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Numero do processo: 15374.964574/2009-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.973
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem verifique a existência do crédito da contribuição não-cumulativa (PIS/Cofins), no período e valor sob comento neste processo. Para tanto: a) analise a documentação acostada aos autos, bem como o demonstrativo de cálculo apresentado, para se aferir a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) informe se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) esclareça se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada e d) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem verifique a existência do crédito da contribuição nãocumulativa (PIS/Cofins), no período e valor sob comento neste processo. Para tanto: a) analise a documentação acostada aos autos, bem como o demonstrativo de cálculo apresentado, para se aferir a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) informe se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) esclareça se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada e d) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 64 57 4/ 20 09 -8 3 Fl. 532DF CARF MF Processo nº 15374.964574/200983 Resolução nº 3301000.973 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem que indeferira o pedido de restituição e não homologara a compensação declarada, relativamente a suposto crédito da Contribuição (PIS/Cofins), em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já se encontrava utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu a homologação da compensação ou, alternativamente, a conversão do julgamento em diligência, alegando que haviam ocorrido meros equívocos no preenchimento da DCTF, posteriormente retificada, e que deveria ser observado o princípio da verdade material, conforme jurisprudência correlata. A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento de que apenas os créditos líquidos e certos eram passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, arguiu a sua tempestividade e requereu a reforma da decisão de piso, por contrariar o disposto no Parecer Normativo Cosit nº 2/2015 e os princípios da verdade material, ampla defesa e legalidade, dada a efetiva existência do crédito pleiteado, conforme cálculos e documentos carreados aos autos. É o relatório. Fl. 533DF CARF MF Processo nº 15374.964574/200983 Resolução nº 3301000.973 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3301000.965, de 23/10/2018, proferida no julgamento do processo nº 15374.964566/200937, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301000.965): O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Tempestividade A Recorrente sustenta a tempestividade do recurso, nos seguintes termos: Em 03.07.2015, foi certificada nos presentes autos, equivocadamente, a ciência eletrônica da Requerente dos termos do Acórdão acerca da Manifestação de Inconformidade apresentada, por decurso de prazo de 15 dias contados da disponibilização do documento na sua Caixa Postal do eCAC. Ocorre que, conforme exigência constante do art. 23, III, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/72, intimação por meio eletrônico depende, necessariamente, de que o contribuinte tenha realizado a efetiva e expressa opção pelo Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), mediante envio, à RFB, de Termo de Opção, por meio do e CAC, sendo, portanto, inválida a intimação eletrônica realizada no presente feito em 03.07.2015. Isto porque, em 03.07.2015 (data da certidão de ciência eletrônica nos presentes autos), a ora Requerente ainda não havia feito a opção pelo DTE, conforme se verifica do Termo de Opção/Autorização em anexo, datado de 22.10.2015 (Doc. 01). Cumpre registrar que esse equívoco da RFB em realizar/considerar a intimação eletrônica de decisão administrativa sem que o contribuinte tivesse feito opção pelo DTE vinha ocorrendo de forma reiterada, o que forçou a Requerente a ajuizar, em 17.12.2014, ação declaratória para que fosse declarada a inexistência de relação jurídica que autorizasse a União Federal a proceder intimações/ciências de atos/decisões processuais por meio eletrônico, eis que inexistente autorização/opção pelo Domicílio Tributário Eletrônico DTE, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972, e dos §§ 1º e 2º, do artigo 4º, da Portaria SRF nº 259/2006, devendo serem as intimações/cientificações dos atos/termos processuais realizados tão somente de forma pessoal ou via postal, enquanto não realizada a aludida opção/autorização mediante Termo de opção ao DTE (Doc. 02). Assim, em 27.01.2015, foi proferida decisão liminar, em sede de Agravo de Instrumento (processo nº 000040349.2015.4.02.0000), assegurando o direito da ora Requerente de não ser intimada de decisões administrativas por meio eletrônico (DTE) até a realização da opção pelo Domicílio Tributário Eletrônico (Doc. 03), o que, frisese, só ocorreu em 22.10.2015 (v. doc. 3). Em manifestação sobre a questão, no despacho de efls. 365 a 370, a DICAT DEMACRJO: Fl. 534DF CARF MF Processo nº 15374.964574/200983 Resolução nº 3301000.973 S3C3T1 Fl. 5 4 6. Argumenta o contribuinte que a sua opção ao DTE foi efetivada no dia 22/10/2015, mediante certificação digital no Portal e–CAC, bem assim que tivera acesso à intimação/ciência n° 969/2015 e documentos instrutivos, à fl. 192, somente no dia 20/02/2017, aproximadamente 16 (dezesseis) meses depois da disponibilização do documento. No comunicado denominado “Ciência Eletrônica por Decurso de Prazo”, o contribuinte foi considerado cientificado no dia 03/7/2015, 15 (quinze) dias contados a partir da data de disponibilização dos documentos na sua caixa postal, conforme documento à fl. 195, data que, de fato, é anterior à sua adesão ao DTE, lapso temporal que “espelha” o cerne da discussão, que compreende basicamente as consequências advindas do fato de a opção ao DTE ter sido efetivada em data posterior à data de “postagem” (disponibilização) da comunicação/intimação. (..) 11. No momento em que a correspondência/mensagem é aberta, considerase perfeita a intimação realizada mediante envio de documento digital à caixa postal de contribuinte, porque dada a ciência do teor da intimação e dos documentos instrutivos. Nesse sentido, encontrase a jurisprudência, há muito, sedimentada no que se refere ao reconhecimento da validade de correspondência, considerando requisitos indispensáveis ao aperfeiçoamento da ciência que a intimação tenha sido (i) enviada ao endereço constante do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) do contribuinte e (ii) assinada por funcionário da empresa, o que torna irrelevante o fato de o documento recebido ter sido ou não entregue ao responsável por sua análise, sendo bastante e suficiente que tenha sido entregue no endereço certo e recebido por pessoa autorizada a fazêlo. 12. Por essa razão, e respeitadas as devidas peculiaridades de cada modalidade de intimação, não seria razoável aceitar a alegação do contribuinte de que somente teve efetivamente acesso ao documento no dia 20/02/2017, quando tomou ciência dos documentos digitais relativos à cobrança amigável pelo eCAC, situação que se assemelharia à hipótese (remota) na qual um contribuinte recebe uma correspondência em sua residência ou estabelecimento comercial, assina o aviso de recebimento (AR) e decide não abrir o envelope, simplesmente porque acredita ser uma faculdade/liberalidade fazêlo apenas quando lhe for conveniente, bem assim que a data de ciência da intimação seria a data de abertura do envelope, em vez da data de recebimento da correspondência. 13. Faz tanto sentido a assertiva anterior que, mediante consulta ao sistema CXPOSTALRFB, constatamos que a primeira leitura da “comunicação simples” ora discutida foi realizada no dia 24/6/2016, existindo 62 (sessenta e duas) outras mensagens (comunicação simples/ato oficial) efetivamente “lidas” pela TAESA de 22/10/2015 até 17/02/2017, período compreendido entre a data de adesão ao DTE e o dia anterior à (suposta) ciência do acórdão combatido. 14. Em que pese a implementação da condição estabelecida pelo Relator do agravo de instrumento, mediante adesão ao DTE no dia 22/10/2015, data a partir da qual (i) a intimação tornouse válida, eficaz e exequível e (ii) passou a ser obrigatório o cumprimento do compromisso assumido no termo de opção, mais precisamente o acesso regular da sua caixa postal com a correspondente ciência de comunicações/ato oficial que porventura tenham sido enviados pela RFB, constata se que a TAESA “renunciou” ao seu direito de defesa, seja no tocante à apresentação de recurso contra o Acórdão n° 1449.935, de 24/4/2014, ou ainda, apenas por amor ao debate, à reclamação da nulidade da intimação, decidindo agir tão somente quando julgou ser mais “conveniente”, precisamente 16 (dezesseis) meses depois de ter formalizado o termo de opção pelo DTE. Em suma, para a DICAT, desde 22/10/2015, data da efetiva opção pelo DTE, o contribuinte deveria ter regularmente acessado a comunicação/intimação discutida que fora enviada para a caixa postal correspondente à sua disposição Fl. 535DF CARF MF Processo nº 15374.964574/200983 Resolução nº 3301000.973 S3C3T1 Fl. 6 5 no Portal eCAC, praticando, ato contínuo, os atos de defesa pertinentes, mas preferiu, entretanto, manterse “inerte” até o dia 20/02/2017. Todavia, a prescrição do art. 23, III, § 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/72, é clara de que a adesão ao DTE depende de expresso consentimento do sujeito passivo. A empresa optou pelo Domicílio Tributário Eletrônico somente em 22/10/2015 e tomou ciência do Acórdão de Julgamento apenas em 20/02/2017, quando acessou eletronicamente os autos do presente processo em razão da mensagem enviada para a caixa postal para a intimação da cobrança amigável. Concordo com a Recorrente no sentido de que a ciência certificada nos autos em 03/07/2015 não operou efeitos, eis que anterior à efetiva opção pelo DTE em 22/10/2015. A unidade de origem deveria ter intimado o contribuinte de outra forma prescrita no art. 23 diante de sua falta de opção pelo DTE ou, após a opção, deveria têlo cientificado novamente. A administração tributária se manteve inerte diante desse lapso cometido. Dessa forma, entendo como plausível que se tenha como data da intimação da decisão de piso, a data de acesso aos autos, nos termos do art. 23, § 2°, III, “c”, do Decreto nº 70.235/72. Portanto, voto pela tempestividade do recurso voluntário, motivo pelo qual analisoo a seguir. Ônus da prova – recolhimento indevido A Recorrente pleiteia a compensação de pagamento indevido de PIS, não cumulativo, referente ao fato gerador de 31/08/2004, no valor de R$ 39.937,14 (e DCOMP nº 08629.35740.300507.1.3.044200). O despacho decisório indicou que o DARF relativo ao crédito indicado no PER/DCOMP já havia sido utilizado para extinguir o próprio tributo, não restando crédito a restituir. Em impugnação, a empresa alegou ter havido erros no preenchimento da DCTF, que foi posteriormente retificada. A DRJ negou provimento à manifestação de inconformidade, com as seguintes razões: a A Recorrente deveria ter retificado sua DCTF até a transmissão do seu PER/DCOMP; b A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório não confere reforma do ato administrativo, pois no momento de sua expedição, a motivação estava correta. Neste sentido, a contribuinte anexou à peça recursal a DCTF retificadora, alterada em 17/11/2009, e fora cientificada do despacho decisório em 21/10/2009; c Não houve prova do suposto recolhimento a maior. Em defesa, não juntou qualquer documento que comprovasse os valores recolhidos indevidamente ou maior que o devido; Fl. 536DF CARF MF Processo nº 15374.964574/200983 Resolução nº 3301000.973 S3C3T1 Fl. 7 6 d Não basta a retificação da DCTF, deveriam ser apresentados os livros contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais, a natureza da receita, bem assim o seu valor, além da documentação probatória pertinente. De fato, a restituição ou compensação demanda suporte documental mínimo comprobatório dos direitos creditórios requeridos, para atestar a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte, nos termos do art. 170 do CTN. Dessa forma, o contribuinte deve comprovar a efetividade do recolhimento e das bases de cálculo sobre as quais foram realizados os recolhimentos a maior. Em regra geral, considerase que o ônus da prova recai sobre quem alega o fato ou o direito (art. 373, CPC/2015), consequentemente, é do próprio contribuinte o ônus de registrar, guardar e apresentar os documentos e demais elementos que testemunhem o seu direito ao ressarcimento. A prova a favor do contribuinte perante o Fisco, quanto à existência de direito pretendido, deve estar calcada em documentos fiscais hábeis e idôneos. A liquidez do direito há de ser comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, através do DARF, da comprovação das bases de cálculo sobre as quais incidiram o tributo e, através de outros documentos. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente anexou os documentos que entende comprovarem seu direito ao creditamento, decorrente de PIS pago indevidamente na sistemática nãocumulativa, (cód. 6912), no mês de agosto de 2004, no valor de R$ 39.937,14. E, tece as seguintes justificativas: (i) A Recorrente é sociedade concessionária de transmissão de energia elétrica e, em 2000, celebrou com a União, por intermédio da Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL, o Contrato de Concessão nº 040/2000, por meio do qual se comprometeu na construção, operação e manutenção das instalações da Linha de Transmissão TaquaruçuAssis, pelo prazo de 30 (trinta) anos. (ii) As suas receitas decorrentes do contrato de concessão de transmissão de energia elétrica, são tributadas pelo PIS e COFINS no regime cumulativo, nos termos do art. 10, da Lei nº 10.833/2003; (iii) Apurou e recolheu o PIS na sistemática nãocumulativa (código de receita nº 6912), calculado sobre suas receitas decorrentes dos serviços de transmissão de energia elétrica, de 2004 até 2006; (iv) Por intermédio da Lei nº 11.196/2005, da Instrução Normativa SRF nº 658/2006 e da Nota Técnica de nº 224/2006 SFF/ANEEL, a empresa recompôs a base imponível do PIS, do mês de agosto de 2004, apurando, com base no regime cumulativo, o débito a pagar no valor de R$ 39.894,73, nascendo aí o pagamento indevido a título de PIS não cumulativo (código 6912) no valor total de R$ 111.576,654 (R$ 39.937,14 e R$ 71.639,51), recolhidos nas datas de 15/09/2004 e 10/06/2005, respectivamente; (v) Resume a apuração correta da contribuição para o PIS, calculada com base no regime cumulativo (para a receita da atividade) e nãocumulativo (para as receitas financeiras), após a recomposição de sua base imponível para o mês de agosto de 2004, dessa forma: Fl. 537DF CARF MF Processo nº 15374.964574/200983 Resolução nº 3301000.973 S3C3T1 Fl. 8 7 Adiante acrescenta: Como o regime de PIS/COFINS a que se submete a receita de prestação de serviços de transmissão de energia elétrica auferido pela Recorrente é o cumulativo, conforme esclarecido acima, foi necessário retificar a DCTF do 3º trimestre de 2004 para declarar somente o débito de PIS cumulativo (código 8109) e não mais o débito de PIS com base no regime nãocumulativo (código 6912). Para tanto, a Recorrente procedeu à retificação dessa DCTF em 12.07.2007, ou seja, bem antes da ciência do Despacho Decisório (em 21.10.2009). Nessa DCTF retificadora do 3º trimestre de 2004 (recibo nº 26.443.892.6560 doc. 10), a Recorrente já declarava o débito do PIS cumulativo (código 8109) do mês de agosto de 2004, no valor de R$ 39.937,14, bem como a sua quitação através de compensação (PER/DCOMP nº 38114.19893.300507.1.3.046124). Nesse documento não foi declarado nenhum valor de débito de PIS pelo regime não cumulativo (código 6912), seja porque as receitas de sua operação não mais se enquadravam nesse regime, seja porque as demais receitas auferidas no período eram de natureza financeira e sujeitavamse à alíquota zero por força do Decreto nº 5.164/2004, conforme se pode notar pelo DACON retificador (doc. 11) e pela DIPJ 2005, retificadora, página 36 (doc. 12). Esses foram os motivos que tornaram indevidos todos os pagamentos de PIS (código 6912) efetuados por meio de DARF, do período de apuração agosto de 2004. Ocorre que a Recorrente quando do preenchimento da DCTF retificadora do 3º trimestre de 2004, apresentada em 12.07.2007, não demonstrou os créditos de PIS nãocumulativo, eis que não devia nenhum débito desta contribuição neste regime. Mas certo que a Receita Federal do Brasil – RFB mantinha em seus cofres o valor desta contribuição outrora recolhido, indevidamente, pela Recorrente, via DARF, no valor total de R$ 111.576,65 (incluído principal, juros e multa). Reiterese que o pagamento do PIS no regime nãocumulativo (cod. 6912) foi feito indevidamente e não a maior. Logo, os DARF´s recolhidos inapropriadamente, a rigor, não precisariam ter sido indicados em DCTF, pois desvinculados de qualquer débito e impropriamente recolhidos. Desta feita, de pronto, revelam crédito a favor do contribuinte. Esta foi a situação exteriorizada através da retificação tempestiva da DCTF de 12.07.2007, mas, no entanto, o direito creditório não foi reconhecido pela fiscalização. Por essa razão, no momento em que a Recorrente teve seu pedido de compensação denegado (objeto do Despacho Decisório nº 848597880), visando uma forma de a RFB ‘enxergar’ o crédito fiscal a seu favor, foi que a Recorrente optou por retificar novamente a DCTF do 3º trimestre de 2004 (em 17.11.2009 – recibo 10.95.50.79.0608 – doc. 13), ratificando os créditos de PIS cumulativo (8109) e incluindo como débito a título de PIS nãocumulativo do mês de agosto de 2004 o valor simbólico de R$ 0,016 para viabilizar a vinculação dos pagamentos, realizados, via DARF, com o código de receita nº 6912, no valor total de R$ 111.576,65 (R$ 39.937,14 e R$ 71.639,51, respectivamente – v. doc. 7). Frisese que o crédito requerido consta (e já constava anteriormente ao citado Despacho Decisório) evidenciado também no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON retificador (v. doc. 11) e na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ 2005 retificadora (v. Fl. 538DF CARF MF Processo nº 15374.964574/200983 Resolução nº 3301000.973 S3C3T1 Fl. 9 8 doc. 12), nos quais foram indicados: i) a base de cálculo do PIS do mês de agosto de 2004; ii) o valor a pagar com incidência cumulativa (R$ 39.937,14); iii) o valor a pagar com incidência nãocumulativa (R$ 0,00). (...) O crédito relativamente ao pagamento indevido do PIS não foi reconhecido com a apresentação tempestiva da DCTF retificadora em 12.07.2007 e, por essa razão, em 17.11.2009, a contribuinte apresentou uma nova declaração retificadora, tentando deixar claro para a autoridade fiscal o indébito fiscal. Então, em seu recurso voluntário, objetivando comprovar as suas alegações, anexou: Contrato de concessão nº 040/2000 DARFs PIS (código 6912) 08/2004 R$ 39.937,14 e R$ 71.639,51 DOC. 8 LIVRO RAZÃO 2004 CONTA 6.1.1.01.0001 BALANCETE DE VERIFICAÇÃO Ago/2004 DCTF 3º TRIM/04 RETIFICADORA Nº 26.44.38.92.6560 DACON RETIFICADOR 3º TRIMESTRE DE 2004 DIPJ 2005, RETIFICADORA, PÁGINA 36 DCTF RETIFICADORA Nº 10.95.50.79.0608 DIPJ 2005, ORIGINAL, PÁGINA 36 LIVRO RAZÃO 2004 CONTA 6.1.1.02.0001 (PIS) LIVRO RAZÃO 2004 CONTA 1.2.1.01.0035 Anteriormente, em manifestação de inconformidade, juntou: A DCTF retificadora de 17/11/2009 com o intuito de exteriorizar o crédito fiscal A primeira DCTF retificadora processada pela Receita Federal do Brasil em 12/07/2007 os DARFs de R$ 39.937,14 e R$ 71.639,51 (comprobatórios dos recolhimentos indevidos de PIS nãocumulativo código 6912) do mês de agosto de 2004 o DACON retificador do 3º trimestre de 2004, e a DIPJ 2005, retificadora Diante disso, a interessada não mais se omitiu em produzir a prova que lhe cabia, segundo as regras de distribuição do ônus probatório do PAF. Logo, entendo que deve ser analisada a legitimidade de seu crédito. Com isso, assiste razão à Recorrente quando afirma que a compensação via PER/DCOMP não está vinculada à retificação de DCTF. Fl. 539DF CARF MF Processo nº 15374.964574/200983 Resolução nº 3301000.973 S3C3T1 Fl. 10 9 O indébito tributário decorre do pagamento indevido, nos termos dos art. 165 e 168 do CTN, a retificação da DCTF não “constitui” o direito de crédito. Logo, se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove documentalmente o seu crédito. Nesse sentido, o CARF já se manifestou: 3403002.370, 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária: DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO (DDE). NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO (DCOMP). RETIFICAÇÃO POSTERIOR DE DADOS DA DCTF. A retificação da DCTF, para demonstrar a diferença entre valor confessado e recolhido, não é condição prévia para a transmissão da DCOMP, nem é ato que, por si mesmo, cria o direito de crédito do contribuinte. A existência do indébito depende da demonstração, por meio de provas, pelo contribuinte. Precedente. Recurso provido. 3802003.956, 2ª Turma Especial: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO DEVIDAMENTE EFETUADA. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, sempre que apresentada prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Direito de crédito comprovado. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido. Ademais, o Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, publicado no DOU de 01/09/2015, esclarece: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Fl. 540DF CARF MF Processo nº 15374.964574/200983 Resolução nº 3301000.973 S3C3T1 Fl. 11 10 Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Por conseguinte, é necessária a realização de diligência para que a autoridade fiscal proceda à análise da documentação apresentada pela Recorrente em sua manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, com vistas a esclarecer a existência do crédito passível de ser utilizado na compensação pretendida. Conclusão Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a existência do crédito de PIS, nãocumulativo, (cód. 6912), no mês de agosto de 2004, no valor de R$ 39.937,14. Para tanto: a) Analise a documentação acostada nas efls. 566 a 625 e 631 a 657, bem como o demonstrativo de cálculo apresentado nas efls. 394 a 397, para se aferir Fl. 541DF CARF MF Processo nº 15374.964574/200983 Resolução nº 3301000.973 S3C3T1 Fl. 12 11 a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) Informe se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) Esclareça se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; d) Elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados. Em seguida, dar vista à empresa recorrente para manifestação no prazo de 30 (trinta) dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguimento. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a existência do crédito da contribuição não cumulativa (PIS/Cofins), no período e valor sob comento neste processo. Para tanto: a) analise a documentação acostada aos autos, bem como o demonstrativo de cálculo apresentado, para se aferir a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) informe se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) esclareça se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada e d) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados. Em seguida, dar vista ao Recorrente para manifestação no prazo de 30 (trinta) dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 542DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.909120/2006-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1998 a 31/07/1998
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O direito a compensação demanda a comprovação do crédito pelo interessado. Alegações desprovidas de provas documentais resultam insuficientes para o deferimento do ato declarado.
