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Numero do processo: 14751.001444/2008-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004
NULIDADE. PEDIDO DE PERÍCIA. NÃO OCORRÊNCIA
O indeferimento do pedido de perícia não tem o condão de macular a decisão exarada em primeira instância em face do livre convencimento da autoridade julgadora na apreciação da prova formadora de sua convicção.
ILEGITIMIDADE PASSIVA. INSUBSISTÊNCIA
Não procede a alegação de ilegitimidade pois o crédito tributário foi lançado contra o ente federativo e não contra o titular da respectiva Secretaria.
ALEGAÇÕES GERAIS NÃO COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO DAS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS.
Poderia o sujeito passivo demonstrar, por meio de alegações consistentes, lastreadas em provas documentais apresentadas diretamente, ou demandadas dos órgãos da própria administração direta do governo, a comprovação dos pagamentos realizados, o que não foi feito no presente caso.
Numero da decisão: 2401-005.671
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa e o conselheiro Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004 NULIDADE. PEDIDO DE PERÍCIA. NÃO OCORRÊNCIA O indeferimento do pedido de perícia não tem o condão de macular a decisão exarada em primeira instância em face do livre convencimento da autoridade julgadora na apreciação da prova formadora de sua convicção. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INSUBSISTÊNCIA Não procede a alegação de ilegitimidade pois o crédito tributário foi lançado contra o ente federativo e não contra o titular da respectiva Secretaria. ALEGAÇÕES GERAIS NÃO COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO DAS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS. Poderia o sujeito passivo demonstrar, por meio de alegações consistentes, lastreadas em provas documentais apresentadas diretamente, ou demandadas dos órgãos da própria administração direta do governo, a comprovação dos pagamentos realizados, o que não foi feito no presente caso.
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PEDIDO DE PERÍCIA. NÃO OCORRÊNCIA O indeferimento do pedido de perícia não tem o condão de macular a decisão exarada em primeira instância em face do livre convencimento da autoridade julgadora na apreciação da prova formadora de sua convicção. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INSUBSISTÊNCIA Não procede a alegação de ilegitimidade pois o crédito tributário foi lançado contra o ente federativo e não contra o titular da respectiva Secretaria. ALEGAÇÕES GERAIS NÃO COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO DAS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS. Poderia o sujeito passivo demonstrar, por meio de alegações consistentes, lastreadas em provas documentais apresentadas diretamente, ou demandadas dos órgãos da própria administração direta do governo, a comprovação dos pagamentos realizados, o que não foi feito no presente caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 14 44 /2 00 8- 40 Fl. 1450DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa e o conselheiro Rayd Santana Ferreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife PE (DRJ/REC), que, por unanimidade de votos, julgou Improcedente a Impugnação, mantendose o crédito tributário exigido, conforme ementa do Acórdão nº 1127.500 (fls. 1218/1222): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA: PRINCIPAL E ACESSÓRIA. NATUREZAS DISTINTAS. O crédito em tela tem por objeto as contribuições sociais inadimplidas pelo sujeito passivo, tendo assim, no direito tributário, natureza obrigacional principal, distinta, portanto, daquela decorrente do deve instrumental de prestar informações à Seguridade Social por meio de GFIP, esta última de caráter acessório. PLANEJAMENTO FISCAL. ATIVIDADE DISCRICIONÁRIA. Está na órbita do poder discricionário da Administração Pública Federal o planejamento fiscal, a ser entabulado pela Receita Federal do Brasil, decidindo, neste contexto, as empresas que serão objeto de fiscalização, de acordo com o interesse público, a conveniência e a oportunidade. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata de crédito tributário constituído em desfavor da SECRETARIA DE SAÚDE DO ESTADO DA PARAÍBA, por meio do Auto de Infração DEBCAD Nº 37.190.2649 (fls. 1249/1294), consolidados em 15/09/2008, no montante de R$ 10.724.079,85, relativo ao período de 02/2004 a 12/2004, referente às Contribuições Sociais de Segurados Contribuintes Individuais, incidentes sobre valores a eles pagos pela Secretaria de Saúde em decorrência de serviços prestados, consoante notas de empenho, elencadas no Relatório de Lançamento (fls. 1256/1286). De acordo com o Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 1302/1303): Fl. 1451DF CARF MF Processo nº 14751.001444/200840 Acórdão n.º 2401005.671 S2C4T1 Fl. 3 3 1. O órgão não apresentou à fiscalização os documentos e informações necessários à comprovação do regular cumprimento das obrigações previdenciárias principais e acessórias, resultando na lavratura dos Autos de Infração DEBCAD nº 37.165.1735 e DEBCAD nº 37.165.1727 e no lançamento das contribuições previdenciárias sob sua responsabilidade, por arbitramento, apuradas por aferição indireta, com base em nota de empenho, em conformidade com o artigo 33, §§ 2° e 3° da Lei nº. 8.212/91 c/c os artigos 232 e 233 do Decreto nº. 3.048/99; 2. As notas de empenho foram obtidas pela fiscalização, em meio digital, junto ao Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE/PB); 3. Foram lançados nos campos próprios do Discriminativo Analítico do Débito – DAD (fls. 1252/1253), por levantamento, os Salários de Contribuição (SC), as contribuições previdenciárias apuradas, por rubricas, respectivas alíquotas aplicadas e os créditos considerados dedutíveis; 4. Foram consideradas no lançamento e deduzidas das contribuições apuradas, as contribuições previdenciárias confessadas em documento constitutivo de crédito previdenciário (GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social), independentemente de haver ou não recolhimento correspondente, relacionadas no Relatório de Documentos Apresentados – RDA (fl.1287), as quais foram apropriadas por rubricas, conforme demonstrado no Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados – RADA (fls. 1288/1290); 5. As pessoas físicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, com indicação de sua qualificação e período de atuação, foram listadas no Relatório de Representantes Legais – REPLEG (fl. 1293) e na Relação de Vínculos – VÍNCULOS (fl. 1294). Em 18/09/2008 o Contribuinte tomou ciência pessoal do Auto de Infração lavrado (fl. 1249) e, em 17/10/2008, tempestivamente, apresentou sua Impugnação de fls. 1311 a 1319, instruída com os documentos nas fls. 1320 a 1448 e 402 a 1193. Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/REC para julgamento, onde, através do Despacho nº 157 (fls. 1197/1199), a 7ª Turma da DRJ/REC converteu o julgamento em diligencia. Em atendimento à diligência, em 16/02/2009 foi enviado à DRJ/REC os esclarecimentos de fls. 1205 a 1211. Novamente encaminhado o processo à DRJ/REC para julgamento, em 17/04/2009, a 7ª Turma, em atendimento ao princípio do contraditório, emitiu o Despacho nº 309 (fl. 1213), mandando notificar o sujeito passivo do resultado da diligência e abrindo prazo de 30 dias para, querendo, se manifestar. Fl. 1452DF CARF MF 4 O contribuinte tomou ciência do Despacho nº 309 em 14/05/2009 (AR – fl. 1216) e, transcorrido o prazo estabelecido, não se manifestou, sendo o processo encaminhado novamente à DRJ/REC para julgamento. Em 10/09/2009 a 7ª Turma da DRJ/REC, através do Acórdão nº 1127.500, concluiu pela rejeição integral das argumentações da impugnação e, em consequência, votou pela procedência do lançamento. Em 20/11/2009 o Contribuinte tomou ciência do Acórdão (AR fl. 1240) e, em 18/12/2009, inconformado com a decisão tomada interpôs o RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 1227 a 1239. No RV faz um breve resumo dos fatos (fls. 1228/1229) e segue argumentando: 1. Preliminarmente, sobre a nulidade absoluta do feito, consequência do indeferimento de produção de prova pericial, indispensável ao esclarecimento da controvérsia, que configura cerceamento do direito de defesa (fls. 1229/1230); 2. No Mérito sobre: a. A insubsistência da autuação devido à ilegitimidade da Autoridade autuada por ausência de competência para representar extrajudicialmente o Estado da Paraíba (fls. 1230/1232); b. A improcedência da autuação devido estar comprovado nos autos o cumprimento da obrigação previdenciária principal pelo sujeito passivo (fls. 1232/1238). Conclui o RV requerendo a decretação da nulidade absoluta do feito, ante a configuração do cerceamento do direito de defesa. Alternativamente, caso não seja acolhida a preliminar, o provimento integral do recurso apresentado a fim de julgar improcedente o lançamento indevidamente realizado. É o relatório. Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminares Nulidade da decisão de primeira instância – Pedido de perícia Fl. 1453DF CARF MF Processo nº 14751.001444/200840 Acórdão n.º 2401005.671 S2C4T1 Fl. 4 5 Pleiteia a Recorrente a nulidade da decisão de primeira instância em virtude do indeferimento na realização de perícia, por entender indispensável aos destrame da controvérsia. Cumpre, nesse ponto, destacar que a perícia tem por finalidade a elucidação de questões técnicas ou fáticas que suscitem dúvidas ao julgador, o qual cabe avaliar a necessidade da produção da prova técnica que exige conhecimento especial. No presente caso, em face da documentação apresentada pelo contribuinte, a DRJ determinou a realização de diligência e o Auditor Fiscal esclareceu os fatos suscitados. Intimado para se manifestar acerca do resultado da diligência, o Recorrente quedouse inerte (fl. 1217). Após os esclarecimentos oferecidos, o julgador de primeira instância entendeu que os elementos contidos no processo administrativo eram suficientes para a formação de sua convicção e que a análise do presente caso prescindiria da realização de prova pericial. Consoante dispõe o Decreto 70.235/1972 que estabelece as regras do processo administrativo fiscal, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente a sua convicção: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Portanto, diferente do que foi suscitado pela Recorrente, entendo que o indeferimento do seu pleito quanto ao pedido de perícia não tem o condão de macular a decisão exarada em primeira instância em face do livre convencimento da autoridade julgadora na apreciação da prova formadora de sua convicção. Ademais, foi determinada a realização de diligência e oferecidos os esclarecimentos que se fizeram necessários. Diante disso, a fiscalização apresentou relatório conclusivo o que foi analisado no julgamento de primeira instância. O procedimento fiscalizatório foi efetuado dentro dos preceitos normativos atinentes à matéria, o contribuinte foi devidamente intimado para apresentar as razões de defesa e a juntada de provas que entendesse importantes para fundamentar suas alegações. Restou, portanto, plenamente assegurado o contraditório e a ampla defesa. Assim, rejeito a preliminar suscitada pela parte. Ilegitimidade passiva Segundo o Recorrente o lançamento foi realizado na pessoa do titular da Secretaria de Estado. Alega ilegitimidade passiva. Não procede a argumentação aduzida. O crédito tributário foi lançado contra o ente federativo e não contra o titular da respectiva Secretaria, razão porque não merece guarida a ilegitimidade suscitada. Mérito Fl. 1454DF CARF MF 6 Em razões recursais o sujeito passivo pleiteia a improcedência da autuação e disserta acerca do cumprimento da obrigação acessória. Traz alegações gerais sobre o recolhimento e repasse das contribuições previdenciárias exigidas e afirma que ocorreu o cumprimento da obrigação principal pelo sujeito passivo. Pois bem. O lançamento trata da exigência de contribuições previdenciárias patronais, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados, não amparados por regime próprio da Previdência Social, que prestaram serviços à Secretaria da Saúde do Estado da Paraíba, nas competências 02/2004 a 12/2004, sendo as bases de cálculo obtidas das folhas de pagamento. Em atendimento a diligência proposta pela DRJ, o Auditor Fiscal apresentou esclarecimentos, em que assevera que as contribuições previdenciárias correspondentes aos fatos geradores vinculados à Secretaria da Saúde do Estado da Paraíba foram recolhidas de duas formas: (i) com relação às remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais, declarados nas GFIP's da Secretaria da Saúde e de suas unidades hospitalares, foram recolhidas parcialmente nos próprios CNPJ's (08.778.268/000160, 08.778.268/000241, 08.778.268/000322), por meio de GPS; (ii) as correspondentes a uma parte dos fatos geradores relativos às remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados, servidores comissionados e prestadores de serviços não amparados por RPPS, confessadas nas GFIP's do Governo do Estado da Paraíba, foram recolhidas no próprio CNP do Estado (08.761.124/0001 00), por meio da retenção nas cotas do FPE no valor correspondente ao declarado como devido nas respectivas GFIP's; (iii) os recolhimentos mensais efetivamente realizados nos CNPJ´s da Secretaria da Saúde e suas unidades hospitalares, são inferiores as correspondentes contribuições confessadas nas respectivas GFIP's, relacionadas no RDA do lançamento. Consoante se verifica dos esclarecimentos realizados e dos documentos adunados aos autos, as informações e os recolhimentos das contribuições devidas foram efetuadas, parte em uma secretaria de governo, parte em outra. Além do que, em uma mesma GFIP constam fatos geradores de diferentes Secretarias, o que dificulta, sobremaneira, o controle da fiscalização, recaindo para o sujeito passivo o ônus probatório do adimplemento da obrigação tributária. Poderia o sujeito passivo demonstrar, por meio de alegações consistentes, lastreadas em provas documentais apresentadas diretamente, ou demandadas dos órgãos da própria administração direta do governo, a comprovação dos pagamentos realizados, o que não foi feito no presente caso. No que tange às GPS e ao termo de amortização de dívida adunado aos autos, transcrevo a seguir excerto do voto proferido pela Delegacia de Julgamento, o qual peço vênia para acrescentar às razões de decidir: Por sua vez, as GPS colacionadas ao feito pela impugnante achamse especificadas na planilha de fls. 607/610. Foram incluídas nas deduções entabuladas no presente processo e no M 37.190.2673, lavrados na mesma ação fiscal, consoante relatório de apropriação de documentos apresentados — RADA, is fls. 40/42. Não hi, assim, saldo a deduzir do presente processo. De igual sorte, não há como acolher o termo de amortização de divida fiscal, firmado com o INSS, colacionado As fls. 98/106, Fl. 1455DF CARF MF Processo nº 14751.001444/200840 Acórdão n.º 2401005.671 S2C4T1 Fl. 5 7 porque o mesmo não diz respeito ao período lançado no presente processo. Quanto ao pleito do impugnante de se promover fiscalização na Secretaria de Administração do Estado, que diz ser essencial para apuração adequada do crédito em tela, é mister ressaltar que a escolha do órgão a ser fiscalizado está dentro de uma política de planejamento fiscal, atividade discricionária, a cargo da Administração Pública Federal. Não há, em conseqüência, qualquer óbice em se promover, por questões de conveniência e oportunidade, a inspeção, em um mesmo ente federativo, de uma dada secretaria em detrimento de outra. De qualquer sorte, a impugnante poderia, como integrante do Governo Estadual, demandar junto i citada Secretaria de Administração ou outro órgão do Executivo estadual, eventual documentação comprobatória de sua adimplência em relação ao crédito em discussão e trazêla aos autos, não havendo expressa necessidade de se entabular fiscalização em órgão distinto do demandado. Não restou, assim, demonstrada a real necessidade de se efetivar fiscalização em outra secretaria, que não a inspecionada, motivo pelo qual se rejeita seu pleito na matéria e refutase prescindível a perícia requestada, mesmo porque não foram elaborados quesitos, nem apontado perito, considerandose, em conseqüência, como não formulado o mencionado pedido, consoante regramento plasmado no § 1 0, do art. 16, do Decreto n.° 70.235/72, com a redação dada pela Lei n.° 8.748/93. Em face das razões expendidas e tendo em vista que o sujeito passivo não se desincumbiu de comprovar os fatos que sustenta como fundamentos à sua pretensão, mantenho a exigência fiscal. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, nego as preliminares apontadas e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 1456DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.000592/2009-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA, INCIDENTES SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA OU CREDITADA AOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS.
Autarquia municipal que faz pagamentos a contribuintes individuais é empresa para fins previdenciários e contribuinte pelos pagamentos efetuados a contribuintes individuais.
Numero da decisão: 2301-005.549
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior (Presidente). Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA, INCIDENTES SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA OU CREDITADA AOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Autarquia municipal que faz pagamentos a contribuintes individuais é empresa para fins previdenciários e contribuinte pelos pagamentos efetuados a contribuintes individuais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior (Presidente). Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.
