Eletrônico nº 15219.42808.210808.1.2.043337, alegando, pura e simplesmente que o citado pedido referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10925.907622/201234 Acórdão n.º 3302004.399 S3C3T2 Fl. 5 4 Com efeito, o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC2). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o indeferindo do crédito é medida que se impõe. Nesse sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/ RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/ PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Pertinente destacar a lição do professor Hugo de Brito Machado, a respeito da divisão do ônus da prova: No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado)3 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor 3 Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 3. ed., São Paulo: Dialética, 1998, p.252. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10925.907622/201234 Acórdão n.º 3302004.399 S3C3T2 Fl. 6 5 Somase a isso, que a escrituração somente faz prova a favor do sujeito passivo se acompanhada por documentos hábeis à comprovar a origem do crédito pleiteado, conforme previsão contida no artigo 26, do Decreto nº 7574/20114. Superada essa questão, passase a análise da matéria sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS. II.3 ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente, sem contudo provar, que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação dos RE´s 240.785 2/MS e 574.706. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302 004.158): A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 4 Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9o, § 1o). Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10925.907622/201234 Acórdão n.º 3302004.399 S3C3T2 Fl. 7 6 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10925.907622/201234 Acórdão n.º 3302004.399 S3C3T2 Fl. 8 7 técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui se na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10925.907622/201234 Acórdão n.º 3302004.399 S3C3T2 Fl. 9 8 de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158 35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10925.907622/201234 Acórdão n.º 3302004.399 S3C3T2 Fl. 10 9 § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706 RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. II.4 Sobrestamento do processo Por fim, a Recorrente pleiteou o sobrestamento do feito até o julgamento definitivo do RE 504.706, suplicando pela aplicação do princípio da economia processual. Com todo respeito ao pedido formulado pela Recorrente, as hipóteses de sobrestamento do feito previstas no Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, não albergam o pedido do contribuinte, logo, deve ser afastado o requerimento anteriormente citado, por total ausência de fundamento legal. III. Conclusão Diante do exposto, considerando que a Recorrente não comprovou a origem do crédito e, que a decisão do Superior Tribunal de Justiça (REsp 1.144.469/PR), aplicável ao presente caso, é no sentido de manter o ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10925.907622/201234 Acórdão n.º 3302004.399 S3C3T2 Fl. 11 10 Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente e, não obstante a Recorrente não ter retificado a DCTF antes de apresentar o pedido de restituição, não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 66DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.901246/2011-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO
Não pode ser homologada uma compensação, cujos créditos não foram comprovados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.474
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente COMERCIAL PARISENTI LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO Não pode ser homologada uma compensação, cujos créditos não foram comprovados. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação DCOMP, apresentada pela contribuinte acima qualificada Em análise da compensação intentada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC decidiu não homologála em razão de que o valor recolhido via DARF, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 12 46 /2 01 1- 93 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10925.901246/201193 Acórdão n.º 3301003.474 S3C3T1 Fl. 3 2 indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para o pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados no PER/DCOMP. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, na qual defende, inicialmente, que os débitos exigidos não compensados devem ficar com a exigibilidade suspensa em razão da apresentação da manifestação de inconformidade. Quanto ao mérito, a contribuinte alega, em síntese, que apurou créditos, passíveis de compensação, oriundos do recolhimento indevido de tributos, uma vez reconhecido seu direito de recolher as contribuições – PIS e Cofins – nos moldes previstos no artigo 3º, §2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98. A DRJ em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 07030.872. O fundamento adotado foi o de que, quando a compensação declarada pelo sujeito passivo está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em que alega o seguinte: a) que o débito, cuja compensação não foi homologada, deve permanecer com a exigibilidade suspensa, em razão da apresentação do recurso voluntário; b) que não há dispositivo legal que vede a compensação de tributos, nos casos em que a DCTF retificadora, em que foi demonstrada a existência do pagamento indevido, tenha sido apresentada após a transmissão da Declaração de Compensação (DCOMP); e c) que a multa de ofício de 150% cobrada da Recorrente não se aplica a compensações indevidas e que não poderia ser superior a 20%, além de afrontar os princípios da proporcionalidade e finalidade dos atos da administração pública e a própria Consituição Federal, em razão de seu caráter confiscatório. Em relação à alegação mencionada na letra "c", cumpre destacar que o débito, cuja compensação não foi homologada, está sendo cobrado, acrescido de multa de mora de 20% e não de multa de ofício de 150%, além de juros Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.444, de Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10925.901246/201193 Acórdão n.