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Numero do processo: 10830.003206/2003-23
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
SIMPLES FEDERAL. ASSISTÊNCIA TÉCNICA.
A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal (Súmula CARF nº 57).
SIMPLES FEDERAL. PROCESSAMENTO DE DADOS.
A prestação de serviços de processamento de dados, não se equipara a serviços profissionais prestados por programadores ou analistas de sistemas e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal.
Numero da decisão: 1003-000.033
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 SIMPLES FEDERAL. ASSISTÊNCIA TÉCNICA. A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal (Súmula CARF nº 57). SIMPLES FEDERAL. PROCESSAMENTO DE DADOS. A prestação de serviços de processamento de dados, não se equipara a serviços profissionais prestados por programadores ou analistas de sistemas e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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ASSISTÊNCIA TÉCNICA. A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal (Súmula CARF nº 57). SIMPLES FEDERAL. PROCESSAMENTO DE DADOS. A prestação de serviços de processamento de dados, não se equipara a serviços profissionais prestados por programadores ou analistas de sistemas e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 32 06 /2 00 3- 23 Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10830.003206/200323 Acórdão n.º 1003000.033 S1C0T3 Fl. 205 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão de primeira instância que julgou improcedente a manifestação de inconformidade (consignando "solicitação indeferida") apresentada contra o Despacho Decisório (folha 31, numeração em papel) que indeferiu o pedido de inclusão no Simples Federal com data retroativa a 01/01/1999, bem como determinou a emissão do Ato Declaratório Executivo nº 029, de 13 de dezembro de 2007 (folha 32), que excluiu a empresa do Simples Federal a partir de 01 de janeiro de 2006, em razão de ter restado evidenciado, por constar do ato constitutivo à folha 02, o exercício de atividade econômica impeditiva, "prestação de serviços de assistência técnica, manutenção e reparação industrial", por caracterizar atividade profissional de engenheiro ou assemelhados, conforme previsto no art. 9º, inciso XIII da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. O acórdão de primeira instância (folhas 159/160) afastou o exercício das atividades constantes do ato constitutivo, em razão do teor dos documentos trazidos aos autos pela impugnante, mas concluiu que as atividades que a contribuinte demonstrou exercer, "processamento de dados, gestão e operação de equipamentos de processamento de dados pertencentes a terceiros e serviços de CPD", corresponderiam a prestação de serviços profissionais de programador, analista de sistema ou assemelhados, o que recairia nas mesmas vedações à opção pelo Simples Federal constantes do art. 9º, inciso XIII da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. A recorrente alega, em síntese: I Que é firma individual, baseandose em conhecimentos técnicos adquiridos com a prática e no convívio com pessoas atuantes na mesma área, pois o titular não possui curso universitário a nivel superior, não correspondendo, portanto, os serviços prestados a serviços profissionais que necessitem de habilitação regida por lei; II Que a prestação de serviços consiste em processamento de dados, não havendo desenvolvimento de programas ou sistemas, nem comercialização dos mesmos. A contribuinte explica pormenorizadamente a diferença entre as atividades de processamento de dados, análise de sistemas e programação e demonstra, anexando trechos de manuais do Simples Federal e jurisprudência administrativa, que a atividade de processamento de dados não é impeditiva da opção pelo regime. É o relatório. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10830.003206/200323 Acórdão n.º 1003000.033 S1C0T3 Fl. 206 3 Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O Recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. De início, é fundamental registrar que a razão para negativa de inclusão e para exclusão do Simples Federal constante do Despacho Decisório que originou a lide, exercício de atividade econômica supostamente impeditiva, "prestação de serviços de assistência técnica, manutenção e reparação industrial", é invalidada pela Súmula CARF nº 57, a seguir: Súmula CARF nº 57: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. Observase, ainda, que o acórdão de primeira instância inovou na fundamentação da negativa de inclusão e da exclusão, ao afastar o exercício, pela interessada, das atividades que fundamentaram, equivocadamente, os referidos Despacho Decisório e Ato Declaratório Executivo, e atribuirlhe o exercício das atividades de "processamento de dados, gestão e operação de equipamentos de processamento de dados pertencentes a terceiros e serviços de CPD", que ensejariam a negativa de inclusão e a exclusão. Tal inovação de fundamento poderia ensejar a nulidade do acórdão, por supressão de instância e, conseqüentemente, preterimento do direito de defesa, conforme art. 59 do PAF. No entanto, a nova razão para negativa de inclusão e para exclusão do Simples Federal também se mostrou equivocada no mérito, já que, conforme bem argumentou a contribuinte, processamento de dados não se assemelha a programação, nem a análise de sistemas, não sendo atividade vedativa ao ingresso no Simples Federal. Desta forma, tendo em vista que, ao longo deste longevo processo, não foi levantada nenhuma hipótese legal ou regulamentarmente válida para indeferir a inclusão e para excluir a contribuinte do Simples Federal, entendo que deve ser reconhecido o direito da recorrente de optar, no período em questão, pelo referido regime tributário. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 206DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.723239/2013-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2010
EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE MOVIMENTAÇÕES BANCÁRIAS. RETROATIVIDADE. EXPRESSA PREVISÃO LEGAL.
Ainda que existente Livro-Caixa ou conta correspondente em Livro-Razão, a verificação da ausência de registro de movimentações bancarias do contribuinte se amolda à previsão objetiva do inciso VIII do art. 29 da Lei Complementar 123/2006, dando margem à exclusão de ofício do SIMPLES Nacional. Os efeitos temporais da exclusão em tal hipótese se operam na forma como prevista no §1º do art. 29 da Lei Complementar 123/2006.
LEI COMPLEMENTAR 105/2001. REVOGAÇÃO TÁCITA DO ARTIGO 42 DA LEI 9.430/96. INOCORRÊNCIA.
É improcedente a alegação de que, a partir da vigência da Lei Complementar nº 105/2001, caberia ao Fisco o ônus da prova da origem dos depósitos bancários, pois estaria revogado tacitamente o art. 42 da Lei nº 9.430/96.
A norma veiculada no §4º do art. 5º da referida Lei Complementar versa especificamente sobre prerrogativas das Autoridades Fiscais diante de questões de sigilo bancário, não estando a validade e a vigência da presunção de omissão de receitas condicionadas aos meios e à autonomia do poder de fiscalização do Fisco.
OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO VÁLIDA. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE CONJUNTO PROBATÓRIO HÁBIL. MANUTENÇÃO DA EXIGÊNCIA.
A Lei nº 9.430/1996, no seu art. 42, estabelece uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento de ofício dos tributos correspondentes sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem e a natureza dos recursos lá creditados.
Diante da legítima constatação de omissão de receitas tributáveis, cabe ao contribuinte o ônus da prova da insubsistência da infração. As alegações do contribuinte devem ser cabalmente comprovadas através de meio hábil, com teor diretamente relacionado aos créditos constituídos.
Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
ARBITRAMENTO. OMISSÃO DE RECEITAS. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA NÃO DECLARADA E REGISTRADA. REGRA DO ART. 530 RIR/99. LEGALIDADE.
O arbitramento não é espécie de sanção fiscal e tampouco uma prerrogativa ou uma faculdade do contribuinte quando autuado. Trata-se de modalidade de apuração do lucro tributável, aplicável quando verificadas concretamente as suas hipóteses legais de adoção.
Quando constatado pela Fiscalização que o contribuinte não procedeu a nenhum registro de movimentação financeira/bancária no período da infração, é cabível o arbitramento, nos termos da alínea "a" do inciso II do art. 530 do RIR/99.
DIREITO ADQUIRIDO E NÃO CONFISCO. ART. 29 LEI COMPLEMENTAR Nº 123/2006. ABUSO E CONFISCATORIEDADE DA MULTA DE OFÍCIO. ARGUMENTOS EXCLUSIVAMENTE DE INCONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO.
É vedada a discussão, em esfera administrativa, sobre o afastamento de normas sob o argumento de violação a dispositivos constitucionais, sendo tal matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário. Não compete ao CARF analisar e declarar a inconstitucionalidade de lei ou normativo (Art. 26-A do Decreto nº 70.235/72 e Súmula CARF nº 2).
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. PREVISÃO LÍCITA.
Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora, calculados sob a Taxa SELIC. Compõem o crédito tributário o tributo (principal) e a multa de ofício proporcional.
Numero da decisão: 1402-003.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer das matérias de cunho constitucional, divergindo o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves que a conhecia e, na matéria conhecida, no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2010 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE MOVIMENTAÇÕES BANCÁRIAS. RETROATIVIDADE. EXPRESSA PREVISÃO LEGAL. Ainda que existente Livro-Caixa ou conta correspondente em Livro-Razão, a verificação da ausência de registro de movimentações bancarias do contribuinte se amolda à previsão objetiva do inciso VIII do art. 29 da Lei Complementar 123/2006, dando margem à exclusão de ofício do SIMPLES Nacional. Os efeitos temporais da exclusão em tal hipótese se operam na forma como prevista no §1º do art. 29 da Lei Complementar 123/2006. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. REVOGAÇÃO TÁCITA DO ARTIGO 42 DA LEI 9.430/96. INOCORRÊNCIA. É improcedente a alegação de que, a partir da vigência da Lei Complementar nº 105/2001, caberia ao Fisco o ônus da prova da origem dos depósitos bancários, pois estaria revogado tacitamente o art. 42 da Lei nº 9.430/96. A norma veiculada no §4º do art. 5º da referida Lei Complementar versa especificamente sobre prerrogativas das Autoridades Fiscais diante de questões de sigilo bancário, não estando a validade e a vigência da presunção de omissão de receitas condicionadas aos meios e à autonomia do poder de fiscalização do Fisco. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO VÁLIDA. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE CONJUNTO PROBATÓRIO HÁBIL. MANUTENÇÃO DA EXIGÊNCIA. A Lei nº 9.430/1996, no seu art. 42, estabelece uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento de ofício dos tributos correspondentes sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem e a natureza dos recursos lá creditados. Diante da legítima constatação de omissão de receitas tributáveis, cabe ao contribuinte o ônus da prova da insubsistência da infração. As alegações do contribuinte devem ser cabalmente comprovadas através de meio hábil, com teor diretamente relacionado aos créditos constituídos. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. ARBITRAMENTO. OMISSÃO DE RECEITAS. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA NÃO DECLARADA E REGISTRADA. REGRA DO ART. 530 RIR/99. LEGALIDADE. O arbitramento não é espécie de sanção fiscal e tampouco uma prerrogativa ou uma faculdade do contribuinte quando autuado. Trata-se de modalidade de apuração do lucro tributável, aplicável quando verificadas concretamente as suas hipóteses legais de adoção. Quando constatado pela Fiscalização que o contribuinte não procedeu a nenhum registro de movimentação financeira/bancária no período da infração, é cabível o arbitramento, nos termos da alínea "a" do inciso II do art. 530 do RIR/99. DIREITO ADQUIRIDO E NÃO CONFISCO. ART. 29 LEI COMPLEMENTAR Nº 123/2006. ABUSO E CONFISCATORIEDADE DA MULTA DE OFÍCIO. ARGUMENTOS EXCLUSIVAMENTE DE INCONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. É vedada a discussão, em esfera administrativa, sobre o afastamento de normas sob o argumento de violação a dispositivos constitucionais, sendo tal matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário. Não compete ao CARF analisar e declarar a inconstitucionalidade de lei ou normativo (Art. 26-A do Decreto nº 70.235/72 e Súmula CARF nº 2). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. PREVISÃO LÍCITA. Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora, calculados sob a Taxa SELIC. Compõem o crédito tributário o tributo (principal) e a multa de ofício proporcional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer das matérias de cunho constitucional, divergindo o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves que a conhecia e, na matéria conhecida, no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2046; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 655 1 654 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.723239/201391 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402003.269 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de julho de 2018 Matéria EXCLUSÃO SIMPLES/OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente COMERCIO CATARINENSE DE METAIS EIRELI ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2010 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE MOVIMENTAÇÕES BANCÁRIAS. RETROATIVIDADE. EXPRESSA PREVISÃO LEGAL. Ainda que existente LivroCaixa ou conta correspondente em LivroRazão, a verificação da ausência de registro de movimentações bancarias do contribuinte se amolda à previsão objetiva do inciso VIII do art. 29 da Lei Complementar 123/2006, dando margem à exclusão de ofício do SIMPLES Nacional. Os efeitos temporais da exclusão em tal hipótese se operam na forma como prevista no §1º do art. 29 da Lei Complementar 123/2006. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. REVOGAÇÃO TÁCITA DO ARTIGO 42 DA LEI 9.430/96. INOCORRÊNCIA. É improcedente a alegação de que, a partir da vigência da Lei Complementar nº 105/2001, caberia ao Fisco o ônus da prova da origem dos depósitos bancários, pois estaria revogado tacitamente o art. 42 da Lei nº 9.430/96. A norma veiculada no §4º do art. 5º da referida Lei Complementar versa especificamente sobre prerrogativas das Autoridades Fiscais diante de questões de sigilo bancário, não estando a validade e a vigência da presunção de omissão de receitas condicionadas aos meios e à autonomia do poder de fiscalização do Fisco. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO VÁLIDA. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE CONJUNTO PROBATÓRIO HÁBIL. MANUTENÇÃO DA EXIGÊNCIA. A Lei nº 9.430/1996, no seu art. 42, estabelece uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento de ofício dos tributos correspondentes sempre que o titular da conta bancária, regularmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 32 39 /2 01 3- 91 Fl. 655DF CARF MF 2 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem e a natureza dos recursos lá creditados. Diante da legítima constatação de omissão de receitas tributáveis, cabe ao contribuinte o ônus da prova da insubsistência da infração. As alegações do contribuinte devem ser cabalmente comprovadas através de meio hábil, com teor diretamente relacionado aos créditos constituídos. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. ARBITRAMENTO. OMISSÃO DE RECEITAS. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA NÃO DECLARADA E REGISTRADA. REGRA DO ART. 530 RIR/99. LEGALIDADE. O arbitramento não é espécie de sanção fiscal e tampouco uma prerrogativa ou uma faculdade do contribuinte quando autuado. Tratase de modalidade de apuração do lucro tributável, aplicável quando verificadas concretamente as suas hipóteses legais de adoção. Quando constatado pela Fiscalização que o contribuinte não procedeu a nenhum registro de movimentação financeira/bancária no período da infração, é cabível o arbitramento, nos termos da alínea "a" do inciso II do art. 530 do RIR/99. DIREITO ADQUIRIDO E NÃO CONFISCO. ART. 29 LEI COMPLEMENTAR Nº 123/2006. ABUSO E CONFISCATORIEDADE DA MULTA DE OFÍCIO. ARGUMENTOS EXCLUSIVAMENTE DE INCONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. É vedada a discussão, em esfera administrativa, sobre o afastamento de normas sob o argumento de violação a dispositivos constitucionais, sendo tal matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário. Não compete ao CARF analisar e declarar a inconstitucionalidade de lei ou normativo (Art. 26A do Decreto nº 70.235/72 e Súmula CARF nº 2). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. PREVISÃO LÍCITA. Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora, calculados sob a Taxa SELIC. Compõem o crédito tributário o tributo (principal) e a multa de ofício proporcional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer das matérias de cunho constitucional, divergindo o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves que a conhecia e, na matéria conhecida, no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 656DF CARF MF Processo nº 11516.723239/201391 Acórdão n.º 1402003.269 S1C4T2 Fl. 656 3 (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Fl. 657DF CARF MF 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 580 a 645) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis/SC (fls. 537 a 559) que negou provimento à Impugnação e à Manifestação de Inconformidade apresentadas (fls. 298 a 529), mantendo a exclusão do Contribuinte do SIMPLES Nacional (ADE às fls. 237), bem como as Autuações sofridas (fls. 241 a 296). A Contribuinte era optante pelo SIMPLES Nacional e, como se verifica do Ato Declaratório Executivo DRF/FNS nº 217/2013, a sua exclusão de tal sistema especial de arrecadação motivouse em face da constatação de (i) falta de escrituração do livrocaixa, de modo a não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária e que (ii) a infração de omissão de receitas estendeuse pelo período de 12 (doze) meses (de janeiro a dezembro de 2010), configurando prática reiterada: Em relação ao lançamento de ofício perpetrado, exigise no presente feito créditos de IRPJ, CSLL (calculados mediante o Arbitramento do Lucro), PIS e COFINS, referentes apenas ao anocalendário de 2010, acrescidos de multa de ofício na monta de 75%, sob a mencionada acusação de omissão de receitas, diante da constatação da existência de depósitos bancários, não informados ao Fisco, cuja origem e natureza também não foram comprovadas, com arrimo legal no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Por bem resumir a contenda, adotase a seguir trechos do preciso relatório elaborado pela DRJ a quo: Por meio dos Autos de Infração às folhas 241 287, foram exigidas da contribuinte acima qualificada as importâncias de R$ 73.594,13 a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, de R$ 43.664,27 de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, de R$ 26.090,77 de Contribuição para o PIS/Pasep e de R$ 120.443,93, a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, acrescidas de Fl. 658DF CARF MF Processo nº 11516.723239/201391 Acórdão n.º 1402003.269 S1C4T2 Fl. 657 5 multa de ofício de 75% e encargos legais devidos à época do pagamento, referentes a fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2010, sob as regras do Lucro Arbitrado. Em consulta à “Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)”, verificase que a autuação se deu em razão de “Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte, excluído do SIMPLES NACIONAL, notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, no regime de tributação do Lucro real ou Presumido, conforme Termo de Intimação Fiscal 3, deixou de apresentálos.” [Enquadramento legal:art.530, inciso III do RIR/99] e, também, “Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que a escrituração mantida pelo contribuinte, é imprestável para determinação do Lucro Real...”. [Enquadramento legal: art.530, inciso II do RIR/99] O arbitramento teve como base a receita bruta conhecida, no caso por omissão de receitas por conta de depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do art.42 da Lei 9.430/96, consignado no Auto e detalhadamente descrito no Termo de Verificação Fiscal e de Encerramento do Procedimento Fiscal, item 3.1.2. Depósitos bancários de origem não comprovada. Do referido Termo extraise que o contribuinte foi excluído do SIMPLES, por não haver em seu Livro Caixa a escrituração da movimentação financeira e, como não mantinha a documentação de suas operações e nem os livros de registro obrigatório, teve seu lucro arbitrado relativamente ao anocalendário de 2010. Eis o relato fiscal: 3. INFRAÇÕES À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA O presente procedimento fiscal foi motivado em face do flagrante descompasso, evidenciado ainda na fase de análise e programação, entre a movimentação financeira e as receitas declaradas/tributadas. Consoante levantamento então realizado, os créditos/depósitos informados pelas instituições bancárias, atinentes ao ano de 2010, registram montante na ordem de R$ 7.039.213,00, enquanto que a contribuinte registrou na respectiva DIPJ que havia auferido como receitas tributáveis a quantia de R$ 242.641,00. Prosseguindo o feito fiscal, visitamos o escritório de contabilidade, responsável pela escrita da contribuinte, onde buscamos esclarecer as divergências. O contador nos forneceu as copais do livro Razão, dos extratos bancários e também do Livro Registro de Saídas. Analisando estes documentos, verificamos que os valores registrados como receitas operacionais estão muito aquém dos movimentados nas suas contas correntes bancárias. Também verificamos que a contribuinte não registrou no Livro razão a movimentação bancária. Desta feita cumprindo os ditames da legislação pertinente, caracterizouse a pratica reiterada de infração a legislação tributária. Fl. 659DF CARF MF 6 Tal fato culminou com a exclusão da contribuinte do SIMPLES NACIONAL. Por conseguinte inferimos que a empresa omitiu grande parte dos valores das receitas operacionais do ano calendário de 2010. Desta feita as receitas operacionais emitidas caracterizam bases imputáveis não submetidas ao gravame dos impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. As verificações fiscais empreendidas, norteadas pelas regras de tributação do Lucro Arbitrado em face das circunstâncias retro anotadas, culminaram na caracterização das infrações que se passa a explicitar, ora imputadas ao sujeito passivo pelas normas do lançamento de ofício. 3.1.1. Arbitramento do lucro: Receita Bruta Escriturada/Declarada Sob as Regras do Simples Nacional [...] Pelas normas de regência do Lucro Arbitrado, e considerando o ramo de atividade efetivamente explorado (comércio), a base imputável do imposto de renda é fixada na percentagem de 9,6% da receita, em conformidade com o disposto no artigo 532 do RIR/99. [...] 3.1.2. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Analisando os extratos bancários, detectamos diferenças entre as receitas declaradas pela empresa e os valores depositados na suas contas bancárias, no ano calendário sob fiscalização. Sendo assim foi o contribuinte instado a justificar a origem dos recursos que ingressaram nas suas contas correntes bancárias. Ressaltamos que a contribuinte declarou que os depósitos foram feitos pela contribuinte, porém silenciou quanto a origem dos recursos movimentados nas suas contas bancárias, o que levou esta fiscalização a considerar que todos os valores são receitas operacionais, abaixo planilhados. [...] A contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade contra a exclusão do SIMPLES NACIONAL e impugnação aos lançamentos, nas quais expõe suas razões de irresignação que a seguir se resume: Da Exclusão do Simples Nacional; nos termos norteadores do Ato Declaratório Executivo DRF/FPOLIS/SC n.217, emitido em 09 de outubro de 2013, a fiscalização fundou a exclusão da impugnante do Simples Nacional na suposta prática reiterada de infração à legislação tributária e na ausência da escrituração da movimentação bancária; Da suposta caracterização de prática reiterada de infração à legislação tributária; Fl. 660DF CARF MF Processo nº 11516.723239/201391 Acórdão n.º 1402003.269 S1C4T2 Fl. 658 7 que causa estranheza o fato do agente fiscal considerar como reiteração da prática infracional, desconsiderando que é a primeira vez em que foi supostamente constatada a realização de ato em descordo com a legislação; reitera significa repetição de um ato, renovar, fazer pela segunda vez, reincidência na infração (transcreve conceito do art.63 do Código Penal), para arrematar que “se em determinado ano supostamente ficou constatada qualquer infração, obrigatoriamente deveria ser aberto processo administrativo para apurar os fatos, e se a decisão administrativa transitada em julgado fosse no sentido de caracterizar infração, somente no ano subsequente, se acaso houvesse nova infração, poderia a impugnante ser excluída em razão da prática reiterada. Portanto, a prática só se torna REITERADA quando efetivamente a empresa já foi penalizada pela mesma infração fiscal, o que não se observa no presente caso.”; que, apenas por desejo à discussão, destacase que houve alteração na Lei complementar 123/2006, incluída pela LC 139/2011, acerca do conceito de prática reiterada, alteração totalmente ilegal; Da ausência de registro de Movimentação Bancária; que o fato da impugnante não ter lançado na escrituração comercial a movimentação bancária, não pode servir de subsídio para a exclusão do Simples Nacional, haja vista que a forma de tributação optada não diz respeito ao lucro obtido com a atividade e sim o faturamento declarado; que a ausência da escrituração bancária não trouxe qualquer prejuízo para a fiscalização, posto que foi apresentado todos os extratos; portanto, como o lançamento se pautou pela presunção de omissão de receitas, não restando provas concretas da situação alegada, deveria o fiscal lançar a notificação que entendesse coerente e adequada sem impor a exclusão do Simples Nacional, posto que possuía os documentos necessários para análise, não sofrendo qualquer prejuízo na sua atuação pela ausência da movimentação bancária não escriturada no livro da impugnante; Da impossibilidade dos efeitos da exclusão retroativos à 01/01/2010 que conforme mostrado que não existem as razões apontadas para exclusão do Simples Nacional, “[...] deve ser aplicado ao caso o princípio geral da ciência dos atos, no qual os efeitos só se iniciam a partir da notificação do contribuinte...”.; conclui que não se pode pretender que os efeitos maléficos de uma exclusão tributa´ria sejam suportados pela impugnante antes mesmo da sua própria ciência; que a pretensão dos efeitos retroativos da desqualificação como optante do Simples fere também os princípios constitucionaistributários da anterioridade, irretroatividade e da não surpresa tributária. Da impugnação aos autos de infração; Fl. 661DF CARF MF 8 que não obstante a apresentação de defesa quanto ao Ato Declaratório que questiona a exclusão do Simples Nacional, a Impugnante foi informada acerca da exigência dos tributos em autos de infração; que de acordo com levantamento fiscal, a Impugnante supostamente teria omitido receitas, deixando de lançar em sua contabilidade a movimentação bancária; assim, o fiscal desconsiderou a escrita contábil arbitrando a receita (sic), tanto a supostamente omitida quanto a já declarada e tributada; ocorre que o auto de infração apresenta vários vícios que maculam sua legalidade; Da revogação do art.42 da Lei n. 9.430/96 em razão de antinomia jurídica com o art.5º, §4º da LC 105/01; que o art.42 da Lei n. 9.430/96 foi revogado tacitamente devido à antinomia jurídica com o art.5º, §4º da LC 105/01; pois se a Receita Federal pode requisitar os documentos que entender necessários (extratos bancários, cfe. LC 105/01) para a apuração adequada dos fatos, como conseqüência será tributada a real e efetiva omissão de rendimentos provada pelo órgão, tornando ilegal a tributação com base na presunção do art.42 da Lei 9.430/96, o qual considera os depósitos bancários de origem não comprovada como omissão de receita, cabendo ao contribuinte realizar prova negativa; devido à revogação tácita do art.42 da Lei 9.430/96 em face do advento do art.5º, §4º da LC 105/01, o Auto de Infração impugnado é ilegal, eis que não vige mais a presunção legal de omissão de receita; Da desproporcionalidade do auto de infração: que a tributação efetuada viola o princípio da proporcionalidade, descrito pela doutrina como o conjunto de três subprincípios: adequação, necessidade e proporcionalidade; (i) que a exigência deve estar de conformidade ou adequação entre meios e fins (adequação) e no caso em questão, a mera situação de depósitos sem origem explicada não pode levar à conclusão da existência de fato gerador de tributos; (ii) o subprincípio da necessidade traduz o direito do sujeito à menor restrição possível de seu direito; no caso o meio usado para averiguar a presunção do art.42 foi a intimação para apresentação de documentos, mas a autoridade já dispunha de outros meios, desde o advento da LC 105/01; (iii) que o ônus da prova recaiu totalmente sobre o Impugnante, parte mais fraca da relação de tributação; Do lançamento com base nos extratos bancários – da utilização da movimentação financeira como parâmetro para configuração de receita; que nem todas as operações de entradas em banco podem ser consideradas como uma receita do titular da conta/ a movimentação financeira é mero indício de riqueza, sendo necessário, para a caracterização da receita e conseqüente exigência do tributo, prova cabal que relacione os depósitos a elementos concretos; Fl. 662DF CARF MF Processo nº 11516.723239/201391 Acórdão n.º 1402003.269 S1C4T2 Fl. 659 9 a argumentação de que, após o advento da Lei 9.430/96, cabe ao fisco somente a evidenciação da existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada, não tendo a necessidade de estabelecer um nexo de causalidade entre os depósitos e os fatos concretos ensejadores do ilícito é um tanto frágil;estaria dando poderes ilimitados ao fisco, cabendo ao contribuinte fazer prova negativa da situação; em síntese, é imprescindível a comprovação de vínculo entre fatos materiais e os indícios bancários que, juntos, formem o nexo causal entre o fato gerador descrito na norma e a efetiva obrigação tributária a ser lançada de ofício; sem isso, carece totalmente de legitimidade o auto de infração; por esse motivo, resta totalmente incoerente a exigência do IRPJ e seus reflexos com base nos extratos bancários, presumidos como se receita fosse; Do arbitramento da receita conhecida e Do erro na base de cálculo; que seria equivocado o percentual lançado na Notificação Fiscal em comento do acréscimo de 20% (lucro arbitrado), haja vista que o Agente Notificante tinha por referência de receita o total movimentado em conta corrente e conhecia a tributação da contribuinte; nesse caso, se entendesse que a Impugnante tivesse perdido o direito à tributação diferenciada, poderia, no máximo, lançar o valor com base no Lucro Presumido, sem o devido arbitramento; No item 7. Da Exclusão do Simples Nacional, a Impugnante repete os argumentos já relatados em sua manifestação de inconformidade. Continuando com a impugnação: Da Multa Excessiva (neste tópico, argumenta que a CF/88 veda a utilização de qualquer tributo com efeito confiscatório) Da ilegalidade da aplicação da Taxa SELIC para o cálculo dos Juros de mora (neste tópico, alega que a taxa SELIC não pode ser utilizada no cálculo crédito tributário, que sua aplicação é ilegal e fere princípios constitucionais); Processadas as Defesas, foi proferido pela 3ª Turma da DRJ de Florianópolis o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento às razões apresentadas, tanto de Manifestação de Inconformidade, como de Impugnação, mantendo a exclusão do Contribuinte do SIMPLES Nacional e integralmente os lançamentos de ofício procedidos: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Fl. 663DF CARF MF 10 Data do fato gerador: 31/03/2010, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010 Exclusão. Prática Reiterada de Infração à Legislação. Omissão de Receita.Exclusão de Ofício. Efeitos. Créditos bancários sem origem justificada caracteriza omissão de receita, por força de presunção legal, e se constitui em prática reiterada de infração à legislação tributária se tal situação se verificou por doze meses e em valores bem superiores as receitas declaradas. Ocorrida esta situação, os efeitos da exclusão já se notam na data da infração, por expressa previsão legal. Exclusão. Ausência de escrituração de Movimentação Financeira/Bancária. As microempresas e as empresas de pequeno porte deverão manter o livrocaixa em que será escriturada sua movimentação financeira e bancária, sendo que a ausência deste registro implica na exclusão do Simples Nacional. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2010, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010 Presunções Legais Relativas. Distribuição do ônus da Prova. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. Lançamento de Ofício. Multa Aplicável As multas de ofício não possuem natureza confiscatória, constituindose antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. Juros de Mora. Aplicabilidade da Taxa SELIC. Estando os juros lançados em absoluta conformidade com a legislação de regência, não podem ter seus percentuais reduzidos aleatoriamente pelo julgador administrativo, em virtude de alegada feição de inconstitucionalidade/ilegalidade da exigência de juros com base na taxa Selic. Sobre os débitos tributários para com a União, não pagos nos prazos previstos em lei, aplicamse juros de mora calculados, a partir de abril de 1995, com base na taxa SELIC. Súmula CARF n° 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 664DF CARF MF Processo nº 11516.723239/201391 Acórdão n.º 1402003.269 S1C4T2 Fl. 660 11 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2010, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010 Depósitos Bancários. Origens. Presunção Legal. Omissão de Receita. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Lucro Arbitrado. O imposto devido será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, com a inclusão de toda a movimentação financeira, no caso da opção pelo lucro presumido. Receita Bruta Conhecida. Base de Cálculo. Lucro Arbitrado. Quando a receita bruta conhecida for utilizada como base de cálculo do Lucro Arbitrado, ao coeficiente de presunção aplicável deve ser acrescido o percentual de vinte por cento (20%). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2010, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010 Argüições de Inconstitucionalidade e Ilegalidade da Legislação Tributária. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. PIS. COFINS. CSLL. Lançamentos Decorrentes. Efeitos da decisão relativa ao lançamento principal (IRPJ). Em razão da vinculação entre o lançamento principal (IRPJ) e os que lhe são decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevaleceram na apreciação destes, desde que não presentes argüições específicas ou elementos de prova novos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 665DF CARF MF 12 Diante de tal revés, foi oposto singular Recurso Voluntário, versando sobre a exclusão do SIMPLES Nacional e sobre as exigências dos lançamentos de ofício, trazendo as mesmas alegações de Impugnação e Manifestação de Inconformidade, bem como atacando diretamente as razões do v. Acórdão recorrido. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 666DF CARF MF Processo nº 11516.723239/201391 Acórdão n.º 1402003.269 S1C4T2 Fl. 661 13 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Exclusão do SIMPLES Nacional Inicialmente, passase a apreciar a matéria referente ao Ato Declaratório Executivo DRF/FNS nº 217/2013, que promoveu a exclusão da Recorrente do SIMPLES Nacional, a partir de 1º janeiro de 2010. Conforme relatado, são dois os fundamentos para a exclusão da Contribuinte do SIMPLES Nacional: (i) a falta de escrituração do livrocaixa ou por não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária e (ii) por ter sido constatada prática reiterada [de infração] à Lei Complementar nº 123/2006, fatos que importam na sua exclusão de ofício do Simples Nacional, com fundamento no art. 29, inciso V e VIII, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006 (vide fls. 237). Posto isso, primeiramente, passase a analisar o primeiro motivo de exclusão, referente à falta de escrituração do livrocaixa ou por não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária¸conforme previsto no inciso VIII, do art. 29, da Lei Complementar nº 123/2006. No caso concreto, como se verifica dos autos, após intimar e receber da ora Recorrente seu Livro Razão do anocalendário de 2010, foi constatado que contrariando a legislação[...] a conta "CAIXA" não contempla a escrituração da movimentação bancária da empresa, e no qual não há qualquer escrituração de qualquer conta onde tal movimentação tenha sido registrada (fls. 3). Sobre tal fato, a Recorrente, em suma, alega que, apesar de realmente não ter sido registrada no seu Livro Razão a movimentação bancária existente (reconhecendo a veracidade de tal fato), posteriormente colhida pelo Fisco, existiria toda documentação apta a subsistir esta exigência, assim como, sendo optante pelo SIMPLES Nacional, só teria Fl. 667DF CARF MF 14 relevância o registro contábil de seu faturamento propriamente dito, sendo este o elemento adequado para a base tributável dessa sistemática. Também acrescenta que tal postura não acarretou em dificuldade ou impedimento para o exercício da fiscalização Pois bem, não obstante as afirmações da Contribuinte, é certa existência de dispositivo que objetivamente prevê tal falha de contabilidade como motivação para a exclusão do SIMPLES Nacional: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: (...) VIII houver falta de escrituração do livrocaixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária; A redação do dispositivos é incisiva e clara, não deixando margens interpretativas que socorram às alegações da Recorrente. Certamente, subsumise à hipótese legal acima colacionada o fato verificado pela Fiscalização, ao passo que a conta Caixa do Livro Razão, ainda que efetivamente mantido pela Empresa autuada, não trazia o fluxo financeiro bancário da Empresa, o que perfeitamente se revela como não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária. Não há na referida norma nenhuma ressalva ou mesmo previsão para a retificação dos Livros de forma a mitigar a ocorrência dessa hipótese de exclusão dos contribuintes, diante da sua verificação concreta pelas Autoridade Fiscais. Mais importante é que a mesma Lei Complementar nº 123/2006 obriga o optante, constituído e operando na modalidade societária e empresarial da Contribuinte, a manter, especificamente, esse registro contábil: Art. 26. As microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional ficam obrigadas a: I emitir documento fiscal de venda ou prestação de serviço, de acordo com instruções expedidas pelo Comitê Gestor; II manter em boa ordem e guarda os documentos que fundamentaram a apuração dos impostos e contribuições devidos e o cumprimento das obrigações acessórias a que se refere o art. 25 desta Lei Complementar enquanto não decorrido Fl. 668DF CARF MF Processo nº 11516.723239/201391 Acórdão n.º 1402003.269 S1C4T2 Fl. 662 15 o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes. §1º O MEI fará a comprovação da receita bruta mediante apresentação do registro de vendas ou de prestação de serviços na forma estabelecida pelo CGSN, ficando dispensado da emissão do documento fiscal previsto no inciso I do caput, ressalvadas as hipóteses de emissão obrigatória previstas pelo referido Comitê. § 2o As demais microempresas e as empresas de pequeno porte, além do disposto nos incisos I e II do caput deste artigo, deverão, ainda, manter o livrocaixa em que será escriturada sua movimentação financeira e bancária (destacamos). Posto isso, revelase correta e procedente a exclusão da Recorrente do SIMPLES Nacional, nos termos do art. 29, inciso VIII, da Lei Complementar nº 123/2006, não merecendo qualquer reforma nesse ponto o Ato Declaratório Executivo DRF/FNS nº 217/2013. Em relação ao segundo motivo da exclusão promovida, referente à constatação de prática reiterada [de infração] à Lei Complementar nº 123/2006, este Conselheiro entende ser improcedente tal fundamento, vez que não configuradas as circunstâncias que implicam em prática reiterada inclusive nos termos da própria Lei Complementar nº 123/2006. Contudo, tal constatação e entendimento não guarda relevância jurisdicional em relação à exclusão da Contribuinte, vez que já demonstrada a ocorrência eficaz da hipótese do inciso VII do art. 29 da Lei Complementar nº 123/2006. Apenas registrando e esclarecendo, mas de forma breve (considerando a ineficácia dessa posição), primeiro temos que a constatação de omissão de receitas no presente caso deuse com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96, diante da ausência de informação ao Fisco de depósitos bancários contidos em sua movimentação financeira. Frisese que para a constatação de tal infração tributária, a falta de registro contábil é irrelevante. Incorreria a Contribuinte na mesma infração presumida se apenas deixasse de declarar tais valores, mesmo tendo lançado a movimentação bancária na conta Caixa de seu Livro Razão. Devese considerar que os contribuintes optantes pelo SIMPLES Nacional, mesmo devendo promover recolhimentos mensais, estão sujeitos à apresentação de Declaração anual, na qual consolidamse todas as informações e eventos de relevância fiscal do ano calendário. Fl. 669DF CARF MF 16 Assim, o critério de sazonalidade mensal não é absoluto para apuração definitiva dos tributos devidos pela sistemática do SIMPLES Nacional, vez que sujeito a uma declaração anual de suas informações fiscais. Primeiro porque a infração em tela não abrange nenhuma postura ativa, comissiva mas apenas a conduta omissiva em relação a informar sua movimentação financeira, sendo, por causa de tal silêncio, considerados os depósitos colhidos pela Fiscalização como receita omitida tributável (e ausente também, mas já em fase fiscalizatória, justificativa considerada apta para elidir a presunção legal aplicável). Temse aqui já que a definitividade (digase, até impropriamente, aperfeiçoamento) da ocorrência de tal infração esteve, na verdade, condicionada à apresentação da mencionada Declaração, referente a todos os meses do anocalendário, sem tais informações bancárias (o que, de fato, ocorreu no presente caso). Tanto assim é que a própria Fiscalização instrui os autos com cotejo direto das informações prestadas na Declaração de rendimentos da Contribuinte para confirmar e apontar a ausência de declaração da movimentação bancária colhida: (fls. 2) Considerando o acima exposto, denotase que o ciclo de ocorrência eficaz (e, consequentemente, apuração) da infração de omissão de receitas, com base na ausência de informação de depósitos bancários, considerados de natureza e origem não comprovada, e nos termos presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é anual. Fl. 670DF CARF MF Processo nº 11516.723239/201391 Acórdão n.º 1402003.269 S1C4T2 Fl. 663 17 Frisese que não existe qualquer menção sobre a ocorrência da mesma infração em anoscalendário anteriores. Dessa forma, a reiteração na prática dessa infração dependeria pelo menos da sua ocorrência eficaz, em mais um período do anocalendário de 2011, colhida após a apresentação da Declaração de rendimentos desse outro exercício. E, independentemente disso, após a edição da Lei Complementar nº 123/2006, em face da previsão de seu art. 29, § 9º, a prática reiterada deixou de ser um conceito indeterminado e passou a ter conteúdo claramente delineado: § 9º Considerase prática reiterada, para fins do disposto nos incisos V, XI e XII do caput: I a ocorrência, em 2 (dois) ou mais períodos de apuração, consecutivos ou alternados, de idênticas infrações, inclusive de natureza acessória, verificada em relação aos últimos 5 (cinco) anoscalendário, formalizadas por intermédio de auto de infração ou notificação de lançamento; ou II a segunda ocorrência de idênticas infrações, caso seja constatada a utilização de artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento que induza ou mantenha a fiscalização em erro, com o fim de suprimir ou reduzir o pagamento de tributo. No presente caso temos situação em que: a) a reiteração não foi suportada com base em infração anterior formalizada por auto de infração ou notificação de lançamento e b) não existe acusação de emprego de ardil, artifício ou fraude, além da simples postura omissiva da Contribuinte. E tanto assim é que a infração de omissão de receitas no presente caso deuse de forma presumida, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96 (o termo utilização pressupõe conduta específica, comissiva, ativa, para perpetrar a infração fim). Além disso, a multa aplicada foi de ofício, não havendo sua qualificação. Não obstante, o próprio teor das Súmulas CARF nº 14 e 25 deixam claro que a simples omissão de receitas não se confundo com fraude, dolo ou simulação. Desse modo, entendese e aqui registrase que não restou configurada a ocorrência de prática reiterada, nos termos da própria Lei Complementar nº 123/2006, merecendo reforma o Ato Declaratório Executivo DRF/FNS nº 217/2013 nesse ponto, mas sem implicar no afastamento da exclusão da Contribuinte do SIMPLES Nacional ou redução de qualquer exação. Fl. 671DF CARF MF 18 Ainda, a Recorrente combate os efeitos retroativos da sua exclusão, os quais tiveram início em 1º de janeiro de 2010. Para isso, em suas razões, primeiro reitera a improcedência da sua exclusão, repetindo os argumentos de invalidade do ADE. Depois, afirma que a previsão do §1 art. 29 da Lei Complementar nº 123/2006 ferem seu direto adquirido e configura confisco, expressamente apontando violação ao art. 5 º, inciso XXXVI e art. 150, inciso IV, da Constituição da República de 1988. Logo, aqui é incidente o disposto no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, bem como a Súmula nº 2 deste E. CARF, não se podendo conhecer das alegações exclusivamente fundamentadas em dispositivos constitucionais. Por fim, pugna no sentido que, de acordo com os cálculos da Fiscalização, a omissão de receitas apurada apenas fez superar o limite à época do SIMPLES Nacional (de R$ 2.400.000,00) em setembro de 2010, mas mesmo assim nos termos da Lei Complementar nº 123/2006 vigentes à época dos fatos geradores, somente poderia ter sido excluída dessa sistemática especial de arredação a partir do anocalendário subsequente. Não assiste razão à Recorrente. Como já decidido, é incidente ao caso a hipótese do inciso VIII, do art. 29, da Lei Complementar nº 123/2006, que, por sua vez, implica na exclusão do contribuinte a partir do próprio mês em que ocorrida a hipótese apurada, como previsto no § 1º daquele mesmo artigo. É irrelevante, ao presente caso, o momento ou mesmo a ocorrência do extrapolamento do limite de receita bruta máxima previsto para a permanência no SIMPLES Nacional. Na mesma esteira, a argumentação conhecida sobre o tema não é capaz de afastar a cogência das normas veiculadas no art. 29 da referida Lei Complementar e seus efeitos. Logo, não só a exclusão apresentase como correta e lícita, como também o início de seus efeitos em 1º de janeiro de 2010. Autuações A primeira alegação preliminar da Recorrente no que tange à improcedência das exações é da suposta ocorrência de revogação tácita do art. 42 da Lei nº 9.430/96, diante da sua antinomia jurídico com norma posterior veiculada no art. 5º, § 4º, da Lei Complementar nº 105/2001. Fl. 672DF CARF MF Processo nº 11516.723239/201391 Acórdão n.