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Numero do processo: 11128.007924/2008-82
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 24/06/2008
NULIDADE. LANÇAMENTO. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade do auto de infração quando neste constam os fundamentos de fato e de direito que o embasaram, em conformidade com a legislação de regência.
Estando devidamente circunstanciado no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o amparam, e não verificado cerceamento de defesa, rejeita-se a alegação de nulidade.
AGÊNCIA DE NAVEGAÇÃO MARÍTIMA. LEGITIMIDADE PASSIVA. POSSIBILIDADE.
Por expressa determinação legal, a agência de navegação marítima, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária.
INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o cumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informações ao Fisco, via sistema Siscomex, relativa a carga transportada, uma vez que tal fato configura a própria infração.
SOLICITAÇÃO DE RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES.
As alterações ou retificações de informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não se configuram como prestação de informação fora do prazo.
Numero da decisão: 3001-000.423
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões, quanto à matéria denúncia espontânea, o conselheiro Renato Vieira de Avila.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 24/06/2008 NULIDADE. LANÇAMENTO. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do auto de infração quando neste constam os fundamentos de fato e de direito que o embasaram, em conformidade com a legislação de regência. Estando devidamente circunstanciado no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o amparam, e não verificado cerceamento de defesa, rejeita-se a alegação de nulidade. AGÊNCIA DE NAVEGAÇÃO MARÍTIMA. LEGITIMIDADE PASSIVA. POSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal, a agência de navegação marítima, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária. INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o cumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informações ao Fisco, via sistema Siscomex, relativa a carga transportada, uma vez que tal fato configura a própria infração. SOLICITAÇÃO DE RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES. As alterações ou retificações de informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não se configuram como prestação de informação fora do prazo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 24/06/2008 NULIDADE. LANÇAMENTO. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do auto de infração quando neste constam os fundamentos de fato e de direito que o embasaram, em conformidade com a legislação de regência. Estando devidamente circunstanciado no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o amparam, e não verificado cerceamento de defesa, rejeita se a alegação de nulidade. AGÊNCIA DE NAVEGAÇÃO MARÍTIMA. LEGITIMIDADE PASSIVA. POSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal, a agência de navegação marítima, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária. INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o cumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informações ao Fisco, via sistema Siscomex, relativa a carga transportada, uma vez que tal fato configura a própria infração. SOLICITAÇÃO DE RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES. As alterações ou retificações de informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não se configuram como prestação de informação fora do prazo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 79 24 /2 00 8- 82 Fl. 172DF CARF MF Processo nº 11128.007924/200882 Acórdão n.º 3001000.423 S3C0T1 Fl. 172 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões, quanto à matéria denúncia espontânea, o conselheiro Renato Vieira de Avila. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 1642.944 da 24ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 1/SP DRJ/SP1 que, em sessão de julgamento realizada no dia 16.01.2013, julgou improcedente a impugnação. Dos fatos Adotase, como de costume neste Colegiado Extraordinário, para o acompanhamento inicial dos fatos, matérias, pedidos e trâmite dos autos, o relatório encartado no acórdão recorrido (efls. 94 a 101), que segue transcrito: Relatório A empresa interessada foi autuada, no valor de R$ 5.000,00, em face de retificação extemporânea, no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex Carga), dos dados relativos à carga marítima acobertada pelo Conhecimento de Carga Eletrônico n.º 150805101053924 (B/L n.º NYKS2353561680), vinculado ao Manifesto de Carga Eletrônico n.º 1508500856683, relativo ao navio MATE, viagem 101W, Escala n.º 08000060467, cuja atracação no Porto de Santos ocorreu em 26.05.08, tendo sido lançada a multa capitulada no Artigo 107, Inciso IV, Alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66, com redação dada pelo Artigo 77 da Lei n.º 10.833/03. Alegou a fiscalização que o pedido de retificação apresentado pela interessada foi apresentado somente em 20.06.08, ou seja, 25 (vinte e cinco) dias após a atracação da embarcação no Porto de Santos, o qual foi deferido em 24.06.08. A autuação considerou o previsto pela Instrução Normativa RFB 800, de 27 de dezembro de 2007, que dispõe sobre o controle aduaneiro informatizado da movimentação de embarcações, cargas e unidades de carga nos portos alfandegados, e pelo Ato Declaratório Executivo ADE Corep n.º 03, de 28 de março de 2008, que dispõe sobre as ações operacionais e em sistemas informatizados quanto à utilização do Siscomex Carga. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 11128.007924/200882 Acórdão n.º 3001000.423 S3C0T1 Fl. 173 3 Ainda de acordo com a autuação, a transportadora marítima é representada no país por agência de navegação, também denominada agência marítima, nos termos do que estabelece o Art. 4.º da IN RFB 800/07, assim, o exame da documentação anexa permitiu a eleição da autuada para figurar no pólo passivo da lavratura. Ciente, a interessada apresentou impugnação em 19.11.08 (fls. 35 44 do eprocesso). Nesta peça alegou que: 1. Preliminarmente, conforme determina seu contrato social, tem por objeto social o agenciamento marítimo, tendo como um de seus clientes o transportador marítimo (armador) NIPPON YUSEN KABUSHIKI KAISHA, que aparece em todos os documentos juntados neste processo, e não a NYK LINE DO BRASIL LTDA; 2. Em nenhum momento deixou de prestar as informações sobre as cargas transportadas; 3. Os prazos exigidos pela Instrução Normativa 800/07 somente serão obrigatórios a partir de 1º de janeiro de 2009, isto é, após a ocorrência da suposta infração; 4. Os fatos ocorreram durante o “plano de contingência” no Porto de Santos, como dispõe a Instrução Normativa 841/08, não sendo possível a aplicação de nenhuma penalidade. 5. É praxe que, por solicitação do importador/consignatário e às vezes pelo exportador/shipper das mercadorias, fazse necessária a correção de alguns dados constantes no Conhecimento de Transporte Marítimo (BL). Cita o Art. 44 do Decreto 4.543/02 (Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos); 6. O ato de retificar é diferente da não apresentação de informação, assim, a impugnante não deixou de apresentar informação sobre veículo ou carga nele transportada, apenas retificou posteriormente a sua informação, por solicitação do importador/consignatário; 7. Concluise que a retificação efetuada pela impugnante constituise em procedimento absolutamente legal, que não foi alterado pela implantação do Siscomex Carga, mas apenas tornouse eletrônica; 8. A eventual conduta imputada à impugnante não se encontra contemplada pelo Artigo 107 do Decretolei n.º 37/66, muito menos na Alínea “e”, do Inciso IV; 9. Requer o recebimento de sua impugnação como tempestiva, a fim de ser julgado improcedente o auto de infração e insubsistente a pena de multa aplicada, com o consequente arquivamento do processo. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 11128.007924/200882 Acórdão n.º 3001000.423 S3C0T1 Fl. 174 4 Da ementa do acórdão recorrido A 24ª Turma da DRJ/SP1, ao julgar improcedente a impugnação, exarou o já citado acórdão, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 24/06/2008 Multa por retificação extemporânea de informação acerca de carga. Responsabilidade da agência marítima. Nos termos da Instrução Normativa RFB nº 800/07, combinado com o disposto pelo Ato Declaratório Executivo Corep n.º 03/08, constitui obrigação da agência marítima prestar informações à Secretaria da Receita Federal do Brasil acerca da carga transportada na forma, prazo e condições estabelecidos, sob pena de incorrer em infração prevista pelo Artigo 107, Inciso IV, Alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66, com a redação pelo Art. 77 da Lei nº 10.833/03. A multa é aplicada para cada deferimento, automático ou não, de retificação do manifesto eletrônico, conhecimento eletrônico ou item de carga. Preliminar rejeitada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do recurso voluntário Irresignado com os termos do acórdão vergastado, o requerente interpôs, às e fls. 108 a 131, recurso voluntário para pleitear a improcedência do lançamento ora debatido, sob argumentos suscitados em sede de preliminar e de mérito, que podem ser sintetizados nos seguintes tópicos, que: (i) não é parte legítima para figurar no polo passivo do lançamento, pois atuou somente como agência de navegação marítima, não se equiparando a transportador ou agente de carga, nem pode ser considerada como representante destes para fins de responsabilização por eventuais erros por eles cometidos, posto que inexiste previsão legal de aplicação de qualquer penalidade em face do agente, consoante proclamado pela Súmula 192 do extinto Tribunal Federal de Recursos. Colaciona jurisprudência; (ii) o fato gerador da pena aplicada se deu em razão de retificações de dados no sistema Siscomex Carga, hipótese que não configura ausência de informação, mas simples alteração de informações já prestadas, o que afasta a multa exigida, consoante orientação contida na Solução de Consulta Cosit publicada em 04.02.2016, cujo efeito é vinculante perante a Receita Federal do Brasil; (iii) a conduta não enseja o tipo legal que justifica a imposição da penalidade, pois não deixou de apresentar informações no prazo legal, todas as informações foram prestadas nos termos da alínea "e" do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, com a Fl. 175DF CARF MF Processo nº 11128.007924/200882 Acórdão n.º 3001000.423 S3C0T1 Fl. 175 5 redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 2003, principalmente no que diz respeito ao veículo e à carga, bem como em relação às operações a serem executadas; e (iv) a nova norma legal vigente reconhece que a denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidade de natureza administrativa, exatamente como é o caso destes autos. Diante do exposto, requer a anulação da infração, em face da preliminar aventada, ou, subsidiariamente, que seja julgada insubsistente em razão dos argumentos acima esboçados, cancelandose a multa exigida e determinandose o arquivamento do presente processo. Do encaminhamento Em razão disso, os autos ascenderam ao Carf em 26.04.2013 (efl. 168), que posteriormente foi distribuído para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, e na forma regimental, sorteado a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da tempestividade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo, na medida em que foi juntado aos presentes autos em 20.02.2013, conforme depreendese do carimbo/chancela gravada na "Folha de Rosto da referida petição recursal", após ciência no dia 22.01.2013, conforme observase do Aviso de Recebimento "AR" (efls. 105/106), tendo respeitado o trintídio legal, conforme exige o artigo 33 do Decreto 70.235 de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Da competência para julgamento do feito Observo, ainda, a competência deste Colegiado, na forma do artigo 23B do Anexo II da Portaria MF 343 de 09.06.2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf, com redação da Portaria MF 329 de 2017. Do escopo do litígio É incontroverso que a penalidade em apreço decorre da retificação extemporânea, uma vez que ocorrida em 24.06.2008, dos dados relativos ao conhecimento eletrônico CE 150805101053924, vinculado ao manifesto eletrônico 1508500856683, escala 08000060467, referente a carga transportada pelo navio Mate em sua viagem 101W, cuja atracação no Porto de Santos ocorreu em 26.05.2008. Frisese, por oportuno, que o conhecimento de embarque que deu amparo para a emissão do respectivo conhecimento eletrônico foi o NYKS2353561680, cuja agência Fl. 176DF CARF MF Processo nº 11128.007924/200882 Acórdão n.º 3001000.423 S3C0T1 Fl. 176 6 de navegação responsável é o recorrente NYK Line do Brasil Ltda., portanto, o sujeito passivo da autuação ora contestada. As matérias controversas cingese aos seguintes pontos: a) arguição de ilegitimidade passiva; b) arguição de não caracterização da infração imposta; e c) arguição de denúncia espontânea. Do contexto jurídico das normas de incidência da matéria Estabelece o artigo 237 da Constituição Federal, verbis: Art. 237. A fiscalização e o controle sobre o comércio exterior, essenciais à defesa dos interesses fazendários nacionais, serão exercidos pelo Ministério da Fazenda. Estabelece o caput do artigo 33 do Decretolei 37 de 1966, verbis: Art. 33 A jurisdição dos serviços aduaneiros se estende por todo o território aduaneiro, e abrange: (grifei) I zona primária compreendendo as faixas internas de portos e aeroportos, recintos alfandegados e locais habilitados nas fronteiras terrestres, bem como outras áreas nos quais se efetuem operações de carga e descarga de mercadoria, ou embarque e desembarque de passageiros, procedentes do exterior ou a ele destinados; II zona secundária compreendendo a parte restante do território nacional, nela incluídos as águas territoriais e o espaço aéreo correspondente. Parágrafo único. Para efeito de adoção de medidas de controle fiscal, poderão ser demarcadas, na orla marítima e na faixa de fronteira, zonas de vigilância aduaneira, nas quais a existência e a circulação de mercadoria estarão sujeitas às cautelas fiscais, proibições e restrições que forem prescritas no regulamento. Dispõem os artigos 2º e 17 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 6.759 de 05.02.2009, tal qual dispunha o Decreto 4.543 de 26.12.2002, verbis: Art. 2o O território aduaneiro compreende todo o território nacional. (...) Art. 17. Nas áreas de portos, aeroportos, pontos de fronteira e recintos alfandegados, bem como em outras áreas nas quais se autorize carga e descarga de mercadorias, ou embarque e desembarque de viajante, procedentes do exterior ou a ele destinados, a autoridade aduaneira tem precedência sobre as demais que ali exerçam suas atribuições (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 35). (Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010). § 1o A precedência de que trata o caput implica: Fl. 177DF CARF MF Processo nº 11128.007924/200882 Acórdão n.º 3001000.423 S3C0T1 Fl. 177 7 I a obrigação, por parte das demais autoridades, de prestar auxílio imediato, sempre que requisitado pela autoridade aduaneira, disponibilizando pessoas, equipamentos ou instalações necessários à ação fiscal; e (Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010). II a competência da autoridade aduaneira, sem prejuízo das atribuições de outras autoridades, para disciplinar a entrada, a permanência, a movimentação e a saída de pessoas, veículos, unidades de carga e mercadorias nos locais referidos no caput, no que interessar à Fazenda Nacional. (Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010). § 2o O disposto neste artigo aplicase igualmente à zona de vigilância aduaneira, devendo as demais autoridades prestar à autoridade aduaneira a colaboração que for solicitada. (Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010). Sendo assim, incumbe ao Ministério da Fazenda, por meio da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a fiscalização e o controle da entrada e saída de mercadorias, cargas, unidades de cargas e embarcações do território aduaneiro. O Decretolei 37 de 1966 estabelece que o controle de veículos, mercadorias, animais e pessoas, na zona primária, será disciplinada em Regulamento (inciso III do artigo 34), bem como estabelecerá as normas de disciplina aduaneira a que ficam obrigados os veículos, seus tripulantes e passageiros na zona primária, ou quando sujeitos fiscalização (artigo 38). Determina, ainda, que o transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veiculo procedente do exterior ou a ele destinado (caput do artigo 37, com a redação dada pela Lei 10.833 de 2003). Por sua vez, o Regulamento Aduaneiro D. 6.759/09, prevê que o controle aduaneiro do veiculo será exercido desde o seu ingresso no território aduaneiro até a sua efetiva saída, e será estendido a mercadorias e a outros bens existentes a bordo, inclusive a bagagens de viajantes (parágrafo 1º do artigo 26). Já no caput do seu artigo 39 encontrase a determinação de que é livre, no Pais, a entrada e a saída de unidades de carga e seus acessórios e equipamentos, de qualquer nacionalidade, bem como a sua utilização no transporte doméstico (conforme previsão do artigo 26 da Lei 9.611 de 1998). Entretanto, seu parágrafo 2º observa que poderá ser exigida a prestação de informações para fins de controle aduaneiro sobre os bens referidos no caput, nos termos estabelecidos em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil; haja vista que, embora seja livre a entrada e saída de unidades de carga, o mesmo não acontece com o seu conteúdo. Ademais, os containeres são destinados especificamente para acondicionar mercadorias e podem se prestar a sua ocultação, pois são, em sua maioria, totalmente fechados impedindo a visão de seu interior. Por tal motivo, o Regulamento Aduaneiro prevê no caput do artigo 42 que o responsável pelo veículo apresentará à autoridade aduaneira, na forma e no momento Fl. 178DF CARF MF Processo nº 11128.007924/200882 Acórdão n.