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Numero do processo: 15504.723021/2017-50
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE PENSÃO ALIMENTÍCIA RECEBIDOS POR DEPENDENTE - ISENÇÃO - MOLÉSTIA GRAVE - RENDIMENTOS PRÓPRIOS
Os valores recebidos de pensão alimentícia de dependente do contribuinte devem ser declarados e não são abrangidos pela isenção por moléstia grave prevista na legislação, vez que não se tratam de rendimentos próprios.
Numero da decisão: 2002-000.420
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE PENSÃO ALIMENTÍCIA RECEBIDOS POR DEPENDENTE - ISENÇÃO - MOLÉSTIA GRAVE - RENDIMENTOS PRÓPRIOS Os valores recebidos de pensão alimentícia de dependente do contribuinte devem ser declarados e não são abrangidos pela isenção por moléstia grave prevista na legislação, vez que não se tratam de rendimentos próprios.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE PENSÃO ALIMENTÍCIA RECEBIDOS POR DEPENDENTE ISENÇÃO MOLÉSTIA GRAVE RENDIMENTOS PRÓPRIOS Os valores recebidos de pensão alimentícia de dependente do contribuinte devem ser declarados e não são abrangidos pela isenção por moléstia grave prevista na legislação, vez que não se tratam de rendimentos próprios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 30 21 /2 01 7- 50 Fl. 113DF CARF MF 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 25 a 32), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação pela omissão de rendimentos recebidos de pessoa física alugueis e outros, dedução indevida de despesas médicas e compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte. Tal omissão gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 7.324,98, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 e 30 dos autos, que conforme decisão da DRJ: 2. Tendo sido intimado do lançamento em 06/04/2017 (fl. 33), o contribuinte ingressou, em 26/04/2017, com a impugnação parcial de folha 2, alegando que: i) os rendimentos recebidos de pessoa física apontados como omitidos seriam referentes a "pensão alimentícia paga a outro beneficiário", bem como que "declaração retificadora foi feita corrigindo esta irregularidade"; ii) concordava com a glosa de dedução de despesas médicas e de compensação de imposto de renda retido na fonte. 3. A autoridade preparadora, em despacho de 27/04/2017 (fl. 60), informou a transferência do crédito relativo à parte não impugnada para o processo 15504.723133/201719, para prosseguimento na cobrança. 4. Posteriormente, o interessado apresentou a petição de folha 64, datada de 08/05/2017, à qual juntou os documentos de folhas 66 a 79, ratificando a impugnação quanto à omissão de rendimentos e retificandoa, quanto à glosa de dedução de despesas médicas, nos seguintes termos: não concordo com essa infração a despeito de na impugnação ter colocado que concordo, foi equivocadamente, pois queria dizer que realmente após ter lido as regras havia lançado esse valor indevidamente. A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/CTA que, por unanimidade, em 16/06/2017, no acórdão 0659.371, às efls. 66 a 69, julgou à unanimidade, a impugnação improcedente. Recurso voluntário Fl. 114DF CARF MF Processo nº 15504.723021/201750 Acórdão n.º 2002000.420 S2C0T2 Fl. 114 3 Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em 04/08/2017 às efls. 98 a 110 no qual alega, em síntese, que seus rendimentos são provenientes de aposentadoria e portador de moléstia grave, motivo pelo qual seriam isentos. Além disso, não poderia ter colocado sua mãe como dependente em sua DAA. Alega que apresentou declaração retificadora. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 05/07/2017, efls. 94, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 04/08/2017, efls. 98, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Conforme os autos, o lançamento tributário foi baseado autuação pela omissão de rendimentos recebidos de pessoa física alugueis e outros no valor de R$22.727,50 a título de pensão alimentícia de dependente, dedução indevida de despesas médicas e compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte. Em relação a dedução indevida de despesas médicas e compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte., em sede de impugnação, o contribuinte concorda com a Fiscalização, motivo pelo qual atrai a redação do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Face ao pedido de exclusão de dependente de sua DAA apresentada, informamos que o presente processo administrativo não se presta para tal pleito. Assim decidiu a DRJ: 11. Apesar de o interessado ter juntado uma cópia do que seria uma DAA retificadora (fls. 13 em diante), nos sistemas da RFB consta a apresentação somente de DAA original, exatamente com os dados analisados pela autoridade lançadora, ou seja, com omissão dos rendimentos recebidos pela dependente Anna Costa. Assim, presumese que ele elaborou e imprimiu referida declaração retificadora, mas não a transmitiu à RFB. Quanto a inclusão de pensão alimentícia da dependente A DRJ assim se posicionou: Fl. 115DF CARF MF 4 9. Conforme se verifica à folha 27, ao interessado foi imputada a omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, nos seguintes termos: foram incluídos os rendimentos recebidos em função de pensão alimentícia judicial ou por escritura pública, pagos por Roberto Costa (CPF 055.090.096 91), à dependente Anna Costa (CPF 293.891.00615), no valor total de R$ 22.727,50, de acordo com os sistemas da RFB, e que não haviam sido declarados. 10. Em sua impugnação (fl. 2), o interessado alega que se tratava de pensão alimentícia "paga a outro beneficiário" e que havia sido feita declaração retificadora "corrigindo esta irregularidade". Qualquer rendimento auferido pela pessoa física, salvo exceções legalmente previstas, seja oriundo do trabalho, do capital ou da combinação de ambos, entra na base de cálculo para incidência do imposto de renda, como se vê pela redação do artigo 37 do Regulamento de Imposto de Renda (RIR/99 Decreto nº 3.000/99): Art. 37. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados (Lei nº 5.172, de 1966, art. 43, incisos I e II, e Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 1º). Parágrafo único. Os que declararem rendimentos havidos de quaisquer bens em condomínio deverão mencionar esta circunstância (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 66). Art. 38. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º). Parágrafo único. Os rendimentos serão tributados no mês em que forem recebidos, considerado como tal o da entrega de recursos pela fonte pagadora, mesmo mediante depósito em instituição financeira em favor do beneficiário. Ainda, conforme jurisprudência deste CARF: Fl. 116DF CARF MF Processo nº 15504.723021/201750 Acórdão n.º 2002000.420 S2C0T2 Fl. 115 5 IMPOSTO DE RENDA DAS PESSOAS FÍSICAS — São rendimentos da pessoa física para fins de tributação do Imposto de Renda aqueles provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos, funções e quaisquer proventos ou vantagens percebidos tais como salários, ordenados, vantagens, gratificações, honorários, entre outras denominações. (Acórdão n°: 9202 002.451 – 08/11/2012) Aquele que recebe pensão alimentícia tem que declarar o rendimento na aba Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Física, vez que tributável, quando da apresentação da DAA. Ainda, deve ser preenchido carnêleão mês a mês do recebimento. Como a senhora Anna Costa consta como sua dependente, o contribuinte deveria incluir os rendimentos na guia de dependentes. Em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte alega que seus rendimentos são isentos, pois provenientes de aposentadoria e por ser portador de moléstia grave. Da exegese do artigo 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88, do artigo 39, XXXI, do Regulamento de Imposto de Renda (RIR Decreto 3.000/99) e do artigo 30 da Lei nº 9.250/95 para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial. Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) Fl. 117DF CARF MF 6 XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensã(...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (...) A jurisprudência deste CARF segue a mesma linha: REQUISITO PARA A ISENÇÃO RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO E RECONHECIMENTO DA MOLÉSTIA GRAVE POR LAUDO MÉDICO OFICIAL LAUDO MÉDICO PARTICULAR CONTEMPORÂNEO A PARTE DO PERÍODO DA AUTUAÇÃO LAUDO MÉDICO OFICIAL QUE RECONHECE A MOLÉSTIA GRAVE PARA PERÍODOS POSTERIORES AOS DA AUTUAÇÃO IMPOSSIBILIDADE DO RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO O contribuinte aposentado e portador de moléstia grave reconhecida em laudo médico pericial de órgão oficial terá o benefício da isenção do imposto de renda sobre seus proventos de aposentadoria. Na forma do art. 30 da Lei nº 9.250/95, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. O laudo pericial oficial emitido em período posterior aos anos Fl. 118DF CARF MF Processo nº 15504.723021/201750 Acórdão n.º 2002000.420 S2C0T2 Fl. 116 7 calendário em debate, sem reconhecimento pretérito da doença grave, não cumpre as exigências da Lei. De outro banda, o laudo médico particular, mesmo que contemporâneo ao período da autuação, também não atende os requisitos legais. Acórdão nº 10616928 29/05/2008) A matéria é sumulada pelo CARF: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Contudo, no presente processo não estáse discutindo rendimentos próprios do contribuinte, e sim a pensão alimentícia recebida por dependente que foi omitida quando do preenchimento da DAA do recorrente, e que deveria ser levado à tributação. Não há que se falar em isenção por moléstia grave. Por todo exposto, voto por conhecer do presente Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 119DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16641.720046/2015-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 28 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1401-000.620
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga - Relatora
Participaram da sessão de julgamentos os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Letícia Domingues Costa Braga, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Daniel Ribeiro Silva e Cláudio de Andrade Camerano.
RELATÓRIO
Nome do relator: LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga - Relatora Participaram da sessão de julgamentos os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Letícia Domingues Costa Braga, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Daniel Ribeiro Silva e Cláudio de Andrade Camerano. RELATÓRIO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1363; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 3.703 1 3.702 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16641.720046/201528 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1401000.620 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 12 de dezembro de 2018 Assunto PARCELAMENTO Recorrente QUIP S/A E OUTRAS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Relatora Participaram da sessão de julgamentos os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Letícia Domingues Costa Braga, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Daniel Ribeiro Silva e Cláudio de Andrade Camerano. RELATÓRIO Cuidam os autos de Auto de Infração referente a pagamento sem causa ou de operação não comprovada que abarcam o período de janeiro de 2010 a dezembro de 2012. O auto de infração a folhas 853 a 862 exige o recolhimento de crédito tributário no montante de R$ 24.406.361,37, assim discriminado: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 41 .7 20 04 6/ 20 15 -2 8 Fl. 3703DF CARF MF Processo nº 16641.720046/201528 Resolução nº 1401000.620 S1C4T1 Fl. 3.704 2 No relatório fiscal a fls. 863 a 896, o autuante apresenta a motivação dos lançamentos. Dele extraemse as observações e argumentos resumidos adiante. · No final do ano de 2014, procedeuse ao lançamento de ofício do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, decorrente da não necessidade e/ou usualidade de custos e despesas de consultoria, referentes ao ano de 2009. Tal lançamento, acompanhado de toda a comprovação documental, consta no Processo Administrativo Fiscal nº 16641.720051/201450. · Tendo em vista que o procedimento pautouse pela desnecessidade do custo/despesa, não houve o lançamento do IRRF previsto no art. 674 do RIR 1999. Ocorre que fatos novos, não conhecidos e/ou com as correspondentes provas não obtidas até o final do trabalho anterior, chegaram ao nosso conhecimento, especialmente pelo fato da divulgação de denúncias e sentenças da “Operação Lava Jato”, fazendo com que fosse programada a fiscalização do IRRF, com vistas a verificar, justamente, a ocorrência de pagamento sem causa ou de operação não comprovada e lançamento do IRPJ e da CSLL, dos anos de 2010 a 2012, pelo fato de tais pagamentos terem aumentado indevidamente as deduções previstas na legislação. · Em consulta ao Sistema Público de Escrituração Digital – SPED, verificaramse altos valores na conta Serviços de Auditoria/Consultoria, fato que originou a solicitação no Termo de Intimação Fiscal nº 1, de 07/01/2014. · Após análise da documentação apresentada, entendemos necessário solicitar as notas fiscais e os contratos faltantes, bem como documentos e esclarecimentos complementares. · Em sua resposta, o contribuinte apresentou as notas fiscais e os contratos solicitados. Como, em relação ao item 6 limitouse a transcrever parcialmente a cláusula 1ª do tópico destinado ao objeto dos respectivos contratos de prestação de serviços (o que denominou objeto social), esclarecemos, na Intimação nº 3, de 11/11/2014, que necessitávamos da comprovação da dedutibilidade das despesas, e transcrevemos os itens 4 e 5 do Parecer Normativo CST nº 32/1981, que trouxe esclarecimentos sobre a definição de despesas necessárias, usuais e normais. · Somandose os valores pagos às três empresas chegouse a 5,5% do faturamento bruto da contratante, assim definido como o valor recebido da Charter Development LLCCDC, a título de execução do contrato de construção e montagem da Plataforma P53, calculado a Fl. 3704DF CARF MF Processo nº 16641.720046/201528 Resolução nº 1401000.620 S1C4T1 Fl. 3.705 3 partir de maio de 2005. Registrese que os valores pagos atingem R$ 34.623.312,23, sendo quase 3 vezes maior que o resultado contábil do período, que foi de R$ 12.220.095,43. · Verificouse, pelo quadro societário constante nas DIPJs, que, direta ou indiretamente, as empresas Queiroz Galvão e UTC, possuíam juntas 55%, ao passo que a Queiroz Galvão possuía 12,5%, sendo carreados para elas diretamente o percentual de 5,5% do faturamento bruto da plataforma P53, sem comprovação da contraprestação concreta. · Também não trouxe justificativa convincente quando solicitado acerca de informações da normalidade, usualidade e necessidade de tais serviços de consultoria, especialmente, com retribuição medida em função do faturamento e não do trabalho realizado. · A descrição genérica constante nas correspondentes notas fiscais, bem como, a forma pouco objetiva na descrição da realização do trabalho e o modo de remuneração, conforme transcrição parcial dos contratos, vão ao encontro do exposto até aqui. · Após análise dos 3 contratos, muito semelhantes em toda a sua estrutura e com tantos pontos em comum que demonstram um inarredável liame entre eles, destacase o que se segue. · Alegase que tais serviços tiveram inicio em maio de 2005 (sem qualquer previsão contratual), vindo a ser ratificados somente em agosto do mesmo ano, com o pagamento de significativos valores retroativos, fato que demonstra que a relação entre contratante e contratadas foge totalmente do padrão das relações de mercado. · A notória desproporção entre o preço pago (com método de cálculo em percentual sobre o faturamento bruto) e a forma de execução dos serviços, prevendo a consultoria até mesmo por via telefônica. Também, neste ponto, foram solicitados esclarecimentos ao contribuinte, sem nenhum êxito. · Nenhuma das formas de execução previstas nos contratos foram comprovadas documentalmente, sequer um dos previstos “pareceres técnicos” foi apresentado, em que pese haver sido intimado, reintimado e, ainda, aguardado o prazo solicitado em 2 pedidos de prorrogação requeridos para este fim. · O quadro aparentava uma distribuição de receitas aos detentores do capital social, sem contraprestação comprovada ou, no mínimo, uma liberalidade da contratante ao remunerar suas controladoras com vultosos valores, sem qualquer proporcionalidade com o serviço eventualmente realizado. De qualquer forma, constatouse, com o conjunto de documentos trazidos aos autos, não ter havido a comprovação da necessidade, usualidade e normalidade das despesas realizadas, na forma definida pela legislação antes citada, impondose a glosa dos correspondentes valores. Fl. 3705DF CARF MF Processo nº 16641.720046/201528 Resolução nº 1401000.620 S1C4T1 Fl. 3.706 4 · Consolidandose os valores não aceitos, obtémse o seguinte quadro: Iesa Óleo e Gás 3.946.440,54; Construtora Queiroz Galvão 13.155.969,37; UTC Engenharia 17.520.902,32; Total 34.623.312,23. · Assim, por força do art. 299 do RIR/1999, o valor de R$ 34.623.312,23 foi adicionado ao lucro líquido, repercutindo na apuração do IRPJ e na CSLL, do período que teve início em 01/01/2009 e se encerrou em 31/12/2009. · Quando da impugnação, a contribuinte não trouxe elementos novos a serem considerados no presente procedimento. · Recentemente, com base no presente TDPF, emitimos o correspondente Termo de Início. Em resposta, além de renovar as alegações trazidas no procedimento anterior, a Quip alegou que: “Quanto à efetiva prestação de serviços pelas empresas contratadas, devese considerar que a própria conclusão e entrega das plataformas já é uma demonstração da questionada prestação”. · Em sua resposta a nova intimação, o contribuinte apresentou os documentos solicitados no item 1, bem como respondeu ao questionamento do item 2. · Abrese um parêntese para um registro importante referente aos anexos citados no item 1 da intimação. Duas notas fiscais emitidas pela Construções e Comércio Camargo Correa S/A, estão supostamente amparadas em contrato que estabelecia pagamentos de valores fixos e referentes a serviços prestados no período de 1º/09/2009 a 04/01/2010. Por sua vez, as notais fiscais de nº 6672 e 10983, foram emitidas em 11/01/2010 e 19/12/2012, respectivamente, em valores idênticos aos constantes nas notas fiscais de nº 695 e 731, emitidas pela UTC Engenharia S/A em datas muito próximas. · Ora, ainda que não se refiram a recebimentos da Construtora Queiroz Galvão S/A, não há como desconsiderar a existência de dois pagamentos idênticos efetuados pela Quip S/A, dentro do contexto dos repasses em análise, sendo que somente o contrato da UTC Engenharia S/A estabelecia o cálculo em percentual do faturamento bruto. · Desta forma, os contratos de consultoria para a construção da plataforma P53, que iniciaram com pagamento de vultosos valores de forma retroativa, foram, nas palavras da intimada: “tacitamente prorrogados”, para abarcar os pagamentos pertinentes à plataforma P55. Por certo, assim como todos os indícios já carreados, a desnecessidade de elaboração de um novo pacto também vai no sentido de que os contratos são ideologicamente falsos. · Foram encaminhadas intimações para as controladoras, incluindo a responsável pelo presente procedimento. Em sua resposta, a Queiroz Galvão trouxe comprovação documental dos efetivos recebimentos e, no que se refere à comprovação da prestação dos serviços de Fl. 3706DF CARF MF Processo nº 16641.720046/201528 Resolução nº 1401000.620 S1C4T1 Fl. 3.707 5 consultoria/assessoria, manteve a lógica das respostas já apresentadas pela Quip. · Em complemento, eis que constatada a existência de lançamentos não listados nas intimações anteriores, emitimos o Termo de Intimação Fiscal nº 4/2015, para a Quip S/A. Em sua resposta, protocolizada na Alfândega da Receita Federal em Rio Grande, no dia 27/11/2015, e encaminhada por meio do dossiê de atendimento nº 10120.004457/111584, justificou algumas operações como mútuo outras como aluguel, bem como informou a existência de novas notas fiscais envolvendo serviços de consultoria a que se refere o presente procedimento. · Também foi emitida intimação para a Queiroz Galvão, que corroborou a resposta apresentada pela Quip S/A, apresentou a documentação solicitada, incluindo atas de constituição do Conselho de Administração. Importante registrar que a aparência externa de licitude, representada pelo contrato de consultoria (e consequentes notas fiscais) e pelas alegações apresentadas, não resiste a uma análise mais profunda dos fatos. · As alegações acerca da efetiva prestação do serviços não foram acompanhadas de documentação comprobatória, repetindo o que sempre ocorreu nas respostas apresentadas pela Quip S/A. Refere que para a consecução dos serviços, a Intimada colocou à disposição da Quip S/A, alguns de seus funcionários durante a consecução dos serviços, citando engenheiro com comprovada experiência, bem como, alegou que alguns de seus consultores participavam de reuniões presenciais e até mesmo permaneciam por alguns dias nas instalações da contratante. · No entanto, não documentou tais reuniões, ou mesmo as viagens e estadias de seus funcionários e/ou consultores. Por certo, seria improvável que tal documentação fosse suficiente para comprovar a veracidade de prestação de serviços para uma empresa controlada, com remuneração medida em percentual do seu faturamento bruto. Nesta linha, o fato da Queiroz Galvão ter participação (direta ou indireta) de, no mínimo, 27,5% no capital social da Quip, já justificaria a presença de alguns de seus funcionários, sem que para isso houvesse o repasse na ordem de R$ 15.451.097,24, nos anos de 2010 a 2012. · De se ressaltar também que a resposta sempre citam as Plataformas P53 e P55, em que pese inexistir contrato para justificar os pagamentos referentes à segunda. Em outras palavras, não há respaldo contratual para a grande maioria dos repasses efetuados. · Também carece de fundamento a alegação, trazida pela Quip S/A, no sentido de que a conclusão e a entrega das plataformas já seria uma demonstração da efetiva prestação. Ora, na Plataforma P55, o percentual de 6,825 do faturamento bruto foram carreados diretamente para as controladoras sendo inaceitável admitir que a conclusão das plataformas, por si só, justificasse tão expressivo repasse. Fl. 3707DF CARF MF Processo nº 16641.720046/201528 Resolução nº 1401000.620 S1C4T1 Fl. 3.708 6 · Os fatos narrados explicam o motivo pelo qual a Quip, ainda que demandada, não documentaram os serviços de consultoria; qual seja, o da inexistência de contraprestação concreta. Tal conclusão é corroborada com o contexto no qual estavam inseridas as contratações da Petrobrás, de modo geral, e da Plataforma P53, em especial. · Os referidos fatos novos dizem respeito aos desdobramentos da Operação Lava Jato, com a publicação no seu sítio oficial de denúncias e sentenças, bem como, de processos abertos na Controladoria Geral da União e de notícias vinculadas na imprensa dando conta de irregularidades na contratação da Plataforma P53, de forma que podese contextualizar a origem e o destino dos valores envolvidos nas operações simuladas. · Iniciamos pela denúncia constante nos Autos Originários nº 5083258 29.2014.404.7000 (anexa), publicada na íntegra no referido sítio. Nesta, estão no rol dos denunciados alguns dos executivos das empresas: UTC – Engenharia S/A e Grupo Camargo Correa, ambas controladoras da Quip S/A, por fatos que envolvem, especificamente, a contratação das Refinarias Getúlio Vargas (Repar), Abreu e Lima (RNEST) e do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). · No decorrer da denúncia, extraímos vários trechos de extrema significância para a presente fiscalização. Voltase ao início da denúncia para sintetizar a parte que mais toca ao presente trabalho. Consta na 5ª página da denúncia. · O Juízo da 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba já prolatou sentença, datada de 20/07/2015, onde corrobora o conjunto probatório trazido na denúncia, em especial, os fatos que destacamos nos itens anteriores. · Não é relevante para o presente trabalho trazer as penas impostas aos réus, até porque os acordos de colaboração processual celebrados entre dirigentes das controladoras e o Ministério Público Federal afastam qualquer possibilidade de dúvidas acerca da existência do Cartel, podem alterar tais punições. · Ao contrário, é de grande valia identificar a mudança de comportamento do Grupo Camargo Correa no que se refere ao aporte de recursos, conforme se verifica na transcrição parcial da sentença. Observamos que as empresas do Grupo Camargo Correa não firmaram contratos de consultoria, no ano de 2005, no momento da construção da Plataforma P 53, como ocorreu com as outras três controladoras, vindo a firmálo somente no ano de 2010, por ocasião da Plataforma P55. Desta forma, possibilitase inferir que a mudança de comportamento do Grupo no que se refere ao aporte de recursos (registrado na sentença acima), veio seguida de outra mudança, qual seja: a nova “necessidade” de firmar contrato de consultoria, antes desnecessário. · Importante