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Numero do processo: 11065.725073/2014-83
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
ATO DE EXCLUSÃO. NULIDADE.
Não há que se cogitar de nulidade do Ato de Exclusão exarado pelo órgão de competência originária quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal.
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. SUSPENSÃO.
O ato declaratório de exclusão do Simples Nacional objeto de manifestação de inconformidade apenas se tornará efetivo após a decisão definitiva desfavorável ao contribuinte.
Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2010
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTAS PESSOAS NA CONSTITUIÇÃO E FUNCIONAMENTO DE PESSOA JURÍDICA.
É cabível a exclusão do regime simplificado quando ficar comprovada a utilização de interpostas pessoas na constituição de pessoa jurídica, de modo a encobrir quem são os verdadeiros sócios administradores.
Numero da decisão: 1001-000.699
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010 ATO DE EXCLUSÃO. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do Ato de Exclusão exarado pelo órgão de competência originária quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. SUSPENSÃO. O ato declaratório de exclusão do Simples Nacional objeto de manifestação de inconformidade apenas se tornará efetivo após a decisão definitiva desfavorável ao contribuinte. Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2010 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTAS PESSOAS NA CONSTITUIÇÃO E FUNCIONAMENTO DE PESSOA JURÍDICA. É cabível a exclusão do regime simplificado quando ficar comprovada a utilização de interpostas pessoas na constituição de pessoa jurídica, de modo a encobrir quem são os verdadeiros sócios administradores.
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NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do Ato de Exclusão exarado pelo órgão de competência originária quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. SUSPENSÃO. O ato declaratório de exclusão do Simples Nacional objeto de manifestação de inconformidade apenas se tornará efetivo após a decisão definitiva desfavorável ao contribuinte. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2010 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTAS PESSOAS NA CONSTITUIÇÃO E FUNCIONAMENTO DE PESSOA JURÍDICA. É cabível a exclusão do regime simplificado quando ficar comprovada a utilização de interpostas pessoas na constituição de pessoa jurídica, de modo a encobrir quem são os verdadeiros sócios administradores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 50 73 /2 01 4- 83 Fl. 716DF CARF MF Processo nº 11065.725073/201483 Acórdão n.º 1001000.699 S1C0T1 Fl. 717 2 (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Fortaleza (CE), mediante o Acórdão nº 0837.118, de 29/09/2016 (efls. 688/695), objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito: (grifos constam do original) A empresa acima identificada foi excluída de ofício do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) por meio do ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO (ADE) SEORT/DRF – NHO, nº 009, de 11/02/2015, fls. 268, com efeitos a partir de 01/01/2010. A exclusão teve origem na Representação Fiscal para Exclusão do Simples de 26/12/2014 (fls. 2/13), e foi motivada pela utilização de interpostas pessoas na constituição da pessoa jurídica, situação prevista no inciso IV do artigo 29 da Lei Complementar nº 123/2006, verbis: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: (...) IV a sua constituição ocorrer por interpostas pessoas; A fiscalização que resultou na exclusão teve origem no Mandado de Procedimento Fiscal nº 1010700.2014.00791 o qual cuidou da auditoria das contribuições previdenciárias envolvendo o contribuinte ora excluído, além da pessoa jurídica CARMINA CALÇADOS LTDA, CNPJ 04.713.609/000169. O Relatório fiscal de fls. 264/267, que embasou a exclusão, propôs a expedição do ADE tomando por fundamento as seguintes constatações: · As empresas Wilbert e Carmina são tributadas por regimes diferentes: A primeira obedece ao Simples Nacional, enquanto a Carmina é tributada pelo lucro presumido. · O tratamento tributário diferenciado ao qual é submetida a Wilbert estaria sendo utilizado com o propósito de evadir as contribuições efetivamente devidas pela empresa tributada pelo lucro presumido. Fl. 717DF CARF MF Processo nº 11065.725073/201483 Acórdão n.º 1001000.699 S1C0T1 Fl. 718 3 · Os sócios administradores das empresas referidas mantém entre si relação de parentesco (irmãs) ou conjugal, de modo a configurar claramente o interesse das famílias em ambas as empresas. · Ambas as empresas operaram (no período fiscalizado), na mesma localização, com alguns cuidados formais para simular independência física. Apesar de apresentarem endereços diferentes, as edificações onde operam estão na mesma quadra. · As empresas referidas têm a mesma atividade empresarial. · Em que pese terem a mesma atividade, o número de funcionários de cada empresa, bem como o comprometimento da Receita Bruta com as Despesas de Pessoal dá forte indício de que a mão de obra alocada na Wilbert busca o benefício do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional (notadamente em relação às Contribuições Previdenciárias), em que pese as operações serem da empresa Carmina. A relação entre o número de funcionários e o faturamento é mostrada nas tabelas abaixo: · A empresa Wilbert, de natureza industrial, para exercer suas atividades, se valia de máquinas e equipamentos de propriedade da empresa Carmina. · Na medida em que ocorriam as despesas da Wilbert, o pagamento era feito com recursos da Carmina, notadamente aquelas com pessoal. · Resulta do exposto, um panorama bastante claro de interposição: empresas diferentes pertencentes a familiares, operando em uma mesma localização, realizando operações empresariais da mesma natureza, nas quais uma das empresas, tributada pelo regime do Simples Nacional, tem um Quadro de Lotação desproporcional ao faturamento, a ponto de comprometer com a folha de pagamento do pessoal um valor superior à receita, enquanto a empresa tributada pelo lucro presumido opera com quadro reduzidíssimo, em que pese ser proprietária do imobilizado (máquinas e equipamentos). · Há fortes indicativos, além de fatos concretos, todos adequadamente documentados, que a empresa "JJ Wilbert Ltda ME", foi criada para absorver segurados da empresa "Carmina Calçados Ltda" para realizar serviços desta empresa, a qual aproveitaria, no entanto, o regime de tributação (especialmente contribuições providenciarias) do Simples Nacional. · O Sujeito passivo foi cientificado do ADE em 22/02/2015 (fl. 278), apresentando contestação em 16/03/2015, fls. 674/681, onde refuta a exclusão com base, em suma, dos seguintes argumentos: · A empresa WILBERT, nos autos do Processo n° 11065.724.981/201450, impugnou integralmente a imputação de sujeição passiva solidária, o que acarretou a suspensão da exigibilidade da pretensão fiscal (CTN, art. 151, III), motivo pelo qual não pode surtir efeitos a exclusão enquanto não constituído Fl. 718DF CARF MF Processo nº 11065.725073/201483 Acórdão n.º 1001000.699 S1C0T1 Fl. 719 4 definitivamente o citado crédito tributário, o qual poderá resultar improcedente. · Dentre os requisitos legais do ato administrativo vinculado, destacase a sua motivação ou causa, isto é, a efetiva comprovação da situação material que serviu de suporte para a sua prática. · Por ocasião do ADE, o motivo que o ensejou havia sido questionado pela contribuinte, visto que a WILBERT impugnou tempestivamente os créditos tributários, sobretudo a imputação de sujeição passiva solidária. · Na data de emissão do ADE não restava definitivamente comprovada, de forma inequívoca e inconteste, a efetiva ocorrência do motivo que o ensejou ("interposição de pessoas"), razão pela qual é passível de nulidade por motivação inválida. · Não sendo esse o entendimento dos julgadores, requer a suspensão do presente processo de exclusão do SIMPLES até que transitado em julgado o processo administrativo que o originou (Processo n° 11065.724.981/2014 50). · A exclusão prevista no inciso IV do art. 29 da LC 123/06 tipifica a constituição de empresa por interposta pessoa. Essa prática, vulgarmente conhecida como constituição de empresa através de sócio "laranja", pode ser qualificada no âmbito do direito civil como simulação. · A WILBERT é constituída pelos reais proprietários, não havendo falar em "interposta pessoa", motivo pelo qual deverá ser reconhecida a insubsistência do ato declaratório de exclusão do SIMPLES. · Inexiste vedação legal para que empresas cujos sócios possuam vinculo familiar estabeleçam relação comercial, firmem contratos, parcerias etc. Os sócios administradores da W1LBERT estão diretamente ligados ao negócio, possuindo interesse pessoal no empreendimento. Assim, não existe a figura da "pessoa interposta", pelo contrário, tratamse dos reais gestores da pessoa jurídica. · Cada uma das empresas ocupa seu espaço sem interferência e ou ingerência de uma sobre a outra; cada empresa possui conta de energia elétrica em seu nome. As empresas existem fisicamente nos seus respectivos domicílios fiscais, o que demonstra que os endereços não são fictícios. · A fiscalização foi omissa em pontos importantes, tais como: (i) a filial 01 da WILBERT somente foi aberta em 03/2011; e (ii) até 07/2011, a WILBERT tinha sua sede e estabelecimento industrial na Rua Ildo Meneghetti, n° 491, muito distante da sede da CARMINA. · Todas as despesas e custos da WILBERT são por esta suportados, exclusivamente, com o devido registro em sua contabilidade. Os pagamentos/depósitos bancários realizados por sua parceira comercial, CARMINA, foram meros adiantamentos por conta da industrialização (por encomenda) que estava em andamento. Por óbvio, os valores antecipados foram deduzidos do valor total devido pelos serviços de industrialização. Portanto, ao final, quem suporta o ônus financeiro é a WILBERT e não a CARMINA. Fl. 719DF CARF MF Processo nº 11065.725073/201483 Acórdão n.º 1001000.699 S1C0T1 Fl. 720 5 · A CARMINA nada mais é do que uma cliente da WILBERT, mas não é a única. Os demonstrativos contábeis anexados com a defesa juntada aos autos do processo n° 11065.724.981/201450 (Balanço Patrimonial e DRE) comprovam que a WILBERT possui diversos clientes para os quais comercializa produção própria de calçados. · A WILBERT adquire as matériasprimas e os insumos consumidos no processo de fabricação dos calçados que comercializa. Além disso, prova de que a WILBERT funciona como empresa independente são os registros contábeis de despesas típicas de uma empresa industrial, tais como honorários contábeis, material de consumo, energia elétrica, depreciações, seguros, fretes, despesa com pessoal, dentre outras. · Não existe uma reclamatória trabalhista sequer ajuizada contra a WILBERT e também direcionada contra a CARMINA. Ao concluir sua petição, o interessado reclama pela insubsistência do ADE e, sucessivamente requer a suspensão do processo até o julgamento do processo que originou a exclusão. A DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade, pois entendeu que "restou caracterizado que a existência (formal) da empresa JJ WILBERT, contando com sócios distintos da CARMINA, tem o único objetivo de dar uma aparência de validade para a situação que, na prática, se pretendeu encobrir (simulação)", confirmado, assim, "que a empresa ora excluída do Simples Nacional foi constituída por interpostas pessoas, visando o indevido benefício esperado por terceiros". Ciente da decisão de primeira instância em 19/10/2016, conforme "Termo de Ciência por Abertura de Mensagem" à efl. 700, a recorrente apresentou recurso voluntário em 17/11/2016 (efls. 701/710), conforme carimbo à efl. 701. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. No recurso interposto, a recorrente apresenta os seguintes argumentos: requer em preliminar a nulidade do ADE, pois na data de sua emissão "não restava definitivamente comprovada, de forma inequívoca e inconteste, a efetiva ocorrência do motivo que o ensejou ("interposição de pessoas")." Alegou, no mérito, que no "processo de origem (11065.724.981/201450) em nenhum momento foi aventada a hipótese de interposição de pessoas, pelo contrário, a discussão gira em torno das relações comerciais havidas entre as empresas WILBERT e Fl. 720DF CARF MF Processo nº 11065.725073/201483 Acórdão n.º 1001000.699 S1C0T1 Fl. 721 6 CARMINA...", que "Inexiste vedação legal para que empresas cujos sócios possuam vinculo familiar estabeleçam relação comercial, firmem contratos, parcerias etc." Discorre, ainda, sobre a localização das empresas; sobre a relação custo com pessoal x faturamento; sobre as máquinas e equipamentos utilizados; sobre os aportes financeiros e que "A CARMINA nada mais é do que uma cliente da WILBERT, mas não é a única". Constato, efetivamente, que se trata de uma repetição dos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade (vide efls. 674/682), que foram fundamentadamente afastados em primeira instância. Neste sentido, com base no disposto no §1º, do art. 50, da Lei nº 9.784/1999 c/c o §3º, do art. 57, do RICARF, por concordar com todos os seus termos e conclusões, adoto as razões de decidir do colegiado a quo, cujos excertos do voto transcrevo a seguir: (grifos constam do original) Da nulidade do ADE É improcedente a preliminar de nulidade do ato de exclusão argüida pelo recorrente, porquanto assim estatuem os artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Do exame do dispositivo supra extraise que, no tocante ao ato de exclusão, só pode haver nulidade se ele for praticado por agente incompetente. Não se evidencia nos autos a ocorrência da hipótese mencionada, tendo em vista que o ato emanou de autoridade competente (AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil com delegação de competência para tanto). Quanto ao inciso II do mesmo artigo, relativo a cerceamento de defesa, alcança apenas os despachos e decisões, quando proferidos com inobservância do contraditório e da ampla defesa. Não se evidenciou nos autos a ocorrência deste inciso, pois a fase investigativa – promovida pela fiscalização – é de cunho inquisitorial. O contraditório é inaugurado apenas com a impugnação/manifestação de inconformidade (art. 14 do PAF). Assim, não há que se falar em cerceamento de direito de defesa durante a auditoria, porque o direito de defesa só se inaugura com a ciência da exigência. E com a manifestação de inconformidade o contribuinte teve a oportunidade de apresentar todos os documentos de defesa que julgou necessário. Não há, portanto, nulidade a ser reconhecida. No tocante aos efeitos do ato de exclusão do Simples Nacional, observase que, nos termos do art. 29, §3º, da Lei Complementar 123/2006, a exclusão de ofício Fl. 721DF CARF MF Processo nº 11065.725073/201483 Acórdão n.º 1001000.699 S1C0T1 Fl. 722 7 será realizada na forma regulamentada pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN). O CGSN, no uso desta atribuição, regulamentou a exclusão do Simples Nacional por meio da Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, que estabelece, em seu artigo 4º, parágrafo 3ºA, que na hipótese de a ME ou EPP impugnar o termo de exclusão, este se tornará efetivo apenas quando a decisão definitiva for desfavorável ao contribuinte. Desta forma, o ato da exclusão do Simples Nacional, quando impugnado tempestivamente, produz efeitos apenas após a decisão definitiva do litígio; ficando assegurado ao interessado as garantias ao contraditório e à ampla defesa, previstas no trâmite do Processo Administrativo Fiscal (PAF), regulado pelo Decreto nº 70.235, de 1972. Quanto à questão da motivação do ADE, cabe apenas destacar que não há como cogitar a invalidade do ato excludente, visto que a na data da sua expedição restava configurada a situação prevista em lei, necessária à realização da exclusão, qual seja a constatação, pela autoridade fiscal, da existência de empresa constituída por interpostas pessoas. Da constituição da empresa por interpostas pessoas Interposta pessoa é aquela que figura em um negócio jurídico apenas para ocultar, de forma dissimulada, a participação do verdadeiro interessado no negócio. Na formação de sociedades comerciais, hodiernamente, não é incomum encontrarmos interposição de pessoas, sempre com vistas a esconder o verdadeiro interessado no negócio. A interposta pessoa é instituída nos contratos, com ou sem o seu conhecimento, sobrevindo o abuso negocial proposital. Ou seja, terceiras pessoas são inseridas na sociedade como pseudo sujeitos das relações jurídicas, em prol de benefícios ilícitos em favor do titular oculto, que faz o aproveitamento econômico do negócio. O interessado alega que as empresas relacionadas possuem parques fabris distintos com entrada própria, que cada uma ocupa seu espaço sem interferência e ou ingerência de uma sobre a outra, que cada empresa possui conta de energia elétrica em seu nome, como também que as empresas possuem contabilidade, clientes e fornecedores próprios. Já a autoridade fiscal, constata a existência de um esquema de simulação envolvendo a constituição das duas sociedades. O agente fiscal conclui que a empresa WILBERT existe apenas formalmente, visto que, na prática, mostrase totalmente dependente da empresa CARMINA CALÇADOS. A Representação Fiscal de fls. 3/12, anexada aos autos apresenta robustos elementos de convicção suficientemente consistentes a caracterizar que a empresa JJ WILBERT & CIA LTDA – ME, foi constituída pelos proprietários da empresa CARMINA CALÇADOS LTDA, em nome de pessoas com laços de parentesco, apenas com o intuito de sonegar tributos, no caso a contribuição previdenciária, contribuição esta que tem tratamento favorecido para os contribuintes optantes pelo Simples Nacional, isto quando comparado com as empresas tributadas pelo Lucro Presumido, que é o caso da CARMINA CALÇADOS. A matéria aqui abordada também foi analisada no bojo do processo administrativo nº 11065.724.981/201450, o qual cuidou dos lançamentos tributários Fl. 722DF CARF MF Processo nº 11065.725073/201483 Acórdão n.º 1001000.699 S1C0T1 Fl. 723 8 decorrentes da ação fiscal que apurou as irregularidades perpetradas por ambas as empresas; naqueles autos as contestações apresentadas contra as exigências ali formalizadas foram apreciadas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA), resultando na expedição do Acórdão nº 39.912, exarado pela 7ª Turma de Julgamento, ocasião em que as impugnações apresentadas foram consideradas improcedentes. A utilização de interpostas pessoas no quadro societário fica caracterizada, no momento em que a empresa constituída opera, na prática, como um estabelecimento filial da empresa CARMINA, ou seja, os verdadeiros proprietários da empresa JJ WILBERT são, na verdade, os sócios daquela. Mesmo que formalmente ambas possuam quadros societários distintos. A situação fica evidenciada quando se analisa o grau de dependência da JJ WILBERT em relação à CARMINA CALÇADOS. Esta dependência é gritante, tanto do ponto de vista operacional, no momento em que JJ WILBERT se utiliza em sua atividade fabril das máquinas da CARMINA, além do aspecto financeiro, na medida em as despesas da JJ WILBERT são pagas com recursos diretamente repassados por CARMINA e, até mesmo no campo mercadológico, quando se observa que as notas fiscais emitidas pelas duas empresas utilizamse do mesmo logotipo. Já os argumentos do interessado buscam demonstrar apenas a existência formal da empresa, tais como, existência de fornecedores, contabilidade, contas de energia e acessos externos distintos (apesar da constatada interligação física entre ambas). Tais aspectos não evidenciam a alegada independência. Além disso, o defendente apresenta uma explicação pouco convincente para a ocorrência de aportes financeiros da CARMINA para pagamento de despesas contraídas por JJ WILBERT. Registrese que as operações bancárias realizadas para a quitação de tais despesas foram comandadas por Marciane Kramer, sócia da CARMINA que não faz parte do quadro societário da JJ WILBERT. O administrado, de sua parte, afirma que os aportes financeiros são meros adiantamentos por serviços posteriormente prestados no processo de industrialização por encomenda. Ora, tal nível de informalidade na transferência de recursos entre companhias é incompatível com as práticas comerciais minimamente aceitáveis. Dessa forma, resta caracterizado que a existência (formal) da empresa JJ WILBERT, contando com sócios distintos da CARMINA, tem o único objetivo de dar uma aparência de validade para a situação que, na prática, se pretendeu encobrir (simulação). Assim, confirmado está que a empresa ora excluída do Simples Nacional foi constituída por interpostas pessoas, visando o indevido benefício esperado por terceiros. Em vista de tudo o que foi exposto, voto no sentido de considerar improcedente a manifestação de inconformidade. Quanto aos novos documentos juntados, em nada comprova o que a recorrente vem alegar e, por isto, não são capazes de alterar a decisão anterior. Quanto às doutrinas citadas, a autoridade administrativa é vinculada à legalidade estrita, seja nos termos da Lei 8.112 de 1990, em seu artigo 116, III, seja pelo artigo Fl. 723DF CARF MF Processo nº 11065.725073/201483 Acórdão n.º 1001000.699 S1C0T1 Fl. 724 9 41, inciso IV, do Anexo II, do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário mantendose a exclusão a empresa do Simples Nacional. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 724DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.900311/2008-00
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 25/08/2004
VÍCIO DE REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. FALTA DE SANEAMENTO APÓS INTIMAÇÃO REGULAR. PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE RECURSAL DESATENDIDO. NÃO CONHECIMENTO.