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ANTÔNIO BENEDITO DE ARAÚJO DEMASP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA, INCIDENTES SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA OU CREDITADA AOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Autarquia municipal que faz pagamentos a contribuintes individuais é empresa para fins previdenciários e contribuinte pelos pagamentos efetuados a contribuintes individuais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior (Presidente). Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 05 92 /2 00 9- 24 Fl. 731DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 0925.677, exarado pela 5ª Turma da DRJ em Juiz de Fora (efls. 687 a 699). A recorrente é entidade autárquica, criada pela Lei Municipal n° 3.154, de 1995, dotada de personalidade jurídica e patrimônio próprios, com autonomia financeira, administrativa e técnica, com sede e foro no Município de Barbacena, representada judicial e extrajudicialmente pelo seu DiretorGeral (Lei Delegada Municipal n° 04, de 28/02/2005). De acordo com o relatório fiscal (efls. 22 a 25), foi lavrado o Auto de Infração DEBCAD 37.172.3833, no valor consolidado de R$552.804,07, lavrado por descumprimento de obrigação principal, relativamente às contribuições a cargo da empresa, destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados contribuintes individuais, médicos, no período de 01/2004 a 12/2004. A base de cálculo está descrita no relatório de lançamentos (RL), elaborado com base nos discriminativos (Planilha A) e relação de créditos bancários efetuados, contendo a identificação de todos os trabalhadores, contribuintes individuais, que prestaram serviços médicos ao Demasp, conforme informações extraídas dos relatórios, arquivos digitais, fornecidos pela própria autuada. Os fatos geradores incluídos no lançamento, não declarados em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (Gfip), foram agrupados no levantamento FPA – folha de pagamento a prestadores autônomos – médicos. O relatório fiscal esclarece, ainda, que, na presente autuação, não foram incluídas as contribuições dos segurados, pois houve comprovação de que os trabalhadores prestaram serviços em outras empresas, tendo já sofrido o desconto pelo limite máximo do salário de contribuição. Na impugnação (efls. 563 a 581), foi alegado, em síntese: (a) preliminarmente, a sua ilegitimidade passiva, uma vez que, apesar da independência administrativa e financeira, o Demasp é, na verdade, gestor dos recursos da saúde advindos do Ministério da Saúde, não registrando nenhuma situação de renda própria, sendo, assim, é uma autarquia atípica, que não se enquadra no inciso I do art. 15 da Lei n° 8.212, de 1991; o Demasp não é considerado empresa no real termo da palavra, que é apenas gestor de receita governamental, qual seja, recurso de transferência, para gerir o Sistema Único de Saúde no Município de Barbacena, repassando os recursos aos prestadores e fazendo controle e avaliação dos serviços prestados; quem mantém vinculação direta com os profissionais são as unidades hospitalares e que estes profissionais já fazem seu recolhimento previdenciário, em sua maioria, pelo teto máximo, o que ensejaria o risco de pagamento em duplicidade; as argumentações técnicas e jurídicas da autoridade fiscal, expostas no relatório, ferem princípios administrativos, como o da razoabilidade e da moralidade, já que a receita é da União, advinda da repartição de tributos, e a vinculação é de terceiro, das unidades hospitalares; transcreve trecho do Processo Adm. 059/2002 do DEMASP, segundo o qual “é de responsabilidade exclusiva e integral do contratado a utilização de pessoal para a execução do objeto do contrato, incluídos encargos trabalhistas, previdenciários, sociais, fiscais e comerciais resultante de vínculo empregatício, cujo ônus e obrigações em nenhuma hipótese poderão ser transferidos para o contratante ou para o MS”; que o contrato faz lei entre as partes e que os Fl. 732DF CARF MF Processo nº 10640.000592/200924 Acórdão n.º 2301005.549 S2C3T1 Fl. 3 3 prestadores contratados do SUS de Barbacena, no caso, as unidades hospitalares, assumiram os encargos previdenciários, sociais e fiscais resultantes da vinculação com os profissionais autônomos; que pauta suas ações pelo princípio da legalidade, mas que as normas para o Sistema de Saúde Pública no Brasil vêm muitas vezes através de atos normativos para suprir lacunas de leis; que "não tem como a autarquia arcar com esse ônus"; discorre acerca do instituto da Cessão de Crédito, cita Portaria MS 158, de 05/05/04, e diz que, face o exposto, em 2006, resolveu não trabalhar mais com a figura do "profissional autônomo com cessão de crédito"; a partir de 04/2006, estaria repassando aos hospitais, além dos valores financeiros, os relatórios detalhados com os valores brutos devidos a cada profissional, ficando com os hospitais a responsabilidade do pagamento aos autônomos, bem como a retenção de tributos e outros valores devidos; que, através do Processo 2006.38.00.0176042, foi concedida tutela antecipatória à Associação dos Hospitais de Minas Gerais, estando suspensos, até a presente data, os efeitos da Portaria 158/2004 e Of. 399/06 do Demasp, sendo o fundamento da referida decisão a falta de aprovação do Conselho Municipal de Saúde, nos temos da Lei n° 8.080/90 e Decreto 99.438/90; que seria de bom alvitre que a Receita Federal a excluísse do presente auto de infração e aguardasse o desfecho da Ação Ordinária promovida pela Associação dos Hospitais de Minas Gerais ou desse a ele efeito suspensivo, por estar em tramitação na Justiça Federal o instituto da Cessão de Crédito; (b) no mérito, diz que faltou bom senso à autoridade fiscal, uma vez que a rede hospitalar de Barbacena mantém contratos com o SUS na prestação de serviços de internações hospitalares, de acordo com tabelas e normas emitidas pelo MS; os valores atribuídos a cada internação possuem vários componentes, como serviços hospitalares, exames, órteses e próteses etc; efetuava o pagamento dos serviços profissionais aos médicos, situação essa aceita pelo sistema desde a época do Inamps; outras fiscalizações já estiveram no Demasp e relevaram tal situação, não a considerando ato infracional; a partir do segundo semestre de 2004, a União e a Secretaria Estadual de Saúde de MG alertaram quanto ao fato do contrato ser celebrado entre o Estado ou Município e a Unidade Hospitalar, pessoa jurídica; não se trata de uma situação isolada dos hospitais, que têm responsabilidade civil em caso de dano a terceiro, ocasionado pelos médicos autônomos; a SESMG, preocupada com essa situação, instituiu a cessão de crédito; a Resolução 989/2006, em seu artigo Iº, diz que "fica determinado que o pagamento dos serviços de saúde prestados ao Sistema Único de Saúde SUS, a partir da competência outubro de 2006, deve ser realizado diretamente ao estabelecimento cadastrado ou à cooperativa de profissionais de saúde devidamente constituída, através da cessão de crédito"; a forma de pagamento pretendida pela autoridade fiscal é descabida, vez que o SUS efetuará o pagamento duas vezes (uma para os hospitais e outra para os médicos), impondo ao Demasp que pague a um profissional autônomo, sem vínculo com o órgão pagador e que não possui verba para este fim, atendendo a interesses particulares em detrimento dos públicos; menciona o art. 197 da Constituição da República, de 1988 (CR/88), o art. 18 da Lei Federal 8.080, de 1990, que estabelece a competência do gestor municipal; entende que o Demasp não está inadimplente com as obrigações previdenciárias e que apenas cumpre as normas emanadas do Ministério da Saúde. A DRJ julgou a impugnação improcedente, em acórdão que recebeu as seguintes ementas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 IMPROCEDÊNCIA. ALEGAÇÃO. FALTA DE PROVA. Fl. 733DF CARF MF 4 É improcedente a impugnação que vem desacompanhada de prova de suas alegações. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A ciência da recorrente ocorreu em 03/09/2009 (efl. 703); em 1º/10/2009, foi apresentado recurso voluntário (efls. 707 a 725), repisando as razões expostas na impugnação. Foram feitos os seguintes pedidos: (i) cancelamento do auto de infração, em razão de sua ilegitimidade passiva; (ii) a responsabilidade dos hospitais que contrataram os profissionais médicos autônomos relacionados no relatório de lançamentos, por tratarse de uma relação jurídica entre eles, sendo que, de acordo com o contrato que essas pessoa jurídicas celebraram com o Demasp, essa responsabilidade é exclusiva dos prestadores; É o relatório. Voto Conselheiro João Bellini Júnior, relator A recorrente alega, em preliminar, sua ilegitimidade para responder pelo tributo lançado, uma vez que não é sujeito passivo da obrigação. Tal questão se relaciona (e será abordada) diretamente com o mérito – erro de sujeição passiva –, uma vez que está em questão os elementos essenciais do fato gerador, a teor do art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (Grifouse.) A recorrente, entidade autárquica municipal, afirma que não se caracteriza como empresa, para fins previdenciários. Não lhe assiste razão. A definição de empresa, presente no art. 15, I, da Lei 8.212, de 1991, abrange os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta, o que inclui as autarquias municipais: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; (Grifouse.) De acordo com o relatório fiscal, os fatos geradores do presente processo foram pagamentos a titulo de honorários a diversos profissionais, como médicos, advogados, Fl. 734DF CARF MF Processo nº 10640.000592/200924 Acórdão n.º 2301005.549 S2C3T1 Fl. 4 5 administradores, consultores, assessores técnicos e outros trabalhadores autônomos, e a base de cálculo o total das remunerações pagas e ou creditadas no decorrer do mês aos segurados, conforme nomes, números das notas de empenho e valores discriminados nos relatórios de fatos geradores. As planilhas das efls. 32 a 515 relacionam os depósitos bancários efetivados pela recorrente diretamente aos contribuintes individuais. A base legal é o art. 22, III, da Lei 8212, de 1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; A recorrente assevera que os profissionais médicos não se vinculam a ela, mas às unidades hospitalares, sendo que apenas repassa recursos advindos do Ministério da Saúde a esses prestadores, realizando a avaliação e controle dos serviços prestados. Ocorre que, como relatado, a fiscalização verificou, nos próprios documentos apresentados pela recorrente, a ocorrência dos referidos pagamentos, a titulo de honorários, aos profissionais elencados nas planilhas das efls. 32 a 515. Também foram identificados na Conta 339036 — Outros Serviços de Terceiros — Pessoa Física e Folhas de Pagamento Prestadores Autônomo, os nomes dos beneficiários, agência bancária e o número da conta onde foram efetuados os depósitos do valor empenhado, relativo aos serviços prestados. O nome do beneficiário, CPF, número da conta, número da agência bancária e o valor depositado foram verificados, ainda, no "Relatório de Créditos Efetuados nos Bancos por conta de Terceiros". Daí a sua legitimidade para responder pelo crédito tributário. Assim, ainda que a recorrente repasse os valores advindo do Ministério da Saúde às unidades hospitalares para que estas efetuem os pagamentos aos profissionais médicos contribuintes individuais, como alega a recorrente, foi verificada a ocorrência de pagamentos diretamente a médicos, contribuintes individuais, conforme explicitado no relatório fiscal, e discriminado nos anexos do auto de infração. A respeito do instituto da cessão de crédito, a recorrente afirma que pela Resolução 989, de 2006, ficou determinado que o pagamento dos serviços de saúde prestados ao SUS, a partir da competência outubro de 2006, deveria ser realizado diretamente ao estabelecimento cadastrado ou à cooperativa de profissionais de saúde devidamente constituída, através da cessão de crédito. Ainda que tal argumento fosse procedente, não elidiria os pagamentos realizados diretamente pela recorrente, objeto deste processo; ademais, só alcançaria fatos geradores ocorridos a partir de outubro de 2006, sendo que estamos diante de fatos geradores ocorridos no período de 01 a 12/2004. Quanto à duplicidade de pagamento da contribuição, em razão de os contribuintes individuais efetuarem seus próprios recolhimentos, em sua maioria, já observando o limite máximo do salário de contribuição, reiterase que a presente autuação inclui apenas as contribuições devidas pela empresa, conforme explicitado no relatório fiscal. Fl. 735DF CARF MF 6 Por outro lado, não há falar em restarem feridos princípios administrativos, como o da razoabilidade e da moralidade, quando o lançamento é legítimo, se fundamenta no descumprimento da legislação previdenciária pela recorrente. Quanto à argumentação de que o contrato faz lei entre as partes e que os prestadores contratados do SUS de Barbacena, no caso, as unidades hospitalares, assumiram os encargos previdenciários, sociais e fiscais resultantes da vinculação com os profissionais autônomos, temos que o art. 123 do CTN dispõe que salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Já o instituto da cessão de crédito ou Portaria MS 158, de 05/05/04, não elide o dever da recorrente de arcar com as contribuições previdenciárias sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços (art. 22, III, da Lei 8.212, de 1991). Chama a atenção nos pagamentos efetuados pela recorrente (planilhas das efls. 32 a 515) que ela, corretamente, cumpriu suas obrigações relativas ao imposto sobre a renda retido na fonte (IRRF); porém, decorrentemente dos mesmos pagamentos, há a obrigação de recolher as contribuições previdenciárias, parte da empresa. Já no Processo 2006.38.00.0176042 não se discute qualquer questão que possa influir no presente lançamento, estando lá em questão os efeitos da Portaria 158/2004 e Of. 399/06 do Demasp. Conclusão Voto, portanto, por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 736DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.004740/00-33
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. FITAS E PLACAS DE MICA. CONTROVÉRSIA ENTRE AS POSIÇÕES 6814 E 8547. PEÇA ISOLANTE. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Correta a classificação fiscal realizada pelo contribuinte no Capítulo 68.
Para que fitas e placas de mica fossem classificadas na posição 8547, além da função de isolamento elétrico, deveriam corresponder a "peças isolantes das máquinas, aparelhos e instalações elétricas", entendidas como um item que a integre diretamente, uma parte destacável do todo.
In casu, os produtos analisados não correspondem a "peças isolantes", mas a insumos que são utilizados em sistemas de isolamento elétrico nas máquinas e aparelhos fabricados pelas indústrias adquirentes.
RESSARCIMENTO DE IPI. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. TERMO INICIAL.
A aplicação da taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, nos casos de oposição ilegítima do Fisco, incide somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido. Antes deste prazo não existe permissivo legal e nem jurisprudencial, com efeito vinculante, para sua incidência.
Numero da decisão: 3002-000.383
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, dar provimento em relação à classificação fiscal pleiteada pelo contribuinte e (ii) por voto de qualidade, dar provimento parcial para reconhecer o direito à correção pela taxa Selic, contada a partir do 360º dia após a data do protocolo do pedido de ressarcimento, vencidos os conselheiros Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (relatora) e Alan Tavora Nem, que lhe deram provimento parcial em maior extensão. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Larissa Nunes Girard.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Redatora Designada
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. FITAS E PLACAS DE MICA. CONTROVÉRSIA ENTRE AS POSIÇÕES 6814 E 8547. PEÇA ISOLANTE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Correta a classificação fiscal realizada pelo contribuinte no Capítulo 68. Para que fitas e placas de mica fossem classificadas na posição 8547, além da função de isolamento elétrico, deveriam corresponder a "peças isolantes das máquinas, aparelhos e instalações elétricas", entendidas como um item que a integre diretamente, uma parte destacável do todo. In casu, os produtos analisados não correspondem a "peças isolantes", mas a insumos que são utilizados em sistemas de isolamento elétrico nas máquinas e aparelhos fabricados pelas indústrias adquirentes. RESSARCIMENTO DE IPI. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. TERMO INICIAL. A aplicação da taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, nos casos de oposição ilegítima do Fisco, incide somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido. Antes deste prazo não existe permissivo legal e nem jurisprudencial, com efeito vinculante, para sua incidência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, dar provimento em relação à classificação fiscal pleiteada pelo contribuinte e (ii) por voto de qualidade, dar provimento parcial para reconhecer o direito à correção pela taxa Selic, contada a partir do 360º dia após a data do protocolo do pedido de ressarcimento, vencidos os conselheiros Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (relatora) e Alan Tavora Nem, que lhe deram provimento parcial em maior extensão. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Larissa Nunes Girard. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Redatora Designada (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. FITAS E PLACAS DE MICA. CONTROVÉRSIA ENTRE AS POSIÇÕES 6814 E 8547. PEÇA ISOLANTE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Correta a classificação fiscal realizada pelo contribuinte no Capítulo 68. Para que fitas e placas de mica fossem classificadas na posição 8547, além da função de isolamento elétrico, deveriam corresponder a "peças isolantes das máquinas, aparelhos e instalações elétricas", entendidas como um item que a integre diretamente, uma parte destacável do todo. In casu, os produtos analisados não correspondem a "peças isolantes", mas a insumos que são utilizados em sistemas de isolamento elétrico nas máquinas e aparelhos fabricados pelas indústrias adquirentes. RESSARCIMENTO DE IPI. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. TERMO INICIAL. A aplicação da taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, nos casos de oposição ilegítima do Fisco, incide somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido. Antes deste prazo não existe permissivo legal e nem jurisprudencial, com efeito vinculante, para sua incidência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, dar provimento em relação à classificação fiscal pleiteada pelo contribuinte e (ii) por voto de qualidade, dar provimento parcial para reconhecer o direito à correção pela taxa Selic, contada a partir do 360º dia após a data do protocolo do pedido de ressarcimento, vencidos os conselheiros Maria Eduarda Alencar Câmara Simões AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 47 40 /0 0- 33 Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10380.004740/0033 Acórdão n.º 3002000.383 S3C0T2 Fl. 379 2 (relatora) e Alan Tavora Nem, que lhe deram provimento parcial em maior extensão. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Larissa Nunes Girard. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Redatora Designada (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fl. 313 dos autos: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de IPI (fl. 01) referente ao primeiro trimestre de 2000, cumulado com pedido de compensação (fl. 03). 2. Com a finalidade de se verificar a existência de créditos de IPI no período de janeiro de 1999 a dezembro de 2001, foi autorizada fiscalização através da expedição do MPF no 03101002005000943. 3. A Fiscalização, conforme explicitado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 107/116, alterou a classificação fiscal de diversos produtos fabricados pelo contribuinte, efetuando a reconstituição de sua escrita fiscal (fls. 102/108). 4. Após a reconstituição da escrita fiscal, foram apurados débitos de IPI, razão pela qual a Fiscalização, através da Informação Fiscal de fls. 100/101, opinou pelo indeferimento do presente pedido de ressarcimento. 5. Com base na Informação Fiscal mencionada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza indeferiu o pedido de ressarcimento apresentado e não homologou as compensações declaradas no presente processo (fl. 123). 6. Irresignado com a decisão da qual tomou ciência em 27.02.2007 (fl. 124), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 09.03.2007 (fls. 125/136) alegando: a) Que os materiais produzidos não seriam eficientes como isolantes, razão pela qual deveriam ser classificados na posição 6814.1000, e não na posição 8547.9000, como entendeu a Fiscalização; Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10380.004740/0033 Acórdão n.º 3002000.383 S3C0T2 Fl. 380 3 7. Por fim, requereu: a) Que fosse reformado o despacho decisório para reconhecer o direito creditório; b) Que fosse efetuada a compensação com débitos referentes ao próprio IPI ou com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal; c) Que fosse realizada perícia técnica para que se determinasse a capacidade da fita ou folha de mica como isolante elétrico; d) Que os valores referentes ao crédito solicitado fossem atualizados com base na taxa SELIC. Com sua manifestação de inconformidade, o contribuinte juntou (i) procuração (fl. 276); ii) documentos de identificação (fls. 278/280). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, deferir parcialmente o pedido do contribuinte, conforme decisão que restou assim ementada: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 Ementa: OBRAS DE MICA. ISOLANTES ELÉTRICOS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. O material isolante para máquinas, aparelhos e instalações elétricas, mesmo não montado, de mica, está incluído nas posições 85.46 a 85.48. PEDIDOS DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. Devem ser indeferidos os pedidos de diligência e perícia quando forem prescindíveis para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Consideramse tacitamente homologadas as compensações declaradas que não forem apreciadas pela autoridade administrativa dentro do prazo de cinco anos contados da data da protocolização do pedido de compensação. Solicitação Deferida em Parte Em seus fundamentos, o acórdão (fls. 311/329) consignou que a alteração da classificação fiscal é questão prejudicial em relação à apuração do crédito de IPI pleiteado pelo contribuinte neste processo, e que essa questão já fora apreciada quando do julgamento do processo nº 10380.011239/200554, em que se discutiu o lançamento decorrente da reclassificação fiscal realizada pela fiscalização. Em relação à homologação tácita, consignou que o protocolo do pedido de compensação ocorreu em 11/04/2000 e a ciência da não homologação se deu em 27/02/2007, quando a compensação já tinha sido tacitamente homologada. Sobre a correção monetária, consignou ser indevida face ao não reconhecimento do crédito e por não haver previsão legal para atualização monetária em hipótese de ressarcimento. Fl. 380DF CARF MF Processo nº 10380.004740/0033 Acórdão n.º 3002000.383 S3C0T2 Fl. 381 4 O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 29/11/2007 (vide AR à fl. 331 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 21/12/07, Recurso Voluntário (fls. 333/361). Em seu recurso, o contribuinte informou que se volta contra a negativa de ressarcimento. Frisou que o acórdão deve ser reformado, pois a classificação efetuada corretamente foi a sua, não a do Fisco, alegando que os produtos não são eficientes como isolante, e que não há cabimento para interpretações teleológicas e adequações para tributar. Pediu, por fim, i) a suspensão da exigibilidade tributária; ii) a reforma da decisão para atribuir classificação ao produto na posição 6814.10.00; iii) que sejam deferidos o ressarcimento e a compensação pedidos inicialmente; iii) realização de perícia técnica, se necessário; iv) correção de seus créditos com base na SELIC, a partir de janeiro/96. O contribuinte não juntou novos documentos. O processo foi encaminhado para o 2º Conselho de contribuintes, que proferiu acórdão (fls. 367/369) no sentido de não conhecer do recurso, para declinar competência à Terceira Seção do CARF. O contribuinte foi intimado desta decisão, conforme AR de fl. 373. Os autos, então, vieramme conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 1. Da classificação fiscal Conforme acima narrado, o cerne da presente contenda versa sobre a correta classificação fiscal dos produtos da Recorrente (mica beneficiada, papel de mica, sisapor, sasaflex P, sisaflex S e Sesanite Calefação). O contribuinte os classificou na posição 6814.1000, ao passo que a fiscalização entendeu que a posição correta era a 8547.9000, por considerar que seriam isolantes elétricos. A mudança da classificação fiscal acarretou uma alteração na alíquota do IPI de 0% para 15%, resultando na apuração de débitos que foram objeto de lançamento por meio do Proc. nº 10380.011239/200554. Para que melhor se compreenda o cerne da presente demanda, transcrevese a seguir as classificações adotadas pelo contribuinte e pela fiscalização, respectivamente, tendo por base a TIPI de 1996, aplicável à época do período de apuração objeto da presente contenda (2000): Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10380.004740/0033 Acórdão n.