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Numero do processo: 13603.724644/2011-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
CSLL. COISA JULGADA. SUPERVENIÊNCIA DE AÇÃO DO STF, EM CONTROLE CONCENTRADO, RECONHECENDO A CONSTITUCIONALIDADE DA LEI TIBUTÁRIA. APLICAÇÃO NO TEMPO.
1. O advento de precedente objetivo e definitivo do STF configura circunstância jurídica nova apta a fazer cessar a eficácia vinculante das anteriores decisões tributárias transitadas em julgado que lhe forem contrárias.
2. Como a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado é automática, com o advento do precedente objetivo e definitivo do STF, quando no sentido da constitucionalidade da lei tributária, o Fisco retoma o direito de cobrar o tributo em relação aos fatos geradores ocorridos daí para frente, sem que, para tanto, necessite ajuizar ação judicial.
3. Em regra, o termo a quo para o exercício do direito conferido ao contribuinte-autor de deixar de pagar o tributo antes tido por constitucional pela coisa julgada, ou conferido ao Fisco de voltar a cobrar o tributo antes tido por inconstitucional pela coisa julgada, é a data do trânsito em julgado do acórdão proferido pelo STF.
4. Excepciona-se essa regra, no que tange ao direito do Fisco de voltar a cobrar, naquelas específicas hipóteses em que a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado tenha ocorrido em momento anterior à publicação deste Parecer, e tenha havido inércia dos agentes fazendários quanto à cobrança; nessas hipóteses, o termo a quo do direito conferido ao Fisco de voltar a exigir, do contribuinte-autor, o tributo em questão, é a publicação do presente Parecer. (Conclusões extraídas do PARECER PGFN/CRJ. 492/2011)
5. No caso concreto, deve ser cancelado o lançamento relativo ao fato gerador da contribuição ocorrido antes da decisão definitiva do STF, proferida em controle concentrado de constitucionalidade (ADI 15-1/DF), pois o contribuinte ainda se encontrava abrigado pelo manto da coisa julgada obtido em ação individual e, também, o lançamento relativo ao fato gerador da contribuição ocorrido após a decisão definitiva do STF, mas somente após a publicação do Parecer PGFN/CRJ nº 492/2001.
Numero da decisão: 1302-002.286
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho não participou desse julgamento, uma vez que o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior já havia proferido voto no sentido dar provimento ao recurso na reunião anterior, nos termos do art. 57 § 5º do Anexo II do Ricarf.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques de Souza Lins, Gustavo Guimarães da Fonseca, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Coisa Julgada Recorrente ESAB INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 CSLL. COISA JULGADA. SUPERVENIÊNCIA DE AÇÃO DO STF, EM CONTROLE CONCENTRADO, RECONHECENDO A CONSTITUCIONALIDADE DA LEI TIBUTÁRIA. APLICAÇÃO NO TEMPO. 1. O advento de precedente objetivo e definitivo do STF configura circunstância jurídica nova apta a fazer cessar a eficácia vinculante das anteriores decisões tributárias transitadas em julgado que lhe forem contrárias. 2. Como a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado é automática, com o advento do precedente objetivo e definitivo do STF, quando no sentido da constitucionalidade da lei tributária, o Fisco retoma o direito de cobrar o tributo em relação aos fatos geradores ocorridos daí para frente, sem que, para tanto, necessite ajuizar ação judicial. 3. Em regra, o termo a quo para o exercício do direito conferido ao contribuinteautor de deixar de pagar o tributo antes tido por constitucional pela coisa julgada, ou conferido ao Fisco de voltar a cobrar o tributo antes tido por inconstitucional pela coisa julgada, é a data do trânsito em julgado do acórdão proferido pelo STF. 4. Excepcionase essa regra, no que tange ao direito do Fisco de voltar a cobrar, naquelas específicas hipóteses em que a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado tenha ocorrido em momento anterior à publicação deste Parecer, e tenha havido inércia dos agentes fazendários quanto à cobrança; nessas hipóteses, o termo a quo do direito conferido ao Fisco de voltar a exigir, do contribuinteautor, o tributo em questão, é a publicação do presente Parecer. (Conclusões extraídas do PARECER PGFN/CRJ. 492/2011) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 46 44 /2 01 1- 19 Fl. 2166DF CARF MF Processo nº 13603.724644/201119 Acórdão n.º 1302002.286 S1C3T2 Fl. 2.167 2 5. No caso concreto, deve ser cancelado o lançamento relativo ao fato gerador da contribuição ocorrido antes da decisão definitiva do STF, proferida em controle concentrado de constitucionalidade (ADI 151/DF), pois o contribuinte ainda se encontrava abrigado pelo manto da coisa julgada obtido em ação individual e, também, o lançamento relativo ao fato gerador da contribuição ocorrido após a decisão definitiva do STF, mas somente após a publicação do Parecer PGFN/CRJ nº 492/2001. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho não participou desse julgamento, uma vez que o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior já havia proferido voto no sentido dar provimento ao recurso na reunião anterior, nos termos do art. 57 § 5º do Anexo II do Ricarf. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques de Souza Lins, Gustavo Guimarães da Fonseca, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Fl. 2167DF CARF MF Processo nº 13603.724644/201119 Acórdão n.º 1302002.286 S1C3T2 Fl. 2.168 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 0267.233, de 20 de janeiro de 2016, proferido pela 3ª Turma da DRJBelo Horizonte/MG, que julgou parcialmente procedente a impugnação da interposta em face do auto de infração para constituição do crédito tributário da CSLL, dos anoscalendário 2006 e 2007, nos termos sintetizados na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006, 2007 DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA O trânsito em julgado da decisão que tiver desobrigado o contribuinte do pagamento da CSLL, por considerar inconstitucional a Lei nº 7.689, de 1988, não impede que a contribuição se torne novamente exigível em virtude de posterior mudança capital nas circunstâncias jurídicas em meio as quais se proferiu aquela decisão. Com o advento do precedente objetivo e definitivo do STF, que proclama a constitucionalidade da lei tributária, o fisco retoma o direito de cobrar o tributo em relação aos fatos geradores ocorridos daí para frente, sem que, para tanto, necessite ajuizar ação judicial. GLOSA DE DESPESAS FESTAS DE CONFRATERNIZAÇÃO Os custos e despesas operacionais são dedutíveis quando necessários para a manutenção da atividade produtiva da empresa, bem como quando usuais ou normais com respeito ao tipo de operações que ela realiza. Não se enquadram nesse conceito os dispêndios com festas de confraternização, que caracterizam mera liberalidade. PREÇOS DE TRANFERÊNCIA DEVER DE COMPROVAR OS CRITÉRIOS, MÉTODOS E PARÂMETROS EMPREGADOS A empresa submetida a procedimento de fiscalização e que tiver realizado operações com pessoas ligadas residentes no exterior deverá indicar à autoridade tributária o método adotado por ela para apuração dos preços de transferência e apresentar, além das memórias de cálculo, toda a documentação utilizada como base para a determinação desses preços. Fl. 2168DF CARF MF Processo nº 13603.724644/201119 Acórdão n.º 1302002.286 S1C3T2 Fl. 2.169 4 GASTOS COM ATIVIDADE DE PESQUISA E INOVAÇÃO TECNOLÓGICA Excepcionalmente quanto aos anos calendários (SIC) de 2006 a 2008, fará jus ao benefício previsto no artigo 19 da Lei nº 11.196, de 2006, no percentual máximo de 80% dos gastos com inovação tecnológica, o contribuinte que comprovar um incremento superior a 5% no número de pesquisadores contratados no anocalendário do gozo do incentivo, em relação à média de pesquisadores com contrato em vigor no anocalendário de 2005. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES CONDIÇÃO PARA COMPENSAÇÃO A compensação de base de cálculo negativa da CSLL apurada em períodos de apuração anteriores é condicionada a que pessoa jurídica mantenha os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios da base de cálculo negativa utilizada para a compensação. FALTA DE PAGAMENTO DE ANTECIPAÇÃO MENSAL Verificada a falta de pagamento de antecipação mensal por estimativa cabe exigir a multa isolada, que incidirá sobre o valor não recolhido. A exigência decorre do fato do contribuinte não declarar e nem recolher a CSLL, alegando que possui decisão judicial transitada em julgado que a desobrigou do recolhimento da dita contribuição. Além disso, na apuração da base de cálculo da CSLL, a fiscalização efetuou a glosa de dispêndios relacionados à atividade de pesquisa e inovação tecnológica (dedução incentivada), de despesas de confraternização e, ainda, a glosa de ajuste de preços de transferência apurados pela interessada. A decisão recorrida entendeu que a interessada, ora recorrente, fazia jus à dedução do incentivo fiscal relacionado aos gastos com atividade de pesquisa e inovação tecnológica, dando parcial acolhimento à impugnação. A recorrente foi cientificada do acórdão de primeiro grau em 02/02/2016 (fls. 2056), tendo interposto recurso voluntário em 01/03/2016, no qual pleiteia a reforma parcial da decisão, apresentando as seguintes alegações: a) a necessidade de aplicação do art. 62, § 2º do Ricarf, com o reconhecimento da coisa julgada material que entendeu pela inconstitucionalidade da CSLL em face da recorrente, nos termos do que foi decidido no julgamento do REsp nº 1.118.893 pelo STJ, no rito de recursos repetitivos (art. 543C do antigo CPC), cuja situação examinada é idêntica à dos autos; b) que é inconteste que a Lei nº 7.689/88, cuja inconstitucionalidade foi reconhecida via controle difuso pelo Poder Judiciário no caso da recorrente, opera seus efeitos até o presente momento já que instituiu a regramatriz de incidência do tributo, que se mantém Fl. 2169DF CARF MF Processo nº 13603.724644/201119 Acórdão n.º 1302002.286 S1C3T2 Fl. 2.170 5 inalterada, motivo pelo qual a coisa julgada material proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 89.00008110 continua vigente e aplicável até os dias de hoje. d) que é inaplicável o entendimento da Procuradoria da Fazenda Nacional defendido no Parecer PGFN nº 492/2011, segundo o qual as decisões em controle difuso proferidas pelo Pleno do STF fazem cessar os efeitos da coisa julgada, independentemente da edição de Resolução Senatorial (art. 52. inc. X, CF/88), pois podem "alterar/impactar" o sistema jurídico nacional, conforme a jurisprudência recente CARF e da CSRF (que indica); e) que, na eventualidade do lançamento não ser integralmente cancelado pelas razões acima, deve ser parcialmente cancelado "tendo em vista que (i) a Fiscalização utilizou a base de cálculo do IRPJ declarada em DIPJ posteriormente retificada (sem considerar os valores retificados), (ii) a Fiscalização ignorou a base negativa da CSLL acumulada até os anoscalendário de 2006 e 2007 e (iii) a Fiscalização glosou indevidamente as despesas com festividades de confraternização realizadas pela Recorrente". f) que realizou retificação da apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) referente aos anoscalendário de 2006 e 2007, por meio do acerto dos valores de ajustes de preços de transferência (transfer price); g) que a DRJ manteve o lançamento "ao fundamento de que a recorrente não teria apresentado documentos idôneos que justificassem a redução dos valores que já haviam sido adicionados na apuração do lucro tributável" e, ainda, que "não satisfez os requisitos dispostos no art. 35 da Instrução Normativa n^ 243/2002 (em vigor no momento da autuação) para fins de aplicação do safe harbor"; h) que "o preenchimento ou não dos requisitos para fins de aplicação do 'safe harbor' não foi objeto da presente autuação, não podendo tal argumento ser utilizado para afastar os valores dos preços de transferência utilizados pela Recorrente", o que configuraria modificação do critério jurídico, vedado pelo art. 146 do CTN; i) que na diligência determinada pela DRJBHE, a recorrente "apresentou, em 28/05/2015, as justificativas para a redução dos valores, bem como os documentos que, no seu entender, seriam suficientes para demonstrar a correção do procedimento adotado no que diz respeito à redução dos valores dos preços de transferência" e que caberia à fiscalização "caso entendesse pela insuficiência da documentação apresentada, especificar os documentos a serem apresentados pelo sujeito passivo, o que, frisese, não foi realizado"; j) que, ao contrário do que restou consignado no acórdão recorrido, "o fato de a Recorrente realizar operações com clientes situados em países com tributação favorecida, não a impede de utilizar o 'safe harbor' na totalidade de suas operações", pois o art. 37, I da IN. nº 243/2002, " dispõe tão somente que dispensa de apuração do preço de transferência não se aplicará em relação às vendas efetuadas para empresa domiciliada em país com tributação favorecida". (...) E foi o que efetivamente fez a Recorrente: excluiu do método de cálculo pelo safe harbor e aplicou a tais vendas o método de cálculo CA"; k) que informou à fiscalização que "nas operações realizadas para clientes residentes em países considerados com tributação favorecida, o preço de transferência de foi apurado pelo método CAP, em estrita obediência à legislação acerca da matéria. E, frisese novamente, todos os cálculos e ajustes e efetuados pela Recorrente foram por esta Fl. 2170DF CARF MF Processo nº 13603.724644/201119 Acórdão n.º 1302002.286 S1C3T2 Fl. 2.171 6 demonstrados nos autos do presente PTA, conforme documentos e planilhas de cálculo juntados ao processo, os quais, além de demonstrarem a correta apuração dos preços de transferência, demonstra também o atendimento ao teste de lucratividade previsto no caput do art. 35 da Instrução Normativa nº 243/2002"; e l) que os demonstrativos apresentados comprovam, que o lucro decorrente das receitas de operações realizadas com pessoas vinculadas representa pelo menos 5% do total dessas receitas, atendendo, portanto, ao disposto no caput do art. 35 da Instrução Normativa nº 243/2002; m) que a glosa de despesas com festas natalinas de confraternização oferecidas aos seus empregados não deve prosperar, pois "pelo bom senso, tais atividades estão diretamente relacionadas à atividade da empresa, razão pela qual devem ser aceitas como dedutíveis, desde que mantendo um nível aceitável com a realidade econômica de cada empresa, como no presente caso" e que o CARF já se posicionou no sentido de que "as despesas com festas de confraternização das Companhias são totalmente dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e CSLL, por serem usais e necessárias à motivação e produtividade da Empresa". n) que "apesar do direito da Recorrente à compensação da base de cálculo apurada pela Fiscalização com a base de cálculo negativa apurada em 2001 e 2002, tal direito lhe foi negado pelo acórdão recorrido ao fundamento de que a Recorrente não trouxe aos autos elementos comprobatórios da base de cálculo negativa"; o) que a ausência de declaração de da base negativa de CSLL decorria diretamente do fato de encontrarse desobrigada do recolhimento da contribuição; p) que considerando o transito em julgado existente em seu favor, não pode ser negado o direito à compensação ao fundamento de que a base de cálculo negativa não fora devidamente comprovada com base em sua escrituração. q) que, apesar de o Poder Judiciário ter reconhecido o direito a não recolher a CSLL, apurou prejuízo nos anos de 2001 e 2002, "o que gerou prejuízo fiscal acumulado (IRPJ) que foi declarado na DIPJ e teria gerado base negativa da CSLL (caso a Empresa fosse considerada contribuinte)"; r) que para comprovar esta alegação, "requereu expressamente que fosse a Delegacia da Receita Federal de Contagem oficiada para apresentar as cópias das referidas DIPJ's com o intuito de demonstrar a existência da base negativa nesses períodos, nos termos do art. 37 da Lei n.5 9.784/995, solicitação essa simplesmente desconsiderada pelo acórdão recorrido, e que se reitera no presente Recurso Voluntário"; s) que as DIPJ's referentes aos anos calendários de 2001 e 2002 são documentos idôneos para se demonstrar a existência da base negativa nesses períodos para fins da compensação prevista no art. 16 da Lei n^ 9.065/95. t) que é indevida a exigência de multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas juntamente com a multa de ofício devida pela falta de recolhimento do tributo apurado anualmente, pois após o encerramento do anocalendário e apuração dos tributos devidos, "não há que se discutir as estimativas que deveriam ter sido recolhidas, pois o que Fl. 2171DF CARF MF Processo nº 13603.724644/201119 Acórdão n.º 1302002.286 S1C3T2 Fl. 2.172 7 prevalece para todos os fins inclusive para a fixação de multas é o montante de tributo devido e declarado na DIPJ"; u) que é ilegal a aplicação conjunta de multa de ofício e multa isolada, tendo em vista a clara configuração de bis in idem. Ao final, requer seja julgado procedente o recurso interposto, "com a consequente reforma parcial do acórdão recorrido para que seja extinto e integralmente cancelado o lançamento tributário objeto do presente Processo Administrativo". A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 2116/2164) ao recurso voluntário, aduzindo em síntese: a) que o entendimento trazido no REsp nº 1.118.893, exarado em sede de recurso repetitivos, não tem o alcance defendido pela recorrente, pois o caso analisado naqueles autos tratava de uma exigência de CSLL do anocalendário 1991, de modo que o que o STJ firmou, naquele caso, foi a impossibilidade de uma decisão posterior do STF (ADI 151/DF, publicada em 31/08/2007) atingir uma situação jurídica anterior (1991); consolidada anteriormente à decisão do STF; b) que a Primeira Seção do STJ no REsp 1.118.893/MG não analisou os efeitos prospectivos da eficácia vinculante das anteriores decisões tributárias transitadas em julgado contrárias à posterior decisão do STF, pois este não era o tema em julgamento, já que o fato gerador analisado era de 1991, anterior à decisão do STF acerca da constitucionalidade da Lei 7.689/88 instituidora da CSLL. c) que, atualmente, nos julgados EREsp 841.818/DF e EAg 991.788/DF, o mesmo STJ está discutindo especificamente o alcance prospectivo da decisão do Resp 1.118.893/MG na sistemática do recurso repetitivo do art. 543B do CPC, ou seja, quanto à incidência da CSLL para fatos geradores futuros, ocorridos após o trânsito em julgado de decisão proferida pelo STF em sentido contrário ao da anterior decisão transitada em julgado favorável à contribuinte pela inconstitucionalidade da Lei 7.689/88. d) que "o alcance da decisão no REsp 1.118.893/MG que a recorrente quer obter, para ficar desobrigada do recolhimento da CSLL definitivamente, incluindo o período de apuração de 2009 e 2010, não merece ser acatado, não sendo esta a adequada interpretação do julgado proferido na sistemática do recurso repetitivo. Com efeito, nos autos de EREsp 841.818/DF e EAg 991.788/DF, sobre a CSLL, primeiramente, em sede de decisão monocrática, entendeuse pela cessação da eficácia vinculante das decisões transitadas em julgado a partir de decisão posterior do Plenário do STF em sede de controle difuso, no RE 138.284CE (Rel. Min. CARLOS VELLOSO, DJU 28.08.92), a qual foi seguida de Resolução Senatorial n° 11, de 04 de abril de 1995, para suspender a execução apenas do art. 8° da Lei 7.689/88". e) que em "Embargos de Declaração nos Embargos de Divergência no RESP Nº 841.818 – DF, o ilustre Ministro revisou seu posicionamento, para fixar como marco para cessação da eficácia vinculante da coisa julgada a data do trânsito em julgado da decisão do STF proferida em controle concentrado, determinando que “independentemente de ação rescisória ou anulatória (...) a coisa julgada tributária referente ao REO 89.01.161516DF, do TRF1 (Rel. Des. Federal FERNANDO GONÇALVES, DJU 05.12.1991), perdeu pronta e automaticamente a sua eficácia, na data do trânsito em julgado do venerando Acórdão Fl. 2172DF CARF MF Processo nº 13603.724644/201119 Acórdão n.º 1302002.286 S1C3T2 Fl. 2.173 8 proferido pelo STF na ADIN 15 (Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, DJU 01.08.2007), veiculante de diretriz que lhe é adversa”; f) que "não se pode fundamentar no REsp 1.118.893/MG a desobrigação tributária da CSLL para todos os períodos de apuração ocorridos após a data do trânsito em julgado da decisão nos autos do Mandado de Segurança no 89.00008110, ocorrido em 03/11/1992, incluindo fatos geradores ocorridos após decisão em sentido contrário proferida pelo STF. Com efeito, esta não é a melhor interpretação a ser dada ao REsp 1.118.893/MG, o que se fortalece pela possível e certeira decisão da mesma 1ª Seção do STJ em sede de EREsp 841.818/DF e EAg 991.788/DF, em trâmite, no sentido de que o marco para cessação do efeito vinculante da decisão transitada em julgado é a decisão em definitivo proferida pelo STF em sentido contrário, seja em controle difuso ou concentrado"; g) que "os julgados contidos no REsp 1.118.893/mg e nos EREsp 841.818/DF e EAG 991.788/DF devem ser interpretados em conjunto e com a necessária harmonização, uma vez que apreciados pelo mesmo órgão julgador do STJ (1ª Seção) e envolvendo os desdobramentos no tempo da coisa julgada inconstitucional relativa à CSLL"; h) que "a Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF apreciou exatamente o mesmo tema e decidiu que é possível a cessação de efeitos da coisa julgada, que favorecia o contribuinte, de modo que seja retomada a exigência da CSLL. Tratase do acórdão nº 9101002.287, proferido pela 1ª Turma da CSRF, na sessão de julgamento realizada em 05 de abril de 2016"; i) que é "descabida a pretensão da recorrente de que sua coisa julgada valha mais que as leis novas e o precedente em controle concentrado do STF, visando unicamente obter uma vantagem indevida ad aeternum contra a tributação da CSLL"; j) que é exigível o crédito tributário referente à CSLL, "seja em face das alterações no quadro jurídico da CSLL, seja em face da decisão do STF em controle concentrado (ADIN 15, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, DJU 01.08.2007), a coisa julgada em favor da recorrente deixou de produzir efeitos futuros capazes de infirmar a presente autuação referente aos anoscalendário de 2009 e 2010"; k) que é correta a glosa dos ajustes no preço de transferência calculado pela recorrente questionados pela fiscalização e que "caberia à recorrente provar que as alterações nos ajustes de preço de transferência eram necessárias e, obviamente, tinham respaldo em provas de que as operações aconteceram e que os valores estão corretos. Significa dizer que as planilhas apresentadas pela recorrente poderiam indicar que houve equívocos na apuração dos ajustes de preços de transferência, que constaram da DIPJ original, mas para que possam ser aceitas, caberia à recorrente apresentar os documentos comprobatórios pertinentes"; l) que ao invés de cumprir a sua obrigação de provar o direito que alega ter, "a recorrente tenta transferir para a autoridade fiscal a incumbência de provar que os ajustes não estavam corretos. Mais precisamente, a recorrente argumenta que houve inversão do ônus da prova, tendo em vista que a Fiscalização não aceitou as reduções da base de cálculo da CSLL oriundas das declarações retificadoras. Ao que parece, a recorrente pretende que as declarações retificadoras possuam força probatória por si só, de modo que, para desconstituir as informações inseridas em tais declarações, a autoridade fiscal estaria obrigada a fazer prova em contrário"; Fl. 2173DF CARF MF Processo nº 13603.724644/201119 Acórdão n.º 1302002.286 S1C3T2 Fl. 2.174 9 m) que "a tese sustentada pela recorrente inverte a lógica da apuração do IRPJ e da CSLL, descrita no art. 923 do RIR/99, qual seja: a escrituração contábil faz prova a favor da contribuinte, desde que acompanhada de documentação hábil e idônea que comprove o que fora registrado nos livros contábeis e fiscais." n) que "o ônus de provar que as informações declaradas nas DIPJs retificadoras são verdadeiras é da própria contribuinte, o que deverá ser feito mediante a apresentação de documentos pertinentes aos fatos declarados". o) que "a inversão do ônus da prova, de fato, recai sobre a autoridade fiscal, porém, apenas na situação em que a contribuinte apresente a documentação probatória e a dita autoridade não aceite tais documentos – nos termos do art. 924 do RIR/99. Nesse caso, a legislação impõe ao agente do Fisco a obrigação de produzir e apresentar provas, que servirão para rechaçar a validade ou veracidade dos documentos fornecidos pelo contribuinte e desconstituir o direito que pretensamente caberia a este". p) que a decisão recorrida não inovou no critério jurídico, na medida em que "o fundamento legal para a glosa dos novos ajustes de preço de transferência foi a ausência de documentos comprobatórios dos registros contábeis e fiscais. E foi justamente essa a linha adotada pela turma julgadora de primeira instância, ao afirmar que a contribuinte tinha o dever de apresentar documentos comprobatórios, que sustentassem os registros contábeis e fiscais"; q) que incumbia à recorrente, afastar as conclusões da DRJ/BHE, mediante a apresentação de documentos que comprovassem que as operações realizadas realmente correspondiam ao que consta das suas demonstrações contábeis, o que não ocorreu; r) que é correta a glosa de despesas com confraternização natalina de funcionários, pois não se enquadram nos conceitos legais de despesas necessárias, que fundamentam o lançamento; s) que a contribuinte não mantinha os documentos e livros exigidos pelo citado dispositivo legal, uma vez que possuía decisão judicial transitada em julgado que lhe garantia o não pagamento da CSLL de modo que não haveria como a autoridade fiscal e tampouco a DRJ/BHE reconhecer saldos de base de cálculo negativa sem a apresentação dos pertinentes documentos comprobatórios, uma vez que a base de cálculo do IRPJ e CSLL não são idênticas o que exige livros e documentos contábeis e fiscais próprios para fins de apuração da base de cálculo negativa da CSLL nos períodos pleiteados pela recorrente; t) que é correta a exigência da multa isolada e da multa de ofício, pois tem materialidades distintas, não havendo que se cogitar de bis in idem; Ao final requer que seja negado provimento ao recurso voluntário. É o relatório. Fl. 2174DF CARF MF Processo nº 13603.724644/201119 Acórdão n.