A comprovação da falta de poderes da signatária da Manifestação de Inconformidade para representação da sociedade e a inércia de seu administrador ao saneamento da irregularidade, mesmo depois de regularmente intimado, caracteriza vício de representação processual e inviabiliza o conhecimento do Recurso Voluntário por desatendimento de requisito de admissibilidade.
Numero da decisão: 1002-000.421
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 25/08/2004 VÍCIO DE REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. FALTA DE SANEAMENTO APÓS INTIMAÇÃO REGULAR. PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE RECURSAL DESATENDIDO. NÃO CONHECIMENTO. A comprovação da falta de poderes da signatária da Manifestação de Inconformidade para representação da sociedade e a inércia de seu administrador ao saneamento da irregularidade, mesmo depois de regularmente intimado, caracteriza vício de representação processual e inviabiliza o conhecimento do Recurso Voluntário por desatendimento de requisito de admissibilidade.
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FALTA DE SANEAMENTO APÓS INTIMAÇÃO REGULAR. PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE RECURSAL DESATENDIDO. NÃO CONHECIMENTO. A comprovação da falta de poderes da signatária da Manifestação de Inconformidade para representação da sociedade e a inércia de seu administrador ao saneamento da irregularidade, mesmo depois de regularmente intimado, caracteriza vício de representação processual e inviabiliza o conhecimento do Recurso Voluntário por desatendimento de requisito de admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 90 03 11 /2 00 8- 00 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10530.900311/200800 Acórdão n.º 1002000.421 S1C0T2 Fl. 43 2 Relatório Inicialmente, registro, por oportuno, que juntei aos autos, de ofício, às efls. 42, cópia integral da Manifestação de Inconformidade nº 1523.041 da 4ª Turma da DRJ/SDR, por constatar que a sua juntada às efls. 28/29 havia sido feita de forma parcial. Dando Prosseguimento à análise, verifico que o relatório produzido pela DRJ/SDR bem sintetiza os fatos ocorridos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação da compensação, razão pela qual o transcrevo abaixo, adotandoo na íntegra: A interessada transmitiu em 25/08/2004 PER/DCOMP eletrônico visando compensar DARF recolhido pela sistemática do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples relativo a março de 2002, no valor de R$ 1.074,60, com débitos nela declarados. A DRF/Feira de Santana emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento fora integralmente utilizado na quitação de outro débito, não restando crédito disponível para a compensação. Irresignada, a contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade alegando que, nos termos do Ato Declaratório Executivo – ADE nº 29/2003, foi excluída do Simples, e assim refez a apuração do imposto de renda pelo lucro presumido, compensando os débitos por meio do PER/DCOMP ora em análise, tendo transmitido a DIPJ/2003 para corrigir a situação. Intimada a regularizar pendência quanto à representação da empresa, a contribuinte não se manifestou a respeito. A Manifestação de Inconformidade não foi conhecida pela DRJ/SDR, conforme acórdão n. 1523.041, que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 25/08/2004 FALTA DE PODERES. REPRESENTAÇÃO. A falta de comprovação de que o signatário da peça de defesa possui poderes para representar a empresa implica em não conhecer da manifestação de inconformidade. Irresignado, o ora Recorrente apresenta Recurso Voluntário (efls. 31), no qual oferece argumentos e fundamentos de fato e de direito abaixo sintetizados (grifos do original). Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10530.900311/200800 Acórdão n.º 1002000.421 S1C0T2 Fl. 44 3 Preliminar Como preliminar, o Recorrente informa que o Acórdão de Manifestação de Inconformidade relata que "a contribuinte fora devidamente intimada por via postal para regularização da pendência, acerca da representação da empresa no Manifesto de Inconformidade, que fora assinada pela sócia Weruska Silva do Rosário, e que a contribuinte não se manifestou a respeito". Ressalta que "a contribuinte jamais recebeu comunicado por via postal da Receita Federal do Brasil citando a interessada para fins de saneamento das falhas formais que atingiram o Manifesto de Inconformidade, fato que se evidenciado seria de pronto atendido, uma vez que é de notório interesse da contribuinte". Informa ainda que "Weruska Silva do Rosário, além de sócia figura como Preposto da Empresa perante a Receita Federal do Brasil desde o seu ingresso no quadro societário". Sustenta que "não foi dado ao contribuinte, referente à Manifestação de Inconformidade, meios de conhecer a necessidade de apresentar as suas justificativas e de sanear as falhar meramente formais do Processo por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário". Aduz que "Caso tenha ocorrido intimação postal, houve falha nessa intimação, em razão da correspondência ter sido remetida para endereço incorreto, ou não ter sido servido pelos Correios e devolvida sem a cientificação do destinatário". Reitera que "a contribuinte não tomou ciência do chamamento da Receita Federal do Brasil para fins de possível saneamento de defeito de representação processual no Processo de Manifestação de Inconformidade interposta pela empresa" e que, por conseqüência, "não deu prova de recebimento". Frisa que "a assinatura constante do Manifesto de Inconformidade foi aposta pelo preposto da empresa Weruska Silva do Rosário que conforme previsto legalmente possui prerrogativas de assinar as demandas administrativas junto ao órgão em questão". Mérito Com respeito ao mérito o Recorrente informa que "A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da DRF Feira de Santana, mediante Despachos Decisórios números: 757704835, 757704377, 75774434, 757704425, 757704394 e 757704417, formalizou a não homologação da compensação solicitada por meio do PER/DCOMP (...)". Menciona que "Em 20 de maio de 2003 foi publicado Ato Declaratório executivo n° 29, DOU de 22/05/2003, excluindo a empresa da sistemática de pagamento dos tributos e contribuições de que trata o artigo 3° da Lei 9.317/96, sendo o Ato motivado pelo evento de atividade não permitida para o SIMPLES". Diz que "Neste citado momento, a Empresa já havia cumprido com suas obrigações principais e acessórias em conformidade com a sua opção tributária na ocasião, realizando o pagamento do imposto Simples através do DARF com código de receita 6106 e com a transmissão da Declaração Simplificada PJSI 2003. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10530.900311/200800 Acórdão n.º 1002000.421 S1C0T2 Fl. 45 4 Afirma que "Ao ser cientificado de sua exclusão, do então Simples Federal, foi solicitada a compensação dos pagamentos realizados indevidamente com impostos e contribuições devidas com a opção apuração Lucro Presumido (...)". Sustenta que (sic) "Ao tomar conhecimento de que a Secretaria da Receita Federal do Brasil, não homologou o pedido de compensação através das Declarações Per/Dcomp, procurado orientação no Plantão Fiscal, foi disponibilizado informação da possibilidade de não existir uma declaração com efeito retificadora DIPJ 2003, para reconhecimento por parte da RFB, dos débitos tributários decorrente da opção pelo Lucro Presumido e a extinção dos créditos referentes aos pagamentos realizados no Simples Federal" e que, por isso, transmitiu "a Declaração DIPJ 2003, para corrigir a situação verificada". Acrescenta que "Com base no mencionado e considerando que não se aplica a esta empresa o quanto previsto no § 3°, do art. 74 da Lei 9.430/96 e considerando a prerrogativa prevista no § 9e do mencionado artigo apresentouse Manifesto de Inconformidade no qual se requereu a Revisão da Decisão de Não Homologação das PER/DCOMP's apresentadas e a extinção dos débitos informados nas mesmas em tempo que foi solicitado o reconhecimento de um único débito tributário, qual sejam, aqueles referentes ao regime tributário adotado a partir de 01/01/2002 (lucro presumido)". Ao final requer "seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, acatando a Manifestação de Inconformidade, homologando as PERDCOMP's apresentadas e a extinção dos débitos informados nas mesmas." É o Relatório do essencial. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator O recurso é tempestivo, porém, não atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele não se conhece. Como dito no preâmbulo, a Manifestação de Inconformidade não foi conhecida pela DRJ/SDR por falta de comprovação de que o signatário possuía poderes de representação do contribuinte. Com relação à preliminar de mérito, num primeiro momento, o Recorrente sustenta que a signatária da Manifestação de Inconformidade, Sra. Weruska Silva do Rosário, além de sócia, figura como preposta do contribuinte perante a RFB desde o seu ingresso no quadro societário. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10530.900311/200800 Acórdão n.º 1002000.421 S1C0T2 Fl. 46 5 Não procede essa alegação do Recorrente. Compulsando os autos, mais precisamente a cláusula 8ª do documento intitulado "segunda alteração e consolidação contratual da empresa Tecnosolda de Soldagem e Controle da Qualidade Ltda" (efls. 10) constato que a administração da sociedade é exercida pelo sócio Miguel Capistrano: Assim, considerando que a Manifestação de Inconformidade foi subscrita pela sócia Weruska Silva do Rosário, titular de 1% das cotas de capital e não detentora de poderes de administração da sociedade, não resta dúvida de que a Manifestação de Inconformidade foi apresentada com defeito de representação processual. É de se ressaltar que a Unidade de Origem intimou o contribuinte na forma da legislação em vigor e outorgoulhe oportunidade para o saneamento da irregularidade apontada no prazo de 20 dias (efls 24). Entretanto, este prazo transcorreu in albis, sem que houvesse o saneamento ou a ratificação dos termos da Manifestação de Inconformidade apresentada, pelo que foi remetida no estado em que se encontrava ao órgão de primeira instância, para julgamento, o qual não conheceu da Manifestação de Inconformidade por entender configurado vício de representação processual, lastreandose no artigo 13 do Código de Processo Civil CPC, de aplicação subsidiária ao Processo Administrativo Fiscal: Art. 13. Verificando a incapacidade processual ou a irregularidade da representação das partes, o juiz, suspendendo o processo, marcará prazo razoável para ser sanado o defeito. Não sendo cumprido o despacho dentro do prazo, se a providência couber: I ao autor, o juiz decretará a nulidade do processo; II ao réu, reputarseá revel; III ao terceiro, será excluído do processo. Nas suas razões de defesa, o Recorrente sustenta que a sócia Weruska Silva do Rosário era preposta da sociedade junto à RFB e apresenta o documento de efls. 36 como abono a sua afirmação, porém, este, em verdade, é um mero extrato de dados cadastrais indicativo da situação fiscal do contribuinte perante a RFB, que não se confunde com uma procuração ad juditia ou contrato, que são, comumente, os instrumentos jurídicos apropriados para delegação de poderes de representação processual junto aos órgãos de julgamento do contencioso administrativo fiscal. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10530.900311/200800 Acórdão n.º 1002000.421 S1C0T2 Fl. 47 6 Assim, embora a sócia Weruska Silva do Rosário seja a signatária da Manifestação de Inconformidade e tenha qualificadose como sócia administradora, esta informação não foi confirmada no contrato social, eis que, como visto anteriormente, os poderes de administração da sociedade são exercidos pelo sócio Miguel Capistrano (efls. 10), o qual não delegou nestes autos poderes de representação processual àquela, nem por meio de alteração de contrato social nem via procuração. Nesse sentido, a qualificação do peticionário e a forma de representação das Pessoas jurídicas em ambiente processual fazem parte de exigências legais que constam, respectivamente, dos artigos 16 do decreto nº 70.235/72 e do artigo 12 do CPC: Decreto nº 70.235/72 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; Código de Processo Civil Art.12. Serão representados em juízo, ativa e passivamente: (…) VI as pessoas jurídicas, por quem os respectivos estatutos designarem, ou, não os designando, por seus diretores; (…) Concluise, portanto, que a DRJ/SDR decidiu acertadamente ao não conhecer da Manifestação de Inconformidade por vício de representação processual, porquanto o contribuinte quedouse inerte, não adotando qualquer providência para saneamento do feito, mesmo depois de regularmente intimado da irregularidade. Ainda com relação à preliminar de mérito, o Recorrente afirma que jamais recebeu comunicado por via postal da RFB para fins de saneamento das falhas formais que ocasionaram o não conhecimento da Manifestação de Inconformidade. Igualmente não procede essa afirmação do Recorrente. O comunicado para regularização da representação processual consta das e fls. 23 deste processo e está acompanhado de prova de recebimento via AR Aviso de recebimento de efls. 25, abaixo reproduzido: Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10530.900311/200800 Acórdão n.º 1002000.421 S1C0T2 Fl. 48 7 O documento acima enviado ao domicílio fiscal do Recorrente e devidamente assinado pelo recebedor, comprova que a ciência do comunicado de regularização processual ocorreu de forma regular e mostra que a alegação do Recorrente em sentido contrário é infundada. Aliás, constatase que a signatária do "AR" de ciência do referido comunicado foi a mesma que assinou o "AR" de ciência do Acórdão de Manifestação de Inconformidade. Confirase: A assinatura do "AR" de ciência do acórdão de Manifestação de Inconformidade pela mesma pessoa que teve ciência do comunicado referido acima invalida a afirmação de falta de ciência deste porque, fosse ela verdadeira, seria de se esperar obviamente Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10530.900311/200800 Acórdão n.º 1002000.421 S1C0T2 Fl. 49 8 que o Recorrente apresentasse a mesma alegação de ausência de recebimento do Acórdão de Manifestação de Inconformidade no Recurso Voluntário, o que não ocorreu no presente caso. Este entendimento decorre da aplicação das regras básicas de hermenêutica jurídica, segundo as quais Ubi eadem ratio ibi idem jus (onde houver o mesmo fundamento haverá o mesmo direito) e Ubi eadem legis ratio ibi eadem dispositio (onde há a mesma razão de ser, deve prevalecer a mesma razão de decidir). Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário, mantendo a decisão de piso. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 53DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.950685/2015-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO REBATE AS RAZÕES DA DECISÃO DA DRJ.. AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE.
Recurso voluntário que não apresente indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou traga qualquer motivo pelos quais deva ser modificada deve ser mantido por falta de dialeticidade com a decisão recorrida.
Numero da decisão: 1401-002.762
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliviera Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010 RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO REBATE AS RAZÕES DA DECISÃO DA DRJ.. AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE. Recurso voluntário que não apresente indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou traga qualquer motivo pelos quais deva ser modificada deve ser mantido por falta de dialeticidade com a decisão recorrida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliviera Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1365; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.950685/201517 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1401002.762 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2018 Matéria PER/DCOMP Recorrente HOUSE OF VISION COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO REBATE AS RAZÕES DA DECISÃO DA DRJ.. AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE. Recurso voluntário que não apresente indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou traga qualquer motivo pelos quais deva ser modificada deve ser mantido por falta de dialeticidade com a decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliviera Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 06 85 /2 01 5- 17 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10880.950685/201517 Acórdão n.º 1401002.762 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Adoto como relatório, aquele da decisão de primeira instância, complementando a seguir: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório [...], referente ao PER/DCOMP nº 34555.84611.121113.1.3.047006. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de CSLL, Código de Receita 2372, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 30/07/2010, no valor de R$ 65.366,65. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que a alegação de que não restou crédito disponível não pode ser entendida como fundamento para o DD; que a autoridade administrativa quedouse inerte na análise de qualquer situação que legitima o crédito postulado; que o processo administrativo no âmbito federal tem regulamentação própria e deve ser observada pela autoridade julgadora; que a Lei 9784, de 1999, no art. 2, inciso VIII, dispõe, entre outros, sobre os princípios da legalidade, motivação e observância das formalidades; que a autoridade não se deu nem sequer ao trabalho de motivar seu despacho; que se torna evidente que a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, porque o crédito propriamente dito nem sequer foi apreciado; Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10880.950685/201517 Acórdão n.º 1401002.762 S1C4T1 Fl. 4 3 que a autoridade administrativa limitouse a verificar se o pagamento realizado estava disponível em seus sistemas; que diversas situações que acarretariam na restituição do valor recolhido, seja pela inclusão indevida de valores na base de cálculo, seja por erro de fato na apuração do imposto, seja por situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo, hipóteses que são regulamentadas pela IN 1.300/2012; que a autoridade administrativa furtouse em analisar qualquer das possibilidades que ensejaria a restituição postulada; que simplesmente não homologar a compensação sem explicar os motivos da suposta indisponibilidade do crédito, torna a decisão totalmente nula, por não oferecer os elementos necessários para que a empresa possa promover sua defesa e a prova da existência deste crédito; que houve cerceamento de direito de defesa, porque a autoridade não analisou o mérito da compensação efetuada e nem sequer intimou a empresa a prestar os esclarecimentos necessários; em observância ao princípio constitucional da eficiência, a administração está obrigada a intimar o interessado a fazer os esclarecimentos necessários e comprovar o alegado, sempre que lhe restar dúvidas; que não é possível promover uma defesa quando não são expostos os argumentos que levaram ao indeferimento do seu pedido; que ficou impossibilitada a oportuna apresentação de prova do direito alegado, já que nem sequer é sabido o que não foi reconhecido; Ao final, pedese que seja determinada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e que seja acatada a preliminar de nulidade. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformada a contribuinte interpôs recurso voluntário sem contudo, apresentar as razões do recurso. Foi intimada a contribuinte a apresentar as razões em 10 dias. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10880.950685/201517 Acórdão n.º 1401002.762 S1C4T1 Fl. 5 4 Apresentadas as razões, a contribuinte alega apenas a nulidade do despacho decisório por não ter sido fundamentado. Alega que os atos administrativos devem ser fundamentados para que fosse possível à Recorrente compreender qual o motivo da não homologação da compensação. Por fim, não junta qualquer documento, tampouco rebate a fundamentação da decisão primeva. Esse é o relatório do essencial. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10880.950685/201517 Acórdão n.º 1401002.762 S1C4T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.752, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.959034/2013 21, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.752): O recurso é tempestivo e dele conheço. Cuidam os autos de compensação de débito(s) com crédito de IRPJ, Código de Receita 2089, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 29/01/2010, no valor de R$38.217,54. O despacho decisório concluiu que o DARF citado do alegado crédito já foi devidamente compensado com outros débitos. Ou seja, estamos diante de um fato em que deveria a contribuinte, ora recorrente, demonstrar que os valores não foram compensados com outros débitos. Sendo assim, a questão é meramente de fato e exige provas da contribuinte para que lhe seja garantido seu suposto direito. Contudo, não restou demonstrado qualquer direito e tão somente sua indignação pela falta de fundamentação do despacho decisório. A DRJ analisou o pedido conforme exposto abaixo: Motivação do Despacho Decisório O despacho não deixa dúvida quanto à sua motivação: o fundamento de fato para a não homologação é a inexistência do crédito utilizado na compensação; o fundamento legal é, entre outros, o art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996. O caput do referido artigo diz que o sujeito passivo que apurar crédito passível de restituição ou de ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos próprios. Isso significa que, se o sujeito passivo não apurar crédito passível de restituição ou ressarcimento, não poderá fazer compensação. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10880.950685/201517 Acórdão n.º 1401002.762 S1C4T1 Fl. 7 6 Portanto, a inexistência do crédito utilizado no PER/DCOMP é fundamento de fato legítimo e suficiente para a não homologação. Ele explicita de maneira fundamentada, como se concluiu pela inexistência do crédito pretendido. Consta do despacho decisório que o Darf apresentado como crédito foi utilizado para pagar débito a ele vinculado. Foram informados, ainda, em relação ao débito vinculado ao DARF, o código do tributo, seu período de apuração e seu valor original. Demonstrase, assim, que o despacho traz, de forma explícita, a motivação da não homologação. A exposição é clara e exaustiva. O interessado, por sua vez, demonstra que a compreendeu perfeitamente no trecho da manifestação abaixo reproduzido: Limitouse a autoridade administrativa, em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Teve, portanto, a cognição dos fatos e do direito pertinentes ao objeto do ato contestado em toda sua extensão e complexidade. Assim sendo, não houve preterição do direito de defesa. A análise da motivação é questão de mérito. Sua eventual improcedência não é motivo de nulidade e não afeta o estabelecimento da relação jurídica processual. Falta de Intimação Para Prestar Esclarecimentos Pelo que dispõe o Decreto nº 70.235, de 1972, não constitui irregularidade a falta de oportunidade para a manifestação do sujeito passivo antes da ciência do despacho decisório de nãohomologação da compensação. Por outro lado, o recurso apenas argui a falta de fundamentação do despacho decisório, sem ao menos "dialogar" com a decisão da DRJ. Nesse sentido, a falta de dialeticidade do recurso impede qualquer nova decisão sobre a matéria. Essa é a jurisprudência desse Conselho sobre a matéria, conforme ementa de recurso julgado pela brilhante Conselheira integrante desse turma, Lívia De Carli Germano: IMPUGNAÇÃO. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE. REGIMENTO INTERNO DO CARF. Recurso voluntário que não apresente indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou traga qualquer motivo pelos quais deva ser modificada autoriza a adoção, como razões de decidir, dos Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10880.950685/201517 Acórdão n.º 1401002.762 S1C4T1 Fl. 8 7 fundamentos da decisão recorrida, por expressa previsão do regimento interno do CARF. Processo nº 10935.002797/201072 Acórdão nº 1401 002.365 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de abril de 2018 Recorrente JORGE TOME EPP/ Recorrida FAZENDA NACIONAL Nesse sentido, não há qualquer direito a ser reconhecido, tampouco qualquer nova razão. Não restou demonstrada a não fundamentação da decisão recorrida, pelo que a mantenho pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Pelo acima exposto, conduzo meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.900880/2008-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2001
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não há ato legal específico que conceda isenção ou outra forma de desoneração de PIS e COFINS nas vendas à Zona Franca de Manaus, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Numero da decisão: 3402-005.407
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento em conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no AgRg no Ag 1.420.880/PE.
(assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente)
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2001 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não há ato legal específico que conceda isenção ou outra forma de desoneração de PIS e COFINS nas vendas à Zona Franca de Manaus, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento em conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no AgRg no Ag 1.420.880/PE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 08 80 /2 00 8- 57 Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10882.900880/200857 Acórdão n.º 3402005.407 S3C4T2 Fl. 3 2 (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente) Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10882.900880/200857 Acórdão n.º 3402005.407 S3C4T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) mediante a qual a contribuinte pretendeu extinguir débito com pretenso crédito com origem em pagamento indevido de contribuição social. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação face a inexistência de crédito disponível para compensação. Cientificada do despacho, a contribuinte manifestou sua irresignação arguindo em síntese que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Argumenta que as vendas à Zona Franca de Manaus (ZFM) no período em tela estavam imunes à incidência do PIS e da Cofins e, portanto, o pagamento teria sido feito a maior. Iniciando essa linha de argumentação, assevera que o art. 4° do DecretoLei (DL) n° 288, de 1967, equiparou, para todos os efeitos fiscais, as vendas realizadas a Zona Franca de Manaus a uma operação de exportação. Tal disposição, a seu ver, possui envergadura de norma de caráter complementar, e nesse nível de hierarquia teria sido incorporado ao ordenamento jurídico pela recepção que lhe deu a Constituição Federal de 1988, pelo artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). Defende que o mesmo tratamento dado às exportações, aplicável às vendas realizadas à Zona Franca de Manaus, seria também extensível às vendas efetuadas para destinatários sediados nos municípios integrantes das Areas de Livre Comércio. Ao fim, requer o recebimento da presente manifestação de inconformidade com o seu regular efeito suspensivo da exigibilidade do crédito. Pleiteia ainda o reconhecimento do direito credit6rio referente aos recolhimentos indevidos ou a maior a titulo de PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus e a consequente a homologação da compensação.” Por meio do acórdão nº 0529.746, a DRJ não acolheu as razões de defesa da manifestante, mantendo a não homologação da compensação. Regularmente cientificado, o contribuinte tempestivamente apresentou seu Recurso Voluntário, repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, acrescentando que não foi intimado pela fiscalização, em nenhum momento, a apresentar comprovantes da origem dos seus créditos e que, no despacho eletrônico proferido, também não foi apresentado nenhum argumento para que os créditos pleiteados fossem indeferidos. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10882.900880/200857 Acórdão n.º 3402005.407 S3C4T2 Fl. 5 4 Argumenta ainda que trouxe aos autos planilha comprovando que os créditos indicados no pedido de compensação são originados de pagamento indevido ao a maior, uma vez que efetuou vendas destinadas à Zona Franca de Manaus. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.398, de 24 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10882.900443/200833, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.398): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão trazida a este colegiado cingese sobre direito creditório não reconhecido pela constatação de utilização integral do pagamento na quitação de débitos do contribuinte. Também se discute, a partir das alegações trazidas na Manifestação de Inconformidade, o direito ao crédito do PIS e da COFINS nas operações com empresas situadas na Zona Franca de Manaus, que poderia lastrear o pleito inicial da interessada. Ainda que o Despacho Decisório nada tenha se manifestado acerca de qualquer documento probatório, o sujeito passivo, além de contestar a vinculação do pagamento, também argumentou quanto às razões pela qual entendia que parte do recolhimento seria indevido, por se referir a vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Segundo seu entendimento, tais vendas estariam imunes à incidência das contribuições, resultando em saldo recolhido à maior. A 3ª Turma da DRJ em Campinas não acolheu as razões de defesa do sujeito passivo, entendendo que o pretendido pagamento indevido teria origem no período de apuração 01/09/2002 a 30/09/2002, em relação ao qual a isenção em comento alcançaria apenas as receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do artigo 14 da MP n°2.15835, de 2001. Segundo a turma julgadora, os autos não trazem comprovação suportada por documentação contábilfiscal da inclusão das receitas decorrentes das mencionadas operações isentas na base que serviu para o Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10882.900880/200857 Acórdão n.º 3402005.407 S3C4T2 Fl. 6 5 cálculo do pagamento formador do apontado indébito, não se podendo reconhecer o pretendido direito de crédito aproveitado na compensação. Preliminarmente, a recorrente alega nulidade do processo administrativo em razão da ausência de diligências na documentação que comprovaria o indébito tributário. Não assiste razão à recorrente. Conforme disposto no artigo 29 do PAF, as diligências são determinadas pela autoridade julgadora, na apreciação da prova, caso entenda necessárias, o que não é o caso. A recorrente não apresentou qualquer documento comprobatório do crédito pleiteado, nem na fase de impugnação, nem nesta fase recursal, em descumprimento do artigo 15 do PAF que determina a instrução dos documentos comprobatórios juntamente com a impugnação. Apenas uma planilha intitulada “VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS E AREAS DE LIVRE COMÉRCIO UNIDADE SUMARÉ SETEMBRO DE 2002” (fls.43) foi apresentada, sem nenhum documento comprobatório. A prova deve ser feita nos autos, não fora dele, e no momento oportuno. Destacase que o indeferimento do direito creditório foi motivado pela utilização do(s) pagamento(s) na quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Nenhuma prova contrária à tal constatação fiscal foi apresentada. Portanto, não resta configurada qualquer nulidade quanto à ausência de diligência. Em consequência, rejeitase o pedido de diligência. A recorrente alega cerceamento de seu direito de defesa, por entender que a decisão de primeira instância teria inovado o lançamento inicial. Segundo seu entendimento, o Despacho Decisório eletrônico não mencionou qualquer documento (físico ou eletrônico) que embasasse a glosa da compensação, limitandose apenas a mencionar que o crédito não existiria, imputando penalidade a Recorrente, sem qualquer análise da materialidade do crédito compensado. Também neste ponto não assiste razão à recorrente. Nenhuma inovação foi trazida aos autos pelo julgador de primeiro grau na apreciação da matéria, que apenas trouxe os fundamentos necessários para rechaçar as alegações do sujeito passivo trazidas na Manifestação de Inconformidade. Tratase do pleno exercício do contraditório, que exige a plena fundamentação das decisões na apreciação de todos os pontos levantados pela defesa do contribuinte. A motivação do Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10882.900880/200857 Acórdão n.º 3402005.407 S3C4T2 Fl. 7 6 indeferimento do direito creditório continua sendo a inexistência de crédito. Dessa forma, também não está configurado qualquer cerceamento do direito de defesa da recorrente, visto que a questão foi por ela trazida e por ela novamente repisada em sua peça recursal. No mérito, a recorrente alega o direito ao crédito do PIS e da COFINS nas operações com empresas situadas na Zona Franca de Manaus. O tema foi objeto de julgamento repetitivo na 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em processos cujo interessado foi a própria recorrente. Dessa forma, adoto no presente voto os fundamentos do Acórdão nº 9303003.934, de 07 de junho de 2016, da lavra do i. Conselheiro Júlio César Alves Ramos, a seguir reproduzido: “Fui incumbido de apontar as razões que levaram o colegiado, por voto de qualidade, a negar provimento ao recurso do contribuinte, sob o entendimento de que, até a redução a zero da alíquota da contribuição efetuada em julho de 2004, não havia qualquer dispositivo legal que concedesse isenção de COFINS às vendas para aquela área. O argumento inicial em sentido contrário buscaa na própria norma que criou a Zona Franca de Manaus. Segundo tal entendimento, o art. 4º do Decretolei 288, ao afirmar que as remessas para aquela região equiparavamse a exportação para o exterior, deveria ser estendido à COFINS, embora, cediço, ela somente tenha sido posteriormente criada. E isso porque tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10882.900880/200857 Acórdão n.º 3402005.407 S3C4T2 Fl. 8 7 estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Pretendem alguns que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiu se um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10882.900880/200857 Acórdão n.º 3402005.407 S3C4T2 Fl. 9 8 criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser tachada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10882.900880/200857 Acórdão n.º 3402005.407 S3C4T2 Fl. 10 9 nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em julho de 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. É que, nos termos constitucionais, a concessão de isenção requer lei específica1 , de modo que, ou se aceita que seja ela o decretolei ou ela não existe. Não se pode inferir que haja uma lei simplesmente porque um parágrafo em artigo de lei posterior a "exclua". Em outras palavras, há apenas dois caminhos interpretativos. O primeiro: se considera que o decretolei 288 fez uma equiparação genérica das vendas àquela região a exportação e, portanto, qualquer ato posterior que concedesse benefício Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10882.900880/200857 Acórdão n.º 3402005.407 S3C4T2 Fl. 11 10 (isenção ou outro) a operações de exportação se aplicava imediatamente e automaticamente às vendas para lá. Nesse caso, a isenção concedida pela Lei Complementar 85 a elas se estende, mesmo não tendo ela sido expressamente referida no dispositivo. Essa interpretação contraria, a meu ver, o art. 150, § 6º da Constituição. Ou, como entendo eu, considerase que não havia dispositivo que concedesse isenção ou qualquer outra forma de desoneração àquelas vendas até a redução a zero de sua alíquota, promovida em 2004. Não contemplo um terceiro caminho. Com tais considerações, negouse provimento ao recurso do contribuinte.” Também não prospera qualquer argumento que aponte a obrigatoriedade do acatamento do entendimento do STF, exceto nos casos de repercussão geral reconhecida, conforme determina o RICARF, o que não é o caso. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 156DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.003795/2009-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.429
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem: (i) promova a verificação se a Recorrente declarou em DCTF débitos de IPI no período de abril a novembro de 2004; (ii) promova a verificação junto às demais unidades da RFB se os adquirentes cuja declaração apresentada na impugnação já haviam comunicado às respectivas unidades de sua circunscrição sobre sua condição prevista no artigo 17, da IN SRF 296/2003, antes das aquisições com suspensão que foram objeto do presente lançamento; e (iii) planilha em que informe as notas fiscais da Recorrente emitidas com suspensão cujo período os fornecedores já tinham emitido o comunicado no ano-calendário anterior.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Cássio Schappo, Lázaro Antonio Souza Soares e Tiago Guerra Machado.
Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem: (i) promova a verificação se a Recorrente declarou em DCTF débitos de IPI no período de abril a novembro de 2004; (ii) promova a verificação junto às demais unidades da RFB se os adquirentes cuja declaração apresentada na impugnação já haviam comunicado às respectivas unidades de sua circunscrição sobre sua condição prevista no artigo 17, da IN SRF 296/2003, antes das aquisições com suspensão que foram objeto do presente lançamento; e (iii) planilha em que informe as notas fiscais da Recorrente emitidas com suspensão cujo período os fornecedores já tinham emitido o comunicado no anocalendário anterior. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Cássio Schappo, Lázaro Antonio Souza Soares e Tiago Guerra Machado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .0 03 79 5/ 20 09 -3 8 Fl. 524DF CARF MF Processo nº 10865.003795/200938 Resolução nº 3401001.429 S3C4T1 Fl. 525 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 499 e seguintes) contra decisão da 4a Turma, da DRJ/SDR, que considerou improcedente as razões da Recorrente sobre a nulidade de Auto de Infração, exarado pela DRF/Limeira, em 09.12.2009, referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados, períodos de apuração 01/04/2004 a 31/03/2005. Do Lançamento Naquela ocasião, a D. Fiscalização lançou crédito tributário (fls. 06 e seguintes) de R$219.404,25 (duzentos e dezenove mil, quatrocentos e quatro reais e vinte e cinco centavos), mais consectários de mora, totalizando a exigência em R$529.237,67 (quinhentos e vinte e nove mil, duzentos e trinta e sete reais e sessenta e sete centavos). Em síntese, as razões que levaram ao lançamento de ofício foram: · Foi apurada a falta de lançamento de imposto nas saídas do estabelecimento de produtos tributados, por ter se utilizado incorretamente do instituto da suspensão, em relação aos produtos classificados nos códigos 3920.20.19, 3921.90.11 e 3921.90.19; · Consta do termo de constatação fiscal, fls. 42 a 44, que o sujeito passivo realizou vendas (CFOP 5101 e 6101) de produtos com código TIPI 3920.20.19, 3921.90.11 e 3921.90.19 em desacordo com o artigo 29, da Lei Federal 10.637/2002: · Empresas adquirentes enquadradas na sistemática do Simples, relacionadas às fls. 45/51, · Falta de apresentação de declaração de preponderância da produção, em relação aos adquirentes com CNPJ 00.274.956/000181, 77.866.754/000153, 05.804.728/000190, 44.264.604/000110, 01.797.934/000169, 05.573.930/000158, 86.619.905/000160, 04.738.067/000189 e 18.467.563/000150; · Não apresentou DIPJ: empresa adquirente 52.045.986/000110 ; · Apresentaram DIPJ inativa: empresas adquirentes 32.256.448/000167 e 54.431.457/000180; e · Adquirente pessoa física 675.965.17900 Da Impugnação Fl. 525DF CARF MF Processo nº 10865.003795/200938 Resolução nº 3401001.429 S3C4T1 Fl. 526 3 A Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração, em 31.01.2011 (fls.94), e interpôs impugnação, em 04.03.2011(fls. 96 e seguintes ), alegando, em síntese, o seguinte: Esclareçase que a ausência de destaque de IPI nas notas fiscais, em nada prejudicou o fisco, uma vez que não houve crédito na pessoa dos adquirentes, sendo assim, o IPI foi cobrado em etapa seguinte da cadeia produtiva; ] Não deve ser penalizada, pois apenas cumpriu a legislação e se orientou por documentos oficiais de seus clientes. Se estes estiverem equivocados, então que seja cobrado de cada um deles, pois foram eles que obtiveram benefícios com a susensão Outro ponto que merecer ser observado é que a lei da suspensão (ou de sua restrição) do IPI foi elaborada para casos específicos, (como os dos adquirentes) casos estes em que não se enquadra a impugnante; ] Pelos documentos anexados à presente (declarações dos clientes declarando a suspensão do IPI a que fazem direito) chegase a conclusão que a impugnante nada mais fez do que cumprir com sua obrigação ao mencionar o motivo da suspensão e conservando as correspondências de seus clientes à disposição do Fisco; Requer a observância obrigatória do princípio da verdade material, na medida em que se trata de processo administrativo fiscal que visa a verificação de documentos de adquirentes de mercadorias fabricadas pela impugnante, os quais afirmaram através de documentos (datados e assinados) que tinham direito ao benefício fiscal da suspensão do IPI. MULTA CONFISCATÓRIA: O valor da multa aplicada não guarda nenhuma proporção com a infração cometida, embora, os fatos relatados no Auto de Infração mantenham alguma relação ao que foi relatado pelo Auditor Fiscal, a multa aplicada foi excessiva, configurando assim, o confisco, o que é vedado pela nossa Constituição Federal, pela decisão prolatada pelo STF, e ainda decisão tomada no controle difuso de constitucionalidade conforme de provará a seguir. Assim, deverá ser reconhecida a natureza absolutamente confiscatória da multa punitiva aplicada, que fere gravemente alguns princípios do Direito Administrativo, a saber, os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, implícitos na Constituição Federal e expressos na Lei 9.784/99; ] Diante de todos os fatos alegados, bem como da intransigência e desproporcionalidade da multa aplicada, e ainda, das decisões que julgam ser confiscatória a multa de 75%, requerse pela revisão da penalidade aplicada Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio Acordão 1531.875 (fls 482 e seguintes), exarado pela 4ª Turma, da DRJ/SDR , em 06.03.2013, do qual a Contribuinte tomou conhecimento em (fl.), através do qual foi mantido integralmente o crédito tributário lançado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 31/03/2005 SUSPENSÃO DO IPI. FABRICAÇÃO PREPONDERANTE. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. Fl. 526DF CARF MF Processo nº 10865.003795/200938 Resolução nº 3401001.429 S3C4T1 Fl. 527 4 Podem sair do estabelecimento industrial com suspensão do IPI os materiais de embalagem destinados a estabelecimento que se dedique preponderantemente à elaboração dos produtos arrolados no art. 29 da Lei nº 10.637, de 2002, desde que atendidas as obrigações acessórias previstas na legislação de regência. REGIME DE SUSPENSÃO DO IPI. EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. INAPLICABILIDADE. O disposto no inciso I do art. 23 da Instrução Normativa SRF nº 296, de 6 de fevereiro de 2003, alterada pela Instrução Normativa SRF nº 342, de 15 de julho de 2003, veda a aplicação da suspensão do IPI, nos casos previstos na referida Instrução Normativa, às pessoas jurídicas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), seja em relação às aquisições de seus fornecedores, seja no tocante às saídas dos produtos que industrializem. SUSPENSÃO DO IPI. O mecanismo de suspensão de que trata o art. 29 da Lei nº 10.637, de 2002, não se dirige à pessoa física, mas aos estabelecimentos industriais dos produtos ali referidos. MULTA DE OFÍCIO. Tratandose de lançamento de ofício, decorrente de infração a dispositivo legal detectado pela administração em exercício regular da ação fiscalizadora, é legítima a cobrança da multa punitiva correspondente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Dessa decisão, importante destacar os seguintes enxertos: (a) Sobre as condições gerais para fruição da suspensão do IPI Neste sentido, o art. 44 do RIPI/2002, aprovado pelo Dec. nº 4.544, de 2002, ao tratar da suspensão do IPI nas saídas de MP, PI e ME destinados a estabelecimentos dedicados à industrialização de produtos com classificações idênticas às do artigo 29 da Lei nº 10.637, de 2002, estabelece, em seu § 3º, que “para fins do disposto neste artigo, as empresas adquirentes deverão: atender aos termos e às condições estabelecidas pela SRF; e declarar ao vendedor, de forma expressa e sob as penas da lei, que atendem a todos os requisitos estabelecidos”. Ressaltese que o art. 41 do RIPI/2002 já previa que, “quando não forem satisfeitos os requisitos que condicionaram a suspensão, o imposto tornarseá imediatamente exigível, como se a suspensão não existisse. (b) Adquirentes optantes pelo Simples As regras próprias e específicas a que estão sujeitas as empresas optantes pelo Simples, no tocante à tributação do IPI, não se coadunam com o regime de suspensão do IPI instituído pela Lei nº 10.637, de 2002. São regimes distintos e não concomitantes. Tal alíquota é aplicada sobre uma única base de cálculo, no caso a receita bruta, não se vinculando ao mecanismo de crédito/débito a que estão sujeitos os contribuintes que não participam do Simples. Assim, não se deve considerar, em respeito às normas e aos aspectos próprios do IPI, a possibilidade do referido regime de suspensão ser aplicável às empresas optantes Fl. 527DF CARF MF Processo nº 10865.003795/200938 Resolução nº 3401001.429 S3C4T1 Fl. 528 5 pelo Simples, seja em relação às aquisições de seus fornecedores, seja no tocante às saídas dos produtos que industrializam, podendose notar a presença de tal entendimento, literalmente, no disposto no inciso I do art. 23 da Instrução Normativa nº 296, de 2003. Além de haver óbice de natureza legal à aplicação do regime suspensivo às empresas optantes do Simples (porque, repitase, os dois regimes não podem conviver), poderia ocorrer