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Numero do processo: 10855.005066/2002-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS A TITULO DE ALUGUEL.
A existência de omissão de rendimentos de aluguéis está condicionada à existência de posse ou a propriedade de imóveis, salvo nos casos de sub-locação. Não se pode manter a infração de omissão de rendimentos de aluguéis sobre a filha do proprietário do imóvel, tais fatos devem ter como conseqüência a exigência do tributo devido pela proprietária do imóvel e não na manutenção do lançamento efetivado com claro erro na identificação do sujeito passivo.
Numero da decisão: 2102-002.466
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
José Raimundo Tosta Santos Presidente à época da formalização
Assinado Digitalmente
Carlos André Rodrigues Pereira Lima Redator ad hoc
EDITADO EM: 01/01/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento Conselheiros GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, RUBENS MAURÍCIO CARVALHO, NÚBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA e ACÁCIA SAYURI WAKASUGI
Nome do relator: ACACIA SAYURI WAKASUGI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2000 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS A TITULO DE ALUGUEL. A existência de omissão de rendimentos de aluguéis está condicionada à existência de posse ou a propriedade de imóveis, salvo nos casos de sub-locação. Não se pode manter a infração de omissão de rendimentos de aluguéis sobre a filha do proprietário do imóvel, tais fatos devem ter como conseqüência a exigência do tributo devido pela proprietária do imóvel e não na manutenção do lançamento efetivado com claro erro na identificação do sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente José Raimundo Tosta Santos Presidente à época da formalização Assinado Digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima Redator ad hoc EDITADO EM: 01/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento Conselheiros GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, RUBENS MAURÍCIO CARVALHO, NÚBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA e ACÁCIA SAYURI WAKASUGI
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A existência de omissão de rendimentos de aluguéis está condicionada à existência de posse ou a propriedade de imóveis, salvo nos casos de sub locação. Não se pode manter a infração de omissão de rendimentos de aluguéis sobre a filha do proprietário do imóvel, tais fatos devem ter como conseqüência a exigência do tributo devido pela proprietária do imóvel e não na manutenção do lançamento efetivado com claro erro na identificação do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente José Raimundo Tosta Santos – Presidente à época da formalização Assinado Digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima – Redator “ad hoc” EDITADO EM: 01/01/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 50 66 /2 00 2- 69 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 05/01/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento Conselheiros GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, RUBENS MAURÍCIO CARVALHO, NÚBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA e ACÁCIA SAYURI WAKASUGI Relatório Contra a contribuinte MARIA VANI OLIVEIRA MASCARENHAS RUIZ, CPF nº 034.340.82875, foi lavrado, em 01/04/2002, Auto de Infração de fls. 5963, que teve origem da revisão de sua Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício 2000, que lhe exige o recolhimento de crédito tributário nos seguintes termos: IMPOSTO DE RENDA SUPLEMENTAR R$ 633,41 JUROS DE MORA (calculados até 05/2002) R$ 210,54 MULTA PROPORCIONAL (Passível de Redução) R$ 475,05 VALOR DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADO R$ 1.319,00 Decorreu tal lançamento da apuração de omissão de rendimentos de alugueis recebidos de pessoa jurídica no valor de R$ 15.600,00, recebidos da empresa TecScreen Ind. de Prod. Tec. Serigrafia Ltda. Em 30/10/2002 a contribuinte protocolou termo de esclarecimento de fls. 01 03, no qual aduz que é responsável pelo recebimento dos valores do aluguel de imóvel de propriedade de seu pai, bem como pela administração destes valores. Argumenta que, embora o imóvel seja de propriedade do pai, o contrato de locação feito com a empresa TecScreen está em seu nome. Aduz que os valores recebidos são destinados aos gastos com seus pais, tais como, aluguel, água, luz, remédios, supermercado e que é pessoa honesta e esta à disposição para prestar esclarecimentos dos fatos narrados. Juntou documentos, tais como: i. conta de luz do imóvel em nome de seu pai; ii. carteira predial, tendo como mutuário o Sr. Jorge João de Oliveira; iii. recibo de pagamento de aluguel pago pelo Sr. Jorge João de Oliveira no valor de R$600,00; iv. comprovante de IPTU; v. contrato de compra do imóvel; vi. certidão de casamento de seus pais; vii. documentação referente a compra do imóvel através de financiamento habitacional; viii. DAA – Exercício 2000. A contribuinte foi cientificada do lançamento em 12/02/2003, conforme AR de fls. 53, apresentando impugnação em 06/03/2003, constante as fls. 5457, aduzindo em síntese, o que segue: Fl. 131DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 05/01/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10855.005066/200269 Acórdão n.º 2102002.466 S2C1T2 Fl. 117 3 i Alega que no imposto de renda do ano de 2000, declarou apenas os valores recebidos do Governo do Estado de São Paulo, pois é professora readaptada por problemas de coluna. ii Deixou de informar nesta declaração os proventos recebidos do aluguel da casa situada à rua Maria Aparecida Brunetti, 248/SorocabaSP, locada para a empresa TecScreen, que é de propriedade de seu pai Jorge João de Oliveira. iii Alega que é apenas administradora deste aluguel, pois seu pai não tem condições de administras estes valores, tendo em vista que ocupase com os cuidados necessários a sua esposa, mãe da contribuinte. iv Alega que a fiscalização não analisou de uma forma concreta que o dinheiro recebido do aluguel não gerou nenhum bem usufruível por parte da contribuinte. v Aduz que a empresa locadora TecScreen recolheu erroneamente os impostos, e que a mesma se recusou a apresentar os comprovantes recolhidos em nome do de seu pai, real proprietário do imóvel. vi Junta a mesma documentação apresentada quando do protocolo do termo de esclarecimento em outubro de 2002. A 6ª Turma da DRJ/SPOII, São Paulo/SP, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 1727.887 de fls. 98101, de 1 de outubro de 2008, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Anocalendário: 1999 PRELIMINAR. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Tendo havido a perfeita identificação do beneficiário dos rendimentos de aluguel, informado em DIRF pela fonte pagadora, não há por que prosperar a alegação de erro na identificação do sujeito passivo. Preliminar rejeitada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUEL E INCLUSÃO DA RESPECTIVA FONTE. BENEFICIÁRIO. EXISTÊNCIA DE DIRF. Comprovados os valores de rendimentos de aluguel recebidos, por meio de DIRF apresentada pela pessoa jurídica locatária de imóvel, é de se manter a omissão de rendimentos apurada e a inclusão do respectivo imposto de renda retido na fonte. Os rendimentos imputam se recebidos pelo beneficiário dos aluguéis. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 05/01/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Lançamento Procedente.” A contribuinte tomou ciência da decisão a quo, em 05/11/2008 , conforme intimação através do AR de fls. 105, da qual interpôs recurso voluntário em 26/11/2008 (fls. 107111), remetendo seus argumentos a defesa feita em sua impugnação, requerendo a improcedência total do lançamento. É o Relatório. Voto Conselheiro ACÁCIA SAYURI WAKASUGI O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Sendo assim, conheçoo e passo ao exame. Dos documentos acostados aos autos não resta dúvida de que o imóvel alugado à TecScreeen Ind. Prod. Serigrafia Ltda pertence ao pai da Recorrente Sr. Jorge João de Oliveira e que, via de conseqüência, as receitas provenientes do referido aluguel devem ser auferidas pelo genitor da Recorrente, a qual aduz que os valores dos locatícios foram depositados em sua contacorrente pois ela é quem administra os proventos de seus pais, os quais são idosos e doentes. Logo é pacífico que a tributação dos valores recebidos a título de aluguéis deve recair sobre o Sr. Jorge João de Oliveira, que era o legítimo proprietário dos imóveis alugados. Ressaltese que o fato de os valores serem depositados na contacorrente da Recorrente não transfere a mesma a titularidade dos valores correspondentes aos aluguéis. Na hipótese da recorrente ter se apropriado das receitas de seu pai, a implicação e a possível infração imputada a Maria Vani Oliveira Mascarenhas Ruiz jamais seria a de omissão de rendimentos de aluguéis. Aliás, a existência de omissão de rendimentos de aluguéis está condicionada à existência de posse ou a propriedade de imóveis, salvo nos casos de sub locação, o que definitivamente não é o caso. Também cabe sinalar que não se pode manter a infração de omissão de rendimentos de aluguéis sobre a filha do proprietário do imóvel, tais fatos devem ter como conseqüência a exigência do tributo devido pela proprietária do imóvel e não na manutenção do lançamento efetivado com claro erro na identificação do sujeito passivo. Nessa conformidade, não pode prosperar o lançamento imputado ao recorrente. Ante o exposto, voto por DAR provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 19 de fevereiro de 2013. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 05/01/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10855.005066/200269 Acórdão n.º 2102002.466 S2C1T2 Fl. 118 5 Assinado Digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima – Redator “ad hoc” Fl. 134DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 05/01/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 15540.720006/2012-17
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 31/10/2006 a 10/10/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. PROCEDIMENTO DECORRENTE DE AUTO IRPJ. COMPETÊNCIA. PRIMEIRA SEÇÃO.
Compete à Primeira Seção do CARF o julgamento de recurso voluntário relativo a procedimento decorrente de fatos cuja apuração tenha servido para configuração da prática de infração à legislação do IRPJ (art. 2o, IV do Anexo II do RICARF).
Numero da decisão: 3403-002.881
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso, declinando-se da competência de julgamento à Primeira Seção do CARF.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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PROCEDIMENTO DECORRENTE DE AUTO IRPJ. COMPETÊNCIA. PRIMEIRA SEÇÃO. Compete à Primeira Seção do CARF o julgamento de recurso voluntário relativo a procedimento decorrente de fatos cuja apuração tenha servido para configuração da prática de infração à legislação do IRPJ (art. 2o, IV do Anexo II do RICARF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso, declinandose da competência de julgamento à Primeira Seção do CARF. Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 72 00 06 /2 01 2- 17 Fl. 5347DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 Relatório Versa o presente sobre auto de infração lavrado em 20/12/2011 (fls. 2627 a 2631)1, para exigência de IPI, no valor de R$ 941.487,50 (a título de principal), em decorrência de utilização indevida de créditos básicos em relação a notas fiscais inidôneas. No relatório fiscal de fls. 2632 a 2645, narrase que: (a) a fiscalização se iniciou no curso de outra, levada a cabo na contribuinte “METALAN Indústria e Comércio de Metais LTDA” (que nunca operou no domicílio indicado à RFB, tinha como únicos sócios pessoas já falecidas há mais de 8 anos, não possuía funcionários registrados, e que emitiu notas fiscais de R$ 10 milhões em 2006, e R$ 20 milhões em 2007); (b) após ter falecidos no quadro societário, a empresa “METALAN” passou a operar com “laranjas” no quadro societário, inicialmente um taxista (que alegou ter emprestado o nome ao Sr. “LINDORO Vicente Santana Neto” e não conhecia os outros sócios), depois um caseiro do Sr. “LINDORO” (que admitiu ter assinado procuração para pessoa de confiança do Sr. “LINDORO” para retirada de talões de cheque que, após assinados, eram remetidos para a “IPCE” em São Paulo, via SEDEX), tendo o caseiro afirmado que soube por meio de seu patrão atual que o Sr. “LINDORO” havia falecido; (c) praticamente todas as notas fiscais de emissão da METALAN tiveram como beneficiárias as empresas do irmão do Sr. “LINDORO”: “IPCE Fios e Cabos Elétricos LTDA” (autuada) e “Indústria de Cabos Elétricos Paulista LTDA”, tendo as notas sido utilizadas indevidamente para reduzir o lucro real da empresa “IPCE em cerca de R$ 11 milhões em 2006, e R$ 13 milhões em 2007; (d) após regular quebra de sigilo bancário da empresa “METALAN”, descobriuse que a maioria dos valores a ela creditados provinham da “IPCE” e de “factorings”, e que a quase totalidade dos cheques emitidos pela “METALAN” foram compensados em outros estados federados, principalmente São Paulo (e grande parte dos cheques, no verso, tem a informação de emissão junto ao Sr. “LINDORO”, irmão do Sr. “ADHEMAR CAMARDELLA”, dono da “IPCE”); 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 5348DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 15540.720006/201217 Acórdão n.º 3403002.881 S3C4T3 Fl. 5.348 3 (e) como em muitos dos cheques havia a inscrição “IPCE” a caneta, no verso, independente de os favorecidos serem outras empresas, a fiscalização afirma que “tudo leva a crer que os pagamentos efetuados pela METALAN, em sua maioria, eram por conta e ordem da IPCE, que, por sua vez, efetuava pagamentos sem causa através (sic) de transferências para as contas da METALAN ou de terceiros, acobertados pela emissão de notas fiscais fraudulentas desta empresa tendo a IPCE como beneficiária”; (f) as quantidades de mercadorias e valores das notas de venda de emissão da “METALAN” em favor da “IPCE” são totalmente incompatíveis com as entradas da “METALAN”, e não há nenhuma comprovação da existência de transporte, recebimento, entrada em estoque ou utilização de tais mercadorias pela “IPCE”; (g) há ainda correspondência datada de 27/12/2006, do sócio da “IPCE”, Sr. “ADHEMAR CAMARDELLA”, endereçada à “METALAN” à atenção do falecido (há muito tempo) sócio, dando ciência de que “conforme entendimentos verbais...”; (h) não restam dúvidas de que a empresa “METALAN” foi constituída (e baixada fraudulentamente) apenas no papel, com o intuito de fraudar o fisco (sonegando, utilizandose de compensações indevidas e gerando restituições inexistentes), sendo inexistente de fato, e que os principais beneficiários da fraude são os responsáveis pela empresa “IPCE”; e (i) foram efetuados lançamentos de IRPJ, CSLL, IRRF e IPI (tributos lançados na matriz da “IPCE”), além de IPI relativo às glosas no CNPJ da filial. Cientificada da autuação em 26/12/2011 (cf. fl. 5206), a empresa apresenta impugnação em 23/01/2012 (fls. 5236 a 5259), argumentando em síntese que: (a) a “METALAN” foi cadastrada como fornecedora da “IPCE” em julho de 2006, após preencher todos os requisitos documentais exigidos; (b) “não tinha conhecimento da existência física do Sr. Alcimar Barbosa Cunha (sócio falecido); (c) a empresa “METALAN” enviou À IPCE comprovantes de pagamento de INSS de funcionários; (d) a “IPCE” desconhece as particularidades internas da “METALAN”; (e) se a empresa “METALAN” não existe, como poderia estar inscrita na Receita Federal e na Secretaria de Fazenda do Rio de Janeiro, e passar por auditorias semestrais do INMETRO, e ter sidpo fiscalizada por um agente fiscal da Inspetoria de São Gonçalo?; (f) o Sr. “ADHEMAR CAMARDELLA Sant Anna”, sócio da “IPCE” é irmão do Sr. “LINDORO”, mas eles “não tinham uma convivência normal e pacífica porque após o Sr. LINDORO ter ficado viúvo e deixado a seus cuidados uma filha que se encontra confinada em uma clínica no Rio de Janeiro sob a Responsabilidade do Sr. ADHEMAR pouco se comunicavam”; (g) são contraditórias as declarações sobre assinaturas de Fl. 5349DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 cheques em branco e envios à “IPCE” pelos correios, e sobre trabalhar o declarante para o Sr. “LINDORO” até 2009 (sendo que o Sr. “LINDORO” faleceu em 23/09/2009), e outras declarações prestadas durante o procedimento fiscal; (h) há notas fiscais da “METALAN” para empresas que não a “IPCE”; (i) a “IPCE” sempre prestou as informações que estavam a seu alcance para o fisco, mas houve falta de entrega de alguns documentos que “possivelmente estavam nas caixas e pacotes no interior do veículo que foi furtado quando transportava documentos”; (j) sobre os cheques com as indicações do Sr. “LINDORO”, seriam no máximo três que o Sr. “ADHEMAR CAMARDELLA” tem lembrança; (k) foram solicitados documentos da “IPCE” por fiscais de Guarulhos e de Niterói, tendo sido efetuadas as mesmas glosas, ocorrendo bitributação relativa à empresa “METALAN”; (l) em suma, “se houve algumas ações não condizentes com documentos ou pessoas estas não foram constatadas pela IPCE e portanto se julga isenta de qualquer ato inverídico ou de suposição”; (m) em momento algum houve creditamento básico indevido de IPI apurado com base nos valores constantes nas notas fiscais consideradas inidôneas, pois a “METALAN” só foi considerada inidônea em 24/11/2011, estando ativa à época das transações efetuadas com a “IPCE”; (n) o fisco atuou com base em indícios e suposições, não tendo sido provada a inexistência das reais transações comerciais entre a “METALAN” e a “IPCE”; (o) o fato de não ser localizada a empresa “METALAN” não descaracteriza sua personalidade jurídica, pois estava legalmente inscrita na Junta Comercial; (p) o fato de a nota fiscal ter informação falsa quanto ao estabelecimento de origem não é de responsabilidade da compradora (autuada); (q) não foi realizada fiscalização contábil específica na “IPCE”, confrontando compras, vendas, variação de estoque e outros itens importantes; e (r) tendo a empresa atendido a todas as intimações do fisco, não se justifica a aplicação de multa de 150%. Em 30/07/2013 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 5325 a 5340), acordando unanimemente o tribunal de piso pela integral improcedência da autuação, recorrendo de ofício a este CARF, sob o fundamento de que “o lançamento tributário deve basearse no saldo devedor do batimento de débitos (oriundos das saídas de mercadorias tributadas) e créditos (advindos das aquisições de insumos onerados pelo imposto empregados na fabricação de seus produtos) do IPI, e não nos valores glosados dos créditos utilizados”. Afirma ainda o julgador que, no caso, “os créditos declarados pelo contribuinte em DIPJ são suficientes para manter o saldo como credor, mesmo diante das glosas efetuadas pela autoridade fiscal”. Acordase ainda na DRJ que, diante da constatação de notas fiscais emitidas por empresa com inscrição no CNPJ declarada nula por vício no ato cadastral, deveria o fisco manter “as glosas de créditos para que se promova a retificação na escrita fiscal do contribuinte”. Em síntese, a DRJ, apesar de concluir que “resta evidente que a METALAN sequer existiu de fato” e que “emitia notas fiscais de favor, sem capacidade operacional às suas atividades”, “com diversos documentos em proveito da “IPCE”, e que o lançamento foi feito não a partir de suposições mas de fatos concretos, sendo cabível a qualificação da multa de ofício, e devidas as glosas, sendo improcedente a impugnação apresentada, registra que houve erro na autuação quanto à aplicação do princípio da não cumulatividade, pois ao invés de se basear nos valores glosados, deveria a autuação ter por base o saldo devedor após o batimento de débitos e créditos do IPI, o que leva à improcedência também da autuação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Fl. 5350DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 15540.720006/201217 Acórdão n.º 3403002.881 S3C4T3 Fl. 5.349 5 O recurso de ofício apresentado versa sobre autuação referente a IPI da filial (CNPJ no 03.763.623/000295), mas efetuada diante de procedimento fiscal no qual foram ainda lançados IRPJ, CSLL, IRRF e IPI em relação à matriz (CNPJ no 03.763.623/000104), conforme informa o relatório fiscal anexo à autuação (fls. 2636 e 2645): “12. O somatório das notas fiscais emitidas pela METALAN e utilizadas para reduzir indevidamente o lucro real, bem como as compensações indevidas do IPI, na empresa IPCE (CNPJ 03.763.623/000104 e 03.763.623/000295), utilizando o regime de competência, apenas durante os anoscalendário de 2006 e 2007, somaram respectivamente R$ 11.357.846,60 e R$ 13.496.825,40, conforme pode ser visualizado nos quadros abaixo: (...) 28. Deixamos registrado que a presente fiscalização limitouse à verificação dos documentos e operações realizadas com a empresa METALAN INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE METAIS LTDA, bem como as suas consequências nos anoscalendário de 2006 e 2007 na matriz e na filial da IPCE FIOS E CABOS ELÉTRICOS LTDA. Assim, foram efetuados lançamentos de IRPJ, CSLL, IRRF e IPI (tributos lançados na matriz), além de IPI relativo às glozas (sic) no CNPJ da filial. (...)”. Assim, mister se faz perscrutar possível afetação do presente processo pelo resultado do julgamento de processo de IRPJ/CSLL, que teria na origem a mesma base fática, com a consequente mácula da competência desta 3a Turma Ordinária da 4a Câmara da 3a Seção para o trato da matéria. E, pela identidade de fundamentos e premissas para a autuação, resta claro que todos os lançamentos são nascidos de uma mesma base fática: a emissão de notas fiscais consideradas inidôneas em relação a fornecedor (“METALAN”) afetando o tratamento fiscal/contábil da empresa compradora (“IPCE”). Verificada a identidade de base fática, com a correspondente conexão dos processos, impõese a competência estabelecida no art. 2o, IV do Anexo II do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 256/2009, atribuída à Primeira Seção deste CARF. Assim, voto pelo não conhecimento do recurso, declinandose da competência de julgamento à Primeira Seção do CARF. Rosaldo Trevisan Fl. 5351DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 6 Fl. 5352DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 11610.003020/2003-21
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2001
Compensação. Saldo Negativo de IRPJ
Tendo em conta que o direito creditório pleiteado nestes autos se refere a saldo negativo de IRPJ do ano-calendário 2001, cujo valor apurado pela contribuinte foi reconhecido em Acórdão proferido por outra Turma deste Colegiado, resta, neste processo, homologar as compensações declaradas até o limite disponível do direito creditório ainda não consumido em compensações declaradas em outros processos.