º 1402003.269 S1C4T2 Fl. 664 19 Para a Contribuinte, diante das novéis prerrogativas do Fisco atinentes ao acesso a informações bancárias sem a necessidade de autorização judicial, empregandoas normalmente na atividade fiscalizatória, teria se tornado ilegal a presunção contida no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Não assiste razão à Recorrente nesse ponto. Tal dispositivo da Lei Complementar nº 105/2001 referese efetivamente a questões de sigilo bancário quando da fiscalização de operações financeiras, concedendo à Autoridade Fiscal a faculdade de requerer diretamente ao contribuinte e ser lhe diretamente fornecidos informações e documentos sobre tais transações, sem o aval do Poder Judiciário. Não há qualquer coincidência na jurisdicização de fatos e hipóteses tratados nas normas em que se afirma existir antinomia. A criação de meios para investigar e constatar, direta e concretamente, a omissão de receitas não tem o condão de revogar a modalidade presuntiva da mesma infração, regularmente prevista em Lei, de modo plenamente vigente e inalterado. Podese, seguramente, afirmar que tal matéria hoje é pacífica no entendimento desse E. CARF, não se justificando um maior aprofundamento da alegação. Muito recentemente, esta mesma 2ª Turma Ordinária enfrentou o tema, afastando a posição agora defendida pela Recorrente, por unanimidade, como ilustra trecho a ementa do Acórdão nº 1402.002.957, de relatoria deste mesmo Conselheiro, publicado em 27/04/2018: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2011 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CARÊNCIA DE PROVAS. PRESUNÇÃO. POSSIBILIDADE E VALIDADE. A Lei nº 9.430/1996, no seu art. 42, estabelece uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento de ofício dos tributos correspondentes sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante Fl. 673DF CARF MF 20 documentação hábil e idônea, a origem e a natureza dos recursos lá creditados. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. REVOGAÇÃO TÁCITA DO ARTIGO 42 DA LEI 9.430/96. INOCORRÊNCIA. É improcedente a alegação de que, a partir da vigência da Lei Complementar nº 105/2001, caberia ao Fisco o ônus da prova da origem dos depósitos bancários, pois estaria revogado tacitamente o art. 42 da Lei nº 9.430/96. A norma veiculada no §4º do art. 5º da referida Lei Complementar versa especificamente sobre prerrogativas das Autoridades Fiscais diante de questões de sigilo bancário, não estando a presunção de omissão de receitas condicionada aos meios e à autonomia do seu poder de fiscalização. O mesmo entendimento também foi adotado no Acórdão nº 1401001.373, proferido pela C. 1ª Turma Ordinária dessa mesma 4ª Câmara, de relatoria do I. Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos, publicado em 04/09/2015: ÔNUS DA PROVA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PODER DE INVESTIGAÇÃO DO FISCO. É insustentável a tese segundo a qual, a partir da Lei Complementar n° 105/2001, cabe ao fisco o ônus da prova da origem dos depósitos bancários, em vista da amplitude de poderes conferidos às autoridades fazendárias, eis que: a) trata se de presunção legal, que não foi derrogada; b) a presunção não se encontra condicionada ao poder de fiscalização do fisco; c) a aceitação da tese implicaria a revogação de todas as demais presunções legais de omissão de receitas, uma vez que o fisco sempre dispôs da prerrogativa de examinar livros e documentos de qualquer contribuinte. Diante disso, afastase tal alegação preliminar de nulidade do lançamento. Na sequência, a Recorrente afirma que o lançamento violou o princípio da razoabilidade, no sentido de que o Auto de Infração revelase desproporcional, considerando os depósitos bancários, por si só, como receita, sem amparo nos demais elementos configuradores do conceito efetivo de rendimentos, como sinais externos de riqueza. Tratouse de aplicação irrazoável e desproporcional da presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96 (...). Ainda que arrimando tal alegação principiológica em doutrina de notórios constitucionalistas e Min. do E. Supremo Tribunal Federal, afirma a Recorrente ser permitido o Fl. 674DF CARF MF Processo nº 11516.723239/201391 Acórdão n.º 1402003.269 S1C4T2 Fl. 665 21 seu conhecimento por este E. CARF, vez que o art. 2º1 da Lei nº 9.784/99 prevê sua observância pela Administração Tributária. Traz ainda, no tópico subsequente, matéria relacionada diretamente a tal alegação, pugnando que não se poderia proceder a lançamento de ofício com base apenas em depósitos bancários, vez que esses não revelam a disponibilidade econômica como base de cálculo dos "impostos" devidos pela Recorrente. Complementa que, per si, não há nexo causal direto entre depósitos bancários e a infração de se omitir as receitas tributáveis, realmente auferidas. Primeiro temos que a suposta violação ao princípio da razoabilidade, ainda que possa ser desdobrado em regras de conteúdo determinado e menos abstrato, não se presta como motivação exclusiva para o cancelamento do crédito tributário, apurado, então, pela aplicação, de forma direta e dentro da vinculação da atividade administrativa fiscal, das prescrições do art. 42 da Lei nº 9.430/96, assim como de outras normas referentes à quantificação e formalização dos Autos de Infração. Nesse sentido, à luz da supremacia da constituição e legalmente reforçado pelo teor do art. art. 2º da Lei nº 9.784/99 é certa a necessidade de observância das Autoridades Fiscais de toda a principiologia invocada em tal dispositivo. Contudo, tal prescrição dirigise, de forma mais eficaz e pragmática, aos atos que apresentam graus de discricionariedade ou mesmo natureza decisória. Ainda que a Contribuinte afirme que tratouse de aplicação irrazoável e desproporcional da presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96, não é apresentado especificamente nenhum desvio ou abuso na sua adoção e, tampouco, é demonstrada a suposta forma alternativa, então devida e correta, de sua aplicação (diversa daquilo, então, procedido pela Fiscalização). Tudo aquilo que se apontou como irrazoável nas exações combatidas é fruto ordinário e objetivo do seu próprio conteúdo e resultado dos efeitos jurídicos da presunção veiculada em tal dispositivo. Por consequência, o que claramente se revela aqui é que, na verdade, questiona a Contribuinte a razobilidade da própria norma jurídica, veiculada no art. 42 da Lei nº 9.430/96. 1 Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. (...) VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; Fl. 675DF CARF MF 22 Desse modo, essa abordagem na construção postulatória e alegações são inadequadas para afastar, no contencioso administrativo fiscal, a validade e a procedência das Autuações fiscal, ficando limitado ao Julgado ao conteúdo normativo de hierarquia legal. Já em relação ao fato de os depósitos bancários não demonstrarem a disponibilidade econômica referente aos tributos exigidos, não podendo considerálos integralmente como elemento tributável, pois não haveria demonstração concreta da infração de omitirse receitas, mais uma vez, não procede tal arguição. O art. 42 da Lei nº 9.430/96 está validamente inserido no sistema tributário nacional, veiculando presunção iuris tantum da omissão de receitas quando devidamente colhidas e comprovadas pela Fiscalização as condutas e ocorrências legalmente arroladas, justificada, inclusive, pela praticabilidade tributária. O efeito de tal disposição é a inversão do ônus da prova sobre a ocorrência da infração de omissão de receitas, diante da devida fundamentação para a sua aplicação, dentro das hipóteses previstas. Logo não se trata de tributação fundada diretamente em movimentação bancária, mas, sim, em disposição legal expressa, presente há mais de duas décadas na legislação federal da tributação sobre a renda, que valese de corriqueira técnica jurídica de abstração. Não existe violação ao conceito legal de receita tributável. Há muito a legitimidade jurídica de tal dispositivo não representa celeuma neste E. CARF, não procedendo os supostos conflitos conceituais aventados pela Recorrente. Também, cabível aqui a dicção da Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Dessa forma, afastase tais alegações. Mais adiante, opõese a Contribuinte ao arbitramento de receita conhecida e, consequentemente, alegase erro na base de cálculo. Fl. 676DF CARF MF Processo nº 11516.723239/201391 Acórdão n.º 1402003.269 S1C4T2 Fl. 666 23 Contudo, a Recorrente afirma diversas vezes que era optante pelo Lucro Presumido, como quando, por exemplo, alega que a correta interpretação aplicável ao caso é que o arbitramento só deve ser promovido no caso de não haver segurança na apuração das bases segundo o regime ordinário de tributação do sujeito passivo (Lucro Presumido). E defende que deviria ser aplicado o mesmo regime de tributação o qual esta submetido a Recorrente, nos termos do art. 288 do RIR. Assim, não deve prevalecer o entendimento do Fisco quanto do acórdão recorrido de que é correto o arbitramento do lucro da empresa Recorrente, ante ao descumprimento às normas do regime de tributação a que se submeteu, qual seja: lucro presumido. Ou seja, a maior parte das razões e a conclusão da Contribuinte sobre tema são alheias aos fatos da presente demanda, o que até justificaria delas não conhecer. Como exaustivamente visto no presente voto, a Recorrente era optante pelo SIMPLES Nacional e de tal sistemática foi excluída, desde o início do anocalendário de 2010, período em que foram lançadas as exações em tela, sob a acusação de omissão de receitas. Uma vez excluída regularmente de tal regime, não se poderia proceder às exigências nos moldes do SIMPLES Nacional, em atenção exclusiva, isolada e indevida ao disposto art. 288 do RIR/992 (que se revela regra geral). Além disso, tal assunto (ausência de escrituração de movimentação financeira) é precisa e especialmente tratado no art. 530 do RIR (art. 45 da Lei nº 8.981/95), que deve ser interpretado e aplicado de maneira sistemática em relação às demais normas que disciplinam a apuração do imposto sobre a renda e os procedimentos para o lançamento de ofício. Nessa esteira, é fato incontroverso que os depósitos bancários e toda a movimentação financeira em referência, colhidos pela Fiscalização, que deram base para a quantificação das infração, não estavam registrados nas Livros da Contribuinte. Sem a necessidade de maiores aprofundamentos, está claro que a hipótese in casu se amolda ao previsto no art. 530 do RIR/99: 2 Art. 288. Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão. Fl. 677DF CARF MF 24 Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando: (...) II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou (destacamos) O arbitramento não é espécie de sanção fiscal e tampouco uma prerrogativa ou uma faculdade do contribuinte quando autuado. Tratase de modalidade de apuração do lucro tributável, aplicável quando verificadas, concretamente, as suas hipóteses legais de adoção. Desse modo, mostramse procedentes as Autuações no que tange à adoção do regime do Lucro Arbitrado. Ainda, alega a Recorrente ser abusiva e confiscatória a percentagem de 75% da multa de ofício aplicada, literalmente afirmando existir violação ao art. 150, inciso IV, da Constituição da República vigente. Inclusive traz julgado de E. Supremo Tribunal Federal. Todavia, mais uma vez, observase que a única base legal de seu argumento é o art. 150, inciso IV, da Constituição da República de 1988. Desta feita, é também incidente aqui o disposto no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, bem como a Súmula nº 2 deste E. CARF, não se podendo conhecer dessa alegação. Por fim, a Recorrente alega ser ilegítima e inconstitucional a adoção de juros, indexados pela Taxa SELIC, que violaria tanto seu direito constitucionalmente garantido, como aspectos legais do sistema tributário nacional. Nesse tema, em relação à alegada violação do art. 150, inciso I, da Carta Magna de 1988, incide o disposto no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, bem como a Súmula nº 2 deste E. CARF, não se podendo conhecer dessa alegação Fl. 678DF CARF MF Processo nº 11516.723239/201391 Acórdão n.º 1402003.269 S1C4T2 Fl. 667 25 Além disso, abrangendo a matéria infraconstitucional arguida, esta C. 2ª Turma, acompanha o atual entendimentos da C. Câmara Superior de Recursos Fiscais, que professa ser devida tal postura fiscal, inclusive com a correta eleição da Taxa SELIC. Ilustrando tal posição, confirase trecho da ementa do recente Acórdão nº 9101003.222, da C. 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como voto vencedor do I. Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, publicado em 05/03/2018: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora à taxa SELIC. Compõem o crédito tributário o tributo e a multa de ofício proporcional. (...) Por fim, especificamente ainda em relação à taxa adotada, incide ao caso o claro teor da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. O mesmo entendimento foi adotado pelo E. Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp 1.073.846/SP, de 25/09/2009, de relatoria do Exmo. Min. Luiz Fux, sob a dinâmica do art. 543C do Código de Processo Civil vigente à época. Diante do exposto, voto por não conhecer da matéria constitucional alegada e, na parte conhecida, negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose a exclusão da Contribuinte do SIMPLES Nacional, bem como as Autuações lavradas. (assinado digitalmente) Fl. 679DF CARF MF 26 Caio Cesar Nader Quintella Fl. 680DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.905752/2008-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003
Ementa:
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS. PROVA DE PARTE DO CRÉDITO EM SEDE DE DILIGÊNCIA FISCAL. ADMISSIBILIDADE.
Em sede de diligência fiscal restou apurado que parte do crédito vindicado pelo contribuinte é legítima, o que deve redundar no seu reconhecimento por este Tribunal.
Numero da decisão: 3402-005.372
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário no limite do crédito reconhecido na diligência fiscal realizada nos autos.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário no limite do crédito reconhecido na diligência fiscal realizada nos autos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1430; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 571 1 570 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.905752/200891 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.372 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2018 Matéria PIS Recorrente Garagem Moderna Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 Ementa: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS. PROVA DE PARTE DO CRÉDITO EM SEDE DE DILIGÊNCIA FISCAL. ADMISSIBILIDADE. Em sede de diligência fiscal restou apurado que parte do crédito vindicado pelo contribuinte é legítima, o que deve redundar no seu reconhecimento por este Tribunal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário no limite do crédito reconhecido na diligência fiscal realizada nos autos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 57 52 /2 00 8- 91 Fl. 571DF CARF MF 2 1. Por bem retratar os fatos aqui analisados emprego como meu o Relatório desenvolvido por este Tribunal administrativo quando da resolução n. 3402000428 (fls. 155/157), da lavra do Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, o qual adoto como meu nos termos abaixo: Tratase de processo de restituição/compensação em que o contribuinte teve seu pedido de indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o crédito financeiro alegado como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Na manifestação de inconformidade, o recorrente alega que a origem de seus créditos tem amparo na Lei 10.485/2002, por se tratar de produtos monofásicos que teriam sido incluídos indevidamente nas bases de cálculo do PIS e da Cofins. A DRJ em Curitiba julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que as alegações trazidas pela interessada constituem fatos que não foram apreciados pela autoridade originalmente competente, posto que resultam de retificação de DCTF feita somente após a ciência do despacho decisório, além de não ter sido trazida aos autos a comprovação da existência do direito creditório alegado de forma genérica na manifestação de inconformidade. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpõe recurso voluntário ao CARF, repisando os argumentos apresentados anteriormente na manifestação de inconformidade, ressaltando que os fundamentos jurídicos que sustentam seu pleito derivam de sua atividade societária, comerciante de autopeças, cuja Lei nº 10.485/2002 reduziu a zero a alíquota a ser aplicada na receita bruta auferida na venda destes produtos. O Recurso Voluntário foi analisado e foi proposta uma resolução para fins de identificar o objeto da sociedade, o valor da receita auferida com a comercialização de produtos relacionados nos anexos I e II da Lei nº 10.485/2002, o valor da base de cálculo tributável e o valor dos recolhimentos efetuados pelo recorrente. O processo retornou da origem acompanhado por várias planilhas, além do contrato social. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba não produziu o termo final de diligência analisando os dados constantes nos documentos acostados aos autos pelo recorrente. (...). 2. Diante deste quadro, o processo foi novamente baixado em diligência por intermédio da resolução acima mencionada, determinado que a unidade preparadora formulasse relatório fiscal com base nos documentos fiscais apresentados pelo contribuinte e, nesse sentido, indicasse a existência ou não de crédito a ser compensado. Fl. 572DF CARF MF Processo nº 10980.905752/200891 Acórdão n.º 3402005.372 S3C4T2 Fl. 572 3 3. Referida diligência foi cumprida, gerando o relatório fiscal, a respeito do qual o contribuinte apresentou manifestação. 4. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 5. O recurso sub judice preenche os pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual passo ao seu conhecimento. I. Do crédito compensado 6. Em suma, o contribuinte apresentou pedido de compensação (DCOMP) alegando que recolheu valores que não eram devidos a título de PIS, ao fundamento que na operação perpetrada haveria incidência monofásica da tributação, nos termos da lei n. 10.485/02. 7. Em sede de diligência fiscal, assim apurou a unidade preparadora: (...). 6. A planilha elaborada por esta fiscalização levou em conta que: 6.1 – A tabela apresentada pelo contribuinte relacionando os produtos que vende, e respectiva classificação TIPI, não abrange todos os produtos que vende, conforme acima já se referiu e exemplificou. 6.2 Há produtos listados pelo contribuinte com cuja classificação TIPI não se concorda, mas que, ainda assim, se enquadram em classificação da TIPI cujo código também se encontra entre os que são beneficiados com a alíquota zero. Outros (pneus e câmaras de ar) que, não relacionados nos Anexos I e II da Lei n° 10.485/2002, ainda assim fazem jus à alíquota zero do PIS, conforme previsto no parágrafo único, art. 5°, daquela mesma Lei. 6.3 Levouse em conta, também, que o contribuinte, tal como consta na trigésima alteração de seu Contrato Social (fls. 134 a 138), Cláusula Terceira, tem por objeto social a exploração do ramo de comércio de peças e acessórios, serviços de manutenção e reparação mecânica de veículos auto motores, locação de automóveis sem condutor (49.3.02/0100), transporte de pessoal e pequenos volumes, e estacionamento para veículos e congêneres. 6.3.1 Ou seja, usando de bomsenso, considerouse que, se o contribuinte faturou uma mercadoria com o nome “borracha”, e esta designação, pura e simples, seja insuficiente para saber do que exatamente se trata, que, ainda assim, deve tratarse de Fl. 573DF CARF MF 4 produto para aplicação em um carro, ou seja, que não se trata de “borracha escolar”, por exemplo, embora também a possa vender. 6.4 O fato de se ter chegado à conclusão que determinado produto não se enquadra entre os listados nos Anexos I e II da Lei n° 10.485/2002, a isso se limita. Não se considerou necessário determinar em que código da TIPI tal produto se enquadra. A decisão se deu por exclusão – se o produto não se enquadra entre os previstos nos referidos Anexos, não é relevante determinar em qual se enquadra. Cabe ao contribuinte, isso sim, em não concordando com tal conclusão, indicar em que código da TIPI, previsto naqueles Anexos I e II, se enquadraria o produto, fazendo sua exata descrição, não se admitindo descrição como, por exemplo, sikaflex (NF n° 10349 – Proc. 10 980.905727/200816), que outra coisa não é que não uma marca de produto, embora por ele se presuma tratarse de produto da linha “selantes e correlatos”, que não é peça para automóvel, e, portanto, também não faz jus à alíquota zero do PIS. 6.5 A planilha abrange todas, e tão somente, as notas fiscais em face das quais o contribuinte identificou produtos contemplados com a alíquota zero, por ele demonstradas na relação, de fls. 141 a 148. Não se faz qualquer observação em relação àquelas sobre as quais não se observou divergência de entendimento quanto ao valor beneficiado pela alíquota zero ou não, só o fazendo em relação àquelas cujo valor não beneficiado com a alíquota zero fosse maior que o encontrado pelo contribuinte, neste caso referindo, na coluna “produtos não beneficiados c/ alíq. 0”, o nome dos produtos cuja classificação TIPI não corresponde a nenhuma daquelas constantes nos Anexos I e II da Lei 10.485/2002, para que o contribuinte, querendo, possa refutar o entendimento desta fiscalização, porém, identificando o produto com a correta nomenclatura, o código TIPI em que o considera enquadrado, bem como a defesa/esclarecimento de assim considerar, tal como já alertado no subitem precedente. 7. Dado o acima exposto, confirmase que o crédito utilizado na compensação em causa neste processo está restrito ao valor de R$ 1.088,29 (item 5 e seus subitens, acima). (...) (grifos nosso). 8. Referida diligência foi conclusiva no sentido de que, diante da análise perpetrada pela unidade preparadora, o contribuinte possuía algum crédito de PIS em razão de um indevido pagamento em operações ora sujeitas à monofasia ora subordinadas à alíquota zero, o que redundou em parte do crédito utilizado na presente compensação e glosado pela fiscalização. 9. Logo, há que se reconhecer como válido parte do crédito tomado pelo contribuinte, nos exatos termos em que constatado no sobredito relatório fiscal. Dispositivo Fl. 574DF CARF MF Processo nº 10980.905752/200891 Acórdão n.º 3402005.372 S3C4T2 Fl. 573 5 10. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário, de modo a reconhecer o crédito pleiteado pelo contribuinte no montante de R$ 1.088,29, nos exatos termos do relatório fiscal elaborado pela unidade preparadora. 11. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Fl. 575DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.001014/2010-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES.