registrar o desmembramento da denúncia direcionada ao administrador da UTC, Sr. Ricardo Pessoa, uma vez que celebrou acordo de colaboração processual, conforme está expresso na sentença. Fl. 3708DF CARF MF Processo nº 16641.720046/201528 Resolução nº 1401000.620 S1C4T1 Fl. 3.709 7 · Ressaltese que as controladoras também são alvos em processos abertos na Controladoria Geral da União – CGU, conforme notícia publicada em seu site oficial. · Ainda que não tenha constado o nome da Quip ou mesmo das plataformas que esta construiu nas denúncias já apresentadas, notícias publicadas na imprensa apontam que a Plataforma P53 está entre os projetos da Petrobrás que foram superfaturados. O texto transcrito no relatório foi extraído da página 10 da edição do jornal Zero Hora do dia 09/02/2015. Consta, inclusive, um demonstrativo com os desvios. · Tal depoimento, em tudo confirma que os contratos de consultoria entre Quip e suas controladoras são ideologicamente falsos. Vejamos, por exemplo, a data de início referida na “Planilha do Desvios”, como sendo 01/05/2005, o que vem a explicar o motivo pelo qual os contratos fogem totalmente ao padrão das relações de mercado, ao efetuar pagamentos de forma retroativa, sem qualquer justificativa plausível. · Vale dizer, ainda que os contratos de consultoria datem de agosto de 2005, tiveram que dar suporte a compromissos que decorrem de valores já recebidos da Petrobrás por conta da construção da Plataforma P53, iniciados em maio de 2005, uma vez que, de fato, tais contratos visavam dar uma justificativa econômica para a saída de dinheiro dos cofres da empresa como se fosse um pagamento regular. · Na linha do aqui exposto, notícias foram divulgadas nos principais jornais do país, no sentido de que o Sr. Ricardo Pessoa, Presidente da UTC, à época dos fatos, relatou aos procuradores que integram a Operação LavaJato irregularidades na contratação da Plataforma P53. · Portanto, ainda que não exista denúncia direcionada à Quip ou às suas controladoras, por conta dos contratos de plataformas por esta construídas, a coexistênciados diversos fatos aqui relatados, a seguir identificados, levam à conclusão da ocorrência de pagamentos sem causa ou de operação não comprovada: (a) os contratos ideologicamente falsos constatados no presente procedimento, prevendo pagamento em percentual do faturamento da Plataforma P55, portanto, sem correlação com a complexidade dos serviços e/ou com os custos associados; (b) notas fiscais com suposto amparo em tais contratos, com pagamento de vultosos valores, inclusive, de forma retroativa; (c) a existência de dois pagamentos supostamente amparados em contrato que estabelecia pagamentos em valores fixos para a Construções e Comércio Camargo Correa S/A em valores idênticos e em datas muito próximas a pagamentos efetuados à UTC Engenharia S/A, em relação à qual o contrato estabelecia o cálculo em percentual do faturamento bruto (afastandose a coincidência, por absoluta improbabilidade, resta a necessidade de aporte de recursos financeiros para as controladoras, independente da alegada contraprestação de serviços de consultoria; e (d) a inexistência de documentação apta a comprovar a contraprestação concreta, em que pese as várias intimações com este objetivo. Fl. 3709DF CARF MF Processo nº 16641.720046/201528 Resolução nº 1401000.620 S1C4T1 Fl. 3.710 8 · A título de reforço, a incontroversa existência do cartel, admitido, inclusive, em acordos de colaboração premiada firmados por diversos partícipes e as provas materiais que confirmaram tais depoimentos, conforme sentença anexada. · Em síntese, a falta de plausibilidade das alegações do contribuinte e do responsável e as diversas provas carreadas, acrescidas dos fortes indícios, levam necessariamente à conclusão de que o objetivo foi unicamente o repasse de percentual do faturamento da contribuinte para suprir necessidades financeiras da responsável, sem qualquer contraprestação concreta de serviços de consultoria. · O quadro constante do relatório identifica os pagamentos sem causa ou de operação não comprovada efetuados pela Quip para a sua controladora Construtora Queiroz Galvão S/A, observando que, conforme previsão legal, o rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. · O art. 44 da Lei nº 9.430/1996, estabelece os percentuais de multa aplicáveis nos casos de lançamento de ofício. · Conforme descrito anteriormente, o contribuinte utilizouse de documentos ideologicamente falsos (contratos e notas fiscais), os quais visavam dar uma justificativa econômica para a saída de dinheiro dos cofres da empresa como se fosse um pagamento regular. · De pronto, tornase evidente a prática da simulação no caso concreto, eis que os documentos ideologicamente falsos tiveram como objetivo impedir o conhecimento (de diversas autoridades) do real fundamento do repasse realizado, sendo que logrou êxito em retardar o conhecimento da autoridade tributária da ocorrência do fato gerador do IRRF. A conduta em tudo se amolda à definição de simulação. · Conforme consta no tópico da denúncia, a conduta também caracteriza fraude à fiscalização tributária: “mediante a prestação de declarações falsas às autoridades fazendárias e a inserção de elementos inexatos em documentos e livros exigidos pela lei fiscal, fraudando a fiscalização tributária, suprimiram e reduziram tributos e contribuições sociais e seus acessórios” e “a partir de tais contratos, foram emitidas notas fiscais fraudulentas que justificaram transferências e pagamentos sem causa”. · Por certo, também houve conluio entre a contribuinte e suas controladoras, eis que tanto nos contratos firmados, como nas notas fiscais com “suporte” em tais acordos, agiram de forma conjunta, com o objetivo de suprir necessidades financeiras das controladoras; eis que há total falta de sintonia entre a forma de prestação dos serviços prevista nos contratos, bem como com as comprovações trazidas, a comparar com os milionários valores pagos. · Sendo assim, caso não ocorresse a ação do fisco, a empresa fiscalizada teria se eximido de significativos valores devidos a título de IRRF, Fl. 3710DF CARF MF Processo nº 16641.720046/201528 Resolução nº 1401000.620 S1C4T1 Fl. 3.711 9 decorrente de diversas notas fiscais ideologicamente falsas (dezoito, no presente caso), que repercutiram em pagamentos efetuados por conta de operações não comprovadas. Tal situação perdurou, no mínimo, nos anos de 2009 (presente procedimento) até o ano de 2012. · Como decorrência, a multa de 75% deverá ser duplicada, por força do §1º do art 44 da Lei nº 9.430/1996. · O Código Tributário Nacional – CTN estabelece, em seu art. 121, o responsável como sujeito passivo da obrigação principal, e os define nos arts. 128 a 138, tendo especial importância para o presente caso, o art. 135. · O agir doloso, e de forma reiterada, dos administradores da empresa fiscalizada em conluio com suas controladoras, com a emissão de documentos ideologicamente falsos, tiveram como objetivo impedir o conhecimento (de diversas autoridades) do real fundamento do repasse realizado, sendo que logrou êxito em retardar o conhecimento da autoridade tributária da ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda Retido na Fonte, caracterizando não só a sonegação prevista no art. 71 da Lei nº 4.502/1964, como também, o conluio previsto no artigo 73 da mesma lei. · Tal conduta também se amolda ao que está previsto no art. 1º, inciso II, da Lei nº 8.137, de 1990, que define os crimes contra a ordem tributária, eis que os contratos firmados e as consequentes notas fiscais, todos ideologicamente falsos e realizados em conluio da contribuinte e suas controladoras, objetivaram fraudar a fiscalização tributária, ao inserir elementos inexatos e ao omitir operações em documentos exigidos pela lei fiscal. · Desta forma, realizados os atos com infração às leis antes citadas, incide a responsabilidade pessoal em relação aos dirigentes de ambas as pessoas jurídicas de direito privado, conforme estabelece o inciso III, do artigo 135. · Também o artigo 124, inciso I, do CTN, aplicase ao caso concreto. · O interesse comum se demonstra, entre outros tantos fundamentos, pelo conluio em todos os atos simulados, os quais ao final objetivaram a transferência de significativos valores da conta da controlada para as de suas controladoras, sem nenhuma contraprestação concreta. · O artigo de Kiyoshi Harada, em tudo confirma o interesse comum e a consequente aplicação do art. 124, I, do CTN, ao caso presente. · No que se refere aos diretores que agiram em nome da Quip S/A, o item 4 da Ata da Assembleia Geral Extraordinária realizada em 15 de setembro de 2008, informa que foi decidida a consolidação do Estatuto Social da Companhia, passando a vigorar a redação constante Fl. 3711DF CARF MF Processo nº 16641.720046/201528 Resolução nº 1401000.620 S1C4T1 Fl. 3.712 10 no Anexo I. O artigo 12 do Estatuto Social consolidado, estabelece que a companhia será administrada por um Conselho de Administração e por uma Diretoria, ao passo que o artigo 18 estabelece que compete à Diretoria gerir e administrar os negócios da companhia. · No contrato firmado com a empresa identificada como responsável, a Quip S/A foi representada pelo Diretor Geral, Sr. Otoniel Silva Reis e pelo Diretor de Suporte Corporativo, Sr. Marcos Pereira Reis; sendo que o Sr. Miguel Ângelo Coimbra Thomé sucedeu o Sr. Otoniel Silva Reis no período a que se refere o presente procedimento. · O Sr. Marcos Pereira dos Reis, também foi o responsável pelo preenchimento das DIPJ referente ao ano de 2010 a 2012. · Com relação à controladora, constatouse que o Sr. Ricardo de Queiroz Galvão participou do Conselho de Administração da Companhia, no período de 25/03/1998 a 18/01/2015, conforme consulta juntada ao processo, bem como firmou o contrato de consultoria e consta como Representante da Pessoa Jurídica nas DIPJ: 2011, 2012 e 2013. · Em Ata da Reunião do Conselho de Administração realizada em 10/02/2015, houve a aceitação do pedido de renúncia coletivo de todos os integrantes da Diretoria da Companhia e a eleição dos novos integrantes para um período de 3 anos, razão pela qual os atuais gestores não constam como responsáveis. · Diante do exposto, constatouse os seguintes responsáveis tributários: com base no art. 135, inciso III, a responsabilidade dos dirigentes que atuaram pela Quip S/A: Sr. Miguel Ângelo Coimbra Thomé (CPF: 408.683.03704) e Sr. Marcos Pereira Reis (CPF: 724.156.06715), decorrente das condutas já descritas e caracterizadas como infração à lei; com base no art. 135, inciso III, a responsabilidade do dirigente que atuou pela controladora: Sr. Ricardo de Queiroz Galvão (CPF: 784.917.97734), decorrente das condutas já descritas e caracterizadas como infração à lei; com base no art. 124, inciso I, a responsabilidade da controladora Construtora Queiroz Galvão S/A. · A conduta dolosa dos dirigentes da contribuinte e dos de suas controladoras, no sentido de firmar contratos e emitir notas fiscais, ideologicamente falsos, fraudou a fiscalização tributária, ao inserir elementos inexatos e ao omitir operações em documentos exigidos pela lei fiscal, caracterizando, salvo melhor juízo, crime contra a ordem tributária, visto que tal conduta visou suprimir tributos, dentre eles o IRRF previsto no artigo 61 da Lei nº 8.981/1995, de forma a respaldar a elaboração da Representação Fiscal Para Fins Penais, nos termos do artigo 1º da Portaria RFB nº 2.439, de 21 de dezembro de 2010, formalizada em processo específico. Fl. 3712DF CARF MF Processo nº 16641.720046/201528 Resolução nº 1401000.620 S1C4T1 Fl. 3.713 11 Ciência do lançamento e sua impugnação Conforme comprovantes a folhas 897 a 921, os sujeitos passivos foram cientificados do lançamento e apresentaram impugnação, nos termos que se seguem: Quip S/A Impugnação tempestiva. Dos fatos · Alega a impugnante que tem por objeto social a conversão de navios, industrialização de módulos e integração para unidades flutuantes de produção de petróleo, ou seja, a construção de plataformas de petróleo. · Conforme é possível verificar dos Termos de Intimação Fiscal, o foco da fiscalização era obter informações com relação a pagamentos realizados pela impugnante às suas investidoras (diretas e indiretas), quais sejam: Construções e Comércio Camargo Correa S.A. ("Camargo Correa"), Camargo Correa Naval Participações Ltda. ("Camargo Correa Naval"); lesa Óleo e Gás S.A. ("IESA"), Construtora Queiroz Galvão S.A. ("Queiroz Galvão") e UTC Engenharia S/A ("UTC"), a título de contraprestação de serviços, no contexto de construção das plataformas de petróleo P53 e P55. · Durante o procedimento fiscal, a impugnante apresentou esclarecimentos quanto aos serviços contratados, bem como cópia dos contratos de prestação de serviços formalizados; cópia das notas fiscais de prestação de serviço emitidas pelas empresas contratadas; comprovantes de pagamento pelos serviços tomados; esclarecimentos com relação a lançamentos contábeis e respectivas contas do razão, entre outros. · As empresas prestadoras de serviços também foram intimadas pela fiscalização para prestar esclarecimentos com relação aos serviços por elas prestados à impugnante. · Especificamente com relação à Queiroz Galvão, esta apresentou, em 14 de setembro de 2015, resposta à fiscalização esclarecendo detalhadamente os serviços prestados à impugnante, bem como apresentando: (i) planilha com a relação das notas fiscais relacionadas no Termo de Intimação Fiscal, discriminando numeração, valores, retenções de impostos e valor líquido efetivamente recebido; (ii) cópia das notas fiscais de serviços; (iii) cópia dos lançamentos contábeis relacionados às receitas de prestação de serviços à impugnante; e (iv) comprovantes de recebimento dos valores pagos pela impugnante; e (v) cópia do contrato de prestação de serviços de consultoria e assessoria firmado com a impugnante. Fl. 3713DF CARF MF Processo nº 16641.720046/201528 Resolução nº 1401000.620 S1C4T1 Fl. 3.714 12 · Alega afronta ao art. 142 do CTN pois restou ausente a efetiva ocorrência do fato gerador e, ainda ofensa ao princípio da verdade material pois o lançamento foi pautado em mera presunção. · Impossibilidade de exigência de IRRF em razão da inaplicabilidade do artigo 61, da Lei nº 8.981/1995; e dupla tributação sobre a mesma base de cálculo uma vez que os mesmos pagamentos utilizados como base de cálculo do IRRF exigido no lançamento ora impugnado também foram objeto de glosa, para fins de exigência de IRPJ e de CSLL, no auto de infração formalizado no processo administrativo nº 16641.720051/201450, caracterizando bis in idem; considerando que a Queiroz Galvão ofereceu à tributação do IRPJ e da CSLL as receitas de prestação de serviços pagas pela impugnante. Na hipótese de manutenção do lançamento de IRRF devese, ao menos, ser reconhecida a necessidade de redução do valor exigido do montante de IRPJ e CSLL pago pela Queiroz Galvão; · Inaplicabilidade da multa qualificada no percentual de 150%, na medida em que a fiscalização não logrou êxito em comprovar simulação, fraude e conluio, não sendo possível a qualificação da multa com base em mera presunção. Mérito Da Inaplicabilidade do Artigo 61, da Lei n° 8.981/1995 O lançamento foi realizado com fulcro no artigo 61, § 1º, da Lei nº 8.981/1995. Contudo, devese afastar sua a aplicação, visto que há efetiva comprovação da causa dos pagamentos, qual seja, a prestação de serviços no âmbito da construção das plataformas P53 e P55. Da Incompatibilidade da Cobrança do IRRF com a Exigência de IRPJ A incidência do IRRF nos moldes do artigo 61, da Lei nº 8.981/1995 está reservada àquelas situações em que o Fisco comprova a existência de um pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. Contudo, mesmo que houvesse tal comprovação (o que não se verifica no presente caso), a aplicação do referido dispositivo legal deverá ser afastada quando a mesma hipótese que ensejaria a incidência do IRRF sobre os pagamentos sem causa também resultar em lavratura de auto de infração para cobrança do IRPJ decorrente da glosa de despesas com esses pagamentos. Da Necessária Redução do Valor de IRPJ Pago pela Queiroz Galvão O artigo 61, da Lei n° 8.981/1995, ao prever a tributação pelo IRRF, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, em seu parágrafo 3°, determina que os valores pagos pela pessoa jurídica serão considerados líquidos, de modo que, ao calcular o IRRF incidente sobre tais valores, nos moldes do dispositivo legal em questão, a autoridade fiscal deve reconstituir os valores brutos, para, então, aplicar a alíquota de 35% prevista. Do Necessário Afastamento da Multa Qualificada Fl. 3714DF CARF MF Processo nº 16641.720046/201528 Resolução nº 1401000.620 S1C4T1 Fl. 3.715 13 O fundamento legal para a imposição da multa qualificada encontrase no artigo 44, parágrafo 1°, da Lei n° 9.430/96, o qual prevê a aplicação duplicada da multa de ofício, no percentual de 150%, quando restar verificada a atitude dolosa do contribuinte mediante a prática de sonegação, fraude ou conluio, previstos, respectivamente, nos artigos 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502/1964. A imposição da multa qualificada constitui uma exceção à regra geral, prevendo uma penalidade excessivamente onerosa ao contribuinte. Assim, a sua aplicação deve ser bastante cautelosa, mediante a correta demonstração da ocorrência das hipóteses em que há o seu cabimento. Portanto, para que se caracterizem as hipóteses que suportam a imposição de multa qualificada, é necessária a concreta demonstração, por parte da fiscalização, do intuito do contribuinte de ludibriar o Fisco sobre a realidade dos fatos, não bastando o uso de meras presunções, comparações ou suposições. IMPUGNAÇÃO POR CONSTRUTORA QUEIROZ GALVÃO S/A No que se refere ao auto de infração objeto deste processo, não merece prosperar, devendo ser julgado integralmente improcedente, sucintamente, pelas seguintes razões: erro na indicação do sujeito passivo da obrigação tributária em afronta ao artigo 142, do Código Tributário Nacional, na medida em que, a responsabilidade pelo recolhimento do IRRF, com fundamento no artigo 61, da Lei nº 8.981/1995, é exclusiva da fonte pagadora, no caso a QUIP S/A, configurando forma de responsabilidade por substituição ao contribuinte (e não por solidariedade), de modo que, em tendo sido o lançamento realizado em face da QUIP S/A como contribuinte do IRRF, não caberia a imputação de responsabilidade à impugnante, com fundamento no artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional. Subsidiariamente, ainda assim tal responsabilidade deve ser afastada, tendo em vista a ausência de verificação da efetiva ocorrência de interesse comum, nos temos do artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional, em afronta ao artigo 142, do Código Tributário Nacional, e ao princípio da verdade material, na medida em que o lançamento foi pautado em mera presunção, sem qualquer prova concreta quanto à suposta falsidade ideológica atribuída ao contrato de prestação de serviços e às notas fiscais a ele relacionadas. Considerando que a impugnante incluiu as receitas referentes aos pagamentos questionados no auto de infração aqui impugnado na apuração do seu Lucro Real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, devese ao menos conceder à impugnante o direito ao registro e ao aproveitamento de crédito relativo ao IRRF objeto dessa autuação sob pena de se permitir a inaceitável dupla tributação e o enriquecimento sem causa do Estado DO DIREITO Nulidade do Lançamento por Erro na Identificação do Sujeito Passivo A fiscalização lavrou Termo de Responsabilidade Solidária com fundamento no artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional. De acordo com o Código Tributário Nacional o conceito de sujeito passivo compreende duas espécies: (i) o contribuinte, que pratica o núcleo da norma tributária; e, por exclusão, (ii) o responsável, definido pela lei como aquele que responde pela obrigação tributária sem ser contribuinte. Fl. 3715DF CARF MF Processo nº 16641.720046/201528 Resolução nº 1401000.620 S1C4T1 Fl. 3.716 14 A responsabilidade pode se dar por transferência ou por substituição. Na responsabilidade por transferência, a obrigação tributária, embora nasça com o contribuinte, pode ser transmitida ao responsável. Já na responsabilidade por substituição, inversamente, a responsabilidade pela obrigação tributária seria imputada ao responsável substituto desde o seu nascimento. A distinção técnica acima é fundamental para a análise do presente caso. Topograficamente, o Código Tributário Nacional disciplina, em princípio, as espécies de responsabilidade por transferência (i) no artigo 124, no qual está prevista a responsabilidade solidária, por meio da qual o responsável é chamado a adimplir o crédito tributário concomitantemente com o contribuinte; (ii) nos artigos 131 e ss., nos quais está prevista a responsabilidade por sucessão; e (iii) no artigo 134, no qual está prevista a responsabilidade subsidiária, assim entendida aquela responsabilidade condicionada à insolvência do contribuinte. Nas três hipóteses mencionadas, a obrigação tributária nasce com o contribuinte e, por previsão legal, é transferida e/ou compartilhada com o responsável. Há, ainda, casos em que a responsabilidade pelo crédito tributário é legal e exclusivamente atribuída a terceira pessoa, em substituição ao contribuinte. É o caso, por exemplo, da responsabilidade tributária prevista no artigo 61, da Lei n° 8.981/95, no qual a presente autuação foi respaldada. Referido dispositivo determina a responsabilidade exclusiva da fonte pagadora nas hipóteses de pagamento efetuado por pessoa jurídica a beneficiário não identificado. Como não poderia deixar de ser, a jurisprudência administrativa é no sentido da impossibilidade de imputação de responsabilidade solidária pelo pagamento de débito de IRRF, exigido com fundamento no artigo 61, da Lei nº 8.981/95, a qualquer pessoa que não seja a fonte pagadora, dada a determinação expressa da lei a respeito da tributação exclusiva da fonte. Pois bem, independentemente do exposto acima, a Queiroz Galvão peticionou no auto do processo para comunicar a desistência do recurso voluntário interposto em razão da adesão ao Programa de Parcelamento da Receita Federal, o PERT. Assim, quando o Conselheiro identificar processo para o qual houve pedido ou comunicação de desistência (o que normalmente ocorre em virtude de adesão a parcelamento) deverá verificar, primeiramente, se há mais de um sujeito passivo, pois se a desistência foi peticionada apenas por um dos sujeitos passivos solidários ou subsidiários, e outros questionam o vínculo de solidariedade, o julgamento deve continuar, no tocante à discussão do vínculo. Ademais, o caso dos autos apresenta uma peculiaridade, pois quem aderiu à anistia foi uma das responsáveis tributárias, sendo que a contribuinte não confirmou essa opção. Sendo esse o relatório do essencial. Voto Conselheira Letícia Domingues Costa Braga Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. Fl. 3716DF CARF MF Processo nº 16641.720046/201528 Resolução nº 1401000.620 S1C4T1 Fl. 3.717 15 Antes de adentrar no mérito do recurso, essencial que a Delegacia da Receita Federal se manifeste sobre a inclusão do débito ao PERT, conforme despacho de fls. 3.642, no seguinte sentido: Comunicamos a Vossa Senhoria que o processo acima, retornará ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para prosseguir no julgamento do Recurso Voluntário protocolado em 12/01/2017, tendo em vista que a resposta à Intimação nº 04/560/2017, de 27/10/2017 (doc. de efl. 3565), protocolada em 03/11/2017, onde foi solicitado a ratificação da desistência do referido Recurso por parte da QUIP S/A, não atende ao disposto no art. 5º da Lei nº 13.496, de 24/10/2017. Conclusão Pelo acima exposto, deve a Delegacia da Receita Federal expressamente se manifestar a respeito da consolidação/adesão ao PERT. Letícia Domingues Costa Braga (assinado digitalmente) Fl. 3717DF CARF MF
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Numero do processo: 11050.002144/2009-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/12/2004 a 29/12/2004
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2. EXCEÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 62 DO ANEXO II DO RICARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as hipóteses previstas no artigo 62 do Anexo II do RICARF.
REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, E DO DL 37/1966 (IN SRF 28, de 1994, IN SRF 510, de 2005 e IN SRF nº 1.096, de 2.010). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. NOTÍCIA SISCOMEX.
A expressão imediatamente após, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF nº 28, de 1994, traduz subjetividade e não possui delimitação jurídica objetiva a determinar o cumprimento da obrigação de registro dos dados de embarque. Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, inciso IV, alínea e do Decreto-lei nº 37, de 1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, somente começou a ser passível de aplicação a partir de fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF nº 510, de 2005 entrou em vigor e fixou prazo certo para o registro desses dados no Siscomex.