º 3301003.474 S3C3T1 Fl. 4 3 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10925.901334/201276, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.444): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Tratase de Despacho Decisório que não homologou compensação pleiteada por meio de DCOMP, em razão de o alegado pagamento a maior não constar nos registros da Receita Federal do Brasil (RFB). Nos autos, encontramse a DCOMP, o Despacho Decisório e extratos da RFB, contendo detalhamento da compensação e histórico da transmissão da DCOMP. Não há cópias de Declarações de Débitos e Créditos Federais Tributários Federais (DCTF). Na manifestação de inconformidade, a Recorrente informou que efetuara pagamentos a maior e apresentou as bases legais que dariam suporte à compensação. Nada dispôs sobre a DCTF original, na qual teria sido incluído o DARF indicado na DCOMP como fonte do crédito (pagamento a maior), e tampouco se fora retificada. Também não carreou aos autos cópias de DCTF. A DRJ (fls. 37 a 40) ratificou o Despacho Decisório, sob a alegação de que na data da protocolização da DCOMP, a DCTF que constava no banco de dados da RFB não indicava a existência de crédito, consistente em pagamento a maior de tributo. E que uma DCTF retificadora somente pode suportar uma compensação, cuja DCOMP tenha sido apresentada na mesma data ou posteriormente. No recurso voluntário, foram apresentados os seguintes argumentos para sustentar a compensação: a) que o débito cuja compensação não foi homologada deve permanecer com a exigibilidade suspensa, em razão de apresentação do recurso voluntário; b) que não há dispositivo legal que vede a compensação de tributos, nos casos em que a DCTF retificadora, em que foi demonstrada a existência do pagamento indevido, tenha sido apresentada após a transmissão da Declaração de Compensação (DCOMP); e c) que a multa de ofício de 150% cobrada da Recorrente não se aplica a compensações indevidas e que não poderia ser superior a 20%, além de afrontar os princípios da proporcionalidade e finalidade dos atos da administração pública e a própria Constituição Federal, em razão de seu caráter confiscatório. Em relação à letra "a", nada há que se falar, pois nenhuma controvérsia há sobre a questão: o inc. III do art. 151 da Lei n° 5.172/66 (Código tributário Nacional CTN) dispõe que a apresentação de recurso, nos termos das normas que regulam o processo administrativo, suspende a exigibilidade do crédito tributário. O disposto na letra "c" também não merece comentários, haja vista que não houve lançamento de ofício e, por conseguinte, multa dele derivada. O débito originalmente compensado com o crédito não comprovado está sendo cobrado com o acréscimo de multa de mora de 20% e juros Selic. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10925.901246/201193 Acórdão n.º 3301003.474 S3C3T1 Fl. 5 4 Finalmente, sobre o tema central, a adequação ou não da compensação realizada, parcialmente tratada pela Recorrente na letra "b", voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Não resta dúvida acerca da possibilidade legal defendida pela Recorrente de compensar tributos pagos a maior com débitos tributários. Também não me oporia a legitimar a compensação pretendida, pelo simples fato de que a DCTF retificadora, com indicação do pagamento a maior, tivesse sido apresentada após a protocolização da DCOMP, desde que restasse comprovado que o crédito tributário já existia à época da liquidação do débito tributário. Com efeito, regra geral, a compensação é possível até mesmo se o crédito tiver surgido após o vencimento do débito, desde que a este sejam acrescidos os devidos encargos moratórios. Porém, no caso em tela, não se encontram os elementos probatórios essenciais à confirmação do crédito, quais sejam: a DCTF retificadora propriamente dita e a demonstração do cálculo do débito e sua comparação com o DARF pago, indicando o pagamento a maior. Temos apenas as alegações da Recorrente de que retificara a DCTF e que detinha o crédito. Alegações, contudo, desacompanhadas das devidas comprovações. Desta forma, não me resta alternativa que não a de negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não se encontram os elementos probatórios essenciais à confirmação do crédito, quais sejam: a DCTF retificadora propriamente dita e a demonstração do cálculo do débito e sua comparação com o DARF pago, indicando o pagamento a maior. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 66DF CARF MF
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Numero do processo: 13609.001084/2009-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/08/2005
IPI. CRÉDITO. MULTA ISOLADA DE 150%. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. CABIMENTO. É cabível a multa isolada de 150%, quando se constata falsidade por parte do Contribuinte, o que se caracteriza pela inclusão, na Declaração, de créditos que o Contribuinte sabe serem inexistentes, de fato ou de direito, seja pela não comprovação dos respectivos recolhimentos, seja por não haverem sido comprovado nos autos a respectiva emissão da Nota Fiscal de compra.
ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CABIMENTO. Aos órgãos de julgamento administrativo é vedado pronunciar-se sobre argüições de inconstitucionalidade de lei. Súmula CARF nº 2.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Não há incompatibilidade da Lei nº 8.981/95 com as disposições do artigo 161, § 1º do CTN. Precedentes judiciais e administrativos. Inteligência da Súmula CARF nº 4 e 5.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.277
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e negar-lhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/08/2005 IPI. CRÉDITO. MULTA ISOLADA DE 150%. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. CABIMENTO. É cabível a multa isolada de 150%, quando se constata falsidade por parte do Contribuinte, o que se caracteriza pela inclusão, na Declaração, de créditos que o Contribuinte sabe serem inexistentes, de fato ou de direito, seja pela não comprovação dos respectivos recolhimentos, seja por não haverem sido comprovado nos autos a respectiva emissão da Nota Fiscal de compra. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CABIMENTO. Aos órgãos de julgamento administrativo é vedado pronunciarse sobre argüições de inconstitucionalidade de lei. Súmula CARF nº 2. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Não há incompatibilidade da Lei nº 8.981/95 com as disposições do artigo 161, § 1º do CTN. Precedentes judiciais e administrativos. Inteligência da Súmula CARF nº 4 e 5. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 10 84 /2 00 9- 48 Fl. 127DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração referente a Multa Isolada, em função do PER/DCOMP n° 04313.19328.310805.1.3.016687, no qual o contribuinte pleiteia ressarcimento de crédito básico de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) no valor de R$ 973.000,00 (novecentos e setenta e três mil), relativo ao 2° trimestre de 2005, e compensação. Conforme consta da Informação Fiscal às fls. 48/49, o PER/DCOMP n° 04313.19328.310805.1.3.016687, foi transmitido no dia 31/08/2005 e compensava com o suposto crédito de IPI valores declarados em DCTF pelo contribuinte no valor de R$ 972.690,17. Verificouse que o referido PER/DCOMP apresenta todos os campos "zerados", exceto os dados referentes ao crédito no valor de R$ 973.000,00, referente a Nota Fiscal n° 124.578, no valor de R$ 3.000.000,00. A fiscalização, em análise ao livro de apuração do IPI da Recorrente, no período fiscalizado, constatou a inexistência de lançamento da Nota Fiscal nº 124.578 que constava do PER/DCOMP. Regularmente intimada a justificar tal fato, o contribuinte apresentou resposta à fiscalização, informando que desconhecia a Nota Fiscal de entrada de n° 124.578, não se referindo a qualquer operação com a empresa. Posteriormente foi lavrado o Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos à empresa MULTILASER INDUSTRIAL LTDA, CNPJ 59.717.553/000102, emitente da Nota Fiscal nº 124.578, a qual foi intimada a apresentar o referido documento fiscal de saída das mercadorias. Em resposta a Multilaser Industrial Ltda., apresentou a Nota Fiscal n° 124.578 que contém o valor, data e destinatário divergente do informado no PER/DCOMP transmitido pela Siderúrgica Bandeirante Ltda. A autoridade lançadora, ante os fatos expostos, indeferiu o Pedido de Ressarcimento de IPI e compensações, relativas ao PER/DCOMP n° 04313.19328.310805.1.3.016687 e lançou a penalidade prescrita no art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003 e art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, por restar caracterizado o evidente intuito de fraude e sonegação fiscal, visto que, segundo seu entendimento, a transmissão do PERD/DCOMP não se caracterizava como simples erro por informar débitos próprios da contribuinte compensados com crédito sabidamente inexistentes. Devidamente cientificada do lançamento, a Recorrente apresentou sua impugnação, na qual contesta a compensação indevida; contesta a falta de recolhimento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e a falta de recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL); contesta a ação fiscal que concluiu que a interessada teria deixado de incluir na apuração do Lucro Real Trimestral o valor devido a titulo de CSLL; a indedutibilidade da CSLL para fins de apuração do lucro real revelase arbitrária e abusiva por parte do Fisco Federal; alega o desrespeito ao principio constitucional da vedação ao Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13609.001084/200948 Acórdão n.