º 3002000.383 S3C0T2 Fl. 382 5 Ao analisar essa questão, a DRJ entendeu pela improcedência do pedido de ressarcimento, tendo em vista que a análise da classificação fiscal já havia sido realizada nos autos do Proc. nº 10380.011239/200554, que concluiu pela correção da reclassificação procedida pela fiscalização. É importante mencionar que o referido processo ainda não foi julgado pelo CARF, encontrandose atualmente no aguardo de sua distribuição. Ou seja, não há, até o momento, decisão deste Colegiado acerca da decisão da DRJ proferida naquelas autos. O contribuinte, então, se insurge em seu Recurso Voluntário quanto a tal ponto, defendendo que a classificação pro ele adotada estaria correta, visto que os produtos em questão não seriam isolantes. Entendo que não assiste razão ao contribuinte quanto aos fundamentos ali apresentados. Isso porque, penso que este ponto específico fora muito bem analisado nos autos do Processo nº 10380.011239/200554, em que a fiscalização concluiu que os produtos em questão são feitos à base de mica, que é matéria isolante, e foram concebidos para serem utilizados como isolantes elétricos: 11. 0 cerne da discussão ora travada consiste na classificação fiscal dos produtos fornecidos pela sociedade empresária em epígrafe. Enquanto esta sustenta que os referidos produtos devem ser enquadrados na posição 68.14.0000, a Fiscalização afirma que os mesmos se enquadram na posição 85.47.9000. 12. A seguir, apresento os produtos que tiveram sua classificação fiscal alterada: Sisapor (código 322.0xxx); Sisapor (código 322.6xxx); Sisaflex P (código 326.xxxx); Sisaflex S (código 324.xxxx); Sisanite Coletor (código 328.01); Fl. 382DF CARF MF Processo nº 10380.004740/0033 Acórdão n.º 3002000.383 S3C0T2 Fl. 383 6 Sisanite Calefação (código 328.51). 13. 0 contribuinte produz placas e fitas de mica com os nomes comerciais acima indicados. Tendo ern vista que o principal insumo utilizado nos produtos mencionados é a mica, na busca pela correta classificação fiscal somos levados ao capitulo 68 da TIPI (Obras de pedra, gesso, cimento, amianto, mica ou de matérias semelhantes). 14. A controvérsia a ser dirimida surge quando se observa a nota n° 1 do capitulo 68, que assim dispõe: 1. 0 presente capitulo não compreende: g. os isoladores de eletricidade (posição 85.46) e as peças isolantes da posição 85.47; 15. Complementando o dispositivo acima, as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Classificação de Mercadorias (Nesh), aprovadas pela Instrução Normativa SRF n° 157/2002, esclarecem: Em virtude de sua alta resistência ao calor e da sua relativa translucidez, a mica utilizase, por exemplo, para a fabricação de janelas de fornos e de fogões, de portas vidradas para aparelhos de aquecimento (fogões de sala, etc.), de "vidros" de óculos de proteção para operários e de ampolas de lâmpadas inquebráveis. Mas, em virtude das suas excelentes propriedades dielétricas, é sobretudo em eletrotecnia que tem principal emprego, especialmente na construção de motores, geradores, transformadores, condensadores, resistências, etc. A este respeito deve, contudo, notarse que o material isolante para máquinas, aparelhos e instalações elétricas, mesmo não montado, de mica, está incluído nas posições 85.46 a 85.48; os condensadores dielétricos de mica (capacitores) classificamse na posição85.32. 16. Das linhas acima é possível depreender que, caso fique comprovado que a obra de mica produzida pelo contribuinte se caracteriza como material isolante a ser utilizado em máquinas, aparelhos e instalações elétricas, mesmo não montado, a classificação fiscal deslocase para as posições 85.46 a 85.48. 17. A impugnação apresentada, portanto, tem como alegação principal o fato de que os produtos fornecidos não seriam considerados materiais isolantes, pois somente adquiririam tal característica após transformações realizadas pelas industrias que compravam tais produtos. 18. Entendo que a questão pode ser resolvida observandose as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Classificação Fiscal de Mercadorias (Nesh) da posição 85.47, aprovadas pela Instrução Normativa SRF n°157/2002: Com exceção dos isoladores propriamente ditos da posição 85.46, o presente grupo compreende o conjunto das peças para Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10380.004740/0033 Acórdão n.º 3002000.383 S3C0T2 Fl. 384 7 máquinas, aparelhos ou instalações elétricas que satisfaçam a dupla condição: 1°) De serem inteiramente de matérias isolantes, ou de matérias isolantes (plásticos, por exemplo) possuindo simples pews metálicas de fixação (suportes roscados, etc.) incorporadas na massa. 2°) De serem concebidas para uma função de isolamento elétrico, mesmo que sirvam simultaneamente para outros fins, tal como a proteção. Obtêmse, geralmente, as peças deste tipo por vazamento ou moldagem; contudo, às vezes, obtemse estes artefatos por meio de outros processos, serração ou corte, especialmente. Conforme o caso, estas peças possuem orificios, roscas, ranhuras, etc. Quanto à matéria constitutiva, varia de um artefato para outro: vidro, matérias cerâmicas, esteatite, borracha endurecida, plásticos, papel ou cartão impregnados de resina, fibrocimento, mica etc. 19. Para que os produtos ora em análise possam ser classificados na posição 8547, ou seja, para que seja satisfeita a dupla condição acima transcrita, duas perguntas devem ser respondidas: a) A mica é uma matéria isolante? b) O produto à base de mica foi concebido para uma função de isolamento elétrico? 20. Não resta dúvidas de que, conforme mencionou o contribuinte, a mica possui, em razão de suas propriedades, diversas utilidades. A própria Instrução Normativa SRF n° 157/2002 menciona a versatilidade deste mineral: Em virtude de sua alta resistência ao calor e da sua relativa translucidez, a mica utilizase, por exemplo, para a fabricação de janelas de fornos e de fogões, de portas vidradas para aparelhos de aquecimento (fogões de sala, etc.), de "vidros" de óculos de proteção para operários e de ampolas de lâmpadas inquebráveis. Mas, em virtude das suas excelentes propriedades dielétricas, é sobretudo em eletrotecnia que tem principal emprego, especialmente na construção de motores, geradores, transformadores, condensadores, resistências, etc 21. Entretanto, também não há dúvidas de que a mica, em virtude de sua alta rigidez dielétrica, é matéria isolante. 22. Se a mica é matéria isolante, resta saber se os produtos ora sob análise foram concebidos para uma função de isolamento elétrico. Após visita técnica as instalações do contribuinte, a Fiscalização concluiu: Fl. 384DF CARF MF Processo nº 10380.004740/0033 Acórdão n.º 3002000.383 S3C0T2 Fl. 385 8 a) Que as placas de coletor e de calefação somente sofrem procedimentos de montagem em seu destino, sendo utilizadas em furadeiras, ferro elétrico e outros equipamentos elétricos, sempre com a função de servir como isolante elétrico; b) Que as fitas produzidas pelo contribuinte, quando chegam as indústrias de transformação, passam apenas por processo de montagem, tornandose parte de motores de alta potência, geradores, equipamentos elétricos, etc. 23. Não resta dúvidas, portanto, de que todos os produtos em questão foram concebidos para uma função de isolamento elétrico, contribuinte não apresentou um único exemplo de aplicação distinta para seus produtos. Não trouxe aos autos um único documento comprovando que os compradores dos produtos ora em debate utilizaramnos para um fim distinto de isolamento elétrico. 24. Ao contrário, as notas fiscais de fls. 227/294 trazem como destinatárias sociedades empresárias que produzem equipamentos elétricos, o que reforça ainda mais o convencimento de que os produtos foram concebidos com o intuito de servir como isolantes elétricos. 25. Por fim, destacase que o objeto social do contribuinte, segundo consta do contrato social (IL 339), é a) a fabricação e venda de mantas de mica e fitas ou placas de isolantes elétricos à base de mica; b) o comércio e revenda de produtos relacionados isolação elétrica, bem como importação e exportação dos mesmos; c) a intermediação na compra e venda. 26. O objeto social acima reproduzido deixa claro que a sociedade empresária produz isolantes elétricos. 27. Restou demonstrado, portanto, que a classificação fiscal adotada pela Fiscalização é correta, pois os produtos em análise são feitos à base de mica, que é matéria isolante, e foram concebidos para serem utilizados como isolantes elétricos. Na minha percepção, portanto, não restam dúvidas acerca da característica e destinação do produto em questão (isolantes elétricos), cuja combate realizado pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário não é suficiente para abalar a conclusão acima disposta. Porém, a despeito da conclusão a que se chegue acerca da característica e destinação dos produtos da Recorrente como isolantes elétricos, há outro aspecto que precisa ser analisado por este Conselho para fins de enquadramento no item 8547, como pretendido pela fiscalização: os produtos, além de serem isolantes, deverão corresponder a "peças (...) para máquinas, aparelhos e instalações elétricas (...)". Acontece que este enquadramento não chegou a ser realizado pela fiscalização. Cabenos, portanto, realizar esta análise. Por entender que esta matéria já fora muito bem abordada por este Conselho nos autos do Proc. 10380.720904/201061, relativo ao mesmo contribuinte, e no qual foram analisados os mesmos produtos objeto da presente demanda, transcrevo a seguir determinadas Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10380.004740/0033 Acórdão n.º 3002000.383 S3C0T2 Fl. 386 9 passagens do voto ali proferido (Acórdão nº 3402005.245 de 23/05/2018), adotandoas como razão de decidir: Apurou a fiscalização que os produtos Sisapor (código 322.0xxx), Sisapor (código 322.6xxx), Sisaflex P (código 326.xxxx), Sisaflex S (código 324.xxxx), Sisanite Coletor (código 328.01) e Sisanite Calefação (código 328.51), fabricados pela contribuinte classificarseiam na posição 8547 no código NCM/SH 8547.90.00, cuja alíquota era 15%, sendo que a contribuinte havia classificado os referidos produtos no código NCM/SH 6814.00.00, cuja alíquota era zero, conforme descrito abaixo na TIPI: Capítulo 68 Obras de pedra, gesso, cimento, amianto, mica ou de matérias semelhantes Notas. 1.O presente Capítulo não compreende: a) Os produtos do Capítulo 25; b) O papel e cartão revestidos, impregnados ou recobertos, das posições 48.10 ou 48.11 (por exemplo, os recobertos de mica em pó ou de grafita e os betumados ou asfaltados); (...) g) Os isoladores elétricos (posição 85.46) e as peças isolantes da posição 85.47; (....) 68.14 Mica trabalhada e obras de mica, incluindo a mica aglomerada ou reconstituída, mesmo com suporte de papel, de cartão ou de outras matérias. 6814.10.00 Placas, folhas ou tiras, de mica aglomerada ou reconstituída, mesmo com suporte 0 (...) Capítulo 85 Máquinas, aparelhos e materiais elétricos, e suas partes; aparelhos de gravação ou de reprodução de som, aparelhos de gravação ou de reprodução de imagens e de som em televisão, e suas partes e acessórios (...) 85.47 Peças isolantes inteiramente de matérias isolantes, ou com simples peças metálicas de montagem (suportes roscados, por exemplo) incorporadas na massa, para máquinas, aparelhos e instalações elétricas, exceto os isoladores da posição 85.46; tubos isoladores e suas peças de ligação, de metais comuns, isolados interiormente. 8547.10.00 Peças isolantes de cerâmica 15 8547.20 Peças isolantes de plástico 8547.20.10 Tampões vedadores para capacitores, com perfurações para terminais 15 8547.20.90 Outras 15 8547.90.00 Outros 15 (...) A nota 1. g) do Capítulo 68, na parte que determina a exclusão desse Capítulo das "peças isolantes da posição 8547", quer dizer que, quando uma obra de mica tenha as características descritas Fl. 386DF CARF MF Processo nº 10380.004740/0033 Acórdão n.º 3002000.383 S3C0T2 Fl. 387 10 de uma peça isolante da posição 8547, é nela que deverá ser enquadrada, e não no Capítulo 68, atendendo, assim, também ao determinado na Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado 3.a 2, pela qual prevalece a posição mais específica sobre as mais genéricas. Vale dizer, no presente caso, para que fitas e placas de mica sejam excluídas da classificação no Capítulo 68, como obras de mica, e sejam classificadas na posição 8547, além da função de isolamento elétrico, que é matéria incontroversa nos autos, devem ter a característica de "peças (...) para máquinas, aparelhos e instalações elétricas". Nessa esteira é importante esclarecer que a Nota Explicativa à posição 6814, abaixo transcrita, ao mencionar "material isolante para máquinas, aparelhos e instalações elétricas", está se referindo a todos os produtos enquadráveis nas posições 8546 a 8548 (Isoladores elétricos, Peças isolantes etc.), não se olvidando que, no caso presente, a classificação proposta pela fiscalização foi de "peças isolantes (...) para máquinas, aparelhos e instalações elétricas" da posição 8547. Não é demais lembrar que as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH) são apenas elementos subsidiários para a interpretação do conteúdo das posições3, de forma que uma Nota Explicativa não pode veicular entendimento contrário à descrição literal de uma posição. A fiscalização sustentou a classificação no código NCM/SH 8547.90.00 principalmente na função de isolante elétrico dos produtos, mas não se preocupou muito em justificar porque os produtos (fitas e placas de mica) poderiam se enquadrar na descrição da posição 8547 como "peças (...) para máquinas, aparelhos e instalações elétricas". Apurouse que o produtos fabricados pela contribuinte tinham função de isolante elétrico e eram vendidos para outras indústrias do ramo eletromecânico, mas não se chegou a detalhar o contexto industrial dos adquirentes para se enquadrar adequadamente os produtos como "peças isolantes (...) para máquinas, aparelhos e instalações elétricas". Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10380.004740/0033 Acórdão n.º 3002000.383 S3C0T2 Fl. 388 11 Nesse ponto, o Parecer Técnico juntado pela recorrente, elaborado pelo Instituto Nacional de Tecnologia (INT), descreve o processo produtivo de uma das adquirentes dos produtos fabricados pela contribuinte e responde a um dos quesitos formulados, nos seguintes termos: (...). Pelo que se vê, em relação à adquirente Voight do Brasil, a fita de mica Sisaport fabricada pela autuada é empregada no sistema de isolamento de barras estatoras utilizadas em hidrogeradores (produto final da Voight do Brasil), não se podendo dizer que a fita de mica seria uma "peça isolante" para o hidrogerador, eis que é a barra estatora que o integra diretamente. No Parecer Técnico do INT também restou esclarecido que os produtos sob análise não são fabricados pela contribuinte com especificações próprias de cada indústria adquirente, sendo que não continham orifícios, roscas ou ranhuras e eram cortados nos padrões programados pelas máquinas da contribuinte, nestes termos: (...). Embora não haja uma específica descrição do que seja uma "peça isolante (...) para máquinas, aparelhos e instalações elétricas", no sentido comum, uma peça para uma máquina deve ser um item que a integre diretamente, que seja uma parte destacável do todo. No caso, como expressamente constou no Parecer Técnico, os produtos não podem ser considerados "peças isolantes, mas insumos que devem ser utilizados em sistemas de isolamento elétrico". É possível verificar, portanto, que este Conselho, tendo se debruçado sobre a classificação fiscal dos mesmos produtos aqui analisados, já reconheceu a correção do classificação adotada pelo contribuinte com base na posição 6814.1000. E, por concordar com a conclusão ali apresentada, entendo que a presente demanda deverá seguir o mesmo caminho. Sendo assim, no que tange à classificação fiscal, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte, para fins de reconhecer o direito creditório pleiteado. Uma vez acolhido o pedido principal do recorrente, resta prejudicado o pedido de realização de perícia técnica. 2. Da atualização com base na taxa SELIC Por fim, requereu o contribuinte em seu recurso voluntário que fosse reconhecido o seu direito à correção com base na taxa SELIC, utilizada a partir de janeiro de 1996, com base no seguinte critério: Fl. 388DF CARF MF Processo nº 10380.004740/0033 Acórdão n.º 3002000.383 S3C0T2 Fl. 389 12 No que tange à correção do crédito de IPI, tendo em vista que a atualização monetária nada acrescenta ao valor principal, deve ser aplicada a correção monetária desde a data em que o crédito poderia ter sido compensado, ou seja, desde a data em que foi apurado e da mesma forma de correção utilizada pelo fisco. Entendo que assiste parcial razão ao contribuinte. Isso porque, em que pese ter o contribuinte direito à atualização pela SELIC do crédito pleiteado, face à ilegítima recusa realizada pela fiscalização quanto ao reconhecimento do seu crédito, entendo que esta atualização deverá se dar a partir do protocolo do pedido de ressarcimento indevidamente indeferido, e não da data em que foi apurado, como pretende o Recorrente. Ou seja, a discordância referese tão somente ao termo inicial para fins de atualização com base na taxa SELIC. Até porque, como é cediço, uma vez confirmado que a recusa ao reconhecimento do crédito pleiteado se deu indevidamente, apresentase imperativa a aplicação da taxa SELIC, nos moldes do que consignou o Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.035.847/RS, em sede de recursos repetitivos, ao assim dispor: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. “1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da não cumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. [...] Ou seja, por meio deste REsp, restou concluído que o direito à correção monetária surge na medida em que tenha havido oposição por parte da Administração Pública, seja administrativa ou normativa, quanto à utilização dos créditos escriturais. Sedimentando este entendimento, foi aprovada a Súmula nº 411, do STJ, in verbis: Fl. 389DF CARF MF Processo nº 10380.004740/0033 Acórdão n.º 3002000.383 S3C0T2 Fl. 390 13 "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" Uma vez constatada que a recusa realizada pela fiscalização foi ilegítima, este entendimento deve ser aplicado por este CARF na forma do art. 62, §2º, do Regimento Interno, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Sendo assim, para que seja reconhecida a incidência da SELIC sobre os créditos escriturais, é imprescindível que reste configurada no caso concreto sob análise a resistência do Fisco, seja administrativa, seja normativa, acerca da utilização de tais créditos. E, como vimos acima, percebese que esta é justamente a hipótese dos presentes autos, uma vez confirmada a correção da classificação fiscal realizada pelo contribuinte. Restanos, portanto, nesta oportunidade, definir a partir de quando a taxa SELIC deverá ser aplicada. Como se viu acima, a incidência da SELIC pretendida pelo contribuinte não se restringe àquela incidente desde o protocolo do pedido de ressarcimento até o julgamento final que lhe for favorável, mas sim àquela incidente desde a data em que foi apurado. Percebese, portanto, que as decisões e súmula do STJ acima colacionadas não protegem o direito do Recorrente nesta extensão. Ao contrário, a refutam, em razão da inexistência de previsão legal para a sua concessão. Como visto, deverá incidir a SELIC tão somente nos casos em que tenha a fiscalização tenha apresentado óbice ao usufruto do crédito. Afastada a concessão da atualização nos moldes pretendidos pela Recorrente, há de ser fixado, então, o termo inicial da aplicação da taxa SELIC. Entendo que a sua incidência deverá se dar a partir do protocolo do pedido de ressarcimento apresentado pelo contribuinte, pois é a partir deste momento que ele sai de uma postura passiva para uma postura ativa, no intuito de obter o reconhecimento do seu direito creditório. E a não utilização do crédito, a partir de então, decorrerá da ilegítima postura da fiscalização quanto ao reconhecimento do direito creditório pleiteado, gerando, em contrapartida, o direito à atualização com base na taxa SELIC. Fl. 390DF CARF MF Processo nº 10380.004740/0033 Acórdão n.º 3002000.383 S3C0T2 Fl. 391 14 Sendo assim, neste ponto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto, para fins de reconhecer o direito à atualização com base na taxa SELIC, contudo, a partir do protocolo do pedido de ressarcimento apresentado. 3. Da conclusão Diante das razões acima apresentadas, voto da seguinte forma: (i) quanto à classificação fiscal, dar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, reconhecendo a correção da classificação fiscal por ele pretendida; (ii) quanto à atualização pela taxa SELIC, dar provimento parcial, para fins de reconhecer o direito à referida atualização a partir da data do protocolo do pedido de ressarcimento apresentado. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Voto Vencedor Conselheira Larissa Nunes Girard – Redatora Designada Com a devida vênia, divirjo da conselheira relatora em relação ao termo inicial para a aplicação de correção do ressarcimento pela taxa Selic. Tal matéria vem sendo decidida reiteradamente pela 3ª Seção da Câmara Superior de Recursos Fiscais da mesma forma, com fundamento com o qual concordo e que adoto como razão de decidir neste julgamento. Transcrevo então o voto do conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal no Acórdão nº 9303006.995, realizado em junho de 2018: Entretanto, refletindo melhor sobre a matéria, penso que não existe base legal e nem comando vinculante de nossos tribunais a autorizar nenhuma dessas duas hipóteses, sobretudo a segunda, referente à incidência da correção monetária desde a data do protocolo do pedido. Essa hipótese permite uma correção monetária integral que nunca foi permitida do ponto de vista legal e, smj, nem pela interpretação dos referidos julgados. Entendo que a melhor interpretação está vinculada ao que dispôs o próprio STJ, também em sede de recurso repetitivo, no REsp nº 1.138.206, abaixo transcrito com destaques: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72.ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART.535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. Fl. 391DF CARF MF Processo nº 10380.004740/0033 Acórdão n.º 3002000.383 S3C0T2 Fl. 392 15 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5º, o inciso LXXVIII, in verbis: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (Precedentes: MS 13.584/DF, Rel. Ministro JORGE MUSSI, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/05/2009, DJe 26/06/2009; REsp 1091042/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 21/08/2009; MS 13.545/DF, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 29/10/2008, DJe 07/11/2008; REsp 690.819/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/02/2005, DJ 19/12/2005) 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal , o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. 4. Ad argumentandum tantum, dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse possível a aplicação analógica em matéria tributária, caberia incidir à espécie o próprio Decreto 70.235/72, cujo art. 7º, § 2º, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis: "Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1º O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2º Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." 5. A Lei n.º 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: Fl. 392DF CARF MF Processo nº 10380.004740/0033 Acórdão n.º 3002000.383 S3C0T2 Fl. 393 16 "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art.543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Concluise da leitura acima, que o STJ determinou a aplicação do art. 24 da Lei nº 11.457/2007 aos processos administrativos fiscais, inclusive aos requerimentos efetuados antes de sua vigência. Assim, manifestouse de forma vinculante que o prazo razoável para duração do processo administrativo, ou seja, para que a autoridade administrativa de origem desse uma solução aos pedidos de restituição, ressarcimento e afins seria de 360 dias. Ora, se a administração tem o prazo de 360 dias para solucionar os processos administrativos de ressarcimento, e não há previsão legal para incidência da correção monetária sobre referidos pedidos, a conclusão inequívoca transmitida por esses julgados é que não há possibilidade de incidência da correção monetária neste interregno, uma vez que este seria o prazo razoável determinado na lei. Importante ressaltar que referido julgado não dispõe absolutamente nada sobre incidência de correção monetária ou aplicação da taxa Selic nos processos de ressarcimento. Portanto, como não há previsão legal para incidência da taxa Selic nos processos de ressarcimento, o seu reconhecimento em sede dos julgados administrativos deve ser erigido a partir da interpretação do que se construiu nos julgados do STJ com efeitos vinculantes. Portanto, para reconhecimento da incidência da taxa Selic nos processos de ressarcimento de IPI, devemos partir de duas premissas: 1) existe ato administrativo que indeferiu de forma Fl. 393DF CARF MF Processo nº 10380.004740/0033 Acórdão n.º 3002000.383 S3C0T2 Fl. 394 17 ilegítima parcial ou integralmente o pedido? e 2) o trânsito em julgado da decisão administrativa ultrapassou os 360 dias? A resposta positiva para as duas premissas importa em reconhecer a incidência da taxa Selic somente para os créditos indeferidos de forma ilegítima, cujo termo inicial da incidência da correção somente poderá ser contado a partir dos 360 dias do protocolo do pedido. Diante das razões acima apresentadas, voto por estabelecer a incidência da Taxa Selic somente a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 394DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.720325/2013-14
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA.