também uma distorção econômica se a convivência entre regimes distintos (suspensão do IPI e Simples) fosse possível. Em regra, a opção pelo Simples é incompatível com a utilização de qualquer outro benefício ou tratamento fiscal diferenciado ou mais favorecido aplicável aos tributos federais, tais como suspensão, isenção ou alíquota zero. (c) CNPJ em situação inativa e comprovação da preponderância Quanto às saídas para estabelecimentos com CNPJ em situação INATIVA ou para adquirente pessoa física, conforme disposto § 2º, do art. 29 da Lei no 10.637, de 2002, para ter direito à suspensão do IPI, o adquirente de MP, PI e ME, dentre outros requisitos, deve ser estabelecimento industrial. Vale dizer, o mecanismo de suspensão em tela não se dirige ao mero comerciante, mas aos que realizem com preponderância a industrialização dos produtos ali referidos. Ou seja, se exige do beneficiário um perfil essencialmente industrializador, dedicado à realização de operações de industrialização. De fato, o objetivo do referido artigo é evitar a acumulação de créditos, logo, os estabelecimentos adquirentes dos produtos mencionados deverão ser contribuintes do imposto, porque apenas esses se creditam de IPI ao adquirirem de outro estabelecimento contribuinte produtos tributados e, assim, seriam beneficiados da suspensão do imposto deixando de acumular créditos. Cumpre destacar que, além de contribuintes do IPI, os estabelecimentos adquirentes devem se dedicar, preponderantemente, à elaboração dos produtos enumerados pelo art. 29 da Lei no 10.637, de 2002. Como visto nas normas acima transcritas, consideramse preponderantes as operações que, no anocalendário imediatamente anterior ao da aquisição, originaram uma receita bruta superior a sessenta por cento da receita bruta total no mesmo período. Portanto, a palavra “preponderantemente”, contida no art. 29 da Lei no 10.637, de 2002, não se refere à quantidade de produtos, mas sim à receita bruta decorrente dos produtos ali referidos. (...) Desta forma, inexistindo nos autos provas de que os adquirentes dos produtos comercializados pela interessada atendessem, à época dos períodos de apuração autuados, às exigências contidas na legislação citada, especialmente as descritas no art. 17 da IN SRF nº 296, de 2003, correto o procedimento da fiscalização. Irresignado, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação e apresentar, ainda, os seguintes: Fl. 528DF CARF MF Processo nº 10865.003795/200938 Resolução nº 3401001.429 S3C4T1 Fl. 529 6 Fl. 529DF CARF MF Processo nº 10865.003795/200938 Resolução nº 3401001.429 S3C4T1 Fl. 530 7 É o relatório. Voto Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade constantes na legislação; de modo que admito seu conhecimento. Da Preliminar de Decadência A Recorrente, em sede de recurso, ressalta que teria havido decadência no período compreendido entre abril e novembro de 2004, haja vista que a notificação do presente lançamento fora efetuada em 08.12.2009, haja vista a ausência de imputação de dolo, fraude ou simulação, nos termos do artigo 150, parágrafo 4º. Contudo, não aponta se houve ou não pagamento do imposto do período em que alega decadência. Sem isso, não há como examinar se a decadência realmente se opera, em função do que dispõe o artigo 173, inciso I, do CTN. Imperioso, é, portanto, verificar esses fatos mediante a conversão do presente em diligencia. Fl. 530DF CARF MF Processo nº 10865.003795/200938 Resolução nº 3401001.429 S3C4T1 Fl. 531 8 Da Proposta de Diligência Ainda residindo a possibilidade de discutir o mérito e devendo aproveitar a conversão para outros esclarecimentos, proponho diligencia complementando o item anterior nos seguintes termos. O mérito reside na compreensão de qual trâmite deve ser seguido pelo contribuinte para usufruir da suspensão prevista no artigo 29, da Lei Federal 10.637/2002. Assim o art. 29 dispôe: “Art. 29. As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2, 3, 4, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex01 no código 2309.90.90), 28, 29, 30, 31 e 64, no código 2209.00.00, e nas posições 21.01 a 21.05.00, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados Tipi, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (não tributados), sairão do estabelecimento industrial com suspensão do referido imposto. (...). § 5º A suspensão do imposto não impede a manutenção e a utilização dos créditos do IPI pelo respectivo estabelecimento industrial, fabricante das referidas matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. § 6º Nas notas fiscais relativas às saídas referidas no § 5º, deverá constar a expressão "Saída com suspensão do IPI", com a especificação do dispositivo legal correspondente, vedado o registro do imposto nas referidas notas. § 7º Para os fins do disposto neste artigo, as empresas adquirentes deverão: I Atender aos termos e às condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal; II Declarar ao vendedor, de forma expressa e sob as penas da lei, que atende a todos os requisitos estabelecidos. A Instrução Normativa 296/2003, com as alterações da IN SRF 342/2003 veio a regulamentar a matéria em seu artigo 17 e seguintes: “Art. 17. Sairão do estabelecimento industrial com suspensão do IPI as MP, PI e ME destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2 a 4, 7 a 12, 15 a 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex01 no código 2309.90.90), 28 a 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00, e nas posições 21.01 a 2105.00 da Tipi, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (nãotributados). § 1o Para fins do disposto neste artigo, as empresas adquirentes deverão declarar ao vendedor, de forma expressa e sob as penas da lei, que atendem a todos os requisitos estabelecidos. (...) Fl. 531DF CARF MF Processo nº 10865.003795/200938 Resolução nº 3401001.429 S3C4T1 Fl. 532 9 § 3o O estabelecimento adquirente de que trata este artigo deverá informar, sem formalização de processo, à Delegacia da Receita Federal (DRF) ou à Delegacia da Receita Federal de Fiscalização (Defic) de seu domicilio fiscal os produtos que elabora e as MP, PI e ME que irá adquirir nos mercados interno e externo. (...) Art. 21. Nas notas fiscais relativas às saídas de que trata esta Instrução Normativa deverá constar a expressão "Saída com suspensão do IPI" com a especificação do dispositivo legal correspondente, vedado o registro do imposto nas referidas notas. Art. 22. Na hipótese de destinação dos produtos adquiridos ou importados com suspensão do IPI distinta da prevista na legislação aplicável, a saída dos mesmos do estabelecimento industrial adquirente ou importador darseá com incidência do imposto.” O problema residiu no fato de que, à época da auditoria fazendária, a Recorrente não apresentara as declarações dos adquirentes de seus produtos, vindo apenas demonstralas na impugnação. Contudo, a DRJ parece têlas desconsiderado, ainda que o auto de infração, para alguns dos casos, tenha justificado a irregularidade com base apenas na ausência de sua apresentação e ressalta a aplicação do artigo 17, da IN RFB 296/2003: Desta forma, inexistindo nos autos provas de que os adquirentes dos produtos comercializados pela interessada atendessem, à época dos períodos de apuração autuados, às exigências contidas na legislação citada, especialmente as descritas no art. 17 da IN SRF nº 296, de 2003, correto o procedimento da fiscalização. Vejam que a Recorrente ressalta no seu Recurso que não poderia verificar os requisitos e que isso deveria ser função da própria fiscalização, já que a própria Fazenda Nacional criou sistema de controle com a previsão no parágrafo terceiro, do artigo 17, da citada Instrução Normativa. Isto posto, minha proposta é converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem: (a) Promova a verificação se a Recorrente declarou em DCTF débitos de IPI no período de abril a novembro de 2004, bem como se houve débitos informados nos respectivos RAIPI´s; (b) Promova a verificação junto às demais unidades da RFB se os adquirentes cuja declaração apresentada na impugnação já haviam comunicado às respectivas unidades de sua circunscrição sobre sua Fl. 532DF CARF MF Processo nº 10865.003795/200938 Resolução nº 3401001.429 S3C4T1 Fl. 533 10 condição prevista no artigo 17, da IN SRF 296/2003, antes das aquisições com suspensão que foram objeto do presente lançamento; (c) Elabore planilha em que informe as notas fiscais da Recorrente emitidas com suspensão cujo período os fornecedores já tinham emitido o comunicado no anocalendário anterior. Por fim, dêse ciência do relatório a recorrente concedendolhe prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, manifestarse. Retornando, em seguida, os autos a este Conselho Administrativo para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) TIAGO GUERRA MACHADO Relator Fl. 533DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.728200/2015-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
NULIDADE DE DECISÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. FUNDAMENTO AUTÔNOMO NÃO ANALISADO. PROCEDÊNCIA DO RECURSO.
É nula, por ausência de motivação, a decisão que deixa de analisar um dos fundamentos invocados pelo contribuinte em sua impugnação e que, de forma autônoma, é capaz de infirmar a conclusão alcançada pelo órgão julgador.
Numero da decisão: 1302-003.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de nulidade do acórdão de primeiro grau, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão, nos termos do relatório e voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Lucia Miceli - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: MARIA LUCIA MICELI
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AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. FUNDAMENTO AUTÔNOMO NÃO ANALISADO. PROCEDÊNCIA DO RECURSO. É nula, por ausência de motivação, a decisão que deixa de analisar um dos fundamentos invocados pelo contribuinte em sua impugnação e que, de forma autônoma, é capaz de infirmar a conclusão alcançada pelo órgão julgador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de nulidade do acórdão de primeiro grau, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão, nos termos do relatório e voto da relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Maria Lucia Miceli Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 82 00 /2 01 5- 35 Fl. 1545DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de exigência fiscal formulada contra a recorrente acima identificada, para cobrança dos seguintes créditos tributários, relativos ao anocalendário de 2012, todos acrescidos de multa de ofício no percentual de 150% e de juros de mora. Tributo Valor IRPJ R$ 31.678.012,05 CSLL R$ 11.422.469,00 PIS/PASEP R$ 2.203.945,62 COFINS R$ 10.151.507,10 A ação fiscal teve como motivo a constatação de que o contribuinte apresentou registro de compras em sua DIPJ/2013 muito superior ao encontrado nas Notas Fiscais eletrônicas, considerando tanto as notas emitidas por terceiros quanto as notas emitidas por ele próprio. Assim, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 405/415, as omissões de receitas resultaram, basicamente, da comparação dos valores declarados na DIPJ/2013, nas Notas Fiscais Eletrônicas, e de outros elementos apresentados pelo contribuinte, tais como Balanços, Balancetes, Livros Diário, Razão, Livros Fiscais, LALUR e outros documentos. Com base nas Notas Fiscais Eletrônicas, foram apurados os seguintes valores: COMPRAS LÍQUIDAS Mês Compras Devolução Compras ICMS PIS COFINS Compras Líquidas 3 592.823,63 0,00 197.510,72 35.389,88 163.058,77 196.864,26 1º Trim 592.823,63 0,00 197.510,72 35.389,88 163.058,77 196.864,26 4 1.067.385,29 13,50 335.113,22 22.700,73 104.580,01 604.977,83 5 2.838.782,10 0,00 425.946,76 36.852,81 169.775,27 2.206.207,26 6 7.726.882,99 363,60 34.285,87 356,19 1.642,88 7.690.234,45 2º Trim 11.633.050,38 377,10 795.345,85 59.909,73 275.998,16 10.501.419,54 7 7.983.725,26 299.622,61 65.602,89 2.295,90 10.578,26 7.605.625,60 8 19.190.082,33 70,00 93.550,64 11.529,79 53.113,06 19.031.818,84 9 19.905.853,73 2.304,80 197.758,89 11.587,43 53.399,15 19.640.803,46 3º Trim 47.079.661,32 301.997,41 356.912,42 25.413,12 117.090,47 46.278.247,90 10 43.506.362,12 39.276,94 29.554,09 14.497,93 66.809,77 43.356.223,39 11 20.651.642,62 5.953,31 15.306,10 16.561,44 76.317,30 20.537.504,47 12 19.265.885,10 3.919,00 87.681,85 22.431,42 103.352,34 19.048.500,49 4º Trim 83.423.889,84 49.149,25 132.542,04 53.490,79 246.479,41 82.942.228,35 TOTAIS 142.729.425,17 351.523,76 1.482.311,03 174.203,52 802.626,81 139.918.760,05 Fl. 1546DF CARF MF Processo nº 10314.728200/201535 Acórdão n.º 1302003.091 S1C3T2 Fl. 1.546 3 VENDAS LÍQUIDAS Mês Vendas Devolução de Vendas ICMS PIS COFINS Vendas Líquidas 8 10.703.960,00 0,00 0,00 0,00 0,00 10.703.960,00 9 19.785.756,59 0,00 1.615,25 436,81 2.011,98 19.781.692,55 3º Trim 30.489.716,59 0,00 1.615,25 436,81 2.011,98 30.485.652,55 10 20.016.816,59 0,00 7.746,03 4.297,47 19.794,44 19.984.978,65 11 20.756.346,28 0,00 11.651,33 3.097,92 14.269,17 20.727.327,86 12 18.095.851,23 0,00 9.334,74 2.960,42 13.635,88 18.069.920,19 4º Trim 58.869.014,10 0,00 28.732,10 10.355,81 47.699,49 58.782.226,70 TOTAIS 89.358.730,69 0,00 30.347,35 10.792,62 49.711,47 89.267.879,25 OMISSÕES DE RECEITAS APURADAS EM 2012 1) NA VISÃO DAS VENDAS => NFe X DIPJ/2013 VENDAS 3º Trim 4º Trim TOTAIS Vendas Líquidas conforme NFe 30.485.652,55 58.782.226,70 89.267.879,25 Vendas Líquidas conforme DIPJ/2013 30.398.301,78 55.350.258,10 85.748.559,88 OMISSÕES DE RECEITAS NA DIPJ 87.350,77 3.431.968,60 3.519.319,37 A autoridade fiscal concluiu que os valores de Receitas foram integralmente registrados nos livros contábeis, porém divergindo do montante declarado na DIPJ, de forma que a diferença de R$ 3.519.319,37 será considerada como OMISSÕES DE RECEITAS SOMENTE NA DIPJ. 2) NA VISÃO DAS COMPRAS => NFe X BALANÇO X DIPJ/2013 O Estoque Final Previsto no final de cada trimestre, apurado com base nas Compras Líquidas (NFe), e nos materiais aplicados na produção, foi na ordem de R$ 49.464.299,83. 1º Trim 2º Trim 3º Trim 4º Trim TOTAIS Estoque Inicial contábil (*) 0,00 0,00 0,00 32.532.765,32 32.532.765,32 Compras Liquidas (NFe) 196.864,26 10.501.419,54 46.278.247,90 82.942.228,35 139.918.760,05 () Materiais Aplicados na Produção (*) 272.067,65 9.408.544,72 38.793.201,83 74.513.411,34 122.987.225,54 (=) Estoque Final Previsto 75.203,39 1.092.874,82 7.485.046,07 40.961.582,33 49.464.299,83 Obs (*): valores obtidos na escrituração contábil (balanço) E, ainda, considerando que os Estoques Finais Contábeis, registrados nos Balanços Trimestrais de 2012, montaram na cifra de R$ 65.785.717,02, constatouse omissão de receitas de R$ 51.039.932,15, conforme demonstrativo a seguir: 1º Trim 2º Trim 3º Trim 4º Trim TOTAIS Estoque Final Contábil (*) 0,00 0,00 32.532.765,32 65.785.717,02 () Estoque Final Previsto 75.203,39 1.092.874,82 7.485.046,07 40.961.582,33 (=) OMISSÃO DE RECEITAS 75.203,39 1.092.874,82 25.047.719,25 24.824.134,69 51.039.932,15 Obs (*): valores obtidos na escrituração contábil (balanço) Fl. 1547DF CARF MF 4 Essas omissões de receitas no valor de R$ 51.039.932,15 tiveram origem em compras e vendas não registradas na Contabilidade, conforme detalhe a seguir: Origens das Omissões de Receitas 1º Trim 2º Trim 3º Trim 4º Trim TOTAIS Compras não registradas na Contabilidade 75.203,39 25.047.719,25 24.824.134,69 49.947.057,33 Vendas não registradas na Contabilidade 1.092.874,82 1.092.874,82 (=) OMISSÃO DE RECEITAS 75.203,39 1.092.874,82 25.047.719,25 24.824.134,69 51.039.932,15 CONCLUSÕES DA FISCALIZAÇÃO 1) Receitas Operacionais Escrituradas e não Declaradas => omissão de receitas por comprovação efetiva, com base na contabilidade do contribuinte 3º Trimestre/2012 = R$ 87.360,77 4º Trimestre/2012 = R$ 3.431.968,60 Valor total = R$ 3.519.319,37 2) Falta de escrituração de compras e vendas => omissão de receitas por presunção, caracterizada pela não contabilização de compras e vendas, com base nas compras registradas nas NFe: Das receitas presumivelmente omitidas, com base nas compras registradas nas NFe no total de R$ 51.039.932,15, foi deduzido as receitas efetivamente contabilizadas, porém não informadas na DIPJ, no valor de R$ 3.519.319,37, chegandose à omissão de receitas na ordem de R$ 47.520.612,78, conforme tabela a seguir: Origens das Omissões de Receitas 1º Trim 2º Trim 3º Trim 4º Trim TOTAIS Baseadas nas NFe Compras 75.203,39 1.092.874,82 25.047.719,25 24.824.134,69 51.039.932,15 Baseadas nas NFe Vendas 87.360,77 3.431.968,60 3.519.319,37 (=) Omissão de Receitas na Contabilidade 75.203,39 24.960.368,48 21.392.166,09 47.520.612,78 Fundamentação legal: Artigo 247, 248, 249, Inciso II, 251 e parágrafo único, 277, 278, 279, 280, 281 inciso II, 288, do RIR/99; Artigo 3ª da Lei nº 9.249/95. Somente para a infração (2) como a omissão de receitas presumese oriunda de sonegação fiscal, foi aplicada multa de ofício qualificada de 150%, na forma do artigo 957, inciso II do RIR/99. Também ficou perfeitamente caracterizada a sujeição passiva solidária, nos termos do artigo 124, inciso I, c/c artigos 134 e 135 do CTN, sobre o sócio administrador da fiscalizada, Sr. Aristides Pavan. Em sede de julgamento de primeira instância, a 15ª Turma da DRJ/RPO julgou parcialmente procedente a impugnação, por meio do Acórdão nº 1466.900, fls. 1135/1145, na sessão de 13 de junho de 2017, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 1548DF CARF MF Processo nº 10314.728200/201535 Acórdão n.º 1302003.091 S1C3T2 Fl. 1.547 5 Anocalendário: 2012 OMISSÃO DE RECEITAS OMISSÃO DE COMPRAS A falta de escrituração de pagamentos efetuados a fornecedores caracteriza omissão de receitas na modalidade de compras. OMISSÃO DE RECEITAS BASE DE CÁLCULO VENDAS CANCELADAS Devem ser excluídas da base de cálculo as notas fiscais de vendas canceladas. LANÇAMENTO. NULIDADE. Somente são nulos no âmbito dos procedimentos de determinação e exigência do crédito tributário os atos em que se verifique a incompetência para lavratura ou decisão, ou a preterição do direito de defesa. As demais irregularidades, incorreções e omissões não importam em nulidade e são passíveis de saneamento. CONTRIBUIÇÃO DO PIS E DA COFINS CARNE DE FRANGO E DERIVADOS Este setor teve primeiramente redução de alíquota a 0% em seguida suspensão das contribuições, ficando o ônus com o revendedor que vende ao consumidor final. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA EXCLUSÃO DO PÓLO PASSIVO Para caracterização da responsabilidade solidária deve o auditor no tópico próprio descrever as condutas indevidas imputáveis ao solidário, sendo insuficiente a citação de um “modus operandi” dentro do contexto do relatório e citações de dispositivos do CTN. Resumidamente, a decisão da DRJ exonerou o valor de R$ 3.350.170,00, relativos a vendas comprovadamente canceladas. Assim, a infração da omissão de receitas considerando as NFe de vendas, a base de cálculo foi reduzida de R$ 3.519.319,37 para R$ 169.149,37. Também foram exonerados os créditos tributários de PIS e COFINS. O sócio Sr. Aristides Pavan foi excluído do pólo passivo. Em função do crédito tributário exonerado, houve recurso de ofício. A recorrente teve ciência da decisão em 10/08/2017, conforme atesta o Termo de Ciência por Abertura de Mensagem, fls. 1164. O sócio Sr. Aristides Pavan Consta, teve ciência da decisão em 08/08/2017, conforme Aviso de Recebimento (AR), fls. 1165. Fl. 1549DF CARF MF 6 O recurso voluntário foi apresentado em 11/09/2017, fls. 1168/1212, com as seguintes alegações: 1) Preliminar de nulidade do Acórdão, pois foram ignoradas as provas produzidas no curso do processo, e as provas apresentadas junto com a impugnação, em nítida violação à garantia de ampla defesa, em especial no que tange à acusação de omissão de receitas com base na visão de compras de insumos e de materiais de embalagens. 1.1) A decisão apoiouse exclusivamente em alegações nitidamente evasivas a fim de esquivarse da análise das provas dos autos, declarando inábil planilha de cálculo de custos da empresa, custos de materiais e vendas, e descontextualizando trecho de alegação da defesa, a pretexto de justificar confissão que inexiste; 1.2) As alegações de defesa fazem referência às contas informadas em DIPJ e de contas de balancete, bem como aos equívocos dos métodos e das grandezas utilizadas pelo auditor fiscal, com vista ao questionamento, inclusive, das planilhas por ele elaboradas, alegações estas que não foram enfrentadas. 1.3) Junta, nesta ocasião, trabalho pericial que demonstra objetivamente uma série de incorreções do trabalho fiscal, servindo para justificar sua total imprestabilidade. 1.4) A omissão da DRJ na apreciação das questões e provas implicam a absoluta nulidade, visto que viola a ampla defesa, direito constitucional, sendo nula a decisão por força do artigo 59, inciso II do Decreto nº 70.235/72. 1.5) A nulidade poderá ser ultrapassada, para julgar totalmente improcedente o lançamento diante das provas apresentadas, nos termos do artigo 59, inciso II, § 3º do Decreto nº 70.235/72. 2) No mérito, no que diz respeito à omissão de receitas pela visão de compras, a decisão recorrida deixou de analisar a planilha de custos de matériaprima e matéria de embalagem e de vendas, pois concluiu ser inábil por não conter data e assinatura de responsável. 