º 3001000.423 S3C0T1 Fl. 178 8 estabelecidos em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil, o manifesto de carga, com cópia dos conhecimentos correspondentes, e a lista de sobressalentes e provisões de bordo, bem como, nos termos do seu parágrafo 1º, a relação das unidades de carga vazias existentes a bordo. Neste contexto legal, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, fez editar a Instrução Normativa RFB 800 de 27.12.2007, a qual dispõe sobre o controle aduaneiro informatizado da movimentação de embarcações, cargas e unidades de carga nos portos alfandegados, a qual estabelece em seu artigo 1º, com redação dada pela Instrução Normativa RFB 1.473 de 02.06.2014) verbis: Art. 1º O controle aduaneiro de entrada e saída de embarcações e de movimentação de cargas e unidades de carga nos portos, bem como de entrega de carga pelo depositário, serão efetuados conforme o disposto nesta Instrução Normativa e serão processados mediante o módulo de controle de carga aquaviária do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), denominado Siscomex Carga. Parágrafo único. As informações necessárias aos controles referidos no caput serão prestadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) pelos intervenientes na forma e prazos estabelecidos nesta Instrução Normativa, mediante o uso de certificação digital: I no Sistema de Controle da Arrecadação do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (Sistema Mercante); e II no Siscomex Carga. Nos termos do inciso XII do seu artigo 2º, dispõe que o manifesto eletrônico é definido como o manifesto de carga informado à autoridade aduaneira em forma eletrônica, mediante certificação digital do emitente, contendo inclusive os containeres vazios. Já seu artigo 11 prevê que a informação do manifesto eletrônico compreende a prestação dos dados exigidos pela norma e relações de containeres vazios transportados pela embarcação durante sua viagem pelo território nacional. Também nos termos da referida norma regulamentar IN RFB 800/07, desde 31.03.2008, a forma estabelecida pela Receita Federal do Brasil para apresentação de documentos e prestação de informações se dá por meio de transmissão e recepção eletrônicas, autenticadas por via de certificação digital. As informações relativas às operações executadas pelos Transportadores ou Agentes de Carga, submetidas ao controle aduaneiro, tais como as relativas às Escalas, aos dados constantes nos Manifestos Marítimos e nos Conhecimentos de Carga, devem ser prestadas no Sistema de Controle da Arrecadação do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (Mercante), sendo gerenciadas pela Receita Federal através do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), denominado Siscomex Carga. Mais especificamente, a prestação das informações referentes à carga darseá pela elaboração no Sistema Mercante do Conhecimento Eletrônico (C.E.Mercante) que, por sua vez, tem como base os dados constantes no B/L. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 11128.007924/200882 Acórdão n.º 3001000.423 S3C0T1 Fl. 179 9 Da interpretação da legislação aplicável que trata do controle aduaneiro De se ver assim que toda a saída ou entrada de mercadorias no território aduaneiro, bem como de unidades de carga presumivelmente vazias, sujeitase, necessariamente ao controle aduaneiro, salvo expressa determinação legal em contrário. Neste contexto, o controle aduaneiro tem por escopo justamente monitorar o fluxo internacional de mercadorias através das fronteiras, portos e aeroportos. Logo, esclareça se, por oportuno, que é irrelevante se determinada mercadoria é ou não sujeita à tributação na saída ou na entrada, pois o referido controle aduaneiro não se restringe a questões de tributação, abarcando também diversas outras áreas que não se pode prescindir, em prol dos interesses da sociedade e a própria segurança nacional. Nesse sentido, o controle aduaneiro exercido pelo Estado, por meio de seus agentes, in casu, aduaneiros, não é faculdade, nem daquele, nem destes, mas poderdever. Logo, o gerenciamento de risco constitui instrumento/ferramental que tem permitido a transformação das administrações aduaneiras, possibilitando conjugar, por um lado, maior celeridade no processo de despacho de mercadorias e conseqüentemente redução dos custos incidentes sobre o comércio internacional, possibilitando maior competitividade dos produtos fabricados no País, no exterior, e por outro lado, mais rigor no controle da aplicação da legislação pertinente. Por tais motivos que esta análise deve ocorrer previamente às operações de comércio exterior, com o conhecimento dos dados informados nos sistemas Mercante e Siscomex Carga que direcionarão os atos das unidades de jurisdição aduaneiras da Secretaria da Receita Federal do Brasil, providenciando os devidos controles fiscais ou administrativos e prevenindo a ocorrência de possíveis ilícitos aduaneiros. Conseqüentemente, a falta da prestação de informação ou sua ocorrência fora dos prazos estabelecidos inviabiliza a análise e o planejamento prévio, causando sério obstáculo ao exercício do Controle Aduaneiro e, por consequência, permitindo ou, ao menos, facilitando a ocorrência de contrabando e descaminho, tráfico de drogas e armas, além de prejudicar o combate à pirataria e outros ilícitos. Da preliminar Preâmbulo No que tange a preliminar de nulidade arguida, entendo que referida hipótese não está configurada. Os feitos tratados no presente processo preenchem todos os requisitos de validade, estando instruídos corretamente, não havendo que se falar em nulidade por ilegitimidade do sujeito passivo ou por cerceamento do direito de defesa, em face de vício formal do auto de infração, pois as situações passíveis de nulidade estão elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235 de 06.03.1972, verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 11128.007924/200882 Acórdão n.º 3001000.423 S3C0T1 Fl. 180 10 Feito este breve preâmbulo, em seguida debaterseá cada tópico. De ilegitimidade passiva da agência de navegação Examinada a documentação juntada aos autos, especialmente o Conhecimento Eletrônico CE relativo à mercadoria descrita no conhecimento de embarque B/L NYKS2353561680, cuja informação fora de prazo deu origem à presente autuação, verificase que figura como agência de navegação responsável e, portanto, também responsável pelo registro do conhecimento eletrônico correspondente, o que no caso em tela é o CE 1508500856683, o ora recorrente. No entanto, em sede de argumentação preliminar, o recorrente alega em sua defesa que por ser agência de navegação não pode ser considerado responsável tributário, pois não pode ser equiparado ao transportador internacional para efeito da responsabilização tributária, por inexistência de previsão legal de aplicação de qualquer penalidade em face da agência de navegação, tanto que traz a Súmula 192 do extinto Tribunal Federal de Recursos, que possui o seguinte verbete: O agente marítimo, quando no exercício exclusivo das atribuições próprias, não é considerado responsável tributário, nem se equipara ao transportador para efeitos do DecretoLei nº 37, de 1966. De plano, conforme se demonstrará a seguir, não lhe assiste razão neste tópico preliminar. Dispõe o artigo 32 do Decretolei 37 de 18.11.1966, verbis: Art. 32. É responsável pelo imposto: (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) I o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) (grifei) II o depositário, assim considerada qualquer pessoa incumbida da custódia de mercadoria sob controle aduaneiro. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. É responsável solidário: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) II representante, no País, do transportador estrangeiro; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) c) o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por Fl. 181DF CARF MF Processo nº 11128.007924/200882 Acórdão n.º 3001000.423 S3C0T1 Fl. 181 11 intermédio de pessoa jurídica importadora; (Incluída pela Lei nº 11.281, de 2006) d) o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluída pela Lei nº 11.281, de 2006) Ressaltese que a redação do parágrafo único dada pelo Decretolei 2.472 de 1988, foi mantida na redação dada pela Medida Provisória 2.15835 de 24.08.2001. Além disso, a solidariedade tributária passiva encontra guarida no CTN, nos seguintes dispositivos: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. (grifei) Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. (grifei) Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. (grifei) Não obstante o arcabouço jurídico evidenciado, importa, volverse à análise mais pormenorizada da lei e da legislação concernente à responsabilidade do recorrente pela infração. O artigo 37 do Decretolei 37 de 1966, com redação dada pela Lei 10.833 de 2003, prevê o dever de prestar informações ao Fisco, nos seguintes termos, verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre achegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e Fl. 182DF CARF MF Processo nº 11128.007924/200882 Acórdão n.º 3001000.423 S3C0T1 Fl. 182 12 preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e (...) (grifouse) O artigo 107, também do Decretolei 37 de 1966, e também com redação dada pela Lei 10.833 de 2003, prevê a multa pelo descumprimento desse dever, nos seguintes termos, verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e (...) No exercício da competência estabelecida pela norma acima transcrita, foi editada a Instrução Normativa RFB 800 de 2007, que nos seus artigos 4º e 5º, equipara ao transportador a agência de navegação representante no País de empresa de navegação estrangeira, verbis: Art. 4º A empresa de navegação é representada no País por agência de navegação, também denominada agência marítima. § 1º Entendese por agência de navegação a pessoa jurídica nacional que represente a empresa de navegação em um ou mais portos no País. § 2º A representação é obrigatória para o transportador estrangeiro. § 3º Um transportador poderá ser representado por mais de uma agência de navegação, a qual poderá representar mais de um transportador. Art. 5º As referências nesta Instrução Normativa a transportador abrangem a sua representação por agência de navegação ou por agente de carga. No caso em pauta, tratandose de infração à legislação aduaneira e tendo em vista que o recorrente concorreu para a prática da infração em questão, tanto que foi quem efetivamente procedeu ao registro do CE 1508500856683; logo, necessariamente, acaso se confirmasse a infração, responderia pela correspondente penalidade cabível, de acordo com as disposições sobre responsabilidade por infrações constantes do inciso I do artigo 95 do Decretolei 37 de 1966, verbis: Art. 95 Respondem pela infração: Fl. 183DF CARF MF Processo nº 11128.007924/200882 Acórdão n.º 3001000.423 S3C0T1 Fl. 183 13 I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; Demais disso, o inciso II do artigo 135 do Código Tributário Nacional determina que a responsabilidade é exclusiva do infrator em relação aos atos praticados pelo mandatário ou representante com infração à lei. Em consonância com esse comando legal, determina o caput do artigo 94 do Decretolei 37 de 1966 que constitui infração aduaneira toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que “importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decretolei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos”. Por sua vez, em relação à Súmula 192 do extinto TRF, trazida pelo recorrente, é suficiente evidenciar que o entendimento constante dessa Súmula, anterior à atual Constituição Federal, há muito se encontra superado, porquanto em flagrante desacordo com a evolução da legislação de regência. Com o advento do Decretolei 2.472 de 01.09.1988, que deu nova redação ao artigo 32 do Decretolei 37 de 1966, ao expressamente designar que o representante do transportador estrangeiro no País é responsável solidário pelo pagamento do imposto de importação. Nesse mesmo sentido, a responsabilidade solidária por infrações passou a ter previsão legal expressa e específica com a Lei 10.833 de 2003, o que estendeu as penalidades administrativas a todos os intervenientes nas operações de comércio exterior. Dessa forma, na condição de representante do transportador estrangeiro, o Recorrente estava obrigado a prestar as informações no Siscomex. Transcrevese, em reforço, a ementa de decisão do CARF no mesmo sentido, proferida no Acórdão 3401003.884, verbis: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 04/01/2004 a 18/12/2004 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO DE EMBARQUE. SISCOMEX. TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. RESPONSABILIDADE DA AGÊNCIA MARÍTIMA. REPRESENTAÇÃO. A agência marítima, por ser representante, no país, de transportador estrangeiro, é solidariamente responsável pelas respectivas infrações à legislação tributária e, em especial, a aduaneira, por ele praticadas, nos termos do art. 95 do Decreto lei nº 37/66. (...) Por fim, salientese que, não obstante seu reclamo, verdade é que o próprio recorrente, em determinada altura da sua contestação recursal, especificamente quando trata do tópico referente a denúncia espontânea, reconhece sua condição jurídica de transportador. Vejamos, verbis: (...) Fl. 184DF CARF MF Processo nº 11128.007924/200882 Acórdão n.º 3001000.423 S3C0T1 Fl. 184 14 Por fim, urge deixar claro que os documentos carreados aos autos demonstram a diligência com que o transportador atuou perante a autoridade fiscal (jamais imbuído do sentido de embaraçar a fiscalização), sempre mantendo a mesma postura íntegra, no sentido de esclarecer os fatos e instruir corretamente os procedimentos e a fiscalização exigidos para o caso. (grifei) (...) Da impossibilidade de aplicação da multa, por ausência de tipicidade legal Esclareçase, que embora o tema agora abordado ser concorrente ao tratado no tópico anterior ilegitimidade passiva do sujeito passivo, em homenagem ao pleno direito de defesa, procederseá a breves considerações sobre referida temática. No caso em tela, não se discute se a informação foi prestada tempestiva ou intempestivamente, pois o descumprimento do prazo foi confessado pelo recorrente, não sendo, portanto, objeto de contenda. Como visto alhures, sabese que a agência de navegação, na qualidade de representante do transportador estrangeiro, no país, por força do artigo 95 do Decretolei 37 de 1966, responde pela infração consistente na prestação de informações sobre embarques de exportação, no SISCOMEX, fora do prazo. Neste contexto específico, portanto, não há falar em inaplicabilidade da penalidade em comento, sob a equivocada alegação de falta de tipicidade legal, por suposta inimputabilidade das agências de navegação. Do mérito Da denunciação espontânea da infração O recorrente alegou a denúncia espontânea da infração cometida, para excluir a penalidade que lhe fora aplicada, sob o argumento, principal, que a partir da alteração legislativa do parágrafo 2º do artigo 102 do Decretolei 37 de 1966, promovida pela Lei 12.350 de 20.12.2010, resultante da conversão da Medida Provisória 497 de 27.07.2010, passouse a reconhecer que a denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidade de natureza administrativa. Porém, antes de adentrarmos na discussão do referido tema, fazse necessário esclarecer que não fosse a alteração acima destacada, em face da Lei 12.350 de 2010, ou seja, em data posterior à apresentação da impugnação, ofertada em 19.11.2008, tal circunstância implicaria em inovação da tese jurídica na fase recursal, pois tal argumento não foi veiculado em sede de primeiro grau, que a teor do disposto nos artigos 14, 15 e 17, do Decreto 70.235 de 1972, em preclusão e, por consequência, supressão de instância, na medida em que a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se a matéria questionada, apreciada e decidida pela primeira instância, a fim de tornar viável sua veiculação em sede de recurso voluntário. Feito este breve esclarecimento, já adiantase, que melhor sorte também não lhe assiste, pois, como veremos, a infração em apreço inequivocamente não é passível de denunciação espontânea. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 11128.007924/200882 Acórdão n.º 3001000.423 S3C0T1 Fl. 185 15 A fim de justificar e, por conseguinte, fundamentar a razão de a penalidade ora objetada não comportar o instituto da denúncia espontânea previsto no CTN, peço licença ao ilustre conselheiro José Fernandes do Nascimento para colacionar trechos do voto de sua lavra, consignado no Acórdão 3102002.187, exarado em 26.03.2014: (...) Não procede a alegação da recorrente, pois, no caso em comento, não se aplica o instituto da denúncia espontânea da infração previsto no art. 138 do CTN e tampouco o específico da infração a legislação aduaneira estabelecido no art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966, com as novas redações dadas pelo Decretolei nº 2.472, de 01 de setembro de 1988 e pela Lei nº 12.350, de 20 dezembro de 2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é Fl. 186DF CARF MF Processo nº 11128.007924/200882 Acórdão n.º 3001000.423 S3C0T1 Fl. 186 16 requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. (...) De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. (...) Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. (...) Fl. 187DF CARF MF Processo nº 11128.007924/200882 Acórdão n.º 3001000.423 S3C0T1 Fl. 187 17 No mesmo sentido, o entendimento manifestado pela 3ª Turma da CSRF, por meio do Acórdão nº 9303003.552, de 26/04/2016, rel. Rodrigo da Costa Pôssas, cujo enunciado da ementa segue reproduzido: (...) No âmbito dos Tribunais Regionais Federais (TRF), o entendimento tem sido o mesmo. A título de exemplo, citase trechos do enunciado da ementa e do voto condutor do TRF da 4ª Região, proferido no julgamento da Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC, que seguem parcialmente transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...] Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 11128.007924/200882 Acórdão n.º 3001000.423 S3C0T1 Fl. 188 18 [...]. Também com base no mesmo entendimento, a questão tem sido decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme confirma, a título de exemplo, o recente acórdão proferido no julgamento do REsp 1613696/SC, cujo enunciado da ementa segue transcrito: O art. 107 do Decretolei 37, de 1966, por sua vez, estabelece a penalidade de multa, no caso de descumprimento da obrigação acima mencionada. Oportuno anotar, ainda, que a declaração do embarque das mercadorias é obrigação acessória e sua apresentação intempestiva caracteriza infração formal, cuja penalidade não é passível de ser afastada pela denúncia espontânea.”. Com base nessas considerações, afastase a alegada excludente de responsabilidade por denúncia espontânea, suscitada pela recorrente. Em reforço, ainda, é relevante reproduzir os preceitos dos artigos 612 e 683, o primeiro do Decreto 4.543 de 26.12.2002 e o segundo do Decreto 6.759 de 05.02.2009, Regulamento Aduaneiro, verbis: Regulamento Aduaneiro/2002 Art. 612. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (Decretolei no 37, de 1966, art. 102, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 1o). § 1o Não se considera espontânea a denúncia apresentada (Decretolei no 37, de 1966, art. 102, § 1o, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 1o): I no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; ou (...) Regulamento Aduaneiro/2009 Art. 683. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento dos tributos dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, caput, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o; e Lei nº 5.172, de 1966, art. 138, caput). § 1o Não se considera espontânea a denúncia apresentada (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, § 1º, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o): Fl. 189DF CARF MF Processo nº 11128.007924/200882 Acórdão n.º 3001000.423 S3C0T1 Fl. 189 19 I no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; ou (...) Da leitura dos enunciados normativos acima transcritos, verificase que, depois do ano de 2010, com o advento das novas redações do artigo 102 do Decretolei 37 de 1966, dadas pelo Decretolei 2.472 de 01.12.1988 e pela Lei 12.350 de 20.12.2010, em alguns casos a denúncia espontânea passou a alcançar também as multas de natureza administrativa. Entretanto, este mesmo regramento é taxativo em determinar, desde muito antes da ocorrência do fato gerador da infração que culminou na exigência da multa sob exame, que "não se considera espontânea a denúncia apresentada no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria". Da solicitação de retificação do CEMercante (i)dos fatos que embasam a presente ação fiscal A empresa recorrente solicitou, por meio de petição protocolada em 20.06.2008 retificação de informação do CE 150805101053924, conforme o relato constante do relatório fiscal anexo ao presente auto de infração, que é parte integrante e inseparável deste, a seguir reproduzido, verbis: COMUNICAÇÃO DE SOLICITAÇÃO DE RETIFICAÇÃO Ilmo. Sr. InspetorChefe da Alfândega da Receita federal do Porto de Santos. NYK Line do Brasil LTDA, CNPJ 04.658.184/000132, vem através desta comunicar que foi solicitada a retificação de moeda do THD e modalidade de pagamento da taxa TSD, conforme abaixo: CE: 150805101053924 Manifesto: 1508500856683 Escala: 08000060467 Nome do navio: Mate Data da atracação: 26/05/2008 Inicio de despacho (DI/DTA/DSI): ( x ) Não ( ) Sim nº. Item(s) nº(s): ********** (se for o caso) ALTERAÇÕES: DE: USD 2.625,00 PARA: BRL 2.625,00 DE: USD 75,00 PREPAID PARA: USD 75,00 COLLECT Fl. 190DF CARF MF Processo nº 11128.007924/200882 Acórdão n.º 3001000.423 S3C0T1 Fl. 190 20 Santos, 20 de Junho de 2008. (ii)da sanção A alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do DecretoLei no 37/66, estipula a respectiva sanção: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; (...) Portanto, como se vê, uma infração omissiva. Com a revogação do artigo 45 da Instrução Normativa RFB 800 de 2007, pela Instrução Normativa RFB 1.473 de 2014, a seguir reproduzida, instalase uma polêmica, verbis: Art. 45. O transportador, o depositário e o operador portuário estão sujeitos à penalidade prevista nas alíneas "e" ou "f" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37, de 1966, e quando for o caso, a prevista no art. 76 da Lei nº 10.833, de 2003, pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos nesta Instrução Normativa. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 1º Configurase também prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 2º Não configuram prestação de informação fora do prazo as solicitações de retificação registradas no sistema até sete dias após o embarque, no caso dos manifestos e CE relativos a cargas destinadas a exportação, associados ou vinculados a LCE ou BCE. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) Contudo, entendese que nada foi alterado quanto à responsabilidade do transportador em prestar informações e a sua consequente sanção estipulada na alínea “e”, do inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei 37 de 1966. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 11128.007924/200882 Acórdão n.º 3001000.423 S3C0T1 Fl. 191 21 Esse entendimento é respaldado na Solução de Consulta Interna nº 2 COSIT, de 4 de fevereiro de 2016, editada, ressaltese, após a decisão recorrida 16 de janeiro de 2013, cuja ementa é, verbis: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. CONTROLE ADUANEIRO DAS IMPORTAÇÕES. INFRAÇÃO. MULTA DE NATUREZA ADMTNISTRATIVOTRIBUTÁRIA. A multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas “e” e “f” do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, é aplicável para cada informação não prestada ou prestada em desacordo com a forma ou prazo estabelecidos na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. Dispositivos Legais: DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966; Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. (Grifei e negritei) A parte inicial do Relatório da referida Solução de Consulta, revela a quem se destina, verbis: Tratase de Consulta Interna (CI) nº 1, de 2 de setembro de 2015, formulada pela CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (Coana), acerca da multa de R$ 5.000,00, aplicável nos casos de não prestação de informações por parte de empresas de transporte internacional e depositários ou operadores portuários nas operações de comércio exterior, prevista no art. 107, inciso IV, alíneas “e” e “f” do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (Grifei e negritei) Imprescindível a transcrição da CONCLUSÃO, verbis: 12. Diante do exposto, solucionase a consulta interna respondendo à interessada que: a) a multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas “e” e “f” do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, é aplicável para cada informação prestada em desacordo com a forma ou nos prazos estabelecidos na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007; b) as alterações ou retificações de informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não se configuram como prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da multa aqui tratada. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 11128.007924/200882 Acórdão n.º 3001000.423 S3C0T1 Fl. 192 22 Portanto, a aplicação da multa estipulada na alínea “e”, do inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei nº 37/66 permanece aplicável à informação prestada em desacordo com a forma ou nos prazos estabelecidos na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27.12.2007. Todavia, a alínea “b” da CONCLUSÃO da Solução de Consulta Interna nº 2 COSIT de 4 de fevereiro de 2016, explicita, a meu sentir, sem margem para interpretação outra, que as alterações ou retificações de informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes, independentemente da sua espécie e qualificação, não se configuram como prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da multa aqui tratada, notadamente depois das alterações e revogações promovidas com a edição da Instrução Normativa RFB 1.473 de 02 de junho de 2014. Sendo assim, no caso dos presentes autos, em que pese a respeitável interpretação, dada para o caso e a matéria sob exame, pelo voto condutor do acórdão recorrido, entendo que a imputação da multa regulamentar não procede. Da conclusão Dessa forma, voto por conhecer do recurso voluntário interposto, para rejeitar a preliminar de nulidade suscitada, e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 193DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13804.002601/00-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998, 1999
Recurso. Defeito na Representação. Admissibilidade.
Não se admite recurso firmado por pessoa que não comprove estar regularmente investida de poderes de representação da recorrente.
Numero da decisão: 1301-003.216
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999 RECURSO. DEFEITO NA REPRESENTAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Não se admite recurso firmado por pessoa que não comprove estar regularmente investida de poderes de representação da recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 26 01 /0 0- 07 Fl. 144DF CARF MF Processo nº 13804.002601/0007 Acórdão n.º 1301003.216 S1C3T1 Fl. 145 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por REIPLAS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MATERIAL ELÉTRICO LTDA., já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 1631.021, da 2ª Turma da DRJ São Paulo I, que negou provimento à manifestação de inconformidade da recorrente, mantendo a decisão da Derat SP, que reconheceu em parte o crédito pleiteado e, até esse valor, homologou as compensações declaradas. A contribuinte havia pedido, a título de saldo negativo de IRPJ, R$ 460.856,66 e R$ 450.310,26 apurados em 1998 e 1999 respectivamente. A Derat reconheceu o direito creditório de R$ 394.348,61 para ano base 1998 e R$ 438.060,60 para o ano base 1999. A Derat SP assim se manifestou: Relativamente ao anocalendário de 1998 o contribuinte às fls. 02 elaborou uma planilha onde constou como IRRF recolhido o valor de R$ 460.856,66; porém após se analisar o sistema online às fls. 22, verificase que o valor declarado é de R$ 394.348,61. Observase que as receitas oferecidas à tributação (ficha 07 fls. 20) justificam o IRF constante no extrato de fls. 22 e que não foi apurado IR devido ( ficha 13 fls. 21), resultando assim saldo credor de IRPJ (linha 17 e 26) no mesmo montante do IRF lançado na linha 13 Base legal da alteração de ofício: art. 147 § 2º da Lei Complementar n° 5.172/66 CTN. Quanto ao anocalendário de 1999 o contribuinte, às fls. 04, relacionou como IRRF o valor de R$ 450.310,26. Entretanto, ao se analisar o sistema online SRF SIEF anexado às fls. 24, verificouse que foi comprovado o valor de R$ 438.060,60. Observase que as receitas oferecidas à tributação no ano de 1999 (ficha 07A fls. 23) justificam o IRF constante no extrato IR SIEF de fls. 24 e que não foi apurado IR devido (ficha 13 A fls. 25), resultando assim saldo credor de IRPJ (linha 18) no mesmo montante do IRF lançado na linha 13 Base legal da alteração de ofício: art. 147 § 2º da Lei Complementar n.° 5.172/66. (fls. 30 e 31 do processo 10880.725836/200952 em apenso) A recorrente, não concordando com o despacho decisório, apresentou manifestação de inconformidade, que foi indeferida pela DRJ SP1, em acórdão assim resumido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada da apresentação de prova inequívoca amparada por documentação hábil e idônea, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que seja aferida sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 13804.002601/0007 Acórdão n.º 1301003.216 S1C3T1 Fl. 146 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório não Reconhecido Não resignada, REIPLAST INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MATERIAL ELÉTRICO LTDA. interpôs recurso. Alegou nulidade do despacho decisório por falta de comprovação de que o direito ao crédito não era aquele pleiteado pela recorrente. Também apontou nulidade na decisão recorrida, que não se baseou em provas. Aduziu que é dever do Fisco demonstrar, através de documentos irrefutáveis, a ocorrência da suposta ilegalidade do pedido de restituição. Concluiu dizendo que o ônus de demonstrar qualquer ilegalidade supostamente praticada pela recorrente é do Fisco, sob pena de serem nulas suas conclusões. No caso concreto, não teria havido tal demonstração, o que faz com que mereçam fé o pedido e as informações formuladas pela recorrente. Em despacho de saneamento (fls. 133 e 134), o Conselheiro Flávio Franco Correa constatou defeito na representação da recorrente e propôs o retorno dos autos para sanar o vício. Eis o teor do despacho: "Sr. Presidente da 1a Turma Ordinária / 3a Câmara / 1ª Seção O processo n° 10880.725836/200952 é apenso a este. No entanto, os documentos mais importantes à solução do litígio estão anexados ao processo apenso: pedido de restituição, DIPJ (cópia), contrato social (cópia), despacho decisório, manifestação de inconformidade, acórdão da DRJ, recurso voluntário. Em face do exposto, todas as referências abaixo dizem respeito a documentos do processo n° 10880.725836/200952. Feitas, desse modo, as necessárias advertências, avançase à questão preliminar sobre a regularidade da representação dos advogados que subscrevem a peça recursal. Percebase: 1) a procuração à fl 50 [numeração eletrônica, fl. 59], passada aos advogados Renato de Luizi Júnior e Frederico Santiago Loureiro de Oliveira, data de 03/07/2009; 2) por sua vez, o recurso voluntário de fls. 81/91 (numeração eletrônica) ingressou na repartição preparadora no dia 22/06/2011, conforme fl. 81 (numeração eletrônica), assinado pelos citados advogados com a data de 21/06/2011, à fl. 91 (numeração eletrônica). Portanto, entre a procuração precitada e a entrega do recurso voluntário àquela unidade administrativa transcorreu o lapso temporal de um ano e nove meses; 3) entretanto, no contrato social da sociedade empresária ora recorrente, às fls. 51/58 [numeração eletrônica, fls. 60/67], consta, no parágrafo 3o da cláusula 6a, à fl. 55 [numeração eletrônica, fl. 64], que o prazo de validade dos instrumentos de outorga de mandato é de um ano, contado da data de outorga. Diante disso, proponho que se remetam os autos à Delegacia de origem com a rogativa de que se intime a fiscalizada a comprovar que os referidos advogados estavam investidos do poder de representála perante este Conselho, no dia do ingresso do antedito recurso voluntário na repartição preparadora." Fl. 146DF CARF MF Processo nº 13804.002601/0007 Acórdão n.º 1301003.216 S1C3T1 Fl. 147 4 Os autos foram remetidos à unidade local, de onde retornaram com a seguinte informação: Retorno o processo ao CARF, para prosseguimento, ressaltando que, tendo sido esgotado o prazo concedido na intimação, o contribuinte não apresentou os documentos solicitados. (g.n.) (fl. 141) É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator A admissibilidade do recurso depende de alguns requisitos, entre eles a regularidade da representação. É preciso que a pessoa que assina a peça recursal demonstre estar investida de poderes para tanto. No caso em exame, constatouse que existe uma cláusula do contrato social da recorrente que limita a vigência da procuração a um ano. Confirase: Parágrafo Terceiro A sociedade poderá fazerse representar em juízo e fora dele, por procurador ou procuradores, "ad judicia" ou "ad negotia", os quais terão os poderes que forem fixados nos respectivos instrumentos de mandato, sendo que o instrumento de mandato será sempre firmado pelo Diretor Presidente ou, na sua ausência, pelo Diretor VicePresidente, e vigorarão por prazo de 01 (um) ano, no máximo, contado da respectiva outorga. Percebendo que o mandato, aparentemente, tinha perdido a vigência, o Conselheiro Flávio Franco Corrêa solicitou que a recorrente comprovasse que os signatários do recurso estavam investidos de poderes para representála. Entretanto a recorrente, posto que intimada, deixou transcorrer o prazo sem qualquer manifestação, nem mesmo para ratificar os termos do recurso. Portanto, ausente um dos requisitos de admissibilidade, este colegiado não pode conhecer do recurso. Porém, a título de obiter dictum, se o recurso fosse admitido, o exame de mérito seria contrário à recorrente. É que o objeto da controvérsia gira em torno da existência de parte dos saldos negativos de IRPJ dos anos de 1998 e 1999. A Derat, embora tendo reconhecido grande parte do crédito pleiteado, glosou, em cada período, um valor ao argumento de que não havia prova da retenção, nem de que a receita correspondente havia sido oferecida à tributação. A recorrente, ao invés de apresentar os comprovantes de retenção e a escrita comercial e fiscal a fim de demonstrar que as receitas tinham sido contabilizadas e oferecidas à Fl. 147DF CARF MF Processo nº 13804.002601/0007 Acórdão n.º 1301003.216 S1C3T1 Fl. 148 5 tributação, preferiu alegar que o ônus da prova era do Fisco que, no caso, deveria fazer prova de fato negativo: provar que não houve retenção de IR. Existe, por parte da recorrente, uma nítida falta de compreensão acerca do ônus da prova. É certo que no lançamento de crédito tributário, mediante auto de infração, a prova do fato gerador incumbe ao Fisco. Mas é diferente em se tratando de compensação e restituição. Aqui o ônus da prova do fato constitutivo do pretenso direito de crédito cabe àquele que bate às portas do Fisco, pleiteando a devolução de uma quantia que teria sido vertida indevidamente aos cofres públicos. É errôneo acreditar que basta ao contribuinte pedir restituição, para que o simples requerimento transfira ao Fisco o ônus de provar que o direito não existe. O ônus da prova é de quem alega o fato. Por conseguinte, uma vez indeferida parcialmente a restituição pela Derat SP, a recorrente já deveria, na manifestação de inconformidade, ter exibido as provas documentais do suposto direito. Não agindo assim, a pretensão deve ser indeferida. Conclusão Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 148DF CARF MF
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Numero do processo: 13839.912650/2009-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 31/10/2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
I - Em processo de compensação tributária, ao contribuinte, enquanto autor do pedido de compensação, incumbe a prova da existência do crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional ao tempo da transmissão da DCOMP (Lei n° 9.784, de 1999, arts. 36 e 69; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, I; e Lei nº 13.105, de 2015, arts. 15 e 373, I), data em que a compensação tributária se efetiva sob condição resolutória. II - A simples apresentação de DCTF retificadora, ainda que acompanhada de DARF, não se constitui em prova de pretenso erro, sendo a retificação da DCTF ineficaz por caber ao contribuinte (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; e Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II) o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame da DCTF. III - O princípio da verdade material não pode ser invocado para se afastar o ônus jurídico de o contribuinte instruir a manifestação de inconformidade com suas provas documentais (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°; e Lei n° 9.430, art. 74, §11), sob pena de ofensa aos princípios da legalidade, da colaboração dos contribuintes e da duração razoável do processo.