Verificado que os rendimentos tributáveis auferidos pelo contribuinte não foram integralmente oferecidos à tributação na Declaração de Imposto de Renda, mantém-se o lançamento.
Numero da decisão: 2002-000.305
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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Verificado que os rendimentos tributáveis auferidos pelo contribuinte não foram integralmente oferecidos à tributação na Declaração de Imposto de Renda, mantémse o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 72 03 25 /2 01 3- 14 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 11543.720325/201314 Acórdão n.º 2002000.305 S2C0T2 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário (fls.83/84) contra decisão de primeira instância (fls.64/69), que julgou pela improcedência da impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: Contra o contribuinte acima identificado foi emitida notificação de lançamento (fls. 05 a 11) relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, Exercício 2012 – Ano calendário 2011, na qual é exigido crédito tributário, no valor de R$ 14.208,78, a título de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, multa de ofício e acréscimos legais, cujo fundamento legal está especificado nas fls. 07, 08 e 11. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal da Notificação de Lançamento foi apurado: a) Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e /ou sem Vínculo Empregatício: constatouse a omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, sujeitos a tabela progressiva, no valor de R$ 26.754,68 recebido pelo titular da fonte pagadora Cretovale – Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo dos Trabalhadores da Vale – CNPJ 28.145.589/000135 e por dependente da fonte pagadora MNDT – Medicina Nuclear Diagnóstico e Terapia S/S Ltda – ME – CNPJ 11.636.038/000171. Na apuração do imposto devido não foi compensado IRRF sobre o rendimento omitido. b) Dedução Indevida de Despesas Médicas: Glosa do valor de R$ 2.469,08, indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas. O contribuinte teve ciência da Notificação de Lançamento em 04/07/2013 e apresentou impugnação parcial (fls. 02 e 03) em 09/07/2013, alegando, basicamente, que: reafirma as justificativas apresentadas em SRLs e impugnação referente a outro processo administrativo, solicitando a isenção fiscal e o ressarcimento de impostos recolhidos desde junho/2000; para comprovar o caráter altruístico da função de diretor da Cretovale anexou as atas das AGOs de 2008 a 2011 em que os associados aprovaram a remuneração dos conselheiros “livre de impostos”; a contabilidade da Cretovale não tem recolhido os tributos devido ao fato dos valores mensais estarem abaixo do mínimo passível de recolhimento e que a RFB poderia instruir a Cretovale a refazer os cálculos e proceder à regularização dos tributos não recolhidos; o rendimento auferido por sua esposa não foi declarado devido a isenção por moléstia grave e que manteve sua esposa como dependente devido ao fato da renda auferida por ela não lhe dar autonomia financeira; Fl. 107DF CARF MF Processo nº 11543.720325/201314 Acórdão n.º 2002000.305 S2C0T2 Fl. 4 3 não contesta as glosas de despesas médicas; “com base em todo exposto, nestas e nas outras provas já apresentadas e com base na Constituição Federal Brasileira, na Lei 7.713/88, seus regulamentos, jurisprudências, alcances circunstanciais e demais amparos que levem ao estorno dos lançamentos ora impugnados e à minha isenção de IR Pessoa Física, solicito a impugnação e/ou cancelamento dos autos de infração em meu nome na Receita Federal do Brasil”; solicita, ainda, que os efeitos da isenção sejam retroativos a junho de 2000, mês da cirurgia de sua esposa, que seja calculado e devolvidas todas as contribuições feitas ao fisco desde então, inclusive o ônus advindo de outro auto de infração não contestado e que foi quitado em 60 meses. Pugna pelo cancelamento do débito fiscal reclamado. Tendo em vista que a impugnação foi parcial, o crédito tributário não impugnado foi transferido para o processo nº 10783.721444/2013 07 (conforme Despacho de fl. 61). O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: IMPUGNAÇÃO PARCIAL. MATÉRIA INCONTROVERSA. Considerase não impugnada a matéria, objeto da autuação, a respeito da qual o contribuinte concordou expressamente, consolidandose administrativamente o crédito tributário a ele correspondente. MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU REFORMA. ISENÇÃO. São isentos de tributação os rendimentos relativos a aposentadoria, reforma ou pensão, recebidos por portador de doença grave devidamente comprovada em laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados e do Distrito Federal. IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÕES SEM PROVA. A impugnação deve ser instruída com os elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa. São inadmissíveis no processo meras alegações desacompanhadas de provas que as justifiquem. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Será efetuado lançamento de ofício no caso de omissão de rendimentos tributáveis percebidos pelo contribuinte e omitidos na declaração de ajuste anual. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação e juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Fl. 108DF CARF MF Processo nº 11543.720325/201314 Acórdão n.º 2002000.305 S2C0T2 Fl. 5 4 Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi notificado em 31/05/2017 (fl.80); Recurso Voluntário protocolado dia 20/06/2017 (fl.83), assinado pelo próprio contribuinte. Registro por relevante que o Recurso Voluntário, não combate a dedução indevida de despesas médicas, reconhecendo ser um erro seu, quando da feitura da Declaração do Imposto. O recorrente alega em sua peça de resistência, que a Constituição Federal, protege o cidadão dos efeitos tributários injustos e acima de suas possibilidades financeiras. Este fato é incontestável, porém, cabia ao recorrente apontar e provar expressamente, onde e porque ocorreu a injustiça e, porque o valor do tributo está acima de sua posse. Não cabe a este órgão julgador conceder a isenção fiscal, ademais quem é portador de moléstia grave não é o recorrente, mas sim sua dependente, não havendo previsão legal, para o seu pleito. Diz o recorrente que a sua função na atividade cooperativista era de cunho altruísta, porém não é o que revela o conjunto probatório, bem como o recorrente não faz prova de sua alegação. Em preliminar de mérito, o recorrente alega matéria que se confunde com o mérito e com ele será analisada. No mérito, repete o recorrente o pedido de isenção, além da impugnação genérica do auto de infração. Conclui o recorrente, requerendo a insubsistência e improcedência da ação fiscal. A r. decisão "a quo", deve ser mantida, eis que o recorrente não provou, que os proventos recebidos da Cretovale, tinham natureza de ajuda de custo. Mantenho. Isto posto e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e, no mérito, nego provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 109DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12266.722152/2012-77
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
FATO GERADOR. ERRO NO PERÍODO DE APURAÇÃO. VÍCIO MATERIAL. LANÇAMENTO. NULIDADE.
O erro no período de apuração, aspecto temporal do fato gerador, constitui inobservância dos requisitos essenciais para a realização do lançamento previstos no art. 142 do CTN, configurando vício de natureza material, o que implica nulidade do Auto de Infração, sem possibilidade de nova constituição do crédito tributário, decorrido o prazo decadencial.
Numero da decisão: 9303-007.164
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 FATO GERADOR. ERRO NO PERÍODO DE APURAÇÃO. VÍCIO MATERIAL. LANÇAMENTO. NULIDADE. O erro no período de apuração, aspecto temporal do fato gerador, constitui inobservância dos requisitos essenciais para a realização do lançamento previstos no art. 142 do CTN, configurando vício de natureza material, o que implica nulidade do Auto de Infração, sem possibilidade de nova constituição do crédito tributário, decorrido o prazo decadencial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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ERRO NO PERÍODO DE APURAÇÃO. VÍCIO MATERIAL. LANÇAMENTO. NULIDADE. O erro no período de apuração, aspecto temporal do fato gerador, constitui inobservância dos requisitos essenciais para a realização do lançamento previstos no art. 142 do CTN, configurando vício de natureza material, o que implica nulidade do Auto de Infração, sem possibilidade de nova constituição do crédito tributário, decorrido o prazo decadencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 694 a 712), contra Acórdão (de Recurso de Ofício) proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 679 a 692), sob a seguinte Ementa: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 6. 72 21 52 /2 01 2- 77 Fl. 749DF CARF MF Processo nº 12266.722152/201277 Acórdão n.º 9303007.164 CSRFT3 Fl. 750 2 Acórdão nº: 3201002.516 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2008 Há vício material no lançamento quando a autoridade administrativa deixa de observar os requisitos previstos no art. 142 do CTN (verificação da ocorrência do fato gerador, determinação da matéria tributável, cálculo do montante devido e identificação do sujeito passivo), motivo pelo qual o mesmo deverá ser considerado nulo. Recurso de Ofício Negado Em seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento (fls. 715 a 717), a PGFN traz, inicialmente, um Acórdão paradigma (nº 130200.163) que trata de um Auto de Infração de PIS/Cofins lavrado como se o período fosse trimestral, e não mensal, defendendo que não houve nulidade, enquanto peça processual, pois não se verificou nenhuma das causas previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72 (lavratura por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa) e, “mesmo se tratando de tributo sujeito ao regime não cumulativo e ainda que se observe reflexos na base de cálculo, haveria a possibilidade de retificação do crédito tributário, sem que isso implicasse alteração de critério jurídico do lançamento”, ou seja desnecessário e ilegal o cancelamento de todo o lançamento tributário, bastando sua revisão pela autoridade julgadora (com base no art. 145, I, c/c art. 149 do CTN), excluindose apenas os valores indevidamente exigidos. Em caráter secundário (primeiramente fazendo o confronto com outros Acórdãos paradigmas), defende ainda que o vício teria natureza formal, já que, em nenhum momento, se teria afirmado a não ocorrência do fato gerador, e, logo, “nem mesmo na decisão hostilizada, ficou reconhecida a ausência do motivo do lançamento”, não podendo ser considerado o vício como de natureza material, pois, “se assim fosse, estarseia afirmando que o motivo (fato jurídico) nunca existiu”. O contribuinte apresentou Contrarrazões (fls. 728 a 743), pugnando, em caráter preliminar, pelo não conhecimento do Recurso, por ausência de similitude fática com os Acórdãos paradigmas, e, no Mérito, defende que erros nos aspectos quantitativo e temporal são vícios de caráter material, implicando nulidade do lançamento, que só poderia ser sanada com a lavratura de um novo Auto de Infração. É o Relatório. Voto Fl. 750DF CARF MF Processo nº 12266.722152/201277 Acórdão n.º 9303007.164 CSRFT3 Fl. 751 3 Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Quanto ao conhecimento do Recurso Especial, no que se refere ao erro no período de apuração do tributo, não importa se o Acórdão paradigma trata de PIS/Cofins ou de IPI, mas sim se isto teria viciado o lançamento, implicando sua nulidade. Já no que tange à natureza do vício, efetivamente os paradigmas tratam de situações fáticas distintas, pois versam sobre erro na identificação do sujeito passivo, sendo que, em primeira análise, não poderia ser conhecido o Recurso, nesta parte, ainda que trazida em caráter secundário. Há que se considerar, no entanto, que, no julgamento da nulidade do lançamento – e, em especial, das suas conseqüências –, não há como não se adentrar na natureza do vício, então isto, tendo sido aventado ou não pela PGFN, terá que aqui ser discutido. Conheço, assim, do Recurso Especial. No Mérito, Vejamos o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. O que ocorreu neste caso é que a autoridade fiscal lançou o IPI relativo a diversos períodos de apuração “de uma vez só” – ou seja em um único fato gerador, que teria ocorrido em 31/12/2008 –, no valor de R$ 6.511.506,07 (vide Demonstrativo de Apuração do Auto de Infração, às fls. 007). A motivação da autuação foi o descumprimento pela empresa, na produção de bicicletas na Zona Franca de Manaus, do Processo Produtivo Básico – PPB exigido para a fruição da isenção do imposto, sendo que a quantidade de produtos para os quais não teria havido lançamento do IPI foi calculada pelo método de auditoria de estoque, com base em “elementos subsidiários” – no caso, determinados componentes utilizados na industrialização. Conforme Relatório Fiscal (fls. 011) o cálculo do valor a ser lançado foi feito da seguinte forma: 4. Determinação do Valor Tributável das Diferenças apuradas O valor tributável foi apurado mediante a multiplicação das quantidades (diferenças) X valor da última NF de venda dos produtos, do ano. No caso dos produtos apurados conjuntamente foi adotado o preço médio do valor da última NFS do ano. Fl. 751DF CARF MF Processo nº 12266.722152/201277 Acórdão n.º 9303007.164 CSRFT3 Fl. 752 4 Para a determinação do IPI devido, o imposto foi calculado mediante aplicação das alíquotas, constantes da TIPI, sobre o valor tributável dos produtos ...” Na Planilha “Demonstrativo de Apuração do Crédito Tributário – IPI” (fls. 023), vêse que, efetivamente, que a data de apuração, para todos os modelos, foi 31/12/2018. Ocorre que, conforme Termo de Intimação às fls. 092, a auditoria abrangeu todo o ano de 2008, no qual o período de apuração era mensal. Houve aí, então, um erro quanto ao aspecto temporal, que é um dos elementos do fato gerador, o que também tem seus reflexos no aspecto material, quantitativo (montante do tributo devido). Isto caracteriza vício material, por falta de observância de requisitos essenciais trazidos no art. 142 do CTN, o que implica nulidade do lançamento, entendimento adotado já pela instância de piso, em Acórdão (fls. 492 a 506) do qual extraio trechos bastante representativos do Voto Condutor: 19. Sabese que o IPI é um imposto nãocumulativo. Nesse regime de apuração, o montante devido somente pode ser calculado após transcorrido um intervalo de tempo (período de apuração) dentro do qual possam ser efetuadas as compensações entre os débitos e os créditos. Como se vê, a identificação do período de apuração é elemento essencial para o cálculo do montante devido, estando o lançamento em análise viciado, nulo, portanto. 20. Outra divergência ocorrida no presente julgamento tem como cerne a natureza do vício apontado. Tratase de um vício formal ou material ? Distinguir vício formal de vício material não é tarefa fácil. Não são poucas as divergências que ocorrem neste campo. Tornase necessário, então, o estabelecimento de um critério apto a separar os vícios formais e materiais do lançamento. 21. Entendese que os vícios materiais do lançamento são os que atingem o elementos previstos no art. 142 do CTN. Há, portanto, vício material, quando a autoridade administrativa efetua um lançamento em que uma ou mais das atividades ali previstas são realizadas em desacordo com a legislação. E no caso, houve um erro na definição do período de apuração, fato gerador e cálculo do montante devido. Poderia ser lavrado outro Auto de Infração pela Unidade de Origem ??? Sim, desde que não decaído o direito de fazêlo. Sendo o vício material, há que se observar o prazo de cinco anos (já por demais ultrapassado, seja pela contagem do art. 150, § 4º, seja pela do art. 173, I, do CTN). Já, se o vício fosse formal, não haveria prazo, a teor do art. 173, II, do mesmo CTN. Não é o caso. Fl. 752DF CARF MF Processo nº 12266.722152/201277 Acórdão n.º 9303007.164 CSRFT3 Fl. 753 5 À vista do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 753DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.940135/2011-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 15/01/2001
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
O reconhecimento do direito creditório vinculado a pagamento indevido ou a maior do que o devido está condicionado, primeiramente, à comprovação do efetivo recolhimento do tributo e, depois, à demonstração inequívoca da base de cálculo da contribuição, que deve ser realizada mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, além da escrituração contábil-fiscal da empresa.
INCORPORAÇÃO DA DETENTORA DO CRÉDITO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Se o DARF que comprovaria o pagamento indevido ou a maior pertence a empresa que se alega incorporada, mas não é feita a prova desta incorporação, incabível a concessão do direito creditório.
