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5042652 #
Numero do processo: 13971.004282/2010-69
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2403-000.165
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos converter o julgamento em diligência Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13971.004282/2010­69  Resolução nº  2403­000.165  S2­C4T3  Fl. 3          2     Relatório    Trata­se  de  recurso  voluntário  apresentado  contra  Decisão  da  Delegacia  da  Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis, Acórdão 07­29.854 da  5ª Turma, que julgou a impugnação improcedente.  A autuação e a  impugnação  foram assim apresentadas no  relatório do  acórdão  recorrido:  DO  LANÇAMENTO  Por  meio  do  Auto  de  Infração  de  Obrigação  Principal  –  AIOP  (DEBCAD  nº  37.300.989­5),  foi  exigido  da  contribuinte  acima  qualificada  o  montante  de  R$  1.629.819,94,  consolidado  em  24  de  setembro  de  2010,  relativamente  às  contribuições  previdenciárias  devidas  à  Seguridade  Social,  correspondentes à parte da  empresa  e à destinada ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  (SAT/RAT),  apurada  nas  competências  de  08/2005 a 12/2009.  Consta  do  Auto De  Infração  e  do  Relatório De  Procedimento  Fiscal  (fls.02/32 e 36/41), dentre outras informações, que os lançamentos têm  por  fato  gerador  a  remuneração  dos  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais  a  serviço  da  autuada,  dos  quais  estavam  formalmente registrados como empregados da empresa N&C Indústria  e Comércio de Calçados Ltda. CNPJ 05.026.694/000150.  Da  leitura  que  se  faz  no  Relatório  De  Procedimento  Fiscal  colhe­se  algumas informações, a seguir sintetizadas.  1. As empresas N&C Indústria e Comércio de Calçados Ltda. e  C&N  Calçados  Ltda.,  foram  objeto  do  procedimento  de  fiscalização relativamente às contribuições previdenciárias.  2.  A  N&C  constituiu  a  empresa  C&N  Calçados  Ltda.,  sob  o  revestimento de empresa distinta e  independente e para  tanto,  em  seus  contratos  sociais  fez­se  constar  sócios  interpostos.  A  partir da constituição da C&N, iniciou­se um esvaziamento de  empregados  da  N&C,  os  quais  foram  sendo  demitidos  e  em  seguida  admitidos  pela  C&N.  Assim,  encoberto  por  uma  aparente  regularidade,  sua  produção  foi  sendo  totalmente  "terceirizada"  a  titulo  de  uma  pretensa  “industrialização  por  encomenda" pela empresa interposta que, por ser optante pelo  SIMPLES,  tem  suas  contribuições  substituídas,  vantajosamente,  pelo  sistema  de  pagamento  único  sobre  o  faturamento.  3. Diante das evidências, conclui­se que a C&N Calçados Ltda.  foi criada com a única finalidade de formalizar os registros dos  Fl. 905DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13971.004282/2010­69  Resolução nº  2403­000.165  S2­C4T3  Fl. 4          3 empregados, sendo totalmente controlada pela empresa mãe, a  N&C Ind. e Comércio de Calçados Ltda., e assim eximir essa  do  pagamento  de  contribuições  previdenciárias  e  outros  tributos.  4. Comprovada que a empresa C&N Calçados Ltda. não possui  patrimônio e capacidade operacional necessários à realização  de  seu objeto  social,  foi  emitida a Representação Fiscal  para  Baixa do seu, CNPJ 05.311.103/0001­96, através do Processo  n° 13971.000174/2008­01.  A  autoridade  lançadora  esclarece  que  os  fatos  geradores  das  contribuições lançadas são as remunerações pagas e/ou creditadas aos  segurados empregados e contribuintes individuais registrados na C&N  Calçados  Ltda.,  discriminadas  em  folhas  de  pagamento,  não  declaradas  em  Guia  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  por  Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social (GFIP), devido à  informação  incorreta  no  campo  referente  à  opção  do  Simples,  no  período  de  08/2005  a  12/2009.  Diz,  ainda,  que  foram  considerados  como  créditos  os  valores  destinados  ao  INSS,  recolhidos  em  DARF  cód. 6106, nesse período.  Informa,  também, que foi aplicada a multa no seu percentual máximo  (150%),  porquanto  restou  caracterizada  a  prática  de  fraude  prevista  no  art.  72  da  Lei  4.502/64,  bem  como  que  será  aplicada  a  partir  da  competência 12/2008, uma vez que os citados dispositivos passaram a  produzir seus efeitos somente a partir da edição da MP nº 449/2008.  DA IMPUGNAÇÃO   Cientificada  do  Auto  de  Infração,  a  interessada  apresentou  impugnação  tempestiva  que  se  encontra  às  fls.  372/431,  mediante  procurado regularmente constituído às 356/357, fundamentando­se nas  razões e direitos a seguir sintetizados.  1 – Da Fiscalização    No  presente  tópico  a  impugnante  apenas  se  ocupa  em  relatar  as  conclusões da auditoria fiscal.  2 Da Configuração Da Decadência   Defende  que,  para  os  tributos  sujeitos  ao  lançamento  por  homologação,  a  contagem do  prazo decadencial  se  inicia  da  data  do  fato gerador, de acordo com a redação do § 4º, do art. 150, do CTN.  Portanto,  os  fatos  geradores  ocorridos  antes  de  28/09/2005  estão  alcançados pela decadência.  3 Ilegitimidade Passiva — Nulidade Do Lançamento Tendo Em Vista O  Erro Na Identificação Do Sujeito Passivo   Sustenta que não há fundamento legal para figurar como contribuinte  do  lançamento  proposto,  porquanto  não  existe  vinculação  com  os  segurados formalmente vinculados a C&N Calçados Ltda..  Fl. 906DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13971.004282/2010­69  Resolução nº  2403­000.165  S2­C4T3  Fl. 5          4 Alega que a C&N produz/fornece também para outras empresas e que  toda  a  relação  entre  as  empresas  é  as  claras,  não  há  estratégias  ocultas, nem ilegalidades neste procedimento.  Prossegue aduzindo que “(...) caso fosse prevalecer o entendimento da  fiscalização, de que  falta autonomia,  independência à C&N Calçados  Ltda.,  ou  ainda  que  não possui  patrimônio  e  capacidade  operacional  necessários a realização de seu objeto social, o que somente se admite  a  titulo  de  argumentação, caberia  neste  caso a  fiscalização  excluir  a  C&N do SIMPLES, nos termos do art. 29, IV da LC n° 123/2006 (nova  redação do disposto no inciso IV do art. 14 da Lei n.° 9.317/96). Após  a exclusão da C&N CALÇADOS LTDA. do SIMPLES, caberia, ainda a  titulo de argumentação, o lançamento de eventuais tributos contra esta,  e  quando  muito,  a  Impugnante  figuraria  apenas  como  responsável  solidária, conforme preceitua o CTN em seus artigos 121 a 124”.  4 Nulidade Do Lançamento Pela Ausência De Fundamento Legal Para  O Lançamento Tributário Em Face Da Impugnante   Novamente,  defende  a  omissão  de  fundamento  legal  que  alicerce  o  lançamento.  Diz que a Auditora “tenta convencer que a C&N seria uma empresa de  "fachada",  ou  seja,  interposta  na  contratação  de  mãodeobra  da  Impugnante”,  considerando,  por  mera  presunção,  os  empregados  da  N&C  Ind.  e  Com.  de  Calçados  Ltda.  segurados  vinculados  a  C&N  Calçados Ltda..  Alega  que  “não  consta  do  relatório  fiscal,  nem  mesmo  do  anexo  intitulado  "FLD  FUNDAMENTOS  LEGAIS  DO  DÉBITO",  nenhuma  fundamentação  legal  que  justifique  o  lançamento  fiscal  em  face  da  Impugnante”.  5  Da  Atividade  Lícita  E  Transparente  Da  impugnante  E  Da  C&N  Calçados  Ltda.  E  Das  Provas  Que  Esta  Possui  Patrimônio  E  Capacidade  Operacional  Necessária  À  Realização  De  Seu  Objeto  Social   Alega  ausência  de  provas  concretas  para  os  fatos  apontados  pela  Fiscal, haja vista que apresentou apenas presunção da ocorrência do  fato gerador.  Esclarece  que  caberia  a  C&N  Calçados  apresentar  as  provas  e  fundamentos para os fatos apontados pela fiscalização, uma vez que o  lançamento foi equivocadamente efetuado em seu nome.  Defende que a fiscalização não fez prova de que realmente controlava  a C&N, uma vez que não juntou nos autos provas como assinatura de  cheques da C&N pelo Sr. Hermínio, procurações para este, etc...  Reforça  a  afirmativa  de  que  a  C&N  Calçados  Ltda.  é  totalmente  independente e autônoma, e que seus sócios são totalmente distintos e  desvinculados, possuindo apenas relação comercial com a mesma.  Prossegue  esclarecendo  que  a  C&N  Calçados  Ltda.  apura  e  paga  regularmente  suas  contribuições  previdenciárias,  na  forma  de  tributação pelo Simples.  Fl. 907DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13971.004282/2010­69  Resolução nº  2403­000.165  S2­C4T3  Fl. 6          5 Relata  situações,  a  seguir  sintetizadas,  a  qual  entende  que  a  C&N  possui autonomia:  a) a C&N Calçados Ltda. apresentou  todos os  seus  livros  e  registros  contábeis e fiscais, os quais registram suas transações.  b)  possuiu  veículos  próprios,  um  Fiat  Fiorino  e  um  ônibus  que  é  utilizado para o transporte de seus empregados.  c) possui máquinas utilizadas na fabricação de calçados, devidamente  registradas.  d)  possui  contas  bancárias  junto  ao  Banco  do  Brasil  e  Caixa  Econômica Federal, nas quais movimentam seus recursos financeiros e  realiza diversas operações como de empréstimos.  e) contrata e paga apólice de Seguro de Risco de engenharia, conforme  se verifica do contrato.  f)  adquire  e paga  suas aquisições de ativo  imobilizado e quando não  são próprios são respaldados por contratos.  g)  a  sua  sede  localiza­se  em  imóvel  locado  de  sua  propriedade  conforme se verifica do contrato de  locação. E que, embora o  imóvel  localizar­se no mesmo terreno, as sedes são distintas: o parque fabril  no  galpão  locado  e  a  parte  administrativa  em  imóvel  ao  lado  do  galpão.  h)  possui  conta  de  energia  e  contas  de  telefone  individualizadas  e  devidamente contabilizadas.  i) sua atividade é a fabricação de calçados.  j) produz e vende seus produtos a terceiros, como a titulo de exemplo,  para  as  seguintes  empresas:  Calçados  Jahn  Ltda.,  Victor  Abreu  Calçados Ltda., Calçados Bom Passo  Ltda., Carioca Calçados Ltda.,  Abreu  Comércio  do  Vestuário  Ltda.,  Marcos  Abreu  Comércio  de  Calçados Ltda, Arnaldo Gabriel, dentre outras, conforme faz prova os  documentos.  l)  contrata  e  paga apólice  de  Seguro  de Vida Empresarial  para  seus  empregados.  m) os empregados registram seu cartão ponto totalmente independente,  inclusive  possui  contrato  de  prestação  de  serviços  com  a  empresa  Pontual  Informática  Ltda.,  que  é  responsável  pela  manutenção  do  sistema de gerenciamento de Ponto da C&N Ltda..  o)  contrata  e  paga  os  serviços  médicos  para  atendimento  de  seus  funcionários,  bem  como  os  serviços  de  fonoaudióloga  e  ainda  os  serviços de assessoramento técnico em medicina do trabalho.  n) possui certificação ambiental (Fatma), bem como os devidos alvarás  sanitários, de localização e vistoria do corpo de bombeiros, Esclarece  que  nas  operações  de  empréstimos  quem  consta  como  avalistas  nos  contratos são os sócios da C&N Calcados Ltda, ou seja, Sr. Osmar e  Sra. Teresinha.  Fl. 908DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13971.004282/2010­69  Resolução nº  2403­000.165  S2­C4T3  Fl. 7          6 Levanta  o  seguinte  questionamento:  “se  fosse  admitir  que  a  C&N  CALÇADOS LTDA fosse interposta pessoa, porque a Impugnante que é  tributada  pelo  Lucro  Real,  adquiriria  as  máquinas  através  da  C&N,  que é tributada pela sistemática do SIMPLES?”.  Ressalta que não é o fato de ser filho do sócio da C&N Calçados Ltda.,  que estar impedido de promover parceria comercial com a mesma. E,  ainda,  que  é  uma  dos  principais  clientes  da  C&N  Calçados  e  não  cliente exclusivo, como quis parecer o Fiscal.  Por  fim,  assevera  que  a  fiscalização  não  poderia  desconsiderar  as  provas  aqui  referidas  e  disponibilizadas,  uma  vez  que  além  de  demonstrarem  a  segregação,  autonomia  e  independência  da  C&N  Calçados  Ltda.  comprovam  que  possui  patrimônio  e  capacidade  operacional necessária a realização de seu objeto social.  6  – Da Contabilidade Regular Da  Impugnante,  Bem Como Da C&N  Calçados Ltda. Dos Livros Como Prova A Favor Da Impugnante   Sustenta que possui  livros contábeis e  fiscais devidamente registrados  na  JUCESC,  os  quais  registram  todas  as  suas  transações,  bem  como  não há nenhum tipo de confusão entre os livros, registros, documentos,  movimentação de recursos, etc. com a C&N Calçados Ltda., haja vista  que ambas apuram regularmente seus tributos.  Defende que se a contabilidade das empresas não  foi desconsiderada  os livros contábeis possuem eficácia probatória em seu favor, portanto  a  fiscalização  não  tem  elementos  para  considerar  a  C&N  Calçados  Ltda. como interposta pessoa.  7 – Nulidade Do Lançamento Pela Ausência Nos Autos De Documentos  Mencionados  Pela  Fiscalização  Inexistência  Nos  Autos  De  Cópia  Integral  Do  Processo  N°13971.000174/2008­01  Nulidade  Pelo  Cerceamento De Defesa   Esclarece  que  “a  Auditora  para  justificar  o  lançamento,  estaria  se  valendo  de  provas  constantes  do Processo  n°.  13971.000174/200801,  no  qual  estaria  supostamente  comprovado  que  a  empresa  C&N  Calçados  Ltda.  não  possui  patrimônio  e  capacidade  operacional  necessária para realização do seu objeto  social”. Todavia, alega que  não  foi  anexado  ao  presente  feito,  cópia  integral  do  Processo  n°.  13971.000174/2008­01,  de  forma  a  poder  exercer  o  seu  direito  ao  contraditório e ampla defesa.  Defende  que  o  referido  processo  trata  da Representação Fiscal  para  baixa do CNPJ da C&N e não do seu. Por conseguinte não tem como  responder por fatos que não lhe diz respeito.  Novamente aborda a questão de ausência de  fundamento e de provas  para os fatos que suportaram o lançamento, bem como que o Processo  n°. 13971.000174/2008­01 não consta dos autos.  8 Nulidade Pela Utilização De Prova Emprestada   Sustenta que a utilização do processo n° 13971.000174/2008­01 torna  nulo o lançamento, em vista da impossibilidade de utilização de prova  emprestada.  Fl. 909DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13971.004282/2010­69  Resolução nº  2403­000.165  S2­C4T3  Fl. 8          7 Explica que o STJ vem declarando nulo os lançamentos que se valem  de  forma  indiscriminada de prova emprestada,  especialmente quando  constitui o único elemento de convicção a respaldar o convencimento  do julgador.  Relata  que  cabe  a  fiscalização  intimar  o  Contribuinte  e  fazer  as  diligências de forma a buscar a situação fática atual encontrada pela  fiscalização.  Todavia,  a  fiscalização  utiliza  como  único  elemento  de  convicção,  supostas  diligências  realizadas  em  2007  constante  do  referido processo n° 13971.000174/2008­01.  9  Nulidade  Do  Lançamento  Em  Vista  Das  Inconsistências  Da  Informação Fiscal Anexa Ao Combatido Auto De Infração Informação  Fiscal Prestada No Processo N° 13971.000174/2008   Protesta  contra  às  diligências  realizadas  a  partir  de  09.05.2010,  apontando vários argumentos que entende serem equivocados.  Ressalta  que,  apesar  da  importância  das  supostas  constatações,  a  fiscalização não anexa aos autos nenhuma prova de tais argumentos.  Diz que não procede a informação de que "trata­se de um único parque  fabril,  e  não  existe  nenhuma  construção  AO  LADO  onde  pudesse  se  instalar  outra  empresa;",  haja  vista  que  possui  um  contrato  locando  um imóvel à C&N Calçados Ltda..  Também alega que não procede a  informação de que a estrutura das  empresas  resume­se  apenas  a  “um  prédio  principal  onde  no  térreo  estão instalados a recepção e o setor produtivo e no piso superior, que  se  trata de um mezanino,  funciona a parte administrativa e a  sala de  exposição de produtos fabricados pela empresa C&N”, porquanto sua  sede é na parte superior do galpão sendo o acesso único pela parte da  frente do imóvel. Já, a C&N esta localizada no mesmo terreno, porém  com parque fabril no galpão locado e a parte administrativa em imóvel  ao lado do galpão.  Assevera  que  não  consta  do  uniforme  dos  empregados  da  C&N  Calçados “o  logotipo C&N CONTRAMAO, que é o nome de  fantasia  da N&C”.  No  tocante  ao  fato  de  que  “apresentou  um  livro  ponto  referente  aos  anos  de  2009  e  2010”;explica  que  isso  vem  a  comprovar  que  os  empregados  da  C&N  Calçados  Ltda.  registram  seu  cartão  ponto  totalmente  independente  dos  seus  empregados.  Até  porque  a  C&N  possui  contrato  de  prestação  de  serviços  com  a  empresa  Pontual  Informática  Ltda.,  que  é  responsável  pela manutenção  do  sistema  de  gerenciamento de Ponto.  Sustenta que a Auditora não documentou as  situações  relatas, sequer  há fotos registrando.  Alega  que  há  uma  insistência  da  Fiscal  em  tentar  impor  suas  presunções desacompanhadas de qualquer meio probatório e que isso  fica claro quando afirma que "Foram entrevistados alguns empregados  das  empresas  envolvidas, onde a grande maioria  (entrevistas anexas)  Fl. 910DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13971.004282/2010­69  Resolução nº  2403­000.165  S2­C4T3  Fl. 9          8 afirma  que  o  Sr.  Osmar  raramente  vai  até  a  empresa  e  outros  nem  sabem quem ele é”, fato que não concorda.  Esclarece que foram entrevistados mais de 30 empregados da C&N, e  estes  informaram que  o  dono da C&N era  o  Sr. Osmar  e  da N&C o  Sr.Hermínio.  Portanto,  eles  não  informaram  que  "o  Sr.  Osmar  raramente vai até a empresa", mas sim que "o Sr. Osmar vai de vez em  quando  na  empresa",  o  que  representa  dizer  que  atualmente  o  Sr.  Osmar comparece com menos freqüência na empresa, o que é diferente  de "raramente" como afirma a Fiscal.  Quanto  à  afirmação  de  "que  a  empresa  não  possui  equipamentos  de  informática  e  nem  móveis  e  utensílios,  itens  importantes  para  o  funcionamento de suas atividades", alega que não é verdade. Explica  que  os  equipamentos  de  informática  e  móveis  não  são  atuais,  e  que  foram  cedidos  pelo  sócio,  motivo  pelo  qual  não  constam  da  contabilidade da C&N.  Em  relação  à  presunção  de  que  na  ‘relação  PESSOAL  X  FATURAMENTO a empresa vem mantendo a mesma situação descrita  no item 2.1.9, ou seja, apesar do incremento anual do faturamento da  N&C,  a  sua  média  de  empregados  em  relação  a  sua  produção  continuou  diminuindo  a  cada  ano,  enquanto  a  C&N  aumentou  seu  quadro  funcional”,  diz  que  não  há  nada  de  anormal  ou  irregular  na  análise proferida pela fiscalização.  Explica  que  vem  mantendo  em  seus  quadros  o  mesmo  número  de  empregados, proporcional ao faturamento em torno de 5 milhões/ano,  e  sempre  contando  de  12  a  14  empregados,  pois  direciona  suas  atividades  para  a  parte  comercial,  não  necessitando  de  um  número  maior  de  empregados,  enquanto  que  a  C&N  tem  suas  atividades  diretamente relacionadas à produção, o número de empregados oscila  de acordo com a necessidade.  Esclarece, ainda, que seu faturamento se manteve estável desde 2005,  não justificando aumento do número de empregados e que a C&N, de  2005  a  2009,  também  não  teve  grandes  alterações  no  número  de  empregados.  Da  mesma  forma  defende  que  não  procede  a  afirmação  que  "o  esvaziamento  de  pessoal  da  N&C,  continua  sendo  praticada  pela  empresa, ou seja, aumenta o número de empregados da C&N e diminui  na N&C'. Alega que a Auditora apresenta quadros constando períodos  desde  2002,  mas  que  no  período  objeto  do  lançamento  não  houve  nenhum esvaziamento.  Contesta  a  afirmação  da  fiscalização  de  que  "todo  o  faturamento  (receita  bruta)  da  empresa  C&N  CALÇADOS  LTDA  (optante  do  Simples)  continua  sendo  resultante  de  serviços  prestados,  EXCLUSIVAMENTE,  para  a  empresa  N&C  INDUSTRIA  E  COMÉRCIO  DE  CALÇADOS  LTDA",  pois  é  a  principal  cliente  da  N&C Calçados e não o cliente exclusivo.  Defende  que  a  Fiscal  deveria  ter  submetido  o  contrato  original  à  perícia  e  não  ter  insinuado  que  estaria  eivado  de  irregularidade  por  Fl. 911DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13971.004282/2010­69  Resolução nº  2403­000.165  S2­C4T3  Fl. 10          9 supostamente  não  apresentar  “as  características  de  deterioração  causadas pelo tempo”.  Entende que se a C&N Calçados afrontou a Lei do Simples por exercer  atividade vedada prestar serviços com locação de mão de obra o que  somente  se  admite  a  titulo  de  argumentação,  caberia  a  fiscalização  excluí­la do  referido  regime de  tributação  especial  e  lançar  contra  a  mesma os eventuais  tributos,  e quando muito, a  impugnante  figuraria  como responsável solidária.  No tocante ao comprovante de pagamento de títulos da JRS Editora e  um termo de audiência trabalhista da C&N, dois elementos de provas  utilizado  pela  Auditora,  esclarece  que  o  título  foi  emitido  equivocadamente pelo fornecedor em nome da C&N quando o correto  seria  em  seu  nome  e  que  na  ata  trabalhista  houve  uma  pequena  confusão no momento da sua elaboração.  Segue  refutando  alguns  pontos  da  informação  fiscal,  defendendo  alguns respostas do Sr. Osmar aos questionamentos da Fiscal. Diz que  não  faz  sentido  exigir  que  o  Sr.  Osmar  pudesse  precisar  todos  os  números questionados.  Em  relação  à  resposta  de  que  a  C&N  Calçados  "foi  criada  com  o  intuito  de  ajudar  a  N&C  Indústria  e  Comércio  de  Calçados  Ltda.  (contramão), tanto é que até colocaram nomes parecidos", o que o Sr.  Osmar estava tentando esclarecer é que a C&N poderia colaborar com  a impugnante, produzindo para essa e também para outras empresas.  Não  existindo  nessa  declaração  nenhuma  conotação  no  sentido  de  colaborar para reduzir eventual custo tributário.  Defende,  ao  contrário  do  afirmado  pela  Auditora  que  “estas  informações  prestadas  tinham conotação de  que  foram decoradas”  –  que o Sr. Osmar tem conhecimento e uma visão clara do seu negócio.  10  –  Da  nulidade  do  lançamento  em  vista  da  desconsideração  da  personalidade jurídica da c&n calçados ltda. Em total inobservância à  lei.  Sustenta  que  a  Auditora  não  tem  a  prerrogativa  de  determinar  a  anulação ou desconsideração  latu sensu da personalidade jurídica da  empresa mencionada.  Diz que a desconsideração carece de procedimento especial mediante  processo  judicial.  Ou  seja,  esta  figura  jurídica  pretendida  pela  fiscalização  reclama  ordem  judicial  a  autorizar  a  adoção  do  procedimento  Faz  referência  a  doutrina  no  sentido  de  que  não  há  solução legislada especifica para amparar o entendimento da Auditora.  Aduz  que  se  impõe  percorrer  a  via  judicial  para  descaracterizar  a  personalidade jurídica, após profunda análise das provas carreadas.  11 Da Obrigação Da Fiscalização Em Buscar A Verdade Material   Sustenta que a Fiscal desprezou o princípio da verdade material, pois  se  baseia  somente  de  presunções  desprovidas  de  meio  probatório  válido e amparo técnico necessários.  Fl. 912DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13971.004282/2010­69  Resolução nº  2403­000.165  S2­C4T3  Fl. 11          10 Esclarece que a busca da verdade material se constitui em verdadeira  obrigação da autoridade fiscal, devendo essa averiguar  se a  situação  informada pela empresa corresponde à realidade, e não simplesmente  desclassificar processo empresarial legitimo e extremamente difundido  no meio empresarial, com base em meras suposições.  12 Da Indevida Representação Fiscal Para Fins Penais (RFFP) —Da  Inexistência De Crime Contra Ordem Tributaria   Aduz, pela simples leitura do dispositivo que fundamentou a RFFP, que  labora  em  grave  erro  a  Auditora,  em  vez  que  para  caracterizar  a  conduta típica do referido dispositivo faz­se necessário a supressão ou  redução  da  contribuição  social  previdenciária  associada  a  omissão  (não menção) de receitas ou lucros auferidos, remunerações pagas ou  creditadas e outros fatos geradores de contribuições previdenciárias.  Diz  que  não  houve  omissão  de  receitas,  remunerações  pagas  ou  creditadas  e  outros  fatos  geradores  de  contribuições  previdenciárias,  pois,  assim como  a C&N Calçados,  declara  toda  a  receita  e  informa  todos os seus empregados.  Sustenta  que  é  dever  da  fiscalização  demonstrar  minuciosamente  os  fatos  e as provas hábeis  e  idôneas que denotem o dolo ou o  evidente  intuito de fraude, ou sonegação praticado pela Impugnante, o que não  o fez porque inexistem.  Defende que todas as solicitações de documentos e informações foram  atendidas, tendo sempre agido às claras.  Alega  que  não  há  de  se  falar  em  ilícito  tributário,  justificador  de  representação  fiscal  para  fins  penais,  quando  não  comprovada  a  conduta  dolosa  caracterizadora  da  sonegação.  E,  conforme  amplamente exposto na presente impugnação, nenhum valor é devido a  titulo de contribuição previdenciária.  13  Da  Improcedência  Da  Aplicação  Da  Multa,  Especialmente  Agravada, Haja Vista A Ausência Dos Pressupostos Autorizadores De  Sua Imposição Inexistência De Dolo E Da Alegada Fraude   Em  relação  à  multa  aplicada  a  autoridade  fiscal  aplicou  a  multa  qualificada por entender que houve simulação na" (...) contratação de  empregados  pela  N&C  IND.  E  COMÉRCIO  DE  CALÇADOS  LTDA  através  de  interposta  pessoa  jurídica  (C&N  CALÇADOS  LTDA),  constituída  em  separado  para  ser  optante  pelo  SIMPLES  e  com  o  objetivo de afastar as contribuições patronais destinadas é seguridade  social".  Todavia,  esclarece que o que autoriza o agravamento da penalidade,  do ponto de vista fiscal, é o dolo, o qual não está presente na conduta  da autuada.  Assevera  que  não  há  como  considerar  que  tenha  cometido  alguma  conduta dolosa que possa caracterizar  fraude, e ainda que se admita  que  a  C&N  Calçados  Ltda.  tenha  interpretado  erroneamente  a  legislação adotando como forma de  tributação o SIMPLES, o certo é  que não se trata de inadimplemento fraudulento.  Fl. 913DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13971.004282/2010­69  Resolução nº  2403­000.165  S2­C4T3  Fl. 12          11 Prossegue  colacionando  vários  julgados  no  sentido  da  exigência  da  multa  qualificada  somente  nos  casos  de  evidente  intuito  de  fraude  devidamente comprovada.  Saliente que não há de se cogitar da existência de fraude, sonegação,  quando  foi  disponibilizado  à  fiscalização,  e  esta  teve  em  seu  poder,  todos os documentos e elementos necessários para o lançamento.  Contesta  a  aplicação  da  multa  agravada  por  presunção  de  conduta  fraudulenta,  pois  somente  se  justifica  a  aplicação da multa  agravada  através  da  sonegação  de  informações,  falsidade  de  informações  e  falsidade ideológica.  Conclui, que tendo em vista a falta de produção segura e inequívoca de  elementos  que  comprovem  a  fraude  e  sonegação,  mediante  conduta  dolosa,  nada  mais  justo  que,  se  devidos  forem  os  tributos  objeto  da  fiscalização,  o  que  se  admite  somente  a  titulo  de  argumentação,  que  não se aplique a multa agravada.  Por fim, requer a aplicação do principio in dúbio pro réu, nos termos  do art. 112 do CTN .  14 Do Pedido Diante de todo o exposto, requer:  a) que o procedimento fiscal, pelos vícios que contém, seja considerado  nulo, e em conseqüência, seja tornado insubsistente e nulo os Autos de  Infração, pelo exame do mérito aqui argüido.  b)  na  improvável  hipótese  de  manutenção  do  lançamento,  o  que  se  admite  a  titulo  de  argumentação,  requer  se  alternativamente,  seja  reconhecida a decadência dos períodos anteriores a 28.09.2005, posto  que o  lançamento do referido crédito ocorrerá  tão somente em 28 de  setembro de 2.010.  c) que seja afastada a Multa aplicada indevidamente.  d)  a  concessão  de  produção  de  todos  os meios  de  prova  em  direito  admitidas, especialmente a documental inclusa, pericial, bem como as  demais  que  se  fizerem  necessárias,  e  ainda,  a  concessão  de  curto  espaço  de  tempo  para  juntada  de  novos  documentos  que  se  façam  necessários.  e)  que  todas  as  intimações  relativas  a  presente  defesa,  sejam  encaminhadas aos advogados que a esta subscrevem, com endereço na  rua Dr. Amadeu da Luz, n.° 100, salas 901 e 903, Centro, Blumenau — SC, CEP 89010160.  É o relatório.    Inconformada com a decisão, a  recorrente  apresentou  recurso voluntário, onde  alega/questiona, em síntese, que:    · Decadência.  Fl. 914DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13971.004282/2010­69  Resolução nº  2403­000.165  S2­C4T3  Fl. 13          12 · Nulidade. Decisão recorrida não enfrentou a questão da contabilidade.   · Nulidade. Erro na identificação do sujeito passivo.  · Ausência de fundamentação legal.  · Regularidade das operações.  · Nulidade.  Cerceamento  de  defesa.  Ausência  de  cópia  integral  do  processo 13971.000174/2008­01.  · Desconsideração da personalidade jurídica.  · Obrigação da busca da verdade material.  · Representação Fiscal para Fins Penais.  · Multa. Ausência de dolo e fraude.    É o relatório  Fl. 915DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13971.004282/2010­69  Resolução nº  2403­000.165  S2­C4T3  Fl. 14          13 Voto     Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator.    O  Relatório  Fiscal  e  a  decisão  recorrida  fazem  menção  ao  seguinte  processo:  PROCESSO N°: 13971.000174/2008­01   INTERESSADA: C & N CALÇADOS LTDA   ASSUNTO: REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA INAPTIDÃO DE CNPJ    Relatório Fiscal:  3 ­ Com base em auditorias fiscais desenvolvidas nas empresas N & C  INDUSTRIA  E  COMÉRCIO  DE  CALÇADOS  LTDA  e  C  &  N  CALÇADOS  LTDA,  localizadas  no  mesmo  endereço,  ou  seja,  Av.  Valério  Gomes,  85,  Centro­  em  São  João  Batista,  foi  emitida  a  Representação  Fiscal  para  Baixa  de CNPJ  (cópia  anexa)  da  C & N  CALÇADOS LTDA, CNPJ 05.311.103/0001­96, através do Processo n°  13971.000174/2008­01.  Ficou  comprovado  que  a  empresa  C  &  N  CALÇADOS  LIDA  não  possui  patrimônio  e  capacidade  operacional  necessários à realização de seu objeto social. Foi constituída em nome  do  Sr.  OSMAR  ATHANAZIO  DOS  SANTOS  e  da  Sra.  TEREZINHA  NUNES DOS SANTOS, pais do Sr. Herminio Osmar dos Santos, sócio  administrador da N & C IND. E COMÉRCIO DE CALÇADOS LTDA.  ...  5 ­ Por isso, foi proposto nos termos do artigo 30 da IN RFB n° 1.005  de 08 de  fevereiro de 2010 a baixa da  inscrição da empresa C & N  CALÇADOS  LIDA,  no  Cadastro  Nacional  da  Pessoa  Jurídica  (CNPJ),  na  forma  do  parágrafo  1°  do  art.  30  do  mesmo  diploma  legal, através do Processo n° 13971.000174/2008­01    Tal processo guarda estreita relação com o lançamento aqui discutido.  Para  bom  seguimento  deste  julgamento,  entendo  necessário  saber  do  resultado do Processo n° 13971.000174/2008­01.      Fl. 916DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13971.004282/2010­69  Resolução nº  2403­000.165  S2­C4T3  Fl. 15          14 CONCLUSÃO    Voto  por  baixar  o  processo  em  diligência  para  que  a  Delegacia  de  origem  informe acerca do resultado do Processo n° 13971.000174/2008­01.  Do resultado da diligência deve­se dar ciência à recorrente oportunizando tempo  para manifestação.    Carlos Alberto Mees Stringari     Fl. 917DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI

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Numero do processo: 15374.917020/2009-97
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 29/12/2003 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-002.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn. Fez sustentação oral o Dr. Arlyson George Gann Horta, OAB/DF nº 24.613.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A     2 Fez sustentação oral o Dr. Arlyson George Gann Horta, OAB/DF nº 24.613.  Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ  Rio  de  Janeiro  I  (fls.  89/96),  a  qual,  por  unanimidade  de votos,  indeferiu  a manifestação  da  interessada  formalizada  contra  a  não  homologação  de  compensação  de  reclamados  créditos  pelo pagamento a maior de IOF (código de receita 7893), no valor de R$ 7.032,00, recolhido  em 29/12/2003.   A compensação não  foi  homologada  sob o  fundamento de que,  inerente  ao  pagamento  em  tela,  não  havia  nenhum  crédito  disponível  para  compensação,  pois  o  recolhimento já havia sido integralmente utilizado na quitação de débito outrora existente.  Inconformado, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade  onde  afirmou  ser  entidade  fechada  de  previdência  complementar  e  que  se  equivocara  no  cálculo do IOF do período referente a operações de empréstimo, nos termos de laudo técnico  apresentado,  equívoco  este  repetido  na  DCTF  correspondente,  onde  fora  declarado  como  débito  o  valor  indevidamente  recolhido  a  maior.  Ressaltou,  ainda  que  os  equívocos  nas  declarações  não  criam  tributos,  não  podendo,  comprovado  o  erro  de  fato,  gerar  obrigação  tributária. Apresentou planilha demonstrativa do aduzido erro cometido.  A manifestação de  inconformidade, contudo, não  foi acolhida pela primeira  instância, a qual, como ressaltado, indeferiu o pleito em acórdão assim ementado:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2005  MANIFESTAÇÃO  DE  INCONFORMIDADE.  PROVA.  MOMENTO  DE  APRESENTAÇÃO.   A  prova  documental  deve  ser  apresentada  na  manifestação  de  inconformidade,  precluindo  o  direito  de  o  interessado  fazê­lo  em  outro  momento processual.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2005  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  PAGAMENTO  INDEVIDO  OU  A  MAIOR. IOF. ANO­CALENDÁRIO DE 2003. DIREITO CREDITÓRIO NÃO  COMPROVADO.  Mantém­se o Despacho Decisório se não elidido o débito ao qual o alegado  pagamento indevido ou a maior foi alocado.  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  PAGAMENTO  A  MAIOR  OU  INDEVIDO.  IOF.  ANO­CALENDÁRIO  2003.  EMPRÉSTIMOS.  LEGITIMIDADE.  O responsável tributário tem direito à restituição do IOF que recolheu nessa  condição,  desde  que  autorizado  por  aquele  que  efetivamente  suportou  tal  encargo.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 20/09/2011 (fls. 100).  Inconformada, a autuada apresentou, em 20/10/2011 (v. fls. 110 e 112), o recurso voluntário de  Fl. 117DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 15374.917020/2009­97  Acórdão n.º 3802­002.048  S3­TE02  Fl. 115          3 fls. 102/109, onde reafirma a existência de direito creditório por conta do pagamento a maior  do imposto, ressaltado ainda:  a)  que,  no  preenchimento  da  última  DCTF  entregue  à  Receita  Federal,  a  manifestante  equivocou­se  em  seu  preenchimento  e  não  demonstrou  a  existência de crédito de IOF em dezembro de 2003; contudo, referido crédito  poderia  ser  comprovado  pela  simples  comparação  entre  os  valores  apresentados  como  devidos  no  período  e  a  guia  de  recolhimento  que  instruíram a manifestação de inconformidade;  b)  cita  respeitáveis  entendimentos  doutrinários  para  defender  que  os  equívocos  nas  declarações  do  contribuinte  não  geram  obrigação  tributária,  não podendo ser considerada receita do Estado; e,  c)   ressalta que se a confissão do débito pelo contribuinte se deu em virtude  de erro, a mesma poderia ser revogada, a teor do disposto no artigo 352 do  CPC.  O sujeito passivo também pleiteia seja o julgamento convertido em diligência  para  apuração  do  indébito  e  comprovação  da  regularidade  da  compensação  acaso  as  provas  acostadas  aos  autos  sejam  consideradas  insuficientes  para  a  demonstração  do  direito  reclamado, como lhe asseguram os artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235/72.   Diante  do  exposto,  requer  seja  dado  provimento  ao  recurso,  com  a  conseqüente  homologação  da  compensação  pretendida  ou,  alternativamente,  seja  o  processo  baixado em diligência, nos termos acima propostos.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Francisco José Barroso Rios  A ciência da decisão recorrida se deu em 20/09/2011 (fls. 100). Por sua vez, o  recurso  voluntário  foi  postado  nos  Correios  em  20/10/2011  (v.  fls.  110  e  112),  tempestivamente,  portanto.  Além  disso,  o  recurso  preenche  aos  demais  requisitos  formais  e  materiais de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido.  A reclamante alega haver incorrido em erro quando do pagamento do tributo  devido no período, e que o débito declarado em DCTF não corresponderia à realidade fática.  Assevera  ainda  que  a  natureza  do  erro  em  que  teria  incorrido  seria  insuficiente  para  criar  obrigação tributária, e que o artigo 352 do CPC autorizaria a revogação da confissão da dívida  em tal condição.  De fato, o processo administrativo tributário não pode deixar de homenagear  o princípio da verdade material. Exatamente por isso é que esta Turma, ao analisar pedidos de  compensação como o presente, admite, em alguns casos, a dispensa de apresentação de DCTF  retificadora, mas  sempre  se  caracterizado  o  erro  em  que  incorreu  o  sujeito  passivo,  ou,  em  outras palavras, se comprovado o indébito declarado na DCOMP, ressalvados os casos em que  o contribuinte deliberadamente se recusa ao cumprimento de suas obrigações acessórias.  Isso  Fl. 118DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A     4 se dá em virtude da possibilidade de retificação de ofício da DCTF,  admitida unicamente  se  aludida  retificação  estiver  alicerçada  em  documentos  que  comprovem  a  materialidade  da  modificação  intentada  pelo  contribuinte,  o  que  não  ocorreu  no  caso  presente,  como  bem  destacado na primeira instância.  Com  efeito,  a  título  comprobatório  do  direito  aduzido  o  sujeito  passivo  acostou  aos  autos  parecer  contábil  de  empresa  de  consultoria  privada  acompanhado  de  uma  planilha  de  cálculo.  Tal  documentação  não  pode  substituir  a  escrituração  contábil  e  os  documentos  em  que  esta  se  embasa,  como,  no  caso  específico  dos  autos,  os  contratos  dos  empréstimos relacionados na citada planilha que deram origem ao IOF, bem como a prova da  escrituração dos lançamentos contábeis correspondentes.   Mesmo  ciente  da  necessidade  de  comprovação  documental  do  direito  –  questão  muito  transparente  na  decisão  de  primeira  instância  –,  a  interessada  comparece  novamente  aos  autos  sem  apresentar prova  suficiente do  reclamado  indébito,  e  requer  seja o  processo baixado em diligência para a comprovação do seu direito, o que não se pode admitir,  uma vez que é do contribuinte o ônus da prova do direito creditório que aduz em seu favor. É  este quem detém em seu poder  toda a documentação capaz de  comprovar o  crédito  alegado,  qual  seja,  a  escrita  e  os  documentos  inerentes  à  sua  atividade  empresarial.  Sem  a  prova  do  direito impossível homologar a compensação.  A verdade material, tão invocada pelo sujeito passivo, não se reveste em um  direito absoluto. O processo há que ser pautado por alguns limites à cognição probatória, sejam  estes de natureza temporal ou material, em sintonia com o formalismo moderado, que guia o  processo  administrativo.  Ademais,  o  dever  de  investigação  da  Administração  Tributária  caminha pari passu com o dever de colaboração do particular.  No  caso  presente,  como  já  dito,  a  recorrente  não  trouxe  a  documentação  minimamente necessária à comprovação de seu reclamado direito, não sendo razoável admitir a  inversão  do  ônus  da  prova  para  o  Fisco.  É  desarrazoada  a  pretensão  do  sujeito  passivo  de  buscar seja novamente perquirido a apresentar o que já tem em seu poder e sabe ser necessário  para  a  comprovação  do  crédito  e  conseqüente  liquidação  do  débito  por  compensação,  principalmente diante da decisão de primeira instância.  Assim, manifesto­me no sentido de rejeitar a diligência pretendida.   Especificamente  em  relação  aos  pedidos  de  reconhecimento  de  indébitos  relativos ao IOF há ainda uma particularidade: a restituição ou compensação desse imposto, em  sintonia  com  o  disposto  no  artigo  61  do  Decreto  nº  6.306,  de  14  de  dezembro  de  2007  (Regulamento do IOF), deve vir acompanhada da comprovação das exigências estabelecidas no  do  artigo  8º  da  Instrução  Normativa  RFB  nº  900,  de  30  de  dezembro  de  2008,  a  seguir  transcrito:  Art.  8º  O  sujeito  passivo  que  promoveu  retenção  indevida  ou  a  maior  de  tributo administrado pela RFB no pagamento ou crédito a pessoa física ou  jurídica, efetuou o recolhimento do valor retido e devolveu ao beneficiário a  quantia retida indevidamente ou a maior, poderá pleitear sua restituição na  forma  do  §  1º  ou  do  §  2º  do  art.  3º,  ressalvadas  as  retenções  das  contribuições previdenciárias de que trata o art. 18.  § 1º A devolução a que se refere o caput deverá ser acompanhada:  I  ­  do  estorno,  pela  fonte  pagadora  e  pelo  beneficiário  do  pagamento  ou  crédito,  dos  lançamentos  contábeis  relativos  à  retenção  indevida  ou  a  maior;  Fl. 119DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 15374.917020/2009­97  Acórdão n.º 3802­002.048  S3­TE02  Fl. 116          5 II ­ da retificação, pela fonte pagadora, das declarações já apresentadas à  RFB  e  dos  demonstrativos  já  entregues  à  pessoa  física  ou  jurídica  que  sofreu a retenção, nos quais referida retenção tenha sido informada;  III  ­  da  retificação,  pelo  beneficiário  do  pagamento  ou  crédito,  das  declarações já apresentadas à RFB nas quais a referida retenção tenha sido  informada ou utilizada na dedução de tributo.  §  2º O  sujeito  passivo  poderá  utilizar  o  crédito  correspondente  à  quantia  devolvida  na  compensação de  débitos  relativos aos  tributos  administrados  pela RFB na forma do art. 34.  Assim,  em  face  da  natureza  do  crédito  pleiteado,  além  da  necessidade  de  comprovação  da  certeza  e  da  liquidez  do  crédito  informado,  a  recorrente  deveria  também  demonstrar que devolveu ao beneficiário a quantia retida indevidamente ou a maior, bem como  que  providenciou,  juntamente  com  a  contribuinte  que  sofreu  a  retenção,  os  estornos  dos  lançamentos contábeis e as  retificações nas declarações entregues à Receita Federal, o que o  não ocorreu, conforme anteriormente explicitado.  Tudo  isso  está  em sintonia  com o disposto no  artigo 3º,  inciso  I,  da Lei  nº  8.894/94,  segundo  o  qual  o  contribuinte  do  IOF  é  a  pessoa  física  ou  jurídica  tomadora  do  crédito,  combinado  com  o  artigo  166  do  CTN,  que  exige  que  a  restituição  de  tributos  que  comportem, por  sua natureza, a  transferência do  respectivo encargo  financeiro,  seja  instruída  com a prova de que o pleiteante assumiu o referido encargo, ou de que este está expressamente  autorizado por quem efetivamente suportou o imposto.  No  mais,  resta  claro  que  o  indébito  reclamado  carece  dos  necessários  pressupostos de  liquidez  e de  certeza como  requisitos  indispensáveis  à  liquidação de débitos  para com a Fazenda Pública mediante compensação.   Nesse ponto, a Lei é clara quando ressalta que a compensação, como uma das  formas  de  extinção  do  crédito  tributário  (art.  156  do  CTN),  só  poderá  ser  autorizada  se  os  créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se  revestirem  dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.   Portanto,  uma vez não comprovada a  certeza e  a  liquidez do  crédito,  não  é  possível autorizar a extinção do débito para com a Fazenda mediante compensação.  Da Conclusão  Por  todo  o  exposto,  voto  para  negar  provimento  ao  recurso  voluntário  interposto pela interessada.  Sala de Sessões, em 24 de setembro de 2013.  (assinado digitalmente)  Francisco José Barroso Rios ­ Relator                Fl. 120DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A     6                 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A

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Numero do processo: 10980.725707/2010-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. Os transportadores autônomos se enquadram na categoria de contribuintes individuais, regida pelo art. 22, III, da Lei 8.212, de 1991. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Em relação à aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária, o seu cálculo final deve observar o disposto no artigo 32-A, da Lei 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei 11.941/09. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2301-003.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, [: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, da Lei 8.212/91, até 11/2008, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA - Presidente. (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Damiao Cordeiro de Moraes, Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, [: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, da Lei 8.212/91, até 11/2008, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA - Presidente. (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Damiao Cordeiro de Moraes, Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES     2 (assinado digitalmente)  MARCELO OLIVEIRA ­ Presidente.     (assinado digitalmente)  DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcelo  Oliveira  (Presidente), Mauro Jose Silva, Damiao Cordeiro de Moraes, Wilson Antônio de Souza Correa,  Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes.      Relatório  1. Trata­se de  recurso voluntário  interposto pela empresa TRANSVALTER  LIMITADA em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve  o lançamento de débito referente ao período de 01/01/2006 a 31/12/2008.  2. Em conformidade com o relatório  fiscal, o presente  lançamento  refere­se  ao fato de a empresa ter apresentado “Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo  de Serviço  e  Informações  à Previdência Social  – GFIP,  com dados  não  correspondentes  aos  fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias”. (f. 338)  3. E, ainda, de acordo com a peça introdutória, a empresa teria  infringido o  artigo  32,  inciso  IV  e  parágrafo  5º,  da  Lei  8.212/91,  por  não  ter  declarado  em  GFIP  as  remunerações pagas a transportadores rodoviários autônomos.  4. A decisão do colegiado de primeira instância restou ementada nos termos  que seguem:  “RELATÓRIO DE VÍNCULOS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.  São listadas no Relatório de Vínculo todas as pessoas físicas e jurídicas de  interesse da administração, em razão de seu vínculo com o sujeito passivo,  representantes  legais  ou  não,  indicando  o  tipo  de  vínculo  existente  e  o  período  correspondente,  não  implicando  automaticamente  em  responsabilidade solidária.  JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. COMPEÊNCIA. EXISTÊNCIA DE  PREVISÃO LEGAL.  A  análise  da  cobrança  de  juros  s  obre  a  multa  de  ofício  extrapola  a  presente jurisdição, uma vez que a exigência não está consubstanciada no  ato  jurídico do  lançamento  tributário  e  se  reportaria  a  evento  futuro  de  cobrança.  Fl. 856DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10980.725707/2010­70  Acórdão n.º 2301­003.048  S2­C3T1  Fl. 855          3 JUROS SOBRE MULTA – LEGALIDADE.  Correta  a  incidência  de  juros  moratórios  sobre  a  mula  aplicada,  haja  vista esta compor o crédito tributário, conforme legislação vigente.  REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. DEVER DO AGENTE  FISCAL.  O  agente  fiscal  tem,  por  disposição  expressa  no  art.  66  do Decreto­Lei  3.688  de  1941  (Lei  de  Contravenções  Penais),  o  deve  de  formalizar  Representação  Fiscal  para  Finas  Penais  (RFFP),  sempre  que,  no  exercício  de  suas  funções  internas  ou  externas,  tiver  conhecimento  da  ocorrência,  em  tese,  de  crime  de  ação  penal  pública  incondicionada  ou  contravenção penal.  JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL.  A  prova  documental  deve  ser  apresentada  na  impugnação,  precluindo  o  direito de o impugnante fazê­lo em outro momento processual.  Impugnação Improcedente.  Crédito Tributário Mantido.” (ff. 814 a 823)  5. Buscando  reverter  o  lançamento,  o  contribuinte  apresentou  suas  razões aduzindo, em síntese:  a) preliminarmente, a tempestividade do recurso apresentado, sendo  inexigível  depósito  ou  arrolamento  de  bens  para  o  seguimento  do  processo;  b) pugna pela anulação do  lançamento devido à  falta de clareza na  fundamentação da infração, o que viola o princípio da ampla defesa  e do contraditório;  c) no mérito, aduz que é uma empresa que possui por objeto social a  exploração do ramo de transporte rodoviário de cargas secas e granel  em âmbito nacional, e subcontrata, eventualmente empresas do ramo  para melhor cumprir com suas atividades regulares;  d) tais subcontratações se dão diretamente mediante o deslocamento  de funcionários das subcontratadas até as dependências da empresa  para  repasse  dos  dados  necessários  ao  transporte,  bem  como  a  realização  de  contratos  de  transporte  rodoviário,  mediante  a  apresentação  do  documento  de  veículo  que  será  utilizado  para  a  realização do seguro de carga;  e)  afirma  ainda  que  “como  a  recorrente  tem  ciência  que  está  subcontratando  outras  empresas  de  transportes,  entende­se  por  consequência  lógica  que  os  representantes  encaminhados  pelas  mesmas são funcionários destas, e que (...) referidas transportadoras  realizam  a  retenção  das  parcelas  referentes  à  contribuição  Fl. 857DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES     4 previdenciária, não havendo que se falar em falta de arrecadação das  contribuições dos segurados contribuintes individuais”;  f) por fim, a impossibilidade da cobrança de juros (com aplicação da  taxa SELIC) sobre a multa de ofício.  6. Sem contrarrazões, os autos foram encaminhados para apreciação  e julgamento por este Conselho.  É o relatório.      Voto             Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes  DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE  1. No que se refere à exigibilidade do depósito recursal, cumpre ressaltar que  a  garantia  de  instância  para  admissibilidade  de  recurso  administrativo  foi  declarada  inconstitucional  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  no  julgamento  da  Ação  Direta  de  Inconstitucionalidade nº. 1976, resultando na edição da súmula vinculante nº 21.  2.  Consta  da  redação  da  súmula  que  “É  inconstitucional  a  exigência  de  depósito  ou  arrolamento  prévio  de  dinheiro  ou  bens  para  admissibilidade  de  recurso  administrativo.”. Dessa forma, não sendo mais exigível o depósito recursal, conheço do recurso  voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade.  DA INEXISTÊNCIA DE NULIDADE  3.  Inicialmente,  pugna  o  contribuinte  pela  anulação  do  processo  sob  o  fundamento de que o fisco teria violado os princípios do contraditório e da ampla defesa: “em  relação à presente  infração,  a  recorrente persiste quanto  a  falta de  clareza na  fundamentação  dos fatos que ensejaram a autuação, o que dificulta sua defesa, uma vez que não há suficiente  fundamentação legal à suposta violação apontada”. (ff. 829 a 833)  4. Contudo o  inconformismo do  recorrente  não  encontra  guarida,  tendo  em  vista que os fundamentos legais para o arbitramento encontram­se plasmados na f. 338. Vale  salientar  também  que  foram  devidamente  demonstrados  nos  autos  a  descrição  dos  fatos  e  a  respectiva capitulação legal que fundamentou a exigência tributária.   5.  Por  fim,  cumpre  ressaltar  que  o  lançamento  encontra­se  devidamente  fundamentado  e  motivado,  em  consonância  com  o  que  determina  a  legislação  que  rege  o  processo administrativo fiscal, notadamente o art. 50, da Lei n.º 9.784/99 e art. 38, do Decreto  7.574/2011. Assim,  não  há  que  se  falar  em  anulação  do  lançamento  fiscal,  no  que  rejeito  a  preliminar levantada pelo contribuinte.  DAS  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  INCIDENTES  SOBRE  A  CONTRATAÇÃO DE TRANSPORTADOR AUTÔNOMO  Fl. 858DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10980.725707/2010­70  Acórdão n.º 2301­003.048  S2­C3T1  Fl. 856          5 6.  