Numero da decisão: 2401-005.647
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
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DCOMP. ÔNUS DA PROVA. I Em processo de compensação tributária, ao contribuinte, enquanto autor do pedido de compensação, incumbe a prova da existência do crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional ao tempo da transmissão da DCOMP (Lei n° 9.784, de 1999, arts. 36 e 69; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, I; e Lei nº 13.105, de 2015, arts. 15 e 373, I), data em que a compensação tributária se efetiva sob condição resolutória. II A simples apresentação de DCTF retificadora, ainda que acompanhada de DARF, não se constitui em prova de pretenso erro, sendo a retificação da DCTF ineficaz por caber ao contribuinte (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; e Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II) o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame da DCTF. III O princípio da verdade material não pode ser invocado para se afastar o ônus jurídico de o contribuinte instruir a manifestação de inconformidade com suas provas documentais (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°; e Lei n° 9.430, art. 74, §11), sob pena de ofensa aos princípios da legalidade, da colaboração dos contribuintes e da duração razoável do processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 91 26 50 /2 00 9- 35 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 13839.912650/200935 Acórdão n.º 2401005.647 S2C4T1 Fl. 142 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo, que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE Manifestação de Inconformidade apresentada contra Despacho Decisório que NÃO HOMOLOGOU compensação do crédito original (utilizado) no valor de R$ 85,39, a partir de pretenso Pagamento Indevido/a Maior de Imposto de Renda Retido na Fonte (cód 0422, PA 31/10/2006) veiculado na PER/DCOMP 37722.36128.301106.1.3.043468, em razão de o pagamento ter sido utilizado na extinção de débitos declarados em DCTF. Intimado do Despacho Decisório em 15/09/2009, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 15/10/2009 alegando, em síntese: a) O recolhimento do IRRF incidente sobre e assistência técnica (Cód. 0422), no importe de R$ 23.066,77 em 31/10/2006 referente a uma eventual e futura prestação de serviços por terceiro, fato este que não aconteceu. b) Parte de tal crédito foi utilizado na PER/DCOMP n 03773.60297.291106.1.3.046985, restando valor aproveitado na PER/DCOMP objeto do presente processo. Em 22/05/2014, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente. Do Acórdão, em síntese, se extrai: a) O recolhimento noticiado encontrase integralmente alocado ao débito de IRRF (Código de Receita 0422) especificado do despacho decisório. O contribuinte efetuou a transmissão da DCTF retificadora após a ciência do despacho decisório. b) A matéria em litígio exigia do requerente a apresentação de amplo conjunto probatório à plena demonstração da pertinência do crédito reivindicado, entre os quais: (i) cópia integral dos Contratos de Licença de Transferência e Exploração de Tecnologia e seus aditivos depositados no INPI, acompanhados dos correspondentes Certificados de Averbação naquele órgão de registro; (ii) cópias das faturas (invoice) de prestação de serviço; e (iii) cópias das operações de fechamento de câmbio destinadas ao pagamento das operações de royalties e dos Registros Declaratórios Eletrônicos – RDE correlatos (CartaCircular Bacen nº 2.816, de 15/04/1998), tudo devidamente acompanhado de todo acervo documental suplementar, se for o caso, e da escrituração contábil (contas patrimoniais e de resultado) que permitam a averiguação das alusões que propugnam o lapso no preenchimento da DCTF (CTN, art. 165, I). Documentos em língua estrangeira devem observar a Fl. 142DF CARF MF Processo nº 13839.912650/200935 Acórdão n.º 2401005.647 S2C4T1 Fl. 143 3 disciplina do art. 224 do Código Civil, do art. 157 do Código de Processo Civil, dos arts. 129 e 148 da Lei nº 6.015, de 31/12/1973 (Lei de Registros Públicos). c) O apoio de defesa pautado em meras alegações não tem a força de Verdade Material em sede dos ritos e formalidades disciplinados para o Processo Administrativo Fiscal (Decreto n° 70.235, de 1972, arts. 15 e 16, III e § 4°). A comprovação da verdade material relacionada ao direito creditório sob litígio, bem como o ônus da prova, devem obedecer aos ditames fixados no art. 9º, §1º do DecretoLei nº 1.598, de 1977, regulamentado pelo art. 923 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), condições estas que não ficaram configuradas no momento do ingresso da manifestação de inconformidade. Cientificado em 27/06/2014, o contribuinte interpôs em 24/07/2014 recurso voluntário, em síntese, alegando: a) A empresa apresentou impugnação alegando pagamento antecipado de IRRF sobre Royalties e Assistência Técnica, referente a uma eventual e futura prestação de serviços por terceiro, fato que não aconteceu a caracterizar o pagamento indevido. b) Ainda que os documentos apresentados com a manifestação de inconformidade fossem insuficientes, o julgador não poderia decidir mediante simples aplicação do ônus da prova, sob pena de ofensa ao princípio da verdade material. Cabia diligência para que o contribuinte complementasse a documentação ou apresentasse esclarecimentos (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 18) Doutrina e jurisprudência respaldam esse entendimento. O mesmo dever jurídico se impõe ao CARF. A documentação acostada com a manifestação de inconformidade já era suficiente. Mas, para não haver dúvidas apresenta documentação complementar. c) Pede a reforma integral do Acórdão da DRJ, bem como o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação. Por fim, requer diligência caso seja necessária. É o Relatório. Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Presentes os pressupostos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. O princípio da verdade material não pode ser invocado para se afastar o ônus jurídico de o contribuinte instruir a manifestação de inconformidade com suas provas documentais (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°; e Lei n° 9.430, art. 74, §11), sob Fl. 143DF CARF MF Processo nº 13839.912650/200935 Acórdão n.º 2401005.647 S2C4T1 Fl. 144 4 pena de ofensa aos princípios da legalidade, da colaboração dos contribuintes e da duração razoável do processo. Com lastro no art. 18 do Decreto n° 70.235, de 1972, a autoridade julgadora pode realizar diligência de ofício, mas tratase de providência complementar à instrução probatória e não destinada a retirar das partes o ônus de provar suas alegações. Esse entendimento tem prevalecido no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como bem ilustram as seguintes ementas: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. (Processo n° 10120.907657/200933; Acórdão nº 3001000.312 – 3ª Seção/Turma Extraordinária/1ªTurma; Sessão de 11 de abril de 2018) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. NÃO APRESENTAÇÃO DE INFORME DE RENDIMENTOS. PEDIDO DE DILIGÊNCIA REJEITADO. Nos autos do processo de compensação tributária, o contribuinte é autor do pedido de compensação tributária. O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito creditório pleiteado, consoante Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015, art. 373, I) de aplicação subsidiária ao processo administrativo tributário federal, e com observância do Decreto nº 70.235/72 (arts. 15 e 16). Incumbe ao contribuinte a demonstração, acompanhada das provas hábeis e idôneas, da existência do crédito que alega possuir contra Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 13839.912650/200935 Acórdão n.º 2401005.647 S2C4T1 Fl. 145 5 Os requisitos ou atributos de liquidez e certeza quanto ao crédito objetado contra a Fazenda Nacional devem estar preenchidos ou satisfeitos quando da transmissão da DCOMP, data em que a compensação tributária se efetiva, sob condição resolutória. A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. (Processo n° 10880.997365/200982; Acórdão nº 1301002.908 – 1ª Seção/3ªCâmara/1ªTurma Ordinária; Sessão de 16 de março de 2018) Acrescentese que a simples apresentação de DCTF retificadora, ainda que acompanhada de DARF, não se constitui em prova de pretenso erro. A retificação da DCTF é ineficaz, pois cabe ao contribuinte o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame da DCTF (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II1). Novamente, invocase atual e iterativa jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Processo n° 15374.903703/200886; Acórdão nº 2201004.420 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária; Sessão de 04 de abril de 2018) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF 1 Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Lei n° 5.869, de 1973 Código de Processo Civil REVOGADO Art. 333. O ônus da prova incumbe: II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Lei n° 13.105, de 2015 Código de Processo Civil VIGENTE Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. Art. 373. O ônus da prova incumbe: II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 13839.912650/200935 Acórdão n.º 2401005.647 S2C4T1 Fl. 146 6 Exercício: 2010 MERA ALEGAÇÃO DE ERRO MATERIAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCTF. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A alegação de que houve erro material no preenchimento da DCTF, mesmo que posteriormente retificada, e que determinado débito de IRRF teria sido pago a maior, não é suficiente para assegurar que tenha sido, de fato, maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, de modo a justificar a existência de direito creditório. É imprescindível a apresentação de prova cabal e inconteste do alegado erro material. (Processo n° 16327.910429/200919; Acórdão nº 2201004.442 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária; Sessão de 04 de abril de 2018) Destarte, incumbe ao contribuinte a prova da existência do crédito liquido e certo contra a Fazenda Nacional ao tempo da transmissão da DCOMP (Lei n° 9.784, de 1999, arts. 36 e 69)2, data em que a compensação tributária se efetiva, sob condição resolutória. Além disso, em procedimento de análise da compensação do crédito, é do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo, ou seja, do alegado erro na DCOMP original (Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II). Portanto, não tendo o requerente se desincumbindo de seu ônus probatório, correta a decisão veiculada no Acórdão de piso ao compreender como não provados os pressupostos de existência e validade do crédito postulado e como não comprovada sua disponibilidade para amparar o exercício da compensação declarada. As provas documentais do contribuinte devem ser apresentadas com a manifestação de inconformidade (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°)3. Em homenagem ao princípio da verdade material, se admite a juntada após a manifestação de inconformidade nas hipóteses das alíneas a, b e c do § 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, mediante requerimento à autoridade julgadora de primeira instância devidamente fundamentado (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, §5°)4 ou, após a decisão de primeira 2 Lei n° 9.784, de 1999. Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. 3 Decreto n° 70.235, de 1972. Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) 4 Decreto n° 70.235, de 1972. Art. 16 (...) Fl. 146DF CARF MF Processo nº 13839.912650/200935 Acórdão n.º 2401005.647 S2C4T1 Fl. 147 7 instância, mediante juntada aos autos e a instruir recurso (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, §6°)5, devendo, a rigor, se observar as mesmas hipóteses das alíneas do referido § 4° (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, §§ 4°, 5° e 6°). No caso concreto, não restou demonstrada nenhuma das situações previstas nas alíneas a, b e c do §4° do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972. Por conseguinte, a documentação que instrui o recurso voluntário não mereceria ser conhecida como prova do contribuinte. Ainda que se entenda que o princípio da verdade material autoriza o julgador a conhecer de ofício de tais documentos, eles não têm o condão de comprovar as alegações do contribuinte, como a seguir será demonstrado. Além disso, eventual diligência a ser promovida com lastro em tais documentos não versaria sobre questões pontuais a serem esclarecidas por quesitos específicos (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, IV), mas na simples intimação do contribuinte para que produzisse prova que legalmente já deveria ter instruído a manifestação de inconformidade (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, §4°). Logo, não é cabível a conversão do presente julgamento em diligência. O recurso foi instruído com procuração, cópia do contrato social, cópias dos Termos de Abertura e Encerramento dos Livros Diário 036 a 042 e do que supostamente seriam algumas páginas desses livros; cópia de Contrato de Licença firmado em 01/04/2007; e cópia de Certificado de Averbação INPI 070437/01 com prazo de cinco anos a partir de 27/12/2007. De plano, ressaltese que a integralidade dos Livros Diário pertinentes às alegações do contribuinte deveriam ter sido apresentada para se comprovar todos os montantes efetivamente escriturados como pagos a título de Royalties e todos os valores retidos e recolhidos, bem como excertos dos Livros Razão com as contas pertinentes. Os Termos de Abertura e Encerramento apresentados em cópia com o recurso voluntário foram datados e firmados entre junho e dezembro de 2006, tendo sido levados a registro em 2007 e em Cartório de Registro de Pessoas Naturais. As cópias do que se supõe serem folhas escolhidas desses livros atestam como data de elaboração os dias 25, 28 ou 29 de 05/2007 ou 04/06/2007. Logo, as folhas dos livros teriam sido elaboradas após a data de conclusão dos mesmos, constante dos respectivos Termos de Encerramento. Diante da impossibilidade jurídica de um Livro Diário ser confeccionado após a data de lavratura de seu termo de encerramento, tais documentos são destituídos de valor probatório. Acrescentese ainda que, além de não se ter apresentado a integralidade dos Livros Diários, não foi exibido o Plano de Contas e os históricos dos lançamentos são § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) 5 Decreto n° 70.235, de 1972. Art. 16 (...) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 147DF CARF MF Processo nº 13839.912650/200935 Acórdão n.º 2401005.647 S2C4T1 Fl. 148 8 extremamente lacônicos e/ou codificados não havendo como os compreender adequadamente estando desacompanhados dos documentos que lhes deram suporte. O Contrato de Licença (em inglês e vernáculo sem tradução juramentada, não há como se afirmar com segurança serem duas versões de um mesmo contrato) e o Certificado de Averbação apresentados, como reconhece a própria recorrente teriam validade de cinco anos a contar de 27/12/2007. Como consta da PER/DCOMP e do DARF, o IRRF 0422 se refere ao período de apuração 31/10/2006. Os poucos documentos apresentados não permitem se concluir acerca dos valores que deveriam ter sido retidos e recolhidos em relação ao período de apuração e nem delimitar na esfera dos fatos concretos o alegado erro (antecipação de pagamento e inocorrência do fato gerador). Como bem destacou o Acórdão da DRJ, todos os Contratos de Licença e Contratos de Câmbio celebrados pelo contribuinte; os Certificados de Averbação INPI; invoices; DARFs; Livros e Demonstrações Contábeis etc, bem como os devidos esclarecimentos para se explicitar em tal documentação os fatos dela alegados, deveriam ter sido apresentados desde a manifestação de inconformidade. As provas constantes dos autos são incapazes de gerar a convicção acerca dos fatos e argumentos alegados, não tendo o recorrente se desincumbido de seu ônus probatório. Isso posto, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator Fl. 148DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000898/2006-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: INCENTIVOS FISCAIS. COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL.
A exigência de comprovação de regularidade fiscal, com vistas ao gozo do beneficio fiscal, deve se ater ao período a que se referir a DIPJ na qual se deu a opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos correspondentes, admitindo-se a prova de quitação ou regularidade em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto 70.235/72. (Súmula CARF 37).
Numero da decisão: 1301-000.624
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recursovoluntário.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
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(sucessora de ITAUCARD ADM DE CARTOES DE CRED IMOBILIARIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL INCENTIVOS FISCAIS. COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. A exigência de comprovação de regularidade fiscal, com vistas ao gozo do beneficio fiscal, deve se ater ao período a que se referir a DIPJ na qual se deu a opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos correspondentes, admitindose a prova de quitação ou regularidade em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto 70.235/72. (Súmula CARF 37). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recursovoluntário. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Guilherme Polastri Gomes da Silva. Declarouse impedido o Conselheiro Valmir Sandri. Fl. 172DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/ 08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — Perc relativo ao anocalendário de 2002, protocolizado em 30/06/2006 (fls.02). Conforme dados constantes da "Ficha 29 — Aplicações em Incentivos Fiscais" da Declaração de Rendimentos (fls.20), a contribuinte destinou parcela do imposto de renda recolhido para aplicação no FINOR. A solicitação do PERC foi motivada porque os incentivos fiscais destinados na Declaração de Rendimentos não foram emitidos pela Receita Federal, conforme demonstra a cópia do Extrato de Aplicações em Incentivos Fiscais de fls.32. Ocorre que o pedido de revisão em tela foi indeferido, de acordo com despacho decisório da DIORT/DEINF/SP de 23/08/2006 (fIs.91/94), nos seguintes termos: "(.) DECIDO INDEFERIR o pedido de revisão de ordem de emissão adicional de incentivos fiscais relativo ao IRPJ/2003, formulado pelo interessado, em decorrência da vedação legal estabelecida: pelo art. 60 da Lei n°9.069/95 e pelo inciso II, art. 6° da Lei n°10.522/2002". Irresignada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, protocolizada em 03/10/2006 (fls.97/101), alegando em síntese que: “Analisando a listagem fornecida pela Secretaria da Receita Federal, datada de 22/08/2006, que embasou o indeferimento em questão, verificase que todos os supostos débitos foram devidamente justificados e não podem impedir a liberação do incentivo fiscal, conforme se demonstrado nesta defesa.” A autoridade julgadora de primeira instância decidiu a matéria por meio do acórdão 1620.039, de 12/01/2009 (fls. 135), indeferindo o pleito, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 INCENTIVO FISCAL. FINOR. REQUISITOS. A falta de comprovação da quitação de tributos e contribuições federais pelo contribuinte, bem como sua inscrição no CADIN, impedem o reconhecimento ou a concessão de benefícios ou incentivos fiscais. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 173DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/ 08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.000898/200677 Acórdão n.º 1301000.624 S1C3T1 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. A questão posta ao conhecimento do Colegiado cingese ao exame do indeferimento do pedido de revisão da ordem de emissão de incentivos fiscais — PERC em razão da situação irregular da contribuinte perante os órgãos fazendários (RFB, PGFN e CADIN). Constatase dos autos, que as pendências que resultaram no indeferimento da Manifestação de Inconformidade, restringemse aos seguintes processos, transcrevo: Do DÉBITO EM COBRANÇA NO SISTEMA SIEF No que se refere A alegação de que o débito em cobrança no sistema SIEF apontado As fls.75 estaria suspenso por depósito judicial, a contribuinte não juntou aos autos provas documentais que amparassem tal argumento. A manifestante se limitou a apresentar a cópia do comprovante de recolhimento de fls.121, sem, no entanto, explicitar de maneira clara e objetiva qual seria a eventual correlação entre o recolhimento em questão e o débito apontado pelo sistema SIEF. Ademais, a contribuinte não trouxe aos autos qualquer peça referente ao mandado de segurança a que faz referência, e nem ao menos apresentou uma certidão de objeto e pé referente àquela lide judicial. Sendo assim, não é possível concluir que o débito em tela estaria suspenso por medida judicial. DAS INSCRIÇÕES EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO No que tange aos processos administrativos 16327.000452/200481 (inscrição na Divida Ativa da União n° 8060605170000) e 10680.017133/99 06 (inscrições na Divida Ativa da Unido n° 8070604030457 e 8020607809726), em relação aos quais a contribuinte apresentou os documentos de fls.122/124, alegando que os créditos tributários em questão estariam depositados judicialmente, cumpre inicialmente destacar que a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) têm competências distintas em relação ao controle dos créditos tributários. No que tange A verificação da regularidade fiscal de contribuintes, cada órgão (RFB e PGFN) efetuará a análise em relação as pendências existentes na sua esfera de competência, sendo que, para que haja a comprovação de regularidade fiscal, é necessário que não existam óbices em ambos os órgãos. Fl. 174DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/ 08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Portanto, conforme já esclarecido, os respectivos débitos inscritos em divida ativa são de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional, cabendo a ela se manifestar a seu respeito. DA INSCRIÇÃO NO CADIN Cumpre ressaltar que a manifestante não faz nenhuma menção A inscrição no CADIN apontada pelo despacho decisório, conforme o relatório de fls.90, motivo que, por si só, é suficiente para determinar a irregularidade fiscal da contribuinte, nos termos do inciso II, do art. 6°, da Lei no 10.522/2002. Fica claro, assim, que os fundamentos do despacho decisório permaneceram inalterados, pois a contribuinte não demonstrou que estaria regular na data de 23/08/2006. Ressaltese que a opção pela aplicação em incentivos fiscais é formalizada na declaração de rendimentos e só se transforma em investimentos, com o direito aos certificados correspondentes, a partir do momento da concordância da SRF com a opção formalizada. A emissão do extrato representa um ato administrativo da Secretaria da Receita Federal e que tem por objetivo informálo a respeito da confirmação ou não da opção pelos incentivos fiscais. O art. 60 Lei n° 9.069/95 estabelece como condição para a concessão do incentivo a comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais. O dispositivo está assim redigido: Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Para a solução da lide fazse necessário identificar qual o momento em que o sujeito passivo deveria provar sua regularidade fiscal com o fito de aproveitar o beneficio fiscal para o qual fez a opção, sob pena de impossibilitar ao sujeito passivo efetuar a prova de tal regularidade. Em primeiro plano, cumpre ressaltar que esta matéria encontrase pacificada , através da Súmula CARF n° 37, publicada no DOU em 17/07/2010, de aplicação obrigatória, haja vista seu caráter vinculante, nos termos abaixo transcritos: “Súmula CARF no. 37: IRPJ – Incentivos Fiscais Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova de quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto no. 70.235/72.” Defendese o contribuinte no recurso interposto argumentando, em síntese que: A interpretação dada pela DRJ é a de que o momento exato corresponde a data do julgamento do processo, ou seja não importa se no anocalendário em que se Fl. 175DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/ 08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.000898/200677 Acórdão n.º 1301000.624 S1C3T1 Fl. 3 5 pleiteou tal incentivo o contribuinte possuía certidão negativa, bem como não importa se na data em que protocolou seu Pedido de Revisão de Incentivo Fiscal o contribuinte possuía certidão negativa. 0 E. Conselho de Contribuintes se manifestou sobre o assunto: "PERC. REGULARIDADE FISCAL. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. Descabe o indeferimento do PERC quando a alegada irregularidade fiscal não é contemporânea, mas posterior a opção pelo beneficio fiscal. Recurso Provido."(Acórdão 10516164, 5" Câmara do I" Conselho de Contribuintes). "INCENTIVO FISCAL — PERC — PRAZO PARA COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL — A lei não fixou prazo para o contribuinte comprovar a sua regularidade fiscal. Identificandose débitos nos sistemas de controle da SRF, a fiscalização deverá intimar o interessado para o cumprimento de tal requisito. (Acórdão 10322338, do 1o. Conselho de Contribuintes).” Todavia, o Recorrente a fim de comprovar que não possui pendências impeditivas da concessão do incentivo fiscal pleiteado, anexa ao presente Recurso cópia da Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa (doc. 03), a qual comprova que os débitos apontados estão com a sua exigibilidade suspensa.. De fato, constatase desses autos, que o contribuinte fez prova de que os débitos verificados nos controles internos estão garantidos ou com exigibilidade suspensa. Prova disso, vêse na Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa (doc. de fls.166), emitida em 04/02/2009, que a meu ver, por si só, faz desaparecer as pendências que impediam o reconhecimento do incentivo. Por todo o exposto voto por dar provimento ao recurso interposto. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 176DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/ 08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 11075.002314/2007-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Considera-se preclusa a discussão de matéria que não tenha sido impugnada pelo contribuinte.
