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7352413 #
Numero do processo: 10480.900020/2008-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1401-000.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem faça uma análise mais aprofundada sobre o alegado direito creditório, realizando as verificações requeridas no voto condutor desta Resolução. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES

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1401­000.574  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  16 de maio de 2018  Assunto  PER/DCOMP ­ INCOMPATIBILIDADE ENTRE DIPJ E DCTF  Recorrente  HOSPITAL DE OLHOS SANTA LUZIA LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento em diligência para que a Unidade de Origem faça uma análise mais aprofundada  sobre o alegado direito creditório, realizando as verificações requeridas no voto condutor desta  Resolução.   (assinado digitalmente)  Luiz Augusto de Souza Gonçalves ­ Presidente e Relator   Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Luiz  Augusto  de  Souza  Gonçalves,  Luiz  Rodrigo  de  Oliveira  Barbosa,  Livia  De  Carli  Germano,  Abel  Nunes  de  Oliveira Neto,  Luciana  Yoshihara  Arcangelo  Zanin,  Cláudio  de  Andrade  Camerano,  Daniel  Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.      Relatório   Trata­se de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 3ª  Turma da Delegacia da Receita Federal  do Brasil  de  Julgamento no Recife  (DRJ/REC), que  julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela empresa.  Conforme consta no relatório constante no acórdão da DRJ, a interessada acima  qualificada apresentou Declaração de Compensação – DCOMP, por meio da qual compensou  crédito  de  Imposto  sobre  a  Renda  da  Pessoa  Jurídica  ­  IRPJ  com  débito  de  sua     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 00 02 0/ 20 08 -4 6 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10480.900020/2008­46  Resolução nº  1401­000.574  S1­C4T1  Fl. 3          2 responsabilidade. O crédito informado, no valor de R$ 2.965,78, seria decorrente de pagamento  indevido ou a maior do imposto apurado no 3º trimestre do ano­calendário 1999.   Através  do  despacho  emitido  eletronicamente,  a Delegacia  da Receita  Federal  no Recife – DRF/Recife identificou integral utilização anterior do pagamento para quitação de  débito do IRPJ, em face do que não homologou a compensação declarada.   A interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese,  que  retificou  sua Declaração de  Informações  ­ DIPJ para demonstrar os  créditos,  porém não  retificou a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais ­ DCTF ajustando os débitos.  Argúi  que  a  falha  nesse  procedimento  não  invalida  a  existência  dos  créditos,  já  que  houve  pagamento a maior, e que não há norma que exija a necessidade de retificação da DCTF para  que  o  Fisco  aceite  a  existência  dos  créditos.  Requereu,  ao  final,  a  homologação  da  compensação.  A  DRJ,  por  meio  do  Acórdão  11­30.646,  de  04  de  agosto  de  2010,  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  apresentada  pela  empresa,  conforme  a  seguinte ementa:  "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário   Ano­calendário: 1999   COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.  A  certeza  e  a  liquidez  dos  créditos  são  requisitos  indispensáveis  para  a  compensação autorizada por lei.  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  PAGAMENTO  INDEVIDO  OU  A  MAIOR.  UTILIZAÇÃO  INTEGRAL.  COMPENSAÇÃO  NÃO  HOMOLOGADA.  Mantém­se  o  despacho  decisório  que  não  homologou  a  compensação  quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi  integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido"   Cientificada da decisão  da DRJ na data de 02/05/2011,  e não  satisfeita  com a  decisão  da  delegacia  de  piso,  apresentou  recurso  voluntário  em  11/05/2011,  repetindo  os  argumentos apresentados na impugnação.  No CARF, coube a mim a relatoria do processo.  É o relatório.  Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10480.900020/2008­46  Resolução nº  1401­000.574  S1­C4T1  Fl. 4          3   Voto   Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves ­ Relator   O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09  de  junho  de  2015.  Portanto,  ao  presente  litígio  aplica­se  o  decidido  na Resolução  nº  1401­ 000.570,  de  16/05/2018,  proferido  no  julgamento  do  Processo  nº  10480.900013/2008­44,  paradigma ao qual o presente processo fica vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1401­000.570):  "O  recurso  é  tempestivo  e  preenche  os  demais  requisitos  de  admissibilidade, portanto deve ser conhecido.  Não  obstante  o  posicionamento  da  delegacia  de  julgamento,  entendo  que  há  relevantes  indícios  de  que  a  recorrente  possui  o  crédito  pleiteado.   Na DIPJ retificadora, que foi entregue antes do procedimento fiscal, a  empresa  informou  o  recolhimento  de  tributos  e  apuração  de  saldo  negativo  no  final  do  ano­calendário.  Esta  retificação  se  deveu  em  razão da falta de informação sobre imposto de renda retido na fonte e  também  sobre  o  valor  de 1/3  da Cofins  que  teria  sido  utilizado  para  compensar a CSLL a pagar.  Assim, em busca da verdade material,  supero as razões da DRJ para  analisar o crédito ora pleiteado.  Com relação ao IRPJ, a empresa alega que possui créditos que tiveram  origem  em  imposto  de  renda  retido  na  fonte.  Alega  que  a  receita  federal poderia  verificar em  sua base de dados que os  valores  foram  efetivamente  recolhidos.  Junta  uma  planilha  que  informa  os  créditos  decorrentes do IRRF e anexa notas­fiscais de sua emissão no período  abrangido pelo crédito pleiteado.  Na análise das notas­fiscais de serviços prestados pela recorrente, não  vejo  retenção  na  fonte  sobre  o  imposto  de  renda  incidente  sobre  a  operação.  Entretanto, na planilha que trata do valor do IR na fonte, do período de  apuração alcançado pelo pedido de compensação que ora se discute,  há,  por  exemplo,  informação  de  retenção  de  IR  por  instituições  financeiras e seguradoras.  Quanto  à  análise  do  crédito  da  CSLL,  o  direito  à  compensação  da  CSLL  com  o  pagamento  de  1/3  da  Cofins  surgiu  em  decorrência  do  aumento  da  alíquota  da Cofins,  a  partir  do  ano­calendário  de  1999,  veja a redação da Lei 9.718/1998:  Art. 8º Fica elevada para três por cento a alíquota da COFINS.  Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10480.900020/2008­46  Resolução nº  1401­000.574  S1­C4T1  Fl. 5          4 §  1° A  pessoa  jurídica  poderá  compensar,  com  a Contribuição  Social sobre o Lucro Líquido ­ CSLL devida em cada período de  apuração  trimestral  ou  anual,  até  um  terço  da  COFINS  efetivamente paga, calculada de conformidade com este artigo.  § 2° A compensação referida no § 1°:  I ­ somente será admitida em relação à COFINS correspondente  a  mês  compreendido  no  período  de  apuração  da  CSLL  a  ser  compensada, limitada ao valor desta;   II ­ no caso de pessoas jurídicas tributadas pelo regime de lucro  real  anual,  poderá  ser  efetuada  com  a  CSLL  determinada  na  forma dos arts. 28 a 30 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de  1996.   §  3º Da  aplicação  do  disposto  neste  artigo,  não  decorrerá,  em  nenhuma  hipótese,  saldo  de COFINS  ou  CSLL  a  restituir  ou  a  compensar com o devido em períodos de apuração subseqüentes.  §  4º  A  parcela  da  COFINS  compensada  na  forma  deste  artigo  não será dedutível para fins de determinação do lucro real.  Na DIPJ retificadora, há informações sobre Cofins a pagar durante o  período abrangido pelo crédito de CSLL pleiteado.  Ou  seja,  há  fortes  indícios  do  direito  creditório  da  recorrente.  Por  outro  lado,  é de perceber que o  caso ainda  requer uma análise mais  aprofundada sobre o suposto direito creditório. E esta análise deve ser  feita  pela  autoridade  fiscal,  pois  dispõe  dos  instrumentos necessários  para tal mister.  Diante  disso,  partindo  da  premissa  de  que  a  falta  de  retificação  da  DCTF  não  pode  impedir  a  análise  do  direito  creditório  da  ora  recorrente, sugiro baixar o processo em diligência para que a Unidade  de Origem verifique o que segue:  1) Verificar  se  o  valor  de  IRRF utilizado  para  apuração do  IRPJ no  período  em  questão  consta  na  DIRF  ou,  caso  não  conste,  intimar  a  empresa a apresentar os Informes de Rendimentos ou outro documento  comprobatório que comprovem o valor de IRRF.  2) Confirmar a tributação do valor dos rendimentos sujeitos à retenção  de  IR  na  fonte.  Observo  que  a  recorrente  informou  na  DIPJ  retificadora que apurou os tributos em seguimento ao regime de caixa.  Logo, smj, há de haver coincidência temporal entre o reconhecimento  da tributação e a retenção do IRRF.  3) Confirmar o pagamento de 1/3 da Cofins.  4) Verificar se o valor de 1/3 da Cofins, utilizado para quitar a CSLL  devida, corresponde somente ao período objeto de restituição.  5)  Se  possível,  verificar  se  efetivamente  a  recorrente  optou  por  compensar 1/3 da Cofins com a CSLL do período.  Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10480.900020/2008­46  Resolução nº  1401­000.574  S1­C4T1  Fl. 6          5 6) Concluída a diligência, preparar Informação Fiscal com o resultado  da diligência, que necessariamente deverá conter o crédito que poderá  ser  compensado,  intimando a  empresa para que se manifeste  sobre o  teor  da  Informação Fiscal,  caso  queira,  no  prazo  de  30  (trinta)  dias  contados  da  ciência  da  intimação,  nos  termos  do  art.  44  da  Lei  nº  9.784/1999.  7) Após, favor retornar este processo ao CARF para seguimento de seu  julgamento.  É como voto!  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento  do recurso em diligência, nos termos do voto acima transcrito.  (assinado digitalmente)  Luiz Augusto de Souza Gonçalves  Fl. 88DF CARF MF