Conforme  narrado  no  relatório  fiscal,  o  auto  de  infração  foi  constituído  com base na  constatação de que  a  empresa  “apresentou Guia de Recolhimento do Fundo de  Garantia por Tempo de Serviço  e  Informações  à Previdência Social  – GFIP,  com dados não  correspondentes  aos  fatos  geradores  de  todas  as  contribuições  previdenciárias  (...)  pois  não  foram declaradas em GFIP as remunerações pagas a transportadores rodoviários autônomos –  contribuintes individuais” (f. 338)  7.  Dessa  forma,  verifica­se  que  a  controvérsia  trazida  à  análise  deste  Conselho  cinge­se  à  incidência  de  contribuições  sociais  sobre  os  pagamentos  feitos  pela  empresa a transportadores rodoviários autônomos.  8.  Os  trabalhadores  autônomos,  como  o  caso  dos  transportadores,  são  incluídos  na  categoria  dos  contribuintes  individuais.  Vejamos  a  definição  do  termo  adotado  pelo Ministério da Previdência Social:  “Contribuinte individual:  Nesta categoria estão as pessoas que trabalham por conta própria (autônomos) e os  trabalhadores que prestam serviços de natureza eventual a empresas, sem vínculo  empregatício.  São  considerados  contribuintes  individuais,  entre  outros,  os  sacerdotes,  os  diretores  que  recebem  remuneração  decorrente  de  atividade  em  empresa  urbana  ou  rural,  os  síndicos  remunerados,  os  motoristas  de  táxi,  os  vendedores ambulantes,  as diaristas,  os pintores,  os eletricistas,  os associados de  cooperativas de trabalho e outros.”  9.  Sobre  a  questão,  a  legislação  previdência  determina  que  a  empresa  que  contratar  transportador  autônomo,  contribuinte  individual  do  Regime  Geral  da  Previdência  Social (RGPS), deverá recolher:  a) 20% (contribuição patronal) – calculado sobre a remuneração paga, devida  ou creditada ao transportador autônomo; (artigo 22, III, Lei 8.212)  b) 11% ­ descontada do transportador autônomo e calculada sobre o valor da  remuneração a ele paga, devida ou creditada, observado o limite máximo do  salário­de­contribuição;  (artigo  4º,  da  Lei  10.666/2003  e  artigo  33,  §5º,  da  Lei 8.212/91)  c)  1,5%  e  1,0%  (contribuições  devidas  ao  Serviço  Social  do  Transporte  (SEST)  e  ao  Serviço  Nacional  de  Aprendizagem  do  Transporte  (SENAT),  respectivamente – descontadas ao transportados autônomo e calculadas sobre  o valor do  salário­de­contribuição destes.  (art.  1º,  I,  ‘b’,  II,  ‘b’;  art.  2º,  II  e  §3º,  ‘a’,  art.  3º  e  §1º  do  Decreto  1.007/93  e  art.  7º,  II,  §1º  e  2º  da  Lei  8.706/93)  10.  Assim,  verificada  a  adequação  entre  a  natureza  do  fato  gerador  e  da  correspondente  contribuição  lançada,  todas  demonstradas  com  clareza  pelo  agente  fiscal  em  seu  relatório,  deve­se  concluir  que  o  lançamento  tem  fundamentos  e  que  a  contribuição  é  devida.  11.  Dessa  forma,  mantenho  o  lançamento  com  relação  às  contribuições  devidas  e  não  recolhidas  referentes  ao  pagamento  feito  a  transportadores  autônomos,  em  consonância com o Colegiado a quo.  Fl. 859DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES     6 DA APLICAÇÃO DA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO  12. A recorrente afirma que aplicação de juros não pode ser feita em conjunto  com a multa de ofício, pois tal imposição contraria o ordenamento jurídico.   13. Ocorre que, no caso concreto, houve a aplicação de uma multa de ofício  em decorrência do não recolhimento de contribuição previdenciária,  assim, a multa de ofício  constitui,  ao  lado  do  tributo  propriamente  devido,  a  obrigação  tributária  principal,  conforme  dispõe o artigo 113, do Código Tributário Nacional (CTN):  “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória.  §  1º  A  obrigação  principal  surge  com  a  ocorrência  do  fato  gerador,  tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade  pecuniária  e  extingue­se  juntamente  com  o  crédito  dela  decorrente.” (g.n.)  14. Dessa forma, verifica­se que a obrigação principal é  formada  tanto pelo  tributo  cobrado  quanto  pela  penalidade  pecuniária  aplicada  (multa).  Portanto,  o  crédito  tributário, o qual decorre da obrigação tributária, é composto pelo tributo a ser recolhido e pela  correspondente multa de ofício, sendo que ambos estão sujeitos à incidência de juros de mora  quando não pagos no vencimento estipulado pela lei, conforme assevera o art. 161, do CTN:  “Art.  161.  O  crédito  não  integralmente  pago  no  vencimento  é  acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante  da  falta,  sem prejuízo da  imposição das penalidades cabíveis  e  da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta  Lei ou em lei tributária.  § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são  calculados à taxa de um por cento ao mês.”  15.  Além  disso,  o  artigo  43  da  Lei  n.º  9.430/96  traz  previsão  expressa  da  incidência de juros sobre a multa, in verbis:   “Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário  correspondente  exclusivamente  a  multa  ou  a  juros  de  mora,  isolada ou conjuntamente.  Parágrafo  único.  Sobre  o  crédito  constituído  na  forma  deste  artigo,  não  pago  no  respectivo  vencimento,  incidirão  juros  de  mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir  do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até  o mês anterior ao do pagamento  e de um por  cento no mês de  pagamento”.  16.  Além  disso,  o  artigo  43  da  Lei  n.º  9.430/96  traz  previsão  expressa  da  incidência de juros sobre a multa, in verbis:  “Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário  correspondente  exclusivamente  a  multa  ou  a  juros  de  mora,  isolada ou conjuntamente.  Parágrafo  único.  Sobre  o  crédito  constituído  na  forma  deste  artigo,  não  pago  no  respectivo  vencimento,  incidirão  juros  de  mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir  Fl. 860DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10980.725707/2010­70  Acórdão n.º 2301­003.048  S2­C3T1  Fl. 857          7 do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até  o mês anterior ao do pagamento  e de um por  cento no mês de  pagamento”.  17.  E  a  legislação  de  regência,  sobretudo  a  Lei  nº  8.212/91,  reza  que  as  contribuições sociais arrecadadas e outras importâncias arrecadadas pelo INSS (como é o caso  das  multas)  estão  sujeitas  à  incidência  da  taxa  referencial  SELIC  ­  Sistema  Especial  de  Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34, verbis:  Art.  34.  As  contribuições  sociais  e  outras  importâncias  arrecadadas  pelo  INSS,  incluídas ou  não  em notificação  fiscal  de  lançamento,  pagas  com  atraso,  objeto  ou  não  de  parcelamento,  ficam  sujeitas  aos  juros  equivalentes  à  taxa  referencial  do  Sistema Especial  de  Liquidação  e  de Custódia  ­  SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho  de 1995,  incidentes  sobre o valor atualizado,  e multa de mora,  todos  de  caráter  irrelevável.  (Restabelecido  com  redação  alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei  nº  9.528/97.  A  atualização monetária  foi  extinta,  para  os  fatos  geradores  ocorridos  a  partir  de  01/95,  conforme  a  Lei  nº  8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei)  18. Nesse sentido, sito ementa de acórdão da 2ª Turma da Câmara Superior  de Recursos Fiscais do CARF:  JUROS  DE  MORA  COM  BASE  NA  TAXA  SELIC  SOBRE  A  MULTA DE OFÍCIO – APLICABILIDADE.  O  art.  161  do  Código  Tributário  Nacional  –  CTN  autoriza  a  exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a  multa  de  ofício  integra  o  ‘crédito’  a  que  se  refere  o  caput  do  artigo.  É  legítima a  incidência de  juros  sobre a multa de ofício,  sendo  que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC.  Precedentes do Tribunal Regional Federal da 4ª Região.  Precedente da 2ª Turma da CSRF: Acórdão n.º 9202­01.806.  Recurso especial negado”  19. Assim, tenho como certo que a aplicação de juro sobre a multa de ofício  não ofendem ao ordenamento jurídico pátrio e que sua imposição é devida.  DA APLICAÇÃO DO ARTIGO 32­A  20. Dos autos, verifica­se que no presente caso que o contribuinte foi autuado  pelo  descumprimento  do  artigo  32,  inciso  IV  –  apresentação  de  GFIPs  com  dados  não  correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. E nesse ponto,  entendo que o lançamento deve ser reformado.  Fl. 861DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES     8 21.  Isso  porque  a  Lei  n.º  11.941,  de  2009,  alterou  a  Lei  n.º  8.212/91  para  abrandar os valores da multa aplicada:  “Art. 32­A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de  que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado  ou que a apresentar com  incorreções ou omissões  será  intimado a  apresentá­la  ou  a  prestar  esclarecimentos  e  sujeitar­se­á  às  seguintes multas:  I  –  de  R$  20,00  (vinte  reais)  para  cada  grupo  de  10  (dez)  informações incorretas ou omitidas; e.  II – de 2% (dois por cento) ao mês­calendário ou fração, incidentes  sobre  o  montante  das  contribuições  informadas,  ainda  que  integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou  entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o  disposto no § 3º deste artigo.  § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput  deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao  término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo  final a data da efetiva entrega ou, no caso de não­apresentação, a  data  da  lavratura  do  auto  de  infração  ou  da  notificação  de  lançamento.  §  2º  Observado  o  disposto  no  §  3º  deste  artigo,  as  multas  serão  reduzidas:  I  –  à metade,  quando a  declaração  for  apresentada após  o  prazo,  mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou .  II – a 75% (setenta e cinco por cento),  se houver apresentação da  declaração no prazo fixado em intimação.  § 3º A multa mínima a ser aplicada será de:  I  –  R$  200,00  (duzentos  reais),  tratando­se  de  omissão  de  declaração  sem  ocorrência  de  fatos  geradores  de  contribuição  previdenciária; e.  II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.”  22. Diante da regulamentação acima exposta, é possível identificar as regras  do artigo 32­A:   a) é  regra aplicável a uma única espécie, dentre  tantas outras existentes, de  declaração:  a  Guia  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP;  b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal,  corrigi­la  ou  suprir  omissões  antes  de  algum  procedimento  de  ofício  que  resultaria em autuação;  c)  regras  distintas  para  a  aplicação  da  multa  nos  casos  de  falta  de  entrega/entrega  após  o  prazo  legal  e  nos  casos  de  informações  incorretas/omitidas;  sendo  no  primeiro  caso,  limitada  a  vinte  por  cento  da  contribuição;  Fl. 862DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10980.725707/2010­70  Acórdão n.º 2301­003.048  S2­C3T1  Fl. 858          9 d)  desvinculação  da  obrigação  de  prestar  declaração  em  relação  ao  recolhimento da contribuição previdenciária;  e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão  da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e  f) fixação de valores mínimos de multa.  23.  Nesse  momento,  passo  a  examinar  a  natureza  da  multa  aplicada  com  relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou  “informações incorretas ou omitidas”.  24. O inciso II do artigo 32­A manteve a desvinculação entre as obrigações  do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento  da contribuição previdenciária devida:  II  –  de  2%  (dois  por  cento)  ao  mês­calendário  ou  fração,  incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda  que  integralmente  pagas,  no  caso  de  falta  de  entrega  da  declaração ou entrega após o prazo,  limitada a 20% (vinte por  cento), observado o disposto no § 3o deste artigo.  25.  Dessa  forma,  depreende­se  da  leitura  do  inciso  que  o  sujeito  passivo  estará sujeito à multa prevista no artigo, mesmo nos casos em que efetuar o pagamento em sua  integralidade, ou seja, cem por cento das contribuições previdenciárias.  26. E  fazendo uma  comparação  do  referido  dispositivo  com o  artigo  44  da  Lei n° 9.430, de 27/12/1996 (que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos  federais) percebe­se que as  regras diferem entre si, pois as multas nele previstas  incidem em  razão  da  falta  de  pagamento  ou,  quando  sujeito  a  declaração,  pela  falta  ou  inexatidão  da  declaração:  LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996.  Dispõe  sobre  a  legislação  tributária  federal,  as  contribuições  para a seguridade social, o processo administrativo de consulta  e dá outras providências.  ...  Seção V  Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições  ...  Multas de Lançamento de Ofício  Art.44.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  serão  aplicadas  as  seguintes multas, calculadas sobre a  totalidade ou diferença de  tributo ou contribuição:  I­ de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento  ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento  do  prazo,  sem  o  acréscimo  de  multa  moratória,  de  falta  de  Fl. 863DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES     10 declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do  inciso seguinte;  II­ cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de  fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de  novembro  de  1964,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas ou criminais cabíveis.   27. Outra diferença é que as multas elencadas no artigo 44 justificam­se pela  necessidade  de  realização  de  lançamento  pelo  fisco,  já  que  o  sujeito  passivo  não  efetuou  o  pagamento,  sendo  calculadas  independentemente  do  decurso  do  tempo,  eis  que  a  multa  de  ofício  não  se  cumula  com  a  multa  de  mora.  A  finalidade  é  exclusivamente  fiscal,  diferentemente  do  caso  da  multa  prevista  no  artigo  32­A,  em  que  independentemente  do  pagamento/recolhimento  da  contribuição  previdenciária,  o  que  se  pretende  é  que,  o  quanto  antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à  Previdência Social, dados esses que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários.   28. Feitas essas considerações, tenho por certo que as regras postas no artigo  44  aplicam­se  aos processos  instaurados  em  razão de  infrações  cometidas  sobre  a GFIP. No  que se refere à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, deve­se observar o preceito  por meio do qual a norma especial prevalece sobre a geral, uma vez que o artigo 32­A da Lei  n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente a uma espécie de declaração que é a GFIP,  devendo assim prevalecer sobre as regras do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 o qual se aplicam a  todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários.  Pela mesma razão, também não pode ser aplicado o artigo 43 da mesma lei:  “Auto de Infração sem Tributo  Art.43.Poderá  ser  formalizada  exigência  de  crédito  tributário  correspondente  exclusivamente  a  multa  ou  a  juros  de  mora,  isolada ou conjuntamente.   Parágrafo  único.  Sobre  o  crédito  constituído  na  forma  deste  artigo,  não  pago  no  respectivo  vencimento,  incidirão  juros  de  mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir  do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até  o mês anterior ao do pagamento  e de um por cento no mês de  pagamento.”  29.  Resumindo,  é  possível  concluir  que  para  a  aplicação  de  multas  pelas  infrações  relacionadas  à  GFIP  devem  ser  observadas  as  regras  do  artigo  32­A  da  Lei  n°  8.212/1991  que  regulam  exaustivamente  a  matéria,  sendo  irrelevante  a  existência  ou  não  pagamento/recolhimento e qual  tenha sido a multa aplicada no documento de constituição do  crédito relativo ao tributo devido.  30.  Quanto  à  cobrança  de  multa  em  lançamentos,  realizados  no  período  anterior à MP n° 449/2008, entendo que não há como aplicar o artigo 35­A, pois poderia haver  retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35.   31. Os dispositivos  legais não são  interpretados  em fragmentos, mas dentro  de um conjunto que  lhe dê unidade e  sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são  apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da  falta  de  pagamento  de  tributos  são  cobradas,  além  do  principal  e  juros  moratórios,  valores  relativos  às  penalidades  pecuniárias,  que  podem  ser  a multa  de  mora,  quando  embora  a  destempo  tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento  Fl. 864DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10980.725707/2010­70  Acórdão n.º 2301­003.048  S2­C3T1  Fl. 859          11 de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito.  Essas  duas  espécies  são  excludentes  entre  si.  Essa  é  a  sistemática  adotada  pela  lei.  As  penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da MP n° 449/1996 são,  por essa nova sistemática aplicável às  contribuições previdenciárias,  conceitualmente multa  de  ofício  e  pela  sistemática  anterior  multa  de  mora.  Do  que  resulta  uma  conclusão  inevitável:  independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos  lançamentos  anteriores à MP n° 449/1996 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n°  9.430/1996.  Esta  somente  tem  sentido  para  os  tributos  recolhidos  a  destempo,  mas  espontaneamente, sem procedimento de ofício. Seguem transcrições:  “Art.35.Os  débitos  com a União  decorrentes  das  contribuições  sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único  do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e  das  contribuições  devidas  a  terceiros,  assim  entendidas  outras  entidades  e  fundos,  não  pagos  nos  prazos  previstos  em  legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora,  nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996.  Art.35­A.Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições referidas no art. 35, aplica­se o disposto no art. 44  da Lei no 9.430, de 1996.  Seção IV  Acréscimos Moratórios Multas e Juros  Art.61.Os  débitos  para  com  a União,  decorrentes  de  tributos  e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica,  serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e  três centésimos por cento, por dia de atraso.   §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do  primeiro  dia  subseqüente  ao  do  vencimento  do  prazo  previsto  para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que  ocorrer o seu pagamento.   §2º O percentual de multa a  ser aplicado  fica  limitado a vinte  por cento.  32. Redação anterior do artigo 35:  Art.  35.  Sobre  as  contribuições  sociais  em atraso, arrecadadas  pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada,  nos seguintes termos:   I  ­  para  pagamento,  após  o  vencimento  de  obrigação  não  incluída em notificação fiscal de lançamento:    a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação;    b) quatorze por cento, no mês seguinte;   c)  vinte  por  cento,  a  partir  do  segundo  mês  seguinte  ao  do  vencimento da obrigação;  Fl. 865DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES     12  II ­ para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal  de lançamento:   a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento  da notificação;   b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da  notificação;   c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que  antecedido de defesa, sendo ambos  tempestivos, até quinze dias  da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência  Social ­ CRPS;    d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da  decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social ­ CRPS,  enquanto não inscrito em Dívida Ativa;”  33. No que tange aos autos de infração referentes à GFIP, que foram lavrados  antes da MP n° 449/1996,  importa que seja  feita a análise quanto à aplicação do artigo 106,  inciso II, alínea “c” do CTN:  “Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:  ...  II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:  a) quando deixe de defini­lo como infração;  b) quando deixe de tratá­lo como contrário a qualquer exigência  de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não  tenha implicado em falta de pagamento de tributo;  c) quando  lhe comine penalidade menos severa que a prevista  na lei vigente ao tempo da sua prática.”  34. E como pode ser notado, as novas regras trazidas pelo artigo 32­A são, a  priori, mais benéficas que as anteriores, posto que nelas há limites  inferiores, senão vejamos:  no caso da falta de entrega da GFIP e omissão de fatos geradores, a multa não pode exceder a  20%  da  contribuição  previdenciária,  no  primeiro  caso;  e  será  de R$  20,00  por  grupo  de  10  informações omitidas ou incorretas, no segundo caso.   35.  Portanto,  nos  casos  mais  benéficos  ao  sujeito  passivo,  consoante  o  disposto  no  artigo  106  do  CTN,  a  multa  deve  ser  reduzida  para  adequá­la  ao  artigo  32­A.  Porém, nos casos em a multa contida no auto­de­infração é inferior à que seria aplicada pelas  novas regras, não há como se falar em retroatividade.  36.  Razão  pela  qual  entendo  que  deve  ser  aplicado  ao  cálculo  da multa  o  artigo 32­A, caso seja mais benéfico ao contribuinte.    CONCLUSÃO  37.  Dado  o  exposto,  CONHEÇO  do  recurso  voluntário  para,  no  mérito,  DAR­LHE PROVIMENTO PARCIAL para determinar a redução da multa aplicada, conforme  Fl. 866DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10980.725707/2010­70  Acórdão n.º 2301­003.048  S2­C3T1  Fl. 860          13 estabelece o artigo 32­A da Lei 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei 11.941/09, se  mais benéfica ao contribuinte.       (assinado digitalmente)  Damião Cordeiro de Moraes ­ Relator                                  Fl. 867DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES

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Numero do processo: 10830.906939/2010-41
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005 COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. INDÉBITO COMPROVADO. Comprovados, com documentação hábil e idônea, a existência do indébito pleiteado e a ocorrência de erro no preenchimento da DCTF original, acolhe-se a compensação declarada pelo contribuinte.
Numero da decisão: 3803-004.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1670; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE03  Fl. 118          1 117  S3­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10830.906939/2010­41  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3803­004.247  –  3ª Turma Especial   Sessão de  25 de junho de 2013  Matéria  COFINS ­ RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO  Recorrente  SEMPRE EMPRESA DE TRANSPORTES LTDA. ­ EPP  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005  COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. INDÉBITO  COMPROVADO.  Comprovados,  com  documentação  hábil  e  idônea,  a  existência  do  indébito  pleiteado e a ocorrência de erro no preenchimento da DCTF original, acolhe­ se a compensação declarada pelo contribuinte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório.  (assinado digitalmente)  Corintho Oliveira Machado ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Hélcio Lafetá Reis ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Corintho  Oliveira  Machado  (Presidente),  Hélcio  Lafetá  Reis  (Relator),  Belchior Melo  de  Sousa,  João Alfredo  Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.    Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 69 39 /2 01 0- 41 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10830.906939/2010­41  Acórdão n.º 3803­004.247  S3­TE03  Fl. 119          2 Trata­se de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição  à decisão da DRJ Campinas/SP que  julgou  improcedente  a Manifestação de  Inconformidade  apresentada em decorrência da não homologação da compensação pleiteada.  O  contribuinte  havia  transmitido  Pedido  de  Restituição  e  Declaração  de  Compensação  (PER/DCOMP)  em  11  de  janeiro  de  2007,  referente  a  crédito  decorrente  de  alegado pagamento a maior da Cofins, período de apuração outubro de 2005, no valor de R$  2.015,44, destinado a quitar débitos de sua titularidade.  Por  meio  de  despacho  decisório  eletrônico,  a  repartição  de  origem  não  homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado no PER/DCOMP já havia  sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte.  Cientificado  da  decisão,  o  contribuinte  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade e anexou aos autos cópia da DCTF retificadora do 2º semestre de 2005 que,  segundo ele, comprovaria o crédito utilizado no PER/DCOMP em questão.  A  DRJ  Campinas/SP  não  reconheceu  o  direito  creditório,  tendo  sido  o  acórdão ementado nos seguintes termos:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  0  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL — COFINS  Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005  DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PROVA.  0 contribuinte tem o ônus de provar o direito credit6rio alegado  sob  pena  de  não­homologação  da  compensação  declarada.  A  DCTF  retificadora,  desacompanhada  de  qualquer  prova  que  ateste a sua veracidade, não é documento hábil a demonstrar o  crédito contra o Fisco.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Cientificado  da  decisão  em  19  de  abril  de  2012,  o  contribuinte  apresentou  Recurso  Voluntário  em  15  de  maio  de  2012  e  requereu  a  reforma  da  decisão  de  primeira  instância,  com  a  homologação  da  compensação  declarada,  alegando  que  a  contribuição  fora  paga a maior e que o recolhimento do débito decorrente da não homologação da compensação  lhe causaria baixa considerável de recursos financeiros.  Alegou  o  Recorrente  que  a  decisão  de  primeira  instância  não  levou  em  consideração, nas  razões de decidir, os princípios constitucionais da  razoabilidade  (a decisão  recorrida  deu  importância  ao  aspecto  formal  em  detrimento  do  substancial),  da  verdade  material  (a  Administração  deve  se  valer  de  qualquer  provar  que  tomar  conhecimento),  da  segurança jurídica e do interesse público (construção de uma sociedade justa e solidária).  Junto  à  peça  recursal,  o  contribuinte  trouxe  aos  autos  cópias  (i)  do  PER/DCOMP,  (ii)  do  comprovante  de  pagamento  de  DARF,  (iii)  de  parte  do  livro  Razão  Analítico,  (iv)  de  parte  do  livro  Diário  Geral,  acompanhada  dos  termos  de  abertura  e  Fl. 119DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10830.906939/2010­41  Acórdão n.º 3803­004.247  S3­TE03  Fl. 120          3 encerramento, bem como do registro na Jucesp,  (v) de parte do Balancete de Suspensão,  (vi)  das DCTFs original e retificadora e (vii) de documentos societários (fls. 44 a 115).  É o relatório.  Voto             Conselheiro Hélcio Lafetá Reis  O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele  tomo conhecimento.  Conforme se verifica do relatório supra, a compensação declarada por meio  de  PER/DCOMP  não  foi  homologada  pela  repartição  de  origem  pelo  fato  de  que  o  crédito  pleiteado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa  mantida  pela  DRJ  Campinas/SP  por  ausência  de  provas  que  pudessem  infirmar  a  decisão  impugnada.  A  par  da  decisão  da  DRJ  Campinas/SP,  em  que  a  questão  da  prova  do  indébito foi posta como condicionante ao reconhecimento do direito creditório, o contribuinte  traz aos autos cópias de outros documentos e de parte da escrituração contábil­fiscal que, de  acordo com seu entendimento, seriam bastantes à comprovação do direito creditório pleiteado.  De acordo com o art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo  Administrativo  Fiscal  (PAF),  aplicável  na  discussão  de  processos  envolvendo  compensação  tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não  homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação, prova essa que deve ser  apresentada no momento da manifestação de inconformidade.  O referido art. 16 do PAF assim dispõe:  Art. 16. A impugnação mencionará:   I ­ a autoridade julgadora a quem é dirigida;  II ­ a qualificação do impugnante;  III  ­  os motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta,  os  pontos  de  discordância  e  as  razões  e  provas  que  possuir;  (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei  (...)  §  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)  a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532,  de 1997)  b) refira­se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº  9.532, de 1997)  Fl. 120DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10830.906939/2010­41  Acórdão n.º 3803­004.247  S3­TE03  Fl. 121          4 c) destine­se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas  aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)  Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de  pedidos de restituição e de declaração de compensação, “prevalece o princípio do dispositivo,  de  modo  que  a  atividade  probatória  deve  se  desenvolver  dentro  dos  limites  do  pedido  formulado  pelo  contribuinte.  O  regime  jurídico  da  prova  nesta  classe  de  processos  administrativos  tributários  aproxima­se muito mais  do  regime  jurídico  da prova do  processo  civil,  com  as  peculiaridades  decorrentes  do  fato  de  que  a  prova  é  produzida  e  apreciada  no  âmbito administrativo” 1   A  DCTF  retificadora  trazida  aos  autos  por  cópia  pelo  contribuinte  no  momento  da  apresentação  da  Manifestação  de  Inconformidade  não  era  apta,  por  si  só,  a  comprovar  o  direito  reclamado,  dado  que  desacompanhada  da  escrituração  contábil­fiscal,  situação  essa  configuradora  da  preclusão,  tendo  em  vista  que  a  prova  não  foi  produzida  no  momento processual adequado.  Ao ser alertado pelo julgador de piso acerca da necessidade de comprovação  dos  dados  declarados,  o  Recorrente  carreia  aos  autos  novos  elementos  probatórios,  estes  extraídos de sua escrituração contábil­fiscal, cuja aptidão à comprovação do indébito reclama  por uma análise minuciosa dos valores e demais dados envolvidos.  Contudo,  antes  de  se  adentrar  à  análise  da  documentação  trazida  aos  autos  apenas em grau de recurso, necessário se torna perquirir acerca da possibilidade de superação  da preclusão processual prevista nos dispositivos do PAF acima reproduzidos.  A meu ver, a preclusão processual,  associada ao princípio constitucional da  celeridade processual, deve ser sopesada com outros elementos normativos, como o princípio  da vedação ao enriquecimento ilícito e o princípio da verdade material, em que a apuração da  verdade  dos  fatos  pelo  julgador  administrativo  vai  além  das  provas  trazidas  aos  autos  pelo  interessado, assim como o princípio da legalidade, pois o contribuinte deve recolher o tributo  devido nos limites da previsão normativa, nem mais, nem menos.  Encontrando­se nos autos o elemento probatório apto a comprovar o direito  alegado, ignorá­lo, sob o manto da preclusão processual, equivale, a meu ver, a romper com os  princípios do não confisco e da capacidade contributiva, pois que se estará tributando parcela  do patrimônio cuja intributabilidade fora assegurada pela Constituição e pelas leis instituidoras  dos tributos.  Nos  casos  da  espécie  ao  ora  analisado,  em  que  os  pedidos  de  ressarcimento/restituição  e  as  declarações  de  compensação  são  analisados  por  meio  de  processamento  eletrônico,  a  partir  de  cruzamento  dos  dados  existentes  nas  informações  até  então  prestadas  pelo  interessado,  a  questão  da  prova  documental  é  suscitada  somente  na  decisão de primeira instância, situação essa que faz incidir a ressalva presente na alínea “c” do  § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), dado que o Recorrente está apresentando  provas  em  contraposição  às  razões  posteriormente  trazidas  aos  autos  pela  Delegacia  de  Julgamento.                                                              1 BIANCHINI, Marcela Cheffer. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo tributário e os  princípios  da  verdade  material  e  da  ampla  defesa.  Brasília:  ESAF,  2008,  p.  25.  (Disponível  em:  www.esaf.fazenda.gov.br/  esafsite/biblioteca/monografias/marcela_cheffer.pdf.  Consulta  realizada  em  3  de  setembro de 2012).  Fl. 121DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10830.906939/2010­41  Acórdão n.º 3803­004.247  S3­TE03  Fl. 122          5 No despacho decisório, somente os dados relativos ao pagamento efetuado e  aos  declarados  em  DCTF  foram  objeto  de  questionamento  por  parte  da  autoridade  administrativa, não  tendo havido, até então, qualquer  referência  à escrituração contábil­fiscal  do sujeito passivo e aos documentos que a lastreiam. Somente a partir da decisão de primeira  instância a questão da prova escritural é apontada como elemento imprescindível à apreciação  da matéria controvertida.  Ainda  que  o  Recorrente  estivesse  obrigado  a  demonstrar  o  direito  alegado  desde o primeiro momento de sua intervenção no processo, ele o fez com base nos elementos  probatórios por ele considerados suficientes à comprovação de suas alegações, tendo havido a  arguição  da  necessidade  de  apresentação  da  prova  escritural  apenas  na  decisão  da  DRJ  Campinas/SP, após o que ele traz aos autos as provas reclamadas pelo julgador a quo.  Como nos ensina Leandro Paulsen, Renê Bergmann Ávila e Ingrid Schroder  Sliwka2, o rigor da regra da preclusão no Processo Administrativo Fiscal (PAF), relativamente  à juntada de documentos após a impugnação, “viola frontalmente o princípio da ampla defesa e  impede que se alcance a verdade material, sob o pretexto de acelerar a tramitação do processo”,  tendo  relevância o  art.  3º,  inciso  III,  da Lei nº 9.784, de 1999, que dispõe  “que  é direito do  administrado a apresentação das alegações e juntada de documentos a qualquer tempo, antes da  decisão”.  Ainda  que  a  Lei  nº  9.784,  de  1999,  se  aplique  ao  PAF  somente  de  forma  subsidiária,  seus  dispositivos  devem  ser  considerados  e  interpretados  conjuntamente  com  as  regras  específicas  que  regem  o  contraditório  administrativo,  em  busca  da  norma  aplicável  a  cada caso levado à apreciação da autoridade julgadora administrativa.  No presente caso, não se vislumbra que o contribuinte tenha agido de forma  desidiosa  ou  procrastinatória,  tendo  demonstrado,  desde  o  início  de  sua  participação  no  processo, interesse em comprovar o seu direito, assim como o erro cometido na declaração e no  recolhimento  do  tributo  devido  no  período,  não  se  podendo,  a  meu  ver,  imputar  um  rigor  demasiado à regra da preclusão, quando se sabe que o processo administrativo se informa pelo  formalismo moderado, conforme vasta jurisprudência do CARF3.  Feitas  essas  considerações,  passa­se  à  análise  dos  elementos  probatórios  presentes  nos  autos,  considerando  que  todos  os  anexos  ao  recurso  voluntário  foram  autenticados  pela  repartição  de  origem,  constando  do  Termo  de  Análise  de  Solicitação  de  Juntada (fl. 116) que nenhum documento apresentado pelo Recorrente fora rejeitado.  Consta  do  PER/DCOMP  (fls.  44  a  49)  que  o  contribuinte  pretendia  compensar crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins, do período de apuração outubro  de 2005, com débitos de outros tributos de sua titularidade, estes no montante de R$ 2.015,44.  Segundo o PER/DCOMP, o DARF (fl. 50) e o despacho decisório (fls. 28 a  30), foi recolhido aos cofres públicos, em 11 de novembro de 2005, a título de Cofins devida                                                              2  PAULSEN,  Leandro,  ÁVILA,  René  Bergmann,  SLWKA,  Ingrid  Schroder.  Direito  processual  tributário:  processo administrativo fiscal e execução fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. 7. ed. Porto Alegre: Livraria  do Advogado e Editora, 2012, pp. 119 a 122.  3  Acórdão  2802­002.015,  processo  10930.002812/2008­16,  publicado  em  11/3/2013;  acórdão  2802­002.029,  processo 10183.003172/2008­53,  publicado  em 5/3/2013;  acórdão 1102­000.474, processo  11020.002161/2005­ 39, publicado em 30/6/2011; dentre outros.  Fl. 122DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10830.906939/2010­41  Acórdão n.º 3803­004.247  S3­TE03  Fl. 123          6 em outubro de 2005 o valor de R$ 8.366,00, do que exsurgira um indébito no montante de R$  3.097,77, pelo fato de que a contribuição devida no período seria de R$ 5.268,23.  De acordo com o Razão Analítico (fl. 51), fora escriturada uma provisão de  Cofins do mês outubro/2005 no valor de R$ 8.366,00, assim como créditos da contribuição no  mesmo  período  de R$  1.372,79  e R$  1.724,98,  totalizando R$  3.097,77,  e  um  saldo  final  a  recolher de R$ 5.268,23, que corresponde exatamente à diferença entre a provisão efetuada e  os créditos apurados.  No livro Diário Geral (fls. 52, 53 e 59), por seu turno, devidamente registrado  na  Junta Comercial e acompanhado dos  termos de abertura e encerramento, os valores  supra  referenciados podem também ser extraídos, corroborando, ainda mais, a defesa do Recorrente.  No Balancete de Suspensão (fl. 55), colhem­se as seguintes informações:    CONTA  VALOR (R$)  Folha  1  Receita Bruta Operacional   110.079,00  56  2  Cofins sobre o faturamento  8.366,00  56  3  Gastos gerais com serviços não cumulativos  18.063,07  57  4  Crédito Cofins não cumulativo  1.372,79  57  5  Encargos de depreciação  22.697,15  57  6  Crédito Cofins sobre encargos depreciação  1.724,98  57  7  Contribuição devida (2­4­6)  5.268,23    8  Indébito (2­7)  3.097,77    Verifica­se,  portanto,  que  a  escrituração  contábil­fiscal  vai  ao  encontro  dos  argumentos  de  defesa  do  Recorrente,  coincidindo  com  os  valores  declarados  na  DCTF  retificadora (fl. 20).  Note­se  que  se  trata  de  um  conjunto  probatório  robusto,  composto  da  escrituração  contábil­fiscal  da  pessoa  jurídica,  em  que  todos  os  requisitos  formais  foram  observados, inexistindo qualquer indício que possa fragilizar o teor dos lançamentos contábeis  ali efetuados.  Poder­se­ia argumentar que, no presente caso, considerando que o Recorrente  não  trouxe  aos  autos  os  documentos  fiscais  que  embasam  a  sua  escrituração,  dever­se­ia  observar a regra contida no art. 923 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000,  de 1999) que determina que “[a] escrituração mantida com observância das disposições legais  faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados com documentos  hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto­Lei nº 1.598, de  1977, art. 9º, § 1º.” (grifei)  Fl. 123DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10830.906939/2010­41  Acórdão n.º 3803­004.247  S3­TE03  Fl. 124          7 Por outro  lado, não  se pode  ignorar que,  no momento  em que a  autoridade  administrativa  de  origem  decidira  por  não  homologar  a  compensação  declarada  pelo  contribuinte,  ela  restringiu  a  análise  aos  dados  presentes  na  DCTF,  no  DARF  e  no  PER/DCOMP, dados esses referentes ao direito creditório pleiteado e ao pagamento efetuado,  não tendo sido questionada a apuração da base de cálculo da contribuição declarada.  Nesse sentido, considerando que a decisão de origem decorrera tão somente  do batimento entre pagamento e crédito declarado, os demais valores envolvidos na apuração  do tributo devido, como a base de cálculo da contribuição, não questionados pela Fiscalização,  não compõem a controvérsia presente neste processo.  A  autoridade  administrativa  poderia  ter  intimado  o  contribuinte  para  comprovar  os  demais  dados  abrangidos  pela  matéria  sob  fiscalização,  mas,  ao  contrário,  decidiu  restringir  a  sua  análise  aos  valores  relativos  ao  pagamento  efetuado  e  ao  direito  creditório declarado e, uma vez comprovado, com base na escrituração contábil­fiscal, o erro  cometido pelo sujeito passivo no preenchimento da DCTF original, tem­se por comprovada a  sua defesa nos limites da controvérsia constante dos autos.  Determinar  a  reabertura  da  fiscalização  empreendida  na  origem  com  a  ampliação da matéria a ser analisada, a meu ver, extrapola a competência deste Colegiado, pois  é da competência da Receita Federal a gestão e a execução das atividades de fiscalização no  âmbito federal.  Nesse contexto, uma vez comprovado o erro cometido no preenchimento da  DCTF original, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Hélcio Lafetá Reis ­ Relator                                Fl. 124DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS

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Numero do processo: 19712.000072/2008-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1994 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DECLARADO NULO POR VÍCIO FORMAL. Declarada a nulidade do lançamento por vício de forma, o direito de a Fazenda constituir o crédito tributário extingue-se, nos termos do art. 173, inciso II do CTN, após cinco anos contados da data em que se tornou definitiva a decisão que anulou por vício formal o lançamento. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula 1º CC nº. 11, DOU 26, 27 e 28/06/2006). ITR. LEI N° 8.847/94. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO STF. Declarada pelo Supremo Tribunal Federal a inconstitucionalidade da utilização das alíquotas constantes da Medida Provisória nº 399, de 1993, para a cobrança do ITR referente aos fatos geradores ocorridos no exercício 1994, cumpre declarar a insubsistência do lançamento. Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-002.696
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 30/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1714; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C1T2  Fl. 458          1 457  S2­C1T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19712.000072/2008­14  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2102­002.696  –  1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  18 de setembro de 2013  Matéria  ITR ­ Medida Provisória nº 399, de 1993  Recorrente  MUNIR BUCHALLA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ­ ITR  Exercício: 1994  DECADÊNCIA.  LANÇAMENTO  DECLARADO  NULO  POR  VÍCIO  FORMAL.  Declarada  a  nulidade  do  lançamento  por  vício  de  forma,  o  direito  de  a  Fazenda  constituir  o  crédito  tributário  extingue­se,  nos  termos  do  art.  173,  inciso  II  do  CTN,  após  cinco  anos  contados  da  data  em  que  se  tornou  definitiva a decisão que anulou por vício formal o lançamento.  PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE.  Não  se  aplica  a  prescrição  intercorrente  no  processo  administrativo  fiscal  (Súmula 1º CC nº. 11, DOU 26, 27 e 28/06/2006).  ITR. LEI N° 8.847/94. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE  PELO STF.  Declarada  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  a  inconstitucionalidade  da  utilização  das  alíquotas  constantes  da Medida  Provisória  nº  399,  de  1993,  para a cobrança do ITR referente aos fatos geradores ocorridos no exercício  1994, cumpre declarar a insubsistência do lançamento.  Recurso Voluntário Provido         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 71 2. 00 00 72 /2 00 8- 14 Fl. 458DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19712.000072/2008­14  Acórdão n.º 2102­002.696  S2­C1T2  Fl. 459          2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso.  Assinado digitalmente  JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente.  Assinado digitalmente  NÚBIA MATOS MOURA – Relatora.    EDITADO EM: 30/09/2013    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio  Pitarelli,  Carlos  André  Rodrigues  Pereira  Lima,  José Raimundo  Tosta  Santos,  Núbia Matos  Moura e Rubens Maurício Carvalho.      Relatório  Contra MUNIR BUCHALLA foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 58,  para  formalização  de  exigência  do  Imposto  sobre  a  Propriedade  Territorial  Rural  (ITR)  do  imóvel denominado Fazenda Tio Munico (NIRF 0.745.495­3),  relativo ao exercício 1994, no  valor de R$ 8.036,80.  O referido lançamento foi precedido por Notificação de Lançamento anterior,  a qual foi anulada por vício formal, pelo Terceiro Conselho de Contribuintes do Ministério da  Fazenda, Acórdão nº 302­35.635, de 13/06/2003, fls. 37.  Inconformado  com  a  exigência,  o  contribuinte  apresentou  impugnação,  fls. 61/79,  que  foi  considerada  improcedente,  conforme Acórdão DRJ/CGE nº  04­22.362,  de  05/11/2010, fls. 92/97.  Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 26/07/2011,  Aviso  de  Recebimento  (AR),  fls.  102,  o  contribuinte  apresentou,  em  05/08/2011,  recurso  voluntário,  fls.  431/449,  no  qual  traz,  em  síntese,  alegações  de  decadência  e  prescrição,  aduzindo que o lançamento não pode prosperar posto que a retificação da Medida Provisória nº  399, de 1993, que publicou o Anexo 1, somente teria ocorrido em 07/01/1994.  É o Relatório.  Fl. 459DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19712.000072/2008­14  Acórdão n.º 2102­002.696  S2­C1T2  Fl. 460          3   Voto             Conselheira Núbia Matos Moura, relatora  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade.  Dele conheço.  Conforme  já dito  no  relatório  acima,  tem­se  que  o  presente  lançamento  foi  precedido  de Notificação  de  Lançamento  anterior,  a  qual  foi  anulada  por  vício  formal,  pelo  Terceiro  Conselho  de  Contribuintes  do  Ministério  da  Fazenda,  Acórdão  nº  302­35.635,  de  13/06/2003, fls. 37.  No  recurso,  o  contribuinte  argúi  que  na  data  do  lançamento  o  crédito  tributário já estaria alcançado pela decadência.  Segundo preconiza o art. 173, inciso II, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de  1966 – Código Tributário Nacional (CTN), a seguir transcrito, quando anulado o lançamento, o  termo  a  quo  do  prazo  decadencial  deve  ser  contado  da  data  em  que  se  tornar  definitiva  a  decisão que houver anulado o lançamento anteriormente efetuado, de forma que, não renovado  no interregno de cinco anos, restará perecido o direito da Fazenda Nacional fazê­lo:  Art.  173.  O  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:  I  ­  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado;  II  ­  da  data  em  que  se  tornar  definitiva  a  decisão  que  houver  anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.  No caso, a Notificação de Lançamento foi anulada pela Segunda Câmara do  Terceiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, mediante  decisão  exarada  em  13/06/2003, fls. 37, que somente foi cientificada ao contribuinte em 26/07/2004, fls. 54. Resta  determinar,  ante esses  fatos, se o prazo decadencial deve ser contado da data da decisão que  anulou o lançamento, ou, ao contrário, deve ser iniciado somente a partir da ciência da decisão.  Esse, o cerne do litígio.  Sabe­se que as decisões tomadas pela Segunda Câmara do Terceiro Conselho  de  Contribuintes  eram  passíveis  de  embargos  de  declaração  e  de  recurso  especial  de  divergência,  os  quais  podiam  ser  interpostos  tanto  pela  Fazenda  Nacional  como  pelo  contribuinte.  Logo,  somente  depois  de  cientificadas  as  partes  e  transcorridos  os  prazos  regimentais, sem que houvesse a interposição de embargos ou de recurso, poder­se­ia falar em  decisão definitiva, nos termos do disposto no art. 42, II, do Decreto nº 70.235, de 1972  Considerando­se  que  o  contribuinte  somente  foi  cientificado  da  decisão  de  nulidade  proferida  pela  Segunda  Câmara  do  Terceiro  Conselho  de  Contribuintes  em  26/07/2004,  fls.  54,  e  levando­se  em  conta  que  a  ciência  do  novo  lançamento  se  deu  em  13/06/2008,  fls.  59/60,  não  pode  prosperar  a  argüição  de  decadência  suscitada  pela  defesa,  Fl. 460DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19712.000072/2008­14  Acórdão n.º 2102­002.696  S2­C1T2  Fl. 461          4 posto  que  o  lançamento  ocorreu  antes  de  transcorrido  o  prazo  de  cinco  anos  que  tornou  definitiva a decisão de nulidade do lançamento anterior.  Também  não  pode  prosperar  a  argüição  do  contribuinte  de  prescrição  intercorrente,  em  razão  do  entendimento  já  pacificado  neste  CARF,  conforme  disposto  na  Súmula CARF nº 11, abaixo transcrita:  Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição  intercorrente  no processo administrativo fiscal. (Portaria MF nº 383, DOU de  14/07/2010)  Por fim, deve­se analisar a alegação da defesa de que o lançamento não pode  prosperar, posto que a  retificação da Medida Provisória nº 399, de 29 de dezembro de 1993,  somente teria ocorrido em 07/01/1994.  De fato, o Supremo Tribunal Federal, em decisão proferida em 02/03/2006,  no Recurso Extraordinário nº448.558, declarou a  inconstitucionalidade da Medida Provisória  nº 399, de 1993, convertida na Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, para a cobrança do ITR  devido  no  exercício  1994.  Veja­se  a  seguir  trecho  do  voto  do  Ministro  Gilmar  Mendes  (relator), que bem contextualiza a situação:  Portanto,  ao  se  verificar  que  houve de  fato  instituição  de  nova  configuração do imposto e que esta apenas se aperfeiçoou em 07  de janeiro de 1994, com a publicação, a título de "retificação",  do Anexo a MP 399, essenciais a caracterização e quantificação  da alíquota da exação por  força do mesmo diploma, conclui­se  que a exigência do ITR sob esta nova modalidade, antes de 1º de  janeiro  de  1995,  por  força  do  art.  150,  III,  b,  da  CF,  viola  o  princípio constitucional da anterioridade tributária.  Nesse  ponto,  importa  destacar  que  a  Notificação  de  Lançamento,  fls.  58,  tomou por base as determinações contidas na Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, inclusive  com utilização das alíquotas prevista no referido dispositivo legal. Logo, declarada pelo STF a  inconstitucionalidade da utilização das  alíquotas  constantes da Medida Provisória n° 399, de  1993, para cobrança do ITR referente aos fatos geradores ocorridos no exercício 1994, deve­se  cancelar a exigência tributária, consubstanciada no lançamento.  Corroborando  tal  entendimento,  tem­se  o  Acórdão  da  Câmara  Superior  de  Recursos Fiscais nº 03­06.063, de 08/09/2008, que está assim ementado:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  PROPRIEDADE  TERRITORIAL RURAL – ITR  Exercício: 1994  ITR/94. Declarada, pela Corte Maior, a inconstitucionalidade da  utilização  das  alíquotas  constantes  da  Medida  Provisória  n°  399/93 para a cobrança do ITR no exercício de 1994, não resta  outra  alternativa  a  este  Colegiado  que  não  seja  declarar  a  insubsistência  do  lançamento.  (parágrafo  único  do  art.  4°  do  Decreto n° 2.346/97).  CONTRIBUIÇÕES. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO.  Fl. 461DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19712.000072/2008­14  Acórdão n.º 2102­002.696  S2­C1T2  Fl. 462          5 SÚMULA  N°  01  DO  TERCEIRO  CONSELHO  DE  CONTRIBUINTES. NULIDADE. É cediço o entendimento deste  colegiado  de  que  a  Notificação  de  Lançamento  que  não  apresenta a identificação da autoridade que a expediu é nula por  vicio formal.  Ante o exposto, voto por DAR provimento ao recurso.  Assinado digitalmente  Núbia Matos Moura ­ Relatora                                Fl. 462DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS

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Numero do processo: 10120.000801/2003-13
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1998 CSLL. COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA DE CÁLCULO. LIMITE DE 30%. Para a determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, a partir do ano-calendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, 30% (trinta por cento), em razão da compensação da base de cálculo negativa.
Numero da decisão: 1101-000.793
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO à fração do Recurso Voluntário em análise nesta assentada – que se cinge aos argumentos de mérito atrelados aos lançamentos do ano-calendário de 1998. (assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Benedicto Celso Benício Júnior, Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga.
