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Numero do processo: 18471.001429/2007-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Data do fato gerador: 30/06/2004
NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA EM LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA QUANDO HAJA DEPÓSITO TEMPESTIVO DO MONTANTE INTEGRAL DO TRIBUTO.
A teor da Súmula 5 do CARF, descabe incidência de juros de mora em lançamento levado a efeito para prevenir a decadência quando inconteste que o montante integral do tributo foi depositado tempestivamente.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-002.805
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF Data do fato gerador: 30/06/2004 NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA EM LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA QUANDO HAJA DEPÓSITO TEMPESTIVO DO MONTANTE INTEGRAL DO TRIBUTO. A teor da Súmula 5 do CARF, descabe incidência de juros de mora em lançamento levado a efeito para prevenir a decadência quando inconteste que o montante integral do tributo foi depositado tempestivamente. Recurso Voluntário Provido.
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A teor da Súmula 5 do CARF, descabe incidência de juros de mora em lançamento levado a efeito para prevenir a decadência quando inconteste que o montante integral do tributo foi depositado tempestivamente. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Antônio Carlos Atulim Presidente. Jorge Olmiro Lock Freire Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 14 29 /2 00 7- 18 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 18471.001429/200718 Acórdão n.º 3402002.805 S3C4T2 Fl. 123 2 Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de lançamento (fls. 14/20) para prevenir a Fazenda Nacional dos efeitos da decadência. A empresa ajuizou mandado de segurança nº 2004.61.00.0181773 com o fito de não ser cobrada a CPMF por conta de celebração de contratos de câmbio simbólicos exigidos pelo Banco Central do Brasil como instrumento à conversão de valores relativos à dívida da TIM Brasil com a TIM Internacional N.V., no valor de US$ 77.356.100.100,00, em investimento direto e permanente desta naquela. Foi efetuado depósito do montante integral da contribuição no valor de R$ 913.606,48 em 03.06.2004 (fl. 13). Decisão do juízo da 12ª Vara Cível Federal de São Paulo denegou a segurança. De fls. 14/20, Auto de Infração constituindo o crédito tributário para fins de prevenir a Fazenda Nacional dos efeitos da decadência, porém com incidência de juros moratórios e com exigibilidade suspensa por força do depósito judicial. Confrontado (fls. 36/50) o lançamento, a r decisão (fls. 85/95), de 31/07/2009, não conheceu a impugnação. Não resignada, a empresa interpôs o presente recurso voluntário (fls. 99/118), no qual, em suma, alega a desnecessidade da lavratura do auto de infração uma vez ter sido efetivado depósito judicial e entende descabível a incidência dos juros de mora na medida que este foi levado a efeito tempestivamente. Alega ainda a nulidade do lançamento por entender que houve infração ao art. 10 do Decreto 70.235/72, uma vez não ter sido expressamente apontado qual dispositivo legal teria sido infringido. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, relator. Quanto à preliminar de nulidade, há de ser afastada. A descrição dos fatos foi bem clara quanto ao fato jurídico que deu azo ao lançamento, qual seja, a incidência da CPMF por conta de celebração de contratos de câmbio simbólicos exigidos pelo Banco Central do Brasil como instrumento à conversão de valores relativos à dívida da TIM Brasil com a TIM Internacional N.V. Demais disso, o lançamento foi expresso quanto ao fundamento legal, conforme abaixo se transcreve: Arts. 2°, 4°, 5°, 60 e 7 0 da Lei n° 9.311/96 e art. 1° da Lei n°9.539/97. Art. 84 das Disposições Constitucionais Transitórias, acrescentado pelo art.3°da Emenda Constitucional n°37/2002; Fl. 123DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 18471.001429/200718 Acórdão n.º 3402002.805 S3C4T2 Fl. 124 3 Art. 3° da Emenda Constitucional nº 42/03. Portanto, não há que se falar em infração ao art. 10 do 70.235/72, e nem que tenha havido qualquer prejuízo ao direito de defesa da recorrente. O certo é que a matéria encontrase sob discussão judicial, ainda sem trânsito em julgado, mas, até o presente, em sentido favorável à Fazenda. Contudo, inconteste nos autos que houve depósito do montante integral do da valor da CPMF em discussão judicial e que o mesmo foi tempestivo. Assim, descabe a incidência dos juros de mora, pois mora não houve. Nesse sentido, a Súmula nº 5 do CARF, cujo enunciado foi vazado nos seguintes termos: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para afastar a incidência dos juros de mora. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 124DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10680.726496/2011-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA - LIMITE DE 30%
A base de cálculo negativa apurada poderá ser compensada com o lucro líquido ajustado na determinação do resultado tributável, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro. Não há previsão legal que permita a compensação acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa.
Numero da decisão: 1402-002.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI.
Nome do relator: Frederico Augusto Gomes de Alencar
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA - LIMITE DE 30% A base de cálculo negativa apurada poderá ser compensada com o lucro líquido ajustado na determinação do resultado tributável, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro. Não há previsão legal que permita a compensação acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL LIMITE DE 30% O prejuízo fiscal apurado poderá ser compensado com o lucro real, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA LIMITE DE 30% A base de cálculo negativa apurada poderá ser compensada com o lucro líquido ajustado na determinação do resultado tributável, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro. Não há previsão legal que permita a compensação acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 64 96 /2 01 1- 58 Fl. 576DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.726496/201158 Acórdão n.º 1402002.064 S1C4T2 Fl. 577 2 FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI. Fl. 577DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.726496/201158 Acórdão n.º 1402002.064 S1C4T2 Fl. 578 3 Relatório SAMARCO MINERAÇÃO S.A. recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 3ª Turma da DRJ Belo Horizonte/MG, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Os autos de infração a folhas 2 a 5 exigem o recolhimento de crédito tributário no montante de R$ 13.295.569,97, assim discriminado: TRIBUTO JUROS DE MORA MULTA PROPORCIONAL TOTAL Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) 4.531.206,38 1.813.841,9 1 3.398.404,79 9.743.453,08 Contribuição Social s/ o Lucro Líquido (CSLL) 1.651.916,89 661.262,33 1.238.937,67 3.552.116,89 Descrição das infrações imputadas Auto de infração de IRPJ Fazendo referência ao termo de verificação juntado a folhas 17 a 36, o autuante atribui à autuada o cometimento da infração de cuja descrição adiante se faz uma síntese. 1. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO OPERACIONAL SEM OBSERVÂNCIA DO LIMITE DE 30% – Na incorporação e conseqüente extinção de pessoa jurídica da Uhgasa em 19/12, o sujeito passivo compensou prejuízos fiscais sem observar o limite de compensação de 30% do lucro líquido ajustado. Data do fato gerador: 19.12.2007. Enquadramento legal: artigo 3º da Lei nº 9.249, de 1995; artigo 247, artigo 250, inciso III, e artigos 251, 509 e 510, todos do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda RIR 1999. Auto de infração de CSLL O autuante atribui à autuada o cometimento da mesma constante do auto de infração precedente, referente ao IRPJ. Data do fato gerador: 19.12.2007. Enquadramento legal: artigo 2º da Lei nº 7.689, de 15.12.1988, com a redação dada pelo art.2º da Lei nº 8.034, de 1990; artigo 57 da Lei nº 8.981, de 1995. com as alterações do artigo 1º da Lei nº 9.065, de 1995; artigo 16 da Lei nº 9.065, de 1995; artigo 1º da Lei nº 9.316, de 22.12.1996; artigo 37 da Lei nº 10.637, de 30.12.2002. Termo de verificação fiscal No termo de verificação fiscal, a folhas 17 a 36, o autuante apresenta a motivação dos lançamentos. Dele extraemse as observações e argumentos resumidos adiante. A cisão e a incorporação da Usina Hidrelétrica GuilmanAmorim S/A (Uhgasa) Fl. 578DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.726496/201158 Acórdão n.º 1402002.064 S1C4T2 Fl. 579 4 · Segundo o estatuto social consolidado em 21/03/1995, a Uhgasa tinha como objeto social a construção e gestão da exploração da Usina Hidrelétrica GuilmanAmorim. Seu capital dividiase entre 65% para a Companhia Siderúrgica BelgoMineira e 35% para o Cimento Cauê S/A. · No anocalendário de 2007, até sua cisão total e extinção em 19.12.2007, já sob o controle dos sucessores Arcellormittal e Samarco Mineração S.A., que detinham, respectivamente, 51% e 49% do capital social, sua DIPJ informa que a foi adotado o lucro real anual como forma de tributação pelo IRPJ e pela CSLL. · Segundo o Protocolo e Justificação da Cisão Total da Uhgasa, de 30.11.2007, o consórcio foi constituído em 13.12.1933 pela Belgo Mineira e pela Cauê. Posteriormente, motivadas por seus próprios interesses negociais e comerciais, as consorciadas originais foram sucedidas, com a Cauê sendo substituída pela Samarco em 23.04.1996, e a BelgoMineira pela Belgo Siderurgia S.A., sua subsidiária integral e de quem a razão social viria a ser alterada para Arcelormittal Brasil S.A. · Em 19.05.1998, a União Federal e as Consorciadas (BelgoMineira e Samarco) celebram um contrato de concessão para exploração da hidrelétrica e do sistema de transmissão associado. · Sempre em virtude de seus próprios interesses (nesse caso, transferência de controle acionário e alterações societárias), o consórcio controlador requereu à Aneel anuência para transferir parcialmente a concessão e as ações da Uhgasa detidas pela Arcelor Brasil S.A. para a Belgo Siderurgia S/A. A Aneel deferiu o requerimento, dando prazo até 31.12.2008 para que a Uhgasa transferisse seus ativos de geração e arrendamento para os consorciados Belgo Siderurgia S.A e Samarco Mineração. · Segundo o item 1.5 do Protocolo e Justificação da Cisão Total da Uhgasa, o cumprimento dessa determinação implica a extinção da Uhgasa, que depois da transferência de seus ativos deixa de ter condições para cumprir seu objeto social. Todavia, além de o prazo estenderse até 31.12.2008 (o que possibilitaria que eventuais compensações tributárias fossem efetuadas ao longo de dois anos, e não apenas em 2007), tudo isso ocorreu em virtude de solicitações para atendimento a interesses negociais e comerciais das próprias consorciadas. · Conforme relatório do voto do pedido feito à Aneel, toda a estruturação do empreendimento foi concebida com objetivos bem determinados. A concessão pela Aneel do prazo para a transferência dos ativos foi simplesmente conseqüência de uma série de medidas tomadas ao longo do tempo pelas empresas consorciadas — formação do consórcio para possibilitar o financiamento, sucessivas reorganizações societárias e estatutárias, aquisições, vendas, utilização da energia gerada — sempre, obviamente, visando atender seus próprios interesses privados e de seus acionistas e controladores, culminando na concessão por parte da Aneel para que se fizesse o que as próprias consorciadas solicitaram. Fl. 579DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.726496/201158 Acórdão n.º 1402002.064 S1C4T2 Fl. 580 5 · As sucessoras da Uhgasa, após sua cisão, incorporação e extinção, continuaram a exercer exatamente a mesma atividade antes exercida por ela, ou seja, aproveitamento conjunto de energia hidráulica em trecho do Rio Piracicaba para geração de energia elétrica por meio da Usina Hidrelétrica GuilmanAmorin. Fica claro, portanto, que, embora não constasse no Protocolo e Justificação, o suposto direito adquirido de compensar integralmente prejuízos acumulados de IRPJ e CSLL foi um importante motivador da operação. Aspectos legais, análises e conclusões · Os artigos 227 e 229 da Lei 6.404 de 15/12/1976 estabelecem que a sucessora de sociedades por incorporação total ou cisão seguida de incorporação lhes sucede também em todos os seus direitos e obrigações. · A Lei 5.172, de 25/10/1966 (CTN Código Tributário Nacional) estabelece em seu art. 132 que a pessoa jurídica de direito privado resultado da transformação ou incorporação de outra ou em outra (sucessora) será responsável pelos tributos devidos pela sucedida até a data do ato. · A Lei 8.981 de 20/10/1995, art. 42, dispõe que o lucro líquido após adições e exclusões determinadas pela legislação do IRPJ na determinação do lucro real, a partir de 01/01/1995, não poderia ser reduzido num percentual superior a 30% (trinta por cento), norma que passou a ser conhecida como trava de 30%. E o seu art. 58 estabeleceu a mesma regra para a determinação da base de cálculo da CSLL. · Posteriormente, a Lei 9.065 de 20/06/1995 estabeleceu em seu art. 12 que o referido art. 42 da Lei 8.981/95 vigoraria apenas até 31/12/1995 e em seu art. 15 deu nova redação aos termos relativos à trava de 30%, prevendo literalmente a possibilidade de compensação de prejuízos fiscais com o lucro líquido ajustado (lucro real) dentro desse limite. O art. 16 da mesma lei estabeleceu literalmente a possibilidade de compensação da base de cálculo negativa acumulada em períodos anteriores com a base de cálculo da CSLL apurada no exercício dentro do limite de 30%. · A Uhgasa foi integralmente cindida e incorporada pela Samarco (49%) e Arcelormittal Brasil S/A (51%), após a qual foi extinta e sucedida por elas. · Na extinção da primeira (Uhgasa), esta realizou no ano calendário 2007 compensação do saldo de Prejuízo Fiscal e de Base de Cálculo negativa de CSLL de períodos anteriores, sem respeitar a trava legal de 30%, tendo, nesse caso, ainda excedido o saldo disponível de Prejuízo Fiscal, conforme quadros 01 e 02 constantes neste termo, cujos dados foram extraídos dos respectivos Demonstrativos de Compensação de Prejuízos Fiscais e de Base de Cálculo Negativa da CSLL do SAPLI (Sistema de Acompanhamento de Prejuízo, Lucro Inflacionário e Base de Cálculo Negativo da CSLL). · Sobre compensação de prejuízos fiscais no lucro real e de base de cálculo negativa na base de cálculo da CSLL nos termos e limitações Fl. 580DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.726496/201158 Acórdão n.º 1402002.064 S1C4T2 Fl. 581 6 impostas pelos artigos 42 e 58 da Lei 8.981/95 e 15 e 16 da Lei 9.065/95, o STF (Supremo Tribunal Federal), no julgamento do Recurso Extraordinário RE 344.994 realizado em 25/03/2009 e publicado no DJE (Diário de Justiça Eletrônico) de 28/08/2009, decidiu que o direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de benefício fiscal em favor do contribuinte. Tal instrumento de política tributária — benefício fiscal —, conclui o STF, pode, portanto, ser revista pelo Estado, não havendo que se falar em direito adquirido. · Ratificando a natureza das disposições contidas nos artigos 42 e 58 da Lei 8.981/95 e 15 e 16 da Lei 9.065/95 como sendo benefício fiscal, que a limitação de 30% é constitucional e que se trata de instrumento de política tributária que pode ser revisto pelo estado, não havendo, portanto, direito adquirido, apresentamse neste termo diversas ementas de decisões recentemente prolatadas pelo STF (Supremo Tribunal Federal), todas elas no mesmo sentido, evidenciando inequívoca jurisprudência. · O CTN estabelece em seu art. 111 que a legislação tributária será interpretada literalmente sempre que dispor sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário e outorga de isenção, · Considerandose que os artigos 42 e 58 da Lei 8.981/95 e 15 e 16 da Lei 9.065/95 tratam de exclusão de crédito tributário, visto que, caso não existisse o benefício, o contribuinte seria obrigado a recolher os tributos referentes à parcela de 30% do lucro real compensada por prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL acumulados, conforme determinação do art. 176 do CTN, aqueles artigos deverão ser interpretados de forma literal. · Os referidos artigos, ao estabelecerem limitação de 30%, não prevêem expressamente, em nenhum caso, a compensação integral, seja no caso de extinção da pessoa jurídica ou de outro qualquer, e obstam definitivamente que se considere tal possibilidade. · Considerandose que não há direito adquirido e tampouco previsão expressa para a compensação integral sem a trava de 30% no caso de extinção da pessoa jurídica, efetuouse a glosa dos prejuízos fiscais acumulados e compensados na apuração do lucro real e da base de cálculo negativa com a base de cálculo da CSLL, referentes ao ano calendário de 2007, dos valores que excederam a trava legal de 30%. · Os autos de infração foram lavrados contra Samarco Mineração S/A, sucessora da Uhgasa, com base no disposto nos artigos 227 e 229 da Lei 6.404, de 1976, no art. 132 do CTN. Impugnação do lançamento Conforme assinatura aposta nos autos de infração, a ciência dos lançamentos foi dada pessoalmente ao sujeito passivo em 18.11.2011, uma sextafeira. Em 19.12.2011 foi apresentada uma só impugnação, juntada a folhas 288 a 307. Os enunciados seguintes resumem o seu conteúdo. · O lançamento fiscal é improcedente e deverá ser integralmente cancelado. Fl. 581DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.726496/201158 Acórdão n.