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Numero do processo: 10935.906363/2012-13
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 20/09/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.661
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 20/09/2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de PIS/PASEP que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/09/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 63 63 /2 01 2- 13 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.811, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 03/01/2013, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 40925.94550.110209.1.2.042524, rastreamento nº 041906995, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 4.402,09, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (Código 6912), do período de 31/08/2007, efetuado em 20/09/2007, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 18/01/2013, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906363/201213 Acórdão n.º 3802002.661 S3TE02 Fl. 122 3 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/09/2007 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906363/201213 Acórdão n.º 3802002.661 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906363/201213 Acórdão n.º 3802002.661 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906363/201213 Acórdão n.º 3802002.661 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 69DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10293.720074/2007-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
CERCEAMENTO DE DEFESA. DA PROVA PERICIAL. A apreciação da prova trazida é objeto de convencimento do julgador, não implicando em cerceamento de defesa,tão somente, porque o julgador não acatou os argumentos postos pelo recorrente, não ensejando a diminuição no poder de defesa do mesmo. A perícia somente é necessária quando a matéria exige conhecimento técnico específico.
ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DESNECESSIDADE DE ADA. Por se tratar de área que independe da vontade do proprietário para a exclusão, bem como do reconhecimento do poder público, desnecessária seria a apresentação de ADA, bastando sua informação na DIRT, conforme § 7º, do art. 10 da Lei 9.393/96.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. DESNECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL - ADA. NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA.
Por se tratar de área ambiental cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão da área de reserva legal. Entretanto, para o seu reconhecimento é imprescindível a averbação da ARL à margem da matrícula do imóvel. No caso, não tendo sido averbada a ARL declarada, correta a glosa da área para fins de cálculo do ITR devido.
VTN. ARBITRAMENTO. LAUDO TÉCNICO.A fazenda arbitrou o valor da terra nua com base no laudo trazido pelo próprio contribuinte, tendo em vista que, quando da apresentação de sua declaração havia informado valor subavaliado. Possibilidade de arbitramento.
DA MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela CF é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a lei.
Numero da decisão: 2202-002.365
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a Área de Preservação Permanente, vencido o conselheiro Fabio Brun Goldschimidt (relator) que além disso, restabelecia a área de reserva legal, e os Conselheiros Antonio Lopo Martinez e Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa.
(Assinado digitalmente)
PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Presidente e Redator designado.
(Assinado digitalmente)
FABIO BRUN GOLDSCHMIDT - Relator.
EDITADO EM: 11/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (presidente da turma), Maria Lucia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Jimir Doniak Jr, Antonio Lopo Martinez
Nome do relator: FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
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DA PROVA PERICIAL. A apreciação da prova trazida é objeto de convencimento do julgador, não implicando em cerceamento de defesa,tão somente, porque o julgador não acatou os argumentos postos pelo recorrente, não ensejando a diminuição no poder de defesa do mesmo. A perícia somente é necessária quando a matéria exige conhecimento técnico específico. ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DESNECESSIDADE DE ADA. Por se tratar de área que independe da vontade do proprietário para a exclusão, bem como do reconhecimento do poder público, desnecessária seria a apresentação de ADA, bastando sua informação na DIRT, conforme § 7º, do art. 10 da Lei 9.393/96. ÁREA DE RESERVA LEGAL. DESNECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL ADA. NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA. Por se tratar de área ambiental cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão da área de reserva legal. Entretanto, para o seu reconhecimento é imprescindível a averbação da ARL à margem da matrícula do imóvel. No caso, não tendo sido averbada a ARL declarada, correta a glosa da área para fins de cálculo do ITR devido. VTN. ARBITRAMENTO. LAUDO TÉCNICO.A fazenda arbitrou o valor da terra nua com base no laudo trazido pelo próprio contribuinte, tendo em vista que, quando da apresentação de sua declaração havia informado valor subavaliado. Possibilidade de arbitramento. DA MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela CF é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a lei. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 29 3. 72 00 74 /2 00 7- 56 Fl. 505DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/08/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a Área de Preservação Permanente, vencido o conselheiro Fabio Brun Goldschimidt (relator) que além disso, restabelecia a área de reserva legal, e os Conselheiros Antonio Lopo Martinez e Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. (Assinado digitalmente) PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA – Presidente e Redator designado. (Assinado digitalmente) FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Relator. EDITADO EM: 11/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (presidente da turma), Maria Lucia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Jimir Doniak Jr, Antonio Lopo Martinez Relatório Tratase de processo administrativo fiscal referente à falta de recolhimento do imposto sobre a propriedade rural referente ao exercício de 2005, no valor de R$ 753.407,98.Lançamento de ofício. Arbitramento do VTN e desconsideração da Área de Reserva Legal e Área de Preservação Permanente. Procedimento De Fiscalização O contribuinte foi intimado (fl. 02/03) em 17/07/07, para apresentar a seguinte documentação referente à declaração do ITR dos exercícios de 2004 e 2005: Documentos referentes à Declaração do ITR do Exercício de 2004: i) Cópia do Ato Declaratório Ambiental – ADA requerido junto ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA. ii) Cópia da matrícula do registro imobiliário, com a averbação da área de reserva legal, caso o imóvel possua matrícula ou cópia do Termo de Responsabilidade/Compromisso de Averbação da Reserva Legal ou Termo de Ajustamento de Conduta da Reserva Legal, acompanhada de certidão emitida pelo Cartório de Registro de Imóveis comprovando que o imóvel não possui matrícula no registro imobiliário. iii) Laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14,653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT com Fl. 506DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/08/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10293.720074/200756 Acórdão n.º 2202002.365 S2C2T2 Fl. 15 3 fundamentação e grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica ART registrada no CREA, contendo lodos os elementos de pesquisa identificados. A falta de apresentação do laudo de avaliação ensejará o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do Sistema de Preços de Terra SIPT da RFB. Documentos referentes à Declaração do ITR do Exercício 2005; i) Laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT com fundamentação e grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica ART registrada no CREA, contendo lodos os elementos de pesquisa identificados, A falta de apresentação do laudo de avaliação ensejará o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do Sistema de Preços de Terra SIPT da RFB. O recorrente juntou nos autos a documentação de fls. 24106, a saber: DIAC (documento de informação e atualização cadastral), exercício de 2004 (fl. 30); DIAT (documento de informação e apuração do ITR), exercício de 2004 (fl.3235). DIAC exercício de 2005 (fls.3637), DIAT/2005 (fls. 3840), Matrícula do Imóvel nº. 8020 (fls. 41/45), Laudo Técnico de Avaliação e Preservação Ambiental (fls. 4671), Anotação de responsabilidade Técnica (fl.81), DARF ITR 2004 (fl.82), recibo de entrega da declaração (fl. 83), DARF ITR 2005 (fl.90), entre outros documentos, momento no qual pugnou, inclusive, pelo reconhecimento da área de reserva legal e preservação permanente de 27.220,10ha e 90 ha respectivamente. Não tendo acatado a matéria fundamentada nos documentos trazidos pelo contribuinte, a Fazenda lançou de ofício o crédito tributário, com fito de cobrar as diferenças, alterando o VTN (valor da terra nua) declarado de R$ 1.000,00 (R$ 0,03 ha), para o valor de R$ 1.856.410,54 (R$ 54,56ha) da terra nua, com base no laudo de avaliação apresentado pelo próprio contribuinte. Notificação De Lançamento – O contribuinte foi notificado em 31.10.2007 (fl. 269/270), do lançamento tributário que constitui o crédito tributário de ITR do exercício de 2005 na monta de R$ 753.407,98, incluídos imposto, juros de mora e multa de ofício de 75%, sobre o Imóvel rural denominado “Fazenda Seringal Macapá”, NIRF nº. 1.922.6586,Rio Branco/AC, conforme o demonstrativo de crédito tributário devido (fls. 107). Os fatos e fundamentos legais que objetivaram o lançamento pela fazenda são,in verbis: Valor da Terra Nua declarado não comprovado. Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou por meio de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o valor da terra nua foi alterado, tendo como base os valores informados pelo Fl. 507DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/08/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 4 contribuinte no atendimento à intimação. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Enquadramento Legal ART 10 PAR 1 E INC I E ART 14 L 9393/96. Complemento da Descrição dos Fatos valor de VTN informado pelo contribuinte. Laudo de avaliação assinado pelo eng. agr. IdalciDallamaria, CREA 3872 D PR. Impugnação Não satisfeito com a lavratura do auto de infração, o recorrente impugnou, tempestivamente, em 30/11/2007, aduzindo em síntese: i) O motivo da impugnação não é o fato da autoridade fiscal ter alterado o VTN conforme valor informado em resposta à intimação, mas o fato de não ter acatado a área de utilização limitada constante no Laudo de Avaliação; ii) A área de reserva legal é de 80% da área total do imóvel (27.220,10ha), conforme declarado e reconhecido pelo IMAC – Instituto de Meio Ambiente do Acre, de fls. 196 230, do processo 0640/2004. Comprovou acostando laudo utilizado para requerer a ARL no IMAC (fls. 231/242); iii) Esclarece que a reserva legal não está averbada à margem da matrícula, por ter havido problemas administrativos junto ao IMAC ante a presença de posseiros, não podendo essa área ser ignorada; iv) Cita posicionamento doutrinário sobre princípios, que são diretrizes obrigatórias para a Administração Pública em qualquer processo ou procedimento administrativo, com ênfase no princípio da verdade material, citando e transcrevendo julgado do Conselho de Contribuinte; v) Considera ilegal a exigência, apesar de não mencionada pela autoridade fiscal, feita pela IN SRF 67/97 no sentido de apresentação do ADA, como condição para excluir as áreas de preservação permanente e de reserva legal da base de cálculo do ITR.Cita e transcreve ementas de Decisões Judiciais para referendar os seus argumentos. vi) Ressalta que, por um lapso a área de preservação permanente de 90,0 ha, conforme informado no Laudo, não foi declarada, e tal fato não é óbice ao reconhecimento dessa área; vii) Indicou que, no caso do laudo não ser hábil para dirimir as dúvidas, necessária seria a realização de perícia para comprovar a existência fática das APP e da reserva legal em prestígio ao princípio da verdade real. viii) Impugna o valor da multa de 75%, sobre o valor do tributo, tendo em vista seu caráter confiscatório, discorrendo sobre a proporcionalidade e razoabilidade. Diante da fundamentação, requereu o recorrente: a) O recebimento da impugnação. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/08/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10293.720074/200756 Acórdão n.º 2202002.365 S2C2T2 Fl. 16 5 b) Prioridade na tramitação do feito, uma vez que a representante do espólio é idosa. c) A conversão em diligência do processo, em caso de dúvida em relação ao laudo juntado, que comprova 80% de área de reserva legal e 90ha de APP. d) A improcedência da Notificação de Lançamento, excluindo a multa imposta ao contribuinte. Afim de comprovar e corroborar com o alegado, juntou documentos. Acórdão De Impugnação A 1ª Turma da DRJ/BSB acordou e julgou, por unanimidade de votos, por indeferir o pedido de perícia, rejeitando a preliminar arguida, e no mérito considerando procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigível, pelos fundamentos abaixo a serem expostos: i) Quanto ao lançamento, este contém todos os requisitos legais estabelecidos no art. 11, do Decreto nº. 70.235/72. No mais, tendo em vista que compete a administração pública a revisão dos lançamentos por homologação e que na falta de comprovação dos dados cadastrais, justificaria o lançamento de ofício nos termos do art. 14 da Lei nº 9.93/1996, arts. 51 e 52 RITR e art. 149, inciso V, do CTN, não tem o que se falar em irregularidades. ii) Quanto às diligências, não compete à autoridade administrativa produzir provas relativas à matéria tributada ou mesmo em relação a qualquer outra matéria relacionada, isto porque o ônus da prova, no caso, documental, é do contribuinte, que deve guardar ou produzir, até a data da homologação do autolançamento, trazendo os documentos necessários à comprovação dos dados cadastrais informados na sua DIRT, inclusive o VTN, ou mesmo para comprovar os fatos alegados na sua impugnação. iii) No que diz respeito às alegações suscitadas sobre a violação da legalidade e da verdade real, essa escapa da competência da autoridade administrativa julgadora, pois os princípios constitucionais têm como destinatário o legislador na elaboração da norma. A autoridade fiscal é mera executora de leis, não cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal, mas sim verificar o fiel cumprimento da legislação em vigor, independentemente de questões de discordância, sendo que os mecanismos de controle da legalidade e da constitucionalidade dos atos normativos são de competência do poder Judiciário. iv) No que tange a solicitação de perícia, cabe observar que o lançamento decorreu de procedimento de revisão de declaração, e, portanto não há nenhum óbice a que tal revisão seja realizada apenas com base em provas documentais, sem a necessidade de se verificar “in loco” a realidade material do imóvel. O ônus na fase de impugnação é do contribuinte. A perícia só se justifica quando o exame das provas apresentadas não supre, em razão da sua complexidade, a necessidade de conhecimentos técnicos específicos para viabilizar o julgamento do caso. Tendo em vista, que não se discute no caso em comento a comprovação efetiva da existência das áreas referidas, mas sim a falta de comprovação de exigências legais, é que se afasta a diligência buscada pelo recorrente. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/08/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 6 v) Tocante às áreas de preservação permanente, a fiscalização exigiu, com base na legislação de regência da matéria, o cumprimento de duas obrigações, para fins de acatar sua exclusão da base de cálculo do ITR, a saber: A primeira consiste naaverbação tempestiva da área de reserva legal à margem da Matrícula do imóvel junto ao Cartório de Registro de Imóveis e a outra seria a informação de tal área, no ADA — Ato Declaratório Ambiental, protocolado tempestivamente junto ao IBAMA, exigência essa, necessária, também, para qualquer área ambiental, inclusive área de preservação permanente. Todavia o recorrente não comprovou o cumprimento de tais obrigações, motivo pelo qual não foram excluídas tais áreas, mantendo a glosa efetuada pela autoridade fiscal. vi) Por fim, a respeito da multa de caráter confiscatório no percentual de 75%, por ser amparada na legislação, não cabe à autoridade administrativa decidir, pois foge de sua competência. Em síntese, as autoridades administrativas não são competentes para semanifestar a respeito da constitucionalidade das leis, seja por que tal competência é conferida ao Poder Judiciário, seja porque as leis em vigor gozam de presunção de constitucionalidade,restando ao agente da administração pública aplicálas, a menos que estejam incluídas nas hipóteses de que trata o Decreto d 2.346/1997, ou que haja determinação judicial em sentido contrário beneficiando o contribuinte, o que não é o caso. Recurso Voluntário O recorrente foi intimado do resultado do julgamento de sua impugnação, fl. 292 em 09/11/2009, tendo interposto recurso voluntário em 08/12/09 (fls. 294309). Em seu recurso, o recorrente repisa os argumentos defendidos na impugnação. Colaciona ementário e reforça os argumentos sobre a confiscatoriedade da multa aplicada. Nos pedidos, reitera os pedidos realizados em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Fabio Brun Goldschmidt, Relator O recurso atende a todos os requisitos legais estabelecidos no decreto 70.235/1972, ensejando o seu conhecimento. O recurso abrange à controvérsia dos requisitos para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da base de cálculo do ITR, bem como o arbitramento da VTN. Preliminar: do Cerceamento da Defesa Não tem o contribuinte razão quanto ao cerceamento de defesa quando do indeferimento da realização de prova pericial, vez que durante todo o processo administrativo fiscal foi intimado e notificado de todas as etapas, tendo impugnado e se manifestado diversas vezes, a fim de convencer os julgadores de seus argumentos. A apreciação da prova trazida é objeto de convencimento do julgador, não implicando em cerceamento de defesa,tão somente, porque o julgador não acatou os argumentos postos pelo recorrente, não ensejando a diminuição no poder de defesa deste. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/08/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10293.720074/200756 Acórdão n.