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7364224 #
Numero do processo: 10855.721325/2016-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2011 a 31/12/2012 REIDI. BEM ADQUIRIDO COM SUSPENSÃO. ATIVIDADE DO ADQUIRENTE. UTILIZAÇÃO EM ATIVIDADE DIVERSA. A pessoa jurídica que aufira receitas decorrentes da execução por empreitada de obras de construção civil, contratada pela pessoa jurídica habilitada ao REIDI, poderá requerer co-habilitação ao regime, para que possa usufruir a suspensão das contribuições ao PIS e à Cofins, ao adquirir ou importar bens ao amparo do referido regime. Na medida em que os bens adquiridos foram utilizados em área diversa da construção, este assumiu a responsabilidade tributária pelos tributos não recolhidos e pelas penalidades daí decorrentes. NORMA COMPLEMENTAR. EXCLUSÃO DE PENALIDADE. A observância das práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros e a atualização monetária da base de cálculo do tributo (artigo 100, inciso III, e parágrafo único, do CTN) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2011 a 31/12/2012 REIDI. BEM ADQUIRIDO COM SUSPENSÃO. ATIVIDADE DO ADQUIRENTE. UTILIZAÇÃO EM ATIVIDADE DIVERSA. A pessoa jurídica que aufira receitas decorrentes da execução por empreitada de obras de construção civil, contratada pela pessoa jurídica habilitada ao REIDI, poderá requerer co-habilitação ao regime, para que possa usufruir a suspensão das contribuições ao PIS e à Cofins, ao adquirir ou importar bens ao amparo do referido regime. Na medida em que os bens adquiridos foram utilizados em área diversa da construção, este assumiu a responsabilidade tributária pelos tributos não recolhidos e pelas penalidades daí decorrentes. NORMA COMPLEMENTAR. EXCLUSÃO DE PENALIDADE. A observância das práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros e a atualização monetária da base de cálculo do tributo (artigo 100, inciso III, e parágrafo único, do CTN)
Numero da decisão: 3302-005.473
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício e os juros de mora dos lançamentos, vencidos o Conselheiro José Renato Pereira de Deus (relator) que dava provimento parcial em menor extensão para excluir os juros de mora sobre a multa de ofício e o Conselheiro Vinícius Guimarães que negava provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede - Presidente. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus - Relator. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (suplente convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício e os juros de mora dos lançamentos, vencidos o Conselheiro José Renato Pereira de Deus (relator) que dava provimento parcial em menor extensão para excluir os juros de mora sobre a multa de ofício e o Conselheiro Vinícius Guimarães que negava provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede - Presidente. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus - Relator. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (suplente convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 31; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2212; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T2  Fl. 2          1 1  S3­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10855.721325/2016­06  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3302­005.473  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  23 de maio de 2018  Matéria  AUTO INFRAÇÃO PIS ­ COFINS  Recorrente  WOBBEN WINDPOWER INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/04/2011 a 31/12/2012  REIDI.  BEM  ADQUIRIDO  COM  SUSPENSÃO.  ATIVIDADE  DO  ADQUIRENTE. UTILIZAÇÃO EM ATIVIDADE DIVERSA.  A pessoa jurídica que aufira receitas decorrentes da execução por empreitada  de  obras  de  construção  civil,  contratada  pela  pessoa  jurídica  habilitada  ao  REIDI, poderá  requerer co­habilitação  ao  regime, para que possa usufruir a  suspensão das contribuições ao PIS e à Cofins, ao adquirir ou importar bens  ao amparo do referido regime. Na medida em que os bens adquiridos foram  utilizados  em  área  diversa  da  construção,  este  assumiu  a  responsabilidade  tributária pelos tributos não recolhidos e pelas penalidades daí decorrentes.  NORMA COMPLEMENTAR. EXCLUSÃO DE PENALIDADE.  A  observância  das  práticas  reiteradamente  observadas  pelas  autoridades  administrativas  exclui  a  imposição  de  penalidades,  a  cobrança  de  juros  e  a  atualização monetária da base de cálculo do tributo (artigo 100, inciso III, e  parágrafo único, do CTN)  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/04/2011 a 31/12/2012  REIDI.  BEM  ADQUIRIDO  COM  SUSPENSÃO.  ATIVIDADE  DO  ADQUIRENTE. UTILIZAÇÃO EM ATIVIDADE DIVERSA.  A pessoa jurídica que aufira receitas decorrentes da execução por empreitada  de  obras  de  construção  civil,  contratada  pela  pessoa  jurídica  habilitada  ao  REIDI, poderá  requerer co­habilitação  ao  regime, para que possa usufruir a  suspensão das contribuições ao PIS e à Cofins, ao adquirir ou importar bens  ao amparo do referido regime. Na medida em que os bens adquiridos foram  utilizados  em  área  diversa  da  construção,  este  assumiu  a  responsabilidade  tributária pelos tributos não recolhidos e pelas penalidades daí decorrentes.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 13 25 /2 01 6- 06 Fl. 2463DF CARF MF Processo nº 10855.721325/2016­06  Acórdão n.º 3302­005.473  S3­C3T2  Fl. 3          2 NORMA COMPLEMENTAR. EXCLUSÃO DE PENALIDADE.  A  observância  das  práticas  reiteradamente  observadas  pelas  autoridades  administrativas  exclui  a  imposição  de  penalidades,  a  cobrança  de  juros  e  a  atualização monetária da base de cálculo do tributo (artigo 100, inciso III, e  parágrafo único, do CTN)      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento  parcial ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício e os juros de mora dos lançamentos,  vencidos o Conselheiro José Renato Pereira de Deus (relator) que dava provimento parcial em  menor extensão para excluir os juros de mora sobre a multa de ofício e o Conselheiro Vinícius  Guimarães  que  negava  provimento  ao  recurso  voluntário.  Designado  para  redigir  o  voto  vencedor o conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida.  (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Deroulede ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  José Renato Pereira de Deus ­ Relator.  (assinado digitalmente)  Fenelon Moscoso de Almeida ­ Redator designado.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Paulo  Guilherme  Déroulède,  Fenelon  Moscoso  de  Almeida,  Walker  Araujo,  Vinicius  Guimaraes  (suplente  convocado),  José  Renato  Pereira  de  Deus,  Jorge  Lima  Abud,  Diego  Weis  Junior,  Raphael  Madeira Abad.  Relatório  Trata­se  de  auto  de  infração,  referentes  ao  PIS  e  COFINS,  relativos  aos  períodos de apuração de 01/04/2011 a 31/12/2012.  Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os  quais foram relatados de forma completa, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a  seguir transcrito:  Contra  o  contribuinte  acima  identificado  foram  lavrados  os  Autos  de  Infração,  de  Pis  e  Cofins,  para  cobrança  de  crédito  tributário  nos  valores  de R$  5.490.433,53  e  R$  25.289.271,06,  respectivamente,  que  incluem  valor  principal,  juros  de  mora  e  multa.  Fl. 2464DF CARF MF Processo nº 10855.721325/2016­06  Acórdão n.º 3302­005.473  S3­C3T2  Fl. 4          3     A  infração  apurada  pela  Fiscalização,  relatada  na  Descrição  dos Fatos e Enquadramentos Legais, e­fls. 1.094 e 1.102, foi a  NÃO  UTILIZAÇÃO  OU  INCORPORAÇÃO  DE  BEM  OU  MATERIAL  DE  CONSTRUÇÃO NA OBRA DE INFRA­ESTRUTURA (REIDI).  Da  análise  do  relatório  fiscal  constante  dos  autos,  verificamos  que o Auto de Infração foi  lavrado em virtude de a autuada ter  efetuado  compras  com  suspensão  das  contribuições  para  o  PIS/PASEP e COFINS, em período em que esteve indevidamente  co­habilitada ao Reidi.  7.2  Porém,  apesar  da  perfeita  validade  formal  dos  atos  que  deferiram  as  co­habilitações  ao  REIDI,  a  fiscalizada  a  cada  compra que efetuava com suspensão da contribuição para o PIS e  da COFINS cometia uma  infração à  legislação do REIDI e não  poderia,  com  efeito,  ter  efetuado  compras  com  suspensão  das  contribuições,  porque  o  benefício  da  co­habilitação  ao  REIDI  destina­se, conforme o § 2º, do art. 5º, e nos termos expressos do  art.  7º,  do  Decreto  6.144/2007,  a  seguir  transcritos,  exclusivamente  a  execução  de  obras  de  construção  civil,  e  a  principal atividade da fiscalizada, conforme o teor dos contratos  apresentados por ela mesma nos processos de  co­habilitação  ao  REIDI,  é,  de  fato,  a  venda  dos  aerogeradores  completos,  e  não  apenas a execução exclusiva de obras de construção civil:  (...)  7.3 Portanto, a fiscalizada, apesar da perfeita validade formal dos  ADE  que  concederam  a  co­habilitação,  nunca  cumpriu  com  o  requisito  de  fato  exigido  pela  legislação  para  usufruir  do  benefício do REIDI, qual seja, executar exclusivamente obras de  construção civil.  7.4  Como  o  benefício  da  co­habilitação,  conforme  a  legislação  do  REIDI,  se  destina  exclusivamente  a  execução  de  obras  de  construção  civil,  as  infrações  ao  REIDI  ocorreriam  a  cada  compra  feita  pela  fiscalizada  com  suspensão  das  contribuições,  não  importando,  no  caso,  o  momento  em  que  houve  o  cancelamento  administrativo  das  co­habilitações,  haja  vista  que  Fl. 2465DF CARF MF Processo nº 10855.721325/2016­06  Acórdão n.º 3302­005.473  S3­C3T2  Fl. 5          4 as infrações à legislação do REIDI ocorriam independentemente  da perfeita validade formal da co­habilitação.  A  fiscalização  relata  que  a  DRF/Sorocaba  anulou  co­ habilitações  indevidamente  deferidas,  e  que  essa  decisão  foi  ratificada pela SRRF08/Disit,  em sede dos recursos  interpostos  pela contribuinte.  “16.  Por  fim,  vale  observar  que,  mesmo  se,  por  absurdo,  não  houvesse  ocorrido  o  cancelamento  de  ofício  da  Co­habilitação  em pauta, e a recorrente seguisse como insólita Co­habilitada ao  REIDI,  não  haveria  como  se  conceber  que  operações  fora  do  âmbito  da  construção  civil,  como,  por  exemplo,  a  fabricação  e  venda  (com  conclusão  da  operação  de  industrialização  fora  do  estabelecimento  industrializador)  de  aerogeradores,  essência  do  contrato  apresentado,  pudessem  desfrutar  da  Co­habilitação  obtida.  Essa  impossibilidade  seria  decorrente  não  apenas  das  expressas disposições da  legislação, e do fato de que tal  fruição  de  Co­habilitação  (uma  vez  relativa  a  operações  que  geram  receitas para a recorrente sujeitas ao Regime Não­Cumulativo de  apuração  das  contribuições  em  pauta)  feriria  o  cerne  desse  instituto, mas até mesmo do próprio teor do requerimento do qual  a  recorrente  obteve  inicial  deferimento.  Como  se  sabe,  a  recorrente, representada por procuradoras com poderes bastantes,  firmou  petição,  da  qual  inicialmente  obteve  deferimento,  solicitando Co­habilitação  ao REIDI  ‘para  a  execução  de  obras  de  construção  civil’  dentro  do  âmbito  do  projeto  de  ‘obra  de  infraestrutura’  de  sua  contratante,  pessoa  jurídica  que  possui  Habilitação ao Regime.” (destaques originais)  Adiciona  que  as  infrações  que  geraram  a  lavratura  do  AI  ocorreram  antes  e  independentemente  do  cancelamento  administrativo  das  co­habilitações,  uma  vez  que  as  compras  feitas  pela  fiscalizada,  para  cumprimento  dos  contratos  que  celebrou  com  pessoas  jurídicas  habilitadas  ao  REIDI,  não  se  destinaram  exclusivamente  à  execução  de  obras  de  construção  civil. Não havia, portanto, amparo na legislação tributária para  que  essas  compras  fossem  feitas  com  suspensão  das  contribuições.  A autoridade administrativa prossegue em seu relato, atribuindo  à  fiscalizada  a  responsabilidade  solidária  pelos  tributos  que  deixaram de ser recolhidos por seus fornecedores, nos seguintes  termos:  8.1 Nos formulários de Solicitação de Co­habilitação ao Regime  Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura  (REIDI) , aprovado pela IN RFB nº 758, de 2007, apresentados e  devidamente  assinados  por  representante  legal,  a  própria  fiscalizada  “INFORMA  estar  ciente  de  que  em  caso  de  descumprimento  do  regime,  ficará  obrigada  a  recolher  as  contribuições  não  pagas  com  os  devidos  acréscimos  legais,  nos  termos  do  §  3º  do  art.  3º  e  do  parágrafo  único  do  art.  4º,  ambos dispositivos da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007.”  (Destaques nossos)  Fl. 2466DF CARF MF Processo nº 10855.721325/2016­06  Acórdão n.º 3302­005.473  S3­C3T2  Fl. 6          5 8.2 Conforme já observado acima, no contexto da co­habilitação  ao REIDI, efetuar compras, com suspensão das contribuições, e  não  as  destinar  ao  cumprimento  de  um  contrato  que  tenha  por  objeto  exclusivamente  a execução de obras de  construção civil,  equivale  a  não  utilizar  ou  incorporar  o  bem  ou  material  de  construção  na  obra  de  infraestrutura,  por  isso  aplica­se  à  fiscalizada a responsabilização tributária com base no § 3º do art.  3º e o parágrafo único (renomeado § 1º) do art. 4º, ambos da Lei  nº  11.488,  de  15  de  junho  de  2007,  abaixo  transcritos,  regulamentados  pelo  art.  14,  §  1º,  inciso  II,  do  Decreto  nº  6.144/2007,  e  no  inciso  I  e  no  §  1º,  inciso  II,  do  art.  18  da  Instrução Normativa RFB nº 758/2007:  Art. 3º  (...)  § 3º A pessoa  jurídica que não utilizar ou  incorporar o bem ou  material de construção na obra de  infraestrutura  fica obrigada a  recolher as contribuições não pagas em decorrência da suspensão  de que trata este artigo, acrescidas de juros e multa de mora, na  forma da lei, contados a partir da data da aquisição ou do registro  da Declaração de Importação ­ DI, na condição:  (...)  II ­ de responsável, em relação à Contribuição para o Pis/pasep e  à Cofins.  (...)  Art. 4º  (...)  § 1o Nas vendas ou importação de serviços de que trata o caput  deste artigo aplica­se o disposto nos §§ 2º  e 3º do art.  3° desta  Lei. (Renumerado do parágrafo único, pela Medida Provisória nº  413, de 2008)  8.3  Além  disso,  como  a  suspensão  das  contribuições  estava  condicionada à destinação dos bens ou dos serviços adquiridos à  execução de obras de  construção civil,  ao dar destino diverso a  tais  bens/serviços,  que  foram  utilizados  na  industrialização  de  aerogeradores  (e  não  exclusivamente  em  obras  de  construção  civil), a responsabilização tributária também se aplica nos termos  do art. 22, da Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009:  Art.  22.  Salvo  disposição  expressa  em  contrário,  caso  a  não­ incidência, a isenção, a suspensão ou a redução das alíquotas da  Contribuição para o Pis/pasep, da Cofins, da Contribuição para o  Pis/pasep­Importação e da Cofins­Importação for condicionada  à destinação do bem ou do serviço, e a este for dado destino  diverso, ficará o responsável pelo fato sujeito ao pagamento das  contribuições  e  das  penalidades  cabíveis,  como  se  a  não­ incidência, a isenção, a suspensão ou a redução das alíquotas não  existisse. (destacamos)  Fl. 2467DF CARF MF Processo nº 10855.721325/2016­06  Acórdão n.º 3302­005.473  S3­C3T2  Fl. 7          6 8.4  Ex  positis  a  fiscalizada  passou  a  ser  responsável  tributária  pelas  contribuições  que  deixaram  de  ser  pagas  pelos  seus  fornecedores  quando  das  vendas  efetuadas  com  suspensão  das  contribuições.  Por  fim,  após  apresentar  saldo  de  créditos  da  não  cumulatividade  aos  quais  faria  jus  a  contribuinte,  conclui  a  fiscalização  pela  impossibilidade  dos  mesmos,  nos  seguintes  termos:  10.8  Ocorre  que  mesmo  esses  saldos  não  poderão  ser  aproveitados  de  ofício  no  presente  lançamento  porque  os  créditos  tributários  aqui  constituídos  são  créditos  atribuídos por  responsabilidade  tributária  em  que  a  fiscalizada  não  é  o  contribuinte,  mas  apenas  o  responsável  tributário,  e  não  faz  sentido  na  sistemática  da  não­cumulatividade  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da  COFINS  aproveitar  créditos  da  não  cumulatividade originados das atividades próprias da fiscalizada  para  deduzir  de  contribuições  cujas  bases  de  cálculo  e  fatos  geradores  decorrem  das  atividades  de  outros  contribuintes  (destaque nosso).  10.9 Menos  sentido  ainda  faz  a  utilização  dos  créditos  da  não­ cumulatividade gerados no lançamento de ofício para deduzir da  própria  contribuição  para  o  PIS  e  da  COFINS  constituída  de  ofício,  uma vez que  caso assim  se procedesse,  além de  se estar  atribuindo créditos da não­cumulatividade próprios para débitos  atribuídos  por  responsabilidade,  se  estaria  também  anulando  o  próprio  lançamento,  o  que  levaria,  no  caso  específico  das  co­ habilitações,  a  inutilidade  do  art.  3º,  §  3º,  inciso  II,  da  Lei  nº  11.488,  de  15  de  junho  de  2007,  o  que  conduz  a  conclusão  automática de se tratar de evidente equívoco hermenêutico.  Irresignada  com  a  lavratura  do  AI,  apresentou  a  contribuinte  Impugnação, às fls. 2.260/2.406, na qual questiona inicialmente  os  efeitos  retroativos  do  cancelamento,  de  ofício,  da  co­ habilitação ao REIDI a ela deferida. E ainda, que fora ignorado  o  fato  de  a  contribuinte  ter  apresentado  todos  os  documentos  exigidos  pela  legislação,  notadamente  os  contratos  com  as  empresas habilitadas ao REIDI, bem como o reconhecimento do  direito da impugnante à referida co­habilitação, depois de detida  análise da documentação por ela apresentada.  Aduz  que  o  cancelamento  de  sua  co­habilitação  ao REIDI  não  teve  outra motivação  senão  a  alteração  de  postura  do  próprio  fisco que  Revendo  a  posição  anteriormente  externada,  concluiu  –  de  maneira ilegal, pois não amparada pela Lei n° 11.488/07 – que os  contratos  firmados não poderiam dar  ensejo à  co­habilitação ao  REIDI,  pois  não  envolveriam  exclusivamente  as  obras  de  construção civil.  5. E o que é pior: a Receita Federal do Brasil pretende exigir o  PIS  e  a  Cofins  que  tiveram  sua  incidência  suspensa  durante  o  curso  dos  projetos  aprovados  no  âmbito  do  REIDI,  e  para  os  Fl. 2468DF CARF MF Processo nº 10855.721325/2016­06  Acórdão n.º 3302­005.473  S3­C3T2  Fl. 8          7 quais  a  Impuganante  era,  à  época  dos  fatos  geradores,  co­ habilitada.  6.  Curioso  notar,  aliás  que  as  referidas  exigências  são  promovidas  justamente  após  a  conclusão  de  projetos  para  os  quais foi contratada a impugnante. (grifos e destaques originais)  Prossegue apelando para a função incentivadora dos benefícios  fiscais,  tais  como  REIDI,  bem  como  para  princípios  como  segurança  jurídica,  irretroatividade,  boa­fé  e  legalidade,  para  embasar  suas  alegações.  Postula  pelo  acolhimento  da  impugnação e consequente cancelamento dos AI´s respectivos.  A  seguir,  discorre  a  manifestante  brevemente  sobre  a  energia  eólica e suas atividades, afirmando que seu objeto é a fabricação  e  a  venda  de  auto  geradores  (montados  e  instalados),  e  equipamentos  necessários  à  produção  de  energia  eólica,  bem  como a implementação de parques eólicos.  Justifica  os  pedidos  de  co­habilitação  no REIDI,  nos  seguintes  termos:  26.  Com  o  objetivo  de  investir  em  projetos  de  infra­estrutura  aprovados  pelo Ministério  de Minas  e  de  Energia,  continuar  a  contribuir ainda mais para o desenvolvimento da energia  eólica  no  País,  e,  em  contrapartida,  usufruir  o  benefício  fiscal  da  suspensão  da  exigência  do  PIS  e  da  COFINS,  a  Impugnante  formalizou perante a Delegacia da Receita Federal do Brasil em  Sorocaba a sua solicitação de co­habilitação ao REIDI.  27. No momento da formalização da solicitação de co­habilitação  ao  REIDI,  a  Impugnante  apresentou  toda  a  documentação  necessária,  demonstrando  preencher  os  requisitos  exigidos  pela  Lei n° 11.488/2007 para o deferimento do seu pedido e a fruição  da suspensão da exigência do PIS e da COFINS.  28. Os  pedidos  de  co­habilitação  ao REIDI  deram origem a  24  (vinte  e quatro) processos administrativos,  sendo que  apenas os  19  (dezenove)  abaixo,  por  envolverem  projetos  cuja  co­ habilitação ao REIDI foi deferida até março/2011, são relevantes  ao caso concreto. Confira­se:  Fl. 2469DF CARF MF Processo nº 10855.721325/2016­06  Acórdão n.º 3302­005.473  S3­C3T2  Fl. 9          8   29. Ao analisar os pedidos, a Delegacia da Receita Federal do  Brasil  em  Sorocaba,  como  não  poderia  deixar  de  ser,  proferiu  despachos  decisórios  reconhecendo  expressamente  o  direito  da  Impugnante  à  co­habilitação  ao  REIDI,  nos  termos  da  Lei  n°  11.488/2007. Confira­se, exemplificativamente, o  trecho do teor  de um dos despachos ­cujo conteúdo é basicamente idêntico em  todos demais processos administrativos:  (...)  Portanto,  com  base  na  legislação  vigente,  após  a  análise  da  documentação  apresentada  e  das  situações  cadastral  e  fiscal,  concluímos  que  o  contribuinte  atende  aos  requisitos  para  a  obtenção da concessão de co­habilitação ao REIDI  " (...)"  (II. 310 ­ destaques da Impugnante)  30.  Como  se  vê,  a  solicitação  de  co­habilitação  ao  REIDI  foi  deferida  após  a  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  em  Sorocaba  analisar  toda  a  documentação  apresentada  pela  Impugnante  e  atestar  o  preenchimento  dos  requisitos  previstos  na Lei n° 11.488/2007, para a fruição da suspensão do PIS e da  COFINS.  31.  Com  o  deferimento  da  solicitação  de  co­habilitação  ao  REIDI  foram,  então,  publicados  os  respectivos  Atos  Declaratórios Executivos ("ADEs") no Diário Oficial da União.  Confira­se,  por  oportuno,  o  número  do  Ato  Declaratório  Executivo  correspondente  a  cada  um  dos  processos  administrativos, bem como a data de sua publicação:  (...)  Fl. 2470DF CARF MF Processo nº 10855.721325/2016­06  Acórdão n.º 3302­005.473  S3­C3T2  Fl. 10          9 32.  Assim,  na  execução  dos  projetos  de  infra­estrutura  vinculados à cohabilitação ao REIDI, a Impugnante passou a se  beneficiar da suspensão da exigência do PIS e da COFINS.  (...)  Logo  após,  passa  a  discorrer  sobre  o  cancelamento  e  seu  inconformismo  com  o  mesmo,  alegando  que  o  motivo  para  o  referido  cancelamento  é  ilegal  e  equivocado,  por  fazer  uma  leitura extremamente restrita do Decreto nº 6.144/07.  40. Equivocada,  porque  o Decreto  n°  6.144/07  não  restringe  a  co­habilitação  ao  REIDI  a  contratos  de  execução  de  obras  de  construção  civil.  E  ilegal,  pois,  ainda  que  houvesse  essa  restrição,  nada  há  nesse  sentido  na  Lei  nº  11.488/07,  não  podendo o Decreto  n°  6.144/07  extrapolar  sua  competência  de  meramente regulamentar a aludida lei.  Atesta a  seguir que, da decisão proferida pela DRF de origem,  interpôs  recurso  hierárquico  em  todos  os  processos,  os  quais  foram  indeferidos  pela  SRRF,  questionando  a  lavratura  dos  AI  sob julgamento.  42. Em decorrência disso, a Receita Federal do Brasil, em uma  interpretação bastante peculiar e equivocada do direito,  lavrou  os autos de infração ora impugnados (doe. 03), por meio do qual  exige  o  recolhimento  do  PIS  c  da  COFINS,  referentes  a  aquisições de bens c serviços realizadas entre janeiro e março de  2011,  que  estavam  suspensos  em  razão  da  co­habilitação  da  Impugnante ao REIDI, acrescidos de multa de 75%.  (...)  50. Na verdade, o que  fica evidenciado nesta acusação  fiscal é  uma temerária tentativa de incutir à Impugnante o cometimento  de  supostas  infrações,  com  o  único  propósito  arrecadatório,  ignorando­se  todos  os  atos  praticados,  consolidados  e  consumados na vigência da co­habilitacão ao REIDI.  51. Convenientemente ou não, é curioso notar que a cobrança do  PIS e da COFINS suspensos somente  foi  levada a efeito após a  conclusão de  todos os projetos de  infra­estrutura pelos quais a  Impugnante solicitou a co­habilitação ao REIDI.  (...).  Avança  a  defesa,  desta  feita  questionando  o  lançamento  realizado  por  meio  dos  Autos  de  Infração,  em  razão  de  que  a  autoridade  administrativa:  (I)  errou  na  apuração  dos  créditos  tributários  lançados,  desconsiderando  a  existência  de  créditos  da não­cumulatividade de PIS e de COFINS no período autuado;  (II)  ignorou  o  direito  da  Impugnante  de  apurar  créditos  das  referidas contribuições em relação às aquisições de insumos; de  modo que o auto de infração é insubsistente e. portanto, deve ser  cancelado  por  afronta  ao  artigo  142  do  Código  Tributário  Nacional.  Fl. 2471DF CARF MF Processo nº 10855.721325/2016­06  Acórdão n.º 3302­005.473  S3­C3T2  Fl. 11          10 Prossegue a impugnante:  66.  Ao  assim  proceder,  a  fiscalização  ignorou  o  princípio  da  não­cumulatividade,  desconsiderando  os  créditos  relativos  aos  períodos  de  apuração  envolvidos  nesta  autuação,  com  relação  aos quais faz jus a Impugnante por força da legislação do PIS e  da  COFINS,  e  que  foram  devidamente  escriturados  nos  respectivos  livros fiscais, os quais, em momento algum,  tiveram  sua legitimidade questionada.  67.  Sim,  pois  se  as  contribuições  em  comento  passaram  a  ser  exigíveis, evidente que deveriam ser apuradas em conjunto com  eventuais outros débitos e créditos da Impugnante. Isso porque,  os créditos apurados pela Impugnante se consubstanciam em um  direito  subjetivo  creditório  perante  a  União  em  relação  a  eventuais débitos que lhe sejam exigidos.  68.  No  critério  de  cálculo  adotado  pela  fiscalização  no  lançamento  para  identificação  da  matéria  tributável,  obrigatoriamente  todos  os  créditos  de  PIS  e  de  COFINS  deveriam ser abatidos, de modo que ela (a fiscalização) deveria  ter procedido da seguinte forma:  (I)  apuração  do  PIS  e  da  COFINS  supostamente  devidos  pela  Impugnante nos períodos de abril de 2011 a dezembro de 2012;  (II)  abatimento  de  todos  os  créditos  de  PIS  e  de  COFINS  registrados pela Impugnante;  (III)  dedução  dos  valores  informados  em  DCTF  e  na  EFD­ Contribuições  (e,  portanto,  já  previamente  "constituídos”  pela  Impugnante); e  (IV) lançamento de ofício apenas das supostas diferenças de PIS  e  de  COFINS,  correspondentes  ao  resultado  da  seguinte  operação matemática: débitos apurados de ofício  ­  (subtração)  créditos  da  não­cumulatividade  ­  (subtração)  valores  previamente informados cm DCTF e EDF­Contribuições.  69.  Pelo  cálculo  estimado  da  Impugnante,  se  a  fiscalização  tivesse  adotado  o  critério  correto  quando  da  formalização  do  lançamento,  nada  haveria  para  ser  autuado,  uma  vez  que  os  créditos  de  PIS  e  de  COFINS  são  superiores,  em  muito,  aos  débitos supostamente verificados no período autuado (janeiro a  março de 2011), evidenciando, assim, a manifesta precariedade  e fragilidade de todo o trabalho fiscal.  70.  Na  oportunidade,  a  ora  Impugnante  anexa  cópia  dos  Demonstrativos  de  Apuração  de  Contribuições  Sociais  ("DACONs"  ­  doc.  05)  e  da  Escrituração  Fiscal  Digital  das  Contribuições :incidentes sobre a Receita  ("EFDContribuições''  ­  doc.  06)  referentes  aos  períodos  de  janeiro/2011  até  março/2016  (última  declaração  enviada  à  Receita  Federal  do  Brasil),  no  qual  se  pode  verificar  a  escrituração  dos  referidos  créditos.  Fl. 2472DF CARF MF Processo nº 10855.721325/2016­06  Acórdão n.º 3302­005.473  S3­C3T2  Fl. 12          11 71.  E,  ainda  no  sentido  de  demonstrar  o  impacto  da  referida  desconsideração  nos  valores  principais  do  suposto  débito  ­  resultando  na  sua  inexistência,  a  rigor  ­,  a  Impugnante  anexa  elucidativo  demonstrativo,  comprovando,  assim,  o  grave  equívoco adotado pela fiscalização (doe. 07).  72. Note­se que, mesmo diante dos débitos exigidos por meio dos  autos  de  infração  em  debate,  a  Impugnante,  ainda  assim,  mantém (e sempre manteve), até o mês de março de 2016, saldo  credor  substancial  e mais do que  suficiente para  fazer  frente à  exigência fiscal.  73.  Cumpre  destacar,  inclusive,  que  a  própria  fiscalização,  ao  extrair  os  valores  das DACONs apresentadas  até  o período  de  dezembro  de  2012,  constatou  a  existência  do  referido  saldo  credor (fls. 21a 22 do relatório fiscal).  74. Ocorre que, embora tenha identificado a existência de saldo  credor  durante  todo  o  período  autuado  (neste  ponto,  frise­se,  deixou  de  verificar  os  períodos  subsequentes),  o  Sr.  Agente  Fiscal  acabou  por  ignorar  tais  valores,  afirmando  que  a  Impugnante  já  teria  aproveitado  a  quase  integralidade  dos  saldos credores, mediante a apresentação de PER/DCOMP.  75.  Para  sustentar  essa  afirmação,  a  fiscalização  elaborou  um  simples  demonstrativo  por  meio  do  qual  avaliou  isoladamente  cada período de apuração (mês a mês) entre novembro de 2010  a  dezembro  de  2012,  levando  em  consideração,  única  e  tão  somente. (I) os valores do crédito apurado em determinado mês,  (II)  a  parcela  deste  mesmo  crédito  descontada  no mês,  (III)  o  montante objeto de PER/DCOMP apresentado pela Impugnante,  (IV)  e a parcela  remanescente do referido  crédito apurado que  teria sido descontada em períodos posteriores.  76. Tal procedimento, contudo, é absolutamente incorreto.  77.  Isso  porque,  além  de  avaliar  cada mês  de  forma  isolada  ­  desconsiderando,  portanto,  a  continuidade  da  apuração  da  Impugnante  e  ignorando  por  completo  os  saldos  credores  oriundos de períodos anteriores  e a  sua continuidade ao  longo  do tempo ­, a fiscalização não se atentou para o fato de que os  valores constantes das DACQNs da Impugnante já se encontram  deduzidos dos montantes objeto de PER/DCOMP.  78.  Ou  seja,  os  valores  reportados  pela  Impugnante  nas  DACONs já refletiam apenas os montantes que não haviam sido  objeto de PER/DCOMP.  Consequentemente, referidos valores constituem saldos credores  que ainda não foram aproveitados pela Impugnante!  79. Nessa medida,  tal  como ora apontado pela  Impugnante  em  planilha  anexa  (doc.  07),  considerando  (I)  os  saldos  credores  oriundos  de  períodos  anteriores  a  2011,  (II)  os  créditos  apurados no mês, (III) os créditos descontados no mês (incluídos  os  apurados  no  mesmo  período  e  os  oriundos  de  períodos  Fl. 2473DF CARF MF Processo nº 10855.721325/2016­06  Acórdão n.º 3302­005.473  S3­C3T2  Fl. 13          12 anteriores), (IV) os débitos de cada período, e (V) já descontados  os valores objeto de PER/DCOMP, constata­se, com meridiana  clareza, um elevado saldo credor em todos os meses de  janeiro  de  2011  a  março  de  2016,  mais  do  que  suficiente  para  fazer  frente à integralidade da exigência fiscal.  Prossegue  mencionando  jurisprudência  administrativa  e  doutrina para embasar suas alegações.  O  próximo  questionamento  a  ser  argüido  pela  manifestante  se  refere  à  desconsideração,  segundo  ela,  de  créditos  de  PIS  e  Cofins  em  relação  às  aquisições  de  insumos,  em  mais  um  evidente erro de identificação da matéria tributável.  Isso porque todas as aquisições  foram destinadas à produção e  ao  fornecimento  dos  aerogeradores,  objeto  das  atividades  da  impugnante no Âmbito do REIDI, e essas operações, acaso não  fossem  relacionadas  ao  supra  citado  benefício  fiscal,  gerariam  créditos da não cumulatividade de PIS e Cofins.  Continuando em sua apelação, passa a contribuinte a indagar a  desobediência,  por  parte  da  administração  tributária,  dos  princípio  da  segurança  jurídica,  afirmando  que  a  mesma  não  pode  apenar  a  manifestante  em  razão  de  mudança  de  entendimento/posicionamento  do  fisco.  E  mais,  que  isso  ainda  poria  em  risco  a  confiança  e  a  boa­fé  das  relações  jurídicas,  mencionando  ainda  a  necessidade  de  observância  da  irretroatividade dos atos administrativos.  A  reclamação  posterior  se  refere  à  suposta  violação  ao  artigo  146 do Código Tributário Nacional, nos seguintes termos:  166.  Ademais,  o  cancelamento  da  co­habilitação  ao  REIDI  da  Impugnante, o que, em última análise, motivou a lavratura destes  autos  de  infração,  representa  clara  afronta  ao  artigo  146  do  CTN, pois materializou uma efetiva mudança de entendimento da  Receita  Federal  do  Brasil  em  relação  aos  requisitos  para  a  concessão de co­habilitação ao REIDI no  caso da  Impugnante,  atingindo  de  pronto  critérios  jurídicos  utilizados  para  o  exercício do lançamento, de modo que não pode ser aplicada a  fatos pretéritos.  167. Com efeito, o artigo 146 do CTN tem o seguinte teor:  "Art.  146.  A  modificação  introduzida  de  ofício  ou  em  consequência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios  jurídicos  adotados  pela  autoridade  administrativa  no  exercício  do  lançamento  somente  pode  ser  efetivada,  em  relação  a  um  mesmo  sujeito  passivo,  quanto  a  fato  gerador  ocorrido  posteriormente à sua introdução. " (destaques da Impugnante)  168. Esse dispositivo coloca a salvo de novas interpretações do  Fisco  os  atos  já  analisados  na  vigência  de  interpretação  anterior, conferindo estabilidade às relações tributárias.  (...)  Fl. 2474DF CARF MF Processo nº 10855.721325/2016­06  Acórdão n.º 3302­005.473  S3­C3T2  Fl. 14          13 Cita ainda jurisprudência judicial e doutrina, a fim de caucionar  suas afirmações.  Prosseguindo  em  suas  argüições,  questiona  a  ilegalidade  do  cancelamento  de  sua  co­habilitação  ao  REIDI,  discorrendo  longamente sobre:  I  –  Instituição  do  REIDI  por  meio  da  Lei  nº  11.488/07  (e­fls.  1.188/1.193);  II – edição do Decreto nº 6.144/07, que regulamenta a forma de  habilitação e co­habilitação ao REIDI (e­fls. 1.194/1.196);  III  –  do  particular  entendimento  manifestado,  pela  autoridade  administrativa, nos Autos de Infração, sendo que nesse ponto a  defesa se desdobra da seguinte forma:  a)  a  autoridade  fiscal  equivocadamente  não  considera  o  conjunto  normativo  relativo  ao  REIDI  e  ignora  o  propósito  do  Governo Federal ao instituir o REIDI.  Isso  porque  a  RFB  interpreta  de  maneira  bastante  restritiva  o  disposto no § 2º do artigo 5º, do decreto 6.144/2007, que dispõe  que  ...a  pessoa  jurídica  que  aufira  receitas  decorrentes  da  execução  por  empreitada  de  obras  de  construção  civil,  contratada  pela  pessoa  jurídica  habilitada  ao  REIDI,  poderá  requerer co­habilitação ao regime.  (...)  251. No  entendimento  da Receita Federal  do Brasil,  o  referido  §3°  restringiria  a  co­habilitação  ao  REIDI  apenas  às  pessoas  jurídicas  que  aufiram  receitas  decorrentes  da  execução  por  empreitada de obras de construção civil.  252. Contudo, esta interpretação é absolutamente equivocada.  253. Em primeiro lugar, o §2° do art. 5o do Decreto n° 6.144/07  apenas estende às referidas pessoas jurídicas a possibilidade de  pleitearem a co­habilitação ao REIDI, jamais limitando essa co­ habilitação apenas a elas.  254.  Vale  dizer,  referido  disposto  não  exclui  do  REIDI  outras  empresas que atuem em segmento diverso.  255. Basta uma leitura atenta do seu teor para se concluir que a  utilização  do  vocábulo  "poderá"  está  a  indicar  a  permissão  de  que essas pessoas jurídicas também requeiram a co­habilitação  ao REIDI.  256. Alem disso, a própria leitura conjunta dos §§2° e 3o do art.  5o  do  Decreto  n°  6.144/07  demonstra  que  essa  restrição  não  existe.  257.  Ora,  se  as  pessoas  jurídicas,  para  requererem  a  co­ habilitação ao REIDI, devem comprovar o atendimento de todos  os  requisitos  necessários  para  a  habilitação  ao  REIDI,  logo,  Fl. 2475DF CARF MF Processo nº 10855.721325/2016­06  Acórdão n.º 3302­005.473  S3­C3T2  Fl. 15          14 basta  que  (1)  atuem  no  setor  de  transportes,  energia,  saneamento básico, irrigação e dutovias: (II) não sejam optantes  pelo  SIMPLES;  e  (III)  não  possuam  irregularidades  fiscais  perante a Receita Federal do Brasil.  (...)  b) o próprio Decreto nº 6. 144/07, ao restringir a possibilidade  de cohabilitação ao REIDI, às pessoas jurídicas que auferissem  receitas  decorrentes  de  execução  por  empreitada  de  obras  de  construção  civil,  estaria  violando  princípio  da  legalidade,  extrapolando sua competência regulamentadora.  Pleiteia  também a manifestante o cancelamento da multa e dos  juros,  nos  termos  do  parágrafo  único  do  artigo  100,  do  CTN,  asseverando que sua conduta foi pautada em ato administrativo  individual,  concreto  e  válido,  expedido  pela  própria  Receita  Federal, que lhe conferiu o direito a se co­habilitar ao REIDI, e  com isso aproveitar benefício fiscal.  Por fim, assevera que a multa deve ser cancelada, em razão da  existência  de  dúvida  razoável,  por  aplicação do  art.  112,  I,  do  CTN,  apelando  ainda  para  a  suposta  falta  de  amparo  legal  quanto  à  exigência  de  juros  de  mora  sobre  a  multa  de  ofício  lançada. (..)".  O Acórdão 14­63.679, da 3ª Turma da DRJ/RPO, Sessão de 16 de janeiro de  2017, do qual foi extraído o relatório alhures transcrito, por unanimidade de votos, indeferiu a  solicitação contida na manifestação de inconformidade, não reconhecendo o crédito pleiteado,  recebendo a seguinte ementa:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/04/2011 a 31/12/2012  REIDI.  BEM  ADQUIRIDO  COM  SUSPENSÃO.  ATIVIDADE  DO  ADQUIRENTE.  UTILIZAÇÃO  EM  ATIVIDADE DIVERSA.  A  pessoa  jurídica  que  aufira  receitas  decorrentes  da  execução  por  empreitada  de  obras  de  construção  civil,  contratada  pela  pessoa  jurídica  habilitada  ao  REIDI,  poderá requerer co­habilitação ao regime, para que possa  usufruir a suspensão das contribuições ao PIS e à Cofins,  ao  adquirir  ou  importar  bens  ao  amparo  do  referido  regime.  Na  medida  em  que  os  bens  adquiridos  foram  utilizados  em  área  diversa  da  construção,  este  assumiu  a  responsabilidade tributária pelos tributos não recolhidos e  pelas penalidades daí decorrentes.  SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. DESCUMPRIMENTO  DE CONDIÇÃO. SUJEIÇÃO PASSIVA.  Fl. 2476DF CARF MF Processo nº 10855.721325/2016­06  Acórdão n.º 3302­005.473  S3­C3T2  Fl. 16          15 Por expressa determinação  legal,  o agente que deu causa  ao  descumprimento  de  condição  para  gozo  de  benefício  fiscal  de  venda  com  suspensão  das  contribuições  sociais  assume o polo passivo da obrigação tributária na condição  de responsável.  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  CRÉDITOS  DA  NÃO  CUMULATIVIDADE.  APROVEITAMENTO.  RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.  Os créditos da não cumulatividade devem ser contrapostos  ao  faturamento  auferido  pelo  contribuinte. Na medida  em  que o sujeito passivo do lançamento assumiu essa condição  por  força  de  ser  responsável  por  infração,  não  existe  o  faturamento  próprio  em  relação  ao  qual  contrastar  eventuais créditos, pelo que não se lhe reconhece o direito  ao desconto.  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  FALTA  DE  RECOLHIMENTO.  MULTA. JUROS DE MORA.  Correta a aplicação da multa de ofício e dos juros de mora  quando da constatação da falta de recolhimento de tributo  devido  e  não  recolhido  por  força  de  suspensão  cujas  condições não foram atendidas.  JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO.  Não  tendo  a  exigência  de  acréscimos  moratórios  sobre  multa de ofício sido abrangida pelo Lançamento em litígio,  do qual consta indicação de juros apenas sobre o valor do  principal,  embora  a  incidência  de  juros  sobre  a multa  de  ofício esteja amparada pela legislação de regência,  torna­ se  sem  objeto  a  alegação  do  Defendente  sobre  o  item  descrito.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/04/2011 a 31/12/2012  REIDI.  BEM  ADQUIRIDO  COM  SUSPENSÃO.  ATIVIDADE  DO  ADQUIRENTE.  UTILIZAÇÃO  EM  ATIVIDADE DIVERSA.  A  pessoa  jurídica  que  aufira  receitas  decorrentes  da  execução  por  empreitada  de  obras  de  construção  civil,  contratada  pela  pessoa  jurídica  habilitada  ao  REIDI,  poderá requerer co­habilitação ao regime, para que possa  usufruir a suspensão das contribuições ao PIS e à Cofins,  ao  adquirir  ou  importar  bens  ao  amparo  do  referido  regime.  Na  medida  em  que  os  bens  adquiridos  foram  utilizados  em  área  diversa  da  construção,  este  assumiu  a  Fl. 2477DF CARF MF Processo nº 10855.721325/2016­06  Acórdão n.º 3302­005.473  S3­C3T2  Fl. 17          16 responsabilidade tributária pelos tributos não recolhidos e  pelas penalidades daí decorrentes.  SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. DESCUMPRIMENTO  DE CONDIÇÃO. SUJEIÇÃO PASSIVA.  Por  expressa determinação  legal,  o agente que deu causa  ao  descumprimento  de  condição  para  gozo  de  benefício  fiscal  de  venda  com  suspensão  das  contribuições  sociais  assume o polo passivo da obrigação tributária na condição  de responsável.  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  CRÉDITOS  DA  NÃO  CUMULATIVIDADE.  APROVEITAMENTO.  RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.  Os créditos da não cumulatividade devem ser contrapostos  ao  faturamento  auferido  pelo  contribuinte. Na medida  em  que o sujeito passivo do lançamento assumiu essa condição  por  força  de  ser  responsável  por  infração,  não  existe  o  faturamento  próprio  em  relação  ao  qual  contrastar  eventuais créditos, pelo que não se lhe reconhece o direito  ao desconto.  