º 1302002.286 S1C3T2 Fl. 2.175 10 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O recurso voluntário interposto é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais. Assim, dele conheço. A controvérsia dos autos referese, essencialmente, à possibilidade da Fazenda Nacional constituir e exigir do sujeito passivo, créditos tributários de CSLL, tendo em vista a existência de coisa julgada em favor do contribuinte para o não recolhimento da contribuição com base na Lei nº 7.689/88. A recorrente alega a necessidade de observância do art. 62, § 2º art. 62, § 2º do Ricarf, com o reconhecimento da coisa julgada material que entendeu pela inconstitucionalidade da CSLL em face da recorrente, nos termos do que foi decidido no julgamento do REsp nº 1.118.893 pelo STJ, no rito de recursos repetitivos (art. 543C do antigo CPC), cuja situação examinada é idêntica à dos autos. Sustenta também a inaplicabilidade do entendimento proferido pela douta PGFN por meio do Parecer PGFN/CRJ nº 492/2011, na medida em que o próprio parecer, que teria fundamentado a autuação, dispõe expressamente que as conclusões nele contidas não se aplicam aos fatos geradores ocorridos após a decisão do STF que reconheceu a constitucionalidade da CSLL instituída pela Lei nº 7.689/88, e anteriores ao dito Parecer, em respeito à segurança jurídica e à confiança que devem necessariamente pautar a relação Fisco Contribuinte. Sustenta que no presente caso, o lançamento se refere à CSLL apurada nos anoscalendário 2006 e 2007, tendo sido formalizada a ciência do auto de infração em 29/12/2011. Ou seja, os fatos geradores ocorreram após a decisão do STF, e são anteriores ao Parecer CRJ 492/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda. A Procuradoria da Fazenda Nacional, em suas contrarrazões sustenta que o entendimento trazido no REsp nº 1.118.893, exarado em sede de recurso repetitivos, não tem o alcance defendido pela recorrente, pois o caso analisado naqueles autos tratava de uma exigência de CSLL do anocalendário 1991, de modo que o que o STJ firmou, naquele caso, foi a impossibilidade de uma decisão posterior do STF (ADI 151/DF, publicada em 31/08/2007) atingir uma situação jurídica anterior (1991); consolidada anteriormente à decisão do STF. Do argumento trazido pela douta PGFN, se extrai, desde logo, a impossibilidade de manutenção do lançamento relativo à CSLL apurada no anocalendário 2006, posto que no período de apuração encerrado em 31/12/2006, a recorrente estava inequivocamente protegida da exigência pelo manto da coisa julgada, uma vez que a decisão do STF, em controle concentrado de constitucionalidade só ocorreu em 31/08/2007, não podendo retroagir. Fl. 2175DF CARF MF Processo nº 13603.724644/201119 Acórdão n.º 1302002.286 S1C3T2 Fl. 2.176 11 Tal constatação encontra respaldo nas conclusões do Parecer PGFN/CRJ nº 492/2001, verbis: 99. Eis a síntese das principais considerações/conclusões expostas ao longo do presente Parecer: [...] (iii) o advento de precedente objetivo e definitivo do STF configura circunstância jurídica nova apta a fazer cessar a eficácia vinculante das anteriores decisões tributárias transitadas em julgado que lhe forem contrárias; (iii) como a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado é automática, com o advento do precedente objetivo e definitivo do STF, quando no sentido da constitucionalidade da lei tributária, o Fisco retoma o direito de cobrar o tributo em relação aos fatos geradores ocorridos daí para frente, sem que, para tanto, necessite ajuizar ação judicial; por outro lado, com o advento do precedente objetivo e definitivo do STF, quando no sentido da inconstitucionalidade da lei tributária, o contribuinteautor deixa de estar obrigado ao recolhimento do tributo, em relação aos fatos geradores praticados dali para frente, sem que, para tanto, necessite ajuizar ação judicial; Assim, impõese o cancelamento da exigência relativo ao anocalendário 2006. Com relação à exigência da CSLL relativa ao período de apuração encerrado em 31/12/2007, resta perquirir o alcance da decisão do STF em controle concentrado sobre a decisão obtida pela contribuinte, ora recorrente, em controle difuso, já transitada em julgado. Com efeito, o Parecer PGFN/CRJ nº 492/2011, conquanto sustente a possibilidade do Fisco voltar a exigir o tributo do contribuinte, outrora protegido pela coisa julgada em decisão obtida em caráter difuso, nos casos em que o STF proclama a constitucionalidade da lei que instituiu o tributo, independentemente de qualquer ação rescisória, o mesmo parecer destaca a impossibilidade do Fisco adotar o entendimento nele exarado para os fatos geradores ocorridos antes de sua publicação, " por razões ligadas ao relevante princípio da segurança jurídica, com os seus corolários em matéria tributária, a saber, os princípios da não surpresa e da proteção da confiança". Revelase oportuno transcrever os fundamentos e as conclusões do Parecer quanto ao seu alcance, verbis: d) O advento de precedente definitivo e objetivo do STF considerase ocorrido na data do trânsito em julgado da respectiva decisão. As situações pretéritas devem ser excepcionadas 73. Como a cessação da eficácia vinculante da decisão tributária transitada em julgado contrária ao posterior entendimento sufragado pela Suprema Corte, conforme demonstrado no item anterior, dáse de forma automática, vale dizer, independentemente de prévio pronunciamento judicial nesse sentido, podese afirmar que o direito de que dispõe o Fisco de voltar a exigir o tributo (tido por inconstitucional pela coisa julgada), ou de que dispõe o contribuinteautor de deixar de pagar o tributo (tido por constitucional pela coisa julgada), surge com o advento do precedente objetivo e definitivo do STF, o que, por sua vez, somente podese considerar ocorrido com o seu trânsito em julgado; é que, antes disso, por óbvio, o Fl. 2176DF CARF MF Processo nº 13603.724644/201119 Acórdão n.º 1302002.286 S1C3T2 Fl. 2.177 12 entendimento firmado no acórdão do STF ainda pode ser alterado, de modo que esse entendimento ainda não pode ser tido como realmente definitivo. 74. É legítimo se afirmar, portanto, que a data do trânsito em julgado do acórdão do STF configura, ao menos como regra, o termo a quo para o exercício dos direitos acima referidos. Entretanto, essa regra comporta exceção no que tange, especificamente, ao direito de que dispõe o Fisco de voltar a exigir, do contribuinte autor, o tributo antes tido por inexigível pela coisa julgada que lhe favorecia. Assim, em algumas situações específicas adiante expostas, por razões ligadas ao relevante princípio da segurança jurídica, com os seus corolários em matéria tributária, a saber, os princípios da não surpresa e da proteção da confiança, não há como considerar que a data do trânsito em julgado do acórdão proferido pelo STF configura o marco a partir do qual o Fisco possui o direito de efetuar a cobrança do correspondente tributo, relativo a todos os fatos geradores praticados pelo contribuinteautor desde então. 75. Para que bem se compreenda quais são essas situações específicas, e o porquê da necessidade de se excepcionálas, basta pensar na hipótese, que bem as exemplifica, em que um dado contribuinte tenha deixado de efetuar o pagamento de determinado tributo por reputar que assim estava autorizado em razão de coisa julgada formada, a seu favor, considerando inexistente a correspondente relação jurídica tributária, apesar de esse não pagamento ter se dado quando já existia precedente objetivo e definitivo do STF em sentido contrário ao sufragado na coisa julgada, proferido e transitado em julgado em momento anterior à aprovação e publicação do presente Parecer. E mais: mesmo com o advento desse precedente da Suprema Corte, favorável à Fazenda Nacional que, segundo aqui se entende, fez cessar a eficácia vinculante da decisão tributária transitada em julgado e, portanto, legitimaria a cobrança do tributo relativo aos fatos geradores ocorridos a partir de então , o Fisco quedouse inerte durante anos, não efetuando as correspondentes exigências tributárias. 76. Notese que, na hipótese acima aventada, o contribuinteautor deixou de pagar o tributo por considerar que assim estava respaldado por coisa julgada, e o Fisco, mesmo diante do precedente do STF, não efetuou as correspondentes exigências tributárias, numa postura omissiva que, de certo modo, demonstrou a sua adesão ao comportamento do contribuinte. Em hipóteses desse jaez em que (i) a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado, face ao advento de precedente objetivo e definitivo do STF, ocorreu em momento anterior à publicação deste Parecer e (ii) não houve lançamento em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento do precedente do STF , não há como legitimamente pretender que, agora, com o entendimento esposado neste Parecer, possa o Fisco exigir, do contribuinteautor, o tributo relativo a todos esses fatos geradores passados (por óbvio, desde que ocorridos há menos de 5 anos). 77. Essa nova exigência, relativa aos fatos geradores anteriores ao presente Parecer, tendo como marco inicial a data, no passado, do advento da decisão do STF, além de causar ao contribuinteautor surpresa que não parece compatível com a segurança jurídica e a confiança que devem iluminar as relações travadas entre o Fisco e os contribuintes, também representaria ofensa direta ao disposto no art. 146 do CTN, segundo o qual “a modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução”. Esse dispositivo legal, cuja essência claramente se inspira nos já invocados princípios da não surpresa e da proteção da confiança, Fl. 2177DF CARF MF Processo nº 13603.724644/201119 Acórdão n.º 1302002.286 S1C3T2 Fl. 2.178 13 veda que novos critérios jurídicos introduzidos pela Administração Pública Tributária em sua atividade de lançar atinja fatos geradores ocorridos em momento anterior à sua introdução, o que parece impedir que o entendimento contido no presente Parecer que, inequivocamente, configura um novo critério jurídico relativo a lançamento tributário apliquese às situações que lhe são pretéritas. 78. Assim, tendo em conta o princípio da segurança jurídica e os seus consectários princípios da não surpresa e da proteção à confiança, bem como por força do que prevê o art. 146 do CTN, entendese, aqui, que naquelas específicas hipóteses em que a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado, em face do advento de precedente objetivo e definitivo do STF em sentido contrário ao nela sufragado, tenha ocorrido em momento anterior à publicação deste Parecer, e tendo havido inércia dos agentes fazendários, o termo a quo para o exercício, pelo Fisco, do direito de voltar a exigir, do contribuinteautor, o tributo em questão é a data da publicação deste Parecer, o que significa dizer que apenas os fatos geradores praticados a partir desse instante poderão ser objeto de lançamento. 79. Em outras palavras: este parecer não retroage para alcançar aqueles fatos geradores pretéritos, que, mesmo sendo capazes, à luz do entendimento ora defendido, de fazer nascer obrigações tributárias, não foram, até o presente momento, objeto de lançamento. Por óbvio, se nas situações pretéritas o Fisco já tiver adotado o entendimento ora defendido, efetuando a cobrança relativa aos fatos geradores ocorridos desde a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado, em relação a essas situações pretéritas o critério jurídico contido no presente Parecer não poderá ser considerado “novo”, o que afasta a aplicação do princípio da não surpresa e do art. 146 do CTN; esses lançamentos, portanto, deverão ser mantidos. 80. Afora essas situações específicas, que se caracterizam, primordialmente, por serem pretéritas a este Parecer, em todas as demais deve incidir a regra referida mais acima, segundo o qual o termo a quo para o exercício do direito conferido ao Fisco de voltar a exigir, do contribuinteautor, o tributo antes tido como inexigível pela coisa julgada que lhe favorecia é a data do trânsito em julgado do acórdão proferido pelo STF. 81. Assim, os precedentes objetivos e definitivos da Suprema Corte, advindos após a publicação deste Parecer, no sentido, por exemplo, da constitucionalidade de determinado tributo, fazem cessar, automaticamente, a eficácia das decisões tributárias transitadas em julgado que lhes forem contrárias, de modo que, assim que os respectivos acórdãos transitarem em julgado, o Fisco poderá voltar a cobrar os tributos relativos aos fatos geradores praticados pelos contribuintesautores a partir de então. No final do Parecer consta a síntese/conclusão do quanto foi exposto no trecho acima transcrito, verbis: 99. Eis a síntese das principais considerações/conclusões expostas ao longo do presente Parecer: [...] (iv) em regra, o termo a quo para o exercício do direito conferido ao contribuinteautor de deixar de pagar o tributo antes tido por constitucional pela coisa julgada, ou conferido ao Fisco de voltar a cobrar o tributo antes tido por inconstitucional pela coisa julgada, é a data do trânsito em julgado do acórdão Fl. 2178DF CARF MF Processo nº 13603.724644/201119 Acórdão n.º 1302002.286 S1C3T2 Fl. 2.179 14 proferido pelo STF. Excepcionase essa regra, no que tange ao direito do Fisco de voltar a cobrar, naquelas específicas hipóteses em que a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado tenha ocorrido em momento anterior à publicação deste Parecer, e tenha havido inércia dos agentes fazendários quanto à cobrança; nessas hipóteses, o termo a quo do direito conferido ao Fisco de voltar a exigir, do contribuinteautor, o tributo em questão, é a publicação do presente Parecer. No caso concreto, verificase que o lançamento da contribuição relativa ao anocalendário 2007 foi formalizado em 29/12/2011, enquanto que o Parecer PGFN/CRJ nº 492/2011, ratificado pelo Ministro da Fazenda, foi publicado em 26/05/2011. Ou seja, embora o fato gerador da contribuição tenha ocorrido após a decisão do STF em caráter concentrado, a ação do Fisco somente se concretizou depois da publicação do entendimento exarado pelo Parecer da douta PGFN e aprovado pelo Ministro da Fazenda. Desta feita, sendo inaplicável o entendimento do Parecer PGFN/CRJ nº 492/2011 ao caso concreto, nos termos nele próprio contidos, impõese a este colegiado observar o entendimento do STJ, proferido no regime de recursos repetitivos previsto no art. 543C do antigo CPC, em obediência ao disposto no art. 62, §2º do Ricarf1. O STJ, ao julgar o REsp nº 1.118.893/MG, assim se pronunciou sobre esta matéria: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RITO DO ART. 543C DO CPC. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO – CSLL. COISA JULGADA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88 E DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICOTRIBUTÁRIA. SÚMULA 239/STF. ALCANCE. OFENSA AOS ARTS. 467 E 471, CAPUT , DO CPC CARACTERIZADA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL CONFIGURADA. PRECEDENTES DA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. 1. Discutese a possibilidade de cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL do contribuinte que tem a seu favor decisão judicial transitada em julgado declarando a inconstitucionalidade formal e material da exação conforme concebida pela Lei 7.689/88, assim como a inexistência de relação jurídica material a seu recolhimento. 2. O Supremo Tribunal Federal, reafirmando entendimento já adotado em processo de controle difuso, e encerrando uma discussão conduzida ao Poder Judiciário há longa data, manifestouse, ao julgar ação direta de inconstitucionalidade, pela adequação da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, ao texto constitucional, à exceção do disposto no art 8º, por ofensa ao princípio da irretroatividade das leis, e no art. 9º, em razão da incompatibilidade com os arts. 195 da Constituição Federal e 56 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT 1 Art. 62. [...] § 2° As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 2179DF CARF MF Processo nº 13603.724644/201119 Acórdão n.º 1302002.286 S1C3T2 Fl. 2.180 15 (ADI 15/DF, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Tribunal Pleno, DJ 31/8/07). 3. O fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade. 4. Declarada a inexistência de relação jurídicotributária entre o contribuinte e o fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, afastase a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, ainda não revogado ou modificado em sua essência. 5. "Afirmada a inconstitucionalidade material da cobrança da CSLL, não tem aplicação o enunciado nº 239 da Súmula do Supremo Tribunal Federal, segundo o qual a "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores" (AgRg no AgRg nos EREsp 885.763/GO, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, Primeira Seção, DJ 24/2/10). 6. Segundo um dos precedentes que deram origem à Súmula 239/STF, em matéria tributária, a parte não pode invocar a existência de coisa julgada no tocante a exercícios posteriores quando, por exemplo, a tutela jurisdicional obtida houver impedido a cobrança de tributo em relação a determinado período, já transcorrido, ou houver anulado débito fiscal. Se for declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo, não há falar na restrição em tela (Embargos no Agravo de Petição 11.227, Rel. Min. CASTRO NUNES, Tribunal Pleno, DJ 10/2/45). 7. "As Leis 7.856/89 e 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis 8.383/91 e 8.541/92 apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídicotributária. Por isso, está impedido o Fisco de cobrar a exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992 em respeito à coisa julgada material" (REsp 731.250/PE, Rel. Min. ELIANA CALMON, Segunda Turma, DJ 30/4/07) 8. Recurso especial conhecido e provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ. Por fim, impende frisar, por oportuno, que este relator não olvidou que a matéria ora discutida é objeto de dois Recursos Extraordinários perante o STF (RE's nºs 955.277 e 949297), Relator o Ministro Luis Roberto Barroso, com reconhecimento de repercussão geral, nos termos do art. 1.035 do CPC/2015, ainda pendente de julgamento. Em outra assentada, este colegiado houve por bem sobrestar o julgamento de outro recurso (Resolução nº 1302000.465, de 14/02/2017), ante ao aparente conflito, Fl. 2180DF CARF MF Processo nº 13603.724644/201119 Acórdão n.º 1302002.286 S1C3T2 Fl. 2.181 16 vislumbrado naquele recurso, quanto à observância pelo colegiado do entendimento constante do Parecer PGFN/CRJ nº 492/2011 ou do entendimento contido no REsp. nº 1.118.893/MG, até o julgamento definitivo do STF dos RE's com repercussão geral reconhecida. Não é, porém, o que ocorre no presente caso, na medida em que encontrase afastada a possibilidade de aplicação do Parecer nº 492/2011, por sua expressa dicção, impondose a este relator indicar seu voto no sentido de observar o entendimento do STJ no REsp. nº 1.118.893/MG, em respeito ao que dispõe o art. 62, § 2º do Anexo II do Ricarf. Assim, deve ser cancelada, também, a exigência relativa à CSLL apurada relativamente ao anocalendário 2007. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 2181DF CARF MF
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Numero do processo: 19740.900411/2009-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2007
DCOMP. COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Após a análise da escrituração fiscal e contábil do contribuinte, se comprovado o pagamento indevido, deve a compensação ser homologada.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3301-003.662
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, José Henrique Mauri, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Após a análise da escrituração fiscal e contábil do contribuinte, se comprovado o pagamento indevido, deve a compensação ser homologada. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, José Henrique Mauri, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Por economia processual, adoto o relatório da decisão de piso: Tratase de litígio administrativo, instaurado com a manifestação de inconformidade apresentada por SUL AMÉRICA SEGURO SAÚDE SOCIEDADE ANÔNIMA (fls 09/12) contra o despacho decisório proferido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 90 04 11 /2 00 9- 16 Fl. 462DF CARF MF Processo nº 19740.900411/200916 Acórdão n.º 3301003.662 S3C3T1 Fl. 463 2 pelo titular da unidade da RFB competente em relação ao sujeito passivo, não homologando o pedido de compensação (fl.04). O PERDCOMP n° 04845.52497.191208.1.3.047659 foi transmitido em 19/12/2008. Com o PERDCOMP, o sujeito passivo tenciona compensar suposto crédito havido em função de pagamento a maior de COFINS, no valor original inicial de R$ 201.457,57 (fl. 01, verso) com débito de COFINS relativo a novembro de 2008 no valor principal de R$ 233.892,24. A decisão de não homologar o PER/DCOMP n° 04845.52497.191208.1.3.047659 tem por fundamento que "foram localizados um ou mais pagamentos relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP" (fl. 04). Inconformado com a decisão citada, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese (fls. 09/12): Objetivando extinguir por compensação débito referente a COFINS relativo ao período de apuração de novembro de 2008, compensouo com crédito de sua titularidade, no valor original de R$ 201.457,57, conforme declaração de compensação (PER/DCOMP) transmitida eletronicamente. Ao examinar a citada declaração de compensação, o servidor entendeu que o DARF havia sido integralmente alocado ao próprio débito a que se referia, nada restando que pudesse ser objeto de restituição ou de compensação. Em 24/09/2003, impetrou mandado de segurança contra a cobrança daquela contribuição prevista nos arts. 2º, 3º e 17 da Lei 9.718/98, tendo depositado em contas a ele vinculada os valores em discussão. Conforme atesta a DCTF retificadora apresentada (fls. 71/72), em 27/05/2009, antes da prolação do despacho decisório impugnado, o valor devido a título de COFINS em junho de 2007 totalizara R$ 2.577.137,07, dos quais: i) R$ 861.606,13 estavam suspensos por depósitos judiciais efetuados em conta vinculada ao mandado de segurança citado e; ii) Os restantes R$ 1.715.530,94 foram liquidados por pagamento, mediante DARF no valor total de R$ 1.916.988,51. Resta certo, portanto, que no DARF de R$ 1.916.988,51 está incluída a quantia de R$ 201.457,57, recolhida indevidamente, passível de ser utilizada para compensação com débitos da titularidade da requerente. Para reforçar seu direito ao citado crédito, a requerente anexa demonstrativo do profissional responsável pelas suas escriturações contábil e fiscal, contendo a base de cálculo da contribuição para a COFINS apurada em junho de 2007, cópia de seu livro razão demonstrando a reversão de provisão e o lançamento a crédito de conta do ativo da parcela a compensar da contribuição decorrente dessa reversão, bem como parte do balancete espelhando o saldo das contas relacionadas. Pede, por fim, que seja reformado o despacho decisório, reconhecendose seu direito creditório. Fl. 463DF CARF MF Processo nº 19740.900411/200916 Acórdão n.º 3301003.662 S3C3T1 Fl. 464 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II, no acórdão nº 1334.382, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, com decisão assim ementada: MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. A empresa, em seu recurso voluntário, repisa os argumentos trazidos na impugnação, bem como solicita a realização de diligência para esclarecimento dos fatos. O CARF, por meio da Resolução nº 3202000.253, converteu o julgamento em diligência para que a unidade de origem analisasse os documentos anexados aos autos pela Recorrente, intimandoa para prestar mais informações ou apresentar outros documentos, com vistas a esclarecer se os valores informados na DCTF retificadora podem ser confirmados na escrituração contábilfiscal da empresa, de modo a comprovar a existência do direito ao crédito pleiteado no PER/DCOMP. A diligência foi cumprida, conforme Parecer de fls. 450452, cujo resultado confirmou as alegações da empresa. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme relatado, o presente processo trata de pedido de compensação, no qual a Recorrente alega a existência de crédito no valor de R$ 201.457,57, decorrente de pagamento indevido da COFINS. A sua DCTF retificadora (apresentada antes da prolação do despacho decisório) demonstrou o valor devido a título de COFINS em junho de 2007, num total de R$ 2.577.137,07, dos quais R$ 861.606,13, estavam suspensos por depósitos judiciais efetuados em conta vinculada ao Mandado de Segurança nº 2003.61.000199347 (que não compõe esta lide administrativa) e, o valor de R$ 1.715.530,94 foi liquidado pelo pagamento do DARF de R$ 1.916.988,51 (a diferença é exatamente a quantia que pleiteia). No cumprimento da diligência, o contribuinte foi intimado a justificar a retificação do valor, oportunidade na qual esclareceu que a retificação se deu em razão da redução da base de cálculo (fls. 305/306), após o aumento da dedução com pagamento de Sinistros. Fl. 464DF CARF MF Processo nº 19740.900411/200916 Acórdão n.º 3301003.662 S3C3T1 Fl. 465 4 O Parecer da autoridade fiscal afirma que a Recorrente logrou êxito na demonstração dos valores de Sinistro, pois coincidiram com o declarado no DACON original e retificador, bem como nas DCTFs original e última retificadora. Ainda segundo o Parecer da autoridade fiscal, a confirmação da legitimidade da retificação foi condicionada à comprovação do efetivo valor pago a título de Sinistros. Após, consigna que, na planilha de apuração analítica de Cofins (fl. 324), o contribuinte demonstrou a apuração das bases de cálculos, cujo acréscimo no valor de R$ 6.715.252,50 para o mês de junho de 2007 foi referente aos pagamentos de Sinistros das contas contábeis listadas e não incluídas na apuração original, ressaltando que o contribuinte apresentou as folhas do Livro Razão Analítico referente a essas contas (337/445) para comprovação. Por conseguinte, o Parecer concluiu pela veracidade das alegações do contribuinte e procedência do direito creditório. Logo, deve ser homologada a compensação declarada através do PER/DCOMP nº 04845.52497.191208.1.3.047659. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Sala de sessões, 25 de maio de 2017. Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 465DF CARF MF