PROCESSO ADMINISTRATIVO. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA SE PRONUNCIAR QUANTO À INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA LEGAL. SUMULA Nº 02 DO CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária.
Numero da decisão: 3401-005.728
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lazaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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DIREITO AO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O direito a compensação demanda a comprovação do crédito pelo interessado. Alegações desprovidas de provas documentais resultam insuficientes para o deferimento do ato declarado. PROCESSO ADMINISTRATIVO. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA SE PRONUNCIAR QUANTO À INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA LEGAL. SUMULA Nº 02 DO CARF. “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lazaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 91 20 /2 00 6- 63 Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10880.909120/200663 Acórdão n.º 3401005.728 S3C4T1 Fl. 3 2 Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 9ª Turma da DRJ/SP1, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos A Contribuinte buscou via PER/DCOMP nº 38707.02364.310703.1.3.04 0180, retificada pela PER/DCOMP nº 05451.48773.161007.1.7.045235 a compensação de CSLL (cód.2484) do período de apuração Junho/2003, no valor de R$ 255.000,00 com crédito de PIS/PASEP (cód.8109) no valor de R$ 130.308,14 recolhido via DARF na data de 14/08/1998, do período de apuração 31/07/1998, no valor de R$ 226.592,21. Do Despacho Decisório A DERAT São Paulo em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório Eletrônico nº 795102505, na data de 07/10/2008 (efls.2), pela não homologação da compensação declarada, assim fundamentado: Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta do fisco, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.11), requerendo a reforma do r. despacho decisório sob os seguintes argumentos: 1. que se trata de valores indevidamente recolhidos a titulo de contribuição ao PIS, com base na ausência de comando normativo que obrigasse os contribuintes ao recolhimento Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10880.909120/200663 Acórdão n.º 3401005.728 S3C4T1 Fl. 4 3 da referida contribuição no período de março/1996 a janeiro/1999, diante da reedição fora do prazo da Medida Provisória nº 1.212/95 até sua conversão em Lei nº 9.715/98; 2. que realizou pedido de restituição atualizado até 29/07/2003 através do PER/DCOMP nº 38257.78992.290703.1.2.042657 no valor de R$ 15.042.998,59 que estão sendo aproveitados através de declarações de compensações efetuadas mês a mês; 3. observa que pelos documentos acostados, declarou erroneamente algumas informações, como por exemplo: a. no Pedido de Restituição/Declaração de Compensação n° 38257.78992.290703.1.2.042657, página 2 (doc 3) informou no campo Valor Original do Crédito Inicial: R$ 15.042.998,59 em vez de R$ 6.968.545,77 (correto valor do crédito original); b. no Pedido de Restituição/Declaração de Compensação n° 38257.78992.290703.1.2.04 2657, página 3 (doc 3) informou no Valor do Principal e Valor Total do Darf: R$ 15.042.998,59 em vez de informar os valores constantes em cada uma das guias DARF's, uma a uma, que somadas constituíram o valor do crédito total pleiteado; c. Nas Declarações de Compensação (docs juntados na manifestação de inconformidade processo no 10880.909119/200639) — em algumas delas foi informado no Valor Total do Darf: R$ 15.042.998,59 e em outras o valor de R$ 6.968.545,77, em vez de informar os valores constantes em cada uma das guias DARF's; 4. que após tomar conhecimento das informações declaradas, cuidou de providenciar Declarações Retificadoras, mas não obteve êxito, mesmo após inúmeras tentativas, nem pela via eletrônica e nem via papel, ante a negativa de recebimento pelos agentes da Receita Federal; 5. no presente caso traz a fundamentação necessária para comprovar a origem do crédito pleiteado e tendo em vista tratarse de um único pedido de restituição, que deu origem a todas as compensações acima relacionadas, requer que seja apreciada em conjunto com o processo nº 10880.909119/200639; 6. faz um breve histórico sobre a edição da MP nº 1.212/1995, que foi sucessivamente reeditada até a conversão em Lei nº 9.715/1998, trazendo por consequência vício na reedição, consubstanciando indébito tributário, o que ensejou o pedido de restituição e as compensações realizadas; 7. que a edição de MP nos termos do art. 62 da CF revela caráter extraordinário e pressupõe relevância e urgência, devendo ser submetida imediatamente ao Congresso Nacional, vez que acarretou vicio insanável na pretensa reedição ao ultrapassar o prazo de trinta dias da data de sua publicação, que ocorreu com a tentativa de reedição da MP n° 1.286/96, publicada no DOU de 13/01/96, pela MP 1.325/96, publicada no DOU de 12/02/96. Contandose trinta dias de eficácia de 13/01/96 percebese que este prazo se expirou em 11/02/96 e, portanto, a reedição em 12/02/96 é inválida; 8. assim, somente com a edição da Lei no 9.715, em 26/11/1998, é que se instituiu, validamente, alteração ao texto da Lei Complementar n° 7/70 capaz de alterar e majorar a sistemática de apuração do PIS, sendo certo que, os valores pagos a este título no período de vigência da MP nº 1.212/95 e de suas frustradas reedições, consubstanciam indébito tributário passível de repetição integral através do pedido de restituição que ora se formula; Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10880.909120/200663 Acórdão n.º 3401005.728 S3C4T1 Fl. 5 4 9. defende, por fim, o prazo de 10(dez) anos para reivindicar o indébito tributário, uma vez que protocolado o pedido até a data de 09.06.2005; Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 9ª Turma da DRJ/SP1, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elabora: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1998 SUSPENSÃO. COBRANÇA. Dentro da sistemática administrativa federal, é a controvérsia com relação ao não reconhecimento de direito creditório e à não homologação de declarações de compensação que deve ser apreciada na esfera do julgamento, não outros assuntos paralelos como cobrança. DESPACHO ELETRÔNICO. AUSÊNCIA OU INSUFICIÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. A ausência ou insuficiência de valor disponível para eventual restituição ou compensação é circunstância apta a embasar a não homologação ou a homologação parcial de compensação. PIS. MP 1.212/95 E REEDIÇÕES. LEI 9.715/98. ESTIRPE LEGIFERANTE ININTERRUPTA. TERMO INICIAL DO PRAZO NONAGESIMAL. A Medida Provisória nº 1.212 e reedições, bem como a lei de conversão nº 9.715/98, são a materialização de uma estirpe legiferante ininterrupta, conforme assentado no STF (fato também confirmado pelo art. 17 dessa lei), havendo contínua produção de efeitos, portanto, desde o ato primígeno, o que demonstra não ter ocorrido vácuo legal. Pela mesma razão, o prazo nonagesimal previsto no art. 195, § 6 º, da Carta Magna deve ser contado a partir da publicação da medida provisória inicial, no caso a MP 1.212/95. Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (e fls.75) contra a decisão de primeiro grau, repisando os argumentos de sua manifestação de inconformidade e destaca que o crédito pleiteado é oriundo de valores indevidamente recolhidos a título de Contribuição ao Programa de Integração Social ("PIS"), tendo em vista a ausência de comando normativo que obrigasse os contribuintes ao recolhimento dessa contribuição no período de março de 1996 a janeiro de 1999, diante da reedição fora do prazo da Medida Provisória n° 1.212/95, até a sua conversão na Lei nº 9.715/98; solicita ainda, a necessária suspensão do presente processo administrativo até o deslinde final do processo nº 10880.909119/200639, cuja matéria debatida é prejudicial à correta apreciação do presente caso; Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10880.909120/200663 Acórdão n.º 3401005.728 S3C4T1 Fl. 6 5 Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O ponto central da controversa trazida pela recorrente se restringe a ausência de normativo legal para a exigência da contribuição ao PIS no período de março de 1996 a janeiro de 1999, por falha na sistemática de reedição da MP nº 1.212/95 até a sua conversão na Lei nº 9.715/98. Em pesquisa sobre a edição da MP nº 1.212 de 28/11/1995, temos que: “REEDITADA E REVOGADA PELA MPV 1.249, DE 14/12/1995 ; 1.286, DE 12/01/1996; 1.325, DE 09/02/1996; 1.365, DE 12/03/1996; 1.407, DE 11/04/1996; 1.447, DE 10/05/1996; 1.495, DE 07/06/1996; 1.4958, DE 09/07/1996; 1.4959, DE 08/08/1996; 1.49510, DE 05/09/1996; 1.49511, DE 02/10/1996; 1.49512, DE 31/10/1996; 1.49513, DE 29/11/1996; REVOGADA E REEDITADA PELA MPV 1.546, DE 18/12/1996; 1.54615, DE 16/01/1997; 1.54616, DE 13/02/1997; 1.54617, DE 13/03/1997; 1.54618, DE 11/04/1997; 1.54619, DE 09/05/1997; 1.54620, DE 10/06/1997; 1.54621, DE 10/07/1997; 1.54622, DE 07/08/1997; 1.54623, DE 04/09/1997; 1.54624, DE 02/10/1997; 1.546 25, DE 30/10/1997; 1.54626, DE 27/11/1997; REVOGADA E REEDITADA PELA MPV 1.62327, DE 12/12/1997; 1.62328, DE 13/01/1998; 1.62329, DE 12/02/1998; 1.62330, DE 13/03/1998; 1.62331, DE 09/04/1998; 1.62332, DE 12/05/1998; 1.62333, DE 10/06/1998; REVOGADA E REEDITADA PELA MPV 1.67634, DE 29/06/1998; 1.67635, DE 29/07/98; 1.67636, DE 27/08/1998; 1.67637, DE 25/09/1998; 1.67638, DE 26/10/1998 E CONVERTIDA NA LEI 9.715, DE 25/11/1998 D.O. DE 26/11/1998”. Conforme entendimento da recorrente teria ocorrido uma falha procedimental quando da publicação da MP nº 1.325, de 09/02/1996, publicada no Diário Oficial da União em 12/02/1996, ultrapassando o prazo de 30 (trinta) dias determinantes para reedição da MP nº 1.286, de 12/01/1996: “Contandose trinta dias de eficácia de 13/01/96 percebese que este prazo se expirou em 11/02/96 e, portanto, a reedição em 12/02/96 é invalida”. Esse assunto, envolvendo a inconstitucionalidade da Lei nº 9.715, de 25/11/1998, foi objeto de ação própria através da ADI 1417/DF e que serve de amparo para outros julgados, conforme se extrai dos EMB.DECL. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 927.343 SÃO PAULO, julgado em 16/02/2016 pela Primeira Turma do STF, de relatoria do Min. Edson Fachin, cuja ementa encontrase vazada nos seguintes termos: EMBARGOS DECLARATÓRIOS EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. EFEITOS INFRINGENTES. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. PIS/PASEP. MP 1.212/95 E REEDIÇÕES. VALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE. ADI 1417/DF. LEI 9.715/98. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10880.909120/200663 Acórdão n.º 3401005.728 S3C4T1 Fl. 7 6 1. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento da ADI 1417/DF, decidiu que a MP 1.212/95, reeditada dentro de seu prazo de vigência, produz efeitos desde a sua edição e reedições até transformarse em lei, não havendo que se falar em inconstitucionalidade da referida exação. 2. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é firme no sentido de que é constitucional a Lei 9.715/98, exceto quanto à expressão “aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de outubro de 1995”. Assim sendo, não houve solução de continuidade normativa durante o processo legislativo. 3. Agravo regimental a que se nega provimento. Ainda, sobre a questão de inconstitucionalidade de norma legal, Lei nº 9.715/1998, vêse que o CARF não dispõe de competência para se pronunciar sobre o assunto, cuja matéria encontrase disposta na Súmula CARF nº 2: “o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Quanto ao segundo ponto abordado no Recurso Voluntário, da necessidade de suspensão da análise do presente processo administrativo até o deslinde final do Processo Administrativo nº 10880.909119/200639, a decisão de piso já havia apontado que o referido pedido de compensação não foi vinculado a nenhum Pedido de Restituição. Independentemente da observação feita pelo julgador de piso, em consulta ao processo mencionado (10880.909119/200639) junto ao CARF, o mesmo encontrase com Agravo em Recurso Especial. O julgamento do Recurso Voluntário se deu na data de 26/11/2013, através do Acórdão nº 3401002.434 que por unanimidade de votos foi negado provimento, com fundamentos sintetizados na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1999 PEDIDO DE RESSARCIMENTO DO PIS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS EXIGIDOS PELA AUTORIDADE FISCAL. LEGÍTIMO INDEFERIMENTO DE CRÉDITO. É legítimo o indeferimento de crédito quando o contribuinte não aprese nta os documentos exigidos pela autoridade fiscal, que comprovariam a existência de pagamento indevido ou a maior. PROCESSO ADMINISTRATIVO. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA SE PRONUNCIAR QUANTO À INCONSTITUCIONALIDADE DA NORMA LEGAL. O CARF não tem competência para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade da norma legal, conforme determinação expressa da Súmula nº 02 do CARF, a qual foi consolidada pelo CARF com a seguinte redação: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária”. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10880.909120/200663 Acórdão n.º 3401005.728 S3C4T1 Fl. 8 7 Outro processo da Recorrente que trata do mesmo tema, Processo nº 10880.944083/200800, apenas alterando a data do fato gerador da contribuição ao PIS/PASEP, teve seu recurso apreciado e julgado pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara dessa 3ª Seção de Julgamento, acórdão nº 3301002.308, que também, por unanimidade de votos, acordaram seus membros, em negar provimento ao recurso voluntário. Transcrevo a seguir a ementa do acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/1996 a 28/02/1999 FUNDAMENTO LEGAL. LEGISLAÇÃO. VIGÊNCIA Em face do disposto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), art. 62A, c/c a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no REsp nº 1.136.210, reconhecese a legalidade da exigência do PIS, no período de março de 1996 a fevereiro de 1999, nos termos da MP nº 1.212, de 28/11/1995, e suas reedições, convertida na Lei nº 9.715, de 25/11/1998. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador, 31/10/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO. A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado. Recurso Voluntário Negado. O destino do presente processo não tem como ser diferente dos demais processos da Recorrente que versam sobre a mesma matéria e contemplam as mesmas causas de pedir, tanto em sua manifestação de inconformidade quanto no Recurso Voluntário. A decisão de piso já conferiu o devido tratamento, devendo ser mantida em sua integralidade. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10880.909120/200663 Acórdão n.º 3401005.728 S3C4T1 Fl. 9 8 Fl. 122DF CARF MF
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Numero do processo: 13839.722645/2014-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
APRESENTAÇÃO DE IMPUGNAÇÃO. CONDIÇÃO PARA INTIMAÇÃO DO ACÓRDÃO.
A preclusão do interesse recursal do Sujeito passivo responsável, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, justifica plenamente não ter havido sua intimação específica do v. Acórdão recorrido. A apresentação de impugnação é condição para que o Sujeito Passivo seja intimado do Acórdão de 1ª Instância.
INTEMPESTIVIDADE. INTIMAÇÃO REGULAR VIA POSTAL. DOMICÍLIO FISCAL. RECURSO NÃO CONHECIDO.
Considera-se intimado o Contribuinte por via postal na data do recebimento da intimação, no seu domicílio fiscal. Constatado o esgotamento do prazo legal antes da data do protocolo do Recurso Voluntário, tal apelo não deve ser conhecido.
Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
Não havendo razões do contribuinte contrárias à constatação de intempestividade, é certa a preclusão temporal.