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  FALTA  DE  RECOLHIMENTO.  MULTA. JUROS DE MORA.  Correta a aplicação da multa de ofício e dos juros de mora  quando da constatação da falta de recolhimento de tributo  devido  e  não  recolhido  por  força  de  suspensão  cujas  condições não foram atendidas.  JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO.  Não  tendo  a  exigência  de  acréscimos  moratórios  sobre  multa de ofício sido abrangida pelo Lançamento em litígio,  do qual consta indicação de juros apenas sobre o valor do  principal,  embora  a  incidência  de  juros  sobre  a multa  de  ofício  esteja  amparada  pela  legislação  de  regência,  torna  se  sem  objeto  a  alegação  do  Defendente  sobre  o  item  descrito.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido"  Intimada da decisão acima e, valendo­se do direito que lhe é facultado pelo  art. 33 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 9  de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, a contribuinte  manejou  Recurso  Voluntário,  onde  repisou  os  argumentos  trazidos  na  manifestação  de  inconformidade.    É o relatório.  Fl. 2478DF CARF MF Processo nº 10855.721325/2016­06  Acórdão n.º 3302­005.473  S3­C3T2  Fl. 18          17 Voto Vencido   Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator:   O Recurso Voluntário  é  tempestivo,  trata  de matéria da  competência  deste  Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido.   I ­ Breve arrazoado sobre o REIDI  O Regime Especial  de  Incentivos para Desenvolvimento da  Infraestrutura  ­  REIDI é uma uma iniciativa do Governo Federal, dentro do PAC.  Com a finalidade de desenvolver a infraestrutura do país, a legislação federal  estabeleceu  estimulos  a  diversos  setores,  como  energia,  transportes,  dutovias,  saneamento  básico e irrigação.  Esse  regime  beneficia  setores  necessários  para  o  desenvolvimento  das  pessoas  jurídicas,  para  o  aumento  da  produtividade  e  da  produção  dos  setores  primários  e  secundários da economia. O estímulo consiste em suspensão de PIS e COFINS.  O  REIDI  foi  criado  para  promover  a  implantação  de  projetos  de  infraestrutura,  sendo beneficiárias as pessoas  jurídicas que  tenham projetos aprovados para a  implantação de obras de infraestrutura nos setores acima mencionados.  Assim, dispões a Lei nº 11.488/2007:  Capítulo I  Do  Regime  Especial  de  Incentivos  para  o  Desenvolvimento  da  Infra­Estrutura ­ REIDI  Art.  1o  Fica  instituído  o Regime Especial  de  Incentivos  para  o  Desenvolvimento  da  Infra­Estrutura  ­  REIDI,  nos  termos  desta  Lei. (Regulamento)  Parágrafo único. O Poder Executivo regulamentará a  forma de  habilitação e co­habilitação ao Reidi.  Art.  2o  É  beneficiária  do  Reidi  a  pessoa  jurídica  que  tenha  projeto aprovado para  implantação de obras de  infra­estrutura  nos setores de transportes, portos, energia, saneamento básico e  irrigação. (Regulamento)  §  1o  As  pessoas  jurídicas  optantes  pelo  Sistema  Integrado  de  Pagamento  de  Impostos  e  Contribuições  das  Microempresas  e  das  Empresas  de  Pequeno  Porte  ­  Simples  ou  pelo  Simples  Nacional  de  que  trata  a  Lei  Complementar  no  123,  de  14  de  dezembro de 2006, não poderão aderir ao Reidi.  § 2o A adesão ao Reidi  fica condicionada à  regularidade  fiscal  da  pessoa  jurídica  em  relação  aos  impostos  e  contribuições  administradas  pela  Secretaria  da Receita Federal  do Brasil  do  Ministério da Fazenda.  Fl. 2479DF CARF MF Processo nº 10855.721325/2016­06  Acórdão n.º 3302­005.473  S3­C3T2  Fl. 19          18 § 3o (VETADO)  Art.  3o  No  caso  de  venda  ou  de  importação  de  máquinas,  aparelhos,  instrumentos  e  equipamentos,  novos,  e  de  materiais  de  construção  para  utilização  ou  incorporação  em  obras  de  infra­estrutura destinadas ao ativo  imobilizado,  fica suspensa a  exigência: (Regulamento)  I ­ da Contribuição para o Programa de Integração Social e de  Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  COFINS incidentes sobre a venda no mercado interno quando os  referidos bens ou materiais de construção forem adquiridos por  pessoa jurídica beneficiária do Reidi;  II ­ da Contribuição para o PIS/Pasep­Importação e da Cofins­ Importação quando os referidos bens ou materiais de construção  forem  importados  diretamente  por  pessoa  jurídica  beneficiária  do Reidi.  § 1o Nas notas fiscais relativas às vendas de que trata o inciso I  do caput deste artigo deverá constar a expressão Venda efetuada  com  suspensão  da  exigibilidade  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep e da Cofins, com a especificação do dispositivo legal  correspondente.  §  2o  As  suspensões  de  que  trata  este  artigo  convertem­se  em  alíquota 0  (zero) após a utilização ou  incorporação do bem ou  material de construção na obra de infra­estrutura.  § 3o A pessoa jurídica que não utilizar ou incorporar o bem ou  material de construção na obra de infra­estrutura fica obrigada  a  recolher  as  contribuições  não  pagas  em  decorrência  da  suspensão de que trata este artigo, acrescidas de juros e multa  de  mora,  na  forma  da  lei,  contados  a  partir  da  data  da  aquisição ou do registro da Declaração de Importação ­ DI, na  condição:  I ­ de contribuinte, em relação à Contribuição para o PIS/Pasep­ Importação e à Cofins­Importação;  II ­ de responsável, em relação à Contribuição para o PIS/Pasep  e à Cofins.  §  4o Os  benefícios  previstos  no  caput  aplicam­se  também  na  hipótese  de,  em  conformidade  com  as  normas  contábeis  aplicáveis,  as  receitas  das  pessoas  jurídicas  titulares  de  contratos  de  concessão  de  serviços  públicos  reconhecidas  durante  a  execução  das  obras  de  infraestrutura  elegíveis  ao  Reidi  terem  como  contrapartida  ativo  intangível  representativo  de  direito  de  exploração  ou  ativo  financeiro  representativo  de  direito contratual incondicional de receber caixa ou outro ativo  financeiro, estendendo­se, inclusive, aos projetos em andamento,  já habilitados perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil.  (Incluído pela Lei nº 13.043, de 2014) Vigência  Fl. 2480DF CARF MF Processo nº 10855.721325/2016­06  Acórdão n.º 3302­005.473  S3­C3T2  Fl. 20          19 Art. 4o No caso de venda ou importação de serviços destinados a  obras de infra­estrutura para incorporação ao ativo imobilizado,  fica suspensa a exigência: (Regulamento)  I  ­  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins  incidentes  sobre  a  prestação  de  serviços  efetuada  por  pessoa  jurídica  estabelecida  no  País  quando  os  referidos  serviços  forem  prestados à pessoa jurídica beneficiária do Reidi; ou  II ­ da Contribuição para o PIS/Pasep­Importação e da Cofins­ Importação  incidentes  sobre  serviços  quando  os  referidos  serviços  forem  importados  diretamente  por  pessoa  jurídica  beneficiária do Reidi.  § 1o Nas vendas ou importação de serviços de que trata o caput  deste artigo aplica­se o disposto nos §§ 2o e 3o do art. 3o desta  Lei. (Renumerado do parágrafo único, pela Medida Provisória nº  413, de 2008)  §  2o  O  disposto  no  inciso  I  do  caput  deste  artigo  aplica­se  também  na  hipótese  de  receita  de  aluguel  de  máquinas,  aparelhos,  instrumentos  e  equipamentos  para  utilização  em  obras de infra­estrutura quando contratado por pessoa  jurídica  beneficiária do Reidi. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008)  §  3o  Os  benefícios  previstos  no  caput  aplicam­se  também  na  hipótese  de,  em  conformidade  com  as  normas  contábeis  aplicáveis,  as  receitas  das  pessoas  jurídicas  titulares  de  contratos  de  concessão  de  serviços  públicos  reconhecidas  durante  a  execução  das  obras  de  infraestrutura  elegíveis  ao  Reidi  terem  como  contrapartida  ativo  intangível  representativo  de  direito  de  exploração  ou  ativo  financeiro  representativo  de  direito contratual incondicional de receber caixa ou outro ativo  financeiro, estendendo­se, inclusive, aos projetos em andamento,  já habilitados perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil.  (Incluído pela Lei nº 13.043, de 2014) Vigência   Art.  5o  O  benefício  de  que  tratam  os  arts.  3o  e  4o  desta  Lei  poderá ser usufruído nas aquisições e importações realizadas no  período  de  5  (cinco)  anos,  contado  da  data  da  habilitação  da  pessoa  jurídica,  titular  do  projeto  de  infraestrutura.  (Redação  dada pela Lei nº 12.249, de 2010)   Parágrafo único. O prazo para fruição do regime, para pessoa  jurídica  já  habilitada  na  data  de  publicação  da  Medida  Provisória no 472, de 15 de dezembro de 2009, fica acrescido do  período  transcorrido  entre a data da aprovação do projeto e a  data  da  habilitação  da  pessoa  jurídica.  (Incluído  pela  Lei  nº  12.249, de 2010)  A regulamentação de REIDI se deu por meio do Decreto nº 6.144/2007, onde  foi tratada a forma de habilitação e co­habilitação ao regime.  A  habilitação  e  a  co­habilitação  são  regulamentadas  pelo  decreto  mencionado, e podemos destacar os seguintes dispositivos:  Fl. 2481DF CARF MF Processo nº 10855.721325/2016­06  Acórdão n.º 3302­005.473  S3­C3T2  Fl. 21          20 Art. 4o Somente poderá efetuar aquisições e importações de bens  e  serviços  no  regime  do  REIDI  a  pessoa  jurídica  previamente  habilitada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.  Parágrafo único.  Também  poderá  usufruir  do  regime  do  REIDI  a  pessoa jurídica co­habilitada.  Art. 5o A habilitação de que  trata o art.  4o  somente poderá  ser  requerida  por  pessoa  jurídica  de  direito  privado  titular  de  projeto para implantação de obras de infra­estrutura nos setores  de:  I ­ transportes, alcançando exclusivamente: (Redação dada pelo  Decreto nº 7.367, de 2010)  a) rodovias  e  hidrovias;  (Incluído  pelo  Decreto  nº  7.367,  de  2010)  b) portos organizados e instalações portuárias de uso privativo;  (Incluído pelo Decreto nº 7.367, de 2010)  c) trens urbanos e  ferrovias,  inclusive  locomotivas e  vagões;  e  (Incluído pelo Decreto nº 7.367, de 2010)   d) sistemas  aeroportuários  e  sistemas  de  proteção  ao  voo  instalados  em  aeródromos  públicos;  (Incluído  pelo  Decreto  nº  7.367, de 2010) II ­ energia,  alcançando  exclusivamente:  (Redação  dada  pelo  Decreto nº 6.416, de 2008). a) geração,  co­geração,  transmissão  e  distribuição  de  energia  elétrica; (Incluído pelo Decreto nº 6.416, de 2008). b) produção e processamento de gás natural em qualquer estado  físico; (Incluído pelo Decreto nº 6.416, de 2008). III ­ saneamento  básico,  alcançando  exclusivamente  abastecimento  de  água  potável  e  esgotamento  sanitário;  (Redação dada pelo Decreto nº 6.416, de 2008). IV ­ irrigação;  ou  (Redação  dada  pelo  Decreto  nº  6.416,  de  2008). V ­ dutovias. (Incluído pelo Decreto nº 6.416, de 2008). § 1o  Considera­se  titular  a  pessoa  jurídica  que  executar  o  projeto,  incorporando  a  obra  de  infra­estrutura  ao  seu  ativo  imobilizado. § 2o  A  pessoa  jurídica  que  aufira  receitas  decorrentes  da  execução  por  empreitada  de  obras  de  construção  civil,  contratada  pela  pessoa  jurídica  habilitada  ao  REIDI,  poderá  requerer co­habilitação ao regime. (Redação dada pelo Decreto  nº 7.367, de 2010) § 3o Observado  o  disposto  no  §  4o,  a  pessoa  jurídica  a  ser  co­ habilitada deverá: Fl. 2482DF CARF MF Processo nº 10855.721325/2016­06  Acórdão n.º 3302­005.473  S3­C3T2  Fl. 22          21 I ­ comprovar  o  atendimento  de  todos  requisitos  necessários  para a habilitação ao REIDI; e II ­ cumprir  as  demais  exigências  estabelecidas  para  a  fruição  do regime. § 4o  Para  a  obtenção  da  co­habilitação,  fica  dispensada  a  comprovação da titularidade do projeto de que trata o caput. Em longas digressões a contribuinte recorrente, alega que seu apelo deve ser  julgado  procedente,  pois  cumpriria  os  requisitos  necessários  para  a  fruição  do  benefício  em  comento, devendo o acórdão recorrido ser reformado.  I.1 ­ Do cancelamento de ofício da co­habilitação ao REIDI  Para  a  análise  e  consequente  solução  da  presente  demanda  não  podemos  deixar  de  mencionar  que  a  recorrente  teve  contra  si  o  cancelamento  de  ofício  de  sua  co­ habilitação ao REIDI, fato esse que se deu com a observância dos ditames legais.  O cancelamento se deu, em síntese, devido a verificação de que a recorrente  não  se  enquadraria  nas  hipóteses  de  co­habilitação,  especificamente  no  que  se  refere  à  necessidade  de  ter  contratado  com  a  empresa  habilitada  no  REIDI,  detentora  do  projeto  de  infraestrutura,  empreitada de obras  de  construção civil,  fato  esse que não  foi  observado pela  contribuinte.  Observe­se dos documentos juntados ao processo que o cancelamento da co­ habilitação  se  deu  por meio  do  devido  procedimento  administrativo,  previsto  para  tanto,  no  qual a recorrente pode exercer seu direito a ampla defesa, realizando, para tanto, a juntada de  documentos e interposição de recurso contra a decisão de cancelamento.  Destaca­se a seguir trechos de um dos despachos decisórios que promoveu o  cancelamento da co­habilitação da recorrente ao REIDI, observe­se:  Despacho decisório nº 126 ­ SRRF/Disit  Processo 10885.001518/2010­43  (...)  14.6.9 Sendo assim, conhecido o papel central da execução por  empreitada  de  obras  de  construção  civil  no  âmbito  da  implantação  de  obras  de  infra­estrutura,  e  o  fato  de  que  as  receitas dessa atividade estão sujeitas ao Regime Cumulativo de  Apuração  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  o  Decreto nº 6.144, de 2007,  fundado no art.1º, parágrafo único,  da Lei nº 11.488, de 2007, e na busca de garantir que incentivo  efetivo alcance a pessoa  jurídica habilitada, ou seja, na defesa  estrita do “escopo do Reidi” destacado pela Mensagem de Veto  nº  376,  de  2007,  traz  como  condição  para  a  obtenção  de Co­ habilitação ao REIDI a apresentação pela pessoa jurídica a ser  co­habilitada  de  contrato  com a  pessoa  jurídica  habilitada  ao  Regime o qual tenha por objeto exclusivamente a execução por  empreitada  de  obras  de  construção  civil  referentes  ao  projeto  aprovado pelo Ministério respectivo.  Fl. 2483DF CARF MF Processo nº 10855.721325/2016­06  Acórdão n.º 3302­005.473  S3­C3T2  Fl. 23          22 14.6.10  Ou  seja,  não  bastasse  a  nitidez  das  expressas  disposições  do  art.5º,  §2º,  do  Decreto  nº  6.144,  de  2007,  bem  como as do art.7º, §1º, do mesmo Decreto, as quais inviabilizam  completamente  a  pretensão  de  Co­habilitação  da  recorrente,  análise  direta  das  raízes  do  instituto  da  Co­habilitação  igualmente  aponta  impossibilidade  de  admitir­se  sua  Co­ habilitação, dado não se encontrar contratada para a execução  por  empreitada  de  obras  de  construção  civil,  mas  sim  para  cumprimento  de  obrigação  contratual  que  lhe  gera  receita  sujeita  à  apuração  não­cumulativa  das  contribuições  sociais  em pauta.  (...)  15.6  Note­se  que,  não  bastassem  os  mandamentos  da  Lei  nº  9.784,  de  1999,  o  próprio  Decreto  nº  6.144,  de  2007,  em  seu  art.10,  dispõe  expressamente  sobre  o  destacado  dever  de  cancelamento:  “Art.  10.  O  cancelamento  da  habilitação  ou  co­habilitação  ocorrerá:  I ­ a pedido; ou  II  ­  de  ofício,  sempre  que  se  apure  que  o  beneficiário  não  satisfazia ou deixou de satisfazer, ou não cumpria ou deixou de  cumprir  os  requisitos  para  habilitação  ou  co­habilitação  ao  regime.  § 1o O pedido de cancelamento da habilitação ou co­habilitação,  no  caso  do  inciso  I  do  caput,  deverá  ser  protocolizado  junto  à  Secretaria da Receita Federal do Brasil.  §  2o  O  cancelamento  da  habilitação  ou  co­habilitação  será  formalizado por meio de ato da Secretaria da Receita Federal do  Brasil, publicado no Diário Oficial da União.  §  3o  O  cancelamento  da  habilitação  implica  o  cancelamento  automático das co­habilitações a ela vinculadas.  § 4o A pessoa  jurídica que  tiver a habilitação ou co­habilitação  cancelada  não  poderá,  em  relação  ao  projeto  correspondente  à  habilitação  ou  à  co­habilitação  cancelada,  efetuar  aquisições  e  importações ao amparo do REIDI de bens e serviços destinados  ao referido projeto.” (grifou­se)  16.  Por  fim,  vale  observar  que, mesmo  se,  por  absurdo,  não  houvesse ocorrido o cancelamento de ofício da Co­habilitação  em pauta,  e a  recorrente  seguisse  como  insólita Co­habilitada  ao REIDI, não haveria  como  se  conceber  que  operações  fora  do âmbito da construção civil, como, por exemplo, a fabricação  e  venda  (com conclusão  da  operação de  industrialização  fora  do  estabelecimento  industrializador)  de  Aerogeradores,  essência  do  contrato  apresentado,  pudessem  desfrutar  da  Co­ habilitação  obtida.  Essa  impossibilidade  seria  decorrente  não  apenas das expressas disposições da legislação, e do fato de que  Fl. 2484DF CARF MF Processo nº 10855.721325/2016­06  Acórdão n.º 3302­005.473  S3­C3T2  Fl. 24          23 tal fruição de Co­habilitação (uma vez relativa a operações que  geram  receitas  para  a  recorrente  sujeitas  ao  Regime  Não­ Cumulativo  de  apuração  das  contribuições  em  pauta)  feriria  o  cerne  desse  instituto,  mas  igualmente  do  próprio  teor  do  requerimento  do  qual  a  recorrente  obteve  inicial  deferimento.  Como se sabe, a recorrente, representada por procuradoras com  poderes  bastantes,  firmou petição, da qual obteve deferimento,  solicitando Co­habilitação ao REIDI ‘para a execução de obras  de  construção  civil’  no  âmbito  do  projeto  de  ‘  obra  de  infra­ estrutura  ’  de  sua  contratante,  pessoa  jurídica  que  possui  Habilitação ao Regime.  Conclusão  17. Em  face dos aspectos  legais discutidos e das considerações  supra,  manifesto­me  no  sentido  de  que  se  conheça  do  recurso  apresentado,  para,  no  mérito,  NEGAR­LHE  PROVIMENTO,  mantendo­se  em  sua  integralidade  o  Despacho  Decisório  recorrido.  Passamos a análise das alegações da recorrente.  II. ­ Mérito  II.1 ­ Da violação ao art. 142 do CTN  Segundo  o  entendimento  da  recorrente,  em  sua  impugnação  teria  sido  demonstrado  que  toda  a matéria  tributável  não  foi  corretamente  identificada  e  que  o  tributo  tampouco  foi  adequadamente  apurado,  o  que,  por  supostamente  comprometer  material  e  substancialmente e o auto de infração na sua origem, invalidaria a autuação fiscal, nos termos  do art. 142 do CTN.  Para a recorrente deveria ter a autoridade fiscal se aprofundado, promovendo  mais diligências e intimações, na busca do fato gerador.  Entretanto,  do  vasto material  que  acompanha  o  presente  processo,  entende  esse Conselheiro  que  o  trabalho  da  fiscalização  foi  realizado  a  contento,  trazendo  de  forma  clara seus fundamentos para a realização da autuação, em que pese não ser esse o entendimento  da recorrente.  Todos  os  argumentos  trazidos  pela  recorrente  em  sua  impugnação  foram  tratados  de  forma  individualizada,  sendo  certo  que  a  decisão,  ao  contrário  do  alegado  pela  recorrente, seguiu a estrita legalidade, com devida motivação e enquadramento legal.  Por  tais  razões  entendo  não  ser  passível  de  atendimento  o  requerimento  esposado pela contribuinte recorrente.  Ressalta­se  ainda  que,  conforme  relatado  acima,  foram  carreados  aos  autos  todos os autos dos procedimentos de cancelamento da co­habilitação, o que se deu na forma de  arquivos  não  pagináveis,  o  que  demonstra  de  forma  clara  o  empenho  em  realizar  da melhor  forma possível o trabalho da fiscalização.  Fl. 2485DF CARF MF Processo nº 10855.721325/2016­06  Acórdão n.º 3302­005.473  S3­C3T2  Fl. 25          24 II.1  ­ Do direito  aos  créditos da não­cumulatividade de PIS  e COFINS     Segundo  o  entendimento  da  contribuinte  recorrente,  a  fiscalização,  nas  autuações,  deixou  de  considerar  o  seu  direito  ao  crédito  de  PIS  e  COFINS,  em  relação  a  aquisição de insumos, cometendo suposto erro nas identificação da matéria tributável.  Assim,  faria  jus a  apuração dos  créditos nos  termos dos artigos 3ºs das Lei  10.367/02 e 10.833/03 em relação aos bens de serviços, utilizados como insumo na prestação  de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda,a aluguéis de  prédios,  máquinas  e  equipamentos,  patos  a  pessoa  jurídica,  utilizados  nas  atividades  da  empresa.  Entretanto, entendo que esse não é a assertiva que deva ser seguida, vejamos.  A própria legislação que disciplina do REIDI, é expressa ao tratar do assunto  debatido pela contribuinte recorrente, observe­se:  Lei 11.488/2007  Art.  3o  No  caso  de  venda  ou  de  importação  de  máquinas,  aparelhos,  instrumentos  e  equipamentos,  novos,  e  de  materiais  de  construção  para  utilização  ou  incorporação  em  obras  de  infra­estrutura destinadas ao ativo  imobilizado,  fica suspensa a  exigência:   (...)  § 3o A pessoa jurídica que não utilizar ou incorporar o bem ou  material de construção na obra de infra­estrutura fica obrigada  a  recolher  as  contribuições  não  pagas  em  decorrência  da  suspensão de que trata este artigo, acrescidas de  juros e multa  de mora, na forma da lei, contados a partir da data da aquisição  ou do registro da Declaração de Importação ­ DI, na condição:  I ­ de contribuinte, em relação à Contribuição para o PIS/Pasep­ Importação e à Cofins­Importação;  II ­ de responsável, em relação à Contribuição para o PIS/Pasep  e à Cofins.    IN RFB 758/2007  Art. 16.  A  aquisição  de  bens  ou  de  serviços  com  a  suspensão  prevista  no  REIDI  não  gera,  para  o  adquirente,  direito  ao  desconto  de  créditos  apurados  na  forma  do  art.  3o  da  Lei  no  10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3o da Lei no 10.833,  de 2003. Parágrafo único.  O  disposto  no  caput  não  se  aplica  quando  a  pessoa  jurídica  habilitada  ou  co­habilitada  optar  por  efetuar  aquisições e importações fora do REIDI, sem a suspensão de que  trata o art. 2o. (Incluído pelo Decreto nº 6.167, de 2007)  Fl. 2486DF CARF MF Processo nº 10855.721325/2016­06  Acórdão n.º 3302­005.473  S3­C3T2  Fl. 26          25 (...)  Art.  18. A pessoa  jurídica que usufruiu o Reidi  fica obrigada  a  recolher as contribuições não pagas em função da suspensão de  que  trata  o  art.  2º,  acrescidas  de  juros  e  multa  de mora  ou  de  ofício, na forma da lei, contados a partir da data de aquisição ou  do registro da Declaração de Importação (DI), nas hipóteses de:  I ­ não efetuar a  incorporação ou a utilização de que trata o art.  17; ou  II  ­  ter  cancelada  sua habilitação, na  forma do art. 12,  antes da  conversão da suspensão em alíquota zero, na forma do art. 17.  § 1º As contribuições, os acréscimos legais e a penalidade de que  trata o caput serão exigidos da pessoa jurídica na condição de:  I  ­  contribuinte,  em  relação  à  Contribuição  para  o  Pis/pasep­ Importação e à Cofins­Importação; ou  II ­ responsável, em relação à Contribuição para o PIS/Pasep e à  Cofins.  §  2º O pagamento dos acréscimos  legais  e da penalidade de  que  trata  o  caput  não  gera,  para  a  pessoa  jurídica  beneficiária  do  Reidi,  direito  ao  desconto  de  créditos  apurados  na  forma do art.  3º  da Lei nº  10.637,  de  2002,  do  art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865,  de 30 de abril de 2004. No  caso  em  comento,  conforme  as  disposições  legais  acima  colacionadas,  temos que aquele que não cumpriu os requisitos trazidos pela Lei, necessários para a fruição do  benefício, passa a ser o responsável pelo crédito tributário, outrora suspenso (art. 3º, § 3º).  Observa­se  ainda  que,  como  bem  destacado  pela  decisão  de  piso,  não  há  recomposição da apuração de contribuições no sistema não cumulativo e sim, "um lançamento  de contribuições incidentes sobre fatos específicos e determinados, o que confere com certeza  e liquidez ao crédito constituído. independente da apuração de eventuais créditos", em outras  palavras não há créditos não­cumulativos a serem apurados e reconhecido.  Desta forma, inconsistente as alegações da contribuinte motivo pelo qual não  acolhe seu pedido.  II.2 ­ Da irretroatividade dos atos administrativos ­ Segurança Jurídica e  proteção a boa­fé  Conforme  exaustivamente  tratado  nos  tópicos  anteriores,  e  na mesma  linha  do  que  alega  a  contribuinte  recorrente,  no  presente  processo  não  se  discute  a  validade/legalidade do cancelamento de ofício da co­habilitação ao REIDI.  Tal  fato  foi  objeto  de  processo  distinto,  onde  foi  dada  a  oportunidade  da  recorrente se defender dentro daquilo que determina a lei, e seu desfecho foi no sentido de que  a  recorrente  não  estaria  apta  à  se  beneficiar  do  programa  REIDI,  pois  não  cumprira  os  requisitos necessários para tanto.  Fl. 2487DF CARF MF Processo nº 10855.721325/2016­06  Acórdão n.º 3302­005.473  S3­C3T2  Fl. 27          26 Pois  bem. Não  cumpridos  os  requisitos  e,  por  consequência  impraticável  a  fruição do benefício, por expressa disposição  legal, o  recolhimento da contribuição até então  suspensa, por dever de ofício deve ser lançada pela autoridade fiscalizadora, como de fato foi  feito pelo auditor fiscal.  Veja, não estamos falando aqui de irretroatividade gravosa ao contribuinte. O  que  se  tem  é  que,  não  cumpridos  os  requisitos  que mantinham  a  suspensão  da  cobrança  da  contribuição  objeto  de  lançamento,  devidamente  previsto  na  lei  que  garantiu  tal  benefício,  necessariamente há a necessidade de recolhimento da contribuição, e para tanto deve­se ainda  voltar a data da importação, para a contagem da atualização, aplicação de juros e multa.  Não pode a contribuinte tentar se esquivar da cobrança que lhe é imposta sob  o  argumento de não observância aos princípios  da  segurança  jurídica  e boa­fé,  uma vez que  estamos  diante  de  não  atendimento  de  determinação  legal,  que  era  do  seu  conhecimento  quando do requerimento de enquadramento ao benefício fiscal.  Vale dizer, a não observância por parte da autoridade administrativa do que  determina expressamente a lei é poder­se­ia caracterizar como ferimento ao citado princípio.  Desta  feita,  por  todo o que  até  aqui  fora  exposto,  não há  como  se  falar  em  aplicação  dos  artigos  100  e  112  do CTN,  pois,  conforme  demonstrado,  não  pode  se  valer  a  contribuinte recorrente da alegação de que seguia atos ou decisões administrativas anteriores,  muito  menos  que  haveria  dúvidas  na  capitulação  legal  do  ocorrido,  havendo  assim  a  necessidade de se fazer a interpretação mais benéfica ao contribuinte.  II.3 ­ Da Alegação de violação ao art. 146 do CTN  Para a recorrente o cancelamento de ofício da co­habilitação ao REIDI, que  teria motivado a lavratura do auto de infração aqui guerreado, representaria uma afronta ao art.  146 do CTN, o que se consubstanciaria em mudança de critério jurídico por parte da autoridade  administrativa na apuração da irregularidade.  No entanto, razão não assiste a recorrente. Como apontado por ela mesma, e  devidamente  explicitado  no  acórdão  da  DRJ,  que  esclareceu  não  ser  competente  para  o  julgamento do cancelamento da co­habilitação, esse não é o objeto do presente processo, nem  poderia  ser,  pois  já  discutido  e  finalizado  em  outro  processo,  onde  foi  garantido  todos  os  direitos do contribuinte em sua defesa.  O  que  se  discute  nos  presentes  autos  é,  em  virtude  de  se  ter  havido  o  cancelamento  da  co­habilitação,  por  determinação  da  legislação  que  trata  do  REIDI,  a  recomposição  do  status  quo  anterior,  vale  ressaltar,  como  se  não  existisse  o  malfadado  benefício  fiscal,  e  a  contribuinte  simplesmente  não  houvesse  recolhido  ao  seu  tempo  a  contribuição ao PIS/COFINS.  O art. 146 do CTN, tem a seguinte redação:  Art.  146  A  modificação  introduzida,  de  ofício  ou  em  consequência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios  jurídico adotados pela autoridade administrativa no exercício do  lançamento somente pode ser efetivada em relação a um mesmo  sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à  sua introdução.  Fl. 2488DF CARF MF Processo nº 10855.721325/2016­06  Acórdão n.º 3302­005.473  S3­C3T2  Fl. 28          27 Referido artigo em seu alicerce traz o princípio da proteção à confiança, que  é traduzido na confiança do contribuinte na Administração Tributária, em duas vertentes, sendo  a  primeira  a  impossibilidade  de  "retratação  de  atos  administrativos  concretos  que  implique  prejuízo relativamente a situação consolidado à luz de critérios anteriormente adotados, e, de  outro, a irretroatividade de atos administrativos normativos quando o contribuinte confiou nas  normas anteriores". (Leandro Paulsen, Código Tributário Nacional, p. 1020)  Vários são os debates travados sobre as diretrizes trazidas por referido artigo,  principalmente no  que  tange  a  (im)possibilidade  de  revisão  dos  lançamentos  apontados  com  erro de direito,  e até mesmo,  ser  impossível ou  tênue a  linha que separa o erro de direito da  mudança do critério jurídico.  Hugo  de Brito Machado,  tratando  da mudança  de  critério  jurídico,  erro  de  direito e erro de fato, comenta que  "...  não  se  confunde  com erro de  fato nem mesmo com erro de  direito,  embora  a  distinção  relativamente  a  este  último,  seja  sutil.  (...) Há mudança de critério jurídico quando a autoridade  administrativa  simplesmente  muda  de  interpretação,  substitui  uma  interpretação  por  outra,  sem  que  se  possa  dizer  que  qualquer  das  duas  seja  incorreta.  Também  há  mudança  de  critério  jurídico  quando  a  autoridade  administrativa,  tendo  admitida uma entre várias alternativas expressamente admitidas  em  lei,  na  feitura  do  lançamento,  depois  pretende  alterar  esse  lançamento,  mediante  a  escolha  de  outra  das  alternativas  admitidas e que enseja a determinação de um critério tributário  em valor diverso, geralmente mais elevado. (Machado, Hugo de  Brito. Curso de Direito Tributário, p. 123)  No mesmo sentido direciona­se Carlos Alberto de Moraes Ramos Filho, para  quem:  "..  o  erro  de  direito  (que  não  se  confunde  com  a  simples  'mudança  de  critério  jurídico',  disciplinada  no  artigo  146  do  CTN)  enseja  a  revisão  do  lançamento  tributário  a  favor  do  Fisco,  podendo  também  ser  invocado  pelo  sujeito  passivo  da  obrigação tributária. Com efeito, ao art. 146 do CTN, que veda a  revisão  do  lançamento  tributário  em  razão  da  mudança  de  critérios jurídicos, não se aplica ao erro de direito, porquanto se  tratam  de  fenômenos  distintos:  erro  de  direito  ocorre  quando  não  seja  aplicada  a  lei  ou  quando  a  má  aplicação  desta  seja  notória  e  indiscutível,  enquanto a mudança do critério  jurídico  ocorre,  basicamente,  com  a  substituição,  pelo  órgão  de  aplicação do direito, de uma interpretação por outra, sem que se  possa  dizer  que  qualquer  delas  seja  incorreta."  (Ramos  Filho,  Carlos Alberto de Moraes. Limites objetivos à revisibilidade do  lançamento no processo administrativo tributário. RDTAPET nº  13, mar/07. p. 49).  Pois  bem. Não houve  revisão  do  lançamento  tributário,  o  que  foi  realizado  pela  autoridade  administrativa  foi  a  simples  cobrança  de  contribuição  não  recolhida  pela  contribuinte recorrente, muito menos a substituição de uma interpretação por outra, pois como  demonstrado  desde  o  início  do  procedimento  fiscal,  até  a  presente  fase  processual,  foi  a  Fl. 2489DF CARF MF Processo nº 10855.721325/2016­06  Acórdão n.º 3302­005.473  S3­C3T2  Fl. 29          28 verificação de não atendimento a requisitos que garantiriam a fruição de beneficio fiscal, e por  consequência a cobrança do tributo indevidamente não recolhido.  II.4 ­ Da multa de ofício  Quanto à aplicação da multa de ofício,  registre­se que a falta de pagamento  do tributo antes do início do procedimento fiscal sujeita o contribuinte à constituição do crédito  de ofício e neste caso, é cabível a multa de ofício nos termos art. 44, 1  , da Lei n° 9.430, de  1996.  Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas, calculadas sobre a  totalidade ou diferença de  tributo ou contribuição:  I ­ de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento  ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento  do  prazo,  sem  o  acréscimo  de  multa  moratória,  de  falta  de  declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do  inciso seguinte;.  II.5 ­ Dos juros de mora  Quanto à incidência dos juros de mora, está prevista no artigo 161 do Código  Tributário Nacional, verbis:  "Art.  161 O Crédito não  integralmente  pago no  vencimento  é  acrescido  de  juros  de  mora,  seja  qual  for  o  motivo  determinante  da  falta,  sem  prejuízo  da  imposição  das  penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de  garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária."  §1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora  são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês.”  Os  juros  de  mora,  ex  vi  do  art.  161  retrotranscrito,  incidem  quando  da  insuficiência ou do retardo do pagamento do crédito tributário, qualquer que seja a intenção da  contribuinte ou o motivo do atraso, visto que a natureza cogente da norma tributária estabelece  seja qual for o motivo determinante da falta.  Note­se  que  o  calículo  dos  juros  de  mora,  para  cada  período,  estão  explicitados nos demonstrativos, integrantes do auto de infração, bem como a respectiva base  legal, art. 61, § 3°, da Lei n° 9.430, de 1996, a seguir transcrito:  Acréscimos Moratórios  Multas e Juros  Art.61.Os  débitos  para  com  a União,  decorrentes  de  tributos  e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica,  serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e  três centésimos por cento, por dia de atraso.  Fl. 2490DF CARF MF Processo nº 10855.721325/2016­06  Acórdão n.º 3302­005.473  S3­C3T2  Fl. 30          29 (...)  §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de  mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir  do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até  o mês anterior ao do pagamento  e de um por cento no mês de  pagamento.(Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998)(Vide Lei  nº 9.716, de 1998).  Conforme  autorizado  pelo  referido  §  3º  os  juros  de  mora  deverão  ser  equivalentes  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia  SELIC,  para  títulos  federais,  acumulada  mensalmente,  calculados  a  partir  do  primeiro  dia  do  mês  subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no  mês de pagamento.  Assim,  tendo  em  vista  a  natureza  da  obrigação  tributária,  ex  lege,  de  sorte  que uma vez ocorrido o fato gerador, que corresponde à concretização da hipótese legal e faz  nascer  a  obrigação  tributária,  tem  a  autoridade  administrativa  o  dever  de  proceder  ao  lançamento,  que  é  a  formalização  do  crédito  como  requisito  prévio  e  necessário  para  a  cobrança administrativa, ex vi do parágrafo único do art. 142 do CTN.  II.6 ­ Da não Incidência de juros de mora sobre a multa de ofício  A legislação prevê a incidência da taxa Selic, que no caso é o juros de mora,  sobre  a  impontualidade  do  pagamento, mas  não  em  relação  à multa. Assim,  já  decidiu  este  Tribunal Administrativo:  JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Não existe  amparo legal para a exigência de juros de mora sobre a multa  de ofício.  (Acórdão no 3403001.541, Rel. Cons. Antonio Carlos  Atulim,  unanimidade  em  relação  ao  tema,  sessão  de  24.abr.2012)  Nesse sentido, deve ser retirada a incidência do juros de mora sobre a multa  de ofício por falta de fundamento legal.  III ­ Conclusão  Assim  sendo,  voto  por  conhecer  do  recurso  voluntário,  dando­lhe  parcial  provimento para excluir a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício.  É como voto.  (assinado digitalmente)  José Renato Pereira de Deus ­ Relator.  Fl. 2491DF CARF MF Processo nº 10855.721325/2016­06  Acórdão n.º 3302­005.473  S3­C3T2  Fl. 31          30 Voto Vencedor  Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida.  Com  as  vênias  de  praxe,  dissinto  do  entendimento  do  eminente Relator  no  sentido de dar provimento parcial em menor extensão, apenas, para excluir os  juros de mora  sobre a multa de ofício,  entendendo  ser o  caso  de excluir­se  a multa de ofício  e os  juros de  mora dos lançamentos.  ART. 100, DO CTN, MULTA DE OFÍCIO (75%) E JUROS DE MORA (TAXA SELIC)  Quanto  aos  efeitos  reflexos  do  ato  cancelado,  na  constituição  dos  créditos  tributários,  recorre  a  contribuinte  contra  os  acréscimos  lançados,  alegando  que,  no  mínimo,  deveriam ser excluídas as cobranças de multa e de juros de mora, por força do CTN: art. 100,  inciso III (práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas) e parágrafo  único (exclusão de penalidades e acréscimos legais).  Art.  100.  São  normas  complementares  das  leis,  dos  tratados  e  das convenções internacionais e dos decretos:  I  ­  os  atos  normativos  expedidos  pelas  autoridades  administrativas;  II ­ as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição  administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa;  III  ­  as  práticas  reiteradamente  observadas  pelas  autoridades  administrativas;  IV ­ os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o  Distrito Federal e os Municípios.  Parágrafo  único.  A  observância  das  normas  referidas  neste  artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de  mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do  tributo.  Argüi­se  que  a  conduta  da  Recorrente  foi  fundamentada  em  ato  administrativo  individual,  concreto  e válido expedido pela própria Receita Federal  do Brasil,  que lhe conferiu o direito de se coabilitar ao REIDI, e, com isso, aproveitar o benefício fiscal  consistente  na  suspensão  da  exigência  do  PIS  e  da  COFINS;  que,  após  análise  detida  dos  contratos firmados entre a Recorrente e as pessoas jurídicas titulares de projetos aprovados no  âmbito do REIDI, a RFB concluiu pelo direito da Recorrente à coabilitação ao REIDI, tendo,  ato contínuo, feito publicar na Imprensa Oficial os respectivos Atos Declaratórios Executivos;  que os contratos eram de conhecimento da RFB que, mesmo ciente de que não tinham por fim  a execução por empreitada de obras de construção civil, deferiu os pedidos de coabilitação da  Recorrente; que, à época dos fatos geradores objeto da acusação fiscal, a Recorrente agiu em  conformidade com ato administrativo concreto, individual e válido expedido pela RFB; que, se  a RFB errou ao deferir a coabilitação ao REIDI à Recorrente,  isso não muda o fato de que a  Recorrente esteve válida e formalmente coabilitada, por expressa autorização da própria RFB.  Fl. 2492DF CARF MF Processo nº 10855.721325/2016­06  Acórdão n.º 3302­005.473  S3­C3T2  Fl. 32          31 Como  se  verifica,  a  RFB  durante  tempo  razoável  deferiu  os  pedidos  de  coabilitação da Recorrente, não havendo aparente motivo para que a mesma não se utilizasse  dos benefícios da coabilitação ao REIDI.  Importante  notar  que  as  atividades  e  contratos  firmados  eram  de  conhecimento  da  RFB  que,  mesmo  ciente  de  que  não  tinham  por  fim  a  execução  por  empreitada de obras de construção civil, deferiu os pedidos de coabilitação, caracterizando essa  interpretação  uma  prática  reiteradamente  observada  pelas  autoridades  administrativas  e  que  orientava,  também,  a  forma  como  o  contribuinte  entendia  e  aplicava  a  legislação  tributária  referente aos benefícios da coabilitação ao REIDI.  Como bem leciona o saudoso Aliomar Baleeiro:  "Considera­se  como  boa  interpretação  aquela  que  resulta  de  antiga,  iterativa  e  pacifica  aplicação  da  lei  sob  determinada  diretriz  por  parte  do  próprio  fisco.  Se  as  autoridades  deram  sentido  uniforme  a  uma  disposição  entende­se  tal  inteligência  como a mais compatível com o texto."  (Direito Tributário Brasileiro, 20 ed. Forense, 1970, pág. 369)  A decisão  recorrida  afirma  que  "o  procedimento  adotado  pela  contribuinte  decorre de descumprimento de condição essencial para usufruto de um beneficio  fiscal.  Isso  porque  a  decisão  administrativa  que  concedeu  o  referido  benefício  foi  proferida  para  determinado fim (...). No entanto, conforme exaustivamente relatado nos Autos, a manifestante  utilizou essa decisão com outra finalidade."  Entendo que, na verdade, a RFB errou ao deferir a coabilitação ao REIDI à  Recorrente,  porém,  isso  não  muda  o  fato  de  que  a  mesma  esteve  válida  e  formalmente  coabilitada, por expressa autorização da própria RFB, tendo a decisão recorrida também errado  ao  não  aplicar  a  disposição  do  art.  100,  inc.  III,  e  parágrafo  único,  do  CTN,  tendo  o  contribuinte apenas agido de acordo com os atos administrativos expedidos pelo próprio órgão  tributante.  Com  estas  considerações,  voto  por  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário para excluir a multa de ofício e os juros de mora dos lançamentos.  (assinado digitalmente)  Fenelon Moscoso de Almeida ­ Redator designado.                  Fl. 2493DF CARF MF

