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Numero do processo: 13808.001234/2002-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/1996 a 31/12/1998
PIS. LEI Nº 9.715/95. BASE DE CÁLCULO. OPERAÇÕES DE CONTA ALHEIA. AGÊNCIA DE TRANSPORTES E FRETES.
A Base de cálculo do PIS é o faturamento, em sendo faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia.
BASE DE CÁLCULO. PROVA. DIPJ. PREENCHIMENTO INCORRETO
Incapaz o contribuinte de provar o alegado quanto à adequada contabilização dos ingressos das atividades de conta alheia, tendo preenchido e declarado em DIPJ na linha de Receitas de atividades de conta própria, adequado o lançamento das contribuições sobre tais valores..
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.577
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente
(assinado digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, José Evande Carvalho Araújo, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/1996 a 31/12/1998 PIS. LEI Nº 9.715/95. BASE DE CÁLCULO. OPERAÇÕES DE CONTA ALHEIA. AGÊNCIA DE TRANSPORTES E FRETES. A Base de cálculo do PIS é o faturamento, em sendo faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. BASE DE CÁLCULO. PROVA. DIPJ. PREENCHIMENTO INCORRETO Incapaz o contribuinte de provar o alegado quanto à adequada contabilização dos ingressos das atividades de conta alheia, tendo preenchido e declarado em DIPJ na linha de Receitas de atividades de conta própria, adequado o lançamento das contribuições sobre tais valores.. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 12 34 /2 00 2- 09 Fl. 260DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 6/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13808.001234/200209 Acórdão n.º 3302001.577 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, José Evande Carvalho Araújo, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Adotase o relatório do acórdão recorrido: Tratase de impugnação à exigência fiscal formalizada no auto de infração de fls. 157/167, relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS). O feito totaliza crédito tributário no montante de R$ 738.137,25, referente ao período de março de 1996 a dezembro de 1998, incluídos principal, multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 30/04/2002. Os motivos do lançamento foram descritos no Termo de Verificação de fls. 150/151: “[...] No desenvolvimento dos trabalhos de Verificações Obrigatórias, relativos aos recolhimentos da contribuição do Programa de Integração Social 'PIS', observamos que especificamente quanto aos anos de 1996, 1997 e 1998, que o contribuinte ofereceu à tributação da respectiva Contribuição, valores referentes ao seu Faturamento (conforme demonstrativo abaixo), quantia inferior ao determinado pela legislação fiscal, cujos montantes estão definidos nos Quadros Demonstrativos do PIS, elaborados por esta fiscalização, os quais fazem parte integrante deste Termo. 2 Os montantes atribuídos como receitas declaradas pelo contribuinte estão registradas nas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica dos anos calendário supracitados, entregues e constantes dos arquivos da Secretaria da Receita Federal, cujas cópias complementam este trabalho. 3 Questionado sobre as respectivas diferenças, inicialmente o contribuinte alegou desconhecer os motivos desta aparente diferença, não oferecendo qualquer esclarecimento plausível a eliminação deste ponto, conforme documento firmado pela própria empresa. 4 Em momento posterior, na data de 19/03/2002, o contribuinte na intenção de proceder ao esclarecimento aos quesitos apurados por esta Fiscalização, apresentou documento (cópia anexa [fls. 18/22]) que entre outros esclarecimentos vinculados à operacionalização das atividades da empresa, apresenta fluxo contábil adotado no reconhecimento de seus custos e receitas. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 6/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13808.001234/200209 Acórdão n.º 3302001.577 S3C3T2 Fl. 4 3 5 O contribuinte alegou que no processo de prestação de serviços, quer seja na atividade de Importação e/ou de Exportação, concorre com diversos custos, com responsabilidade do tomador dos serviços e que estes lhes serão reembolsados em algum momento da liquidação financeira destas operações, promovendo os lançamentos destes valores a débito de uma conta de Ativo Circulante — Clientes Contas a Receber e a Crédito das contas de Fretes a Pagar e também Receitas. 6 Dos exames baseados em documentos e livros fiscais dos respectivos anos calendário sob exame, além de demonstrativos e balancetes contábeis apresentados pelo contribuinte, ficou claro que o mesmo comprometeu a eficiência técnica da conta Clientes/Contas a Receber, que sob a ótica dos princípios contábeis geralmente aceitos, nessa conta, cabe registrar tão somente os valores decorrentes de vendas a prazo de mercadorias e serviços a clientes. 7 Desta forma, ficou constatado que o contribuinte considerou apenas parte de suas receitas auferidas como base de cálculo para apuração da Contribuição, provocando uma redução drástica na referida apuração. 8 Face ao exposto, esta Fiscalização tomou como base de cálculo para lançamento, constituição e exigência do crédito tributário através da lavratura do Auto de Infração, os montantes definidos nos Quadros Demonstrativos de Apuração do PIS [fls. 154/156] que fazem parte integrante e indestacável deste Termo. Notificada da exigência em 27/05/2002, em 25/06/2002 apresentou a contribuinte a impugnação de fls. 170 a 176, pela qual contesta a exigência com base no seguinte. A despeito dos fundamentos que orientaram a autuação, afirma inicialmente que "o Auditor Fiscal houve por bem considerar como faturamento todos os gastos relativos à prestação de serviços, desconsiderando as despesas incorridas para o agenciamento de carga, que constitui o objeto social da lmpugnante". Nesse rumo, relembra que, a teor do art. 195 da Constituição Federal, da Lei Complementar n° 7/70 e do disposto na Lei n° 9.715, de 1998, a contribuição ao PIS, no período objeto do lançamento, incide sobre o faturamento, sendo vedada, nos termos do art. 110 do CTN, a utilização de conceito de faturamento que não coincida com aquele definido pelo direito privado. Historia que a generalização da emissão de faturas para qualquer tipo de venda, culminou por padronizar o entendimento de que o termo faturamento corresponde ao somatório dos valores das vendas de mercadorias e prestação de serviços à vista ou a prazo. Nesse contexto, as receitas financeiras, aquelas provenientes de investimentos em bens, numerário e crédito, bem como os valores destinados a serem repassados a terceiros jamais poderão ser incluídos no conceito de faturamento. Assim, alega que "nem todos os ingressos que ocorrem no caixa da impugnante configuram efetivamente receita por ela auferida". Transcreve em apoio à sua tese, ementa de Acórdão do Conselho de Contribuinte relativo a processo de agência de propaganda que emite entendimento no sentido de que a base de cálculo das contribuições incidentes sobre o faturamento não deve incluir os valores pagos pelo anunciante à agência de propaganda que serão repassados ao órgão de comunicação pela veiculação do anúncio. Também cita Decisão em Consulta emanada da Superintendência da 7ª Região Fiscal dirigida a agência de transportes responsável pela emissão de conhecimentos aéreos recebidos em consignação, entendendo que esta deverá considerar como base de cálculo do PIS e da Cofins, somente o valor da comissão recebida. Por fim, postula seja declarada insubsistente a autuação, entendendo ter sido demonstrada sua inconformidade ao ordenamento jurídico vigente. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 6/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13808.001234/200209 Acórdão n.º 3302001.577 S3C3T2 Fl. 5 4 Os membros da 3ª Turma de Julgamento da DRJ de origem, por unanimidade de votos, decidiram julgar procedente o lançamento. Intimada em 22/08/2006, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 02/09/2006. É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator Inicialmente, importante mencionar que às fls. 18 o contribuinte apresentou à douta fiscalização esclarecimentos acerca da sua atividade. Nesse documento afirma, litteris, que: “ A empresa com contrato social arquivado na JUCESP sob o n°819.448/75 tem como objeto social a prestação de serviços junto a importadores e exportadores no que concerne à consolidação de carga nacional e internacional, manuseio e assistência no transporte rodoviário de carga nacional e internacional, prestação de serviços de despachos aduaneiros de importação e exportação, agenciamento de outras sociedades no pais e no exterior, e representação de sociedades nacionais e estrangeiras. A Circle presta mn serviço de agenciamento de carga, todos os gastos relativos a fretes (locais e 411 internacionais) e custos associados a armazenagem, capatazia, despacho aduaneiro etc podem ser pagos pela Circle, e posteriormente, cobrados do cliente (importador/exportador). O que determina o pagamento dessas gastos é a condição "collect" (a cobrar do destino) ou "prepaid" (prépagamento na origem). Dessa forma, na hipótese do importador/exportador efetuar o pagamento de tais despesas para a Circle do pais de destino, o respectivo valor é remetido posteriormente pela Circle do pais do destino para a Circle do país de origem. Pela execução desses serviços de agenciamento,a Circle cobra de seus clientes as taxas de consolidação/desconsolidação e "collect fee" (taxa de coleta de carga). A principal receita auferida pela Sociedade, todavia, não decorre dessas taxas, mas sim da comissão sobre colocação da carga que é paga sempre pelo escritório de origem da carga embarcada. Por exemplo, um embarque de Mimai para Guanilhos, o escritório de Miami apurará o lucro do embarque e comissionará o escritório da Circle no Brasil pelo serviço. Dessa forma, quando um cliente solicita o embarque de determinada quantidade de carga, a tarifa de frete praticada considera a tabela oficial da transportadora para aquela quantidade de carga. Ocorre que, em geral, como a Circle consegue embarcar cargas de vários outros clientes a tarifa de frete praticada pela transportadora acaba sendo Fl. 263DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 6/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13808.001234/200209 Acórdão n.º 3302001.577 S3C3T2 Fl. 6 5 substancialmente reduzida pela escala, pois quanto maior a quantidade embarcada, menor é a tarifa praticada. O diferencial de volume apurado é rateado entre a Circle e a empresa que estiver intermediando a operação no exterior. Tal empresa pode ser tanto a matriz da Circle, uma outra subsidiária ou ainda agências de representação (exclusivas ou não). Após a apuração do lucro entre os escritórios envolvidos o diferencial passa a entitularse "comissões recebidas do exterior". Ressaltamos que nas operações de importação, a Circle tem por procedimento tributar o valor da taxa de desconsolidação, collect fee e comissões recebidas do exterior para fins de ISS, PIS e Cofins. Adicionalmente na prestação dos serviços de agenciamento de carga, o cliente solicita um trafego aéreo ou marítimo e a Circle oferece as diversas opções de logística. Regra geral, quem decide peta transportadora é o próprio cliente em virtude das condições de preço, agilidade da entrega entre outras coisas. Em alguns casos, todavia, pode existir liberdade de escolha delegada pela empresa contratante à Circle. Em virtude de tais considerações, a Circle é mera "transitaria de carga" não se enquadrando no conceito de comissária.” Apresentou exemplos de Documentos Fiscais e esclarecimentos acerca da contabilização de tais valores. Às fls. 151 a fiscalização questionou o contribuinte acerca das diferenças por ele declaradas em suas obrigações acessórias e a receita calculada pela mesma fiscalização, constante em uma tabela resumida. Daí conclui, litteris, que “Dos exames, baseados em documentos e livros fiscais dos respectivos anos calendários sob exame, além de demonstrativos e balancetes contábeis apresentados pelo contribuinte, ficou claro que o mesmo comprometeu a eficiência técnica da conta Clientes/Contas a Receber, que sob a ótica dos princípios de contábeis geralmente aceitos, nessa conta, cabe registrar tão somente os valores decorrentes de vendas a prazo de mercadorias e serviços a clientes”. E que “Desta forma, ficou constatado que o contribuinte considerou apenas parte de suas receitas auferidas como base de cálculo para apuração Contribuição, provocando uma redução drástica na referida apuração.” Lançoulhe o tributo, então, a partir dos valores que seriam relativamente às supostas receitas omitidas, sobre o que fora declarado pelo próprio contribuinte em DIPJ, na linha pertinente à receita bruta das atividades próprias. Intimado a esclarecer ou demonstrar quais seriam as receitas da atividade própria e as receitas repassadas a terceiros, a contribuinte apresentou suas alegações, como dito, não tendo logrado, nos autos, separar tais ingressos de acordo com a sua origem. A douta DRJ adotou como razões de decidir que a base de cálculo do tributo seria o faturamento, não se excogitando reduzirse o pretenso “faturamento” (que de restou nunca restou comprovado qual seria”, e as supostas “deduções”. Nesse sentido, entendo que à luz da legislação tributária, caberia inicialmente à autoridade fiscalizadora, mediante as intimações e verificações adequadas, buscar a verdade material, o que nos parece ocorreu. Caberia ao contribuinte também comproválo, tendo sido intimado para tanto, a quem cabe o ônus da prova nessas situações, Fl. 264DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 6/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13808.001234/200209 Acórdão n.º 3302001.577 S3C3T2 Fl. 7 6 mormente em tendo declarado em DIPJ o próprio contribuinte que tais receitas teriam uma única natureza Quanto à legislação em vigor, importante mencionar que à época vigia a Lei nº 9.715/05, que deteminava o fato gerador da contribuição ao PIS, e a Lei Complementar nº 70/91, que determinava a base de cálculo da COFINS. Dessas leis, importante mencionar a primeira, já que tratamos de auto de infração de PIS: Lei nº 9.715/95: “Art. 2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente pelas pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda com base no faturamento do mês; Art. 3° Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia Art. 18. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 12 de outubro de 1995.” Nítido da leitura dos atos constitutivos que a contribuinte opera por mandato, na forma do código civil, obviamente deveria registrar em sua contabilidade operações de conta alheia, o que aparentemente o faz. Claro está que a fiscalização deuselhe oportunidade de provar o alegado, mas a contribuinte não apresentou provas suficientes que demonstrassem tal alegação, e que descaracterizasse o fato dela mesmo ter consignado em DIPJ tais receitas como de suas próprias atividades. Logo, voto no sentido de negar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Fl. 265DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 6/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.915202/2009-51
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 14 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3802-000.353
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado, Flávio Machado Vilhena Dias. OAB/MG 99.110.
RELATÓRIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado, Flávio Machado Vilhena Dias. OAB/MG 99.110. RELATÓRIO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado, Flávio Machado Vilhena Dias. OAB/MG 99.110. RELATÓRIO O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 15 20 2/ 20 09 -5 1 Fl. 853DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.915202/200951 Resolução nº 3802000.353 S3TE02 Fl. 854 2 A interessada entregou via Internet a Declaração de Compensação nº 07215.21100.130808.1.7.045657 de fls. 72 a 77, na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins – Lançamento de Ofício (código de receita 2960) relativo ao período de apuração indicado como ocorrido em 08/08/1980 (referente a vários fatos geradores). Pelo Despacho Decisório de fls. 39 e 71, a contribuinte foi cientificada, em 19/10/2009 (fls. 70), de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos Informados no PER/DCOMP”. Sendo que a utilização do crédito se encontrava assim discriminada: Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR)/PERDCOMP (PD)/Débitos (DB) Valor Original Utilizado 3687829978 2.753.612,21 Pr: 16327.001985/200137 1.120.446,85 Pr: 16327.002896/200299 1.633.165,36 Valor Total 2.753.612,21 Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido a interessada intimada a recolher o débito indevidamente compensado (principal de R$ 106.469,22). Irresignada, a contribuinte apresentou em 18/11/2009 a Manifestação de Inconformidade de fls. 02 a 09. Na peça de defesa, a contribuinte apresenta os seguintes argumentos: a Manifestante é Entidade Fechada de Previdência Complementar e tem como objetivo instituir e administrar plano de previdência complementar e, por conseguinte, pagar aposentadorias complementares às pagas pela Previdência Social; tendo apurado crédito decorrente de pagamento a maior de tributos federais, apresentou, como lhe é facultado pela legislação de regência, a Declaração de Compensação de Tributos Federais n° 07215.21100.130808.1.7.045657; A Manifestante efetuou depósitos judiciais a partir de 05 de abril de 2000, dos montantes que considerava devidos: Descrição Principal Descrição Principal Total Depósito PIS Depósito PIS R$ fev99 a dez00 R$ 701.303,85 jan01 a ago2001 R$ 361.270,78 1.062.574,64 Depósito COFINS Depósito COFINS R$ fev99 a dez00 R$ 3.236.786,99 jan01 a ago2001 R$ 1.239,765,87 4.476.552,89 R$ Fl. 854DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.915202/200951 Resolução nº 3802000.353 S3TE02 Fl. 855 3 Total R$ 3.938.090,84 R$ 1.601.036,65 5.539.127,53 Estes depósitos foram efetuados nos autos do processo n° 20006100010173 5, em trâmite perante a Justiça Federal de São Paulo, tendo sido convertidos em renda da União, quando da adesão da Manifestante à anistia instituída pela MP 2222/01. Pretendia com isso, a Manifestante, liquidar os débitos relacionados com o PIS e com a COFINS, deixando de recolher apenas a parcela que pretendia discutir, relativa à conta 4.1;; Porém, a Manifestante. identificou divergências entre os montantes depositados e o efetivamente devido, sendo que, posteriormente, em 29 de novembro de 2002; efetuou pagamentos a titulo de PIS e COFINS, beneficiandose da possibilidade da anistia concedida pela MP 2222/01, scomo dito acima; Ressalta a Manifestante que estes códigos não são os códigos para recolhimento de anistia da MP 2222/2001 e sim os códigos para a anistia especial para os contribuintes que possuíam discussões administrativas e desejavam manter a discussão relativamente à parte do débito e reconheciam como devido uma outra parte; A intenção da Manifestante foi a de quitar os débitos relativos ao PIS e à COFINS deixando de fora apenas os montantes relacionados com os Reembolsos (4.1), cuja discussão seria mantida, como o é até a presente data; No entanto, preocupada em atender ao prazo para adesão da anistia, a Manifestante realizou cálculos apressados à época do pagamento, que resultaram num recolhimento a maior do que o efetivamente devido; Somente posteriormente, revendo suas bases de cálculo com mais calma, identificou que o total recolhido na anistia, somado ao total que já havia sido convertido em renda da União por forca da desistência da ação n° 200061000101735, superava em muito o efetivamente devido para o período. Assim sendo, resta claro que a Manifestante é detentora dos créditos que foram utilizados para compensação a titulo de PIS de R$ 718.754,47 e de COFINS de R$ 3.196.466,99, conforme quadros abaixo: Descrição PIS Devido Depositado Recolhido Folha Total Devido 96 a dez/00 4.971.668,56 701.303,86 89.442,19 Devido jan/01 a ago/01 275.770,97 361.270,78 Total 5.247.439,53 1.062.574,64 4.814.177,17 89.442,19 718.754,47 Descrição COFINS Devido Depositado Recolhido Total Devido 96 a dez/00 3.399.825,66 3.236.787,02 Devido jan/01 a ago/01 1.272.789,08 1.239.765,87 Total 4.672.614,74 4.476.552,89 3.392.528,84 3.196.466,99 A Manifestante cometeu apenas um equivoco formal, pois quando efetuou o pagamento na GUIA referente à anistia, o fez inserindo o código errado, o que, em conseqüência, gerou a informação errada Fl. 855DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.915202/200951 Resolução nº 3802000.353 S3TE02 Fl. 856 4 na PER/DCOMP, que também constou este mesmo código errado, sendo que o crédito compensado é legitimo; mero erro material na declaração não invalida a compensação efetuada, visto que o crédito tem origem lícita, devendo ser.julgada procedente a compensação efetuada pela Manifestante, com a. conseqüente extinção do débito tributário ora imputado Uma vez demonstrada a origem dos pagamentos realizados a maior que a Manifestante pretendeu compensar, como restou comprovado acima, é claro o seu direito à restituição destas quantias, sob pena de afronta ao princípio da moralidade administrativa, tendo em vista que sua negativa configura enriquecimento ilícito por parte do Estado; os equívocos nas declarações do contribuinte não criam tributos, não podendo, uma vez comprovado o erro de fato, gerar obrigação tributária, reportandose a ensinamentos de Ives Gandra da Silva Martins e Hugo de Brito Machado; A quantia recolhida a título de tributo a maior, que não era devida, nem sequer pode ser considerada como receita do Estado, sob pena de afronta ao princípio da legalidade e da moralidade administrativa; Como mero ingresso de caixa e não verdadeira receita, não pode esta quantia a que se pretende compensar ser integrada ao patrimônio do Poder Público, o que implica no dever do Estado de restituir o indébito tributário ao seu legítimo proprietário; Tão logo apurado o recolhimento indevido, esta parcela foi compensada com outros tributos devidos, nos moldes da legislação federal, de maneira que não há razões a se negar tal compensação; vale ressaltar que se a confissão do contribuinte não estiver de acordo com a lei e com a realidade fática, nenhum valor terá para o juízo tributário. O tributo ou é devido, ou não é, se incidência não houve. Assim, se aquele que confessou o fez em virtude de erro, a confissão pode ser revogada, conforme determina o Código de Processo Civil em seu artigo 352; Considerando que o valor confessado pela Manifestante não corresponde às hipóteses de incidência tributária, a confissão de dívida e conseqüente pagamento são absolutamente irrelevantes, não gerando qualquer obrigação tributária, prevalecendo os fatos verdadeiros sobre o confessado; Demonstrado que o fato confessado não correspondia à hipótese de incidência tributária, este não era capaz de gerar a obrigação tributária tornando a confissão de dívida absolutamente irrelevante, o que possibilita, deste modo, a compensação pretendida. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/SP 1 no 1648.843, de 25/07/2013, proferida pelos membros da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I/SP, cuja ementa dispõe, verbis: Fl. 856DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.915202/200951 Resolução nº 3802000.353 S3TE02 Fl. 857 5 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Data do fato gerador: 29/11/2002 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O julgamento foi no sentido de indeferir a manifestação de inconformidade e não homologar a compensação, por falta de certeza e liquidez. Ainda insatisfeito, o contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Requer a reforma da decisão recorrida, com objetivo de homologar as compensações pleiteadas. Argumenta que é de se notar que os valores declarados não existiam de fato, uma vez que a recorrente incorreu em erro material ao preencher suas DCTF, pois incluiu na base de cálculo valores que não deveriam ser inseridos, de receitas na base de cálculo do PIS e da COFINS, cometendo apenas um equívoco formal, apesar de não ter efetuado a retificação das DCTF. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o Relatório. VOTO Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Pois bem, como é cediço, a entrega de DCTF, sem qualquer tipo de comprovação que demonstre a divergência na apuração do débito, não é suficiente para comprovar o indébito indicado. No entanto, ciente disso e visando comprovar os fatos alegados e primando pelo princípio da verdade material, a Recorrente em fase de Manifestação de Inconformidade, apresentou uma planilha para demonstração da base real apurada para os cálculos do COFINS e cópia do Balancete Analítico Consolidado, referente ao fato gerador de 29/11/2002. Agora, no texto do seu Recurso Voluntário, repisa um Demonstrativo, visando demonstrar para a Administração Tributária a “base real” do COFINS apurada pelo Fl. 857DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.915202/200951 Resolução nº 3802000.353 S3TE02 Fl. 858 6 Recorrente no referido mês, versando que tais documentos são satisfatórios para a comprovação do direito do crédito alegado nos autos, ressaltando que declarou e recolheu valor a maior de COFINS para esta competência. Neste passo, não resta dúvida de que a adoção do princípio da verdade material no processo administrativo fiscal consiste numa providência que resulta na melhor aplicação do direito e da justiça e por isso deve sempre ser perseguida. Considerando que o Recorrente argumenta que o fato que gerou o despacho denegatório foi o erro de preenchimento na DCTF, em que constou valor maior que o apurado e que não apresentou DCTF retificadora, pois de acordo com a legislação, após a expedição de despacho decisório, a lei proíbe o contribuinte de retificar a declaração. Com base nessas considerações e o contido no recurso voluntário da recorrente bem como devido às particularidades do caso concreto e antes do julgamento do mérito, com fundamento no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), voto pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, devendo os autos retornarem à DRF do domicílio tributário da recorrente, para proceder parecer sobre: a) diligenciar, com base nos dados registrados nos documentos contábeis apresentados (Balancete Analítico Consolidado, referente ao fato gerador de 29/11/2002 do COFINS, e pronunciarse sobre a veracidade dos cálculos elaborados no demonstrativo do COFINS (recurso voluntário), visto que os mesmos foram trazidos extemporaneamente pelo contribuinte e, portanto, não foram analisados pelo Fisco, com isso emitindo informação sobre a comprovação do direito creditório alegado e bem como seu respectivo valor, e b) em seguida, seja cientificada a recorrente, para, querendo, dentro do prazo fixado, manifestese sobre as conclusões exaradas no citado parecer. Após, retornemse os autos a esta 2ª Turma Especial/3ª Seção, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 858DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10880.677977/2009-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3302-000.475
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède e Antonio Mário de Abreu Pinto.