Numero da decisão: 3302-006.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2004 a 29/12/2004 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2. EXCEÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 62 DO ANEXO II DO RICARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as hipóteses previstas no artigo 62 do Anexo II do RICARF. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, “E” DO DL 37/1966 (IN SRF 28, de 1994, IN SRF 510, de 2005 e IN SRF nº 1.096, de 2.010). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. NOTÍCIA SISCOMEX. A expressão “imediatamente após”, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF nº 28, de 1994, traduz subjetividade e não possui delimitação jurídica objetiva a determinar o cumprimento da obrigação de registro dos dados de embarque. Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, inciso IV, alínea “e” do Decretolei nº 37, de 1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, somente começou a ser passível de aplicação a partir de fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF nº 510, de 2005 entrou em vigor e fixou prazo certo para o registro desses dados no Siscomex. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 21 44 /2 00 9- 78 Fl. 204DF CARF MF Processo nº 11050.002144/200978 Acórdão n.º 3302006.094 S3C3T2 Fl. 205 2 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado para a cobrança da multa prevista no artigo 107, IV, "e" do Decretolei nº 37 de 18/11/1966, pela informação de embarque de mercadorias objeto de despacho de exportação, fora do prazo estabelecido pela RFB. Em impugnação, a recorrente deduziu: 1. Antes de o agente marítimo informar os dados de embarque, a autoridade fiscal aduaneira já possui conhecimento dos referidos dados e que o atraso no registro não implica em qualquer prejuízo ao controle de carga; 2. Ausência de responsabilidade direta da recorrente, em razão de não possuir dentro do prazo de sete dias, as informações necessárias ao registro no SISCOMEX; 3. A impossibilidade de aplicação da multa cominada por falta de tipificação legal e ilegitimidade passiva da recorrente; 4. A nulidade do Auto de Infração por aplicação de norma inexistente à data de ocorrência dos fatos (IN SRF nº 510/2005), com ofensa ao artigo 144 do CTN; 5. A impossibilidade de aplicação da multa por ofensa às limitações constitucionais ao poder de tributar e ao princípio da proporcionalidade e da razoabilidade; 6. A inexistência de prejuízo ao erário e a aplicação do artigo 112 do CTN; 7. A possibilidade de análise de inconstitucionalidade no âmbito administrativo. A Quarta Turma da DRJ no Rio de Janeiro proferiu o Acórdão nº 1286.581, julgando a impugnação procedente em parte, nos termos da ementa abaixo: Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2009 INFRAÇÕES DE NATUREZA TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 11050.002144/200978 Acórdão n.º 3302006.094 S3C3T2 Fl. 206 3 ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. Não compete às autoridades administrativas proceder à análise da constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias que regem a matéria sob apreço, posto que essa atividade é de competência exclusiva do Poder Judiciário; logo resta incabível afastar sua aplicação, sob pena de responsabilidade funcional. PRESTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DOS DADOS DE EMBARQUE. A partir da vigência da Medida Provisória 135/03, a prestação extemporânea da informação dos dados de embarque por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do DecretoLei 37/66, com a nova redação dada pelo artigo 61 da MP citada, que foi posteriormente convertida na Lei 10.833/03. DADOS DE EMBARQUE. INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A penalidade que comina a prestação intempestiva de informação referente aos dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação é aplicada por viagem do veículo transportador. AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE. O agente de carga submetese às regras da IN RFB nº 800/2007, pois é expressamente incluído entre as espécies de transportador ali definidas, devendo o significado do termo transportador ser compreendido levando em consideração o contexto em que ele foi empregado. Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2009 INFORMAÇÕES SOBRE VEÍCULO, OPERAÇÃO OU CARGA. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. Até a entrada em vigor dos prazos estabelecidos no art. 22 da Instrução Normativa RFB nº 800/2007, as informações exigidas pela Aduana referentes ao transporte internacional de mercadorias, inclusive as de responsabilidade do agente de carga, deveriam ser prestadas antes da atracação ou desatracação da embarcação em porto no País. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. MULTA. DELIMITAÇÃO DA INCIDÊNCIA. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 11050.002144/200978 Acórdão n.º 3302006.094 S3C3T2 Fl. 207 4 Em conformidade com o disposto no Ato Declaratório Executivo Corep nº 3, de 28/3/2008 (DOU 1/4/2008), a prestação intempestiva de dados sobre veículo, operação ou carga transportada é punida com multa específica que, em regra, é aplicável em relação a cada escala, manifesto, conhecimento ou item incluído ou retificado após o prazo para prestar a devida informação, independente da quantidade de campos alterados. NORMA EM PLENO VIGOR. INOBSERVÂNCIA POR CONTA DE SUPOSTO VÍCIO NAS OBRIGAÇÕES INSTITUÍDAS. VEDAÇÃO. A IN RFB nº 800/2007 está em pleno vigor, logo não pode ser afastada pelo julgador administrativo, cuja atuação é pautada pelo princípio da legalidade, nem descumprida pelos seus destinatários por conta de suposto vício nas obrigações estabelecidas. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. SOLUÇÃO DE CONSULTA INTERNA 32/2013. O prazo para efetuar lançamento de multas relacionadas ao controle aduaneiro das importações é de 5 anos contado da data da infração. Impugnação Improcedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas na impugnação, resumidas abaixo: 1. A impossibilidade de aplicação de multa cominada por falta de tipificação legal e ilegitimidade passiva; 2. A imprecisão contida no Auto de Infração sobre como a mesma agiu, se como transportador ou agente ou outra hipótese, ou seja, a comprovação da sujeição passiva; 3. O princípio da razoabilidade e as multas fiscais e sua violação no caso concreto limitações constitucionais ao poder de tributar; 4. A inexistência de prejuízo ao erário e aplicação do artigo 122 do CTN e ausência de dolo ou máfé; 5. A possibilidade de análise de inconstitucionalidade no âmbito administrativo. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. . Voto Fl. 207DF CARF MF Processo nº 11050.002144/200978 Acórdão n.º 3302006.094 S3C3T2 Fl. 208 5 Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O recurso voluntário atende aos pressupostos processuais e dele tomo conhecimento. Inicialmente, cabe ressalvar que as alegações de inconstitucionalidade não podem ser conhecidas por este colegiado, em razão da Súmula CARF nº 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Assim, as alegações concernentes à ilegalidade de dispositivos legais por ofensa ao princípio da razoabilidade, princípio de vedação ao confisco, à reserva de lei complementar, às limitações constitucionais ao poder de tributar e, por óbvio, concernentes à possibilidade de análise de inconstitucionalidade no âmbito administrativo não serão conhecidas. De forma complementar, adoto as razões da decisão recorrida quanto às alegações de violações de princípios efetuadas pela recorrente, conforme disposto no §1º do artigo 50 da Lei nº 9.784/1999. A autoridade fiscal fundamentou a autuação no art. 37 da IN SRF nº 28, de 1994, na IN SRF nº 510/2005 e no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decretolei nº 37, de 1966 e nos artigos 15, 17, 24, 27, 30 a 32, 36 a 43, 52 a 55, 59, 60 do Decreto nº 4.543, de 2002. Dentre as alegações da recorrente, está a falta de tipificação legal para a cominação da penalidade. No caso, os fatos geradores reportam a 2004, período anterior à vigência da IN SRF nº 510/2005, que foi a primeira instrução a estabelecer um prazo determinado de dois ou sete dias para a prestação das informações, substituindo a expressão "imediatamente" que constava na redação original do artigo 37 da IN SRF nº 28/1994. A respeito da interpretação da expressão "imediatamente", este relator já proferiu voto no Acórdão nº 3302002.721, de 18/09/2014, no processo 10689.000010/2009 53, cujas ementa e razões reitero abaixo: Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 24/12/2004, 12/09/2008 a 21/09/2008 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, “E” DO DL 37/1966 (IN SRF 28, de 1994, IN SRF 510, de 2005 e IN SRF nº 1.096, de 2.010). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. NOTÍCIA SISCOMEX. A expressão “imediatamente após”, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF nº 28, de 1994, traduz subjetividade e não possui delimitação jurídica objetiva a determinar o cumprimento da obrigação de registro dos dados de embarque. Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, inciso IV, alínea “e” do Fl. 208DF CARF MF Processo nº 11050.002144/200978 Acórdão n.º 3302006.094 S3C3T2 Fl. 209 6 Decretolei nº 37, de 1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, somente começou a ser passível de aplicação a partir de fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF nº 510, de 2005 entrou em vigor e fixou prazo certo para o registro desses dados no Siscomex. Razões: DA IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA DA IN SRF nº 510, de 2005 E DA IN RFB Nº 1.096, DE 2010 A autoridade fiscal fundamentou a autuação no art. 37 da IN SRF nº 28, de 1994, na IN SRF nº 510, de 2005 e no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decretolei nº 37, de 1966 e nos artigos 15, 17, 24, 27, 30 a 32, 36 a 43, 52 a 55, 59, 60 do Decreto nº 4.543, de 2002. Durante o trâmite processual sobreveio a IN RFB nº 1.096, de 2010, alterando o artigo 37 da IN SRF 28, de 1994, aumentando o prazo de dois para sete dias, após o embarque, para registro das informações. A recorrente alega que a aplicação retroativa das referidas instruções normativas não a beneficia, em razão de que o termo “imediatamente” da redação original do artigo 37 não corresponde a prazo específico para cumprimento da obrigação e, portanto, seria inaplicável. Afirma que a interpretação deste termo como sendo vinte e quatro horas, dada pela Notícia SISCOMEX nº 105, de 1994, não é normativa, pois que tal nota não se insere no conceito de legislação interpretativa. O caput do artigo 37 da IN SRF nº 28, de 1994, teve sua redação alterada ao longo do tempo conforme abaixo: Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. Parágrafo único. Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no SISCOMEX, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos à unidade da SRF de despacho. Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Redação dada pela IN 510, de 2005) § 1º Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da SRF de despacho. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 11050.002144/200978 Acórdão n.º 3302006.094 S3C3T2 Fl. 210 7 § 2º Na hipótese de embarque marítimo, o transportador terá o prazo de sete dias para o registro no sistema dos dados mencionados no caput deste artigo. Art. 37 . O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.096, de 13 de dezembro de 2010) § 1º Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, ferroviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) de despacho. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.096, de 13 de dezembro de 2010 ) § 1º Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, ferroviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no SISCOMEX, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e do Envio de Declaração para Despacho Aduaneiro. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.407, de 4 de novembro de 2013) § 2º Na hipótese de o registro da declaração para despacho aduaneiro de exportação ser efetuado depois do embarque da mercadoria ou de sua saída do território nacional, nos termos do art. 52, o prazo a que se refere o caput será contado da data do registro da declaração. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.096, de 13 de dezembro de 2010) § 3º Os dados de embarque da mercadoria poderão ser informados pela fiscalização aduaneira nas hipóteses estabelecidas em ato da CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (Coana).(Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.096, de 13 de dezembro de 2010 ) Inicialmente, o artigo não trazia um prazo máximo determinado a partir do embarque para a prestação das informações pertinentes ao embarque, mas se referia à expressão “imediatamente após”. O entendimento sobre o termo “imediatamente” foi trazido pela Notícia SISCOMEX nº 105, de 1994, como informado no voto do acórdão recorrido: “E, o sentido do vocábulo “imediatamente” do artigo 37 foi esclarecido no item 2 da Notícia Siscomex no 105, de 27 de julho de 1994, conforme segue: “2) Por oportuno, esclarecemos que o termo imediatamente, contido no art. 37 da IN 28/94, deve ser interpretado como “em até 24 horas da data do efetivo embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes no Siscomex, com base nos documentos por ele emitidos”. Salientamos o disposto Fl. 210DF CARF MF Processo nº 11050.002144/200978 Acórdão n.º 3302006.094 S3C3T2 Fl. 211 8 no art. 44 da referida IN, ou seja, a revisão legal para autuação do transportador no caso de descumprimento do previsto no artigo acima referenciado.” Verificase, de plano, a inadequação do meio utilizado para interpretar a palavra “imediatamente”. A legislação tributária compreende, consoante o art. 96 do CTN, as leis, tratados e convenções internacionais, decretos e as normas complementares especificadas no art. 100 do mesmo diploma, dentre elas, os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas. A Portaria SRF nº 001, de 2001 (revogada pela Portaria nº 1.098, de 2013) relacionava os atos tributários e aduaneiros, não comportando a Nota SISCOMEX. Defluise que estas notas são orientações e entendimentos internos, sem eficácia normativa, e, portanto, não poderiam fundamentar o cumprimento de obrigação acessória, conforme disposto no artigo 94 do Decretolei nº 37, de 1966: Art.94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. § 1º O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. Destarte, inferese que o termo “imediatamente” possui uma indefinição quanto ao prazo que a prestação da informação deveria ser prestada. Seria de vinte e quatro horas? Ou dois dias? Ou sete dias? Assim, é incabível a aplicação da penalidade, posto que a norma que a instituiu não trouxe delimitação jurídica objetiva a determinar o cumprimento da obrigação. Nesta matéria, citase precedente do CARF no Acórdão nº 3102 002.075, cuja parte da ementa transcrevese abaixo: REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, “E” DO DL 37/1966 (INS SRF 28/1994 E 510/2005). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. A expressão “imediatamente após”, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, traduz subjetividade e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de registro do prazo de registro dos dados de embarque na exportação. Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, IV, “e” do Decretolei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, somente começou a ser passível de aplicação a partir de fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN Fl. 211DF CARF MF Processo nº 11050.002144/200978 Acórdão n.º 3302006.094 S3C3T2 Fl. 212 9 SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo certo para o registro desses dados no Siscomex. O voto proferido pelo Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro adotou as razões expostas no Acórdão nº 3202000.241, em voto condutor do Conselheiro José Luiz Novo Rossari, que, com a devida vênia, transcrevese: “[...] Feitas essas transcrições, impõese ressaltar que na vigência da IN SRF no 28/1994 a inobservância da obrigação estabelecida no seu art. 37 era entendida pela SRF como caracterizadora de embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, conforme disposto em seu art. 44. No entanto, a partir da superveniência da Medida Provisória no 135/2003, convertida na Lei no 10.833/2003, foi estabelecida para o transportador a obrigação de “prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas”, como se verifica da redação retrotranscrita, emprestada ao art. 37 do Decretolei no 37/1966 pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003. Destarte, com a entrada em vigor dessa nova norma legal, o descumprimento da obrigação de prestar à SRF, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, passou a ser cominada com a multa de R$ 5.000,00 prevista no inciso IV, “e”, do art. 107 do Decretolei no 37/1966, e não mais aquela prevista por embaraço, que veio a ser tipificada no inciso IV, “c”. Para a caracterização de ilícito sujeito à aplicação da referida multa, há que ser apurado o descumprimento da obrigação, o que implica, no caso, a inobservância de prazo fixado pela SRF para a apresentação dos dados relativos ao embarque. Verificase que, por ocasião dos fatos que geraram a aplicação das multas, vigia a redação original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, que estabelecia que a obrigação devia ser satisfeita “imediatamente após realizado o embarque da mercadoria”. Ora, têmse por evidente que, por não conter regramento certo e inequívoco que permita seu cumprimento sem a permanência de dúvidas, a imposição normativa constante desse ato administrativo é destituída de força cogente para a finalidade a que se propõe, de imposição de penalidade. Com efeito, não se encontra, em quaisquer dos códigos pátrios, norma semelhante que tenha fixado prazo não revestido de certeza e não expresso em quantidade de dias, meses ou anos. A matéria deve ser tratada com rigor ainda mais acentuado em se tratando de norma tributáriapenal, que deve obedecer ao princípio insculpido no art. 97, inciso V do CTN, devendo o elaborador usar, em sua redação legislativa, dos cuidados básicos pertinentes à matéria, de forma a evitar o surgimento de dúvidas e questionamentos elementares que venham a permitir a aplicação das regras mais benéficas ao autuado, previstas no Fl. 212DF CARF MF Processo nº 11050.002144/200978 Acórdão n.º 3302006.094 S3C3T2 Fl. 213 10 art. 112 desse mesmo Código. O caso em exame é exemplo da falta desse cuidado, ao apontar prazo incerto para o cumprimento de norma, visto que “imediatamente após” não pode ser considerado como um prazo regulamentar. Daí que, na vigência original da IN SRF no 28/1994, não havia norma que impusesse prazo para que as empresas aéreas procedessem ao registro no Siscomex, visto que a expressão “imediatamente após” não se traduz em prazo certo para o cumprimento de obrigação. Resta acrescentar, por oportuno, que a interpretação dada a essa expressão pela Notícia Siscomex no 105/1994, no sentido de que deve ser entendida como “em até 24 horas da data do efetivo embarque da mercadoria” não tem base legal para os efeitos da lide, visto não estar compreendida entre os atos normativos de que trata o art. 100 do CTN. Tratase, no caso, de veiculação destinada à orientação do Fisco e dos usuários do Siscomex, mas sem que possua as características essenciais de ato normativo, razão pela qual sequer foi referida na autuação. De outra parte, também cumpre acrescentar que o art. 37 da IN SRF no 28/1994 foi objeto de nova alteração pela IN RFB no 1.096, de 13/12/2010, que aumentou o prazo para a apresentação de dados pertinentes ao embarque para 7 (sete) dias. Ressaltese que esse ato normativo continua fazendo em seu art. 44 remissão ao art. 37, de forma a tratar a infração como de embaraço, o que bem demonstra a falta de atenção à legislação vigente, que desde a Medida Provisória no 135/2003 tem tipificação legal distinta. Retornando à lide, resta que, em não havendo regra fixadora de prazo para que se implementasse a eficácia do art. 37 do Decretolei no 37/1966, na redação que lhe deu a Lei no 10.833/2003, por ocasião de sua publicação, há que se concluir que o primeiro ato administrativo que veio a disciplinar esse artigo foi a IN SRF no 510, de 14/2/2005, antes transcrita, que em seu art. 1o alterou a redação do art. 37 da IN SRF no 28/1994, de forma a fixar o prazo de 2 (dois) dias para o registro dos dados pertinentes ao embarque. Desse modo, há que se concluir que a multa objeto de lide somente tem aplicação nos casos em que a inobservância da prestação de informações refirase a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e produziu efeitos. Como os fatos que originaram este processo ocorreram entre 4/6 e 27/6/2004, quando ainda não existia essa Instrução Normativa, são descabidas a sua argüição e a sua trazida ao mundo jurídico, de forma a alicerçar a caracterização de infrações e a legitimar a cominação de penalidades que lhe correspondam. Em face dos elementos constantes dos autos e da legislação aplicável à espécie, entendo que não se vislumbram os elementos básicos tendentes à caracterização de infração e julgo Fl. 213DF CARF MF Processo nº 11050.002144/200978 Acórdão n.º 3302006.094 S3C3T2 Fl. 214 11 prejudicadas as diversas outras alegações da recorrente, por não influírem na solução da lide.” Portanto, concluise que a aplicação da multa prevista no art. 107, IV, “e” do Decretolei nº 37, de 1966, deveria ser aplicada na inobservância da obrigação contida no art. 37 da IN SRF nº 28, de 1994, a partir de 15/02/2005, data em que produziu efeitos a IN SRF 510, de 2005, sendo, portanto, improcedentes os lançamentos relativos aos fatos geradores de 1º/02/2004 a 24/12/2004. Destarte, antes da vigência dos efeitos da IN SRF nº 510/2005, em 15/02/2005, não há elementos objetivos legais para a caracterização da infração, devendo o lançamento ser exonerado. Diante do exposto, voto para dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 214DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.904190/2008-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2001
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato e desde que não utilizado no ajuste anual.
Não comprovado o erro de fato, mas existindo eventualmente pagamento a maior de estimativa mensal em relação ao valor do débito apurado no encerramento do respectivo ano-calendário, cabível a devolução do saldo negativo no ajuste anual.
Numero da decisão: 1401-002.905
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Angelo Abrantes Nunes, Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2001 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato e desde que não utilizado no ajuste anual. Não comprovado o erro de fato, mas existindo eventualmente pagamento a maior de estimativa mensal em relação ao valor do débito apurado no encerramento do respectivo ano-calendário, cabível a devolução do saldo negativo no ajuste anual.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Angelo Abrantes Nunes, Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano e Letícia Domingues Costa Braga.
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DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato e desde que não utilizado no ajuste anual. Não comprovado o erro de fato, mas existindo eventualmente pagamento a maior de estimativa mensal em relação ao valor do débito apurado no encerramento do respectivo anocalendário, cabível a devolução do saldo negativo no ajuste anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 41 90 /2 00 8- 97 Fl. 109DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Angelo Abrantes Nunes, Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Cuidam os autos de reconhecimento de direito creditório da recorrente que não foi homologado pela DRJ tendo em vista que o pagamento indicado como crédito compensado tinha sido integralmente utilizado pela quitação de débito da contribuinte confessado em DCTF e que não restaria crédito disponível para compensação. Por outro lado, o pagamento indevido a título de estimativa deveriam ter sido deduzidas do imposto devido para compor eventual saldo negativo de imposto de renda, esse sim passível de restituição ou compensação com débitos da contribuinte. Inconformada com a decisão de primeira instância, interpôs o contribuinte recurso voluntário, alegando as mesmas razões de sua manifestação de inconformidade e, ainda, que a legislação utilizada para vedar o aproveitamento do crédito pretendido pelo contribuinte, qual seja, o art. 10 da IN 600/2005 é posterior à compensação realizada. Portanto, não poderia ter tal legislação maculado a compensação pleiteada, tendo em vista que ela é posterior ao fato. Este é o relatório. Voto Conselheira Letícia Domingues Costa Braga Relatora O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. A Recorrente rebelase contra a decisão recorrida que denegou o direito creditório pleiteado e não homologou a DCOMP objeto dos autos. Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo diretamente à análise do mérito. Direito de repetição do indébito tributário (crédito). Compensação tributária de débitos próprios, vencidos ou vincendos: O sujeito passivo tem direito à restituição total ou parcial do tributo, no caso de pagamento indevido ou a maior (CTN, art. 165). O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão (Lei 9.430/96, art. 74). Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10880.904190/200897 Acórdão n.º 1401002.905 S1C4T1 Fl. 110 3 Ônus probatório: No processo de compensação tributária, a Contribuinte é autora do pedido de aproveitamento de crédito contra a Fazenda Nacional para encontro de contas informado na declaração de compensação informada. À luz do artigo 373, I, do CPC (Lei nº 13.105, de 2015), de aplicação subsidiária no processo administrativo tributário federal (processo de compensação tributária), compete ao autor do pedido de crédito o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito de crédito alegado, mediante apresentação de elementos de prova hábeis e idôneos da existência do crédito contra a Fazenda Nacional, utilizado para encontro de conta com débitos próprios vencidos ou vincendos objeto da DCOMP, para que seja aferida a liquidez e certeza, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. O momento da apresentação das provas, sua produção, está previsto nos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72. A decisão da DRJ apenas apresentou um erro de fato e a formação do direito creditório, bem como sua liquidez e certeza para encontro de contas com débitos confessados na DCOMP objeto dos autos, pois se limitaram a denegar o direito creditório com base no óbice do art. 10 da IN SRF 460/04, reiterado pela IN SRF nº 460/05. Ocorre que o óbice do art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 460/04, reiterado na IN SRFnº 600/05, ficou superado a partir da edição da IN SRF 900/2008 que suprimiu a vedação da repetição imediata, aproveitamento ou utilização em compensação tributária de pagamento a maior ou indevido de estimativas mensais do IRPJ ou da CSLL antes de findo o período de apuração, ou depois, desde que reste comprovado, de forma cabal, o erro de fato na apuração da base de cálculo ou pagamento totalmente desvinculado da base de cálculo que deu origem ao crédito pleiteado. No mesmo sentido, a Súmula CARF nº 84, cujo verbete transcrevo, in verbis: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Portanto, afastado o óbice, ou seja, é possível a devolução de pagamento indevido de estimativa mensal desde que comprovado o alegado erro de fato e desde que não utilizado ou computado o respectivo valor no saldo negativo do imposto (ajuste anual). Por todo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, reformando a decisão da DRJ e reconhecer o direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Fl. 111DF CARF MF 4 Fl. 112DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.000100/2011-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
NULIDADE DE LANÇAMENTO
Constatada a inexistência de qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, não há nulidade do lançamento de ofício.
INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OFENSA AO PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E DO CONTRADITÓRIO.
Os procedimentos no curso da auditoria fiscal, cujo início foi regularmente cientificado à contribuinte, não determinam nulidade, por cerceamento ao direito de defesa ou ofensa ao princípio do contraditório, do auto de infração correspondente, pois tais direitos só se estabelecem após a ciência do lançamento ou após a respectiva impugnação, conforme o caso, ainda mais quando todos os fatos que motivaram a autuação estão devidamente historiados nos autos.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. ORIGEM.
Caracterizam omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO.
Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão.
OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES. LANÇAMENTO REFLEXO.
Havendo a omissão de receita tributável pelo IRPJ, aplica-se idêntico entendimento aos demais tributos ou contribuições sociais, com a incidência sobre os mesmos fatos.