Matéria: CSL- glosa compens. bases negativas de períodos anteriores
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1605; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C1T1  Fl. 2          1 1  S1­C1T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10120.000801/2003­13  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1101­000.793  –  1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  11 de setembro de 2012  Matéria  CSLL  Recorrente  J. CÂMARA & IRMÃOS S.A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ­ CSLL  Ano­calendário: 1998  CSLL. COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA DE CÁLCULO. LIMITE  DE 30%.  Para a determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro  Líquido, a partir do ano­calendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá  ser  reduzido  em,  no  máximo,  30%  (trinta  por  cento),  em  razão  da  compensação da base de cálculo negativa.        Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da  Primeira  Seção  de  Julgamento,  por  unanimidade,  NEGAR  PROVIMENTO  à  fração  do  Recurso  Voluntário  em  análise  nesta  assentada  –  que  se  cinge  aos  argumentos  de  mérito  atrelados aos lançamentos do ano­calendário de 1998.    (assinado digitalmente)  VALMAR FONSECA DE MENEZES  Presidente    (assinado digitalmente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 08 01 /2 00 3- 13 Fl. 298DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES     2 BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR  Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  Valmar  Fonseca  de  Menezes,  Benedicto Celso Benício  Júnior,  Edeli  Pereira Bessa,  Carlos  Eduardo  de Almeida  Guerreiro, José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga.    Relatório    Trata  o  presente  litígio,  originalmente,  do  auto  de  infração  de  fls.  69/77,  referente  à  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  –  CSLL  dos  anos­ calendários de 1997 e 1998.  A  lavratura  da  citada  peça  infracional  se  fundamentou  em  suposta  compensação indevida de bases de cálculo negativas de CSLL, acumuladas em períodos  anteriores, operada em montantes superiores àqueles efetivamente existentes no sistema  de  controle  da Receita Federal  do Brasil,  alimentado  por  dados  coligidos  a  partir  das  DIPJ’s dos exercícios de 1993 e seguintes.  Consta  da  Intimação  Fiscal  de  fl.  41  a  seguinte  informação,  que  elucida a causa do lançamento:    “Constatou­se  que  o  Anexo  8  da  DIRPJ  foi  processado parcialmente,  tomando­se como base de  cálculo  negativa,  em  31/12/1992,  o  valor  de  Cr$  2.944.680.494  declarado  pelo  contribuinte,  razão  pela  qual  referido  anexo  foi  re­processado  mês  a  mês, resultando em um novo Demonstrativo da Base  de  Cálculo  Negativa  da  CSLL  —  SAPLI  (anexo),  onde,  também,  podem  ser  visualizadas  as  inconsistências acima mencionadas.”    Às  fls.  02/06,  encontra­se  o  demonstrativo  do  SAPLI  original,  antes  das alterações procedidas. À fl. 26, consta cópia do Demonstrativo da CSLL – Anexo 8  da DIPJ do exercício de 1993, em que os valores declarados a título de Lucro Líquido  antes  da CSLL  e  de  adições  efetuadas  coincidem  com  os  importes  considerados  pelo  Demonstrativo  da  Base  de  Cálculo  Negativa  da  CSLL  anexo  ao  SAPLI  (fls.  35/36),  formatado depois das correções promovidas durante a ação fiscal.  Fl. 299DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 10120.000801/2003­13  Acórdão n.º 1101­000.793  S1­C1T1  Fl. 3          3 Constataram­se,  ao  final  do  procedimento  de  revisão  noticiado,  as  seguintes  divergências  entre  os  saldos  de  base  de  cálculo  negativa  apurados,  pelo  contribuinte e pela RFB, para o ano findado em 31.12.1992:    SALDO INFORMADO NA DIPJ/1993  SALDO APURADO PELA RFB NO SAPLI  Cr$ 2.944.680.494,00  Cr$ 2.802.649.211,00    A  partir  de  tais  diferenças,  o  i.  agente  fiscal  encarregado  da  fiscalização  efetuou  o  ajuste  de  todas  as  compensações  engendradas  a  maior  pelo  contribuinte,  “reduzindo­se  as  compensações  ao  valor  da  base  de  cálculo  apurada  mensalmente ou ao valor 'zero' quando aquela resultou negativa”.  Às fls. 59 e 61, jazem as Fichas 11 da DIPJ/1998 e 30 da DIPJ/1999,  no bojo das quais restou consignado que a autuada compensou, em cada exercício, bases  de cálculo negativas equivalentes, respectivamente, a R$ 620.098,64 (seiscentos e vinte  mil,  noventa  e oito  reais  e  sessenta  e quatro  centavos),  de um  lado,  e  a R$ 26.833,28  (vinte  e  seis mil,  oitocentos  e  trinta  e  três  reais  e vinte  e oito  centavos),  de outro. Os  saldos acumulados de bases negativas da CSLL constantes do sistema de controles da  RFB, por  sua vez,  depois de  reajustados,  equivaliam a R$ 51.405,56  (cinquenta  e um  mil, quatrocentos e cinco reais e cinquenta e seis centavos), no ano de 1997, e a R$ 0,00  (zero real), no ano de 1998. Resultou­se daí, então, o lançamento ora analisado.  Irresignado  com  a  autuação,  da  qual  teve  ciência  em  18.02.2003,  o  contribuinte apresentou, em 19.03.2003, a impugnação de fls. 88/98, na qual alegou que  teria  ocorrido  a  decadência  do  direito  de  a  Fazenda  efetuar  o  lançamento  tributário.  Foram os seguintes os argumentos apresentados:    i.  o  lançamento  se  deu  em  2003,  a  partir  de  alterações  das  cifras  de  base  de  cálculo  negativa  do  exercício  de  1993  –  depois  de  transcorridos,  portanto, mais  de  10  (dez)  anos  da  ocorrência  do  fato  gerador correspondente;    ii. a CSLL é tributo lançado por homologação. Como tal, o direito de a  Fazenda Pública efetivar o lançamento se extingue em 05 (cinco) anos,  a contar da data da ocorrência do fato imponível;    iii. o artigo 45 da Lei n° 8.212/1991 padece de inconstitucionalidade,  ao  tratar  de  decadência  tributária,  posto  tal  competência  estar  reservada  à  lei  complementar.  Mesmo  que  superado  este  entrave,  o  referido  dispositivo  só  se  aplicaria  às  matérias  de  competência  da  Fl. 300DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES     4 Receita  Federal  do  Brasil,  e  não  às  de  competência  do  Instituto  Nacional de Seguro Social; e    iv. mesmo se admitindo a decadência em 10 (dez) anos, em virtude da  aplicação  do  citado  artigo  45,  haveria  se  dado,  no  caso  presente,  a  caducidade, eis que o fato gerador das exações ocorrera em 12.1992,  ao  passo  que  o  lançamento  se  materializara  apenas  em  meados  de  2003.    A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância,  ao  estudar  a  defesa  ventilada, julgou procedente o lançamento, por meio do acórdão n° 5.854 (fls. 125/136),  de 09.05.2003, assim ementado:    “Assunto:  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido – CSLL  Exercício: 1998 e 1999  Ementa: BASE DE CÁLCULO NEGATIVA.  Constatada  a  compensação  de  base  de  cálculo  negativa  de  contribuição  social  superior  ao  saldo  existente é de se manter a glosa efetuada, bem como  o  lançamento  da  CSLL  formalizado  no  auto  de  infração.  JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA.  As  decisões  administrativas  não  constituem  normas  complementares  da  legislação  tributária,  tampouco  vinculam  a  administração,  pois  não  existe  lei  que  lhes confira a efetividade de caráter normativo.  Lançamento Procedente”    Referido acórdão, em síntese, encampou as seguintes considerações:    i. “o lançamento da CSLL foi efetuado com base nos dados das DIPJ  dos  exercícios  1998  e  1999,  apresentadas  pela  contribuinte,  que  na  forma  da  legislação  tributária  está  obrigada  a  prestar  à  autoridade  administrativa informações sobre matéria de fato e que os erros nela  contidos, verificados pelo seu exame serão retificados de ofício”;    Fl. 301DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 10120.000801/2003­13  Acórdão n.º 1101­000.793  S1­C1T1  Fl. 4          5 ii. não ocorreu a decadência apontada, uma vez não  ter havido,  “por  parte  do  Fisco,  qualquer  alteração  dos  valores  informados  nas  declarações  de  rendimentos  de  exercícios  anteriores.  Na  realidade  houve, conforme consta no formulário de alteração da base de cálculo  negativa da contribuição social (FACS), doc. de fls. 33, a inclusão no  sistema  SAPLI  de  valores,  relativos  à  base  de  cálculo  negativa  apurada  pela  contribuinte  no  ano­calendário  1992,  informados  no  anexo  8,  quadro  3,  da  DIRPJ/1993  (fls.  26)  não  capitados  pelo  referido  sistema.  Tal  inclusão  não  trouxe  nenhum  prejuízo  para  a  contribuinte, ao contrário lhe favoreceu, uma vez que o saldo da base  de  cálculo  negativa  da  contribuição  social  existente  em  31  de  dezembro  de  1997  era  bem  inferior  ao  valor R$ 51.406,56,  aceito  e  compensado pelo Fiscal autuante”; e    iii. o artigo 16 da Lei n° 9.065/1995 dispõe que a pessoa  jurídica  só  poderá  compensar  base  de  cálculo  negativa,  de  um  lado,  com  o  resultado  do  período  de  apuração,  ajustado  pelas  adições  e  pelas  exclusões  previstas  na  legislação  da  referida  contribuição  social,  de  outro, se mantiver os livros e os documentos exigidos pela legislação  fiscal,  comprobatórios  da  base  de  cálculo  negativa  utilizada  para  o  encontro de contas.    Cientificado  do  acórdão  em  21.10.2003,  o  contribuinte,  em  19.11.2003, apresentou Recurso Voluntário (fls. 147/163), por meio do qual reiterou os  argumentos  expendidos  em  sua  impugnação,  respeitantes  à  decadência  do  direito  fazendário  de  lançar. Aduziu­se,  no mais,  que  as  Leis  n°  8.981  e  nº  9.065,  ambas  de  1995,  apontadas  pela  autoridade  lançadora  como  fundamentos  do  auto  de  infração  formalizado, eram posteriores às normas aplicáveis às compensações de bases negativas  de CSLL ocorridas antes de 1995. Teria se aperfeiçoado, por isso, clara ofensa a direito  adquirido da recorrente.  O  Recurso  Voluntário  interposto  foi  julgado,  oportunamente,  pela  Primeira  Câmara  do  extinto  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes.  Na  oportunidade,  proferiu­se  o  acórdão  nº  101­94.952  (fls.  181/199),  mediante  o  qual  se  acolheu  a  preliminar  de  decadência  suscitada  pela  recorrente,  cancelando­se  a  totalidade  das  exigências de ofício.  À conta de elucidação, copie­se, a seguir,  a parte dispositiva do voto  vencedor que moldurou dito aresto:    “Assim, tendo o auto de infração foi sido emitido na  data 22 de abril de 1999 para exigir CSLL com fato  gerador  ocorrido  na  data  de  31/12/1993,  e  não  tendo  sido  demonstrado  nos  presentes  autos  a  ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplica­se o  Fl. 302DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES     6 disposto  no  parágrafo  4°.  Art.  150  do  CTN,  ocorrendo,  em  conseqüência,  a  decadência  do  direito do Fisco constituir o crédito tributário, tendo  em vista  que  decorrido  5  (cinco) anos  e  4  (quatro)  meses da data do seu respectivo fato gerador.  Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  acolher  a  preliminar  de  decadência  suscitada  pela  Recorrente.”    Cientificada  deste  decisum  em  01.09.2005,  a  Fazenda Nacional,  por  meio de sua Procuradoria, interpôs, na mesma data, o Recurso Especial de fls. 202/215.  A este apelo foi dado, então, parcial provimento, conforme aresto exarado pela Câmara  Superior de Recursos Fiscais, juntado às fls. 252/257.  Depois de corrigida via novo acórdão (fls. 264/268), pronunciado em  sede de Embargos Declaratórios, a decisão da instância especial fez consagrar exegese  segundo a qual somente os lançamentos respeitantes ao ano­calendário de 1997 estariam  decaídos, a teor do artigo 150, § 4º, do CTN. Determinou­se, assim, o retorno dos autos  à  instância  ordinária,  nos  seguintes  termos,  a  fim  de  que  se  analisasse  o  mérito  das  exigências concernentes ao ano­base de 1998:    “Pelo exposto, voto por ACOLHER os Embargos de  Declaração,  para  sanar  a  contradição  apontada  pelo Embargante, a fim de que prevaleça o resultado  de julgamento, no sentido de ‘DAR PROVIMENTO  PARCIAL  ao  recurso,  para  afastar  a  decadência  quanto ao ano­calendário de 1998, determinando o  retorno  dos  autos  à  câmara  de  origem  para  apreciação do mérito’.” (grifos nossos)    O Recurso Voluntário, por todo o exposto, foi redistribuído a nós.  É o relatório.    Voto               Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR, Relator:  Como  se  explanou,  os  lançamentos  respeitantes  ao  ano­calendário  de  1997  foram reputados nulos, pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 252/257 e 264/268), em  razão  da  caracterização  da  caducidade  do  dever­poder  fazendário  de  lançar,  nos  moldes  do  Fl. 303DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 10120.000801/2003­13  Acórdão n.º 1101­000.793  S1­C1T1  Fl. 5          7 artigo 150, § 4º, do CTN. Igual conclusão foi afastada, no entanto, naquilo que toca aos valores  de CSLL pertinentes ao ano­base de 1998.  O  julgamento  em  curso  se  atém,  pois,  à  perscrutação  dos  argumentos  meritórios, veiculados pela recorrente, ligados aos débitos sobreviventes.  O remédio recursal, no ponto que nos interessa, foi assim redigido:    “Conforme já demonstrado, de acordo com a descrição dos  fatos  e  enquadramento  legal  constantes  do  Auto  de  Infração,  a  RECORRENTE  foi  autuada  porque  teria  efetuado compensação de bases negativas da Contribuição  Social  sobre  o Lucro  – CSLL de períodos  anteriores,  não  observando a limitação de 30% contida no art. 58 da Lei n°  8.981/95.  Todavia,  a  exigência  constante  do  Auto  de  Infração  de  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  –  CSLL  revela­se  totalmente improcedente, pelas razões a seguir expendidas.  A  RECORRENTE,  em  obediência  às  normas  contidas  no  Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto  1.041,  de  1994,  quando  do  preenchimento  da  declaração  do imposto de renda relativo aos anos base de 1997 e 1998,  exercícios  de  1998  e  1999,  respectivamente,  procedeu  a  compensação  integral de bases negativas da Contribuição  Social sobre o Lucro, nos termos da legislação de regência.  Conforme  se  observa  do  Auto  de  Infração,  a  Autoridade  Lançadora,  fundamentou a autuação com base no art. 58,  da  Lei  n°  8.981/95  e  no  art.  16  da  Lei  n°  9.065/95,  legislação  essa  posterior  àquela  vigente  e  aplicável  à  compensação  de  bases  negativas  da  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  ocorridas  no  ano  bases  anteriores  a  1995,  em  flagrante  ofensa  e  desrespeito  ao  direito  adquirido  da  RECORRENTE, constitucionalmente garantido. (...)”    Nota­se, do transcrito excerto, que a insurgência da autuada, no que condiz à  substância dos lançamentos pendentes, circunscreve­se à tentativa de fazer aplicar o artigo 58  da Lei nº 8.981/1995 e o artigo 16 da Lei nº 9.065/1995 – responsáveis por  instituir, para as  compensações de base negativa de cálculo, limite máximo de 30% (trinta por cento) do lucro  líquido  ajustado  –  apenas  aos  casos  em  que  o  saldo  de  crédito  aproveitável  fosse  apurado  depois do ano­calendário de 1995.  Sucede,  contudo,  que  estresidos  dispositivos  de  lei,  adiante  transcritos,  não  têm essa abrangência. O teto preconizado para a compensação das bases imponíveis negativas  de CSLL se  aplica,  por  expressa determinação  legal,  aos períodos de  apuração  subsequentes  Fl. 304DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES     8 aos  da  edição  das  Leis  nº  8.981/1995  e  nº  9.065/1995,  independentemente  do  ano  ou  do  trimestre em que fora formado o saldo ativo utilizável. O que importa, para todos os fins, é o  aspecto  temporal  da  configuração  do  lucro  líquido  passível  de  minoração,  e  não  a  data  de  origem das cifras redutoras:     “Art.  58.  Para  efeito  de  determinação  da  base  de  cálculo  da  contribuição  social  sobre  o  lucro,  o  lucro  líquido  ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de  cálculo negativa, apurada em períodos­base anteriores em,  no máximo, trinta por cento.”    “Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o  lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento  do  ano­calendário  de  1995,  poderá  ser  compensada,  cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada  até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de  apuração  ajustado  pelas  adições  e  exclusões  previstas  na  legislação da referida contribuição social, determinado em  anos­calendário  subseqüentes,  observado o  limite máximo  de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº  8.981, de 1995.  Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica  às  pessoas  jurídicas  que  mantiverem  os  livros  e  documentos,  exigidos  pela  legislação  fiscal,  comprobatórios da base de cálculo negativa utilizada para  a compensação.”    Insista­se, para que reste mais claro: os acúmulos de base negativa de cálculo  de  CSLL,  apurados  até  31.12.1995,  poderiam,  sim,  ser  aproveitados  integralmente,  em  períodos posteriores, mas apenas até a razão de 30% (trinta por cento) do lucro líquido atinente  a cada um dos períodos de apuração subsequentes.  Irrelevante, para a cominação desta  trava,  seria o período de surgimento do saldo aproveitável de base negativa de contribuição. Somente  seria adotado, como critério de diferenciação, o período de apuração do lucro líquido ajustado  passível de redução, via ajuste de contas.  Tanto é assim que o artigo 18 da Lei nº 9.065/1995 explicitou que os efeitos  do artigo 16, acima copiado, seriam gerados a partir de 01.01.1996:    “Art.  18.  Esta  Lei  entra  em  vigor  na  data  de  sua  publicação, produzindo efeitos a partir de 1º de janeiro de  1995, exceto os arts. 10, 11, 15 e 16, que produzirão efeitos  a partir de 1º de  janeiro de 1996, e os arts. 13 e 14, com  efeitos, respectivamente, a partir de 1º de abril e 1º de julho  de 1995.”  Fl. 305DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 10120.000801/2003­13  Acórdão n.º 1101­000.793  S1­C1T1  Fl. 6          9   A exegese que ora se explana jaz sedimentada neste colegiado, conforme se  pode depreender da leitura da Súmula CARF nº 03, assim redigida:    “Súmula  CARF  nº  3:  Para  a  determinação  da  base  de  cálculo  do  Imposto  de  Renda  das  Pessoas  Jurídicas  e  da  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro,  a  partir  do  ano­ calendário  de  1995,  o  lucro  líquido  ajustado  poderá  ser  reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão  da  compensação  de  prejuízo,  como  em  razão  da  compensação da base de cálculo negativa.” (grifos nossos)    A imposição deste limite não configurou retroação de lei ou ofensa a direito  adquirido. A prerrogativa de realização desta espécie de compensação, no que tange à CSLL  apurada para o ano­base de 1998, só ganhou concretude, afinal, no átimo de materialização do  correspondente fato gerador complexivo – ou seja, em 31.12.1998.  É  verdade  que  o  sujeito  passivo  tinha  direito  adquirido  à  utilização,  em  períodos posteriores, da totalidade dos montantes de base de cálculo negativa acumulados até  31.12.1995.  Isso  não  significa,  porém,  que  a  forma  de  aproveitamento  destes  créditos  não  pudesse  ser  modificada  por  lei  ulterior.  Desde  que  se  garantisse  o  aproveitamento  integral  dessas  importâncias,  não  seria  inconstitucional  a  legislação  que  determinasse  o  dever  de  compensação  fracionada  dos  saldos  preexistentes,  em  observância  a  determinados  tetos  periódicos.  Questionar a constitucionalidade dos permissivos legais sob estudo, de mais a  mais, não é tarefa deste Conselho, segundo bem sintetizou a Súmula CARF nº 02:    “Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”    Isto  posto,  voto  por  NEGAR  PROVIMENTO  à  única  fração  do  Recurso  Voluntário  aqui  analisada,  atinente  aos  argumentos  de mérito  atrelados  aos  lançamentos  do  ano­calendário de 1998.    Sala das Sessões, em 11 de setembro de 2012    (assinado digitalmente)  Fl. 306DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES     10 BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR  Relator                           Fl. 307DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES

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Numero do processo: 15586.001637/2009-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1101-000.077
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por voto de qualidade, REJEITAR as argüições de nulidade do lançamento por falta de compensação de prejuízos fiscais anteriores e de dedução de antecipações do próprio período, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento vinculada ao cálculo do adicional; 3) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento decorrente dos efeitos da postergação; 4) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento de glosa de juros, comissões e variações cambiais; 5) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade da decisão recorrida; 6) por maioria de votos, CONVERTER EM DILIGÊNCIA o julgamento, divergindo os Conselheiros Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva, que davam provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga. RELATÓRIO ADM DO BRASIL, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro/RJ-I que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 29/12/2009, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 797.002.605,17. O procedimento fiscal foi motivado por demanda externa requisitória do Ministério Público Federal, objeto do Ofício 1890/2008-PR/ES/GAB/LFM, de 14/05/2008, reportando-se ao Ofício Decic/Gabin nº 2007/229, de 03/08/2007, no qual a autuada foi citada como uma das empresas que, no período de 2003 a 2004, efetuaram remessas ao exterior em pagamento de margem de garantia em Bolsa de Mercadorias no Exterior (hedge), de valores muito relevantes e aparentemente incompatíveis com os volumes de suas operações comerciais, mesmo para empresas de seu porte. Especificamente em relação a ela, constou do referido ofício o que segue: d) O significativo incremento observado nas remessas de hedge em todo o País no 2° e 3° T/2004 (fl. 1078) se deu em razão de apenas 11 operações em nome da ADM do Brasil, correspondentes a US$ 269,3 milhões em 05/2004 e US$ 236 milhões em 07/2004. Esses valores são equivalentes respectivamente a 82% e 73% do total do País em cada trimestre. O total de remessas líquidas naquele titulo da empresa em 2004 (entradas de US$ 70,5 milhões menos saídas de US$ 555,9 milhões), no total de US$ 485,4 milhões, correspondeu a 56% do total do País, e a 38% do total de suas exportações no mesmo ano (fls. 1081/2). [...] Tais informações foram encaminhadas ao Presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras – COAF, em cumprimento ao disposto no artigo 2°, § 6° da Lei Complementar 105, de 11.1.2001, e no artigo 11 do Decreto 2.799, de 08.10.1998, tendo em conta que elas poderiam configurar, em tese, indícios de cometimento de crime tipificado na Lei 9.613, de 3.3.1998. Posteriormente, a Procuradoria da República no Espírito Santo encaminhou aquele documento à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES, requisitando procedimento fiscal para instrução do procedimento investigatório lá em curso. Inicialmente, em 18/05/2009, intimou-se a contribuinte a apresentar, além de documentação fiscal em geral: 03 — Documentação comprobatória das operações de remessa de recursos ao exterior sob a forma de operações de Hedge, durante o ano-calendário de 2004; 04 — Contratos e demais documentos apresentados ao Banco Central para o registro das operações de remessa de Hedge no ano de 2004; 05 — Registros das operações de remessa de Hedge durante o ano de 2004, contabilizados nos Livros DIÁRIO e RAZÃO; 06 — Demonstrativo das operações comerciais protegidas pelas remessas de Hedge durante o ano de 2004; 07 - Contabilização das remessas de Hedge ao final do ano-calendário 2004; 08 — Demonstrativo das variações monetárias ativas e passivas, referentes ao ano-calendário 2004; 09 — Apresentar documentação comprobatória do retorno ao Brasil dos recursos remetidos ao exterior sob a forma de Hedge no ano de 2004; Possivelmente pretendendo atender ao exigido, a contribuinte, depois de pedir e lhe ser concedida prorrogação de prazo, apresentou os elementos de fls. 16/822, por ela assim identificados: 02 — Documentação comprobatória das operações de remessa de recursos ao exterior sob a forma de operações de remessa de Hedge, durante o ano de 2004; 03 — Registro na contabilidade das operações de remessa de Hedge durante o ano de 2004; 04 — Demonstrativo das operações comerciais protegidas pelas remessas de Hedge durante o ano de 2004; 05 — Demonstrativo de variações cambiais ativas e passivas referentes As operações de Hedge no ano de 2004; Com relação ao item 04 acima especificamente, cumpre esclarecer que o volume de documentos que comprovam o lastro da operação de Hedge é enorme, envolvendo Kardex de estoques de silos e fábricas. Neste sentido, disponibilizamos um exemplo desta documentação para fins explicativos e análise, permanecendo à inteira disposição para disponibilizar qualquer documentação suplementar, bem como para fornecer os esclarecimentos suplementares que V. Sa. entenda necessários sobre esse e qualquer outro ponto [...] A referida documentação consiste em: - cópias de 18 (dezoito) contratos de câmbio em favor de ADM TRADING COMPANY, ADM INVESTOR SERVICES INC ou ARCHER DANIELS MIDLAND CO., mas todos declarando como operação SERV DIV-OUT-OP BOLSA MERC EXT-LUCR/PREJ REALIZAD (fls. 16/88); - resumo dos contratos de hedge e conversão para reais (R$) para fins de contabilização, no qual estão individualizadas operações, agrupadas mensalmente, que indicam o produto objeto do contrato, o valor líquido da operação e o valor da perda/ganho em US$, a taxa de conversão e os valores correspondentes em reais, que, somados, equivaleriam aos valores contabilizados, com a apuração de pequenas diferenças mensais. Tais diferenças, ao final de 2004, representam R$ 881.518,26, do total contabilizado de R$ 885.841.836,15 (fls. 89/97); - relatório por contas (matriz e filiais) e fechamentos dos contratos de câmbio com as respectivas perdas/ganhos, em língua estrangeira, aparentemente demonstrando as operações mensalmente realizadas por Archer Daniels Midland Company, em 2004. No primeiro sub-total do relatório de janeiro/2004, são comparados os montantes de 23,956,037.50 e 24,174,250.00, este último identificado, em anotação manuscrita, como valor p/recompra. A diferença entre eles, de 219,212.50 é identificada, também de forma manuscrita, como valor perda/ganho (fls. 98/678); - transcrição dos registros no Razão da conta nº 128116-501 ADM DECATUR EXERC FUTUROS, sob diversos históricos, indicando registros de juros, variação cambial e comissões, e especialmente de operações denominadas FUTUROS CLOSED e HEDGE CHICAGO. O saldo inicial indicado é negativo, no valor de R$ 40.501.120,44, mas segundo informação manuscrita estaria incorreto, pois deveria ser, também, negativo, no valor de R$ 530.905.477,68. O saldo final indicado é negativo, no valor de R$ 476.705.840,19, após lançamentos a débito de R$ 2.769.028.066,62, e a crédito de R$ 2.257.821.105,99. Seguem-se, ainda, registros nas contas nº 423130 CONTR.FUT.ENCERRADOS-HEDGE e 423130-501/502 AJUSTE P. HEDGE CONTR. FUT. FECH, que juntamente com a anterior evidenciam lançamentos a débito de R$ 4.202.856.551,44 e a crédito de R$ 2.799.852.490,36 (fls. 679/708); - posição dos contratos de originação de grãos, apontando mensalmente, para o “produto: soja”, montantes de inventário, que somados a compras em aberto, e reduzidos por vendas “em aberto MI”, “a fixar” e vendas “em aberto ME”, resultam em posição líquida, que é comparada com “posição Chicago” e evidencia valor denominado exposição, que oscila entre valores positivos e negativos. Acompanham esta consolidação outros demonstrativos em língua estrangeira, dos quais possivelmente foram extraídas as parcelas do demonstrativo inicial, relativamente ao mês de junho/2004, pois ali estão destacadas quantidades vinculadas a diferentes portos/entrepostos, correspondentes às apontadas sob as rubricas antes citadas, para determinação do resultado exposição; (fls. 709/713); - posição de contratos de processamento, expressa em demonstrativos em língua estrangeira, os quais iniciam com um consolidado de resultados mensais de janeiro/2004 a março/2005 relativamente a outros produtos, acompanhados por demonstrativos semelhantes individualizados por portos/entrepostos. Tais planilhas apresentam evoluções por 15 (quinze) meses, em 12 (doze) conjuntos de documentos que se iniciam em cada um dos meses de 2004 (fls. 714/811); - demonstrativo das variações cambiais ativas e passivas referentes às operações de hedge no ano de 2004, individualizando operações possivelmente liquidadas em uma mesma data, nas quais foi comparado o valor atualizado segundo a taxa fech com o valor atualizado segundo a taxa pag/rec, de forma a determinar o resultado de variação cambial, individual e total (fls. 812/822). No Termo de Verificação de Infração, a autoridade fiscal assim se manifesta acerca destes documentos: Após análise dos documentos apresentados, verificamos que os relatórios apresentam cálculos corretos dos valores das margens dos contratos futuros das operações de Hedge alegadas pelo contribuinte, porém os referidos documentos não comprovam a efetiva aplicação dos recursos remetidos ao exterior para cobertura das margens dos contratos futuros de commodities, ou seja, não demonstram a transferência dos recursos da ADM em nome da ADM do Brasil para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago. Em 05/07/2009, a autoridade lançadora exigiu outros elementos: 01 — Documentação comprobatória das coberturas das margens dos contratos futuros solicitadas pela Bolsa de Chicago (depósitos ou transferências bancárias, contratos, etc.) relativo ao ano-calendário de 2004 (ADM- EUA); 02 — Contrato(s) relativo(s) ao adiantamento financeiro para cobertura das margens dos contratos futuros, entre a ADM do Brasil e a ADM Holdings LCC (ADM-EUA), relativo(s) ao ano 2004; 03 — Detalhamento das seguintes contas e respectiva contabilidade do ano-calendário 2004: a) Juros Ativos (R$ 480.249.592,51); b) Juros Passivos (R$ 402.340.524,96) e; c) Outras Despesas Financeiras (R$ 82.605.598,21); 04 — Demonstrativo de Cálculo dos Juros e da Variação Cambial escriturados na conta 128116- 501 — ADM DECATUR EXEC FUTUROS do Livro Razão; Após pedir e lhe ser concedida prorrogação de prazo para atendimento a esta intimação, a contribuinte esclareceu que: 01 — Com relação ao item 01 do Termo de Início de Diligência em referência [...], em cumprimento ao requisitado por V. Sa., apresentamos cópias dos comprovantes de transferência bancária (denominados "swifts" conforme linguagem bancaria) — (doc. 3), os quais comprovam a transferência dos recursos financeiros baseados nas posições contratuais da Intimada, resultantes das ordens eletrônicas inseridas em sistema de compras e vendas de posições contratuais de lotes-padrão as quais estão devidamente demonstradas nos extratos, mensais de transações do ano de 2004 já entregue a V. Sas. por ocasião do atendimento ao Termo de Inicio de Diligência n° 251/2009. Além disso, cumpre esclarecer que as obrigações relativas as posições financeiras da Intimada com relação aos seus contratos de hedge são cobertas pela Archer Daniels Midland Company, principal empresa do grupo ADM no mundo, sediada na cidade de Decatur, Estado de Illinois, nos Estados Unidos da América e que, em última instância, detém todas as demais companhias do organograma societário. 02 — No que tange o item 02 do Termo de Início de Diligência em referência [...], esclarecemos que, conforme explicado no item 01 da presente manifestação, a Archer Daniels Midland Company e a Intimada convencionaram que a cobertura das posições financeiras da Intimada é feita pela Archer Daniels Midland Company. O que ocorre é que, com base nos extratos mensais de transações de hedge, a Intimada contabiliza os montantes a pagar ou a receber (dependendo se houve perda ou ganho em suas operações de hedge, respectivamente), fazendo a liquidação financeira das operações conforme o melhor gerenciamento de caixa do grupo. Tal fato pode ser comprovado através da análise da Contabilidade da Intimada e dos documentos apresentados. 03 — Sobre o item 03 do Termo de Inicio de Diligência em referência [...], cumpre-nos esclarecer que, conforme já discutido com V. Sa. em contato telefônico, os valores dos itens "a" e "b" acima (a saber, "Juros Ativos" e "Juros Passivos"), referem-se a Variações Cambiais Ativas e Variações Cambiais Passivas, respectivamente. Sendo assim, conforme entendimento telefônico mantido com V.Sa e dado o imenso volume de documentos que suportam os valores acima., disponibilizamos em anexo o razão contábil das contas (doc. 4) nas quais estes valores foram registrados pela Intimada para que, a vosso critério, seja feita uma seleção dos valores dos quais V.Sa. deseja verificar o detalhamento. Assim, tal como previamente combinado com V.Sa., uma vez nos sejam informados estes valores, providenciaremos a sua respectiva documentação suporte especifica. 04 — Com relação ao item 04 do Termo de Inicio de Diligência em referência [...], apresentamos planilhas suporte (doc. 5) para o cálculo dos juros e da variação cambial desta conta, conforme requisitado. Os mencionados "swifts” estão juntados às fls. 830/856, redigidos em língua estrangeira. Na seqüência, consta o referido demonstrativo de cálculo dos juros e da variação cambial escriturados na conta 128116-501, em sua maior parte em língua estrangeira, mas aparentemente detalhando a composição mensal da conta 15703 e os efeitos da variação da taxa de câmbio entre o mês anterior e o mês atual (fls. 857/860), acompanhado de um outro demonstrativo que faz referência à conta 15702. Disse a autoridade fiscal ao elaborar o Termo de Verificação de Infração: Considerando que os novos documentos apresentados pelo contribuinte também não comprovam a efetiva aplicação dos recursos remetidos ao exterior para cobertura das margens dos contratos futuros de hedge, assim como deixou de apresentar o contrato de adiantamento financeiro para pagamento das margens de garantia, emitimos o Termo de intimação Fiscal n° 295/2009, datado de 03/08/2009 [...] Em 07/08/2009 a contribuinte é cientificada de duas intimações, que exigem a apresentação de: 01 — Documentação comprobatória dos pagamentos das margens de garantia na Bolsa de Chicago (depósitos ou transferências bancarias, contratos, etc.) relativos ao ano-calendário de 2004, efetuados pela Archer Daniel Midland Company para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago, em nome da ADM do Brasil Ltda; 02 — Contrato(s) relativo(s) ao adiantamento financeiro para pagamento das margens de garantia dos contratos futuros, entre a Archer Daniel Midland Company e a ADM do Brasil, para acerto posterior, relativo(s) ao ano 2004;, [...] 01 — Documentação relativa às compras dos contratos futuros de soja e derivados na Bolsa de Mercadoria & Futuros de Chicago, relativos ao ano-calendário de 2004, efetuados pela Archer Daniel Midland Company (em nome da ADM do Brasil Ltda) ou pela ADM do Brasil Ltda; 02 — Extratos da BM&F Chicago com as negociações (compras, vendas e depósitos de margens de garantia) dos contratos futuros em nome da ADM do Brasil, ano calendário 2004. Esclareceu a fiscalizada que: A liquidação das posições financeiras começa com a empresa que faz o papel de membro de compensação com a qual o Grupo ADM trabalha. Esta empresa é a ADM Investor Services, a qual determina os valores de margem positiva ou negativa relativos aos contratos de hedge para todas as empresas do Grupo ADM. Tal cálculo faz parte dos serviços de compensação e corretagem que a ADM Investor Services presta para todos os seus clientes, incluindo tanto empresas do Grupo ADM, como terceiros. Aqui, faz-se importante entender a característica e o papel desempenhado por esta empresa. A ADM Investor Services é um membro de compensação da Bolsa de Valores de Chicago (Chicago Mercantile Exchange — CME), da Bolsa de Mercadorias e Futuros de Chicago (Chicago Board of Trade — CBOT) e de outras bolsas de valores pelo mundo. O papel da ADM Investor Services é similar ao papel de um membro de compensação na BM&FBovespa. Esta designação é importante porque, como um membro de compensação de uma Bolsa, esta é uma entidade financeira altamente regulada, sujeita a regulamentação e supervisão da Commodities Futures Exchange Commission — CFTC — que é um órgão regulador no que tange as Bolsas de Mercadorias e Futuros (commodities) nos Estados Unidos da América e, neste sentido, precisa ser autorizada e licenciada a operar, bem como precisa observar as normas e regulamentações das Bolsas nas quais opera. Tal regulamentação e supervisão é, de uma maneira geral, mais extensa que as que se aplicariam a uma corretora. Isto porque, a exemplo do que ocorre no Brasil com as instituições financeiras que atuam como membros de compensação na BM&FBovespa, como um membro de compensação, a ADM Investor Services mantém contas com corretoras e investidores em commodities, assegura que as transações são executadas e liquidadas de acordo com as regras da Bolsa, calcula e liquida as margens de garantia e emite reportes para pessoas físicas e jurídicas das quais ela mantém conta. Os membros de compensação são plenamente responsáveis pela liquidação das obrigações decorrentes de todas e quaisquer operações a eles atribuídas, bem como pelo recebimento, autenticidade e legitimidade de todos os ativos, garantias e valores a tais operações. Assim, a responsabilidade da ADM Investor Services é de liquidar as operações de todos os seus clientes (sendo que mais de oitenta por cento deles são terceiros que não entidades do grupo ADM) e reportar para a Bolsa. A ADM Investor Services reporta operações de mercado, já que possui um sistema integrado com a Bolsa em tempo real, e paga comissões para a Bolsa com relação às operações de seus clientes. Neste sentido, membros de compensação como a ADM Investor Services são encarregados pela Bolsa com a qual operam, da responsabilidade de executar e assegurar o cumprimento das regras da Bolsa e da CFTC para suas contas, especificamente com relação aos limites impostos, requerimentos de margem de cobertura, garantias, dentre outros. As instruções de pagamento da/para a Archer Daniels Midland Company ou da/para a ADM Investor Services são baseadas nos extratos das operações de hedge já entregues a V. Sa. na resposta ao Termo de Inicio de Diligência n. 251/2009, os quais são a prova das posições contratuais para cada conta e das requisições de margem de cobertura a elas atreladas. As operações detalhadas nestes extratos são rigorosamente controlados e conferidos pela ADM Investor Services como parte de sua função de membro de compensação, pela Archer Daniels Midland Company e, obviamente, pela Intimada como parte de sua conferência para contabilização de suas operações e resultados de hedge, especificamente para garantir que os contratos de hedge estejam registrados corretamente e que se refiram aos ativos pelos quais as operações de hedge da Intimada estejam lastreados. Os resultados nos extratos das operações acima mencionados são emitidos pela ADM Investor Services a fim de reportar todos os ganhos ou perdas nos contratos de hedge. Importante mencionar que as margens de cobertura iniciais para cada contrato são determinadas pela Bolsa de Mercadorias e Futuros de Chicago (Chicago Board of Trade — CBOT). Tal determinação é aplicada pela ADM Investor Services para cada conta por ela gerenciada, a fim de calcular as margens de cobertura relacionadas a cada um dos contratos de hedge de seus clientes, de maneira similar ao que ocorre no Brasil com a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&FBovespa). Importante ressaltar que, assim como na BM&FBovespa no Brasil, é raro que investidores negociem diretamente na Bolsa e, desta forma, não fazem ou recebem pagamentos diretamente da Bolsa e sim por meio das entidades participantes ou dos membros de compensação. Consequentemente, os documentos comprobatórios pedidos por V. Sa. com relação aos pagamentos da Archer Daniels Midland Company para a Bolsa não existem. Quaisquer dos pagamentos relacionados com as operações de hedge contratadas, bem como as obrigações financeiras a elas relacionadas são determinados pelo membro de compensação e com ele devem ser adimplidos. No caso do Grupo ADM, este membro de compensação é a ADM Investor Services. Assim, os pagamentos são, em última instância, feitos para a ADM Investor Services, a qual, por sua vez, interage financeiramente com a Bolsa no seu papel de membro de compensação. Tal resposta foi acompanhada de documentos em língua estrangeira, um deles relacionando várias instituições sob o título Clearing Firms, entre elas a ADM Investor Services Inc., e outro que aparenta referir-se a um cadastro desta mesma empresa (fls. 869/871). Segue-se, então, reprodução parcial do Regulamento da Câmara de Registro, Compensação e Liquidação de Operações de Derivativos BM&F (fls. 873/891) e de material produzido por ABIOVE – Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais, denominado Soja Verde para um Mercado Maduro, divido nos capítulos: o sucesso da expansão de uma cultura, avanços tecnológicos e comerciais, eliminando riscos e responsabilidade das partes nos “contratos de soja verde” (fls. 892/897). Às fls. 898/927 consta Relatório Anual 2004, concernente às operações e resultados da autuada, seguido do Relatório Anual 2008 (fls. 928/943). Na seqüência, constam cópias de publicações do The Wall Street Journal datadas de dezembro de 2004, e reproduções de informações extraídas da Internet no sítio www.cbot.com./cbot/pub/page (Chicago Board of Trade) aparentemente ao final de cada mês de 2004 (fls. 944/999). A análise da autoridade fiscal acerca destes elementos foi assim expressa no Termo de Verificação de Infração: Considerando que o contribuinte informou em sua resposta aos Termos de Intimação Fiscal n° 295/2009 e 296/2009, que "Quaisquer dos pagamentos relacionados com as operações de hedge contratadas, bem como as obrigações financeiras a elas relacionadas são determinados pelo membro de compensação e com ele deve adimplidos. No caso do Grupo ADM, este membro de compensação é a ADM Investor Services, emitimos o Termo de Intimação Fiscal n° 303/2009 [...] Segue-se nova intimação, lavrada em 25/08/2009, exigindo documentação semelhante às anteriormente lavradas, mas agora citando a operadora ADM Investor Services, e não mais a Archer Daniel Midland Company: 1. Documentação comprobatória dos pagamentos das margens de garantia na Bolsa de Chicago (depósitos ou transferências bancárias, contratos, etc.) relativos ao ano-calendário de 2004, efetuados pela ADM Investor Services para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago, em nome da ADM do Brasil Ltda; 2. Documentação relativa às compras dos contratos futuros de soja e derivados na Bolsa de Mercadoria & Futuros de Chicago, relativos ao ano-calendário de 2004, efetuados pela ADM Investor Services, em nome da ADM do Brasil Ltda; 3. Extratos da BM&F Chicago com as negociações (compras, vendas e depósitos de margens de garantia) dos contratos futuros em nome da ADM Investor Services ou ADM do Brasil, ano calendário 2004. Em resposta, disse a contribuinte: [...] vem à presença de V. Sa., em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal em referência, informar que, com relação aos itens 1, 2 e 3 do referido Termo, apresenta correspondência elaborada pelo CME Group (o qual envolve a Bolsa de Valores de Chicago (Chicago Mercantile Exchange — CME), a Bolsa de Mercadorias e Futuros de Chicago (Chicago Board of Trade — CBOT) e a Bolsa de Mercadorias e Futuros de Nova Iorque (New York Mercantile Exchange — NYMEX)), a qual: i) esclarece que a Bolsa de Chicago (CME) não entrega nenhum tipo de extrato ou outro documento informativo diretamente aos titulares das contas gerenciadas pela ADM Investor Services, Inc. (sendo que isso é responsabilidade da própria ADM Investor Services, Inc. na sua função de membro de compensação), atestando a posição de membro de compensação ("clearing member) licenciado e qualificado da ADM Investor Sevices, Inc.; e; ii) atesta que a Bolsa de Chicago (CME) não recebe e não efetua pagamentos diretamente aos titulares de contas gerenciadas pela ADM Investor Services, Inc., referentes às transações efetuadas pela ADM Investor Services, Inc. por conta e ordem destes titulares. Neste sentido, portanto, a Intimada apresenta os documentos abaixo relacionados a fim de comprovar os pagamentos/recebimentos efetuados pela ADM Investor Services, Inc. para a Bolsa de Chicago (CM E). Importante mencionar que, dado o imenso volume de documentos que suportam tais transações financeiras diariamente, a Intimada apresentará um conjunto de documentos exemplificativo da operação, o qual é composto por: 1) Extratos de dois dias úteis em sequência (a saber, 16/12/2004 e 17/12/2004), os quais contêm um sumário de todas as transações efetuadas pelas contas gerenciadas pela ADM Investor Services, Inc (os quais por sua vez incluem as contas da ADM do Brasil); 2) Extrato com o cálculo da variação de margem, emitido pela Bolsa de Chicago (CME), o qual contém o valor a ser pago ou recebido decorrente da variação de um dia para o outro; 3) Comprovantes das transferências bancárias feitas da Bolsa de Chicago (CME) e outras bolsas para a ADM Investor Services, relativas aos valores de variação de margem. A Intimada esclarece que permanece à disposição de V. Sas. para o fornecimento de documentos relativos a quaisquer outras datas que sejam de interesse deste Órgão. Além disso, tendo em vista o volume de documentos, a Intimada requer uma reunião com V. Sas. a fim de explicar a relação entre os documentos. Às fls. 1009/1010 consta documento em língua estrangeira, em papel timbrado de CME Group, acompanhado de tradução juramentada que expressa termos semelhantes aos reproduzidos na resposta da contribuinte à intimação. Na seqüência, estão os demonstrativos de operações de 16 e 17/12/2004, referidos também na resposta (fls. 1011/1023). O documento de fl. 1024 refere-se a um pedido de prorrogação de prazo que teria sido concedido em nossa última reunião. Segue-se, então, demonstrativo denominado Pagamentos efetuados pela ADM Investor Services, Inc. para Bolsa de Chicago (Chicago Mercantile Exchange) relativos às operações do Grupo ADM no ano de 2004, acompanhado de documentos individualizados para cada pagamento (fls. 1025/1483). Há, ainda, documentos que aparentam ser print de telas de sistema mantido por Chicago Board of Trade, com informações em diferentes datas de 2004 (fls. 1484/1495). Assevera a autoridade fiscal, no Termo de Verificação de Infração, que estes elementos foram apresentados em complemento ao Termo de Intimação Fiscal anterior. Na seqüência, depois de solicitar em 07/12/2009 livros fiscais e demonstrações financeiras da autuada (fl. 1498/1499), juntados às fls. 1500/1604, o agente fiscal também anexou os elementos de fls. 1605/1937, que demonstram fluxograma de pagamentos – Grupo ADM, indicação da autuada em 5o lugar no ranking de desempenho de exportadores brasileiros em publicação não identificada, resumo da movimentação financeira das operações de hedge no dia 17-12-2004, seguido de documentos em língua estrangeira que teriam sido emitidos por ADM TRADING COMPANY e aparentam se reportar a operações de 16/12/2004 e 17/12/2004, semelhantes a alguns apresentados no conjunto de elementos que integram as fls. 98/678, intercalados com outros que teriam sido emitidos por ADM Company . Disse a autoridade fiscal no Termo de Verificação de Infração que estes documentos foram entregues pela contribuinte quando de seu comparecimento à DRF em 17/12/2009, com o intuito de explicar mais detalhadamente as operações de hedge efetuadas. Em 11/12/2009 a autoridade lançadora intimou a contribuinte a apresentar Relatório com a discriminação da Conta 128116 — ADM DECATUR EXEC FUTUROS, informando a totalização dos valores que são transferidos para Resultado do Exercício e quais valores seguem para as contas patrimoniais. Exigiu que o relatório fosse separado por Contratos Fechados Hedge; Variação Cambial; Juros s/ execução de futuros; Comissões e; Outros (fl. 1938). A resposta da contribuinte indica: Valores em R$ DESCRIÇÃODÉBITO/(CRÉDITO)CONTRAPARTIDA SALDO INICIAL (530.905.477,68)N/A RESULTADOS CONTRATOS FECHADOS (885.075.593,48)423130 VARIAÇÃO CAMBIAL(90.893.868,32)744100-524 JUROS(11.237.721,23)709400 CORRETAGEM E COMISSÃO(1.547.712,38)405170 OUTROS (56,42)124746-501/616075 PAGAMENTOS/RECEBIMENTOS1.505.961.912,45BANCOS SALDO FINAL(13.698.517,05) Às fls. 1940/2019 consta demonstrativo aparentemente elaborado pela autoridade lançadora, que reproduz lançamentos do Razão da conta ADM DECATUR EXEC FUTUROS, bem como da conta Ajuste Hedge Contr. Fut. Fech., e demonstra a transferência de valores para o resultado do exercício, no valor total de R$ 380.940.696,59 a crédito e de R$ 1.266.737.797,04, resultando em saldo devedor do resultado – dez/2004 no valor de R$ 885.797.100,45. Após reprodução da DIPJ e das DCTF do ano-calendário 2004, segue-se o Termo de Verificação de Infração, no qual a autoridade lançadora conclui que o contribuinte não comprovou a aplicação dos recursos enviados ao exterior para pagamento das coberturas das margens dos contratos de hedge, de modo que foram glosados os custos e despesas referentes a estas operações. A autoridade lançadora, ante a possibilidade aventada pelo Banco Central do Brasil de que as operações da autuada poderiam configurar, em tese, indícios de cometimento de crime tipificado na Lei 9.613/98, e tendo em conta os contratos de câmbio por ela apresentados – os quais, considerando entradas e saídas de recursos, resultaram em remessas líquidas de US$ 485.402.679,44, ou R$ 1.505.663.764,05, em 2004 –, constatou o que segue: • A ADM do Brasil enviou recursos para o exterior, sendo que parte para a ADM Company (empresa principal do grupo ADM - Remessas de R$ 724.163.604,31) e parte para a ADM Investor Services (empresa de investimentos do grupo ADM - Remessas de R$ 781.500.159,74). Conforme detalhado acima verificamos que somente 51,90 % dos recursos remetidos ao exterior são destinados diretamente à empresa de Investimentos do grupo, ADM Investor Services, sendo 48,10 % dos recursos enviados a ADM Company (empresa holding do grupo ADM); • Considerando que a empresa remetente dos recursos (ADM do Brasil), as empresas recebedoras dos recursos (ADM Company e ADM Investor Services) e a empresa que aplica os recursos nas Bolsas de Mercadorias (ADM Investor Services) são todas do grupo ADM, somado ao fato da não existência de contratos comerciais sobre adiantamento de margens de garantia entre estas empresas, nos remete a facilidade para manipulação de operações, relatórios e contabilidade das mesmas; • O contribuinte criou em sua escrituração a conta 128116-501 - ADM DECATUR EXEC FUTUROS, que utiliza como uma conta corrente entre a ADM do Brasil e a ADM Company (ADM DECATUR), para acompanhamento do saldo devedor/credor da ADM do Brasil com a ADM Company, visto que a ADM Company adianta recursos para pagamento de margens de garantia para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago (fls. 679/708). O contribuinte informou que "com base nos extratos mensais de transações de hedge, a intimada contabiliza os montantes a pagar ou a receber (dependendo se houve perda ou ganho em suas operações de hedge, respectivamente), fazendo a liquidação financeira das operações conforme o melhor gerenciamento de caixa do grupo" (fls. 679/708 e 828); • O contribuinte entregou uma enorme gama de documentos com o objetivo de comprovar a aplicação dos recursos em operações de hedge dos contratos futuros de soja e derivados (Contratos de Cambio, Relatório por contas dos fechamentos dos contratos de cambio com as respectivas perdas/ganhos, Livro Razão - Conta ADM DECATUR EXEC FUTUROS - Contabilidade dos adiantamentos das margens pela ADM Company e remessas de recursos, Posição dos Contratos de Originação de Grãos, Posição de Contratos de Processamento - Cálculo de Exposições, Comprovantes de transferência bancária - Swifts, Relatórios informando que a ADM Investor Services é membro de compensação da Bolsa de Valores de Chicago, Regulamento da Câmara de Registro, Compensação e Liquidação de Operações BM&F, Livreto da ABIOVE - Soja Verde para um Mercado Maduro, Relatório Anual 2004 - ADM Company - O Vinculo Essencial, Relatório Anual 2008 - ADM Company - Vital para o Mundo, Cotações de Soja e derivados - The Wall Street Journal, Chicago Board of Trade - Soja e Derivados, Extrato com o calculo da variação de margem emitido pela Bolsa de Chicago, Relatório dos Pagamentos Efetuados pela ADM Investor Services Inc. para a Bolsa de Chicago e respectivas transferências, e Relatórios diários dos preços dos contratos futuros) porém nenhum destes documentos comprova a efetiva aplicação dos recursos transferidos ao exterior pela ADM do Brasil na operação de Hedge alegada pelo contribuinte, isto é, nenhum deles apresenta a transferência de recursos da ADM Investor Services, em nome da ADM do Brasil, para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago; • O relatório dos pagamentos efetuados pela ADM Investor Services para a Bolsa de Chicago e seus respectivos comprovantes de transferência de recursos, referem-se conta NSEG CLR PB 905- ADM Investor Services (fls. 1025/1483), isto é, não identifica de que grupo de empresas ou empresa se refere à transferência, de forma que entendemos que estas transferências de margem se referem a todas as contas administradas pela ADM Investor Services, inclusive de terceiros que correspondem a mais de 80% de suas operações (conforme resposta do contribuinte aos termos 295 e 296/2009 - fls. 867); • Abaixo apresentamos um quadro comparativo do faturamento, deposito de margens e índices sobre a ADM Investor Services, ADM Company (matriz - EUA) e ADM do Brasil:   ADM Investor Services ADM Company ADM do Brasil Faturamento (US$ Mil)   36.151.394,00 1.962.367,00 Depósito de Margens (US$ Mil) 2.266.122,70 453.224,54 485.402,68 Índice % (Dep. Marg./Fatur.)   