RELATÓRIO
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède e Antonio Mário de Abreu Pinto. RELATÓRIO
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Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède e Antonio Mário de Abreu Pinto. RELATÓRIO Trata o presente de declaração de compensação, relativa a crédito de outubro/2004 indeferida pela autoridade administrativa sob o fundamento de que o DARF informado como origem do crédito fora utilizado para quitação de outros débitos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 77 97 7/ 20 09 -5 1 Fl. 293DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677977/200951 Resolução nº 3302000.475 S3C3T2 Fl. 294 2 A recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando que: 1. A maior parte das receitas decorrem da prestação do serviço de transmissão de energia elétrica de acordo com contrato firmado em 13/09/1999 (CONTRATO CPST Nº 006/1999), firmado com o Operador Nacional do Sistema Elétrico ONS; 2. Estas receitas estariam sujeitas à incidência cumulativa da Lei nº 9.718/98, por decorrerem de contratos de longo prazo, a preço predeterminado e firmado anteriormente a 31/10/2003, por disposição prevista no inciso XI, alíneas "b" e "c", do art. 10 da Lei nº 10.833/2003; 3. A Nota Técnica nº 224/2006, expedida pela SFF/ANEEL, apresentou entendimento sobre o tema, concluindo que as receitas decorrentes dos Contratos de Prestação de Serviço de Trasmissão CPST, firmados anteriormente a 31/10/2003, e reajustados anualmente pelo IGPM, se sujeitam à incidência cumulativa das contribuições prevista na Lei nº 9718/98; 4. Recolheu, equivocadamente, as contribuições para o PIS e Cofins no regime nãocumulativo, não separando as sujeitas ao regime cumulativo, e, posteriormente, transmitiu várias DCOMPs para aproveitar o crédito originado do pagamento indevido; 5. Estava providenciando a retificação das DCTF e Dacons, quando foi surpreendida com a ciência dos despachos decisórios, não homologando as compensações; 6. Foi necessária a retificação dos Dacons e das DCTF, após a ciência dos despachos decisórios, para corrigir o erro de fato cometido e que as DCOMPs não foram retificadas em razão da intimação para ciência dos despachos decisórios, de acordo com a vedação constante nos artigos 77 e 95 da IN RFB nº 900/2008; 7. Os erros cometidos no preenchimento dos DARFs, DCTFs, Dacons e DCOMP não causaram prejuízo ao erário e devem ser reconhecidos pela Administração Tributária, nos termos do art. 147 do CTN e em atendimento ao princípio da verdade material; 8. Poderá disponibilizar os documentos como Diário, Razão, Faturas, Balancetes, Contratos, normas da ANEEL para realização de diligência, caso seja necessária; A Terceira Turma da DRJ/BEL em Belém proferiu decisão nos termos da ementa que abaixo transcrevese: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2004 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Em sede de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. DCTF E DACON RETIFICADORES. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677977/200951 Resolução nº 3302000.475 S3C3T2 Fl. 295 3 A DCTF e o DACON Retificadores, na condição de documentos confeccionados pelo próprio interessado, não exprimem nem materializam, por si só, o indébito fiscal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente interpôs tempestivamente recurso voluntário, alegando resumidamente que: 1. O IGPM deve ser considerado índice que reflete a variação ponderada dos custos e, portanto, enquadrado no art. 109 da Lei nº 11.196/2005; 2. Ainda que se negue a inclusão do IGPM no art. 109 da Lei n 11.196/2005, tal índice é mero reajuste do preço contratado, e não modificação deste preço, e que se o art. 109 da Lei nº 11.196/2005 estipulou que a variação dos custos não descaracteriza o preço predeterminado, com maior razão, um índice geral de correção não deveria descaracterizálo; 3. As IN SRF 468/2004 e 658/2006 consistem em flagrante ofensa ao princípio da legalidade insculpido no art. 150, inciso I da Constituição Federal; 4. O indébito decorre de erro na aplicação da alíquota; 5. Não disponibilizou toda a documentação, como Diário, Razão, Faturas, Balancetes, normas da ANEEL em razão do grande volume, vez que foram apresentadas 51 defesas administrativas; 6. Em momento algum, afirmou que a retificação do DACON e da DCTF constituem o direito creditório líquido e oponível à RFB, mas que pretendeu apenas cumprir os deveres instrumentais quanto ao erro alegado e que tais informações estão consubstanciadas em sua escrituração contábil; Cita, ainda, jurisprudência deste Conselho e do STJ e apresenta cópia do balancete, demonstrativos das receitas, indicação da conta contábil, de modo a corroborar suas alegações. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. VOTO Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A autoridade administrativa indeferiu a homologação pelo fato de o DARF apontado como origem do crédito pleiteado estava alocado a débitos em DCTF. Após a ciência do despacho, a recorrente providenciou a retificação do Dacon e da DCTF, demonstrando os valores alegados como corretos. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677977/200951 Resolução nº 3302000.475 S3C3T2 Fl. 296 4 A DRJ considerou a manifestação de inconformidade improcedente, sob os argumentos de que o contrato CPST 006/1999, apresentado pela recorrente, não era apto a demonstrar que não houve após 31/10/2003 a implementação de quaisquer das ocorrências que descaracterizassem o preço predeterminado; que a Cláusula 53 assegurava às partes a prerrogativa de solicitar a revisão das cláusulas e condições avençadas; que a competência da ANEEL não alcança a interpretação da legislação tributária; que o IGPM não constitui índice que reflete a variação dos custos de produção nem reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; que a desconstituição dos créditos confessados não se efetiva com a apresentação da DCTF e Dacon retificadores, mas com a apresentação da escrita fiscal e contábil e respectiva documentação de suporte. Por sua vez, a recorrente, em recurso voluntário, alega que o reajuste pelo IGP M não descaracteriza o preço determinado, e apresenta cópias dos balancetes e demonstrativos de forma a comprovar seu direito. Vêse que a lide se refere ao alcance da expressão "preço predeterminado", e, consequentemente, da sujeição das receitas auferidas à incidência nãocumulativa ou cumulativa das contribuições. Passase, assim, à análise dos requisitos para exclusão das receitas em questão da incidência nãocumulativa das contribuições e da definição de preço predeterminado. As receitas decorrentes de determinados contratos firmados antes de 31/10/2003 foram excluídas da incidência nãocumulativa das contribuições, a partir da vigência do inciso XI do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, aplicado ao PIS/Pasep pelo art. 15 da referida lei: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (Produção de efeito) [...]XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: a) com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; [...]Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]V no art. 10, incisos VI, IX e XI a XXI desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 296DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677977/200951 Resolução nº 3302000.475 S3C3T2 Fl. 297 5 V nos incisos VI, IX a XXV do caput e no § 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Regulamentando o dispositivo, a RFB editou a IN SRF 468/2004, que, em seu art.2º, estipulou que a implementação do primeiro reajuste ou a revisão para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro dos contratos, após 31/10/2003, descaracterizariam o preço predeterminado, nos seguintes termos: Art. 2o Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1 o Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2 o Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art. 1 o . § 3 º Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei n º 8.666, de 21 de junho de 1993, o caráter predeterminado do preço subsiste até a eventual implementação da primeira alteração nela fundada após a data mencionada no art. 1 º . Posteriormente, a Lei nº 11.196/2005, em seu art. 109, dispôs que o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos não será considerado para fins de descaracterização do preço determinado: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003. Novamente, regulamentando a matéria, a RFB editou a IN SRF nº 658/2006, revogando a IN SRF nº 468/2004 e incorporando as disposições do art. 109 acima mencionado, nos seguintes termos: Do Preço Predeterminado Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677977/200951 Resolução nº 3302000.475 S3C3T2 Fl. 298 6 § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º1, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado.(grifo não original) Art. 4º Na hipótese de pactuada, a qualquer título, a prorrogação do contrato, as receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de 2003 sujeitarseão à incidência não cumulativa das contribuições. Verificase que a Receita Federal considerou que as hipóteses de reajuste e de revisão dos contratos administrativos, destinados à manutenção do equilíbrio econômico financeiro, expressos no art. 55, inciso III, 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666/93, descaracterizariam o preço predeterminado, excetuando o reajuste não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. A revisão contratual decorre de fatos imprevisíveis, ou previsíveis, porém de conseqüências incalculáveis, retardadores ou impeditivos da execução do ajustado, ou, ainda, em caso de força maior, caso fortuito ou fato do príncipe, configurando álea econômica extraordinária e extracontratual2. Já o reajuste é cláusula necessária nos contratos administrativos3 e "objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômicos". A legislação distingue as duas figuras, como se observa na Lei nº 8.987/95, que, dispondo sobre o regime de concessão de serviços públicos, especifica em seu art. 9º, §3º4, a 1 A data é 31/10/2003. 2 Art. 65, inciso II, alínea "d" da Lei nº 8.666/93 3 Art. 55, inciso III da Lei nº 8.666/93 4 Lei 8.987/95: Art. 9o A tarifa do serviço público concedido será fixada pelo preço da proposta vencedora da licitação e preservada pelas regras de revisão previstas nesta Lei, no edital e no contrato. [..~] § 2o Os contratos poderão prever mecanismos de revisão das tarifas, a fim de manterse o equilíbrio econômicofinanceiro. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677977/200951 Resolução nº 3302000.475 S3C3T2 Fl. 299 7 possibilidade de revisão da tarifa decorrente da criação ou alteração de tributos. Já o artigo 18 da referida lei dispõe que o edital de licitação deverá prever os critérios de reajuste e revisão da tarifa, também ocorrendo a referida distinção nos artigos 23 e 29. A situação aqui tratada referese a reajuste e não a revisão contratual e se o procedimento altera o preço predeterminado. A definição desta expressão adotada pela RFB era a disposta na IN SRF nº 21/79: 3 Produção em Longo Prazo O contrato de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens e serviços a serem produzidos, com prazo de execução física superior a 12 (doze) meses, terá seu resultado apurado, em cada períodobase, segundo o progresso dessa execução: 3.1 Preço predeterminado é aquele fixado contratualmente, sujeito ou não a reajustamento, para execução global; no caso de construções, bens ou serviços divisíveis, o preço predeterminado é o fixado contratualmente para cada unidade. A instrução normativa acima foi utilizada como fundamento em diversas soluções de consulta da RFB, após a edição do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. O entendimento era pacífico neste sentido até a edição da IN SRF 468/2004. Porém a RFB editou a referida instrução, modificando o entendimento sobre a definição de preço predeterminado, sem que qualquer lei tenha sido publicada alterando tal definição. Foi meramente nova interpretação normativa que suscitou rebates por parte dos contribuintes, tendo o STJ se pronunciado sobre a ilegalidade da IN SRF 468/2004: AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.310.284 PR (2012/00355487) EMENTA TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 557 DO CPC. INEXISTÊNCIA. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. A eventual nulidade da decisão monocrática calcada no art. 557 do CPC fica superada com a reapreciação do recurso pelo órgão colegiado, na via de agravo regimental, como bem analisado no REsp 824.406/RS de Relatoria do Min. Teori Albino Zavascki, em 18.5.2006. § 3o Ressalvados os impostos sobre a renda, a criação, alteração ou extinção de quaisquer tributos ou encargos legais, após a apresentação da proposta, quando comprovado seu impacto, implicará a revisão da tarifa, para mais ou para menos, conforme o caso. [...] Art. 23. São cláusulas essenciais do contrato de concessão as relativas: [...] IV ao preço do serviço e aos critérios e procedimentos para o reajuste e a revisão das tarifas; Art. 29. Incumbe ao poder concedente: [...] V homologar reajustes e proceder à revisão das tarifas na forma desta Lei, das normas pertinentes e do contrato; Fl. 299DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677977/200951 Resolução nº 3302000.475 S3C3T2 Fl. 300 8 2. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços" e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 3. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. Precedentes: REsp 1.089.998RJ, DJe 30/11/2011; REsp 1.109.034 PR, DJe 6/5/2009; e REsp 872.169RS, Dje 13/5/2009. RECURSO ESPECIAL Nº 1.169.088 MT (2009/02357184) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. INTIMAÇÃO PESSOAL DA FAZENDA. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. NATUREZA PREVENTIVA. SÚMULA 7/STJ. ART. 10, XI, "B' DA LEI 10.833/03. CONCEITO DE PREÇO PREDETERMINADO. IN SRF 468/04. ILEGALIDADE. PRECEDENTE. ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. MULTA. AFASTAMENTO. SÚMULA 98/STJ. [...]4. O preço predeterminado em contrato, previsto no art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/03, não perde sua natureza simplesmente por conter cláusula de reajuste decorrente da correção monetária. Ilegalidade da IN n.º 468/04. Precedente. 5. A multa fixada com base no art. 538, parágrafo único, do CPC, deve ser afastada quando notório o propósito de prequestionamento dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 98/STJ. 6. Recurso especial conhecido em parte e provido também em parte. RECURSO ESPECIAL Nº 1.089.998 RJ (2008/02056082) EMENTA TRIBUTÁRIO. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Cuidase de recurso especial interposto pelo contribuinte, questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal, na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03. 2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos de prestação de serviço firmados a preço determinado antes de 31.10.2003, e com prazo superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS. (Grifo meu.) 3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a Fl. 300DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677977/200951 Resolução nº 3302000.475 S3C3T2 Fl. 301 9 implementação da primeira alteração de preços " e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. 5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu que houve ilegalidade na regulamentação da lei pela Secretaria da Receita Federal, pois "a simples aplicação da cláusula de reajuste prevista em contrato firmado anteriormente a 31.10.2003 não configura, por si só, causa de indeterminação de preço, uma vez que não muda a natureza do valor inicialmente fixado, mas tão somente repõe, com fim na preservação do equilíbrio econômico financeiro entre as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação ." (Fls. 335, grifo meu.) Mantenho o voto apresentado, no sentido de dar provimento ao recurso especial. De fato, a IN SRF nº 468/2004 extrapolou a legislação vigente ao estipular que o reajuste implicaria em descaracterização do preço predeterminado. Entretanto, o advento do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 alterou a configuração legislativa sobre a matéria. O art. 109 mencionou expressamente que "o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069/95, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado". Se a intenção da modificação era permitir que o reajuste não descaracterizasse o preço predeterminado, não foi o que restou publicado. O art. 109 faz referência à Lei 9.069/95, conversão das MPs que criaram o Plano Real, na qual estipulava que a correção monetária, em virtude de estipulação legal ou em negócio jurídico, deveria darse pelo Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr, de acordo com o art. 27 da Lei nº 9.069/95, mas ressalvadas as hipóteses de seu parágrafo primeiro: § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I às operações e contratos de que tratam o Decretolei nº 857, de 11 de setembro de 1969, e o art. 6º da Lei nº 8.880, de 27 de maio de 1994; II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; III às hipóteses tratadas em lei especial. Foi justamente sobre o inciso II do §1º que o art. 109 fez a ressalva quanto ao reajuste não descaracterizar o preço predeterminado e não sobre o IPCr. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677977/200951 Resolução nº 3302000.475 S3C3T2 Fl. 302 10 Salientase que a Lei nº 10.192/2001, conversão de MPs que se originaram da MP nº 1.503/95, extinguiu o IPCr em seu art. 8º: Art. 8o A partir de 1o de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1o Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1o de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. § 2o Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, deverá ser utilizada média de índices de preços de abrangência nacional, na forma de regulamentação a ser baixada pelo Poder Executivo. A mesma lei, em seu artigo 2º, dispôs que: Art. 1o As estipulações de pagamento de obrigações pecuniárias exeqüíveis no território nacional deverão ser feitas em Real, pelo seu valor nominal. Parágrafo único. São vedadas, sob pena de nulidade, quaisquer estipulações de: I pagamento expressas em, ou vinculadas a ouro ou moeda estrangeira, ressalvado o disposto nos arts. 2o e 3o do DecretoLei no 857, de 11 de setembro de 1969, e na parte final do art. 6o da Lei no 8.880, de 27 de maio de 1994; II reajuste ou correção monetária expressas em, ou vinculadas a unidade monetária de conta de qualquer natureza; III correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados, ressalvado o disposto no artigo seguinte. Art. 2o É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano. § 1o É nula de pleno direito qualquer estipulação de reajuste ou correção monetária de periodicidade inferior a um ano. § 2o Em caso de revisão contratual, o termo inicial do período de correção monetária ou reajuste, ou de nova revisão, será a data em que a anterior revisão tiver ocorrido. § 3o Ressalvado o disposto no § 7o do art. 28 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, e no parágrafo seguinte, são nulos de pleno direito quaisquer expedientes que, na apuração do índice de reajuste, produzam efeitos financeiros equivalentes aos de reajuste de periodicidade inferior à anual. O Decreto nº 1.544/95 estipulou que, na hipótese de não existir previsão de índice para substituir o IPCr e na falta de acordo entre as partes, deveria ser utilizada a média Fl. 302DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677977/200951 Resolução nº 3302000.475 S3C3T2 Fl. 303 11 aritmética entre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor INPC do IBGE e o Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna IGPDI da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Art. 1º Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, a média de índices de preços de abrangência nacional a ser utilizada nas obrigações e contratos anteriormente estipulados com reajustamentos pelo IPCr, a partir de 1º de julho de 1995, será a média aritmética simples dos seguintes índices: I Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); II Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGPDI), da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Observase que a própria legislação, já em 1995, cuidou de diferenciar o reajuste em função de índices gerais ou setoriais do reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, inicialmente no art. 27 da Lei 9.069/95 e posteriormente nos artigos 1º e 2º da Lei nº 10.192/2001 (na realidade, a diferença temporal entre as disposições é de apenas 10 dias). O art. 109, ao se referir apenas ao reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, acabou inovando a definição de preço predeterminado, estabelecendo uma distinção até então inexistente. Quisesse apenas referirse a reajuste em geral, bastaria têlo feito nos termos do art. 2º da Lei nº 10.192/2001. Reforçam este entendimento, as emendas feitas à MP 252/2005, citadas na Nota Técnica 224/2006 SFFANEEL: Emendas n° 224 (Dep. Eduardo Gomes), 225 (Dep. Eduardo Sciarra), e 353 (Dep. Max Rosenmann): EMENDA ART. 44A. O art. 10, inciso XI,da Lei nº 10.833, de 2003, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 10........................................................................... ........................................................................................ XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, independentemente de a eles serem aplicados reajustamentos previstos em cláusulas contratuais." JUSTIFICATIVA: a redação proposta , com adição da locução "independentemente de a eles serem aplicados reajustamentos previstos em cláusulas contratuais" fazse necessária, visto que o Poder Executivo através da Instrução Normativa nº 468/2004, da SRF, mudou a interpretação do conceito de "preço predeterminado" passando a impedir que os contratos abrigados pela Lei nº 10.833/2003, deixem de usufruir o direito de permanecer sob o regime da cumulatividade. A IN em questão entende que o simples reajuste de preço por índices oficiais já caracteriza uma mudança da base do preço e desta forma afasta a eficácia do dispositivo legal. No fundo o que a IN faz é, na prática, Fl. 303DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677977/200951 Resolução nº 3302000.475 S3C3T2 Fl. 304 12 equiparar o conceito de preço predeterminado " ao conceito de preço fixo, uma vez que praticamente não existe contrato com prazo superior a um ano sem previsão de reajustamento. Tivesse sido assim publicado o artigo 109, a interpretação forçosamente retornaria ao texto da IN SRF nº 21/79, mas não foi o ocorrido. Todavia, a redação da IN SRF 658/2006 modificou, sutilmente, a redação do art. 109, ao dispor no §3º do art. 3º: § 3 º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1 º do art. 27 da Lei n º 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. A redação da lei que era "reajuste de preços em função do" foi regulamentada como "reajuste de preços em percentual não superior". Esta redação não exclui, a priori, a utilização de qualquer índice, desde que ele não ultrapasse o acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Assim, se a fórmula de reajuste utilizada não ultrapassar aqueles limites, deve tal fórmula de reajuste não descaracterizar o preço predeterminado. Ressaltase que o art. 109 está em consonância com o fundamento econômico para o reajuste que é a variação dos custos, como dispõe o inciso XI do art. 40 da Lei nº 8.666/93 e o inciso XVIII do art. 3º da Lei nº 9.427/96, que instituiu a Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL: Lei nº 8.666/93: Art. 40. O edital conterá no preâmbulo o número de ordem em série anual, o nome da repartição interessada e de seu setor, a modalidade, o regime de execução e o tipo da licitação, a menção de que será regida por esta Lei, o local, dia e hora para recebimento da documentação e proposta, bem como para início da abertura dos envelopes, e indicará, obrigatoriamente, o seguinte: [...]XI critério de reajuste, que deverá retratar a variação efetiva do custo de produção, admitida a adoção de índices específicos ou setoriais, desde a data prevista para apresentação da proposta, ou do orçamento a que essa proposta se referir, até a data do adimplemento de cada parcela; (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994) Lei nº 9.427/96: Art. 3o Além das atribuições previstas nos incisos II, III, V, VI, VII, X, XI e XII do art. 29 e no art. 30 da Lei no 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, de outras incumbências expressamente previstas em lei e observado o disposto no § 1o, compete à ANEEL: (Redação dada pela Lei nº 10.848, de 2004) (Vide Decreto nº 6.802, de 2009). [...]XVIII definir as tarifas de uso dos sistemas de transmissão e distribuição, sendo que as de transmissão devem ser baseadas nas seguintes diretrizes: (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) Fl. 304DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677977/200951 Resolução nº 3302000.475 S3C3T2 Fl. 305 13 a) assegurar arrecadação de recursos suficientes para cobertura dos custos dos sistemas de transmissão; e (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) a) assegurar arrecadação de recursos suficientes para a cobertura dos custos dos sistemas de transmissão, inclusive das interligações internacionais conectadas à rede básica; (Redação dada pela Lei nº 12.111, de 2009) b) utilizar sinal locacional visando a assegurar maiores encargos para os agentes que mais onerem o sistema de transmissão; (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) Estabelecidas as condições para a definição de preço predeterminado, passase à análise do contrato apresentado. A recorrente auferiu receitas decorrentes da prestação de serviço de transmissão de energia elétrica, regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL instituída pela Lei nº 9.427/1996, e pelo contrato firmado com o Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS em 13/09/1999, intitulado Contrato de Prestação de Serviço de Transmissão de Energia Elétrica (CONTRATO CPST Nº 006/1999). O ONS é entidade de direito privado sem fins lucrativos, cabendolhe, dentre outras atribuições, a de contratar e administrar os serviços de transmissão de energia elétrica e respectivas condições de acesso, bem como dos serviços ancilares, nos termos do art. 13, parágrafo único, alínea “d” da Lei nº 9.648/98, sob fiscalização e regulação da ANEEL (Resolução nº 351/98 e Decreto nº 2.655/98). O contrato celebrado denominase CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSMISSÃO e tem por objeto regular as condições de administração e coordenação por parte da ONS, da prestação de serviço de transmissão pela Transmissora (recorrente). Seu prazo de vigência é a partir de 13/09/1999 e permanece até a extinção da concessão da transmissora. A claúsula 36º dispõe que a recorrente teria direito a receber dos usuários, mediante os Contratos de Uso do Sistema de Transmissão, um duodécimo da receita anual permitida, e seu parágrafo 1º dispôs que os serviços de operação de rede básica, serviços de telecomunicações e serviços ancilares seriam remunerados pela RAP até a assinatura de contratos específicos, a serem assinados até 30/06/2000 e 31/12/2002. A cláusula 37º menciona ainda a existência de Contrato de Concessão de Serviço Público de Transmissão de Energia Elétrica. A cláusula 40º estipula que o pagamento mensal à transmissora será realizado de acordo com as datas e condições definidas nos Contratos de Uso do Sistema de Transmissão. Cláusula 40º O pagamento mensal, definido na Cláusula 36*, devido pelos USUÁRIOS à TRANSMISSORA pela Prestação dos Serviços de Transmissão, será realizado em 3 (três) vencimentos, cada um equivalente a 1/3 (um terço) do valor global devido, nas datas e condições definidas nos CONTRATOS DE USO DO SISTEMA DE TRANSMISSÃO. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677977/200951 Resolução nº 3302000.475 S3C3T2 Fl. 306 14 Verificase que o contrato apresentado é entre o ONS e a recorrente e destinase a regular as condições de administração e coordenação por parte da ONS, da prestação de serviço de transmissão, mas não corresponde aos contratos dos quais decorrem as receitas auferidas. Assim, nestes contratos é que estão previstos as condições que permitem aferir sua caracterização como de longo prazo e do preço predeterminado, como: data de assinatura, prazo de vigência, data em que ocorreu o primeiro reajuste, fórmula estabelecida para cálculo do reajuste, e outros. Por outro lado, a Nota Técnica nº 224/2006, elaborada pela Superintendência de Fiscalização Econômica e Financeira – SFF/ANEEL, apresenta os modelos de contratos utilizados na concessão do serviço público de transmissão, contratos de prestação de serviços de transmissão CPST e contratos de uso do sistema de transmissão CUST. Da análise das cláusulas dos modelos apresentados, são necessários alguns esclarecimentos por parte da recorrente para melhor compreendêlos, bem como detalhar a receita auferida, vinculando cada parcela ao contrato que lhe deu origem. Diante do exposto, voto para converter o presente julgamento em resolução para que a autoridade administrativa intime a recorrente a: 1. Relacionar as receitas auferidas ao contrato do qual decorrem; 2. Apresentar o Contrato de Concessão do Serviço Público de Transmissão, especificando a data de assinatura, o prazo de vigência, as condições contratadas para o reajustamento fórmula e datas de reajuste; 3. Identificar o primeiro reajustamento ocorrido após 31/10/2003, relativamente às receitas auferidas; 4. Esclarecer se houve alguma revisão do contrato visando a manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro; 5. Apresentar as resoluções da ANEEL relativas a novos acréscimos ao preço originalmente contrato Receita Anual Permitida identificando a origem destes acréscimos; 6. Esclarecer se na receita auferida constam revisões de que trata a cláusula abaixo reproduzida: Oitava Subcláusula A ANEEL procederá, anualmente, à revisão da RECEITA ANUAL PERMITIDA do SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSMISSÃO, pela execução de modificações, reforços e ampliações nas INSTALAÇÕES DE TRANSMISSÃO, inclusive as decorrentes de novos padrões de desempenho técnico determinados peia ANEEL, conforme procedimentos definidos na Oitava Subcláusula da Cláusula Quarta deste CONTRA TO DE CONCESSÃO 7. Esclarecer se na receita auferida há parcela recebida devida à ultrapassagem do sistema de transmissão e da sobrecarga; 8. Informar a existência de Contratos de Conexão à Transmissão firmados após 31/10/2003, de acordo com a Resolução nº 489/2002; Fl. 306DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677977/200951 Resolução nº 3302000.475 S3C3T2 Fl. 307 15 9. Se houve parcela de ajuste na Receita Anual Permitida, relacionada com a majoração das alíquotas de PIS e Cofins, nos termos do disposto no item 69 da Nota Técnica 224/2006: PA (PIS/COFINS) = parcela a ser adicionada a PA de cada concessionária de serviço público de transmissão de energia elétrica, resultante do impacto financeiro decorrente da majoração das alíquotas do PIS/PASEP e da COFINS 10. Esclarecer se consta receita auferida de novas instalações de transmissão, de acordo com o item 70 da Nota Técnica 224/2006 e a data em que foram autorizadas pela ANEEL: Dessa forma, é possível, e freqüentemente ocorre, a necessidade da realização de obras visando a implantação de novas instalações de transmissão de energia elétrica integrantes da Rede Básica do Sistema Interligado Nacional SIN. Tais obras são então autorizadas por esta ANEEL, mediante a publicação de Resoluções Autorizativas, nas quais é fixada respectiva receita.. 11. Esclarecer se existe algum índice setorial que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; 12. Elaborar comparativo entre a evolução dos custos da prestação do serviço e da variação do índice mencionado no item anterior e o reajuste adotado, relativo ao período correspondente ao reajuste ocorrido imediatamente anterior a 31/10/2003 e os ocorridos até a competência do crédito objeto da DCOMP. Após concluída a resposta à intimação, elaborar relatório fiscal, separando as receitas que entender sujeitas à incidência nãocumulativa das sujeitas à incidência cumulativa, a partir das premissas contidas nesta resolução, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre as conclusões obtidas, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 307DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Numero do processo: 13909.000034/2003-73
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES NÃO SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS.