Numero da decisão: 1402-003.355
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a proposta do Relator para converter o julgamento em diligência para ciência do sujeito passivo solidário da decisão de 1ª Instância, vencidos o Relator e os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor deste item o Conselheiro Evandro Correa Dias; por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário do sujeito passivo por intempestivo.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias- Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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CONDIÇÃO PARA INTIMAÇÃO DO ACÓRDÃO. A preclusão do interesse recursal do Sujeito passivo responsável, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, justifica plenamente não ter havido sua intimação específica do v. Acórdão recorrido. A apresentação de impugnação é condição para que o Sujeito Passivo seja intimado do Acórdão de 1ª Instância. INTEMPESTIVIDADE. INTIMAÇÃO REGULAR VIA POSTAL. DOMICÍLIO FISCAL. RECURSO NÃO CONHECIDO. Considerase intimado o Contribuinte por via postal na data do recebimento da intimação, no seu domicílio fiscal. Constatado o esgotamento do prazo legal antes da data do protocolo do Recurso Voluntário, tal apelo não deve ser conhecido. Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Não havendo razões do contribuinte contrárias à constatação de intempestividade, é certa a preclusão temporal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 72 26 45 /2 01 4- 08 Fl. 1718DF CARF MF Processo nº 13839.722645/201408 Acórdão n.º 1402003.355 S1C4T2 Fl. 1.719 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a proposta do Relator para converter o julgamento em diligência para ciência do sujeito passivo solidário da decisão de 1ª Instância, vencidos o Relator e os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor deste item o Conselheiro Evandro Correa Dias; por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário do sujeito passivo por intempestivo. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Fl. 1719DF CARF MF Processo nº 13839.722645/201408 Acórdão n.º 1402003.355 S1C4T2 Fl. 1.720 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 1681 a 1716), interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do São Paulo/RJ (fls. 1643 a 1665) que manteve integralmente as Autuações sofridas pela Contribuinte (fls. 1341 a 1521), rejeitando a Impugnação apresentada (fls. 1598 a 1607). O processo versa sobre exações de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, CPP e ICMS, apurados sob a sistemática do SIMPLES Nacional, referentes aos anoscalendário de 2009 a 2010, acompanhadas de multa ofício (75%) e juros de mora, sob a acusação fiscal principal de omissão de receitas, em face da constatação da ausência de declaração e não oferecimento a tributação de parte de valores (receita bruta) recebidos da empresa Expresso Nepomuceno, a título de prestação de serviços de transporte. Também averiguouse insuficiência de recolhimentos, tanto em face do diferencial de alíquotas, considerando aquelas a que, de fato, deveria estar sujeita a Contribuinte, como diante da segregação incorreta de receitas, para fins de apuração do ICMS. Foi também lavrado Termo de Sujeição Passiva Solidária, às fls. 1521, com ciência do Sócio titular, Sr. Willian Daniele Sanches (fls. 1591). A exclusão da Recorrente do SIMPLES Nacional, a partir de 1º de janeiro de 2011, como noticiada, foi objeto de outra lide, que tramitou sob o Processo Administrativo nº 13839.722679/201494, sendo objeto alheio a este feito. Por bem resumir o início da demanda, adotase a seguir trechos do preciso relatório elaborado pela DRJ a quo: Em decorrência de ação fiscal direta, a contribuinte acima identificada foi autuada em 22/10/2014 (fl. 1591) pela Delegacia Fl. 1720DF CARF MF Processo nº 13839.722645/201408 Acórdão n.º 1402003.355 S1C4T2 Fl. 1.721 4 da Receita Federal do Brasil em Jundiaí/SP, e intimada a recolher o crédito tributário constituído relativo ao IRPJ, CSLL, Cofins, PIS, Contribuição Patronal Previdenciária e ICMS, multa proporcional e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos em 2009 e 2010. 2. Conforme descrito nos Autos de Infração (fls. 1348 e 1349) e no Relatório Fiscal (fls. 1341 a 1347), a contribuinte cometeu as seguintes infrações: 2.1. Omissão de Receitas – Receitas Omitidas (código 33330011) –, com fulcro nos artigos 3º, § 1º, 13, 18, 25, e 26, Inciso II e § 2º, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006 e atualizações; 13, e 14, Inciso I, da Resolução CGSN nº 30, de 7 de fevereiro de 2008. 2.2. Insuficiência de Recolhimento – Diferença de Alíquota (código 33332001) – decorrente da mudança de faixa de alíquota do Simples incidente sobre a receita declarada, em função do aumento da receita bruta acumulada devido ao cômputo da receita omitida, conforme demonstrativos às fls. 1405 a 1472, com fulcro nos artigos 3º, § 1º, 13, 18, e 25, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006 e atualizações; 1º, 2º, 3º, 4º, 5º, e 18, da Resolução CGSN nº 51, de 22 de dezembro de 2008 e alterações; 13, e 14, Inciso III, da Resolução CGSN nº 30, de 7 de fevereiro de 2008. 2.3. Insuficiência de Recolhimento – Segregação Incorreta de Receita (código 33332002) – em razão da ausência de apuração do ICMS sobre as receitas auferidas, com fulcro nos artigos 3º, § 1º, 13, 18, e 25, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006 e atualizações; 1º, 2º, 3º, 4º, 5º, § 1º, 6º e 18, da Resolução CGSN nº 51, de 22 de dezembro de 2008 e alterações; 13, e 14, Inciso III, da Resolução CGSN nº 30, de 7 de fevereiro de 2008. 3. O AI foi subdividido em Auto de Infração e Notificação Fiscal (fls. 1348 e 1349), Descrição dos Fatos e Enquadramento legal (fls. 1350 a 1357), Demonstrativo de Percentuais Aplicáveis Sobre as Receitas do Simples Nacional (fls. 1358 a 1404), Demonstrativo de Valores Apurados por Insuficiência de Recolhimento (fls. 1405 a 1449), Demonstrativo de Valores de Impostos/Contribuições Sobre Diferenças Apuradas (fls. 1450 a 1472), Demonstrativo de Multas e Juros e Enquadramento Legal (fls. 1473 a 1495), Demonstrativo de Valores Devidos (fls. 1496 a 1518) e Termo de Encerramento (fls. 1519 e 1520). 4. Tendo em vista o apurado, foram lavrados, conforme preceitua o artigo 9º do Decreto n º 70.235, de 06 de março de 1972, os Autos de Infração de IRPJ, CSLL, Cofins, PIS, Contribuição Previdenciária Patronal (CPP) e ICMS, formalizando crédito tributário calculado até 10/2014 no montante de R$ 2.226.741,85 (fundamento legal às fls. 1358 a 1404). Fl. 1721DF CARF MF Processo nº 13839.722645/201408 Acórdão n.º 1402003.355 S1C4T2 Fl. 1.722 5 5. O enquadramento legal da multa de ofício aplicada é o artigo 44, Inciso I e § 1º, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996 (com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15/06/2007 c/c art. 35 da Lei Complementar nº 123/2006, e os artigos 15 e 16, Inciso II, da Resolução CGSN nº 30, de 07/02/2008 (fl. 1495); o enquadramento legal dos juros de mora aplicado é o artigo 61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996 c/c art. 35 da Lei Complementar nº 123/2006 e alterações (fl. 1495). 6. Irresignada com os lançamentos, em 22/12/2014 a empresa apresentou a impugnação às fls. 1598 a 1605, instruída com os documentos às fls. 1606 e 1607, na qual alega, em síntese, o seguinte (ordem de apresentação e títulos de acordo com o registrado pela recorrente): Omissão de Receitas 6.1. Não foi observado que a Impugnante e a Expresso Nepomuceno possuíam entre si uma parceria na realização dos fretes, de forma que somente uma parte pertencia à Autuada, isto porque as "carretas" eram e ou são de propriedade da empresa Expresso Nepomuceno, que lhe exigia exclusividade na realização dos fretes. 6.2. Tal fato se comprova a exemplo das carretas colocadas à disposição: placa BUD7498, marca Randon, modelo SR FG LO; placa DPB3884, marca Randon, modelo SIDER; placa JLR3264, marca Randon, modelo SIDER; placa HJA1123, marca Fachini, modelo SIDER; placa JRN7101, maca Randon, modelo SR FG LO SIDER. 6.3. Ora, a lógica nos diz que quem fornece o principal equipamento a de querer para si a melhor parte do rendimento. 6.4. Assim, conforme está comprovado pelas escriturações, em nenhum momento coube à Autuada o recebimento integral do valor que constou como frete, tampouco poderia exigir juridicamente o seu recebimento. 6.5. Ainda que em documentos possam constar valores integrais, em função de seguros e responsabilidades de terceiros, o fato é que somente uma parte do frete pertencia ao Impugnante e, em assim sendo, o Princípio Constitucional da Materialidade dos Fatos e o Princípio Constitucional da Verdade Real devem prevalecer. 6.6. Por outro lado, os Princípios Contábeis Geralmente Aceitos, condizentes com a Lei das Sociedades Anônimas, aplicáveis para todos os tipos de sociedades e ou empresas, conceituam como "Receitas" somente os valores que efetivamente "ingressam" e ou que "possam ser exigidos", e que provocam modificação no patrimônio. É o que observou a Autuada, não cabendo nenhuma modificação a respeito. Fl. 1722DF CARF MF Processo nº 13839.722645/201408 Acórdão n.º 1402003.355 S1C4T2 Fl. 1.723 6 6.7. Inexistindo receitas omitidas o lançamento fica prejudicado como um todo, inclusive quanto a Insuficiência de Recolhimento, sua decorrência. 6.8. Apenas como argumentação, se o lançamento serve para supostamente corrigir o incorreto, deveria têlo feito quanto a competência "maio/2009", eis que no levantamento fiscal, embora não conste valores de receitas, foi declarado e recolhido sem que isso tenha sido levado em consideração. Multa Aplicada 6.9. Com apenas deduções pessoais entendeu o agente do fisco ser cabível a qualificação da multa, cuja base legal se acha exclusivamente embasada nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, e nunca no artigo 2o da Lei 8.137/90. 6.10. O artigo 2º da Lei n° 8.137/90 tipifica crime contra a ordem tributária, mas não é suporte jurídico para aplicação de multa qualificada. Tanto é verdade que uma situação enquadrada no inciso II do referido dispositivo legal (“deixar de recolher, no prazo legal, valor de tributo ou de contribuição social, descontado ou cobrado, na qualidade de sujeito passivo de obrigação e que deveria recolher aos cofres públicos”) pode estar sujeita a uma multa de mora (20%) e mesmo assim caracterizar o crime, pois a finalidade do diploma legal é apenas tipificar o crime. 6.11. Descartada a Lei nº 8.137/90 para fins de aplicação da multa qualificada, resta apenas o mencionado artigo 72 da Lei nº 4.502/64, que necessariamente e obrigatoriamente exige a conduta dolosa. 6.12. A figura do dolo é tão preocupante, tão fundamental, que nunca, jamais, pode ser presumida. Ela precisa ser exaustivamente, indubitavelmente, provada, diferentemente do presente caso, que está simplesmente deduzida. 6.13. Imaginar que o contribuinte ao exercer o seu direito de retificar declarações está cometendo o dolo é por demais simplório e extremamente perigoso, se assim aceito. 6.14. “Se o legislador, juristas, advogados, juizes e todos aqueles que militam no campo das leis, tem dúvidas, tanto que constantemente precisam se valer da hermenêutica. Se o próprio fisco nem sempre age corretamente, tanto que seus lançamentos são julgados improcedentes. Se assim é porque os contribuintes também não podem ter dúvidas e agir de acordo com as suas certezas.” 6.15. Desde as diligências realizadas pela DRF de Varginha/MG este contribuinte, de forma clara e transparente, forneceu todos os elementos necessários, tanto que a DRF de sua jurisdição não teve quaisquer dificuldades de, segundo seu entendimento, proceder ao lançamento. Fl. 1723DF CARF MF Processo nº 13839.722645/201408 Acórdão n.º 1402003.355 S1C4T2 Fl. 1.724 7 6.16. Como então dar o entendimento de que o contribuinte agiu de forma a impedir que o fisco pudesse apurálo, se todos os elementos estavam e estão visíveis, transparentes e posicionados em lugares acessíveis. 6.17. “Ao transitar pelo caminho duvidoso e questionável da ilação quanto ao dolo, possibilitaria, também, aqui, fazêlo quanto ao lançamento, pois somente foi possível lançar os valores da maioria dos meses do ano de 2009 com a qualificação da multa, caso contrário estariam impossibilitados de serem feitos pela ocorrência do instituto da decadência.” 6.18. Portanto, improcedente a aplicação da multa qualificada pela ausência completa da comprovação do dolo. Decadência 6.19. O sistema tributário de recolhimentos relativo ao Simples Nacional, que exige que o contribuinte antecipe o pagamento mensal, caracteriza o lançamento por homologação previsto no artigo 150, caput, do Código Tributário Nacional CTN, cuja homologação tácita constante do § 4º do mesmo diploma legal, ocorre em cinco anos da data do fato gerador, impedindo, com isso, que novos lançamentos de oficio possam ser feitos. 6.20. Considerando que o crédito tributário somente foi constituído em 22 de outubro de 2014, as competências mensais relativas aos fatos geradores ocorridos em janeiro a setembro de 2009, transcorridos mais de 5 (cinco) anos, não podem mais ser modificadas, eis que extintas pela homologação tácita, abrangidas que foram pelo instituto da decadência. Sujeição Passiva Solidária 6.21. Com apenas a lavratura de um Termo, dentro do mesmo processo administrativo de constituição do crédito tributário em nome de uma "pessoa jurídica", a fiscalização atribuiu à "pessoa física", de forma integral, a total responsabilidade pelo lançamento do crédito tributário, como se em seu nome fosse o crédito tributário constituído. 6.22. O sistema brasileiro, quer civilmente, quer em termos tributários, distingue a figura das duas pessoas, física e jurídica, e somente nos casos expressos específicos, atribui responsabilidade a outra pessoa. 6.23. No caso, foi aplicado o artigo 135, inciso III, do CTN, afirmandose que foram praticados atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos sem, no entanto, expressamente comprovar quais foram tais atos. Apenas de forma genérica, aleatoriamente lançada, entendeu ser suficiente para atribuir tamanha responsabilidade. 6.24. Pela forma inusitada em que a situação foi criada, no mesmo processo, atribuindose a dois sujeitos passivos distintos a responsabilidade pelo lançamento do crédito tributário, ficou Fl. 1724DF CARF MF Processo nº 13839.722645/201408 Acórdão n.º 1402003.355 S1C4T2 Fl. 1.725 8 subentendido que todos os argumentos de impugnação de um devem ser observados para ambos. 6.25. Não obstante os argumentos de defesa, incabível a aplicação da responsabilidade solidária, pela ausência específica da indicação dos atos praticados pela pessoa física. 6.26. A divergência de interpretação das leis não pode ser motivo de atribuição da responsabilidade solidária, pois se assim fosse, todos estariam no mesmo patamar e, desnecessário seria distinguir as pessoas físicas e jurídicas entre si. Por tais razões há que se excluir a responsabilidade passiva solidária da pessoa física. 7. Ao final, a recorrente sintetiza os seus pleitos, e protesta pela juntada de todos os elementos de provas admitidos no direito. 8. Em 30/10/2014 foi apensado aos autos o processo 13839.722644/201455, que trata de Representação Fiscal para Fins Penais (fl. 1594). 9. Termo de Arrolamento de Bens e Direitos consta à fl. 1522. Processada a Defesa, foi proferido pela 2ª Turma da DRJ/SPO o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento às razões apresentadas, mantendo o lançamento de ofício perpetrado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. IMPUGNAÇÃO. Os documentos que fundamentam contestação a lançamento tributário devem ser apresentados juntamente com a impugnação administrativa. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INFRAÇÃO DE LEI. SÓCIO DE DIREITO. São pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de Fl. 1725DF CARF MF Processo nº 13839.722645/201408 Acórdão n.º 1402003.355 S1C4T2 Fl. 1.726 9 tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão. RECEITA DA ATIVIDADE OMITIDA. Receitas da atividade da empresa, reconhecidas em documentos por ela própria disponibilizados, mas não objeto de declaração tempestiva, constituemse receitas omitidas ao Fisco. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE. ICMS. As atividades de prestação de serviços de comunicação e de transportes interestadual e intermunicipal de cargas, e de transportes autorizados no inciso VI do caput do art. 17 da Lei Complementar nº 123/2006, inclusive na modalidade fluvial, serão tributadas na forma do Anexo III, deduzida a parcela correspondente ao ISS e acrescida a parcela correspondente ao ICMS prevista no Anexo I. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DOLO. MULTA QUALIFICADA. Em lançamento de ofício é devida multa qualificada, em percentual duplicado, calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago ou recolhido, quando demonstrada a presença de fraude nas ações do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Diante de tal revés, foi oposto o Recurso Voluntário pela Empresa autuada. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 1726DF CARF MF Processo nº 13839.722645/201408 Acórdão n.º 1402003.355 S1C4T2 Fl. 1.727 10 Voto Vencido Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator Inicialmente, observando atentamente os autos, verificase que não houve intimação individual e especifica do Sujeito Passivo Solidário, Sr. Willian Daniele Sanches, da r. decisão da DRJ a quo. Às fls. 1679 e 1680, constam, respectivamente, o AR da Empresa, Contribuinte, e outro AR, em nome da Sra. Maria Vinardina Acedo Lopes da Cruz, em endereço de Bragança Paulista/SP, a qual não é Parte do processo ou mesmo Sujeito Passivo das exações em tela. Mais do que isso, somente há nos autos Intimação formal e adequada de tal v. Acórdão de 1ª Instância redigido em nome da empresa Willian Daniele Sanches EPP (vide fls. 1667). Certamente, não há prova de intimação do Sr. Willian Daniele Sanches nos autos. Por outro lado, devese aqui registrar que, não obstante tal único Sujeito Passivo Solidário ter tomado ciência pessoal, válida e regular, do lançamento de ofício e do Termo de responsabilização (vide fls. 1591), este não ofertou Impugnação. Sequer existe Procuração de tal pessoa física para os Patronos que assinaram as peças de defesa apesar de lá, nas razões ofertadas pela Empresa autuada, terse alegado a indevida aplicação do art. 135, inciso III, do CTN, combatendo a responsabilização do seu titular. Podese aventar a aqui a preclusão do interesse recursal do Sr. Willian Daniele Sanches, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, o que justificaria não ter havido sua intimação específica do v. Acórdão recorrido. Fl. 1727DF CARF MF Processo nº 13839.722645/201408 Acórdão n.º 1402003.355 S1C4T2 Fl. 1.728 11 Exatamente em razão de tal cenário factual heterodoxo e seus potenciais efeitos processuais que dão margem há controvérsias sobre a devida resolução jurisdicional a ser aplicada este Conselheiro está, agora, trazendo o tema para julgamento por este N. Colegiado, ao invés de terse procedido, previamente, a simples despacho determinando a intimação do Sujeito Passivo Solidário. Pois bem, temos que assim dispõe os art. 30 e 33 do Decreto 70.235/72: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (destacamos) Observe que em tais dispositivos, o Legislador emprega o termo impugnante, o que pressupõe tratarse de sujeito passivo que efetivamente ofertou defesa ao lançamento de ofício, e, posteriormente, prevê a interposição do Recurso Voluntário e seu prazo. Ocorre que, de forma diversa, o Decreto nº 7.574/2011, que atualmente também informa e regula o processo administrativo fiscal federal, reza o seguinte em seu art. 68: Art. 68. O órgão preparador dará ciência da decisão ao sujeito passivo, intimandoo, quando for o caso, a cumprila no prazo de trinta dias, contados da data da ciência, facultada a apresentação de recurso voluntário no mesmo prazo (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 31 e 33). (destacamos) Verificase que tal norma faz remissão direta aos supra citados arts. 31 e 33 do Decreto nº 70.235/72, em claro sentido de abrangência e correspondência de tais previsões daquele outro normativo, de mesma hierarquia, anteriormente vigente. Fl. 1728DF CARF MF Processo nº 13839.722645/201408 Acórdão n.º 1402003.355 S1C4T2 Fl. 1.729 12 Ainda, fica muito claro que nesse regulamento processual administrativo de 2011 restou determinado que a intimação da decisão que julga a impugnação ofertada contra lançamento de ofício deverá ser feita ao sujeito passivo (devedor, em sentido material, do crédito constituído) não empregando o termo impugnante (terminologia processual, referente àquele que efetivamente se opôs formalmente nos autos ao lançamento de ofício). Ora, os sujeitos passivos são e serão sempre todos aqueles arrolados e incluídos nas Autuações fiscais como tal. E, independentemente de terem ofertado ou não defesa, tal condição em relação ao crédito tributário exigido não se altera. Desse modo, considerando a plena vigência mútua e interação sistemática de tais normativos, inclusive sua relação intertemporal, fica claro que deveria ter sido também intimado o Sr. Willian Daniele Sanches de tal v. Acórdão proferido pela DRJ ainda que não tenha ofertado impugnação anteriormente em cumprimento direto e objetivo ao art. 68 do Decreto nº 7.574/2011. Assim, independentemente da questão de preclusão recursal, entendese ser devida a intimação do Sujeito Passivo Solidário, abrindolhe o prazo legal, antes de se prosseguir com o julgamento definitivo do feito. Que fique claro que não se está aqui e agora afastando ou reconhecendo a efetiva ocorrência de preclusão e seus efeitos em relação ao Sr. Willian Daniele Sanches. Tal matéria, subjetiva, deverá ser apreciada após a sua devida intimação, sendo motivada por eventual manifestação (cujo o conhecimento também, agora, não se reconhece ou se afasta). Diante do exposto, resolvese por encaminhar os autos à D. Unidade Local de fiscalização, para que seja intimado o Sr. Willian Daniele Sanches, em seu endereço próprio, do v. Acórdão de fls. 1643 a 1665, na condição de Sujeito Passivo Solidário, nos mesmos termos em que antes se procedeu às fls. 1667 com a Contribuinte, pessoa jurídica. Na sequência, havendo ou não manifestação do Sujeito Passivo Solidário, devem os autos retornar a este E. CARF. Caso vencido, analisando os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário apresentado, constatase que tal apelo da Empresa Recorrente é intempestivo. Fl. 1729DF CARF MF Processo nº 13839.722645/201408 Acórdão n.º 1402003.355 S1C4T2 Fl. 1.730 13 Como se observa às fls. 1679, a Contribuinte foi intimado em seu domicílio fiscal, por via postal, dia 27/04/2016. Tendo em vista que 27/04/2016 foi uma quartafeira, o prazo iniciouse 28/04/2016, quintafeira, findando os 30 dias da janela processual para a interposição de recurso em 27/05/2016, uma sextafeira. Por sua vez, o Recurso Voluntário foi apenas protocolado dia 31/05/2016, terçafeira, inclusive considerando o envelope postal acostado às razões de Recurso Voluntário (vide fls. 1715/1716). Frisese que o carimbo oficial da repartição da RFB, preenchido e assinado por Servidor, na primeira folha das suas razões (fls. 1681) atesta protocolo físico nos autos em 02/06/2016. Não há qualquer esclarecimento na peça recursal sobre as circunstâncias da postagem. Frisese também que, no presente caso, não há tópico ou alegação sobre a sua tempestividade, mas apenas afirmação preambular de que se recorre tempestivamente. Não obstante, as razões estão datadas, logo antes da subscrição do Patrono, em 30 de maio de 2016. Assim, constatase que o prazo recursal não foi devidamente observado, operando a preclusão temporal. Esse é o entendimento deste E. CARF sobre o tema, como aqui bem ilustra o Acórdão nº 2202003.282, de relatoria da I. Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio, publicado em 29/04/2016, que inclusive invoca em sua fundamentação a Súmula CARF nº 9: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVIDADE Fl. 1730DF CARF MF Processo nº 13839.722645/201408 Acórdão n.º 1402003.355 S1C4T2 Fl. 1.731 14 Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados da data da assinatura do aviso de recebimento da intimação do acórdão de primeira instância. De acordo com a Súmula CARF nº 9 "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário". Recurso Voluntário Não Conhecido As regras de preclusão são pilares da ordem e do bom andamento dos feitos processuais, visando, primeiramente, à higidez e à eficiência na prestação jurisdicional, assim como, ulteriormente, promovem a garantia da boafé e da isonomia entre as partes (dentre muitos outros efeitos desejados com a presença de tal instituto). Desse modo, não resta dúvida sobre a preclusão do direito de recorrer da Contribuinte, inclusive diante da ausência de argumentos em sentido contrário, que poderiam, eventualmente, elidir tal constatação, não merecendo o presente apelo conhecimento. Uma vez vencido em relação à proposta inicial de diligência para a intimação do Sr. Willian Daniele Sanches, voto por não conhecer do Recurso Voluntário interposto pela empresa Contribuinte, diante de sua patente intempestividade, mantendose integralmente o v. Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 1731DF CARF MF Processo nº 13839.722645/201408 Acórdão n.º 1402003.355 S1C4T2 Fl. 1.732 15 Voto Vencedor Evandro Correa Dias Redator Designado O i. relator, no seu voto, por entender que deveria ser dada ciência ao sujeito passivo solidário da decisão de 1ª Instância, conclui no sentido de converter o julgamento em diligência. Contudo, no entender do colegiado discordase do i. relator, decidindose, por maioria de votos, rejeitar a proposta de conversão em diligência. Conforme verificado pelo i. relator, não houve intimação individual e especifica do Sujeito Passivo Solidário, Sr. Willian Daniele Sanches, da r. decisão da DRJ a quo. Notase que o motivo para o Sujeito Passivo Solidário não ter sido intimado da decisão da DRJ foi porque esse não apresentou impugnação ao lançamento. Entendese que a preclusão do interesse recursal do Sr. Willian Daniele Sanches, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, justifica plenamente não ter havido sua intimação específica do v. Acórdão recorrido. O cerne da controvérsia trazida no voto do relator é que o legislador utiliza os termo impugnante nos art. 30 e 33 do Decreto 70.235/72, enquanto que no art. 68 do Decreto nº 7.574/2011 utiliza o termo sujeito passivo. Entendese que embora o art. 68 do Decreto nº 7.574/2011 utilize o termo sujeito passivo, a condição para que esse fosse intimado do Acórdão de Impugnação seria a apresentação de impugnação ao lançamento nos termos dos art. 15 e 16 do Decreto 70.235/72. Ressaltase que no presente caso, não houve a apresentação de impugnação pelo Sujeito Passivo Solidário, Sr. Willian Daniele Sanches, portanto, deve ser afastado o entendimento que esse deveria ter sido intimado do v. Acórdão recorrido. Fl. 1732DF CARF MF Processo nº 13839.722645/201408 Acórdão n.º 1402003.355 S1C4T2 Fl. 1.733 16 Conclusão Do exposto, voto por rejeitar a proposta do Relator para converter o julgamento em diligência para ciência do sujeito passivo solidário da decisão de 1ª Instância. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 1733DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.690782/2009-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.980