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Numero do processo: 16095.720030/2014-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1402-000.389
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até que sejam proferidas decisões de mérito nos recursos voluntários referentes aos processos 16095.720083/201316 e 16095.720099/201311, determinando ainda a vinculação de todos esses processos, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Fernando Brasil de Oliveira Pinto
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até que sejam proferidas decisões de mérito nos recursos voluntários referentes aos processos 16095.720083/201316 e 16095.720099/201311, determinando ainda a vinculação de todos esses processos, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Demetrius Nichele Macei, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 95 .7 20 03 0/ 20 14 -7 8 Fl. 1143DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0617.12300.CO60. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16095.720030/201478 Resolução nº 1402000.389 S1C4T2 Fl. 1.144 2 Relatório ACHE LABORATÓRIOS FARMACÊUTICOS S/A recorre a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 14 53.846 da 3ª Turma da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto que julgou improcedente a impugnação apresentada. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela empresa acima citada, foi constatada, nos anoscalendário (AC) de 2010 e 2011, a compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores em montante superior ao saldo existente. Foram lavrados os autos de infração exigindo os seguintes valores: TRIBUTO VALOR DO TRIBUTO R$ VALOR DOS JUROS DE MORA R$ VALOR DA MULTA R$ VALOR TOTAL R$ IRPJ 12.806.276,59 3.100.728,31 9.604.707,45 25.511.712,35 CSLL 6.598.034,87 1.470.750,00 4.948.526,15 13.017.311,02 O enquadramento legal para o lançamento dos tributos encontrase descrito nos autos de infração. Notificada da autuação, a contribuinte ingressou com a impugnação de fls. 229 a 285, subscrita por Camila Galvão Anderi Silva, Maria Eugênia Doin Vieira, Vanderlei de Souza Júnior (fls.290 a 293), na qual alega: ● De acordo com a descrição contida no Termo de Verificação Fiscal (TVF doc. 03), a Impugnante não possuiria saldo de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL ao término do ano calendário de 2009 a ser compensado nos anos calendários de 2010 e 2011, fato esse que seria supostamente incontroverso a partir das autuações objeto dos processos administrativos n° 16095.720.083/201316 (IRPJ doc. 05) e 16095.720.099/201311 (CSLL doc. 06). ● No âmbito de tais autuações, a D. Fiscalização construiu o entendimento de que os débitos tributários apurados em decorrência da lavratura dos autos de infração relacionados aos processos administrativos n° 16561.000.025/2007 72 (doc. 07), 16561.000.027/200761 (doc. 08), 16561.000.029/200751 (doc. 09), 16561.000.028/200714 (doc. 10) e 16561.000.026/200717 (doc. 11), teriam alterado o resultado da Impugnante apurado para fins fiscais nos anos calendários de 2002 a 2004, supostamente inviabilizando a compensação de prejuízos fiscais e de base negativa de CSLL realizada pela Impugnante no ano calendário de 2009. ● Partindo de tal entendimento, por meio do Auto de Infração ora impugnado, a D. Fiscalização glosou integralmente os valores de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL compensados nos anos calendários de 2010 e 2011, por considerar que a Impugnante não apresentaria saldo a compensar remanescente do ano calendário de 2009. Fl. 1144DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0617.12300.CO60. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16095.720030/201478 Resolução nº 1402000.389 S1C4T2 Fl. 1.145 3 ● Ocorre que os autos de infrações relativos aos processos administrativos nº 16561.000.028/200714 e 16561.000.026/201717 foram julgados integralmente improcedentes pelo E. Conselho Administrativo de Recurso Fiscais ("CARF"), sendo que tais decisões já transitaram em julgado (doc. 10 e 11). ● Dessa forma, esses autos de infração não poderiam fundamentar a lavratura das autuações objeto dos processos administrativos n° 16095.720.083/2013 16 e 16095.720.099/201311, e, consequentemente, a lavratura do Auto de Infração ora impugnado, como pretendeu a D. Fiscalização. ● Ao lavrar o Auto de Infração ora impugnado com relação aos anos calendários de 2010 e 2011, a D. Fiscalização considerou como definitivas as conclusões emitidas pelas autuações objeto dos processos administrativos n°s 16095.720.083/201316 e 16095.720.099/201311, que também aguardam o julgamento administrativo (doc. 05 e 06). ● Ocorre que tal raciocínio constitui evidente violação ao principio do devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, que exige que a Administração observe as regras processuais vigentes não submeta o administrado a julgamentos prévios ou de exceção, como ocorre no presente caso, em que a premissa fiscal é de desfecho desfavorável à Impugnante (evento futuro e incerto). ● No caso em tela, a impossibilidade de glosa dos créditos compensados fica ainda mais evidente, haja vista que prevalece a suspensão da exigibilidade dos valores em questão, aplicandose ao caso o artigo 151, III, do CTN. ● A suspensão da exigibilidade do crédito tributário irradia efeitos para toda a Administração Publica, seja para a D. Fiscalização Tributária, que não poderá constituir novo lançamento sobre o mesmo débito, seja para a Procuradoria da Fazenda Nacional, que não poderá exigilo em executivo fiscal. ● Mas não é só. Ainda que se admita a possibilidade de lançamentos ainda pendentes de julgamento na esfera administrativa darem suporte à glosa impugnada, o crédito tributário constituído pelo Auto de infração em epigrafe carece de liquidez, tendo em vista que a D. Fiscalização deixou de considerar o cancelamento dos valores objeto do processo administrativo nº 16561.000.025/200772 (doc. 12). ● Assim, o Auto de Infração realizou as alterações promovidas na apuração do lucro real da Impugnante com base em lançamentos cancelados (o citado julgamento ocorreu na Sessão de 25/02/10), o que resultou na diminuição do saldo remanescente de base negativa de CSLL nos anos subsequentes, inclusive nos anos calendários de 2010 e 2011, conforme será exposto no tópico a seguir. ● Dessa forma, o Auto de infração merece ser anulado, seja em razão da violação perpetrada ao devido processo legal, contraditório e à ampla defesa, seja em razão de sua clara e inconteste iliquidez. ● Na hipótese remota em que o lançamento não seja anulado pelas razões expostas no tópico anterior, minimamente, evidenciase a necessidade de correção dos valores exigidos a título de CSLL, a fim de que seja considerada a decisão favorável à impugnante proferida no julgamento do processo administrativo n° 16561.000.025/200772. ● Histórico do Processo Administrativo n° 16561.000.025/200772 Fl. 1145DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0617.12300.CO60. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16095.720030/201478 Resolução nº 1402000.389 S1C4T2 Fl. 1.146 4 Em breve sumário, o processo administrativo nº 16561.000.025/2007 72 versa sobre a cobrança do IRPJ e CSLL nos montantes de, respectivamente, RS40.668.591,94 e RS8.417.577,92, em função das seguintes pretensas infrações cometidas entre 2002 e 01/04/03: Item 31/03/02 RS 9.257.458,12 1 Subavaliação do estoque final de produtos cm fabricação e acabados. 01/04/03 RS 7.338.536,86 31/03/02 R$ 560.239,47 30/06/02 RS 20.504.955,26 2 Não tributação da equivalência patrimonial auferida em relação a investimentos detidos no exterior. 30/09/02 R$40.990.309.21 3 Redução indevida do lucro sujeito á tributação na alienação de investimento avaliado pelo valor de patrimônio líquido. 01/04/03 RS 47.351.700,00 31/03/02 RS 1.711.961,19 4 Glosa de prejuízos compensados indevidamente 31/12/02 R$8.228.225,34 ● A Impugnante demonstrou a ilegitimidade da exigência fiscal, a qual foi parcialmente acolhida em julgamento de sua impugnação para cancelar a acusação fiscal do Item 1 da autuação. ● Irresignada, a Impugnante apresentou recurso voluntário sustentando a reforma de Ia instância com relação aos Itens 2, 3 e 4, enquanto o cancelamento do Item 1 foi objeto de recurso de ofício. ● Ato contínuo, em sessão de julgamento realizada no dia 25/02/10, foi proferido o Acórdão CARF n° 365.451 que cancelou os Itens 1, 2 e 4 da autuação, reduzindo o valor da base tributável do item 3 em R$ 17.341.700,00, conforme atesta a transcrição de sua ementa (doc.12). ● Atualmente, aguardase o julgamento de embargos de declaração opostos pela União, os quais se restringem à discussão acerca do cancelamento do Item 4 (doc. 13). ● Em que pese o exposto no tópico anterior, a fiscalização ao lavrar o presente Auto de Infração deixou de considerar o Acórdão CARF nº 165.451 proferido no processo administrativo nº 16561.000.025/200772, baseandose nos equívocos que embasaram a lavratura dos autos de infração objeto dos processos administrativos n°s 16095.720.083/201316 e 16095.720.099/201311. ● Naquela ocasião, considerouse somente o cancelamento do Item 1 do lançamento objeto do processo administrativo nº 16561.000.025/200772, correspondente ao valor exonerado de RS 9.257.458,12, no período de 01/01 a 31/03/02; e de R$ 7.338.536,86, no período de 01/01 a 01/04/03, o que foi refletido na planilha "Demonstrativo de Utilização de Bases Negativas CSLL após Acórdãos CARF" (doc. 06), que deixou de ser acostada ao Auto de Infração: ● Os demais itens afastados pelo Acórdão CARF n° 165.451 foram indevidamente acrescidos à "Base de Cálculo da CSLL Antes da Compensação" ao longo do período de 2002 a 01/04/03, ocasionando a redução do "Saldo de Base de Cálculo Negativa a Compensar Acumulado" da Impugnante nos anos subsequentes. Tal fato repercutiu sobre os valores informados pela D. Fiscalização na planilha Fl. 1146DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0617.12300.CO60. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16095.720030/201478 Resolução nº 1402000.389 S1C4T2 Fl. 1.147 5 "Histórico da Compensação de Base de Cálculo Negativa CSLL", gerando distorções ao longo dos anoscalendário analisados. Ocorre que a partir do cotejo dos valores informados pela D. Fiscalização nos quadros "Dados DIPJ's pela Empresa" e "Dados Alterados Após Procedimento Fiscal", é possível identificar a ilegitimidade da glosa realizada nos períodos a seguir indicados: a) 1o Trimestre de 2002 (Desconsideração do Cancelamento do Item 2 do Auto de Infração n° 16561.000.025/200772) No período de 01/01/02 a 31/03/02, a "Base de Cálculo da CSLL antes da Compensação foi acrescido do valor de R$ 560.239,47, referente ao item 2 do lançamento discutido no processo administrativo nº 16561.000.025/200772, o qual foi cancelado, conforme Acórdão CARF nº 165.451 (doc.12): Com base em tal equívoco, a D. Fiscalização apontou como resultado da "Base de Cálculo da CSLL antes da Compensação" para o 1o Trimestre de 2002 um valor total de R$ 27.726.015,05: Assim, a D. Fiscalização apurou "Saldo de Base de Cálculo de CSLL a Compensar Acumulado" no valor de R$ 70.652.138,22, enquanto a Impugnante faria jus ao saldo de base de cálculo negativa a compensar acumulado no montante de R$ 70.820.210,06 ao fim do 1o Trimestre de 2002, caso fosse considerado o cancelamento do citado Item 2. b) 2° e 3° Trimestre de 2002 (Desconsideração do Cancelamento do Item 2 do Auto de Infração n° 16561.000.025/200772) Não é diferente o cenário encontrado nos dois trimestres subsequentes, em que ao desconsiderar o cancelamento do Item 2 do Auto de Infração referente ao processo administrativo n° 16561.000.025/200772, a D. Fiscalização acrescentou indevidamente os valores de R$ 20.504.955,26 e R$ 40.990.309,21, respectivamente, à base de cálculo da CSLL antes compensação apurada pela Impugnante. Conforme se depreende do "Histórico da Compensação de Base Negativa de CSLL", no 2o Trimestre de 2002, a D. Fiscalização reduziu a "Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada" do período em R$ 20.504.955,26. Do mesmo modo, no 3o Trimestre de 2002, a D. Fiscalização reduziu a "Base de Cálculo da CSLL Apurada" em RS 40.990.309,21, indicando que a Impugnante teria apurado base de cálculo tributável de R$ 1.053.529,84. O procedimento adotado pela D. Fiscalização resultou na apuração de "Saldo de Base de Cálculo Negativa de CSLL a Compensar Acumulada no valor de R$ 75.086.501,75, em evidente prejuízo à Impugnante, que faria jus ao saldo de base de cálculo a compensar acumulado no montante de R$ 136.012.367,17 ao fim do 3o Trimestre de 2002. c) Período de 01/01/03 a 01/04/03 (Desconsideração da Redução do Item 3 do Auto de Infração n° 16561.000.025/200772) Por fim, considerando que não houve nenhuma divergência apontada no 4o Trimestre de 2002, no período entre 01/01/03 a 01/04/03, a D. Fiscalização desconsiderou a redução do Item 3 do Auto de Infração n° 16561.000.025/200772, que Fl. 1147DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0617.12300.CO60. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16095.720030/201478 Resolução nº 1402000.389 S1C4T2 Fl. 1.148 6 passou do valor de base tributável de R$ 47.351.700,00 para R$ 30.010.000,00, conforme Acórdão CARF n° 165.451. Do exposto, concluise que a Impugnante apresentaria saldo acumulado de base negativa de CSLL a compensar no valor de RS 119.385.277,44 no período entre 01/01/03 e 01/04/03, em contraponto ao valor apontado pela D. Fiscalização de apenas R$ 53.256.902,02, conforme quadros abaixo e reprodução da planilha "Histórico da Compensação de Base Negativa CSLL". ● Não bastassem as inconsistências apontadas na glosa fiscal em razão da desconsideração do Acórdão CARF n° 165.451, a D. Fiscalização promoveu alterações na apuração da base de cálculo da CSLL da Impugnante no período de 01/09/03 a 31/12/03 e no anocalendário de 2004, deixando de computar a base negativa de CSLL apurada nesses mesmos períodos. Conforme se depreende da planilha "Demonstrativo Utilização de Prejuízos Fiscais após Acórdão Carf", a D. Fiscalização acrescentou à base tributável da Impugnante os valores de R$ 19.116.149,00 para o período de 01/09/03 a 31/12/03, e R$ 122.369.955,50 para o ano de 2004, referentes ao Auto de Infração objeto do Processo Administrativo n° 16561.000027/200761. No entanto, a D. Fiscalização considerou o valor dos lançamentos de R$ 19.116.149,00 para o período de 01/09/03 a 31/12/03, e R$ 122.369.955,50 para o ano de 2004, como a "Base de Cálculo da CSLL antes da Compensação", deixando de subtrair de tais valores a "Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada" nos respectivos períodos, informado pelo Impugnante em DIPJ, conforme se verifica nos quadros do "Histórico da Compensação de Base Negativa CSLL". Ao assim proceder, a D. Fiscalização apresentou valor de "Base de Cálculo da CSLL antes da Compensação" a maior, ainda que considerados os lançamentos realizados no Processo Administrativo n° 16561.000.027/200761, consumindo indevidamente parcela do saldo de prejuízo fiscal acumulado em anos anteriores. Caso considerasse a "Base de Cálculo Negativa da CSLL Apurada" informada no cálculo do valor tributável, o saldo da base de cálculo negativa de anos anteriores a compensar seria de R$ 144.389.265,62 em 31/12/2003. Portanto, ao fim do ano de 2004, a Impugnante faria jus ao saldo acumulado de base de cálculo negativa a compensar no valor de R$ 103.232.501,25, diferentemente do apontado pela D. Fiscalização, que considerou o saldo de R$ 33.325.566,63. ● Afastadas as premissas equivocadas que embasaram a produção do "Histórico da Compensação de Base Negativa CSLL" no âmbito do processo administrativo n° 16095.720099/201311, que fundamentaram a glosa fiscal realizada no Auto de Infração ora impugnado, a Impugnante elaborou planilha com a recomposição do saldo de prejuízo fiscal no período de 2002 a 2011 (doc. 14). ● Tal documento demonstra que no ano calendário de 2010, a Impugnante apresentava saldo de base negativa de CSLL a compensar acumulado no valor de RS 58.757.885,40, apto a absorver a compensação no valor de RS 29.475.115,96, realizada naquela ocasião: Fl. 1148DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0617.12300.CO60. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16095.720030/201478 Resolução nº 1402000.389 S1C4T2 Fl. 1.149 7 ● Tal conclusão afastaria de imediato os valores de CSLL exigidos pelo Auto de Infração no montante de R$ 5.409.243,81, com relação ao ano calendário de 2010. ● Ademais, no ano calendário de 2011, a Impugnante apresentava saldo de base negativa de CSLL a compensar acumulado no valor de R$ 29.282.769,44, capaz de absorver parcela do valor de R$ 43.836.382,57, compensado naquela ocasião: ● Portanto, ainda que se considere a possibilidade dos lançamentos objeto dos processos administrativos n°s 16561.000.025/200772, 16561.000.027/2007 61 e 16561.000.029/200751 afetarem a apuração da base negativa de CSLL nos períodos subsequentes, a glosa realizada pela D. Fiscalização com relação à CSLL se limitaria ao valor tributável de R$ 14.553.613,13, e não sobre o valor de R$ 43.836.382,57, conforme pretende o Auto de Infração. ● Análise de Mérito. A contribuinte passou a analisar a procedência ou não das infrações apuradas pela fiscalização nos processos nº 16561.000025/200772, 16561.000027/200761 e 16561.000029/200751. ● Ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa. Ainda que se entenda pela manutenção da autuação em análise, o que se alega a título argumentativo, é certo que os juros calculados com base na taxa SELIC não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício lançada, por absoluta ausência de previsão legal. Como sabido, nos lançamentos de ofício, há a incidência de multa à razão de 75% (setenta e cinco por cento), na forma prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430/96. Essa multa tem nítido caráter de sanção, penalidade, pelo inadimplemento de obrigação. Não há como pretender a incidência de juros sobre a multa de ofício, na medida em que, por definição, se os juros remuneram o credor pela privação do uso de seu capital, eles devem incidir somente sobre o que deveria ter sido recolhido no prazo legal, e não foi. Fora dessa hipótese, qualquer incidência de juros se mostra abusiva e arbitrária, por ausência de seu pressuposto de fato reposição do numerário que deveria ter ingressado nos cofres públicos, mas não ingressou pela falta do contribuinte. Justamente por essa razão é que não há previsão legal para a incidência de juros sobre multa. O artigo 61, § 3º, da Lei n° 9.430/96 determina que "sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento". À evidência, a expressão "sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora", que inaugura o mencionado dispositivo, diz respeito somente ao valor do principal relativo à obrigação tributária não paga no vencimento. Fl. 1149DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0617.12300.CO60. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16095.720030/201478 Resolução nº 1402000.389 S1C4T2 Fl. 1.150 8 Basta, para isso, notar que o artigo 61, "caput", da Lei 9.430/96 está assim redigido: “Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pila Secretaria da Receita Federal (...). não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, serão acrescidos de multa de mora (..)" Resta claro que o "débito decorrente de tributos e contribuições" a que se refere a lei é composto apenas pelo valor do principal, isto é, do tributo vencido e não pago. Após o vencimento é que são lançados os acréscimos de multa e juros sobre o débito. Essa constatação fica ainda mais evidente se atentar para o fato de que, quando o legislador ordinário pretendeu autorizar a incidência de juros sobre a multa decorrente de lançamento de oficio, fêlo expressamente. Nesse sentido, vejase o quanto determinado pelo artigo 43 da Lei 9.430/96, cujo parágrafo único determina a incidência de juros moratórios sobre as multas e os juros exigidos isolada mente. Feita esta análise, mostrase inafastável concluir que não há previsão legal para a cobrança de juros de mora sobre a multa lançada de ofício nos casos que não foram abrangidos pelo artigo 43 da Lei n° 9.430/96. Deveras, a atividade administrativa é subalterna à lei, ou seja, a Autoridade Fiscal não poderá fazer qualquer exigência, salvo se embasada em expressa disposição legal. A função da Administração é concretizar os comandos existentes no ordenamento jurídico pátrio, dando efetividade aos textos legais, sendo lhe vedado extrapolar os limites delineados pelo legislador. E, estando a atividade funcional do administrador sujeita aos mandamentos da lei e às exigências do bem comum, deles não se pode afastar ou desviar, sob pena de praticar ato inválido. Por oportuno, é necessário considerar que, em recente decisão, a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais confirmou o entendimento da Impugnante, afastando por definitivo a incidência de juros sobre a multa de oficio. ● Diante de todo o acima exposto, protestando provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos e declarando a autenticidade de todas as cópias anexadas a presente defesa, requer seja anulado o auto de infração, pelas razões apontadas no tópico III.2 desta Impugnação. ● Caso assim não se entenda, requerse o cancelamento integral do Auto de infração pelas razões expostas no tópico V. ● Subsidiariamente, requerse, minimamente, sejam corrigidos os valores exigidos a título de CSLL, considerando a decisão favorável à Impugnante proferida no julgamento do processo administrativo nº 16561.000.025/200772, conforme apontado no tópico IV. Fl. 1150DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0617.12300.CO60. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16095.720030/201478 Resolução nº 1402000.389 S1C4T2 Fl. 1.151 9 Analisando a impugnação apresentada, a turma julgadora consideroua improcedente. O contribuinte foi intimado da decisão em 13/10/2014 (fl. 1.044), apresentando recurso voluntário de fls. 1.0471.104 em 11/10/2014. Em apertada síntese, a Recorrente reafirma os termos de sua impugnação, pugnando preliminarmente pelo sobrestamento do presente feito até que a decisão administrativa definitiva no bojo dos processos 16095.720083/201316 e 16095.720099/201311, os quais, por sua vez, dependeriam também de decisão administrativa irreformável nos processos 16561.000025/200772, 16561.000026/200717, 16561.000027/200761, 16561.000028/200714 e 16561.000029/200751. É o relatório. Fl. 1151DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0617.12300.CO60. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16095.720030/201478 Resolução nº 1402000.389 S1C4T2 Fl. 1.152 10 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário apresentado é tempestivo e assinado por procurador devidamente habilitado. Preenchidos os demais pressupostos para sua, dele, portanto, tomo conhecimento. 2 MÉRITO A exigência diz respeito aos anoscalendário de 2010 e 2011 e referese à insuficiência de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL supostamente compensados indevidamente, e decorre de diversas autuações pretéritas que alteraram os saldos de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL de períodos anteriores (processos 16095.720083/201316 e 16095.720099/201311, os quais, por sua vez, decorrem dos processos 16561.000025/200772, 16561.000026/200717, 16561.000027/200761, 16561.000028/200714 e 16561.000029/200751). Para solução da presente lide, fazse necessário, a análise de mérito de todos os processos que lhe são prejudiciais. No recurso voluntário referente aos presentes autos, a Recorrente requereu o sobrestamento do feito até que fossem julgados na esfera administrativa, de forma definitiva, todos os processos prejudiciais. Discordo de tal entendimento. A bem da verdade, fazse necessário somente que ambos os processos prejudiciais, e o processo decorrente, ao menos estejam na mesma fase processual, tal qual ocorreria se todos os autos estivessem apensos (situação em que todos seriam julgados na mesma sessão). Saliento que o atual Regimento Interno do CARF, em seu art. 6º, § 6º, corrobora tal entendimento ao determinar que, Art. 6º. [...] § 6º. Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. [grifo nosso] Desse modo, não há que falar em nulidade por cerceamento de direito de defesa tanto do lançamento, quando da decisão recorrida, uma vez que nesses atos também levouse em consideração tal raciocínio. Fl. 1152DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0617.12300.CO60. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16095.720030/201478 Resolução nº 1402000.389 S1C4T2 Fl. 1.153 11 Embora já haja várias decisões, no âmbito do CARF, inclusive algumas definitivas, em relação aos autos de infração lavrados em 2007, os lançamentos realizados no ano de 2013 (16095.720083/201316 e 16095.720099/201311), decorrentes daqueles, embora já distribuídos para relato no âmbito desta seção (1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara) ainda não tiveram seu mérito analisado. Portanto, como a análise de tais processos é prejudicial à análise do mérito do recurso ora em exame, impõese o sobrestamento do julgamento do presente processo até que seja analisado o mérito dos recursos voluntários referentes aos processos 16095.720083/2013 16 e 16095.720099/201311. Para fins de controle, determino também que esses processos sejam vinculados. 3 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por sobrestar o julgamento até que sejam proferidas decisões de mérito nos recursos voluntários referentes aos processos 16095.720083/201316 e 16095.720099/201311, determinando ainda a vinculação de todos esses autos. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Fl. 1153DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0617.12300.CO60. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO em 06/10/2016 16:21:00. Documento autenticado digitalmente por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO em 06/10/2016. Documento assinado digitalmente por: LEONARDO DE ANDRADE COUTO em 10/10/2016 e FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO em 06/10/2016. Esta cópia / impressão foi realizada por VALERIA JOSE VIEIRA DA COSTA em 05/06/2017. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP05.0617.12300.CO60 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 16095.720030/2014-78. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