É cabível o ressarcimento do crédito presumido do IPI sobre as aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas não contribuintes do PIS e da Cofins conforme entendimento do STJ. O artigo 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STJ em matéria infraconstitucional proferidas na sistemática da recursos especiais repetitivos,.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-004.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente o Conselheiro Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente)..
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente o Conselheiro Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente)..
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EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES NÃO SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. É cabível o ressarcimento do crédito presumido do IPI sobre as aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas não contribuintes do PIS e da Cofins conforme entendimento do STJ. O artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STJ em matéria infraconstitucional proferidas na sistemática da recursos especiais repetitivos,”. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente o Conselheiro Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 90 9. 00 00 34 /2 00 3- 73 Fl. 285DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13909.000034/200373 Acórdão n.º 3801004.707 S3TE01 Fl. 286 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13909.000034/200373 Acórdão n.º 3801004.707 S3TE01 Fl. 287 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou as compensações declaradas, em razão da exclusão das aquisições de pessoas não contribuintes do PIS e da COFINS. Alega a manifestante que excluir as aquisições efetuadas junto a pessoas não contribuintes do PIS e da COFINS, com base em uma IN, seria ir contra a própria lei instituidora do crédito presumido, na medida que mesmo as pessoas físicas pagariam o PIS e a COFINS na aquisição dos insumos destinados à produção dos bens vendidos ao contribuinte, bem como ir contra assunto já pacificado, conforme julgados que cita, um deles, inclusive, da CSRF a seu favor na mesma matéria.. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS NÃO CONTRIBUINTES DO PIS E DA COFINS. As aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas não contribuintes do PIS e da Cofins, não se incluem na base de cálculo do crédito presumido do IPI.. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade e colacionando precedentes. É o Relatório. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13909.000034/200373 Acórdão n.º 3801004.707 S3TE01 Fl. 288 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A questão cingese a inclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI das aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas não contribuintes do PIS e da Cofins. Esta questão foi objeto do recurso representativo da controvérsia REsp.nº 993.164 MG, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 13.12.2010, conforme ementa abaixo: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA.. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1° A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados , como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13909.000034/200373 Acórdão n.º 3801004.707 S3TE01 Fl. 289 5 Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6°, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2° Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. 1° O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2o O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2o da Lei n° 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas k jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2°, do artigo 2°, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância Fl. 289DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13909.000034/200373 Acórdão n.º 3801004.707 S3TE01 Fl. 290 6 dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2°), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13909.000034/200373 Acórdão n.º 3801004.707 S3TE01 Fl. 291 7 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciou se de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Tal decisão fixou o entendimento no sentido da ilegalidade da IN/SRF 23/1997, que, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições relativamente aos produtos da atividade rural, de matériaprima e de insumos de pessoas físicas , extrapolou os limites do art. 1º da Lei n. 9.363/1996. Neste sentido, há de se observar o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STJ em matéria infraconstitucional proferidas na sistemática da recursos especiais repetitivos, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13909.000034/200373 Acórdão n.º 3801004.707 S3TE01 Fl. 292 8 Assim faz jus a recorrente ao ressarcimento do crédito presumido do IPI sobre as aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas não contribuintes do PIS e da Cofins, ressalvando que compete a autoridade administrativa, com base na documentação acostada aos autos e na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado e homologar as compensações vinculadas até o limite do crédito disponível. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 292DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 12466.000035/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/10/2007
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). FALHAS NA SUA EMISSÃO OU PRORROGAÇÃO. NÃO OBSERVÂNCIA, PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA, DE SUAS DETERMINAÇÕES.
O MPF é mero instrumento de controle administrativo, de modo que não há falar em nulidade em virtude de eventuais falhas na sua emissão ou na sua prorrogação, assim como a não observância das determinações que foram inseridas pela autoridade competente.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.378
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário.
Luis Eduardo Garrossino Barbieri Presidente-substituto.
Charles Mayer de Castro Souza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Eduardo Garrossino Barbieri (presidente-substituto), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Stocco Portes, Rodrigo Cardozo Miranda e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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MULTA Recorrente GEMAX TRADING COMPANY S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/01/2005 a 31/10/2007 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. A ocultação, pelo importador, do real adquirente do produto importado, mediante fraude ou simulação, tipifica a figura da interposição fraudulenta, sujeitando tanto a importadora como o real adquirente, este na condição de responsável solidário, à penalidade de perdimento das mercadorias, a ser convertida em multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro, nos casos em que estas não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. MULTA ADUANEIRA. DECADÊNCIA. O direito de o Fisco impor penalidade extinguese no prazo de cinco anos a contar da infração (art. 139 do Decretolei n.º 37/66). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/10/2007 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). FALHAS NA SUA EMISSÃO OU PRORROGAÇÃO. NÃO OBSERVÂNCIA, PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA, DE SUAS DETERMINAÇÕES. O MPF é mero instrumento de controle administrativo, de modo que não há falar em nulidade em virtude de eventuais falhas na sua emissão ou na sua prorrogação, assim como a não observância das determinações que foram inseridas pela autoridade competente. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso voluntário provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 00 35 /2 01 1- 11 Fl. 2987DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Luis Eduardo Garrossino Barbieri – Presidentesubstituto. Charles Mayer de Castro Souza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Eduardo Garrossino Barbieri (presidentesubstituto), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Stocco Portes, Rodrigo Cardozo Miranda e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito tributário decorrente da aplicação de penalidade isolada, referente a fatos geradores ocorridos nos anos de 2005 e 2006. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado em decorrência da caracterização da prática da interposição fraudulenta de terceiros na importação. Segundo a fiscalização, a empresa GEMAX TRADING COMPANY S/A, CNPJ n° 04.508.006/000125 (doravante denominada GEMAX), atuava como importador interposto, entre outros, da empresa RAVLIN DISTRIBUIDORA DE EQUIPAMENTOS ELETRÔNICOS E SOFTWARES LTDA, CNPJ 05.085.607/000135 (doravante denominada RAVLIN), real adquirente das mercadorias importadas de forma ostensiva pela primeira. Baseouse a fiscalização na auditoria realizada nas operações comerciais e financeiras das empresas citadas e em outros elementos de convencimento obtidos durante os trabalhos. Como resultado, foi aplicada a pena de perdimento das mercadorias importadas nos termos do art. 23, V, § 1° do Decretolei n° 1.455/76 (art. 618, XXII, § 1° do Regulamento Aduaneiro de 2002). Tendo em vista o consumo dos bens importados, o perdimento foi convertido em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias nos termos do § 3° do mesmo art. 23 (§ 1° do art. 618 do RA de 2002). A empresa RAVLIN foi autuada como responsável solidária pelos créditos lançados, fl. 1.453. Fl. 2988DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA Processo nº 12466.000035/201111 Acórdão n.º 3202001.378 S3C2T2 Fl. 2.988 3 Tendo em vista os fatos narrados, foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais formalizada pelo processo administrativo n° 12466.723196/201268. O Auto de Infração totalizou o valor de R$ 5.974.822,42. Intimada do Auto de Infração em 30/12/2010 (fls. 2.581/2.602), a interessada GEMAX TRADING COMPANY S/A apresentou impugnação e documentos, postados nos Correios em 31/01/2011 (fls. 2.603/2.605), juntados às fls. 2.606 e seguintes, alegando em síntese: a) alega preliminarmente que a fiscalização não efetuou uma descrição específica dos fatos para cada declaração de importação. Alega violação ao art. 10, III, do PAF. Alega que a única declaração de importação analisada é anterior à IN SRF 634/06 que regula a importação por encomenda. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema de prova; b) alega que a empresa é beneficiária do regime de FUNDAP do Estado do Espírito Santo, que reflete juridicamente como um financiamento na contabilidade da empresa, além da redução da alíquota do ICMS. Alega que a fiscalização não considerou todos os recursos do FUNDAP em seus demonstrativos de resultado dos exercícios analisados; c) alega preliminarmente que possuía deduções em sua contabilidade que não puderam ser identificadas, pois a fiscalização não efetuou a devolução dos livros fiscais após o encerramento da fiscalização. Alega que houve cerceamento do direito de defesa. Alega que peticionou sobre a questão junto à Alfândega do Porto de Vitória em 20/01/2011, não obtendo resposta. Alega que tais documentos serviriam para demonstrar a origem dos recursos utilizados nas operações de comércio exterior. Alega que os livros encontramse em Brasília. Apresenta jurisprudência administrativa sobre ampla defesa. Requer a reabertura de novo prazo para a apresentação e impugnação, a ser computado a partir da entrega à impugnante de todos os livros e documentos fiscais que se encontram com o AFRFB autuante; d) alega preliminarmente o impedimento do auditor fiscal autuante por determinação das normas que regem o Mandado de Procedimento Fiscal MPF. Cita, entre outros, o parágrafo único do art. 15 da Portaria RFB n° 11.371/07. Cita jurisprudência administrativa sobre o MPF; e) alega preliminarmente a nulidade da autuação por utilização de prova emprestada (conclusões) de outros processos administrativos relativos à impugnante, notadamente os processos da IN SRF n° 206/02, IN SRF n° 650/06 e IN SRF n° 228/02. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema; Fl. 2989DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA 4 f) alega a decadência das infrações ocorridas há mais de cinco anos da data de ciência do auto de infração, nos termos do art. 753 do Regulamento Aduaneiro de 2009 (art. 139 do Decretolei n° 37/66). Cita jurisprudência administrativa sobre o tema; g) no mérito, alega que o capital social de uma empresa não atesta sua capacidade financeira. Alega que a fiscalização confundiu os conceitos de capital social e faturamento. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema; h) alega violação ao Princípio da Verdade Material. Alega que colaborou com a fiscalização na apresentação das comprovações sobre sua capacidade financeira. Reafirma que suas receitas financeiras provêm do regime de FUNDAP. Descreve com detalhes o sistema FUNDAP. Cita julgados administrativos sobre o tema. Apresenta planilha, relativa aos anos de 2005 e 2006, para demonstrar as receitas financeiras auferidas com o deságio aplicado nas liquidações antecipadas de financiamentos do FUNDAP. Os extratos do BANDES relativos à liberação dos recursos do FUNDAP (Doc 02) demonstram haver diferença com os recursos considerados pela fiscalização. Cita outras receitas recebidas nos anos de 2005 e 2006. A diferença da receita financeira líquida apontada no auto de infração e a comprovada pela impugnante é de pelo menos R$ 3.740.616,40. Se os valores recebidos fossem aceitos pela fiscalização como forma de custeio de suas operações de importação, cairia por terra a alegação de que a impugnante não teria comprovado a origem de seus recursos; i) alega que possui lucro líquido alto e lucro operacional baixo, sendo uma empresa solvente de suas obrigações. Cita o site da Receita Federal, em especial as “Perguntas e Respostas” relativas ao Regulamento do Imposto de Renda – RIR. Cita julgados administrativos e judicial sob o FUNDAP; j) alega que optou, legitimamente, por trabalhar com uma margem de lucro pequena, a fim de expandir seus negócios mais rapidamente pelo mercado, conquistando diversos clientes e ganhando no volume das vendas realizadas. Tratase de uma estratégia comum entre as distribuidoras, pela qual reduziu a margem de lucro operacional de suas mercadorias, visando aumentar o giro daquelas e, consequentemente, a rentabilidade da empresa, o que foi possível graças ao FUNDAP; k) observa que uma “trading”, como é o caso da impugnante, pode trabalhar apenas com a receita financeira do FUNDAP e vender suas mercadorias com margem de lucro baixa, visando ganhar em volume e com a conquista de clientela. Diversamente do sustentado pela autoridade fiscal, as vendas da impugnante lhe conferem uma margem de lucro média de 3%, fora a margem da receita financeira bruta decorrente do deságio do FUNDAP, que corresponde a 8% do valor da operação de importação; l) considerando haver comprovado que os recursos utilizados em seus processos de importação são oriundos do FUNDAP e que mesmo operando com margem de lucro reduzida, visando Fl. 2990DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA Processo nº 12466.000035/201111 Acórdão n.º 3202001.378 S3C2T2 Fl. 2.989 5 ganhar no volume de vendas, sempre teve lucro em suas operações, deve ser afastada a presunção legal de interposição fraudulenta. Cita jurisprudência judicial sobre interposição fraudulenta na importação; m) o fato de as duplicatas referentes à venda das mercadorias vencerem no prazo que a importadora possui para liquidar o câmbio não constitui qualquer ilegalidade, tratandose apenas de uma questão referente à gestão comercial e financeira da empresa; n) alega que as relações entre a impugnante e a adquirente dos produtos importados é regida pelo Direito Privado, não cabendo à fiscalização se imiscuir em suas condições. Cita Solução de Consulta sobre a IN SRF n° 247/02; o) reproduz correspondências (documentos 15 A, B e C), os quais demonstram que a impugnante é quem negocia diretamente com o exportador e que é a responsável jurídica e financeira das operações; p) quanto aos adiantamentos feitos pelos clientes, mister se faz destacar que inexiste ilegalidade em tal prática. Observa que antes da edição da Lei nº 11.281/06 já existia a importação por encomenda e que, em tais modalidades de importação, é extremamente comum o fornecimento de arras ou sinal. Cita doutrina internacional sobre o tema; q) alega que somente em 2006, com o advento da Lei nº 11.281/2006 e de sua regulamentação, através da IN SRF 634/2006 é que o importador passou a estar obrigado a declarar o encomendante. Considerando que a importação por encomenda já existia antes do advento dessa lei, como reconhecido pela Decisão SRRF/7ªRF nº 45/99, e que as disposições da IN 634/2006 somente entraram em vigor em 24/03/2006, concluise que suas disposições não podem ser aplicadas retroativamente às importações registradas antes desta data; r) cita jurisprudência sobre a comprovação de fraude na interposição de terceiros na importação. Cita jurisprudência sobre multa agravada de 150%. Cita jurisprudência judicial sobre presunções; s) alega que sua atividade de “trading” é prevista em lei e que isso não gera qualquer presunção de ilegalidade de suas operações, nem impede que ela pratique importações com recursos próprios, caso assim opte; t) alega que mesmo que não sejam aceitos os argumentos acima, a multa aplicada no caso concreto seria a do art. 33 da Lei n° 11.488/07 de 10% do valor das mercadorias importadas. Cita Orientação COANA/COFIA/DIFIA sobre a aplicação das multas de 10% e sobre a pena de perdimento pela interposição do art. 23, V da Lei n° 1.455/76. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. Fl. 2991DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA 6 Requer, por fim, que: (i) seja devolvido o prazo para impugnação contado a partir da devolução dos livros fiscais; (ii) seja reconhecida a decadência de parte das importações; (iii) seja anulado o lançamento por impedimento do AFRF; (iv) seja anulado o lançamento em face da impossibilidade de se estender conclusões de outros processos administrativos a todas as importações da contribuinte; (v) seja anulada a autuação em relação às importações não analisadas de forma individual; (vi) seja considerada a autuação improcedente no mérito. Sucessivamente, requer que o feito seja baixado em diligência solicitando esclarecimentos e documentos à impugnante para posterior análise desta impugnação, além de pugnar pela juntada posterior de documentos em atenção ao princípio da verdade material. Intimada do Auto de Infração em 09/12/2010 (fl. 2.601/2), a interessada RAVLIN apresentou impugnação, em 29/12/2010, juntada às fls. 2.860 e seguintes, alegando em síntese: a) em preliminar, requer seja devolvido o prazo para impugnação, com a devida concessão de vistas dos autos, direito garantido pelo art. 3º da Lei nº 9.784/99. Aduz que teve seu direito de defesa prejudicado, pois os autos não lhe foram disponibilizados, conforme comprova o histórico alusivo aos andamentos do processo, pois sequer foi transferido de Vitória (ES) para o Rio de Janeiro (RJ). Ademais, não recebeu cópia de vários documentos citados pela fiscalização, destacando que o procedimento de auditoria se concretizou sem sua participação; b) ainda em preliminar, houve a decadência parcial do lançamento cujos fatos geradores ocorreram no anocalendário de 2005, em face do disposto no art. 139 do DecretoLei nº 37/66. Cita jurisprudência administrativa; c) a ausência de Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) em face da impugnante implica a declaração de nulidade do lançamento, nos termos do art. 59, incisos I e II, do Decreto nº 70.235/72. Além do AFRFB ser pessoa incompetente para realizar o procedimento de fiscalização em face da impugnante, ocorreu preterição do direito de defesa, posto que a autuada não teve oportunidade de produzir as provas que lhe convinha no curso do procedimento fiscal e acabou sendo prejudicada pela displicência de terceiro; d) o lançamento também é nulo por motivação incongruente no que se refere à sujeição passiva, visto que os incisos I e II, do art. 124 do CTN são excludentes entre si e não poderiam ter sido aplicados simultaneamente. Por outro lado, o art. 32 do DecretoLei nº 37/66 trata de responsabilidade do imposto e não de multa isolada. Ademais, não restou claro se o impugnante é contribuinte ou mero responsável pelo crédito de terceiro; e) no mérito, alega afronta ao princípio da verdade material, visto que a qualificação dos fatos não corresponde à realidade. A GEMAX tratase de empresa com localização certa que cumpre regularmente com suas obrigações tributárias e, quanto à sua relação com a RAVLIN, efetuou operações de importação Fl. 2992DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA Processo nº 12466.000035/201111 Acórdão n.º 3202001.378 S3C2T2 Fl. 2.990 7 e revenda de mercadorias durante anos, sempre emitindo a documentação idônea para suportálas; f) a importadora, além de prestar os serviços mencionados pela fiscalização, especializouse em localizar excelentes oportunidades de negócios para a RAVLIN, conhecendo vários fornecedores no exterior. Como a RAVLIN possui enorme capacidade de distribuição de tais produtos no mercado interno, a GEMAX revende a mercadoria importada, geralmente por intermédio de uma negociação bastante rápida, ainda durante o curso do procedimento de importação, procedendo à entrega dos mesmos logo após o desembaraço aduaneiro; g) a tese da responsabilidade objetiva defendida pela fiscalização não se aplica ao caso em tela, posto que a legislação de regência impõe a necessidade de se comprovar o dolo do agente. Salienta que a RAVLIN não participou do procedimento fiscal e, portanto, a fiscalização não foi capaz de formar convicção sobre sua verdadeira intenção. Observa que os supostos benefícios auferidos pela RAVLIN são irrelevantes quando se analisa o faturamento da impugnante; h) não tem ciência de qualquer elemento de prova a dar suporte aos ilícitos que lhe foram imputados, sendo que a multa aplicada afronta os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, além de não ter sido comprovado que houve o consumo das mercadorias; i) os critérios de avaliação da capacidade financeira da GEMAX utilizados pela fiscalização são equivocados. Tratase de um erro crasso avaliar a capacidade da empresa de financiar as atividades operacionais exclusivamente com suporte no aporte inicial dos sócios. Afinal, uma empresa pode ter um alto valor de capital social, e não ter capital de giro. Podese dizer o mesmo com relação ao lucro, porque este é apurado com base no regime de competência, o que inviabiliza seu uso para avaliação da capacidade financeira, pois uma empresa pode ser altamente lucrativa e ter problemas com capital de giro. Tivesse a fiscalização feito as análises corretamente, a autuação não teria ocorrido; j) a fiscalização laborou em erro ao alegar que a RAVLIN efetuou a cada operação da importadora um adiantamento correspondente de recursos financeiros. De plano, registra que tal prova não lhe foi disponibilizada. Ademais, não há impedimento legal na formação de capital de giro por meio de adequação do prazo de recebimento e pagamento de duplicatas, sendo provável que as operações mais antigas financiaram as operações mais recentes. Tanto é assim, que a importação ocorrida por meio da DI 05/11842842 foi paga por meio de pagamentos posteriores à emissão da nota fiscal 615, e o pagamento de R$ 524.500,00 referese ao pagamento imediatamente anterior à compra da nota fiscal 615. Observa Fl. 2993DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA 8 que não pode ser penalizada por erro na escrituração comercial de terceiros; k) o fato de a impugnante prestar serviços relacionados à importação de mercadorias não é capaz de comprovar que outras operações de importação efetuadas com recursos próprios necessariamente caracterizem interposição fraudulenta; l) a fiscalização não prova que as operações efetuadas com a RAVLIN não trouxeram lucro à GEMAX. O fato de uma empresa usufruir benefícios fiscais, criados por lei, não é indício de interposição fraudulenta; m) requer, ao final, a improcedência da autuação. Todos os números de folhas citados neste acórdão são os atribuídos pelo “eprocesso”. É o relatório. A 24ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo julgou improcedente a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/SPI n.º 1653.133, de 12/8/2010 (fls. 2893 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/01/2005 a 31/10/2007 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. Caracterizadas como por conta e ordem as operações de comércio exterior declaradas pela importadora como sendo em nome próprio, o que implicou ocultação do real adquirente das mercadorias, resta tipificada a figura da interposição fraudulenta, sujeitando tanto a importadora como o real adquirente, este na condição de responsável solidário, à penalidade de perdimento das mercadorias, a ser convertida em multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro, nos casos em que estas não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 2949/2973, por meio do qual aduz, em síntese, depois de relatar os fatos: PRELIMINARES DE NULIDADE Cerceamento ao direito de defesa Fl. 2994DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA Processo nº 12466.000035/201111 Acórdão n.º 3202001.378 S3C2T2 Fl. 2.991 9 Houve negativa de acesso aos autos, o que foi informado ao Inspetor da Alfândega, conforme suscitado na impugnação. Violação ao art. 59, I e II, do Decreto n.º 70.235, de 1972 O AuditorFiscal que participou de Mandado de Procedimento Fiscal – MPF extinto constou do novo MPF. O parágrafo único do art. 15 da Portaria RFB n.º 11.371, de 2007, retira a competência do AuditorFiscal responsável pelo MPF anterior. Decadência Operou a decadência em relação a algumas DIs registradas antes de 30/12/2010, data da ciência do auto de infração. Ausência de descrição específica das irregularidades A narrativa fática não descreve pormenorizadamente o que motivou a autuação. A prova emprestada e a impossibilidade de estender as conclusões a todas as importações Não cabe estender conclusões de outros processos administrativos, mas demonstrar com provas, o que o Fiscal não fez (como fundamento, reproduz ementas de decisões de DRJ). MÉRITO A presunção é relativa e merece ser reformada. Na impugnação ficou mais do que demonstrado que a evolução do capital social da empresa não serve para medir o seu patrimônio financeiro, contábil e econômico. O Fiscal autuante deveria ter considerado também o benefício do FUNDAP, o faturamento e a receita bruta. No gráfico de fls. 327/328, constatase uma receita financeira de R$ 3.584.982,48, o que foi ignorado, assim como o foi o Relatório de Controle de Cauções do FUNDAP (R$ 56.056,48, em 2005, e R$ 99.577,44, em 2009). Também o terreno do imóvel que foi avaliado em R$ 2.374.000,00 e o capital social de R$ 400.000,00 (reproduz ementas de decisões do CARF). Se tais receitas fossem consideradas, seria afastada a presunção de omissão de receitas. A questão anterior não pode ser considerada sem a questão da margem de lucro. Foram cabalmente demonstrados os motivos dos preços praticados, de modo que a presunção relativa não pode subsistir (reproduz ementa de aresto prolatado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região). É irrelevante o fato de que, assim que nacionalizava as mercadorias, a Recorrente as revendia. Não há falar em adiantamento de valores, pois são posteriores à nacionalização dos produtos. Não há interposição fraudulenta, pois importou em nome próprio e revendeu os produtos para terceiros. A multa tem caráter confiscatório. Na hipótese de não prosperarem os argumentos, deve ser aplicada a multa de 10% prevista no art. 33 da Lei n.