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Numero do processo: 13122.000147/2010-45
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
PEREMPÇÃO.
O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância. Esgotado esse prazo sem a interposição do recurso, a decisão de primeira instância se tornou definitiva. O recurso apresentado intempestivamente não deve ser conhecido.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2802-002.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do (a) relator(a).
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 22/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 PEREMPÇÃO. O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância. Esgotado esse prazo sem a interposição do recurso, a decisão de primeira instância se tornou definitiva. O recurso apresentado intempestivamente não deve ser conhecido. Recurso não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do (a) relator(a). (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 22/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
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O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância. Esgotado esse prazo sem a interposição do recurso, a decisão de primeira instância se tornou definitiva. O recurso apresentado intempestivamente não deve ser conhecido. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do (a) relator(a). (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 22/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 12 2. 00 01 47 /2 01 0- 45 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Tratase de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) do exercício 2009 , anocalendário 2008, em virtude de reclassificação para rendimentos tributáveis do valor de R$277.526,28 pago por Tribunal de Contas dos Municípios declarado como isento. Na impugnação foi alegado o direito a isenção por se tratar de aposentadoria, pensão ou reforma de portador de doença grave desde 2005, com anexação de documentos. A DRJ reputou que a comprovação feita aplicavase somente a partir de maio de 2010, de forma que os rendimentos do anocalendário 2008 são tributáveis porém reconheceu o direito a deduzir a contribuição à previdência oficial (R$28.360,36). Ciente da decisão de primeira instância em 15/03/2011, terçafeira, (fls. 140/141), o recorrente apresentou recurso voluntário em 15/04/11 (fls. 144), no qual apresenta os seguintes argumentos: 1. a doença foi diagnosticada em 04/10/2006 conforme atestado do cardiologista Roberto José de ª Freire já juntada aos autos e que é reapresentado, pois a doença existe desde a implantação do Stent; 2. isenção interpretase literalmente, portanto requer reconhecimento do direito à isenção desde 04/10/2006. O processo foi distribuído inicialmente à Conselheira Lúcia Reiko Sakae e, após sua aposentadoria, redistribuído a este Relator. Em 24/08/2012 foi protocolada petição nominada como Recurso Especial contra decisão da 1ª Turma Especial. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O contribuinte foi regularmente notificado do acórdão de primeira instância em 15/03/2011 (fls. 140/141), uma terçafeira, de maneira que o último dia para apresentar o recurso voluntário foi 14/04/2011, conforme previsão do art. 5º c/c art. 33 do Decreto 70.235/1972. Porém, a peça recursal foi protocolada em 15/04/2011 e não houve questionamento sobre a tempestividade. A perempção, caracterizada pela apresentação a destempo da peça recursal pelo contribuinte em decorrência do transcurso de mais de trinta dias entre a data do protocolo do Recurso Voluntário e a cientificação da decisão de primeira instância, impede sua apreciação pelo Colegiado. Ademais, a petição nominada como recurso especial tratase de lapso manifesto do recorrente pois a 1ª Turma Especial não julgou este recurso voluntário, embora tenha julgado outros recurso voluntários do contribuinte. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13122.000147/201045 Acórdão n.º 2802002.041 S2TE02 Fl. 170 3 Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 171DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 35093.000717/2006-48
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/06/2001 a 31/12/2004
GESTOR DE ÓRGÃO PÚBLICO. RESPONSABILIDADE. ART. 41 DA LEI 8.212/91. REVOGAÇÃO.
A Lei 11.941/09 revogou o disposto no artigo 41 da Lei 8.212/91, de modo que, a teor da disposição contida no art. 106, II, do CTN, a lei nova retroage para que sejam excluídos da relação jurídico - tributária os dirigentes de órgãos públicos como responsáveis pelas multas decorrentes infrações à legislação previdenciária.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-002.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/06/2001 a 31/12/2004 GESTOR DE ÓRGÃO PÚBLICO. RESPONSABILIDADE. ART. 41 DA LEI 8.212/91. REVOGAÇÃO. A Lei 11.941/09 revogou o disposto no artigo 41 da Lei 8.212/91, de modo que, a teor da disposição contida no art. 106, II, do CTN, a lei nova retroage para que sejam excluídos da relação jurídico - tributária os dirigentes de órgãos públicos como responsáveis pelas multas decorrentes infrações à legislação previdenciária. Recurso Voluntário Provido
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RESPONSABILIDADE. ART. 41 DA LEI 8.212/91. REVOGAÇÃO. A Lei 11.941/09 revogou o disposto no artigo 41 da Lei 8.212/91, de modo que, a teor da disposição contida no art. 106, II, do CTN, a lei nova retroage para que sejam excluídos da relação jurídico tributária os dirigentes de órgãos públicos como responsáveis pelas multas decorrentes infrações à legislação previdenciária. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 09 3. 00 07 17 /2 00 6- 48 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35093.000717/200648 Acórdão n.º 2401002.743 S2C4T1 Fl. 63 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra a pessoa física acima identificada, à qual foi imputada multa pessoal, nos termos do art. 41 da Lei n.º 8.212/1991, em razão de descumprimento da legislação previdenciária no âmbito do órgão público em que atuava como dirigente. É o relatório. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. A exclusão da responsabilidade do gestor Para análise das autuações pessoais dos gestores de órgãos públicos devese hodiernamente considerar a revogação do art. 41 da Lei n.º 8.212/1991 pela MP n.º 449, de 04/12/2008. Era exatamente o dispositivo retirado do ordenamento que permitia ao Fisco alcançar pessoalmente os dirigentes de órgãos públicos pelas infrações à legislação previdenciária. Assim, ao tratar da aplicação da lei tributária no tempo, o CTN dispõe: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: quando deixe de definilo como infração; (...) Vêse que, para esses dirigentes, a lei deixou de definir as faltas relativas ao cumprimento das obrigações acessórias previdenciárias como ilícitos administrativos. Por conseguinte, devese aplicar a lei nova aos processos ainda não definitivamente julgados, que se refiram às autuações lavradas com fulcro no art. 41 da Lei n.º 8.212/1991, cancelandose, assim, as penalidades decorrentes. Sobre essa questão não podemos deixar de transcrever excerto do Parecer PGFN/CDA/CAT n.º 190/2009, de 02/02/2009, até o momento não aprovado pelo Ministro da Fazenda, mas que já dá o tom de qual entendimento será adotado pela Administração Tributária: 22.Inicialmente, entendemos que nesse caso aplicase a regra do art. 106 do CTN, uma vez que com a revogação do dispositivo legal que dava fundamento ao lançamento contra a pessoa do dirigente, a lei deixou de definir tal conduta como infração. Em consequência, a aplicação da penalidade deverá ser em face da pessoa jurídica de Direito Público dotada de personalidade jurídica. 23.Em consequência, para os atos não definitivamente julgados administrativamente, deve a lei retroagir, implicando no cancelamento de todas as penalidades aplicadas com base no art. 41 da Lei n.º 8.212/1991. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35093.000717/200648 Acórdão n.º 2401002.743 S2C4T1 Fl. 64 5 Conclusão Voto pelo provimento do recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 66DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000004/2010-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
ISENÇÃO DA COTA PATRONAL
A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpreta-se literalmente a legislação que disponha sobre o benefício legal. À época dos fatos geradores vigorava o artigo 55 da Lei n.º 8.212/91, sendo concedida pelo INSS àquelas entidades que cumprissem os requisitos formais e operacionais descritos na legislação e a solicitassem ao Instituto.
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais- CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade.
MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 35-A DA LEI Nº 8.212/91.
Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época dos fatos geradores, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso.
O benefício da retroatividade benigna constante da alínea c do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração.
Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se mostra mais benéfico ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.163
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei n. 8212 de 1991 para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Adriana Sato.
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Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 ISENÇÃO DA COTA PATRONAL A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpreta-se literalmente a legislação que disponha sobre o benefício legal. À época dos fatos geradores vigorava o artigo 55 da Lei n.º 8.212/91, sendo concedida pelo INSS àquelas entidades que cumprissem os requisitos formais e operacionais descritos na legislação e a solicitassem ao Instituto. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais- CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 35-A DA LEI Nº 8.212/91. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época dos fatos geradores, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. O benefício da retroatividade benigna constante da alínea c do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se mostra mais benéfico ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte
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À época dos fatos geradores vigorava o artigo 55 da Lei n.º 8.212/91, sendo concedida pelo INSS àquelas entidades que cumprissem os requisitos formais e operacionais descritos na legislação e a solicitassem ao Instituto. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 35A DA LEI Nº 8.212/91. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época dos fatos geradores, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. O benefício da retroatividade benigna constante da alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se mostra mais benéfico ao contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 00 04 /2 01 0- 10 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 21/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei n. 8212 de 1991 para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Adriana Sato. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 21/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000004/201010 Acórdão n.º 2302002.163 S2C3T2 Fl. 121 3 . Relatório Trata o presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado em 12/01/2006 e cientificado ao sujeito passivo em 18/01/2006, de contribuições previdenciárias relativas a cota dos segurados empregados e contribuintes individuais, não descontadas e incidentes sobre as suas remunerações, apuradas através das folhas de pagamento, informações prestadas em GFIP e lançamentos contábeis efetuados pela autuada, no período de 01/2005 a 12/2006. O relatório fiscal de fls. 39/41, diz que a autuada não possui o ato declaratório de isenção emitido pelo INSS e informava em GFIP o FPAS 515. Aduz o relatório, que a entidade nunca possuiu a isenção patronal das contribuições previdenciárias. Após impugnação, Acórdão de fls. 88/97, manteve o crédito previdenciário como lançado. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: a) que se enquadra em todos os requisitos do artigo 14, do CTN, fazendo jus ao benefício da imunidade do artigo 150,VI da Constituição Federal; b) que é entidade sem fins lucrativos, de utilidade pública e propiciadora de assistência social; c) que a Lei n.º 8.212/91, por ser ordinária é inconstitucional ao impor limitações à imunidade constitucional; d) que a remuneração de dirigentes só é vedada se o mesmo não exercer atividade em prol da entidade; e) que o presente ato administrativo é inválido por se basear em lei inconstitucional. Requer o acolhimento do recurso, a nulidade do auto de infração por ser inconstitucional e a produção de todos os meios de prova. É o relatório. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 21/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade frente à tempestividade, devendo ser conhecido. A recorrente não discute o mérito das contribuições previdenciárias relativas a parte dos segurados empregados e contribuintes individuais lançadas no presente Auto de Infração de Obrigação Principal e apuradas através do exame das folhas de pagamento elaboradas pela autuada e registradas em sua contabilidade, de forma que se tornam incontroversos os valores levantados. A questão trazida aos autos na peça recursal cingese à inconformidade da recorrente quanto ao seu não enquadramento como entidade isenta, uma vez que diz implementar todas as condições necessárias para tanto. Entretanto, no que se refere às argüições da recorrente, devemos considerar que uma entidade pode, efetivamente, ser filantrópica, mas isto não pressupõe que seja isenta das contribuições previdenciárias. A isenção era um benefício regulado, à época dos fatos geradores, pela Lei n.º 8.212/91, no seu artigo 55 e pelo Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, nos artigos 206 em diante, sendo concedida pelo INSS àquelas entidades que cumprirem os requisitos formais e operacionais descritos na legislação e a solicitassem ao Instituto. Os requisitos a serem cumpridos para o gozo do benefício legal eram aqueles especificados no artigo 55 da Lei n.º 8.212/91. De posse dos documentos formais e estando adequada aos demais requisitos operacionais, a entidade deveria requerer a isenção patronal das contribuições previdenciárias ao INSS (art. 55, § 1º da Lei n.º 8.212/91). A isenção, uma vez concedida, retroagia à data do protocolo do pedido (art. 208, §2º, do RPS). No caso em tela, os documentos acostados no processo não permitem vislumbrar que a entidade era isenta da cota patronal das contribuições previdenciárias no período notificado. A recorrente não apresentou o CEBAS – Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, nem o título de Utilidade Pública Federal, documentos essenciais para o gozo do benefício legal. Ademais, a própria autuada admite que não possui o Ato Declaratório de Isenção das Contribuições Previdenciárias. Também não é o caso de se falar em direito adquirido, pois na vigência do artigo 55, da Lei n.º 8.212/91, a entidade estaria dispensada de requerer a isenção, se em 1º de setembro de 1977, cumprisse os requisitos estipulados pelo DecretoLei n.º 1572/77, ocorre que a autuada foi fundada apenas em 25/03/1998. Quanto à alegação de inconstitucionalidade do artigo 55 da Lei n.º 8.212/91, ressaltase que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Poder Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, especificamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir Fl. 136DF CARF MF Impresso em 21/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000004/201010 Acórdão n.º 2302002.163 S2C3T2 Fl. 122 5 quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. Faço referência ao professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, que assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF se autoimpôs regra proibitiva nesse sentido: Portaria MF n° 256, de 22/06/2009 (que aprovou o Regimento Interno do CARF): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. SÚMULAS CONSOLIDADAS CARF PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010) Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, não vejo como afastar a aplicação do artigo 55 da Lei nº 8.212/91, eis que vigente a norma legal que estabeleceu critérios para que as entidades beneficentes de assistência social pudessem obter a isenção patronal previdenciária. O parágrafo 6º do art. 150 da Constituição Federal estabelece que: “ Qualquer subsídio ou isenção (grifo nosso), redução de base de cálculo, concessão de credito presumido, anistia ou remissão, Fl. 137DF CARF MF Impresso em 21/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei especifica federal, estadual ou municipal que regule exclusivamente as materiais acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, parágrafo 2º, XII, “g” * (Redação pela Emenda Constitucional 03/93 – D.O. U. 18.03.93)” Assim, a isenção, conforme atesta o texto constitucional, só pode ser concedida mediante lei específica, no caso a vigente, Lei n.º 8.212/91, que no seu artigo 55 estabelecia as exigências necessárias a serem cumpridas, cumulativamente, para que a entidade obtivesse a isenção das contribuições previdenciárias de que tratam os artigos 22 e 23, da mesma lei. Nos incisos I e II, do citado artigo 55, constam os requisitos formais, quais sejam : que a entidade seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal e que seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos. De posse dos elementos necessários a entidade deveria requerer a isenção ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, de acordo com o preceito contido no parágrafo 1º, do citado artigo 55, da Lei n.º 8.212/91. Além disso, o entendimento de que a lei a que se refere a parte final do § 7º,do art. 195 da Constituição Federal que tem por objetivo definir os requisitos para benefício da imunidade, pode ser perfeitamente a Lei 8.212/91 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Os auditores fiscais do INSS/SRP/RFB, revestidos da competência legal que lhes é conferida, buscam averiguar o correto cumprimento do regramento existente, já que a Seguridade Social deve ser financiada por toda a sociedade, conforme preceito constitucional e a onerosidade deve recair uniformemente sobre os contribuintes, não sendo justo que algumas entidades usufruam benefícios legais sem a contraprestação dos serviços devidos. Os requisitos legais trazidos no artigo 55 da Lei n.