2.1) Esclarece que a planilha serviu para auxiliar e complementar do documento de fls. 261/299, devidamente assinado, que se presta a demonstrar a visão da defesa acerca da leitura das provas dos autos. 2.2) Na oportunidade de defesa, juntou todas as planilhas apresentadas no curso da fiscalização. 2.3) Para fins de aplicação do artigo 59, inciso II, § 3º do Decreto nª 70.235/72, passa a abordar a improcedência do lançamento. 2.4) A acusação fiscal é insubsistente, pois decorre da impropriedade dos elementos (materiais adquiridos e materiais utilizados no processo produtivo) utilizados na composição do estoque da Recorrente, a partir do qual se aferiu, equivocadamente, a suposta omissão de receitas, bem como da própria metodologia adotada pelo Auditor Fiscal autuante. 2.5) Os valores de compras líquidas não condizem com a realidade, pois nem toda compra consiste em elemento a ser utilizado no processo produtivo. Fl. 1550DF CARF MF Processo nº 10314.728200/201535 Acórdão n.º 1302003.091 S1C3T2 Fl. 1.548 7 2.6) Apresenta quadro comparativo de apuração de Custos dos Produtos Vendidos, para demonstrar que foi equivocado considerar que todas as compras de insumos realizadas no período foram consumidas no processo produtivo: "Quadro da Empresa" l°trim.2012 2o trim. 2012 3o Trim. 2012 4o Trim. 2012 TOTAL 2012 Compras Líquidas sem Tributos Compras 311.408,41 10.548.712,45 45.604.608,92 79.844.886,40 136.309.616,18 () Devoluções 0,00 1.230,00 1.961,80 8.185,03 11.376,83 Custos Mãodeobra 571.817,10 2.243.071,38 7.824.258,73 7.498.956,21 18.138.103,42 Encargos sociais 60.126,39 238.552,10 933.527,21 838.317,58 2.070.523,18 Serviços Prestados 0,00 3.521,60 121.323,00 659.205,92 784.050,52 Outras compras Custos Produção 151.634,93 1.072.407,37 2.420.815,96 2.601.285,43 6.246.143,69 (=) Custos 1.094.986,83 14.105.034,90 56.902.572,02 91.434.466,51 163.537.060,26 () ICMS sobre compras 28.499,50 442.223,90 2.178.048,92 2.859.363,17 1.482.311,03 () PIS sobre compras 4.379,05 100.151,40 357.606,75 501.193,45 174.203,52 () COFINS sobre compras 20.170,21 461.249,18 1.647.158,38 2.308.527,16 802.626,81 (=) Compras líquidas de Tributação 1.041.938,07 13.101.410,42 52.719.757,97 85.765.382,73 161.077.918,90 2.7) A recorrente não tem contabilidade de custos integrada, motivo pelo qual não existem contas que recebem contabilizações de requisições de insumos e materiais consumidos na produção durante o mês. 2.8) Consequentemente, não há razão para se considerar (presumir) que todas as compras sejam efetivamente consumidas no processo produtivo, ainda mais em se tratando de processo próprio à atividade de avicultura. 2.9) os valores de compras realizadas nos trimestres pela Recorrente se apresentam em montante superior àquele identificado na fiscalização "R$ 142.729.425.17 (auditor) x R$ 144.301.865.15 (empresa)", motivo pelo qual não há qualquer razão para que se impute à recorrente a omissão de receitas por supostas compras não registradas, conforme quadros comparativos a seguir: Fl. 1551DF CARF MF 8 2.10) Os valores de "materiais aplicados na produção" correspondem com os valores relativos aos 1o e 4o trimestres de 2012, declarados na ficha 04A da DIPJ 2012/2013, mais precisamente na "linha 58", que se referem às compras de insumos agropecuários a prazo no mercado interno. 2.11) Não se pode confundir "compras de insumos realizadas num determinado período" com "materiais aplicados na produção num determinado (mesmo) período", restando evidente a confusão realizada pelo auditor fiscal ao considerar parte das compras da recorrente como se fossem materiais aplicados na produção. 2.12) Outro equívoco da determinação das compras líquidas de tributação se referem aos meses de março e abril, pois os valores de ICMS, PIS e COFINS estão não condizem com a alíquotas definidas na legislação tributária. 2.13) Confirase, na tabela abaixo, o detalhamento dos valores das Compras, Vendas e os Impostos com base nos dados contabilizados e registrados nos livros fiscais, de acordo com os arquivos que foram pela recorrente apresentados, por ocasião da intimação do inicio da fiscalização: Quadro da Empresa Mês Ano Compras Devolução de Compras Compras líquidas ICMS PIS COFINS 3 2012 471.513,64 0,00 471.513,64 28.499,50 4.379,05 20.170,21 ST 1° trim. 471.513,64 0,00 471.513,64 28.499,50 4.379,05 20.170,21 4 2012 887.692,52 0,00 887.692,52 62.599,13 7.364,96 33.923,37 5 2012 2.697.621,55 0,00 2.697.621,55 98.341,77 32.147,50 148.073,33 6 2012 8.059.988,22 1.230,00 8.058.758,22 281.283,00 60.638,94 279.252,48 ST 2o trim. 11.645.302,29 1.230,00 11.644.072,29 442.223,90 100.151,40 461.249,18 7 2012 8.367.612,56 213.774,31 8.153.838,25 321.031,13 72.509,52 333.983,23 8 2012 19.591.510,19 0,00 19.591.510,19 961.161,54 138.797,82 639.311,15 9 2012 20.626.113,91 1.924,80 20.624.189,11 895.856,25 146.299,41 673.864,00 ST 3o trim. 48.585.236,66 215.669,11 48.369.566,95 2.178.048,92 357.606,75 164.715.838,00 10 2012 16.452.247,98 38.095,59 16.414.152,39 817.522,86 104.194,51 488.725,11 11 2012 22.925.399,34 6.876,23 22.918.523,11 1.133.972,29 146.737,46 675.881,50 12 2012 44.222.165,24 480,00 44.221.685,24 907.868,02 250.261,48 1.143.920,55 ST 4o trim. 83.599.812,56 45.451,82 83.554.360,74 2.859.363,17 501.193,45 2.308.527,16 TOTAIS 144.301.865,15 262.350,93 144.039.514,22 5.508.135,49 963.330,65 4.437.104,93 2.14) Para comprovar os valores do quadro acima, a recorrente apresentou planilha detalhada (Planilha de entradas de estoques com especificação fls. 530/801), onde foram relacionadas todas as Notas Fiscais de aquisição de forma individual, todas registradas nos livros fiscais e constam da Base de dados da RFB. Fl. 1552DF CARF MF Processo nº 10314.728200/201535 Acórdão n.º 1302003.091 S1C3T2 Fl. 1.549 9 2.15) Não existindo omissão de nenhuma nota de fornecedor encontrada na base de dados RFB, não há que se falar em OMISSÃO DE COMPRAS. 2.16) O Laudo Pericial aponta com precisão várias incoerências do trabalho fiscal, além de evidenciar a sua imprestabilidade pela constatação de violação ao direito de ampla defesa: NOTA: Os arquivos magnéticos juntados ao processo em formato Excel e os esclarecimentos prestados pelo Fisco no Termo de Verificação Fiscal não permitem identificar com precisão os critérios de depuração das bases de dados das notas fiscais eletrônicas utilizadas pela fiscalização. Havendo ainda divergências na transcrição de dados dessas planilhas para os demonstrativos que constam do Termo de Verificação Fiscal, tornase impraticável a conciliação dos valores apurados pelo Fisco com os dados constantes da escrita contábil e da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica apresentadas pela empresa. Assim, todos os demonstrativos elaborados por esta perícia contábil têm por fim único e exclusivo a evidenciação de eventuais equívocos cometidos no processo de auditoria fiscal, não se prestando ao recalculo de valores eventualmente devidos ou à sustentação de qualquer tipo de presunção.(grifo da recorrente) 2.17) Os saldos de estoques iniciais utilizados pelo auditor fiscal também estão equivocados, o que confirma pela soma das linhas 53/55 da ficha 04 A da DIPJ 2012/2013, que correspondem, justamente, aos estoques iniciais dos períodos. 2.18) Considerando que a recorrente fora constituída no exercício de 2012 saldo inicial zero e que o saldo final de um determinado período deve corresponder ao saldo inicial do período seguinte. 2.19) Como se faz comprovar por meio da análise da DIPJ 2012/2013, os valores declarados à Fazenda Pública Federal a título de "estoque final contábil" nitidamente não correspondem com os valores utilizados pelo auditor fiscal. 2.20) Os valores identificados pelo auditor fiscal a título de "estoque final contábil" também destoam dos valores constantes dos registros da conta estoques grafados nos respectivos balancetes trimestrais que instruem os autos, exceção feita aos 1º e 2º trimestres porque as contas do Grupo 3 foram zeradas contra as contas de estoque justamente em razão de não ter havido receitas de venda, razão pela qual todos custos ligados à produção serem considerados em "estado em elaboração". 2.21) Com efeito, os valores utilizados, equivocadamente, pelo auditor fiscal como "estoque final contábil" da recorrente constam do primeiro quadro da letra "c" do Item 6.2 do Termo de Verificação Fiscal correspondente, sendo que tais importâncias correspondem à soma dos elementos detalhados no quadro 5.1 do mesmo documento (Item 5.1 do TVF). 2.22) No entanto, a recorrente declarou à União Federal os valores dos saldos dos seus estoques finais, conforme se verifica pela análise da ficha 04A da sua DIPJ 2012/2013 p. 3/6 da DIPJ, os quais decorrem da soma do valores correspondentes às linhas 65 Estoques Finais de Insumos Agropecuários, 66 Estoques Finais de Prod. Agropecuários em Formação; e 67 Estoques Finais de Produtos Agropecuários Acabados. 2.23) O auditor fiscal não questionou os valores informados na DIPJ/2013, se limitando a desconsiderálos. Fl. 1553DF CARF MF 10 2.24) Diante de tamanhas divergências e, ainda, considerando que a qualidade do resultado das operações trabalhos fiscais está inquestionavelmente condicionada à precisão dos elementos utilizados na sua equação, demonstrada está, mais uma vez e por outros fundamentos, a total insubsistência desta específica acusação 2.25) A recorrente contratou profissional habilitado para fazer perícia contábil, cujo resultado resultou em cinco anexos, que infirmam todas as premissas das quais partiu o auditor fiscal, apontando, ainda, várias impropriedades do trabalho fiscal, que serviu para justificar a suposta omissão de receitas. 3) Quanto à omissão de receitas na visão das vendas, apesar de ter sustentado em sua defesa a insubsistência do lançamento amparandose na utilização de NFe de vendas canceladas, e de ter deixado de considerar valores declarados pela recorrente, a decisão recorrida se limitou a abordar a questão atinente às NFe canceladas. 3.1) A observação feita pelo auditor fiscal ao final da tabela acima reproduzida (Não considerei a conta 511020000100 Serviços Prestados Mercado Interno, porque para tais operações não são emitidas NFe), consubstancia nítido equívoco, visto que, para tais operações (prestação de serviços), devem ser emitidas como de fato o foram notas fiscais. 3.2) As NFe de serviços prestados estão inclusas na planilha elaborada pelo auditor fiscal. 3.3) O auditor fiscal também deixou de levar em consideração as contas declaradas na DIPJ a título de "outras receitas operacionais", como devidamente demonstrado pelo Laudo Pericial. 4) Requer o cancelamento da autuação, e, não sendo este entendimento, que seja anulado o Acórdão ora recorrido, com fundamento no artigo 59, inciso II do Decreto nº 70.235/72, por flagrante violação ao direito de defesa da recorrente, omitindose em apreciar as provas. O Laudo Pericial Contábil, acostado aos autos às fls. 1.213/1.230, além de trazer planilhas nas quais aponta irregularidades nos valores apurados no procedimento fiscal, traz as seguintes conclusões: a) A auditoria fiscal conduzida pela Receita Federal do Brasil não considerou, na apuração de eventual omissão de receitas "na visão das vendas", a existência de "outras receitas operacionais", decorrentes de prestação de serviços e venda de subprodutos, as quais foram objeto de emissão de notas fiscais eletrônicas registradas e declaradas de forma regular. Tal omissão, por si só, ocasionou a indevida constatação de omissão de receitas no valor de R$ 431.293,86; b) Por outro lado, a auditoria fiscal considerou indevidamente, no cômputo das receitas apuradas conforme dados das notas fiscais eletrônicas, o valor de R$ 3.350.170,00, correspondente a 22 documentos fiscais regularmente cancelados, o que ocasionou a errônea constatação de omissão de receitas nesse mesmo valor; c) Houve ainda a transcrição errônea, de parte do FISCO, dos valores correspondentes aos impostos recuperáveis (ICMS, PIS e COFINS), quando de sua dedução das compras mensais para cálculo das compras mensais líquidas. Assim, deduziu os impostos referentes ao mês de outubro de 2012 das compras realizadas em março do mesmo ano, os impostos relativos a novembro das compras de abril e assim sucessivamente, de forma que em Fl. 1554DF CARF MF Processo nº 10314.728200/201535 Acórdão n.º 1302003.091 S1C3T2 Fl. 1.550 11 nenhum período houve concordância entre os meses a que se referiam os valores de compras e de impostos sobre elas incidentes. Tal erro maculou o demonstrativo de "compras líquidas" inserido no item 5 do Termo de Verificação Fiscal e todos os demonstrativos seguintes, incluindo aquele em que se apurou a omissão de receitas "na visão de compras". d) Ainda no que se refere aos impostos incidentes sobre as compras, o Fisco ignorou os valores dos tributos correspondentes às devoluções de mercadorias, incluindo no demonstrativo de "compras líquidas" o valor correspondente aos impostos incidentes sobre as compras brutas. Embora de pequena monta, tais valores também acabaram impactando na apuração de omissão de receitas; e) Ao elaborar o demonstrativo do item 5.1 do Termo de Verificação Fiscal (Estoques Iniciais, Material Aplicado na Produção e Estoques Finais), o Fisco ignorou o valor do frete pago na aquisição de matériasprimas, afetando, assim, todas as subsequentes conclusões relativas ao 2º e 3º trimestres de 2012 (R$ 270.661,85 e 3.021.976,54, respectivamente). Com relação ao 4º trimestre, embora o valor do frete tenha sido ignorado no demonstrativo citado, acabou sendo considerado no demonstrativo do item 6.2.b do Termo; f) Por fim, a auditoria fiscal, embora tenha omitido em todos os demonstrativos que elaborou quaisquer outros custos relacionados à produção, mais especificamente a mão de obra direta e os custos indiretos de produção, e utilizado em seus cálculos somente valores referentes à matéria prima consumida e existente (real ou supostamente) em estoque, incluiu indevidamente para confronto, nos cálculos que levaram à acusação de omissão de receitas, os estoques de produtos acabados (frangos prontos para o abate) e de produtos em elaboração (frangos em processo de criação). Tal incorreção impactou profundamente na apuração de suposta omissão de receitas "na visão das compras", tendo em vista que os valores de mão de obra diretamente ligada à produção e os custos indiretos de produção totalizaram R$ 20.208.626,70 e R$ 25.963.463,94 respectivamente, valores estes integralmente incorporados ao valor dos estoques existentes e aos custos dos produtos vendidos no ano de 2012. É o relatório. Voto Conselheiro Maria Lucia Miceli O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele eu conheço. Também conheço do recurso de ofício, pois o crédito tributário exonerado, considerando a exclusão do pólo passivo o Sr. Aristides Pavan, ultrapassa o valor de R$ 2.500.000,00, nos termos da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017. A recorrente alega, em preliminar, nulidade da decisão recorrida, pois teria se esquivado de analisar as provas dos autos, no que concerne à acusação de omissão de receitas pela visão da compras, sob o singelo pretexto de falta de assinatura de documento auxiliar e confissão de inexistente em trecho de defesa descontextualizado. Fl. 1555DF CARF MF 12 Passo a me pronunciar. O recurso voluntário reprisou as alegações constantes na impugnação, acrescentando apenas as conclusões do Laudo Pericial Contábil apresentado após a decisão recorrida. De forma resumida, no que concerne ao lançamento que o auditor fiscal denominou de "6.2 Na Visão das Compras", apurando presunção de omissão de receitas de compras não contabilizadas, recorrente apontou diversos equívocos no trabalho fiscal, dos quais elenco os mais significativos: => os valores de compras realizadas nos trimestres pela Recorrente se apresentam em montante superior àquele identificado na fiscalização "R$ 142.729.425.17 (auditor) x R$ 144.301.865.15 (empresa)", motivo pelo qual não há qualquer razão para que se impute à recorrente a omissão de receitas por supostas compras não registradas; => erro na determinação das compras líquidas de tributação se referem aos meses de março e abril, pois os valores de ICMS, PIS e COFINS não condizem com a alíquotas definidas na legislação tributária. => os valores dos estoques iniciais estão equivocados, se comparados com as linhas 53 a 55 da Ficha 04 da DIPJ/2013, que não foi contestada. => também os valores dos estoques finais contábeis destoam dos valores constantes dos registros na conta estoques dos balancetes, com exceção do 1º e 2º trimestre, pois foram zerados em razão de ter havido receita de vendas. => os estoques finais estão declarados na DIPJ/2013, Ficha 04, linhas 65 a 67, não contestada na ação fiscal. Ao analisar a questão, a decisão recorrida faz menção a um documento apresentado durante a ação fiscal (Fluxo do Processo Produtivo da Céu Azul Avicultura LTDA, fls. 317/320) e destaca um trecho da impugnação, interpretandoo como confissão do caixa 2 (dois). A seguir, transcrevo parte do voto: A presente presunção tem previsão no disposto no item II, artigo 281 do RIR com fundamentação legal do art. 40 da Lei n° 9.430/96 a saber: Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 12, § 2o, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 40 ): (..) II a falta de escrituração de pagamentos efetuados; (...) Sendo uma presunção legal, portanto com inversão do ônus da prova mas que admite a prova em contrário, a fiscalização, com base em notas fiscais eletrônicas de fornecedores procedeu verificações nos custos e registros da empresa, evidenciando inconsistências que foram apresentadas ao contribuinte. Fl. 1556DF CARF MF Processo nº 10314.728200/201535 Acórdão n.º 1302003.091 S1C3T2 Fl. 1.551 13 O contribuinte tentou se justificar apresentando um documento denominado "Fluxo do Processo Produtivo da Céu Azul Avicultura Ltda., sem data e sem assinatura do responsável, portanto inábil. Interessante salientar que apesar do contribuinte por vezes dar a entender que não conhece a origem da autuação, acaba por confessar o caixa 2: 27. Nessa medida, todas as acusações imputadas à Impugnante decorrerem de uma mesma premissa (e de um mesmo somatório de valores), qual seja, as supostas omissões de receitas, identificadas a partir de elementos fáticos (contábeis e fiscais) equivocados, que não possuem lastro algum nas declarações contábeis e fiscais da Impugnante. Quando informa: “que não possuem lastro algum nas declarações contábeis e fiscais da Impugnante”, por óbvio são omissões, apuradas pelas compras de seus fornecedores. Apenas apresentando estas razões de decidir, a impugnação foi julgada improcedente. Data vênia, entendo que não há qualquer confissão de caixa 2, pois o contribuinte estava a refutar todas acusações, por inexistir qualquer indício (não possuem lastro) nas declarações contábeis e fiscais. De toda forma, tem razão a recorrente quando afirma que a decisão se esquivou de analisar as provas apresentadas na impugnação. Não há uma linha sequer no voto condutor acerca das alegações trazidas na impugnação acima apontadas. Todas as matérias trazidas, e reprisadas no recurso voluntário, serão analisadas pela primeira por este colegiado. Isto, no meu ver, traz um sério prejuízo à recorrente, pois houve, na prática, a supressão de uma instância, o que afronta o princípio da garantia da ampla defesa. O mesmo aconteceu com relação ao lançamento "6.1 Na Visão das Vendas", no qual o auditor fiscal apura omissão de receitas, por comprovação efetiva, considerando receitas não contabilizadas. Contestando este lançamento, a então impugnante apresentou as seguintes alegações: => que o auditor fiscal não observou que houve notas fiscais de venda canceladas, nos seguintes valores: 3º Trimestre 4º Trimestre Total Notas Fiscais Canceladas R$ 53.442.00 R$ 3.296.728,00 R$ 3.350.170,00 => que o auditor fiscal não considerou as contas contábeis de Outras Receitas Operacionais, 5150100500 Vendas de Camas de Frangos, e 5150101400 Vendas de Sub Produtos. 4º Trimestre Total 5150100500 Vendas de Camas de Frangos R$ 71.705,15 R$ 71.705,15 5150101400 Vendas de Sub Produtos R$ 48.960,00 R$ 48.960,00 Fl. 1557DF CARF MF 14 => que não foi considerada a conta contábil 511020000100 Serviços Prestados Mercado Interno, sob a justificativa de que não seriam emitidas Notas Fiscais, o que seria um equívoco, visto que tais operações (prestação de serviços) devem ser emitidas NF, fato que estão inclusas no arquivo que auditor fiscal usou, sob os CFOP 5124 e 6124. Na decisão recorrida, o julgador a quo acatou a alegação de que deveriam ser excluídas da base de cálculo as Notas Fiscais de Vendas canceladas. Abaixo, trecho do voto condutor: As notas fiscais eletrônicas acima citadas foram todas emitidas pela Céu Azul e suas filiais e a prova de seu cancelamento estão acostadas nas fls 815 a 835 deste processo. Assim concluo que esta infração deve ser reduzida em R$ 3.350.170,00 passando de R$ 3.519.319,37 para R$ 169.149,37. E nada mais .... Mais uma vez não há qualquer análise das outras alegações. Qualquer manifestação acerca das matérias não enfrentadas pelo julgador a quo, agora, em sede de recurso voluntário, configuraria supressão de instância, o que afronta o direito à defesa. Mas não é só. Até o julgamento do recurso de ofício restou prejudicado, pois a exoneração da base de cálculo determinada pela decisão recorrida não se coaduna com aquela apresentada na impugnação, e sequer com a forma de tributação aplicada ao lançamento, como veremos a seguir. Os créditos tributários foram lançados pelo lucro real, apuração trimestral. Especificamente com relação à omissão de receitas "6.1 Na visão de Vendas", a base de cálculo foi assim determinada, com aplicação de multa de ofício de 75%: VENDAS 3º Trim 4º Trim TOTAIS Vendas Líquidas conforme NFe 30.485.652,55 58.782.226,70 89.267.879,25 Vendas Líquidas conforme DIPJ/2013 30.398.301,78 55.350.258,10 85.748.559,88 OMISSÕES DE RECEITAS NA DIPJ 87.350,77 3.431.968,60 3.519.319,37 Em sua impugnação, foram apresentados os seguintes valores relativos a cada trimestre lançado: 3º Trimestre 4º Trimestre Total Notas Fiscais Canceladas R$ 53.442.00 R$ 3.296.728,00 R$ 3.350.170,00 A decisão recorrida tratou o lançamento como se fosse lucro real apuração anual, determinando tão somente a redução da base de cálculo de R$ 3.519.319,37 para R$ 169.149,37. A decisão, além de desrespeitar a forma de tributação para determinação dos créditos tributários, não observou os limites da lide impostos pela impugnação. Como conseqüência, a unidade responsável para executar o Acórdão fez os seguintes cálculos: Fl. 1558DF CARF MF Processo nº 10314.728200/201535 Acórdão n.º 1302003.091 S1C3T2 Fl. 1.552 15 3º Trim 4º Trim TOTAIS OMISSÕES DE RECEITAS NA DIPJ 87.350,77 3.431.968,60 3.519.319,37 NOTAS FISCAIS VENDAS CANCELADAS 87.350,77 3.262.819,23 3.350.170,00 OMISSÕES DE RECEITAS DRJ 0,00 169.149,37 3.519.319,37 É possível observar que no extrato do processo, fls. 1.540, os créditos tributários do 3º trimestre, de IRPJ e CSLL, estão totalmente suspensos de cobrança, em função do julgamento pendente do recurso de ofício. Portanto, o acórdão recorrido incorreu em nulidade por prejuízo evidente ao direito de defesa da recorrentes, conforme prevê o artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972, devendo os autos serem devolvidos à primeira instância administrativa e seja proferida nova decisão. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por acolher a preliminar de nulidade do acórdão de primeiro grau, para que os autos sejam devolvidos à primeira instância administrativa e seja proferida nova decisão, enfrentando os argumentos suscitados na impugnação apresentada. Maria Lucia Miceli Relatora Fl. 1559DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13952.720032/2011-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2006