º 11.488, de 2007, com base no art. 106 do CTN. Fl. 2995DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA 10 Intimada via edital, a apontada responsável solidária RAVLIN DISTRIBUIDORA DE EQUIPAMENTOS ELETRÔNICOS E SOFTWARES LTDA. não apresentou recurso a este Colegiado Administrativo. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O lançamento constitui crédito tributário decorrente da aplicação de penalidade isolada – multa de conversão de pena de perdimento, prevista no art. 618, XXII, § 1º, do Decreto n.º 4.543, de 2002 (Regulamento Aduaneiro então vigente) –, referente a importações realizadas no curso dos anos de 2005 a 2007. Assevera a fiscalização que a Recorrente – empresa beneficiária do FUNDAP do Estado do Espírito Santo – atuava como importador interposto da empresa RAVLIN DISTRIBUIDORA DE EQUIPAMENTOS ELETRÔNICOS E SOFTWARES LTDA., que se constituía, portanto, na real adquirente das mercadorias importadas. Tal informação, obviamente, não fora encartada nas Declarações de Importação DIs. Em sua defesa, a Recorrente sustenta, preliminarmente, que houve negativa de acesso aos autos, o que teria sido oportunamente informado ao Inspetor da Alfândega, conforme suscitado na impugnação. Com efeito, na petição de fls. 2719/2720, datada de 20/01/2011, a Recorrente requer a devolução de seus livros e documentos. Todavia, como bem ressaltado pelo relator da decisão recorrida, ao menos em dois do processos mencionados na referida petição, quais sejam, os processos de n.º 12466.003463/201015 e 12466.003464/201060, a fiscalização esclareceu que a Recorrente recebeu as suas vias de todos os termos de retenção, tendo pleno conhecimento dos documentos retidos. Consignou, ademais, que os livros por esta apresentados em resposta aos Termos de Intimação são mera impressão gráfica da escrituração elaborada por sistemas de processamentos de dados, bem como que os documentos então apresentados não passavam de cópias reprográficas dos originais, o que comprova que a Recorrente já detinha todas as informações registradas nos livros e documentos entregues à fiscalização. Esse fato não foi, cabe ressaltar, contrastado por qualquer outro no Recurso voluntário, que apenas se limitou a reproduzir o que já havia levantado na impugnação. Nulidade também não há quanto ao fato de o AuditorFiscal que participou do MPF extinto ter constado do novo MPF. É que, ainda que tenha havido qualquer deslize da autoridade que o subscreveu, essa falha, por si só, não torna nulo o lançamento, pois, como já sedimentado em sede administrativa, as irregularidades na emissão ou na prorrogação do MPF, assim como a eventual não observância das determinações que lhe foram inseridas pela autoridade competente, não invalidam o lançamento da ação fiscal consequente, porquanto mero instrumento de controle e planejamento das atividades de fiscalização, daí que não restringe, por impossível, a competência das autoridades administrativas. Fl. 2996DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA Processo nº 12466.000035/201111 Acórdão n.º 3202001.378 S3C2T2 Fl. 2.992 11 Diversa seria a situação em que descurada a norma encartada no art. 906 do Decreto n.º 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda), o qual prevê a possibilidade de um segundo exame de exercício já fiscalizado, caso em que se exige, por expressa determinação legal, autorização escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal. Adotando esse entendimento – o de que eventual irregularidade no MPF não viciam o lançamento –, vejamse, à guisa de ilustração, as seguintes ementas de decisões deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O MPF é ato interna corporis de controle interno e eventuais vícios são consideradas meras irregularidades, que não têm efeito de contaminar de nulidade o crédito constituído pelo lançamento de ofício.( Terceira Turma Especial/Primeira Seção de Julgamento, Acórdão n.º 1801001.018, de 10/05/2012) MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NÃO OCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da Fiscalização, não implicando nulidade do procedimento as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento.( Quarta Câmara/Primeira Seção de Julgamento, Acórdão n.º 1402000.990, de 11/04/2012) O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, sem força para afastar as competências legais atribuídas às autoridades fiscais. Eventuais irregularidades do aludido instrumento não implicam nulidade do procedimento fiscal. (Quarta Câmara/Primeira Seção de Julgamento, Acórdão n.º 140100.689, de 24/11/2011) De igual modo, não há cerceio ao direito de defesa quanto à narrativa fática elaborada pela autoridade autuante. É que o alentado relatório de fls. 1458 a 1532 (75 páginas!) descreve pormenorizadamente todos os fatos que resultaram na exigência da multa de conversão da pena de perdimento, bem como a sua fundamentação legal, contexto que torna absolutamente improcedente, para dizer o mínimo, a alegação de que houve prejuízo ao direito de defesa. No que concerne à alegação de nulidade em face do empréstimo de provas, cumpre observar que inexiste norma legal impedindo a sua utilização em sede administrativa, notadamente quando, é este o caso, os processos em que coletadas debatem interesse do mesmo contribuinte. Não fosse isso o bastante, o problema da prova emprestada reside na estrita observância do devido processo legal, motivo pelo qual é de se permitir ao contribuinte defenderse das alegações do Fisco e de contraditar as provas que as sustentam, fato absolutamente observado neste processo, tanto que a Recorrente apresentou impugnação à instância de piso e renovou os seus argumentos de defesa nesta sede processual. Assim sendo, rejeitamse as preliminares de nulidade. Fl. 2997DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA 12 Todavia, com relação ao prazo decadencial, ao regulamentar os tributos aduaneiros, o Poder Executivo bem ou mal encartou, no art. 669 do Decreto n.º 4.543, de 2002 (art. 139 do Decretolei n.º 37, de 1966), dispositivo que prevê a extinção do direito do Fisco no prazo de cinco anos a contar da infração. Portanto, somente os fatos geradores ocorridos até cinco anos anteriores à data de sua ciência poderiam ter sido objeto do lançamento. Considerando, pois, que a Recorrente foi cientificada em 30/12/2010 (fls. 2581/2582), todos os fatos geradores ocorridos no ano de 2005 (vão até 23/12/2005; fl. 1455) estão alcançados pela decadência. No mérito, melhor sorte não assiste à Recorrente. As razões sobejam a seu desfavor. É o que se passa a demonstrar. A Medida Provisória – MP n.º 66, de 2002, posteriormente convertida na Lei n.º 10.637, de 2002, encartou, no inciso V do art. 23 do Decretolei n.º 1.455, de 1976, nova hipótese de dano ao Erário, autônoma em relação às demais, mediante a eleição da figura que costumou chamar genericamente de “interposição fraudulenta no comércio exterior” (aqui a autuação se deu com base no inciso V c/c os §§ 1º e 3º do art. 23 do Decretolei n.º 1.455, de 1976, não com base na presunção estabelecida no § 2º do mesmo dispositivo): Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (g.n.) Fl. 2998DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA Processo nº 12466.000035/201111 Acórdão n.º 3202001.378 S3C2T2 Fl. 2.993 13 De logo percebese que o legislador não previu, pura e simplesmente, a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, do comprador ou do responsável pela operação de importação ou de exportação como hipótese configuradora de dano ao Erário, mas delimitou tais condutas, pospondo, à preposição “mediante”, os meios por intermédios dos quais se pode entender, no caso, configurado. Portanto, não basta, por exemplo, ocultar o sujeito passivo, mas há de se fazer mediante fraude ou simulação, que podem se dar por qualquer meio (o legislador não o predeterminou!), inclusive (ou seja, até mesmo, olha aí o advérbio!) a interposição fraudulenta de terceiros. Então, quernos parecer que a interposição fraudulenta de terceiros configura uma entre tantas situações em que se entende haja, na hipótese, fraude ou simulação, as quais, portanto, àquela não se limitam. A responsabilidade no caso é, a nosso sentir, subjetiva, devendo a fiscalização comprovar se fraude ou simulação houve, as quais, como cediço, são defeitos dos atos jurídicos – a vontade manifestada não tem, na realidade, a intenção pura e de boafé que enuncia. Não fosse esse o caso, bastaria o legislador ter encerrado os dizeres da norma antes das preposição “mediante”, de modo que se afiguraria suficiente à configuração do dano ao Erário a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação – responsabilidade de feição nitidamente objetiva, para a configuração da qual não se faz necessário perquirir o elemento volitivo do autor. Não é este o caso, porém. A fraude é o engano malicioso, promovido de máfé, para fugir ao cumprimento de um dever. Diferenciase do puro dolo, porque, neste, o engano não é oculto. Sempre se caracteriza pela tentativa de furtarse a obrigações contratuais ou legais (como o pagamento de tributo). Já a simulação é uma declaração fictícia de vontade com o propósito de fugir a obrigações também legais ou contratuais. É, digamos assim, o puro fingimento. É, também, uma conduta dolosa, mas a diferença é que, no dolo, a máfé é de uma parte contra a outra, enquanto que, na simulação, é de ambas as partes contra terceiros. No comércio exterior, os motivos que costumam levar os operadores a simular as importações como se diretas fossem são bem conhecidos. Podemse destacar: dificultar os controles do Fisco sobre o real importador (inclusive quanto as suas vendas no mercado interno), reduzir o IPI devido pelo contribuinte equiparado a industrial e auferir benefícios fiscais concedidos no âmbito estadual. Bem traçadas, em poucas linhas, a interpretação que entendemos melhor se ajusta ao caso genericamente chamado de “interposição fraudulenta no comércio exterior”, passemos à análise do caso concreto. Entre os fatos elencados pela fiscalização, destacamse os seguintes, todos devidamente comprovados nos autos: 1ª Razão: A IMPORTAÇÃO DIRETA A despeito do que se dirá a seguir, as importações realizadas pela Recorrente o foram na modalidade direta, tal como informado nas DIs. 2ª Razão: A INCAPACIDADE FINANCEIRA Apesar de a Recorrente apresentar patrimônio líquido de R$ 742.372,00 ao final do 4º trimestre de 2007 (ao final do 1º trimestre de 2005 era negativo!), o volume de suas importações acumuladas neste período alcançou impressionantes R$ 30.310.528,00 (dados Fl. 2999DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA 14 extraídos de sua escrituração contábil e do Siscomex). Intimada repetidas vezes, não logrou demonstrar a origem dos recursos utilizados nas importações. Malgrado sustente o contrário – o de que tinha capacidade financeira para fazer frente às importações –, os valores a que se refere a Recorrente no recurso voluntário sequer chegam perto do montante despendido na aquisição dos produtos importados. E o ativo imobilizado, encontravase, permitase o truísmo, “imobilizado”, de modo que o valor a ele correspondente não poderia ter sido utilizado, como de fato não foi, para quitar as importações. 3ª Razão: A ORIGEM DOS RECURSOS Apesar a Recorrente, embora intimada, não ter fornecido a origem dos recuros utilizados nas importações, comprovouse que tais recursos tinham origem em adiantamentos efetuados pela real adquirente dos produtos importados, a apontada responsável solidária no lançamento (que sequer apresentou recurso voluntário). Os pagamentos ocorriam em geral imediatamente antes ou no mesmo dia do fechamento do contrato de câmbio e antes mesmo do registro da DI e do respectivo pagamento dos tributos. 4ª Razão: A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS A atividade realizada pela Recorrente é a prestação de serviços, conforme indica o seu próprio sítio eletrônico na rede mundial de computadores. Portanto, não adquiriu os produtos importados para si mesma. No mesmo site, informase que a Recorrente faturará tais produtos pelo preço de custo, sem qualquer margem de lucro, propiciando, assim, como ela mesma informa, “menor alavancagem dos impostos subsequentes” à operação de importação. 5ª Razão: A HABITUALIDADE Não foi uma, nem foram duas e nem três as vezes em que as importações foram realizadas pela Recorrente utilizando o mesmo modus operandi. Por quase dois anos, a Recorrente reiteradamente importou produtos com alta especificidade (aparelhos e máquinas para processamento e telecomunicação de dados) para a responsável solidária, a despeito de em nenhuma das DIs tenha isto sido expressamente declarado. Esses razões – devidamente comprovadas nos autos – sãome suficientes para avalizar a autuação. Afinal, juntas – a Recorrente e a responsável solidária – importaram, de forma reiterada, em prejuízo dos controles do Fisco, equipamentos de alta especificidade mediante declarações que não espelhavam a realidade das operações engendradas. A Recorrente fingiu, simulou, com o auxílio e especial participação da responsável solidária, importar diretamente, quando a realidade era, como se viu, bem outra (a Recorrente nunca “revendeu” nada, como afirma no recurso, já que os produtos importados sempre pertenceram à responsável solidária). Isso se torna particularmente mais evidente quando se percebe que a Recorrente ainda tenta demonstrar, em sede de recurso voluntário, a despeito de todas as provas carreadas aos autos pela fiscalização, que tinha condições financeiras para suportar as importações diretamente realizadas. A simulação, portanto, é óbvia. Nada há que retorquir, também aqui, no lançamento. Sustenta a Recorrente, agora com fundamento no art. 106 do CTN, que é de se aplicar a multa de 10% prevista no art. 33 da Lei n.º 11.488, de 2007, não a que foi cominada nos autos. O dispositivo tem a seguinte dicção: Fl. 3000DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA Processo nº 12466.000035/201111 Acórdão n.º 3202001.378 S3C2T2 Fl. 2.994 15 Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (g.n.) É de fácil percepção, a hipótese de incidência desta multa isolada é tão diversa da que fora cominada pela fiscalização que chega a ser excessiva, para dizer o mínimo, a tentativa de substituir, com base na retroatividade benigna, uma pela outra, já que ambas tratam de situações em tudo diversas: a aqui aplicada, quando, configurado o dano ao Erário, a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida (ainda que decorra de uma interposição no comércio exterior, a finalidade primeira é retirar da economia nacional o produto cuja importação se deu fraudulentamente); a segunda é a cessão pura e simples do nome, ainda que aquele que cedeu não aufira benefício algum. A possibilidade de aplicação conjunta das penalidades em referência resta ainda mais cristalina quando se percebe que a utilização dos dados de uma pessoa jurídica importadora pelo real adquirente dos produtos importados pode, sim, se dar à revelia daquela. Nem por isso se cogita de aplicar a multa de 10% a quem não cedeu o seu nome, mas foi prejudicado com a operação fraudulenta, no lugar da pena de perdimento ou, em sendo o caso, da multa de conversão. Antes de findar este voto, cumpre assinalar que, embora a impugnante defenda o caráter abusivo, confiscatório e desproporcional da penalidade aplicada, é sabido que as autoridades julgadoras administrativas não podem apreciar, à míngua de competência, a incompatibilidade vertical da norma que a instituiu e a Constituição Federal (Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, apenas para reconhecer a decadência quanto a todas as importações realizadas no ano de 2005. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 3001DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA 16 Fl. 3002DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 10920.907778/2012-65
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/2007 a 31/03/2007
JUROS DE MORA. REDUÇÃO AUTORIZADA POR LEI. DIREITO CREDITÓRIO COMPROVADO.
A Lei nº 11.941, de 2009, autoriza a redução de 45% dos juros de mora no pagamento de débitos vencidos até 30 de novembro de 2008, em razão do quê se deve reconhecer o direito creditório que havia sido indeferido indevidamente com fundamento no recolhimento a menor do referido acréscimo legal.
Numero da decisão: 3803-006.825
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito à redução dos juros prevista na Lei nº 11.941, de 2009, no pleito creditório formulado.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/03/2007 a 31/03/2007 JUROS DE MORA. REDUÇÃO AUTORIZADA POR LEI. DIREITO CREDITÓRIO COMPROVADO. A Lei nº 11.941, de 2009, autoriza a redução de 45% dos juros de mora no pagamento de débitos vencidos até 30 de novembro de 2008, em razão do quê se deve reconhecer o direito creditório que havia sido indeferido indevidamente com fundamento no recolhimento a menor do referido acréscimo legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito à redução dos juros prevista na Lei nº 11.941, de 2009, no pleito creditório formulado. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa e João Alfredo Eduão Ferreira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2007 a 31/03/2007 JUROS DE MORA. REDUÇÃO AUTORIZADA POR LEI. DIREITO CREDITÓRIO COMPROVADO. A Lei nº 11.941, de 2009, autoriza a redução de 45% dos juros de mora no pagamento de débitos vencidos até 30 de novembro de 2008, em razão do quê se deve reconhecer o direito creditório que havia sido indeferido indevidamente com fundamento no recolhimento a menor do referido acréscimo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito à redução dos juros prevista na Lei nº 11.941, de 2009, no pleito creditório formulado. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 77 78 /2 01 2- 65 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.907778/201265 Acórdão n.º 3803006.825 S3TE03 Fl. 85 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou procedente apenas em parte a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da homologação parcial da compensação declarada. O contribuinte apresentara Declaração de Compensação (DComp) com vistas a extinguir débito de sua titularidade com crédito oriundo de pagamento da contribuição efetuado a maior, crédito esse reconhecido apenas em parte em razão do cômputo de multa de mora e de parte dos juros no cálculo da contribuição paga em atraso. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte argüiu que, em conformidade com os documentos comprobatórios carreados aos autos (Dacon, DCTF, PER/DCOMP e guias de recolhimento), se encontrava comprovada a totalidade do crédito declarado. A DRJ Belo Horizonte/MG reconheceu em parte o direito creditório, excluindo, com base na denúncia espontânea, a multa de mora do cálculo do valor recolhido em atraso, mantendo a diferença dos juros de mora acrescida pela repartição de origem. Cientificado da decisão em 1º de julho de 2014, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 7 de julho de 2014 e requereu o reconhecimento integral do direito creditório, alegando que os juros computados no pagamento em atraso foram calculados com base nos benefícios da Lei nº 11.941, de 2009, regulamentada pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 06, de 23 de julho 2009. Junto ao Recurso Voluntário o contribuinte traz aos autos cópia do DARF em que consta a informação “Lei nº 11.941/2009 – pagto. à vista”. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos acerca do não reconhecimento de parte do direito creditório pleiteado em sede de compensação, em razão da inserção de parcela dos juros de mora no cálculo do valor da contribuição recolhido em atraso, recolhimento esse em que apenas parte do referido acréscimo legal fora computado. O Recorrente alega que calculara os acréscimos moratórios com base nos benefícios da Lei nº 11.941, de 2009, regulamentada pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 06, de 23 de julho 2009, dispositivos esses que assim dispõem: LEI Nº 11.941, DE 27 DE MAIO DE 2009 (...) Fl. 85DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.907778/201265 Acórdão n.º 3803006.825 S3TE03 Fl. 86 3 Art. 1o Poderão ser pagos ou parcelados, em até 180 (cento e oitenta) meses, nas condições desta Lei, os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e os débitos para com a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, inclusive o saldo remanescente dos débitos consolidados no Programa de Recuperação Fiscal – REFIS, de que trata a Lei no 9.964, de 10 de abril de 2000, no Parcelamento Especial – PAES, de que trata a Lei no 10.684, de 30 de maio de 2003, no Parcelamento Excepcional – PAEX, de que trata a Medida Provisória no 303, de 29 de junho de 2006, no parcelamento previsto no art. 38 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e no parcelamento previsto no art. 10 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002, mesmo que tenham sido excluídos dos respectivos programas e parcelamentos, bem como os débitos decorrentes do aproveitamento indevido de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI oriundos da aquisição de matériasprimas, material de embalagem e produtos intermediários relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI, aprovada pelo Decreto no 6.006, de 28 de dezembro de 2006, com incidência de alíquota 0 (zero) ou como nãotributados § 1o O disposto neste artigo aplicase aos créditos constituídos ou não, inscritos ou não em Dívida Ativa da União, mesmo em fase de execução fiscal já ajuizada, inclusive os que foram indevidamente aproveitados na apuração do IPI referidos no caput deste artigo. § 2o Para os fins do disposto no caput deste artigo, poderão ser pagas ou parceladas as dívidas vencidas até 30 de novembro de 2008, de pessoas físicas ou jurídicas, consolidadas pelo sujeito passivo, com exigibilidade suspensa ou não, inscritas ou não em dívida ativa, consideradas isoladamente, mesmo em fase de execução fiscal já ajuizada, ou que tenham sido objeto de parcelamento anterior, não integralmente quitado, ainda que cancelado por falta de pagamento, assim considerados: (...) IV – os demais débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 3o Observado o disposto no art. 3o desta Lei e os requisitos e as condições estabelecidos em ato conjunto do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional e do Secretário da Receita Federal do Brasil, a ser editado no prazo de 60 (sessenta) dias a partir da data de publicação desta Lei, os débitos que não foram objeto de parcelamentos anteriores a que se refere este artigo poderão ser pagos ou parcelados da seguinte forma: I – pagos a vista, com redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício, de 40% (quarenta por cento) das isoladas, de 45% (quarenta e cinco por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal; Fl. 86DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.907778/201265 Acórdão n.º 3803006.825 S3TE03 Fl. 87 4 (...) PORTARIA CONJUNTA PGFN/RFB Nº 6, DE 22 DE JULHO DE 2009 (...) Art. 1º Os débitos de qualquer natureza junto à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) ou à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), vencidos até 30 de novembro de 2008, que não estejam nem tenham sido parcelados até o dia anterior ao da publicação da Lei n º 11.941, de 27 de maio de 2009 , poderão ser excepcionalmente pagos ou parcelados, no âmbito de cada um dos órgãos, na forma e condições previstas neste Capítulo. § 1º Para os fins do disposto no caput, poderão ser pagos ou parcelados os débitos de pessoas físicas ou jurídicas, consolidados por sujeito passivo, constituídos ou não, com exigibilidade suspensa ou não, inscritos ou não em Dívida Ativa da União (DAU), mesmo que em fase de execução fiscal já ajuizada, considerados isoladamente: (...) VI os demais débitos administrados pela RFB. (...) Art. 2º Os débitos de que trata este Capítulo poderão ser pagos ou parcelados da seguinte forma: I pagos à vista, com redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício, de 40% (quarenta por cento) das multas isoladas, de 45% (quarenta e cinco por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal; (...) Art. 14. A dívida será consolidada na data do requerimento do parcelamento ou do pagamento à vista. Considerandose os dispositivos supra, é possível concluir pela existência de autorização legal para pagamento à vista, com redução de 100% das multas e de 45% dos juros de mora, de débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) vencidos até 30 de novembro de 2008. No presente caso, temse débito vencido em abril de 2007 e recolhido em outubro de 2009, encontrandose, por conseguinte, abrangido pelo período autorizado pela lei. Sendo o valor do principal de R$ 94.225,61 e os juros cheios, desconsiderandose a princípio a redução autorizada pela lei, de R$ 25.959,15 (conforme índice de juros de 27,55% obtido a partir dos cálculos presentes no voto condutor do acórdão embargado, bem como no site da Receita Federal), temse que, aplicandose o percentual de redução de 45%, os juros devidos ficam reduzidos a R$ 14.277,53, valor esse muito próximo, Fl. 87DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.907778/201265 Acórdão n.º 3803006.825 S3TE03 Fl. 88 5 com diferença de apenas R$ 2,36, ao efetivamente recolhido a esse título pelo Recorrente (R$ 14.275,17). Diante do exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso, para reconhecer o direito à redução dos juros prevista na Lei nº 11.941, de 2009, no âmbito do pleito creditório formulado. O provimento apenas parcial se deve ao fato de que a imputação do pagamento efetuado para fins de homologação da compensação darseá somente no momento da execução deste acórdão. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 88DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10680.014515/2006-32
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003
LEI COMPLEMENTAR Nº 105 de 2001. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS DIRETAMENTE AO FISCO. PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. PROCEDIMENTO FISCAL.
A Constituição Federal de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º).
Quando o Fisco, nos termos da Lei Complementar nº 105, de 2001, recebe diretamente das instituições financeiras informações sobre a movimentação das contas bancárias dos contribuintes, sem prévia autorização judicial, mas com regular procedimento fiscal instaurado, constatada sua imprescindibilidade a juízo da autoridade administrativa competente, e não há decisão definitiva do Poder Judiciário dizendo da inconstitucionalidade de tal dispositivo, nos casos que foram especificados e regulamentados por normas posteriores, sustentar que a expressão diretamente ao Fisco deve ser interpretada no sentido de que desde que haja ordem judicial é, data venia, negar aplicação da lei.
MULTA QUALIFICADA
A multa de oficio de 150% é aplicável sempre que presentes os elementos que caracterizam os crimes tipificados nos arts. 1° e 2° da Lei n° 8.137, de 27 de dezembro de 1990.