º 8.212/91, devem ser cumulativamente obedecidos pela entidade filantrópica para poder usufruir da isenção patronal das contribuições previdenciárias e a fiscalização do INSS deve, porque a lei não lhe dá discricionariedade, verificar o fiel cumprimento dos mesmos, justamente auditando as empresas para verificar se os dados informados anualmente em seus Relatórios de Atividades, expressam a realidade de cada uma. Seria ingênuo pensar que os auditores deveriam aceitar os dados impostos pela entidade, não podendo dos mesmos duvidar nem buscar a sua comprovação. Ressaltese que o dever de fiscalizar a atuação das entidades de interesse social deve ser prioridade, não só porque os entes tributantes deixam de arrecadar dividendos, em razão das imunidades e isenções concedidas, mas, sobretudo, porque as referidas pessoas jurídicas atuam com políticas públicas e demandas sociais que se refletem, diretamente, na vida de pessoas, do povo, um dos componentes fundamentais à autonomia do Estado. Quanto mais Fl. 138DF CARF MF Impresso em 21/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000004/201010 Acórdão n.º 2302002.163 S2C3T2 Fl. 123 7 significativos são os índices que revelam as diferenças sociais de um povo, maior a fragilidade da respectiva nação. Resta pacificado que as entidades beneficentes de assistência social se obrigam à gratuidade, além da observância de outros requisitos que venham a assegurar que a entidade beneficiária faz jus ao nãopagamento das contribuições para a seguridade social, justamente porque desempenha papel para cujo custeio destinase o tributo. A fundamentação ética para a obtenção da isenção das contribuições devidas pela empresa à seguridade social é a certeza de que estas prestarão, no mínimo, senão mais e melhor, a assistência social que presta o Estado com o mesmo recurso financeiro. Em contrapartida, não haveria qualquer sentido uma instituição que não presta nenhum serviço gratuito, ou que o mesmo seja tão ínfimo frente à grandeza de seu empreendimento, não contribuindo em nada com a seguridade social, venha a deixar de pagar contribuições sociais impostas a toda sociedade. A entidade beneficente de assistência social é aquela que atua de maneira substitutiva ao Estado e por isso contribui em espécie para o pacto social traçado pela Constituição Federal nos seus artigos 194 e 195. Desta feita, fica desonerada das contribuições sociais porque sua atuação benemerente resguarda o mínimo existencial a ser garantido pela seguridade social, o que o faz substitutivamente. Já, as demais entidades detêm apenas a imunidade de impostos, contida no artigo 150, VI, “c” da Constituição Federal de 1988, em respeito ao preceito constitucional referente ao custeio da seguridade social. Na ação fiscal efetuada, a recorrente não conseguiu comprovar a existência dos requisitos formais essenciais à época da ocorrência dos fatos geradores, para que pudesse usufruir da isenção patronal das contribuições previdenciárias.Por isto, não há reparos a fazer no lançamento efetuado, já que a autuada não possuía a isenção patronal e o crédito, ora lançado, referese a estas contribuições. Deixo de me manifestar sobre a alegada remuneração de diretor, já que a autuação não trata deste tópico. Por derradeiro, o fisco ao promover a aplicação da multa, efetuou uma comparação entre a multa de 24%, prevista no artigo 35, inciso II, acrescida da multa pelo descumprimento de obrigação acessória e pela multa imposta pela legislação vigente quando do lançamento, multa de ofício de 75%, prevista no artigo 44, da Lei n.º 9.430/96, a fim de apurar o percentual mais benéfico ao contribuinte, que do resultado se mostrou a multa de ofício, sendo então aplicada. Contudo, meu entendimento é que à luz da legislação vigente, as multas devem ser aplicadas de forma isolada, conforme o caso, por descumprimento de obrigação principal ou de obrigação acessória, da forma mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disposto no artigo 106, do Código Tributário Nacional. Embora, em algumas vezes, a obrigação acessória descumprida esteja diretamente ligada à obrigação principal, isto não significa que sejam únicas para aplicação de multa conjunta. Pelo contrário, uma subsiste sem a outra e mesmo não havendo crédito a ser lançado, é obrigatória a lavratura de auto de infração se houve o descumprimento de obrigação acessória. As condutas são tipificadas em lei, com penalidades específicas e aplicação isolada. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 21/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 O art. 44 da Lei n º 9.430/96, traz que a multa de ofício de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento , de falta de declaração e nos de declaração inexata. Portanto, está claro que as três condutas não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Quando o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não será aplicada a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430. Porém, se apesar do pagamento não tiver declarado em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212/91, justamente por se tratar de condutas distintas. Se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430/96, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. A multa do art. 44 da Lei n º 9.430/96, somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em GFIP, mas não tiver pago, o art. 44 da Lei 9.430/96 não é aplicado, porque não há lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a GFIP. Nas hipóteses em que o contribuinte não tiver recolhido e não tiver declarado em GFIP, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em GFIP a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212/91. Conforme já foi dito, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Pelo exposto, é de fácil constatação que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. A lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Portanto, no exame do caso em questão é de se ver que a aplicação do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e do lançamento traz percentuais variáveis, de acordo com a fase processual em que se encontre o processo de constituição do crédito tributário e mostra mais benéfico ao contribuinte, uma vez em que se aplicando a redação dada pela Lei n.º 11.941/2008, mais precisamente o artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, o valor da multa seria mais oneroso ao contribuinte, pois deveria ser aplicado o artigo 44, I da Lei n.º 9430/96, já transcrito anteriormente. Quanto ao protesto pela produção de provas, informo que não deve ser acolhido, uma vez que a Portaria RFB n.º10.875/2007, no art. 7º, inciso III e § 1º, acompanhando os preceitos do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235/72, limitou o momento para a apresentação de provas, dispondo que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 21/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000004/201010 Acórdão n.º 2302002.163 S2C3T2 Fl. 124 9 Portaria RFB n.º 10.875/2007: Art. 7º A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 1º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: I fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; II refirase a fato ou a direito superveniente; III destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 2º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nos incisos do § 1º. Decreto nº 70.235/72 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A preclusão temporal para a apresentação de provas, no entanto, foi ressalvada nas situações previstas nas alíneas do § 1º do art. 7º da Portaria RFB acima transcritas, mas no caso em análise não restou demonstrada a ocorrência de nenhuma dessas situações. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 21/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Por todo o exposto, Voto pelo provimento parcial do recurso, devendo a multa ser aplicada na forma do artigo 35, da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época dos fatos geradores. Liege Lacroix Thomasi, Relatora Fl. 142DF CARF MF Impresso em 21/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 13971.901606/2011-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2003 a 30/12/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA. REEXAME DE MATÉRIA JÁ DECIDIDA.
Os embargos declaratórios somente são cabíveis para modificar o julgado que se apresentar omisso, contraditório ou obscuro, bem como para sanar possível erro material existente no acórdão.
Não há omissão, contradição, obscuridade ou erro material a ser sanado no acórdão embargado, o qual se encontra suficientemente fundamentado.
Embargos de declaração conhecidos e rejeitados.
Numero da decisão: 3202-000.590
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Rodrigo Cardozo Miranda.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 30/12/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA. REEXAME DE MATÉRIA JÁ DECIDIDA. Os embargos declaratórios somente são cabíveis para modificar o julgado que se apresentar omisso, contraditório ou obscuro, bem como para sanar possível erro material existente no acórdão. Não há omissão, contradição, obscuridade ou erro material a ser sanado no acórdão embargado, o qual se encontra suficientemente fundamentado. Embargos de declaração conhecidos e rejeitados.
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OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA. REEXAME DE MATÉRIA JÁ DECIDIDA. Os embargos declaratórios somente são cabíveis para modificar o julgado que se apresentar omisso, contraditório ou obscuro, bem como para sanar possível erro material existente no acórdão. Não há omissão, contradição, obscuridade ou erro material a ser sanado no acórdão embargado, o qual se encontra suficientemente fundamentado. Embargos de declaração conhecidos e rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 16 06 /2 01 1- 90 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13971.901606/201190 Acórdão n.º 3202000.590 S3C2T2 Fl. 170 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Rodrigo Cardozo Miranda. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos contra o Acórdão n.º 3202 000.556, que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do voto do relator, em face de obscuridades a seguir apontadas: a) Referida decisão não mencionou, expressamente, qual o dispositivo de lei que assim determina a limitação do crédito ao menor saldo credor apurado no período; b) Não restou clara a afirmação de que eventual saldo credor seria utilizado para compensação com débitos em períodos subsequentes. Transcrevo, a seguir, a ementa do Acórdão nº 3202000.556 objeto dos presentes embargos: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 30/12/2003 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. ANÁLISE DE TODA A ARGUMENTAÇÃO. Não implica em cerceamento de defesa decisão que adota fundamentação suficiente para o deslinde da controvérsia, revelandose desnecessário à instância de piso rebater cada um dos argumentos declinados pelo Recorrente. PEDIDO DE RESSARCIMENTO IPI. SALDO CREDOR ACUMULADO DE TRIMESTRES ANTERIORES. PEDIDO PRÓPRIO A partir de 01/01/1999, o pedido de ressarcimento ou compensação de IPI, efetuado por PER/DCOMP, deve ser requerido em relação aos créditos escriturados no trimestre referencia. O saldo credor passível de ressarcimento de cada trimestre calendário deve ser pleiteado em PER/DCOMP próprio. ART. 11 DA LEI N. 9779/99. SALDO CREDOR DE IPI. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. O artigo 11 da Lei nº 9.779/99 preconiza seja compensado o saldo credor de IPI com débitos do imposto, admitindo o ressarcimento dos créditos que não puderem ser compensados com débitos do próprio imposto. O referido artigo determina ainda seja formalizado o pedido de ressarcimento em períodos trimestrais. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13971.901606/201190 Acórdão n.º 3202000.590 S3C2T2 Fl. 171 RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÕES SUCESSIVAS. MENOR SALDO CREDOR. Tendo o contribuinte formado saldo credor de IPI no intervalo de 2003 a 2006 e tendo registrado saldo devedor do imposto em alguns períodos, de modo a diminuir seu crédito, o saldo credor remanescente correspondente ao menor saldo credor do imposto verificado em sua escrita fiscal é o que deverá ser selecionado para ressarcimento, e não o saldo credor formado a cada trimestrecalendário. DESNECESSIDADE DE ANÁLISE DOS PERÍODOS ANTERIORES AO TRIMESTRE REFERENCIA, PARA QUE SEJA RECONHECIDO O DIREITO PLEITEADO. Os créditos de períodos anteriores não interferem na análise do direito creditório em exame, pois os trimestrescalendários são independentes e os créditos anteriores não maculam os créditos anteriores. Preliminar de nulidade da decisão de primeira instância rejeitada. No mérito, recurso voluntário negado.” É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator Os Embargos foram apresentados tempestivamente, motivo pelo qual deles tomo conhecimento e passo a analisar as questões apontadas pela Embargante. Outrossim, embora entenda suficientes os fundamentos apontados na decisão, o que, de plano, levaria à rejeição dos embargos, filiome à corrente prestigia a máxima efetividade das garantias individuais, premissa que demove o exame das questões formuladas pela Embargante. Logo, por tal motivo, conheço dos embargos e passo ao exame das questões formuladas. Supostas Obscuridades A Embargante aponta obscuridade do acórdão embargado pelo fato dessa decisão não mencionar expressamente qual seria o dispositivo de lei que determina a limitação Fl. 171DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13971.901606/201190 Acórdão n.º 3202000.590 S3C2T2 Fl. 172 do crédito ao menor saldo credor do período. Seria igualmente obscura a afirmação de que eventual saldo credor seria utilizado para a compensação com débitos de períodos subsequentes. O fundamento legal perseguido pela Embargante e que respaldou a conclusão do acórdão embargado de que a Embargante faria jus apenas ao menor saldo credor do período encontrase plasmado no artigo 11 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda. A fim de disciplinar a compensação tributária e o ressarcimento de IPI in tela, a Secretaria da Receita Federal (SRF) baixou a Instrução Normativa SRF n° 210, de 30 de setembro de 2002 (norma vigente ao tempo das compensações da Embargante, sucessivamente alterada posteriormente) que disciplinou o ressarcimento de IPI. O artigo 14 da referida norma assim dispunha: Art. 14. Os créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), escriturados na forma da legislação específica, poderão ser utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados. § 1o Os créditos do IPI que, ao final de um período de apuração, remanescerem da dedução de que trata o caput poderão ser mantidos na escrita fiscal do estabelecimento, para posterior dedução de débitos do IPI relativos a períodos subseqüentes de apuração, ou serem transferidos a outro estabelecimento da pessoa jurídica, somente para dedução de débitos do IPI, caso se refiram a: I – créditos presumidos do IPI, como ressarcimento das contribuições para o Programa de Integração Social e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep) e da Contribuição para o Fl. 172DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13971.901606/201190 Acórdão n.º 3202000.590 S3C2T2 Fl. 173 Financiamento da Seguridade Social (Cofins), previstos na Lei no 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e na Lei no 10.276, de 10 de setembro de 2001; II créditos decorrentes de estímulos fiscais na área do IPI a que se refere o art. 1o da Portaria MF no 134, de 18 de fevereiro de 1992; e III – créditos do IPI passíveis de transferência a filial atacadista nos termos do item 6 da IN SRF no 87/89, de 21 de agosto de 1989. § 2o Remanescendo, ao final de cada trimestrecalendário, créditos do IPI passíveis de ressarcimento após efetuadas as deduções de que tratam o caput e o § 1o, o estabelecimento matriz da pessoa jurídica poderá requerer à SRF o ressarcimento de referidos créditos em nome do estabelecimento que os apurou, mediante utilização do "Pedido de Ressarcimento de Créditos do IPI", bem assim utilizálos na forma prevista no art. 21 desta Instrução Normativa. (...) Como visto, tratase de simples equação aritmética: total de créditos do período menos total de débitos, a diferença entre créditos e débitos é o valor passível de ressarcimento, daí falarse em menor saldo credor, indicador, ademais, s.m.j., medido pelo programa gerador de PER/DCOMP e que ali e na própria declaração podem ser verificados. Assim, para fins de apuração do valor do IPI que deve ser ressarcido, devese considerar o menor saldo credor verificado no trimestrecalendário, pois essa importância já se encontra líquida de compensações que a lei determina sejam efetuadas. Desse modo, demonstrandose nas fls. 2829 e 129 dos autos que o saldo credor foi compensado nos períodos em que a Embargante apresentou débitos maiores que seus créditos, o saldo credor que pode ser objeto de ressarcimento é o menor saldo credor apurado no período. Pelo que se pode depreender dos embargos, informa ainda a Embargada que pagou imposto devido ao invés de compensálo na forma descrita nos parágrafos precedentes. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13971.901606/201190 Acórdão n.º 3202000.590 S3C2T2 Fl. 174 Todavia, o fato de têlo pago não transmuta o quanto exposto nos parágrafos precedentes, visto que é a lei que determina a prévia compensação do saldo credor de IPI com débitos do imposto, ao invés de pagamento. Portanto, não existe qualquer obscuridade a ser aclarada, na medida em que o fundamento legal retrocitado, bem assim a inteligência daquela regra, está plasmado na decisão embargada. Em face do exposto, conheço dos embargos e os rejeito pelas razões acima aduzidas. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 174DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726846/2009-90
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
Ementa
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE OU CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. REEXAME DE MATÉRIA JÁ DECIDIDA. IMPOSSIBILIDADE DE IMPRIMIR EFEITOS INFRINGENTES.
