Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,275)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,598)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,091)
- Primeira Turma Ordinária (16,013)
- Primeira Turma Ordinária (15,954)
- Primeira Turma Ordinária (15,925)
- Segunda Turma Ordinária d (15,763)
- Segunda Turma Ordinária d (14,358)
- Primeira Turma Ordinária (12,992)
- Primeira Turma Ordinária (12,358)
- Segunda Turma Ordinária d (12,326)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,397)
- Quarta Câmara (84,499)
- Terceira Câmara (66,899)
- Segunda Câmara (55,190)
- Primeira Câmara (19,766)
- 3ª SEÇÃO (16,091)
- 2ª SEÇÃO (11,258)
- 1ª SEÇÃO (6,816)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (123,685)
- Segunda Seção de Julgamen (113,914)
- Primeira Seção de Julgame (76,113)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,956)
- Câmara Superior de Recurs (37,761)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,019)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,619)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,361)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,712)
- HELCIO LAFETA REIS (3,569)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,209)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,921)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,661)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,087)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,045)
- 2024 (25,916)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,470)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,442)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10680.935085/2009-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
NULIDADE. DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA.
Simples inexatidões materiais devido a lapsos manifestos não anulam a decisão recorrida, e só necessitam ser sanadas de ofício quando resultem em prejuízo para o sujeito passivo.
No caso, a simples utilização da data do pagamento indevido como data do fato gerador na ementa, e a indicação do crédito utilizado no lugar do pagamento indevido integral no início do relatório não trazem qualquer prejuízo à compreensão do acórdão, pois o restante do relatório e voto indica a data e os valores corretos.
ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação - Súmula CARF nº 84.
DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendo-se ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total.
Preliminares Rejeitadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1102-001.046
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à repetição de indébitos de estimativas, mas sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à unidade de origem para análise do mérito do pedido. Declarou-se impedido o conselheiro Marcelo Baeta Ippolito.
(assinado digitalmente)
___________________________________
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Marcelo Baeta Ippolito, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2005 NULIDADE. DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Simples inexatidões materiais devido a lapsos manifestos não anulam a decisão recorrida, e só necessitam ser sanadas de ofício quando resultem em prejuízo para o sujeito passivo. No caso, a simples utilização da data do pagamento indevido como data do fato gerador na ementa, e a indicação do crédito utilizado no lugar do pagamento indevido integral no início do relatório não trazem qualquer prejuízo à compreensão do acórdão, pois o restante do relatório e voto indica a data e os valores corretos. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação - Súmula CARF nº 84. DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendo-se ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10680.935085/2009-37
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5350546
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1102-001.046
nome_arquivo_s : Decisao_10680935085200937.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 10680935085200937_5350546.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à repetição de indébitos de estimativas, mas sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à unidade de origem para análise do mérito do pedido. Declarou-se impedido o conselheiro Marcelo Baeta Ippolito. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé - Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Marcelo Baeta Ippolito, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
id : 5466627
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046816199540736
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2376; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T2 Fl. 163 1 162 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.935085/200937 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1102001.046 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de março de 2014 Matéria CSLL Compensação de estimativas Recorrente CEMIG DISTRIBUIÇÃO S A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 NULIDADE. DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Simples inexatidões materiais devido a lapsos manifestos não anulam a decisão recorrida, e só necessitam ser sanadas de ofício quando resultem em prejuízo para o sujeito passivo. No caso, a simples utilização da data do pagamento indevido como data do fato gerador na ementa, e a indicação do crédito utilizado no lugar do pagamento indevido integral no início do relatório não trazem qualquer prejuízo à compreensão do acórdão, pois o restante do relatório e voto indica a data e os valores corretos. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação Súmula CARF nº 84. DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendose ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 50 85 /2 00 9- 37 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.935085/200937 Acórdão n.º 1102001.046 S1C1T2 Fl. 164 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à repetição de indébitos de estimativas, mas sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à unidade de origem para análise do mérito do pedido. Declarouse impedido o conselheiro Marcelo Baeta Ippolito. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Marcelo Baeta Ippolito, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório PEDIDO DE COMPENSAÇÃO O contribuinte acima identificado solicitou a compensação de débito de CSLL de junho de 2008 com crédito decorrente de pagamento indevido de estimativa de CSLL do mês de janeiro de 2005 no valor de R$ 6.156.594,58, por meio do PER/DCOMP de fls. 44 a 48, enviado em 4/8/2008. O despacho decisório eletrônico de fl. 31, emitido em 7/10/2009, não homologou a compensação alegando “improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período.” A decisão se fundamentou nos arts. 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 ( CTN), no art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 e no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.935085/200937 Acórdão n.º 1102001.046 S1C1T2 Fl. 165 3 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado dessa decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 2 a 10), acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância descreveu os argumentos do recurso da seguinte maneira (fls. 60 a 61): 5.1 A tempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade. 5.2 Informa que apurou a CSLLEstimativa Mensal no mês de janeiro/2005 no montante de R$ 7.143.120,00, informou o valor apurado em DCTF e efetuou o recolhimento da importância correspondente. 5.2.1 Acrescenta que, posteriormente, constatou erro na apuração do valor do CSLL (estimativa mensal) para o período, “apurando uma nova estimativa de CSLL no valor de R$986.525,42”, de modo que, “acabou por gerar o recolhimento indevido de parte do montante anteriormente recolhido no valor de R$6.156.594,58”.(grifo e negrito do original) 5.2.2 A DCTF originalmente apresentada foi retificada e os valores apurados como devidos estão em conformidade com as informações prestadas em DIPJ. O indébito apurado foi utilizado em compensações de débito declaradas em DCOMP. 5.3 A autoridade fiscal Não Homologou a compensação declarada, exigindo do contribuinte o principal, multa e juros referentes ao débito compensado. “Todavia, a Requerente demonstrará ser totalmente ilegal a cobrança do saldo devedor acima referido, pleiteando pela homologação das compensações declaradas e a anulação do despacho decisório (...)”. 5.4 Tendo em vista a motivação apresentada pela DRF argumenta que “o entendimento da autoridade fiscal destoa do entendimento do Conselho de Contribuintes sobre o assunto, não atendendo aos ditames da Lei nº 9.430, de 1996”. Invoca os arts. 2º e 74 da Lei nº 9.430, de 1996 para alegar que “não há qualquer impedimento legal à compensação pleiteada”. Afirma que a única restrição existente está prevista no art. 10 da IN SRF nº 600, de 2005. Ilustra com acórdãos e voto do Conselho de Contribuintes. 5.4.1 Argumenta que “a Requerente efetuou recolhimento antecipado de IRPJ e, em função de ter constatado erro na apuração da base de cálculo mensal, apurou antecipação superior à que seria efetivamente devida dentro do próprio mês.” Informa a retificação da DCTF, “tornando perfeitamente identificável o mês de geração do indébito tributário”. 5.4.2 Ressalta que a Instrução Normativa nº 900, de 2008, que revogou a IN SRF nº 600, de 2005 revogou “a hipótese de vedação à compensação dentro do próprio ano, o que demonstra uma mudança de entendimento dentro da própria RFB, em relação ao tema objeto da presente impugnação”. 5.5 Em outra linha argumentativa, o manifestante “requer que seja preservado o direito à restituição do indébito tributário, tendo em vista que a Declaração de Compensação e a presente impugnação, tempestivamente apresentada, são provas do cumprimento do prazo prescricional de 05 (cinco) anos previsto no art. 168 do CTN”. Destaca ainda que “na hipótese de o despacho decisório em epígrafe não for reformado, considerase resguardado o seu direito de contestação na esfera judicial em até dois anos contados da decisão administrativa que denegar a compensação, por força do art. 169 do Código Tributário Nacional”. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.935085/200937 Acórdão n.º 1102001.046 S1C1T2 Fl. 166 4 5.6 Por fim, requer o acolhimento da manifestação de inconformidade para reformar o Despacho Decisório prolatado pela DRF e a homologação da compensação, além da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, em acórdão que possui a seguinte ementa (fls. 58 a 72): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 28/02/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, passíveis de restituição ou ressarcimento, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. COMPENSAÇÃO PAGAMENTOS POR ESTIMATIVA As estimativas mensais, ainda que pagas em valor superior ao calculado na forma da lei não se caracterizam, de imediato, como tributo indevido ou a maior passível de restituição/compensação. A opção pelo pagamento mensal por estimativa difere para o ajuste anual a apuração do possível indébito, quando ocorre a efetiva apuração do imposto devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido Os fundamentos dessa decisão foram os seguintes: a) rejeitouse a preliminar de nulidade do despacho decisório por não se verificar hipótese prevista no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), pois a decisão foi prolatada por autoridade administrativa plenamente vinculada, respeitando os devidos procedimentos fiscais previstos na legislação e com a correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, e o contribuinte tomou ciência do procedimento, da sua motivação e da capitulação legal correspondente; b) as estimativas de IRPJ e de CSLL se constituem em meras antecipações de um tributo que somente será apurado no final do anocalendário. Assim sendo, qualquer pagamento a maior somente é detectado no encerramento do período, com a apuração definitiva do tributo e traduzse no saldo negativo de IRPJ ou CSLL; c) as estimativas são apuradas, regra geral, pela aplicação de determinado percentual (variável em função da origem da receita auferida) sobre a receita bruta, mas podem Fl. 166DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.935085/200937 Acórdão n.º 1102001.046 S1C1T2 Fl. 167 5 ser reduzidas ou suspensas com o levantamento de balanço/balancete de suspensão/redução. Contudo, essa apuração deve ser efetuada até a data de vencimento do imposto (arts. 11 a 12 da IN SRF nº 93, de 1997); d) no caso, na data do vencimento da estimativa mensal, o contribuinte em questão apurou uma quantia a pagar, sendo esse o valor devido. Se, ao alterar o Balanço/Balancete do mês, o sujeito passivo encontrou um valor menor que o já efetivamente recolhido, a diferença somente poderia ser deduzida do tributo apurado quando do levantamento de balanços/balancetes em períodos posteriores (como tributo já antecipado) ou quando da apuração definitiva do tributo devido, no final do período, compondo o saldo negativo (art. 10 da IN SRF nº 93, de 1997); e) nos termos do art. 170 do CTN, a compensação tributária somente pode ocorrer se expressamente autorizada por lei, e mediante condições e garantias expressamente estipuladas, na hipótese inequívoca de créditos líquidos e certos. O dispositivo legal que autoriza a compensação tributária reportase à Lei nº 9.430, de 1996, que só permite a restituição do saldo negativo de IRPJ ou de CSLL; f) a compensação de estimativas era expressamente proibida pelo art. 10 da IN SRF nº 460, de 2004, e pelo art. 10 da IN SRF nº 600, de 2005. A alteração do art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, ao excluir a expressão “efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal”, não revogou a proibição, que decorre da própria lei, mas apenas passou a cuidar da hipótese de retenção indevida ou a maior; g) a jurisprudência administrativa favorável à tese da defesa tem eficácia restrita aos casos para os quais foram proferidas; h) inexiste previsão legal para preservar o direito à restituição, caso o contribuinte não tenha sucesso na compensação pleiteada neste processo; i) o direito de contestação na esfera judicial é garantido pela Constituição Federal. RECURSO AO CARF Cientificado da decisão de primeira instância em 15/4/2010 (fl. 76), o contribuinte apresentou, em 12/5/2010, o recurso voluntário de fls. 78 a 91, onde afirma que: a) a decisão recorrida é nula porque (i) na sua ementa consta que o fato gerador é 28/02/2005, enquanto o próprio Fisco, no Despacho Decisório 848544480, reconhece que o período de apuração é 31/01/2005; e (ii) no Relatório do Acórdão, o Fisco fez constar que “tratase de Declaração de Compensação (DCOMP), mediante utilização de pretenso “Pagamento Indevido/a Maior” no valor de R$ 3.075.885,94”, ao invés de consignar o valor correto do pagamento indevido/a maior, no montante de R$ 6.156.594,58; b) descabida foi a rejeição de nulidade do acórdão recorrido, pois, na impugnação, não se pleiteou qualquer nulidade do despacho decisório; Fl. 167DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.935085/200937 Acórdão n.º 1102001.046 S1C1T2 Fl. 168 6 c) nos arts. 2° e 74 da Lei n° 9.430, de 1996, não há qualquer restrição à compensação de estimativas, que só existe no art. 10 da IN SRF nº 600, de 2005. Contudo, essa indevida restrição foi revogada pela Instrução Normativa n° 900, de 2008, que demonstra a mudança de entendimento da própria RFB com relação ao tema; d) não prospera o argumento da decisão recorrida de que o levantamento de balanço/balancete de suspensão/redução para apurar a CSLL deve ser efetuado até a data de vencimento do imposto, pois o contribuinte pode fazer os ajustes na sua apuração mesmo após o encerramento do exercício da CSLL, desde que dentro do prazo legal. No caso, verificou, após a entrega da sua DIPJ, que tinha deixado de fazer exclusões. Assim, verificado o erro posteriormente refez a apuração de IRPJ/CSLL mensal de janeiro de 2005 e retificou a DIPJ 2006 (anobase 2005). Nesse caso, o direito à restituição surge após constatado o erro; e) caso se mantenha a decisão de não homologar a compensação, alternativamente, requer que seja preservado o direito à restituição do indébito tributário, tendo em vista que a Declaração de Compensação e o presente recurso, tempestivamente apresentados, são provas do cumprimento do prazo prescricional de 5 (cinco) anos previsto no art. 168 do CTN; f) caso seu direito não seja reconhecido, considera resguardado seu direito de contestação na esfera judicial em até dois anos contados da decisão administrativa que denegar a compensação, por força do art. 169 do CTN. Ao final, requer a anulação da decisão recorrida ou o reconhecimento integral do direito creditório e a homologação da compensação. Este processo foi a mim distribuído no sorteio realizado em novembro de 2013, numerado digitalmente até a fl. 162. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. No presente processo, não foram homologadas compensações de débitos próprios com crédito decorrente de pagamento indevido de estimativa de CSLL do mês de janeiro de 2005, por não se admitir a restituição de estimativa, que só poderia compor o saldo negativo do final do anocalendário. Preliminarmente, o recorrente defende a nulidade da decisão recorrida porque (i) na sua ementa consta que o fato gerador é 28/2/2005, enquanto o correto é 31/1/2005; e (ii) Fl. 168DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.935085/200937 Acórdão n.º 1102001.046 S1C1T2 Fl. 169 7 no início do seu relatório, consta que o pagamento indevido/a maior é de R$ 3.075.885,94, quando o valor correto é R$ 6.156.594,58. De fato, na ementa da decisão recorrida, consta, como data do fato gerador, a data em que foi efetuado o pagamento indevido (28/2/2005 – DARF fl. 34), quando o correto seria 31/1/2005, por se tratar da estimativa de janeiro de 2005. Contudo, o restante da decisão descreve corretamente qual o crédito em discussão, tratandose de simples erro na confecção da ementa. Já a indicação, no início do relatório do acórdão de 1a instância, do valor de R$ 3.075.885,94 como pagamento indevido é facilmente compreendida com a simples observação do conteúdo da tabela constante do item 2 do relatório, que classifica esse valor como o crédito utilizado na compensação. Logo abaixo, nos itens 5.2 e 5.2.1, os valores do pagamento original e da parte recolhida a maior estão descritos. Assim, apesar das incorreções apontadas existirem, elas não trazem qualquer nulidade à decisão recorrida, tratandose de simples inexatidões materiais devido a lapsos manifestos que, se necessário, poderiam ser sanadas de ofício pela autoridade competente. Contudo, nem mesmo essa providência é necessária, pois o conjunto do julgado deixa claro qual é o período a qual se refere o direito creditório, bem como qual o seu valor, não existindo qualquer prejuízo para o sujeito passivo, nos termos do art. 60 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – Processo Administrativo Fiscal – PAF. Dessa forma, rejeito as preliminares de nulidade suscitadas. No mérito, a evolução da jurisprudência se firmou de modo favorável à tese da defesa, entendendo ser possível a restituição de estimativas pagas a maior, deixando vinculada à apuração do final do ano apenas a estimativa recolhida de acordo com a legislação de regência. Já a tese de que a vedação à restituição das estimativas decorria da própria Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não é nem mesmo admitida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, que, por meio da Solução de Consulta Interna nº 19 – Cosit, de 5 de dezembro de 2011, entendeu que art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, admitiu a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, e era preceito interpretativo da legislação, com efeitos retroativos. O item 10.3 da Solução de Consulta é taxativo ao afirmar que a Lei nº 9.430, de 1996, se refere apenas às estimativas recolhidas de acordo com a legislação. Transcrevo: 10.3 O contribuinte pode, por questões de praticidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas se preferir solicitar restituição ou compensar o indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário, poderá fazêlo, pois a Lei nº 9.430, de 1996, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, referese àquelas recolhidas em conformidade com o caput de seu art. 2º. Nesse último caso, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve deduzir apenas as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.935085/200937 Acórdão n.º 1102001.046 S1C1T2 Fl. 170 8 O mesmo ato normativo sepulta o argumento de que a constatação do erro no cálculo da estimativa somente poderia se dar até a data de vencimento do imposto, afirmando que isso pode ocorrer mesmo após o encerramento do ano calendário, como demonstra o trecho abaixo transcrito: 15. Como dito, somente as estimativas devidas na forma da Lei nº 9.430, de 1996, são necessariamente computadas como dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito a partir da data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual desses tributos. Assim, a simples alteração de interpretação da Administração Tributária já obrigaria o provimento do recurso, pois não é razoável entender que o sujeito passivo possa receber menos, em sede de recurso administrativo, do que aquilo que a própria autoridade fiscal já reconhece para os demais contribuintes, dado que as soluções de consulta da CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit) têm efeito vinculante no âmbito da RFB, sendo que o ordenamento veda esse comportamento contraditório (venire contra factum proprium). Contudo, desde a publicação da Súmula CARF nº 84, que fixou que o “pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”, esse entendimento passou a ser de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do art. 72 do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Dessa forma, reconhecese o direito à compensação de créditos de estimativas recolhidas indevidamente ou a maior. Contudo, há que se observar que não houve a apuração efetiva do direito creditório, pelo cotejo das afirmações do contribuinte com sua contabilidade, pois a autoridade fiscal negou o direito preliminarmente, pela simples impossibilidade de utilização de estimativa como crédito. Não se apurou se, de fato, houve recolhimento indevido da estimativa de janeiro de 2005, se o valor pago a maior não foi apropriado no resultado apurado no final do anocalendário, e se o indébito não foi indicado em outras compensações. Dessa forma, deve o processo retornar à unidade de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendose ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total. Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à repetição de indébitos de estimativas, mas sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à unidade de origem para análise do mérito do pedido. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 170DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.935085/200937 Acórdão n.º 1102001.046 S1C1T2 Fl. 171 9 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000935/2006-47
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
Ementa:
INCENTIVOS FISCAIS - FINAM - PROJETOS PRÓPRIOS - PERC
Consta nos autos a apresentação de certidão conjunta RFB/PGFN positiva com efeitos de negativa emitida em 23/8/06, e, novamente, na fase recursiva, foi juntada aos autos certidão conjunta RFB/PGFN positiva com efeitos de negativa, emitida em 25/6/09. Por óbvio que não se consegue extrair certidão negativa ou positiva com efeitos de negativa com data retroativa. Daí a ratio da redação da Súmula CARF nº 37, aplicável ao caso. Incentivos de opção ao Finam que são reconhecidos.