Numero da decisão: 1801-001.937
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Maria de Lourdes Ramirez (presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2001 Compensação. Saldo Negativo de IRPJ Tendo em conta que o direito creditório pleiteado nestes autos se refere a saldo negativo de IRPJ do ano-calendário 2001, cujo valor apurado pela contribuinte foi reconhecido em Acórdão proferido por outra Turma deste Colegiado, resta, neste processo, homologar as compensações declaradas até o limite disponível do direito creditório ainda não consumido em compensações declaradas em outros processos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ Tendo em conta que o direito creditório pleiteado nestes autos se refere a saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001, cujo valor apurado pela contribuinte foi reconhecido em Acórdão proferido por outra Turma deste Colegiado, resta, neste processo, homologar as compensações declaradas até o limite disponível do direito creditório ainda não consumido em compensações declaradas em outros processos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Presidente em exercício e Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Maria de Lourdes Ramirez (presidente em exercício). Relatório Em respeito à economia processual adoto relatório da Resolução n º 1801 000255, de 06/08/2013, desta 1a. Turma Especial / 3a. Câmara / 1a. Seção: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 30 20 /2 00 3- 21 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ 2 Relatório. A Recorrente formalizou o Pedido de Restituição em 27.02.2003, fl. 03, referente ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre rendimentos produzidos por aplicações em fundos de investimento financeiro e em fundos de aplicação em quotas de fundos de investimento financeiro, código 6800, do ano calendário de 2001, no valor original de R$ 71.654,46, para compensação dos débitos identificados nos Pedidos de Compensação formalizados nos processo apensos nºs 11610.003728/200382, 11610.004585/200326 e 11610.003148/2003 95. Em conformidade com o Despacho Decisório Derat/DRF/SPO/SP, de 08.11.2007, fls. 4747, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas a partir das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Cabe ressaltar que foram considerados os dados constantes na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) retificadora nº 1261229, fls. 3034. Temse que o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001 foi examinado no processo nº 11610.000833/200289, oportunidade em que foi considerado como correto o somatório constante na DIPJ de R$ 6.405.736,87 de IRRF no anocalendário de 2001, fls. 32 e 3642 Para tanto, cabe indicar o seguinte enquadramento legal: art. 165, art. 168 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 19 de fevereiro de 2005 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada em 12.12.2007, fl. 49, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 14.01.2008 (segundafeira), fls. 5471, com os argumentos a seguir sintetizados. Apresenta o pedido de reconsideração no prazo de cinco dias (art. 56 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999). Diz apresentar seu arrazoado tempestivamente. Tece esclarecimentos sobre o Per/DComp em que utilizouse o direito creditório referente ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001 que foi examinado no processo nº 11610.000833/200289, inclusive no que se refere à limitação de compensação de prejuízos fiscais. Suscita que os débitos indicados nas Declarações de Compensação estão com a exigibilidade suspensa, nos termos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Argúi que o Despacho Decisório Derat/DRF/SPO/SP é nulo, uma vez que restou caracterizado o cerceamento do direito de defesa, já que desconhece os motivos do indeferimento do seu pedido, já que não foi intimada da decisão proferida no processo nº 11610.000833/200289 (art. 37 da Constituição Federal). Diz que tem legitimidade para pleitear a restituição do IRRF incidente sobre rendimentos produzidos por aplicações em fundos de investimento financeiro e em fundos de aplicação em quotas de fundos de investimento financeiro, código 6800, do anocalendário de 2001, haja vista que não apurou qualquer valor devido a título de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no anocalendário de 2001, de acordo com a DIPJ do período. Procura demonstrar que Comprovase, diferentemente, do que restou consignado na r. decisão ora reclamada, o valor retido pelos bancos a título de imposto de renda poderia ser compensado co prejuízo dos períodos anteriores, o que por si só já acarreta a sua restituição por parte do fisco. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Processo nº 11610.003020/200321 Acórdão n.º 1801001.937 S1TE01 Fl. 3 3 Destaca a existência de saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2001 e que poderia usufruir da compensação integral de prejuízos fiscais de acordo com o Programa Especial de Exportação (Befiex), previsto no inciso III do art. 8º do DecretoLei nº 2.433, de 19 de maio de 1988 e o art. 95 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Diante do exposto requer seja conhecida a presente manifestação de inconformidade e, afinal, provido o pedido de restituição, para, conseqüentemente, deferir os Pedidos de Compensação. Ademais, requerse o cancelamento das cartas cobrança recebidas pela Recorrente bem como qualquer procedimento de cobrança (como a inscrição em dívida ativa), de modo que seja determinada a suspensão dos pedidos de compensação até o deslinde do pedido de restituição, ante a suspensão da exigibilidade do crédito tributário (CTN, art. 151, III). Termos em que, pede deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 7ª TURMA/DRJ/SPO I/SP nº 1620.516, de 19.02.2009, fls. 103109: “Solicitação Indeferida”. Restou ementado: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO.. Constitui crédito a compensar ou a restituir o saldo negativo de imposto de renda apurado na declaração de rendimentos, desde que ainda não tenha sido compensado ou restituído. Notificada em 19.03.2009, fl. 111, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 15.04.2009, fls. 112129, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. Fez sustentação oral em plenário, pela recorrente, Dr. Juan Mello, OAB/SP nº 173.644. Em sessão realizada em 06/08/2013 esta 1a. TE/3a. CAM/1a. SEÇÃO do CARF, por maioria de votos, converteu o julgamento na realização de diligência, para que o presente processo fosse anexado por apensação aos autos do processo n º 11610.000833/2002 89, dada a conexão de ambos. O SAORT da DRF/Taubaté – SP, pelo “despacho de encaminhamento”, manifestouse no seguinte sentido (fl. 159 do processo digital): Fl. 162DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ 4 Em atenção à Resolução nº de 1801000255 (fls. 145/149), devolvo os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para prosseguimento, tendo em vista que o processo nº 11610.000833/200289 já fora julgado, conforme Acórdão nº 1103000.921 (fls. 151/158).Cabe ressaltar que o feito nº 11610.000833/200289 foi devolvido ao CARF por meio de Embargos desta DRF.Marcelo Coelho Ferreira Chefe da Equipe de Arrecadação e Cobrança – EAC1Competência Delegada – Portaria nº 48, de 27/07/2012. Foram anexados aos presentes autos cópia do Acórdão n º 1101000.921, de 08/08/2013, proferido pela 3a. Turma Ordinária / 1a. Câmara / 1a. Seção do CARF, que apreciou os embargos de declaração interpostos nos autos do processo nº 11610.000833/2002 89 (fls. 151/158 do p.d.), que tem a seguinte ementa: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. OMISSÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Afastado o erro material, fazse necessário reconhecer os efeitos infringentes decorrentes do saneamento da omissão do acórdão embargado. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Como se depreende da análise dos autos trata o presente processo de pedido de restituição de IRRF incidente sobre rendimentos de aplicações financeiras, de código 6800, do anocalendário de 2001, no valor original de R$ 71.654,46, para compensação dos débitos identificados nos Pedidos de Compensação formalizados nos processos apensos nºs 11610.003728/200382, 11610.004585/200326 e 11610.003148/200395. Ao analisar o pleito a DRF de origem converteu o pedido de restituição de IRRF em pedido de restituição de Saldo Negativo de IRPJ do anocalendário 2001 e consignou, expressamente, que o Saldo Negativo de IRPJ do anocalendário de 2001 já havia sido objeto de pedido pelo interessado e de análise de sua procedência, pelo órgão de origem, nos autos do processo n º 11610.000833/200289. Considerou, assim, que o valor pleiteado no presente processo, de R$ 71.654,46, já havia sido utilizado como dedução na apuração do saldo Fl. 163DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Processo nº 11610.003020/200321 Acórdão n.º 1801001.937 S1TE01 Fl. 4 5 de IRPJ a pagar, do referido anocalendário, nos autos do processo n º 11610.000833/200289 e não reconheceu qualquer valor a favor da recorrente. Ao se defender, nestes autos, do indeferimento de seu pedido pela Turma Julgadora de 1a. instância, a recorrente apresenta argumentos relacionados a apuração do IRPJ do anocalendário 2001, como o direito a compensação integral dos prejuízos acumulados de anoscalendários anteriores, sem a limitação de 30%, por ser empresa beneficiária do programa BEFIEX. Em razão dos fatos até aqui expostos, esta 1a. TE / 3a. CAM / 1ª. SEÇÃO do CARF, em sessão realizada em 06/08/2013, por maioria de votos, converteu o julgamento na realização de diligência, para que o presente processo fosse anexado por apensação, aos autos do processo n º 11610.000833/200289, dada a conexão entre ambos. Constou do voto da Resolução n º 1801000255: Ocorre que todos os elementos que compõem a apuração do saldo credor de IRPJ do anocalendário 2001 foram objeto de análise nos autos do processo n º 11610.000833/200289, sendo, o presente processo, conexo com aquele, principal, razão pela qual deverão ser apreciados em conjunto, já que a decisão a ser proferida neste processo, depende da decisão a ser proferida nos autos do processo n º 11610.000833/200289 que analisa o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001, do qual a parcela do IRRF de R$ 71.654,46, faz parte. Tal situação já havia sido identificada pela própria DRJ em São Paulo/SPOI como se verifica do despacho exarado à fl. 90 (94 do processo digital), onde consta expressamente que o presente processo é conexo com o de n º 11610.000833/200289, razão pela qual deveriam, ambos, ser apreciados em conjunto. Posteriormente, a DRF em Taubaté/SP, solicitou o retorno dos autos e promoveu ao “Termo de Desapensação” (fls. 139, processo digital). No memorial apresentado e na sustentação oral feita em plenário pelo patrono da recorrente, afirmouse que a interessada não fora cientificada do despacho decisório proferido nos autos do processo de n º 11610.000833/200289 e que somente após a decisão proferida nestes autos, teria sido intimada da decisão proferida naquele processo de n º 11610.000833/200289, que estaria em pauta de julgamento do próximo dia 08/08/2013, 1a. Seção / 3a. Turma / 1a. Câmara. A Portaria MF n º 666, de 2008, já determinava que “serão objeto de um único processo administrativo, os Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas”. (art. 1o., inciso IV). Assim, nos termos do que dispõe o § 7° do artigo 49 – Anexo II do RICARF, voto pela conversão do presente julgamento na realização de diligência, para que o presente processo seja anexado, por apensação, aos Fl. 164DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ 6 autos do processo de no. 11610.000833/200289, para julgamento em conjunto, dada a conexão entre ambos. A fim de que fosse cumprida a diligência foram os autos encaminhados à DRF em Taubaté – SP que, pelo “despacho de encaminhamento” (fl. 159 p.d.), afirmou não ser possível prover a anexação dos processos, sob a seguinte justificativa: Em atenção à Resolução nº de 1801000255 (fls. 145/149), devolvo os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para prosseguimento, tendo em vista que o processo nº 11610.000833/200289 já fora julgado, conforme Acórdão nº 1103000.921 (fls. 151/158).Cabe ressaltar que o feito nº 11610.000833/200289 foi devolvido ao CARF por meio de Embargos desta DRF. Marcelo Coelho Ferreira Chefe da Equipe de Arrecadação e Cobrança – EAC1Competência Delegada – Portaria nº 48, de 27/07/2012. 1 Processo nº 11610.000833/200289 Trata o processo de pedidos de restituição. Transcrevo trechos do relatório da 3a. TO / 1a. CAM / 1a. SEÇÃO do CARF: Tratase de Pedidos de Restituição (fls. 01, 155, 175) e de Pedidos/Declarações de Compensação (fls. 02, 28, 31, 38, 54/56, 74, 76, 77, 98, 99, 120, 164/170, 177, 179, 181/187), protocolizados a partir de 04/01/02. No Despacho Decisório (fls.291/298), cientificado ao contribuinte em 04/01/07 (fl. 329), concluiuse: “ [...] INDEFIRO o Pedido de Restituição referente ao saldo credor de IRPJ exercício 2002 e não homologo as compensações vinculadas a esse crédito; e DEFIRO o Pedido de Restituição referente ao saldo credor de CSLL do exercício 2002 reconhecendo o direito creditório contra a Fazenda Nacional a IOCHPE MAXION S.A., CNPJ 61.156.113/000175 na importância total de R$ 279.891,36 (duzentos e setenta e nove mil, oitocentos e noventa e um reais e trinta e seis centavos), e homologo as compensações vinculadas a esse crédito até o limite do valor deferido (Processo n° 11610.022345/2002 22 e PERDCOMP 18273.73750.231204.1.3.034832)” Tal decisão lastreouse nos fundamentos abaixo resumidos: os pedidos de restituição de IRRF foram convertidos em pedidos de restituição de saldo negativo apurado no final do anocalendário 2001; quanto à compensação de prejuízos acumulados em períodos anteriores, o contribuinte não observou o limite de 30% (trinta por cento) do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões; o contribuinte foi intimado a comprovar a sua participação no programa Befiex, quando se constatou a aprovação em 02/01/82 e encerramento em 25/05/94. Quanto à incorporadora, a aprovação deuse em 30/03/84 e o encerramento, em 31/01/96; Fl. 165DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Processo nº 11610.003020/200321 Acórdão n.º 1801001.937 S1TE01 Fl. 5 7 conforme legislação de regência, para gozo do benefício, a aprovação deveria ter ocorrido até 03/06/93, sendo necessária a vigência quando da ocorrência do fato gerador, no caso 31/12/01; em decorrência da limitação relacionada à compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores, o imposto apurado foi superior ao declarado como retido na fonte; o saldo negativo de CSLL pleiteado foi integralmente confirmado. A Manifestação de Inconformidade (fls. 344/353) foi indeferida pela Sétima Turma da DRJ – São Paulo I (SP), em acórdão que recebeu a seguinte ementa (fls. 695/701): PROGRAMA ESPECIAL DE EXPORTAÇÃO. BEFIEX. ENCERRAMENTO. PREJUÍZO FISCAL. INOBSERVÂNCIA DO LIMITE DE 30% PARA COMPENSAÇÃO. Correta a exigência quando a contribuinte, extitular do Programa BEFIEX, procedeu a compensação de prejuízos fiscais, após o encerramento do mencionado Programa, sem observar o limite legal estabelecido, qual seja, 30% do lucro liquido ajustado. Devidamente cientificado do acórdão em 02/03/09 (fl. 702 v), o contribuinte tempestivamente apresentou Recurso Voluntário em 31/03/09 (fls.7 33/759), em que sustenta, em síntese: o lucro real teria sido integralmente reduzido mediante compensação de prejuízos fiscais apurados durante o período em que era titular do programa Befiex – Benefícios Fiscais a Programas Especiais de Exportação; nos termos da legislação regente, faria jus à compensação integral, sem a aplicação de qualquer trava, o que lhe garantiria um saldo negativo de IRPJ, decorrente das retenções na fonte, no valor de R$ 6.405.736,87, dos quais R$ 3.075.936,71 foram objeto dos pedidos de restituição/compensação; a diligência requerida pela DRJ concluíra pela procedência da utilização dos prejuízos fiscais, bem como do Imposto de Renda Retido na Fonte; o artigo 95 da Lei nº 8.981/95 não imporia qualquer restrição no sentido de que os benefícios somente poderiam ser utilizados durante a vigência do programa Befiex, interpretação corroborada pelas IN SRF nº 51/95 (art.27, §3º) e nº 11/96 (art.35, §4º). A nova redação daquele dispositivo legal suprimira a referência ao artigo 42 da Lei nº 8.981/95, de maneira que os prejuízos apurados na vigência do programa Befiex “...poderiam ser compensados com 100% dos lucros apurados nos anos calendário subseqüentes”; o próprio Regulamento do Imposto de Renda – RIR 99 (art.470, I) seria enfático ao dispor que a compensação de prejuízos não estaria sujeita ao limite de 30% (trinta por cento); Fl. 166DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ 8 a única exigência a possibilitar a compensação de prejuízos sem limite “...seria que o Programa Especial de Exportação tivesse sido aprovado até 3 de junho de 1993, e nada mais. Uma vez cumprido esse requisito, ao apurar prejuízo fiscal durante a vigência do programa, tal como ocorreu no caso concreto, o contribuinte adquiriu automaticamente o direito a compensálo com os lucros apurados nos 6(seis) anoscalendário subseqüentes.”; a autoridade fiscal não teria questionado a existência dos prejuízos sob a vigência do Befiex, mas apenas a sua compensação após o término do programa; os dispositivos mencionados pelas instâncias precedentes afirmariam que os benefícios seriam assegurados durante a vigência do Befiex, em nada interferindo no momento em que seriam fruídos. O direito ao benefício estaria incorporado ao patrimônio jurídico dos que participaram do programa, sendo que uma lei não poderia retroagir para interromper efeitos já consolidados; [...] A 3a. TO / 1a. CAM / 1a. SEÇÃO do CARF, apreciando o recurso voluntário interposto nos autos decidiu Acórdão n º 1101000798, de 05/12/2012 negarlhe provimento. Do voto condutor extraio os seguintes trechos: [...] A outra conclusão não se chega, portanto, senão pela possibilidade de compensação dos prejuízos fiscais apurados pelas “empresas industriais titulares de Programas Especiais de Exportação aprovados até 3 de junho de 1993, pela Comissão para Concessão de Benefícios Fiscais a Programas Especiais de Exportação – BEFIEX”, durante a sua vigência, integralmente nos seis anoscalendário subseqüentes. [...] Considerando a data em que encerrou a participação no programa Befiex (25/05/94), fato incontroverso, os prejuízos apurados durante a sua vigência, poderiam ser utilizados na compensação, sem a trava de 30% (trinta por cento) até o final de 2000, considerandose a interpretação acima firmada. Não obstante tal conclusão, suficiente para se infirmar a pretensão da defesa, verificarseá que parte, ou mesmo a totalidade, dos prejuízos fiscais declarados não foram apurados quando da participação do contribuinte no programa Befiex. Intimado a apresentar, quanto aos anoscalendário de 1993 a 1996, exercício de 1994 a 1997, a “...Composição com todas as documentações pertinentes dos prejuízos fiscais apurados nos referidos períodos, enquanto inseridos em Benefícios Fiscais a Programas Especiais de Exportação – Comissão Befiex”, bem como a “...Demonstrar sucintamente quando e como foram utilizados referidos prejuízos”, o contribuinte disponibilizou, dentre tantos documentos, cópias da Parte B do LALUR, com o controle dos saldos dos prejuízos fiscais apurados desde o anocalendário 1990 (fls. 511/526). Fl. 167DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Processo nº 11610.003020/200321 Acórdão n.