Numero da decisão: 1201-002.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rafael Gasparello Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: RAFAEL GASPARELLO LIMA
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 NULIDADE DE LANÇAMENTO Constatada a inexistência de qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, não há nulidade do lançamento de ofício. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OFENSA AO PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E DO CONTRADITÓRIO. Os procedimentos no curso da auditoria fiscal, cujo início foi regularmente cientificado à contribuinte, não determinam nulidade, por cerceamento ao direito de defesa ou ofensa ao princípio do contraditório, do auto de infração correspondente, pois tais direitos só se estabelecem após a ciência do lançamento ou após a respectiva impugnação, conforme o caso, ainda mais quando todos os fatos que motivaram a autuação estão devidamente historiados nos autos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. ORIGEM. Caracterizam omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 01 00 /2 01 1- 25 Fl. 480DF CARF MF 2 Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES. LANÇAMENTO REFLEXO. Havendo a omissão de receita tributável pelo IRPJ, aplicase idêntico entendimento aos demais tributos ou contribuições sociais, com a incidência sobre os mesmos fatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães. Relatório O acórdão nº 1656.360, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo (DRJ/SPO1), julgou improcedente a impugnação administrativa, conforme se extrai da sua ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular de conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. Fl. 481DF CARF MF Processo nº 19515.000100/201125 Acórdão n.º 1201002.617 S1C2T1 Fl. 481 3 OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo havido, por parte do contribuinte, conhecimento e ciência da origem e fundamentos da autuação; contendo o auto de infração suficiente descrição dos fatos e correto enquadramento legal, dada ciência e oportunizada a manifestação do autuado, ou seja, atendida integralmente a legislação de regência e, ainda, comprovado através da impugnação que o interessado demonstra conhecer plenamente os fatos que lhe foram imputados, inexiste cerceamento do direito de defesa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Resumidamente, o acórdão recorrido narrou os fatos que proporcionaram a imposição fiscal: 1. Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 244/247, datado de 18/01/2011, tratase de crédito lançado pela Fiscalização contra o Contribuinte acima identificado (optante pelo SIMPLES – Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições), em relação ao anocalendário de 2006, vez que no procedimento fiscal foi verificada omissão de receitas apurada com base nos depósitos e créditos bancários não esclarecidos e comprovados pela Fiscalizada que não apresentou seus livros (caixa ou diário e razão), o que resultou na lavratura de Autos de Infração (acompanhados de demonstrativos de apuração dos valores devidos e demonstrativos de acréscimos legais – multa e juros), fls. 284/324. 1.1. O Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, fls. 04, registra que o montante do crédito tributário em epígrafe perfez R$ 1.624.586,79 (Um milhão, seiscentos e vinte e quatro mil, quinhentos e oitenta e seis reais e setenta e nove centavos). 2. Do conteúdo do Termo de Verificação Fiscal (fls. 213/225) e demais elementos que compõe o processo – intimações, outros Termos, documentos e informações – destacase: 2.1. Em atendimento à determinação contida no Mandado de Procedimento Fiscal (fls. 02), a AutoridadeFiscal emitiu em Fl. 482DF CARF MF 4 29/06/2010 o Termo de Início de Fiscalização (fls. 05/07) que foi recebido pela Procuradora do Contribuinte em 01/07/2010, ciência no próprio Termo, no qual foram solicitados, relativamente ao anocalendário 2006: contrato social e alterações; documentos de movimentação bancária (extratos, etc) da empresa; livros: diário e razão ou livro caixa; livros de registro de entradas/saídas de mercadorias e de prestação de serviços; documentos contábeis e fiscais do período. 2.2. O processo foi instruído com os seguintes documentos, fls. 10/56 e fls. 63: correspondência da empresa ao Bradesco e ao Banco Safra; alterações e consolidação do contrato social; livro de registro de saídas nº 04 e livro de entradas; Ficha Cadastral da Junta Comercial de São Paulo; PJSI 2007, anocalendário 2006; Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF ao Bradesco e ao Safra com respectivas respostas acompanhadas de extratos bancários, fichas cadastrais; cópias de cartões de assinatura, propostas de abertura de conta. 2.3. O Contribuinte foi intimado e reintimado a apresentar a documentação solicitada no início da fiscalização: Termos de Intimação Fiscal juntados às fls. 07 (de 23/07/2010, recebido em 26/07/2010, “AR” às fls. 08); Termo de Constatação, Instrução e Intimação, fls. 57/58 (de 20/09/2010, recebido em 24/09/2010, fls. 59, por “AR”); Termo de Embaraço à Fiscalização, fls. 60/61 (de 04/10/2010, recebido em 06/10/2010, fls. 62, por “AR”); Termo de Intimação Fiscal, fls. 217, com relação de depósitos e créditos bancários, fls. 218/231(datado de 30/11/2010, recebido em 02/12/2010, fls. 232, por “AR”); Termo de Intimação Fiscal, fls. 233, novamente com relação de depósitos e créditos bancários a serem esclarecidos, fls. 234/239 (datado de 02/12/2010, recebido em 06/12/2010, fls. 240, por “AR”); notificação com concessão do prazo adicional de 20 dias, em 28/12/2010, fls. 242, “AR” datado de 13/01/2011, fls. 243. 2.3.1. Observase que os Termos de Intimação Fiscal de fls. 217 e 233 foram acompanhados de anexos contendo planilha com a movimentação financeira da empresa a ser esclarecida, justificada e comprovada quanto à origem dos valores, respectivamente às fls. 218/231 e 214/239, depósitos e créditos estes que tiveram como fonte de verificação os extratos bancários fornecidos pelos Bancos BRADESCO e Safra, em atendimento às RMF, fls. 63 e 122, tendo em vista a falta de atendimento das intimações pela Fiscalizada para apresentação dos extratos e livro caixa (assim como do diário e do razão), o que ensejou a lavratura do Termo de Constatação, Instrução e Intimação Definitiva e do Termo de Embaraço à Fiscalização. 2.4. Em resposta aos Termos, o Contribuinte informou em 04/08/2010 que a empresa estava inativa (fls. 09) e apresentou apenas os documentos acima mencionados. Ainda, a segunda e última manifestação da Fiscalizada durante o procedimento teve por objetivo solicitar prazo adicional para a apresentação de informações e/ou documentos em 27/10/2010, fls. 241, sem qualquer manifestação posterior da Interessada. Fl. 483DF CARF MF Processo nº 19515.000100/201125 Acórdão n.º 1201002.617 S1C2T1 Fl. 482 5 2.5. Consta do Termo de Verificação Fiscal que nos livros de registro de saídas e entradas estão escriturados apenas os movimentos dos anos de 2004 e 2005, sendo que para o ano de 2006, objeto da fiscalização, somente foi escriturado o movimento do mês de janeiro. 2.6. A movimentação financeira da Fiscalizada em 2006, revelada pelos extratos bancários apresentados pelas Instituições Financeiras acima mencionadas, totalizou o montante de R$ 5.749.433,58 sendo que, para o mesmo período, foi declarado na PJSI a receita bruta de apenas R$ 5.128,68. 2.7. A Autoridade Fiscal consignou no Termo de Verificação que o Contribuinte não comprovou a origem dos depósitos efetuados em conta bancária do ano calendário de 2006, razão pela qual, com fundamento no art. 42 da Lei nº 9.430/96, tais depósitos bancários sem a devida comprovação foram considerados omissão de receitas para fins tributários. 2.8. Informado que o valor tributável corresponde à totalidade dos depósitos e créditos bancários sem a devida comprovação de sua origem e de seu registro contábil e fiscal, obtido dos extratos bancários, expurgadas as transferências de valores entre contas de mesma titularidade e ingressos não correspondentes a receitas de vendas, discriminadas no Anexo I e II do referido Termo (fls. 248/258 e 259/266, respectivamente), demonstrado no resumo mensal (em R$) a seguir reproduzido: (a) Corresponde ao valor de Omissão de Receitas pela falta de comprovação da origem de recursos proveniente de operações mercantis, tais como recebimento de vendas por meio de cartão de débito/credito, operação de desconto, etc. (b) Corresponde a presunção de Omissão de Receita pela falta de comprovação da origem de valores depositados/creditados em contacorrente, não identificados pelo histórico informado nos extratos bancários como operações mercantis. Fl. 484DF CARF MF 6 2.9. Ainda, consta do Termo a informação sobre a constituição do crédito através da lavratura de Autos de Infração – SIMPLES. 2.9.1. Além do Termo e anexos, a constituição do crédito está explicada no demonstrativo de percentuais aplicáveis sobre a receita bruta (fls. 268/270); no demonstrativo de apuração dos valores não recolhidos (fls. 272/273), no demonstrativo de apuração do imposto/contribuição sobre diferenças apuradas (fls. 274/279) e, para cada um dos tributos lançados, o demonstrativo de multa de 75% e juros de mora e demonstrativo de apuração dos valores devidos (a seguir indicados). 2.10. Em 18/01/2011 foram lavrados os seguintes Autos de Infração: Imposto de Renda Pessoa Jurídica – SIMPLES. Valor de crédito apurado: R$ 114.486,03; Auto de Infração, fls. 284/285 e demonstrativos às fls. 280/283; Contribuição para o PIS/PASEP – SIMPLES. Valor de crédito apurado: R$ 84.000,66; Auto de Infração, fls. 293/297 e demonstrativos às fls. 289/292; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – SIMPLES. Valor de crédito apurado: R$ 114.486,03; Auto de Infração, fls. 302/306 e demonstrativos às fls. 298/301; Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – SIMPLES. Valor de crédito apurado: R$ 336.861,73; Auto de Infração, fls. 311/315 e demonstrativos às fls. 307/310; Contribuição para Seguridade Social – INSS – SIMPLES. Valor de crédito apurado: R$ 2.733.345,11; Auto de Infração, fls. 291/295 e demonstrativos às fls. 286/290. 2.11. Anotase que ao final de cada Auto de Infração e demonstrativos, consta a respectiva fundamentação legal relativa ao tributo e aos acréscimos legais (multa de 75% e juros de mora). 2.12. O Termo de Encerramento da Ação Fiscal, datado de 18/01/2011, foi juntado às fls. 325. 2.13. A Fiscalizada foi cientificada pela via postal do Termo de Verificação Fiscal, de todos os Autos de Infrações e do Termo de Encerramento em 21/12/2011, vide “AR” juntado às fls. 326. 3. Formalizada a Representação Fiscal para Exclusão do Simples, tendo em vista que a Fiscalizada auferiu, no decorrer do ano calendário de 2006, receita bruta excedente ao limite estabelecido no inciso II do art. 2º da Lei n° 9.317/96, com a redação dada pelo art. 3º da Lei nº 9.732/98 (R$ 5.749.433,58), em infração ao art. 9º da Lei nº 9.317/96, consoante as circunstâncias descritas no Termo de Verificação Fiscal e, assim, ficou sujeita à exclusão, conforme disposto no art. 14, I, da referida Lei, com efeitos a partir de 01/2007, nos termos do art. 15, IV da Lei nº 9.317/96, vide fls. 327/329. Fl. 485DF CARF MF Processo nº 19515.000100/201125 Acórdão n.º 1201002.617 S1C2T1 Fl. 483 7 4. A Autuada protocolou, tempestivamente (fls. 398), impugnação à autuação (razões às fls. 331/376) acompanhada de procuração de contrato social e alterações; documento pessoal do sócio; consulta à localização do presente processo no sistema informatizado da RFB (fls. 377/392). Os argumentos impugnativos, em síntese, após a descrição dos fatos contendo com o detalhamento de cada autuação e a totalização do crédito tributário, são: 4.1. Preliminarmente, alega cerceamento de defesa. 4.1.1. Afirma que não recebeu todos os documentos que ensejaram a autuação, apesar de mencionar que recebeu o “Termo de Verificação Fiscal”, Autos de Infração, seus anexos e “Termo de Encerramento”. 4.1.2. Cita doutrina e os incisos LIV e LV da Constituição Federal; os princípios da legalidade e publicidade e ressalta que “é indispensável que todos os atos praticados pelo agente fiscal devem ser cientificados, por escrito, a contribuinte ou seu preposto. A ausência da devida ciência, por escrito, está eivada de vicio formal, sendo passível de nulidade processual.” 4.2. Ainda em preliminar, argumenta descumprimento pelo fisco de norma legal vigente. 4.2.1. Informa que às vésperas do prazo fatal para apresentar impugnação o processo administrativo ainda estava tramitando pela fiscalização consoante documento de pesquisa que anexa (comprot). Entende que tal procedimento contraria o disposto no art. 4º do Decreto nº 70.235/72 e, ainda o art. 46 da Lei nº 9.784/99. 4.2.2. Nestas condições, entende que não foi dado ao contribuinte o direito de exercitar o contraditório, nem assegurada a ampla defesa. 4.3. No mérito, inicia contestando a presunção legal de omissão de receita pela falta de documentação comprobatória da movimentação financeira. 4.3.1. Afirma que a autuação fundamentada apenas em supostos depósitos bancários não pode prosperar. Colaciona doutrina, relembra o princípio da verdade material como um dos mais importantes para o processo administrativo; acrescenta à doutrina, jurisprudência e matéria publicada no jornal “valor econômico” sobre quebra de sigilo bancário pelo Fisco. 4.3.2. Reitera que os autos de infração foram baseados em presumíveis indícios de omissão de receita, sem demonstração do “elo entre o valor omitido à tributação e o seu vínculo financeiro.” 4.3.3. Acrescenta que o auto de infração baseado em simples presunção contraria ensinamentos da doutrina que cita, Fl. 486DF CARF MF 8 concluindo que houve desrespeito ao princípio da legalidade, pois a lei exige a existência concreta de um fato. 4.3.4. Neste sentido, ressalta a necessária observância do princípio da tipicidade, da obrigatória subsunção, do fato se encaixando à norma e contesta a autuação baseada em mera presunção, devendo prevalecer a verdade real ou material. Menciona doutrina e conclui que no presente caso não ocorreu o fato gerador da obrigação tributária e, portanto, inexiste justa causa para o lançamento. 4.4. Além disso, no mérito, discorre sobre o ônus da prova. 4.4.1. Afirma que no Código Tributário Nacional o ônus da prova da existência material que embasa a cobrança de qualquer tributo cabe exclusivamente ao Fisco e que não se pode exigir do contribuinte a produção de prova negativa. Sobre a matéria, cita o código de processo civil e código de processo penal, doutrina e jurisprudência, bem como o art. 30 da Lei nº 9.784/99. 4.4.2. Acrescenta que “o principio do livre convencimento da autoridade fiscal sofre limitações decorrentes da garantia constitucional do sistema contraditório e da observância das prescrições legais na obtenção de prova.” 4.4.3. Ressalta que o art. 112 do CTN determina que em caso de dúvida interpretase de maneira mais favorável ao acusado. 4.4.4. Conclui que o crédito tributário foi constituído sem provas concretas e seguras, arbitrariamente, por presunção da omissão de receita. 4.5. Ademais, afirma inocorrência do fato gerador. 4.5.1. Neste sentido, assevera que depósitos bancários não são fatos geradores de imposto, à luz do art. 43 do CTN que transcreve e comenta. Apresenta doutrina sobre o tema. 4.6. Ainda, alega outros fatos não considerados na autuação. 4.6.1. Neste enfoque, afirma que nas planilhas do AuditorFiscal não há referência dos valores dos cheques devolvidos, das transferências bancárias entre contas do mesmo titular e dos valores das aplicações financeiras, valores estes que não poderiam integrar a base de cálculo do tributo. 4.6.2. Entende que foi infringido o inciso V do art. 5º do Decreto nº 70.235/72, cumulado com o art. 142 do CTN. 4.7. Por fim, argumenta erro no cálculo do crédito tributário. 4.7.1. Afirma que os cálculos do crédito tributário não foram feitos de acordo com o tratamento diferenciado aplicável às empresas optantes do Simples. 4.7.2. Alega que por ser optante do sistema diferenciado sua tributação deve ser de acordo com o disposto na Lei nº 9.317/96, entre outras, e que, em conformidade com o art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 250/2002, sujeitase ao pagamento mensal Fl. 487DF CARF MF Processo nº 19515.000100/201125 Acórdão n.º 1201002.617 S1C2T1 Fl. 484 9 unificado dos impostos e contribuições e é indevida a constituição de crédito tributário do Imposto de Renda — Pessoa Jurídica — Simples, das contribuições para o Programa de Integração Social — Simples, Contribuição Social s/ Lucro Liquido — Simples, Contribuição p/Financ. S. Social — Simples, e Contribuição p/ Seguridade Social INSS— Simples. 4.7.3. Acrescenta que a referida constituição indevida infringiu o inciso IV do art. 5º do Decreto nº 70.235/72 e art. 142 do CTN, bem como não observou o art 10 da IN SRF nº 355/2003, destacando o percentual de 10,32% previsto no inciso I do art. 11. 4.7.4. Articula que se tivesse excedido ao limite da receita bruta acumulada na lei de regência do Simples deveria ter sido aplicado o percentual de 10,32% e nunca tributado separadamente os impostos e contribuições que estão embutidos no referido percentual. 4.7.5. Então, pretende que os valores lançados separadamente sejam excluídos do crédito tributário e aplicado, se for o caso, tão somente a alíquota prevista para empresas de pequeno porte optante pelo Simples. 4.8. Em seu pedido requer o cancelamento dos autos de infração de IRPJSIMPLES,PISSIMPLES, CSLLSIMPLES, COFINS SIMPLES, o arquivamento do processo e, ainda, protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos. A contribuinte interpôs o tempestivo recurso voluntário, reiterando os mesmos argumentos da impugnação administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Gasparello Lima, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, havendo os demais pressupostos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. I. NULIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO O acórdão recorrido confirmou a exigência tributária, explicitando a inexistência de qualquer nulidade do lançamento de ofício. Igualmente, não vislumbro quaisquer das hipóteses dos artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235/19721, ratificando a ausência de nulidade e prevalecendo a validade da constituição do crédito tributário, tal como formalizado. 1 “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 488DF CARF MF 10 Por sua vez, não é nula a exigência consubstanciada em informações financeiras da contribuinte, obtidas pela Receita Federal do Brasil sem prévia autorização judicial. Atualmente, a jurisprudência do Egrégio Supremo Tribunal Federal, uniformizada pelo acórdão prolatado no Recurso Extraordinário (RE) nº 601.314/SP, com efeito da repercussão geral estabelecida no artigo 543B do Código de Processo Civil vigente à época, possibilita o acesso dessas informações bancárias no exercício do procedimento fiscal: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio” Fl. 489DF CARF MF Processo nº 19515.000100/201125 Acórdão n.º 1201002.617 S1C2T1 Fl. 485 11 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. O artigo 145, parágrafo primeiro, da Constituição Federal, consagra o princípio da capacidade contributiva, orientando que "sempre que possível os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte." A autoridade administrativa é competente para exigir informações financeiras da contribuinte, mediante intimação escrita, consoante o artigo 197 do Código Tributário Nacional: "Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: (...) II – os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras;" A Lei Complementar nº 105/2001 permitiu a requisição de informações diretamente nas instituições financeiras, ressaltando que não configuraria violação ao dever de sigilo: Art.1º As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) Fl. 490DF CARF MF 12 §3º Não constitui violação do dever de sigilo: (...) VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art.5º O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. (...) §2º As informações transferidas na forma do caput deste artigo restringirseão a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados. (...) §4º Recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos. §5º As informações a que refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor. Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Este instrumento eficaz de fiscalização foi regulamentado pela Lei nº 10.174/2001 e pelo Decreto nº 3.724/2001, com validade constitucional reconhecida pelo Colendo Supremo Tribunal Federal. Finalmente, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mediante sua Súmula nº 2, delimita que "não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". II. MÉRITO Fl. 491DF CARF MF Processo nº 19515.000100/201125 Acórdão n.º 1201002.617 S1C2T1 Fl. 486 13 De acordo com artigo 57, parágrafo terceiro, do Regulamento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, adoto e transcrevo a "decisão de primeira instância", concordando com seu inteiro teor, ressalvando que inexistiu novos argumentos ou provas, quando da interposição do recurso voluntário: 5. Tomase conhecimento da impugnação do Contribuinte, vez que apresentada com a observância do prazo e requisitos estipulados nos arts. 15 e 16 do Decreto 70.235/72. 5.1. Observase que nos termos do artigo 17 do referido Decreto, considerase não impugnada a matéria que não for expressamente contestada pela Impugnante e, portanto, não deverão ser objeto de análise, vez que não se tornaram controvertidas. 6. Na fiscalização em questão – relativa ao ano calendário 2006 – ante a falta de atendimento das intimações para apresentação do livro caixa (assim como do diário, razão e dos extratos bancários), lavrado o Termo de Constatação, Instrução e Intimação Definitiva e o Termo de Embaraço à Fiscalização foi verificada a movimentação financeira do Contribuinte e, considerando os depósitos e créditos revelados nos extratos bancários fornecidos pelas Instituições financeiras, a Fiscalizada foi questionada e instada a justificar e comprovar a origem dos valores relacionados pela fiscalização e que, pelo não atendimento deu azo à autuação, com fundamento no art. 42 da Lei nº 9.430/96, pois tais os valores dos depósitos bancários sem a devida comprovação foram considerados omissão de receitas para fins tributários. 6.1. Por seu turno, em meteórica síntese, a Autuada alega cerceamento de defesa, descumprimento de norma legal pelo Fisco; contesta a presunção legal, questiona o ônus da prova, alega inocorrência do fato gerador e outros fatos não considerados pela fiscalização e, por fim, erro no cálculo do crédito tributário. 7. Preliminarmente, a Impugnante pleiteia o reconhecimento de nulidade. 7.1. Desde logo, examinado tudo o que dos autos consta, nenhuma das controvérsias suscitadas encontra amparo no quanto previsto no artigo 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972 (Processo Administrativo Fiscal – PAF). Art. 59. São nulos; I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. 7.2. Observase que quaisquer outras irregularidades, incorreções e omissões cometidas em Auto de Infração não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em Fl. 492DF CARF MF 14 prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio, nos termos do art. 60 do mencionado Decreto. 7.3. Ainda que se considere que o disposto no artigo transcrito não encerra relação numerus clausus de possibilidades de nulidade, somente poderseia cogitar desta no caso de vício em um dos elementos estruturais dos atos administrativos atacados, a saber, além da competência do agente, a forma, o objeto, a finalidade ou o motivo do ato. 7.4. A primeira preliminar da Impugnante alega cerceamento de defesa por não ter recebido “todos os documentos”, apesar de confirmar o recebimento dos autos de infração e anexos, bem como do termo de verificação fiscal, planilhas, termo de encerramento. 7.5. E mais: acrescentase que durante o procedimento fiscal a Fiscalizada recebeu todas as intimações acima mencionadas e respondeu conforme anteriormente relatado. 7.6. Pela análise do processo não se vislumbra quais seriam os outros documentos que deveriam e não teriam sido enviados/recebidos – nem a Interessada informa. 7.7. A segunda preliminar, quanto ao “descumprimento pelo fisco de norma legal vigente”, porque “às vésperas” do prazo fatal para a Interessada apresentar impugnação o processo ainda estaria tramitando pela fiscalização, isto poderia ser considerado, no máximo, mera irregularidade, vez que a inobservância do prazo estipulado no art. 4º do Decreto nº 70.235/72 não implica automaticamente em nulidade e, no caso em apreço, não causou prejuízo ao Contribuinte, conforme a seguir articulado. 7.8. Neste sentido, tendo em vista a argumentação da Defendente e, inclusive, a juntada de tela de consulta ao sistema informatizado da Receita, resta comprovado que o Interessado conhecia o local – inclusive físico – por onde tramitava o processo e, o fato de estar na Fiscalização não impediria o acesso e a verificação do processo, nem obstaria o pedido/obtenção de cópias de qualquer documento que compõe o processo, até com fundamento na Lei nº 9.784/99, citada na impugnação e que assim dispõe: Art. 46. Os interessados têm direito à vista do processo e a obter certidões ou cópias reprográficas dos dados e documentos que o integram, ressalvados os dados e documentos de terceiros protegidos por sigilo ou pelo direito à privacidade, à honra e à imagem. 8.5. Relembrase o que a própria Contribuinte afirma em sua impugnação: “ao acessar o site da SRF (COMPROT), a ora impugnante ficou sabendo que o processo administrativo fiscal ainda se encontrava em andamento entre o PROTOCOLO DEL REC FED DE FISCALIZAÇÃO/SP para DIV FISCALIZAÇÃO INDÚSTRIA/DEFIC/SPO/SP, sendo que ambos os setores ficam Fl. 493DF CARF MF Processo nº 19515.000100/201125 Acórdão n.º 1201002.617 S1C2T1 Fl. 487 15 no prédio da Av. Pacaembú n.° 715— bairro do Pacaembú — SP/SP...” (grifos acrescidos ao original) 7.9. Portanto, caso a Contribuinte tivesse interesse em verificar os autos, poderia têlo feito e, lado outro, nada foi demonstrado no sentido de que tentou e não conseguiu obter vistas, o que seria de fato relevante. 7.10. Ademais, consoante anteriormente relatado, a Autuada recebeu toda a documentação necessária e suficiente para o exercício integral de sua defesa, vide fls. 326 (no “AR” consta o rol de documentos enviados/recebidos pela Contribuinte quando da autuação). 7.11. Ressaltese que o direito constitucional à ampla defesa e ao contraditório, assegurado pela Constituição de 1988, tem por escopo oferecer aos litigantes, seja em processo judicial ou administrativo, o direito à reação contra atos desfavoráveis, momento esse em que a parte interessada exerce o direito à ampla defesa, cujo conceito abrange o princípio do contraditório. A observância da ampla defesa ocorre quando é dada ou facultada a oportunidade à parte interessada em ser ouvida e a produzir provas, no seu sentido mais amplo, com vista a demonstrar a sua razão no litígio. Dessa forma, quando a Administração, antes de decidir sobre o mérito de uma questão administrativa, dá à parte contrária a oportunidade de impugnar da forma mais ampla que entender está atendendo aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. 7.12. Em suma, considerando que a Contribuinte, além de ter recebido durante o procedimento fiscal os termos de intimação, inclusive de constatação e de embaraço, teve conhecimento e ciência da origem e fundamentos da autuação; os autos de infração contém suficiente descrição dos fatos e correto enquadramento legal, foram encaminhados com todos os anexos e relatórios; foi dada ciência e oportunizada a manifestação da Autuada, oportunidade esta exercida, ou seja, foi atendida a legislação de regência. 7.13. Frisase que após a autuação a Autuada apresentou impugnação onde demonstra conhecer todos os fatos ocorridos durante o procedimento fiscal, a origem do lançamento, os motivos de fato e os fundamentos legais, os autos de infração decorrentes. 7.14. Nestas condições, as preliminares não merecem acolhida. 8. No mérito, contesta a presunção legal de omissão de receita pela falta de documentação comprobatória da movimentação financeira; trata do ônus da prova. Alega inocorrência do fato gerador. Da Natureza dos Depósitos e da Presunção de Omissão de Receitas. Fl. 494DF CARF MF 16 9. Importa salientar que ao desatender as intimações (Termos de Intimação Fiscal de fls. 49/51 e 54/56) para justificar a origem dos depósitos movimentação financeira constantes da planilha (fls. 59/89) apresentada pelo Auditor Fiscal que teve como fonte os extratos bancários apresentados com amparo de Requisição de Movimentação Financeira atendida pelas Instituições financeiras, a Defendente deu motivo à incidência da presunção legal, prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96. 