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7363015 #
Numero do processo: 10980.914249/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.869
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

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3201­003.869  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  20 de junho de 2018  Matéria  RESTITUIÇÃO  Recorrente  METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005  RESTITUIÇÃO. REQUISITO.  O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do  sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).      Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento  ao  Recurso.  Acompanharam  o  relator  pelas  conclusões  os  conselheiros  Paulo  Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi  de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade  e  Laércio Cruz Uliana Junior.  (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza ­ Presidente e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Charles  Mayer  de  Castro  Souza  (Presidente),  Paulo  Roberto  Duarte  Moreira,  Tatiana  Josefovicz  Belisario,  Marcelo  Giovani  Vieira,  Pedro  Rinaldi  de  Oliveira  Lima,  Leonardo  Correia  Lima Macedo,  Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.  Relatório  METROBENS  AUTOMÓVEIS  LTDA.  apresentou  pedido  eletrônico  de  restituição  de  crédito  da  contribuição  (Cofins/PIS),  pedido  esse  que  restou  indeferido  pela  repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia  sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 42 49 /2 01 2- 11 Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10980.914249/2012­11  Acórdão n.º 3201­003.869  S3­C2T1  Fl. 3          2 Cientificado,  o  contribuinte  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade  e  requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o  seguinte:  a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição  (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo;  b)  a  contribuição  (PIS/Cofins)  incide  sobre  o  faturamento  mensal  que  corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços;  c)  a  Lei  nº  9.718/1998  extrapolou  a  previsão  constitucional,  instituindo  as  contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente  do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I,  "b",  da  Constituição  Federal  previa  a  instituição  de  contribuições  sociais  somente  sobre  o  faturamento,  o  que não  abrange  o  valor  pago  a  título  de  ICMS,  visto  que  tal  valor  constitui  ônus fiscal e não faturamento.  A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12­ 078.438, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, diante da não comprovação  do crédito pleiteado.  Irresignado,  o  contribuinte  interpôs,  no  prazo  legal,  Recurso  Voluntário,  repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do  ICMS  na  base  de  cálculo  da  contribuição  (PIS/Cofins),  conforme  decisão  do  Plenário  do  Supremo  Tribunal  Federal  proferida  no  dia  8  de  outubro  de  2014,  nos  autos  do  Recurso  Extraordinário (RE) nº 240.785­2/MG, que também reconheceu a repercussão geral da matéria  no julgamento do RE nº 574.706.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF),  aprovado  pela Portaria MF  343,  de  9  de  junho  de  2015,  aplicando­se,  portanto,  ao  presente  litígio  o  decidido  no  Acórdão  3201­003.778,  de  20/06/2018,  proferido  no  julgamento  do  processo 10980.912250/2012­01, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201­003.778):  O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos  em lei, razão pela qual dele se conhece.  A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a  restituição da Cofins apurada em novembro de 2006.  Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava  integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte,  Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10980.914249/2012­11  Acórdão n.º 3201­003.869  S3­C2T1  Fl. 4          3 a Recorrente apresentou manifestação de  inconformidade, por meio da  qual  alegou,  com  fundamento  em  decisão  proferida  pelo  Supremo  Tribunal Federal  ­  STF,  que  o  direito à  restituição decorre  do  fato  do  pagamento  a  maior  do  PIS/Cofins,  em  face  da  inclusão,  nas  suas  respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no  recurso voluntário, ora apreciado.  A  Recorrente,  contudo,  não  se  atentou  para  o  fato  –  devidamente  explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento  do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de  débito  da mesma  contribuição.  Noutras  palavras,  a  Recorrente  sequer  apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade,  nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir  a  liberação do valor  requerido,  se  fosse o caso, e a sua restituição em  pecúnia ou a sua compensação com outros tributos.  Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa  o  pedido  (isso  não  significa  que  concordemos  com  a  tese),  a  Administração  Tributária  não  podia  e  não  pode  restituir  valor  já  alocado  para  quitação  de  um  tributo.  Quem  deve  fazê­lo  é  o  próprio  contribuinte,  de  ordinário  antes  de  apresentar  o  pedido  eletrônico  de  restituição.  É  como,  aliás,  entende  a  própria  RFB,  como  indica  o  Parecer  Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015:  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP  E  CIÊNCIA  DO  DESPACHO  DECISÓRIO.  POSSIBILIDADE.  IMPRESCINDIBILIDADE  DA  RETIFICAÇÃO  DA  DCTF  PARA  COMPROVAÇÃO  DO  PAGAMENTO  INDEVIDO  OU  A  MAIOR.  As  informações  declaradas  em  DCTF  –  original  ou  retificadora  –  que  confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP,  podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não  sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações,  tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB  nº  1.110,  de  2010,  sem  prejuízo,  no  caso  concreto,  da  competência  da  autoridade  fiscal para analisar outras questões ou documentos com o  fim  de decidir sobre o indébito tributário.  Não  há  impedimento  para  que  a  DCTF  seja  retificada  depois  de  apresentado  o  PER/DCOMP  que  utiliza  como  crédito  pagamento  inteiramente  alocado  na  DCTF  original,  ainda  que  a  retificação  se  dê  depois  do  indeferimento  do  pedido  ou  da  não  homologação  da  compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de  2010.  Retificada  a  DCTF  depois  do  despacho  decisório,  e  apresentada  manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER  ou  contra  a  não  homologação  da  DCOMP,  a  DRJ  poderá  baixar  em  diligência  à  DRF.  Caso  se  refira  apenas  a  erro  de  fato,  e  a  revisão  do  despacho  decisório  implique  o  deferimento  integral  daquele  crédito  (ou  homologação  integral  da  DCOMP),  cabe  à  DRF  assim  proceder.  Caso  haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao  órgão  julgador  administrativo  decidir  a  lide,  sem  prejuízo  de  renúncia  à  instância administrativa por parte do sujeito passivo.  O procedimento de  retificação de DCTF suspenso para análise por parte  da RFB, conforme art. 9º­A da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido  Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10980.914249/2012­11  Acórdão n.º 3201­003.869  S3­C2T1  Fl. 5          4 objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao  indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de  retificação  de  DCTF  se  encerre  com  a  sua  homologação,  o  julgamento  referente  ao  direito  creditório  cuja  lide  tenha  o  mesmo  objeto  fica  prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho  decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a  não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato  administrativo  deve,  por  continência,  ser  apensado  ao  processo  administrativo  fiscal  referente  ao  direito  creditório,  cabendo  à  DRJ  analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da  retificação  da  DCTF,  a  autoridade  administrativa  deve  comunicar  o  resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada  na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não­ homologação do PER/DCOMP.  A não  retificação da DCTF pelo  sujeito passivo  impedido  de  fazê­la  em  decorrência  de  alguma  restrição  contida  na  IN RFB nº  1.110,  de  2010,  não  impede  que  o  crédito  informado  em  PER/DCOMP,  e  ainda  não  decaído, seja comprovado por outros meios.  O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a  se  tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto  de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º  do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996.  Retificada  a  DCTF  e  sendo  intempestiva  a  manifestação  de  inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP  compete  à  autoridade  administrativa  de  jurisdição  do  sujeito  passivo,  observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de  2014, itens 46 a 53.  Dispositivos  Legais.  arts.  147,  150,  165  170  da  Lei  nº  5.172,  de  25  de  outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro  de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decreto­lei nº 2.124,  de  13  de  junho de  1984;  art.  18  da MP nº  2.189­49,  de  23  de  agosto  de  2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução  Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa  RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8,  de 3 de setembro de 2014. e­processo 11170.720001/2014­42  Portanto,  para  que  haja  a  possibilidade  de  restituição,  o  crédito  respectivo  deve  estar  liberado,  mediante  a  entrega  de  DCTF  retificadora,  exceto  quanto  às  hipóteses  de  impedimento  à  sua  apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por  exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria  da Fazenda Nacional ­ PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe,  ademais, à RFB fazer a retificação de ofício.  Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não  retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido,  logo,  valor  utilizado  para  quitá­lo  não  se  constitui  formalmente  em  indébito,  sem  que  a  recorrente  promova  a  prévia  retificação  da  declaração.  (Acórdão nº 1302­001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza  Júnior, 25 de novembro de 2014)".  A  situação  aqui  enfrentada  é,  como  se  percebe,  diferente  da  que  comumente  se  vê no Contencioso Administrativo,  em que o  interessado  costuma  apresentar  DCTF  retificadora,  mas  não  apresenta,  na  manifestação  de  inconformidade,  documentos  contábeis/fiscais  Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10980.914249/2012­11  Acórdão n.º 3201­003.869  S3­C2T1  Fl. 6          5 comprovando  o  erro  cometido  na  original,  ou  os  apresenta  neste  recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após  a  ciência  do  Despacho  Decisório  leva  a  DRJ  a  manter,  por  esse  só  motivo, o indeferimento do pedido de restituição.  Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado  continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB,  de modo que, nesse contexto, não há como restituí­lo.  Contudo,  não  foi  este  o  entendimento  dos  demais  integrantes  da  Turma,  que,  muito  embora  também  negando  provimento  ao  recurso,  fizeram­no  ao  argumento  de  que  não  haveria  provas  do  direito  reclamado  pela Recorrente  (apenas  apresentou  planilha  discriminando  os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil).  Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário.  Destaque­se que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à  Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS.  Importa  registrar,  ainda,  que,  nos  presentes  autos,  as  situações  fática  e  jurídica  encontram  correspondência  com  as  verificadas  no  paradigma,  de  tal  sorte  que  o  entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado.  Portanto,  aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado  decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário.  (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza                              Fl. 49DF CARF MF

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Numero do processo: 10855.900721/2012-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 Despacho Decisório. Pagamento Totalmente Utilizado. Fundamentação. Considera-se fundamentado o despacho decisório que não homologa a compensação declarada ao argumento de que o pagamento indicado como indevido se encontra totalmente utilizado. Pagamento Indevido. Direito de Crédito. ônus da Prova. Em pedido de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte.
Numero da decisão: 1301-003.245
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a arguição de nulidade e o pedido de diligência, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR

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1301­003.245  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  26 de julho de 2018  Matéria  IRPJ ­ COMPENSAÇÃO  Recorrente  AHK ­ CONSTRUÇÕES E COMÉRCIO LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2008  DESPACHO  DECISÓRIO.  PAGAMENTO  TOTALMENTE  UTILIZADO.  FUNDAMENTAÇÃO.  Considera­se  fundamentado  o  despacho  decisório  que  não  homologa  a  compensação  declarada  ao  argumento  de  que  o  pagamento  indicado  como  indevido se encontra totalmente utilizado.  PAGAMENTO INDEVIDO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.  Em pedido de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus  da prova do indébito é do contribuinte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a  arguição de nulidade e o pedido de diligência, e, no mérito, em negar provimento ao recurso  voluntário.    (assinado digitalmente)  Fernando Brasil de Oliveira Pinto ­ Presidente    (assinado digitalmente)  Roberto Silva Junior ­ Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Fernando  Brasil  de  Oliveira  Pinto,  Roberto  Silva  Junior,  José  Eduardo  Dornelas  Souza,  Nelso  Kichel,  Amélia     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 07 21 /2 01 2- 66 Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10855.900721/2012­66  Acórdão n.º 1301­003.245  S1­C3T1  Fl. 112          2 Wakako  Morishita  Yamamoto  e  Carlos  Augusto  Daniel  Neto.  Ausência  justificada  da  Conselheira Bianca Felícia Rothschild.    Relatório  Trata­se  de  recurso  interposto  por  AHK ­ CONSTRUÇÕES  E  COMÉRCIO  LTDA.,  pessoa  jurídica  já  qualificada  nos  autos,  contra  a  decisão  da  DRJ ­  Ribeirão  Preto,  que  negou  provimento  à  manifestação  de  inconformidade  da  recorrente  e  manteve o despacho decisório da DRF ­ Sorocaba.  No  despacho  decisório,  a  autoridade  administrativa  não  reconheceu  a  existência do crédito pleiteado pela recorrente e, assim, deixou de homologar a compensação  declarada em dcomp. A decisão fundou­se no argumento de que, embora tendo sido encontrado  o  DARF,  o  pagamento  já  estava  inteiramente  utilizado  para  quitar  outro  débito  da  própria  recorrente, não remanescendo qualquer valor.  Na  manifestação  de  inconformidade,  a  recorrente  alegou  que  o  despacho  decisório  carecia  de  fundamentação,  já  que  não  expunha  os  motivos  que  levaram  ao  indeferimento  do  direito  creditório.  Por  conseguinte,  teriam  sido  violados  os  princípios  da  legalidade e da ampla defesa.  Aduziu  ainda  que  a  autoridade  administrativa  não  teve  o  cuidado  de  esclarecer  os  motivos  da  indisponibilidade  do  pagamento,  e  não  intimou  a  interessada  a  apresentar  as  razões  pelas  quais  o  pagamento  seria  indevido.  Concluiu,  portanto,  ser  nulo  o  despacho decisório.  A contribuinte  se manifestou  acerca da origem de  seu direito nos  seguintes  termos:  A Impugnante, ao calcular o quantum debeatur do PIS e Cofins, utilizou­se de  base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de  cálculo ampliada.  Incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento,  ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compô­la, desta  forma, refletindo no IRPJ apurado.  Para tanto, utilizou­se de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo  Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes, a exemplo a ampliação da  base  de  cálculo  por  alterar  o  conceito  de  faturamento,  a  exclusão  da  base  de  cálculo de determinadas despesas, etc.  Além disso, recolheu o IRPJ sobre base de cálculo sobre receitas das quais  não incidem esta exação, também fazendo uso de teses já decididas pelo STF como  inconstitucionais.  Por esta razão é que postulou a restituição/compensação do valor que pagou  a maior desta exação.  Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10855.900721/2012­66  Acórdão n.º 1301­003.245  S1­C3T1  Fl. 113          3 A DRJ, alegando que o direito não  tinha sido demonstrado e que não havia  certeza, nem liquidez do crédito, negou provimento à manifestação de inconformidade.  Não  resignada,  AHK ­ CONSTRUÇÕES  E  COMÉRCIO  LTDA.  interpôs  recurso,  afirmando  ter  feito  recolhimento  a maior,  "considerando  as  discussões  jurídicas  de  legalidade  e  conceituação  das  disposições  que  regulam  os  tributos".  Aduziu  que  "em  decorrência  das  diversas  legislações,  da  complexidade  do  ordenamento  jurídico  e,  ainda,  notadamente diante de todas as manifestações acerca da interpretação das normas aplicáveis  aos  tributos,  a  Recorrente  postulou  a  restituição  de  tributos,  utilizando  o  crédito  em  compensação.".  Diversas  seriam  as  "teses  jurídicas"  aplicáveis  ao  caso,  que  ensejariam  a  restituição ou compensação do valor  recolhido, a exemplo do que se dá com a ampliação da  base de cálculo do PIS e da Cofíns.  Aduziu  que  o  direito  de  repetir  o  indébito  decorre  diretamente  da  Constituição  Federal  e  também  do  Código  Tributário  Nacional ­ CTN,  que  asseguram  ao  contribuinte o direito de não pagar tributo ilegal. Portanto, deve ser afastada qualquer limitação  ao direito imposta por norma regulamentar.  No caso concreto, diz a recorrente, a Administração não apenas condicionou  o direito ao crédito ao uso da declaração de compensação, como também exigiu a retificação da  DCTF do período a que se refere o indébito.  Afirmou que os fundamentos do despacho decisório e da decisão da DRJ não  subsistem, e que  foram violados os princípios da eficiência administrativa, da motivação, do  contraditório e da ampla defesa. No mais, ressaltou que a dcomp não comporta a anexação de  provas,  as  quais  devem  ser  produzidas  por  iniciativa  da  autoridade  administrativa,  antes  do  despacho decisório.  Com essas alegações, pugnou pelo provimento do recurso a fim de converter  o julgamento em diligência, com o propósito de demonstrar a legitimidade do crédito.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator  O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade.  De plano, cumpre frisar que não há nulidade no despacho decisório, nem na  decisão  recorrida.  O  despacho  decisório  está  devidamente  fundamentado.  O  fundamento  consiste  no  fato  de  que  o  valor  que  a  recorrente  queria  ver  restituído  estava  integralmente  utilizado  para  quitar  débito  que  a  própria  recorrente  havia  declarado.  Essa  circunstância  é  suficiente para respaldar a decisão denegatória.  Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10855.900721/2012­66  Acórdão n.º 1301­003.245  S1­C3T1  Fl. 114          4 Não  há  violação  ao  direito  de  defesa,  nem  ao  contraditório.  A  recorrente  poderia, na manifestação de inconformidade e, se fosse o caso, no recurso, demonstrar que, a  despeito de ter declarado o débito, este não existia, ou não existia no montante declarado. Na  mesma  oportunidade,  deveriam  ser  expostas  as  razões  de  fato  e  de  direito  da  pretensão  ao  crédito, acompanhadas dos respectivos elementos de prova.  A recorrente, sem razão, sustenta que a autoridade administrativa não teve o  cuidado  de  esclarecer  os  motivos  da  indisponibilidade  do  pagamento.  A  autoridade  administrativa explicou o porquê da indisponibilidade: o pagamento estava indisponível porque  alocado a um débito que a  recorrente confessou. Se o débito não existia e se não deveria  ter  sido confessado, isso competia à recorrente explicar.  Não cabe, ademais,  falar em violação do princípio da eficiência, que nunca  foi requisito de validade de ato administrativo. A eventual falta de eficiência da Administração  Pública não implica a invalidade do ato praticado.  Quanto à exigência de apresentar declaração de compensação, é preciso dizer  que ela não anula, nem limita o direito à compensação, sendo apenas uma forma estabelecida  para  o  exercício  desse  direito.  A  dcomp,  ademais,  produzindo  efeito  extinto  da  obrigação  compensada, protege o contribuinte contra eventual morosidade da Administração.  Por último, é equivocada a afirmação de que a autoridade administrativa e a  DRJ exigiam a retificação da DCTF. O que se exige é a prova do indébito.  Com essas razões, afasta­se a preliminar de nulidade.  Foi  requerida  a  realização  de  diligência,  a  qual  deve  ser  indeferida,  pois  a  recorrente não delimitou de forma clara e específica o seu objeto.  No mérito, cumpre dizer que, nos pedidos de restituição e nas compensações,  o ônus da prova do  fato  constitutivo do direito de  crédito  cabe àquele que bate  às portas do  Fisco, pleiteando a devolução de uma quantia que teria sido vertida indevidamente aos cofres  públicos.  É  errôneo  acreditar  que  basta  ao  contribuinte  pedir  restituição,  para  que  o  simples requerimento transfira ao Fisco o ônus de provar que o direito não existe. O ônus da  prova é de quem alega o fato. Por conseguinte, uma vez indeferida a compensação, a recorrente  já deveria, na manifestação de inconformidade, ter exibido as provas documentais do suposto  direito.  No  caso  em  exame,  a  recorrente  falou  que  o  direito  estaria  ancorado  em  "teses  jurídicas",  "discussões"  e  "teses  já  decididas  pelo  STF  como  inconstitucionais",  sem,  entretanto, anunciar quais seriam essas teses e como elas afetariam o montante devido do IRPJ.  Sobretudo, não foi demonstrado como essas "teses jurídica" interferem no caso concreto.  É  importante notar que  a  recorrente pleiteou a  integralidade do pagamento,  dando a entender que, no período, ela não devia  IRPJ, sem explicar a  razão, sem demonstrar  qual  a  tese  jurídica  que  prevaleceu  no  Supremo  Tribunal  Federal  e  afastou,  no  todo,  a  obrigação de pagar IRPJ.  Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10855.900721/2012­66  Acórdão n.º 1301­003.245  S1­C3T1  Fl. 115          5 Frise­se,  por  último,  que  a  questão  envolvendo  a  base  de  cálculo  de  PIS  e  Cofins não afeta o IRPJ apurado na sistemática do lucro presumido.  Em  suma,  por  todas  essas  razões,  a  pretensão  da  recorrente  não  pode  ser  acolhida.  Conclusão  Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade, indeferir a diligência  e, no mérito, negar provimento ao recurso.    (assinado digitalmente)  Roberto Silva Junior                                Fl. 115DF CARF MF

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Numero do processo: 10980.912306/2012-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.834
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