Numero da decisão: 1103-000.990
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Takata - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Geraldo Valentim Neto e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 Ementa: INCENTIVOS FISCAIS - FINAM - PROJETOS PRÓPRIOS - PERC Consta nos autos a apresentação de certidão conjunta RFB/PGFN positiva com efeitos de negativa emitida em 23/8/06, e, novamente, na fase recursiva, foi juntada aos autos certidão conjunta RFB/PGFN positiva com efeitos de negativa, emitida em 25/6/09. Por óbvio que não se consegue extrair certidão negativa ou positiva com efeitos de negativa com data retroativa. Daí a ratio da redação da Súmula CARF nº 37, aplicável ao caso. Incentivos de opção ao Finam que são reconhecidos.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 16327.000935/2006-47
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5352625
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1103-000.990
nome_arquivo_s : Decisao_16327000935200647.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARCOS SHIGUEO TAKATA
nome_arquivo_pdf_s : 16327000935200647_5352625.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva- Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Geraldo Valentim Neto e Aloysio José Percínio da Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
id : 5485420
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046816250920960
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1924; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 261 1 260 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.000935/200647 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1103000.990 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 11 de fevereiro de 2014 Matéria IRPJ Recorrente BANCO SAFRA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 Ementa: INCENTIVOS FISCAIS FINAM PROJETOS PRÓPRIOS PERC Consta nos autos a apresentação de certidão conjunta RFB/PGFN positiva com efeitos de negativa emitida em 23/8/06, e, novamente, na fase recursiva, foi juntada aos autos certidão conjunta RFB/PGFN positiva com efeitos de negativa, emitida em 25/6/09. Por óbvio que não se consegue extrair certidão negativa ou positiva com efeitos de negativa com data retroativa. Daí a ratio da redação da Súmula CARF nº 37, aplicável ao caso. Incentivos de opção ao Finam que são reconhecidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Geraldo Valentim Neto e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 09 35 /2 00 6- 47 Fl. 265DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/02/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000935/200647 Acórdão n.º 1103000.990 S1C1T3 Fl. 262 2 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/02/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000935/200647 Acórdão n.º 1103000.990 S1C1T3 Fl. 263 3 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase do indeferimento do pedido de revisão de ordem de emissão adicional de incentivos fiscais (Perc), protocolado pelo recorrente em 28/6/2006, em razão da aplicação em fundo de investimento do governo (FInam) sobre o imposto de renda apurado referente ao IRPJ/2003, ano base de 2002. O pedido foi indeferido, porque, por meio de uma análise feita em caráter preliminar, não sendo necessária a análise do mérito, chegouse a conclusão de que o recorrente está em situação irregular junto à Secretaria da Receita Federal/PGFN, o que, de acordo com a vedação do artigo 60 da Lei 9.069/95, faz com que a recorrente esteja impedida de apresentar a comprovação atualizada de quitação de tributos e contribuições federais. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Em 21/5/2007, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, fls. 197208 (eprocesso). Primeiramente, a recorrente alegou que os apontamentos presentes na “Informações de Apoio para Emissão de Certidão” emitida pela RFB, não estão corretos tendo em vista que a sua situação sempre esteve regularizada perante a Receita Federal do Brasil/PGFN, o que faz com que as inscrições presentes neste estejam com a sua exigibilidade suspensa. Acerca disso, anexou à presente manifestação de inconformidade cópia da certidão de regularidade fiscal, que esteve vigente até 8/5/07. Ainda, trouxe uma relação das supostas restrições apontadas e comentou cada uma delas, afirmando que estas não podem ser consideradas impeditivas à emissão do incentivo fiscal, de acordo com o que segue: a) Processo Administrativo n° 13808.000.589/9617: o crédito tributário em questão é objeto da ação anulatória n° 2003.61.00.0068885, na qual foi realizado o depósito judicial do valor integral deste, suspendendo sua exigibilidade, nos termos do artigo 151, II, do CTN. b) Processo Administrativo n° 10875.003.002/9631: o crédito tributário em questão é objeto do mandado de segurança nº 96.00377405, no qual foi deferida a liminar requerida, e posteriormente julgado procedente o pedido da recorrente. c) Processo Administrativo n° 16327.001.725/0091: o crédito tributário em questão é objeto da ação anulatória n° 2003.61.00.0340834, na qual foi realizado o depósito judicial do valor integral deste, sendo deferida a antecipação da tutela e suspendendo sua exigibilidade, nos termos do artigo 151, V, do CTN. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/02/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000935/200647 Acórdão n.º 1103000.990 S1C1T3 Fl. 264 4 d) Processo Administrativo n° 10611.001.193/200502: o crédito tributário em questão é objeto do mandado de segurança n° 2004.38.00.1050220, no qual foi realizado o depósito judicial do valor integral deste, suspendendo sua exigibilidade. Este processo foi lavrado para a prevenção da decadência. e) Processo Administrativo n° 10109.000.945/9990: o crédito tributário em questão está extinto devido à anulação deste processo, de acordo com o acórdão n° 30131.669. f) Processo Administrativo n° 16327.001.030/200511: o crédito tributário em questão está extinto devido ao provimento dado ao recuso interposto pelo contribuinte. g) Processo Administrativo n° 16327.000.973/200438: tendo o contribuinte apresentado recurso em 20/12/06, o processo está com a sua exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151, III, do CTN. h) Processo Administrativo n° 16327.200.001/200361: está suspensa a exigibilidade do crédito em discussão, pois houve o seu depósito administrativo, conforme extrato emitido pela CEF. i) Processo Administrativo n° 16327.000.269/200647: tendo o contribuinte apresentado recurso em 13/04/06, o processo está com a sua exigibilidade suspensa. j) Processo Administrativo n° 16327.000.663/200685: de acordo com o extrato emitido pela Receita Federal, o crédito tributário está com a sua exigibilidade suspensa por força de medida judicial. k) Processo Administrativo n° 13864.000.165/200667: tendo o contribuinte apresentado recurso em 19/10/06, o processo está com a sua exigibilidade suspensa. l) Processo Administrativo n° 16327.001.116/200617: tendo o contribuinte apresentado recurso em 17/04/07, o processo está com a sua exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151, III, do CTN. m) Processo Administrativo nº 16327.000.552/200164: o crédito tributário em questão é objeto da ação anulatória n° 2006.61.00.0000945, na qual foi realizado o depósito judicial do valor integral deste, suspendendo sua exigibilidade, nos termos do artigo 151, II, do CTN. Porém, após o depósito a ação foi julgada improcedente, mantendose suspensa a exigibilidade deste crédito. n) Processo Administrativo n° 10880.004.797/200280: a exigibilidade do crédito tributário em questão está suspensa, pois foi protocolada impugnação em 18/04/02, a qual comprova o pagamento do crédito em questão, mas esta ainda não foi julgada. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/02/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000935/200647 Acórdão n.º 1103000.990 S1C1T3 Fl. 265 5 o) Processo Administrativo n° 16327.000.165/200217: a exigibilidade do crédito tributário em questão está suspensa, pois foi protocolada impugnação em 03/01/02, a qual comprova o pagamento do crédito em questão, mas esta ainda não foi julgada. p) Processo Administrativo n° 10109.001.005/9908: o crédito tributário em questão é objeto do mandado de segurança n° 2001.61.00.0171663, no qual foi deferida a liminar e foi efetuado o depósito deste crédito, conforme extrato emitido pela CEF, que suspendeu sua exigibilidade, nos termos do artigo 151, II, do CTN. q) Processo Administrativo n° 10109.000.954/0096: o crédito tributário em questão é objeto do mandado de segurança n° 2002.61.00.0283123, no qual foi deferida a liminar e foi efetuado depósito judicial do valor integral deste, tendo a sua exigibilidade suspensa, conforme o extrato emitido pela CEF. r) Processo Administrativo n° 10880.020.522/9675: o crédito tributário em questão é objeto da ação anulatória n° 2004.61.00.0183988, na qual foi deferida a tutela antecipada, sendo efetuado o depósito judicial do valor integral deste, tendo a sua exigibilidade suspensa, conforme o extrato emitido pela CEF, nos termos do artigo 151, II, do CTN. s) Processo Administrativo n° 16327.500.321/0580: o crédito tributário em questão é objeto da execução fiscal n° 2005.61.82.0187081, na qual foi realizado o depósito judicial do valor integral deste, suspendendo sua exigibilidade, nos termos do artigo 151, II, do CTN. t) Processo Administrativo n° 16327.000.553/0117: o crédito tributário em questão é objeto da ação anulatória n° 2006.61.00.0000957, na qual foram realizados dois depósitos complementares aos realizados anteriormente na esfera administrativa, devido a interposição do recurso voluntário, suspendendo a exigibilidade deste crédito, nos termos do artigo 151, II, do CTN. u) Processo Administrativo n° 10880.579.413/0610: este processo não é impeditivo à obtenção do incentivo fiscal, tendo em vista que através da pesquisa de fls. 219/220, concluise que este não tem relação com o recorrente. Acrescentou que os apontamentos presentes no relatório de pendências, em relação ao CPMF e ao SIEF, também não podem prosperar de forma a impedir a emissão de crédito fiscal. Com relação ao CPMF, afirmou que este é objeto do Processo Administrativo n° 16327.001424/200642 e que este crédito está com a sua exigibilidade suspensa, devido ao fato do recorrente ter interposto recurso voluntário, nos termos do artigo 151, III, do CTN. Já, com relação ao SIEF, aduziu que os créditos impostos a recorrente estão quitados. Afirmou que, de acordo com o que foi mencionado acima, é possível concluir que houve a suspensão da exigibilidade ou a extinção de todos os débitos apontados, o que faz com que estes não retirem do recorrente o direito ao incentivo fiscal em questão. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/02/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000935/200647 Acórdão n.º 1103000.990 S1C1T3 Fl. 266 6 Neste sentido, alegou que o que o auditor fiscal fez foi destacar, de forma injustificada, todos os processos administrativos e judiciais existentes entre o requerente e os órgãos da União Federal, como obstáculos à obtenção do incentivo fiscal em questão. Aduziu que o permissivo para a aplicação do IRPJ devido em cotas de Fundo de Investimento, possui natureza de crédito tributário em favor do contribuinte investidor, o que faz com que o Estado figure como devedor da obrigação jurídica de dar, na modalidade de restituição. Deste modo, esta obrigação do Fisco gera um crédito tributário que, quando desatendido na emissão das cotas, perfaz um indébito tributário. Explicitou que, devido ao fato de a RFB/PGFN ter o conhecimento das ordens suspensivas da exigibilidade dos processos administrativos e, mesmo assim, colocálos em posição ativa para cobrança, é possível concluir que os seus procedimentos internos não estão de acordo com as informações das quais eles dispõem. Por fim, concluiu que a decisão recorrida está fundamentada em preceito legal não cabível à real situação do recorrente, tendo em vista que este não possui qualquer pendência perante à RFB, PGFN, INSS ou FGTS, estando, desta forma, apto a usufruir o incentivo fiscal em questão. Nestes termos, requer que a decisão recorrida seja reformada e que seja deferido o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos referente ao IRPJ/2003. DA DECISÃO DA DRJ Em 25/5/2009, acordaram os membros da 10ª Turma de Julgamento da DRJ/SPOI, por unanimidade de votos, indeferir a manifestação de vontade apresentada, conforme o entendimento que se segue. Primeiramente, a fim de demonstrar duas pendências referentes a débitos no sistema SIEF e a inscrições de divida ativa da União, colacionou quadros demonstrativos acerca dos processos administrativos não apontados como pendências fiscais e acerca das irregularidades ficais apontadas pelo relatório de fls. 133 a 185 (eprocesso). Com relação ao processo administrativo n° 10880.579.413/200610, afirmou que, diferentemente do que foi afirmado pelo recorrente, este possui relação com o processo em questão, tendo em vista que o recorrente possui a situação de “tipo de devedor” como fiador da empresa de CNPJ n° 53.966.834/000112. Afirmou que os processos administrativos n°s 10880.020.522/9675, 16327.500.321/200580, 16327.000.533/200117, 10880.579.413/200610, por terem inscrição na dívida ativa da União, são de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional. Acerca disso, diferenciou a competência deste órgão e da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e afirmou que, com relação á verificação da regularidade fiscal de contribuintes, o RFB e o PGFN realizam a análise em relação às pendências que são de sua competência. Com relação aos débitos de cobrança no sistema SIEF, constatou através de consultas no RFB, que os débitos de CPMF, relativos ao processo administrativo n° 16327.001.424/200642, estão com a exigibilidade suspensa, que o débito de CSLL no valor de Fl. 270DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/02/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000935/200647 Acórdão n.º 1103000.990 S1C1T3 Fl. 267 7 R$ 408.799,52 está compensado e, por fim, que o débito de IRRF no valor de R$ 79,71 foi transferido para outro processo administrativo, mas não consta que este foi quitado e, não tendo sido comprovado sua quitação pelo recorrente, este é considerado não pago. Aferiu que a recorrente mencionou em sua manifestação de inconformidade a cópia de certidão de regularidade fiscal, porém ela não foi juntada aos autos, fazendo com que fosse considerado improcedente o argumento relacionado à existência desta certidão. Além disso, esta não juntou os mandados de segurança n°s 2001.61.00.0171663 e 2002.61.00.0283123, mas o relator da Turma julgadora indicou que a exigência dos créditos tributários está suspensa nestes processos. Por fim, afirmou que o recorrente não demonstrou a sua situação de regularidade formal, o que fez com que a decisão recorrida não fosse alterada. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada com a decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, recurso voluntário de fls. 240 a 249 (eprocesso), reiterando o alegado em sede de manifestação de inconformidade. Primeiramente, afirmou que a decisão recorrida cometeu um equívoco ao alterar o foco e o sentido literal da eficácia das normas tributárias, e aduziu que esta contraria o artigo 60 da Lei n°9.069/95, tendo em vista que a recorrente possuía sua situação fiscal regularidade tanto no momento em que foi realizado o PERC, quanto no momento que foi proferida a decisão em 1ª instância. Em resposta à alegação do auditor fiscal no sentido de que os processos administrativos nºs 10880.020.522/9675, 16327.500321/0580, 16327.000553/0117 e 10880.579.413/200610, além do débito de IRRF no valor de R$79,71 em cobrança no SIEF, impedem que o recorrente obtenha incentivos fiscais, afirmou que os créditos referentes a estes estão extintos ou com as suas exigibilidades suspensas, não sendo assim impeditivos para a obtenção destes incentivos. Ainda, colacionou a relação das supostas restrições apontadas e comentou cada uma delas, da mesma forma que vez na sua manifestação de inconformidade, mas desta vez somente com relação aos processos e ao débito retro mencionado, reiterando que estes não podem ser considerados impeditivos à emissão do incentivo fiscal. Acrescentou que se não fosse comprovada a sua situação regular perante a Receita Federal do Brasil e a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, ela não conseguiria renovar a sua certidão de regularidade fiscal, válida até 19/12/09. Deste modo, juntou a cópia desta certidão. Alegou que a certidão positiva com efeitos de negativa, apresentada pela recorrente, possui data de validade posterior à prolação da decisão administrativa que indeferiu o pedido da recorrente, estando assim infundada a alegação da fiscalização no sentido de que este tinha situação irregular perante o Fisco na data de expedição do despacho decisório. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/02/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000935/200647 Acórdão n.º 1103000.990 S1C1T3 Fl. 268 8 Afirmou que é possível comprovar a sua situação regular perante o Fisco, através da apresentação da CND emitida conjuntamente pela PGFN e pela RFB, pois esta reconhece que o recorrente possui sua situação tributária regularizada, pois se não possuísse, esta não seria emitida. Ressaltou que o débito inscrito em dívida ativa só pode ser considerado impeditivo a concessão do Perc quando houver o julgamento final deste neste sentido, na esfera administrativa ou judicial. Além disso, afirmou que ao analisar o pedido em questão, devese levar em conta o momento em que este foi realizado e não momento posterior. Por fim, afirmou que não há nada que motive o indeferimento do Perc, requerendo assim, o provimento do presente recurso, a concessão do Perc, referente ao IRPJ do anocalendário de 2002 (DIPJ/2003), e a produção de provas em Direito admitidas. É o relatório. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/02/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000935/200647 Acórdão n.º 1103000.990 S1C1T3 Fl. 269 9 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade (fls. 238 e 239). Dele, pois, conheço. A numeração de fls. indicada neste voto é a do eprocesso. Como se viu do relatório, tratase de Perc decorrente de glosa de destinação da parcela de IRPJ (18% de seu valor sem o alíquota adicional) do anocalendário de 2002 aos incentivos fiscais regionais de Finam, dos chamados “projetos próprios” (art. 9º da Lei 8.167/91), em que pelo menos 70% das opções (ao Finam) são aplicados no empreendimento “próprio”, contra o recebimento de debêntures conversíveis em ações. Aliás, é a única modalidade de opção de incentivo regional (Finam, Finor, Funres) que permaneceu em vigor, a partir da MP 2.145/01 e da MP 2.153/01. O Perc fora formulado em 28/6/03, e consta nos autos a apresentação de certidão conjunta RFB/PGFN positiva com efeitos de negativa, emitida em 23/8/06 (fls. 138 e 139). Novamente, na fase recursiva, foi juntado aos autos certidão conjunta RFB/PGFN positiva com efeitos de negativa, emitida em 25/6/09 (fl. 258). Por óbvio que não se consegue extrair certidão negativa ou positiva com efeitos de negativa com data retroativa. Daí a ratio da redação da Súmula CARF nº 37, que, aliás, é súmula vinculante a toda à Administração Pública federal, conforme o art. 75 do Regimento Interno do CARF e o Anexo Único da Portaria MF 383/10: Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72 Nessa ordem de considerações e juízo, dou provimento ao recurso. É o meu voto. Sala das Sessões, em 11 de fevereiro de 2014 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 273DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/02/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000935/200647 Acórdão n.º 1103000.990 S1C1T3 Fl. 270 10 Fl. 274DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/02/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10840.901869/2009-81
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/03/2002
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
Estando claro na decisão de primeira instância os motivos do não reconhecimento do direito creditório pleiteado, não há que se falar em nulidade por cerceamento do direito de defesa.
COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE.
Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF.
COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO.
Caracterizado o recolhimento a maior da contribuição Cofins é cabível o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-003.236
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201404
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/03/2002 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Estando claro na decisão de primeira instância os motivos do não reconhecimento do direito creditório pleiteado, não há que se falar em nulidade por cerceamento do direito de defesa. COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO. Caracterizado o recolhimento a maior da contribuição Cofins é cabível o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10840.901869/2009-81
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5352417
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-003.236
nome_arquivo_s : Decisao_10840901869200981.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : FLAVIO DE CASTRO PONTES
nome_arquivo_pdf_s : 10840901869200981_5352417.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
id : 5483822
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046816280281088
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2059; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 10 1 9 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.901869/200981 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801003.236 – 1ª Turma Especial Sessão de 23 de abril de 2014 Matéria DCOMP ELETRÔNICA Recorrente VIRÁLCOOL AÇÚCAR E ÁLCOOL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2002 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Estando claro na decisão de primeira instância os motivos do não reconhecimento do direito creditório pleiteado, não há que se falar em nulidade por cerceamento do direito de defesa. COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO. Caracterizado o recolhimento a maior da contribuição Cofins é cabível o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 18 69 /2 00 9- 81 Fl. 599DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.901869/200981 Acórdão n.º 3801003.236 S3TE01 Fl. 11 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 600DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.901869/200981 Acórdão n.º 3801003.236 S3TE01 Fl. 12 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhida a maior no período de apuração de 31/03/2002. A DRF de Ribeirão Preto, SP, por meio de despacho decisório de fl. 4, não homologou a compensação declarada, porque o pagamento a maior ou indevido indicado no PER/Dcomp, foi integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DComp. A interessada ingressou com manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: I. A totalidade do crédito apurado pelo contribuinte e declarado como compensado via PER/DCOMP advém do indevido recolhimento da Cofins sobre receitas operacionais e financeiras, inseridas na base de cálculo desta contribuição. II. É do domínio público que o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 3°, §1°, da Lei n° 9.718/98 proclamando que a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal. III. Assim, uma vez afastado o dispositivo que ampliara a base de cálculo da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, temse por ilegítima a exação tributária decorrente de sua aplicação. Apresentou a cópia do balancete analítico para comprovar a alegação de recolhimento indevido sobre receitas operacionais e financeiras. Salientou que se a autoridade julgadora entender necessário a realização de perícia contábil os documentos contábeis da empresa estarão à disposição da fiscalização e pediu que seja homologada a compensação realizada e declarado extinto o crédito tributário efetivamente compensado. Solicitou ainda que Fl. 601DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.901869/200981 Acórdão n.º 3801003.236 S3TE01 Fl. 13 4 nas intimações e notificações conste o nome do advogado da empresa. A DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, fls. 56 e 57, nos termos da ementa abaixo transcrita: PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia somente se justifica quando o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador ou a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÕES DO STF PROFERIDAS INCIDENTALMENTE. A Lei n° 9.718, de 1998, constitui norma legal regularmente editada segundo o processo legislativo estabelecido, tem presunção de legitimidade e vige enquanto não for afastada do sistema jurídico brasileiro. Decisões do STF, acerca do alargamento da base de cálculo da Cofins, proferidas incidentalmente beneficiam apenas as partes das respectivas ações: não possuem efeito erga omnes. INTIMAÇÃO EM NOME DO ADVOGADO. Dada a existência de determinação legal expressa no sentido de que as intimações sejam endereçadas ao domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, fls. 60 a 81, instruído com os documentos de fls. 82 a 84. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade, acrescentando basicamente que: Preliminar: Da nulidade da decisão recorrida devido ao cerceamento do direito de defesa da recorrente produziu a seu favor forte provas materiais, aptas a comprovarem que o indébito tributário, alvo de pedido de compensação, via PER/DCOMP, foi oriundo da incidência e recolhimento indevidos da contribuição "COFINS" sobre receitas não operacionais/ financeiras, que jamais podem compor a base de cálculo da COFINS; a Autoridade Julgadora a quo indeferiu o pedido de perícia contábil, sob o ledo fundamento de que a sua produção, nestes autos não se justifica; e, a r. decisão de primeira instância administrativa é nula de pleno direito, em função do cerceamento ao direito de defesa da Recorrente; Fl. 602DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.901869/200981 Acórdão n.º 3801003.236 S3TE01 Fl. 14 5 a Recorrente produziu a seu favor forte indício de prova material, mediante a juntada de DARF, DCTF, DIPJ e extrato de seu balancete, todos aptos e necessários para comprovar a indevida incidência e recolhimento da COFINS sobre receitas não operacionais e financeira; que a prova pericial era indispensável na vertente demanda administrativa, uma vez que o contribuinte apresentou mais de 40 PER/DCOMP's, tornandose impraticável a juntada da cópia dos livros fiscais Razão e Diário em todos os procedimentos administrativos, ao passo que, em razão das alegações do contribuinte e das provas préconstituídas por este, já existiam indícios suficientes e necessários para que fosse demandada a perícia contábil ao Fisco, pelo Órgão Julgador Administrativo; a r. decisão administrativa de primeira instância é nula de pleno direito, por cerceamento ao direito de defesa da Recorrente, já que negou o pedido de perícia contábil expressamente formulado, e ainda, impôs que os documentos carreados não conferem prova suficiente do direito alegado. Da conversão do julgamento em diligência seja verificada a conformidade do crédito apurado pelo Contribuinte, ora Recorrente, nada justifica a não homologação dos créditos apropriados e compensados, sendo imperiosa a determinação, portanto, por essa Egrégia Turma Julgadora, a conversão do presente processo em diligência para o fim da verificação e confirmação da exatidão dos créditos da COFINS, quais a Recorrente efetivamente possui; a Recorrente reitera que todos os seus documentos contábeis estão à disposição, e requer a conversão do julgamento em diligência, para que seja produzida prova pericial pelo Fisco, no intuito de se perfilhar o correto cotejo dos livros fiscais Razão e Diário estabelecidos e regularmente preenchidos pela Recorrente, para o fim da verificação e confirmação da exatidão dos créditos da COFINS, indevidamente recolhidos pela Recorrente sobre a base de cálculo "receitas não operacionais e financeiras". Mérito a questão jurídica em torno da inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, teve sua repercussão geral reconhecida pelo plenário do STF, que em Sessão de 10.09.2008, ao julgar questão de ordem no RE 585.235/MG, reafirmou a inconstitucionalidade do susodido dispositivo legal, e ainda, aprovou proposta de edição de Súmula Vinculante sobre o tema, como se denota pelo excerto colacionado ao recurso; seguindo o paradigma proferido pelo STF, a jurisprudência do então designado Segundo Conselho de Contribuintes, ao enfocar os efeitos da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS pelo artigo 3º2 da Lei nº 9.718/98, é uníssona ao dispor que a decisão plenária definitiva do STF Fl. 603DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.901869/200981 Acórdão n.º 3801003.236 S3TE01 Fl. 15 6 deve ser estendida aos julgamentos efetuados pelo Conselho, de modo a excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins as receitas financeiras; ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é facultado declarar a inconstitucionalidade de lei regularmente editada, entretanto, não constitui declaração de inconstitucionalidade a extensão dos efeitos de decisão do plenário do excelso STF, por corresponder à ultima decisão que a matéria pode obter em qualquer instância; prosseguimento desta demanda administrativa, por anos a fio, pela simples resistência da autoridade julgadora administrativa em reconhecer o entendimento uníssono do STF sobre a questão atinente à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da COFINS, conferida pelo § 1º, do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, efetivamente, macula os princípios norteadores da atividade administrativa, dentre os quais merecem destaque os princípios da legalidade, finalidade, economia, moralidade, eficiência e razoabilidade. Por fim requereu: preliminarmente, que fosse declarada a nulidade da r. decisão administrativa de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa e a conversão do julgamento em diligência; no mérito, que fosse julgado procedente seu recurso; que fosse intimada do julgamento para apresentar sustentação oral perante este Egrégio Tribunal. Em face do bom direito da recorrente, o processo, em julgamento unânime, foi convertido em diligência para a apuração da correta composição da base de cálculo da contribuição com base na escrituração fiscal e contábil, segundo o conceito de faturamento adotado na Lei Complementar nº 70, de 1991, qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Outrossim, solicitou se que fosse informado se a recorrente havia proposto ação judicial com o mesmo objeto deste processo administrativo fiscal. A DRF de origem atendeu o solicitado na Resolução e informou que: a) não foi encontrada qualquer ação judicial da contribuinte relacionada a indébito da Cofins relativo ao período de apuração em pauta; b) com base na cópia dos Livros Diário e Razão Analítico, a Cofins devida não foi suficientemente recolhida, restando saldo devedor. Dessa forma, não houve pagamento a maior, não havendo crédito de Cofins passível de compensação no período. A contribuinte foi devidamente cientificada do teor da diligência, tendo se manifestado no prazo que lhe foi concedido. Fl. 604DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.901869/200981 Acórdão n.º 3801003.236 S3TE01 Fl. 16 7 Discordando dos cálculos da autoridade fiscal a recorrente sustenta que na apuração levada a efeito pela Autoridade Administrativa da Receita Federal não foi excluída da base de cálculo o valor do IPI, referente à comercialização do açúcar, conforme autoriza o § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/1998. Apresenta novo demonstrativo da base de cálculo e documentos fiscais e contábeis. Assim, os autos administrativos retornaram a esse colegiado para julgamento. É o relatório. Fl. 605DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.901869/200981 Acórdão n.º 3801003.236 S3TE01 Fl. 17 8 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomo conhecimento. A interessada, preliminarmente, sustenta a nulidade da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento por cerceamento ao direito de defesa em face de que negou o pedido de perícia contábil expressamente formulado, e impôs que os documentos carreados não conferem prova suficiente do direito alegado. Não merece prosperar essa tese. Ao contrário do alegado, o colegiado de primeira instância discutiu todas as teses necessárias e suficientes para a solução da lide administrativa, inclusive apresentou suas razões pelas quais a produção de prova pericial era desnecessária. Ademais, os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas. Nessa esteira, o julgador não tem a obrigação de rebater, um a um, todos os argumentos apresentados pela interessada na manifestação de inconformidade. Não se pode perder de vista que a decisão recorrida apreciou todas as questões relevantes necessárias a solução do litígio, em especial o seu entendimento acerca da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição em referência. Além disso, no âmbito do processo administrativo fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." No caso vertente, nenhum dos pressupostos acima encontrase presente, uma vez que não ficou evidenciada a preterição do direito de defesa, tendo em vista que a decisão recorrida motivadamente demonstrou de forma clara e concreta as razões de julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Por tais razões não há que se falar em nulidade da decisão guerreada por cerceamento de direito de defesa. Em relação ao mérito, assiste razão à recorrente. Como fundamentado na Resolução, a Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições Fl. 606DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.901869/200981 Acórdão n.º 3801003.236 S3TE01 Fl. 18 9 PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como "receita bruta" da pessoa jurídica, e esta seria “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Ocorre, todavia, que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e a Cofins, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Em outra oportunidade, a Excelsa Corte (STF), por unanimidade, ao apreciar o recurso extraordinário nº 585235, DJ nº 227 do dia 28/11/2008, reconheceu a existência de repercussão geral e reafirmou a jurisprudência no sentido da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, conforme decisão transcrita abaixo: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. (....)(grifouse) O acórdão proferido no referido recurso extraordinário, DJ 28112008, teve a seguinte ementa: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei Fl. 607DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.901869/200981 Acórdão n.º 3801003.236 S3TE01 Fl. 19 10 nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Outrossim, o Decreto nº 70.235/72, que rege o processo fiscal, estabelece: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade* (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:* I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;* (...)” *Nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 Destarte, são inúteis e desnecessárias eventuais discussões de outras teses sobre o conceito de faturamento. As autoridades administrativas têm que se submeter ao entendimento do Supremo Tribunal Federal e, de fato, atribuir eficácia em relação ao mérito. Neste sentido, alterouse o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010. O artigo 62A dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemárica da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {*} (...) {*} alteraçãos introduzida pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010 ( grifouse) Além do mais, em consonância com o entendimento da Excelsa Corte, a Lei nº 11.941/09 revogou expressamente o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Convém ressaltar que o direito à repetição de indébito está previsto no artigo 165 do Código Tributário Nacional – CTN, verbis Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja Fl. 608DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.901869/200981 Acórdão n.º 3801003.236 S3TE01 Fl. 20 11 qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; (...) Quanto ao direito à restituição do indébito, Luciano Amaro em Direito Tributário Brasileiro, 11ª ed. – São Paulo: Saraiva, 2005, p. 420, esclarece: O direito à restituição do indébito encontra fundamento no princípio que veda o locupletamento sem causa, à semelhança do que ocorre no direito privado. Registrese, por oportuno, que não há óbice legal para a retificação da DCTF após a emissão do despacho decisório, pois o importante é aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito, de acordo com o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional). No caso em discussão, o direito creditório se apresentou líquido e certo nos termos da diligência fiscal e nos documentos fiscais e contábeis, salientandose que é procedente a alegação da recorrente em relação à exclusão do IPI da base de cálculo da contribuição. De sorte que na base de cálculo da autoridade fiscal devese excluir o valor de R$ 96.252,04 correspondente ao IPI sobre vendas, segundo o Balancete Analítico. Assim sendo, pelos documentos comprobatórios colacionados aos autos, e em especial a diligência fiscal realizada pela Delegacia de origem, constatase que em relação ao período de apuração em discussão, o contribuinte tem um crédito de pagamento a maior da contribuição no valor do crédito original de R$ 1.266,16, conforme demonstrativo abaixo: Valor pleiteado 1.266,16 Base de cálculo DIPJ 9.127.758,04 Base de cálculo DILIGÊNCIA 9.181.804,69 IPI sobre vendas 96.252,04 Base de cálculo a maior 42.205,39 Valor do Crédito Original – 3% 1.266,16 Em remate, ficou caracterizado o direito creditório pleiteado vinculado à compensação efetuada. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário e reconhecer o direito creditório pleiteado (atualizável pela taxa Selic) relativo a pagamento indevido e homologar a compensação. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 609DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.901869/200981 Acórdão n.º 3801003.236 S3TE01 Fl. 21 12 Fl. 610DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 11065.101425/2008-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2006
CUSTEIO - PEDIDO DE RESTITUIÇÃO - VALE REFEIÇÃO - CESTAS BÁSICAS - ATO DECLARATÓRIO 03/2011 - PGFN
Acredito que o pedido ora sob enfoque, enquadra-se na exclusão prevista no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 03/2011, posto que a alimentação mencionada no dito Parecer se coaduna com a fornecida in natura, ou seja, sob a forma de utilidades.
Assim, se o entendimento do referido parecer determina a improcedência dos AI lavrados sob as mesma rubrica, deve-se, por conseguinte, determinar a procedência do pedido de restituição sobre a mesma base.