1,25% 24,73% Obs: 1) O faturamento da ADM Company foi retirado do Relatório Anual 2004 — O Vinculo Essencial (fls. 899); 2) A Receita Bruta (consideramos o faturamento) da ADM do Brasil foi de R$ 5.739.728.506,82, conforme valores declarados em Balancete e DIPJ (fls. xx/xx), isto equivale a US$ 1.962.367.433,70, considerando o dólar médio anual de 2,9249 (fonte BCB-DEPEC); 3) O deposito de Margens da ADM Investor Services foi retirado do relatório "Pagamentos efetuados pela ADM Investor Services para a Bolsa de Chicago - ano 2004". (fls. 1025/1030); 4) O Deposito de Margens da ADM Company foi considerado 20% do Deposito de Margens da ADM Investor Services (mais de 80% são das operações são de terceiros, conforme resposta do contribuinte aos termos 295 e 296/2009 — fls. 867); 5) O Deposito de Margens da ADM do Brasil foi considerado o somatório liquido das remessas/recebimentos de divisas enviados/recebidos pela ADM do Brasil ao exterior no ano de 2004, em virtude da cobertura de margens de contratos futuros de hedge (fls. 17/89). • Conforme observamos no quadro acima, o contribuinte (ADM do Brasil), informa que remeteu ao exterior sob forma de contratos futuros de hedge, 24,73% do seu faturamento, enquanto que a ADM Company, empresa holding que atua no mesmo ramo de atividade, aplica apenas 1,25% do faturamento de suas empresas para cobertura de margens de garantia de hedge. Analisando os índices, verificamos uma grande divergência, corroborando para o entendimento de que não houve de fato a aplicação dos recursos nas operações de hedge alegadas pelo contribuinte. • Durante análise da escrituração eletrônica da empresa ADM do Brasil, verificamos que a conta 128116 - ADM DECATUR EXEC FUTUROS, onde estão escrituradas a "conta-corrente" entre a ADM do Brasil e ADM Company (operações de adiantamento de Hedge) e operações de remessas/recebimentos de câmbio relativos ao Hedge, inicia o ano de 2004 com um saldo credor de R$ 530.905.477,65 (Hedge relativos aos anos anteriores), restando um saldo credor final de R$ 13.698.517,05 (anos posteriores). Diante destes dados, podemos concluir que a diferença entre os saldos, no valor de R$ 517.206.960,60, não se refere ao ano calendário de 2004, não sendo apurados no resultado deste exercício (fls. 1940/1994); • A ADM do Brasil escritura em seus livros as operações de hedge de contratos futuros como Custo de Mercadorias Vendidas (vide Livro Razão - conta "423130 - Ajuste Hedge Contr. Fut. Fech." - fls. 1995/2019) e a variação cambial, os juros e as comissões como despesas (entendemos como despesas acessórias as operações de Hedge). Estes custos e despesas serão glosados pois não houve sua efetiva comprovação, e conseqüentemente será levantada nova base de calculo (Lucro Real) para apuração do Imposto de Renda e Contribuição Social. A autoridade lançadora também fez ponderações específicas quanto à determinação dos valores lançados: 4. INFRAÇÕES APURADAS - -OMISSÃO DE RECEITAS 4.1 - GLOSA DE CUSTOS Verificamos na contabilidade eletrônica da empresa que os valores informados como pagamentos de margens de garantia de contratos futuros de Hedge fechados foram contabilizados na conta "423130 - Ajuste Hedge Contratos Futuros Fechados", levada como Custo da Mercadoria Vendida no encerramento do exercício. Considerando a falta de comprovação da transferência de recursos em nome da ADM do Brasil para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago, estes custos serão glosados e será refeita a apuração do resultado do exercício. O valor apurado como Custo de Mercadoria Vendida, relativo ao Hedge informado, é de R$ 885.797.100,45 (oitocentos e oitenta e cinco milhões e setecentos e noventa e sete mil, cem reais e quarenta e cinco centavos), conforme Livro Razão, conta 423130 e balancete as fls. 1530 e 1995/2019. A glosa de custos tem sua fundamentação legal nos artigos 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 289, 290, inciso I, 292, 300 e 396 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). 4.2 — GLOSA DE DESPESAS As despesas acessórias com as operações de Hedge (variação cambial, juros e comissões), contabilizadas na conta "128116-501 — ADM DECATUR EXEC FUTUROS", foram utilizadas como deduções na demonstração do resultado do exercício. Considerando a falta de comprovação da transferência de recursos em nome da ADM do Brasil para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago, isto é, que os pagamentos das margens de garantia dos contratos futuros de hedge fechados não foram comprovados (principal), conclui-se que as despesas acessórias (juros, variação cambial e comissões relativas a estas operações) também não foram comprovadas, de forma que estas despesas serão glosadas e será refeita a apuração do resultado do exercício. O valor apurado como despesas acessórias com atividades de Hedge foi de R$ 102.659.703,00 (cento e dois milhões, seiscentos e cinqüenta e nove mil, setecentos e três reais), calculado da seguinte: Histórico Valor Remessas de Divisas ao Exterior - Hedge — Vide Constatações 1.505.663.764,05 (-) Saldo Inicial da Conta 128116-501 — ADM DECATUR 530.905.477,65 (+) Saldo Final da Conta 128116-501 -ADM DECATUR 13.698.517,05 (-) Custos da Operação de Hedge — Conta 423130— item 4.1 do Termo 885.797.100,45 Total de Despesas Acessórias (variação cambial, juros e comissões) 102.659.703,00 Obs: 1) Vide cálculos apresentados pelo contribuinte (fls. 1939) que serviram como base, pois são valores bem próximos aos utilizados e utilizam a mesma regra de calculo. 2) Utilizamos os valores declarados nos documentos entregues, livros fiscais e balancete (fls. 17/89, 1530, 1940/1994 e 1995/2019). A glosa de despesas tem sua fundamentação legal nos artigos 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299, 300 e 396, do RIR/99.do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). 5. FORMA DE TRIBUTAÇÃO, ALÍQUOTAS E BASE DE CALCULO. No caso em questão, o contribuinte submete-se às regras de apuração do IRPJ e da CSL pelas regras do LUCRO REAL conforme sua declaração de IRPJ (fls. 2020/2079). Conforme verificado no Demonstrativo do Resultado e Ajustes do Lucro Liquido (DIPJ e LALUR— fls. 2020/2079 e 1552/1599), verificamos que após as receitas e custos escriturados pelo contribuinte, o mesmo obteve Lucro Real ao final do exercício, Lucro este que após as glosas efetuadas pela fiscalização mencionadas no decorrer do relatório, será recalculado conforme abaixo demonstrado: Demonstração do Resultado Discriminação Valor apurado pelo contribuinte Valor Apurado pela fiscalização (após glosas) Receita Liquida da Atividade 5.527.847.817,83 5.527.847.817,83 (-) Custo das Mercadorias e Serviços Vendidos (1) -5.327.012.457,69 -4.441.215.357,24 Lucro Bruto 200.835.360,14 1.086.632.460,59 (-) Despesas / (+) Receitas Operacionais (2) -242.285.581,20 -139.625.878,20 Lucro Operacional -41.450.221,06 947.006.582,39 (+) Receitas / (-) Despesas Não Operacionais 174.563,51 174.563,51 Resultado do Período -41.275.657,55 947.181.145,90 (+) Adições / (-) Exclusões (3) 207.804.771,90 207.804.771,90 Lucro Real antes da Compensação de Prejuízos 166.529.114,35 1.154.985.917,80 (-) Compensação de Prejuízos -49.958.734,30 -49.958.734,30 Lucro Real/Prejuízo Fiscal 116.570.380,04 1.105.027.183,49 Obs: (1) Os custos das mercadorias relativos aos contratos de hedge fechados, no valor de R$ 885.797.100,45, foram glosados pela fiscalização; (2) As despesas da variação cambial realizada, juros e comissões, relativas aos contratos de Hedge fechados, no valor de R$ 102.659.703,00, foram glosadas pela fiscalização; (3) As despesas de variação cambial não alteram as adições/exclusões, pois já foram realizadas quando do fechamento dos contratos de hedge; Cientificada do lançamento em 29/12/2009, a contribuinte apresentou impugnação estruturada sob os seguintes tópicos: CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES SOBRE A IMPUGNANTE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO EM DECORRÊNCIA DA NÃO OBSERVÂNCIA DA POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DOS TRIBUTOS DECORRENTES DE OPERAÇÕES DE HEDGE REALIZADAS NO EXTERIOR NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO EM DECORRÊNCIA DA OBRIGATORIEDADE DE O D. AGENTE FISCAL CONSIDERAR AS ANTECIPAÇÕES DE IRPJ E CSLL REALIZADAS NO DECORRER DO ANO-CALENDÁRIO NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR CONTA DA INSUBSISTÊNCIA DA AUTUAÇÃO FISCAL – FALTA DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL E DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL NULIDADE DE PARTE DA AUTUAÇÃO FISCAL PELA FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS PARA A DEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS COM JUROS E COMISSÕES, BEM COMO DAS VARIAÇÕES CAMBIAIS INCORRIDAS PELA IMPUGNANTE – NECESSIDADE, NORMALIDADE E USUALIDADE DO MÉRITO 1 – DAS OPERAÇÕES DE HEDGE REALIZADAS PELA IMPUGNANTE – DA INCONGRUÊNCIA DOS DADOS DO BACEN – DO QUADRO COMPARATIVO ELABORADO PELO D. AGENTE FISCAL – DA INSUBSISTÊNCIA DO OBJETO DA AUTUAÇÃO – DAS OPERAÇÕES DE HEDGE PRATICADAS PELA IMPUGNANTE 2 – DA DEDUÇÃO DE DESPESAS USUAIS E NECESSÁRIAS 3 – AD ARGUMENTANDUM – DA DEDUTIBILIDADE DAS PERDAS AUFERIDAS EM OPERAÇÕES DE HEDGE REALIZADAS NO EXTERIOR, AINDA QUE NÃO FOSSEM CONSIDERADAS OPERAÇÕES REALIZADAS EM BOLSA 4 – DA ILEGALIDADE DA INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO: A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que: A arguição de nulidade do lançamento não deve prosperar, porque não se vislumbra, no presente caso, qualquer óbice que determine a precariedade dos lançamentos realizados pelo Fisco, uma vez que foram realizados nos moldes estabelecidos pelo Código Tributário Nacional, não se configurando qualquer violação ao que o mencionado diploma legal dispõe e, tampouco, ao artigo 59 do Decreto n° 70.235/1972. Os Autos de Infração foram lavrados por autoridade administrativa plenamente vinculada, respeitando os devidos procedimentos fiscais, previstos na legislação, e com a correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, além do que a descrição dos fatos e as provas juntadas ao processo permitem esclarecer a causa das autuações, bem como toda a sistemática aplicável à constituição dos créditos tributários e, por sua vez, a argumentação desenvolvida pela interessada na peça impugnatória permite concluir que o motivo das autuações foi compreendido, tanto que contestado. Quanto às alegações da não observância do procedimento previsto no Parecer Normativo nº 02/1996 no tocante à postergação de pagamentos, da ausência de dedução dos recolhimentos efetuados pela interessada a titulo de antecipações no ano-calendário de 2004 na apuração da base tributável e de equívocos cometidos pelo D. Agente Fiscal na apuração dos tributos supostamente devidos esclareceu que elas seriam oportunamente abordadas, visto se tratarem de questão de mérito, não ensejando, deste modo, nulidade dos referidos lançamentos. No mérito, embora reconhecendo que a interessada entregou uma enorme gama de documentos com o objetivo de comprovar a aplicação dos recursos em operações de hedge dos contratos futuros de soja e derivados, observou que as glosas foram promovidas porque entendeu a fiscalização que nenhum deles comprovou a efetiva aplicação dos recursos transferidos ao exterior pela ADM do Brasil na operação de hedge alegada, para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago. E, tratando-se de matéria de prova, invocou o disposto nos art. 251, parágrafo único, 264 e 396, todos do RIR/99, no sentido de que os resultados líquidos de operações de cobertura em Bolsa no Exterior realizados diretamente pela empresa brasileira devem ser comprovadas por documentação hábil e idônea (incluindo a demonstração de que foram realizadas pela empresa brasileira). Declarou impertinentes as alegações relativas à dedutibilidade dos referidos custos tendo em vista a necessidade, usualidade e normalidade dos mesmos bem como das alegações relativas à dedutibilidade das perdas auferidas em operações de hedge realizadas no exterior, ainda que não fossem consideradas operações realizadas em Bolsa, e afastou a aplicação do Parecer Normativo n° 2/96 uma vez que não foi verificada inobservância de regime de competência na escrituração de receitas, custos ou despesas. Centrando-se na lide propriamente dita, asseverou que a interessada não logrou comprovar, nem durante o procedimento de fiscalização, nem na impugnação, momento propício para contraditar, com documentos hábeis e idôneos, a transferência de recursos da ADM Investor Services, em nome da ADM do Brasil, para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago, e declarou válida a glosa promovida. Desmereceu a afirmação de que "não é possível fazer a demonstração dos pagamentos feitos pela impugnante a Bolsa de Chicago", pois, em se tratando de custos, que têm o condão de reduzir o lucro liquido do exercício e, conseqüentemente, o crédito tributário devido, é seu o ônus de provar a sua existência. Citou doutrina neste sentido. Quanto à afirmação de que as operações estariam devidamente registradas na contabilidade, salientou que a credibilidade dos assentamentos contábeis não se operacionaliza pelo simples fato de tê-los apenas na conformidade da técnica mas, também, se funda nos Princípios e Convenções que norteiam a Ciência Contábil, especialmente os da Continuidade, Oportunidade, Competência e da Consistência, o que exige disponibilização da documentação hábil, idônea que resguarda a escrituração. Citou jurisprudência administrativa neste sentido e frisou o fato de o procedimento fiscal ter decorrido de demanda externa requisitória solicitada pelo Ministério Público Federal e Banco Central do Brasil, muito embora a infração tenha decorrido da falta de atendimento às intimações e reintimações feitas à empresa para que prestasse esclarecimentos acerca das remessas de divisas ao exterior em pagamento a cobertura de margens de contratos futuros de soja e seus derivados, solicitada pela Bolsa de Mercadorias de Chicago, em virtude das operações de hedge de commodities agrícolas. Quanto aos contratos de câmbio apresentados, destacou que não obstante a afirmação de que a conta-corrente indicada para crédito nos contratos de câmbio (fl. 17/89) ser a mesma, tem-se como destinatários dos recursos a ADM Company e ADM Investor Services, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal. Registrou que inconsistências no quadro elaborado pela Fiscalização não maculam o lançamento. E, quanto aos valores relativos à variação cambial, juros e comissões, ratifica-se correta a glosa dos mesmos, pois, como não restaram comprovados os pagamentos de margens de garantia de contratos futuros de hedge fechados, as despesas acessórias também não estão confirmadas, devendo receber necessariamente o mesmo tratamento tributário. Frisou tratar-se de interpretação sistemática das normas jurídicas disciplinadoras da dedutibilidade das despesas para efeitos fiscais. Declarou insuficientes as tabelas acostadas aos autos na impugnação intituladas Doc. 10-a, Doc. 10-b e Doc. 10-c elaboradas pela própria interessada, sem a apresentação de sua escrituração fiscal/contábil (inclusive livro LALUR) e dos documentos pertinentes, para prova da alegada adição de parte das variações cambiais glosadas. Quanto à apuração dos tributos lançados, tendo em conta o que informado pela contribuinte em DIPJ, e o demonstrativo apresentado pela Fiscalização, assevera que foi efetuado recalculo do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL relativos ao ano-calendário de 2004, sendo considerados como valor tributável somente a infração no valor de R$ 988.456.803,45, que corresponde à diferença entre os valores apurados pela fiscalização e os valores informados pela interessada em sua DIPJ. Acrescentou que não houve erro no cálculo do limite do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL utilizados, pois segundo informações do Sistema SAPLI/RFB (Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais — fl. 2681/2685) e do Sistema SACS/RFB (Demonstrativo da Base de Cálculo Negativa da CSLL — fl. 2686/2687) e na DIPJ 2009/2008 (fl. 2735), os saldos existentes em 2004 foram integralmente utilizados em períodos subseqüentes. Ainda, observou que não foi considerada a dedução do valor de R$ 240.000,00 quando do cálculo do adicional de 10%, pois esse somente pode ser utilizado uma única vez. E, relativamente às antecipações de IRPJ e CSLL declaradas na DIPJ 2005/2004, constatou que seus valores foram utilizados para quitar o valor de IRPJ devido declarado de R$ 29.118.595,02 e o saldo negativo apurado no valor de R$ 108.620.949,89 foi objeto de diversas DCOMP, conforme Relatório do Sistema PER/DCOMP/SIEF/RFB (fl. 2688/2689); o mesmo ocorrendo com as antecipações de CSLL. Afastou a aplicação da Solução de Consulta Interna n° 23, de 21 de dezembro de 2006, vez que foi lançada, como já visto, a diferença entre os tributos apurados após as glosas e os declarados. Por fim, declarou válida a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Cientificada da decisão de primeira instância em 09/11/2010 (fl. 2765), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 08/12/2010 (fls. 2768/2848), acompanhado dos documentos de fls. (2847/2876), no qual reprisa os argumentos apresentados na impugnação. Antes, porém, descreve o papel da recorrente em seu ramo de atividade, destacando que o grupo do qual faz parte (Archer Daniels Midland, com sede em Decatur, Estado de Illinois, EUA) ser líder mundial no desenvolvimento responsável e sustentável da agricultar e bionergia, atuando desde 1923 e contando com mais de 28.000 colaboradores em 60 países. A subsidiária no Brasil, por sua vez, é responsável pela comercialização de mais de 9 milhões de toneladas de sementes de oleaginosas, milho e trigo por ano, contando com 73 filiais e 3.000 funcionários, movimentando mais de 65% do total de soja produzido no Brasil, juntamente com outras três empresas (Bunge, Cargil e Dreyfus), processando 3,5 milhões de toneladas de soja por meio de suas quatro fábricas no Brasil, e atuando, também, nos ramos de fabricação e comercialização de fertilizantes, biodiesel e álcool extraído de cana-de-açúcar. Reputa necessárias estas considerações para demonstrar o volume de commodities regularmente negociado pelo Grupo ADM, inclusive a Recorrente, bem como a necessidade de uma estrutura dedicada para operar o grande volume de operações de hedge. Reitera a arguição de nulidade do lançamento porque (a) não foi observado o procedimento previsto no artigo 273 do Regulamento do Imposto sobre a Renda de 1999, no tocante à postergação de pagamentos; (b) na apuração da base tributável, não se procedeu à dedução dos recolhimentos efetuados pela Recorrente a titulo de antecipação no ano-calendário de 2004, em conformidade com Solução de Consulta Interna n° 23/06; e (c) foram cometidos diversos outros equívocos pelo D. Agente Fiscal na apuração dos tributos supostamente devidos. Afirma a ocorrência de postergação em razão da tributação de lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior pelas pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil (art. 25 da Lei nº 9.249/95 e art. 21 da Medida Provisória nº 1.858/99), relativamente à qual inexiste qualquer restrição à compensação de prejuízos ou perdas em operações realizadas no exterior com lucros lá auferidos, como bem expressa o art. 7o, inciso II da Instrução Normativa SRF nº 633/2006, em consonância com o art. 76, §§ 4o e 5o da Lei nº 8.981/95. Em conseqüência, os resultados líquidos negativos apurados em operações realizadas no exterior, que não se enquadrem como operações de cobertura (hedge) realizadas diretamente em bolsa de valores, poderão ser utilizados para absorção de resultados líquidos positivos apurados em exercícios subseqüentes. Entende que ofende o conceito de renda e lucro não se permitir a utlização de prejuízos e perdas apuradas em operações realizadas no exterior em determinado ano-calendário para a absorção de resultados líquidos positivos apurados em exercícios posteriores, motivo pelo qual é inadmissível a exigência de tributos sobre a glosa de R$ 885.797.100,45, uma vez que esse valor, ou ao menos parte dele, já foi oferecido à tributação, já no ano-calendário seguinte. Nos termos do art. 273 do RIR/99, quando o contribuinte computar na apuração do lucro real uma dedução que apenas poderia ocorrer em período-base futuro, aplica-se a regra relativa à postergação do pagamento. Nulo é o lançamento em razão de erro no critério jurídico adotado, pois, nesses casos, o lançamento de eventual diferença deve ser feito pelo valor liquido, compensando-se o valor do pagamento realizado em outro exercício ao que o contribuinte tinha direito. Cita jurisprudência administrativa neste sentido. Frisa que o lançamento foi formalizado porque no entendimento do D. Agente Fiscal, e que foi mantido pela decisão da DRJ/RJ, tal resultado negativo não poderia ter sido deduzido para fins de apuração do IRPJ e da CSLL no ano-calendário de 2004, mas apenas e tão somente utilizado na absorção de resultado positivo apurado no ano-calendário subseqüente (2005). Indica o documento nº 2, juntado à impugnação, como prova de que no ano-calendário subseqüente (2005), embora a Recorrente tenha apurado resultado positivo em operações realizadas no exterior, ela não mais possuía nenhum resultado liquido negativo apurado em período anterior, de forma que não houve qualquer redução dos resultados positivos apurados no ano de 2005, bem como traz quadros comparativos, em seu recurso, para demonstrar os efeitos do pagamento postergado alegado. Reporta-se aos documentos nº 3 e 4, juntados à impugnação, que provariam os pagamentos efetuados em 2005, e reafirma a aplicação do Parecer Normativo COSIT nº 2/96. Esclarece que o erro no critério jurídico utilizado pela autoridade lançadora enseja a nulidade do lançamento, ao contrário de um simples erro de fato. No que tange à nulidade decorrente da desconsideração das antecipações realizadas no ano-calendário 2004, destaca que a constituição da obrigação tributária somente pode ser feita em estrita conformidade com o que está disposto em lei, e esta prescreve que as antecipações devem ser deduzidas ao final do período de apuração correspondente, para fins de determinação do tributo devido. Afirma novamente que há erro de direito, ou erro no critério jurídico utilizado, pois a autoridade lançadora deixou de observar o que determina a lei para fins de apuração do quantum debeatur de IRPJ e CSLL na sistemática do lucro real anual. Demonstra que, admitindo as antecipações de 2004, o IRPJ devido seria reduzido de R$ 247.114.200,86 para R$ 80.097.506,33, e a CSLL de R$ 88.961.112,31 para R$ 28.637.099,64. Especifica a forma de quitação das estimativas apontadas para aquele ano-calendário, e conclui que o lançamento carece de elemento essencial, qual seja, seu motivo. Opõe-se à cogitação de que a compensação das antecipações de IRPJ e de CSLL realizadas no decorrer do ano-calendário com os tributos apurados no final do período seriam mera faculdade conferida aos contribuintes, invocando o entendimento firmado na Solução de Consulta Interna COSIT nº 23/2006 e discordando da interpretação que lhe foi dada na decisão recorrida. Defende que naquele ato determinou-se, para toda e qualquer constituição de ofício de IRPJ e CSLL, a dedução das retenções na fonte ou antecipações referentes às receitas compreendidas na apuração, entendimento também refletido no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 58/94 e em acórdãos administrativos que cita. Alerta que a manutenção da autuação fiscal, com redução, apenas, do montante exigido por meio da dedução de estimativas, consiste alteração no critério jurídico do lançamento, e é vedado pelo art. 146 do CTN. Por fim, no que tange à nulidade decorrente da falta de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, aduz que o lançamento exige prévio levantamento e o exame completo de toda a documentação relativa à apuração do IRPJ e da CSLL, ao passo que a autoridade lançadora optou por proceder ao lançamento com base tão somente nos valores dos custos e despesas por eles glosados, sem apurar efetivamente o lucro real e a base de cálculo da CSLL. Claro está nos autos de infração que os valores exigidos correspondem exatamente à aplicação do percentual de 34% (25% de IRPJ e 9% de CSLL) sobre os custos e despesas glosados, desconsiderando as antecipações, o limite de isenção do adicional do IRPJ e a possibilidade de maior compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, ante o incremento das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Discorda da argumentação da autoridade julgadora de 1a instância quanto à indisponibilidade das antecipações, já utilizadas em compensação, reafirmando o dever da autoridade fiscal de recalcular todo o lucro real e toda a base de cálculo da CSLL da Recorrente. Da mesma forma reporta-se à impossibilidade de compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas aventada na decisão recorrida, acrescentando que caso fosse o necessário, deveria a Fiscalização, posteriormente, autuar a Recorrente nos anos-calendário de 2005 e 2006 para a cobrança de IRPJ e CSLL devidos em razão da inexistência de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL. Ressalta, por fim, que não pode esse Egrégio Conselho, tampouco a autoridade lançadora, realizar o cálculo correto dos tributos lavrados, a pretexto de corrigir o lançamento fiscal. Caso assim proceda, estará realizando a atividade de lançamento, o que é vedado pela legislação vigente. Cita jurisprudência administrativa neste sentido e conclui pedindo que seja declarada a nulidade dos autos de infração. Ainda argüindo a nulidade do lançamento, mas agora apenas no que tange à glosa de juros, comissões e variações cambiais, discorda da conclusão fiscal de que tais despesas seriam acessórias às despesas de hedge e, portanto, indedutíveis, sem qualquer análise da aplicação da regra de dedutibilidade cabível. Cita o art. 299 do RIR/99 e o Parecer Normativo CST nº 32/81 para expressar o seu entendimento sobre o que é uma despesa necessária e usual, concluindo depois que só seria possível glosar a dedutibilidade de tais despesas para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL da Recorrente, caso a Fiscalização comprovasse que elas não preenchem os requisitos previstos no artigo 299 do RIR/99, o que todavia, não foi feito. Assevera que as operações e as margens de cobertura foram verificadas e atestadas pela própria Fiscalização, e a alegação de não terem sido efetuadas em bolsa não afeta a dedutibilidade dos demais encargos, especialmente em relação às variações cambiais que são despesas incorridas no País. Como eram necessárias as operações de cobertura, lícita é a dedução dos juros, comissões e variações cambiais. Especialmente em relação às variações cambiais, destaca que a fiscalização valeu-se apenas da “acessoriedade” das despesas para a glosa, sem ter em conta o momentum da liquidação das operações de hedge praticadas, em consonância com o regime de caixa imposto pelo art. 30 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, para tributação destes valores. Acrescenta que adicionou ao lucro real e à base de cálculo da CSLL o montante de R$ 38.561.164,02 do total de variações cambiais glosadas pela Fiscalização. Finaliza seu pedido de declaração de nulidade do lançamento aduzindo: Ora, se uma simples indagação à Recorrente no curso do processo de fiscalização ou, então, breve folheada no Livro de Apuração do Lucro Real seria suficiente para afastar a tributação das despesas com juros, comissões e variações cambiais incorridas pela Recorrente, não se pode afirmar, com consciência tranquila, que houve observância ao art. 142 do CTN e aos bons princípios da administração publica. Pretende, também, a declaração de nulidade da decisão recorrida, uma vez que deixou de apreciar todas as razões de defesa suscitadas pela Recorrente. Relaciona os tópicos de sua defesa, aduz que os julgadores de 1a instância limitaram-se a se manifestar, vagamente, sobre alguns pontos levantados na impugnação, e aponta, a título de exemplo, que ante a longa argumentação acerca da nulidade do auto de infração em razão da não observância da postergação do pagamento dos tributos decorrentes de operações de hedge realizadas no exterior, a autoridade julgadora não se manifestou acerca dos argumentos ventilados na defesa, tais como aplicabilidade do artigo 273 do RIR no presente caso, ocorrência de erro material, dentre outros. No mérito, desde o início de sua defesa questiona a exigência de extrato emitido pela Bolsa de Chicago acerca de operações de hedge ali efetuada em nome da Recorrente, pois referido documento não existe e não pode ser obtido dada a sistemática de funcionamento daquela instituição. Destaca a apresentação de farta e robusta documentação plenamente hábil a comprovar que suas operações de hedge foram contratadas em bolsa no exterior, por ela assim resumidos: • Extratos das operações de hedge efetuadas. pela Recorrente, que contém todas as informações das operações efetuadas (fls. 98 a 678); • Razão contábil da conta ADM DECATUR EXEC FUTUROS mantida pela Recorrente, que atesta as movimentações das operações de hedge efetuadas (fls. 679 a 708); • Contratos de câmbio comprobatórios das remessas e recebimentos relativas As operações de hedge da Recorrente (fls. 16 a 89); • Relatório dos pagamentos efetuados pela ADM Financeira para a Bolsa de Chicago e respectivas transferências (fls. 1017 a 1030); • Extrato diário com o cálculo da variação de margem emitido pela Bolsa de Chicago (fls. 1025 a 1483); Ademais, como a autoridade fiscal reconheceu que "os relatórios apresentam cálculos corretos dos valores das margens dos contratos futuros das operações de Hedge alegadas pelo contribuinte", claro está que o lançamento somente foi lavrado em razão da suposta falta de apresentação do já mencionado extrato emitido pela Bolsa de Chicago. Assevera que as operações de hedge representam verdadeiro imperativo às atividades desenvolvidas pela Recorrente, representando despesas absolutamente usuais e necessárias à consecução de seus objetivos sociais. Mais à frente, acrescenta que as bolsas de mercadorias no Brasil não são capazes de absorver e conferir liquidez às transações realizadas pelo Grupo ADM, dado o volume das atividades comerciais – e por conseqüência, de operações de hedge – realizadas pela Recorrente. Transcreve artigo publicado na Revista Economia e Agronegócio atestando que a BM&F não possuía a liquidez necessária para garantir aos agentes de mercado de soja a efetividade buscada para seus instrumentos de hedge, havendo inclusive o risco dos agentes locais não serem capazes de fechar suas posições. Exemplifica que realizou cerca de 139.000 contratos de hedge, dos quais apenas 2% poderiam ser absorvidos pela BM&F. Daí a imperatividade da realização das operações de hedge junto à Bolsa de Chicago, e a submissão da recorrente às normas regulatórias desta entidade e das autoridades competentes dos Estados Unidos da América. Descreve o fluxo operacional de suas atividades, consistentes em realizar negócios de compra com entrega física futura de soja com os produtores rurais ou exportadores ao redor do mundo e fechar contratos de venda dessa natureza com seus clientes locais ou internacionais, de forma que as operações de hedge destinam-se a reduzir os riscos das flutuações dos preços de soja entre a data da compra e/ou venda da soja e o seu recebimento e/ou entrega física. Especifica que: 163. Para efetuar as operações de hedge, as subsidiárias do Grupo ADM ao redor do mundo inserem os dados de suas respectivas operações comerciais em um único sistema de computador, o qual é administrado pela ADM Trading Company ("ADM Trading"). Ao inserir os dados no referido sistema, as subsidiárias do Grupo ADM submetem à ADM Trading as correspondentes ordens de hedge ("Ordem"), que nada mais são do que as posições contrárias àquelas contratadas fisicamente com os produtores rurais ou cliente das empresas do Grupo ADM. Na colocação da Ordem, são informados o número da conta de controle da subsidiária, o tipo e quantidade de mercadoria a ser coberta pelo hedge, o tipo de operação (compra ou venda) e a data de opção da mercadoria na Bolsa de Chicago. 164. Cada Ordem configura um contrato, o que implica a obrigação de compra ou venda do tipo e quantidade de mercadoria estabelecidos na Ordem, na data de entrega ali prevista, conforme precificação de mercado listada na Bolsa de Chicago. [...] 166. Em resumo, as Ordens são inseridas no sistema administrado pela ADM Trading, que centraliza e consolida as Ordens de todas as subsidiárias e, na sequência, transfere essas exposições a ADM Financeira, entidade financeira que executa tais Ordens junto à Bolsa de Chicago. [...] 168. A centralização das Ordens de todas as subsidiárias, efetivada pelo sistema da ADM Trading, importa dizer, dentre outros fatores, decorre da necessidade de melhor cumprir as regras do Grupo CME, controlador da Bolsa de Chicago e do órgão regulador norte-americano (i.e., the Commodity Futures Trading Commission ("CFTC")). Essas regras, como ditas anteriormente, não são aplicáveis a qualquer entidade que busque realizar operações de hedge na Bolsa de Chicago, mas apenas as empresas do porte do Grupo ADM, que operam volume imenso de transações e possuem inúmeras subsidiárias que precisam, ao mesmo tempo, ter acesso a Bolsa de Chicago. 169. A fim de comprovar o que consta no parágrafo anterior, a Recorrente anexa ao presente recuo carta preparada pelos Srs. Scott E. Early e Kathryn M. Trkla, ex-diretor jurídico e ex-vice-presidente da Bolsa de Chicago, respectivamente (doc. 03). Passando à exposição do fluxo de pagamentos de suas atividades, a recorrente inicialmente destaca que a ADM Financeira é um membro de compensação qualificado do Grupo CME [que integra as Bolsas de Valores e de Mercadorias e Futuros de Chicago e de New Yokr], o que a autoriza a atuar junto as bolsas de valores e mercadorias e futuros do Grupo CME, em nome do Grupo ADM e de outros clientes (terceiros não relacionados) na qualidade de instituição financeira, acrescentando que sua atividade é altamente regulada, dado atuar nas maiores Bolsas de mercadorias e futuros do mundo e influenciar nos investimentos realizados por milhões de investidores ao redor do mundo. Aponta, ainda, declaração à fl. 1010 que confirma a atuação da ADM Financeira como membro da Câmara de Compensação da Chicago Mercantile Exchange (CME). Frisa, ainda, na referida declaração, o fato de a Bolsa de Chicago não emitir extratos diretamente ao Grupo ADM, a evidenciar que a falta de apresentação de tal documento, portanto, não decorre de um descuido, desídia ou falha por parte da Recorrente em "conservar em ordem, documentos e papéis que se refiram a atos e operações que modifiquem ou possam vir a modificar a sua situação patrimonial", como consignado na ementa da r. decisão recorrida, já que se trata de documento inexistente cuja obtenção é impossível! Acrescenta que a liquidação das operações intermediadas pela ADM Financeira é feita mediante pagamentos centralizados e consolidados à Bolsa de Chicago, estando parcialmente correta a afirmação fiscal acerca destes pagamentos globais, com exceção de que as transferências à Bolsa de Chicago, por determinação das normas dos órgãos regulatórios norte-americanos, são feitas em dois grupos, para manter os recursos recebidos de seus clientes separadamente daqueles de titularidade das empresas do Grupo ADM. Esclarece, assim, que a conta NSEC CLR PB 905 – ADM Investor Services consolida somente operações do Grupo ADM liquidadas pela ADM financeira. Asseverando que os recursos necessários para os pagamentos à Bolsa de Chicago são adiantados à ADM Financeira pela ADM Co., descreve o fluxo de pagamentos nos seguintes termos: • Diariamente, a ADM Financeira realiza dois grupos de pagamentos das margens contratadas naquele dia, um grupo se refere às transações do Grupo ADM e outro relativo às operações de seus demais clientes. • A entrega dos recursos para o pagamento efetuado pela ADM Financeira à Bolsa de Chicago é realizado pela ADM Co., gerenciadora de caixa do Grupo ADM. • A ADM Co., por seu turno, é ressarcida dos pagamentos à ADM Financeira pelas subsidiárias do Grupo ADM, dentre elas a Recorrente. • Vale notar que os hedges executados podem gerar ganhos ou perdas às subsidiárias do Grupo ADM, razão pela qual a ADM Co. pode receber ou realizar pagamentos em relação a cada uma das subsidiárias do Grupo ADM, dentre elas a Recorrente. Assim, na medida em que o mecanismo de contratação e liquidação das operações de hedge junto à Bolsa de Chicago envolve a centralização e consolidação do fluxo de pagamentos na ADM Financeira, impossível era a prova requerida pela Fiscalização. Acrescenta que a atuação da ADM Company é normal, pois seria praticamente impossível a realização de remessas internacionais diárias para a cobertura das margens à ADM Financeira, realizando-se adiantamentos e promovendo-se reembolsos mediante conta-corrente dentro do mesmo grupo econômico. Mais a frente reafirma que a conta-corrente indicada nos contratos de câmbio é sempre da ADM Company, embora a ADM Financeira também tenha sido indicada, pela Fiscalização, como destinatária dos recursos. Conclui, diante deste contexto, que os documentos apresentados pela Recorrente ao longo do processo de fiscalização que atestam as remessas efetuadas à ADM Co. a titulo de ressarcimento das margens cobertas por tal entidade para a ADM Financeira (fls. 17/89), bem como os comprovantes dos pagamentos efetuados pela ADM Financeira à Bolsa de Chicago (fls. 1025/1043) são prova suficiente da realização das operações de hedge junto à Bolsa de Chicago. E aduz: 201. Adicionalmente, muito embora não seja possível fazer a demonstração dos pagamentos feitos pela Recorrente diretamente a Bolsa de Chicago em razão da regulação vigente nos Estados Unidos, é possível que se realize o confronto dos resultados auferidos pela Recorrente com as suas operações de hedge e se verifique que estes oscilam exatamente conforme as variações dos preços das mercadorias "hedgeadas" na Bolsa de Chicago. Este, fato, ressalte-se, foi expressamente reconhecido pelo D. Agente Fiscal. Ora, quer parecer à Recorrente que tal evidência constitui prova mais do que suficiente de que as operações foram realizadas em bolsa, o que as tornam dedutíveis tanto para fins de apuração do IRPJ, quanto para fins de apuração da CSLL. Sobre esse aspecto, no entanto, silenciou a r. decisão recorrida. Aborda, também, a incongruência dos dados do BACEN, inicialmente mencionando que a decisão recorrida preferiu silenciar sobre estes argumentos, aduzindo que eles não se prestaram como fundamento da autuação. Procura esclarecer as afirmações contidas no Ofício (incremento de remessas e desproporção do montante de remessas), reportando-se a uma forte pressão sobre os preços internacionais da soja, verificada no início de 2004, e à demanda crescente do produto por parte da China, o que enseja um incremento nas suas receitas de vendas de produto, mas também acarreta perdas equivalentes nos contratos de hedge, dada a assunção de obrigações substancialmente opostas. Ante as maiores perdas, maiores foram as remessas constatadas pelo BACEN, mas também maior foi o faturamento em razão do aumento dos preços de venda, e por conseguinte, a base de cálculo dos tributos devidos pela recorrente. Quanto à constatação fiscal de que em 2004 foram realizadas remessas relativas a contratos de hedge liquidados em anos anteriores, aduz que: 215. Em planilha que seguiu anexa à impugnação apresentada, a Recorrente corrigiu as distorções das informações consignadas no Termo de Verificação Fiscal, já que pretendeu comparar valores das remessas realizadas pela Recorrente no ano de 2004 (fluxos de pagamento) com os registros contábeis das operações escriturados na conta 128116 - ADM DECATUR EXEC FUTUROS, que seguem o regime de competência. Do total dos recursos remetidos ao exterior pela Recorrente em 2004, US$ 220.829.592,65 se referiam a perdas incorridas em contratos de hedge liquidados em anos anteriores (2001 a 2003). 216. Dado o grande volume de operações de hedge realizadas pela Recorrente, a liquidação financeira individualizada ou até mesmo diária de tais contratos via contrato de câmbio mostra-se praticamente impossível (em 2004 a Recorrente fechou aproximadamente 139.000 contratos de hedge, o que dá uma média diária por dia útil de 579,16 operações). Por essa razão, e considerando que os fluxos financeiros da Recorrente são geridos pela ADM Co., opta-se por liquidar, periodicamente, parte ou totalmente as posições financeiras com aquela empresa. Exatamente isso foi o que aconteceu em 2004. Acrescenta que as informações do BACEN são imprecisas, pois ali não se informa o universo de operações adotado para as inferências feitas. Conclui, assim, que não há como o D. Agente Fiscal ou o BACEN afirmarem que as operações contratadas pela Recorrente são incompatíveis com as suas atividades. Questiona, também, o quadro comparativo entre faturamento de depósito de margens elaborado pela Fiscalização, asseverando que: 1) o valor apontado como a totalidade das margens cobertas pela ADM Company está incorreto, pois já representa os pagamentos efetuados pela ADM Financeira em prol da ADM Company; 2) o faturamento da ADM Company refere-se ao ano fiscal que vai de 01/07/2003 a 30/06/2004, distinto da base de comparação; 3) o pagamento efetuado à ADM Financeira envolve todas as subsidiárias do Grupo e não pode ser comparado apenas com os resultados da recorrente; 4) a utilização, pela Fiscalização, da taxa média do dólar em 2004 causa distorções em razão do faturamento ter sido convertido, pela contribuinte, mensalmente em razão da taxa vigente. Reiterando o controle ao qual é submetida a ADM Financeira, repudia a afirmação fiscal de facilidade para manipulação de operações, relatórios e contabilidades, incompatível com o reconhecimento, pela própria Fiscalização, de que a contribuinte apresentou cálculos corretos dos valores das margens dos contratos futuros das operações de hedge, e com a clareza dos documentos apresentados para demonstrar a efetividade das operações realizadas em bolsa. Reprisa o conteúdo dos documentos apresentados à autoridade lançadora durante o procedimento fiscal, destaca novamente a compatibilidade destas informações com os demais elementos apresentados à Fiscalização, como por ela reconhecido, e novamente manifesta sua inconformidade com a exigência de documento que não lhe é possível apresentar, sem que uma análise mais aprofundada de suas atividades fosse feita. Ressalta a relevância da exigência e o risco que ela causa à continuidade das atividades da recorrente, e pede a improcedência do lançamento. Ainda, porque representativos de despesas usuais e necessárias, defende a dedutibilidade dos resultados de operações de cobertura de riscos realizadas em outros mercados de futuro no exterior, além de bolsas, desde que admitidas pelo Conselho Monetário Nacional, nos termos do art. 396, §1o do RIR/99 e da Resolução CMN nº 2.012/93. Desde que se trate de operações de hedge vinculadas a operações reais e efetivas de revenda de soja e que sigam rigorosamente os parâmetros de mercado, como no caso presente, tais despesas deverão ser consideradas operacionais e dedutíveis independentemente se realizadas em bolsa ou fora dele. Descreve os três grandes conjuntos de transações que realiza (compra, hedge e revenda), esclarecendo que na primeira fase de compra, em regra no 2o semestre de cada ano, podem ocorrer adiantamentos ou financiamentos de produtores, verificando-se a entrega da soja somente a partir do 2o trimestre do ano seguinte, a exigir precauções quanto às variações de preço até que o produto seja recebido e possa ser revendido, o que compele a recorrente a se valer do instrumento de hedge. Reporta-se a doutrina esclarecendo que o hedge nada mais é que a aquisição de contratos em posição inversa aos contratos já firmados pela sociedade, e acrescenta que num contexto em que os preços dos produtos que comercializa oscilam ao sabor do mercado, deixar de realizar operações de hedge certamente evidenciaria que a Recorrente é mal gerida ou possui grande atividade especulativa. Citando as causas de variação de preços no mercado que atua, conclui que o hedge é usual e necessário às atividades da Recorrente. Constrói exemplo numérico para aclarar tais afirmações, e destaca que a soja, principal produto agropecuário negociado pela Recorrente, no ano de 2004, foi o segundo produto agropecuário brasileiro cujo preço apresentou maior volatilidade. E complementa: 253. Dentro desse mecanismo, mesmo que o preço de mercado da soja suba quando da data de sua colheita e revenda, o valor que a Recorrente receber a mais do seu cliente no mercado externo será remetido ao exterior por força do hedge. De outro lado, caso o valor de mercado caia e, por conseqüência, o cliente externo da soja física pague menos à Recorrente, o hedge propiciará um resultado positivo equivalente ao valor pactuado no contrato e o valor de mercado para essa época. 