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3201­003.834  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  20 de junho de 2018  Matéria  RESTITUIÇÃO  Recorrente  METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2007  RESTITUIÇÃO. REQUISITO.  O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do  sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).      Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento  ao  Recurso.  Acompanharam  o  relator  pelas  conclusões  os  conselheiros  Paulo  Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi  de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade  e  Laércio Cruz Uliana Junior.  (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza ­ Presidente e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Charles  Mayer  de  Castro  Souza  (Presidente),  Paulo  Roberto  Duarte  Moreira,  Tatiana  Josefovicz  Belisario,  Marcelo  Giovani  Vieira,  Pedro  Rinaldi  de  Oliveira  Lima,  Leonardo  Correia  Lima Macedo,  Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.  Relatório  METROBENS  AUTOMÓVEIS  LTDA.  apresentou  pedido  eletrônico  de  restituição  de  crédito  da  contribuição  (Cofins/PIS),  pedido  esse  que  restou  indeferido  pela  repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia  sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 23 06 /2 01 2- 10 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.912306/2012­10  Acórdão n.º 3201­003.834  S3­C2T1  Fl. 3          2 Cientificado,  o  contribuinte  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade  e  requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o  seguinte:  a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição  (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo;  b)  a  contribuição  (PIS/Cofins)  incide  sobre  o  faturamento  mensal  que  corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços;  c)  a  Lei  nº  9.718/1998  extrapolou  a  previsão  constitucional,  instituindo  as  contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente  do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I,  "b",  da  Constituição  Federal  previa  a  instituição  de  contribuições  sociais  somente  sobre  o  faturamento,  o  que não  abrange  o  valor  pago  a  título  de  ICMS,  visto  que  tal  valor  constitui  ônus fiscal e não faturamento.  A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 02­ 065.679, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, diante da não comprovação  do crédito pleiteado.  Irresignado,  o  contribuinte  interpôs,  no  prazo  legal,  Recurso  Voluntário,  repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do  ICMS  na  base  de  cálculo  da  contribuição  (PIS/Cofins),  conforme  decisão  do  Plenário  do  Supremo  Tribunal  Federal  proferida  no  dia  8  de  outubro  de  2014,  nos  autos  do  Recurso  Extraordinário (RE) nº 240.785­2/MG, que também reconheceu a repercussão geral da matéria  no julgamento do RE nº 574.706.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF),  aprovado  pela Portaria MF  343,  de  9  de  junho  de  2015,  aplicando­se,  portanto,  ao  presente  litígio  o  decidido  no  Acórdão  3201­003.778,  de  20/06/2018,  proferido  no  julgamento  do  processo 10980.912250/2012­01, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201­003.778):  O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos  em lei, razão pela qual dele se conhece.  A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a  restituição da Cofins apurada em novembro de 2006.  Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava  integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte,  Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.912306/2012­10  Acórdão n.º 3201­003.834  S3­C2T1  Fl. 4          3 a Recorrente apresentou manifestação de  inconformidade, por meio da  qual  alegou,  com  fundamento  em  decisão  proferida  pelo  Supremo  Tribunal Federal  ­  STF,  que  o  direito à  restituição decorre  do  fato  do  pagamento  a  maior  do  PIS/Cofins,  em  face  da  inclusão,  nas  suas  respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no  recurso voluntário, ora apreciado.  A  Recorrente,  contudo,  não  se  atentou  para  o  fato  –  devidamente  explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento  do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de  débito  da mesma  contribuição.  Noutras  palavras,  a  Recorrente  sequer  apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade,  nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir  a  liberação do valor  requerido,  se  fosse o caso, e a sua restituição em  pecúnia ou a sua compensação com outros tributos.  Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa  o  pedido  (isso  não  significa  que  concordemos  com  a  tese),  a  Administração  Tributária  não  podia  e  não  pode  restituir  valor  já  alocado  para  quitação  de  um  tributo.  Quem  deve  fazê­lo  é  o  próprio  contribuinte,  de  ordinário  antes  de  apresentar  o  pedido  eletrônico  de  restituição.  É  como,  aliás,  entende  a  própria  RFB,  como  indica  o  Parecer  Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015:  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP  E  CIÊNCIA  DO  DESPACHO  DECISÓRIO.  POSSIBILIDADE.  IMPRESCINDIBILIDADE  DA  RETIFICAÇÃO  DA  DCTF  PARA  COMPROVAÇÃO  DO  PAGAMENTO  INDEVIDO  OU  A  MAIOR.  As  informações  declaradas  em  DCTF  –  original  ou  retificadora  –  que  confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP,  podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não  sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações,  tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB  nº  1.110,  de  2010,  sem  prejuízo,  no  caso  concreto,  da  competência  da  autoridade  fiscal para analisar outras questões ou documentos com o  fim  de decidir sobre o indébito tributário.  Não  há  impedimento  para  que  a  DCTF  seja  retificada  depois  de  apresentado  o  PER/DCOMP  que  utiliza  como  crédito  pagamento  inteiramente  alocado  na  DCTF  original,  ainda  que  a  retificação  se  dê  depois  do  indeferimento  do  pedido  ou  da  não  homologação  da  compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de  2010.  Retificada  a  DCTF  depois  do  despacho  decisório,  e  apresentada  manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER  ou  contra  a  não  homologação  da  DCOMP,  a  DRJ  poderá  baixar  em  diligência  à  DRF.  Caso  se  refira  apenas  a  erro  de  fato,  e  a  revisão  do  despacho  decisório  implique  o  deferimento  integral  daquele  crédito  (ou  homologação  integral  da  DCOMP),  cabe  à  DRF  assim  proceder.  Caso  haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao  órgão  julgador  administrativo  decidir  a  lide,  sem  prejuízo  de  renúncia  à  instância administrativa por parte do sujeito passivo.  O procedimento de  retificação de DCTF suspenso para análise por parte  da RFB, conforme art. 9º­A da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido  Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.912306/2012­10  Acórdão n.º 3201­003.834  S3­C2T1  Fl. 5          4 objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao  indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de  retificação  de  DCTF  se  encerre  com  a  sua  homologação,  o  julgamento  referente  ao  direito  creditório  cuja  lide  tenha  o  mesmo  objeto  fica  prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho  decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a  não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato  administrativo  deve,  por  continência,  ser  apensado  ao  processo  administrativo  fiscal  referente  ao  direito  creditório,  cabendo  à  DRJ  analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da  retificação  da  DCTF,  a  autoridade  administrativa  deve  comunicar  o  resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada  na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não­ homologação do PER/DCOMP.  A não  retificação da DCTF pelo  sujeito passivo  impedido  de  fazê­la  em  decorrência  de  alguma  restrição  contida  na  IN RFB nº  1.110,  de  2010,  não  impede  que  o  crédito  informado  em  PER/DCOMP,  e  ainda  não  decaído, seja comprovado por outros meios.  O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a  se  tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto  de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º  do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996.  Retificada  a  DCTF  e  sendo  intempestiva  a  manifestação  de  inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP  compete  à  autoridade  administrativa  de  jurisdição  do  sujeito  passivo,  observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de  2014, itens 46 a 53.  Dispositivos  Legais.  arts.  147,  150,  165  170  da  Lei  nº  5.172,  de  25  de  outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro  de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decreto­lei nº 2.124,  de  13  de  junho de  1984;  art.  18  da MP nº  2.189­49,  de  23  de  agosto  de  2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução  Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa  RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8,  de 3 de setembro de 2014. e­processo 11170.720001/2014­42  Portanto,  para  que  haja  a  possibilidade  de  restituição,  o  crédito  respectivo  deve  estar  liberado,  mediante  a  entrega  de  DCTF  retificadora,  exceto  quanto  às  hipóteses  de  impedimento  à  sua  apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por  exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria  da Fazenda Nacional ­ PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe,  ademais, à RFB fazer a retificação de ofício.  Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não  retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido,  logo,  valor  utilizado  para  quitá­lo  não  se  constitui  formalmente  em  indébito,  sem  que  a  recorrente  promova  a  prévia  retificação  da  declaração.  (Acórdão nº 1302­001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza  Júnior, 25 de novembro de 2014)".  A  situação  aqui  enfrentada  é,  como  se  percebe,  diferente  da  que  comumente  se  vê no Contencioso Administrativo,  em que o  interessado  costuma  apresentar  DCTF  retificadora,  mas  não  apresenta,  na  manifestação  de  inconformidade,  documentos  contábeis/fiscais  Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10980.912306/2012­10  Acórdão n.º 3201­003.834  S3­C2T1  Fl. 6          5 comprovando  o  erro  cometido  na  original,  ou  os  apresenta  neste  recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após  a  ciência  do  Despacho  Decisório  leva  a  DRJ  a  manter,  por  esse  só  motivo, o indeferimento do pedido de restituição.  Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado  continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB,  de modo que, nesse contexto, não há como restituí­lo.  Contudo,  não  foi  este  o  entendimento  dos  demais  integrantes  da  Turma,  que,  muito  embora  também  negando  provimento  ao  recurso,  fizeram­no  ao  argumento  de  que  não  haveria  provas  do  direito  reclamado  pela Recorrente  (apenas  apresentou  planilha  discriminando  os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil).  Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário.  Destaque­se que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à  Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS.  Importa  registrar,  ainda,  que,  nos  presentes  autos,  as  situações  fática  e  jurídica  encontram  correspondência  com  as  verificadas  no  paradigma,  de  tal  sorte  que  o  entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado.  Portanto,  aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado  decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário.  (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza                              Fl. 57DF CARF MF

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Numero do processo: 13502.901054/2008-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PRECLUSÃO PROCESSUAL. MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
Numero da decisão: 3302-005.604
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE

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3302­005.604  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  23 de julho de 2018  Matéria  Cofins  Recorrente  ARTEDUR PRODUTOS QUÍMICOS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004  PRECLUSÃO  PROCESSUAL.  MATÉRIA  NÃO  CONTESTADA  EM  MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE.  Considerar­se­á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente  contestada pelo impugnante.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer do recurso voluntário.     (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède ­ Presidente e Relator  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Paulo  Guilherme  Déroulède  (Presidente),  Fenelon Moscoso  de  Almeida, Walker Araujo,  Vinicius Guimaraes,  Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.  Relatório  Trata­se  de  indeferimento  eletrônico  parcial  de  pedido  de  ressarcimento  de  IPI relativo ao terceiro trimestre de 2004 em razão de glosa de créditos de IPI de fornecedora,  cujo  estabelecimento  não  estava  cadastrado  no  CNPJ  e  de  insuficiência  de  saldo  credor  apurado a partir das informações efetuadas pela recorrente no preenchimento do PER.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 90 10 54 /2 00 8- 41 Fl. 148DF CARF MF Processo nº 13502.901054/2008­41  Acórdão n.º 3302­005.604  S3­C3T2  Fl. 149          2 Em manifestação de inconformidade, a recorrente aduziu a nulidade por erro  na  capitulação  legal,  a  falta  de  motivação  da  decisão,  e  que  o  fornecedor,  cujas  notas  de  aquisição foram glosadas, encontrava­se em situação regular perante o CNPJ.  A Quarta Turma da DRJ em Salvador proferiu o Acórdão nº 15­24.308, cuja  ementa transcreve­se:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004  COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DEVIDO. FORNECEDOR  INDEVIDAMENTE  CONSIDERADO  NÃO  CADASTRADO NO CNPJ.  Comprovado  que  o  fornecedor  encontrava­se  inscrito  e  ativo  perante  a Receita  Federal,  impõe­se  a  revisão  da  decisão  recorrida  reconhecendo­se  o  crédito  do  IPI  indevidamente glosado.  ERRO DE PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO.  Uma  vez  constatado  erro  no  preenchimento  do  PER/DCOMP,  e  restando  comprovada  a  existência  do  crédito, homologa­se a compensação declarada.  Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte  Direito Creditório Reconhecido em Parte.  Inconformada,  a  recorrente  interpôs  recurso  voluntário,  alegando  erro  no  preenchimento  do  PER/DCOMP  e  apresentando  o  Livro  de  Apuração  de  IPI,  cópia  da  PER/DCOMP e da recomposição do quadro "Demonstrativo de Créditos e Débitos", de modo a  demonstrar o lapso cometido.  Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator.  O  recurso  atende  aos  pressupostos  de  admissibilidade  e  dele  tomo  conhecimento.  Verifica­se  que  o  indeferimento  do  pedido  ocorreu  em  razão  da  glosa  de  créditos pelo fato de o emitente das notas fiscais não ter sido localizado no cadastro do CNPJ e  pelo fato de o saldo credor disponível, apurado a partir do Demonstrativo de Créditos e Débitos  e Demonstrativo de Apuração do Saldo Credor Ressarcível (e­fls. 78/79) ter sido insuficiente, o  Fl. 149DF CARF MF Processo nº 13502.901054/2008­41  Acórdão n.º 3302­005.604  S3­C3T2  Fl. 150          3 que resultou em glosa total de R$ 48.273,28, sendo R$ 4.471,05 relativos à glosa por erro na  detecção do CNPJ e R$ 43.802,23 devido à insuficiência de saldo credor, conforme Despacho  Decisório de e­fl­2.  Em manifestação de inconformidade, a recorrente alegou nulidade por erro na  capitulação legal, falta de fundamentação legal e no mérito, apenas a regularidade do CNPJ do  fornecedor das notas fiscais glosadas.  Já na apreciação pela DRJ, o colegiado afastou as preliminares arguidas e, no  mérito,  reverteu  a  glosa  relativa  à  falha  do  indeferimento  eletrônico  em  não  reconhecer  a  regularidade do CNPJ, o qual, de  fato, se mostrava regular e, de  forma extra petita,  reverteu  parte  da  glosa  de  R$  43.802,23  relativa  à  insuficiência  do  saldo  credor  ressarcível,  identificando erro  cometido pela  recorrente  ao preencher  a PER/DCOMP, quando  inseriu na  linha "estorno de créditos" da 2º quinzena de julho/2004 (e­fl. 58) o valor de R$ 66.353,53 que  se referia ao pedido de ressarcimento entregue para o trimestre anterior, valor este que deveria  figurar  na  linha  "ressarcimento  de  créditos"  e  que  não  seria  considerada  débito  relativo  ao  trimestre do ressarcimento para efeito de diminuição dos créditos do trimestre.  A exclusão de tal valor, obviamente, aumentou o saldo credor disponível da  recorrente  para  R$  58.739,89,  que  reduzido  do  valor  já  deferido  no  despacho  decisório,  resultou em R$ 37.263,82 deferidos no julgamento.  Constata­se, assim, que a decisão da DRJ foi além da matéria impugnada pela  recorrente em manifestação de inconformidade, a qual, embora trate de erro preenchimento da  PERDCOMP, deveria  ter  sido  arguida pela  recorrente na manifestação,  revelando­se matéria  preclusa nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/1972.  Por  sua  vez,  a  recorrente,  em  recurso  voluntário,  pugna  pela  correção  de  outro alegado erro de preenchimento, similar ao detectado pelo colegiado a quo, relativo à 1º  quinzena de agosto/2004, o que, após refazimento da apuração, resultaria em aumento de R$  11.009,46 no saldo credor disponível.  Ocorre que tal pretensão não se trata de insurgência quanto à decisão da DRJ,  posto  que  ela  lhe  foi  favorável  no  mérito,  além,  inclusive,  do  que  fora  impugnado.  Na  realidade,  o  que  se  está  aduzindo  em  recurso  voluntário  é matéria  novamente  preclusa,  que  deveria  ter  sido  deduzida  em  manifestação  de  inconformidade.  Não  há  na  peça  recursal,  qualquer inconformismo com o decidido pela DRJ, posto que a matéria alegada sequer integrou  o litígio.  Destarte, tratando­se de matéria preclusa, não conheço da peça recursal.   Salienta­se,  porém,  que  o  não  conhecimento  de  matéria  preclusa  na  fase  contenciosa não implica a impossibilidade de a autoridade administrativa, após o encerramento  do contencioso administrativo, efetuar a revisão de ofício do despacho decisório, nos termos do  artigo  63,  §2º1  da Lei  nº  9.784/1999  e  do Parecer Normativo Cosit  nº  8/2014  (alterado  pela  Parecer Normativo nº 2/2016) que dispõe:  "REVISÃO DE OFÍCIO DO DESPACHO DECISÓRIO                                                              1 § 2o O não conhecimento do recurso não impede a Administração de rever de ofício o ato ilegal, desde que não  ocorrida preclusão administrativa.  Fl. 150DF CARF MF Processo nº 13502.901054/2008­41  Acórdão n.º 3302­005.604  S3­C3T2  Fl. 151          4 Revisão  de  ofício  do  despacho decisório  que  não  homologou a  declaração de compensação – Dcomp.  46. Trata­se, neste ponto, de analisar a possibilidade de rever de  ofício  despacho  decisório  anteriormente  proferido  que  não  homologou  compensação  efetuada  via  Dcomp  quando,  ultrapassada  a  possibilidade  de  discussão  administrativa  via  manifestação  de  inconformidade,  o  sujeito  passivo  apresenta  petição para apontar ocorrência de erro de fato.  47. Para que o débito  em cobrança amigável,  ou  enviado para  inscrição, possa ser revisto, torna­se necessário que o despacho  decisório  anteriormente  proferido  seja  revisto.  Aplicável,  aqui,  por analogia (uma vez que inexiste, no caso, ato de lançamento  da autoridade fiscal) o inciso VIII do art. 149 do CTN, limitada à  hipótese  de  comprovação  pelo  contribuinte  de  erro  de  fato  no  preenchimento da declaração, haja vista o disposto na Portaria  Conjunta SRF/PGFN nº 1, de 12 de maio de 1999.  48. Consoante  a  citada  portaria,  qualquer  débito  encaminhado  para  inscrição  em  dívida  ativa  pode  ser  revisto  de  ofício  pela  autoridade  administrativa  da  RFB  quando  o  sujeito  passivo  apresentar provas inequívocas de cometimento de erro de fato.  49.  No  caso  da  Dcomp,  o  encaminhamento  de  débito  para  inscrição em dívida ativa dá­se quando a compensação efetuada  não  é  homologada  por  despacho  decisório  da  autoridade  administrativa  (em  função de  análise manual  ou  eletrônica),  e,  cumulativamente,  tal  decisão  não  é  reformada  em  função  de  contencioso  administrativo,  seja  pelo  fato  de  não  se  ter  instaurado  o  litígio,  seja  em  virtude  de  decisão  administrativa  definitiva, total ou parcialmente, desfavorável a ele.  50. A declaração de  compensação extingue o crédito  tributário  sob  condição  resolutória  de  sua  ulterior  homologação,  e  tem  caráter  de  confissão  de  dívida  (§§2º e  6º do  art.  74  da  Lei  nº 9.430,  de  1996). Ocorre,  porém,  que  o  débito  ali  declarado,  em  regra,  teve  sua  constituição  operada  por  outro  meio  (lançamento  de  ofício  ou  declaração  do  contribuinte,  como  a  Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF,  p.  ex.). Dessa  forma, na hipótese de  regular alteração no meio  originário que constituiu o crédito tributário – como, p.ex., uma  retificação da DCTF –, a redução do valor do débito implicará a  necessidade de correção deste  valor na Dcomp  (já  extinto pela  própria  declaração),  que  pode  se  dar  tanto  por  meio  de  retificação da Dcomp por parte do contribuinte, quando cabível,  como por  revisão de ofício, caso a matéria  já não esteja  sob a  alçada da DRJ,  em virtude de manifestação de  inconformidade  interposta.  51.  Extrai­se  do  exposto  que,  se  o  contribuinte  apresentar  petição  com  alegação  de  erro  de  fato  no  preenchimento  da  Dcomp após o prazo de trinta dias estabelecido no §7º do art. 74  da  Lei  nº 9.430,  de  1996,  ou  após  a  conclusão  de  contencioso  administrativo  porventura  instaurado,  ainda  que  o  débito  já  se  encontre  inscrito  na  dívida  ativa  e  em  execução  fiscal,  a  Fl. 151DF CARF MF Processo nº 13502.901054/2008­41  Acórdão n.º 3302­005.604  S3­C3T2  Fl. 152          5 autoridade administrativa deve analisar o pleito e, se pertinente,  proferir  nova  decisão,  de  ofício,  para  revisar  o  despacho  decisório anterior que não homologou a compensação e retificar  a  Dcomp.  Contudo,  deverão  ser  observados  os  trâmites  da  referida portaria conjunta se o débito já tiver sido encaminhado  para inscrição na dívida ativa.  52.  Esta  revisão  de  ofício  do  despacho  decisório  também  pode  ser  realizada  no  caso  de  o  erro  de  fato  ter  ocorrido  no  preenchimento da DIPJ,  especificamente na apuração do  saldo  negativo de IRPJ ou de CSLL, utilizado como crédito na Dcomp  apreciada, bem como para os  casos de  erro  em preenchimento  de  Documento  de  Arrecadação  de  Recursos  Federais  –  Darf.  Embora  o  erro  de  fato  não  tenha  ocorrido  na  Dcomp,  a  não  homologação  da  compensação  decorreu  de  erro  no  preenchimento de declaração, o que conduz à conclusão de que  o  débito  é  cobrado  em  função  de  erro  de  fato,  cuja  revisão  é  autorizada  pela  Portaria  Conjunta  SRF/PGFN  nº 1,  de  1999.  Nesta  hipótese,  será  proferida  decisão  de  ofício  para  revisar  o  despacho decisório anterior e retificar a DIPJ ou o Darf.  53.  Ressalte­se  que  somente  poderá  haver  revisão  de  ofício  do  despacho decisório que não homologou a compensação se o erro  de fato no preenchimento de declaração (na própria Dcomp ou  em  declarações  que  deram  origem  ao  débito,  como  a DCTF  e  mesmo  a DIPJ,  quando  o  crédito  utilizado  na  compensação  se  originar de  saldo negativo de IRPJ ou de CSLL) não  tiver  sido  objeto  de  apreciação  dos  órgãos  de  julgamento  administrativo  instaurado em função de apresentação anterior de manifestação  de inconformidade, conforme já abordado.  Competência para efetuar a revisão de ofício  54. Em atenção ao disposto no art. 302, I, do RIRFB, compete à  autoridade  administrativa  da  unidade  da  RFB  na  qual  foi  formalizada  a  exigência  fiscal  proceder  à  revisão  de  ofício  do  lançamento, com espeque no art. 149 do CTN e, por integração  analógica,  no  §  3º do  art.  9º do  PAF.  Este  posicionamento  é  válido  inclusive  para  as  revisões  relativas  à  tributação  previdenciária."  Ressalta­se, inclusive, que, além do segundo erro alegado pela recorrente na  peça  recursal,  houve,  aparentemente,  um  erro  material  por  parte  do  colegiado  a  quo,  no  refazimento  da  apuração  do  saldo  credor,  relativo  à  desconsideração  do  saldo  anterior  não  ressarcível de 24.369,68 (e­fl. 79), que também aumentaria o saldo credor final disponível.  Portanto,  feitas  as  considerações  acima,  voto  para  não  conhecer  o  recurso  voluntário.          (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède Fl. 152DF CARF MF Processo nº 13502.901054/2008­41  Acórdão n.º 3302­005.604  S3­C3T2  Fl. 153          6                           Fl. 153DF CARF MF

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Numero do processo: 13819.900010/2008-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/1999 a 31/08/1999 INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Não se toma conhecimento de recurso voluntário em que a própria recorrente não contesta a inexistência do crédito, que motivou a não homologação da compensação declarada.
Numero da decisão: 3302-005.427
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso voluntário, vencido o Conselheiro Diego Weis Junior (relator), que não conhecia do recurso voluntário e anulava a decisão recorrida. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Walker Araújo. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior - Relator. (assinado digitalmente) Walker Araújo - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Diego Weis Junior, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR

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3302­005.427  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  22 de maio de 2018  Matéria  DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO  Recorrente  NOVA ADMIN ­ EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/08/1999 a 31/08/1999  INEXISTÊNCIA  DE  LITÍGIO.  CONHECIMENTO  DO  RECURSO  VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.  Não se toma conhecimento de recurso voluntário em que a própria recorrente  não  contesta  a  inexistência  do  crédito,  que motivou  a não  homologação  da  compensação declarada.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer  do recurso voluntário, vencido o Conselheiro Diego Weis Junior (relator), que não conhecia do  recurso  voluntário  e  anulava  a  decisão  recorrida. Designado  para  redigir  o  voto  vencedor  o  conselheiro Walker Araújo.  (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Diego Weis Junior ­ Relator.  (assinado digitalmente)  Walker Araújo ­ Redator designado.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Paulo  Guilherme  Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães,  Diego Weis Junior, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 00 10 /2 00 8- 30 Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13819.900010/2008­30  Acórdão n.º 3302­005.427  S3­C3T2  Fl. 87          2 Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário interposto contra acórdão da 3ª Turma da DRJ  de Campinas/SP assim ementado:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP   Data do fato gerador: 15/09/1999   DIREITO CREDITÓRIO. PROVA.  O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova  de sua existência e montante, sem o que não pode ser restituído  ou utilizado em compensação. Faltando ao conjunto probatório  carreado  aos  autos  pela  interessada  elemento  que  permita  a  verificação  da  existência  de  pagamento  indevido  ou  a  maior  frente à  legislação  tributária,  o direito  creditório não pode  ser  admitido.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido  Na  origem,  o  recorrente  apresentou,  em  16.12.2003,  DCOMP  de  nº  22855.08568.161203.1.3.04­6316,  objetivando  a  compensação  de  suposto  crédito  de  PIS,  oriundo  de  pagamento  indevido  ou  a  maior  dessa  contribuição,  realizado  em  15.09.1999,  relativo ao período de apuração encerrado em 31.08.1999, no valor original de R$462,171, com  débito de COFINS do mês de novembro/2003, no valor original de R$816,10.  Sobreveio  despacho  decisório  informando  que  foi  localizado  o  pagamento  informado  pelo  contribuinte,  mas  que  este  fora  integralmente  utilizado  para  a  quitação  de  outros  débitos  próprios,  não  restando  crédito  disponível  para  a  compensação  dos  débitos  informados na DCOMP.  Na Manifestação de  Inconformidade, o contribuinte não sustentou a existência  do crédito declarado na DCOMP não homologada, tendo apenas informado que  Em 29/12/2005, a empresa  temendo que a Receita Federal não  processasse  o  citado  PER/DCOMP,  a  mesma  por  sua  liberalidade  quitou  este  débito  com  multa  e  juros,  através  do  Darf referente ao período de apuração 30/11/2003, no valor de  R$ 1.073,03, portanto não há o que se falar em valores devidos,  ou  seja,  a  empresa  não  é  devedora  de  débito  algum,  pois  foi  devidamente quitado, conforme cópia em anexo.(sic)  A cópia do aludido DARF, no valor de R$1.073,03, anexada na fl. 19, revela  que  tal  recolhimento  refere­se  ao  PIS  (8109)  enquanto  que  o  débito  antes  pretendido  compensar era de COFINS (2172).  Ao  contrário  do  ocorrido  nos  outros  processos  do  mesmo  contribuinte,  também distribuídos  a  este  relator,  de  números  13819.900523/2008­41,  13819.901092/2008­                                                             1 O valor atualizado na data da transmissão da DCOMP ­ 16.12.2003 ­ era de R$816,10. (fl. 4)  Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13819.900010/2008­30  Acórdão n.º 3302­005.427  S3­C3T2  Fl. 88          3 30,  13819.901085/2008­38,  13819.901075/2008­01,  13819.901088/2008­71,  13819.901078/2008­36  e  13819.901083/2008­49,  em  que  por  ocasião  da  manifestação  de  inconformidade foi solicitada revisão de ofício para o cancelamento da DCOMP em discussão,  neste  PAF  tal  pedido  não  foi  expressamente  realizado  na  primeira  oportunidade  de  manifestação do sujeito passivo.  Ainda  assim,  os  membros  da  3ª  Turma  da  DRJ  de  Campinas/SP,  para  considerar improcedente a manifestação de inconformidade, utilizaram como fundamento que  a  desistência  ou  cancelamento  de  DCOMP  possui  rito  próprio,  sendo  vedado,  tanto  ao  contribuinte  quanto  à  autoridade  julgadora,  a  pretensão  de  desistência/cancelamento  naquela  fase processual.  Alegaram  ainda  os  membros  da  3ª  Turma  da  DRJ/CPS,  que  as  questões  relativas  à  existência  ou  não  de  pagamento  do  débito  era  matéria  estranha  ao  julgamento  administrativo  da  não  homologação  de  declarações  de  compensação,  devendo  ser  observada  somente na etapa de cobrança do crédito tributário confessado na DCOMP.  Inconformada, a contribuinte apresentou, em 15.12.2011, Recurso Voluntário  a  este  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  onde  ratificou  os  argumentos  da  Manifestação de Inconformidade e pugnou pela revisão de ofício, alegando não ter se utilizado  do  crédito  apontado  na  DCOMP,  vez  que  promoveu  o  pagamento  integral  do  débito  cuja  compensação se pleiteava, o que materializaria erro de fato e não ausência de pagamento.  Anexou  outro  comprovante  de  arrecadação,  também  recolhido  em  29.12.2005, desta vez da mesma contribuição e período envolvidos na compensação ­ COFINS  relativa ao mês de novembro de 2003 (fls 75) ­ no valor original de R$3.253,31.  Destaca  a  recorrente  que  o  pagamento  integral  do  débito  ocorreu  antes  mesmo da ciência quanto à não homologação da compensação declarada, não podendo ser ela  compelida ao pagamento em duplicidade do citado débito.  É o relatório.  Voto Vencido  Conselheiro Diego Weis Junior, Relator.  Não  há  nestes  autos  a  comprovação  inequívoca  da  data  em  que  ocorreu  a  ciência,  pelo  contribuinte,  do  acórdão  proferido  pela  3ª  Turma da DRJ  de Campinas/SP  em  sessão de 11.07.2011, vez que o documento de fls. 68 apresenta rasura no mês de ciência.   Contudo,  na mesma  sessão,  a DRJ/CPS,  proferiu  outros  5  (cinco)  acórdãos  relativos  a  outros  processos  do  mesmo  contribuinte,  de  números  13819.901092/2008­30,  13819.901085/2008­38,  13819.901075/2008­01,  13819.901078/2008­36  e  13819.901083/2008­49,  todos com comprovação de ciência, por via postal, em 21.11.2011, e  com recurso voluntário tempestivo protocolado em 15.12.2011.  Destarte,  tendo  em  vista  que  o  acórdão  recorrido  foi  proferido  na  mesma  sessão da DRJ daqueles mencionados no parágrafo anterior, bem como a identidade de datas  entre o  protocolo  dos  recursos  voluntários  daqueles  autos  e o  que  se  analisa  neste  processo,  Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13819.900010/2008­30  Acórdão n.º 3302­005.427  S3­C3T2  Fl. 89          4 para  evitar  diligências  desnecessárias,  assume­se  o  presente  recurso  voluntário  como  tempestivo, passando a analisá­lo.  1  Das  Etapas  de  Verificação  do  PER/DCOMP  e  da  Instauração  do  Contencioso  Administrativo.  A  compensação  enquanto  modalidade  de  extinção  do  crédito  tributário,  prevista  no  art.  156,  II,  do  CTN,  opera­se  mediante  a  existência  de  crédito  líquido  e  certo  oponível à fazenda pública, sem o que não há como efetivar o encontro de contas pretendido  pelo contribuinte.  Assim, têm­se que o direito à compensação existe na medida exata da certeza  e liquidez do crédito declarado. Não restando comprovadas a certeza e liquidez do crédito do  contribuinte, não há como operacionalizar a compensação.  Atualmente, a compensação pode ser declarada pelo próprio sujeito passivo,  em meio eletrônico, mediante preenchimento e  transmissão de Declaração de Compensação ­  DCOMP, na qual  se  indicará,  em detalhes,  o  crédito  existente  e o débito  a  ser  compensado,  sujeitando­se a ulterior homologação por verificação fiscal.  A  verificação  fiscal  das  compensações  declaradas  pelos  contribuintes  se  opera em dois momentos distintos, a saber:  1) Verificação Eletrônica:  Consiste  no  cruzamento  de  informações  fiscais  do  contribuinte,  disponíveis  na  base  de  dados  dos  sistemas  utilizados  pela  Receita Federal do Brasil, objetivando verificar a consistência e coerência da  compensação  declarada.  Detectada,  nesta  fase  de  verificação,  qualquer  inconsistência  ou  divergência  entre  valores  e  informações  do  contribuinte,  não  homologa­se  a  compensação  realizada,  oportunizando  ao  interessado  o  contraditório e ampla defesa em processo administrativo fiscal específico.  2) Verificação Documental: Uma vez instaurada a fase litigiosa do processo  administrativo fiscal, pela apresentação de Manifestação de Inconformidade à  não  homologação  decorrente  da  verificação  eletrônica,  tem  início  a  nova  etapa  de  análise  do  direito  creditório,  que  passa  a  se  operar  mediante  verificação de documentos hábeis e idôneos que comprovem a existência do  crédito  utilizado  pelo  contribuinte. Neste  segundo momento  de verificação,  devem  ser  observadas  todas  as  regras  e  princípios  aplicáveis  ao  processo  administrativo fiscal.  Em outras palavras, na etapa de verificação eletrônica ­ antes de instaurado o  contencioso administrativo ­ são consideradas somente as informações e dados constantes dos  sistemas  utilizados  pela  Receita  Federal  do  Brasil.  Contudo,  uma  vez  constatada  a  inconsistência/divergência  das  informações  existentes  nos  sistemas  informatizados,  não  homologa­se a compensação declarada e inicia­se a etapa de verificação documental, nos autos  de  processo  administrativo  fiscal,  onde  incumbe  ao  contribuinte  comprovar  a  existência  de  certeza e liquidez do crédito que pretende utilizar.  No caso em estudo, o contribuinte  informou, em sua primeira oportunidade  de manifestação nestes autos,  ter efetuado, em 29.12.2005, por meio de DARF, o pagamento  integral do débito que pretendia compensar.   Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13819.900010/2008­30  Acórdão n.º 3302­005.427  S3­C3T2  Fl. 90          5 Assim, no que cinge ao suposto crédito de PIS do mês 08/1999, declarado na  DCOMP em comento,  o  próprio  contribuinte  reconheceu  sua  inexistência,  ainda  em  sede de  manifestação  de  inconformidade,  fazendo  com  que  sequer  tenha  se  instaurado  controvérsia  administrativa sobre tal matéria, não havendo que se falar em reconhecimento ou não de direito  creditório, pois não há crédito em litígio.  Contudo, a DRJ conheceu da Manifestação de  Inconformidade e  ratificou a  decisão  da  DRF,  não  reconhecendo  o  direito  creditório,  sob  o  fundamento  de  que  o  cancelamento  seria  vedado  naquela  fase  processual,  bem  como  que  a  questão  relativa  a  existência  ou  não  de  pagamento  seria matéria  estranha  ao  julgamento  administrativo  da  não  homologação de declarações de compensação.  No recurso voluntário, o contribuinte novamente não se insurgiu contra o não  reconhecimento do direito creditório, pugnando pela revisão de ofício para o cancelamento da  DCOMP. Tornou a alegar o pagamento  integral do débito antes pretendido compensar, desta  vez anexando comprovante de arrecadação distinto daquele anexado junto à MI, (fls. 75), mas  pago na mesma data do anterior.  Segundo  previsão  legal  do  §9º  do  art.  74  da  Lei  nº  9.430/1996,  com  alterações introduzidas pela Lei nº 10.833/2003, é facultado ao sujeito passivo se insurgir, por  meio  de  Manifestação  de  Inconformidade,  contra  a  não  homologação  da  declaração  de  compensação.  Nesse  sentido,  tem­se  que  a  competência  dos  órgãos  de  julgamento  administrativo,  no  que  diz  respeito  às  declarações  de  compensação,  está  adstrita  ao  reconhecimento ou não do direito creditório, que terá por consectário a homologação, ou não,  da compensação declarada.  Ocorre  que  o  caso  em  estudo  não  versa  sobre  a  não  homologação  da  compensação, vez que o próprio  contribuinte  reconheceu  a  inexistência de direito  creditório,  tendo pleiteado a revisão de ofício para que fosse realizado o cancelamento da DCOMP, o que  escapa à competência dos julgadores administrativos.  Não estando a  retificação ou o  cancelamento de declarações  entregues pelo  sujeito  passivo  inseridos  na  esfera  de  competências  do  julgador  administrativo,  não  se  pode  decidir  sobre  tal  matéria.  Tampouco  faz  sentido  decidir  sobre  matéria  não  impugnada  pelo  contribuinte  em  suas  peças,  como  é  o  caso  do  não  reconhecimento  do  direito  creditório  e  conseqüente não homologação da DCOMP em comento, sobre o que, conforme já visto, sequer  se instaurou litígio.  Noutras palavras, não tendo o contribuinte pugnado pelo reconhecimento do  direito  creditório  não  homologado  pelo  Despacho  Decisório,  não  há  e  nunca  houve  litígio  administrativo quanto a não homologação, esvaziando a competência dos órgãos de julgamento  administrativo,  vez  que  também  não  podem  estes  decidir  sobre  os  pedidos  formulados  nas  peças produzidas pelo contribuinte nestes autos.  II  ­  Do  Cancelamento  da  DCOMP  e  da  Cobrança  dos  Débitos  Indevidamente  Compensados.  Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13819.900010/2008­30  Acórdão n.º 3302­005.427  S3­C3T2  Fl. 91          6 Os  artigos  62  e  82,  respectivamente  das  Instruções  Normativas  SRF  nº  600/20052  e  RFB  nº  900/20083,  e  seus  parágrafos  únicos,  vigentes  no  período  dos  fatos,  sujeitavam a desistência da DCOMP a Pedido de Cancelamento gerado a partir do programa  PER/DCOM,  e  condicionavam  o  seu  deferimento  a  pendência  de  decisão  administrativa  na  data de apresentação do pedido de cancelamento.  Já  o  parágrafo  único  desses  dispositivos,  estabelecia  que  seria  indeferido  o  pedido  de  cancelamento  formalizado  após  a  intimação  para  apresentação  de  documentos  comprobatórios da compensação.  Ainda  que  o  contribuinte  não  tenha  sido  intimado  à  apresentação  de  quaisquer documentos, depois de emitido o Despacho Decisório (decisão administrativa) restou  configurada a  impossibilidade do  sujeito passivo  efetuar  a desistência da DCOMP por  conta  própria, mediante a transmissão de pedido gerado a partir do programa PER/DCOMP.  Muito embora o pedido de revisão de ofício para cancelamento da DCOMP  não tenha constato expressamente da manifestação de inconformidade, é forçoso concluir que  este era o real objetivo do sujeito passivo desde o início.  Pugna  o  recorrente,  desde  a  sua  primeira manifestação  nos  autos,  para  que  dele não seja cobrado o débito de COFINS, auto declarado em DCOMP, no valor original de  R$816,10,  relativo  a  novembro  de  2003,  o  qual,  segundo  ele  já  teria  sido  integralmente  quitado, retirando o objeto da declaração de compensação anteriormente enviada.  Apesar  do  DARF  anexado  pelo  contribuinte  junto  à  sua  primeira  manifestação  nestes  autos  se  referir  a  tributo  distinto  daquele  cujo  débito  foi  objeto  da  DCOMP,  o  comprovante  de  arrecadação  de  fls.  75,  trazido  aos  autos  junto  ao  Recurso  Voluntário evidencia ter havido recolhimento da COFINS do mês de novembro de 2003, antes  pretendido compensar por meio da DCOMP de nº 22855.08568.161203.1.3.04­6316.   Isso  porque  o  comprovante  de  arrecadação  da COFINS  relativa  ao mês  de  novembro  de 2003  (fls  75),  no  valor  original  de R$3.253,31,  data  de 29.12.2005,  ou  seja,  é                                                              2 IN SRF nº 600/2005.   ...  Art.  62.  A  desistência  do  Pedido  de  Restituição,  do  Pedido  de  Ressarcimento  ou  da  compensação  poderá  ser  requerida  pelo  sujeito  passivo mediante  a  apresentação  à  SRF  do  Pedido  de  Cancelamento  gerado  a  partir  do  Programa  PER/DCOMP  ou,  na  hipótese  de  utilização  de  formulário  (papel),  mediante  a  apresentação  de  requerimento à SRF, o qual somente será deferido caso o Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento ou a  compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do Pedido de Cancelamento  ou do requerimento.  Parágrafo único. O pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado  após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação.  3 IN RFB nº 900/2008.  ...  Art.  82.  A  desistência  do  pedido  de  restituição,  do  pedido  de  ressarcimento,  do  pedido  de  reembolso  ou  da  compensação  poderá  ser  requerida  pelo  sujeito  passivo  mediante  a  apresentação  à  RFB  do  pedido  de  cancelamento  gerado  a  partir  do  programa PER/DCOMP ou,  na  hipótese  de  utilização  de  formulário  em meio  papel, mediante a apresentação de requerimento à RFB, o qual somente será deferido caso o pedido de restituição,  o  pedido  de  ressarcimento,  o  pedido  de  reembolso  ou  a  compensação  se  encontre  pendente  de  decisão  administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento.  Parágrafo único. O pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado  após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação.  Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13819.900010/2008­30  Acórdão n.º 3302­005.427  S3­C3T2  Fl. 92          7 posterior ao envio da DCOMP em discussão, além de ser em montante superior ao débito da  mesma contribuição que antes se pretendia compensar.  Conquanto  existam  tais  evidências,  como  dito  alhures,  não  cabe  a  este  julgador  decidir  sobre  a  alocação  de  pagamentos,  nem  mesmo  sobre  a  retificação  ou  cancelamento de declarações enviadas pelo contribuinte.  Ressalta­se,  entretanto,  que  o  Parecer  Normativo  Cosit  nº  8,  de  03  de  setembro  de  2014,  dispõe,  com  efeito,  ser  possível  a  revisão  de  ofício  dos  atos  realizados  mediante erro de fato.  Assunto.  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  REVISÃO E RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO – DE LANÇAMENTO  E  DE  DÉBITO  CONFESSADO,  RESPECTIVAMENTE  –  EM  SENTIDO  FAVORÁVEL  AO  CONTRIBUINTE.  CABIMENTO.  ESPECIFICIDADES.   A revisão de ofício de lançamento regularmente notificado, para  reduzir  o  crédito  tributário,  pode  ser  efetuada  pela  autoridade  administrativa  local  para  crédito  tributário  não  extinto  e  indevido,  no  caso  de  ocorrer  uma  das  hipóteses  previstas  nos  incisos I, VIII e IX do art. 149 do Código Tributário Nacional –  CTN,  quais  sejam:  quando  a  lei  assim  o  determine,  aqui  incluídos o vício de legalidade e as ofensas em matéria de ordem  pública;  erro  de  fato;  fraude  ou  falta  funcional;  e  vício  formal  especial,  desde que a matéria não esteja  submetida aos órgãos  de  julgamento  administrativo  ou  já  tenha  sido  objeto  de  apreciação destes.   A  retificação  de  ofício  de  débito  confessado  em  declaração,  para  reduzir  o  saldo  a  pagar  a  ser  encaminhado  à  Procuradoria­Geral  da  Fazenda  Nacional  –  PGFN  para  inscrição  na  Dívida  Ativa,  pode  ser  efetuada  pela  autoridade  administrativa  local  para  crédito  tributário  não  extinto  e  indevido,  na  hipótese  da  ocorrência  de  erro  de  fato  no  preenchimento da declaração. (grifei)  Dispõe ainda o Parecer Normativo Cosit nº 8/2014, que   Não mais  sendo  possível  a  retificação por  iniciativa  do  sujeito  passivo,  esta  poderá  ser  realizada  de  ofício  pela  autoridade  administrativa  da  unidade  local  de  jurisdição  para  reduzir  os  débitos a serem encaminhados ao órgão da Procuradoria­Geral  da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa, haja vista  orientação  contida  na  Portaria  Conjunta  SRF/PGFN  nº  1,  de  1999, antes referida. Nos termos desta portaria, mesmo após a  inscrição  do  débito  em  dívida  ativa,  e  ainda  que  iniciada  a  execução  fiscal,  a  retificação de ofício poderá  ser  efetuada  se  comprovado  o  erro  de  fato  no  preenchimento  da  declaração.(grifei)   Consoante ao acima exposto, e observando ainda o contido no parágrafo nº  53 do relatório do Parecer Normativo Cosit nº 8/2014, a revisão de ofício de decisão que não  homologou a compensação está condicionada à não apreciação do erro de fato pelos órgãos de  Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13819.900010/2008­30  Acórdão n.º 3302­005.427  S3­C3T2  Fl. 93          8 julgamento administrativo, em contencioso  instaurado em função da apresentação anterior de  manifestação de inconformidade.  53.  Ressalte­se  que  somente  poderá  haver  revisão  de  ofício  do  despacho decisório que não homologou a compensação se o erro  de fato no preenchimento de declaração (na própria Dcomp ou  em  declarações  que  deram  origem  ao  débito,  como  a DCTF  e  mesmo  a DIPJ,  quando  o  crédito  utilizado  na  compensação  se  originar de  saldo negativo de IRPJ ou de CSLL) não  tiver  sido  objeto  de  apreciação  dos  órgãos  de  julgamento  administrativo  instaurado em função de apresentação anterior de manifestação  de inconformidade, conforme já abordado  Contudo,  uma  vez  emitido  o  despacho  decisório,  restou  comprometida  a  possibilidade  de  o  contribuinte  efetuar  o  pedido  de  cancelamento  da  DCOMP  pela  via  adequada,  tendo  em  vista  o  disposto  nas  instruções  normativas  vigentes.  Assim,  não  vislumbrando  outro  caminho,  decidiu  o  contribuinte  por  pedir  a  revisão  de  ofício  em  manifestação de inconformidade.  Em homenagem ao princípio do formalismo moderado, que deve permear a  tramitação  dos  processos  administrativos,  não  se  pode  desconsiderar  totalmente  o  pedido  do  recorrente  apenas porque deixou de observar  formalidades  regulamentares. Portanto,  estando  presentes  nos  autos  relevantes  indícios  de  cometimento  de  erro  de  fato  e  da  boa  fé  do  contribuinte, entendo que o caso merece especial atenção, a fim de evitar que o erro cometido  pelo sujeito passivo culmine em exação indevida.  Não cabendo aos órgãos julgadores administrativos decidir sobre os pedidos  formulados pelo contribuinte em todas as suas manifestações nestes autos, e havendo previsão  expressa  no  sentido  de  ser  possível  a  revisão  de  ofício  de  lançamentos,  a  fim  de  evitar  a  inscrição em divida ativa e conseqüente execução de um crédito tributário indevido, o que seria  contrário a princípios caros ao processo administrativo, penso que o pedido do recorrente deve  ser analisado por quem detém competência para tanto.  Nesse  sentido  o  acórdão  de  nº  1301­002.243,  proferido  pela  1ª  Turma  Ordinária, da 3ª Câmara, da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho.  ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Exercício: 2005  PER/DCOMP.  PEDIDO  DE  CANCELAMENTO  DE  OFÍCIO.  ALEGAÇÃO DE DÉBITO INEXISTENTE. ERRO. CONVERSÃO  DA  MANIFESTAÇÃO  DE  INCONFORMIDADE  EM  PEDIDO  DE REVISÃO DE OFÍCIO. PN COSIT Nº 8/2014.  Se o contribuinte apresenta pedido de cancelamento de ofício do  PER/DCOMP  manejando  manifestação  de  inconformidade,  ao  argumento  de  que  inexiste  o  débito  declarado,  por  erro,  a  autoridade  fiscal  deve  receber  a  manifestação  de  inconformidade como pedido de revisão de ofício.   Merece destaque, ainda, o seguinte excerto do voto vencedor que deu origem  ao acórdão acima citado, da lavra do ilustre conselheiro Flávio Franco Corrêa:  Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13819.900010/2008­30  Acórdão n.º 3302­005.427  S3­C3T2  Fl. 94          9 Sou da opinião de que o pedido de “cancelamento de ofício do  PER/DCOMP”deve  ser  entendido  como  pedido  de  revisão  de  ofício do despacho decisório, formulado sob o argumento de que  tanto o crédito como o débito não existem.   Não me atenho à inexistência do crédito, somente, porquanto, se  fosse apenas isso, o contribuinte não teria motivo para contestar  a  decisão  da  autoridade  fiscal.  Nessa  situação,  o  contribuinte  está ciente de que o crédito declarado é irreal.   Vejo  o  problema por  outra  óptica  quando o  contribuinte  alega  que  o  débito  antes  confessado  em DCOMP  inexiste, mormente  quando  o  contribuinte  descobre  tal  fato  no  momento  de  apresentar  defesa  contra  o  despacho  decisório,  tal  e  qual  o  ocorrido.  Nessa  circunstância  –  vale  lembrar  o  artigo  32,  parágrafo  único,  da  IN  SRF  nº  600/2005  impedia  o  cancelamento da DCOMP, assim como, hoje em dia, o artigo 93,  parágrafo  único,  da  IN  RFB  nº  1300/2012,  também  o  impede.  Consoante  o  Parecer  Normativo  Cosit  nº  8/2014,  a  Portaria  Conjunta SRF/PGFN nº 1/1999 estabelece que “qualquer débito  encaminhado para inscrição em dívida ativa pode ser revisto de  ofício  pela  autoridade  administrativa  da RFB quando o  sujeito  passivo  apresentar  provas  inequívocas  de  cometimento  de  erro  de  fato”.  Anote­se  que  citado  PN  Cosit  nº  8/2014  prevê  a  possibilidade  de  revisão  de  ofício  de  DCOMP  “quando  a  compensação  não  é  homologada  por  despacho  decisório  e,  cumulativamente,  tal  decisão  não  é  reformada  em  função  de  contencioso administrativo, seja pelo fato de não se ter insturado  o  litígio,  seja  em  virtude  de  decisão  administrativa  definitiva,  total ou parcialmente, desfavorável a ele”.  No  caso  sob  exame,  não  há  e  nunca  houve  litígio  quanto  ao  crédito. Por  outro  lado,  as DRJ  e  o Carf  não  são  competentes  para  apreciar  reclamações  fundadas  na  inexistência  do  débito  declarado  com  erro  em  DCOMP.  Portanto,  a  decisão  administrativa  não  se  tornará  definitiva  passando  por  essas  instâncias.  Assim,  pela  perspectiva  do  PN  Cosit  nº  8/2014,  o  Despacho Decisório à fl. 23 é a decisão que se tornou definitiva  e objeto do pedido de revisão de ofício.  O  novel  Regimento  Interno  da  Receita  Federal  do  Brasil,  aprovado  pela  Portaria MF  nº  430/2017,  dispõe  ser  da Delegacia Especial  da Receita  Federal  do Brasil  de  Fiscalização  (Defis),  dentre  outros,  no  âmbito  da  respectiva  jurisdição,  a  competência  específica para proceder a revisão de ofício e o cancelamento ou reativação de declarações a  pedido do sujeito passivo.  Art. 272. À Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de  Fiscalização  (Defis),  à  Delegacia  Especial  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Fiscalização  de  Comércio  Exterior  (Delex),  à  Delegacia  Especial  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Comércio  Exterior (Decex), às Delegacias Especiais da Receita Federal do  Brasil  de  Maiores  Contribuintes  de  São  Paulo  e  de  Belo  Horizonte (Demac) compete, no âmbito da respectiva jurisdição,  gerir  e  executar  as  atividades  de  fiscalização,  de  tecnologia  e  segurança  da  informação,  de  comunicação  social,  de  Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13819.900010/2008­30  Acórdão n.º 3302­005.427  S3­C3T2  Fl. 95          10 programação  e  logística  e  de  gestão  de  pessoas,  de  planejamento,  avaliação,  organização,  modernização,  e,  especificamente:   ...  III  ­  proceder  à  revisão  de  ofício  de  lançamentos  e  de  declarações  apresentadas  pelo  sujeito  passivo  e  ao  cancelamento ou reativação de declarações a pedido do sujeito  passivo;  Diante  do  exposto  e  tendo  em  vista  o  PN  Cosit  nº  8/2014,  voto  por  não  conhecer  do  recurso,  e,  de  ofício,  anular  o  acórdão  recorrido,  encaminhando  o  processo  à  unidade  competente,  para  que  seja  recebida  e  processada  a manifestação  de  inconformidade  como pedido de revisão de ofício.  (assinado digitalmente)  Diego Weis Junior ­ Relator  Voto Vencedor  Conselheiro Walker Araujo ­ Redator Designado  Com  o  devido  respeito  aos  argumentos  do  ilustre  Relator,  divirjo  de  seu  entendimento quanto à solução a ser dada no presente caso, em especial quanto a declaração de  nulidade do acórdão recorrido.   Isto porque, ao contrário do entendimento explicitado pelo relator, não há na  decisão  recorrida vestígios de vício passíveis de nulidade,  tampouco qualquer  ato processual  capaz de ensejar a incidência do artigo 59, do Decreto nº 70.235/72.  Com  efeito,  a  decisão  recorrida  analisou  todos  os  argumentos  explicitados  pela Recorrente, bem como as demais questões processuais suscitadas pelas partes, ou seja, não  houve nenhum vício na decisão recorrida que seja passível de nulidade.  Neste  esteira,  entendo  que  a melhor  solução  à  ser  dado  ao  presente  caso  é  aquela  decidida  por  esta  Turma,  em  outra  composição,  nos  autos  do  processo  13819.901086/2008­82 (acórdão 3302­004.648), de relatoria do Conselheiro José Fernandes do  Nascimento, envolvendo as mesmas partes e questões fáticas, a saber:    Com efeito, no recurso em apreço, a recorrente não contestou o motivo da não  homologação da compensação, ou seja, a  inexistência do valor crédito utilizado na  compensação em apreço.  A  confirmação  do  asseverado  foi  feita  pela  própria  recorrente  no  demonstrativo  de  apuração  e  pagamento  integral  do  débito  da  CSLL  do  período,  colacionado na peça recursal em apreço.  Fl. 95DF CARF MF Processo nº 13819.900010/2008­30  Acórdão n.º 3302­005.427  S3­C3T2  Fl. 96          11 Assim,  se  não  está  em  questão  a  existência  ou  não  do  direito  creditório  informado  pela  recorrente  na  Declaração  de  Compensação  (DComp)  colacionada  aos autos e declarado  inexistente pela autoridade  fiscal, no âmbito do questionado  Despacho  Decisório,  obviamente,  não  existe  litígio  a  ser  dirimido  por  este  Colegiado. Em consequência, o presente o recurso,  inequivocamente, perdeu o seu  objeto.  De  toda  sorte,  cabe  esclarecer  que,  caso  a  recorrente  não  tenha  recolhido  a  parcela  do  débito  confessado  na  referida  DComp,  obviamente,  a  cobrança  desse  valor  deverá  ser  feita  pela  unidade  da  Receita  Federal  de  origem,  na  forma  da  legislação vigente.  Por todo o exposto, vota­se pelo não conhecimento do recurso, para manter na  íntegra a decisão recorrida.  Nesse  passo,  considerando  que  a  Recorrente,  assim  como  o  fez  no  citado  processo, não contestou o motivo da não homologação da compensação, ou seja, a inexistência  do  valor  crédito  utilizado  na  compensação  em  apreço  e,  que  toda matéria  arguida  em  sede  recursal não faz parte do litígio, ou seja, matéria estranha, outra solução não merece o presente  caso, senão o não conhecimento do recurso.  Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Walker Araujo ­ Redator Designado.                  Fl. 96DF CARF MF