SIMPLES FEDERAL. OMISSÃO DE RECEITAS.
A verificação de diferença na base de cálculo, representada por omissão de receita, ainda que proveniente de atividade estranha ao objeto social da empresa, constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração para a constituição dos tributos que deixaram de ser recolhidos na sistemática do SIMPLES.
Numero da decisão: 1201-002.277
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
EDITADO EM: 30/06/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considera-se preclusa a discussão de matéria que não tenha sido impugnada pelo contribuinte. SIMPLES FEDERAL. OMISSÃO DE RECEITAS. A verificação de diferença na base de cálculo, representada por omissão de receita, ainda que proveniente de atividade estranha ao objeto social da empresa, constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração para a constituição dos tributos que deixaram de ser recolhidos na sistemática do SIMPLES.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli - Relator. EDITADO EM: 30/06/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1459; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11075.002314/200774 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201002.277 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de junho de 2018 Matéria OMISSAO DE RECEITAS Recorrente WEBER TRANSPORTES DE CARGAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considerase preclusa a discussão de matéria que não tenha sido impugnada pelo contribuinte. SIMPLES FEDERAL. OMISSÃO DE RECEITAS. A verificação de diferença na base de cálculo, representada por omissão de receita, ainda que proveniente de atividade estranha ao objeto social da empresa, constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração para a constituição dos tributos que deixaram de ser recolhidos na sistemática do SIMPLES. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. EDITADO EM: 30/06/2018 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 00 23 14 /2 00 7- 74 Fl. 2918DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Autos de Infração de IRPJ e Reflexos (fls. 7/119), referentes aos anoscalendário de 2002 a 2006, em razão de omissão de receitas apuradas no contexto do Simples Federal. De acordo com o Relatório de Atividade Fiscal (fls. 120/178): Através do Termo de Início de Ação Fiscal, foi intimada a apresentar a escrituração comercial e fiscal relativa ao período fiscalizado, bem como uma série de documentos de interesse da fiscalização para a execução do procedimento fiscal. Em atendimento ao referido termo fiscal, o sóciogerente da fiscalizada, João Henrique Weber Martins, declarou que não elaborava escrituração das atividades da empresa, conforme consta no Termo de Declaração de 15/12/2006: “Quanto aos Livros Caixa solicitados no Termo de Inicio de Ação Fiscal declarou que não elaborava os mesmos e por isso estava impossibilitado de apresentálos." A falta de realização de escrituração das atividades da fiscalizada, e a conseqüente impossibilidade de a mesma prestar ao Fisco, de forma completa e concatenada, as informações relativas aos negócios e atividades da empresa e a sua movimentação financeira de recursos, consiste em razão imperativa para que se proceda a EXCLUSÃO DE OFÍCIO da fiscalizada do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, consoante o que dispõe o art. 14, ll, da Lei n° 9.317, de 05/12/1996: "Art. 14. A exclusão darseá de oficio quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: () II embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiver obrigada, bem assim pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros quando intimado e demais hipóteses que autorizam a requisição de auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Sistema Tributário Nacional); [...] Fl. 2919DF CARF MF Processo nº 11075.002314/200774 Acórdão n.º 1201002.277 S1C2T1 Fl. 3 3 Neste contexto, entende esta fiscalização que, pelas razões expostas, deve a fiscalizada ser excluída de oficio do SIMPLES. [...] Por outro lado, será providenciada oportunamente a exclusão da fiscalizada do referido regime simplificado de tributação, em processo a ser formalizado de forma apartada do que se refere a exigência fiscal. [...]apurouse que, a partir do ano calendário de 2002, a fiscalizada pouco operou no ramo de atividade para o qual foi constituída, realizando uma pequena quantidade de operações de transporte internacional que, exclusivamente, restringiramse a travessia de cargas na fronteira SÃo TOMÉ (ARG) _ sÃo BORJA (BRA). Tal fato pode ser verificado analisandose os Manifestos Internacionais de Cargas Rodoviárias (MICS) e os Conhecimentos de Transporte Internacional por Rodovias (CRTS), apresentados pela fiscalizada, cujas cópias foram juntadas ao processo (Anexo ll). O próprio sóciogerente da fiscalizada declarou tal fato a fiscalização, conforme consta no Termo de Declaração de 05/07/2007: “Que, quanto a realização de operações de Transporte Internacional de Cargas por conta e risco da Weber Transportes de Cargas Ltda, foram poucos os Fretes realizados, os quais normalmente consistiram no transporte de cargas entre as cidades de São Boija (BRA RS) e São Thomé (ARG)". Por outro lado, no mesmo período, muito mais numerosas foram as operações da fiscalizada relativas a LOCAÇÃO de sua LICENÇA INTERNACIONAL PARA TRANSPORTE DE CARGAS, as quais, a partir do ano de 2002, consistiram na fonte de receitas mais relevante da empresa, conforme podese verificar nos Instrumentos Particulares de Contratos de Locação de Veículos, apresentados pela fiscalizada, cujas cópias foram juntadas ao processo (Anexo I). Conforme, comentarseá adiante, os referidos instrumentos, na verdade, não registram operações de LocAÇÃo DE VEICULOS, mas sim operações de LocAÇÃo DE LICENÇA INTERNACIONAL PARA TRANSPORTE DE CARGAS. Assim, em primeira instância, entende esta fiscalização que, pela relevância quantitativa das operações realizadas pela fiscalizada, a partir do ano de 2002, relativas a LOCAÇÃO DE LICENÇA INTERNACIONAL PARA TRANSPORTE DE CARGAS, as receitas delas decorrentes, caracterizamse como RECEITAS DA ATIVIDADE da fiscalizada. Isto pois, embora a referida atividade não conste nos atos constitutivos da fiscalizada como sendo um de seus objetivos sociais (e nem poderia constar visto que alugar a terceiros a permissão para o transporte internacional de cargas, que é concedida pelo Estado em caráter individual ao permissionário Fl. 2920DF CARF MF 4 que preenche os requisitos fixados na legislação, é obviamente ILEGAL), é inegável que, a partir do ano de 2002, a principal atividade e fonte de recursos da fiscalizada consistia justamente na realização de operações de LOCAÇÃO de sua LICENÇA INTERNACIONAL PARA TRANSPORTE DE CARGAS. Neste contexto, a atividade de transporte rodoviário de cargas nacionais e internacionais, relativa ao objeto social constituído da fiscalizada passou, a partir do ano de 2002, a ser secundária. Desta forma, diante do que foi exposto, a fiscalização, ao proceder a apuração da base de cálculo do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, relativa a fiscalizada, apurou, como RECEITAS DA ATIVIDADE DA EMPRESA, o somatório das receitas auferidas pela mesma nas operações de LOCAÇÃO DE LICENÇA INTERNACIONAL PARA TRANSPORTE DE CARGAS e de TRANSPORTE INTERNACIONAL DE CARGAS. Cabe ressaltar que, conforme já citado, a fiscalizada não elaborava escrituração de suas atividades. Neste contexto, toda a apuração, realizada pela fiscalização, das receitas da atividade da empresa, que integram a base de cálculo do SIMPLES, teve por base a documentação apresentada pelo sóciogerente da fiscalizada, cujas cópias constam do processo (Anexos I e II). [...] Em função de todas estas inconsistências nos referidos INSTRUMENTOS DE ARRENDAMENTO E DE LOCAÇÃO, esta fiscalização suspeitou que os referidos Instrumentos de Arrendamento tinham por exclusiva finalidade possibilitar que a fiscalizada registrasse os referidos veículos de terceiros em sua frota autorizada para o transporte internacional de cargas. Uma vez registrados os veiculo na frota, da fiscalizada, habilitada na ANTT, isto é, estando o veículo legalizado para o transporte internacional, o suposto Contrato de Locação de Veículo instrumentalizava a LOCAÇÃO, ao proprietário do veículo, DESTA LICENÇA INTERNACIONAL PARA O TRANSPORTE DE CARGAS, mediante uma contraprestação mensal prevista no próprio contrato de forma dissimulada: a suposta taxa mensal para o pagamento de despesas com agentes de transporte. Tais artifícios driblavam assim as exigências preconizadas na Resolução n° 1474 de 31/05/2006. da ANTT ¬ que estabelece requisitos mínimos às empresas que desejam habilitarse ao transporte internacional de cargas, inclusive requisitos que versam sobre a necessidade do interessado dispor de uma frota mínima de veículos. As conclusões da fiscalização, mencionadas acima, foram questionadas ao sóciogerente da fiscalizada, o qual admitiu que os referidos entendimentos correspondiam a verdade dos fatos, conforme consta no Termo de Declaração de 05/07/2007: Fl. 2921DF CARF MF Processo nº 11075.002314/200774 Acórdão n.º 1201002.277 S1C2T1 Fl. 4 5 “Que a Weber Transportes de Cargas Ltda. celebrou com terceiros Contratos de Arrendamento de veículos de propriedade destes, conforme consta nos “Instrumentos Particulares de Arrendamento", os quais foram apresentados a fiscalização; Que os referidos contratos foram celebrados com a finalidade exclusiva de que os veículos citados nos “Instrumentos Particulares de Arrendamento” pudessem ser habilitados para o transporte internacional de cargas, na frota de veículos da empresa, na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT'); Que, em função disso, a Weber Transportes de Cargas Ltda. em nenhum momento passou a dispor da posse dos veículos citados nos “Instrumentos Particulares de Arrendamento" e em nenhum momento chegou a efetuar pagamentos aos arrendantes de veículos, conforme previa a Cláusula Segunda dos “Instrumentos Particulares de Arrendamento”; Que estando os referidos veículos de propriedade de terceiros habilitados em nome da Weber Transportes de Cargas Ltda. para o transporte internacional de cargas, a empresa alugava aos respectivos proprietários dos veículos as suas Licenças para o Transporte Internacional de Cargas; Que os proprietários dos veículos então utilizavam as Licenças para o Transporte Internacional de Cargas emitidas em nome da Weber Transportes de Cargas Ltda, em operações de transporte internacional de cargas, por conta própria destes; Que pela locação a terceiros, proprietários dos veículos, das Licenças para o Transporte Internacional de Cargas emitidas em nome da Weber Transportes de Cargas Ltda, esta empresa recebia como contraprestação um pequeno pagamento mensal, especificado na Cláusula Terceira dos “Instrumentos Particulares de Contrato de Locação de Veículo para Uso de Transporte de Cargas em Geral”, os quais foram apresentados a fiscalização;" Desta forma, diante de tudo o que foi exposto, o que se tem, em outras palavras, é que, quanto aos Instrumentos de Arrendamento. os referidos documentos estão eivados de FALSIDADE MATERIAL. isto é. versam sobre arrendamentos de veículos que, DE FAT0, nunca tiveram ocorrência. [...] Resta claro, então, que, mediante as condutas acima descritas, a fiscalizada alugou a terceiros o uso de sua LICENÇA PARA O TRANSPORTE INTERNACIONAL DE CARGAS, operação esta obviamente ilegal, mas que, conforme já foi comentado, serviu como fonte de receitas da fiscalizada, receitas estas que devem ser normalmente oferecidas a tributação. [...]6.1.4. Apuração da Receita Bruta: Receitas de Locação da Licença para o Transporte internacional de Cargas Fl. 2922DF CARF MF 6 A apuração das referidas receitas, que compõe a Receita Bruta da fiscalizada, apurada pela fiscalização, teve por base os Instrumentos Particulares de Contratos de Locação de Veículos (Anexo I), nos quais, conforme já foi comentado, consta cláusula descritiva de uma taxa mensal a ser paga a fiscalizada em decorrência da cedência a terceiros de sua licença para o transporte internacional de cargas. Assim, os Contratos de Locação apresentados pela fiscalizada, estão brevemente relacionados no demonstrativo “Relação dos Instrumentos Particulares de Contratos de Locação de Veículos” (fls. 240 a 246). Cabe observar que, no entendimento desta fiscalização, os referidos contratos de locação permanecem vigentes até a formalização dos respectivos distratos, em decorrência do que está previsto na cláusula QUARTA dos instrumentos: "QUARTA: O prazo de duração deste contrato é indeterminado, facultado a ambos os contratantes, rescindilos mediante aviso escrito (...)" Assim, no entendimento desta fiscalização, como o auferimento das receitas decorrentes dos referidos contratos independe do fato de as mesmas terem sido recebidas, a previsão contida nos contratos de uma taxa mensal a ser paga a fiscalizada em decorrência da cedência a terceiros de sua licença para o transporte internacional de cargas, faz prova do auferimento das receitas por parte desta. [...]elaborouse, a partir do demonstrativo “Relação dos Instrumentos Particulares de Contratos de Locação de Veículos”, um segundo demonstrativo no qual consta discriminada a quantidade de contratos, em tese, vigentes, para cada período mensal objeto da fiscalização, e as respectivas taxas mensais previstas nos mesmos que indicam a aquisição por parte da fiscalizada da disponibilidade jurídica de renda: “Receitas de Locação Anos 2002/2003/2004/2005/2006” (fls. 247 a 256). Desta forma, no referido demonstrativo consta a apuração da Receita Bruta Mensal da fiscalizada decorrente da locação a terceiros de sua licença para o transporte internacional de cargas. As referidas receitas constam ainda discriminadas nos “Demonstrativos de Apuração Simples EPP 2002/2003/2004/2005/2006” (fls. 206 a 239). 6.1.5. Apuração da Receita Bruta: Receitas do Transporte Internacional de Cargas A apuração das referidas receitas, que compõe a Receita Bruta da fiscalizada, apurada pela fiscalização, teve por base os Conhecimentos de Transporte Internacional por Rodovias (CRTS) e os Manifestos Internacionais de Cargas Rodoviárias (MICS), apresentados pela fiscalizada, e as informações disponiveis nos sistemas informatizados da Receita Federal relativos ao comércio exterior (Siscomex). Fl. 2923DF CARF MF Processo nº 11075.002314/200774 Acórdão n.º 1201002.277 S1C2T1 Fl. 5 7 Cópias dos referidos documentos foram juntadas ao processo (Anexo ll). Quanto as receitas apuradas pela fiscalização, excepcionalmente a partir das informações disponíveis nos sistemas informatizados da Receita Federal relativos ao comércio exterior (Siscomex), tal circunstância se deu nos casos em que a fiscalizada não apresentou os respectivos CRTs ou MICs. Tal ocorrência se deu nos casos a seguir descritos: [...] 