Preliminar Rejeitada.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.798
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de prova ilícita por quebra de sigilo bancário. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre (Relator) Flavio Araujo Rodrigues Torres que acolhiam a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Redator Designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: Carlos César Quadros Pierre
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FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS DIRETAMENTE AO FISCO. PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. PROCEDIMENTO FISCAL. A Constituição Federal de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). Quando o Fisco, nos termos da Lei Complementar nº 105, de 2001, recebe diretamente das instituições financeiras informações sobre a movimentação das contas bancárias dos contribuintes, sem prévia autorização judicial, mas com regular procedimento fiscal instaurado, constatada sua imprescindibilidade a juízo da autoridade administrativa competente, e não há decisão definitiva do Poder Judiciário dizendo da inconstitucionalidade de tal dispositivo, nos casos que foram especificados e regulamentados por normas posteriores, sustentar que a expressão “diretamente ao Fisco” deve ser interpretada no sentido de que “desde que haja ordem judicial” é, data venia, negar aplicação da lei. MULTA QUALIFICADA A multa de oficio de 150% é aplicável sempre que presentes os elementos que caracterizam os crimes tipificados nos arts. 1° e 2° da Lei n° 8.137, de 27 de dezembro de 1990. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 45 15 /2 00 6- 32 Fl. 259DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por CARLOS CESAR QUAD ROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.014515/200632 Acórdão n.º 2801003.798 S2TE01 Fl. 468 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de prova ilícita por quebra de sigilo bancário. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre (Relator) Flavio Araujo Rodrigues Torres que acolhiam a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Redator Designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 5ª Turma da DRJ/BHE (Fls. 214), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra o contribuinte precitado foi lavrado o Auto de Infração às fls. 2 a 6, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2002 e 2003, anoscalendário 2001 e 2002, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 65.158,10, acrescido de multa de oficio e juros de mora calculados até novembro de 2006. No caso, o lançamento decorre de omissão de rendimentos de trabalho sem vinculo empregatício recebidos de pessoa jurídica, consubstanciada, de acordo com a fiscalização, em comissões provenientes de intermediação, pela empresa IGNIMPEX, de contrato de cessão de créditos tributários entre diversas usinas situadas no Estado de Alagoas e a COPASA/MG, entre outras empresas. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por CARLOS CESAR QUAD ROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.014515/200632 Acórdão n.º 2801003.798 S2TE01 Fl. 469 3 Ainda segundo a autoridade fiscal, para driblar a fiscalização, foi aberta a empresa de fachada ABS Assessoria e Cobrança Ltda., cuja conta bancária foi uma das fontes de pagamento das referidas comissões. Outra fonte de pagamento das comissões foi a empresa Copertrading Comércio, Exportação e Importação, uma das pontas no contrato de cessão de créditos; as comissões pagas pela Copertrading teriam sido acobertadas por notas fiscais da AB S Assessoria e Cobrança Ltda., razão pela qual a multa de oficio foi agravada. Sobre o imposto suplementar foi lançada multa qualificada de 150% e feita representação fiscal para fins penais, processo n° 10680.014518/200676, anexo. Como enquadramento legal são citados, entre outros, os seguintes dispositivos: arts. 10 a 3 0 e §§ da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988; arts. 1 ° ao 3° da Lei n° 8.134, de 27 de dezembro de 1990; art. 1 0 da Lei no 9.887, de 7 de dezembro de 1999 e art. 1 0 da Lei n° 10.451, de 10 de maio de 2002. Cientificado em 23/12/2006 (fl. 185), em 22/01/2007, o contribuinte apresenta, por meio de representante (procuração á. fl. 206) a impugnação às fls. 194 a 200, acompanhada do documento à. fl. 202, alegando, em síntese, que: • O impugnante iniciou o processo de aquisição da sociedade empresária ABS •Assessoria e Cobrança Ltda, constituída previamente. Na negociação da alienação das quotas da referida sociedade, recebeu, a titulo provisório, instrumento público de mandato extrajudicial de modo a exercer a representação legal da sociedade e gerenciar a conta bancária n° 15.5985 da agência n°2091 do banco Bradesco; • O impugnante, em defesa escrita, admitiu a titularidade dos valores recebidos, ora consignados na tabela à fl. 3; • A existência da empresa ABS Assessoria e Cobrança é comprovada pelo contrato social, que foi devidamente registrado em 05/03/2001 e pelo instrumento público de mandato extrajudicial, lavrado por notário e que possui fé pública; • É inverídica a afirmação de que o valor de R$ 1.908.424,88, sacado diretamente na boca do caixa, tenha como beneficiário final a própria ABS. Tais valores foram destinados, em sua integralidade, à empresa IGNIMPEX Gestão de Negócios Ltda. até porque não é crível que a ABS percebesse remuneração superior à própria empresa detentora originária da transação comercial realizada; • Descabe a aplicação da multa de 150%, pois não restou provado o evidente intuito de fraude. A luz do principio da boa fé, não poderia supor que o contrato social da ABS padecia de qualquer vicio. A alegação, supostamente atribuída ao ex sócio Eduardo Gomes de Aguilar, de que seus documentos pessoais teriam sido utilizados sem seu consentimento para a constituição da referida empresa soa desarrazoada e imprópria, eis que Fl. 261DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por CARLOS CESAR QUAD ROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.014515/200632 Acórdão n.º 2801003.798 S2TE01 Fl. 470 4 intempestiva, imprecisa e contrária ao conteúdo do documento reconhecido em cartório, detentor de fé pública. A empresa ABS não se constituía em "empresa de fachada". Ao final, protesta pela produção de provas, notadamente a análise da autenticidade documental do instrumento público de mandato judicial ora acostado, requer a realização de diligência junto ao cartório emissor do referido documento para que forneça certidão de sua autenticidade e solicita o cancelamento da exigência. Passo adiante, a 5ª Turma da DRJ/BHE entendeu por bem julgar o lançamento procedente, em decisão que restou assim ementada: RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Será efetuado lançamento de oficio, no caso de omissão de rendimentos tributáveis percebidos pelo contribuinte. MULTA QUALIFICADA A multa de oficio de 150% é aplicável sempre que presentes os elementos que caracterizam os crimes tipificados nos arts. 1° e 2° da Lei n° 8.137, de 27 de dezembro de 1990. Cientificado em 14/05/2007 (Fls. 223), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 13/06/2007 (fls. 224 a 241), argumentando em síntese: (...) 6.5. E o caso em tela é farto em demonstrar que os rendimentos omitidos têm origem licita. Bem por isso, o fato de estarem todos amparados em documentos contemporâneos aos respectivos fatos geradores. 7. A par das hipóteses agasalhadas pelo art. 137 — inexoravelmente aplicáveis ao art. 44, II, da Lei 9.430/96 — não se pode prescindir da comprovação induvidosa do dolo (= "EVIDENTE intuito de fraude", do art. 44, II, da Lei 9.430/96), máxime à luz da norma do art. 112 do CTN que reza o principio nuclear do in dúbio pro reo. (...) 9. Ponto é que a presunção de legitimidade impera para o lançamento tributário, tornandoo válido e apto a produzir efeitos. Todavia, uma vez impugnado esse lançamento, não pode militar em favor da Administração a presunção de veracidade, devendo o Fisco provar o alegado. 9.1. É que a presunção de legitimidade não vigora sobre o conteúdo do ato administrativo. Ele é legitimo até que seja impugnado e posto fora do sistema se assim for decidido. Isso porque, com a impugnação caberá a verificação sobre o seu Fl. 262DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por CARLOS CESAR QUAD ROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.014515/200632 Acórdão n.º 2801003.798 S2TE01 Fl. 471 5 conteúdo, não lhe sendo imputada qualquer presunção em seu favor. 9.2. Em uma palavra: o lançamento tributário não se sustenta por si só. Uma vez enunciado, será dado o conhecimento de seu teor ao sujeito passivo, que pode reconhecer a imposição e pagar o tributo — porque admitiu como válido o enunciado nele contido — ou pode com ele não concordar, seja por meio da impugnação (administrativa ou judicial), seja pelo simples fato de não pagar — porque não reconheceu como válido o enunciado nele contido e não concordou com a relação obrigacional imposta. (...) 9.4. Então, não há presunção — no sentido de que não precisa ser provado — com referência ao conteúdo do ato — do enunciado fático do acontecimento — mas, há a validade do ato jurídico administrativo do lançamento tributário, no sentido de existir no sistema do direito como válido e eficaz até que sofra impugnação ou que seja revisado de oficio. 10. "Seria, assim, um absurdo admitir que o contribuinte teria de pagar um tributo apenas porque não teve condições de provar a inocorrência de determinado fato. 0 desconhecimento da teoria da prova, ou a IDEOLOGIA AUTORITÁRIA, tem levado alguns a afirmarem que no processo administrativo fiscal o ONUS DA PROVA É DO CONTRIBUINTE. Isto não é nem poderia ser correto em um Estado de Direito democrático , O ônus da prova no processo administrativo fiscal é regulado pelos princípios fundamentais da teoria da prova, expressos, alias, pelo Código de Processo Civil, cujas normas são aplicáveis ao processo administrativo fiscal." (...) 22. Inobstante, o que os presentes autos têm a revelar, assim parece, é que a Fazenda Pública quer, a todo custo, maximizar hiperbolicamente a arrecadação, valendose de indemonstráveis presunções acerca de uma suposta omissão dolosa (quando muito, deduzindo precipitadamente um pretenso dolo do cipoal de dúvidas que cercam o caso), revelando explicitamente rematado desdém perante o art. 112 do CTN. 23. Salta aos olhos que o Recorrente admitiu a divida, confessandoa espontaneamente a medida que colaborou ativamente durante o procedimento de fiscalização. 23.1. Vale dizer, o Recorrente reconheceu confessadamente como válida a divida para com a Receita Federal, ou seja, espontaneamente reconheceu a premência em se pagar moratoriamente o tributo devido; quanto a obrigação tributária principal nada impugnou. 24. Sem embargo, não pode concordar o Recorrente com a imputação, "insubsistentemente infundada", da intenção Fl. 263DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por CARLOS CESAR QUAD ROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.014515/200632 Acórdão n.º 2801003.798 S2TE01 Fl. 472 6 fraudulenta. Esta, ao sabor arbitrário do Fisco, teria sido manejada apenas para efeito de majorar estratosfericamente o crédito tributário e, dessa forma, auferir imoderadamente mais receita. Tudo, sob o pretexto notoriamente falacioso da supremacia do interesse público (= quanto maior a receita maior é o retorno em benefícios à população). 24.1. Debalde, o principio da segurança jurídica é inerente a todo Estado de Direito que tem por alicerce a legalidade do administrador em detrimento de sua vontade própria. 24.2. Eis que o principio da segurança jurídica "6 a prevalência dos direitos e garantias individuais constitucionalmente assegurados sobre os chamados 'privilégios da administração”. (...) 25. Resumindo, a aplicação da multa qualificada de 150% não pode radicar na discricionariedade (in casu, verdadeiro arbítrio) da autoridade fazendária, antes, tem que se restringir à finalidade do instituto, que no caso do art. 44, II, da Lei 9.430/96, é tão só punitiva (i.e., punese em função de um evidente intento de fraude); jamais, arrecadatória. 26. À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da manutenção da multa qualificada, REQUER o Recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose a multa de oficio de 150%. Em 10/08/2007 o contribuinte foi cientificado da Intimação 592/07 da DRF/BHE/Secat/Eqprof , com o seguinte conteúdo: Sr. Contribuinte, Tendo em vista Recurso Voluntário referente ao processo supracitado, entregue em 13/06/2007, onde V. Sa• reconheceu a premência de pagar moratoriamente o tributo devido, litigando somente sobre a aplicação da multa de oficio de 150%, solicitamos a comprovação, em dez dias, do efetivo pagamento da parte não litigiosa (segue DARF para pagamento, em anexo). Após os dez dias, o processo original será desmembrado, prosseguindo o Recurso Voluntário para julgamento, e cobrado o valor não litigioso no processo apartado. Em 27/08/2007 a DRF/BHE propôs o encaminhamento do processo ao antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, para prosseguimento. Em 18 de Abril de 2013, (Fls. 460 a 466) aprouve aos membros do Colegiado desta egrégia 1ª Turma Especial da Segunda Sessão de Julgamento, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, com base no disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, tendo em vista o Fl. 264DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por CARLOS CESAR QUAD ROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.014515/200632 Acórdão n.º 2801003.798 S2TE01 Fl. 473 7 reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria. Encerrado o sobrestamento, o processo voltou à pauta de julgamento, sendo distribuído a este conselheiro. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. De início, verifico que o lançamento objeto do presente processo versa sobre omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Compulsando os autos (doc de página 02 do anexo), também observo que a fiscalização, com base no art. 6° da Lei Complementar 105/2001, requisitou de instituições bancárias os extratos bancários da empresa utilizada pelo contribuinte. Do exposto, peço vênia para adotar integralmente o ensinamento do Conselheiro Rafael Pandolfo. O crédito tributário debatido no presente recurso tem como fundamento o art. 42, da Lei nº 9.430/95. Para chegar à comprovação da materialidade do tributo — depósitos bancários sem origem identificada — o Fisco utilizouse de Requisição de Informações de Informação Financeira — RMF, instrumento administrativo que teria como objetivo dar eficácia ao disposto na Lei Complementar nº 105/01, na Lei nº 9.311/96 e no Decreto nº 3.724/01. Ocorre que o PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, decidiu dar INTERPRETAÇÃO CONFORME A CONSTITUIÇÃO a esses atos normativos, de modo a considerar imprescindível a requisição ao Poder Judiciário de permissão para violar o sigilo de dados do contribuinte. O julgamento recebeu a seguinte ementa: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na Fl. 265DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por CARLOS CESAR QUAD ROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.014515/200632 Acórdão n.º 2801003.798 S2TE01 Fl. 474 8 relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. (RE 389808, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 15/12/2010, DJe086 DIVULG 09052011 PUBLIC 10052011 EMENT VOL0251801 PP00218 RTJ VOL00220 PP00540) A supracitada decisão teve como objetivo tanto conciliar a necessidade do Fisco de ter acesso a dados sigilosos para conseguir atingir seu desiderato, quanto preservar o sigilo de dados dos contribuintes e a inafastabilidade da jurisdição em matérias sensíveis à violação de direitos, garantias explicitadas nos incisos XII e XXXV, do art. 5º, da CF: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XII é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal; XXXV a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito; O Supremo Tribunal Federal, portanto, ao enfrentar o tema ora apreciado, não declarou a inconstitucionalidade de qualquer dispositivo, nem mesmo a inconstitucionalidade sem redução de texto. Simplesmente, analisando o ordenamento tributário brasileiro, adotou interpretação conforme a Constituição, fixando aos enunciados infraconstitucionais analisados um conteúdo deôntico compatível com a Carta Maior. Transcrevese, abaixo, trecho extraído do voto do Relator (acompanhado pela maioria dos demais Ministros), que explicita a técnica de julgamento aplicada: Assentando que preceitos legais atinentes ao sigilo de dados bancários hão de merecer, sempre e sempre, interpretação, por mais que se potencialize o objetivo, harmônica com a Carta da República, provejo o recurso interposto para conceder a segurança. Defiro a ordem para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto aos dados bancários do recorrente. COM ISSO, CONFIRO À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA – LEI Nº 9.311/96, LEI COMPLEMENTAR Nº 105/01 E DECRETO Nº 3.724/01 — INTERPRETAÇÃO CONFORME À CARTA FEDERAL, TENDO COMO CONFLITANTE COM ESTA A QUE IMPLIQUE AFASTAMENTO DO SIGILO BANCÁRIO DO CIDADÃO, DA PESSOA NATURAL OU DA JURÍDICA, SEM ORDEM EMANADA DO JUDICIÁRIO. (Destaque nosso, STF. RE 389.808/PR. Rel. Min. Marco Aurélio. Julg. em 15/12/10). Fl. 266DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por CARLOS CESAR QUAD ROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.014515/200632 Acórdão n.º 2801003.798 S2TE01 Fl. 475 9 A respeito do tema, deve ser repisado o conteúdo da cláusula de reserva de plenário, inserida no art. 97 do Texto Constitucional, abaixo transcrita: Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. A decisão proferida no âmbito do Recurso Extraordinário 389.808, embora tenha sido por maioria simples (5X4), foi dotada de quorum insuficiente à declaração de inconstitucionalidade de qualquer dispositivo, que é de seis votos (maioria absoluta), conforme preceito constitucional acima reproduzido. Isso prova, matematicamente, que o desfecho do tema conferido pelo STF não implicou no reconhecimento de inconstitucionalidade dos enunciados infraconstitucionais analisados. Na realidade, conforme expresso no julgamento, o precedente referido realizou interpretação conforme a Constituição, técnica que, embora atue no mesmo plano significativo de declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, dela se diferencia por não afastar significados, mas compelir a aplicação de uma interpretação específica, que torna o dispositivo analisado compatível com a Constituição. A sutileza é relevante. Basta verificar que, na interpretação conforme a Constituição, não se declara a inconstitucionalidade de qualquer enunciado ou significado a ele atribuído. A interpretação conforme a Constituição, portanto, não se confunde com a declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, como bem aponta o Professor e Ministro Gilmar Ferreira Mendes: Ainda que não se possa negar semelhança dessas categorias e a proximidade do resultado prático da sua utilização, é certo que, enquanto na interpretação conforme à Constituição se tem, dogmaticamente, a declaração de que uma lei é constitucional com a interpretação que lhe é conferida pelo órgão judicial, constatase, na declaração de nulidade sem redução de texto, a expressa exclusão, por inconstitucionalidade, de determinadas hipóteses de aplicação (Anwendungsfalle) do programa normativo sem que se produza alteração expressa do texto legal (MENDES, Gilmar Ferreira, Jurisdição constitucional: o controle abstrato de normas no Brasil e na Alemanha. 5 ed. – São Paulo: 2005, pp. 354355). Desse modo, concluise que: a) não existe dispositivo regimental que impeça o julgamento do tema pelo CARF, a partir da revogação realizada pela Portaria nº 545/13; b) o STF, ao enfrentar o tema em sede de jurisdição difusa, não declarou a inconstitucionalidade de qualquer enunciado, aplicando a interpretação conforme a Constituição (que dispensou, inclusive, a cláusula de reserva de Plenário exigida pelo art. 97 da CF/88); c) não incide o óbice inserido no art. 26 – A do Decreto 70.235/72, pois o deslinde do feito dispensa qualquer reconhecimento de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, conforme desfecho conferido ao tema pelo STF, ao analisar o RE nº 389.808. Pelo Fl. 267DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por CARLOS CESAR QUAD ROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.014515/200632 Acórdão n.º 2801003.798 S2TE01 Fl. 476 10 mesmo motivo, não se cogita de aplicação da Súmula nº 2 do CARF e do art. 62 – A do Regimento Interno do CARF; d) segundo a interpretação conforme a Constituição realizada pelo STF (RE nº 389.808), a requisição de informações financeiras é valida e seus dispositivos normativos, contidos na Lei Complementar nº 105/01, Lei 9.311/96 e Decreto 3724/01 vigentes, desde que ocorra a prévia autorização do Poder Judiciário. Reforçando uma diretiva óbvia e inerente ao devido processo legal, o art. 30, da Lei nº 9.784/99, determina que são inadmissíveis, no processo administrativo, as provas obtidas por meios ilícitos. O dispositivo busca retirar os incentivos para que os agentes públicos desviemse dos procedimentos regulares, através da inutilização de seu trabalho quando realizado de forma que contrarie o direito. A ilicitude da prova, no caso, é corolário lógico da incompatibilidade da sua obtenção com os ditames fixados pelo STF, em interpretação conforme a Constituição. A constituição válida do crédito tributário exige prova da materialidade revelada através de procedimento válido perante o ordenamento jurídico pátrio. Malgrado essa hipótese, não há obrigação tributária pela ausência de prova que, validamente, ratifique o conceito de fato previsto na hipótese normativa tributária. Ressalto a importância do tema em questão, dentro de um estado democrático de direito. A regra positivada em nosso ordenamento tem origem na doutrina e jurisprudência americanas (exclusionary rules, caso Elkins v. United States), que consolidaram o entendimento segundo o qual o Estado, enquanto defensor dos direitos fundamentais, terá como Pírrica toda vitória obtida com base na violação desses Direitos, pois, com o pretexto de vencer uma batalha contra um ilícito isolado, leva à bancarrota o próprio Estado Democrático de Direito que almeja proteger1. Ocorre que não só as provas obtidas ilicitamente são vedadas, como também aquelas que delas se derivam. A doutrina do “fruit of the poisonous tree”, ou simplesmente “fruit doctrine” – “fruto da árvore envenenada”, aplicada primeiramente na jurisprudência americana (caso Silverthine Lumber Co. v. United States), estabelece que as provas obtidas por meios ilícitos contaminam aquelas delas decorrentes. Assim, tanto as conclusões decorrentes dos dados bancários obtidos através da quebra ilegal do sigilo, quanto os outros elementos probatórios que deles originamse, são fruto da prova que restou contaminada pela ausência de requisição prévia ao poder judiciário para quebra do sigilo bancário. Como visto, a finalidade do art. 30, da Lei nº 9.784/99 é coibir os abusos estatais através da inutilização dos efeitos dos atos ilícitos cometidos por seus agentes. Dessa forma, qualquer prova que tenha sido produzida à margem do critério definido pelo STF revelase estéril ao nascimento válido da obrigação tributária. Na hipótese, somente foi possível a constituição do crédito tributário com base no art. 42 da Lei nº 9.430/95, através das provas obtidas junto às instituições financeiras por meio de quebra de sigilo bancário sem prévia autorização judicial ou do titular da conta bancária. Ou seja, se a fiscalização não houvesse expedido a RMF, não teria concluído pela omissão de rendimentos, e não teria lavrado o auto de infração sob esse argumento. 1 COSTA ANDRADE, Manuel da. Sobre as proibições de prova em processo penal. Coimbra: Coimbra Editora, 1992. p. 73. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por CARLOS CESAR QUAD ROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.014515/200632 Acórdão n.º 2801003.798 S2TE01 Fl. 477 11 Sendo assim, entendo que a infração omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em suas contas correntes, mantidas em instituições financeira, em relação aos quais, quando regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, deve ser excluída, pois carecem de materialidade obtida no seio de um devido processo legal (conforme entendimento adotado pelo STF). Caso vencido na preliminar acima argüida, passo a analisar o mérito da questão. Quanto ao mérito, o Recorente, desde sua impugnação, admite a omissão de rendimento, mas contesta a aplicação da multa qualificada de 150%. Contudo, entendo que estão presentes nos autos os elementos que dão sustentação a aplicação da multa qualificada de 150%. De fato, o Acórdão da DRJ, que adoto em parte como razão de decidir, foi clarissimo ao apontar as razões da aplicação da multa qualificada; in verbis: “Insta frisar que a questão relevante a ser abordada não se refere à. autenticidade do instrumento público de mandato extrajudicial que possibilitou ao impugnante exercer a representação legal da ABS e gerenciar a conta bancária da sociedade, mas à regularidade da constituição e funcionamento da empresa ABS, a qual emitiu ordens de pagamento que beneficiaram o impugnante, que foram objeto do presente lançamento. A lavratura do referido instrumento público de mandato extrajudicial não tem, por si só, o condão de regularizar a constituição da empresa ABS. Informa o autuado que iniciou o processo de aquisição da sociedade empresária ABS Assessoria e Cobrança Ltda, constituída previamente. Aduz que, na negociação da alienação das quotas da referida sociedade, recebeu, a titulo provisório, instrumento público de mandato extrajudicial de modo a exercer a representação legal da sociedade e gerenciar a conta bancária n° 15.5985 da agência n°2091 do banco Bradesco. Acrescenta que, em defesa escrita, admitiu a titularidade dos valores recebidos, ora consignados na tabela 6. fl. 3, que correspondem aos valores objetos do presente lançamento. Sustenta o interessado que a existência da empresa ABS Assessoria e Cobrança é comprovada pelo contrato social, que foi devidamente registrado em 05/03/2001 e pelo instrumento público de mandato extrajudicial, lavrado por notário e que possui fé pública. Afirma ser inveridica a afirmação de que o valor de R$ 1.908.424,88, sacado diretamente na boca do caixa, tenha como beneficiário final a própria ABS. Tais valores teriam sido destinados, segundo ele, em sua integralidade, à empresa IGN EV1PEX Gestão de Negócios Ltda. até porque não seria crível que a ABS percebesse remuneração superior à própria empresa detentora originária da transação comercial realizada. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por CARLOS CESAR QUAD ROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.014515/200632 Acórdão n.º 2801003.798 S2TE01 Fl. 478 12 Não obstante, não se pode convencer desses argumentos. A uma porque, em visita ao endereço cadastral da mencionada empresa, a fiscalização constatou que ali não funcionava nenhum estabelecimento. A duas porque, muito antes do inicio do procedimento fiscal de que resultou o presente lançamento, em 17/11/2003, Eduardo Gomes Aguilar, que figura no contrato de constituição da empresa ABS como um de seus sócios fundadores, formalizou na Secretaria da Receita Federal o processo n° 10680.016641/200389, no qual informa que perdeu seus documentos e que a empresa foi aberta a sua revelia, sendo que ele não reconhece como sua a assinatura aposta no referido contrato [fls. 34 a 38 (principal), 175 e 176 (anexo I)]. A três porque, consultando a página da interne da Ordem dos Advogados do Brasil — OAB, a fiscalização descobriu que o n° de registro do advogado constante do contrato social, que foi levado para registro na JUCEMG, pertencia a outro advogado que já havia, inclusive, falecido (fls. 13 a 17 e 177 do anexo I). A quatro, porque a empresa encontrase inapta perante o cadastro da Secretaria da Receita Federal, em virtude da omissão de rendimentos, auferidos nos anos de 2001 e 2002, tendo em vista a ausência de apresentação de declarações à repartição fiscal federal. No mesmo sentido, não restou comprovada a destinação integral dos valores depositados na conta bancária da ABS, a qual o autuado gerenciava, para a empresa IGNIMPEX. Entende também o requerente que descabe a aplicação da multa de 150%, pois não restou provado o evidente intuito de fraude. Afirma que, a luz do principio da boafé, não poderia supor que o contrato social da ABS padecia de qualquer vicio. Aduz que a alegação, supostamente atribuída ao exsócio Eduardo Gomes de Aguilar, de que seus documentos pessoais teriam sido utilizados sem seu consentimento para a constituição da referida empresa soa desarrazoada e imprópria, eis que intempestiva, imprecisa e contrária ao conteúdo do documento reconhecido em cartório, detentor de fé pública. Acrescenta que a empresa ABS não se constituía em "empresa de fachada". A multa de oficio aplicada foi a prevista na Lei n° 9.430, de 1996, art. 44, inciso II, reproduzido a seguir: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I — de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; — cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis." Fl. 270DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por CARLOS CESAR QUAD ROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.014515/200632 Acórdão n.