Os embargos declaratórios somente são cabíveis para modificar o julgado que se apresentar contraditório ou obscuro, bem como para sanar possível erro material existente no acórdão.
Não há contradição e obscuridade a ser sanado no acórdão embargado, o qual se encontra suficientemente fundamentado.
Embargos de declaração conhecidos e rejeitados
Numero da decisão: 2802-001.865
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR os Embargos de Declaração, nos termos do voto da relatora
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite - Relatora.
EDITADO EM: 22/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior, Carlos Andre Ribas De Mello, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 Ementa EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE OU CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. REEXAME DE MATÉRIA JÁ DECIDIDA. IMPOSSIBILIDADE DE IMPRIMIR EFEITOS INFRINGENTES. Os embargos declaratórios somente são cabíveis para modificar o julgado que se apresentar contraditório ou obscuro, bem como para sanar possível erro material existente no acórdão. Não há contradição e obscuridade a ser sanado no acórdão embargado, o qual se encontra suficientemente fundamentado. Embargos de declaração conhecidos e rejeitados
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR os Embargos de Declaração, nos termos do voto da relatora (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite - Relatora. EDITADO EM: 22/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior, Carlos Andre Ribas De Mello, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1670; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 2 1 1 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.726846/200990 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802001.865 – 2ª Turma Especial Sessão de 18 de setembro de 2012 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida ELMIR DUCLERC RAMALHO JUNIOR ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 Ementa EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE OU CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. REEXAME DE MATÉRIA JÁ DECIDIDA. IMPOSSIBILIDADE DE IMPRIMIR EFEITOS INFRINGENTES. Os embargos declaratórios somente são cabíveis para modificar o julgado que se apresentar contraditório ou obscuro, bem como para sanar possível erro material existente no acórdão. Não há contradição e obscuridade a ser sanado no acórdão embargado, o qual se encontra suficientemente fundamentado. Embargos de declaração conhecidos e rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR os Embargos de Declaração, nos termos do voto da relatora (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora. EDITADO EM: 22/11/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 68 46 /2 00 9- 90 Fl. 310DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior, Carlos Andre Ribas De Mello, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros Relatório Tratam os autos de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional (fls. 306/308), em face do Acórdão 2802001.163, de 27 de outubro de 2011, (fls. 286/300), de lavra desta relatora. No arrazoado, a embargante denuncia omissão/contradição no acórdão. Os fundamentos da denunciada omissão/contradição estão consubstanciados nos parágrafos, a saber: “Com a devida vênia, o v. acórdão embargado incide em omissão e obscuridade ao afastar a incidência do imposto de renda sobre os juros de mora com amparo em precedente do STJ que não se aplica à espécie. Primeiramente, é preciso esclarecer, que a verba em discussão nestes autos –URV – não foi paga em razão de sentença judicial, mas sim em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. A autuada recebeu os valores ao longo de 36 (trinta e seis) meses, durante os anos de 2004, 2005 e 2006, por força da referida norma. Portanto, a validade da incidência do IRPF deve levar em consideração que os valores foram espontaneamente pelo Estado da Bahia, não se tratando de verba decorrente de condenação judicial. É relevante também mencionar que a verba recebida pela autuada não decorre de despedida ou rescisão de contrato de trabalho. Por isso, não se aplica à hipótese o Recurso Repetitivo/STJ nº 1.227.133, no qual a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça decidiu que não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho. Aliás, é preciso levar em consideração que o próprio o STJ esclareceu recentemente que o precedente em questão somente se aplica à hipótese em que a verba principal (trabalhista), sobre a qual incidiram os juros moratórios, tiver natureza indenizatória. Ou seja, só não incidirá imposto de renda sobre os juros moratórios quando a verba principal (trabalhista) tiver natureza indenizatória. Com efeito, a Primeira Seção do STJ, em julgamento proferido no dia 14.03.2012, nos autos do RESP 1.163.490/SC, esclareceu, a bom termo, o teor do precedente firmado em sede de recurso repetitivo acerca da incidência do IRPF sobre os juros de mora (RESP 1.227.133/RS). A ementa restou assim redigida: Fl. 311DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.726846/200990 Acórdão n.º 2802001.865 S2TE02 Fl. 3 3 “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. JUROS DE MORA DECORRENTES DO PAGAMENTO EM ATRASO DE VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA JÁ PACIFICADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.227.133/RS. 1. A Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, fixou orientação no sentido de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial. 2. .Agravo regimental não provido.” É bem verdade que esse novo acórdão ainda não foi publicado, podendo sofrer modificações. Porém, sua utilidade está em demonstrar a tese verdadeiramente firmada no Recurso Repetitivo 1.227.133/RS, qual seja: o imposto de renda não incide sobre os juros quando a verba trabalhista possui natureza indenizatória, de modo que, a contrario senso, em sendo de natureza remuneratória, seria possível a incidência do tributo. Na hipótese em análise, a verba principal recebida pela autuada não tem natureza trabalhista e/ou indenizatória nem foi recebida em virtude de sentença judicial, o que leva à conclusão de que não se aplicam a ela os fundamentos adotados pelo STJ para afastar a incidência do IRPF sobre os juros moratórios no julgamento do Recurso Repetitivo 1.227.133/RS. É o relatório. Voto Conselheira Relatora. Dayse Fernandes Leite A despeito da tempestividade, os embargos de declaração carecem de seus pressupostos de admissibilidade. Com efeito, devese observar que “cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma” (art. 65, do Anexo II, do RICARF). Nessa linha, obscuro é o acórdão que não explicita adequadamente os fundamentos da decisão e contraditório é aquele que tem fundamentos em oposição, total ou parcial, com sua decisão. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 O processo diz respeito à auto de infração lavrado devido à classificação indevida de rendimentos tributáveis na declaração de ajuste anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis.. O acórdão embargado excluiu da tributação os valores de R$29.966,69 em cada um dos três exercícios, recebidos, pelo contribuinte, a título de juros das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo. Inferese, nos autos que os rendimentos foram pagos, ao contribuinte, pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. Vêse claramente que as quantias foram recebidas em decorrência de diferenças não recebidas durante interregno antes mencionado, e que foram recompostas por decisão judicial. O acórdão embargado foi proferido em 27 de outubro de 2011, com o fundamento de não incidência de IR sobre os juros moratórios/ compensatórios recebidos pela contribuinte em virtude de decisão judicial, adotando o entendimento do STJ (REsp 1072609/SC), no sentido de que os juros de mora possuem caráter acessório e devem seguir a mesma sorte da importância principal, de sorte a se tratar de matéria a ser decidida por ocasião da análise da natureza jurídica dos valores referentes ao pagamento da diferença da URV (11,98%). Planilha de fls. 153 da conta de que do valor total R$243.096,45, percebido pelo contribuinte , relativo aos período 2004/2006, R$89.906,07,referemse a Juros moratórios (R$.29.968,68em cada período). Ademais,. no acórdão embargado, foi reproduzido o entendimento vigente a data em que foi proferido e segundo o qual o caráter indenizatório dos juros de mora não estava atrelado à condenação em ação judicial trabalhista, enquanto a embargante amparase no entendimento firmado pelo STJ posteriormente quando dos EDCL no RESP 1.227.133/RS. Esclarecida essa situação e mantido o mesmo entendimento do acórdão embargado acerca da adoção do entendimento do STJ exposto no RESP 1.227.133/RS, vêse claramente que não há qualquer obscuridade ou contradição no Acórdão nº. 2802001.163, de 27 de outubro de 2011, razão que me leva a declarar os embargos improcedentes, rejeitandoos de forma definitiva, devendo ser dado ciência à PGFN, tudo com fulcro no art. 65, §§ 3º e 4º, do Anexo II, do RICARF. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora Fl. 313DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.726846/200990 Acórdão n.º 2802001.865 S2TE02 Fl. 4 5 Fl. 314DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10875.903836/2010-11
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003
REPERCUSSÃO GERAL. JUÍZO PRÉVIO DE ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. INAPLICABILIDADE DO ART. 62-A, § 1º, DO REGIMENTO INTERNO.
O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62-A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boa-fé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis.
PER/DCOMP. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO COMPENSADO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA COMPENSAÇÃO.
A declaração do sujeito passivo - denominada PER/Dcomp - veicula a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Sem a identificação do crédito e dos débitos compensados, não se aperfeiçoa o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3802-001.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
EDITADO EM: 02/01/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Jose´ Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi.
Nome do relator: SOLON SEHN
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JUÍZO PRÉVIO DE ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. INAPLICABILIDADE DO ART. 62A, § 1º, DO REGIMENTO INTERNO. O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boafé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis. PER/DCOMP. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO COMPENSADO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA COMPENSAÇÃO. A declaração do sujeito passivo denominada PER/Dcomp veicula a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Sem a identificação do crédito e dos débitos compensados, não se aperfeiçoa o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 38 36 /2 01 0- 11 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. EDITADO EM: 02/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita (fls. 43): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2003 a 30/10/2003 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CERTEZA. LIQUIDEZ. COMPROVAÇÃO. A compensação de indébito fiscal com créditos tributários vencidos e/ou vincendos, está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Somente podem ser objeto de compensação créditos líquidos e certos, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido. INTIMAÇÃO VIA POSTAL. É válida a ciência do lançamento de ofício quando entregue, pelos Correios, no domicílio eleito pela contribuinte. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Permanecerá suspensa a exigibilidade dos débitos declarados em DCOMP enquanto estiver presente qualquer das hipóteses previstas no artigo 151 do Código Tributário Nacional – CTN. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10875.903836/201011 Acórdão n.º 3802001.401 S3TE02 Fl. 88 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O Recorrente, nas razões recursais de fls. 6176, alega ter formalizado o pedido de compensação com fundamento na inconstitucionalidade da inclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Aduz que a certeza do direito à compensação advém do art. 195 da Constituição e que recolheu os Darfs sem subtrair as parcelas do Icms. É o Relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão se deu no dia 23/02/2012 (fls. 54) e o protocolo do recurso, em 09/03/2012 (fls.59). Tratase, portanto, de recurso tempestivo que pode ser conhecido, uma vez que versa sobre matéria da competência da Terceira Seção e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972. Embora o sujeito passivo alegue que o direito creditório seria decorrente da inconstitucionalidade da inclusão do Icms na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins – matéria que, como se sabe, teve repercussão geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito do Recurso Extraordinário (RE) nº 574.706/PR1 entendese que não cabe o sobrestamento do feito mediante aplicação do art. 62A, § 1º, do Regimento Interno2. O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boafé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis. No caso dos autos, notase que a inconstitucionalidade da inclusão do Icms na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sequer foi ventilada na manifestação de inconformidade. O sujeito passivo, naquela etapa processual, fundamentou a origem do direito creditório apenas na inconstitucionalidade do aumento da alíquota da Cofins de 2% para 3%, sem apresentar qualquer alegação relacionada à matéria sob repercussão geral. A rigor, portanto, a alegação sequer poderia ser conhecida, consoante reconhece a remansosa jurisprudência do Carf: [...] 1 “Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785.” (DJe088, de 16/05/2008). 2 ""Art. 62A. [...] Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B." Fl. 89DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. CONHECIMENTO NA FASE RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. Em conformidade com o princípio da preclusão processual, se o sujeito passivo não contestou a matéria, no todo ou em parte, perante a autoridade julgadora de primeiro grau, não poderá mais fazêlo perante a instância superior, sob pena de inovação do feito e supressão de instância. (Acórdão 3802000.585. 3a S. 2a C. 2a TE. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. de 05/07/2011). “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO TEMPORAL. Questão não provocada a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, e somente demandada em grau de recurso, constitui matéria preclusa. Recurso Voluntário Negado.” (Acórdão 310100.409. 3a. S. 1a C. 1a TO. Rel. Conselheiro Tarásio Campelo Borges. S. de 29/04/2010). [...] NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA NÃO ABORDADA NA INSTÂNCIA ANTERIOR. PRECLUSÃO. EXCLUSÕES DE BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. Considerase preclusa matéria que não foi objeto de impugnação e que, por conseguinte, não foi objeto da decisão recorrida.” (Acórdão 340100.169. 3a S. 4a C. 1a TO. Rel. Conselheiro Odassi Guerzoni Filho. S. de 13/08/2009). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO E RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. ART. 17 DO DECRETO 70.235/72. O recurso voluntário é cabível contra a decisão de primeira instância, de modo que o âmbito válido de sua fundamentação naturalmente se circunscreve aos temas tratados no julgamento que pretende reformar. O recurso voluntário não pode inovar, veiculando novos argumentos de defesa que não foram apresentados na impugnação nem debatidos em primeira instância. Exceção feita apenas quanto a temas reconhecidamente de ordem pública, como é o caso da decadência e da prescrição.” (Acórdão 340300.385. 3a S. 4a C. 3a TO. Rel. Conselheiro Ivan Allegretti. S. de 25/05/2010). Assim, se a matéria sob repercussão geral não pode ser conhecida, por não ter sido ventilada na instância a quo, é igualmente descabido o sobrestamento do feito, inclusive porque, a rigor, no presente caso concreto a não homologação ocorreu devido à utilização do Darf para a quitação de outros débitos declarados pelo contribuinte (fls. 50). Tal situação se deu porque o Recorrente, ao apresentar a PER/Dcomp, deixou de retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), o que fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação (fls. 28). Fl. 90DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10875.903836/201011 Acórdão n.º 3802001.401 S3TE02 Fl. 89 5 Em circunstâncias dessa natureza, a Turma tem admitido a homologação da compensação, desde que retificada a Dctf e, principalmente, demonstrada a existência do direito creditório. Nesse sentido, cumpre destacar o julgado a seguir, de nossa relatoria: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/05/2005 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido. (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.007. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 22/05/2012) O Recorrente, além de não apresentar qualquer prova do direito creditório, sequer retificou a Dctf, razão pela qual não cabe a compensação. O sujeito passivo, na verdade, se limitou a afirmar que não tem como esclarecer a origem do crédito apurado e compensado (fls. 62). O Recurso, destarte, além de inovar indevidamente na suposta origem do direito creditório, mostrase manifestamente improcedente. Afinal, devese ter presente que a Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, promoveu a unificação do regime de compensação, extinguindo as compensações realizadas na Dctf, na escrituração contábil e a condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Todas essas modalidades foram substituídas pela autocompensação, que ressaltadas as contribuições para a seguridade social compensadas na Gfip (Guia de Recolhimento do Fgts e Informações à Previdência Social) é aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal. No regime da autocompensação, como se sabe, a extinção do crédito tributário ocorre por iniciativa do sujeito passivo, mediante entrega de declaração contendo informações relativas aos créditos e débitos compensados, que, por sua vez, fica sujeita à posterior homologação pela autoridade competente no prazo de até cinco anos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e Fl. 91DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) A declaração do sujeito passivo denominada PER/Dcomp revestese de especial importância no mundo jurídico, porquanto representa a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Tratase, consoante destaca Paulo de Barros Carvalho, do veículo introdutor da norma individual e concreta que positiva o fato jurídico extintivo: “O fato extintivo da compensação será positivado por norma individual e concreta que promova o encontro das relações, extinguindoas no quantum em que se equivalerem. Os sujeitos habilitados a expedir a norma individual e concreta da compensação, formalizando o mencionado ‘encontro de contas’, são a autoridade administrativa e a autoridade judiciária. Há hipóteses em que a lei autoriza ao próprio particular a efetivação da compensação tributária. Esta, todavia, somente é utilizada quando o ato do particular for homologado pela Administração, de maneira tácita ou expressa. Dito de outro modo, o aplicarse da norma de compensação gera a extinção do crédito tributário e do débito do Fisco. Mas, para que esta se concretize, necessário o relato em linguagem competente não apenas das relações que se pretende compensar, mas também do fato da compensação. Apenas se descrito no antecedente de norma individual e concreta irradiará os efeitos previstos no consequente normativo, operandose extinção dos vínculos obrigacionais.” (CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário, linguagem e método. 2. ed. São Paulo: Noeses, 2008, p. 480481). Em razão disso, para produzir os seus efeitos jurídicos próprios, a PER/Dcomp pressupõe a correta identificação do crédito e dos respectivos débitos compensados. Do contrário, não há como se aperfeiçoar juridicamente o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. No presente feito, diante da não identificação da origem do crédito compensado, não há como se proceder à homologação da compensação, devido ao não aperfeiçoamento jurídico do encontro de contas pretendido pelo Recorrente. Votase, portanto, pelo conhecimento do recurso e pelo desprovimento, com a consequente manutenção do acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 92DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10875.903836/201011 Acórdão n.º 3802001.401 S3TE02 Fl. 90 7 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 13643.000309/2010-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
IRPF. CONTRIBUINTE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. Estão isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria e pensão recebidos por contribuintes portadores de moléstia grave especificada em lei e comprovada por meio de laudo médico expedido por serviço médico oficial da União, dos Estados ou dos Municípios.