6.2.1. Omissão de Receitas: Depósitos Bancários de Origem não Comprovada Por ocasião do início da ação fiscal, a fiscalizada foi intimada a apresentar os extratos bancários de contascorrentes, contas de depósito, contas de investimentos e contas de aplicações, mantidas pela mesma em instituições financeiras, referentes a todo o período objeto da ação fiscal. Tendo logrado atender apenas parcialmente a intimação da fiscalização, foi providenciada, na forma do Decreto n° 3.724, de 10/01/2001, a emissão de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), em relação aos períodos de Jan/2005 a Set/2006. [...]Os respectivos extratos bancários das contascorrentes mantidas pela fiscalizada nas instituições financeiras citadas, referentes ao período de Jan/2005 a Setl2006, foram então apresentados por estas a fiscalização, conforme documentos constantes do Anexo III do processo. De posse dos extratos, a fiscalização procedeu a conciliação entre os registros lançados nas contas bancárias da fiscalizada, a fim de excluir, da totalidade dos créditos efetuados nas referidas contas, aqueles decorrentes de transferências bancárias entre as mesmas. Neste contexto, a fiscalização identificou os lançamentos constantes do demonstrativo “Conciliação Bancária” (fl. 266). A fiscalização também excluiu, da totalidade dos créditos efetuados nas contas bancárias da fiscalizada, aqueles relativos a: DEPÓSITOS EM CHEQUES QUE NÃO CHEGARAM A SER COMPENSADOS; [...] CRÉDITOS REFERENTES A ESTORNOS E A CHEQUES DEVOLVIDOS; [...] CRÉDITOS REFERENTES A EMPRÉSTIMOS BANCÁRIOS; Fl. 2924DF CARF MF 8 [...] Adotados os referidos procedimentos, os registros a crédito restantes, lançados nas contas bancárias em questão, no período de Jan/2005 a Set/2006, foram relacionados e apresentados a fiscalizada com a finalidade de que a mesma comprovasse a origem dos referidos recursos DEPOSITADOS/CREDITADOS nas contas bancárias de sua titularidade, conforme consta no Termo de Intimação Fiscal de 08/06/2007. Conforme consta ainda no referido termo fiscal, a fim de que a fiscalizada pudesse dispor de meios de providenciar atendimento a intimação da fiscalização, foram fornecidas a mesma cópias dos extratos bancários obtidos pela fiscalização através de RMF. A fiscalizada não logrou comprovar a origem dos referidos recursos depositados/creditados em suas contas bancárias nos períodos analisados. [...] Assim, não tendo a fiscalizada comprovado a origem dos recursos depositados/creditados em suas contas bancárias, nos períodos analisados, e não tendo sido capaz de apresentar qualquer documento que permitisse a fiscalização identificar a origem dos referidos recursos, tais valores, por força de presunção legal são considerados OMISSÃO DE RECEITAS, conforme dispõe o art. 42, da Lei n° 9.430, de 27/12/1996: 6.3.1. Insuficiência de Recolhimento decorrente da recomposição da Base de Cálculo do Simples Tal infração decorre do fato de que, com a recomposição da Base de Cálculo do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, promovida pela fiscalização a partir da apuração da receita bruta da fiscalizada (item 6.1) e da omissão de receitas relativas a depósitos bancários de origem não comprovada (item 6.2), o percentual aplicável sobre a mesma, para fins de apuração do valor devido, relativo ao referido regime simplificado de tributação, alterase, uma vez que o mesmo depende da receita bruta acumulada até o final do respectivo período de apuração. Assim, com a alteração dos referidos percentuais, para os períodos de Dez/2003, Abr/2004, e Set/2005 a Dez/2005, foram apurados os seguintes valores a título de insuficiência de recolhimento do Simples, conforme consta no “Demonstrativo de Apuração dos Valores não Recolhidos” (fls. 203 a 205): [...] Desta forma, diante do que foi exposto, os valores apurados pela fiscalização, relativos a cada tributo e contribuição abrangidos pelo SIMPLES, estão discriminados nas LINHAS (10) A (14) dos “Demonstrativos de Apuração Simples EPP 2002/2003/2004/2005/2006” (fls. 206 a 239). Por outro lado, os valores de cada tributo e contribuição abrangidos pelo SIMPLES, que foram lançados de oficio, correspondentes a diferença entre os valores apurados pela fiscalização e os valores espontaneamente declarados e/ou recolhidos pela fiscalizada (Insuficiência de Recolhimento), constam no desdobramento da LINHA (19) dos referidos demonstrativos. Fl. 2925DF CARF MF Processo nº 11075.002314/200774 Acórdão n.º 1201002.277 S1C2T1 Fl. 6 9 Os Autos de Infração relativos a cada tributo/contribuição social abrangidos pelo SIMPLES constam às seguintes folhas do processo: IRPJ fls. 004 a 012; PIS fls. 027 a 035; CSLL fls. 050 a 058; COFINS fls. 073 a 081; INSS fls. 096 a 104. [...] 6.5 Penalidades Aplicadas e Apuração da Multa de Oficio e dos Juros de Mora As penalidades aplicáveis no presente lançamento de ofício estão previstas no art. 44, incisos I e ll, da Lei n° 9.430, de 27/12/l996. [...] De acordo com os dispositivos legais transcritos, em relação as infrações identificadas no presente relatório como Infração 2 (Depósitos Bancários de Origem não Comprovada) e Infração 3 (Insuficiência de Recolhimento), aplicouse, como multa de oficio, a penalidade básica de 75% (art. 44, I, da Lei n° 9.430/96). Por outro lado, em relação a infração identificada no presente relatório como Infração 1 (Diferença de Base de Cálculo) a penalidade aplicável, neste caso, corresponde a multa de oficio de 150% (art. 44, ll, da Lei n° 9.430/96), tendo em vista que, segundo o entendimento da fiscalização, teria tratadose de caso de evidente intuito de fraude. Ainda segundo o relato da autoridade fiscal, tal fato, somado a alegação de que o administrador agiu com excesso de poderes ou infração a lei, ensejou a responsabilização solidária do sócioadministrador, Sr. João Henrique Weber Martins, por infração aos artigos 121, Parágrafo Único, II e 135, III, ambos do CTN. O responsável solidário, mesmo intimado (fls. 323), não impugnou. Já a contribuinte (Weber Transportes) apresentou defesa de fls. 324/325, questionando exclusivamente a composição da base de cálculo da Infração 1 (receitas diretas). Nas suas palavras: A fiscalização fazendária levou em consideração na formação e ingresso de receitas da empresa sob investigação as receitas advindas do serviço de transporte de cargas e atividade de locação de licença originária para o transporte internacional. Ocorre que quando da solicitação da entrega dos contratos de locação da licença originária a fiscalização considerou em “tese” que os contratos ainda encontravamse em vigência até a data da conclusão do PAF, bem como alguns destes contratos não foram perfectibilizados, ou seja, não geraram qualquer obrigação tendo em vista que não foram firmados, o que ponderase tendo em vistas que estas receitas foram todas elas presumidas no relatório e apuração de receitas e efetivamente não ingressaram na pessoa jurídica. Fl. 2926DF CARF MF 10 Encontrase anexo a esta impugnação um relatório discriminando, fixando comprovadamente a data de término dos contratos de locação, bem como a cópia dos contratos que foram relacionados pelo fiscal, que encontramse sem assinatura ou em duplicidade, sendo que os que encontramse sem assinatura são: Flavio Gomes Pereira, Antônio Paulo Moyano Moreira, João Candido Machado e Lauro Antônio Rocha Moraes e em duplicidade o contrato de Roni Moura da Cruz. De tais fatos resulta que os valores lançados no procedimento fiscal, não são reais, ou seja, não correspondem aos valores realmente auferidos pela empresa, mas sim uma simples presunção, que neste momento se comprova as datas de efetiva.vigência dos contratos em questão, através do relatório e documentos em anexo. Em Sessão de 04 de julho de 2008, a 2a Turma da DRJ/STM, por unanimidade de votos, considerou procedente em parte o lançamento, por meio de decisão de fls. 840/848 e cuja ementa ora transcrevo: NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. SIMPLES OMISSÃO DE RECEITA E INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. A verificação de diferença na base de cálculo, representada por omissão de receita, ou insuficiência de recolhimento do imposto pela sistemática do SIMPLES constituem infrações que autorizam a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Evidenciam omissão de receita os depósitos realizados em conta de interposta pessoa, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas Operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. SIMPLES INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. A verificação de diferença na base de cálculo ou insuficiência de recolhimento do imposto pela sistemática do SIMPLES constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, CSLL, COFINS, e CSSINSS Fl. 2927DF CARF MF Processo nº 11075.002314/200774 Acórdão n.º 1201002.277 S1C2T1 Fl. 7 11 Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Lançamento Procedente em Parte. Cientificada da decisão em 04/09/2008 (fls. 1005), a empresa interpôs recurso voluntário em 03/10/2008 (fls. 1.009/1.011), alegando, em síntese, que não teria sido excluída a totalidade correta dos valores. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais pressupostos legais de admissibilidade. Dele, portanto, conheço e passo a apreciálo. As infrações apontadas nos Autos de Infração são: 1) Omissão de Receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, fatos geradores a partir de 31/01/2005 até 30/09/2006, com multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento); 2) Diferença de base de cálculo constatada a partir do confronto entre a Receita Bruta Apurada pela fiscalizada e a Receita Bruta Declarada pelo contribuinte em Declaração de Informações EconômicoFiscais das Pessoas Jurídicas (DIPJ), fatos geradores a partir de 31/01/2002 até 30/09/2006, com multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento); 3) Insuficiência de recolhimento apurada em decorrência da alteração do percentual a ser aplicado sobre a Receita Bruta Mensal, com multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento). A contribuinte não questiona o fato de a fiscalização ter apurado omissão de receitas bancárias. Limitase a contestar o montante apurado a titulo de omissão de receita caracterizada como “Receitas de Locação”. Também não houve defesa contra a exigência da multa de oficio qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento), bem como sobre o imposto e contribuições apurados relativos à Diferença de Base de Cálculo. Tratamse, portanto, de matéria não impugnada, nos termos do disposto no artigo 17 do Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 17 Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante Fl. 2928DF CARF MF 12 Em relação à infração contestada, convém notar que a Recorrente nunca apresentou qualquer argumento contra a apuração de “Receitas de Transporte de Cargas Anos 2003/20042005”. Assim, a discussão gira tão somente em relação aos argumentos e documentos contra os valores apurados no demonstrativo de “Receitas de Locação Anos 2002/2003/2004/2005/2006”. A DRJ assim se pronunciou sobre a controvérsia: Em relação ao valor apurado a título de “Receitas de Locação” deve se observar, em primeiro lugar, que o montante apurado pela fiscalização a esse título (fls. 247 a 256) não está correto. Observando apenas a data de vigência dos contratos considerados pela fiscalização temse que a receita de locação é menor que a apontada pela fiscalização conforme demonstrado no Anexo 1 (folhas 791 a 834). O contribuinte também traz argumentos e provas contra o montante apurado a título de “Receitas de Locação”. Após a análise dessas provas foi elaborado novo demonstrativo de “Receitas de Locação” conforme o Anexo 2 (folhas 835 a 877). Nesse anexo foram relacionados todos os contratos (140 contratos). Para cada contrato foi apontado o motivo (conforme letras de “A” até “P”), na coluna “Observações”, pelos quais foi mantida, ou não, a respectiva receita. Na última folha do Anexo estão relacionadas as letras “A” a “P” e a respectiva motivação (Página 43). No Anexo n° 3 (folhas 878 a 918) foram computadas a Receita Bruta Declarada e os valores apurados nas infrações n° 001, 002 e 003. Seguindo a metodologia do auto de infração, da infração n° 002 foi excluída a Receita Declarada, mês a mês, a partir de janeiro de 2002 até setembro de 2006, apurandose o imposto e as contribuições devidas ao SIMPLES que foram mantidas no presente voto, com a multa de ofício de 150%. Sobre a infração 001, a partir do período de apuração de janeiro de 2005, a multa de ofício calculada foi de 75%. Já o Recorrente sustenta que: A decisão ora atacada não levou em consideração alguns contratos relacionados na lista em anexo, pois haviam sido relacionados pela fiscalização, mas o recorrente não possuía a este tempo os comprovantes, o que neste momento apresenta na lista em anexo, com o seu respectivo histórico e comprovantes dispostos em ordem conforme a lista. O contribuinte não pode sofrer a autuação da forma em que lhe é imposta tendo em vista que tais rendimentos não fazerem parte de seu patrimônio, tal imposição fiscal é no mínimo injusta e flagrantemente ilegal, pois a fiscalização como antes dito está ciente de que não existiu a receita e sim um faturamento em tese e com base em uma presunção quer arrecadar tributos. Fl. 2929DF CARF MF Processo nº 11075.002314/200774 Acórdão n.º 1201002.277 S1C2T1 Fl. 8 13 Assim, requer a revisão dos valores, visto`a comprovação da data de termino dos contratos de locação, bem como os contrato que não foram cumpridos ou ainda não foram executados não vigiram, tudo conforme lista e documentação em anexo, que comprova a ocorrência dos fatos. Pois bem. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a produção de provas documentais deve ser feita, como regra, na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, conforme o art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior”. A juntada de “novos documentos” aos autos é medida excepcional cabível nas situações contempladas nos dispositivos citados. Em razão dos princípios da legalidade e verdade material, esses dispositivos normativos devem ser interpretados de forma flexível, o que significa dizer que, na prática, o recebimento ou a negativa de provas juntadas apenas por ocasião do recurso ou em momento posterior, mas antes do julgamento, devem ser feitos de acordo com as circunstâncias fáticas e motivação de cada caso. Em linhas gerais, penso que provas apresentadas em momento posterior à defesa devem ser aceitas somente se o Julgador se convencer (i) dos motivos apresentados pela parte para não terem sido produzidas anteriormente (até a impugnação) ou (ii) da pertinência e conteúdo da prova para fins do convencimento do Julgador acerca da controvérsia instaurada. Nestes termos, admitidas seriam as provas devidamente motivadas e desde que decisivas para dirimir a controvérsia. Especificamente quanto ao item (i), os documentos juntados pela Recorrente não decorrem de fato superveniente, razão pela qual, a todo rigor, eles sequer poderiam ser apreciados. Fl. 2930DF CARF MF 14 Não obstante, referida documentação consiste em planilhas de vigência e cópia de contratos, muito deles já apresentados e auditados, sem organização lógica e, principalmente, sem uma indicação clara dos itens e valores que se busca ao certo reduzir ou cancelar. A documentação não constitui prova capaz de alterar o lançamento e sequer possui uma vinculação direta com o demonstrativo dos valores mantidos pela decisão de piso. Tal como apresentada e instruída, referida documentação não tem o condão de reformar o resultado do julgamento em primeira instância. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 2931DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660357/2012-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.758
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 03 57 /2 01 2- 89 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660357/201289 Acórdão n.º 3401004.758 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660357/201289 Acórdão n.º 3401004.758 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660357/201289 Acórdão n.º 3401004.758 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660357/201289 Acórdão n.º 3401004.758 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660357/201289 Acórdão n.º 3401004.758 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660357/201289 Acórdão n.º 3401004.758 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13748.001671/2008-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2004
PARCELAMENTO ESPECIAL. PAGAMENTOS. SALDO DEVEDOR. AMORTIZAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INEXISTÊNCIA
Tendo sido comprovado que os pagamentos realizados no âmbito de parcelamento especial foram integralmente utilizados para a amortização parcial do saldo devedor consolidado no referido parcelamento, não há direito creditório a ser reconhecido em favor do sujeito passivo, implicando a não-homologação da compensação declarada.