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade de origem apure a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade de origem apure a liquidez e certeza do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem que não homologara a compensação declarada, relativamente a suposto crédito da Contribuição (PIS/Cofins), em razão da ausência de comprovação da existência do direito creditório pleiteado. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu, em síntese, o apensamento de outros 22 processos correlacionados (mesma origem e fundamento do crédito), a conversão do julgamento em diligência e/ou perícia técnica (verdade material) e a homologação da compensação, alegando (i) ausência de intimação prévia à análise da RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 90 78 2/ 20 09 -0 5 Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10880.690782/200905 Resolução nº 3301000.980 S3C3T1 Fl. 3 2 declaração de compensação, (ii) a ocorrência de erros materiais em suas declarações (CFOP) e (iii) tributação indevida de receitas decorrentes de operações de vendas destinadas ao exterior por meio de empresa comercial exportadora (não incidência das contribuições) e empresas comerciais fabricantes (erro na aplicação de alíquotas). A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por falta de comprovação do crédito pleiteado, e indeferiu o pedido de apresentação de provas após o prazo da Impugnação ou a realização de perícia/diligência. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu a reforma da decisão de piso, repisando os argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3301000.979, de 25/10/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.690781/200952, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301000.979): O Recurso Voluntário interposto diante da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1632.897 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O Recurso Voluntário objetiva reformar a decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/07/2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação não homologada a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Nesses termos, não pode ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF. Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10880.690782/200905 Resolução nº 3301000.980 S3C3T1 Fl. 4 3 DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. PEDIDO DE PRODUÇÃO POSTERIOR DE PROVAS. Indeferese o pedido de apresentação de provas após o prazo da Impugnação, ou a realização de perícia e diligência, quando não são atendidas as exigências contidas na norma de regência do contencioso administrativo fiscal vigente à época da Impugnação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O presente processo tem como questão central a discussão acerca de pedido de ressarcimento e compensação (PER/DCOMP) no período de janeiro de 2003 a dezembro de 2007. O Contribuinte alega que fez recolhimento indevido por intermédio de DARF e requer com o ressarcimento desse crédito a quitação de débitos. O entendimento da administração administrativa fiscal foi no sentido de não homologar a compensação por constatar que inexiste crédito declarado pelo Contribuinte. Diante de 22 (vinte e dois) PER/DCOMP, com o mesmo direito creditório discutido, instauraramse vinte e dois processos administrativos que possuem a seguinte numeração: 10880.690.786/200985, 10880.690.781/200952, 10880.690.782/200905, 10880.690.784/200996, 10880.690.785/200931, 10880.690.787/200920, 10880.690.788/200974, 10880.690.789/200919, 10880.690.783/200941, 10880.915.257/200908, 10880.690.790/200943, 10880.690.794/200921, 10880.690.796/200911, 10880.690.793/200987, 10880.690.797/200965, 10880.690.792/200932, 10880.925.615/200982, 10880.690.798/200918, 10880.690.791/200998, 10880.690.795/200976, 10880.690.799/200954 e 10880.925.616 7/200927. No primeiro ponto do Recurso Voluntário o Contribuinte requer, como já o fez quando da interposição da Manifestação de Inconformidade, a conversão do julgamento em diligência para que fosse apensado todos os processos administrativos acima relacionados. Constatase que o presente processo, na condição de processo paradigma, contempla outros 11 (onze) processos com a seguinte numeração: 10880.690782/200905, 10880.690783/200941, 10880.690784/200996, 10880.690785/200931, 10880.690787/200920, 10880.690788/200974, 10880.690789/200919, 10880.690790/200943, 10880.690792/200932, 10880.690793/200987 e 10880.690794/200921. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10880.690782/200905 Resolução nº 3301000.980 S3C3T1 Fl. 5 4 Entendo necessária a juntada ao presente processo paradigma dos processos nºs 10880.690786/200985, 10880.690796/200911, 10880.690797/200965, , 10880.690798/200918, 10880.690791/200998, 10880.690795/200976, 10880.690799/200954 para que sejam julgados conjuntamente. Saliento que os processos nºs 10880.915257/200908, 10880.925615/2009 82 e 10880.925616/200927 já foram julgados nos acórdãos nºs 3802001.986, 3802001.987 e 3802001.997, respectivamente, em que se negou provimento ao recurso do Contribuinte. Alega também o Contribuinte, que cometeu erro na apuração de débitos de PIS e COFINS, no período de janeiro de 2003 a dezembro de 2007, pois incluiu nas receitas decorrentes de operações de venda destinadas (i) ao exterior por meio de empresa comercial exportadora (exportação indireta) e (ii) a empresas comerciais fabricantes. No primeiro caso, o Contribuinte alega que informou erroneamente o Código Fiscal de Operações e de Prestações (CFOP) nas notas fiscais de saída a rubrica 5101 – “venda de produção do estabelecimento”, sendo que o correto, no seu entendimento, seria a rubrica 5501 – “remessa de produção do estabelecimento com o fim específico de exportação”. Esse alegado equívoco resultou na incidência da tributação sobre as receitas, sendo que nas operações de exportação indireta não incidiria PIS e COFINS, de acordo com o art. 5º, III, da Lei nº 10.637/2002 e art. 6º, III da Lei nº 10.833/2003, com isso, passou a deter crédito objeto de PER/DCOMP. No segundo caso, o direito creditório decorre das vendas efetuadas às empresas Rassini e Magnet Marelli, empresas comerciais fabricantes, com alíquotas comuns de 1,65% e 7,6% de PIS e COFINS respectivamente e não as alíquotas diferenciadas de 2,3% e 10,8% que se aplicam às vendas para empresas comerciais atacadistas ou varejistas de acordo com o que dispõe o art. 3º, I e II da Lei nº 10.485/2002. Sustenta ainda o Contribuinte, que demonstrou o alegado por intermédio de planilhas sintéticas e analíticas acostadas aos autos e requer, em nome da verdade material, a conversão do julgamento em diligência ou designação de perícia técnica, com a devida indicação da perita contadora Sra. Sônia Regina Senhorini Rodrigues, para que se possa apurar o equívoco cometido, bem como, a existência do crédito. Assim consta do recurso (fls. 611 e seguintes): Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10880.690782/200905 Resolução nº 3301000.980 S3C3T1 Fl. 6 5 (...) Fl. 380DF CARF MF Processo nº 10880.690782/200905 Resolução nº 3301000.980 S3C3T1 Fl. 7 6 (...) (...) (...) Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10880.690782/200905 Resolução nº 3301000.980 S3C3T1 Fl. 8 7 Considerando o princípio da verdade material, o Contribuinte requer em seu recurso que se promova diligência que contemple os seguintes quesitos: Fl. 382DF CARF MF Processo nº 10880.690782/200905 Resolução nº 3301000.980 S3C3T1 Fl. 9 8 Com este pedido de diligência formulado pelo Contribuinte, e lembrando do pedido acerca da reunião dos demais processos, cabe salientar que no Processo nº 10880.690796/200911, processo principal, bem como em mais 8 processos, foi convertido o julgamento em diligência. Com isso considerado voto, por converter o julgamento em diligência para que a) a autoridade de origem apure a liquidez e certeza do crédito pleiteado; b) seja intimado o Contribuinte a se manifestar em 30 dias após a realização da diligência; c) que retorne o presente processo (nº 10880.690781/200952), bem como os processos nºs. 10880.690.786/200985, 10880.690.782/200905, 10880.690.784/200996, 10880.690.785/200931, 10880.690.787/200920, 10880.690.788/200974, 10880.690.789/200919, 10880.690.783/200941, 10880.690.790/200943, 10880.690.794/200921, 10880.690.796/200911, 10880.690.793/200987, 10880.690.797/200965, 10880.690.792/200932, 10880.690.798/200918, 10880.690.791/200998, 10880.690.795/200976 e, 10880.690.799/200954, ao CARF, distribuídos ao presente conselheiro relator prevento, para que sejam julgados em conjunto. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que: a) a autoridade de origem apure a liquidez e certeza do crédito pleiteado; Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10880.690782/200905 Resolução nº 3301000.980 S3C3T1 Fl. 10 9 b) seja intimado o Contribuinte a se manifestar em 30 dias após a realização da diligência; c) que retorne ao CARF o presente processo (nº 10880.690782/200905), bem como os processos nºs. 10880.690781/200952, 10880.690.786/200985, 10880.690.784/2009 96, 10880.690.785/200931, 10880.690.787/200920, 10880.690.788/200974, 10880.690.789/200919, 10880.690.783/200941, 10880.690.790/200943, 10880.690.794/200921, 10880.690.796/200911, 10880.690.793/200987, 10880.690.797/200965, 10880.690.792/200932, 10880.690.798/200918, 10880.690.791/200998, 10880.690.795/200976 e, 10880.690.799/200954, para que sejam julgados em conjunto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 384DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.722616/2013-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CABIMENTO.
Às declarações de compensação (PER/DCOMP) não se aplica a benesse da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN.
No art. 156 do CTN são descritas formas distintas de extinção do crédito tributário, sendo, prerrogativa somente do legislador, em situações expressamente especificadas, eventualmente conferir o mesmo tratamento jurídico a tais institutos. Contudo, esse não é o caso do art. 138 do CTN, no qual a referência tão somente ao termo "pagamento" quer dizer que a denúncia espontânea não se aplica às demais modalidades de extinção do crédito tributário.
COMPENSAÇÃO. TRANSMISSÃO. APÓS VENCIMENTO. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA.
Na compensação, a extinção do crédito tributário sob condição resolutória dá-se somente a partir da transmissão ou entrega da correspondente declaração, nos termos do art. 74, §§1º e 2º da Lei nº 9.430/96.
Não tendo sido os débitos fiscais pagos, nem compensados, antes do vencimento do tributo, estão sujeitos à multa de mora.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-005.987
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Cynthia Elena de Campos, que davam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CABIMENTO. Às declarações de compensação (PER/DCOMP) não se aplica a benesse da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN. No art. 156 do CTN são descritas formas distintas de extinção do crédito tributário, sendo, prerrogativa somente do legislador, em situações expressamente especificadas, eventualmente conferir o mesmo tratamento jurídico a tais institutos. Contudo, esse não é o caso do art. 138 do CTN, no qual a referência tão somente ao termo "pagamento" quer dizer que a denúncia espontânea não se aplica às demais modalidades de extinção do crédito tributário. COMPENSAÇÃO. TRANSMISSÃO. APÓS VENCIMENTO. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA. Na compensação, a extinção do crédito tributário sob condição resolutória dá-se somente a partir da transmissão ou entrega da correspondente declaração, nos termos do art. 74, §§1º e 2º da Lei nº 9.430/96. Não tendo sido os débitos fiscais pagos, nem compensados, antes do vencimento do tributo, estão sujeitos à multa de mora. Recurso Voluntário negado
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Cynthia Elena de Campos, que davam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CABIMENTO. Às declarações de compensação (PER/DCOMP) não se aplica a benesse da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN. No art. 156 do CTN são descritas formas distintas de extinção do crédito tributário, sendo, prerrogativa somente do legislador, em situações expressamente especificadas, eventualmente conferir o mesmo tratamento jurídico a tais institutos. Contudo, esse não é o caso do art. 138 do CTN, no qual a referência tão somente ao termo "pagamento" quer dizer que a denúncia espontânea não se aplica às demais modalidades de extinção do crédito tributário. COMPENSAÇÃO. TRANSMISSÃO. APÓS VENCIMENTO. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA. Na compensação, a extinção do crédito tributário sob condição resolutória dá se somente a partir da transmissão ou entrega da correspondente declaração, nos termos do art. 74, §§1º e 2º da Lei nº 9.430/96. Não tendo sido os débitos fiscais pagos, nem compensados, antes do vencimento do tributo, estão sujeitos à multa de mora. Recurso Voluntário negado Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Cynthia Elena de Campos, que davam provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 26 16 /2 01 3- 31 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 11080.722616/201331 Acórdão n.º 3402005.987 S3C4T2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão nº 08033.740 da Delegacia de Julgamento em Fortaleza que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versam os autos sobre declaração de compensação, que objetiva compensar pagamento a maior de PIS/Pasep. O despacho decisório reconheceu a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, mas homologou apenas parcialmente a compensação declarada por entender que o direito creditório reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese: a) descabimento da aplicação da multa moratória em face da denúncia espontânea; e b) ausência de extemporaneidade no pagamento vez que o crédito e o débito objeto de compensação possuem mesmo vencimento e período de apuração. A Delegacia de Julgamento não acolheu os argumentos da manifestante, sob os seguintes fundamentos: O contribuinte teria até o dia do vencimento do tributo para pagar o tributo ou apresentar a devida declaração de compensação sem nenhuma penalidade. Na espécie, o administrado, optando pela compensação, ingressou com o PER/DCOMP após o vencimento do tributo, pelo que incorreu em multa moratória e juros Selic. O pagamento e a compensação são espécies de extinção do crédito tributário. O art. 138 do CTN dispõe que a denúncia espontânea deve ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido. No caso, o contribuinte informou o débito fiscal, mas não o pagou, tendo apenas compensadoo, o que não contempla o benefício da denúncia espontânea. A compensação só ocorre mediante a entrega da correspondente declaração pelo sujeito passivo, sendo que, antes disso, a parcela do pagamento ainda não alocada a débito físcal permanece indisponível ao Fisco. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 11080.722616/201331 Acórdão n.º 3402005.987 S3C4T2 Fl. 0 3 Cientificada, a interessada interpôs tempestivamente o recurso voluntário ora em apreço, repisando as alegações da manifestação de inconformidade acerca do cabimento da denúncia espontânea e da não incidência da multa de mora. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.981, de 29 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 11080.720383/201332, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402005.981) 1: "Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Nos termos do art. 156 do CTN, o pagamento (inciso I) e a compensação (inciso II) são modalidades de extinção do crédito tributário, sendo que, no caso da compensação, nos termos do art. 74, §2º da Lei nº 9.430/96, a extinção se dá sob condição resolutória da ulterior homologação da compensação declarada. Na hipótese de não ocorrer a homologação (tácita ou expressa) da compensação declarada, não há que se falar mais em extinção do crédito tributário, sendo cabível a cobrança dos débitos confessados. Na hipótese de lançamento por homologação, tratada separadamente no inciso VII do art. 156 do CTN, o pagamento antecipado somente extinguirá o crédito tributário se for acompanhado da homologação tácita ou expressa da norma individual e concreta posta pelo contribuinte. O Professor Paulo de Barros Carvalho2 bem diferencia o "pagamento" a que se refere o inciso I do art. 156 do CTN do "pagamento antecipado" de que trata o inciso VII, nos seguintes termos: Não obstante o pagamento antecipado seja uma forma de pagamento, a legislação aplicável requer que ele se conjugue ao ato homologatório a ser realizado (comissiva ou omissivamente) pela Administração Pública. Apenas 1 No processo paradigma houve apresentação de Declaração de Voto por parte da Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. Como o entendimento esposada nesta declaração foi vencido, deixase de transcrevêlo nos presentes autos, que trazem apenas o entendimento que prevaleceu na decisão colegiada. Íntegra da declaração de voto pode ser consultada no processo paradimga nº 11080.720383/201332. 2 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 16. ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 490. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 11080.722616/201331 Acórdão n.º 3402005.987 S3C4T2 Fl. 0 4 dessa maneira darseá por dissolvido o vínculo, diferentemente do que ocorre nos casos de pagamento de débito tributário constituído por lançamento, em que a conduta prestacional do devedor tem o condão de por fim, desde logo, à obrigação tributária. No denominado "lançamento por homologação", quando ainda não ocorrida a homologação tácita ou expressa da norma individual e concreta posta pelo contribuinte, constatando o Fisco a inexatidão da atividade prévia por ele exercida, deverá apurar o montante suplementar do tributo devido e constituir o crédito tributário por lançamento de ofício supletivo, nos termos do art. 149 do CTN. Nessa hipótese, obviamente, a parcela do crédito tributário objeto do pagamento antecipado é considerada extinta por pagamento (parcial), vez que excluída do lançamento de ofício supletivo. Dessa maneira, nos incisos I, II e VII do art. 156 do CTN, são descritas três formas distintas de extinção do crédito tributário, sendo, prerrogativa somente do legislador, em situações expressamente especificadas, conferir eventualmente o mesmo tratamento jurídico a tais institutos. Contudo, esse não é o caso do art. 138 do CTN, no qual a referência tão somente ao termo "pagamento" está a dizer que a denúncia espontânea não se aplica às demais modalidades de extinção do crédito tributário. Nessa mesma linha, no voto vencedor do Redator Designado Fernando Brasil de Oliveira Pinto, no Acórdão nº 1402002.309 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 15 de setembro de 2016, restou esclarecido que às declarações de compensação (PER/DCOMP) não se aplica a benesse da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN, uma vez que a extinção do crédito tributário por pagamento (art. 156, I, do CTN) não se confunde com a extinção por meio de compensação (art. 156, II do CTN): (...) Portanto, embora pagamento e compensação extingam o crédito tributário, cada um o faz com suas características e consequências peculiares: enquanto no pagamento não mais se discute a extinção do crédito tributário, na compensação extinguese o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (art. 74, § 2º, da Lei nº 9.430/96), ou seja, a declaração de compensação pode ter seus efeitos revertidos pela autoridade administrativa. O art. 138 do CTN, ao dispor que a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, a meu ver, limitou a possibilidade de sua aplicação a uma das modalidades de extinção do crédito tributário, qual seja, o pagamento. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 11080.722616/201331 Acórdão n.º 3402005.987 S3C4T2 Fl. 0 5 Quisesse o legislador que outras hipóteses de extinção fossem aplicáveis para fins de denúncia espontânea, assim o teria feito expressamente. Conforme abordado pelo i. Conselheiro Relator, a posição do STJ sobre o tema não é unânime. Tanto assim que, posteriormente ao entendimento firmado no julgamento nos EDcl no AgRg no REsp 1375380/SP, sessão de 20/08/2015, citado no r. voto do i. Conselheiro Relator, a mesma Segunda Turma julgadora do STJ julgadora decidiu de modo divergente na apreciação do AgRg no REsp 1461757 / RS em sessão realizada no mês seguinte, dia 03/09/2015. Vejase sua ementa: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2014/01481347 Relator(a) Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES (1141) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 03/09/2015 Data da Publicação/Fonte DJe 17/09/2015 Ementa: (...) 3. "A extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN". (AgRg no AREsp 174.514/CE, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/09/2012, DJe 10/09/2012) 4. Agravo regimental não provido. (...) No mesmo sentido, pronunciouse a Câmara Superior de Recursos Fiscais, no Acórdão nº 9303006.011– 3ª Turma, de 29 de novembro de 2017, sob voto condutor do Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, nestes termos: (...) Fl. 69DF CARF MF Processo nº 11080.722616/201331 Acórdão n.º 3402005.987 S3C4T2 Fl. 0 6 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito, Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (...) VOTO (...) A matéria a ser decidida neste julgamento, como já dito, é somente se compensação (via Declaração de Compensação) equivale ou não a pagamento, para fins de cabimento ou não da cobrança da multa moratória nos casos de transmissão da DCOMP a destempo, mas antes do início do procedimento fiscal. Para o pagamento, o tema não é mais passível de discussão no CARF (a teor do § 2º do art. 62 do seu Regimento Interno), haja vista que o Superior Tribunal de Justiça já decidiu a questão posta, no RE nº 1.149.022/SP (isto se o pagamento for realizado antes ou concomitantemente à confissão da dívida, conforme Súmula nº 360, também do STJ), em Acórdão submetido à sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do artigo 543C da Lei nº 5.869, de 11/01/73, antigo Código de Processo Civil. Já para a compensação, não existe decisão judicial ou súmula que vincule este Colegiado. Como bem colocou a PGFN, pagamento e compensação são formas distintas de extinção do crédito tributário, conforme estabelece o Código Tributário Nacional (art. 156, I e II, já transcritos), recepcionado como lei complementar, a única capaz de estabelecer normas gerais sobre crédito tributário, como reza a nossa Constituição Federal (grifei): (...) Alega o contribuinte, em suas Contrarrazões, que o pagamento, no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação – como a própria denominação desta forma de constituição diz – também está sujeito à condição de sua ulterior homologação. Mas o CTN diz algo mais a respeito (grifei): Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio Fl. 70DF CARF MF Processo nº 11080.722616/201331 Acórdão n.º 3402005.987 S3C4T2 Fl. 0 7 exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. Assim, na compensação, é o valor confessado em DCOMP está sob condição resolutória de ulterior homologação, enquanto no pagamento, na realidade, é o que não foi quitado. Isto está claro na lei. O § 1º do art. 150 do CTN fala “sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento”, enquanto o § 2º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 fala em “sua ulterior homologação” Em termos simples: “pagou está pago”; se compensou, há cinco anos para a Administração decidir em que dimensão o crédito está extinto, até o limite compensado. Não se pode equiparar, então, homologação do lançamento com homologação da Declaração de Compensação. (...) São formas de extinção distintas, com conseqüências distintas. Não há dúvida. Assim, não se pode aplicar a mesma jurisprudência de uma para a outra – ainda que o STJ já tenha feito isto, mas em decisão não vinculante (Resp nº 1.136.372/RS, citado pelo contribuinte). (...) Ex positis, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (...) Melhor sorte não assiste à recorrente quanto ao argumento de que não teria ocorrido a "extemporaneidade no pagamento" do tributo devido, vez que os débitos e créditos Fl. 71DF CARF MF Processo nº 11080.722616/201331 Acórdão n.º 3402005.987 S3C4T2 Fl. 0 8 objeto de compensação referemse a tributos atinentes ao mesmo período de apuração e mesma data de vencimento. Ocorre que, na hipótese de compensação, a extinção do crédito tributário sob condição resolutória, dáse somente a partir da transmissão ou entrega da correspondente declaração, nos termos do art. 74, §§1º e 2º da Lei nº 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (...) Dessa forma, não tendo sido os débitos pagos no prazo da legislação específica, nem tampouco sido considerados extintos antes do vencimento do tributo pela transmissão da declaração de compensação tempestiva, estão sujeitos à multa de mora, nos termos do art. 61 e 74, §§1º, 2º e 14 da Lei nº 9.430/96 e do art. 28 da Instrução Normativa SRF nº 460/2004: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 51 e 52 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, Fl. 72DF CARF MF Processo nº 11080.722616/201331 Acórdão n.º 3402005.987 S3C4T2 Fl. 0 9 na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrados pela SRF será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 73DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.901438/2006-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO PARA
ALTERAR O CRÉDITO PLEITEADO – IMPOSSIBILIDADE – A retificação posterior do PER/DCOMP é possível apenas diante de comprovação da ocorrência de erro material no seu preenchimento, não cabendo outra justificativa para alterar crédito originalmente informado.