º 2202002.365 S2C2T2 Fl. 17 7 A prova pericial, como bem dito pela DRJ, “somente se justifica quando o exame das provas apresentadas não possa ser realizado pelo julgador, em razão da complexidade e da necessidade de conhecimentos técnicos específicos. Caso as provas constantes do processo, ainda que versem sobre matéria especializada, possam ser satisfatoriamente compreendidas, nada justifica a realização de perícia”. Tendo em vista que o recorrente trouxe documentação probatória suficiente para a análise e deslinde do feito, tenho por concordar com o posicionamento exarado anteriormente na decisão da impugnação, por não existir matéria de complexidade tamanha que demande a realização de perícia. Por esse motivo, afasto a preliminar arguida quanto ao cerceamento de defesa, passando à análise do mérito. Das Áreas de Preservação Ambiental O inciso II, do § 1, art. 10 da Lei 9393/96, exclui do conceito de área tributável para fins de ITR, entre outras, as áreas de preservação permanente(APP), de reserva legal (ARL) e de interesse ecológico: II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; Quanto às APP e ARL, suas definições estão previstas, respectivamente, nos incisos II e III, do art. 1º da Lei nº 4.771/65, e o seu reconhecimento independe de qualquer outro ato da Administração Pública, devendo o contribuinte apenas informar a sua existência, declaração esta que tem presunção de veracidade, consoante preceitua o § 7º do artigo 10 da lei: § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (grifos nossos) Logo, por força da própria lei instituidora do ITR, a declaração do contribuinte se mostra suficiente para a exclusão das áreas preservação permanente e reserva legal, não compondo a base de cálculo do imposto sobre a propriedade territorial rural, devendo a administração, em caso de dúvidas, demonstrar que o contribuinte incorreu em falsidade. No caso em questão, havendo dúvida por parte da fiscalização quanto às informações do imóvel rural, foi o contribuinte notificado para apresentação de laudo, no qual foi Fl. 511DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/08/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 8 demonstrada tanto a existência de APP e ARL, bem como foi indicado VTN em montante superior ao considerado anteriormente pelo contribuinte na apuração do imposto que entendia devido. Cotejando o laudo apresentado em fase de fiscalização e a DIRT do exercício de 2005 entregue pelo contribuinte, verificase, efetivamente, divergências em relação (i) à ausência de informação na DIRT das APP e ARL e (ii) ao VTN então considerado (menor que o indicado no laudo). Com base em tal laudo, cuja a veracidade não foi em qualquer momento e em qualquer ponto questionada pela fiscalização, as informações da DITR do período em questão foram modificadas de ofício, apenas para alterar o VTN, o que ocasionou o lançamento de ofício do crédito tributário. Quanto às APP e ARL, entendeu a fiscalização que, não tendo havido a retificação da DIRT pelo contribuinte previamente ao procedimento fiscal, não seria mais possível a sua alteração neste momento, mantendo a glosa de tais áreas.Ademais, justificou que a impossibilidade de exclusão das referidas áreas da base de cálculo do ITR se justificaria pela falta de apresentação do respectivo ADA e pela ausência de averbação da ARL na matrícula do imóvel. Após a detida análise dos autos, estou entendendo por discordar da fiscalização ereformar da decisão recorrida para que seja excluída a glosa das APP e da ARL para fins de cálculo do ITR em questão, em especial observância à verdade da real e à razoabilidade. Isso porque, interpretandose de forma sistemática e teleológica a legislação, entendendo que o § 1º do art. 17O da Lei 6.938/81 (com a redação dada pela Lei nº 10.165/00), no qual se baseia a fiscalização para glosar asAPP e ARL no caso em questão, deve ser interpretado em harmonia e correspondência com o caput do mesmo dispositivo. Neste ponto, ao determinar que “os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA ...Taxa de Vistoria”, o referido art. 17O está desde já admitindo que haverá casos em que tal redução independe de “Ato Declaratório Ambiental – ADA”, hipótese em que tal dispositivo (na sua íntegra, logicamente) não se aplicará. Nesse mesmo sentido, aliás, assim já entendeu esse Conselho, ao julgar, em 10/02/2011, o Processo nº 13161.000676/200604, por meio do Acórdão n.º 220100.985, cuja relatoria foi do eminente Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, cabendo a transcrição do seguinte trecho do voto proferido: Pois bem, o dispositivo que trata da obrigatoriedade do ADA, e que é o fundamento legal da autuação, é o art. 1º da Lei nº 10.165, de 27/12/2000, que deu nova redação ao artigo 17O da Lei nº 6.938/81, in verbis: (...) Inicialmente, embora admitindo como possibilidade a interpretação de que o dispositivo esteja a prescrever a necessidade do ADA, para todas as situações de áreas ambientais, como condição para a redução dessas áreas para fins de apuração do valor do ITR a pagar, conforme os atos normativos da RFB e do Ibama, não me parece que este sentido e alcance da norma estejam claramente delineados, a ponto de Fl. 512DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/08/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10293.720074/200756 Acórdão n.º 2202002.365 S2C2T2 Fl. 18 9 dispensar o esforço de interpretação. Isto é, não me parece que se aplique aqui o brocardo in clariscessatinterpretatio. Não basta, portanto, simplesmente dizer que a lei impõe ou não a necessidade do ADA, é preciso expor as razões que levam a esta conclusão. O que chama a atenção no dispositivo em apreço é que o mesmo tem como escopo claro a instituição de uma Taxa de Vistoria, a ser paga sempre que o proprietário rural se beneficiar de uma redução de ITR com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, de uma taxa que tem como fato gerador o serviço público específico e divisível de realização da vistoria, que presumivelmente será realizada nos casos de apresentação do ADA, e não de definir áreas ambientais, de disciplinar as condições de reconhecimento de tais áreas e muito menos de criar obrigações tributárias acessórias ou regular procedimentos de apuração do ITR. Também não se deve desprezar o fato de que a referência à obrigatoriedade do ADA vem apenas no parágrafo primeiro e, portanto, deve ser entendido levando em conta o quanto disposto no caput. E este, como se viu, restringe a tal taxa às situações em que o benefício de redução do ITR ocorra com base no ADA, o que implica no reconhecimento da existência de reduções que não sejam baseadas no ADA. Aliás, a função sintática da expressão “com base em Ato Declaratório Ambiental” é exatamente denotar uma circunstância relativa ao fato expresso pelo verbo “beneficiar”. Ora, entendendose o chamado “benefício de redução” como sendo a exclusão de áreas ambientais para fins de apuração da base de cálculo do ITR, indagase se a exclusão de áreas ambientais cuja existência decorre diretamente da lei, independentemente de reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público, pode ser entendida como uma redução “com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA”. Penso que não. Vejase o caso da área de preservação permanente de que trata o art. 2º da lei nº 4.771, de 1965, e que existe “pelo só efeito desta lei”, in verbis: E também o caso da área de reserva legal do art. 16 da mesma lei, a saber; (...) No caso da área de preservação permanente, a lei define, objetivamente, por exemplo, que tanto metros à margem dos rios, conforme a largura deste, é área de preservação permanente, independentemente de qualquer ato do Poder Público. É a própria lei que impõe ao proprietário o dever de preservar essa área e, para tanto, este não deve esperar qualquer determinação do Poder Público. O mesmo ocorre com relação à área de reserva legal. A lei impõe que, conforme certas circunstâncias de localização etc. da propriedade, um mínimo das florestas e outras formas de vegetação nativa devem ser preservadas de forma permanente. E a lei também exige que estas áreas, identificadas mediante termo de compromisso com o órgão ambiental competente, sejam averbadas à margem da matricula do Fl. 513DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/08/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 10 imóvel, vedada sua alteração em caso de transmissão a qualquer título. Também neste caso o proprietário não deve esperar qualquer ato do Poder Público determinando que tal ou qual área deve ser preservada. Por outro lado, a Lei nº 9.393, de 1996, ao cuidar da apuração do ITR, define a área tributável como sendo a área total do imóvel subtraída de áreas diversas, dentre elas as de preservação permanente e de reserva legal, sem impor qualquer condição, in verbis: (...) Se as áreas de preservação permanente e as de reserva legal independem de manifestação do Poder Público, outras áreas ambientais, passíveis de exclusão, para fins de apuração do ITR, dependem da manifestação de vontade do proprietário ou da imposição do próprio órgão ambiental, observadas certas circunstâncias específicas do imóvel. Vejase, por exemplo, o caso da área de preservação permanente de que trata o art. 3º da Lei nº 4.771, de 1965, in verbis: (…) Aqui, a declaração da área como de preservação permanente deve ocorrer em cada caso, conforme entenda o órgão ambiental, considerada a necessidade específica em face de alguma circunstância de risco ao meio ambiente ou de preservação da fauna ou da flora. O mesmo se pode dizer das áreas de que trata a alínea “b” do § 1º do inciso II da lei nº 9.393, de 1996. Ali a área deve ser declarada de interesse ecológico visando à proteção de um determinado ecossistema. Ela não existe “pelo só efeito da lei”, e nem decorre de uma imposição legal genérica de preservação, de uma fração determinada da floresta ou mata nativa. Decorre do entendimento por parte do Poder Público, com base no exame do caso concreto, que aquela área deve ser preservada. Existe, portanto, uma clara diferença entre áreas ambientais: umas cujas existências decorrem diretamente da lei, sem necessidade de prévia manifestação por parte do Poder Público por meio de qualquer ato, e outras que devem ser declaradas ou reconhecidas pelo poder Público por meio de ato próprio. Dito isto, não me parece minimamente razoável que a exclusão, prevista em lei, de uma área ambiental, cuja existência independe de manifestação do Poder Público, fique condicionada a um ato formal de apresentação do tal ADA. Mas não há dúvida de que a lei poderia criar tal exigência: A questão aqui, entretanto, é se o art. 17O, em que se baseiam os que defendem esta posição, permite esta interpretação; se é este o sentido e o alcance que se deve extrair da norma que melhor a harmonize com os demais princípios e normas que regem a tributação do ITR e a preservação do meio ambiente. E a resposta é negativa. Em conclusão, penso que o art. 17O da Lei nº 6.938/81 impõe a exigência da apresentação tempestiva do ADA apenas nos casos em que a existência da área ambiental dependa de declaração ou reconhecimento por parte do Poder Público. Fl. 514DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/08/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10293.720074/200756 Acórdão n.º 2202002.365 S2C2T2 Fl. 19 11 No caso dos autos, as APP e ARL se enquadram entre aquelas cujo reconhecimento independe de ato específico do Poder Público, não lhes sendo aplicável, portanto, a exigência do art. 17O, §1º, da Lei nº 6.938/81, restando afastada a exigência de entrega do ADA para permitir a exclusão das aludidas áreas do conceito de área tributável para fins de ITR. Já quanto à ausência de averbação da ARL na matrícula do imóvel rural, igualmente entendo que tal argumento, por si só, não justifica a glosa da área para fins de apuração do ITR, especialmente no caso em questão, no qual restou amplamente comprovado que a falta da anotação se dá por questões burocráticas que impedem tal ato e não por desídia do contribuinte. Nesse ponto, embora não tenha sido averbada à margem da matrícula a área correspondente à reserva legal, ficou justificado e comprovado que somente não fora realizada tal obrigação por questões administravas internas do IMAC (Instituo de Meio Ambiente do Acre) que indeferiu o pedido de reconhecimento de ARL, pela existência de posseiros na área. O IMAC, em despacho em 2004, referenda a existência de ARL, in verbis: Na Carta Imagem apresentada em anexo constatase que existe já desmatado uma área de uso atual de 974,3352 hectares, não ultrapassando os 20%, da qual tem direito. A Propriedade tem uma área total de 34.025,1276 hectares e sua área de Reserva Legal é de 27.220,1020 hectares (80%) e a área de Preservação Permanente é de 1.801,3699 hectares. Todavia, não aprovou sua averbação à margem da matrícula, justificando: Conforme Processo Administrativo IMAC nº. 06401 2 004, onde consta o requerimento solicitando aprovação da localização da área de reserva legal dapropriedade Fazenda Macapá, localizada a rodovia AC90, Km 19 margens doRiozinho do Rola, informamos que vossa solicitação foi indeferida visto que não é possível aprovar a reserva legal em área com posseiros. O ITR é um imposto regido pelo princípio da extrafiscalidade.Todo o seu regime de incidência tem que observar esse primado. Tanto é verdade que os artigos 10 da Lei 9.393/96 e do Decreto 4.382/2002, permitem a exclusão da base de cálculo das áreas nas quais é impossibilitada a utilização agrícola, seja por incapacidades naturais ou por exceções legais,não incidindo o tributo sobre tais áreas. Quis o legislador, além de prezar pela preservação ambiental, reduzir o encargo econômico do contribuinte, por uma questão de justiça fiscal, visto a impossibilidade de aproveitamento da área incapaz. Assim, tanto a obrigatoriedade de apresentação do ADA quanto a anotação da reserva legal à margem da matrícula, a meu ver, servem, a rigor, pra fins de publicidade e ambientais, valendo comoinstrumento garantidor quanto à manutenção dessas áreas como sendo de preservação, nada interferindo na possibilidade de sua exclusão para fins de apuração da base de cálculo do imposto devido. Além disso, como comprovam os documentos juntados e como bem analisado na decisão da DRJ, temse que a área em questão apresenta sobreposições com a Reserva Fl. 515DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/08/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 12 Extrativista (resex) Chico Mendes, área esta criada e declarada mediante o decreto 99.144/19901, como sendo de interesse ecológico, o que justifica a sua exclusão da área tributável com base alínea ‘b’ do art. 10, II da Lei nº 9393/96 antes referido. Fechando a questão, além de todos os fundamentos acima, verificase da decisão recorrida que a efetiva existência das APP e ARL não é questionada pela fiscalização, tendo restado expressamente consignado que “não se discute nos autos a comprovação da efetiva existência das pretendidas áreas ambientais, mas sim a falta de comprovação de exigências legais, prevista para exclusão dessas áreas de tributação” (p. 280). Por fim, quanto à alegada impossibilidade de retificação da DIRT do período (visando a inclusão das APP e ARL), eis que posterior ao início da fiscalização, destaco que a própria fiscalização retificou os dados da DIRT(fl.05)antes apresentada para fins de majorar o VTN, por conta do novo valor apontado pelo laudo apresentado pelo contribuinte, mas está a impedir a retificação quanto às APP e ARL que seriam baseadas neste mesmo laudo de fls.4664 (acatado pelo fisco, em sua integralidade) o que não se mostra razoável e afronta o primado da verdade real. Além disso, resta claro, ainda, que o não preenchimento da ARL, por exemplo, na DIRT do ano de 2005 se deu por claro erro formal, eis que tal informação constava expressamente da DIRT de 2004, como comprova o documento de p. 32. Por essa razão, visto que comprovada e reconhecida a existência de ARL e APP, por todos os motivos expostos, entendo que deva ser provido o recurso voluntário nesse tocante, entendendo que, para fins de apuração do ITR em questão, sejam excluídas tais áreas da “área tributável”, mantendose o VTN apontado pelo laudo apresentado pelo contribuinte, em relação ao qual não houve impugnação. Por fim, cabe a análise quanto à multa em percentual de 75% e seu caráter confiscatório. Da Aplicação da Multa com Efeito Confiscatório. Pugna o recorrente pelo afastamento da multa de 75%, requerendo limitála ao patamar de 20%, colacionando jurisprudência referindo sua inconstitucionalidade por afronta ao princípio do não confisco. Importa salientar que conforme o regimento interno do CARF é vedado aos seus membros afastar aplicação de lei por fundamento de inconstitucionalidade, em concordância ao artigo 62: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Inclusive, é matéria sumulada nesse Tribunal Administrativo: 1 Art. 1º. Fica criada nos Municípios de Xapuri, Rio Branco, Brasiléia e Assis Brasil, no Estado do Acre, a Reserva Extrativista Chico Mendes, com área aproximada de 970.570ha (novecentos e setenta mil, quinhentos e setenta hectares), que passa a integrar a estrutura do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), autarquia vinculada ao Ministério do Interior, compreendida dentro do seguinte perímetro: (...) Art. 4º. A área da reserva extrativista ora criada fica declarada de interesse ecológico e social, conforme preconiza o art. 225 da Constituição Federal, o art. 9º, inciso VI, da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, com a nova redação dada pela Lei nº 7.804, de 18 de julho de 1989 e art. 2º do Decreto nº 98.897, de 30 de janeiro de 1990. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/08/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10293.720074/200756 Acórdão n.º 2202002.365 S2C2T2 Fl. 20 13 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Logo, em vista da previsão legal da aplicabilidade de multa de 75%, bem como da impossibilidade desse Tribunal se manifestar quanto matéria atinente à constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei em tese, não conheço do pedido do recorrente, julgando por acertado o entendimento proferido na decisão da DRJ. Nesse sentido, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, reformandose o auto de infração, excluindo as ARL (27.220,10ha) e APP (90ha) da “área tributável” para fins de cálculo do ITR, mantendo o VTN arbitrado pela fiscalização, para todos os fins de recálculo do valor do imposto devido. (Assinado digitalmente) Fabio Brun Goldschmidt Relator Declaração de Voto VOTO VENCEDOR Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Divergi do bem articulado voto do i. Conselheiro Relator quanto à Área de Reserva Legal – ARL. Entendeu o Relator que a existência efetiva da área ambiental foi devidamente comprovada por meio de laudo técnico, o que, ressalta, não foi contestado pelo Fisco; e mais, aceita a alegação do Recorrente de que a averbação somente não se concretizou por razões burocráticas, que levaram o órgão ambiental do Estado do Acre, o Instituto do Meio Ambiente do Acre – IMAC a indeferir o pedido de reconhecimento das dimensões da reserva legal. Pois bem. Ocorre, todavia, que a efetiva averbação da área é condição necessária, indispensável ao reconhecimento da existência da reserva legal, conforme explicitado no artigo 16, § 8º da Lei nº 4.771, de 1965, a saber: Art. 16.... Fl. 517DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/08/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 14 [...] § 8º. A área de reserva legal deve ser averbada à margem da matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação de área, com as exceções previstas neste Código. Não se trata, portanto, de mera formalidade, mas de ato constitutivo da reserva, a qual, vale ressaltar, obriga não apenas o proprietário no momento da averbação, mas também os sucessores. A propósito disto, é irrelevante o fato, destacado no recurso e acolhido no voto do i. Relator, de que laudo comprovou a existência da reserva legal. O que o laudo pode ter demonstrado é tãosomente a existência de uma área preservada, mas não de uma reserva, o que, vale repetir, somente se constitui com a averbação. Mas mesmo a suposta comprovação da área pelo laudo é questionável, pois o próprio órgão ambiental não reconheceu a existência da área preservada como deveria, dada a presença de posseiros. A averbação da área à margem da matrícula do imóvel é condição indispensável para o exercício do direito à exclusão da área para fins de apuração do ITR e, neste caso, não se verificou tal averbação, sendo legítima, portanto, a glosa operada pelo Fisco. Assim, não tenho reparos à autuação e à decisão recorrida neste ponto. Acompanho o relator quanto aos demais itens. Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso apenas para restabelecer a área de preservação permanente declarada. (Assinatura digital) Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 518DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/08/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 11030.002472/2008-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, é de 30 dias o prazo para a interposição de Recurso Voluntário, contados a partir da ciência da decisão de primeira instância. Protocolado o recurso após este prazo, não pode o mesmo ser conhecido, tornando-se definitiva a decisão recorrida
Numero da decisão: 2102-003.138
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo.