Numero da decisão: 3401-005.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da Turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente da Turma), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lázaro Antônio Souza Soares.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do Fato Gerador: 15/01/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. O reconhecimento do direito creditório vinculado a pagamento indevido ou a maior do que o devido está condicionado, primeiramente, à comprovação do efetivo recolhimento do tributo e, depois, à demonstração inequívoca da base de cálculo da contribuição, que deve ser realizada mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, além da escrituração contábil-fiscal da empresa. INCORPORAÇÃO DA DETENTORA DO CRÉDITO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Se o DARF que comprovaria o pagamento indevido ou a maior pertence a empresa que se alega incorporada, mas não é feita a prova desta incorporação, incabível a concessão do direito creditório.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da Turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente da Turma), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lázaro Antônio Souza Soares.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. O reconhecimento do direito creditório vinculado a pagamento indevido ou a maior do que o devido está condicionado, primeiramente, à comprovação do efetivo recolhimento do tributo e, depois, à demonstração inequívoca da base de cálculo da contribuição, que deve ser realizada mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, além da escrituração contábilfiscal da empresa. INCORPORAÇÃO DA DETENTORA DO CRÉDITO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Se o DARF que comprovaria o pagamento indevido ou a maior pertence a empresa que se alega incorporada, mas não é feita a prova desta incorporação, incabível a concessão do direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 94 01 35 /2 01 1- 66 Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10880.940135/201166 Acórdão n.º 3401005.256 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da Turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente da Turma), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lázaro Antônio Souza Soares. Relatório Cuida o presente processo de Pedido de Restituição referente a Pagamento Indevido ou a Maior de contribuição para o PIS, solicitado através do PER/DCOMP. O Interessado foi cientificado, através de Despacho Decisório, de que, no curso da análise do direito creditório, foram detectadas inconsistências, objeto de termo de intimação, não saneadas pelo sujeito passivo. Dessa forma, não foi confirmada a existência do crédito pleiteado, pois o DARF discriminado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). O Interessado apresentou Manifestação de Inconformidade, onde sustenta que o Despacho Decisório deve ser reformado, pois o crédito referese a valores que foram recolhidos indevidamente. Para embasar seu entendimento, cita diversas jurisprudências administrativas, bem como decisões do Supremo Tribunal Federal, que definem que a base de cálculo essas contribuições somente devem incluir os ingressos que correspondam às suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços. A DRJ/CTA, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, constatando que o contribuinte, em nenhum momento, referese ao recolhimento de PISque não foi localizado, contestando a fundamentação contida na decisão da autoridade administrativa. Informa também que o Recorrente não procurou carrear aos autos pelo menos a cópia do referido DARF, de forma a comprovar o recolhimento que diz ter efetuado a maior, uma vez que o fundamento para o indeferimento do Pedido de Restituição foi justamente o fato de o DARF não ter sido localizado nos sistemas da RFB. Ao invés, limitase a discutir a inclusão, na base de cálculo da contribuição, de receitas que não correspondem a faturamento, conforme entendimento do STF. Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, no qual sustenta que o DARF em questão não foi localizado nos sistemas da RFB porque, ao preenchêlo, incorreu em um lapso escusável, indicando que o valor havia sido recolhido por si própria, quando, na verdade, o valor havia sido recolhido por Sadive Automóveis, CNPJ 02.992.628/000146, empresa por ela incorporada. Em anexo, apresenta o DARF. É o relatório. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10880.940135/201166 Acórdão n.º 3401005.256 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.250, de 27 de agosto de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.940128/201164, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401005.250): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Passo a analisar, a seguir, os temas questionados pelo Recorrente. Pretende o contribuinte seja reconhecido seu direito de creditarse do valor de R$ 89,59, objeto de Pedido de Restituição referente a Pagamento Indevido ou a Maior de contribuição para o PIS/Pasep, solicitado através de PER/DCOMP. A DRJ/CTA julgou sua Manisfestação de Inconformidade improcedente, pois o Interessado não apresentou qualquer prova da existência do DARF que comprovaria o pagamento indevido ou a maior, uma vez que o Despacho Decisório havia negado o Pedido de Restituição justamente pelo fato deste DARF não ter sido localizado nos sistemas da RFB. No seu Recurso Voluntário, o contribuinte anexa o referido DARF, alegando um equívoco no preenchimento do PER/DCOMP, informando que o DARF, em verdade, pertence a Sadive Automóveis, CNPJ 02.992.628/000146, empresa por ela incorporada, conforme documentação que alega ter anexado: Além disso, anexa uma planilha de cálculo demonstrando como obteve o valor de R$89,59, que seria o valor pago a maior, bem como folhas do seu Livro Razão, contendo as rubricas contábeis indicadas na referida planilha, a fim de comprovar os valores utilizados no cálculo. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10880.940135/201166 Acórdão n.º 3401005.256 S3C4T1 Fl. 5 4 Em primeiro lugar, verificase que, apesar do Recorrente ter afirmado que encontramse anexos os documentos comprobatórios da incorporação da Sadive Automóveis, não constam nos autos tais documentos. Portanto, o Recorrente não fez prova de ter incorporado a Sadive Automóveis, não estando legitimado a pleitear seus créditos. Em segundo lugar, mesmo que comprovada a incorporação e localizado nos sistemas da RFB o DARF anexado, ainda sim não restaria comprovado o alegado pagamento a maior, pois o Recorrente não fez prova do valor que deveria ter sido recolhido, no período, a título de contribuição para o PIS/Pasep. Com efeito, a indicação de rubricas contábeis com receitas financeiras, as quais, no entendimento do Recorrente, deveriam estar excluídas da base de cálculo das contribuições, não significa que tais valores foram efetivamente computados no cálculo inicial. Nos pedidos de restituição de tributos pagos a maior, é necessário que o contribuinte apresente memória de cálculo da apuração do tributo (que poderia ser o DACON original) e a correspondente escrituração fiscal onde se possa verificar o registro contábil das contas que compõem a referida memória de cálculo, a fim de ser cotejada com a apuração inicial e assim verificar eventuais excessos ou déficits. Com os documentos apresentados, não é possível sequer comprovar que as receitas elencadas na planilha foram realmente incluídas no cálculo inicial (que resultou na apuração de R$3.033,98). O art. 170 da Lei nº 5.172/66 (CTN) determina a necessidade de liquidez e certeza do crédito. Apesar de se referir literalmente à compensação, obviamente aplicase também à restituição: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Nos pedidos de compensação ou de restituição, o ônus de comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado permanece a cargo do contribuinte, conforme art. 373 do Código de Processo Civil de 2015: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Por tudo quanto exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10880.940135/201166 Acórdão n.º 3401005.256 S3C4T1 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.909621/2011-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 28/02/2002
BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. SUBVENÇÃO LEI N° 9.479/97 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entende-se por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS e da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social.
RECEITA DE SUBVENÇÃO DA LEI N° 9.479/1997. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. A receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 às usinas beneficiadoras de borracha integra a base de cálculo do PIS e da COFINS, por se tratar de subvenção para custeio.
PIS/COFINS. RECEITAS DAS ATIVIDADES-FIM
Estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS apenas as receitas derivadas das atividades-fim. Desta forma, não compõem a base tributável as receitas financeiras, descontos obtidos e despesas recuperadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-005.042
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento para afastar a exigência sobre descontos obtidos, receitas financeiras e despesas recuperadas. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10850.908549/2011-58, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 28/02/2002 BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. SUBVENÇÃO LEI N° 9.479/97 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entende-se por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS e da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social. RECEITA DE SUBVENÇÃO DA LEI N° 9.479/1997. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. A receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 às usinas beneficiadoras de borracha integra a base de cálculo do PIS e da COFINS, por se tratar de subvenção para custeio. PIS/COFINS. RECEITAS DAS ATIVIDADES-FIM Estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS apenas as receitas derivadas das atividades-fim. Desta forma, não compõem a base tributável as receitas financeiras, descontos obtidos e despesas recuperadas. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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RESTITUIÇÃO. ALARGAMENTO DA BC. Recorrente BRASLATEX INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BORRACHAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 28/02/2002 BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. SUBVENÇÃO LEI N° 9.479/97 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entendese por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS e da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social. RECEITA DE SUBVENÇÃO DA LEI N° 9.479/1997. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. A receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 às usinas beneficiadoras de borracha integra a base de cálculo do PIS e da COFINS, por se tratar de subvenção para custeio. PIS/COFINS. RECEITAS DAS ATIVIDADESFIM Estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS apenas as receitas derivadas das atividadesfim. Desta forma, não compõem a base tributável as receitas financeiras, descontos obtidos e despesas recuperadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento para afastar a exigência sobre descontos obtidos, receitas financeiras e despesas recuperadas. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10850.908549/201158, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 96 21 /2 01 1- 64 Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10850.909621/201164 Acórdão n.º 3301005.042 S3C3T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Trata o presente processo de Pedido Eletrônico de Restituição de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep. A DRF de São José do Rio Preto (SP), por meio do despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte. Cientificada do despacho, a empresa apresentou a manifestação de inconformidade, nesses termos: · Preliminarmente, requer a reunião deste processo com outros que tratam da mesma matéria e têm os mesmos fundamentos; · No mérito, defende que o recolhimento indevido decorre da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, já declarada pelo STF em sede de repercussão geral; · Alega que a autoridade administrativa não analisou a causa do recolhimento indevido (a inconstitucional ampliação da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718); · Sustenta que a decisão do STF, no RE nº 585.235, deve ser observada, obrigatoriamente, pela autoridade administrativa; · Reiterou que é devido o crédito pleiteado no PER/DCOMP, por se tratar de PIS/COFINS calculado sobre receita que não integra o seu faturamento. Anexou à sua manifestação de inconformidade: planilha demonstrativa do pagamento indevido de PIS/COFINS sobre receitas financeiras, cópia de parte do livro diário e termos de abertura e encerramento. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 14042.498. A DRJ rejeitou a reunião de processos solicitada, por dois motivos: para pedidos de restituição, a reunião de processos em um só deve ser realizada apenas quando tenham por base o mesmo crédito, o que não é o caso dos processos relacionados pela interessada, pois cada um se refere a um determinado período de apuração, implicando em créditos distintos e os elementos de prova são distintos para cada fato gerador, ou seja, as provas de um processo não aproveitam aos demais. Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10850.909621/201164 Acórdão n.º 3301005.042 S3C3T1 Fl. 4 3 Quanto ao mérito, a negativa do reconhecimento do crédito se deu em virtude da ausência de prova do pagamento indevido; da nãovinculação da autoridade administrativa ao RE nº 585.235; da ausência de DCTF retificadora e da cópia parcial do livro diário apresentada, que não permitiria apurar a base de cálculo com as exclusões pretendidas, para se chegar ao valor devido e comparálo com o valor recolhido. Em seu recurso voluntário, a empresa: · Reitera o pedido de reunião deste processo com outros 38 processos que tratam da mesma matéria: recolhimentos indevidos de PIS e COFINS, apurados em diversos meses, decorrentes da majoração da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. · Alega que é inconteste que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, nem o art. 165 do CTN nem o art. 74 da Lei nº 9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações. · Faz a juntada do seu livro razão, que entende ser suficiente para comprovar o recolhimento indevido. · Sustenta que a base de cálculo do PIS e da COFINS deveria ter sido composta por valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem às suas receitas de vendas de mercadorias e prestação de serviços e não por suas receitas financeiras. Esta Turma de Julgamento converteu o julgamento em diligência, Resolução n° 3301000.391, de 28 de junho de 2017, para verificar os argumentos da Recorrente no tocante à inclusão das receitas financeiras na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nessa oportunidade, foi solicitado à Unidade de Origem que: examinasse a escrita fiscal da Recorrente, para identificar a indevida inclusão das receitas financeiras indicadas no Livro Diário, na base de cálculo do PIS e da COFINS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 e apontasse a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada. Na informação fiscal resultante da diligência, a autoridade fiscal concluiu que, das contas contábeis de receita apontadas pela recorrente como indevidamente computadas na base de cálculo do PIS e da COFINS, somente a de "receita de subvenção" era realmente tributável e cuja contribuição incidente, por conseguinte, não poderia ser considerado como crédito a compensar. Cientificado do encerramento da diligência, não houve manifestação da empresa. É o relatório. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10850.909621/201164 Acórdão n.º 3301005.042 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.027, de 28 de agosto de 2018, proferido no julgamento do processo 10850.908549/201158, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.027): "De acordo com a Resolução n° 3301000.379, o julgamento deste processo deve seguir a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015. E, desta forma, adotar a decisão proferida por meio do Acórdão n° 3301004.594, em sede do processo 10850.906106/201122, da lavra da i. Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. O citado Acórdão n° 3301004.594 soluciona a questão nuclear deste processo a incidência ou não de PIS sobre a subvenção prevista na Lei n° 9.479/97 , pelo que, para tanto, adotáloei como razão de decidir. Contudo, antes de reproduzilo, enfrento as preliminares e a parte do mérito da causa que diz respeito ao cômputo na base de cálculo do PIS de outros tipos de receitas. Destaco que as soluções das questões de mérito foram instruídas pela conclusão do trabalho de diligência ("Informação Fiscal" nas fls. 191 a 196). Preliminares Reunião de processos A recorrente pede a reunião de 29 processos administrativos que teriam o mesmo objeto do presente, fundada no princípio da economia processual. Dos PAs listados, alguns já foram julgados por esta turma, outros aguardam retorno de diligência e dez estão em pauta para julgamento por outra turma do CARF. Desta forma, não há qualquer providência a ser tomada por esta turma. Falta de aprofundamento da investigação dos fatos falta de retificação da DCTF Insuficiência de provas Preclusão da produção das provas Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10850.909621/201164 Acórdão n.º 3301005.042 S3C3T1 Fl. 6 5 Alega que o Despacho Decisório foi emitido, sem que fossem requeridos documentos para fazer prova da higidez dos créditos que pleiteou, contrariando o art. 142 do CTN. Que a alegação da DRJ de que a DCTF não foi retificada não é legítima e afronta o princípio da verdade material. Que juntou aos autos planilha de cálculo, guias de pagamento e livro diário. Contudo, a DRJ julgou ser insuficiente para a confirmação dos créditos. Com base nos artigos 258 e 923 do RIR/99, aduz que os livros contábeis constituem prova das operações. Assim, terseia como precário o julgamento realizado pela DRJ. E, por fim, que a DRJ antecipouse aos atos processuais seguintes, declarando que qualquer prova que a partir de então fosse apresentada seria tida como preclusa. Os pleitos já haviam sido atendidos, na medida em que esta turma converteu o julgamento em diligência, para que fosse efetuado o cotejo entre as bases de cálculo e os livros contábeis. Mérito Reitera que as receitas que originaram os pagamentos indevidos de PIS não devem compor a base de cálculo do PIS, por força da inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, reconhecida pelo STF. Enfrenta a alegação da DRJ de que decisões do STF acerca da inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98 não vinculam os órgão de julgamento administrativo, trazendo decisões administrativas e judiciais no sentido de que, por se tratar de posicionamento exarado em sessão plenária e já pacificado naquela corte, deve ser seguido pelas esferas administrativas de julgamento. O processo foi convertido em diligência, para que fossem fossem respondidos os seguintes quesitos (fl. 148): ”a) Examine a escrita fiscal da Recorrente, para identificar a indevida inclusão das receitas financeiras indicadas no Livro Diário, na base de cálculo do PIS e da COFINS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98; b) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; c) Requeira ao sujeito passivo a apresentação de documentos ou esclarecimento complementares; d) Cientifique a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação; e) Após, retornar o processo ao CARF para julgamento." A diligência foi realizada e a "Informação Fiscal" (fls. 191 a 196) encontrase nos autos. O auditor relatou que a recorrente não atendeu às intimações e, por isto, limitouse às informações presentes nos autos. Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10850.909621/201164 Acórdão n.º 3301005.042 S3C3T1 Fl. 7 6 Então, revisou as bases de cálculo anexadas à manifestação de inconformidade, Diário e Razão e verificou que o contribuinte considerou como indevidamente computadas na base de cálculo do PIS de fevereiro de 2001 as seguintes contas contábeis (fl. 192): "DESCONTOS OBTIDOS CONTA 3.6.1.1.002: R$ 24,94 RECEITA DE APLICAÇÃO FINANCEIRA CONTA 3.6.1.1.004: R$ 170,17 RECUPERAÇÃO DE DESPESAS CONTA 3.6.1.3.001: R$ 100,00 RECEITA DE SUBVENÇÃO CONTA 3.7.1.2.001: R$ 91.622,69" E assim concluiu seu exame (fl. 195): "11. Das receitas alegadas indevidamente tributadas podese considerar “aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa” todas, exceto a Receita de Subvenção da Lei 9.479/1997. 12. A subvenção, concedida pela Lei nº 9.479, de 12 de agosto de 1997 (fls. 183 a 185) e regulamentada pelo Decreto nº 2.348, de 13 de outubro de 1997 (fls. 186 a 189), tratavase de subsídio pago pelo Ministério da Agricultura aos seguintes beneficiários: i) extrativistas, ii) cultivadores ou iii) beneficiadores de borracha natural no país. Era calculada com base na quantidade (em Kg) do coágulo de látex vendido pelos extrativistas ou cultivadores ou na quantidade de borracha beneficiada pelas usinas, vendidas ao comprador final ou exportadas, vide REGULAMENTO PARA CONCESSÃO DESUBVENÇÃO ECONÔMICA À COMERCIALIZAÇÃO DA BORRACHA NATURAL Nº 001/99, às fls 162 a 182. Correspondia à diferença entre os preços de referência da borracha nacional e os preços dos produtos congêneres no mercado asíático, como forma de enfrentar, no mercado nacional, a concorrência da borracha produzida na Ásia, facilitando o escoamento da produção nacional. 13. A atividade do contribuinte, conforme cláusula quarta de seu contrato social, é a indústria de latex e produtos de borracha, comércio, importação e exportação de produtos de borracha. A subvenção recebida por kg de borracha beneficiada vendida, tendo que ser requerida mediante apresentação de comprovantes de compra de borracha natural bruta e das notas fiscais de venda da borracha beneficiada emitidas pelo beneficiário (fls. 162 a 182) não é receita financeira e sim receita da operação da empresa. Tal receita decorre do exercício do objeto social da empresa, e compõe o seu faturamento. A Receita de Subvenção da Lei 9.479 de 12 de agosto de 1997, no valor de R$91.622,69, recebida em Fevereiro/2001 na qualidade de usina beneficiadora credenciada é receita operacional da BRASLATEX, e mesmo antes da vigência da lei 9.718/98 já integraria seu faturamento nos termos da LC nº 7, de 1970, posteriormente regulada pela Medida Provisória no 1.212, de 1995 (e reedições), e pela Lei no 9.715, de 1998 sendo tributada pelo PIS." (g.a.) Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10850.909621/201164 Acórdão n.º 3301005.042 S3C3T1 Fl. 8 7 Concordo plenamente com a conclusão da diligência. As receitas com descontos obtidos (conta 3.6.1.1.002), aplicação financeira (conta 3.6.1.1.004) e recuperação de despesas (conta 3.6.1.3.001) não derivam das atividades típicas da recorrente, pelo que não se incluem no conceito de faturamento, base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no art. 3° da Lei n° 9.718/98. No tocante à "receita de subvenção" da Lei n° 9.479/97, verificase o contrário, isto é, tratase de receita tributável pelo PIS e COFINS. Como fundamento deste entendimento, transcrevo o Acórdão n° 3301004.594 (paradigma), do qual faço minha razão de decidir (§ 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98): "Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. No tocante à reunião dos processos, entendo que não há nada a se deferir, pois 20 (vinte) dos processos listados foram convertidos em diligência (publ. 21/07/2014) e julgados em acórdãos de procedência para a Recorrente (publ. 27/03/2015), tendo em vista a confirmação dos créditos. Os demais processos citados pela Recorrente em seu recurso são repetitivos, que estão vinculados ao julgamento deste presente processo (paradigma), em decorrência do § 2º do art. 47 do anexo II da Portaria MF nº 343/2015. MÉRITO Inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 O alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10850.909621/201164 Acórdão n.º 3301005.042 S3C3T1 Fl. 9 8 redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais... Observese outros precedentes da Corte Suprema: RE 683.334 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, Segunda Turma, DJ 13/08/2012, RE 390.840, Rel. Min. Marco Aurelio, DJ 15/08/2006 e ainda, no mesmo sentido: RE 608.830AgR; RE 621.652AgR; RE 371.258AgR; AI 716.675AgRAgR; AI 799.578AgR; RE 656.284; ARE 643.823/PR; AI 776; ARE 645.618; RE 630.728; 621.675; RE 390.840; RE 654.840 e RE 641.052. Dessa forma, considerase receita bruta ou faturamento o que decorre da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. É o resultado econômico da atividade empresarial estatutária (operacional), que constitui a base de cálculo do PIS. O art. 62, § 1º, I, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 9 de junho de 2015, dispõe que: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos detratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; Logo, o entendimento do STF deve ser aplicado no presente caso, para afastar a tributação do PIS e da COFINS exigida com base no disposto no art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/1998. Nesse contexto, esta Turma converteu o julgamento em diligência para verificar a indevida inclusão das receitas não operacionais na base de cálculo do PIS, conforme reclamado pela Recorrente. Todavia, a diligência demonstrou que a receita supostamente não integrante do faturamento é Receita de Subvenção da Lei n° 9.479/1997. Dessa forma, entendo que não assiste razão ao apelo, porquanto considero tal receita operacional, logo integrante do faturamento da Recorrente. É do que trato a seguir. Receita de Subvenção da Lei n° 9.479/1997 Afirmou a Recorrente que o valor de R$ 30.705,00 foi recebido em maio de 1999 na qualidade de usina beneficiadora credenciada, nos termos da Lei n° 9.479/1997. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10850.909621/201164 Acórdão n.º 3301005.042 S3C3T1 Fl. 10 9 A Lei nº 9.479/1997 concedeu subvenção econômica a produtores de borracha natural. Confirase: Art. 1º Fica o Poder Executivo autorizado a conceder subvenção econômica aos produtores nacionais de borracha natural, com o objetivo de incentivar a comercialização da produção nacional. § 1º A subvenção corresponderá à diferença entre os preços de referência das borrachas nacionais e os dos produtos congêneres no mercado internacional, acrescidos das despesas de nacionalização. § 2º Os preços de referência das borrachas nacionais, para efeito de cálculo da subvenção econômica, serão aqueles fixados pelo Poder Executivo e em vigor na data da publicação desta Lei, podendo ser revistos periodicamente. § 3º Os preços dos produtos congêneres no mercado internacional serão apurados e divulgados periodicamente pelo Poder Executivo, com base nas cotações das principais bolsas de mercadorias internacionais. Art. 2º A subvenção econômica de que trata o artigo anterior: I terá a duração de oito anos; II será de até R$ 0,90 (noventa centavos de real) por quilograma de borracha do tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1 (GEB1), sendo que, para os demais tipos de borracha, este teto sofrerá os ágios e deságios correspondentes; III sofrerá rebates, respectivamente, de vinte por cento, quarenta por cento, sessenta por cento e oitenta por cento, a partir do final do quarto, do quinto, do sexto e do sétimo anos de vigência desta Lei, sobre o teto de que trata o inciso anterior. Parágrafo único. Os rebates referidos no inciso III deste artigo só poderão ser aplicados à subvenção incidente sobre a borracha oriunda de seringais nativos da região amazônica na medida em que forem implantados pelo Poder Executivo os programas de que trata o art. 7º. As condições operacionais para pagamento e controle da subvenção foram dispostas pelo Decreto n° 2.348/1997: Art. 1º A subvenção econômica de que trata a Lei nº 9.479, de 12 de agosto de 1997, corresponderá à diferença entre: I os preços de referência das borrachas nacionais fixados na Portaria nº 187, de 29 de junho de 1995, do Ministério da Fazenda, publicada no Diário Oficial da União em 30 de junho de 1995; e II os preços dos produtos congêneres no mercado internacional, tomandose como base referencial o da borracha tipo Standard Malaysian Rubber nº 10 (SMR 10), acrescidos das despesas de nacionalização. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10850.909621/201164 Acórdão n.º 3301005.042 S3C3T1 Fl. 11 10 § 1º O Ministério da Agricultura e do Abastecimento, responsável pelo pagamento da subvenção econômica, publicará o valor da subvenção devida por quilograma de cada um dos tipos de borracha constantes da Portaria de que trata o inciso I deste artigo, tendo em conta: a) a média aritmética das cotações médias diárias da borracha natural do tipo Standard Malaysian Rubber nº 10 (SMR10), equivalente ao tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1º (GEB1), nas bolsas de mercadorias de Singapura, Kuala Lumpur e Londres nos quinze dias anteriores ao da publicação dos preços, com as respectivas cotações das moedas de negociação em dólar americano; b) que a conversão cambial do dólar americano de que trata a alínea anterior, para a moeda brasileira, deverá ser realizada com base na cotação daquela moeda na véspera da publicação dos preços; c) as despesas de nacionalização relativas a impostos, encargos sociais, seguros, frete, adicional de frete, armazenagem e outras prevalentes à época de apuração e publicação dos preços. § 2º Os valores das subvenções publicados pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento prevalecerão até a véspera da publicação dos novos valores. Art. 2º A subvenção econômica de que trata o artigo anterior: I terá a duração de oito anos; II será de até R$0,90 (noventa centavos de real) por quilograma de borracha do tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1 (GEB1), sendo que, para os demais tipos de borracha, este teto sofrerá os ágios e deságios correspondentes; III sofrerá rebates, respectivamente, de vinte por cento, quarenta por cento, sessenta por cento e oitenta por cento, a partir do final do quarto, do quinto, do sexto e do sétimo anos de vigência da Lei nº 9.479, de 1997, sobre o teto de que trata o inciso anterior, observado o que dispõe o parágrafo único do art. 2º da mencionada Lei; IV para efeito de cálculo dos ágios e deságios e dos correspondentes rebates nos preços dos demais tipos de borracha, conforme estabelecem os incisos I e Il anteriores, será tomado como referencial o preço da borracha tipo GEB 1 eguardada a correlação de preços constantes da Portaria de que trata o inciso I do art. 1º deste Decreto. Art. 3º São beneficiárias da subvenção econômica de que trata este Decreto os extrativistas, cultivadores ou beneficiadores, sejam pessoas físicas ou jurídicas, dedicados à produção de borracha natural no País. Parágrafo único. A fruição do benefício a pessoas jurídicas fica condicionada à comprovação, junto ao Ministério da Agricultura Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10850.909621/201164 Acórdão n.º 3301005.042 S3C3T1 Fl. 12 11 e do Abastecimento, de sua capacidade jurídica e regularidade fiscal. Art. 4º O pagamento da subvenção econômica aos beneficiários será feito por intermédio das usinas beneficiadoras credenciadas pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento, mediante: I apresentação do pedido de ressarcimento da subvenção ao Ministério da Agricultura e do Abastecimento, acompanhado de relação contendo o nome do produtor, seu Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou Cadastro Geral de Contribuinte CGC, local de produção ou de extração, tipo da borracha natural correspondente, quantidade do produto adquirido, em quilogramas, o preço respectivo pago ao produtor, os números e as datas das notas fiscais representativas das transações efetivadas; II cópia das notas fiscais de venda da borracha beneficiada às indústrias consumidoras do produto, acompanhada da comprovação do aceite e da certificação do tipo de borracha comercializado, fornecida pela compradora final. § 1º O pagamento de que trata este artigo será efetivado pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento no prazo de dez dias, contados a partir da data de recebimento do pedido, respeitados os limites por tipo de borracha comercializado prevalentes na data de efetivação da transação, considerada para esse efeito a data constante da nota fiscal respectiva. § 2º O pagamento de subvenção relativa à compra de borracha de pessoas jurídicas produtoras estará condicionado à satisfação da condição estabelecida no parágrafo único do artigo anterior. Art. 5º As usinas beneficiadoras, credenciadas pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento, manterão em seus arquivos uma via das notas fiscais emitidas pelos produtores de borracha natural, ou documento legal equivalente, contendo no verso o atestado do beneficiário de recebimento da subvenção econômica correspondente. Parágrafo único. Os documentos comprobatórios de que trata este artigo serão conservados pelas usinas beneficiadoras em boa ordem, no próprio lugar onde forem contabilizadas as operações, à disposição dos agentes incumbidos do controle interno e externo e dos órgãos ou entidades responsáveis pela subvenção. Art. 6º O Ministério da Agricultura e do Abastecimento: I estabelecerá, em ato normativo, as condições para credenciamento das usinas beneficiadoras de borracha; II orientará as pessoas jurídicas sobre a forma de apresentação da comprovação de que trata o parágrafo único do art. 3º deste Decreto; III registrará e controlará os pagamentos efetuados e gerenciará o provimento dos recursos necessários à concessão da subvenção; Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10850.909621/201164 Acórdão n.º 3301005.042 S3C3T1 Fl. 13 12 IV estabelecerá normas complementares de controle, visando a boa e regular aplicação dos recursos. Parágrafo único. Dentre as condições para credenciamento das usinas beneficiadoras constará a de comprovação de sua capacidade jurídica e regularidade fiscal. A subvenção era paga ao beneficiador de borracha natural, pessoa física ou jurídica, cadastrado junto à Secretaria de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura e do Abastecimento, que comprovasse a compra da borracha natural bruta do produtor e posterior exportação ou venda da borracha beneficiada para empresas da indústria consumidora final. E quanto ao pagamento da subvenção, o montante correspondia à quantidade de produto comercializado e comprovado, multiplicado pelo valor unitário da subvenção definida pelo Ministério da Agricultura. Nos termos da Resolução CFC nº 1.305, de 25 de novembro de 2010, por meio da qual o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) aprovou a NBC TG 07 (R1), “Subvenção governamental é uma assistência governamental geralmente na forma de contribuição de natureza pecuniária, mas não só restrita a ela, concedida a uma entidade normalmente em troca do cumprimento passado ou futuro de certas condições relacionadas às atividades operacionais da entidade”. A subvenção deve ser tratada como receita pela entidade beneficiada: 12. Uma subvenção governamental deve ser reconhecida como receita ao longo do período e confrontada com as despesas que pretende compensar, em base sistemática, desde que atendidas as condições desta Norma. A subvenção governamental não pode ser creditada diretamente no patrimônio líquido. Entendo que apenas as subvenções para investimento podem ser consideradas não operacionais. É o dispõe o art. 44 da Lei n° 4.506/64: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10850.909621/201164 Acórdão n.º 3301005.042 S3C3T1 Fl. 14 13 Por sua vez, o Parecer Normativo CST nº 112, de 29 de dezembro de 1978 (DOU de 11/01/1979), distingue subvenção de custeio e subvenção para investimento: 2.11 – Uma das fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST nº 2/78 (DOU de 16.01.78). No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTO seria a destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendese um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST nº 143/73 (DOU de 16.10.73), sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála, não nas suas despesas, mas sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Essa concepção está inteiramente de acordo com o próprio § 2º do art. 38 do DL 1.598/77. 2.12 – Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o “animus” de subvencionar para investimento. Impõese, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimento não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. (...) 3.6 Há, também, uma modalidade de redução do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias (ICM), utilizada por vários Estados da Federação como incentivo fiscal, que preenche todos os requisitos para ser considerada como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. A mecânica do benefício fiscal consiste no depósito, em conta vinculada, de parte do ICM devido em cada mês. Os depósitos mensais, obedecidas as condições estabelecidas, retornam à empresa para serem aplicados na implantação ou expansão de empreendimento econômico. Em alguns casos que tivemos oportunidade de examinar, esse tipo de subvenção é sempre previsto em lei, da qual consta expressamente a sua destinação para o investimento; o retorno das parcelas depositadas só se efetiva após comprovadas as Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10850.909621/201164 Acórdão n.º 3301005.042 S3C3T1 Fl. 15 14 aplicações no empreendimento econômico; e o titular do empreendimento é o beneficiário da subvenção. (...) I – As SUBVENÇÕES CORRENTES PARA CUSTEIO OU OPERAÇÃO integram a resultado operacional da pessoa jurídica; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, o resultado não operacional. Do exposto, concluise que a subvenção da Lei n° 9.479/1997 é de custeio, porquanto a Recorrente recebeu em dinheiro, por kg de borracha beneficiada vendida. A atividade do contribuinte, conforme cláusula quarta de seu contrato social, é a indústria de látex e produtos de borracha, comércio, importação e exportação de produtos de borracha. Ao contrário do que alega, tal receita não pode ser classificada como receita financeira, porque não decorre da aplicação de recursos financeiros. Isso porque o Decreto nº 3.000/1999, no art. 373 c/c art. 375, parágrafo único, elenca como “receitas financeiras” os juros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, além das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual. Em suma, na qualidade de usina beneficiadora credenciada, a receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 é receita operacional tributável pelo PIS. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário" Conclusão Dou provimento parcial ao recurso voluntário, para acatar créditos relativos ao PIS sobre descontos obtidos, receitas financeiras e despesas recuperadas. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado tanto à COFINS quanto à Contribuição para o PIS/Pasep, sendo que na informação fiscal resultante da diligência, a autoridade fiscal concluiu que "Das receitas alegadas indevidamente tributadas podese considerar “aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa” todas, exceto a Receita de Subvenção da Lei 9.479/1997". Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10850.909621/201164 Acórdão n.º 3301005.042 S3C3T1 Fl. 16 15 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário, para acatar créditos relativos ao PIS e a COFINS sobre descontos obtidos, receitas financeiras e despesas recuperadas. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 241DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.011493/2005-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002, 2004, 2005
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VERIFICAÇÃO DO VALOR VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PREJUDICIAL DE ADMISSIBILIDADE. PORTARIA MF N° 63. DIREITO INTERTEMPORAL.SÚMULA CARF Nº 103.
A verificação do limite de alçada, para fins de Recurso de Ofício, ocorre em dois momentos: primeiro, quando da prolação de decisão favorável ao contribuinte pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento - DRJ, para fins de interposição de Recurso de Ofício, observando-se a legislação da época e, segundo, quando da apreciação do recurso pelo CARF, em Preliminar de Admissibilidade, para fins de seu conhecimento, aplicando-se o limite de alçada então vigente.
Entendimento que está sedimentado pela Súmula Carf nº 103:
"Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância".
In casu, aplica-se o limite instituído pela Portaria MF n° 63 que alterou o valor para interposição de Recurso de Ofício para R$2.500.000,00.
Recurso de Ofício não conhecido pelo fato do valor do crédito tributário exonerado pela decisão a quo estar abaixo do limite de alçada.
ADESÃO A PARCELAMENTO ESPECIAL DE DÉBITOS. CONFISSÃO IRRETRATÁVEL DE DÍVIDA. DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DA LIDE. RENÚNCIA AO DIREITO QUE FUNDAMENTAVA O RECURSO. RECURSO NÃO CONHECIDO.
Não se conhece do recurso voluntário interposto, quando o contribuinte acosta aos autos, antes do início da sessão de julgamento, petição de desistência do recurso, da lide, em face de confissão irretratável de dívida por adesão a parcelamento especial que implica renuncia ao direito sobre o qual se funda o recurso manejado.
Numero da decisão: 1301-003.287
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos de ofício e voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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LIMITE DE ALÇADA. VERIFICAÇÃO DO VALOR VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PREJUDICIAL DE ADMISSIBILIDADE. PORTARIA MF N° 63. DIREITO INTERTEMPORAL.SÚMULA CARF Nº 103. A verificação do limite de alçada, para fins de Recurso de Ofício, ocorre em dois momentos: primeiro, quando da prolação de decisão favorável ao contribuinte pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, para fins de interposição de Recurso de Ofício, observandose a legislação da época e, segundo, quando da apreciação do recurso pelo CARF, em Preliminar de Admissibilidade, para fins de seu conhecimento, aplicando se o limite de alçada então vigente. Entendimento que está sedimentado pela Súmula Carf nº 103: "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância". In casu, aplicase o limite instituído pela Portaria MF n° 63 que alterou o valor para interposição de Recurso de Ofício para R$2.500.000,00. Recurso de Ofício não conhecido pelo fato do valor do crédito tributário exonerado pela decisão a quo estar abaixo do limite de alçada. ADESÃO A PARCELAMENTO ESPECIAL DE DÉBITOS. CONFISSÃO IRRETRATÁVEL DE DÍVIDA. DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DA LIDE. RENÚNCIA AO DIREITO QUE FUNDAMENTAVA O RECURSO. RECURSO NÃO CONHECIDO. Não se conhece do recurso voluntário interposto, quando o contribuinte acosta aos autos, antes do início da sessão de julgamento, petição de desistência do recurso, da lide, em face de confissão irretratável de dívida por AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 14 93 /2 00 5- 52 Fl. 610DF CARF MF Processo nº 10380.011493/200552 Acórdão n.º 1301003.287 S1C3T1 Fl. 611 2 adesão a parcelamento especial que implica renuncia ao direito sobre o qual se funda o recurso manejado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos de ofício e voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felicia Rothschild. Fl. 611DF CARF MF Processo nº 10380.011493/200552 Acórdão n.º 1301003.287 S1C3T1 Fl. 612 3 Relatório O processo consta da Pauta de Julgamento, nesta data, em face dos seguintes recursos: a) Recurso de Ofício apresentado pela 4ª Turma da DRJ/Fortaleza que exonerara, na sessão de julgamento de 28/08/2008, crédito tributário além do limite de alçada na época, relativo ao Auto de Infração do IRPJ dos anoscalendário 2001, 2002, 2004 e 2005, conforme Acórdão (efls. 465/475); b) Recurso Voluntário manejado em 05/11/2008 (efls. 480/503), em relação a matérias que o sujeito passivo restara vencido. Quanto aos fatos, consta dos autos: que, em 08/12/2005, a fiscalização da DRF/Fortaleza, em procedimento de verificações obrigatórias (verificação dos valores declarados e valores apurados, registrados na escrituração contábil), lavrou Auto de Infração do IRPJ dos anoscalendário 2001, 2002, 2004 e 2005, imputando a seguinte infração Auto de Infração e Demonstrativos Anexos (efls. 04/30), in verbis: (...) 001 IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA DIFERENÇAS APURADAS ENTRE OS VALORES DEVIDOS E OS VALORES DECLARADOS E/OU PAGOS O contribuinte não declarou e nem recolheu o Imposto de Renda sobre o Lucro Presumido nos valores e períodos de apuração abaixo. Para chegar a essa conclusão, efetuamos inicialmente o levantamento das bases de cálculo trimestrais no período de janeiro/2.001 a junho/2005, identificandose como tributáveis as receitas escrituradas nas seguintes contas: "receitas de aluguel", "rendas de estacionamento", "coparticipação", "receitas financeiras" e "receitas não operacionais". Em seguida, calculamos os valores devidos em cada trimestre e confrontamos com os declarados em DCTF e com os recolhidos somados aos retidos na fonte, tendose, apurado diferenças correspondentes aos valores não declarados em DCTF e nem recolhidos. Através do Termo de Intimação n° 02, de 09/11/05, solicitamos a Empresa comprovar a regularização dos valores não declarados e nem recolhidos, tendo a intimada esclarecido e comprovado que a subconta "correção monetária", classificada como receita financeira, destinavase apenas a atualização dos valores registrados, no período de janeiro/2001 a dezembro/2001, no ativo, em conta denominada coparticipação e sua amortização Fl. 612DF CARF MF Processo nº 10380.011493/200552 Acórdão n.