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Numero do processo: 10680.725067/2010-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2006 a 31/08/2006
SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE.
A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda Pública de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar.
DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. JUROS E MULTA DE MORA. INEXIGIBILIDADE
A ocorrência do depósito do montante integral do débito em dinheiro importa na suspensão da exigibilidade do crédito tributário correspondente, sendo incabível a exigência de multa de mora, exclusivamente, no caso de o depósito ter sido efetuado antes do decurso do prazo regular para o pagamento do tributo lançado, assim como os juros moratórios desde a data da efetivação do depósito.
GRUPO ECONÔMICO. HIPÓTESE LEGAL DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PASSIVA SOLIDÁRIA.
As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social. Art. 30, IX da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 124 do CTN.
PROVA NOS AUTOS. HIPÓTESES DE DISPENSA LEGAL.
Não dependem de prova nos autos do processo os fatos notórios, os fatos afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária, os fatos admitidos, no processo, como incontroversos, bem como os fatos em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade, a teor do art. 334 do Código de Processo Civil.
Embargos Acolhidos
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2302-003.595
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, tão somente, para que se promova a correção do erro por inexatidão material de que padecia a Decisão Embargada, mediante a prolação ex officio do mesmo Acórdão ora em trato, em que reste consignado como sujeito passivo a empresa COMPANHIA ENERGÉTICA DE MINAS GERAIS - CEMIG CNPJ 17.155.730/0001-64, no lugar da empresa CEMIG DISTRIBUIÇÃO S/A, CNPJ 06.981.180/0001-16.
Liege Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora.
Arlindo da Costa e Silva Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Theodoro Vicente Agostinho, Leo Meirelles do Amaral e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda Pública de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar. DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. JUROS E MULTA DE MORA. INEXIGIBILIDADE A ocorrência do depósito do montante integral do débito em dinheiro importa na suspensão da exigibilidade do crédito tributário correspondente, sendo incabível a exigência de multa de mora, exclusivamente, no caso de o depósito ter sido efetuado antes do decurso do prazo regular para o pagamento do tributo lançado, assim como os juros moratórios desde a data da efetivação do depósito. GRUPO ECONÔMICO. HIPÓTESE LEGAL DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PASSIVA SOLIDÁRIA. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social. Art. 30, IX da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 124 do CTN. PROVA NOS AUTOS. HIPÓTESES DE DISPENSA LEGAL. Não dependem de prova nos autos do processo os fatos notórios, os fatos afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária, os fatos admitidos, no processo, como incontroversos, bem como os fatos em cujo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 50 67 /2 01 0- 82 Fl. 411DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/ 2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 favor milita presunção legal de existência ou de veracidade, a teor do art. 334 do Código de Processo Civil. Embargos Acolhidos Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, tão somente, para que se promova a correção do erro por inexatidão material de que padecia a Decisão Embargada, mediante a prolação ex officio do mesmo Acórdão ora em trato, em que reste consignado como sujeito passivo a empresa COMPANHIA ENERGÉTICA DE MINAS GERAIS CEMIG – CNPJ 17.155.730/000164, no lugar da empresa CEMIG DISTRIBUIÇÃO S/A, CNPJ 06.981.180/000116. Liege Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Juliana Campos de Carvalho Cruz – Relatora. Arlindo da Costa e Silva – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Theodoro Vicente Agostinho, Leo Meirelles do Amaral e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/ 2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10680.725067/201082 Acórdão n.º 2302003.595 S2C3T2 Fl. 290 3 Relatório Tratase de Embargos de Declaração, interposto pela DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM BELO HORIZONTE/MG em face do Acórdão n° 2302003.231 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 17 de julho de 2014, ao argumento de que o Acórdão embargado teria incorrido em manifesto erro material ao indicar como Sujeito Passivo do Auto de Infração em referência a empresa CEMIG DISTRIBUIÇÃO S/A, CNPJ 06.981.180/000116, quando o correto seria COMPANHIA ENERGÉTICA DE MINAS GERAIS CEMIG – CNPJ 17.155.730/000164. O Auto de Infração foi lavrado contra a empresa Companhia Energética de Minas Gerais – CEMIG, CNPJ 17.155.730/000164, no valor de R$ 3.155.782,49, cobrandolhe, no período de 06/06 a 08/06, o pagamento das contribuições sociais destinadas à Seguridade Social correspondente à parte patronal, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) incidente sobre valores pagos a segurados empregados (anuênio indenizado), depositados em juízo, conforme relatório fiscal de fls. 12/16. De acordo com o auditor (fls. 12/16), o lançamento foi constituído no intuito de evitar que os valores das contribuições previdenciárias fossem atingidos pela decadência em decorrência dos depósitos judiciais efetuados na Ação Judicial 2006.38.00.0218396, em trâmite perante a 20ª Vara da Justiça Federal de Minas Gerais, nas competências 06/2006 a 08/2006 (fls. 12). Foram as empresas componentes do Grupo Econômico (CEMIG Geração e Transmissão S/A, CNPJ 06.981.176/000158 e CEMIG DISTRIBUIÇÃO S/A, CNPJ 06.981.180/000116) fls. 77/82, intimadas mediante Termo de Sujeição Passiva. Todas devidamente intimadas, as empresas apresentaram Impugnação única (fls. 99/110), tempestivamente, alegando em breve síntese: a) Ser incabível a extensão da responsabilidade tributária da CEMIG DISTRIBUIÇÃO S/A às demais empresas, uma vez que no próprio lançamento o contribuinte apresentou patrimônio para quitar, caso seja devido, o valor apurado; b) Que os valores lançados estão integralmente depositados em juízo, razão pela qual não é devida a cobrança. Cita jurisprudência; c) Que o depósito judicial equiparase ao pagamento do tributo, sendo ilegal a cobrança de juros e multa de mora; d) Por fim, requereu a anulação do lançamento e, alternativamente, a exclusão dos juros e da multa. Fl. 413DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/ 2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Na decisão proferida pela 8ª Turma da DRJ/BHE ACORDÃO 0244.668 (fls.223/226) foi mantido o crédito tributário, pelas seguintes razões: a) Mesmo que a matéria estivesse em discussão judicial, o crédito tributário deveria ser lançado com o objetivo de evitar que os valores fossem atingidos pela decadência; b) Que o depósito efetuado, embora suspenda a exigibilidade do crédito, não enseja garantia plena de transformação em pagamento definitivo; c) Quanto a cobrança dos juros e da multa, afirmou que o lançamento dos acréscimos legais segue o lançamento do crédito decorrente da obrigação tributária principal a qual estava aguardando decisão judicial definitiva; d) Que em consulta realizada em 17/05/2013 ao sítio do TRF 1ª Região verificou que o processo ainda não transitou em julgado. e) Em relação a responsabilidade solidária, afirmou que as próprias empresas reconhecem em sua defesa que pertencem ao grupo econômico da CEMIG. Desse modo, nos termos do art. 30, inciso IX da Lei 8212/91, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei. f) Por fim, determinou o sobrestamento da cobrança do crédito até o julgamento final do processo n.º 2006.38.0218396. Após notificação do Acórdão nº 0244.668 (fls. 235/242), as empresas, inconformadas, apresentaram Recurso Voluntário (fls. 244/254), de forma tempestiva. Em suas razões, afirmaram: a) Que de acordo com o entendimento pacificado do STJ, quando houver depósito judicial de tributos sujeito a lançamento por homologação, dispensável se faz o ato formal de lançamento por parte do Fisco, não havendo que se falar em decadência; b) Que os valores lançados correspondem aos dos depósitos judiciais realizados pela empresa e seu valor originário, não havendo que se falar em lançamento de oficio suplementar ou posterior por parte do Fisco; c) Quanto ao lançamento de juros e multa, não há razão justificadora para tal feito, vez que, o depósito judicial foi realizado integralmente e dentro do vencimento. Isto posto, por não haver mora, os encargos não podem ser exigidos; d) Que não se aplica ao presente caso o disposto no art. 63 da lei 9.430/96; e) Afirmou não haver indicação de fundamento legal para amparar o lançamento, em especial os arts. 150, § 4º e 151, II, todos do CTN, o que enseja a anulação; f) Por fim, requereu a desconstituição do termo de sujeição passiva solidária; a anulação do lançamento, sucessivamente, o decote da multa Fl. 414DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/ 2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10680.725067/201082 Acórdão n.º 2302003.595 S2C3T2 Fl. 291 5 de mora e dos juros, considerando o depósito judicial do montante integral lançado, por conseguinte, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Acórdão n° 2302003.231 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 17 de julho de 2014, a fls. 260/281, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os juros e a multa de mora, em vista da existência de depósitos judiciais no valor integral do débito. A DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM BELO HORIZONTE/MG opôs Embargos de Declaração, a fl. 285, em face do Acórdão n° 2302 003.231 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 17 de julho de 2014, ao argumento de que o Acórdão embargado teria incorrido em manifesto erro material ao indicar como Sujeito Passivo do Auto de Infração em referência a empresa CEMIG DISTRIBUIÇÃO S/A, CNPJ 06.981.180/000116, quando o correto seria COMPANHIA ENERGÉTICA DE MINAS GERAIS CEMIG – CNPJ 17.155.730/000164. Os embargos foram acolhidos, tão somente, para que se promovesse a correção do erro por inexatidão material de que padecia a Decisão Embargada, mediante a prolação ex officio do mesmo Acórdão ora em trato, em que restasse consignado como sujeito passivo a empresa COMPANHIA ENERGÉTICA DE MINAS GERAIS CEMIG – CNPJ 17.155.730/000164, no lugar da empresa CEMIG DISTRIBUIÇÃO S/A, CNPJ 06.981.180/000116. Eis o relatório. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/ 2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Voto Vencido Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, devendo ser conhecido e examinado. 1 – Dos Depósitos Judiciais: Defende a Recorrente a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e a não incidência dos juros e da multa de mora, uma vez que os valores objeto do lançamento encontramse depositados em sua integralidade em conta vinculada à Ação Ordinária nº 2006.38.00.0218396 que tramitou perante a 20ª Vara Federal da Subseção de Minas Gerais. Ao contrário do que pretende a empresa no que pertine a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, o depósito judicial, efetivado em seu valor total, não afeta o lançamento escorreito. Isto porque o ajuizamento de Ação Ordinária n° 2006.38.00.0218396 (ainda em trâmite consulta realizada perante o site do Tribunal Regional Federal da 1ª Região) pelo contribuinte visando afastar a cobrança de determinada contribuição não impede a Administração de proceder ao lançamento, ainda que comprovados os depósitos judiciais (art. 151, inciso II, CTN). Nos termos do art. 142 do CTN, sendo a atividade administrativa vinculada, o auditor fazendário está obrigado a constituir o crédito tributário quando verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, sob pena de responsabilidade funcional. Vejamos a norma: "Art. 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional." Sendo assim, tais depósitos suspendem tão somente os atos executórios da cobrança, o que legitima o lançamento. Todavia, entendo que não é devido a imposição de penalidade quando o crédito tributário já se encontra com a exigibilidade suspensa em decorrência dos depósitos Fl. 416DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/ 2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10680.725067/201082 Acórdão n.º 2302003.595 S2C3T2 Fl. 292 7 judiciais efetuados antes do início de qualquer procedimento de ofício. Eis o entendimento do CARF: "LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. MULTA PUNITIVA. IMPOSSIBILIDADE. JUROS DE MORA. Não é cabível a imposição de penalidade quando o auto de infração é lavrado para prevenir a decadência de tributos com exigibilidade suspensa em virtude de depósitos judiciais." (AC 2402002.819 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingos)." Em relação aos juros de mora, o raciocínio não é diferente. É pacífico o entendimento desta Corte Administrativa no sentido de afastar a exigência dos juros de mora quando houver comprovação de que os valores devidos encontramse depositados judicialmente em sua integralidade. Eis o teor da Súmula nº 05: “Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.” Na hipótese dos autos, uma vez demonstrado pelo auditor que os depósitos judiciais ocorreram antes do início da ação fiscal, no valor integral do crédito previdenciário, deve ser afastada a multa e os juros, já que não existiu inadimplemento por parte do contribuinte. 2 Da Responsabilidade – Grupo Econômico: O Código Tributário Nacional ao definir o sujeito passivo responsável e a própria solidariedade, adotou o princípio da legalidade, nos termos dos artigos 121 e 124: "Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei." Fl. 417DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/ 2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem." Neste contexto, dispõe o art. 30, inciso IX da Lei nº 8.212/91 que as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei. "Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: ... IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei;" O conceito de grupo econômico pode ser extraído da norma instituída no art. 265 da Lei nº 6.404/76 que assim dispõe: "Art. 265. A sociedade controladora e suas controladas podem constituir, nos termos deste Capítulo, grupo de sociedades, mediante convenção pela qual se obriguem a combinar recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetos, ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns." No mesmo sentido estabelece o art. 2º, §2º da Consolidação das Leis Trabalhistas, vejamos: "Art. 2.º ... ... § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Diante do ordenamento pátrio, posso afirmar que Grupo Econômico pode ser entendido como a união de pessoas jurídicas que exercem atividade empresária, com personalidades distintas, sob o comando de uma delas, ou que empreenda conjuntamente recursos e/ou esforços a fim de alcançar os respectivos objetos ou empreendimentos em comum. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/ 2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10680.725067/201082 Acórdão n.º 2302003.595 S2C3T2 Fl. 293 9 Acerca da matéria, cito trecho do voto do eminente Desembargador Federal FREDERICO AZEVEDO, proferido na Apelação Cível n.º 377949/PE, cujo entendimento justifica a existência do grupo econômico: "Conseguintemente, a responsabilidade solidária do grupo econômico é realidade normativa inscrita não apenas no inciso IX, do art. 30, da Lei nº 8.212/91, com respaldo no inciso II, do art. 124, do Código Tributário Nacional, que estabelece que são solidariamente obrigadas as pessoas expressamente designadas por lei, mas em outras normas jurídicas, a exemplo da regra inserta no § 2º, do art. 2º, da Consolidação das Leis do Trabalho, que dispõe: "Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas". A solidariedade se impõe como medida de garantia do cumprimento das obrigações jurídicas, de modo a impedir o inadimplemento pelo fracionamento fugidio.” (grifo nosso)" A solidariedade, tal como disposta na lei, não deve ser aplicada discricionariamente. Para tanto, deve o auditor demonstrar os interesses em comum das empresas (exemplificativamente: confusão patrimonial ou concentração administrativa) ou a situação de fato que implique a responsabilidade solidária. No relatório fiscal de fls. 16, aduziu o auditor que nos termos do inciso IX do art. 30 da Lei 8.212/91 e inciso I do art. 124 do CTN foram arroladas as empresas CEMIG Geração e Transmissão S/A CNPJ: 06.981.176/000158 e CEMIG DISTRIBUIÇÃO S/A, CNPJ 06.981.180/000116, como componentes de grupo econômico, para as quais lavrouse o Termo de Sujeição Passiva, vejamos: “Nos termos do inciso IX do art. 30 da Lei 8.212/91 e inciso I do art. 124 da Lei 5.172/66 (CTN – Código Tributário Nacional), estão sendo arroladas as empresas abaixo relacionadas componentes de grupo econômico, para as quais lavrouse o TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. Aos mesmos foram anexadas, em arquivos digitais autenticados, cópias dos Autos de Infração relacionados no item 1 deste título e endereçados aos sujeitos passivos solidários mencionados abaixo com o objetivo de cientificálos das exigências tributárias lavradas contra o contribuinte autuado...” Não obstante ter transferido a responsabilidade, o auditor não demonstrou as razões que o levaram a concluir nesta linha. O dever de motivar é inerente a própria atividade administrativa. Para tanto, não basta a autoridade fazendária mencionar o dispositivo legal. O art. 50, inciso I da Lei nº Fl. 419DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/ 2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 9.784/99 determina que os atos administrativos devem ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos quando neguem, limitem ou afetem direito ou interesses, vide: "Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses;" Este entendimento é adotado pelo CARF. A exemplo cito Acórdão nº 2302 003.094, de Relatoria da Presidente da 2ª Seção – 3ª Câmara – 2ª Turma Ordinária, Dra. Liege Lacroix Thomasi, cuja ementa segue abaixo: "IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Cabe à autoridade lançadora motivar adequadamente suas afirmativas, possibilitando ao contribuinte a perfeita compreensão do que lhe é imputado, viabilizando o exercício do direito inserido no inciso LV, do artigo 5º da Constituição Federal/88." Diante da ausência de motivação, não vejo razão para ampliar a responsabilidade pelo adimplemento das obrigações tributárias às empresas CEMIG Geração e Transmissão S/A (CNPJ: 06.981.176/000158) e CEMIG Distribuição S/A, (CNPJ: 06.981.180/000116). Por todo o exposto: CONHEÇO do Recurso Voluntário, por tempestivo, para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, excluindo os juros e a multa de mora incluídos na presente ação fiscal, bem como, a responsabilidade solidária das empresas CEMIG Geração e Transmissão S/A (CNPJ: 06.981.176/000158) e CEMIG Distribuição S/A, (CNPJ: 06.981.180/000116), pelo adimplemento das obrigações previdenciárias. É como voto. Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/ 2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10680.725067/201082 Acórdão n.º 2302003.595 S2C3T2 Fl. 294 11 Voto Vencedor DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Fincamos a opinio iuris que ora se aquilata nas hipóteses de dispensa legal de produção probatória prevista no art. 334 do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal com respaldo no art. 108 do Código Tributário Nacional CTN. Código de Processo Civil CAPÍTULO VI DAS PROVAS Seção I Das Disposições Gerais Art. 332. Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou a defesa. Art. 334. Não dependem de prova os fatos: I notórios; II afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária; III admitidos, no processo, como incontroversos; IV em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. Código Tributário Nacional CTN Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; IV a equidade. §1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. §2º O emprego da equidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido. De acordo com o Pergaminho Processual civil, consubstanciado na Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, norma de direito público por excelência, não dependem de Fl. 421DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/ 2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 prova no processo os fatos notórios; os fatos afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária; os fatos admitidos, no processo, como incontroversos, bem como os fatos em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. Fato notório é aquele de conhecimento geral, perceptível por qualquer pessoa de mediano entendimento. O conceito de notoriedade é relativo, possui limitações de tempo, espaço e esfera social. Podemos dizer que fato notório é aquele cujo conhecimento faz parte da cultura normal própria de determinada esfera social no tempo em que ocorre a decisão. Para que um fato seja considerado notório não se faz necessário o seu efetivo conhecimento, sendo suficiente que possa ser extraído da ciência pública ou comum. No caso em tela, a página na internet www.cemig.com.br expõe todo o grupo econômico da CEMIG, constituído pela Holding CEMIG – Companhia Energética de Minas Gerais e por mais de 200 sociedades e 17 consórcios. A Cemig, holding do setor elétrico, atua nos segmentos de distribuição, geração e transmissão de energia, sendo suas principais controladas e respectivas atividades: · Cemig Geração e Transmissão S.A. ("Cemig GT") ou ("Cemig Geração e Transmissão") (controlada participação de 100,00%) subsidiária integral de capital aberto (possui 48 usinas, sendo 43 usinas hidrelétricas, 4 eólicas e 1 termelétrica e linhas de transmissão pertencentes, em sua maior parte, à rede básica do sistema brasileiro de geração e transmissão. A Cemig GT possui ainda participação societária em várias controladas, todas atuando nos mesmos segmentos. · Cemig Distribuição S.A. ("Cemig D") ou ("Cemig Distribuição") (controlada participação de 100,00%) Subsidiária integral de capital aberto, com distribuição de energia elétrica através de redes e linhas de distribuição em aproximadamente 97% do Estado de Minas Gerais atendendo a 6.832.361 consumidores em 31 de dezembro de 2009. · Light S.A. ("Light") (controlada em conjunto participação 13,03%) Tem por objeto social a participação em outras sociedades, como sócia quotista ou acionista e a exploração, direta ou indiretamente, conforme o caso, de serviços de energia elétrica, compreendendo os sistemas de geração, transmissão, comercialização e distribuição de energia elétrica, bem como de outros serviços correlatos. Tais informações são de livre acesso a todos os internautas, a todo e qualquer tempo, permitindo ao público em geral o perfeito conhecimento da extensão e das empresas que integram o grupo econômico CEMIG, circunstância que dispensa sua demonstração nos autos. De fato, tratase a empresa autuada de sociedade de economia mista, conforme Estatuto Social consolidado aprovado pela Escritura Pública de Constituição em 08/09/2004, arquivada na JUCEMG em 15/09/2004, sob o nº 31300020568 e pelas Assembleias Gerais reunidas para reforma estatutária, até as últimas AGO/AGE, realizadas, cumulativamente em 29/04/2009, cuja ata foi arquivada na JUCEMG em 15/05/2009, sob o nº 4130441. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/ 2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10680.725067/201082 Acórdão n.º 2302003.595 S2C3T2 Fl. 295 13 Fl. 423DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/ 2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 Avulta que a condição de grupo econômico existente entre COMPANHIA ENERGÉTICA DE MINAS GERAIS – CEMIG, a CEMIG GERAÇÃO E TRANSMISSÃO S/A e a CEMIG DISTRIBUIÇÃO S/A não se configura como objeto de qualquer controvérsia no bojo do vertente Processo Administrativo Fiscal. Ao contrário, as posições esposadas pela administração tributária e pelo Recorrente são convergentes e desaguam na mesma conclusão. A CEMIG DISTRIBUIÇÃO S/A E A a CEMIG GERAÇÃO E TRANSMISSÃO S/A são subsidiárias integrais da COMPANHIA ENERGÉTICA DE MINAS GERAIS – CEMIG. Sendo tal condição admitida pelas partes no processo, como incontroversa, tal fato não depende de prova, conforme assim estatui o inciso III do art. 334 do Código de Processo Civil. Mas ainda não acabou. Há mais um detalhe. Mostrase alvissareiro iluminar que os atos administrativos, assim como seu conteúdo, gozam de presunção legal iuris tantum de legalidade, legitimidade e veracidade. Diferentemente do que ocorre com as pessoas jurídicas de direito privado, que se formam a partir da vontade humana, as pessoas jurídicas de direito público tem sua existência legal em razão de fatos históricos, da Constituição do país, de leis ou tratados internacionais, visando ao atingimento de certos fins de interesse da coletividade, estruturando se juridicamente, ao influxo de uma finalidade cogente, eis que vinculada ao princípio da constitucional da finalidade. Muito embora a Administração Pública se submeta primordialmente ao regime jurídico de direito público, nas ocasiões em que sua subsunção ao regime de direito privado se revela preponderante, a sua submissão não é absoluta, uma vez que a necessidade de satisfação dos interesses coletivos exige a outorga de prerrogativas e privilégios para a Administração pública, tanto para limitar o exercício dos direitos individuais em benefício do bem estar coletivo como para a própria e eficaz prestação de serviços públicos. Tais prerrogativas e privilégios existem e subsistem mesmo quando o Ente Público se equipara ao privado, eis que inerentes à ideia de dever irremissível do Estado, bem como à supremacia dos interesses coletivos que representa em contraposição aos interesses individuais de natureza privada. Justificamse as prerrogativas e privilégios da Administração Pública pela circunstância de serem os atos administrativos emanações diretas do Poder Público em favor da coletividade, impondoselhes a premência de serem ornados de determinados atributos que os distingam dos atos jurídicos de direito privado, o que lhes confere características intrínsecas próprias e condições peculiares de atuação na sociedade, como nessa qualidade se apresentam a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade. Relembrando o magistério do Mestre Hely Lopes Meirelles, “os atos administrativos, qualquer que seja sua categoria ou espécie, nascem com a presunção de legitimidade, independentemente de norma legal que a estabeleça. Essa presunção decorre do princípio da legalidade da Administração, que, nos Estados de Direito, informa toda a atuação governamental. Além disso, a presunção de legitimidade dos atos administrativos responde as exigências de celeridade e segurança das atividades do Poder Público, que não podem ficar na dependência da solução de impugnação dos administrados, quanto à legitimidade de seus atos, para só após darlhes execução”. (Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo: Malheiros, 1995). Fl. 424DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/ 2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10680.725067/201082 Acórdão n.º 2302003.595 S2C3T2 Fl. 296 15 Nessa vertente, a presunção de legitimidade do ato administrativo relaciona se aos seus aspectos jurídicos. Em consequência, presumemse, até que se prove o contrário, que os atos administrativos foram emitidos com observância da lei. No entanto, essa presunção abrange também a veracidade dos fatos contidos no ato, no que se convencionou denominar de “presunção de veracidade dos atos administrativos”, do qual decorre a circunstância de serem presumidos como verdadeiros os fatos alegados pela Administração, até a prova em sentido diverso. Na arguta visão de Maria Sylvia Zanella Di Pietro, a presunção de veracidade e legitimidade consiste na "conformidade do ato à lei. Em decorrência desse atributo, presumemse, até prova em contrário, que os atos administrativos foram emitidos com observância da lei" (Direito Administrativo, 18ª Edição, 2005, Atlas, São Paulo). Ainda de acordo com a citada autora, "A presunção de veracidade diz respeito aos fatos. Em decorrência desse atributo, presumemse verdadeiros os fatos alegados pela Administração." (op. cit. pág. 191). Dessarte, a aplicação da presunção de veracidade tem o condão de inverter o ônus da prova, cabendo ao particular comprovar de forma cabal a inocorrência dos fatos descritos pelo agente público, ou circunstância que exima sua responsabilidade administrativa, nos termos dos art. 333, inciso I do Código de Processo Civil. Nessa toada, por serem dotados os atos administrativos de prerrogativas que derrogam o direito comum perante a administração, urge serem analisados sob a luz que dimana do regime jurídico de direito público que os rege. Em curta e superficial digressão acerca dos meios de prova admissíveis em direito, percebemos que o art. 332 do Código de Processo Civil considera como hábeis a provar a verdade dos fatos todos os meios legais, assim como aqueles moralmente legítimos, ainda que não especificados no Código. A partir da interpretação sistemática do ora revisitado dispositivo, perante o dogma do contraditório e da ampla defesa encartado nos incisos LV e LVI do art. 5º da Carta de 1988, concluise ser aceitável a utilização no processo administrativo ou judicial de todos os meios de prova, desde que moralmente legítimos e colhidos, direta ou indiretamente, sem infringência às normas de direito material. Visitando as páginas do CPC, nos deparamos com o preceito inscrito no inciso IV do art. 334, que assenta de forma expressa não depender de prova no processo os fatos em cujo favor militar presunção legal de existência ou de veracidade. Vale lembrar que as presunções, assim como os indícios, são também conhecidas como prova indireta. Nessa perspectiva, enquanto os meios ordinários de prova fornecem ao julgador a ideia objetiva do fato que se almeja provar, na presunção, os fatos afirmados não se referem ao meio de prova apresentado, mas a um outro fato ordinário não comprovado nos autos mas conexo ao fato probante, que com ele se relaciona, e de cujo conhecimento, através de um raciocínio lógico, atrai a conclusão de ocorrência do primeiro. A estrutura do raciocínio empregado é a do silogismo, figurando como premissa menor um fato conhecido e provado nos autos e como premissa maior a verdade contida nesse fato auxiliar, cuja ocorrência se deduz pela experiência do que ordinariamente acontece. Colhemos da melhor doutrina que, “nesse caso, o juiz conhecerá o fato probando indiretamente. Tendo como ponto de partida o fato conhecido, caminha o juiz, por Fl. 425DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/ 2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 via do raciocínio e guiado pela experiência, ao fato por provar” (Moacyr Amaral dos Santos, Primeiras Linhas de Direito Processual Civil 2º Volume, São Paulo: Saraiva, 1995). Consoante tal estrutura, se um determinado fato jurídico realmente vem a ocorrer, dele sucederá o fato que se deseja provar, em razão do que comumente acontece. Em hipóteses tais, quando na base do silogismo se chega a um fato que ordinariamente acontece, da conclusão se autoriza que se extraia uma presunção, eis que o fato presumido é uma consequência verossímil do fato conhecido. Assim, as presunções legais decorrem de um raciocínio sugerido pelo ordenamento legal, devendo tal situação restar expressamente consignada na lei. Sua eficácia probatória, todavia, pode admitir ou não de prova em sentido contrário. Nesse contexto, na presunção absoluta a parte invocadora da presunção não está obrigada a provar o fato presumido, mas sim, o fato no qual a lei se assenta, não admitindo qualquer prova em contrário. De modo diverso, na presunção relativa, a lei estabelece que o fato presumido é havido como verdadeiro até que a ele se oponha prova em contrário. No caso sub examine, a presunção de veracidade dos atos administrativos decorre do princípio da legalidade estatuído no caput do art. 37 da Lex Excelsior, sendo considerada, para efeitos processuais, uma presunção legal iuris tantum e, dessarte, um meio de prova válido no processo. Deflui da interpretação sistemática dos dispositivos encartados nos artigos 19, II, da CF/88 e 364 do CPC que os fatos consignados em documentos públicos carregam consigo a presunção de veracidade atávica aos atos administrativos, ostentando estes fé pública, a qual não pode ser recusada pela Administração Pública, devendo ser admitidos como verdadeiros até que se produza prova válida em contrário. Constituição Federal de 1988 Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) II recusar fé aos documentos públicos; (...) Código de Processo Civil Art. 364. O documento público faz prova não só da sua formação, mas também dos fatos que o escrivão, o tabelião, ou o funcionário declarar que ocorreram em sua presença. A Suprema Corte de Justiça já irradiou em seus arestos a interpretação que deve prevalecer na pacificação do debate em torno do assunto, sendo extremamente convergente a jurisprudência dela promanada, como se pode verificar nos julgados a seguir alinhados, cujas ementas rogamos vênia para transcrevêlas. AgRg no RMS 19918 / SP Relator(a) Ministro OG FERNANDES Órgão Julgador T6 SEXTA TURMA Data da Publicação/Fonte: DJe 31/08/2009 Fl. 426DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/ 2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10680.725067/201082 Acórdão n.º 2302003.595 S2C3T2 Fl. 297 17 MANDADO DE SEGURANÇA IMPETRADO CONTRA ATO ADMINISTRATIVO CASSATÓRIO DE APOSENTADORIA. CERTIDÃO DE TEMPO DE SERVIÇO SOBRE A QUAL PENDE INCERTEZA NÃO RECEPCIONADA PELO TRIBUNAL DE CONTAS DO MUNICÍPIO. EXTINÇÃO DO MANDAMUS DECRETADO POR MAIORIA. VÍNCULO FUNCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE COMPROVAÇÃO ATRAVÉS DOS ARQUIVOS DA PREFEITURA. MOTIVO DE FORÇA MAIOR. INCÊNDIO. EXISTÊNCIA DE CERTIDÃO DE TEMPO DE SERVIÇO EXPEDIDA PELA PREFEITURA ANTES DO SINISTRO. DOCUMENTO PÚBLICO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. 1. Esta Corte Superior de Justiça possui entendimento firmado no sentido de que o documento público merece fé até prova em contrário. No caso, o recorrente apresentou certidão de tempo de serviço expedida pela Prefeitura do Município de Itobi/SP a qual comprova o trecho temporal de 12 anos, 3 meses e 25 dias relativos ao serviço público prestado à referida Prefeitura entre 10/3/66 a 10/2/78 que teve firma do então Prefeito e Chefe do Departamento Pessoal e foi reconhecida pelo tabelião local. 2. Ademais, é incontroverso que ocorreu um incêndio na Prefeitura Municipal Itobi/SP em dezembro de 1992. 3. Desse modo, a certidão expedida pela Prefeitura de Itobi, antes do incêndio, deve ser considerada como documento hábil a comprovar o tempo de serviço prestado pelo recorrente no período de 10/3/66 a 10/2/78, seja por possuir fé pública uma vez que não foi apurada qualquer falsidade na referida certidão , seja porque, em virtude do motivo de força maior acima mencionado, não há como saber se os registros do recorrente foram realmente destruídos no referido sinistro. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. EREsp 123930 / SP Relator(a) Ministro HUMBERTO GOMES DE BARROS Órgão Julgador CE CORTE ESPECIAL Data da Publicação/Fonte: DJ 15/06/1998 p. 2 PROCESSUAL PROVA COPIA XEROGRAFICA AUTENTICAÇÃO POR FUNCIONARIO DE AUTARQUIA EFICACIA PROBATORIA. Autenticada por servidor publico que tem a guarda do original, a reprografia de documento publico merece fé, ate demonstração em contrario. Em não sendo impugnada, tal reprografia faz prova das coisas e dos fatos nelas representadas (CPC, art. 383). EREsp 265552 / RN Relator(a) Ministro JOSÉ ARNALDO DA FONSECA Órgão Julgador S3 TERCEIRA SEÇÃO Fl. 427DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/ 2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 Data da Publicação/Fonte: DJ 18/06/2001 p. 113 EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. PREVIDENCIÁRIO. REVISÃO DE BENEFÍCIO. LIQUIDAÇÃO DA SENTENÇA. PLANILHA APRESENTADA PELO INSS EM QUE CONSTA PAGAMENTO ADMINISTRATIVO DAS DIFERENÇAS RECLAMADAS. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. "As planilhas de pagamento da DATAPREV assinadas por funcionário autárquico constituem documento público, cuja veracidade é presumida." (REsp 183.669) O documento público merece fé até prova em contrário. Recurso que merece ser conhecido e provido para excluir da liquidação as parcelas constantes da planilha, apresentada pelo INSS e não impugnada eficazmente pela parte exadversa, prosseguindo a execução por eventual saldo remanescente. Embargos conhecidos e acolhidos. Nessa prumada, existindo no mundo jurídico um ato administrativo comprovado por documento público, passa a militar em favor do ente público a presunção de legitimidade e veracidade das informações nele assentadas. Como prerrogativa inerente ao Poder Público, presente em todos os atos de Estado, a presunção de veracidade subsistirá no processo administrativo fiscal como meio de prova hábil a comprovar as alegações do órgão tributário, cabendo à parte adversa demonstrar, ante a sua natureza relativa, por meio de documentos idôneos, a não fidedignidade dos assentamentos em realce. Tais conclusões não discrepam do entendimento esposado pelo Mestre Hely Lopes Meirelles (in Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo: Malheiros, 1995), ad litteris et verbis: “Os atos administrativos (...) nascem com a presunção de legitimidade (...). A presunção de legitimidade autoriza a imediata execução ou operatividade dos atos administrativos, mesmo que arguidos de vícios ou defeitos que os levem à invalidação. Enquanto, porém, não sobrevier o pronunciamento de nulidade, os atos administrativos são tidos por válidos e operantes, quer para a Administração, quer para os particulares sujeitos ou beneficiários de seus efeitos (...). Outra consequência da presunção de legitimidade é a transferência do ônus da prova de invalidade do ato administrativo para quem a invoca. Cuide se de arguição de nulidade do ato, por vício formal, ou ideológico, a prova do defeito apontado ficará sempre a cargo do impugnante e, até sua anulação, o ato terá plena eficácia”. Diante desse quadro, tratandose o Auto de Infração de Obrigação Principal de documento público representativo de Ato Administrativo formado a partir da manifestação da Administração Tributária, levada a efeito através de agentes públicos, não há como se negar a veracidade do conteúdo, fulgurando as informações nele contidas como bastante e suficiente para fazer prova do fato afirmado, a teor da debatida presunção de veracidade dos Atos Administrativos. Ostentando, todavia, tal presunção eficácia relativa, esta admite prova em contrário a ônus da parte interessada, encargo que deve ser adimplido pelo Administrado Fl. 428DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/ 2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10680.725067/201082 Acórdão n.º 2302003.595 S2C3T2 Fl. 298 19 mediante documentos idôneos com aptidão para contrapor a presumida fidedignidade do conteúdo do Auto de Infração. Caso contrário, havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor desta presunção. Nesse sentido remansa a Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, conforme se depreende dos seguintes julgados: MS 12756 / DF Relator(a) Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA S3 TERCEIRA SEÇÃO Data da Publicação/Fonte: DJe 08/05/2008 MANDADO DE SEGURANÇA. ADMINISTRATIVO. PROCURADOR FEDERAL. PROMOÇÃO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE DOS CONTRACHEQUES E FOLHA DO SISTEMA SIAPE. RETIFICAÇÃO DOS ATOS DE PROMOÇÃO DO IMPETRANTE. EFEITOS RETROATIVOS DESDE A DATA EM QUE DEVERIA SER PROMOVIDO NAS CATEGORIAS APROPRIADAS. 1. Têm presunção de veracidade contracheques e folha do Sistema SIAPE apresentados por procurador federal que pretende ser promovido com base no enquadramento funcional previsto naqueles documentos públicos. Ausência de apresentação de prova, pelo impetrado, que afastasse a fé pública dos referidos documentos. 2. Segurança concedida. Retroativos a partir da data em que deveriam ter ocorrido as promoções do impetrante. REsp 1059007 / SC Relator(a) Ministro FRANCISCO FALCÃO Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data da Publicação/Fonte: DJe 20/10/2008 ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. ARTIGO 258 DA LEI Nº 8.069/90. AUTO INFRACIONAL LAVRADO POR COMISSÁRIO DE INFÂNCIA. DOCUMENTO PÚBLICO. FÉ PÚBLICA. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO IURIS TANTUM. ÔNUS DA PROVA DO ADMINISTRADO. I O auto de infração lavrado por Comissário da Infância, em decorrência do descumprimento do artigo 258 da Lei nº 8.069/90, constituise em documento público, merecendo fé pública até prova em contrário. II O ato administrativo goza de presunção iuris tantum, cabendo ao administrado o ônus de provar a maioridade da pessoa que se encontrava no estabelecimento comercial recorrido, haja vista a legitimidade do auto infracional. III Recurso especial provido. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/ 2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 No caso em apreço, o Relatório Fiscal do Auto de Infração declara expressamente que a COMPANHIA ENERGÉTICA DE MINAS GERAIS – CEMIG, a CEMIG GERAÇÃO E TRANSMISSÃO S/A e a CEMIG DISTRIBUIÇÃO S/A constituem Grupo Econômico, para as quais se lavrou Termo de Sujeição Passiva Solidária, fato esse não contestado pelo Recorrente, tampouco comprovado em sentido contrário, configurandose tais assentamentos como bastantes e suficientes para fazer prova do fato afirmado pelo Fisco, a teor da debatida presunção de veracidade dos Atos Administrativos. Nesse contexto, restando a condição de grupo econômico devidamente caracterizada nos presentes autos, qualquer que sejam as hipóteses elencadas no art. 334 do Código de Processo Civil levadas em consideração, é de se observar a responsabilidade solidária das empresas do grupo econômico CEMIG consignadas no Termo de Sujeição Passiva Solidária, por força do art. 30, IX, da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 124 do CTN. Com efeito, no capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, a Carta Constitucional outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre as obrigações tributárias, dentre outras. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Nessa vertente, no exercício da competência que lhe foi outorgada pelo Constituinte Originário, ao tratar da responsabilidade tributária, o CTN honrou prescrever, com propriedade, que a lei pode atribuir a terceira pessoa vinculada ao fato gerador a responsabilidade pelo crédito tributário, ad litteris et verbis: Código Tributário Nacional CTN Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. No ramo do Direito Tributário, o instituto da solidariedade alicerçou suas escoras no art. 124 do CTN, o qual reconheceu a existências de duas modalidades de solidariedade aplicáveis ao direito tributário, a saber, a solidariedade tributária entre as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e a solidariedade legal, a qual se avulta nas hipóteses taxativamente previstas na lei. Código Tributário Nacional CTN Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/ 2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10680.725067/201082 Acórdão n.º 2302003.595 S2C3T2 Fl. 299 21 Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Em ambos os casos acima ponteados, o CTN honrou estatuir que o instituto da solidariedade tributária não se confunde com o da subsidiariedade, eis que excluiu expressamente, de maneira peremptória, o beneficio de ordem. Como é cediço, a solidariedade não se presume. Ela decorre da vontade das partes, ou diretamente de disposição legal, como é o presente caso. Nesse viés, com fundamento de validade no art. 124 do CTN, o legislador ordinário honrou dispor no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/91 hipótese de solidariedade entre as empresas integrantes de grupo econômico, de qualquer natureza, as quais respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações tributárias inseridas na Lei de Custeio da Seguridade Social. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620/93) (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (grifos nossos) No caso presente, o próprio Recorrente reconhece a existência de grupo econômico formado entre as empresas Cemig Geração e Transmissão S/A, Cemig Distribuição S/A e Companhia Energética de Minas Gerais. A responsabilidade solidária das empresas integrantes do grupo econômico decorre ex lege, nos termos pontuados no art. 124 do CTN c.c. Art. 30, IX, da Lei nº 8.212/91. Pelos motivos expendidos, pugnamos pela manutenção da responsabilidade solidária das subsidiárias integrais CEMIG Geração e Transmissão S/A e CEMIG Distribuição S/A pelo adimplemento do crédito tributário lançado em face da Holding COMPANHIA ENERGÉTICA DE MINAS GERAIS – CEMIG, conforme consignado no Termos de Sujeição Passiva Solidária lavrados pela Fiscalização. Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Redator Designado. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/ 2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 Fl. 432DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/ 2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10983.900402/2010-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/11/2006
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, deve-se apreciar as provas trazidas pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-002.724
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 10/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/11/2006 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas trazidas pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 10/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 04 02 /2 01 0- 23 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ALEXANDRE GOMES 2 Relatório Para delimitar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ de Florianópolis/SC: Trata o presente processo de Declaração de Compensação DCOMP, apresentada pela contribuinte acima qualificada. Em análise da compensação intentada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC decidiu não homologála (Despacho Decisório à folha 12), em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para o pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados no PER/DCOMP. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, na qual alega que equivocouse ao preencher a DCTF e, portanto, apresentou retificadora em 22 de outubro de 2009 demonstrando a existência de crédito. A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ entendeu por bem indeferir a solicitação em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: NORMAS GERMS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Contra esta decisão foi apresentado Recurso onde, em síntese, alega que efetuou pagamento indevido de COFINS em 11/2006 e promoveu a compensação deste indébito com débito da COFINS. Aduz que tendo verificado a incorreção das informações lançadas na DCTF relativa ao 2º semestre de 2006, promoveu sua retificação de forma espontânea em 22/10/2009, portanto antes do despacho decisório que indeferiu a compensação datado de 10/02/2010. É o relatório. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10983.900402/201023 Acórdão n.º 3302002.724 S3C3T2 Fl. 49 3 Voto Conselheiro ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Em resumo, a Recorrente advoga a existência de pagamentos indevidos e junta ao processo a DCTF retificadora transmitida (em data anterior ao despacho decisório exarado pela DRF). Por outro lado, o Acórdão reccorido assim fundamenta sua decisão: No caso concreto que aqui se tem, a contribuinte, na data de apresentação da DCOMP, em 25 de fevereiro de 2009, não havia retificado a DCTF, documento no qual, como é sabido, são declarados, com força de confissão de divida, os valores dos tributos devidos. Assim, não se pode dizer que, naquele momento, tivesse existência jurídica o crédito contra a Fazenda Nacional alegado pela contribuinte, motivo pelo qual a não homologação promovida pela DRF/Florianópolis/SC foi correta. O fato de a contribuinte ter, posteriormente à entrega da DCOMP, tratado de retificar formalmente a DCTF não tem o efeito de validar retroativamente a compensação instrumentada por DCOMP pois, como se viu, a existência do indébito só se aperfeiçoou bem depois. A razão pela qual não se pode acatar esta retroação 4e efeitos está associada ao fato de que como a apresentação da DCOMP serve à extinção im4liata do débito do sujeito passivo (nos mesmos termos de um pagamento), só pode ela ser efetuada com base em créditos contra a Fazenda Nacional líquidos e certos (como o comanda o artigo 170 do Código Tributário Nacional); ora, créditos relativos a valores confessados e não retificados antes de qualquer procedimento de oficio, não têm existência jurídica válida (em terinos tanto de liquidez quanto de certeza), em razão dos efeitos legais atribuidos A DCTF. Como já me manifestei neste colegiado em outras oportunidades, entendo que a retificação da DCTF é medida que obriga a autoridade a promover a verificação dos créditos alegados pelo contribuinte. A existência de pagamento indevido ou a maior em nenhum momento foi avaliada pela DRF de Florianópolis, que se limitou a informar que o alegado crédito estava totalmente alocado a outros débitos conforme informado em DCTF. Ora, como tenho me manifestado em diversas ocasiões, no âmbito do processo administrativo impera o princípio da verdade material, que obriga a autoridade administrativa a analisar exaustivamente os fatos alegados pelos contribuintes, solicitando inclusive diligencias e apresentação de novas provas das alegações existentes no processo administrativo fiscal. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ALEXANDRE GOMES 4 A existência de informação na DCTF em nada altera a existência ou não do pagamento a maior, ainda mais quando se tratar a DCTF de instrumento de controle da própria Receita Federal. Sobre este tema, são elucidativas as conclusões exaradas pelo eminente Conselheiro Walber José da Silva, que assim se manifestou no processo nº 10283.900064/200983, julgado recentemente por esta turma: Concluindo: à mingua de previsão legal, a falta de apresentação de DCTF retificadora, ou a sua apresentação após a emissão do Despacho Decisório, por si só, não se constitui em motivo para o indeferimento do pedido de restituição e, conseqüentemente, para a não homologação da compensação declarada pela Recorrente. Deve, portanto, a autoridade administrativa da RFB apurar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado considerando todas as provas trazidas aos autos e outras que julgar imprescindível para apurar a verdade material e formar sua convicção. Nesta linha de pensar, a autoridade preparadora deve promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e outros mais que entender necessários tendo por norte o principio da verdade material, e, no caso de serem os créditos suficientes, homologar as compensaçãoes fefetuadas. Caso contrário, sejam compensados os débitos declarados até o limite dos créditos existentes e intimada a contribuinte para a apresentação de manifestação de inconformidade contra a homologação parcial das compensações. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao presente recurso. É como voto. (assiando digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 52DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ALEXANDRE GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10855.000813/2005-15
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício: 2002, 2003, 2004
DIF-PAPEL IMUNE. ENTREGA INTEMPESTIVA. SANÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI 11.945/09, ART. 1º, §4°.
O artigo 1°, §4°, da Lei n° 11.945/09, veicula norma sancionatória específica e, ao mesmo tempo, menos gravosa que a estabelecida na MP n° 2.158-35, artigo 57, inciso I, para a hipótese de entrega em atraso da DIF-Papel Imune, penalidade esta correspondente a R$5.000,00 (cinco mil reais) por declaração
omitida ou, sendo o infrator micro-empresa ou empresa de pequeno porte, a R$2.500,00. Retroatividade da sanção benigna prevista no artigo 106, II, c do CTN.
Recurso Provido em Parte.
Numero da decisão: 3403-000.138
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para que a multa por falta de entrega da DIF incida uma única vez para cada declaração não e regue o. sue tenha sido entregue fora do prazo, nos termos do
relatório e voto que integra o presente julgado.
Matéria: IPI- ação fiscal - penalidades (multas isoladas)
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS- TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10855.000813/2005-15 Recurso n° 243.201 Voluntário Acórdão n° 3403-00.138 — 4' Câmara / 3' Turma Ordinária Sessão de 19 de outubro de 2009 Matéria IPI - DIF-Papel Imune Recorrente Gráfica Cistiam Ltda. Recorrida DRJ/Ribeirão Preto-SP ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2002, 2003, 2004 DIF-PAPEL IMUNE. ENTREGA INTEMPESTIVA. SANÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI 11.945/09, ART. 1 0, §4°. O artigo 1°, §4°, da Lei n° 11.945/09, veicula norma sancionatória específica e, ao mesmo tempo, menos gravosa que a estabelecida na MP n° 2.158-35, artigo 57, inciso I, para a hipótese de entrega em atraso da DIF-Papel Imune, penalidade esta correspondente a R$5.000,00 (cinco mil reais) por declaração omitida ou, sendo o infrator micro-empresa ou empresa de pequeno porte, a R$2.500,00. Retroatividade da sanção benigna prevista no artigo 106, II, c do CTN. Recurso Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que a multa por falta de entrega da DIF incida uma única vez para cada declaração não e regue o. sue tenha sido entregue fora do prazo, nos termos do relatório e voto que integra o presente jul. d o . 01 / 4. . , / 4 1 Anto 0 I .rlo's AtulA4in -sidente ,...- Mar os Tranc - * e ' - i elator EDITADO EM 08/01 010 1 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Luciano Pontes de Maya Gomes (Suplente), Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório Auto de Infração lavrado em 4 de abril de 2005 para lançamento de multa pelo atraso na entrega da "Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune — DIF-Papel Imune", referentes aos seguintes trimestres, nos seguintes valores: Trimestre Valor 2°/2002 R$155.000 3°/2002 R$140.000 4°/2002 R$125.000 1 0/2003 R$110.000 2°/2003 R$95.000 3°/2003 R$80.000 1°/2004 R$50.000 2°/2004 R$35.000 Total R$790.000 Impugnado o lançamento (fls. 37/50), foi ele mantido pela DRJ/Ribeirão Preto-SP (fls. 75/79). Sobreveio, então, tempestivo recurso voluntário (fls. 85/100), no qual se deduz: (i) caracterização de denúncia espontânea, com a exclusão da multa confoline art. 138 do CTN; e (ii) violação ao principio do não-confisco, pois o valor da multa é exorbitante. É o relato. Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, Relator Denúncia Espontânea — Não-Configuração. À toda evidência não se configura hipótese de denúncia espontânea. Segundo o parágrafo único do art. 138 do CTN, cessa a espontaneidade do contribuinte quando e - engendra providências após instaurado procedimento fiscalizatório pela autoria : de administrativa. In casu, o inicio da fiscalização foi noticiado ao contribuinte em 7 de janeiro 1e 2005 (fl. 21) e as DIFs foram apresentadas pelo recorrente somente em 9 de fevereiro de 200 (fls. 22/28). Inaplicável, pois, o art 138 do CTN. 2 5 Processo n° 10855.000813/2005-15 S3-C4T3 Acórdão n.° 3403-00.138 Fl. 2 Violação ao Princípio do Não-Confisco — Inaplicabilidade. Afasto, também, qualquer suspeita de violação ao princípio do não-confisco, já por entendê-lo inaplicável às multas tributárias. Como ensina Luís Eduardo Schoueri, o conceito de confisco conecta-se com o da capacidade contributiva, onde termina esta, inicia-se aquele: "Quando se emprega a capacidade contributiva como critério para a graduação da tributação, a questão se resume a saber se existe um ponto, abaixo ou acima do qual descabe a incidência de um tributo, ou, ainda, até onde pode atingir a tributação; no primeiro caso, estar-se-á cogitando do mínimo de subsistência; ultrapassado o limite, versar-se-á sobre o confisco. Trata-se de aptidão econômica, i.e., a capacidade de ser contribuinte". (in Contribuição ao estudo do regime jurídico das normas tributárias indutoras como instrumento de intervenção sobre o domínio econômico. 2002. Tese para Titularidade do Departamento de Direito Econômico e Financeiro da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2002, p.342). Sucede que a capacidade contributiva — e, pois, o confisco — pauta unicamente a instituição de tributos, não de multas. Nesse sentido, as doutrinas de Estevão Horvath e Hugo de Brito Machado, respectivamente: "É grande a tentação de procurar enquadrar quantia excessiva imposta como penalidade pela legislação tributária dentro da moldura do princípio da não-confiscatoriedade. Contudo, o rigor cientifico que entendemos deva prevalecer numa abordagem que se pretende cientifica nos afasta dessa possibilidade". (O Princípio do não-confisco no direito tributário. São Paulo: Dialética, 2002. p. 114) "À questão de saber se o princípio do não-confisco aplica-se às multas fiscais nossa resposta é negativa (.) Já a multa, para alcançar sua finalidade, deve representar um ônus significativamente pesado, de sorte a que as condutas que ensejam sua cobrança restem efetivamente desestimuladas. Por isto mesmo pode ser confiscatória". (Os princípios jurídicos da tributação na Constituição de 1988. Dialética. São Paulo: 2001, p. 105). Não se há de cogitar violação ao princípio do não-confisco, o que, ademais, pressuporia o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 57, I da MP n° 2.158-35, iniciativa vedada pelo art. 62 do Regimento do CARF. Art. 57, Ida MP n°2.158/35 e Art. 1°, §4°, II da Lei n°11.945/09 —Re si ão da Lei Mais Benigna. 3 A multa lançada foi liquidada sob os parâmetros do art. 57 da MP n° 2.158- 35, in verbis: "Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei n° 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I — R$5.000,00 (cinco mil reais) por mês-calendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados". Afigurava-se-me obscuro e ambíguo o texto legislado. O Fisco interpreta a passagem "por mês-calendário" como "por mês-calendário em atraso". É uma exegese possível, mas não a única. A passagem poderia perfeitamente referir a "mês-calendário omitido". Por que não? Em pelo menos uma oportunidade, a jurisprudência aderira a essa perspectiva interpretativa: "Essa norma previu a aplicação da multa de R$5.000,00 para a hipótese de informações ou esclarecimentos que devam ser fornecidos mensalmente, como comumente ocorre. Assim, para cada mês-calendário omitido, incidiria a multa de R$5.000,00. Mas essa multa é única, ou seja, não incide por mês de atraso (..). Se a multa incidisse repetidamente, a lei não a fixaria 'por mês calendário' e sim 'por mês de atraso' ". (TRF4, 2" Turma. AI n° 2007.04.00.011047-0/SC. Rel. Des. Antonio Albino Ramos de Oliveira. j. 18.9.07) Ante a imprecisão legal acerca dos efeitos da penalidade aplicada, seria de se optar pela interpretação mais benéfica ao contribuinte, a teor do art. 112 do CTN: "Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (.) — à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos". No caso dos autos, a hermenêutica mais benéfica ao recorrente seria aquela que fixa a multa de R$5.000,00 (cinco mil reais) "por mês-calendário omitido"; assim, sendo trimestral a DIF, cada declaração intempestivamente entregue redundaria em uma multa de R$15.000,00 (quinze mil reais), independentemente da extensão da mora. Todavia, em 15 de dezembro de 2008, sobreveio norma legal sancionatória posterior e especial relativamente ao art. 57 da MP n° 2.158-35. Trata-se do art. 1°, §4°, inciso II da MP n° 451/08, convertida na Lei n° 11.945/09. Eis a nova dicção legal: "Art. 1' Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: I - exercer as atividades de comercialização e importação de papel destiné do impressão de livros, jornais e pèriódicos, a que se refere a alínea d do inciso b do art. 150 da Constituição Federal; e 4 . Processo n° 10855.000813/2005-15 S3-C4T3 Acórdão n.° 3403-00.138 Fl. 3 // - adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. (.) sç 3' Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I - expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II- estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4' O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3' deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: 1- 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II - de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido". Sob a nova disciplina legal, cada DIF intempestivamente entregue importa em multa (i) de R$2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para "MEs" e "EPPs" e (ii) de R$5.000,00 (cinco mil reais) para demais empresas. A nova sanção resulta mais benigna que aquela veiculada no art. 57 da MP n° 2.158-35, mesmo se cotejada com a exegese acima proposta para o dispositivo da MP. Em conformidade com o art. 106, II, 'c' do CTN, há de prevalecer a nova lei. ii,Voto lis, com funda • to no • .• . 1 0, §4°, inciso II da Lei n° 11.945/09, para reduzir a multa • 8 $5.000,00 ( *nco mil reais' por DIF-Papel Imune não entregue, totalizando R$40.000, i1 , luarenta mil eais). leW, . Rel. tor Marcos Tranch- • Ortiz 5 Processo n° 10855.000813/2005-15 S3-C4T3 Acórdão n.° 3403-00.138 Fl. 4 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3 0, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] Apenas com Ciência; [ ] Com Recurso Especial; [ ] Com Embargos de Declaração; Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional (identificação e assinatura) 7
score : 1.0
Numero do processo: 10314.004967/2011-41
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 27/04/2011, 03/05/2011
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA.
É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE.
Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial.