Assinado Digitalmente
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 23/10/2014
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), BERNARDO SCHMIDT, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, SIDNEI DE SOUSA PEREIRA, ALICE GRECCHI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora EDITADO EM: 23/10/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), BERNARDO SCHMIDT, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, SIDNEI DE SOUSA PEREIRA, ALICE GRECCHI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
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RECURSO INTEMPESTIVO. Nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, é de 30 dias o prazo para a interposição de Recurso Voluntário, contados a partir da ciência da decisão de primeira instância. Protocolado o recurso após este prazo, não pode o mesmo ser conhecido, tornandose definitiva a decisão recorrida Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 23/10/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), BERNARDO SCHMIDT, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, SIDNEI DE SOUSA PEREIRA, ALICE GRECCHI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 24 72 /2 00 8- 21 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Relatório Em face do Contribuinte acima identificado, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 04/07, apurandose o valor total do crédito tributário no importe de R$11.073,24 (onze mil e setenta e três reais e vinte e quatro centavos), já acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, tendo em vista a instauração de Procedimento Fiscal com o objetivo de apurar o cumprimento das obrigações tributárias, sendo constatado a omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica. Da Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is) constantes no respectivo Auto de Infração, constatase que a autuação é decorrente da: Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, efetuamos o presente Lançamento de Ofício, nos termos do art. 926 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda 1999), tendo em vista que foram apuradas as infração(ões) abaixo descrita(s), aos dispositivos legais mencionados. 001 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA De acordo com o contido no Mandado de Procedimento Fiscal nr. 10.1.04.002008005565 código de acesso 89584051, realizamos a revisão da declaração de ajuste anual do Ex. 2003, conforme disposto no Acórdão DRJ/STM nr. 189.075. O contribuinte auferiu, no anocalendário 2002, dentre outros rendimentos declarados, valores referentes a reclamatória trabalhista movida contra a Companhia Estadual de Energia Elétrica. Em 22/03/2003 apresentou DIRPF onde consta o valor de R$379.356,68 referentes aos rendimentos mencionados, recebendo restituição de imposto de renda no valor de R$35.235,49. Posteriormente, em 14/06/2006 retificou sua declaração o valor tributável referente à reclamatória para R$354.817,15. Da análise da declaração retificadora foi lavrado o Auto de Infração nr. 10/45117230 o qual restabeleceu os valores originariamente declarados. Em análise à impugnação do referido auto de infração (processo nr. 11030.000963/200676), a DRJ Santa Maria, através do acórdão nr. 189.075, ciência dada ao contribuinte em 07/08/2008(fls.614) apurou que o valor tributável referente aos rendimentos auferidos na reclamatória trabalhista monta R$395.056,90 uma vez que os honorários advocatícios devem ser proporcionalizados aos rendimentos tributáveis percebidos (Anexo UM do referido acórdão). Fl. 105DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11030.002472/200821 Acórdão n.º 2102003.138 S2C1T2 Fl. 105 3 Assim, verificamos que houve omissão de R$15.700,22 auferidos na reclamatória trabalhista movida contra a Companhia Estadual de Energia Elétrica, conforme demonstrado: Valor apurado conforme Anexo Um do Acórdão DRJ/STM 18 9.075..................... R$395.056,90 Valor apurado na DIRPF original e mantido no Auto de Infração................ R$379.356,68 = Diferença verificada – Omissão de Rendimentos ............... R$15.700,22 Diante disso, constituímos o crédito tributário de R$4.317,56 resultante do imposto de renda incidente sobre os rendimentos omitidos. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa % 31/12/2002 R$15.700,22 75,00 Cientificado do lançamento fiscal e inconformado, o Contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 61/62, acompanhada de documentos, por meio do qual, resumidamente, expõe que: que o pleito referente a retificação da Declaração de Imposto de Renda, teve por base a dedução de valores percentuais proporcionais relacionados com o FGTS, visto que estes teriam sido considerados somente pelo valor histórico da ação trabalhista; alega ainda o Contribuinte que, no caso do FGTS, este consta como cálculo sobre o valor histórico = RS17.547,18 do montante de R$328.585,11, sendo que o total da ação trabalhista seria de R$459.356,68, devendo portanto a proporcionalidade ao FGTS, valores estes de Tributação Exclusiva; em relação aos custos de advogados, ressalta ainda o Contribuinte que devem ser deduzidos na íntegra, visto serem passíveis de tributação na totalidade por parte também do recebedor; defende que o Contribuinte somente seria responsável em efetuar a declaração nos termos dos comprovantes da Fonte Pagadora, o que teria sido feito, e que, se ocorreram omissões, estas não seriam decorrentes do Contribuinte e sim da Fonte Pagadora; por fim, ressalta que somente busca a retificação no que tange a valores proporcionais do FGTS, valores estes não tributáveis, impugnando o respectivo lançamento fiscal. Na análise das alegações apresentadas em sede de Impugnação, os integrantes da 4ª Turma da DRJ/POA decidiram, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendose o crédito tributário apurado, extraindose a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 RENDIMENTOS RECEBIDOS EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO TRABALHISTA Submetemse ao ajuste anual todos os rendimentos oriundos da ação trabalhista que não sejam isentos ou de tributação exclusiva, observadas as deduções permitidas em lei. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS Dos rendimentos recebidos em razão de reclamatória trabalhista pode ser excluída da tributação a Fl. 106DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 parcela referente às despesas necessárias à ação judicial que tenham sido suportadas pelo reclamante, inclusive advogados. Os honorários advocatícios devem ser proporcionalizados conforme a natureza dos rendimentos recebidos em ação judicial. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido O Contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 101, pelo qual reiterou integralmente as alegações contidas em sua Impugnação, ressaltando – em suma – que “a integralidade da dedução dos valores pagos com custas com advogado, principal, causa principal, da geração de diferenças de R$3.238,17”. Assim, os autos foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora Antes de analisar a matéria em discussão nestes autos, há que se analisar se o Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte preenche os requisitos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Tal artigo prevê o prazo de 30 dias para a interposição de Recurso Voluntário ao Conselho de Contribuintes, verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (sem grifos no original) No caso em exame, Recorrente fora intimado da decisão recorrida em 12.12.2011 (cf. AR de fls. 100), razão pela qual o prazo para a apresentação de seu Recurso Voluntário findaria em 11.01.2012. No entanto, o recurso de fls. 101 foi apresentado somente em 16.01.2012, ou seja, após o término do prazo preclusivo para a sua apresentação. Por outro lado, o art. 42 daquele mesmo Decreto estabelece que: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (...) Fl. 107DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11030.002472/200821 Acórdão n.º 2102003.138 S2C1T2 Fl. 106 5 Assim, o recurso é intempestivo e não pode ser conhecido por este Conselho, tendo a decisão de primeira instância se tornado definitiva, nos termos das normas acima transcritas. Diante do exposto, meu voto é no sentido de NÃO CONHECER do recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 108DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10925.903057/2009-31
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE ESTIMATIVAS APURADAS. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM SALDO NEGATIVO APURADO. ADMISSIBILIDADE.
Não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no ano-calendário correspondente àquelas estimativas.