Numero da decisão: 1302-002.750
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: Paulo Henrique Silva Figueiredo
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2004 PARCELAMENTO ESPECIAL. PAGAMENTOS. SALDO DEVEDOR. AMORTIZAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INEXISTÊNCIA Tendo sido comprovado que os pagamentos realizados no âmbito de parcelamento especial foram integralmente utilizados para a amortização parcial do saldo devedor consolidado no referido parcelamento, não há direito creditório a ser reconhecido em favor do sujeito passivo, implicando a não-homologação da compensação declarada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1824; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13748.001671/200861 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1302002.750 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de abril de 2018 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente PETRO ITA TRANSPORTES COLETIVOS DE PASSAGEIROS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2004 PARCELAMENTO ESPECIAL. PAGAMENTOS. SALDO DEVEDOR. AMORTIZAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INEXISTÊNCIA Tendo sido comprovado que os pagamentos realizados no âmbito de parcelamento especial foram integralmente utilizados para a amortização parcial do saldo devedor consolidado no referido parcelamento, não há direito creditório a ser reconhecido em favor do sujeito passivo, implicando a não homologação da compensação declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de recurso interposto em relação ao acórdão proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, posto que o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 00 16 71 /2 00 8- 61 Fl. 138DF CARF MF Processo nº 13748.001671/200861 Acórdão n.º 1302002.750 S1C3T2 Fl. 3 2 alegado pagamento indevido foi utilizado para amortização do saldo devedor do parcelamento PAES. O presente processo cuida de Declaração de Compensação apresentada em formulário de papel, por meio da qual a contribuinte compensou débito de sua responsabilidade com crédito decorrente de suposto pagamento indevido ou a maior. O crédito em questão é relativo a pagamento realizado em 30/06/2004, sob o código de receita 7122 (Parcelamento Lei nº 10.684/03 Demais pessoas jurídicas). O Despacho Decisório, com base em Parecer do Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal em Nova Iguaçu/RJ, não homologou a compensação declarada, tendo em vista que o pagamento invocado estaria integralmente apropriado ao parcelamento realizado pelo sujeito passivo, sob o amparo da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003 (PAES), conforme demonstrativos constantes do processo. Cientificado, o sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, limitandose a argumentar que, no ato de ciência da nãohomologação, não lhe foram fornecidas cópias dos documentos que comprovariam a alocação do pagamento invocado aos débitos parcelados no PAES, de modo que estaria impossibilitado o exercício da ampla defesa e do contraditório. Foram, então, facultadas ao sujeito passivo vistas e cópias do presente processo e aberto o prazo para aditamento da manifestação de inconformidade. O sujeito passivo apresentou aditamento, sustentando que os documentos indicados no Parecer que propôs a nãohomologação das compensações não indicariam os débitos a que teriam sido alocados o pagamento pleiteado. Segundo alegou, tal indicação seria necessária para a confirmação de que o crédito não teria sido alocado a débitos excluídos do parcelamento, por ocasião de pedidos de revisão apresentados, quando da consolidação. A decisão de primeira instância, por unanimidade, não homologou a compensação, uma vez que o pagamento alegado pelo sujeito passivo teria sido integralmente utilizado para a amortização dos débitos incluídos no PAES. Frisou aquela decisão que a "alocação das cotas do parcelamento PAES é feita no débito total consolidado e não em cada tributo devido, como entende o interessado". Regularmente cientificado do Acórdão, o sujeito passivo apresentou Recurso, no qual reitera a necessidade de ter acesso ao contacorrente discriminado do parcelamento especial, sob a mesma fundamentação de que seria preciso verificar se não houve a alocação de pagamentos a débitos já excluídos do parcelamento, e de verificar as migrações ocorridas entre os parcelamentos especiais. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 139DF CARF MF Processo nº 13748.001671/200861 Acórdão n.º 1302002.750 S1C3T2 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.745, de 12.04.2018, proferido no julgamento do Processo nº 13748.001501/200887, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. No processo paradigma o contribuinte solicitou a compensação de débitos com crédito relativo a pagamento realizado em 30/12/2003, no âmbito do Parcelamento Especial instituído pela Lei nº 10.684, de 30/05/2003. Nos presentes autos, o crédito utilizado nas compensações tem origem no pagamento realizado em 30/06/2004, também no âmbito do Parcelamento Especial instituído pela Lei nº 10.684, de 30/05/2003. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.745), adequandoa ao caso concreto: I DO CONHECIMENTO DO RECURSO O sujeito passivo foi cientificado, por via postal, em 31 de maio de 2010, tendo apresentado seu Recurso em 16 de junho de 2010, dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aplicável ao caso por força do art. 74, §§10 e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996. O Recurso é assinado por procurador, devidamente constituído nos autos. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Arts. 2º, inciso VII, e 7º, caput e §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. II DO MÉRITO Como já relatado, tratase de Declaração de Compensação referente a pagamento efetuado, em 30/12/2003, no âmbito do Parcelamento Especial instituído pela Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003. Não há qualquer demonstrativo que esclareça a razão de a Recorrente entender que o citado pagamento é indevido ou maior que o devido, de forma a ensejar a restituição/compensação. As únicas alegações da Recorrente são no sentido de que não constaria do processo um contacorrente detalhado que mostrasse a que débitos os pagamentos realizados no âmbito do referido parcelamento estariam alocados. Como bem registrado no Parecer que embasou a não homologação da compensação e na decisão de primeira instância, consta do processo o demonstrativo de todos os Fl. 140DF CARF MF Processo nº 13748.001671/200861 Acórdão n.º 1302002.750 S1C3T2 Fl. 5 4 pagamentos que foram alocados ao parcelamento formalizado pelo sujeito passivo, em um total de R$ 371.449,99, dentre os quais se inclui aquele que embasa a Declaração de Compensação de que trata o presente processo. A par disso, consta do processo extrato da conta do parcelamento em questão, por meio do qual se constata que os débitos incluídos no parcelamento perfizeram um total de R$ 1.969.178,74 (após o ajuste do valor original, que era de R$ 6.342.752,70). Fica patente, portanto, a inexistência de qualquer direito creditório e o acerto da decisão a quo. Como bem pontuado no Acórdão da DRJ, a discussão invocada pela Recorrente, que diz respeito ao detalhamento dos débitos incluídos e amortizados no PAES, deve ser tratada no âmbito do processo de acompanhamento do citado parcelamento. Tal discussão, contudo, não valida, de qualquer modo, o crédito que fundamentou a compensação declarada, já que inegável que os pagamentos efetuados no âmbito do PAES foram utilizados para a amortização parcial dos débitos nele consolidados. III CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso do sujeito passivo, com a manutenção da nãohomologação da compensação por ele declarada no presente processo. Por cautela, antes da cobrança do valor indevidamente compensado, deveser verificar se a cobrança do mesmo débito não está sendo/foi realizada em outro processo administrativo, como apontado na decisão recorrida. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, nego provimento ao recurso do sujeito passivo, com a manutenção da nãohomologação da compensação por ele declarada no presente processo. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 141DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.720751/2010-98
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Data do fato gerador: 01/01/2011
ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. DÉBITOS EM COBRANÇA. PRAZO LEGAL PARA REGULARIZAÇÃO. INOBSERVÂNCIA.
Não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que possua débito deste Regime Especial, com exigibilidade não suspensa.
Mantém-se o ato declaratório de exclusão se não elidido o fato que lhe deu causa no prazo legal estabelecido.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 01/01/2011
RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. OCORRÊNCIA.
Os contornos da lide administrativa são definidos pela impugnação ou manifestação de inconformidade, oportunidade em que todas as razões de fato e de direito em que se funda a defesa devem deduzidas, em observância ao princípio da eventualidade, sob pena de se considerar não impugnada a matéria não expressamente contestada, configurando a preclusão consumativa, conforme previsto nos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo-fiscal.
Numero da decisão: 1001-000.704
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Data do fato gerador: 01/01/2011 ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. DÉBITOS EM COBRANÇA. PRAZO LEGAL PARA REGULARIZAÇÃO. INOBSERVÂNCIA. Não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que possua débito deste Regime Especial, com exigibilidade não suspensa. Mantém-se o ato declaratório de exclusão se não elidido o fato que lhe deu causa no prazo legal estabelecido. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 01/01/2011 RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. OCORRÊNCIA. Os contornos da lide administrativa são definidos pela impugnação ou manifestação de inconformidade, oportunidade em que todas as razões de fato e de direito em que se funda a defesa devem deduzidas, em observância ao princípio da eventualidade, sob pena de se considerar não impugnada a matéria não expressamente contestada, configurando a preclusão consumativa, conforme previsto nos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo-fiscal.
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DÉBITOS EM COBRANÇA. PRAZO LEGAL PARA REGULARIZAÇÃO. INOBSERVÂNCIA. Não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que possua débito deste Regime Especial, com exigibilidade não suspensa. Mantémse o ato declaratório de exclusão se não elidido o fato que lhe deu causa no prazo legal estabelecido. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 01/01/2011 RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. OCORRÊNCIA. Os contornos da lide administrativa são definidos pela impugnação ou manifestação de inconformidade, oportunidade em que todas as razões de fato e de direito em que se funda a defesa devem deduzidas, em observância ao princípio da eventualidade, sob pena de se considerar não impugnada a matéria não expressamente contestada, configurando a preclusão consumativa, conforme previsto nos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativofiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 07 51 /2 01 0- 98 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 11065.720751/201098 Acórdão n.º 1001000.704 S1C0T1 Fl. 59 2 (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela recorrente em face de decisão proferida pela 6ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Porto Alegre (RS), mediante o Acórdão nº 1042.939, de 20/03/2013 (efls. 39/43), objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito: (grifos não constam do original) Tratase de Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte acima identificado, às fls. 03/24, em razão de sua exclusão do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional ) através do Ato Declaratório Executivo ADE DRF/NHO nº 435.006, de 01 de Setembro de 2010 ( fls. 31). A referida exclusão ocorreu em virtude do contribuinte possuir débitos com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa e está fundamentada no inciso V do art. 17 da Lei Complementar nº 123/2006 e na alínea “d” do inciso II do art. 3º, combinada com o inciso I do art. 5º, ambos da Resolução CGSN nº 15/2007, produzindo efeitos a partir de 01/01/2011. A ciência do Ato deuse, via postal, em 22/09/2010 (fls. 37 ) e os débitos referemse ao período de apuração 03/2008 a 09/2008, 11/2008 e 12/2008. Em 22/10/2010, o contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que: 1 O tratamento diferenciado obtido através da adesão das micro e pequenas empresas ao Simples não pode ser sobrepujado em face da mera impontualidade fiscal da empresa; 2 A Constituição da República, ao tratar do tratamento tributário favorecido às micro e pequenas empresas também não distingue as empresas em função de sua saúde financeira; 3 As disposições infraconstitucionais que criam embaraços ao tratamento tributário mais favorável colidem inelutavelmente com a Constituição Federal/1988; Fl. 59DF CARF MF Processo nº 11065.720751/201098 Acórdão n.º 1001000.704 S1C0T1 Fl. 60 3 4 Discorre sobre a possibilidade de deixar de aplicar um dispositivo legal em virtude de considerálo inconstitucional; 5 Referese à ilegalidade e inconstitucionalidade da exclusão da microempresa do Simples Nacional. Sustenta que o Simples Nacional não se trata de um favor fiscal e sim de um regime jurídico específico, expressamente previsto pelo constituinte originário, por razões fiscais e extrafiscais; 6 A União, através de sua Procuradoria dispõe de lei própria para a cobrança dos créditos de Simples eventualmente impagos; 7 É abusiva toda forma de coerção e penalização à empresa impontual, como o que ocorre com a empresa que tem tributos impagos e pode ser excluída do Simples Nacional. Para continuar neste regime de tributação, deve a empresa regularizar o seu débito em trinta dias, conforme o previsto no artigo 30, parágrafo 2º da LC 123/2006, o que é uma forma de coação. Isto contraria o princípio do livre exercício de atividade econômica; 8 Referese aos artigos 170 e 179 da Constituição Federal; 9 O artigo 17, inciso V da LC 123/206 propugna violação ao artigo 150, II da Constituição Federal, que dispõe ser vedado à União, Estados, Distrito Federal e Municípios instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente; e 10 Pode o agente avaliar a conveniência e a oportunidade dos atos que vai praticar na qualidade de administrador dos interesses coletivos. Nessa prerrogativa de valoração é que se situa o poder discricionário. Requer, ao final, seja cancelado o Ato Declaratório Executivo DRF/NHO nº 435006/2010, de exclusão do Simples Nacional. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, mantendo a Exclusão do Simples, com a seguinte fundamentação: (grifo não consta do original) O ADE exclui a empresa do Simples Nacional em função de débitos deste regime de tributação, com exigibilidade não suspensa. A exclusão no caso presente, se firma pelo disposto no inciso V do art. 17 da LC 123/2006, que assim diz: “Art.17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (...) Os débitos que originaram o ADE referemse ao período de apuração 03/2008 a 09/2008, 11/2008 e 12/2008. O contribuinte não contesta tais pendências, mas alega ilegalidade e inconstitucionalidade da exclusão, da forma coercitiva de cobrar tributo e sobre a possibilidade do agente fiscal de deixar de aplicar um dispositivo legal em virtude de considerálo inconstitucional. Não assiste razão ao contribuinte. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 11065.720751/201098 Acórdão n.º 1001000.704 S1C0T1 Fl. 61 4 O Sistema Simples que passou a integrar a legislação tributária a partir de 1997 ( Lei n º 9.317/1996 ) dando efetividade aos artigos 170, inciso IX e 179 da Constituição Federal, foi instituído com vistas à simplificação e unificação da sistemática de arrecadação de tributos recolhidos pelas microempresas e empresas de pequeno porte. A estrutura inovadora de pagamento implicou substancial redução de procedimentos e custos para as empresas beneficiadas. Posteriormente sobreveio a Lei Complementar nº 123/2006, que instituiu o Simples Nacional. O artigo 2º desta LC trata do Comitê Gestor do Simples Nacional, a quem compete regular a opção, exclusão, tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança, dívida ativa, recolhimento e demais itens relativos ao regime simplificado de tributação. Assim como esta LC 123/2006 trouxe benefícios, também impôs condições para ingresso e manutenção das empresas nesta sistemática simplificada de tributação, sendo uma delas não possuir débito com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa. Sabemos que o verdadeiro objetivo da Lei Complementar 123/2006, do Simples Nacional, é o de proteger e facilitar a vida dos micro e pequenos empresários, para que possam sobreviver e competir saudavelmente no mercado. Ela implantou o regime simplificado em benefício dessas empresas de micro e pequeno porte, no entanto, a própria lei complementar restringe a possibilidade de ser optante empresas que se enquadrem em uma das hipóteses de exclusão dessa sistemática, o que inegavelmente é o caso da empresa em questão. Com relação a incompatibilidade entre os dispositivos constantes na Lei Complementar nº 123/2006 e os princípios constitucionais que regem a ordem econômica, entre eles os que determinam o tratamento jurídico favorável e diferenciado das MEs e EPPs com vistas a incentivar suas atividades, mediante simplificação de suas obrigações administrativas, tributárias e previdenciárias, não entendo que a mesma ocorra. Tais dispositivos são perfeitamente conformes com a finalidade buscada pelo regime de tributação unificado e simplificado estabelecido pela Lei Complementar nº 123/2006. O referido diploma legal deve ser compreendido e interpretado como um sistema integrado e harmônico. Não pode o sujeito passivo usufruir apenas as benesses do regime, sem qualquer ônus compensatório pelos benefícios auferidos. O fato de a Constituição Federal determinar o tratamento favorável às micro e pequenas empresas, não implica que a lei deva dar tratamento igual para empresas que se encontrem em situação jurídica distinta. Não haveria vantagem alguma em ser cumpridora das obrigações fiscais, caso a lei, ao final, igualasse tanto as empresas em situação fiscal regular quanto as que estão irregulares e lhes concedesse os mesmos benefícios. Assim é que a vedação constante do artigo 17, V, da Lei Complementar nº 123/2006, e a hipótese de exclusão constante do artigo 30, II, do mesmo diploma, não limitam o exercício da atividade empresarial, mas tão somente prevêem uma condição razoável para o implemento de benefício fiscal. A submissão das pessoas jurídicas a esse regime específico não decorre de imposição legal, automática, mas fica a critério delas a adesão e permanência. Logo, se o contribuinte tem interesse em usufruir suas benesses, deve sujeitarse, incondicionalmente, ao respectivo regramento. O requisito previsto no art. 17, inciso V da LC 123/2006 não impede ou limita o exercício da atividade econômica da empresa; apenas caracteriza pressuposto Fl. 61DF CARF MF Processo nº 11065.720751/201098 Acórdão n.º 1001000.704 S1C0T1 Fl. 62 5 razoável estabelecido pelo legislador – com amparo na competência outorgada pela Carta Magna – para que a pessoa jurídica faça jus ao benefício fiscal. Quanto ao argumento de que deve ser afastada a regra contida no art. 17, V, da Lei Complementar nº 123/2006, que ela viola o artigo 150, II da Constituição Federal, importante salientar que os julgadores da administração fazendária encontramse restritos a proceder à exegese da legislação tributária sem adentrar nos campos da ilegalidade e inconstitucionalidade, pois no âmbito do Poder Executivo devese assumir que a legislação é legal e constitucional enquanto o contrário não for declarado pelos outros Poderes. Quanto às demais alegações do contribuinte, não têm pertinência. Isso porque a atividade administrativa é vinculada e obrigatória. Assim, constatado que o contribuinte incorreu na vedação tipificada no art. 