º 1402002.064 S1C4T2 Fl. 582 7 HISTÓRICO DA CONSTITUIÇÃO E EXTINÇÃO DA USINA HIDRELÉTRICA GUILMANAMORIM · Em 13 de dezembro de 1993, as empresas Companhia Belgo Mineira e Cimento Cauê S/A constituíram o consórcio denominado Guilman Amorim, com a finalidade de possibilitar o aproveitamento da energia hidráulica de um trecho do Rio Piracicaba, para a autogeração de energia elétrica. A concessão foi outorgada em janeiro de 1995 para a geração de energia elétrica exclusivamente para uso das consorciadas. Posteriormente, em 1996, a Cauê foi sucedida pela Samarco Mineração S/A e a Belgo Mineira pela Belgo Siderurgia S/A, cuja atual denominação é Arcelormittal Brasil S/A. · Para viabilizar a construção da Usina Hidrelétrica GuilmanAmorim e a obtenção de financiamentos de instituições financeiras, foi necessária a constituição de uma sociedade de propósito específico SPE, sob a forma de sociedade anônima, que ficou responsável pela construção da usina, com todas as suas instalações, e posterior arrendamento às consorciadas. · A constituição da SPE foi comunicada à Aneel, órgão regulador da atividade. Já o capital social da Usina GuilmanAmorim foi subscrito pelas consorciadas nas proporções então previstas no contrato de Consórcio, a saber, 51% para a Arcelormittal e 49% para a Samarco. · Em 19 de maio de 1998, a União Federal, por intermédio da Agência Nacional de Energia Elétrica Aneel, a BelgoMineira (Arcellormittal Brasil) e a Samarco celebraram "Contrato de Concessão de Uso de Bem Público para Exploração de Aproveitamento Hidrelétrico e Sistema de Transmissão Associado", que passou a regular a exploração da concessão que lhes foi outorgada. · Contudo, em 2006, a Aneel entendeu que os ativos da Usina Hidrelétrica, os quais pertenciam à Usina GuilmanAmorim e eram arrendados às consorciadas, no exercício da sua finalidade social (art. 3o da Ata de Constituição da Usina GuilmanAnorirn doc. anexo), deveriam pertencer às próprias consorciadas, determinando, per meio da Resolução Autorizativa n° 694/06, a transferência a elas dos ativos de geração anteriormente arrendados pela Usina GuilmanAmorim. · Tendo em vista que a atividade de geração de energia elétrica, ainda que para autoprodução, está sujeita à regulação do poder concedente, e, por isso motivo, tem limites e deveres próprios de um segmento regulado, não restou alternativa às consorciadas senão o cumprimento da determinação da Aneel. · Ocorre que, conforme se verifica do protocolo de justificação da extinção da Usina Hidrelétrica GuilmanAmorim (doc. anexo), o cumprimento da determinação da Aneel resultou na extinção da Usina GuilmanAmorim, já que após a transferência dos ativos para as consorciadas, a empresa deixou de ter condições de cumprir o seu objeto social. Diante disso, as consorciadas deliberaram e aprovaram a cisão total da Usina GuilmanAmorim, com a versão da totalidade dos seus bens e direitos na proporção da participação das consorciadas. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.726496/201158 Acórdão n.º 1402002.064 S1C4T2 Fl. 583 8 MOTIVOS DA CISÃO TOTAL DA UHGASA · Ao contrário do que afirma a fiscalização, a deliberação acerca da cisão e conseqüente extinção da Uhgasa ocorreu exclusivamente em razão da determinação da Aneel para que a sociedade transferisse a integralidade dos seus ativos para as suas consorciadas, o que inviabilizou o cumprimento do seu objeto social. · Na Resolução n° 694, a Aneel determinou que a transferência total dos ativos para as consorciadas ocorresse até 31/12/2008. As empresas conseguiram cumprir totalmente a determinação em dezembro de 2007. · Mostrase totalmente absurda a alegação da Fiscalização de que as empresas poderiam continuar com a SPE e utilizar os prejuízos até 2008. Tratouse de determinação do órgão regulador que continha prazo máximo para cumprimento. Não havia nenhum fundamento para manutenção de uma situação fática cuja alteração foi determinada pelo órgão regulador. · Além disso, os prejuízos fiscais acumulados nos exercícios anteriores não poderiam ser aproveitados no exercício de 2008, como alega a fiscalização, uma vez que toda a escrituração da empresa foi finalizada em dezembro de 2007, razão pela qual os prejuízos acumulados foram utilizados na declaração do final daquele ano. · Mostrase também absurda a alegação da Fiscalização de que as sucessoras da Usina GuilmanAmorim continuaram a exercer as mesmas atividades e, por isso, "o suposto direito adquirido de compensar integralmente os prejuízos acumulados de IRPJ e CSLL foi um importante motivador da operação". Não é possível concluir qual seria o planejamento tributário imaginado pela Fiscalização, uma vez que a lei veda que o prejuízo acumulado seja transferido às empresas consorciadas, como se a Usina não estivesse sido extinta. Tratase de pessoas jurídicas distintas. Os prejuízos apurados pela SPE não se confundem com os das consorciadas, e, justamente por isso, a legislação não veda a compensação integral do saldo de prejuízos acumulados na extinção da pessoa jurídica. INAPLICABILIDADE DA TRAVA DE 30% NA CISÃO TOTAL DA SOCIEDADE · A Lei 8.981/95, fruto da conversão da Medida Provisória n° 812/94, instituiu, em seu artigo 42, a restrição quantitativa de 30% para fins de compensação do lucro real com o saldo de prejuízos fiscais acumulados e, em seu artigo 58 a mesma limitação para compensação da base negativa da CSLL. Antes desta norma, a legislação previa o direito à compensação integral dos prejuízos fiscais, sem nenhuma limitação quantitativa. · Posteriormente, a Lei 9.065/95 estabeleceu, em seu artigo 12, que os arts. 42 e 58 somente vigorariam até 31/12/1995, inserindo em seus artigos 15 e 16, nova redação para a regra da limitação de 30% na compensação de prejuízos fiscais e de base negativa da CSLL. Fl. 583DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.726496/201158 Acórdão n.º 1402002.064 S1C4T2 Fl. 584 9 · Contudo, a limitação de 30% não se aplica aos casos de incorporação e cisão total, nas quais há a extinção da sociedade, porque essas normas não representam a regra geral de compensação de prejuízos, mas, sim, regras específicas que só podem ser adotadas nos seus estritos limites. A regra geral da compensação de prejuízos fiscais está no artigo 64 do Decretolei n° 1.598, de 1977. As alterações introduzidas pelas Leis 8.981/95 e 9.065/95 não revogaram o art. 64 do Decretolei n° 1.598/77, já que apenas fixaram o teto de 30% para a compensação dos prejuízos, sem regular inteiramente a matéria. · As referidas leis não criaram o direito à compensação dos prejuízos fiscais, mas apenas inseriram norma que posterga a utilização desse direito. Consistem em norma especial, enquanto o art. 64 do Decreto lei n° 1.598/77 continua ser a norma geral dessa matéria. · Em se tratando de normal especial, os referidos dispositivos devem ser analisados de acordo com o seu contexto. A justificativa para a limitação de 30%, segundo a Exposição de Motivos da MP 812/94, que deu origem à Lei n° 8.981/95, foi o estabelecimento de "uma regra gradual de compensação de prejuízos, tomandose como referência os resultados obtidos em cada ano. Essa alteração permitiria ao Estado um fluxo estável no ingresso de receitas provenientes do imposto de renda”. O legislador não objetivou impedir a compensação de prejuízos, mas sim garantir ao Estado determinado fluxo de arrecadação em um período certo de tempo. Esse fato reforça o entendimento de que, nos casos em que a sociedade deixa de existir, a trava de 30% seria inaplicável. · Portanto, as normas que estabeleceram a limitação de 30% adotaram a continuidade da atividade econômica como parâmetro de validade de sua aplicação, pressuposto que se coaduna com os princípios norteadores da legislação que rege o funcionamento das sociedades. Essa conclusão é corroborada pelo artigo 33 do Decretolei nº 2.341, de 1987, cujo teor é repetido pelo artigo 514 do RIR 1999. Observese que a lei distingue entre cisão total e cisão parcial. · No caso dos autos, houve a cisão total da Uhgasa. Dessa forma, é razoável não vedar a compensação de prejuízos sem limitação pela empresa que sofre cisão total. Enquanto na cisão parcial a empresa cindida dá continuidade às suas atividades, podendo compensar seus próprios prejuízos nos exercícios subseqüentes, na cisão total esta possibilidade deixa de existir. · Logo, é possível afirmar que a norma do regulamento que prevê a limitação apenas para os casos de cisão parcial está em plena consonância com as exposições de motivos das MP 812/94 e 998/95, uma vez que estas consideraram como pressuposto a continuidade das atividades econômicas da pessoa jurídica nos exercícios subseqüentes e, conseqüentemente, a possibilidade de aproveitamento dos prejuízos fiscais acumulados nos exercícios anteriores. · Não tendo o legislador previsto a limitação à compensação de prejuízos fiscais na hipótese de cisão total, não cabe ao intérprete fazêlo. Fl. 584DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.726496/201158 Acórdão n.º 1402002.064 S1C4T2 Fl. 585 10 · A inaplicabilidade do limite de 30% nos casos de cisão total da sociedade observa, também, o Postulado da Entidade, que estabelece que a empresa deve ser vista como apta a operar por período indeterminado e contínuo de tempo. AÍ sim, a previsão de limitação à compensação de prejuízos fiscais (e da base negativa da CSLL) somente se mostraria viável dentro dos padrões normais da atividade da empresa. A extinção da empresa e o fim de suas atividades operacionais é situação atípica e, portanto, não deve ser incluída na regra geral. A sociedade cindida não poderá aproveitar seus próprios prejuízos, uma vez que ela já não existirá no exercício seguinte. · Tratase, portanto, de não enquadramento de caso específico (extinção da pessoa jurídica) à regra geral de limitação da compensação dos prejuízos, a qual pressupõe a continuidade da pessoa jurídica. Ou seja, não há necessidade de previsão legal expressa nesse sentido, porque a norma geral de limitação de 30% não se aplica ao caso específico. · O Superior Tribunal de Justiça (STJ), quando se manifestou pela constitucionalidade da "trava" de 30% em relação às situações comuns (ou seja, nos casos em que a pessoa jurídica continuará existindo, com atividades regulares), adotou como fundamento justamente a possibilidade de aproveitamento dos prejuízos em períodos subseqüentes. Asseverou o STJ que a possibilidade de utilização do saldo negativo em período posterior teria o condão de preservar o conceito de renda, permitindo que os contribuintes ajustem seus resultados de acordo com o real acréscimo patrimonial. Em abono do argumento, transcrevese a ementa de diversas decisões atribuídas a esse órgão. · Fazendose uma interpretação a contrario sensu concluise que, na ausência de período posterior em função da extinção da sociedade, a aplicação da limitação de 30% provocaria imediata violação do conceito de renda, maculando as normas restritivas de vício de constitucionalidade. · A escorreita aplicação do conceito de renda exige a observância das despesas ou prejuízos tidos pelo contribuinte em suas atividades usuais. Uma vez desconsiderados os prejuízos auferidos pelo contribuinte, estarseá a criar acréscimo patrimonial irreal, tributando o patrimônio e não a renda. Portanto, a única conclusão possível é que a limitação dos 30% só pode ser aplicada às empresas em funcionamento normal, sob pena de haver perda do prejuízo fiscal. · A jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF já se firmou no sentido de que é inaplicável a trava de 30% à empresa extinta, a exemplo das ementas dos acórdãos transcritos na impugnação. INAPLICABILIDADE DOS PRECEDENTES DO STF AO CASO DOS AUTOS · A fiscalização alega que a questão relativa à limitação da compensação de prejuízos fiscais e da base negativa da CSLL já teria sido apreciada pelo STF, que entendeu pela sua constitucionalidade. Contudo, os precedentes não se aplicam ao caso específico dos autos, Fl. 585DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.726496/201158 Acórdão n.º 1402002.064 S1C4T2 Fl. 586 11 uma vez que naqueles casos o STF julgou apenas a hipótese relativa aos casos gerais (aplicação da regra de geral que determina a trava de 30%), sem analisar a situação especifica da inaplicabilidade do limite aos casos extinção da pessoa jurídica por cisão total. PEDIDO · Diante de todo o exposto, requerse que seja dado provimento à impugnação, com o cancelamento integral do lançamento.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 02 37.501 (fls. 503518) de 15/02/2012, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL LIMITE DE 30%. Mediante compensação de prejuízo fiscal, somente se permite reduzir em no máximo 30% o lucro líquido ajustado na determinação do resultado tributável, ainda que se trate de pessoa jurídica que faça sua última declaração de ajuste em virtude do encerramento de suas atividades. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA LIMITE DE 30%. Mediante compensação de base de cálculo negativa, somente se permite reduzir em no máximo 30% o lucro líquido ajustado na determinação do resultado tributável, ainda que se trate de pessoa jurídica que faça sua última declaração de ajuste em virtude do encerramento de suas atividades.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 16/03/2012 (termo de fl. 525) a interessada interpôs recurso voluntário em 28/03/2012 (fls. 526540) onde repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Fl. 586DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.726496/201158 Acórdão n.º 1402002.064 S1C4T2 Fl. 587 12 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Por entender que a decisão recorrida bem enfrentou a matéria, sirvome, com a devida vênia, de seus fundamentos como razão de decidir no presente voto, na forma a seguir apresentada. "O cerne da controvérsia reside na interpretação das normas que estabelecem o limite de 30%, mediante compensação de resultados negativos passados, para a redução do lucro tributável pelo IRPJ e pela CSLL. A impugnante, alinhavando uma série de argumentos, advoga que a limitação não se aplica à pessoa jurídica que apura o resultado tributável pela última vez em virtude de extinção. A tese porém não se sustenta. No caso dos autos, a extinção ocorreu como conseqüência da cisão total da pessoa jurídica e com a absorção de seu patrimônio por duas outras. Ainda que admitamos, conforme sustenta a impugnante em contraposição ao termo de verificação fiscal, que a cisão e conseqüente extinção ocorreram não por interesse e decisão própria das pessoas jurídicas envolvidas, mas por determinação das autoridades reguladoras de suas atividades, nem assim se lhe poderia dar razão, uma vez que não existe fundamento legal para desrespeitar o limite de 30% a pretexto de que se trata de pessoa jurídica em extinção. Assim, para a solução do litígio são indiferentes as circunstâncias particulares do caso. O limite de 30% foi estabelecido primeiramente pelos artigos 42 e 58 da Lei nº 8.985, de 1995, nestes termos: Art. 42. A partir de 1º de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento. Parágrafo único. A parcela dos prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, não compensada em razão do disposto no caput deste artigo poderá ser utilizada nos anoscalendário subseqüentes. (...) Art. 58. Para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodosbase anteriores em, no máximo, trinta por cento. O artigo 12 da Lei nº 9.065, de 1995, estabeleceu que os artigos supra da Lei nº 8.981, de 1995, vigorariam até 31.12.1995. E a mesma Lei nº 9.065, de 1995, contém as normas que passaram a regular o assunto desde 1º de janeiro de 1996, a saber: Fl. 587DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.726496/201158 Acórdão n.º 1402002.064 S1C4T2 Fl. 588 13 Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do ano calendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. Os dois artigos supra da Lei 9.065, de 1995, constituem o fundamento legal dos lançamentos de IRPJ e de CSLL. A impugnante, contudo, argumenta, que esses artigos são normas especiais e específicas, de alcance restrito e que não revogaram inteiramente a disciplina anterior da matéria, que era dada pelo artigo 64 do Decreto lei nº 1.598, de 1977, o qual dispunha, textualmente: Art. 64. A pessoa jurídica poderá compensar o prejuízo apurado em um períodobase com o lucro real determinado nos quatro períodosbase subseqüentes. §1º O prejuízo compensável é o apurado na demonstração do lucro real e registrado no livro de que trata o item I do artigo 8º, corrigido monetariamente até o balanço do períodobase em que ocorrer a compensação. § 2º Dentro do prazo previsto neste artigo a compensação poderá ser total ou parcial, em um ou mais períodosbase, à vontade do contribuinte. § 3º A absorção, mediante débito à conta de lucros acumulados, de reservas de lucros ou capital, ao capital social, ou à conta de sócios, matriz ou titular de empresa individual, de prejuízos apurados na escrituração comercial do contribuinte não prejudica seu direito à compensação nos termos deste artigo. § 4º O prejuízo compensável transferido de exercício anterior será absorvido pelo valor da reserva de reavaliação utilizada para compensar, na escrituração comercial, prejuízos de exercícios anteriores. O confronto das duas normas evidencia de imediato quão equivocado é o argumento da impugnante. A regulação anterior não estabelecia limite quantitativo à compensação, mas temporal. Os prejuízos que não fossem compensados nos quatro anos subseqüentes ao ano de sua geração decaíam e deviam ser estornados Fl. 588DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.726496/201158 Acórdão n.