São tributáveis na declaração de ajuste anual os rendimentos de resgate de contribuições à previdência privada
Numero da decisão: 2202-004.738
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES. São tributáveis na declaração de ajuste anual os rendimentos de resgate de contribuições à previdência privada Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 10 14 /2 01 0- 69 Fl. 204DF CARF MF 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP Em procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual 006 do contribuinte acima identificado, procedeuse ao lançamento de ofício, originário da apuração das infrações abaixo descritas, por meio da Notificação de Lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física, de fls. 14/17. Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido Descrição Valores em Reais 1) Total dos Rendimentos Tributáveis Declarados 29.722,52 2) Omissão de Rendimentos Apurada 286.881,40 3) Total das Deduções Declaradas 12.606,73 4) Glosa de Deduções Indevidas 0,00 5) Prev.Oficial sobre Rendimento Omitido 0,00 6) Base de Cálculo Apurada (1+23+45) 303.997,19 7) Imposto Apurado após as Alterações (Calculado pela Tabela Progressiva Anual) 78.015,02 8) Dedução de Incentivo Declarada 0,00 9) Glosa de Dedução de Incentivo 0,00 10) Total de Imposto Pago Declarado 3.490,49 11) Glosa de Imposto Pago 0,00 12) IRRF sobre infração e/ou CarnêLeão Pago 36.675,61 13) Saldo do Imposto a Pagar Apurado após Alterações (78+ 910+ 1112) 37.848,92 14) Imposto a Restituir Declarado/calculado 3.018,33 15) Imposto já Restituído 0,00 16) Imposto Suplementar 37.848,92 Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal informa a fiscalização a Omissão de Rendimentos Recebidos a título de Resgate de Contribuições à Previdência Privada, PGBL e Fapi, no valor de R$ 286.881,40, compensado o Imposto de Renda Retido sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 36.675,61. DA IMPUGNAÇÃO Devidamente intimado das alterações processadas em sua declaração, o contribuinte apresentou impugnação por meio do Fl. 205DF CARF MF Processo nº 11610.001014/201069 Acórdão n.º 2202004.738 S2C2T2 Fl. 205 3 instrumento, de fls. 02/03, e dos documentos de fls. 04/13, alegando, em síntese, que: Não houve omissão de rendimentos, estes foram lançados como rendimentos sujeitos à tributação exclusiva; A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo/SP negou provimento à impugnação em decisão que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário:2005 Ementa:OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES. São tributáveis na declaração de ajuste anual os rendimentos de resgate de contribuições à previdência privada Cientificado da decisão acima mencionada (AR fls. 26) o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 28/29, no qual alega, resumidamente, o seguinte: a) Do valor total recebido (R$ 286.881,40) sua empregadora foi responsável pelo pagamento de 60%, conforme comprovado pelo Estatuto da AGPREV, cuja cópia foi anexada ao processo. Sendo assim, nos termos do art. 39, item XI, do Decreto 3000/99 o montante equivalente ao percentual apontado deve ser excluído. b) O item XXXVIII do mesmo artigo 39 determina que não entrarão no cômputo do rendimento bruto "o valor do resgate de contribuições de Previdência Privada, cujos ônus tenham sido de pessoa física, recebidos por ocasião de seu desligamento do plano de benefícios da entidade, que corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995. Como sua adesão ocorreu em setembro de 1992, existira direito à isenção de tributação por período de 40 meses. O resgate do benefício ocorreu em janeiro de 2005, o que resulta em 148 meses de participação. Considerando o valor relativo à isenção em tela, o valor tributável seria de R$ 83.769,37. Em 07 de julho de 2017, essa turma, por unanimidade de votos, determinou a baixa do processo em diligência (Resolução 2202000779, fls. 41) para que a DRF de origem informasse qual o percentual do total recebido corresponde às parcelas de contribuições efetuadas no período de 1992 à 1995. Intimado o contribuinte juntou os documentos de fls. 50/185 Em cumprimento à diligência a Delegacia de origem proferiu o despacho de fls. 195/196, nos seguintes termos: O contribuinte, regularmente intimado, (fls. 48 a 49), apresentou todos os Holerites correspondentes ao período de 1992 a 2003 (fls. 50 a 185), cujo resumo encontrase à fls. 186. (...) Fl. 206DF CARF MF 4 Apenas com os valores apresentados pelo contribuinte, não foi possível o cálculo da parcela do resgate total do PGBL decorrente das contribuições do período de 1992 a 1995 nos termos do inciso XXXVIII do artigo 39 do Decreto nº 3000, razão pela qual foi aberta Diligência em nome da empresa gestora da Previdência Complementar: AGPREV SOCIEDADE DE PREV. PRIVADA, CNPJ 42.765.396/000108. Uma intimação fiscal foi encaminhada a esta empresa (fls. 189/191) culminando em resultado NULO, uma vez que a empresa não foi localizada no endereço constante dos sistemas da Receita Federal (fls. 192 a 193) É o relatório Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Em sua impugnação o ora Recorrente se limitou a alegar que os valores recebidos em função do plano de previdência privada não foram declarados como rendimentos tributáveis, uma vez que estariam sujeitos a tributação exclusiva. Na Notificação de Lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 14/17) foi apontada omissão de rendimentos no montante de R$ 286.881,40, nestes termos: Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos recebidos a titulo de resgate de Contribuições à Previdência Privada, Plano Gerador de Benefício Livre e aos Fundos de Aposentadoria Programada Individual, sujeitos a tabela progressiva, no valor de R$ 286.881,40 recebido(s) pelo titular e/ou dependentes, da(s) fonte(s)pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto de Renda Retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 36.675,61 O Comunicado da AGPrev, (fls. 8) , por sua vez, informa o valor de R$ 281.299,76 disponível para saque. Logo em seguida, (fls. 9) no termo de opção, Declaração e Quitação firmado pelo Recorrente consta no item 1 o seguinte: 1. Valor a que tenho direito, sem os descontos dos impostos (Saldo Total Participante: R$ 274.034,76 (duzentos e setenta e quatro mil,trinta e quatro reais e setenta e seis centos ) atualizados conforme Termo de Retirada de Patrocínio. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 11610.001014/201069 Acórdão n.º 2202004.738 S2C2T2 Fl. 206 5 O Recorrente, por sua vez, afirma que devem ser excluídos da base de cálculo os montantes recolhidos pela empresa patrocinadora, bem como as contribuições por ele efetuadas no período de 1992 à 1995. O artigo 39 do Regulamento do Imposto de Renda, determina a exclusão das seguintes parcelas: Art.39.Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XI as contribuições pagas pelos empregadores relativas a programas de previdência privada em favor de seus empregados e dirigentes (...) XXXVIII o valor de resgate de contribuições de previdência privada, cujo ônus tenha sido da pessoa física, recebido por ocasião de seu desligamento do plano de benefício da entidade, que corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995 No entanto, ao contrário do que afirma o Recorrente, no Estatuto da AGPrev não consta qual o percentual de participação da empresa do montante apurado. Além disso, de acordo com o manual de Perguntas e Resposta da Receita Federal do Brasil, os planos de previdência anteriores à Lei nº 11.053/2004 estariam sujeitos à retenção na fonte ou a tributação sob a alíquota de 15%: No caso de contribuintes não optantes pelo regime de tributação de que trata o art. 1 da Lei nº 11.053, de 2004: Os benefícios pagos por essas entidades sujeitam se à incidência do imposto sobre a renda na fonte, aplicando a tabela mensal, e na Declaração de Ajuste Anual. Os resgates de contribuições, parciais ou totais, em virtude de desligamento do participante do plano de benefícios da entidade e, sujeitam se à incidência de imposto sobre a renda na fonte à alíquota de 15%, calculado sobre os valores de resgate, no caso de planos de previdência, inclusive Fapi, e na Declaração de Ajuste Anual, com exceção do resgate de recursos efetuado em plano estruturado na modalidade de benefício definido, que permanece submetido à tributação com base na tabela progressiva mensal e na Declaração de Ajuste Anual. Conforme exposto no relatório pela documentação trazida aos autos pelo contribuinte foi possível o cálculo da parcela do resgate total do PGBL decorrente das contribuições do período de 1992 a 1995 nos termos do inciso XXXVIII do artigo 39 do Decreto nº 3000. Foi então, realizada Diligência em nome da empresa gestora da Previdência Complementar: AGPREV SOCIEDADE DE PREV. PRIVADA, CNPJ 42.765.396/000108, a qual foi infrutífera. Fl. 208DF CARF MF 6 Em face do exposto, não tendo sido comprovado os mencionados valores, nego provimento ao recurso. (Assinatura digital) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 209DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.903525/2008-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2003 Ementa: COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA. PEDIDO DE PARCELAMENTO. EFEITOS. Não é merecedora de reparo a decisão que, identificando a impetração de pedido de parcelamento por parte do contribuinte imediatamente após a ciência de despacho decisório denegatório de homologação de compensação, deixa de conhecer a Manifestação de Inconformidade apresentada. O pedido de parcelamento importa confissão irretratável da dívida e, nos termos do art. 26 da Portaria MF nº 58, de 2006, desistência do processo.
Numero da decisão: 1301-000.980
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: Wilson Fernandes Guimarães
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HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA. PEDIDO DE PARCELAMENTO. EFEITOS. Não é merecedora de reparo a decisão que, identificando a impetração de pedido de parcelamento por parte do contribuinte imediatamente após a ciência de despacho decisório denegatório de homologação de compensação, deixa de conhecer a Manifestação de Inconformidade apresentada. O pedido de parcelamento importa confissão irretratável da dívida e, nos termos do art. 26 da Portaria MF nº 58, de 2006, desistência do processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. “documento assinado digitalmente” Alberto Pinto Souza Junior Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 345DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 7/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15374.903525/200893 Acórdão n.º 130100.980 S1C3T1 Fl. 346 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alberto Pinto da Souza Junior, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 7/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15374.903525/200893 Acórdão n.º 130100.980 S1C3T1 Fl. 347 3 Relatório AMS FACTORING FOMENTO MERCANTIL LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, que indeferiu solicitação veiculada por meio de manifestação de inconformidade, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de pedidos de compensação envolvendo crédito de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, relativo a saldo negativo apurado no exercício de 2003, e débitos diversos. As compensações não foram homologadas em razão de não ter sido confirmada a existência do crédito pleiteado (Despacho Decisório, fls. 19). Em sede de manifestação de inconformidade (fls. 24/25), a contribuinte argumentou que o crédito pleiteado seria comprovado pelas Declarações do ano (DIPJ e DCTF's) e pelos documentos de arrecadação (valor do crédito R$ 14.155,87 decorrente de recolhimentos no ano no valor de R$ 28.899,21); Posteriormente, foi juntada ao presente processo petição em que a contribuinte informou que, antes de protocolar a manifestação de inconformidade, havia solicitado o parcelamento dos débitos (processos administrativos nºs 15374.904773/200851, 15374.904803/200820, 15374.904821/200810 e 15374.904878/200819) que haviam sido objeto dos pedidos de compensação. Na ocasião, esclareceu que, não obstante os pedidos de parcelamento, reafirmava a sua intenção de prosseguir com a discussão acerca do reconhecimento do direito creditório. A já citada 1a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, analisando os argumentos expendidos pela contribuinte, decidiu, por meio do Acórdão nº. 1235.764, de 17 de fevereiro de 2011, pela improcedência do pedido. O referido julgado restou assim ementado: PARCELAMENTO DOS DÉBITOS. DESISTÊNCIA DO PROCESSO. O pedido de parcelamento de débitos declarados em DCOMP não homologada importa a desistência do processo administrativo fiscal. Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 92/98, por meio do qual sustenta: que o parcelamento foi solicitado porque necessitava imediatamente de certidões para realizar transações financeiras, tendo sido informada que a manifestação de inconformidade, "demoraria a entrar no sistema"; que não houve desistência expressa do recurso apresentado; Fl. 347DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 7/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15374.903525/200893 Acórdão n.º 130100.980 S1C3T1 Fl. 348 4 que o que fez foi ratificar a sua intenção de manter o recurso; que, na esfera judicial, tal óbice já foi superado, inclusive com efeitos de recurso repetitivo (cita o RE nº 1.133.027). que é notório o erro e até mesmo a ilegalidade, o que por si sós, ensejariam a reapreciação da matéria. Passo seguinte, a contribuinte, avançando ao mérito da controvérsia, traz argumentos no sentido de sustentar a liquidez e certeza do crédito apontado para o encontro de contas. É o Relatório. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 7/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15374.903525/200893 Acórdão n.º 130100.980 S1C3T1 Fl. 349 5 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata o presente de PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO (fls. 01/18), em que a contribuinte aponta crédito relativo a saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica do exercício de 2003, conforme discriminação abaixo. 1. PER/DCOMP nº 18538.71883.120504.1.3.029042 (fls. 01/06), crédito de R$ 14.155,87, em que requereu compensação com débitos relativos a estimativas mensais de IRPJ, nos montantes de R$ 2.555,99 (fevereiro de 2004) e R$ 2.634,25 (março de 2004); 2. PER/DCOMP nº 21638.16084.240504.1.3.028042 (fls. 01/10), crédito de R$ 9.568,09, em que requereu compensação com débito relativo a estimativa mensal de IRPJ, no montante de R$ 4.558,94 (abril de 2004); 3. PER/DCOMP nº 40999.47090.300604.1.3.023547 (fls. 11/14), crédito de R$ 5.923,85, em que requereu compensação com débito relativo a estimativa mensal de IRPJ, no montante de R$ 4.269,77 (maio de 2004); 4. PER/DCOMP nº 36865.98899.300704.1.3.023077 (fls. 15/18), crédito de R$ 2.544,00, em que requereu compensação com débito relativo a estimativa mensal de IRPJ, no montante de R$ 3.245,13 (junho de 2004). Do Despacho Decisório de fls. 19/22 podem ser extraídas as seguintes informações: Valor Original do SALDO NEGATIVO informado na PER/DCOMP: R$ 14.155,87 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 28.899,21 IRPJ devido: R$ 14.743,34 Parcelas do crédito confirmadas: R$ 14.155,87 VALOR DO SALDO NEGATIVO DISPONÍVEL: R$ 0,00 Em virtude de tais constatações, as compensações pleiteadas não foram homologadas. Em 30 de junho de 2008, a contribuinte apresentou MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE (fls. 24/25), por meio da qual sustentou que o crédito apontado na Declaração de Informações apresentada (DIPJ/2003) encontravase comprovado por meio de DCTFs e recolhimentos feitos à época. Às fls. 34/35, identificase correspondência, protocolada em 24 de novembro de 2008 e encaminhada ao Delegado da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, em Fl. 349DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 7/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15374.903525/200893 Acórdão n.º 130100.980 S1C3T1 Fl. 350 6 que a contribuinte informa que, antes de apresentar a Manifestação de Inconformidade, solicitou parcelamento dos débitos indicados nas PER/DCOMP apresentadas. Ciente da contradição trazida pelo pedido de parcelamento, a contribuinte reafirmou, na ocasião, sua intenção de manter o pedido de reconhecimento do crédito de que trata o presente processo. Para justificar a apresentação do pedido de parcelamento, a contribuinte assinalou: [...]. O cuidado do Contribuinte é explicado pela relação comercial que possui com Instituições Financeiras, com amplas linhas de crédito, essenciais à sua atividade e, por isso, não poderiam sofrer nenhum abalo. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, amparada no art. 26 da Portaria MF nº 58, de 2006, abaixo transcrito, não conheceu a Manifestação de Inconformidade apresentada. Art. 26. O pedido de parcelamento, a confissão irretratável da dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional de ação judicial com o mesmo objeto importa a desistência do processo. Em sede de recurso, a contribuinte argumenta que o parcelamento foi solicitado porque necessitava imediatamente de certidões para realizar transações financeiras, tendo sido informada que a manifestação de inconformidade, "demoraria a entrar no sistema". Diz que não houve desistência expressa do recurso apresentado, tendo, inclusive, ratificado a sua intenção de manter o recurso. Afirma que, na esfera judicial, tal óbice já foi superado, inclusive com efeitos de recurso repetitivo (RE nº 1.133.027). Sustenta que é notório o erro e até mesmo a ilegalidade, o que por si sós, ensejariam a reapreciação da matéria. Inovando em relação à Manifestação de Inconformidade anteriormente apresentada, a contribuinte afirma que a não homologação das compensações pleiteadas decorreu do fato de não terem sido consideradas as compensações realizadas por ela por meio de DCTFs, mas, tãosomente, os valores provenientes de recolhimentos por meio de documentos de arrecadação. Esclarece, ainda, que “os créditos que embasaram os pedidos posteriores de compensação foram obtidos por meio da compensação direta e sem prévio requerimento, conforme disposto, à época, pelo art. 14 da Instrução Normativa 21, de 1997”. Afirma a Recorrente que aportou aos autos documentação comprobatória da existência do seu crédito. À evidência, a solução da controvérsia posta no presente processo passa, primeiramente, pela apreciação acerca da admissibilidade ou não das razões de mérito trazidas pela Recorrente, pois, como já dito, antes de apresentar Manifestação de Inconformidade, ela confessou de forma irretratável, por meio de pedidos de parcelamento, os débitos cujas compensações não foram homologadas. Penso que a decisão exarada em primeira instância observou o disposto na legislação de regência e, em vista disso, não é digna de reparo, isto é, correto o não conhecimento da Manifestação de Inconformidade, vez que o pedido de parcelamento impetrado antes de sua apresentação representou, nos exatos termos do disposto no art. 26 da Portaria MF nº 58, de 2006, desistência do processo. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 7/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15374.903525/200893 Acórdão n.º 130100.980 S1C3T1 Fl. 351 7 Igual providência, a princípio, deve ser tomada no âmbito deste Colegiado, eis que, a exemplo das Delegacias da Receita Federal de Julgamento, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais também deve se submeter aos ditames do ato expedido pelo Ministro da Fazenda. Não obstante, a Recorrente traz à baila pronunciamento do Superior Tribunal de Justiça em recurso especial representativo de controvérsia (art. 543C do Código de Processo Civil) que, se efetivamente se amoldar ao caso que ora se aprecia, deverá, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno deste órgão julgador (RICARF), ser reproduzido no presente julgamento. O Recurso Especial referenciado pela Recorrente é o de número 1133027/SP, abaixo reproduzido. REsp 1133027 / SP RECURSO ESPECIAL 2009/01533160 RELATOR: Ministro LUIZ FUX Relator p/Acórdão: Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES DJe 16/03/2011 EMENTA PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. Recurso Especial representativo de controvérsia (art. 543C, § 1º, do CPC). AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO COM BASE EM DECLARAÇÃO EMITIDA COM ERRO DE FATO NOTICIADO AO FISCO E NÃO CORRIGIDO. VÍCIO QUE MACULA A POSTERIOR CONFISSÃO DE DÉBITOS PARA EFEITO DE PARCELAMENTO. POSSIBILIDADE DE REVISÃO JUDICIAL. (GRIFEI) 1. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o lançamento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória (art. 145, III, c/c art. 149, IV, do CTN). 2. A este poder/dever corresponde o direito do contribuinte de retificar e ver retificada pelo Fisco a informação fornecida com erro de fato, quando dessa retificação resultar a redução do tributo devido. 3. Caso em que a Administração Tributária Municipal, ao invés de corrigir o erro de ofício, ou a pedido do administrado, como era o seu dever, optou pela lavratura de cinco autos de infração eivados de nulidade, o que forçou o contribuinte a confessar o débito e pedir parcelamento diante da necessidade premente de obtenção de certidão negativa. 4. Situação em que o vício contido nos autos de infração (erro de fato) foi transportado para a confissão de débitos feita por ocasião do pedido de parcelamento, ocasionando a invalidade da confissão. 5. A confissão da dívida não inibe o questionamento judicial da obrigação tributária, no que se refere aos seus aspectos jurídicos. Quanto aos aspectos fáticos sobre os quais incide a norma tributária, a regra é que não se pode rever judicialmente a confissão de dívida efetuada com o escopo de obter parcelamento de Fl. 351DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 7/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15374.903525/200893 Acórdão n.º 130100.980 S1C3T1 Fl. 352 8 débitos tributários. No entanto, como na situação presente, a matéria de fato constante de confissão de dívida pode ser invalidada quando ocorre defeito causador de nulidade do ato jurídico (v.g. erro, dolo, simulação e fraude). Precedentes: REsp. n. 927.097/RS, Primeira Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 8.5.2007; REsp 948.094/PE, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06/09/2007; REsp 947.233/RJ, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 23/06/2009; REsp 1.074.186/RS, Rel. Min. Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 17/11/2009; REsp 1.065.940/SP, Rel. Min. Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 18/09/2008. 6. Divirjo do relator para negar provimento ao recurso especial. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008 Analisando a situação enfrentada pelo Superior Tribunal de Justiça, constato que ela não guarda inteira relação com a retratada nos presentes autos, visto que: i) no REsp 1133027/SP, antes de qualquer manifestação da Administração Tributária, a autora, necessitando participar de licitação, requereu uma certidão negativa. No presente caso, temos que, antes de ter sido cientificada do despacho decisório indeferindo a compensação solicitada, a contribuinte foi intimada a prestar esclarecimentos acerca das divergências apontadas (fls. 41/42). Não tendo sido apresentada resposta à intimação, foi emitido despacho decisório não homologando as compensações pleiteadas. A contribuinte, antes de apresentar qualquer questionamento em relação à decisão da Delegacia da Receita Federal, protocolizou pedido de parcelamento alegando que tal iniciativa visava não abalar sua relação comercial com as Instituições Financeiras com as quais mantinha “amplas linhas de crédito”. Em sede de Manifestação de Inconformidade limitouse a informar que o crédito seria comprovado “pelas Declarações do ano (DIPJ e DCTF’s) e pelos DARF’s recolhidos à época” (o argumento acerca da necessidade imediata de certidões para realizar transações financeiras só foi trazido por meio do recurso voluntário interposto). ii) no REsp 1133027/SP a autora argumentou e demonstrou o erro cometido antes da formalização das exigências (no caso, houve lavratura de autos de infração). No presente processo, a contribuinte, como já dito, não respondeu a intimação para prestar esclarecimentos; pediu parcelamento dos débitos que não foram compensados, antes mesmo de questionálos; não apontou erro de qualquer natureza na primeira reclamação (manifestação de inconformidade); e, somente no recurso voluntário, alega trazer ao processo prova da existência do seu crédito. iii) o REsp 1133027/SP trata de possibilidade de revisão de ofício de lançamento tributário, ao amparo das disposições dos arts. 145 e 149 do Código Tributário Nacional. No presente caso estamos diante de COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA não homologada, em que o que se busca é a liquidez e certeza do crédito apontado para o encontro de contas, não se confundindo, assim, com lançamento tributário. iv) no caso tratado pelo REsp 1133027/SP havia necessidade premente de obtenção de certidão negativa, o que forçou o contribuinte a pedir o parcelamento do débito. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 7/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15374.903525/200893 Acórdão n.º 130100.980 S1C3T1 Fl. 353 9 Na situação que ora se analisa, além de a contribuinte não comprovar ter sido forçada a pedir parcelamento para obter certidão negativa, resta evidente que o referido documento (certidão negativa) poderia ter sido obtido sem que o parcelamento fosse solicitado, vez que a interposição de reclamação (Manifestação de Inconformidade) suspende a exigibilidade do crédito tributário. v) o REsp 1133027/SP trata de evidente ERRO DE FATO na informação prestada pelo contribuinte (registro de estagiários em Relação Anual de Informações Sociais – RAIS com código de advogados). No presente caso estamos diante da constatação de divergências entre o crédito apontado para compensação tributária por meio de declarações e o apurado de acordo com os controles do órgão fiscal, cabendo destacar que, apesar de ter sido oportunizado prazo para a prestação de esclarecimentos em fase anterior à decretação da não homologação da compensação, somente em sede de recurso a contribuinte alega possuir documentos que comprovam a liquidez e certeza do crédito indicado para o encontro de contas. Não obstante a apresentação de documentos por parte da Recorrente visando comprovar a existência do crédito indicado para compensação, cabe notar que a intimação encaminhada pela Receita Federal apontou divergências entre os valores registrados na DIPJ em relação aos assinalados na DCTF, para as quais não foram apresentados quaisquer esclarecimentos. Penso, pois, que a única forma de afastar a aplicação da disposição contida no art. 26 da Portaria MF nº 58/2006 seria por meio da recepção, em caráter de estrita excepcionalidade, do disposto no art. 62A do Regimento Interno deste Colegiado. Contudo, em virtude de todo o expendido, em que restou claro que o presente processo não trata de mero erro de fato em preenchimento de instrumentos declaratórios, mas, sim, de aferição de liquidez e certeza de crédito indicado para fins de compensação tributária, não identifico similaridade entre a situação apreciada pelo REsp nº 1133027/SP e a espelhada no presente processo. Assim, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 353DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 7/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15374.903525/200893 Acórdão n.º 130100.980 S1C3T1 Fl. 354 10 Fl. 354DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 7/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR
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Numero do processo: 10380.019329/2008-36
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.736
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 93 29 /2 00 8- 36 Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10380.019329/200836 Acórdão n.º 9202006.736 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.733, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.733): "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10380.019329/200836 Acórdão n.º 9202006.736 CSRFT2 Fl. 4 3 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão n. 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10380.019329/200836 Acórdão n.º 9202006.736 CSRFT2 Fl. 5 4 e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10380.019329/200836 Acórdão n.º 9202006.736 CSRFT2 Fl. 6 5 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10380.019329/200836 Acórdão n.º 9202006.736 CSRFT2 Fl. 7 6 as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10380.019329/200836 Acórdão n.º 9202006.736 CSRFT2 Fl. 8 7 competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10380.019329/200836 Acórdão n.º 9202006.736 CSRFT2 Fl. 9 8 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10380.019329/200836 Acórdão n.º 9202006.736 CSRFT2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 222DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10860.900315/2006-86
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
DCTF RETIFICADORA.
Não há que se falar em crédito junto à Fazenda Pública vinculado a DIPJ,
se DCTF retificadora, instrumento de confissão de dívida, foi posteriormente apresentada pela contribuinte, confirmando a existência de débito de tributo no valor inicialmente declarado e recolhido pela pessoa jurídica.
DIREITO CREDITÓRIO. INEXISTÊNCIA. NÃO-HOMOLOGAÇÃO.
Restando não comprovada a existência do crédito utilizado na DCOMP, insta não homologar a compensação declarada dos débitos.