PRESCRIÇÃO - PEDIDO POSTERIOR A LC 118/2005 - 5 ANOS DO PAGAMENTO INDEVIDO
Até o advento da LC 118/2005, a prescrição aplicável seria 5 + 5, e para os pedidos realizados após a edição da referida lei, dever-se-á aplicar a regra contida no art. 3 da referida lei, tendo em vista que decisão do próprio STF no RE 566621.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.484
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) considerar prescritos os pedidos de restituição referentes a pagamentos efetuados até 27/11/2003; e II) no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à restituição dos valores não prescritos. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201404
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2006 CUSTEIO - PEDIDO DE RESTITUIÇÃO - VALE REFEIÇÃO - CESTAS BÁSICAS - ATO DECLARATÓRIO 03/2011 - PGFN Acredito que o pedido ora sob enfoque, enquadra-se na exclusão prevista no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 03/2011, posto que a alimentação mencionada no dito Parecer se coaduna com a fornecida in natura, ou seja, sob a forma de utilidades. Assim, se o entendimento do referido parecer determina a improcedência dos AI lavrados sob as mesma rubrica, deve-se, por conseguinte, determinar a procedência do pedido de restituição sobre a mesma base. PRESCRIÇÃO - PEDIDO POSTERIOR A LC 118/2005 - 5 ANOS DO PAGAMENTO INDEVIDO Até o advento da LC 118/2005, a prescrição aplicável seria 5 + 5, e para os pedidos realizados após a edição da referida lei, dever-se-á aplicar a regra contida no art. 3 da referida lei, tendo em vista que decisão do próprio STF no RE 566621. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11065.101425/2008-62
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5365992
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2401-003.484
nome_arquivo_s : Decisao_11065101425200862.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 11065101425200862_5365992.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) considerar prescritos os pedidos de restituição referentes a pagamentos efetuados até 27/11/2003; e II) no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à restituição dos valores não prescritos. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
id : 5555798
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046816300204032
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2035; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.101425/200862 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.484 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de abril de 2014 Matéria PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, ALIMENTAÇÃO IN NATURA Recorrente POSTO BOM JARDIM COMÉRCIO DE COMBUSTÍVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2006 CUSTEIO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO VALE REFEIÇÃO CESTAS BÁSICAS ATO DECLARATÓRIO 03/2011 PGFN Acredito que o pedido ora sob enfoque, enquadrase na exclusão prevista no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 03/2011, posto que a alimentação mencionada no dito Parecer se coaduna com a fornecida “in natura”, ou seja, sob a forma de utilidades. Assim, se o entendimento do referido parecer determina a improcedência dos AI lavrados sob as mesma rubrica, devese, por conseguinte, determinar a procedência do pedido de restituição sobre a mesma base. PRESCRIÇÃO PEDIDO POSTERIOR A LC 118/2005 5 ANOS DO PAGAMENTO INDEVIDO Até o advento da LC 118/2005, a prescrição aplicável seria 5 + 5, e para os pedidos realizados após a edição da referida lei, deverseá aplicar a regra contida no art. 3 da referida lei, tendo em vista que decisão do próprio STF no RE 566621. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 14 25 /2 00 8- 62 Fl. 422DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) considerar prescritos os pedidos de restituição referentes a pagamentos efetuados até 27/11/2003; e II) no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à restituição dos valores não prescritos. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.101425/200862 Acórdão n.º 2401003.484 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de pedido de restituição relativo às competências 07/2003 a 07/2006, por entender o recorrente indevidos os recolhimentos efetuados sobre “verba de cesta básica”. Conforme consta do pedido, argumenta a Requerente que os valores foram recolhidos indevidamente, em razão do dissídio coletivo da categoria estabelecer, no parágrafo terceiro da cláusula 12ª, que o fornecimento de cesta básica, por quaisquer das formas referidas no dissídio, não terão natureza salarial. O referido pedido foi objeto de Despacho Decisório DRF/NHO/SEORT, que indeferiu a pretensão da empresa, com fundamento no artigo 28, inciso I, parágrafo 9º, alínea “c”, da Lei nº 8.212/91, segundo o qual não integra o salário de contribuição do empregado, exclusivamente, a parcela in natura recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O Despacho Decisório também refere que as convenções particulares relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos não podem ser opostas à Fazenda Pública, nos termos do artigo 123 do Código Tributário Nacional – CTN. Importante, destacar que o pedido em questão foi formulado em 28 /11/2008, referente as competências 07/2003 a 07/2006. Não conformado com o indeferimento a empresa apresentou manifestação de inconformidade, onde alega que a cesta básica não é fornecida em espécie e que a inclusão do seu valor no demonstrativo de pagamento (contra cheque) ocorreu para simples demonstração aos “funcionários”. Afirma que as notas fiscais de compra dos produtos das cestas básicas, em anexo, comprovam que não há pagamento em espécie. Foi exarada decisão determinando a improcedência da manifestação de inconformidade, fl. 338 a 340, destacando que a Lei nº 8.212/91 condiciona esta isenção não somente ao fornecimento da alimentação “in natura”, mas também que esta parcela seja recebida pelo empregado de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Nesse contexto importa observar que a manifestação de inconformidade silencia quanto à adesão/inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador –PAT, condição essencial para que a parcela in natura recebida pelo empregado deixe de integrar o conceito de remuneração. Vejamos a ementa da decisão proferida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2006 SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. SALÁRIO IN NATURA. CESTA BÁSICA. INSCRIÇÃO NO PAT. A parcela “in natura” recebida sem que a empresa tenha efetivado sua adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador PAT integra o saláriodecontribuição. RESTITUIÇÃO. INDEFERIMENTO. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Compete à autoridade administrativa julgadora de primeira instância indeferir a solicitação formulada na manifestação de inconformidade do requerente, quando não demonstrada de forma inquestionável a existência do direito creditório pleiteado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 1. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela requerente, conforme fls. 344 e 345, onde argumenta o recorrente.que não apenas fornecia a alimentação in natura (cestas básicas), conforme notas fiscais, como também encontravase devidamente inscrita no PAT. O engano ocorreu quando a empresa incluiu indevidamente na FOPAG o valor das cestas básicas forncidas. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.101425/200862 Acórdão n.º 2401003.484 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 342. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO QUANTO AOS SALÁRIOS INDIRETO Quanto a procedência do pedido de restituição, temos que ter em mente o cumprimento por parte do recorrente dos requisitos para que o fornecimento de alimentação esteja excluído do conceito de salário de contribuição. Para tanto, convém identificar não apenas o conceito do salário de contribuição, bem como a possibilidade de exclusão da verba ora objeto do pedido da base de cálculo das contribuições previdenciárias. DA DEFINIÇÃO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) grifo nosso. A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial. Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Fl. 426DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; Assim, entendeu a autoridade julgadora pelo indeferimento do pedido, primeiro por ter sido o mesmo pago em espécie, e quando da apreciação da manifestação de inconformidade, pelo fato de mesmo se comprovado o pagamento “in natura”, não demonstrou a empresa cumpridora dos requisitos do PAT, já que não apresentou o respectivo termo de adesão. Contudo, entendo que assiste raão ao recorrente quanto a serem indevidos os recolhimento por ele realizados sobre a verba “cestas básicas”. As notas fiscais acostadas aos autos demonstram que o fornecimento em questão foi feito na forma de fornecimento de alimentos (ou seja, “in natura”), o que afasta o argumento quanto ao indeferimento por arte da DRFB. Já quanto ao julgamento da manifestação de inconformidade, procedeu àquela autoridade ao julgamento, considerando que o recorrente não promova a adesão ao PAT. Embora, deva o recorrente, quando do indeferimento de seus pedidos, fundamentar o processo com todos os elementos de provas, capazes de atestar a pertinência de suas alegações, entendo que o foco do recorrente, quando da impugnação, foi a comprovação de que tratavase de fornecimento “in natura’. Notese que a unidade da DRFB não pautou o indeferimento da inexistência de adesão. Tal fato, foi trazido pelo julgador, ao superar a questão quanto ao tipo de alimentação fornecida. Não houve diligência para solicitar ao recorrente o cumprimento da inscrição, tendo o julgador baseado o indeferimento com as informações constantes nos autos e na manifestação de inconformidade. Não errou aquela autoridade em destacar que as convenções coletivas são incapazes de afastar a natureza salarial de uma verba, se a legislação previdência não a exclui da base de cálculo. Contudo, outro ambas as fundamentações para o indeferimento do pedido, restam superadas agora na esfera recursal, considerando não apenas os documentos pertinentes a entrega de alimentos (na forma de cestas), como a cópia do termo de adesão. Todavia, ainda temos que nos debruçar sobre outro fato, para determinar a procedência da restituição. Quando do fornecimento da alimentação, já se encontrava a empresa inscrita no PAT (competências 07/2003 a 07/2006)? Acredito que a resposta seja NÃO. Podemos identificar no documento à fl. 346 que a inscrição ocorreu em 08/05/2008, ou seja, antes do pedido de restituição, mas em período posterior ao suposto recolhimento indevido. Entendo que dito fato importaria o indeferimento do pedido de restituição, não fosse os recentes entendimentos jurisprudenciais. Acredito que o pedido ora sob enfoque, enquadrase na exclusão prevista no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 03/2011, posto que a alimentação mencionada no dito Parecer se coaduna com a fornecida “in natura”, ou seja, sob a forma de utilidades. Transcrevo abaixo, o referido parecer para esclarecimentos da sua aplicabilidade. ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso Fl. 427DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.101425/200862 Acórdão n.º 2401003.484 S2C4T1 Fl. 5 7 II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação não há incidência de contribuição previdenciária. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Brasília, 20 de dezembro de 2011. ADRIANA QUEIROZ DE CARVALHO ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional Neste ponto, entenda que se em relação as NFLD e AI de obrigações principais, o referido ato declaratório enseja o entendimento de improcedência dos lançamento, o mesmo entendimento deva ser dado ao pedido de restituição, indeferido exclusivamente pela não inscrição da empresa no PAT, mas onde encontrase provado o fornecimento “in natura”. Assim, entendo deva ser deferido o direito do contribuinte a restituição dos valores recolhidos face o fornecimento de cestas básicas. DA PRESCRIÇÃO Embora o assunto prescrição constitua matéria preliminar ao mérito, deixei para manifestarme apenas com a constatação de procedência do pedido de restituição. Contudo, para efeitos de determinar a prescrição do direito a restituirse ou compensar contribuições tidas por indevidas devemos considerar em que momento ocorreu o pedido de restituição de acordo com o entendimento descrito no art. 3 da LC n.118/2005. Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Assim, até o advento da LC 118/2005, a prescrição aplicável seria 5 + 5, e para os pedidos realizados após a edição da referida lei, deverseá aplicar a regra contida no art. 3 da referida lei, tendo em vista que decisão do próprio STF no RE 566621, manteve o entendimento que entendeu ser de 10 anos o prazo para pleitear a restituição, cuidandose de tributo sujeito a lançamento por homologação. Não caberia assim, aplicação retroativa do art. 3 da LC 118/2005. A modificação do texto do Código Tributário Nacional, introduzida pela LC 118/2005 ocorreu no caso do inciso I do art. 168 que trata do direito de pleitear a restituição do Fl. 428DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 tributo pago indevidamente. Com a referida alteração consubstanciada no art. 3º da LC 118/2005, o momento de extinção do crédito tributário sujeito a lançamento por homologação (quando iniciava a contagem da prescrição), não será mais aquele determinado pelo artigo 150, § 4º,(cinco anos após o fato gerador), mas sim o momento em que foi efetuado o pagamento do tributo considerado indevido (o que apreciase mês a mês). Com esta nova regra o prazo para reclamar a restituição do pagamento indevido de tributo diminuiu de dez (tese dos 5 + 5) para cinco anos, a partir da vigência da LC 118/2005. O ponto relevante da questão, apreciado tanto pelo STJ quanto pelo STF, é, portanto, o início da vigência da alteração promovida pela LC. Assim, o STF firmou entendimento beneficiando os contribuintes que ajuizaram ações, ou pleitearam restituições, ou efetivaram compensações antes de 09/06/2005 (data da entrada em vigor da lei complementar), com a permanência do entendimento do conhecido 5 + 5 e, para quem ajuizou ações, ou realizou pedidos a partir de 09/06/2005, o direito retroagem apenas 5 anos da data do pagamento indevido. Como o contribuinte realizou o pedido de restituição em 28/11/2008, essa deverá ser a data para determinar a tese adotada para compensação, ou seja, 5 anos do pagamento indevido. Isto posto, encontrase prescrito direito do recorrente para os os pedidos de restituição referentes a pagamentos efetuados até 27/11/2003. Face o exposto e tudo mais que consta dos autos. CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do recurso, e no mérito DAR PROVIMENTO PARCIAL para determinar a procedência da restituição considerando, no entanto, encontrarse prescrito o direito do recorrente para os pedidos de restituição referentes a pagamentos efetuados até 27/11/2003. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720770/2009-99
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2802-000.052
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201207
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
numero_processo_s : 10580.720770/2009-99
conteudo_id_s : 5353904
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 07 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2802-000.052
nome_arquivo_s : Decisao_10580720770200999.pdf
nome_relator_s : CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
nome_arquivo_pdf_s : 10580720770200999_5353904.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
id : 5492197
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046816352632832
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1680; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 138 1 137 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.720770/200999 Recurso nº 908.431 Resolução nº 2802000.052 – 2ª Turma Especial Data 10 de julho de 2012 Assunto Sobrestamento de julgamento – Tributação de rendimentos recebidos acumuladamente Recorrente NELSON SANTANA DO AMARAL Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 27/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros. Em proveito ao valioso trabalho consubstanciado às fls. 87 e seguintes dos autos, perfeitamente elaborado pela Douta Delegacia da Receita Federal, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais valese da respectiva transcrição do relatório apresentado naquela oportunidade, a saber: Fl. 138DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.720770/200999 Resolução n.º 2802000.052 S2TE02 Fl. 139 2 “ Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 148.866,62, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto deinfração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; e) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; Fl. 139DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.720770/200999 Resolução n.º 2802000.052 S2TE02 Fl. 140 3 f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boa fé seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV; h) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boa fé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo Advogado Geral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB. Foi determinada diligência fiscal para que o órgão de origem adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal ao Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que, em razão de jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça, concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visassem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, deveriam ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global.” Ato contínuo, em sessão de 16/02/2011, a 3ª Turma da DRJ/SDR, no Acórdão 1526.182, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, fundamentando que: (a)as diferenças reconhecidas através da Lei n.º 8.730/2003, tinham, em sua origem, natureza eminentemente salarial, por se incorporarem à remuneração dos Magistrados do Estado da Bahia, inclusive ressaltando a espontaneidade do contribuinte, que reconheceu a ocorrência do fato gerador do tributo; (b)o recebimento extemporâneo de referidas diferenças não altera a sua natureza, mesmo nos casos em que o beneficiário tenha sido obrigado a recorrer ao judiciário, e que o acordo tenha sido implementado mediante lei complementar; (c)independe a natureza do tributo conferida pelo Artigo 5º da Lei 8.730/2003, uma vez que prevalece a lei federal que regulamenta o imposto de renda; (d)a incidência do imposto independe da denominação do rendimento, sendo que as indenizações não desfrutam de isenção indistintamente, nos termos do Artigo 150, § 6º, CF/88; Fl. 140DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.720770/200999 Resolução n.º 2802000.052 S2TE02 Fl. 141 4 (e)o Artigo 55, inciso XIV, do RIR/99, determina que as indenizações estão sujeitas à tributação; (f)a Resolução nº 245, de 2002, do STF, não pode ser aplicada aos Magistrados da Bahia, pois que não se pode conferir isenção sem lei específica e nem por analogia, nos termos do inciso II, do Artigo 111, do CTN, sendo inextensível o âmbito de aplicação de tal Resolução, não havendo em que se falar em isonomia; (g)é de competência exclusiva da União a exigência do tributo e o lançamento fiscal em comento; (h)é cabível a aplicação da multa de ofício em percentual de 75%, uma vez que esta é fixada independentemente da boafé do impugnante, com fulcro no Artigo 136 do CTN, diferentemente da sanção prevista no inciso II, do Artigo 44, da Lei n.º 9.430/1996; e (i)os pareceres, notas e demais consultas realizadas para verificação de multa ou de outro consectário não vinculam a Autoridade Fiscal, tendo mero caráter informativo ou restritivo, seja pela inobservância de requisitos formais ou pelo não atendimento do Artigo 100 do CTN. Regularmente intimado (fl. 93), o Contribuinte, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário (fls. 96/134), repisando os argumentos contidos na Impugnação e requerendo a reforma do Acórdão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal para julgar nulo o auto de infração, alegando (i) inexistência de conduta hábil à aplicação de multa; (ii) efeito vinculante da consulta efetuada; (iii) nulidade do lançamento por forma inadequada de apuração da base de cálculo; (iv) não incidência de IR sobre juros moratórios; (v) a URV tem natureza indenizatória; (vi) ilegitimidade da União; e (vii) violação ao Princípio da Isonomia Tributária. É o relatório. Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. Preliminarmente, observo que a hipótese do lançamento de ofício de Imposto de Renda Pessoa Física contempla rendimentos recebidos de forma acumulada, matéria que se encontra pendente de julgamento ao qual se atribuiu repercussão geral, conforme decisão nos autos do Recurso Extraordinário número 614232, cuja ementa segue abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados se por regime de caixa ou de competência vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para Fl. 141DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.720770/200999 Resolução n.º 2802000.052 S2TE02 Fl. 142 5 justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC. Voto no sentido de sobrestar o julgamento até decisão do pretório Excelso sobre o tema. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Fl. 142DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10183.720113/2008-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
INCONSTITUCIONALIDADE. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária.
VENDAS A PESSOA FÍSICA COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. ISENÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não há previsão legal para isenção da Cofins da receita de venda realizada para pessoa física com o fim específico de exportação.
RATEIO PROPORCIONAL. COMERCIAL EXPORTADORA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EXCLUSÃO.
Por expressa determinação legal, é vedado apurar e utilizar créditos vinculados a receita de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação.
CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO.
Por expressa previsão legal, a partir de agosto de 2004, o crédito presumido da não pode ser objeto de ressarcimento em dinheiro e nem utilizado para compensar outros débitos do contribuinte.
CRÉDITOS. DESPESAS. VINCULO COM A RECEITA DE EXPORTAÇÃO. CONDIÇÃO.
As despesas com direito ao crédito do PIS e vinculadas à receita de exportação são as únicas que integram o cálculo do rateio proporcional para estabelecer o valor do crédito ressarcir em dinheiro.
DESPESAS COM MERCADORIAS ADQUIRIDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
É vedado ao exportador de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação creditar-se de PIS em relação às despesas vinculadas a esta operação.
CRÉDITO PRESUMIDO. ESTABELECIMENTOS COMERCIAIS. CEREALISTAS. IMPOSSIBILIDADE.
O direito à apuração e ao aproveitamento de crédito presumido nas aquisições de pessoas físicas alcança exclusivamente os estabelecimentos industrias, não havendo previsão para os estabelecimentos comerciais da mesma empresa, inclusive cerealistas que classificam, limpam, secam e armazenam grãos.
RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. JUROS SELIC. VEDAÇÃO LEGAL.
Por expressa determinação legal, é vedado a atualização monetária e a incidência de juros Selic no ressarcimento da Cofins não cumulativa.
APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. CRÉDITO NOVO.