Numero da decisão: 1803-002.409
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2006 COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE ESTIMATIVAS APURADAS. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM SALDO NEGATIVO APURADO. ADMISSIBILIDADE. Não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no ano-calendário correspondente àquelas estimativas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE ESTIMATIVAS APURADAS. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM SALDO NEGATIVO APURADO. ADMISSIBILIDADE. Não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no anocalendário correspondente àquelas estimativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 30 57 /2 00 9- 31 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.903057/200931 Acórdão n.º 1803002.409 S1TE03 Fl. 79 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.903057/200931 Acórdão n.º 1803002.409 S1TE03 Fl. 80 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido: Por meio do Despacho Decisório eletrônico que consta do presente processo, a autoridade competente não homologou a compensação pretendida pela Contribuinte acima identificada, formalizada por meio de Declaração de Compensação (DComp), na qual foi indicado, como crédito do tipo “Pagamento Indevido ou a Maior”, um documento de arrecadação (DARF) com código de receita referente a estimativa mensal. De acordo com o referido Despacho, inexiste direito creditório em razão de o pagamento indicado na DComp encontrarse integralmente utilizado na quitação de débito declarado pela Contribuinte, com idênticas características. Irresignada, a Contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade, na qual informa que apresentou a respectiva DComp indicando, como crédito, o tipo “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR, quando o correto seria informar o tipo de compensação de SALDO NEGATIVO”. Por outro lado, no restante de sua petição, a Contribuinte dá a entender que detém o direito creditório, em razão de não existir o débito ao qual se vincula o Darf indicado na DComp. Inclusive, em demonstrativo elaborado para fundamentar a existência de seu direito, referindose ao débito de estimativa vinculado ao Darf, a Contribuinte indica o seguinte: “Valor DEVIDO a ser Retificado na DCTF: R$ 0,00”. 2. A decisão da instância a quo foi assim fundamentada: A manifestação de inconformidade é tempestiva e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual podese dela conhecer. Conforme relatado, a declaração de compensação sob exame não foi homologada, em razão da inexistência do direito creditório pleiteado pela Contribuinte. De acordo com o que restou esclarecido, o pagamento indicado como crédito referese a estimativa mensal, e encontrase integralmente utilizado na extinção de débito com idênticas características. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Contribuinte primeiro informa que apresentou a respectiva DComp, indicando, como crédito, o tipo “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR, quando o correto seria informar o tipo de compensação de SALDO NEGATIVO”. Depois, defende que possui o direito creditório, em razão de não existir o débito de estimativa ao qual se vincula o Darf indicado na DComp. Inclusive, em demonstrativo elaborado para fundamentar a existência de seu direito, referindose ao débito de estimativa vinculado ao Darf, a Contribuinte indica o seguinte: “Valor DEVIDO a ser Retificado na DCTF: R$ 0,00”. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.903057/200931 Acórdão n.º 1803002.409 S1TE03 Fl. 81 4 Neste momento, há que se registrar que a autoridade competente da DRF de jurisdição sobre o domicílio fiscal da Contribuinte não se manifestou em relação ao saldo negativo que teria sido apurado no respectivo anocalendário. Em outras palavras, o saldo negativo apurado pela Contribuinte não constitui o objeto do presente litígio. Na verdade, o cerne do litígio é outro. Ao que tudo indica, a Contribuinte apurou saldo negativo no anocalendário em referência e, ao invés de utilizálo como crédito em compensação, conforme lhe é facultado, levou à DComp sob análise um pagamento a título de estimativa, devidamente declarada em DCTF, que teria contribuído para formar o referido saldo negativo. Muito embora possa ter contribuído com a formação do saldo negativo, a estimativa mensal apurada, conforme disposição legal, não constitui pagamento indevido ou maior que o devido, de modo que não pode ser utilizada como crédito em compensação pleiteada em face da Fazenda Nacional. Sabese que a obrigação de recolher estimativas mensais integra a sistemática legalmente prevista para a apuração do IRPJ e da CSLL, segundo as regras de Lucro Real na periodicidade anual. Segundo essa sistemática, ao longo do anocalendário, a pessoa jurídica se obriga a mensalmente antecipar o valor do tributo que somente será conhecido em definitivo no final do período, em 31 de dezembro, quando então se considera ocorrido o fato gerador. Encerrado o anocalendário, a pessoa jurídica deve apurar o tributo devido e, para encontrar o valor do saldo a pagar, ou do saldo negativo a restituir, do valor do tributo devido pode deduzir os valores recolhidos antecipadamente, a título de estimativa. Portanto, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, é este valor que pode ser utilizado como crédito em compensação, e não as antecipações regularmente apuradas que o compuseram, efetuadas ao longo do ano. Ademais, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, não há que se providenciar uma retificação da DCTF para zerar o débito a título de estimativa e, consequentemente, “liberar” o Darf ao qual estiver vinculado, como parece ser o entendimento da Contribuinte. Em verdade, tendo sido regularmente apuradas, as estimativas mensais são devidas, ainda que ao final do ano se descubra a formação de um saldo negativo. Nesse caso, a retificação da DCTF pretendida pela Contribuinte, se efetuada, não encontraria respaldo legal. De se reiterar que, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, este, sim, pode ser objeto de compensação, conforme estabelece a vigente Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 20121: Art. 4º Os saldos negativos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição, nas seguintes hipóteses: I – de apuração anual, a partir do mês de janeiro do anocalendário subsequente ao do encerramento do período de apuração; [...] 1 Disposições semelhantes já eram encontradas na Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, na Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004, na Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, e na Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.903057/200931 Acórdão n.º 1803002.409 S1TE03 Fl. 82 5 Art. 41. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 56 a 60, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à RFB do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo VII, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. § 2º A compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. [...] Portanto, como na DComp sob exame a Contribuinte não utilizou direito creditório passível de compensação, mostrase correta a conclusão do Despacho Decisório atacado, razão pela qual não há como reformálo. Ante o exposto, é de se considerar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Interessada. 3. Devidamente cientificada da referida decisão, a tempo, apresenta a interessada Recurso Voluntário, nele argumentando, em síntese: a) que o débito de estimativa, objeto de compensação não homologada, deverá ser considerado na formação do saldo negativo; b) que o entendimento da Receita Federal – de glosar o saldo negativo quando este for composto por estimativas quitadas por compensação não homologada – implica dupla cobrança do mesmo crédito tributário; c) que o contribuinte terminaria pagando duas vezes o mesmo débito; mediante a redução do saldo negativo e pela via da execução fiscal (cobrança do débito de estimativa objeto da compensação não homologada); d) que, no mérito, existindo, sim, saldo negativo a ser compensado, o contribuinte não pode ser penalizado com a dupla cobrança, pelo fiscal, de um tributo já declarado e compensado por erro de fato do mesmo, declarado em PER/DComp incorreta, sem a possibilidade de retificar a mesma e demonstrar os créditos oriundos formados para a efetivação da compensação do débito compensado; e e) que a dupla cobrança ocorrerá, se o contribuinte tiver de pagar novamente o débito compensado não homologado na PER/DComp, aplicandose a decadência do crédito de saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL. Em mesa para julgamento. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.903057/200931 Acórdão n.º 1803002.409 S1TE03 Fl. 83 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Concordase inteiramente com a decisão recorrida, quando esta afirma que (destaque do original): Muito embora possa ter contribuído com a formação do saldo negativo, a estimativa mensal apurada, conforme disposição legal, não constitui pagamento indevido ou maior que o devido, de modo que não pode ser utilizada como crédito em compensação pleiteada em face da Fazenda Nacional. [...]. Portanto, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, é este valor que pode ser utilizado como crédito em compensação, e não as antecipações regularmente apuradas que o compuseram, efetuadas ao longo do ano. [...]. De se reiterar que, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, este, sim, pode ser objeto de compensação, conforme estabelece a vigente Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012: [...]. 5. É que não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no ano calendário correspondente àquelas estimativas. 6. Como decorrência, cabe à repartição de origem reexaminar a compensação requerida, devendo, para tanto, considerar, como direito creditório pleiteado, o saldo negativo apurado no respectivo anocalendário. 7. Já com relação à preocupação externada pela Recorrente, em seu Recurso Voluntário, as estimativas não pagas, mas compensadas, se não homologada a respectiva compensação, serão objeto de cobrança na correspondente DComp, não cabendo a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ, conforme entendimento já externado, tanto pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), quanto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN): Solução de Consulta Interna Cosit nº 18, de 2006: Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a Fl. 83DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.903057/200931 Acórdão n.º 1803002.409 S1TE03 Fl. 84 7 glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. Parecer PGFN/CAT/nº 88, de 2014: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Opção por tributação pelo lucro real anual. Apuração mensal dos tributos por estimativa. Lei no 9.430, de 27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada pelo Fisco. Conversão das estimativas em tributo após ajuste anual. Possibilidade de cobrança. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que a repartição de origem reexamine a compensação requerida, devendo, para tanto, considerar, como direito creditório pleiteado, o saldo negativo apurado no respectivo anocalendário. Deve ser observada a eventual existência de outros processos nos quais o direito creditório a ser considerado como pleiteado corresponda ao mesmo saldo negativo. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 84DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10920.002722/2005-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICA-SE O PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE ACORDO COM A SISTEMÁTICA PREVISTA PELO ARTIGO 543-C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A, DO ANEXO II, DO SEU REGIMENTO INTERNO.
Consoante entendimento consignado no Recurso Especial n.º 973.733/SC, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
Nos casos em que a lei prevê o pagamento antecipado e esse ocorre, a contagem do prazo decadencial desloca-se para a regra do art. 150, §4º, do CTN.
Hipótese em que houve pagamento antecipado.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2101-002.510
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência do direito de lançar o tributo e, consequentemente, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Junior e Eivanice Canário da Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICASE O PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE ACORDO COM A SISTEMÁTICA PREVISTA PELO ARTIGO 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62A, DO ANEXO II, DO SEU REGIMENTO INTERNO. Consoante entendimento consignado no Recurso Especial n.º 973.733/SC, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Nos casos em que a lei prevê o pagamento antecipado e esse ocorre, a contagem do prazo decadencial deslocase para a regra do art. 150, §4º, do CTN. Hipótese em que houve pagamento antecipado. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 27 22 /2 00 5- 93 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/08/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência do direito de lançar o tributo e, consequentemente, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Junior e Eivanice Canário da Silva. Relatório Tratase de recurso voluntário (efl. 23) interposto em 27 de abril de 2009 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) (fls. 16/19), do qual o Recorrente teve ciência em 26 de março de 2009 (fl. 22), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 03/07, lavrado em 25 de agosto de 2005, em decorrência de compensação indevida de IRRF, verificada no anocalendário de 1999. Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fl. 23) pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Em relação à decadência, vinha me manifestando no sentido de que, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, sempre seria aplicável o prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º, do CTN, independentemente da existência ou não de princípio de pagamento, pois, à regra geral do artigo 173, I, o Código estabeleceu Fl. 81DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/08/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10920.002722/200593 Acórdão n.º 2101002.510 S2C1T1 Fl. 81 3 justamente a exceção contida no artigo 149, V. Homologase, na verdade, a atividade do contribuinte. Todavia, cumpre registrar que o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC, apreciado sob a sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, representativo da controvérsia acerca do prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário, assim se manifestou: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro Fl. 82DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/08/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (STJ, Primeira Seção, REsp 973733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). (Grifouse). Como é cediço, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda n.º 256, de 22 de junho de 2009, no artigo 62A de seu Anexo II, acrescentado pela Portaria do Ministério da Fazenda n.º 586, de 21/12/2010, determina que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática estabelecida nos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros desse Conselho Administrativo no julgamento dos respectivos recursos. Vejase: “Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Assim, muito embora já tenha me manifestado em diversas oportunidades, anteriormente ao julgamento do Recurso Especial n.º 973.733, acerca da aplicabilidade do prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional àqueles casos relativos a tributos sujeitos a lançamento por homologação, independentemente de haver início de pagamento, tratandose, o caso concreto, da exata hipótese apreciada sob a sistemática dos recursos repetitivos pelo Superior Tribunal de Justiça, passo a adotar, nos termos do aludido art. 62A do Anexo II do RICARF, o entendimento daquela Corte infraconstitucional. À luz de referido entendimento, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação no qual houve o princípio de pagamento do IRPF, verificase que o prazo de lançamento é o de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional. No presente caso, tratase de auto de infração lavrado em 25 de agosto de 2005 em virtude de compensação indevida de IRRF, verificada no anocalendário de 1999. Ocorre, todavia, que, conforme constou do auto de infração e da própria decisão recorrida, houve recolhimento antecipado tanto por parte do contribuinte (IRPF), como da própria empresa (IRRF sob o código 0561). Assim, aplicável ao presente caso o prazo de 5 (cinco) anos a que se refere o artigo 150, §4º do CTN, conforme jurisprudência do STJ, devendose, portanto, reconhecer de Fl. 83DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/08/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10920.002722/200593 Acórdão n.º 2101002.510 S2C1T1 Fl. 82 5 ofício a decadência no presente caso, pois o auto de infração foi lavrado (25/08/2005) mais de 5 (cinco) anos após a ocorrência do fato gerador (31/12/1999). Eis os motivos pelos quais voto no sentido de declarar de ofício a decadência e, em consequência, DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 84DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/08/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10880.913961/2009-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
PER/DCOMP. DE ERRO DE FATO. POSSIBILIDADE DE
RETIFICAÇÃO.
Admite-se a retificação do PER/DCOMP pelo sujeito passivo se demonstrada pelo contribuinte a ocorrência de simples erro de fato.
Numero da decisão: 1201-001.028
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MARCELO CUBA NETTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator.
EDITADO EM: 18/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Neto (Presidente Substituto), Roberto Caparroz de Almeida, Maria Elisa Bruzzi Boechat (Suplente Convocada), Rafael Correia Fuso, Andre Almeida Blanco (Suplente Convocado) e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MARCELO CUBA NETTO - Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator. EDITADO EM: 18/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Neto (Presidente Substituto), Roberto Caparroz de Almeida, Maria Elisa Bruzzi Boechat (Suplente Convocada), Rafael Correia Fuso, Andre Almeida Blanco (Suplente Convocado) e Luis Fabiano Alves Penteado.