Numero da decisão: 1001-000.654
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. DCTF RETIFICADORA. Não há que se falar em crédito junto à Fazenda Pública vinculado a DIPJ, se DCTF retificadora, instrumento de confissão de dívida, foi posteriormente apresentada pela contribuinte, confirmando a existência de débito de tributo no valor inicialmente declarado e recolhido pela pessoa jurídica. DIREITO CREDITÓRIO. INEXISTÊNCIA. NÃO-HOMOLOGAÇÃO. Restando não comprovada a existência do crédito utilizado na DCOMP, insta não homologar a compensação declarada dos débitos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
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ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. DCTF RETIFICADORA. Não há que se falar em crédito junto à Fazenda Pública vinculado a DIPJ, se DCTF retificadora, instrumento de confissão de dívida, foi posteriormente apresentada pela contribuinte, confirmando a existência de débito de tributo no valor inicialmente declarado e recolhido pela pessoa jurídica. DIREITO CREDITÓRIO. INEXISTÊNCIA. NÃOHOMOLOGAÇÃO. Restando não comprovada a existência do crédito utilizado na DCOMP, insta não homologar a compensação declarada dos débitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 03 15 /2 00 6- 86 Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10860.900315/200686 Acórdão n.º 1001000.654 S1C0T1 Fl. 3 2 LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 95 a 97) interposto contra o Acórdão nº 0533.664, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP (fls. 86 a 92), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. DCTF RETIFICADORA. Não há que se falar em crédito junto à Fazenda Pública vinculado a DIPJ, se DCTF retificadora, instrumento de confissão de dívida, foi posteriormente apresentada pela contribuinte, confirmando a existência de débito de tributo no valor inicialmente declarado e recolhido pela pessoa jurídica. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 DIREITO CREDITÓRIO. INEXISTÊNCIA. NÃOHOMOLOGAÇÃO. Restando não comprovada a existência do crédito utilizado na DCOMP, insta não homologar a compensação declarada dos débitos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10860.900315/200686 Acórdão n.º 1001000.654 S1C0T1 Fl. 4 3 Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Trata o presente processo de Declaração de Compensação DCOMP n" 27811.46336.150803.1.3.044425, por meio da qual a contribuinte em epígrafe extinguiu PARCELA de débito de IRPJ, código 5993, referente ao período de apuração JUNHO de 2003, cujo valor seria R$ 390,96, valendose de crédito referente a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, verificado em 30/04/2003, na parcela original de R$ 390,96, integrante de DARF recolhido no valor de R$ 1836,91. Em 18/07/2008 foi emitido despacho decisório pela DRF TAUBATÉ de NÃO HOMOLOGAÇÃO da compensação, n° de rastreamento 775602017 (fl. 10), atestando que o limite do crédito analisado ao valor do crédito original na data da transmissão informado no PER/DCOMP seria de R$ 390,96. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Com base no exposto, não foram homologadas as compensações declaradas dos débitos, sendo exigido o saldo devedor a seguir consolidado: Cientificado em 29/07/2008, a contribuinte, por meio de seu representante legal, apresentou, em 28/07/2008, a manifestação de inconformidade de lis. 09, informando que a inexistência do crédito foi decorrente de um erro no preenchimento da DCOMP nº 27811.46336.150803.1.3.044425, a qual deseja retificar, para que constem os valores atualizados do crédito, até a data de sua transmissão. Contudo, teria sido impedida de proceder à retificação, pois só teria constatado a ocorrência do equívoco após a ciência do Despacho Decisório ora atacado. Com base no demonstrativo de fl. 09, busca demonstrar recolhimentos de estimativa mensal de IRPJ, período de apuração março de 2003. no total de R$ 1.836,91, enquanto o débito de IRPJ, a o q u a l s e v i n c u l a r i a t a l p a g a m e n t o , restringirse ia ao montante de R$ 510,02, conforme constaria da DCTF relativa ao 2 o trimestre de 2003 e da DIPJ 2003. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10860.900315/200686 Acórdão n.º 1001000.654 S1C0T1 Fl. 5 4 Com base no exposto, aguarda a Contribuinte orientações quanto a retificação da DCOMP em litígio.” Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou o recurso sobre análise apenas reiterando os termos aventados em primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Primeiramente, entendo que a matéria que a Recorrente preferiu tratar em um tópico chamado de "preliminar" não se trata de preliminar alguma, e sim do próprio mérito. Notese que neste item a Recorrente pede a revisão da decisão de primeira instância e repete os mesmos argumentos da Manifestação de Inconformidade, enquanto que no tópico "Mérito" constam apenas os Requerimentos do recurso. Assim, analisarei toda a questão como mérito do processo. Superada esta questão, insta ressaltar que no Recurso Voluntário a Recorrente apenas pede a revisão da decisão de primeira instância sob os mesmos argumentos já exarados anteriormente, lastreados nos mesmos documentos já analisados pela DRJ de origem. Desta forma, em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, e por concordar com seu teor, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: "(...) De plano, cumpre assinalar que a presente análise restringese à verificação dos dados disponíveis nos sistemas de processamento da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, de conformidade com o critério adotado no despacho decisório automático em litígio, tendo em conta a não ocorrência no processamento eletrônico de critérios de baixa para tratamento manual ou análise mais pormenorizada do crédito e dos débitos compensados. Consoante relatado, o crédito informado pela contribuinte na DCOMP n° 27811.46336.150803.1.3.044425 não foi reconhecido porque o pagamento efetuado em 30/04/2003 estaria vinculado a débito de IRPJ apurado em 31/03/2003. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10860.900315/200686 Acórdão n.º 1001000.654 S1C0T1 Fl. 6 5 Em sua defesa, afirma a contribuinte que teria se equivocado quando da transmissão da DCOMP em litígio. Alega possuir recolhimentos de estimativa mensal de IRPJ, período de apuração março de 2003. no total de R$ 1.836,91, enquanto o débito de IRPJ, ao qual se vincularia tal pagamento, restringirseia ao montante de R$ 510,02, conforme DCTF e DIPJ/2004. Entende, contudo, que seu erro se referiria ao fato de não ter indicado o saldo do crédito corretamente, ao olvidar a atualização correspondente, juntando aos autos planilhas demonstrativa dos valores atualizados. É importante destacar que cabe à contribuinte zelar pelo cumprimento de suas obrigações acessórias bem como pelo correto preenchimento e encaminhamento de seus pleitos, de forma a prestar informações coerentes à Administração Tributária, não havendo motivo algum que justifique a apuração de débitos de estimativas mensais de IRPJ divergentes nos diversos documentos e declarações apresentadas à Secretaria da Receita Federal. No entanto, em vista dos princípios da instrumentalidade do processo, da economia processual, da verdade material, do contraditório e da ampla defesa, assegurados pelo ordenamento jurídico vigente, entendese que as divergências entre os valores indicados na DIPJ, DCTF e PER/DCOMP podem ser supridas por esta instância administrativa, de forma a tornar possível a apreciação do direito creditório utilizado para a compensação dos débitos declarados. Compulsando os bancos de dados da RFB, verificase que a contribuinte prestou informações, quanto aos débitos de Estimativa Mensal de IRPJ de janeiro a março de 2003, como abaixo se esclarece: i) Os seguintes DARF foram por ela recolhidos nas datas abaixo discriminadas (fls.56/58): ii) Em 14/05/2003 apresentou DCTF n° 41415208 (fls. 44/45), na qual informou débitos de estimativas de IRPJ de janeiro a março de 2003, conforme detalhamento constante da planilha abaixo exposta, declarando que sua quitação teria sido efetuada através do pagamento dos DARF mencionados: iii) Em 04/08/2003 e 12/08/2003, a contribuinte transmitiu DCTF retificadoras, n° 21540108 e 21561670 respectivamente (fls. 46/49), as quais ratificaram os valores dos débitos acima demonstrados; Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10860.900315/200686 Acórdão n.º 1001000.654 S1C0T1 Fl. 7 6 iv) Em 15/08/2003, a contribuinte transmitiu 4 (quatro) DCOMP utilizandose de créditos de pagamentos efetuados a maior das estimativas de janeiro a março de 2003, buscando compensar débitos das estimativas mensais de abril e junho de 2003, conforme planilha abaixo: v) Em 30/06/2004, a contribuinte apresentou DIPJ 2004 (anocalendário 2003), cópia às fls. 59/62, na qual os valores devidos das Estimativas Mensais de IRPJ apuradas nos meses de janeiro a março de 2003 se mostravam divergentes daqueles declarados em DCTF, sendo que as diferenças supostamente apuradas coincidiriam com os créditos de pagamento a maior compensados nas 4 DCOMP antes mencionadas, pois veja: vi) Em 23/11/2007, foi emitido despacho decisório nos autos do processo n° 10860.900314/200631, nãohomologando a DCOMP n° 02653.48383.150803.1.3.046798. por inexistência de crédito de pagamento a maior que o devido efetuado em MARÇO/2003. Não foi apresentada Manifestação de Inconformidade, sendo o débito extinto por pagamento efetuado em 29/02/2008 (fls. 63/70); vii) Em 06/12/2007 foi apresentada DCTF retificadora (fls. 50/51), ALTERANDO o valor do débito de estimativa de IRPJ devida no mês de MARÇO de 2003, objeto das DCOMP n° 27811.46336.150803.1.3.044425 e 02653.48383.150803.1.3.046798, RATIFICANDO, entretanto, os valores declarados das estimativas de IRPJ referentes aos meses de JANEIRO e fevereiro, conforme DCTF original; Registrese ter sido transmitida, ainda, em 03/07/2008, nova DCTF Depreendese do exposto que as DCTF n° 21540108, 21561670 e 32150524, apresentadas respectivamente em 04/08/2003, 12/08/2003 e 06/12/2007, vieram ratificar o valor antes declarado na DCTF n° 41415208, transmitida em 14/05/2003, no exato valor recolhido por meio do DARF ora pleiteado. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10860.900315/200686 Acórdão n.º 1001000.654 S1C0T1 Fl. 8 7 Dessa forma, como se vê à fls. 48/49, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF n° 21561670, analisada pelo Despacho Decisório, traz no campo débito apurado o valor de R$ 1.836,91, discriminado como total de IRPJ mensal, apurado com base em estimativa ou em balanço/balancete de redução, antes de efetuadas as compensações, e, logo na seqüência, o pagamento é informado no mesmo valor de R$ 1.836,91, com data de vencimento em 30/04/2003. Observese, contudo, que tais informações foram modificadas quando da transmissão da DCTF retificadora n° 32150524, apenas transmitida após a informação constante do Despacho Decisório n° 733303445, exarado nos autos do processo n° 10860.900314/200631. Insta esclarecer que do referido Despacho constava a não homologação de compensação buscada pela Contribuinte por meio da DCOMP n° 02653.48383.150803.1.3.046798. que, conforme demonstrado no histórico acima, visava compensar a diferença entre o valor recolhido com base em DCTF e aquele apurado em DIPJ quanto à ESTIMATIVA DE MARÇO de 2003, guardando relação com o ocorrido no presente processo, posto que o litígio aqui instaurado referese ao valor remanescente do suposto pagamento a maior efetuado em abril de 2003, quando da quitação do débito de estimativa de março de 2003. Ora, conforme exaustivamente demonstrado acima, a Contribuinte apenas apresentou DCTF retificadora do débito de estimativa de MARÇO de 2003 após tomar ciência da não homologação da compensação declarada na DCOMP n° 02653.48383.150803.1.3.046798. a qual buscava parcela do suposto recolhimento a maior ora pleiteado. Reiterese, por relevante, que, na ocasião, optou por pagar o débito antes compensado, não se manifestando contrariamente à nãohomologação das compensações, o que configura indício de inexistência do crédito buscado. Além disso, nenhum elemento da escrituração da contribuinte foi trazido aos autos para fazer prevalecer o que informado na DIPJ/2004, em detrimento do débito inicialmente confessado em DCTF. Deveria a contribuinte minimamente fazer prova da base de cálculo minorada informada em sua DIPJ, para suportar a arguição de erro veiculada em sua defesa. E, vinculandose a Declaração de Compensação a um direito alegado pelo sujeito passivo, este deve estar fundamentado e acompanhado de documentação comprobatória da existência do crédito junto à Fazenda Pública para aferição da autoridade administrativa quanto a sua consistência. De fato, nos termos da legislação processual em vigor, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333 do Código de Processo Civil). In casu, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo. Decorre daí que os pedidos, solicitações e declarações envolvendo reivindicação de direito creditório junto à Fazenda Nacional devem estar, necessariamente, instruídos com as provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de pronto indeferimento, configurandose imprescindível, no caso pagamento indevido de IRPJ, que seja comprovada a regular apuração do débito devido no período, bem como sua quitação. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10860.900315/200686 Acórdão n.º 1001000.654 S1C0T1 Fl. 9 8 Tendo o presente processo por objeto direito creditório a ser reconhecido em favor da contribuinte, necessário que restem plenamente caracterizados os atributos da certeza e liquidez do direito pleiteado. Além disso, os débitos declarados pelos contribuintes devem obrigatoriamente refletir a apuração corretamente escriturada, sujeitandose, assim, à comprovação documental para aferição da certeza do ora pleiteado. Com base no exposto, e diante das muitas inconsistências encontradas, não há como acatar as alegações da contribuinte quanto à ocorrência de erro de fato no preenchimento da DCTF referente ao I o trimestre de 2003, em dissonância com o que informado na DIPJ/2004. E, uma vez que nenhum documento foi trazido aos autos comprovando as alegações da Contribuinte, pelo que restam incertezas quanto à existência e disponibilidade do crédito, não havendo como validálo, impondo, por conseguinte, ratificar o Despacho exarado pela DRF. (...)" Assim, com base nos argumentos supra colacionados, provenientes da DRJ de origem, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13629.720065/2013-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2008
AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. ATOS COOPERATIVOS.
A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia à instância administrativa ou desistência de eventual recurso interposto.
COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. ATO NÃO-COOPERATIVO. PLANO DE SAÚDE.
A venda de plano de saúde é uma operação de cunho econômico, uma prestação de serviço, inclusive em concorrência direta com planos de saúde não organizados na forma de cooperativas médicas. Precedentes do STF, em repercussão geral, RE n° 598.085 e RE n° 599.362.
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. PLANO DE SAÚDE. ART. 3º, § 1º, LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE.
Os valores recebidos dos clientes dos planos de saúde operados pela Cooperativa correspondem a seu faturamento pela prestação de serviços e integram a base de cálculo do PIS e da COFINS, ou seja, o faturamento é a totalidade das receitas de contraprestações pecuniárias (mensalidades dos planos de saúde). Isso porque, as cooperativas de trabalho médico têm como principal fonte de receita as vendas de planos de saúde à população em geral, a qual advém de não associados. Com o reconhecimento pelo STF, com efeitos ex tunc, da inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/1998, através do RE n° 585.235/MG (repercussão geral), deve ser afastada a tributação das receitas financeiras e receitas não-operacionais.
DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE.
É permitido às sociedades cooperativas de médicos que operem plano de assistência à saúde, a exclusão da base de cálculo dos valores relativos a pagamentos por co-responsabilidades cedidas, as provisões técnicas conforme regramento da ANS, os eventos efetivamente pagos (despesas com atendimento), tantos dos clientes próprios quanto de outras operadoras, diminuídos dos intercâmbios recebidos.
MULTA DE OFÍCIO. LEGITIMIDADE.
A aplicação da multa é devida em virtude de expressa previsão legal na legislação, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos art. 5º, II e 37, caput da Constituição e art. 97 do CTN. Ao constituir o crédito tributário pelo lançamento, a autoridade fiscal deve fazê-lo nos termos do art. 142 do CTN.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008
AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. ATOS COOPERATIVOS.
A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia à instância administrativa ou desistência de eventual recurso interposto.
COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. ATO NÃO-COOPERATIVO. PLANO DE SAÚDE.
A venda de plano de saúde é uma operação de cunho econômico, uma prestação de serviço, inclusive em concorrência direta com planos de saúde não organizados na forma de cooperativas médicas. Precedentes do STF, em repercussão geral, RE n° 598.085 e RE n° 599.362.
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. PLANO DE SAÚDE. ART. 3º, § 1º, LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE.
Os valores recebidos dos clientes dos planos de saúde operados pela Cooperativa correspondem a seu faturamento pela prestação de serviços e integram a base de cálculo do PIS e da COFINS, ou seja, o faturamento é a totalidade das receitas de contraprestações pecuniárias (mensalidades dos planos de saúde). Isso porque, as cooperativas de trabalho médico têm como principal fonte de receita as vendas de planos de saúde à população em geral, a qual advém de não associados. Com o reconhecimento pelo STF, com efeitos ex tunc, da inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/1998, através do RE n° 585.235/MG (repercussão geral), deve ser afastada a tributação das receitas financeiras e receitas não-operacionais. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE.
É permitido às sociedades cooperativas de médicos que operem plano de assistência à saúde, a exclusão da base de cálculo dos valores relativos a pagamentos por co-responsabilidades cedidas, as provisões técnicas conforme regramento da ANS, os eventos efetivamente pagos (despesas com atendimento), tantos dos clientes próprios quanto de outras operadoras, diminuídos dos intercâmbios recebidos.
MULTA DE OFÍCIO. LEGITIMIDADE.