Numero do processo: 13888.900351/2014-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 06/07/2012
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
Numero da decisão: 3401-003.723
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 03 51 /2 01 4- 30 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13888.900351/201430 Acórdão n.º 3401003.723 S3C4T1 Fl. 3 2 Versam os autos sobre PER/DCOMP cujo direito creditório alegado seria oriundo de recolhimento indevido do IPI, a ser compensado com débito de tributo administrado pela RFB. O despacho decisório não homologou a compensação em razão do recolhimento indevido já ter sido integralmente quitado com outros débitos do contribuinte. O contribuinte apresentou tempestivamente sua manifestação de inconformidade, arguindo várias nulidades, mormente que o aludido Despacho não teria fundamentação, teria se desviado de sua finalidade e lhe causado cerceamento de defesa. Sobreveio decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, na qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 06/07/2012 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte interpôs tempestivamente o seu recurso voluntário, asseverando que a decisão não levou em consideração, nas razões de decidir a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo que a Recorrente apresentasse defesa, bem como demonstrasse a existência do crédito, requerendo a nulidade da decisão, vez que não lhe foi oportunizado conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada. É o relatório. Voto Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13888.900351/201430 Acórdão n.º 3401003.723 S3C4T1 Fl. 4 3 Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.652, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900243/201467, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.652): Como se viu do relatório, o presente recurso voluntário visa a nulidade da decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, entendendo que esta não restou motivada, implicando seu cerceamento de defesa. Não merece prosperar as alegações da Recorrente. A uma, disse o Despacho Decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A duas, mencionou expressamente a decisão de piso que a Recorrente não trouxe qualquer prova (DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI), indício ou justificativa que permitisse comprovar o alegado recolhimento indevido. A propósito, merece destaque parte do voto do e. relator: Inicialmente vale verificar o que consta no Despacho Decisório, devidamente assinado pela autoridade competente: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ou seja, o alegado pagamento indevido não foi restituído porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Com efeito, se há erro nos arquivos da Receita, bastaria o interessado juntar a idônea e hábil documentação contraditória (DARF, DCTF e Livro de Apuração e Registro do IPI), até em homenagem o princípio da verdade material tanto invocado, sendo que, se tratam de declarações e livros cuja boa guarda e apresentação imediata estão legalmente determinadas. A manifestação do interessado não traz qualquer prova, indício ou mesmo justificativa que permita comprovar o alegado Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13888.900351/201430 Acórdão n.º 3401003.723 S3C4T1 Fl. 5 4 recolhimento indevido, limitandose, tão somente a colecionar julgados e doutrinas sobre nulidades. Considerando que nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consta que os valores recolhidos no indigitado DARF já foram utilizados para quitar outros débitos e nada o contribuinte a isto contrapõe, não há o que reconsiderar ou anular, sendo que não se justifica a falta de apresentação de documentos que provassem seu direito creditório, na medida que a alegação de cerceamento da defesa não se sustenta. A três, vêse que a decisão fora motivada, embora cingiramse as assertivas da Recorrente apenas e tão somente na juntada da DCOMP, informando que detinha um crédito de IPI, oriundo de pagamento indevido, o qual seria compensado com débitos da COFINS. A quatro, temse que, sobrevindo a decisão da manifestação de inconformidade, deveria a Recorrente fazer prova deste suposto pagamento indevido ou a maior do IPI, conforme determinava o artigo 333 do CPC, vigente à época ademais, como ressalvada pela decisão da DRJ , porém, quedou silente a contribuinterecorrente. A quinto, o processo há de vir devidamente instruído para que o Colegiado possa apreciálo, de modo que, diante da ausência de qualquer prova, a conclusão que se chega é que a decisão de piso não merece reparos. Não maiores ilações a serem feitas e diante da ausência de provas, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.906635/2010-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE SALDO CREDOR. IMPOSSIBILIDADE.
A constatação de inexistência de saldo credor em revisão da escrita fiscal impossibilita a compensação pleiteada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.090
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
RICARDO PAULO ROSA - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DCOMP. INEXISTÊNCIA DE SALDO CREDOR. Recorrente HIDROALL DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE SALDO CREDOR. IMPOSSIBILIDADE. A constatação de inexistência de saldo credor em revisão da escrita fiscal impossibilita a compensação pleiteada. Recurso Voluntário Negado. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) RICARDO PAULO ROSA Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário visando modificar decisão que manteve intacto o indeferimento de aproveitamento de saldo credor de IPI referente ao período de apuração de 01/07/2007 a 30/09/2007, ao argumento de que há lançamento de ofício (com decisão administrativa definitiva), lançamento que esgotou o saldo credor originalmente apurado pelo contribuinte, razão pela qual as compensações declaradas não foram homologadas, por inexistência do crédito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 66 35 /2 01 0- 83 Fl. 751DF CARF MF Processo nº 10830.906635/201083 Acórdão n.º 3302004.090 S3C3T2 Fl. 3 2 A escrita fiscal do IPI foi refeita em virtude da apuração de débitos do imposto pelo Fisco. Mesmo aproveitando os créditos escriturados pelo contribuinte, houve apuração de saldos devedores, do que resultou a lavratura do auto de infração, processo n° 10830.720891/201166. Apresentada Manifestação de Inconformidade, os argumentos de defesa foram rechaçados pela decisão recorrida. Argumentou a DRJ que há decisão nos autos n° 10830.720891/201166, que julgou a impugnação improcedente e manteve integralmente o lançamento do imposto, o que implica a inexistência de saldos credores passíveis de ressarcimento/compensação. Por consequência, foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada neste processo, permanecendo não homologadas as compensações declaradas por inexistência de crédito, nos termos do Acórdão 14041.813 Na Manifestação de Inconformidade, bem como nas razões recursais, sustenta a Recorrente que a classificação fiscal adotada para o produto desinfetante estaria correta, classificado como produto químico orgânico, por tratarse de composto clorado, sob o código 29.33.69.19. Em suma, traz os mesmos argumentos sustentados na Impugnação do Auto de Infração, processo n° 10830.720891/201166, conforme afirmativa da própria Recorrente. A 1ª Turma Especial da 3ª Seção do CARF, através da Resolução nº 3801 000.752, converteu o julgamento do recurso em diligência para que a unidade de origem juntasse a este processo a decisão administrativa definitiva proferida no processo 10830.720891/201166 (Auto de Infração vinculado a este processo de ressarcimento/compensação). Posteriormente foram juntados aos autos a decisão proferida no processo 10830.720891/201166 (Auto de Infração), que negou provimento ao recurso voluntário apresentado naqueles autos (Acórdão 3302002.153), bem como pedido de desistência apresentado pelo contribuinte naquele processo, do que resultou a definitividade daquela decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.085, de 30 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.720617/201197, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.085): " Cuidase de recurso tempestivo e atende as demais formalidades de admissibilidade, assim sendo, tomo conhecimento. Fl. 752DF CARF MF Processo nº 10830.906635/201083 Acórdão n.º 3302004.090 S3C3T2 Fl. 4 3 O pedido foi indeferido por inexistência de saldo credor após revisão da escrita fiscal, o que levou a fiscalização proceder lançamento de ofício, impugnado, esses fatos restaram dirimidos nos autos do processo de n° 10830.720891/201166, que julgou improcedente a Impugnação e manteve o lançamento intacto, decisão com transito em julgado. O voluntário sequer tratou desse assunto, reprisou os mesmos argumentos da fase instrutora. Não rebateu os argumentos utilizados no julgamento de piso. Sendo assim, não resta outra hipótese de que não seja reconhecer a inexistência de saldo credor passível de compensação. Diante do exposto, nego provimento ao recurso." Ressaltese que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o pedido de ressarcimento/compensação foi indeferido por inexistência de saldo credor de IPI após revisão da escrita fiscal, o que levou a fiscalização a proceder ao lançamento de ofício, impugnado. Esses fatos restaram dirimidos nos autos do processo de n° 10830.720891/201166, no qual consta decisão definitiva negando provimento ao recurso voluntário e mantendo o lançamento intacto. Mantido o lançamento do IPI, inexiste saldo credor que ampare o presente pleito. Desta forma, o fundamento adotado para concluir pela inexistência de saldo credor passível de ressarcimento/compensação no caso do paradigma, também justifica sua aplicação nos presentes autos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 753DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.721650/2013-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
IRRF. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. DESPESAS DEDUTÍVEIS. REVISÃO DO LANÇAMENTO.
Em respeito ao princípio da verdade material, cabe a revisão do lançamento de acordo com as provas carreadas aos autos.
Numero da decisão: 2401-004.820
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI
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COMPENSAÇÃO INDEVIDA IRRF. GLOSA DESPESAS. Recorrente DAVIS RIBEIRO DE SENA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 IRRF. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. DESPESAS DEDUTÍVEIS. REVISÃO DO LANÇAMENTO. Em respeito ao princípio da verdade material, cabe a revisão do lançamento de acordo com as provas carreadas aos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 16 50 /2 01 3- 74 Fl. 117DF CARF MF 2 Relatório Tratase de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física IRPF nos valores de R$ 14.942,44, acrescido de juros de mora e multa de ofício, e de R$ 2.414,73, acrescido de juros e multa de mora (fls. 23/27), referente a glosa do valor de R$ 67.062,76, indevidamente deduzido a título de contribuição à previdência oficial, e glosa do valor de R$ 2.980,30, indevidamente compensado a título de imposto de renda retido na fonte IRRF, correspondente à diferença entre o valor declarado e o total de IRRF informado pelas fontes pagadoras declarado em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte Dirf. O contribuinte impugnou o lançamento (fl. 2), alegando, em síntese: · Que está questionando o valor de R$ 23.305,68, que corresponde ao pagamento de contribuição à previdência oficial e foi acrescentado o valor da pensão judiciária à parcela. · Que concorda com a infração de compensação indevida de IRRF. Conforme termo circunstanciado e anexo de fls. 34/36, o lançamento foi revisto, sendo considerada a dedução de contribuição para a previdência oficial no valor de R$ 23.305,68, passando o lançamento de imposto de renda pessoa física IRPF aos valores de R$ 8.774,82, acrescido de juros de mora e multa de ofício, e o de R$ 2.173,29, acrescido de juros e multa de mora. A DRJ/RJO julgou improcedente a impugnação, mantendo o lançamento, conforme Acórdão 1269.265, fls. 59/64, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUTIBILIDADE. Somente pode ser utilizado como dedução na Declaração de Ajuste Anual o valor de pensão alimentícia, quando comprovada a existência de estipulação através de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública e comprovado o efetivo pagamento. Argumentos desprovidos de provas não podem ser acatados em respeito ao princípio da verdade material que norteia o processo administrativo tributário e ao art. 36 da Lei 9.784/99, que regula o processo administrativo fiscal. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. PARTE DA GLOSA DE DEDUÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA OFICIAL Consolidase administrativamente o crédito tributário relativo à matéria não impugnada, na forma do art. 17 do Decreto 70.235/72. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10140.721650/201374 Acórdão n.º 2401004.820 S2C4T1 Fl. 117 3 Consta do voto do acórdão de impugnação: Como se vê da legislação reproduzida, para que seja aceita a dedução de pensão alimentícia, é necessária a comprovação da existência da obrigação de pagar, além do cumprimento desta por meio do efetivo pagamento na forma determinada judicialmente ou por meio de escritura publica. Assim, a dedutibilidade dos valores pagos a título de pensão alimentícia requer que sejam satisfeitas duas condições concomitantemente: (1) a existência de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e (2) a comprovação de que esta foi efetivamente paga. O contribuinte juntou, às fs. 05/06, o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte Anocalendário 2011, emitido por Comando do Exército, CNPJ 00.394.452/053304, onde consta Contribuição à Previdência Oficial no valor de R$ 23.305,68, como informado pela Fonte Pagadora na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF que serviu de base ao lançamento, fl. 58, comprovada a dedutibilidade deste valor conforme já se concluira no Termo Circunstanciado/Despacho Decisório. Quanto à Pensão Alimentícia de R$ 37.395,14, também constante do comprovante de fl. 05 e da DIRF de fl. 58, não foram trazidos na impugnação, nem no prazo concedido quando da ciência do Despacho Decisório, documentos relacionados a esta dedução, para além do Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte emitido pelo Comando do Exército. Portanto, não se pode fazer a alteração pretendida pelo impugnante de restabelecer a dedução no valor de R$ 37.395,14, a título de pensão alimentícia, por falta de comprovação através de documentação hábil e idônea da existência de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. O processo foi encaminhado para SACAT para que fosse apartado o crédito tributário relativo a parte não impugnada (despacho de fl. 66). Em informação fiscal de fls. 67/69, consta que a parcela oriunda da parte não impugnada é de R$ 672,69. Cientificado do Acórdão em 9/4/15 (cópia de Aviso de Recebimento AR de fl. 85), o contribuinte, representado por sua curadora, apresentou recurso voluntário em 5/5/15, fls. 87/91, que contém, em síntese: Diz que ocorreu um preenchimento equivocado da Declaração de Ajuste Anual DAA 2012/2011, por ausência tempestiva dos documentos das fontes pagadoras. Ressalta que já estava à época acometido dos primeiros sintomas de Parkinson e do mal de Alzheimer, o que dificultou a elaboração da DAA. Fl. 119DF CARF MF 4 Esclarece que as divergências mencionadas se referem aos rendimentos recebidos do Comando do Exército e às respectivas deduções, cujos valores foram obtidos à época pela soma dos contracheques e comparativo com a ficha financeira, ao invés do comprovante de rendimentos, que só foi obtido mais tarde. Quanto aos rendimentos recebidos do Banco do Brasil, estes foram equivocadamente lançados como rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica sujeitos ao ajuste anual, quando na verdade eram parte rendimentos isentos e parte rendimentos sujeitos à tributação exclusiva. Diz haver divergência na base de cálculo. Afirma que vários foram os erros no preenchimento da DAA 2012/2011, incluindo o valor ao da contribuição previdenciária, corrigido pela malha, a ausência da pensão alimentícia judicial paga a exesposa Nair C. Ribeiro de Sena (documentos de fls. 99/106) e da despesa médica referente à contribuição para uso da estrutura médica do exército e a incorreta classificação dos rendimentos de aplicação financeira. Quanto ao valor efetivamente pago de pensão, consta do comprovante de rendimentos emitido pelo Comando do Exército, o montante de R$ 37.395,14 e nome da beneficiária Nair C. Ribeiro de Sena. Consta também o valor de R$ 400,80 de pagamento de Despesas Médico OdontoHospitalares ao Fundo do Exército. De acordo com as informações do Banco do Brasil, é possível confirmar que não houve rendimentos tributáveis na DAA desta fonte pagadora em 2011, apenas rendimentos isentos e tributados exclusivamente na fonte, com valor e cuja soma é bastante próxima ao equivocadamente declarado como sujeito ao ajuste. Diz que a utilização de extratos periódicos para o preenchimento da DAA levou à equivocada interpretação de que seriam rendimentos sujeitos ao ajuste, o que foi detectado em malha, que glosou a compensação do IRRF informado, mas não excluiu o respectivo rendimento declarado apesar de sabedora de sua natureza. Apresenta quadro no qual diz apurar a correta base de cálculo e imposto devido e apura saldo de imposto a restituir. Entende que o acórdão recorrido deve ser reformado, conforme documentos acostados aos autos, inclusive o considerado não impugnado. É o relatório. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10140.721650/201374 Acórdão n.º 2401004.820 S2C4T1 Fl. 118 5 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. MÉRITO Dos documentos juntados aos autos, vêse claramente que o sujeito passivo equivocouse ao fazer sua declaração de ajuste anual, que apresenta erros nos rendimentos tributáveis, isentos e sujeitos à tributação exclusiva, e deixou de informar todas as despesas dedutíveis informou apenas e errado a contribuição previdenciária oficial, e não informou a pensão alimentícia e despesas médicas. No comprovante de rendimentos juntado às fls. 5/6, constam os valores discriminados na tabela 1. Tabela 1 Valores comprovante de rendimentos Rendimentos tributáveis 163.295,16 Despesas dedutíveis contribuição previdenciária 23.305,68 pensão alimentícia 37.395,14 despesas médicas 400,80 imposto retido 19.952,13 Ocorre que a fiscalização, ao efetuar o lançamento cuidou de glosar o imposto retido na fonte declarado a maior e as despesas declaradas como dedutíveis por falta de comprovação. Depois efetuou a revisão do lançamento, considerando apenas a contribuição previdenciária oficial, pois, por falta de comprovação, desconsiderou outras despesas dedutíveis. Diante dos fatos que ora se apresentam, os erros cometidos, o valor das despesas dedutíveis originalmente somados e declarados no campo relativo à contribuição previdenciária, a documentação trazida no recurso voluntário, a moléstia do contribuinte, entendo que o lançamento deve ser revisto, considerando os valores da tabela 1, apurandose o imposto conforme discriminado na tabela 2. Sendo assim, em respeito ao princípio da verdade material que norteia o processo administrativo tributário e ao art. 36 da Lei 9.784/99, com razão o sujeito passivo. Fl. 121DF CARF MF 6 Tabela 2 IRPF apurado Rendimentos tributáveis 163.295,16 Despesas dedutíveis contribuição previdenciária 23.305,68 pensão alimentícia 37.395,14 despesas médicas 400,80 total 61.101,62 Base de cálculo apurada 102.193,54 Imposto apurado 19.415,62 Imposto retido 19.952,13 Imposto a restituir 536,51 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Fl. 122DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13855.722232/2013-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EMPRESA AGROINDUSTRIAL.
A substituição estabelecida no artigo 22A da Lei nº 8.212/91 é aplicada ainda que a agroindústria explore também outra atividade econômica autônoma, no mesmo ou em estabelecimento distinto, hipótese em que a contribuição também incide sobre o valor da receita bruta dela decorrente.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PAGAMENTOS. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Não tendo a contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito ou argumentação, deve ser mantida a autuação pelos seus próprios fundamentos.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos moldes da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. IMUNIDADE. RECEITA DECORRENTE DE EXPORTAÇÃO. TRADING COMPANIES.
A imunidade constitucional sobre a receita decorrente de exportação alcança somente as operações diretas com o mercado externo, não se aplicando nos casos de exportação realizada via trading companies.
CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. COMERCIALIZAÇÃO DESTINADA AO EXTERIOR, INCLUSIVE VIA TRADING. IMUNIDADE. INAPLICABILIDADE.
A imunidade prevista no §2º do art. 149 da Constituição Federal apenas abrange as contribuições sociais e as destinadas à intervenção no domínio econômico, ainda que a exportação seja realizada via terceiros - tradings, não se estendendo, no entanto, ao SENAR, por se tratar de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
Nos termos da legislação de regência, a multa de ofício integra o crédito tributário e, dessa forma, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do mês subsequente ao do vencimento.