254. Ao minimizar seus riscos pela contratação das operações de hedge, a Recorrente pode se concentrar em suas atividades principais: a compra, estocagem, distribuição, processamento e revenda de soja. Traça a hipótese de incidência do IRPJ a partir da Constituição Federal para concluir que em decorrência da premissa basilar e irredutível de que apenas podem ser submetidos ao IRPJ (e também CSLL) os acréscimos patrimoniais efetivos, os resultados das operações de hedge contratadas pela Recorrente não podem ser avaliados isoladamente das operações comerciais que pretendem cobrir e, destarte, tributados da forma efetuada pelo D. Agente Fiscal. Novamente menciona que a adição dos prejuízos decorrentes de operações de hedge decorre da suposição de que tais operações não teriam sido praticadas em bolsa. Apresenta mais exemplos numéricos dos resultados que seriam auferidos em caso de valor de mercado superior ou inferior ao preço de compra contratado, para concluir que impedir a dedutibilidade das perdas auferidas nas operações de hedge significaria tributar os ganhos realizados nas operações comerciais da recorrente sem considerar os custos incorridos para a sua consecução, isto é, aqueles decorrentes das operações de hedge. Reporta-se a jurisprudência administrativa contrária a este tipo de entendimento, em situações semelhantes como no caso de despesas de juros incorridos em empréstimos repassados a outras empresas do mesmo grupo econômico. Discorda da interpretação que, a partir do disposto no art. 396 do RIR/99, considera indedutíveis os pagamentos das operações de cobertura não realizadas em bolsas, pois tal implicaria reconhecer que aquela norma visa a locupletar o fisco de forma injustificada, na medida em que seriam tributadas as receitas de venda das mercadorias, mas não seria aceito um importante custo incorrido para que essas mesmas receitas fossem auferidas. Subsidiariamente invoca a aplicação do art. 71 da Lei nº 9.430/96, que em seu entendimento houve por bem estender as demais operações realizadas em mercados de liquidação futura fora de Bolsa (balcão) o mesmo tratamento tributário conferido a tais operações realizadas em Bolsa, dentre as quais se incluem as operações de cobertura. E, considerando o disposto nos arts. 17 e 28 daquela mesma lei, admitido está o cômputo na determinação do lucro real, e da base de cálculo da CSLL, dos resultados líquidos, positivos ou negativos, obtidos em operações de cobertura (hedge) realizadas em mercados de liquidação futura, diretamente pela empresa brasileira, em Bolsas no exterior. Antecipa sua oposição à alegação de que o referido dispositivo legal (art. 71), ao assegurar a dedutibilidade das perdas auferidas nas operações realizadas em mercado de liquidação futura fora de Bolsa, não teria explicitado que tal regra também seria aplicável às operações realizadas no exterior. Segundo Elide Palma Bifano e Luciana Aguiar32 [32 "Anotações sobre Operações Internacionais com a Finalidade de Cobertura ("Hedge"), in "Revista de Direito Tributário Internacional nº 10", ed. Quartier Latin, p. 180.], "á época da edição da L 9.430/96, vigorava o art. 63 da L 8.383/91, que, expressamente, autorizava esse tratamento. Esse fundamento de aplicação de tal regime vigorou até a edição da L 11.033/04, quando o art. 63, em referência, foi revogado. A partir de então, o art. 71 da L 9.430/96 passa a ser aplicado, também, a operações no exterior, com as alterações introduzidas pela L 10.833/03, em seu artigo 48, em seu §2°, autorizando o reconhecimento de perdas nas operações registradas nos termos da legislação vigente". Finaliza defendendo a ilegalidade da incidência de juros sobre a multa de ofício, pois os juros decorrem da utilização do capital alheio, no caso o tributo, ao passo que a multa é pena pecuniária pelo inadimplemento de obrigação. Se os juros remuneram o credor pela privação do uso de seu capital, eles devem incidir somente sobre o que deveria ter sido recolhido no prazo legal, e não foi. Defende que não há previsão legal para incidência de juros sobre a multa, pois a expressão débitos do §3o do art. 61 da Lei nº 9.430/96 diz respeito somente ao valor do principal relativo à obrigação tributária não paga no vencimento, interpretação confirmada em razão do que expresso no art. 43 da mesma lei. Reporta-se a julgados do Primeiro Conselho de Contribuintes, e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, este editado em 09/11/2010, que adotam o entendimento por ela defendido. Ao final, requer, ainda, o procedimento de diligência, na hipótese desse procedimento ser tido como necessário para o esclarecimento de qualquer dúvida acerca dos documentos juntados ao presente processo administrativo, bem como protesta pela produção de todas as provas em Direito admitidas, bem como pela oportuna sustentação oral de suas razões de defesa. Em 22/02/2011 os autos do presente processo foram encaminhados em CARF, e em 21/10/2011 foram distribuídos, mediante sorteio, a esta Relatora. Contudo, em 16/03/2012 a recorrente peticionou nos autos, requerendo a juntada de novos elementos aos autos (fls. 3365/3375), especialmente os seguintes estudos e pareceres jurídicos: Análises em relação aos melhores princípios e práticas de mercado que possibilitassem ao Grupo ADM efetuar operações de hedge na Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago (“Bolsa de Chicago”), promovidas por Professor Steven Thel, I. Maurice Wormser Professor de Direito da Universidade de Fordham em Nova Iorque, em que leciona sobre contratos, lei corporativa e regulamento de valores mobiliários; Análise das operações de Hedge efetuadas pela Requerente no exterior à luz do art. 396 do RIR/99, expressa em parecer do Professor Marco Aurélio Greco; Estudo dos vícios materiais que acarretam a nulidade dos autos de infração, proferido pelo Professor Eurico Marcos Diniz de Santi; Relatório da KPMG acerca da contabilização das operações e a conformidade dos Preços Praticados, com referência a Anexos numerados de 1 a 30, não juntados à petição; Digitalizada apenas a referida petição em 28/03/2012 (os estudos e pareceres acima mencionados acompanharam cópia desta petição apresentada a esta Relatora, mas não foram digitalizados no E-processo), os autos seguiram em 29/03/2012 para vistas da Procuradoria da Fazenda Nacional, que em 31/05/2012 devolveu os autos informando que apresentaria memoriais oportunamente e que realizaria sustentação oral por ocasião do julgamento (fl. 3376/3378). Os autos foram novamente distribuídos a esta Relatora em 12/06/2012, juntamente com os autos do processo administrativo nº 15586.001638/2010-81, que trata de exigência conexa, relativa ao ano-calendário 2006. Em 10/08/2012 foi concluída a digitalização dos demais documentos apresentados pela recorrente em 16/03/2012, estruturados em 30 (trinta) anexos, os quais passaram a integrar as fls. 3379/7301 destes autos. Identificadas falhas na digitalização, esta Relatora requereu sua regularização em 03/10/2012, recebendo em 06/11/2012 os elementos faltantes. Em 06/12/2012 a recorrente apresentou a esta Relatora petição protocolizada no CARF naquela data, requerendo a juntada de Relatório de Comprovação do Hedge em Operações Futuros Realizadas pela Companhia no Ano-Base de 2004, emitido pela empresa de auditoria KPMG, bem como de Relatório de Auditoria Independente das Operações de Futuro e Opções de Commodities Realizadas pela Companhia, emitido pela empresa de auditoria Ernst & Young, acerca das controvérsias objeto de lançamento nestes autos. Além disso, na mesma data, requereu a juntada de parecer emitido pelo Professor Ary Oswaldo Mattos Filho, acerca da interpretação do art. 17 da Lei nº 9.430/96 em razão da forma de operação das Bolsas. O relatório da Ernst & Young, acompanhado de diversos demonstrativos (todos em língua estrangeira), o relatório da KPMG e o parecer do Professor Ary Oswaldo Mattos Filho foram anexados à petição antes referida. Por ocasião de sua apresentação, a recorrente mencionou a existência de documentos que lhes dariam suporte, os quais seriam apresentados no CARF. Consulta ao E-processo evidenciou que a referida petição e os documentos que a instruíram ainda não haviam sido digitalizados até janeiro/2013, bem como que não havia registro da apresentação de outros elementos. Em 12/09/2012, a Assessoria Técnica e Jurídica do CARF (ASTEJ) respondera a Ofício da Procuradoria da República no Espírito Santo, informando que solicitaria prioridade na tramitação do presente processo administrativo. Em 28/11/2012 o mesmo órgão requereu cópias do auto de infração e das decisões já proferidas nestes autos, as quais foram fornecidas pela Presidência desta 1a Seção em 11/12/2012, acompanhadas da informação de que o presente processo seria incluído em pauta na sessão seguinte, em fevereiro de 2013. O litígio não foi apreciado na reunião de julgamento de fevereiro/2013 em razão de pedido de adiamento apresentado pela recorrente. Ao final de fevereiro/2013, foram digitalizados 17 (dezessete) volumes de anexos a estes autos, cuja juntada definitiva ainda não foi promovida no E-processo em razão de o processo encontrar-se pautado para julgamento. Referidos documentos estão intitulados Laudo KPMG – Relatório de comprovação do hedge em operações de futuros realizadas pela Companhia no ano-base de 2004 e reúnem Anexos entre os números 1 e 33, evidenciando tratar-se dos documentos de suporte do documento apresentado a esta Relatora em 06/12/2012, sob o título Relatório de Comprovação do Hedge em Operações Futuros Realizadas pela Companhia no Ano-Base de 2004, emitido pela empresa de auditoria KPMG.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por voto de qualidade, REJEITAR as argüições de nulidade do lançamento por falta de compensação de prejuízos fiscais anteriores e de dedução de antecipações do próprio período, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento vinculada ao cálculo do adicional; 3) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento decorrente dos efeitos da postergação; 4) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento de glosa de juros, comissões e variações cambiais; 5) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade da decisão recorrida; 6) por maioria de votos, CONVERTER EM DILIGÊNCIA o julgamento, divergindo os Conselheiros Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva, que davam provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga. RELATÓRIO ADM DO BRASIL, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro/RJ-I que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 29/12/2009, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 797.002.605,17. O procedimento fiscal foi motivado por demanda externa requisitória do Ministério Público Federal, objeto do Ofício 1890/2008-PR/ES/GAB/LFM, de 14/05/2008, reportando-se ao Ofício Decic/Gabin nº 2007/229, de 03/08/2007, no qual a autuada foi citada como uma das empresas que, no período de 2003 a 2004, efetuaram remessas ao exterior em pagamento de margem de garantia em Bolsa de Mercadorias no Exterior (hedge), de valores muito relevantes e aparentemente incompatíveis com os volumes de suas operações comerciais, mesmo para empresas de seu porte. Especificamente em relação a ela, constou do referido ofício o que segue: d) O significativo incremento observado nas remessas de hedge em todo o País no 2° e 3° T/2004 (fl. 1078) se deu em razão de apenas 11 operações em nome da ADM do Brasil, correspondentes a US$ 269,3 milhões em 05/2004 e US$ 236 milhões em 07/2004. Esses valores são equivalentes respectivamente a 82% e 73% do total do País em cada trimestre. O total de remessas líquidas naquele titulo da empresa em 2004 (entradas de US$ 70,5 milhões menos saídas de US$ 555,9 milhões), no total de US$ 485,4 milhões, correspondeu a 56% do total do País, e a 38% do total de suas exportações no mesmo ano (fls. 1081/2). [...] Tais informações foram encaminhadas ao Presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras – COAF, em cumprimento ao disposto no artigo 2°, § 6° da Lei Complementar 105, de 11.1.2001, e no artigo 11 do Decreto 2.799, de 08.10.1998, tendo em conta que elas poderiam configurar, em tese, indícios de cometimento de crime tipificado na Lei 9.613, de 3.3.1998. Posteriormente, a Procuradoria da República no Espírito Santo encaminhou aquele documento à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES, requisitando procedimento fiscal para instrução do procedimento investigatório lá em curso. Inicialmente, em 18/05/2009, intimou-se a contribuinte a apresentar, além de documentação fiscal em geral: 03 — Documentação comprobatória das operações de remessa de recursos ao exterior sob a forma de operações de Hedge, durante o ano-calendário de 2004; 04 — Contratos e demais documentos apresentados ao Banco Central para o registro das operações de remessa de Hedge no ano de 2004; 05 — Registros das operações de remessa de Hedge durante o ano de 2004, contabilizados nos Livros DIÁRIO e RAZÃO; 06 — Demonstrativo das operações comerciais protegidas pelas remessas de Hedge durante o ano de 2004; 07 - Contabilização das remessas de Hedge ao final do ano-calendário 2004; 08 — Demonstrativo das variações monetárias ativas e passivas, referentes ao ano-calendário 2004; 09 — Apresentar documentação comprobatória do retorno ao Brasil dos recursos remetidos ao exterior sob a forma de Hedge no ano de 2004; Possivelmente pretendendo atender ao exigido, a contribuinte, depois de pedir e lhe ser concedida prorrogação de prazo, apresentou os elementos de fls. 16/822, por ela assim identificados: 02 — Documentação comprobatória das operações de remessa de recursos ao exterior sob a forma de operações de remessa de Hedge, durante o ano de 2004; 03 — Registro na contabilidade das operações de remessa de Hedge durante o ano de 2004; 04 — Demonstrativo das operações comerciais protegidas pelas remessas de Hedge durante o ano de 2004; 05 — Demonstrativo de variações cambiais ativas e passivas referentes As operações de Hedge no ano de 2004; Com relação ao item 04 acima especificamente, cumpre esclarecer que o volume de documentos que comprovam o lastro da operação de Hedge é enorme, envolvendo Kardex de estoques de silos e fábricas. Neste sentido, disponibilizamos um exemplo desta documentação para fins explicativos e análise, permanecendo à inteira disposição para disponibilizar qualquer documentação suplementar, bem como para fornecer os esclarecimentos suplementares que V. Sa. entenda necessários sobre esse e qualquer outro ponto [...] A referida documentação consiste em: - cópias de 18 (dezoito) contratos de câmbio em favor de ADM TRADING COMPANY, ADM INVESTOR SERVICES INC ou ARCHER DANIELS MIDLAND CO., mas todos declarando como operação SERV DIV-OUT-OP BOLSA MERC EXT-LUCR/PREJ REALIZAD (fls. 16/88); - resumo dos contratos de hedge e conversão para reais (R$) para fins de contabilização, no qual estão individualizadas operações, agrupadas mensalmente, que indicam o produto objeto do contrato, o valor líquido da operação e o valor da perda/ganho em US$, a taxa de conversão e os valores correspondentes em reais, que, somados, equivaleriam aos valores contabilizados, com a apuração de pequenas diferenças mensais. Tais diferenças, ao final de 2004, representam R$ 881.518,26, do total contabilizado de R$ 885.841.836,15 (fls. 89/97); - relatório por contas (matriz e filiais) e fechamentos dos contratos de câmbio com as respectivas perdas/ganhos, em língua estrangeira, aparentemente demonstrando as operações mensalmente realizadas por Archer Daniels Midland Company, em 2004. No primeiro sub-total do relatório de janeiro/2004, são comparados os montantes de 23,956,037.50 e 24,174,250.00, este último identificado, em anotação manuscrita, como valor p/recompra. A diferença entre eles, de 219,212.50 é identificada, também de forma manuscrita, como valor perda/ganho (fls. 98/678); - transcrição dos registros no Razão da conta nº 128116-501 ADM DECATUR EXERC FUTUROS, sob diversos históricos, indicando registros de juros, variação cambial e comissões, e especialmente de operações denominadas FUTUROS CLOSED e HEDGE CHICAGO. O saldo inicial indicado é negativo, no valor de R$ 40.501.120,44, mas segundo informação manuscrita estaria incorreto, pois deveria ser, também, negativo, no valor de R$ 530.905.477,68. O saldo final indicado é negativo, no valor de R$ 476.705.840,19, após lançamentos a débito de R$ 2.769.028.066,62, e a crédito de R$ 2.257.821.105,99. Seguem-se, ainda, registros nas contas nº 423130 CONTR.FUT.ENCERRADOS-HEDGE e 423130-501/502 AJUSTE P. HEDGE CONTR. FUT. FECH, que juntamente com a anterior evidenciam lançamentos a débito de R$ 4.202.856.551,44 e a crédito de R$ 2.799.852.490,36 (fls. 679/708); - posição dos contratos de originação de grãos, apontando mensalmente, para o “produto: soja”, montantes de inventário, que somados a compras em aberto, e reduzidos por vendas “em aberto MI”, “a fixar” e vendas “em aberto ME”, resultam em posição líquida, que é comparada com “posição Chicago” e evidencia valor denominado exposição, que oscila entre valores positivos e negativos. Acompanham esta consolidação outros demonstrativos em língua estrangeira, dos quais possivelmente foram extraídas as parcelas do demonstrativo inicial, relativamente ao mês de junho/2004, pois ali estão destacadas quantidades vinculadas a diferentes portos/entrepostos, correspondentes às apontadas sob as rubricas antes citadas, para determinação do resultado exposição; (fls. 709/713); - posição de contratos de processamento, expressa em demonstrativos em língua estrangeira, os quais iniciam com um consolidado de resultados mensais de janeiro/2004 a março/2005 relativamente a outros produtos, acompanhados por demonstrativos semelhantes individualizados por portos/entrepostos. Tais planilhas apresentam evoluções por 15 (quinze) meses, em 12 (doze) conjuntos de documentos que se iniciam em cada um dos meses de 2004 (fls. 714/811); - demonstrativo das variações cambiais ativas e passivas referentes às operações de hedge no ano de 2004, individualizando operações possivelmente liquidadas em uma mesma data, nas quais foi comparado o valor atualizado segundo a taxa fech com o valor atualizado segundo a taxa pag/rec, de forma a determinar o resultado de variação cambial, individual e total (fls. 812/822). No Termo de Verificação de Infração, a autoridade fiscal assim se manifesta acerca destes documentos: Após análise dos documentos apresentados, verificamos que os relatórios apresentam cálculos corretos dos valores das margens dos contratos futuros das operações de Hedge alegadas pelo contribuinte, porém os referidos documentos não comprovam a efetiva aplicação dos recursos remetidos ao exterior para cobertura das margens dos contratos futuros de commodities, ou seja, não demonstram a transferência dos recursos da ADM em nome da ADM do Brasil para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago. Em 05/07/2009, a autoridade lançadora exigiu outros elementos: 01 — Documentação comprobatória das coberturas das margens dos contratos futuros solicitadas pela Bolsa de Chicago (depósitos ou transferências bancárias, contratos, etc.) relativo ao ano-calendário de 2004 (ADM- EUA); 02 — Contrato(s) relativo(s) ao adiantamento financeiro para cobertura das margens dos contratos futuros, entre a ADM do Brasil e a ADM Holdings LCC (ADM-EUA), relativo(s) ao ano 2004; 03 — Detalhamento das seguintes contas e respectiva contabilidade do ano-calendário 2004: a) Juros Ativos (R$ 480.249.592,51); b) Juros Passivos (R$ 402.340.524,96) e; c) Outras Despesas Financeiras (R$ 82.605.598,21); 04 — Demonstrativo de Cálculo dos Juros e da Variação Cambial escriturados na conta 128116- 501 — ADM DECATUR EXEC FUTUROS do Livro Razão; Após pedir e lhe ser concedida prorrogação de prazo para atendimento a esta intimação, a contribuinte esclareceu que: 01 — Com relação ao item 01 do Termo de Início de Diligência em referência [...], em cumprimento ao requisitado por V. Sa., apresentamos cópias dos comprovantes de transferência bancária (denominados "swifts" conforme linguagem bancaria) — (doc. 3), os quais comprovam a transferência dos recursos financeiros baseados nas posições contratuais da Intimada, resultantes das ordens eletrônicas inseridas em sistema de compras e vendas de posições contratuais de lotes-padrão as quais estão devidamente demonstradas nos extratos, mensais de transações do ano de 2004 já entregue a V. Sas. por ocasião do atendimento ao Termo de Inicio de Diligência n° 251/2009. Além disso, cumpre esclarecer que as obrigações relativas as posições financeiras da Intimada com relação aos seus contratos de hedge são cobertas pela Archer Daniels Midland Company, principal empresa do grupo ADM no mundo, sediada na cidade de Decatur, Estado de Illinois, nos Estados Unidos da América e que, em última instância, detém todas as demais companhias do organograma societário. 02 — No que tange o item 02 do Termo de Início de Diligência em referência [...], esclarecemos que, conforme explicado no item 01 da presente manifestação, a Archer Daniels Midland Company e a Intimada convencionaram que a cobertura das posições financeiras da Intimada é feita pela Archer Daniels Midland Company. O que ocorre é que, com base nos extratos mensais de transações de hedge, a Intimada contabiliza os montantes a pagar ou a receber (dependendo se houve perda ou ganho em suas operações de hedge, respectivamente), fazendo a liquidação financeira das operações conforme o melhor gerenciamento de caixa do grupo. Tal fato pode ser comprovado através da análise da Contabilidade da Intimada e dos documentos apresentados. 03 — Sobre o item 03 do Termo de Inicio de Diligência em referência [...], cumpre-nos esclarecer que, conforme já discutido com V. Sa. em contato telefônico, os valores dos itens "a" e "b" acima (a saber, "Juros Ativos" e "Juros Passivos"), referem-se a Variações Cambiais Ativas e Variações Cambiais Passivas, respectivamente. Sendo assim, conforme entendimento telefônico mantido com V.Sa e dado o imenso volume de documentos que suportam os valores acima., disponibilizamos em anexo o razão contábil das contas (doc. 4) nas quais estes valores foram registrados pela Intimada para que, a vosso critério, seja feita uma seleção dos valores dos quais V.Sa. deseja verificar o detalhamento. Assim, tal como previamente combinado com V.Sa., uma vez nos sejam informados estes valores, providenciaremos a sua respectiva documentação suporte especifica. 04 — Com relação ao item 04 do Termo de Inicio de Diligência em referência [...], apresentamos planilhas suporte (doc. 5) para o cálculo dos juros e da variação cambial desta conta, conforme requisitado. Os mencionados "swifts” estão juntados às fls. 830/856, redigidos em língua estrangeira. Na seqüência, consta o referido demonstrativo de cálculo dos juros e da variação cambial escriturados na conta 128116-501, em sua maior parte em língua estrangeira, mas aparentemente detalhando a composição mensal da conta 15703 e os efeitos da variação da taxa de câmbio entre o mês anterior e o mês atual (fls. 857/860), acompanhado de um outro demonstrativo que faz referência à conta 15702. Disse a autoridade fiscal ao elaborar o Termo de Verificação de Infração: Considerando que os novos documentos apresentados pelo contribuinte também não comprovam a efetiva aplicação dos recursos remetidos ao exterior para cobertura das margens dos contratos futuros de hedge, assim como deixou de apresentar o contrato de adiantamento financeiro para pagamento das margens de garantia, emitimos o Termo de intimação Fiscal n° 295/2009, datado de 03/08/2009 [...] Em 07/08/2009 a contribuinte é cientificada de duas intimações, que exigem a apresentação de: 01 — Documentação comprobatória dos pagamentos das margens de garantia na Bolsa de Chicago (depósitos ou transferências bancarias, contratos, etc.) relativos ao ano-calendário de 2004, efetuados pela Archer Daniel Midland Company para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago, em nome da ADM do Brasil Ltda; 02 — Contrato(s) relativo(s) ao adiantamento financeiro para pagamento das margens de garantia dos contratos futuros, entre a Archer Daniel Midland Company e a ADM do Brasil, para acerto posterior, relativo(s) ao ano 2004;, [...] 01 — Documentação relativa às compras dos contratos futuros de soja e derivados na Bolsa de Mercadoria & Futuros de Chicago, relativos ao ano-calendário de 2004, efetuados pela Archer Daniel Midland Company (em nome da ADM do Brasil Ltda) ou pela ADM do Brasil Ltda; 02 — Extratos da BM&F Chicago com as negociações (compras, vendas e depósitos de margens de garantia) dos contratos futuros em nome da ADM do Brasil, ano calendário 2004. Esclareceu a fiscalizada que: A liquidação das posições financeiras começa com a empresa que faz o papel de membro de compensação com a qual o Grupo ADM trabalha. Esta empresa é a ADM Investor Services, a qual determina os valores de margem positiva ou negativa relativos aos contratos de hedge para todas as empresas do Grupo ADM. Tal cálculo faz parte dos serviços de compensação e corretagem que a ADM Investor Services presta para todos os seus clientes, incluindo tanto empresas do Grupo ADM, como terceiros. Aqui, faz-se importante entender a característica e o papel desempenhado por esta empresa. A ADM Investor Services é um membro de compensação da Bolsa de Valores de Chicago (Chicago Mercantile Exchange — CME), da Bolsa de Mercadorias e Futuros de Chicago (Chicago Board of Trade — CBOT) e de outras bolsas de valores pelo mundo. O papel da ADM Investor Services é similar ao papel de um membro de compensação na BM&FBovespa. Esta designação é importante porque, como um membro de compensação de uma Bolsa, esta é uma entidade financeira altamente regulada, sujeita a regulamentação e supervisão da Commodities Futures Exchange Commission — CFTC — que é um órgão regulador no que tange as Bolsas de Mercadorias e Futuros (commodities) nos Estados Unidos da América e, neste sentido, precisa ser autorizada e licenciada a operar, bem como precisa observar as normas e regulamentações das Bolsas nas quais opera. Tal regulamentação e supervisão é, de uma maneira geral, mais extensa que as que se aplicariam a uma corretora. Isto porque, a exemplo do que ocorre no Brasil com as instituições financeiras que atuam como membros de compensação na BM&FBovespa, como um membro de compensação, a ADM Investor Services mantém contas com corretoras e investidores em commodities, assegura que as transações são executadas e liquidadas de acordo com as regras da Bolsa, calcula e liquida as margens de garantia e emite reportes para pessoas físicas e jurídicas das quais ela mantém conta. Os membros de compensação são plenamente responsáveis pela liquidação das obrigações decorrentes de todas e quaisquer operações a eles atribuídas, bem como pelo recebimento, autenticidade e legitimidade de todos os ativos, garantias e valores a tais operações. Assim, a responsabilidade da ADM Investor Services é de liquidar as operações de todos os seus clientes (sendo que mais de oitenta por cento deles são terceiros que não entidades do grupo ADM) e reportar para a Bolsa. A ADM Investor Services reporta operações de mercado, já que possui um sistema integrado com a Bolsa em tempo real, e paga comissões para a Bolsa com relação às operações de seus clientes. Neste sentido, membros de compensação como a ADM Investor Services são encarregados pela Bolsa com a qual operam, da responsabilidade de executar e assegurar o cumprimento das regras da Bolsa e da CFTC para suas contas, especificamente com relação aos limites impostos, requerimentos de margem de cobertura, garantias, dentre outros. As instruções de pagamento da/para a Archer Daniels Midland Company ou da/para a ADM Investor Services são baseadas nos extratos das operações de hedge já entregues a V. Sa. na resposta ao Termo de Inicio de Diligência n. 251/2009, os quais são a prova das posições contratuais para cada conta e das requisições de margem de cobertura a elas atreladas. As operações detalhadas nestes extratos são rigorosamente controlados e conferidos pela ADM Investor Services como parte de sua função de membro de compensação, pela Archer Daniels Midland Company e, obviamente, pela Intimada como parte de sua conferência para contabilização de suas operações e resultados de hedge, especificamente para garantir que os contratos de hedge estejam registrados corretamente e que se refiram aos ativos pelos quais as operações de hedge da Intimada estejam lastreados. Os resultados nos extratos das operações acima mencionados são emitidos pela ADM Investor Services a fim de reportar todos os ganhos ou perdas nos contratos de hedge. Importante mencionar que as margens de cobertura iniciais para cada contrato são determinadas pela Bolsa de Mercadorias e Futuros de Chicago (Chicago Board of Trade — CBOT). Tal determinação é aplicada pela ADM Investor Services para cada conta por ela gerenciada, a fim de calcular as margens de cobertura relacionadas a cada um dos contratos de hedge de seus clientes, de maneira similar ao que ocorre no Brasil com a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&FBovespa). Importante ressaltar que, assim como na BM&FBovespa no Brasil, é raro que investidores negociem diretamente na Bolsa e, desta forma, não fazem ou recebem pagamentos diretamente da Bolsa e sim por meio das entidades participantes ou dos membros de compensação. Consequentemente, os documentos comprobatórios pedidos por V. Sa. com relação aos pagamentos da Archer Daniels Midland Company para a Bolsa não existem. Quaisquer dos pagamentos relacionados com as operações de hedge contratadas, bem como as obrigações financeiras a elas relacionadas são determinados pelo membro de compensação e com ele devem ser adimplidos. No caso do Grupo ADM, este membro de compensação é a ADM Investor Services. Assim, os pagamentos são, em última instância, feitos para a ADM Investor Services, a qual, por sua vez, interage financeiramente com a Bolsa no seu papel de membro de compensação. Tal resposta foi acompanhada de documentos em língua estrangeira, um deles relacionando várias instituições sob o título Clearing Firms, entre elas a ADM Investor Services Inc., e outro que aparenta referir-se a um cadastro desta mesma empresa (fls. 869/871). Segue-se, então, reprodução parcial do Regulamento da Câmara de Registro, Compensação e Liquidação de Operações de Derivativos BM&F (fls. 873/891) e de material produzido por ABIOVE – Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais, denominado Soja Verde para um Mercado Maduro, divido nos capítulos: o sucesso da expansão de uma cultura, avanços tecnológicos e comerciais, eliminando riscos e responsabilidade das partes nos “contratos de soja verde” (fls. 892/897). Às fls. 898/927 consta Relatório Anual 2004, concernente às operações e resultados da autuada, seguido do Relatório Anual 2008 (fls. 928/943). Na seqüência, constam cópias de publicações do The Wall Street Journal datadas de dezembro de 2004, e reproduções de informações extraídas da Internet no sítio www.cbot.com./cbot/pub/page (Chicago Board of Trade) aparentemente ao final de cada mês de 2004 (fls. 944/999). A análise da autoridade fiscal acerca destes elementos foi assim expressa no Termo de Verificação de Infração: Considerando que o contribuinte informou em sua resposta aos Termos de Intimação Fiscal n° 295/2009 e 296/2009, que "Quaisquer dos pagamentos relacionados com as operações de hedge contratadas, bem como as obrigações financeiras a elas relacionadas são determinados pelo membro de compensação e com ele deve adimplidos. No caso do Grupo ADM, este membro de compensação é a ADM Investor Services, emitimos o Termo de Intimação Fiscal n° 303/2009 [...] Segue-se nova intimação, lavrada em 25/08/2009, exigindo documentação semelhante às anteriormente lavradas, mas agora citando a operadora ADM Investor Services, e não mais a Archer Daniel Midland Company: 1. Documentação comprobatória dos pagamentos das margens de garantia na Bolsa de Chicago (depósitos ou transferências bancárias, contratos, etc.) relativos ao ano-calendário de 2004, efetuados pela ADM Investor Services para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago, em nome da ADM do Brasil Ltda; 2. Documentação relativa às compras dos contratos futuros de soja e derivados na Bolsa de Mercadoria & Futuros de Chicago, relativos ao ano-calendário de 2004, efetuados pela ADM Investor Services, em nome da ADM do Brasil Ltda; 3. Extratos da BM&F Chicago com as negociações (compras, vendas e depósitos de margens de garantia) dos contratos futuros em nome da ADM Investor Services ou ADM do Brasil, ano calendário 2004. Em resposta, disse a contribuinte: [...] vem à presença de V. Sa., em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal em referência, informar que, com relação aos itens 1, 2 e 3 do referido Termo, apresenta correspondência elaborada pelo CME Group (o qual envolve a Bolsa de Valores de Chicago (Chicago Mercantile Exchange — CME), a Bolsa de Mercadorias e Futuros de Chicago (Chicago Board of Trade — CBOT) e a Bolsa de Mercadorias e Futuros de Nova Iorque (New York Mercantile Exchange — NYMEX)), a qual: i) esclarece que a Bolsa de Chicago (CME) não entrega nenhum tipo de extrato ou outro documento informativo diretamente aos titulares das contas gerenciadas pela ADM Investor Services, Inc. (sendo que isso é responsabilidade da própria ADM Investor Services, Inc. na sua função de membro de compensação), atestando a posição de membro de compensação ("clearing member) licenciado e qualificado da ADM Investor Sevices, Inc.; e; ii) atesta que a Bolsa de Chicago (CME) não recebe e não efetua pagamentos diretamente aos titulares de contas gerenciadas pela ADM Investor Services, Inc., referentes às transações efetuadas pela ADM Investor Services, Inc. por conta e ordem destes titulares. Neste sentido, portanto, a Intimada apresenta os documentos abaixo relacionados a fim de comprovar os pagamentos/recebimentos efetuados pela ADM Investor Services, Inc. para a Bolsa de Chicago (CM E). Importante mencionar que, dado o imenso volume de documentos que suportam tais transações financeiras diariamente, a Intimada apresentará um conjunto de documentos exemplificativo da operação, o qual é composto por: 1) Extratos de dois dias úteis em sequência (a saber, 16/12/2004 e 17/12/2004), os quais contêm um sumário de todas as transações efetuadas pelas contas gerenciadas pela ADM Investor Services, Inc (os quais por sua vez incluem as contas da ADM do Brasil); 2) Extrato com o cálculo da variação de margem, emitido pela Bolsa de Chicago (CME), o qual contém o valor a ser pago ou recebido decorrente da variação de um dia para o outro; 3) Comprovantes das transferências bancárias feitas da Bolsa de Chicago (CME) e outras bolsas para a ADM Investor Services, relativas aos valores de variação de margem. A Intimada esclarece que permanece à disposição de V. Sas. para o fornecimento de documentos relativos a quaisquer outras datas que sejam de interesse deste Órgão. Além disso, tendo em vista o volume de documentos, a Intimada requer uma reunião com V. Sas. a fim de explicar a relação entre os documentos. Às fls. 1009/1010 consta documento em língua estrangeira, em papel timbrado de CME Group, acompanhado de tradução juramentada que expressa termos semelhantes aos reproduzidos na resposta da contribuinte à intimação. Na seqüência, estão os demonstrativos de operações de 16 e 17/12/2004, referidos também na resposta (fls. 1011/1023). O documento de fl. 1024 refere-se a um pedido de prorrogação de prazo que teria sido concedido em nossa última reunião. Segue-se, então, demonstrativo denominado Pagamentos efetuados pela ADM Investor Services, Inc. para Bolsa de Chicago (Chicago Mercantile Exchange) relativos às operações do Grupo ADM no ano de 2004, acompanhado de documentos individualizados para cada pagamento (fls. 1025/1483). Há, ainda, documentos que aparentam ser print de telas de sistema mantido por Chicago Board of Trade, com informações em diferentes datas de 2004 (fls. 1484/1495). Assevera a autoridade fiscal, no Termo de Verificação de Infração, que estes elementos foram apresentados em complemento ao Termo de Intimação Fiscal anterior. Na seqüência, depois de solicitar em 07/12/2009 livros fiscais e demonstrações financeiras da autuada (fl. 1498/1499), juntados às fls. 1500/1604, o agente fiscal também anexou os elementos de fls. 1605/1937, que demonstram fluxograma de pagamentos – Grupo ADM, indicação da autuada em 5o lugar no ranking de desempenho de exportadores brasileiros em publicação não identificada, resumo da movimentação financeira das operações de hedge no dia 17-12-2004, seguido de documentos em língua estrangeira que teriam sido emitidos por ADM TRADING COMPANY e aparentam se reportar a operações de 16/12/2004 e 17/12/2004, semelhantes a alguns apresentados no conjunto de elementos que integram as fls. 98/678, intercalados com outros que teriam sido emitidos por ADM Company . Disse a autoridade fiscal no Termo de Verificação de Infração que estes documentos foram entregues pela contribuinte quando de seu comparecimento à DRF em 17/12/2009, com o intuito de explicar mais detalhadamente as operações de hedge efetuadas. Em 11/12/2009 a autoridade lançadora intimou a contribuinte a apresentar Relatório com a discriminação da Conta 128116 — ADM DECATUR EXEC FUTUROS, informando a totalização dos valores que são transferidos para Resultado do Exercício e quais valores seguem para as contas patrimoniais. Exigiu que o relatório fosse separado por Contratos Fechados Hedge; Variação Cambial; Juros s/ execução de futuros; Comissões e; Outros (fl. 1938). A resposta da contribuinte indica: Valores em R$ DESCRIÇÃODÉBITO/(CRÉDITO)CONTRAPARTIDA SALDO INICIAL (530.905.477,68)N/A RESULTADOS CONTRATOS FECHADOS (885.075.593,48)423130 VARIAÇÃO CAMBIAL(90.893.868,32)744100-524 JUROS(11.237.721,23)709400 CORRETAGEM E COMISSÃO(1.547.712,38)405170 OUTROS (56,42)124746-501/616075 PAGAMENTOS/RECEBIMENTOS1.505.961.912,45BANCOS SALDO FINAL(13.698.517,05) Às fls. 1940/2019 consta demonstrativo aparentemente elaborado pela autoridade lançadora, que reproduz lançamentos do Razão da conta ADM DECATUR EXEC FUTUROS, bem como da conta Ajuste Hedge Contr. Fut. Fech., e demonstra a transferência de valores para o resultado do exercício, no valor total de R$ 380.940.696,59 a crédito e de R$ 1.266.737.797,04, resultando em saldo devedor do resultado – dez/2004 no valor de R$ 885.797.100,45. Após reprodução da DIPJ e das DCTF do ano-calendário 2004, segue-se o Termo de Verificação de Infração, no qual a autoridade lançadora conclui que o contribuinte não comprovou a aplicação dos recursos enviados ao exterior para pagamento das coberturas das margens dos contratos de hedge, de modo que foram glosados os custos e despesas referentes a estas operações. A autoridade lançadora, ante a possibilidade aventada pelo Banco Central do Brasil de que as operações da autuada poderiam configurar, em tese, indícios de cometimento de crime tipificado na Lei 9.613/98, e tendo em conta os contratos de câmbio por ela apresentados – os quais, considerando entradas e saídas de recursos, resultaram em remessas líquidas de US$ 485.402.679,44, ou R$ 1.505.663.764,05, em 2004 –, constatou o que segue: • A ADM do Brasil enviou recursos para o exterior, sendo que parte para a ADM Company (empresa principal do grupo ADM - Remessas de R$ 724.163.604,31) e parte para a ADM Investor Services (empresa de investimentos do grupo ADM - Remessas de R$ 781.500.159,74). Conforme detalhado acima verificamos que somente 51,90 % dos recursos remetidos ao exterior são destinados diretamente à empresa de Investimentos do grupo, ADM Investor Services, sendo 48,10 % dos recursos enviados a ADM Company (empresa holding do grupo ADM); • Considerando que a empresa remetente dos recursos (ADM do Brasil), as empresas recebedoras dos recursos (ADM Company e ADM Investor Services) e a empresa que aplica os recursos nas Bolsas de Mercadorias (ADM Investor Services) são todas do grupo ADM, somado ao fato da não existência de contratos comerciais sobre adiantamento de margens de garantia entre estas empresas, nos remete a facilidade para manipulação de operações, relatórios e contabilidade das mesmas; • O contribuinte criou em sua escrituração a conta 128116-501 - ADM DECATUR EXEC FUTUROS, que utiliza como uma conta corrente entre a ADM do Brasil e a ADM Company (ADM DECATUR), para acompanhamento do saldo devedor/credor da ADM do Brasil com a ADM Company, visto que a ADM Company adianta recursos para pagamento de margens de garantia para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago (fls. 679/708). O contribuinte informou que "com base nos extratos mensais de transações de hedge, a intimada contabiliza os montantes a pagar ou a receber (dependendo se houve perda ou ganho em suas operações de hedge, respectivamente), fazendo a liquidação financeira das operações conforme o melhor gerenciamento de caixa do grupo" (fls. 679/708 e 828); • O contribuinte entregou uma enorme gama de documentos com o objetivo de comprovar a aplicação dos recursos em operações de hedge dos contratos futuros de soja e derivados (Contratos de Cambio, Relatório por contas dos fechamentos dos contratos de cambio com as respectivas perdas/ganhos, Livro Razão - Conta ADM DECATUR EXEC FUTUROS - Contabilidade dos adiantamentos das margens pela ADM Company e remessas de recursos, Posição dos Contratos de Originação de Grãos, Posição de Contratos de Processamento - Cálculo de Exposições, Comprovantes de transferência bancária - Swifts, Relatórios informando que a ADM Investor Services é membro de compensação da Bolsa de Valores de Chicago, Regulamento da Câmara de Registro, Compensação e Liquidação de Operações BM&F, Livreto da ABIOVE - Soja Verde para um Mercado Maduro, Relatório Anual 2004 - ADM Company - O Vinculo Essencial, Relatório Anual 2008 - ADM Company - Vital para o Mundo, Cotações de Soja e derivados - The Wall Street Journal, Chicago Board of Trade - Soja e Derivados, Extrato com o calculo da variação de margem emitido pela Bolsa de Chicago, Relatório dos Pagamentos Efetuados pela ADM Investor Services Inc. para a Bolsa de Chicago e respectivas transferências, e Relatórios diários dos preços dos contratos futuros) porém nenhum destes documentos comprova a efetiva aplicação dos recursos transferidos ao exterior pela ADM do Brasil na operação de Hedge alegada pelo contribuinte, isto é, nenhum deles apresenta a transferência de recursos da ADM Investor Services, em nome da ADM do Brasil, para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago; • O relatório dos pagamentos efetuados pela ADM Investor Services para a Bolsa de Chicago e seus respectivos comprovantes de transferência de recursos, referem-se conta NSEG CLR PB 905- ADM Investor Services (fls. 1025/1483), isto é, não identifica de que grupo de empresas ou empresa se refere à transferência, de forma que entendemos que estas transferências de margem se referem a todas as contas administradas pela ADM Investor Services, inclusive de terceiros que correspondem a mais de 80% de suas operações (conforme resposta do contribuinte aos termos 295 e 296/2009 - fls. 867); • Abaixo apresentamos um quadro comparativo do faturamento, deposito de margens e índices sobre a ADM Investor Services, ADM Company (matriz - EUA) e ADM do Brasil:   ADM Investor Services ADM Company ADM do Brasil Faturamento (US$ Mil)   36.151.394,00 1.962.367,00 Depósito de Margens (US$ Mil) 2.266.122,70 453.224,54 485.402,68 Índice % (Dep. Marg./Fatur.)   1,25% 24,73% Obs: 1) O faturamento da ADM Company foi retirado do Relatório Anual 2004 — O Vinculo Essencial (fls. 899); 2) A Receita Bruta (consideramos o faturamento) da ADM do Brasil foi de R$ 5.739.728.506,82, conforme valores declarados em Balancete e DIPJ (fls. xx/xx), isto equivale a US$ 1.962.367.433,70, considerando o dólar médio anual de 2,9249 (fonte BCB-DEPEC); 3) O deposito de Margens da ADM Investor Services foi retirado do relatório "Pagamentos efetuados pela ADM Investor Services para a Bolsa de Chicago - ano 2004". (fls. 1025/1030); 4) O Deposito de Margens da ADM Company foi considerado 20% do Deposito de Margens da ADM Investor Services (mais de 80% são das operações são de terceiros, conforme resposta do contribuinte aos termos 295 e 296/2009 — fls. 867); 5) O Deposito de Margens da ADM do Brasil foi considerado o somatório liquido das remessas/recebimentos de divisas enviados/recebidos pela ADM do Brasil ao exterior no ano de 2004, em virtude da cobertura de margens de contratos futuros de hedge (fls. 17/89). • Conforme observamos no quadro acima, o contribuinte (ADM do Brasil), informa que remeteu ao exterior sob forma de contratos futuros de hedge, 24,73% do seu faturamento, enquanto que a ADM Company, empresa holding que atua no mesmo ramo de atividade, aplica apenas 1,25% do faturamento de suas empresas para cobertura de margens de garantia de hedge. Analisando os índices, verificamos uma grande divergência, corroborando para o entendimento de que não houve de fato a aplicação dos recursos nas operações de hedge alegadas pelo contribuinte. • Durante análise da escrituração eletrônica da empresa ADM do Brasil, verificamos que a conta 128116 - ADM DECATUR EXEC FUTUROS, onde estão escrituradas a "conta-corrente" entre a ADM do Brasil e ADM Company (operações de adiantamento de Hedge) e operações de remessas/recebimentos de câmbio relativos ao Hedge, inicia o ano de 2004 com um saldo credor de R$ 530.905.477,65 (Hedge relativos aos anos anteriores), restando um saldo credor final de R$ 13.698.517,05 (anos posteriores). Diante destes dados, podemos concluir que a diferença entre os saldos, no valor de R$ 517.206.960,60, não se refere ao ano calendário de 2004, não sendo apurados no resultado deste exercício (fls. 1940/1994); • A ADM do Brasil escritura em seus livros as operações de hedge de contratos futuros como Custo de Mercadorias Vendidas (vide Livro Razão - conta "423130 - Ajuste Hedge Contr. Fut. Fech." - fls. 1995/2019) e a variação cambial, os juros e as comissões como despesas (entendemos como despesas acessórias as operações de Hedge). Estes custos e despesas serão glosados pois não houve sua efetiva comprovação, e conseqüentemente será levantada nova base de calculo (Lucro Real) para apuração do Imposto de Renda e Contribuição Social. A autoridade lançadora também fez ponderações específicas quanto à determinação dos valores lançados: 4. INFRAÇÕES APURADAS - -OMISSÃO DE RECEITAS 4.1 - GLOSA DE CUSTOS Verificamos na contabilidade eletrônica da empresa que os valores informados como pagamentos de margens de garantia de contratos futuros de Hedge fechados foram contabilizados na conta "423130 - Ajuste Hedge Contratos Futuros Fechados", levada como Custo da Mercadoria Vendida no encerramento do exercício. Considerando a falta de comprovação da transferência de recursos em nome da ADM do Brasil para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago, estes custos serão glosados e será refeita a apuração do resultado do exercício. O valor apurado como Custo de Mercadoria Vendida, relativo ao Hedge informado, é de R$ 885.797.100,45 (oitocentos e oitenta e cinco milhões e setecentos e noventa e sete mil, cem reais e quarenta e cinco centavos), conforme Livro Razão, conta 423130 e balancete as fls. 1530 e 1995/2019. A glosa de custos tem sua fundamentação legal nos artigos 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 289, 290, inciso I, 292, 300 e 396 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). 4.2 — GLOSA DE DESPESAS As despesas acessórias com as operações de Hedge (variação cambial, juros e comissões), contabilizadas na conta "128116-501 — ADM DECATUR EXEC FUTUROS", foram utilizadas como deduções na demonstração do resultado do exercício. Considerando a falta de comprovação da transferência de recursos em nome da ADM do Brasil para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago, isto é, que os pagamentos das margens de garantia dos contratos futuros de hedge fechados não foram comprovados (principal), conclui-se que as despesas acessórias (juros, variação cambial e comissões relativas a estas operações) também não foram comprovadas, de forma que estas despesas serão glosadas e será refeita a apuração do resultado do exercício. O valor apurado como despesas acessórias com atividades de Hedge foi de R$ 102.659.703,00 (cento e dois milhões, seiscentos e cinqüenta e nove mil, setecentos e três reais), calculado da seguinte: Histórico Valor Remessas de Divisas ao Exterior - Hedge — Vide Constatações 1.505.663.764,05 (-) Saldo Inicial da Conta 128116-501 — ADM DECATUR 530.905.477,65 (+) Saldo Final da Conta 128116-501 -ADM DECATUR 13.698.517,05 (-) Custos da Operação de Hedge — Conta 423130— item 4.1 do Termo 885.797.100,45 Total de Despesas Acessórias (variação cambial, juros e comissões) 102.659.703,00 Obs: 1) Vide cálculos apresentados pelo contribuinte (fls. 1939) que serviram como base, pois são valores bem próximos aos utilizados e utilizam a mesma regra de calculo. 2) Utilizamos os valores declarados nos documentos entregues, livros fiscais e balancete (fls. 17/89, 1530, 1940/1994 e 1995/2019). A glosa de despesas tem sua fundamentação legal nos artigos 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299, 300 e 396, do RIR/99.do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). 