º 2801003.798 S2TE01 Fl. 479 13 Por oportuno, confirase a redação da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, arts. 71, 72 e 73: "Art. 71 — Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I — da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II — das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 — Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 — Conluio é o ajuste doloso entre ditas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no artigo 71 e 72." Para embasar a representação fiscal para fins penais (processo apenso) a fiscalização fundamentouse, entre outros, no art. 1° da Lei n° 8.137, de 27 de dezembro de 1990, verbis: "Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: I — omitir informação, ou prestar informação falsa às autoridades fazendárias; 11 fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; III falsificar ou alterar nota fiscal, fatura, duplicata, nota de venda, ou qualquer outro documento relativo a operação tributável; IV elaborar, distribuir, fornecer, emitir ou utilizar documento que saiba ou deva saber falso ou inexato; V negar ou deixar de fornecer, quando obrigatório, nota fiscal ou documento equivalente, relativa a venda de mercadoria ou prestação de serviço, efetivamente realizada, ou fornecêla em desacordo com a legislação. Pena reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. Parágrafo único. A falta de atendimento da exigência da autoridade, no prazo de 10 (dez) dias, que poderá ser convertido em horas em razão da maior ou menor complexidade da matéria Fl. 271DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por CARLOS CESAR QUAD ROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.014515/200632 Acórdão n.º 2801003.798 S2TE01 Fl. 480 14 ou da dificuldade quanto ao atendimento da exigência, caracteriza a infração prevista no inciso V. (..)" Conforme evidenciado, o autuado efetivamente gerenciou a conta bancária n° 15.5985 da agência n° 2091 do banco Bradesco, da ABS Assessoria e Cobrança Ltda, que movimentou a maioria das comissões decorrentes da intermediação dos contratos de cessão de crédito celebrados pela empresa IGN IMPEX. Por meio do "Termo de Compromisso de Repasse de Comissão", a IGNIMPEX, representada por seus diretores Ernani Rocha Quintela e Cornélio Diniz, reiterou sua tratativa verbal com o impugnante, de repassar a ele, ou a quem o mesmo indicar, o percentual de 7,5% sobre o contrato n° 0103 MS/2001. Referido documento descreve a parceria entre a empresa IGNIMPEX e o autuado, o que reforça a convicção de que o interessado efetivamente participou das operações, inclusive das transferências de comissões a terceiros, entre os quais figura, como principal destinatário dos recursos, a ABS Assessoria e Cobrança (fls. 111 do anexo I). A ABS foi beneficiada com a transferência de cerca de 80% das comissões pagas pela intermediação das cessões de créditos, apesar de não figurar no contrato de intermediação, ter tido constituição irregular e em diligência realizada no endereço cadastral da empresa a fiscalização ter constatado que ali não funcionava nenhum estabelecimento. Também merece destaque o fato de que o autuado não havia declarado ao fisco o valor das comissões decorrentes da intermediação de cessão de crédito. (grifei) (pág 218 a 220 dos autos) Cumpre ainda destacar que o suposto sócio fundador da empresa ABS, que teve seus documentos perdidos, além de negar ter constituído tal empresa, também negou ter comparecido em cartório para outorgar poderes de representação em procuração para o recorrente; conforme descrito no termo de verificação fiscal: No dia 07/12/2006, o Sr. Eduardo Gomes de Aguilar, garçom, CPF 031.070.40657, presumível sócio fundador da ABS foi localizado e compareceu à Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte, onde lavrou a TERMO as informações constantes do documento de fls. S. Ali ratifica que teve seus documentos extraviados, descobrindo posteriormente que os mesmos foram utilizados para abertura de empresa à sua revelia. Informa ainda que não conhece a Sr. Maria Auxiliadora Alves, CPF 671.649.94668, constante do contrato social como a outra sócia da empresa ABS. Tendo sido mostrada a procuração, lavrada no Cartório de são Jose da Lapa/MG, em que dá poderes para o Sr. Antônio Humberto de Carvalho Martins movimentar a conta da ABS, informou que nunca foi ao referido Cartório e que desconhece as assinaturas apostas no contrato social e na procuração como sendo sua. Alegou ainda que desconhece as diversas pessoas envolvidas nos fatos aqui narrados, inclusive o Sr. Antônio Humberto.(grifei) (doc. pág. 10 dos autos) Fl. 272DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por CARLOS CESAR QUAD ROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.014515/200632 Acórdão n.º 2801003.798 S2TE01 Fl. 481 15 Ademais, embora o caso trate de omissão de rendimentos que não são decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada, entendo que o fato do recorrente ter se utilizado da conta da pessoa jurídica para movimentar valores pertencentes a si, permite a aplicação, por analogia, da Súmula CARF número 34, de aplicação obrigatória por este conselheiro. Súmula CARF nº 34: Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. Deste modo, entendo como presentes os elementos tipificadores descritos nos artigos 71 e 72 da Lei 4.502, de 30 de novembro de 1964; que, por sua vez, embasam a aplicação da multa qualificada de 150%. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por acatar a preliminar de nulidade do lançamento ante a prova ilícita e, caso vencido, voto, no mérito, por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Voto Vencedor Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada Redator Designado. Apesar do destaque da tese jurídica exposta no Voto do ilustre Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, peço vênia para discordar, nos seguintes termos. PRELIMINAR. O fornecimento das informações sobre movimentação bancária do contribuinte obtidas pelo Fisco com fulcro na Lei Complementar nº 105, de 2001, por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial, é assunto na esfera das matérias de “repercussão geral” no Supremo Tribunal Federal, conforme o Recurso Extraordinário (RE) 601.314, cuja ementa vai aqui transcrita: EMENTA CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA Fl. 273DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por CARLOS CESAR QUAD ROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.014515/200632 Acórdão n.º 2801003.798 S2TE01 Fl. 482 16 DE REPERCUSSÃO GERAL. (RE 601314/RG, Relator (a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, julgado em 22/10/2009, DJe218 DIVULG 19112009 PUBLIC 20.11.2009 EMENT VOL 0238307 PP01422) A ementa pareceme clara ao estabelecer que a Corte Suprema deverá decidir, especificamente, sobre a possibilidade legal, estabelecida pela Lei Complementar nº 105 de 2001, de que informações sobre movimentações bancárias dos contribuintes sejam fornecidas pelas instituições financeiras “diretamente ao Fisco”. Essa é a questão. Foi, inclusive, atribuída ao tema a repercussão geral, tendo o Tribunal, em outras ocasiões, determinado o sobrestamento do julgamento de recursos que versem sobre o mesmo, como se pode observar a seguir: Decisão: Vistos. Verifico que a discussão acerca da violação, ou não, aos princípios constitucionais que asseguram ser invioláveis a intimidade e o sigilo de dados, previstos no art. 5º, X e XII, da Constituição, quando o Fisco, nos termos da Lei Complementar 105/2001, recebe diretamente das instituições financeiras informações sobre a movimentação das contas bancárias dos contribuintes, sem prévia autorização judicial teve sua repercussão geral reconhecida no RE nº 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Dessa forma, dados os reflexos da decisão a ser proferida no referido recurso, no deslinde do caso concreto, determino o sobrestamento do presente feito, até o julgamento do citado RE nº 601.314/SP. Publiquese. Brasília, 13 de junho de 2012. Ministro Dias Toffoli Relator Documento assinado digitalmente (RE 410054 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 13/06/2012, publicado em DJe120 DIVULG 19/06/2012 PUBLIC 20/06/2012).(grifei) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – BAIXA À ORIGEM. 1. Reconsidero o ato de folhas 343 a 344. 2. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 3. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, havendo a intimação do acórdão de origem ocorrido posteriormente à data em que iniciada a vigência do sistema da repercussão geral, bem como presente o objetivo maior do instituto – evitar que o Supremo, em prejuízo dos trabalhos, tenha o tempo tomado com questões repetidas – , determino a devolução dos autos ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Façoo com fundamento no artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno deste Tribunal, para os efeitos do artigo 543B do Código de Processo Civil. 4. Publiquem. Brasília, 3 de novembro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator(AI 714857 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Fl. 274DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por CARLOS CESAR QUAD ROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.014515/200632 Acórdão n.º 2801003.798 S2TE01 Fl. 483 17 julgado em 03/11/2011, publicado em DJe217 DIVULG 14/11/2011 PUBLIC 16/11/2011).(grifei) Observo que a tese dos “frutos da árvore envenenada” fundouse em “interpretação conforme a Constituição”, com base na decisão do Pretório Excelso tomada no julgamento do RE nº 389.808, datada de dezembro de 2010, de Relatoria do Ministro Marco Aurélio. Não obstante, o próprio Ministro, em 03/11/2011, determinou a devolução de autos que tratam do mesmo assunto ao Tribunal de origem para que se aguarde o julgamento do RE nº 601.314/SP, que concluiu pela repercussão geral do tema. Assim, em nosso sistema jurídico, as leis presumemse válidas e constitucionais, até declaração do Poder Judiciário em contrário. Não há decisão definitiva do STF dizendo da inconstitucionalidade de dispositivos da LC 105 de 2001, que autorizem o fornecimento de informações bancárias dos contribuintes “diretamente ao Fisco”, nos casos que foram especificados e regulamentados por normas posteriores. Sustentar que a expressão “diretamente ao Fisco” deve ser interpretada no sentido de que “desde que haja ordem judicial” é, a meu ver, negar aplicação da lei, que requer apenas que haja procedimento administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso, e confere à autoridade administrativa a consideração sobre a imprescindibilidade do exame dos dados, como foi aqui o caso. LC 105/2001 Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Quanto aos argumentos que erigem o sigilo bancário ao patamar constitucional, para se conciliar, em interpretação conforme a Constituição, sua garantia com as necessidades e deveres do Fisco, concluindose que somente com ordem judicial o dispositivo da Lei Complementar nº 105, de 2001, seria aplicável, destacase excerto do Voto do Ministro Sepúlveda Pertence, quando do julgamento, pelo STF, do MS 21.729, DJ 19/10/2001: “O sigilo bancário só existe no Direito brasileiro por força de lei ordinária. Não entendo que se cuide de garantia com status constitucional. Não se trata de “intimidade” protegida no inciso X do art. 5º da Constituição Federal. Da minha leitura, no inciso XII da Lei Fundamental, o que se protege, e de modo absoluto, até em relação ao Poder Judiciário, é a ‘comunicação de dados’ e não os ‘dados’, o que tornaria impossível qualquer investigação administrativa. Reportome, no caso, brevitatis causao, a um primoroso estudo a respeito do Professor Tércio Sampaio Ferraz Júnior. Em princípio, por isso, se admitiria que a lei autorizasse autoridades administrativas, com função investigatória e sobretudo o Ministério Público, a obter dados relativos a operações bancárias”. (apud CASSONE, Vitório. Sigilo Bancário: Critério de Interpretação Constitucional. RET 55, maijun/07, p. 84) Fl. 275DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por CARLOS CESAR QUAD ROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.014515/200632 Acórdão n.º 2801003.798 S2TE01 Fl. 484 18 O Professor Tércio Sampaio Ferraz Junior, citado pelo Ministro, defende a possibilidade de acesso aos dados bancários, pelo Fisco, com a profundidade analítica que lhe é peculiar, fazendo um paralelo entre o interesse público e o privado, para concluir que as autoridades fiscais "no tocante às informações sobre terceiros, exigíveis de instituições financeiras, quando protegidas pela inviolabilidade de sigilo de dados (sigilo bancário), podem ter acesso, observadas as cautelas e formalidades prescritas pela lei". Destaca ainda que não tem dúvidas sobre o valor tanto da privacidade quanto da inviolabilidade do sigilo de dados, mas reconhece que o Poder Público não pode ser inibido de exercer suas funções, principalmente a de fiscalização, quando a própria Constituição prevê o sigilo para as atividades do Estado. (FERRAZ JUNIOR. Tércio Sampaio. Sigilo de dados: o Direito à privacidade e os limites à função fiscalizadora do Estado Cadernos de Direito Tributário e Finanças Públicas, nº 1, RT, São Paulo: 1992, p. 141154.) A matéria relativa à utilização de informações bancárias por parte da RFB encontrase pacificada no STJ, que decidiu, em sede de recurso repetitivo, que a autoridade fazendária pode ter acesso direto às operações bancárias do contribuinte até mesmo para constituição de créditos tributários anteriores à vigência da Lei Complementar nº 105 de 2001, ainda que sem o crivo do Poder Judiciário. A ementa do acórdão submetido ao rito do art. 543 C do CPC está assim redigida: QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A FATOS IMPONÍVEIS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. 1. A quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei 8.021/90 e pela Lei Complementar 105/2001, normas procedimentais, cuja aplicação é imediata, à luz do disposto no artigo 144, § 1º, do CTN. 2. ... 4. O § 3º, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, determinou que a Secretaria da Receita Federal era obrigada a resguardar o sigilo das informações financeiras relativas à CPMF, facultando sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. 5. ... 6. As informações prestadas pelas instituições financeiras (ou equiparadas) restringemse a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados (artigo 5º, § 2º, da Lei Complementar 105/2001). ... Fl. 276DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por CARLOS CESAR QUAD ROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.014515/200632 Acórdão n.º 2801003.798 S2TE01 Fl. 485 19 12. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). 13. Destarte, o sigilo bancário, como cediço, não tem caráter absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade aplicável de forma absoluta às relações de direito público e privado, devendo ser mitigado nas hipóteses em que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. Isto porque, conquanto o sigilo bancário seja garantido pela Constituição Federal como direito fundamental, não o é para preservar a intimidade das pessoas no afã de encobrir ilícitos. ... 20. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Pelo exposto VOTO por rejeitar a preliminar de que haja provas ilícitas obtidas irregularmente pelo Fisco a contaminar estes autos e, superandoa, para que se examine o mérito da controvérsia. Assinado digitalmente. Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por CARLOS CESAR QUAD ROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 35564.002760/2006-54
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/01/2006
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, por intermédio da Súmula Vinculante n° 8, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra do Código Tributário Nacional.
O lançamento fiscal encontra-se parcialmente decadente.
FOLHA DE PAGAMENTO. SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL.
São devidas contribuições sociais sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais, discriminadas nas folhas de pagamento.
ACRÉSCIMO LEGAL.
É devido acréscimo legal quando comprovado recolhimento após prazo regulamentar.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-004.099
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para declarar a decadência do lançamento fiscal até a competência 04/2001, inclusive., pela regra do art. 150, § 4º do CTN.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1996 a 31/01/2006 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, por intermédio da Súmula Vinculante n° 8, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra do Código Tributário Nacional. O lançamento fiscal encontra-se parcialmente decadente. FOLHA DE PAGAMENTO. SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. São devidas contribuições sociais sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais, discriminadas nas folhas de pagamento. ACRÉSCIMO LEGAL. É devido acréscimo legal quando comprovado recolhimento após prazo regulamentar. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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CESSÃO DE MÃO DE OBRA: RETENÇÃO. EMPRESAS EM GERAL. Recorrente RISEL COM. PROD. DERIV. DE PETRÓLEO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/01/2006 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, por intermédio da Súmula Vinculante n° 8, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra do Código Tributário Nacional. O lançamento fiscal encontrase parcialmente decadente. FOLHA DE PAGAMENTO. SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. São devidas contribuições sociais sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais, discriminadas nas folhas de pagamento. ACRÉSCIMO LEGAL. É devido acréscimo legal quando comprovado recolhimento após prazo regulamentar. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para declarar a decadência do lançamento fiscal até a competência 04/2001, inclusive., pela regra do art. 150, § 4º do CTN. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 56 4. 00 27 60 /2 00 6- 54 Fl. 2824DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35564.002760/200654 Acórdão n.º 2803004.099 S2TE03 Fl. 2.825 2 Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 2825DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35564.002760/200654 Acórdão n.º 2803004.099 S2TE03 Fl. 2.826 3 Relatório DO LANÇAMENTO A presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada em 10/05/2006, foi cientificada ao sujeito passivo em 26/05/2006 e referese às contribuições incidentes sobre valores pagos aos segurados empregados e contribuintes individuais, apurados através das folhas de pagamento e da contabilidade da empresa, como assistência médica descaracterização de trabalhador autônomo; de valores relativos à retenção de 11% incidente sobre notas fiscais de prestação de serviço com cessão de mão de obra e de valores referentes à responsabilidade solidária no percentual de 40%, incidente sobre faturas de prestação de serviço até 01/1999. O crédito abrange o período de 01/1996 a 12/2006. Após a impugnação foram efetuadas quatro diligências na notificada e elaborado Relatório Suplementar, com reabertura dos cabíveis prazos de manifestação e defesa. Acórdão de fls. 2704/2734, julgou o lançamento procedente em parte, exonerando do crédito lançado parcialmente, e recorrendo de ofício da decisão em razão do crédito indevido ser superior ao limite de alçada previsto no inciso I do art. 1° da Portaria n° 158, de 11.04.2007. O contribuinte não foi cientificado da decisão exarada, tampouco lhe foi concedido prazo para apresentação de recurso voluntário. O Acórdão nº 2302002.557 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária do CARF, de 20/06/2013, fls. 2767/2770, não conheceu do Recurso de Ofício porque o crédito exonerado não atingiu o limite de alçada. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte foi cientificado da decisão, apresentando recurso voluntário, alegando em síntese: a decadência do período anteriores a 06/2001, nos termos do §4°, do art. 150, do CTN; Páginas 01 a 12 do DADR FOLHAS 2.604 A 2.615 AU AUTÔNOMOS ANTES DA GFIP AU1 AUTÔNOMOS APÓS GFIP NÃO DEC: o lançamento não se subsiste, vez que não possui elementos suficientes para se identificar quais pagamentos ou lançamentos contábeis que serviram de base de cálculo para fins de tributação dos autônomos relacionados, cerceando o direito à defesa. Juntou todas as guias de recolhimentos referentes a contribuições de autônomos, mas foram desconsideradas; Página 12 do DADR FOLHA 2.615 DAL DIFERENÇA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS: as guias de recolhimentos das competências que foram quitadas no prazo regulamentar; Fl. 2826DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35564.002760/200654 Acórdão n.º 2803004.099 S2TE03 Fl. 2.827 4 Páginas 13 a 32 do DADR FOLHAS 2.616 A 2.635 FP FOLHA DE PAGAMENTO ANTES DA GFIP FP1 FOLHA DE PAGAMENTO APÓS GFIP: não comprovou a fiscalização o valor a ser tributado, que não foi objeto de inclusão na folha de pagamento, impossibilitando a defesa por parte da Recorrente. Não foi sequer analisado o argumento segundo o qual a Recorrente, nos termos da ação Ordinária Autos n° 1999.61.00.0197140, por meio de antecipação de tutela, compensou os valores pagos a título de SalárioEducação, até a competência de dezembro de 1996, mas que foram integralmente pagos em 07.2004, conforme guias anexas. Porém, tal discussão perdeu o objeto com a Súmula Vinculante nº 8. Com base nos resumos das folhas de pagamento e guias efetivamente recolhidas, que se referem às demais competências apontadas pela fiscalização, devem ser acatadas para fins de anulação da cobrança em tela; Páginas 32 a 43 do DADR FOLHAS 2.635 A 2.646 LC COMISSÃO NO LD ANTES DA GFIP LC1 COMISSÃO APÓS GFIP NÃO DEC: os valores relacionados decorrem de pagamentos efetuados a representantes comerciais, pessoas físicas. Todo o período foi alcançado pela decadência, nos termos do §4°, do art. 150, do CTN; Páginas 43 a 60 do DADR FOLHAS 2.646 A 2.663 ME ASSIST. MÉDICA ANTES DA GFIP ME1 ASSIST. MÉDICA APÓS GFIP: tratamse de despesas médicas, cujo plano de saúde é destinados a todos os empregados não podendo, portanto, serem consideras como base de cálculo das contribuições previdenciárias, nos termos do Artigo 28, parágrafo 9o, letra "q"; Páginas 61 a 67 do DADR FOLHAS 2.664 A 2.670 RT1 RETENÇÃO SOBRE VENDAS: os valores relacionados correspondem às notas fiscais de prestação de serviços emitidas pelas sociedades de representantes comerciais, pessoas jurídicas, a título de comissão sobre vendas realizadas. Por não figurar na relação exaustiva de serviços constante da Legislação Previdenciária, também não se enquadra nas definições de cessão de mão e obra ou empreitada, não está sujeito à retenção dos 11% à Previdência Social; Páginas 67 a 76 do DADR FOLHAS 2.670 A 2.679 RT2 RETENÇÃO SOBRE DIVERSOS: o Acórdão atacado também mantém como hipótese de retenção valores sob a nomenclatura "diversos", impossibilitando a defesa 06.2001 a 12.2004. Houve cerceamento de defesa; Páginas 76 a 85 do DADR FOLHAS 2.679 A 2.688 RT3 RETENÇÃO SOBRE TEMPORÁRIOS: correspondem às notas fiscais emitidas por agências de trabalho temporário no período compreendido entre 02.1999 e 12.2004. Estão sujeitos à retenção e, por isso, efetuou todas as retenções e os respectivos recolhimentos, conforme se verifica nos documentos juntados nos autos; Páginas 85 a 93 do DADR FOLHAS 2.688 A 2.696 RT4 RETENÇÃO SOBRE AUDIT E CONTAB: por não figurar na relação exaustiva de serviços constante da Legislação Previdenciária, eles ainda não se enquadram nos conceitos de cessão de mão e obra ou empreitada, não estando, por todas essas razões, sujeitos à retenção dos 11% à Previdência Social; Páginas 94 a 97 do DADR FOLHAS 2.697 A 2.700 SOL – SOLIDARIEDADE: correspondem ao período de 01.1997 a 12.1998, todos decadentes, nos termos da Súmula Vinculante n° 8. Fl. 2827DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35564.002760/200654 Acórdão n.º 2803004.099 S2TE03 Fl. 2.828 5 nova diligência para saneamento dos pontos controvertidos, especialmente quanto aos documentos apresentados nos autos; deferimento da sustentação oral quando do julgamento do recurso e a intimação pessoal do patrono para que possa exercer o seu direito a mais ampla defesa e ao contraditório. A recorrente apresentou manifestação aos embargos de declaração alegando erro material sanável no valor retificado do lançamento, que não mudará o resultado do julgamento, assim sendo, deixou de se manifestar contra os pontos controvertidos. É o relatório Fl. 2828DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35564.002760/200654 Acórdão n.º 2803004.099 S2TE03 Fl. 2.829 6 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso voluntário é tempestivo, pressuposto de admissibilidade cumprido, passase ao exame das questões suscitadas. Consta do DSD — Discriminativo Sintético de Débito, fls. 139/162 dos autos digitalizados, lançamento fiscal para as competências: 01/1996 a 01/2006. Consta recolhimento parcial prévio para as competências: 01/1996 a 02/2005, conforme Relatório De Documentos Apresentados – RDA, fls. 163/173. DA DECADÊNCIA A súmula vinculante do STF nº 08 traz: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Com a decisão do Pretório Excelso, a questão passa a ser decidida com base nos artigos art. 150, § 4º e 173, ambos do Código Tributário Nacional – CTN. São os termos: Art.150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Fl. 2829DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35564.002760/200654 Acórdão n.º 2803004.099 S2TE03 Fl. 2.830 7 Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A jurisprudência pátria já assentou que a aplicabilidade do art. 173, inciso I do CTN seria na hipótese de inexistência de pagamento antecipado ou na ocorrência de fraude ou dolo, conforme se transcreve. “Ementa: .... II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) ... “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. .... .... Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) De outro modo, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no artigo 150, § 4º, do CTN, no caso, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador. Assim sendo, devese aplicar a regra do art. 150, § 4º do CTN. O lançamento fiscal se refere ao período 01/1996 a 01/2006, com ciência pelo contribuinte em 11/05/2006, fl. 469. A contar cinco anos anteriores a data da ciência do contribuinte estão decadentes as competências anteriores a 11/05/2001, ou seja, até a competência 04/2001, inclusive. DO LANÇAMENTO FISCAL Consta do relatório fiscal e da decisão recorrida (fls. 2626/2766), que: Levantamentos FP e FP1: Constituem fatos geradores dos levantamentos as remunerações pagas aos segurados empregados e aos sócios (prólabore), discriminadas nas folhas de pagamento, no período de 01/1996 a 01/2006. Fl. 2830DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35564.002760/200654 Acórdão n.