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Numero do processo: 10680.721360/2006-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.747
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida não participou do julgamento em razão do voto definitivamente proferido pela Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar na sessão de 18/04/2018, às 9:00h. Nos termos do Art. 58, §13 do RICARF, foi designado, pelo Presidente de Turma de Julgamento, como redator ad hoc para este julgamento, o conselheiro Vinícius Guimarães para formalizar o voto. [assinado digitalmente] Vinícius Guimarães - Redator ad hoc [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Vinícius Guimarães, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo. RELATÓRIO Na condição de redator ad hoc, designado para formalizar a resolução, passo a transcrever o relatório elaborado na minuta do voto proferido pela Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar na sessão de 18/04/2018, às 9:00h: Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: Trata-se o presente processo de Pedido de Habilitação de Crédito, referente ao período de 1991 a 2001, Reconhecido em Decisão Judicial Transitada em Julgado nos autos do Mandado de Segurança nº 2001.38.00.023042-4/MG. O contribuinte impetrou o Mandado de Segurança nº 2001.38.00.023042-4/MG, tendo por objeto a concessão da segurança para compensar os créditos de IPI decorrentes das aquisições de matérias primas, insumos e produtos intermediários que, em relação ao IPI, são isentos, não tributados ou, ainda, reduzidos à alíquota zero, nos termos do art. 66 da Lei 8.383/91, na forma prevista na Lei 9.430/96, com quaisquer tributos sob a administração da mesma secretaria, sem qualquer limitação de valor a ser compensado em cada competência, até o montante de seus créditos, devidamente atualizados desde o seu recolhimento até a sua real e efetiva restituição. Em 15/10/2001, foi proferida sentença e concedida segurança em parte para declarar o direito da impetrante à compensação dos mencionados créditos do IPI especificados em cada nota fiscal, com a aplicação da mesma alíquota utilizada na operação tributada, autorizando a compensação dos valores correspondentes recolhidos indevidamente com as obrigações vincendas para o IPI, mais correção monetária e juros, respeitada a prescrição quinquenal, nos termos da contagem do prazo da fundamentação, com correção monetária plena e juros de 1% a partir do trânsito em julgado. A impetrante apresentou recurso de apelação, ao qual foi dado provimento, reformando a sentença para assegurar à impetrante o direito de compensar seus créditos com quaisquer tributos e/ou contribuições administrados pela Receita Federal e para afastar os juros de mora. A Fazenda Nacional interpôs Embargos de Declaração, alegando que o acórdão recorrido não teria manifestado a respeito da compensação ilimitada de créditos presumidos do IPI e, também, que houve omissão quanto à apreciação do enriquecimento sem causa da impetrante. Alega, ainda, que a matéria não teria sido analisada à luz dos princípios da legalidade, da separação dos poderes e da não cumulatividade. Alega, por fim, contradição, porque a transcrita jurisprudência não se adequaria ao caso concreto e sustenta o mesmo vício em relação aos juros de mora, eis que restaram afastados na fundamentação do acórdão recorrido, entretanto no dispositivo restou consignado o improvimento à remessa oficial. Os Embargos de Declaração foram acolhidos parcialmente, atribuindo-lhes efeito modificativo, para dar provimento, em parte, à remessa oficial, afastando os juros de mora da compensação. Em 07/01/2003, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, o qual foi admitido e, conforme decisão proferida em 07/06/2005, não foi conhecido, ocasionando a interposição de Embargos de Declaração, os quais foram rejeitados, tendo o acórdão transitado em julgado em 07/03/2006. Em 18/02/2008, a União ajuizou a Ação Rescisória nº 2008.01.00.006936-9 contra Vallourec e Mannesmann Tubes-V & M, visando desconstituir Acórdão proferido pela colenda Quarta Turma do TRF/1ª Região, por ocasião do julgamento da Apelação em Mandado de Segurança 2001.08.00.023042-4/MG, tendo o relator, em 16/07/2010, declarado suspenso o julgamento, nos termos do art. 265, IV, “a”, do CPC, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 590.809/RS, como representativo da controvérsia. Não há, ainda, decisão definitiva em relação a ação rescisória, pois foi apresentado recurso especial, e depois recurso extraordinário, e contra-razões sobre tais recursos. Através do Despacho Decisório nº 214/2006, fls. 82/83, do qual a interessada foi cientificada em 08/06/2006, a Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte deferiu o pedido de habilitação nos termos abaixo: “6. O interessado comprovou todas as exigências contidas no citado dispositivo (IN 600/2005), com vista a demonstrar ser detentor de direito creditório decorrente de decisão judicial transitada em julgado, pelo qual defiro o presente pedido.” Consta da fl. 87 despacho do qual extraímos os excertos abaixo: 0 processo em referência trata de Pedido de Habilitação de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, em 07/03/2006, com origem no Mandado de Segurança n° 2001.38.00.023042-4, tendo sido formalizado o processo 10680.721.360/2006-94 para tratamento manual das declarações de compensação cujo crédito informado diz respeito ao ressarcimento de IPI. Diante do exposto, dada a expressividade dos valores envolvidos e do que foi acordado entre representantes da EqrestPJ, da Eqaj e do Sefis, proponho o encaminhamento deste processo ao DRF/BHE/SAPAC, para subsidiar as análises do crédito pretendido pelo contribuinte conforme declarações de compensação tratadas no processo 10680.721.360/2006-94. Em 05/03/2009, o presente processo foi encaminhado ao Serviço de Fiscalização (Sefis) da Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte, juntamente com o processo 10680.721360/2006-94 que trata da análise das compensações, para que fossem adotados os procedimentos quanto à apuração do efetivo crédito do contribuinte considerando o teor da Sentença Judicial. A Autoridade Fiscal designada para apurar o quantum do crédito pleiteado emitiu o Relatório Fiscal de fls. 4.176/4.180, do qual consta: 2. Inicio da fiscalização e entrega de documentos -A partir da verificação das tabelas construídas pela empresa e constantes dos volumes anexos de seu processo fiscal de nº. 10680.721360/2006-94 constatamos que estas tabelas originais informavam apenas os dados gerais das notas fiscais, como número, data e valor total da nota, seguido do crédito pretendido, tudo em valores de moeda da época, índices de atualização monetária e o valor corrigido para a data da propositura do processo fiscal. -Havíamos determinado à empresa que esta informasse também o produto ou insumo adquirido, o que foi atendido, como dito acima, porem de maneira imprecisa em várias notas fiscais. De fato, várias notas fiscais não identificavam o insumo ou este era identificado imprecisamente, por vezes em forma de números ou siglas, talvez código do fornecedor ou outra coisa qualquer. -Somos, portanto, obrigados a desconsiderar estes registros imprecisos ou incompletos, o que explica as diferenças encontradas entre o valor total dos insumos, mês a mês, mostrados no processo fiscal e aqueles encontrados nas tabelas que sumarizam os resultados da presente ação fiscal. 3. Alíquota de IPI para o crédito concedido judicialmente -O exame das tabelas que relacionavam as notas fiscais de entrada de insumos e a determinação do crédito original do IPI, mostra que a empresa se utilizava sempre de uma alíquota fixa de 7% para o cálculo de todos os créditos e relativamente a todos os insumos adquiridos, e que ultrapassa os ditames da sentença judicial, por não ser rigorosamente a mesma alíquota da operação tributada, quando da saída posterior dos produtos fabricados pela empresa. -Como havia sido informado pela própria empresa no curso da ação fiscal de diligencia feita em passado recente (2009) e de no. 0610100.2009.01645, (Documento constante do Anexo no. 5), o contribuinte fabrica e dá saída a vários e diferentes produtos, basicamente tubos e barras de aço, produtos do capítulo 73 da TIPI, produtos estes de várias classificações fiscais e tributados com diferentes alíquotas de IPI. Alem do mais, ao longo de todo o período objeto do processo judicial, de 1991 a 2001, e como evidenciado nos livros Registro de apuração de IPI, a empresa procedeu a vendas de exportação destes produtos, as quais são imunes de IPI, onde, portanto, não houve lançamento deste imposto. -A se respeitar os ditames da sentença judicial, estes insumos deveriam ter sido segregados e separados por tipo de produto nos quais foram utilizados, isto é, separados para destinação a produtos de mesmo valor de alíquota de IPI (inclusive produtos de alíquota zero e imunes/exportados). Como a empresa não possui sistema de custos estabelecido de maneira segregada que permitisse este cálculo, procedemos a outra rotina de apuração, através da alíquota média de IPI de saída dos produtos fabricados. -A partir dos valores registrados nos Livros Registro de Apuração do IPI, construí-se a tabela "Demonstrativo de Apuração da Alíquota Média" dos produtos fabricados (Anexo no. 2), com os valores das saídas referentes a vendas de produtos fabricados pela empresa e do IPI debitado para estas saídas, tudo por período de apuração e por código fiscal da operação, contabilizando-os em valores mensais de alíquota média de IPI dos produtos fabricados. -Em correspondência de 18/04/11, a empresa solicitou que fossem desconsideradas, na apuração da alíquota média de saída, as vendas referentes a operações de draw-back. Alegou a seu favor que nas industrializações de produtos com insumos importados sob esta condição, não utilizava qualquer outro insumo adquirido no mercado nacional, de alíquota zero, isento ou NT. Segundo ela, utilizava apenas barras de aço semi acabadas provenientes do exterior, que após a industrialização final, eram re-exportadas. -Para subsidiar esta postulação, forneceu em 10/05/11 um DVD contendo planilha em Excel com as demonstrações dos valores das exportações realizadas com matérias primas importadas do exterior em regime draw-back. -O sistema de custos da empresa não permitia que se comprovasse a não utilização de qualquer outro insumo nacional, em particular os de alíquota zero, isentos ou NT, na industrialização destes produtos objeto do draw-back. Também não foram apresentados os contratos das operações de draw-back, que evidenciassem os insumos importados e as operações a que seriam submetidos internamente pela empresa, comprovando suas alegações de que não usou outros insumos, mas apenas e tão somente os insumos ora importados no regime de draw-back. -Por estas razões, entendemos que na apuração da alíquota média de saída dos produtos fabricados devam ser considerados integralmente todas as operações de exportação. 4. Insumos que não dão direito a créditos básicos de IPI -A empresa pleiteia créditos relativos a insumos, que embora sejam de alíquota zero, isentos ou NT com relação ao IPI, não são em sua essência passíveis de créditos básicos pela legislação do IPI, por não poderem ser classificados como matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, (art. 164 I do RIPI/2004) nem mesmo naquelas situações acobertadas pelo parecer normativo PN 65/79. -Não fazem jus ao crédito, no caso da empresa fiscalizada, a energia elétrica, óleo combustível, os diversos produtos químicos usados nos laboratórios químicos para dosagem química, produtos para tratamento de água industrial, bem como quaisquer outros bens que, não sendo partes nem peças de máquinas, independentemente de suas qualificações tecnológicas, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida. 5. Insumos que são tributados com alíquota positiva -Inexplicavelmente, a empresa solicita créditos relativos a aquisições de insumos, que embora permitam o crédito básico do art 164 I do RIPI/2004, não estavam acobertados na decisão judicial, por não serem nem alíquota 0, nem isentos e nem NT, mas serem de fato, insumos tributados com alíquota positiva nas TIPI que vigoraram ao longo do período em questão (1991 a 2001). -Várias foram as notas fiscais encontradas que se referiam a aquisição de insumos de empresas/comerciantes atacadistas não contribuintes do IPI. Neste caso, se houvesse a possibilidade de se fazer o crédito, este deveria ser feito relativamente a 50% do valor da base de cálculo da NF, como determinado atualmente pelo art 165 do RIPI/2004 (Dec 4.544/2004), recomendação esta já existente em todas as edições anteriores do RIPI. De maneira inexplicável, o cálculo correto da base de cálculo do IPI não foi observado pela empresa, que o fazia pelo valor total constante na nota fiscal. 6. Insumos de utilização não identificada -Não obstante terem sido feitos vários questionamentos quanto à utilização de alguns insumos, quer por escrito quer pessoalmente quando das visitas técnicas feitas à empresa, esta não logrou explicar a utilização destes insumos em seu processo produtivo. Por conseguinte, tornou-se impossível identificá-los à luz da possibilidade de se efetuar o crédito na sua aquisição. -Na confecção das tabelas mensais de créditos por tipo de insumos, identificamos estes como "insumos não identificados". Por fim, foi feita a conclusão, nos termos abaixo: Face ao exposto, para fins de ressarcimento/compensação, proponho o encaminhamento do presente processo ao DRF/BHE/SEORT, recomendando o reconhecimento parcial do direito creditório de IPI consolidado nas planilhas que compõe o anexo no. 4, bem como a glosa da parcela excedente que foi pleiteada no processo fiscal em questão. Os valores apurados nas planilhas de fls. 6632/6642, Anexo 4, foram atualizados, aplicando-se os índices constantes da Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 08, de 27/06/1997, conforme listagens de débitos/saldos remanescentes e de créditos/saldos remanescentes, tendo-se chegado ao montante de R$ 78.400.905,12, atualizado até 22/08/2006 (fls. 207/212 do processo nº 10680.721360/2006-94), data de transmissão da primeira Dcomp pelo contribuinte. Através do Despacho Decisório nº 1.083 – DRF/BHE, constante das fls. 232/237 do Processo nº 10680.721360/2006-94, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte – MG reconheceu crédito parcial no valor R$ 78.400.905,12. Inconformada a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 7.067/7.087), em 14/09/2011, na qual apresenta, em síntese, os seguintes argumentos: Preliminarmente, diz: Que teve o seu direito de defesa cerceado, porquanto o Auditor Fiscal NÃO disponibilizou planilhas ou documentos que pudessem permitir a identificação de quais notas fiscais de insumos, produtos intermediários ou matérias-primas não teriam sido apresentadas pela empresa (ou que conteriam imprecisões ou informações incompletas), como alegado no item 2 do Relatório Fiscal que compõe o despacho decisório. Acrescenta que o Relatório Fiscal ou seus anexos não indicam, relativamente a este ponto, quais seriam as notas fiscais desconsideradas pelo Auditor, lembrando que o período objeto da fiscalização, por abranger mais de 10 anos, contempla dezenas de milhares de notas e documentos fiscais. Que o direito do Fisco de fiscalizar e apurar os créditos de IPI dela (Requerente) foi fulminado pela decadência, pois passaram-se mais do que 5 anos entre o protocolo do seu pedido de habilitação dos créditos de IPI, realizado em 10/05/2006, e a intimação acerca do despacho decisório ora atacado, ocorrida apenas em 18/08/2011. Acrescenta que, a Receita Federal já havia habilitado tais créditos, não podendo, indefinidamente, a qualquer tempo, fiscalizar e verificar a exatidão dos valores em apreço, até porque o próprio contribuinte fica sujeito ao prazo prescricional de 5 anos para aproveitá-los. Diz ainda que, não está se referindo ao prazo decadencial do Fisco para homologar as compensações efetuadas, mas sim argumentando que decaiu o direito do Fisco de, no presente processo administrativo, apurar a exatidão dos créditos de IPI, porquanto se passaram mais que 5 anos entre o protocolo do pedido de habilitação dos respectivos créditos e a intimação da Requerente quanto ao despacho decisório ora questionado. Entende que, o crédito dela nunca poderia ter sido contestado ou fiscalizado, considerando que toda a sua apuração ocorreu há mais de 5 anos. Tal fato implica nítida violação à legislação tributária, invalidando completamente o despacho decisório proferido. Conclui que, diante do decurso de prazo mencionado, os créditos de IPI dela (Requerente) tornaram-se inquestionáveis, não podendo a fiscalização suprimi-lo ou reduzi-lo por qualquer forma. No mérito: IV.2. A coisa julgada favorável à Requerente Alega que os créditos de IPI apurados por ela (Requerente) com base na decisão que foi confirmada pelo acórdão do Tribunal Regional Federal da 1a Região) qual, ao seu turno, transitou em julgado em 07/03/2006, devem ser obrigatoriamente calculados com base na alíquota aplicada às operações tributadas pelo referido tributo. Diz que qualquer cálculo que leve em conta operações não tributadas pelo IPI (tais como exportações) não poderá ser aceito, porquanto não guarda sintonia com a coisa julgada favorável à Requerente. IV.3.(a). A incorreta atualização dos créditos de IPI: utilização da UFIR do mês subseqüente àquele em que os créditos foram originados Assevera que, uma primeira constatação que serve para demonstrar a fragilidade do trabalho fiscal diz respeito à utilização, pelo Auditor responsável, para atualização dos créditos de IPI, da UFIR do 1º dia do mês subseqüente àquele em que efetivamente o crédito foi originado, quando o correto seria tomar por base a UFIR do próprio mês. Entende que da simples leitura do 2º da Lei ns 8.383/01, que transcreveu, já é possível concluir que a UFIR, por se tratar de um indexador (Unidade Fiscal de Referência), era fixada diariamente e mensalmente, dado que a sua criação ocorreu em período histórico em que o país apresentava altos índices de inflação. Diz que a aplicação da Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nQ 08, de 27 de junho de 1997 mostra-se ilegal, não apenas pelo fato de que, ao não integrar a legislação tributária já que não foi publicada em Diário Oficial), não tem caráter vinculante para os contribuintes, mas especialmente porque ofende o artigo 144 do Código Tributário Nacional. Transcreveu o art. 144 do CTN. Diz que abstrai-se do art. 144 do CTN que não é permitido que legislação posterior discipline o crédito tributário cujo fato gerador seja anterior à sua vigência. Ou seja, ainda que a tal Norma de Execução pudesse ser considerada como integrante do ordenamento jurídico tributário - que não é o caso -, não pode ser ela aplicada para regular a apuração e atualização de créditos tributários originados anteriormente ao seu início de vigência (27 de junho de 1997). Acrescenta, acaso se admita como válido o procedimento equivocado adotado pelo Auditor Fiscal, supostamente com base na malfadada Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nQ 08/97, o que se diz apenas para argumentar, estar-se-á promovendo o enriquecimento ilícito do Estado, ensejando um tratamento não isonômico. IV.3.(b). A suposta ausência de comprovação de parte dos créditos de IPI Diz que o Auditor Fiscal responsável, concluiu apressadamente que ela (Requerente) teria deixado de apresentar notas fiscais relativas a determinados insumos, produtos intermediários e matérias-primas para os quais foram calculados os créditos de IPI, ou apresentado documentos fiscais imprecisos e incompletos no que tange à identificação desses insumos, produtos intermediários e matérias-primas, o que conduziria, então, à não aceitação dos respectivos créditos. Acrescenta que fez um esforço exaustivo para tentar descobrir quais seriam os itens que careceriam de comprovação e, nesta ocasião, apresenta cópias dos documentos fiscais correspondentes (Doc. Nº 7), pleiteando, então, que os valores glosados sejam integralmente restabelecidos. Entende que suprida a alegada ausência de comprovação dos créditos de IPI, é imperioso que os respectivos valores sejam considerados válidos para efeito do seu aproveitamento por ela (Requerente). IV.3.(c). A invalidade da redução dos créditos de IPI por suposta não caracterização de determinados materiais como insumos ou produtos intermediários incorporados aos bens produzidos. Diz que diversos materiais (óleo combustível, produtos químicos, placas isolantes, alcatrão, brita, cascalho, entre outros) que são empregados na atividade industrial são efetivamente consumidos no processo de fabricação do produto final comercializado pela empresa. Assevera que o Auditor Fiscal interpretou incorretamente o Parecer Normativo CST n9 65/79, porquanto a conclusão contemplada nesse documento é diametralmente oposta àquela apontada no Relatório Fiscal. Após transcrever os itens 10.1, 10.2 e 10.3 do Parecer 65/79. Acrescenta, nesses termos, verifica-se que, havendo consumo dos insumos no processo industrial, de tal forma que tais itens exerçam, em decorrência de contato físico, ação direta ou indireta sobre o produto em fabricação, resta assegurado o direito ao creditamento de IPI. IV.3.(d). A impossibilidade de se considerar as operações de exportação para fins de cálculo dos créditos de IPI Diz que, o Auditor Fiscal, por comodismo, ao invés de averiguar as saídas efetivamente tributadas para, a partir delas, compor um cálculo de média ponderada válido e compatível com a decisão judicial que garantiu o direito aos créditos de IPI, preferiu considerar, de forma inválida e abusiva, o total das vendas da Requerente, incluindo as operações não tributadas (exportações), para, deste modo, reduzir o valor da alíquota de IPI a ser utilizada para cálculo dos créditos em relação aos insumos, produtos intermediários e matérias-primas adquiridos com alíquota zero, não tributados ou isentos. Acrescenta, as receitas de exportação, por não serem tributadas pelo IPI, jamais poderiam influenciar no cálculo da alíquota média ponderada a ser utilizada para apuração dos créditos desse tributo. Entende que, a coisa julgada favorável à Requerente impõe que, obrigatoriamente, os créditos de IPI sejam apurados com base na alíquota aplicada às operações tributadas pelo referido tributo, o que significa que errou o Auditor Fiscal ao considerar o valor das exportações para cálculo desses créditos. Diz mais, ainda que se pudesse admitir alguma lógica nessa sistemática de cálculo adotada pelo Auditor Fiscal, o que se admite apenas para argumentar, tem-se que, em caráter subsidiário, é evidentemente abusiva a inclusão, no cálculo da média ponderada, de receitas de exportação de produtos cujos insumos, produtos intermediários e matérias-primas foram majoritariamente importados pelo regime de drawback. Acrescenta, melhor dizendo, as receitas de exportação de produtos fabricados primordialmente com insumos e matérias-primas importados sob o regime de drawback não poderiam compor o cálculo da média ponderada da alíquota de IPI para fins de cálculo dos créditos da Requerente, sobretudo pelo fato de que, conforme comprovam os documentos anexos(Doc.ns 12), o percentual desses insumos e matérias-primas adquiridos no mercado interno para a fabricação daqueles produtos exportados é ínfima. Diz finalmente, de se concluir, sem grandes dificuldades, que a ponderação efetuada pelo Auditor Fiscal, para o cálculo dos créditos de IPI, não encontra respaldo na decisão transitada em julgado favorável à Requerente, tampouco apresenta qualquer pertinência em relação às operações de drawback, nas quais os respectivos insumos e matérias-primas não influenciaram o cálculo dos créditos de IPI efetuado pela Requerente. Por fim, requerer: a) Que o despacho decisório recorrido seja anulado, de modo que a glosa parcial de créditos de IPI seja cancelada, restabelecendo-se o saldo original de créditos que foi objeto de habilitação pela própria Receita Federal. b) Alternativamente, requer-se seja realizada diligência para que o trabalho de fiscalização seja refeito, considerando os esclarecimentos e a documentação comprobatória ora apresentados. Por não termos encontrado em nenhuma das tabelas constantes dos autos a informação dos ditos "insumos não identificados", como afirmado pela fiscalização, e por ter o contribuinte apresentado junto com a Manifestação de Inconformidade cópia de diversas Notas Fiscais de aquisição de insumos, cuja falta de apresentação foi uma das causas para deferimento parcial do pleito e homologação parcial das Dcomp, os autos foram baixados em diligência, para as seguintes providências: “Dar ciência à recorrente da presente Resolução; b) FORNECER ao sujeito passivo a tabela onde estão descritos os "insumos não identificados", concedendo-lhe prazo para manifestar-se. Juntar a tabela aos autos. c) VERIFICAR se as notas fiscais apresentadas referem-se a aquisições de bens que subsumem-se ao conceito de insumo capaz de gerar crédito; d) APURAR, por intermédio da escrituração fiscal e contábil e respectivos documentos de suporte, a existência e, em sendo o caso, o quantum do direito creditório invocado pelo contribuinte, caso se confirmem as aquisições citadas na letra “b” acima. e) Dar ciência ao sujeito passivo do resultado da Diligência Fiscal, deferindo-lhe prazo para manifestação acerca dos fatos novos, observado o disposto no art. 18, § 3º , do Decreto n° 70.235, de 1972, incluído pela Lei n° 8.748, de 1993;” A fiscalização emitiu o Relatório de Diligência Fiscal, fls. 9325/9326, onde está consignado, em síntese, que: -O contribuinte foi intimado a apresentar planilhas listando as NF apresentadas à Fiscalização por ocasião da fiscalização de MPF 2010-00710-5 para verificação do credito do IPl, mas que não continham identificação do insumo adquirido, num total de 6.174 notas; -Após pedidos de prorrogação de prazo para o atendimento das solicitações acima por parte do contribuinte e que foram acatados pela Fiscalização, o contribuinte apresentou planilhas com as NF que foram encontradas, na quantidade total de 4.022, mas, no entanto, em todos os anos e meses do período fiscalizado, ainda permaneceram NF sem identificação do insumo adquirido, e que mais uma vez foram desconsiderados os registros imprecisos ou incompletos; -Novamente em repetição ao procedimento anterior, a empresa pleiteia créditos relativos a insumos, que embora sejam de alíquota zero, isentos ou NT com relação ao IPI, não são em sua essência passíveis de créditos básicos pela legislação do IPI, por não poderem ser classificados como matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, nem mesmo naquelas situações acobertadas pelo parecer normativo PN 65/79. -Portanto, não fazem jus ao crédito, o óleo combustível, gasolina, óleo diesel, querosene, lenha e alcatrão, desengraxantes e lubrificantes, asfrimp, gás hélio, etc e os diversos produtos químicos usados nos laboratórios para dosagem química; -A empresa solicita créditos relativos a aquisições de insumos, que embora permitam o crédito básico preconizado no RIPI/2010, não estavam acobertados na decisão judicial, por não serem nem alíquota 0, nem isentos e nem NT, mas serem de fato, insumos tributados com alíquota positiva nas TIPI que vigoraram ao longo do período em questão (1991 a 2001). -Esta é a situação dos perfis e chapas de aço laminado, coque de petróleo não calcinado, ferro-ligas, dos eletrodos de grafite e sua sucata, dos tijolos, argamassas e concretos refratários, da vaselina e de outros insumos. No caso dos perfis de aço laminado, acrescente-se o fato de que estes, tal como adquiridos no mercado (não como sucata de aço), não são insumos para a produção, mas provavelmente matérias de uso e consumo ou para incorporação nos Ativos da empresa. Conclui a fiscalização que para o cálculo do crédito de IPI na aquisição destes insumos, foram utilizadas as alíquotas médias de saída dos produtos fabricados pela empresa e cuja necessidade de uso e memória de calculo já havia descrito no Relatório fiscal de 16/05/2011, e apurou crédito adicional demonstrado nas planilhas constante da fl. 9327/9337. Cientificada, a empresa apresentou manifestação de inconformidade de fls. 9342/9344, onde diz que vários itens devem ser reconsiderados e mantidos na rubrica de “insumos aceitos” com a conseqüente manutenção do crédito presumido do IPI, relacionou os produtos abaixo e as justificativas que entende serem suficientes pra reconhecimento do crédito: ? Lenha (de Eucalypíus): insumo adquirido para a produção do carvão vegetal utilizado como combustível no alto forno, necessário à fusão do minério, para produzir gusa e aço que são transformados nos produtos finais da empresa (barra e tubos); ? Gás natural: insumo utilizado como fonte de energia e como redutor do minério de ferro nos altos fornos; ? Coque de petróleo: coque de petróleo não calcinado ou coque verde de petróleo da Refinaria RECAP, usados nos altos fornos, em PCI (pulvcrized coal injection). Combustível no processo siderúrgico. ? Alcatrão: fonte de energia na Usina Termo Elétrica UTE do Barreiro, unidade de co-geração em parceria com a CEMIG, projetada para integração ao sistema elétrico da V&M do Brasil, dando mais segurança ao suprimento de energia elélrica, como alternativa ao sistema interligado. Insumo para geração de energia aplicada no processo produtivo. ? Óleo combustível: utilizado nos equipamentos do processo de produção das usinas de tubos; ? Asfrimp (Óleo Lubrificante mineral, base asfáltica = Graxa Asfáltica). Lubrificação de equipamentos da siderurgia e usinas (engrenagens, cabos cie aço, etc). Produto Intermediário do processo produtivo; ? Gás hélio: Utilizado no laboratório instrumental, para aferimento da composição dft aços (níveis de oxigênio e nitrogênio presentes) utilizados na produção de tubos; ? Aço laminado (redondo, quadrado, chapas): são materiais utilizados na produção; ? Ferro Ligas: (FERRO MANGANÊS / FERRO CROMO ALTO CARBONO / FERRO TITÂNIO /FERRO SILÍCIO): São ligas de ferro com ouíro(s) elemento(s) químico(S), usados na -fabricação de aços. Durante o processo da fabricação, quando o aço se encontra em estado líquido, são adicionados os ferros ligas para mudar a composição química do aço e dar uma característica especial a este aço (influenciando na dureza, resistência, etc). Portanto, são insumos do processo de produção. Por fim, requer que sejam os itens acolhidos na Lista da Fiscalização como "Insumos Aceitos", mantendo os respectivos créditos presumidos de IPI. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/07/1991 a 31/12/2001 CRÉDITO . INSUMOS. Somente geram direito ao crédito do imposto os materiais que se enquadrem no conceito jurídico de insumo, ou seja, aqueles que se desgastem ou sejam consumidos mediante contato físico direto com o produto em fabricação. CRÉDITOS. ÍNDICES DE ATUALIZAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. Correta a atualização do crédito tributário objeto de compensação, quando apurada em consonância com os índices ordenados em decisão judicial, e respaldado em ato normativo válido, sendo inaceitáveis os cálculos do contribuinte. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa, apresenta em 14/07/2016, através da Solicitação de Juntada de fl. 9.416, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, fls. 9.417/9.440, onde repisa os argumentos já declinados em sede impugnatória. É o relatório.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida não participou do julgamento em razão do voto definitivamente proferido pela Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar na sessão de 18/04/2018, às 9:00h. Nos termos do Art. 58, §13 do RICARF, foi designado, pelo Presidente de Turma de Julgamento, como redator ad hoc para este julgamento, o conselheiro Vinícius Guimarães para formalizar o voto. [assinado digitalmente] Vinícius Guimarães - Redator ad hoc [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Vinícius Guimarães, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo. RELATÓRIO Na condição de redator ad hoc, designado para formalizar a resolução, passo a transcrever o relatório elaborado na minuta do voto proferido pela Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar na sessão de 18/04/2018, às 9:00h: Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: Trata-se o presente processo de Pedido de Habilitação de Crédito, referente ao período de 1991 a 2001, Reconhecido em Decisão Judicial Transitada em Julgado nos autos do Mandado de Segurança nº 2001.38.00.023042-4/MG. O contribuinte impetrou o Mandado de Segurança nº 2001.38.00.023042-4/MG, tendo por objeto a concessão da segurança para compensar os créditos de IPI decorrentes das aquisições de matérias primas, insumos e produtos intermediários que, em relação ao IPI, são isentos, não tributados ou, ainda, reduzidos à alíquota zero, nos termos do art. 66 da Lei 8.383/91, na forma prevista na Lei 9.430/96, com quaisquer tributos sob a administração da mesma secretaria, sem qualquer limitação de valor a ser compensado em cada competência, até o montante de seus créditos, devidamente atualizados desde o seu recolhimento até a sua real e efetiva restituição. Em 15/10/2001, foi proferida sentença e concedida segurança em parte para declarar o direito da impetrante à compensação dos mencionados créditos do IPI especificados em cada nota fiscal, com a aplicação da mesma alíquota utilizada na operação tributada, autorizando a compensação dos valores correspondentes recolhidos indevidamente com as obrigações vincendas para o IPI, mais correção monetária e juros, respeitada a prescrição quinquenal, nos termos da contagem do prazo da fundamentação, com correção monetária plena e juros de 1% a partir do trânsito em julgado. A impetrante apresentou recurso de apelação, ao qual foi dado provimento, reformando a sentença para assegurar à impetrante o direito de compensar seus créditos com quaisquer tributos e/ou contribuições administrados pela Receita Federal e para afastar os juros de mora. A Fazenda Nacional interpôs Embargos de Declaração, alegando que o acórdão recorrido não teria manifestado a respeito da compensação ilimitada de créditos presumidos do IPI e, também, que houve omissão quanto à apreciação do enriquecimento sem causa da impetrante. Alega, ainda, que a matéria não teria sido analisada à luz dos princípios da legalidade, da separação dos poderes e da não cumulatividade. Alega, por fim, contradição, porque a transcrita jurisprudência não se adequaria ao caso concreto e sustenta o mesmo vício em relação aos juros de mora, eis que restaram afastados na fundamentação do acórdão recorrido, entretanto no dispositivo restou consignado o improvimento à remessa oficial. Os Embargos de Declaração foram acolhidos parcialmente, atribuindo-lhes efeito modificativo, para dar provimento, em parte, à remessa oficial, afastando os juros de mora da compensação. Em 07/01/2003, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, o qual foi admitido e, conforme decisão proferida em 07/06/2005, não foi conhecido, ocasionando a interposição de Embargos de Declaração, os quais foram rejeitados, tendo o acórdão transitado em julgado em 07/03/2006. Em 18/02/2008, a União ajuizou a Ação Rescisória nº 2008.01.00.006936-9 contra Vallourec e Mannesmann Tubes-V & M, visando desconstituir Acórdão proferido pela colenda Quarta Turma do TRF/1ª Região, por ocasião do julgamento da Apelação em Mandado de Segurança 2001.08.00.023042-4/MG, tendo o relator, em 16/07/2010, declarado suspenso o julgamento, nos termos do art. 265, IV, “a”, do CPC, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 590.809/RS, como representativo da controvérsia. Não há, ainda, decisão definitiva em relação a ação rescisória, pois foi apresentado recurso especial, e depois recurso extraordinário, e contra-razões sobre tais recursos. Através do Despacho Decisório nº 214/2006, fls. 82/83, do qual a interessada foi cientificada em 08/06/2006, a Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte deferiu o pedido de habilitação nos termos abaixo: “6. O interessado comprovou todas as exigências contidas no citado dispositivo (IN 600/2005), com vista a demonstrar ser detentor de direito creditório decorrente de decisão judicial transitada em julgado, pelo qual defiro o presente pedido.” Consta da fl. 87 despacho do qual extraímos os excertos abaixo: 0 processo em referência trata de Pedido de Habilitação de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, em 07/03/2006, com origem no Mandado de Segurança n° 2001.38.00.023042-4, tendo sido formalizado o processo 10680.721.360/2006-94 para tratamento manual das declarações de compensação cujo crédito informado diz respeito ao ressarcimento de IPI. Diante do exposto, dada a expressividade dos valores envolvidos e do que foi acordado entre representantes da EqrestPJ, da Eqaj e do Sefis, proponho o encaminhamento deste processo ao DRF/BHE/SAPAC, para subsidiar as análises do crédito pretendido pelo contribuinte conforme declarações de compensação tratadas no processo 10680.721.360/2006-94. Em 05/03/2009, o presente processo foi encaminhado ao Serviço de Fiscalização (Sefis) da Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte, juntamente com o processo 10680.721360/2006-94 que trata da análise das compensações, para que fossem adotados os procedimentos quanto à apuração do efetivo crédito do contribuinte considerando o teor da Sentença Judicial. A Autoridade Fiscal designada para apurar o quantum do crédito pleiteado emitiu o Relatório Fiscal de fls. 4.176/4.180, do qual consta: 2. Inicio da fiscalização e entrega de documentos -A partir da verificação das tabelas construídas pela empresa e constantes dos volumes anexos de seu processo fiscal de nº. 10680.721360/2006-94 constatamos que estas tabelas originais informavam apenas os dados gerais das notas fiscais, como número, data e valor total da nota, seguido do crédito pretendido, tudo em valores de moeda da época, índices de atualização monetária e o valor corrigido para a data da propositura do processo fiscal. -Havíamos determinado à empresa que esta informasse também o produto ou insumo adquirido, o que foi atendido, como dito acima, porem de maneira imprecisa em várias notas fiscais. De fato, várias notas fiscais não identificavam o insumo ou este era identificado imprecisamente, por vezes em forma de números ou siglas, talvez código do fornecedor ou outra coisa qualquer. -Somos, portanto, obrigados a desconsiderar estes registros imprecisos ou incompletos, o que explica as diferenças encontradas entre o valor total dos insumos, mês a mês, mostrados no processo fiscal e aqueles encontrados nas tabelas que sumarizam os resultados da presente ação fiscal. 3. Alíquota de IPI para o crédito concedido judicialmente -O exame das tabelas que relacionavam as notas fiscais de entrada de insumos e a determinação do crédito original do IPI, mostra que a empresa se utilizava sempre de uma alíquota fixa de 7% para o cálculo de todos os créditos e relativamente a todos os insumos adquiridos, e que ultrapassa os ditames da sentença judicial, por não ser rigorosamente a mesma alíquota da operação tributada, quando da saída posterior dos produtos fabricados pela empresa. -Como havia sido informado pela própria empresa no curso da ação fiscal de diligencia feita em passado recente (2009) e de no. 0610100.2009.01645, (Documento constante do Anexo no. 5), o contribuinte fabrica e dá saída a vários e diferentes produtos, basicamente tubos e barras de aço, produtos do capítulo 73 da TIPI, produtos estes de várias classificações fiscais e tributados com diferentes alíquotas de IPI. Alem do mais, ao longo de todo o período objeto do processo judicial, de 1991 a 2001, e como evidenciado nos livros Registro de apuração de IPI, a empresa procedeu a vendas de exportação destes produtos, as quais são imunes de IPI, onde, portanto, não houve lançamento deste imposto. -A se respeitar os ditames da sentença judicial, estes insumos deveriam ter sido segregados e separados por tipo de produto nos quais foram utilizados, isto é, separados para destinação a produtos de mesmo valor de alíquota de IPI (inclusive produtos de alíquota zero e imunes/exportados). Como a empresa não possui sistema de custos estabelecido de maneira segregada que permitisse este cálculo, procedemos a outra rotina de apuração, através da alíquota média de IPI de saída dos produtos fabricados. -A partir dos valores registrados nos Livros Registro de Apuração do IPI, construí-se a tabela "Demonstrativo de Apuração da Alíquota Média" dos produtos fabricados (Anexo no. 2), com os valores das saídas referentes a vendas de produtos fabricados pela empresa e do IPI debitado para estas saídas, tudo por período de apuração e por código fiscal da operação, contabilizando-os em valores mensais de alíquota média de IPI dos produtos fabricados. -Em correspondência de 18/04/11, a empresa solicitou que fossem desconsideradas, na apuração da alíquota média de saída, as vendas referentes a operações de draw-back. Alegou a seu favor que nas industrializações de produtos com insumos importados sob esta condição, não utilizava qualquer outro insumo adquirido no mercado nacional, de alíquota zero, isento ou NT. Segundo ela, utilizava apenas barras de aço semi acabadas provenientes do exterior, que após a industrialização final, eram re-exportadas. -Para subsidiar esta postulação, forneceu em 10/05/11 um DVD contendo planilha em Excel com as demonstrações dos valores das exportações realizadas com matérias primas importadas do exterior em regime draw-back. -O sistema de custos da empresa não permitia que se comprovasse a não utilização de qualquer outro insumo nacional, em particular os de alíquota zero, isentos ou NT, na industrialização destes produtos objeto do draw-back. Também não foram apresentados os contratos das operações de draw-back, que evidenciassem os insumos importados e as operações a que seriam submetidos internamente pela empresa, comprovando suas alegações de que não usou outros insumos, mas apenas e tão somente os insumos ora importados no regime de draw-back. -Por estas razões, entendemos que na apuração da alíquota média de saída dos produtos fabricados devam ser considerados integralmente todas as operações de exportação. 4. Insumos que não dão direito a créditos básicos de IPI -A empresa pleiteia créditos relativos a insumos, que embora sejam de alíquota zero, isentos ou NT com relação ao IPI, não são em sua essência passíveis de créditos básicos pela legislação do IPI, por não poderem ser classificados como matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, (art. 164 I do RIPI/2004) nem mesmo naquelas situações acobertadas pelo parecer normativo PN 65/79. -Não fazem jus ao crédito, no caso da empresa fiscalizada, a energia elétrica, óleo combustível, os diversos produtos químicos usados nos laboratórios químicos para dosagem química, produtos para tratamento de água industrial, bem como quaisquer outros bens que, não sendo partes nem peças de máquinas, independentemente de suas qualificações tecnológicas, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida. 5. Insumos que são tributados com alíquota positiva -Inexplicavelmente, a empresa solicita créditos relativos a aquisições de insumos, que embora permitam o crédito básico do art 164 I do RIPI/2004, não estavam acobertados na decisão judicial, por não serem nem alíquota 0, nem isentos e nem NT, mas serem de fato, insumos tributados com alíquota positiva nas TIPI que vigoraram ao longo do período em questão (1991 a 2001). -Várias foram as notas fiscais encontradas que se referiam a aquisição de insumos de empresas/comerciantes atacadistas não contribuintes do IPI. Neste caso, se houvesse a possibilidade de se fazer o crédito, este deveria ser feito relativamente a 50% do valor da base de cálculo da NF, como determinado atualmente pelo art 165 do RIPI/2004 (Dec 4.544/2004), recomendação esta já existente em todas as edições anteriores do RIPI. De maneira inexplicável, o cálculo correto da base de cálculo do IPI não foi observado pela empresa, que o fazia pelo valor total constante na nota fiscal. 6. Insumos de utilização não identificada -Não obstante terem sido feitos vários questionamentos quanto à utilização de alguns insumos, quer por escrito quer pessoalmente quando das visitas técnicas feitas à empresa, esta não logrou explicar a utilização destes insumos em seu processo produtivo. Por conseguinte, tornou-se impossível identificá-los à luz da possibilidade de se efetuar o crédito na sua aquisição. -Na confecção das tabelas mensais de créditos por tipo de insumos, identificamos estes como "insumos não identificados". Por fim, foi feita a conclusão, nos termos abaixo: Face ao exposto, para fins de ressarcimento/compensação, proponho o encaminhamento do presente processo ao DRF/BHE/SEORT, recomendando o reconhecimento parcial do direito creditório de IPI consolidado nas planilhas que compõe o anexo no. 4, bem como a glosa da parcela excedente que foi pleiteada no processo fiscal em questão. Os valores apurados nas planilhas de fls. 6632/6642, Anexo 4, foram atualizados, aplicando-se os índices constantes da Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 08, de 27/06/1997, conforme listagens de débitos/saldos remanescentes e de créditos/saldos remanescentes, tendo-se chegado ao montante de R$ 78.400.905,12, atualizado até 22/08/2006 (fls. 207/212 do processo nº 10680.721360/2006-94), data de transmissão da primeira Dcomp pelo contribuinte. Através do Despacho Decisório nº 1.083 – DRF/BHE, constante das fls. 232/237 do Processo nº 10680.721360/2006-94, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte – MG reconheceu crédito parcial no valor R$ 78.400.905,12. Inconformada a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 7.067/7.087), em 14/09/2011, na qual apresenta, em síntese, os seguintes argumentos: Preliminarmente, diz: Que teve o seu direito de defesa cerceado, porquanto o Auditor Fiscal NÃO disponibilizou planilhas ou documentos que pudessem permitir a identificação de quais notas fiscais de insumos, produtos intermediários ou matérias-primas não teriam sido apresentadas pela empresa (ou que conteriam imprecisões ou informações incompletas), como alegado no item 2 do Relatório Fiscal que compõe o despacho decisório. Acrescenta que o Relatório Fiscal ou seus anexos não indicam, relativamente a este ponto, quais seriam as notas fiscais desconsideradas pelo Auditor, lembrando que o período objeto da fiscalização, por abranger mais de 10 anos, contempla dezenas de milhares de notas e documentos fiscais. Que o direito do Fisco de fiscalizar e apurar os créditos de IPI dela (Requerente) foi fulminado pela decadência, pois passaram-se mais do que 5 anos entre o protocolo do seu pedido de habilitação dos créditos de IPI, realizado em 10/05/2006, e a intimação acerca do despacho decisório ora atacado, ocorrida apenas em 18/08/2011. Acrescenta que, a Receita Federal já havia habilitado tais créditos, não podendo, indefinidamente, a qualquer tempo, fiscalizar e verificar a exatidão dos valores em apreço, até porque o próprio contribuinte fica sujeito ao prazo prescricional de 5 anos para aproveitá-los. Diz ainda que, não está se referindo ao prazo decadencial do Fisco para homologar as compensações efetuadas, mas sim argumentando que decaiu o direito do Fisco de, no presente processo administrativo, apurar a exatidão dos créditos de IPI, porquanto se passaram mais que 5 anos entre o protocolo do pedido de habilitação dos respectivos créditos e a intimação da Requerente quanto ao despacho decisório ora questionado. Entende que, o crédito dela nunca poderia ter sido contestado ou fiscalizado, considerando que toda a sua apuração ocorreu há mais de 5 anos. Tal fato implica nítida violação à legislação tributária, invalidando completamente o despacho decisório proferido. Conclui que, diante do decurso de prazo mencionado, os créditos de IPI dela (Requerente) tornaram-se inquestionáveis, não podendo a fiscalização suprimi-lo ou reduzi-lo por qualquer forma. No mérito: IV.2. A coisa julgada favorável à Requerente Alega que os créditos de IPI apurados por ela (Requerente) com base na decisão que foi confirmada pelo acórdão do Tribunal Regional Federal da 1a Região) qual, ao seu turno, transitou em julgado em 07/03/2006, devem ser obrigatoriamente calculados com base na alíquota aplicada às operações tributadas pelo referido tributo. Diz que qualquer cálculo que leve em conta operações não tributadas pelo IPI (tais como exportações) não poderá ser aceito, porquanto não guarda sintonia com a coisa julgada favorável à Requerente. IV.3.(a). A incorreta atualização dos créditos de IPI: utilização da UFIR do mês subseqüente àquele em que os créditos foram originados Assevera que, uma primeira constatação que serve para demonstrar a fragilidade do trabalho fiscal diz respeito à utilização, pelo Auditor responsável, para atualização dos créditos de IPI, da UFIR do 1º dia do mês subseqüente àquele em que efetivamente o crédito foi originado, quando o correto seria tomar por base a UFIR do próprio mês. Entende que da simples leitura do 2º da Lei ns 8.383/01, que transcreveu, já é possível concluir que a UFIR, por se tratar de um indexador (Unidade Fiscal de Referência), era fixada diariamente e mensalmente, dado que a sua criação ocorreu em período histórico em que o país apresentava altos índices de inflação. Diz que a aplicação da Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nQ 08, de 27 de junho de 1997 mostra-se ilegal, não apenas pelo fato de que, ao não integrar a legislação tributária já que não foi publicada em Diário Oficial), não tem caráter vinculante para os contribuintes, mas especialmente porque ofende o artigo 144 do Código Tributário Nacional. Transcreveu o art. 144 do CTN. Diz que abstrai-se do art. 144 do CTN que não é permitido que legislação posterior discipline o crédito tributário cujo fato gerador seja anterior à sua vigência. Ou seja, ainda que a tal Norma de Execução pudesse ser considerada como integrante do ordenamento jurídico tributário - que não é o caso -, não pode ser ela aplicada para regular a apuração e atualização de créditos tributários originados anteriormente ao seu início de vigência (27 de junho de 1997). Acrescenta, acaso se admita como válido o procedimento equivocado adotado pelo Auditor Fiscal, supostamente com base na malfadada Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nQ 08/97, o que se diz apenas para argumentar, estar-se-á promovendo o enriquecimento ilícito do Estado, ensejando um tratamento não isonômico. IV.3.(b). A suposta ausência de comprovação de parte dos créditos de IPI Diz que o Auditor Fiscal responsável, concluiu apressadamente que ela (Requerente) teria deixado de apresentar notas fiscais relativas a determinados insumos, produtos intermediários e matérias-primas para os quais foram calculados os créditos de IPI, ou apresentado documentos fiscais imprecisos e incompletos no que tange à identificação desses insumos, produtos intermediários e matérias-primas, o que conduziria, então, à não aceitação dos respectivos créditos. Acrescenta que fez um esforço exaustivo para tentar descobrir quais seriam os itens que careceriam de comprovação e, nesta ocasião, apresenta cópias dos documentos fiscais correspondentes (Doc. Nº 7), pleiteando, então, que os valores glosados sejam integralmente restabelecidos. Entende que suprida a alegada ausência de comprovação dos créditos de IPI, é imperioso que os respectivos valores sejam considerados válidos para efeito do seu aproveitamento por ela (Requerente). IV.3.(c). A invalidade da redução dos créditos de IPI por suposta não caracterização de determinados materiais como insumos ou produtos intermediários incorporados aos bens produzidos. Diz que diversos materiais (óleo combustível, produtos químicos, placas isolantes, alcatrão, brita, cascalho, entre outros) que são empregados na atividade industrial são efetivamente consumidos no processo de fabricação do produto final comercializado pela empresa. Assevera que o Auditor Fiscal interpretou incorretamente o Parecer Normativo CST n9 65/79, porquanto a conclusão contemplada nesse documento é diametralmente oposta àquela apontada no Relatório Fiscal. Após transcrever os itens 10.1, 10.2 e 10.3 do Parecer 65/79. Acrescenta, nesses termos, verifica-se que, havendo consumo dos insumos no processo industrial, de tal forma que tais itens exerçam, em decorrência de contato físico, ação direta ou indireta sobre o produto em fabricação, resta assegurado o direito ao creditamento de IPI. IV.3.(d). A impossibilidade de se considerar as operações de exportação para fins de cálculo dos créditos de IPI Diz que, o Auditor Fiscal, por comodismo, ao invés de averiguar as saídas efetivamente tributadas para, a partir delas, compor um cálculo de média ponderada válido e compatível com a decisão judicial que garantiu o direito aos créditos de IPI, preferiu considerar, de forma inválida e abusiva, o total das vendas da Requerente, incluindo as operações não tributadas (exportações), para, deste modo, reduzir o valor da alíquota de IPI a ser utilizada para cálculo dos créditos em relação aos insumos, produtos intermediários e matérias-primas adquiridos com alíquota zero, não tributados ou isentos. Acrescenta, as receitas de exportação, por não serem tributadas pelo IPI, jamais poderiam influenciar no cálculo da alíquota média ponderada a ser utilizada para apuração dos créditos desse tributo. Entende que, a coisa julgada favorável à Requerente impõe que, obrigatoriamente, os créditos de IPI sejam apurados com base na alíquota aplicada às operações tributadas pelo referido tributo, o que significa que errou o Auditor Fiscal ao considerar o valor das exportações para cálculo desses créditos. Diz mais, ainda que se pudesse admitir alguma lógica nessa sistemática de cálculo adotada pelo Auditor Fiscal, o que se admite apenas para argumentar, tem-se que, em caráter subsidiário, é evidentemente abusiva a inclusão, no cálculo da média ponderada, de receitas de exportação de produtos cujos insumos, produtos intermediários e matérias-primas foram majoritariamente importados pelo regime de drawback. Acrescenta, melhor dizendo, as receitas de exportação de produtos fabricados primordialmente com insumos e matérias-primas importados sob o regime de drawback não poderiam compor o cálculo da média ponderada da alíquota de IPI para fins de cálculo dos créditos da Requerente, sobretudo pelo fato de que, conforme comprovam os documentos anexos(Doc.ns 12), o percentual desses insumos e matérias-primas adquiridos no mercado interno para a fabricação daqueles produtos exportados é ínfima. Diz finalmente, de se concluir, sem grandes dificuldades, que a ponderação efetuada pelo Auditor Fiscal, para o cálculo dos créditos de IPI, não encontra respaldo na decisão transitada em julgado favorável à Requerente, tampouco apresenta qualquer pertinência em relação às operações de drawback, nas quais os respectivos insumos e matérias-primas não influenciaram o cálculo dos créditos de IPI efetuado pela Requerente. Por fim, requerer: a) Que o despacho decisório recorrido seja anulado, de modo que a glosa parcial de créditos de IPI seja cancelada, restabelecendo-se o saldo original de créditos que foi objeto de habilitação pela própria Receita Federal. b) Alternativamente, requer-se seja realizada diligência para que o trabalho de fiscalização seja refeito, considerando os esclarecimentos e a documentação comprobatória ora apresentados. Por não termos encontrado em nenhuma das tabelas constantes dos autos a informação dos ditos "insumos não identificados", como afirmado pela fiscalização, e por ter o contribuinte apresentado junto com a Manifestação de Inconformidade cópia de diversas Notas Fiscais de aquisição de insumos, cuja falta de apresentação foi uma das causas para deferimento parcial do pleito e homologação parcial das Dcomp, os autos foram baixados em diligência, para as seguintes providências: “Dar ciência à recorrente da presente Resolução; b) FORNECER ao sujeito passivo a tabela onde estão descritos os "insumos não identificados", concedendo-lhe prazo para manifestar-se. Juntar a tabela aos autos. c) VERIFICAR se as notas fiscais apresentadas referem-se a aquisições de bens que subsumem-se ao conceito de insumo capaz de gerar crédito; d) APURAR, por intermédio da escrituração fiscal e contábil e respectivos documentos de suporte, a existência e, em sendo o caso, o quantum do direito creditório invocado pelo contribuinte, caso se confirmem as aquisições citadas na letra “b” acima. e) Dar ciência ao sujeito passivo do resultado da Diligência Fiscal, deferindo-lhe prazo para manifestação acerca dos fatos novos, observado o disposto no art. 18, § 3º , do Decreto n° 70.235, de 1972, incluído pela Lei n° 8.748, de 1993;” A fiscalização emitiu o Relatório de Diligência Fiscal, fls. 9325/9326, onde está consignado, em síntese, que: -O contribuinte foi intimado a apresentar planilhas listando as NF apresentadas à Fiscalização por ocasião da fiscalização de MPF 2010-00710-5 para verificação do credito do IPl, mas que não continham identificação do insumo adquirido, num total de 6.174 notas; -Após pedidos de prorrogação de prazo para o atendimento das solicitações acima por parte do contribuinte e que foram acatados pela Fiscalização, o contribuinte apresentou planilhas com as NF que foram encontradas, na quantidade total de 4.022, mas, no entanto, em todos os anos e meses do período fiscalizado, ainda permaneceram NF sem identificação do insumo adquirido, e que mais uma vez foram desconsiderados os registros imprecisos ou incompletos; -Novamente em repetição ao procedimento anterior, a empresa pleiteia créditos relativos a insumos, que embora sejam de alíquota zero, isentos ou NT com relação ao IPI, não são em sua essência passíveis de créditos básicos pela legislação do IPI, por não poderem ser classificados como matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, nem mesmo naquelas situações acobertadas pelo parecer normativo PN 65/79. -Portanto, não fazem jus ao crédito, o óleo combustível, gasolina, óleo diesel, querosene, lenha e alcatrão, desengraxantes e lubrificantes, asfrimp, gás hélio, etc e os diversos produtos químicos usados nos laboratórios para dosagem química; -A empresa solicita créditos relativos a aquisições de insumos, que embora permitam o crédito básico preconizado no RIPI/2010, não estavam acobertados na decisão judicial, por não serem nem alíquota 0, nem isentos e nem NT, mas serem de fato, insumos tributados com alíquota positiva nas TIPI que vigoraram ao longo do período em questão (1991 a 2001). -Esta é a situação dos perfis e chapas de aço laminado, coque de petróleo não calcinado, ferro-ligas, dos eletrodos de grafite e sua sucata, dos tijolos, argamassas e concretos refratários, da vaselina e de outros insumos. No caso dos perfis de aço laminado, acrescente-se o fato de que estes, tal como adquiridos no mercado (não como sucata de aço), não são insumos para a produção, mas provavelmente matérias de uso e consumo ou para incorporação nos Ativos da empresa. Conclui a fiscalização que para o cálculo do crédito de IPI na aquisição destes insumos, foram utilizadas as alíquotas médias de saída dos produtos fabricados pela empresa e cuja necessidade de uso e memória de calculo já havia descrito no Relatório fiscal de 16/05/2011, e apurou crédito adicional demonstrado nas planilhas constante da fl. 9327/9337. Cientificada, a empresa apresentou manifestação de inconformidade de fls. 9342/9344, onde diz que vários itens devem ser reconsiderados e mantidos na rubrica de “insumos aceitos” com a conseqüente manutenção do crédito presumido do IPI, relacionou os produtos abaixo e as justificativas que entende serem suficientes pra reconhecimento do crédito: ? Lenha (de Eucalypíus): insumo adquirido para a produção do carvão vegetal utilizado como combustível no alto forno, necessário à fusão do minério, para produzir gusa e aço que são transformados nos produtos finais da empresa (barra e tubos); ? Gás natural: insumo utilizado como fonte de energia e como redutor do minério de ferro nos altos fornos; ? Coque de petróleo: coque de petróleo não calcinado ou coque verde de petróleo da Refinaria RECAP, usados nos altos fornos, em PCI (pulvcrized coal injection). Combustível no processo siderúrgico. ? Alcatrão: fonte de energia na Usina Termo Elétrica UTE do Barreiro, unidade de co-geração em parceria com a CEMIG, projetada para integração ao sistema elétrico da V&M do Brasil, dando mais segurança ao suprimento de energia elélrica, como alternativa ao sistema interligado. Insumo para geração de energia aplicada no processo produtivo. ? Óleo combustível: utilizado nos equipamentos do processo de produção das usinas de tubos; ? Asfrimp (Óleo Lubrificante mineral, base asfáltica = Graxa Asfáltica). Lubrificação de equipamentos da siderurgia e usinas (engrenagens, cabos cie aço, etc). Produto Intermediário do processo produtivo; ? Gás hélio: Utilizado no laboratório instrumental, para aferimento da composição dft aços (níveis de oxigênio e nitrogênio presentes) utilizados na produção de tubos; ? Aço laminado (redondo, quadrado, chapas): são materiais utilizados na produção; ? Ferro Ligas: (FERRO MANGANÊS / FERRO CROMO ALTO CARBONO / FERRO TITÂNIO /FERRO SILÍCIO): São ligas de ferro com ouíro(s) elemento(s) químico(S), usados na -fabricação de aços. Durante o processo da fabricação, quando o aço se encontra em estado líquido, são adicionados os ferros ligas para mudar a composição química do aço e dar uma característica especial a este aço (influenciando na dureza, resistência, etc). Portanto, são insumos do processo de produção. Por fim, requer que sejam os itens acolhidos na Lista da Fiscalização como "Insumos Aceitos", mantendo os respectivos créditos presumidos de IPI. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/07/1991 a 31/12/2001 CRÉDITO . INSUMOS. Somente geram direito ao crédito do imposto os materiais que se enquadrem no conceito jurídico de insumo, ou seja, aqueles que se desgastem ou sejam consumidos mediante contato físico direto com o produto em fabricação. CRÉDITOS. ÍNDICES DE ATUALIZAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. Correta a atualização do crédito tributário objeto de compensação, quando apurada em consonância com os índices ordenados em decisão judicial, e respaldado em ato normativo válido, sendo inaceitáveis os cálculos do contribuinte. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa, apresenta em 14/07/2016, através da Solicitação de Juntada de fl. 9.416, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, fls. 9.417/9.440, onde repisa os argumentos já declinados em sede impugnatória. É o relatório.