º 1402002.064 S1C4T2 Fl. 589 14 definitivamente. Já no novo regime não existe limite temporal, mas quantitativo e esse se define não em função do montante do prejuízo, mas do resultado tributável antes da compensação: ele não pode ser reduzido em mais de 30%. Ora, se a norma nova fosse especial ou específica, ela incidiria apenas sobre alguns casos, enquanto a antiga se aplicaria aos demais. Para esses demais casos, não haveria limite quantitativo, mas temporal: o lucro de determinado período poderia ser inteiramente anulado pela compensação, mas os prejuízos remanescentes originados há mais de quatro anos teriam de ser eliminados da escrituração fiscal. Não é essa, por óbvio, a determinação atual do legislador: o resultado tributável somente se reduzirá em 30%. As únicas exceções a essa regra são aquelas que são admitidas expressamente na legislação: o prejuízo fiscal de empresas industriais titulares de Programas Especiais de Exportação Befiex, aprovados até 3 de junho de 1993, conforme o artigo 470, inciso I, e artigo 510, § 3º do RIR 1999; o prejuízo apurado pela pessoa jurídica que explorar atividade rural, conforme artigo 512 do mesmo RIR 1999. Além disso, o saldo de prejuízo ou de base de cálculo negativa poderá ser mantido na escrituração indefinidamente e pode vir a ser aproveitado em qualquer tempo no futuro quando a oportunidade se apresentar. As duas normas regulam inteiramente o mesmo assunto e são incompatíveis entre si. Portanto, nos termos do artigo 2º, § 1º, da Lei de Introdução ao Código Civil (Decretolei nº 4.657, de 1942), achamse derrogadas as disposições do artigo 64 do Decretolei nº 1.598, de 1977, que são incompatíveis com os artigos 15 e 16 da Lei nº 9.065, de 1995. No entender da impugnante, a exposição de motivos da Medida Provisória nº 812, de 1994, que se converteria na Lei nº 8.981, de 1995, fornece amparo à sua tese, visto que nela se observa que a alteração introduzida permitiria ao Estado um fluxo estável no ingresso de receitas provenientes do imposto de renda. Daí a impugnante infere que o legislador não quis impedir a compensação do prejuízo, mas apenas assegurar a estabilidade da arrecadação dos tributos sobre a renda. A inferência, porém, é incompatível com a própria natureza da proposta e da lei dela resultante. Em verdade, ela não assegura que não haverá impedimento para a compensação total de perdas passadas com o resultado presente, nem foi esse o propósito que levou o governo a propor a alteração. Impedimentos ou restrições já havia antes, visto que no regime antigo o prejuízo não aproveitado em até quatro anos era irremediavelmente perdido. Ou seja, a pessoa jurídica que nos quatro anos subseqüentes ao registro do prejuízo não gerasse lucros tributáveis suficientes para o absorver perderia o direito à sua compensação. Da mesma forma, se antes de quatro anos a empresa se extinguisse, o saldo de seus prejuízos não lhe representavam nenhum direito e nada poderia reivindicar em nome deles. No novo regime, a preocupação com o lapso de tempo deixa de existir, mas o resultado tributável não pode ser reduzido em mais de 30%. Isso garante um fluxo mais estável de receita ao Erário, porque se a empresa volta a ser rentável, ela deverá efetuar um recolhimento de IRPJ e de CSLL sobre pelo menos 70% do resultado positivo, enquanto antes só voltaria a contribuir para os cofres públicos quando se esgotasse totalmente o saldo de seus prejuízos não decaídos. Logo, a motivação da mudança na legislação não guarda nenhuma relação com discussão a respeito do tratamento que se deve dar aos prejuízos acumulados pelas pessoas jurídicas que se acham em vias de extinção e devem por isso apresentar sua última declaração de rendimentos. Tampouco se segue da exposição de motivos invocada que a regra da limitação de 30% teria adotado como parâmetro de validade o pressuposto da continuidade da atividade da econômica ou a persistência da pessoa jurídica. Nenhum legislador poderia ter em mente tal pressuposto, uma vez que, seja no universo abstrato das normas jurídicas, seja no mundo concreto dos fatos, não se pressupõe que as pessoas jurídicas terão existência eterna ou que pelo menos Fl. 589DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.726496/201158 Acórdão n.º 1402002.064 S1C4T2 Fl. 590 15 continuarão por período indefinidamente longo. A Lei 6.404, de 1976, que regula as sociedades por ações, prevê e regula em seu artigo 206 a dissolução das companhias. O Código Civil faz o mesmo em relação às pessoas jurídicas em geral no seu artigo 51, e nos artigos 1.033 a 1.038 em relação às sociedades por ele reguladas. Além disso, a legislação societária permite a criação de empresas por prazo determinado. E na realidade abundam exemplos de empresas que desaparecem, seja porque cumpriram seus objetivos, seja porque foram mal sucedidas. E podemse citar ainda os casos de empresas moribundas, que ainda que não se dissolvam, permanecem por longos anos gerando prejuízos e, por essa razão, sem pagar tributos. Se o objetivo do legislador era assegurar o fluxo regular de recursos para o Tesouro jamais poderia condicionar a aplicação da norma ao pressuposto de que as empresas teriam existência contínua. Segundo o artigo 5º da Resolução nº 750, de 1993, do Conselho Federal de Contabilidade, o princípio da continuidade faz parte da estrutura normativa da contabilidade comercial. Contudo, esse princípio tem apenas conteúdo formal e se destina apenas a fornecer um critério uniformizador da escrituração, sem negar a realidade de que as pessoas jurídicas, especialmente as de direito privado, podem ir e vir, e principalmente, serem rentáveis ou deficitárias. É igualmente infundado o entendimento derivado pela impugnante do disposto no artigo 33 do Decreto nº 2.341, de 1.987, ao qual corresponde o artigo 514 do RIR 1999 e que dispõe, textualmente: Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. Parágrafo único. No caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido. A norma supra deixa claro que o patrimônio sucedido não transfere ao sucessor nenhum direito à compensação de eventuais prejuízos fiscais acumulados pela pessoa jurídica extinta. A distinção que se faz entre a cisão total e a parcial decorre de que no caso desta a sucessão não é completa, de modo que não se deve considerar prejudicado o direito à compensação da pessoa jurídica que retiver certa parcela do patrimônio, mas esse direito, conforme categoricamente estabelece a norma, é proporcional ao patrimônio retido. Ou seja, a ressalva do parágrafo apenas corrobora o que se acha no caput: havendo sucessão, a sucessora não herda os prejuízos fiscais da sucedida, e havendo patrimônio remanescente na pessoa jurídica cindida, o direito à compensação fica reduzido na mesma proporção em que foi reduzido o patrimônio em virtude da cisão. Logo, da distinção entre cisão total e parcial não se deriva nenhuma conclusão abonadora da tese defendida pela impugnante, pois aqui o legislador trata de matéria diversa. Sua preocupação é impedir que as empresas pertencentes ao mesmo grupo, ou que já se encontram inativas e cujo único bem valioso é o saldo de prejuízos fiscais acumulados, realizem operações de fusão, incorporação ou cisão para reduzir indevidamente obrigações tributárias umas das outras. Ao tratar desse assunto, não teve o legislador o propósito de regular em si o destino do prejuízo fiscal acumulado pelas pessoas jurídicas extintas, particularmente em virtude de cisão total, mas apenas impedir que esse prejuízo fosse transferido de empresas deficitárias para empresas lucrativas e dessa forma lhes reduzir a tributação. A questão do que fazer com os prejuízos não aproveitados de pessoas jurídicas extintas não é tratada por essa norma, até porque o tema se apresenta não só em virtude de operação de fusão, incorporação e cisão, mas em toda ocasião, muito mais freqüente, em que uma empresa é simplesmente Fl. 590DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.726496/201158 Acórdão n.º 1402002.064 S1C4T2 Fl. 591 16 dissolvida, depois liquidada, e seu patrimônio não é objeto de sucessão por nenhuma outra. Com respeito a esse último assunto, o legislador não se manifestou, o que significa que não considerou relevante estabelecer um tratamento distinto para as pessoas jurídicas que se encontram em semelhante situação. Recordese que quando quis abrir exceção, o legislador o fez expressamente, como no caso do prejuízo resultante da atividade rural e das empresas titulares de benefícios concedidos pelo programa Befiex. Logo, daí se segue que às pessoas jurídicas extintas, seja por sucessão, seja por dissolução e liquidação simples, se aplica a regra geral do artigo 15 e 16 da Lei nº 9.065, de 1995. Diferentemente do argumentado pela impugnante, a eventual impossibilidade de compensar os prejuízos fiscais e as bases de cálculo negativas acumuladas em virtude de extinção da pessoa jurídica não viola a definição do fato gerador do imposto sobre a renda dada pelo artigo 43 do CTN, ou do fato gerador da CSLL dada pela CF 1988, artigo 195, inciso I, alínea “c”. Não se discute que esses tributos incidem sobre o lucro, a renda ou os acréscimos patrimoniais. Esses manifestamse sob a forma do ingresso efetivo de recursos ou do reconhecimento pelo devedor ao direito a uma certa soma por pagar no futuro em virtude do emprego ou cessão, por parte do seu beneficiário, de trabalho e de capital, isolada ou combinadamente, ou ainda em virtude de alienação de bem por preço superior ao custo de aquisição ou do recebimento de prêmio. Os tributos sobre a renda não se confundem com os tributos sobre a propriedade ou sobre o patrimônio, porque estes incidem sobre o valor atribuído aos bens, e não sobre os ingressos por eles proporcionados. Noutras palavras, os tributos sobre a renda não incidem sobre o patrimônio, mas sobre o resultado proporcionado por ele. Visto que as pessoas físicas e jurídicas estão constantemente recebendo e transferindo recursos entre si em virtude de suas atividades ou do uso, cessão e alienação de seus bens e direitos, o legislador, para efeito de fixar a incidência do imposto e da contribuição sobre a renda, precisa encontrar meios de identificar e mensurar os eventos que efetivamente caracterizam fatos geradores desse tipo de tributo. No caso das pessoas jurídicas, a solução encontrada foi apurar a base de incidência desses tributos periodicamente, em intervalos de tempo fixados precisamente pela legislação. Havendo lucro, renda ou acréscimo patrimonial num determinado período, será sempre legítima a incidência deles, à luz do CTN e da CF 1988. Essa apuração do rendimento tributável fazse independentemente em cada período, e nem o CTN nem a CF 1988 determinam que o resultado de um período necessariamente seja levado em conta ou tenha influência em outro. No período em que houver resultado negativo, não há incidência do tributo, porque não houve lucro, renda nem acréscimo patrimonial. Em períodos em que há lucro, o tributo incide, ainda que tenha sido precedido de períodos com resultado negativo. A compensação de prejuízos passados não é inerente nem faz parte da demonstração do resultado do período. Somente por liberalidade do legislador é que se permite que o resultado positivo seja diminuído pela dedução de prejuízos passados antes da determinação da base de incidência do tributo. Essa permissão se faz não em nome da natureza do rendimento, mas por preocupações de ordem social, política e macroeconômica. O governo procura, dessa forma, dar uma oportunidade para que as empresas se recuperem de uma fase desfavorável em seus negócios e não percam os investimentos realizados nem provoquem o aumento do número de desempregados. É também uma maneira de estimular empreendimentos de Fl. 591DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.726496/201158 Acórdão n.º 1402002.064 S1C4T2 Fl. 592 17 maturação mais longa, nos quais os resultados positivos só costumam vir depois de um postergado período inicial de construção do parque industrial ou das instalações produtivas ou ainda de consolidação do negócio. Na legislação societária passase o mesmo. O artigo 187 da Lei nº 6.404, ao discriminar os componentes da demonstração do resultado do exercício, não inclui entre eles a compensação de prejuízos acumulados em exercícios anteriores. Essa figura somente adquire relevância no Capítulo XVI da Lei nº 6.404, que vai dos artigos 189 a 204 e que disciplina a destinação do lucro. O seu artigo 189 estabelece que do resultado do exercício serão deduzidos, antes de qualquer participação, os prejuízos acumulados e a provisão para o imposto sobre a renda. Havendo prejuízo, e não lucro, ele será obrigatoriamente absorvido pelos lucros acumulados, pelas reservas de lucros e pela reserva legal, nessa ordem. Ou seja, a subtração de eventuais prejuízos acumulados é etapa posterior, que se faz depois de apurado o resultado do exercício e do próprio imposto sobre a renda sobre ele incidente. Logo, para efeitos puramente contábeis, os prejuízos acumulados de exercícios anteriores não constituem uma conta de resultado, mas uma conta patrimonial. O lucro ou prejuízo de determinado exercício é apurado independentemente do que se passou em exercícios precedentes. Uma vez registrado lucro ou prejuízo, e efetuadas as subtrações de tributos e participações determinadas em lei, o resultado do exercício passa a integrar conta patrimonial que faz parte do grupo do patrimônio líquido. Caberá aos acionistas definir o que se fará dele, respeitadas as destinações obrigatórias fixadas em lei, tais como o pagamento de dividendo mínimo. Lança ainda mais luz sobre o assunto exame da legislação tributária aplicável às pessoas físicas ou naturais. Ainda que o mesmo artigo 43 do CTN forneça também a definição do fato gerador do imposto incidente sobre a renda das pessoas físicas, a legislação desse tributo não permite que na apuração da sua base de cálculo se faça dedução de perdas registradas em períodos anteriores. Embora não se espera que pessoas físicas mantenham escrituração regular, é fácil conceber em sua situação econômica ou financeira circunstâncias análogas à de uma empresa que apure prejuízo. Imaginese o exemplo de uma pessoa que esteja desempregada em todo o ano e não teve nenhuma fonte de rendimento, mas que continue tendo despesas médicas, de educação, ou com dependentes, pagas com recursos poupados ou obtidos com a venda de seu patrimônio. O exemplo continuaria válido se a mesma pessoa estivesse empregada, obteve rendimentos, mas esses foram inferiores às despesas médicas, de educação ou com dependentes. Não há dúvida de que essa pessoa apurou, em sentido figurado, prejuízo naquele ano. E todavia, caso volte a ter rendimentos no ano subseqüente, nada poderá ser deduzido de sua renda tributável a título de compensação pelo déficit observado no ano precedente. Recordese ainda que certos ganhos das pessoas físicas constituem fatos geradores isolados do imposto sobre a renda, tais como os rendimentos de aplicações financeiras e os ganhos de capital. Esses são tributados ainda que seja negativa a renda líquida apurada na declaração de ajuste anual do mesmo período em que foram gerados. Não obstante, não se argúi que é inconstitucional ou que viola o CTN a legislação do imposto de renda da pessoa física. A impugnante invoca o exemplo de decisões administrativas de segunda instância em seu favor. Contudo, na jurisprudência raramente se produzem opiniões e decisões uniformes e homogêneas acerca dum mesmo assunto, de modo que a cada parte em disputa sempre é possível selecionar aquelas que lhes mais convier. Realmente, o mesmo órgão, tanto quando ainda se denominava Conselho de Fl. 592DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.726496/201158 Acórdão n.º 1402002.064 S1C4T2 Fl. 593 18 Contribuintes do Ministério da Fazendo, como já quando passou a se chamar Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, já proferiu decisões que expressam entendimento contrário ao defendido pela impugnante, a exemplo da ementa de acórdãos transcritos adiante, o último dos quais, salientese, proferido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, o seu colegiado de mais alto grau. INCORPORAÇÃO. DECLARAÇÃO FINAL. Inexiste amparo para, a luz da legislação que rege a matéria, se proceder, em virtude do desaparecimento da empresa em decorrência de reorganização societária, a compensação dos prejuízos fiscais sem observância do limite de 30% a que se reporta o artigo 15 da Lei nº 9.065, de 1995. No contexto do ordenamento jurídicotributário, em homenagem ao princípio da legalidade, o silêncio da lei não pode ser preenchido pelo seu intérprete, mormente na situação em que tal interpretação objetiva assegurar direito não contemplado, nem mesmo pela via de exceção, nos diplomas legais que regem a matéria. Recurso negado (Acórdão nº 10515908 da 5ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, sessão de 16/08/2006). BASE NEGATIVA. COMPENSAÇÃO. LIMITE 30%. INCORPORAÇÃO. A partir do anocalendário de 1995, a compensação de bases de cálculo negativas da CSLL fica limitada a 30% do lucro líquido ajustado no período. Cabível a exigência de ofício de contribuição incidente sobre diferença compensada a maior na declaração de incorporação, uma vez inexistente qualquer exceção ao limite imposto pela legislação ainda que na hipótese de encerramento da empresa. (Acórdão nº 10515999 da 5ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, sessão de 21/09/2006) COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS IRPJ. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. O prejuízo fiscal apurado poderá ser compensado com o lucro real, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. (Acórdão nº 910100401 da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, sessão de 02/10/2009) ... De resto, conforme salientado no termo de verificação fiscal, o próprio STF, em mais de uma ocasião, corrobora o entendimento de que a compensação de prejuízo fiscal tem natureza de liberalidade do legislador e constitui um benefício fiscal em favor do contribuinte, sem constituir um direito inerente à determinação do resultado do exercício, ou decorrente da definição do fato gerador do tributo. As decisões do STF invocadas pelo fiscal autuante, ainda que não tratem especificamente do caso em discussão, são relevantes para a presente controvérsia, ao contrário do que argumenta a impugnante, justamente por esclarecer a natureza do direito à compensação de prejuízo fiscal. Fl. 593DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.726496/201158 Acórdão n.º 1402002.064 S1C4T2 Fl. 594 19 Em se tratando de benefício ou favor fiscal, as disposições legais que tratam do assunto devem ser interpretadas de forma literal e estrita, nos termos do artigo 111 do CTN. Visto que entre as exceções previstas na legislação à restrição ao limite de 30% não se encontra a hipótese de determinação do resultado tributável de pessoas jurídicas extintas por qualquer motivo, concluise que não tem fundamento legal a pretensão da impugnante. Por conseguinte, o lançamento deve ser mantido integralmente. Conclusão À vista do exposto, voto por julgar improcedente a impugnação, para manter integralmente as exigências de IRPJ e de CSLL, assim como da multa de ofício e dos juros de mora respectivos." Isso posto, há que se considerar que, para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do anocalendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa, ainda que na hipótese de encerramento da empresa ou incorporação, uma vez inexistente exceção ao limite imposto pela legislação. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 594DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10166.727071/2014-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
DESPESAS MÉDICAS. MANUTENÇÃO DA GLOSA. REQUISITO FORMAL NÃO CUMPRIDO.
Não suprido requisito formal do documento em sede recursal, mantém-se a glosa da despesa, à míngua de comprovação da efetividade da prestação de serviços.
MOLÉSTIA GRAVE. DATA DE INÍCIO.