º 1801001.937 S1TE01 Fl. 6 9 Ali, constatase que os prejuízos fiscais apurados anteriormente a 25/05/94 já haviam sido exauridos bem antes do anocalendário 2001, de maneira que os compensados na DIPJ 2002 não se referiam ao período em que o Recorrente participou do programa Befiex, de sorte que se obrigava a cumprir a trava de 30% (trinta por cento), incidindo na espécie a regra geral. [...] Considerando que tais prejuízos poderiam, como visto acima, ser compensados integralmente nos 6 (seis) anoscalendário subseqüentes, a tentativa de aproveitálos em 2001, sem a trava de 30% (trinta por cento), mostrase contrária à legislação de regência, razão pela qual não pode ser aceita. [...] Contra referido Acórdão foi interposto, pela contribuinte, recurso de embargos de declaração, em face da observância de erro material e conseqüente omissões, que produziriam efeitos modificativos. Os embargos foram admitidos com efeitos infringentes e julgados pela própria 3a. TO / 1a. CAM / 1a. SEÇÃO do CARF, em sessão realizada em 08/08/2013. Do relatório constou que a embargante assim justificou a interposição do recurso: teria participado do programa Befiex por meio de dois contratos: (a) Termo de Aprovação BEFIEX nº 074/82 (janeiro/82 a maio/94 – cf. fls. 190/211); e (b) Termo de Aprovação BEFIEX nº 187/84 (março/84 a março/96 – cf. fls. 213/224), firmado inicialmente em nome da sociedade incorporada pela Recorrente, FNV Veículos e Equipamentos S/A, sendo que, após o ato de incorporação, houve a celebração de Termo de Compromisso Aditivo SPI/BEFIEX/Nº 242/I/94 (fl. 215), quando se alterou a titularidade do programa para a Iochpe Maxion S/A; não obstante o acórdão embargado tenha prestigiado a correta interpretação da legislação, concluiu, partindo de uma premissa equivocada, decorrente de nítido erro material, que os prejuízos fiscais declarados no caso concreto não teriam sido apurados durante a sua participação no programa Befiex, que não perdurou apenas até 25/05/94; o erro material do acórdão embargado consistiria no fato de a FNV Veículos Equipamentos S/A ter sido considerada como incorporadora, não como incorporada, como já havia sido reconhecido pelo Despacho Decisório; sendo a Iochpe Maxion S/A a incorporadora, passou a ser a titular do programa Befiex firmado inicialmente com a FNV Veículos Equipamentos S/A, conforme Termo de Compromisso Aditivo referenciado à fl. 215; em decorrência do erro material, o prejuízo fiscal apurado em 1995 não fora considerado na compensação do lucro real apurado em 2001; teria havido, inclusive, omissão “...quanto ao resultado da diligência fiscal [fls.689/690] realizada no caso concreto, que confirma e atesta que os prejuízos fiscais apurados até 1995 foram devidamente aproveitados pela Fl. 168DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ 10 Embargante em conformidade com o programa Befiex’, e que poderia ser aproveitado o IRRF pleiteado; “após toda a conciliação de documentos feita nos presentes autos pela Fiscalização da Receita Federal, concluiuse que os prejuízos provenientes do programa BEFIEX estariam de acordo com os dados constantes da Receita Federal do Brasil e devidamente escriturados (cf. fls. 106/110 e 672/687 e 512/526). Além disso, com relação aos rendimentos e respectivo IRRF, os montantes estariam corretos com aqueles informados em DIPJ pela Recorrente, dando a documentação apresentada por ela quando da intimação do início do procedimento fiscal respaldo à existência do saldo credor pleiteado (cf. fls. 135/140 e 141/147 e 540, 569, 581/596, 598/599 e 602/604)” No juízo de admissibilidade do recurso detectouse o erro material apontado pela embargante visto que, no acórdão embargado, considerouse que a FNV Veículos Equipamentos S/A teria incorporada a Iochpe Maxion S/A, quando teria sido justamente o contrário, vale dizer, a Iochpe Maxion S/A é que teria incorporado a FNV Veículos Equipamentos S/ª Em razão de tal erro material, creditado a lapso quando da transcrição dos excertos, restou configurada, por conseqüência, a omissão quanto à apreciação da participação no programa Befiex decorrente da transferência de titularidade para a embargante Iochpe Maxion S/A inicialmente deferido à FNV Veículos e Equipamentos S/A. No mérito, constou do voto: Inicialmente, fazse necessário recapitular o que já foi decidido por este colegiado quando da apreciação do recurso voluntário. Reconheceuse o direito à compensação dos prejuízos fiscais apurados pelas “empresas industriais titulares de Programas Especiais de Exportação aprovados até 3 de junho de 1993, pela Comissão para Concessão de Benefícios Fiscais a Programas Especiais de Exportação – BEFIEX”, durante a sua vigência, integralmente nos seis anoscalendário subseqüentes. Na oportunidade, foi analisada a participação do contribuinte no programa apenas até 25/05/94, de maneira que “os prejuízos apurados durante a sua vigência, poderiam ser utilizados na compensação, sem a trava de 30% (trinta por cento) até o final de 2000”, o que seria “suficiente para se infirmar a pretensão da defesa”. Passase a analisar, agora, as conseqüências advindas do fato de a FNV Veículos e Equipamentos S/A ter sido incorporada pelo Embargante. De acordo com Certificado nº 242/84, expedido pela Comissão de Benefícios Fiscais a Programas Especiais de Exportação, o Sr. Ministro da Indústria e Comércio aprovou em 30/03/84 o Programa Especial de Exportação apresentado por FNV Veículos e Equipamentos S/A (fls. 213/214). Conforme Termo de Compromisso Aditivo SPI/BEFIEX/Nº 242/I/94 (fls.215/216), celebrado entre a União e a Iochpe Maxion S.A, alterouse a “...titularidade do Programa, por força da incorporação da FNV – Veículos e Equipamentos S.A pela Iochpe Maxion S.A, de acordo com a ASSEMBLÉIA Fl. 169DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Processo nº 11610.003020/200321 Acórdão n.º 1801001.937 S1TE01 Fl. 7 11 GERAL EXTRAORDINÁRIA de 30 de dezembro de 1993, registrada na Junta Comercial do Estado de São Paulo – JUCESP sob o nº 4.827/946, em 13.01.94”. Por meio do OFÍCIO/SPI/BEFIEX/Nº 021/96, de 20/03/96, do Sr. Coordenador Geral Substituto de Programas BEFIEX, foi informado à Iochpe Maxion S/A (fl. 224): “Atendendo solicitação dessa empresa informamos que o Secretário de Política Industrial, em despacho proferido em 31 de janeiro de 1996, encerrou por adimplência contratual, sujeito a verificação fiscal, o Programa BEFIEX firmado por essa empresa Certificado nº 242, de 30 de março de 1984”. (destaquei) Verificase, assim, considerandose a transferência de titularidade do programa que inicialmente beneficiava a FNV Veículos e Equipamentos S/A, que o Embargante participou do programa BEFIEX até 31/01/96 e não até 25/05/94. Por conseguinte, os prejuízos apurados durante a vigência do programa, e acumulados até aquela data, poderiam ser compensados integralmente nos seis anoscalendário subseqüentes, de maneira que, quanto a eles não incidiria, ao final do anocalendário 2001, a trava de 30% (trinta por cento), conforme interpretação fixada no acórdão embargado. Em resposta à diligência requerida pela DRJ –São Paulo I (SP), a DRF – Taubaté (SP) informou : “[...] A parte B do Lalur às fls. 512 a 526 apresenta a utilização dos prejuízos informados na Parte A do Lalur, sendo que de janeiro de 93 a abril de 94 (fls.512 a 521) esses prejuízos foram utilizados, restando para compensação futura os prejuízos a partir de outubro e dezembro de 94 e dezembro de 1995. Quanto a utilização em outros anos calendários dos prejuízos no período abrangido pelo Befiex os controles apresentados pela interessada às fls. 106 a 110 volume III conferem com aqueles próprios dos sistema de controle da RFB, as fls.672 a 687 do Volume IV do presente processo. Em relação aos rendimentos e respectivo IRF na DIPJ/2002, ficha 12A, linha 13, no valor de R$ 6.405.736,87 (fl.540, vol. III) demonstrado na ficha 43 (fl.569, Vol.III), a documentação pertinente encontrase às fls.581 a 596 do volume III onde os documentos das instituições financeiras conferem com os valores do IRF informado na DIPJ/2002, à exceção de documento do IRF Banco Votorantim, mês 06/2001, operação hedge no valor de R$ 2.401.059,92, o qual após contato com a empresa foi encaminhado e encontrase anexado ao presente, devidamente contabilizado. O IRF acima encontrase devidamente contabilizado à vista do razão contábil anexado as fls.598 e 599 do volume III e fls.602 a 604 do volume IV nas contas IRF s/ aplicações financeiras e Juros s/ Capital Próprio. No tocante aos rendimentos que originaram as retenções citadas os mesmos se encontram demonstrados as fls.135 a 140 e contabilizados as fls.141 a 147 do volume III. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ 12 Dessa forma procede a utilização do prejuízo apurado no período Befiex e utilizado na DIPJ/2002 , bem como o IRF pleiteado na mesma, encerrando assim, a diligência solicitada pela DRJ SPO1.” A situação do saldo de prejuízos fiscais ao final do anocalendário 1995, conforme demonstrativo do sistema Sapli (fl. 673), era: Histórico Valor (R$) Befiex 1989 0,00 Befiex 1990 0,00 PB/AC 1991/1994 20.428.790,67 AnoCalendário 1995 139.155.223,31 Cisão Parcial 0,00 Atividade Rural 0,00 Total 159.584.013,98 Podem, ainda, ser mencionados os seguintes eventos relacionados ao prejuízo fiscal apurado até 31/12/95 (fls. 674/680): Anocalendário 1996: redução para R$ 148.146.441,99, tendo em vista a apuração de lucro real; Anocalendário 1997: manutenção do estoque de R$ 148.146.441,99, tendo em vista a apuração de prejuízo fiscal de R$ 5.513.834,10; Anocalendário 1998: manutenção do estoque de R$ 148.146.441,99, tendo em vista a apuração de prejuízo fiscal anual de R$ 35.438.786,04; Anocalendário 1999: manutenção do estoque de R$ 148.146.441,99, tendo em vista a apuração de prejuízo fiscal de R$ 52.166.363,52. Nesse ano, houve cessão de prejuízo fiscal a terceiro no valor de R$ 7.595.313,68; Anocalendário 2000: manutenção do estoque de R$ 148.146.441,99, tendo em vista a apuração de prejuízo fiscal de R$ 9.997.065,45. Quanto a esse ano, há outro demonstrativo em que se indica compensação de R$ 3.567.920,00, tendo em vista a apuração de lucro real de R$ 12.193.066,99; Anocalendário 2001: apuração de lucro real de R$ 51.781.405,46, compensado integralmente a título de “Indústrias Titulares de Prog. de Export. – BEFIEX até 03/06/93”. Comprovado, portanto, que ao final do anocalendário 2001, havia saldo de prejuízos fiscais apurados na vigência dos programas Befiex, poderia ser utilizado na compensação integral do lucro líquido ajustado. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Processo nº 11610.003020/200321 Acórdão n.º 1801001.937 S1TE01 Fl. 8 13 Inexistindo imposto devido, o saldo negativo decorreria unicamente do Imposto de Renda Retido na Fonte, que, de acordo com a DIPJ 2002 (Ficha 12 A, fl. 540), totalizaria R$ 6.405.736,87. Conforme Despacho Decisório, após terem sido juntados vários processos, por versarem sobre o mesmo direito creditório, o saldo negativo pleiteado nos presentes autos totalizaria R$ 2.796.045,35 (dois milhões, setecentos e noventa e seis mil, quarenta e cindo reais e trinta e cinco centavos), conforme a tabela abaixo: Processos Valor original (R$) 11610.000833/200289 760.522,94 11610.009041/200270 1.274.915,38 11610.020100/200261 407.607,45 11610.022345/200222 23.059,98 11610.022345/200222 66.750,00 11610.004584/200381 94.118,64 11610.006008/200379 73.357,96 11610.006009/200313 95.713,00 Total 2.796.045,35 O fato de no Despacho Decisório não se ter apreciado o valor declarado de IRRF, poderia implicar na impossibilidade de, em segunda instância, procederse à análise pela primeira vez, como se tem decidido neste colegiado. Entretanto, há uma particularidade no caso concreto, a reclamar desfecho distinto, qual seja, o fato de a DRF – Taubaté (SP) já ter se pronunciado a respeito, quando, instada pela DRJ, que na oportunidade requereu algumas providências no seguinte sentido: “[...] Outro tópico que chama a atenção é a composição do saldo negativo apurado na DIPJ/2002, que em parte, provém de deduções de IRRF do IR a pagar no ajuste anual e nas estimativas mensais. Quanto a esse tópico requerse à Fiscalização: 1) Informe o montante do IRRF dedutível, para fins de cálculo do IR devido do anocalendário de 2001 com base nos informes de rendimentos, escrituração contábil e a DIPJ apresentada; Fl. 172DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ 14 2) Informe se os valores dos rendimentos correspondentes ao IRRF dedutível foram oferecidos à tributação mediante a análise dos livros fiscais e comprovantes de retenção na fonte (extratos de rendimentos, notas fiscais, etc) para o anocalendário de 2001;” Após análise dos informes de rendimentos e escrituração, a fiscalização atestou: (a) que as retenções declaradas e os respectivos rendimentos foram devidamente contabilizados; e (b) que “procede a utilização do prejuízo apurado no período Befiex e utilizado na DIPJ/2002 , bem como o IRF pleiteado na mesma”. Assim, restou reconhecido pela própria Secretaria da Receita Federal do Brasil as retenções declaradas e a contabilização dos respectivos rendimentos. Em suma, identificado o cometimento de erro material no acórdão embargado, a sua retificação implicou no saneamento da omissão e conseqüente reconhecimento do direito creditório pleiteado neste processo, a partir da possibilidade de compensação dos prejuízos fiscais apurados durante a vigência do programa Befiex e do preenchimento dos requisitos legais para o aproveitamento do IRRF declarado, devidamente atestados pela RFB. Pelo exposto, voto no sentido de acolher os embargos, com efeitos infringentes, para alterar o dispositivo do Acórdão nº 1103000.798/2012 para “dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório pleiteado e homologar as compensações até tal limite”. 2 Mérito Muito bem. Diante da impossibilidade de anexação por apensação deste processo ao de nº 11610.000833/200289, que tratou de analisar o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001, outra alternativa não resta que não seja a adoção, neste voto, das razões de decidir consignadas nos autos do processo nº 11610.000833/200289. Este processo trata de pedido de restituição de IRFF convertido em pedido de restituição de Saldo Negativo de IRPJ do anocalendário 2001. Aqui, a recorrente pede pela utilização do referido direito creditório, no valor de R$ 71.654,46, na compensação dos débitos identificados nos Pedidos de Compensação formalizados nos processo apensos nºs 11610.003728/200382, 11610.004585/200326 e 11610.003148/200395. A 3a. TO/1a. CAM/1a. SEÇÃO deste CARF já decidiu que, no anocalendário 2001, a recorrente apurou um saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 6.405.736,87, como constou daquele voto: Fl. 173DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Processo nº 11610.003020/200321 Acórdão n.º 1801001.937 S1TE01 Fl. 9 15 Inexistindo imposto devido, o saldo negativo decorreria unicamente do Imposto de Renda Retido na Fonte, que, de acordo com a DIPJ 2002 (Ficha 12 A, fl. 540), totalizaria R$ 6.405.736,87. (*) destaquei. Aquela turma também assinalou que, naquele processo, nº 11610.000833/200289, foi pleiteada parcela do saldo negativo de IRPJ de 2001, no valor de R$ 2.796.045,35: Conforme Despacho Decisório, após terem sido juntados vários processos, por versarem sobre o mesmo direito creditório, o saldo negativo pleiteado nos presentes autos totalizaria R$ 2.796.045,35 (dois milhões, setecentos e noventa e seis mil, quarenta e cindo reais e trinta e cinco centavos), conforme a tabela abaixo: (*) destaquei. Também restaram analisadas e validadas as parcelas de IRRF que compuseram todo o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001, de R$ 6.405.736,87: Assim, restou reconhecido pela própria Secretaria da Receita Federal do Brasil as retenções declaradas e a contabilização dos respectivos rendimentos. (*) destaquei. Assim, considerando: 1) que restou validado o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001, apurado pela recorrente no valor de R$ 6.405.736,87; 2) que em razão do reconhecimento in totun do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001 apurado pela recorrente, nenhum valor mais resta a reconhecer, nestes autos, a título de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001; 3) que parte do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001 já foi utilizado em outras compensações, como aquelas tratadas no processo nº 11610.000833/2002 89, tendo sido consumido, naquele processo, o montante de R$ 2.796.045,35, do saldo negativo total; 4) que compete à unidade de jurisdição da recorrente os controles dos processos que tratam de outros pedidos de compensação com o mesmo direito creditório relativo ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001; Fl. 174DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ 16 Resta, portanto, homologar as compensações declaradas neste processo até o limite disponível do direito creditório relativo ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001, prosseguindose na cobrança dos débitos que não sejam absorvidos nas compensações por inexistência de saldo disponível do direito creditório. Encaminho meu voto, portanto, no sentido de dar provimento parcial ao recurso. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 175DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/04/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ
score : 1.0
Numero do processo: 11128.004191/2003-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 14/08/1998
PREPARAÇÕES A BASE DE VITAMINAS. SUBSTÂNCIAS ADICIONADAS. USO ESPECÍFICO EM PREFERÊNCIA À SUA APLICAÇÃO GERAL. CAPÍTULO 29. EXCLUSÃO.
Não pode ser classificada no Capítulo 29 a Preparação à base de Vitaminas adicionada de substâncias que tornaram-na apta a um uso específico em preferência à sua aplicação geral.
MULTA ADMINISTRATIVA. IMPORTAÇÃO SEM LICENÇA. SIMPLES ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
O fato de a mercadoria mal enquadrada na NCM não estar correta e suficientemente descrita não é razão suficiente para que a importação seja considerada sem licenciamento de importação ou documento equivalente.
MULTA POR DECLARAÇÃO INEXATA. MERCADORIA. DESCRIÇÃO. ELEMENTOS NECESSÁRIOS A SUA CLASIFICAÇÃO. AUSÊNCIA. APLICABILIDADE.