Numero da decisão: 3803-006.642
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, e em negar provimento quanto aos juros.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 27/04/2011, 03/05/2011 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE. Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2346; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 413 1 412 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10314.004967/201141 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803006.642 – 3ª Turma Especial Sessão de 11 de novembro de 2014 Matéria II/IPI/PISCOFINSIMPORTAÇÃO AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente SOC. BENEFICIENTE DE SENHORAS HOSPITAL SÍRIO LIBANÊS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 27/04/2011, 03/05/2011 MATÉRIA SUBMETIDA AO JUDICIÁRIO. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. INTIMAÇÕES. ATOS PROCESSUAIS. PROCURADOR As normas do Processo Administrativo Fiscal não têm previsão para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do advogado constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 27/04/2011, 03/05/2011 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE. Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 49 67 /2 01 1- 41 Fl. 413DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, e em negar provimento quanto aos juros. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes. Relatório O presente processo é constituído de autos de infração, lavrado para exigência de crédito tributário referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, CofinsImportação e PISImportação, incidentes sobre a importação de equipamentos de procedência estrangeira destinados, conforme declarado pela Interessada, à utilização nas atividades essenciais da entidade. Conforme a descrição dos fatos, os desembaraços das Declarações de Importação (DIs), foram efetuados sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação, em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.0289717, aviado na 22ª Vara Federal de São Paulo, em que foi determinado que se procedesse ao desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica. O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico tributária que a obrigue a recolher impostos e contribuições sociais federais devidos na importação, tendo como fundamento a imunidade de que goza em relação aos impostos e isenção às contribuições. Houve decisão favorável ao deferimento de tutela antecipada, e, posteriormente, a confirmação por meio de sentença, sem decisão definitiva transitada em julgado até a data das autuações. Ante este provimento, os autos de infração foram lavrados com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até a decisão final. Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que: a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do crédito tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de infrações por parte do Fl. 414DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.004967/201141 Acórdão n.º 3803006.642 S3TE03 Fl. 414 3 contribuinte, não se trata o caso de aplicação de penalidade, decorrendo disso que o instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento; b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de fato que autorizariam a sua imposição; c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido declarada de utilidade pública federal, fazendo jus, portanto, à imunidade prevista na Constituição Federal; d) o Ato Declaratório n° 9/06 do Procurador Geral da Fazenda Nacional reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão; Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que: a) a interessada indicou na declaração de importação não haver valor de crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade Aduaneira; b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto que sob a ótica da Fazenda a interessada deixou de recolher, por ocasião do registro da declaração de importação, os tributos em questão; c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; visto que a redação do dispositivo legal não permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização; d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto de Infração assegura maior benefício ao exercício do direito de defesa e do contraditório à Interessada, pois este instrumento possui não apenas a Disposição Legal Infringida, mas a Descrição do Fato; Quanto ao mérito: a) da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade não conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em renúncia às instâncias administrativas. b) da incidência dos juros de mora no lançamento sustentou que mesmo inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte. Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 27/04/2011, 03/05/2011 Fl. 415DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto da autuação, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. Cientificada da decisão em 16/10/2013, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 30/10/2013, em que reitera os termos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, dele conheço. Preliminar de Nulidade Auto de Infração como meio inadequado à constituição do crédito tributário A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento, uma vez que o crédito constituído encontrase com a exigibilidade suspensa, não tendo cometido qualquer infração à legislação. Vista unicamente sob o seu ângulo, tem razão a Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004. Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são os eventos que motivaram a constituição do crédito tributário. Neste prisma, o campo Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário como do fato jurídico da ocorrência da infração consistente na falta de recolhimento, ao desamparo da imunidade invocada. 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE II 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE IPI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI 0 importador submeteu a despacho aduaneiro de importação, pleiteando IMUNIDADE TRIBUTARIA para o Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e para as contribuições sociais (PIS e COFINS) incidentes na Fl. 416DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.004967/201141 Acórdão n.º 3803006.642 S3TE03 Fl. 415 5 importação das mercadorias descritas e amparadas pelas declarações de importação no 09/02330394 e 10/12642404 (anexo I). Cumpre observar que a alegada imunidade abrange apenas os impostos sobre patrimônio, renda e serviços das entidades previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de tributos. Esta definição, por sua vez, é tratada pelo Código Tributário Nacional (aprovado pela Lei no 5.172/66 e recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III. [...] Além de todo o exposto acerca da não extensão da imunidade constitucional, o importador ao pleitear a imunidade dos tributos não apresentou, no curso do despacho, documentação que atestasse o cumprimento dos requisitos necessários para obtenção da renuncia fiscal dos tributos bem como Certificado de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta seu caráter de assistência social, pleiteando a liberação das mercadorias com base na ação judicial preventiva supracitada. Portanto, entende esta fiscalização que o beneficio fiscal da imunidade não pode ser concedido à autuada. [...] A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei no 9.430/96 não foi aplicada em cumprimento ao disposto no § 1º do artigo 63 do mesmo dispositivo Legal (a Decisão Judicial suspendeu a exigibilidade do crédito tributário em 29/11/2004, anterior ao registro das DI's). O registro do fato jurídico tributário implicou no lançamento, que corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro. O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação judicial aviada sob o nº 2004.61.00.0289717[1]. Assim, não obstante descrita a infração, o Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade. Dado o contorno sob o qual se lavra Auto de Infração para prevenção de decadência quando sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e presente a infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira , podese sustentar que este instrumento não é impróprio para a constituição do crédito tributário, pelo fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento. Este entendimento encontrase bem ajustado ao que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que não distingue os usos do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis: 1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos) Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato, ausente das exigências para a Notificação de Lançamento, ao tempo em que o seu inciso III aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A doutrina, por sua vez, apenas identifica o uso indistinto de um ou outro instrumento de que as Administrações Tributárias tem se servido para introduzir suas imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins: "O auto de infração, no âmbito da Receita Federal e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), utilizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de documentos fiscais elaborados pela Administração para corporificar atos de imposição. O auto de infração ou a NFLD frequentemente engloba no mesmo suporte físico vários atos impositivos referentes a diversas relações jurídicas, ora não Fl. 418DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.004967/201141 Acórdão n.º 3803006.642 S3TE03 Fl. 416 7 sancionatórias, como o lançamento, ou relações jurídicas sancionatórias, como aplicação de multa por Paulo de Barros Carvalho, na mesma vertente, noticia o uso do auto de infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade: Em súmula, dois atos administrativos, ambos introdutores de norma individual e concreta no ordenamento positivo: um, de lançamento, produzindo regra cujo antecedente é fato lícito e o consequente uma relação jurídica de tributo; outro, o auto de infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição de um delito e, no consequente, a instituição de liame jurídico sancionatório, cujo conteúdo da prestação tanto pode ser um valor pecuniário (multa) como uma conduta de fazer ou não fazer. Tudo seria simples, realmente, se o auto de infração apenas conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob a epígrafe "auto de infração", deparamonos com dois atos: um de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de penalidade, pela circunstância de o sujeito passivo não ter recolhido, em tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda. Dáse a conjunção, num único instrumento material, sugerindo até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser normas jurídicas distintas postas por expedientes que, por motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo suporte físico. Pela frequência com que ocorrem essas conjunções, falam alguns, em "auto de infração" em sentido largo (dois atos no mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário. A lição acima destaca a natureza distinta dos atos administrativos do lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos e, via de regra, postos no mesmo instrumento de constituição das exigências, o Auto de Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização da relação jurídica tributária tendente a prevenir decadência, mesmo que inexista a penalidade. Pelo exposto, rejeito a preliminar. Mérito Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade Travase no processo judicial nº 2004.61.00.0289717 discussão sobre a in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos tais como os lançados no presente Auto de Infração , que não estejam classificados no rol dos impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que este debate não pode ser travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que aqui se der ou negar tornarseá sem efeito ante decisão superveniente em rumo diverso no aludido processo. Logo, de raso, devese aplicar a Súmula CARF nº 1, eis que presente a conexão de matérias[2]. Da incidência dos juros de mora no lançamento Cabe lembrar que o presente processo é dependente da ação nº 2004.61.00.0289717. O provimento judicial definitivo, a seu tempo, deitará por terra este processo. Alternativamente, o desprovimento referenderá a incidência prevenida, suscitará a mora e ensejará a cobrança dos tributos aqui lançados com a inclusão dos juros de mora, com amparo do art. 61, § 3º, cujo lapso de tempo de sua aplicação estenderseá até o mês do pagamento. Uma vez que é vedada a incidência somente da multa de ofício no lançamento para prevenir decadência, os juros podem ser incluídos no lançamento, sem o caráter de ser valor fixo, como o são o principal e a multa. Demais disso, considero que os juros não estão constituídos na data e na linguagem normativa do lançamento, distintamente do que se dá com o principal. Concebo que ao estarem presentes em todo e qualquer lançamento representam o conteúdo declaratório da mora até o momento em que não haja impugnação, para fins da incidência futura, na conformidade com o art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96, quando se tornar eficaz o lançamento, seja com o trânsito em julgado do desprovimento do pedido em ação judicial ou com a definitividade da decisão em processo administrativo. Os juros não estão a incidir (no que entendo ser o melhor sentido jurídico deste verbo), na composição do crédito tributário pelo lançamento, porquanto seu valor não é definitivo, na hipótese de suspensão de exigibilidade, vindo a sêlo somente quando, em tempo futuro, a então Contribuinte vier a ser chamada a efetuar a quitação do crédito lançado. Nesse diapasão, os juros no lançamento são mero indicativo de sua aderência ao principal e do dies a quo do intervalo de tempo até o mês do pagamento, na ocasião da cobrança. Se se pudesse dizer que os juros têm sua constituição efetivada no lançamento, como admitir a sua fluência protraindose no tempo até a quitação do crédito tributário? Por fim, mesmo não estando configurada a mora no momento do lançamento, em face da suspensão da exigibilidade, a presença dos juros no lançamento, pela razão supra, não representa prejuízo algum à Recorrente. Pedido de intimação no endereço do advogado Quanto a este pedido, no rito do Processo Administrativo Fiscal não há respaldo legal para que a Administração Tributária efetue as intimações na pessoa e no domicílio do advogado constituído pelo contribuinte. Este entendimento é assente nos julgamentos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O princípio do informalismo é próprio do processo administrativo, e nesse pressuposto os administrados detêm a capacidade de postular, sendo facultativa a representação por advogado. Em observância das disposições do art. art. 23 do Decreto nº 70.235/72, as 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.004967/201141 Acórdão n.º 3803006.642 S3TE03 Fl. 417 9 intimações devem ser feitas diretamente ao administrado, em seu domicílio tributário, não implicando em nulidade do acórdão o desatendimento deste pleito da Contribuinte: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. [...] § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. [grifos aqui] Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; por não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Judiciário, e por negar provimento quanto à incidência dos juros no lançamento. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 422DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10640.723822/2011-41
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010, 2011
MULTA NO PERCENTUAL DE 150%. LEGALIDADE. LEI 9.430/1996. SÚMULA CARF Nº 2. ARTIGO 26-A DO PAF.
Constatada a existência de infração à legislação tributária, aplicam-se as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430/1996, no percentual estabelecido legalmente. A compatibilidade da lei com o sistema constitucional não é matéria a ser tratada em sede de julgamento administrativo, conforme o artigo 26-A do Decreto nº 70.235/1972, incluído pela Lei 11.941/2009. Ademais, conforme sua Súmula nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
PROCEDIMENTO FISCAL. GLOSA DE DEDUÇÕES. DIRPF QUE AUMENTAM VALOR DE RESTITUIÇÃO. REITERAÇÃO. FRAUDE. INTENÇÃO DO AGENTE. CARACTERIZAÇÃO. MULTA QUALIFICADA - 150%. LEGALIDADE.
A transmissão de declarações que incluíram deliberadamente deduções da base de cálculo do imposto que o contribuinte sabia inexistentes configuram o evidente intuito de fraudar o Fisco. O dolo está demonstrado na vontade do agente em alcançar o resultado pretendido, ou seja, restituições de imposto maiores que o devido. Assim, acertada a aplicação da multa no percentual de 150%, como previsto em dispositivo legal.
IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. PRESENÇA DE INDÍCIOS EM DESFAVOR DOS RECIBOS. INTIMAÇÃO FISCAL. ÔNUS DE COMPROVAÇÃO ATRIBUÍDO AO CONTRIBUINTE.
Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais, em regra, são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas. Entretanto, todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º), quando existentes indícios que desabonam os recibos, o que implica não admitir a dedução por ausência de outros elementos de prova.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.826
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Flavio Araujo Rodrigues Torres.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010, 2011 MULTA NO PERCENTUAL DE 150%. LEGALIDADE. LEI 9.430/1996. SÚMULA CARF Nº 2. ARTIGO 26-A DO PAF. Constatada a existência de infração à legislação tributária, aplicam-se as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430/1996, no percentual estabelecido legalmente. A compatibilidade da lei com o sistema constitucional não é matéria a ser tratada em sede de julgamento administrativo, conforme o artigo 26-A do Decreto nº 70.235/1972, incluído pela Lei 11.941/2009. Ademais, conforme sua Súmula nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PROCEDIMENTO FISCAL. GLOSA DE DEDUÇÕES. DIRPF QUE AUMENTAM VALOR DE RESTITUIÇÃO. REITERAÇÃO. FRAUDE. INTENÇÃO DO AGENTE. CARACTERIZAÇÃO. MULTA QUALIFICADA - 150%. LEGALIDADE. A transmissão de declarações que incluíram deliberadamente deduções da base de cálculo do imposto que o contribuinte sabia inexistentes configuram o evidente intuito de fraudar o Fisco. O dolo está demonstrado na vontade do agente em alcançar o resultado pretendido, ou seja, restituições de imposto maiores que o devido. Assim, acertada a aplicação da multa no percentual de 150%, como previsto em dispositivo legal. IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. PRESENÇA DE INDÍCIOS EM DESFAVOR DOS RECIBOS. INTIMAÇÃO FISCAL. ÔNUS DE COMPROVAÇÃO ATRIBUÍDO AO CONTRIBUINTE. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais, em regra, são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas. Entretanto, todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º), quando existentes indícios que desabonam os recibos, o que implica não admitir a dedução por ausência de outros elementos de prova. Recurso Voluntário Negado.
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LEGALIDADE. LEI 9.430/1996. SÚMULA CARF Nº 2. ARTIGO 26A DO PAF. Constatada a existência de infração à legislação tributária, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430/1996, no percentual estabelecido legalmente. A compatibilidade da lei com o sistema constitucional não é matéria a ser tratada em sede de julgamento administrativo, conforme o artigo 26A do Decreto nº 70.235/1972, incluído pela Lei 11.941/2009. Ademais, conforme sua Súmula nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PROCEDIMENTO FISCAL. GLOSA DE DEDUÇÕES. DIRPF QUE AUMENTAM VALOR DE RESTITUIÇÃO. REITERAÇÃO. FRAUDE. INTENÇÃO DO AGENTE. CARACTERIZAÇÃO. MULTA QUALIFICADA 150%. LEGALIDADE. A transmissão de declarações que incluíram deliberadamente deduções da base de cálculo do imposto que o contribuinte sabia inexistentes configuram o evidente intuito de fraudar o Fisco. O dolo está demonstrado na vontade do agente em alcançar o resultado pretendido, ou seja, restituições de imposto maiores que o devido. Assim, acertada a aplicação da multa no percentual de 150%, como previsto em dispositivo legal. IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. PRESENÇA DE INDÍCIOS EM DESFAVOR DOS RECIBOS. INTIMAÇÃO FISCAL. ÔNUS DE COMPROVAÇÃO ATRIBUÍDO AO CONTRIBUINTE. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais, em regra, são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas. Entretanto, todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º), quando existentes indícios que desabonam os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 38 22 /2 01 1- 41 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10640.723822/201141 Acórdão n.º 2801003.826 S2TE01 Fl. 173 2 recibos, o que implica não admitir a dedução por ausência de outros elementos de prova. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Flavio Araujo Rodrigues Torres. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto como relatório aquele elaborado pela Autoridade Julgadora de 1ª instância (fl. 153), que complemento ao final: Trata o presente processo dos lançamentos formalizados mediante: 1º) Auto de Infração de fls.02/10, lavrado pela Fiscalização em 25/10/2011, contra a contribuinte retro identificada, que resultou na diminuição do Imposto a Restituir apurado nas Declarações de Ajuste Anual referentes aos exercícios financeiros de 2010 e 2011, de R$ 13.382,10 para R$ 2.657,10 e de R$ 8.596,51 para R$ 1.721,51, respectivamente, e 2º) Auto de Infração de fls.13/18, lavrado pela Fiscalização em 25/10/2011, contra a contribuinte retro identificada, que lhe exige a multa de ofício isolada (passível de redução) prevista no artigo 44, inciso I, parágrafo 5º, da Lei nº 9.430/1996, com nova redação dada pelas Lei nº 11.488/2007 e Lei nº 12.249/2010, referente aos exercícios financeiros de 2010 e 2011, no valor de R$ 13.200,00, sujeita a juros de mora na data do efetivo pagamento. O lançamento efetuado decorreu da apuração, pela autoridade revisora, das infrações “dedução indevida de despesas com instrução”, ocorrida no ano calendário de 2010, na importância de R$ 630,00 e “dedução indevida de despesas médicas”, ocorrida nos anos calendário de 2009 e 2010, nas importâncias de R$ 39.000,00 e R$ 24.370,00 respectivamente, tudo conforme expresso no item “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” Fl. 173DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10640.723822/201141 Acórdão n.º 2801003.826 S2TE01 Fl. 174 3 de fls.05/06 – parte integrante do Auto de Infração contestado – e Relatório Fiscal de fls.31/46. Foi aplicada a multa de ofício isolada acima citada por ter concluído o fiscal autuante que se encontra configurado, em tese, na infração “dedução indevida de despesas médicas” relativa aos profissionais liberais Erlinson Ferreira, CPF 199.109.38880, e Marcos Vinicius Machado Fontes, CPF 056.548.79650, a ocorrência de crime contra a Ordem Tributária, conforme expresso no Relatório Fiscal acima mencionado. Protocolizouse ainda o processo administrativo 10640.000298/201137, também em nome da autuada, que trata da Representação Fiscal para Fins Penais visto que a autoridade lançadora entendeu ter ficado demonstrada, em tese, para os pagamentos relativos aos mencionados profissionais liberais, a ocorrência de fatos que configurariam crime contra a Ordem Tributária, consoante definido pelos artigos 1º e 2º da Lei nº 8.137/90. Em sua peça impugnatória de fls.129/140, a contribuinte contesta o lançamento efetuado, argumentando, em apertada síntese, que: 1) “O fato de o profissional ser considerado inidôneo pela Receita Federal não o impede de exercer suas atividades e praticar atos relacionados à medicina. Cabe ao respectivo Conselho a fiscalização da legalidade da profissão”; 2) Os pagamentos de despesas médicas informadas pela contribuinte como efetuados ao fisioterapeuta Marcus Vinicius Machado Fontes “se referem verdadeiramente a serviços médicos prestados pelo profissional Erlinson Ferreira”, o qual “alegando ser o mesmo seu sócio e que o recibo era do mesmo consultório, não havendo motivos para não aceitar os respectivos recibos, induzindo a paciente ao erro”; 3) “O recibo é uma prova de boafé do contribuinte, até que a fiscalização prove o contrário. Não foi o que fez o Fisco, não produziu provas contra a contribuinte, apenas apresentou suposições”; 4) “Os preços praticados pelos profissionais liberais são livres, sendo que cada profissional faz o seu preço em função de sua especialização, do seu conhecimento na mídia e pelos resultados produzidos”; 5) A contribuinte prontamente apresentou os documentos solicitados pelo Fisco “e, se persistiu a dúvida, caberia ao fiscal autuante analisar a outra parte e cobrar providencias, por ventura, de quem errou ou se omitiu”; 6) Quanto aos recibos emitidos pelos demais profissionais liberais, “o fato de ter a contribuinte justificado que havia sido pagos aos profissionais liberais os serviços prestados, em dinheiro, não tira a boafé dos documentos”; 7) Incabível a aplicação da multa de 150% visto que “o Fisco não aceitou os documentos apresentados mas não comprovou o dolo do contribuinte”. Para corroborar seus argumentos, a autuada cita artigos do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) vigente e da Constituição Federal do Brasil, bem como ementas e trechos de Fl. 174DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10640.723822/201141 Acórdão n.