IRRF. COMPENSAÇÃO. A Compensação de Imposto de Renda Retido na Fonte, na declaração de ajuste anual, só é devida mediante a comprovação da efetiva retenção do imposto pela fonte pagadora dos rendimentos.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2201-001.906
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a omissão de rendimentos.
Assinatura digital
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente
Assinatura digital
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator
EDITADO EM: 20 de dezembro de 2012
Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Ewan Teles Aguiar (Suplente convocado). Ausente justicadamente a Conselheira Rayana Alves de Oliveira França.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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CONTRIBUINTE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. Estão isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria e pensão recebidos por contribuintes portadores de moléstia grave especificada em lei e comprovada por meio de laudo médico expedido por serviço médico oficial da União, dos Estados ou dos Municípios. IRRF. COMPENSAÇÃO. A Compensação de Imposto de Renda Retido na Fonte, na declaração de ajuste anual, só é devida mediante a comprovação da efetiva retenção do imposto pela fonte pagadora dos rendimentos. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a omissão de rendimentos. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 20 de dezembro de 2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 64 3. 00 03 09 /2 01 0- 66 Fl. 44DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 28/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Ewan Teles Aguiar (Suplente convocado). Ausente justicadamente a Conselheira Rayana Alves de Oliveira França. Relatório ARGEMIRO DA COSTA NEVES interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJJUIZ DE FORA/MG (fls. 27) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio da notificação de lançamento de fls. 08/13, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF, referente ao exercício de 2008, nos valores de R$ 715,50 e de R$ 359,60, o primeiro acrescido de multa de ofício e o segundo, de multa de mora, e ambos de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 1.923,16. As infrações que ensejaram o lançamento foram: 1) Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Tratase de endimentos recebidos da Secretaria de Estado, Planejamento e Gestão. O Contribuinte teria recebido R$ 95.447,81 e declarado R$ 86.816,07, omitindo R$ 8.631,74; 2) Dedução indevida de Contribuinção Previdenciária Oficial referente a rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Tratase do valor referente à contribuição previdenciária oficial descontada pela fonte pagadora Secretaria de Estado, Planejamento e Gestão, que informou em DIRF o valor de R$ 8.447,34, tendo o contribuinte declarado o valor de R$ 10.731,34. Foi glosada a diferença; 3) Compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. O Contribuinte declarou imposto de renda retido na fonte pela fonte pagadora Secretaria de Estado, Planejamento e Gestão no valor de R$ 17.652,09, tendo sido informado pela fonte pagadora R$ 16.143,43. O Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que os rendimentos do mês de dezembro e os referentes ao 13º salário estariam isentos do imposto de renda com fundamento no art. 6º da Lei nº 7.713, de 1988. Diz juntar laudo médico pericial e comprovante de rendimentos. Quanto à glosa da Contribuição Previdenciária, manifesta expressa concordância com a autuação. A DRJJUIZ DE FORA/MG julgou procedente o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. Inicialmente, ressaltou a parte não impugnada da autuação, referente à glosa da Contribuinção Previdenciária Oficial, declarando definitiva a exigência relativamente ao crédito tributário correspondente. Quanto à matéria em discussão, observou que, embora o Contribuinte comprove, mediante laudo médico, que era portador de moléstia grave em dezembro de 2007, não comprova que os rendimentos em questão eram proventos de aposentadoria; que a mera referência a “servidor aposentado” constante do laudo médico não comprova a natureza dos rendimentos. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 16/12/2010 (fls. 34) e, em 05/01/2011, interpôs o recurso voluntário de fls. 35/36, que ora se Fl. 45DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 28/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13643.000309/201066 Acórdão n.º 2201001.906 S2C2T1 Fl. 3 3 examina, e no qual reafirma que era portador de moléstia grave em dezembro de 2007, conforme laudo, e que era aposentado, conforme contracheques cujas cópias apresenta. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, resta em discussão apenas a omissão de rendimentos e a glosa do IRRF. Sobre a omissão de rendimentos, embora a decisão de primeira instância reconheça que o Contribuinte era portadora de moléstia grave em dezembro de 2007, conforme laudo, não acolheu as razões de defesa por entender não comprovada a natureza dos rendimentos como sento proventos de aposentadoria. Compulsando os autos e considerando os novos elementos apresentados pela defesa na fase recursal, todavia, chego a conclusão diversa. Os contracheques às fls. 41 indicam claramente que o Contribuinte recebeu proventos de aposentadoria. Comprovada a natureza dos rendimentos como sendo proventos de aposentadoria e a condição de portadora de moléstia grave, resta configurada a isenção. Quanto à glosa do IRRF, o lançamento baseiase na DIRF apresentada pela fonte pagadora e o contribuinte não apresenta nenhum elemento que comprove o valor declarado. Assim, deve ser mantido o lançamento quanto a esta parte. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para afastar a omissão de rendimentos. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 46DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 28/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª CÂMARA/2ª SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 13643.000309/201066 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº. 2201001.906. Brasília/DF, 20 de dezembro de 2012. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo Presidente da Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Fl. 47DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 28/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13643.000309/201066 Acórdão n.º 2201001.906 S2C2T1 Fl. 4 5 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 28/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10882.721809/2011-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. REACONDICIONAMENTO. MÉTODO PRL. O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento pode ser aplicado nas hipóteses em que haja, no País, simples reacondicioamento em embalagens apropriadas à revenda dos mesmos no Brasil.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 1402-001.238
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Antônio José Praga de Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1805; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1.828 1 1.827 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.721809/201113 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402001.238 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 7 de novembro de 2012 Matéria AUTO DE INFRACAO IRPJ e CSLL Recorrente ASTRAZENECA DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. REACONDICIONAMENTO. MÉTODO PRL. O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento pode ser aplicado nas hipóteses em que haja, no País, simples reacondicioamento em embalagens apropriadas à revenda dos mesmos no Brasil. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 18 09 /2 01 1- 13 Fl. 1828DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10882.721809/201113 Acórdão n.º 1402001.238 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório ASTRAZENECA DO BRASIL LTDA. recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: DA AUTUAÇÃO Conforme Termo de Constatação e Encerramento de fls. 1569/1575, em fiscalização empreendida junto à contribuinte acima identificada, relativa à verificação das obrigações tributárias decorrentes das regras de preços de transferência dos produtos importados no ano de 2006, constatouse o seguinte: Em atendimento ao Termo de Intimação n° 01/2010, a empresa forneceu as memórias de cálculo, sintéticas e analíticas, demonstrando ter adotado o método PRL Preço de Revenda menos Lucro, com margens de 20% (PRL20) e 60% (PRL60) Foi solicitado à empresa (Termo de Intimação n° 02/2010) que esclarecesse se os itens avaliados pelo método PRL com margem de 20% teriam sido submetidos a algum processo de industrialização no Brasil. Em resposta, consignouse que tais produtos chegam acabados, passando, no entanto, por testes de qualidade, colocação de lacres e bulas, em cumprimento às determinações da ANVISA Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Questionouse, ainda, o desconto, em todos os casos, de taxa de juros e spread, proporcionais ao prazo de pagamento, requerendose a devida comprovação documental da existência do mencionado encargo. A empresa limitouse a acrescentar, às memórias de cálculo anteriormente apresentadas, a demonstração da fórmula do cálculo dos mencionados valores redutores do custo de importação. Analisandose o conjunto das informações prestadas pela empresa, exsurgem alguns pontos principais que, segundo a fiscalização, estão em desacordo com o que estipula a legislação de regência. Com relação à dedução de juros e spread, que abrangeu a totalidade dos produtos importados, não foi comprovado, em documentação hábil e idônea, e nem sequer demonstrado, que o prazo de pagamento teve o condão de diferenciar os preços à vista e a prazo. Provavelmente, a mencionada redução do custo de importação tem como fundamento o artigo 9o da IN 32/2001. Ocorre que a possibilidade de tal exclusão cingese à verificação da efetiva ocorrência de juros nas operações realizadas a prazo. Sobre o tema, a CoordenaçãoGeral de Tributação expediu a Solução de Consulta de n° 17, em 30/05/2008. Tendo em vista que, embora intimada a comprovar ter incorrido em tais despesas financeiras, a contribuinte não trouxe nada além da revelação das taxas e da respectiva fórmula de apuração, a fiscalização efetuou os cálculos sem levar em consideração os mencionados valores. Fl. 1829DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10882.721809/201113 Acórdão n.º 1402001.238 S1C4T2 Fl. 0 3 O próximo ponto a se observar é que, na lista contida no anexo da resposta mencionada no item anterior, há 2 tipos distintos de itens importados. Os primeiros bens relacionados, cujos códigos são compostos por 3 algarismos, são produtos finais, prontos para serem revendidos. Neste caso, utilizouse corretamente o PRL com margem de 20%. O segundo grupo de produto, com códigos compostos de 5 dígitos, são submetidos, no país, a processo produtivo, de forma a tornálos aptos a serem colocados no mercado. Nesta situação, a agregação de valor resultante da operação industrial de acondicionamento torna impossível a utilização do método PRL com margem de 20%, dada a vedação expressa contida no § 9o do artigo 12 da IN SRF 243/2002, obrigando o desconto da margem de lucro de 60%, conforme se lê nesta norma. Outra questão que se nota é quanto à sistemática de cálculo que a contribuinte utilizou na avaliação dos produtos submetidos ao método PRL com margem de 60%. Como se percebe nas memórias de cálculo relativas aos princípios ativos importados, os preçosparâmetro foram alcançados mediante fórmula que se assemelha à estatuída na IN SRF n° 32/2001. Tendo em vista que na época dos fatos vigiam os procedimentos ditados na IN SRF nº 243/2002, a fiscalização refez os cálculos dos preços de transferência, adequandoos aos ditames desse ato legal. A fiscalização notou, ainda, que a empresa não considerou os valores relativos à quantidade e ao valor do estoque inicial na apuração do preço praticado, contrariando o disposto no artigo 12, § 3º, da IN SRF n° 243/2002. Assim, nas planilhas em anexo estão demonstrados os cálculos dos preços de transferência com a utilização do método PRL com margem de 60%. No Anexo I encontramse os itens importados que foram originalmente avaliados pela empresa pelo PRL com margem de 20%, e no Anexo II estão listados os artigos adquiridos no exterior, arbitrados com a utilização do PRL com margem de 60%, porém avaliados de forma não condizente com a legislação em vigor. No quadro à fl. 1574, a fiscalização sintetizase os ajustes encontrados (total de R$ 12.519.216,83): Por fim, destaquese que a contribuinte levou a ajuste do lucro líquido do anocalendário o valor de R$ 94.691,73. Questionada acerca do mencionado ajuste, informou tratarse de valores levantados em apuração anterior, que não se confirmou em reanálise. Isto posto, descontandose a quantia já oferecida à tributação pela empresa, a fiscalização efetuou a adição do montante de R$ 12.424.525,10 (R$ 12.519.216,83 R$ 94.691,73) à base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Em face do acima exposto, foram efetuados os seguintes lançamentos, relativos ao ano calendário de 2006: Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) Fundamento legal artigo 241 do RIR/99 Crédito Tributário 3.106.131,27 Imposto (em reais) 2.329.598,45 Multa proporcional (75%) 1.417.388,07 Juros de mora (cálculo até 31/05/2011) 6.853.117,79 TOTAL Fl. 1830DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10882.721809/201113 Acórdão n.º 1402001.238 S1C4T2 Fl. 0 4 Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL) Fundamento legal artigo 2º, e §§, da Lei nº 7.689/88; artigo 1º da Lei nº 9.316/96; artigo 28 da Lei nº 9.430/96; e artigo 37 da Lei nº 10.637/2002 Crédito Tributário 1.118.207,25 Contribuição (em reais) 838.655,43 Multa proporcional (75%) 506.659,70 Juros de mora (cálculo até 31/05/2011) 2.463.522,38 TOTAL Crédito Tributário Total (em reais) Consolidado até 6.853.117,79 IRPJ 31/05/2011 2.463.522,38 CSLL 9.316.640,17 TOTAL DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos lançamentos em 21/06/2011 (fls. 1588 e 1593), a contribuinte, por meio de seus advogados, regularmente constituídos (fls. 1708/1712), apresentou, em 21/07/2011, a impugnação de fls. 1638/1677, alegando, em síntese, o seguinte: DA IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO Atividade de embalagem – ilegitimidade da desqualificação do método PRL20 pela fiscalização a) Da base da acusação fiscal A impugnante importa e revende medicamentos de empresas vinculadas. Para essas situações (exceto no caso dos medicamentos Sodium Saccaharine, Lidocaina Base, Prilocaina e Cloridrato de Propranolol), opta, conforme dispõe o artigo 18 da Lei nº 9.430/96, pela aplicação do método PRL20, para atender às regras de controle de preços de transferência. No entanto, de acordo com a interpretação da fiscalização, qualquer agregação de valor, mesmo que não importe em processo de produção (grifo da impugnante), transformação ou alteração do produto, constituiria espécie de industrialização, sendo o contribuinte obrigado a adotar o método PRL60. O entendimento da fiscalização, entretanto, é descabido, seja pelo equívoco na interpretação dos fatos (uma vez que os produtos são revendidos sem qualquer processo de fabricação), seja pelo equívoco na interpretação da legislação (já que a fiscalização considerou que qualquer agregação de valor seria suficiente para aplicação do método PRL60). b) Da inocorrência de qualquer processo de fabricação Fl. 1831DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10882.721809/201113 Acórdão n.