º 1301003.287 S1C3T1 Fl. 613 4 registrada como redutora desta, sendo o saldo resultante da aplicação da correção monetária devedor. Por outro lado, não excluímos das bases de cálculo as receitas contabilizadas nas subcontas "Juros Selic" e "Recuperação de Impostos" nos meses de julho e outubro/2.001 e de janeiro e abril/2.002, como foi solicitado pelo contribuinte, por não haver previsão legal. Assim, efetuamos os acertos necessários e recompomos as bases de cálculo do período acima mencionado. Recalculamos os valores devidos e confrontamos mais uma vez com os declarados e com os recolhidos, tendose apurado as diferenças que ora lançamos, conforme demonstrativos em anexo. Fazem parte integrante do presente Auto de Infração os documentos apresentados pelo contribuinte e os demonstrativos elaborados por esta Fiscalização. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto (R$) Multa % 30/06/2001 445.035,53 75% 30/09/2001 572.661,03 75% 31/12/2001 63.388,84 75% 31/03/2002 607.197,74 75% 30/06/2002 2.035,90 75% 30/09/2002 3.061,83 75% 31/12/2002 1.895,07 75% 30/06/2004 333,53 75% 31/12/2004 3.840,08 75% 30/06/2005 12.163,49 75% ENQUADRAMENTO LEGAL Arts. 224, 518, 519 e 841, inciso III, do RIR/99. (...) O crédito tributário lançado de oficio, na data de lavratura do Auto de Infração do IRPJ, perfaz o montante de R$ 4.195.812,00 quanto aos anoscalendário 2001, 2002, 2004 e 2005, conforme demonstrativo abaixo: Auto de Infração Principal (R$) Juros de Mora (calculados até 30/11/2005) (R$) Multa de Ofício 75% Total (R$) IRPJ 1.711.613,04 1.200.489,22 1.283.709,74 4.195.812,00 Fl. 613DF CARF MF Processo nº 10380.011493/200552 Acórdão n.º 1301003.287 S1C3T1 Fl. 614 5 Ciente do lançamento fiscal, o sujeito passivo apresentou Impugnação e quanto às razões de defesa transcrevo, no que pertinente, o relatório da decisão recorrida (efls. 465/475), in verbis: (...) Cientificado da exigência aos 08/12/2005 apresentou o contribuinte a peça de defesa de fls. 156 e 305, aos 09/01/2006, mediante a qual insurgese contra a exigência. Esclarece o impugnante que quando da autuação foram ignoradas as compensações do IRPJ devido a partir do 2° trimestre de 2001, inclusive, até o 1° trimestre de 2002 no valor de R$ 2.001.219,20, com créditos da Cofins relativa ao período de março de 1996 até agosto de 2000 — amparados por: MS 94.00042060; processo 10380.010146/200189; processo 10380.001643/200277; AGTR 36.251CE (2001.05.00.022718 9) decisão Des.Federal Nereu Santos. (...) Por outro lado, não foram considerados, para efeito de exclusão da base de cálculo, os valores contabilizados a titulo de recuperação de despesas (Vale Transporte e Programa de Alimentação), no valor de R$ 21.951,71, conforme art. 53 da Lei n° 9.430, de 1996. Informa o impugnante, que, ao refazer os cálculos apurou um crédito no valor de R$ 82.166,11 em favor da empresa, crédito este que será objeto de compensação com débitos futuros. Quando da apreciação dos autos na sessão de julgamento de 28 de setembro de 2007 o Colegiado desta 4a Turma decidiu por retornar os autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza/CE para a realização de diligência, nos termos da Resolução n° 1062, anexa às fls. 315/317. Com o Relatório Fiscal de fls. 336/338 a fiscalização esclarece que não foram computados os débitos de IRPJ objeto somente de pedidos de compensação, "tendo em vista as disposições contidas na IN SRF 126, de 30.10.98, e o fato de que os pedidos de compensação foram formalizados em 31.07.2001 e 05.02.2002, ou seja, antes da vigência da MP 135, de 31.10.2003, que em seu art. 17, parágrafo 6°, dispõe que as declarações de compensação só passaram a constituir confissão de divida a partir de outubro/2003. Com relação aos valores referentes a Vale Transporte VT e Programa de Alimentação do Trabalhador — PAT reconhece a fiscalização que não os excluiu da base de cálculo pelo fato de os mesmos estarem contabilizados como "receitas financeiras", não tendo o contribuinte alertado sobre esta sua inconsistência contábil. Reconhece a fiscalização a procedência da argüição da defesa em relação ao valor de R$ 176.907,81, relativo ao 1° Fl. 614DF CARF MF Processo nº 10380.011493/200552 Acórdão n.º 1301003.287 S1C3T1 Fl. 615 6 trimestre/2002, parcelado através do processo n° 10380.012927/200299, e com saldo remanescente de R$ 92.916,73, incluído no PAES, o qual propõe seja excluído da tributação. Em referência ao valor de R$ 106.628,35, relativo ao 2° trimestre/2002, parcelado através do processo n° 10380.012927/200299, e posteriormente incluído no PAES, informa a fiscalização que referido valor já havia sido considerado quando da ação fiscal em virtude deste compor o débito declarado em DCTF para referido período de apuração. Cientificado do Relatório Fiscal de fls. 336/338 aos 07/02/2008 apresentou o contribuinte as razões adicionais de defesa mediante a apresentação da peça de fls. 346/362. Contesta o impugnante a inclusão de valores a titulo de "Recuperação de Impostos", bem como os respectivos "Juros Se lic", na base de calculo do IRPJ, do 4° trimestre de 2001 e 1° e 2° trimestre de 2002, tendo em vista que tal recuperação decorria de um pleito de restituição/compensação, objeto do processo administrativo n° 10380.001643/200277, o qual foi indeferido pela autoridade administrativa competente. E, acrescenta, o contribuinte, que, se a restituição/compensação foi indeferida (rid() homologada), evidente que não ocorreu a recuperação do tributo, razão pela qual não pode integrar a base de cálculo do IRPJ. Transcreve as fls. 348/352 excerto do Acórdão 10805636 a fim de embasar a tese de que "... não se afigura cabível incluir na base de cálculo do IRPJ, a titulo de impostos recuperados, valores referentes a compensações que não foram homologadas, ou seja, foram denegadas pelo Fisco". Informa que os valores do IRPJ relativos aos Períodos de Apuração: 12/2001, 03/2002 e 06/2002 foram incluídos no PAES. Ressalta, ainda, que "... os valores atinentes ao 2° trimestre de 2002 foram inseridos em duplicidade devendo ser utilizado para deduzir de eventual débito ou, caso esse inexista, para compensação futura". Com relação ao valor lançado a titulo de IRPJ, 2° trimestre/2001, no valor de R$ 440.932,11, alega que este não pode prevalecer haja vista que referido débito foi devidamente compensado nos autos do processo n° 10380.010146/200189, com Declaração de Compensação regularmente homologada pela autoridade competente. Informa que foi incluído no PAES indevidamente o IRPJ relativo ao 1° trimestre de 2001, no valor de R$ 544.950,77, já efetivamente pago, restando evidente que o referido valor pago através de DARF deve ser considerado como crédito do contribuinte a ser deduzido de eventual débito (lançamento) remanescente apurado nos presentes autos. Fl. 615DF CARF MF Processo nº 10380.011493/200552 Acórdão n.º 1301003.287 S1C3T1 Fl. 616 7 Alerta, que, possui, dentre outros, um crédito junto ao Fisco de aproximadamente R$ 434.169,22, remanescente do processo administrativo n° 10380.010146/200189, o qual, no momento oportuno e caso subsista algum débito, poderá ser compensado, via PER/DCOMP. (...) Na Sessão e 28/08/2008, a 4ª Turma da DRJ/Fortaleza julgou o lançamento procedente em parte, conforme ementa e dispositivo (efls. 465/475): (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2004, 2005 A pessoa jurídica que obtenha o reconhecimento, em seu favor, de créditos contra a Unido, mediante sentença judicial transitada em julgado, deve escriturálos conforme o regime de competência. Esses créditos constituem hipótese de incidência dos tributos federais sobre a receita ou o lucro no momento do trânsito em julgado da sentença judicial. Valores indevidamente incluídos no Parcelamento Especial PAES devem ter seu estorno autorizado pela autoridade administrativa competente que deferiu o parcelamento. As Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento não têm competência para autorizar compensações solicitadas em sede de impugnação. Com relação a matéria a competência dessas Turmas se restringe a apreciar a manifestação de inconformidade interposta contra declarações de compensações não homologadas. Lançamento Procedente em Parte (...) ACORDAM os Membros da Quarta Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em JULGAR PROCEDENTE EM PARTE o lançamento consubstanciado no auto de infração de fls. 04/12, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, devendo o crédito tributário do IRPJ ser exigido conforme demonstrativo abaixo: PA/EX VALOR (R$) 06/2001 10,89 09/2001 569.882,64 03/2002 427.701,25 09/2002 76,46 06/2004 333,53 12/2004 3.840,08 Fl. 616DF CARF MF Processo nº 10380.011493/200552 Acórdão n.º 1301003.287 S1C3T1 Fl. 617 8 06/2005 12.163,50 (...) Da presente decisão recorro de oficio ao Primeiro Conselho de Contribuintes em atendimento ao disposto no artigo 34, inciso I, do Decreto n° 70.235/72. (...) Ciente desse decisum em 14/10/2008 AR (efl. 479), despacho (efl. 534), a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 05/11/2008 quanto às matérias que restara vencida na instância a quo (efls. 480/503). Na Sessão de 09/07/2013, a 2ª Turma/2ª Câmara/1ª Seção de Julgamento do CARF, converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 1202000.199 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, para que a unidade de origem da RFB prestasse esclarecimentos acerca das matérias agitadas nas razões do recurso pelo sujeito passivo, cujo voto condutor da referida Resolução transcrevo, no que pertinente (efls. 535/541), in verbis: (...) A decisão recorrida cancelou parte do tributo exigido tendo em vista a existência de pedidos de compensação formalizados antes do início do procedimento fiscal que culminou no lançamento de fls. 03/12. Além disso, a Recorrente pleiteia que seja realizada a extinção do imposto exigido em relação ao 1º trimestre/2001, que foi pago mediante o DARF de fls. 433. Todavia devido a erro formal este pagamento foi informado pela DCTF como sendo referente a Contribuição Social. Tal argumentação foi ventilada em sede de impugnação, e a autoridade a quo alegou ser incompetente para realizar a verificação de tais informações, alegando que tal situação deverá ser constatada pela autoridade de origem. Além disso, existe a informação de que fora incluído em duplicidade no parcelamento especial, o valor correspondente ao imposto devido no 2º trimestre/2002, sendo que a autoridade de origem novamente alega que tal inconsistência deverá ser solucionada pela autoridade de origem. Tais situações, por si só, demandam a necessidade de apuração pela autoridade de origem, que possui competência para a realização de constatações desta natureza. No entanto o caso concreto também possui outras peculiaridades que também merecem ser apreciadas pela Delegacia da Receita Federal de Origem. Com efeito, a diligência fiscal é cabível em situações que podem acarretar no cerceamento do direito de defesa do contribuinte, mormente por que existe a possibilidade de que parte do crédito Fl. 617DF CARF MF Processo nº 10380.011493/200552 Acórdão n.º 1301003.287 S1C3T1 Fl. 618 9 tributário exigido já tenha sido pago por meio da DARF de fls. 433. Assim, invocando os princípios do formalismo moderado e da busca da verdade material, entendese necessária a aceitação, a fim de exame diligencial sob o aspecto formal e sobre o aspecto substancial, para que sejam realizadas as verificações abaixo listadas. Assim, cabe diligência para que a autoridade de origem verifique as seguintes providências: Apurar se realmente houve o erro formal quando da apresentação de DCTF correspondente ao 1º trimestre/2001, bem como se a DARF de fls. 433, recolhida em 30/04/2001, referese ao pagamento do IRPJ devido no mencionado período; Apurar se o valor correspondente ao imposto devido no 2º trimestre/2002 foi realmente incluído em duplicidade no Parcelamento Especial, conforme alegado pela Recorrente; Se ocorreu a alegada afronta a IN 600, uma vez que a autoridade de origem deixou de utilizar o crédito para liquidar período mais antigo (3º trimestre/2001) para liquidar outro, mais recente (4º trimestre/2001), que, por sua vez, já havia sido incluído no PAES; Apurar se a base de cálculo da exigência fiscal contém receitas decorrentes de impostos que foram objeto de pedidos de compensação indeferidos; proceder eventual ajuste de base de calculo, mediante a utilização de possível crédito remanescente após as constatações acima; por fim, se ocorreu majoração, no demonstrativo de fls. 470, do tributo supostamente devido, sem qualquer motivação ou fundamentação que a justifique. Assim, considero imprescindível que a autoridade administrativa se manifeste sobre as questões acima listadas, tendo em vista que tais verificações podem acarretar na alteração do crédito tributário em questão, bem como pelo fato de que a não realização da referida diligência poderá cercear o direito de defesa da Recorrente. Após o que, abrase vista à Recorrente para manifestação, no prazo de 30 (trinta) dias. (...) Realizada a diligência fiscal, a unidade de origem da RFB juntou aos autos o Termo de Verificação em Diligência Fiscal de 17/02/2014, com os resultados (efls. 544/547). Foi dado ciência ao sujeito passivo do Relatório (resultados da diligência fiscal), por via postal AR, em 20/02/2014 (efl. 548). Fl. 618DF CARF MF Processo nº 10380.011493/200552 Acórdão n.º 1301003.287 S1C3T1 Fl. 619 10 Na sequência, em 21/03/2014 o sujeito passivo apresentou na RFB esclarecimentos acerca do Termo de Verificação em Diligência Fiscal e juntou documentos diversos (efls.549/550 e 551/587). Por fim, em 30/10/2017 o sujeito passivo acostou aos autos Requerimento de Desistência do Recurso quanto aos débitos mantidos pela decisão recorrida, ficando pendentes de análise apenas os débitos exonerados pela decisão a quo, os quais são objeto do recurso de ofício (efls. 601/603), nos seguintes termos: (...) REQUERIMENTO DE DESISTÊNCIA PARCIAL PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 10380.011.493/200552 IRPJ JEREISSATI CENTROS COMERCIAIS S/A, inscrita no CNPJ sob nº 07.992.621/000148, vem, através de seu advogado legalmente constituído, requerer a desistência do Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10380.011.493/200552, em trâmite neste Conselho, tendo em vista a inclusão de parte dos débitos discutidos no referido processo administrativo, no PROGRAMA ESPECIAL DE REGULARIZAÇÃO TRIBUTÁRIA PERT (MP n^ 783/2017), conforme planilha abaixo: INCLUÍDOS NO PERT (objeto de desistência) PA/EX VALOR HISTÓRICO (R$) 06/2001 10,89 09/2001 569.882,64 03/2002 427.701,25 09/2002 76,46 06/2004 333,56 12/2004 3.840,08 06/2005 12.163,50 Vale frisar que se trata de DESISTÊNCIA PARCIAL do Processo nº 10380.011.493/200552, nos termos do art. 8, §1º da IN RFB 1711/2017, uma vez que os valores que foram excluídos do montante autuado,em sede de julgamento de 1ª instância, NÃO serão incluídos no PERT, ou seja, o processo administrativo deve seguir o seu trâmite regular em relação ao Recurso de Ofício. Nestes termos, Pede deferimento. Fortaleza, 25 de outubro de 2017. JERE1SSATI CENTROS COMERCIAIS S/A (...) É o relatório. Fl. 619DF CARF MF Processo nº 10380.011493/200552 Acórdão n.º 1301003.287 S1C3T1 Fl. 620 11 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. Não conheço dos Recursos de Ofício e Voluntário. Recurso de Ofício: Quanto ao Recurso de Ofício apresentado pela própria 4ª Turma da DRJ/Fortaleza, não o conheço, pois o crédito tributário exonerado (IRPJ e da multa de ofício respectiva) ficou abaixo do limite de alçada de R$ 2.500.000,00 (Dois milhões e quinhentos mil reais) de que trata a Portaria MF nº 63, de 09/02/2017, cujo art. 1º transcrevo, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). §1ºO valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. (...) O limite de alçada a ser observado é o vigente na data da Sessão de Julgamento do Recurso de Ofício na instância recursal ordinária do CARF, e não o vigente na data da decisão da DRJ, no caso de existência de direito intertemporal. A matéria é pacífica, inclusive é objeto da Súmula CARF nº 103 a qual está transcrita na seguinte ementa de decisão recente que transcrevo: ASSUNTO:IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício:2009 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VERIFICAÇÃO VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PREJUDICIAL DE ADMISSIBILIDADE. PORTARIA MF N° 63. SÚMULA CARF Nº 103. A verificação do limite de alçada, para fins de Recurso de Ofício, ocorre em dois momentos: primeiro, quando da prolação de decisão favorável ao contribuinte pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), para fins de interposição de Recurso de Ofício, observando se a legislação da época e, segundo, quando da apreciação do recurso pelo CARF, em Preliminar de Admis Fl. 620DF CARF MF Processo nº 10380.011493/200552 Acórdão n.º 1301003.287 S1C3T1 Fl. 621 12 sibilidade, para fins de seu conhecimento, aplicandose o limite de alçada então vigente. Entendimento que está sedimentado pela Súmula Carf nº 103: "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância". In casu, aplicase o limite instituído pela Portaria MF n° 63 que alterou o valor para interposição de Recurso de Ofício para R$ 2.500.000,00. (Acórdão nº 2401005.258–4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, Sessão de 05/02/2018, Conselheiro Relator Rayd Santana Ferreira). O crédito tributário exonerado (principal e multa de ofício) ficou abaixo do limite de alçada de que trata a Portaria MF nº 63, de 09/02/2017. Ou seja, conforme já relatado: a) o crédito tributário lançado de ofício, na data do auto de Infração do IRPJ, está assim discriminado: Auto de Infração Principal (R$) Juros de Mora (calculados até 30/11/2005) (R$) Multa de Ofício 75% Total (R$) IRPJ 1.711.613,04 1.200.489,22 1.283.709,74 4.195.812,00 a) a decisão recorrida manteve do principal as seguintes parcelas por período de apuração (IRPJ): PA/EX VALOR (R$) 06/2001 10,89 09/2001 569.882,64 03/2002 427.701,25 09/2002 76,46 06/2004 333,53 12/2004 3.840,08 06/2005 12.163,50 Total principal (IRPJ) mantido pela decisão a quo 1.014.008,35 Assim, o valor exonerado pela decisão a quo (principal + multa de ofício respectiva) ficou abaixo de R$ 2,5 milhões. Portanto, ante o exposto não conheço do Recurso de Ofício. Fl. 621DF CARF MF Processo nº 10380.011493/200552 Acórdão n.º 1301003.287 S1C3T1 Fl. 622 13 Recurso Voluntário: A contribuinte formalizou desistência do recurso, em face de adesão a parcelamento especial de dívida, consoante petição, requerimento, acostado aos autos do e processo em 30/10/2017 (efls. 549/550), in verbis: (...) REQUERIMENTO DE DESISTÊNCIA PARCIAL PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 10380.011.493/200552 IRPJ JEREISSATI CENTROS COMERCIAIS S/A, inscrita no CNPJ sob nº 07.992.621/000148, vem, através de seu advogado legalmente constituído, requerer a desistência do Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10380.011.493/200552, em trâmite neste Conselho, tendo em vista a inclusão de parte dos débitos discutidos no referido processo administrativo, no PROGRAMA ESPECIAL DE REGULARIZAÇÃO TRIBUTÁRIA PERT (MP n^ 783/2017), conforme planilha abaixo: INCLUÍDOS NO PERT (objeto de desistência) PA/EX VALOR HISTÓRICO (R$) 06/2001 10,89 09/2001 569.882,64 03/2002 427.701,25 09/2002 76,46 06/2004 333,56 12/2004 3.840,08 06/2005 12.163,50 Vale frisar que se trata de DESISTÊNCIA PARCIAL do Processo nº 10380.011.493/200552, nos termos do art. 8, §1º da IN RFB 1711/2017, uma vez que os valores que foram excluídos do montante autuado,em sede de julgamento de 1ª instância, NÃO serão incluídos no PERT, ou seja, o processo administrativo deve seguir o seu trâmite regular em relação ao Recurso de Ofício. (...) Por previsão expressa do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 343/2015, Anexo II, art. 78 e §§ ), a adesão efetuada a parcelamento importa confissão irretratável de dívida, desistência do recurso, ou seja, configura renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo. A propósito, transcrevo o art. 78, §3ª, Anexo II, do RICARF/2015, in verbis: Fl. 622DF CARF MF Processo nº 10380.011493/200552 Acórdão n.º 1301003.287 S1C3T1 Fl. 623 14 Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. § 4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. § 5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. Como já dito, a adesão a parcelamento de dívida implicou confissão irretratável de dívida, desistência do recurso e renúncia ao direito sobre o qual se fundou o recurso interposto pelo sujeito passivo. Portanto, não conheço do Recurso Voluntário. Por fim, frisese: a) a desistência do Recurso Voluntário abarcou integralmente os débitos mantidos pela decisão recorrida e que, em decorrência da adesão ao parcelamento de dívida, foram transferidos e estão sendo controlados pela RFB no âmbito do Processo nº 10380 729.986/201786, conforme Termo de Transferência de Crédito Tributário, em 01/03/2018 (e fls. 606); b) em relação ao Recurso de Ofício, cujos débitos exonerados pela decisão a quo estavam pendentes de reexame necessário por esta instância recursal ordinária do CARF, restaram exonerados definitivamente, pelo não conhecimento do Recurso de Ofício, pois o valor do crédito exonerado pela decisão recorrida ficou abaixo do limite de alçada. Por tudo que foi exposto, voto para não conhecer dos recursos de ofício e voluntário. Fl. 623DF CARF MF Processo nº 10380.011493/200552 Acórdão n.º 1301003.287 S1C3T1 Fl. 624 15 É como voto. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 624DF CARF MF
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Numero do processo: 10530.900159/2008-57
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 25/08/2004
VÍCIO DE REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. FALTA DE SANEAMENTO APÓS INTIMAÇÃO REGULAR. PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE RECURSAL DESATENDIDO. NÃO CONHECIMENTO.
A comprovação da falta de poderes da signatária da Manifestação de Inconformidade para representação da sociedade e a inércia de seu administrador ao saneamento da irregularidade, mesmo depois de regularmente intimado, caracteriza vício de representação processual e inviabiliza o conhecimento do Recurso Voluntário por desatendimento de requisito de admissibilidade.