º 2801003.826 S2TE01 Fl. 175 4 vários Acórdãos proferidos pelo Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. A primeira instância de julgamento, em resumo, assim dispôs: 1 Não era competente para manifestarse sobre a constitucionalidade da legislação tributária. Quanto à alegação de cerceamento de defesa, entendeu que a autoridade fiscal não cometera nenhuma irregularidade em seu procedimento. 2 A dedução indevida com despesas com instrução (R$ 630,00), glosadas pela Fiscalização foi considerada matéria não expressamente questionada e fora do litígio. 3 Citou os artigos do RIR/1999 e da Lei nº 9.250, de 1995, para sustentar as condições em que despesas com médicos e afins podem ser deduzidas da base de cálculo do imposto. Tratou das glosas efetuadas e dispôs que, em princípio, admitese o recibo como comprovação do pagamento, porém, existindo dúvidas quanto a sua veracidade, o Fisco pode exigir do contribuinte provas complementares. 4 Em relação à multa de ofício aplicada, defendeu a legalidade, inclusive em relação ao percentual majorado, de 150%, quanto às despesas relativas aos profissionais Erlinson Ferreira e Marcus Vinicius Machado Fontes, dizendo que os fatos foram comprovados pela DRF/Juiz de Fora, em procedimento fiscal. Assim, decidiuse pela improcedência da Impugnação, mantendose o lançamento efetuado. Cientificada dessa decisão em 30/03/2012 (sexta feira), conforme Aviso de Recebimento na folha 163, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, via postal, em 30/04/2012, conforme envelope com carimbo de postagem na folha 168. Em sede de recurso, em suma, assim manifesta sua inconformidade: é inadmissível que o Fisco aplique multa de 150%, simplesmente por presunção. Dizse vítima de profissionais inescrupulosos e falsários e não pode arcar com o ônus de fiscalizar os mesmos. o fato de não ter comprovado determinadas despesas é justificado pelo extravio dos documentos, conforme já explicara, juntando boletim de ocorrência policial. os demais recibos glosados, sobre os quais foi aplicada multa de 75% são idôneos, cabendo ao Fisco provar a inidoneidade. trata do percentual da multa, pugnando pela aplicação do critério da razoabilidade. PEDE, então, que seja cancelado o débito fiscal ou, alternativamente, que seja retirada a multa, uma vez que não está "rastreada em legalidade". É o relatório. Voto Fl. 175DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10640.723822/201141 Acórdão n.º 2801003.826 S2TE01 Fl. 176 5 Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Bem, no recurso administrativo, recorrese da decisão de 1ª instância, da DRJ. A lide deve ser delimitada, de forma a conferir ao processo a eficiência, a segurança e a confiança, a fim de atingir seus objetivos. A Recorrente não volta a manifestarse sobre nulidade do procedimento, alegando cerceamento de defesa; também não questiona o disposto sobre a glosa de despesas com instrução, que foram reputadas fora de litígio pelo Julgador a quo. Assim, nada a se tratar sobre tais matérias. Não havendo preliminares, passemos ao mérito. MÉRITO 1. DA MULTA APLICADA Identifico no recurso que a contribuinte insurgese especialmente sobre a aplicação da multa de 150%, não obstante questione também a multa aplicada sobre determinada parcela do lançamento, no percentual de 75%. Assim sendo, tratemos primeiramente desse aspecto. Manifestase contrariamente à aplicação da multa duplicada, no percentual de 150%, entendendo que não estaria caracterizado o “evidente intuito de fraude”, alegado pela Fiscalização tampouco demonstrado o dolo específico na conduta do agente. Na declaração de ajuste das pessoas físicas, analisase as mutações patrimoniais, relativas aos ingressos de renda, podendo ser deduzidas algumas despesas, referentes a decréscimos desse mesmo patrimônio. Segundo CARRAZZA, que sublinho para destacar: “...renda é a disponibilidade de riqueza nova, havida em dois momentos distintos...é o acréscimo patrimonial experimentado pelo contribuinte, ao longo de um determinado período de tempo. Ou, ainda, é o resultado positivo de uma subtração que tem, por minuendo, os rendimentos brutos auferidos pelo contribuinte, entre dois marcos temporais, e, por subtraendo, o total das deduções e abatimentos, que a Constituição e as leis que com ela se afinam permitem fazer. (CARRAZZA, Roque Antônio, A natureza meramente interpretativa do art. 129 da Lei nº 11.196/2005, o imposto de renda, a contribuição previdenciária e as sociedades de serviços profissionais. RDDT 154, jul/2008, p. 109 Apud PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p.282) Fl. 176DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10640.723822/201141 Acórdão n.º 2801003.826 S2TE01 Fl. 177 6 Também de ser destacado que o imposto sobre a renda é tributo sujeito a lançamento por homologação, o que significa dizer, conforme artigo 150 do Código Tributário Nacional – CTN, que compete ao sujeito passivo verificar a ocorrência do fato gerador, calcular o montante devido e efetuar o pagamento no prazo, cabendo ao Fisco apenas a conferência da apuração e do pagamento realizados. Feitas essas considerações, passemos ao caso concreto do recurso. A lei 4.502/64, art. 72, conceituou fraude como “toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento.” Já por dolo ou conduta dolosa entendese: “...a consciência e a vontade de realização dos elementos objetivos do tipo de injusto doloso... é saber e querer a realização do tipo objetivo de um delito. O dolo é, de certo modo, a imagem reflexa subjetiva do tipo objetivo da situação fática representada normativamente. A conduta dolosa é mais perigosa – e deve ser punida mais gravemente – do que a culposa.” (PRADO, Luiz Regis. Curso de Direito Penal Brasileiro, 6 ed. Rio de Janeiro: Revista dos Tribunais, 2006, p.113, Apud PAULSEN, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p. 1062) Ora, a contribuinte reconhece que jamais submeteuse a tratamento com o profissional Marcus Vinicius Machado Fontes. Alega que foi paciente de Erlison Ferreira, em sessões de fonoaudiologia e que este, alegando não poder mais emitir recibos, emitiuos em nome do outro, que seria seu "sócio", na mesma clínica. O primeiro seria fisioterapeuta, o segundo seria fonoaudiólogo. Observo, por exemplo, que na DIRPF/2010 foi declarada despesa de R$ 18.000,00 com Erlison Ferreira e mais despesa de R$ 14.000,00 com Marcus Vinicius Machado Fontes. Ou seja, se todo o tratamento foi realizado com o primeiro, como alega a Recorrente, gastou só em fonoaudiologia R$ 32.000,00, em 2009. Isso corresponde a mais de 20% do total de seus rendimentos. No Relatório Fiscal, consta que o profissional cobrava entre R$ 40,00 e R$ 50,00 reais por sessão. Assim, a contribuinte teria se submetido, pelo preço maior, a 640 sessões de fonoaudiologia, naquele ano que teve apenas 365 dias. Não bastante, ao contrário do que alega a Recorrente, a Fiscalização tratou de intimar os emitentes dos recibos e aprofundar seu procedimento junto aos mesmos, como consta do Relatório Fiscal e dos termos de depoimentos que integram estes autos. Marcus Vinicius Machado Fontes negou que tenha emitido recibos, estava com o registro irregular junto ao Conselho de classe e disse que fora vítima de fraude. Erlinson Ferreira não declarou a renda e foi demonstrado, através de elementos, inclusive matemáticos, que não prestara os serviços correspondentes ao total de recibos emitidos em seu nome. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10640.723822/201141 Acórdão n.º 2801003.826 S2TE01 Fl. 178 7 Os recibos são todos em valores "redondos" de R$ 500,00 e R$ 1.000,00, emitidos mensalmente, o que leva a imaginar que todos os meses submetiase a igual número de sessões, mais de uma por dia. (fls. 68 a 100) Ante o exposto, considerando a realidade destes autos, inclusive o aspecto subjetivo da contribuinte, entendo que restou configurada a fraude ao serem transmitidas declarações com o claro objetivo de auferir valores maiores e indevidos de restituição de imposto de renda. Não há que se falar em “erro” ou “equívoco” nessa conduta. Admite inclusive terse valido de recibos de fisioterapeuta que jamais consultou. Destaco que aqui se trata dos anos calendário de 2009 e 2010, mas que o Fisco também apurou irregularidades de mesma matéria nos anos de 2007 e 2008. Foram lavrados Autos de Infração em processos administrativos separados uma vez que nos exercícios de 2008 e 2009 apurouse imposto a pagar e nos exercícios de 2010 e 2011 apurouse redução de saldo de imposto a restituir. A fraude reduziu o valor do imposto devido (retido na fonte) ao auferir restituição maior que a devida. Portanto, correta a aplicação da multa no percentual de 150%, como entendida pela Autoridade Fiscal. Segundo PAULO DE BARROS CARVALHO, “é a espécie de multa que tem por conteúdo a agravação da penalidade...É aplicada quando a Administração demonstra, por elementos seguros de prova, no Auto de Infração, a existência da intenção do sujeito infrator de atuar com dolo, fraudar ou simular situação perante o Fisco” (CARVALHO, Paulo de Barros, Curso de Direito Tributário, 21 ed. Saraiva, 2009, p 581) Constatada a existência de infração à legislação tributária, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Se o percentual das multas estabelecido legalmente atende ao sistema constitucional ou não, não é matéria a ser tratada em sede de julgamento administrativo, conforme o artigo 26A do Decreto nº 70.235/1972, incluído pela Lei 11.941/2009. Não há, portanto, que se falar em razoabilidade. O lançamento é ato administrativo plenamente vinculado à lei. O Fiscal, tampouco o Julgador, não escolhe qual o "peso" da multa que deve ser aplicada. Aplicase a lei ao caso concreto, somente. Bem, a Recorrente admite que tais recibos são decorrentes da ação de "falsários", entretanto, ao incluílos em suas declarações de ajuste anual, valendose dos mesmos para auferir vantagem, discordo que "não tenha compactuado com eles". 2. DEDUÇÃO COM DESPESAS MÉDICAS. Bem, pelo exposto, creio desnecessário discorrer sobre a glosa das despesas, no valor de R$ 32.000,00 em 2009, e de R$ 16.000,00 em 2010, declaradas como gastos com os profissionais Erlinson Ferreira e Marcus Vinicius Machado Fontes. Pelo todo tratado no item anterior, devem mesmo ser mantida. Em relação aos demais recibos, que não foram aceitos, tendo em vista que a contribuinte valeuse de recibos inidôneos, e em valor expressivo, entendeu a Fiscalização pela aplicação do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999, tendo intimado a interessada, conforme Termo de Solicitação de Esclarecimentos, na folha 65, a apresentar documentação Fl. 178DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10640.723822/201141 Acórdão n.º 2801003.826 S2TE01 Fl. 179 8 comprobatória do efetivo pagamento pelos serviços médicos e afins consumidos nos anos em comento. O Regulamento do Imposto de Renda em seu artigo 73, comanda o seguinte: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n º 5.844, de 1943, art. 11, § 3 º ). § 1 º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei n º 5.844, de 1943, art. 11, § 4 º ). Entendo que não agiu com excesso a Fiscalização ao entender, em vista dos depoimentos dados pelos profissionais supracitados e do valor das deduções pleiteadas, por exigir a comprovação do efetivo pagamento. O recibo faz prova, salvo em casos como este. Na folha 41/42, o Auditor Fiscal fundamentou seu entendimento, em Relatório. E a contribuinte não comprovou o efetivo pagamento de nenhuma das despesas glosadas, nem para a Fiscalização, nem na fase litigiosa do procedimento, inaugurada com a apresentação da impugnação. Ao recurso, nenhum documento foi anexado. Há também o caso das glosas onde sequer foi apresentado recibo, sob a alegação de extravio. Mas, poderia ter solicitado nova cópia ao regular emitente, se quisesse, uma vez que os médicos costumam guardar as fichas e prontuários de seus pacientes. Bem, quanto a essas despesas, glosadas por falta de comprovação do efetivo pagamento, aplicouse a multa de 75% que, como já expusemos acima, decorre de lei. CONCLUSÃO A utilização de recibos médicos comprovadamente inidôneos autoriza a glosa dos mesmos e aplicação da multa no percentual de 150%, considerando o evidente intuito de fraude e a conduta dolosa. Uma vez verificada a utilização de recibos inidôneos, legítimo o procedimento fiscal de exigir a comprovação do efetivo pagamento das demais despesas médicas declaradas, com base no artigo 73 do Regulamento do Imposto de Renda. Não comprovado o desembolso, correta a glosa efetuada. O mesmo em relação a despesas para as quais sequer foi apresentado recibo, sendo que a estas parcelas aplicase, como previsto em lei, a multa de 75%. Face ao exposto, VOTO por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 179DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10640.723822/201141 Acórdão n.º 2801003.826 S2TE01 Fl. 180 9 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN
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Numero do processo: 10880.910867/2008-26
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2000
DESPACHO DECISÓRIO. NÃO APRECIAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA. CANCELAMENTO.
Deve ser cancelado o despacho decisório, para que um outro seja proferido, observando-se as informações prestadas em DCTF retificadora apresentada anteriormente à ciência do despacho decisório, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3803-006.687
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para cancelar o despacho decisório, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2000 DESPACHO DECISÓRIO. NÃO APRECIAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA. CANCELAMENTO. Deve ser cancelado o despacho decisório, para que um outro seja proferido, observando-se as informações prestadas em DCTF retificadora apresentada anteriormente à ciência do despacho decisório, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2000 DESPACHO DECISÓRIO. NÃO APRECIAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA. CANCELAMENTO. Deve ser cancelado o despacho decisório, para que um outro seja proferido, observandose as informações prestadas em DCTF retificadora apresentada anteriormente à ciência do despacho decisório, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para cancelar o despacho decisório, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 08 67 /2 00 8- 26 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910867/200826 Acórdão n.º 3803006.687 S3TE03 Fl. 62 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado para se contrapor à decisão da DRJ São Paulo I/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada. O contribuinte havia transmitido Declaração de Compensação, em que pretendia compensar crédito da contribuição no valor atualizado de R$ 1.530,98, decorrente de alegado pagamento a maior. Por meio de despacho decisório eletrônico, cientificado pelo contribuinte em 20/08/2008, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento efetuado já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte. Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reforma do despacho decisório, alegando que apresentara DCTF retificadora, em 31/07/2008, declaração essa, segundo ele, apta a demonstrar o direito creditório pleiteado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório e da DCTF retificadora. A DRJ São Paulo I/SP não reconheceu o direito creditório, amparandose nos seguintes fundamentos: a) falta de comprovação do crédito pleiteado; b) a retificação da DCTF promovida em data posterior à ciência do Despacho Decisório não tem o condão, por si só, de infirmar ou modificar a decisão da repartição de origem; c) “a Declaração de Compensação encerra confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, sendo defeso ao Fisco, sem que o Sujeito Passivo comprove cabalmente a ocorrência de equívocos, alterar, ex officio, as informações prestadas pelo Contribuinte”; d) “a manifestação de inconformidade deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, como, por exemplo, comprovação de que o recolhimento indicado como crédito foi efetuado de forma indevida”; e) “ao instruir o processo somente com cópia da DCTF Retificadora transmitida após a emissão do Despacho Decisório, o Contribuinte não demonstrou a origem do crédito”. Cientificado da decisão em 25/11/2011, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 22/12/2011, requereu a homologação da compensação e repisou o argumento relativo à devida comprovação do crédito a partir da apresentação da DCTF retificadora, esta Fl. 62DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910867/200826 Acórdão n.º 3803006.687 S3TE03 Fl. 63 3 transmitida após a ciência do despacho decisório, argüindo violação do princípio da verdade material. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições para a sua admissibilidade e dele tomo conhecimento. De pronto, registrese que, junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópia da DCTF retificadora transmitida em 31/07/2008, data essa anterior à emissão e à ciência do despacho decisório, eventos esses ocorridos, respectivamente, em 12/08/2008 e 20/08/2008, não tendo tal declaração sido objeto de apreciação por parte da repartição de origem ou da Delegacia de Julgamento. Ainda que se considere que, nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição/ressarcimento e de declarações de compensação, deva prevalecer o princípio do dispositivo, no sentido de que a atividade probatória é ônus do pleiteante, não se pode ignorar que, no presente caso, as informações adicionais fornecidas por meio de DCTF retificadora não foram consideradas pela Administração tributária na prolação do despacho decisório sobre o qual se controverte nos autos. No momento da emissão do despacho decisório, a base de dados da Receita Federal já refletia a nova situação fática declarada pelo sujeito passivo. Nos termos do § 1º do art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 786, de 2007, vigente à época da transmissão da declaração de compensação, “[a] DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores.”. Valendose do disposto no art. 147 e §§ do Código Tributário Nacional (CTN) 1, que disciplinam o lançamento por declaração, aplicáveis, a meu ver, subsidiariamente, ao lançamento por homologação (já que no disciplinamento deste último tipo de lançamento não se faz referência à retificação da declaração), é possível concluir que, em momento anterior à notificação do sujeito passivo, a este é assegurado o direito de retificar as informações até então prestadas à autoridade administrativa, o que, por outro lado, não exclui o ônus de comprovação das alterações promovidas. 1 Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910867/200826 Acórdão n.º 3803006.687 S3TE03 Fl. 64 4 Notese que, tendo sido a DCTF retificadora transmitida anteriormente à emissão de qualquer ato da Administração tributária tendente a confirmar ou não os dados anteriormente declarados, não se vislumbra fundamento normativo à desconsideração por parte da Delegacia de Julgamento da retificação procedida nos termos ora apontados. Além disso, nos termos do disposto no inciso III, do § 2º, do art. 11 da Instrução Normativa SRF nº 786, de 20072, considerase ineficaz a retificação da DCTF promovida após a ciência do início do procedimento fiscal, sendo que, no presente caso, não consta dos autos a ocorrência de intimação anterior à data da transmissão da DCTF retificadora. Poderseia argumentar que, embora a retificação tivesse sido realizada anteriormente à emissão e à ciência do despacho decisório, ela se dera após a transmissão da declaração de compensação, o que inviabilizaria, hipoteticamente, a sua consideração no momento da realização do encontro de contas (DCTF versus PER/DCOMP). Contudo, esse raciocínio, ainda que guarde alguma logicidade, não tem respaldo na legislação tributária, não podendo servir de supedâneo à total desconsideração da nova declaração. Neste ponto, mostrase oportuno transcrever trecho do voto condutor do acórdão nº 330201.797, de 26 de setembro de 2012, da lavra do Presidente da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, cujo teor vai ao encontro do entendimento ora externado: No caso em tela, o indébito pode existir e, existindo, tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN e na forma prescrita na IN RFB nº 900/2008. Portanto, deve a autoridade da RFB competente para reconhecer o direito creditório pleiteado manifestarse sobre a legitimidade dos débitos declarados na DCTF retificadora (...) e, se for o caso, apurar o crédito a restituir e homologar as compensações realizadas e declaradas pela recorrente. Caso contrário, ou seja, não apurando crédito a restituir ou apurando em valor inferior ao pleiteado, dar ciência de sua decisão à recorrente, abrindo lhe prazo para apresentação de manifestação de inconformidade. (Processo nº 10166.911472/200905, fl. 208) No mesmo sentido, temse o acórdão nº 0821223, de 27 de junho de 2011, da DRJ Fortaleza/CE, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: Normas de Administração Tributária Anocalendário: : 01/01/2004 a 31/12/2004 EMENTA: COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. DCTF RETIFICADORA DE DÉBITO, ENTREGUE ANTES DA CIÊNCIA DO DESPACHO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. EFEITO PROBANTE. A DCTF retificadora que reduz o valor de tributo ou contribuição, quando entregue antes da ciência do despacho decisório que não homologou a compensação de débito do declarante com crédito cuja origem é 2 § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: (...) III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada sobre o início de procedimento fiscal. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910867/200826 Acórdão n.º 3803006.687 S3TE03 Fl. 65 5 justamente o pagamento a maior do tributo/contribuição retificado, deve ser aceita como prova do direito creditório pleiteado em declaração de compensação, nos casos em que o indeferimento de tal direito se dera tãosomente pela vinculação do mesmo pagamento ao débito informado na DCTF original. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. INFORMAÇÃO PRESTADA EM DACON. EFEITO PROBANTE. O DACON é mera declaração informativa, não se constituindo em instrumento de confissão de dívidas tributárias nem em veículo de inscrição destas em Dívida Ativa da União. A informação prestada em DACON, desacompanhada de graves elementos de convicção, não é suficiente para provar a existência de direito creditório pleiteado em declaração de compensação. (grifei) Uma vez que, no presente caso, a não homologação da compensação declarada decorrera apenas da vinculação do pagamento ao débito informado na DCTF original, deve ser aceita como prova a DCTF retificadora transmitida antes da emissão do despacho decisório. Diante do exposto, em respeito aos princípios da ampla defesa e do contraditório, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para cancelar o despacho decisório, determinandose à autoridade administrativa a reapreciação do pleito do Recorrente, considerando as informações prestadas na DCTF retificadora, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado. O interessado deverá ser cientificado da nova decisão, oportunizandolhe, no caso de decisão denegatória do direito, ainda que parcial, o prazo regulamentar para se pronunciar, observados os ditames procedimentais do Decreto nº 70.235, de 1972. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 65DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 35013.002270/2005-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000
RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA
Na admissibilidade do Recurso Especial, conforme o Regimento Interno do CARF, deve-se verificar a existência entre decisões que deram à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Somente se configura a divergência pela similitude entre fatos e razões presentes nas decisões recorridas e paradigmas.
No presente caso, como as razões e os fatos nas decisões recorridas e paradigmas - que levaram às conseqüentes decisões - são diversas, não há a similitude necessária para a comprovação da divergência, motivo para não se admitir o recurso.