Aplica-se a multa por declaração inexata, no percentual de setenta e cinco por cento da diferença de imposto, mesmo antes do advento do ADI nº 13/03, sempre que a declaração da mercadoria, ainda que correta, não contenha todos os elementos necessários ao seu enquadramento tarifário.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3102-002.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para afastar exclusivamente a multa por falta de Licenciamento de Importação. Vencidas as Conselheiras Nanci Gama e Andréa Medrado Darzé, que davam provimento integral
(assinatura digital)
Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Relator
EDITADO EM: 29/10/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzé.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 14/08/1998 PREPARAÇÕES A BASE DE VITAMINAS. SUBSTÂNCIAS ADICIONADAS. USO ESPECÍFICO EM PREFERÊNCIA À SUA APLICAÇÃO GERAL. CAPÍTULO 29. EXCLUSÃO. Não pode ser classificada no Capítulo 29 a Preparação à base de Vitaminas adicionada de substâncias que tornaramna apta a um uso específico em preferência à sua aplicação geral. MULTA ADMINISTRATIVA. IMPORTAÇÃO SEM LICENÇA. SIMPLES ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O fato de a mercadoria mal enquadrada na NCM não estar correta e suficientemente descrita não é razão suficiente para que a importação seja considerada sem licenciamento de importação ou documento equivalente. MULTA POR DECLARAÇÃO INEXATA. MERCADORIA. DESCRIÇÃO. ELEMENTOS NECESSÁRIOS A SUA CLASIFICAÇÃO. AUSÊNCIA. APLICABILIDADE. Aplicase a multa por declaração inexata, no percentual de setenta e cinco por cento da diferença de imposto, mesmo antes do advento do ADI nº 13/03, sempre que a declaração da mercadoria, ainda que correta, não contenha todos os elementos necessários ao seu enquadramento tarifário. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para afastar exclusivamente a multa por falta de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 41 91 /2 00 3- 10 Fl. 282DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA 2 Licenciamento de Importação. Vencidas as Conselheiras Nanci Gama e Andréa Medrado Darzé, que davam provimento integral (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro – Presidente (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator EDITADO EM: 29/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzé. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. O importador por meio da DI nº 98/00803364, registrada em 14/08/1998, submeteu a despacho aduaneiro 10.000 kg de "Vitamina E 50%" classificando a referida mercadoria no código tarifário 2936.2812 da Tarifa Externa Comum — TEC, recolhendo os tributos com base nas alíquotas de 3% para o Imposto de Importação e 0% para o Imposto sobre Produtos Industrializados. A conferência física da mercadoria se deu com a retirada de amostra pelo Laboratório Nacional de Análises do Ministério da Fazenda — LABANA, de acordo com o artigo 36 da IN 69/96, cujos resultados deram origem aos Laudos nºs 2077/98 e 2077A de 13/10/98 e 26/12/98, respectivamente, anexos às fls. 27 e seguintes. Entendeu a fiscalização que, segundo os referidos laudos, a mercadoria importada não é apenas "Vitamina E, mas uma preparação constituída de "Acetato de Vitamina E’; amido e substâncias Inorgânicas à base de Silica, na forma de pó. O Amido e as Substâncias Inorgânicas à base de Sílica não são antiaglomerantes, impurezas, estabilizastes e nem agentes antipoeira, tampouco são indispensáveis à segurança, conservação ou transporte da Vitamina E. Prossegue, reproduzindo as conclusões dos laudos, noticiando que o produto apresenta mais de uma substância química, não se tratando portanto de um composto de constituição química definida e apresentado isoladamente. O Amido e as Substâncias Inorgânicas à base de Sílica são excipientes que têm a função de adsorventes ou suportes. Essa adsorção torna a "Vitamina E” um pó de alta fluidez, facilitando a administração e o doseamento uniforme da Vitamina aos animais. Conforme o Compêndio Brasileiro de Alimentação Animal, preparação contendo 50% de "Acetato de Vitamina W encontrase pronta para ser utilizado exclusivamente na produção de ração animal, após prémistura sobre um suporte adequado, ou em outras bases alimentícias, para depois serem administradas por via oral aos animais. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.004191/200310 Acórdão n.º 3102002.038 S3C1T2 Fl. 3 3 Pelo exposto, a fiscalização reclassificou o produto importado para o código tarifário 2309.90.90 da TEC (Outras Preparações dos Tipos Utilizados na Alimentação de Animais). Em conseqüência, foi lavrado o auto de infração para exigir do contribuinte a diferença do Imposto de Importação, a infração administrativa prevista no artigo 633, inciso II do RA aprovado pelo Decreto 4.543 de 26/12/2002 e a multa prevista no artigo 44, inciso I da Lei nº 9.430/96. Devidamente cientificada da exigência fiscal, fls.39, a autuada apresentou sua impugnação, fis. 41/51, alegando em síntese o que segue: 1. O produto importado pela requerente foi corretamente classificado no código 2936.28.12 da NCM, ou seja, Acetato de D ou DL Alfa de Tocoferol, nome técnico da Vitamina E 50%; 2. O enquadramento tarifário adotado pela requerente na posição acima especificada devese a resposta proferida pela Divisão de Nomenclatura, Classificação e Origem de Mercadorias — DINOM, à Consulta Administativa formulada pelo Sindicato Nacional das Indústrias de Alimentação — SINDIRAÇOES, autuada sob número 10168.003154/9836 que concluiu: “... decido que o acetato de vitamina E apresentado na forma das mercadorias 1 e 2 deve ser classificado no código 2936.28.12 da Nomenclatura Comum do Mercosul, aprovada pelo Decreto nº. 1343/94, com redação dada pelo Decreto n°. 2376/97." 3. Mesmo assim, contrariando a decisão da DINOM, com base no Laudo de Análise 2077198 expedido pelo LABANA, foi lavrado o auto de infração por entender que o produto denominado "Vitamina E 50% tratase de: Preparação química constituída de Acetato de Vitamina E, Amido e Substâncias Inorgânicas à base de Sílica (expediente), na forma de pó. 4. Não procede a desclassificação tarifária constante do auto de infração ora atacado, pois tece análises desprovidas de razão e amparo técnico, vez que consta nas Notas Explicativas do sistema Harmonizado, relativamente à posição 23.09 e 23.36, respectivamente, que: ‘2309 — Preparações dos tipos utilizados na alimentação de animais (...) Incluemse nesta posição os produtos dos tipos utilizados na alimentação dos animais, obtidos pelo tratamento de matérias vegetais ou animais e que, por esse fato, perderam as características essenciais da matéria de origem, por exemplo, no caso dos produtos obtidos a partir de matérias vegetais, os que tenham sido sujeitos a um tratamento, de forma que as estruturas celulares específicas das matérias vegetais de origem já não sejam reconhecíveis ao microscópio. 29.36 PROVITAMINAS E VITAMINAS, NATURAIS OU REPRODUZIDAS POR SÍNTESE (INCLUÍDOS OS CONCENTRADOS NATURAIS), BEM COMO OS SEUS DERIVADOS UTILIZADOS PRINCIPALMENTE COMO VITAMINAS, MISTURADOS OU NÃO ENTRE SI, MESMO EM QUAISQUER SOLUÇÕES (...) Fl. 284DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA 4 As vitaminas são substâncias de constituição química geralmente complexa, provenientes de fontes exteriores e indispensáveis ao funcionamento normal do organismo do homem ou dos animais. Como o corpo humano não pode efetuar a síntese destes produtos, eles devem ser fornecidos do exterior sob a sua forma definitiva ou então quase definitiva (provitaminas). Atuando em doses infinitesimais, podem ser consideradas como biocatalisadores exógenos, cuja ausência ou insuficiência provoca perturbações do metabolismo ou "doenças de carência" 5. Desta forma, a mercadoria denominada Vitamina E 50%, tratase de um insumo para a produção da referida prémistura, já que a referida vitamina tem aplicação para uso geral, pois a sílica adicionada ao produto não modifica o caráter de `acetato de dlalfa tocoferol'. 6. Logo, dúvidas não restam que a Requerente classificou de maneira correta o produto que importou; 7. Como comprovada está a correta descrição e classificação do produto não há que se falar em aplicação de penalidade por importação ao desamparo de licenciamento nem por imprecisão que prejudique sua identificação. 8. Nesse sentido, cita acórdãos desta DRJ SPO II e do 3° Conselho de Contribuintes. 9. Por fim, requer a nulidade do auto de infração. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 14/08/1998 IDENTIFICAÇAO DE MERCADORIA. CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. Os produtos identificados pela análise laboratorial como preparações destinadas à alimentação animal, na forma como se apresentam, classificam se no código 2309.90.90, conforme esclarecem as informações técnicas acostadas aos autos, e com base nas Notas Explicativas do SH. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Em síntese, defendese mencionando decisão da Divisão de Nomenclatura, Classificação e Origem de Mercadorias Dinom, em processo de consulta formulada pela Sindirações. Assevera tratarse de produto idêntico ao objeto do presente litígio, ao contrário do afirmado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Considera também sua classificação mais específica. Transcreve Notas Explicativas das posições 23.09 e 29.36 para demonstrar a correção da classificação escolhida. Sustenta que a inclusão de Acetato de Tocoferol e substância inorgânica à base de Sílica não tornam o produto uma preparação empregada na alimentação de animais. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.004191/200310 Acórdão n.º 3102002.038 S3C1T2 Fl. 4 5 Ao final, protesta pela exclusão da multa por falta de licenciamento de importação. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso Voluntário. O produto importado foi descrito na Declaração de Importação como Vitamina E 50%, classificado no Código 2936.28.12 e desclassificado pela Fiscalização Federal para o Código 2309.90.90. A classificação escolhida pelos AuditoresFiscais levou em conta os resultados obtidos em laudo técnico realizado pelo Laboratório Nacional de Análises do Ministério da Fazenda LABANA, atestando que a mercadoria importada não se constituía de um produto de constituição química definida, mas de uma preparação. Boa parte dos litígios que envolvem a classificação fiscal de mercadorias no Capítulo 29 encontram solução na correta interpretação e aplicação da Nota 1 do Capítulo. Transcrevo a seguir as regras correspondentes. 1. Ressalvadas as disposições em contrário, as posições do presente Capítulo apenas compreendem: a) os compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas; b) as misturas de isômeros de um mesmo composto orgânico (mesmo contendo impurezas), com exclusão das misturas de isômeros (exceto estereoisômeros) dos hidrocarbonetos acíclicos, saturados ou não (Capítulo 27); c) os produtos das posições 29.36 a 29.39, os éteres, acetais e ésteres de açúcares, e seus sais, da posição 29.40, e os produtos da posição 29.41, de constituição química definida ou não; d) as soluções aquosas dos produtos das alíneas a), b) ou c) acima; e) as outras soluções dos produtos das alíneas a), b) ou c) acima, desde que essas soluções constituam um modo de acondicionamento usual e indispensável, determinado exclusivamente por razões de segurança ou por necessidades de transporte, e que o solvente não torne o produto particularmente apto para usos específicos de preferência à sua aplicação geral; f) os produtos das alíneas a), b), c), d) ou e) acima, adicionados de um estabilizante (ou mesmo de um agente antiaglomerante) indispensável à sua conservação ou transporte; g) os produtos das alíneas a), b), c), d), e) ou f) acima, adicionados de uma substância antipoeira, de um corante ou de uma substância aromática, com a finalidade de facilitar a sua identificação ou por razões de segurança, desde que Fl. 286DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA 6 essas adições não tornem o produto particularmente apto para usos específicos de preferência à sua aplicação geral; h) os produtos seguintes, de concentraçãotipo, destinados à produção de corantes azóicos: sais de diazônio, copulantes utilizados para estes sais e aminas diazotáveis e respectivos sais. Levandose em consideração os esclarecimentos técnicos prestados pela Perícia e as informações obtidas na Declaração de Importação, a seguir detidamente examinados, relevante sublinhar, desde logo, que, ao contrário de como acontece com muita frequência nos processos que versam sobre a possibilidade de inclusão de um produto no Capítulo 29, a questão, aqui, não está relacionada ao enquadramento da mercadoria importada no conceito de composto orgânico de constituição química definida, descrito na alínea “a” da Nota 1. Em lugar disso, a dúvida, neste processo, vinculase, exclusivamente, à identificação do produto como sendo ou não uma vitamina. Com efeito, o texto da posição 2936, citada na letra “c” da Nota 1, acima, confirma a pertinência da discussão. 29.36 Provitaminas e vitaminas, naturais ou reproduzidas por síntese (incluídos os concentrados naturais), bem como os seus derivados utilizados principalmente como vitaminas, misturados ou não entre si, mesmo em quaisquer soluções (+). Depreendese que as vitaminas, independentemente de serem ou não produtos de constituição química definida, estarão enquadradas no Capítulo 29. Na mesma direção orientam as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado. CONSIDERAÇÕES GERAIS O Capítulo 29, em princípio, inclui apenas os compostos de constituição química definida apresentados isoladamente, ressalvadas as disposições da Nota 1 do Capítulo. (...) C) Produtos incluídos no Capítulo 29, mesmo que não sejam compostos de constituíção química definida Indicamse, entre outros, os produtos incluídos nas seguintes posições: Posição 29.09 Peróxidos de cetonas. Posição 29.12 Polímeros cíclicos dos aldeídos; paraformaldeído. Posição 29.19 Lactofosfatos. Posição 29.23 Lecitinas e outros fosfoaminolipídeos. Posição 29.34 Ácidos nucléicos e seus sais. Posição 29.36 Provitaminas e vitaminas, incluídos os seus concentrados (mesmo misturados entre si ou em quaisquer soluções). Posição 29.37 Hormônios. Posição 29.38 Heterosídeos e seus derivados. Posição 29.39 Alcalóides vegetais e seus derivados. Posição 29.40 Éteres, acetais e ésteres de açúcares, e seus sais. Posição 29.41 Antibióticos. (grifos meus) Fl. 287DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.004191/200310 Acórdão n.º 3102002.038 S3C1T2 Fl. 5 7 Por outro lado, as letras “d”, “e”, “f” e “g” da mesma Nota 1 esclarecem que a inclusão das vitaminas no Capítulo 29 depende da observação das mesmas condições fixadas para os compostos orgânicos de constituição química definida citados na letra “a”. Em linhas gerais, essas condições admitem que o produto seja acrescido de outras substâncias desde que (i) elas sejam apenas destinadas ao seu acondicionamento, por razões de segurança ou por necessidades de transporte; ou (ii) constituamse de um estabilizante (ou agente antiaglomerante) indispensável à sua conservação ou transporte; (iii) ou de uma substância antipoeira, de um corante ou de uma substância aromática, com a finalidade de facilitar a sua identificação; ou por razões de segurança. Por fim, a mistura resultante da inclusão dessas substâncias não poderá tornar o produto particularmente apto para usos específicos de preferência à sua aplicação geral. Esclarecido isso, passase ao exame das informações carreadas aos autos com vistas à correta identificação e classificação fiscal das mercadorias. Os quesitos apresentados na solicitação de apoio pericial, conforme mostra a folha 26 do Processo, foram assim redigidos. 1. Identificar a mercadoria, comparandoa com a descrição acima. 2. Qual a aplicação ou finalidade do produto? 3. Tratase de preparação ou produto de constituição química definida, apresentado isoladamente? 4. Demais considerações que se fizerem necessárias. Em resposta a eles, o Laboratório de Nacional de Análises (folha 27) apresentou as seguintes respostas. CONCLUSÃO: Tratase de Preparação constituída de Acetato de dl αTocoferol; (Acetato de Vitamina E), Amido e Sílica, na forma de pó. RESPOSTAS AOS QUESITOS: 1. Não se trata somente de Acetato de dl αTocoferol; (Acetato de Vitamina E). Tratase de Preparação constituída de Acetato de dl α Tocoferol; (Acetato de Vitamina E ), Amido e Sílica, na forma de pó. 2. Segundo Referência Bibliográfica e Literaturas Técnicas de preparação desta natureza, a mercadoria é utilizada exclusivamente na produção de ração animal, após prémistura sobre um suporte adequado. A sua adição na ração animal evita quaisquer aparecimentos da carência ou subcarência nutricional da Vitamina E, cujo sintoma é conhecido pelo nome genérico de "miopatias". Fl. 288DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA 8 3. Tratase de preparação. De acordo com Referência Bibliográfica, preparação desta natureza é obtida pela adsorção do Acetato de dl α Tocoferol sintético por um suporte ou carga adsorvente como a Sílica e o Amido. 4. De acordo com as Referências Bibliográficas, a Sílica e o Amido são excipientes, cuja função nesta preparação é de um adsorvente ou suporte. Adsorvido dessa forma, o Acetato de dl α Tocoferol, que e um líquido oleoso, pode ser manuseado como um pó com alta fluidez. Essa transformação facilita a administração e o doseamento uniforme da vitamina aos animais, que normalmente é misturada à ração ou aos alimentos secos. A Sílica e o Amido também ajudam manter a integridade da vitamina, principalmente na presença de oligoelementos e, quando é submetida às condições adversas durante a estocagem em termos de umidade, temperatura e contra agressões fisicas como na moagem. De qualquer maneira, por se tratar de mercadoria para ração animal consultar o Ministério da Agricultura (Orgão Competente), quanto as indicações e modo de uso. De plano, observase que o Fisco não incorreu em nenhum equívoco na interpretação do Laudo Pericial, como alega a Recorrente. Como resta incontroverso do item 1 da resposta acima transcrita, a mercadoria importada não “se trata somente de Acetato de dl α Tocoferol; (Acetato de Vitamina E), mas de uma “preparação constituída de Acetato de dl α Tocoferol; (Acetato de Vitamina E ), Amido e Sílica, na forma de pó”. Também não se pode dizer que os elementos acrescidos à sua fórmula são necessários e servem apenas como veículos para possibilitar o transporte, utilização, manuseio e conservação. No item 4, a Perícia esclarece que “a Sílica e o Amido são excipientes, cuja função nesta preparação é de um adsorvente ou suporte. Adsorvido dessa forma, o Acetato de dl α Tocoferol, que é um líquido oleoso, pode ser manuseado como um pó com alta fluidez. Essa transformação facilita a administração e o doseamento uniforme da vitamina aos animais, que normalmente é misturada à ração ou aos alimentos secos”. Passo à Decisão Coana nº 002/99, da Divisão de Nomenclatura, Classificação e Origem de Mercadorias – Dinom. Para melhor compreensão da abordagem sugerida à questão, transcrevo excertos da referida Decisão. Como as mercadorias 1 e 2 não se destinam a alimentação humana, mas sim à produção de rações para animais confinados e recebem apenas sílica expandida o que é completamente diferente de extratos, concentrados, frutose, etc., então a posição 2106 é de todo inadequada para alotar as referidas mercadorias. (...) Ora, como as mercadorias 1 e 2 são insumos para a produção das prémisturas e a sílica expandida, posta nestas duas mercadorias, não modifica o caráter do acetato de dl alfatocoferol, preservando sua aplicação geral, devese desconsiderar a posição 2309 para abrigar tais mercadorias. Além disto, há também aqui uma indicação valiosa sobre a posição mais adequada para comportar as mercadorias 1 e 2, ou seja, a posição 2936. Observese que, no primeiro momento, ao referir que “as mercadorias 1 e 2 não se destinam a alimentação humana, mas sim à produção de rações para animais” a Autoridade responsável pela Decisão parece conhecer o fato de que o produto foi adicionado de uma Fl. 289DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.004191/200310 Acórdão n.º 3102002.038 S3C1T2 Fl. 6 9 substância que o torna particularmente própria para uma determinada finalidade. No parágrafo seguinte, contudo, afirma que “a sílica expandida, posta nestas duas mercadorias, não modifica o caráter do acetato de dl alfatocoferol, preservando sua aplicação geral”. Parece confuso, mas é questão de fácil equacionamento. A Decisão em análise foi tomada, de fato, para uma mercadoria que, sabiase, estava destinada à produção de ração animal. Isso, contudo, não se confunde com a consciência de que o produto foi adicionado de uma substância que o torna especialmente apto para esse fim, em detrimento dos demais. Compreendase: saber que um produto vai ser utilizado em uma determinada finalidade não é o mesmo que saber que ele foi adicionado de uma substância que o torna particularmente apto a este fim. Com efeito, como antes visto, fosse isso do conhecimento da AuditoraFiscal signatária da Decisão, por certo, pela simples observância dos mais elementares critérios de exclusão do Capítulo 29, não haveria de indicar a classificação escolhida. É de se comentar que em muitos documentos carreados aos autos, inclusive pela própria Fiscalização, o produto importado foi frequentemente identificado como Vitamina E. Assim acontece no pedido de liberação lavrado pelo Ministério da Agricultura e Reforma Agrária e em diversas passagens do Laudo Técnico que serviu de base à autuação. Contudo, os esclarecimentos prestados pela Perícia dão conta de que, em verdade, tratase de uma Preparação, com a adição de substâncias que tornam o produto particularmente apto à fabricação de rações. Quanto a isso, vejase como o contribuinte se defende dessas constatações no Recurso Voluntário. Assim como a Vitamina E 50%, em seu estado puro, somente é termoestável na ausência de oxigênio (ar) e da luz, propriedades que a torna de difícil manuseio e comercialização, pois, para efeito de estocagem e transporte, requer o acondicionamento a vácuo, em recipientes herméticos e opacos, além do que restringese demasiadamente a forma de manipulação, que deve ocorrer, igualmente, sob estas condições. E, ainda, como a Recorrente, tem como interesse precípuo a aplicação da referida Vitamina na alimentação de animais, fazse necessário que os produtos sejam de fácil transporte, manuseio e mistura, o que somente pode ser verificado na sua forma de pó, conforme se depreende do trecho literários explicativos, abaixo transcritos: Ora, nem mesmo a recorrente contesta as conclusões periciais. Embora refirase às facilidades de transporte e estocagem decorrentes da inclusão da Sílica à Vitamina E, afirma textualmente que, como tem interesse precípuo na aplicação da referida Vitamina na alimentação de animais, fazse necessário que os produtos sejam de fácil transporte, manuseio e mistura, restando incontroverso que o acréscimo torna o produto particularmente apto ao uso específico na adição à ração animal. Também não favorece à Recorrente o teor das Notas Explicativas da Posição 2309. Embora contenham exclusão expressa das vitaminas, vêse, como segue, que tal exclusão depende de que elas não estejam na condição em que foram identificadas pela Perícia Técnica. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA 10 Excluemse da presente posição. (...) e. As vitaminas, mesmo de constituição química definida, misturadas entre si ou não, mesmo apresentadas em um solvente ou estabilizadas por adição de agentes antioxidantes ou antiaglomerantes, por adsorção em um substrato ou por revestimento, por exemplo, com gelatina, ceras, matérias graxas (gordas*), desde que a quantidade das substâncias acrescentadas, substratos ou revestimentos não modifiquem o caráter de vitaminas e nem as tornem particularmente aptas para usos específicos de preferência à sua aplicação geral (posição 29.36). Ou seja, se a quantidade das substâncias acrescentadas as tenham tornado particularmente aptas para usos específicos de preferência à sua aplicação geral, a regra de exclusão não se aplica. Mencionese, ainda, que nem mesmo os produtos os sintéticos estão excluído do Capítulo 23 em obediência à Nota 1 a seguir transcrita. Capítulo 23 Nota. 1. Incluemse na posição 23.09 os produtos dos tipos utilizados para alimentação de animais, não especificados nem compreendidos em outras posições, obtidos pelo tratamento de matérias vegetais ou animais, de tal forma que perderam as características essenciais da matéria de origem, excluídos os desperdícios vegetais, resíduos e subprodutos vegetais resultantes desse tratamento. A referência a produtos obtidos pelo tratamento de matérias vegetais ou animais, tal como me parece, não exclui da Posição os produtos sintéticos. Como se sabe, o processo industrial de obtenção de substâncias químicas sintéticas com muita frequência lança mão de recursos naturais extraídos da flora. Vejase a seguir considerações, a respeito da Riboflavina, extraída de publicação técnica especializada1. 3.7. Riboflavina A riboflavina (ou vitamina B2 de nome sistemático 7,8dimetil10 ribitilisoaloxazina) é um composto orgânico da classe das vitaminas. A riboflavina é utilizada como corante alimentar, sob a designação E101 ou E101a (forma fosfatada Diversos processos biotecnológicos foram desenvolvidos para a produção industrial de riboflavina, recorrendo a microorganismos capazes da sua biossíntese, incluindo fungos filamentosos como Ashbya gossypii, Candida famata e Candida flaveri, assim como as bactérias Corynebacterium ammoniagenes e Bacillus subtilis. A bactéria B. subtilis foi geneticamente modificada de forma a aumentar a produção de riboflavina e ser resistente ao antibiótico ampicilina, resistência esta utilizada como forma de seleção e marcação do organismo de interesse. É utilizada à escala comercial para produção de riboflavina para utilização na alimentação. Passo às multas. Passo à multa por Infração ao Controle Administrativo das Importações. 1 ARAÚJO, J. M. A. Química de Alimentos Teoria e Prática. Viçosa, U.F.V. Imprensa Universitária, 1995. COULTATTE, T. P.; Alimentos: a química de seus componentes. 3ªedição; Porto Alegre; Artmed, 2004. SERAVALLI, E.A.G. e RIBEIRO, E.P. Química de Alimentos. São Paulo, Edgard Blücher: Instituto Mauá de Tecnologia, 2004. FENNEMA, Owen R.; Food Chemistry; 3rd edition; New York; Marcel. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.004191/200310 Acórdão n.º 3102002.038 S3C1T2 Fl. 7 11 O Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12/97 exclui da hipótese de ocorrência da infração por importar mercadoria sem guia de importação ou documento equivalente o erro de classificação fiscal de mercadoria que estiver corretamente descrita, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, definindo, com isso, situação na qual considerase que a infração não ocorreu. Isso significa que o ADN Cosit nº 12/97 determina que não constitui infração o erro de classificação tarifária se presentes as circunstâncias nele especificadas. Contudo, o Ato não determina que, não se encontrando presentes tais circunstâncias, o erro de classificação tarifário importará em que se considere ocorrida a infração. O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa nº 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 de março de 1985, e no art. 112, inciso IV, do Código Tributário Nacional Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante.(grifei) Ou seja, em obediência à norma, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil, tanto em atividade de execução quanto de julgamento, deverá considerar que não ocorreu a infração por importação sem licenciamento sempre que constatar que a mercadoria estava correta e suficientemente descrita, mas não que, contrariu sensu, tenha ocorrido a infração sempre que a mercadoria tiver sido descrita de forma deficiente, seja pela falta de elementos importantes à sua identificação ou de informações necessárias ao correto enquadramento tarifário. Tratase de interpretação obtida da simples leitura do enunciado da norma, que determina que não constitui infração, em nenhum momento referindose às situações que constituam infração; contudo, esse entendimento é corroborado pelas disposições subsequentes, que especificam a necessidade de que a classificação tarifária errônea exija novo licenciamento, automático ou não, admitindo, assim, que o erro possa não exigir novo licenciamento. Como consequência, uma vez que constatado o erro de classificação tarifária, em situações nas quais a mercadoria não esteja correta e suficientemente descrita, será sempre necessário avaliar se esse erro remete à exigência de novo licenciamento ou não. Para tanto, é preciso debruçarse um pouco mais no estudo do assunto licenciamento de importações. O controle administrativo das importações a que se refere o caput do artigo 633 do Regulamento Aduaneiro, diz respeito ao controle que a administração exerce por ocasião da concessão da licença de importação e que se consolida no despacho aduaneiro e/ou na revisão aduaneira, quando os dados contidos na licença de importação serão cotejados com os demais documentos de instrução do despacho e com a própria mercadoria. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA 12 Disso se extrai que o controle administrativo das importações é exercido em dois momentos distintos, (i) quando o Poder Público concede autorização para o particular importar mercadoria do exterior, nos prazos, condições e especificações estabelecidas na licença de importação e (ii) quando o Poder Público examina se as mercadorias importadas e demais documentos apresentados estão de acordo com os dados contidos na licença de importação. A atividade de controle exercida em cada uma dessas duas etapas é de competência de órgãos distintos dentro da administração pública federal, respectivamente, a Secretaria do Comércio Exterior SECEX e a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. As divergências entre as informações contidas na licença de importação e as obtidas no despacho aduaneiro ou na revisão aduaneira, a partir do exame da mercadoria e demais documentos, é que ensejarão consideraremse as importações como tendo sido realizada sem licença de importação, tendo em vista a desconsideração da licença apresentada. A Portaria Secex nº 21/96 trazia algumas considerações relevantes no que diz respeito ao tipo de informações contidas em uma licença de importação, esclarecendo que tais informações caracterizavam a operação de importação e definiam o seu enquadramento. Os parágrafos 1º e 2º do artigo 7º da Portaria determinavam: “§ 1º As informações de natureza comercial, financeira, cambial e fiscal a serem prestadas para fins de licenciamento estão contidas no Anexo II da Portaria Interministerial MF/MICT nº 291, de 12 de dezembro de 1996. § 2º As informações de que trata o parágrafo anterior caracterizam a operação de importação e definem o seu enquadramento.” Desde a Portaria Secex nº 17, de 1º de dezembro de 2.003; que revogou a Portaria Secex nº 21/96, as normas regulamentares deixaram de fazer menção expressa aos quatro elementos que, nos termos da Portaria Secex nº 21/96 caracterizam a operação de importação e definiam o seu enquadramento – as informações de natureza comercial, financeira, cambial e fiscal. Embora isso, é de se notar que, mesmo não mencionando os elementos que caracterizam e enquadram a operação de importação, o artigo 10 da Portaria Secex nº 17/03 confirmou que nas importações sujeitas a licenciamento o importador deveria prestar as informações contidas no Anexo II da Portaria Interministerial MF/Mict nº 291, de 12 de dezembro de 1996, remissão idêntica a que fazia a Portaria Secex nº 21/96, ao referirse às informações de natureza comercial, financeira, cambial e fiscal, que, como se disse, caracterizavam e enquadravam a operação. Essa referência foi mantida nas Portarias Secex 14/04, 35/06 36/07 e 25/08. Art. 10. Nas importações sujeitas aos licenciamentos automático e não automático, o importador deverá prestar, no Siscomex, as informações a que se refere o Anexo II da Portaria Interministerial MF/Mict n.o 291, de 12 de dezembro de 1996, previamente ao embarque da mercadoria no exterior. Na prática, a edição da Portaria Secex nº 17/03 não provocou qualquer mudança no que diz respeito às informações que deverão ser prestadas pelo importador para a obtenção da licença de importação, devendose considerar que tais informações continuam sendo aquelas das quais o órgão licenciador lança mão no processo de análise do pedido de licenciamento. O Anexo II da Portaria Interministerial MF/Mict nº 291/96 contém, portanto, todas as informações que devem ser prestadas pelo importador nas importações sujeitas a licenciamento, sendo essas as informações que poderão ser analisadas pela administração, com vistas à concessão do licenciamento pleiteado. São elas: Fl. 293DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.004191/200310 Acórdão n.º 3102002.038 S3C1T2 Fl. 8 13 Importador, País de procedência, URF de despacho, URF de entrada no País, Exportador, Fabricante ou produtor, Classificação fiscal da mercadoria na NCM, Classificação da mercadoria na NALADI/SH ou NALADI/NCCA, Quantidade na medida estatística, Peso líquido em Kg, INCOTERM, Número "commoditie", Moeda na condição de venda, Valor total da operação na moeda negociada, Destaque NCM, Processo anuente, Indicativos da condição da mercadoria, Descrição detalhada da mercadoria, Especificação, Unidade comercializada, Quantidade na unidade comercializada, Valor unitário da mercadoria na condição de venda, Acordo tarifário, Regime de tributação para o Imposto de Importação, Fundamentação legal, Ato Concessório Drawback, Natureza cambial, Cobertura cambial, Modalidade de pagamento, Instituição financiadora, Código, Denominação, Motivo da importação sem cobertura cambial, Quantidade de dias para limite de pagamento, Substituição de LI, Informações complementares. A relação contida no Anexo II da Portaria Interministerial MF/Mict nº 291/96 não deixa margem de dúvidas quanto ao alcance das informações exigidas pela Administração com vistas à analise e o deferimento da licença de importação. Tratase de uma relação exaustiva, abrangendo dados relacionados à mercadoria, seu enquadramento fiscal, à transação comercial, o pagamento etc. No processo de análise e deferimento da licença de importação, toda essa gama de informações especificada no Anexo II da Portaria 291/96 é do interesse da Administração e deve ser prestadas de forma correta, retratando precisamente a operação que se deseja licenciar, de tal sorte que todos os elementos relevantes para cada operação específica possam ser avaliados e a licença concedida ou indeferida, tendo em vista a adequação do pedido à política de controle das operações de importação vigente à época em que o licenciamento está sendo examinado. Os artigos 14 e 15 da Portaria Secex nº 17/03, abaixo transcritos, especificam qual procedimento será observado pela DECEX (Departamento de Operações de Comércio Exterior) no caso de serem verificados erros e/ou omissões no preenchimento do pedido de licença. Art. 14. Quando forem verificados erros e/ou omissões no preenchimento do pedido de licença ou mesmo a inobservância dos procedimentos administrativos previstos para a operação ou para o produto, o Decex registrará, no próprio pedido, advertência ao importador, solicitando a correção de dados. § 1o... § 2.°... Art. 15. Não será autorizado licenciamento quando verificados erros significativos em relação à documentação que ampara a importação ou indícios de fraude ou patente negligência. (grifei) Parágrafo Único. Em qualquer caso, serão fornecidas informações relativas aos motivos do indeferimento do pedido, assegurado o recurso por parte do importador, na forma da lei. Independentemente do tipo de operação para a qual se pretende obter a licença ou do tipo de mercadoria importada, em três hipóteses não será autorizado o licenciamento pleiteado pelo importador: erros significativos, indícios de fraude e patente negligência. Por outro lado, uma vez concedida a licença, ela poderá ser retificada antes ou Fl. 294DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA 14 depois do desembaraço das mercadorias, sendo preservada a validade do licenciamento original, desde que a alteração não descaracteriza a operação original. Art. 20. A empresa poderá solicitar a alteração do licenciamento, até o desembaraço da mercadoria, em qualquer modalidade, mediante a substituição, no Siscomex, da licença anteriormente deferida. § 1o A substituição estará sujeita a novo exame pelo(s) órgão(s) anuente(s), mantida a validade do licenciamento original. § 2o Não serão autorizadas substituições que descaracterizem a operação originalmente licenciada. Art. 21. O licenciamento poderá ser retificado após o desembaraço da mercadoria, mediante solicitação ao órgão anuente, o que será objeto de manifestação fornecida em documento específico. De todo o exposto, concluo que será preciso decidir se o erro cometido pelo importador ao indicar a classificação incorreta da mercadoria descaracterizou ou não a operação originalmente licenciada, exigindo, por conseguinte, novo licenciamento. Não há como escapar de uma análise de mérito, caso a caso, buscando identificar se o erro teve esse efeito. Será necessário, inclusive, investigar se para a NCM licenciada havia tratamento administrativo distinto daquele atribuído à NCM correta, para então, somente depois de constatada a necessidade de novo licenciamento, avaliar se a mercadoria estava ou não correta e suficientemente descrita e decidir pela aplicação ou não da multa por importar mercadoria sem licença de importação ou documento equivalente. A leitura que se tem dos fatos relatados leva à conclusão de que esse aspecto sequer foi investigado. A Recorrente não tem a mesma sorte em relação à multa por declaração inexata, no percentual de 75% da diferença de Imposto. De fato, entendo que a mercadoria não foi descrita com todos os elementos necessários à sua correta classificação fiscal. Seria imperioso informar que substâncias identificadas no Laudo haviam sido acrescidas à Vitamina, com vistas ao seu emprego na fabricação de rações. VOTO por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a multa ao Controle Administrativo das Importações. Sala de Sessões, 25 de setembro de 2013. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 295DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 13830.722241/2012-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2010
ÁREA UTILIZADA COM PRODUTOS VEGETAIS. PROVA EFICAZ. Constituem provas eficazes da área utilizada com produtos vegetais as notas fiscais vinculadas ao estabelecimento fiscalizado, referentes à comercialização ou à transferência da produção agrícola.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 2202-002.590
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocada).
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2010 ÁREA UTILIZADA COM PRODUTOS VEGETAIS. PROVA EFICAZ. Constituem provas eficazes da área utilizada com produtos vegetais as notas fiscais vinculadas ao estabelecimento fiscalizado, referentes à comercialização ou à transferência da produção agrícola. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente em Exercício e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocada). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 72 22 41 /2 01 2- 24 Fl. 824DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 10/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Relatório Em desfavor da contribuinte, NOVA AMÉRICA TERRAS LTDA., foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 03 a 07, por meio do qual se exigiu o pagamento do ITR do Exercício 2010, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 7.623.825,48, relativo ao imóvel rural “Fazenda São José”, com área de 6.740,7 ha, NIRF 0.727.1220, localizado no município de Paraguaçu Paulista/SP. Constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal a citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e as seguintes informações, em suma: que, após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou as áreas efetivamente utilizadas para plantação com produtos vegetais e pastagens razão pela qual esses itens foram alterados e efetuado o lançamento de ofício com base no art. 10 § 1º inciso I e art. 14 da Lei nº 9.393/1996. Cientificada do lançamento, por via postal, em 27/09/2012, conforme AR de fl. 282, a interessada apresenta impugnação de fls. 284 a 295, em 26/10/2012, onde alega, basicamente, que a área do imóvel correspondente a 5.880,6 ha, no ano de 2008, era utilizada com cultura de canadeaçúcar, conforme Contrato de Parceria firmado com a empresa Nova América Agrícola Ltda., e para justificar apresenta, nos autos, cópia do Instrumento Particular de Parceria Agrícola, Notas Fiscais de Entrada, Notas Fiscais de Saída de mercadorias, Laudo Agronômico de Comprovação da Exploração do Imóvel Rural; a área de 465,8 ha era utilizada com pecuária de acordo com o Contrato de Arrendamento firmado com Jorge Serodio, para a qual apresenta Demonstrativo do Movimento de Gado, entre outros documentos, que comprovam a altíssima produtividade do imóvel; concorda com o valor da terra nua considerado pela autoridade fiscal de R$ 3.000,00 por hectare; por último, requer perícia técnica, juntada de novos documentos e cancelamento da notificação de lançamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campo Grande/MS, julgou o lançamento procedente em parte nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2010 Áreas de Produtos Vegetais/Pastagens. O contrato de parceria agrícola por si só não é suficiente para comprovar a exploração do imóvel, sendo necessário também que as Notas Fiscais de produtor, de insumos, certificado de depósito, entre outros documentos, emitidos em nome do parceiro outorgado tenham vínculo com o imóvel em questão. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido A autoridade de primeira instância entendeu por bem restabelecer a área de pastagens, tendo em vista o Demonstrativo do Movimento de Gado, à fl. 569 e Laudo Técnico de Comprovação de Exploração do Imóvel comprovam a área de pastagens e a quantidade de animais apascentados nela em 2009. Portanto, cabe restabelecer a glosa da área de pastagens Fl. 825DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 10/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13830.722241/201224 Acórdão n.º 2202002.590 S2C2T2 Fl. 3 3 efetuada pela fiscalização com respaldo na documentação citada, o que consequentemente altera o grau de utilização de 0,0% para 7,0%, mas a alíquota de cálculo e o crédito tributário permanecem inalterados. Insatisfeita a contribuinte apresenta Recurso Voluntário onde reitera os argumentos da impugnação. Destaquese os seguintes pontos: que o fazenda objeto da autuação agora pertence a AGROTERRENAS S/A TERRAS, isso por força do processo de cisão da empresa então chamada de NOVA AMERICA S/A – TERRAS pelo que, imperioso a retificação de polo. que restou demonstrado através do Comprovantes de Inscrição e Situação Cadastral que a Recorrente tem sua sede na Rodovia Miguel Deliberador, SP 421, Km 68, em Paraguaçu Paulista, justamente dentro da denominada Fazenda São José. que no instrumento particular de parceria agrícola restou comprovado que embora a parceria do recorrente aponte com exatidão suas inscrições legais consignou como sede como sendo na “Fazenda San Martin” ao invés na “Fazenda São José”, flagrante erro material, jamais antes detectado. que a autoridade julgadora não apreciou com o devido cuidado a documentação apresentada que comprovam a produtividade da Fazenda São José, assinalado em relatório próprio a efetiva quantidade de cana de açúcar apontada em cada nota fiscal e que teve sua produção na chamada Fazenda São José; que várias notas fiscais referemse a fazenda São Jose atestando a inquestionável produtividade do respectivo imóvel; que o Laudo técnico agronômico de comprovação de exploração do imóvel Fazenda São Jose trazido aos autos comprovam de forma categórica a utilização da área em questão. Esta Turma decidiu converter o processo em diligência para obter provas adicionais da produção vegetal. O recorrente apresenta documentos adicionais com os quais almeja comprovar definitivamente a produção vegetal na Fazenda São José. É o relatório. Fl. 826DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 10/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. A questão fundamental é a demonstração pelo recorrente da área de produção vegetal. Diante das provas que vieram com a resolução, entendo que está comprovada à área de produção vegetal. Acolho também os argumentos do recorrente no que toca a que as notas fiscais, embora consignadas em nome da Fazenda San Martin, referemse na realidade a Fazenda São José. Ante ao exposto, voto por dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 827DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 10/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 10480.723401/2011-09
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2008
CISÃO PARCIAL. INCORPORAÇÃO DE PARTE DOS BENS DO ATIVO DA EMPRESA CINDIDA. EMPRESA SUCESSORA. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DE DCTF MENSAL.
Fica obrigada à apresentação de DCTF mensal a pessoa jurídica de direito privado sucessora, nos casos de incorporação, fusão ou cisão total ou parcial ocorridos quando a incorporada, fusionada ou cindida estava sujeita à mesma obrigação em decorrência de seu enquadramento nos parâmetros de receita bruta auferida ou de débitos declarados.
A partir do ano-calendário de 2005, uma vez enquadrada em uma das hipóteses de obrigatoriedade de apresentação da DCTF Mensal, a pessoa jurídica permanecerá obrigada a sua apresentação nos anos-calendário posteriores, independentemente da alteração dos parâmetros considerados.
DCTF. ENTREGA INTEMPESTIVA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA.
A obrigação acessória, prestação positiva ou negativa no interesse do fisco, obrigatoriedade de entrega tempestiva de DCTF está prevista em lei em sentido amplo, e regulamentada por instruções normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil.
A imposição de multa pecuniária, por descumprimento de prazo atinente à DCTF, tem amparo na lei em sentido estrito.
O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal.
Não sendo a entrega serôdia de declaração infração de natureza tributária, mas sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea do artigo 138 do CTN, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF.