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DE ERRO DE FATO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO. Admitese a retificação do PER/DCOMP pelo sujeito passivo se demonstrada pelo contribuinte a ocorrência de simples erro de fato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MARCELO CUBA NETTO Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator. EDITADO EM: 18/09/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 39 61 /2 00 9- 18 Fl. 247DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Neto (Presidente Substituto), Roberto Caparroz de Almeida, Maria Elisa Bruzzi Boechat (Suplente Convocada), Rafael Correia Fuso, Andre Almeida Blanco (Suplente Convocado) e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratam os presentes autos de não homologação de compensação, cujo crédito é originado em suposto pagamento indevido / a maior de IRPJ Estimativa Mensal, no montante de R$ 6.785.461,52, conforme abaixo sintetizado: DO DESPACHO DECISÓRIO Em face do PER/DCOMP de fls. 03 e seguintes, transmitido pela contribuinte em 07/04/2005, que indicava como crédito o pagamento indevido / a maior de IRPJ no montante de R$ 6.785.461,52, a DERAT proferiu o Despacho Decisório de fl. 6, no qual não homologa a compensação declarada, em face de tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período, nos termos do artigo 10 da IN SRF n° 600/2005. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificada do Despacho Decisório, a Recorrente apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 10/19, alegando, em apertada síntese que: No anocalendário de 2004, apurou saldo negativo de IRPJ, no montante de R$ 6.785.461,52, conforme linha 21 da Ficha 12A da DIPJ/2005. Corroborando esta situação, houve o devido reconhecimento contábil do valor, tal como se observa no respectivo livro Diário. Esse é o incontestável crédito, devidamente construído com respaldo nos deveres instrumentais e contábeis, que almejava ver aproveitado através da compensação tratada no PER/DCOMP objeto do presente processo. Ocorre que, motivado por erro administrativo cometido no preenchimento do PER/DCOMP, o campo que indica a origem do crédito foi erroneamente aplicado como se fosse "Pagamento indevido ou a maior de IRPJ. Entretanto, de maneira alguma isso prejudicaria o pleito formulado, dada a inconteste vinculação dos créditos reclamados com o saldo negativo de IRPJ apurado na competência de 2004. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Processo nº 10880.913961/200918 Acórdão n.º 1201001.028 S1C2T1 Fl. 246 3 O crédito pleiteado decorre de excesso de recolhimentos de IRPJ durante o ano de 2004, que, dada a peculiaridade de ser originado no bojo de regime anual e de recolhimentos mensais do tributo, tal excesso é chamado de, "Saldo Negativo" e não "Pagamento indevido ou a maior". Esse erro meramente formal na caracterização da origem do crédito foi o motivo determinante para a autoridade fiscal considerar não homologada a compensação. Todavia, em que pese essa decisão, diante dos elementos probantes acostados à defesa, não há como ser ignorado o fato de que se tratava, em verdade, de "Saldo Negativo", e por tal razão deve a verdade material preponderar, consoante reiteradas decisões nesse sentido. Não obstante a prevalência da coisa sobre a forma, também é necessária a aplicação da correta taxa SELIC para atualização do crédito detido pela contribuinte. Ocorre que o percentual utilizado no PER/DCOMP (1%) está em manifesto descompasso e em patamares inferiores àqueles determinados pelo Ato Declaratório SRF n° 3/2000 (que seria de 2,38% no caso em tela). Assim, por ser de lidima justiça e direito da contribuinte, o aproveitamento de seu crédito devidamente atualizado, faz se necessário que se reconheça o vício e se determine a correta aplicação da taxa SELIC. Por todo exposto, requer a Contribuinte que: a) seja a presente manifestação de inconformidade julgada procedente, para declarar a anulação do Despacho Decisório; b) sejam determinadas as necessárias correções e adequações das informações constantes do PER/DCOMP, segundo a realizada dos fatos, devidamente comprovados pela documentação acostada aos autos; e, c) seja declarado extinto o débito compensado, com base no artigo 156, inciso II do CTN. DA DECISÃO DA DRJ Em decisão de fls. 6570, a 5° Turma da DRJ/SP1, através do Acórdão n° 1628.147 julgou IMPROCEDENTE a Manifestação de Inconformidade da ora Recorrente, com os seguintes fundamentos: O artigo 74 da Lei n° 9.430/96 com as alterações introduzidas pelas Leis ns. 10.637/2002 e 10.833/2003, dispõe, in verbis (grifei): "Art. 74. 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com transito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO 4 § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada 5 Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. § 3° Além das hipóteses previstas nas leis especificas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 10: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II — os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Divida Ativa da União; IV os créditos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal Refis, ou do parcelamento a ele alternativo; e V os débitos que já tenham sido objeto de compensação não homologada pela Secretaria da Receita Federal. § 4° Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5° 0 prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. § 6° A declaração de compensação constitui confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 7° Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 8° Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7°, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Divida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9°. § 9° É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 70, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. § 10 Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11 A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9° e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso Ill do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Processo nº 10880.913961/200918 Acórdão n.º 1201001.028 S1C2T1 Fl. 247 5 § 12 A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo, podendo, para fins de apreciação das declarações de compensação e dos pedidos de restituição e de ressarcimento, fixar critérios de prioridade em função do valor compensado ou a ser restituído ou ressarcido e dos prazos de prescrição". Da norma acima reproduzida é possível concluir que o procedimento de compensação é efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal, quanto do contribuinte. Com efeito, por um lado corre contra a Administração o prazo de homologação, que, uma vez decorrido, impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente; de outro lado pesa sobre o contribuinte a exatidão da informação quanto origem do crédito e de seu montante, visto que, uma vez analisada o PER/DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo. Assim, o alegado erro de preenchimento do PER/DCOMP não pode ser admitido, eis que, a retificação da origem do crédito tem a mesma natureza de uma declaração de compensação de débitos não homologados, o que não é permitido pela legislação. Além disso, deve ser observado o disposto nos artigos 56 da IN SRF n° 460/2004 e 57 da IN SRF n° 600/2005, que admitem a retificação do PER/DCOMP apenas quando o mesmo ainda se encontrar pendente de decisão administrativa. Isso porque equívocos como o relatado pela contribuinte não são apenas formais, tendo inúmeras implicações materiais, pois, dependendo do tipo de crédito informado, o procedimento de análise é diferenciado, requerendo, inclusive, maiores detalhamento e comprovação por parte do contribuinte. DO RECURSO VOLUNTÁRIO A Recorrente apresentou Recurso Voluntário de fls. 7278, por meio do qual ratifica os argumentos já trazidos em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator O Recurso Voluntário apresentado é tempestivo e cumpre todos os requisitos legais, por isso, dele tomo conhecimento. Da análise dos autos, não resta dúvida que a ora Recorrente, ao indicar no campo da origem do crédito utilizado a informação de "Pagamento indevido ou a maior de Fl. 251DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO 6 IRPJ" em lugar de "Saldo Negativo", incorreu em mero erro de preenchimento, uma vez que a existência e origem do crédito está devidamente comprovada nos autos, conforme se verifica da respectiva DIPJ e registros contábeis. Em que pese as considerações da autoridade julgadora de primeiro grau acerca da impossibilidade, em sede de contraditório, de retificação das informações apontadas no processo de compensação, acredito que a solução da controvérsia instaurada no presente processo, deve ser encontrada a partir da desconsideração do erro cometido pela Recorrente. Isto porque, não é plausível que, com fundamento em mero erro no preenchimento de instrumento declaratório, seja negado ao contribuinte o direito de reaver aquilo que ele pagou indevidamente ou em montante maior que o devido. Estamos falando aqui, de comparação das grandezas dos direitos envolvidos na lide: de um lado, o da Fazenda Nacional de não devolver o que lhe foi pago acima do devido, em virtude de erro de forma no pedido apresentado pelo contribuinte; do outro, o legítimo direito do contribuinte de utilizar o montante pago a maior (ou indevidamente) para fins de compensação tributária. Tenho firme posicionamento de que, em tais circunstâncias, devese relevar o erro formal cometido e, em homenagem ao princípio da verdade material, sempre observado e homenageado neste Conselho, promover a utilização do direito creditório efetivamente reconhecido na extinção (ainda que parcial), por compensação, dos débitos de titularidade do requerente. Neste sentido, são várias as decisões deste CARF, vejamos: Processo nº 10680.904864/200648 Acórdão nº 1301001.405 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de fevereiro de 2014 Matéria: IRPJ COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Recorrente ARTES GRÁFICAS FORMATO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003 Ementa: COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. PER/DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE. Em homenagem ao princípio da verdade material e em respeito ao direito envolvido, a constatação de que o contribuinte incorreu em erros no preenchimento da Declaração de Compensação não deve obstar o reconhecimento de eventual direito creditório, mormente na circunstância em que foram reunidos aos autos elementos que possibilitem quantificar o referido direito. Processo nº 16327.900232/200882 Acórdão nº 1802001.957 – 2ª Turma Especial Fl. 252DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Processo nº 10880.913961/200918 Acórdão n.º 1201001.028 S1C2T1 Fl. 248 7 Sessão de 4 de dezembro de 2013 Matéria: NÃO HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente: BANCO NOSSA CAIXA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 28/02/2002 COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. INFORMAÇÕES CONSTANTES DO LALUR. DOCUMENTAÇÃO SUPORTE. LIQUIDEZ E CERTEZA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O direito creditório pleiteado não pode ser vinculado a requisitos meramente formais, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional. Assim, ainda que a DCTF seja instrumento de confissão de dívida, a comprovação através de outros elementos contábeis e fiscais que denotem erro na informação constante da obrigação acessória, acoberta uma declaração de compensação, em apreço ao princípio da verdade material. Processo nº 10166.005610/200231 Acórdão nº 1301001.104 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de dezembro de 2012 Matéria: CSLL/COMPENSAÇÃO/IRPJ Recorrente: JUIZ DE FORA EMPRESA DE VIGILANCIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2001 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CSLL COM SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ERRO DE FATO. Comprovado nos autos o erro de fato ocorrido em preenchimento de Pedido de Compensação, deve ser aceita a sua retificação, ainda que a solicitação de retificação não tenha observado o procedimento para isso previsto. Cabe ressaltar, é condição indispensável que a prova de que se trata de simples engano ou falha humana, seja feita de forma absolutamente convincente, com base em indícios veementes, tendo, outrossim, livre a convicção do julgador. Neste sentido, cabe ressaltar que consta dos autos, documentação fiscal e contábil suficiente para comprovar a existência do saldo negativo de IRPJ no anobase de 2004 e conseqüentemente do crédito utilizado pela Recorrente em sua compensação com débito da própria IRPJ devida na competência de janeiro de 2005. Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e no mérito voto por DAR PROVIMENTO. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO 8 É como voto. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 254DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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Numero do processo: 11634.000045/2009-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
NULIDADE - CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL - INEXISTÊNCIA
As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL
Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
PEDIDO DE PERÍCIA - INDEFERIMENTO
É de ser indeferido o pedido de perícia contábil quando a prova que se pretende formular com a perícia era de exclusiva responsabilidade do sujeito passivo.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INAPLICABILIDADE DAS NORMAS ATINENTES À TRIBUTAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL.
O fato de a atividade preponderante do contribuinte ser a atividade rural não permite concluir que os depósitos existentes em sua conta referem-se a esta mesma atividade. Para tanto, é necessário que o contribuinte faça prova de que tais valores transitaram em suas contas bancárias.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF no.26).
Rejeitar as preliminares
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Por maioria de votos, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO e PEDRO ANAN JUNIOR, que acolhem a preliminar. QUANTO AO PEDIDO DE DILIGÊNCIA: Por unanimidade de votos, indeferir o pedido de pericia. QUANTO AS DEMAIS PRELIMINARES: Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. QUANTO AO MÉRITO: Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO e PEDRO ANAN JUNIOR, que davam provimento parcial ao recurso para afastar os juros de mora sobre a multa de ofício. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Fellipe Cianca Fortes, OAB/PR 30.725.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Pedro Anan Junior.
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
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PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. NULIDADE CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. PEDIDO DE PERÍCIA INDEFERIMENTO É de ser indeferido o pedido de perícia contábil quando a prova que se pretende formular com a perícia era de exclusiva responsabilidade do sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 00 45 /2 00 9- 91 Fl. 451DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INAPLICABILIDADE DAS NORMAS ATINENTES À TRIBUTAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL. O fato de a atividade preponderante do contribuinte ser a atividade rural não permite concluir que os depósitos existentes em sua conta referemse a esta mesma atividade. Para tanto, é necessário que o contribuinte faça prova de que tais valores transitaram em suas contas bancárias. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF no.26). Rejeitar as preliminares Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Por maioria de votos, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO e PEDRO ANAN JUNIOR, que acolhem a preliminar. QUANTO AO PEDIDO DE DILIGÊNCIA: Por unanimidade de votos, indeferir o pedido de pericia. QUANTO AS DEMAIS PRELIMINARES: Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. QUANTO AO MÉRITO: Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO e PEDRO ANAN JUNIOR, que davam provimento parcial ao recurso para afastar os juros de mora sobre a multa de ofício. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Fellipe Cianca Fortes, OAB/PR 30.725. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Pedro Anan Junior. Fl. 452DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11634.000045/200991 Acórdão n.º 2202002.781 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, ORESTES ALVARES SOLDORIO, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 249 a 252, que exige R$ 3.073.299,21 de Imposto de Renda suplementar, R$ 1.019.413,34 de juros de mora e R$ 2.304.974,40 de multa proporcional, em virtude de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada em relação ao ano calendário de 2005. Segundo o Termo de verificação e Encerramento da Ação Fiscal, fls. 242 a 246, o procedimento fiscal em questão teve início com a intimação do contribuinte, em 11/06/08, para a apresentação de extratos, documentos e informações a respeito da sua movimentação financeira, tendo o mesmo solicitado prorrogação do prazo para atendimento, fls. 10 e 11. Posteriormente, o contribuinte foi reintimado por duas vezes, em 23/07/08 e 14/10/08, conforme documentos de fls. 12 a 17, porém, apesar dessas três intimações, não foram apresentados, à fiscalização, os documentos solicitados. Dessa forma, tendo em vista a impossibilidade de obtenção dos dados de movimentação bancária diretamente com o contribuinte, procedeu se à expedição de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira RMF de nº 09102002008000400, mediante à qual foram obtidos extratos e documentos dos créditos das contas mantidas pelo contribuinte em diversos bancos, conforme extratos de fls. 85 a 238. Comparando as informações prestadas pelo contribuinte em sua DAA do exercício 2006, ano calendário de 2005, fls. 05 a 09, com as informações obtidas nas instituições financeiras, constatouse que a movimentação bancária do contribuinte, nesse período, foi muito superior do que a receita informada em sua DAA, razão pela qual o mesmo foi intimado, em 12/11/08, fls. 18 a 77, a comprovar, mediante documentação idônea, “coincidentes em datas e valores”, a origem dos recursos relativos aos depósitos/créditos efetuados em suas contas bancárias. Em 01/12/08, o contribuinte solicitou prorrogação do prazo para análise dos depósitos efetuados em suas contas bancárias, fl. 78, sendo que, em 06/01/09, foi reintimado a cumprir a intimação de fls. 18 a 77, porém, novamente não atendeu à intimação e solicitou mais uma vez prorrogação do prazo, contudo, essa nova solicitação não foi concedida, haja vista o contribuinte estar sob fiscalização desde 11/06/08 e ter tido prazo suficiente para atender à intimação. Dessa forma, conforme se observa na planilha de fl. 244, foram comparadas, mês a mês, as receitas declaradas pelo contribuinte com a sua movimentação bancária efetiva, sendo tributada a diferença como sendo receita omitida. Cientificado do lançamento em 17/02/09, conforme Aviso de Recepção de fl. 254, o interessado apresentou a impugnação de fls. 259 a 285, em 19/03/09, protocolada tempestivamente segundo a unidade de origem, vide fl. 290, alegando: em síntese, que: a) “não há como se vislumbrar se as formalidade legais foram cumpridas, um vez que a RMF não consta dos autos, razão pela qual a atuação é nula”, pois “é imprescindível que o mesmo seja acostado aos autos do processo administrativo fiscal para que possa ser efetuado o controle da sua legalidade, sem o qual é Fl. 453DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 nulo qualquer crédito tributário constituído.” O Impugnante também alega que “é obrigatória a apresentação [da RMF] no respectivo auto de infração.”; b) “Além