Numero da decisão: 1002-000.425
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 25/08/2004 VÍCIO DE REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. FALTA DE SANEAMENTO APÓS INTIMAÇÃO REGULAR. PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE RECURSAL DESATENDIDO. NÃO CONHECIMENTO. A comprovação da falta de poderes da signatária da Manifestação de Inconformidade para representação da sociedade e a inércia de seu administrador ao saneamento da irregularidade, mesmo depois de regularmente intimado, caracteriza vício de representação processual e inviabiliza o conhecimento do Recurso Voluntário por desatendimento de requisito de admissibilidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1539; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 43 1 42 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10530.900159/200857 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.425 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 02 de outubro de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGAÇÃO Recorrente TECSOLDA TECNOLOGIA DE SOLDAGEM E CONTROLE DA QUALIDADE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 25/08/2004 VÍCIO DE REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. FALTA DE SANEAMENTO APÓS INTIMAÇÃO REGULAR. PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE RECURSAL DESATENDIDO. NÃO CONHECIMENTO. A comprovação da falta de poderes da signatária da Manifestação de Inconformidade para representação da sociedade e a inércia de seu administrador ao saneamento da irregularidade, mesmo depois de regularmente intimado, caracteriza vício de representação processual e inviabiliza o conhecimento do Recurso Voluntário por desatendimento de requisito de admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 90 01 59 /2 00 8- 57 Fl. 43DF CARF MF Processo nº 10530.900159/200857 Acórdão n.º 1002000.425 S1C0T2 Fl. 44 2 Relatório Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação da compensação, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/SDR: A interessada transmitiu em 25/08/2004 PER/DCOMP eletrônico visando compensar DARF recolhido pela sistemática do Sistema Integrado de Pagamento. de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples relativo a dezembro de 2002, no valor de R$ 2.090,70, com débitos nela declarados. A DRF/Feira de Santana emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento fora integralmente utilizado na quitação de outro débito, não restando crédito disponível para a compensação. Irresignada, a contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade alegando que, nos termos do Ato Declaratório Executivo ADE n° 29/2003, foi excluída do Simples, e assim refez a apuração do imposto de renda pelo lucro presumido, compensando os débitos por meio do PER/DCOMP ora em análise, tendo transmitido a DIPJ/2003 para corrigir a situação. Intimada a regularizar pendência quanto à representação da empresa, a contribuinte não se manifestou a respeito. A Manifestação de Inconformidade não foi conhecida pela DRJ/SDR, conforme acórdão n. 1523.046 (efl. 28), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 25/08/2004 FALTA DE PODERES. REPRESENTAÇÃO. A falta de comprovação de que o signatário da peça de defesa possui poderes para representar a empresa implica em não conhecer da manifestação de inconformidade. Irresignado, o ora Recorrente apresenta Recurso Voluntário (efls. 32), no qual oferece argumentos e fundamentos de fato e de direito abaixo sintetizados (grifos do original). Preliminar Como preliminar, o Recorrente informa que o Acórdão de Manifestação de Inconformidade relata que "a contribuinte fora devidamente intimada por via postal para Fl. 44DF CARF MF Processo nº 10530.900159/200857 Acórdão n.º 1002000.425 S1C0T2 Fl. 45 3 regularização da pendência, acerca da representação da empresa no Manifesto de Inconformidade, que fora assinada pela sócia Weruska Silva do Rosário, e que a contribuinte não se manifestou a respeito". Ressalta que "a contribuinte jamais recebeu comunicado por via postal da Receita Federal do Brasil citando a interessada para fins de saneamento das falhas formais que atingiram o Manifesto de Inconformidade, fato que se evidenciado seria de pronto atendido, uma vez que é de notório interesse da contribuinte". Informa ainda que "Weruska Silva do Rosário, além de sócia figura como Preposto da Empresa perante a Receita Federal do Brasil desde o seu ingresso no quadro societário". Sustenta que "não foi dado ao contribuinte, referente à Manifestação de Inconformidade, meios de conhecer a necessidade de apresentar as suas justificativas e de sanear as falhar meramente formais do Processo por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário". Aduz que "Caso tenha ocorrido intimação postal, houve falha nessa intimação, em razão da correspondência ter sido remetida para endereço incorreto, ou não ter sido servido pelos Correios e devolvida sem a cientificação do destinatário". Reitera que "a contribuinte não tomou ciência do chamamento da Receita Federal do Brasil para fins de possível saneamento de defeito de representação processual no Processo de Manifestação de Inconformidade interposta pela empresa" e que, por conseqüência, "não deu prova de recebimento". Frisa que "a assinatura constante do Manifesto de Inconformidade foi aposta pelo preposto da empresa Weruska Silva do Rosário que conforme previsto legalmente possui prerrogativas de assinar as demandas administrativas junto ao órgão em questão". Mérito Com respeito ao mérito o Recorrente informa que "A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da DRF Feira de Santana, mediante Despachos Decisórios números: 757704835, 757704377, 75774434, 757704425, 757704394 e 757704417, formalizou a não homologação da compensação solicitada por meio do PER/DCOMP (...)". Menciona que "Em 20 de maio de 2003 foi publicado Ato Declaratório executivo n° 29, DOU de 22/05/2003, excluindo a empresa da sistemática de pagamento dos tributos e contribuições de que trata o artigo 3° da Lei 9.317/96, sendo o Ato motivado pelo evento de atividade não permitida para o SIMPLES". Diz que "Neste citado momento, a Empresa já havia cumprido com suas obrigações principais e acessórias em conformidade com a sua opção tributária na ocasião, realizando o pagamento do imposto Simples através do DARF com código de receita 6106 e com a transmissão da Declaração Simplificada PJSI 2003. Afirma que "Ao ser cientificado de sua exclusão, do então Simples Federal, foi solicitada a compensação dos pagamentos realizados indevidamente com impostos e contribuições devidas com a opção apuração Lucro Presumido (...)". Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10530.900159/200857 Acórdão n.º 1002000.425 S1C0T2 Fl. 46 4 Sustenta que (sic) "Ao tomar conhecimento de que a Secretaria da Receita Federal do Brasil, não homologou o pedido de compensação através das Declarações Per/Dcomp, procurado orientação no Plantão Fiscal, foi disponibilizado informação da possibilidade de não existir uma declaração com efeito retificadora DIPJ 2003, para reconhecimento por parte da RFB, dos débitos tributários decorrente da opção pelo Lucro Presumido e a extinção dos créditos referentes aos pagamentos realizados no Simples Federal" e que, por isso, transmitiu "a Declaração DIPJ 2003, para corrigir a situação verificada". Acrescenta que "Com base no mencionado e considerando que não se aplica a esta empresa o quanto previsto no § 3°, do art. 74 da Lei 9.430/96 e considerando a prerrogativa prevista no § 9e do mencionado artigo apresentouse Manifesto de Inconformidade no qual se requereu a Revisão da Decisão de Não Homologação das PER/DCOMP's apresentadas e a extinção dos débitos informados nas mesmas em tempo que foi solicitado o reconhecimento de um único débito tributário, qual sejam, aqueles referentes ao regime tributário adotado a partir de 01/01/2002 (lucro presumido)". Ao final requer "seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, acatando a Manifestação de Inconformidade, homologando as PERDCOMP's apresentadas e a extinção dos débitos informados nas mesmas." É o Relatório do essencial. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator O recurso é tempestivo, porém, não atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele não se conhece. Como dito no preâmbulo, a Manifestação de Inconformidade não foi conhecida pela DRJ/SDR por falta de comprovação de que o signatário possuía poderes de representação do contribuinte. Com relação à preliminar de mérito, num primeiro momento, o Recorrente sustenta que a signatária da Manifestação de Inconformidade, Sra. Weruska Silva do Rosário, além de sócia, figura como preposta do contribuinte perante a RFB desde o seu ingresso no quadro societário. Não procede essa alegação do Recorrente. Compulsando os autos, mais precisamente a cláusula 8ª do documento intitulado "segunda alteração e consolidação contratual da empresa Tecnosolda de Soldagem e Controle da Qualidade Ltda" (efls. 11) constato que a administração da sociedade é exercida pelo sócio Miguel Capistrano: Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10530.900159/200857 Acórdão n.º 1002000.425 S1C0T2 Fl. 47 5 Assim, considerando que a Manifestação de Inconformidade foi subscrita pela sócia Weruska Silva do Rosário, titular de 1% das cotas de capital e não detentora de poderes de administração da sociedade, não resta dúvida de que a Manifestação de Inconformidade foi apresentada com defeito de representação processual. É de se ressaltar que a Unidade de Origem intimou o contribuinte na forma da legislação em vigor e outorgoulhe oportunidade para o saneamento da irregularidade apontada no prazo de 20 dias (efls 24). Entretanto, este prazo transcorreu in albis, sem que houvesse o saneamento ou a ratificação dos termos da Manifestação de Inconformidade apresentada, pelo que foi remetida no estado em que se encontrava ao órgão de primeira instância para julgamento, o qual não conheceu da Manifestação de Inconformidade por entender configurado vício de representação processual, lastreandose no artigo 13 do Código de Processo Civil CPC, de aplicação subsidiária ao Processo Administrativo Fiscal: Art. 13. Verificando a incapacidade processual ou a irregularidade da representação das partes, o juiz, suspendendo o processo, marcará prazo razoável para ser sanado o defeito. Não sendo cumprido o despacho dentro do prazo, se a providência couber: I ao autor, o juiz decretará a nulidade do processo; II ao réu, reputarseá revel; III ao terceiro, será excluído do processo. Nas suas razões de defesa, o Recorrente sustenta que a sócia Weruska Silva do Rosário era preposta da sociedade junto à RFB e apresenta o documento de efls. 37 como abono a sua afirmação, porém, este, em verdade, é um mero extrato de dados cadastrais indicativo da situação fiscal do contribuinte perante a RFB, o qual não se confunde com uma procuração ad juditia ou contrato, que são, comumente, os instrumentos jurídicos apropriados para delegação de poderes de representação processual junto aos órgãos de julgamento do contencioso administrativo fiscal. Assim, embora a sócia Weruska Silva do Rosário seja a signatária da Manifestação de Inconformidade e tenha qualificadose como sócia administradora, esta informação não foi confirmada no contrato social, eis que, como visto anteriormente, os poderes de administração da sociedade são exercidos pelo sócio Miguel Capistrano (efls. 11), o qual não delegou nestes autos poderes de representação processual àquela, nem por meio de alteração de contrato social nem via procuração. Nesse sentido, a qualificação do peticionário e a forma de representação das Pessoas jurídicas em ambiente processual fazem parte de exigências legais que constam, respectivamente, dos artigos 16 do decreto nº 70.235/72 e do artigo 12 do CPC: Decreto nº 70.235/72 Art. 16. A impugnação mencionará: Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10530.900159/200857 Acórdão n.º 1002000.425 S1C0T2 Fl. 48 6 I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; Código de Processo Civil Art.12. Serão representados em juízo, ativa e passivamente: (…) VI as pessoas jurídicas, por quem os respectivos estatutos designarem, ou, não os designando, por seus diretores; (…) Concluise, portanto, que a DRJ/SDR decidiu acertadamente ao não conhecer da Manifestação de Inconformidade por vício de representação processual, porquanto o contribuinte quedouse inerte, não adotando qualquer providência para saneamento do feito, mesmo depois de regularmente intimado da irregularidade. Ainda com relação à preliminar de mérito, o Recorrente afirma que jamais recebeu comunicado por via postal da RFB para fins de saneamento das falhas formais que ocasionaram o não conhecimento da Manifestação de Inconformidade. Igualmente não procede essa afirmação do Recorrente. O comunicado para regularização da representação processual consta das e fls. 24 deste processo e está acompanhado de prova de recebimento via AR Aviso de recebimento de efls. 25, abaixo reproduzido: Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10530.900159/200857 Acórdão n.º 1002000.425 S1C0T2 Fl. 49 7 O documento acima enviado ao domicílio fiscal do Recorrente e devidamente assinado pelo recebedor, comprova que a ciência do comunicado de regularização processual ocorreu de forma regular e mostra que a alegação do Recorrente em sentido contrário é infundada. Aliás, constatase que a signatária do "AR" de ciência do referido comunicado foi a mesma que assinou o recebimento do "AR" de ciência do Acórdão de Manifestação de Inconformidade. Confirase: A assinatura do "AR" de ciência do acórdão de Manifestação de Inconformidade pela mesma pessoa que teve ciência do comunicado referido acima invalida a afirmação de falta de ciência deste porque, fosse ela verdadeira, seria de se esperar obviamente que o Recorrente apresentasse a mesma alegação de ausência de recebimento do Acórdão de Manifestação de Inconformidade no Recurso Voluntário, o que não ocorreu no presente caso. Este entendimento decorre da aplicação das regras básicas de hermenêutica jurídica, segundo as quais Ubi eadem ratio ibi idem jus (onde houver o mesmo fundamento haverá o mesmo direito) e Ubi eadem legis ratio ibi eadem dispositio (onde há a mesma razão de ser, deve prevalecer a mesma razão de decidir). Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário, mantendo a decisão de piso. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 49DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.902858/2010-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.941
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1693; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 153 1 152 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.902858/201052 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3301000.941 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 25 de setembro de 2018 Assunto COFINS Recorrente ESCANDINAVIA VEICULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (Cofins, código de arrecadação 2172), concernente ao período de apuração 12/2001. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, tendo por base as constatações seguintes: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .9 02 85 8/ 20 10 -5 2 Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10840.902858/201052 Resolução nº 3301000.941 S3C3T1 Fl. 154 2 a) a empresa foi intimada a esclarecer os valores mensais consignados a título de Faturamento/Receita Bruta em sua DIPJ retificadora, tendo em vista que o valor dessa rubrica foi sistematicamente reduzido nas suas DIPJ retificadoras dos anoscalendário de 2001 e 2002. Em resposta, a empresa esclarece a redução de seu Faturamento/Receita Bruta como sendo decorrente da exclusão de receitas financeiras, as quais teriam sido indevidamente incluídas na base de cálculo da contribuição; b) para o anocalendário de 2001, não há previsão legal para exclusão, da base de cálculo da COFINS das receitas financeiras informadas na resposta à intimação, sendo certo, portanto, que elas devem compor a base de cálculo da COFINS. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade postulando, em suma, o seguinte: '[...] [...] é a presente para julgar integralmente procedente a presente manifestação de inconformidade, com vistas à reforma do despacho decisório exarado nos autos, reconhecendose a existência do aludido crédito da empresa ora manifestante e, ato contínuo, homologandose a compensação outrora requerida, tendo em vista que é INADMISSÍVEL a inclusão de receitas financeiras na base de cálculo da COFINS, haja vista que, por força da Interpretação estabelecida tanto pelo Supremo Tribunal Federal como pelo Superior Tribunal de Justiça á Lei Federal n° 9.718, de 1998, APENAS o faturamento (resultado da venda de mercadorias e serviços) poderá ser objeto de incidência daquela exação. EXCLUÍDAS, assim, as receitas financeiras, q u e não se encaixam nesse conceito; [...]' É o relatório." A DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou a manifestação de inconformidade improcedente e o Acórdão n° 1444.455, de 29/08/13, foi assim ementado: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 CONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. ALCANCE. A decisão do Supremo Tribunal Federal, prolatada em Recurso Extraordinário, não possui efeito erga omnes. CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA REGIMENTAL. A instância administrativa não possui competência regimental para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10840.902858/201052 Resolução nº 3301000.941 S3C3T1 Fl. 155 3 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repete os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e adiciona os seguintes: a) deve ser aplicada o entendimento pacificado nos tribunais superiores de que é inconstitucional o alargamento da base de cálculo da COFINS promovido pelo §1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98; e b) as cópias autenticadas dos livros contábeis carreadas aos autos devem ser aceitas como prova, pois foram consideradas idôneas pelo SEORT (Serviço de Orientação e Análise Tributária). É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reproduzo trecho do Despacho Decisório (fls. 37) que sumaria a demanda: "O presente processo trata do PerDcomp nº 13426.84222.120107.1.3.040093, de fls. 02/06, referente a suposto pagamento indevido ou a maior de Cofins – código 2172, do período de apuração – PA de dezembro de 2001, recolhido em 15/01/2002, cujo valor do crédito original na data da transmissão é R$ 3.845,02, com o qual se pretende compensar débito do IRPJ – código 2362, vencido em 28/02/2005. É o relatório. Da análise das suas DIPJ – do exercício 2002 – anocalendário 2001, original (004369110) e retificadora (126303512), juntadas às fls. 11/16, verificamos que a contribuinte retificou os valores consignados a título de “Faturamento/Receita Bruta”, no mês de dezembro de 2001, que foram alterados de R$ 3.063.856,82, para R$ 2.935.689,13, reduzindo a Cofins a pagar de R$ 87.536,02, para R$ 83.690,99. Visando verificar a regularidade do crédito ora pleiteado, através da intimação fiscal nº 481/2011/DRF/RPO/Seort, de fls.22/23, a empresa foi intimada a esclarecer os valores mensais consignados a título de Faturamento/Receita Bruta em sua DIPJ Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10840.902858/201052 Resolução nº 3301000.941 S3C3T1 Fl. 156 4 retificadora, tendo em vista que os valores dessas rubricas foram sistematicamente reduzidos nas suas DIPJ dos anoscalendário de 2001 e 2002. Em resposta apresentada em 24/05/2011, juntada às fls. 28/32, a empresa informa que a redução de seu Faturamento/Receita Bruta, no PA de dezembro de 2001, é decorrente da exclusão das receitas abaixo discriminadas e valoradas, as quais, segundo ela, teriam sido indevidamente incluídas na base de cálculo da Cofins. Rubrica R$ Comissões CDCI 11.370,29 Descontos obtidos 15.649,57 Juros recebidos 70.968,11 Receita Aplicação Financeira 5,62 Variação monetária ativa 1.169,35 Comissões de intermediação de financiamentos 29.004,44 Total 128.167,69 No entanto, para o anocalendário de 2001, não há previsão legal para exclusão da base de cálculo da Cofins das receitas acima relacionadas, sendo certo, portanto, que elas devem compor sua base de cálculo. (. . .)" Nas peças de defesa, a recorrente sustenta que são receitas financeiras, não componentes da base de cálculo da COFINS, nos termos do caput do art. 3° da Lei n° 9.718/98. A tributação de tais receitas pela COFINS foi afastada pelos tribunais superiores, notadamente pelo STF, em sede do RE 390.840/MG. E carreou cópias autenticadas do livro razão, em que figuram as contas contábeis apresentadas no quadro acima. A DRJ ratificou o posicionamento da unidade de origem, sob o argumento de que, de acordo com o art. 21 da Lei nº 12.844/13, as decisões do STF, em sede de repercussão geral, e do STJ, de recursos repetitivos, somente vinculam aquele órgão, após pronunciamento formal da PGFN. Examino a contenda. Conforme entendimento assentado, em sede de repercussão geral, pelo Supremo Tribunal Federal (Recurso Extraordinário nº 585.235), o conflagrado alargamento da base de cálculo promovido pela Lei 9.718/98 foi considerado inconstitucional. À luz do entendimento manifesto pela Suprema Corte, apenas o faturamento decorrente das atividades típicas da pessoa jurídica estão sujeitos à incidência da Cofins no sistema cumulativo de apuração da Contribuição. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10840.902858/201052 Resolução nº 3301000.941 S3C3T1 Fl. 157 5 E o §2º do artigo 62 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015 e alterações, determina que as matérias de Repercussão Geral sejam reproduzidas nos julgamentos dos recursos. Isto posto, resta apenas examinar a natureza das contas contábeis indicadas pelo contribuinte. O faturamento do mês foi declarado na DIPJ do anocalendário de 2002 entregue à RFB. Da leitura das cópias autenticadas dos razões contábeis, verificase que os históricos dos lançamentos se coadunam com os títulos das contas. E alguns valores selecionados aleatoriamente para averiguação conferem com os indicados na tabela acima. Contudo, isto é não suficiente para reconhecermos o direito creditório. De acordo com o § 1° do art. 9° do Decretolei n° 1.598/77 "§ 1º A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais." Em sua defesa, a recorrente alegou que as cópias dos razões das contas seriam suficientes para comprovar a natureza das contas contábeis, pois o SEORT (Serviço de Orientação e Análise Tributária) teria "considerado idôneas as receitas financeiras alocadas ao livro razão". Entretanto, não há evidência alguma desta afirmação. Ademais, apesar de não ter negado provimento à manifestação de inconformidade por este motivo, a insuficiência das provas apresentadas também foi destacada pela DRJ. A meu ver, há indícios fortes de que a recorrente é detentora de créditos da COFINS paga a maior, mas ainda há carência de informação. Assim sendo, em respeito ao Princípio da Verdade Material, e com o objetivo de assegurar o possível direito do contribuinte à compensação de tributos pagos a maior, porém salvaguardando os interesses da Fazenda Pública, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que o contribuinte seja intimado a apresentar à unidade de origem para validação: i) as vias originais de sua escrituração contábil; ii) a documentação suporte dos lançamentos contábeis das receitas financeiras indevidamente incluídas na base de cálculo da COFINS; iii) conciliação dos lançamentos contábeis com as bases de cálculo da COFINS, original e ajustada pela exclusão das receitas financeiras; e iv) demonstração do cálculo dos valor pago a maior, a partir da comparação entre o valor devido inicialmente apurado e o calculado após a exclusão das receitas financeiras. Deve ser elaborado relatório conclusivo e aberto prazo de trinta dias para manifestação das partes. Findo o prazo, os autos devem retornar conclusos para julgamento. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10840.902858/201052 Resolução nº 3301000.941 S3C3T1 Fl. 158 6 É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 158DF CARF MF
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