Não restando consignado no laudo médico oficial a data de início da moléstia grave, prevalece como tal a data de emissão do documento, para fins de isenção do imposto de renda.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.066
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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MANUTENÇÃO DA GLOSA. REQUISITO FORMAL NÃO CUMPRIDO. Não suprido requisito formal do documento em sede recursal, mantémse a glosa da despesa, à míngua de comprovação da efetividade da prestação de serviços. MOLÉSTIA GRAVE. DATA DE INÍCIO. Não restando consignado no laudo médico oficial a data de início da moléstia grave, prevalece como tal a data de emissão do documento, para fins de isenção do imposto de renda. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 70 71 /2 01 4- 28 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10166.727071/201428 Acórdão n.º 2402005.066 S2C4T2 Fl. 131 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) DRJ/RJ1, que julgou parcialmente procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) ajustando o saldo de imposto a restituir de R$ 30.089,04, relativo ao anocalendário 2009, para o montante de R$ 8.086,34 de imposto suplementar a pagar (fls. 23/34). Como infrações objeto de recurso voluntário, restaram parte da glosa de despesas médicas, R$ 12.859,20 relativo a tratamento de dependente, bem como a omissão de rendimentos do trabalho na quantia de R$ 152.187,81, apuração esta amparada na falta de comprovação da data de início da condição de portador de moléstia grave. Em sua impugnação o contribuinte defendeu que a data de início de sua enfermidade remonta a 1/12/2000, e que foi devidamente comprovada a despesa médica tendo em vista o recibo apresentado (fls. 2/21) Não vertendo o interessado inconformidade contra parte do lançamento, e restando exoneradas algumas das infrações, foram mantidas pela decisão de primeiro grau (fls. 53/64) as infrações acima referidas, posto que no recibo apresentado para fins de atestar a despesa médica não constava o endereço do profissional. E, quanto à omissão de rendimentos, considerouse que a documentação trazida comprova que o contribuinte é portador de moléstia grave apenas a partir de 14/3/2014. O contribuinte interpôs recurso voluntário em 4/3/2015, repisando as razões de impugnação e juntando documentos (fls. 70/124). É o relatório. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A dedução de despesas médicas e de saúde na declaração de ajuste anual tem como supedâneo legal os seguintes dispositivos do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcritos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário.(grifei) Fl. 133DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10166.727071/201428 Acórdão n.º 2402005.066 S2C4T2 Fl. 132 5 Conforme mencionado, o aresto combatido manteve a glosa de despesas médicas no valor de R$ 12.859,20 relativo a tratamento de dependente (fl. 20), por não constar no recibo o endereço do profissional emitente. O contribuinte consignou no corpo do recurso voluntário (fl. 73) o suposto endereço do profissional, procedimento que não satisfaz os requisitos legais acima mencionados, pois a indicação deve estar presente no recibo/documento emitido pelo próprio profissional. De fato, a referência contida na peça recursal consubstanciase, em mera declaração do próprio contribuinte sobre o conhecimento de determinados fatos, no caso, o suposto endereço do prestador de serviço. Mas, conforme dispõem os arts. 368 e 373 do Código de Processo Civil, semelhante documento pode tãosomente comprovar a declaração em si, mas não a veracidade das informações nele consignadas. Acrescento ser, ainda, admissível declaração firmada pelo profissional emitente do documento complementando as informações lacunosas, ou a apresentação de segunda via dos recibos, desde que atendidos os requisitos estipulados pelas normas de regência. Mais: constando nos autos elementos indicativos da efetiva ocorrência da prestação dos serviços, em conformidade com a dedução informada na Declaração de Ajuste como descrito no recibo, a ausência de um determinado requisito formal poderia ser, eventualmente, superada. Não se configurando situação do gênero no caso em tela, deve ser mantida a glosa da mencionada despesa médica. No tocante à comprovação da data de início da moléstia grave, melhor sorte não favorece o recorrente. Ainda que seja possível admitir que os documentos de fls. 16 (fl. 78) e 49/50 consubstanciemse em laudo médico oficial, por possuírem suas características essenciais, não há como divergir das percucientes considerações do aresto atacado, as quais peço a devida vênia para reproduzir, de modo a que passem a fazer parte desta fundamentação: A partir do que consta nos relatórios médicos, resta comprovado apenas que o Impugnante é portador de cardiopatia grave quando da emissão do relatório médico de fl. 16, ou seja, em 14/03/2014. Em que pese constar no relatório médico de fls. 49/50 que o paciente é portador de cardiopatia isquêmica desde dezembro de 2000, não resta comprovado nos autos que o mesmo seria portador de cardiopatia grave no anocalendário de 2009. Faltou ao relatório médico de fl. 16 informar a data a partir da qual o paciente seria portador de cardiopatia grave. Salientese que de acordo com a Solução de Consulta Interna nº 11 – COSIT, de 28/06/2012, “o laudo pericial deve conter, no mínimo, as seguintes informações: (...); c) o diagnóstico da moléstia (descrição; CID10; elementos que o fundamentaram; a data em que a pessoa física é considerada portadora da moléstia grave, nos casos de constatação da existência da doença em período anterior à emissão do laudo); (...)". Fl. 134DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 6 Faltou ao relatório médico de fls. 49/50 informar a gravidade da cardiopatia isquêmica da qual seria o paciente portador desde o ano de 2000. Não cabe ao julgador inferir se “cardiopatia isquêmica” é caso de cardiopatia grave ou não. O emitente do laudo médico (relatório médico) é quem deve identificar o nome da moléstia nos termos do inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 1988, para fins de isenção do imposto de renda. Em suma, a condição de portador de moléstia grave só foi comprovada a partir da data de emissão do relatório de fl. 16 (fl. 78), 14/3/2014, posteriormente ao ano calendário sob exame. Portanto, não há como acatar a pretensão do recorrente, devendo ser mantida a infração de omissão de rendimentos apurada pela fiscalização. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário Ronnie Soares Anderson. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON
score : 1.0
Numero do processo: 11516.722955/2012-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 22 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.642
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência nos termos do voto do relator.
Assinado digitalmente
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira - Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .7 22 95 5/ 20 12 -7 0 Fl. 3784DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11516.722955/201270 Resolução nº 3201000.642 S3C2T1 Fl. 3.785 2 Por bem descrever os fatos, adoto com as devidas adições, o relatório da autoridade de primeira instância. "Contra o interessado foram lavrados autos de infração de redução de base de cálculo de créditos de PIS/Pasep e Cofins não cumulativos relativo ao ano de 2008 (fls. 3.432/3.438), em função das irregularidades que se encontram descritas no Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 3.440/3.461; A empresa apresenta impugnação na qual alega, em síntese: a) DA NULIDADE DOS LANÇAMENTOS DE OFÍCIO; b) DA DECADÊNCIA DO DIREITO DE EFETUAR O LANÇAMENTO PARA O PERÍODO DE JANEIRO DE 2008; c) DO DIREITO À COMPENSAÇÃO DE SALDOS CREDORES ACUMULADOS E DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELA COMPENSAÇÃO; d) DA NÃO CUMULATIVIDADE DO PIS E DA COFINS E O CONCEITO DE INSUMO PARA FINS DE CREDITAMENTO, INTERPRETADO À LUZ DA LEGISLAÇÃO E JURISPRUDÊNCIA; e) DO DIREITO AO CRÉDITO PRESUMIDO DA LEI Nº 10.925/2004 QUANTO AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS/COOPERATIVAS COM ALÍQUOTA ZERO E QUANTO AO PERCENTUAL CONFORME O INSUMO ADQUIRIDO – ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS; f) DO DIREITO AO CRÉDITO PELA AQUISIÇÃO DE BENS COM SUSPENSÃO DAS CONTRIBUIÇÕES; g) DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS COM ALÍQUOTA ZERO; h) DO DIREITO AO CRÉDITO PELA AQUISIÇÃO DE PRODUTOS PARA MOVIMENTAÇÃO DE CARGAS E EMBALAGENS PARA TRANSPORTE; i) DAS DESPESAS COM FRETE; j) ENERGIA ELÉTRICA; k) DO DIREITO AO CRÉDITO DECORRENTE DE DESPESAS DE ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS; l) DO DIREITO AOS CRÉDITOS APURADOS SOBRE BENS ADQUIRIDOS PARA REVENDA; m) DO DIREITO AO CRÉDITO PELA AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS EMPREGADOS NO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO; n) DA NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA;" A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento a impugnação, mantendo integralmente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008 DECADÊNCIA. Fl. 3785DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11516.722955/201270 Resolução nº 3201000.642 S3C2T1 Fl. 3.786 3 Se não há pagamento antecipado do tributo, a decadência se rege pelo art. 173 – CTN. INSUMOS O conceito de insumos para fins de crédito de PIS/Pasep e COFINS é o previsto no § 5º do artigo 66 da Instrução Normativa SRF 247/2002, que se repetiu na IN 404/2004. AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. Nos termos da legislação de regência, as pessoas jurídicas que produzirem mercadorias de origem vegetal ou animal destinadas à alimentação humana ou animal, podem descontar créditos presumidos relativos às aquisições feitas de pessoas físicas, considerados os percentuais de redução da alíquota básica de acordo com a classificação dos insumos adquiridos e não dos produtos produzidos. PIS/PASEP COFINS.CRÉDITO SOBRE FRETE Somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, é que podem gerar direito a créditos a serem descontados das Contribuições. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Cientificada a empresa interpôs recurso voluntário alegando a nulidade de lançamento, em razão do período analisado no presente processo referirse ao mesmo período auditado em outros processos que controlavam pedidos de ressarcimento. Os argumentos apresentados pela Recorrente foram assim explanados no recurso. "Subvertendo o disposto no art. 74 da Lei nº 9.430/96 e ao rito previsto no Decreto nº 70.235/72, o Agente Fiscal simplesmente, procedeu ao exame dos créditos escriturados pela Recorrente no mesmo período relativo ao 1ª e 2ª trimestres de 2008 e efetuou glosas nos valores apontados, reconstituiu as bases de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS, para, ao final, efetuar os lançamentos de ofício, lavrando Autos de Infração para exigência de créditos que foram glosados. Consequentemente,os lançamentos de ofício são absolutamente nulos de pleno direito por isso que, não foi atendido o rito processual a que alude o art. 74, da Lei nº 9.430;96 e os artigos do Decreto nº 70.235/72, pois os 8 (oito) processo objeto do mesmo período e referidos no TVF encontramse ainda com recurso submetido ao CARF." A seguir tece diversas alegações quanto à possibilidade de creditamento de insumos referentes à apuração do PIS e da COFINS não cumulativos, questionando o entendimento adotado no auto de infração e na decisão da primeira instância quanto as seguintes matérias: i) crédito presumido referente as aquisições de pessoas físicas e cooperativas em atividades agroindustriais; Fl. 3786DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11516.722955/201270 Resolução nº 3201000.642 S3C2T1 Fl. 3.787 4 ii) crédito na aquisição de bens com suspensão e alíquota zero; iii) crédito na movimentação de carga e embalagens para transporte; iv) crédito com fretes; v) crédito referente ao aluguel de máquinas e equipamentos; vi) crédito referente a bens adquiridos para revenda; vii) crédito sobre combustíveis utilizados no processo produtivo; Finalizando o recurso pedese a realização de perícia para confirmar as informações apresentadas no impugnação e no recurso. Ao apreciar o recurso voluntário, a turma resolveu converter o julgamento em diligência a fim de que unidade preparadora: a) Intimase a Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, detalhar o seu processo produtivo e indicar de forma minuciosa qual a interferência de cada um dos bens e serviços na processo produtivo, cuja a Recorrente pretende aferir créditos sobre o PIS e a COFINS não cumulativos; b) Apresentada as informações pela Recorrente, a Receita Federal, poderia se manifestar quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações complementares que julgasse necessárias. A Unidade de Origem intimou a Recorrente a apresentar o seu processo produtivo e indicar os créditos de PIS e COFINS que pretende utilizar. A Recorrente, alegando que o prazo de 30 (trinta) dias não era suficiente para apresentar as informações necessárias, solicitou a prorrogação, com a concessão de 30 (trinta) dias para apresentar as informações constantes da intimação.(fls. 3779 a 3781) A Unidade de Origem em dúvida sobre a concessão do prazo devolveu os autos ao CARF para pronunciamento. (fl. 3782) É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Trata o presente processo de discussão acerca de créditos de PIS e COFINS não cumulativos, que a turma decidiu por converter em diligência para que a Recorrente apresentasse informações para balizar a analise dos créditos. A teor do relatado foi solicitado pela Recorrente prorrogação do prazo para a apresentação dos documentos. Fl. 3787DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11516.722955/201270 Resolução nº 3201000.642 S3C2T1 Fl. 3.788 5 Entendo não existir nenhum óbice na concessão do prazo e assim, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, concedendo o prazo improrrogável de 30 (trinta) dias para que a Recorrente apresente as informações constantes da intimação da Unidade em cumprimento à diligência determinada por este Conselho. Winderley Morais Pereira Fl. 3788DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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Numero do processo: 13888.900794/2008-82
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Sep 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 09/04/1999
RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA.
Se a legislação tributária analisada nos acórdãos confrontados não for a mesma, não é possível deduzir que houve divergência na interpretação da legislação tributária.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9303-003.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial por falta de divergência.
assinado digitalmente
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente
assinado digitalmente
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López, e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 09/04/1999 RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. Se a legislação tributária analisada nos acórdãos confrontados não for a mesma, não é possível deduzir que houve divergência na interpretação da legislação tributária. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial por falta de divergência. assinado digitalmente CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO – Presidente assinado digitalmente JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López, e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 07 94 /2 00 8- 82 Fl. 241DF CARF MF Impresso em 29/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.900794/200882 Acórdão n.º 9303003.247 CSRFT3 Fl. 242 2 Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls. 164 a 179) contra o v. acórdão nº 3201000.995 proferido pela Colenda Segunda Câmara/1° Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 155 a 162) que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso da empresa FERRO ENAMEL DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., para determinar a não incidência das contribuições ao PIS sobre variações cambiais positivas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 09/04/1999 COFINS. VARIAÇÕES CAMBIAIS POSITIVAS. NÃO INCIDÊNCIA. Não há incidência das contribuições ao PIS sobre as variações cambiais positivas, pela aplicação da regra de isenção prevista no art. 14 da Lei nº 10.637/2002 e em face da regra de imunidade do art. 149, § 2º, I, da CF/88, estimuladora da atividade de exportação. Tratase de Declaração de Compensação referente a valor de COFINS recolhido a maior, no mês de abril de 1999, relativo ao período de apuração de março de 1999. Ocorre que o crédito compensado decorre do recálculo da variação cambial sobre importações e exportações realizadas pela Recorrente, considerando a variação da moeda estrangeira desde o registro do direito ou da obrigação até a efetiva liquidação (regime caixa), conforme disposto no artigo 30 da Medida Provisória 1.858, de 1999. A FERRO ENAMEL DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA apresentou Manifestação de Inconformidade (fls 02 a 14) que restou indeferida pelo acórdão da DRJ (fls 46 a 51). Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls 56 a 76) o qual foi provido nos termos expostos acima reformando a decisão de primeira instância administrativa. Desta forma, a FAZENDA NACIONAL apresentou o já citado Recurso Especial requerendo seu provimento a fim de restabelecer a decisão de primeira instância em sua integralidade de forma indeferir o pleito do contribuinte, por entender que a contribuição é devida, pois tratase de receita tributável nos termos da legislação vigente à época. O Recurso Especial foi integralmente admitido (fls. 198/199). Contrarrazões do Contribuinte as fls. 206 a 219, requerendo a inadmissão do Recurso Especial por falta de similitude fática entre os paradigmas apresentados e o acórdão recorrido e, no mérito, requereu a improcedência do Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional em razão de estar em sentido contrário às jurisprudências consolidadas pelo STF, STF e este Conselho. É o relatório. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 29/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.900794/200882 Acórdão n.º 9303003.247 CSRFT3 Fl. 243 3 Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos redator ad hoc Por intermédio do Despacho de fl. 240, nos termos do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, o Presidente da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais incumbiume de formalizar o presente acórdão. Ressaltese que o relator original entregou à secretaria da Câmara Superior o relatório e a ementa acima transcritos, bem como o voto que será aqui igualmente aproveitado. Contudo, em virtude de sua renúncia ao mandato, não foi possível concluir a formalização da citada decisão. Eis o voto do Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda: "Inicialmente, entendo que é devido o reexame de admissibilidade do Recurso Especial apresentado pela Procuradoria da Fazenda Nacional, para negar seguimento ao mesmo. Isso porque todos os acórdãos trazidos como paradigmas, apesar de versarem sobre o tema objeto da discussão, qual seja, incidência das contribuições ao PIS e a COFINS sobre receitas decorrentes de variação cambial positiva, encontramse no cenário da vigência da lei nº 10.833/2003, lei esta que não existia no período de apuração do crédito em discussão (1999). Ainda assim, apenas por consideração à discussão, no mérito também não resta razão à Fazenda Nacional. Como se não bastasse toda jurisprudência a respeito da matéria discutida, entendo também que as variações cambiais são exatamente reversões de provisões operacionais e não representam ingresso de novas receitas, portanto, se encaixam à perfeição no conceito excludente inserto no inciso II do parágrafo segundo do artigo 30 da Lei 9.718/1998. Inicialmente, mister destacar que a premissa da exigência e o cerne do recurso especial da Fazenda Nacional diz respeito ao disposto no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, especificamente quanto à base de cálculo da COFINS. Por fim, importante ressaltar que no tocante conceito de faturamento, como se sabe, foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em sede de controle difuso de constitucionalidade, o que limita a eficácia da decisão às partes do litígio. É de se notar, todavia, que este entendimento já foi objeto de decisões reiteradas pela Excelsa Corte, tendo sido, inclusive, cristalizado de forma definitiva pelo seu órgão plenário, com a reafirmação da jurisprudência no julgamento do RE nº 582.235/MG, reconhecido como de repercussão geral, tendo se deliberado, ainda, pela edição de súmula vinculante: Fl. 243DF CARF MF Impresso em 29/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.900794/200882 Acórdão n.º 9303003.247 CSRFT3 Fl. 244 4 Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. (grifos e destaques nossos) Aplicável à espécie, portanto, o disposto no parágrafo único do artigo 4º do Decreto nº 2.346/1997: Art. 4° Ficam o Secretário da Receita Federal e o Procurador Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar, no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, que: 1 não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; II não sejam efetivadas inscrições de débitos em divida ativa da União; III sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento , da respectiva inscrição; IV sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal. Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 29/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.900794/200882 Acórdão n.º 9303003.247 CSRFT3 Fl. 245 5 Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Verificase, portanto, que a referida decisão do Egrégio Supremo Tribunal Federal, proferida em sede de repercussão geral, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Vale reforçar que, quanto à hipótese ora em discussão, a Excelsa Corte reafirmou a sua jurisprudência acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, determinando, ainda, a edição de súmula vinculante." Com base nele, o colegiado, por unanimidade, não conheceu do recurso especial da Fazenda Nacional por falta de divergência, sendo esse o acórdão proferido que me coube redigir. assinado digitalmente Júlio César Alves Ramos redator ad hoc Fl. 245DF CARF MF Impresso em 29/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.900794/200882 Acórdão n.º 9303003.247 CSRFT3 Fl. 246 6 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 29/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 16024.000133/2009-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. SANEAMENTO. ELEMENTOS DE PROVAS NÃO APRECIADOS. CORREÇÃO.