do exposto, tem se que o PAF é nulo por outra razão: não consta dos autos qualquer decisão fundamentada permitindo a quebra do sigilo bancário do impugnante.” Acrescente se que “a quebra de sigilo bancário somente pode ser decretada quando esta for considerada indispensável pela autoridade administrativa competente, sendo que este caráter foi regulamentado pelo art. 3º, do Decreto nº 3.724/01”; c) em 12/11/08 o contribuinte foi intimado a justificar, “em 20 (vinte) dias, a origem de cada um dos depósitos identificados em suas contas, os quais totalizam, aproximadamente, 2.000 (dois mil) depósitos. Ante a evidente impossibilidade de se manifestar acerca de tal número de depósitos em tão pouco tempo, o impugnante requereu, tempestivamente, nova dilação de prazo, a qual, além de não ter sido deferida – ou ao menos expressamente indeferida – acarretou a lavratura do auto de infração” o que, na opinião do Impugnante, representou “evidente precipitação que acabou por violar a ampla defesa.”; d) “A constituição de créditos tributários de imposto de renda sobre os referidos depósitos, no entanto, não prospera, indo de encontro a todas as limitações impostas pelo ordenamento jurídico em relação à matéria tributária, repercutindo em verdadeiro abuso da Administração Pública e escusa ilegal do cumprimento de seu dever funcional de buscar a verdade material no lançamento tributário.”; e) a presunção prevista no art. 42, da Lei 9.430/96, se refere ao contribuinte que, havendo condições de comprovar a origem dos depósitos, não o faz, porém, não se refere ao Impugnante que teve a intenção de apresentar toda a documentação referente aos depósitos, mas não apresentou em função do exíguo prazo de 20 (vinte) dias; f) “analisando se o art. 42, da Lei nº 9430/96, em conjunto ao caso concreto, chega se às seguintes conclusões: (i) trata se de novo tributo, um vez que, tomando se pura e simplesmente os depósitos bancários como renda, sem se proceder a qualquer confronto ou análise de acréscimo patrimonial, tem se que se está tributando, em realidade, o patrimônio do impugnante constante em conta bancária. Como patrimônio e renda não se confundem, o art. 42, da Lei nº 9.430/96, prevê novo fato gerador de obrigação tributária – depositar dinheiro em conta bancária , sendo, em conseqüência, formalmente inconstitucional, uma vez que invade a reserva legal prevista no art. 146, da CF/88. Em decorrência, sendo inconstitucional o fato gerador, também é inconstitucional o lançamento. (ii) o lançamento é nulo, uma vez que se pautou em base de cálculo que não corresponde à materialidade do IR prevista na CF/88 e no art. 43, do CTN.”; g) “Caso se entenda como válida a incidência do IRPF sobre os depósitos bancários [...] é de se aplicar o regime jurídico dispensado ao produtor rural, uma vez que esta é a atividade econômica realizada pelo impugnante.” Dessa forma, “somente 20% é tributável, nos termos do art. 60, § 2º, do RIR/99. [...] Fl. 454DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11634.000045/200991 Acórdão n.º 2202002.781 S2C2T2 Fl. 4 5 Diante disso, requer a anulação do auto de infração, ante a incorreta apuração da base de cálculo do imposto.”; Tendo em vista o fato de não terem sido carreadas aos autos, pela fiscalização, as RMFs encaminhadas às instituições financeiras e nem as solicitações de emissão das RMFs, apesar de ter sido descrito, no relatório fiscal, os motivos que levaram à emissão das RMFs, foram baixados os autos em diligência para que a DRF de Londrina/PR fizesse a devida instrução com tais RMFs, com abertura de prazo de 30 dias para que o contribuinte se manifestasse a respeito. Em resposta à diligência, a DRF de Londrina/PR emitiu o despacho de fls. 336 e 337, e instruiu os autos com a Solicitação de Emissão de RMF de fls. 292 a 294, e com as RMFs e respostas das instituições financeiras de fls. 295 a 335, sendo concedido prazo de 30 dias para que o contribuinte se manifestasse. O contribuinte apresentou a manifestação de fls. 344 a 345, na qual alega, em síntese, que: a) todas as RMFs anexadas aos autos “apresentam vícios formais e materiais e que nenhuma atende aos requisitos previstos na Portaria SRF n° 180/2001, havendo flagrante violação à Lei Complementar n° 105/2001 e ao Decreto n° 3.724/2001.”; b) “as RMF's colacionadas aos autos do PAF ratificaram as argumentações ventiladas na impugnação, razão pela qual o impugnante reafirma a impugnação, em todos os seus termos.” A DRJ julgou a impugnação improcedente, mantendose o credito tributário exigido. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei nº 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestar se quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Cientificado, o contribuinte, se mostrando irresignado, apresentou o Recurso Voluntário, reiterando os argumentos da impugnação: Da suspensão do processo administrativo, na medida que a matéria de sigilo bancário enquadrase na repercussão geral do STF; Da preliminar de nulidade pelo vício dos procedimentos de utilização das RMFs; Da natureza das operações, que não refletem variação patrimonial; Do fato que a totalidade da renda do recorrente decorre da atividade rural; Da ilegalidade do lançamento baseado em depósitos bancários. Da incidência do juros sobre a multa. É o relatório. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11634.000045/200991 Acórdão n.º 2202002.781 S2C2T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Os recursos estão dotados dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da Preliminar de Nulidade por Quebra do Sigilo Bancário O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; Fl. 457DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o contribuinte foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, Fl. 458DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11634.000045/200991 Acórdão n.º 2202002.781 S2C2T2 Fl. 6 9 razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto ilicitude da prova por quebra do sigilo bancário. Da Preliminar de Nulidade Nos presentes autos, não ocorreu nenhum vício para que o procedimento seja anulado, como bem discorreu a autoridade recorrida, os vícios capazes de anular o processo são os descritos no artigo 59 do Decreto 70.235/1972 e só serão declarados se importarem em prejuízo para o sujeito passivo, de acordo com o artigo 60 do mesmo diploma legal. A autoridade fiscal ao constatar infração tributária tem o dever de ofício de constituir o lançamento. Constatado que as infrações apuradas foram adequadamente descritas nas peças acusatórias e no correspondente Relatório de Procedimento Fiscal, e que o contribuinte, demonstrando ter perfeita compreensão delas, exerceu o seu direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. As razões para não se aceitar os argumentos do recorrente estão claramente demonstrados tanto no Termo de Verificação do Auto de Infração como na Decisão recorrida. Entendo que não procede a alegação de que a defesa teria sido prejudicada. Uma vez que isso não impediu que o contribuinte apresentase ampla defesa suscitando vários pontos. Na realidade no caso concreto não se percebe qualquer nulidade que comprometa a validade do procedimento adotado. Diante disso, é evidente que tal preliminar carece de sustentação fática, merecendo, portanto, a rejeição por parte deste Egrégio Colegiado. Da preliminar de nulidade por vícios na RMF No que se refere ao suposto vício nas RMFs , merecem destaque as considerações formuladas pela autoridade recorrida: Segundo se observa na defesa apresentada, o Impugnante apenas alega, de forma genérica, a existência de vícios formais e materiais nas RMFs emitidas, sem especificar quais seriam esse vícios. Cotejando as RMFs emitidas com os requisitos previstos na Portaria SRF nº 180, de 2001, bem como na Lei Complementar n° 105/2001 e no Decreto n° 3.724/2001, não vislumbramos irregularidades quanto ao procedimento fiscal realizado, senão vejamos: Fl. 459DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Portanto, diante desse quadro e tendo em vista o fato do Impugnante não ter apontado as supostas irregularidades que constariam nas RMFs, concluímos pela improcedência da alegação de vícios nas RMFs emitidas. Uma vez que não identifico reparos a realizar no arrazoado da autoridade de primeira instância, utilizo seus argumentos para afastar a alegação do recorrente. Ante ao exposto, rejeito a preliminar de nulidade por vícios das RMFs. Da presunção de omissão baseada em depósitos bancários O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que Fl. 460DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11634.000045/200991 Acórdão n.º 2202002.781 S2C2T2 Fl. 7 11 a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Incabível a alegação de ilegitimidade passiva, uma vez que está comprovado nos autos o uso de conta bancária em nome próprio, para efetuar a movimentação de valores tributáveis, situação que torna lícito o lançamento sobre o próprio titular da conta. Sobre esse ponto o CARF já consolidou entendimento: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF No.32) É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi Fl. 461DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Dos rendimentos originados da atividade rural O fato de a atividade preponderante do contribuinte ser a atividade rural não permite concluir que os depósitos existentes em sua conta referemse a esta mesma atividade. Para tanto, é necessário que o contribuinte faça prova de que tais valores transitaram em suas contas bancárias. Acrescentese, por pertinente, que conforme declaração do próprio recorrente o mesmo possui quotas de capital em duas firmas tais como se constata da sua declaração de rendimentos ás fls 79 a 81. Ressalte se que o lançamento do imposto de renda com base em depósitos bancários só é possível quando não comprovada a origem. Seria um equívoco lançar por falta de comprovação de origem e ao mesmo tempo considerar a origem comprovada para r ibutar com base na atividade rural. Ou se comprova a origem e aí se tributa da forma como especificamente determina a legislação ou, caso contrário, apura se a omissão com base na presunção. Ainda sobre esse ponto afirma a autoridade julgadora de primeira instância: De fato, conforme se observa acima, o resultado da exploração da atividade rural será apurado mediante escrituração do Livro Caixa sendo que o contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas escrituradas e, na falta da escrituração será efetuado o arbitramento da base de cálculo à razão de 20% (vinte por cento) da receita bruta auferida no ano calendário. Contudo, esse arbitramento, à razão de 20% (vinte por cento), refere se, tão somente, à receita bruta resultante da exploração da atividade rural, porém, o impugnante não carreou aos autos elementos de prova capazes de demonstrar que os depósitos bancários são oriundos de atividade rural. Em sua defesa, limita se o Impugnante a alegar que os rendimentos informados em sua DAA se referem à atividade rural e que declarou a ocupação principal como sendo a de “produtor na exploração agropecuária”, porém, em relação aos depósitos bancários não há, nos autos, qualquer prova que demonstre de forma inequívoca que são resultantes da atividade rural, razão pela qual concluímos pela inaplicação da regra prevista no art. 60, § 2º, do Decreto nº 3.000, de 1999. Deste modo, notase que não há como dar respaldo aos argumentos do recorrente. Das Provas nos Autos É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal Fl. 462DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11634.000045/200991 Acórdão n.º 2202002.781 S2C2T2 Fl. 8 13 destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. O recorrente questiona o entendimento exarado pela autoridade fiscal. Entretanto, embora tenha se transcorrido um longo período desde que tomou conhecimento do relatório não demonstrou os seus argumentos. Ademais, cabe a recorrente por força da presunção legal, compete a ela provar a natureza especifica de cada depósitos, na medida em que, ninguém melhor do que ela própria trazer o comprovante de cada depósito. Dessa forma, cabe a máxima de que “allegatio et non probatio, quase non allegatio” (alegar e não provar é quase não alegar). Da Incidência de Juros Sobre a Multa de Ofício Acompanho o entendimento da legalidade da incidência de juros sobre a multa de ofício. Uma análise sistemática dos arts. 113, 139 e 161 do CTN revela que a multa de ofício (penalidade pecuniária), por integrar o crédito tributário, recebe igualmente o acréscimo moratório de juros. Ante ao exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 463DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 Fl. 464DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10882.720091/2013-00
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1103-000.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o
julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva- Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno Ferreira Martins Vasconcelos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Joselaine Boeira Zatorre e Breno Ferreira Martins Vasconcelos.
Nome do relator: BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno Ferreira Martins Vasconcelos Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Joselaine Boeira Zatorre e Breno Ferreira Martins Vasconcelos. RELATÓRIO A questão sob análise diz respeito a autos de infração, lavrados em 17/01/2013, para a exigência de débitos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, acrescidos de juros de mora e multa de ofício qualificada (fls. 2.6862.768). Conforme relatado no termo de verificação fiscal – “TVF” – (fls. 26692685), a fiscalização procedeu ao arbitramento do lucro com fundamento na ausência de transcrição de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .7 20 09 1/ 20 13 -0 0 Fl. 2996DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10882.720091/201300 Resolução nº 1103000.154 S1C1T3 Fl. 2.997 2 toda a movimentação financeira da recorrente nos seus livros caixa, relativos aos anos calendários de 2008 e 2009. Ocorre que as informações fornecidas pelas instituições financeiras sobre as movimentações financeiras da recorrente não estavam inteiramente refletidas em seus livros caixa. Assevera a fiscalização que foi concedido prazo hábil para que os livros caixa fossem refeitos. No entanto, os novos livros apresentados permaneciam incompletos, estando ausentes os lançamentos de duas contas correntes do Banco Safra. A autoridade fiscal fundamenta, pois, o arbitramento do lucro na ausência de livros caixa devidamente escriturados, nos termos do artigo 530 do RIR/99. Ainda, aduz que o artigo 532 do mesmo regulamento determina a apuração da base de cálculo do lucro arbitrado, quando conhecida a receita bruta, pela aplicação dos percentuais do lucro presumido, acrescidos de vinte por cento. Neste caso, a receita reconhecida foi recomposta, primeiramente, com base nos valores lançados nos livros de registro de saídas. Isto porque a fiscalização encontrou discrepâncias significativas entre a receita bruta informada pela recorrente na sua DIPJ e os valores constantes dos seus livros de registro de saídas. De acordo com o TVF, os valores constantes dos livros de registro de saídas são idênticos aos valores informados pela recorrente nos livros de apuração do ICMS. Considerando os exercícios de 2008 e 2009, tais valores excederam em aproximadamente R$49 milhões os valores informados pela recorrente na DIPJ. Afirma a fiscalização que a receita bruta submetida pela recorrente à tributação foi de apenas R$2.754.763,66, no ano calendário de 2008, e nenhum valor no ano calendário de 2009. Ademais, tal montante, utilizado como ponto de partida para a recomposição da receita bruta conhecida, foi acrescido do valor dos depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pela recorrente, com base na presunção de omissão de receita prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. A autoridade fiscal realizou apenas o lançamento dos depósitos sem origem comprovada que excederam, a cada mês, os valores registrados nos livros de registro de saídas (fls. 2.6802681). A relação com as movimentações financeiras individualizadas consta da intimação de fls. 1.1691209. Assim, a receita foi recomposta pela soma dos valores levantados (i) no demonstrativo de fl. 2.677, que relaciona os valores das receitas lançadas no livro de registro de saídas; e (ii) nas planilhas de fls. 26782679, que descrevem os depósitos bancários cuja origem não foi comprovada. Caracterizada a omissão de receita, para fins de IRPJ, a fiscalização realizou ainda o lançamento de oficio dos tributos reflexos, CSLL, PIS e COFINS. O lançamento de ofício descontou da base arbitrada os valores dos débitos declarados pela recorrente nas DCTF de 2008 e 2009. Fl. 2997DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10882.720091/201300 Resolução nº 1103000.154 S1C1T3 Fl. 2.998 3 Por fim, a fiscalização entendeu pela ocorrência das “infrações fiscais” de sonegação e fraude, evidenciada pela significativa diferença entre os valores informados pela empresa na DIPJ e os valores constantes dos livros de registro de saída e livros de apuração do ICMS da recorrente. Extraise do TVF (fl. 2.684) que a existência de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada mesmo após intimação reforçou a convicção da autoridade fiscal pela aplicabilidade de multa qualificada e lavratura de representação fiscal para fins penais, autuada sob nº. 10882.720090/201357. Com fundamento no artigo 135, inciso III, do CTN, os sócios Sidnei Contessoto e Edson Lopes Pereira foram considerados responsáveis solidários e passaram a integrar o polo passivo (fls. 2.7722.773 e 2.7752.776). Impugnação do contribuinte (fls. 27842946) Em relação à impugnação apresentada pelo contribuinte, pertinente transcrever a síntese dos argumentos relatados no acórdão proferido pela DRJ (fls. 2.9572.966): Intimada da imposição tributária a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2784/2798 com alegação preliminar de que em razão da crise internacional deflagrada em 2008 fora obrigada a tomar empréstimos para cobrir investimentos o que levou a impugnante a utilizar vários bancos como fonte de recursos para pagar outros bancos. No mérito, argüiu que: diversos valores relacionados na planilha referemse a liberação vinculada, que consistem em empréstimos liberados na conta do cliente pelo banco; seu contador não incluiu a movimentação financeira dos bancos Real, Daycivak (sic) e Unibanco; ocorreu abuso de direito na tributação em vista da não conclusão do procedimento administrativo de lançamento e pela exigência de apresentação de grande quantidade de documentos em prazo exíguo; a imposição tributária não observou o devido processo legal e não assegurou o exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa; a autoridade fiscal transgrediu o princípio da presunção de inocência, pois fora imposta sanção em meros indícios de prática de sonegação; o ato administrativo de lançamento não atendeu aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade e publicidade, pois carecem de motivação, pois a responsabilização tributária foi imposta sem respeito a tais preceitos