Tendo a RFB utilizado, para cálculo do valor a ressarcir, o valor da despesa de frete informado no pedido de ressarcimento, excluindo os valores glosados, novos valores de despesa de frete não podem se incluídos em sede de manifestação de inconformidade ou de recurso voluntário, por tratar-se de pedido novo, não apreciado pela RFB.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-002.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas, que davam provimento também quanto ao item 3 do voto condutor do acórdão, e o conselheiro Jonathan Barros Vita que dava provimento também quantos aos itens 1 e 3 do voto condutor.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 26/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Jonathan de Barros Vita.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 INCONSTITUCIONALIDADE. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. VENDAS A PESSOA FÍSICA COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. ISENÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não há previsão legal para isenção da Cofins da receita de venda realizada para pessoa física com o fim específico de exportação. RATEIO PROPORCIONAL. COMERCIAL EXPORTADORA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EXCLUSÃO. Por expressa determinação legal, é vedado apurar e utilizar créditos vinculados a receita de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO. Por expressa previsão legal, a partir de agosto de 2004, o crédito presumido da não pode ser objeto de ressarcimento em dinheiro e nem utilizado para compensar outros débitos do contribuinte. CRÉDITOS. DESPESAS. VINCULO COM A RECEITA DE EXPORTAÇÃO. CONDIÇÃO. As despesas com direito ao crédito do PIS e vinculadas à receita de exportação são as únicas que integram o cálculo do rateio proporcional para estabelecer o valor do crédito ressarcir em dinheiro. DESPESAS COM MERCADORIAS ADQUIRIDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. É vedado ao exportador de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação creditar-se de PIS em relação às despesas vinculadas a esta operação. CRÉDITO PRESUMIDO. ESTABELECIMENTOS COMERCIAIS. CEREALISTAS. IMPOSSIBILIDADE. O direito à apuração e ao aproveitamento de crédito presumido nas aquisições de pessoas físicas alcança exclusivamente os estabelecimentos industrias, não havendo previsão para os estabelecimentos comerciais da mesma empresa, inclusive cerealistas que classificam, limpam, secam e armazenam grãos. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. JUROS SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. Por expressa determinação legal, é vedado a atualização monetária e a incidência de juros Selic no ressarcimento da Cofins não cumulativa. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. CRÉDITO NOVO. Tendo a RFB utilizado, para cálculo do valor a ressarcir, o valor da despesa de frete informado no pedido de ressarcimento, excluindo os valores glosados, novos valores de despesa de frete não podem se incluídos em sede de manifestação de inconformidade ou de recurso voluntário, por tratar-se de pedido novo, não apreciado pela RFB. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10183.720113/2008-43
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5363351
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3302-002.654
nome_arquivo_s : Decisao_10183720113200843.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : WALBER JOSE DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10183720113200843_5363351.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas, que davam provimento também quanto ao item 3 do voto condutor do acórdão, e o conselheiro Jonathan Barros Vita que dava provimento também quantos aos itens 1 e 3 do voto condutor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 26/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Jonathan de Barros Vita.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
id : 5543659
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046816374652928
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2099; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.720113/200843 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.654 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de julho de 2014 Matéria COFINS RESSARCIMENTO Recorrente AMAGGI EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 INCONSTITUCIONALIDADE. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. VENDAS A PESSOA FÍSICA COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. ISENÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não há previsão legal para isenção da Cofins da receita de venda realizada para pessoa física com o fim específico de exportação. RATEIO PROPORCIONAL. COMERCIAL EXPORTADORA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EXCLUSÃO. Por expressa determinação legal, é vedado apurar e utilizar créditos vinculados a receita de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO. Por expressa previsão legal, a partir de agosto de 2004, o crédito presumido da não pode ser objeto de ressarcimento em dinheiro e nem utilizado para compensar outros débitos do contribuinte. CRÉDITOS. DESPESAS. VINCULO COM A RECEITA DE EXPORTAÇÃO. CONDIÇÃO. As despesas com direito ao crédito do PIS e vinculadas à receita de exportação são as únicas que integram o cálculo do rateio proporcional para estabelecer o valor do crédito ressarcir em dinheiro. DESPESAS COM MERCADORIAS ADQUIRIDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 01 13 /2 00 8- 43 Fl. 714DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10183.720113/200843 Acórdão n.º 3302002.654 S3C3T2 Fl. 3 2 É vedado ao exportador de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação creditarse de PIS em relação às despesas vinculadas a esta operação. CRÉDITO PRESUMIDO. ESTABELECIMENTOS COMERCIAIS. CEREALISTAS. IMPOSSIBILIDADE. O direito à apuração e ao aproveitamento de crédito presumido nas aquisições de pessoas físicas alcança exclusivamente os estabelecimentos industrias, não havendo previsão para os estabelecimentos comerciais da mesma empresa, inclusive cerealistas que classificam, limpam, secam e armazenam grãos. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. JUROS SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. Por expressa determinação legal, é vedado a atualização monetária e a incidência de juros Selic no ressarcimento da Cofins não cumulativa. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. CRÉDITO NOVO. Tendo a RFB utilizado, para cálculo do valor a ressarcir, o valor da despesa de frete informado no pedido de ressarcimento, excluindo os valores glosados, novos valores de despesa de frete não podem se incluídos em sede de manifestação de inconformidade ou de recurso voluntário, por tratarse de pedido novo, não apreciado pela RFB. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas, que davam provimento também quanto ao item 3 do voto condutor do acórdão, e o conselheiro Jonathan Barros Vita que dava provimento também quantos aos itens 1 e 3 do voto condutor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 26/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Jonathan de Barros Vita. Fl. 715DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10183.720113/200843 Acórdão n.º 3302002.654 S3C3T2 Fl. 4 3 Relatório No dia 31/01/2006 a empresa AMAGGI EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA, já qualificada nos autos, ingressou com pedido de ressarcimento de créditos de Cofins nãocumulativa, previsto no § 1º do art. 6º da Lei nº 10.833/03, relativo ao 3º o trimestre de 2005. Vinculado ao crédito foi apresentado declarações de compensação. A DRF em Cuiabá MT deferiu, em parte, o pedido da interessada, conforme Relatório e Despacho Decisório de fls. 251/271, pelas seguintes razões: alteração do rateio dos créditos vinculados à exportação em face de vendas a pessoas físicas com o fim exclusivo de exportação; alteração do valor dos créditos presumidos agroindústria; glosas de despesas de depreciação; vedação de créditos relativos a fretes; ajustes relativos às saídas de mercadorias recebidas com o fim específico de exportação; e a inclusão indevida de créditos decorrentes de fretes sobre vendas relativos às exportações de terceiros. Inconformada com esta decisão, a empresa ingressou com a manifestação de inconformidade, cujas razões estão resumidas no acórdão recorrido nos seguintes termos: a) para a apuração dos créditos à receita de exportação é facultada a escolha entre a apropriação direta e o rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, este último o adotado pela contribuinte; b) todas as operações de vendas com o fim específico de exportação, inclusive aquelas feitas a pessoas físicas que exportaram as mercadorias adquiridas, geram direito ao crédito; c) são desenvolvidas atividades de produção de mercadorias para a alimentação humana e animal, conforme processo descrito; d) há direito ao crédito presumido calculado sobre o total de aquisições efetuadas de pessoas físicas e jurídicas com suspensão das contribuições, ainda que aplicadas na produção das mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM, e tais créditos podem ser utilizadas para a compensação com outros tributos e contribuições; e) o cálculo do "crédito presumido agroindústria" foi efetuado pelo auditor de forma descentralizada, o que contraria o disposto no art. 15 da Lei n. 9.779/1999, sendo que deveria ter sido considerado o total da aquisição de insumos originários de pessoas físicas no período e, ainda, que deveriam ser contempladas todas as aquisições utilizadas no processo produtivo das mercadorias classificadas nos capítulos 10 e 12 da NCM; f) "as Leis 10.637, 10.833 e 10.925/2004 não fazem qualquer restrição sobre a realização e manutenção do crédito presumido quando aplicados a mercadorias exportadas, donde se deduz que o aproveitamento por compensação ou ressarcimento não poderá ser objeto de restrições por parte da Receita, conforme consta no artigo 2° do ADI n° 15/2005"; g) há direito em "realizar crédito sobre todos os bens incorporados ao ativo imobilizado utilizados na produção, seja industrialização de óleo e farelo de soja, seja na produção de milho e soja beneficiada"; Fl. 716DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10183.720113/200843 Acórdão n.º 3302002.654 S3C3T2 Fl. 5 4 h) a glosa dos créditos das despesas com fretes sobre vendas, referente ao transporte de adubo e cloreto de potássio altera o critério de apuração de créditos adotado pela contribuinte, que é o rateio proporcional, para o método de apropriação direta dos custos; i) foi alterado pelo auditorfiscal o critério de rateio de custos, despesas e encargos com direito a créditos, na proporcionalidade da receita bruta total auferida, conforme adotado pela contribuinte, em face de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação; j) pode ser mantido o crédito de Cofins sobre a totalidade de fretes suportados pela contribuinte e vinculados às operações de exportação, diretas ou indiretas; k) há créditos decorrentes de aquisições de serviços de transporte não utilizados, sendo requerido seja aceita a apresentação extemporânea de demonstrativos e documentos; 1) os créditos devem ser corrigidos pela Selic. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Campo Grande MS indeferiu a solicitação da interessada, nos termos do Acórdão nº 0420.557, de 21/05/2010, cuja ementa abaixo se transcreve. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. CONHECIMENTO PARCIAL. No caso de declarações de compensação, o litígio no âmbito do Processo Administrativo Fiscal regulado pelo Decreto n. 70.235/1972 somente se instaura se as razões da manifestação de inconformidade forem pertinentes e versarem sobre assuntos sobre os quais recaia a competência das delegacias de julgamento. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. A análise de normas segundo os princípios constitucionais é atribuição do Poder Judiciário, cabendo aos agentes fazendários o cumprimento da legislação em vigor. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS E DEMONSTRATIVOS. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal as provas documentais devem ser apresentadas junto com a impugnação. CRÉDITOS DE COFINS. PRESCRIÇÕES LEGAIS. Os créditos relativos à contribuição para o Cofins só são reconhecidos no caso de as operações estarem balizadas nas estritas raias das prescrições legais. CRÉDITOS. VALORAÇÃO. A valoração dos créditos é efetuada na forma disposta na legislação, não incidindo juros compensatórios no caso de ressarcimento de créditos de Cofins. Fl. 717DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10183.720113/200843 Acórdão n.º 3302002.654 S3C3T2 Fl. 6 5 Ciente desta decisão em 09/07/2010, a interessada ingressou, no dia 05/08/2010, com o recurso voluntário de fls. 432/493, no qual repisa os argumentos da Manifestação de Inconformidade. No dia 06/10/2011 a empresa apresentou ao CARF “Pedido Aditivo ao Recurso Voluntário” para juntar aos autos relação de aquisição de serviços de transportes, segunda ela, não considerados pela fiscalização na base de cálculo para o crédito referente ao 3º trimestre de 2005 – COFINS. Na sessão do dia 23/07/2013, o julgamento do Recurso Voluntário foi convertido em diligência (Resolução nº 3302000.352) para a RFB tomar as seguintes providências: 1 juntar cópia da petição inicial do Mandado de Segurança nº 0007535 93.2011.4.01.3600; 2 juntar cópia das decisões proferidas, tanto pelo juízo de primeira instância como pelo Tribunal Regional Federal / Superior Tribunal de Justiça, em sede de recursos relacionados ao referido Mandado de Segurança, podendo juntar cópia de certidão de objeto e pé. 3 opinar sobre a existência de concomitância de objeto deste processo com o objeto do referido Mandado de Segurança; 4 dar ciência à recorrente desta Resolução e do resultado da diligência, abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº 7.574/11 para manifestação. Realizado a diligência, a DRF de Cuiabá – MT respondeu aos referidos quesitos nos seguintes termos: ITEM 1 Juntei às fls. 487 a 523 cópia da petição inicial referente ao Mandado de Segurança n° 000753593.2011.4.01.3600. ITEM 2 Pela movimentação processual juntada às fls. 524 a 528, o Juízo de 1ª instância concedeu em parte a segurança, havendo apelação de ambas as partes do processo. Até o momento, não consta registro de julgamento no âmbito do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. A sentença do Juízo de origem já está anexada às fls. 529 a 535. ITEM 3 O presente processo trata de pedido de ressarcimento de créditos de Cofins Não Cumulativa exportação, relativos ao 3° trimestre de 2005, com os quais a contribuinte pretendeu compensar débitos de IRPJ e CSLL (PA 12/05). Tal pedido foi deferido parcialmente pelo Serviço competente desta DRF (Despacho Decisório nº 1512/13 fls. 258/265). Como pontuou o i. Conselheiro Relator, parte da glosa decorre da alteração do Fl. 718DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10183.720113/200843 Acórdão n.º 3302002.654 S3C3T2 Fl. 7 6 rateio dos créditos vinculados à exportação, em face de vendas a pessoas físicas com fim especifico de exportação. Por meio do Mandado de Segurança nº 000753593.2011.4.01.3600, a contribuinte busca provimento judicial que lhe garanta o direito aos créditos que foram utilizados na dedução dos débitos resultantes das vendas (com fim de exportação) a pessoas físicas, realizadas nos anos calendário de 2006 e 2007. Portanto, apesar da identidade parcial de matéria, concluo que não há concomitância de objeto do presente processo administrativo com o da ação judicial n° 000753593.2011.4.01.3600, porquanto se referem a períodos de apuração distintos. Ou seja, as decisões proferidas no âmbito da aludida ação judicial não alcançam a determinação dos créditos discutidos no presente processo. Ciente do resultado da diligência, a empresa Recorrente se manifestou para dizer o seguinte: “Sem ressalvas a serem efetuadas pela contribuinte, conforme confirmado pela DRF Cuiabá em diligência efetuada, não há concomitância entre o objeto do processo administrativo 10183.720113/200843 e a ação judicial em mandado de segurança nº 000753593.2011.4.01.3600, por tratarem de períodos de apuração distintos” O processo retornou ao CARF para prosseguir o julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. Como relatado, a empresa recorrente apresentou pedido de ressarcimento de créditos da Cofins não cumulativa e a RFB deferiuo, em parte, pelas seguintes razões: 1 alteração do rateio dos créditos vinculados à exportação em face de vendas a pessoas físicas com o fim exclusivo de exportação; 2 alteração do valor dos créditos presumidos agroindústria; 3 glosas de despesas de depreciação; Fl. 719DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10183.720113/200843 Acórdão n.º 3302002.654 S3C3T2 Fl. 8 7 4 vedação de créditos relativos a fretes; 5 ajustes relativos às saídas de mercadorias recebidas com o fim específico de exportação; e 6 inclusão indevida de créditos decorrentes de fretes sobre vendas relativas às exportações de terceiros. Foi realizado diligência para apurar se há concomitância deste processo com o Mandado de Segurança nº 000753593.2011.4.01.3600. A resposta foi negativa, pelas razões que consta na Informação Fiscal SECAT DRFCuiabá nº 0320/13, transcritas no Relatório. Em seu Recurso Voluntário, a empresa recorrente faz um arrazoado sobre os princípios da administração pública supostamente violados e sobre a nãocumulatividade do PIS e da Cofins, além de combater a quase totalidade das razões das glosas efetuadas. Antes de adentrar no exame do mérito da lide é necessário dizer que não se conhece dos argumentos de inconstitucionalidade, trazidos pela recorrente, porque o Conselho Administrativo de Recurso Fiscais (CARF), em sessão realizada no dia 08/12/2009, decidiu que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário (Constituição Federal, art. 102, I, “a” e III, “b”, art. 103, § 2o; Emenda Constitucional no 3/1993). Tal decisão resultou na edição da Súmula no 2, abaixo reproduzida, cuja adoção é obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do § 4º do art. 72 do Regimento Interno do CARF1: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Passemos, agora, ao exame das matérias em litígio, que tratam das glosas de créditos que ocorreram em face de/da: 1 alteração do rateio dos créditos vinculados à exportação em face de vendas a pessoas físicas com o fim exclusivo de exportação; 2 vedação de ressarcimento dos créditos presumidos agroindústria; 3 exclusão, no cálculo do crédito presumido, das aquisições feitas pelos estabelecimentos não industriais da recorrente, cuja mercadoria não foi transferida para um dos dois estabelecimentos industriais da Recorrente; 4 glosas de despesas de depreciação; 5 a glosa dos créditos das despesas com fretes sobre vendas, referentes ao transporte de adubo e cloreto de potássio; 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. [...] § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. Fl. 720DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10183.720113/200843 Acórdão n.º 3302002.654 S3C3T2 Fl. 9 8 6 ajustes na receita bruta e na receita de exportação, do valor da receita de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação; e 7 inclusão indevida de créditos decorrentes de fretes sobre vendas relativos às exportações de terceiros. Além das contestações acima, a empresa Recorrente está pleiteando a incidência de juros Selic sobre o valor a ressarcir, inclusive sobre o valor que vier a ser reconhecido por este CARF, e protesta pela apresentação de provas relativas às despesas com fretes. 1 Exclusão da receita de exportação de vendas efetuadas a pessoas físicas com o fim específico de exportação no cálculo do rateio proporcional para determinar o crédito ressarcível. A empresa considerou como receita de exportação, passível de ressarcimento de créditos, o valor das vendas efetuadas a pessoas físicas com o fim específico de exportação. Alega a Recorrente que as vendas feitas a pessoas físicas exportadoras tiveram a comprovação de efetiva exportação como confirmou o auditor responsável pela diligência e, portanto, devem estar incluídas entre aquelas geradoras de crédito decorrentes da exportação. A não incidência da Cofins ocorrerá sobre a receita de vendas da empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, conforme previsto no inciso III, do art. 6º da Lei nº 10.833/03. Pessoa física não é empresa e, muito menos, empresa comercial exportadora, a que se refere a Lei. A receita das vendas de mercadorias realizadas pela Recorrente a pessoa física, conforme disse a decisão recorrida, para qualquer finalidade (consumo, revenda, exportação, etc.) está sujeita à incidência da Cofins, conforme determina o art. 1º da Lei nº 10.833/03. A receita assim auferida não é e nem se equipara a receita de exportação, por absoluta falta de previsão legal. Portanto, a receita em questão, por não ser receita de exportação e ser receita de venda no mercado interno, integra a receita bruta total e não integra a receita de exportação, para fins de cálculo do crédito ressarcível. 