Os embargos de declaração devem ser acolhidos para correção dos pontos omitidos no acórdão embargado. Impõe-se apreciação dos elementos de provas não abordados na decisão anterior.
EXTRATOS BANCÁRIOS. REGISTROS NO LIVRO RAZÃO. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO DOS DEPÓSITOS.
Os extratos bancários e correspondentes registros no Livro Razão, desacompanhados de documentação comprobatória que indiquem o real beneficiário das transferência bancárias, não comprovam o pagamento das mercadorias a determinado fornecedor. Acresce-se o fato de que grande parte dos registros contábeis de pagamento, sequer constam dos extratos bancários. Necessária a comprovação documental dos registros correspondentes.
Embargos acolhidos em parte.
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3301-002.764
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em acolher parcialmente os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, nos termos do voto do relator.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente e relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, José Henrique Mauri, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Luiz Augusto do Couto Chagas e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. SANEAMENTO. ELEMENTOS DE PROVAS NÃO APRECIADOS. CORREÇÃO. Os embargos de declaração devem ser acolhidos para correção dos pontos omitidos no acórdão embargado. Impõe-se apreciação dos elementos de provas não abordados na decisão anterior. EXTRATOS BANCÁRIOS. REGISTROS NO LIVRO RAZÃO. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO DOS DEPÓSITOS. Os extratos bancários e correspondentes registros no Livro Razão, desacompanhados de documentação comprobatória que indiquem o real beneficiário das transferência bancárias, não comprovam o pagamento das mercadorias a determinado fornecedor. Acresce-se o fato de que grande parte dos registros contábeis de pagamento, sequer constam dos extratos bancários. Necessária a comprovação documental dos registros correspondentes. Embargos acolhidos em parte. Crédito Tributário Mantido
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OMISSÃO. SANEAMENTO. ELEMENTOS DE PROVAS NÃO APRECIADOS. CORREÇÃO. Os embargos de declaração devem ser acolhidos para correção dos pontos omitidos no acórdão embargado. Impõese apreciação dos elementos de provas não abordados na decisão anterior. EXTRATOS BANCÁRIOS. REGISTROS NO LIVRO RAZÃO. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO DOS DEPÓSITOS. Os extratos bancários e correspondentes registros no Livro Razão, desacompanhados de documentação comprobatória que indiquem o real beneficiário das transferência bancárias, não comprovam o pagamento das mercadorias a determinado fornecedor. Acrescese o fato de que grande parte dos registros contábeis de pagamento, sequer constam dos extratos bancários. Necessária a comprovação documental dos registros correspondentes. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. SANEAMENTO. ELEMENTOS DE PROVAS NÃO APRECIADOS. CORREÇÃO. Os embargos de declaração devem ser acolhidos para correção dos pontos omitidos no acórdão embargado. Impõese apreciação dos elementos de provas não abordados na decisão anterior. EXTRATOS BANCÁRIOS. REGISTROS NO LIVRO RAZÃO. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO DOS DEPÓSITOS. Os extratos bancários e correspondentes registros no Livro Razão, desacompanhados de documentação comprobatória que indiquem o real AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 4. 00 01 33 /2 00 9- 94 Fl. 1521DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16024.000133/200994 Acórdão n.º 3301002.764 S3C3T1 Fl. 11 2 beneficiário das transferência bancárias, não comprovam o pagamento das mercadorias a determinado fornecedor. Acrescese o fato de que grande parte dos registros contábeis de pagamento, sequer constam dos extratos bancários. Necessária a comprovação documental dos registros correspondentes. Embargos acolhidos em parte. Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em acolher parcialmente os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, nos termos do voto do relator. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, José Henrique Mauri, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Luiz Augusto do Couto Chagas e Semíramis de Oliveira Duro. Fl. 1522DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16024.000133/200994 Acórdão n.º 3301002.764 S3C3T1 Fl. 12 3 Relatório Trata o presente de embargos de declaração, tempestivo, interposto por Praiamar Indústria Comércio e Distribuição Ltda, ao amparo do art. 65, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do acórdão nº 3301002.655, de 19/03/2015, assim ementado: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2004, 30/11/2005, 31/12/2005 DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. Havendo pagamento antecipado, o prazo decadencial é contado de cinco anos a partir da ocorrência do fato gerador, ressalvado a prática de dolo, fraude ou simulação. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade quando o auto de infração preenche os requisitos legais, o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 142 do CTN ou nos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 1972. DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. A simples discordância quanto ao resultado da decisão não gera sua nulidade. PIS. COFINS. CRÉDITOS. NÃOCUMULATIVIDADE. É ônus do contribuinte comprovar de forma inequívoca a existência de créditos de PIS e Cofins apurados na sistemática da não cumulatividade. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido O contribuinte afirma que o acórdão embargado é obscuro e omisso nos seguintes pontos: 1) Questão relativa ao frete do PCNAA O embargante alega que a contratação do frete de Manaus/AM à BoituvaSP deuse na modalidade CIF, ou seja, por conta do vendedor, sendo obscura a afirmação do voto no sentido de que caberia à embargante apresentar documentos, mais especificamente Fl. 1523DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16024.000133/200994 Acórdão n.º 3301002.764 S3C3T1 Fl. 13 4 conhecimentos de transporte, uma vez que a operação de transporte foi contratada pela vendedora, não existindo qualquer relacionamento com a recorrente. 2) Dos pagamentos efetuados em favor da Stratus O contribuinte alega omissão pelo fato do relator ter feito referência aos demonstrativos gerado por instituições financeiras utilizados para demonstrar o recolhimento da CPMF, porém não teria feito qualquer análise acerca dos demais documentos comprobatórios que teriam sido acostados pela recorrente, sobretudo a notificação extrajudicial, fl. 1311, além do extrato bancário e composição analítica das notas quitadas que acompanharam o doc. 11 do recurso voluntário. 3) Do cotejo dos julgamentos já realizados em torno do mesmo cenário fático nas esferas estadual e federal O contribuinte alega que "as ilações feitas pelo i. relator foram genéricas citando apenas ementas dos julgados para inaplicálos ao presente caso, sem aprofundarse nas razões de julgamento, o que por si só representa uma omissão" e prossegue: "É de sabença geral, que os fundamentos de um julgado vão muito além de uma simples ementa de acórdão". Desta forma, os presentes embargos foram por mim encaminhados para a deliberação da turma de julgamento. É o relatório. Fl. 1524DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16024.000133/200994 Acórdão n.º 3301002.764 S3C3T1 Fl. 14 5 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal Os embargos são tempestivos e, portanto passo à sua apreciação. 1) Questão relativa ao frete do PCNAA O embargante alega que a contratação do frete de Manaus/AM à BoituvaSP deuse na modalidade CIF, ou seja, por conta do vendedor, sendo obscura a afirmação do voto no sentido de que caberia à embargante apresentar documentos, mais especificamente conhecimentos de transporte, uma vez que a operação de transporte foi contratada pela vendedora, não existindo qualquer relacionamento com a recorrente. Não há qualquer obscuridade ou omissão no voto condutor do acórdão. A análise da questão do frete faz parte de um contexto de quanto a recorrente não se empenhou em demonstrar a certeza e liquidez de seus créditos da contribuição. O voto ressalta que o contribuinte apresentou informações contraditórias a respeito do transporte das mercadorias adquiridas em Manaus. De início declarou que o frete tinha sido realizado por conta própria por meio de sua frota de veículos. Depois que o frete tinha sido feito pela empresa PB Transportes. Diante de situação tão antagônica, acrescentando o fato de que a empresa transportadora declaravase inativa para a Receita Federal, é que se concluiu que caberia à recorrente apresentar documentos adicionais, no caso o conhecimento de transportes, para comprovar o efetivo transporte e por conseguinte a efetiva aquisição das mercadorias. Certamente, com um esforço adicional e até simples, poderia a recorrente ter se valido dos préstimos de seu fornecedor para a obtenção do referido documento. 2) Dos pagamentos efetuados em favor da Stratus O contribuinte alega omissão pelo fato do relator ter feito referência aos demonstrativos gerado por instituições financeiras utilizados para demonstrar o recolhimento da CPMF, porém não teria feito qualquer análise acerca dos demais documentos comprobatórios que teriam sido acostados pela recorrente, sobretudo a notificação extrajudicial, fl. 1311, além do extrato bancário e composição analítica das notas quitadas que acompanharam o doc. 11 do recurso voluntário. Neste ponto entendo que o contribuinte tem razão no sentido de que não houve manifestação expressa no acórdão embargado a respeito dos elementos juntados e que ele denominou de doc. 11, os quais encontramse às efls. 1325/1340. Então passemos a analisálos. À efl. 1326 consta a impressão de uma folha do Livro Razão, conta do ativo de adiantamento a fornecedor relativa à Stratus Ind. e Comércio Ltda. Revelase ali que teria havido 11 lançamentos a débito que deveriam ser decorrentes de pagamentos efetuados pelo contribuinte, a título de adiantamento, àquele fornecedor. Penso que esta conta seria movimentada a crédito sempre que o fornecedor efetuasse a entrega de produtos ao contribuinte. Parece estranho, pois no período de 18/09/2003 até 29/02/2004 não tenha havido Fl. 1525DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16024.000133/200994 Acórdão n.º 3301002.764 S3C3T1 Fl. 15 6 qualquer entrega dos produtos em decorrência dos referidos adiantamentos. Já na folha seguinte, efl. 1327, o contribuinte junta um extrato de conta corrente do Banespa relativo aos dias 28/01/2004 a 03/02/2004, no qual destaca o valor de R$ 49.849,45, movimentado no dia 29/01/2004, com histórico "TED CIP EMIS". Este valor seria referente ao adiantamento do fornecedor registrado no mesmo dia na citada conta do Livro Razão. Ora, o contribuinte fez 11 registros de adiantamento ao fornecedor e quer comprovar o desembolso financeiro de somente um, por meio de um extrato bancário, que não revela o beneficiário do TED. Na minha opinião estes documentos não comprovam nada, além de revelar a estranheza do procedimento de fazer uma série de adiantamentos a fornecedor sem contrapartida do recebimento dos produtos. A conta de passivo relativo a dívidas com o fornecedor Stratus, efls. 1336/1340, Grupo Duplicatas a Pagar, cuja movimentação teria se iniciado em 02/02/2004, indica um crescente fornecimento de mercadorias pela Stratus, sendo escassos e insignificantes os registros de pagamentos, revelando um raro desprendimento por parte deste, que mesmo sem recebimento, continuava a fornecer, inclusive pagando o frete às suas expensas, pois o contribuinte informou em sua defesa que o frete foi na modalidade CIF. Vejam só o fornecedor entrega mercadorias de valor expressivo, arca com os fretes, e só inicia um procedimento de cobrança 3 anos depois. Curioso também que o sujeito passivo, que estava inadimplente, quita pouco tempo depois as suas obrigações milionárias com o fornecedor, logo após a notificação judicial. Simples assim, um havia esquecido de cobrar e o outro de pagar. Tão logo cobrado, anos depois, a dívida é quitada. Então tentemos localizar os comprovantes de pagamentos. Já comentei que dos adiantamentos registrados à efl. 1326, só consta o extrato bancário do Banespa de efl. 1327, o qual registra uma operação TED no valor de R$ 49.849,45, sem especificar o beneficiário do pagamento. O extrato bancário relativo a maio/2004, do BicBanco, efls. 1328/1329, revela débitos coincidentes em valores e datas, de 24/05 R$ 50.000,00, de 31/05 R$ 50.000,00 e 70.631,00. Porém da mesma forma não revela o beneficiário do desembolso. Estes débitos estão registrados no Razão, efl. 1338. O extrato do Banco do Brasil, relativo a outubro/2004, efl. 1330, revela somente um débito coincidente em valor e data, de 25/10 R$ 90.000,00. Também não revela o beneficiário do TED. Este débito estaria registrado no Razão à efl. 1338. O extrato do Banco Safra, relativo a outubro/2004, efl. 1331, revela débitos coincidentes em valores e datas, de 25/10 R$ 110.000,00 e, 26/10 R$ 50.000,00. O histórico destes dois débitos é "PAGSAFRA CC", não revela o beneficiário e os débitos estão registrados no Razão à efl. 1338. Por fim, extrato do Banco Real, de outubro/2007, com 6 operações com histórico "PGTO.FORNEC." no montante de R$ 23.993.370,63 realizados entre os dias 04 a 10/10/2007. O contribuinte afirma que, parte destes pagamentos, no montante de R$ 19.293.370,63, teriam sido feito à Stratus em atenção à Notificação Judicial de março/2007. Relaciona as notas fiscais relativas a estes pagamentos na planilha de efl. 1333. Registra a baixa destes pagamentos conforme Razão em efls. 1334/1335. Aqui novamente não há nenhuma prova de que estes pagamentos tiveram como beneficiário a empresa fornecedora. Fl. 1526DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16024.000133/200994 Acórdão n.º 3301002.764 S3C3T1 Fl. 16 7 Ainda assim, o contribuinte não apresentou os extratos ou qualquer outro elemento de prova em relação aos demais débitos registrados no Razão, efls. 1336/1338. Inclusive de valores expressivos como os registrados nos dias 05/05/2004 e 07/05/2004 Três pagamentos nos valores de R$ 3.102.871,85, R$ 3.309.600,00 e R$ 1.173.195,81 (efl. 1338). Vejam só o contribuinte registra o desembolso de milhares de reais e não consegue juntar um documento sequer de que o beneficiário destes pagamentos teria sido a sua fornecedora de PCNAA a empresa Stratus Ind. e Comércio Ltda. Aqui volto a destacar que estamos tratando de glosas de créditos de PIS e Cofins, cujo ônus de comprovar o direito líquido e certo é do contribuinte, conforme ficou registrado no acórdão embargado. 3) Do cotejo dos julgamentos já realizados em torno do mesmo cenário fático nas esferas estadual e federal O contribuinte alega que "as ilações feitas pelo i. relator foram genéricas citando apenas ementas dos julgados para inaplicálos ao presente caso, sem aprofundarse nas razões de julgamento, o que por si só representa uma omissão" e prossegue: "É de sabença geral, que os fundamentos de um julgado vão muito além de uma simples ementa de acórdão". Aqui o contribuinte faz referência ao julgamento de dois autos de infração, sendo um lavrado pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo e o outro relativo ao processo administrativo nº 10074.000506/201099 por parte da Receita Federal. De fato, nem sempre as ementas refletem exatamente todo o contexto do julgamento, porém aqui, entendo que não houve qualquer omissão ou obscuridade, na medida em que as ementas citadas são suficientes para entender que os focos dos respectivos processos são diferentes. O julgamento da auto de infração lavrado pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo encontrase às efls. 1359/1361. Lá verificase que, para consumação da acusação fiscal, o relatório fiscal elaborado pelo DEAT foi o fundamento principal do lançamento. Como as amostras do PCNAA colhidas para análise foram efetuadas em outra empresa, firmouse dúvida razoável, se tratava do mesmo produto comercializado pelo contribuinte. Aqui, como apreciado no acórdão embargado, este relatório foi somente o ponto de partida para o início da fiscalização, na qual o contribuinte não conseguiu comprovar a liquidez e certeza do seu crédito tributário. Quanto ao processo administrativo nº 10074.000506/201099, o acórdão completo de seu julgamento encontrase às efls. 1346/1357. De fato existem alguns elementos de conexão entre aquele processo e o presente, à medida que naquele relatase também a falta de pagamento ou o pagamento em atraso à empresa Stratus Ind. e Comércio Ltda. Porém lá a acusação é substancialmente diferente pois concluiu a fiscalização de que houve informação inverídica na exportação do PCNAA, aplicandose a multa do art. 105, VI do DecretoLei nº 37/1966 combinada com o art. 23, IV, § 3º do Decreto Lei nº 1.455/76, pelo qual a pena de perdimento da mercadoria é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. Tratase de infração configurada como Dano ao Erário. Como abordado no acórdão embargado, aqui o ônus probatório é de exclusiva competência do fisco. Os fatos daquele processo são totalmente diferentes e referemse à Fl. 1527DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16024.000133/200994 Acórdão n.º 3301002.764 S3C3T1 Fl. 17 8 acusação de falsidade ideológica no registro do Despacho Aduaneiro de Exportação. Veja o seguinte trecho do voto condutor do referido julgamento: (...) No presente caso, a multa ora exigida é decorrente da não localização da mercadoria sujeita à pena de perdimento. Tal pena de perdimento, segundo a fiscalização, decorre do fato de a interessada ter utilizado, por ocasião do desembaraço das mercadorias, documentos ideologicamente falsificados. A aventada "falsificação ideológica" decorre do fato de a fiscalização ter concluído que as mercadorias efetivamente exportadas eram outras (solução aquosa) que não a mercadoria declarada nas notas fiscais e respectivas declarações dc exportação (preparado composto não alcoólico). Preliminarmente, cumpre esclarecer que a presente autuação decorre especificamente de falsidade documental relacionada ao desembaraço das mercadorias para a exportação, sendo este o foco do presente litígio. Infrações outras relacionadas com a aquisição das referidas mercadorias no mercado interno do País, ou eventual aproveitamento indevido de créditos fiscais, devem ser apuradas em procedimentos específicos e nos limites da respectiva legislação de regência. Assim, não se vislumbra que haja duplicidade de procedimentos fiscais com dupla penalização, pois não se trata de apuração dos mesmos fatos objeto de auto de infração lavrado sob n° 16024.000133/200994, na medida em que lá se trata dc autuação relacionada a créditos utilizados para dedução de contribuições apuradas (PIS e COFINS), como se depreende dos documentos acostados às folhas 2.303 a 2.328, e aqui se trata de falsificação de documento relacionado ao desembaraço de mercadorias para exportação, infrações notadamente distintas. (...) Vêse que o processo citado no voto é exatamente este que estamos julgando e afastase, didaticamente, a semelhança entre as acusações. Desta forma, conheço dos presentes embargos de declaração para sanar a omissão reconhecida, porém sem lhe conceder efeitos infringentes, mantendo integralmente procedente a exigência constante dos referidos autos de infração. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 1528DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16024.000133/200994 Acórdão n.º 3301002.764 S3C3T1 Fl. 18 9 Fl. 1529DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 16327.001851/2001-16
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/01/1996 a 30/11/1998
SÚMULA VINCULANTE N° 08. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO
POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. ART. 150, § 4º ,
DO CTN. VINCULAÇÃO DOS CONSELHEIROS DO CARF As DECISÕES PROFERIDAS PELO STF EM RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 62-A DO NOVO REGIMENTO INTERNO DO CARF (PORTARIA 249/2009).