constitucionais; a multa aplicada tem caráter de confisco. Fl. 2998DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10882.720091/201300 Resolução nº 1103000.154 S1C1T3 Fl. 2.999 4 Alegou que tem direito a anistia, relativamente à multa moratória e aos juros. Ao final propugnou pelo cancelamento integral do auto de infração ou, se houver diverso entendimento, seja a base de cálculo realizada em termos justos, pois foram considerados valores decorrentes de empréstimos. Pleiteou seja o valor da multa reduzido à metade e, caso não seja este o entendimento, sejam anistiados os juros e multas moratórias. Por fim, requereu que todas notificações e intimações sejam feitas em nome da advogada Dra. Ana Paula Silveira de Labetta, OAB/SP 174.839, com endereço na Rua James Watt, 142, conj. 161, Brooklin, São Paulo, SP. Ademais, cabe salientar que o contribuinte juntou aos autos um “dossiê”, com o objetivo de comprovar que as movimentações financeiras em suas contas correntes justificam se pela contratação de empréstimos perante instituições financeiras (fls. 28072844). O referido dossiê consiste em um relatório emitido por uma empresa de contabilidade. O documento demonstra uma conciliação de movimentação financeira do contribuinte, por amostragem, com base nos extratos bancários da c/c nº 7.0689804, do Banco Real, referentes ao mês de janeiro de 2008. Os responsáveis tributários, Sidnei Contessoto e Edson Lopez Pereira, incluídos no polo passivo do presente processo administrativo com fundamento no inciso III, do art. 135, do CTN, não apresentaram impugnação aos autos de infração. Decisão da DRJ (fls. 2.9572.966) A Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto SP (“DRJ”) conheceu da impugnação apresentada pelo contribuinte, afastando integralmente os argumentos suscitados, nos seguintes termos: Da intimação à representante e da anistia O acórdão da DRJ rejeitou o pedido de que as intimações e notificações do presente processo administrativo fossem endereçadas à sua mandatária. Em suma, concluiu que tal procedimento implicaria alterar o domicílio tributário do contribuinte. Considerando que não há cláusula no mandato concedido à representante da contribuinte prevendo a prerrogativa de alteração do domicílio tributário, determinou a DRJ que as intimações continuem a serem feitas no domicílio tributário do contribuinte. Em relação ao pedido de anistia da multa de ofício suscitada pela recorrente, foi improvido o pedido do contribuinte pela ausência de lei específica que autorizasse a anistia no âmbito do processo administrativo fiscal. A decisão fundamenta que a redução da multa somente poderia ser aplicada em caso de pagamento, compensação ou parcelamento. Restou registrado que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória. Não sendo facultado à autoridade administrativa “perdoar infrações ou deixar de aplicar sanção Fl. 2999DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10882.720091/201300 Resolução nº 1103000.154 S1C1T3 Fl. 3.000 5 correspondente em face de que seus atos, como descrito anteriormente, são vinculados, sob pena de responsabilidade funcional”. Da ausência de motivação, do cerceamento de defesa e do devido processo legal Sobre a alegação de nulidade dos autos de infração por ofensa aos os princípios da motivação dos atos administrativos, da supremacia da constituição, da máxima efetividade ou eficácia, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, concluiu a DRJ que os autos de infração estão devidamente fundamentados e que, apesar da natureza inquisitória do processo de fiscalização, foi dada oportunidade ao contribuinte para prestar informações sobre os fatos que motivaram o lançamento de ofício. Da omissão de receitas Em relação à parte do lançamento que tratou da omissão de receita decorrente da análise das movimentações financeiras do contribuinte, a DRJ destacou que foi presumida a omissão de receita em razão de que, apesar de intimada, a ora recorrente não justificou a origem de diversos créditos em suas contas correntes. Nesse aspecto, assevera tratarse de lançamento tributário amparado em hipótese de presunção legal relativa, em que há a inversão do ônus da prova, isto é, cabe ao contribuinte provar a origem dos depósitos em suas contas correntes, nos termos do artigo 42 da Lei nº. 9.430/96. Portanto, aduz que, ao fazer uso de uma presunção legalmente estabelecida, o Fisco estaria dispensado de provar no caso concreto a omissão de rendimentos. Assim, concluiu que “(s)e, conforme alegou a contribuinte, existem valores que não deveriam ter sido lançados por não se caracterizarem créditos efetivos, deveria apresentar instrução probatória suficiente para elidir a presunção”. Dessa forma, entendeu a DRJ que a mera alegação de que os depósitos bancários eram justificados por empréstimos não afasta a presunção legal, uma vez que o contribuinte não comprovou o alegado por meio de documentos hábeis. Nesse aspecto, a decisão recorrida entendeu que, ao pretender provar as suas alegações apenas com a anexação de extratos, a recorrente “procura transferir à administração tributária a responsabilidade que a ela compete, de afastar a presunção”. No que tange à parte do lançamento tributário que trata das omissões de receitas apuradas em razão de o contribuinte ter declarado em um dos períodos apenas 10% da receita contabilizada e noutro ter apresentado declaração como se não tivesse tido movimento, a DRJ consignou que o contribuinte “não apresentou qualquer contraponto de mérito”, não havendo, assim, motivação para afastar o lançamento de ofício motivado por tais diferenças. Da multa qualificada A decisão da DRJ manteve a majoração da multa de ofício, de 75% para 150%, por entender que o agravamento da multa está atrelado à figura jurídica do dolo. Segundo a decisão recorrida, entendeuse que o conceito de dolo, para fins de tipificação do delito em apreço, reside na vontade do agente em atingir o ilícito ou por conduta em que o agente assume o risco de enquadramento no tipo penal. Fl. 3000DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10882.720091/201300 Resolução nº 1103000.154 S1C1T3 Fl. 3.001 6 Nesse sentido, a DRJ concluiu que “o dolo é animus, vontade de querer o resultado ou assumir o risco de produzilo”. No caso analisado, a DRJ entendeu que a referida figura dolosa foi materializada “pela ausência de registro contábil da movimentação bancária e da declaração de receita significativamente inferior àquela contabilizada, em um dos períodos, e absoluta sonegação em outro período, materializando a figura típica da qual se valeu a fiscalização para qualificar a multa imposta”. Divergiu em voto vencido o eminente julgador José de Almeida Martins sobre a aplicação da multa qualificada. Dos tributos reflexos Com fundamento no exposto acima, a DRJ manteve integralmente também os lançamentos relativos à CSLL, PIS e COFINS por constituírem reflexos da exigência relativa ao IRPJ, inclusive em relação à multa de ofício qualificada e aos juros de mora. Da responsabilidade tributária dos sócios A alegação do contribuinte de que a fiscalização não observou o devido processo legal ao incluir os sócios da empresa no polo passivo foi afastada, em vista do fato que ambos foram “cientificados de todo o procedimento fiscal, receberam cópias dos autos de infração e por fim foram intimados a se manifestar a respeito”. Das alegações de inconstitucionalidades Por fim, as alegações de inconstitucionalidades suscitadas na impugnação não foram analisadas pela decisão recorrida. Entende a DRJ que não compete às instâncias administrativas analisar a constitucionalidade das leis e normas administrativas. Do Recurso Voluntário (fls. 29702992) O recurso voluntário apresentado pela recorrente reproduziu os argumentos apresentados na impugnação. Reiterou, novamente, erro no arbitramento de seu lucro pela não exclusão de movimentações financeiras, da planilha de depósitos bancários sem origem comprovada pela recorrente (fls. 26782679), de transações semelhantes às que teriam sido reconhecidas como originadas de operações de empréstimos pela autoridade fiscal. Para comprovar o alegado, informa que “segue em anexo dossiêdetalhado, apontando divergências nos valores apurados e os efetivamente recebidos, destacando as transações bancárias que não ensejam lucro à empresa”. Na verdade, tratase do “dossiê” que instruiu a impugnação, sendo que nenhuma documentação nova foi juntada aos autos quando da interposição do recurso voluntário. Por fim, o recurso destaca o voto divergente do julgador da DRJ, José de Almeida Martins, sobre a não aplicação da multa qualificada ao caso. É o relatório. Fl. 3001DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10882.720091/201300 Resolução nº 1103000.154 S1C1T3 Fl. 3.002 7 VOTO Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos Conforme relatado, os responsáveis tributários, Sidnei Contessoto e Edson Lopez Pereira, não impugnaram o auto de infração, tendo sido a sua exclusão do polo passivo pleiteada pela recorrente (Cobreplast). Às fls. 2965, a DRJ consignou que os responsáveis tributários “foram devidamente cientificados de todos o procedimento fiscal, receberam cópias dos autos de infração e por fim foram intimados a se manifestar a respeito”. Ao compulsar os presentes autos, porém, notase que o aviso de recebimento relativo à notificação enviada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Osasco para cientificar o responsável Edson Lopez Pereira da lavratura dos Autos de Infração foi devolvido com a informação “falecido” (fls. 2777). Subsiste, portanto, dúvida quanto à regular intimação do responsável tributário, o que poderia inquinar de nulidade este processo administrativo. Pelo exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem da Receita Federal do Brasil: a) informe se o responsável tributário Edson Lopez Pereira (ou seus sucessores) foi cientificado da lavratura dos Autos de Infração; e b) cientifique a contribuinte e os responsáveis tributários para apresentar manifestação limitada ao resultado da diligência, no prazo legal de 30 (trinta) dias, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11, findo o qual os autos devem ser devolvidos ao CARF para julgamento. Sala das Sessões, em 23 de setembro de 2014. (assinado digitalmente) Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos Relator Fl. 3002DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 11516.006371/2008-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2004 a 30/06/2005
NULIDADE. VÍCIO FORMAL. ERRO NA INDICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. O sujeito passivo das contribuições previdenciárias à cargo da empresa é aquele que usufrui do serviço ou trabalho realizado. De acordo com o entendimento deste Conselho, o erro na indicação do sujeito passivo é vício formal que anula o auto.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.905
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes (presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMÕES
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NULIDADE. ERRO NA INDICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL DE SANTA CATARINA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2004 a 30/06/2005 NULIDADE. VÍCIO FORMAL. ERRO NA INDICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. O sujeito passivo das contribuições previdenciárias à cargo da empresa é aquele que usufrui do serviço ou trabalho realizado. De acordo com o entendimento deste Conselho, o erro na indicação do sujeito passivo é vício formal que anula o auto. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes (presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 63 71 /2 00 8- 77 Fl. 1887DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de auto de infração referente às contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais. Nos termos do relatório fiscal: 1) O fato gerador da contribuição previdenciária é a prestação de serviços remunerados por advogados, na condição de contribuintes individuais, quando do exercício da advocacia dativa instituída pela Lei Complementar Estadual n° 155/1997; 2) O regime e a forma de remuneração dos advogados dativos foram estabelecidos pela LC 155/97, segundo a qual os recursos destinados aos pagamentos pela prestação de serviços pelos advogados são repassados pelo Estado de Santa Catarina à OABSC, em conta bancária específica, a qual deve prestar contas trimestralmente ao Estado; 3) Informa também que a definição do fato gerador está contida no art. 65 na IN SRP n° 03/2005 e que o fato gerador com relação à empresa ocorre quando esta contrata e remunera o contribuinte individual a seu serviço; 4) Pela prestação dos serviços, a OABSC é remunerada no montante de 10% do valor recebido do Estado de Santa Catarina, que lhe são pagos a título de indenização pelas despesas decorrentes da execução da Lei Complementar; 5) Além de elaborar a lista dos advogados que exercerão a Advocacia Dativa, remunerálos pelo serviço prestado, é também de competência da OABSC o controle, a fiscalização, a organização e o credenciamento dos profissionais que exercerão a atividade de advocacia dativa nos termos do art. 19 da LC 155/97; 6) Sendo a OABSC responsável por toda a organização da Defensoria Dativa em Santa Catarina, elaborando as listas dos advogados, controlando e fiscalizando o desempenho destes profissionais, descredenciandoos, se for o caso, e efetuando o pagamento aos mesmos, preenche a mesma a condição de empregadora, nos termos do art. 15 da Lei n° 8.212/91. Intimada da autuação, a OABSC apresentou impugnação que fora apreciada pela DRJ com divergência de voto e conclusão pela nulidade do auto de infração por voto vencedor com os seguintes fundamentos: 1) A Lei n° 8.212/91, em seu art. 22, III c/c o art. 65, III, a e 66, I, b, da Instrução Normativa SRP n° 3/2005 estabelecem requisito para a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, qual seja a Fl. 1888DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.006371/200877 Acórdão n.º 2402003.905 S2C4T2 Fl. 1.069 3 existência de remuneração paga ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado que preste serviços à empresa; 2) Quanto ao primeiro requisito – pagamento aos contribuintes individuais – restou comprovado nos autos, por meio de recibos e cópias de cheques (fls. 252/334), bem como da listagem de pagamentos de advogados dativos fornecida pela própria OABSC; 3) Quanto à prestação de serviços, entretanto, em que pese a conclusão da autoridade lançadora, entendese que não houve prestação de serviços por parte dos segurados (advogados dativos) à OABSC, uma vez que esta apenas efetua o repasse dos honorários fixados judicialmente, não figurando empregadora; 4) O Estado de Santa Catarina, para não se furtar de cumprir com seu dever constitucional e inexistindo um órgão de defensoria pública vinculado ao Poder Executivo, transferiu à OABSC a administração do serviço de defensoria dativa. Assim, quem presta serviços à população hipossuficiente é o Estado de Santa Catarina, que o faz por meio dos defensores dativos nomeados pelo juiz como responsável pela demanda; 5) A Lei Complementar Estadual n° 155/07 também deixa claro que quem decide se a parte é ou não hipossuficiente e lhe nomeia um advogado é o juiz, não interferindo a OABSC nessa indicação. Além disso, a OABSC sequer fixa a remuneração, ficando isto a cargo do juiz; 6) Assim, embora possa a OABSC fiscalizar o desempenho, não faz nenhum tipo de intervenção no serviço de defensoria dativa prestado pelo advogado; 7) De acordo com a legislação complementar, também, é o Estado de Santa Catarina quem remunera os advogados nomeados pelo juiz e o fato de a OABSC ser emitente de recibos de pagamento não significa que seja a contratante; 8) Não se pode ouvidar que a fiscalização se deparou com situação de inadimplência de contribuições previdenciárias, já que os segurados em relação aos quais procedeu o lançamento não estão amparados, pelo menos no que tange aos seus serviços como defensor público, ao RGPS. Entretanto, não cabe responsabilizar a OABSC por tais contribuições, devendose lançar a obrigação tributária em face do contribuinte, qual seja, aquele para o qual o advogado presta serviço de defensor dativo; 9) Não é também hipótese de substituição, uma vez que não há previsão legal nesse sentido; 10) Demonstrada a existência do fato gerador, concluise que houve erro na constituição do crédito, uma vez que foi atribuído ao sujeito passivo que não deveria sêlo, porquanto verificado erro que macula o lançamento por nulidade de vício formal. Fl. 1889DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Tratandose de nulidade reconhecida e, portanto, resultado contrário à Administração Pública, houve recurso de ofício, nos termos do art. 366, I, §§ 2° e 3° do RPS e art. 25, II, do Decreto n° 70.235/72 c/c a Portaria MF n° 3/2008. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do Recurso de Ofício. É o relatório. Fl. 1890DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.006371/200877 Acórdão n.º 2402003.905 S2C4T2 Fl. 1.070 5 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões Relator Preliminarmente Inicialmente, o recurso voluntário atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, portanto dele conheço. No Mérito Tratase de auto de infração lavrado em face da Ordem dos Advogados do Brasil de Santa Catarina por entender a fiscalização que o exercício da advocacia dativa nos moldes previstos pela Lei Complementar Estadual n° 155/97 configura hipótese de incidência das contribuições previdenciárias e, ainda, que seria a OABSC a contratante destes serviços. Reconhecida a nulidade da autuação em razão do apontamento equivocado do sujeito passivo da obrigação tributária, recorreuse de ofício. Passase, portanto, a análise da questão. A Lei n° 8.212/91, ao dispor sobre a hipótese de incidência da contribuição previdenciária prevê: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; Em complemento, a IN SRP n° 03/2005, ao tratar dos fatos geradores das contribuições prevê, em seus artigos 65 e 66, que: Art. 65. Constitui fato gerador da obrigação previdenciária principal: (...) III – em relação à empresa ou equiparado à empresa a) A prestação de serviços remunerados pelos segurados empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual e cooperado intermediado por cooperativa de trabalho; (...) Fl. 1891DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Art. 66. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador da obrigação previdenciária principal e existentes seus efeitos: I – em relação ao segurado: (...) b) contribuinte individual, no mês em que lhe for paga ou creditada remuneração; (...) Dos dispositivos supra transcritos, extraise entendimento de que são dois os requisitos essenciais à incidência da contribuição previdenciária: i) o pagamento de remuneração ao segurado contribuinte individual e ii) que se constitua a prestação de serviços à empresa a ser apontada como sujeito passivo da obrigação. No caso em tela, a autoridade fiscal entendeu que, por ser a OABSC a pessoa competente para fiscalizar, emitir recibos de pagamento e credenciar os advogados passíveis de indicação para exercício da advocacia dativa no Estado de Santa Catarina, seria esta contratante da prestação dos serviços advocatícios e, por isso, responsável pelo recolhimento da contribuição prevista no art. 22, III, da Lei n° 8.212/91. A questão merece análise, todavia, sob outros aspectos. A lei ao prever a hipótese de incidência da contribuição previdenciária estabelece a necessidade de prestação de serviços à empresa para que esta seja sujeito passivo da obrigação tributária. No caso em questão, a advocacia dativa, nos termos da Lei Complementar Estadual que rege a matéria, é exercida em favor dos cidadãos hipossuficientes. Ora, a circunstância é clara: comparandose à contratação de um advogado por quem dele precise, temse que o prestador do serviço – advogado – recebe seus honorários daquele que o contratou e efetivamente àquele que deles necessite. O fato de a OABSC emitir comprovantes de pagamento e fiscalizar os serviços dos advogados a ela credenciados, por si só não é suficiente a atribuíla a qualidade de contratante do serviço. O Estado de Santa Catarina, no exercício de seu dever estabelecido constitucionalmente de fornecer a advocacia dativa àqueles que não possuem condições de arcar com serviços advocatícios, concedeu à OABSC a prerrogativa de selecionar os advogados a exercerem tal atividade, fiscalizar os serviços prestados e realizar o pagamento dos honorários a estes na forma estabelecida pelo próprio Estado. A Lei Complementar Estadual n° 155/97, ao tratar da forma de remuneração destes advogados, prevê: Art.4º Para os fins da remuneração de que trata esta Lei, o Poder Executivo consignará, anualmente, no orçamento estadual, dotação específica para atender os encargos decorrentes, tomandose por base as despesas efetuadas no exercício anterior. §1º Caso a designação orçamentária não venha a ser suficiente, o Poder Executivo suplementará a quantia necessária para o adimplemento das despesas, mediante prévia aprovação da Assembléia Legislativa do Estado. Fl. 1892DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.006371/200877 Acórdão n.º 2402003.905 S2C4T2 Fl. 1.071 7 §2º Aprovada a matéria pelo Poder Legislativo, fica o Poder Executivo obrigado ao repasse dos valores suplementados. §3º A liberação dos repasses à OAB/SC será feita pela Secretaria de Estado da Fazenda em duodécimos, devendo a entidade dos advogados prestar contas, trimestralmente. §4º Os repasses posteriores ao trimestre ficarão condicionados à prestação de contas pela OAB/SC à Secretaria de Estado da Fazenda, que após análise e aprovação, encaminhará o processo ao Tribunal de Contas do Estado. §5º Os recursos financeiros serão depositados no Banco do Estado de Santa Catarina S/A, em conta específica, vinculada à OAB/SC, vedada a transferência para outra conta ou outro estabelecimento bancário. Assim, ao realizar o pagamento dos honorários advocatícios a estes profissionais a OABSC, em verdade, está repassando os valores fornecidos pelo Estado de Santa Catarina para tal fim. Ainda mais. Para que seja o advogado dativo provocado, é feita avaliação da necessidade daquele que precisa de seus serviços, bem como indicação do mesmo. O responsável por tal avaliação e indicação é o próprio Estado de Santa Catarina através da figura do juiz da causa. Ora, se é o Estado quem nomeia o advogado dativo e paga pelos serviços e se é o cidadão hipossuficiente que usufrui dos serviços prestados, não há que se falar em obrigação tributária a ser imposta à Ordem dos Advogados, vez que esta se limita a credenciar os prestadores de serviços (e o faz em razão de sua especialidade e competência para tal) e realizar o repasse dos honorários que, conforme a própria LC Estadual, são custeados pelo Estado. Sendo assim, descabida a autuação. Necessário, entretanto, verificar se o erro de apontamento do sujeito passivo na autuação é causa de nulidade ou cancelamento do Auto, questão objeto de divergência no julgamento perante a DRJ. A Lei de Processo Administrativo Fiscal, em seu art. 10, ao tratar dos requisitos Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; Fl. 1893DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O desatendimento aos requisitos previstos no dispositivo acima gera vícios no auto de infração que, em algumas hipóteses, não comportam correção. A ausência de qualificação ou a qualificação equivocada do autuado é hipótese de vício insanável e, de acordo com a jurisprudência deste Conselho Administrativo, deve resultar em nulidade por vício material: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2009 a 31/05/2009 LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. O erro na identificação do sujeito passivo caracteriza vício substancial, material, uma nulidade absoluta. (CARF, 3ª Turma, 4ª Câmara, Rel. Carlos Alberto Mees Stringari, sessão de 15/08/2013) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2004, 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO. EXTINÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. RESPONSABILIDADE DA INCORPORADORA. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE. Sendo a sociedade incorporadora a responsável pelos tributos devidos pela incorporada até a data da sucessão, declarase, por erro na identificação do sujeito passivo, a nulidade dos autos de infração formalizados em face da pessoa jurídica incorporada, já extinta quando da lavratura, tendo a fiscalização conhecimento de tal fato no curso do procedimento fiscal. Recurso de ofício negado. (CARF, 3ª Turma, 1ª Câmara, Rel. Eduardo Martins Neiva Monteiro, sessão de 07/03/2013) Em complemento, a Receita Federal do Brasil, na Solução de Consulta Interna COSIT n° 8, datada de 8 de março de 2013, ao tratar do erro no apontamento do sujeito passivo, assim dispõe: (...) Falta analisar a situação em que o erro na identificação do sujeito passivo é um vício material. Se o vício formal decorre do erro de fato, o material decorre do erro de direito. No conceito de Paulo de Barros de Carvalho: Já o erro de direito é também um problema de ordem semântica, mas envolvendo enunciados de normas jurídicas diferentes, caracterizandose como um descompasso de feição externa, internormativa. (...) Fl. 1894DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.006371/200877 Acórdão n.º 2402003.905 S2C4T2 Fl. 1.072 9 Quer os elementos do fato jurídico tributário, no antecedente, quer os elementos da relação obrigacional, no consequente, quer ambos, podem, perfeitamente, estar em desalinho com os enunciados da hipótese ou da conseqüência da regramatriz do tributo, acrescendose, naturalmente, a possibilidade de inadequação com outras normas gerais e abstratas, que não a regrapadrão de incidência. (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 22ª ed. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 486). 10.1. No erro de direito há incorreção no cotejo entre a norma tributária (hipótese de incidência) com o fato jurídico tributário em um dos elementos do consequente da regramatriz de incidência, qual seja, o pessoal. Há erro no atonorma. É vício material e, portanto, impossível de ser convalidado. 10.2. Desse modo, o erro na interpretação da regramatriz de incidência no que concerne ao sujeito passivo da obrigação tributária (o que inclui tanto o contribuinte como o responsável tributário) gera um lançamento nulo por vício material, não se aplicando a regra especial de contagem do prazo decadencial do art. 173, II, do CTN. Conclusão Por todo o supra exposto, conheço do recurso e a ele nego provimento, nos termos da fundamentação. É como voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 1895DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10925.905461/2009-49
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2003
COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE ESTIMATIVAS APURADAS. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM SALDO NEGATIVO APURADO. ADMISSIBILIDADE.
Não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no ano-calendário correspondente àquelas estimativas.
Numero da decisão: 1803-002.418
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE ESTIMATIVAS APURADAS. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM SALDO NEGATIVO APURADO. ADMISSIBILIDADE. Não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no anocalendário correspondente àquelas estimativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 54 61 /2 00 9- 49 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.905461/200949 Acórdão n.º 1803002.418 S1TE03 Fl. 88 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.905461/200949 Acórdão n.º 1803002.418 S1TE03 Fl. 89 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido: Por meio do Despacho Decisório eletrônico que consta do presente processo, a autoridade competente não homologou a compensação pretendida pela Contribuinte acima identificada, formalizada por meio de Declaração de Compensação (DComp), na qual foi indicado, como crédito do tipo “Pagamento Indevido ou a Maior”, um documento de arrecadação (DARF) com código de receita referente a estimativa mensal. De acordo com o referido Despacho, inexiste direito creditório em razão de o pagamento indicado na DComp encontrarse integralmente utilizado na quitação de débito declarado pela Contribuinte, com idênticas características. Irresignada, a Contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade, na qual informa que apresentou a respectiva DComp indicando, como crédito, o tipo “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR, quando o correto seria informar o tipo de compensação de SALDO NEGATIVO”. Por outro lado, no restante de sua petição, a Contribuinte dá a entender que detém o direito creditório, em razão de não existir o débito ao qual se vincula o Darf indicado na DComp. Inclusive, em demonstrativo elaborado para fundamentar a existência de seu direito, referindose ao débito de estimativa vinculado ao Darf, a Contribuinte indica o seguinte: “Valor DEVIDO a ser Retificado na DCTF: R$ 0,00”. 2. A decisão da instância a quo foi assim fundamentada: A manifestação de inconformidade é tempestiva e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual podese dela conhecer. Conforme relatado, a declaração de compensação sob exame não foi homologada, em razão da inexistência do direito creditório pleiteado pela Contribuinte. De acordo com o que restou esclarecido, o pagamento indicado como crédito referese a estimativa mensal, e encontrase integralmente utilizado na extinção de débito com idênticas características. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Contribuinte primeiro informa que apresentou a respectiva DComp, indicando, como crédito, o tipo “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR, quando o correto seria informar o tipo de compensação de SALDO NEGATIVO”. Depois, defende que possui o direito creditório, em razão de não existir o débito de estimativa ao qual se vincula o Darf indicado na DComp. Inclusive, em demonstrativo elaborado para fundamentar a existência de seu direito, referindose ao débito de estimativa vinculado ao Darf, a Contribuinte indica o seguinte: “Valor DEVIDO a ser Retificado na DCTF: R$ 0,00”. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.905461/200949 Acórdão n.º 1803002.418 S1TE03 Fl. 90 4 Neste momento, há que se registrar que a autoridade competente da DRF de jurisdição sobre o domicílio fiscal da Contribuinte não se manifestou em relação ao saldo negativo que teria sido apurado no respectivo anocalendário. Em outras palavras, o saldo negativo apurado pela Contribuinte não constitui o objeto do presente litígio. Na verdade, o cerne do litígio é outro. Ao que tudo indica, a Contribuinte apurou saldo negativo no anocalendário em referência e, ao invés de utilizálo como crédito em compensação, conforme lhe é facultado, levou à DComp sob análise um pagamento a título de estimativa, devidamente declarada em DCTF, que teria contribuído para formar o referido saldo negativo. Muito embora possa ter contribuído com a formação do saldo negativo, a estimativa mensal apurada, conforme disposição legal, não constitui pagamento indevido ou maior que o devido, de modo que não pode ser utilizada como crédito em compensação pleiteada em face da Fazenda Nacional. Sabese que a obrigação de recolher estimativas mensais integra a sistemática legalmente prevista para a apuração do IRPJ e da CSLL, segundo as regras de Lucro Real na periodicidade anual. Segundo essa sistemática, ao longo do anocalendário, a pessoa jurídica se obriga a mensalmente antecipar o valor do tributo que somente será conhecido em definitivo no final do período, em 31 de dezembro, quando então se considera ocorrido o fato gerador. Encerrado o anocalendário, a pessoa jurídica deve apurar o tributo devido e, para encontrar o valor do saldo a pagar, ou do saldo negativo a restituir, do valor do tributo devido pode deduzir os valores recolhidos antecipadamente, a título de estimativa. Portanto, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, é este valor que pode ser utilizado como crédito em compensação, e não as antecipações regularmente apuradas que o compuseram, efetuadas ao longo do ano. Ademais, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, não há que se providenciar uma retificação da DCTF para zerar o débito a título de estimativa e, consequentemente, “liberar” o Darf ao qual estiver vinculado, como parece ser o entendimento da Contribuinte. Em verdade, tendo sido regularmente apuradas, as estimativas mensais são devidas, ainda que ao final do ano se descubra a formação de um saldo negativo. Nesse caso, a retificação da DCTF pretendida pela Contribuinte, se efetuada, não encontraria respaldo legal. De se reiterar que, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, este, sim, pode ser objeto de compensação, conforme estabelece a vigente Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 20121: Art. 4º Os saldos negativos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição, nas seguintes hipóteses: I – de apuração anual, a partir do mês de janeiro do anocalendário subsequente ao do encerramento do período de apuração; [...] 1 Disposições semelhantes já eram encontradas na Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, na Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004, na Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, e na Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.905461/200949 Acórdão n.º 1803002.418 S1TE03 Fl. 91 5 Art. 41. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 56 a 60, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à RFB do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo VII, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. § 2º A compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. [...] Portanto, como na DComp sob exame a Contribuinte não utilizou direito creditório passível de compensação, mostrase correta a conclusão do Despacho Decisório atacado, razão pela qual não há como reformálo. Ante o exposto, é de se considerar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Interessada. 3. Devidamente cientificada da referida decisão, a tempo, apresenta a interessada Recurso Voluntário, nele argumentando, em síntese: a) que o débito de estimativa, objeto de compensação não homologada, deverá ser considerado na formação do saldo negativo; b) que o entendimento da Receita Federal – de glosar o saldo negativo quando este for composto por estimativas quitadas por compensação não homologada – implica dupla cobrança do mesmo crédito tributário; c) que o contribuinte terminaria pagando duas vezes o mesmo débito; mediante a redução do saldo negativo e pela via da execução fiscal (cobrança do débito de estimativa objeto da compensação não homologada); d) que, no mérito, existindo, sim, saldo negativo a ser compensado, o contribuinte não pode ser penalizado com a dupla cobrança, pelo fiscal, de um tributo já declarado e compensado por erro de fato do mesmo, declarado em PER/DComp incorreta, sem a possibilidade de retificar a mesma e demonstrar os créditos oriundos formados para a efetivação da compensação do débito compensado; e e) que a dupla cobrança ocorrerá, se o contribuinte tiver de pagar novamente o débito compensado não homologado na PER/DComp, aplicandose a decadência do crédito de saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL. Em mesa para julgamento. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.905461/200949 Acórdão n.º 1803002.418 S1TE03 Fl. 92 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Concordase inteiramente com a decisão recorrida, quando esta afirma que (destaque do original): Muito embora possa ter contribuído com a formação do saldo negativo, a estimativa mensal apurada, conforme disposição legal, não constitui pagamento indevido ou maior que o devido, de modo que não pode ser utilizada como crédito em compensação pleiteada em face da Fazenda Nacional. [...]. Portanto, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, é este valor que pode ser utilizado como crédito em compensação, e não as antecipações regularmente apuradas que o compuseram, efetuadas ao longo do ano. [...]. De se reiterar que, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, este, sim, pode ser objeto de compensação, conforme estabelece a vigente Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012: [...]. 5. É que não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no ano calendário correspondente àquelas estimativas. 6. Como decorrência, cabe à repartição de origem reexaminar a compensação requerida, devendo, para tanto, considerar, como direito creditório pleiteado, o saldo negativo apurado no respectivo anocalendário. 7. Já com relação à preocupação externada pela Recorrente, em seu Recurso Voluntário, as estimativas não pagas, mas compensadas, se não homologada a respectiva compensação, serão objeto de cobrança na correspondente DComp, não cabendo a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ, conforme entendimento já externado, tanto pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), quanto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN): Solução de Consulta Interna Cosit nº 18, de 2006: Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a Fl. 92DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.905461/200949 Acórdão n.º 1803002.418 S1TE03 Fl. 93 7 glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. Parecer PGFN/CAT/nº 88, de 2014: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Opção por tributação pelo lucro real anual. Apuração mensal dos tributos por estimativa. Lei no 9.430, de 27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada pelo Fisco. Conversão das estimativas em tributo após ajuste anual. Possibilidade de cobrança. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que a repartição de origem reexamine a compensação requerida, devendo, para tanto, considerar, como direito creditório pleiteado, o saldo negativo apurado no respectivo anocalendário. Deve ser observada a eventual existência de outros processos nos quais o direito creditório a ser considerado como pleiteado corresponda ao mesmo saldo negativo. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 93DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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