9.1. Merece ser enfatizado, ademais, que a Autuada não apresentou qualquer elemento ou resposta às solicitações da Autoridade Fiscal quanto à apresentação de documentação que pudesse comprovar a origem dos depósitos bancários questionados. 9.2. Destarte, concluise que a Interessada não teve a necessária cautela em documentar adequadamente os fatos alegados ou atacados, ficando, assim, por sua conta e risco as consequências de tal negligência. A responsabilidade por infrações tributárias independe da intenção do agente, conforme vaticinado no artigo 136 do Código Tributário Nacional, razão pela qual o argumento da Defendente atinente à boafé não tem espaço para prosperar. 9.3. Também cumpre mencionar que os depósitos bancários de origem não comprovada são, por presunção legal, considerados receitas ou rendimentos omitidos, e, assim, base de cálculo para a sistemática do SIMPLES, cujo ônus da prova em contrário compete, efetivamente, ao Sujeitos Passivo. 9.4. Em se tratando de empresa então optante do SIMPLES, oportuno relembrar o conceito da lei de regência, § 2º, do art. 2º, da Lei nº 9.317/96: Art. 2° Para os fins do disposto nesta Lei, considerase: II empresa de pequeno porte a pessoa jurídica que tenha auferido, no anocalendário, receita bruta superior a R$ 240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais) e igual ou inferior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais). (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) ... § 2° Para os fins do disposto neste artigo, considerase receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. 9.5. Ademais, cabia à Impugnante demonstrar, com comprovação por meio documental hábil e suficiente, a composição dos valores verificados nas contascorrentes de sua titularidade, especialmente os concernentes aos créditos, presumidamente entendidos como receitas omitidas, para que, somente então, fosse possibilitado o conhecimento e a apuração da efetiva receita bruta pertencente à Insurgente. Fl. 495DF CARF MF Processo nº 19515.000100/201125 Acórdão n.º 1201002.617 S1C2T1 Fl. 488 17 9.6. Deve ser salientado que a previsão estampada no art. 42 da Lei nº 9.430/96 estabeleceu a presunção legal de que os valores creditados em conta corrente ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, quando não comprovada a sua origem por meio de documentação hábil e idônea, constituem receita omitida. Por relevância, transcrevese o artigo legal. Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2o Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3o Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). (original sem grifos) 9.7. Insta relembar a caracterização da omissão de receitas nos termos do art. 287 do RIR/99 que, devido sua pertinência e facilidade de compreensão, transcrevese a seguir, juntamente com o art. 849 também do RIR: Decreto nº 3.000/99RIR/99 Art. 287. Caracterizamse também como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42). § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42, § 1º). § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo do imposto a que Fl. 496DF CARF MF 18 estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42, § 2º). § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados os decorrentes de transferência de outras contas da própria pessoa jurídica (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42, § 3º, inciso I). Art. 849. Caracterizamse também como omissão de receita ou de rendimento, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil ou idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42). 9.8. Portanto, a presunção legal ganha espaço na medida em que os créditos verificados nas contas bancárias da Contribuinte restem não esclarecidos/comprovados por documentação necessária e suficiente. 9.9. As disposições constantes do art. 42 da Lei nº 9.430/96, se fundamentam no fato de que a manutenção de escrituração regular e da documentação suporte daquela leva à comprovação da origem dos créditos em conta corrente bancária da Contribuinte, cumprindo ao Fisco, nesse caso, apenas verificar o devido oferecimento à tributação dos ingressos decorrentes da atividade da pessoa jurídica. Ausente documentação hábil e idônea a comprovar a origem dos depósitos bancários, em virtude da propalada presunção legal, estarseia à frente de ingressos à margem da regularidade, hipótese presumível e legalmente indicativa de omissão de receitas, sendo referida parcela distinta daquela eventualmente objeto de identificação na escrituração e/ou nos documentos mantidos pela pessoa jurídica. 9.10. Assim, a caracterização da ocorrência do fato gerador em discussão não se dá pela mera constatação de um crédito bancário, considerado isoladamente, abstraída das circunstâncias fáticas. Pelo contrário, a caracterização está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos numerários creditados e seu oferecimento à tributação, conforme dicção literal da lei. Existe, portanto, uma correlação lógica entre o fato conhecido – ser beneficiado com um crédito bancário sem origem ou não oferecido à tributação – e o fato desconhecido – auferir rendimentos. Essa correlação autoriza plenamente o estabelecimento da presunção legal de que o valor creditado em conta bancária, sem qualquer justificativa, provém de rendimentos não declarados. 9.11. A carga probatória atribuída à Administração Tributária nos casos da presunção legal em tela resumese em demonstrar que a Contribuinte, apesar de intimada, não comprovou a origem dos depósitos bancários. A relação causaefeito decorrente do fato verificado e a consequência da inação da Impugnante no eficiente esclarecimento solicitado é estabelecida Fl. 497DF CARF MF Processo nº 19515.000100/201125 Acórdão n.º 1201002.617 S1C2T1 Fl. 489 19 pela própria lei, o que torna lícita a inversão do ônus da prova, cabendo ao Sujeito Passivo da relação jurídica evidenciar que a prática do ato que lhe está sendo imputado não corresponde à realidade. 9.12. Reforçase que de acordo com os critérios estabelecidos na legislação de regência, intimada a Contribuinte a se manifestar sobre os valores que restaram incomprovados, compete a esta, e não ao Fisco, demonstrar a origem de cada um dos depósitos questionados se quiser eximirse ou, ainda, comprovar que os respectivos valores foram oferecidos à tributação. Da Omissão de Receitas e do sistema diferenciado de tributação – o SIMPLES 9.13. Cumpre relembrar que para as microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo SIMPLES mostrase relevante, tãosomente, a verificação da auferição de receita bruta, conforme seu art. 5º a lei de regência: Art. 5° O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: (...) (original sem grifos ou destaques) 9.14. Assim, a base de cálculo da tributação para os optantes pelo SIMPLES corresponde à dita receita bruta que, grosso modo, compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia, excluídas as vendas canceladas, as devoluções de vendas e os descontos incondicionais. 9.15. Portanto, temse, em consonância com o § 2º, do art. 2º da Lei nº 9.317/96, acima transcrito, que a íntegra do resultado operacional da empresa é que se amolda, perfeitamente, ao conceito jurídico de receita para os fins ora abordados, revelandose assaz desimportante a perquirição/demonstração da aquisição de disponibilidade jurídica ou econômica, de renda ou proventos de qualquer natureza da Defendente, demonstração de renda consumida ou evidenciação de sinais exteriores de riqueza. 9.16. No presente caso, conforme exaustivamente tratado anteriormente, sabido que a Contribuinte era optante pelo SIMPLES, a omissão de receita, decorrente de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, correspondeu à base de cálculo dos impostos e contribuições tributados pelo mencionado Sistema Simplificado, de acordo com o disposto no caput do artigo 24 da Lei nº 9.249/1995, in verbis: Fl. 498DF CARF MF 20 Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. 9.17. Portanto, clara e correta a base de cálculo utilizada, devidamente informada no Termo de Verificação Fiscal, fls. 244/248, bem como sua respectiva fundamentação legal . 9.18. Ainda, considerando os argumentos aduzidos pela Impugnante em sua peça de defesa, cumpre observar, ainda que por ter sido optante pela sistemática do SIMPLES no ano em questão, em tal condição, sujeitavase ao pagamento unificado de impostos e contribuições devidos pela microempresa e pela empresa de pequeno porte inscritas no referido sistema diferenciado, conforme disposto no § 1º, art. 3º, da citada Lei nº 9.317/96, sendo certo que os Autos de Infração lavrados não decorreram de apuração de tributos em espécie, mas de exigência suplementar atinente ao referido sistema, calcada nas previsões da mencionada Lei nº 9.317/96 que, por tratarse de legislação especial. 9.19. Em adição, cumpre observar que o lançamento em tela ajustase com as previsões do art. 9º, § 5º, do Decreto nº 70.235/72 c/c art. 38, § 6º, do Decreto nº 7.574/11, que possibilitam lançamento único para todos os tributos abrangidos pelo SIMPLES. 9.20. Portanto, muito embora o sistema em epígrafe enquadre os optantes em uma das faixas de percentuais de valor devido incidentes sobre a receita bruta mensal auferida e o recolhimento simplificado se dê por intermédio de uma única guia (DARF – SIMPLES), a correspondente alíquota representa a composição das alíquotas individualizadas dos tributos englobados por indigitado regime de tributação simplificado, de acordo com a inteligência dos artigos 3º, 5º, 23 e 24 da supracitada lei de regência. 9.21. Há de se repisar que o SIMPLES não encerra um tributo, mas uma sistemática diferenciada criada para pagamento unificado de vários tributos. Por tal razão, não há de se cogitar acerca da ocorrência de fato gerador dos tributos específicos a basear as exigências fiscais dos lançamentos em questão, vez que expressam mero desdobramento do abordado sistema de pagamento de tributos. 9.22. Nestas condições, a apuração e os consequentes lançamentos em epígrafe correspondem aos tributos em espécie, tudo conforme determinado pelo citado art. 23 da Lei nº 9.317/96, sem que, com isso, tenha sido descaracterizada a referida sistemática ou o regramento a esta atinente. Em suma, os diversos Autos de Infração, reunidos em um único processo, apenas refletem a composição do lançamento relativo ao sistema diferenciado, o SIMPLES. 9.23. Destarte, não há reparo a ser feito no lançamento, especialmente no tocante ao quanto pretendido pela Impugnante. Conclusão Fl. 499DF CARF MF Processo nº 19515.000100/201125 Acórdão n.º 1201002.617 S1C2T1 Fl. 490 21 10. O procedimento fiscal atendeu às disposições expressas da legislação de regência e a Impugnante não apresentou argumentos e/ou elementos de prova capazes de modificar os lançamentos, devendo ser mantidas as exigências conforme lançadas. 10.1. Assim, voto pela IMPROCEDÊNCIA DA IMPUGNAÇÃO, MANTENDOSE OS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. A Recorrente não evidenciou qualquer argumento jurídico que infirmasse a constituição do crédito tributário, ocasionando sua preservação integral, consoante o acórdão recorrido. Não há elementos suficientes para inverter o ônus da prova, que é próprio da Recorrente, nem qualquer esclarecimento sobre as receitas omitidas. A presunção relativa de omissão de receita é impugnável pela Recorrente, porém, necessário documentos hábeis e idôneos que evidenciem o contrário, segundo o artigo 42 da Lei nº 9.430/1996. O artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza (RIR/1999), aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999, reafirma que "a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais." A presunção juris tantum foi estabelecida em norma vigente, invertendo o ônus de prova quanto à omissão de receitas para a contribuinte. O atual Código de Processo Civil, subsidiariamente, aplicável ao processo administrativo tributário, prevê tal hipótese no seu artigo 374: "Art. 374. Não dependem de prova os fatos: (...) IV— em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade." Isto posto, voto pelo conhecimento do recurso voluntário, rejeitando a nulidade arguida e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator Fl. 500DF CARF MF 22 Fl. 501DF CARF MF
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Numero do processo: 15540.000782/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
INTIMAÇÃO. EFEITOS. NULIDADE
São nulas as intimações e seus atos subsequentes quando os endereços das
correspondências não condizem com os endereços declarados pelos
Contribuintes, para fins de solicitações de informações em procedimento de
fiscalização.
Recurso de oficio conhecido e não provido.
Numero da decisão: 1201-000.809
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
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Raf. a Fuso - Relator. EDITADO EM: SI-C2T1 FT 1 Processo n° Recurso n° Acórdão n° Sessão de Matéria Recorrente Recorrida MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 15540.000782/2008-11 Voluntário 1201-000.809 — 2 Camara / la Turma Ordinária 8 de maio de 2013 AUTO DE INFRAÇÃO - IRPJ, CSLL, PIS E COFINS FAZENDA NACIONAL SIMAO KNAPP ASSESSORIA E COMUNICAÇÃO LTDA. provimento julgado. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 INTIMAÇÃO. EFEITOS. NULIDADE São nulas as intimações e seus atos subsequentes quando os endereços das correspondências não condizem com os endereços declarados pelos Contribuintes, para fins de solicitações de informações em procedimento de fiscalização. Recurso de oficio conhecido e não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR ao recurso de oficio, nos termos do relatório que passam a integrar o presente Partidiparam da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz, André Blanco e João Carlos de Lima Junior. 1 Processo n° 15540.000782/2008-11 SI-C2T1 Acórdao n.° 1201-000.809 Fl. 2 Relatório Trata-se de Auto de Infração lavrado em face da contribuinte, em razão de omissão de receita decorrente de origem de recursos de depósitos e investimentos bancários não comprovados. Vejamos as imputações trazidas no Relatório Fiscal: 1. Trata-se de ação fiscal relativa ao IRPJ, referente ao ano calendário de 2005, levada a efeito am face ao contribuinte am epígrafe, por haverem sido detectados indícios de omissão de receitas. 2. De fato, a interessada declarou-se inativa com receita zero am 2005, ao passo que, no mesmo período, ela pagou um volume de CPMF correspondente a uma movimentação financeira de R$8. 634.826,26. 3. Em 28/03/2008, lavramos Termo de Inicio de Fiscalização; porém, não logramos êxito em dar ciência a interessada, .haja vista que encontramos dificuldade para localizar com precisão o local constante como seu endereço, conforme fizemos constar em Termo de Constatação lavrado na mesma data. 4. Ato continuo, remetemos o Termo de Inicio por via postal, tanto para o endereço da autuada quanto para a residência dos seus dois sócios, identificados abaixo. 5. As intimações retornaram ao remetente, sem que nenhum dos destinatários fosse encontrado; sempre por motivo de mudança, conforme envelopes acostados no processo. 6. Tendo am vista tais vicissitudes, houvemos por beni dar ciência por meio de edital, pelo que, legalmente, a ciência do inicio da fiscalização ocorreu em 15/09/2008. 7. Esgotado o prazo assinado sem qualquer manifestação da interessada, prop uzemos a quebra do seu sigilo bancário, conforme a Requisição de Movimentação Financeira acostada ao processo. 8. Recebidos os extratos bancários, procedamos a análise dos lançamentos crédito, expurgando os de reduzido valor, bem como todos aqueles que, pela natureza do seu histórico, afastavam a hipótese de traduziram ingresso de receitas. 9. Isto posto, foram, os créditos remanescentes, relacionados em um demonstrativo, denominado "Quadro Demonstrativo dos Lançamentos a Crédito em Contas Correntes da Autuada", que é parte integrante e inseparável deste Termo de Constatação, para total clareza da matéria tributável apurada. MA TERIA TRIBUTÁVEL 2 Processo n° 15540.000782/2008-11 SI-C2T1 Acórdão n.° 1201-000.809 Fl. 3 10. Foi apurado matéria tributável no valor de R$6.565.466,07, evidenciado pela existência de depósitos bancários sem justificativa de origem am contas correntes da autuada, junto ao banco Uhibanco S/A, agência 161, no ano calendário de 2005, identificados e relacionados am ordem cronológica no demonstrativo supracitado anexo. CONCLUSÃO 11. Presumida a ocorrência de OMISSA-0 DE RECEITAS no valor de R$6.565.466,07, lavramos o competente Auto de Infração, ao qual este Termo de Constatação se adere e passa a fazer parte integrante e inseparável, para lançamento e cobrança do crédito tributário apurado. 12. Levando-se am consideração os fatos constatados neste termo, imputamos a responsabilidade pelo pagamento do crédito tributário devido is seguintes pessoas físicas: a) ELOISA MOURA SIMIO, CPF 458.573.777-49, sócia-gerente desde 1998; b) BENEDITA PEREIRA MIRANDA, CPF 730.326.707-72, sócia desde 1998; c) KLEBER XAVIER DA MATTA JR., brasileiro, cirurgião dentista, portador da carteira de identidade CRO/RI n 2 8597, CPF 518.346.347-68, residente a rua das Violetas, n 2 27, Itaquatiara - Niterói. 13. A responsabilidade é imputada as pessoas físicas "a" e corn base no art.207, inciso V combinado com o inciso III do parágrafo único do mesmo artigo, por serem, ambas, sócias da empresa. Quanto a pessoa física "c", imputa-se-lhe responsabilidade solidária, com base no art. 210, inciso V do RIR/99, por se tratar de um mandatário da mesma, com poderes especificos para movimentar suas contas no Unibanco, o que se comprovou mediante cópia do instrumento de procuração e do respectivo cadastro bancário. De acordo com o Termo de Constatação Fiscal, em razão das dificuldades para localização, com precisão, do endereço da autuada, a fiscalização enviou Termo de Inicio de Fiscalização para, a seu entendimento, o endereço da autuada e para a residência de seus sócios. Retornadas as intimações ao remetente, foi elaborado edital, fixado na ARF Cabo Frio/RJ, fls. 48. Esgotado o prazo do edital, os créditos/depósitos bancários constatados através de requisição de movimentação financeira, foram presumidos como omissões de receitas. Por fim, a responsabilidade pelo pagamento do crédito tributário foi imputada as pessoas das sócias e, solidariamente, a mandatário da pessoa jurídica, conforme fls. 10. Ciente da autuação em 15/12/08, fls. 06, a contribuinte protocolou impugnação em 15/01/2009, alegando em síntese que: Processo n° 15540.000782/2008-11 SI-C2T1 Acórdão n.° 1201-000.809 Fl. 4 - preliminarmente, do cerceamento do direito de defesa, dado que: (i) no cadastro da SRFB os endereços das sócias da pessoa jurídica, desde 2004 - Av. Atlântica n° 3170, apto 701, Copacabana, Rio de Janeiro, fls. 143, 146 e 170, são absolutamente distintos daqueles das intimações, Av. Automóvel Clube, no 2436, S/L 16 — Vilar dos Teles, São Joao do Menti, RJ, fls. 44/45; (ii) a intimação por edital não apresenta qualquer prova de sua publicação através de DO, não havendo, portanto, publicidade do mesmo, conforme jurisprudência exarada no Acórdão n° 201-73.248, do 2° Conselho de Contribuintes, cuja ementa é reproduzida nos autos, fls. 134; (iii) em consequência, requer a nulidade das intimações, e a expedição de nova intimação à requerente e suas sócias, nos endereços, dando-lhes oportunidade de manifestação, em conformidade com a legislação pertinente. No mérito, insurge contra a quebra do sigilo bancário: a jurisprudência só o admitiria mediante prévia autorização judicial, argüindo, ainda, da ilegitimidade passiva solidária, de procurador da requerente, nessa atividade somente a partir de março/08. Posterior, portanto, ao ano calendário das ações. A DRJ anulou o lançamento fiscal, nos seguintes termos: 8.- Preliminarmente, ao contrário da pretensão impugnatória, o conceito de cerceamento do direito de defesa é infenso em sede de auditoria tributária. 8.1.- Entretanto, inequívoca a objetividade das preliminares invocadas quanto aos lapsos materiais incorridos nos atos praticados, antecedentes aos lançamentos. Porquanto: 8.1.1.- mesmo a DIPJ simplificada da pessoa jurídica, relativa ao ano calendário objeto da auditoria, 2005, fls. 03 e 39, já indicava endereço distinto daquele das intimações a ela dirigidas, fls. 40, 42 e 43 — distrito de Vilar dos Teles, Município de Selo João do Menti/Ri; não, Sampaio Correa, Município de Saquarenta/RJ; 8.1.2.- de outro lado, se factível a intimação a sócios da pessoa jurídica, importa que estes sejam devida e adequadamente intimados. Ora, os documentos de fls.143, 146 e 170, comprovam a alegação impugnatória quanto ao correto endereço dos sócios nos cadastros da SRFB. Diferentes daqueles constantes das intimações de fls. 44/45; 8.1.3.- acresce observar que, ainda que, em endereço incorreto, somente foi intimada uma das sócias, visto que Renato Fernandes, destinatário da intimação de fls. 44, nada tem a ver coin a pessoa jurídica, conforme Termo de Constatação Fiscal, fls.10. 9.- Quanto a intimação por edital, fls. 48, esta, emitida pela DRF/Niterói/R. I foi afixada na ARF em Cabo Frio/RJ, município distinto da sede declarada, em 2005, pelo sujeito passivo — 4 ft Processo n° 15540.000782/2008-11 SI-C2T1 Acórdão n.° 1201-000.809 Fl. 5 Vilar dos Teles/São João de Meriti/RI ARF situada a mais de 150 quilômetros de distancia deste último; e, menos, ainda, sem qualquer ligação jurisdicional, mesmo no âmbito da SRFB, com aquele das intimações encaminhadas ao distrito de Sampaio Correa/Saquarema/RJ, fls. 48. 9.1.- Ora, consoante pacifica jurisprudência administrativa, o edital é forma excepcional de intimação (AC. 101-70.894), só cabível quanto improficuas a intimação pessoal e a intimação postal (Acórdão n. 203-00571); o que não é o caso, conforme antes referenciado. 10.- No bojo dessas considerações preliminares, julgo procedente a impugnação, para declarar a NULIDADE das intimações antecedentes as autuações e, por via de conseqüência, os atos que as seguiram, dados os lapsos materiais em que incorreram aquelas, eivando de nulidade o procedimento fiscal. 10.1.- Que outros atos se processem na boa e devida forma, observado o endereço da irnpugnante constante dos cadastros da SRFB, na data do respectivo ato, bem como, ern sendo caso, de suas sócias. Mesmo porque a presunção legal, reportada nestes autos, implica em expresso e estrito cumprimento das normas atinentes à matéria, Lei n. 9.430/96, art. 42. Este é o relatório. Voto Conselheiro Rafael Correia Fuso Inicialmente, a despeito da matéria envolvida encontrar sub judice perante o Supremo Tribunal Federal, qual seja, a quebra de sigilo bancário, a questão a ser enfrentada nestes autos não implica em análise desta matéria, visto que o Recurso de Oficio se pautou em anular os atos de intimação anteriores ao lançamento, e por conseqüência os demais atos praticados pela fiscalização, incluindo o lançamento fiscal. Com isso, cabe a esse julgador verificar se a decisão da DRJ merece ser convalidada ou não. No meu modo de ver, sim, certamente. Isso porque o endereço da Pessoa Jurídica fora devidamente declarado à Receita Federal em sede de Declaração (DIPJ), destacando que as intimações solicitando documentos em procedimento de fiscalização, documentos e esclarecimentos quanto as operações financeiras foram dirigidas ao endereço anterior, distrito de Vilar dos Teles, Município de São João do Menti — RJ, ao invés de Sampaio Correia, Município de Saquarema —RJ. Da mesma forma as intimações dos sócios da contribuinte, considerados como responsáveis pelos débitos, se deram com endereços também equivocados, conforme narrado e demonstrado pela contribuinte: Fuso - Relator Processo n° 15540.000782/2008-11 SI-C2T1 AcOrcliio n.° 1201-000.809 Fl. 6 (ii) no cadastro da SRFB os endereços das sócias da pessoa jurídica, desde 2004 - Av. Atlântica no 3170, apto 701, Copacabana, Rio de Janeiro, fls. 143, 146 e 170, são absolutamente distintos daqueles das intimações, Av. Automóvel Clube, n° 2436, S/L 16 — Vilar dos Teles, Seio Joao do Menti, RJ, fls. 44/45;" Por fim, quanto à intimação por edital, fls. 48, esta fora afixada na ARF de Cabo Frio-RJ, município distinto da sede declarada da empresa em 2005, o que implica em sua não efetividade frente ao disposto 23 do Decreto n° 70.23/76: Art. 23. Far-se-á a intimação: §1°-Quando resultar improficuo um dos meios previstos no caput ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: II - em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou Assim, são nulas as intimações realizadas nos autos, o que implica em nulidade dos atos subseqüentes, em razão de vicio material, pois não foram válidos os procedimentos de fiscalização quanto As intimações da contribuinte e das sócias responsáveis, para fins de apresentar documentos e informações sobre as movimentações bancárias da pessoa jurídica. Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso de Oficio, e no mérito NEGO- LHE provimento, mantendo a decisão da DRJ em todos os seus fundamentos. como voto!
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Numero do processo: 16095.000681/2007-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/08/2006
NULIDADE. RELATÓRIO DOS CO-RESPONSÁVEIS. INSUBSISTÊNCIA
O fato dos sócios da empresa terem sido relacionados no relatório de co-responsáveis não significa a caracterização da responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa. Súmula CARF nº 88 Vinculante.
NULIDADE. INAPLICABILIDADE DA AFERIÇÃO INDIRETA. NÃO OCORRÊNCIA
Conquanto o sujeito passivo tenha sido intimado, houve apresentação deficiente de informações ou documentos por parte do sujeito passivo. Dessa forma, a fiscalização motivou o lançamento com base no art. 33, § 3º da a Lei nº Lei nº 8.212/91.
Constatada a execução da obra de construção civil e não havendo comprovação dos recolhimentos das contribuições previdenciárias, cabe a aferição indireta tendo como base os valores da mão de obra constantes em nota fiscal e nos contratos de prestação de serviços.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO DONO DA OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL
A empresa recorrente não se desincumbiu do ônus que lhe cabia de fazer prova acerca do alegado, não demonstrando, de forma clara e precisa, através de prova documental pertinente, os recolhimentos das contribuições previdenciárias relativas as obras de construção civil. As guias de pagamento juntada aos autos não se relacionam com o crédito tributário lançado referente à obra em questão, sendo acertado o lançamento que encontra-se em consonância com as normas atinentes à matéria.
TAXA DE JUROS SELIC
Correta a aplicação dos juros SELIC. Tal matéria já está pacificada no âmbito desde Conselho, conforme se extrai do enunciado da Súmula CARF n°4.
Numero da decisão: 2401-005.906
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente)
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2005 a 31/08/2006 NULIDADE. RELATÓRIO DOS CO-RESPONSÁVEIS. INSUBSISTÊNCIA O fato dos sócios da empresa terem sido relacionados no relatório de co-responsáveis não significa a caracterização da responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa. Súmula CARF nº 88 Vinculante. NULIDADE. INAPLICABILIDADE DA AFERIÇÃO INDIRETA. NÃO OCORRÊNCIA Conquanto o sujeito passivo tenha sido intimado, houve apresentação deficiente de informações ou documentos por parte do sujeito passivo. Dessa forma, a fiscalização motivou o lançamento com base no art. 33, § 3º da a Lei nº Lei nº 8.212/91. Constatada a execução da obra de construção civil e não havendo comprovação dos recolhimentos das contribuições previdenciárias, cabe a aferição indireta tendo como base os valores da mão de obra constantes em nota fiscal e nos contratos de prestação de serviços. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO DONO DA OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL A empresa recorrente não se desincumbiu do ônus que lhe cabia de fazer prova acerca do alegado, não demonstrando, de forma clara e precisa, através de prova documental pertinente, os recolhimentos das contribuições previdenciárias relativas as obras de construção civil. As guias de pagamento juntada aos autos não se relacionam com o crédito tributário lançado referente à obra em questão, sendo acertado o lançamento que encontra-se em consonância com as normas atinentes à matéria. TAXA DE JUROS SELIC Correta a aplicação dos juros SELIC. Tal matéria já está pacificada no âmbito desde Conselho, conforme se extrai do enunciado da Súmula CARF n°4.