Numero da decisão: 2401-004.847
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade, em conhecer do recurso e rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos o relator e os Conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial ao recurso para afastar o lançamento de contribuições sobre valores de exportação via trading company e os juros sobre a multa. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EMPRESA AGROINDUSTRIAL. A substituição estabelecida no artigo 22A da Lei nº 8.212/91 é aplicada ainda que a agroindústria explore também outra atividade econômica autônoma, no mesmo ou em estabelecimento distinto, hipótese em que a contribuição também incide sobre o valor da receita bruta dela decorrente. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PAGAMENTOS. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Não tendo a contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito ou argumentação, deve ser mantida a autuação pelos seus próprios fundamentos. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos moldes da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. IMUNIDADE. RECEITA DECORRENTE DE EXPORTAÇÃO. TRADING COMPANIES. A imunidade constitucional sobre a receita decorrente de exportação alcança somente as operações diretas com o mercado externo, não se aplicando nos casos de exportação realizada via trading companies. CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. COMERCIALIZAÇÃO DESTINADA AO EXTERIOR, INCLUSIVE VIA TRADING. IMUNIDADE. INAPLICABILIDADE. A imunidade prevista no §2º do art. 149 da Constituição Federal apenas abrange as contribuições sociais e as destinadas à intervenção no domínio econômico, ainda que a exportação seja realizada via terceiros - tradings, não se estendendo, no entanto, ao SENAR, por se tratar de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Nos termos da legislação de regência, a multa de ofício integra o crédito tributário e, dessa forma, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do mês subsequente ao do vencimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade, em conhecer do recurso e rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos o relator e os Conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial ao recurso para afastar o lançamento de contribuições sobre valores de exportação via trading company e os juros sobre a multa. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EMPRESA AGROINDUSTRIAL. A substituição estabelecida no artigo 22A da Lei nº 8.212/91 é aplicada ainda que a agroindústria explore também outra atividade econômica autônoma, no mesmo ou em estabelecimento distinto, hipótese em que a contribuição também incide sobre o valor da receita bruta dela decorrente. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PAGAMENTOS. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Não tendo a contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito ou argumentação, deve ser mantida a autuação pelos seus próprios fundamentos. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos moldes da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 22 32 /2 01 3- 36 Fl. 12858DF CARF MF 2 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. IMUNIDADE. RECEITA DECORRENTE DE EXPORTAÇÃO. TRADING COMPANIES. A imunidade constitucional sobre a receita decorrente de exportação alcança somente as operações diretas com o mercado externo, não se aplicando nos casos de exportação realizada via trading companies. CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. COMERCIALIZAÇÃO DESTINADA AO EXTERIOR, INCLUSIVE VIA TRADING. IMUNIDADE. INAPLICABILIDADE. A imunidade prevista no §2º do art. 149 da Constituição Federal apenas abrange as contribuições sociais e as destinadas à intervenção no domínio econômico, ainda que a exportação seja realizada via terceiros trading’s, não se estendendo, no entanto, ao SENAR, por se tratar de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Nos termos da legislação de regência, a multa de ofício integra o crédito tributário e, dessa forma, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do mês subsequente ao do vencimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 12859DF CARF MF Processo nº 13855.722232/201336 Acórdão n.º 2401004.847 S2C4T1 Fl. 12.859 3 Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade, em conhecer do recurso e rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos o relator e os Conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial ao recurso para afastar o lançamento de contribuições sobre valores de exportação via trading company e os juros sobre a multa. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 12860DF CARF MF 4 Relatório MINERVA S.A., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 9a Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP, Acórdão nº 1454.430/2014, às efls. 12.677/12.696, que julgou parcialmente procedente os lançamentos fiscais lavrados em 17/09/2013, referente às contribuições sociais devidas a Previdência e ao SENAR, incidente sobre a comercialização da produção na qualidade de agroindústria, em relação ao período de apuração de 01/01/2010 a 31/12/2010, conforme Relatório Fiscal, às efls. 32/45, consubstanciados nos seguintes Autos de Infração: 1) DEBCAD 51.040.6750 Relativo à contribuição devida à Previdência Social (contribuição patronal e SAT). 2) DEBCAD 51.040.6769 Relativo à contribuição devida ao SENAR. De conformidade com o Relatório Fiscal, os fatos geradores das contribuições previdenciárias ora lançadas encontramse discriminados nos termos abaixo elencados: a) à dedução indevida na base de cálculo da contribuição da agroindústria; b) aos valores da comercialização de produção com empresas comerciais exportadoras (trading companies); e c) aos valores da comercialização da produção destinada à exportação, especificamente em relação à contribuição ao SENAR, não abrangida pela imunidade prevista na Constituição Federal. Os valores incluídos no presente auto de infração não foram objeto de declaração pelo sujeito passivo em GFIP. Consta no relatório fiscal ter a empresa apresentado à fiscalização planilhas mensais de apuração das bases de cálculo das contribuições devidas à Previdência Social e ao Senar denominadas “B. CALCULO FATURAMENTO PARA FINS RECOLHIMENTO INSS”. Na análise dessas planilhas ficou constatado que a empresa efetuava deduções indevidas da base de cálculo, relativas a: a) compra de carne abatida em outros abatedouros, por considerar que a contribuição da agroindústria incidiria somente sobre a produção relativa ao abate de animais próprios e de terceiros, não incidindo sobre o abate realizado por outra empresa; b) importação de produção agropecuária, por entender que sobre esta não haveria incidência de contribuição social; c) compra de produtos de terceiros (sadia e outros), por entender que ao revender as mercadorias adquiridas de terceiros, deveria deduzir da receita bruta o valor relativo à aquisição dos mesmos, havendo incidência de contribuição previdenciária somente sobre o valor agregado. Foi, também, constatada a comercialização de mercadorias com empresas comerciais exportadoras (trading companies) sem o recolhimento da contribuição respectiva, as Fl. 12861DF CARF MF Processo nº 13855.722232/201336 Acórdão n.º 2401004.847 S2C4T1 Fl. 12.860 5 quais não estão abrangidas pela imunidade prevista no artigo 149 da Constituição Federal, sendo a contribuição devida incluída no presente lançamento fiscal. Esclarece a fiscalização ter identificado o fato gerador pela análise do Livro de Registro de Saídas da empresa, no qual foram localizados os lançamentos identificados com CFOP 5.501 e 6.501 – remessa de produção do estabelecimento com o fim específico de exportação. Esclarece que além do Livro de Registro de Saídas, foram também utilizadas na apuração as planilhas apresentadas pelo contribuinte em atendimento à intimação fiscal n° 3. Os valores lançados estão identificados na planilha denominada “Anexo II”. Após regular processamento, interposta impugnação, contra exigência fiscal consubstanciada na peça vestibular do feito, a autoridade julgadora de primeira instância achou por bem julgar parcialmente procedente o lançamento, apenas retificando o lançamento. Regularmente intimada e inconformada com a Decisão recorrida, a autuada apresentou Recurso Voluntário, às efls. 12.704/12.767, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, pugna preliminarmente pela nulidade dos autos, por entender que a autuação carece de quantificação precisa do montante das contribuições como preceitua a legislação. Reforça a preliminar de nulidade, haja vista ter a autoridade lançadora inovado no lançamento, conforme afirmar a própria decisão recorrida, in verbis: "(...) ainda que configurada a ausência dessas informações em momento anterior, esse fato não pode acarretar a nulidade de todo o procedimento. Isso porque a emissão de relatório fiscal complementar esclarecendo os fatos antes omissos constitui forma válida de saneamento do ato." Esclarece ter a Informação Fiscal, que concretiza os trabalhos realizados pela diligência determinada pela DRJ e serviu de fundamento para decisão ora recorrida, reconheceu expressamente os erros cometidos quando da lavratura dos autos e, na tentativa de corrigilos, promoveu uma verdadeira inovação do lançamento, sendo inadmissível tal prática. Destaca novamente o erro na eleição da base de cálculo, ofendendo a regra do art. 142 do CTN, maculando o inteiro teor do lançamento, fazendoo nulo por vício material, colacionando diversas jurisprudências deste Tribunal sobre o tema. Explicita que a diligência deve servir para sanar eventuais dúvidas ou aprofundar a análise das provas e fundamentos já existentes nos autos, não sendo possível a Fiscalização, ao identificar equivoco no critério utilizado para o lançamento e simplesmente refazer os autos, como se pretendeu no presente caso. Pugna pela nulidade do procedimento fiscal por entender que a fiscalização não se valeu de quaisquer elementos diretos ou mesmo indiretos de prova para a verificação dos fatos narrados. Que não houve a juntada aos autos de uma única nota fiscal de produtor rural pessoa física, ou algum documento fiscal que demonstrasse os valores relativos a tais aquisições. Aduz ter a fiscalização incorrido em ilegalidade ao exigir as contribuições sobre um fato jurídico presumido e não provado. Que a subsistência do Auto de Infração dependeria da comprovação por meios diretos do alegado erro na apuração. Fl. 12862DF CARF MF 6 Que não houve tentativa de validação dos dados constantes nas planilhas fornecidas com os documentos contábeis ou fiscais da empresa. Que embora a fiscalização tenha requerido no Termo de Início de Procedimento Fiscal, a disponibilização, pela empresa, de sua documentação contábil e fiscal quando solicitado, informa que essa solicitação não foi realizada, ou seja, não se buscando a verdade material. Aponta como erro de critério jurídico, que inquina de nulidade o processo, visto que a diligência, com base em análises de documentos não anteriormente utilizados (SPED), busca "salvar" os lançamentos, sem qualquer base legal, mas na realidade o inovando. No mérito, insurgese contra a inclusão na base de cálculo das receitas relativas a outras atividades econômicas exploradas pela agroindústria. Transcreve a disposição contida no artigo 22A da Lei nº 8.212/91 argumentando que a base de incidência da contribuição devida pela agroindústria é o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção. Assim, outras receitas não decorrentes da produção realizada pela agroindústria não comporiam a base de incidência. Pugna pela ilegalidade dos artigos 173, parágrafo único da Instrução Normativa RFB nº 971/09 e 201A e 201B do Decreto nº 3.048/99. Ressalta que não pretende a declaração da ilegalidade das citadas normas, o que constitui competência do Poder Judiciário, mas sim que se determine a inaplicabilidade das mesmas ao caso concreto, por serem manifestamente ilegais. Argumenta que normas ilegais ou inconstitucionais podem e devem ser rechaçados também pelos órgãos julgadores administrativos, uma vez que o controle de legalidade de atos de lançamento pressupõe a validade da norma em que se baseou. Menciona a Súmula nº 473 do STF. Argumenta que a receita relativa à prestação de serviços a terceiros se trata de hipótese de não incidência, e não exceção à regra de incidência, assim como ocorre com as receitas auferidas com a distribuição de produtos. Além disso, entende que a contribuição sobre a receita bruta constitui regime de exceção à regra geral e que qualquer hipótese que não esteja claramente definida nessa regra restará abarcada pela regra geral. Argumenta que a exclusão da base de cálculo se insere em momento anterior à existência do crédito tributário, não se falando em caso de interpretação literal da legislação tributária. Insurgese, ainda, contra o lançamento da contribuição incidente sobre a receita decorrente da comercialização de mercadorias com as trading companies, argumentando que as contribuições à previdência social inseremse no conceito de "contribuições sociais" e por isso, encontramse abrangidas pela disposição contida no artigo 149 da Constituição Federal. Não sendo possível norma inferior delimitar o conceito previsto na Constituição Federal, sendo indiferente se a exportação é realizada diretamente ou mediante a utilização de empresa comercial exportadora. Menciona a IN RFB nº 1.224, de 23 de dezembro de 2011, a qual em seu artigo 29B dispõe: considerase exportação a venda direta ao exterior ou a empresa comercial exportadora (ECE) com o fim específico de exportação para o exterior. Transcreve legislação relativa ao PIS, COFINS, IPI e ICMS contendo o mesmo entendimento e explicita não se aplicar às imunidades a previsão contida no artigo 111 do Código Tributário Nacional, que trata da interpretação literal de normas, pois o mesmo não prevê a imunidade entre os seus incisos, mas tão somente a isenção. Argumenta que deve ser Fl. 12863DF CARF MF Processo nº 13855.722232/201336 Acórdão n.º 2401004.847 S2C4T1 Fl. 12.861 7 aplicada ao caso uma interpretação ampliativa, de maneira que a interpretação que melhor se coaduna com ao texto constitucional é a de que as receitas decorrentes das vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação não devem integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias das agroindústrias. Sustenta a ilegalidade e a inconstitucionalidade da disposição contida no artigo 170 da Instrução Normativa RFB nº 971/09 ao delimitar a aplicação da imunidade à comercialização realizada diretamente com adquirente domiciliado no exterior. Argumenta que a Lei nº 8.212/91 e a Constituição Federal não prevêem tal restrição, não podendo a Instrução Normativa inovar a ordem jurídica. Transcreve doutrina e jurisprudência sobre o tema. Além disso, afirma que referida instrução normativa desvirtuou os comandos legais expressos nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/02, entendendo pela aplicação à contribuição previdenciária das disposições pertinentes ao PIS e à COFINS, por possuírem a mesma natureza jurídica. Menciona, ainda, a disposição contida nos artigos 1° e 3° do DecretoLei nº 1.248/72, entendendo que a receita decorrente de vendas pela agroindústria para empresas comerciais exportadoras deve ser equiparada a uma receita de exportação. Insurgese, ainda, contra a incidência de juros sobre as multas de ofício a serem aplicadas a partir do vencimento do prazo para recolhimento dos valores apurados no auto de infração. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para preliminarmente decretar a nulidade dos Autos de Infração, tornandoos sem efeito e, no mérito, a absoluta improcedência dos lançamentos. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 12864DF CARF MF 8 Voto Vencido Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário e passo ao exame das alegações recursais. De conformidade com o Relatório Fiscal, os fatos geradores das contribuições previdenciárias ora lançadas encontramse discriminados nos termos abaixo elencados: a) à dedução indevida na base de cálculo da contribuição da agroindústria; b) aos valores da comercialização de produção com empresas comerciais exportadoras (trading companies); e c) aos valores da comercialização da produção destinada à exportação, especificamente em relação à contribuição ao SENAR, não abrangida pela imunidade prevista na Constituição Federal. Os valores incluídos no presente auto de infração não foram objeto de declaração pelo sujeito passivo em GFIP. Consta no relatório fiscal ter a empresa apresentado à fiscalização planilhas mensais de apuração das bases de cálculo das contribuições devidas à Previdência Social e ao Senar denominadas “B. CALCULO FATURAMENTO PARA FINS RECOLHIMENTO INSS”. Na análise dessas planilhas ficou constatado que a empresa efetuava deduções indevidas da base de cálculo, relativas a: a) compra de carne abatida em outros abatedouros, por considerar que a contribuição da agroindústria incidiria somente sobre a produção relativa ao abate de animais próprios e de terceiros, não incidindo sobre o abate realizado por outra empresa; b) importação de produção agropecuária, por entender que sobre esta não haveria incidência de contribuição social; c) compra de produtos de terceiros (sadia e outros), por entender que ao revender as mercadorias adquiridas de terceiros, deveria deduzir da receita bruta o valor relativo à aquisição dos mesmos, havendo incidência de contribuição previdenciária somente sobre o valor agregado. PRELIMINAR DE NULIDADE IMPOSSIBILIDADE DE DILIGÊNCIA ALTERAR O LANÇAMENTO Em suas razões recursais, basicamente, a contribuinte procura demonstrar a nulidade material do feito. Destarte, pugna preliminarmente pela nulidade dos autos, por entender que a autuação carece de quantificação precisa do montante das contribuições como preceitua a legislação. Fl. 12865DF CARF MF Processo nº 13855.722232/201336 Acórdão n.º 2401004.847 S2C4T1 Fl. 12.862 9 Reforça a preliminar de nulidade, haja vista ter a autoridade lançadora inovado no lançamento, conforme afirmar a própria decisão recorrida, in verbis: "(...) ainda que configurada a ausência dessas informações em momento anterior, esse fato não pode acarretar a nulidade de todo o procedimento. Isso porque a emissão de relatório fiscal complementar esclarecendo os fatos antes omissos constitui forma válida de saneamento do ato." Esclarece ter a Informação Fiscal, que concretiza os trabalhos realizados pela diligência determinada pela DRJ e serviu de fundamento para decisão ora recorrida, reconheceu expressamente os erros cometidos quando da lavratura dos autos e, na tentativa de corrigilos, promoveu uma verdadeira inovação do lançamento, sendo inadmissível tal prática. Destaca novamente o erro na eleição da base de cálculo, ofendendo a regra do art. 142 do CTN, maculando o inteiro teor do lançamento, fazendoo nulo por vício material, colacionando diversas jurisprudências deste Tribunal sobre o tema. Explicita que a diligência deve servir para sanar eventuais dúvidas ou aprofundar a análise das provas e fundamentos já existentes nos autos, não sendo possível a Fiscalização, ao identificar equivoco no critério utilizado para o lançamento e simplesmente refazer os autos, como se pretendeu no presente caso. Pugna pela nulidade do procedimento fiscal por entender que a fiscalização não se valeu de quaisquer elementos diretos ou mesmo indiretos de prova para a verificação dos fatos narrados. Que não houve a juntada aos autos de uma única nota fiscal de produtor rural pessoa física, ou algum documento fiscal que demonstrasse os valores relativos a tais aquisições. Aduz ter a fiscalização incorrido em ilegalidade ao exigir as contribuições sobre um fato jurídico presumido e não provado. Que a subsistência do Auto de Infração dependeria da comprovação por meios diretos do alegado erro na apuração. Que não houve tentativa de validação dos dados constantes nas planilhas fornecidas com os documentos contábeis ou fiscais da empresa. Que embora a fiscalização tenha requerido no Termo de Início de Procedimento Fiscal, a disponibilização, pela empresa, de sua documentação contábil e fiscal quando solicitado, informa que essa solicitação não foi realizada, ou seja, não se buscando a verdade material. Aponta como erro de critério jurídico, que inquina de nulidade o processo, visto que a diligência, com base em análises de documentos não anteriormente utilizados (SPED), busca "salvar" os lançamentos, sem qualquer base legal, mas na realidade o inovando. Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pela contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que o lançamento, na parte mantida, corroborado pela decisão recorrida, apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de nulidade. Fl. 12866DF CARF MF 10 E foi precisamente o que aconteceu com os presentes lançamentos. A simples leitura dos anexos das autuações, especialmente o “Fundamentos Legais do Débito – FLD”, Relatório Fiscal e demais informações fiscais, não deixa margem de dúvida recomendando a manutenção do lançamento. Consoante se positiva dos anexos encimados, a fiscalização ao promover o lançamento demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhes suportaram, ou melhor, os fatos geradores das contribuições previdenciárias e multas ora exigidas, não se cogitando na nulidade do procedimento. Melhor elucidando, os cálculos dos valores objetos dos lançamentos foram extraídos das informações constantes dos sistemas previdenciários e fazendários, bem como dos livros contábeis, Notas Fiscais, GFIP’s, folhas de pagamentos e demais documentos contábeis, fornecidos pela própria recorrente, rechaçando qualquer dúvida quanto à regularidade do procedimento adotado pelo fiscal autuante, como procura demonstrar à autuada, uma vez que agiu da melhor forma, com estrita observância à legislação de regência. Em verdade, a contribuinte, na defesa inaugural, suscitou dúvidas quanto as base admitidas pela fiscalização ao promover o lançamento, especialmente inferindo divergências quanto as planilhas extra contábeis e a contabilidade verdadeira, além de questionar a forma em que foi realizado, devendo ter sido fundamento na aferição indireta portanto, indevidamente compondo a base de cálculo das contribuições previdenciárias ora lançadas. Diante das alegações de impugnação da contribuinte, a 9a Turma da DRJ em Ribeirão Preto entendeu por bem converter o julgamento em diligência, solicitando ao fiscal autuante alguns esclarecimentos, determinando, ainda, fosse devidamente motivado o arbitramento eventualmente procedido na apuração da exigência fiscal, consoante Resolução nº 2.795/2013, às efls. 2.961/2.963. Em atendimento à Resolução encimada, a autoridade lançadora elaborou Informação Fiscal, de efls. 2.964/2.971, explicitando como procedeu a apuração do crédito tributário, sobretudo a partir da escrituração contábil digital da contribuinte, afastando qualquer dúvida quanto ao critério da aferição DIRETA adotada, determinando, porém, a retificação do débito, de maneira a retirar da base de cálculo o valor objeto de devolução por parte do cliente, além de constatar um erro na totalização das bases de cálculo de certo levantamento, diferença esta objeto de auto de infração específico, senão vejamos: "[...] Não obstante o contido na citada intimação, entendeuse na ocasião não ser necessário intimar a empresa a apresentar os documentos fiscais e contábeis (em meio papel),uma vez que os arquivos digitais contendo as informações fiscais e contábeis da referida empresa referentes ao anocalendário 2010, tais como: NFeas Notas Fiscais Eletrônicas, EFDEscrituração Fiscal Digital e ECDEscrituração Contábil Digital, encontravamse armazenadas no banco de dados do SPEDSistema Público de Escrituração Digital, e, disponíveis para a fiscalização da Receita Federal do Brasil. Sendo o processo em referência composto dos Autos de Infração a seguir relacionados, que por sua vez tiveram sua origem nos fatos geradores identificados pelos respectivos Levantamentos Fl. 12867DF CARF MF Processo nº 13855.722232/201336 Acórdão n.