Numero da decisão: 9202-003.441
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000 RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA Na admissibilidade do Recurso Especial, conforme o Regimento Interno do CARF, deve-se verificar a existência entre decisões que deram à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Somente se configura a divergência pela similitude entre fatos e razões presentes nas decisões recorridas e paradigmas. No presente caso, como as razões e os fatos nas decisões recorridas e paradigmas - que levaram às conseqüentes decisões - são diversas, não há a similitude necessária para a comprovação da divergência, motivo para não se admitir o recurso.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1792; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 35013.002270/200511 Recurso nº 142.480 Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.440 – 2ª Turma Sessão de 22 de outubro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL (PGFN) Interessado SETENGE LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000 RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA Na admissibilidade do Recurso Especial, conforme o Regimento Interno do CARF, devese verificar a existência entre decisões que deram à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Somente se configura a divergência pela similitude entre fatos e razões presentes nas decisões recorridas e paradigmas. No presente caso, como as razões e os fatos nas decisões recorridas e paradigmas que levaram às conseqüentes decisões são diversas, não há a similitude necessária para a comprovação da divergência, motivo para não se admitir o recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 01 3. 00 22 70 /2 00 5- 11 Fl. 458DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire. Fl. 459DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35013.002270/200511 Acórdão n.º 9202003.440 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 0359, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 0351, que decidiu anular lançamento pela existência de vício material, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000 NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CESSÃO DE MÃO DE OBRA. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. O relatório fiscal não evidenciou a caracterização da cessão de mãodeobra conforme previsto na Lei n° 8.212/91, com as modificações introduzidas pelas Leis n° 9.528/97 e 9.711/98 e art. 219 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito deve discriminar os fatos geradores das contribuições previdenciárias de forma clara e precisa, bem como o período a que se referem, sob pena de cerceamento de defesa. Processo Anulado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3 a Câmara / I a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em anular o auto de infração/lançamento, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Julio Cesar Vieira Gomes. Esclarecendo, o litígio em questão versa sobre se a ausência de descrição do fato gerador é motivo para a anulação do lançamento. Em seu recurso especial a PGFN alega, em síntese, que: 1. Há decisões divergentes da recorrida; 2. Está demonstrado que o lançamento e os termos do procedimento fiscal estão em perfeita conformidade com a legislação de regência, inexistindo a nulidade vislumbrada pelo acórdão recorrido; 3. Não se trata de matéria passível de reconhecimento de ofício; 4. Inexiste vício no lançamento; 5. Requer, caso não aceitas as alegações acima, que se dê provimento ao recurso, para declarar que se trata de mero vício de natureza formal. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 Por despacho, fls. 0403, deuse seguimento parcial ao recurso especial, somente para acolher a divergência quanto à impossibilidade de se declarar a nulidade do lançamento quando houver nos autos a descrição dos fatos, acompanhada do conhecimento pelo sujeito passivo desses fatos que lhe foram imputados. A Presidência do CARF analisou o despacho sobre o seguimento parcial do recurso e manteve seu entendimento, fls. 0406. Portanto, a única matéria em análise referese a divergência de entendimento entre o Acórdão recorrido e os paradigmas de n°s 20401.794 e 204.01.947; O sujeito passivo apresentou suas contra razões, argumentando, em síntese, que a decisão recorrida deve ser mantida. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35013.002270/200511 Acórdão n.º 9202003.440 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Quanto à admissibilidade, há questão a ser analisada. Destaquese, pois relevante, que a única matéria em litígio é de se a ausência de descrição clara e precisa do fato gerador, quando a recorrente demonstra compreender a acusação que lhe é imputada é suficiente para anular o lançamento. Para tanto, a recorrente apresenta dois paradigmas: 1º 20401.794, que define: “A alegação de descrição insuficiente dos fatos e, por conseqüência, cerceamento ao direito de defesa, é improcedente. Em seu recurso, alegou falta de objetividade, clareza e completude da descrição dos fatos que configuram a infração à legislação tributária e menção aos fundamentos legais. Ocorre que, todos os elementos da fiscalização foram juntados aos autos, dos quais podese verificar com precisão qual a exigência fiscal. Além disso, como se pode observar da impugnação apresentada e do recurso ora em julgamento, a Recorrente compreendeu a acusação fiscal, se opondo às razões do lançamento. Assim, não deve ser declarada a nulidade do lançamento, posto que não houve prejuízo à defesa.” 2º 204.01.947, que define: “Não procede o requerimento da Recorrente para que seja declarada a nulidade do lançamento em razão da suposta falta de descrição dos fatos e enquadramento legal. No auto de infração e nos demonstrativos produzidos pela fiscalização resta claro o procedimento de fiscalização, bem como as diferenças por ela apontadas e a origem dos valores lançados de ofício (escrituração fiscal da própria Recorrente, nos livros relativos ao ISS e ao ICMS). A fundamentação legal também é clara e suficiente para a manifestação da defesa.” Portanto, para os acórdãos paradigmas, os lançamentos permitem verificar com precisão qual a exigência fiscal e resta claro o procedimento de fiscalização. Só que não é esse o caso da decisão recorrida. Para a decisão recorrida o lançamento não permite verificar a exigência fiscal, nem está claro o procedimento da fiscalização, nos seguintes termos: “Ocorre que a retenção, na forma do citado art. 31, somente será exigida quando demonstrado pelo fisco na peça informativa que, efetivamente, a hipótese encontrada é aquela Fl. 462DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA 6 descrita na norma previdenciária. Caso contrário, não há a exigência de adoção da retenção por parte da empresa. 4. Isto porque, nos exatos termos do que dispõe o art. 114 do Codex Tributário, o1 "fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência". 5. A seu turno, a exigência para a constituição do crédito tributário está posta, também, no artigo 142 do CTN o qual assevera que não só a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária deve ser devidamente verificada pelo fisco, bem como a matéria tributável determinada no lançamento fiscal. Eis o inteiro teor do dispositivo:” Portanto, para a decisão recorrida, não foi demonstrado pelo fisco na peça informativa que, efetivamente, a hipótese encontrada é aquela descrita na norma previdenciária. Assim, não há divergência entre as decisões, motivo do não conhecimento do recurso. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em não conhecer do recurso, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 463DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10730.726009/2011-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2007
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA INTEMPESTIVO.
Comprovada a existência da área de preservação permanente, o ADA intempestivo, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR.
ARBITRAMENTO DO VTN. DECISÃO RECORRIDA. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DAS ALEGAÇÕES TRAZIDAS PELA DEFESA NA IMPUGNAÇÃO.
Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprimir-lhe a falta.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2102-003.220
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Realizou sustentação oral a Dra. Maria Adréia Ferreira dos Santos Santos, OAB/SP nº 154.065.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 09/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2007 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA INTEMPESTIVO. Comprovada a existência da área de preservação permanente, o ADA intempestivo, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR. ARBITRAMENTO DO VTN. DECISÃO RECORRIDA. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DAS ALEGAÇÕES TRAZIDAS PELA DEFESA NA IMPUGNAÇÃO. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprimir-lhe a falta. Recurso de Ofício Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Realizou sustentação oral a Dra. Maria Adréia Ferreira dos Santos Santos, OAB/SP nº 154.065. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA Relatora. EDITADO EM: 09/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
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ADA INTEMPESTIVO. Comprovada a existência da área de preservação permanente, o ADA intempestivo, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR. ARBITRAMENTO DO VTN. DECISÃO RECORRIDA. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DAS ALEGAÇÕES TRAZIDAS PELA DEFESA NA IMPUGNAÇÃO. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprimirlhe a falta. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Realizou sustentação oral a Dra. Maria Adréia Ferreira dos Santos Santos, OAB/SP nº 154.065. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 60 09 /2 01 1- 14 Fl. 270DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10730.726009/201114 Acórdão n.º 2102003.220 S2C1T2 Fl. 271 2 EDITADO EM: 09/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Contra MARIA THEREZA CARMEN MONDINO ESPÓLIO foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 01/05, para formalização de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) do imóvel denominado Fazenda Cachoeira Macaé de Cima, com área total de 12.690,4 ha (NIRF 4.434.3787), relativo ao exercício 2007, no valor de R$ 22.713.364,29, incluindo multa de ofício e juros de mora, calculados até 26/11/2011. As infrações imputadas à contribuinte foram glosa total da área de preservação permanente, por falta de apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) e arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN), com utilização de dados extraídos do Sistema de Preços de Terras (SIPT), conforme quadro a seguir: ITR 2007 Declarado Apurado na Notificação 02Área de Preservação Permanente 12.690,4 ha 0,0 ha 23Valor da Terra Nua R$ 3.534.224,99 R$ 51.959.066,14 Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, que foi considerada procedente pela autoridade julgadora de primeira instância, por unanimidade de votos, conforme Acórdão DRJ/BSB n° 0349.006, de 25/07/2012, fls. 256/263. A DRJ Brasília recorreu de ofício de sua decisão a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em razão do limite de alçada estabelecido na Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. É o Relatório. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10730.726009/201114 Acórdão n.º 2102003.220 S2C1T2 Fl. 272 3 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso de ofício preenche os requisitos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele conheço. A decisão recorrida andou bem quando cancelou a glosa da área de preservação permanente pelas razões a seguir transcritas: No presente caso, a requerente comprovou a protocolização do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA, para o exercício de 2007, em 01.11.2007, às fls. 227, com a informação de uma área de interesse ecológico de 12.690,4 ha, área essa igual a declarada como de preservação permanente. Além disso, apresentou dois ADA protocolados em 08.11.2005 e 22.11.2005, respectivamente às fls. 225 e 226, ambos contendo a informação de uma área de interesse ecológico de 12.690,4 ha, também, igual a área declarada em 2007 como sendo de preservação permanente. Não obstante a protocolização do ADA, para o exercício de 2007, ter sido efetuada em 01.11.2007, após o prazo previsto na IN/SRF nº 746/2007 c/c a IN/IBAMA nº 76/2005, que é de 28.09.2007, além de a impugnante ter apresentado dois ADA protocolados anteriormente, como citado, contendo a informação da área declarada, foi juntada aos autos Declaração do IBAMA, às fls. 219, assinada pelo Engenheiro Florestal Mário de Sá Almeida Júnior, matrícula 1445296, na qual é declarado que a área total do imóvel, de 12.690,4 ha, é totalmente destinada a área de preservação permanente. Transcrevese parte da declaração: “Declaramos para os devidos fins, que a FAZENDA CACHOEIRA MACAÉ DE CIMA, localizada (...), com área total de 12.650,4 ha, registrada no Cartório (...),é totalmente destinada a Área de Preservação Permanente (APP), e de acordo com a Lei nº 2.249/88, de 08/12/88, a área é considerada Área de Relevante Interesse Ecológico, e conforme Lei 4.771/65, de 15/09/65 e Lei 9.985/00, artigo 40, § 1º ...” Além da Declaração do IBAMA, foi carreada aos autos, a Declaração do INCRA, às fls. 226, assinada por Rosemeire Soares Correa, Coordenadora da Sala do Cidadão do INCRA, atestando que toda a área da Fazenda Cachoeira Macaé de Cima, de 12.690,4 ha, é destinada a área de Preservação Natural e Reserva Ecológica. Ainda, para fazer prova de que a área do imóvel possui relevância hidrográfica da área lá preservada, a impugnante Fl. 272DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10730.726009/201114 Acórdão n.º 2102003.220 S2C1T2 Fl. 273 4 juntou aos autos Declaração do CEDAE, às fls. 215, que é o órgão encarregado da distribuição das águas no Estado do Rio de Janeiro, informando, que o imóvel é “indispensável ao abastecimento da Malha Urbana e Rural da Região Nordeste do Estado do Rio de Janeiro”. Consta, também, nos autos documento, às fls. 248/251, expedido pelo Instituto Estadual do Ambiente do Estado do Rio de Janeiro (INEA), integrante da Secretaria do Estado do Ambiente (SEA), informando que a área do imóvel é de aproximadamente 102 km², sendo que a área inserida no Parque Estadual dos Três Picos, criado pelo Decreto Estadual nº 31.343/2002, é de aproximadamente 85,71 km² e que a área inserida na APA Macaé de Cima, criada pelo Decreto Estadual nº 29.213/2001, é de 11,82 km², o que representaria uma área de 95,63% do imóvel totalmente inserida nessas duas Unidades de Conservação da Natureza. Ademais, foi carreado aos autos o Laudo Técnico, às fls. 82/123, elaborado pelo Engenheiro Agrônomo José Roberto Scremin, com ART anotada no CREA, às fls. 129/130, no qual consta a informação que 89,2% do imóvel está inserido na área de Preservação Permanente do Parque Estadual dos Três Picos (PETP) e da APA (Área de Proteção Ambiental) Macaé de Cima, enquanto que os 10,8% restantes estão inseridos no entorno do PETP, às fls. 86, corroborando as informações prestadas pelo INEA, CEDAE, IBAMA e INCRA, de que o imóvel é uma área de preservação permanente de relevante interesse ecológico, por estar em inserido em duas Unidades de Conservação da Natureza, previstas na Lei nº 9.985/2000, e no seu entorno. Esses documentos formam a convicção de que a área de 12.690,4 ha, do imóvel em questão, é de preservação permanente e/ou de interesse ecológico e, desse modo, toda a área do imóvel cabe ser considerada, para fins de exclusão do ITR/2007, nos termos do art. 10, § 1º, II, da Lei nº 9.393/1996. Como se vê, são fartos e corretos os fundamentos da decisão recorrida, razão porque deve ser mantido o restabelecimento da área de preservação permanente. Já no que se refere ao arbitramento do valor da terra nua, a decisão recorrida assim se pronunciou: Quanto a essa matéria, verificase que a autoridade fiscal entendeu que o VTN declarado estava subavaliado, tendo em vista o valor constante do Sistema de Preço de Terras (SIPT), instituído pela então SRF em consonância ao art. 14, caput, da Lei nº 9.393/96, razão pela qual o VTN declarado para o imóvel na DITR/2007, de R$ 3.534.224,99 (R$ 278,50/ha) foi aumentado para R$ 51.959.066,14 (R$ 4.094,36/ha), correspondente ao VTN médio, por hectare, apontado no SIPT, exercício de 2007, para o município de localização do imóvel, conforme, aliás, descrito às fls. 05. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10730.726009/201114 Acórdão n.º 2102003.220 S2C1T2 Fl. 274 5 No entanto, foi comprovado nos autos que toda a área da “Fazenda Cachoeira Macaé de Cima” cabe ser considerada de preservação permanente que é excluída da incidência tributária, nos termos do artigo 10, § 1º, inciso II, alínea “a” da Lei nº 9.393/96. Assim, apesar de a requerente não ter atendido a intimação para comprovação do VTN do imóvel, a preços de 1º.01.2007, é preciso considerar que qualquer que seja o valor atribuído à terra nua, não haverá influência no resultado do imposto a pagar. É que pela sistemática adotada para declaração e apuração do ITR, a área tributável, no presente caso, será sempre igual a zero (0). Por conseguinte, o imposto será cobrado pelo limite mínimo de apenas R$ 10,00, conforme previsto no artigo 11, § 2º, da Lei nº 9.393/96. Dessa forma, qualquer que fosse o VTN atribuído ao imóvel rural pela contribuinte, o resultado tributário seria sempre o mesmo, pois a área tributável seria sempre zero. Com efeito, verificando a metodologia utilizada pela autoridade fiscal, ou seja, a comparação direta entre o VTN/ha declarado pela contribuinte e o VTN/ha constante do SIPT/RFB, visando determinar uma possível subavaliação do imóvel, entendemos que tal metodologia ficou sem objeto, pois a área está no campo da não incidência tributária, sendo razoável admitir como correto o valor que a própria contribuinte atribuiu ao seu bem imóvel na sua declaração do ITR/2007. Enfim, esse arbitramento se tornou inócuo, por ter sido acatada a área total do imóvel como de preservação permanente, permanecendo o imposto devido com o valor mínimo declarado pela requerente, de R$ 10,00 (fls. 06). Desta forma, além de restabelecer a área declarada de preservação permanente, de 12.690,4 ha (área total declarada), também, cabe restabelecer, de ofício, o VTN declarado pela contribuinte, de R$ 3.534.224,99 (R$ 278,50/ha), desconsiderandose a hipótese de subavaliação, por ser sem objeto tributário qualquer arbitramento visando elevar o valor do imposto devido. Isto posto, e considerando tudo o mais que do processo consta, voto no sentido de que seja julgada procedente a impugnação interposta pela Contribuinte, restabelecendo a área declarada de preservação permanente, de 12.690,4 ha, além da tributação do imóvel com base no VTN declarado de R$ 3.534.224,99 (R$ 278,50/ha), com a consequente exoneração do crédito tributário consubstanciado na Notificação nº 07102/00019/2011 de fls. 03/07. Do trecho acima reproduzido, podese inferir que a conclusão da autoridade julgadora de primeira instância foi de que o arbitramento do VTN havia perdido o objeto, dado o cancelamento da glosa da área de preservação permanente e assim deixou de apreciar as Fl. 274DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10730.726009/201114 Acórdão n.º 2102003.220 S2C1T2 Fl. 275 6 argüições da defesa, optando por cancelar o arbitramento somente sob a alegação de que qualquer que fosse VTN adotado, com o cancelamento da glosa da área de preservação permanente, o ITR devido pelo recorrente seria de R$ 10,00. Tal decisão não foi a mais acertada, posto que com a apreciação do recurso de ofício, poderseia ter um resultado pela manutenção da glosa da área de preservação permanente e em assim sendo não haveria que se falar em perda do objeto do arbitramento do VTN. Contudo, a considerar que este voto foi no sentido de confirmar o cancelamento da glosa da área de preservação permanente e em respeito ao disposto no § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, devese confirmar integralmente a decisão recorrida. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso de ofício. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 275DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 19515.001338/2008-72
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2006
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal
Na hipótese dos autos, aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF - RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOA - AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL CLARA E PRECISA - VÍCIO MATERIAL
Tendo o fiscal autuante não demonstrado de forma clara e precisa a fundamentação legal que suportam os fatos que originaram o lançamento, ou seja a descaracterização de estagiário para se efetivar a caracterização de segurado empregado, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, há que se declarar a nulidade do lançamento por vício material.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2403-002.825
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, em Preliminar: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência na competência 12/2001, inclusive, com base no art. 150, § 4º do CTN. No Mérito: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para anular o lançamento por vício material.