º 2803004.099 S2TE03 Fl. 2.831 8 Em relação aos resumos das folhas de pagamento e guias de recolhimentos juntadas, a fiscalização manifestouse no sentido de que a recorrente não demonstrou em nenhuma competência qualquer discrepância ou erro quanto aos valores lançados e, também, não juntou todos os resumos e guias de todo o período levantado. Alguns resumos se encontram incompletos (ex: 12/2002) e outros não pertencem ao lançamento (ex: 12/2003). Também foi verificado pela fiscalização que em comparação ao Discriminativo Analítico de Débito — DAD e com o RDA — Relatório de Documentos Apresentados que: a) o valor lançado na notificação como salário de contribuição corresponde exatamente aos valores constantes dos resumos das folhas de pagamento apresentados pela defesa, citando exemplos; b), também informa que todas as guias, sem exceção, foram aproveitadas no abatimento presente débito. Quanto aos recolhimentos (fls. 635/651), efetuados a posteriori, e referente à compensação indevida, salienta que foram também verificados em comparação com o relatório RDA, e que também foram integralmente aproveitados na dedução do lançamento do presente débito. Destarte, não procede o argumento do contribuinte de que a fiscalização não comprovou o valor a ser tributado. Os valores foram extraídos dos resumos das folhas de pagamento. Assim, não houve cerceamento de defesa. Quanto aos valores da ação Ordinária Autos n° 1999.61.00.0197140, compensados a título de SalárioEducação, até a competência de dezembro de 1996, o período está decadente e não será analisado. Levantamentos AU e AU1: Débito referente a contribuição sobre remuneração de trabalhador autônomo, no período de 05.1996 a 07.2004, cujos valores de salário de contribuição foram extraídos dos valores contabilizados na rubrica contábil de n° 3.1.1.2.2.2.1 que conforme extratos do livro razão recebeu diferentes nomes a descrever: "Honorários Advocatícios ", "Manutenção das Instal/Maq/Móveis Utens. ", "Outras Assessorias e Consultorias" e "Segurança e Medicina do Trabalho ". As competências até 04/2001 estão decadentes e não serão apreciados os argumentos. Os autos foram baixados em diligência e a fiscalização emitiu o Relatório Suplementar, com ciência do contribuinte. As guias apresentadas, em comparação com o relatório RDA, foram as mesmas, integralmente aproveitadas na notificação, nada havendo a ser abatido do débito. Quanto ao argumento do contribuinte de que não teria recebido com a NFLD, o Relatório Fiscal Original e o Relatório de Lançamentos, os autos foram baixados em diligência onde a fiscalização informou que em nenhum momento a defesa abordou o assunto e que fez menção a vários pontos exclusivamente contidos no Relatório fiscal, demonstrando total conhecimento da forma como foram efetuados os lançamentos constantes dos levantamentos. Da análise da planilha elaborada pelo contribuinte e da documentação juntada, a fiscalização opinou pela retificação dos valores das bases de cálculo apuradas na notificação, vez que o contribuinte fez prova de alguns pagamentos efetuados a pessoas Fl. 2831DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35564.002760/200654 Acórdão n.º 2803004.099 S2TE03 Fl. 2.832 9 jurídicas. Consta dos autos Quadro Comparativo do Salário Base Declarado pela Empresa e o Contido no DAD — Discriminativo Analítico de Débito — Código "AU" e "AU1 ", e a demonstração dos valores retificados. Assim, não se subsistem os argumentos do contribuinte de que o levantamento não possui elementos suficientes para se identificar quais pagamentos ou lançamentos contábeis que serviram de base de cálculo. Não houve cerceamento de defesa. As guias de recolhimentos foram consideradas no levantamento fiscal. Levantamento DAL: Em consulta ao sistema, verificouse, através da emissão e análise do Anexo Diferença de Acréscimos Legais — DAL, fls. 2629/2633, que os valores lançados como diferença de acréscimos legais, por se referirem ao mês de pagamento e não à competência da guia, não correspondem às guias apresentadas e, foram efetivamente recolhidos em atraso, havendo diferença no cálculo dos acréscimos legais, revelando a procedência dos valores lançados no levantamento DAL. Desse modo, comprova pela fiscalização que as guias apresentadas não foram quitadas no prazo regulamentar. Levantamentos LC e LC1: Tratam de valores pagos a pessoas físicas que, segundo a fiscalização, prestavam serviço de natureza contínua, na atividade fim da empresa e sob subordinação, além de não estarem revestidos das formalidades de autônomos em razão da solicitação e não apresentação do respectivo registro na CORCESP, Inscrição na Prefeitura e na Previdência Social, conforme se comprova pela atividade fim da empresa que é a venda retalhista de combustíveis e óleos, e o pagamento de salários mensais e custeio das despesas de suas atividades de representação e venda. Constituemse de lançamentos efetuados em período anterior à implantação da GFIP (01.1996 a 11.998) e não declarados em GFIP (01.1999 a 04.2001). A decisão recorrida votou pela improcedência do levantamento fiscal LC e LC1 em razão da ausência da exposição clara e precisa no relatório fiscal da caracterização da subordinação e da inexistência de documentos que provem sua existência, fl. 2750. Levantamentos ME e ME1: Tratase de contribuições incidentes sobre o valor das faturas de prestadoras de serviços de Assistência Médica em razão da cobertura dos benefícios não abranger todos os empregados da empresa, conforme faturas que concedem benefícios diferenciados aos empregados e também em razão dos descontos em folha de pagamento indicarem que o custeio da diferença é arcado pelos empregados beneficiados. As bases de cálculo foram extraídas dos valores contabilizados nas diversas contas de pagamento de faturas de assistência médica nos períodos de 01/1996 a 12/1998 (antes da GFIP) e no período de 01/1999 a 2004 (não declarado em GFIP). Fl. 2832DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35564.002760/200654 Acórdão n.º 2803004.099 S2TE03 Fl. 2.833 10 A decisão recorrida votou pela improcedência dos levantamentos ME e ME1, vez que a fiscalização não logrou provar que a cobertura dos benefícios não abrangia a totalidade dos empregados da empresa, conforme mencionado no Relatório Fiscal, fls. 2753. Levantamento RT1: Bases de cálculo referente à retenção de 11% (onze por cento) sobre fatura de prestação de serviço seja por cessão de mão de obra, ou mão de obra temporária ou por empreitada. Os valores apurados foram levantados através da contabilidade da empresa e correspondem às Notas Fiscais emitidas pelas sociedades de representantes comerciais pessoas jurídicas a título de comissão sobre vendas realizadas no período de 02/1999 e 12/2004. A decisão recorrida votou pela improcedência do levantamento RT1 (fl. 2756). Assim, pelos documentos juntados e pelas pesquisas efetuadas, demonstrouse que as atividades desenvolvidas pelas empresas, cujos contratos foram apresentados, não são de promoção de vendas e eventos, mas sim de representação comercial, não se sujeitando, portanto, à retenção de onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços. Levantamento RT2: Bases de cálculo referentes à retenção de 11 % (onze por cento) sobre fatura de prestação de serviço seja por cessão de mão de obra, ou mão de obra temporária ou por empreitada. Os valores apurados foram levantados através da contabilidade da empresa e correspondem a faturas de serviços contínuos de execução de obras de construção civil, obras de instalação de tanques de óleo e combustíveis, conservação e manutenção da frota de veículos (carros e caminhões) e conservação e manutenção de tanques de óleo e de combustíveis, no período de 02.1999 a 12.2004. Os autos foram baixados em diligência que respondeu que o levantamento se refere a valores lançados a título de Trabalhos Diversos (RT2) no relatório DAD, compreendendo os demais trabalhos terceirizados, como se verifica do Relatório Fiscal e das cópias das 70 faturas exemplificativas dos serviços, contabilizado na rubrica 3.1.1.2.1.2.3.1 — Serviços de Terceiros — Manutenção e Conservação. A contabilidade registra em rubrica genérica nomes de custos diferentes como trabalho temporário, serviços de terceiros — Manutenção e Conservação e outros itens de custo, conforme cópias de seus lançamentos contábeis. Foram identificados os tipos de serviço (alínea "e" do inciso I do Relatório Fiscal e juntado cópias exemplificativas daqueles tipos de serviços, onde a rubrica contábil do plano de contas do contribuinte é genérica a vários custos. A fiscalização salientase que os serviços prestados de execução de obras de construção civil, obras de instalação de tanques de óleo e combustíveis, conservação e manutenção da frota de veículos (carros e caminhões) e conservação e manutenção de tanques de óleo e de combustíveis estão previstos no artigo 219, § 2° do RPS, aprovado pelo Decreto Fl. 2833DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35564.002760/200654 Acórdão n.º 2803004.099 S2TE03 Fl. 2.834 11 3.048/99 como: III construção civil; XV manutenção de instalações, de máquinas e de equipamentos; estando, portanto, sujeitos a prestação dos serviços à retenção de 11% (onze por cento) sobre o valor dos serviços contidos em nota fiscal ou fatura de prestação de serviços. Os serviços prestados de execução de obras de construção civil, obras de instalação de tanques de óleo e combustíveis, conservação e manutenção da frota de veículos (carros e caminhões) e conservação e manutenção de tanques de óleo e de combustíveis, todos constantes da contabilidade, rubrica 3.1.1.2.1.2.3.1 — Serviços de Terceiros — Manutenção e Conservação, foram também exemplificados pela juntada de cópias de diversas faturas aos autos, sendo incabível as alegações da defendente de que estaria impossibilitada de exercer sua defesa por não possuir os autos elementos suficientes para identificar quais tipos de serviços ou quais notas fiscais ou pagamentos serviram de base para o lançamento da exigência de retenção de 11% à Previdência. Assim, a decisão recorrida entendeu ser cabível a apuração da retenção nos casos relacionados, conforme prescrito no artigo 219 e parágrafos do Decreto 3.048/99, votando pela procedência do levantamento RT2. Como se pode notar dos autos, o levantamento RT2 estão discriminados e comprovados nos autos, não sendo procedente o argumento do contribuinte de que não a discriminação dos serviços e que estão registrados como "diversos" sem discriminação. Não houve cerceamento de defesa. Levantamento RT3: Tratase de lançamento da retenção dos 11% (onze por cento) sobre faturas de prestação de serviços prestados por empresas de trabalho temporário, no período de 02/1999 a 12/2004. As bases de cálculo foram extraídas da contabilidade da empresa – rubricas 3.1.1.2.1.2.3.1 – Temporários e 3.1.1.2.2.2.1 – Temporários. A empresa alegou que os serviços estão sujeitos à retenção de 11 %, e, portanto, teria efetuado todas as retenções e recolhimentos, e que tal fato não teria sido observado pela fiscalização. Diante disto, foram os autos em diligência para a fiscalização que se manifestou pela retificação do lançamento de acordo com a tabela constante dos autos, abatendo as guias apresentadas e emitindo FORCEDs. Os valares retificados estão demonstrados nos autos (fls. 2758/2761). Levantamento RT4 Tratase de levantamento referente à retenção de 11% sobre fatura de prestação de serviços de contabilidade executado sob regime de mão de obra temporária, cessão de mão de obra ou empreitada. Os valores lançados foram extraídos da conta 3.1.1.2.2.2.1 – Serviços contábeis e Auditoria no período de 05.1999 a 12.2004 e exemplificado conforme cópias de faturas e notas fiscais em anexo. Fl. 2834DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35564.002760/200654 Acórdão n.º 2803004.099 S2TE03 Fl. 2.835 12 A decisão recorrida considerou o levantamento RT4 improcedente, em razão da fiscalização não demonstrar no relatório fiscal e nas informações fiscais que a empresa contratada para a prestação de serviços de contabilidade prestava serviços de digitação e preparação de dados para processamento mediante cessão de mão de obra, empreitada ou trabalho temporário. Levantamento SOL: Contribuição incidente sobre o valor do salário de contribuição (mão de obra) contida em fatura de prestação de serviços (com cessão de mão de obra temporária ou não) correspondente a 40% da fatura, em razão de não elisão da solidariedade, conforme previsto em lei (não apresentação de Guia específica da mão de obra cedida) — Art. 31, caput e § 2° ao 5° da Lei 8.212/91 com a redação anterior à dada pela Lei 9.711 de 20.11.1998 com vigência a partir de 02.1999 — Extraída das faturas em anexo dos anos de 1997 e 1998, fls. 272/351. Referese ao período de 01.1997 a 12.1998. A decisão recorrida decidiu pela nulidade do Levantamento SOL pela falta de ciência das empresas prestadoras dos serviços interessadas no levantamento "SOL", ferindo o direito ao contraditório e a ampla defesa do contribuinte e dos responsáveis tributários. Assevera que deve ser observado posterior lançamento em outra notificação fiscal. O período do lançamento está decadente. Analisando o relatório fiscal, a decisão recorrida, os argumentos do contribuinte e os documentos constantes dos autos, entendese que a decisão recorrida está correta na decisão e fundamentação, devendo ser excluído o período decadente do lançamento fiscal. Procedidas as quatro diligências fiscais para esclarecimento do lançamento fiscal e análise dos documentos, considerandoos suficientes para o julgamento em epígrafe, entendese que não há necessidade de nova diligência para saneamento dos pontos controvertidos e documentos já analisados, como quer o contribuinte. Indeferese o pedido de intimação na pessoa do patrono ou advogado, pois na atual fase do procedimento é feita por via postal, endereçada ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, nos termos do Decreto 70.235, de 1972, art. 23, § 4º, com a redação que lhe foi dada pela Lei 11.196/2005. Anunciado o julgamento do recurso voluntário em sessão pelo Presidente de Turma, é direito do contribuinte, se desejar, fazer sustentação oral logo após a leitura do relatório do processo, nos termos do art. 58, inciso II, da Portaria nº 256, de 22/06/2009 (Regimento Interno do CARF). O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 114, todos do CTN, com período apurado, discriminação dos fatos geradores, a base de cálculo, o Discriminativo Analítico do Débito – DAD, a Instrução para o Contribuinte – IPC; os Fundamentos Legais do Débito – FLD, Relatório Fiscal, consoante artigo 33 da Lei 8.212/91 e demais dispositivos mencionados nos autos. CONCLUSÃO: Fl. 2835DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35564.002760/200654 Acórdão n.º 2803004.099 S2TE03 Fl. 2.836 13 Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar a decadência do lançamento fiscal até a competência 04/2001, inclusive., pela regra do art. 150, § 4º do CTN. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 2836DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10730.720231/2010-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 16 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2101-000.167
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para esclarecimento de questões de fato, relativas à localização do imóvel no Parque Estadual e à apresentação de Ato Declaratório Ambiental. Vencida a Conselheira Maria Cleci Coti Martins, que negava provimento ao recurso. Designado para redigir a Resolução o Conselheiro Eduardo de Souza Leão.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
MARIA CLECI COTI MARTINS - Relatora.
EDUARDO DE SOUZA LEÃO - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, EIVANICE CANARIO DA SILVA, EDUARDO DE SOUZA LEAO.
Relatório
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Vencida a Conselheira Maria Cleci Coti Martins, que negava provimento ao recurso. Designado para redigir a Resolução o Conselheiro Eduardo de Souza Leão. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. MARIA CLECI COTI MARTINS Relatora. EDUARDO DE SOUZA LEÃO Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, EIVANICE CANARIO DA SILVA, EDUARDO DE SOUZA LEAO. Relatório O contribuinte apresentou recurso voluntário contra o acórdão 0348.749 da 1a. Turma da DRJ/BSB que manteve o auto de infração de ITR para o exercício 2007, relativamente ao imóvel rural FAZENDA REUNIDA SÃO JOAQUIM E PIEDADE (NIRF RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 30 .7 20 23 1/ 20 10 -2 2 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO Processo nº 10730.720231/201022 Resolução nº 2101000.167 S2C1T1 Fl. 3 2 3.415.6283), com área total de 1.839,2ha, localizado no município de Cachoeiras de Macacu RJ. O referido acórdão manteve o crédito tributário tendo em vista que o contribuinte não apresentou documentação comprobatória das alegações relativas à reserva legal e área de preservação permanente. Desta forma, a autoridade fiscal glosou integralmente as áreas informadas de preservação permanente(1.820,0 ha) e de reserva legal (6,5ha), além de arbitrar o valor do VTN conforme o SIPT. No recurso voluntário o contribuinte utiliza os mesmos argumentos apresentados na impugnação sem, contudo, trazer documentação hábil bastante para comprovar o alegado no recurso. Considera que a área declarada para o NIRF 3.415.6283, denominada FAZENDA REUNIDA SÃO JOAQUIM E PIEDADE, tem 1.820,0 ha. Declaradas como de preservação permanente e 6,5 ha de reserva legal que, segundo o contribuinte, encontravase no exercício 2007 inteiramente dentro do Parque Estadual dos Três Picos, conforme Decreto 31.343/2006. Informa que declarou o ADA para o exercício 2007 em nome da pessoa física cuja área, está localizada totalmente dentro do Parque Estadual dos Três Picos e, por isso, isenta do ITR/2006. O referido ADA para o exercício 2007 não consta dos autos do processo.A seguir estão relacionados os documentos anexados ao processo. ADA exercício 2008 (fls. 41) para o imóvel Fazenda Brasil, protocolo do IBAMA n. 10833330009222, transmitido em 01/08/2008; Este imóvel foi declarado com 19.392 ha, definidos como área de reserva legal e área de preservação permanente. ADA exercício 2009 (fls. 44), número do recibo 10933330244480, transmitido em 28/12/2009, imóvel registrado na RFB sob n. 33318727. Não foi declarada área nem a localização do imóvel. ADA exercício 2010 (fls. 42) –número do recibo 11033330504170, imóvel registrado na RFB sob n. 33318727. O imóvel foi declarado com 1839,20ha de área total, sendo 1.820ha de preservação permanente, 6,5ha de reserva legal e 1ha com mineração. Também neste documento foi informada a localização geográfica da sede, sendo Latitude 22o26’ 57 8’ ‘S, e Longitude 42o 36’ 45,6 ‘ W. Cópias de diário oficial do Estado Rio de Janeiro do dia 08/06/2002 que cria o Parque Estadual dos Três picos e do decreto estadual 31343/2002. Laudo agronômico para fins de recadastramento de propriedade rural junto ao INCRA (fls. 33). Cadastro técnico federal– certificado de regularidade – IBAMA – permitindo o uso de Recursos Naturais para atividade agrícola e pecuária.(fls. 43) Declaração da Prefeitura Municipal de Cachoeiras de Macacu de que as fazendas Reunidas Joaquim e Piedade e Fazenda Brasil encontrase em área de preservação permanente, datado de 2003.(fls. 32) Fl. 118DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO Processo nº 10730.720231/201022 Resolução nº 2101000.167 S2C1T1 Fl. 4 3 Apesar de ter sido tratado no acórdão recorrido, o contribuinte insurgese novamente contra a aplicação da multa de 75%, por ser improcedente o lançamento. Menciona os dispositivos legais que garantiriam a isenção do ITR na propriedade sob análise, a saber, art. 104 da lei 8171/91, par. 1o. art. 10 da lei 9393/96, decreto 4382/02. Faz registro de decisões do Conselho de Contribuintes sobre a desnecessidade do ADA para o reconhecimento da exoneração. Cita também decisões das Cortes superiores que corroborariam o entendimento da desnecessidade de ADA para isenção de ITR nas áreas de preservação permanente. Embasa o pedido no Decreto Estadual do Estado do Rio de Janeiro n. 31343/2002 que criou o Parque Estadual dos Três Picos. No item III – Conclusão, solicita que seja declarado insubsistente o crédito tributário do processo administrativo 10730720.230/201088 e que seja cancelada a Notificação de Lançamento n. 07102/00003/2010 (estas referências estão incorretas nesta parte do recurso voluntário). É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Cleci Coti Martins O recurso voluntário é tempestivo, atende aos requisitos legais e dele conheço. Conforme legislação vigente, já amplamente mencionada no acórdão recorrido, o reconhecimento de isenção de ITR tanto de área de preservação permanente quanto de área de reserva legal dependem de documentos comprobatórios de que o imóvel realmente está inserido no contexto em que o contribuinte alega. O legislador, para garantir o direito do proprietário do imóvel, previu documentos que não poderiam ser refutados pela Receita Federal para conceder a isenção, quais sejam: Ato Declaratório Ambiental Lei 6938/81 Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere ocaputdeste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Fl. 119DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO Processo nº 10730.720231/201022 Resolução nº 2101000.167 S2C1T1 Fl. 5 4 Averbação da área de Reserva Legal Decreto 4382/2002 Art.12. São áreas de reserva legal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais é vedada a supressão da cobertura vegetal, admitindose apenas sua utilização sob regime de manejo florestal sustentável(Lei nº4.771, de 1965, art. 16,com a redação dada pelaMedida Provisória nº2.16667, de 2001). §1ºPara efeito da legislação do ITR, as áreas a que se refere ocaputdeste artigo devem estar averbadas na data de ocorrência do respectivo fato gerador. Como já repisado no acórdão de impugnação, a documentação acostada aos autos não comprova a quantidade de área da propriedade que estaria comprometida com reserva legal ou com preservação permanente. Os documentos comprovam a existência do Parque Estadual dos Três Picos, que abrange municípios onde a propriedade está inserida, e que áreas da a propriedade teriam sido objeto de preservação permanente/reserva legal. Um laudo anexado aos autos para fins de recadastramento da propriedade junto ao INCRA informa que a propriedade estaria dentro do referido parque. Contudo, não existe qualquer documento legal hábil que comprove tal afirmação. Mais ainda, não há nos autos, documentação que comprove a quantidade de área de reserva legal ou de preservação permanente na propriedade, no exercício 2007. O contribuinte faz referência à apresentação de ADA no ano 2007, entretanto, não juntou o documento aos autos em nenhum momento. O art. 150 do Código Tributário Nacional (lei 5172/1966) define o lançamento por homologação como “aquele em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa e operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa”. Contudo, caso seja intimado para prestar esclarecimentos em procedimento de fiscalização, o contribuinte deverá apresentar os documentos comprobatórios dos dados utilizados para o cálculo do tributo. A aplicação das multas é uma imposição legal e está determinada no art. 14 da lei 9363/1996 e definidas no art. 44, inc. I da lei 9430/1996. As decisões em processos tanto administrativos quanto judiciais são aplicáveis às partes nos respectivos processos, i.e., no contexto em que foram proferidas. Dado o exposto, negase provimento ao recurso. Maria Cleci Coti Martins Relatora Voto Vencedor Conselheiro EDUARDO DE SOUZA LEÃO, Redator Designado Fl. 120DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO Processo nº 10730.720231/201022 Resolução nº 2101000.167 S2C1T1 Fl. 6 5 Não obstante as lúcidas informações trazidas no Relatório e no bem fundamentado Voto da Ilustre Conselheira Relatora, entendo que o feito em julgamento carece de esclarecimentos quanto a questões de fato, objetivando realizar a melhor justiça fiscal administrativa. Ora, conforme identificado pela Ilustre Conselheira Relatora, foram trazidos aos autos documentos que comprovam a existência do Parque Estadual dos Três Picos, que abrange municípios onde a propriedade do imóvel em análise, estaria inserida. Do mesmo modo se observou a existência de um laudo realizado para fins de recadastramento do imóvel junto ao INCRA, contendo informação que a propriedade estaria dentro do referido parque. Portanto, percebemse fortes indícios de que áreas do imóvel referente à “FAZENDA REUNIDA SÃO JOAQUIM E PIEDADE”, com NIRF nº 3.415.6283, sejam objeto de preservação permanente e/ou de reserva legal. Nesse sentido, para evitar qualquer injustiça, em respeito ao princípio da verdade material, que predomina no processo administrativo, onde se busca descobrir a ocorrência ou não do fato gerador, assim como a real base de cálculo do imposto, pois o que está em jogo é a legitimidade da tributação, voto no sentido de converter o julgado em diligência a ser realizada pela Repartição de origem, para que: sejam intimados os Cartórios de Registro de Imóvel porventura existentes no Município de Cachoeiras de Macacu, no Estado do Rio de Janeiro, para que informem, por meio de certidão, todos os registros ocorridos relativamente ao imóvel denominado “FAZENDA REUNIDA SÃO JOAQUIM E PIEDADE”, com NIRF nº3.415.6283, em especial quanto a averbação de áreas de reserva legal e de preservação permanente; seja oficiado o INCRA, por meio da sua Superintendência Regional no Estado do Rio de Janeiro, para que informe os dados contidos referente ao imóvel denominado “FAZENDA REUNIDA SÃO JOAQUIM E PIEDADE”, com NIRF nº3.415.6283, em especial quanto à sua localização no Parque Estadual dos Três Picos; seja oficiado o IBAMA, por meio da sua Superintendência no Estado do Rio de Janeiro, para que informe os dados contidos referente ao imóvel denominado “FAZENDA REUNIDA SÃO JOAQUIM E PIEDADE”, com NIRF nº 3.415.6283, relativo à sua localização no Parque Estadual dos Três Picos, quanto à apresentação de Ato Declaratório Ambiental no ano de 2005, e em especial sobre as áreas identificadas como de preservação permanente e de reserva legal, existentes no referido imóvel. Após a obtenção das respostas, a Recorrente deverá ser cientificada e informada de que poderá se manifestar sobre o resultado da diligência dentro do prazo de 30 dias. É como voto. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO
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Numero do processo: 10830.006700/2003-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998
DCTF. REVISÃO INTERNA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ACUSAÇÃO FISCAL DESTITUÍDA DE SUPORTE FÁTICO. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE.
O lançamento cuja motivação é a inexistência de comprovação de processo judicial informado na DCTF como suporte da compensação procedida, deve ser cancelado quando o sujeito comprovar a existência do processo judicial.
NULIDADE DE LANCAMENTO POR AUSÊNCIA DE CORRETA E VERDADEIRA DESCRIÇÃO DOS FATOS. LIMITAÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NATUREZA DE VÍCIO MATERIAL.
A decretação da nulidade do Auto de Infração por inexistência de motivação, baseada na falta de uma correta e verdadeira descrição dos fatos (inc. III, do art. 10, do Decreto nº 70.235/72), tidos pelo ato administrativo de lançamento como infracionais, limitando o exercício do direito de defesa do contribuinte, reveste-se da natureza jurídica de vício material.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-002.482
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade deu-se provimento ao recurso para cancelar o auto de infração. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz da Gama lobo dEça (Relator), Fenelon Moscoso de Almeida e Mara Cristina Sifuentes. Designado o Conselheiro João Carlos Cassuli para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral Dr. Eduardo Lourenço OAB/DF 36531.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA
Relator
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS CASSULI JR.
Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), HELDER MASSAAKI KANAMARU (SUPLENTE), FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (SUPLENTE), MARA CRISTINA SIFUENTES (SUPLENTE), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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REVISÃO INTERNA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ACUSAÇÃO FISCAL DESTITUÍDA DE SUPORTE FÁTICO. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. O lançamento cuja motivação é a inexistência de comprovação de processo judicial informado na DCTF como suporte da compensação procedida, deve ser cancelado quando o sujeito comprovar a existência do processo judicial. NULIDADE DE LANCAMENTO POR AUSÊNCIA DE CORRETA E VERDADEIRA DESCRIÇÃO DOS FATOS. LIMITAÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NATUREZA DE VÍCIO MATERIAL. A decretação da nulidade do Auto de Infração por inexistência de motivação, baseada na falta de uma correta e verdadeira “descrição dos fatos” (inc. III, do art. 10, do Decreto nº 70.235/72), tidos pelo ato administrativo de lançamento como infracionais, limitando o exercício do direito de defesa do contribuinte, revestese da natureza jurídica de vício material. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade deuse provimento ao recurso para cancelar o auto de infração. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz da Gama lobo d’Eça (Relator), Fenelon Moscoso de Almeida e Mara Cristina Sifuentes. Designado o Conselheiro João Carlos Cassuli para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral Dr. Eduardo Lourenço OAB/DF 36531. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 67 00 /2 00 3- 40 Fl. 283DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/1 1/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por FERNANDO LUIZ DA G AMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 2 (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto (assinado digitalmente) FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA Relator (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS CASSULI JR. Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), HELDER MASSAAKI KANAMARU (SUPLENTE), FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (SUPLENTE), MARA CRISTINA SIFUENTES (SUPLENTE), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/1 1/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por FERNANDO LUIZ DA G AMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10830.006700/200340 Acórdão n.º 3402002.482 S3C4T2 Fl. 284 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) contra o v. Acórdão DRJ/JFA nº 0943.303 de 03/04/13 (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) exarado pela 2ª Turma da DRJ de Juiz de Fora MG que, por unanimidade de votos, houve por bem julgar “procedente em parte” (apenas para excluir a multa de Ofício) o lançamento” original de IPI (fls. 24/33) notificado em 07/07/03 (fls. 244), no valor total de R$ 1.602.370,52 (IPI R$ 603.186,63; juros de mora R$ 546.793,92; multa de 75% R$ 452.389,97), que acusou a ora Recorrente de falta de recolhimento de IPI no período referente ao segundo, terceiro e quarto trimestres de 1998, tendo em vista débitos vinculados em DCTF na situação “exigibilidade suspensa”, cujo respectivo processo judicial não foi comprovado (fl. 27). Relativamente à suspensão da exigibilidade a EAMJU da DRJ de Limeira informa (fls. 240) que: “Trata o presente processo de impugnação ao auto de infração n° 0008631, referente a débitos de IPI, períodos de apuração 1° decabr/1998 ao 3° decdez/1998, vinculados em DCTF aos autos dos Mandados de Segurança no 97.00069729, 98.00149546, 98.00173960 e 98.00173978 (fls. 21 a 33), porém não se encontra cadastrado nem no PROFISC. nem no SIEF. Nos autos do MS n° 97.00069729, sentença proferida em 31/03/2000 extinguiu o processo sem julgamento do mérito, em razão de reconhecer, de ofício, a ocorrência da litispendência com o MS n° 97.00069710 (fls. 62 a 65). Embargos de declaração opostos pela autora não foram acolhidos (fl. 152). Tendo esta decisão transitado em julgado, os autos baixaram à Vara de origem para arquivamento, onde se encontram na situação "BaixaFindo" (fls. 149 e 153). Nos autos do MS n° 97.00069710, sentença publicada em 30/06/2000 julgou procedente o pedido (fl. 156). Em julgamento datado de 02/03/2007, o TRF da 3' Região negou seguimento à apelação das autoras e deu provimento à apelação da União Federal e à remessa oficial, nos termos constantes às fls. 173/174. Em 01/08/2007 foi negado provimento ao agravo inominado interposto pelas autoras (fls. 175 a 181). Embargos de declaração, opostos também pelas autoras, foram rejeitados em 28/05/2009 (fl. 182). Ainda não ocorreu o juízo de admissibilidade dos recursos especial e extraordinário interpostos pelas autoras (fl. 169). O efeito suspensivo obtido através da Medida Cautelar n° 2000.03.00.0386532 foi concedido até julgamento do recurso de apelação (fls. 66 a 70), que já ocorreu. Nos autos do MS n° 98.00149546, sentença publicada em 16/04/2004 julgou procedente o pedido e concedeu a segurança Fl. 285DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/1 1/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por FERNANDO LUIZ DA G AMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 4 pleiteada (fl. 184). Em 03/09/2009 o TRF da 3° Região deu provimento à apelação da União Federal e à remessa oficial, para julgar improcedente o pedido, denegando a segurança, e julgou prejudicada a apelação da parte autora (fls. 199 a 208). Embargos de declaração opostos pela autora foram rejeitados (fl. 209). Ainda não ocorreu o juízo de admissibilidade do recurso extraordinário interposto também pela autora (fl. 196). No sítio do TRF da 3' Região consta informação de que em 13/07/2011 foi protocolado pedido de desistência pela parte autora, porém não há detalhes nem decisão sobre o mesmo (fl. 196). Em decisão datada de 23/09/2009, nos autos da Medida Cautelar n° 2004.03.00.0524338, o processo foi julgado extinto e cassada a liminar anteriormente concedida, uma vez configurada a perda superveniente do objeto na referida medida cautelar com o julgamento da apelação na ação principal (fls. 191 a 193 e 194). Esta última decisão transitou em julgado em 01/02/2010 (fl. 192). Nos autos do MS no 98.00173960, sentença publicada em 04/06/2004 extinguiu o processo sem julgamento do mérito, com relação à impetrante COPERSUCAR, em razão de reconhecer, de ofício, a ocorrência da litispendência com o MS n° 98.00149546 (fls. 211/212). Foi negado provimento aos embargos de declaração opostos pelas autoras (fl. 213). Recurso de apelação interposto pelas autoras ainda não foi julgado (fls. 217 a 219). Porém, em 01/10/2010 foi homologado o "pedido de renúncia parcial ao direito sobre o qual se funda a ação, apenas no que pertine às operações realizadas após janeiro de 1999 e relativamente à litisconsorte ARREPAR PARTICIPAÇÕES S/A" (fl. 220). Nos autos do MS no 98.00173978, sentença publicada em 04/06/2004 extinguiu o processo sem julgamento do mérito, com relação à impetrante COPERSUCAR, em razão de reconhecer, de ofício, a ocorrência da litispendência com o MS n° 98.00149546 (fls. 224/225). Foi negado provimento aos embargos de declaração opostos pelas autoras (fl. 226). Em 17/12/2009 o TRF da 3' Região negou provimento à apelação da parte autora (fl. 238). Tendo esta decisão transitado em julgado (fl. 239), os autos retornaram à Vara de origem e lá permanecem na situação "BaixaFindo" (fl. 221). Diante do exposto, considerando a existência de decisões favoráveis à União Federal nos autos judiciais supracitados, proponho o encaminhamento deste ao SECAT desta Unidade para as providências que julgar cabíveis. Reconhecendo expressamente que a impugnação atendia aos requisitos de admissibilidade, a r. decisão (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) da 2ª Turma da DRJ de Juiz de Fora MG, houve por bem julgar “procedente em parte” (apenas para excluir a multa de Ofício) o lançamento” original de IPI (fls. 24/33) aos fundamentos sintetizados em sua ementa nos seguintes termos: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998 DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DO PRAZO. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/1 1/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por FERNANDO LUIZ DA G AMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10830.006700/200340 Acórdão n.º 3402002.482 S3C4T2 Fl. 285 5 Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, inocorrendo o pagamento antecipado a ser homologado, a contagem do prazo decadencial segue a regra disposta no art. 173, I, do CTN. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. PENALIDADE. DESCABIMENTO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Constituindo a DCTF instrumento de confissão de dívida hábil e suficiente à exigência do crédito tributário, nos termos do artigo 5° do Decreto 2.124/84, e, por força do disposto no art. 18 da Lei n.° 10.833/2003, com as alterações posteriores, e da retroatividade benigna estabelecida no art. 106 do CTN, é incabível a aplicação da multa de ofício em conjunto com tributo ou contribuição espontaneamente declarados em DCTF. SELIC. JUROS MORATÓRIOS. APLICAÇÃO. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1998 a 3 1/12/1998 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, com o mesmo objeto da solicitação administrativa, importa em renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa competente. NULIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Em suas razões de Recurso Voluntário (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) (fls. 355/365), a ora Recorrente sustenta a insubsistência da autuação e da decisão de 1ª instância na parte em que a manteve tendo em vista: a) preliminarmente a nulidade do Auto de Infração por cerceamento ao direito de defesa e decadência do direito de constituir o crédito tributário em relação aos fatos geradores ocorridos até julho de 1998; no mérito a ilegitimidade da exigência do IPI sobre as saídas de açúcar c) a ilegalidade da aplicação da multa moratória. É o Relatório. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/1 1/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por FERNANDO LUIZ DA G AMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 6 Voto Vencido Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O Recurso Voluntário reúne as condições de admissibilidade e, no mérito, não merece provimento. Inicialmente anoto que embora tenha havido sucumbência parcial da Fazenda Pública, relativamente ao cancelamento da multa de Ofício (R$ 452.389,97), sendo o valor da sucumbência inferior ao limite de alçada, o d. Presidente da C. Turma da DRJ deixou de interpor o Recurso de Oficio, operandose a coisa julgada administrativa em relação à referida matéria, remanescendo apenas a discussão do mérito das exigências de IPI (R$ 603.186,63) e juros de mora (R$ 546.793,92). Nessa ordem de idéias, rejeito a preliminar de nulidade do Auto de Infração, bem repelida na instância “a quo”, vez que embora se trate de lançamento sob a motivação singela de “proc jud não comprovado” no caso verificase que a ação invocada à final julgou procedente a exigência do recolhimento do IPI excogitado no presente lançamento. Notese que a mera existência de sentença em Mandado de Segurança e em Medida Cautelar contestando a exigência do IPI excogitada, já impediria o reexame da mesma matéria de mérito objeto do recurso administrativo, que sequer poderia ser reapreciada na instância administrativa, seja porque de acordo com a lei processual “nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas, relativas à mesma lide” (art. 471 do CPC), sendo “defeso à parte discutir, no curso do processo, as questões já decididas” (art. 473 do CPC), seja ainda porque, havendo concomitância de discussão esta C. Câmara tem reiteradamente proclamado, que “a discussão concomitante de matérias nas esferas judicial e administrativa enseja a renúncia nesta, pelo princípio da inafastabilidade e unicidade da jurisdição” (cf. Ac. nº 201 77.493, Rec. nº 122.188, da 1ª Câm. do 2º CC em sessão de 17/02/04, Rel. Antonio Mario de Abreu Pinto; cf. tb Ac. Acórdão no 20177.519, Rec. no 122.642, em sessão de 16/03/04 Rel. Gustavo Vieira de Melo Monteiro). Nesse sentido a jurisprudência dominante do 1º CC cristalizada na Súmula nº 1, recentemente aprovada, que expressamente dispõe: “importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” (cf. DOU1 de 26/6/06, p. 26 e RDDT vol. 132/239). Notese que, nem mesmo a hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, poderia obstar o lançamento tributário, pois como já assentou a jurisprudência uniforme do E. STJ “a suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar” (cf. Ac. da 1ª Seção do STJ nos Emb. de Divergência no R. Esp. nº 572.603PR, Reg. nº 2004/01217933, em sessão de 08/06/05, Rel. Min. CASTRO MEIRA, publ. in DJU de 05/09/05 p. 199 e in RDDT vol. 123 p. 239), eis que “o prazo para lançar não se sujeita a suspensão ou interrupção, sequer por ordem judicial.” (cf. Ac. da 2ª Turma do STJ no R. Esp. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/1 1/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por FERNANDO LUIZ DA G AMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10830.006700/200340 Acórdão n.º 3402002.482 S3C4T2 Fl. 286 7 nº 119986SP, Reg. nº 1997/00110168, em sessão de 15/02/01, Rel. Min. ELIANA CALMON, publ. In DJU de 09/04/01 p. 337 e in RSTJ vol. 147 p. 154), sendo certo que a procedência, ou improcedência do débito principal objeto do lançamento, já se encontra adredemente vinculada à sorte da decisão final dos processos judiciais. Entretanto, o mesmo não se pode dizer das matérias objeto da impugnação ou recurso administrativo que, sendo meras conseqüências do processo judicial e prendendose a competências privativamente atribuídas pela lei à autoridade administrativa (ex vi dos arts. 142, 145, 147, 149 e 150 do CTN), como é o caso dos efeitos da sentença denegatória de segurança quanto à exigibilidade do crédito tributário constituído através do lançamento excogitado, face à alegada decadência e dos consectários lógicos do seu inadimplemento, como é o caso da multa e dos acréscimos moratórios consubstanciados no referido lançamento, não foram objeto da segurança, em razão do que passo a examinar. Assim desde logo verificase inocorre a alegada decadência, eis que no caso, a revisão do auto lançamento de compensação em DCTF, foi efetuada através do Auto de Infração impugnado, lavrado dentro do prazo decadencial, no caso não consumado ante a falta de prova de pagamento parcial do tributo, posto que a revisão de ofício consubstanciada no Auto de Infração notificado em 07/07/03 (fls. 244), que tinha por objeto período referente ao segundo, terceiro e quarto trimestres de 1998, aplicandose o art. 173, inc. I do CTN, como já assentou a Jurisprudência do STJ e se pode ver das seguintes ementas . “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVOS REGIMENTAIS NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DE DECADÊNCIA QUINQUENAL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REVISÃO. SÚMULA 7/STJ. 1. Nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de oficio poderia ter sido efetuado, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos arts. 150, § 4º, e 173, do CTN, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal. Precedentes. (...). 4. Agravos regimentais aos quais se nega provimento.” (cf. Ac. da 2ª Turma do STJ no AgRg no AREsp 296.623/SP, em sessão de 18/02/14, Rel. Min. OG FERNANDES, publ. in DJU de 12/03/14) “TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL INTERPOSTO PELO CONTRIBUINTE NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ISS. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. CDA. EXCESSO DE EXECUÇÃO. REDUÇÃO DO VALOR CONSTANTE DA CDA. POSSIBILIDADE. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/1 1/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por FERNANDO LUIZ DA G AMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 8 1. A orientação da Primeira Seção desta Corte firmouse no sentido de que, em regra, o prazo para se efetuar o lançamento é o previsto no art. 173, I, do CTN, ou seja, cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Contudo, tratandose de tributo sujeito a lançamento por homologação, cujo pagamento ocorreu de modo antecipado, o prazo de que dispõe o Fisco para constituir o crédito tributário é de cinco anos, contados a partir do fato gerador. No caso concreto, não havendo pagamento antecipado, aplicase a regra prevista no art. 173, I, do CTN (EREsp 413.265/SC, 1ª Seção, Rel. Min. Denise Arruda, DJ de 30.10.2006). (...) 3. Agravo regimental não provido.” (cf. Ac. da 2ª Turma do STJ no AgRg no AREsp 428.252/MG, em sessão de 17/12/13, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, publ. in DJU de 05/02/14) “AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ALEGAÇÃO DE PARCIAL PAGAMENTO ANTECIPADO NO PRAZO DO VENCIMENTO (APLICAÇÃO DO PRAZO DO ART. 173, INCISO I DO CTN). TRIBUNAL DE ORIGEM QUE RECONHECEU O NÃO ADIMPLEMENTO DO DÉBITO TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7 DO STJ. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. De acordo com a jurisprudência consolidada do STJ, a decadência do direito de constituir o crédito tributário é regida pelo art. 173, I do CTN, quando se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação e o contribuinte não realiza o respectivo pagamento parcial antecipado (REsp. 973.733/SC, Rel. Min. LUIZ FUX, Primeira Seção, DJe 18.9.2009, submetido ao art. 543C do CPC) 2. No caso dos autos, o Tribunal de origem consignou que inexistiu qualquer pagamento antecipado do tributo por parte da ora recorrente (Sujeito Passivo), a qual permaneceu totalmente inerte à obrigação conforme provas de extrato analítico de débitos. (...) 4. Agravo Regimental desprovido.” (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no AgRg no REsp 1218460/SC, em sessão de 20/08/13, Rel. Min. NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, publ. in DJU de 06/09/13) No que toca à incidência dos acréscimos moratórios calculados à TAXA SELIC, também são devidos, como expressamente admite a Jurisprudência do E. STJ que já se pacificou no sentido da constitucionalidade e legalidade da aplicação da taxa SELIC na atualização dos débitos fiscais nãorecolhidos integralmente no vencimento (cf. Ac. da 1ª Seção do STJ nos Em. Div. no REsp nº 426967MG, Reg. 2005/00802854, em sessão de 09/08/2006, Rel. Min. DENISE ARRUDA, publ. in DJU de 04.09.2006 p. 218), sendo “devido, dessarte, o pagamento de juros de mora desde o vencimento da obrigação e correção monetária, mesmo que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário tenha se dado em momento anterior ao vencimento” (cf. Ac. da 2ª Turma do STJ no REsp 208.803SC, Reg. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/1 1/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por FERNANDO LUIZ DA G AMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10830.006700/200340 Acórdão n.º 3402002.482 S3C4T2 Fl. 287 9 1999/00258649, em sessão de 11/02/2003, Rel. Min. FRANCIULLI NETTO, publ. in DJU de 02/06/2003 p. 232) No que toca à multa moratória, por não constar do lançamento original, não integra apresente lide. Isto posto voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo a r. decisão recorrida . É como voto. Sala das Sessões, em 16 de setembro de 2014 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 291DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/1 1/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por FERNANDO LUIZ DA G AMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 10 Voto Vencedor Conselheiro João Carlos Cassuli Jr., Redator Designado. Inicialmente, adoto integralmente o relatório lançado pelo conselheiro Relator, pois que retratando corretamente a tramitação processual e abordando as matérias sob exame. Adentrando a análise do processo, tenho que, apesar de compreender perfeitamente as judiciosas e sempre precisas razões contidas no voto do Ilustre Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, no caso em particular, tenho que a validade do lançamento acaba sendo obstada pela ocorrência de nulidade material insanável, relativa ao “motivo determinante” do ato administrativo fiscal, que firmou como sendo o fundamento para a constituição do crédito tributário, o simples argumento de “processo judicial não comprovado”, conhecido no jargão fiscal como “PROC JUD NÃO COMPROV”. Esse foi o entendimento da maioria do Colegiado, tendo me sido encarregado deste honroso papel. Analisando o mérito da questão tratada no Recurso Voluntário manejado pelo contribuinte, percebese que a compensação declarada em DCTF e pretendida pelo contribuinte, após procedimento eletrônico de “revisão interna”, veio a ser indeferida ao fundamento de suposta inexistência de comprovação dos processos judiciais que ampararia as compensações de débitos confessados nas DCTF, conforme se verifica pela leitura das fls. (24/34)– numeração eletrônica dos autos. Diante dessa situação, devemos nos reportar às fls. 45/241 – n.e., dos autos, nas quais o contribuinte logra comprovar a existência dos processos judiciais que justificaria, ao menos em tese, as suas compensações pretendidas, juntando cópia dos Mandados de Segurança, decisões e das consultas processuais, que lhe beneficiou quanto à compensação do IPI, fato que é chancelado, inclusive, pelo próprio Acórdão recorrido. Tratase de Mandados de Segurança nº 97.000699, 98.00149546, 98.001173960 e 98.00173978, que pretendiam obstar a exigência pela autoridade impetrada do Imposto sobre Produtos industrializados – IPI, incidente sobre o açúcar, pela alíquota de 18% sobre o valor de saída do produto, fixada pelo decreto 420/92. Diante disto, temse claro que os processos judiciais que inicialmente a Administração tinha como inexistentes, motivando o lançamento, existem de fato, fazendo com que a autuação realizada tornese carecedora de suporte fático. Vemos que a razão que ainda persiste e que fundamenta o Auto de Infração é a inexistência dos processos judiciais indicados, de forma que, se comprovada a existência de ditos processos judiciais, devese declarar a improcedência do lançamento fiscal, já que restou comprovado nos autos a efetiva existência. Ora, se a própria DRJ reconheceu a existência de processos judiciais com mérito supostamente idêntico ao tratado nestes autos, por óbvio que todo o suporte fático para o indeferimento das compensações pretendidas foi devidamente contraditado, restando superada a “motivação” do Ato Administrativo de lançamento. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/1 1/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por FERNANDO LUIZ DA G AMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10830.006700/200340 Acórdão n.º 3402002.482 S3C4T2 Fl. 288 11 Assim, havendo comprovação de que os processos judiciais indicados na DCTF efetivamente existem, há de se decidir pelo cancelamento do lançamento fiscal, por desrespeito ao comando contido no artigo 10 do Decreto 70.235/72, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal, e as atividades vinculadas da Administração Pública, pois que não se admite alteração do motivo determinante do ato administrativo no curso do processo administrativo fiscal. Neste sentido, em respeito ao comando legal acima citado, tenho que ausente o motivo determinante do lançamento, qual seja, aquele indicado nos demonstrativos que acompanham a autuação como “processo judicial não comprovado”, estandose diante da afronta ao princípio da legalidade a que está estritamente vinculada à atividade da Autoridade Administrativa em questão, tudo conforme comanda também a Constituição Federal, em seu artigo 37. Assim, havendo comprovação de que os processos judiciais indicados na DCTF efetivamente existem, há de se decidir pelo cancelamento do lançamento fiscal, atendendo às razões recursais apresentadas pelo contribuinte neste grau recursal. Suportando o entendimento até aqui expressado, temos o trecho da declaração de voto proferida pelo julgador Jorge Frederico Cardoso de Menezes, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba/PR, nos autos do processo n: 10930.003517/200283: [...] O auto de infração foi lavrado em virtude de não ter sido comprovada a existência da ação judicial informada pelo contribuinte na DCTF, relativamente a débito de COFINS de dezembro de 1997. Ante a incomprovação da existência do processo judicial, o Fisco, ao proceder o lançamento em causa, sequer tomou conhecimento de aspectos que só foram carreados para os autos após a impugnação e que não corroboram, pois, bem ao contrário, até evidenciam a inexatidão do motivo que ensejou a autuação em exame, eis que, em razão da existência da ação judicial que reconheceu haver direito creditório devido ao contribuinte, outros passaram a ser os pressupostos que, em tese, autorizariam a lavratura do feito, além do que, na mesma esteira, a autoridade lançadora tampouco cientificou o contribuinte desses novos pressupostos. No caso dos autos, além de a ação judicial em apreço ter transitado em julgado com sentença favorável ao contribuinte, a meu juízo, afigurase equivocada a tese segundo a qual, ao ingressar com uma ação judicial colimando a convalidação de um determinado critério jurídico, relativo ao procedimento compensatório, o contribuinte teria, em função disso, renunciado à própria faculdade de proceder à compensação espontânea sob sua própria conta e risco, na forma como já lhe havia sido conferida pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991. Além de a referida tese carecer do necessário suporte legal e, de certa forma, inobservar a garantia constitucional incutida no inciso XXXV do art. 5º da Carta da República, é forte na doutrina e na jurisprudência a exegese no sentido de que a compensação efetuada pelo próprio contribuinte nos termos do precitado diploma constitui modalidade diferenciada de extinção do Fl. 293DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/1 1/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por FERNANDO LUIZ DA G AMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 12 crédito tributário, que não se afeiçoa à compensação prevista pelo art. 170 do CTN, mas sim a uma forma de pagamento antecipado que, em regra, só extingue definitivamente o crédito tributário quando o procedimento é homologado pelo Fisco, ocasião em que a autoridade administrativa deve verificar a liquidez e a certeza do crédito contraposto ao débito que o contribuinte pretendeu compensar. [...] O procedimento in casu é totalmente eletrônico e não obstante a sua validade, visto que autorizado por autoridade competente, fundamentase apenas no estreito limite desse cruzamento de informações. A descrição do fato, requisito de validade do auto de infração e elemento essencial ao exercício do direito à ampla defesa do sujeito passivo, encontrase no âmbito de competência da autoridade lançadora, descabendo à autoridade julgadora suprilo, ao argumento de que a exigência seria válida sob o prisma da “falta de recolhimento”. Ora, a falta de recolhimento é, em sentido amplo e via de regra, a razão de qualquer lançamento de ofício efetuado de modo a constituir o crédito tributário. Vale dizer, em linguagem mais simples, que o Fisco não pode, durante o procedimento, atirar no que vê e, então, a autoridade julgadora, já no âmbito do processo, fazêlo acertar no que não viu, subtraindo ao impugnante o direito de opor contrarazões, quaisquer que sejam, sem que isto, pelo menos a meu juízo, resulte na preterição do direito de defesa do contribuinte autuado. É dizer, em uma frase – não se pode autuar primeiro para só fiscalizar depois. [...]. Temos ainda a seguinte decisão proferida nos autos do Recurso Voluntário nº 10875.000661/20027, apreciado por esta mesma Turma julgadora, de relatoria do Conselheiro Julio César Alves Ramos, que teve como voto vencedor o excerto da lavra da Ilustre Conselheira Sílvia de Brito Oliveira, do qual extraímos o seguinte trecho: [...] Portanto, traduzindo a acusação fiscal, o suporte fático da autuação seria a não comprovação da existência do processo judicial indicado na DCTF para vincular aos débitos confessados do IPI. Ora, por ocasião da impugnação, a contribuinte logrou comprovar que o processo informado na DCTF, com efeito, existe e, conforme cópia da petição inicial trazida aos autos pela então impugnante, o referido processo tem por objeto a exclusão da multa de mora exigida em processos de parcelamento de débitos do IPI e a compensação dos valores dessa multa indevidamente pagos com débitos do mesmo tributo. À vista da impugnação e dos documentos que a acompanharam, a Seção de Controle e Acompanhamento Tributário (Secai) da Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em GuarulhosSP verificou que não havia, no processo judicial, decisão favorável à pretensão nele deduzida e que, portanto, o débito confessado do IPI não se encontrava com a exigibilidade suspensa, conforme informado pela contribuinte nas DCTF. Foi então proferido, na unidade preparadora dos autos, o despacho da fl. 65, no qual informouse a inexistência da suspensão de exigibilidade afirmada na DCTF e encaminhouse este processo para julgamento da impugnação apresentada, sem, contudo, Fl. 294DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/1 1/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por FERNANDO LUIZ DA G AMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10830.006700/200340 Acórdão n.º 3402002.482 S3C4T2 Fl. 289 13 cientificar a contribuinte das verificações realizadas após a protocolização da peça impugnatória que culminaram no referido despacho. Diante disso, entendo que a acusação fiscal foi inovada, pois, no auto de infração, essa acusação é que não ficou comprovada a existência do processo judicial informado e, após ter a contribuinte comprovado essa existência, a acusação passou a ser que a o débito confessado na DCTF não estava com a exigibilidade suspensa. Ora, uma vez que a contribuinte não foi cientificada dessa nova acusação fiscal, a acusação que permaneceu para ser examinada na apreciação da impugnação e do recurso é a que afirma a inexistência do processo judicial informado na DCTF e, com essa acusação a peça fiscal é improcedente, visto que a contribuinte, na fase impugnatória, comprovou essa existência. Destarte, estando demonstrada a inexistência do suporte fático da autuação, impõese a decretação da improcedência do lançamento e não a alteração do seu suporte fático, como o fez a instância recorrida, ao manter o lançamento sob o argumento de que o processo judicial não ampara a suspensão da exigibilidade declarada pela contribuinte. E nestes autos deuse de maneira similar, não tendo havido nova intimação para que houvesse defesa contra o novo motivo que passou a sustentar a autuação, de modo que o que está em julgamento, é o lançamento lastreado no despacho eletrônico, cuja motivação é “processo judicial não comprovado”, mas que acabou sendo comprovado com a impugnação. Para que se evite a apresentação de Embargos de Declaração, deixo claro o meu entendimento de que a falta de descrição correta dos fatos se reflete nos correspondentes enquadramentos legais relativos à matéria tributária, ao ponto de ter sido alterado seu fundamento posteriormente à sua lavratura, sem se oportunizar ao sujeito passivo que apresentasse nova impugnação contra esse “novo” fundamento (alterado), de modo a limitar o exercício do direito de defesa, revestese de um vício que se amolda, na essência, àqueles de natureza material, e não meramente formal, caso em que seria plenamente saneável. Portanto, o caso dos autos, a nulidade do Auto de Infração discutido neste PAF foi a inexistência de motivação, baseada na falta de uma correta e verdadeira “descrição dos fatos” (inc. III, do art. 10, do Decreto nº 70.235/72) tidos pela autoridade como infracionais, limitando o exercício do direito ao contraditório e ampla defesa pelo contribuinte, e, portanto, tratase de vício material, prevista no inciso II, in fini, do art. 59, do Decreto 70.235/72. Diante do exposto, à vista de restar pelo contribuinte, nestes autos, comprovada a ausência de motivação que deu azo ao lançamento fiscal aqui discutido, considero extinto o motivo do lançamento efetuado pela Administração Pública, pelo que o mesmo merece ser cancelado, em atenção ao princípio da legalidade a que está vinculada a atividade administrativa do lançamento. Assim sendo, com as vênias dos Colegas vencidos e do Ilustre Relator, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o lançamento tributário. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/1 1/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por FERNANDO LUIZ DA G AMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 14 (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/1 1/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por FERNANDO LUIZ DA G AMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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