2 Crédito presumido nas aquisições de Pessoas Físicas – Ressarcimento em dinheiro Inicialmente, é preciso frisar que a discussão posta neste tópico não diz respeito ao valor do crédito presumido apurado pela Fiscalização. Esta matéria será apreciada em tópico específico. Nesta parte a lide versa unicamente sobre as possibilidades de aproveitamento do crédito presumido. Fl. 721DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10183.720113/200843 Acórdão n.º 3302002.654 S3C3T2 Fl. 10 9 A norma vigente no período de apuração do crédito presumido deste processo autoriza unicamente a dedução do mesmo de débitos da própria exação, sem previsão de ressarcimento em espécie ou de compensação com outros tributos. Ratifico, portanto, os fundamentos da decisão recorrida e a interpretação dada pelo ADI/SRF nº 15/2005, de que “o valor do crédito presumido previsto na Lei n° 10.925, de 2004, arts. 8° e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da Contribuição para o P1S/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência não cumulativa” e que o mesmo “não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento” por falta de previsão legal. Mais, ainda, a autorização para compensação referese a créditos (normal ou presumido) apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637/02 e o crédito presumido aqui discutido, a partir de agosto de 2004, passou a ser apurado na forma do art. 8º da Lei nº 10.925/04. Por estas razões, ratifico a decisão recorrida, nesta parte. 3 Divergências de valores de crédito presumido da agroindústria Alega a Recorrente que o cálculo do "crédito presumido agroindústria" foi efetuado pelo auditor de forma descentralizada, o que contraria o disposto no art. 15 da Lei nº 9.779/99, sendo que deveria ter sido considerado o total da aquisição de insumos originários, de pessoas físicas no período e, ainda, que deveriam ser contempladas todas as aquisições utilizadas no processo produtivo das mercadorias classificadas nos capítulos 10 e 12 da NCM. Além disso, que não há restrição legal sobre a realização e manutenção do crédito presumido nas aquisições de pessoas físicas quando aplicados a mercadorias exportadas. A alegação da Recorrente é no sentido de que no cálculo do crédito presumido devese incluir as aquisições feitas por todos os seus estabelecimentos, não apenas pelos estabelecimentos de Cuiabá – MT e Itacoatiara – AM, que a Fiscalização classifica como industriais, até porque os outros estabelecimentos, diz a Recorrente, também são industrias na medida em que realizam o beneficiamento de grãos, realizando as operações de classificação, limpeza, secagem, armazenagem e controle de qualidade dos grãos de soja e milho. As empresas que se dedicam à atividade de aquisição, classificação, limpeza e armazenagem de grãos para posterior revenda denominamse “cerealistas”. As empresas cerealistas, por óbvio, não são empresas industriais. Prova disto é que a Lei nº 10.925/04, ao tratar do crédito presumido do PIS e da Cofins da agroindústria, autorizou a suspensão do PIS e da Cofins nas vendas realizadas por essas empresas (cerealistas) para pessoa jurídica tributada pelo lucro real, ou seja, obrigadas ao PIS e à Cofins pelo regime não cumulativo. Ou seja, a lei não autoriza a apuração e o aproveitamento de crédito presumido do PIS e da Cofins pelas empresas cerealistas. O destinatário do benefício é o estabelecimento industrial, mesmo antes da Lei nº 10.925/04, como é o caso dos autos. No caso da Recorrente, ela possui estabelecimentos cerealistas e estabelecimentos industriais. Como disse a decisão recorrida, somente os estabelecimentos industriais produzem mercadorias destinadas ao consumo humano ou animal. Os estabelecimentos cerealistas apenas classificam, limpam, secam, armazenam e revendem grãos Fl. 722DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10183.720113/200843 Acórdão n.º 3302002.654 S3C3T2 Fl. 11 10 (soja e milho) e, no caso da Recorrente, também os transfere para outros estabelecimentos da empresa. Registrese que foi admitido, no cálculo do crédito presumido feito pela Fiscalização, o valor das mercadorias (soja e milho) adquiridas de pessoas físicas e recebidas por transferência dos estabelecimentos cerealistas pelos estabelecimentos industriais da Recorrente, dando efetividade à Lei nº 10.637/02. Portanto, não há que se falar que o procedimento da RFB contrariou as disposições do art. 15 da Lei nº 9.779/99, posto que os estabelecimentos cerealistas da Recorrente não têm direito ao crédito presumido da Lei nº 10.637/02. 4 Glosas de despesas de depreciação; Como relatado, a recorrente requereu o ressarcimento de crédito de Cofins, previsto no art. 6º da Lei nº 10.833/03, que abaixo se transcreve. Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o. (grifei). § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido Fl. 723DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10183.720113/200843 Acórdão n.º 3302002.654 S3C3T2 Fl. 12 11 mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. O disposto no § 3º, acima reproduzido, não deixa nenhuma dúvida de que os créditos, apurados na forma do art. 3º da mesma Lei, passíveis de ressarcimento são aqueles “apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação” e não somente os relativos aos insumos usados no processo produtivo do bem exportado e à depreciação das máquinas e equipamentos usados no processo produtivo. È necessário haver vínculos entre a despesa com direito a crédito e a receita de exportação. Portanto, a despesa realizada, prevista no art. 3º da Lei nº 10.833/03, que gera direito a crédito de Cofins passível de ressarcimento é exclusivamente aquela vinculada à receita de exportação. Bastam estas duas condições (direito ao crédito e vinculo da despesa com a receita de exportação) porque é só isto que a lei exige. Atendido estas condições, o crédito pode ser objeto de pedido de ressarcimento previsto no § 2º do art. 6º da Lei nº 10.833/03. A Recorrente exporta milho, soja e seus derivados. O milho e a soja são de produção própria ou adquiridos de terceiros. Os estabelecimentos cerealistas da Recorrente recebem os grãos, da lavoura própria ou adquiridos de terceiros, e os armazena, preparandoos previamente (classificação, limpeza e secagem). Parte desses grãos destinase ao mercado interno e parte ao mercado externo. Portanto, todos os equipamentos utilizados na classificação, limpeza, secagem e armazenagem dos grãos, nos estabelecimentos cerealistas que transferiram soja ou milho para os estabelecimentos industriais da Recorrente, no 3º trimestre de 2005, estão vinculados à receita de vendas dos mesmos, tanto no mercado interno como no mercado externo. Sobre os encargos de depreciação dos equipamentos desses estabelecimentos, entendo que tem a Recorrente direito ao rateio proporcional do crédito vinculado à exportação, passível de ressarcimento, cabendo a ela Recorrente provar quais estabelecimentos efetuaram a transferência citada e o valor dos encargos de depreciação incorrido por cada um deles. Por óbvio, não entra no rateio do crédito ressarcível os encargos de depreciação dos estabelecimentos cerealistas que não transferiram milho ou soja para estabelecimentos industriais da Recorrente, no 3º trimestre de 2005. O mesmo tratamento deve ser dado ao crédito das despesas de depreciação reconhecido pela Fiscalização para a atividade de produção de soja e milho da Recorrente. Tais créditos também estão vinculados à receita de exportação e, portanto, devem ser considerados no cálculo do crédito ressarcível, a que se refere o § 3º, do art. 6º, da Lei nº 10.833/03. Nesta parte, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário. 5 Créditos de fretes de adubos entre estabelecimentos da Recorrente. Os créditos de fretes de adubo e cloreto de potássio foram glosados pelas seguintes razões: No demonstrativo do contribuinte que relaciona as notas fiscais de fretes que compõem o DACON foi verificado que há fretes Fl. 724DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10183.720113/200843 Acórdão n.º 3302002.654 S3C3T2 Fl. 13 12 relativos ao transporte de adubo e cloreto de potássio nos meses de 05/2005 a 11/2005 que totalizam R$ 1.484.054,23. O contribuinte informou que o adubo e o cloreto de potássio são destinados à Divisão Agro do Grupo Maggi, que são operações exclusivamente do mercado interno. Em razão disso, não geram créditos de exportação e não devem fazer parte do rateio proporcional dos créditos vinculados à exportação. O mesmo entendimento deve ser aplicado ao frete decorrente do transporte desses produtos. Portanto, os fretes de 05/2005 a 10/2005 decorrentes do transporte de adubo e cloreto de potássio serão glosados como créditos de PIS/COFINS exportação. O Despacho Decisório nº 1512DRFCBA tratou esta matéria nos seguintes termos: Fretes Adubo No trimestre em pauta foram incluídas no DACON despesas com fretes relativos a transporte de adubo e cloreto de potássio. Conforme informação do contribuinte, referidos produtos são destinados à Divisão Agro do Grupo Maggi, cujas operações são realizadas exclusivamente no mercado interno. Destarte, o frete correspondente ao transporte dos mencionados produtos não gera créditos de exportação, devendo ser glosado (fl. 251, item 11). Pelo que entendi, a RFB excluiu as despesas acima da base de cálculo do crédito ressarcível (na exportação) porque as mesmas não estão vinculadas à receita de exportação: vinculamse exclusivamente a operações do mercado interno. Constam da relação de Notas Fiscais de frete sobre vendas, fornecida pela Recorrente. As mercadorias transportadas (adubo e cloreto de potássio) destinavamse à Divisão Agro do Grupo Maggi, ou seja, é frete relativo a compra ou a transferência de insumos entre estabelecimentos da Recorrente ou de outra empresa do Grupo Maggi. Portanto, aqui não se discute o direito de crédito destas operações, mas tão somente se o mesmo deve ou não integrar a base de cálculo do crédito ressarcível, ou seja, conforme já se disse acima (ao analisar as despesas de depreciação), se as despesas de frete estão ou não vinculadas à receita de exportação. Em sua defesa, a empresa alega o seguinte: Na análise do direito creditório da Recorrente o agente fiscal glosou o crédito das despesas com fretes sobre vendas, referentes o transporte de adubo e cloreto de potássio, destinadas a Divisão Agro do Grupo, por entender que se trata de operações no mercado interno, e por isso não gerariam crédito em face das exportações. Todavia o argumento apontado pelo agente fazendário não procede, pois conforme já demonstrado, a recorrente optou para a apuração dos créditos vinculados a exportação, com base no Fl. 725DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10183.720113/200843 Acórdão n.º 3302002.654 S3C3T2 Fl. 14 13 parágrafo 8° do artigo 3° da lei 10.833/2003, ou seja, pelo método de rateio proporcional a receita bruta auferida. Ao optar pelo método de apuração dos créditos proporcional pela receita bruta auferida, a recorrente realiza créditos sobre o total das aquisições com direito a crédito no período, e apropria os créditos vinculando proporcionalmente o percentual da receita de exportação em relação ao total da receita bruta auferida no período. Ao glosar os créditos apurados pela Recorrente pretende o agente fiscal alterar o critério de apuração dos créditos adotado pelo contribuinte, rateio proporcional para o método de apropriação direta dos custos, glosando créditos apurados pela Recorrente. Também, por tais argumentos se insurge a contribuinte e requer seja reformada neste ponto o Despacho Decisório, que seja deferido o crédito glosado pelas razões aqui apontadas. Vêse, nas razões de defesa, que a Recorrente sequer tentou desconstituir a alegação da Fiscalização de que as despesas de fretes de adubo e de cloreto de potássio são operações vinculadas exclusivamente ao mercado interno. Este foi o motivo que levou a Fiscalização a excluir os créditos dos fretes do ressarcimento previsto no § 2º do art. 6 da Lei nº 10.833/03, por não atender o disposto no § 3º, do mesmo art. 6º a despesa não está vinculada à receita de exportação. Sem uma palavra e sem nenhuma prova do vínculo da despesa à receita de exportação, não há como acolher as alegações da Recorrente. 6 Exclusão da receita de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação no cálculo do rateio proporcional para determinar o crédito ressarcível. No cálculo do crédito ressarcível, a RFB excluiu, tanto da receita bruta total como da receita de exportação, o valor da receita de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação pela seguinte razão, nas suas palavras: Analisando a sistemática em relação às operações de aquisição de mercadorias com fim específico de exportação, a exportação dessas mercadorias, classificadas no CFOP 7501Exportação de mercadorias recebidas com fim específico de exportação, bem como os benefícios concedidos, verificouse que, para quem vende com fim específico de exportação, a operação já é considerada como exportação, com os benefícios das desonerações das contribuições de PIS/COFINS das operações anteriores, e, para quem recebe com fim específico de exportação e exporta, atua como intermediário, devendo confirmar a exportação, não tendo nenhum crédito na entrada e nem débito na saída, pois a mesma mercadoria não pode gerar beneficio de exportação novamente. Nesse sentido, o § 4º do art. 6º da Lei 10833/2003 veda a apuração de créditos vinculados à receita de exportação no caso de aquisição de mercadorias com Fl. 726DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10183.720113/200843 Acórdão n.º 3302002.654 S3C3T2 Fl. 15 14 fim específico de exportação e conseqüentemente as receitas de exportação dessas mercadorias não podem ser computadas como Receitas de Exportação Normal para efeito do rateio proporcional de créditos vinculados à exportação. Em resumo, a operação de entrada e saída como um todo não pode afetar o cálculo das operações de compras/exportação que geram direito a crédito. Da mesma forma, as exportações de terceiros devem ser excluídas do total da Receita Bruta para efeito do cálculo do rateio proporcional. A Recorrente alega que, ao agir da forma cima, o AuditorFiscal da RFB alterou o critério de rateio de custos, despesas e encargos com direito a créditos, na proporcionalidade da receita bruta total auferida, conforme adotado pela contribuinte. Esta matéria já esteve em pauta nesta 2ª Turma Ordinário quando do julgamento do recurso voluntário contido no Processo nº 13154.000312/200524, também de interessa da Recorrente. Na oportunidade, entendi que para o rateio proporcional de créditos vinculados à exportação não havia previsão legal para excluir, da receita bruta total e da receita de exportação, o valor da receita de exportação de mercadorias recebidas com o fim específico de exportação, razão pela qual dei provimento ao recurso do contribuinte, nesta parte, no que fui acompanhado pelos demais membros do Colegiado, conforme Acórdão nº 330201.339, de 10/11/2011. Ocorre que na oportunidade cometi um erro: não analisei as disposições do § 4º, do art. 6º, da Lei nº 10.833/03, que fundamentou o procedimento da Fiscalização. Diz o referido dispositivo: Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas Fl. 727DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10183.720113/200843 Acórdão n.º 3302002.654 S3C3T2 Fl. 16 15 previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o. § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. (grifei). A primeira conclusão que se tira deste dispositivo é que sobre a receita de exportação de mercadorias adquirida com o fim específico de exportação é vedado apurar crédito do PIS e da Cofins, para utilização na forma prevista no § 1º, do art. 6º, da Lei nº 10.833/03. A segunda conclusão que se tira é conseqüência da primeira: a empresa comercial exportadora não tem direito de apurar e utilizar crédito de PIS e de Cofins na forma prevista no § 1º, do art. 6º, da Lei nº 10.833/03. A terceira conclusão, também conseqüência da primeira: a empresa que é, simultaneamente, comercial exportadora e industrial (como é o caso da Recorrente) tem o direito de apurar e utilizar crédito de PIS e de Cofins, na forma prevista no § 1º, do art. 6º, da Lei nº 10.833/03, sobre a receita de exportação de produtos de sua fabricação e não tem o direito de apurar e utilizar crédito sobre a receita de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação. Portanto, no voto condutor do Acórdão nº 330201.339, acima citado, o equívoco está na afirmação de que a Lei não autoriza ajustes “na Receita de Exportação do contribuinte, para fins de cálculo do crédito do PIS vinculado à receita de exportação, a que se refere o § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02”. Como acima se demonstrou, para fins de ressarcimento, a Lei veda expressamente a apuração de crédito da receita de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação. Portanto, se a receita de exportação da empresa decorre da venda de mercadorias de produção própria e de mercadorias adquiridas de terceiros com o fim específico de exportação, esta última não pode e não deve compor o cálculo de apuração do crédito a ressarcir. Deve, portanto, ser excluída do valor total da receita de exportação para este fim. Quanto ao ajuste realizado pela Fiscalização na Receita Bruta Total, tem razão a Recorrente porque não existe previsão legal para tal procedimento. No entanto, não há que se prover o recurso nesta parte porque não se recorre para prejudicar e, também, porque o procedimento de excluir a receita de exportação em tela do numerador e do denominador da relação é mais coerente com as disposições do art. 6º da Lei nº 10.833/03. Procedente, portanto, a metodologia de cálculo do crédito a ressarcir realizado pela Fiscalização, que não inovou em nada. Fl. 728DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10183.720113/200843 Acórdão n.º 3302002.654 S3C3T2 Fl. 17 16 7 Crédito dos fretes das mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação Sobre este tema, a recorrente alega que incorreu em despesas (frete e outros custos) com as mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação e, portanto, tem direito ao crédito na forma do inciso IX, do art. 3º, c/c no inciso II, do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Por seu turno a decisão recorrida argumenta que: Por todo o exposto, as despesas de fretes sobre vendas só geram crédito conforme o art. 3° da Lei n. 10.833/2003 no caso previsto nos seus incisos I e II, não incluída ai a exportação de mercadorias adquiridas com essa finalidade especifica, cujo alienante é quem tem o direito a fruir o crédito nos termos do art. 6° da Lei n. 10.833/2003. Não resta nenhuma dúvida de que todos os créditos da Cofins relativos aos custos, despesas e encargos incorridos pelo vendedor, e incluído no preço da mercadoria vendida com o fim específico de exportação, são de fruição exclusiva do vendedor da mercadoria e, por esta razão, o adquirente e exportador direto da mercadoria não pode se creditar da Cofins, por força do que dispõe § 4º, do art. 6º c/c inciso III, do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03, abaixo reproduzidos. Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à Fl. 729DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10183.720113/200843 Acórdão n.º 3302002.654 S3C3T2 Fl. 18 17 receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o. § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. [...] Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I nos incisos I e II do § 3o do art. 1o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1o e 10 a 20 do art. 3o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) III nos §§ 3o e 4o do art. 6o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] VI no art. 13 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Supondo, por exemplo, que a recorrente seja exclusivamente uma empresa comercial exportadora e tenha incorrido nas mesmas despesas de frete de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação. Nestas condições, e à luz do dispositivo legal acima, teria a recorrente direito ao creditamento das despesas com frete e armazenagem? Entendo que não. E não o tem porque a norma de regência (§ 4º, do art. 6º, da Lei nº 10.833/03, acima reproduzido) é clara ao proibir a apuração de crédito vinculado à receita de exportação das mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação, independente de haver ou não, para o tipo de despesa incorrida, previsão legal de creditamento, quando vinculada às demais receitas. O fato de a recorrente auferir receita de exportação com a venda de produtos de sua fabricação e de produtos fabricados por terceiros, adquiridos com o fim específico de exportação, em nada afeta a proibição legal de apuração de crédito vinculados a receita de exportação de mercadorias adquiridas de terceiros. Portanto, não vejo reparos a fazer na decisão recorrida, nesta parte. 