Carlos Alberto Mees Stringari Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Magalhães Peixoto e Jhonatas Ribeiro da Silva.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOA AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL CLARA E PRECISA VÍCIO MATERIAL Tendo o fiscal autuante não demonstrado de forma clara e precisa a fundamentação legal que suportam os fatos que originaram o lançamento, ou seja a descaracterização de estagiário para se efetivar a caracterização de segurado empregado, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 13 38 /2 00 8- 72 Fl. 835DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, há que se declarar a nulidade do lançamento por vício material. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, em Preliminar: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência na competência 12/2001, inclusive, com base no art. 150, § 4º do CTN. No Mérito: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para anular o lançamento por vício material. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Magalhães Peixoto e Jhonatas Ribeiro da Silva. Fl. 836DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.001338/200872 Acórdão n.º 2403002.825 S2C4T3 Fl. 836 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – 'SAO PAULO ALPARGATAS S/A contra Acórdão nº 1625.766 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I SP que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA nº. 37.046.9240, com valor inicial consolidado de R$ 1.932.132,09 retificado para R$ 1.080.613,59. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal – CFL 68, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter apresentado a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, especificamente relacionados a repasses de recursos por ela efetuados, a título de patrocínio e licenciamento, às associações desportivas que mentem equipe de futebol profissional, no período de 01/1999 a 06/2006. Segue a íntegra do Relatório Fiscal da Infração, às fls. 08: Foi lavrado o presente Auto de Infração em razão de a autuada apresentar GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme planilha anexa. Neste sentido, a autuada deixou de fazer constar nas GFIP's apresentadas, durante as competências 01/1999 a 06/2006, o percentual mensal de 5% do total da receita bruta relativa a repasses de recursos por ela efetuados, a título de patrocínio e licenciamento, às associações desportivas que mentem equipe de futebol profissional (São Paulo Futebol Clube; Sport Club Internacional; Sociedade Esportiva Palmeiras entre outros). Salientese que a fiscalização foi de fato gerador específico (patrocínio), de maneira que a declaração em GFIP dos demais fatos geradores não foram analisados. Infringiuse, assim, o disposto no artigo 32, IV e parágrafos 3 o e 5°, da Lei 8.212/91, combinado com os artigos 225, IV, e parágrafo 4 o do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Segue a íntegra do Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, às fls. 09: A multa aplicada corresponde a 100% do valor devido relativo às contribuições não declaradas (patrocínio), limitada, por competência, aos valores previstos no inciso I I , do artigo 284 do RPS, conforme demonstrado na planilha anexa, totalizando Fl. 837DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 R$ 1.932.132,09, tudo conforme a legislação de regência: Lei 8.212/91, artigo 32, parágrafo 5o ; Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, artigo 284, I I e artigo 373; Portaria 342 de 16/08/2006; e artigo 656 § 6° da IN 03/2005. Salientese que, durante a fiscalização, a autuada declarou em GFIP valores relativos a fatos geradores que entende devidos a título de patrocínio menores do que os apurados pela fiscalização no entanto, no campo do CNPJ informou o de sua filial 61.079.117/000288 e não da matriz, motivo pelo qual foi autuada, vez que declarou informações inexatas em relação a dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias CFL 69. O Termo de Verificação de Antecedentes de Auto de Infração aponta a existência do pagamento de Auto de Infração datado de 09/11/2000 Debcad 35.160.5622 auto este lavrado pela não declaração de todos os fatos geradores em GFIP CFL 68. Esclareçase, conforme discutido tanto na Impugnação quanto em sede de decisão de primeira instância, que a NFLD nº 37.046.9224, se refere ao processo administrativo nº 19515.001339/200817, corresponde ao crédito previdenciário oriundo das contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social incidente sobre as verbas repassadas a título de licenciamento e patrocínio a diversas associações desportivas que mantêm equipe de futebol profissional, no período de 02/1998 a 06/2006. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e §§ 3º e 5º, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com art. 225, IV e § 4°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. Em virtude da infração cometida fica a autuada sujeita à multa prevista na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, §5°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 284, inc. II, e art. 373. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Fiscal da Infração é de 01/1999 a 06/2006. A Recorrente teve ciência do auto de infração no dia 23.01.2007, conforme Aviso de recebimento – AR às fls. 189. A Recorrente apresentou Impugnação, conforme o relatório da decisão de primeira instância: Das Preliminares 2. Através do instrumento de fls. 194/214, a Autuada impugnou, tempestivamente, o lançamento alegando em síntese: 2.1. que o AI deve ser declarado nulo, uma vez que não foi lançado de acordo com o que determina o art. 293, do Decreto 3.048, pois não contém descrição clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, do dispositivo legal Fl. 838DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.001338/200872 Acórdão n.º 2403002.825 S2C4T3 Fl. 837 5 infringido, da penalidade aplicada e dos critérios de gradação, sem indicação do local, dia e hora da lavratura; 2.2. que da forma como foi lavrado o AI, houve cerceamento de defesa do contribuinte, em afronta ao princípio constitucional da ampla defesa e do contraditório, motivo pelo qual deve ser declarada a sua nulidade; 2.3. que é entendimento pacífico do STF que as contribuições previdenciárias revestemse de caráter tributário, razão pela qual a constituição dos créditos correspondentes está sujeita ao prazo de cinco anos a contar do fato gerador e, desta forma, é necessário reconhecer a impossibilidade da cobrança de valores relativos à competências anteriores a janeiro de 2002 e, conseqüentemente, as penalidades por descumprimento de obrigações acessórias referentes ao mesmo período; 2.4. que para o cálculo da multa imposta, a Fiscalização considerou como fatos geradores não declarados em GFIP os pagamentos efetuados pela autora aos clubes de futebol, a título de licenciamento e patrocínio, cujo lançamento correspondente à obrigação principal, foi feito por meio da NFLD n° 37.046.922 4, razão pela qual impõese o sobrestamento do julgamento do presente AI até a decisão final proferida nos autos da referida NFLD; Do Mérito 2.5. que a Fiscalização utilizou como base de cálculo das contribuições lançadas as verbas repassadas a clubes de futebol lançadas em várias contas contábeis, base esta totalmente equivocada, uma vez que não se pode considerar todos os valores discriminados nas contas contábeis, evidenciando que a NFLD 37.046.9224 foi lavrada sob falsas premissas; 2.6. que a Fiscalização considerou equivocadamente para a referida NFLD o valor de R$ 11.160.104,10 a título de lançamentos manuais, que na realidade constituem ajustes feitos manualmente no encerramento do período contábil dos anos de 1998 a 2006 e não representam pagamentos efetuados a clube de futebol; 2.7. que resta evidente que o critério utilizado pela Fiscalização para a apuração da contribuição previdenciária supostamente devida é equivocado e arbitrário, pois parte de números e informações retiradas da contabilidade de forma fragmentada e sem/ qualquer relação com o fato gerador; 2.8. que a Fiscalização deixou de considerar algumas GPS, como por exemplo, na competência 12/2000, pelo simples fato dos seus valores e a data do recebimento não corresponderem aos dados indicados nos documentos contábeis, entretanto, tais GPS foram quitadas levandose em consideração a data do efetivo pagamento do patrocínio conforme dispõe o art. 66 da IN n° 03/2005; Fl. 839DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 2.9.que em alguns casos a Fiscalização sem qualquer respaldo acabou por exigir em duplicidade algumas GPS quitadas, em razão dos valores dos lançamentos contábeis individualizados não terem correspondência com o valor recolhido a título de contribuição previdenciária; 2.10. que também foi utilizado como base de cálculo das contribuições em discussão os valores lançados na contabilidade como "pagamento ao INSS" e valores lançados na conta de "retenção INSS", sem a avaliação adequada dos documentos e informações disponibilizadas no curso da ação fiscal; 2.11. que a Fiscalização sem observar a redação expressa e clara da legislação cobrou a retenção e o recolhimento de 5% sobre a receita bruta de patrocínio e licenciamento concedidos a sociedades que não se caracterizam como associação desportiva (Corinthians Licenciamento Ltda, Cruzeiro Licenciamentos Ltda e Vitória S/A); 2.12. que na NFLD também estão sendo cobradas, de forma equivocada, contribuições incidentes sobre valores pagos a título de patrocínio e licenciamento à Confederação/Federações e clubes de futebol amadores em desobediência ao disposto no art. 205 "caput" e parágrafo T, do Decreto n° 3.048/99; 2.13..que a Fiscalização, equivocadamente, considerou como base de cálculo os lançamentos contábeis que não representam pagamentos diretos aos clubes de futebol profissionais, mas sim pagamentos de serviços de terceiros, tais como: pagamentos de fretes, de escritório de advocacia, e empresas de turismo, dentre outros; 2.14. que não devem ser incluídos na base de cálculo das contribuições os valores referentes a materiais, que não foram pagos em pecúnia, sob pena de violar o princípio da estrita legalidade, devendo ser salientado que referidos valores foram pagos às empresas fabricantes e não aos clubes de futebol; 2.15. que no curso da ação fiscal, foi verificado que as GPS de recolhimento da contribuição de 5% sobre a receita bruta do patrocínio e licenciamento concedida aos clubes de futebol, foram preenchidas incorretamente em nome dos clubes, quando o correto seria no nome da empresa patrocinadora, ora notificada, razão pela qual foi solicitado junto ao Fisco, mediante anuência dos clubes de futebol, a devida regularização; 2.16.que não se pode enquadrar validamente a contribuição previdenciária sobre a receita bruta decorrente de patrocínios e licenciamentos concedidos aos clubes de futebol, prevista na Lei n° 9.528/97, no disposto no art. 195, I, "a" (antes da Emenda Constitucional n° 20/98) da CF, já que referida fonte de custeio não se encontra dentre às taxativamente previstas pelo legislador constitucional originário ou derivado; 2.17. que a inconstitucionalidade e ilegalidade da Lei n° 9.528/97 não foram convalidadas pela posterior EC 20/98, uma Fl. 840DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.001338/200872 Acórdão n.º 2403002.825 S2C4T3 Fl. 838 7 vez que o ordenamento jurídico brasileip não admite o fenômeno da repristinação; O Órgão de primeira instância baixou o processo em Diligência, a fim de solicitar manifestação fiscal em relação à alegada duplicidade dos valores da basedecálculo, indicando, se fosse o caso, eventuais retificações no lançamento, às fls. 624 a 625. A resposta à solicitação de Diligência Fiscal, conforme o relatório da decisão de primeira instância: 4.1. Em cumprimento à referida solicitação, a Fiscalização, após o procedimento de diligência fiscal, manifestouse (fls. 638/639) acerca dos questionamentos feitos pela Impugnante, relacionados com a basedecálculo dos valores lançados na NFLD n° 37.046.9224, reconhecendo que em várias competências houve retificações dos valores lançados e que, conseqüentemente, o valor da multa aplicada no presente AI também deve ser retificado, conforme planilhas de fls. 630/637. Segue a Manifestação do Contribuinte, conforme o relatório da decisão de primeira instância: 4.2. A empresa foi devidamente notificada do teor da manifestação fiscal e intimada a apresentar adendo a sua defesa em 04/06/2008, conforme termo de fls. 640/641. A Impugnante novamente se manifestou, dentro do prazo concedido (10 dias), consoante instrumento de fls. 642/644, onde, além de reiterar os argumentos da sua defesa, solicita que seja reconhecida a extinção do crédito, referentes às competências anteriores a 01/2002, em virtude da decadência, conforme a Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal, que por unanimidade de votos declarou inconstitucional o arts 45 e 46 da Lei 8.212/91. 4.3. Em 15/06/2009, a Impugnante solicita às fls. 648/650, que em virtude da MP 449/98, convertida na Lei 11.941/91, que adicionou o art. 32A à Lei 8.212/91 alterando a multa aplicada, para o caso em questão, para R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas na GFIP, a aplicação da multa mais benéfica, nos termos do art. 06, II "c", do CTN. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente em parte a autuação, nos termos do Acórdão nº 1625.766 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I SP, às fls. 274 a 282, conforme Ementa a seguir: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2006 OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA GFIP. Fl. 841DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 Constitui infração a empresa deixar de informar, mensalmente, no documento GFIP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária (Art. 32, IV da Lei 8.212/91). DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE DO STF . A Súmula Vinculante n° 8 do STF declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46, da Lei 8.212/91 que tratam de prescrição e decadência, razão pela qual deve ser aplicado o prazo decadencial de cinco anos, previsto no CTN. PRAZO DECADENCIAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Em se tratando de crédito por descumprimento de obrigação acessória, o prazo decadencial, de cinco anos, é regido pelo art. 173,1, do CTN. LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA Tratandose de ato não definitivamente julgado, a Administração deve aplicar a lei nova a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática, assim observando, quando da aplicação das alterações na legislação tributária referente às penalidades, a norma mais benéfica ao contribuinte. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Acordam os membros da 14a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar parcialmente procedente a impugnação, em virtude da decadência em relação às competências 01/1999 e 11/2001 e, ainda, das retificações, nas competências posteriores a(11/2001, contidas na manifestação e planilhas elaboradas pela Fiscalização juntadas aos autos alterando o crédito originalmente constituído de R$ 1.932.132,09 (um milhão novecentos e trinta e dois mil, cento e trinta e dois reais e nove centavos) para R$ 1.080.613,59 (um milhão oitenta mil, seiscentos e treze reais e cinqüenta e nove centavos), respeitada, oportunamente," a legislação de regência no que tange à retroatividade da legislação mais benigna. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. I o da Lei n.° 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002, combinado com a Lei 11.457/07, observandose o disposto no art. 293, §2°, do Decreto n° 3.048/99, com a redação dada pelo Decreto n° 6.103/2007. Deixase de recorrer de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do art. 34, inciso I, do Decreto n° 70.235/72, com alterações da Lei n° 10.522/02, e de acordo com o art. I o da Portaria MF n° 03/2008, tendo em vista que o valor Fl. 842DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.001338/200872 Acórdão n.º 2403002.825 S2C4T3 Fl. 839 9 total do crédito tributário exonerado não excede a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Observase que a decisão de primeira instância reconheceu a decadência parcial até a competência 11/2001, inclusive, com base no art. 173, I, CTN: 4.8 Considerando que o contribuinte foi cientificado em 23/01/2007 (fls. 189), há que se reconhecer a DECADÊNCIA PARCIAL da multa aplicada, nos moldes do art. 173, I do CTN, em relação ao período compreendido entre 01/99 a 11/01, conforme a Súmula Vinculante n° 08/2008 do STF. 4.9. Cabe salientar que para a competência 12/01 não há que se falar em decadência de acordo com o art. 173,1 do CTN, já que o vencimento de referida competência, somente ocorreu em janeiro de 2002, de forma que a contagem do prazo decadencial somente se iniciou em janeiro de 2003. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde combate fundamentadamente a decisão de primeira instância e reitera as argumentações deduzidas em sede de Impugnação. (i) FALTA DE DETERMINAÇÃO DAS CIRCUNSTÂNCIAS E CRITÉRIOS UTILIZADOS PARA APLICAÇÃO DA MULTA — NULIDADE PELA VEDAÇÃO AO EXERCÍCIO DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO (II) DA RETROATIVIDADE DA MULTA MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE, AO TEOR DO ART. 32A, LEI 8.212/1991 INCLUÍDO PELA LEI 11.941/2009. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 843DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação colhida aos autos ÀS FLS. 828. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) DAS PRELIMINARES DA DECADÊNCIA — APLICAÇÃO DO ART. 150, §4°, DO CTN Analisemos. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Fiscal da Infração é de 01/1999 a 06/2006. A decisão de primeira instância reconheceu a decadência parcial até a competência 11/2001, inclusive, com base no art. 173, I, CTN: 4.8 Considerando que o contribuinte foi cientificado em 23/01/2007 (fls. 189), há que se reconhecer a DECADÊNCIA PARCIAL da multa aplicada, nos moldes do art. 173, I do CTN, em relação ao período compreendido entre 01/99 a 11/01, conforme a Súmula Vinculante n° 08/2008 do STF. 4.9. Cabe salientar que para a competência 12/01 não há que se falar em decadência de acordo com o art. 173,1 do CTN, já que o vencimento de referida competência, somente ocorreu em janeiro de 2002, de forma que a contagem do prazo decadencial somente se iniciou em janeiro de 2003. Logo, resta para análise as competências 12/2001, inclusive até a competência 06/2006. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 Fl. 844DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.001338/200872 Acórdão n.º 2403002.825 S2C4T3 Fl. 840 11 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. Fl. 845DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento e não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN, conforme se depreende do REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. Entretanto, há de se salientar que a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, trouxe nova disciplina para as punições pelo descumprimento das obrigações acessórias, ao revogar os parágrafos do art. 32 da Lei nº 8.212/91 e ao criar o art. 32A como nova sistemática de aplicação de multas. Ademais, o art. 32, § 11, da Lei 8.212/1991, correlaciona o arquivamento dos documentos comprobatórios das obrigações tributárias à prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) Fl. 846DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.001338/200872 Acórdão n.º 2403002.825 S2C4T3 Fl. 841 13 § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (gn) Temse que na atual disciplina trazida pela Lei 11.941/2009, conforme o art. 32, § 11, Lei 8.212/1991, a avaliação da decadência da penalidade pecuniária por declaração que não contempla todos os fatos geradores darseia nos autos do processo em que tivesse sido realizado o lançamento das contribuições não recolhidas. Desta forma, devese cotejar o presente AIOA nº. 37.046.9240, CFL 68, com o correlato processo principal NFLD nº 37.046.9224, Processo nº 19515.001339/2008 17. Na hipótese dos autos, em relação ao conexo processo principal, NFLD nº 37.046.9224, Processo nº 19515.001339/200817, a decisão de primeira instância, às fls. 659 e 665, expressamente menciona o aproveitamento de GPS recolhidas pela Recorrente: 4.16. Por sua vez, a NFLD 37.046.9224, foi julgada parcialmente procedente em 22/12/2008, Acórdão 19.977, onde foram analisados todas os mesmos argumentos, ora trazidos pela Impugnante, quais sejam: inconstitucionalidade da Lei 9.528/97; duplicidade da basedecálculo, valores pagos a confederações/clubes de futebol amador e outras entidades, aproveitamento de GPS quitadas em nome de clubes de futebol, valores pagos referentes a fretes, escritório de advocacia, dentre outros; valores referentes a materiais, que não foram pagos em pecúnia etc. Segue abaixo parte do referido voto, onde tais argumentos foram analisados: (...) 5.34. A Impugnante solicitou o abatimento de valores recolhidos em nome dos clubes de futebol, referentes à retenção de 5% (cinco por cento) sobre a receita bruta de patrocínio e licenciamentos a eles concedidos. Instada a se manifestar, a Fiscalização entendeu que realmente assiste razão à Impugnante e informa que, em procedimento próprio, por meio de Informação Fiscal, todas as GPS pagas a título de patrocínio foram apropriadas no CNPJ 61.079.117/00105, no qual foram feitos todos os lançamentos. 5.35. Deve ser salientado que referidas apropriações foram solicitadas pela Impugnante, com anuência dos Clubes de Futebol (fls. 840, 854, 906/907, 959/960. 1016/1017. Referido pedido foi atendido pela Fiscalização que, em 30 de agosto de 2007, emitiu ofícios comunicando aos Clubes de Futebol a realização das apropriações solicitadas e a abertura do prazo de 15 dias para manifestação dos mesmos em caso de discordância Fl. 847DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 (fls. 1022/1031). Os ofícios foram encaminhados por via postal (AR recebidos em 10/09/07, 11/09/07 e 12/09/07). Não houve qualquer manifestação de discordância dos Clubes de Futebol. 5.36. Desta forma, referidos recolhimentos também devem ser abatidos dos valores lançados, conforme manifestação da fiscalização, de acordo com as planilhas de fls. 1047/1060. Portanto, estes recolhimentos feitos pelo contribuinte, via Guias da Previdência Social GPS, no meu posicionamento, é o suficiente para considerar os recolhimentos antecipados feitos pelo contribuinte a serem considerados para todo o período objeto da autuação ensejando a aplicação do art. 150, § 4º, CTN, com fulcro no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF, bem como na Súmula CARF 99: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Temos que a ciência do Auto de Infração ocorreu em 23.01.2007 e as competências objeto do lançamento são 01/1999 a 06/2006. Constatase então que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados até a competência 12/2001, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. Portanto, considerandose que a decisão de primeira instância já havia reconhecido a decadência até a competência 11/2001, inclusive, com base no art. 173, I, CTN, neste momento reconhecese a decadência na competência 12/2001, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CTN (i) FALTA DE DETERMINAÇÃO DAS CIRCUNSTÂNCIAS E CRITÉRIOS UTILIZADOS PARA APLICAÇÃO DA MULTA — NULIDADE PELA VEDAÇÃO AO EXERCÍCIO DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO Analisemos. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal – CFL 68, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter apresentado a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, especificamente relacionados a repasses de recursos por ela efetuados, a título de patrocínio e licenciamento, às associações desportivas que mentem equipe de futebol profissional, no período de 01/1999 a 06/2006. Segue a íntegra do Relatório Fiscal da Infração, às fls. 08: Foi lavrado o presente Auto de Infração em razão de a autuada apresentar GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia Fl. 848DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.001338/200872 Acórdão n.º 2403002.825 S2C4T3 Fl. 842 15 por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme planilha anexa. Neste sentido, a autuada deixou de fazer constar nas GFIP's apresentadas, durante as competências 01/1999 a 06/2006, o percentual mensal de 5% do total da receita bruta relativa a repasses de recursos por ela efetuados, a título de patrocínio e licenciamento, às associações desportivas que mentem equipe de futebol profissional (São Paulo Futebol Clube; Sport Club Internacional; Sociedade Esportiva Palmeiras entre outros). Salientese que a fiscalização foi de fato gerador específico (patrocínio), de maneira que a declaração em GFIP dos demais fatos geradores não foram analisados. Infringiuse, assim, o disposto no artigo 32, IV e parágrafos 3 o e 5°, da Lei 8.212/91, combinado com os artigos 225, IV, e parágrafo 4 o do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Segue a íntegra do Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, às fls. 09: A multa aplicada corresponde a 100% do valor devido relativo às contribuições não declaradas (patrocínio), limitada, por competência, aos valores previstos no inciso I I , do artigo 284 do RPS, conforme demonstrado na planilha anexa, totalizando R$ 1.932.132,09, tudo conforme a legislação de regência: Lei 8.212/91, artigo 32, parágrafo 5o ; Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, artigo 284, I I e artigo 373; Portaria 342 de 16/08/2006; e artigo 656 § 6° da IN 03/2005. Salientese que, durante a fiscalização, a autuada declarou em GFIP valores relativos a fatos geradores que entende devidos a título de patrocínio menores do que os apurados pela fiscalização no entanto, no campo do CNPJ informou o de sua filial 61.079.117/000288 e não da matriz, motivo pelo qual foi autuada, vez que declarou informações inexatas em relação a dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias CFL 69. O Termo de Verificação de Antecedentes de Auto de Infração aponta a existência do pagamento de Auto de Infração datado de 09/11/2000 Debcad 35.160.5622 auto este lavrado pela não declaração de todos os fatos geradores em GFIP CFL 68. Evidenciase que o Relatório Fiscal da Infração aponta de forma genérica que houve um descumprimento de obrigação acessória ao afirmar que a autuada não declarou em GFIP o percentual mensal de 5% da receita bruta relativa a repasses a título de patrocínio e licenciamento: (...) a autuada deixou de fazer constar nas GFIP's apresentadas, durante as competências 01/1999 a 06/2006, o percentual Fl. 849DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 mensal de 5% do total da receita bruta relativa a repasses de recursos por ela efetuados, a título de patrocínio e licenciamento, às associações desportivas que mentem equipe de futebol profissional (São Paulo Futebol Clube; Sport Club Internacional; Sociedade Esportiva Palmeiras entre outros). De fato, compulsandose o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 08, não se consegue evidenciar com clareza e especificamente quais os fatos geradores para suportar o auto de infração de obrigação acessória lavrado. Por exemplo, não há no Relatório Fiscal da Infração a discriminação precisa e clara dos beneficiários dos repasses a título de patrocínio e licenciamento, bem como não há qualquer referência precisa e clara à origem do próprio fato gerador que são os valores repassados pela Recorrente a título de patrocínio e de licenciamento. Neste sentido, o lançamento fiscal deveria ter sido elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Por outro lado, compulsandose os autos, em especial a peça de Impugnação da Recorrente bem como a decisão de primeira instância, se é provável se considerar que no conexo processo principal, NFLD nº 37.046.9224, Processo nº 19515.001339/200817, devam estar presentes os fundamentos legais e fáticos dos fatos geradores, no entanto, é certo que no presente processo em julgamento AI nº. 37.046.9240, CFL 68, Processo nº. 19515.001338/200872, não se consegue evidenciar com clareza e especificamente quais os fatos geradores para suportar este auto de infração. Fl. 850DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.001338/200872 Acórdão n.º 2403002.825 S2C4T3 Fl. 843 17 Desta forma, o procedimento fiscal não atendeu todas as determinações legais, de forma que prosperam as alegações da Recorrente. Portanto, a autuação lavrada deve ser anulada por vício material pela falta de discriminação clara e precisa dos fatos geradores, violando portanto o art. 142, CTN, o que, ademais, claramente também implicou em violação ao princípio constitucional da ampla defesa posto que ao contribuinte não foi possibilitada ampla defesa na discriminação clara e precisa dos fatos geradores. (ii) DA RETROATIVIDADE DA MULTA MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE, AO TEOR DO ART. 32A, LEI 8.212/1991 INCLUÍDO PELA LEI 11.941/2009. Analisemos. Não iremos discutir este tópico em função da análise do tópico anterior em que se decidiu pela anulação por vício material da autuação. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do Recurso, dar PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para: (i) em Preliminar, se reconhecer a decadência na competência 12/2001, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CTN; (ii) No Mérito, anular o lançamento por vício material. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 851DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10730.720472/2011-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2007
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL EM 2007.