5. FORMA DE TRIBUTAÇÃO, ALÍQUOTAS E BASE DE CALCULO. No caso em questão, o contribuinte submete-se às regras de apuração do IRPJ e da CSL pelas regras do LUCRO REAL conforme sua declaração de IRPJ (fls. 2020/2079). Conforme verificado no Demonstrativo do Resultado e Ajustes do Lucro Liquido (DIPJ e LALUR— fls. 2020/2079 e 1552/1599), verificamos que após as receitas e custos escriturados pelo contribuinte, o mesmo obteve Lucro Real ao final do exercício, Lucro este que após as glosas efetuadas pela fiscalização mencionadas no decorrer do relatório, será recalculado conforme abaixo demonstrado: Demonstração do Resultado Discriminação Valor apurado pelo contribuinte Valor Apurado pela fiscalização (após glosas) Receita Liquida da Atividade 5.527.847.817,83 5.527.847.817,83 (-) Custo das Mercadorias e Serviços Vendidos (1) -5.327.012.457,69 -4.441.215.357,24 Lucro Bruto 200.835.360,14 1.086.632.460,59 (-) Despesas / (+) Receitas Operacionais (2) -242.285.581,20 -139.625.878,20 Lucro Operacional -41.450.221,06 947.006.582,39 (+) Receitas / (-) Despesas Não Operacionais 174.563,51 174.563,51 Resultado do Período -41.275.657,55 947.181.145,90 (+) Adições / (-) Exclusões (3) 207.804.771,90 207.804.771,90 Lucro Real antes da Compensação de Prejuízos 166.529.114,35 1.154.985.917,80 (-) Compensação de Prejuízos -49.958.734,30 -49.958.734,30 Lucro Real/Prejuízo Fiscal 116.570.380,04 1.105.027.183,49 Obs: (1) Os custos das mercadorias relativos aos contratos de hedge fechados, no valor de R$ 885.797.100,45, foram glosados pela fiscalização; (2) As despesas da variação cambial realizada, juros e comissões, relativas aos contratos de Hedge fechados, no valor de R$ 102.659.703,00, foram glosadas pela fiscalização; (3) As despesas de variação cambial não alteram as adições/exclusões, pois já foram realizadas quando do fechamento dos contratos de hedge; Cientificada do lançamento em 29/12/2009, a contribuinte apresentou impugnação estruturada sob os seguintes tópicos: CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES SOBRE A IMPUGNANTE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO EM DECORRÊNCIA DA NÃO OBSERVÂNCIA DA POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DOS TRIBUTOS DECORRENTES DE OPERAÇÕES DE HEDGE REALIZADAS NO EXTERIOR NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO EM DECORRÊNCIA DA OBRIGATORIEDADE DE O D. AGENTE FISCAL CONSIDERAR AS ANTECIPAÇÕES DE IRPJ E CSLL REALIZADAS NO DECORRER DO ANO-CALENDÁRIO NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR CONTA DA INSUBSISTÊNCIA DA AUTUAÇÃO FISCAL – FALTA DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL E DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL NULIDADE DE PARTE DA AUTUAÇÃO FISCAL PELA FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS PARA A DEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS COM JUROS E COMISSÕES, BEM COMO DAS VARIAÇÕES CAMBIAIS INCORRIDAS PELA IMPUGNANTE – NECESSIDADE, NORMALIDADE E USUALIDADE DO MÉRITO 1 – DAS OPERAÇÕES DE HEDGE REALIZADAS PELA IMPUGNANTE – DA INCONGRUÊNCIA DOS DADOS DO BACEN – DO QUADRO COMPARATIVO ELABORADO PELO D. AGENTE FISCAL – DA INSUBSISTÊNCIA DO OBJETO DA AUTUAÇÃO – DAS OPERAÇÕES DE HEDGE PRATICADAS PELA IMPUGNANTE 2 – DA DEDUÇÃO DE DESPESAS USUAIS E NECESSÁRIAS 3 – AD ARGUMENTANDUM – DA DEDUTIBILIDADE DAS PERDAS AUFERIDAS EM OPERAÇÕES DE HEDGE REALIZADAS NO EXTERIOR, AINDA QUE NÃO FOSSEM CONSIDERADAS OPERAÇÕES REALIZADAS EM BOLSA 4 – DA ILEGALIDADE DA INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO: A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que: A arguição de nulidade do lançamento não deve prosperar, porque não se vislumbra, no presente caso, qualquer óbice que determine a precariedade dos lançamentos realizados pelo Fisco, uma vez que foram realizados nos moldes estabelecidos pelo Código Tributário Nacional, não se configurando qualquer violação ao que o mencionado diploma legal dispõe e, tampouco, ao artigo 59 do Decreto n° 70.235/1972. Os Autos de Infração foram lavrados por autoridade administrativa plenamente vinculada, respeitando os devidos procedimentos fiscais, previstos na legislação, e com a correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, além do que a descrição dos fatos e as provas juntadas ao processo permitem esclarecer a causa das autuações, bem como toda a sistemática aplicável à constituição dos créditos tributários e, por sua vez, a argumentação desenvolvida pela interessada na peça impugnatória permite concluir que o motivo das autuações foi compreendido, tanto que contestado. Quanto às alegações da não observância do procedimento previsto no Parecer Normativo nº 02/1996 no tocante à postergação de pagamentos, da ausência de dedução dos recolhimentos efetuados pela interessada a titulo de antecipações no ano-calendário de 2004 na apuração da base tributável e de equívocos cometidos pelo D. Agente Fiscal na apuração dos tributos supostamente devidos esclareceu que elas seriam oportunamente abordadas, visto se tratarem de questão de mérito, não ensejando, deste modo, nulidade dos referidos lançamentos. No mérito, embora reconhecendo que a interessada entregou uma enorme gama de documentos com o objetivo de comprovar a aplicação dos recursos em operações de hedge dos contratos futuros de soja e derivados, observou que as glosas foram promovidas porque entendeu a fiscalização que nenhum deles comprovou a efetiva aplicação dos recursos transferidos ao exterior pela ADM do Brasil na operação de hedge alegada, para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago. E, tratando-se de matéria de prova, invocou o disposto nos art. 251, parágrafo único, 264 e 396, todos do RIR/99, no sentido de que os resultados líquidos de operações de cobertura em Bolsa no Exterior realizados diretamente pela empresa brasileira devem ser comprovadas por documentação hábil e idônea (incluindo a demonstração de que foram realizadas pela empresa brasileira). Declarou impertinentes as alegações relativas à dedutibilidade dos referidos custos tendo em vista a necessidade, usualidade e normalidade dos mesmos bem como das alegações relativas à dedutibilidade das perdas auferidas em operações de hedge realizadas no exterior, ainda que não fossem consideradas operações realizadas em Bolsa, e afastou a aplicação do Parecer Normativo n° 2/96 uma vez que não foi verificada inobservância de regime de competência na escrituração de receitas, custos ou despesas. Centrando-se na lide propriamente dita, asseverou que a interessada não logrou comprovar, nem durante o procedimento de fiscalização, nem na impugnação, momento propício para contraditar, com documentos hábeis e idôneos, a transferência de recursos da ADM Investor Services, em nome da ADM do Brasil, para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago, e declarou válida a glosa promovida. Desmereceu a afirmação de que "não é possível fazer a demonstração dos pagamentos feitos pela impugnante a Bolsa de Chicago", pois, em se tratando de custos, que têm o condão de reduzir o lucro liquido do exercício e, conseqüentemente, o crédito tributário devido, é seu o ônus de provar a sua existência. Citou doutrina neste sentido. Quanto à afirmação de que as operações estariam devidamente registradas na contabilidade, salientou que a credibilidade dos assentamentos contábeis não se operacionaliza pelo simples fato de tê-los apenas na conformidade da técnica mas, também, se funda nos Princípios e Convenções que norteiam a Ciência Contábil, especialmente os da Continuidade, Oportunidade, Competência e da Consistência, o que exige disponibilização da documentação hábil, idônea que resguarda a escrituração. Citou jurisprudência administrativa neste sentido e frisou o fato de o procedimento fiscal ter decorrido de demanda externa requisitória solicitada pelo Ministério Público Federal e Banco Central do Brasil, muito embora a infração tenha decorrido da falta de atendimento às intimações e reintimações feitas à empresa para que prestasse esclarecimentos acerca das remessas de divisas ao exterior em pagamento a cobertura de margens de contratos futuros de soja e seus derivados, solicitada pela Bolsa de Mercadorias de Chicago, em virtude das operações de hedge de commodities agrícolas. Quanto aos contratos de câmbio apresentados, destacou que não obstante a afirmação de que a conta-corrente indicada para crédito nos contratos de câmbio (fl. 17/89) ser a mesma, tem-se como destinatários dos recursos a ADM Company e ADM Investor Services, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal. Registrou que inconsistências no quadro elaborado pela Fiscalização não maculam o lançamento. E, quanto aos valores relativos à variação cambial, juros e comissões, ratifica-se correta a glosa dos mesmos, pois, como não restaram comprovados os pagamentos de margens de garantia de contratos futuros de hedge fechados, as despesas acessórias também não estão confirmadas, devendo receber necessariamente o mesmo tratamento tributário. Frisou tratar-se de interpretação sistemática das normas jurídicas disciplinadoras da dedutibilidade das despesas para efeitos fiscais. Declarou insuficientes as tabelas acostadas aos autos na impugnação intituladas Doc. 10-a, Doc. 10-b e Doc. 10-c elaboradas pela própria interessada, sem a apresentação de sua escrituração fiscal/contábil (inclusive livro LALUR) e dos documentos pertinentes, para prova da alegada adição de parte das variações cambiais glosadas. Quanto à apuração dos tributos lançados, tendo em conta o que informado pela contribuinte em DIPJ, e o demonstrativo apresentado pela Fiscalização, assevera que foi efetuado recalculo do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL relativos ao ano-calendário de 2004, sendo considerados como valor tributável somente a infração no valor de R$ 988.456.803,45, que corresponde à diferença entre os valores apurados pela fiscalização e os valores informados pela interessada em sua DIPJ. Acrescentou que não houve erro no cálculo do limite do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL utilizados, pois segundo informações do Sistema SAPLI/RFB (Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais — fl. 2681/2685) e do Sistema SACS/RFB (Demonstrativo da Base de Cálculo Negativa da CSLL — fl. 2686/2687) e na DIPJ 2009/2008 (fl. 2735), os saldos existentes em 2004 foram integralmente utilizados em períodos subseqüentes. Ainda, observou que não foi considerada a dedução do valor de R$ 240.000,00 quando do cálculo do adicional de 10%, pois esse somente pode ser utilizado uma única vez. E, relativamente às antecipações de IRPJ e CSLL declaradas na DIPJ 2005/2004, constatou que seus valores foram utilizados para quitar o valor de IRPJ devido declarado de R$ 29.118.595,02 e o saldo negativo apurado no valor de R$ 108.620.949,89 foi objeto de diversas DCOMP, conforme Relatório do Sistema PER/DCOMP/SIEF/RFB (fl. 2688/2689); o mesmo ocorrendo com as antecipações de CSLL. Afastou a aplicação da Solução de Consulta Interna n° 23, de 21 de dezembro de 2006, vez que foi lançada, como já visto, a diferença entre os tributos apurados após as glosas e os declarados. Por fim, declarou válida a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Cientificada da decisão de primeira instância em 09/11/2010 (fl. 2765), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 08/12/2010 (fls. 2768/2848), acompanhado dos documentos de fls. (2847/2876), no qual reprisa os argumentos apresentados na impugnação. Antes, porém, descreve o papel da recorrente em seu ramo de atividade, destacando que o grupo do qual faz parte (Archer Daniels Midland, com sede em Decatur, Estado de Illinois, EUA) ser líder mundial no desenvolvimento responsável e sustentável da agricultar e bionergia, atuando desde 1923 e contando com mais de 28.000 colaboradores em 60 países. A subsidiária no Brasil, por sua vez, é responsável pela comercialização de mais de 9 milhões de toneladas de sementes de oleaginosas, milho e trigo por ano, contando com 73 filiais e 3.000 funcionários, movimentando mais de 65% do total de soja produzido no Brasil, juntamente com outras três empresas (Bunge, Cargil e Dreyfus), processando 3,5 milhões de toneladas de soja por meio de suas quatro fábricas no Brasil, e atuando, também, nos ramos de fabricação e comercialização de fertilizantes, biodiesel e álcool extraído de cana-de-açúcar. Reputa necessárias estas considerações para demonstrar o volume de commodities regularmente negociado pelo Grupo ADM, inclusive a Recorrente, bem como a necessidade de uma estrutura dedicada para operar o grande volume de operações de hedge. Reitera a arguição de nulidade do lançamento porque (a) não foi observado o procedimento previsto no artigo 273 do Regulamento do Imposto sobre a Renda de 1999, no tocante à postergação de pagamentos; (b) na apuração da base tributável, não se procedeu à dedução dos recolhimentos efetuados pela Recorrente a titulo de antecipação no ano-calendário de 2004, em conformidade com Solução de Consulta Interna n° 23/06; e (c) foram cometidos diversos outros equívocos pelo D. Agente Fiscal na apuração dos tributos supostamente devidos. Afirma a ocorrência de postergação em razão da tributação de lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior pelas pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil (art. 25 da Lei nº 9.249/95 e art. 21 da Medida Provisória nº 1.858/99), relativamente à qual inexiste qualquer restrição à compensação de prejuízos ou perdas em operações realizadas no exterior com lucros lá auferidos, como bem expressa o art. 7o, inciso II da Instrução Normativa SRF nº 633/2006, em consonância com o art. 76, §§ 4o e 5o da Lei nº 8.981/95. Em conseqüência, os resultados líquidos negativos apurados em operações realizadas no exterior, que não se enquadrem como operações de cobertura (hedge) realizadas diretamente em bolsa de valores, poderão ser utilizados para absorção de resultados líquidos positivos apurados em exercícios subseqüentes. Entende que ofende o conceito de renda e lucro não se permitir a utlização de prejuízos e perdas apuradas em operações realizadas no exterior em determinado ano-calendário para a absorção de resultados líquidos positivos apurados em exercícios posteriores, motivo pelo qual é inadmissível a exigência de tributos sobre a glosa de R$ 885.797.100,45, uma vez que esse valor, ou ao menos parte dele, já foi oferecido à tributação, já no ano-calendário seguinte. Nos termos do art. 273 do RIR/99, quando o contribuinte computar na apuração do lucro real uma dedução que apenas poderia ocorrer em período-base futuro, aplica-se a regra relativa à postergação do pagamento. Nulo é o lançamento em razão de erro no critério jurídico adotado, pois, nesses casos, o lançamento de eventual diferença deve ser feito pelo valor liquido, compensando-se o valor do pagamento realizado em outro exercício ao que o contribuinte tinha direito. Cita jurisprudência administrativa neste sentido. Frisa que o lançamento foi formalizado porque no entendimento do D. Agente Fiscal, e que foi mantido pela decisão da DRJ/RJ, tal resultado negativo não poderia ter sido deduzido para fins de apuração do IRPJ e da CSLL no ano-calendário de 2004, mas apenas e tão somente utilizado na absorção de resultado positivo apurado no ano-calendário subseqüente (2005). Indica o documento nº 2, juntado à impugnação, como prova de que no ano-calendário subseqüente (2005), embora a Recorrente tenha apurado resultado positivo em operações realizadas no exterior, ela não mais possuía nenhum resultado liquido negativo apurado em período anterior, de forma que não houve qualquer redução dos resultados positivos apurados no ano de 2005, bem como traz quadros comparativos, em seu recurso, para demonstrar os efeitos do pagamento postergado alegado. Reporta-se aos documentos nº 3 e 4, juntados à impugnação, que provariam os pagamentos efetuados em 2005, e reafirma a aplicação do Parecer Normativo COSIT nº 2/96. Esclarece que o erro no critério jurídico utilizado pela autoridade lançadora enseja a nulidade do lançamento, ao contrário de um simples erro de fato. No que tange à nulidade decorrente da desconsideração das antecipações realizadas no ano-calendário 2004, destaca que a constituição da obrigação tributária somente pode ser feita em estrita conformidade com o que está disposto em lei, e esta prescreve que as antecipações devem ser deduzidas ao final do período de apuração correspondente, para fins de determinação do tributo devido. Afirma novamente que há erro de direito, ou erro no critério jurídico utilizado, pois a autoridade lançadora deixou de observar o que determina a lei para fins de apuração do quantum debeatur de IRPJ e CSLL na sistemática do lucro real anual. Demonstra que, admitindo as antecipações de 2004, o IRPJ devido seria reduzido de R$ 247.114.200,86 para R$ 80.097.506,33, e a CSLL de R$ 88.961.112,31 para R$ 28.637.099,64. Especifica a forma de quitação das estimativas apontadas para aquele ano-calendário, e conclui que o lançamento carece de elemento essencial, qual seja, seu motivo. Opõe-se à cogitação de que a compensação das antecipações de IRPJ e de CSLL realizadas no decorrer do ano-calendário com os tributos apurados no final do período seriam mera faculdade conferida aos contribuintes, invocando o entendimento firmado na Solução de Consulta Interna COSIT nº 23/2006 e discordando da interpretação que lhe foi dada na decisão recorrida. Defende que naquele ato determinou-se, para toda e qualquer constituição de ofício de IRPJ e CSLL, a dedução das retenções na fonte ou antecipações referentes às receitas compreendidas na apuração, entendimento também refletido no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 58/94 e em acórdãos administrativos que cita. Alerta que a manutenção da autuação fiscal, com redução, apenas, do montante exigido por meio da dedução de estimativas, consiste alteração no critério jurídico do lançamento, e é vedado pelo art. 146 do CTN. Por fim, no que tange à nulidade decorrente da falta de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, aduz que o lançamento exige prévio levantamento e o exame completo de toda a documentação relativa à apuração do IRPJ e da CSLL, ao passo que a autoridade lançadora optou por proceder ao lançamento com base tão somente nos valores dos custos e despesas por eles glosados, sem apurar efetivamente o lucro real e a base de cálculo da CSLL. Claro está nos autos de infração que os valores exigidos correspondem exatamente à aplicação do percentual de 34% (25% de IRPJ e 9% de CSLL) sobre os custos e despesas glosados, desconsiderando as antecipações, o limite de isenção do adicional do IRPJ e a possibilidade de maior compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, ante o incremento das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Discorda da argumentação da autoridade julgadora de 1a instância quanto à indisponibilidade das antecipações, já utilizadas em compensação, reafirmando o dever da autoridade fiscal de recalcular todo o lucro real e toda a base de cálculo da CSLL da Recorrente. Da mesma forma reporta-se à impossibilidade de compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas aventada na decisão recorrida, acrescentando que caso fosse o necessário, deveria a Fiscalização, posteriormente, autuar a Recorrente nos anos-calendário de 2005 e 2006 para a cobrança de IRPJ e CSLL devidos em razão da inexistência de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL. Ressalta, por fim, que não pode esse Egrégio Conselho, tampouco a autoridade lançadora, realizar o cálculo correto dos tributos lavrados, a pretexto de corrigir o lançamento fiscal. Caso assim proceda, estará realizando a atividade de lançamento, o que é vedado pela legislação vigente. Cita jurisprudência administrativa neste sentido e conclui pedindo que seja declarada a nulidade dos autos de infração. Ainda argüindo a nulidade do lançamento, mas agora apenas no que tange à glosa de juros, comissões e variações cambiais, discorda da conclusão fiscal de que tais despesas seriam acessórias às despesas de hedge e, portanto, indedutíveis, sem qualquer análise da aplicação da regra de dedutibilidade cabível. Cita o art. 299 do RIR/99 e o Parecer Normativo CST nº 32/81 para expressar o seu entendimento sobre o que é uma despesa necessária e usual, concluindo depois que só seria possível glosar a dedutibilidade de tais despesas para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL da Recorrente, caso a Fiscalização comprovasse que elas não preenchem os requisitos previstos no artigo 299 do RIR/99, o que todavia, não foi feito. Assevera que as operações e as margens de cobertura foram verificadas e atestadas pela própria Fiscalização, e a alegação de não terem sido efetuadas em bolsa não afeta a dedutibilidade dos demais encargos, especialmente em relação às variações cambiais que são despesas incorridas no País. Como eram necessárias as operações de cobertura, lícita é a dedução dos juros, comissões e variações cambiais. Especialmente em relação às variações cambiais, destaca que a fiscalização valeu-se apenas da “acessoriedade” das despesas para a glosa, sem ter em conta o momentum da liquidação das operações de hedge praticadas, em consonância com o regime de caixa imposto pelo art. 30 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, para tributação destes valores. Acrescenta que adicionou ao lucro real e à base de cálculo da CSLL o montante de R$ 38.561.164,02 do total de variações cambiais glosadas pela Fiscalização. Finaliza seu pedido de declaração de nulidade do lançamento aduzindo: Ora, se uma simples indagação à Recorrente no curso do processo de fiscalização ou, então, breve folheada no Livro de Apuração do Lucro Real seria suficiente para afastar a tributação das despesas com juros, comissões e variações cambiais incorridas pela Recorrente, não se pode afirmar, com consciência tranquila, que houve observância ao art. 142 do CTN e aos bons princípios da administração publica. Pretende, também, a declaração de nulidade da decisão recorrida, uma vez que deixou de apreciar todas as razões de defesa suscitadas pela Recorrente. Relaciona os tópicos de sua defesa, aduz que os julgadores de 1a instância limitaram-se a se manifestar, vagamente, sobre alguns pontos levantados na impugnação, e aponta, a título de exemplo, que ante a longa argumentação acerca da nulidade do auto de infração em razão da não observância da postergação do pagamento dos tributos decorrentes de operações de hedge realizadas no exterior, a autoridade julgadora não se manifestou acerca dos argumentos ventilados na defesa, tais como aplicabilidade do artigo 273 do RIR no presente caso, ocorrência de erro material, dentre outros. No mérito, desde o início de sua defesa questiona a exigência de extrato emitido pela Bolsa de Chicago acerca de operações de hedge ali efetuada em nome da Recorrente, pois referido documento não existe e não pode ser obtido dada a sistemática de funcionamento daquela instituição. Destaca a apresentação de farta e robusta documentação plenamente hábil a comprovar que suas operações de hedge foram contratadas em bolsa no exterior, por ela assim resumidos: • Extratos das operações de hedge efetuadas. pela Recorrente, que contém todas as informações das operações efetuadas (fls. 98 a 678); • Razão contábil da conta ADM DECATUR EXEC FUTUROS mantida pela Recorrente, que atesta as movimentações das operações de hedge efetuadas (fls. 679 a 708); • Contratos de câmbio comprobatórios das remessas e recebimentos relativas As operações de hedge da Recorrente (fls. 16 a 89); • Relatório dos pagamentos efetuados pela ADM Financeira para a Bolsa de Chicago e respectivas transferências (fls. 1017 a 1030); • Extrato diário com o cálculo da variação de margem emitido pela Bolsa de Chicago (fls. 1025 a 1483); Ademais, como a autoridade fiscal reconheceu que "os relatórios apresentam cálculos corretos dos valores das margens dos contratos futuros das operações de Hedge alegadas pelo contribuinte", claro está que o lançamento somente foi lavrado em razão da suposta falta de apresentação do já mencionado extrato emitido pela Bolsa de Chicago. Assevera que as operações de hedge representam verdadeiro imperativo às atividades desenvolvidas pela Recorrente, representando despesas absolutamente usuais e necessárias à consecução de seus objetivos sociais. Mais à frente, acrescenta que as bolsas de mercadorias no Brasil não são capazes de absorver e conferir liquidez às transações realizadas pelo Grupo ADM, dado o volume das atividades comerciais – e por conseqüência, de operações de hedge – realizadas pela Recorrente. Transcreve artigo publicado na Revista Economia e Agronegócio atestando que a BM&F não possuía a liquidez necessária para garantir aos agentes de mercado de soja a efetividade buscada para seus instrumentos de hedge, havendo inclusive o risco dos agentes locais não serem capazes de fechar suas posições. Exemplifica que realizou cerca de 139.000 contratos de hedge, dos quais apenas 2% poderiam ser absorvidos pela BM&F. Daí a imperatividade da realização das operações de hedge junto à Bolsa de Chicago, e a submissão da recorrente às normas regulatórias desta entidade e das autoridades competentes dos Estados Unidos da América. Descreve o fluxo operacional de suas atividades, consistentes em realizar negócios de compra com entrega física futura de soja com os produtores rurais ou exportadores ao redor do mundo e fechar contratos de venda dessa natureza com seus clientes locais ou internacionais, de forma que as operações de hedge destinam-se a reduzir os riscos das flutuações dos preços de soja entre a data da compra e/ou venda da soja e o seu recebimento e/ou entrega física. Especifica que: 163. Para efetuar as operações de hedge, as subsidiárias do Grupo ADM ao redor do mundo inserem os dados de suas respectivas operações comerciais em um único sistema de computador, o qual é administrado pela ADM Trading Company ("ADM Trading"). Ao inserir os dados no referido sistema, as subsidiárias do Grupo ADM submetem à ADM Trading as correspondentes ordens de hedge ("Ordem"), que nada mais são do que as posições contrárias àquelas contratadas fisicamente com os produtores rurais ou cliente das empresas do Grupo ADM. Na colocação da Ordem, são informados o número da conta de controle da subsidiária, o tipo e quantidade de mercadoria a ser coberta pelo hedge, o tipo de operação (compra ou venda) e a data de opção da mercadoria na Bolsa de Chicago. 164. Cada Ordem configura um contrato, o que implica a obrigação de compra ou venda do tipo e quantidade de mercadoria estabelecidos na Ordem, na data de entrega ali prevista, conforme precificação de mercado listada na Bolsa de Chicago. [...] 166. Em resumo, as Ordens são inseridas no sistema administrado pela ADM Trading, que centraliza e consolida as Ordens de todas as subsidiárias e, na sequência, transfere essas exposições a ADM Financeira, entidade financeira que executa tais Ordens junto à Bolsa de Chicago. [...] 168. A centralização das Ordens de todas as subsidiárias, efetivada pelo sistema da ADM Trading, importa dizer, dentre outros fatores, decorre da necessidade de melhor cumprir as regras do Grupo CME, controlador da Bolsa de Chicago e do órgão regulador norte-americano (i.e., the Commodity Futures Trading Commission ("CFTC")). Essas regras, como ditas anteriormente, não são aplicáveis a qualquer entidade que busque realizar operações de hedge na Bolsa de Chicago, mas apenas as empresas do porte do Grupo ADM, que operam volume imenso de transações e possuem inúmeras subsidiárias que precisam, ao mesmo tempo, ter acesso a Bolsa de Chicago. 169. A fim de comprovar o que consta no parágrafo anterior, a Recorrente anexa ao presente recuo carta preparada pelos Srs. Scott E. Early e Kathryn M. Trkla, ex-diretor jurídico e ex-vice-presidente da Bolsa de Chicago, respectivamente (doc. 03). Passando à exposição do fluxo de pagamentos de suas atividades, a recorrente inicialmente destaca que a ADM Financeira é um membro de compensação qualificado do Grupo CME [que integra as Bolsas de Valores e de Mercadorias e Futuros de Chicago e de New Yokr], o que a autoriza a atuar junto as bolsas de valores e mercadorias e futuros do Grupo CME, em nome do Grupo ADM e de outros clientes (terceiros não relacionados) na qualidade de instituição financeira, acrescentando que sua atividade é altamente regulada, dado atuar nas maiores Bolsas de mercadorias e futuros do mundo e influenciar nos investimentos realizados por milhões de investidores ao redor do mundo. Aponta, ainda, declaração à fl. 1010 que confirma a atuação da ADM Financeira como membro da Câmara de Compensação da Chicago Mercantile Exchange (CME). Frisa, ainda, na referida declaração, o fato de a Bolsa de Chicago não emitir extratos diretamente ao Grupo ADM, a evidenciar que a falta de apresentação de tal documento, portanto, não decorre de um descuido, desídia ou falha por parte da Recorrente em "conservar em ordem, documentos e papéis que se refiram a atos e operações que modifiquem ou possam vir a modificar a sua situação patrimonial", como consignado na ementa da r. decisão recorrida, já que se trata de documento inexistente cuja obtenção é impossível! Acrescenta que a liquidação das operações intermediadas pela ADM Financeira é feita mediante pagamentos centralizados e consolidados à Bolsa de Chicago, estando parcialmente correta a afirmação fiscal acerca destes pagamentos globais, com exceção de que as transferências à Bolsa de Chicago, por determinação das normas dos órgãos regulatórios norte-americanos, são feitas em dois grupos, para manter os recursos recebidos de seus clientes separadamente daqueles de titularidade das empresas do Grupo ADM. Esclarece, assim, que a conta NSEC CLR PB 905 – ADM Investor Services consolida somente operações do Grupo ADM liquidadas pela ADM financeira. Asseverando que os recursos necessários para os pagamentos à Bolsa de Chicago são adiantados à ADM Financeira pela ADM Co., descreve o fluxo de pagamentos nos seguintes termos: • Diariamente, a ADM Financeira realiza dois grupos de pagamentos das margens contratadas naquele dia, um grupo se refere às transações do Grupo ADM e outro relativo às operações de seus demais clientes. • A entrega dos recursos para o pagamento efetuado pela ADM Financeira à Bolsa de Chicago é realizado pela ADM Co., gerenciadora de caixa do Grupo ADM. • A ADM Co., por seu turno, é ressarcida dos pagamentos à ADM Financeira pelas subsidiárias do Grupo ADM, dentre elas a Recorrente. • Vale notar que os hedges executados podem gerar ganhos ou perdas às subsidiárias do Grupo ADM, razão pela qual a ADM Co. pode receber ou realizar pagamentos em relação a cada uma das subsidiárias do Grupo ADM, dentre elas a Recorrente. Assim, na medida em que o mecanismo de contratação e liquidação das operações de hedge junto à Bolsa de Chicago envolve a centralização e consolidação do fluxo de pagamentos na ADM Financeira, impossível era a prova requerida pela Fiscalização. Acrescenta que a atuação da ADM Company é normal, pois seria praticamente impossível a realização de remessas internacionais diárias para a cobertura das margens à ADM Financeira, realizando-se adiantamentos e promovendo-se reembolsos mediante conta-corrente dentro do mesmo grupo econômico. Mais a frente reafirma que a conta-corrente indicada nos contratos de câmbio é sempre da ADM Company, embora a ADM Financeira também tenha sido indicada, pela Fiscalização, como destinatária dos recursos. Conclui, diante deste contexto, que os documentos apresentados pela Recorrente ao longo do processo de fiscalização que atestam as remessas efetuadas à ADM Co. a titulo de ressarcimento das margens cobertas por tal entidade para a ADM Financeira (fls. 17/89), bem como os comprovantes dos pagamentos efetuados pela ADM Financeira à Bolsa de Chicago (fls. 1025/1043) são prova suficiente da realização das operações de hedge junto à Bolsa de Chicago. E aduz: 201. Adicionalmente, muito embora não seja possível fazer a demonstração dos pagamentos feitos pela Recorrente diretamente a Bolsa de Chicago em razão da regulação vigente nos Estados Unidos, é possível que se realize o confronto dos resultados auferidos pela Recorrente com as suas operações de hedge e se verifique que estes oscilam exatamente conforme as variações dos preços das mercadorias "hedgeadas" na Bolsa de Chicago. Este, fato, ressalte-se, foi expressamente reconhecido pelo D. Agente Fiscal. Ora, quer parecer à Recorrente que tal evidência constitui prova mais do que suficiente de que as operações foram realizadas em bolsa, o que as tornam dedutíveis tanto para fins de apuração do IRPJ, quanto para fins de apuração da CSLL. Sobre esse aspecto, no entanto, silenciou a r. decisão recorrida. Aborda, também, a incongruência dos dados do BACEN, inicialmente mencionando que a decisão recorrida preferiu silenciar sobre estes argumentos, aduzindo que eles não se prestaram como fundamento da autuação. Procura esclarecer as afirmações contidas no Ofício (incremento de remessas e desproporção do montante de remessas), reportando-se a uma forte pressão sobre os preços internacionais da soja, verificada no início de 2004, e à demanda crescente do produto por parte da China, o que enseja um incremento nas suas receitas de vendas de produto, mas também acarreta perdas equivalentes nos contratos de hedge, dada a assunção de obrigações substancialmente opostas. Ante as maiores perdas, maiores foram as remessas constatadas pelo BACEN, mas também maior foi o faturamento em razão do aumento dos preços de venda, e por conseguinte, a base de cálculo dos tributos devidos pela recorrente. Quanto à constatação fiscal de que em 2004 foram realizadas remessas relativas a contratos de hedge liquidados em anos anteriores, aduz que: 215. Em planilha que seguiu anexa à impugnação apresentada, a Recorrente corrigiu as distorções das informações consignadas no Termo de Verificação Fiscal, já que pretendeu comparar valores das remessas realizadas pela Recorrente no ano de 2004 (fluxos de pagamento) com os registros contábeis das operações escriturados na conta 128116 - ADM DECATUR EXEC FUTUROS, que seguem o regime de competência. Do total dos recursos remetidos ao exterior pela Recorrente em 2004, US$ 220.829.592,65 se referiam a perdas incorridas em contratos de hedge liquidados em anos anteriores (2001 a 2003). 216. Dado o grande volume de operações de hedge realizadas pela Recorrente, a liquidação financeira individualizada ou até mesmo diária de tais contratos via contrato de câmbio mostra-se praticamente impossível (em 2004 a Recorrente fechou aproximadamente 139.000 contratos de hedge, o que dá uma média diária por dia útil de 579,16 operações). Por essa razão, e considerando que os fluxos financeiros da Recorrente são geridos pela ADM Co., opta-se por liquidar, periodicamente, parte ou totalmente as posições financeiras com aquela empresa. Exatamente isso foi o que aconteceu em 2004. Acrescenta que as informações do BACEN são imprecisas, pois ali não se informa o universo de operações adotado para as inferências feitas. Conclui, assim, que não há como o D. Agente Fiscal ou o BACEN afirmarem que as operações contratadas pela Recorrente são incompatíveis com as suas atividades. Questiona, também, o quadro comparativo entre faturamento de depósito de margens elaborado pela Fiscalização, asseverando que: 1) o valor apontado como a totalidade das margens cobertas pela ADM Company está incorreto, pois já representa os pagamentos efetuados pela ADM Financeira em prol da ADM Company; 2) o faturamento da ADM Company refere-se ao ano fiscal que vai de 01/07/2003 a 30/06/2004, distinto da base de comparação; 3) o pagamento efetuado à ADM Financeira envolve todas as subsidiárias do Grupo e não pode ser comparado apenas com os resultados da recorrente; 4) a utilização, pela Fiscalização, da taxa média do dólar em 2004 causa distorções em razão do faturamento ter sido convertido, pela contribuinte, mensalmente em razão da taxa vigente. Reiterando o controle ao qual é submetida a ADM Financeira, repudia a afirmação fiscal de facilidade para manipulação de operações, relatórios e contabilidades, incompatível com o reconhecimento, pela própria Fiscalização, de que a contribuinte apresentou cálculos corretos dos valores das margens dos contratos futuros das operações de hedge, e com a clareza dos documentos apresentados para demonstrar a efetividade das operações realizadas em bolsa. Reprisa o conteúdo dos documentos apresentados à autoridade lançadora durante o procedimento fiscal, destaca novamente a compatibilidade destas informações com os demais elementos apresentados à Fiscalização, como por ela reconhecido, e novamente manifesta sua inconformidade com a exigência de documento que não lhe é possível apresentar, sem que uma análise mais aprofundada de suas atividades fosse feita. Ressalta a relevância da exigência e o risco que ela causa à continuidade das atividades da recorrente, e pede a improcedência do lançamento. Ainda, porque representativos de despesas usuais e necessárias, defende a dedutibilidade dos resultados de operações de cobertura de riscos realizadas em outros mercados de futuro no exterior, além de bolsas, desde que admitidas pelo Conselho Monetário Nacional, nos termos do art. 396, §1o do RIR/99 e da Resolução CMN nº 2.012/93. Desde que se trate de operações de hedge vinculadas a operações reais e efetivas de revenda de soja e que sigam rigorosamente os parâmetros de mercado, como no caso presente, tais despesas deverão ser consideradas operacionais e dedutíveis independentemente se realizadas em bolsa ou fora dele. Descreve os três grandes conjuntos de transações que realiza (compra, hedge e revenda), esclarecendo que na primeira fase de compra, em regra no 2o semestre de cada ano, podem ocorrer adiantamentos ou financiamentos de produtores, verificando-se a entrega da soja somente a partir do 2o trimestre do ano seguinte, a exigir precauções quanto às variações de preço até que o produto seja recebido e possa ser revendido, o que compele a recorrente a se valer do instrumento de hedge. Reporta-se a doutrina esclarecendo que o hedge nada mais é que a aquisição de contratos em posição inversa aos contratos já firmados pela sociedade, e acrescenta que num contexto em que os preços dos produtos que comercializa oscilam ao sabor do mercado, deixar de realizar operações de hedge certamente evidenciaria que a Recorrente é mal gerida ou possui grande atividade especulativa. Citando as causas de variação de preços no mercado que atua, conclui que o hedge é usual e necessário às atividades da Recorrente. Constrói exemplo numérico para aclarar tais afirmações, e destaca que a soja, principal produto agropecuário negociado pela Recorrente, no ano de 2004, foi o segundo produto agropecuário brasileiro cujo preço apresentou maior volatilidade. E complementa: 253. Dentro desse mecanismo, mesmo que o preço de mercado da soja suba quando da data de sua colheita e revenda, o valor que a Recorrente receber a mais do seu cliente no mercado externo será remetido ao exterior por força do hedge. De outro lado, caso o valor de mercado caia e, por conseqüência, o cliente externo da soja física pague menos à Recorrente, o hedge propiciará um resultado positivo equivalente ao valor pactuado no contrato e o valor de mercado para essa época. 254. Ao minimizar seus riscos pela contratação das operações de hedge, a Recorrente pode se concentrar em suas atividades principais: a compra, estocagem, distribuição, processamento e revenda de soja. Traça a hipótese de incidência do IRPJ a partir da Constituição Federal para concluir que em decorrência da premissa basilar e irredutível de que apenas podem ser submetidos ao IRPJ (e também CSLL) os acréscimos patrimoniais efetivos, os resultados das operações de hedge contratadas pela Recorrente não podem ser avaliados isoladamente das operações comerciais que pretendem cobrir e, destarte, tributados da forma efetuada pelo D. Agente Fiscal. Novamente menciona que a adição dos prejuízos decorrentes de operações de hedge decorre da suposição de que tais operações não teriam sido praticadas em bolsa. Apresenta mais exemplos numéricos dos resultados que seriam auferidos em caso de valor de mercado superior ou inferior ao preço de compra contratado, para concluir que impedir a dedutibilidade das perdas auferidas nas operações de hedge significaria tributar os ganhos realizados nas operações comerciais da recorrente sem considerar os custos incorridos para a sua consecução, isto é, aqueles decorrentes das operações de hedge. Reporta-se a jurisprudência administrativa contrária a este tipo de entendimento, em situações semelhantes como no caso de despesas de juros incorridos em empréstimos repassados a outras empresas do mesmo grupo econômico. Discorda da interpretação que, a partir do disposto no art. 396 do RIR/99, considera indedutíveis os pagamentos das operações de cobertura não realizadas em bolsas, pois tal implicaria reconhecer que aquela norma visa a locupletar o fisco de forma injustificada, na medida em que seriam tributadas as receitas de venda das mercadorias, mas não seria aceito um importante custo incorrido para que essas mesmas receitas fossem auferidas. Subsidiariamente invoca a aplicação do art. 71 da Lei nº 9.430/96, que em seu entendimento houve por bem estender as demais operações realizadas em mercados de liquidação futura fora de Bolsa (balcão) o mesmo tratamento tributário conferido a tais operações realizadas em Bolsa, dentre as quais se incluem as operações de cobertura. E, considerando o disposto nos arts. 17 e 28 daquela mesma lei, admitido está o cômputo na determinação do lucro real, e da base de cálculo da CSLL, dos resultados líquidos, positivos ou negativos, obtidos em operações de cobertura (hedge) realizadas em mercados de liquidação futura, diretamente pela empresa brasileira, em Bolsas no exterior. Antecipa sua oposição à alegação de que o referido dispositivo legal (art. 71), ao assegurar a dedutibilidade das perdas auferidas nas operações realizadas em mercado de liquidação futura fora de Bolsa, não teria explicitado que tal regra também seria aplicável às operações realizadas no exterior. Segundo Elide Palma Bifano e Luciana Aguiar32 [32 "Anotações sobre Operações Internacionais com a Finalidade de Cobertura ("Hedge"), in "Revista de Direito Tributário Internacional nº 10", ed. Quartier Latin, p. 180.], "á época da edição da L 9.430/96, vigorava o art. 63 da L 8.383/91, que, expressamente, autorizava esse tratamento. Esse fundamento de aplicação de tal regime vigorou até a edição da L 11.033/04, quando o art. 63, em referência, foi revogado. A partir de então, o art. 71 da L 9.430/96 passa a ser aplicado, também, a operações no exterior, com as alterações introduzidas pela L 10.833/03, em seu artigo 48, em seu §2°, autorizando o reconhecimento de perdas nas operações registradas nos termos da legislação vigente". Finaliza defendendo a ilegalidade da incidência de juros sobre a multa de ofício, pois os juros decorrem da utilização do capital alheio, no caso o tributo, ao passo que a multa é pena pecuniária pelo inadimplemento de obrigação. Se os juros remuneram o credor pela privação do uso de seu capital, eles devem incidir somente sobre o que deveria ter sido recolhido no prazo legal, e não foi. Defende que não há previsão legal para incidência de juros sobre a multa, pois a expressão débitos do §3o do art. 61 da Lei nº 9.430/96 diz respeito somente ao valor do principal relativo à obrigação tributária não paga no vencimento, interpretação confirmada em razão do que expresso no art. 43 da mesma lei. Reporta-se a julgados do Primeiro Conselho de Contribuintes, e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, este editado em 09/11/2010, que adotam o entendimento por ela defendido. Ao final, requer, ainda, o procedimento de diligência, na hipótese desse procedimento ser tido como necessário para o esclarecimento de qualquer dúvida acerca dos documentos juntados ao presente processo administrativo, bem como protesta pela produção de todas as provas em Direito admitidas, bem como pela oportuna sustentação oral de suas razões de defesa. Em 22/02/2011 os autos do presente processo foram encaminhados em CARF, e em 21/10/2011 foram distribuídos, mediante sorteio, a esta Relatora. Contudo, em 16/03/2012 a recorrente peticionou nos autos, requerendo a juntada de novos elementos aos autos (fls. 3365/3375), especialmente os seguintes estudos e pareceres jurídicos: Análises em relação aos melhores princípios e práticas de mercado que possibilitassem ao Grupo ADM efetuar operações de hedge na Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago (“Bolsa de Chicago”), promovidas por Professor Steven Thel, I. Maurice Wormser Professor de Direito da Universidade de Fordham em Nova Iorque, em que leciona sobre contratos, lei corporativa e regulamento de valores mobiliários; Análise das operações de Hedge efetuadas pela Requerente no exterior à luz do art. 396 do RIR/99, expressa em parecer do Professor Marco Aurélio Greco; Estudo dos vícios materiais que acarretam a nulidade dos autos de infração, proferido pelo Professor Eurico Marcos Diniz de Santi; Relatório da KPMG acerca da contabilização das operações e a conformidade dos Preços Praticados, com referência a Anexos numerados de 1 a 30, não juntados à petição; Digitalizada apenas a referida petição em 28/03/2012 (os estudos e pareceres acima mencionados acompanharam cópia desta petição apresentada a esta Relatora, mas não foram digitalizados no E-processo), os autos seguiram em 29/03/2012 para vistas da Procuradoria da Fazenda Nacional, que em 31/05/2012 devolveu os autos informando que apresentaria memoriais oportunamente e que realizaria sustentação oral por ocasião do julgamento (fl. 3376/3378). Os autos foram novamente distribuídos a esta Relatora em 12/06/2012, juntamente com os autos do processo administrativo nº 15586.001638/2010-81, que trata de exigência conexa, relativa ao ano-calendário 2006. Em 10/08/2012 foi concluída a digitalização dos demais documentos apresentados pela recorrente em 16/03/2012, estruturados em 30 (trinta) anexos, os quais passaram a integrar as fls. 3379/7301 destes autos. Identificadas falhas na digitalização, esta Relatora requereu sua regularização em 03/10/2012, recebendo em 06/11/2012 os elementos faltantes. Em 06/12/2012 a recorrente apresentou a esta Relatora petição protocolizada no CARF naquela data, requerendo a juntada de Relatório de Comprovação do Hedge em Operações Futuros Realizadas pela Companhia no Ano-Base de 2004, emitido pela empresa de auditoria KPMG, bem como de Relatório de Auditoria Independente das Operações de Futuro e Opções de Commodities Realizadas pela Companhia, emitido pela empresa de auditoria Ernst & Young, acerca das controvérsias objeto de lançamento nestes autos. Além disso, na mesma data, requereu a juntada de parecer emitido pelo Professor Ary Oswaldo Mattos Filho, acerca da interpretação do art. 17 da Lei nº 9.430/96 em razão da forma de operação das Bolsas. O relatório da Ernst & Young, acompanhado de diversos demonstrativos (todos em língua estrangeira), o relatório da KPMG e o parecer do Professor Ary Oswaldo Mattos Filho foram anexados à petição antes referida. Por ocasião de sua apresentação, a recorrente mencionou a existência de documentos que lhes dariam suporte, os quais seriam apresentados no CARF. Consulta ao E-processo evidenciou que a referida petição e os documentos que a instruíram ainda não haviam sido digitalizados até janeiro/2013, bem como que não havia registro da apresentação de outros elementos. Em 12/09/2012, a Assessoria Técnica e Jurídica do CARF (ASTEJ) respondera a Ofício da Procuradoria da República no Espírito Santo, informando que solicitaria prioridade na tramitação do presente processo administrativo. Em 28/11/2012 o mesmo órgão requereu cópias do auto de infração e das decisões já proferidas nestes autos, as quais foram fornecidas pela Presidência desta 1a Seção em 11/12/2012, acompanhadas da informação de que o presente processo seria incluído em pauta na sessão seguinte, em fevereiro de 2013. O litígio não foi apreciado na reunião de julgamento de fevereiro/2013 em razão de pedido de adiamento apresentado pela recorrente. Ao final de fevereiro/2013, foram digitalizados 17 (dezessete) volumes de anexos a estes autos, cuja juntada definitiva ainda não foi promovida no E-processo em razão de o processo encontrar-se pautado para julgamento. Referidos documentos estão intitulados Laudo KPMG – Relatório de comprovação do hedge em operações de futuros realizadas pela Companhia no ano-base de 2004 e reúnem Anexos entre os números 1 e 33, evidenciando tratar-se dos documentos de suporte do documento apresentado a esta Relatora em 06/12/2012, sob o título Relatório de Comprovação do Hedge em Operações Futuros Realizadas pela Companhia no Ano-Base de 2004, emitido pela empresa de auditoria KPMG.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 56; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2231; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C1T1  Fl. 2          1  1  S1­C1T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  15586.001637/2009­01  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  1101­000.077  –  1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  10 de julho de 2013  Assunto  Diligência  Recorrente  ADM DO BRASIL LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado em: 1) por voto de qualidade, REJEITAR as  argüições de nulidade do lançamento por falta de compensação de prejuízos fiscais anteriores e  de dedução de antecipações do próprio período, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso  Benício  Júnior, Nara Cristina Takeda Taga  e  José Ricardo  da  Silva;  2)  por  unanimidade  de  votos, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento vinculada ao cálculo do adicional; 3)  por unanimidade de votos, REJEITAR a  argüição de nulidade do  lançamento decorrente dos  efeitos  da  postergação;  4)  por  unanimidade  de  votos, REJEITAR  a  argüição  de  nulidade  do  lançamento de glosa de  juros, comissões e variações cambiais; 5) por unanimidade de votos,  REJEITAR  a  argüição  de  nulidade  da  decisão  recorrida;  6)  por  maioria  de  votos,  CONVERTER  EM  DILIGÊNCIA  o  julgamento,  divergindo  os  Conselheiros  Nara  Cristina  Takeda Taga e José Ricardo da Silva, que davam provimento ao recurso voluntário, nos termos  do relatório e voto que integram o presente julgado.   (documento assinado digitalmente)  MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO ­ Presidente.      (documento assinado digitalmente)  EDELI PEREIRA BESSA – Relatora  Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira  Valadão  (presidente da  turma),  José Ricardo  da  Silva  (vice­presidente),  Edeli  Pereira Bessa,  Benedicto  Celso  Benício  Júnior,  Mônica  Sionara  Schpallir  Calijuri  e  Nara  Cristina  Takeda  Taga.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 86 .0 01 63 7/ 20 09 -0 1 Fl. 7307DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 3          2  RELATÓRIO  ADM DO BRASIL,  já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela  1ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  do  Rio  de  Janeiro/RJ­I  que,  por  unanimidade de votos,  julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento  formalizado em 29/12/2009, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 797.002.605,17.  O  procedimento  fiscal  foi  motivado  por  demanda  externa  requisitória  do  Ministério  Público  Federal,  objeto  do  Ofício  1890/2008­PR/ES/GAB/LFM,  de  14/05/2008,  reportando­se ao Ofício Decic/Gabin nº 2007/229, de 03/08/2007, no qual a autuada foi citada  como uma das empresas que, no período de 2003 a 2004, efetuaram remessas ao exterior em  pagamento de margem de garantia em Bolsa de Mercadorias no Exterior (hedge), de valores  muito  relevantes  e  aparentemente  incompatíveis  com  os  volumes  de  suas  operações  comerciais, mesmo para empresas de seu porte. Especificamente em relação a ela, constou do  referido ofício o que segue:  d) O significativo incremento observado nas remessas de hedge em todo o País no 2° e  3° T/2004  (fl.  1078)  se deu  em  razão  de  apenas  11 operações  em nome da ADM do  Brasil,  correspondentes  a  US$  269,3  milhões  em  05/2004  e  US$  236  milhões  em  07/2004. Esses valores são equivalentes respectivamente a 82% e 73% do total do País  em  cada  trimestre. O  total  de  remessas  líquidas  naquele  titulo  da  empresa  em  2004  (entradas de US$ 70,5 milhões menos saídas de US$ 555,9 milhões), no total de US$  485,4  milhões,  correspondeu  a  56%  do  total  do  País,  e  a  38%  do  total  de  suas  exportações no mesmo ano (fls. 1081/2). [...]  Tais  informações  foram  encaminhadas  ao Presidente do Conselho de Controle  de Atividades  Financeiras  – COAF,  em  cumprimento  ao  disposto  no  artigo  2°,  §  6°  da  Lei  Complementar 105, de 11.1.2001, e no artigo 11 do Decreto 2.799, de 08.10.1998,  tendo em  conta que elas poderiam configurar, em tese,  indícios de cometimento de crime  tipificado na  Lei  9.613,  de  3.3.1998.  Posteriormente,  a  Procuradoria  da  República  no  Espírito  Santo  encaminhou  aquele  documento  à  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  em  Vitória/ES,  requisitando procedimento fiscal para instrução do procedimento investigatório lá em curso.  Inicialmente,  em  18/05/2009,  intimou­se  a  contribuinte  a  apresentar,  além  de  documentação fiscal em geral:  03 — Documentação comprobatória das operações de remessa de recursos ao exterior  sob a forma de operações de Hedge, durante o ano­calendário de 2004;   04 — Contratos e demais documentos apresentados ao Banco Central para o registro  das operações de remessa de Hedge no ano de 2004;  05  —  Registros  das  operações  de  remessa  de  Hedge  durante  o  ano  de  2004,  contabilizados nos Livros DIÁRIO e RAZÃO;  06 — Demonstrativo  das  operações  comerciais  protegidas  pelas  remessas  de Hedge  durante o ano de 2004;  07 ­ Contabilização das remessas de Hedge ao final do ano­calendário 2004;  08 — Demonstrativo  das  variações monetárias  ativas  e  passivas,  referentes  ao  ano­ calendário 2004;  09  —  Apresentar  documentação  comprobatória  do  retorno  ao  Brasil  dos  recursos  remetidos ao exterior sob a forma de Hedge no ano de 2004;  Fl. 7308DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 4          3  Possivelmente pretendendo atender ao exigido, a contribuinte, depois de pedir e  lhe ser concedida prorrogação de prazo, apresentou os elementos de fls. 16/822, por ela assim  identificados:  02 — Documentação comprobatória das operações de remessa de recursos ao exterior  sob a forma de operações de remessa de Hedge, durante o ano de 2004;   03 — Registro na contabilidade das operações de remessa de Hedge durante o ano de  2004;  04 — Demonstrativo  das  operações  comerciais  protegidas  pelas  remessas  de Hedge  durante o ano de 2004;  05 — Demonstrativo de variações cambiais ativas e passivas referentes As operações  de Hedge no ano de 2004;  Com  relação  ao  item  04  acima  especificamente,  cumpre  esclarecer  que  o  volume  de  documentos  que  comprovam  o  lastro  da  operação  de  Hedge  é  enorme,  envolvendo  Kardex  de  estoques  de  silos  e  fábricas.  Neste  sentido,  disponibilizamos  um  exemplo  desta  documentação  para  fins  explicativos  e  análise,  permanecendo  à  inteira  disposição  para  disponibilizar  qualquer  documentação  suplementar,  bem  como  para  fornecer os esclarecimentos suplementares que V. Sa. entenda necessários sobre esse e  qualquer outro ponto [...]  A referida documentação consiste em:  ­  cópias  de  18  (dezoito)  contratos  de  câmbio  em  favor  de  ADM  TRADING  COMPANY, ADM INVESTOR SERVICES  INC  ou ARCHER DANIELS MIDLAND CO., mas  todos  declarando  como  operação  SERV  DIV­OUT­OP  BOLSA  MERC  EXT­LUCR/PREJ  REALIZAD (fls. 16/88);  ­  resumo  dos  contratos  de  hedge  e  conversão  para  reais  (R$)  para  fins  de  contabilização, no qual estão individualizadas operações, agrupadas mensalmente, que indicam  o produto objeto do contrato, o valor líquido da operação e o valor da perda/ganho em US$, a  taxa  de  conversão  e  os  valores  correspondentes  em  reais,  que,  somados,  equivaleriam  aos  valores  contabilizados,  com  a  apuração  de  pequenas  diferenças mensais.  Tais  diferenças,  ao  final de 2004,  representam R$ 881.518,26, do  total contabilizado de R$ 885.841.836,15  (fls.  89/97);  ­ relatório por contas (matriz e  filiais) e  fechamentos dos contratos de câmbio  com  as  respectivas  perdas/ganhos,  em  língua  estrangeira,  aparentemente  demonstrando  as  operações  mensalmente  realizadas  por  Archer  Daniels  Midland  Company,  em  2004.  No  primeiro sub­total do relatório de janeiro/2004, são comparados os montantes de 23,956,037.50  e 24,174,250.00, este último identificado, em anotação manuscrita, como valor p/recompra. A  diferença entre eles, de 219,212.50 é  identificada,  também de  forma manuscrita,  como valor  perda/ganho (fls. 98/678);  ­  transcrição dos registros no Razão da conta nº 128116­501 ADM DECATUR  EXERC FUTUROS,  sob diversos históricos,  indicando  registros de  juros,  variação cambial  e  comissões,  e  especialmente  de  operações  denominadas  FUTUROS  CLOSED  e  HEDGE  CHICAGO. O saldo  inicial  indicado é negativo, no valor de R$ 40.501.120,44, mas segundo  informação manuscrita  estaria  incorreto,  pois  deveria  ser,  também,  negativo,  no  valor  de R$  530.905.477,68.  O  saldo  final  indicado  é  negativo,  no  valor  de  R$  476.705.840,19,  após  lançamentos a débito de R$ 2.769.028.066,62, e a crédito de R$ 2.257.821.105,99. Seguem­se,  Fl. 7309DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 5          4  ainda,  registros  nas  contas  nº  423130  CONTR.FUT.ENCERRADOS­HEDGE  e  423130­ 501/502 AJUSTE P. HEDGE CONTR. FUT. FECH, que juntamente com a anterior evidenciam  lançamentos  a  débito  de  R$  4.202.856.551,44  e  a  crédito  de  R$  2.799.852.490,36  (fls.  679/708);  ­ posição dos contratos de originação de grãos, apontando mensalmente, para o  “produto: soja”, montantes de inventário, que somados a compras em aberto, e reduzidos por  vendas “em aberto MI”, “a fixar” e vendas “em aberto ME”, resultam em posição líquida, que  é  comparada  com  “posição  Chicago”  e  evidencia  valor  denominado  exposição,  que  oscila  entre valores positivos e negativos. Acompanham esta consolidação outros demonstrativos em  língua  estrangeira,  dos  quais  possivelmente  foram  extraídas  as  parcelas  do  demonstrativo  inicial, relativamente ao mês de junho/2004, pois ali estão destacadas quantidades vinculadas a  diferentes portos/entrepostos, correspondentes às apontadas sob as rubricas antes citadas, para  determinação do resultado exposição; (fls. 709/713);  ­ posição de contratos de processamento, expressa em demonstrativos em língua  estrangeira,  os  quais  iniciam  com  um  consolidado  de  resultados  mensais  de  janeiro/2004  a  março/2005  relativamente  a  outros  produtos,  acompanhados  por  demonstrativos  semelhantes  individualizados por portos/entrepostos. Tais planilhas apresentam evoluções por 15  (quinze)  meses, em 12 (doze) conjuntos de documentos que se iniciam em cada um dos meses de 2004  (fls. 714/811);  ­  demonstrativo  das  variações  cambiais  ativas  e  passivas  referentes  às  operações de hedge no ano de 2004, individualizando operações possivelmente liquidadas em  uma mesma data, nas quais foi comparado o valor atualizado segundo a taxa fech com o valor  atualizado  segundo  a  taxa  pag/rec,  de  forma  a  determinar  o  resultado  de  variação  cambial,  individual e total (fls. 812/822).   