º 1402001.238 S1C4T2 Fl. 0 5 Os medicamentos importados pela impugnante (exceto os acima referidos) já se encontram prontos e acabados e são revendidos sem qualquer processo de alteração de sua natureza. No Brasil, esses medicamentos são submetidos a novo processo de embalagem, para se adequarem à legislação brasileira (em especial da Lei nº 6.370/76, que disciplina as matérias de vigilância sanitária, a qual está inserida a comercialização de medicamentos), sendo realizados testes de qualidade e colocados selos de segurança. A tabela de fl. 1648 resume o processo de embalagem de cada medicamento. Estão anexados aos autos os documentos que comprovam as informações refletidas nessa tabela. Notese que a impugnante não efetua qualquer combinação dos elementos que compõem o medicamento em seu estado final ou, ainda, acrescenta qualquer excipiente para a formação do produto; ele é vendido tal como importado. Como prova de sua alegação, a impugnante traz declaração de sua farmacêutica responsável (documentos anexos). c) Da impossibilidade de se interpretar que a mera agregação de valor corresponde a uma espécie de industrialização A fiscalização se pautou no conceito de industrialização apresentado pelo artigo 4º do Regulamento do IPI para definir pela aplicação do método PRL60. No entanto, o conceito de industrialização previsto na legislação do IPI é aplicável tão somente a esse imposto, não podendo ser utilizado para fins de interpretar qualquer outra legislação, inclusive as regras de controle de preços de transferência, que refletem em tributos distintos (IRPJ e CSLL). Destaquese, ainda, o fato de existir uma pluralidade de conceitos de industrialização, todos diversos no âmbito da legislação fiscal. Citese, como exemplo, o conceito de industrialização para as contribuições previdenciárias (artigo 22A da Lei nº 8.212/91 e artigo 240 da IN SRF nº 03/2005). Independentemente desses conceitos de industrialização, o fato é que essa discussão é irrelevante para fins de aplicação das regras de preços de transferência, explicamos. Isso porque, da análise da legislação de preços de transferência (artigo 18 da Lei nº 9.430/96, artigo 4º, § 1º, artigo 12, inciso IV e § 9º, da IN SRF nº 243/2002), constatase que o legislador e a Administração, quando da regulamentação da lei, utilizaram essencialmente a expressão “produção” como termo para aplicação do PRL60. No caso em exame, os bens importados pela impugnante não são aplicados na produção de outros bens, isto é, não são empregados em qualquer processo que resulte em criação de outro produto, conforme dispõe a supracitada legislação. Portanto, comprovada está a legitimidade do método PRL20 aplicado pela impugnante para a apuração dos preços de transferência dos citados medicamentos. d) Da interpretação equivocada do § 9º do artigo 12 da IN SRF nº 243/2002 Fl. 1832DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10882.721809/201113 Acórdão n.º 1402001.238 S1C4T2 Fl. 0 6 Nem se argumente, como pretendeu a fiscalização, que a mera agregação no país de valor ao produto importado seria suficiente para determinar a aplicação do método PRL60 e, conseqüentemente, a desconsideração do método PRL20. Esse entendimento da fiscalização decorre de uma leitura isolada do § 9º do artigo 12 da IN SRF nº 243/2002. Ocorre que a agregação de valor a que se refere o § 9º do artigo 12 da IN SRF nº 243/2002 deve ser interpretada dentro do termo “produção” previsto no artigo 18 da Lei nº 9.430/96 e no artigo 4º, § 1º, artigo 12, inciso IV e § 9º, da referido instrução normativa. Ademais, na hipótese de o raciocínio fiscal prosperar, inexistiria hipótese de revenda no Brasil submetida ao método PRL20, uma vez que qualquer agregação de valor desqualificaria a aplicação desse método. Importante esclarecer que toda a atividade exercida sobre um bem importado resulta em agregação de valor, requerendo a aplicação de capital e trabalho. No caso em tela, há agregação de valor da revenda materializada pelo processo de embalagem, não havendo, porém, qualquer operação de produção, o que legitima a aplicação do método PRL20. Caso esse entendimento não prevaleça, e se considere que a agregação de valor como fator determinante para a aplicação do método PRL60, então se concluí que a IN SRF nº 243/2002 criou, indevidamente, uma restrição não contida em lei. e) Do reconhecimento do método PRL20 pela própria Receita Federal Ressaltese, ademais, que o procedimento da impugnante de adotar o método PRL20 para o cálculo dos medicamentos importados e revendidos sem qualquer aplicação em processo de produção (apenas embalados) está totalmente amparado no Guia de Perguntas e Respostas da DIPJ/2007 (Capítulo XX, pergunta/resposta nº 41), que esclarece que nos casos de acondicionamento e reacondicionamento (gênero do qual embalagem é espécie), não há produção de outro bem, concluindo pela possibilidade de adoção do método PRL20. Ainda que tal resposta estivesse em desacordo com a lei que instituiu o tributo, não seriam devidos a multa de ofício e os consectários legais, nos termos do artigo 100 do CTN. Nem se diga que o entendimento da Administração seria outro, em razão da Solução de Consulta nº 5, de 01/09/2006. Isso porque, além de vincular tão somente o contribuinte que a formulou, a situação examinada (em que há a aposição de marca) não se coaduna ao caso em tela (em que há somente o processo de embalagem dos produtos). f) Do posicionamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais É importante destacar que no Acórdão nº 10517.210, a 5a Câmara do antigo 1o Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF) entendeu, em caso análogo ao presente, que o fato de haver agregação de valor ao produto importado não resultaria na descaracterização do método PRL20. Em consonância com o que vem afirmando a contribuinte ao longo desta defesa, os Conselheiros, quando do supracitado julgamento, afirmaram que o critério utilizado pela Lei nº Fl. 1833DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10882.721809/201113 Acórdão n.º 1402001.238 S1C4T2 Fl. 0 7 9.430/96 que impossibilita a utilização do método PRL20 referese à aplicação do produto importado na produção de outro bem, e não simplesmente na agregação de valor ao produto importado, como nos casos em que a empresa apenas fraciona e embala o produto importado. Quando inexiste produção de outro bem, independentemente de existir a agregação de valor resultante de procedimento de reembalagem, reacondionamento, a operação continua sendo uma operação de simples revenda, sujeitandose, portanto, à aplicação do método PRL20. Portanto, à luz da jurisprudência do CARF, forçoso concluir pela legitimidade da aplicação do método PRL20 nas situações em que houver acondicionamento da mercadoria importada, exatamente como no caso dos autos. g) Da conclusão Assim, seja pelo equívoco na interpretação dos fatos (uma vez que os medicamentos objeto do questionamento fiscal são revendidos sem qualquer processo de transformação), seja pelo equívoco na interpretação da legislação de preço de transferência (já que a fiscalização considerou que qualquer agregação de valor corresponderia a uma industrialização), os lançamentos merecem cancelamento integral. Ainda que se mantenha a autuação fiscal, é de rigor o reconhecimento da necessidade de cancelamento da multa de ofício e dos consectários legais, em razão da existência de orientação da Receita Federal em sentido diverso, nos termos do inciso III do artigo 100 do CTN. Apuração do PRL60 de acordo com a fórmula prevista na Lei nº 9.430/96 para o cálculo dos medicamentos importados e revendidos e também para o Sodium Saccaharine, Lidocaina Base, Prilocaina e Cloridrato de Propranolol – ilegalidade da IN SRF nº 243/2002 A fórmula adotada pela fiscalização para aferição do preçoparâmetro procura apoio no artigo 12, §11, da IN SRF nº 243/2002, o qual carece de base legal. Na Lei nº 9.430/96, o legislador estabeleceu que a margem de 60% deveria ser calculada sobre o preço de revenda, “deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País”. A Secretaria da Receita Federal editou, então, a IN SRF nº 32/2001, repetindo, como não poderia deixar de ser, o texto da Lei nº 9.430/96. Ocorre que em 11/11/2002 a Secretaria da Receita Federal editou a IN SRF nº 243/2002, alterando significativamente o cálculo para a apuração do preçoparâmetro segundo o método PRL60. A diferença da forma de apuração do PRL60 prevista na Lei nº 9.430/96 e na IN SRF nº 32/2001, e a forma prevista na IN SRF nº 243/2002 está fincada essencialmente na margem de cálculo a ser deduzida do preço líquido de revenda. Enquanto a Lei nº 9.430/96 e a IN SRF nº 32/2001 previam que o percentual de 60% incidiria sobre o valor integral do preço líquido de venda do produto diminuído do valor agregado no País, a IN SRF nº 243/2002 prevê que o percentual de 60% deve incidir sobre parcela do preço líquido de venda do produto, referente à participação dos bens, serviços ou direito importados. Ou seja, a IN SRF nº 243/2002 criou obrigação nova, não prevista em lei, violando o princípio constitucional da legalidade. Fl. 1834DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10882.721809/201113 Acórdão n.º 1402001.238 S1C4T2 Fl. 0 8 Diante disso, há que se cancelar do presente Auto de Infração, tendo em vista o fato de a impugnante ter se utilizado da mecânica de cálculo do PRL60 conforme regulado pela Lei nº 9.430/96 e pela IN SRF nº 32/2001. Reconhecimento da ilegalidade da IN SRF nº 243/2002 pela RFB Caso analisemos a legislação de preços de transferência com cuidado, chegaremos à conclusão que a própria RFB vem reconhecendo a incompatibilidade entre a sistemática da IN SRF nº 243/2002 e da Lei nº 9.430/96. Isso porque, de acordo com a RFB, a nova fórmula de cálculo prevista pela IN SRF nº 243/2002 só seria válida a partir do anocalendário de 2002 (artigo 45 da IN SRF nº 243/2002). Se a RFB entendesse que a fórmula prevista pela IN SRF nº 243/2002 apenas reproduziria os termos da Lei nº 9.430/96, certamente que teria declarado seu caráter interpretativo e a aplicado para fatos pretéritos, o que não ocorreu. Além disso, em 29/12/2009, foi editada a Medida Provisória n° 478, a qual não foi convertida em lei no prazo estipulado. No entanto, a sua Exposição de Motivos (item 20) torna ainda mais claro o cenário estabelecido entre Fisco e contribuintes, notadamente nos casos em que dispositivos aplicados pela fiscalização (como no presente caso) careciam de base legal. O próprio legislador reconhece que grande parte das disposições em matéria de preços de transferência estão baseadas em Instrução Normativa e careciam de base legal, o que seria supostamente sanado pela MP 478/2009 e com sua posterior conversão em lei. Resta claro que o legislador procurou modificar a Lei nº 9.430/96, a fim de suportar em termos jurídicos a sistemática de cálculo da IN SRF nº 243/2002. Assim, tendo em vista que a MP 478/2009 não foi convertida em lei, resta forçado concluir que até os dias de hoje a IN SRF nº 243/2002 não possui base legal. Por tudo exposto, resta forçado concluir que a IN SRF nº 243/2002 é incompatível com a Lei nº 9.430/96 e a IN SRF nº 32/2001, no que tange ao cálculo do PRL60. Precedentes sobre a incompatibilidade entre a Lei nº 9.430/96 e a IN SRF nº 243/2002 A incompatibilidade entre a IN SRF nº 243/2002 e a Lei nº 9.430/96 já vem sendo discutida também na esfera judicial. O Juízo da 9ª Vara Federal Cível da Justiça Federal de São Paulo decidiu, na sentença relativa ao Processo n° 2003.61.00.0061258, que ambas as sistemáticas são incompatíveis. O mesmo entendimento foi apresentado em acórdão emitido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, a qual inclui São Paulo. Taxa Libor Com relação à dedução de juros e spread, não há que se falar em sua desconsideração, uma vez que o impugnante utilizou como base o disposto nos §§ 2° e 3o do artigo 9o da IN SRF nº 243/2002, que dispõe que o valor dos bens importados poderá ser ajustado de modo a excluir as diferenças resultantes do prazo para pagamento. Fl. 1835DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10882.721809/201113 Acórdão n.º 1402001.238 S1C4T2 Fl. 0 9 Essa dedução pode se dar através de uma taxa praticada pela própria empresa ou pela taxa Libor, caso não haja uma taxa aplicada consistentemente pela empresa. Como a impugnante não possuía uma taxa própria aplicada reiteradamente, utilizou a Taxa Libor, nos termos do inciso II do § 3o do artigo 9o da IN SRF 243/2002. Vale ressaltar que a IN SRF 243/2002 não determina qualquer necessidade de comprovação de que os encargos foram cobrados, mesmo porque esse instrumento é uma ficção criada pela legislação para trazer a valor presente os valores pagos a prazo, de modo a tornar uma operação paga a prazo com uma operação à vista. Ademais, a sua comprovação se dá através da análise dos fatos da operação, ou seja, se o pagamento ocorreu após determinado período (p.ex. 30 dias), naturalmente existiriam encargos financeiros embutidos na operação com pagamento a prazo. Assim, com base na estrita interpretação dos §§ 2° e 3o do artigo 9o da IN SRF nº 243/2002, há que se considerar a dedução da taxa Libor nas compras efetuadas a prazo pela impugnante no cálculo dos preços praticados do anocalendário de 2006. DO PEDIDO Em vista de todo o exposto, requer a impugnante que sejam julgados improcedentes os Autos de Infração, cancelandose, assim, os créditos tributários constituídos. A decisão recorrida está assim ementada: PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. AGREGAÇÃO DE VALOR. O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de 20% (PRL20) não pode ser aplicado nas hipóteses em que haja, no País, agregação de valor ao custo dos bens, não configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos. MÉTODO PRL60. CÁLCULOS SEGUNDO INSTRUÇÃO NORMATIVA. ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. PREÇO PRATICADO. JUROS NAS COMPRAS A PRAZO. Inexistindo na legislação vigente tratamento específico quanto ao ajustamento de preços praticados na importação direta da empresa vinculada em compras a prazo, e não comprovando a contribuinte a cobrança de juros nas operações, indevida a redução do preço praticado. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Impugnação Improcedente Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 1836DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10882.721809/201113 Acórdão n.