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Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar na sessão de 18/04/2018, às 9:00h. Nos termos  do Art.  58,  §13 do RICARF,  foi  designado, pelo Presidente de Turma de Julgamento,  como  redator ad hoc para este julgamento, o conselheiro Vinícius Guimarães para formalizar o voto.  [assinado digitalmente] Vinícius Guimarães ­ Redator ad hoc  [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède ­ Presidente.   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Paulo  Guilherme  Déroulède,  Vinícius  Guimarães,  José  Renato  Pereira  de  Deus,  Maria  do  Socorro  Ferreira  Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo.    RELATÓRIO    Na condição de redator ad hoc, designado para formalizar a resolução, passo a  transcrever  o  relatório  elaborado  na  minuta  do  voto  proferido  pela  Conselheira  Maria  do  Socorro Ferreira Aguiar na sessão de 18/04/2018, às 9:00h:  Por  bem  descrever  os  fatos  ocorridos  até  o  presente  momento  processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório da  r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito:     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .7 21 36 0/ 20 06 -9 4 Fl. 2814DF CARF MF Processo nº 10680.721360/2006­94  Resolução nº  3302­000.747  S3­C3T2  Fl. 2.815          2 Trata­se  o  presente  processo  de  Pedido  de  Habilitação  de  Crédito,  referente  ao  período  de  1991  a  2001,  Reconhecido  em  Decisão  Judicial  Transitada  em  Julgado  nos  autos  do  Mandado de Segurança nº 2001.38.00.023042­4/MG.   O  contribuinte  impetrou  o  Mandado  de  Segurança  nº  2001.38.00.023042­4/MG,  tendo  por  objeto  a  concessão  da  segurança para compensar os créditos de IPI decorrentes das  aquisições  de  matérias  primas,  insumos  e  produtos  intermediários  que,  em  relação  ao  IPI,  são  isentos,  não  tributados ou, ainda, reduzidos à alíquota zero, nos termos do  art.  66  da  Lei  8.383/91,  na  forma  prevista  na  Lei  9.430/96,  com  quaisquer  tributos  sob  a  administração  da  mesma  secretaria, sem qualquer limitação de valor a ser compensado  em  cada  competência,  até  o  montante  de  seus  créditos,  devidamente atualizados desde o  seu recolhimento até a  sua  real e efetiva restituição.   Em 15/10/2001, foi proferida sentença e concedida segurança  em  parte  para  declarar  o  direito  da  impetrante  à  compensação dos mencionados créditos do IPI especificados  em  cada  nota  fiscal,  com  a  aplicação  da  mesma  alíquota  utilizada na operação tributada, autorizando a compensação  dos  valores  correspondentes  recolhidos  indevidamente  com  as obrigações vincendas para o IPI, mais correção monetária  e  juros,  respeitada  a  prescrição  quinquenal,  nos  termos  da  contagem  do  prazo  da  fundamentação,  com  correção  monetária  plena  e  juros  de  1%  a  partir  do  trânsito  em  julgado.   A  impetrante  apresentou  recurso  de  apelação,  ao  qual  foi  dado  provimento,  reformando  a  sentença  para  assegurar  à  impetrante  o  direito  de  compensar  seus  créditos  com  quaisquer  tributos  e/ou  contribuições  administrados  pela  Receita Federal e para afastar os juros de mora.   A  Fazenda  Nacional  interpôs  Embargos  de  Declaração,  alegando  que  o  acórdão  recorrido  não  teria  manifestado  a  respeito da compensação ilimitada de créditos presumidos do  IPI  e,  também,  que  houve  omissão  quanto  à  apreciação  do  enriquecimento sem causa da impetrante. Alega, ainda, que a  matéria  não  teria  sido  analisada  à  luz  dos  princípios  da  legalidade,  da  separação  dos  poderes  e  da  não  cumulatividade.  Alega,  por  fim,  contradição,  porque  a  transcrita jurisprudência não se adequaria ao caso concreto  e sustenta o mesmo vício em relação aos  juros de mora, eis  que  restaram  afastados  na  fundamentação  do  acórdão  recorrido,  entretanto  no  dispositivo  restou  consignado  o  improvimento à remessa oficial.   Os Embargos  de Declaração  foram acolhidos  parcialmente,  atribuindo­lhes efeito modificativo, para dar provimento, em  parte,  à  remessa  oficial,  afastando  os  juros  de  mora  da  compensação.   Fl. 2815DF CARF MF Processo nº 10680.721360/2006­94  Resolução nº  3302­000.747  S3­C3T2  Fl. 2.816          3 Em  07/01/2003,  a  Fazenda  Nacional  interpôs  Recurso  Especial,  o  qual  foi  admitido  e,  conforme decisão  proferida  em  07/06/2005,  não  foi  conhecido,  ocasionando  a  interposição  de  Embargos  de  Declaração,  os  quais  foram  rejeitados,  tendo  o  acórdão  transitado  em  julgado  em  07/03/2006.   Em  18/02/2008,  a  União  ajuizou  a  Ação  Rescisória  nº  2008.01.00.006936­9 contra Vallourec e Mannesmann Tubes­ V & M, visando desconstituir Acórdão proferido pela colenda  Quarta Turma do TRF/1ª Região, por ocasião do julgamento  da Apelação em Mandado de Segurança 2001.08.00.023042­ 4/MG, tendo o relator, em 16/07/2010, declarado suspenso o  julgamento,  nos  termos do art.  265,  IV, “a”, do CPC, até o  julgamento  definitivo  do  Recurso  Extraordinário  nº  590.809/RS,  como  representativo  da  controvérsia.  Não  há,  ainda,  decisão  definitiva  em  relação a  ação  rescisória,  pois  foi  apresentado  recurso  especial,  e  depois  recurso  extraordinário, e contra­razões sobre tais recursos.   Através  do  Despacho  Decisório  nº  214/2006,  fls.  82/83,  do  qual  a  interessada  foi  cientificada  em  08/06/2006,  a  Delegacia  da  Receita  Federal  em  Belo  Horizonte  deferiu  o  pedido de habilitação nos termos abaixo:   “6. O interessado comprovou todas as exigências contidas no  citado dispositivo (IN 600/2005), com vista a demonstrar ser  detentor  de  direito  creditório  decorrente  de  decisão  judicial  transitada em julgado, pelo qual defiro o presente pedido.”   Consta  da  fl.  87  despacho  do  qual  extraímos  os  excertos  abaixo:   0 processo  em referência  trata de Pedido de Habilitação de  crédito  reconhecido  por  decisão  judicial  transitada  em  julgado,  em  07/03/2006,  com  origem  no  Mandado  de  Segurança n° 2001.38.00.023042­4, tendo sido formalizado o  processo  10680.721.360/2006­94  para  tratamento  manual  das declarações de compensação cujo crédito informado diz  respeito ao ressarcimento de IPI.   Diante  do  exposto,  dada  a  expressividade  dos  valores  envolvidos  e  do  que  foi  acordado  entre  representantes  da  EqrestPJ,  da  Eqaj  e  do  Sefis,  proponho  o  encaminhamento  deste  processo  ao  DRF/BHE/SAPAC,  para  subsidiar  as  análises  do  crédito  pretendido  pelo  contribuinte  conforme  declarações  de  compensação  tratadas  no  processo  10680.721.360/2006­94.     Em  05/03/2009,  o  presente  processo  foi  encaminhado  ao  Serviço  de  Fiscalização  (Sefis)  da  Delegacia  da  Receita  Federal  em  Belo  Horizonte,  juntamente  com  o  processo  10680.721360/2006­94  que  trata  da  análise  das  compensações,  para  que  fossem  adotados  os  procedimentos  Fl. 2816DF CARF MF Processo nº 10680.721360/2006­94  Resolução nº  3302­000.747  S3­C3T2  Fl. 2.817          4 quanto  à  apuração  do  efetivo  crédito  do  contribuinte  considerando o teor da Sentença Judicial.   A  Autoridade  Fiscal  designada  para  apurar  o  quantum  do  crédito pleiteado emitiu o Relatório Fiscal de fls. 4.176/4.180,  do qual consta:   2. Inicio da fiscalização e entrega de documentos ­A partir da  verificação das tabelas construídas pela empresa e constantes  dos  volumes  anexos  de  seu  processo  fiscal  de  nº.  10680.721360/2006­94  constatamos  que  estas  tabelas  originais  informavam  apenas  os  dados  gerais  das  notas  fiscais, como número, data e valor total da nota, seguido do  crédito  pretendido,  tudo  em  valores  de  moeda  da  época,  índices de atualização monetária e o valor corrigido para a  data da propositura do processo fiscal.   ­Havíamos  determinado  à  empresa  que  esta  informasse  também o produto ou  insumo adquirido, o que  foi  atendido,  como  dito  acima,  porem  de  maneira  imprecisa  em  várias  notas fiscais. De fato, várias notas fiscais não identificavam o  insumo ou este era identificado imprecisamente, por vezes em  forma de números ou siglas,  talvez código do  fornecedor ou  outra coisa qualquer.  ­Somos,  portanto,  obrigados  a  desconsiderar  estes  registros  imprecisos  ou  incompletos,  o  que  explica  as  diferenças  encontradas  entre  o  valor  total  dos  insumos,  mês  a  mês,  mostrados  no  processo  fiscal  e  aqueles  encontrados  nas  tabelas que sumarizam os resultados da presente ação fiscal.   3. Alíquota de IPI para o crédito concedido judicialmente ­O  exame  das  tabelas  que  relacionavam  as  notas  fiscais  de  entrada de insumos e a determinação do crédito original do  IPI,  mostra  que  a  empresa  se  utilizava  sempre  de  uma  alíquota  fixa  de  7%  para  o  cálculo  de  todos  os  créditos  e  relativamente  a  todos  os  insumos  adquiridos,  e  que  ultrapassa  os  ditames  da  sentença  judicial,  por  não  ser  rigorosamente  a  mesma  alíquota  da  operação  tributada,  quando  da  saída  posterior  dos  produtos  fabricados  pela  empresa.   ­Como havia sido  informado pela própria empresa no curso  da ação fiscal de diligencia feita em passado recente (2009) e  de no. 0610100.2009.01645, (Documento constante do Anexo  no. 5), o contribuinte fabrica e dá saída a vários e diferentes  produtos,  basicamente  tubos  e  barras  de  aço,  produtos  do  capítulo  73  da  TIPI,  produtos  estes  de  várias  classificações  fiscais e tributados com diferentes alíquotas de IPI. Alem do  mais, ao longo de todo o período objeto do processo judicial,  de  1991  a  2001,  e  como  evidenciado  nos  livros Registro  de  apuração de IPI, a empresa procedeu a vendas de exportação  destes produtos, as quais são  imunes de IPI, onde, portanto,  não houve lançamento deste imposto.   Fl. 2817DF CARF MF Processo nº 10680.721360/2006­94  Resolução nº  3302­000.747  S3­C3T2  Fl. 2.818          5 ­A se respeitar os ditames da sentença judicial, estes insumos  deveriam ter sido segregados e separados por tipo de produto  nos quais foram utilizados, isto é, separados para destinação  a  produtos  de  mesmo  valor  de  alíquota  de  IPI  (inclusive  produtos  de  alíquota  zero  e  imunes/exportados).  Como  a  empresa  não  possui  sistema  de  custos  estabelecido  de  maneira segregada que permitisse este cálculo, procedemos a  outra rotina de apuração, através da alíquota média de IPI de  saída dos produtos fabricados.   ­A  partir  dos  valores  registrados  nos  Livros  Registro  de  Apuração  do  IPI,  construí­se  a  tabela  "Demonstrativo  de  Apuração  da  Alíquota  Média"  dos  produtos  fabricados  (Anexo no. 2), com os valores das saídas referentes a vendas  de produtos fabricados pela empresa e do IPI debitado para  estas  saídas,  tudo  por  período  de  apuração  e  por  código  fiscal da operação, contabilizando­os em valores mensais de  alíquota média de IPI dos produtos fabricados.   ­Em  correspondência  de  18/04/11,  a  empresa  solicitou  que  fossem  desconsideradas,  na  apuração  da  alíquota média  de  saída, as vendas referentes a operações de draw­back. Alegou  a  seu  favor  que  nas  industrializações  de  produtos  com  insumos  importados  sob  esta  condição,  não  utilizava  qualquer  outro  insumo  adquirido  no  mercado  nacional,  de  alíquota  zero,  isento  ou  NT.  Segundo  ela,  utilizava  apenas  barras  de  aço  semi  acabadas  provenientes  do  exterior,  que  após a industrialização final, eram re­exportadas.   ­Para  subsidiar  esta  postulação,  forneceu  em  10/05/11  um  DVD contendo planilha em Excel com as demonstrações dos  valores  das  exportações  realizadas  com  matérias  primas  importadas do exterior em regime draw­back.   ­O  sistema  de  custos  da  empresa  não  permitia  que  se  comprovasse  a  não  utilização  de  qualquer  outro  insumo  nacional, em particular os de alíquota zero, isentos ou NT, na  industrialização  destes  produtos  objeto  do  draw­back.  Também não foram apresentados os contratos das operações  de draw­back, que evidenciassem os insumos importados e as  operações  a  que  seriam  submetidos  internamente  pela  empresa,  comprovando  suas  alegações  de  que  não  usou  outros  insumos,  mas  apenas  e  tão  somente  os  insumos  ora  importados no regime de draw­back.   ­Por  estas  razões,  entendemos que na apuração da alíquota  média  de  saída  dos  produtos  fabricados  devam  ser  considerados  integralmente  todas  as  operações  de  exportação.   4.  Insumos que não dão direito a créditos básicos de  IPI  ­A  empresa  pleiteia  créditos  relativos  a  insumos,  que  embora  sejam  de  alíquota  zero,  isentos  ou  NT  com  relação  ao  IPI,  não  são  em  sua  essência  passíveis  de  créditos  básicos  pela  legislação  do  IPI,  por  não  poderem  ser  classificados  como  matérias  primas,  produtos  intermediários  ou  materiais  de  Fl. 2818DF CARF MF Processo nº 10680.721360/2006­94  Resolução nº  3302­000.747  S3­C3T2  Fl. 2.819          6 embalagem,  (art.  164  I  do RIPI/2004)  nem mesmo naquelas  situações acobertadas pelo parecer normativo PN 65/79.   ­Não fazem jus ao crédito, no caso da empresa fiscalizada, a  energia  elétrica,  óleo  combustível,  os  diversos  produtos  químicos  usados  nos  laboratórios  químicos  para  dosagem  química,  produtos  para  tratamento  de  água  industrial,  bem  como quaisquer outros bens que, não sendo partes nem peças  de  máquinas,  independentemente  de  suas  qualificações  tecnológicas,  se  consumirem  em  decorrência  de  um  contato  físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida  sobre  o  produto  em  fabricação,  ou  por  este  diretamente  sofrida.   5.  Insumos  que  são  tributados  com  alíquota  positiva  ­ Inexplicavelmente,  a  empresa  solicita  créditos  relativos  a  aquisições de insumos, que embora permitam o crédito básico  do  art  164  I  do  RIPI/2004,  não  estavam  acobertados  na  decisão judicial, por não serem nem alíquota 0, nem isentos e  nem NT, mas serem de fato, insumos tributados com alíquota  positiva  nas  TIPI  que  vigoraram  ao  longo  do  período  em  questão (1991 a 2001).   ­Várias foram as notas fiscais encontradas que se referiam a  aquisição  de  insumos  de  empresas/comerciantes  atacadistas  não  contribuintes  do  IPI.  Neste  caso,  se  houvesse  a  possibilidade  de  se  fazer  o  crédito,  este  deveria  ser  feito  relativamente  a  50%  do  valor  da  base  de  cálculo  da  NF,  como  determinado  atualmente  pelo  art  165  do  RIPI/2004  (Dec  4.544/2004),  recomendação  esta  já  existente  em  todas  as  edições  anteriores  do  RIPI.  De  maneira  inexplicável,  o  cálculo correto da base de cálculo do IPI não foi observado  pela empresa, que o fazia pelo valor total constante na nota  fiscal.   6. Insumos de utilização não identificada ­Não obstante terem  sido  feitos  vários  questionamentos  quanto  à  utilização  de  alguns  insumos,  quer  por  escrito  quer  pessoalmente quando  das visitas técnicas feitas à empresa, esta não logrou explicar  a  utilização  destes  insumos  em  seu  processo  produtivo.  Por  conseguinte,  tornou­se  impossível  identificá­los  à  luz  da  possibilidade de se efetuar o crédito na sua aquisição.   ­Na  confecção  das  tabelas  mensais  de  créditos  por  tipo  de  insumos,  identificamos  estes  como  "insumos  não  identificados".  Por  fim,  foi  feita  a  conclusão,  nos  termos  abaixo:  Face  ao  exposto,  para  fins  de  ressarcimento/compensação,  proponho  o  encaminhamento  do  presente  processo  ao  DRF/BHE/SEORT,  recomendando  o  reconhecimento  parcial  do  direito  creditório  de  IPI  consolidado  nas  planilhas  que  compõe  o  anexo  no.  4,  bem  como  a  glosa  da  parcela  excedente que foi pleiteada no processo fiscal em questão.   Fl. 2819DF CARF MF Processo nº 10680.721360/2006­94  Resolução nº  3302­000.747  S3­C3T2  Fl. 2.820          7 Os valores apurados nas planilhas de  fls. 6632/6642, Anexo  4,  foram  atualizados,  aplicando­se  os  índices  constantes  da  Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 08, de  27/06/1997,  conforme  listagens  de  débitos/saldos  remanescentes  e  de  créditos/saldos  remanescentes,  tendo­se  chegado  ao  montante  de  R$  78.400.905,12,  atualizado  até  22/08/2006 (fls. 207/212 do processo nº 10680.721360/2006­ 94),  data  de  transmissão  da  primeira  Dcomp  pelo  contribuinte.   Através  do  Despacho  Decisório  nº  1.083  –  DRF/BHE,  constante  das  fls.  232/237  do  Processo  nº  10680.721360/2006­94,  a  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  em Belo  Horizonte  – MG  reconheceu  crédito  parcial  no valor R$ 78.400.905,12.   Inconformada  a  contribuinte  apresentou  manifestação  de  inconformidade  (fls.  7.067/7.087),  em  14/09/2011,  na  qual  apresenta, em síntese, os seguintes argumentos:   Preliminarmente, diz:   Que  teve  o  seu  direito  de  defesa  cerceado,  porquanto  o  Auditor Fiscal NÃO disponibilizou planilhas ou documentos  que pudessem permitir a  identificação de quais notas  fiscais  de insumos, produtos intermediários ou matérias­primas não  teriam  sido  apresentadas  pela  empresa  (ou  que  conteriam  imprecisões  ou  informações  incompletas),  como  alegado  no  item 2 do Relatório Fiscal que compõe o despacho decisório.   Acrescenta  que  o  Relatório  Fiscal  ou  seus  anexos  não  indicam,  relativamente  a  este  ponto,  quais  seriam  as  notas  fiscais  desconsideradas  pelo  Auditor,  lembrando  que  o  período objeto da fiscalização, por abranger mais de 10 anos,  contempla dezenas de milhares de notas e documentos fiscais.   Que o direito do Fisco de  fiscalizar  e apurar os  créditos de  IPI  dela  (Requerente)  foi  fulminado  pela  decadência,  pois  passaram­se  mais  do  que  5  anos  entre  o  protocolo  do  seu  pedido  de  habilitação  dos  créditos  de  IPI,  realizado  em  10/05/2006, e a intimação acerca do despacho decisório ora  atacado, ocorrida apenas em 18/08/2011.   Acrescenta  que,  a  Receita  Federal  já  havia  habilitado  tais  créditos,  não  podendo,  indefinidamente,  a  qualquer  tempo,  fiscalizar  e  verificar  a  exatidão  dos  valores  em  apreço,  até  porque  o  próprio  contribuinte  fica  sujeito  ao  prazo  prescricional de 5 anos para aproveitá­los.   Diz ainda que, não está se referindo ao prazo decadencial do  Fisco  para  homologar  as  compensações  efetuadas, mas  sim  argumentando que decaiu o direito do Fisco de, no presente  processo  administrativo,  apurar  a  exatidão  dos  créditos  de  IPI,  porquanto  se  passaram  mais  que  5  anos  entre  o  protocolo do pedido de habilitação dos respectivos créditos e  Fl. 2820DF CARF MF Processo nº 10680.721360/2006­94  Resolução nº  3302­000.747  S3­C3T2  Fl. 2.821          8 a intimação da Requerente quanto ao despacho decisório ora  questionado.   Entende que, o crédito dela nunca poderia ter sido contestado  ou  fiscalizado,  considerando  que  toda  a  sua  apuração  ocorreu há mais de 5 anos. Tal fato implica nítida violação à  legislação tributária, invalidando completamente o despacho  decisório proferido.  Conclui  que,  diante  do  decurso  de  prazo  mencionado,  os  créditos  de  IPI  dela  (Requerente)  tornaram­se  inquestionáveis,  não  podendo  a  fiscalização  suprimi­lo  ou  reduzi­lo por qualquer forma.   No mérito:   IV.2.  A  coisa  julgada  favorável  à  Requerente  Alega  que  os  créditos  de  IPI  apurados por  ela  (Requerente)  com base  na  decisão  que  foi  confirmada  pelo  acórdão  do  Tribunal  Regional Federal da 1a Região) qual, ao seu turno, transitou  em  julgado  em  07/03/2006,  devem  ser  obrigatoriamente  calculados  com  base  na  alíquota  aplicada  às  operações  tributadas pelo referido tributo.   Diz  que  qualquer  cálculo  que  leve  em  conta  operações  não  tributadas  pelo  IPI  (tais  como  exportações)  não  poderá  ser  aceito,  porquanto  não  guarda  sintonia  com  a  coisa  julgada  favorável à Requerente.   IV.3.(a).  A  incorreta  atualização  dos  créditos  de  IPI:  utilização  da  UFIR  do  mês  subseqüente  àquele  em  que  os  créditos  foram  originados  Assevera  que,  uma  primeira  constatação  que  serve  para  demonstrar  a  fragilidade  do  trabalho  fiscal  diz  respeito  à  utilização,  pelo  Auditor  responsável,  para  atualização dos  créditos  de  IPI,  da UFIR  do 1º dia do mês  subseqüente àquele em que  efetivamente o  crédito foi originado, quando o correto seria tomar por base  a UFIR do próprio mês.   Entende que da simples leitura do 2º da Lei ns 8.383/01, que  transcreveu, já é possível concluir que a UFIR, por se tratar  de um indexador  (Unidade Fiscal de Referência),  era  fixada  diariamente e mensalmente, dado que a sua criação ocorreu  em período histórico em que o país apresentava altos índices  de inflação.   Diz  que  a  aplicação  da  Norma  de  Execução  Conjunta  SRF/COSIT/COSAR nQ 08, de 27 de junho de 1997 mostra­se  ilegal,  não  apenas  pelo  fato  de  que,  ao  não  integrar  a  legislação  tributária  já  que  não  foi  publicada  em  Diário  Oficial),  não  tem  caráter  vinculante  para  os  contribuintes,  mas  especialmente  porque  ofende  o  artigo  144  do  Código  Tributário Nacional. Transcreveu o art. 144 do CTN.   Diz que abstrai­se do art. 144 do CTN que não é permitido  que  legislação  posterior  discipline  o  crédito  tributário  cujo  Fl. 2821DF CARF MF Processo nº 10680.721360/2006­94  Resolução nº  3302­000.747  S3­C3T2  Fl. 2.822          9 fato gerador seja anterior à sua vigência. Ou seja, ainda que  a  tal  Norma  de  Execução  pudesse  ser  considerada  como  integrante do ordenamento  jurídico  tributário  ­  que não é o  caso ­, não pode ser ela aplicada para regular a apuração e  atualização de  créditos  tributários  originados  anteriormente  ao seu início de vigência (27 de junho de 1997).   Acrescenta,  acaso  se  admita  como  válido  o  procedimento  equivocado  adotado  pelo  Auditor  Fiscal,  supostamente  com  base  na  malfadada  Norma  de  Execução  Conjunta  SRF/COSIT/COSAR  nQ  08/97,  o  que  se  diz  apenas  para  argumentar,  estar­se­á  promovendo  o  enriquecimento  ilícito  do Estado, ensejando um tratamento não isonômico.   IV.3.(b).  A  suposta  ausência  de  comprovação  de  parte  dos  créditos  de  IPI  Diz  que  o  Auditor  Fiscal  responsável,  concluiu apressadamente que ela (Requerente)  teria deixado  de apresentar notas fiscais relativas a determinados insumos,  produtos  intermediários  e  matérias­primas  para  os  quais  foram  calculados  os  créditos  de  IPI,  ou  apresentado  documentos  fiscais  imprecisos e  incompletos no que  tange à  identificação  desses  insumos,  produtos  intermediários  e  matérias­primas,  o  que  conduziria,  então,  à  não  aceitação  dos respectivos créditos.   Acrescenta  que  fez  um  esforço  exaustivo  para  tentar  descobrir  quais  seriam  os  itens  que  careceriam  de  comprovação  e,  nesta  ocasião,  apresenta  cópias  dos  documentos  fiscais  correspondentes  (Doc. Nº  7),  pleiteando,  então,  que  os  valores  glosados  sejam  integralmente  restabelecidos.   Entende que suprida a alegada ausência de comprovação dos  créditos de IPI, é imperioso que os respectivos valores sejam  considerados  válidos  para  efeito  do  seu  aproveitamento  por  ela (Requerente).   IV.3.(c).  A  invalidade  da  redução  dos  créditos  de  IPI  por  suposta não caracterização de determinados materiais como  insumos  ou  produtos  intermediários  incorporados  aos  bens  produzidos.   Diz  que  diversos  materiais  (óleo  combustível,  produtos  químicos,  placas  isolantes,  alcatrão,  brita,  cascalho,  entre  outros)  que  são  empregados  na  atividade  industrial  são  efetivamente  consumidos  no  processo  de  fabricação  do  produto final comercializado pela empresa.   Assevera  que  o  Auditor  Fiscal  interpretou  incorretamente  o  Parecer  Normativo  CST  n9  65/79,  porquanto  a  conclusão  contemplada  nesse  documento  é  diametralmente  oposta  àquela apontada no Relatório Fiscal.   Após transcrever os itens 10.1, 10.2 e 10.3 do Parecer 65/79.  Acrescenta, nesses termos, verifica­se que, havendo consumo  dos  insumos  no  processo  industrial,  de  tal  forma  que  tais  Fl. 2822DF CARF MF Processo nº 10680.721360/2006­94  Resolução nº  3302­000.747  S3­C3T2  Fl. 2.823          10 itens exerçam, em decorrência de contato físico, ação direta  ou indireta sobre o produto em fabricação, resta assegurado  o direito ao creditamento de IPI.   IV.3.(d). A impossibilidade de se considerar as operações de  exportação para fins de cálculo dos créditos de IPI Diz que, o  Auditor  Fiscal,  por  comodismo,  ao  invés  de  averiguar  as  saídas  efetivamente  tributadas  para,  a  partir  delas,  compor  um  cálculo  de média  ponderada  válido  e  compatível  com  a  decisão  judicial  que  garantiu  o  direito  aos  créditos  de  IPI,  preferiu considerar, de forma inválida e abusiva, o total das  vendas da Requerente, incluindo as operações não tributadas  (exportações), para, deste modo, reduzir o valor da alíquota  de  IPI  a  ser  utilizada  para  cálculo  dos  créditos  em  relação  aos  insumos,  produtos  intermediários  e  matérias­primas  adquiridos com alíquota zero, não tributados ou isentos.   Acrescenta,  as  receitas  de  exportação,  por  não  serem  tributadas  pelo  IPI,  jamais  poderiam  influenciar  no  cálculo  da alíquota média ponderada a  ser utilizada para apuração  dos créditos desse tributo.   Entende  que,  a  coisa  julgada  favorável  à Requerente  impõe  que,  obrigatoriamente,  os  créditos  de  IPI  sejam  apurados  com base na alíquota aplicada às operações tributadas pelo  referido tributo, o que significa que errou o Auditor Fiscal ao  considerar  o  valor  das  exportações  para  cálculo  desses  créditos.  Diz mais, ainda que se pudesse admitir alguma lógica nessa  sistemática de cálculo adotada pelo Auditor Fiscal, o que se  admite  apenas  para  argumentar,  tem­se  que,  em  caráter  subsidiário,  é  evidentemente  abusiva  a  inclusão,  no  cálculo  da média ponderada, de  receitas de exportação de produtos  cujos  insumos,  produtos  intermediários  e  matérias­primas  foram  majoritariamente  importados  pelo  regime  de  drawback.   Acrescenta,  melhor  dizendo,  as  receitas  de  exportação  de  produtos  fabricados  primordialmente  com  insumos  e  matérias­primas  importados  sob  o  regime  de  drawback não  poderiam compor o cálculo da média ponderada da alíquota  de  IPI  para  fins  de  cálculo  dos  créditos  da  Requerente,  sobretudo  pelo  fato  de  que,  conforme  comprovam  os  documentos anexos(Doc.ns 12), o percentual desses  insumos  e  matérias­primas  adquiridos  no  mercado  interno  para  a  fabricação daqueles produtos exportados é ínfima.   Diz finalmente, de se concluir, sem grandes dificuldades, que  a  ponderação  efetuada  pelo  Auditor  Fiscal,  para  o  cálculo  dos  créditos  de  IPI,  não  encontra  respaldo  na  decisão  transitada  em  julgado  favorável  à  Requerente,  tampouco  apresenta  qualquer  pertinência  em  relação  às  operações  de  drawback,  nas  quais  os  respectivos  insumos  e  matérias­ primas  não  influenciaram  o  cálculo  dos  créditos  de  IPI  efetuado pela Requerente.   Fl. 2823DF CARF MF Processo nº 10680.721360/2006­94  Resolução nº  3302­000.747  S3­C3T2  Fl. 2.824          11 Por fim, requerer:   a) Que o despacho decisório recorrido seja anulado, de modo  que  a  glosa  parcial  de  créditos  de  IPI  seja  cancelada,  restabelecendo­se o saldo original de créditos que foi objeto  de habilitação pela própria Receita Federal.   b) Alternativamente, requer­se seja realizada diligência para  que  o  trabalho  de  fiscalização  seja  refeito,  considerando  os  esclarecimentos  e  a  documentação  comprobatória  ora  apresentados.   Por  não  termos  encontrado  em  nenhuma  das  tabelas  constantes  dos  autos  a  informação  dos  ditos  "insumos  não  identificados",  como  afirmado  pela  fiscalização,  e  por  ter  o  contribuinte  apresentado  junto  com  a  Manifestação  de  Inconformidade cópia de diversas Notas Fiscais de aquisição  de  insumos,  cuja  falta  de  apresentação  foi  uma  das  causas  para deferimento parcial do pleito e homologação parcial das  Dcomp,  os  autos  foram  baixados  em  diligência,  para  as  seguintes providências:   “Dar ciência à recorrente da presente Resolução;   b)  FORNECER  ao  sujeito  passivo  a  tabela  onde  estão  descritos  os  "insumos  não  identificados",  concedendo­lhe  prazo para manifestar­se. Juntar a tabela aos autos.   c) VERIFICAR se as notas fiscais apresentadas referem­se a  aquisições  de  bens  que  subsumem­se  ao  conceito  de  insumo  capaz de gerar crédito;   d) APURAR, por intermédio da escrituração fiscal e contábil  e respectivos documentos de suporte, a existência e, em sendo  o  caso,  o  quantum  do  direito  creditório  invocado  pelo  contribuinte, caso se confirmem as aquisições citadas na letra  “b” acima.   e) Dar ciência ao sujeito passivo do resultado da Diligência  Fiscal,  deferindo­lhe  prazo  para  manifestação  acerca  dos  fatos novos, observado o disposto no art. 18, § 3º , do Decreto  n° 70.235, de 1972, incluído pela Lei n° 8.748, de 1993;”  A  fiscalização  emitiu  o  Relatório  de  Diligência  Fiscal,  fls.  9325/9326, onde está consignado, em síntese, que:   ­O  contribuinte  foi  intimado a  apresentar  planilhas  listando  as  NF  apresentadas  à  Fiscalização  por  ocasião  da  fiscalização  de  MPF  2010­00710­5  para  verificação  do  credito  do  IPl,  mas  que  não  continham  identificação  do  insumo adquirido, num total de 6.174 notas;   ­Após pedidos de prorrogação de prazo para o atendimento  das solicitações acima por parte do contribuinte e que foram  acatados  pela  Fiscalização,  o  contribuinte  apresentou  planilhas  com as NF que  foram encontradas,  na quantidade  total de 4.022, mas, no entanto, em todos os anos e meses do  Fl. 2824DF CARF MF Processo nº 10680.721360/2006­94  Resolução nº  3302­000.747  S3­C3T2  Fl. 2.825          12 período  fiscalizado,  ainda  permaneceram  NF  sem  identificação do insumo adquirido, e que mais uma vez foram  desconsiderados os registros imprecisos ou incompletos;   ­Novamente  em  repetição  ao  procedimento  anterior,  a  empresa  pleiteia  créditos  relativos  a  insumos,  que  embora  sejam  de  alíquota  zero,  isentos  ou  NT  com  relação  ao  IPI,  não  são  em  sua  essência  passíveis  de  créditos  básicos  pela  legislação  do  IPI,  por  não  poderem  ser  classificados  como  matérias  primas,  produtos  intermediários  ou  materiais  de  embalagem, nem mesmo naquelas situações acobertadas pelo  parecer normativo PN 65/79.   ­Portanto,  não  fazem  jus  ao  crédito,  o  óleo  combustível,  gasolina,  óleo  diesel,  querosene,  lenha  e  alcatrão,  desengraxantes  e  lubrificantes,  asfrimp,  gás  hélio,  etc  e  os  diversos  produtos  químicos  usados  nos  laboratórios  para  dosagem química;   ­A  empresa  solicita  créditos  relativos  a  aquisições  de  insumos, que embora permitam o crédito básico preconizado  no RIPI/2010, não estavam acobertados na decisão  judicial,  por  não  serem  nem alíquota  0,  nem  isentos  e  nem NT, mas  serem de  fato,  insumos  tributados  com alíquota positiva nas  TIPI que vigoraram ao longo do período em questão (1991 a  2001).   ­Esta é a situação dos perfis e chapas de aço laminado, coque  de  petróleo  não  calcinado,  ferro­ligas,  dos  eletrodos  de  grafite  e  sua  sucata,  dos  tijolos,  argamassas  e  concretos  refratários,  da  vaselina  e  de  outros  insumos.  No  caso  dos  perfis de aço laminado, acrescente­se o fato de que estes, tal  como adquiridos no mercado (não como sucata de aço), não  são  insumos  para  a  produção,  mas  provavelmente  matérias  de  uso  e  consumo  ou  para  incorporação  nos  Ativos  da  empresa.   Conclui a fiscalização que para o cálculo do crédito de IPI na  aquisição  destes  insumos,  foram  utilizadas  as  alíquotas  médias de saída dos produtos fabricados pela empresa e cuja  necessidade de uso e memória de calculo já havia descrito no  Relatório  fiscal  de  16/05/2011,  e  apurou  crédito  adicional  demonstrado nas planilhas constante da fl. 9327/9337.   Cientificada,  a  empresa  apresentou  manifestação  de  inconformidade  de  fls.  9342/9344,  onde  diz  que  vários  itens  devem ser reconsiderados e mantidos na rubrica de “insumos  aceitos”  com  a  conseqüente  manutenção  do  crédito  presumido  do  IPI,  relacionou  os  produtos  abaixo  e  as  justificativas  que  entende  serem  suficientes  pra  reconhecimento do crédito:    Lenha (de Eucalypíus): insumo adquirido para a produção  do carvão vegetal utilizado como combustível no alto  forno,  necessário à fusão do minério, para produzir gusa e aço que  Fl. 2825DF CARF MF Processo nº 10680.721360/2006­94  Resolução nº  3302­000.747  S3­C3T2  Fl. 2.826          13 são  transformados  nos  produtos  finais  da  empresa  (barra  e  tubos);    Gás  natural:  insumo  utilizado  como  fonte  de  energia  e  como redutor do minério de ferro nos altos fornos;    Coque  de  petróleo:  coque  de  petróleo  não  calcinado  ou  coque  verde  de  petróleo  da  Refinaria  RECAP,  usados  nos  altos fornos, em PCI (pulvcrized coal injection). Combustível  no processo siderúrgico.    Alcatrão:  fonte de energia na Usina Termo Elétrica UTE  do  Barreiro,  unidade  de  co­geração  em  parceria  com  a  CEMIG,  projetada  para  integração  ao  sistema  elétrico  da  V&M  do  Brasil,  dando  mais  segurança  ao  suprimento  de  energia  elélrica,  como  alternativa  ao  sistema  interligado.  Insumo  para  geração  de  energia  aplicada  no  processo  produtivo.    Óleo combustível: utilizado nos equipamentos do processo  de produção das usinas de tubos;    Asfrimp  (Óleo  Lubrificante  mineral,  base  asfáltica  =  Graxa Asfáltica). Lubrificação de equipamentos da siderurgia  e  usinas  (engrenagens,  cabos  cie  aço,  etc).  Produto  Intermediário do processo produtivo;    Gás  hélio:  Utilizado  no  laboratório  instrumental,  para  aferimento  da  composição  dft  aços  (níveis  de  oxigênio  e  nitrogênio presentes) utilizados na produção de tubos;    Aço laminado (redondo, quadrado, chapas): são materiais  utilizados na produção;    Ferro  Ligas:  (FERRO  MANGANÊS  /  FERRO  CROMO  ALTO  CARBONO  /  FERRO  TITÂNIO  /FERRO  SILÍCIO):  São  ligas  de  ferro  com  ouíro(s)  elemento(s)  químico(S),  usados  na  ­fabricação  de  aços.  Durante  o  processo  da  fabricação, quando o aço se encontra em estado líquido, são  adicionados  os  ferros  ligas  para  mudar  a  composição  química do aço e dar uma característica especial a este aço  (influenciando  na  dureza,  resistência,  etc).  Portanto,  são  insumos do processo de produção.   Por  fim,  requer  que  sejam  os  itens  acolhidos  na  Lista  da  Fiscalização  como  "Insumos  Aceitos",  mantendo  os  respectivos créditos presumidos de IPI.    A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na  ementa a seguir transcrita , a decisão proferida.  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS  ­  IPI  Período  de  apuração:  01/07/1991 a 31/12/2001 CRÉDITO . INSUMOS.   Fl. 2826DF CARF MF Processo nº 10680.721360/2006­94  Resolução nº  3302­000.747  S3­C3T2  Fl. 2.827          14 Somente geram direito ao crédito do imposto os materiais que  se  enquadrem  no  conceito  jurídico  de  insumo,  ou  seja,  aqueles  que  se  desgastem  ou  sejam  consumidos  mediante  contato físico direto com o produto em fabricação.   CRÉDITOS.  ÍNDICES  DE  ATUALIZAÇÃO.  DECISÃO  JUDICIAL.   Correta  a  atualização  do  crédito  tributário  objeto  de  compensação,  quando  apurada  em  consonância  com  os  índices  ordenados  em decisão  judicial,  e  respaldado  em  ato  normativo  válido,  sendo  inaceitáveis  os  cálculos  do  contribuinte.   Manifestação  de  Inconformidade  Procedente  em  Parte  Direito Creditório Reconhecido em Parte.  Assim,  inconformada com a decisão de primeira  instância, a empresa,  apresenta  em  14/07/2016,  através  da  Solicitação  de  Juntada  de  fl.  9.416,  Recurso  Voluntário  a  este  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  ­  CARF,  fls.  9.417/9.440,  onde  repisa  os  argumentos  já  declinados  em  sede  impugnatória.  É o relatório.  VOTO    Conselheiro Vinícius Guimarães, redator ad hoc.  Na  condição  de  redator  ad  hoc,  designado  para  formalizar  o  voto,  passo  a  transcrever o voto proferido pela Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar na sessão de  18/04/2018, às 9:00h.            Dos requisitos de admissibilidade   O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo,  trata  de  matéria  da  competência  deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto,  deve ser conhecido.  Conforme  relatado, o  contribuinte  impetrou o Mandado de Segurança  nº 2001.38.00.0230424/ MG,  tendo por objeto a concessão da segurança para  compensar  os  créditos  de  IPI  decorrentes  das  aquisições  de matérias  primas,  insumos  e  produtos  intermediários  que,  em  relação  ao  IPI,  são  isentos,  não  tributados  ou,  ainda,  reduzidos  à  alíquota  zero,  nos  termos  do  art.  66  da  Lei  8.383/91,  na  forma  prevista  na  Lei  9.430/96,  com  quaisquer  tributos  sob  a  administração  da  mesma  secretaria,  sem  qualquer  limitação  de  valor  a  ser  compensado  em  cada  competência,  até  o  montante  de  seus  créditos,  devidamente  atualizados  desde  o  seu  recolhimento  até  a  sua  real  e  efetiva  restituição.  Fl. 2827DF CARF MF Processo nº 10680.721360/2006­94  Resolução nº  3302­000.747  S3­C3T2  Fl. 2.828          15   Esse  é  portanto  o  direito  posto,  matéria  inquestionável  no  processo,  porém com vistas a operacionalizar o quantum referente ao direito creditório,  foi iniciada ação fiscal visando obter da fiscalizada as informações necessárias,  notadamente os arquivos de notas fiscais de entrada de insumos alíquota zero,  isentos e NT, que embasaram o pedido de crédito de IPl, bem como os arquivos  contendo  as  notas  fiscais  de  saída  de  produtos  fabricados  e  os  livros  fiscais  referentes ao IPI.  É  digno  de  realce  que  todo  o  trabalho  de  apuração  com  vistas  à  delimitação do quantum tem duas condicionantes: a) as informações prestadas  pela  fiscalizada e a sua metodologia de escrituração dessas  informações; b) a  natureza do crédito, visto que embora tenha assegurado judicialmente o direito  ao crédito relativos a insumos, de alíquota zero, isentos ou NT, em se tratando  de  IPI,  esses  insumos,  conforme  prescreve  a  legislação  do  IPI  devem  se  constituir em insumos passíveis de créditos básicos pela legislação do IPI, tais  como  como  matérias  primas,  produtos  intermediários  ou  materiais  de  embalagem, (art. 164 I do RIPI/2004).  Inconformada  como  os  resultados  da  referida  ação  fiscal,  após  manifestação  de  inconformidade  apresentada,  a  instância  a  quo,  submeteu  o  processo a diligência conforme nos termos da resolução de fls.9.298/9.398.  Assim,  a  empresa  repisa  em  suas  razões  recursais  as  seguintes  questões:                  Decadência   Argui  o  lapso  de  mais  de  5  anos  entre  o  protocolo  do  pedido  de  habilitação  dos  créditos  de  IPI  da  Recorrente,  realizado  em  09/05/2006,  e  a  intimação acerca do despacho decisório ora atacado, ocorrida em 18/06/2011,  no entanto, razão não assiste à recorrente, visto que o prazo de (05) cinco anos,  tal como prevê o art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430, de 1996, se refere à homologação  da  compensação  e  não  à  delimitação  temporal  imposta  para  ao  fiscso  para  análise de pedido de ressarcimento.          A coisa julgada favorável à Requerente   Quanto a essa questão, para calcular a alíquota a ser aplicada sobre o  valor dos  insumos,  cumprindo a decisão  judicial, assim demonstra o  relatório  fiscal, fls.4.176/4.180:  3.  Alíquota  de  IPI  para  o  crédito  concedido  judicialmente  O  exame  das  tabelas  que  relacionavam  as  notas  fiscais  de  entrada de insumos e a determinação do crédito original do  IPI,  mostra  que  a  empresa  se  utilizava  sempre  de  uma  alíquota  fixa  de  7%  para  o  cálculo  de  todos  os  créditos  e  relativamente a  todos os  insumos adquiridos,  bem como ao  longo  de  todo  o  período  acompanhado,  que,  como  demonstraremos a seguir, ultrapassa os ditames da sentença  judicial,  por  não  ser  rigorosamente  a  mesma  alíquota  da  Fl. 2828DF CARF MF Processo nº 10680.721360/2006­94  Resolução nº  3302­000.747  S3­C3T2  Fl. 2.829          16 operação  tributada, quando da saída posterior dos produtos  fabricados pela empresa.  Em nenhuma parte  do  processo  fiscal,  bem  como ao  longo  desta  ação  fiscal,  foi  evidenciado  pela  empresa  como  esta  chegou  a  este  valor,  por  assim  dizer,  "cabalístico"  e  arbitrário.  Foi­nos  dito,  apenas,  que  esta  era  a  alíquota  de  saída dos produtos fabricados.  De fato, como havia sido informado pela própria empresa no  curso  da  ação  fiscal  de  diligencia  feita  em  passado  recente  (2009)  e de no. 0610100.2009.01645,  (Documento  constante  do Anexo no. 5), o contribuinte fabrica e dá saída a vários e  diferentes  produtos,  basicamente  tubos  e  barras  de  aço,  produtos  do  capítulo  73  da  TIPI,  produtos  estes  de  várias  classificações fiscais e tributados com diferentes alíquotas de  IPI.  Alem  do  mais,  ao  longo  de  todo  o  período  objeto  do  processo  judicial,  de  1991  a  2001,  e  como  evidenciado  nos  livros  Registro  de  apuração  de  IPI,  a  empresa  procedeu  a  vendas de exportação destes produtos, as quais são imunes de  IPI, onde, portanto, não houve lançamento deste imposto.  Portanto, a se respeitar os ditames da sentença judicial, estes  insumos  deveriam  ter  sido segregados e  separados por  tipo  de produto nos quais foram utilizados, isto é, separados para  destinação  a  produtos  de  mesmo  valor  de  alíquota  de  IPI  (inclusive  produtos  de  alíquota  zero  e  imunes/exportados).  Como a  empresa não possui  sistema de  custos  estabelecido  de  maneira  segregada  que  permitisse  este  cálculo,  procedemos a outra rotina de apuração, através da alíquota  média de IPI de saída dos produtos fabricados.  Para  tanto,  a  partir  dos  valores  registrados  nos  Livros  Registro  de  Apuração  do  IPI,  construímos  a  tabela  anexa,  "Demonstrativo  de  Apuração  da  Alíquota  Média"  dos  produtos fabricados (Anexo no. 2), com os valores das saídas  referentes a vendas de produtos fabricados pela empresa e do  IPI debitado para estas saídas, tudo por período de apuração  e por código fiscal da operação, contabilizando­os em valores  mensais de alíquota média de IPI dos produtos fabricados.  Em  correspondência  de  18/04/11,  a  empresa  solicitou  que  fossem  desconsideradas,  na  apuração  da  alíquota média  de  saída,  as  vendas  referentes  a  operações  de  draw­back.  Alegou a seu favor que nas industrializações de produtos com  insumos  importados  sob  esta  condição,  não  utilizava  qualquer  outro  insumo  adquirido  no  mercado  nacional,  de  alíquota  zero,  isento  ou  NT.  Segundo  ela,  utilizava  apenas  barras de  aço  semi  acabadas  provenientes  do  exterior,  que  após a industrialização final, eram re­exportadas.  Para  subsidiar  esta  postulação,  forneceu  em  10/05/11  um  DVD contendo planilha em Excel com as demonstrações dos  valores  das  exportações  realizadas  com  matérias  primas  importadas do exterior em regime draw­back.  Fl. 2829DF CARF MF Processo nº 10680.721360/2006­94  Resolução nº  3302­000.747  S3­C3T2  Fl. 2.830          17 No entanto, o sistema de custos da empresa não permitia que  se comprovasse a não utilização de qualquer outro  insumo  nacional, em particular os de alíquota zero, isentos ou NT, na  industrialização  destes  produtos  objeto  do  draw­back.  Também não foram apresentados os contratos das operações  de draw­back, que evidenciassem os insumos importados e as  operações  a  que  seriam  submetidos  internamente  pela  empresa,  comprovando  suas  alegações  de  que  não  usou  outros  insumos,  mas  apenas  e  tão  somente  os  insumos  ora  importados no regime de draw­back.  Por  estas  razões,  entendemos  que  na  apuração  da  alíquota  média  de  saída  dos  produtos  fabricados  devam  ser  considerados  integralmente  todas  as  operações  de  exportação.(grifei).  Verifica­se  pela  certidão  de  fl.72,  a  delimitação  da  tutela  judicial  concedida, conforme excertos a seguir:  (...)  conforme  sentença  proferida  em  15.10.2001,  foi  concedida a segurança em "parte para declarar o direito da  Impetrante à compensação de créditos do IPI decorrentes da  aquisições  de  matéria­prima,  insumos  nu  produtos  intermediario,  que,  em  relação  ao  IPI,  são  isentos,  não­ tributados  ou  reduzidos  à  ajíquota  zero,  especificados  em  cada nota fiscal, com aplicação da mesma alíquota uttilizada  na  operação  tributada,  autorizando  a  compensação  dos  valores  correspondentes,  recolhidos  indevidamente,  com  as  obrigações vincendas para o IPI, mais correção monetária e  juros,  respeitada  a  prescrição  qüinqüenal,  nos  termos  da  contagem do prazo da fundamentação, ressalvado o poder do  Fisco de aferir a regularidade da compensação efetivamente  realizada e de negar homologação, desde que não o faça por  razões de direito já decididas nestes autos.(grifei).  Pelo exposto verifica­se que diante da não segregação dos insumos por  tipo  de  produto  e  pelo  fato  da  empresa  não  possuir  sistema  de  custos  estabelecido de maneira segregada, estabeleceu a fiscalização uma metodologia  de  apuração,  através  da  alíquota  média  de  IPI  de  saída  dos  produtos  fabricados.  Conhecidas essas questões, constata­se que o processo não está pronto  para julgamento, visto que pelo menos para essa relatora, há uma questão a ser  dirimida.  Explico.   Em que pese o detalhado relatório fiscal aludido e sendo inconteste a  dificuldade na apuração dos valores em face da empresa não possuir sistema de  custos estabelecido de maneira segregada e ainda da utilização pela empresa de  uma alíquota fixa de 7% para o cálculo de todos os créditos e relativamente a  todos  os  insumos  adquiridos,  sem  explicação  nos  autos,  percebe­se  uma  contradição,  haja  vista  que  a  tutela  judicial  determina  [...o  direito  da  Fl. 2830DF CARF MF Processo nº 10680.721360/2006­94  Resolução nº  3302­000.747  S3­C3T2  Fl. 2.831          18 Impetrante  à  compensação  de  créditos  do  IPI  decorrentes  da  aquisições  de  matéria­prima, insumos nu produtos intermediario, que, em relação ao IPI, são  isentos,  não­tributados  ou  reduzidos  à  ajíquota  zero,  especificados  em  cada  nota fiscal, com aplicação da mesma alíquota utilizada na operação tributada.]  No  relatório  fiscal,  ao  demonstrar  a  metodologia  utilizada  afirma  a  fiscalização:  Como a empresa não possui sistema de custos estabelecido de maneira  segregada  que  permitisse  este  cálculo,  procedemos  a  outra  rotina  de  apuração,  através  da  alíquota  média  de  IPI  de  saída  dos  produtos  fabricados.  Em  princípio,  pela  dificuldade  já  demonstrada,  a  metodologia  não  merece reparos, ocorre que ao prosseguir na demonstração do método  de apuração, esclarece a fiscalização:  (...),no "Demonstrativo de Apuração da Alíquota Média" dos  produtos fabricados (Anexo no. 2), com os valores das saídas  referentes a vendas de produtos fabricados pela empresa e do  IPI debitado para estas saídas, tudo por período de apuração  e por código fiscal da operação, contabilizando­os em valores  mensais de alíquota média de IPI dos produtos fabricados.  Acrescenta ainda:  No entanto, o sistema de custos da empresa não permitia que  se  comprovasse  a  não  utilização  de  qualquer  outro  insumo  nacional, em particular os de alíquota zero, isentos ou NT, na  industrialização  destes  produtos  objeto  do  draw­back.  Também não foram apresentados os contratos das operações  de draw­back, que evidenciassem os insumos importados e as  operações  a  que  seriam  submetidos  internamente  pela  empresa,  comprovando  suas  alegações  de  que  não  usou  outros  insumos,  mas  apenas  e  tão  somente  os  insumos  ora  importados no regime de draw­back.  Por  estas  razões,  entendemos  que  na  apuração  da  alíquota  média  de  saída  dos  produtos  fabricados  devam  ser  considerados  integralmente  todas  as  operações  de  exportação.(grifei).  Do exposto,  infere­se que embora nos demonstrativos que compõem o  anexo 2 haja o destaque do IPI debitado, para a correspondente base  de cálculo, o que se coaduna com o afirmado pela fiscalização quanto  à aplicação da alíquota média de IPI de saída dos produtos fabricados,  no  entanto,  ao  destacar  o  relatório  ao  final,  que  diante  da  impossibilidade  de  comprovar  a  não  utilização  de  qualquer  outro  insumo nacional, em particular os de alíquota zero, isentos ou NT, na  industrialização dos produtos objeto do drawback, foram considerados  integralmente  todas  as  operações  de  exportação,  que  sabidamente  gozam de imunidade com relação ao IPI, sem portanto lançamento do  citado  imposto,  há  uma  contradição  na  metodologia  utilizada  que  merece ser explicitada pela fiscalização.  Fl. 2831DF CARF MF Processo nº 10680.721360/2006­94  Resolução nº  3302­000.747  S3­C3T2  Fl. 2.832          19 Acrescenta­se  que  embora  tenha  havido  diligência  pela  instância  a  quo, essa questão não foi tratada, visto que referida diligência buscou  precipuamente  dirimir  questões  atinentes  à  identificação  das  aquisições  de  bens  que  subsumem  ao  conceito  de  insumo  capaz  de  gerar crédito.  Nesse  sentido,  com  amparo  no  artigo  18  do  Decreto  nº  70.235,  de  1972,  voto  pela  conversão  do  processo  em  diligência  para  que  seja  emitida  informação  fiscal  sobre  os  fatos  acima  e  sendo  o  caso,  que  sejam refeitos os demonstrativos que compõem o anexo 2, de modo a  compatibilizar a apuração nos limites da tutela judicial.  Após  ciência  ao  sujeito  passivo  do  resultado  da  diligência,  com  reabertura  do  prazo  de  30  (trinta  dias)  para  apresentação  de  manifestação de inconformidade no tocante às conclusões da diligência  proposta, devolva­se o processo a este E. Conselho para a conclusão  do julgamento.    É o voto.         (assinado digitalmente)         Vinícius Guimarães        Fl. 2832DF CARF MF