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123/2006, está correta a exclusão de ofício do Simples Nacional em 2011, não cabendo nenhum tipo de discricionariedade. Conclusão Portanto, por todo o exposto, uma vez que o interessado possui débitos do Simples Nacional, cuja exigibilidade não está suspensa, e, não tendo sido produzida prova em contrário, deve ser indeferida sua solicitação, devendo ser mantida a exclusão do Simples Nacional a partir de 01/01/2011. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Data do fato gerador: 01/01/2011 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL DÉBITOS EM COBRANÇA PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que possua débito deste Regime Especial, com exigibilidade não suspensa. Não cabe ao órgão administrativo apreciar argüição de legalidade ou constitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Ciente da decisão de primeira instância em 26/04/2013, conforme Aviso de Recebimento à efl. 46, a recorrente apresentou recurso voluntário em 17/05/2013 (efls. 48/55), conforme carimbo aposto à efl. 48. É o Relatório. Voto Fl. 62DF CARF MF Processo nº 11065.720751/201098 Acórdão n.º 1001000.704 S1C0T1 Fl. 63 6 Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. No recurso interposto, a recorrente alega que "atrasou algumas parcelas do SIMPLES de 03/2008 a 09/2008 e de 11/2008 a 12/2008, motivo pelo qual foi excluída com base em ADE de setembro de 2010", mas que "parcelou os débitos em aberto", conforme "comprovante do parcelamento dos valores devidos...(doc. 01)" e alega que "esta Corte possui entendimento de que, parcelado o débito no decorrer do processo de exclusão do SIMPLES, este deve ser afastado, com a manutenção da empresa naquele regime simplificado". Tratase de argumentos novos, não apresentados pela defesa em sede de manifestação de inconformidade, o que não é admissível no processo contencioso administrativo, implicando a ocorrência da preclusão consumativa. Nos termos dos arts. 16, III e 17, ambos do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativofiscal, todos os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa deverão ser mencionados na impugnação, considerandose não impugnadas as matérias não expressamente contestadas, verbis: (grifos não constam do original) “Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 63DF CARF MF Processo nº 11065.720751/201098 Acórdão n.º 1001000.704 S1C0T1 Fl. 64 7 § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997).” (destacado) A preclusão se verifica pela não dedução de todos os argumentos de defesa no recurso inaugural, isto é, as matérias de direito que pretendia questionar, decorrendo daí a perda da oportunidade processual de contestação, valendo acentuar que o recurso voluntário, como dito, é totalmente distinto da impugnação, chegando mesmo, em alguns pontos, a serem mutuamente contraditórios. Na lição de Fredie Didier Júnior (Curso de Direito Processual Civil. Vol. I. 11ª edição, revista, ampliada e atualizada. Ed. JusPodium, Salvador: 2009. Pág. 283.), a preclusão consumativa consiste na perda da faculdade processual, por já haver sido exercida, pouco importando se bem ou mal. Uma vez praticado o ato processual, não mais é possível corrigilo, melhorálo ou repetilo, eis que já consumado. No caso dos autos, a discussão administrativa foi delineada pela manifestação de inconformidade, restando rechaçadas quaisquer outras teses defensivas eventualmente não expostas, por aplicação do princípio eventualidade, ressalva feita ao direito ou fato supervenientes, o que não é a hipótese. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 11065.720751/201098 Acórdão n.º 1001000.704 S1C0T1 Fl. 65 8 Embora os argumentos ora apresentados não tivessem sido prestados em sede de recurso de primeira instância, o documento juntado pela recorrente, às efls. 5354, (Informações cadastrais da Matriz), extraído em 02/05/2013 por meio do Serviço de Atendimento Virtual (eCac), não comprova que o parcelamento foi apresentado dentro do prazo de 30 (trinta) dias contados da data da ciência, o que ocorreu em 22/09/2010. É de suma importância observar que as presunções “juris tantum”, muito embora admitam prova em contrário, dispensam do ônus da prova aquele a favor de quem se estabeleceram, cabendo ao sujeito passivo, no caso, a produção de provas em contrário, no sentido de ilidilas. Esse também é o entendimento do Egrégio Conselho de Contribuintes, exarado no Acórdão do 1º CC nº 010.071/1980, do qual se destaca o seguinte trecho: “O certo é que cabendo ao fisco detectar os fatos que constituem o conteúdo das regras jurídicas em questão, e constituindose esses fatos em presunções legais relativas de rendimentos tributáveis, não cabe ao fisco infirmar a presunção, sob pena de laborar em ilogicidade jurídica absoluta. Pois, se o fisco tem a possibilidade de exigir o tributo com base na presunção legal, não me parece ter o menor sentido impor ao fisco o dever de provar que a presunção em seu favor não pode subsistir. Parece me elementar que a prova para infirmar a presunção há de ser produzida por quem tem interesse para tanto. No caso, o contribuinte.” A jurisprudência administrativa é mansa e pacífica no tocante à necessidade de provas concretas com o fito de se elidir a tributação erigida por lançamento. À Fazenda Pública cabe tornar evidente o fato constitutivo do seu direito. Cabe ao litigante provar os fatos modificativos ou extintivos desse direito, conforme o disposto no art. 16, III e § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972. Não comprovada as alegações do sujeito passivo, tem a autoridade fiscal o poder/dever de efetuar o lançamento do imposto correspondente. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do Princípio da Legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente tãosomente a inquestionável observância da legislação. A autoridade lançadora não deve nem pode fazer um juízo valorativo sobre a conveniência do lançamento. O lançamento tributário é rigidamente regrado pela lei, ou, no dizer do art. 3º do CTN, é “atividade administrativa plenamente vinculada”. Conforme o art. 142 do CTN, ocorrido o fato gerador a autoridade fiscal deve constituir o crédito tributário, calculando a exigência de acordo com a lei vigente à época do fato, não tendo repercussão a atual situação econômicofinanceira do sujeito passivo. Assim, considerando que a recorrente não tomou as medidas cabíveis para a suspensão ou pagamento dos débitos no prazo estipulada, e que o documento apresentado não faz prova em favor da rr, não há que se falar em reforma da decisão recorrida, cujas razões de decidir adiro, tendo em vista o disposto no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999 Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendose in totum a decisão de primeira instância. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 11065.720751/201098 Acórdão n.º 1001000.704 S1C0T1 Fl. 66 9 (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.915385/2011-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRECLUSÃO.
O recurso voluntário não é o momento processual adequado para trazer documentos novos, sequer mencionados na manifestação de inconformidade. É o contribuinte quem delimita os termos do contraditório ao formular a seu pedido ou defesa, conforme o caso, e instruí-lo com as provas documentais pertinentes, de modo que, em regra, as questões não postas para discussão precluem. Há hipóteses de exceção para tal preclusão, a exemplo (i) das constantes dos incisos I a III do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972 e (ii) de quando o argumento possa ser conhecido de ofício pelo julgador, seja por tratar de matéria de ordem pública, seja por ser necessário à formação do seu livre convencimento, neste último caso em vista da vedação ao non liquet. Não ocorrência de tais hipóteses de exceção no caso concreto.
Numero da decisão: 1401-002.716
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.Votaram pelas conclusões os Conselheiros Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano e Daniel Ribeiro Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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PRECLUSÃO. Recorrente BROTO LEGAL ALIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRECLUSÃO. O recurso voluntário não é o momento processual adequado para trazer documentos novos, sequer mencionados na manifestação de inconformidade. É o contribuinte quem delimita os termos do contraditório ao formular a seu pedido ou defesa, conforme o caso, e instruílo com as provas documentais pertinentes, de modo que, em regra, as questões não postas para discussão precluem. Há hipóteses de exceção para tal preclusão, a exemplo (i) das constantes dos incisos I a III do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972 e (ii) de quando o argumento possa ser conhecido de ofício pelo julgador, seja por tratar de matéria de ordem pública, seja por ser necessário à formação do seu livre convencimento, neste último caso em vista da vedação ao non liquet. Não ocorrência de tais hipóteses de exceção no caso concreto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.Votaram pelas conclusões os Conselheiros Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano e Daniel Ribeiro Silva. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 53 85 /2 01 1- 53 Fl. 487DF CARF MF Processo nº 10830.915385/201153 Acórdão n.º 1401002.716 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou compensação do(s) débito(s) discriminado(s) na Dcomp transmitida pela empresa. O Despacho Decisório considerou que, partir das características do DARF descrito na DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas estes foram integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação. Em sua manifestação de inconformidade a Contribuinte alegou, em síntese, que na DIPJ e DCTF do respectivo anocalendário não foram levadas em consideração algumas despesas que mudariam a base de cálculo do IRPJ, juntando DIPJ e DCTF retificadoras. A DRJ no Rio de Janeiro RJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Mantémse o despacho decisório se não comprovado o direito creditório pleiteado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada, a Contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo alegando, em síntese, que no anocalendário em discussão, não obstante tenha sido aprovada a distribuição de juros sobre o capital próprio (JCP), referidos valores não haviam sido contabilizados e declarados nas apurações dos respectivos tributos. Anos depois, ao verificar tal situação, a empresa então contabilizou os JCP, procedendo ao recolhimento do respectivo IRRF. Junta, então, documentos demonstrando o cálculo do JCP, Razão das contas demonstrando a contabilização extemporânea, comprovante de recolhimento do IRRF, memória de cálculo do IRPJ e da CSLL conforme a apuração "antiga" e respectivos comprovantes de recolhimento, memória de cálculo do IRPJ e CSLL retificadas e alteração contratual referente ao aumento do seu capital social. É o relatório. Fl. 488DF CARF MF Processo nº 10830.915385/201153 Acórdão n.º 1401002.716 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Relator Luiz Augusto de Souza Gonçalves O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.709, de 14/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10830.915387/2011 42, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.709): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. Pleiteia a contribuinte, via declaração de compensação, o reconhecimento da dedutibilidade de juros sobre o capital próprio (JCP) que vieram a ser registrados na contabilidade em momento posterior. A decisão recorrida indeferiu a manifestação de inconformidade por considerar que a DCTF original serviu como confissão de dívida e a empresa não apresentou documentação que comprovasse erro que desse fundamento à retificação do tributo declarado e recolhido. De fato, em sua manifestação de inconformidade a contribuinte se limita a afirmar que o recolhimento foi indevido e a anexar declarações retificadoras, sem tecer qualquer explicação da razão pela qual a retificação estaria sendo feita, nem juntar qualquer documento relativo a tal apuração. Apenas em sede recursal é que a empresa explica o motivo pelo qual entende que ocorreu pagamento a maior de tributos e anexa documentos tais como o Razão e a memória de cálculo dos JCP. Entendo que no caso se operou a preclusão contra a Recorrente. Nos termos da legislação que regula o processo administrativo fiscal (em especial o Decreto 70.235/1972), os fundamentos do pedido ou de defesa, conforme o caso – assim como o pedido de diligência e as provas documentais devem ser apresentados por ocasião da manifestação de inconformidade ou da impugnação, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual, em regra. Fl. 489DF CARF MF Processo nº 10830.915385/201153 Acórdão n.º 1401002.716 S1C4T1 Fl. 5 4 Portanto, é o contribuinte quem delimita os termos do contraditório ao formular a seu pedido ou defesa (conforme o caso) e instruílo com as provas documentais pertinentes, de modo que, em regra, as questões não postas para discussão nesta ocasião precluem. E digo em regra porque existem as hipóteses de exceção. Por exemplo, os incisos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972 trazem hipóteses em que provas podem ser apresentadas em momento processual diverso da impugnação, quais sejam: (i) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (ii) refirase a fato ou a direito superveniente; e/ou (iii) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Neste caso, cabe ao contribuinte demonstrar, em petição fundamentada, a ocorrência de uma dessas condições, nos termos do § 5º do mesmo dispositivo. Outra exceção ocorre quando o argumento possa ser conhecido de ofício pelo julgador, seja por tratar de matéria de ordem pública1, seja por ser necessário à formação do seu livre convencimento, neste último caso em vista da vedação ao non liquet2. No caso, nenhuma de tais hipóteses de exceção resta configurada. Cumpre notar que, mesmo que assim não fosse, a Recorrente não logra sequer comprovar adequadamente seu direito, já que não foi juntado aos autos qualquer documento societário referente à deliberação dos JCP. Assim, mesmo que se 1 Costumase dizer que as matérias que o julgador deve conhecer de ofício são aquelas de ordem pública. É importante ressaltar, porém, que nem todas as matérias apreciáveis ex officio são necessariamente matérias de ordem pública, já que a lei processual, excepcionalmente, pode estabelecer que determinadas matérias de ordem privada sejam apreciadas de ofício. Neste sentido, Teresa Arruda Alvim Wambier explica: “Numa imagem matemática, dirseia que o conjunto de matérias examináveis de ofício é maior do que o das matérias de ordem pública. Portanto toda matéria de ordem pública é examinável de ofício, mas nem tudo o que pode ser examinado de ofício consiste em matéria de ordem pública” (WAMBIER, Teresa Arruda Alvim. Nulidades do processo e da sentença. 4ª ed. São Paulo: RT, 1998, p. 137) 2De fato, se for para formar seu livre convencimento, o julgador pode conhecer de argumentos de fato ou de direito exofficio, desde que indique os motivos que levaram a tal decisão. Isso porque, em virtude do dever de decidir (proibição do non liquet), há o poderdever de aplicar ao caso a norma jurídica que o julgador entender mais pertinente, mesmo que não tenha sido suscitada pelas partes. Fl. 490DF CARF MF Processo nº 10830.915385/201153 Acórdão n.º 1401002.716 S1C4T1 Fl. 6 5 admitisse a análise da documentação juntada e a supressão de instância daí decorrente, não seria possível verificar a procedência das alegações da Contribuinte. Neste sentido, oriento meu voto para negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 491DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.977144/2016-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2014
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL.
O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal.
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 1401-002.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 71 44 /2 01 6- 17 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10880.977144/201617 Acórdão n.º 1401002.623 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Iniciemos com o relatório da Decisão de Piso. Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração 31/12/2014, no valor de R$ 203.374,64, transmitida através do PER/Dcomp nº [...]. A Derat São Paulo não homologou a compensação, por meio do despacho decisório eletrônico de fl. [...], pois o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito do contribuinte. Cientificado do despacho em [...], o recorrente apresentou a manifestação de inconformidade [...], para alegar que os créditos decorrentes do pagamento a maior já teriam sido “disponibilizados em razão da desvinculação dos mesmos das DCTFs daquele período”. Concluiu, para requerer a homologação do PER/Dcomp. Analisando a manifestação de inconformidade a Delegacia de Julgamento proferiu decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Data do fato gerador: 31/12/2014 PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO INDISPONÍVEL. IMPOSSIBILIDADE. Impossível o reconhecimento de direito creditório integralmente utilizado para quitar outro PER/Dcomp do contribuinte. Referida decisão baseouse no fato de a empresa não ter se insurgido contra a vinculação do direito creditório a outro PER/DComp e não a débito declarado em DCTF. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário. No entanto, neste recurso, o único objeto de alegação é o pedido de prazo para realizar todas as retificações das declarações de maneira a demonstrar a existência do crédito solicitado. É o brevíssimo relatório. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10880.977144/201617 Acórdão n.º 1401002.623 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.603, de 17/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.977128/2016 24, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.603): "O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, por isso dele tomo conhecimento. O crédito solicitado pela empresa trata de pagamento a maior ou indevido de IRPJ/CSLL. Inobstante a decisão eletrônica do PER/DCOMP e da Delegacia de Julgamento observo que sequer a DIPJ da empresa do referido período foi juntada a processo para fins de análise. Para o deslinde do caso realizei consultas à DIPJ apresentada referente ao período de apuração do pagamento, assim como sobre a disponibilidade do pagamento realizado. Analisando as informações constantes da DIPJ e da DCTF da empresa verificamos que, efetivamente, a empresa apurou na DIPJ e confessou como devido em sua DCTF o valor de IRPJ/CSLL do período de apuração do DARF. Restando configurado serem devidos os débitos aos quais o pagamento foi alocado. marTendo apurado este valor e pesquisando os pagamentos realizados durante todo o exercício, verificamos que a empresa realizou o pagamento e que este foi o mesmo pagamento objeto de PER/DCOMP analisado no presente processo. Assim, à vista do exposto, demonstrase que foi correta a decisão da delegacia de origem quando não homologou a compensação em face da inexistência de crédito, considerando que o pagamento a cujo crédito fora pleiteado já estava integralmente utilizado na quitação do débito confessado em DCTF, inexistindo saldo de crédito a ser reconhecido. Desta forma, não havendo crédito a ser reconhecido por este CARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10880.977144/201617 Acórdão n.º 1401002.623 S1C4T1 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 68DF CARF MF
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