Numero da decisão: 1201-000.643
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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ementa_s : RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO PARA ALTERAR O CRÉDITO PLEITEADO – IMPOSSIBILIDADE – A retificação posterior do PER/DCOMP é possível apenas diante de comprovação da ocorrência de erro material no seu preenchimento, não cabendo outra justificativa para alterar crédito originalmente informado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1627; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1‐C2T1 Fl. 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.901438/200682 Recurso nº 506.774 Voluntário Acórdão nº 120100.643 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de janeiro de 2012 Matéria DCOMP Recorrente GIDION S/A TRANSPORTE E TURISMO Recorrida FAZENDA NACIONAL RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO PARA ALTERAR O CRÉDITO PLEITEADO – IMPOSSIBILIDADE – A retificação posterior do PER/DCOMP é possível apenas diante de comprovação da ocorrência de erro material no seu preenchimento, não cabendo outra justificativa para alterar crédito originalmente informado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS – Presidente (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR – Relator EDITADO EM: Participaram, do presente julgado os Conselheiros Rafael Correia Fuso, Marcelo Cuba Netto, João Bellini Junior( Suplente Convocado), Regis Magalhães Soares de Queiroz, Claudemir Rodrigues Malaquias e João Carlos de Lima Junior. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/04/2 012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA J UNIOR Processo nº 10920.901438/200682 Acórdão n.º 120100.643 S1‐C2T1 Fl. 2 2 Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que não homologou o PER/DCOMP transmitido pela Recorrente, sob o fundamento de que a partir da análise dos DARF´s discriminado foram localizados um ou mais pagamentos, integralmente utilizados para quitação de débitos da Recorrente, não restando crédito disponível para a compensação pleiteada. A Recorrente foi cientificada da decisão que não homologou o PER/DCOMP e, em 15/08/2008, apresentou sua manifestação de inconformidade em uma única folha, conforme a seguir transcrito: “Referente Despacho Decisório N° 775553608 Valor = R$ 4245,07 Referente Despacho Decisório N° 775553611 Valor = R$ 137,52 Vimos requerer a suspensão da intimação acima referenciada. As Compensações foram efetuadas conforme as planilhas 01, 02 e 03 — anexo. Informamos que a soma destas conferem exatamente com o valor do saldo negativo do CSL ano calendário de 2002. Solicitamos efetuarem as compensações da seguinte forma: Saldo Negativo do CSL no ano calendário de 2002 no valor de R$ 52.381,79 (Cinquenta e dois mil, trezentos e oitenta e um real e setenta e nove centavos) conforme DIPJ e Planilha de compensação N°04 — anexo. Cancelar as PER/DCOMP e alocar as compensações de acordo com a planilha N° 04. Ante o exposto, pede e espera deferimento. Em 07 de maio de 2009, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, conforme voto a seguir transcrito: Conforme se observa da manifestação de inconformidade apresentada, pleiteia a interessada, unicamente, a substituição da compensação declara, mas não homologada, por outra diversa. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/04/2 012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA J UNIOR Processo nº 10920.901438/200682 Acórdão n.º 120100.643 S1‐C2T1 Fl. 3 3 Sucede, porém, que, para tanto, necessário se faria a apresentação de nova PER/DCOMP pela interessada, o que ensejaria novo Despacho Decisório por parte do órgão jurisdicionante e, sendo o caso de sua nãohomologação, a possibilidade de apresentação de nova manifestação de inconformidade a esta DRJ, que, então, estaria habilitada para se pronunciar a respeito. Não obstante, permitese dizer que salta aos olhos a intempestividade de eventual pleito nesse sentido. Para se verificar o prazo no qual pode o contribuinte proceder à compensação, basta verificar o caput do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que assim dispõe (grifouse).(...) Diz a lei que só podem ser utilizados na compensação os créditos passíveis de restituição. Assim, os pagamentos indevidos ou a maior, cujo direito de pleitear a restituição esteja prescrito, não são passíveis de restituição e, portanto, não são também passíveis de compensação. Dessa forma, o prazo para o contribuinte proceder à compensação confundese com o prazo para pleitear a restituição. No presente caso, verificase que o crédito pretendido remonta ao ano de 2002 (planilhas de fls. 20 a 23), o que inviabilizaria o pleito, apresentado apenas em 2008. CONCLUSÃO Em face do exposto, e de tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de CONSIDERAR NÃO HOMOLOGADA a compensação objeto da manifestação de inconformidade apresentada. É o voto.” Em 24 de junho de 2009, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, oportunidade em que alegou: Que a compensação pleiteada se refere ao pagamento a maior das estimativas mensais ao longo do ano calendário de 2002; Que, no presente caso, no ano calendário de 2002, a Recorrente apurou saldo negativo de CSLL no importe de R$ 52.381,79 (cinquenta e dois mil e Fl. 74DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/04/2 012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA J UNIOR Processo nº 10920.901438/200682 Acórdão n.º 120100.643 S1‐C2T1 Fl. 4 4 trezentos e oitenta e um reais e setenta e nove centavos), conforme comprovado por DIPJ, DCTF's e DARF's em anexo. Nesse sentido, a Recorrente apresentou planilhas demonstrando o saldo de CSLL utilizado para a presente compensação e todas as outras realizadas no mesmo período; Que cometeu mero erro formal ao preencher a PER/DCOMP em análise, visto que erroneamente solicitou créditos decorrentes de "pagamentos indevidos ou a maior", quando na verdade os valores informados compunham o seu saldo negativo de CSLL passível de compensação ao final do período. Por fim, requereu o apensamento do presente ao processo administrativo fiscal nº 10920.901.437/200638 para que ambos sejam julgados em conjunto, tendo em vista a identidade da matéria discutida em ambos. É o Relatório. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/04/2 012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA J UNIOR Processo nº 10920.901438/200682 Acórdão n.º 120100.643 S1‐C2T1 Fl. 5 5 Voto Conforme documentos existentes nos autos, constatouse que, em 22/10/2003, a Recorrente apresentou PER/DCOMP visando a compensação da estimativa de CSLL (paga em guia DARF) no valor de R$ 137,52 (cento e trinta e sete reais e cinqüenta e dois centavos), conforme apuração em 31/05/2002, com débito de estimativa de CSLL referente ao período de 09/2003 no valor de R$ 162,01 (cento e sessenta e dois reais e um centavo). Todavia, a DRF ao analisar o crédito informado pela Recorrente em PER/DCOMP, apurou, baseado em guia DARF, que este foi utilizado anteriormente, não havendo, portanto, crédito para compensar o débito informado, razão pela qual não homologou a PER/DCOMP apresentada. A Recorrente, ao tomar ciência da decisão que não homologou a compensação, apresentou manifestação de inconformidade, alegando que se equivocou ao preencher a PER/DCOMP, indicando erroneamente o crédito como pagamento indevido ou a maior decorrente de pagamento de estimativa em maio de 2002 (representado pela guia DARF), quando, na verdade, deveria ter indicado o valor do saldo negativo de CSLL apurado ao final do ano calendário de 2002. Segundo a legislação de regência da matéria, artigos 76 a 81 da IN da SRF nº 900 de 30/12/2008, a Retificação da Declaração de Compensação só é possível quando preenchido os requisitos legais, quais sejam: (1) o processo administrativo ainda não tenha sido julgado (artigo 77); (2) o contribuinte comprove que se trata de erro material no preenchimento da PER/DCOMP (artigo 78) e (3) desde que não seja para aumentar o valor do débito (artigo 79). No presente caso, a Recorrente preenche dois dos três requisitos legais, conforme acima identificados, uma vez que o processo administrativo ainda está pendente de decisão definitiva, bem como a retificação se refere ao crédito originalmente apontado e não ao débito, restando, portanto, analisarmos se a Recorrente realmente cometeu um erro material ao ou se utilizou da manifestação de inconformidade para requerer a substituição do crédito originalmente informado. Para que não pairem dúvidas quanto à possibilidade de retificação do pedido de compensação quando se tratar de erro material, transcrevo o artigo 78 da IN da SRF nº 900 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/04/2 012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA J UNIOR Processo nº 10920.901438/200682 Acórdão n.º 120100.643 S1‐C2T1 Fl. 6 6 de 30/12/2008, bem como trago jurisprudência proferida por este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme a seguir: Art. 78. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário em meio papel somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento, e ainda, da inocorrência da hipótese prevista no artigo 79. COMPENSAÇÃOERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. (1º CC Acórdão nº 101 96.829, Sessão de 27 de junho de 2008, Relator Valmir Sandri). No caso em tela, o crédito originalmente informado pela Recorrente foi completamente alterado, pois este se referia a pagamento a maior de estimativa mensal apurada em 31/05/2002, enquanto o crédito trazido na manifestação de inconformidade se referia ao valor da base negativa da CSLL apurada ao final do ano calendário de 2002. Ao confrontarmos os dois créditos constatamos tratarse de créditos distintos. Assim, forçosa é a conclusão de que a Recorrente se utilizou da manifestação de Inconformidade e posteriormente do Recurso Voluntário, ora em julgamento, para requerer e defender a substituição do crédito originalmente informado por outro, não restando verificado, portanto, a ocorrência de erro material no pedido de compensação. Isto posto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) João Carlos de Lima Junior – Relator Fl. 77DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/04/2 012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA J UNIOR
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Numero do processo: 13906.000097/2005-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. DIREITO AO CRÉDITO. DESPESAS INCORRIDAS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE MATÉRIAS-PRIMAS DE PRODUTOS ACABADOS. POSSIBILIDADE.
De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS referente a despesas incorridas com combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de matérias-primas de produtos acabados.
PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170 - PR (2010/0209115-0), pelo rito dos Recursos Repetitivos, decidiu que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela Contribuinte.
Nos termos do artigo 62, parágrafo 2º, do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ) em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
NOTA TÉCNICA Nº 63/2018. DISPENSA DE APRESENTAÇÃO DE RECURSOS.
A Procuradoria da Fazenda Nacional expediu a Nota Técnica nº 63/2018, autorizando a dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016, considerando o julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR- Recurso representativo de controvérsia, referente a ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN's SRF nºs 247/2002 e 404/2004, que traduz o conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância.
Numero da decisão: 9303-007.668
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. DIREITO AO CRÉDITO. DESPESAS INCORRIDAS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE MATÉRIASPRIMAS DE PRODUTOS ACABADOS. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS referente a despesas incorridas com combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de matériasprimas de produtos acabados. PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170 PR (2010/02091150), pelo rito dos Recursos Repetitivos, decidiu que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela Contribuinte. Nos termos do artigo 62, parágrafo 2º, do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ) em matéria infraconstitucional, na AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 90 6. 00 00 97 /2 00 5- 11 Fl. 554DF CARF MF Processo nº 13906.000097/200511 Acórdão n.º 9303007.668 CSRFT3 Fl. 555 2 sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. NOTA TÉCNICA Nº 63/2018. DISPENSA DE APRESENTAÇÃO DE RECURSOS. A Procuradoria da Fazenda Nacional expediu a Nota Técnica nº 63/2018, autorizando a dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016, considerando o julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia, referente a ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN's SRF nºs 247/2002 e 404/2004, que traduz o conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência tempestivo interposto pela Contribuinte, ao amparo do art. 64, II e 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, contra Acórdão nº 330200.634, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, cuja ementa ficou assim redigida: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 555DF CARF MF Processo nº 13906.000097/200511 Acórdão n.º 9303007.668 CSRFT3 Fl. 556 3 Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO.. Por falta de previsão legal, não geram direito ao crédito do PIS/PASEP as despesas realizadas ou incorridas que não se enquadrem no conceito de insumo, exceto as previstas na legislação. Também não geram direito a crédito as despesas que não forem comprovadas por meio de documentação hábil e idônea. PRODUÇÃO DE PROVA. PEDIDO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA DE PEDIDO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. Não é de ser deferido o pedido de realização de prova, mesmo a pericial, feito perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, se o contribuinte não requereu a realização de tais provas em primeira instância. Recurso Voluntário Negado. Não conformada com tal decisão, a Contribuinte, aduz divergência jurisprudencial referente ao direito de crédito das contribuições não cumulativas quanto as despesas com aquisição de combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de matérias primas, produtos acabados e na prestação de serviço realizado pela empresa. Para comprovar o dissenso, aponta como paradigmas os acórdãos nºs 9303 01.035 e 320200.226. Em seguida o Presidente da 3ª Seção de Julgamento, deu seguimento parcial ao Recurso, especialmente em relação ao creditamento de PIS e Cofins relativos a gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de matériasprimas e produtos acabados, conforme depreendese o despacho de admissibilidade, ás fls 532/535. Houve reexame de Admissibilidade, ás fls. 536/537, o Presidente do CARF manteve na integra o despacho do Presidente de Câmara. A Fazenda Nacional, apresentou contrarrazões, ás fls. 545/551, requer seja negado provimento ao recurso e mantida a decisão recorrida. No essencial é o Relatório. Fl. 556DF CARF MF Processo nº 13906.000097/200511 Acórdão n.º 9303007.668 CSRFT3 Fl. 557 4 Voto Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. In caso, trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de Créditos de PIS, apurados sob o regime nãocumulativo, referente ao 1º trimestre de 2005, decorrentes de operações de exportação. A DRF/LONDRINA/PR exarou o Despacho Decisório de fls. 405, com base no Parecer SAORT/DRF/LON nº 276/2007 (fls. 403/404) e no Termo de Verificação Fiscal (fls. 376 a 393), deferindo parcialmente o pedido da interessada. Decido. A matéria devolvida para esta E. Câmara Superior, cingese a divergência com relação ao conceito de insumo para fins de ressarcimento das contribuições não cumulativas do PIS e da COFINS, especialmente sobre aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de matériasprimas e produtos acabados Com efeito, a jurisprudência Administrativa e dos Tribunais Superiores vem admitindo o aproveitamento de crédito calculado com base nos gastos incorridos pela sociedade empresária e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrario de como alguns pretendem limitar por meio de Instruções Normativas. De fato, salvo melhor juízo, não se vê razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, contudo, respeito posicionamentos contrários. A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas Fl. 557DF CARF MF Processo nº 13906.000097/200511 Acórdão n.º 9303007.668 CSRFT3 Fl. 558 5 operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo próprio das Contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o totaldas despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Neste quadro, para corroborar com minha interpretação, invoco as lições do Prof. Lenio Streck (p.242) que bem esclarece os limites de uma correta interpretação jurídica: “Então, ao contrário do que se diz na dogmática jurídica, não interpretamos para, só depois, compreender. Na verdade, compreendemos para interpretar, sendo a interpretação a explicitação de compreendido, para usar as palavras de Gadamer, em seu Wahrheit und Method. Essa explicitação (justificação do compreendido) necessita sempre de uma estruturação no plano 1argumentativo (é o que se pode denominar de o “como apofântico”). A explicitação da resposta de cada caso deverá estar sustentada em consistente justificação, contendo a reconstrução do direito, doutrinária e jurisprudencialmente, confrontando tradições, enfim, colocando a lume a fundamentação jurídica que, ao fim e ao cabo, legitimará a decisão no plano do que se entende por responsabilidade política do interprete no paradigma do Estado Democrático de Direito2”. Outrossim, se admitíssemos a tese de que insumo denota conceito amplo, abrangendo todos os gastos destinados à obtenção do resultado da pessoa jurídica, nos depararíamos com uma flagrante distorção promovida no amplo reconhecimento ao direito de crédito para o setor industrial ou prestador de serviços, em detrimento ao setor comercial, para o qual o direito teria ficado restrito apenas aos gastos com bens adquiridos para revenda. Insumos, tal como definido e para os fins a que se propõe o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. Na atividade comercial, sendo o negócio a venda dos bens no 1 2 STRECK, Lenio Luiz. Hermenêutica, Estado e Política: uma visão do papel da Constituição em países periféricos. In CADEMARTORI, Daniela Mesquita Leutchuk e GARCIA, Marcos Leite (org.). Reflexões sobre Política e Direito – Homenagem aos Professores Osvaldo Ferreira de Melo e Cesar Luiz Pasold. Florianópolis: Conceito Editorial, 2008; p. 242. Fl. 558DF CARF MF Processo nº 13906.000097/200511 Acórdão n.º 9303007.668 CSRFT3 Fl. 559 6 mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente essencial a produção do produto final, conceito igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços. Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no comércio. Em que pese esta E. Câmara Superior já ter definido o conceito de insumos, a matéria foi levada ao poder judiciário e, em recente decisão o Superior Tribunal de Justiça – STJ sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), estabeleceu conceito de insumo tomando como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. Senão vejamos: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Fl. 559DF CARF MF Processo nº 13906.000097/200511 Acórdão n.º 9303007.668 CSRFT3 Fl. 560 7 Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (Resp n.º Nº 1.221.170 PR (2010/02091150), Relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho). Como visto, a Relatora Ministra Regina Helena Costa, reiterou os conceitos do que já vínhamos decidindo, definiu como conceito a essencialidade e relevância. Vejamos: Essencialidade considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Deste modo, inferese do voto da Ministra Regina Costa que o conceito de insumo deve: “ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância, considerandose a imprescindibilidade ou ainda a importância de determinado item, bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”, ou seja, caracterizase insumos, para fins das contribuições do PIS e da COFINS, todos os bens e serviços, empregados direta ou indiretamente na prestação de serviços, na produção ou fabricação de bens ou produtos e que se caracterizem como essenciais e/ou relevantes à atividade econômica da empresa". Sem embargo, restou ainda decidido ilegais as IN´s nºs 247/2002 e 404/2004, que tratam de conceito de muito restritivo de insumo para as contribuições em pauta, uma vez que somente se enquadrariam os bens e serviços “aplicados ou consumidos” diretamente no processo produtivo. Destarte, o STJ adotou conceito intermediário de insumo para fins da apropriação de créditos de PIS e COFINS, o qual não é tão restrito como definido na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados, nem tão amplo como estabelecido no Regulamento do Imposto de Renda, mas que privilegia a essencialidade e/ou relevância de determinado bem ou serviço no contexto das especificidades da atividade empresarial de forma particularizada. Neste aspecto, observase que se trata de matéria essencialmente de prova de ônus do contribuinte. Fl. 560DF CARF MF Processo nº 13906.000097/200511 Acórdão n.