No  Termo  de Verificação  de  Infração,  a  autoridade  fiscal  assim  se manifesta  acerca destes documentos:  Após análise dos documentos apresentados, verificamos que os relatórios apresentam  cálculos  corretos  dos  valores  das  margens  dos  contratos  futuros  das  operações  de  Hedge alegadas pelo  contribuinte,  porém os  referidos documentos não comprovam a  efetiva aplicação dos recursos remetidos ao exterior para cobertura das margens dos  contratos  futuros  de  commodities,  ou  seja,  não  demonstram  a  transferência  dos  recursos da ADM em nome da ADM do Brasil para a Bolsa de Mercadorias & Futuros  de Chicago.  Em 05/07/2009, a autoridade lançadora exigiu outros elementos:  01 — Documentação comprobatória das coberturas das margens dos contratos futuros  solicitadas  pela Bolsa  de Chicago  (depósitos  ou  transferências  bancárias,  contratos,  etc.) relativo ao ano­calendário de 2004 (ADM­ EUA);   02 — Contrato(s) relativo(s) ao adiantamento financeiro para cobertura das margens  dos  contratos  futuros,  entre  a ADM do Brasil  e a ADM Holdings LCC  (ADM­EUA),  relativo(s) ao ano 2004;  03 — Detalhamento das seguintes contas e respectiva contabilidade do ano­calendário  2004:  a) Juros Ativos (R$ 480.249.592,51);  b) Juros Passivos (R$ 402.340.524,96) e;  Fl. 7310DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 6          5  c) Outras Despesas Financeiras (R$ 82.605.598,21);  04 —  Demonstrativo  de  Cálculo  dos  Juros  e  da  Variação  Cambial  escriturados  na  conta 128116­ 501 — ADM DECATUR EXEC FUTUROS do Livro Razão;  Após  pedir  e  lhe  ser  concedida  prorrogação  de  prazo  para  atendimento  a  esta  intimação, a contribuinte esclareceu que:  01 — Com relação ao item 01 do Termo de Início de Diligência em referência [...], em  cumprimento  ao  requisitado  por  V.  Sa.,  apresentamos  cópias  dos  comprovantes  de  transferência bancária (denominados "swifts" conforme  linguagem bancaria) — (doc.  3), os quais comprovam a transferência dos recursos financeiros baseados nas posições  contratuais  da  Intimada,  resultantes  das  ordens  eletrônicas  inseridas  em  sistema  de  compras e vendas de posições contratuais de lotes­padrão as quais estão devidamente  demonstradas nos extratos, mensais de transações do ano de 2004 já entregue a V. Sas.  por ocasião do atendimento ao Termo de Inicio de Diligência n° 251/2009.  Além disso, cumpre esclarecer que as obrigações relativas as posições financeiras da  Intimada com relação aos  seus contratos de hedge são cobertas pela Archer Daniels  Midland Company, principal empresa do grupo ADM no mundo, sediada na cidade de  Decatur, Estado de Illinois, nos Estados Unidos da América e que, em última instância,  detém todas as demais companhias do organograma societário.  02 — No  que  tange  o  item  02  do  Termo  de  Início  de Diligência  em  referência  [...],  esclarecemos que, conforme explicado no item 01 da presente manifestação, a Archer  Daniels Midland Company e a Intimada convencionaram que a cobertura das posições  financeiras da Intimada é feita pela Archer Daniels Midland Company.  O que ocorre é que, com base nos extratos mensais de transações de hedge, a Intimada  contabiliza os montantes a pagar ou a receber (dependendo se houve perda ou ganho  em  suas  operações  de  hedge,  respectivamente),  fazendo  a  liquidação  financeira  das  operações conforme o melhor gerenciamento de caixa do grupo.  Tal fato pode ser comprovado através da análise da Contabilidade da Intimada e dos  documentos apresentados.  03 — Sobre o item 03 do Termo de Inicio de Diligência em referência [...], cumpre­nos  esclarecer que, conforme já discutido com V. Sa. em contato telefônico, os valores dos  itens  "a"  e  "b"  acima  (a  saber,  "Juros  Ativos"  e  "Juros  Passivos"),  referem­se  a  Variações Cambiais Ativas e Variações Cambiais Passivas, respectivamente.  Sendo  assim,  conforme  entendimento  telefônico  mantido  com  V.Sa  e  dado  o  imenso  volume de documentos que suportam os valores acima., disponibilizamos em anexo o  razão  contábil  das  contas  (doc.  4)  nas  quais  estes  valores  foram  registrados  pela  Intimada para que, a vosso critério, seja feita uma seleção dos valores dos quais V.Sa.  deseja verificar o detalhamento.  Assim,  tal  como  previamente  combinado  com  V.Sa.,  uma  vez  nos  sejam  informados  estes valores, providenciaremos a sua respectiva documentação suporte especifica.  04 — Com  relação  ao  item  04  do  Termo  de  Inicio  de Diligência  em  referência  [...],  apresentamos  planilhas  suporte  (doc.  5)  para  o  cálculo  dos  juros  e  da  variação  cambial desta conta, conforme requisitado.  Os  mencionados  "swifts”  estão  juntados  às  fls.  830/856,  redigidos  em  língua  estrangeira. Na seqüência, consta o referido demonstrativo de cálculo dos juros e da variação cambial  escriturados  na  conta  128116­501,  em  sua  maior  parte  em  língua  estrangeira,  mas  aparentemente  detalhando a composição mensal da conta 15703 e os efeitos da variação da taxa de câmbio entre o mês  anterior  e  o mês  atual  (fls.  857/860),  acompanhado  de  um  outro  demonstrativo  que  faz  referência  à  conta 15702.  Fl. 7311DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 7          6  Disse a autoridade fiscal ao elaborar o Termo de Verificação de Infração:  Considerando  que  os  novos  documentos  apresentados  pelo  contribuinte  também  não  comprovam a efetiva aplicação dos recursos remetidos ao exterior para cobertura das  margens dos contratos futuros de hedge, assim como deixou de apresentar o contrato  de  adiantamento  financeiro  para  pagamento  das margens  de  garantia,  emitimos  o  Termo de intimação Fiscal n° 295/2009, datado de 03/08/2009 [...]  Em 07/08/2009 a contribuinte é cientificada de duas  intimações, que exigem a  apresentação de:  01  —  Documentação  comprobatória  dos  pagamentos  das  margens  de  garantia  na  Bolsa de Chicago (depósitos ou transferências bancarias, contratos, etc.) relativos ao  ano­calendário de 2004, efetuados pela Archer Daniel Midland Company para a Bolsa  de Mercadorias & Futuros de Chicago, em nome da ADM do Brasil Ltda;  02 — Contrato(s) relativo(s) ao adiantamento financeiro para pagamento das margens  de garantia dos contratos futuros, entre a Archer Daniel Midland Company e a ADM  do Brasil, para acerto posterior, relativo(s) ao ano 2004;,  [...]  01 — Documentação relativa às compras dos contratos futuros de soja e derivados na  Bolsa  de  Mercadoria  &  Futuros  de  Chicago,  relativos  ao  ano­calendário  de  2004,  efetuados pela Archer Daniel Midland Company (em nome da ADM do Brasil Ltda) ou  pela ADM do Brasil Ltda;  02 — Extratos da BM&F Chicago com as negociações (compras, vendas e depósitos de  margens  de  garantia)  dos  contratos  futuros  em  nome  da  ADM  do  Brasil,  ano  calendário 2004.  Esclareceu a fiscalizada que:  A  liquidação  das  posições  financeiras  começa  com  a  empresa  que  faz  o  papel  de  membro de compensação com a qual o Grupo ADM trabalha. Esta empresa é a ADM  Investor Services, a qual determina os valores de margem positiva ou negativa relativos  aos contratos de hedge para todas as empresas do Grupo ADM. Tal cálculo faz parte  dos serviços de compensação e corretagem que a ADM Investor Services presta para  todos os seus clientes, incluindo tanto empresas do Grupo ADM, como terceiros.  Aqui,  faz­se  importante  entender  a  característica  e  o  papel  desempenhado  por  esta  empresa.  A  ADM  Investor  Services  é  um  membro  de  compensação  da  Bolsa  de  Valores  de  Chicago (Chicago Mercantile Exchange — CME), da Bolsa de Mercadorias e Futuros  de  Chicago  (Chicago  Board  of  Trade —  CBOT)  e  de  outras  bolsas  de  valores  pelo  mundo.  O  papel  da  ADM  Investor  Services  é  similar  ao  papel  de  um  membro  de  compensação  na  BM&FBovespa.  Esta  designação  é  importante  porque,  como  um  membro  de  compensação  de  uma  Bolsa,  esta  é  uma  entidade  financeira  altamente  regulada,  sujeita  a  regulamentação  e  supervisão  da  Commodities  Futures  Exchange  Commission  —  CFTC  —  que  é  um  órgão  regulador  no  que  tange  as  Bolsas  de  Mercadorias e Futuros (commodities) nos Estados Unidos da América e, neste sentido,  precisa ser autorizada e licenciada a operar, bem como precisa observar as normas e  regulamentações das Bolsas nas quais opera.  Tal regulamentação e supervisão é, de uma maneira geral, mais extensa que as que se  aplicariam a uma corretora.  Isto porque, a  exemplo do que ocorre no Brasil  com as  instituições financeiras que atuam como membros de compensação na BM&FBovespa,  Fl. 7312DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 8          7  como  um  membro  de  compensação,  a  ADM  Investor  Services  mantém  contas  com  corretoras e investidores em commodities, assegura que as transações são executadas  e  liquidadas  de  acordo  com  as  regras  da  Bolsa,  calcula  e  liquida  as  margens  de  garantia e emite reportes para pessoas físicas e jurídicas das quais ela mantém conta.  Os  membros  de  compensação  são  plenamente  responsáveis  pela  liquidação  das  obrigações  decorrentes  de  todas  e  quaisquer  operações  a  eles  atribuídas,  bem  como  pelo recebimento, autenticidade e legitimidade de todos os ativos, garantias e valores a  tais operações.  Assim,  a  responsabilidade  da  ADM  Investor  Services  é  de  liquidar  as  operações  de  todos os seus clientes (sendo que mais de oitenta por cento deles são terceiros que não  entidades do grupo ADM) e reportar para a Bolsa. A ADM Investor Services reporta  operações de mercado, já que possui um sistema integrado com a Bolsa em tempo real,  e paga comissões para a Bolsa com relação às operações de seus clientes.  Neste  sentido,  membros  de  compensação  como  a  ADM  Investor  Services  são  encarregados  pela  Bolsa  com  a  qual  operam,  da  responsabilidade  de  executar  e  assegurar  o  cumprimento  das  regras  da  Bolsa  e  da  CFTC  para  suas  contas,  especificamente  com  relação  aos  limites  impostos,  requerimentos  de  margem  de  cobertura, garantias, dentre outros.  As instruções de pagamento da/para a Archer Daniels Midland Company ou da/para a  ADM Investor Services são baseadas nos extratos das operações de hedge já entregues  a V. Sa. na resposta ao Termo de Inicio de Diligência n. 251/2009, os quais são a prova  das posições contratuais para cada conta e das requisições de margem de cobertura a  elas atreladas. As operações detalhadas nestes extratos são rigorosamente controlados  e  conferidos  pela  ADM  Investor  Services  como  parte  de  sua  função  de  membro  de  compensação,  pela  Archer  Daniels  Midland  Company  e,  obviamente,  pela  Intimada  como parte de sua conferência para contabilização de suas operações e resultados de  hedge,  especificamente  para  garantir  que  os  contratos  de  hedge  estejam  registrados  corretamente  e  que  se  refiram  aos  ativos  pelos  quais  as  operações  de  hedge  da  Intimada estejam lastreados.  Os resultados nos extratos das operações acima mencionados são emitidos pela ADM  Investor Services a fim de reportar todos os ganhos ou perdas nos contratos de hedge.  Importante mencionar  que  as margens  de  cobertura  iniciais  para  cada  contrato  são  determinadas  pela  Bolsa  de  Mercadorias  e  Futuros  de  Chicago  (Chicago  Board  of  Trade — CBOT). Tal determinação é aplicada pela ADM Investor Services para cada  conta por  ela gerenciada, a  fim de calcular as margens de  cobertura  relacionadas a  cada um dos contratos de hedge de seus clientes, de maneira similar ao que ocorre no  Brasil com a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&FBovespa).  Importante  ressaltar  que,  assim  como  na  BM&FBovespa  no  Brasil,  é  raro  que  investidores  negociem  diretamente  na  Bolsa  e,  desta  forma,  não  fazem  ou  recebem  pagamentos diretamente da Bolsa  e  sim por meio das  entidades participantes ou dos  membros de compensação. Consequentemente, os documentos comprobatórios pedidos  por V. Sa. com relação aos pagamentos da Archer Daniels Midland Company para a  Bolsa  não  existem.  Quaisquer  dos  pagamentos  relacionados  com  as  operações  de  hedge  contratadas,  bem  como  as  obrigações  financeiras  a  elas  relacionadas  são  determinados pelo membro de compensação e com ele devem ser adimplidos. No caso  do Grupo ADM, este membro de compensação é a ADM Investor Services. Assim, os  pagamentos são, em última instância, feitos para a ADM Investor Services, a qual, por  sua  vez,  interage  financeiramente  com  a  Bolsa  no  seu  papel  de  membro  de  compensação.  Tal  resposta  foi  acompanhada de documentos  em  língua  estrangeira,  um deles  relacionando  várias  instituições  sob  o  título  Clearing  Firms,  entre  elas  a  ADM  Investor  Fl. 7313DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 9          8  Services  Inc.,  e  outro  que  aparenta  referir­se  a  um  cadastro  desta  mesma  empresa  (fls.  869/871).  Segue­se,  então,  reprodução  parcial  do  Regulamento  da  Câmara  de  Registro,  Compensação e Liquidação de Operações de Derivativos BM&F  (fls. 873/891) e de material  produzido por ABIOVE – Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais, denominado  Soja Verde para um Mercado Maduro, divido nos  capítulos: o sucesso da expansão de uma  cultura, avanços  tecnológicos e comerciais, eliminando riscos  e responsabilidade das partes  nos “contratos de soja verde” (fls. 892/897).  Às  fls.  898/927  consta  Relatório  Anual  2004,  concernente  às  operações  e  resultados da autuada, seguido do Relatório Anual 2008 (fls. 928/943). Na seqüência, constam  cópias de publicações do The Wall Street Journal datadas de dezembro de 2004, e reproduções  de informações extraídas da Internet no sítio www.cbot.com./cbot/pub/page (Chicago Board of  Trade) aparentemente ao final de cada mês de 2004 (fls. 944/999).  A  análise  da  autoridade  fiscal  acerca  destes  elementos  foi  assim  expressa  no  Termo de Verificação de Infração:  Considerando que o contribuinte informou em sua resposta aos Termos de Intimação  Fiscal n° 295/2009 e 296/2009, que "Quaisquer dos pagamentos relacionados com as  operações  de  hedge  contratadas,  bem  como  as  obrigações  financeiras  a  elas  relacionadas  são  determinados  pelo  membro  de  compensação  e  com  ele  deve  adimplidos. No caso do Grupo ADM, este membro de compensação é a ADM Investor  Services, emitimos o Termo de Intimação Fiscal n° 303/2009 [...]  Segue­se  nova  intimação,  lavrada  em  25/08/2009,  exigindo  documentação  semelhante às anteriormente lavradas, mas agora citando a operadora ADM Investor Services,  e não mais a Archer Daniel Midland Company:  1. Documentação comprobatória dos pagamentos das margens de garantia na Bolsa de  Chicago  (depósitos  ou  transferências  bancárias,  contratos,  etc.)  relativos  ao  ano­ calendário  de  2004,  efetuados  pela  ADM  Investor  Services  para  a  Bolsa  de  Mercadorias & Futuros de Chicago, em nome da ADM do Brasil Ltda;  2.  Documentação  relativa  às  compras  dos  contratos  futuros  de  soja  e  derivados  na  Bolsa  de  Mercadoria  &  Futuros  de  Chicago,  relativos  ao  ano­calendário  de  2004,  efetuados pela ADM Investor Services, em nome da ADM do Brasil Ltda;  3. Extratos  da BM&F Chicago  com as negociações  (compras,  vendas  e depósitos  de  margens  de  garantia)  dos  contratos  futuros  em  nome  da  ADM  Investor  Services  ou  ADM do Brasil, ano calendário 2004.  Em resposta, disse a contribuinte:  [...]  vem  à  presença  de  V.  Sa.,  em  atendimento  ao  Termo  de  Intimação  Fiscal  em  referência, informar que, com relação aos itens 1, 2 e 3 do referido Termo, apresenta  correspondência  elaborada pelo CME Group  (o  qual  envolve  a Bolsa  de Valores  de  Chicago (Chicago Mercantile Exchange — CME), a Bolsa de Mercadorias e Futuros  de Chicago (Chicago Board of Trade — CBOT) e a Bolsa de Mercadorias e Futuros de  Nova Iorque (New York Mercantile Exchange — NYMEX)), a qual:  i)  esclarece  que  a  Bolsa  de Chicago  (CME)  não  entrega  nenhum  tipo  de  extrato  ou  outro  documento  informativo  diretamente  aos  titulares  das  contas  gerenciadas  pela  ADM  Investor  Services,  Inc.  (sendo  que  isso  é  responsabilidade  da  própria  ADM  Investor Services, Inc. na sua função de membro de compensação), atestando a posição  Fl. 7314DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 10          9  de  membro  de  compensação  ("clearing  member)  licenciado  e  qualificado  da  ADM  Investor Sevices, Inc.; e;   ii)  atesta  que  a  Bolsa  de  Chicago  (CME)  não  recebe  e  não  efetua  pagamentos  diretamente  aos  titulares  de  contas  gerenciadas  pela  ADM  Investor  Services,  Inc.,  referentes às transações efetuadas pela ADM Investor Services, Inc. por conta e ordem  destes titulares.  Neste sentido, portanto, a Intimada apresenta os documentos abaixo relacionados a fim  de comprovar os pagamentos/recebimentos efetuados pela ADM Investor Services, Inc.  para a Bolsa de Chicago (CM E).  Importante mencionar  que,  dado  o  imenso  volume  de  documentos  que  suportam  tais  transações  financeiras  diariamente,  a  Intimada  apresentará  um  conjunto  de  documentos exemplificativo da operação, o qual é composto por:  1)  Extratos  de  dois  dias  úteis  em  sequência  (a  saber,  16/12/2004  e  17/12/2004),  os  quais  contêm um sumário de  todas as  transações  efetuadas pelas  contas gerenciadas  pela ADM Investor Services, Inc (os quais por sua vez incluem as contas da ADM do  Brasil);  2)  Extrato  com  o  cálculo  da  variação  de  margem,  emitido  pela  Bolsa  de  Chicago  (CME), o qual contém o valor a ser pago ou recebido decorrente da variação de um dia  para o outro;  3)  Comprovantes  das  transferências  bancárias  feitas  da  Bolsa  de  Chicago  (CME)  e  outras  bolsas  para  a  ADM  Investor  Services,  relativas  aos  valores  de  variação  de  margem.  A  Intimada esclarece que permanece à disposição de V. Sas. para o  fornecimento de  documentos relativos a quaisquer outras datas que sejam de interesse deste Órgão.  Além disso,  tendo em vista o  volume de documentos,  a  Intimada requer uma  reunião  com V. Sas. a fim de explicar a relação entre os documentos.  Às fls. 1009/1010 consta documento em língua estrangeira, em papel  timbrado  de CME Group, acompanhado de tradução juramentada que expressa termos semelhantes aos  reproduzidos na resposta da contribuinte à intimação. Na seqüência, estão os demonstrativos de  operações de 16 e 17/12/2004, referidos também na resposta (fls. 1011/1023).  O  documento  de  fl.  1024  refere­se  a  um  pedido  de  prorrogação  de  prazo  que  teria  sido  concedido  em  nossa  última  reunião.  Segue­se,  então,  demonstrativo  denominado  Pagamentos  efetuados  pela  ADM  Investor  Services,  Inc.  para  Bolsa  de  Chicago  (Chicago  Mercantile Exchange) relativos às operações do Grupo ADM no ano de 2004, acompanhado  de documentos individualizados para cada pagamento (fls. 1025/1483). Há, ainda, documentos  que  aparentam  ser  print  de  telas  de  sistema  mantido  por  Chicago  Board  of  Trade,  com  informações  em  diferentes  datas  de  2004  (fls.  1484/1495).  Assevera  a  autoridade  fiscal,  no  Termo de Verificação de Infração, que estes elementos foram apresentados em complemento  ao Termo de Intimação Fiscal anterior.  Na seqüência, depois de solicitar em 07/12/2009 livros fiscais e demonstrações  financeiras  da  autuada  (fl.  1498/1499),  juntados  às  fls.  1500/1604,  o  agente  fiscal  também  anexou os elementos de fls. 1605/1937, que demonstram fluxograma de pagamentos – Grupo  ADM, indicação da autuada em 5o lugar no ranking de desempenho de exportadores brasileiros  em publicação não identificada, resumo da movimentação financeira das operações de hedge  no dia 17­12­2004, seguido de documentos em língua estrangeira que teriam sido emitidos por  ADM TRADING COMPANY e aparentam se reportar a operações de 16/12/2004 e 17/12/2004,  semelhantes  a  alguns  apresentados  no  conjunto  de  elementos  que  integram  as  fls.  98/678,  Fl. 7315DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 11          10  intercalados  com  outros  que  teriam  sido  emitidos  por  ADM Company  .  Disse  a  autoridade  fiscal  no  Termo  de  Verificação  de  Infração  que  estes  documentos  foram  entregues  pela  contribuinte quando de seu comparecimento à DRF em 17/12/2009, com o intuito de explicar  mais detalhadamente as operações de hedge efetuadas.  Em  11/12/2009  a  autoridade  lançadora  intimou  a  contribuinte  a  apresentar  Relatório  com  a  discriminação  da  Conta  128116  —  ADM  DECATUR  EXEC  FUTUROS,  informando a totalização dos valores que são transferidos para Resultado do Exercício e quais  valores  seguem  para  as  contas  patrimoniais.  Exigiu  que  o  relatório  fosse  separado  por  Contratos Fechados Hedge; Variação Cambial;  Juros  s/  execução de  futuros; Comissões  e;  Outros (fl. 1938). A resposta da contribuinte indica:  Valores em R$  DESCRIÇÃO          DÉBITO/(CRÉDITO)    CONTRAPARTIDA   SALDO INICIAL         (530.905.477,68)    N/A  RESULTADOS CONTRATOS FECHADOS   (885.075.593,48)    423130  VARIAÇÃO CAMBIAL        (90.893.868,32)     744100­524  JUROS           (11.237.721,23)     709400  CORRETAGEM E COMISSÃO     (1.547.712,38)      405170  OUTROS           (56,42)       124746­501/616075  PAGAMENTOS/RECEBIMENTOS    1.505.961.912,45    BANCOS    SALDO FINAL        (13.698.517,05)  Às  fls.  1940/2019  consta  demonstrativo  aparentemente  elaborado  pela  autoridade  lançadora,  que  reproduz  lançamentos  do Razão  da  conta ADM DECATUR EXEC  FUTUROS, bem como da conta Ajuste Hedge Contr. Fut. Fech., e demonstra a transferência de  valores para o  resultado do exercício, no valor  total de R$ 380.940.696,59 a crédito e de R$  1.266.737.797,04,  resultando  em  saldo  devedor  do  resultado  –  dez/2004  no  valor  de  R$  885.797.100,45. Após  reprodução  da DIPJ  e  das DCTF  do  ano­calendário  2004,  segue­se  o  Termo de Verificação de Infração, no qual a autoridade lançadora conclui que o contribuinte  não comprovou a aplicação dos recursos enviados ao exterior para pagamento das coberturas  das  margens  dos  contratos  de  hedge,  de  modo  que  foram  glosados  os  custos  e  despesas  referentes a estas operações.   A  autoridade  lançadora,  ante  a  possibilidade  aventada  pelo  Banco  Central  do  Brasil de que as operações da autuada poderiam configurar, em tese, indícios de cometimento  de  crime  tipificado  na  Lei  9.613/98,  e  tendo  em  conta  os  contratos  de  câmbio  por  ela  apresentados – os quais, considerando entradas e saídas de recursos,  resultaram em remessas  líquidas de US$ 485.402.679,44, ou R$ 1.505.663.764,05, em 2004 –, constatou o que segue:  •  A  ADM  do  Brasil  enviou  recursos  para  o  exterior,  sendo  que  parte  para  a  ADM  Company (empresa principal do grupo ADM ­ Remessas de R$ 724.163.604,31) e parte  para a ADM Investor Services (empresa de investimentos do grupo ADM ­ Remessas de  R$ 781.500.159,74). Conforme detalhado acima verificamos que somente 51,90 % dos  recursos remetidos ao exterior são destinados diretamente à empresa de Investimentos  do  grupo,  ADM  Investor  Services,  sendo  48,10  %  dos  recursos  enviados  a  ADM  Company (empresa holding do grupo ADM);  • Considerando que a empresa remetente dos recursos (ADM do Brasil), as empresas  recebedoras dos recursos (ADM Company e ADM Investor Services) e a empresa que  Fl. 7316DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 12          11  aplica os  recursos nas Bolsas de Mercadorias  (ADM Investor Services) são  todas do  grupo  ADM,  somado  ao  fato  da  não  existência  de  contratos  comerciais  sobre  adiantamento  de margens  de  garantia  entre  estas  empresas,  nos  remete  a  facilidade  para manipulação de operações, relatórios e contabilidade das mesmas;  •  O  contribuinte  criou  em  sua  escrituração  a  conta  128116­501  ­  ADM DECATUR  EXEC FUTUROS,  que  utiliza  como  uma  conta  corrente  entre  a  ADM  do  Brasil  e  a  ADM Company (ADM DECATUR), para acompanhamento do saldo devedor/credor da  ADM do Brasil  com a ADM Company,  visto  que  a ADM Company  adianta  recursos  para pagamento de margens de garantia para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de  Chicago (fls. 679/708). O contribuinte informou que "com base nos extratos mensais de  transações  de  hedge,  a  intimada  contabiliza  os  montantes  a  pagar  ou  a  receber  (dependendo se houve perda ou ganho em suas operações de hedge, respectivamente),  fazendo a  liquidação  financeira  das  operações  conforme o melhor  gerenciamento  de  caixa do grupo" (fls. 679/708 e 828);  •  O  contribuinte  entregou  uma  enorme  gama  de  documentos  com  o  objetivo  de  comprovar a aplicação dos recursos em operações de hedge dos contratos futuros de  soja  e  derivados  (Contratos  de  Cambio,  Relatório  por  contas  dos  fechamentos  dos  contratos  de  cambio  com  as  respectivas  perdas/ganhos,  Livro  Razão  ­  Conta  ADM  DECATUR  EXEC  FUTUROS  ­  Contabilidade  dos  adiantamentos  das  margens  pela  ADM  Company  e  remessas  de  recursos,  Posição  dos  Contratos  de  Originação  de  Grãos,  Posição  de  Contratos  de  Processamento  ­  Cálculo  de  Exposições,  Comprovantes de  transferência bancária  ­  Swifts, Relatórios  informando que a ADM  Investor  Services  é  membro  de  compensação  da  Bolsa  de  Valores  de  Chicago,  Regulamento  da  Câmara  de  Registro,  Compensação  e  Liquidação  de  Operações  BM&F, Livreto da ABIOVE ­ Soja Verde para um Mercado Maduro, Relatório Anual  2004 ­ ADM Company ­ O Vinculo Essencial, Relatório Anual 2008 ­ ADM Company ­  Vital para o Mundo, Cotações de Soja e derivados ­ The Wall Street Journal, Chicago  Board  of  Trade  ­  Soja  e Derivados,  Extrato  com  o  calculo  da  variação  de margem  emitido  pela  Bolsa  de  Chicago,  Relatório  dos  Pagamentos  Efetuados  pela  ADM  Investor  Services  Inc.  para  a  Bolsa  de  Chicago  e  respectivas  transferências,  e  Relatórios diários dos preços dos contratos futuros) porém nenhum destes documentos  comprova a efetiva aplicação dos recursos transferidos ao exterior pela ADM do Brasil  na  operação  de  Hedge  alegada  pelo  contribuinte,  isto  é,  nenhum  deles  apresenta  a  transferência de recursos da ADM Investor Services, em nome da ADM do Brasil, para  a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago;   • O relatório dos pagamentos efetuados pela ADM Investor Services para a Bolsa de  Chicago  e  seus  respectivos  comprovantes  de  transferência  de  recursos,  referem­se  conta  NSEG  CLR  PB  905­  ADM  Investor  Services  (fls.  1025/1483),  isto  é,  não  identifica de que grupo de empresas ou empresa se refere à transferência, de forma que  entendemos  que  estas  transferências  de  margem  se  referem  a  todas  as  contas  administradas pela ADM Investor Services, inclusive de terceiros que correspondem a  mais de 80% de suas operações (conforme resposta do contribuinte aos termos 295 e  296/2009 ­ fls. 867);  • Abaixo apresentamos um quadro comparativo do faturamento, deposito de margens e  índices  sobre  a  ADM  Investor  Services,  ADM  Company  (matriz  ­  EUA)  e  ADM  do  Brasil:     ADM Investor Services  ADM Company  ADM do Brasil  Faturamento (US$ Mil)      36.151.394,00    1.962.367,00   Depósito de Margens (US$ Mil)      2.266.122,70     453.224,54     485.402,68   Índice % (Dep. Marg./Fatur.)     1,25%  24,73%  Obs:  Fl. 7317DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 13          12  1)  O  faturamento  da  ADM  Company  foi  retirado  do  Relatório  Anual  2004  —  O  Vinculo  Essencial (fls. 899);  2) A Receita Bruta (consideramos o faturamento) da ADM do Brasil foi de R$ 5.739.728.506,82,  conforme  valores  declarados  em  Balancete  e  DIPJ  (fls.  xx/xx),  isto  equivale  a  US$  1.962.367.433,70, considerando o dólar médio anual de 2,9249 (fonte BCB­DEPEC);  3)  O  deposito  de Margens  da  ADM  Investor  Services  foi  retirado  do  relatório  "Pagamentos  efetuados pela ADM Investor Services para a Bolsa de Chicago ­ ano 2004". (fls. 1025/1030);  4) O Deposito de Margens da ADM Company foi considerado 20% do Deposito de Margens da  ADM Investor Services (mais de 80% são das operações são de terceiros, conforme resposta do  contribuinte aos termos 295 e 296/2009 — fls. 867);  5)  O  Deposito  de  Margens  da  ADM  do  Brasil  foi  considerado  o  somatório  liquido  das  remessas/recebimentos de divisas enviados/recebidos pela ADM do Brasil ao exterior no ano de  2004, em virtude da cobertura de margens de contratos futuros de hedge (fls. 17/89).  • Conforme observamos no quadro acima, o contribuinte (ADM do Brasil), informa que  remeteu  ao  exterior  sob  forma  de  contratos  futuros  de  hedge,  24,73%  do  seu  faturamento,  enquanto  que  a  ADM  Company,  empresa  holding  que  atua  no  mesmo  ramo  de  atividade,  aplica  apenas  1,25%  do  faturamento  de  suas  empresas  para  cobertura  de margens  de garantia  de  hedge. Analisando os  índices,  verificamos  uma  grande  divergência,  corroborando  para  o  entendimento  de  que  não  houve  de  fato  a  aplicação dos recursos nas operações de hedge alegadas pelo contribuinte.  • Durante análise da escrituração eletrônica da empresa ADM do Brasil, verificamos  que a conta 128116  ­ ADM DECATUR EXEC FUTUROS, onde  estão escrituradas a  "conta­corrente" entre a ADM do Brasil e ADM Company (operações de adiantamento  de Hedge) e operações de remessas/recebimentos de câmbio relativos ao Hedge, inicia  o ano de 2004 com um saldo credor de R$ 530.905.477,65 (Hedge relativos aos anos  anteriores),  restando  um  saldo  credor  final  de  R$  13.698.517,05  (anos  posteriores).  Diante destes dados, podemos concluir que a diferença entre os saldos, no valor de R$  517.206.960,60,  não  se  refere  ao  ano  calendário  de  2004,  não  sendo  apurados  no  resultado deste exercício (fls. 1940/1994);  • A ADM do Brasil escritura em seus livros as operações de hedge de contratos futuros  como  Custo  de  Mercadorias  Vendidas  (vide  Livro  Razão  ­  conta  "423130  ­  Ajuste  Hedge  Contr.  Fut.  Fech."  ­  fls.  1995/2019)  e  a  variação  cambial,  os  juros  e  as  comissões  como  despesas  (entendemos  como  despesas  acessórias  as  operações  de  Hedge).  Estes  custos  e  despesas  serão  glosados  pois  não  houve  sua  efetiva  comprovação, e  conseqüentemente  será  levantada nova base de calculo  (Lucro Real)  para apuração do Imposto de Renda e Contribuição Social.  A  autoridade  lançadora  também  fez  ponderações  específicas  quanto  à  determinação dos valores lançados:  4. INFRAÇÕES APURADAS ­ ­OMISSÃO DE RECEITAS  4.1 ­ GLOSA DE CUSTOS  Verificamos na contabilidade eletrônica da empresa que os valores  informados como  pagamentos  de  margens  de  garantia  de  contratos  futuros  de  Hedge  fechados  foram  contabilizados na conta "423130 ­ Ajuste Hedge Contratos Futuros Fechados", levada  como Custo da Mercadoria Vendida no encerramento do exercício.  Considerando a falta de comprovação da transferência de recursos em nome da ADM  do  Brasil  para  a  Bolsa  de  Mercadorias  &  Futuros  de  Chicago,  estes  custos  serão  glosados e será refeita a apuração do resultado do exercício.  O valor apurado como Custo de Mercadoria Vendida, relativo ao Hedge informado, é  de R$ 885.797.100,45  (oitocentos  e oitenta  e  cinco milhões  e  setecentos  e noventa  e  Fl. 7318DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 14          13  sete mil, cem reais e quarenta e cinco centavos), conforme Livro Razão, conta 423130 e  balancete as fls. 1530 e 1995/2019.  A  glosa  de  custos  tem  sua  fundamentação  legal  nos  artigos  249,  inciso  I,  251  e  parágrafo  único,  289,  290,  inciso  I,  292,  300  e  396  do  Regulamento  do  Imposto  de  Renda (RIR/99).  4.2 — GLOSA DE DESPESAS  As  despesas  acessórias  com  as  operações  de  Hedge  (variação  cambial,  juros  e  comissões),  contabilizadas  na  conta  "128116­501  —  ADM  DECATUR  EXEC  FUTUROS",  foram  utilizadas  como  deduções  na  demonstração  do  resultado  do  exercício.  Considerando a falta de comprovação da transferência de recursos em nome da ADM  do  Brasil  para  a  Bolsa  de  Mercadorias  &  Futuros  de  Chicago,  isto  é,  que  os  pagamentos  das  margens  de  garantia  dos  contratos  futuros  de  hedge  fechados  não  foram comprovados (principal), conclui­se que as despesas acessórias (juros, variação  cambial e comissões relativas a estas operações) também não foram comprovadas, de  forma  que  estas  despesas  serão  glosadas  e  será  refeita  a  apuração  do  resultado  do  exercício.  O  valor  apurado  como  despesas  acessórias  com  atividades  de  Hedge  foi  de  R$  102.659.703,00  (cento e dois milhões,  seiscentos e cinqüenta e nove mil,  setecentos e  três reais), calculado da seguinte:  Histórico   Valor   Remessas de Divisas ao Exterior ­ Hedge — Vide Constatações   1.505.663.764,05   (­) Saldo Inicial da Conta 128116­501 — ADM DECATUR    530.905.477,65   (+) Saldo Final da Conta 128116­501 ­ADM DECATUR    13.698.517,05   (­) Custos da Operação de Hedge — Conta 423130— item 4.1 do Termo    885.797.100,45   Total de Despesas Acessórias (variação cambial, juros e comissões)    102.659.703,00   Obs:  1) Vide  cálculos apresentados  pelo  contribuinte  (fls.  1939) que  serviram como base,  pois  são  valores bem próximos aos utilizados e utilizam a mesma regra de calculo.  2) Utilizamos os  valores  declarados  nos documentos  entregues,  livros  fiscais  e balancete  (fls.  17/89, 1530, 1940/1994 e 1995/2019).  A  glosa  de  despesas  tem  sua  fundamentação  legal  nos  artigos  249,  inciso  I,  251  e  parágrafo  único,  299,  300  e  396,  do  RIR/99.do  Regulamento  do  Imposto  de  Renda  (RIR/99).  5. FORMA DE TRIBUTAÇÃO, ALÍQUOTAS E BASE DE CALCULO.  No  caso  em  questão, o contribuinte  submete­se  às  regras  de  apuração do  IRPJ  e da  CSL pelas regras do LUCRO REAL conforme sua declaração de IRPJ (fls. 2020/2079).  Conforme verificado no Demonstrativo do Resultado e Ajustes do Lucro Liquido (DIPJ  e  LALUR—  fls.  2020/2079  e  1552/1599),  verificamos  que  após  as  receitas  e  custos  escriturados pelo contribuinte, o mesmo obteve Lucro Real ao final do exercício, Lucro  este  que  após  as  glosas  efetuadas  pela  fiscalização  mencionadas  no  decorrer  do  relatório, será recalculado conforme abaixo demonstrado:  Demonstração do Resultado    Fl. 7319DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 15          14  Discriminação  Valor apurado pelo  contribuinte  Valor Apurado pela  fiscalização (após  glosas)  Receita Liquida da Atividade  5.527.847.817,83  5.527.847.817,83  (­) Custo das Mercadorias e Serviços Vendidos (1)  ­5.327.012.457,69  ­4.441.215.357,24  Lucro Bruto  200.835.360,14  1.086.632.460,59  (­) Despesas / (+) Receitas Operacionais (2)  ­242.285.581,20  ­139.625.878,20  Lucro Operacional  ­41.450.221,06  947.006.582,39  (+) Receitas / (­) Despesas Não Operacionais  174.563,51  174.563,51  Resultado do Período  ­41.275.657,55  947.181.145,90  (+) Adições / (­) Exclusões (3)  207.804.771,90  207.804.771,90  Lucro Real antes da Compensação de Prejuízos  166.529.114,35  1.154.985.917,80  (­) Compensação de Prejuízos  ­49.958.734,30  ­49.958.734,30  Lucro Real/Prejuízo Fiscal  116.570.380,04  1.105.027.183,49   Obs:  (1)  Os  custos  das  mercadorias  relativos  aos  contratos  de  hedge  fechados,  no  valor  de  R$  885.797.100,45, foram glosados pela fiscalização;  (2)  As  despesas  da  variação cambial  realizada,  juros  e  comissões,  relativas  aos  contratos  de  Hedge fechados, no valor de R$ 102.659.703,00, foram glosadas pela fiscalização;  (3) As despesas de variação cambial não alteram as adições/exclusões, pois já foram realizadas  quando do fechamento dos contratos de hedge;  Cientificada  do  lançamento  em  29/12/2009,  a  contribuinte  apresentou  impugnação estruturada sob os seguintes tópicos:  ·  CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES SOBRE A IMPUGNANTE  ·  NULIDADE  DO  AUTO  DE  INFRAÇÃO  EM  DECORRÊNCIA  DA  NÃO  OBSERVÂNCIA DA POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DOS TRIBUTOS  DECORRENTES  DE  OPERAÇÕES  DE  HEDGE  REALIZADAS  NO  EXTERIOR  ·  NULIDADE  DO  AUTO  DE  INFRAÇÃO  EM  DECORRÊNCIA  DA  OBRIGATORIEDADE  DE  O  D.  AGENTE  FISCAL  CONSIDERAR  AS  ANTECIPAÇÕES  DE  IRPJ  E  CSLL  REALIZADAS  NO  DECORRER  DO  ANO­CALENDÁRIO  ·  NULIDADE  DO  AUTO  DE  INFRAÇÃO  POR  CONTA  DA  INSUBSISTÊNCIA  DA  AUTUAÇÃO  FISCAL  –  FALTA  DE  APURAÇÃO  DO LUCRO REAL E DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL  ·  NULIDADE  DE  PARTE  DA  AUTUAÇÃO  FISCAL  PELA  FALTA  DE  COMPROVAÇÃO  DOS  REQUISITOS  PARA  A  DEDUTIBILIDADE  DAS  DESPESAS COM JUROS E COMISSÕES, BEM COMO DAS VARIAÇÕES  CAMBIAIS  INCORRIDAS  PELA  IMPUGNANTE  –  NECESSIDADE,  NORMALIDADE E USUALIDADE  ·  DO MÉRITO  o  1  –  DAS  OPERAÇÕES  DE  HEDGE  REALIZADAS  PELA  IMPUGNANTE  §  – DA INCONGRUÊNCIA DOS DADOS DO BACEN  Fl. 7320DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 16          15  §  – DO QUADRO COMPARATIVO ELABORADO PELO D.  AGENTE FISCAL  §  – DA INSUBSISTÊNCIA DO OBJETO DA AUTUAÇÃO  §  –  DAS  OPERAÇÕES  DE  HEDGE  PRATICADAS  PELA  IMPUGNANTE  o  2 – DA DEDUÇÃO DE DESPESAS USUAIS E NECESSÁRIAS  o  3  –  AD  ARGUMENTANDUM  –  DA  DEDUTIBILIDADE  DAS  PERDAS  AUFERIDAS  EM  OPERAÇÕES  DE  HEDGE  REALIZADAS  NO  EXTERIOR,  AINDA  QUE  NÃO  FOSSEM  CONSIDERADAS OPERAÇÕES REALIZADAS EM BOLSA  o  4  –  DA  ILEGALIDADE DA  INCIDÊNCIA  DE  JUROS  SOBRE  A  MULTA DE OFÍCIO:  A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que:  ·  A arguição  de  nulidade  do  lançamento  não  deve  prosperar,  porque não  se  vislumbra, no presente caso, qualquer óbice que determine a precariedade  dos  lançamentos  realizados pelo Fisco, uma vez que  foram realizados nos  moldes estabelecidos pelo Código Tributário Nacional, não se configurando  qualquer violação ao que o mencionado diploma legal dispõe e, tampouco,  ao  artigo  59  do  Decreto  n°  70.235/1972.  Os  Autos  de  Infração  foram  lavrados por autoridade administrativa plenamente vinculada,  respeitando  os devidos procedimentos  fiscais,  previstos na  legislação, e  com a  correta  identificação  do  sujeito  passivo  da  obrigação  tributária,  além  do  que  a  descrição dos fatos e as provas juntadas ao processo permitem esclarecer a  causa das autuações, bem como toda a sistemática aplicável à constituição  dos  créditos  tributários  e, por  sua vez,  a argumentação desenvolvida pela  interessada  na  peça  impugnatória  permite  concluir  que  o  motivo  das  autuações foi compreendido, tanto que contestado.  ·  Quanto  às  alegações  da  não  observância  do  procedimento  previsto  no  Parecer Normativo nº 02/1996 no tocante à postergação de pagamentos, da  ausência de dedução dos recolhimentos efetuados pela interessada a titulo  de antecipações no ano­calendário de 2004 na apuração da base tributável  e de  equívocos  cometidos pelo D. Agente Fiscal na apuração dos  tributos  supostamente devidos esclareceu que elas seriam oportunamente abordadas,  visto se tratarem de questão de mérito, não ensejando, deste modo, nulidade  dos referidos lançamentos.  ·  No mérito,  embora  reconhecendo que a  interessada entregou uma enorme  gama de documentos com o objetivo de comprovar a aplicação dos recursos  em operações de hedge dos contratos futuros de soja e derivados, observou  que as glosas foram promovidas porque entendeu a fiscalização que nenhum  deles  comprovou a efetiva aplicação dos recursos  transferidos ao exterior  pela  ADM  do  Brasil  na  operação  de  hedge  alegada,  para  a  Bolsa  de  Mercadorias  &  Futuros  de  Chicago.  E,  tratando­se  de  matéria  de  prova,  invocou  o  disposto  nos  art.  251,  parágrafo  único,  264  e  396,  todos  do  RIR/99, no sentido de que os resultados líquidos de operações de cobertura  em Bolsa no Exterior realizados diretamente pela empresa brasileira devem  ser  comprovadas  por  documentação  hábil  e  idônea  (incluindo  a  demonstração de que foram realizadas pela empresa brasileira).  Fl. 7321DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 17          16  ·  Declarou impertinentes as alegações relativas à dedutibilidade dos referidos  custos tendo em vista a necessidade, usualidade e normalidade dos mesmos  bem como das alegações relativas à dedutibilidade das perdas auferidas em  operações  de  hedge  realizadas  no  exterior,  ainda  que  não  fossem  consideradas  operações  realizadas  em  Bolsa,  e  afastou  a  aplicação  do  Parecer Normativo n° 2/96 uma vez que não foi verificada inobservância de  regime de competência na escrituração de receitas, custos ou despesas.  ·  Centrando­se  na  lide  propriamente  dita,  asseverou  que  a  interessada  não  logrou  comprovar,  nem  durante  o  procedimento  de  fiscalização,  nem  na  impugnação, momento propício para contraditar, com documentos hábeis e  idôneos, a transferência de recursos da ADM Investor Services, em nome da  ADM  do  Brasil,  para  a  Bolsa  de  Mercadorias  &  Futuros  de  Chicago,  e  declarou válida a glosa promovida.  ·  Desmereceu a afirmação de que "não é possível  fazer a demonstração dos  pagamentos  feitos  pela  impugnante  a  Bolsa  de  Chicago",  pois,  em  se  tratando de custos, que têm o condão de reduzir o lucro liquido do exercício  e, conseqüentemente, o crédito tributário devido, é seu o ônus de provar a  sua existência. Citou doutrina neste sentido.  ·  Quanto à afirmação de que as operações estariam devidamente registradas  na contabilidade, salientou que a credibilidade dos assentamentos contábeis  não  se operacionaliza pelo  simples  fato de  tê­los apenas  na  conformidade  da  técnica  mas,  também,  se  funda  nos  Princípios  e  Convenções  que  norteiam  a  Ciência  Contábil,  especialmente  os  da  Continuidade,  Oportunidade, Competência e da Consistência, o que exige disponibilização  da  documentação  hábil,  idônea  que  resguarda  a  escrituração.  Citou  jurisprudência administrativa neste sentido e frisou o fato de o procedimento  fiscal  ter  decorrido  de  demanda  externa  requisitória  solicitada  pelo  Ministério  Público  Federal  e  Banco  Central  do  Brasil,  muito  embora  a  infração  tenha  decorrido  da  falta  de  atendimento  às  intimações  e  reintimações feitas à empresa para que prestasse esclarecimentos acerca das  remessas de divisas ao exterior em pagamento a cobertura de margens de  contratos  futuros  de  soja  e  seus  derivados,  solicitada  pela  Bolsa  de  Mercadorias  de  Chicago,  em  virtude  das  operações  de  hedge  de  commodities agrícolas.  ·  Quanto aos contratos de câmbio apresentados, destacou que não obstante a  afirmação de que a conta­corrente  indicada para crédito nos contratos de  câmbio  (fl.  17/89)  ser a mesma,  tem­se  como destinatários dos  recursos a  ADM Company e ADM Investor Services,  conforme relatado no Termo de  Verificação Fiscal. Registrou que inconsistências no quadro elaborado pela  Fiscalização não maculam o lançamento.  ·  E,  quanto  aos  valores  relativos  à  variação  cambial,  juros  e  comissões,  ratifica­se  correta  a  glosa  dos  mesmos,  pois,  como  não  restaram  comprovados  os pagamentos  de margens  de garantia  de  contratos  futuros  de hedge fechados, as despesas acessórias também não estão confirmadas,  devendo  receber  necessariamente  o  mesmo  tratamento  tributário.  Frisou  tratar­se de  interpretação sistemática das normas  jurídicas disciplinadoras  da dedutibilidade das despesas para efeitos fiscais.  ·  Declarou  insuficientes  as  tabelas  acostadas  aos  autos  na  impugnação  intituladas  Doc.  10­a,  Doc.  10­b  e  Doc.  10­c  elaboradas  pela  própria  Fl. 7322DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 18          17  interessada,  sem  a  apresentação  de  sua  escrituração  fiscal/contábil  (inclusive  livro  LALUR)  e  dos  documentos  pertinentes,  para  prova  da  alegada adição de parte das variações cambiais glosadas.  ·  Quanto à apuração dos tributos  lançados,  tendo em conta o que  informado  pela contribuinte em DIPJ, e o demonstrativo apresentado pela Fiscalização,  assevera que foi efetuado recalculo do Lucro Real e da Base de Cálculo da  CSLL relativos ao ano­calendário de 2004, sendo considerados como valor  tributável  somente  a  infração  no  valor  de  R$  988.456.803,45,  que  corresponde  à  diferença  entre  os  valores  apurados  pela  fiscalização  e  os  valores  informados  pela  interessada  em  sua  DIPJ.  Acrescentou  que  não  houve  erro  no  cálculo  do  limite  do  prejuízo  fiscal  e  da  base  de  cálculo  negativa  de  CSLL  utilizados,  pois  segundo  informações  do  Sistema  SAPLI/RFB  (Demonstrativo  de  Compensação  de  Prejuízos  Fiscais  —  fl.  2681/2685)  e  do  Sistema  SACS/RFB  (Demonstrativo  da  Base  de  Cálculo  Negativa  da  CSLL —  fl.  2686/2687)  e  na  DIPJ  2009/2008  (fl.  2735),  os  saldos  existentes  em  2004  foram  integralmente  utilizados  em  períodos  subseqüentes.  ·  Ainda,  observou  que  não  foi  considerada  a  dedução  do  valor  de  R$  240.000,00 quando do cálculo do adicional de 10%, pois esse somente pode  ser  utilizado  uma  única  vez.  E,  relativamente  às  antecipações  de  IRPJ  e  CSLL  declaradas  na  DIPJ  2005/2004,  constatou  que  seus  valores  foram  utilizados  para  quitar  o  valor  de  IRPJ  devido  declarado  de  R$  29.118.595,02 e o  saldo negativo apurado no valor de R$ 108.620.949,89  foi  objeto  de  diversas  DCOMP,  conforme  Relatório  do  Sistema  PER/DCOMP/SIEF/RFB  (fl.  2688/2689);  o  mesmo  ocorrendo  com  as  antecipações de CSLL.  ·  Afastou  a  aplicação  da  Solução  de  Consulta  Interna  n°  23,  de  21  de  dezembro de 2006, vez que foi lançada, como já visto, a diferença entre os  tributos apurados após as glosas e os declarados.  ·  Por  fim,  declarou  válida  a  incidência  de  juros  de  mora  sobre  a  multa  de  ofício.  Cientificada  da  decisão  de  primeira  instância  em  09/11/2010  (fl.  2765),  a  contribuinte  interpôs  recurso  voluntário,  tempestivamente,  em  08/12/2010  (fls.  2768/2848),  acompanhado dos documentos de fls. (2847/2876), no qual reprisa os argumentos apresentados  na impugnação.  Antes,  porém,  descreve  o  papel  da  recorrente  em  seu  ramo  de  atividade,  destacando  que  o  grupo  do  qual  faz  parte  (Archer  Daniels Midland,  com  sede  em Decatur,  Estado de  Illinois, EUA)  ser  líder mundial no desenvolvimento  responsável  e  sustentável  da  agricultar e bionergia, atuando desde 1923 e contando com mais de 28.000 colaboradores em  60 países. A subsidiária no Brasil, por sua vez, é responsável pela comercialização de mais de  9 milhões de toneladas de sementes de oleaginosas, milho e trigo por ano, contando com 73  filiais e 3.000 funcionários, movimentando mais de 65% do total de soja produzido no Brasil,  juntamente com outras  três empresas  (Bunge, Cargil e Dreyfus), processando 3,5 milhões de  toneladas de soja por meio de suas quatro fábricas no Brasil, e atuando, também, nos ramos de  fabricação e comercialização de fertilizantes, biodiesel e álcool extraído de cana­de­açúcar.   Fl. 7323DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 19          18  Reputa  necessárias  estas  considerações  para  demonstrar  o  volume  de  commodities regularmente negociado pelo Grupo ADM,  inclusive a Recorrente, bem como a  necessidade de uma estrutura dedicada para operar o grande volume de operações de hedge.  Reitera a  arguição de nulidade do  lançamento porque  (a) não  foi  observado o  procedimento previsto no artigo 273 do Regulamento do Imposto sobre a Renda de 1999, no  tocante à postergação de pagamentos; (b) na apuração da base tributável, não se procedeu à  dedução  dos  recolhimentos  efetuados  pela  Recorrente  a  titulo  de  antecipação  no  ano­ calendário de 2004, em conformidade com Solução de Consulta Interna n° 23/06; e (c) foram  cometidos  diversos  outros  equívocos  pelo  D.  Agente  Fiscal  na  apuração  dos  tributos  supostamente devidos.  Afirma  a  ocorrência  de  postergação  em  razão  da  tributação  de  lucros,  rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior pelas pessoas jurídicas domiciliadas no  Brasil (art. 25 da Lei nº 9.249/95 e art. 21 da Medida Provisória nº 1.858/99), relativamente à  qual  inexiste  qualquer  restrição  à  compensação  de  prejuízos  ou  perdas  em  operações  realizadas  no  exterior  com  lucros  lá  auferidos,  como  bem  expressa  o  art.  7o,  inciso  II  da  Instrução Normativa SRF nº  633/2006,  em  consonância  com  o  art.  76,  §§  4o  e  5o  da Lei  nº  8.981/95.  Em  conseqüência,  os  resultados  líquidos  negativos  apurados  em  operações  realizadas no exterior, que não se enquadrem como operações de cobertura (hedge) realizadas  diretamente em bolsa de valores, poderão ser utilizados para absorção de resultados líquidos  positivos apurados em exercícios subseqüentes.  Entende que ofende o conceito de renda e lucro não se permitir a utlização de  prejuízos  e  perdas  apuradas  em  operações  realizadas  no  exterior  em  determinado  ano­ calendário  para  a  absorção  de  resultados  líquidos  positivos  apurados  em  exercícios  posteriores,  motivo  pelo  qual  é  inadmissível  a  exigência  de  tributos  sobre  a  glosa  de  R$  885.797.100,45, uma vez que esse valor, ou ao menos parte dele, já foi oferecido à tributação,  já  no  ano­calendário  seguinte.  Nos  termos  do  art.  273  do  RIR/99,  quando  o  contribuinte  computar na apuração do  lucro real uma dedução que apenas poderia ocorrer  em período­ base futuro, aplica­se a regra relativa à postergação do pagamento.  Nulo é o lançamento em razão de erro no critério jurídico adotado, pois, nesses  casos, o lançamento de eventual diferença deve ser feito pelo valor liquido, compensando­se o  valor  do  pagamento  realizado  em  outro  exercício  ao  que  o  contribuinte  tinha  direito.  Cita  jurisprudência administrativa neste sentido.   Frisa que o  lançamento  foi  formalizado porque no entendimento do D. Agente  Fiscal, e que foi mantido pela decisão da DRJ/RJ, tal resultado negativo não poderia ter sido  deduzido para fins de apuração do IRPJ e da CSLL no ano­calendário de 2004, mas apenas e  tão  somente  utilizado  na  absorção  de  resultado  positivo  apurado  no  ano­calendário  subseqüente  (2005).  Indica o documento nº 2,  juntado à  impugnação, como prova de que no  ano­calendário subseqüente (2005), embora a Recorrente tenha apurado resultado positivo em  operações  realizadas  no  exterior,  ela  não  mais  possuía  nenhum  resultado  liquido  negativo  apurado  em  período  anterior,  de  forma  que  não  houve  qualquer  redução  dos  resultados  positivos apurados no ano de 2005, bem como traz quadros comparativos, em seu recurso, para  demonstrar os efeitos do pagamento postergado alegado.  