8 Incidência da taxa Selic no ressarcimento O pagamento de juros compensatórios com base na taxa Selic, previsto para a restituição, não pode aplicarse ao ressarcimento por serem despesas distintas e, como bem disse a decisão recorrida, por existir expressa vedação legal para a incidência de juros compensatórios no ressarcimento de créditos da Cofins, inclusive na hipótese de compensação, nos termos do art. 13 da Lei nº 10.833/03, regulamentado pela IN SRF nº 460/04, art. 51, § 5º, vigente à época da apresentação da declaração de compensação, que se reproduz. Fl. 730DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10183.720113/200843 Acórdão n.º 3302002.654 S3C3T2 Fl. 19 18 Lei nº 10.833/03, artigo 13 (c/c inciso VI do art. 15): Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º; do art. 4º e dos §§ 1° e 2º do art. 6°, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Instrução Normativa SRF nº 460/04, art. 51, § 5º: Art. 51. O crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição, será restituído ou compensado com o acréscimo de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: [...] § 5º Não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação de referidos créditos. (o grifo não é do original). Portanto, nesta parte, não procedem as alegações da recorrente. 9 Apresentação de provas relativas às despesas com fretes. A Recorrente alega que revendo seus créditos do período objeto deste processo identificou o não aproveitamento de créditos sobre serviços de transportes passíveis de aproveitamento mas, em função do “exíguo tempo existente entre” a ciência do despacho decisório e o prazo para apresentação de manifestação de inconformidade, solicitou a oportunidade de apresentar, em data oportuna, os demonstrativos e documentos para confirmar esta informação, no que foi indeferido pela decisão recorrida, com fulcro no art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/72. A Recorrente justifica sua omissão alegando que o prazo para apresentação da manifestação de inconformidade é limitado a 30 dias e, portanto, é dever do Fisco realizar diligência para quantificar e confirmar os referidos créditos. A decisão recorrida entendeu precluído o direito de a Recorrente apresentar provas posteriores à impugnação (§ 4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72). Não obstante à essa decisão, no dia 06/10/2011 a empresa Recorrente apresentou uma relação de aquisição de serviços de transporte que alega não foram considerados pela Fiscalização na base de cálculo para o crédito referente ao 3º trimestre 2005 – COFINS. Conforme se pode constatar nos demonstrativos que acompanham o RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO DO RESSARCIMENTO DE COFINS NÃO CUMULATIVO 2005, no qual se fundou o Despacho Decisório, o valor do frete considerado na apuração do crédito reconhecido foi exatamente o valor informado pela Recorrente em seu Fl. 731DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10183.720113/200843 Acórdão n.º 3302002.654 S3C3T2 Fl. 20 19 pedido de ressarcimento, excluído os valores glosados pela Fiscalização (fretes de adubos e KCl e mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação). Portanto, o valor de eventual crédito adicional decorrente de despesa de frete não informado originalmente pela Recorrente em seu pedido de ressarcimento não pode ser reconhecido originalmente por este Colegiado porque se trata de crédito novo, não apreciado pela autoridade da RFB. Ademais, na relação de fretes apresentada em 06/10/2011, a Recorrente simplesmente relaciona todos os fretes do trimestre sem, contudo, identificar e provar que existem fretes que foram incluídos em seu pedido e não considerados, como alega, pela Fiscalização no cálculo do crédito pleiteado e reconhecido. Por evidente, a Recorrente também não identifica os fretes que não foram por ela incluídos no pedido de ressarcimento original. Portanto, não há reformas a fazer na decisão recorrida nesta parte e devese indeferir o pedido de realização de diligência em razão da prova do alegado crédito caber à Recorrente e não ao Fisco. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19992, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância para todos os argumentos suscitados pela Recorrente, exceto quanto à glosa do crédito de depreciação. Isto posto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar a inclusão, no cálculo do crédito ressarcível, do valor do crédito de depreciação, na forma do item 4 deste voto. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator 2 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 732DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10183.720113/200843 Acórdão n.º 3302002.654 S3C3T2 Fl. 21 20 Fl. 733DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11030.902241/2012-04
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/09/2002
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2002 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11030.902241/2012-04
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5352689
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-003.173
nome_arquivo_s : Decisao_11030902241201204.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARCOS ANTONIO BORGES
nome_arquivo_pdf_s : 11030902241201204_5352689.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
id : 5488701
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046816398770176
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1884; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 61 1 60 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11030.902241/201204 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801003.173 – 1ª Turma Especial Sessão de 27 de março de 2014 Matéria RESTITUIÇÃO Recorrente LATICINIOS BOM GOSTO S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/09/2002 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 22 41 /2 01 2- 04 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.902241/201204 Acórdão n.º 3801003.173 S3TE01 Fl. 62 2 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.902241/201204 Acórdão n.º 3801003.173 S3TE01 Fl. 63 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de análise de Pedido Eletrônico de Restituição, transmitido em 27/02/2007, sendo o crédito pretendido correspondente à Contribuição para o PIS/Pasep cujo pagamento ocorreu em 15/10/2002, relativo ao período 01/09/2002 a 30/09/2002. De acordo com o Despacho Decisório emitido eletronicamente, o crédito pleiteado pelo interessada não foi reconhecido, uma vez que o pagamento indicado já estava totalmente alocado para quitação de débito do contribuinte. A ciência do Despacho Decisório ocorreu mediante AR em 15/08/2012. A interessada por sua vez, alega basicamente a existência de direito creditório oriundos de pagamentos de Pis e Cofins, apurados com a inclusão do ICMS na base de cálculo, parcela esta incluída indevidamente quando do cálculo do pagamento do tributo em questão. Aduz argumentação em favor de sua tese. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002 Ementa: RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO ICMS. BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. A parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo da Cofins e do Pis por se tratar de tributo que integra o preço de venda de mercadorias e serviços e por não haver previsão legal para a sua exclusão. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual repisa os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.902241/201204 Acórdão n.º 3801003.173 S3TE01 Fl. 64 4 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que sucedeu no recurso apresentado, no qual a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também Fl. 64DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.902241/201204 Acórdão n.º 3801003.173 S3TE01 Fl. 65 5 sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria sendo calculado “por dentro”, ou seja, o montante do próprio imposto está incluído na sua base de cálculo, nos termos do art. 13, §1º, inciso I da LC 87/96, integrando assim a receita bruta ou faturamento, que é base de cálculo das contribuições, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal para tanto. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 10.833, de 2003, para aquelas empresas sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, estas passaram a ter como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, ,porém não trazendo qualquer disposição que se refira à possibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo. O inciso VII do art. 1º das retrocitadas leis, incluído pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009, prevê apenas a exclusão das receitas decorrentes de transferência onerosa de créditos acumulados de ICMS originados de operações de exportação. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), que foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, Fl. 65DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.902241/201204 Acórdão n.º 3801003.173 S3TE01 Fl. 66 6 DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. Assim, diante do exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 66DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
score : 1.0
Numero do processo: 13830.000851/2001-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
PRELIMINAR. NULIDADE
Não há cerceamento do direito de defesa pelo indeferimento do pedido de prazo suplementar para o contribuinte autuado poder comprovar a origem dos depósitos bancários se essa oportunidade não lhe é vedada de realizar na impugnação e ou no recurso, com prazo suficiente à comprovação pretendida.
ILICITUDE DE PROVAS. SIGILO BANCÁRIO
Não há ilicitude na prova pela obtenção das informações da CPMF com base na Lei n° 10.174/2001 e Lei Complementar 105/2001, conforma Súmula 35 deste Conselho.
DILIGÊNCIAS. PERÍCIA.
Mantém-se o indeferimento do pedido de perícia na inobservância dos requisitos formais do pedido e se não há motivo ou dúvida fundada para a realização da prova ou da conversão dos autos em diligencia.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO.
Com a intimação do contribuinte para explicar a origem dos depósitos bancários, inverte-se o ônus da prova. Na falta de justificativa e comprovação, mantém-se autuação na forma da Súmula n° 26 deste Conselho.
Numero da decisão: 2201-002.377
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinatura digital)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
(Assinatura digital)
Odmir Fernandes Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Nathalia Mesquita Ceia, Odmir Fernandes (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional: Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201404
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998 PRELIMINAR. NULIDADE Não há cerceamento do direito de defesa pelo indeferimento do pedido de prazo suplementar para o contribuinte autuado poder comprovar a origem dos depósitos bancários se essa oportunidade não lhe é vedada de realizar na impugnação e ou no recurso, com prazo suficiente à comprovação pretendida. ILICITUDE DE PROVAS. SIGILO BANCÁRIO Não há ilicitude na prova pela obtenção das informações da CPMF com base na Lei n° 10.174/2001 e Lei Complementar 105/2001, conforma Súmula 35 deste Conselho. DILIGÊNCIAS. PERÍCIA. Mantém-se o indeferimento do pedido de perícia na inobservância dos requisitos formais do pedido e se não há motivo ou dúvida fundada para a realização da prova ou da conversão dos autos em diligencia. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. Com a intimação do contribuinte para explicar a origem dos depósitos bancários, inverte-se o ônus da prova. Na falta de justificativa e comprovação, mantém-se autuação na forma da Súmula n° 26 deste Conselho.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13830.000851/2001-11
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5366357
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2201-002.377
nome_arquivo_s : Decisao_13830000851200111.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ODMIR FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 13830000851200111_5366357.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinatura digital) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente. (Assinatura digital) Odmir Fernandes Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Nathalia Mesquita Ceia, Odmir Fernandes (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional: Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
id : 5558066
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046816401915904
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2128; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13830.000851/200111 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.377 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de abril de 2014 Matéria IRPF Recorrente RUBENS DA SILVA DANTAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 PRELIMINAR. NULIDADE Não há cerceamento do direito de defesa pelo indeferimento do pedido de prazo suplementar para o contribuinte autuado poder comprovar a origem dos depósitos bancários se essa oportunidade não lhe é vedada de realizar na impugnação e ou no recurso, com prazo suficiente à comprovação pretendida. ILICITUDE DE PROVAS. SIGILO BANCÁRIO Não há ilicitude na prova pela obtenção das informações da CPMF com base na Lei n° 10.174/2001 e Lei Complementar 105/2001, conforma Súmula 35 deste Conselho. DILIGÊNCIAS. PERÍCIA. Mantémse o indeferimento do pedido de perícia na inobservância dos requisitos formais do pedido e se não há motivo ou dúvida fundada para a realização da prova ou da conversão dos autos em diligencia. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. Com a intimação do contribuinte para explicar a origem dos depósitos bancários, invertese o ônus da prova. Na falta de justificativa e comprovação, mantémse autuação na forma da Súmula n° 26 deste Conselho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinatura digital) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. (Assinatura digital) Odmir Fernandes – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 00 08 51 /2 00 1- 11 Fl. 610DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ODMIR FERNANDES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Nathalia Mesquita Ceia, Odmir Fernandes (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional: Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário da decisão da 5ª Turma de Julgamento da DRJ/SPOII de FlorianópolisSC que manteve parte da autuação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF do exercício de 1999 relativa a omissão de rendimentos apurada por meio de depósitos bancários de origem não comprovada. Auto de infração a fls. 06 a 08 e demonstrativo a fls. 14 e 15. Decisão recorrida cancelou parte da autuação pela comprovação da origem dos depósitos bancários, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 PRELIMINAR. NULIDADE Tendo o auto de infração sido lavrado por servidor competente, com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e, existentes no instrumento todas as formalidades necessárias para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, não há que se falar em nulidade, devendo os erros apontados pelo sujeito passivo ser analisados e, se for o caso, retificados. ILICITUDE DE PROVAS. São licitas as provas obtidas com respaldo na legislação vigente à época da ocorrência do procedimento de fiscalização. O artigo 1° da Lei n° 10.174/2001, assim como a Lei Complementar 105/2001, disciplinam o procedimento de fiscalização e não os fatos econômicos investigados, podendo ser aplicados aos procedimentos iniciados ou em curso a partir de sua edição, inclusive para alcançar fatos geradores pretéritos (CTN, art.144, § 1°). Tratase de aplicação imediata da norma, não se podendo falar em retroatividade. SIGILO BANCÁRIO. Havendo procedimento de oficio instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. Invocando uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua Fl. 611DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ODMIR FERNANDES Processo nº 13830.000851/200111 Acórdão n.º 2201002.377 S2C2T1 Fl. 3 3 ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. Retificase o lançamento para excluir depósitos com origem comprovada em alienações de veículos, bem como os referentes a transferências entre contas do mesmo titular. DILIGÊNCIAS E PERÍCIA. Indeferese o pedido de perícia quando a sua realização revele se prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. Lançamento Procedente em Parte Recurso Voluntário sustenta: 1 Nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa; 2 Vedação da utilização da CPMF para a constituição do crédito tributário; 3 Quebra de sigilo bancário; 4 Necessidade de novas diligências e perícia; 5 Depósitos bancários não constituem fato gerador de Imposto de Renda e não comprovam a omissão de rendimentos; 6 Os documentos juntados (planilhas, fichas, declarações e tela da Ciretran fls. 220/323 e 452/512), comprovam a origem dos depósitos bancários. Anoto, o recurso foi admitido e sobrestado na forma dos Par. 1º e 2º, do art.62A, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, acrescentado pela Portaria n° 586 de 21.12.2010, do Ministro da Fazenda. Com a revogação dos Par. 1º e 2º, do art.62A, pela Portaria n° 545, de 18.11.2013, os autos retornam a julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Odmir Fernandes, Relator. Cuidase de Recurso Voluntário da decisão que manteve parte da autuação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF relativa a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Alega inicialmente cerceamento do direito de defesa em razão do indeferimento de prazo adicional para juntar documentos e comprovar a origem dos depósitos bancários. Não há esse cerceamento do direito de defesa se não foi vedado ao autuado fazer a comprovação ou justificar a origem dos depósitos bancários na impugnação ou mesmo deste recurso. Essa comprovação pretendida nunca foi vedada autuado, por essa razão a prejudicial fica afastada. Fl. 612DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ODMIR FERNANDES 4 A segunda e a terceira preliminar dizem respeito à quebra do sigilo bancário pela indevida utilização da CPMF na apuração dos depósitos bancários, sem autorização judicial. Esta matéria esta superada no âmbito deste Conselho com a edição da Súmula 35, permitindo a requisição dos extratos das contas bancárias sem haver qualquer ofensa ao sigilo bancário ou mesmo na obtenção das informações da CPMF. Confirase: Súmula CARF nº 35 (VINCULANTE): O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. A Súmula 2 deste Conselho também não admite apreciar a quebra do sigilo bancária por ser matéria de índole constitucional, vejase: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Em outra preliminar pede o Recorrente a realização de novas diligências e perícias. Vemos aqui que o autuado não atendeu aos requistos formais do art. 18, do Decreto 70.235, de 1972 (com força de lei), para o pedido de perícia e não há qualquer motivo, justificativa do que se pretende provar ou mesmo dúvida para abalar a convicção do julgador e exigir a realização da prova pericial ou a conversão dos autos em diligencia. Por essa razão, também fica afastada essa prejudicial. Sustenta a seguir que os depósitos bancários não constituem fato gerador de Imposto sobre a Renda e não comprovam a omissão dos rendimentos. Ledo engano. Após a edição da Lei nº 9.430/96, o art. 42, criou a presunção legal de os depósitos bancários omitidos e não justificados pelo titular das contas, constituem renda tributável, na forma da Sumula 26: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. No mérito diz que os documentos juntados planilhas, fichas, declarações e tela da Ciretran (fls. 220/323 e 452/512), comprovam a origem dos depósitos bancários. A decisão recorrida cancelou parte da autuação pela comprovação feita pelo autuado. Destacou a decisão recorrida, com inteira propriedade, que as planilhas, documentos de veículos e outros documentos juntados pelo autuado não comprovaram a origem dos depósitos bancários. Juntar diversos documentos sobre veículos e contas bancárias, com centenas de depósitos, sem qualquer comprovação ou vinculação entre os depósitos nada comprova. Sem a efetiva comprovação da origem de cada depósito bancário a autuação deve ser mantida. Fl. 613DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ODMIR FERNANDES Processo nº 13830.000851/200111 Acórdão n.º 2201002.377 S2C2T1 Fl. 4 5 Ante o exposto, pelo meu voto, afasto as preliminares e, no mérito, nego provimento ao recurso. (Assinatura digital) Odmir Fernandes, Relator. Fl. 614DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ODMIR FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 35301.012562/2003-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1996 a 31/12/1998
SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. ÓRGÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
O artigo 71, §2º da Lei 8.666/93 estabelece que a responsabilidade solidária da Administração Pública, da qual faz parte as empresas de economia mista, é restrita à cessão de mão de obra prevista no art.31 da Lei nº 8.212/91.
INSUBSISTÊNCIA DO CRÉDITO LANÇADO POR SOLIDARIEDADE NO TOMADOR DOS SERVIÇOS. IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA CONTRA A EMPRESA PRESTADORA.