A aplicação da multa é devida em virtude de expressa previsão legal na legislação, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos art. 5º, II e 37, caput da Constituição e art. 97 do CTN. Ao constituir o crédito tributário pelo lançamento, a autoridade fiscal deve fazê-lo nos termos do art. 142 do CTN.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-004.665
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir das bases de cálculo do PIS e da COFINS os valores relativos a pagamentos por co-responsabilidades cedidas, as provisões técnicas conforme regramento da ANS, os eventos efetivamente pagos (despesas com atendimento), tantos dos clientes próprios quanto de outras operadoras, diminuídos dos intercâmbios recebidos e as receitas financeiras e receitas não-operacionais.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: Relator
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Os valores recebidos dos clientes dos planos de saúde operados pela Cooperativa correspondem a seu faturamento pela prestação de serviços e integram a base de cálculo do PIS e da COFINS, ou seja, o faturamento é a totalidade das receitas de contraprestações pecuniárias (mensalidades dos planos de saúde). Isso porque, as cooperativas de trabalho médico têm como principal fonte de receita as vendas de planos de saúde à população em geral, a qual advém de não associados. Com o reconhecimento pelo STF, com efeitos ex tunc, da inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/1998, através do RE n° 585.235/MG (repercussão geral), deve ser afastada a tributação das receitas financeiras e receitas não-operacionais. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE. É permitido às sociedades cooperativas de médicos que operem plano de assistência à saúde, a exclusão da base de cálculo dos valores relativos a pagamentos por co-responsabilidades cedidas, as provisões técnicas conforme regramento da ANS, os eventos efetivamente pagos (despesas com atendimento), tantos dos clientes próprios quanto de outras operadoras, diminuídos dos intercâmbios recebidos. MULTA DE OFÍCIO. LEGITIMIDADE. A aplicação da multa é devida em virtude de expressa previsão legal na legislação, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos art. 5º, II e 37, caput da Constituição e art. 97 do CTN. Ao constituir o crédito tributário pelo lançamento, a autoridade fiscal deve fazê-lo nos termos do art. 142 do CTN. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2008 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. ATOS COOPERATIVOS. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia à instância administrativa ou desistência de eventual recurso interposto. COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. ATO NÃO-COOPERATIVO. PLANO DE SAÚDE. A venda de plano de saúde é uma operação de cunho econômico, uma prestação de serviço, inclusive em concorrência direta com planos de saúde não organizados na forma de cooperativas médicas. Precedentes do STF, em repercussão geral, RE n° 598.085 e RE n° 599.362. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. PLANO DE SAÚDE. ART. 3º, § 1º, LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Os valores recebidos dos clientes dos planos de saúde operados pela Cooperativa correspondem a seu faturamento pela prestação de serviços e integram a base de cálculo do PIS e da COFINS, ou seja, o faturamento é a totalidade das receitas de contraprestações pecuniárias (mensalidades dos planos de saúde). Isso porque, as cooperativas de trabalho médico têm como principal fonte de receita as vendas de planos de saúde à população em geral, a qual advém de não associados. Com o reconhecimento pelo STF, com efeitos ex tunc, da inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/1998, através do RE n° 585.235/MG (repercussão geral), deve ser afastada a tributação das receitas financeiras e receitas não-operacionais. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE. É permitido às sociedades cooperativas de médicos que operem plano de assistência à saúde, a exclusão da base de cálculo dos valores relativos a pagamentos por co-responsabilidades cedidas, as provisões técnicas conforme regramento da ANS, os eventos efetivamente pagos (despesas com atendimento), tantos dos clientes próprios quanto de outras operadoras, diminuídos dos intercâmbios recebidos. MULTA DE OFÍCIO. LEGITIMIDADE. A aplicação da multa é devida em virtude de expressa previsão legal na legislação, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos art. 5º, II e 37, caput da Constituição e art. 97 do CTN. Ao constituir o crédito tributário pelo lançamento, a autoridade fiscal deve fazê-lo nos termos do art. 142 do CTN. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. ATOS COOPERATIVOS. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia à instância administrativa ou desistência de eventual recurso interposto. COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. ATO NÃO COOPERATIVO. PLANO DE SAÚDE. A venda de plano de saúde é uma operação de cunho econômico, uma prestação de serviço, inclusive em concorrência direta com planos de saúde não organizados na forma de cooperativas médicas. Precedentes do STF, em repercussão geral, RE n° 598.085 e RE n° 599.362. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. PLANO DE SAÚDE. ART. 3º, § 1º, LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Os valores recebidos dos clientes dos planos de saúde operados pela Cooperativa correspondem a seu faturamento pela prestação de serviços e integram a base de cálculo do PIS e da COFINS, ou seja, o faturamento é a totalidade das receitas de contraprestações pecuniárias (mensalidades dos planos de saúde). Isso porque, as cooperativas de trabalho médico têm como principal fonte de receita as vendas de planos de saúde à população em geral, a qual advém de não associados. Com o reconhecimento pelo STF, com efeitos ex tunc, da inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/1998, através do RE n° 585.235/MG (repercussão geral), deve ser afastada a tributação das receitas financeiras e receitas nãooperacionais. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 72 00 65 /2 01 3- 62 Fl. 3259DF CARF MF Processo nº 13629.720065/201362 Acórdão n.º 3301004.665 S3C3T1 Fl. 3.236 2 É permitido às sociedades cooperativas de médicos que operem plano de assistência à saúde, a exclusão da base de cálculo dos valores relativos a pagamentos por coresponsabilidades cedidas, as provisões técnicas conforme regramento da ANS, os eventos efetivamente pagos (despesas com atendimento), tantos dos clientes próprios quanto de outras operadoras, diminuídos dos intercâmbios recebidos. MULTA DE OFÍCIO. LEGITIMIDADE. A aplicação da multa é devida em virtude de expressa previsão legal na legislação, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos art. 5º, II e 37, caput da Constituição e art. 97 do CTN. Ao constituir o crédito tributário pelo lançamento, a autoridade fiscal deve fazêlo nos termos do art. 142 do CTN. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. ATOS COOPERATIVOS. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia à instância administrativa ou desistência de eventual recurso interposto. COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. ATO NÃO COOPERATIVO. PLANO DE SAÚDE. A venda de plano de saúde é uma operação de cunho econômico, uma prestação de serviço, inclusive em concorrência direta com planos de saúde não organizados na forma de cooperativas médicas. Precedentes do STF, em repercussão geral, RE n° 598.085 e RE n° 599.362. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. PLANO DE SAÚDE. ART. 3º, § 1º, LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Os valores recebidos dos clientes dos planos de saúde operados pela Cooperativa correspondem a seu faturamento pela prestação de serviços e integram a base de cálculo do PIS e da COFINS, ou seja, o faturamento é a totalidade das receitas de contraprestações pecuniárias (mensalidades dos planos de saúde). Isso porque, as cooperativas de trabalho médico têm como principal fonte de receita as vendas de planos de saúde à população em geral, a qual advém de não associados. Com o reconhecimento pelo STF, com efeitos ex tunc, da inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/1998, através do RE n° 585.235/MG (repercussão geral), deve ser afastada a tributação das receitas financeiras e receitas nãooperacionais. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE. Fl. 3260DF CARF MF Processo nº 13629.720065/201362 Acórdão n.º 3301004.665 S3C3T1 Fl. 3.237 3 É permitido às sociedades cooperativas de médicos que operem plano de assistência à saúde, a exclusão da base de cálculo dos valores relativos a pagamentos por coresponsabilidades cedidas, as provisões técnicas conforme regramento da ANS, os eventos efetivamente pagos (despesas com atendimento), tantos dos clientes próprios quanto de outras operadoras, diminuídos dos intercâmbios recebidos. MULTA DE OFÍCIO. LEGITIMIDADE. A aplicação da multa é devida em virtude de expressa previsão legal na legislação, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos art. 5º, II e 37, caput da Constituição e art. 97 do CTN. Ao constituir o crédito tributário pelo lançamento, a autoridade fiscal deve fazêlo nos termos do art. 142 do CTN. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir das bases de cálculo do PIS e da COFINS os valores relativos a pagamentos por coresponsabilidades cedidas, as provisões técnicas conforme regramento da ANS, os eventos efetivamente pagos (despesas com atendimento), tantos dos clientes próprios quanto de outras operadoras, diminuídos dos intercâmbios recebidos e as receitas financeiras e receitas nãooperacionais. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de auto de infração no valor de R$ 223.564,34 de COFINS e R$ 48.438,95 de PIS, referente ao período de 01/2008 a 12/2008. Fl. 3261DF CARF MF Processo nº 13629.720065/201362 Acórdão n.º 3301004.665 S3C3T1 Fl. 3.238 4 Esclarece a autoridade fiscal, que a UNIMED intentou dois Mandados de Segurança, processos nº 2002.38.00.0275134 (COFINS) e 2002.38.00.027512 (PIS), discutindo judicialmente o recolhimento das contribuições apenas sobre as receitas de atos não cooperativos. Por isso, foram efetuados dois lançamentos distintos para a COFINS e dois para o PIS. Assim, para COFINS e PIS sobre as receitas de atos nãocooperativos, foi efetuado o lançamento com multa qualificada, que é objeto do processo nº 13629.721175/201261. E, COFINS e PIS sobre as receitas de atos cooperativos foram lançadas sem multa de ofício, e com a exigibilidade suspensa para prevenção da decadência, que é o objeto deste processo. Após a análise da escrituração contábil e planilhas apresentadas pela UNIMED, a autoridade fiscal glosou as deduções de custos referentes aos atendimentos realizados aos próprios associados da operadora (hospitais, clínicas médicas, laboratórios, etc.), excluindoas da base de cálculo. Entendeu a fiscalização que a UNIMED só poderia realizar a dedução do valor pago que correspondesse a atendimentos a associados de outra operadora. Ademais, a fiscalização considerou como base de cálculo das contribuições, a totalidade das receitas auferidas, nos termos do §1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98. A 2ª Turma da DRJ/JFA, no Acórdão nº 0943738, datado de 08/05/2013, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendose o crédito tributário lançado, a decisão foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008 BASE DE CÁLCULO. SOCIEDADE COOPERATIVA. A partir de novembro de 1999, a base cálculo da COFINS e do PIS passou a ser a receita bruta proveniente de atos cooperativos e nãocooperativos, sendo permitidas somente as exclusões e deduções previstas em lei. OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES ESPECÍFICAS. As deduções especificamente destinadas às operadoras de plano de assistência à saúde não autorizam a exclusão dos custos decorrentes do atendimento a seus usuários, como despesas hospitalares, honorários médicos, custos com exames, etc., para fins de apuração da base de cálculo da Cofins e do PIS. A UNIMED requer em recurso voluntário a total improcedência dos autos de infração, sintetizando seus argumentos nos pedidos: (i) necessários ajustes na base de cálculo, deduzindose todos os custos assistenciais repassados a terceiros, (ii) a nãoincidência tributária sobre os atos cooperativos; (iii) a nãoincidência das contribuições sobre as sobras cooperativistas destinadas ao FATES e Fundo de Reserva, bem como das sobras líquidas repassadas aos cooperados, inclusive via aumento de capital social e (iv) impossibilidade de Fl. 3262DF CARF MF Processo nº 13629.720065/201362 Acórdão n.º 3301004.665 S3C3T1 Fl. 3.239 5 composição da base de cálculo do PIS e da COFINS com ingressos estranhos ao conceito de faturamento (juros de aplicações financeiras). Esta Turma, por meio da Resolução n° 3301000.250, converteu o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal fizesse os ajustes ao lançamento tributário, aplicando a interpretação dada pelo § 9ºA do art. 3º da Lei nº 9.718/98, incluído pela Lei nº 12.873/2013, independentemente de se tratar de atos cooperativos ou não cooperativos. A diligência foi cumprida, conforme o relatório fiscal de efls. 32063208. Cientificada do resultado da diligência, a UNIMED aduziu: Diante do exposto, sem prejuízo da necessidade de análise de todos os argumentos e pedidos objeto do Recurso Voluntário, requer sejam admitidos os ajustes de base de cálculo já reconhecidos em diligência fiscal, bem como expurgadas da base de cálculo do PIS e da COFINS as receitas financeiras e receita não operacionais, haja vista não representam faturamento da cooperativa. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de interposição. Em primeiro lugar, este processo e o de n° 13629.721175/201261 formam uma única unidade de julgamento. Por essa razão, são analisados na mesma sessão de julgamento. INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS SOBRE OS ATOS COOPERATIVOS Alega a Recorrente que os atos cooperativos não estão sujeitos à incidência de PIS e COFINS. Sobre a nãoincidência das contribuições sobre os atos cooperativos, a UNIMED obteve provimento judicial nos Mandados de Segurança n° 2002.38.00.0275134 e 2002.38.00.0275120 para assegurarlhe o não recolhimento da COFINS e PIS sobre tais receitas. Confirase o teor dos provimentos judiciais obtidos pela Recorrente: Mandado de Segurança n° 2002.38.00.0275134/MG COFINS Fl. 3263DF CARF MF Processo nº 13629.720065/201362 Acórdão n.º 3301004.665 S3C3T1 Fl. 3.240 6 CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. COFINS. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.8586/99 E REEDIÇÕES. COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE. ISENÇÃO REVOGADA. CONSTITUCIONALIDADE. 1.A Medida Provisória nº. 1.858/99 e reedições, ao revogar a isenção concedida pelo art. 6o, I, da Lei Complementar nº 70/91, às sociedades cooperativas, quanto aos atos cooperativos próprios de suas finalidades, não implicou em ofensa a nenhum dispositivo constitucional. 2.A medida provisória constitui instrumento idôneo para a instituição, majoração ou extinção de tributo, tendo em vista que a Constituição Federal, ao estabelecêla como ato normativo primário, não fez nenhuma restrição em relação à matéria (precedentes do eg. Supremo Tribunal Federal, Cf. Adin n. 1.0051 e Adin n. 1.4170). 3.O art. 146, III, “c”, da Constituição Federal, ao estabelecer que deveria ser dado adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas, não implicou em concessão de imunidade tributária às sociedades cooperativas. 4.As contribuições destinadas ao custeio da seguridade social podem ser instituídas por lei ordinária, quando compreendidas nas hipóteses do art. 195, inciso I, da Constituição Federal, como é o caso dos autos. Não se faz mister, para tanto, a edição de lei complementar, que somente se faz necessária nas hipóteses do art. 195, § 4º da Constituição Federal, quando se tratar instituição de novas fontes para o custeio da seguridade social (RE nº 146733, Plenário, Relator Ministro Moreira Alves, publicado no DJ de 06.11.1992, pág. 20110; RE nº 138284, Plenário, Relator Ministro Carlos Velloso, publicado no DJ de 28.08.1992, pág. 13456 e RE nº 150755/PE, Plenário, Relator para acórdão Ministro Sepúlveda Pertence, publicado no DJ de 20.08.93, pág. 16322). 5.Na hipótese em que uma matéria, que não é de regulamentação privativa por lei complementar, venha a ser por ela regulamentada, esta lei complementar, no que pertine à matéria por ela disciplinada, é materialmente ordinária, podendo, consequentemente, ser alterada por intermédio de lei ordinária, ou medida provisória. (ADC nº 11/DF, relator Ministro Moreira Alves). 6.Para fins de tributação, o termo faturamento corresponde à receita da empresa, conforme entendimento do eg. Supremo Tribunal Federal expresso no RE nº 150755/PE, Relator para o acórdão o em. Ministro Sepúlveda Pertence. 7. Apelação da impetrante improvida. 4ª Turma do TRF da 1ª Região – 12/08/2003. Interposto o Recurso Especial contra o acórdão da 1ª Região, o STJ assim se manifestou, no REsp nº 729.947 – MG, DJ 24/05/2007: Fl. 3264DF CARF MF Processo nº 13629.720065/201362 Acórdão n.º 3301004.665 S3C3T1 Fl. 3.241 7 TRIBUTÁRIO. PROCESSO CIVIL. COFINS. COOPERATIVAS. ISENÇÃO. ATOS COOPERATIVOS. NÃOCARACTERIZAÇÃO. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. 1. Não há por que falar em violação do art. 535 do CPC nas hipóteses em que o acórdão recorrido, integrado pelo julgado proferido nos embargos de declaração, dirime, de forma expressa, congruente e motivada, as questões suscitadas nas razões recursais. 2. Os atos que não se configuram como tipicamente cooperativos, tais quais a prestação de serviços realizada por sociedades cooperativas médicas a terceiros (nãoassociados), são passíveis de incidência da Cofins. 3. Inviabilizase o conhecimento de alegada divergência jurisprudencial nas hipóteses em que o recorrente, desatendendo o disposto nos arts. 541, parágrafo único, do CPC e 255, § 2º, do RISTJ, não demonstra a similitude fática entre os arestos confrontados. 4. Recurso especial conhecido pela alínea "a" e improvido. Citese o trecho do voto do Min. João Otávio de Noronha, no REsp nº 729.947 da Recorrente, que analisa a não incidência de PIS e COFINS sobre os atos cooperativos da UNIMED: O outro ponto a ser examinado diz respeito à sujeição das sociedades cooperativas à incidência da Cofins, especificamente no tocante aos atos cooperativos. Nesse aspecto, esta Corte, de igual modo, já firmou entendimento de que os atos tipicamente cooperativos não sofrem incidência das referidas exações. Colho, mais uma vez, o excerto do voto proferido no Recurso Especial n. 543.828/MG que cuidou do tema: "(...) As cooperativas praticam atos que lhe são próprios por isso chamados de atos cooperativos, e, também, atos comuns a toda e qualquer pessoa jurídica por essa razão denominados atos nãocooperativos. Os atos cooperativos encontramse definidos no art. 79 da Lei n.º 5.764/71, que assim dispõe: 'Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria.' Por exclusão, chegase ao conceito de atos nãocooperativos, que seriam aqueles praticados entre as cooperativas e pessoas físicas ou jurídicas nãoassociadas, revestindose, nesse caso, de nítida feição mercantil. Fl. 3265DF CARF MF Processo nº 13629.720065/201362 Acórdão n.º 3301004.665 S3C3T1 Fl. 3.242 8 O ato cooperativo, ao revés, por expressa dicção do parágrafo único, do art. 79 da Lei n.º 5.764/71, não implica operação de mercado ou contrato de compra e venda de mercadoria. A sociedade cooperativa, quando pratica atos que lhe são próprios, não aufere lucro. As despesas são rateadas entre os associados, assim como o resultado positivo do exercício é partilhado, proporcionalmente, entre aqueles que fazem parte da cooperativa. O ato cooperativo não gera faturamento ou receita para a sociedade. O resultado positivo decorrente desses atos pertence, proporcionalmente, a cada um dos cooperados. Inexiste, portanto, faturamento ou receita decorrente de atos cooperativos que possa ser titularizado pela sociedade. Dessarte, não há base imponível para a COFINS. O ato nãocooperativo, entretanto, está sujeito a regime jurídico diverso. Assim dispõem os artigos 86 e 87 da Lei n.º 5.764/71: 'Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei.' 'Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do 'Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social' e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos'. Por revestirem nítida feição mercantil, os atos nãocooperativos geram receita e faturamento para a sociedade cooperativa. Esse resultado positivo, segundo a previsão do art. 87, será levado à uma conta específica, denominada 'Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social', de modo 'a permitir cálculo para incidência de tributos'. Em resumo: os atos cooperativos não geram receita nem faturamento para a sociedade cooperativa. Portanto, o resultado financeiro deles decorrente não está sujeito à incidência da COFINS. Cuidase de uma NÃOINCIDÊNCIA PURA E SIMPLES e não de uma norma de isenção. Já os atos nãocooperativos, aqueles praticados com não associados, geram receita à sociedade, devendo o resultado do exercício ser levado à conta específica para que possa servir de base à tributação. (...) No caso em comento, todavia, há que se considerar que as cooperativas médicas como as da espécie – Unimed – praticam atos de prestação de serviços a terceiros, incompatíveis, portanto, com a conceituação de ato cooperativo, não se enquadrando nos ditames da Lei n. 5.764/71. Fl. 3266DF CARF MF Processo nº 13629.720065/201362 Acórdão n.º 3301004.665 S3C3T1 Fl. 3.243 9 Transcrevo, por oportuno, trecho do voto condutor do acórdão proferido no Recurso Especial n. 778.099/MG, também da relatoria do Ministro Castro Meira, que bem assinala a impossibilidade de se conferir isenção tributária a cooperativas em face de atos praticados com terceiros: "Caracterizada a diferença entre ato cooperativo e não cooperativo, resta analisar se as atividades desenvolvidas pela ora recorrida – cooperativa de trabalho médico – pode ser classificada como ato cooperativo, portanto, sem a incidência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social. No caso, temse que a recorrente, conforme estabelece seu estatuto, presta serviços não apenas aos seus associados, como também a terceiros nãocooperados, atos, assim, que não atendem aos requisitos previstos nos artigos 85, 86 e 88 da Lei nº 5.764/71, como se verifica da transcrição de seus objetivos sociais: 'Art.2º) A Cooperativa terá por objetivo a defesa econômico social dos integrantes da profissão de médico, através do aprimoramento do serviço de assistência médica que será sob a forma coletiva ou individual. § 1º) No cumprimento das suas finalidades, a Cooperativa poderá assinar contratos para prestação de serviços sob a forma coletiva, com firmas ou companhias interessadas em fornecer assistência médica aos seus empregados e/ou familiares. § 2º) Para a prestação de assistência sob a forma individual, a Cooperativa poderá instituir planos de assistência familiar ou pessoal. Assinando contratos com os interessados. § 3º) Seja qual for a forma de serviços prestados. deverá ser sempre observado o objetivo de aprimoramento de assistência médica com livre oportunidade a todos os cooperados e a observância do Código de Ética Profissional. § 4º) Promoverá ainda. a educação cooperativista dos cooperados e participará de campanhas de expansão do Cooperativismo e de modernização suas técnicas. § 5º) A Cooperativa efetuará operações sem qualquer objetivo de lucro' (fl. 36)' (fl. 36). As sociedades cooperativas não estão sujeitas à tributação, apenas no que se refere aos atos cooperativos peculiares de sua finalidade. In casu, a UNIMED presta serviços privados de saúde ficando evidenciada, assim, sua natureza mercantil na relação com terceiros ou seja, vende serviços de assistência médica. Ademais, como acima exposto, os atos praticados com terceiros, nãoassociados, são considerados atos nãocooperativos. Assim, os atos cooperados da sociedade cooperativa não são suscetíveis de tributação, por configurarem hipótese de nãoincidência, ao passo que os atos não cooperados, conforme explanação acima, deverão ser tributados." (REsp n. 778.099/MG, relator Ministro Castro Meira, DJ de 21.11.2005.) Fl. 3267DF CARF MF Processo nº 13629.720065/201362 Acórdão n.º 3301004.665 S3C3T1 Fl. 3.244 10 Com efeito, ao menos diante de tal delineamento fático dos autos – que não comporta reexame na via do especial (Súmula 7/STJ) –, não há como concluir pelo direito da recorrente à isenção da Cofins, a qual pressupõe a prática de atos tipicamente cooperativos. Mandado de Segurança n° 2002.38.00.0275120 – PIS TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL — COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO — PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS A TERCEIROS NÃO ABRANGIDA PELA DEFINIÇÃO DE ATO COOPERATIVO —INCIDÊNCIA DO PIS. 1. “Denominamse atos cooperativos os praticados entre cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados para a consecução dos objetivos sociais” (Lei nº 5.764/71, art. 79, caput”) 2. Não se enquadrando a prestação de serviços a terceiros na definição de atos cooperativos, possível a incidência do PIS, nos exatos termos em que determina a Lei nº 9.718/98, tida por constitucional por esta Corte (Arguição de Inconstitucionalidade na AMS nº 1999.01.00.0960532/MG, Rel designado Juiz CARLOS MOREIRA ALVES, Corte Especial, maioria, DJ II 24 SET 2001, p. 135). 3. O STJ assentou o entendimento de que as empresas em geral estão sujeitas ao PIS de 0,65% sobre a receita bruta operacional, além de 1% sobre a folha de pagamento mensal, inclusive as cooperativas em relação aos atos nãocooperativos (Resp 249368/SC, Rel. Min. GARCIA VIEIRA, T1, DJ 25/09/2000, p. 76). 4. Apelação e remessa oficial providas: segurança denegada. 5. Peças liberadas pelo Relator em 22/06/2004 para publicação do acórdão. 7ª Turma do TRF – 1ª Região, 22/06/2004. E, posteriormente, em agravo regimental: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÃO PIS/PASEP. RECEITAS AUFERIDAS. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. I – O Supremo Tribunal Federal, em regime de repercussão geral, decidiu que “a receita auferida pelas cooperativas de trabalho decorrentes dos atos (negócios jurídicos) firmados com terceiros se insere na materialidade de contribuição ao PIS/PASEP” (RE 599.362/RJ, Relator Ministro DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, DJe de 10022015). Fl. 3268DF CARF MF Processo nº 13629.720065/201362 Acórdão n.º 3301004.665 S3C3T1 Fl. 3.245 11 II – Agravo regimental desprovido. Corte Especial do TRF/1ª Região Brasília, 16 de março de 2017. A aplicação da concomitância de instância administrativa e judicial pressupõe a identidade de objeto litigioso nas duas esferas, fato que resta evidenciado quanto à incidência tributária das contribuições sobre os atos cooperativos. Portanto, neste ponto, não cabe qualquer digressão sobre a parte do lançamento que se refere à tributação dos atos cooperados, por imperativo da Súmula CARF nº 1: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Logo, é definitiva a exigência de PIS e Cofins sobre os atos cooperativos, sendo obrigatório o cumprimento daquilo que for definitivamente decidido pelo Poder Judiciário, nos Mandados de Segurança acima citados. COOPERATIVA COMO OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE ATOS NÃO COOPERATIVOS O principal ingresso de recursos das cooperativas de trabalho médico, inclusive da Recorrente, é resultado da venda de planos de saúde a terceiros não cooperados. Logo, a venda de plano de saúde é uma operação de cunho econômico, uma prestação de serviço, inclusive em concorrência direta com planos de saúde não organizados na forma de cooperativas médicas. Nesse sentido, concordo com os termos da decisão recorrida: Uma operadora de plano de saúde tem por objeto o fornecimento de cobertura geral de qualquer serviço relativo à saúde física e mental do cliente, o que engloba serviços médicos, como consulta e exames clínicos, hospitalares, como internação e cirurgia; ambulatoriais, como prontosocorro e pequenas intervenções cirúrgicas etc., além dos serviços de outros profissionais de saúde, como de protéticos, ortopedistas, fisioterapeutas e outros tantos. Enfim, o objeto do plano de saúde é, mediante pagamento de prestação mensal, a cobertura dos custos de todo e qualquer procedimento necessário, dentro dos limites do contrato, à preservação da saúde do cliente. Fl. 3269DF CARF MF Processo nº 13629.720065/201362 Acórdão n.º 3301004.665 S3C3T1 Fl. 3.246 12 No caso da cooperativa, a finalidade está vinculada à atividade própria do associado. É o que se deduz da Lei n.