º 2401004.847 S2C4T1 Fl. 12.863 11 (LEV), os esclarecimentos serão feitos individualmente para cada Levantamento. [...] Com efeito, ao analisar a sua ECDEscrituração Contábil Digital foi constatado que a diferença entre o valor total das vendas a comerciais exportadoras utilizado como base de cálculo para o (LEVR3) nesse mês considerou a nota fiscal n° 9077 de valor R$ 129.176,00 que foi objeto de devolução por parte do cliente, cujo lançamento encontrase registrado a débito da conta 2.1.5.02.01Devoluções a PagarMercado Interno e a crédito da conta 1.1.2.01.01Clientes de Mercado interno. Em razão disso, o lançamento relativo ao Levantamento R3 RURAL VENDA COML EXPORTADORA no mês de 07/2010 será retificado conforme discriminado nos quadros abaixo: [...] Ainda com relação ao LEVANTAMENTO R4 COML RURAL MERC EXTERNO, ao analisar o demonstrativo das bases de cálculo (Anexo III) do Auto de Infração, com vistas a averiguar a procedência as alegações do contribuinte, foi verificado que nos meses de março, abril e junho de 2010 ocorreu um erro na totalização das bases de cálculo, tendo como conseqüência o lançamento a menos nessas competências. Em razão disso as diferenças apuradas e demonstradas no quadro abaixo serão objetos de auto de infração específico. [...] Em esclarecimento ao quesito nº 3 da Resolução 2.795 9ª Turma da DRJ/POR entende a fiscalização que não há que se falar em aferição indireta, haja vista que o lançamento tributário se deu com base nas Notas Fiscais emitidas pela empresa (NFe) e na sua Escrituração Fiscal Digital EFD, conforme restou demonstrado e comprovado. [...]" Extraise do resultado da diligência, com excerto acima transcrito, que não há se falar em mudança de critério jurídico de apuração do crédito tributário. Ao contrário, o fiscal autuante somente esclareceu dúvida do julgador de primeira instância em relação à documentação adotada na constituição do crédito tributário, tendo a fiscalização elucidado que se baseou na própria escrituração contábil digital da contribuinte, o que rechaça qualquer dúvida em relação à regularidade do feito, bem como da suposta aferição indireta. A propósito da suposta alteração do critério jurídico, se eventualmente a fiscalização tivesse explicitado que, de fato, o lançamento escorouse no procedimento do arbitramento sem que tivesse havido a devida motivação quando da lavratura do Auto de Infração, o fazendo somente na Informação Fiscal, aí sim estaríamos diante de uma indevida mudança do critério jurídico do lançamento informado inicialmente e alterado na diligência fiscal, ou mesmo complementação das razões do lançamento, o que, na melhor das hipóteses, Fl. 12868DF CARF MF 12 se prestaria a deslocar o termo final do prazo decadencial para data da Informação Fiscal, oportunidade em que o lançamento teria sido devidamente aperfeiçoado/consumado. Mas não é o que se vislumbra na hipótese vertente, onde o fiscal autuante, a partir de diligência determinada exatamente em razão das alegações da contribuinte, simplesmente reconheceu que incluiu, indevidamente, o valor de uma compra devolvida na base de cálculo das contribuições ora lançadas, o que ensejou sua retificação, explicitando, ainda, outras questões aventadas pelo julgador de primeira instância. Não houve, em nenhum momento, aditamento às razões do lançamento ou mesmo mudança de critério jurídico, mas tão somente, repitase, elucidação de pontos que o julgador de primeira instância suscitou, especialmente em razão da defesa da contribuinte. Ora, o fato de o fiscal autuante admitir que cometeu equívoco, propondo a retificação do débito, com simples exclusões de notas fiscais, notadamente em face das alegações da então impugnante, não implica dizer que inovou o lançamento ou mesmo mudou o critério jurídico de apuração do débito. Com efeito, a conduta do fiscal autuante em esclarecer dúvidas do julgador recorrido, a partir das razões de defesa da contribuinte, não representa, necessariamente, inovação ao lançamento ou alteração do critério jurídico. Fosse, assim, toda diligência que este Colegiado determinasse, obviamente em razão de alguma dúvida, implicaria em inovação ao Auto de Infração, o que não condiz com a melhor interpretação da legislação de regência. Ademais, a exemplo da defesa inaugural, a contribuinte não trouxe qualquer elemento de prova capaz de comprovar que o lançamento encontrase maculado por vício em sua formalidade e/ou materialidade, escorando seu pleito em simples arrazoado desprovido de demonstração do sustentado. Mais a mais, tratandose de matéria de fato, caberia a contribuinte ao ofertar a sua defesa produzir a prova em contrário através de documentação hábil e idônea, mormente tratandose de lançamento por arbitramento. Não o tendo feito, é de se manter o lançamento. RECEITAS NÃO RELACIONADAS À AGROINDÚSTRIA No mérito, insurgese contra a inclusão na base de cálculo das receitas relativas a outras atividades econômicas exploradas pela agroindústria. Transcreve a disposição contida no artigo 22A da Lei nº 8.212/91 argumentando que a base de incidência da contribuição devida pela agroindústria é o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção. Assim, outras receitas não decorrentes da produção realizada pela agroindústria não comporiam a base de incidência. Pugna pela ilegalidade dos artigos 173, parágrafo único da Instrução Normativa RFB nº 971/09 e 201A e 201B do Decreto nº 3.048/99. Ressalta que não pretende a declaração da ilegalidade das citadas normas, o que constitui competência do Poder Judiciário, mas sim que se determine a inaplicabilidade das mesmas ao caso concreto, por serem manifestamente ilegais. Argumenta que normas ilegais ou inconstitucionais podem e devem ser rechaçados também pelos órgãos julgadores administrativos, uma vez que o controle de legalidade de atos de lançamento pressupõe a validade da norma em que se baseou. Menciona a Súmula nº 473 do STF. Fl. 12869DF CARF MF Processo nº 13855.722232/201336 Acórdão n.º 2401004.847 S2C4T1 Fl. 12.864 13 Argumenta que a receita relativa à prestação de serviços a terceiros se trata de hipótese de não incidência, e não exceção à regra de incidência, assim como ocorre com as receitas auferidas com a distribuição de produtos. Além disso, entende que a contribuição sobre a receita bruta constitui regime de exceção à regra geral e que qualquer hipótese que não esteja claramente definida nessa regra restará abarcada pela regra geral. Argumenta que a exclusão da base de cálculo se insere em momento anterior à existência do crédito tributário, não se falando em caso de interpretação literal da legislação tributária. Em relação, às receitas não relacionadas à agroindústria, a caracterização de agroindústria leva em consideração a atividade preponderante e, se o contribuinte não discute essa classificação, concorda com esse regime de tributação e toda sua receita será tributada dessa forma. Mais uma vez, a recorrente não apresenta qualquer documento capaz de comprovar suas alegações, argumentos sem provas não são suficientes para rechaçar a pretensão fiscal e o bem fundamento acórdão de primeira instância, o qual peço vênia para transcrever, e, o tomo como razão de decidir nesta oportunidade, resguardando o direito de uma nova oportunidade expor entendimento diverso: " Pretende, a impugnante, a desconstituição do crédito tributário relativo às receitas não decorrentes da comercialização de sua produção, isto é, as receitas relativas a outras atividades exploradas pela agroindústria. Argumenta que a pretensão não se encontra amparada pelo artigo 22A da Lei nº 8.212/91, pugnando pela ilegalidade da disposição contida nos artigos 173, parágrafo único da Instrução Normativa RFB nº 971/09 e dos artigos 201A e 201B do Decreto nº 3.048/99. O artigo 22A da Lei n° 8.212/91 contém a seguinte redação: Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de: Observase que o dispositivo em questão não delimita a abrangência da base de cálculo como se a incidência ocorresse somente sobre a produção própria. A interpretação do dispositivo como um todo demonstra que o termo “produção” foi utilizado de maneira genérica, abrangendo a produção própria e adquirida de terceiros, pois ambas já haviam sido mencionadas no mesmo dispositivo. E a necessária regulamentação encontrase abrangida pelos artigos 201A e 201B do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99: Fl. 12870DF CARF MF 14 Art. 201A. (...) § 1º Para os fins deste artigo, entendese por receita bruta o valor total da receita proveniente da comercialização da produção própria e da adquirida de terceiros, industrializada ou não. § 2o O disposto neste artigo não se aplica às operações relativas à prestação de serviços a terceiros, cujas contribuições previdenciárias continuam sendo devidas na forma do art. 201 e 202, obrigandose a empresa a elaborar folha de salários e registros contábeis distintos. Art. 201B. Aplicase o disposto no artigo anterior, ainda que a agroindústria explore, também, outra atividade econômica autônoma, no mesmo ou em estabelecimento distinto, hipótese em que a contribuição incidirá sobre o valor da receita bruta dela decorrente. Com a leitura dos dispositivos acima transcritos não remanesce dúvida de que os procedimentos adotados pela fiscalização coadunamse com a legislação que rege a matéria uma vez que a base de cálculo da contribuição devida pela agroindústria deve recair sobre a totalidade dos rendimentos por ela auferidos pela comercialização da produção, seja ela própria ou adquirida de terceiros, industrializada ou não. O Auditor Fiscal autuante, ao efetuar o lançamento dos valores ora combatidos já apreciou os argumentos expostos pela defesa, apresentando os esclarecimentos necessários e suficientes ao correto entendimento das disposições legais, cujos termos transcrevese abaixo, para que façam parte do presente como argumentos ínsitos ao voto desta relatora: Em sua resposta à intimação n° 02 o contribuinte traz alguns excertos da legislação com vistas a justificar as deduções feitas nas bases de cálculo mensais das contribuições previdenciárias devidas, concluindo, de forma equivocada, que a contribuição devida pela agroindústria incidiria “...apenas na produção de abate de animais próprios e abate de animais de terceiros”, o que no seu entender justificaria as deduções (de compra de carnes de outros frigoríficos, de produtos adquiridos de terceiros e de produtos importados) feitas nas bases de cálculo mensais. No entanto, não há no texto normativo qualquer referência a restrições de atividades na caracterização de agroindústria, ao contrário, o conceito de agroindústria trazido pela norma legal diz respeito à empresa como um todo e não apenas à determinadas atividades por ela exercidas. (...) No que tange à base de cálculo das contribuições incidentes sobre a comercialização da produção da agroindústria, a legislação é bastante clara em sua definição, não trazendo em seu conteúdo quaisquer hipóteses de dedução, exceto aquelas aplicadas ao conceito de receita bruta (vendas canceladas, devoluções de vendas e descontos incondicionais concedidos) Fl. 12871DF CARF MF Processo nº 13855.722232/201336 Acórdão n.º 2401004.847 S2C4T1 Fl. 12.865 15 (...) Como se vê a própria Instrução Normativa nº 971/2009, no parágrafo único do artigo 173 estabelece que o valor da receita bruta decorrente de outra atividade econômica autônoma, explorada pela agroindústria também é base de cálculo das contribuições devidas. Ou seja, definida a atividade da empresa como sendo agroindústria, toda a receita bruta decorrente de suas atividades é considerada base de cálculo das contribuições devidas à Previdência Social e ao Senar. A única exceção trazida pela norma é quanto às operações relativas à prestação de serviços a terceiros (§ único do artigo 173, c/c inciso I do artigo 180 dessa IN). (...) Em vista dos esclarecimentos acima e em total acordo com a legislação que rege a matéria, ficou comprovado que as contribuições devidas à Previdência Social e ao Senar, previstas no artigo 22A, incisos I e II, e §5o da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001, incidem sobre o total da receita bruta proveniente da comercialização da produção e, também sobre a receita bruta relativa a qualquer outra atividade econômica por ela explorada, exceto a prestação de serviços, não cabendo portanto a exclusão de qualquer outro valor na base de cálculo das contribuições devidas, como quer o contribuinte, seja relativo à aquisição de carnes de outros frigoríficos ou de outros produtos adquiridos de terceiros (Sadia e outros), ou ainda, à importação de produção agropecuária. Requer, a impugnante, seja afastada a aplicação das disposições regulamentares e normativas que dispõem sobre o assunto. Contudo, por se tratar de disposição expressa prevista na legislação, compete à administração o seu cumprimento. Além disso, apesar da impugnante entender que o julgador em âmbito administrativo possui competência para exercer o controle da legalidade/inconstitucionalidade da legislação, requerendo que se determine a inaplicabilidade das mesmas ao caso concreto por serem manifestamente ilegais, cumpre esclarecer que as apreciações dessa natureza encontramse expressamente vedadas ao âmbito administrativo, conforme se verifica das disposições constantes nos artigos 26A do Decreto nº 70.235/72 e artigo 18 da Portaria nº 10.875/07. A respeito, convém citar a Súmula 02 do CARF: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária.”" Essas são as razões de decidir do órgão de primeira instância, as quais estão muito bem fundamentadas, motivo pelo qual, após análise minuciosa da volumosa demanda, compartilho das conclusões acima esposadas. Fl. 12872DF CARF MF 16 EXPORTAÇÃO VIA TRADING COMPANY IMUNIDADE Insurgese, ainda, contra o lançamento da contribuição incidente sobre a receita decorrente da comercialização de mercadorias com as trading companies, argumentando que as contribuições à previdência social inseremse no conceito de "contribuições sociais" e por isso, encontramse abrangidas pela disposição contida no artigo 149 da Constituição Federal. Não sendo possível norma inferior delimitar o conceito previsto na Constituição Federal, sendo indiferente se a exportação é realizada diretamente ou mediante a utilização de empresa comercial exportadora. Menciona a IN RFB nº 1.224, de 23 de dezembro de 2011, a qual em seu artigo 29B dispõe: considerase exportação a venda direta ao exterior ou a empresa comercial exportadora (ECE) com o fim específico de exportação para o exterior. Transcreve legislação relativa ao PIS, COFINS, IPI e ICMS contendo o mesmo entendimento e explicita não se aplicar às imunidades a previsão contida no artigo 111 do Código Tributário Nacional, que trata da interpretação literal de normas, pois o mesmo não prevê a imunidade entre os seus incisos, mas tão somente a isenção. Argumenta que deve ser aplicada ao caso uma interpretação ampliativa, de maneira que a interpretação que melhor se coaduna com ao texto constitucional é a de que as receitas decorrentes das vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação não devem integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias das agroindústrias. Sustenta a ilegalidade e a inconstitucionalidade da disposição contida no artigo 170 da Instrução Normativa RFB nº 971/09 ao delimitar a aplicação da imunidade à comercialização realizada diretamente com adquirente domiciliado no exterior. Argumenta que a Lei nº 8.212/91 e a Constituição Federal não prevêem tal restrição, não podendo a Instrução Normativa inovar a ordem jurídica. Transcreve doutrina e jurisprudência sobre o tema. Além disso, afirma que referida instrução normativa desvirtuou os comandos legais expressos nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/02, entendendo pela aplicação à contribuição previdenciária das disposições pertinentes ao PIS e à COFINS, por possuírem a mesma natureza jurídica. Menciona, ainda, a disposição contida nos artigos 1° e 3° do DecretoLei nº 1.248/72, entendendo que a receita decorrente de vendas pela agroindústria para empresas comerciais exportadoras deve ser equiparada a uma receita de exportação. Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão da imunidade quanto as contribuições, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que regulamentam a matéria. Como se sabe, o art. 149 da Constituição Federal determinou a não incidência das contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico sobre as receitas decorrentes de exportação. Vejamos o que determina o referido dispositivo constitucional: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: Fl. 12873DF CARF MF Processo nº 13855.722232/201336 Acórdão n.º 2401004.847 S2C4T1 Fl. 12.866 17 I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação;(grifamos) Como se vê, o legislador constitucional estabeleceu que as receitas decorrentes da exportação são imunes à incidência das contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico. Notase que o Constituinte foi bastante claro ao delimitar as contribuições que seriam imunes. Tenho o entendimento pessoal de que “contribuição social” é um gênero do qual são espécies as contribuições para custeio da intervenção no domínio econômico (CIDE) e as de interesse das categorias profissionais ou econômicas. Porém, o alcance da norma legal somente terá amplitude a todas as espécies quando o legislador contemplar o termo "contribuição social" em sentido lato, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, onde o constituinte foi por demais enfático ao delimitar as contribuições que estariam sob o manto da imunidade sob análise, quais sejam, as contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo, o que rechaça de plano a pretensão da contribuinte ao pretender incluir em aludido benefício fiscal as contribuições destinadas a terceiros – SENAR. In casu, a Constituição Federal não restringiu o conceito de receita de exportação abrangido pela imunidade consagrada pelo inciso I do §2º do seu art. 149. Por sua vez, o Poder Executivo, ao regulamentar esta previsão constitucional, através da IN SRP nº 03/2005, estabeleceu que apenas haverá a imunidade quando a receita de exportação decorrer de comercialização diretamente com o adquirente domiciliado no exterior. Vejamos o teor do §1º do art. 245 do referido ato normativo: Art. 245. Não incidem as contribuições sociais de que trata este Capítulo sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos, cuja comercialização ocorra a partir de 12 de dezembro de 2001, por força do disposto no inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal, alterado pela Emenda Constitucional nº 33, de 11 de dezembro de 2001. § 1º Aplicase o disposto neste artigo exclusivamente quando a produção é comercializada diretamente com adquirente domiciliado no exterior. § 2º A receita decorrente de comercialização com empresa constituída e em funcionamento no País é considerada receita proveniente do comércio interno e não de exportação, independentemente da destinação que esta dará ao produto.(grifo nosso) Desse modo, verificase que a norma constitucional que institui a imunidade não pode ser mitigada por lei, muito menos por ato normativo expedido pela autoridade administrativa. É preciso, então, que seja respeitada a limitação do exercício da competência imposta pelo legislador constituinte. O entendimento pessoal deste Conselheiro é de que se interpreta de forma teleológica a previsão consagrada no § 2º do art. 149 da CF, no sentido de que a imunidade contemplada neste dispositivo abrange as receitas decorrentes da comercialização de produtos nacionais com destino ao exterior. Portanto, não é razoável excluir da abrangência dessa norma imunizante as operações que possuem o fim específico de exportação, como é o caso das Fl. 12874DF CARF MF 18 vendas realizadas a empresas comerciais exportadoras cujo destino das mercadorias comercializadas seja unicamente o exterior. Feita essas considerações, apesar de já está claro o entendimento, para um melhor embasamento, é mister tecer algumas considerações acerca da natureza das trading companies e do seu regramento no ordenamento jurídico. As trading companies atuam como intermediadoras na representação e comercialização de produtos no comércio internacional, possibilitando não só uma considerável agilidade na condução dos procedimentos, como também uma maior inserção da produção econômica nacional no comércio exterior. Todavia, muito mais que possibilitar o aumento da competitividade da produção nacional no cenário econômico externo, a trading exerce papel de facilitador da exportação da produção oriunda de pequenos produtores, os quais, em sua grande maioria, possuem certa dificuldade em atuar no mercado internacional, em virtude de não possuírem a logística adequada para o desenvolvimento desta função. Nesse sentido, exerce a trading company papel de destaque no desenvolvimento da economia nacional, vez que, não fosse por elas, ficariam impossibilitados os pequenos produtores de ver sua produção comercializada no exterior, o que prejudicaria não só o crescimento econômico brasileiro, mas também o próprio meio de vida de pessoas que não dispõem dos meios adequados para o envio direito de sua produção ao exterior, restando, portanto, diretamente violada a valorização do trabalho e da livre iniciativa consagrada logo no artigo primeiro da Constituição Federal como princípio fundamental da República Federativa do Brasil. Destarte, no escopo de desenvolver e estimular as exportações de produtos nacionais, foi editado o DecretoLei 1.248/72, recepcionado pela atual Constituição, concedendo uma série de incentivos fiscais às operações realizadas pelas trading companies quando tiverem por objeto específico atividades ligadas ao envio de produtos pátrios ao exterior, conforme se depreende da leitura dos artigos 1º e 2º do referido decreto, abaixo transcritos: Art.1º As operações decorrentes de compra de mercadorias no mercado interno, quando realizadas por empresa comercial exportadora, para o fim específico de exportação, terão o tratamento tributário previsto neste DecretoLei. Parágrafo único. Consideramse destinadas ao fim específico de exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtorvendedor para: a) embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora; b) depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento. Art.2º O disposto no artigo anterior aplicase às empresas comerciais exportadoras que satisfizerem os seguintes requisitos mínimos: I Registro especial na Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil S/A. (CACEX) e na Secretaria da Receita Federal, de acordo com as normas aprovadas pelo Ministro da Fazenda; II Constituição sob forma de sociedade por ações, devendo ser nominativas as ações com direito a voto; Fl. 12875DF CARF MF Processo nº 13855.722232/201336 Acórdão n.