A Súmula Vinculante n° 8, de observância obrigatória pelos Conselheiros do CARF, respaldou o entendimento do STF de que o artigo 45 da Lei 8.212/91 é inconstitucional. 0 direito da fiscalização constituir o crédito tributário referente a tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido
declarados e pagos decai, conforme o julgamento do recurso especial representativo de controvérsia de n° 973.733, em 5 (cinco) anos a contar do exercício seguinte ao fato gerador, em conformidade ao que dispõe o artigo 150, § 4°, do CTN.
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte
Numero da decisão: 9303-002.011
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso especial, para reconhecer a decadência do período de apuração até agosto/1996.
Nome do relator: Nanci Gama
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/1996 a 30/11/1998 SÚMULA VINCULANTE N° 08. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. ART. 150, § 40 , DO CTN. VINCULAÇÃO DOS CONSELHEIROS DO CARF As DECISÕES PROFERIDAS PELO STF EM RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 62-A DO NOVO REGIMENTO INTERNO DO CARF (PORTARIA 249/2009). A Súmula Vinculante n° 8, de observância obrigatória pelos Conselheiros do CARF, respaldou o entendimento do STF de que o artigo 45 da Lei 8.212/91 é inconstitucional. 0 direito da fiscalização constituir o crédito tributário referente a tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido declarados e pagos decai, conforme o julgamento do recurso especial representativo de controvérsia de n° 973.733, em 5 (cinco) anos a contar do exercício seguinte ao fato gerador, em conformidade ao que dispõe o artigo 150, § 4°, do CTN. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso especial, para reconhecer a decadência do período de apuração até agosto/1996. Luiz Eduardo de e veira Santo - Presidente Substituto Fl. 514DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI Processo n° 16327.001851/2001-16 AcOrdfio n.° 9303-002.011 CS12F-T3 Fl. 515 .7 Nanci -Gam1atora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio Cesar Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martinez López, Antônio Lisboa Cardoso e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Relatório Trata-se de recurso especial interposto pelo contribuinte em face ao acórdão de n° 201-79.169 proferido pela Primeira Camara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, que, (i) por unanimidade de votos rejeitou a preliminar de nulidade do auto de infração por ausência de MPF-D, bem como rejeitou a preliminar de decadência; e (ii) por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário para incluir na base de calculo da Cofins as receitas oriundas das operações com títulos ou créditos relativas a atividade operacional de empresa de factoring realizadas entre janeiro de 1996 e novembro de 1998, conforme ementa a seguir: "COE/AIS. EMPRESA DE FACTORING. OPERAÇÕES COM TÍTULOS OU CRÉDITOS. ATIVIDADE OPERACIONAL. As operações que envolvam compra e venda de títulos ou direitos creditórios caracterizam-se, de acordo coin a legislação de regência, como atividade operacional de empresas de factoring, sujeitando-se à incidência da Cofins, devendo a receita ser reconhecida na data da operação. NORMAS PROCESSUAIS. DECADÊNCIA. O prazo de decadência da Cofins é de dez anos, contados do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CONSTITUCIONALIDADE. Falece ao Conselho de Contribuintes competência para apreciar e julgar eventual inconstitucionalidade ou ilegalidade da aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros de mora. Recurso negado." O auto de infração em epígrafe foi lavrado em decorrência de procedimento de revisão interna de declaração de ajuste anual de IRPJ, por meio do qual a fiscalização apurou que não foram incluidos os valores relativos as receitas de factoring na "receita de serviços" indicada nas respectivas DIPJs de 1997 e 1999. O contribuinte, aduzindo possível omissão do acórdão a quo no que se refere a sua alegação de que as atividades exercidas pelas empresas de factoring se tratam dc i e Fl. 515DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI Processo n 16327.001851/2001-16 CSRF-T3 Acórdao n.° 9303-002.011 Fl. 516 atividades de natureza mista, opôs embargos de declaração às fls. 218/222, os quais foram rejeitados por meio do despacho de fls. 234/236. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso especial de divergência com base em acórdãos utilizados como paradigmas para questionar (i) a decadência decenal, (ii) a data da operação de crédito como o momento da incidência da Cofins sobre as receitas auferidas em operação de factoring e (iii) a aplicação retroativa do Ato Declaratório Cosit n° 31/97 em prejuízo do contribuinte. No que se refere à decadência, o contribuinte alegou, com base em acórdão paradigma, que tendo a ciência da autuação ocorrido em 19/09/2001, não caberia a pretensão da fiscalização de constituir os débitos de Cofins relativos aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e agosto de 1996, eis que o prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4° do CTN já teria sido atingido para esses débitos. Aduziu, ainda, que o prazo decadencial de 10 (dez) anos previsto no artigo 45 da Lei 8.212/91 não deveria ser aplicado. No que se refere As receitas relativas a operações de factoring, o contribuinte alegou que, ao contrário do entendimento respaldado no acórdão recorrido (de que a receita deve ser reconhecida na data da operação conforme previsão do Ato Declaratório Cosit n° 51/94), o regime de reconhecimento de receita auferida em operação de factoring convencional, sem regresso, deve ser o mesmo do desconto de títulos, ou seja, o reconhecimento deve ocorrer ao longo da operação (pro rata tempore), não sendo, portanto, possível a exigência da Cofins sobre essas receitas tomando-se por base a data da operação. Quanto à aplicação retroativa do Ato Declaratório Normativo Cosit n° 31/97, o contribuinte suscita como paradigma o acórdão n° 102-45.988, cuja ementa é a seguinte: "IRPF — PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA — PEDIDO DE RESTITUIÇÃO — DECADÊNCIA — IMPOSSIBILIDADE DA RETROAO 0 DE ATO DECLARATÓRIO — PRINCIPIO DA IRRETROATIVIDADE DAS LEIS E DIREITO ADQUIRIDO — (...) A edição de Ato Declara tório posterior a edição de um dispositivo normativo que veio a conferir a possibilidade dos contribuintes exercitarem um direito não pode retroagir para atingi-lo, visto a ofensa aos princípios do Direito Adquirido e Irretroativiclade da Lei". Em exame de admissibilidade de fls. 308/312, a i. Presidente da Primeira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes deu seguimento parcial ao recurso especial interposto pelo contribuinte apenas no que se refere à (i) decadência e à (ii) inclusão das receitas auferidas em operação de factoring na base de calculo da Cofins. Referido despacho não reconheceu a divergência quanto a questão relativa ã impossibilidade de aplicação retroativa do Ato Declaratório Cosit n° 31/97, eis que enquanto o acórdão recorrido teria entendido que referido Ato Declaratório seria norma genuinamente interpretativa e, por essa razão, o mesmo dever-se-ia ser aplicado retroativamente, por força do artigo 106, I, do CTN, o acórdão utilizado como paradigma fez referência à Ato Declaratório Normativo, qual seja, o de número 96/99, que altera uma situação jurídica a partir da sua vigência e que, por essa razão, não poderia ser aplicado retroativamente já que, se assim fosse, alcançar-se-ia direitos adquiridos já consumados. 3 Fl. 516DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI Processo n° 16327.001851/2001-16 Acórdão n.° 9303-002.011 CSRF-T3 Fl. 517 Regularmente intimada a Fazenda Nacional não apresentou tempestivamente suas contrarrazões, o que fez posteriormente As fls. 337/348 por meio de simples petição. Em 09/12/2010 a Recorrente requereu desistência e renúncia parcial de seu recurso especial para incluir no parcelamento instituído pela Lei 11.941/09 os débitos objeto do auto de infração em epígrafe relativos ao período de outubro de 1996 a novembro de 1998, remanescendo apenas a questão relativa A decadência do lançamento do direito da Fazenda constituir, por meio de auto de infração cuja ciência se deu em 19/09/2001, os débitos de Cofins relativos ao período de apuração compreendido entre janeiro e setembro de 1996. E o relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora 0 recurso especial interposto pelo contribuinte é tempestivo e, considerando a desistência e renúncia expressamente manifestadas pelo contribuinte, conheço do mesmo apenas no que se refere A decadência. A relevância da controvérsia se dá para os fatos geradores ocorridos entre janeiro e agosto de 1996, tendo em vista que a ciência do lançamento pelo contribuinte apenas se deu em 19/09/2001. Considerando que o Supremo Tribunal Federal aprovou a Súmula Vinculante de n° 08 1 , de observância obrigatória pelos Conselheiros do CARF, a qual respaldou o entendimento do STF de que o artigo 45 da Lei 8.212/91 é inconstitucional, mister se faz afastar o prazo decadencial de 10 (dez) anos previsto em referido dispositivo inconstitucional. Feita essa consideração acerca da inaplicabilidade do prazo de 10 (dez) anos previsto no inconstitucional artigo 45, I da Lei n° 8.212/91, cabe analisar se o direito da fiscalização constituir crédito tributário de COFINS no presente caso decaiu em 5 (cinco) anos a contar dos fatos geradores, conforme dispõe o artigo 150, § 4°, do CTN, ou se o mesmo decaiu em 5 (cinco) anos a contar do exercício seguinte, conforme dispõe o artigo 173, I, do CTN. 0 Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o recurso especial representativo de controvérsia de n° 973.733, o qual esta Camara Superior de Recursos Fiscais deve reproduzir por força do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF 2, considerou, em seu teor, as regras para a aplicação dos dispositivos do CTN, referentes A decadência, da seguinte forma: "(...) 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras Sumula Vinculante n°08: "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decreto-Lei n° 1.56911977 e os artigos 45 e 46 da Lei n°8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário." 2 , `Art. 62-A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B c 543-C da Lei n" 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF." Fl. 517DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI Processo n° 16327.001851/2001-16 Acórdão n.° 9303-002.011 CSRF-T3 Fl. 518 jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de oficio ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se da com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Enrico Marcos Diniz de Santi, 3 0 Ed., Max Limonad, págs. 163/210)." 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, conta-se do "do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de oficio), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte a ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 40 , e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de oficio) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido noti ficado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 40, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidam-se simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de oficio" (In Decadência ,e' Fl. 518DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI Processo n" 16327.001851/2001-16 CSRF-T3 Ac6rdfio n." 9303-002.011 Fl. 519 Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3' Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar realização do ulterior lançamento, afigura-se como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operar-se-á ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de oficio, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do credito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial inicia-se da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória.(...)" (grifou-se) Dessa forma, considerando que o presente caso se enquadra na regra (iii), eis que a COFINS se trata de tributo sujeito à lançamento por homologação, e, também, que houve pagamento antecipado pelo contribuinte, cabe a aplicação do prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4° do CTN em detrimento ao prazo de 10 (dez) anos previsto no artigo 45, 1 da Lei 8.212/91, o qual foi declarado inconstitucional pelo STF, bem como em detrimento ao previsto no artigo 173, I do CTN, o qual apenas se aplica para os casos em que não tenha havido pagamento antecipado pelo contribuinte. Em face do exposto, no voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte para reconhecer a decadência do direito da fiscalização constituir os valores de COFINS relativos aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e agosto de 1996, tendo em vista que a ciência do lançamento pelo contribuinte ocorreu em 19/09/2001. 6 Fl. 519DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI
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Numero do processo: 10840.903576/2010-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jan 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
MEL NATURAL NÃO ACONDICIONADO EM EMBALAGEM DE APRESENTAÇÃO. IPI. NÃO-INCIDÊNCIA.
O mel natural é classificado no Código 0409.00.00 da TIPI/2002, aprovada pelo Decreto nº 4.542/2002. A classificação corresponde a notação Não Tributado . Somente quando acondicionado em embalagem de apresentação a classificação se desloca para o Ex 01, que é tributado à alíquota zero.
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO "NT". A produção e exportação de produtos não tributados pelo IPI (NT) não geram direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, por se encontrarem fora do campo de incidência do imposto.
ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO
Apesar da previsão de que no ressarcimento ou compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais ou atos administrativos obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, ser devida a atualização monetária, com base na Taxa Selic, não havendo crédito, isso não é aplicado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-002.708
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 3ª Câmara, da 1ª Turma Ordinária, da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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IPI. NÃOINCIDÊNCIA. O mel natural é classificado no Código 0409.00.00 da TIPI/2002, aprovada pelo Decreto nº 4.542/2002. A classificação corresponde a notação “Não Tributado” . Somente quando acondicionado em embalagem de apresentação a classificação se desloca para o “Ex 01”, que é tributado à alíquota zero. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO "NT". A produção e exportação de produtos não tributados pelo IPI (NT) não geram direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, por se encontrarem fora do campo de incidência do imposto. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO Apesar da previsão de que no ressarcimento ou compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais ou atos administrativos obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, ser devida a atualização monetária, com base na Taxa Selic, não havendo crédito, isso não é aplicado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Câmara, da 1ª Turma Ordinária, da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 35 76 /2 01 0- 72 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10840.903576/201072 Acórdão n.º 3301002.708 S3C3T1 Fl. 137 2 Luiz Augusto do Couto Chagas Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10840.903576/201072 Acórdão n.º 3301002.708 S3C3T1 Fl. 138 3 Relatório Por bem relatar os fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido: 1. Tratase de Pedido de Ressarcimento de IPI (nº 28131.92508.170206.1.1.01.3109), elaborado com a utilização do Programa PER/DCOMP, transmitido em 17/02/2006, relativo ao 4º trimestre de 2005, no valor de R$ 343.106,46, que contempla tanto créditos básicos como o Crédito Presumido do IPI nas exportações, para ressarcimento PIS/Cofins incidentes na cadeia produtiva, apurado pelo regime da Lei nº 10.276/2001, cuja escrituração se deu em dezembro de 2005. 2. O PER foi analisado em procedimento fiscal que culminou na emissão do Despacho Decisório Nº de Rastreamento 948151596 (fls. 024 e 025), de 02/08/2011, no qual a autoridade competente reconheceu somente R$ 36,62, por terem havido glosas das duas espécies de créditos. 3. No Relatório Fiscal (fls. 025 a 031), a Auditora diligenciante traz um panorama da legislação do Crédito Presumido, transcrevendo vários dispositivos, dentre os quais os seguintes, da IN/SRF nº 420/2004, que regulamenta a Lei n º 10.276/2001 (o grifo é da AFRFB): Art. 21. Para efeitos desta Instrução Normativa , considerase: ................. II – receita bruta de exportação, o produto da venda de produtos industrializados, de produção da pessoa jurídica, para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação; ................. § 1 º Não integra a receita de exportação, para efeito de crédito presumido, o valor resultante das vendas para o exterior de produtos nãotributados e produtos adquiridos de terceiros que não tenham sido submetidos a qualquer processo de industrialização pela pessoa jurídica produtora e exportadora. 3.1. Descreve assim o processo produtivo: “Constatamos que o processo produtivo da empresa consiste resumidamente na précristalização, corte e bombeamento, descristalização, homogeneização e decantação, estocagem, rotulagem e expedição do mel recebido de vários fornecedores. O mel homogeneizado, objeto de exportação, é envasado em tambores de aço revestidos com epóxi fenólico, e que possuem capacidade líquida de 280 Kg (embalagem de transporte). Posteriormente, esses tambores são agrupados em containeres de, aproximadamente, 20 toneladas”. 3.2. No procedimento fiscal, constatouse que todas as exportações realizadas no período analisado foram de mel natural, classificação fiscal 0409.00.00, produto Fl. 138DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10840.903576/201072 Acórdão n.º 3301002.708 S3C3T1 Fl. 139 4 nãotributado (“NT”) segundo a Tabela do Incidência do IPI – TIPI vigente à época, aprovada pelo Decreto nº 4.542/2002, já que no “Ex 01” deste mesmo código, tributado à alíquota zero, classificamse somente os produtos “Acondicionados em embalagem de apresentação”, o que não seria o caso da interessada, pois acondiciona o mel em tambores com cerca de 280 quilos – embalagem para transporte, a teor do art. 6º do RIPI/2002 (Decreto nº 4.544/2002). 3.3. Para fins de determinação do valor do Crédito Presumido, utilizouse a diligenciante do conceito de produção da legislação do IPI, tendo concluído que, não estando incluído o mel no campo de incidência do imposto, não se caracterizaria a industrialização, não havendo, conseqüentemente, o direto ao benefício, pelo que propôs o indeferimento total do pedido, no que tange ao crédito desta natureza, no valor de R$ 98.341,33. 3.4. Quanto aos créditos básicos, as notas fiscais de aquisição foram acatadas, mas, no caso de insumos adquiridos para a fabricação de produtos “NT”, não há o direito à manutenção e à utilização do crédito, conforme explicitado na IN/SRF nº 33/99, que regulamentou o art. 11 da Lei nº 9.779/99. 3.4.1. E a mesma instrução normativa preceitua que, no caso do estabelecimento também fabricar produtos tributados, deve ser feito o rateio dos créditos com base nas saídas dos últimos três meses, e isto foi feito, sendo que dos R$ 519,94 de créditos básicos, R$ 483,32 foram glosados, restando apenas R$ 36,62 a serem ressarcidos. 4. Irresignada com a decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 036 a 048), definindose como “pessoa jurídica que opera no ramo de indústria, comércio, exportação e entreposto de mel e derivados”. 4.1. Como primeira preliminar, suscita a homologação integral do Crédito Presumido do IPI pelo decurso do prazo, pois “é inadmissível que o contribuinte permaneça por tempo indeterminado aguardando que a autoridade fiscal homologue os créditos tributários por ele constituídos”. 4.1.1. Em relação às compensações, este prazo é de cinco anos e, para os pedidos de ressarcimento, o art 24 da Lei nº 11.457/2007 estabeleceria que sua análise deveria ser feita em 360 dias: Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. 4.1.2. Como, neste caso, teriam se passado quase seis anos do pedido sem nenhuma manifestação do Fisco, que somente agora “busca, por argumentos infundados ... glosar o crédito constituído”, entende a reclamante que “Cabe aos julgadores fazerem valer a lei, considerando homologado o pedido de ressarcimento cuja análise não foi feita no prazo estabelecido na lei, sob pena de colocar em descrédito o ordenamento jurídico”. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10840.903576/201072 Acórdão n.º 3301002.708 S3C3T1 Fl. 140 5 4.1.3. Argumenta que nenhum prazo relacionado ao Direito Tributário e a matérias administrativas e judiciais é superior a cinco anos e que ao contribuinte é vedado ressarcir créditos ou retificar declarações decorrido este lustro, enquanto a Fazenda quer modificar um fato jurídico ocorrido há mais tempo, privilégio vedado pelo art. 5º, LV, da Constituição Federal. 4.1.4. E, em caso de qualquer alegação de omissão da legislação, há que se aplicar o art. 108 do CTN, que trata da integração da legislação tributária. 4.2. Estribado na doutrina de Maria Helena Diniz, alega ainda a prescrição intercorrente. 4.3. No mérito, “caso não entendam homologar os créditos postulados há mais de cinco anos”, com base na lei e na jurisprudência do CARF, pretende demonstrar o seu direito ao Crédito Presumido, pois se trata de um incentivo fiscal às exportações que não foi criado para o IPI, mas sim para ressarcir ao produtorexportador a Cofins e a Contribuição para o PIS pagas internamente, nas etapas anteriores da cadeia produtiva, conforme se depreende já do preâmbulo da Lei nº 9.363/96 e se confirma no seu art. 1º, da mesma forma que no art. 1º da Lei nº 10.276/2001. Transcrevo o art. 1º da primeira lei (com o grifo da manifestante): Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. 4.3.1. Assim, a lei exige dois requisitos para a concessão do benefício: ( i ) que a empresa efetue produção (industrialização) e ( ii ), que haja exportação da produção, não havendo a condicionante de que o produto exportado seja tributado pelo IPI. 4.3.2. A manifestante entende preencher os requisitos legais e frisa que o benefício é concedido à empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais e não ao produto. 4.3.3. Para corroborar seu entendimento, colaciona uma decisão do Conselho de Contribuintes e duas do CARF, e diz que “não pode a autoridade fiscal pretender contrariar a decisão do ÓRGÃO MÁXIMO ADMINISTRATIVO – O CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS”. 4.3.4. Na seqüência, defende que seu processo produtivo, conforme narrado pelo próprio Fiscal, efetivamente caracteriza industrialização, na modalidade de beneficiamento, definida no inciso II do art. 4º do RIPI/2002, pois modifica, aperfeiçoa e altera o acabamento ou a aparência do mel. Além disso, “ao receber a matéria prima em tambores, que são utilizados apenas para transporte e realizar os processos de industrialização ... o ACONDICIONA EM EMBALAGEM PRÓPRIA, antes da comercialização, o que, por si só já comprova a industrialização conforme previsto no Regulamento do IPI”. 4.5. Após, adentra na discussão sobre a incidência da correção monetária, que, se não aplicada, implicaria enriquecimento sem causa por parte da Fazenda Pública, Fl. 140DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10840.903576/201072 Acórdão n.º 3301002.708 S3C3T1 Fl. 141 6 pois nada acrescenta ao valor a ser utilizado, mas apenas mantém a equivalência monetária. 4.5.1. Com base na CF, diz ser a correção direito consectário do direito de propriedade e que sua negativa seria uma forma de confisco. 4.5.2. Transcreve ainda ementa de acórdão do STJ, no qual o Tribunal entende devida a correção do Crédito Presumido quando o seu aproveitamento pelo contribuinte sofre demora em virtude de resistência oposta por ilegítimo ato administrativo ou normativo do Fisco. 4.6. Ao final requer que seja “reconhecido o direito creditório ...”, e “a atualização monetária sobre o valor integral do crédito presumido de IPI que tem direito ...” A DRJ em Recife/PE indeferiu a manifestação de inconformidade sob a seguinte ementa: Assunto: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 MEL NATURAL NÃO ACONDICIONADO EM EMBALAGEM DE APRESENTAÇÃO. IPI. NÃOINCIDÊNCIA. Na TIPI/2002, aprovada pelo Decreto nº 4.542/2002, o mel natural é classificado no Código 0409.00.00, ao qual corresponde a notação “NT” (nãotributado). Somente quando acondicionado em embalagem de apresentação é que se enquadra no “Ex 01”, tributado à alíquota zero. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃOTRIBUTADOS (“NT”). CRÉDITO PRESUMIDO DAS LEIS Nos 9.363/96 e 10.276/2001. IMPOSSIBILIDADE. A exportação de produtos não tributados pelo IPI não enseja direito ao Crédito Presumido para ressarcimento da Contribuição para o PIS e da Cofins incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de itens utilizados no processo produtivo, das Leis nos 9.363/96 e 10.276/2001. O contribuinte apresentou recurso voluntário onde repete os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10840.903576/201072 Acórdão n.º 3301002.708 S3C3T1 Fl. 142 7 Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Relator. A controvérsia do processo se resume ao seguinte: a) Se as exportações de produtos classificados como“NT” na Tabela de Incidência do IPI TIPI/02 são admissíveis no cálculo do Crédito Presumido de IPI para ressarcimento do PIS e da Cofins, apurado pelo regime alternativo da Lei nº 10.276/2001; b) Se incide ou não a correção monetária sobre o valor pleiteado. A primeira questão é determinante, pois, inadmitidas as exportações, despicienda se torna a discussão da segunda. O § 5º do art. 1º da Lei nº 10.276/2001 diz que Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei nº 9.363, de 1996. Da Lei 9363/96 extraio alguns artigos para nos situarmos na discussão: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. ................... Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de Fl. 142DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10840.903576/201072 Acórdão n.º 3301002.708 S3C3T1 Fl. 143 8 receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Então, para a definição do conceito de produção e produtor, a lei remete expressamente à legislação do IPI (no caso, o RIPI/2002), que diz o seguinte: Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º). O Crédito Presumido não foi criado para ressarcir o IPI, mas sim PIS e Cofins, mas o mesmo legislador que instituiu o benefício quis que fosse utilizado o conceito da legislação do IPI, que diz que industrial é aquele que fabrica produtos tributados pelo IPI. Em adendo, a interpretação de lei que de qualquer forma traz uma desoneração, em defesa do interesse público, deve ser literal, conforme determina o art. 111 do CTN. No caso em tela, em nenhum momento do contencioso administrativo a recorrente contesta que o produto é não tributado pelo IPI, com classificação “NT”. O produto sob enfoque é o mel natural, classificado, na TIPI/2002, no Código 0409.00.00: 0409.00.00 MEL NATURAL NT Na TIPI/2002, há a possibilidade de classificação no Ex 01, o que levaria o produto a ser tributado pela alíquota zero: Ex 01 – Acondicionado em embalagem de apresentação 011.1. Já a definição do que é embalagem para transporte ou de apresentação, à época das exportações, e que não se alterou até hoje, era a encontrada no art. 6º do RIPI/2002: Art. 6º Quando a incidência do imposto estiver condicionada à forma de embalagem do produto, entenderseá (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, inciso II): I como acondicionamento para transporte, o que se destinar precipuamente a tal fim; e II como acondicionamento de apresentação, o que não estiver compreendido no inciso I. § 1º Para os efeitos do inciso I, o acondicionamento deverá atender, cumulativamente, às seguintes condições: I ser feito em caixas, caixotes, engradados, barricas, latas, tambores, sacos, embrulhos e semelhantes, sem acabamento e rotulagem de função promocional e que não objetive valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional; e Fl. 143DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10840.903576/201072 Acórdão n.º 3301002.708 S3C3T1 Fl. 144 9 II ter capacidade acima de vinte quilos ou superior àquela em que o produto é comumente vendido, no varejo, aos consumidores. A Fiscalização constatou que o mel homogeneizado, objeto de exportação, era envasado em tambores de aço revestidos com epóxi fenólico, com capacidade líquida de 280 kg, não sendo razoável supor que se venda no varejo, aos consumidores, tamanha quantidade. Esta descrição não foi contestada pelo contribuinte o qual também não alegou que a embalagem tivesse função promocional ou de valorização do produto. Portanto, preenchidos estão os requisitos da legislação para que o acondicionamento seja considerado de transporte, e afastado, portanto, está o enquadramento do produto no “Ex” tarifário do Código NCM 0409.00.00 da TIPI/2002, donde concluise que o produto exportado efetivamente era nãotributado (“NT”). Voltando a fundamentação do processo, o chamado "crédito presumido de IPI", concedido e disciplinado pelas Leis n°s 9.363/96 e 10.276/01, beneficia tãosomente o produtor exportador, assim compreendida a pessoa jurídica que realiza operação de industrialização segundo os conceitos definidos pela legislação do IPI. A recorrente alega serem ilegais as exclusões de exportações de produtos classificados como não tributados. É essencial ao deslinde da demanda, determinar se os produtos com a classificação “NT” na TIPI, por não estarem no campo de incidência do imposto, podem se caracterizar como produtos originários de empresa produtora e exportadora descrita no art.1 da Lei 9.363/96. Apesar de controversa, a questão já foi enfrentada de forma satisfatória por esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no voto proferido pelo Conselheiro Rodrigo da Costa Possas, no Acórdão 930301.808, da 3ª Turma da CSRF, cujas razões de decidir adoto e ratifico, com fulcro no art. 50, § 1, da Lei nº 9.784/99: A Lei n 4.502/64 é muito precisa na definição do que seja estabelecimento produtor quando preceitua em ser art. 3 que considerase estabelecimento produtos todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. Assim fica claro que tanto na acepção econômica quanto jurídica, não há como se enquadrar empresas não sujeitas ao IPI como estabelecimento industrial ou estabelecimento produtos, na linguagem pouco precisa usada pelo legislador quando da edição da lei 9363/96.[...] Podemos concluir que tanto em uma análise econômica quanto jurídica não há como se interpretar o art. 1 da Lei 9.363/96, a ponto de considerar que a empresa produtora e exportadora ali mencionada abarcaria até mesmo àquelas não contribuintes do IPI, ou seja, somente os estabelecimentos industriais é que podem compensar os créditos presumidos de IPI nos casos de exportação. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10840.903576/201072 Acórdão n.º 3301002.708 S3C3T1 Fl. 145 10 Economicamente falando, não há porque de se incentivar, com desoneração tributária, a produção de produtos não industrializados, como por exemplo, as comodities, pois todos sabem que o Brasil tem expertise nesta área, sendo um dos maiores exportadores mundiais. Em se tratando de uma interpretação meramente jurídica, se fosse a intenção do legislador, a lei teria de ser muito clara, e não deixar nenhuma margem de dúvida quanto à extensão do benefício, conforme preceitua o CTN e várias outras leis tributárias e financeiras. Dessa forma, o crédito presumido de IPI somente poderá ser efetuado pela empresa exportadora ou, no caso de exportação indireta, pelo fornecedor da comercial exportadora, levandose em conta apenas os insumos adquiridos no mercado interno, onerados pelo PIS e COFINS, e utilizados na industrialização de bens destinados à exportação. No mesmo sentido, reproduzo excertos do voto do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, no Acórdão n 202.16.066: A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão dos valores correspondentes às exportações dos produtos não tributados pelo IPI, já que, nos termos do caput do art. 1 da Lei 9.363/1996, instituidora desse incentivo fiscal, o crédito é destinado, tão somente, às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições: a) ser produtora; b) ser exportadora. Isso porque, os estabelecimentos processadores de produtos NT, não são,para efeitos da legislação fiscal, considerados como produtor. Isso ocorre porque, as empresas que fazem produtos não sujeitos ao IPI, de acordo com a legislação fiscal, em relação a eles, não são consideradas como estabelecimentos produtores, pois, a teor do artigo3 da Lei 4.502/1964, considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. Ora, como é de todos sabido, os produtos constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI com a notação NT (Não Tributados) estão fora do campo de incidência desse tributo federal. Por conseguinte, não estão sujeitos ao imposto. Ora, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições a que está subordinado o beneficio em apreço, o de ser produtora. Por outro lado, não se pode perder de vista o escopo desse favor fiscal que é o de alavancar a exportação de produtos elaborados, e não a de produtos primários ou semielaborados. Para isso, o legislador concedeu o incentivo apenas aos produtores, aos industriais exportadores. Tanto é verdade, que Fl. 145DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10840.903576/201072 Acórdão n.º 3301002.708 S3C3T1 Fl. 146 11 afora os produtores exportadores, nenhum outro tipo de empresa foi agraciada com tal benefício, nem mesmo as trading companies, reforçandose assim, o entendimento de que o favor fiscal em foco destinase, apenas, aos fabricantes de produtos tributados a serem exportados. Cabe ainda destacar que assim como ocorre com o crédito presumido, vários outros incentivos à exportação foram concedidos apenas a produtos tributados pelo IPI (ainda que sujeitos à alíquota zero ou isentos). Como exemplo podese citar o extinto crédito prêmio de IPI conferido industrial exportador, e o direito à manutenção e utilização do crédito referente a insumos empregados na fabricação de produtos exportados. Neste caso, a regra geral é que o benefício alcança apenas a exportação de produtos tributados (sujeitos ao imposto); se se referir a NT, só haverá direito a crédito no caso de produtos relacionados pelo Ministro da Fazenda, como previsto no parágrafo único do artigo 92 do RIPI/1982. [...] Diante de todas essas razões, é de se reconhecer que os produtos exportados pela reclamante, por não estarem incluídos no campo de incidência do IPI, já que constam da tabela como NT (não tributado),não geram crédito presumido de IPI. Diante das razões e as argumentações constantes nos acórdãos acima reproduzidos, adotadas e ratificadas por este relator, concluise que o benefício fiscal instituído pelo o art.1 da Lei n 9.363/96 só alcança as empresas produtoras, assim entendidas em conformidade com o conceito dado pela legislação do IPI, a qual considera estabelecimento industrial, stricto sensu, aquele que executa operações próprias das indústrias e cuja produção resulta produto tributado pelo IPI, ainda que de alíquota zero ou isento. Para ratificar este entendimento, verificase que o Direito Pátrio não autoriza o aproveitamento do crédito presumido de IPI em relação a mercadorias exportadas que figurem como NT na tabela do IPI TIPI. Esta é a única conclusão juridicamente aceitável ao interpretarmos, por todas as técnicas existentes, os diplomas legais do crédito presumido da Lei 9.363/96, em cotejo com as demais legislações do IPI. Assim, não há como o não contribuinte do IPI se ressarcir do crédito presumido concedido pela lei 9.363/96. Em relação à atualização monetária do crédito pela taxa Selic, é fato que no ressarcimento ou compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais ou atos administrativos obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito. Entretanto, como no caso em questão não há crédito, não há que se falar em correção monetária. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10840.903576/201072 Acórdão n.º 3301002.708 S3C3T1 Fl. 147 12 Conclusão: a) O produto exportado não estava acondicionado em embalagem de apresentação e, portanto, era “NT”, isto é nãotributado pelo IPI, por não se enquadrar no “Ex 01” do Código 0409.00.00 da TIPI/2002, não havendo, assim, direito ao Crédito Presumido para ressarcimento do PIS e da Cofins, das Leis nº 9.363/96 e 10.276/2001; b) A discussão sobre a correção monetária, que, na realidade, seriam juros à Taxa Selic de um crédito inexistente, não produz efeito prático. À vista destas conclusões, voto por negar provimento do Recurso Voluntário. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Fl. 147DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL
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Numero do processo: 10120.727382/2012-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
RECURSO NÃO CONHECIDO POR FALTA DE UTILIDADE. INEXISTÊNCIA DE GLOSA EFETUADA PELA FISCALIZAÇÃO.