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E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2005 a 31/08/2006 NULIDADE. RELATÓRIO DOS CORESPONSÁVEIS. INSUBSISTÊNCIA O fato dos sócios da empresa terem sido relacionados no relatório de co responsáveis não significa a caracterização da responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa. Súmula CARF nº 88 Vinculante. NULIDADE. INAPLICABILIDADE DA AFERIÇÃO INDIRETA. NÃO OCORRÊNCIA Conquanto o sujeito passivo tenha sido intimado, houve apresentação deficiente de informações ou documentos por parte do sujeito passivo. Dessa forma, a fiscalização motivou o lançamento com base no art. 33, § 3º da a Lei nº Lei nº 8.212/91. Constatada a execução da obra de construção civil e não havendo comprovação dos recolhimentos das contribuições previdenciárias, cabe a aferição indireta tendo como base os valores da mão de obra constantes em nota fiscal e nos contratos de prestação de serviços. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO DONO DA OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL A empresa recorrente não se desincumbiu do ônus que lhe cabia de fazer prova acerca do alegado, não demonstrando, de forma clara e precisa, através de prova documental pertinente, os recolhimentos das contribuições previdenciárias relativas as obras de construção civil. As guias de pagamento juntada aos autos não se relacionam com o crédito tributário lançado referente à obra em questão, sendo acertado o lançamento que encontrase em consonância com as normas atinentes à matéria. TAXA DE JUROS SELIC AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 06 81 /2 00 7- 19 Fl. 214DF CARF MF 2 Correta a aplicação dos juros SELIC. Tal matéria já está pacificada no âmbito desde Conselho, conforme se extrai do enunciado da Súmula CARF n°4. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente) Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas – SP (DRJ/CPS) que, por unanimidade de votos, considerou PROCEDENTE EM PARTE a NFLD n° 37.139.7022, retificandose o crédito por meio dela constituída de R$ 44.698,61 para RS 17.879,45, conforme ementa do Acórdão nº 0522.839 (fls. 171/181): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2005 a 31/08/2006 PREVIDENCIÁRIO. CONSTRUÇÃO CIVIL. MÃODEOBRA. CONTRIBUIÇÃO. AUSÊNCIA. AFERIÇÃO INDIRETA. RESPONSABILIDADE. PROPRIETÁRIO E/ou DONO DA OBRA. ÔNUS DA PROVA EM CONTRÁRIO. A ausência de comprovação do recolhimento das contribuições previdenciárias, incidentes sobre a mãodeobra aplicada na construção civil, permite a sua aferição, cabendo ao proprietário e/ou dono da obra o ônus da prova em contrário. VALOR DOS SERVIçOS. BASE DE CÁLCULO. RETIFICAÇÃO. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 16095.000681/200719 Acórdão n.º 2401005.906 S2C4T1 Fl. 3 3 A base de cálculo das contribuições previdenciárias corresponderá, no mínimo, a quarenta por cento do valor dos serviços. Lançamento Procedente em Parte O presente processo trata da Notificação Fiscal de Lançamento DEBCAD nº 37.139.7022 (fls. 02/12), consolidado em 26/11/2015, referente ao período de 12/2005 a 08/2006, no valor de R$ 44.698,61, correspondente às Contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a mão de obra aplicada na construção civil, efetuada pelos empregados da empresa prestadora de serviços. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 26/30), no decorrer dos trabalhos de fiscalização foi detectado no exame da documentação da empresa tomadora dos serviços (SAINTGOBAIN), contrato de prestação de serviços de construção civil com a empresa JORDAN SISTEMA INDUSTRIAL E COMÉRCIO LTDA. (contratada), nas dependências da contratante. Não foram apresentadas pela empresa fiscalizada as guias de recolhimento específicas quitadas e respectivas descrições de serviços/ folhas de pagamento, razão pela qual, não se elidiu da responsabilidade solidária. Esclarece ainda a fiscalização os seguintes fatos relacionados ao lançamento: 1. Os serviços foram prestados pela empresa Jordan Sistema Industrial e Comércio Ltda.; 2. O Contribuinte foi intimada para a apresentar as folhas de pagamentos relativas a esses serviços, e as guias de recolhimentos específicas; 3. Em razão da não apresentação dos documentos solicitados (notas fiscais/faturas de mãodeobra e folhas de pagamento) foi lavrado o Auto de Infração DEBCAD n° 37.139.7146; 4. Por não ter comprovado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre esses serviços, o Contribuinte está sendo responsabilizada solidariamente, de acordo com o inciso VI do art. 30 da Lei n° 8.212/1991; 5. As bases de cálculo das contribuições correspondem exatamente aos valores da mãodeobra constantes dos Contratos de Prestação dos Serviços, celebrados em 18/11/2005 e 01/08/2006; 6. Foram utilizadas para o lançamento as competências 12/2005 e 8/2006, visto que estas foram o prazo para o término dos serviços; 7. Em consulta ao Cadastro Nacional de Ações Fiscais CNAF foi verificado que, em face da prestadora dos serviços, não havia fiscalização total para o período. Em 28/11/2007 o Contribuinte tomou pessoalmente ciência da Notificação de Lançamento (fl. 02) e, em 21/12/2007, tempestivamente, apresentou sua Impugnação de fls. 74 a 100, instruída com os documentos nas fls. 101 a 168. Fl. 216DF CARF MF 4 A empresa prestadora dos serviços, Jordan Sistema Industrial e Comércio Ltda. não apresentou impugnação. Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/CPS para julgamento, onde, através do Acórdão nº 0522.839, em 12/08/2008 a 9ª Turma resolveu julgar PROCEDENTE EM PARTE o lançamento, retificando o Crédito Previdenciário constituído de R$ 44.698,61 para R$ 17.879,45. O Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/CPS, via Correio, em 04/11/2008 (AR fl. 186) e, em 17/11/2008, tempestivamente, interpôs seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 188 a 207, onde, em síntese, alega que: 1. Devem ser excluídos os coresponsáveis indicados no Relatório REPLEG; 2. É equivocada a aferição indireta uma vez que a fiscalização teve acesso a todos os documentos; 3. A presente NFLD foi lançada de forma arbitrária, uma vez que a Fiscalização não observou o disposto nos §§ 3º e 4º do art. 33 da Lei 8.212/91, razão pela qual deve ser reformado o Acórdão combatido a fim de decretar a sua nulidade; 4. Não há prova que a prestadora de serviços está em débito com a Seguridade Social e a solidariedade passiva, segundo melhor entendimento do direito aplicável ao caso, está condicionada diretamente à existência de débito devidamente constituído; 5. Restou comprovada a regularidade previdenciária da empresa prestadora de serviço através dos documentos apresentados (Guias de recolhimento das contribuições previdenciárias pela empresa prestadora de serviços e resumo da folha de salários do período); 6. A aplicação da Taxa SELIC, como critério de atualização monetária, é ilegal. Finaliza seu Recurso Voluntário requerendo a reforma da decisão recorrida, declarando a Nulidade da NFLD ou, caso assim não entenda, reconhecer a sua insubsistência a fim de determinar o cancelamento do débito fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de Admissibilidade. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 16095.000681/200719 Acórdão n.º 2401005.906 S2C4T1 Fl. 4 5 Nulidade do lançamento Relatório dos coresponsáveis REPLEG O Recorrente se insurge contra a inclusão das pessoas físicas na relação de coresponsáveis e aduz que tal procedimento, por si só, gera a nulidade do lançamento fiscal. Não assiste razão ao Recorrente. O fato dos sócios da empresa terem sido relacionados no relatório de co responsáveis (fl. 10), não significa a caracterização da responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa. A Súmula CARF nº 88, vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, traz o seguinte enunciado acerca da matéria: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Ademais, o lançamento foi constituído exclusivamente em nome das empresas tomadora de serviços (Sant Cobain Abrasivos Ltda.) e prestadora dos serviços (Jordan Sistema Industrial e Comércio Ltda.) como sujeitos passivos tributário, razão pela qual, rejeito a preliminar de nulidade suscitada. Nulidade inaplicabilidade da aferição indireta Sustenta a empresa Recorrente que a fiscalização teve amplo acesso a todos os documentos necessários para o levantamento fiscal, não existindo fundamento legal que autorize a aferição indireta, com exclusiva finalidade de lhe imputar descumprimento de obrigação previdenciária. Alega que o critério de aferição indireta torna insubsistente o lançamento. Aduz que não foi levado em consideração os recolhimentos das contribuições e que apenas na falta de prova do recolhimento por parte da empresa prestadora de serviços é que a Fiscalização poderia recorrer a indícios para o arbitramento. Por ocasião dos trabalhos realizados pela fiscalização, foi solicitado a apresentação de documentos referentes à obra de construção civil, tais como notas fiscais/faturas de mão de obra e folhas de pagamento. Tendo em vista não ter o contribuinte comprovado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre referidos serviços, a empresa Recorrente foi incluída no lançamento como sujeito passivo responsável pela exigência fiscal. Afirma ainda a fiscalização que o lançamento foi precedido de consulta aos sistemas informatizados do INSS com o Cadastro Nacional de Ações Fiscais CNAF, objetivando verificar se a empresa prestadora de serviços já havia sido fiscalizada e foi constatado que não havia fiscalização total para o período. Fl. 218DF CARF MF 6 Pois bem. A aferição indireta é medida excepcional a ser utilizada em circunstâncias específicas para a verificação da base de cálculo tributável, consoante estabelecido no art. 33 da Lei nº 8.212/91: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3º. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Como se observa nos presentes autos, conquanto o Recorrente tenha sido intimado, houve apresentação deficiente de informações ou documentos por parte do sujeito passivo. Dessa forma, a fiscalização motivou o lançamento com base no art. 33, § 3º da a Lei nº Lei nº 8.212/91. Foi constatada a execução da obra de construção civil, de acordo com os documentos adunados aos autos (fls. 31/61) e não houve comprovação dos recolhimentos das contribuições previdenciárias. Assim, foram efetuados os cálculos tendo como base os valores da mão de obra constantes em nota fiscal e nos contratos de prestação de serviços que foram carreados ao processo administrativo. Assim, constatados os requisitos autorizadores exigidos na lei, configurase legítimo o arbitramento efetuado pela autoridade fiscal, invertendose o ônus da prova para o contribuinte, em face da presunção juris tantum estabelecida nos §§ 3º e 6º do art. 33, da Lei nº 8.212/91. Da mesma forma que a lei prevê a aferição das contribuições devidas em face da deficiência dos documentos solicitados pela fiscalização, cabe ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. No entanto, no caso em debate, a empresa não apresentou comprovação no sentido de que as contribuições lançadas não seriam devidas, nem tampouco de que os valores aferidos pela fiscalização estariam incorretos. Os documentos de fls 138/164, embora demonstrem recolhimento, não comprovam a sua vinculação e o respectivo recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a obra de construção civil objeto do lançamento. Dessa forma, não há que se falar em nulidade do lançamento, razão pela qual rejeito a preliminar suscitada. Responsabilidade pela exigência tributária Alega a Recorrente que somente poderia ser responsabilizada pela exigência tributária depois de acionada a empresa prestadora de serviço. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 16095.000681/200719 Acórdão n.º 2401005.906 S2C4T1 Fl. 5 7 Inicialmente, cabe ressaltar que o inciso VI do artigo 30 da Lei nº 8.212/91, estabelece a responsabilidade solidária do dono da obra com o construtor, pelo cumprimento das obrigações previdenciárias, admitida a retenção para a garantia do cumprimento da obrigação, de acordo com o que se infere a seguir: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: [...] VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; Conforme se depreende do dispositivo legal acima referido, a retenção é uma faculdade à disposição do dono da obra (contratante), com o objetivo de elidir a responsabilidade solidária, que lhe fora atribuída legalmente, pelo cumprimento das obrigações relativas às contribuições previdenciárias decorrentes da utilização de mão de obra na construção civil. Nos termos dispostos no artigo 220 do Regulamento da Previdência Social (Decreto nº 3.048/99), cabe ao dono da obra exigir do construtor a comprovação do recolhimento das contribuições previdenciárias, sendolhe facultada a retenção da importância correspondente: Art. 220. O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária cuja contratação da construção, reforma ou acréscimo não envolva cessão de mãodeobra, são solidários com o construtor, e este e aqueles com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. § 1º Não se considera cessão de mãodeobra, para os fins deste artigo, a contratação de construção civil em que a empresa construtora assuma a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. Nessa esteira, o STJ destaca que a responsabilidade solidária prevista na legislação previdenciária abrange tanto as contribuições sociais devidas pela empresa (enquanto contribuinte, portanto), como aquelas decorrentes da substituição tributária (contribuições sociais devidas pela mãodeobra contratada). Destaquese a seguir a ementa da decisão acerca da matéria em comento: Fl. 220DF CARF MF 8 PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS PELOS EMPREGADOS, TRABALHADORES TEMPORÁRIOS E AVULSOS. CONSTRUÇÃO CIVIL. DONO DA OBRA E CONSTRUTOR OU EMPREITEIRO. SUBSTITUTOS TRIBUTÁRIOS. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA (SÚMULA 126/TRF ANTERIOR À PROMULGAÇÃO DA CF/88). RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA (CF/88 ATÉ A LEI 9.711/98). RESPONSABILIDADE PESSOAL DO TOMADOR DO SERVIÇO DE EMPREITADA DE MÃODEOBRA (LEI 9.711/98). [...] 19. Deveras, quanto ao último regime legal vislumbrado, convém assinalar que, cotejandose as normas contidas nos artigos 30, inciso VI, e 31, caput, da Lei 8.212/91, ambas com a redação dada pela Lei 9.528/97, dessumese que a responsabilidade solidária instituída entre os substitutos tributários (dono da obra e construtor, no que pertine às contribuições sociais devidas pela mãodeobra) e substituto e contribuinte (dono da obra e construtor, respectivamente, no que pertine às contribuições devidas pela empresa contratante da mãodeobra), no que concerne à construção civil, passou a ser, exclusivamente, regulada pelo artigo 30. 20. A Lei 9.711, de 20 de novembro de 1998, por seu turno, reformulou inteiramente o artigo 31, prescrevendo forma diferenciada de recolhimento das contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, e caracterizando, como serviço executado mediante cessão de mãodeobra, a "empreitada de mãodeobra". 21. A doutrina do tema afirma que: "Relativamente aos contratos de empreitada de mãodeobra, a Lei 9.711/98 submete expressamente ao regime de substituição tributária do art. 31, da Lei 8.212/91, de modo que, mesmo que não se trate, efetivamente, de um contrato típico de cessão de mãodeobra, resta abrangido pelo novo regime. Quanto aos demais contratos atinentes à construção civil, apenas haverá submissão à retenção se configurada efetiva cessão de mãodeobra. Do contrário, aplicável será apenas a solidariedade prevista no art. 30, VI, da Lei 8.212/91" (Leandro Paulsen, in "Direito Tributário Constituição e Código Tributário Luz da Doutrina e da Jurisprudência", 8ª ed., Ed. Livraria do Advogado e Escola Superior da Magistratura Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2006, pág. 1.033). 22. Agravo regimental desprovido. (AgRg nos EDcl no REsp 1177895/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 05/08/2010, DJe 17/08/2010). (Grifamos). Ocorre que a empresa contribuinte não se desincumbiu do ônus que lhe cabia de fazer prova acerca daquilo que alega, ou seja, não demonstrou, de forma clara e precisa, através de prova documental pertinente, os recolhimentos das contribuições previdenciárias relativas as obras de construção civil. As guias de pagamento juntada aos autos não se Fl. 221DF CARF MF Processo nº 16095.000681/200719 Acórdão n.º 2401005.906 S2C4T1 Fl. 6 9 relacionam com o crédito tributário lançado referente à obra em questão, sendo, portanto, acertado o lançamento que encontrase em consonância com as normas atinentes à matéria. Assim, não merece reforma a decisão proferida pela Delegacia de Julgamento. Juros SELIC Contesta ainda a aplicação da SELIC na apuração do crédito tributário em discussão Contudo, tal matéria já se encontra pacificada no âmbito desde Conselho, conforme se extrai do enunciado da Súmula CARF n°4, nos seguintes termos: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Desta feita, correta a aplicação da taxa de juros SELIC no lançamento fiscal. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares apontadas e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 222DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.722501/2010-02
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/1996 a 28/02/2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. NATUREZA DO VÍCIO. VÍCIO FORMAL.
Auto de infração com insuficiência na indicação dos fundamentos legais da exigência está eivado de vício formal e não material, mormente quando o relatório fiscal descreve adequadamente a infração, com a devida fundamentação legal.
Numero da decisão: 9202-007.308
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Assinatura digital
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício.
Assinatura digital
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/1996 a 28/02/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. NATUREZA DO VÍCIO. VÍCIO FORMAL. Auto de infração com insuficiência na indicação dos fundamentos legais da exigência está eivado de vício formal e não material, mormente quando o relatório fiscal descreve adequadamente a infração, com a devida fundamentação legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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NULIDADE. NATUREZA DO VÍCIO. VÍCIO FORMAL. Auto de infração com insuficiência na indicação dos fundamentos legais da exigência está eivado de vício formal e não material, mormente quando o relatório fiscal descreve adequadamente a infração, com a devida fundamentação legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 25 01 /2 01 0- 02 Fl. 380DF CARF MF 2 Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2403001.654, proferido na sessão de 16 de outubro de 2012, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1996 a 28/02/2001 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. NULIDADE DO LANÇAMENTO ORIGINÁRIO POR VÍCIO MATERIAL. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º ou do art. 173, I do CTN, a depender da antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal; assim como quando o lançamento substituir um lançamento considerado nulo por vício material. Recurso Voluntário Provido A decisão foi assim registrada: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso em face de decadência por quaisquer dos critérios estabelecidos no CTN. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza e Carolina Wanderley Landim. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Segundo o Relatório Fiscal (efls. 11 a 23) o lançamento objeto do processo destinase a formalização da exigência de “Contribuição Previdenciária DOS SEGURADOS QUE A EMPRESA DEVE RETER E RECOLHER AO INSS (Lei 8212/91 art 30 inciso I, letras “a” e “b”), devida por RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA e calculada por aferição indireta (...) na forma das legislações e normas instruídas no presente relatório fiscal”. E foi realizado com o objetivo de “restabelecer a exigência anulada por vício formal dos Lançamentos Fiscais constituídos pelas NFLD – Notificação Fiscal de Lançamento de Débito n° 35.067.6682 (levantamentos SC1 e SM1) e 35.067.6690 (levantamento SC2) conforme ementa da 4ª CAJ – CÂMARA DE JULGAMENTO/CRPS”, conforme ementa: “NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO LAVRADA COM FALTA DO TIPO DE DÉBITO, ACARRETANDO AUSÊNCIA DA FUNAMENTAÇÃO LEGAL NO RELATÓRIO FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO, ENSEJA A SUA NULIDADE, PELA IMPOSSIBILIDADE TÉCNICA DE SE EFETUAR A CORREÇÃO NO SISTEMA DE CADASTRAMENTO DE DÉBITO, CARACTERIZANDOSE VÍCIO FORMAL INSANÁVEL – LANÇAMENTO NULO.” O recurso visa rediscutir as seguintes matérias: Fl. 381DF CARF MF Processo nº 11080.722501/201002 Acórdão n.º 9202007.308 CSRFT2 Fl. 3 3 a) Limites da coisa julgada – possibilidade de reapreciação pela Turma a quo da natureza do vício que anulou o lançamento anterior, para fins de verificação da regra de contagem do prazo decadencial; b) Natureza do vício que ensejou a nulidade do lançamento, para fins de definição da regra de contagem do prazo decadencial. Em exame preliminar de admissibilidade, o Presidente da Quarta Câmara, da Segunda Seção do CARF deu seguimento ao apelo da Fazenda Nacional apenas em relação à matéria “b” Natureza do vício que ensejou a nulidade do lançamento, para fins de definição da regra de contagem do prazo decadencial. A decisão foi submetida à apreciação do Presidente do CARF, conforme determinava o art. 71, §3º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, que ratificou a decisão. Em suas razões recursais, quanto à matéria que teve seguimento, a Fazenda Nacional aduz que o entendimento exarado pelo acórdão recorrido de que a falta de indicação da fundamentação legal do arbitramento enseja a anulação do lançamento por vício material não merece prosperar, pois se trata de mera irregularidade na exteriorização do lançamento; que da leitura do art. 142 do CTN e do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1.972 percebese que a indicação do fundamento legal do arbitramento constitui aspecto formal do lançamento; que à luz da doutrina, que cita, um lançamento tributário é anulado por vício formal quando não se obedece às formalidades necessárias ou indispensável à existência do ato; que no caso sob análise, entendeuse que houve deficiência na indicação do fundamento legal do arbitramento; que a infração tributária, todavia, restou devidamente evidenciada nas NFLDS, que também se fizeram acompanhar dos devidos documentos comprobatórios dos fatos ali noticiados; que essa é a jurisprudência do CARF. Cientificado do Acórdão Recorrido, do Recurso Especial da Procuradoria e do Despacho que lhe deu seguimento em 21/07/2014 (AR, efls. 293) o Contribuinte apresentou, em 01/08/2014 (Carimbo, efls. 300), tempestivamente, as Contrarrazões de efls. 300 a 308 no qual aduz, em síntese que “um ponto intransponível a obstar o conhecimento do presente recurso é o fato de que o acórdão recorrido acolheu a preliminar suscitada julgando procedente o recurso voluntário do contribuinte para aplicar a decadência total por qualquer critério do CTN”, nos termos do art. 67, § 2º do RICARF; que não restaram satisfeitos os pressupostos de admissibilidade; que, quanto ao mérito, aduz que a discussão sobre a contagem do prazo decadencial, embora relevante de maneira geral, não são essenciais ao deslinde da presente controvérsia, haja vista que o Recorrido não pode ser enquadrado como responsável solidário. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Fl. 382DF CARF MF 4 O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Dele conheço. Não procedem as objeções levantadas pela Contribuinte nas suas contrarrazões, simplesmente porque não se aplica ao caso em apreço a restrição do § 2º, do art. 67 do RICARF. O referido dispositivo trata de decisão que anule decisão de primeira instância, o que não se tem neste caso. Aqui, a decisão cuja nulidade foi declarada é a de segunda instância. No mais, restaram efetivamente demonstradas as divergências apontadas do recurso. Quanto ao mérito, registrese, inicialmente, que a autuação objeto do processo se deu em razão de deliberação contida no Acórdão nº 748TCUPlenário, proferida no processo nº 019.636/20051, que determinou a revisão de ofício dos acórdãos que anularam os débitos previdenciários, e de que a Receita Federal deveria proceder às correções formais, restabelecendo a exigência e emitindo novo relatório de Fundamentos Legais do Débito ao Contribuinte, de modo a sanar o vício que motivou a nulidade apontada. Transcrevo, por pertinente à matéria ora em discussão, excertos do voto condutor do acórdão do nº 748TCUPlenário: Como se observa no Relatório que precede a este Voto, o processo em questão teve origem em denúncia versando sobre possíveis irregularidades ocorridas na anulação de diversas Notificações Fiscais de Lançamento de Débito NFLD, em todo o Brasil, pelo Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS. 2. Após ações de saneamento promovidas pela 4ª Secex, restou demonstrado que as anulações teriam ocorrido devido ao entendimento do CRPS de que faltou nas NFLD a indicação específica de normativo aplicável ao débito, prejudicando a ampla defesa do contribuinte. Baseouse, também, em dispositivo do Código Tributário Nacional CNT que impede o saneamento do débito após julgamento de primeira instância, razão pela qual mencionado Conselho teria concluído ser impossível salvar o débito, porque a falta cometida teria preterido o direito de defesa e comprometido a caracterização do fato gerador. [...] 5. Já o denunciante traz a tese de que tal razão não seria suficiente para anulação do lançamento, até porque os contribuintes sequer citam tal falta em seus recursos, e ainda, porque o artigo 33 da Lei 8.212/91 está indicado no relatório do fiscal e na capa do processo, só não havendo a indicação específica do § 3º (que diz que ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou a sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social INSS e o Departamento da Receita Federal DRF, podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário). Acrescenta ainda que a falta do dispositivo poderia ser reparada com o envio ao contribuinte de relatório aditivo informando sobre tal parágrafo. 6. Entendo ser razoável o posicionamento defendido pelo denunciante no parágrafo acima. De fato existem meios, inclusive previstos no regimento do Conselho, que permitem Fl. 383DF CARF MF Processo nº 11080.722501/201002 Acórdão n.º 9202007.308 CSRFT2 Fl. 4 5 suprir a falta de indicação completa do fundamento legal do lançamento e com isso evitar anulações desnecessárias e prejudiciais à Previdência. Como visto, a existência do débito não foi contestada e nem questionada. A única falha existente nos lançamentos anulados era formal, não sendo, portanto, razoável a adoção da decisão pela simples anulação, enquanto cabível a opção pelo saneamento. 7. Da mesma forma foi inadequada a utilização do Código Tributário Nacional CTN (artigo 203 do CTN), pois o referido dispositivo é aplicável à Dívida Ativa, isto é, a débitos em cobrança judicial, que não é o caso dos processos submetidos à apreciação do CRPS, que é instância administrativa. 8. Quanto à alegada impossibilidade de salvar o débito lançado, como visto, também não se sustenta. Nos casos em questão seria possível, sim, o saneamento dos processos, vez que não há vedação expressa ao encaminhamento posterior de relatório aditivo que indique termo faltante ao processo original. A anulação, nos termos das normas que regem o processo administrativo, somente se dá quando ocorre uma nulidade absoluta, a exemplo da lavratura de ato por pessoa incompetente, cerceamento do direito ao contraditório e à ampla defesa, nãoobediência à forma prescrita em lei, mesmo assim nos casos em que o ato, se realizado de outro modo, não alcançar a finalidade, o que não ocorreu na hipótese ora em análise. [...] 