º 2401004.847 S2C4T1 Fl. 12.867 19 III Capital mínimo fixado pelo Conselho Monetário Nacional. (grifamos) Da simples leitura dos dispositivos acima, resta claro que, atendidos os requisitos legais, pode perfeitamente gozar a trading dos benefícios fiscais que buscam diminuir a carga tributária incidente sobre sua atividade, dentre os quais a imunidade prevista no inciso I, do § 2º do artigo 149 da Constituição Federal, o qual estabelece, expressamente, que contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico não incidem sobre as receitas decorrentes de exportação. Como o dispositivo constitucional mencionado supra não faz qualquer distinção entre o tipo de exportação passível de ser abrangida pela imunidade nele prevista, isto é, não diferencia a exportação direta daquela realizada por intermédio de trading companies, não cabe à Administração Pública determinar que apenas as operações de exportações realizadas diretamente com adquirente domiciliado no exterior é que são aptas ao gozo do referido favor constitucional, pois ubi lex non distinguit nec nos distinguere debemus (onde o legislador não distingue, não cabe ao intérprete distinguir), sob pena de afronta ao Princípio da Legalidade. Todavia, apesar de tão óbvio e claro preceito, a Secretaria da Receita Previdenciária, por meio de sua Instrução Normativa, já mencionada, estabeleceu que, em relação às atividades rurais e agroindustriais, a imunidade a que se refere o inciso I do § 2º do artigo 149 da Constituição Federal seria restrita às exportações realizadas diretamente entre o produtor e o comprador externo. Desta forma, a partir da vigência da referida instrução normativa, as operações de exportação realizadas por trading companies e empresas comerciais exportadoras foram oneradas pelas contribuições previdenciárias, vez que foram consideradas como receitas provenientes do comércio interno e não de exportação, não estando, portanto, abrangidas pela imunidade prevista no inciso I do §2º do artigo 149 da Constituição Federal. Tal situação, todavia, não só afronta uma série de princípios expressamente consagrados pelo Diploma Maior no escopo de proteger o contribuinte de exações indevidas, como também, por tabela, acaba por deturpar gravemente o próprio conceito de tributo consagrado pelo nosso ordenamento jurídico e por descaracterizar a atuação da Administração Pública, a qual, conforme já afirmado, deve ser guiada unicamente pelo que está expressamente previsto em lei. Sabese que a nossa Constituição Federal, ao longo de vários artigos componentes de seu extenso texto, consagra uma série de disposições normativas com o objetivo de afirmar o contribuinte não como um simples objeto de tributação, mas sim como um verdadeiro sujeito de direito frente ao Estado. Destarte, está o contribuinte, munido de um verdadeiro estatuto de proteção contra as eventuais arbitrariedades indevidas que possam, equivocadamente, vir a ser contra ele cometidas, como é o caso da edição da referida instrução normativa a partir da errônea interpretação do teor I do §2º do artigo 149 do Diploma Magno. Ora, conforme já afirmado, inexiste dispositivo legal estabelecendo a distinção acerca tipo de atividade exportadora abrangido por esta imunidade. Fl. 12876DF CARF MF 20 Dessa forma, não pode a administração pública determinar que apenas aquelas realizadas diretamente com o adquirente domiciliado no exterior é que são imunes à incidência de contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico, independentemente de quaisquer argumentos no sentido de justificar a tributação das exportações realizadas por intermédio de trading companies. O entendimento de que a imunidade prevista no inciso I do §2º do artigo 149 da Constituição deve ser aplicado, também, às exportações realizadas por intermédio de trading companies em razão de não haver distinção acerca do tipo de operação por ela abrangido, já foi, inclusive, corroborado pelo Egrégio Tribunal Regional Federal da Quinta Região, conforme se depreende do julgado cuja ementa segue abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO E CONSTITUCIONAL. ART. 149 PARAGRAFO 2º, I, DA CF.CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO INTERMEDIADAS POR "TRADINGS". ART. 22A DA LEI N° 8.212/91.PRECDENTE. O legislador constitucional pretendeu incentivar as operações de exportação, concedendo a imunidade prevista no art. 149, parágrafo 2º, I, da CF/88, cingidas às receitas de exportação. Entender que a referida imunidade aplicarseia tão somente às receitas de exportação, sem nelas incluir as receitas advindas de operações intermediadas por "tranding" seria dar uma interpretação restritiva onde o legislador não o fez. Inaplicabilidade da IN da SRP nº 03/01 que restringiu a abrangência da referida imunidade tributária apenas às operações de comercialização que fossem realizadas diretamente pela empresa com adquirente estrangeiro, em respeito ao princípio de hierarquia das leis. Precedente (TRF3 ª Reg.AG 257656SP, Des. Federal Johonsom Di Salvo, DJ 31.08.2006, pág. 256) Apelação e remessa oficial improvidas.(TRF5, AMS 95393, Rel: Desembargador Federal Francisco Wildo, Órgão Julgador: Primeira Turma, Julgado em: 15/02/2007, DJe: 30/03/2007) No escopo de corroborar este entendimento, destacase mais uma ementa de outro julgado em sentido semelhante: DIREITO CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO AGRAVO DE INSTRUMENTO EM FACE DA DECISÃO QUE DEFERIU LIMINAR PARA DETERMINAR A NÃO SUJEIÇÃO DAS IMPETRANTES AOS EFEITOS DA RESTRIÇÃO IMPOSTA PELO ARTIGO 245, PARÁGRAFOS 1º E 2º DA IN MPS/SRP Nº 3 ARTIGO 149, PARÁGRAFO 2º, INCISO I, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO IMUNES DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – NORMA INFRACONSTITUCIONAL QUE PRETENDE DESABRIGAR DA IMUNIDADE O RESULTADO DA EXPORTAÇÃO INTERMEDIADA POR "TRADING COMPANIES" AGRAVO DE INSTRUMENTO IMPROVIDO. (...) 2.O art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal assim que as contribuições sociais "não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação". 3. O objetivo do constituinte é desonerar das contribuições as receitas oriundas de operações Fl. 12877DF CARF MF Processo nº 13855.722232/201336 Acórdão n.º 2401004.847 S2C4T1 Fl. 12.868 21 de exportação; a Carta Magna não distinguiu entre as exportações diretas (operação entre o produtor local e o adquirente alienígena, sediado no estrangeiro) e as exportações indiretas (operações "triangulares", envolvendo o produtor local, uma empresa exportadora intermediária e o adquirente alienígena situado noutro país). 4. Dispõe o art. 110 do Código Tributário Nacional que "a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias." 5. Não parece adequada a distinção feita na Instrução Normativa nº 03/2005, em seu art. 245, § 2º, de modo a desabrigar da imunidade o resultado da exportação intermediada por "trading companies", uma vez que norma infralegal não pode ir além do texto legal, menos ainda do texto constitucional. 6. Na verdade tudo indica que o § 2º do art. 149 da Constituição Federal intenta imunizar a receita adquirida quando houver específica operação de exportação; isso é o que mais importa, e não quem seja o contratante que está na "outra ponta" do negócio.7. Preliminar de incompetência absoluta do Juízo a quo rejeitada e, no mérito, agravo de instrumento improvido. (AGTR 257656/SP. Rel. Des. Fed. Johonsom Di Salvo. Julgado em 31.08.2006. DJU de 31.08.2006, p.256.) Assim, partindose do pressuposto de que a Constituição Federal consagra, no inciso IV do artigo primeiro, os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa como princípios fundamentais da República Federativa do Brasil, concluise que a indevida tributação das exportações realizadas por intermédio de trading companies fere de morte este basilar preceito constitucional, vez que cria entraves para o desenvolvimento salutar do meio de vida de pessoas que, em virtude das mais diversas razões, não apresentam condições de realizar as operações de venda de sua produção diretamente com o adquirente domiciliado no exterior. Destarte, diante não só desse fato, mas também da total ausência no ordenamento jurídico pátrio de qualquer dispositivo legal apto ao estabelecimento do tipo de exportação atingido pelo disposto no inciso I do §2º do artigo 149 da Constituição Federal, em obediência e respeito ao Princípio da Legalidade, não há que se falar na impossibilidade não gozarem as exportações realizadas por intermédio de trading company da imunidade prevista no referido dispositivo constitucional, razão pela qual é, neste ponto, improcedente o lançamento pelo Fisco realizado. No entanto, em relação à contribuição ao SENAR, que trata o caso concreto, o mesmo entendimento não deve ser aplicado, conforme passo a demonstrar. É assente na doutrina e na jurisprudência que a contribuição ao SENAR possui a natureza jurídica de contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas, pois se destina a proporcionar maior desenvolvimento à atuação de categoria específica, que é o produtor rural, sendo exigida de contribuintes vinculados a este setor e a arrecadação é destinada a ações de formação profissional rural e promoção social de trabalhadores e produtores rurais. Fl. 12878DF CARF MF 22 Tendo, portanto, a natureza de contribuições de interesse das categorias profissionais, a contribuição ao SENAR não está incluída na regra de imunidade prevista no inciso I §2 º art. 149 da Constituição. Conforme transcrito em linhas acima, o referido artigo prevê em seu caput que “Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais e econômicas”. Como se vê, existem três tipos de contribuições previstas no art. 149 da Constituição, quais sejam: (i) contribuições sociais; (ii) contribuições de intervenção no domínio econômico; e (iii) contribuições de interesse das categorias profissionais e econômicas. Entretanto, no §2º, inciso I, apenas encontrase prevista a imunidade das receitas de exportação em relação às “contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico”. Logo, resta claro que a imunidade prevista em relação às receitas decorrentes da exportação não abrange as contribuições de interesse de categoria profissionais ou econômicas. JUROS SOBRE A MULTA Insurgese, ainda, contra a incidência de juros sobre as multas de ofício a serem aplicadas a partir do vencimento do prazo para recolhimento dos valores apurados no auto de infração. Relativamente à matéria, entendo assistir razão à Recorrente. Isso porque o artigo 61 da Lei nº 9.430 não prevê a incidência de juros sobre a multa de oficio, mas apenas a da multa de mora sobre o débito decorrente de tributos e contribuições. Dessa forma, merece guarida a pretensão da contribuinte, consoante restou muito bem explicitado no voto vencido do Acórdão n° 920201.806, o qual me filio, da lavra do Conselheiro Gustavo Lian Haddad, exarado pela 2a Turma CSRF nos autos do processo n° 10768.010559/200119, de onde peça vênia para transcrever excerto e adotar como razões de decidir, in verbis: “[...] Assim, no mérito, a discussão no presente recurso está limitada à incidência dos juros moratórios equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC sobre a multa de oficio. Tal discussão já foi examinada pelo antigo Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em diversas oportunidades, sendo que três posições/entendimentos restaram assentados sobre o tema, quais sejam: de que é possível a incidência de juros sobre a multa de ofício a partir do vencimento do prazo da impugnação, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC; Fl. 12879DF CARF MF Processo nº 13855.722232/201336 Acórdão n.º 2401004.847 S2C4T1 Fl. 12.869 23 de que é possível a incidência de juros sobre a multa de ofício a partir do vencimento do prazo da impugnação, sendo que tais juros devem ser calculados à razão de 1% ao mês; e de que não é possível a incidência de juros sobre a multa de ofício. Tanto a primeira quanto a segunda tese admitem a incidência dos juros sobre a multa de ofício por entenderem que o artigo 161 do Código Tributário Nacional assim autoriza, divergindo, no entanto, sobre a possibilidade desses juros serem calculados pela SELIC (Lei nº 9.430/1996) ou à razão de 1% ao mês nos termos do enunciado do §1º do Código Tributário Nacional – CTN (1% ao mês). Data máxima vênia, entendo que nenhuma das duas posições é a que mais se coaduna com o ordenamento vigente (não em suas disposições isolados, mas em seu conjunto). Sobre a incidência de juros de mora o citado artigo 161 do CTN determina: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.” (original sem grifo) O dispositivo acima referido autoriza a incidência de juros sobre o “crédito não integralmente pago no vencimento”. “Crédito”, por sua vez, é definido no artigo 139 do CTN, que assim dispõe: “Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta.” Obrigação tributária, por fim, vem definida no art. 113,verbis: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Fl. 12880DF CARF MF 24 § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária.” A questão a ser enfrentada é a possibilidade dos juros de mora incidirem sobre a multa de ofício, aplicada pela autoridade fiscal proporcionalmente ao tributo lançado, considerando a expressão “penalidade pecuniária” incluída no parágrafo 1º art. 113. A meu ver a expressão “penalidade pecuniária” ali referida é a penalidade decorrente da inobservância de determinada obrigação acessória (de fazer ou não fazer), que se converte em obrigação principal nos termos do parágrafo 3º do mesmo artigo 113. Tal expressão jamais poderia ser interpretada como a penalidade pecuniária exigida em conjunto com o tributo não pago, até porque ficaria desprovida de sentido no contexto do dispositivo. Se a penalidade (no caso a multa do ofício) já estivesse incluída na expressão “crédito” sobre o qual incidem os juros de mora nos termos do artigo 161 do mesmo CTN, não haveria razão alguma para a ressalva final constante no referido dispositivo no sentido de que o crédito deve ser exigido “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis”. Outrossim, com base nessa mesma interpretação, poderia se, inclusive, cogitar da possibilidade de incidência de penalidade (multa) sobre crédito tributário que já englobasse tributo e multa, o que obviamente caracterizaria um non senso jurídico. Ademais, cumpre observar que o conceito de juros advém do direito privado e, conforme preceitua o artigo 110 do CTN, quando as categorias de direito privado estão apenas referidas na lei tributária deve o aplicador se socorrer do direito privado para compreendêlas. No âmbito do direito privado os juros existem para indenizar o credor pela inexecução da obrigação no prazo estipulado. Já a multa não serve para repor ou indenizar o capital alheio, mas para sancionar a inexecução da obrigação. Assim, se os juros remuneram o credor (no caso o Fisco) pela privação do uso de seu capital devem eles incidir somente sobre o que tributo não recolhido no vencimento, e não sobre a multa de ofício, que tem caráter punitivo. A vocação da multa, já suficiente severa, é punir o descumprimento, enquanto a dos juros é remunerar o capital não recebido pelo Estado. Dizer que a multa deve ser “corrigida” é ignorar que a legislação tributária brasileira extinguiu a correção monetária desde 1995, sendo preocupação freqüente das administrações tributárias que se seguiram evitar a Fl. 12881DF CARF MF Processo nº 13855.722232/201336 Acórdão n.º 2401004.847 S2C4T1 Fl. 12.870 25 indexação automática própria dos regimes inflacionários que foram extremamente prejudiciais à economia brasileira. Com base no raciocínio acima exposto, entendo que o CTN não autoriza a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada proporcionalmente ao tributo, ficando prejudicada a discussão acerca do índice aplicável. Por outro lado e à guisa de argumentação, ainda que se entendesse que o CTN autoriza a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, mister se faz analisar a legislação ordinária em vigor no período em que a multa exigida foi aplicada. Nesse sentido, argumentase que a exigência de juros sobre a multa aplicada proporcionalmente estaria amparada no art. 61, §3º da Lei n. 9.430/1996, que assim estabelece: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo, incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Do exame do dispositivo resulta que os débitos a que se refere o § 3º são aqueles decorrentes de tributos e contribuições mencionados no caput. Decorrente é aquilo que se segue, que é conseqüente. De fato o não pagamento de tributos e contribuições nos prazos previstos na legislação faz nascer o débito. Em outras palavras, o débito decorre do não pagamento de tributos e contribuições nos prazos. A multa de oficio não é débito decorrente de tributos e contribuições. Ela decorre, nos exatos termos do art. 44 da Lei n°9.430/96, da punição aplicada pela fiscalização às seguintes condutas: a) falta de pagamento ou recolhimento dos tributos e contribuições, após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória; e b) falta de declaração e nos de declaração inexata. Os débitos de tributos e contribuições e de multas (penalidades) têm causas diversas, não se confundindo nos termos do art. 3º do CTN. Enquanto os débitos de tributos e contribuições decorrem da prática dos respectivos fatos Fl. 12882DF CARF MF 26 geradores, as multas decorrem de violações à norma legal, no caso, da violação do dever de pagar o tributo no prazo legal. Ao utilizar a expressão “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições” a Lei nº 9.430/96 somente pode estar aludindo a débitos não lançados, visto que está normatizando a incidência sobre estes da multa de mora, sendo ilógico entender que ali se contém a multa de ofício lançada proporcionalmente. Ademais, caso a expressão “débitos” constante do art. 61 contemplasse o principal e a multa de ofício, seria imperioso admitir que a multa de ofício, caso não paga no vencimento, sofreria também o acréscimo de multa de mora, tendo em vista que o caput do dispositivo expressamente dispõe que “ os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1 de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculados a taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.” Realmente, este seria o resultado da interpretação do parágrafo 3º do art. 61 de forma isolada, sem se atentar ao que determina o “caput”. Seguindo este raciocínio terseia que admitir que também sobre os juros de mora, que se incluiriam nos “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições”, novamente pudessem ser exigidos juros e multa de mora, o que indica data venia a improcedência da interpretação. Assim, qualquer que seja a ótica sob a qual se interpretam os dispositivos literal, teleológica ou sistemática – entendo que a melhor exegese é aquela que autoriza a incidência de juros somente sobre o valor dos tributos e contribuições, e não sobre o valor da multa de ofício lançada, até porque referido artigo disciplina os acréscimos moratórios incidentes sobre os débitos em atraso que ainda não foram objeto de lançamento. O parágrafo único do art. 43 do mesmo diploma legal Lei 9.430/1996 é absolutamente coerente com a interpretação do art. 61 desenvolvida acima e corrobora a conclusão. Prevê o referido dispositivo a incidência de juros de mora sobre as multas e os juros cobrados isoladamente, verbis: “Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora isolada ou conjuntamente. Parágrafo único – Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento”. Ora, se a expressão “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições” constante no “caput” do artigo 61 contemplasse também a multa de ofício, não Fl. 12883DF CARF MF Processo nº 13855.722232/201336 Acórdão n.º 2401004.847 S2C4T1 Fl. 12.871 27 haveria necessidade alguma da previsão do parágrafo único do artigo 43 supra transcrito, posto que a incidência dos juros sobre a multa de ofício lançada isoladamente nos termos do “caput” do artigo já decorreria diretamente do artigo 61. Em face das considerações acima, concluo que não há, seja em lei complementar (CTN) seja na legislação ordinária, interpretação possível a amparar conclusão diversa, merecendo ser excluída da exigência a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício lançada proporcionalmente. Os fundamentos acima também foram adotados pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos, no Acórdão n. 910100.722, de 08 de novembro de 2010, Relatora a Conselheira Karem Jurendini Dias, que concluiu pela não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE – Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa oficio aplicada. No presente caso, os paradigmas apresentados pela Recorrente concluíram que é possível a incidência de juros sobre a multa de ofício, limitandoos entretanto ao patamar mensal de 1% ao mês. Embora o entendimento manifestado no presente voto resultaria em provimento do recurso voluntário em maior extensão (exclusão completa da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício), deve o resultado aterse ao limite da pretensão recursal ora examinada, devendo o recurso ser conhecido e provido nesta extensão.” Em face dos substanciosos fundamentos acima transcritos, impõese afastar a incidência dos juros sobre a multa de ofício na forma aplicada nos presentes autos, por absoluta falta de previsão legal. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Por todo o exposto, estando os lançamentos sub examine em consonância parcial com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 12884DF CARF MF 28 Voto Vencedor Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Redator Designado. Acompanho o Relator quanto às demais questões, porém, com a maxima venia, divirjo quanto à imunidade em relação às exportações via trading companies e quanto aos juros de mora sobre a multa de ofício. Das exportações via trading companies Segundo consignado em seu Voto, o Relator entende que a Constituição Federal não teria feito qualquer “distinção entre o tipo de exportação passível de ser abrangida pela imunidade”, não diferenciando, dessa forma, “a exportação direta daquela realizada por intermédio de trading companies”, porém, discordo desse entendimento. Vejamos, primeiramente, o que diz a Carta Republicana: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. [...] § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (Grifo nosso) Conforme se observa na transcrição acima, o texto (grifado) é claro ao dizer que as contribuições sociais, que compõe o objeto do presente lançamento, não incidirão sobre as receitas decorrente de exportação. Ora, se o produtor rural vende sua produção, internamente, para uma empresa (no caso, uma trading company) para que esta, posteriormente, revenda o produto no mercado externo, obviamente, a receita auferida pelo produtor não será decorrente de exportação e, por conseguinte, não estará abrangida pela imunidade. Simples assim. Nessa linha é a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13/11/09: Art. 170. Não incidem as contribuições sociais de que trata este Capítulo sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos, cuja comercialização ocorra a partir de 12 de dezembro de 2001, por força do disposto no inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal, alterado pela Emenda Constitucional nº 33, de 11 de dezembro de 2001. Fl. 12885DF CARF MF Processo nº 13855.722232/201336 Acórdão n.º 2401004.847 S2C4T1 Fl. 12.872 29 § 1º Aplicase o disposto neste artigo exclusivamente quando a produção é comercializada diretamente com adquirente domiciliado no exterior. § 2º A receita decorrente de comercialização com empresa constituída e em funcionamento no País é considerada receita proveniente do comércio interno e não de exportação, independentemente da destinação que esta dará ao produto. § 3º O disposto no caput não se aplica à contribuição devida ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), por se tratar de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas. (Grifo nosso) Tomamos a liberdade de citar, ainda, o seguinte trecho do Parecer PGFN/CAT nº 1.724, de 2012: 30. O cerne da imunidade é a receita de exportações. A princípio, a contribuição do produtor rural, substituindo a folha de salários, voltase para o resultado da venda de sua produção com a finalidade precípua de financiar a Previdência Social. Quando, no entanto, esta receita, por se direcionar ao mercado externo, passa indubitavelmente a integrar o rol das receitas de exportação, não pode ser objeto de tributação. 31. É importante frisar que apenas as receitas dirigidas diretamente ao mercado externo estarão imunes. Por isso fazse necessário o exame da natureza das operações, se se constituem em compra e venda no mercado interno ou exportação. 32. Por exemplo, a natureza das operações realizadas no Brasil entre as tradings e os produtores rurais é, em termos fiscais, de compra e venda no mercado interno, razão pela qual não são favorecidas pela imunidade da contribuição do produtor rural pessoa física. [...] Portando, diante desse quadro, devem ser mantidas as contribuições incidentes sobre a receita auferida na venda da produção para trading companies. Dos juros de mora sobre a multa de ofício Para melhor análise da questão, vejamos, primeiramente, o que dispõe a Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), a esse respeito: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela Fl. 12886DF CARF MF 30 previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. [...] Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. [...] Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (Grifo nosso) Da exegese dos dispositivos acima, temse que a multa lançada de ofício (penalidade pecuniária) constitui uma obrigação principal da qual decorre o crédito tributário, estando este sujeito a juros de mora quando não pago no vencimento. Logo, não há como se afastar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Em outras palavras, como a multa de ofício integra o crédito tributário e este está sujeito a juros de mora por inadimplência, por decorrência lógica, a multa de ofício também está sujeita a juros de mora. Nesse sentido é a Solução de Consulta nº 47 da Cosit, de 04/05/2016: Os juros de mora incidem sobre a totalidade do crédito tributário, do qual faz parte a multa lançada de ofício. Dessa forma, não há como se afastar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Conclusão Isso posto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 12887DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.904997/2012-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO.
Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada.
Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.553
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado.