º 1402001.238 S1C4T2 Fl. 0 10 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, tratase de exigências em face da acusação fiscal de irregularidades no cumprimento da legislação de preços de transferência. A Fiscalização restringiu a sua análise aos métodos de preço de transferência utilizados pela Recorrente nas operações de importação, solicitando inicialmente: (i) memórias de cálculos sintéticas e analíticas dos preços de transferência dos bens, serviços e direitos importados no ano de 2006;e (ii) relação de empresas vinculadas nos termos do artigo 23 da Lei 9.430; (iii) planilha de cálculo conforme modelo indicado pela própria Fiscalização de ajustes de preços de transferência de bens importados, relativamente ao periodo de 2006, devidamente acompanhada de memórias de cálculos de suporte aos métodos adotados; (iv) planilha indicando todas as importações realizadas em 2006 conforme SISCOMEX; (v) planilha consolidando os dados dos livros de inventário da empresa; (vi) planilha indicando as importações devolvidas no ano calendário de 2006; (vii) planilha relacionando todas as saldas efetivas ocorridas durante o ano calendário de 2006; (viii) relação de contratos de mútuo ou empréstimo a pagar e a receber; (ix) plano de contas do mesmo periodo; (x) documentos societários das empresas, dentre outros (ver Termo de Intimação n° 01) . De acordo a Fiscalização, as operações com os referidos produtos não poderiam se sujeitar à apuração de preço de transferência pelo método PRL 20%, pois importaram "agregação de valor no pais". Essa agregação de valor no pais foi resultado de atividades de embalagem de produtos e que, segundo a Fiscalização, constituiriam espécie de industrialização, nos termos do artigo 4°, inciso IV do Decreto 2.637/98 (doravante "Regulamento do IPI") . Vejamos trecho do termo de verificação fiscal que bem resume o pensamento da Fiscalização: "O segundo grupo de produto, com códigos compostos de cinco dígitos, são, no país, submetidos a processo produtivo, de forma a tornálos aptos a serem colocados no mercado. Nesta situação, a agregação de valor resultante da operação industrial de acondicionamento torna impossível a utilização do método de revenda com margem de 20%". Assim, a Fiscalização houve por bem aplicar o método PRL 60% para apuração do preço de transferência desses produtos, utilizandose da metodologia prevista na IN 243. Aduz a recorrente, basicamente, que não realiza operação de industrialização e sim de acondicionamento dos produtos para revenda, por isso é cabível o PRL 20. A decisão de 1a. instancia manteve a exigência sob os seguintes fundamentos: Analisemos a desqualificação do método PRL20 (e a conseqüente adoção do método PRL60) para os itens importados de códigos 15006, 15018, 15022, 15026, Fl. 1837DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10882.721809/201113 Acórdão n.º 1402001.238 S1C4T2 Fl. 0 11 15031, 15033, 15035, 15036, 15037, 15039, 15040, 15042, 15054, 15055, 15057, 15081, 15085, 15093 e 15095 (Anexo I). Nenhum dos supracitados itens teve saída direta, tendo havido agregação de valor em relação ao produto final comercializado (conforme cálculos constantes do Anexo I, juntado aos autos pela fiscalização), não sendo, portanto, possível a utilização do método PRL20 (sendo, no entanto, possível a utilização do método PRL60), na interpretação a contrario sensu do § 9º, do artigo 12, IN SRF nº 243/2002, in verbis: “Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. (...) § 9º O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento somente será aplicado nas hipóteses em que, no País, não haja agregação de valor ao custo dos bens, serviços ou direitos importados, configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos bens, serviços ou direitos importados. (...)” (grifei). Nenhum dos produtos objeto de desqualificação do método PRL20 foi revendido diretamente; todos integraram produtos finais diferentes, conforme se observa dos códigos de itens e de produtos relacionados no supracitado Anexo I. Inclusive, alguns itens importados deram origem a mais de um produto final. Com relação à alegação de que a mera colocação de embalagem nos produtos importados não seria motivo para se desqualificar o método PRL20, há que se destacar que, mesmo nesse caso, há agregação de valor, ainda que eventualmente pequena, sendo que a legislação não discrimina a agregação grande da agregação pequena, ou a agregação proporcionalmente relevante da agregação não relevante. Com relação ao Guia de Perguntas e Respostas da DIPJ/2007 (Capítulo XX, pergunta/resposta nº 41), citado pela impugnante, que esclarece que nos casos de acondicionamento e reacondicionamento, não há produção de outro bem, sendo possível a adoção do método PRL20, há que se destacar que essa disposição (que poderia ser considerada uma norma administrativa) não respalda o procedimento adotado pela contribuinte, sendo, portanto, inaplicável ao caso o § único do artigo 100 do CTN, que exige a “observância das normas”. Fl. 1838DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10882.721809/201113 Acórdão n.º 1402001.238 S1C4T2 Fl. 0 12 Isso porque a ação da contribuinte sobre os citados itens não se restringiu a simples acondicionamento/reacondicionamento, que, na definição do artigo 4º, inciso IV, do Regulamento do IPI (RIPI), destinase apenas ao transporte da mercadoria. Mesmo quando teria havido apenas a colocação de embalagem, ela não se destinou apenas ao transporte da mercadoria, mas, conforme afirmação da própria contribuinte, para se adequarem à legislação brasileira (em especial da Lei nº 6.370/76, que disciplina as matérias de vigilância sanitária, a qual está inserida a comercialização de medicamentos), sendo realizados testes de qualidade e colocados selos de segurança. (...) Pois bem, é incontroverso nos autos que o único processo industrial sofrido pelos produtos no Brasil foi o de acondicionamento para revenda, observada a legislação brasileira pertinente a tais produtos (medicamentos). A meu ver cabe aqui aplicar os fundamentos do acórdão 1402001.012, de 10/4/2012, no qual fui designado para redigir o voto vencedor, a saber: Ementa: PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. REACONDICIONAMENTO. MÉTODO PRL. O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento pode ser aplicado nas hipóteses em que haja, no País, simples reacondicioamento em embalagens apropriadas à revenda dos mesmos no Brasil. (..) Voto Nos debates realizados no julgamento deste processo divergi do ilustre relator quanto a vedação do método PRL20% às operações em análise. No seu lugar, o fisco utilizou o método PRL 60%. Desde a auditoria fiscal, a contribuinte afirma que não existe motivo que justifique a vedação da utilização do método PRL 20% no presente caso. Seja pelo fato de o método PRL 60% ter sido introduzido pela IN n° SRF 32/2001, porquanto não poderia valer para os fatos geradores ocorridos em 31/12/2000, seja por se tratar apenas de reacondicionamento do produto para revende. Pois bem. Tal qual o conselheiro Frederico Alencar, entendo que o método PRL 60% foi introduzido pela Medida Provisória n° 1.924, de 1999, e reedições, as quais produziram efeitos a partir de 1° de janeiro de 2000, aplicandose, portanto, ao caso em análise. Ocorre que o Relator formou entendimento no sentido de que a mudança da embalagem de apresentação do produto para fracionamento ou aumento da quantidade, sem qualquer alteração ou agregação de insumos, ou qualquer outro procedimento industrial, implica na aplicação do PRL 60%. Vejamos seus fundamentos nessa parte: “(...) Fl. 1839DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10882.721809/201113 Acórdão n.º 1402001.238 S1C4T2 Fl. 0 13 Com efeito, o método PRL 20% somente deve ser utilizado quando não houver agregação de valor no Brasil ao custo dos bens e serviços importados, ou seja, no caso de simples revenda. Essa é a jurisprudência atual deste CARF, conforme se vê abaixo: Acórdão 1301000.451 da 1a Turma da 3a Câmara da 1a Seção de julgamento do CARF, de 15/12/2010 (...) Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2003, 2006, 2007, 2008 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. AGREGAÇÃO DE VALOR. MÉTODO PRL. O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento não pode ser aplicado nas hipóteses em que haja, no País, agregação de valor ao custo dos bens, não configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos. Ademais, há que se reforçar que o art. 4o do Decreto n° 2.637/98, in verbis, caracteriza como industrialização qualquer operação que importe em alterar a apresentação do produto, ainda que seja pela colocação da embalagem, em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento). Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): I a III – omissis; IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); V omissis. No caso concreto, a empresa autuada efetuou a troca de embalagens com fracionamento do produto, ação que em nada se assemelha à colocação de embalagem destinada apenas ao transporte ou simples revenda do produto, mas sim ao atendimento das condições mercadológicas, como afirmado pela própria interessada. (...) Contudo, a meu ver, o reacondicionamento do produto, qualquer que seja a motivação, inclusive para atender a aspectos mercadológicos, não implica no PRL60%. Em verdade, a contribuinte não importou os bens para serem utilizados na condição de insumo e sim produtos perfeitamente acabados e definidos, que não se confundem com , matériaprima, material intermediário, ou qualquer insumo destinado à produção de outros produtos. Quanto a esse aspecto a matéria é de fato e não puramente de direito, e ficou muito bem caracterizada, conforme destacado no recurso voluntário (verbis): Fl. 1840DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10882.721809/201113 Acórdão n.º 1402001.238 S1C4T2 Fl. 0 14 (...) A Lei 9.430/1996, em seu art. 18, que trata da matéria em comento, é clara ao estabelecer que o método PRL20 pode ser aplicado sempre que não haja agregação de valor no País ao custo dos bens, serviços ou direitos importados. Nesse contexto não há que se aplicar as definições da legislação do IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados), uma vez que a norma específica é auto aplicável. Destacase no recurso voluntário que o entendimento da Receita Federal também é neste sentido. Vejamos: “(...) 27. Nesse ponto vale ressaltar a orientação emitida pela Secretaria da Receita Federal aos contribuintes, por meio do docuinento denominado "Perguntas e Respostas" publicado no .site www.receita.fazenda.gov.br. Vejamos a redação atual da pergunta 842, que tem prevalescido mesmo depois da edição da Lei 9.959/2000 e da IN 32/2001 e da In 243/2002: . Pergunta: 842 Segundo previsão do §10 do art. 4o da IN SRF no 243, de 2002, o PRL com margem de lucro de 20% (vinte por cento) não pode ser utilizado quando 'o produto importado houver sido adquirido para emprego na produção de outro bem. É possível a utilização do PRL nas hipóteses de '• acondicionamento ou reacondicionamento de produto importado? Resposta: Sim. O acondicionamento ou reacondicionamento não implica a produção de outro bem, serviço ou direito (destaque da transcrição) 28. A orientação normativa acima indicada, cujo número atual é 712 (doc. 4), repitase, emitida pela SRF, é de cristalina clareza! A colocação de embalagem, assim como qualquer operação de acondicionamento/reacondicionamento, não implica produção de outro bem! (...) Corroborando o exposto, verificase que essa questão do acondicionamento e/ou reacondicionamento já foi apreciada pela Primeira Câmara. do E. Primento Conselho de Contribuintes, que tem decidido por unanimidade no sentido de que a lei não limita o uso do método PRL 20% para os bens importados quesofrem alguma manipulação no País antes de serem revendidos. E mais ! Que a Instrução Normativa não pode estabelecer de forma diferente da lei, como no presente e caso pretende o D. Auditor Fiscal. Vale transcrever as referidas decisões: Acórdão 1014628—Recurso Voluntário — 07/07/2004 DAR PROVIMENTO POR UNANIMIDADE. Ementa: IRPJ PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA O MÉTODOS DE CONTROLE DE PRODUTOS IMPORTADOS DE EMPRESAS • LIGADAS — MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO — PRL — De acordo com o artigo 18 da Lei n. 9.430/96, serão dedutiveis na determinação do lucro real, os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constasntesdos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa ligada, até o valor que não exceda ao preço Fl. 1841DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10882.721809/201113 Acórdão n.º 1402001.238 S1C4T2 Fl. 0 15 determinado dentre um dos seguintes métodos: Preços Independentes' comparados PIO, Preço de Revenda menos LucroPRL e Custo de Produção mais LucroCPL. Desta forma, em não havendo na lei limitação ao uso do método PRL para os bens importados que 'sofrem alguma manipulação no país antes de serem revendidos, não é possível que a Administração Tributária, por meio de Instrução Normativa, cuia função é de interpretar a norma legal e, portanto, diretamente subordinada à lei, venha alterar a mesma, para vedar a utilização do método PRL.”(destaques da transcrição)” Concluo, pois, que no presente caso, foi correto o procedimento da contribuinte aplicando o método PRL20 para apuração de eventuais ajustes em face da legislação de preços de transferência. (...) Citese também o acórdão 10517.210, de 17/09/2008, que à unanimidade de votos, entendeu aplicável o PRL 20 em situação similar à do presente processo. Aludido acórdão recebeu a seguinte ementa: PREÇO DE TRANSFERÊNCIA PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL 20 E PRL 60 ACONDICIONAMENTO DO PRODUTO IMPORTADO PARA POSTERIOR REVENDA FRACIONAMENTO DO PRODUTO IMPORTADO EM QUE NÃO OCORRE A TRANSFORMAÇÃO DO PRODUTO O mero acondicionamento de produtos em novas embalagens para fins de venda para o mercado interno não exclui a aplicação do método PRL 20, por não configurar hipótese de "bens importados aplicados à produção". O fato de haver agregação de valores ao produto importado não resulta em afirmar que os mesmos passaram por processo de industrialização ou que foram aplicados na produção de um produto final. O critério utilizado pela lei n° 9.430/96 que impossibilita a utilização do PRL 20 referese a aplicação do produto importado na "produção", e isto não foi verificado na hipótese dos autos. Recurso voluntário provido. Uma vez afastado o ajuste do PRL20 para PRL 60, cujo valor total foi de 12.519.216,83 (fl. 1574), não resta valor a tributar haja vista que a base de calculo total tributada nos autos de infração de foi de R$ 12.424.525,10 (fl. 1575). Conclusão Diante do exposto, voto no sentido dar provimento ao recurso e cancelar a exigência. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 1842DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 10467.903206/2009-14
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - VALORES RECOLHIDOS A MAIOR
Restando afastado o fundamento que levou à negativa do crédito, devem os autos retornar à Delegacia de origem, para que seja reexaminada a Declaração de Compensação.