18. Como visto na instrução à fl. 325, a unidade técnica propôs “que fosse determinado ao CRPS e à SRFB que, de modo a evitar a anulação definitiva dos débitos, com vistas a evitar prejuízos para a Administração, em respeito aos princípios constitucionais da eficiência, economicidade e legalidade, procedam, conjuntamente, ao saneamento dos processos listados nas fls. 71/102 e outros cujos débitos também tenham sido anulados pela falta do termo “§ 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91” no Relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD, mediante os seguintes procedimentos: a) O CRPS, utilizandose da prerrogativa do artigo 53, § 1º, do Regimento Interno, bem como dos artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72, recepcionado com força de lei, reverta as anulações e converta os processos em diligências; b) A SRFB proceda às correções formais quanto à inclusão do normativo aplicável e apresente novo relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD ao contribuinte, de modo a elidir a falha formal causa das anulações.” 19. Quanto à adequação da proposta, cabe inicialmente salientar que o CRPS é instância recursal administrativa, integrante da estrutura do Ministério da Previdência Social MPS, a qual compete decidir, em última instância, sobre Fl. 384DF CARF MF 6 recursos de interesse dos beneficiários e contribuintes do Regime Geral da Previdência Social. 20. Sendo órgão administrativo colegiado, suas deliberações são imputadas ao corpo deliberativo e não a cada qual de seus componentes. Suas decisões são terminativas na esfera administrativa. Apesar dessas características, não resta afastado o constitucional mister do TCU para exercer sobre o órgão a fiscalização de atos que envolvam recursos públicos federais ou qualquer procedimento que possa causar dano aos cofres públicos federais. 21. Partindo da análise dos princípios constitucionais envolvidos, observase que compete ao Tribunal de Contas da União não somente a proteção do Erário por danos diretos ou indiretos. Competelhe, também, ainda que não isoladamente, a guarda dos princípios da legalidade, da legitimidade, da moralidade e da economicidade (art. 37, cabeça, c/c os arts. 70 e 71 da Constituição Federal). [...] 24. Ante essas considerações, entendo pertinente acolher a proposta da unidade técnica quanto à determinação a ser efetivada ao CRPS e à SRFB para que procedam, conjuntamente, ao saneamento dos processos listados nas fls. 71/102 e outros cujos débitos também tenham sido anulados pela falta do termo “§ 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91” no Relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD. 25. No entanto, entendo pertinente realizar pequeno ajuste no que tange aos fundamentos da deliberação, visto que não se sustenta a proposta para que o próprio órgão proceda a anulação utilizandose das prerrogativas previstas nos os artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72, visto que as deliberações cuja anulação se pretende foram adotadas pelo colegiado administrativo competente por provocação da parte passiva no exercício do contraditório e ampla defesa (esfera recursal). 26. O mais razoável é a utilização da competência deste Tribunal para o exercício do controle administrativo da legalidade dos atos praticados pelo CRPS, visto que restou comprovado que houve ilegalidade e lesão à Administração, podendo, portanto, este Tribunal, no exercício de sua função corretiva, assinalar prazo para que o Conselho em questão adote as providências necessárias ao exato cumprimento da lei (art. 45 da Lei nº 8.443, de 16 de julho de 1992), revertendo as anulações efetivadas e convertendo os processos em diligências, utilizandose da prerrogativa do artigo 53, § 1º, do Regimento Interno daquele conselho. 27. Acolho, também, a proposta no sentido de que a Secretaria da Receita Federal do Brasil SRFB proceda às correções formais quanto à inclusão do normativo aplicável e apresente novo relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD ao contribuinte, de modo a elidir a falha formal causadora das anulações. Fl. 385DF CARF MF Processo nº 11080.722501/201002 Acórdão n.º 9202007.308 CSRFT2 Fl. 5 7 Registrese, todavia, que, atendendo a pedido de reconsideração interposto pelo Conselho de Recuros da Previdêrncia Social – CRPS, foi proferido pelo TCU o Acórdão nº 2474/2010, na sessão de 22/09/2010, com o seguinte teor: ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em Sessão Plenária, com fundamento no art. 48 da Lei n° 8.443/1992 e diante das razões expostas pelo relator, em: 9.1. conhecer do presente pedido de reexame para, no mérito, darlhe provimento, de modo a tornar insubsistentes os subitens 9.2, 9.3 e 9.5 do Acórdão nº 748/2008TCUPlenário; 9.2. manter em seus exatos termos os demais itens da deliberação recorrida; 9.3. dar ciência do inteiro teor deste acórdão, acompanhado do relatório e do voto que o fundamentam, ao recorrente e à Secretaria da Receita Federal do Brasil. Eis os itens tornados insubsistentes pela decisão: “9.1. conhecer da denúncia, uma vez que atende aos requisitos de admissibilidade previstos no art. 235 do Regimento Interno do TCU; 9.2. com fundamento no art. 71, inciso IX, da Constituição Federal e art. 45 da Lei nº 8.443, de 16 de julho de 1992, fixar o prazo de 90 (noventa) dias para que o Conselho de Recursos da Previdência Social e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, em respeito aos princípios constitucionais da eficiência, economicidade e legalidade, procedam, conjuntamente, ao saneamento dos processos listados no Anexo 1 deste Acórdão e outros processos cujos débitos também tenham sido anulados pela falta do termo ‘§ 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91’, utilizandose da prerrogativa do artigo 53, § 1º, do Regimento Interno do CRPS; 9.5. determinar ao Ministério da Previdência Social a abertura de procedimento administrativo visando a apurar responsabilidades pela anulação indevida dos débitos apontados neste processo; No pedido de Reconsideração do CRPS alegou, dentre outras razões, o seguinte: 5.14. As causas que comprometem a validade do lançamento não são exclusivamente as indicadas no art. 59 do Decreto 70.235/72, segundo declarado pelo Manual do Contencioso e consoante algumas decisões do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda (fls. 76/78, anexo 4). A doutrina também entende que deva ser decretada a nulidade do lançamento quando ausentes os seus pressupostos de validade. A jurisprudência judicial igualmente oferece proteção ao entendimento adotado pelo CRPS, declarando a nulidade de Fl. 386DF CARF MF 8 CDAs desprovidas dos requisitos de validade, um dos quais o fundamento legal. 5.15. As decisões do CRPS não feriram o princípio da legalidade nem acarretaram prejuízo ao erário. Se o Relatório de Fundamento Legal é o elemento que “alimenta” a CDA, no que concerne aos fundamentos legais da notificação, então a ausência de um dispositivo essencial no relatório viciaria a CDA. A unidade julgadora, buscando evitar custos desnecessários a título de sucumbência judicial, decidiu anular os lançamentos. 5.16. Não houve prejuízo ao erário, pois a maioria das notificações já foram refeitas, sendo certo que o tempo dispensado nessas novas ações fiscais é mínimo, haja vista todos os dados já estarem armazenados, bastando, apenas, a inclusão do fundamento legal correto. 5.17. As decisões de nulidade por vício interrompem o prazo decadencial, conforme preceitua o art. 45, II, da Lei 8.212/91. Assim, o fisco detém novo prazo decadencial para lavrar nova notificação fiscal corrigindo o equívoco incorrido no lançamento original. 5.18. A maioria dos processos já foi refeita ou não pode ser refeita, pelo fato de alguns deles estarem enquadrados em impedimentos, como é o caso da não caracterização de solidariedade decidida pelo Parecer AGU 055/2006. 5.19. Como grande parte das notificações anuladas já foi substituída por novos lançamentos com a devida correção do vício formal, na hipótese de haver o “saneamento” dos lançamentos originários, tramitarão dois processos distintos para o mesmo fato gerador, o que é repudiado pelo ordenamento jurídico pátrio. 5.20. Ainda que as decisões da unidade julgadora não retratassem a melhor interpretação jurídica a respeito do assunto, esgotada a instância administrativa, o acórdão deveria ter sido cumprido pelo INSS/SRP, a teor do art. 57 do Regimento Interno do CRPS (Portaria MPS 88/2004) e do art. 308, § 2º, do Decreto 3.048/99. O cumprimento das decisões do CRPS, imediatamente e em todos os casos mencionados no acórdão recorrido, evitaria qualquer eventual imputação de dano. Por sua vez, em sua razões de decidir o Relator aduz o seguinte: 10. Quanto ao mérito da matéria de fundo em si, assiste razão ao CRPS, pois, conforme apropriadamente aponta a Serur, embora as decisões que deram ensejo ao Acórdão ora combatido, não representarem, a priori, a “melhor solução jurídica”, não foram frontalmente ilegais, vez que tomadas nos limites interpretativos permitidos pelos normativos então vigentes. [...] 15. Contudo, como afirma a Serur, “(...) a pacificação do assunto após a Consulta 696 (1ª instância) e o Enunciado 29 (2ª instância) não significa que tenham sido ilegais as decisões Fl. 387DF CARF MF Processo nº 11080.722501/201002 Acórdão n.º 9202007.308 CSRFT2 Fl. 6 9 anteriores que manifestaram entendimento diverso” pois, ao anularem os lançamentos questionados por esta Corte, os Conselheiros do CRPS observaram, a rigor, o que prescreve o art. 202, inciso III, do Código Tributário Nacional, o qual determina que a Certidão de Dívida Ativa contenha a disposição de lei que fundamente o crédito tributário. 16. Assim, considerando a limitação do sistema informatizado, que não permitia lançar o citado fundamento legal (§ 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/1991), não seria possível emitir uma CDA livre de vício, que a macularia no âmbito judicial. Ademais, embora esse vício pudesse ser sanado até o julgamento de 1ª instância na esfera judicial (art. 203 do CTN), entendo, assim como a Serur, ser razoável tomar providências para corrigilo ainda na esfera administrativa, para evitar a dependência da Procuradoria Federal. 17. Demais disso, vejo que, para demonstrar o quanto a matéria em exame era controversa – tanto que originou a mencionada Consulta 696 e o referido Enunciado 29, o que, per si, já é razão suficiente para dar provimento ao presente recurso –,o recorrente apresenta em seu pedido de reexame lançamentos tributários idênticos aos ora questionados, não só no âmbito do CRPS, mas também na 1ª instância do fisco previdenciário, conforme demonstram algumas DecisõesNotificações anexadas às fls. 37/52 e 59/63, anexo 4. Ante o exposto, acompanhando a manifestação da Secretaria de Recursos, VOTO por que este e. Tribunal Pleno aprove o Acórdão que ora submeto à sua consideração. Enfim, o que se tem configurado é que o CRPS declarou a nulidade de autuações por vicio formal insanável em razão de incompletude na fundamentação legal da autuação, mais especificamente pela ausência na fundamentação legal da exigência da menção ao § 3º do art. 33, da Lei nº 8.212, de 1991; que o TCU, embora tenha acolhido inicialmente a denúncia de irregularidade dos Acórdãos nºs 2.338/2005 e 2.339/2005, que declararam a nulidade dos lançamento e determinado sua reparação, acolheu posteriormente pedido de reconsideração da CRPS sob o fundamento de que o procedimento daquele Colegiado tinha amparo nas normas que disciplinavam o processo administrativo e de que providências já haviam sido tomadas para a recomposição da exigência das contribuições. Cumprenos, portanto, considerado o quadro descrito acima, e ultrapassada a questão dos efeitos da coisa julgada administrativa matéria que não teve seguimento decidir se o vício que ensejou a declaração da nulidade dos lançamentos originais pelo CRPS era formal ou material. Entendeu o Recorrido que se trata de vício material, pois “os lançamentos originários ocorreram sem a devida fundamentação legal, não atendendo, por conseguinte, a legislação tributária, inclusive o direito de defesa da Recorrente”, e que a fiscalização não informou ao contribuinte a fundamentação legal para embasar o arbitramento”. Ora, que há uma irregularidade no lançamento, caracterizada pela imprecisão/insuficiência na fundamentação legal da exigência é fato incontroverso e o acórdão que declarou originalmente a nulidade do lançamento o fez em razão deste. O que se discute é se esse defeito configura vício formal ou material. O acórdão do antigo CSRF declarou a Fl. 388DF CARF MF 10 nulidade por vício formal, conforme consta de sua ementa e posteriormente corroborado pela manifestação apresentada perante o Tribunal de Contas da União. Conforme extensamente referido, o vício consiste na ausência, na fundamentação legal da autuação, da referência ao § 3º do art. 33, da Lei nº 8.212, de 1991, que na redação em vigor à época previa o seguinte: Art. 33 [...] § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Ocorre que, se é certo que se o referido dispositivo não foi mencionado na especificação dos dispositivos legais que fundamentaram a autuação, o foi na descrição dos procedimentos adotados pela fiscalização. Confirase: DA SITUAÇÃO ENCONTRADA E DOS PROCEDIMENTOS ADOTADOS 5. Relacionamse abaixo, por levantamento fiscal específico, a situação e os procedimentos adotados: I ( ... )* II – Levantamento: “SC1 – SOLIDA. CONST. CIVIL ANTES 1999”: Foi solicitada pela Auditoria Fiscal a relação de contratos de obras de construção civil realizados pelo Banco do Brasil a partir de MAIO de 1995, assim como os respectivos processos físicos. Em resposta ao pedido, a Instituição Financeira informou que os dados referentes aos contratos de construção/reforma/acréscimo, bem como as respectivas parcelas de pagamento, notas fiscais/faturas/recibos, são cadastrados no sistema informatizado SISPAG, fato comprovado pela Auditoria Fiscal através da confrontação das informações contidas no SISPAG com a documentação física dos processos. Nesse contexto, utilizaramse as informações contidas nesse sistema subsidiariamente nos casos de apresentação deficiente dos documentos solicitados, conforme determina o §3o, do art.33, da Lei no 8.212/91. (destaquei) Não é certo, portanto, afirmar que o procedimento adotado pela fiscalização não se baseou em fundamento legal ou sequer que os autuados não foram informados desse fundamento. Houve sim, falha na reprodução desse dispositivo legais, como se fez com outros dispositivos legais, no capítulo próprio da fundamentação legal. Tratase, sem dúvida, de vício de natureza formal, pois localizado na exteriorização do ato, no substrato do instrumento de autuação, na sua forma, enfim. Também não se cogita de cerceamento de direito de defesa, posto que os autuados foram plenamente cientificados do procedimentos adotado e de seus fundamentos e tanto é assim que a contribuinte pode exercitar o contraditório com desenvoltura. E não é desprezível o fato de que, Fl. 389DF CARF MF Processo nº 11080.722501/201002 Acórdão n.º 9202007.308 CSRFT2 Fl. 7 11 em momento algum, a contribuinte arguido cerceamento de direito de defesa ou mesmo dificuldade no exercício desse direito em razão desse defeito do instrumento de autuação. Pareceme, pois, inadequado o acórdão recorrido invocar cerceamento de direito de defesa quando a própria parte não denunciou o prejuízo ao exercício desse direito. Ao contrário, demonstra conhecer os fundamentos da autuação e exerce plenamente o direito ao contraditório. Ante o exposto, conheço do recurso e, no mérito, doulhe provimento para afastar a decadência declarada pelo acórdão recorrido, devendo o processo retornar à instância a quo par analise do mérito. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Fl. 390DF CARF MF
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Numero do processo: 10972.000225/2009-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Caracterizam omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ORIGEM DOS DEPÓSITOS. DEPÓSITOS. ATIVIDADE RURAL.
Na hipótese de o contribuinte atuar como produtor rural, para que os depósitos bancários de origem não comprovada sejam tributados como rendimentos omitidos da atividade rural, deve o interessado apresentar documentação comprobatória dos rendimentos auferidos nessa atividade, correlacionando-os com os respectivos depósitos efetuados.
MULTA AGRAVADA.
A exasperação da multa por desatender a intimação justifica-se se os esclarecimentos solicitados forem imprescindíveis e causarem obstáculos à fiscalização, nos termos legais. Caso contrário, deve a penalidade ser mantida no patamar próprio para os lançamentos de oficio normais.
Numero da decisão: 2402-006.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado RUBENS BERNARDES COELHO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizam omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ORIGEM DOS DEPÓSITOS. DEPÓSITOS. ATIVIDADE RURAL. Na hipótese de o contribuinte atuar como produtor rural, para que os depósitos bancários de origem não comprovada sejam tributados como rendimentos omitidos da atividade rural, deve o interessado apresentar documentação comprobatória dos rendimentos auferidos nessa atividade, correlacionandoos com os respectivos depósitos efetuados. MULTA AGRAVADA. A exasperação da multa por desatender a intimação justificase se os esclarecimentos solicitados forem imprescindíveis e causarem obstáculos à fiscalização, nos termos legais. Caso contrário, deve a penalidade ser mantida no patamar próprio para os lançamentos de oficio normais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 2. 00 02 25 /2 00 9- 79 Fl. 1287DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Tratase de Recurso de Ofício em face da decisão da 6ª Turma da DRJ/JFA, consubstanciada no Acórdão 0929.542, que julgou procedente em parte a impugnação do sujeito passivo. Por bem descrever os fatos, transcrevo o relatório da decisão de primeira instância: Em nome do contribuinte acima identificado foi lavrado, em 20/11/2009, pela Fiscalização da DRF/UberabaMG, o Auto de Infração de fls. 02/06, com ciência do sujeito passivo por Edital em 05/02/2010 (fl. 292), relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, exercício 2007, anocalendário 2006, sendo apurados os seguintes valores: Motivou o lançamento de oficio (Relatório da Ação Fiscal fls. 07/10) a constatação das seguintes infrações fiscais: 1) Omissão de Rendimentos Recebidos a Título de Resgate de Contribuições de Previdência Privada. A autoridade fiscal verificou inicialmente em DIRF — Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte, apresentada por Bradesco Vida e Previdência S/A, CNPJ 51.990.695/000137, que o contribuinte efetuou, em abril de 2006, resgate de previdência privada no valor de R$ 8.814,89, com imposto de renda retido na fonte de R$ 1.886,79. Regularmente intimado, o fiscalizado não se manifestou quanto a esse resgate. Assim, nos termos do art. 33 da Lei n° 9.250/95, combinado com o inciso XIV do art. 43 do Decreto n° 3.000/99, foi efetuado o lançamento de oficio. 2) Omissão de Rendimentos da Atividade Rural Fl. 1288DF CARF MF Processo nº 10972.000225/200979 Acórdão n.º 2402006.629 S2C4T2 Fl. 3 3 Com base nas notas fiscais de entrada e de produtor rural colhidas no curso da fiscalização, foi apurado o total de receitas da atividade rural auferidas pelo contribuinte em 2006, que compreende a soma dos demonstrativos fiscais I (fls. 11/13) e II (fls. 14/16), assim especificados pela autoridade lançadora: DEMONSTRATIVO I — RECEITA DA ATIVIDADE RURAL, SEM IDENTIFICAÇÃO INDIVIDUALIZADA DOS RESPECTIVOS CRÉDITOS BANCÁRIOS: Corresponde ao somatório mensal de vendas efetuadas pelo contribuinte em 2006, constatadas mediante notas fiscais de produtor rural e de entrada, sendo que tais valores foram tidos como auferidos na data da emissão do documento fiscal, uma vez que não houve a identificação específica da forma e da data de recebimento pelo fiscalizado; DEMONSTRATIVO II — RECEITAS DA ATIVIDADE RURAL, PARA AS QUAIS HOUVE IDENTIFICAÇÃO INDIVIDUALIZADA DOS RESPECTIVOS CRÉDITOS BANCÁRIOS: Corresponde ao somatório mensal de vendas efetuadas pelo contribuinte em 2006, constatadas mediante notas fiscais de entrada apresentadas pelas pessoas jurídicas adquirentes dos bovinos. Tendo em vista que houve a identificação específica da forma e da data de recebimento pelo fiscalizado, tais receitas da atividade rural foram apropriadas nas datas dos respectivos créditos bancários, em virtude do regime de caixa adotado para tributação da pessoa física. Com base nesses demonstrativos foi apurado que o contribuinte auferiu no ano de 2006 receita bruta da atividade rural no valor de R$ 7.228.244,85 (sete milhões, duzentos e vinte e oito mil, duzentos e quarenta e quatro reais e oitenta e cinco centavos), como consolidado no Demonstrativo fiscal de fl. 17. Considerando que o interessado não apresentou livrocaixa nem quaisquer documentos à fiscalização, foi efetuado o arbitramento (percentual de 20%) sobre a receita bruta apurada, obtendose o resultado tributável no montante de R$ 1.445.648,97 (um milhão, quatrocentos e quarenta e cinco mil, seiscentos e quarenta e oito reais e noventa e sete centavos), também conforme consta no Demonstrativo de fl. 17. Sobre esse valor foram calculados o imposto de renda e os acréscimos pertinentes, uma vez que nada foi oferecido à tributação, sendo, ainda, o contribuinte omisso na apresentação da declaração do imposto de renda da pessoa física do ano de 2006, exercício de 2007. 3) Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários com Origem Não Comprovada O contribuinte foi regularmente intimado a comprovar os depósitos/créditos efetuados em suas contas bancárias no anocalendário de 2006. Porém, a despeito das intimações efetuadas não foram apresentados quaisquer documentos que comprovassem inequivocamente a origem de tais depósitos, os quais foram presumidos como omitidos, nos termos da legislação vigente. Informa a autoridade lançadora que foram considerados como comprovados os depósitos/créditos decorrentes de: Fl. 1289DF CARF MF 4 1 — transferências de outras contas da própria pessoa física; 2 — estornos, empréstimos, financiamentos, transferências e cheques devolvidos de emissão do próprio contribuinte, resgates de aplicações e títulos, redução de saldo devedor, juros sobre capital próprio, reembolso de CPMF; 3 — os valores provenientes da atividade rural cujos créditos/depósitos bancários foram individualmente identificados no curso do procedimento fiscal, conforme Demonstrativo II da Atividade Rural, cujos valores foram devidamente tributados no item IV. 2 acima. Dessa forma, restaram não comprovados, mediante documentação hábil e idônea, os valores constantes do "DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS/DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM", composto de 16 (dezesseis) folhas, juntado às fls. 18/25v. Relata ainda a autoridade fiscal que a fim de se evitar possível duplicidade de tributação, foram também excluídos os valores informados em DOI (Declarações de Operações Imobiliárias), relativos à participação do contribuinte em alienações de imóveis, assim como os valores provenientes da atividade rural para os quais não houve identificação dos créditos/depósitos bancários, conforme o Demonstrativo I da Atividade Rural. Por fim, informa a fiscalização que tendo em vista que na tributação de pessoas físicas é adotado o regime de caixa, também foram excluídos os valores depositados nas contas do contribuinte e posteriormente devolvidos, conforme "Demonstrativo dos Lançamentos a Débito a Serem Excluídos do Montante de Créditos sem Comprovação de Origem", uma vez que não configuram recursos efetivamente recebidos. Após as exclusões acima, a fiscalização elaborou o "DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS/DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM A SEREM TRIBUTADOS", constante da folha 27, cujos valores mensais foram levados à tributação, nos termos do artigo 42 da Lei n° 9430/96, que estabelece presunção legal de omissão de rendimentos no caso de depósito/crédito bancário com origem não comprovada. 4) Multa Afirma a autoridade fiscal que foi aplicada a multa de 112,5%, nos termos do artigo 44, I e § 2°, I da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 11.488/2007, uma vez que o contribuinte, mesmo depois de reiteradas intimações, não apresentou qualquer resposta nem prestou os esclarecimentos solicitados no curso do procedimento fiscal. Os elementos probatórios que basearam o lançamento tributário constam no intervalo de fls. 30 a 289 do processo. E, ainda, no Anexo I (fls. 01 a 233). O sujeito passivo apresentou em 12/02/2010, por intermédio da procuradora nomeada pelo instrumento de fl. 302, a impugnação de fls. 294 a 301. A defesa faz um breve resumo dos fatos que levaram à autuação, ressalta a tempestividade da peça impugnatória e aborda as seguintes questões, adiante relatadas. Fl. 1290DF CARF MF Processo nº 10972.000225/200979 Acórdão n.º 2402006.629 S2C4T2 Fl. 4 5 Afirma, como preliminar, que a única atividade de negócios desenvolvida foi a de "PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA", tendo encerrado suas atividades no ano de 2006, por motivo de falência, tendo perdido todo o seu lastro patrimonial, encontrando dificuldades até mesmo para sobreviver, daí a dificuldade no cumprimento das obrigações fiscais que sempre foram realizadas no seu dever de cidadão. Quanto às inflações apontadas nos autos concorda com a omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, a título de resgate de contribuições de previdência privada e fapi, no valor de R$ 8.814,89. Todavia, não concorda com a aplicação da penalidade agravada, de 112,5%, que incidiu sobre a omissão. Também não contesta os valores trazidos nos autos a título de movimentação financeira, fornecidos pelas respectivas instituições bancárias, atendendo as intimações da fiscalização da Receita Federal. Afirma, no entanto, discordar da maneira como a tributação foi efetuada, por ter sido desconsiderado, no lançamento fiscal, receitas da atividade rural. Nesse sentido afirma juntar aos autos uma gama de notas fiscais de produtor rural, no montante de R$ 14.457.481,38, devidamente relacionadas por mês, durante todo o ano de 2006, as quais a Secretaria da Receita Estadual de MG, devidamente notificada pela Receita Federal não trouxe ao processo, ficando dessa forma o impugnante prejudicado nos cálculos efetuados pela fiscalização. Apresenta, assim, no "Quadro n° 002" (folha 297), os valores que no seu entender devem ser considerados no julgamento. Lembra o defendente que as notas fiscais de produtor rural, devidamente contabilizadas nesse Quadro n° 002 não estão relacionadas nos demonstrativos de receitas apuradas pela fiscalização constantes do auto de infração. Dessa forma, ressalta que em devidamente apresentadas e contabilizadas as Notas Fiscais, fica prejudicado o Demonstrativo dos créditos/depósitos bancários sem comprovação de origem constante do processo. E, considerando o novo montante das receitas da atividade rural, conforme as provas apresentadas nesta fase, os créditos/depósitos bancários sem comprovação da origem passam a totalizar R$ 12.336.422,53. E, a partir dessa nova base de cálculo apurada, qual seja, R$ 12.336.422,53, o defendente refaz, utilizando a mesma metodologia de cálculo adotada pela autoridade fiscal, o novo imposto a ser tributado nos autos, apurando o valor de R$ 1.865.761,80. Assim, solicita que sejam acolhidos os 'novos cálculos apresentados na defesa, discordando, por fim, da multa aplicada nos autos, de 112,5%, tendo em vista que não houve má fé por parte do impugnante, e a manutenção da penalidade seria um peso muito grande em seu desfavor, dada a sua atual situação financeira. A defesa vem instruída com os documentos de fls. 303 a 921. Fl. 1291DF CARF MF 6 Na folha 926, a informação da autoridade local da Receita Federal, de que diante das alegações do interessado, restaram incontroversas as omissões de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas no valor de R$ 8.814,89 e de rendimentos da atividade rural no valor de R$ 1.445.648,97. Assim, com base nesses valores, e considerando a concordância com a multa de 75%, foi transferido para cobrança no processo n° 15254.000075/201066, o valor principal de R$ 393.983,85. A DRJ, por meio do Acórdão 0929.542 (fls. 981 e seguintes), julgou procedente em parte a impugnação do sujeito passivo, nos termos da ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizam omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ORIGEM DOS DEPÓSITOS. DEPÓSITOS. ATIVIDADE RURAL. Na hipótese de o contribuinte atuar como produtor rural, para que os depósitos bancários de origem não comprovada sejam tributados como rendimentos omitidos da atividade rural, deve o interessado apresentar documentação comprobatória dos rendimentos auferidos nessa atividade, correlacionandoos com os respectivos depósitos efetuados. MULTA AGRAVADA. A exasperação da multa por desatender a intimação justificase se os esclarecimentos solicitados forem imprescindíveis e causarem obstáculos à fiscalização, nos termos legais. Caso contrário, deve a penalidade ser mantida no patamar próprio para os lançamentos de oficio normais. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2007 RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE. A responsabilidade por infrações independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Impugnação Procedente em Parte Cientificado dessa decisão em 20/08/2010 (AR fls. 1008), o contribuinte não interpôs recurso voluntário, pelo que, em face da decisão da DRJ que julgou procedente em parte a impugnação do contribuinte, os autos do presente processo administrativo foram encaminhados para esse Conselho para julgamento do recurso de ofício. É o relatório. Fl. 1292DF CARF MF Processo nº 10972.000225/200979 Acórdão n.º 2402006.629 S2C4T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O Recurso de Ofício atende os requisitos do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972. Portanto, deve ser conhecido. Tratase, o presente caso, de julgamento de recurso de ofício em face da decisão da 6ª Turma da DRJ/JFA que julgou procedente em parte a impugnação do sujeito passivo. Analisandose, pois, a decisão da DRJ, verificase que esta enfrentou todas as questões postas em perfeita consonância com a legislação de regência da matéria, nos seguintes termos: Registrese que a impugnação é parcial, e que já foi transferido para cobrança no processo n° 15254000.075/201066 o valor principal de R$ 393.983,85 com a multa de 75%. Como a defesa considera devido o imposto autuado de R$ 1.865.761,80, também deve ser transferido para imediata cobrança no processo n° 15254000.075/2010 66 o restante da parcela não litigiosa, no valor de R$ 1.471.777,95, acompanhado da multa de 75% com a qual concorda o impugnante, nos termos da legislação processual. Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada De acordo com o lançamento o contribuinte, devidamente intimado, não comprovou a origem de depósitos bancários relativamente a contas correntes de sua titularidade, o que caracterizou a presunção legal de omissão de rendimentos da pessoa física, com fundamento na Lei n° 9.430, de 1996, com as alterações introduzidas pelo art. 4° da Lei n° 9.481, de 13 de agosto de 1997, que assim dispõe acerca dos depósitos bancários: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Fl. 1293DF CARF MF 8 § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I— os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II — no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12. 000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil reais). A lei transcrita estabeleceu uma presunção de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular de conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. A tese central da defesa é de que todos os rendimentos auferidos pelo contribuinte no ano de 2006 e, por conseguinte os créditos efetuados nas contas por ele mantidas nas instituições bancárias, advêm do exercício da atividade rural da pessoa física. É certo que a autoridade fiscal atentouse bastante para esse fato. Tanto assim, que a despeito da presunção legal quanto aos depósitos bancários conferida pelo art. 42 da Lei 9.430/96, e da negativa do interessado no atendimento das intimações que lhe foram encaminhadas durante a fase procedimental, cuidou a fiscalização de colher e juntar aos autos inúmeras notas fiscais de entrada e de produtor rural, que já confirmavam o exercício da atividade do contribuinte de produtor rural. Assim, as provas constantes do processo dão conta que a fiscalização não só sabia das atividades rurais exercidas pelo autuado, como produtor rural pessoa física, bem como da preocupação do fisco na identificação dos remetentes dos depósitos bancários, e de quais as origens dos créditos efetuados nas contas bancárias mantidas pelo interessado tiveram origem naquelas atividades rurais. E, então, efetuou o lançamento de oficio com observância das regras previstas na legislação para tributação dos rendimentos da atividade rural, conforme as provas trazidas ao processo pela própria fiscalização. Todavia, a despeito de a defesa não impugnar os créditos efetuados nas contas do contribuinte, conforme os dados fornecidos pelas instituições financeiras, ela afirma que houve erro na base de cálculo apurada pela fiscalização, porquanto um expressivo montante de receitas da atividade rural, no entender da contribuinte devidamente comprovadas, conforme a documentação juntada ao processo, não foi considerada no levantamento fiscal. Com efeito, em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material no processo administrativo fiscal. No Direito Tributário, a autoridade fiscal apura de oficio a ocorrência do fato gerador e constitui o crédito tributário pelo lançamento. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade dessa apuração, devendo o julgador pesquisar exaustivamente, se de fato ocorreu a hipótese Fl. 1294DF CARF MF Processo nº 10972.000225/200979 Acórdão n.º 2402006.629 S2C4T2 Fl. 6 9 abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade. E o contribuinte alega a existência de notas fiscais de produtor rural não fornecidas pela Secretai ia da Receita Estadual de MG à Receita Federal durante a fase de fiscalização. E, conforme essa documentação ora apresentada (fls. 344 a 921), solicita a revisão do lançamento efetuado, apresentando, ainda, os cálculos que considera corretos. Cabe então verificar se a documentação trazida pelo defendente comprova a origem dos recursos utilizados nas operações e se os valores considerados omitidos na ação fiscal deveriam ser tributados tãosomente como advindos da atividade rural. Da análise dos documentos apresentados não restam dúvidas de que o defendente exercia atividade rural, fato esse em nenhum momento contestado pela autoridade lançadora. Aliás, fato devidamente observado pelo fisco, na medida que as provas trazidas ao processo durante a fase de auditoria, que comprovam a atividade de produtor rural exercida pelo contribuinte, foram obtidas sem qualquer auxílio do interessado. E todos os documentos apresentados pelo interessado nesta fase de julgamento, considerados idôneos e hábeis a comprovação da atividade rural, como as notas fiscais avulsas de produtor rural emitidas pelo Fisco de Minas Gerais e as notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas que adquiriram produtos do interessado,' foram aceitas para comprovar as receitas da atividade rural, como se vê no demonstrativo 1 "RECEITAS DE ATIVIDADE RURAL ACEITAS NO JULGAMENTO" anexo e parte integrante deste Acórdão. Conforme o referido demonstrativo foram comprovadas receitas de atividade rural auferidas pelo contribuinte no anocalendário de 2006 no montante de R$ 7.200.823,30, as quais não foram consideradas no lançamento fiscal. Vejase, agora, que o montante das receitas da atividade rural comprovadas no anocalendário de 2006 passa a ser R$ 14.429.068,15, sendo R$ 7.228.244,85 considerada originalmente pela fiscalização (demonstrativo consolidado fl. 17) e a parcela restante de R$ 7.200.823,30 comprovada nesta fase, como expresso no demonstrativo 2 "ATIVIDADE RURAL — RECEITAS TOTAIS AUFERIDAS" anexo e parte integrante deste Acórdão. Por outro lado, não foi aceita a parcela restante pleiteada pela defesa como receitas auferidas da atividade rural no total de R$ 7.256.658,08 (R$ 14.457.481,38 — R$ 7.200.823,30). Isto porque não foram considerados os documentos apresentados em cópias carbonadas, indicativos de possíveis notas fiscais avulsas de produtor rural que teriam sido utilizadas pelo Fisco de Minas Gerais. Tais documentos não se revestem das formalidades legais que devem estar presentes nos documentos que se destinam a comprovar os lançamentos suscetíveis de fiscalização. Não há, assim, credibilidade para acatalos como documentos fiscais, porquanto são inidôneos para comprovar a origem dos Fl. 1295DF CARF MF 10 depósitos bancários questionados nas intimações fiscais, o que mantém, nesse tocante, a autuação procedida. Requer por fim a defesa, considerando ter ficado demonstrado que mais de 60% dos rendimentos do contribuinte foram devidamente comprovados como da atividade rural e que somente essa atividade foi exercida pelo interessado, que a parcela restante dos depósitos bancários não comprovados também seja tributada como rendimentos da atividade rural. Todavia, quando afirma o defendente que apenas teve rendimentos oriundos da atividade rural, deveria juntar ao processo a documentação relativa aos depósitos que está se referindo, de modo a comprovar que estes se referem à receita do exercício da atividade rural, lembrando que a lei exige uma comprovação individualizada do depósito bancário e não somente da atividade do contribuinte. E, no presente caso, a autoridade lançadora aceitou, assim como foram acolhidos neste julgamento, que as receitas da atividade rural devidamente comprovadas pelo contribuinte, fossem excluídas da tributação como depósitos bancários de origem não comprovada, ainda que sem identificação individualizada dos respectivos créditos bancários, à vista da atividade exercida pelo contribuinte. Dessa forma, o lançamento deve ser revisto, considerando como depósitos bancários de origem comprovada o montante de R$ 7.200.823,30, referente a receitas da atividade rural, devendo como tal ser tributadas, seguindo a mesma trilha da ação fiscal desenvolvida, e como requerido pelo próprio autuado. Para tanto, foram elaborados cinco demonstrativos anexos, que passam a fazer parte integrante deste Acórdão, nos quais são desenvolvidos os cálculos com os novos valores apurados no julgamento. No Demonstrativo 1 constam as receitas da atividade rural aceitas no julgamento, no total de R$ 7.200.823,30. No Demonstrativo 2 estão consolidadas as receitas de atividade rural auferidas no ano de 2006, no montante de R$ 14.429.068,15, bem como a apuração do resultado tributável da atividade rural, qual seja, rendimento omitido no total de R$ 2.885.813,63, à vista do arbitramento sobre a receita bruta, nos mesmos moldes e critérios de tributação utilizados no lançamento original. No Demonstrativo 3 constam os créditos/depósitos bancários sem comprovação de origem a serem tributados, no qual se vê que o valor originalmente apurado pela fiscalização, de R$ 30.727.215,20, foi reduzido para R$ 23.526.391,90, tendo em vista as receitas de atividade rural comprovadas no julgamento, no total de R$ 7.200.823,30. E, no Demonstrativo 4 consta a Apuração Final do Imposto de Renda Pessoa Física do ano de 2006, uma vez que os rendimentos totais apurados estão sujeitos à tabela progressiva e ao ajuste anual, em conformidade com a legislação tributária. E, conforme consolidado nesse Demonstrativo, o imposto de renda apurado após o julgamento tributário passa a ser R$ 7.259.786,91. Fl. 1296DF CARF MF Processo nº 10972.000225/200979 Acórdão n.º 2402006.629 S2C4T2 Fl. 7 11 E, por fim, no Demonstrativo 5 consta a Consolidação da Multa de Oficio exigida e eximida no julgamento, apurada conforme o entendimento a seguir transcrito. Multa agravada Foi aplicada ao contribuinte a multa agravada, na forma do disposto no artigo 44, inciso I, § 2°, da Lei n° 9.430/96, in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n° 11.488. de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8 da Lei n' 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei n° 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2' desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei n° 11.488. de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) 1 (revogado); (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei n° 11,488, de 2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) V (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) §2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei n° 11.488, de 2007) Depreendese que o agravamento da penalidade previsto no dispositivo pressupõe a ocorrência de embaraço à fiscalização, ou seja, a falta de atendimento à intimação para prestar esclarecimentos acarreta uma dificuldade adicional à apuração do crédito tributário devido. O legislador entendeu por bem imputar uma reprimenda mais severa à conduta do contribuinte que coloca obstáculos à atividade fiscalizatória. No presente caso, quanto à omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas a título de resgate de contribuições de previdência privada e fapi, embora não tenha o contribuinte apresentado à Fiscalização os esclarecimentos e documentos solicitados, tal fato não impediu que o lançamento fosse desde logo efetuado, conforme os dados em poder da autoridade fiscal, a partir das informações fornecidas em Dirf pela fonte pagadora do contribuinte, Bradesco Vida e Previdência S/A, CNPJ 51.990.695/000137. Fl. 1297DF CARF MF 12 Nesse ponto, impõese modificar o lançamento, para alterar a penalidade, ajustandoa ao patamar de 75%, próprio para os lançamentos de oficio normais. O obstáculo à fiscalização, no entanto, efetivamente ocorreu quanto às demais infrações apuradas nos autos rendimentos omitidos da atividade rural e depósitos bancários com origem não comprovada. Ressaltese que a lei prevê a obrigação de a fiscalização intimar o contribuinte para justificar a origem dos recursos movimentados nas contas bancárias. A resposta à intimação constitui um ônus, imposto ao sujeito passivo, no sentido de fazer a prova de que não omitiu receitas, sob pena de lhe ser exigido o crédito tributário correspondente. No caso, o silêncio do contribuinte no atendimento da intimação fiscal causou embaraço a fiscalização, à medida que a autoridade fiscal não foi logo tributando os créditos apurados nas contas do interessado, mas ao contrário, na busca da verdade material sobre a origem dos créditos, efetuou amplo trabalho investigatório, possibilitando que parte dos créditos/depósitos efetuados nas contas bancárias do interessado fossem tributados como rendimentos da atividade rural. Resta evidente que no caso concreto, tanto a omissão de rendimentos da atividade rural como os depósitos bancários não comprovados, se subsumem ao suporte fático previsto nos dispositivos acima transcritos, pois o contribuinte causou grande obstáculo à Fiscalização ao não apresentar os esclarecimentos e documentos solicitados. Assim sendo, não há motivos para o cancelamento da multa, uma vez que sua aplicação encontrase em perfeita consonância com a legislação de regência. Irreparável, nesse ponto, a autuação. Por fim, quanto à afirmação da defesa de que não houve má fé por parte do contribuinte no cumprimento de suas obrigações fiscais, é de se ressaltar que se considera infração tributária qualquer ação ou omissão, voluntária ou involuntária, praticada pelo sujeito passivo contra a legislação tributária. Estabelece o art.136 do CTN: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Regra geral no Direito, a ignorância do agente em relação à lei dão o exime da responsabilidade pela transgressão aos seus preceitos. Tal regra não poderia ser diferente, pois caso assim não fosse, todo infrator alegaria ter agido por desconhecimento da lei. No direito tributário, via de regra, a responsabilidade por infrações à legislação fiscal existirá tenha ou não o sujeito passivo intenção de prejudicar o Fisco. Optou o CTN, em princípio, pela teoria da objetividade da infração fiscal, não importando, para a punição do infrator, o elemento subjetivo do ilícito, isto é, se houve dolo ou culpa na prática do ato. Também não importa pesquisar, em princípio, se o ato ilícito praticado gerou efeitos (por exemplo, afetou o montante do tributo a ser recolhido), nem interessa saber qual a natureza do ato ou a extensão dos seus efeitos. Fl. 1298DF CARF MF Processo nº 10972.000225/200979 Acórdão n.º 2402006.629 S2C4T2 Fl. 8 13 A penalidade a ser aplicada no campo tributário, portanto, independe das circunstâncias ou dos efeitos das infrações, bastando, para sua aplicação, que se caracterize o fato ocorrido como desobediência à lei tributária. Neste espeque, estando o entendimento deste relator em consonância com os fundamentos da decisão de piso, impõese a sua manutenção, nos termos acima reproduzidos. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, mantendose, pois, a decisão de primeira instância em todos os seus termos. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 1299DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.000997/2004-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO.
Tendo o acórdão paradigma restringido a sua análise da matéria a quais bens ou serviços enquadram-se no conceito de insumos, segundo a legislação do IPI, para fins de creditamento do PIS/Pasep não-cumulativo, não se estabelece com a decisão recorrida a necessária divergência jurisprudencial, pois não se trava a discussão quanto à previsão expressa contida no inciso II do art. 3º, da Lei n.º 10.637/2002.
Numero da decisão: 9303-007.683
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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NÃO CONHECIMENTO. Tendo o acórdão paradigma restringido a sua análise da matéria a quais bens ou serviços enquadramse no conceito de insumos, segundo a legislação do IPI, para fins de creditamento do PIS/Pasep nãocumulativo, não se estabelece com a decisão recorrida a necessária divergência jurisprudencial, pois não se trava a discussão quanto à previsão expressa contida no inciso II do art. 3º, da Lei n.º 10.637/2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 09 97 /2 00 4- 18 Fl. 669DF CARF MF Processo nº 11020.000997/200418 Acórdão n.º 9303007.683 CSRFT3 Fl. 670 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (efls. 584 a 626), com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 330200.172 (efls. 573 a 578) proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 18 de setembro de 2009, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. OUTRAS DESPESAS. Por falta de previsão legal, não geram direito ao crédito do PIS/Cofins as despesas realizadas ou incorridas que não se enquadrem no conceito de insumo, exceto as previstas na legislação. Também não geram direito a crédito as despesas que não forem comprovadas por meio de documentação hábil e idônea. COMBUSTÍVEL E LUBRIFICANTES USADO NA PRODUÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO. As despesas com a aquisição de combustíveis, inclusive o GLP, e os lubrificantes usados no processo produtivo da adquirente dão direito ao crédito do PIS/Cofins nãocumulativos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da TERCEIRA CÂMARA da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito ao crédito nas aquisições de GLP . Fl. 670DF CARF MF Processo nº 11020.000997/200418 Acórdão n.º 9303007.683 CSRFT3 Fl. 671 3 (grifouse) Não resignada em parte com a decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto ao conceito de insumos para fins de utilização de créditos das contribuições para o PIS e a COFINS na sistemática da não cumulatividade, defendendo que apenas podem ser considerados insumos para fins de cálculo do crédito do PIS nãocumulativo aqueles elencados no art. 3º da Lei nº 10.637/2002 combinado com o art. 66 da IN SRF nº 464/2004, adotando a tese da definição de “insumos” prevista na legislação do IPI. Nessa linha, sustenta não ser possível o creditamento de PIS e COFINS com relação às aquisições de gás GLP para empilhadeiras e lubrificantes para máquinas industriais, pois não se incorporam ao produto final. Para comprovar a divergência, colacionou como paradigma o acórdão n.º 20312.448 que, diversamente da decisão recorrida, adota como conceito de “insumo” a tese trazida na legislação do IPI. A Recorrente aduz ainda, em apertadas linhas, com base no conceito de insumos da legislação do IPI, para se considerar combustíveis e lubrificantes como insumos, é necessário que estes sejam empregados diretamente na fabricação dos produtos destinados à venda, e desde que não contabilizados pelo contribuinte no seu ativo permanente, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, ou por ele diretamente sofrida, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. Por fim, pede o provimento do recurso especial com a reforma do acórdão recorrido no ponto atacado. Nos termos do despacho n.º 3300000043, de 06 de junho de 2011 (efls. 660 a 662), foi dado seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, por ter sido entendida como comprovada a divergência jurisprudencial, com base no Acórdão paradigma n.º 203 12.448, quanto ao conceito de insumo para utilização dos créditos na apuração do PIS e da COFINS na sistemática da nãocumulatividade, mais especificamente quanto ao direito ao crédito de PIS/Pasep nas aquisições de GLP e lubrificantes para máquinas industriais. Cientificada a Contribuinte (efl. 668), não foram apresentadas contrarrazões. O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Fl. 671DF CARF MF Processo nº 11020.000997/200418 Acórdão n.º 9303007.683 CSRFT3 Fl. 672 4 Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando analisarse o atendimento aos demais requisitos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anteriormente Portaria MF n.º 256/2009). No acórdão recorrido, a Turma a quo afastou a glosa relativa aos créditos de PIS/Pasep nãocumulativo decorrente das aquisições de combustíveis gás GLP para as empilhadeiras e lubrificantes para as máquinas industriais, com base no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002, que expressamente prevê a possibilidade de exclusão dos referidos itens da base de cálculo do PIS desde que utilizados na fabricação dos bens, restando superada a discussão quanto ao seu enquadramento no conceito de insumos. Para elucidar a assertiva, transcrevese trecho da decisão de parcial provimento do recurso voluntário, combatida no recurso especial da Fazenda Nacional, in verbis: [...] A recorrente defende que o gás usado em empilhadeira e o lubrificante usado na manutenção de máquinas são insumos, no que a decisão recorrida discorda. Sobre este tema, o inciso II, do art. 3º, da Lei n.º 10.637/2002, e alterações posteriores (Leis nº 10.684/03 e 10.865/04), assim dispõe: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido Fl. 672DF CARF MF Processo nº 11020.000997/200418 Acórdão n.º 9303007.683 CSRFT3 Fl. 673 5 pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (grifei). Da leitura atenta deste dispositivo legal há que se concluir que a condição para descontar o crédito sobre combustíveis e lubrificantes é que eles sejam usados na fabricação de bens ou produtos, estando superada a discussão se os mesmos são ou não insumos. A Lei determina que os mesmos sejam assim tratados. No caso concreto, não vejo como negar o crédito sobre o gás (GLP) usado em empilhadeira e o lubrificante para máquinas porque estes equipamentos (máquinas e empilhadeira) são usados no processo de produção de artefatos de madeira. Poderseia questionar que a empilhadeira não é equipamento usado na fabricação de artefatos de madeira. No entanto, pelo que disse a recorrente, no que concordo, este equipamento é usado pára a movimentação de matériaprima dentro da empresa, indispensável e integrante do processo produtivo. 0 fato de também ser usada para movimentar produtos acabados, ao meu ver, não excluir o direito ao crédito. Por seu turno, o lubrificante usado na manutenção de máquinas deve ter o mesmo tratamento das peças de reposição que, inquestionavelmente, geram direito a crédito. [...] Portanto, os argumentos que embasaram a concessão do direito ao crédito passam ao largo da discussão quanto ao conceito de insumos, pois se restringem à disposição contida no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 e na condição de que os combustíveis e lubrificantes sejam utilizados na fabricação dos bens, requisitos verificados no caso dos autos. A Fazenda Nacional, por meio do seu recurso especial, busca reverter o julgado com relação à concessão dos créditos decorrentes das aquisições de GLP e lubrificantes para máquinas, atacando, no entanto, argumento diverso daquele utilizado pelo acórdão recorrido. A divergência jurisprudencial suscitada e comprovada pela Procuradoria referese ao conceito de insumos, defendendo aplicarse aquele mais restrito decorrente da legislação do IPI. Nesse sentido é a argumentação desenvolvida em sua peça recursal, bem como o acórdão n.º 203 12.448, indicado como paradigma, cuja ementa segue abaixo transcrita, in verbis: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2003 Fl. 673DF CARF MF Processo nº 11020.000997/200418 Acórdão n.º 9303007.683 CSRFT3 Fl. 674 6 IPI. CRÉDITOS. Geram o direito ao crédito, bem como compõem a base cálculo do crédito presumido, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, stricto sensu, e material de embalagem), e os artigos que se consumam durante o processo produtivo e que não faça parte do ativo permanente, mas que nesse consumo continue guardando uma relação intrínseca com o conceito stricto sensu de matériaprima ou produto intermediário: exercer na operação de industrialização um contato físico tanto entre uma matériaprima e outra, quanto da matériaprima com o produto final que se forma. PIS/PASEP. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. GLOSA PARCIAL. O aproveitamento dos créditos do PIS no regime da não cumulatividade há que obedecer às condições especificas ditadas pelo artigo 3° da Lei n° 10.637, de 2002, c/c o artigo 66 da IN SRF n° 247, de 2002, com as alterações da IN SRF n° 358, de 2003. Incabíveis, pois, créditos originados de gastos com seguros (incêndio, vendaval etc), material de segurança (óculos, jalecos, protetores auriculares), materiais de uso geral (buchas para máquinas, cadeado, disjuntor, calço para prensa, catraca, correias, cotovelo, cruzetas, reator para lâmpada), peças de reposição de máquinas, amortização de despesas operacionais, conservação e limpeza, manutenção predial. Recurso negado. Portanto, tendo o acórdão paradigma restringido a sua análise da matéria a quais bens ou serviços enquadramse no conceito de insumos, segundo a legislação do IPI, para fins de creditamento do PIS/Pasep nãocumulativo, não se estabelece com a decisão recorrida a necessária divergência jurisprudencial, pois não se trava a discussão quanto à previsão expressa contida no inciso II do art. 3º, da Lei n.º 10.637/2002. Além disso, verificase dos itens tratados na decisão paradigmática não estarem dentre os mesmos combustíveis (gas GLP) e lubrificantes para máquinas, evidenciandose ainda mais a ausência de divergência jurisprudencial. Diante do exposto, não se conhece do recurso especial da Fazenda Nacional. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 674DF CARF MF
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