DACON. ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aplicação da Súmula CARF 49.
Recurso Voluntário Improcedente
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-005.535
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2006 DACON. ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aplicação da Súmula CARF 49. Recurso Voluntário Improcedente Crédito Tributário Mantido
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ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aplicação da Súmula CARF 49. Recurso Voluntário Improcedente Crédito Tributário Mantido Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 95 2. 72 00 32 /2 01 1- 89 Fl. 36DF CARF MF Processo nº 13952.720032/201189 Acórdão n.º 3402005.535 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração para exigência de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON). Cientificada do lançamento, o sujeito passivo apresentou impugnação, alegando que apresentou a DACON de forma espontânea, o que excluiria a penalidade nos termos do artigo 138 do CTN. Por meio do acórdão nº 06038.744, o Colegiado a quo julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Regularmente cientificado, o contribuinte tempestivamente apresentou seu Recurso Voluntário, repisando a alegação de sua impugnação pela exclusão da penalidade nos termos do artigo 138 do CTN (denúncia espontânea). O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.503, de 26 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10840.002032/201091, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.503): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão trazida a este colegiado cingese à aplicação da denúncia espontânea, prevista no artigo 138 do CTN, em caso de entrega intempestiva de obrigação acessória (DACON), mas antes de qualquer ato de ofício da autoridade fiscal. Tratase de aplicação direta da Súmula CARF nº 49: Fl. 37DF CARF MF Processo nº 13952.720032/201189 Acórdão n.º 3402005.535 S3C4T2 Fl. 4 3 “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.” As Súmulas do CARF são de observância obrigatória pelos membros do colegiado, conforme disposto no artigo 72 do RICARF. Recentemente, por meio da Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, foi atribuído a determinadas súmulas do CARF, dentre as quais se encontra a Súmula 49, efeito vinculante em relação à administração tributária federal. Dessa forma, a matéria se encontra pacificada em sentido contrário àquele defendido pela recorrente, não restando qualquer análise a ser feita neste julgamento. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo, pela aplicação da Súmula CARF 49. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 38DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.723706/2013-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2008 a 18/03/2013
IMPORTAÇÃO. FRAUDE NÃO DEMONSTRADA. PENA DE PERDIMENTO INCABÍVEL. ÔNUS DA PROVA. CONSTITUIÇÃO DO FATO JURÍDICO-TRIBUTÁRIO.
A medida extrema de perdimento dos bens em favor da União, nos termos do art. 23, IV, §1º e §3º, do Decreto-Lei nº 1.455/1976, somente se mostra cabível quando claramente demonstradas as fraudes imputadas ao contribuinte e à responsável solidária. É ônus da fiscalização munir o lançamento com todos os elementos de prova dos fatos constituintes do direito da Fazenda. Na ausência de provas, o lançamento tributário deve ser cancelado.
Recursos Voluntários Providos.
Numero da decisão: 3301-005.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos recursos voluntários, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2008 a 18/03/2013 IMPORTAÇÃO. FRAUDE NÃO DEMONSTRADA. PENA DE PERDIMENTO INCABÍVEL. ÔNUS DA PROVA. CONSTITUIÇÃO DO FATO JURÍDICO-TRIBUTÁRIO. A medida extrema de perdimento dos bens em favor da União, nos termos do art. 23, IV, §1º e §3º, do Decreto-Lei nº 1.455/1976, somente se mostra cabível quando claramente demonstradas as fraudes imputadas ao contribuinte e à responsável solidária. É ônus da fiscalização munir o lançamento com todos os elementos de prova dos fatos constituintes do direito da Fazenda. Na ausência de provas, o lançamento tributário deve ser cancelado. Recursos Voluntários Providos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos recursos voluntários, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1654; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 396 1 395 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18470.723706/201303 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301005.086 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 30 de agosto de 2018 Matéria INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA COMPROVADA Recorrente SANÉRIO CONSTRUÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2008 a 18/03/2013 IMPORTAÇÃO. FRAUDE NÃO DEMONSTRADA. PENA DE PERDIMENTO INCABÍVEL. ÔNUS DA PROVA. CONSTITUIÇÃO DO FATO JURÍDICOTRIBUTÁRIO. A medida extrema de perdimento dos bens em favor da União, nos termos do art. 23, IV, §1º e §3º, do DecretoLei nº 1.455/1976, somente se mostra cabível quando claramente demonstradas as fraudes imputadas ao contribuinte e à responsável solidária. É ônus da fiscalização munir o lançamento com todos os elementos de prova dos fatos constituintes do direito da Fazenda. Na ausência de provas, o lançamento tributário deve ser cancelado. Recursos Voluntários Providos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos recursos voluntários, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 37 06 /2 01 3- 03 Fl. 396DF CARF MF Processo nº 18470.723706/201303 Acórdão n.º 3301005.086 S3C3T1 Fl. 397 2 Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Adoto o relatório da decisão recorrida, por economia processual: Contra a empresa SANERIO CONSTRUÇÕES LTDA, ora Impugnante, doravante denominada apenas por Sanerio, já devidamente qualificadas nos autos deste processo, foi lavrado Auto de Infração (AI), por AFRFB em exercício na Inspetoria da Receita Federal no Rio de JaneiroRJ, em sede de Procedimento Especial de Fiscalização para averiguar a regularidade na aquisição de mercadoria importada em nome de outrem, ao final do que restou apurada a infração tipificada como “Dano ao Erário”, haja vista a ocultação da fiscalizada como real adquirente da operação de importação, com lançamento de um montante de crédito tributário no valor total de R$ 79.106,40, com sujeição passiva solidária à empresa MATTONI IMPORTAÇÃO, EXPORTAÇÃO, REPRESENTAÇÃO, COMÉRCIO E TECNOLOGIA EM PAVIMENTAÇÃO LTDA, CNPJ 09.546.567/000132, doravante denominada apenas por Mattoni. O lançamento inclui ainda a aplicação de duas penalidades por embaraço à ação fiscal, decorrentes da intempestividade da fiscalizada no cumprimento de intimações fiscais. O procedimento foi realizado em conformidade às disposições e diretrizes das Instruções Normativas nº 225/2002, 228/2002 e 634/2006, fundando suas alegações na ocultação da fiscalizada como real adquirente da importação objeto do presente procedimento fiscal. A seguir, destacaremos os principais fatos e elementos indiciários apresentados pela fiscalização como motivação do presente lançamento, instruídos por documentos, informações e pesquisas levantados no curso da ação fiscal, constantes do Relatório de Fiscalização, anexo do presente auto (fls. 11 a 19). Após apresentar esclarecimentos iniciais sobre o desenvolvimento da ação fiscal, em síntese, as motivações e fundamentos para o lançamento foram apresentados pela fiscalização conforme se resume a seguir: 1. A mercadoria1 objeto da presente ação fiscal fora adquirida pela autuada da empresa Mattoni, a qual era representante no Brasil da empresa francesa 6D SOLUTIONS, exportadora da mercadoria; 2. A mercadoria fora importada pela empresa TRANSNOVA COMÉRCIO INTERNACIONAL LTDA, CNPJ 06.935.991/000180, doravante denominada apenas por Transnova, por conta e risco próprios, conforme registros na declaração de importação nº 08/15060470, desembaraçada em 25/09/2008 (fls. 20 a 22); 3. A venda da mercadoria importada pela Transnova para a Mattoni se deu no dia seguinte ao desembaraço da importação, com revenda para a Sanerio pela Mattoni no mesmo dia de sua aquisição (26/09/2009), apontando tal circunstância para uma destinação já planejada da mercadoria para a empresa Sanerio, fl. 12; 4. Na nota fiscal de venda da mercadoria pela Transnova para a Mattoni já constava como endereço de entrega aquele da empresa Sanerio, fls. 25 e 177; Fl. 397DF CARF MF Processo nº 18470.723706/201303 Acórdão n.º 3301005.086 S3C3T1 Fl. 398 3 5. Em procedimento fiscal anterior na empresa Mattoni, constatouse a antecipação pela Sanerio, através de extrato bancário (fl. 175) e registro em livro diário (fl. 174), de parcela equivalente a 50% da futura transação de compra, na data de 19/08/2008, fato que robustece o entendimento de que, efetivamente, houve uma encomenda da Sanerio para a Mattoni, fl. 13; 6. Em 16/01/2013, a fiscalizada recebeu termo de intimação (001/2013, fls. 30 a 31), com prazo estabelecido para cumprimento de 20 (vinte) dias, o qual apenas foi atendido no dia seguinte, fato que materializa a infração prevista no art. 107, inciso IV, alínea c, do Dl. 37/66, com redação dada pela Lei 10.833/2003; 7. Em 27/02/2013, a fiscalizada é cientificada de mais um termo de intimação (014/2013, fl. 33), o qual, mais uma vez, foi cumprido intempestivamente, configurando igualmente a infração anteriormente descrita, fl. 18; 8. Pelos fatos descritos, configurouse a infração prevista no art. 23, V, do Dl. 1.455/76, com conversão da pena de perdimento em pecúnia, haja vista o consumo da mercadoria; 9. A empresa Mattoni foi configurada como responsável solidário pelo lançamento referente à aplicação da pena de perdimento, conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado (fls. 145 e 146). De outra parte, contraditando o procedimento em causa, as contrarrazões apresentadas pelas impugnantes podem ser sinteticamente descritas como seguem. A) Em sua impugnação, a empresa Sanerio (fls. 275 a 278) argui, no que diz respeito à imputação de embaraço à ação fiscal, que observou estritamente o prazo de resposta estipulado pelo procedimento fiscal, uma vez que recebeu a intimação referente à citada ação fiscal apenas em 17 de janeiro de 2013, e não em 16 de janeiro, conforme aponta a fiscalização. Ocorre que a repartição dos Correios efetuou a entrega da correspondência fiscal na recepção o edifício empresarial que ocupa, e não em seu endereço de ocupação, o que apenas se deu em 17 de janeiro, conforme documento que anexa, devendo ser este o termo a quo na contagem de prazo para cumprimento da citada intimação; B) Pela análise de seu contrato social, podese verificar que a mesma é empresa com atuação no ramo da construção civil, notadamente na execução de obras públicas, valendose, para o exercício de suas atividades, de diversos fornecedores; C) Neste sentido, adquiriu produto comercializado pela empresa Mattoni, simplesmente se dirigindo a um fornecedor legalmente estabelecido, que afirmava comercializar o produto, sem qualquer intenção de burlar a legislação tributária; D) A Impugnante sequer tinha conhecimento prévio de que o produto seria importado, simplesmente solicitou a mercadoria, com pagamento de sinal e, após do recebimento da mesma, complementou a parte final do pagamento; E) A aquisição da mercadoria efetivada pela Impugnante destoa do dispositivo legal invocado pela fiscalização, eis que esta não procedeu a qualquer ato visando a ocultação de sua aquisição, não sendo possível se vislumbrar em sua conduta o enquadramento previsto no artigo 23, V do Dl. 1.455/76. Fl. 398DF CARF MF Processo nº 18470.723706/201303 Acórdão n.º 3301005.086 S3C3T1 Fl. 399 4 F) Já a empresa Mattoni, levada ao polo de responsável solidária, em sua defesa (fls. 249 a 254), argui que não há como se concluir pela certeza da irregularidade de suas operações que culminaram a ocultação do real adquirente das mercadorias importadas, fundamento do presente lançamento, uma vez a pendência de julgamento final administrativo daquela imputação, fl. 250; G) Com isso, não há como se caracterizar a imputação aqui imposta à empresa Sanerio, e em consequência, a responsabilidade solidária que lhe foi imposta. Cita princípio constitucional da presunção de inocência como fundamento ao argumento; H) Ainda que se considere a procedência da imputação que lhe foi imposta pela ocultação de real interveniente em operação de comércio exterior, fundamento na caracterização da infração em questão, por amor ao debate, estaria a mesma sendo vitimada pelo ‘Bis in idem’ pela responsabilidade solidária neste lançamento, uma vez que já foi imputada idêntica penalidade em processo anterior pela mesma ocorrência; I) Muito embora o princípio do “Non Bis in Idem” não encontre expressa previsão na Constituição Federal, tem sua presença garantida no sistema jurídico penal de um Estado Democrático de Direito, sendo cada vez mais adotado nos demais ramos do direito, mormente naqueles relativos à abrangência pública, considerando o princípio da razoabilidade administrativa que o ente público deve observar na condução de seus atos. Por fim, requerem provimento da impugnação, com vistas à anulação do presente auto de infração, com base nos fundamentos apresentados. A 6ª Turma da DRJ/REC, acórdão nº 1146.300, deu parcial provimento às impugnações, com decisão assim ementada: IMPORTAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA. SUJEIÇÃO PASSIVA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real adquirente, mediante fraude ou simulação, infração punível com a pena de perdimento, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie, no caso, a pessoa jurídica adquirente de fato das importações ocultado nas informações ao fisco. PROVA INDICIÁRIA. JUÍZO DE INFERÊNCIA. Para que o juízo de inferência resulte em verdade convincente é necessário que a base indiciária, plenamente reconhecida mediante prova direta, seja constituída por uma pluralidade de indícios, interrelacionados, de modo a que se reforcem mutuamente, que não percam força creditória pela presença de outros possíveis contra indícios que neutralizem a sua eficácia probatória, e que a argumentação sobre que assente a conclusão probatória Fl. 399DF CARF MF Processo nº 18470.723706/201303 Acórdão n.º 3301005.086 S3C3T1 Fl. 400 5 resulte inteiramente razoável em face de critérios lógicos do discernimento humano. EMBARAÇO À AÇÃO FISCAL. TIPO INFRACIONAL. IMPROCEDÊNCIA DA EXTEMPORANEIDADE COMO CONDUTA AUTUADA. A análise do tipo descritivo da presente infração deixa claro que sua caracterização depende do embaraço, dificuldade ou impedimento à ação fiscal, resultado naturalístico imprescindível ao enquadramento da conduta. Na definição da conduta abstrata reprimida, observase a exemplificação de específica conduta dentre aquelas abrangidas pelo tipo infracional, cujo aspecto temporal constitui fato apenas de sua definição, mas não de tipo infracional autônomo, uma vez que a conduta exemplificada deve ser interpretada sob o lastro do tipo infracional a que se refere. Não se pode então tomar a extemporaneidade na apresentação de resposta como conduta autônoma do dispositivo legal em questão. A 6ª Turma da DRJ/REC deu parcial provimento às impugnações para excluir a parcela referente ao lançamento por embaraço à ação fiscal. Tal decisão não está sujeita ao recurso de ofício, por ser inferior ao limite de alçada (R$ 10.000,00). A fundamentação do voto condutor para afastar essa acusação foi a seguinte: Pelo atendimento de duas intimações fiscais fora do prazo estipulado, uma delas em um dia e a outra em uma semana, a fiscalização aplicou duas multas por embaraço à ação fiscal. Analisando o que consta do processo, entendo que não subsiste o presente lançamento, por assim não ter ocorrido o aventado embaraço à luz da legislação vigente. A infração objeto do presente lançamento encontrase tipificada no art. 107, IV, alínea c, do Dl. 37/66, com as alterações da Lei 10.833/2003, in verbis, como segue: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) [DESTAQUEI] [...] c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; A análise do tipo descritivo da presente infração deixa claro que sua caracterização depende do embaraço, dificuldade ou impedimento à ação fiscal, resultado naturalístico imprescindível ao enquadramento da conduta. Fl. 400DF CARF MF Processo nº 18470.723706/201303 Acórdão n.º 3301005.086 S3C3T1 Fl. 401 6 Para o caso, na definição da conduta abstrata reprimida (embaraçar, dificultar ou impedir ação fiscal), observase a exemplificação de especifica conduta dentre aquelas abrangidas pelo tipo infracional (não atendimento de resposta a intimação fiscal no prazo estipulado), cujo aspecto temporal constitui fato apenas de sua definição, mas não de tipo infracional autônomo, uma vez que a conduta exemplificada deve ser interpretada sob o lastro do tipo infracional a que se refere. Não se pode então tomar a extemporaneidade na apresentação de resposta como conduta autônoma do dispositivo legal em questão. Podese concluir assim que a nãoapresentação de resposta a intimação fiscal (no prazo estipulado) é suficiente a caracterizar o tipo infracional do presente caso (embaraçar, dificultar ou impedir ação fiscal), por assim se encontrar a conduta expressamente prevista no tipo infracional. Porém, o mesmo não se pode asseverar em relação à apresentação de resposta fora do prazo, conduta que representa apenas a extemporaneidade no atendimento, por si só, insuficiente a caracterizar embaraço, dificuldade ou impedimento a ação fiscal. Importante ter em mente que a extemporaneidade pode vir a ser configurada como embaraço à ação fiscal, caso assim reste demonstrada como resultado naturalístico de um conjunto de aspectos próprios do caso, descritos no lançamento. Seria o caso, em tese, do atraso do intimado na apresentação de informações imprescindíveis a lançamento com iminente decadência. No caso em análise, não resta configurada qualquer conduta que se enquadre no tipo infracional autuado, uma vez que se considerou a extemporaneidade da resposta como embaraço por si só, tendo sido a intimação atendida em sua integralidade, motivo pelo qual voto pela improcedência do lançamento. Em recurso voluntário, a autuada e a responsável solidária repisam os argumentos tecidos nas impugnações, salientando ambas o desacerto da decisão de piso quanto à manutenção do auto da multa substitutiva do perdimento. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora Os recursos voluntários reúnem os pressupostos legais de interposição, deles, tomo conhecimento. Conforme relatado, tratase de exigência de multa substitutiva do perdimento, em virtude de suposta interposição fraudulenta de terceiros em operação de comércio exterior. O art. 23 do DecretoLei nº 1.455/1976 prescreve: Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) Fl. 401DF CARF MF Processo nº 18470.723706/201303 Acórdão n.º 3301005.086 S3C3T1 Fl. 402 7 V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. § 3º A pena prevista no § 1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. A interposição fraudulenta nas operações de comércio exterior, prevista no art. 23, do DecretoLei nº 1.455/1976 e art. 689, VI, § 3º e §3ºA do Regulamento Aduaneiro vigente (Decreto nº 6.759/09), é definida como a participação de terceiro agente em operação de comércio exterior com o objetivo de ocultar o real vendedor, comprador ou o sujeito responsável pela operação, praticada mediante fraude. A pena de perdimento também encontra guarida no art. 105 do DecretoLei nº 37/1966: Art. 105. Aplicase a pena de perda da mercadoria: VI – estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; O perdimento convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida (§ 1º e do art. 689, do Regulamento Aduaneiro). Para tanto, a autoridade lançadora deve trazer elementos de prova para caracterização da interposição fraudulenta comprovada, uma vez que, regra geral, considerase que o ônus de provar recai sobre quem alega o fato ou o direito: CPC/2015 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A prova deve ser efetiva e inequívoca para aplicação da pena de perdimento, dessa forma deve ser comprovado objetivamente a fraude aduaneira. A acusação fiscal é de que a Sanerio é a real adquirente das mercadorias importadas pela Transnova. Fl. 402DF CARF MF Processo nº 18470.723706/201303 Acórdão n.º 3301005.086 S3C3T1 Fl. 403 8 Observase nos autos o seguinte “contexto probatório” (denominado pela DRJ de “prova indiciária”): a) A nota fiscal de saída n° 002 expedida pela Mattoni em favor da Sanerio comercializou 20.000 m², 77,43% do total importado na DI registrada pela Transnova. A expedição desta nota fiscal se deu no mesmo dia da venda efetuada pela importadora Transnova para a Mattoni, ou seja, 26/09/2008 e também com a mesma data de saída 29/09/2008. b) O TED da Sanerio para a Mattoni foi datado de 19/08/2008, mesma data da carta de autorização dessa operação lavrada pela Sanerio, o que robusteceria o entendimento de que efetivamente houve uma encomenda da Sanerio para a Mattoni da mercadoria mencionada, uma vez que essa transferência de numerário se deu vários dias antes do registro da DI pela Transnova. c) No livro Diário da Sanerio confirmase o repasse de R$160.000,00 para a Mattoni, na conta Adiantamento a fornecedores, cujo histórico é “valor referente a ADTO 50% SINAL MATTONI IMPORT”, ou seja, 50% do valor da nota de venda n° 002 expedida pela Mattoni em 26/09/2008. d) No livro de registro de entrada, relativamente ao mês de setembro de 2008, em 26/09/2008, encontrase o registro da nota fiscal n° 2 no valor total de R$ 320.000,00. e) A mercadoria foi entregue em canteiro de obra da Sanerio, conforme consta na nota emitida pela Transnova em favor da Mattoni. A DRJ resumiu as provas indiciárias da seguinte forma: A aquisição da mercadoria pela autuada se deu junto ao representante no país do fabricante/exportador estrangeiro, mediante antecipação de 50% do valor de aquisição (fls. 174 a 175), em transação comercial realizada mais de um mês antes de sua entrega a consumo. A figura da empresa Mattoni como representante exclusivo da mercadoria junto ao exportador afasta, por si só, a realização da importação por conta e risco próprios da importadora (Transnova), assim como foi declarado ao Fisco, uma vez que a motivação da operação envolveu negociação comercial direta de seu representante junto ao exportador, restando à empresa importadora a figura de mera mandatária do representante comercial, de mero prestador de serviços, não podendo assim ter configurado nas informações prestadas ao fisco como um importador de fato das operações, como se as promovesse por conta própria, com os riscos inerentes da atividade comercial na revenda dos bens em mercado interno, sem prévio adquirente ou encomendante das mercadorias, hipótese na qual estaria isoladamente declarado ao Fisco. No mesmo sentido, ao se verificar a revenda da mercadoria por seu representante comercial em ato contínuo a sua aquisição junto à importadora (mesmo dia, fl. 12), em transações comerciais realizadas no dia seguinte ao desembaraço da Fl. 403DF CARF MF Processo nº 18470.723706/201303 Acórdão n.º 3301005.086 S3C3T1 Fl. 404 9 importação, com entrega direta da mercadoria pela importadora a seu adquirente final (autuada, fls. 25 e 177) e antecipação pela adquirente final de 50% do valor da transação comercial, claramente se observa que sua importação e revenda a adquirente final encontravamse perfeitamente conjugadas, numa típica operação de encomenda prévia da operação de importação, na forma prevista no art. 11 da Lei nº 11.281, de 2006 (anteriormente transcrito), na qual seu encomendante (autuado) deveria ter sido trazido ao polo de sujeição passiva e se apresentado aos controles inerentes da operação (INSRF nº 634, de 2006). Pelas circunstâncias da operação, a motivação da importação se deu pela prévia encomenda da mercadoria pela autuada, tendo assim sido executada mediante sua antecipação de recursos, com repasse direto e imediato da mercadoria ao término de sua importação (desembaraço), sem qualquer exposição comercial da mercadoria ao mercado interno, haja vista sua prévia destinação. Por tais aspectos, descortinase a alegada hipótese da autuada de mero adquirente de mercadoria no mercado interno. No presente caso, estáse diante da interposição “comprovada” (não decorre de presunção do §2º do art. 23 do Decretolei nº 1.455/1976), entretanto não está presente o arcabouço de provas aptas a tal constatação. Explico. A acusação é de ocultação do responsável pela operação de importação, ou seja há a informação na Declaração de Importação de que se trata de uma operação por conta própria, quando, na realidade, teria se dado por conta e ordem de terceiro. No caso em comento, a fiscalização indica que a Sanerio adiantou parte dos recursos financeiros que foram utilizados nas operações de importação da Transnova, embora as partes aleguem que esses adiantamentos eram para a aquisição de mercadorias no mercado interno. Assim, os recursos que custearam as operações de importação da Transnova teriam sido disponibilizados pela Sanerio, que perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil permaneceu oculta nas declarações de importação formalmente apresentadas pela Transnova, dito de outra forma, esta realizaria as operações de importação utilizando recursos da Sanerio, que eram adiantados através da Mattoni. Por conseguinte, aplicarseia a presunção prescrita no art. 27, da Lei n° 10.637/2002, pela qual se presume por conta e ordem de terceiros a utilização de recursos destes nas operações de comércio exterior: Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória n. 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Fl. 404DF CARF MF Processo nº 18470.723706/201303 Acórdão n.º 3301005.086 S3C3T1 Fl. 405 10 Então, a importação de mercadorias com a utilização de recursos de terceiros presumese por conta e ordem desse para fins de sua responsabilização pela infração. A caracterização da ocultação residiria no fato de a Transnova ter registrado as importações como importações diretas, sem constar a empresa adquirente Sanerio, tampouco a Mattoni. É a existência de adiantamentos de recursos em data anterior ao registro da declaração de importação das mercadorias estrangeiras que indicaria que as mercadorias já teriam sido negociadas em momento anterior à formalização do procedimento alfandegário perante a autoridade aduaneira, caracterizando a ocultação. No caso, tratase de se aferir se a Transnova recebia adiantamentos financeiros da Sanerio para a realização da importação da mercadoria objeto da DI autuada. Todavia, repito, entendo que a fiscalização não logrou êxito em demonstrar o pagamento de adiantamentos de recursos por parte da Mattoni à Transnova (a importadora) com vistas a viabilizar a aquisição da mercadoria objeto de importação, bem como que esses adiantamentos foram feitos da Sanerio para a Mattoni. Na DI autuada, no campo “Importador” consta apenas a empresa Transnova Comércio Internacional, e, no campo adquirente da mercadoria, consta a mesma empresa. Não consta no campo dados complementares qualquer outra indicação de real adquirente ou responsável pela operação. A mercadoria nacionalizada foi vendida pela Transnova, em 26/09/2008, com data de saída em 29/09/2008, à Mattoni por R$ 165.685, 49, mediante as notas fiscais n° 00447 e 00448. Porém, não foram trazidos aos autos os elementos de caracterização dos ilícitos entre a Mattoni e a Transnova, tais como: declarações; contratos; extratos bancários; notas fiscais; livros contábeis e etc. dessa forma, não há suporte documental que permita se inferir que as mercadorias importadas pela empresa Transnova foram destinadas à empresa Mattoni. Não houve identificação de que houve valor pago pela empresa MATTONI, antes do registro da referida DI, caracterizando o vínculo da referida empresa com a operação de importação em questão. Assim, não foram trazidos aos autos comprovação de que a Mattoni tenha adiantado os recursos à Transnova. Isso porque, não foram trazidos aos autos pela fiscalização os extratos das contas correntes ou outros documentos da Mattoni que indicassem a remessa à empresa Transnova de adiantamentos, antes do registro da DI. A acusação fiscal, como dito anteriormente, é de que a nota fiscal de saída da Mattoni em favor da Sanerio foi na mesma data que a saída da mercadoria da empresa Transnova, o que indicaria uma destinação prévia da mercadoria à Sanerio antes da consumação da importação. Atrelado a isso está o fato de que a nota de saída da Transnova em favor da Mattoni tinha como indicação de endereço o canteiro de obras da Sanerio. A fiscalização deixou de traçar a circularização da operações: contas da Transnova com recebimentos da Mattoni e contas da Mattoni com recebimentos da Sanerio, bem como a conciliação entre os valores das notas fiscais TrasnovaMattoni e MattoniSanerio para identificação dos supostos adiantamentos. Fl. 405DF CARF MF Processo nº 18470.723706/201303 Acórdão n.º 3301005.086 S3C3T1 Fl. 406 11 Ademais, não houve comprovação de que a empresa Mattoni negociava diretamente com o fornecedor estrangeiro a importação do produto em questão. Não há comprovação nos autos de que a empresa Mattoni é representante no Brasil da indústria francesa 6D Solutions, fabricante de grelhas de fibra de vidro, pois não consta nenhum contrato de distribuição exclusiva. Em suma, não restou comprovado que a empresa Transnova atuou por conta e ordem da Mattoni, e ainda que a Mattoni atuou por conta e ordem da Sanerio. Por isso, não há como se afirmar que a Sanerio foi a real adquirente da mercadoria importada ou que a referida operação não tenha ocorrido no mercado interno. Por conseguinte, a questão controvertida neste processo é a fraude atribuída às empresas, matéria totalmente vinculada à produção de prova pela autoridade administrativa (ônus da fiscalização). Então, considerando o império da estrita legalidade, tipicidade tributária, motivação do lançamento tributário, devido processo legal e ampla defesa, diante da gravidade da fraude aduaneira imputada às oras Recorrentes, o lançamento tributário desprovido de provas deve ser cancelado, conforme as justificativas tratadas acima. Conclusão Do exposto, voto por dar provimento aos recursos voluntários. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 406DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.900446/2012-86
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3002-000.017
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem para: a) apure a Cofins devida em relação ao período pleiteado (abril/2000), considerando-se a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo promovida pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, com base na documentação apresentada e em demais documentos fiscais ou contábeis que sejam necessários, intimando-se o sujeito passivo a apresentá-los, se for o caso; b) manifeste-se sobre a compensação pretendida nestes autos, levando em conta a existência de pedido paralelo no processo nº 10480.900009/2012-62 e os demais pedidos de restituição/compensação que possam afetar o crédito disponível; e c) cientifique a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo de 30 dias para sua manifestação, após o qual deve o processo retornar ao CARF para julgamento. Vencido o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves, que votou pelo retorno do processo à DRJ para a realização de novo julgamento.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem para: a) apure a Cofins devida em relação ao período pleiteado (abril/2000), considerando-se a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo promovida pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, com base na documentação apresentada e em demais documentos fiscais ou contábeis que sejam necessários, intimando-se o sujeito passivo a apresentá-los, se for o caso; b) manifeste-se sobre a compensação pretendida nestes autos, levando em conta a existência de pedido paralelo no processo nº 10480.900009/2012-62 e os demais pedidos de restituição/compensação que possam afetar o crédito disponível; e c) cientifique a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo de 30 dias para sua manifestação, após o qual deve o processo retornar ao CARF para julgamento. Vencido o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves, que votou pelo retorno do processo à DRJ para a realização de novo julgamento. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem para: a) apure a Cofins devida em relação ao período pleiteado (abril/2000), considerandose a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo promovida pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, com base na documentação apresentada e em demais documentos fiscais ou contábeis que sejam necessários, intimandose o sujeito passivo a apresentálos, se for o caso; b) manifestese sobre a compensação pretendida nestes autos, levando em conta a existência de pedido paralelo no processo nº 10480.900009/201262 e os demais pedidos de restituição/compensação que possam afetar o crédito disponível; e c) cientifique a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo de 30 dias para sua manifestação, após o qual deve o processo retornar ao CARF para julgamento. Vencido o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves, que votou pelo retorno do processo à DRJ para a realização de novo julgamento. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem. Relatório Trata o processo da Declaração de Compensação (Dcomp) de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, no valor original de R$ 1.173,08, relativo ao período de apuração abril/2000, com débitos de IRPJ e CSLL. A Dcomp nº 32788.08364 281108.1.3.041775 foi transmitida em 28/11/2008 (fls. 2 a 5). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 00 44 6/ 20 12 -8 6 Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10480.900446/201286 Resolução nº 3002000.019 S3C0T2 Fl. 157 2 A Delegacia da Receita Federal no Recife (DRF/Recife) não localizou o Darf informado e intimou o contribuinte a retificar as informações ou a comparecer à unidade para prestar esclarecimentos. Consta do Termo de Intimação que a Dcomp vinculase ao Pedido de Restituição (PER) nº 39168.15749.060605.1.2.042934, transmitido em 06/06/2005, de onde proviria o crédito para a compensação destes autos (fl. 6). Não consta resposta por parte do sujeito passivo à intimação. Entretanto, a DRF/Recife negou a homologação da compensação por haver constatado que o Darf discriminado no PER/Dcomp havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos – Despacho Decisório à fl. 9. A recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade na qual informou que o direito à compensação resultava da revisão do cálculo de PIS/Cofins em decorrência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal (STF) quanto à inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 e, para fins de economia processual, solicitou a reunião de 42 processos que tratariam da mesma matéria (fls. 13 a 21). Para instruir seu recurso, juntou atos constitutivos e de representação, o Despacho Decisório, um demonstrativo das contribuições recolhidas sobre receitas financeiras apuradas em abril/2000 e cópia do balancete de verificação relativo a abril/2000 (fls. 22 a 54). A Delegacia de Julgamento no Recife proferiu o Acórdão nº 1141.041 (fls. 60 a 69), por meio do qual decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, tendo em vista que o contribuinte não comprovou que o valor pago de Cofins incidiu sobre receitas não operacionais – como empresa que comercializa veículos, a depender do período de apuração estaria submetida à tributação por substituição tributária ou concentrada em etapa anterior, mas não se ocupou em apresentar demonstrativo acompanhado dos documentos fiscais/contábeis comprobatórios da Cofins à alíquota de 3%. A respeito da decisão do STF, o relator esclareceu que ela ocorreu em controle difuso de constitucionalidade, não beneficiando terceiros e não sendo passível de afastamento pela DRJ enquanto não publicado ato normativo nesse sentido – o julgamento na DRJ ocorreu em maio/2013. Ressaltou, ainda, tratarse de argumento trazido apenas pelo debate, pois a razão de decidir estava na ausência de prova. O pedido de diligência foi indeferido por se entender que o pedido era genérico, sem apresentação de quesitos ou indicação de perito, em desacordo com o previsto no art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 (PAF), e que não havia ponto controvertido a esclarecer. Por fim, foi consignado que o contribuinte tentou utilizar o crédito em duplicidade, nestes autos e no processo nº 10480.900009/201262. O Acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000 TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. O reconhecimento do direito à restituição exige a comprovação da realização de pagamento de tributo indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10480.900446/201286 Resolução nº 3002000.019 S3C0T2 Fl. 158 3 RESTITUIÇÃO. ÔNUS PROBANTE. É do sujeito passivo o ônus probante do direito à restituição. COFINS. PAGAMENTO SOBRE OUTRAS RECEITAS QUE NÃO AS DE VENDA DE MERCADORIAS E/OU SERVIÇOS. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO EM RAZÃO DA INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/98. NÃOCOMPROVAÇÃO. Não tendo a recorrente demonstrado que o valor confessado em DCTF e por ela recolhido a título da COFINS incidiu sobre outras receitas além daquelas decorrentes de venda de mercadorias e/ou de prestação de serviços, não resta comprovada a realização de pagamento indevido ou a maior que devido em razão da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo desta contribuição perpetrada pelo art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. INDÉBITO INCOMPROVADO. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A não comprovação do alegado indébito implica a nãohomologação da compensação em que ele foi utilizado e a conseqüente cobrança do débito indevidamente compensado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000 DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 19/04/2014, conforme Termo da Ciência por Decurso de Prazo constante à fl. 150, e protocolizou seu recurso em 06/05/2014 conforme carimbo na primeira página do Recurso, à fl. 79. Em seu Recurso Voluntário, traz as seguintes alegações (fls. 79 a 94): requer a nulidade do Despacho Decisório porque, previamente à emissão da decisão administrativa, não foi o contribuinte intimado a prestar esclarecimentos nem foi realizada a diligência, em desacordo com o art. 76 da IN RFB nº 1.300/2012 e o art. 142 da Lei nº 5.172/1966 (CTN); quanto à falta de retificação da DCTF, defende que não é o único meio de prova do direito creditório, não constando de lei ou normas infralegais a exigência de sua retificação, o que configura um excesso de formalismo a se sobrepor à verdade material, entendimento esse manifestado em julgados do Carf, dos quais transcreve diversos acórdãos; Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10480.900446/201286 Resolução nº 3002000.019 S3C0T2 Fl. 159 4 no que concerne à prova, afirma que, em matéria de fato, são válidos todos os meios de prova admitidos no direito e que a contabilidade, lastreada em documentação idônea, faz prova em favor do contribuinte, conforme expresso no art. 923 do DecretoLei nº 1.598/1977, não prosperando a afirmativa de que as provas juntadas foram insuficientes – o valor da Cofins paga indevidamente sobre as receitas financeiras, que consta do demonstrativo, baseiase nas receitas destacadas no balancete anexo à Manifestação de Inconformidade. Se a documentação era insuficiente, a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, mas não negado o direito e declarado a preclusão para a juntada de novas provas; para corroborar o que afirmou quanto a seu direito creditório na Manifestação de Inconformidade, requer a juntada do livro Razão, nos termos da alínea “c” do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972; em relação à afirmativa de que a decisão de inconstitucionalidade do STF não possui efeito erga omnes, salienta que não há controvérsia acerca do mérito do processo, discussão já superada, sendo matéria com repercussão geral reconhecida, dispositivo legal revogado e jurisprudência administrativa favorável, reproduzindo acórdãos do Carf nesse sentido; por fim, requer a reforma do Acórdão, reconhecimento à restituição integral, com a consequente homologação da compensação. É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar de nulidade Em relação à alegação de nulidade do Despacho Decisório por ausência de diligência ou de intimação ao contribuinte para prestar esclarecimentos previamente à sua emissão, em desobediência ao art. 76 da IN RFB nº 1.300/2012 e ao art. 142 do CTN, entendo por descabida, tendo sido tal matéria extensa e apropriadamente desenvolvida na decisão de primeira instância. A Instrução Normativa citada, que trata de restituição, ressarcimento e compensação, dispõe em seu art. 76 sobre a faculdade de solicitação de documentos ou de realização de diligência. Vêse pela passagem abaixo que a autoridade responsável pela decisão não está obrigada a fazêlo, podendo decidir por esses procedimentos quando e se entender necessário: Art. 76. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10480.900446/201286 Resolução nº 3002000.019 S3C0T2 Fl. 160 5 mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. (grifado) No que se refere ao CTN, traz a recorrente um dispositivo que trata do procedimento no lançamento do crédito tributário, o que não é absolutamente o caso destes autos. Assim, estamos diante de argumento desconectado com o objeto do processo (declaração de compensação), como se constata da leitura do texto legal: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (grifado) Visando a um atendimento célere, ao mesmo tempo que extensivo, a Receita Federal efetua um primeiro processamento, eletrônico, dos pedidos de compensação, que é indiscutivelmente eficiente no sentido de detectar inconsistência entre as informações e declarações prestadas pelo próprio contribuinte. Não há o que questionar quanto à legalidade ou validade desse procedimento. Na eventualidade em que o pedido do requerente implique a discussão de uma questão jurídica, tal apreciação será feita a partir da manifestação de inconformidade que, por esse motivo, entre outros, deve conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta o recurso, bem como os pontos de discordância e as razões e provas que o contribuinte possui, conforme dispõe o art. 16 do PAF. E dessa forma este processo se desenvolveu: após o sistema detectar que o suposto crédito estava integralmente alocado no pagamento de débitos (e que foi conclusão absolutamente correta, já que constava da DCTF débitos de Cofins que consideraram as receitas financeiras), o sujeito passivo expôs sua discordância, suas razões e juntou o que considerou prova suficiente à Manifestação de Inconformidade, tendo tido prazo e oportunidade para se defender. Portanto, rejeitase a preliminar de nulidade do Despacho Decisório. Mérito O principal fundamento da decisão denegatória da DRJ reside na conclusão de que a recorrente “não comprovou que a COFINS do mês de abril de 2000 por ela recolhida de acordo com o valor confessado em DCTF efetivamente incidiu sobre as receitas por ela indicadas na planilha anexa à Manifestação de Inconformidade”. Ou seja, não demonstrou a existência de direito líquido e certo, condição estabelecida pelo CTN para a autorização da compensação. E, quanto a esse aspecto, não é possível contestar a decisão, pois, de fato, o balancete de verificação no período relativo a abril/2000, acompanhado apenas do cálculo da Cofins paga sobre as receitas financeiras, não faz prova inequívoca do direito alegado. Por outro lado, cabe razão à recorrente quando afirma que, diante das provas juntadas ao processo, ainda que insuficientes, representam uma demonstração do direito e Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10480.900446/201286 Resolução nº 3002000.019 S3C0T2 Fl. 161 6 poderia a DRJ ter convertido o julgamento em diligência para complementar as informações faltantes. Em julgamentos precedentes sobre a produção de prova, tem prevalecido neste Colegiado um tratamento da questão que possibilita, sob determinada condição, a invocação do princípio da verdade material para acolher a produção de provas após a manifestação de inconformidade em hipótese diversa das que estão previstas no PAF. Pretendese um melhor equilíbrio na aplicação do princípio da verdade material, frente a outros princípios que regem igualmente o processo administrativo, em especial o da legalidade e o do devido processo legal, notadamente porque decidir pela produção de provas em hipótese diversa, não prevista, implica afastar a aplicação de um dispositivo legal que determina expressamente a preclusão. A constatação de que o contribuinte tenha tentado demonstrar seu direito, por meio de alegações consistentes e da juntada de documentos que se prestem ao seu propósito, ainda que incompletos, configuraria a condição para se aceitar a produção de provas após o prazo definido no PAF, o que, no meu entender, ocorre neste caso. Inadmissível seria a invocação da busca da verdade material com vistas a propiciar ao recorrente a oportunidade de suprir sua total omissão em fase anterior. Ademais, neste processo tratamos de uma tema cuja discussão já se encerrou. Não há dúvida acerca do direito à restituição da Cofins paga sobre receitas que não compõem o faturamento – a decisão definitiva do STF sobre a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins promovida pela Lei nº 9.718/1998, em julgamento afetado pela repercussão geral, é vinculante para este Colegiado, por força de Regimento Interno do CARF. Com essas considerações, concluise que, ainda que insuficiente, a documentação trazida pelo recorrente na Manifestação de Inconformidade é apropriada e representa um princípio de prova (fls. 49 a 54). Em tal situação, entendo por pertinente e, mesmo, desejável a providência de conversão do julgamento em diligência para o completo esclarecimento da situação, já que a mera juntada do Livro Razão, como solicitado pelo recorrente, não atenderá a este propósito. Ressalto que o presente processo deve ser analisado em conjunto com o processo nº 10480.900009/201262, também distribuído para esta relatora, pois o contribuinte solicitou a utilização integral do mesmo Darf em ambos os processos. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a unidade de jurisdição local adote as seguintes providências: a) apure a Cofins devida em relação ao período pleiteado (abril/2000), considerandose a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo promovida pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, com base na documentação apresentada e em demais documentos fiscais ou contábeis que sejam necessários, intimandose o sujeito passivo a apresentálos, se for o caso; b) manifestese sobre a compensação pretendida nestes autos, levando em conta a existência de pedido paralelo no processo nº 10480.900009/201262 e os demais pedidos de restituição/compensação que possam afetar o crédito disponível; e Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10480.900446/201286 Resolução nº 3002000.019 S3C0T2 Fl. 162 7 c) cientifique a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo de 30 dias para sua manifestação, após o qual deve o processo retornar ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 162DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.721075/2009-55
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
PIS/PASEP E COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, busca-se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte.
Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço.
FRETE DE INSUMOS E PRODUTOS SEMI-ELABORADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS.
A transferência de matérias-primas extraídas das minas para as fábricas constitui-se em etapa essencial do ciclo produtivo, ainda mais quando se considera a distância que separa as unidades mineradoras dos complexos industriais e a diversidade de locais onde as minas estão situadas. Além disso, é característica da atividade da Recorrida a produção do próprio insumo, até mesmo como forma de ter a segurança de não interrupção do processo produtivo dos fertilizantes. Nesse cenário, portanto, mostra-se imprescindível a contratação do frete junto à terceira pessoa jurídica para transferência entre estabelecimentos da mesma empresa - frete pago em decorrência do transporte dos minerais das minas até o complexo industrial local onde é produzido o fertilizante, inserindo-se no conceito de insumo.
Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de insumos (matérias-primas), produtos semi-elaborados e produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática não-cumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em insumos essenciais no seu processo de industrialização.
Nos termos do §8º, do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, importa consignar ser o entendimento da maioria do Colegiado, que acompanhou a Relatora pelas conclusões, que o conceito de insumo é mais restritivo, podendo ser reconhecido o direito ao crédito de PIS e COFINS não-cumulativos quando o bem ou serviço a ser considerado como insumo estiver estritamente vinculado à produção da mercadoria.
Numero da decisão: 9303-007.086
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PIS/PASEP E COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, busca-se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. FRETE DE INSUMOS E PRODUTOS SEMI-ELABORADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. A transferência de matérias-primas extraídas das minas para as fábricas constitui-se em etapa essencial do ciclo produtivo, ainda mais quando se considera a distância que separa as unidades mineradoras dos complexos industriais e a diversidade de locais onde as minas estão situadas. Além disso, é característica da atividade da Recorrida a produção do próprio insumo, até mesmo como forma de ter a segurança de não interrupção do processo produtivo dos fertilizantes. Nesse cenário, portanto, mostra-se imprescindível a contratação do frete junto à terceira pessoa jurídica para transferência entre estabelecimentos da mesma empresa - frete pago em decorrência do transporte dos minerais das minas até o complexo industrial local onde é produzido o fertilizante, inserindo-se no conceito de insumo. Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de insumos (matérias-primas), produtos semi-elaborados e produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática não-cumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em insumos essenciais no seu processo de industrialização. Nos termos do §8º, do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, importa consignar ser o entendimento da maioria do Colegiado, que acompanhou a Relatora pelas conclusões, que o conceito de insumo é mais restritivo, podendo ser reconhecido o direito ao crédito de PIS e COFINS não-cumulativos quando o bem ou serviço a ser considerado como insumo estiver estritamente vinculado à produção da mercadoria.
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CRÉDITO. FRETE NO TRANSPORTE DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado GALVANI INDÚSTRIA, COMÉRCIO E SERVIÇOS S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PIS/PASEP E COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. FRETE DE INSUMOS E PRODUTOS SEMIELABORADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. A transferência de matériasprimas extraídas das minas para as fábricas constituise em etapa essencial do ciclo produtivo, ainda mais quando se considera a distância que separa as unidades mineradoras dos complexos industriais e a diversidade de locais onde as minas estão situadas. Além disso, é característica da atividade da Recorrida a produção do próprio insumo, até mesmo como forma de ter a segurança de não interrupção do processo produtivo dos fertilizantes. Nesse cenário, portanto, mostrase imprescindível a contratação do frete junto à terceira pessoa jurídica para transferência entre estabelecimentos da mesma empresa frete pago em decorrência do transporte dos minerais das minas até o complexo industrial local onde é produzido o fertilizante, inserindose no conceito de insumo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 10 75 /2 00 9- 55 Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10830.721075/200955 Acórdão n.º 9303007.086 CSRFT3 Fl. 3 2 Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de insumos (matérias primas), produtos semielaborados e produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em insumos essenciais no seu processo de industrialização. Nos termos do §8º, do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, importa consignar ser o entendimento da maioria do Colegiado, que acompanhou a Relatora pelas conclusões, que o conceito de insumo é mais restritivo, podendo ser reconhecido o direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos quando o bem ou serviço a ser considerado como insumo estiver estritamente vinculado à produção da mercadoria. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10830.721075/200955 Acórdão n.º 9303007.086 CSRFT3 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, buscando a reforma do Acórdão nº 3302002.987 proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento. Na parte de interesse ao presente julgamento, o colegiado a quo reconheceu o direito de crédito da contribuição sobre o frete pago no transporte de insumos entre estabelecimentos da empresa. A Fazenda Nacional alega divergência com relação ao entendimento adotado no acórdão recorrido de que existe previsão legal para crédito de PIS e COFINS nãocumulativos sobre valores de fretes pagos, pelo transporte entre estabelecimentos do mesmo proprietário, de insumos minérios extraídos de minas e enviados a complexos industriais. Sustenta existir direito ao crédito somente com relação ao frete na operação de venda, e quando o ônus for suportado pelo vendedor. Foi dado seguimento ao recurso especial mediante despacho de admissibilidade proferido pelo Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por se ter entendido como comprovada a divergência jurisprudencial. A Contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial postulando a negativa de provimento. É o Relatório. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10830.721075/200955 Acórdão n.º 9303007.086 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.071, de 11/07/2018, proferido no julgamento do processo 10830.721056/200929, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.071): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito A discussão principal posta nos autos referese ao conceito de insumos para determinação se pode ser utilizado pela Contribuinte como crédito de PIS e COFINS não cumulativos os gastos incorridos com o pagamento de frete de insumos (minério e matéria prima) entre seus estabelecimentos industriais. A priori, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10830.721075/200955 Acórdão n.º 9303007.086 CSRFT3 Fl. 6 5 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotarse o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10830.721075/200955 Acórdão n.º 9303007.086 CSRFT3 Fl. 7 6 de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10830.721075/200955 Acórdão n.º 9303007.086 CSRFT3 Fl. 8 7 tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10830.721075/200955 Acórdão n.º 9303007.086 CSRFT3 Fl. 9 8 se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõe se considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi recentemente julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime não cumulativo. Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve o trânsito em julgado do acórdão do recurso especial nº 1.221.170PR pela sistemática dos recursos repetitivos, pois pendente de julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Fazse a ressalva do entendimento desta Conselheira, que não é o da maioria do Colegiado, que conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão. A controvérsia em exame gravita em torno da possibilidade de ser considerados como insumos os gastos decorrentes da contratação de fretes de matériasprimas entre estabelecimentos da mesma empresa, de fretes de insumos e de produtos em elaboração para transferência entre estabelecimentos da Contribuinte. Os minerais, principal insumo da produção dos fertilizantes, são extraídos pela Recorrida de minas distantes do complexo industrial, havendo a necessidade de seu transporte, por meio de frete pago a terceira pessoa jurídica, até o local da produção do fertilizante. A Contribuinte sustenta desenvolver atividade econômica em toda a cadeia de produção de fertilizantes, sendo responsável não só pela fabricação do mesmo, como também pela extração dos minerais e o beneficiamento de uma parte dos insumos utilizados no processo produtivo. Por isso, defende que as despesas com frete contratado na aquisição dos insumos, bem como para a realização das transferências de matériasprimas dos estabelecimentos mineradores para as unidades industriais são essenciais para o processo produtivo e confecção do produto fertilizantes. No caso dos autos, temse que a extração dos minerais ocorre em minas da própria Contribuinte que é a produtora dos fertilizantes, sendo que o principal insumo para a fabricação do seu produto são os minerais, portanto, necessários e essenciais à atividade da empresa. Para a movimentação da matériaprima até o estabelecimento onde é produzido o fertilizante, é preciso contratar frete pago a terceira pessoa jurídica. Tal frete, por estar diretamente ligado ao processo produtivo/fabril, deve ser considerado como insumo. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10830.721075/200955 Acórdão n.º 9303007.086 CSRFT3 Fl. 10 9 Conforme se verifica da descrição do processo produtivo efetuada pela Recorrida, a mesma atua em toda a cadeia de produção de fertilizantes, sendo responsável pela fabricação do mesmo e também pela extração e beneficiamento de parte dos insumos utilizados no processo produtivo. Traz como exemplo, o concentrado de fosfático pó, que [...] é gerado e encaminhado de sua unidade de Lagamar, em Minas Gerais, para o Complexo Industrial da Paulínia, em São Paulo, onde, agregado a outros insumos, alguns dos quais adquiridos de terceiros, dá origem ao fertilizante, produto final daquela. A transferência de matériasprimas extraídas das minas para as fábricas constituise em etapa essencial do ciclo produtivo, ainda mais quando se considera a distância que separa as unidades mineradoras dos complexos industriais e a diversidade de locais onde as minas estão situadas. Além disso, é característica da atividade da Recorrida a produção do próprio insumo, até mesmo como forma de ter a segurança de não interrupção do processo produtivo dos fertilizantes. Nesse cenário, portanto, mostrase imprescindível a contratação do frete junto à terceira pessoa jurídica para transferência entre estabelecimentos da mesma empresa frete pago em decorrência do transporte dos minerais das minas até o complexo industrial local onde é produzido o fertilizante, inserindose no conceito de insumo. Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de insumos (matérias primas), produtos semielaborados e produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em insumos essenciais no seu processo de industrialização. No mesmo sentido, já se pronunciou essa 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no julgamento que resultou no Acórdão n.º 9303005.156, de relatoria da nobre conselheira Tatiana Midori Migiyama: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIASPRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matériasprimas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matériaprima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto. PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10830.721075/200955 Acórdão n.º 9303007.086 CSRFT3 Fl. 11 10 Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins. Por fim, nos termos do §8º, do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, importa consignar ser o entendimento da maioria do Colegiado, que acompanhou a Relatora pelas conclusões, que o conceito de insumo é mais restritivo, podendo ser reconhecido o direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos quando o bem ou serviço a ser considerado como insumo estiver estritamente vinculado à produção da mercadoria. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 257DF CARF MF
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