Numero da decisão: 1802-001.485
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - VALORES RECOLHIDOS A MAIOR Restando afastado o fundamento que levou à negativa do crédito, devem os autos retornar à Delegacia de origem, para que seja reexaminada a Declaração de Compensação.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1593; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10467.903206/200914 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 1802001.485 – 2ª Turma Especial Sessão de 05 de dezembro de 2012 Matéria IRPJ Recorrente GRÁFICA SANTA MARTA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO VALORES RECOLHIDOS A MAIOR Restando afastado o fundamento que levou à negativa do crédito, devem os autos retornar à Delegacia de origem, para que seja reexaminada a Declaração de Compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 7. 90 32 06 /2 00 9- 14 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10467.903206/200914 Acórdão n.º 1802001.485 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação – DCOMP apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1135.822, às fls. 26 a 31: A interessada acima qualificada apresentou a Declaração de Compensação DCOMP de fls. 02/05, por meio da qual procurou utilizar parte de pretenso crédito remanescente da PER/DCOMP Inicial de n° 32928.06525.270509.1.3.048406, que por sua vez se referia a crédito que teria origem em pagamento indevido ou a maior a título de IRPJ, do período de apuração de 31/12/2008, data de arrecadação 31/03/2009, sendo o “Credito Original na Data da Transmissão” declarado nesta Dcomp de fls. 02/05 no valor de R$ 84.331,63 (fl. 03), para compensar com débito de JUN/2009, de “CSLL Demais PJ que apuram o IRPJ com base em estimativa mensal”, código de receita 691201, no valor de R$ 63.560,74, conforme fls. 04 e 05. 2. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico, à fl. 06, a Autoridade Competente resolveu NÃO HOMOLOGAR a compensação, fundamentandose no fato de que, para o DARF discriminado na PER/Dcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito suficiente para quitação dos débitos informados no PER/Dcomp. Conforme se depreende das fls. 07 e 08, a ciência do Despacho Decisório ocorreu em 21/10/2009. 3. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 06/11/2009, conforme fl. 08, argumentando que: 3.1. “informou na DCTF de março de 2009 um débito de IRPJ (2430) no valor de R$ 666.738,34, quando na realidade era de apenas de RS 148.627,70”; 3.2. “Em 15.07.2009 apresentou a PER/DCOMP 32668.4407.150709.1.3040114, originando o Processo nº 10467.903206/200914”, e “diante da inexistência do credito, não foi homologada a compensação”; 3.3. “Em 22.10.2009 foi feita a devida correção com apresentação da DCTF Retificadora, ficando um saldo credor de R$ 518.110,64, mais R$ 9.936,86 conforme demonstrativo COBAC anexo”; Fl. 142DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10467.903206/200914 Acórdão n.º 1802001.485 S1TE02 Fl. 4 3 3.4. “Assim sendo, demonstrado e comprovado o efetivo crédito, pede que seu pedido de compensação seja reconsiderado”. Como mencionado, a DRJ Recife/PE manteve a negativa em relação à declaração de compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO PER/DCOMP. ALTERAÇÃO DE DCTF E/OU DIPJ APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. MOTIVO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADO EM DOCUMENTAÇÃO. A alegação de erro de preenchimento em DCTF, que tivesse resultado em recolhimentos a maior, deve vir acompanhada dos documentos comprobatórios, uma vez que a retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique alteração dos valores registrados em DCTF, há de se manter a decisão proferida sem o reconhecimento de direito creditório, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas, ainda mais se a retificação da DCTF ocorreu após a ciência do despacho decisório que não homologou a compensação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação prevista em lei ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 IMPUGNAÇÃO E PROVAS DOCUMENTAIS. PRAZO DE APRESENTAÇÃO. Pela legislação de regência do processo administrativo fiscal, as razões de defesa e as provas documentais devem ser apresentadas no prazo de trinta dias contados da data em que for feita a intimação da exigência, ressalvada a hipótese, desde que fundamentada, de posterior apresentação de provas documentais que demonstrem a impossibilidade de efetuálas naquele prazo, se por motivo de força maior, ou se refiram a fato ou direito superveniente ou caso se destinem a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10467.903206/200914 Acórdão n.º 1802001.485 S1TE02 Fl. 5 4 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 16/03/2012, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 28/03/2012, com os argumentos descritos abaixo: 1. SÍNTESE FÁTICA no mês de abril de 2009, o agora falecido contador da empresa prestou DCTF e DIPJ calculando a maior o valor a recolher para fins de ajuste do IRPJ (2430) no montante de R$ 666.738,39 e da CSLL na quantia de R$ 58.054,35. Em março de 2009, a empresa já havia recolhido os valores majorados pelo equívoco do contador; a falha foi verificada ante a análise comparativa com o Sped/Contábil. Daí, com o objetivo de corrigir esta falha, apresentou em 27/05/2009 a PER/DCOMP que deu origem a este processo indicando a existência de um saldo credor de R$ 518.110,64 do ajuste do IRPJ pago a maior, além de R$ 9.936,86 apresentados no demonstrativo COBAC, todavia não providenciou a retificação da DCTF e da DIPJ; em 21/10/2009, a Recorrente recebeu o despacho decisório que determinou a não homologação da PER/DCOMP, alegando que o pagamento fora “integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte”, obrigandoa a “efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados”; em 22/10/2009, ou seja, um dia após receber o referido despacho, o contador percebeu que havia olvidado de retificar a DCTF e a DIPJ, fazendoo de imediato naquela mesma data e também no mesmo dia apresentou manifestação de inconformidade; a manifestação de inconformidade foi bastante sucinta, porém suficiente para conhecimento e provimento do mérito. Entretanto, entendeuse que as retificações teriam sido intempestivas, bem como que a empresa não havia apresentado provas de suas alegações, mais precisamente a contabilidade de 2008; 2. DA INEXISTÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO ACERCA DO IRPJ OU CSLL DO ANO 2008/2009 TEMPESTIVIDADE DAS RETIFICAÇÕES DE DCTF E DIPJ a Autoridade Fiscal, baseandose no art. 147 do CTN, alega que a retificação da declaração não poderia ser efetuada, pois esta teria ocorrido após a notificação do lançamento, caracterizando a violação do § 1º deste artigo e a invalidade da mesma; mas em nenhum momento houve a notificação do lançamento referente ao IRPJ e a CSLL do ano 2008/2009, tornando infundado o uso deste argumento como negativa ao pedido de ressarcimento; o Fiscal considerou o despacho decisório como notificação de maneira inadequada, porque este apenas referese à não homologação da DCOMP e negativa da existência de crédito para pagar débitos de Confins e PIS de código e período distintos. Sendo, portanto, incabível classificálo como forma de notificação de lançamento dos créditos de IRPJ Fl. 144DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10467.903206/200914 Acórdão n.º 1802001.485 S1TE02 Fl. 6 5 e CSLL que o contribuinte alega ter em razão do pagamento a maior, pois o despacho decisório é direcionado à cobrança de Cofins e PIS, e não de IRPJ e CSLL; concluise, a partir do disposto no art. 142, 144 e 150 do CTN, e inciso II do art. 11 do Decreto n° 70.235/72, que o despacho não apresentou quaisquer dos requisitos legais para servir como notificação de obrigação correspondentes ao IRPJ ou à CSLL do ajuste de 2008, já que aquele despacho estabeleceu ao seu final apenas o prazo, o valor principal, a multa e os juros a serem pagos referentes à Confins e ao PIS, bem como a disposição legal infringida em relação a estes dois últimos tributos; o que se viu no despacho decisório e na decisão de primeira instância que o manteve foi a tentativa de aplicação do disposto no § 1º do art. 147 do CTN, quando em verdade deveria a autoridade fiscal ter aplicado de ofício o disposto no § 2º do mesmo art. 147, determinando que fossem realizadas as diligências fiscais com vistas à verificação do crédito alegado pelo Contribuinte, sobretudo por se tratar de pedido eletrônico de ressarcimento, o qual não comporta juntada de documentos e torna obrigatória a fiscalização, a teor do art. 74 e seus §§ 1º e 2º da Lei 9.430/1996; a autoridade fiscal sequer se deu ao trabalho de observar que o Sped/Contábil do ano de 2008 já informava como resultado IRPJ e CSLL com valores muito inferiores aos valores recolhidos e originalmente declarados em DCTF e DIPJ; de se indagar, caso a DCTF e a DIPJ tivessem sido retificadas antes do despacho decisório, se a autoridade fiscal teria homologado o crédito independente de qualquer fiscalização ou análise mais acurada. É óbvio que não; 3. DAS PROVAS PRÉEXISTENTES em relação à retificação da DCTF, foi exposto pela autoridade fazendária que não foi “apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique alteração dos valores registrados em DCTF” e, por isso, considerou que a retificação desta última não seria válida; esta alegação não possui fundamento, porque através do Sped Contábil (ECD Escrituração Contábil Digital) a Receita Federal tem acesso aos Livros Diários, Livros Razão, Balancetes Diários, Balanços e fichas de lançamento comprobatórias dos assentamentos neles transcritos, livros estes que apresentam detalhadamente todas as informações necessárias para a comprovação de qualquer movimentação financeira da empresa; pelas mesmas razões a DCTF Retificadora não pode ser considerada inválida e, conseqüentemente, as alterações nela contidas devem ser aplicadas; a Autoridade Julgadora de primeira instância também acusa a Recorrente de não ter apresentado provas na própria impugnação, fato que não procede, pois a própria declaração retificadora, tempestiva que foi, serve também como comprovação de que houve um pagamento em excesso das quantias referentes ao IRPJ e à CSLL do ano de 2008/2009; em seguida, baseandose nos arts. 15 e 16 do Decreto 70.235/72, a Autoridade Julgadora alega que além de não terem sido apresentadas provas na impugnação, não será possível fazêlo em outro momento, argumento que não se aplica ao caso, pois, como já foi dito, a Recorrente havia prestado o Sped/Contábil e apresentado a DCTF e DIPJ Fl. 145DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10467.903206/200914 Acórdão n.º 1802001.485 S1TE02 Fl. 7 6 retificadoras antes de qualquer notificação que impedisse tal procedimento, ou seja, a autoridade competente teve acesso à Escrituração Contábil Digital da Contribuinte e às declarações; há ainda a Instrução Normativa 787/08, que em seu art. 3º, § 2º, considera o Sped/Contábil como informação original, essencial e primordial em relação a todas as demais declarações, bem como, a teor das respostas contidas no sítio eletrônico da Receita Federal, a mesma IN considera como “formas alternativas de escrituração: em papel, em fichas, em microfichas ou digital. Assim, elas não podem coexistir em relação ao mesmo período. Ou seja, não podem existir, ao mesmo tempo, dois livros diários em relação ao mesmo período, sendo um digital e outro impresso. Em resumo, os livros digitais não precisam ser impressos”; quanto à possibilidade das provas serem apresentadas pela via digital, em nenhum momento este meio é impedido pelo Decreto n° 70.235/72; 4. REQUERIMENTO a Contribuinte requer a reforma da decisão de primeira instância para admitir o crédito e a compensação ou, subsidiariamente, seja reconhecida a sua nulidade, com vistas a determinar que sejam procedidas as diligências necessárias à análise do Sped/Contábil e das declarações retificadoras DCTF e DIPJ, todas já disponíveis nos sistemas da Receita Federal. Este é o Relatório. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10467.903206/200914 Acórdão n.º 1802001.485 S1TE02 Fl. 8 7 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona a não homologação de declaração de compensação – DCOMP, em que utiliza um alegado crédito decorrente de pagamento a maior de IRPJ, relativamente ao ajuste anual do anocalendário de 2008. A Delegacia de origem, por meio de despacho eletrônico, não homologou a compensação. A negativa foi motivada pelo fato de o referido pagamento já ter sido utilizado para a quitação de débito declarado em DCTF. Em sua primeira peça de defesa, a Contribuinte informou ter declarado na DCTF um débito de IRPJ (2430) no valor de R$ 666.738,34, quando na realidade deveria ter informado R$ 148.627,70, e que retificou a DCTF para corrigir o erro. A Delegacia de Julgamento manteve a negativa em relação à pretendida compensação, destacando os seguintes aspectos em sua decisão: que a DCTF retificadora foi apresentada em 22/10/2009, após a ciência do Despacho Decisório, ocorrida em 21/10/2009; que a manifestação de inconformidade está desacompanhada de provas que atestassem a pretendida redução de IRPJ para justificar crédito como origem da pretensa compensação; que não consta dos autos qualquer documentação, a exemplo de livros e documentos fiscais e contábeis, que viesse evidenciar a apuração da Contribuinte, não tendo sido apresentada documentação que comprovasse erro que desse fundamento a seu pleito; que as provas devem ser apresentadas juntamente com a defesa da Contribuinte, tendo, no caso, inclusive, já precluído o seu direito de apresentálas em outro momento, uma vez que não demonstrou a ocorrência de alguma das hipóteses do art. 16, §4º, do Decreto 70.235/72. Ao não retificar a DCTF antes de enviar a DCOMP, a Contribuinte concorreu para a primeira negativa da compensação pleiteada. Contudo, essa questão procedimental não justifica uma negativa em definitivo, eis que o art. 165 do CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. O que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10467.903206/200914 Acórdão n.