º 5.764/71, art. 4º: Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, ...” Como se vê, o objeto da cooperativa somente pode ser, diretamente, a prestação de serviços aos associados dela, nunca a prestação de serviços a terceiros. Ou seja, a finalidade da cooperativa não pode se voltar diretamente para o atendimento pleno do cliente, pois os associados, limitados a uma categoria de atuação (no caso, médicos), é que formam o parâmetro do seu objeto social. No caso da interessada, os pagamentos mensais recebidos dos clientes não são de titularidade dos médicos cooperados, pois a razão jurídica do pagamento do plano de saúde é diversa da razão jurídica do pagamento do serviço que o médico presta ao seu paciente. Na primeira hipótese, a razão é um contrato entre a cooperativa e o cliente. Na segunda, é o serviço prestado ao paciente, pelo qual a cooperativa paga ao médico os honorários. Assim, é óbvio que há receitas de naturezas diversas: uma auferida pela cooperativa, em face do contrato de plano de saúde, e outra auferida pelo associado, em face da prestação específica do serviço médico. Assim as operações realizadas com os clientes dos planos de saúde operados pela cooperativa não representam atos cooperados. Ao pagarem pelo plano de saúde, os valores deles recebidos pela cooperativa representam contraprestação pela disponibilidade dos serviços de assistência. O voto da Min. Eliana Calmon, no REsp nº 215.311, é de hialina clareza quanto à tributação dos planos de saúde, nos quais a UNIMED firma contratos de prestação de serviços com terceiros a serem efetuados pelos seus associados, os médicos cooperados: A UNIMED é uma cooperativa médica, de natureza civil, cujos interesses têm em vista um fim comum, congregando esforços e concentrando poder diretivo. A entidade cooperativa capta recursos de terceiras pessoas que firmam com a mesma ato negocial, a fim de receberem serviços médicos prestados por sua intermediação, mediante pagamento de uma taxa de administração. Os profissionais médicos que atendem aos terceiros são associados à cooperativa e aderem aos planos da entidade dentro de critérios por ela estabelecidos, a fim de prestarem serviços profissionais àqueles que se vinculam diretamente à cooperativa por ato negocial. Fl. 3270DF CARF MF Processo nº 13629.720065/201362 Acórdão n.º 3301004.665 S3C3T1 Fl. 3.247 13 Os associados, constituídos dos profissionais médicos, são remunerados pela Cooperativa, cujo papel principal é aglutinar clientela; na outra ponta há também aglutinação dos profissionais que irão servir aos terceiros. A verba de manutenção do sistema advém dos terceiros que pagam uma taxa mensal de administração. Vista a sistemática de captação de recursos e de remuneração dos profissionais médicos, vejamos a legislação. O art. 79 da Lei nº 5.764 de 16/12/1971 conceitua ato cooperativo nos seguintes termos: (...) A mesma Lei nº 5.764/71 também estabeleceu em favor das cooperativas isenção tributária quanto aos chamados atos cooperativos, desde que não fossem atos negociais, ou seja, genuínos atos de cooperação, nos moldes do art. 79 transcrito. Se a cooperativa presta serviço a seus associados, não tendo interesse negocial, ou fim lucrativo, há completa isenção, porquanto o fim de cooperativa não é obter lucro mas, sim, prestar serviços aos associados, sendo os próprios médicos que, recebendo honorários dos conveniados, recolhem diretamente o ISS que incide sobre as importâncias que lhes são repassadas pela cooperativa. ...................................................................................................... Diferentemente, quando a cooperativa assume o caráter empresarial, deve pagar o ISS, como previsto na Súmula nº 81 do Supremo Tribunal Federal: ‘As cooperativas não gozam de isenção de impostos locais, com fundamento na Constituição e nas leis federais’. Ademais, o STJ, no REsp 1.164.716, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, decidiu que a tributação de PIS e COFINS somente incide sobre atos não cooperativos: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. (…) 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda ,em seu parág. Único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de Fl. 3271DF CARF MF Processo nº 13629.720065/201362 Acórdão n.º 3301004.665 S3C3T1 Fl. 3.248 14 mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhese da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 126), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O parecer do douto Ministério Público Federal é pelo desprovimento do Recurso Especial. 5. Recurso Especial desprovido. 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ (sic), fixandose a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. FATURAMENTO DAS COOPERATIVAS MÉDICAS – PLANOS DE SAÚDE Alega a Recorrente que seu faturamento, quando operadora de plano de saúde, decorre da atividade de intermediação, ou seja, das taxas de administração/comissão que remunera a atividade de operação dos planos de saúde. Entretanto, não lhe assiste razão. Os valores recebidos dos clientes dos planos de saúde operados pela Cooperativa correspondem a seu faturamento pela prestação de serviços e integram a base de cálculo do PIS e da COFINS. Essa foi a posição da decisão recorrida, com a qual concordo: Na medida em que a cooperativa de trabalho médico autuada também atua como operadora de plano de saúde e nessa atividade oferece ao mercado plano de assistência médica hospitalar contratado por preço global que envolve a disponibilização de serviços médicos e a cobertura de despesas com diárias e serviços hospitalares e de laboratórios, é evidente que os valores recebidos assumem a feição de contraprestação, ou seja, são o preço pago por esses serviços colocados à disposição e potencialmente passíveis de serem usufruídos pelos usuários do plano operado. Nesse quadro, os valores pagos pelos usuários associados ao plano de saúde constituem faturamento da operadora do plano de saúde e, portanto, compõem a base de cálculo das contribuições nos termos da Lei nº 9.718/98. Ressaltese que o RE n° 599.362, em sede de repercussão geral, decidiu que o PIS incide sobre receitas advindas de terceiros nãocooperados, em cooperativas de trabalho: Fl. 3272DF CARF MF Processo nº 13629.720065/201362 Acórdão n.º 3301004.665 S3C3T1 Fl. 3.249 15 Recurso extraordinário. Repercussão geral. Artigo 146, III, c, da Constituição Federal. Adequado tratamento tributário. Inexistência de imunidade ou de não incidência com relação ao ato cooperativo. Lei nº 5.764/71. Recepção como lei ordinária. PIS/PASEP. Incidência. MP nº 2.15835/2001. Afronta ao princípio da isonomia. Inexistência. 1. O adequado tratamento tributário referido no art. 146, III, c, CF é dirigido ao ato cooperativo. A norma constitucional concerne à tributação do ato cooperativo, e não aos tributos dos quais as cooperativas possam vir a ser contribuintes. 2. O art. 146, III, c, CF pressupõe a possibilidade de tributação do ato cooperativo ao dispor que a lei complementar estabelecerá a forma adequada para tanto. O texto constitucional a ele não garante imunidade ou mesmo não incidência de tributos, tampouco decorre diretamente da Constituição direito subjetivo das cooperativas à isenção. 3. A definição do adequado tratamento tributário ao ato cooperativo se insere na órbita da opção política do legislador. Até que sobrevenha a lei complementar que definirá esse adequado tratamento, a legislação ordinária relativa a cada espécie tributária deve, com relação a ele, garantir a neutralidade e a transparência, evitando tratamento gravoso ou prejudicial ao ato cooperativo e respeitando, ademais, as peculiaridades das cooperativas com relação às demais sociedades de pessoas e de capitais. 4. A Lei nº 5.764/71 foi recepcionada pela Constituição de 1988 com natureza de lei ordinária e o seu art. 79 apenas define o que é ato cooperativo, sem nada referir quanto ao regime de tributação. Se essa definição repercutirá ou não na materialidade de cada espécie tributária, só a análise da subsunção do fato na norma de incidência específica, em cada caso concreto, dirá. 5. Na hipótese dos autos, a cooperativa de trabalho, na operação com terceiros – contratação de serviços ou vendas de produtos não surge como mera intermediária de trabalhadores autônomos, mas, sim, como entidade autônoma, com personalidade jurídica própria, distinta da dos trabalhadores associados. 6. Cooperativa é pessoa jurídica que, nas suas relações com terceiros, tem faturamento, constituindo seus resultados positivos receita tributável. 7. Não se pode inferir, no que tange ao financiamento da seguridade social, que tinha o constituinte a intenção de conferir às cooperativas de trabalho tratamento tributário privilegiado, uma vez que está expressamente consignado na Constituição que a seguridade social “será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei” (art. 195, caput, da CF/88). 8. Inexiste ofensa ao postulado da isonomia na sistemática de créditos conferida pelo art. 15 da Medida Provisória 2.158 35/2001. Eventual insuficiência de normas concedendo exclusões e deduções de receitas da base de cálculo da contribuição ao PIS não pode ser tida como violadora do mínimo garantido pelo texto constitucional. 9. É possível, senão necessário, estabeleceremse diferenciações entre as cooperativas, de acordo com as características de cada segmento do cooperativismo e com a maior ou a menor necessidade de fomento dessa ou daquela atividade econômica. O que não se Fl. 3273DF CARF MF Processo nº 13629.720065/201362 Acórdão n.º 3301004.665 S3C3T1 Fl. 3.250 16 admite são as diferenciações arbitrárias, o que não ocorreu no caso concreto. 10. Recurso extraordinário ao qual o Supremo Tribunal Federal dá provimento para declarar a incidência da contribuição ao PIS/PASEP sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela impetrante com terceiros tomadores de serviço, objeto da impetração. Por sua vez, o RE n° 598.085, também em sede de repercussão geral, declarou a incidência da COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela cooperativa com terceiros tomadores de serviço, resguardadas as exclusões e deduções legalmente previstas: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. TRIBUTÁRIO. ATO COOPERATIVO. COOPERATIVA DE TRABALHO. SOCIEDADE COOPERATIVA PRESTADORA DE SERVIÇOS MÉDICOS. POSTO REALIZAR COM TERCEIROS NÃO ASSOCIADOS (NÃO COOPERADOS) VENDA DE MERCADORIAS E DE SERVIÇOS SUJEITASE À INCIDÊNCIA DA COFINS, PORQUANTO AUFERIR RECEITA BRUTA OU FATURAMENTO ATRAVÉS DESTES ATOS OU NEGÓCIOS JURÍDICOS. CONSTRUÇÃO DO CONCEITO DE “ATO NÃO COOPERATIVO” POR EXCLUSÃO, NO SENTIDO DE QUE SÃO TODOS OS ATOS OU NEGÓCIOS PRATICADOS COM TERCEIROS NÃO ASSOCIADOS (COOPERADOS), EX VI, PESSOAS FÍSICAS OU JURÍDICAS TOMADORAS DE SERVIÇO. POSSIBILIDADE DE REVOGAÇÃO DO BENEFÍCIO FISCAL (ISENÇÃO DA COFINS) PREVISTO NO INCISO I, DO ART. 6°, DA LC Nº 70/91, PELA MP Nº 1.8586 E REEDIÇÕES SEGUINTES, CONSOLIDADA NA ATUAL MP Nº 2.15835. A LEI COMPLEMENTAR A QUE SE REFERE O ART. 146, III, “C”, DA CF/88, DETERMINANTE DO “ADEQUADO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO AO ATO COOPERATIVO”, AINDA NÃO FOI EDITADA. EX POSITIS, DOU PROVIMENTO AO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. 1. As contribuições ao PIS e à COFINS sujeitamse ao mesmo regime jurídico, porquanto aplicável a mesma ratio quanto à definição dos aspectos da hipótese de incidência, em especial o pessoal (sujeito passivo) e o quantitativo (base de cálculo e alíquota), a recomendar solução uniforme pelo colegiado. 2. O princípio da solidariedade social, o qual inspira todo o arcabouço de financiamento da seguridade social, à luz do art. 195 da CF/88, matriz constitucional da COFINS, é mandamental com relação a todo o sistema jurídico, a incidir também sobre as cooperativas. 3. O cooperativismo no texto constitucional logrou obter proteção e estímulo à formação de cooperativas, não como norma programática, mas como mandato constitucional, em especial nos arts. 146, III, c; 174, § 2°; 187, I e VI, e 47, § 7º, ADCT. O art. 146, c, CF/88, trata das limitações constitucionais ao poder de tributar, verdadeira regra de bloqueio, como corolário daquele, não se revelando norma imunitória, consoante já assentado pela Suprema Corte nos autos do RE 141.800, Relator Ministro Moreira Alves, 1ª Turma, DJ 03/10/1997. 4. O legislador ordinário de cada pessoa política poderá garantir a neutralidade tributária com a concessão de benefícios fiscais Fl. 3274DF CARF MF Processo nº 13629.720065/201362 Acórdão n.º 3301004.665 S3C3T1 Fl. 3.251 17 às cooperativas, tais como isenções, até que sobrevenha a lei complementar a que se refere o art. 146, III, c, CF/88. O benefício fiscal, previsto no inciso I do art. 6º da Lei Complementar nº 70/91, foi revogado pela Medida Provisória nº 1.858 e reedições seguintes, consolidada na atual Medida Provisória nº 2.158, tornandose tributáveis pela COFINS as receitas auferidas pelas cooperativas (ADI 1/DF, Min. Relator Moreira Alves, DJ 16/06/1995). 5. A Lei nº 5.764/71, que define o regime jurídico das sociedades cooperativas e do ato cooperativo (artigos 79, 85, 86, 87, 88 e 111), e as leis ordinárias instituidoras de cada tributo, onde não conflitem com a ratio ora construída sobre o alcance, extensão e efetividade do art. 146, III, c, CF/88, possuem regular aplicação. 6. Acaso adotado o entendimento de que as cooperativas não possuem lucro ou faturamento quanto ao ato cooperativo praticado com terceiros não associados (não cooperados), inexistindo imunidade tributária, haveria violação a determinação constitucional de que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, ex vi, art. 195, I, b, da CF/88, seria violada. 7. Consectariamente, atos cooperativos próprios ou internos são aqueles realizados pela cooperativa com os seus associados (cooperados) na busca dos seus objetivos institucionais. 8. A Suprema Corte, por ocasião do julgamento dos recursos extraordinários 357.950/RS, 358.273/RS, 390.840/MG, Relator Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, DJ 15082006, e 346.084/PR, Relator Min. ILMAR GALVÃO, Relator p/ Acórdão Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, DJ 01092006, assentou a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, o que implicou na concepção da receita bruta ou faturamento como o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de mercadorias e serviços, quer da venda de serviços. 9. Recurso extraordinário interposto pela UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), com fulcro no art. 102, III, “a”, da Constituição Federal de 1988, em face de acórdão prolatado pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, verbis: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. COOPERATIVA. LEI Nº. 5.764/71. COFINS. MP N°. 1.858/99. LEI 9.718/98, ART. 3°, § 1° (INCONSTITUCIONALIDADE). NÃOINCIDÊNCIA DA COFINS SOBRE OS ATOS COOPERATIVOS. 1. A Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998 (DOU de 16/12/1998) não tem força para legitimar o texto do art. 3°, § 1°, da Lei nº. 9.718/98, haja vista que a lei entrou em vigor na data de sua publicação, em 28 de novembro de 1998. 2. É inconstitucional o § 1° do artigo 3º da Lei n° 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RREE. 357.950/RS, 346.084/PR, 358.273/RS e 390.840/MG) 3. Prevalece, no confronto com a Lei nº. 9718/98, para fins de determinação da base de cálculo da Cofins o disposto no art. 2° da Lei n° 70/91, que considera faturamento somente a receita bruta das vendas de mercadorias, de Fl. 3275DF CARF MF Processo nº 13629.720065/201362 Acórdão n.º 3301004.665 S3C3T1 Fl. 3.252 18 mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. 4. Os atos cooperativos (Lei nº. 5.764/71 art. 79) não geram receita nem faturamento para as sociedades cooperativas. Não compõem, portanto, o fato imponível para incidência da Cofins. 5. Em se tratando de mandado de segurança, não são devidos honorários de advogado. Aplicação das Súmulas 512 do STF e 105 do STJ. 6. Apelação provida. (fls. 120/121). 10. A natureza jurídica dos valores recebidos pelas cooperativas e provenientes não de seus cooperados, mas de terceiros tomadores dos serviços ou adquirentes das mercadorias vendidas e a incidência da COFINS, do PIS e da CSLL sobre o produto de ato cooperativo, por violação dos conceitos constitucionais de “ato cooperado”, “receita da atividade cooperativa” e “cooperado”, são temas que se encontram sujeitos à repercussão geral nos recursos: RE 597.315RG, Relator Min. ROBERTO BARROSO, julgamento em 02/02/2012, Dje 22/02/2012, RE 672.215RG, Relator Min. ROBERTO BARROSO, julgamento em 29/03/2012, Dje 27/04/2012, e RE 599.362RG, Relator Min. DIAS TOFFOLI, Dje13122010, notadamente acerca da controvérsia atinente à possibilidade da incidência da contribuição para o PIS sobre os atos cooperativos, tendo em vista o disposto na Medida Provisória nº 2.15833, originariamente editada sob o nº 1.858 6, e nas Leis nºs 9.715 e 9.718, ambas de 1998. 11. Ex positis, dou provimento ao recurso extraordinário para declarar a incidência da COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela recorrida com terceiros tomadores de serviço, resguardadas as exclusões e deduções legalmente previstas. Ressalvo, ainda, a manutenção do acórdão recorrido naquilo que declarou inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta. Desse modo, a base de cálculo do PIS e da COFINS, ou seja, o faturamento, é a totalidade das receitas de contraprestações pecuniárias (mensalidades dos planos de saúde). Isso porque, as cooperativas de trabalho médico têm como principal fonte de receita as vendas de planos de saúde à população em geral, a qual advém de não associados. Ademais, com o reconhecimento pelo STF, com efeitos ex tunc, da inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º, da lei nº 9.718/1998, através do RE n° 585.235/MG (repercussão geral), deve ser afastada a tributação das receitas financeiras e receitas nãooperacionais pelo PIS/COFINS. Logo, nesse ponto assiste razão à Recorrente, devem ser excluídas da base de cálculo do PIS e da COFINS as receitas financeiras e receitas nãooperacionais. DEDUÇÕES POSSÍVEIS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS DAS COOPERATIVAS Os lançamentos tributários objetos deste processo e do processo 13629.721175/201261foram lavrados em 16/01/2013. Posteriormente à lavratura, a Lei nº 12.873/2013 (de 25/10/2013) incluiu o § 9ºA ao art. 3º da Lei 9.718/98, cujo teor prescritivo é Fl. 3276DF CARF MF Processo nº 13629.720065/201362 Acórdão n.º 3301004.665 S3C3T1 Fl. 3.253 19 justamente as exclusões da base de cálculo do PIS e da COFINS relativas às operadoras de planos de assistência à saúde. O artigo 3º, §9º e §9ºA da Lei 9.718/1998 prescrevem: § 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.158 35, de 2001) II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.158 35, de 2001) § 9oA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entende se o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013) § 9oB. Para efeitos de interpretação do caput, não são considerados receita bruta das administradoras de benefícios os valores devidos a outras operadoras de planos de assistência à saúde. (Incluído pela Lei nº 12.995, de 2014) Já a Lei nº 10.676, de 22 de maio de 200,3 dispõe: Art. 1o As sociedades cooperativas também poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. §1o As sobras líquidas da destinação para constituição dos Fundos referidos no caput somente serão computadas na receita bruta da atividade rural do cooperado quando a este creditadas, distribuídas ou capitalizadas pela sociedade cooperativa de produção agropecuárias. § 2o Quanto às demais sociedades cooperativas, a exclusão de que trata o caput ficará limitada aos valores destinados a formação dos Fundos nele previstos. § 3o O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória no 1.85810, de 26 de outubro de 1999. Fl. 3277DF CARF MF Processo nº 13629.720065/201362 Acórdão n.º 3301004.665 S3C3T1 Fl. 3.254 20 A Instrução Normativa SRF nº 635, de 24 de março de 2006, por sua vez, estabelece: Art. 10. As sociedades cooperativas em geral, além do disposto no art. 9º, podem deduzir da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins o valor das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, destinadas à constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social (Fates), previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 1971. § 1º É vedado deduzir da base de cálculo das contribuições de que trata o caput os valores destinados à formação de outros fundos, inclusive rotativos, ainda que com fins específicos e independentemente do objeto da sociedade cooperativa. § 2º As sociedades cooperativas de consumo, que tenham por objeto a compra e fornecimento de bens aos consumidores, podem efetuar somente as exclusões gerais de que trata o art. 9º, não se lhes aplicando a dedução prevista no caput. Art. 17 A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, apurada pelas sociedades cooperativas de médicos que operem plano de assistência à saúde, pode ser ajustada, além do disposto nos arts. 9º e 10, pela: I exclusão dos valores glosados em faturas emitidas contra planos de saúde; II dedução dos valores das coresponsabilidades cedidas; III dedução das contraprestações pecuniárias destinadas à constituição de provisões técnicas; e IV dedução do valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. § 1º As glosas dos valores, de que trata o inciso I do caput, devem ser decorrentes de auditoria médica dos convênios e planos de saúde nas faturas, em razão da prestação de serviços e de fornecimento de materiais aos seus conveniados. § 2º As disposições dos incisos II a IV do caput aplicamse aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de dezembro de 2001. A alteração legislativa do § 9oA tem expresso caráter interpretativo, dispondo sobre as indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do §9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e que, portanto, podem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. O art. 106, I, do CTN, comanda a aplicação da lei interpretativa a ato ou fato pretérito, verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 3278DF CARF MF Processo nº 13629.720065/201362 Acórdão n.º 3301004.665 S3C3T1 Fl. 3.255 21 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; É pacífica a questão da exclusão da base de cálculo dos valores relativos a pagamentos por coresponsabilidades cedidas (§9º, I, §9ºB), as provisões técnicas conforme regramento da ANS (§9º, II), e os eventos efetivamente pagos (despesas com atendimento), tantos dos clientes próprios quanto de outras operadoras, diminuídos dos intercâmbios recebidos (§9º, inciso III e § 9ºA). Sobre as despesas das cooperativas médicas, o voto do Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, no acórdão n° 3301003.614, é didático: A legislação própria das operadoras de saúde permite que avencem contratos entre si para atendimento de clientes umas das outras, para maior abrangência territorial, em operações conhecidas como de intercâmbio ou transferências de responsabilidades. A Agência Nacional de Saúde ANS define três tipos: repasse em prépagamento, atendimento continuado em custo operacional, e atendimento eventual (Plano de Contas Padrão, RN 290/2012 ANS). Coresponsabilidades cedidas (inciso I do §9º do art. 3º da Lei 9.718/98) são pagamentos a outras operadoras de planos de saúde, para que assumam responsabilidade sobre o atendimento a clientes da própria empresa, havendo ou não o efetivo uso pelo cliente. As provisões técnicas (inciso II do §9º do art. 3º da Lei 9.718/98) são fundos obrigatórios, constituídos e contabilizados para cumprimento de regras estabelecidas pela ANS, no sentido de garantir, em síntese, a solvência dos planos. Eventos ocorridos (inciso III do §9º do art. 3º da Lei 9.718/98) são as despesas pagas aos médicos, hospitais e clínicas, pelo atendimento aos clientes, próprios ou de terceiros em intercâmbio. Importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades (inciso III) são pagamentos recebidos pela empresa, pela coresponsabilidade assumida e/ou atendimento efetivo a clientes de outras operadoras de planos de saúde. Por conseguinte, a aplicação do § 9A tem direta influência na apuração da base de cálculo das contribuições, pois podem ser excluídos: o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os de beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. O que quer significar: usuários próprios e usuários de outras operadoras. Fl. 3279DF CARF MF Processo nº 13629.720065/201362 Acórdão n.º 3301004.665 S3C3T1 Fl. 3.256 22 A questão, inclusive, já está pacificada também na Câmara Superior de Recursos Fiscais: Acórdão n° 9303005.449, julg. 26/07/2017 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. CUSTOS. Nos termos do § 9ºA do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, nos custos de utilização pelos beneficiários do plano, incluemse não apenas os despendidos com seus próprios beneficiários, mas também com os beneficiários de outras operadoras atendidos a título de transferência de responsabilidade. Recurso Especial do Procurador negado. Acórdão n° 9303004.399, julg. 09/11/2016 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. Na determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir os custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida, nos termos do §9º A, art. 3º da Lei 9.718/98. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário NORMA INTERPRETATIVA. RETROATIVIDADE. POSSIBILIDADE. Nos termos do art. 106, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN, a norma que seja expressamente interpretativa aplicase, em qualquer caso, a ato ou fato pretérito, restando excluída a aplicação da penalidade à infração dos dispositivos interpretados. Amoldase o comando da retroatividade benigna do art. 106, I, do CTN ao §9ºA, do art. 3º da Lei nº 9.718/98, norma de caráter interpretativo, introduzido em 2013 pela Lei nº 12.873, que retroage para alcançar os fatos geradores do presente processo administrativo. Acórdão n° 9303004.184, julg. 06/07/2016 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. Fl. 3280DF CARF MF Processo nº 13629.720065/201362 Acórdão n.º 3301004.665 S3C3T1 Fl. 3.257 23 Na determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir os pagamentos efetuados à rede credenciada e ao SUS (não congêneres), visto a norma interpretativa § 9A do art. 3ª da Lei 9.718/98 trazida pelo art. 19 da Lei 12.873/2013, esclarecendo que o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos compreende o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. Logo, devem ser reconhecidos os novos valores das bases de cálculo, acolhendose o resultado da diligência constante no Relatório de Diligência Fiscal, para aplicar a dedução da totalidade dos custos assistenciais no atendimento a usuários próprios e de outras operadoras na apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS. Em suma, é devida a dedução da base de cálculo do PIS e da COFINS, das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício destinadas à constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social (FATEs), pelas cooperativas em geral, bem como é permitido às sociedades cooperativas de médicos que operem plano de assistência à saúde os ajustes relativos à exclusão dos valores glosados em faturas emitidas contra planos de saúde; à dedução os valores das corresponsabilidades cedidas; à dedução das contraprestações pecuniárias destinadas à constituição de provisões técnicas; e à dedução do valor de indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. Entretanto, quanto a FATEs, bem apontou a decisão recorrida que: Dessa forma, no que tange às sobras líquidas para as cooperativas médicas, a exclusão ficou restrita aos valores destinados à formação do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social. Acontece que tais valores não estão evidenciados nos autos. A defendente limitouse a pedir a referida exclusão, sem, contudo, destacar quais seriam os valores destinados aos fundos acima (que seriam os dedutíveis). Assim, não se pode amparar a reclamação da interessada. Assim, é possível a dedução de FATEs desde que comprovadas sua liquidez e certeza, o que não se verifica no presente processo. SÍNTESE I Quanto à tributação dos atos cooperativos, incidência ou não de PIS e COFINS, essa questão está inteiramente subordinada ao resultado dos Mandados de Segurança n° 2002.38.00.0275134 (COFINS) e 2002.38.00.027512 (PIS). Fl. 3281DF CARF MF Processo nº 13629.720065/201362 Acórdão n.º 3301004.665 S3C3T1 Fl. 3.258 24 II As receitas de contraprestações pecuniárias (mensalidades dos planos de saúde pagas pelos clientes – terceiros não cooperados), são tributáveis pelo PIS/COFINS. Isso porque prestação de serviço não é ato cooperativo. III Devem ser excluídas das bases de cálculo do PIS e da Cofins os valores relativos a pagamentos por coresponsabilidades cedidas (§9º, I, §9ºB), as provisões técnicas conforme regramento da ANS (§9º, II), e os eventos efetivamente pagos (despesas com atendimento), tantos dos clientes próprios quanto de outras operadoras, diminuídos dos intercâmbios recebidos (§9º, inciso III e § 9ºA). IV Não compõem o faturamento das cooperativas médicas as receitas financeiras e receitas nãooperacionais. CONCLUSÃO Do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir das bases de cálculo do PIS e da COFINS os valores relativos a pagamentos por co responsabilidades cedidas, as provisões técnicas conforme regramento da ANS, os eventos efetivamente pagos (despesas com atendimento), tantos dos clientes próprios quanto de outras operadoras, diminuídos dos intercâmbios recebidos e as receitas financeiras e receitas não operacionais. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 3282DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14489.000587/2008-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/08/2000 a 31/03/2006
MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO. EXIGIBILIDADE.