Não se conhece de recurso pleiteando a aceitação de despesa declarada que sequer foi objeto de glosa por parte da fiscalização, face à ausência de utilidade recursal.
DESPESAS MÉDICAS. BENEFICIÁRIO DE PLANO DE SAÚDE DE CÔNJUGE QUE DECLARA EM SEPARADO. DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE.
É possível ao contribuinte, beneficiário do plano de saúde de cônjuge que apresenta declaração em separado, deduzir suas despesas conforme discriminado no comprovante desse plano, sendo desnecessário, dada a sua condição de integrante da entidade familiar, a comprovação do respectivo ônus via transferência de recursos.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2402-004.761
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário, para na parte conhecida, dar-lhe provimento para restabelecer a dedução de R$ 527,05 (quinhentos e vinte e sete reais e cinco centavos) pagos ao IPASGO.
(Assinado digitalmente)
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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INEXISTÊNCIA DE GLOSA EFETUADA PELA FISCALIZAÇÃO. Não se conhece de recurso pleiteando a aceitação de despesa declarada que sequer foi objeto de glosa por parte da fiscalização, face à ausência de utilidade recursal. DESPESAS MÉDICAS. BENEFICIÁRIO DE PLANO DE SAÚDE DE CÔNJUGE QUE DECLARA EM SEPARADO. DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE. É possível ao contribuinte, beneficiário do plano de saúde de cônjuge que apresenta declaração em separado, deduzir suas despesas conforme discriminado no comprovante desse plano, sendo desnecessário, dada a sua condição de integrante da entidade familiar, a comprovação do respectivo ônus via transferência de recursos. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 73 82 /2 01 2- 51 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/01/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário, para na parte conhecida, darlhe provimento para restabelecer a dedução de R$ 527,05 (quinhentos e vinte e sete reais e cinco centavos) pagos ao IPASGO. (Assinado digitalmente) Ronaldo de Lima Macedo Presidente (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/01/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10120.727382/201251 Acórdão n.º 2402004.761 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF) DRJ/BSB, que julgou parcialmente procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), exigindo crédito tributário no valor total de R$ 19.308,63 relativo ao anocalendário 2010. O processo foi distribuído para julgamento a ser realizado, inicialmente, pela Segunda Turma Especial da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Contudo, em sessão de julgamento datada de 21/1/2015, foi exarada por aquela Turma a Resolução nº 2802000.225, convertendo o julgamento em diligência. Quando do seu retorno à segunda instância recursal, o processo foi distribuído para este Conselheiro, em observância ao disposto nos §§ 6º e 7º do art. 49 do Regimento Interno do CARF (RICARF), Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Esclarecidos esses fatos preliminares, passo a reproduzir o Relatório constante na precitada Resolução: O lançamento se deu em virtude da glosa das deduções declaradas com dependente, com instrução, pensão alimentícia judicial e despesas médicas. O contribuinte arguiu na impugnação, em síntese, que já apresentou os comprovantes da pensão alimentícia ao Fisco e que os demais comprovantes seguem anexos; acrescentou que nada alegava quanto à dedução de despesas de instrução de sua neta, pois não possuía os documentos. A instância de primeiro grau, após ressaltar não ter o contribuinte impugnado as infrações de glosa de dedução de dependente e de despesas com instrução, deu parcial provimento à inconformidade, restabelecendo R$ 34.790,39 a título de dedução de pensão judicial, e R$ 70,00 de dedução com despesas médicas. O notificado interpôs recurso voluntário em 20/12/2012. Alega não se conformar com o processo, e, aceitando nos itens 1, 2 e 4 de sua petição as glosas referentes às deduções com dependente, instrução e alimentação (pensão judicial), aduz nos itens 3 e 5: I OS FATOS (...) 3 Em anexo, demonstrativo para DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA, emitida pelo Instituto de Previdência dos Servidores Públicos do Estado de Goiás, de número 117581500, que tem a servidora ELIZABETE PEreira do Nascimento Lacerda cuja participação nº 1175815, esposa do intimado, no valor de R$ 666,44, já tendo sido comprovado junto Fl. 168DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/01/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 a Delegacia da Fazenda em Goiás, assim como os demais dependentes da mencionada funcionária. (...) 5 Consta, também a importância de R$ 809,75, pago pelo contribuinte a Diretoria de Finanças da Marinha (DFM), CNPJ 00394502/047370, pagamento válido como Pensão Hospitalar. Como fecho o contribuinte afirma esperar solução e pede desculpas pelos erros cometidos. O recurso foi admitido como tempestivo à ocasião da prolação daquela Resolução, não tendo sido conhecido, porém, o pedido formulado quanto ao pagamento de R$ 809,75 efetuado à Diretoria de Finanças da Marinha. como "Pensão Hospitalar". Quanto ao pedido relativo ao pagamento ao Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Estado de Goiás (IPASGO), foi considerado que o documento intitulado Demonstrativo de Valores Pagos – IPASGO (fls. 13 e 100), atesta tal pagamento de despesas médicas (coparticipação em plano de saúde de titularidade de sua cônjuge, Elizabete Pereira do Nascimento Lacerda, CPF nº 169.221.58112 fl. 33) em seu benefício no valor de R$ 666,44. Tal conclusão, entendeuse, está em harmonia com as orientações contidas no manual Perguntas e Respostas do Imposto Sobre a Renda Pessoa Física do exercício em questão, 2011, e na Solução de Consulta Cosit nº 185, de 25/6/2014. Ou seja, é possível ao contribuinte, beneficiário do plano de saúde de sua esposa que apresenta declaração em separado, deduzir suas despesas conforme discriminado no comprovante desse plano, sendo desnecessário, dada a sua condição de integrante da entidade familiar, a comprovação do respectivo ônus via transferência de recursos. Entretanto, inexistindo informação no processo acerca sobre eventual aproveitamento do pagamento em questão por parte do cônjuge virago, a 2ª Turma Especial da 2ª Seção do CARF determinou a remessa do processo à autoridade preparadora, para fins de que nele fosse juntada a DIRPF/2011 de Elizabete Pereira do Nascimento Lacerda, CPF nº 169.221.58112, com o seu posterior retorno ao CARF para prosseguimento do julgamento, o que ora se sucede. É o relatório. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/01/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10120.727382/201251 Acórdão n.º 2402004.761 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso já foi parcialmente conhecido pelo CARF, tendo ficado consolidado quando da prolação da Resolução nº 2802000.225, como relatado, o não conhecimento da parte atinente ao pagamento de R$ 809,75 efetuado à Diretoria de Finanças da Marinha. como "Pensão Hospitalar", pois: tal pagamento, informado em sua Declaração de Ajuste, não foi objeto de glosa por parte da fiscalização, tratandose de matéria fora da controvérsia posta nos presentes autos, do que decorre estar ausente no caso utilidade recursal, requisito indispensável para a admissão da irresignação; o contribuinte não manifestou inconformidade a respeito dessa questão quando da impugnação, não podendo ele modificar o pedido ou invocar outra causa petendi (causa de pedir) nesta fase do contencioso, sob pena de violação do princípio da congruência e ofensa ao art. 17 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, bem como aos arts. 128, 183, 264 e 460 do Código de Processo Civil. Quanto ao pagamento de R$ 666,04 efetuado ao IPASGO, CNPJ nº 01.246.693/000160, restara claro que ele seria apto a ser deduzido pelo recorrente em sua DIRPF/2011, desde que seu cônjuge já não o houvesse feito na respectiva declaração desse exercício. Oportuno, nesse passo, transcrever o seguinte trecho da precitada Resolução, o qual passa a integrar a fundamentação do presente julgado: Dissinto do entendimento da DRJ/BSB de que o documento em tela não seria hábil a comprovar que o indigitado pagamento foi efetuado pelo notificado. Vejase que os pagamentos das coparticipações estão devidamente individualizados, do que se deduz que eles foram realizados pelas pessoas físicas ali discriminadas, na ausência de evidência em sentido diverso. Vale lembrar, a respeito do tema, as orientações contidas no manual Perguntas e Respostas do Imposto Sobre a Renda Pessoa Física do exercício em questão, 2011: 361 — O contribuinte, titular de plano de saúde, pode deduzir o valor integral pago ao plano, incluindo os valores referentes ao cônjuge e aos filhos quando estes declarem em separado? E a pessoa física que constou como beneficiário em plano de saúde de outra pode deduzir as suas despesas? O contribuinte, titular de plano de saúde, não pode deduzir os valores referentes ao cônjuge e aos filhos quando estes declarem em separado, pois somente são dedutíveis na declaração os valores pagos a planos de saúde de pessoas físicas consideradas dependentes perante a legislação tributária e incluídas na Fl. 170DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/01/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 declaração do responsável em que forem consideradas dependentes. Na hipótese de apresentação de declaração em separado, são dedutíveis as despesas com instrução ou médica ou com plano de saúde relativas ao tratamento do declarante e de dependentes incluídos na declaração cujo ônus financeiro tenha sido suportado por um terceiro, se este for integrante da entidade familiar, não havendo, neste caso, a necessidade de comprovação do ônus. Entretanto, se o terceiro não for integrante da entidade familiar, há que se comprovar a transferência de recursos, para este, de alguém que faça parte da entidade familiar. A comprovação do ônus financeiro deve ser feita mediante documentação hábil e idônea, tais como contrato de prestação de serviço ou declaração do plano de saúde e comprovante da transferência de recursos ao titular do plano). Aplicase o conceito de entidade familiar tanto aos valores pagos a empresas operadoras de planos de saúde, destinados a cobrir planos de saúde, como às despesas pagas diretamente aos profissionais ou prestadores de serviços de saúde, bem assim aos pagamentos de despesas com instrução, do contribuinte e de seus dependentes. Corroborando tal entendimento, tragase à baila a conclusão da Solução de Consulta Cosit nº 185, de 25/6/2014: Conclusão 13. Dessa forma, tendo em vista os dispositivos legais anteriormente mencionados, é de se concluir que somente são passíveis de dedução, na DAA, as despesas médicas pagas pelo contribuinte relativas ao próprio tratamento e de seus dependentes incluídos em sua declaração, desde que devidamente comprovadas, mediante documento que contenha sua razão social, endereço completo, número de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e valores efetivamente pagos durante o anocalendário, emitido por quem os recebeu. 14. Convém observar, contudo, que se analisando as orientações expedidas pela RFB na pergunta 363 do Perguntas e Respostas IRPF – 2013, verificase que há a possibilidade de dedução das despesas médicas pelo cônjuge que declare em separado, desde que ele não opte pelo desconto simplificado, devendo solicitar à empresa contratada que emita o comprovante segregando os valores efetivamente pagos durante o anocalendário. Ou seja, é possível ao contribuinte, beneficiário do plano de saúde de sua esposa que apresenta declaração em separado, deduzir suas despesas conforme discriminado no comprovante desse plano, sendo desnecessário, dada a sua condição de integrante da entidade familiar, a comprovação do respectivo ônus via transferência de recursos. E, compulsando a DIRPF/2011 da cônjuge Elizabete Pereira do Nascimento Lacerda, CPF nº 169.221.58172, carreada na diligência solicitada (fls. 152/157), verificase na Fl. 171DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/01/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10120.727382/201251 Acórdão n.º 2402004.761 S2C4T2 Fl. 5 7 ficha "Pagamentos e Doações Efetuados" que a referida não realizou o aproveitamento desse pagamento como dedução em sua Declaração de Ajuste. Não permanece, doravante, óbice para o reconhecimento da despesa médica com o IPASGO como dedução na DIRPF do notificado, nos termos preconizados pelo art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995. Esclareçase, por fim, que o montante a ser reconhecido é o informado pelo notificado naquela declaração, e objeto de glosa por parte da fiscalização, R$ 527,05 (fls. 29/34). Ante o exposto, voto por não conhecer do recurso no que tange ao pagamento de R$ 809,75, e, na parte conhecida no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para fins de restabelecer a dedução de R$ 527,05 (quinhentos e vinte e sete reais e cinco centavos) pagos ao IPASGO. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/01/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 11020.002546/2006-87
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
PIS NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR. BASE DE CÁLCULO. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS.EXPORTAÇÃO
Nos termos do §2º do art. 62 do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, não incidem as contribuições para o PIS e a Cofins em relação a valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação.
Recurso Especial da Fazenda negado.
Numero da decisão: 9303-003.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
Joel Miyazaki - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen (substituto convocado), Joel Miyazaki, Vanessa Cecconello, Maria Tereza Martínez Lopez e Carlos Alberto Freitas Barreto (presidente).
Nome do relator: JOEL MIYAZAKI
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RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR. BASE DE CÁLCULO. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS.EXPORTAÇÃO Nos termos do §2º do art. 62 do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, não incidem as contribuições para o PIS e a Cofins em relação a valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação. Recurso Especial da Fazenda negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. Joel Miyazaki Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg, Demes Brito, Rodrigo da Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 25 46 /2 00 6- 87 Fl. 340DF CARF MF Impresso em 18/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI 2 Pôssas, Valcir Gassen (substituto convocado), Joel Miyazaki, Vanessa Cecconello, Maria Tereza Martínez Lopez e Carlos Alberto Freitas Barreto (presidente). Relatório Os fatos foram assim narrados no acórdão recorrido: “Tratase de recurso voluntário contra acórdão da 2ª Turma da DRJ em pedido de ressarcimento de saldo credor do PIS nãocumulativo. Repisando argumentação contida na Manifestação de Inconformidade, a contribuinte defende a não tributação dos valores de transferências de créditos do ICMS a terceiros, alegando que a não se enquadram no conceito de receita. Para a Recorrente, o saldo credor de ICMS acumulado por força da regra que isenta as operações de exportação do ICMS possui natureza de "tributo recuperável" que, no balanço, está classificado como uma conta do Ativo da empresa e, após a transferência a terceiros, continua no Ativo, na conta Caixa. Afirma que quando a transferência é para fornecedores ocorre redução de despesas, em vez auferimento de receita, e que de todo modo não é incorporado qualquer valor novo ao patrimônio da pessoa jurídica. No mais, pleiteia novamente “correção monetária” pela taxa Selic.” A Câmara a quo deu provimento parcial ao Recurso Voluntário apresentado pelo sujeito passivo, o qual foi julgado nos termos do Acórdão nº. 340101.121, de 09/12/2010 (156/163), cuja ementa restou assim redigida: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 Ementa: REGIME NÃOCUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDO. NÃO INCLUSÃO. Não compõe o faturamento ou receita bruta, para fins de tributação da Cofins e do PIS, o valor do crédito de ICMS transferido a terceiros, cuja natureza jurídica é a de crédito escritural do imposto Estadual. Apenas a parcela correspondente ao ágio integrará a base de cálculo das duas Contribuições, caso o valor do crédito seja transferido por valor superior ao saldo escritural. RESSARCIMENTO. REGIME NÃOCUMULATIVO. JUROS SELIC. INAPLICABILIDADE. Ao ressarcimento não se aplicam os juros Selic, inconfundível que é com a restituição ou compensação, sendo que no caso do PIS e COFINS nãocumulativos os arts. 13 e 15, VI da Lei nº 10.833/2003 vedam expressamente tal aplicação. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 18/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11020.002546/200687 Acórdão n.º 9303003.343 CSRFT3 Fl. 341 3 Contra o acórdão acima mencionado, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou recurso especial (efls. 169/185), o qual logrou seguimento, nos termos do despacho de exame de admissibilidade constante às efls. 233/234. Regularmente intimado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões ao apelo fazendário, às efls. 242/256. Apresentou, ainda, recurso especial (efls. 283/301), ao qual foi negado seguimento (efls. 330/333). É o Relatório. Voto Conselheiro Joel Miyazaki, Relator Preenchidas as condições de admissibilidade do recurso especial, dele tomo conhecimento. A teor do relatado, a matéria posta em debate cingese ao cabimento da inclusão, na base de cálculo do PIS/COFINS, dos valores auferidos pela contribuinte a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS gerados na exportação. A discussão encontrase superada no âmbito deste CARF, tendo em vista que o Supremo Tribunal Federal já proferiu decisão acerca desta matéria, em sede de recurso com repercussão geral reconhecida, nos termos do art. 543B da Lei nº 5.869, de 11/01/1973 (Código de Processo Civil). O Recurso Extraordinário nº 606.107, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, o qual decidiu que o PIS e a COFINS não incidiam sobre os créditos de ICMS obtidos em razão do benefício fiscal de que trata o art. 25 da LC 87/96, porquanto não constituíam receitas, mas sim custo recuperável sob a forma de compensação ou restituição. Em 22/05/2013, o STF proferiu decisão acerca da matéria, cujo teor restou assim ementado: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os Fl. 342DF CARF MF Impresso em 18/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI 4 quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuida se de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII – Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditar se do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas Fl. 343DF CARF MF Impresso em 18/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11020.002546/200687 Acórdão n.º 9303003.343 CSRFT3 Fl. 342 5 respectivas qualificam se como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII – Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX – Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. (Rel. Min. Rosa Weber. Publicação: 25/11/2013, DJE nº. 231, Trânsito em julgado: 05/12/2013) Por outro lado, dispõe o §2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF/2015: Art. 62. ............................................................................................ §2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos art.s 543B e 543C da Lei nº. 5.869, de 1963 – Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Desta forma, in casu, não pode se furtar o julgador deste Tribunal Administrativo de reproduzir a decisão definitiva proferida pelo STF, na sistemática prevista no art. 543B do CPC/1973, que julgou inconstitucional a incidência das contribuições para o PIS e a COFINS sobre os ingressos relativos à cessão onerosa de créditos de ICMS decorrentes de operações de exportação, conforme demonstrado linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. É como voto. Joel Miyazaki Relator Fl. 344DF CARF MF Impresso em 18/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI 6 Fl. 345DF CARF MF Impresso em 18/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI
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