º 3402004.277 S3C4T2 Fl. 128 3 confisco, em vista da exorbitante multa aplicada sobre o débito exigido; argúi a ilegalidade da Taxa Selic para fins de juros moratórios ou de correção moratória; requer, por fim a improcedência do auto de infração, ou ao menos que seja reduzida a multa aplicada e excluída a Taxa Selic. A 5ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife, em sessão de julgamento datada de 29/07/2011, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. O acórdão 1134.535 foi assim ementado (fls. 87/92): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 MULTA ISOLADA. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. O principio constitucional da vedação ao confisco está direcionado ao legislador infraconstitucional, no momento da edição da lei, e ao Poder Judiciário, no exercício do controle de constitucionalidade de normas. Não se aplica i atividade de constituição do crédito tributário, vez que a autoridade fiscal está vinculada is disposições constantes do texto legal. Também não há que se falar de sua aplicabilidade na atuação desta instância julgadora, por ser vedada, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a análise de normas mediante critérios de constitucionalidade. JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL. EFEITOS As decisões judiciais fazem coisa julgada is partes, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Não sendo parte do processo judicial, a decisão não é aplicável ao sujeito passivo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em 16/01/2012 (fl. 98), a Recorrente tomou ciência do resultado do julgamento da primeira instância. Contra essa decisão, em 14/02/2012 (fl. 101), foi interposto o recurso voluntário (fls. 101/106), para reiterar os argumentos da peça impugnatória e acrescentou, em resumo, os seguintes pontos: a) falta de motivação do lançamento efetuado, a título de multa isolada: o Fisco tomou como base informações inverídicas, que não têm o condão de impor o nascimento de obrigação tributária. Como todo ato administrativo, para a validade do lançamento é necessário que estejam presentes os motivos ensejadores da prática de tal ato, ou seja, que tenha efetivamente ocorrido o fato gerador da obrigação tributária, pois, caso contrário o ato administrativo será totalmente nulo em face ausência de motivação; Fl. 129DF CARF MF 4 b) da multa aplicada. Ausência de dolo ou má fé. Confisco do patrimônio. A multa de oficio qualificada no elevado patamar de 150%, revelase absurdamente exagerada, considerandose que não se verifica a irregularidade apontada pelo Fisco, sendo certo que, tanto a doutrina quanto a jurisprudência são pela redução ou, até mesmo, pelo cancelamento da multa em casos como este, haja vista a não configuração de dolo, máfé, simulação ou fraude ao Erário por parte da Recorrente; c) da ilegalidade da cobrança de juros Selic art.161 do CTN A "suposta correção monetária" com base na Taxa Selic é evidentemente ilegal por consistir em remuneração do capital. Ademais, nos termos do art. 161 do CTN, que tem status de Lei Complementar, os juros de mora somente podem incidir na taxa de 1% (um por cento) ao mês. Assim, qualquer disposição em sentido contrário, veiculado por ato normativo inferior ao CTN é inconstitucional. Por todo o exposto, requer seja o presente Recurso julgado procedente, anulandose o referido Auto de Infração e determinando o seu cancelamento. Caso este não seja o entendimento dos julgadores, que sejam reduzidos a multa e juros aplicados com a conseqüente reformulação do pretenso crédito tributário. A Repartição de origem encaminhou os autos, com o Recurso Voluntário, para apreciação do órgão julgador de segundo grau. Durante a análise dos autos, foi arguido conflito de competência do processo em nome da Recorrente. A 1ª Turma da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento deste Conselho, mediante Acórdão nº 3101001.562, de 29/01/2014 (efls. 115/118), declinou da competência para o exame da lide em favor da 1ª Seção, sob o argumento de que o presente processo trata de lançamento de multa isolada sobre o valor dos débitos compensados na Dcomp n° 04313.19328.310805.1.3.016687 (débitos de IRPJ, CSLL, IPI, PIS e COFINS), tendo em vista a alegação de falsidade da declaração apresentada, é de competência da Primeira