º 1802001.485 S1TE02 Fl. 9 8 A DCTF, embora seja uma confissão de dívida, não pode ser tomada em caráter absoluto, até porque existe sempre a possibilidade de erro no seu preenchimento. Sua retificação, da mesma forma, não teria caráter absoluto, pelo que, mesmo que apresentada a declaração retificadora antes do envio da DCOMP, ela deveria ser cotejada com outras informações e documentos, como a DIPJ, os Livros Contábeis e Fiscais, Demonstrativos, etc., porque o que interessa é saber se houve ou não recolhimento indevido ou a maior. A Delegacia de Julgamento registrou que a retificação de DCTF somente ocorreu após a ciência do despacho decisório, destacando a regra contida no § 1º do art. 147 do Código Tributário Nacional – CTN, que só admite a retificação de declaração por iniciativa do próprio declarante, para reduzir ou a excluir tributo, quando ela é realizada antes de notificado o lançamento. Mas o despacho decisório sobre a declaração de compensação não configura a notificação de lançamento prevista no referido dispositivo, relacionado à modalidade de lançamento por declaração, que em nada se confunde com a sistemática de processamento dos PER/DCOMP. Na DCOMP apresentada pela Contribuinte, as questões relativas ao IRPJ no ajuste anual de 2008 dizem respeito ao reconhecimento ou não de direito creditório (por pagamento a maior), e não à exigência deste próprio imposto, inclusive, porque ele já estaria pago. Não se trata aqui de simplesmente aceitar ou não a declaração retificadora com a produção de efeitos automáticos, para fins de reduzir/excluir tributo. O exame de um PER/DCOMP é sempre realizado de ofício, aproximandose muito mais da regra contida no § 2º do mesmo art. 147 do CTN, segundo o qual “os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela”. No caso, a Contribuinte apresentou em tempo hábil uma Declaração de Compensação – DCOMP (15/07/2009), que deu origem ao presente processo, pleiteando perante a Administração Tributária a devolução (na forma de compensação) de um pagamento que entendia ter realizado em valor maior que o devido, procedimento que se não implicava em uma alteração/desconstituição automática de parte do débito declarado em DCTF, implicava ao menos na suspensão de sua constituição definitiva, em razão da relação direta existente entre o pagamento e o débito a que ele corresponde. Não há, portanto, que se falar em homologação de lançamento e constituição definitiva do débito se a Contribuinte, em tempo hábil, informou a Administração Tributária que o pagamento relativo a este débito havia sido feito indevidamente ou a maior. Além disso, a Contribuinte, desde a manifestação de inconformidade, registrou que ocorreu erro na informação do débito do IRPJ/ajuste anual do anocalendário de 2008, e que retificou a DCTF para corrigir esse problema. Vêse que na mesma data em que foi retificada a DCTF, em 22/10/2009, a Contribuinte também retificou a DIPJ, conforme cópia da declaração juntada aos autos. A Ficha 12A da DIPJ retificadora registra que foram apurados R$ 2.405.604,70 a título de imposto e adicional; que foram recolhidos R$ 1.928.080,67 de Fl. 148DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10467.903206/200914 Acórdão n.º 1802001.485 S1TE02 Fl. 10 9 estimativas mensais ao longo do ano de 2008; e que após a dedução destas estimativas, juntamente com valores de retenção na fonte e do Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, foi apurado um saldo de IR a pagar, relativamente ao ajuste anual, no valor de R$ 148.627,70, e não R$ 666.738,34, como anteriormente informado. No que toca à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. É por isso também que antes de proferir o Despacho Decisório, ainda na fase de Auditoria Fiscal, pode e deve a Delegacia de origem inquirir o Contribuinte, solicitar os meios de prova que entende necessários, diligenciar diretamente em seu estabelecimento (se for o caso), enfim, buscar todos os elementos fáticos considerados relevantes para que na seqüência, na fase litigiosa do procedimento administrativo (fase processual), as questões envolvam mais a aplicação das normas tributárias e não propriamente a prova de fatos. Tudo isso porque não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, embasada no fato de a Contribuinte ter retificado a DCTF somente após a ciência do despacho decisório, a Delegacia de Julgamento também mencionou que ela não apresentou “qualquer documentação, a exemplo de livros e documentos fiscais e contábeis”, que viesse evidenciar o alegado erro no IRPJ informado inicialmente na DCTF. Ocorre que a Contribuinte não foi em nenhum momento intimada a apresentar quaisquer esclarecimentos, ou documentos relativos ao seu PER/DCOMP. Pesam também a seu favor a alegação de que a DIPJ retificadora servia como comprovação (ou pelo menos indicação) de que houve um pagamento em excesso das quantias referentes ao IRPJ, e que a autoridade competente tinha acesso ao Sped Contábil (ECD Escrituração Contábil Digital), contendo os seus Livros Diário, Livros Razão, Balancetes Diários, Balanços e fichas de lançamento comprobatórias dos assentamentos neles transcritos. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10467.903206/200914 Acórdão n.º 1802001.485 S1TE02 Fl. 11 10 A Administração Tributária não fez qualquer análise sobre estes elementos, que, ao que tudo indica, estavam à sua disposição. A decisão da Delegacia de origem ficou fortemente amparada na informação constante inicialmente na DCTF, e, como visto, este não é motivo suficiente para a negativa em relação à compensação, especialmente diante dos aspectos mencionados acima, que, em tese, poderiam caracterizar o direito creditório por recolhimento a maior. Deste modo, dou provimento parcial ao recurso para afastar o problema relativo à DCTF, devolvendo os autos à Delegacia de origem (DRF João Pessoa/PB), para que, à vista das considerações acima, ela reexamine a Declaração de Compensação. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 150DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000488/2007-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/05/2002 a 30/06/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. CORRELAÇÃO COM O LANÇAMENTO PRINCIPAL. Uma vez que já foram julgadas por este Conselho as NFLD´s nas quais foram efetuados os lançamentos das contribuições previdenciárias não informadas em GFIP, oportunidade na qual estas foram consideradas como devidas, outra não pode ser a conclusão, senão a procedência do auto de infração pela ausência de informação dos respectivos fatos geradores em GFIP.
SUPERVENIÊNCIA DA LEI 11.941/09. FUNDAMENTO LEGAL A SER UTILIZADO PARA O CÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA APLICADA AO CONTRIBUINTE. INFORMAÇÕES EM GFIP. ART. 32-A da Lei 8.212/91. Em razão da superveniência da Lei 11.941/09, uma vez verificado que o contribuinte apresentou Guias de Recolhimento de FGTS e Informações a Previdência Social - GFIP com informações que não compreendiam todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, deve ser considerado, para fins de recálculo da multa a ser aplicada, o disposto no art. 32-A da Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-002.835
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para adequação da multa ao artigo 32-A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Igor Araújo Soares - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Igor Araújo Soares, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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FATOS GERADORES Recorrente SOGEFI FILTRATION DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2002 a 30/06/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. CORRELAÇÃO COM O LANÇAMENTO PRINCIPAL. Uma vez que já foram julgadas por este Conselho as NFLD´s nas quais foram efetuados os lançamentos das contribuições previdenciárias não informadas em GFIP, oportunidade na qual estas foram consideradas como devidas, outra não pode ser a conclusão, senão a procedência do auto de infração pela ausência de informação dos respectivos fatos geradores em GFIP. SUPERVENIÊNCIA DA LEI 11.941/09. FUNDAMENTO LEGAL A SER UTILIZADO PARA O CÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA APLICADA AO CONTRIBUINTE. INFORMAÇÕES EM GFIP. ART. 32 A da Lei 8.212/91. Em razão da superveniência da Lei 11.941/09, uma vez verificado que o contribuinte apresentou Guias de Recolhimento de FGTS e Informações a Previdência Social GFIP com informações que não compreendiam todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, deve ser considerado, para fins de recálculo da multa a ser aplicada, o disposto no art. 32A da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 04 88 /2 00 7- 92 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 16/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para adequação da multa ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica. Julio César Vieira Gomes Presidente Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Igor Araújo Soares, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 16/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10932.000488/200792 Acórdão n.º 2402002.835 S2C4T2 Fl. 129 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por SOGEFI FILTRATION DO BRASIL LTDA em face do acórdão de fls. 82/88 que manteve em parte o Auto de Infração n. 37.116.5180 lavrado para a cobrança de multa por ter deixado de informar mensalmente em GFIP pagamentos efetuados a contribuintes individuais referentes à campanha de incentivo de vendas de filtro Fram com intermediação da empresa Spirit Incentivo & Fidelização Ltda, considerados pela fiscalização como fatos geradores das contribuições previdenciárias. O período apurado compreende a competência 05/2002 a 06/2006, tendo sido o contribuinte cientificado em 31/08/2007 (fls. 01) De acordo com o agente fiscalizador, contrariou o disposto no art. 32, inc. IV e § 5º da Lei no 8.212/91, também acrescentado pela Lei no 9.528/97 combinado com art. 225, IV, §4° do RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/99. A multa calculada foi de 100% do valor devido relativo às contribuições não declaradas em GFIP, limitada ao valor previsto na Portaria 142 de 11/04/2007 que estabeleceu como valor mínino da multa R$ 1.195,13, considerouse o número de segurados da recorrente de 469 , utilizouse a faixa acima de 101 segurados para o cálculo. Em seu recurso a recorrente, amparada por jurisprudência do STJ, alegou que parte da multa encontrase extinta pela decadência. Requer então que seja reconhecida a decadência da multa apurada na autuação em relação à competência de 05/2002. Argumenta recolher contribuição social de acordo com o inciso I do art. 195 da CF/88, ressaltando que apenas as verbas efetivamente salariais e remuneratórias (stricto sensu) são aquelas pagas como contraprestação do serviço prestado pelo trabalhador, que estão inseridas no conceito de folha de salários e rendimentos do trabalho, e constituem, portanto, base de incidência para recolhimento das contribuições previdenciárias. Aduz ser esse entendimento sobre remuneração do empregado ser o mesmo do E. STF, e alega que por lógica aplicarseia também ao conceito de remuneração do contribuinte individual. No caso em questão, a recorrente alega que a campanha de marketing refere se efetivamente a incentivos ao talento do trabalhador, e não remuneração pelo serviço prestado, sendo a premiação paga pela Sogefi apenas uma recompensa por uma habilidade pessoal, sem qualquer conotação remuneratória. Ressalta que o serviço prestado foi objeto do contrato de trabalho dos trabalhadores com os distribuidores, sendo devidamente remunerados por meio do salário mensal. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 16/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Notase que na prestação de serviços houve tarefa a ser obrigatoriamente realizada, sendo o contratante –distribuidor – compelido a remunerála. Já na premiação, as condições poderiam ser atingidas ou não pelo beneficiário, sem que isso lhe trouxesse qualquer punição. Ante o exposto, não haveria que se falar em retributividade e, conseqüentemente, em remuneração. Trouxe jurisprudência acerca do assunto do TST e STF. Complementa, ainda a recorrente, que as campanhas de marketing não tinham pagamento habitual, isto é os trabalhadores podiam receber a premiação apenas em um determinado mês ou ano, ou mesmo nunca recebêla. Tratou de caracterizar esta condição como na pior das hipóteses como sendo ganho eventual o qual não é sujeito à incidência, conforme informa o art. 28, § 90, "e", "7", da Lei 8.212/91. Quanto o valor do débito, requer seja aplicada a mais benéfica de acordo com o art. 106, inc. I do CTN, qual seja arbitramento de multa isolada por descumprimento de obrigação acessória. Requer por fim seja acolhido o presente recurso julgando insubsistente a autuação lavrada pela fiscalização; ou para que ao menos seja reduzida a multa, com base na legislação mais benéfica específica para o arbitramento de multa isolada por descumprimento de obrigação acessória; e requer, ainda, que todas as decisões e notificações sejam expedidas somente ao seu patrono. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, vieram os autos a este E. Conselho. É o relatório. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 16/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10932.000488/200792 Acórdão n.º 2402002.835 S2C4T2 Fl. 130 5 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator Inicialmente, cumpre asseverar que a recorrente, não impugnou o fato de ter apresentado GFIP´s com omissão de pagamentos efetuados a contribuintes individuais por intermédio de cartão premiação, fato que caracteriza ser incontroversa a obrigação acessória tida por descumprida. Com o intuito de elidir a multa aplicada, justifica estar desobrigado da arrecadação pois entende e defende que os pagamentos efetuados a contribuintes individuais, por intermédio do cartão Spirit Card, como prêmio pelo seu desempenho, não ostenta qualquer caráter remuneratório ou salarial. Todavia, tais alegações já foram objeto de julgamento e análise quando da apreciação do processo 10932.000486/200701, no qual restou entendido que a verba deve ser considerada como base de cálculo das contribuições previdenciárias, em julgamento assim ementado: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de Apuração: 01/05/2002 a 30/06/2006 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. PAGAMENTOS EFETUADOS POR INTERMÉDIO DE CARTÃO PREMIAÇÃO. NATUREZA DE GRATIFICAÇÃO. HABITUALIDADE. INCLUSÃO NO SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. A verba paga habitualmente pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, mesmo através de cartões de premiação, constitui gratificação e, portanto, tem natureza salarial. Recurso voluntário Negado. Por fim, quanto a multa aplicada, há de se esclarecer que a Lei 11.941/09 acrescentou na Lei 8.212/91 os artigos 32A e 35A, os quais dispõem o seguinte: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, Fl. 132DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 16/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais)para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento §2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação §3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos”. “Art. 35A Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996”. Por sua vez, o art. 35A faz remição ao art. 44 da Lei 9.430/96, que assim dispõe: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ No caso dos autos, tratase de auto de infração no qual fora lançada multa pelo descumprimento de obrigação acessória relativa a apresentação de GFIP’s com informações inexatas relativamente a todos os fatos geradores de contribuições previdenciarias a que estaria sujeito o contribuinte. A meu ver, sobre o assunto não resta outra conclusão, senão acatar a tese sustentada no Recurso Voluntário. Das alterações levadas a efeito, a disposição contida no art. 32A da Lei 8.212/91, é específica para os casos de GFIP com informações inexatas ou mesmo omissões, assim devendo ser consideradas as informações relativas aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, motivo pelo qual entendo deva ser, no presente caso, o dispositivo legal aplicável, conforme determinado pelo art. 106, III, “c” do Código Tributário Nacional, que determina a aplicação retroativa da Lei nova, quando dispuser sobre penalidades e que possa vir a ser mais benéfica ao acusado, no caso o contribuinte. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 16/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10932.000488/200792 Acórdão n.º 2402002.835 S2C4T2 Fl. 131 7 Ante todo o exposto voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, e darlhe PARCIAL PROVIMENTO, apenas para que seja efetuado o recálculo e comparação da multa mais benéfica a ser aplicada com base no disposto no art. 32A da Lei 8.212/91. É como voto. Igor Araújo Soares Fl. 134DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 16/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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