As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo.
A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo ou contribuição.
PROCESSO DE CONSULTA. CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
A consulta não suspende o prazo para recolhimento de tributo, retido na fonte ou autolançado, antes ou depois de sua apresentação, nem para entrega de declaração de rendimentos ou cumprimento de outras obrigações acessórias.
Numero da decisão: 1802-001.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa , Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2008 CISÃO PARCIAL. INCORPORAÇÃO DE PARTE DOS BENS DO ATIVO DA EMPRESA CINDIDA. EMPRESA SUCESSORA. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DE DCTF MENSAL. Fica obrigada à apresentação de DCTF mensal a pessoa jurídica de direito privado sucessora, nos casos de incorporação, fusão ou cisão total ou parcial ocorridos quando a incorporada, fusionada ou cindida estava sujeita à mesma obrigação em decorrência de seu enquadramento nos parâmetros de receita bruta auferida ou de débitos declarados. A partir do ano-calendário de 2005, uma vez enquadrada em uma das hipóteses de obrigatoriedade de apresentação da DCTF Mensal, a pessoa jurídica permanecerá obrigada a sua apresentação nos anos-calendário posteriores, independentemente da alteração dos parâmetros considerados. DCTF. ENTREGA INTEMPESTIVA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA. A obrigação acessória, prestação positiva ou negativa no interesse do fisco, obrigatoriedade de entrega tempestiva de DCTF está prevista em lei em sentido amplo, e regulamentada por instruções normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A imposição de multa pecuniária, por descumprimento de prazo atinente à DCTF, tem amparo na lei em sentido estrito. O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal. Não sendo a entrega serôdia de declaração infração de natureza tributária, mas sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea do artigo 138 do CTN, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF. As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo. A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo ou contribuição. PROCESSO DE CONSULTA. CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A consulta não suspende o prazo para recolhimento de tributo, retido na fonte ou autolançado, antes ou depois de sua apresentação, nem para entrega de declaração de rendimentos ou cumprimento de outras obrigações acessórias.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa , Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
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INCORPORAÇÃO DE PARTE DOS BENS DO ATIVO DA EMPRESA CINDIDA. EMPRESA SUCESSORA. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DE DCTF MENSAL. Fica obrigada à apresentação de DCTF mensal a pessoa jurídica de direito privado sucessora, nos casos de incorporação, fusão ou cisão total ou parcial ocorridos quando a incorporada, fusionada ou cindida estava sujeita à mesma obrigação em decorrência de seu enquadramento nos parâmetros de receita bruta auferida ou de débitos declarados. A partir do anocalendário de 2005, uma vez enquadrada em uma das hipóteses de obrigatoriedade de apresentação da DCTF Mensal, a pessoa jurídica permanecerá obrigada a sua apresentação nos anoscalendário posteriores, independentemente da alteração dos parâmetros considerados. DCTF. ENTREGA INTEMPESTIVA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA. A obrigação acessória, prestação positiva ou negativa no interesse do fisco, obrigatoriedade de entrega tempestiva de DCTF está prevista em lei em sentido amplo, e regulamentada por instruções normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A imposição de multa pecuniária, por descumprimento de prazo atinente à DCTF, tem amparo na lei em sentido estrito. O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal. Não sendo a entrega serôdia de declaração infração de natureza tributária, mas sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea do artigo 138 do CTN, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 34 01 /2 01 1- 09 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723401/201109 Acórdão n.º 1802001.989 S1TE02 Fl. 108 2 As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo. A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo ou contribuição. PROCESSO DE CONSULTA. CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A consulta não suspende o prazo para recolhimento de tributo, retido na fonte ou autolançado, antes ou depois de sua apresentação, nem para entrega de declaração de rendimentos ou cumprimento de outras obrigações acessórias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa , Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723401/201109 Acórdão n.º 1802001.989 S1TE02 Fl. 109 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 77/87 contra a decisão da 3ª Turma da DRJ/Recife (fls. 65/68) que julgou improcedente a impugnação da Notificação de Lançamento – multa por atraso na entrega da DCTF mensal do PA Janeiro/2008 , mantendo a exigência do crédito tributário lançado de ofício. Quanto aos fatos: consta da Notificação de Lançamento (fl. 60) que a Contribuinte, em 16/05/2011, entregou ao fisco a DCTF mensal do PA Janeiro/2008, com atraso de 39 (trinta e nove) meses ou fração de mês calendário. Ou seja: a) prazo limite para entrega tempestiva da DCTF: 10/03/2008; b) data de entrega: 16/05/2011; montante dos tributos/contribuições informados na DCTF: R$ 34.932,32; multa aplicada por entrega da DCTF em atraso: 2% ao mês calendário ou fração, incidente sobre o montante de tributos/contribuições informados na DCTF, limitada a 20%; cálculo da multa: 20% x R$ 34.932,32 = R$ 6.986,46; redução da multa em 50% (entrega voluntária e a destempo da DCTF, ou seja, antes da ciência de início do procedimento de ofício) = R$ 6.986,46 x 50% = R$ 3.493,23 (multa a pagar). Descrição dos fatos: Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) entregue fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação da multa de 2% (dois por cento) ao mês ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que tenham sido integralmente pagos, reduzida em 50% (cinqüenta por cento) em virtude da entrega espontânea da declaração, respeitado o percentual máximo de 20% (vinte por cento) e o valor mínimo de R$ 200,00 (duzentos reais) no caso de inatividade e de R$ 500,00 (quinhentos reais) nos demais casos. Enquadramento legal: Art. 7º da Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004. (...) Fl. 109DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723401/201109 Acórdão n.º 1802001.989 S1TE02 Fl. 110 4 A Contribuinte tomou ciência, eletronicamente, da Notificação de Lançamento em 31/05/2011 (fl. 61), e apresentou defesa Manifestação de Inconformidade em 24/05/2011 (fls.02/08), cujas razões, em síntese, são as seguintes: que em 2005 efetuou alteração cadastral, para fins de aumento de capital; que incorporou bens oriundos do ativo da empresa MARDISA VEÍCULOS LTDA no valor de R$ 1.241.189,96, empresa do mesmo grupo econômico, conforme 14ª Alteração Contratual – Consolidação, de 10/01/2005 (fls.32/44 ); que, no caso, houve cisão parcial da MARDISA VEÍCULOS LTDA; que o PL remanescente da sociedade cindida (após a cisão parcial) totaliza R$ 16.732,624,35, conforme Décima Sétima Alteração do Contrato Social de 10/01/2005 (fls. 23/31); que a RFB entendeu, equivocadamente, ter havido sucessão empresarial pura e simples da empresa apenas cindida, em parte; que, diversamente, a empresa MARDISA VEÍCULOS LTDA continua existindo, ou seja, permanece, persiste com suas atividades normalmente e com respectivo CNPJ, com sede em Nossa Senhora do Socorro/SE; que, não obstante, a RFB passou, equivocadamente, a exigir da Impugnante a apresentação de DCTF mensal, e não mais semestral, em decorrência da referida incorporação de parte dos bens da empresa MARDISA VEÍCULOS LTDA, como se tivesse havido sucessão pura e simples da empresa cindida; que o fisco bloqueou eletronicamente a possibilidade de entrega, transmisão eletrônica da DCTF semestral; que na DRF/PE protocolizou: a) pedido, em 06/10/2008, para continuar apresentando DCTF semestral quanto ao 2º semestre de 2007 e quanto ao 1º semestre de 2008, até que fosse solucionada consulta processo de consulta nº 19647.016179/200813, gerando o processo administrativo nº 19647.017324/200875, no qual anexou formulários preenchidos das DCTF semestrais, fornecendo, apresentando ainda explicação ao fisco da citada operação de cisão parcial; que, ao final, seu pleito foi denegado nesse processo, tendo tomado ciência da decisão em 04/05/2011, cujas cópias das peças juntou aos presentes autos (fls. 48/55); b) pedido, em 06/04/2009, para continuar apresentando DCTF semestral quanto ao 2º semestre de 2008, até que fosse solucionada consulta processo de consulta nº 19647.016179/200813, gerando o processo administrativo nº 19647.004279/200970, no qual anexou formulário preenchido da DCTF semestral, fornecendo, apresentando ainda explicação ao fisco da citada operação de cisão parcial; que, ao final, seu pleito foi denegado nesse processo, tendo tomado ciência da decisão em 04/05/2011, cujas cópias das peças juntou aos presentes autos (fls. 48/55); que, ante a negativa de aceitação das DCTF semestrais pelo fisco, entregou, então, em 16/05/2011 as DCTF mensais quanto aos 1º e 2º semestres de 2008; que, entretanto, imediatamente foram lavradas pelo fisco as respectivas Notificações de Lançamento para exigência de multa, por entrega das DCTF mensais em atraso; Fl. 110DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723401/201109 Acórdão n.º 1802001.989 S1TE02 Fl. 111 5 que as Notificações de Lançamento foram emitidas, expedidas, sem levar em conta a existência do processo de consulta com efeito suspensivo, o qual estava em curso, na época, sem manifestação ou apreciação (processo nº 19647.016179/200813); que para o fisco federal, ainda, a Impugnante, como empresa sucessora por cisão parcial, é responsável – solidariedade passiva – pelas obrigações tributárias da empresa cindida quanto a fatos geradores ocorridos anteriores à data da operação, cuja responsabilidade não se restringe, portanto, apenas aos bens incorporados pela sucessora; que o fisco federal está exigindo da empresa sucessora por cisão parcial débitos da empresa cindida anteriores à operação de cisão parcial (processo nº 13401.000234/200_56); que não tem sentido o CNPJ de uma empresa ativa, que sofreu cisão parcial, estar atrelado a outro CNPJ, ou seja, da empresa que incorporou ou absorveu apenas parte da patrimônio da empresa objeto da cisão parcial; que discute judicialmente, nos autos do processo da Ação de Mandado de Segurança (processo nº 000098252.2009.4.05.8300), negando, rechaçando, a pretensão do fisco federal de responsabilização (solidariedade passiva) por débitos tributários da empresa cindida anteriores à data da operação de cisão de que tratra o processo administrativo 13401.000234/200_56; que o Mandamus foi ajuizado e distribuído em 16/01/2009 (fls. 56/57); que, em relação à lide objeto destes autos, não tendo ocorrido sucessão total (incorporação integral de empresa), a Impugnante não pode ser abrigada a apresentar DCTF mensal, mas sim semestralmente; que inexiste obrigatoriedade da Impugnante apresentar DCTF mensal em decorrência da incorporação de parcela dos bens da empresa cindida parcialmente, pois pertence ao mesmo controle societário da empresa cindida parcialmente (Lei nº 9.959/00, art. 5º; Lei nº 9.249/95, art. 21, § 4º; Lei nº 9.430/96, art. 1º, § 1º e IN SRF 903/2008, art. 7º). Por todas essas razões, a Impugnante pediu a improcedência do lançamento fiscal e que seja permitida a apresentação de DCTF semestral. A DRJ/Recife, à luz da legislação e dos fatos, julgou a impugnação improcedente, mantendo a exigência do crédito tributário, conforme Acórdão de 22/11/2012 (fls.65/68), cuja ementa transcrevo a seguir: (...) ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2008 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. O cumprimento da obrigação acessória fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723401/201109 Acórdão n.º 1802001.989 S1TE02 Fl. 112 6 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:2008 PROCESSO DE CONSULTA. CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A consulta não suspende o prazo para recolhimento de tributo, retido na fonte ou autolançado, antes ou depois de sua apresentação, nem para entrega de declaração de rendimentos ou cumprimento de outras obrigações acessórias. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Ciente desse decisum em 25/02/2013 (fl. 74), a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 18/03/2013 (fls. 77/87), reiterando, em síntese, as razões já apresentadas na Manifestação de Inconformidade, na primeira instância. Por fim, a Recorrente pediu a reforma da decisão recorrida, ou seja, a improcedência do lançamento fiscal e apresentação da DCTF semestral, para o período objeto dos autos. É o relatório. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723401/201109 Acórdão n.º 1802001.989 S1TE02 Fl. 113 7 Voto Conselheiro Relator Nelso Kichel. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, o litígio versa acerca da exigência de multa pecunária por atraso na entrega de DCTF do PA Janeiro/2008, ou seja, pela inobservância de prazo limite no cumprimento dessa obrigação acessória autônoma. O prazo limite para apresentação tempestiva da DCTF era 10/03/2008. Entretanto, a Contribuinte cumpriu essa obrigação acessória autônoma a destempo, ou seja, apenas em 16/05/2011. Por isso da imposição em concreto da multa pecuniária objeto dos autos. Nas razões do recurso a Recorrente reconhece, admite o fato imputado pelo fisco, ou seja, “entrega de DCTF mensal em atraso do PA Janeiro 2008”; porém nega efeito jurídico a esse fato, aduzindo: a) que o fisco federal passou a exigir a apresentação de DCTF mensal para o período objeto da autuação, em face da incorporação pela Recorrente de parte do ativo da empresa MARDISA VEÍCULOS LTDA no valor de R$ 1.241.189,96, empresa do mesmo grupo econômico. Operação de cisão parcial, conforme 14ª Alteração Contratual – Consolidação, de 10/01/2005 (fls.32/44); b) que, até então, estava obrigada à apresentação de DCTF semestral; c) que, a partir da incorporação de bens do ativo da empresa cindida parcialmente, a RFB bloqueou a entrega ou transmissão eletrônica da DCTF semestral, por parte da Recorrente; d) que, no caso, como já dito, houve apenas cisão parcial da MARDISA VEÍCULOS LTDA, empresa do mesmo grupo econômico; e) que o PL remanescente da sociedade cindida (PL após a cisão parcial) totaliza R$ 16.732,624,35, conforme 17ª Alteração do Contrato Social de 10/01/2005 (fls. 23/31); f) que a RFB, diversamente, entendeu ter havido sucessão empresarial pura e simples da empresa cindida parcialmente; g) que a empresa MARDISA VEÍCULOS LTDA (cindida parcialmente) continua existindo, ou seja, persiste com suas atividades normalmente e com respectivo CNPJ; h) que pleiteou na DRF/PE, muito tempo antes da Notificação de Lançamento, a continuidade de apresentação de DCTF semestralmente para os 1º e 2º Fl. 113DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723401/201109 Acórdão n.º 1802001.989 S1TE02 Fl. 114 8 semestres/2008, juntando cópias das DCTF semestrais, preenchidas em formulário papel, mas foi denegado tal pedido (processos 19647.017324/200875 e 19647.004279/200970); i) que ante a negativa da RFB (decisões nesses processos), ciência em 04/05/2011, entregou, então, as DCTF mensais em 16/05/2011 (fls. 48/55); j) que logo, na sequência, recebeu Notificação de Lançamento, onde o fisco exige o valor da multa pecuniária por descumprimento de obrigação acessória autônoma (entrega em atraso da DCTF mensal); k) que a aplicação de ofício da multa pecuniária pela RFB ocorreu antes da apreciação ou ter o resultado da consulta formulada, a qual teria efeito suspensivo. A consulta foi protocolada em 2008 (processo nº 19647.016179/200813); l) que, por fim, a Recorrente (empresa sucessora em face da operação de cisão parcial) informou, nos presentes autos, que trava discussão na Justiça Federal, em sede de Ação de Mandado de Segurança (processo nº 000098252.2009.4.05.8300) para livrarse da exigência pelo fisco de débitos da empresa cindida parcialmente (débitos não objeto deste processo administrativo e que se referem a períodos de apuração anteriores à operação de cisão parcial), alegando inaplicabilidade de responsabilidade solidária passiva; que o Mandamus foi ajuizado e distribuído em 16/01/2009 (fls. 56/57); Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo diretamente à análise do mérito da lide. A irresignação da Recorrente não merece prosperar. PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. MATÉRIA NÃO IDÊNTICA. CONCOMITÂNCIA NÃO CONFIGURADA. Primeiro, convém frisar, desde o início, que, no caso, não existe e não restou caracterizada a concomitância de processos administrativo e judicial. Vale dizer, o processo judicial tem por objeto lide diversa do presente processo administrativo (não há identidade de objeto). O litígio objeto deste processo administrativo referese à exigência de multa pecuniária aplicada, em concreto, por entrega de DCTF mensal em atraso, quanto ao PA Janeiro/2008. Notificação de Lançamento da multa com ciência em 31/05/2011. A Recorrente discute, nas razões do recurso objeto deste processo, a questão da obrigação acessória autônoma, se estava ou não obrigada a apresentar a DCTF mensal, quanto ao período de apuração em tela. Como visto, a Recorrente, nos presentes autos, rebelase contra a exigência de débito lançado de ofício – multa pecuniária em maio de 2011 (fl. 60), ciência em 31/05/2011 (fl. 61). Débito decorrente de descumprimento de obrigação acessória autônoma (entrega em atraso de DCTF). Portanto, débito próprio, e não de terceiros. Já no referido processo judicial, Ação de Mandado de Segurança ajuízado e distribuído em 16/01/2009, a Contribuinte (Sucessora por cisão parcial), por ter incorporado bens do ativo da empresa sucedida Mardisa Veículos Ltda (cisão parcial), discute débito tributário da empresa sucedida (débitos de terceiros) de que trata o processo administrativo Fl. 114DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723401/201109 Acórdão n.º 1802001.989 S1TE02 Fl. 115 9 13401.000234/200_56. Portanto, débito de terceiros (débitos da empresa cindida), em face da aplicação pelo fisco da responsabilidade do sucessor (solidariedade passiva) (CTN, arts. 129, 132 e 133). A propósito, transcrevo o relatório da decisão judicial publicada em 23/01/2009 que descreve, narra, com precisão, o objeto do litígio deduzido em juízo (fl. 57), in verbis: (...) Vistos, etc. Cuidase de mandado de segurança. Alega a parte autora que houve uma cisão parcial da empresa Mardisa Veículos Ltda, com incorporação de bens por parte da impetrante. Relata, ainda, que lhe vem sendo cobrados débitos tributários que não seriam de sua responsabilidade, e, sim, da empresa cindida. Alega, ainda, que não existem os débitos que vêm sendo cobrados, tendo em vista compensação ocorrida. Requer, diante do que relata, que lhe seja garantido o direito de expedição de Certidão Negativa de Débito. Há pedido de liminar. Inicialmente, foi proferida decisão em que se determinou a ouvida da autoridade coatora (fl. 157). A impetrante, posteriormente, vem informar que depositou em juízo o valor cobrado, pelo que reitera o pedido de expedição de Certidão Negativa de Débito. É o relatório. DECIDO. A concessão de liminar em mandado de segurança exige a conjunção de dois requisitos: o fumus boni júris e o periculum in mora. No caso dos autos, entendo presentes ambos os requisitos. O crédito tributário, nos termos do art. 151, II do CTN, tem sua exigibilidade suspensa, com o depósito do montante integral. Tendo em vista o comprovante do depósito do valor de R$ 245.729,72 (duzentos e quarenta e cinco mil, setecentos e vinte e nove reais e setenta e dois centavos) fl. 165, cristalino que o crédito em nome da parte autora, relativo a este montante, está suspenso. Assim, ante a suspensão do crédito tributário, faz jus a parte autora à emissão da CND, in casu, certidão positiva com efeitos de negativa, caso o débito apontado nesta ação, com o valor depositado sendo integral (Súmula 112 do STJ), seja o único óbice à emissão da mesma. O periculum in mora em situações como tais se presume, tendo em vista a necessidade das empresas de certificados de regularidade fiscal para diversas operações. Assim, presentes ambos os requisitos, concedo a liminar solicitada. Determino, portanto, a expedição de Certidão Positiva com efeitos de negativa, caso esta seja a única pendência que impede a expedição da mesma, e uma vez comprovado que o depósito se deu no valor integral do crédito tributário (súmula 112 do STJ) questionado na presente ação, Fl. 115DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723401/201109 Acórdão n.º 1802001.989 S1TE02 Fl. 116 10 referente ao Processo Administrativo 13401.000234/200_56. Oficiese à autoridade coatora, com urgência. Intimese a autoridade coatora para prestar informações, no prazo legal. Após, vista ao MPF, com ulterior conclusão para sentença. (...) Conforme demonstrado, o lançamento fiscal objeto dos presentes autos (exigência de ofício de multa pecuniária, por descumprimento de obrigação acessória autônoma = entrega de DCTF intempestivamente) não é objeto da lide deduzida judicialmente. Portanto, não restou caracterizada renúncia da Recorrente à discussão na órbita administrativa da matéria obrigatoriedade, ou não, de apresentação da DCTF mensalmente, a partir da incorporação de parte do ativo da empresa Mardisa Veículos Ltda (empresa objeto da cisão parcial) e exigência de multa pecuniária de ofício, por descumprimento de obrigação acessória autônoma (entrega em atraso da DCTF). OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DA DCTF MENSAL PELO SUJEITO PASSIVO, A PARTIR DA INCORPORAÇÃO DE PARTE DO ATIVO DA EMPRESA CINDIDA PARCIALMENTE. INCLUSIVE, MATÉRIA ENFRENTADA, DE FORMA REITERADA E CABAL, NA ESFERA ADMINISTRATIVA, EM DIVERSOS PROCESSOS ANTES DA AUTUAÇÃO. A Recorrente, de forma veemente, rechaça o entendimento da RFB de que, a partir da operação de incorporação de parte do ativo da empresa cindida Mardisa Veículos Ltda, empresa do mesmo grupo econômico, passou a estar obrigada à apresentação de DCTF mensal, e não DCTF semestral, alegando, para tanto, que inexistiu, no caso, sucessão pura e simples de empresas (incorporação total), mas apenas cisão parcial; que a empresa objeto da cisão parcial nunca foi extinta; que continua existindo normalmente e exercitando suas atividades operacionais, sendo empresa ativa nos cadastros da Receita Federal do Brasil. Não merece guarida a argumentação da Recorrente. Em momento algum, o fisco federal tratou a questão da incorporação, pela Recorrente, de bens do ativo da Mardisa Veículos Ltda como sendo incorporação total (não houve imputação de tal situação). Pelo contrário, tratase sim de cisão parcial; porém, essa incorporação de bens do ativo pela Recorrente determinou, juridicamente, alguns efeitos tributários para a Recorrente, como: a) responsabilidade tributária do sucessor na cisão parcial, por débitos da empresa cindida em relação a fatos geradores dos tributos ocorridos até a data da operação de cisão (CTN, arts. 129, 132 e 133).; b) obrigatoriedade de cumprimento de obrigação acessória autônoma pela sucessora do mesmo modo e forma a que estava sujeita a empresa objeto da cisão, antes da operação de cisão; A responsabilidade do sucessor pelos tributos da empresa cindida parcialmente não é objeto dos presentes autos, mas sim da referida ação judicial, como já demonstrado no tópico anterior. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723401/201109 Acórdão n.º 1802001.989 S1TE02 Fl. 117 11 Por outro lado, é objeto dos presentes autos a questão da obrigatoriedade de apresentação de DCTF pela Recorrente (de sua atividade), a partir da operação de cisão, do mesmo modo e forma vigentes à empresa objeto da cisão (desde antes da operação de cisão). A cisão parcial ocorreu em 10/05/2005, conforme 14ª e 17ª Alterações do Contrato Social (fls. 32/44 e 23/31). Por força da legislação tributária, quanto à apresentação de DCTF (obrigação acessória autônoma), a empresa sucessora (no caso a Recorrente) segue o mesmo tratamento aplicado à cindida, quanto a essa obrigação acessória. Vale dizer: como a empresa cindida, na época da cisão parcial (10/01/2005), já estava obrigada à apresentação de DCTF mensal, então doravante a empresa sucessora da cindida por operação de cisão parcial ficou, do mesmo modo e forma, obrigada à apresentação de DCTF mensal. Tratase de aplicação da inteligência da Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007 (art. 3º, III, § 1º e art. 7º), vigente quando da ocorrência do fato gerador da obrigação acessória autônoma (obrigatoriedade de entrega da DCTF do PA Janeiro/2008 em 10/03/2008, em decorrência da operação de cisão parcial ocorrida em 10/01/2005, in verbis: Art. 3ºFicam obrigadas à apresentação da DCTF Mensal as pessoas jurídicas de direito privado: I – (...) II – (...) III sucessoras, nos casos de incorporação, fusão ou cisão total ou parcial ocorridos quando a incorporada, fusionada ou cindida estava sujeita à mesma obrigação em decorrência de seu enquadramento nos parâmetros de receita bruta auferida ou de débitos declarados. § 1º A partir do anocalendário de 2005, uma vez enquadrada em uma das hipóteses de obrigatoriedade de apresentação da DCTF Mensal, a pessoa jurídica permanecerá obrigada a sua apresentação nos anoscalendário posteriores, independentemente da alteração dos parâmetros considerados. (grifei) (...) Art. 7ºAs pessoas jurídicas devem apresentar a: I DCTF Mensal até o 5º (quinto) dia útil do 2º (segundo) mês subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores; ou II – (...) § 1º No caso de extinção, incorporação, fusão ou cisão total ou parcial, a DCTF Mensal ou (...) deve ser apresentada pela pessoa jurídica extinta, incorporada, incorporadora, fusionada Fl. 117DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723401/201109 Acórdão n.º 1802001.989 S1TE02 Fl. 118 12 ou cindida, até o 5º (quinto) dia útil do 2º (segundo) mês subseqüente ao da realização do evento. § 2º A obrigatoriedade de apresentação na forma prevista no § 1º não se aplica, para a incorporadora, nos casos em que as pessoas jurídicas, incorporadora e incorporada, estejam sob o mesmo controle societário desde o anocalendário anterior ao do evento. (Grifei) Como visto, em face da incorporação de parte do patrimônio da empresa cindida do mesmo grupo econômico, a Recorrente ficou dispensada de apresentação de DCTF especial (IN RFB nº 786/2007, art. 7º, § 2º), mas ficou obrigada a apresentar DCTF mensalmente, seguindo o mesmo tratamento dado à empresa cindida que, na época da cisão parcial, estava obrigada à apresentação de DCTF mensal (IN SRF RFB nº 786/2007, art. 3º, III, § 1º). No caso, a empresa cindida estava, sim, obrigada à apresentação de DCTF mensal na data da cisão parcial (10/01/2005), conforme consta, de forma expressa, nas decisões de 29/04/2011, nos processos administrativos nºs 19647.017324/200875 e 19647.004279/200970. A propósito, transcrevo a decisão constante do processo nº 19647.004279/200970, de 29/04/2011, in verbis: (...) A empresa em epígrafe apresentou, em 06/04/2009, requerimento de fls. 01 e 02 solicitando, referentemente ao 2o semestre de 2008, o recebimento do DACON e da DCTF semestral até que fosse decidida a CONSULTA formulada através do processo 19647.016179/200813. Em 31/08/2009 tomou ciência da INFORMAÇÃO FISCAL (fls. 232 e 233) que lhe negou o pleito, verbis: "Pelas Instruções Normativas n°s. 786/2007 e 903/2008 acima citada, a empresa está obrigada a apresentar a DCTF mensal, pelo fato da Cisão Parcial da empresa MARDISA VEÍCULOS LTDA, CNPJ N° 63.411.623/000177, que estava obrigada a entrega da DCTF/DACON mensal. (...) “ Em 17/12/2008, foi cientificada (cópia do AR fl. 262) da solução da CONSULTA (cópia às fls. 244/251) formulada no processo 19647.016179/200813, cuja conclusão reproduzimos: "16. Frente ao exposto, é forçoso concluir que a Mardisa Veículos Ltda. é responsável pelos tributos devidos pela Cruzeiro do Sul Veículos e Peças S/A, relativos a fatos geradores ocorridos até a data da incorporação desta por aquela. Outrossim, a sociedade cindida (no caso, a Mardisa Veículos Ltda.) e a sociedade que absorver parcela do seu patrimônio (Plus Car Veículos Ltda.) respondem solidariamente pelo total das obrigações tributárias da primeira, surgidas até a data da sucessão, e não proporcionalmente ao patrimônio vertido, não importando a Fl. 118DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723401/201109 Acórdão n.º 1802001.989 S1TE02 Fl. 119 13 data em que tenha sido ou venha a ser feito o lançamento do tributo. 17. Por último, convém esclarecer que a notificação de fl. 71 foi emitida pela DRF Recife/PE em estrita observância ao disposto no art. 3º, III, da IN SRF n° 695, de 14 de dezembro de 2006." Em 07/0402009 resultante da apreciação de recurso interpretativo por ela interposto contra a solução da consulta supramencionada, tomou ciência (cópia do AR fl. 263) do despacho denegatório (cópia fls. 252/254), legalmente destituído de efeito suspensivo, que assim conclui: "12. A dissidência interpretativa, para efeito de conhecimento do recurso especial, pressupõe a existência de teses jurídicas antagônicas, eliminandose, assim, as divergências internas quanto à interpretação do direito, o que não ocorreu no caso dos autos. Em virtude da falta de similitude fática e jurídica entre os casos confrontados, não há parâmetro de comparação possível entre a decisão hostilizada e os supostos paradigmas colacionados. Mercê do exposto, ressalvando sempre o muito respeito, entendemos que a vertente pretensão recursal não merece conhecimento, impondose a confirmação da decisão vergastada. A consideração superior. (...) Ordem de Intimação 14. Diante da conclusão de não haver similitude entre os quadros fáticos das matérias jurídicas tratadas nas decisões guerreada e paradigmas, não conheço do especial. Assinalese que não cabe a interposição de recurso deste despacho denegatório, nos termos do art. 16, § 2o, in fine, da sobredita IN RFB n° 740, de 2007. Remetamse os autos ao Seort da DRF Recife/PE, para ciência deste ato à aqui recorrente, com as cautelas de praxe e homenagens de estilo." Vêse, até este ponto, que a contribuinte não teve acolhida a sua pretensão de entrega das referidas declarações de forma semestral; quer pela informação fiscal, quer pela solução da consulta, quer pelo despacho que denegou o recurso interpretativo vinculado a esta última. Pois bem, no que pese já haver sido cientificada em 17/12/2008 (cópia do AR fl. 262) da decisão resultante da decisão de consulta (cópia às fls. 244/251) como também, em 07/04/2009, (cópia do AR fl. 263) do despacho denegatório (cópia às fls. 252/254) resultante da apreciação de recurso interpretativo de sua insurgência contra o resultado da consulta, formulou em 30/09/2009 manifestação de inconformidade (fls. 237 a 240) contra a informação fiscal (fls. 232 e 233). Ocorre que da informação fiscal não caberia "manifestação de inconformidade" conforme despacho da DRJ à fl. 257, excerto: "São passíveis de análise pelas DRJ as manifestações de inconformidade apresentadas pelo contribuinte contra apreciação das Fl. 119DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723401/201109 Acórdão n.º 1802001.989 S1TE02 Fl. 120 14 autoridades competentes relativos à restituição, compensação, ressarcimento, imunidade, suspensão, isenção e a redução de tributos e contribuições. Logo, a manifestação de inconformidade contra a decisão proferida pela unidade de origem não está sujeita a julgamento, falecendo competência a esta DRJ para se pronunciar acerca da matéria." Na verdade, o requerimento às fls 01 e 02 é uma solicitação ("...até que seja decidida a CONSULTA protocolada sob o n° 19647.016179/200813 ..." fl. 02); da qual, por falta de comando normativa que o preveja, não cabe recurso; e, de forma muito bem posta e clareza meridiana não poderia ser atendida, conforme a já citada informação fiscal exarada neste processo. Em 17/08/2010, não obstante, como demonstrado anteriormente, o reiterado insucesso da requerente em relação a seu pleito, tanto neste processo como no de consulta, traz aos autos (fl. 259) peça em que pede a suspensão da notificação (fl. 264) de lançamento de DCTF mensal do período de apuração de dezembro de 2008 "...até que seja resolvida a questão da forma de transmissão da DCTF, se semestral ou mensal." Ora, "...a questão da forma de transmissão da DCTF, se semestral ou mensal..." já estava perfeitamente resolvida e dela a contribuinte cientificada; a forma de transmissão, no caso, é mensal, tanto ao teor da informação fiscal quanto da decisão da consulta. Além disso, a insurgência quanto à notificação claramente deveria ser dirigida à DRJRecife, e não a esta unidade, conforme item 5 da intimação. Por tudo, finalizando, reiterase o que já está explicitado na informação fiscal (fls. 232 e 233) e na decisão da consulta: a contribuinte deve apresentar os DACONs e as DCTFs referentes ao segundo semestre de 2008 na forma mensal. (...) Pela transcrição acima, restou claro que a contribuinte, nesta instância de julgamento, mais uma vez, assim como já o fez de forma insistente naqueles processos citados, procura voltar, retornar ao mesmo assunto, ou seja, rediscutir matéria já decidida, de forma irreformável, naqueles processos administrativos, quanto à obrigatoriedade de apresentação da DCTF mensal para o período de apuração Janeiro/2008 e seguintes. Portanto, deve ser mantida a exigência da multa pecuniária objeto dos presentes autos, pois a Recorrente, a partir da data da operação de cisão parcial, ficou obrigada a apresentar DCTF mensalmente, seguindo o mesmo tratamento dado à empresa cindida que, na época da cisão parcial, estava obrigada à apresentação de DCTF mensal (IN SRF RFB nº 786/2007, art. 3º, III, § 1º). DCTF. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. Apenas para argumenar, no caso de sucessão de empresa, inclusive na hipótese de cisão parcial, há obrigação acessória decorrente dessa operação, a ser cumprida, Fl. 120DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723401/201109 Acórdão n.º 1802001.989 S1TE02 Fl. 121 15 adimplida pela empresa cindida e pela empresa sucessora que, no caso, incorporou parte do patrimônio da empresa que sofreu a cisão. No caso da DCTF (declaração de débitos e créditos federais), essa obrigação acessória autônoma foi implementada pela Instrução Normativa SRF nº 129/86, com fulcro no art. 5º do DL 2.124/84 e no art. 16 da Lei 9.779/99, sendo atualizada, a partir daí, periodicamente. A propósito, transcrevo o disposto no art. 5º do Decreto nº 2.124/84: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2º (...) § 3º Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa (...) No mesmo sentido, dispõe o art. 16 da Lei nº 9.779/99: Art.16.Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. A dispensa de lei em sentido estrito para implementação de obrigação acessória (v. g., DCTF) é matéria pacífica no âmbito do Poder Judiciário. A propósito, transcrevo precedentes jurisprudenciais: 1) TRF/3ª Região, 6ª Turma, sessão de 04/07/2007, processo (AMS 16487 SP 2002.03.99.0164877), in verbis: (...) TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. CRIAÇÃO DCTF. INSTRUÇÃO NORMATIVA. ILEGALIDADE. INOCORRÊNCIA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. MULTA MORATÓRIA. INCIDÊNCIA. 1. A DCTF veio regulamentar a arrecadação e a fiscalização de tributos federais, tratandose, a bem da verdade, de mero procedimento administrativo, suscetível de criação por norma complementar, não havendo que se falar em ofensa ao princípio da reserva legal em vistas a indelegabilidade da competência tributária. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723401/201109 Acórdão n.º 1802001.989 S1TE02 Fl. 122 16 2. (...) 3.(..). 4. O atraso na entrega da declaração de renda de pessoa física ou jurídica é infração de natureza nãotributária, em razão do descumprimento de uma obrigação acessória autônoma necessária ao exercício da atividade administrativa de fiscalização do tributo, não lhe sendo aplicável, portanto, a regra prevista no art. 138, do CTN. 5. Apelação e remessa oficial providas. Recurso adesivo improvido. (...) 2) – TRF/4ª Região, 1ª Turma, sessão de 23/06/2010, processo (AC 11264 PR 2004.70.01.0112645), in verbis: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. DCTF. INSTRUÇÃO NORMATIVA. SELIC. ENCARGO LEGAL. DL N. 1.025/69. 1.A obrigação acessória de entrega da DCTF está prevista legalmente, sendo apenas regulamentada em instruções normativas da Secretaria da Receita Federal, (...) 2. A incidência da SELIC sobre os créditos fiscais se dá por força de instrumento legislativo próprio (lei ordinária), sem importar qualquer afronta à Constituição Federal. 3. O encargo legal de 20%, referente à inscrição em dívida ativa, é constitucional, compõe o débito exeqüendo e é sempre devido nas execuções fiscais, substituindo, nos embargos, a condenação em honorários por expressa previsão legal (artigo 1º, do Decretolei nº 1.025/69). (...) 2) – TRF/5ª Região, 1ª Turma, sessão de 03/02/2005, processo (Apelação em MS 80402PE 2001.83.00.0192525), in verbis: TRIBUTÁRIO. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. LEGALIDADE. O atraso na entrega da declaração é considerado como sendo o descumprimento de uma atividade fiscal exigida por lei, não se confundindo com o nãopagamento do tributo. A imposição da multa por falta de entrega de Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF tem amparo legal, configurando seu atraso, ou não entrega, em infração autônoma. Precedentes do STJ e desta Corte. Apelação não provida. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723401/201109 Acórdão n.º 1802001.989 S1TE02 Fl. 123 17 (...) Em matéria de descumprimento de prazo para entrega tempestiva de declaração (v. g., DCTF) é inaplicável o art. 138 do CTN, quando cumprida a obrigação acessória a destempo e voluntariamente, pois tratase de obrigação autônoma, não relacionada com fato gerador de tributo ou contribuição, cuja infração configurase, simplesmente, pela perda do prazo fixado para cumprimento tempestivo dessa obrigação acessória. Nesse sentido, é a posição consolidada do STJ, in verbis: “TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Precedentes. 2. Recurso especial não provido.” (STJ, Segunda Turma, RESP RECURSO ESPECIAL – 1129202, Data da Publicação: 29/06/2010) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória. Precedentes do STJ. 2. Agravo Regimental não provido. (STJ, 2ª Turma, AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 916.168 SP 2007/00052315, sessão de 24/03/2009, Relator Min. Herman Benjamin). Já, a multa pecuniária pela falta de entrega da DCTF ou pela entrega a destempo, está prevista em lei stricto sensu, ou seja, no art. 7º, II, da Lei nº 10.426/2002, in verbis: (...) Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 123DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723401/201109 Acórdão n.º 1802001.989 S1TE02 Fl. 124 18 (...) IIde dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; (...) O dispostivo legal transcrito acima é norma específica para imposição de multa pecuniária por descumprimento de obrigação acessória relativo à não entrega de DCTF no prazo regulamentar ou para entrega efetuada após vencido o prazo regulamentar. No caso, em face da incorporação de parte do patrimônio da empresa cindida do mesmo grupo econômico, a Recorrente ficou dispensada de apresentação de DCTF especial (IN RFB nº 786/2007, art. 7º, § 2º), mas ficou obrigada a apresentar DCTF mensalmente, pois a empresa objeto da cisão, na época, conforme já demonstrado alhures, estava sim obrigada a apresentação da DCTF mensal (IN SRF RFB nº 786/2007, art. 3º, III, § 1º), aplicandose, por conseguinte, à empresa sucessora por cisão parcial, no caso a Recorrente, as mesmas condições de apresentação da DCTF aplicada à empresa cindida. PROCESSO DE CONSULTA. CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O processo de consulta está legalmente previsto nos arts. 48 a 50 da Lei nº 9.430/96 e disciplinado, na legislação infralegal, pela Instrução Normativa RFB nº 740, de 02 de maio de 2007. Diversamente do alegado pela Recorrente, o processo de consulta quanto aos efeitos não suspende a obrigatoriedade de cumprimento de obrigações acessórias, mormente o prazo para entrega de declaração de rendimentos, inclusive DCTF. Logo, não configura empecilho para o lançamento de ofício (Notificação de Lançamento de Multa por descumprimento de obrigação acessória autônoma), a imputação da infração “descumprimento de obrigação acessória autônoma”, para exigência da respectiva multa pecuniária, no caso entrega intempestiva, ou seja, a destempo de DCTF. Ademais, quanto ao processo de consulta (processo nº 19647.016179/2008 13), comungo, também, do mesmo entendimento do acórdão recorrido de que a consulta não tem efeito suspensivo, não impedindo o lançamento da multa de ofício. Nesse sentido, adoto inclusive, como razão de decidir, os mesmos fundamentos constantes do voto condutor da decisão a quo (fls. 67/68), in verbis: (...) De acordo com a IN RFB nº 740, de 2 de maio de 2007, que dispõe sobre o processo de consulta relativo à interpretação da legislação tributária entre outras disposições, o § 5º, do art 14 assim determina: Fl. 124DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.723401/201109 Acórdão n.º 1802001.989 S1TE02 Fl. 125 19 § 5º A consulta não suspende o prazo para recolhimento de tributo, retido na fonte ou autolançado, antes ou depois de sua apresentação, nem para entrega de declaração de rendimentos ou cumprimento de outras obrigações acessórias. (...) Por último, ainda diversamente do alegado pela Recorrente, a Notificação de Lançamento, como demonstrado alhures, foi efetuada algum tempo após a ciência da decisão final em processo de consulta (decisão sujeita à instância única). Portanto, deve ser mantida a decisão recorrida. Por tudo que foi exposto, voto para NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 125DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/03/2014 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 10925.907257/2012-68
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. DO CONTRIBUINTE.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-005.760