Seção. Por sua vez, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, por meio do despacho de efls. 119/122, de 25/01//2016, defendeu que os fatos que motivaram o lançamento da multa isolada, o direito creditório destas compensações não homologadas baseavase no IPI, razão pela qual entendo ser esta matéria de competência da 3ª Seção de Julgamento. O Presidente do CARF, diante do disposto no artigo 20, inciso IX, c/c § 7º do artigo 6º, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho (Despacho de fls. 124/126), decidiu o conflito da seguinte forma: "(...) Portanto, há que se acolher o entendimento desenvolvidos pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF no despacho de efls. 120/122, mediante o qual foi suscitado o conflito de competência que ora se dirime. Por todo o exposto, e diante do disposto no artigo 20, inciso IX, c/c § 7º do artigo 6º, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, decido o presente conflito de competência no sentido de que a contenda deverá ser julgada pela Terceira Seção de Julgamento". Posto isto, as autos, então, foram sorteados para este Conselheiro. É o relatório. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 13609.001084/200948 Acórdão n.º 3402004.277 S3C4T2 Fl. 129 5 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator 1. Da Admissibilidade do Recurso Em 16/01/2012 (fl. 98), a Recorrente tomou ciência do resultado do julgamento, e contra essa decisão, em 14/02/2012 (fl. 101), foi interposto o recurso voluntário (fls. 101/106). O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. 2. Preliminar falta de motivação do AI Alega a Recorrente em seu Recurso que, "(...) Como todo ato administrativo, para a validade do lançamento é necessário que estejam presentes os motivos ensejadores da prática de tal ato. Ou seja, que tenha efetivamente ocorrido o fato gerador da obrigação tributária, pois, caso contrário o ato administrativo será totalmente nulo em face ausência de motivação". Pois bem. Concretizando essa garantia, o art. 10, III, do Decreto nº 70.235/72 e o art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, determinam a indicação dos fatos e fundamentos que lastreiam a expedição de atos administrativos, bem como que a motivação seja clara, explícita e congruente. É consabido que o Auto de Infração devese ter como premissa indelével a necessidade de atendimento aos requisitos mínimos de formação válida do ato administrativo fiscal, requisitos estes expressamente determinados pelo artigo 142 do Código Tributário Nacional, e artigos 9º, 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72. Portanto, o ato de lançamento, entendido como procedimento administrativo voltado à constituição do crédito tributário, deve obedecer a imperativos de forma que garantam a sua conformação jurídica, o que ocorre perfeitamente no caso dos autos. Quanto à alegação da ausência de prova para a conduta descrita, observo vasta colação de elementos probatórios trazidos aos autos (diligencia, intimações, etc), conforme detalhado no Relatório de Auditoria Fiscal às fls. 59/64, cabendo a análise de sua valoração quanto aos fundamentos fáticos e jurídicos do lançamento, matéria atinente ao exame de mérito do litígio, que se dará em ocasião oportuna, posterior ao exame das questões de ordem preliminar. Quanto ao Auto de Infração, o mesmo teve origem em Auditoria realizada pela Fiscalização da RFB, fartamente detalhada em Relatório Fiscal, onde consta a motivação para o lançamento e as provas que conduziram a autoridade fazendária a lavratura do auto de infração. A Recorrente foi cientificada da exigência fiscal e apresentou impugnação que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância. Irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, protocolou recurso voluntário, rebatendo as posições adotadas no acórdão recorrido, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, portanto, as motivações para o lançamento, bem como, as do julgamento na primeira instância foram claramente identificadas. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode Fl. 131DF CARF MF 6 falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, uma vez que todo o procedimento previsto no Decreto 70.235/72 foi observado, tanto o lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal. Pela leitura do auto de infração, constatase que o Auditor Fiscal não só descreveu de forma suficientemente objetiva e cristalina os fatos o enquadramento legal e normativos. Ou seja, não verifico uma dúvida sequer relativa aos fatos narrados pela fiscalização, e tampouco sobre o enquadramento legal e/ou normativo adotado. Apenas para um melhor esclarecimento sobre o assunto, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no processo administrativo fiscal. Prescreve o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, com a nova redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º (...). Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Deste modo, não merece guarida a alegação de nulidade por falta de motivação ou outra irregularidade, uma vez que foram cumpridos tais requisitos legais, não se enquadrando, portanto, em nenhum dos requisitos do citado art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Por isso, rejeito a preliminar de nulidade. 3. Da matéria sob litígio Em desfavor da Recorrente, foi lavrado Auto de Infração (Multa isolada) de fls. 65/69, no qual foi constatada compensação indevida efetuada em declaração prestada pela Recorrente no PER/DCOMP nº 04313.19328.310805.1.3.016687, transmitido no dia 31/08/2005. Com base no Enquadramento Legal (fl. 67) e do que consta no RAF Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 59/64), restou apurado um crédito tributário de R$ 1.459.035,26, exclusivamente decorrente de multa isolada (lançado sobre o valor total dos débitos indevidamente compensados, descritos às fls. 60/61 do RAF), prevista no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação vigente à época do 2º trimestrecalendário de 2005, em virtude de compensação indevida com créditos inexistentes de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Conforme consta dos autos, o referido PERD/DCOMP apresenta todos os campos "zerados", exceto os dados referentes ao crédito de IPI no montante de R$ 973.000,00, correspondente à Nota Fiscal nº 212.4578, emitida pelo CNPJ nº 59.717.553/000102, em 06/06/2005, no valor de R$ 3.000.000,00, e aos débitos já informados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), que totalizam R$ 972.690,17. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 13609.001084/200948 Acórdão n.º 3402004.277 S3C4T2 Fl. 130 7 Alega a Recorrente em seu recurso que, "(...) De outra feita, no presente auto de infração, a multa aplicada sobre o suposto débito apurado pelo agente fiscalizador revela verdadeiro confisco do patrimônio da Recorrente". "(...) Pelo exposto, vêse claramente inexistir ilícito fiscal nas operações realizadas pela Recorrente, ainda mais considerandose que esta não agiu com dolo, máfé ou simulação. Ao contrário, procurou seguir os ditames legais, não podendo sofrer as penalidades decorrentes da ação irregular de terceiros". Como se vê, a Recorrente não se preocupa em demonstrar a existência do alegado crédito de IPI no montante de R$ R$ 973.000,00, decorrente da Nota Fiscal nº 124.578 no valor de R$ 3.000.000,00, limitandose a argumentar sobre o desrespeito ao principio constitucional da vedação ao confisco, da boafé, para refutar a aplicação da multa de 150%. Por outro lado, o Fisco, visando à conferência da regularidade da demanda, por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 03, de 25/06/2009 (fls. 34/35), informa a Recorrente de que o MPF tinha sido alterado com a inclusão do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) relativo ao período de abril a junho de 2005, sendo solicitado o Livro Registro de Apuração do IPI (RAIPI) do anocalendário de 2005 e a apresentação da Nota Fiscal de entrada nº 124.578 emitida pelo CNPJ nº 59.717.553/000102, constante do PERD/DCOMP nº 04313.19328.310805.1.3.016687. A Recorrente apresentou cópias dos livros que foram apensados aos autos às fls. 36/40 e após análise do Livro de Apuração do IPI (RAIPI), a fiscalização constatou que não existe nenhum lançamento da referida Nota Fiscal no Livro. Quanto a apresentação da referida Nota Fiscal de entrada nº 124.578, desta forma informou a Siderúrgica Bandeirantes Ltda. em documento datado de 20/07/2009 (fl. 40): "(...) Tendo sido intimada a apresentar a nota fiscal de entrada de n° 124578, conforme determinado no Termo de Intimação Fiscal acima referido, a empresa ora Contribuinte vem informar que desconhece a nota fiscal acima referida não tendo a mesma dado entrada nos sistemas contábeis da empresa, não se referindo, portanto a qualquer operação com a nossa empresa, não sendo