Não se obriga à apresentação de DIPJ a pessoa jurídica em início de atividade e optante pelo Simples Nacional em 2007, quando esta declaração tem o único fim de regularizar a diferença de alguns dias entre a data de abertura da empresa e a do inicio do período abrangido pela declaração anual do Simples Nacional posteriormente entregue, mormente em face de que a própria legislação estabeleceu a presunção de que a empresa não exerceu qualquer atividade naquele período.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 1102-001.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, vencidos os conselheiros José Evande Carvalho Araujo e Ricardo Marozzi Gregório, que negavam provimento.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Recorrente CLEVERSON DEMANI JUNIOR IND. E. COM. MODA ÍNTIMA E ACESSÓRIOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL EM 2007. Não se obriga à apresentação de DIPJ a pessoa jurídica em início de atividade e optante pelo Simples Nacional em 2007, quando esta declaração tem o único fim de regularizar a diferença de alguns dias entre a data de abertura da empresa e a do inicio do período abrangido pela declaração anual do Simples Nacional posteriormente entregue, mormente em face de que a própria legislação estabeleceu a presunção de que a empresa não exerceu qualquer atividade naquele período. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, vencidos os conselheiros José Evande Carvalho Araujo e Ricardo Marozzi Gregório, que negavam provimento. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 04 72 /2 01 1- 52 Fl. 45DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10730.720472/201152 Acórdão n.º 1102001.274 S1C1T2 Fl. 3 2 Relatório Todas as indicações de folhas no presente relatório e voto a seguir dizem respeito à numeração digital do eprocesso. Tratase de recurso voluntário interposto por CLEVERSON DEMANI JUNIOR IND. E. COM. MODA ÍNTIMA E ACESSÓRIOS, contra acórdão proferido pela 5ª Turma de Julgamento da DRJ/Rio de JaneiroI/RJ, que possui a seguinte ementa: “Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2007 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DENÚNCIA EXPONTÂNEA (sic). INOCORRÊNCIA. Comprovandose que o contribuinte apresentou declaração a destempo, está sujeito ao pagamento da multa pelo atraso na sua entrega. A norma inserta no artigo 138 do CTN não abrange as penalidades pecuniárias decorrentes do inadimplemento de obrigações acessórias.” Por meio de notificação de lançamento foi exigida do contribuinte a multa por atraso na entrega de sua Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ relativa ao exercício de 2008, ano calendário 2007, no valor de R$ 500,00. Inconformado, o interessado apresentou impugnação alegando ter apresentado espontaneamente a referida declaração, antes de qualquer manifestação do Fisco, situação que excluiria a aplicação da penalidade pecuniária, consoante disposição do art. 138 do Código Tributário Nacional – CTN. Em favor de seu pleito, transcreve jurisprudência do antigo 1º Conselho de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, e do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Alega que, na forma do art. 7o, da Lei nº 10.426/2002, utilizada como fundamento legal para a autuação, o lançamento somente poderia ser levado a efeito após a prévia intimação para prestar esclarecimentos. A DRJ julgou a impugnação improcedente, nos termos da ementa acima transcrita. A par disto, destacase o seguinte excerto do voto condutor: “O contribuinte, constituído como empresário individual, embora não estivesse obrigado a apresentar a declaração no exercício de 2008, o fez fora do prazo estipulado na legislação, assim, foi lavrada a notificação de lançamento que o interessado, em sua impugnação, não logrou comprovar a improcedência sujeitando se ao pagamento da multa (...)” Fl. 46DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10730.720472/201152 Acórdão n.º 1102001.274 S1C1T2 Fl. 4 3 No recurso voluntário, aduz a recorrente, a fim de esclarecer equívoco que identifica na decisão de piso, que a multa por atraso que lhe está sendo exigida é a relativa à entrega da DIPJ relativa ao período de 27/07/2007 a 20/08/2007, ou seja, de período inferior a um ano, e que a referida declaração foi apresentada em razão do período de inatividade anterior à opção pelo Simples Nacional, pois, na época, a opção pelo referido sistema, feita em 21/08/2007, não se deu retroativamente à data da constituição da empresa (em 27/07/2007), o que tornou necessária a apresentação de declaração nos moldes em que foi apresentada. Contudo, não teria como apresentar a declaração de inatividade relativa àquele período, pois esta declaração pressupõe que a inatividade tenhase dado com relação ao ano inteiro, conforme a pergunta que consta neste tipo de declaração, que transcreve: “A pessoa jurídica acima identificada, por seu representante legal, declara que permaneceu, durante todo o período de 01/01/2007 a 31/12/2007 sem efetuar qualquer atividade operacional, não operacional, financeira ou patrimonial: ( )SIM ( )NÃO” Apesar de a recorrente sustentar, portanto, que a declaração deveria, de fato, ter sido apresentada, observa que, se prevalecer o entendimento da autoridade julgadora a quo de que não estaria obrigado à entrega da declaração, então não caberia qualquer penalidade em face de um ato de mera liberalidade, ou cumprimento equivocado de obrigação a que não estava sujeita. Observa que este entendimento já é atualmente aplicado no caso de declarações de pessoas físicas, não obrigadas à apresentação de declaração, que as apresentem extemporaneamente. No mais, reprisa as alegações da impugnação, quanto à denúncia espontânea e à falta de prévia intimação para prestar esclarecimentos, e conclui a peça requerendo a insubistência do lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Da análise dos documentos acostados aos autos junto à impugnação e ao recurso, verifico os seguintes fatos: O Registro de Firma Individual do contribuinte, datado de 16/07/2007, foi protocolado na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro em 17/07/2007, e deferido 27/07/2007 (fls. 11). A empresa teve a sua inscrição e abertura no CNPJ em 27/07/2007 (fls. 14). Fl. 47DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10730.720472/201152 Acórdão n.º 1102001.274 S1C1T2 Fl. 5 4 A empresa obteve o seu comprovante de inscrição estadual como contribuinte do ICMS no Estado do Rio de Janeiro em 22/08/2007 (fls. 16). A empresa consta como optante pelo Simples desde 21/08/2007 (fls. 15). A DIPJ que originou a multa questionada foi entregue em 14/02/2011 (fls. 13). A Lei Complementar n° 123, de 2006, instituidora do Simples Nacional, em seu art. 16, § 3o, dispõe sobre os efeitos da opção por esta sistemática, a qual deve ser exercida nos termos, prazos e condições estipuladas por atos do Comitê Gestor do Simples Nacional CGSN, efeitos estes que serão produzidos apenas a partir da data do início de atividade. Transcrevese o dispositivo: Art. 16. A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o anocalendário. (...) § 3o A opção produzirá efeitos a partir da data do início de atividade, desde que exercida nos termos, prazo e condições a serem estabelecidos no ato do Comitê Gestor a que se refere o caput deste artigo. O Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN) estabeleceu as condições no § 3º do art. 7o da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, abaixo transcrito em sua redação original: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. (...) § 3º No caso de início de atividade da ME ou EPP no ano calendário da opção, deverá ser observado o seguinte: I a ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição estadual e municipal, caso exigíveis, terá o prazo de até 10 (dez) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; (...) V – a opção produzirá efeitos a partir da data do último deferimento da inscrição nos cadastros estaduais e municipais, salvo se o ente federativo considerar inválidas as informações Fl. 48DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10730.720472/201152 Acórdão n.º 1102001.274 S1C1T2 Fl. 6 5 prestadas pelas ME ou EPP, hipótese em que a opção será considerada indeferida; VI – validadas as informações, considerase data de início de atividade a do último deferimento de inscrição. (...)” Percebase que a regra geral do Simples Nacional é que a opção se dê somente no mês de janeiro de cada ano, e que esta surta efeitos para todo o ano calendário. Não é possível fazer uma opção apenas em parte do ano calendário, e, após o mês de janeiro, ordinariamente não há sequer a possibilidade de opção, nem para o próprio ano, nem para o ano seguinte. Foi somente com a edição da Resolução CGSN nº 60, de 22 de junho de 2009, que se criou a possibilidade de o contribuinte efetuar agendamento de sua opção, entre o primeiro dia útil de novembro e o penúltimo dia útil de dezembro do ano, contudo, neste caso, a opção é válida somente para o ano seguinte. Assim, a única possibilidade de opção pelo Simples Nacional em algum momento após o mês de janeiro de cada ano, se dá no caso de empresas em início de atividade. Ou então em algumas situações especiais, especificamente tratadas em algumas resoluções do CGSN, tal como se deu no caso de 2007, ano em que foi instituído o Simples Nacional, ou no ano de 2009, em que a Resolução CGSN nº 54, de 29 de janeiro de 2009 estendeu o prazo até 20 de fevereiro de 2009. No caso de 2007, a Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, estabeleceu que a opção poderia ser realizada até o último dia útil do mês de julho, produzindo efeitos a partir do primeiro dia desse mesmo mês. Posteriormente, a Resolução CGSN nº 16, de 30 de julho de 2007 prorrogou este prazo até 15 de agosto, e a Resolução CGSN nº 19, de 13 de agosto de 2007, prorrogou novamente até 20 de agosto de 2007. Mas as alterações nos prazos acima citados, tanto as relativas ao ano de 2007, quanto as relativas ao ano de 2009, aplicamse às opções por qualquer empresa, inclusive aquelas que já estão em atividade, e implicam a retroação da opção até o início do período, de forma justamente a preservar a regra de produção de efeitos para todo o ano calendário (a 1o de julho de 2007, porque foi nesta data que surgiu o Simples Nacional, e a partir de 1o de janeiro de 2009, respectivamente), ou seja, de modo a evitar que, num mesmo ano calendário, possa a empresa, voluntariamente, submeterse a alguma outra forma de tributação que não o Simples Nacional em parte daquele ano. No caso de empresas em início de atividade, conforme dito, a legislação criou uma exceção à regra geral, permitindo que a opção pudesse vir a surtir efeitos no próprio ano calendário, sob certas condições, conforme se verifica no art. 7o da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, antes transcrito. O contribuinte, portanto, após efetuar o seu registro na Junta Comercial e inscrição no CNPJ, bem como obter as suas inscrições estadual e municipal, possuía prazo para efetuar a sua inscrição no Simples Nacional, o qual certamente cumpriu, tanto é que foi admitido nesta sistemática ainda em 2007. Este prazo, conforme visto, era de 10 dias , contados do último deferimento de inscrição. Somente com a Resolução CGSN nº 41, de 1º de setembro de 2008, é que este prazo passou para 30 dias. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10730.720472/201152 Acórdão n.º 1102001.274 S1C1T2 Fl. 7 6 No caso concreto, se a sua última inscrição fosse a do CNPJ, que se deu em 27/07/2007, o prazo de 10 dias estaria vencido em 21/08/2007. Como a opção foi aceita, resta concluir que o prazo estaria vinculado, no caso, à sua inscrição estadual como contribuinte do ICMS no Estado do Rio de Janeiro, que foi obtida, pelo que consta às fls. 16, em 22/08/2007. E a própria Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, dispõe que, nesses casos, se deve considerar como data de início de atividade a do último deferimento de inscrição (art. 7º, § 3º, inciso VI). Ou seja, a data da opção pelo Simples Nacional e a data de início das atividades coincidem, de sorte que, também neste caso, preservase a linha mestra de que não haja alguma outra forma de tributação, que não o Simples Nacional, em qualquer parte de um dado ano calendário. Ora, se a própria legislação estabelece a presunção de que a empresa não teve qualquer atividade antes do último deferimento de sua inscrição — e esta presunção não é infirmada por qualquer indício nos autos — não se afigura razoável, em primeiro lugar, a exigência da entrega de uma declaração apenas para confirmar aquilo que a própria legislação presumiu, impondo uma penalidade a quem não fizesse a sua entrega em tempo hábil. Para piorar o cenário, embora a presunção seja de inatividade, sequer foi oferecida ao contribuinte a opção (se se considerar obrigatória a apresentação de alguma declaração abrangendo o período anterior ao seu início de atividade) de apresentar uma declaração de inatividade. Isto porque, conforme destacou a recorrente, a declaração de inatividade, cuja multa pelo descumprimento do prazo para entrega seria de R$ 200,00, e não de R$ 500,00, só pode ser utilizada caso a empresa se encontre inativa até o fim do ano calendário (salvo eventos especiais de extinção, fusão, incorporação, etc, que não é o caso). E, por conta da mesma presunção, de que sequer iniciou suas atividades antes do último deferimento de inscrição, tampouco permite o sistema que o contribuinte inclua, na Declaração Simplificada, o período anterior ao início de suas atividades. Enfim, para que se considere devida a multa por atraso na entrega da declaração apresentada pelo contribuinte no caso concreto, terseia de admitir que a lei criou uma situação em que uma pessoa jurídica que não se encontra em atividade em determinado período seria obrigada a apresentar uma declaração, mas não de inatividade neste período, e sim de lucro real, presumido, ou arbitrado, com valores zerados (que foi o tipo de declaração que o contribuinte, afinal, apresentou, a fim de regularizar a pendência com relação ao período que estava “em aberto” ou sem declaração). Tal proposição é tão desarrazoada que não pode prevalecer, e tanto o é que foi descartada pela legislação de regência a partir de 1° de janeiro de 2008. É verdade que a Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008, alterou essa sistemática, passando a considerar a opção das empresas em início de atividade retroativas à data de abertura, e não mais à data da última inscrição, expressamente apenas para as empresas com data de abertura constante do CNPJ a partir de 1° de janeiro de 2008, mantendo para as empresas com data de abertura constante do CNPJ até 31 de dezembro de 2007 aquela esdrúxula situação a que nos referimos. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10730.720472/201152 Acórdão n.º 1102001.274 S1C1T2 Fl. 8 7 Embora não caiba aqui tecer ilações sobre os motivos que levaram o Comitê Gestor do Simples Nacional a não rever a normatização também para as empresas com data de abertura constante do CNPJ até 31 de dezembro de 2007, o mais provável é que tenha sido em razão da irretroatividade, ou seja, evitou o Comitê Gestor de incidir em regulamentação de situações já consolidadas. Contudo, o fato de ter alterado a metodologia para as empresas com data de abertura constante do CNPJ a partir de 1° de janeiro de 2008 demonstra o claro reconhecimento de que a regulamentação anterior era completamente inadequada. Para concluir, conforme aqui exposto, não se afigura razoável, nem juridicamente admissível, exigirse da pessoa jurídica a entrega de uma declaração apenas para confirmar aquilo que a própria legislação presumiu (inatividade da empresa), e, ato contínuo, impor uma penalidade a quem não faça a sua entrega em tempo hábil. Deixo de analisar os demais argumentos recursais, por não serem necessários à solução da lide. Pelo exposto, dou provimento ao recurso voluntário. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 51DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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