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO DE CREDITO. Recorrente O. G. SISTEMAS DE EXAUSTÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verificase no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 49 97 /2 01 2- 02 Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10865.904997/201202 Acórdão n.º 3301003.553 S3C3T1 Fl. 3 2 descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando que após análise efetuada junto a seus arquivos verificou que pediu restituição para o período em discussão e solicitou futura compensação, na qual a empresa se beneficia de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, daí a origem do crédito. Por não ter feito a retificação da DCTF, houve o indeferimento. Solicita que seja feita a retificação na DCTF, uma vez que não há tempo hábil nem permitido para devida retificação, pois assim se fará um ato de justiça. Requerendo, ainda, a reavaliação do Despacho Decisório. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 02049.458. O fundamento adotado, em síntese, foi a necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, através do qual alega, resumidamente: (i) que o crédito pleiteado decorre do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%); (ii) que o indébito em questão estaria comprovado por meio da documentação acostada em seu recurso voluntário (faz pedido alternativo de diligência, caso se entenda necessário); (iii) que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. Requer, então, que o recurso seja provido, a fim de reformar a r. decisão de primeira instância, culminando com o reconhecimento do direito creditório e a consequente homologação das compensações vinculadas. Posteriormente, o contribuinte protocolizou nova petição aos autos, através da qual requereu a juntada de notas fiscais, no intuito de comprovar o seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.443, de 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10865.905013/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.443): "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10865.904997/201202 Acórdão n.º 3301003.553 S3C3T1 Fl. 4 3 Conforme relatado acima, a compensação apresentada pelo contribuinte fora indeferida por ausência de comprovação do crédito pleiteado. Os fundamentos do voto proferido pela DRJ consta da transcrição a seguir: No processo de restituição, de ressarcimento ou de compensação, é o contribuinte quem toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, mediante a apresentação do PerDcomp. No Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria, por isso utilizase a existente no CPC. Por essa razão, cabe ao contribuinte provar a existência do crédito pretendido. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Esse entendimento aplicase também à restituição. Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de inconformidade. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS 5 ANOS DO FATO GERADOR A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2o, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Limitase a informar que se beneficia de tributação monofásica de “alguns produtos” que comercializa, mas não informa quais são os produtos. Além disso, não apresenta nenhum documento fiscal ou contábil que confirme seus argumentos. Ademais, o prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10865.904997/201202 Acórdão n.º 3301003.553 S3C3T1 Fl. 5 4 à retificação da respectiva declaração apresentada. Esse entendimento foi adotado pelo Parecer Cosit nº 48, de 7 de julho de 1999, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia à presente situação: “Dos comandos legais citados, temos que extinguese no prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da declaração de rendimentos ou da data em que se tornar definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Assim, da mesma forma que a Fazenda Pública submetese a um prazo final para rever de ofício seu lançamento ou para constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente dispor de um termo para que sejam corrigidos eventuais erros cometidos quando da elaboração de sua declaração de rendimentos.” (grifouse) O Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) também já se pronunciou nesse sentido: “DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF RETIFICAÇÃO PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação das DCTF trimestrais extinguese após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência dos correspondentes fatos geradores, como analogamente ao Fisco seria vedado o direito de proceder à sua revisão. IRPJ e CSLL COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO A compensação de tributos em face de seu alegado pagamento a maior condicionase à demonstração efetiva da ocorrência do pagamento em excesso, mediante documentação hábil (1º CC; 8ª Câmara; processo 13707.001451/0087; Acórdão nº 10808913; data da sessão: 23/06/2006). (grifouse) Diante disso, verificase que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. APURAÇÃO DO TRIBUTO A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: (...). Em face do exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10865.904997/201202 Acórdão n.º 3301003.553 S3C3T1 Fl. 6 5 Concordo com os termos da decisão recorrida, a qual entendo não merecer reparos. Como é cediço, é do contribuinte o ônus da prova do seu direito creditório. Tanto que este, em seu recurso voluntário, reconhece a ausência de comprovação do seu direito creditório nas fases anteriores do presente processo. Pleiteia, contudo, que a documentação apresentada quando do Recurso Voluntário seja levada em consideração por este Conselho, seja para fins de reconhecimento do crédito pleiteado, seja para fins de, ao menos, determinar diligência para fins de confirmação do direito requerido. Alega, para tanto, que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. É importante que se esclareça, em princípio, que esta turma julgadora tem, em determinadas situações, admitido a análise de documentos anexados pelo contribuinte a destempo, desde que aptas a comprovar o direito alegado, em atenção ao princípio da verdade material. Entendo, contudo, que não deve ser esta a conduta a ser adotada neste caso concreto. Isso porque, consoante bem assinalou a decisão recorrida, o contribuinte apresentou DCOMP indicando um suposto crédito oriundo de DARF já integralmente utilizado para fins de quitação de outro débito do contribuinte. Logo, não havia como se admitir a compensação apresentada, por ausência de direito creditório. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte limitouse a alegar que o seu direito creditório decorreria do recolhimento indevido realizado em razão de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, e que o indeferimento teria se dado em razão da ausência de retificação da DCTF, uma vez que não havia tempo hábil para proceder à devida retificação. Neste ponto, entendeu corretamente a decisão recorrida no sentido de que não se deve admitir DCTF retificadora fora do prazo legal de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Verificase no caso concreto aqui analisado que o período que o contribuinte pretende retificar reportase ao 2º semestre de 2005, ao passo que a primeira manifestação de que haveria informação incorreta na referida DCTF outrora apresentada reportase a setembro de 2012, quando o contribuinte apresentou a sua manifestação de inconformidade, já comunicando a impossibilidade de apresentação da DCTF retificadora. Sendo assim, não havia mais tempo hábil para se admitir a retificação da DCTF pretendida pelo contribuinte, ou mesmo para se reanalisar as informações ali transmitidas pelo próprio contribuinte. Nesse sentido, inclusive, trazse à colação decisões deste Conselho, proferidas à unanimidade de votos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10865.904997/201202 Acórdão n.º 3301003.553 S3C3T1 Fl. 7 6 É ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador ou da entrega da declaração para fins de comprovação de pagamento indevido passível de compensação. O prazo para constituição do crédito tributário deve ser o mesmo para o Fisco e para o contribuinte. Também ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. (Acórdão n. 3802001.464). *** Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas informações trazidas em DCTF retificadora somente produzem efeito se a retificação ocorrer dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário negado. (Acórdão n. 3202000.862). É importante que se tenha em mente que o direito não socorre aos que dormem. Nesse contexto, da mesma forma que a Fazenda possui prazos para fiscalizar o contribuinte, este possui prazos para retificar as suas declarações, no intuito de constituir direito creditório que entende fazer jus. A observância de tais prazos legais, inclusive, precisam ser observadas em benefício da sociedade como um todo, em prol da segurança jurídica. É importante que se esclareça que não se está aqui dispondo que a verdade material não deve prevalecer sobre a verdade formal. Contudo, a aplicação do princípio da verdade material possui limites que precisam ser observados, a exemplo dos prazos decadencial e prescricional, os quais devem ser observados sem distinção, às vezes a favor, às vezes contra o contribuinte/Fisco. E, uma vez encerrado o prazo legal para retificação da DCTF, resta forçoso reconhecer que a documentação apresentada pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário não o socorre em seu pleito. Ainda que tivesse o contribuinte direito ao crédito pleiteado em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não poderia o contribuinte pleitear tal crédito ad eternum. Existe um marco temporal que precisa ser observado e a apresentação de documentos comprobatórios quando já decorrido tal prazo não deve ser considerada. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10865.904997/201202 Acórdão n.º 3301003.553 S3C3T1 Fl. 8 7 É a mesma situação que ocorre quando um crédito tributário resta fulminado pela decadência. Ainda que a Receita Federal tenha provas cabais de que determinado montante é devido, não pode exigilo após o decurso do prazo quinquenal previsto na legislação. Diante das razões acima expostas, entendo que deverá ser negado provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo a decisão recorrida em sua integralidade, por seus próprios fundamentos." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não se admitindo a DCTF retificadora e a documentação comprobatória apresentados a destempo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 149DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.907186/2012-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/05/2008
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.221
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente INDÚSTRIA DE MÁQUINAS MIRUNA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2008 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de pedido de PER/DCOMP para restituição de créditos de COFINS, cujo pedido foi indeferido, via despacho decisório. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 71 86 /2 01 2- 47 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10882.907186/201247 Acórdão n.º 3302004.221 S3C3T2 Fl. 3 2 Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que o ICMS destacado nas vendas não pode ser considerado como faturamento ou como receita bruta, não devendo, por isso, ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS; que a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições em tela desrespeita o preceito do artigo 110 do CTN; que o STF, por meio do RE 240.785/MG, manifestou o entendimento de excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Sobreveio, então, julgamento da DRJ/Belo Horizonte, que indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 02050.823. A contribuinte, então, apresentou recurso voluntário repisando os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.158, de 23 de maio de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.902818/201235, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.158): "1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 28 de agosto de 2014, fls. 50, e o recurso foi protocolado em 29 de setembro de 2014, fls. 52. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do mérito 2.1. Do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.144.469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10882.907186/201247 Acórdão n.º 3302004.221 S3C3T2 Fl. 4 3 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMS ST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10882.907186/201247 Acórdão n.º 3302004.221 S3C3T2 Fl. 5 4 ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10882.907186/201247 Acórdão n.º 3302004.221 S3C3T2 Fl. 6 5 RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10882.907186/201247 Acórdão n.º 3302004.221 S3C3T2 Fl. 7 6 (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente; no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706 RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento encontramse, desde já, fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. 3. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, mas, no mérito, nego provimento." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10882.907186/201247 Acórdão n.º 3302004.221 S3C3T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 52DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.900326/2008-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2001
Ausência de Questão Fática a Ser Esclarecida. Erro de Direito no Preenchimento de Declaração. Descabimento de Diligência.
Não havendo questão de fato a ser esclarecida, descabe a realização de diligência. O erro cometido pela interessada no preenchimento da declaração é erro de direito, insuscetível de correção por meio de diligência no curso do contencioso.
Compensação. Alegado Pagamento Indevido de Estimativa. Direito Creditório Inexistente. Não Homologação.
A própria interessada admite que o direito creditório apontado como pagamento indevido de estimativa, na verdade, não o era. Em tais condições, o alegado direito creditório se revela inexistente, o que conduz à não homologação da compensação declarada.
Numero da decisão: 1301-002.227
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em REJEITAR proposta do relator para conversão em diligência. Vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto; e (ii) por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Roberto Silva Junior.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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ERRO DE DIREITO NO PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. DESCABIMENTO DE DILIGÊNCIA. Não havendo questão de fato a ser esclarecida, descabe a realização de diligência. O erro cometido pela interessada no preenchimento da declaração é erro de direito, insuscetível de correção por meio de diligência no curso do contencioso. COMPENSAÇÃO. ALEGADO PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVA. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A própria interessada admite que o direito creditório apontado como pagamento indevido de estimativa, na verdade, não o era. Em tais condições, o alegado direito creditório se revela inexistente, o que conduz à não homologação da compensação declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em REJEITAR proposta do relator para conversão em diligência. Vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto; e (ii) por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Roberto Silva Junior. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 03 26 /2 00 8- 88 Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10865.900326/200888 Acórdão n.º 1301002.227 S1C3T1 Fl. 356 2 (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão 1429.588, proferido pela 5ª Turma da DRJ/RPO, na sessão de 11 de junho de 2010, que, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, entendeu, por unanimidade de votos, rejeitála, não reconhecendo o direito creditório. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório proferido por ocasião do julgamento de primeira instância, a seguir transcrito: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLLestimativa, código de arrecadação 2484), concernente ao período de apuração 03/2001. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que seria nulo o despacho decisório recorrido por ausência de fundamentação e motivação do indeferimento do pedido, com afronta a dispositivos legais e constitucionais; Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10865.900326/200888 Acórdão n.º 1301002.227 S1C3T1 Fl. 357 3 que os dados sobre o alegado crédito foram devidamente informados em PER/DCOMP, não havendo razão para o indeferimento do pedido sob alegação de que os valores são inexistentes; que caberia às autoridades fiscais diligenciar junto à. empresa para averiguar os valores informados em PER/DCOMP, em observância ao principio da verdade material e as disposições constitucionais que regem a administração pública; que "a simples declaração da existência de um crédito a ser restituído e/ou compensado com outros débitos administrados pela Receita Federal já é suficiente para que a fiscalização federal utilize todos os meios hábeis para comprovar a veracidade do pedido do contribuinte, em especial a comprovação da existência de um crédito tributário"; Ao final requer seja julgada procedente a Manifestação de Inconformidade, anulado o despacho decisório recorrido e restabelecidas as compensações efetuadas. É o relatório Naquela oportunidade, a r.turma julgadora entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade apresentada, conforme sintetizado pela seguinte Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LIQUIDO CSLL Anocalendário: 2001 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, com documentos que supostamente validam seu direito creditório e requerendo sejam conhecidas as provas juntadas, em atendimento ao princípio da busca da verdade real, provas que alega comprovarem a existência de saldo negativo passível de recuperação; que houve um erro de forma em seu pedido, não podendo restar frustrado seu direito líquido e certo ao indébito e; que já foi atingido pela decadência o saldo negativo apurado no anocalendário de 2001, não podendo ser este alterado. Na verificação de regularidade do recurso proposto e ao tomar conhecimento da informação fiscal de existência de processos do mesmo contribuinte com a mesma causa de Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10865.900326/200888 Acórdão n.º 1301002.227 S1C3T1 Fl. 358 4 pedir, solicitei a distribuição dos nove processos, entre os quais o presente, por conexão, independentemente de sorteio, para que os recursos pudessem ser analisados conjuntamente, conforme art. 6, § 1º, I, cumulado com os § 2º e 3º deste mesmo artigo, todos do Anexo II do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, sendo tal requisição deferida pelo Presidente da 1ª da Seção, Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais, portanto, dele conheço. Porém, do exame dos autos, considero que o processo não reúne condições de julgamento, pelos motivos que passo a expor. Preliminarmente, deve ser submetida à deliberação deste Colegiado a possibilidade de juntada de novos documentos, e que eles sejam admitidos como provas no processo. Esses documentos foram acostados ao processo quando da apresentação do recurso voluntário. Em relação a esse ponto, é importante destacar a disposição contida no §4o do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que trata da apresentação da prova documental na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Contudo, a jurisprudência do CARF vem temperando essa disposição em nome do princípio da verdade material, para a consecução dos fins processuais No caso, penso ser possível a análise dos documentos juntados pela recorrente, em seu recurso, aplicandose a exceção do inciso “c” do mesmo dispositivo legal, que permite a juntada de provas em momento posterior quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Afinal, o contribuinte trouxe na defesa inicial os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, e, ao analisar os argumentos do julgador a quo, que não lhe foram favoráveis, trouxe provas complementares. Assim, no caso concreto, a apresentação das novas provas é resultado da marcha natural do processo, sendo razoável sua admissão. Dessa forma, as novas provas são admitidas e serão analisadas. Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10865.900326/200888 Acórdão n.º 1301002.227 S1C3T1 Fl. 359 5 DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Em sede preliminar, sustenta o interessado a impossibilidade de revisão do saldo negativo apurado no anocalendário de 2001, diante do transcurso do prazo qüinqüenal, afirmando ter ocorrido homologação tácita em 2007, ocasião em que extinguiuse o direito do Fisco de discutir o crédito compensado, nos termos do artigo 150 § 4º do Código Tributário Nacional. Pois bem. Em primeiro lugar cabe esclarecer que a lide não diz respeito ao prazo decadencial para se proceder ao lançamento, mas da análise da compensação realizada pelo contribuinte. Nesses termos, estarseia tratando de algo de outra natureza: aferição da liquidez e certeza do pleito creditório de interesse da interessada e não simplesmente de lançamento. Assim, não se pode concluir a partir daí que o órgão administrativo em pedidos que envolvem restituições deva simplesmente “homologar” o saldo negativo de CSLL, e proceder à compensação sem aferir a certeza e liquidez dos indébitos tributários que lhe fundamentam. Nesse sentido, embora o Fisco não possa mais exigir eventuais diferenças.ou débitos, relativos a fatos acontecidos, atingidos pelo prazo decadencial, por haver decorrido o prazo legal para tanto, por outro lado, a Autoridade Fiscal pode e deve verificar a origem, o valor e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte. Logo, não há razão em se afirmar, como o fez o contribuinte, que no ano de 2007 o saldo negativo de CSL não era mais passível de análise. Por outro lado, devese verificar se ocorreu a chamada homologação tácita do débito declarado pelo contribuinte por Per/Dcomp, nos termos do art. 74, § 5º, da Lei 9.430/1996. De acordo com este disposto legal, começa a fluir o prazo qüinqüenal para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, na data da entrega da respectiva declaração de compensação, sendo considerado tacitamente homologado o débito (ou crédito tributário) após o decurso do prazo de cinco anos. Confirase a redação do citado dispositivo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003). No caso em tela, tendo sido apresentada a DComp retificadora na data de 08/03/2004, deslocase o citado prazo a quo para a data da entrega dessa DComp retificadora. Nesse sentido, dispõe o art. 91 da Instrução Normativa RFB 1300/2012, ainda vigente, a seguir transcrito: Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10865.900326/200888 Acórdão n.º 1301002.227 S1C3T1 Fl. 360 6 Art. 91. Admitida a retificação da Declaração de Compensação o termo inicial da contagem do prazo previsto no § 2º do art. 44 será a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora. Assim, fica demonstrado que, no caso em tela, não houve nem mesmo homologação tácita da compensação declarada, pois na data que ocorreu o despacho decisório (em 24/04/2008), ainda não havia se consumado o citado prazo qüinqüenal de homologação tácita do procedimento compensatório. Com base nessas considerações, rejeitase a presente alegação de decadência. DA PRELIMINAR DE CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA Tenho adotado o entendimento de que no caso de divergência entre a DIPJ e DCOMP, deve a autoridade prolatora do despacho decisório, anteriormente a esta decisão, proceder a intimação do contribuinte para retificar uma das declarações, de modo que a exigência prevista no artigo 170A do CTN, no que se refere à exigência de certeza e liquidez do direito creditório apresentado, não seja desnaturado para impedir a apreciação material do pleito formulado pelo contribuinte. Entendo não ser legítimo afastarse uma declaração de compensação ao fundamento puramente formal de que não se teria correspondência entre os saldos negativos indicados em distintos documentos, na hipótese de ser apontado equivocadamente a origem do crédito, considerando "pagamento indevido" de estimativa mensal, quando na verdade o direito creditório resulta de saldo negativo formado pelo somatório destas mesmas estimativas, exclusivamente. Não há como negarlhe o direito ao crédito, enquanto que o valor foi efetivamente pago em excesso, e por isso entendo haver maior relevância neste fato do que nos procedimentos formais de restituição, ressarcimento e compensação dirigidos pela Receita Federal do Brasil. No caso concreto, ao analisar conjuntamente as provas produzidas, não tenho dúvida de que não ocorreu pagamento a maior das estimativas de CSLL, ocorrendo, em tese, saldo negativo de CSLL no período. Se por um lado, a recorrente confundiu esses conceitos, por outro deixou inequívoco que sua intenção era mesma aproveitar crédito decorrente do referido saldo negativo formado pelo conjunto das estimativas. Convergente a este entendimento, o Colegiado que primeiro analisou o processo nº 10865.900336200813, que motivou o despacho de conexão, resolveu converter os autos em diligência, esclarecendo, naquela oportunidade, inclusive, suas razões pelas quais desconsidera o erro formal de o contribuinte indicar nos PER/DCOMP como crédito os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado a partir do conjunto destas mesmas estimativas. De acordo com a resolução anterior, se o método de solicitar a restituição, o ressarcimento e a compensação se mostrou inadequado sob a ótica formal, o processo administrativo fiscal é que deve acertar o procedimento guiandose pelo princípio matriz, da busca pela verdade real. Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10865.900326/200888 Acórdão n.º 1301002.227 S1C3T1 Fl. 361 7 Porém, esta diligência não se realizou, em face da informação fiscal da existência de outros processos desse mesmo contribuinte que objetivam a utilização de crédito oriundo de saldo negativo de CSLL, no mesmo anocalendário, propondo sejam analisados conjuntamente, além de noticiar que esta foi a solução dada nos processos relativos ao IRPJ deste mesmo ano, onde o relator daqueles processos solicitou que lhe fossem distribuídos tais processos por conexão Foi exatamente por esta razão, foi requisitada a distribuição do presente processo a este relator, em conformidade com o despacho de conexão anteriormente mencionado e deferido pelo Presidente da 1ª Seção. Sendo assim, entendo que deve ser permitido retificar a Per/Dcomp, por ser patente o erro no seu preenchimento, configurado em divergência perceptível entre o Per/Dcomp apresentado e o que queria ser apresentado, revelado, como já se disse, no próprio contexto em que foi feita a declaração. Assim, inclinome pela realização de uma diligência específica para que sejam adotadas as seguintes providências pela Fiscalização: a) Transmutar a situação de pagamento indevido para compensação de saldo negativo de CSLL para o anocalendário de 2001; b) Intimar o contribuinte a apresentar novas informações, esclarecimentos e retificações que entender pertinentes à solução da lide, inclusive a exibir a sua contabilidade, no que interessar, viabilizando a análise do mérito do pedido; c) Prosseguir na validação do saldo negativo informado pelo sujeito passivo na DIPJ através da análise das parcelas que compõem o crédito informadas no PER/DCOMP; d) Após as verificações acima, verificar se ainda resta algum débito remanescente a ser coberto, refazendo todas as imputações utilizando o sistema pertinente da Receita Federal do Brasil. e) A autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas nos itens anteriores. f) Ao final do relatório conclusivo, o contribuinte deverá ser cientificado do seu resultado, facultandolhe a oportunidade de se manifestar nos autos sobre suas conclusões, no prazo de 30 dias, em conformidade com o parágrafo único, art. 35, do Decreto 7.574/2011. Na seqüência, o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento, sendo distribuído a este Conselheiro independentemente de sorteio. DO MÉRITO Ultrapassadas as preliminares acima mencionadas, em especial, o encaminhamento de conversão do julgamento em diligência, impõese, de acordo com as regras regimentais, analisar o mérito da lide, no estado em que se encontra os autos. No caso em tela, a compensação formalizada em Dcomp não foi homologada porque indicava como crédito contra a Fazenda um valor que efetivamente não revestia essa condição. O pagamento apontado como indevido, na verdade, não o era, fato este admitido pela Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10865.900326/200888 Acórdão n.º 1301002.227 S1C3T1 Fl. 362 8 própria recorrente. Tratavase, segundo seu recurso, de recolhimento de estimativas que formavam o saldo negativo, apurado no final do anocalendário 2001. Ocorre que a Dcomp., na forma em que apresentada, não informa que se trata de saldo negativo: o código de receita informado na Dcomp é o código do pagamento por estimativa; o período de apuração indicado também é o da estimativa. Portanto, de acordo com o documento, o crédito mencionado é pagamento feito por estimativa, e não o saldo negativo. Embora ter alegado erro, o fato é que a recorrente não apresentou uma outra declaração de compensação, utilizandose do saldo negativo mencionado para compensar seus débitos. Ao invés, preferiu a correção de sua declaração através deste Processo Administrativo Fiscal. Porém, para atingir seu êxito dentro do presente processo, necessário seria a correção de sua declaração, através de proposta de diligência, oportunidade em que seria intimado a apresentar suas informações ou retificações. Porém, como se viu, em face do indeferimento pelo Colegiado da proposta de conversão do julgamento em diligência, tal oportunidade não ocorreu, restando, unicamente, a retificação da declaração no âmbito extraprocessual, na forma da legislação em vigor, mas não o fez. Assim, a pretensão deduzida no recurso voluntário deve ser indeferida. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, para no mérito negarlhe provimento. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Voto Vencedor Conselheiro Roberto Silva Junior, Redator Designado O exame da preliminar que propõe a conversão do julgamento em diligência se confunde com o próprio exame do mérito. Na proposta, o ilustre Conselheiro relator afirma estar convencido de que, no caso concreto, não ocorreu mesmo pagamento indevido de estimativa. O crédito seria saldo negativo apurado no final do período. A requerente teria apenas confundido crédito de saldo negativo com as estimativas que o compõem. Aqui está o problema: o erro cometido pela contribuinte não consiste em mera imprecisão material ou em simples erro de preenchimento da declaração. É erro de direito, insuscetível de correção por meio de diligência. Para sanar o problema seria necessário refazer integralmente a declaração de compensação, o que já não se admite nesta fase. Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10865.900326/200888 Acórdão n.º 1301002.227 S1C3T1 Fl. 363 9 A diligência seria cabível apenas se houve alguma questão de fato a ser esclarecida, mas não há. Os fatos são incontroversos. A contribuinte indicou como crédito o valor recolhido como estimativa, afirmando tratarse de pagamento indevido. O direito creditório, todavia, tinha origem em saldo credor apurado no final do período base. A matéria não é nova. Esta turma, em outra oportunidade, já teve chance de se manifestar sobre problema idêntico. Nessa ocasião, prevaleceu entendimento no sentido de rejeitar a diligência e negar provimento ao recurso. Estes foram os fundamentos que então embasaram a decisão deste Colegiado: A inserção, no campo destinado ao crédito, de valor inexistente inviabiliza a própria Dcomp, sobretudo quando a essa incorreção se somam erros quanto à natureza do crédito, à data do pagamento, ao período de apuração, e ao código da receita. A correção de todos esses dados, como quer a recorrente, implicaria elaborar nova Dcomp, procedimento que não se permite a este órgão julgador, nem ao Delegado da Receita Federal. O erro, frisese, é admitido pela própria recorrente. É fato incontroverso. Porém, ao contrário do que ela sustenta, não se trata de mero erro material ou de forma. É erro de conteúdo ou substancial. Quando se examinam os dados informados na Dcomp, percebese claramente que a manifestação de vontade não tinha por objeto o saldo negativo. Portanto, não socorre a recorrente, no caso em exame, o princípio da verdade material. Cabe ressaltar que o indeferimento do direito creditório relativamente ao pagamento por estimativa não impedia que a recorrente, mediante apresentação de outra declaração de compensação, utilizasse o saldo negativo para compensar outros débitos, sem qualquer prejuízo a seu eventual direito creditório. Todavia, admitir que, no caso concreto, houve mero erro formal, reconhecendo direito creditório quanto ao pagamento por estimativa (como quer a recorrente), implica fragilizar o controle da Administração relativamente a tais valores, pois abre espaço para que sejam compensados, concomitantemente, tanto o saldo negativo, quanto os pagamentos por estimativa que o compõem, cada qual em Dcomps diferentes. Importa ressaltar que a Lei nº 9.430/1996, ao disciplinar a compensação, conferiu ao contribuinte verdadeiro direito potestativo, já que o exercício do direito, mesmo interferindo na esfera jurídica de outrem (no caso, o Fisco), depende apenas da vontade e da decisão do contribuinte. Nos termos da legislação em vigor, havendo pagamento indevido a título de tributo, pertence ao contribuinte decidir se vai fazer a compensação, definir em que momento ela será feita, e finalmente escolher quais os débitos serão compensados. A matéria está toda ela na esfera de discricionariedade do contribuinte, não cabendo ao Fisco interferir em nenhum desses três aspectos. Por outro lado, a compensação, que é formalizada unilateralmente mediante a mera entrega de uma declaração (Dcomp), produz imediato efeito extintivo do crédito tributário compensado, restando, nessa hipótese, ao Fisco verificar no prazo de cinco anos a regularidade da compensação, sob pena de homologação tácita, com o que tanto a compensação, quanto a extinção do crédito tributário se tornam definitivas. Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10865.900326/200888 Acórdão n.º 1301002.227 S1C3T1 Fl. 364 10 A amplitude desse poder, entretanto, cobra responsabilidades do contribuinte, que tem de suportar as consequências da demora em formalizar a compensação e as consequências de realizála de forma incorreta. No caso em exame, a contribuinte formalizou a compensação, indicando como crédito um valor que não revestia essa condição. Poderia ter apresentado nova declaração, mas não o fez. Assim, a pretensão deduzida no recurso voluntário, diante da falta de amparo legal, deve ser indeferida. Com esses fundamentos, voto por rejeitar a preliminar. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 364DF CARF MF
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