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ICMS. INCLUSÃO. O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 INCONSTITUCIONALIDADE. ALEGAÇÕES NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. A discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei não cabe na esfera administrativa, ressalvadas as exceções à regra. (Súmula CARF nº 2). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. DO CONTRIBUINTE. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 72 57 /2 01 2- 68 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação (DComp) de PIS apurado no regime cumulativo, no valor de R$ 1.269,16, relativo a pagamento indevido ou maior que o devido efetuado em 15/10/2003. Despacho Decisório do DRF/Joaçaba indeferiu a DComp, tendo em vista que a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que a) a DComp referese a crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos da Cofins e do PIS; b) os arts. 2º e 3º, da Lei nº 9.718/98, e o art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, apenas admitem como base de cálculo de supraditas contribuições a receita ou o faturamento, não autorizando a inclusão do ICMS em citada base de cálculo, pois o valor deste imposto constitui ônus fiscal – e não faturamento; c) o valor do ICMS está embutido no preço das mercadorias por força da legislação deste imposto1, a qual determina que sua base de cálculo seja composta do próprio tributo, constituindo o destaque mera indicação para fins de controle; d) o faturamento “é decorrente, em essência, de um negócio jurídico, de uma operação, importando, por isso mesmo, o que é recebido por aquele que a realiza, considerada a venda de mercadoria ou mesmo a prestação de serviço” e que “a base de cálculo não pode extravasar, desse modo, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar”; Pugnou, ainda, que se atentasse “para o princípio da razoabilidade, pressupondose que o texto constitucional se mostre fiel, no emprego dos institutos, de Expressões e vocábulos, ao sentido próprio que eles possuem, não merecendo outras interpretações” e transcreve o art. 110, do CTN. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907257/201268 Acórdão n.º 3803005.760 S3TE03 Fl. 57 3 Em julgamento da lide a DRJ/Belo Horizonte fez menção à regramatriz da base de cálculo das contribuições, disposta na norma dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 e de outras disposições legais e concluiu não haver previsão para a exclusão do ICMS do faturamento. Buscou reforço em decisões do CARF e do STJ. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da decisão em 23 de outubro de 2013, irresignada, apresentou recurso voluntário em 4 de novembro de 2013, em que reiterou os termos da manifestação de inconformidade, acrescentando o pedido de sobrestamento do julgamento, por aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF, em razão de a matéria se encontrar em apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep. Destaco, inicialmente, que não se pode perder de vista que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no âmbito do controle de legalidade a que se limitam as decisões administrativas. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[1]. A propositura desta ação é do Presidente da República e o seu objeto é obter a declaração de legitimidade da inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de ICMS e repassados aos consumidores no 1 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[2]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na dita ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF, razão porque não pode ser atendido o pedido de sobrestamento do presente processo. A instituição da Cofins pela LC 70/91[3] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando que o IPI não o integra, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[4], também o fez estabelecendo que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. A Lei nº 9.718/98[5] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo, entre estas o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços e compõe a sua estrutura de preços. Ao definirem faturamento, a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que se excluem da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão da base de cálculo, o faturamento, não há como não se considerar que ficou definido implícitamente que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, 2 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 3 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. 4 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 5 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; Fl. 59DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907257/201268 Acórdão n.º 3803005.760 S3TE03 Fl. 58 5 segundo o ditame do DecretoLei nº 406/686 reiterado pela LC Nº 87/96[7][8].endossam esta conclusão. Exemplificando: · ICMS por dentro Tenhase, por hipótese o valor de: Mercadorias em estoque = R$ 830,00 Alíquota do ICMS = 17% Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento = R$ 830,00/83 % (100% 17%) = R$ 1.000,00 Valor do ICMS incluso no faturamento = 170,00 · Se o cálculo do ICMS fosse por fora O preço de venda seria o valor da mercadoria em estoque, que corresponderia ao faturamento Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, 6 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 7 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 8 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade, sem redução de texto, do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG. A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado[9], ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento[10]. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no 9 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 10 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907257/201268 Acórdão n.º 3803005.760 S3TE03 Fl. 59 7 faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou de certos serviços e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse a este feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: a) a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Por fim, nesta segunda fase recursal, a Recorrente nenhum elemento anexa referente às provas, cujo ônus é seu. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 25 de março de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 62DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10380.720768/2010-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2302-000.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
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Resolvem os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .7 20 76 8/ 20 10 -1 8 Fl. 366DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.720768/201018 Resolução nº 2302000.276 S2C3T2 Fl. 367 2 Relatório e Voto Trata o presente Auto de Infração de Obrigação Principal de contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados em virtude da emissão de Ato Declaratório Executivo DRF/FOR n.º 127, de 01/10/2009, que suspende a imunidade tributária da entidade. O período da autuação é 01/2005 a 12/2005. Após a impugnação, Acórdão de fls. 204/212, julgou o lançamento procedente. Inconformada a autuada apresentou recurso, onde alega em síntese: a) que o Ato Declaratório está sendo contestado, não havendo decisão definitiva sobre o mesmo; b) que não aceita como ofensivas as palavras assim consideradas pela decisão de primeira instância; que não teve a intenção de ofender a instituição; c) cerceamento de defesa porque não foi obedecido o artigo 32, da lei n.º 9430/96; d) nulidade do lançamento em razão da nulidade do ato declaratório que o sustenta; e) que o ato anulado está pendente de recurso de ofício e o ATO 127, onde se escora esta pretensão fiscal está fundado nos fatos apurados no processo que originou o ato anulado; f) o lançamento deve ser anulado, já que existe idêntico pendente de julgamento no CARF; g) discorre sobre os motivos que sustentaram a quebra da imunidade pretendida pelo fisco, vantagens a dirigentes, vantagens a empresas pertencentes aos dirigentes, bolsas de estudo a empregados, vantagens a outra empresa do grupo Edson Queiroz; aplicação de recursos em objetivos diversos das suas finalidades. Requer o acolhimento das preliminares e o provimento do recurso. O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade devendo ser conhecido. Entretanto, é de se observar que o lançamento se refere às contribuições devidas pela perda da imunidade que a recorrente gozava amparada em decisão judicial. Na peça recursal os argumentos da autuada versam apenas sobre a perda da imunidade, cujo Ato Declaratório que cassou o benefício, ainda não teria decisão administrativa definitiva. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.720768/201018 Resolução nº 2302000.276 S2C3T2 Fl. 368 3 Como não constava dos autos informação do Fisco acerca do trânsito em julgado dos recursos interpostos quanto ao Ato Declaratório, não era possível prosseguir com o julgamento sem a informação concreta sobre a situação de fato existente, eis que neste lançamento está sendo cobrada a contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos segurados empregados, em virtude da cassação da imunidade usufruída pela empresa. Resolução deste Colegiado , fls. 348/350, converteu o julgamento em diligência para que o Fisco esclarecesse se a decisão que cancelou a imunidade da recorrente é definitiva. Em resposta, Informação Fiscal de fls. 354/356, traz que o referido Ato Declaratório Executivo ADE foi formalizado no processo autuado sob o nº 10380.015609/200794, o qual, impugnado pela Interessada, foi julgado procedente pela DRJ Fortaleza; a decisão de 1º grau foi objeto de recurso voluntário e os correspondentes autos se encontram no CARF, desde 16/08/2010. Confirmando tal informação, despacho de fls.364, determinou que como o julgamento do presente processo depende do resultado a ser proferido no recurso relativo à suspensão da imunidade, o mesmo deve ficar sobrestado até a decisão definitiva sobre o Ato Declaratório Executivo, acima referido. Entretanto, em virtude da revogação dos dispositivos do Regimento Interno do CARF que obrigavam o órgão a suspender os julgamentos sempre que o STF determinasse o sobrestamento dos Recursos Extraordinários alvos de Repercussão Geral (parágrafos 1º e 2º do artigo 62A), o processo retornou a esta Conselheira Relatora para prosseguimento. Desta forma, voto por nova conversão do julgamento em diligência para que este processo retorne à primeira instância administrativa, a fim de aguardar o desfecho do ADE, pendente de julgamento no CARF, para depois serem tomadas as medidas cabíveis quanto a este auto de infração. A definitividade do Ato Declaratório já tem que estar resolvida na área administrativa para que se possa julgar o mérito do auto de infração de obrigação principal, porque não cabe aqui tecer, ainda, considerações a cerca do descumprimento dos requisitos essenciais para a manutenção do benefício legal Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência Do resultado da diligência deve ser dado conhecimento a autuada e concedido prazo para manifestação, devendo o processo retornar a este Colegiado, se for o caso, somente após a decisão final no processo 10380.015609/200794 Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 368DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10935.904535/2012-14
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 20/03/2008
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA.
Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.337
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 20/03/2008 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. .
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DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 45 35 /2 01 2- 14 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904535/201214 Acórdão n.º 3801002.337 S3TE01 Fl. 63 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904535/201214 Acórdão n.º 3801002.337 S3TE01 Fl. 64 3 . Relatório Tratase de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior formulado pelo ora Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda., que não foi reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de origem. Não concordando com o indeferimento do seu pleito, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento. Restou assim ementado o acórdão: COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão proferida e repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904535/201214 Acórdão n.º 3801002.337 S3TE01 Fl. 65 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito decorre da inconstitucional inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, do valor do ICMS devido aos Estadosmembros. Sem trazer nenhum provimento jurisdicional favorável, em suas razões recursais, alega que o ICMS é tributo devido aos Estadosmembros e, por isso, não pode ser considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o tema para embasar suas alegações. Em que pese essa Relatora ter o mesmo entendimento do Recorrente com relação à matéria, ou seja, o ICMS, de fato, não poderia compor a base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, como muito bem colocado no acórdão recorrido, “cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”. Inexistindo na legislação em vigor a possibilidade de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o direito creditório do Recorrente. Ademais, importante ressaltar que os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a favor dos contribuintes. Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em 2007 e ainda pendente de julgamento. Assim, não há, até o presente momento, qualquer definição do Poder Judiciário acerca da questão. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904535/201214 Acórdão n.º 3801002.337 S3TE01 Fl. 66 5 Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10925.002066/2006-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/05/2002
AÇÃO JUDICIAL. OBJETO IDÊNTICO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. POSSIBILIDADE.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
PRECLUSÃO PROCESSUAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. CONHECIMENTO NA FASE RECURSAL. IMPOSSBILIDADE.
Sob pena de supressão de instância, não se toma conhecimento, em sede de recurso voluntário, de matéria não impugnada e, portanto, não apreciada no julgamento de primeira instância.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3102-002.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Paulo Puiatti, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2001 a 31/05/2002 AÇÃO JUDICIAL. OBJETO IDÊNTICO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. POSSIBILIDADE. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). PRECLUSÃO PROCESSUAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. CONHECIMENTO NA FASE RECURSAL. IMPOSSBILIDADE. Sob pena de supressão de instância, não se toma conhecimento, em sede de recurso voluntário, de matéria não impugnada e, portanto, não apreciada no julgamento de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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OBJETO IDÊNTICO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. POSSIBILIDADE. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). PRECLUSÃO PROCESSUAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. CONHECIMENTO NA FASE RECURSAL. IMPOSSBILIDADE. Sob pena de supressão de instância, não se toma conhecimento, em sede de recurso voluntário, de matéria não impugnada e, portanto, não apreciada no julgamento de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 20 66 /2 00 6- 60 Fl. 471DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROS A 2 (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Paulo Puiatti, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 4/12), em que formalizada a exigência da Contribuição para o PIS/Pasep dos meses de janeiro de 2001 a maio de 2002, no valor de R$ 5.573,40, que acrescido de multa de ofício e juros moratórios, calculados até 29/9/2006, totaliza a importância de R$ 14.444,58. No Relatório da Atividade Fiscal (fls. 16/24), que integra o citado Auto de Infração, informou a fiscalização que o motivo da autuação fora o fato de a fiscalizada não ter declardo nas correspondentes DCTF nem recolhido os valores da Contribuição para o PIS/Pasep dos meses de janeiro de 2001 a maio de 2002. Em sede de impugnação (fls. 216/224), a autuada, em síntese, alegou que: a) em 17/11/2006, realizou o depósito judiical do valor total do débito lançado, conforme Guia de Depósito Judicial de fl. 227, logo, estava suspensa a exigibilidade do crédito apurado no presente auto de infração, nos termos do art. 151, II, do CTN; b) a autoridade fiscal deixou de reportarse ao art. 3.º, § 4.º, da LC 07/70, esquecendo que, para fins operacionais, as sociedades cooperativas de crédito são tidas como instituições financeiras, sujeitandose às regras dos bancos em geral, nos termos da Lei 4.595/64, porém, antes disso, são sociedades cooperativas com tratamento diferenciado dado pela Lei 5.764/71, não podendo adotar o vocábulo “banco” em sua denominação, tampouco podendo funcionar sob a forma de S/A, uma vez que são sociedades de pessoas e não de capital; c) se as cooperativas operassem só com associados não havia que se falar em resultado, faturamento ou qualquer outra base de cálculo imponível no campo tributário, pois a sociedade cooperativa era a simples soma das atividades dos sócios, pessoas físicas, inexistindo operações de mercado para qualquer efeito, nem renda, lucro ou resultado da própria entidade; d) as sobras/rendas contabilizadas, sobre as quais exigiase o PIS faturamento, não pertenciam à sociedade e eram devolvidas aos associados, na razão direta da fruição dos serviços; e) a cooperativa, não visando lucro, nos termos do art. 3º da Lei 5.764/71, não estava sujeita a incidência de tributos e contribuições que tivessem como base o resultado, a renda e o faturamento; Fl. 472DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10925.002066/200660 Acórdão n.º 3102002.178 S3C1T2 Fl. 101 3 f) somente quando a cooperativa operasse com não associados era que se sujeitava às regras tributárias válidas para as empresas em geral, exclusivamente em relação ao resultado/faturamento/renda dessas operações; g) enquanto operassem só com associados, contribuiriam para o PIS com base apenas na folha de salários; e h) no final, pediu que fosse julgada procedente a impugnação, ou, não sendo julgado o mérito, suspenso o processo administrativo fiscal, até o trânsito em julgado da ação em que discutia a nãoincidência do PIS/faturamento sobre os atos cooperativos. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 302/316), em que, por unanimidade de votos, o lançamento foi considerado procedente, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2001, 2002 COOPERATIVA DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA. As cooperativas de crédito estão sujeitas à incidência da contribuição cuja base de cálculo, conforme a lei 9.718/98, é a receita bruta da empresa. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. Aplicase às cooperativas de crédito a legislação da contribuição para o PIS/Pasep relativa às instituições financeiras. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E DE ILEGALIDADE. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, e são incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e de ilegalidade. Em 20/8/2009, a autuada foi cientificada dessa decisão (fls. 317/320). Inconformada, em 11/9/2009, protocolizou o recurso voluntário de fls. 321/329, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na fase impugnatória, apenas em relação a não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep sobre as receitas por ela auferidas no período da autuação. Em aditamento, alegou que, caso este Conselho não reconhecesse a não incidência da referida Contribuição, fosse aplicada, retroativamente, a isenção concedida às cooperativas de crédito pelo art. 30 da Lei 11.051/2004. Na Sessão de 26 de abril de 2012, este Colegiado, por meio da Resolução nº 3102000.207 (fls. 350/353), converteu o julgamento em diligência, para que a unidade da Receita Federal de origem providenciasse a juntada aos autos da cópia da petição inicial, que deu origem ao processo judicial nº 2002.72.00.0053627, e de certidão de objeto e pé da correspondente ação. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROS A 4 De acordo com a Informação Fiscal de fls. 466/467, o pedido de diligência foi sotisfatoriamente atendido, com a juntadas aos autos (fls. 368/465) dos documentos solicitados e outros mais, relacionados à referida ação judicial. Em 12/6/2003, a recorrente foi cientificada, sem que houvesse qualquer manifestação sobre o teor da referida Informação. Em 27/11/2013, os autos retornaram a este Conselho. Na Sessão de 30 de janeiro de 2014, foram redistribuídos para este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O objeto da controvérsia cingese à não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep sobre as receitas decorrentes de atos cooperativos, auferidas pela recorrente, que exerce a atividade de cooperativa de crédito. Compulsando a petição inicial, as decisões judiciais e a certidão narratória colacionadas aos autos (fls. 368/465), relativas à Ação Declaratória de Inexistência de Débito Fiscal nº 2002.72.00.0053627, ajuizada perante a 3ª Vara Federal de Florianópolis/SC, verificase que a dita ação tem objeto idêntico ao submetido ao crivo deste Colegiado, ou seja, a não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento ou receita auferido por cooperativa de crédito. Aliás, para fim de suspensão da exigilidade do crédito exigido, no âmbito da referida ação judicial, a recorrente realizou o depósito integral do valor do crédito tributário lançado, por meio da Guia de Depósito Judicial de fl. 227. Assim, demonstrado que as razões de defesa suscitadas pela recorrente encontrase sub judice, tal circunstância implica renúncia tácita à instância administrativa, pois há coincidência com a matéria litigiosa submetida à apreciação deste Colegiado. Tal consequência, é uma decorrência direta da aplicação do princípio da unicidade ou inafastabilidade de jurisdição, insculpido no inciso XXXV do art. 5º da Constituição Federal de 1988 (CF/88), que veicula a seguinte mensagem normativa: “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”. Por força desse princício, o monopólio do exercício da jurisdição cabe ao Poder Judiciário, a quem incumbe o pronunciamento definitivo sobre os conflitos originários da aplicação da legislação tributária. No caso presente, como a matérias litigiosa foi submetida à análise do Poder Judiciário, obviamente, carece de sentido e efeito jurídico concreto e efetivo a manifestação deste Colegiado acerca do assunto, haja vista que, se corroborar o entendimento judicial, seria inócua, ou se decidir em sentido diverso, estaria contrariando ou descumprindo a decisão judicial, o que seria mais grave. Além disso, em consonância com o referido princípio, há na legislação infraconstitucional preceito legal determinando, expressamente, a proeminência do julgamento proferido no âmbito do Poder Judiciário, a exemplo do artigo 1º, § 2º, do Decretolei 1.737/79, Fl. 474DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10925.002066/200660 Acórdão n.º 3102002.178 S3C1T2 Fl. 102 5 e do art. 38, parágrafo único, da Lei 6.830/80. De acordo com os referidos comandos legais, a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou após à autuação, com o mesmo objeto, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. Nesse sentido, consolidouse a jurisprudência deste Conselho, a partir da edição da Súmula CARF nº 1, de adoção obrigatória por todos os Conselheiros deste Órgão de julgamento, cujo enunciado segue transcrito: SÚMULA Nº 1 do CARF: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Por todas essas razões, não se toma conhecimento da matéria controvertida suscitada no recurso em apreço, por ser idêntica a que foi submetida à apreciação do Poder Judiciário, no âmbito da referida ação judicial. Também não se toma conhecimento do pedido de aplicação retroativa do art. 30 da Lei 11.051/2004, que autoriza a dedução da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep dos ingressos decorentes do ato cooperativo, pois, além de está vinculada ao julgamento da matéria controvertida não conhecida, tal questão não foi suscitada na fase impugnatória, portanto, não instaurado o litígio sobre essa matéria, conforme expressamente determina o artigo 17 do Decreto 70.235/72. Dessa forma, não se pode apreciar em sede de recurso voluntário questão que não foi apreciada pela instância a quo, sob pena de supressão de instância, o que é expressamente vedado pelo instuto da preclusão processual, aplicável ao processo administrativo fiscal. Por todo o exposto, votase por NÃO CONHECER do recurso, para manter na íntegra a decisão recorrida. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 475DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROS A
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