Tendo sido cancelado o crédito lançado por solidariedade em fiscalização no tomador de serviços, não pode subsistir a responsabilidade do prestador neste lançamento, posto que este ato administrativo fica carente de fundamentação jurídica.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.303
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201401
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/1996 a 31/12/1998 SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. ÓRGÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. O artigo 71, §2º da Lei 8.666/93 estabelece que a responsabilidade solidária da Administração Pública, da qual faz parte as empresas de economia mista, é restrita à cessão de mão de obra prevista no art.31 da Lei nº 8.212/91. INSUBSISTÊNCIA DO CRÉDITO LANÇADO POR SOLIDARIEDADE NO TOMADOR DOS SERVIÇOS. IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA CONTRA A EMPRESA PRESTADORA. Tendo sido cancelado o crédito lançado por solidariedade em fiscalização no tomador de serviços, não pode subsistir a responsabilidade do prestador neste lançamento, posto que este ato administrativo fica carente de fundamentação jurídica. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 35301.012562/2003-47
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5352447
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2401-003.303
nome_arquivo_s : Decisao_35301012562200347.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 35301012562200347_5352447.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
id : 5484107
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046816408207360
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1710; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 1.265 1 1.264 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35301.012562/200347 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.303 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de janeiro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente CBTU COMPANHIA BRASILEIRA DE TRENS URABANOS E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1996 a 31/12/1998 SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. ÓRGÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. O artigo 71, §2º da Lei 8.666/93 estabelece que a responsabilidade solidária da Administração Pública, da qual faz parte as empresas de economia mista, é restrita à cessão de mão de obra prevista no art.31 da Lei nº 8.212/91. INSUBSISTÊNCIA DO CRÉDITO LANÇADO POR SOLIDARIEDADE NO TOMADOR DOS SERVIÇOS. IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA CONTRA A EMPRESA PRESTADORA. Tendo sido cancelado o crédito lançado por solidariedade em fiscalização no tomador de serviços, não pode subsistir a responsabilidade do prestador neste lançamento, posto que este ato administrativo fica carente de fundamentação jurídica. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 30 1. 01 25 62 /2 00 3- 47 Fl. 1265DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1266DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35301.012562/200347 Acórdão n.º 2401003.303 S2C4T1 Fl. 1.266 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado pela empresa CONSTRUTORA QUEIROZ GALVÃO S/A (codevedora) contra o Acórdão n. 1244.680 da 10.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ no Rio de Janeiro I, que declarou procedente em parte a impugnação apresentada para desconstituir Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n. 35.521.2166. O acórdão em questão foi exarada em substituição à DecisãoNotificação nº 17.401.4/0319/2004, a qual foi anulada pelo Acórdão nº 20501.285, de 04/11/2008 (fls. 660/668), da 5ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, que vislumbrou irregularidade no processo administrativo em razão da falta de cientificação pelos devedores do resultado de diligências fiscais. O lançamento em questão diz respeito à exigência de contribuições decorrentes dos serviços prestados pela Construtora Queiroz Galvão à Companhia Brasileira de Trens Urbanos. O crédito tributário foi apurado com base no instituto da responsabilidade solidária, pela execução de serviços de construção civil, de acordo com o artigo 30, VI, da Lei no 8.212/1991, com redação vigente à época dos fatos geradores. Foram lançadas as contribuições patronais para a Seguridade Social e a descrição dos serviços prestados, de acordo com o objeto do contrato, encontrase nos ANEXOS do Relatório Fiscal às fls. 54/57. Após a anulação da DecisãoNotificação nº 17.401.4/0319/2004 pelo Conselho de Contribuintes, apenas a empresa prestadora apresentou nova impugnação, a qual foi parcialmente acatada pelo órgão de primeira instância que afastou em razão da decadência as contribuições relativas às competências até 06/1998, por aplicação da regra de contagem do prazo decadencial inserta no § 4. do art. 150 do CTN. Também foram retificados valores de base de cálculo, conforme conclusão da própria auditoria fiscal, quando efetuou diligência para verificar documentos acostados com a impugnação. Irresignada com a decisão da DRJ, a empresa prestadora interpôs recurso, no qual, em síntese, alegou que: a) há divergência entre o valor remanescente constante do discriminativo do débito e aquele citado na decisão recorrida, portanto, há se ser reformado acórdão da DRJ para que se explicite a razão da discrepância; b) a decisão atacada não poderia deixar de apreciar o mérito da causa sob a justificativa de que esta já teria sido apreciado nas decisões e contrarazões anteriores, posto que as decisões anteriores foram anuladas. Esse fato é causa de nulidade de acórdão guerreado; Fl. 1267DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 c) os tribunais pátrios têm repelido a aplicação da solidariedade quando o crédito tributário é apurado na empresa tomadora do serviço, somente reconhecendo a validade dos lançamentos quando efetuados em apuração específica no prestador; d) entende o STJ que somente com a análise da folha de pagamento e da contabilidade da empresa contratada é que se pode chegar ao valor efetivamente devido; e) a teor do art. 148 do CTN, não seria cabível a apuração da base de cálculo por aferição indireta, uma vez que a empresa prestadora possui contabilidade regular; f) os documentos juntados aos autos, todos relativos aos serviços abarcados pelo lançamento, foram indevidamente desconsiderados, posto que seriam suficientes para reconstituição dos fatos geradores que deram ensejo à lavratura; g) a recorrente já foi alvo de fiscalização com plena cobertura fiscal, relativa ao período albergado na NFLD, constituindose esta em verdadeiro “bis in idem”; h) a apuração do saláriodecontribuição com base nas notas fiscais está em desacordo com as instruções do próprio INSS, posto que está cabalmente comprovado nos autos que os serviços foram realizados mediante a utilização de meios mecânicos, sendo imperiosa a revisão da base de cálculo apurada; g) o fisco também incorreu em ilegalidade ao deixar de apropriar os valores que foram recolhidos em excesso para competências em que houve suposta insuficiência de pagamentos; h) o julgamento do presente feito deve ser feito em conjunto com aquele relativo á NFLD n. 35.537.5246, uma vez que são processos conexos; i) as folhas de pagamento acompanhadas das guias de recolhimento específicas comprovam que o crédito lançado é improcedente; j) devem ser apropriados na apuração todos os recolhimentos efetuados para a matrícula CEI n. 11901.08059/78, haja vista que restou comprovado que esta obra faz parte dos contratos examinados. Ao final, pede a declaração de nulidade do acórdão recorrido ou o reconhecimento da improcedência da NFLD. É o relatório. Fl. 1268DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35301.012562/200347 Acórdão n.º 2401003.303 S2C4T1 Fl. 1.267 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Responsabilidade solidária – órgãos da Administração Pública Conforme já identificado no relatório deste acórdão, a responsabilidade solidária atribuída ao Recorrente foi fundamentada no art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/91. Ocorre que a Companhia Brasileira de Trens Urbanos – CBTU é uma empresa de economia mista conforme dispõe o art. 1. do seu estatuto: Art. 1. A COMPANHIA BRASILEIRA DE TRENS URBANOS sociedade de economia mista vinculada ao Ministério das Cidades, constituída com fundamento no art. 5o da Lei 3.115, de 16 de março de 1957, no disposto no Decreto n° 74.242, de 28 de junho de 1974, e no contido no Decreto n° 89.396, de 22 de fevereiro de 1984, regerseá pelo presente Estatuto e pelas disposições legais que lhe forem aplicáveis. Em razão da sua natureza jurídica, a CBTU faz parte da Administração Pública Federal, estando submetida ao regramento especial disposto na Lei nº 8666/93. Essa Lei disciplina, no seu art. 71, que a responsabilidade pelos encargos que decorrem da execução dos contratos firmados com a Administração Pública deverão ser atribuídas apenas ao contratado, exceto nos casos em que a execução do contrato seja realizada mediante a cessão de mão de obra. Diante dessa previsão normativa, a Advocacia Geral da União reconheceu em no Parecer AC nº 055/2006, aprovado pelo Presidente da República, que a responsabilidade da Administração sobre as contribuições previdenciárias decorrentes dos contratos administrativos é restrita apenas aos casos de cessão de mão de obra, sendo que tal entendimento deve ser seguido pelos órgãos da Administração, conforme determina o art. 40, §1º da Lei Complementar nº 73/93. Este entendimento restou pacificado no CARF através da Súmula aprovada pela segunda turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais em sessão de 29/11/2010: Súmula CARF nº 66: Os Órgãos da Administração Pública não respondem solidariamente por créditos previdenciários das empresas contratadas para prestação de serviços de construção civil, reforma e acréscimo, desde que a empresa construtora tenha assumido a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. Fl. 1269DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Na situação sob comento, resta evidente que se trata de contratos por empreitada total efetuado com empresa construtora, não se vislumbrando a ocorrência de cessão de mãodeobra. Considerando, portanto, que o objeto da presente autuação não se refere à execução de contratos mediante cessão de mão de obra, concluise que no caso em destaque não há que se falar em responsabilidade solidária da CBTU. Vale ressaltar que, tendo a autoridade lançadora apurado o crédito tributário com base em aferição indireta, por entender equivocadamente ser possível a cobrança do tributo da tomadora do serviço – a CBTU – não pode a cobrança ser redirecionada contra o prestador. É que não havendo previsão legal de exigência das contribuições previdenciárias da tomadora dos serviços, todo o lançamento em discussão mostrase imprestável. A cobrança da contribuição eventualmente devida é permitida contra o prestador de serviço, porém através de procedimento fiscal instaurado perante este. Não existindo solidariedade no caso em apreço, não pode subsistir lançamento efetuado por aferição indireta, contra parte nitidamente ilegítima. Conclusão Voto por dar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 1270DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 12898.002343/2009-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - CONTRIBUIÇÃO PATRONAL - ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE ELEMENTOS DE PROVA - IMPROCEDÊNCIA DAS ALEGAÇÕES
Uma vez que a autoridade fiscal demonstrou de forma clara os fatos geradores descritos no lançamento, bem como toda a fundamentação legal, incumbe ao recorrente comprovar a improcedência dos fatos geradores lançados.
Meras alegações não se prestam a desconstituir o lançamento, fundamentados em registros contábeis apurados nos livros dos recorrentes verificados durante o procedimento fiscal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201401
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - CONTRIBUIÇÃO PATRONAL - ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE ELEMENTOS DE PROVA - IMPROCEDÊNCIA DAS ALEGAÇÕES Uma vez que a autoridade fiscal demonstrou de forma clara os fatos geradores descritos no lançamento, bem como toda a fundamentação legal, incumbe ao recorrente comprovar a improcedência dos fatos geradores lançados. Meras alegações não se prestam a desconstituir o lançamento, fundamentados em registros contábeis apurados nos livros dos recorrentes verificados durante o procedimento fiscal. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 12898.002343/2009-87
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5351521
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2401-003.314
nome_arquivo_s : Decisao_12898002343200987.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 12898002343200987_5351521.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
id : 5476658
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046816411353088
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1634; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12898.002343/200987 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.314 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de janeiro de 2014 Matéria DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES, CONTRIBUINTE INDIVIDUAL, CONTRIBUIÇÃO PATRONAL Recorrente LABO CINE DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS CONTRIBUIÇÃO PATRONAL ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE ELEMENTOS DE PROVA IMPROCEDÊNCIA DAS ALEGAÇÕES Uma vez que a autoridade fiscal demonstrou de forma clara os fatos geradores descritos no lançamento, bem como toda a fundamentação legal, incumbe ao recorrente comprovar a improcedência dos fatos geradores lançados. Meras alegações não se prestam a desconstituir o lançamento, fundamentados em registros contábeis apurados nos livros dos recorrentes verificados durante o procedimento fiscal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 23 43 /2 00 9- 87 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12898.002343/200987 Acórdão n.º 2401003.314 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente AI de obrigação principal, lavrado sob o n. 37.222.0908, em desfavor da recorrente tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, face a remuneração paga aos segurados contribuintes individuais (levantamento C1), que lhe prestaram serviços no período de 06/2005 a 12/2005. Conforme descrito no relatório fiscal, fls. 46 e seguintes, 0s valores dessas remunerações foram obtidos através do livro diário n° 9, registrado na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro JUCERJA, sob o n° 1757/2006, em 26/09/2006, conta n° 6047000 Serviços Diversos, com os valores mensais pagos ou creditados pelo sujeito passivo aos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços e encontramsc discriminados no Relatório de Lançamento RL, em anexo a este Auto dc Infração, através do código de Lançamento Cl Contribuinte Individual. Anexamos, como prova as cópias das folhas n° 0 1 , 10, 72, 73, 100, 101, 130, 162 e 195 do livro diário n° 9, por amostragem. A empresa deixou de apresentar as folhas de pagamento, referente a esta conta contábil, entretanto apresentou as demais folhas de pagamento, sendo emitido o Auto de Infração AI, Código de Fundamentação Legal 30. A empresa deixou de apresentar os documentos referentes aos lançamentos realizados nesta conta contábil, assim sendo, foi emitido o Auto de Infração AI, Código de Fundamentação Legal 38. Desta forma, não foram discriminados os segurados contribuintes individuais. Destacase, ainda no referido relatório a aplicação da multa mais benéfica de acordo com o disciplinado na lei 11.941/2009. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 22/12/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 30/12/2009. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 75 a 78. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 109 a 113. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/10/2005 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA .HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA . REMUNERAÇÃO PAGA OU CREDITADA A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. O pagamento ou o crédito contábil de remuneração a segurado contribuinte individual por serviços prestados a pessoa jurídica, atrai a incidência da contribuição prevista no art. 22, III da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99. CRÉDITO TRIBUTÁRIO . FATO EXTINTIVO ÔNUS DA PROVA. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 A alteração do crédito tributário constituído deve se basear em fatos extintivos ou modificativos, arguidos como matéria de defesa, devidamente demonstrados pelo contribuinte mediante produção de provas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 117 a 120, contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, quais sejam: 1. As diferenças apuradas decorrem exclusivamente da inobservância, por parte do Auditor fiscal, do seu dever de ofício de busca da verdade material, ao se basear em valor diverso do escriturado pela impugnante em seu livro diário, bem como nas folhas de pagamento; 2. As folhas de pagamento que haviam sido extraviadas já estão à disposição do Fisco de forma a viabilizar a verificação do correto recolhimento 3. Por se tratar de um espaço dominado pelo princípio da legalidade, tendente à proteção da esfera privada dos arbítrios do poder, a investigação dos fatos no processo administrativo fiscal está submetida a um princípio inquisitório e a sua valoração a um princípio da verdade material. 4. Colaciona doutrina e menciona que as decisões administrativas devem sempre observar para com o seu encargo de prova e dever de investigação (sic); 5. Solicita o provimento do recurso de forma a anular integralmente o presente AI. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12898.002343/200987 Acórdão n.º 2401003.314 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: Considerando a inexistência nos autos do AR com a ciência do recorrente, nem mesmo o carimbo da postagem, para que se determinasse a ciência após 15 dias da postagem, passo a análise do recurso considerando que a DRFB encaminhou o mesmo, sem qualquer indicação acerca da intempestividade. DO MÉRITO No mérito, foram trazidos os mesmos argumentos da impugnação, ou seja, o recorrente alega que ocorreu o efetivo recolhimento , e que as folhas de pagamento para comprovar suas alegações encontramse à disposição da fiscalização. Ora, ao recorrente dáse o direito de insurgirse contra o lançamento fiscal, colacionando alegações que demonstrem a fragilidade do mesmo, mas desde que, para tanto, demonstre de forma cabal suas alegações. Simplesmente alegar, ou mesmo dizer que as folhas de pagamento extraviadas à época da fiscalização, encontramse à disposição, de forma alguma, determina a procedência de suas alegações. Durante o procedimento o contribuinte é intimado a apresentar os documentos que determinam a sua regularidade em relação as contribuições previdenciárias dos segurados pessoas físicas contratados para lhe prestar serviços. Aliás esse fato já foi suficientemente esclarecido pela autoridade julgadora, conforme trecho da decisão abaixo transcrita. 10. Segundo as regras processuais que disciplinam a distribuição do ônus da prova, a demonstração dos fatos extintivos, impeditivos e modificativos incumbe a quem os alega, portanto, à impugnante. estabelece: 11. Sobre o tema, o artigo 16, inciso I I I , do Decreto n° 70.235/72, assim Art.16" A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993); 12. No mesmo sentido, há mandamento expresso na Lei 9.784/99, quanto ao ônus probatório, conforme segue: Fl. 175DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 13. Há mandamento semelhante no Código de Processo C i v i l , o qual, em seu artigo 333, impõe ao sujeito passivo o ônus da prova dos fatos extintivos, impeditivos ou modificativos por ele alegados, nos seguintes termos: "Art. 333. O ônus da prova incumbe:(...) II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor" 14. É o que se depreende também da doutrina de Marcos Vinícius Neder e Maria Teresa Martinez Lopez, in "Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado", Dialética, 2002, p. 207: "A palavra ônus, do latim ónus, significa carga, peso, encargo, obrigação. Quando se indaga a quem cabe o ônus da prova, quer se saber a quem cabe a obrigação de prover os elementos probatórios suficientes para formação do convencimento do julgador. No processo administrativo fiscal federal, temse como regra que aquele que alega algum fato é quem deve provar. Então, o ônus da prova recai a quem dela se aproveita. Assim, se a Fazenda alega ter ocorrido fato gerador da obrigação tributária, deverá apresentar a prova de sua ocorrência. Se, por outro lado, o interessado aduz a inexistência da ocorrência do fato gerador, igualmente, terá que provar a falta dos pressupostos de sua ocorrência ou a existência de fatores excludentes "(grifamos). 15. Segundo Alberto Xavier, i n " D o Lançamento: Teoria Geral do A t o , do Procedimento e do Processo Tributário, p. 337, "compete indiscutivelmente ao autor a prova dos fatos constitutivos do direito alegado, isto é, do direito à anulação, e, portanto, a prova dos fatos que se traduzem em vícios do lançamento impugnado ". leciona que 16. Por fim, Luis Eduardo Schoueri, i n "Processo Administrativo Fiscal", "também no direito tributário prevalece as regras do ônus objetivo da prova, que excetuados os casos em que a lei dispuser diferentemente impõem caber o dever de provar o alegado à parte em favor de quem a norma corre. (Grifos nossos) Conclusão 17. Por f i m , o lançamento cumpriu todos os seus requisitos, a partir do momento em que o fato gerador foi claramente demonstrado, a base de cálculo quantificada, a fundamentação legal elencada, as alíquotas definidas e o período discriminado. Assim, nego provimento à Impugnação, e manifestome pela procedência do lançamento. Bastanos uma simples leitura do relatório fiscal, fl. 46 e seus anexos, para que se perceba, que auditor desincumbiuse de identificar claramente não apenas o fato gerador como toda a legislação que fundamenta o lançamento, inclusive indicando aa conta contábil da qual foram extraídos os fatos geradores. Ou seja, fácil seria ao recorrente realizar a conferência dos valores ora lançados com aqueles efetivamente recolhidos, e indicando durante a fase Fl. 176DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12898.002343/200987 Acórdão n.º 2401003.314 S2C4T1 Fl. 5 7 impugnatória, ou mesmo na recursal (caso, os documentos fossem encontrados a destempo)). A indicação dos fatos geradores apurados durante o procedimento fiscal, realmente é da competência da autoridade fiscal, que tem o dever de efetuar o lançamento de forma clara, permitindo o exercício da ampla defesa e do contraditório, porém a partir do momento que não são apresentados documentos que comprovem o recolhimento sobre todos os fatos geradores, ou mesmo a discriminação desses fatos, deve a recorrente, de posse dos relatórios constantes do presente documento, providenciar uma defesa específica em relação a cada fato gerador, o que não identifico no presente recurso. Notese, por fim, que o recorrente nem mesmo questiona a contribuição devida pela empresa nos termos do art. 22, III da lei 8212/91, qual seja contribuição dos segurados contribuintes individuais não retida em época própria. Dessa forma, a decisão que manteve a integralidade do lançamento não merece qualquer reparo, considerando que meras alegações do recorrente, sem ter o mesmo colacionado qualquer prova contundente da veracidade das mesmas, não torna indevido o lançamento. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