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7362981 #
Numero do processo: 10980.912257/2012-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.785
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

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3201­003.785  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  20 de junho de 2018  Matéria  RESTITUIÇÃO  Recorrente  METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2007  RESTITUIÇÃO. REQUISITO.  O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do  sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).      Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento  ao  Recurso.  Acompanharam  o  relator  pelas  conclusões  os  conselheiros  Paulo  Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi  de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade  e  Laércio Cruz Uliana Junior.  (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza ­ Presidente e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Charles  Mayer  de  Castro  Souza  (Presidente),  Paulo  Roberto  Duarte  Moreira,  Tatiana  Josefovicz  Belisario,  Marcelo  Giovani  Vieira,  Pedro  Rinaldi  de  Oliveira  Lima,  Leonardo  Correia  Lima Macedo,  Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.  Relatório  METROBENS  AUTOMÓVEIS  LTDA.  apresentou  pedido  eletrônico  de  restituição  de  crédito  da  contribuição  (Cofins/PIS),  pedido  esse  que  restou  indeferido  pela  repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia  sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 22 57 /2 01 2- 15 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.912257/2012­15  Acórdão n.º 3201­003.785  S3­C2T1  Fl. 3          2 Cientificado,  o  contribuinte  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade  e  requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o  seguinte:  a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição  (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo;  b)  a  contribuição  (PIS/Cofins)  incide  sobre  o  faturamento  mensal  que  corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços;  c)  a  Lei  nº  9.718/1998  extrapolou  a  previsão  constitucional,  instituindo  as  contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente  do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I,  "b",  da  Constituição  Federal  previa  a  instituição  de  contribuições  sociais  somente  sobre  o  faturamento,  o  que não  abrange  o  valor  pago  a  título  de  ICMS,  visto  que  tal  valor  constitui  ônus fiscal e não faturamento.  A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 02­ 065.630, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, diante da não comprovação  do crédito pleiteado.  Irresignado,  o  contribuinte  interpôs,  no  prazo  legal,  Recurso  Voluntário,  repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do  ICMS  na  base  de  cálculo  da  contribuição  (PIS/Cofins),  conforme  decisão  do  Plenário  do  Supremo  Tribunal  Federal  proferida  no  dia  8  de  outubro  de  2014,  nos  autos  do  Recurso  Extraordinário (RE) nº 240.785­2/MG, que também reconheceu a repercussão geral da matéria  no julgamento do RE nº 574.706.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF),  aprovado  pela Portaria MF  343,  de  9  de  junho  de  2015,  aplicando­se,  portanto,  ao  presente  litígio  o  decidido  no  Acórdão  3201­003.778,  de  20/06/2018,  proferido  no  julgamento  do  processo 10980.912250/2012­01, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201­003.778):  O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos  em lei, razão pela qual dele se conhece.  A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a  restituição da Cofins apurada em novembro de 2006.  Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava  integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte,  Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.912257/2012­15  Acórdão n.º 3201­003.785  S3­C2T1  Fl. 4          3 a Recorrente apresentou manifestação de  inconformidade, por meio da  qual  alegou,  com  fundamento  em  decisão  proferida  pelo  Supremo  Tribunal Federal  ­  STF,  que  o  direito à  restituição decorre  do  fato  do  pagamento  a  maior  do  PIS/Cofins,  em  face  da  inclusão,  nas  suas  respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no  recurso voluntário, ora apreciado.  A  Recorrente,  contudo,  não  se  atentou  para  o  fato  –  devidamente  explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento  do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de  débito  da mesma  contribuição.  Noutras  palavras,  a  Recorrente  sequer  apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade,  nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir  a  liberação do valor  requerido,  se  fosse o caso, e a sua restituição em  pecúnia ou a sua compensação com outros tributos.  Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa  o  pedido  (isso  não  significa  que  concordemos  com  a  tese),  a  Administração  Tributária  não  podia  e  não  pode  restituir  valor  já  alocado  para  quitação  de  um  tributo.  Quem  deve  fazê­lo  é  o  próprio  contribuinte,  de  ordinário  antes  de  apresentar  o  pedido  eletrônico  de  restituição.  É  como,  aliás,  entende  a  própria  RFB,  como  indica  o  Parecer  Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015:  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP  E  CIÊNCIA  DO  DESPACHO  DECISÓRIO.  POSSIBILIDADE.  IMPRESCINDIBILIDADE  DA  RETIFICAÇÃO  DA  DCTF  PARA  COMPROVAÇÃO  DO  PAGAMENTO  INDEVIDO  OU  A  MAIOR.  As  informações  declaradas  em  DCTF  –  original  ou  retificadora  –  que  confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP,  podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não  sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações,  tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB  nº  1.110,  de  2010,  sem  prejuízo,  no  caso  concreto,  da  competência  da  autoridade  fiscal para analisar outras questões ou documentos com o  fim  de decidir sobre o indébito tributário.  Não  há  impedimento  para  que  a  DCTF  seja  retificada  depois  de  apresentado  o  PER/DCOMP  que  utiliza  como  crédito  pagamento  inteiramente  alocado  na  DCTF  original,  ainda  que  a  retificação  se  dê  depois  do  indeferimento  do  pedido  ou  da  não  homologação  da  compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de  2010.  Retificada  a  DCTF  depois  do  despacho  decisório,  e  apresentada  manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER  ou  contra  a  não  homologação  da  DCOMP,  a  DRJ  poderá  baixar  em  diligência  à  DRF.  Caso  se  refira  apenas  a  erro  de  fato,  e  a  revisão  do  despacho  decisório  implique  o  deferimento  integral  daquele  crédito  (ou  homologação  integral  da  DCOMP),  cabe  à  DRF  assim  proceder.  Caso  haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao  órgão  julgador  administrativo  decidir  a  lide,  sem  prejuízo  de  renúncia  à  instância administrativa por parte do sujeito passivo.  O procedimento de  retificação de DCTF suspenso para análise por parte  da RFB, conforme art. 9º­A da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido  Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.912257/2012­15  Acórdão n.º 3201­003.785  S3­C2T1  Fl. 5          4 objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao  indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de  retificação  de  DCTF  se  encerre  com  a  sua  homologação,  o  julgamento  referente  ao  direito  creditório  cuja  lide  tenha  o  mesmo  objeto  fica  prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho  decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a  não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato  administrativo  deve,  por  continência,  ser  apensado  ao  processo  administrativo  fiscal  referente  ao  direito  creditório,  cabendo  à  DRJ  analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da  retificação  da  DCTF,  a  autoridade  administrativa  deve  comunicar  o  resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada  na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não­ homologação do PER/DCOMP.  A não  retificação da DCTF pelo  sujeito passivo  impedido  de  fazê­la  em  decorrência  de  alguma  restrição  contida  na  IN RFB nº  1.110,  de  2010,  não  impede  que  o  crédito  informado  em  PER/DCOMP,  e  ainda  não  decaído, seja comprovado por outros meios.  O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a  se  tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto  de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º  do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996.  Retificada  a  DCTF  e  sendo  intempestiva  a  manifestação  de  inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP  compete  à  autoridade  administrativa  de  jurisdição  do  sujeito  passivo,  observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de  2014, itens 46 a 53.  Dispositivos  Legais.  arts.  147,  150,  165  170  da  Lei  nº  5.172,  de  25  de  outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro  de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decreto­lei nº 2.124,  de  13  de  junho de  1984;  art.  18  da MP nº  2.189­49,  de  23  de  agosto  de  2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução  Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa  RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8,  de 3 de setembro de 2014. e­processo 11170.720001/2014­42  Portanto,  para  que  haja  a  possibilidade  de  restituição,  o  crédito  respectivo  deve  estar  liberado,  mediante  a  entrega  de  DCTF  retificadora,  exceto  quanto  às  hipóteses  de  impedimento  à  sua  apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por  exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria  da Fazenda Nacional ­ PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe,  ademais, à RFB fazer a retificação de ofício.  Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não  retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido,  logo,  valor  utilizado  para  quitá­lo  não  se  constitui  formalmente  em  indébito,  sem  que  a  recorrente  promova  a  prévia  retificação  da  declaração.  (Acórdão nº 1302­001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza  Júnior, 25 de novembro de 2014)".  A  situação  aqui  enfrentada  é,  como  se  percebe,  diferente  da  que  comumente  se  vê no Contencioso Administrativo,  em que o  interessado  costuma  apresentar  DCTF  retificadora,  mas  não  apresenta,  na  manifestação  de  inconformidade,  documentos  contábeis/fiscais  Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10980.912257/2012­15  Acórdão n.º 3201­003.785  S3­C2T1  Fl. 6          5 comprovando  o  erro  cometido  na  original,  ou  os  apresenta  neste  recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após  a  ciência  do  Despacho  Decisório  leva  a  DRJ  a  manter,  por  esse  só  motivo, o indeferimento do pedido de restituição.  Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado  continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB,  de modo que, nesse contexto, não há como restituí­lo.  Contudo,  não  foi  este  o  entendimento  dos  demais  integrantes  da  Turma,  que,  muito  embora  também  negando  provimento  ao  recurso,  fizeram­no  ao  argumento  de  que  não  haveria  provas  do  direito  reclamado  pela Recorrente  (apenas  apresentou  planilha  discriminando  os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil).  Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário.  Destaque­se que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à  Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS.  Importa  registrar,  ainda,  que,  nos  presentes  autos,  as  situações  fática  e  jurídica  encontram  correspondência  com  as  verificadas  no  paradigma,  de  tal  sorte  que  o  entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado.  Portanto,  aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado  decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário.  (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza                              Fl. 57DF CARF MF

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7359957 #
Numero do processo: 10580.720802/2015-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2011 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observados as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não configura cerceamento do direito de defesa a formulação de cobrança motivada com base em omissão de receitas caracterizada pela diferença entre os valores informados no Livro Caixa entregue pelo próprio contribuinte e os valores por ele declarados ao fisco federal, quando o contribuinte, regularmente cientificado, não justifica e comprova as diferenças apuradas. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A apreciação de argumentos de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZAÇÃO. DIFERENÇA ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS NO LIVRO CAIXA E OS DECLARADOS. Caracteriza-se como omissão de receitas do Simples Nacional a diferença apurada entre os valores escriturados no Livro Caixa e os valores declarados ao fisco federal.
Numero da decisão: 1201-002.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli - Relator. EDITADO EM: 30/06/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI

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1201­002.285  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  15 de junho de 2018  Matéria  SIMPLES NACIONAL ­ OMISSAO DE RECEITAS  Recorrente  MARIA DE FATIMA VILACA CAMPOS E CIA LTDA ­ ME  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL  Ano­calendário: 2011  NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.  Não  ocorre  a  nulidade  do  auto  de  infração  quando  forem  observados  as  disposições  do  artigo  142  do  Código  Tributário  Nacional  e  os  requisitos  previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal.  CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.  Não  configura  cerceamento  do  direito  de  defesa  a  formulação  de  cobrança  motivada com base em omissão de receitas caracterizada pela diferença entre  os valores informados no Livro Caixa entregue pelo próprio contribuinte e os  valores  por  ele  declarados  ao  fisco  federal,  quando  o  contribuinte,  regularmente cientificado, não justifica e comprova as diferenças apuradas.  ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA.  A  apreciação  de  argumentos  de  inconstitucionalidade  resta  prejudicada  na  esfera  administrativa,  conforme  Súmula  CARF  n°  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade  de  lei  tributária.  SIMPLES.  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  CARACTERIZAÇÃO.  DIFERENÇA  ENTRE  OS  VALORES  ESCRITURADOS  NO  LIVRO  CAIXA E OS DECLARADOS.   Caracteriza­se  como  omissão  de  receitas  do  Simples  Nacional  a  diferença  apurada entre os valores escriturados no Livro Caixa e os valores declarados  ao fisco federal.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 08 02 /2 01 5- 02 Fl. 398DF CARF MF     2 Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.  (assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Luis Henrique Marotti Toselli ­ Relator.  EDITADO EM: 30/06/2018  Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis  Fabiano  Alves  Penteado,  José  Carlos  de  Assis  Guimarães,  Luis  Henrique  Marotti  Toselli,  Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente  convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques  Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.    Relatório  Trata­se  de  processo  administrativo  decorrente  de  Auto  de  Infração  do  Simples Nacional  (fls.  2/76),  o  qual  exige  IRPJ  e Reflexos,  referentes  ao  ano  calendário  de  2011, em razão de omissão de receitas apurada pela diferença entre os valores escriturados no  Livro Caixa e aqueles que foram declarados ao fisco federal.  De acordo com o relato do TVF (fls. 77/78):  A ação fiscal teve, como principal objetivo, verificar, em relação  ao período de janeiro a dezembro do ano­calendário de 2011, a  regularidade dos valores declarados como receita  tributável no  SIMPLES NACIONAL.  Verificou­se  que  o  contribuinte  declarou  receitas  com  valores  inferiores aos valores escriturados em seu Livro Caixa do ano de  2011.  Em virtude destes fatos foram lançadas as diferenças de bases de  cálculo no ano de 2011, conforme apurado em Demonstrativo de  Receitas obtidas através do Livro Caixa do contribuinte.  Fl. 399DF CARF MF Processo nº 10580.720802/2015­02  Acórdão n.º 1201­002.285  S1­C2T1  Fl. 3          3   A empresa apresentou defesa  tempestiva  (fls.  304/323),  contrapondo­se  aos  lançamentos com base nos argumentos a seguir sintetizados.  Alega  que  a  autuação  é  nula,  uma  vez  que:  (i)  a  fundamentação  legal  da  suposta  infração  atribuída  a  Impugnante  não  se  coaduna  diretamente  com  os  fatos  narrados  pelo  digno  auditor  no  Auto  de  Infração,  já  que  se  centra  em  dispositivos  gerais  da  Lei  Complementar n° 123/2006 e da Resolução CGSN n° 51/2008; e (ii) que as supostas infrações  fiscais imputadas à Impugnante deveriam guardar um nexo de causa e efeito, qual seja: os fatos  descritos, como infração à legislação tributária, deveriam estar devida e legalmente tipificados  guardando esse nexo de causalidade com os dispositivos tidos como violados.  Após  transcrever dispositivos  legais da Lei Complementar n° 123/2006 que  embasam a infração, indaga: "o nobre Auditor apenas se referiu a dispositivos genéricos; como  pode prosperar o lançamento por ele leva a cabo contra Impugnante de tributo sem que esteja  perfeitamente identificada,  tipificada a infração legal cometida pelo sujeito passivo, sem que  isso  não  implique  sua  nulidade?  Obviamente  que  a  resposta  é  negativa,  por  uma  simples  questão.  Procedimento  desta  espécie  cerceia  o  direito  de  defesa  atribuído  ao  cidadão  brasileiro pela nossa Carga Magna, em quaisquer circunstâncias".  Afirma  que  o  lançamento  ora  rebatido  traz  outro  gravame  que  o  torna  inexigível  ­  o  exorbitante  crédito  tributário  lançado  fere  o  Princípio  da  Capacidade  Contributiva e Tipicidade Cerrada,  já que alcança um pequeno comerciante (mercadinho) em  bairro "popular" deste município, já tão premido de tantas dificuldades de crédito, obrigações  fiscais, trabalhistas, sanitárias, em que pese ser optante do Simples Nacional.  No tocante à apuração dos valores mensais de receitas, a defesa informa que  a  Impugnante  tem  conta bancária  em duas  instituições  (Bradesco e  Itaú),  tendo  sido  tomado  como receita toda sua movimentação, o que não procede.  Alega  também  que  a  empresa  foi  induzida  a  cometer  grande  equívoco  ao  escriturar  um  novo  Livro  Caixa  apresentado  ao  auditor  com  referenciada  movimentação  bancária. Nenhum outro exame fiscal foi feito compulsando a documentação da empresa com  os valores da movimentação desses recursos.  Fl. 400DF CARF MF     4 Considera  que,  se  o  auditor  pretendia  fundamentar  seu  lançamento  na  movimentação bancária da empresa, não teria que exigir da empresa que escriturasse o Livro  Caixa,  como  determinou  que  a  Impugnante  o  fizesse; mas  sim,  intimá­la  à  comprovação  da  origem e efetiva entrega dos recursos bancários, como previsto no artigo art. 42 da Lei 9.430  de 1996.  O contribuinte questiona, ainda, o conteúdo do Termo de Verificação Fiscal,  considerando­o sucinto, não revelando qualquer procedimento fiscal levado a cabo pela nobre  figura do agente tributário, bem como discorda da tributação nos seguintes pontos:  ­ o auditor fiscal não as excluiu no cômputo dos valores considerados como  receitas,  como  se  observa,  a  título  de  exemplo,  no  extrato  do  BRADESCO  (agência  1520,  conta  corrente  n°  0000010­8),  datada  de  17/01/2011,  sob  o  histórico  de  "TRANSF  ag.dinh.  Maria de Fátima Vilaça Campos.", no valor de R$13.464,00;  ­  semelhantemente,  repete­se  igual  operação  em  02/02/2011,  indicando  depósito do próprio favorecido (a Impugnante) no valor de R$ 13.547,00. Idem, 14/02/2011, no  valor de R$ 2.000,00; em 03/06/2011, no valor de R$12.793,40; em 15/06/2011, no valor de  R$3.000,00.  Em Sessão de 25 de Janeiro de 2016, a DRJ/FOR, por unanimidade de votos,  julgou a defesa improcedente por meio de decisão (fls. 334/346) cuja ementa ora transcrevo:  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA.  NÃO  OCORRÊNCIA.  Improcede  a  arguição  de  nulidade  do  auto  de  infração,  por  cerceamento  do  direito  de  defesa,  quando  a  infração  imputada  ao contribuinte encontra­se objetivamente descrita em termo de  verificação que instrui a peça básica.  ERRO  NO  ENQUADRAMENTO  LEGAL.  NÃO  CARACTERIZAÇÃO.  No  caso  de  apuração  de  divergências  entre  a  receita  bruta  escriturada  no  livro­caixa  e  a  declarada  por  empresa  optante  pelo  Simples  Nacional,  o  enquadramento  legal  da  infração  cometida  corresponde  às  disposições  da  legislação  que  tratam  da  obrigação  tributária  (definição  da  receita  bruta,  tributos  abrangidos,  determinação  do  valor  devido,  escrituração  do  livro­caixa e competência para fiscalização).  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2011  DEPÓSITO  BANCÁRIO  DE  ORIGEM  NÃO  COMPROVADA.  NÃO CARACTERIZAÇÃO.  As disposições contidas no art. 42 da Lei nº 9.430/96 ­ depósito  bancário  de  origem  não  comprovada  ­  não  se  aplicam  na  hipótese  de  o  lançamento  ter  se  restringido  às  diferenças  encontradas  entre  os  valores  escriturados  no  livro­caixa  e  os  declarados pelo sujeito passivo.    Fl. 401DF CARF MF Processo nº 10580.720802/2015­02  Acórdão n.º 1201­002.285  S1­C2T1  Fl. 4          5 O contribuinte foi intimado da decisão em 25/02/2016 (fl. 374) e apresentou  recurso voluntário em 24/03/2016 (fls. 355/370), reiterando os argumentos de defesa.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli ­ Relator  O recurso voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade.  Dele, portanto, conheço.    Nulidade e cerceamento do direito de defesa  Da  leitura  do  recurso  voluntário,  nota­se  que  a  Recorrente  basicamente  se  concentrou  em  argumentos  de  nulidade  das  autuações,  sob  diversas  alegações:  (i)  falta  de  motivação  da  descrição  da  efetiva  ocorrência  do  fato  gerador  e  respectiva  fundamentação  legal;  (ii)  cerceamento do direito de defesa; e (iii) violação aos princípios da capacidade contributiva e tipicidade  tributária cerrada.  Do  ponto  de  vista  do  processo  administrativo  fiscal  federal,  dispõem  os  artigos 10º e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72, que:  “Artigo  10  ­  O  auto  de  infração  será  lavrado  por  servidor  competente,  no  local  da  verificação  da  falta,  e  conterá  obrigatoriamente:  I ­ a qualificação do autuado;  II ­ o local, a data e a hora da lavratura;  III ­ a descrição do fato;  IV ­ a disposição legal infringida e a penalidade aplicável;  V  ­  a determinação da exigência  e a  intimação para cumpri­la  ou impugná­la no prazo de trinta dias;  VI  ­  a  assinatura  do  autuante  e  a  indicação  de  seu  cargo  ou  função e o número de matrícula”.  “Artigo 59 ­ São nulos:  I ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II  ­  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa”.    Fl. 402DF CARF MF     6 Não verifico, nesse caso concreto, qualquer nulidade formal nos lançamentos  ocasionada  pela  inobservância  do  disposto  no  art.  10º  acima,  bem como não  se  faz  presente  nenhuma das nulidades previstas no art. 59.  Os  Autos  de  Infração  foram  emitidos  com  observância  de  seus  requisitos  essenciais, como prescreve o artigo 142 do Código Tributário Nacional abaixo transcrito.  Artigo  142  ­  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  assim  entendido  o  procedimento  administrativo  tendente  a  verificar  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo  caso, propor a aplicação da penalidade cabível.  Parágrafo  único.  A  atividade  administrativa  de  lançamento  é  vinculada  e  obrigatória,  sob  pena  de  responsabilidade  funcional”.    Tal  como  determinado  nesse  dispositivo  legal,  os  lançamentos  têm  como  motivação a caracterização de omissão de receita apurada em face da diferença apurada entre o  Livro  Caixa  escriturado  e  apresentado  pela  própria  Recorrente  durante  a  fiscalização  e  os  valores declarados ao fisco em montante bem inferiores.  A  motivação  do  TVF,  nesse  ponto,  é  tão  simples  quanto  o  próprio  fato  relatado: "verificou­se que o contribuinte declarou receitas com valores inferiores aos valores  escriturados em seu Livro Caixa do ano de 2011." (fls. 78).  No tocante à fundamentação legal, consta dos Autos de Infração (fls. 04 e 07)  a indicação dos seguintes artigos, todos da Lei Complementar n. 123/2006:  ­ Art. 3º §1º ­ ­ definição de receita bruta no Simples;   ­ Art. 13 ­ indica os tributos abrangidos;   ­ Art. 18 ­ definição do valor mensal devido;  ­ Art. 25 ­ obrigação acessória;   ­  Art.  26,  II  ­  obrigatoriedade  de  manutenção  da  documentação  relativa  à  apuração dos tributos;   ­ Art. 26, §2º ­ dever de manter Livro­Caixa; e 33, §1º­B e C ­ competência  para fiscalização.  Diante desses dispositivos legais, e em face dos fatos relatados, a DRJ assim  concluiu:  Retornemos  agora  à  infração  apurada  fazendo  a  devida  correspondência  com  enquadramento  legal  apontado  pela  fiscalização: Verificou­se  que  o  contribuinte  declarou  (art.  25)  receitas  (art.  3º,  §  1º)  com  valores  inferiores  aos  valores  escriturados em seu Livro Caixa do ano de 2011 (art. 26, § 2º).  Os  valores  lançados  de  ofício  foram  apurados  de  acordo  com  Fl. 403DF CARF MF Processo nº 10580.720802/2015­02  Acórdão n.º 1201­002.285  S1­C2T1  Fl. 5          7 art.  13  e 18,  e  lançados por Auditor­Fiscal da Receita Federal  do Brasil (art. 33).  Não  existe,  pois,  qualquer  incorreção  na  disposição  legal  infringida.  Aliás,  a  infração  apurada  é  tão  simples  e  relatada  com tal clareza que dispensaria consulta à legislação.    O conjunto probatório  acostado aos  autos,  somado a descrição dos motivos  de  fato  e de direito  caracterizadores da  infração,  sustentam a omissão de  receitas verificada,  permitindo o pleno conhecimento da lide e o julgamento do recurso voluntário.   Ao  contrário  do  que  sustenta  a  Recorrente,  a  meu  ver  a  motivação  e  a  fundamentação dos Autos de Infração estão claras, explícitas e congruentes no TVF: omissão  de receitas escrituradas no Livro Caixa, nos termos da legislação do Simples indicada.  Cumpre  notar,  ainda,  que  as  disposições  contidas  no  art.  42  da  Lei  nº  9.430/96  ­  depósito  bancário  de  origem  não  comprovada  ­  não  se  aplicam  na  hipótese  de  o  lançamento ter se restringido às diferenças encontradas entre os valores escriturados no Livro­ Caixa e aqueles declarados a menor pelo  sujeito passivo. Trata­se,  aqui, de  tributação direta,  pois apurada com base em documento oficial que tem esta própria finalidade fiscal.  Rejeito, portanto, a preliminar de nulidade e de cerceamento de defesa.    Inconstitucionalidade  Quanto aos argumentos relacionados à violação de princípios constitucionais,  tais como do não confisco, capacidade contributiva e tipicidade cerrada, cumpre ressaltar que,  de  acordo  com  a  Súmula CARF  n°  2,  o  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  inconstitucionalidade  de  lei  tributária,  matéria  cuja  apreciação  cabe  tão  somente  ao  Poder  Judiciário.    Livro Caixa  No  mérito,  não  é  necessário  grande  esforço  para  perceber  que  o  cerne  da  questão diz respeito à divergência entre os valores declarados e os escriturados no Livro­Caixa.  Já a diferença de alíquota verificada é decorrência lógica do fato do oferecimento de base de  cálculo menor do que a que foi apurada.  O  Livro­Caixa  é  um  documento  fiscal  obrigatório  para  apurar  a  base  de  cálculo  dos  tributos,  devendo  registrar  as  receitas  e  a  movimentação  financeira,  inclusive  a  bancária, das empresas optantes pelo Simples Nacional.  As  empresas  no Simples,  apesar  de  estarem dispensadas  perante  o  fisco  de  possuírem escrituração completa, estão sujeitas a algumas obrigações acessórias. Nesse sentido  dispõe o artigo 26 da Lei Complementar nº 123/2006, verbis:  Fl. 404DF CARF MF     8 Art. 26. As microempresas e empresas de pequeno porte optantes  pelo Simples Nacional ficam obrigadas a:  I ­ emitir documento fiscal de venda ou prestação de serviço, de  acordo com instruções expedidas pelo Comitê Gestor;  II  ­  manter  em  boa  ordem  e  guarda  os  documentos  que  fundamentaram  a  apuração  dos  impostos  e  contribuições  devidos  e  o  cumprimento  das  obrigações  acessórias  a  que  se  refere o art. 25 desta Lei Complementar enquanto não decorrido  o  prazo  decadencial  e  não  prescritas  eventuais  ações  que  lhes  sejam pertinentes.  §  1º  O  MEI  fará  a  comprovação  da  receita  bruta  mediante  apresentação do registro de vendas ou de prestação de serviços  na  forma  estabelecida  pelo  CGSN,  ficando  dispensado  da  emissão  do  documento  fiscal  previsto  no  inciso  I  do  caput,  ressalvadas  as  hipóteses  de  emissão  obrigatória  previstas  pelo  referido Comitê.  (...)  § 2o As demais microempresas e as empresas de pequeno porte,  além  do  disposto  nos  incisos  I  e  II  do  caput  deste  artigo,  deverão,  ainda,  manter  o  livro­caixa  em  que  será  escriturada  sua movimentação financeira e bancária.    Como bem observou a decisão recorrida, em um procedimento de auditoria a  fiscalização  deve  tomar  como  referência  inicial  exatamente  os  dados  registrados  no  Livro­ Caixa e já com base neste registro verificar se o contribuinte declarou corretamente os valores  devidos na sistemática do Simples Nacional.  Havendo  diferença  positiva  entre  a  escrituração  e  a  declaração,  e  permanecendo inerte o contribuinte quanto ao ônus de comprovar a respectiva origem, correta  a  imputação de omissão de  receitas e conseqüente cobrança dos  tributos não  recolhidos com  multa de ofício e juros.   E foi justamente isso o que foi feito nesse caso concreto. A receita omitida foi  identificada  a  partir  da  constatação  de  diferença  relevante  entre  o  próprio  Livro  Caixa  do  contribuinte e a base de cálculo declarada.  Ora, o contribuinte tem o dever de manter e apresentar ao fisco o Livro Caixa  e este deve possuir efeitos até que se comprove que não mereçam fé. O fisco, portanto, reputou  válidas as informações ali prestadas e daí exigiu os tributos que deixaram de ser recolhidos.  Não  há,  nos  autos,  prova  hábil  trazida  pela  Recorrente  que  seja  capaz  de  demonstrar  a origem da diferença ou de eventual erro da diferença apurada por meio de  seu  Livro Caixa.   A  contribuinte  chega  a  afirmar  que  o  Livro  Caixa  conteria  erros,  mas  não  comprova, justifica ou indica que erros são esses. Cabe, aqui, lembrar do velho brocardo latino:  "alegar  e  não  provar  é  quase  não  alegar"  (allegatio  et  non  probatio  quasi  non  allegatio)  ou  "alegar e não provar o alegado  importa nada alegar"  (niagara  ilia et allegatum nom probare  paria sunt).  Fl. 405DF CARF MF Processo nº 10580.720802/2015­02  Acórdão n.º 1201­002.285  S1­C2T1  Fl. 6          9 A  Recorrente,  pois,  limitou­se  a  questionar  os  lançamentos  com  base  em  razões de nulidade, cerceamento de defesa e outros genéricos, mas nunca foi “direto ao ponto”,  contornando o  cerne da questão acerca da divergência  apurada e devidamente motivada pela  fiscalização.  No  que  diz  respeito  aos  questionamentos  pontuais  acerca  da  inclusão  indevida de alguns valores na base de cálculo, vale ressaltar que a fiscalização não se valeu dos  extratos bancários (quebra de sigilo), mas tomou como base o Livro­Caixa. Além disto, caberia  ao contribuinte comprovar o equívoco de algum registro ou operação, o que nunca foi feito.  Dessa  forma, não vislumbro qualquer  irregularidade no mérito da autuação,  devendo a decisão de primeira instância ser mantida.    Conclusão  Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Luis Henrique Marotti Toselli                              Fl. 406DF CARF MF

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