º 9303007.668 CSRFT3 Fl. 561 8 Centrandose a divergência dos autos, verifico que a Contribuinte tem como objeto social, a industrialização e exportação de couros, a utilização de combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de matériasprimas e produtos acabados, é essencial atividade empresária exercida pela Contribuinte. Analisando a quaestio, como dito em linhas acima, consignei meu entendimento intermediário sobre o conceito de insumos no Sistema de Apuração Não Cumulativo das Contribuições, de modo que o conceito adotado não pode ser restritivo quanto o determinado pela Fazenda, mas também não tão amplo como aquele freqüentemente defendido pelos Contribuintes. Neste sentido, o Superior Tribunal de Justiça STJ, no julgamento do REsp nº 1.221.170 PR (2010/02091150), pelo rito dos Recursos Repetitivos, decidiu que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância , considerando se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela Contribuinte. Vejamos fragmentos do Voto: "São "insumos", para efeitos do art. 3º., II, da Lei 10.637/2002, e art. 3º., II, da Lei 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Observase, como bem delineado no voto proferido pelo eminente Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, que a conceituação de insumo prevista nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 está atrelada ao critério da essencialidade para a atividade econômica da empresa, de modo que devem ser considerados, no conceito de insumo, todos os bens e serviços que sejam pertinentes ao processo produtivo ou que viabilizem o processo produtivo , de forma que, se retirados, impossibilitariam ou, ao menos, diminuiriam o resultado final do produto; é fora de dúvida que não ocorre a ninguém afirmar que os produtos de limpeza são insumos diretos dos pães, das bolachas e dos biscoitos, mas não se poderá negar que as despesas com aqueles produtos de higienização do ambiente de trabalho oneram a produção das padarias. A essencialidade das coisas, como se sabe, opõese à sua acidentalidade e a sua compreensão (da essencialidade) é algo filosófica e metafísica; a maquiagem das mulheres, por exemplo, não é essencial à maioria dos homens, mas algumas mulheres realmente não a podem dispensar – e não a dispensam – ou seja, lhes é realmente essencial e isso não poderia ser negado; em outros contextos, dizse até que certa pessoa é essencial à existência de outra – não há você sem mim e eu não existo sem você, como disse o poeta VINÍCIUS DE MORAES (19131980) – mas isso, como todos sabemos, é claramente um exagero carioca e não serve para elucidar uma questão jurídica de PIS/COFINS e muito menos o problema que envolve a Fl. 561DF CARF MF Processo nº 13906.000097/200511 Acórdão n.º 9303007.668 CSRFT3 Fl. 562 9 essencialidade das cosias e dos insumos: é apenas uma metáfora do amor demais. A adequada compreensão de insumo, para efeito do creditamento relativo às contribuições usualmente denominadas PIS/COFINS, deve compreender todas as despesas à totalidade dos insumos, não sendo possível, no nível da produção, separar o que é essencial (por ser físico, por exemplo), do que seria acidental, em termos de produto final". Nos termos do art. 62, parágrafo 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ) em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Ademais, a Procuradoria da Fazenda Nacional expediu a Nota Técnica nº 63/2018, autorizando a dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016, considerando o julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia, referente a ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN's SRF nºs 247/2002 e 404/2004, que traduz o conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. In verbis: "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014". Deste modo, o termo "insumo" utilizado pelo legislador para fins de creditamento do Pis e da COFINS, apresenta um campo maior do que o MP, PI e ME, relacionados ao IPI. Considero que tal abrangência não é tão flexível como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e despesas necessárias à atividade da empresa. Por outro lado, para que se mantenha o equilíbrio impositivo, os insumos devem estar relacionados diretamente com a produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este produto não entre em contato direto com os bens produzidos. Neste sentido, o inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, permite a utilização do crédito de COFINS não cumulativa nas seguintes hipóteses: “I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2o desta Lei; Fl. 562DF CARF MF Processo nº 13906.000097/200511 Acórdão n.º 9303007.668 CSRFT3 Fl. 563 10 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X vale transporte, vale refeição ou vale alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção". Destarte, o conteúdo contido no artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS, referente a despesas incorridas com combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de matériasprimas e produtos acabados. Dispositivo Ex positis, dou provimento ao Recurso da Contribuinte. É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 563DF CARF MF Processo nº 13906.000097/200511 Acórdão n.º 9303007.668 CSRFT3 Fl. 564 11 Fl. 564DF CARF MF
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Numero do processo: 16692.721045/2014-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.658
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do presente processo até o julgamento definitivo dos processos nº 10880.941649/2012-10, 10880.941613/2012-36, 10880.941611/2012-47 e 10880.941614/2012-81, nos termos do relatório e voto da relatora, votando pelas conclusões os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Lucia Miceli - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: MARIA LUCIA MICELI
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1417; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 307 1 306 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16692.721045/201414 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1302000.658 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 18 de outubro de 2018 Assunto DCOMP ESTIMATIVAS COMPENSADAS Recorrente LOUIS DREYFUS COMPANY BRASIL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do presente processo até o julgamento definitivo dos processos nº 10880.941649/201210, 10880.941613/201236, 10880.941611/201247 e 10880.941614/201281, nos termos do relatório e voto da relatora, votando pelas conclusões os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Maria Lucia Miceli Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 92 .7 21 04 5/ 20 14 -1 4 Fl. 307DF CARF MF Processo nº 16692.721045/201414 Resolução nº 1302000.658 S1C3T2 Fl. 308 2 RELATÓRIO Trata de recurso voluntário apresentado em face ao Acórdão nº 1463.373, da 13ª Turma da DRJ/Riberão Preto, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da recorrente, com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 ORDEM JUDICIAL. PRAZO PARA JULGAMENTO. Cumpre ao órgão administrativo de julgamento dar cumprimento à ordem judicial de julgamento do processo no prazo de 60 (sessenta) dias. PGFN. COMPETÊNCIA. INTERPRETAÇÃO DE NORMAS. À ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional compete fixar, no âmbito do Ministério da Fazenda, a interpretação da Constituição, das leis, dos tratados e demais atos normativos a serem uniformemente seguidos em suas áreas de atuação e coordenação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011 SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. NÃO HOMOLOGAÇÃO. EXCLUSÃO DO CRÉDITO. Nos termos da legislação tributária, as estimativas devidas no curso do anocalendário constituemse em meras antecipações do IRPJ/CSLL devidos no encerramento do período de apuração, e assim apesar de obrigatórias, não atendem os pressupostos de certeza e liquidez, para serem exigíveis, mediante lançamento, cobrança e inscrição em Dívida Ativa da União. Somente se extintas, mediante pagamento, ou reforma da decisão administrativa de não homologação de compensação, as estimativas devem integrar o saldo negativo do período. A recorrente apresentou Pedido de Restituição PER, sob o nº 40333.68555.250313.1.2.038409, do crédito relativo ao saldo negativo de CSLL, do ano calendário de 2011, no valor de R$ 5.263.379,94. O direito creditório não foi reconhecido, pois algumas estimativas da CSLL compensadas não foram confirmadas, conforme demonstrativo a seguir: De acordo com a DIPJ/2012, o valor da CSLL devida é de R$ 21.304.705,37, superior ao montante de estimativas confirmadas no valor de R$ 5.138.563,33, motivo pelo qual o pedido de restituição foi indeferido. Fl. 308DF CARF MF Processo nº 16692.721045/201414 Resolução nº 1302000.658 S1C3T2 Fl. 309 3 A seguir, estão discriminadas as parcelas da estimativas confirmadas, e as que não foram confirmadas em razão da não homologação ou homologação parcial da compensação: A decisão recorrida manteve o indeferimento do pedido de restituição pelas seguintes razões: a) O Parecer PGFN/CAT nº 1.658/2011, que sobrepôs o entendimento da citada Solução de Consulta Interna da COSIT nº 18/2006, conclui que as estimativas, cuja compensação não foi homologada, por não terem natureza de crédito tributário em função de sua certeza e liquidez, não serão inscritas em Dívida Ativa da União. b) Por esse motivo, as alegações trazidas na defesa, mormente que as estimativas, ainda que definitivamente não compensadas na esfera administrativa, seriam cobradas, não encontram respaldo na legislação tributária. c) As estimativas, cujas compensações não foram homologadas, não podem mais compor o crédito do saldo negativo, porque o débito não se encontra mais extinto, ainda que com a exigibilidade suspensa, em face de recurso administrativo porventura interposto. A ciência da decisão de 1ª instância ocorreu em 08/02/2017, de acordo com o Termo de Ciência por Abertura de Mensagem, fls. 285. O recurso voluntário foi apresentado em 06/03/2017, fls. 288/303, com as seguintes alegações: com base no artigo 74 da Lei nº 9.430/96, efetuou pagamentos da CSLL por estimativa, mediante declarações de compensação, resultando em saldo negativo objeto do presente pedido de restituição. o despacho decisório indeferiu a restituição requerida com o argumento de que "DCOMP informada ou sua retificadora pendente de análise ausência de liquidez e certeza do crédito tributário." Fl. 309DF CARF MF Processo nº 16692.721045/201414 Resolução nº 1302000.658 S1C3T2 Fl. 310 4 a decisão da DRJ manteve esse entendimento alegando que a solução de consulta Cosit n° 18, de 13 de outubro de 2006, teve seu teor alterado por pareceres posteriores e que não mais representava o entendimento daquele órgão. nas instruções de preenchimento da DIPJ consta que considerase efetivamente pago por estimativa o crédito da CSLL extinto por meio de compensação solicitada através de DCOMP. referida orientação normativa adveio da Solução de Consulta Interna Cosit nº 18/2006, assim ementada: "Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo ne gativo apurado na DIPJ." a própria Receita Federal do Brasil estabeleceu que, na hipótese de não homologação de Declaração de Compensação (DCOMP) relacionada a débito de estimativa mensal, tal fato não macula o crédito relativo ao saldo negativo apurado ao final do período base relativo a tal estimativa. o artigo 17 da Lei nº 10.833/2003 dispõe que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. a utilização do crédito correspondente ao pagamento do IRPJ/CSLL estimado, extinto por meio de declaração de compensação, deve ser admitido na formação do saldo negativo, qualquer que seja a situação do PER/DCOMP, sob pena de que o débito seja exigido em duplicidade, a saber: (i) no PER/DCOMP em que o débito do IRPJ/CSLL devido por estimativa foi compensado; e, (ii) na exigência da compensação não homologada no PER/DCOMP vinculado ao saldo negativo pertinente à estimativa não confirmada. o entendimento quanto à possibilidade de cobrança de débitos relativos ao IRPJ/CSLL estimado, confessado em PER/DCOMP não homologado, já foi objeto do Parecer PGFN CAT n° 88/2014, sendo que a mesma conclusão foi adotada no Parecer PGFN/CAT n° 193/2013, bem com pelo STF, no RE. 255379. o IRPJ e a CSLL substituem as estimativas compensadas, e esses valores computados como pagamento no momento do ajuste anual; contudo, essa compensação pode não ser homologada, ocorrendo a decisão após a apuração do lucro real. tratarseiam de valores referentes a tributo consolidados com o ajuste anual, não mais de mera estimativa do imposto de renda e da contribuição sobre o lucro. esse entendimento já é aplicado conforme a Nota Cosit nº 31/2013, da qual podemos concluir que a RFB tem consciência da inviabilidade de cobrança de estimativas até a ocorrência do fato gerador, e que após o ajuste, a estimativa é substituída pelo tributo, portanto, a estimativa extinta por meio de compensação foi incorporada ao ajuste. a conclusão lógica é pela legitimidade de cobrança de valores que sejam objeto de pedido de compensação não homologada oriundos de estimativa, uma vez que já se Fl. 310DF CARF MF Processo nº 16692.721045/201414 Resolução nº 1302000.658 S1C3T2 Fl. 311 5 completou o fato jurídico tributário que enseja a incidência do imposto de renda, ocorrendo à substituição da estimativa pelo imposto de renda. logo, não resta dúvida de que o IRPJ/CSLL estimado, confessado em PER/DCOMP não homologado, deverá ser exigido/executado como tributo/contribuição, por conseguinte, o mesmo deve ser admitido na consolidação do crédito utilizado no PER/DCOMP, sendo este entendimento pacificado no CARF e CSRF. a DCTF é meio hábil a constituição do crédito tributário, conforme jurisprudência do STJ, e DecretoLei nº 2.124/84. essa posição corrobora o entendimento do Poder Judiciário sobre a manutenção do status de "extinção" dos débitos compensados até o julgamento definitivo do processo administrativo fiscal, nos termos dos §§ 2º, 9º, 10º e 11º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96. no julgamento do CARF, caso procedente o recurso, o crédito será confirmado, do contrário, terá que quitar o crédito tributário, mas, em ambos os casos, a situação do saldo negativo permanecerá inalterado. É o relatório. VOTO Conselheira Maria Lucia Miceli Relatora O recurso voluntário é tempestivo, e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele eu conheço. Tratase de pedido de restituição do crédito decorrente de saldo negativo de CSLL, do anocalendário de 2011, no valor de R$ 5.263.379,94. O crédito pleiteado é composto exclusivamente de estimativas que foram objeto de compensação em diversas DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório, nem todas as compensações foram homologadas, motivo pelo qual o pedido foi indeferido. A seguir, discrimino as estimativas não compensadas, e o resultado do julgamento de 1ª instância. Esclareço que, atualmente, todos os processos estão pendentes de julgamento do recurso voluntário por este colegiado: DCOMP PA Valor Compensado Valor não confirmado Processo do Crédito Situação 40072.32794.29121 1.1.3.097718 jul/2011 427.402,03 427.402,03 10880.941649/201210 DRJ Reconhecimento parcial do direito creditório R$ 4.195,20 19373.15255.29121 1.1.7.082098 jul/2011 1.893.394,21 1.893.394,21 10880.941613/201236 DRJ Reconhecimento parcial do direito creditório R$ 29.809,79 31539.94088.29121 1.1.7.090977 jul/2011 926.472,68 926.472,68 10880.941611/201247 DRJ Não reconheceu direito creditório 40072.32794.29121 1.1.3.097718 ago/2011 2.180.541,40 2.180.541,40 10880.941649/201210 DRJ Reconhecimento parcial do direito creditório R$ 4.195,20 40006.06082.29121 1.1.7.092287 ago/2011 204.131,48 204.131,48 10880.941614/201281 DRJ Reconhecimento parcial do direito creditório R$ 137.305,70 Fl. 311DF CARF MF Processo nº 16692.721045/201414 Resolução nº 1302000.658 S1C3T2 Fl. 312 6 40006.06082.29121 1.1.7.092287 set/2011 6.606.626,87 6.606.626,87 10880.941614/201281 DRJ Reconhecimento parcial do direito creditório R$ 137.305,70 08999.59885.29121 1.1.7.095565 out/2011 7.226.811,96 2.559.421,83 10880.941649/201210 DRJ Reconhecimento parcial do direito creditório R$ 4.195,20 32804.48885.29121 1.1.3.093822 nov/2011 6.631.531,37 6.631.531,37 10880.941611/201247 DRJ Não reconheceu direito creditório A legislação que rege o pedido de restituição é o artigo 170 do CTN que determina que o direito creditório só pode ser reconhecido quando presentes dois requisitos: a certeza e a liquidez do crédito pleiteado. Portanto, o reconhecimento do direito creditório está condicionado à comprovação da quitação das estimativas discriminadas na tabela supra, que depende, neste momento processual, da decisão definitiva na esfera administrativa quanto à homologação ou não das compensações. Nos termos do artigo 63, § 8º do RICARF, cumpre consignar no voto que a maioria deste colegiado entende que, no presente caso, por se tratar de apenas pedido de restituição, sem envolver compensação de débitos, a apuração do crédito depende do julgamento definitivo na esfera administrativa dos processos que tratam das compensações das estimativas, que compõem o crédito do saldo negativo de CSLL. Logo, para que a análise da presente lide não traga qualquer prejuízo tanto para a Fazenda quanto para a recorrente, voto no sentido de sobrestar o presente julgamento até que ocorra a decisão definitiva, por parte deste CARF, dos processos que tratam das compensações das estimativas que compõem o saldo negativo da CSLL do anocalendário de 2011, de nº 10880.941649/201210, 10880.941613/201236, 10880.941611/201247 e 10880.941614/201281. Maria Lucia Miceli Relatora Fl. 312DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.675279/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.565
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora: (i) confirme se os valores informados no DACON Retificador conferem com a realidade contábil da contribuinte conforme Livro Razão e Planilha de Controle de Impostos, contidos nos autos; (ii) após o confronto do item (i), identifique a efetiva existência do crédito pleiteado na PER/DCOMP e a suficiência para a promoção da compensação de débitos na forma requerida; (iii) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando conhecimento à recorrente e abrindo prazo de 30 (trinta) dias para que esta, querendo, manifeste-se, retornando, em seguida, os autos a este Conselho, para prosseguimento do julgamento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Relatório
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora: (i) confirme se os valores informados no DACON Retificador conferem com a realidade contábil da contribuinte conforme Livro Razão e Planilha de Controle de Impostos, contidos nos autos; (ii) após o confronto do item (i), identifique a efetiva existência do crédito pleiteado na PER/DCOMP e a suficiência para a promoção da compensação de débitos na forma requerida; (iii) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando conhecimento à recorrente e abrindo prazo de 30 (trinta) dias para que esta, querendo, manifeste-se, retornando, em seguida, os autos a este Conselho, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora: (i) confirme se os valores informados no DACON Retificador conferem com a realidade contábil da contribuinte conforme Livro Razão e Planilha de Controle de Impostos, contidos nos autos; (ii) após o confronto do item (i), identifique a efetiva existência do crédito pleiteado na PER/DCOMP e a suficiência para a promoção da compensação de débitos na forma requerida; (iii) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando conhecimento à recorrente e abrindo prazo de 30 (trinta) dias para que esta, querendo, manifestese, retornando, em seguida, os autos a este Conselho, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 75 27 9/ 20 09 -1 1 Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10880.675279/200911 Resolução nº 3401001.565 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de Pedido de Ressarcimento de COFINS realizado através de PER/DCOMP, referente pagamento à maior que o devido A DERAT São Paulo proferiu Despacho Decisório (eletrônico), indeferindo o Pedido de Restituição por inexistência de crédito. Tomando por base o DARF discriminado no PER/DCOMP, constatou que fora integralmente utilizado para quitação de débito declarado para o mesmo período. Irresignada a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, sob os seguintes argumentos: (i) que cometeu equivoco no preenchimento do PER/DCOMP, que o crédito é oriundo de recolhimento indevido de PIS e COFINS, conforme demonstrado no DACON, repete que o crédito efetivamente existe e é suficiente para quitar os débitos compensados; (ii) que conforme planilha que anexa, verificase facilmente que o crédito a que a empresa teria direito é bastante superior ao valor das compensações realizadas; (iii) que a SRFB possui diversos documentos para comprovar se os créditos existem e caso considere insuficientes, pode ainda baixar o presente processo em diligência para que tal comprovação seja feita através de análise mais minuciosa; (iv) apela para o princípio da verdade material, por tratarse de atividade humana, tanto o preenchimento de declarações quanto o ato de lançamento estão sujeitos a erros e equívocos e que nesse contexto, é natural que se cogite uma revisão da glosa da compensação com o objetivo de afastar cobrança indevida; (v) requer que após realização de diligência seja declarada homologada a compensação realizada, cancelando se a cobrança do tributo, de juros e de multa; (vi) ao final, por economia processual, requer ainda, que sejam julgados conjuntamente diversos processos que relaciona. Em Primeiro Grau a DRJ/SP1 julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, nos termos do Acórdão nº 16033.890. O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário contra a decisão de primeiro grau, sustentando que o crédito teve origem em levantamento contábil das receitas auferidas e de nova apuração das contribuições devidas, considerando que suas receitas se submetem a tributação tanto no regime cumulativo quanto no não cumulativo; que por um mero equivoco na interpretação da legislação atinente a PIS/COFINS, a Recorrente entendia que todas as receitas por ela auferidas deveriam estar sujeitas à sistemática cumulativa, que assim foram declaradas em DCTF e quitadas via DARF.; que retificou o DACON; que a falta de DCTF retificadora não tem o condão de legitimar a cobrança de tributo, levandose em consideração toda a documentação disponibilizada ao Fisco, vindo ao encontro da jurisprudência do CARF sobre o assunto; apela novamente para o princípio da verdade material e a possibilidade de conversão do julgamento em diligência. É o relatório. Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10880.675279/200911 Resolução nº 3401001.565 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.559, de 26 de novembro de 2018, proferida no julgamento do processo 10880.675272/200908, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.559 "O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A manifestação inicial da interessada envolve em suas razões de defesa todo o período do levantamento de crédito a ser ressarcido e passível de compensação, composto por uma série de processos, requerendo inclusive, o ajuntamento dos mesmos para que sejam julgados de forma unificada. Diante da negativa colocada pela DRJ/SP1 para julgamento único, por se tratar de créditos envolvendo períodos de apuração distintos, passa então, a Recorrente, em seu recurso, a tratar do crédito pleiteado para o período de apuração 05/2004, destacandose os seguintes pontos: que a atividade explorada pela Recorrente é diversificada, conforme se depreende da cópia do Contrato Social anexada aos autos e tem por atividade empresarial, precipuamente, o desenvolvimento e a exploração do ramo de hotelaria, restaurantes e bares, o desenvolvimento de empreendimentos turísticos em geral, incluída a área de convenções e a prestação de serviços relativos a área de alimentação, bebidas, incluindo banquetes e serviços correlatos, entre outras atividades; que as receitas auferidas com a prestação de serviços de hotelaria permanecem submetidas a apuração cumulativa do PIS, nos moldes da Lei nº 9.718/1998, sob a alíquota de 0,65% e todas as demais receitas estão submetidas ao regime não cumulativo com incidência do PIS sob a alíquota de 1,65%; que toda a segregação de valores das receitas auferidas no mês de maio de 2004, com identificação de sua natureza estão detalhadas no Livro Razão Analítico (anexo), além de ter sido alteradas no DACON retificador, também trazido aos autos; reconhece não ter observado o prazo de 5(cinco) anos para retificar informações declaradas em DCTF, mas todos os dados e informações pertinentes podem ser conferidos pela documentação trazida aos autos (Livro Razão Analítico, Balancete, DACON retificador e planilha de controle de impostos; Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10880.675279/200911 Resolução nº 3401001.565 S3C4T1 Fl. 5 4 O que se depreende dos fatos aqui discutidos, são questões de procedimento de atribuição da contribuinte, quanto a correta apuração da Contribuição devida ao PIS/PASEP do período de apuração 05/2004. Inicialmente a Recorrente, conforme manifestação expressa, havia submetido a totalidade de seu faturamento do período mencionado (05/20054), a sistemática cumulativa (código 8109), quando parte desse faturamento estava sujeito a sistemática não cumulativa. O cálculo de incidência cumulativa deveria atingir somente a receita de serviços de hotelaria, conforme previsto na Lei 10.833/2003, art. 10, XXI e as demais receitas ficariam sujeitas a incidência não cumulativa, a teor do art.15, V,.da mesma lei. A princípio, as provas carreadas aos autos dão conta do que está sendo sustentado pela Recorrente, inclusive, com relação a ausência de DCTF retificadora. Eventuais erros de conduta formal do contribuinte não lhe retiram o direito ao princípio da busca pela verdade material no processo administrativo e da busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal. Casos semelhantes e recorrentes transitam pelo CARF, cujos julgados nos fornecem diretrizes de procedimento, como se colhe da decisão em destaque: Portanto, erro de preenchimento de DCTF não retira o direito ao crédito quando há outros elementos de prova que podem ser alcançadas em busca da verdade material no processo administrativo tributário. Ante o exposto, resolvem os membros do Colegiado em converter o julgamento em diligência para a repartição de origem de modo que seja informado e providenciado o seguinte: Confirmar se os valores informados no DACON Retificador do Período de Apuração Maio/2004, conferem com a realidade contábil da Contribuinte conforme Livro Razão e Planilha de Controle de Impostos, contidos nos autos; Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10880.675279/200911 Resolução nº 3401001.565 S3C4T1 Fl. 6 5 Após o confronto do item 1, identificar a efetiva existência do crédito pleiteado na PER/DCOMP nº 23370.59930.200206.1.3.040283 e promover a compensação de débitos na forma requerida; Elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando conhecimento a Recorrente e abrindo prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, manifestarse, retornando, em seguida, os autos a este Conselho Administrativo para prosseguimento do julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que seja informado e providenciado o seguinte: · Confirmar se os valores informados no DACON Retificador do Período de Apuração em referência, conferem com a realidade contábil da Contribuinte conforme Livro Razão e Planilha de Controle de Impostos, contidos nos autos; · Após o confronto do item 1, identificar a efetiva existência do crédito pleiteado na PER/DCOMP em apreço e promover a compensação de débitos na forma requerida; · Elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando conhecimento a Recorrente e abrindo prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, manifestarse, retornando, em seguida, os autos a este Conselho Administrativo para prosseguimento do julgamento." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 297DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.722302/2016-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/05/2012 a 31/07/2012, 01/10/2012 a 31/03/2013, 01/05/2013 a 30/09/2013, 01/01/2011 a 30/04/2012
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO. IPI. DEDUÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS INDEVIDOS. EQUIPARAÇÃO A PAGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Conforme jurisprudência vinculante do STJ para tributos sujeitos ao lançamento por homologação, na ausência de pagamento antecipado, aplica-se a regra de contagem do prazo decadencial do art. 173, I do CTN (cinco anos, do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). Sendo ilegítimos os créditos glosados e tendo os saldos credores da escrita fiscal dado lugar a saldos devedores que não foram objeto de pagamento antes do exame efetuado pela autoridade administrativa, o prazo de decadência deve ser contato pela regra do art. 173, I, do CTN.
CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. PRAZO. CINCO ANOS.
Nos termos do art. 1º do Decreto nº 20.910/32, o direito de aproveitamento dos créditos escriturais fica sujeito ao prazo de cinco anos, a contar da data de aquisição do bem ou serviço prestado e passível de creditamento, nos termos da legislação vigente.
ANÁLISE DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Súmula CARF nº 02.
Numero da decisão: 3302-006.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento. O Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede votou pelas conclusões entendendo que o saldo credor admitido das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins não-cumulativos não se equipara a pagamento para efeito de contagem de prazo decadencial.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO. IPI. DEDUÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS INDEVIDOS. EQUIPARAÇÃO A PAGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Conforme jurisprudência vinculante do STJ para tributos sujeitos ao lançamento por homologação, na ausência de pagamento antecipado, aplica se a regra de contagem do prazo decadencial do art. 173, I do CTN (cinco anos, do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). Sendo ilegítimos os créditos glosados e tendo os saldos credores da escrita fiscal dado lugar a saldos devedores que não foram objeto de pagamento antes do exame efetuado pela autoridade administrativa, o prazo de decadência deve ser contato pela regra do art. 173, I, do CTN. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. PRAZO. CINCO ANOS. Nos termos do art. 1º do Decreto nº 20.910/32, o direito de aproveitamento dos créditos escriturais fica sujeito ao prazo de cinco anos, a contar da data de aquisição do bem ou serviço prestado e passível de creditamento, nos termos da legislação vigente. ANÁLISE DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Súmula CARF nº 02. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 72 23 02 /2 01 6- 30 Fl. 773DF CARF MF Processo nº 10925.722302/201630 Acórdão n.º 3302006.239 S3C3T2 Fl. 144 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento. O Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede votou pelas conclusões entendendo que o saldo credor admitido das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos não se equipara a pagamento para efeito de contagem de prazo decadencial. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Trata o presente processo de autos de infração de PIS/Pasep e Cofins lavrados contra a pessoa jurídica acima qualificada, nos valores respectivos de R$ 5.741.068,74 e R$ 26.612.358,77, incluídos nesses valores as contribuições, multas proporcionais e juros de mora. 2. Segundo Termos de Verificação Fiscal integrantes dos autos (fls. 26/54 e 56/82), os lançamentos ora em análise decorrem de ações fiscais anteriormente realizadas (processos 10925.722279/201501, 10925.720694/201601 e 10925.720984/201646), nos quais foram aproveitados de ofício pela autoridade lançadora créditos informados no Dacon da empresa, referentes a: a) “Aquisições no Mercado Interno Vinculado à Receita Tributada no Mercado Interno”, existente em 31/12/2010, e que consta declarado no DACON de janeiro 2011; b) apurados no próprio mês da infração e relativos a “Aquisição no Mercado Interno Vinculado a Receita Tributada no Mercado Interno”; c) apurados no próprio mês da infração e relativos a “Aquisição no Mercado Interno – Credito Presumido Atividades Agroindustriais”. 3. A fiscalização afirma que parte dos créditos utilizados de ofício nos PAFs antes mencionados não poderiam ser deduzidos por terem origem em períodos de apuração prescritos ou por já Fl. 774DF CARF MF Processo nº 10925.722302/201630 Acórdão n.º 3302006.239 S3C3T2 Fl. 145 3 terem sido descontados pelo sujeito passivo em períodos de apuração anteriores e posteriores a aquele em que foi aproveitado pela Fiscalização 4. Indica os critérios utilizados para o presente lançamento: “(1) Existência de crédito calculado no próprio período de ocorrência da infração, mas descontado em períodos posteriores. Neste caso, prevaleceu o aproveitamento de ofício do crédito, em razão do disposto no art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, e no art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, priorizando a sua utilização no próprio período de apuração (contribuição apurada menos crédito calculado) em detrimento da utilização posterior mediante desconto. ....... 2) Existência de crédito apurado no próprio período de ocorrência da infração, não aproveitado até a data da lavratura do Auto de Infração. Considerouse o aproveitamento de ofício do crédito, em razão do disposto no art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, e no art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004. ........ 3) Existência de crédito calculado em período de apuração anterior ao da ocorrência da infração e já descontado em período posterior ao mês da ocorrência da infração. Neste caso, prevaleceu o aproveitamento de ofício do crédito, em razão do disposto no art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, e no art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, priorizando a sua utilização no período de apuração em que se constatou a infração, em detrimento da utilização em período posterior. ..... (4) Existência de crédito calculado em período anterior da ocorrência da infração, já descontado em período anterior ao da infração, porém aproveitado de ofício na infração. Neste caso, no período de apuração da infração o crédito aproveitado de ofício pela Fiscalização não estava mais disponível. Sendo assim, o aproveitamento de ofício foi indevido devendo ser estornado e constituído o crédito tributário indevidamente deduzido de ofício. ........ 5) Existência de crédito apurado em período anterior ao da ocorrência da infração não descontado pelo sujeito passivo até a Fl. 775DF CARF MF Processo nº 10925.722302/201630 Acórdão n.º 3302006.239 S3C3T2 Fl. 146 4 data da lavratura do Auto de Infração, aproveitado de ofício pela Fiscalização, contudo tratase de crédito PRESCRITO. Se a composição do crédito aproveitado de ofício pela Fiscalização demonstrar que em sua formação constam períodos de apuração prescritos, então, glosouse este aproveitamento e constituise o crédito tributário no período de apuração em que houve o aproveitamento indevido.” 5. Em seguida a autoridade fiscal apresenta demonstrativo por contribuição e processo dos valores indevidamente aproveitados e que deram origem ao presente lançamento. 6. Cientificada em 21.12.2016 (fl. 87), a interessada apresentou tempestivamente, em 18.01.2017, impugnação (fls. 603/630), onde apresenta as alegações abaixo sintetizadas: a) Decadência do direito de constituição de crédito tributário referente aos períodos de 01/2011 a 11/2011, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN. Contesta o entendimento da autoridade lançadora no sentido de que o prazo decadencial seria o do art. 173 do mesmo Código, argumentando: “O fato de não haver o efetivo pagamento do tributo, se dá em função da Impugnante apurar mais créditos do que débitos das contribuições para o PIS e COFINS, porém, esse fato em momento algum modifica natureza jurídica do lançamento por homologação.”; b) No que se refere ao saldo credor considerado prescrito pela fiscalização, afirma não haver que se falar em prescrição de saldo credor das contribuições registrado em conta gráfica, quando utilizado para compensação com débitos das próprias. Entende que “a matéria possui disposição legal específica e especial, vale dizer, as próprias leis que instituíram o PIS e COFINS não cumulativos, determinaram a imprescritibilidade do saldo credor do PIS e COFINS”. Tece ainda comentários acerca da distorção provocada pelo acúmulo de créditos, corrigida com a Lei nº 11.116, de 2005; c) Reclama da ordem de extinção dos débitos na compensação de ofício feita pela fiscalização: “No termo de verificação fiscal, mesmo considerando a prescrição quinquenal para o saldo credor, o agente fiscalizador relata ainda existir um saldo de créditos não prescrito no valor de R$ 5.873.368,29 referente a COFINS e R$ 1.290.858,61 para o PIS. Esse saldo é composto por créditos gerados de 12.2005 a 12.2010. Ocorre que, ao invés do agente fiscalizador realizar as compensações de ofício iniciando a extinção dos débitos pelo período de apuração mais antigo, ou seja, por 01.2011, ele lançou de ofício integralmente o débito apurado no período de 01.2011 a 06.2011 e iniciou a utilização do saldo de créditos no período de apuração 07.2011. Fl. 776DF CARF MF Processo nº 10925.722302/201630 Acórdão n.º 3302006.239 S3C3T2 Fl. 147 5 Dessa forma, considerando a prescrição quinquenal, se o saldo de créditos for utilizado apenas a partir do período de apuração 07.2011, logo os créditos de 12.2005 a 05.2006 também já estariam prescritos. Ou seja, mais uma vez fica evidente que a Impugnante está sendo prejudicada indevidamente e o total arbítrio por parte do agente fiscalizador. Portanto, Doutos Julgadores, é imperiosa a reforma do presente auto de infração para que a ordem de extinção dos débitos, ao se utilizar o saldo de créditos disponível para compensação, se inicie pelo período de apuração do débito mais antigo compensando com o crédito mais antigo.” d) Procura demonstrar que o crédito tributário lançado nos autos de infração em apreciação é bem superior ao crédito tributário apurado nos autos formalizados pelos processos administrativos de nº 10925.722.279/201501 (período 01 a 06 de 2011), 10925.720.694/201601 (período 07 a 12 de 2011), e 10925.720.984/201646 (período 01 a 12 de 2012) – item 2.4 da impugnação; e) Quanto aos créditos aproveitados de ofício nos autos de infração anteriores, e que já haviam sido aproveitados pela impugnante em períodos anteriores ou posteriores a aquele em que foi utilizado pela fiscalização, argumenta que quem cometeu o erro foi o agente fiscalizador, que não observou que esse crédito já havia sido utilizado para bater débitos de outros períodos; f) Entende não ser possível a imposição de penalidade, juros e atualização monetária, em função do disposto no art. 100 do CTN, por haver seguido estritamente as disposições legais e as orientações da Administração Tributária quanto a apuração das contribuições para o PIS e COFINS, tendo o erro sido cometido pelo agente fiscalizador; g) Alega que as multas aplicadas possuem efeito confiscatório; h) Em função das divergências apontadas, requer a realização de diligência e perícia, para a qual apresenta quesitos e indica representante. i) Ao final requer: “1 – o recebimento e processamento da presente, com os documentos que a acompanham; 2 – determinar, até o julgamento final na instância administrativa, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, a rigor do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional; 3 determinar a extinção do crédito tributário em debate, pelas razões antes expostas, e, consequentemente, a anulação e arquivamento do auto de infração; Fl. 777DF CARF MF Processo nº 10925.722302/201630 Acórdão n.º 3302006.239 S3C3T2 Fl. 148 6 4 – Em assim não entendendo, seja dado provimento a presente Impugnação para o fim de que: 4.1. seja afastado de imediato o crédito tributário lançado para o período de janeiro a novembro de 2011, posto que alcançados pela decadência, portanto, extinto de acordo com o inciso V do art. 156 do CTN; 4.2. seja declarado que o saldo credor dos créditos de PIS e COFINS não estão sujeitos à prescrição quinquenal quando transferidos para o mês subsequente para serem utilizado na apuração das mesmas contribuições, conforme determinação expressa do § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03; 4.3. seja determinado que a ordem de extinção do crédito tributário siga o critério justo e lógico, amortizando primeiramente o débito mais antigo com o crédito mais antigo; 4.4. seja determinado a revisão do crédito tributário lançado de ofício no presente auto de infração, frente as evidências de que o crédito lançado é superior ao débito apurado pela fiscalização; 4.5. nas possíveis compensações de ofício, seja determinado a utilização apenas do saldo credor ainda não utilizado pela Impugnante, considerando nesse caso, que entre os períodos de apuração até a lavratura dos autos de infração, a Impugnante pode ter utilizado parte do saldo de créditos gerado em períodos anteriores para compensar débitos nos meses subsequentes; 4.6. consequentemente, seja determinado o afastamento dos lançamentos originados pelas justificativas de que os créditos ‘(2) já haviam sido descontados pelo sujeito passivo em período de apuração anterior a aquele em que foi aproveitado pela Fiscalização; (3) foram descontados pelo sujeito passivo em períodos de apuração posteriores a aquele em que foi aproveitado pela Fiscalização.’; 4.7. seja determinada a exclusão da multa e dos juros, consoante o disposto no parágrafo único do art. 100 do Código Tributário Nacional; 4.8. e, se a tanto chegar, seja determinada a adequação da multa aplicada, em respeito ao princípio constitucional da vedação de utilização de tributo com efeito confiscatório. 5 – determinar, no caso de não acolhimento dos pedidos consignados, a mais ampla produção de provas, em especial a pericial e as diligências mencionadas". A Terceira Turma da DRJ Belém julgou a impugnação improcedente, nos termos do Acórdão nº 0134.163, de 02 de maio de 2017, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 778DF CARF MF Processo nº 10925.722302/201630 Acórdão n.º 3302006.239 S3C3T2 Fl. 149 7 Período de apuração: 01/05/2012 a 31/07/2012, 01/10/2012 a 31/03/2013, 01/05/2013 a 30/09/2013, 01/01/2011 a 30/04/2012 DECADÊNCIA. Na definição do termo inicial do prazo de decadência nos lançamentos por homologação, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de anteciparse à atuação da autoridade administrativa para constituição do crédito tributário, interpretando a legislação aplicável para apurar o montante e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente. Na inexistência de antecipações aplicase a regra geral prevista no art. 173, I, do CTN. PRESCRIÇÃO. As dívidas passivas da União prescrevem em cinco anos contados do ato ou fato do qual se originarem. CONSTITUCIONALIDADE. Escapa à competência da autoridade administrativa afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Impugnação Improcedente Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual repisa os argumentos apresentados na impugnação, sem apresentar um único argumento novo, tampouco novos documentos que lastreassem seu recurso. É o breve relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise. Pedido de Diligência. O recorrente requer diligência para sanar lacunas que entende haver no processo. Contudo, ao meu sentir, o processo encontrase plenamente instruído, sendo prescindível a realização de diligência. Neste norte, indefiro o pedido. Decadência para efetuar o lançamento Alega o recorrente que: Fl. 779DF CARF MF Processo nº 10925.722302/201630 Acórdão n.