possível, assim, sua apresentação" (grifei). Posto isto, a fiscalização emitiu o Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos para a empresa Multilaser Industrial Ltda., CNPJ nº 59.717.553/000102, intimandoa a apresentar a Nota Fiscal de saída nº 124.578 (fls. 41/42). Em resposta, foi apresentada a referida Nota Fiscal, que apresenta valores (R$ 587,46), data e destinatário divergentes do informado no PERD/DCOMP, transmitido pela Siderúrgica Bandeirante Ltda. (doc. fl. 44). Ressalta a autoridade fiscal que "a transmissão do PERD/DCOMP não se caracteriza como erro, tendo em vista que tratase de débitos próprios da contribuinte, que apura débitos do IPI no período do alegado crédito". Portanto, restou presente na compensação em questão os requisitos para a caracterização de fraude e sonegação conforme prescrito nos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 1964. Assim, a Recorrente não possui direito ao ressarcimento de IPI relativo ao PER/DCOMP n° 04313.19328.310805.1.3.016687, estando sujeito a penalidade prescrita nos Fl. 133DF CARF MF 8 seguintes dispositivos legais: 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996; art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003 e art. 90 da Medida Provisória nº 2.158 35, de 2001. Vejase: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e suas alterações: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (Vide Lei n° 10.892, de 2004) I (...). II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (grifo nosso). Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 e suas alterações: Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei n° 9.430. de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso (grifei). Concluindo, tendo em vista a legislação acima transcrita, verificase que o contribuinte utilizou créditos inexistentes com evidente intuito de fraude e sonegação fiscal. O crédito presente no PER/DCOMP é inexistente e foi utilizado para extinguir o tributo já declarado pelo próprio contribuinte. Portanto, está sujeito a aplicação da multa isolada. 4. Do efeito confiscatório da multa aplicada constitucionalidade Quanto ao alegado confisco, ressaltase que uma das aplicações do referido principio é direcionada ao legislador infraconstitucional no momento da edição da lei, para que não se faça uso de tributo com efeito confiscatório. Vale destacar que tal principio não se aplica à atividade administrativa de constituição do crédito tributário, em decorrência da vinculação da autoridade fiscal ao principio da legalidade, a teor do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), instituído pela Lei nº 5.172, de 1966. Por essa razão, o AuditorFiscal deve obedecer às disposições constantes do texto legal, sem possibilidade de exame de mérito na aplicação da legislação pertinente, especialmente na constituição do crédito tributário. Quanto aos entendimentos doutrinários transcritos pela impugnante, cabe esclarecer que mesmo a mais respeitável doutrina, ainda que dos mais consagrados Fl. 134DF CARF MF Processo nº 13609.001084/200948 Acórdão n.º 3402004.277 S3C4T2 Fl. 131 9 tributaristas, não pode ser oposta ao texto explicito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. 5. Da alegada inconstitucionalidade Outro ramo de sua aplicação encontrase no controle de constitucionalidade, com o objetivo de afastar do ordenamento jurídico normas em desacordo com a Constituição. Esta atividade desempenhada de forma exclusiva pelos membros do Poder Judiciário e expressamente vedada no âmbito do Processo Administrativo Fiscal. No que concerne aos órgãos julgadores administrativos de litígios fiscais, na área federal, estes estão jungidos à observância do contido no art. 26A e § 6º do Dec. nº. 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº. 11.941, de 2009, verbis: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. No mesmo sentido, é vedado ao CARF se manifestar sobre a inconstitucionalidade de lei, nos termos da Súmula CARF nº 2, de observância obrigatória por parte deste colegiado. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 6. Da ilegalidade da cobrança de juros Selic Aduz a Recorrente em seu recurso que "(...) A "suposta correção monetária" com base na Taxa Selic é evidentemente ilegal por consistir em remuneração do capital. Ademais, nos termos do art. 161 do CTN, que tem status de Lei Complementar, os juros de mora somente podem incidir na taxa de 1% (um por cento) ao mês. Assim, qualquer disposição em sentido contrário, veiculado por ato normativo inferior ao CTN é inconstitucional". Essa matéria é recorrente neste Colegiado, sendo minha posição conhecida no sentido de sua pertinência. Nesse ponto, adoto o entendimento inserto no Acórdão 9303002.399, da 3ª Turma da CSRF, julgado em 15/03/2013. Repiso o voto do relator, Henrique Pinheiro Torres, vazado nos seguintes termos, o qual adoto como fundamento de decidir. A obrigação tributária principal, como é de conhecimento de todos, surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento do tributo ou de penalidade pecuniária, e extinguese com o crédito dela decorrente. Essa é a dicção do § 1º do 1art. 113 do CTN. Ao seu turno o art. 139 do CTN dispõe que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Do cotejo desses dispositivos legais, concluise, sem qualquer margem à dúvida, que o crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária, visto que ambos constituem a obrigação tributária, a qual tem a mesma natureza Fl. 135DF CARF MF 10 do crédito a ela correspondente. Um é a imagem, absolutamente, simétrica do outro, apenas invertida, como ocorre no reflexo do espelho. Olhandose do ponto de vista do credor (pólo ativo da relação jurídica tributária, verseá o crédito tributário; se se transmutar para o pólo oposto, que se verá será, justamente, o inverso, uma obrigação. Daí o art. 139 do CTN declarar expressamente que um tem a mesma natureza do outro. Assim, como o crédito tributário correspondente à obrigação tributária e esta é constituída de tributo e de penalidade pecuniária, a conclusão lógica, e a única possível, é que a penalidade é crédito tributário. Estabelecidas essas premissas, o próximo passo é verificar o tratamento dispensado pela Legislação às hipóteses em que o crédito não é liquidado na data de vencimento. Primeiramente, temse a norma geral estabelecida no Código Tributário Nacional, mais precisamente no caput do 3art. 161, o qual dispõe que, o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Essa norma geral, por si só, já seria suficiente para assegurar a incidência de juros moratórios sobre multa não paga no prazo de vencimento, pois disciplina especificamente o tratamento a ser dado ao crédito não liquidado no tempo estabelecido pela legislação tributária, mas o legislador ordinário, para não deixar margem à interpretação que discrepasse desse entendimento, foi preciso ao estabelecer que o crédito decorrente de penalidades que não forem pagos no respectivo vencimento estarão sujeitos à incidência de juros de mora. Essa previsão consta, expressamente, do art. 43 da Lei 9.430/1996, que se transcreve linhas abaixo. Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Da leitura do dispositivo acima transcrito, concluise, facilmente, sem necessidade de se recorrer a Hermes ou a uma Pitonisa, que o crédito tributário, relativo à penalidade pecuniária, constituído de ofício, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros moratórios, calculados à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento Em síntese, temse que o crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês Fl. 136DF CARF MF Processo nº 13609.001084/200948 Acórdão n.º 3402004.277 S3C4T2 Fl. 132 11 subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento Para eliminar quaisquer dúvidas que ainda restassem, o Superior Tribunal de Justiça já pacificou o entendimento sobre a matéria, conforme AgRg no REsp 1.335.688PR, julgado em 04/12/2012: EMENTA:PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. Embora o caso paradigmático tratasse de exação de tributo estadual, asseverou o Ministro relator do Agravo: Nos termos da jurisprudência pacífica do STJ, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. Tanto assim o é que a Súmula CARF nº 4, expressamente dispõe: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Em complemento, a Súmula CARF nº 5, assevera: "Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Assim, voto no sentido de que devem ser mantidos os juros de mora sobre a multa isolada. 4. Conclusão De todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para manter integralmente o crédito tributário formalizado no Auto de Infração analisado. É como voto. Fl. 137DF CARF MF 12 (Assinatura Digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 138DF CARF MF
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