Constitui infração a omissão da empresa em reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços para recolhimento em nome da empresa cedente de mão-de-obra. A referida infração se reveste caracterizada independentemente do número de notas fiscais sem a devida retenção de 11%.
Numero da decisão: 2402-006.253
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira De Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira De Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/08/2000 a 31/03/2006 MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO. EXIGIBILIDADE. Constitui infração a omissão da empresa em reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços para recolhimento em nome da empresa cedente de mãodeobra. A referida infração se reveste caracterizada independentemente do número de notas fiscais sem a devida retenção de 11%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 9. 00 05 87 /2 00 8- 91 Fl. 245DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira De Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 14489.000587/200891 Acórdão n.º 2402006.253 S2C4T2 Fl. 247 3 Relatório Temse Recurso Voluntário de fls. 230/240, voltado contra Acórdão de fls. 217 usque 221, que, por unanimidade de votos, manteve o crédito tributário conforme lançado, ratificando a multa a plicada. Eis o relatório da decisão em testilha: DA AUTUAÇÃO ~ Tratase de Auto de Infração AI (DEBCAD 37.134.0349, CFL 93), lavrado em 31/10/2007, contra a empresa acima identificada, no montante de R$ 2.390,86. 2. Confonne Relatório Fiscal da Infração (fls. 92) a interessada deixou de reter 11% do valor bruto das notas fiscais ou faturas de prestação de serviços, típicos de cessão de mãodeobra por ela contratados. Tal conduta constituiu infração ao artigo 31, caput, da Lei n° 8.212/1991, combinado com o artigo 219, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999; 2.1. A multa aplicada foi apurada confonne previsto nos artigos 92 e 102, da Lei n° 8.212/1991, combinado com os artigos 283, caput e § 3°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, atualizada pela Portaria MPS/MF n° 142, de 11/04/2007; 2.2. 'Segundo o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, restou configurada a circunstância agravante da reincidência genérica, prevista no artigo 290, V, do RPS, acarretando a elevação da penalidade em duas vezes o valor base, sendo utilizado para fins de aplicação da reincidência o AI 37.056.7943 CFL 30, com decisão definitiva em 13/12/2006. DA IMPUGNAÇÃO 3. A interessada manifestouse às fls. 114/181, alegando em síntese: 3.1. Que o lançamento ocorreu em razão do entendimento do autuante de que a retenção de 11% sobre determinados pagamentos efetuados a fornecedores de serviços, não foi efetuado (ou efetuado com insuficiência), e apurados através das seguintes NFLD's: 37.093.6850, 37.093.6868, 37.093.6876, 37.093.6884, 37.093.6892, 37.093.6906, 37.093.6922, 37.093.6930, 37.134.0322 e 37.093.6914; 3.2. Que demonstra através das respectivas Impugnações, serem totalmente improcedentes o entendimento consubstanciado nas NFLDs acima citadas, que originaram a presente autuação, eis que seguindo o princípio segundo o qual o acessório segue o Fl. 247DF CARF MF 4 principal, resta inequívoca a improcedência do presente Auto de infração; 3.3. Requer seja dado integral provimento à presente impugnação com a conseqüente desconstituição da multa exigida, ou, alternativamente, seja o seu julgamento atrelado ao das defesas apresentadas contra as NFLDS, e caso sobrevenham decisões finais favoráveis à Impugnante seja determinado o cancelamento do auto em controvérsia. No recurso, reprisa a recorrente os mesmíssimos argumentos lançados em sua Impugnação de fls. 191/207, alegando a insubsistência de todas as NFLD's nº 37.093.6850, 37.093.6868, 37.093.6876, 37.093.6884, 37.093.6892, 37.093.6906, 37.093.6922, 37.093.6930, 37.134.0322 e 37.093.6914, que consubstanciam os processos de obrigação principal. Quanto às NFLD nº 37.093.6850, 37.093.6892, 37.093.6906, 37.134.032 2, alega a decadência do débito nelas inscrito, bem como que foi errônea a presunção do agente fiscal em considerar como cessão de mãodeobra aquilo que não o é. Quanto às NFLDs nº 37.093.6868, nº 37.093.6876 e nº 37.093.6884, aponta, igualmente, a decadência do crédito tributário, e que o lançamento nela lançado seria completamente, também pelo motivo acima afiançado, alegando que a presunção utilizada pela d. Fiscalização foi errada. No que se refere às Nota nº 37.093.6884 e 37.093.6914, repete os argumentos lançados na peça de defesa, em que defende a decadência de constituir o crédito tributário relativo às supostas infrações ocorridas de agosto de 2000 a setembro de 2002, com fulcro no art. 156, V do Código Tributário Nacional, bem como alega a simples presunção do Fiscal quando lança a assertiva de cessão de mãodeobra para o lançamento do crédito. Aponta, por derradeiro, que apresentará, a mesmo tempo, recursos quanto às obrigações principais relacionadas nas Notas Fiscais de Lançamento de Débito que corporalizam as obrigações acessórias em comento. Requer, assim, a desconstituição da multa exigida no auto de infração referentes às NFLD's em litígio ou requerendo o cancelamento do Auto em caso de decisões favoráveis à Recorrente. É o relatório. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 14489.000587/200891 Acórdão n.º 2402006.253 S2C4T2 Fl. 248 5 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1 – Admissibilidade Recurso interposto tempestivamente, estando presentes as demais condições de admissibilidade previstas no Decreto, voto por dele conhecer. 2. Do Mérito. O presente processo trata de aplicação de penalidade aplicada em razão da Recorrente deixar a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãode obra, inclusive em regime de trabalho temporário, de reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços para recolhimento ao Instituto Nacional de Seguro Social ate o dia dois do ms subsequente ao da emissão da nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, conforme Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 31, caput, com a redação dada pelo Lei n. 9.711, de 20.11.98, combinado com o Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 219. A multa aplicada tomou foi fundamentada na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 92 e art. 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 283, caput e parágrafo 3. e art. 373. com gradação ancorada no Art. 292, inciso N, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. Tal lançamento está relacionado a Cabe esclarecer que 0 presente Auto de Infiação está sendo julgado após as NFLD°s_ 37.093.6850, 37.093.6868, 37.093.6876, 37.093.6884, 37.093.6892, 37.093.6906, 37.093.6922, 37.093.6930, 37.134.0322 e 37.093.6914, por estarem vinculados ao crédito apurado, para que não seja exigida a obrigação acessória de retenção sobre notas fiscais de serviços contratados não enquadrados na situação prevista pelo artigo 31, da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n° 9.711/1998. Tais lançamentos, em grande parte, foram considerados procedentes por este relator e sendo infração que se configura independentemente da quantidade de e valor do lançamento de obrigação principal mantido, há de se considerar procedente a presente multa por descumprimento de obrigação acessória de reter 11% sobre as notas fiscais de prestação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, nos termos do artigo 31, da Lei n° 8.21 2/ 1991, na redação dada pela Lei n° 9.711/1998 e cobrar a respectiva penalidade. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 249DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11070.721605/2011-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009, 2010
INTEMPESTIVIDADE. PRAZO RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO.
O prazo para interposição de Recurso Voluntário é de trinta dias a contar da ciência da decisão recorrida.
CITAÇÃO POR EDITAL. POSSIBILIDADE.
Quando resultar improfícuo um dos meios de intimação previstos no caput do artigo 23 do Decreto nº 70.235/72, a intimação poderá ser feita por edital.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2202-004.435
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
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PRAZO RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. O prazo para interposição de Recurso Voluntário é de trinta dias a contar da ciência da decisão recorrida. CITAÇÃO POR EDITAL. POSSIBILIDADE. Quando resultar improfícuo um dos meios de intimação previstos no caput do artigo 23 do Decreto nº 70.235/72, a intimação poderá ser feita por edital. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 72 16 05 /2 01 1- 91 Fl. 248DF CARF MF Processo nº 11070.721605/201191 Acórdão n.º 2202004.435 S2C2T2 Fl. 249 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 11070.721605/201191, em face do acórdão nº 1040.678, julgado pela 4ª Turma da Delegacia Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/POA), em sessão realizada em 09 de outubro de 2012, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: "Do Lançamento Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração (fls. 151 a 159, 161 a 170) referente a Imposto sobre a Renda de Pessoa Física do anocalendário 2008 e 2009, no qual foi apurado imposto no valor de R$ 869.843,66, acrescido da multa de ofício e juros de mora, em decorrência da apuração de omissão de rendimentos da atividade rural , omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos e omissão de rendimentos relativos a reajuste/juros recebidos, na forma dos dispositivos legais sumariados na peça fiscal. Da impugnação Tempestivamente, o interessado apresenta a impugnação da exigência às fls. 182 a 197. Suas alegações estão, em síntese, a seguir descritas. Da regramatriz do Ganho de Capital na alienação de imóvel rural Conforme artigo 19 da Lei n° 9.393, de 1996, o ganho de capital na alienação de imóvel rural por pessoa física adquirido depois de 1997 deve ser obtido pela diferença entre o VTN do ano da venda e o VTN do ano da compra. Não pode a autoridade administrativa deixar de aplicar o artigo 19 da Lei nº 9.393, sob pena de flagrante violação ao princípio da legalidade. Quando a lei fala que para efeitos de ganho de capital considerase custo de aquisição o valor do VTN da compra, ela está a se referir ao valor do VTN do ano da compra. De igual forma, quando a norma vala em valor do VTN do ano da venda ela está a se referir ao valor do VTN do ano da venda.. O artigo 19 faz expressa referência ao artigo 8o da Lei n° 9.393/96. O disposto no artigo 14 a que se refere o artigo 19 da Lei n° 9.393, de 1996, se aplica somente nos casos de falta de entrega, informações inexatas, bem como de subavaliação. Nestes casos a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 11070.721605/201191 Acórdão n.º 2202004.435 S2C2T2 Fl. 250 3 Havendo imprecisões ou discordância da Secretaria da Receita Federal em relação às informações constantes da DIAT, ela pode efetuar o lançamento exigindo ITR com base no real valor do ITR. Todavia, em não discordando do real valor do ITR, constante da DIAT, não pode desconsiderálo para efeitos de apuração do ganho de capital, conforme previsto no artigo 19 da Lei n° 9.393 de 1996. O responsável pela entrega da declaração, no caso do ITR, é o contribuinte que suporta ou que suportou a exigência. Considerando que o fato gerador do ITR dáse em 1º de janeiro de cada ano, quem for proprietário ou possuidor em 1o de janeiro tem a responsabilidade de entregar a DIAT em relação ao ITR do respectivo anocalendário, ainda que venha alienar o imóvel ou a posse. É por esta razão que no caso concreto, tendo ocorrido o fato gerador em 1º de janeiro, ainda que Edmilson tenha vendido o imóvel no mês de março, a responsabilidade pela entrega da DIAT, correspondente ao ITR de 2008, cuja exigência se deu em 01012008, é de Edmilson e não do adquirente. Asseverase que a data fixada pela autoridade administrativa para entrega da DIAT nada tem haver com a ocorrência do fato gerador e nem com a obrigação do contribuinte, que suportou o encargo, de entregar a respectiva declaração. A fiscalização aplicou a regra tradicional do imposto de renda, o que é um equívoco. Como demonstrado o ganho de capital na alienação do imóvel foi de R$2.843.289,51 e não de R$3.817.656,07 apurado pela autoridade fiscal. Da alegada omissão de receita da atividade rural A identificação do autuado, a descrição do fato, a disposição legal infringida e a determinação quantitativa da exigência são requisitos essenciais do auto de infração. Se não houver a identificação adequada da norma infringida ou a descrição adequada do fato (incidência da regra sobre o fato descrito) o auto de infração será nulo. Não se presta para exigir tributo auto de infração que não aponte, de forma precisa, a regra de incidência sobre o fato descrito. Igualmente, não se presta para exigir tributo auto de infração cuja regra de exigência apontada não incida sobre o fato descrito. No momento em que o auto de lançamento diz que a infração decorre de omissão de rendimentos da atividade rural, "conforme consta do Relatório de Procedimento Fiscal", ninguém haverá de discordar que o relatório deverá conter a identificação das receitas omitidas e a demonstração da apuração de seu quantitativo (critério material). Fl. 250DF CARF MF Processo nº 11070.721605/201191 Acórdão n.º 2202004.435 S2C2T2 Fl. 251 4 Quem ler o relatório de procedimento fiscal irá perceber que em momento algum na descrição dos fatos aparecem as palavras "Espantoso", "Piray", "Bela Vista" e "Outras", como sendo fonte de omissão de receita. Ora, tal procedimento não se presta como sendo descrição adequada dos fatos. E por assim ser, não só impede o direito de defesa como impossibilita a análise de quem julga. Ademais, não existem omissões de receitas da atividade rural que possam ser caracterizadas pela expressão "Outras". Qualquer fato que se quisesse atribuir nesta expressão caberia. Isto mostra, mais uma vez, a inadequada descrição dos fatos sobre os quais deveria incidir a regra matriz de exigência tributária. Mais, de posse do Relatório do Procedimento Fiscal que aponta como supostas omissões os valores de R$ 1.383.943,25, em 2008 e de R$ 4.002.187,38 em 2009, nenhum dos julgadores, assim como não teve o contribuinte, tem condições de apontar como a autoridade fiscal chegou a tais valores. Diz a autoridade fiscal que as receitas da atividade rural estariam demonstradas nas planilhas constantes do anexo (7 folhas) do Termo de Intimação n° 03 1010800201000372, de 21/07/2011. Contudo, ditas planilhas não integram o relatório de procedimento fiscal, razão pela qual não podem servir como se o integrasse para demonstrar a quantificação das supostas omissões da atividade rural. Da questão relacionada à suposta omissão de rendimentos relativa ao recebimento de juros No item 3 da fl. 169 a autoridade fiscal imputa ao contribuinte suposta omissão de rendimentos decorrentes de juros recebidos. Porém, quando se analisa o relatório de procedimento fiscal se percebe que da fl. 152 até a fl. 157 a fundamentação diz respeito ao ganho de capital na venda do imóvel rural. Da fl. 157 a 159 trata da suposta omissão da atividade rural. Não há um único item descrevendo fatos relacionado ao recebimento de juros. Assim, neste ponto, por inexistir descrição adequada dos fatos, também é insubsistente o auto de infração. Requer 1. seja reconhecida a integral insubsistência do auto de infração por não conter elementos essenciais relacionados à correta descrição dos fatos, identificação precisa da norma legal infringida e inexistência de demonstrativo da apuração do critério quantitativo das infrações relacionadas à omissão de receita da atividade rural e omissão de receita decorrente do recebimento de juros. 2. para a hipótese de não ser acolhido integralmente o pedido acima referido, de forma subsidiária, sem abdicar do direito de Fl. 251DF CARF MF Processo nº 11070.721605/201191 Acórdão n.º 2202004.435 S2C2T2 Fl. 252 5 recurso em relação à parte não acolhida, requer seja aplicado, em relação ao ganho de capital na venda de imóvel rural, o disposto no artigo 19 da Lei n° 9.393, de 1996, considerando como ganho de capital o valor de R$ 4.127.945,00 e não R$ 5.542.550,00, conforme apurado pela autoridade fiscal, aplicando sobre o primeiro valor as reduções de que trata a Lei n° 11.196, de 2005, conforme demonstrado nos itens 18 e 19 desta impugnação, sem prejuízo de deduzir do valor apurado a importância eventualmente paga a título de ganho de capital. 3. considerando o princípio da legalidade tributária e que em relação a matéria de direito não há preclusão, até porque cabe ao julgador conhecer e aplicar o direito sobre os fatos, reserva se o impugnante de, em qualquer tempo, apontar à autoridade competente eventuais fundamentos de direito que não foram sintetizados nesta peça, mas que se aplicam ao presente caso. 4. Por fim, caso verificado erros materiais sobre eventuais cálculos ou descrição fática, dado o princípio da estrita legalidade, reservase o impugnante o direito de, a qualquer tempo, apontar tais imprecisões para que sejam corrigidas pela autoridade competente." A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendose, assim, o crédito tributário lançado. O contribuinte, inconformado com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 216/241, reiterando as alegações expostas em impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator Primeiramente, necessário verificar a tempestividade do recurso em análise. Verificase o contribuinte tomou ciência do resultado do acórdão ora recorrido em 05/12/2012 (quartafeira), por ser este o 16º (décimo sexto) dia da data da fixação do Edital nº 003/2012 (fl. 214), que fora afixado em 19/11/2012. O edital de ciência fora realizado em razão do retorno negativo do A.R., conforme fls. 212 e 213 dos autos. O recurso voluntário de fls. 216/241 foi apresentado em 11/01/2013. Verificase, portanto, que se iniciou a contagem do prazo recursal em 06/12/2012 (quintafeira), sendo o 30ª dia (data para interposição tempestiva do recurso) em 04/01/2013 (sextafeira). Logo, temse que o recurso voluntário apresentado em 17/03/2010 após o término do prazo recursal é intempestivo e, portanto, não deve ser conhecido. O contribuinte alega de forma bem sucinta que o recurso interposto é tempestivo em razão de ter sido intimada do acórdão em 03/01/2012, pois sustenta a ilegalidade da intimação por edital, por te ela endereço conhecido pela Receita Federal do Brasil. Fl. 252DF CARF MF Processo nº 11070.721605/201191 Acórdão n.º 2202004.435 S2C2T2 Fl. 253 6 Verificase que o carimbo do serviço postal (fl. 213) é de que a correspondência não foi procurada. Ou seja, o contribuinte não diligenciou até a agência postal de sua cidade em tempo determinado para tomar ciência da correspondência, sendo ela devolvida pelo serviço postal a Receita Federal do Brasil. Diante disso, foi expedido edital para ciência da contribuinte do acórdão da DRJ, conforme disciplina o Decreto nº 70.235/72: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: I no endereço da administração tributária na internet; II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (grifouse) Desde modo, não prova a contribuinte o que alega, não podendo ser conhecido o recurso, face a intempestividade. Os artigos 5° e 33 do Decreto 70.235, de 1972 estabelecem as regras para contagem do prazo de interposição do recurso voluntário: Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindo se o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. [...] Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 253DF CARF MF Processo nº 11070.721605/201191 Acórdão n.º 2202004.435 S2C2T2 Fl. 254 7 Ante o exposto, voto por não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 254DF CARF MF
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