º 3302006.239 S3C3T2 Fl. 150 8 a) A Autoridade Fiscal pretendeu lançar de ofício crédito tributário referente as contribuições para o PIS e a COFINS apuradas no período de 01.2011 a 12.2012; b) Foi cientificada do presente auto de infração em 21.12.2016. Desta forma, o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário não pode alcançar os períodos de 01.2011 a 11.2011, posto os mesmos terem sido homologados tacitamente, consoante o § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional; c) O fato de não haver o efetivo pagamento do tributo, se dá em função da apuração de mais créditos do que débitos das contribuições para o PIS e Cofins. Acontece, porém, que esse fato em momento algum modifica natureza jurídica do lançamento por homologação. A discussão que se põe é a seguinte: Os créditos escriturais não admitidos pela Autoridade Fiscal faz as vezes de pagamento para a aplicação da regra prevista no art. 150 do Código Tributário Nacional, que rege o instituto da decadência? Essa matéria foi analisada pela atual composição da Câmara Superior de Recursos Fiscais em setembro de 2018. A única diferença entre os fatos daquele processo e deste, é que lá se tratava de IPI e aqui de contribuições. Acontece que no IPI tem um agravante, que é o artigo do RIPI que considera pagamento a dedução dos débitos com créditos admitidos sem resultar saldo a recolher. Na legislação das contribuições apuradas pelo regime da não cumulatividade, não existe essa previsão. Portanto, se no IPI só se entende como pagamento os créditos admitidos, interpretação de dicção legal, nas contribuições, por falta total de previsão, não há como ter entendimento diverso. Mesmo se tratando de tributos diferentes e com previsões legais diversas, entendo que tanto em um, como no outro, estamos diante de créditos escriturais e como não podemos deixar de julgar, devemos utilizar a legislação mais semelhante, mutatis mutandis, como forma de integração. Dito isso, reproduzo a ratio decindi do Acórdão nº 9303007.440, de 19 de setembro de 2018, verbis: i) regra de contagem do prazo decadencial Nesse ponto, comungo com os argumentos expostos voto condutor do acórdão nº 9303006.987, da lavra do i. Presidente Rodrigo da Costa Possas, ao tratar da mesma matéria em recente julgado nesta Turma: "O tema não é mais passível de discussão no CARF, a teor do art. 62, § 2º, do RICARF, pois há decisão vinculante do STJ, em Acórdão submetido ao regime do art. 543C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no julgamento do REsp nº 973.733/SC, trazido pela PGFN em suas Contrarrazões e cuja Ementa transcrevo parcialmente a seguir: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, Fl. 780DF CARF MF Processo nº 10925.722302/201630 Acórdão n.º 3302006.239 S3C3T2 Fl. 151 9 DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção ...) (REsp nº 973.733/SC, Relator Min. Luiz Fux, Dje: 18/09/2009) Existe inclusive Súmula do mesmo STJ a respeito: Súmula 555: Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Para a solução do litígio, resta então unicamente saber o que efetivamente ocorreu no caso concreto, no que se refere (i) ao pagamento antecipado e (ii) à declaração do débito, caso tenha havido o pagamento. O lançamento de ofício foi decorrente de glosas de valores de créditos "fictos" do IPI na aquisição de insumos isentos da Zona Franca de Manaus. Reconstituída a escrita fiscal, foram apurados os valores do tributo objeto do lançamento, com multa de ofício de 75 % e juros de mora. Claro está, portanto, que o estabelecimento autuado não apurou saldo devedor em nenhum dos períodos autuados, não se podendo cogitar, então, de ter havido qualquer pagamento, e nem mesmo declaração de débitos (declarações estas que, ainda que, por equívoco, existissem, em nada poderiam influenciar na solução da lide, em razão da ausência de pagamento). Assim, à vista da jurisprudência vinculante do STJ, aplicase, para fins de delimitação do prazo decadencial, a regra do art. 173, I, do CTN – repito: cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado". Aliás, foi salientado no voto condutor do acórdão a quo que a presunção de pagamento antecipado prevista no art. 124, parágrafo único, III do RIPI/2002 não poderia ser aplicada, pois esse dispositivo regulamentar se refere expressamente a créditos admitidos pelo regulamento, conforme abaixo de observa: "Art. 124. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 207 e Fl. 781DF CARF MF Processo nº 10925.722302/201630 Acórdão n.º 3302006.239 S3C3T2 Fl. 152 10 208 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150 e § 1º, Lei nº 9.430, de 1996, arts. 73 e 74, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49). Parágrafo único. Considerase pagamento: I o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; II o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir; ou III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher". Não admitidos os créditos, por consequência, não se considera existentes os pagamentos alegados. Dessarte, em não havendo pagamento de qualquer débito, deslocase a contagem do prazo decadencial para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme norma extraída do art. 173 do CTN". Pelos fundamentos acima transcritos, é possível arrolar que se o crédito utilizado para abater o débito tributário na escrita fiscal for considerado inexistente, não se pode falar que houve pagamento e, portanto, a regra a ser aplicada é a prevista no art. 173 do CTN. Retornando aos autos, é fato inconteste que não houve pagamento. Também não se discute que a origem do auto de infração foi a glosa de créditos indevidamente utilizados para abater os débitos tributários. Portanto, com base na premissa adotada e nos fatos jurídicos contidos nos autos, entendo que a regra a ser observada para definição de eventual decadência de a Fazenda Pública efetuar o lançamento tributário é a prevista no art. 173 do CTN. Os créditos tributários alegados decaídos são referentes aos períodos de apuração compreendidos entre 01/2011 e 11/2011. Nos termos do art. 173 do CTN, o termo a quo será o primeiro dia do exercício seguinte, ou seja, em janeiro de 2012. O sujeito passivo foi cientificado do auto de infração em 21/12/2016. Logo, os mencionados períodos não foram atingidos pelo instituto da decadência, como gostaria de provar o contribuinte. Prescrição dos créditos escriturais. Alega o recorrente que não há que se falar em prescrição de saldo credor do PIS e Cofins registrado em conta gráfica, quando utilizado para compensação com débitos do próprio PIS ou Cofins, é o que estabelece o art. 3º, caput, e seus incisos, das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. Preliminarmente ressalto que o art. 3º e seus incisos, das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, não determina ser imprescritível o saldo credor das contribuições apuradas pelo regime da não cumulatividade. Ele apenas prevê a possibilidade de utilização de valores não aproveitados em períodos posteriores. Fl. 782DF CARF MF Processo nº 10925.722302/201630 Acórdão n.º 3302006.239 S3C3T2 Fl. 153 11 Feita essa ressalva, mais uma vez teremos que nos socorrer da legislação do IPI para enfrentar esse capítulo recursal, pois não há legislação específica sobre os créditos escriturais das contribuições. Contudo, conforme já defendido, não importa o tributo que gere o crédito o relevante é sua natureza escritural. Já me já posicionei acerca da matéria no sentido de que o direito ao aproveitamento de créditos escriturais prescreve em cinco anos a contar da data de aquisição do direito, nos termos do art. 1º do Decreto nº 20.910/32. Nesta mesma linha trago a baila o Acórdão em Recurso Especial nº 462254/RS, de 12/11/2002, cujo ementa abaixo reproduzo: "CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. IPL PRESCRIÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. SALDOS CREDORES ESCRITURAIS. DECISÃO DA MATÉRIA (MESMO QUE EM SEDE DO ICMS, APLICÁVEL À ESPÉCIE) PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. INAPLICAÇÃO DA CORREÇÃO PRETENDIDA. PRECEDENTES. 1. A Primeira e a Segunda Turma e a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça firmaram entendimento de que, nas ações que visam ao reconhecimento do direito ao creditamento escriturai do IP1, o prazo prescricional é de 5 anos, sendo atingidas as parcelas anteriores à propositura da ação. 2. Entendimento do relator de que a não correção monetária de créditos do IPI, em regime de moeda inflacionária, quer sejam lançados extemporaneamente ou não, fere os princípios da compensação, da nãocumulatividade e do enriquecimento sem causa. 3. A permissibilidade de se corrigir monetariamente créditos do IPI visa a impedir que o Estado receba mais do que lhe é devido, se for congelado o valor nominal do imposto lançado quando da entrada da mercadoria no estabelecimento. 4. O crédito do IPI é uma 'moeda' adotada pela lei para que o contribuinte, mediante o sistema de compensação com o débito apurado pela salda da mercadoria, pague o imposto devido. 5. A linha de entendimento supra é a defendida pelo relator. Submissão, contudo, ao posicionamento da Egrégia Primeira Seção desta Corte Superior, no sentido de que o especial não merece ser conhecido por abordar matéria de natureza constitucional ou de direito local (EREsp n° 89695/SP, Rel. designado para o Acórdão Min.Hélio Mosimann). 6. No entanto, embora tenha o posicionamento acima assinalado, rendome à posição assumida por esta Corte Superior e pelo distinto Supremo Tribunal Federal, pelo seu caráter uniformizador no trato das questões jurídicas no pais, no sentido de que a correção monetária dos créditos escriturais do é, ICMS é incompatível com o princípio constitucional da não cumulatividade (art. 155, § 2°, Ida CF/I 988), entendimento esse Fl. 783DF CARF MF Processo nº 10925.722302/201630 Acórdão n.º 3302006.239 S3C3T2 Fl. 154 12 que se aplica ao IPI (art. 153, § 3';111, da CF/1988), cujos cálculos de ambos são meramente contábeis. 7. Recurso especial não provido, com a ressalva do meu ponto de vista." (RESP 462.254/RS, de 12/11/2002, publicado no DJ de 16/12/2002, Rel. Mim José Delgado, negritos ausentes do original). Neste mesmo sentido o RESP nº 443294/RS, verbis PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO IPI CRÉDITOS ESCRITURAIS PRESCRIÇÃO POSICIONAMENTO DA CORTE DE ORIGEM NO SENTIDO DE QUE INCIDE OS TERMOS DO DECRETO 20.910/32 (QUINQUENAL) — PRETENDIDA REFORMA ALEGADA VIOLAÇÃO DO ART. 108, I E IV DO CTN AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO APONTADA AFRONTA AOS ARTIGOS 150 E 160, AMBOS DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL RECURSO ESPECIAL IMPROVIDO. Inviável o exame da pretensa afronta ao artigo 108, incisos I e V do Código Tributário Nacional, por ausente o prequestionamento . Acerca do tema, a Corte Regional Federal assentou que "o aproveitamento do crédito do IPI em virtude da regra constitucional da nãocumulatividade obedece, para fins prescricionais, o Decreto n. 20.910, de 1932" (fl. 455). Posicionamento em sintonia com precedentes desta Corte Superior, no sentido de que se trata de "prescrição regulada pelo Decreto n°20.910/32, por não se tratar de repetição de indébito, nem de pura compensação tributária de valores líquidos e certos. Caso, apenas, de aproveitamento do crédito para definir saldos devedores ou credores em períodos certos fixados pela lei" (REsp n. 395.052/SC, Relator Min. José Delgado, DJU 02.09.2002). Na mesma linha: ADREsp 430.498RS, Rel. Min. Luiz Fia, in DJ de 17/3/2003 e (REsp 499.619SC, deste Relatar, DJ 8.9.2003). (STJ, 2º Turma, RESP 443294/RS; RECURSO ESPECIAL 2002/00775447, Relator Ministro FRANCIULLI NETTO, julgado em 27/07/2004, DJU de 09/08/2004, p. 210, unanimidade). Cravada a premissa de que o prazo prescricional de crédito escritural deve observar a regra do Decreto nº 20.910/32, cabe determinar o termo a quo para contagem do prazo. Para definir a data em que começa a fluir o prazo prescricional para o uso do crédito escritural, devemos identificar o momento em que o sujeito passivo adquire o direito ao crédito pleiteado. Como já mencionado, o crédito em questão é referente ao regime da não cumulatividade das contribuições sociais previsto nas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Nos termos da mencionadas leis, o direito ao crédito das contribuições para o PIS e Cofins surge com a aquisição, em cada mês, de bens e serviços que, na fase anterior da cadeia de produção Fl. 784DF CARF MF Processo nº 10925.722302/201630 Acórdão n.º 3302006.239 S3C3T2 Fl. 155 13 ou de comercialização tenham se sujeitado às mesmas contribuições e cuja receita da venda ou da revenda integrem a base de cálculo das contribuições não cumulativas. Portanto, ao meu sentir, o termo a quo para contagem do prazo prescricional é a data de aquisição de bens e serviços que darão direito ao crédito das contribuições, nos termos da legislação vigente. Quanto à insatisfação do sujeito passivo referente aos capítulos "Ordem de extinção dos débitos tributários"; "Vícios do Auto de Infração. Valor do crédito tributário lançado superior ao valor apurado pela fiscalização"; "Lançamentos tributários resultantes de uso em duplicidade de créditos das contribuições" e "Impossibilidade de imposição de penalidades, juros de mora e de atualização monetária", não foi aduzida uma única linha que diferenciasse este recurso da peça de impugnação. Também não consta novos documentos acostados aos autos na propositura do recurso voluntário e nem em momento posterior. Como as mencionadas matérias dizem respeito a questões de fato, analiseias com os documentos que já constavam nos autos na época do julgamento de primeiro grau, verifiquei os argumentos que serviram de ratio decidendi da decisão aquo,e cheguei a conclusão de que a Turma da DRJ julgou acertadamente as questões, devendo ser mantida sua decisão pelos seus próprios fundamentos, que abaixo transcrevo: "Ordem de extinção dos débitos 14. A impugnante reclama que o saldo credor restante deveria ser aproveitado inicialmente nos períodos mais antigos, tendo a fiscalização utilizado somente a partir de 07/2011. Ou seja, a partir do momento em que os créditos inicialmente utilizados de ofício no processo 10925722279/201501 (PA 01/2011 a 06/2011) foram invalidados, os créditos válidos resultantes deveriam ser aproveitados na extinção dos débitos daqueles períodos, no lugar dos inválidos. 15. Discordase desse entendimento. Conforme os Termos de Verificação anexos aos autos do saldo de crédito de Cofins existente em 31.12.2010, no valor de R$ 10.560.186,24 (crédito constante do Dacon apresentado pela interessada), R$ 4.686.817,96 foram aproveitados de ofício no PAF nº 10925722279/2015 e agora invalidados pelo presente lançamento. Em seguida, o mesmo ocorreu com os R$ 2.347.866,52 que foram utilizados no PAF nº 10925720694/201601 e com os R$ 3.525.801,76 utilizados no PAF nº 10925720984/201646, não restando saldo daquele crédito acumulado a ser aproveitado, aplicandose o mesmo ao PIS/Pasep. 16. Ademais, os presentes autos prestaramse somente a lançar os valores de créditos que haviam sido informados indevidamente pela contribuinte em seu Dacon e que, por esse motivo, foram aproveitados de ofício nas ações fiscais que apreciavam as contribuições nos anos de 2011 e 2012. Não pretendeu a fiscalização, nos lançamentos ora em análise, refazer a apuração das contribuições daqueles períodos. Assim, Fl. 785DF CARF MF Processo nº 10925.722302/201630 Acórdão n.º 3302006.239 S3C3T2 Fl. 156 14 ainda que restassem créditos, descaberia sua alocação na forma pretendida pela empresa. Alegação de vícios nos lançamentos 17. A impugnante alega que, de acordo com os demonstrativos juntados no presente auto de infração, o crédito tributário que se pretende constituir é bem superior ao crédito tributário apurado nos autos de infração anteriores. 18. Antes de se proceder a análise das alegações apresentadas, lembrase novamente que o presente lançamento é autônomo, não se prestando a reapurar as contribuições dos PA objeto dos processos nº 10925.722.279/201501 (período 01 a 06 de 2011), 10925.720.694/201601 (período 07 a 12 de 2011), e 10925.720.984/201646 (período 01 a 12 de 2012). Processo 10925.722.279/201501 19. Em seu demonstrativo a empresa apura as contribuições devidas tomando a diferença entre a base de cálculo apurada pela fiscalização e a informada no Dacon no processo 10925.722.279/201501. Chega, assim, em valor diferente do ora lançado: 20. Entretanto, conforme dito, tal procedimento é incorreto para o presente lançamento, em que a fiscalização pura e simplesmente tomou os créditos indevidos utilizados naquele processo e efetuou o lançamento dos mesmos. Além disso, no processo 10925.722.279/201501 o crédito foi lançado pela totalidade e não pela diferença, posto que o Dacon não é confissão de dívida. Tomese como exemplo o lançamento de Cofins: 21. Ou seja, foi apurada uma contribuição no valor de R$ 6.147.110,38 e aproveitados créditos no mesmo montante. Já no presente lançamento, foi constituído crédito tributário referente aos créditos das contribuições não cumulativas considerados indevidos por prescrição (R$ 4.686.817,96) e por já haverem sido utilizados em períodos anteriores (R$ 399.165,51, utilizados no primeiro trimestre de 2013). 22. Dessa forma, entendese estar correto o procedimento adotado pela fiscalização, inexistindo vícios nos lançamentos. Processos nº 10925.720.694/201601 e nº 10925.720.984/2016 46 23. A impugnante repete o equívoco ao argumentar que teria sido feito lançamento a maior também nos demais processos, valendo o entendimento acima para os créditos descontados indevidamente nos processos 10925.720.694/201601 (período 07 a 12 de 2011) e 10925.720.984/201646. Mais uma vez a fiscalização apenas lançou aqueles créditos informados no Dacon e que haviam sido aproveitados indevidamente de ofício. Aproveitamento de ofício dos créditos nos processos anteriores Fl. 786DF CARF MF Processo nº 10925.722302/201630 Acórdão n.º 3302006.239 S3C3T2 Fl. 157 15 24. A impugnante defende que, tendo sido erro da autoridade fiscal o aproveitamento de ofício dos créditos e tendo a mesma seguido os atos normativos da administração tributária, não caberia a imposição de penalidade. 25. Discordase novamente. As ações fiscais anteriores procuraram rever as bases de cálculo das contribuições, cancelando exclusões utilizadas pela cooperativa consideradas indevidas pela fiscalização. Feito isso, foram deduzidos os créditos das contribuições que haviam sido informados no Dacon pela impugnante. 26. Claro está que não foi feito juízo de valor acerca dos créditos da não cumulatividade aproveitados e, ainda que isso tivesse sido feito, não significaria a chancela da administração sobre o valor informado. 27. Ademais, também está incorreto o argumento de que a impugnante teria seguido estritamente as orientações da administração tributária, uma vez que utilizou créditos prescritos e, principalmente, manteve no seu demonstrativo créditos que já haviam sido utilizados em períodos anteriores". Forte nestes argumentos, nego provimento a esses capítulos recursais. Multa com efeito confiscatório. Cabe ressaltar que multa em percentual de 75% está previsto na legislação vigente à época dos fatos, não se podendo reduzilo ou alterálo por critérios meramente subjetivos, contrários ao princípio da legalidade. O contribuinte prestou declaração inexata à SRF, o que redundou na apuração de tributos e contribuições em montantes inferiores aos efetivamente devidos, estando, portanto, adequadamente tipificada a infração cuja ocorrência impõe também a aplicação da multa de ofício prevista no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Já os juros de mora encontra seu embasamento legal no art. 161 do CTN: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta lei ou em lei tributária. Fl. 787DF CARF MF Processo nº 10925.722302/201630 Acórdão n.º 3302006.239 S3C3T2 Fl. 158 16 § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Esclareçase também, que a multa de ofício e os juros de mora encontram embasamento legal, por conta do caráter vinculado da atividade fiscal, não podendo ser excluída administrativamente se a situação fática verificada enquadrase na hipótese prevista pela norma. Considerações sobre a graduação da penalidade, no caso, não se encontram sob a discricionariedade da autoridade administrativa, uma vez definida objetivamente pela lei. Qualquer pedido ou alegação que ultrapasse a análise de conformidade do ato administrativo de lançamento com as normas legais vigentes, como a contraposição a princípios constitucionais – sob o argumento de suposta ofensa à capacidade contributiva ou por ocorrência de confisco – somente pode ser reconhecido pela via competente, no caso o Poder Judiciário. Com efeito, a apreciação de assuntos desse tipo achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos da inconstitucionalidade e/ou invalidade das normas jurídicas deve ser submetida ao crivo desse Poder. O Órgão Administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza. Os mecanismos de controle da constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal, passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa prerrogativa. Noutro giro, não se pode olvidar que esta matéria já foi pacificada no âmbito do CARF, com a aprovação do Enunciado de Súmula CARF nº 02, in verbis: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ressalto que as súmulas do CARF são de observância obrigatória, sob pena de perda de mandato. Desse modo e não cabendo à autoridade administrativa de julgamento acatar a alegação de que a multa de ofício com os juros de mora tem caráter confiscatório, não podendo reduzilo e nem alterálo sem que haja expressa previsão legal, é de se considerar correta a aplicação da multa de lançamento de ofício ao percentual de 75%, sobre os valores de PIS e de Cofins não declarados/recolhidos e a cobrança dos juros de mora quando houve recolhimento a destempo. Ex positis, não conheço de parte do recurso e na parte conhecida nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 788DF CARF MF Processo nº 10925.722302/201630 Acórdão n.º 3302006.239 S3C3T2 Fl. 159 17 Fl. 789DF CARF MF
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