Reporta­se aos documentos nº 3 e 4, juntados à impugnação, que provariam os  pagamentos efetuados em 2005, e reafirma a aplicação do Parecer Normativo COSIT nº 2/96.  Fl. 7324DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 20          19  Esclarece que o erro no critério jurídico utilizado pela autoridade lançadora enseja a nulidade  do lançamento, ao contrário de um simples erro de fato.  No  que  tange  à  nulidade  decorrente  da  desconsideração  das  antecipações  realizadas no ano­calendário 2004, destaca que a constituição da obrigação tributária somente  pode ser feita em estrita conformidade com o que está disposto em lei, e esta prescreve que as  antecipações devem ser deduzidas ao final do período de apuração correspondente, para fins de  determinação do tributo devido. Afirma novamente que há erro de direito, ou erro no critério  jurídico utilizado, pois a autoridade  lançadora deixou de observar o que determina a  lei para  fins de apuração do quantum debeatur de IRPJ e CSLL na sistemática do lucro real anual.  Demonstra  que,  admitindo  as  antecipações  de  2004,  o  IRPJ  devido  seria  reduzido de R$ 247.114.200,86 para R$ 80.097.506,33, e a CSLL de R$ 88.961.112,31 para  R$ 28.637.099,64. Especifica a forma de quitação das estimativas apontadas para aquele ano­ calendário, e conclui que o lançamento carece de elemento essencial, qual seja, seu motivo.   Opõe­se à cogitação de que a compensação das antecipações de IRPJ e de CSLL  realizadas no decorrer do ano­calendário com os tributos apurados no final do período seriam  mera faculdade conferida aos contribuintes, invocando o entendimento firmado na Solução de  Consulta Interna COSIT nº 23/2006 e discordando da interpretação que lhe foi dada na decisão  recorrida. Defende que naquele ato determinou­se, para toda e qualquer constituição de ofício  de  IRPJ  e  CSLL,  a  dedução  das  retenções  na  fonte  ou  antecipações  referentes  às  receitas  compreendidas  na  apuração,  entendimento  também  refletido  no Ato Declaratório Normativo  COSIT nº 58/94 e em acórdãos administrativos que cita.  Alerta que a manutenção da autuação fiscal, com redução, apenas, do montante  exigido  por  meio  da  dedução  de  estimativas,  consiste  alteração  no  critério  jurídico  do  lançamento, e é vedado pelo art. 146 do CTN.  Por fim, no que tange à nulidade decorrente da falta de apuração do lucro real e  da  base  de  cálculo  da CSLL,  aduz  que  o  lançamento  exige  prévio  levantamento  e  o  exame  completo  de  toda  a  documentação  relativa  à  apuração  do  IRPJ  e da CSLL,  ao  passo  que  a  autoridade lançadora optou por proceder ao lançamento com base tão somente nos valores dos  custos e despesas por eles glosados, sem apurar efetivamente o lucro real e a base de cálculo  da CSLL. Claro está nos autos de infração que os valores exigidos correspondem exatamente à  aplicação  do  percentual  de  34%  (25% de  IRPJ  e  9% de CSLL)  sobre  os  custos  e  despesas  glosados,  desconsiderando  as  antecipações,  o  limite  de  isenção  do  adicional  do  IRPJ  e  a  possibilidade de maior compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL,  ante o incremento das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL.  Discorda  da  argumentação  da  autoridade  julgadora  de  1a  instância  quanto  à  indisponibilidade  das  antecipações,  já  utilizadas  em  compensação,  reafirmando  o  dever  da  autoridade  fiscal  de  recalcular  todo  o  lucro  real  e  toda  a  base  de  cálculo  da  CSLL  da  Recorrente. Da mesma forma reporta­se à impossibilidade de compensação de prejuízos fiscais  e  bases  de  cálculo  negativas  aventada  na  decisão  recorrida,  acrescentando  que  caso  fosse  o  necessário, deveria a Fiscalização, posteriormente, autuar a Recorrente nos anos­calendário  de 2005 e 2006 para a cobrança de IRPJ e CSLL devidos em razão da inexistência de prejuízo  fiscal e base de cálculo negativa da CSLL.  Ressalta, por fim, que não pode esse Egrégio Conselho, tampouco a autoridade  lançadora,  realizar  o  cálculo  correto  dos  tributos  lavrados,  a  pretexto  de  corrigir  o  Fl. 7325DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 21          20  lançamento fiscal. Caso assim proceda, estará realizando a atividade de lançamento, o que é  vedado  pela  legislação  vigente.  Cita  jurisprudência  administrativa  neste  sentido  e  conclui  pedindo que seja declarada a nulidade dos autos de infração.  Ainda  argüindo  a  nulidade  do  lançamento,  mas  agora  apenas  no  que  tange  à  glosa  de  juros,  comissões  e  variações  cambiais,  discorda  da  conclusão  fiscal  de  que  tais  despesas  seriam  acessórias  às  despesas  de  hedge  e,  portanto,  indedutíveis,  sem  qualquer  análise da aplicação da regra de dedutibilidade cabível. Cita o art. 299 do RIR/99 e o Parecer  Normativo  CST  nº  32/81  para  expressar  o  seu  entendimento  sobre  o  que  é  uma  despesa  necessária  e  usual,  concluindo  depois  que  só  seria  possível  glosar  a  dedutibilidade  de  tais  despesas para  fins de apuração do  lucro real e da base de cálculo da CSLL da Recorrente,  caso a Fiscalização comprovasse que elas não preenchem os requisitos previstos no artigo 299  do RIR/99, o que todavia, não foi feito.  Assevera  que  as  operações  e  as  margens  de  cobertura  foram  verificadas  e  atestadas pela própria Fiscalização, e a alegação de não terem sido efetuadas em bolsa não  afeta  a dedutibilidade  dos  demais  encargos,  especialmente  em  relação  às  variações  cambiais  que são despesas incorridas no País. Como eram necessárias as operações de cobertura, lícita é  a dedução dos juros, comissões e variações cambiais.  Especialmente  em  relação  às  variações  cambiais,  destaca  que  a  fiscalização  valeu­se apenas da “acessoriedade” das despesas para a glosa, sem ter em conta o momentum  da  liquidação  das  operações  de  hedge  praticadas,  em  consonância  com  o  regime  de  caixa  imposto  pelo  art.  30  da Medida  Provisória  nº  2.158­35/2001,  para  tributação  destes  valores.  Acrescenta  que  adicionou  ao  lucro  real  e  à  base  de  cálculo  da  CSLL  o  montante  de  R$  38.561.164,02 do total de variações cambiais glosadas pela Fiscalização.  Finaliza seu pedido de declaração de nulidade do lançamento aduzindo:  Ora, se uma simples indagação à Recorrente no curso do processo de fiscalização ou,  então, breve folheada no Livro de Apuração do Lucro Real seria suficiente para afastar  a  tributação das despesas com juros, comissões e variações cambiais  incorridas pela  Recorrente, não se pode afirmar, com consciência tranquila, que houve observância ao  art. 142 do CTN e aos bons princípios da administração publica.  Pretende,  também, a declaração de nulidade da decisão recorrida, uma vez que  deixou de apreciar todas as razões de defesa suscitadas pela Recorrente. Relaciona os tópicos  de sua defesa, aduz que os julgadores de 1a instância limitaram­se a se manifestar, vagamente,  sobre alguns pontos levantados na impugnação, e aponta, a título de exemplo, que ante a longa  argumentação  acerca  da  nulidade  do  auto  de  infração  em  razão  da  não  observância  da  postergação  do  pagamento  dos  tributos  decorrentes  de  operações  de  hedge  realizadas  no  exterior,  a  autoridade  julgadora  não  se  manifestou  acerca  dos  argumentos  ventilados  na  defesa,  tais como aplicabilidade do artigo 273 do RIR no presente caso, ocorrência de erro  material, dentre outros.  No mérito, desde o início de sua defesa questiona a exigência de extrato emitido  pela Bolsa  de Chicago acerca  de  operações  de  hedge  ali  efetuada  em nome da Recorrente,  pois referido documento não existe e não pode ser obtido dada a sistemática de funcionamento  daquela instituição. Destaca a apresentação de farta e robusta documentação plenamente hábil  a  comprovar  que  suas  operações  de  hedge  foram  contratadas  em bolsa  no  exterior,  por  ela  assim resumidos:  Fl. 7326DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 22          21  •  Extratos  das  operações  de  hedge  efetuadas.  pela  Recorrente,  que  contém  todas  as  informações das operações efetuadas (fls. 98 a 678);  •  Razão  contábil  da  conta  ADM  DECATUR  EXEC  FUTUROS  mantida  pela  Recorrente, que atesta as movimentações das operações de hedge efetuadas (fls. 679 a  708);  •  Contratos  de  câmbio  comprobatórios  das  remessas  e  recebimentos  relativas  As  operações de hedge da Recorrente (fls. 16 a 89);  • Relatório dos pagamentos efetuados pela ADM Financeira para a Bolsa de Chicago e  respectivas transferências (fls. 1017 a 1030);  • Extrato diário com o cálculo da variação de margem emitido pela Bolsa de Chicago  (fls. 1025 a 1483);  Ademais,  como  a  autoridade  fiscal  reconheceu  que  "os  relatórios  apresentam  cálculos  corretos  dos  valores  das  margens  dos  contratos  futuros  das  operações  de  Hedge  alegadas  pelo  contribuinte",  claro  está  que  o  lançamento  somente  foi  lavrado  em  razão  da  suposta  falta  de  apresentação  do  já  mencionado  extrato  emitido  pela  Bolsa  de  Chicago.  Assevera  que  as  operações  de  hedge  representam  verdadeiro  imperativo  às  atividades  desenvolvidas pela Recorrente, representando despesas absolutamente usuais e necessárias à  consecução de seus objetivos sociais.  Mais  à  frente,  acrescenta  que  as  bolsas  de  mercadorias  no  Brasil  não  são  capazes  de  absorver  e  conferir  liquidez  às  transações  realizadas  pelo Grupo  ADM,  dado  o  volume das atividades comerciais – e por conseqüência, de operações de hedge – realizadas  pela Recorrente. Transcreve  artigo publicado na Revista Economia e Agronegócio  atestando  que a BM&F não possuía a liquidez necessária para garantir aos agentes de mercado de soja  a efetividade buscada para seus instrumentos de hedge, havendo inclusive o risco dos agentes  locais não serem capazes de fechar suas posições.   Exemplifica que realizou cerca de 139.000 contratos de hedge, dos quais apenas  2% poderiam ser absorvidos pela BM&F. Daí a imperatividade da realização das operações de  hedge  junto  à  Bolsa  de  Chicago,  e  a  submissão  da  recorrente  às  normas  regulatórias  desta  entidade e das autoridades competentes dos Estados Unidos da América.  Descreve  o  fluxo  operacional  de  suas  atividades,  consistentes  em  realizar  negócios  de  compra  com  entrega  física  futura  de  soja  com  os  produtores  rurais  ou  exportadores ao redor do mundo e fechar contratos de venda dessa natureza com seus clientes  locais ou internacionais, de forma que as operações de hedge destinam­se a reduzir os riscos  das  flutuações  dos  preços  de  soja  entre  a  data  da  compra  e/ou  venda  da  soja  e  o  seu  recebimento e/ou entrega física. Especifica que:  163. Para efetuar as operações de hedge, as subsidiárias do Grupo ADM ao redor do  mundo  inserem  os  dados  de  suas  respectivas  operações  comerciais  em  um  único  sistema  de  computador,  o  qual  é  administrado  pela  ADM Trading Company  ("ADM  Trading").  Ao  inserir  os  dados  no  referido  sistema,  as  subsidiárias  do  Grupo  ADM  submetem à ADM Trading as correspondentes ordens de hedge  ("Ordem"), que nada  mais  são  do  que  as  posições  contrárias  àquelas  contratadas  fisicamente  com  os  produtores  rurais ou cliente das empresas do Grupo ADM. Na colocação da Ordem,  são informados o número da conta de controle da subsidiária, o tipo e quantidade de  mercadoria a ser coberta pelo hedge, o tipo de operação (compra ou venda) e a data de  opção da mercadoria na Bolsa de Chicago.  Fl. 7327DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 23          22  164.  Cada Ordem  configura  um  contrato,  o  que  implica  a  obrigação  de  compra  ou  venda do tipo e quantidade de mercadoria estabelecidos na Ordem, na data de entrega  ali prevista, conforme precificação de mercado listada na Bolsa de Chicago.  [...]  166. Em resumo, as Ordens são inseridas no sistema administrado pela ADM Trading,  que centraliza e consolida as Ordens de todas as subsidiárias e, na sequência, transfere  essas exposições a ADM Financeira, entidade financeira que executa tais Ordens junto  à Bolsa de Chicago.  [...]  168.  A  centralização  das Ordens  de  todas  as  subsidiárias,  efetivada  pelo  sistema  da  ADM Trading,  importa dizer, dentre outros fatores, decorre da necessidade de melhor  cumprir  as  regras  do  Grupo  CME,  controlador  da  Bolsa  de  Chicago  e  do  órgão  regulador  norte­americano  (i.e.,  the  Commodity  Futures  Trading  Commission  ("CFTC")). Essas  regras,  como  ditas  anteriormente,  não  são  aplicáveis  a  qualquer  entidade que busque realizar operações de hedge na Bolsa de Chicago, mas apenas as  empresas  do  porte  do  Grupo  ADM,  que  operam  volume  imenso  de  transações  e  possuem inúmeras subsidiárias que precisam, ao mesmo tempo, ter acesso a Bolsa de  Chicago.  169. A fim de comprovar o que consta no parágrafo anterior, a Recorrente anexa ao  presente recuo carta preparada pelos Srs. Scott E. Early e Kathryn M. Trkla, ex­diretor  jurídico e ex­vice­presidente da Bolsa de Chicago, respectivamente (doc. 03).  Passando à exposição do  fluxo de pagamentos de  suas atividades, a  recorrente  inicialmente  destaca  que  a  ADM Financeira  é  um membro  de  compensação  qualificado  do  Grupo CME  [que  integra as Bolsas de Valores  e de Mercadorias  e Futuros de Chicago e de  New Yokr], o que a autoriza a atuar  junto as bolsas de valores e mercadorias  e  futuros do  Grupo CME,  em nome do Grupo ADM e  de  outros  clientes  (terceiros  não  relacionados)  na  qualidade  de  instituição  financeira,  acrescentando  que  sua  atividade  é  altamente  regulada,  dado  atuar  nas  maiores  Bolsas  de  mercadorias  e  futuros  do  mundo  e  influenciar  nos  investimentos  realizados  por  milhões  de  investidores  ao  redor  do  mundo.  Aponta,  ainda,  declaração à fl. 1010 que confirma a atuação da ADM Financeira como membro da Câmara de  Compensação da Chicago Mercantile Exchange (CME).  Frisa,  ainda,  na  referida  declaração,  o  fato  de  a  Bolsa  de  Chicago  não  emitir  extratos  diretamente  ao  Grupo  ADM,  a  evidenciar  que  a  falta  de  apresentação  de  tal  documento, portanto, não decorre de um descuido, desídia ou falha por parte da Recorrente  em  "conservar  em  ordem,  documentos  e  papéis  que  se  refiram  a  atos  e  operações  que  modifiquem  ou  possam  vir  a  modificar  a  sua  situação  patrimonial",  como  consignado  na  ementa  da  r.  decisão  recorrida,  já  que  se  trata  de  documento  inexistente  cuja  obtenção  é  impossível!  Acrescenta que a liquidação das operações intermediadas pela ADM Financeira  é  feita  mediante  pagamentos  centralizados  e  consolidados  à  Bolsa  de  Chicago,  estando  parcialmente correta a afirmação fiscal acerca destes pagamentos globais, com exceção de que  as  transferências  à  Bolsa  de Chicago,  por  determinação  das  normas  dos  órgãos  regulatórios  norte­americanos,  são  feitas  em  dois  grupos,  para  manter  os  recursos  recebidos  de  seus  clientes  separadamente  daqueles  de  titularidade  das  empresas  do  Grupo  ADM.  Esclarece,  Fl. 7328DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 24          23  assim, que a conta NSEC CLR PB 905 – ADM Investor Services consolida somente operações  do Grupo ADM liquidadas pela ADM financeira.  Asseverando  que  os  recursos  necessários  para  os  pagamentos  à  Bolsa  de  Chicago são adiantados à ADM Financeira pela ADM Co., descreve o fluxo de pagamentos  nos seguintes termos:  •  Diariamente,  a  ADM  Financeira  realiza  dois  grupos  de  pagamentos  das  margens  contratadas  naquele  dia,  um  grupo  se  refere  às  transações  do Grupo  ADM  e  outro  relativo às operações de seus demais clientes.  • A entrega dos recursos para o pagamento efetuado pela ADM Financeira à Bolsa de  Chicago é realizado pela ADM Co., gerenciadora de caixa do Grupo ADM.  • A ADM Co.,  por  seu  turno,  é  ressarcida  dos  pagamentos à ADM Financeira  pelas  subsidiárias do Grupo ADM, dentre elas a Recorrente.  • Vale notar que os hedges executados podem gerar ganhos ou perdas às subsidiárias  do Grupo ADM, razão pela qual a ADM Co. pode receber ou realizar pagamentos em  relação a cada uma das subsidiárias do Grupo ADM, dentre elas a Recorrente.  Assim,  na  medida  em  que  o  mecanismo  de  contratação  e  liquidação  das  operações de hedge junto à Bolsa de Chicago envolve a centralização e consolidação do fluxo  de  pagamentos  na  ADM  Financeira,  impossível  era  a  prova  requerida  pela  Fiscalização.  Acrescenta que a atuação da ADM Company é normal, pois  seria praticamente  impossível a  realização  de  remessas  internacionais  diárias  para  a  cobertura  das  margens  à  ADM  Financeira, realizando­se adiantamentos e promovendo­se reembolsos mediante conta­corrente  dentro do mesmo grupo econômico. Mais a frente reafirma que a conta­corrente indicada nos  contratos de câmbio é sempre da ADM Company, embora a ADM Financeira  também tenha  sido indicada, pela Fiscalização, como destinatária dos recursos.  Conclui,  diante  deste  contexto,  que  os  documentos  apresentados  pela  Recorrente ao  longo do processo de  fiscalização que atestam as  remessas efetuadas à ADM  Co. a titulo de ressarcimento das margens cobertas por tal entidade para a ADM Financeira  (fls.  17/89),  bem  como  os  comprovantes  dos  pagamentos  efetuados  pela ADM Financeira  à  Bolsa de Chicago (fls. 1025/1043) são prova suficiente da realização das operações de hedge  junto à Bolsa de Chicago. E aduz:  201.  Adicionalmente,  muito  embora  não  seja  possível  fazer  a  demonstração  dos  pagamentos  feitos  pela  Recorrente  diretamente  a  Bolsa  de  Chicago  em  razão  da  regulação  vigente  nos  Estados  Unidos,  é  possível  que  se  realize  o  confronto  dos  resultados auferidos pela Recorrente com as suas operações de hedge e se verifique  que  estes  oscilam  exatamente  conforme  as  variações  dos  preços  das  mercadorias  "hedgeadas"  na  Bolsa  de  Chicago.  Este,  fato,  ressalte­se,  foi  expressamente  reconhecido  pelo D. Agente Fiscal. Ora,  quer parecer  à  Recorrente  que  tal  evidência  constitui prova mais do que suficiente de que as operações foram realizadas em bolsa,  o que as tornam dedutíveis  tanto para fins de apuração do IRPJ, quanto para fins de  apuração da CSLL. Sobre esse aspecto, no entanto, silenciou a r. decisão recorrida.  Aborda,  também,  a  incongruência  dos  dados  do  BACEN,  inicialmente  mencionando que a decisão recorrida preferiu silenciar sobre estes argumentos, aduzindo que  eles não se prestaram como fundamento da autuação. Procura esclarecer as afirmações contidas  no Ofício (incremento de remessas e desproporção do montante de remessas), reportando­se a  uma  forte  pressão  sobre  os  preços  internacionais  da  soja,  verificada no  início  de  2004,  e  à  Fl. 7329DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 25          24  demanda  crescente  do  produto  por  parte  da  China,  o  que  enseja  um  incremento  nas  suas  receitas  de  vendas  de  produto,  mas  também  acarreta  perdas  equivalentes  nos  contratos  de  hedge,  dada  a  assunção  de  obrigações  substancialmente  opostas.  Ante  as  maiores  perdas,  maiores foram as remessas constatadas pelo BACEN, mas também maior foi o faturamento em  razão  do  aumento  dos  preços  de  venda,  e  por  conseguinte,  a  base  de  cálculo  dos  tributos  devidos pela recorrente.  Quanto à constatação fiscal de que em 2004 foram realizadas remessas relativas  a contratos de hedge liquidados em anos anteriores, aduz que:  215. Em planilha que seguiu anexa à impugnação apresentada, a Recorrente corrigiu  as  distorções  das  informações  consignadas  no  Termo  de  Verificação  Fiscal,  já  que  pretendeu comparar valores das remessas realizadas pela Recorrente no ano de 2004  (fluxos de pagamento) com os registros contábeis das operações escriturados na conta  128116  ­ ADM DECATUR EXEC FUTUROS,  que  seguem o  regime de  competência.  Do  total  dos  recursos  remetidos  ao  exterior  pela  Recorrente  em  2004,  US$  220.829.592,65 se referiam a perdas incorridas em contratos de hedge liquidados em  anos anteriores (2001 a 2003).  216.  Dado  o  grande  volume  de  operações  de  hedge  realizadas  pela  Recorrente,  a  liquidação  financeira  individualizada  ou  até  mesmo  diária  de  tais  contratos  via  contrato de câmbio mostra­se praticamente impossível  (em 2004 a Recorrente fechou  aproximadamente 139.000 contratos de hedge, o que dá uma média diária por dia útil  de  579,16  operações).  Por  essa  razão,  e  considerando  que  os  fluxos  financeiros  da  Recorrente são geridos pela ADM Co., opta­se por liquidar, periodicamente, parte ou  totalmente  as  posições  financeiras  com  aquela  empresa.  Exatamente  isso  foi  o  que  aconteceu em 2004.  Acrescenta  que  as  informações  do  BACEN  são  imprecisas,  pois  ali  não  se  informa o universo de operações adotado para as inferências feitas. Conclui, assim, que não há  como  o  D.  Agente  Fiscal  ou  o  BACEN  afirmarem  que  as  operações  contratadas  pela  Recorrente são incompatíveis com as suas atividades.  Questiona,  também,  o  quadro  comparativo  entre  faturamento  de  depósito  de  margens elaborado pela Fiscalização, asseverando que: 1) o valor apontado como a totalidade  das margens  cobertas  pela ADM Company  está  incorreto,  pois  já  representa  os  pagamentos  efetuados  pela  ADM  Financeira  em  prol  da  ADM  Company;  2)  o  faturamento  da  ADM  Company  refere­se  ao  ano  fiscal  que  vai  de  01/07/2003  a  30/06/2004,  distinto  da  base  de  comparação;  3)  o  pagamento  efetuado  à  ADM  Financeira  envolve  todas  as  subsidiárias  do  Grupo e não pode ser comparado apenas com os resultados da recorrente; 4) a utilização, pela  Fiscalização, da  taxa média do dólar  em 2004 causa distorções  em  razão do  faturamento  ter  sido convertido, pela contribuinte, mensalmente em razão da taxa vigente.  Reiterando  o  controle  ao  qual  é  submetida  a  ADM  Financeira,  repudia  a  afirmação  fiscal  de  facilidade  para  manipulação  de  operações,  relatórios  e  contabilidades,  incompatível  com  o  reconhecimento,  pela  própria  Fiscalização,  de  que  a  contribuinte  apresentou cálculos corretos dos valores das margens dos contratos futuros das operações de  hedge,  e  com  a  clareza  dos  documentos  apresentados  para  demonstrar  a  efetividade  das  operações realizadas em bolsa.   Reprisa  o  conteúdo  dos  documentos  apresentados  à  autoridade  lançadora  durante o procedimento  fiscal, destaca novamente a compatibilidade destas  informações com  Fl. 7330DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 26          25  os  demais  elementos  apresentados  à  Fiscalização,  como  por  ela  reconhecido,  e  novamente  manifesta  sua  inconformidade  com  a  exigência  de  documento  que  não  lhe  é  possível  apresentar,  sem que  uma  análise mais  aprofundada de  suas  atividades  fosse  feita. Ressalta  a  relevância da exigência e o risco que ela causa à continuidade das atividades da recorrente, e  pede a improcedência do lançamento.  Ainda,  porque  representativos  de  despesas  usuais  e  necessárias,  defende  a  dedutibilidade  dos  resultados  de  operações  de  cobertura  de  riscos  realizadas  em  outros  mercados de futuro no exterior, além de bolsas, desde que admitidas pelo Conselho Monetário  Nacional, nos termos do art. 396, §1o do RIR/99 e da Resolução CMN nº 2.012/93. Desde que  se trate de operações de hedge vinculadas a operações reais e efetivas de revenda de soja e  que  sigam  rigorosamente  os  parâmetros  de mercado,  como  no  caso  presente,  tais  despesas  deverão ser consideradas operacionais e dedutíveis independentemente se realizadas em bolsa  ou fora dele.  Descreve os três grandes conjuntos de transações que realiza (compra, hedge e  revenda), esclarecendo que na primeira fase de compra, em regra no 2o semestre de cada ano,  podem  ocorrer  adiantamentos  ou  financiamentos  de  produtores,  verificando­se  a  entrega  da  soja somente a partir do 2o trimestre do ano seguinte, a exigir precauções quanto às variações  de preço até que o produto seja recebido e possa ser revendido, o que compele a recorrente a  se valer do instrumento de hedge.  Reporta­se a doutrina esclarecendo que o hedge nada mais é que a aquisição de  contratos em posição inversa aos contratos já firmados pela sociedade, e acrescenta que num  contexto  em  que  os  preços  dos  produtos  que  comercializa  oscilam  ao  sabor  do  mercado,  deixar de realizar operações de hedge certamente evidenciaria que a Recorrente é mal gerida  ou possui grande atividade especulativa. Citando as causas de variação de preços no mercado  que atua, conclui que o hedge é usual e necessário às atividades da Recorrente.  Constrói exemplo numérico para aclarar  tais  afirmações,  e destaca que a soja,  principal  produto  agropecuário  negociado  pela  Recorrente,  no  ano  de  2004,  foi  o  segundo  produto agropecuário brasileiro cujo preço apresentou maior volatilidade. E complementa:  253. Dentro desse mecanismo, mesmo que o preço de mercado da soja suba quando da  data de sua colheita e revenda, o valor que a Recorrente receber a mais do seu cliente no  mercado  externo  será  remetido  ao  exterior  por  força  do hedge. De outro  lado,  caso o  valor  de  mercado  caia  e,  por  conseqüência,  o  cliente  externo  da  soja  física  pague  menos  à  Recorrente,  o  hedge  propiciará  um  resultado  positivo  equivalente  ao  valor  pactuado no contrato e o valor de mercado para essa época.  254. Ao minimizar seus riscos pela contratação das operações de hedge, a Recorrente  pode se concentrar em suas atividades principais: a compra, estocagem, distribuição,  processamento e revenda de soja.  Traça  a  hipótese  de  incidência  do  IRPJ  a  partir  da  Constituição  Federal  para  concluir  que  em  decorrência  da  premissa  basilar  e  irredutível  de  que  apenas  podem  ser  submetidos ao IRPJ (e também CSLL) os acréscimos patrimoniais efetivos, os resultados das  operações de hedge contratadas pela Recorrente não podem ser avaliados  isoladamente das  operações comerciais que pretendem cobrir e, destarte, tributados da forma efetuada pelo D.  Agente Fiscal. Novamente menciona que a adição dos prejuízos decorrentes de operações de  hedge decorre da suposição de que tais operações não teriam sido praticadas em bolsa.  Fl. 7331DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 27          26  Apresenta  mais  exemplos  numéricos  dos  resultados  que  seriam  auferidos  em  caso de valor de mercado superior ou inferior ao preço de compra contratado, para concluir que  impedir a dedutibilidade das perdas auferidas nas operações de hedge significaria tributar os  ganhos  realizados  nas  operações  comerciais  da  recorrente  sem  considerar  os  custos  incorridos  para  a  sua  consecução,  isto  é,  aqueles  decorrentes  das  operações  de  hedge.  Reporta­se a jurisprudência administrativa contrária a este tipo de entendimento, em situações  semelhantes  como  no  caso  de  despesas  de  juros  incorridos  em  empréstimos  repassados  a  outras empresas do mesmo grupo econômico.  Discorda  da  interpretação  que,  a  partir  do  disposto  no  art.  396  do  RIR/99,  considera  indedutíveis os pagamentos das operações de cobertura não realizadas em bolsas,  pois  tal  implicaria  reconhecer  que  aquela  norma  visa  a  locupletar  o  fisco  de  forma  injustificada, na medida em que seriam tributadas as receitas de venda das mercadorias, mas  não  seria  aceito  um  importante  custo  incorrido  para  que  essas  mesmas  receitas  fossem  auferidas.  Subsidiariamente invoca a aplicação do art. 71 da Lei nº 9.430/96, que em seu  entendimento  houve  por  bem  estender  as  demais  operações  realizadas  em  mercados  de  liquidação  futura  fora  de  Bolsa  (balcão)  o  mesmo  tratamento  tributário  conferido  a  tais  operações  realizadas  em  Bolsa,  dentre  as  quais  se  incluem  as  operações  de  cobertura.  E,  considerando  o  disposto  nos  arts.  17  e  28  daquela  mesma  lei,  admitido  está  o  cômputo  na  determinação do lucro real, e da base de cálculo da CSLL, dos resultados líquidos, positivos  ou  negativos,  obtidos  em  operações  de  cobertura  (hedge)  realizadas  em  mercados  de  liquidação futura, diretamente pela empresa brasileira, em Bolsas no exterior.  Antecipa sua oposição à alegação de que o referido dispositivo  legal  (art. 71),  ao assegurar a dedutibilidade das perdas auferidas nas operações realizadas em mercado de  liquidação futura fora de Bolsa, não teria explicitado que tal regra também seria aplicável às  operações  realizadas  no  exterior.  Segundo  Elide  Palma  Bifano  e  Luciana  Aguiar32  [32  "Anotações  sobre  Operações  Internacionais  com  a  Finalidade  de  Cobertura  ("Hedge"),  in  "Revista de Direito Tributário  Internacional nº 10", ed. Quartier Latin, p. 180.], "á época da  edição da L 9.430/96, vigorava o art. 63 da L 8.383/91, que, expressamente, autorizava esse  tratamento. Esse fundamento de aplicação de tal regime vigorou até a edição da L 11.033/04,  quando o art. 63, em referência, foi revogado. A partir de então, o art. 71 da L 9.430/96 passa  a  ser  aplicado,  também,  a  operações  no  exterior,  com  as  alterações  introduzidas  pela  L  10.833/03,  em  seu  artigo  48,  em  seu  §2°,  autorizando  o  reconhecimento  de  perdas  nas  operações registradas nos termos da legislação vigente".  Finaliza  defendendo  a  ilegalidade  da  incidência  de  juros  sobre  a  multa  de  ofício, pois os juros decorrem da utilização do capital alheio, no caso o tributo, ao passo que a  multa é pena pecuniária pelo inadimplemento de obrigação. Se os juros remuneram o credor  pela privação do uso de seu capital, eles devem incidir somente sobre o que deveria ter sido  recolhido no prazo legal, e não foi.  Defende que não há previsão legal para incidência de juros sobre a multa, pois a  expressão  débitos  do  §3o  do  art.  61  da  Lei  nº  9.430/96  diz  respeito  somente  ao  valor  do  principal  relativo  à  obrigação  tributária  não  paga  no  vencimento,  interpretação  confirmada  em razão do que expresso no art. 43 da mesma lei. Reporta­se a julgados do Primeiro Conselho  de Contribuintes, e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, este editado em 09/11/2010, que  adotam o entendimento por ela defendido.  Fl. 7332DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 28          27  Ao  final,  requer,  ainda,  o  procedimento  de  diligência,  na  hipótese  desse  procedimento ser tido como necessário para o esclarecimento de qualquer dúvida acerca dos  documentos juntados ao presente processo administrativo, bem como protesta pela produção  de  todas as provas em Direito admitidas, bem como pela oportuna sustentação oral de suas  razões de defesa.  Em 22/02/2011 os autos do presente processo foram encaminhados em CARF, e  em 21/10/2011 foram distribuídos, mediante sorteio, a esta Relatora. Contudo, em 16/03/2012  a  recorrente  peticionou  nos  autos,  requerendo  a  juntada  de  novos  elementos  aos  autos  (fls.  3365/3375), especialmente os seguintes estudos e pareceres jurídicos:  ·  Análises em relação aos melhores princípios e práticas de mercado  que possibilitassem ao Grupo ADM efetuar operações de hedge na  Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago (“Bolsa de Chicago”),  promovidas  por  Professor  Steven  Thel,  I.  Maurice  Wormser  Professor de Direito da Universidade de Fordham em Nova Iorque,  em  que  leciona  sobre  contratos,  lei  corporativa  e  regulamento  de  valores mobiliários;  ·  Análise  das  operações  de  Hedge  efetuadas  pela  Requerente  no  exterior  à  luz  do  art.  396  do  RIR/99,  expressa  em  parecer  do  Professor Marco Aurélio Greco;  ·  Estudo dos vícios materiais que acarretam a nulidade dos autos de  infração, proferido pelo Professor Eurico Marcos Diniz de Santi;  ·  Relatório  da  KPMG  acerca  da  contabilização  das  operações  e  a  conformidade  dos  Preços  Praticados,  com  referência  a  Anexos  numerados de 1 a 30, não juntados à petição;  Digitalizada  apenas  a  referida  petição  em  28/03/2012  (os  estudos  e  pareceres  acima mencionados acompanharam cópia desta petição apresentada a esta Relatora, mas não  foram  digitalizados  no  E­processo),  os  autos  seguiram  em  29/03/2012  para  vistas  da  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional,  que  em  31/05/2012  devolveu  os  autos  informando  que  apresentaria  memoriais  oportunamente  e  que  realizaria  sustentação  oral  por  ocasião  do  julgamento  (fl.  3376/3378).  Os  autos  foram  novamente  distribuídos  a  esta  Relatora  em  12/06/2012,  juntamente  com  os  autos  do  processo  administrativo  nº  15586.001638/2010­81,  que trata de exigência conexa, relativa ao ano­calendário 2006.  Em  10/08/2012  foi  concluída  a  digitalização  dos  demais  documentos  apresentados  pela  recorrente  em  16/03/2012,  estruturados  em  30  (trinta)  anexos,  os  quais  passaram a  integrar  as  fls.  3379/7301 destes  autos.  Identificadas  falhas na digitalização,  esta  Relatora  requereu  sua  regularização  em 03/10/2012,  recebendo  em 06/11/2012 os  elementos  faltantes.  Em 06/12/2012 a recorrente apresentou a esta Relatora petição protocolizada no  CARF  naquela  data,  requerendo  a  juntada  de  Relatório  de  Comprovação  do  Hedge  em  Operações Futuros Realizadas pela Companhia no Ano­Base de 2004, emitido pela empresa  de  auditoria  KPMG,  bem  como  de Relatório  de  Auditoria  Independente  das  Operações  de  Futuro  e  Opções  de  Commodities  Realizadas  pela  Companhia,  emitido  pela  empresa  de  auditoria Ernst & Young, acerca das controvérsias objeto de lançamento nestes autos. Além  Fl. 7333DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 29          28  disso,  na  mesma  data,  requereu  a  juntada  de  parecer  emitido  pelo  Professor  Ary  Oswaldo  Mattos  Filho,  acerca  da  interpretação  do  art.  17  da  Lei  nº  9.430/96  em  razão  da  forma  de  operação das Bolsas.   O relatório da Ernst & Young, acompanhado de diversos demonstrativos (todos  em  língua  estrangeira),  o  relatório  da KPMG e  o  parecer  do Professor Ary Oswaldo Mattos  Filho  foram anexados à petição  antes  referida. Por ocasião de  sua apresentação,  a  recorrente  mencionou a existência de documentos que lhes dariam suporte, os quais seriam apresentados  no CARF. Consulta ao E­processo  evidenciou que a  referida petição e os documentos que a  instruíram  ainda  não  haviam  sido  digitalizados  até  janeiro/2013,  bem  como  que  não  havia  registro da apresentação de outros elementos.  Em 12/09/2012, a Assessoria Técnica e Jurídica do CARF (ASTEJ) respondera  a Ofício da Procuradoria da República no Espírito Santo, informando que solicitaria prioridade  na  tramitação  do  presente processo  administrativo. Em  28/11/2012 o mesmo órgão  requereu  cópias do auto de infração e das decisões já proferidas nestes autos, as quais foram fornecidas  pela  Presidência  desta  1a  Seção  em  11/12/2012,  acompanhadas  da  informação  de  que  o  presente processo seria incluído em pauta na sessão seguinte, em fevereiro de 2013.  O litígio não foi apreciado na reunião de julgamento de fevereiro/2013 em razão  de  pedido  de  adiamento  apresentado  pela  recorrente.  Ao  final  de  fevereiro/2013,  foram  digitalizados 17 (dezessete) volumes de anexos a estes autos, cuja juntada definitiva ainda não  foi  promovida no E­processo  em  razão de o processo  encontrar­se pautado para  julgamento.  Referidos documentos estão  intitulados Laudo KPMG – Relatório de comprovação do hedge  em operações de  futuros realizadas pela Companhia no ano­base de 2004 e  reúnem Anexos  entre  os  números  1  e  33,  evidenciando  tratar­se  dos  documentos  de  suporte  do  documento  apresentado a esta Relatora em 06/12/2012, sob o título Relatório de Comprovação do Hedge  em  Operações  Futuros  Realizadas  pela  Companhia  no  Ano­Base  de  2004,  emitido  pela  empresa de auditoria KPMG.   Fl. 7334DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 30          29  VOTO  Conselheira EDELI PEREIRA BESSA  A  recorrente  argúi  a  nulidade  do  lançamento  porque  (a)  não  foi  observado  o  procedimento previsto no artigo 273 do Regulamento do Imposto sobre a Renda de 1999, no  tocante à postergação de pagamentos; (b) na apuração da base tributável, não se procedeu à  dedução  dos  recolhimentos  efetuados  pela  Recorrente  a  titulo  de  antecipação  no  ano­ calendário de 2004, em conformidade com Solução de Consulta Interna n° 23/06; e (c) foram  cometidos  diversos  outros  equívocos  pelo  D.  Agente  Fiscal  na  apuração  dos  tributos  supostamente devidos.  A  nulidade  dos  atos  administrativos  de  lançamento  é  regida  pelo  Decreto  nº  70.235/72, que em seu art. 59, inciso I, prevê a hipótese de lavratura por pessoa incompetente,  e  em seu  art.  10  traça os  requisitos essenciais para  a  formalização do  auto de  infração. Tais  dispositivos legais alinham­se ao art. 142 do CTN, que também estabelece a formalização do  lançamento por autoridade administrativa competente, e exige, para sua validade, a verificação  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  a  determinação  da  matéria  tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo.  Diante deste contexto, inexiste nulidade quando a autoridade lançadora deixa de  deduzir, da base tributável, prejuízos e bases negativas acumulados em períodos anteriores, na  medida  em  que  esta  compensação  é  uma  faculdade  do  sujeito  passivo,  nos  termos  do  que  dispõe a Lei nº 9.065/95:  Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do ano­calendário de 1995,  poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de  dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na  legislação do imposto de renda, observado o  limite máximo, para a compensação, de  trinta por cento do referido lucro líquido ajustado.  Parágrafo  único. O disposto  neste  artigo  somente  se  aplica  às  pessoas  jurídicas  que  mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do  montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação.   Art.  16.  A  base  de  cálculo  da  contribuição  social  sobre  o  lucro,  quando  negativa,  apurada a partir do encerramento do ano­calendário de 1995, poderá ser compensada,  cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994,  com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas  na  legislação  da  referida  contribuição  social,  determinado  em  anos­calendário  subseqüentes, observado o  limite máximo de redução de  trinta por cento, previsto no  art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995.   Parágrafo único. O disposto neste artigo somente  se aplica às pessoas  jurídicas que  mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios da  base de cálculo negativa utilizada para a compensação. (negrejou­se)  Inadmissível  impor  ao  Fisco  a  averiguação  de  prejuízos  e  bases  negativas  acumulados em períodos anteriores, com vistas a promover, de ofício, a redução do lucro real  ou da base de cálculo da CSLL apurados em razão das infrações constatadas, vinculando tais  parcelas a uma exigência ainda passível de discussão no âmbito administrativo, e impedindo o  sujeito  passivo  de  dispor  destes  valores  para  redução  das  bases  tributáveis  que  reconhece  devidas. Da mesma  forma, não é possível  assim proceder,  consumindo saldos de prejuízos  e  bases negativas em lançamento e caracterizando, como nova infração, a utilização futura destes  Fl. 7335DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 31          30  saldos,  em  momento  no  qual  o  sujeito  passivo  desconhecia  os  questionamentos  que  a  Administração Tributária poderia produzir em relação a sua apuração original.   É  certo,  como  diz  o  Professor  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi  no  parecer  fornecido à autuada, que a regra de compensação dos prejuízos fiscais  integra o conjunto de  regras  denominado  “regra  de  apuração”.  Todavia,  nos  termos  em  que  estabelecida  na  lei  antes  transcrita,  esta  compensação  é  um  direito  conferido  ao  sujeito  passivo,  que  assim  necessariamente integra a apuração por ele promovida, em observância ao art. 150 do CTN. A  revisão deste procedimento pelo Fisco não lhe impõe o dever de integrar a vontade do sujeito  passivo  e  promover  compensação  superior  àquela  por  ele  definida,  eventualmente  desconstituindo a livre decisão deste interessado de fazer uso daqueles saldos em outro período  de apuração.  Como direito do sujeito passivo, esta compensação pode ser  invocada em seus  recursos  administrativos,  mas  desde  que  provada  a  disponibilidade,  naquele  momento,  de  saldos  de  prejuízos  fiscais  e  bases  negativas  passíveis  de  utilização.  E,  desta  forma,  tal  argumentação  passa  a  ter  contornos  de  mérito,  e  não  se  mostra  suficiente  para  ensejar  a  declaração de nulidade do lançamento.  Também não há que se falar em nulidade quando a autoridade lançadora deixa  de  considerar,  na  determinação  do  tributo  a  ser  exigido,  recolhimentos  ou  antecipações  promovidos pelo sujeito passivo. Em que pese possa ser discutível a natureza da dedução das  antecipações  invocadas pela contribuinte,  e o procedimento a ser adotado em face do sujeito  passivo que já se valeu de eventual saldo negativo daí resultante para compensação de outros  débitos,  não  é  possível  afirmar,  como  pretende  a  recorrente,  que  a  desconsideração  destes  aspectos represente a ausência de elemento essencial ao lançamento tributário.  A  verificação  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  a  determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação  do  sujeito  passivo,  nos  termos  do  art.  142  do  CTN,  estão  presentes  quando  a  autoridade  lançadora identifica a  infração e recompõe a base tributável, determinando o tributo devido e  promovendo  o  lançamento  da  parcela  superior  àquela  inicialmente  calculada  pelo  sujeito  passivo.  As  deduções  de  recolhimentos  e  antecipações,  a  partir  deste  ponto,  representam  a  extinção do crédito tributário, e a existência de parcela que surte tal efeito em relação ao valor  exigido  reveste  a  natureza  de  fato  extintivo  do  direito  do  Fisco,  que  deve  ser  alegado  pelo  sujeito passivo em seus recursos administrativos.  Ressalte­se que, no presente caso, a autoridade  lançadora observou a opção da  contribuinte de apuração anual do lucro real, e por conseqüência da base de cálculo da CSLL,  reconstituindo  esta  apuração  para  determinar  o  efeito  da  infração  constatada,  consoante  determina o  art.  24 da Lei nº 9.249/95. Logo, não há  erro de direito na  apuração do crédito  tributário,  podendo  existir,  apenas,  erro  de  fato,  se  provada  a  existência  de  antecipações  ou  recolhimento que deveriam ter reduzido o imposto devido para fins de exigência.   Quanto  à  alegada  burla  ao  prazo  decadencial  para  confirmação  de  elementos  determinantes do  crédito  tributário,  ou  alteração  do critério  jurídico do  lançamento mediante  admissibilidade  daquelas  deduções,  tratam­se,  também,  de  aspectos  materiais  a  serem  considerados  no momento  da  apreciação  da  prova  destas  antecipações  e  recolhimentos  pelo  sujeito  passivo,  e  não  em  âmbito  preliminar de validade do  lançamento. De  fato,  estando  as  antecipações e recolhimentos declarados, caberá ao julgador decidir se esta prova é suficiente  Fl. 7336DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 32          31  ou se outros questionamentos podem ser feitos acerca dos fatos extintivos do crédito tributário  alegados pelo autuado.   Acrescente­se que, uma vez  instaurada  a  fase  litigiosa do procedimento  fiscal,  cabe  à  autoridade  julgadora  analisar  a  procedência  ou  não  do  lançamento  fiscal,  mediante  apreciação das alegações de defesa apresentadas pelos interessados, inclusive quanto à exatidão  dos cálculos da exigência fiscal, cujo exame constitui matéria de mérito. A mudança do critério  jurídico, nos termos do art. 146 do CTN, somente ocorreria quando a autoridade julgadora, ao  analisar  um  lançamento  completo  e  acabado,  refaz  sua  materialidade  e  sua  fundamentação.  Eventual  correção  dos  cálculos  da  exigência  não  acarreta  qualquer  alteração  do  critério  jurídico,  se  mantida  a  motivação  da  glosa  originalmente  promovida  e  a  forma  de  apuração  (lucro  real  anual)  adotada  pela  autoridade  lançadora.  Não  fosse  assim,  e  os  julgamentos  administrativos sempre resultariam em procedência ou improcedência do lançamento, e nunca  em procedência parcial.  Com referência à arguição de nulidade em razão da desconsideração de parcela  isenta  para  cálculo  do  adicional  de  IRPJ,  trata­se  de  argumentação  inclusive  suprimida  dos  recursos  administrativos  apresentados  no  lançamento  subseqüente  formalizado  nos  autos  do  processo  administrativo  nº  15586.001638/2010­81,  e  isto  possivelmente  porque  não  possuía  base material, na medida em que a referida parcela isenta já havia sido consumida pelo sujeito  passivo em sua apuração original, como bem observou a autoridade julgadora de 1a instância.  De fato, na medida em que a contribuinte havia declarado lucro real, no ano­calendário 2004,  no montante de R$ 116.570.380,05,  a parcela de R$ 240.000,00  já havia  sido deduzida para  determinação do adicional declarado de R$ 11.633.038,01 (fl. 2022/verso).  Passando  à  apreciação  da  nulidade  do  lançamento  em  razão  da  inobservância  dos efeitos da postergação, trata­se também de arguição suprimida nos recursos administrativos  apresentados no lançamento subseqüente formalizado nos autos do processo administrativo nº  15586.001638/2010­81. E, embora sua ocorrência pudesse representar insuficiente apuração da  matéria  tributável, a ensejar a  improcedência total da exigência, ou mesmo sua nulidade para  alguns intérpretes, o fato é que a recorrente não logrou demonstrar qual a razão de a glosa de  perdas com hedge no exterior aqui veiculada repercutir em períodos de apuração subseqüentes.  Reportando­se ao art. 25 da Lei nº 9.249/95, ao art. 21 da Medida Provisória nº  1.858/99, ao art. 7o, inciso II da Instrução Normativa SRF nº 633/2006 e ao art. 76, §§ 4o e 5o  da Lei nº 8.981/95, a recorrente defendeu a inexistência de qualquer restrição à compensação  de  prejuízos  ou  perdas  em  operações  realizadas  no  exterior  com  lucros  lá  auferidos.  Em  conseqüência, os valores aqui glosados porque não admitidos como resultantes de operações  de cobertura (hedge) realizadas diretamente em bolsa de valores, poderiam ser utilizados para  absorção de resultados líquidos positivos apurados em exercícios subseqüentes.  Ocorre  que  o  art.  25  da  Lei  nº  9.249/95,  assim  como  o  art.  21  da  Medida  Provisória  nº  1.858/99  tratam  da  tributação  de  lucros,  rendimentos  e  ganhos  de  capital  auferidos  no  exterior,  de  modo  que  a  possibilidade  de  compensação  de  prejuízos  e  perdas  decorrentes  das  operações  referidas  naquele  artigo  com  resultados  auferidos  no  exterior,  implícita  no  §5o  do  art.  25  da  Lei  nº  9.249/95  depende,  necessariamente,  da  existência  de  prejuízos  e  perdas  no  exterior,  aspecto  não  comprovado  pela  fiscalizada  e  motivador  do  lançamento.  Assim,  caso  a  pretensão  da  recorrente  seja  defender  a  possibilidade  da  compensação de perdas decorrentes de operações de hedge no exterior com ganhos decorrentes  Fl. 7337DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 33          32  de operações desta mesma natureza, o fato em discussão, aqui, é a prova da existência daquelas  perdas, e não simplesmente o momento de sua dedutibilidade.   O  disposto  na  Instrução  Normativa  SRF  nº  633/2006  também  não  socorre  a  autuada em sua argumentação de postergação. O art. 7o, depois de reproduzir em seu inciso I a  autorização  de  cômputo,  no  lucro  tributável,  de  resultados  líquidos,  positivos  ou  negativos,  obtidos em operações de cobertura (hedge) no exterior, firma em seu inciso II que os prejuízos  e  perdas  decorrentes  das  demais  operações  realizadas  no  exterior  somente  poderão  ser  deduzidos até o  limite dos ganhos auferidos no exterior, não podendo ser compensados com  lucros e ganhos auferidos no Brasil. Assim, também aqui a dedução de prejuízos com ganhos  auferidos  no  exterior  necessariamente  depende  da  prova  daqueles  prejuízos,  inexistindo  qualquer irregularidade na tributação futura dos ganhos se esta prova inexistir.  Por fim, o mencionado art. 76 da Lei nº 8.981/95 trata, em seus §§ 4o e 5o, da  dedução de perdas em razão de aplicações  financeiras de  renda  fixa ou variável, permitindo,  em  algumas  hipóteses,  que  ela  seja  feita  até  o  limite  dos  ganhos  auferidos  em  operações  semelhantes.  Logo,  nenhum  elemento  novo  traz  para  alterar  as  conclusões  até  aqui  expressadas.  Imprópria,  assim,  a  afirmação  da  recorrente  de  que  a  presente  autuação  teria  impedido a utlização de prejuízos e perdas apuradas em operações realizadas no exterior em  determinado  ano­calendário  para  a  absorção  de  resultados  líquidos  positivos  apurados  em  exercícios  posteriores. O motivo  da  glosa  da  parcela  de R$  885.797.100,45  é  a  ausência  de  comprovação  de  que  este  valor  decorra  de  operações  de  hedge  realizadas  no  exterior,  inexistindo  qualquer  acusação  no  sentido  de  que  resultado  negativo  não  poderia  ter  sido  deduzido para fins de apuração do IRPJ e da CSLL no ano­calendário de 2004, mas apenas e  tão  somente  utilizado  na  absorção  de  resultado  positivo  apurado  no  ano­calendário  subseqüente (2005).   Por  fim,  quanto  à  nulidade  do  lançamento  relativamente  à  glosa  de  juros,  comissões e variações cambiais, os argumentos da recorrente também se vinculam ao mérito da  exigência, pois discorda da “acessoriedade” firmada pela Fiscalização, e entende que a glosa  somente teria lugar se não observado o art. 299 do RIR/99. A autoridade lançadora expressou  os motivos para a glosa realizada, e se eles são, eventualmente,  insuficientes ou inadequados  para  a  manutenção  da  exigência,  isto  resultará  na  improcedência  do  lançamento,  e  não  na  declaração de sua nulidade. O mesmo se diga acerca da eventual adição de variações cambiais  em razão da opção pelo regime de caixa para sua dedutibilidade.  Por  tais  razões,  o  presente  voto  é  no  sentido  de  REJEITAR  as  argüições  de  nulidade do lançamento.  A  recorrente  também  pretende  a  declaração  de  nulidade  da  decisão  recorrida,  asseverando que os julgadores de 1a instância limitaram­se a se manifestar, vagamente, sobre  alguns pontos levantados na impugnação, e observando que ante a longa argumentação acerca  da nulidade do auto de infração em razão da não observância da postergação do pagamento  dos tributos decorrentes de operações de hedge realizadas no exterior, a autoridade julgadora  não  se manifestou acerca dos argumentos  ventilados na defesa,  tais  como aplicabilidade do  artigo 273 do RIR no presente caso, ocorrência de erro material, dentre outros.  A  decisão  recorrida  afasta,  de  plano,  as  argüições  de  nulidade  presentes  na  impugnação  por  vislumbrar,  ali,  apenas  aspectos  de  mérito  a  serem  apreciados.  Declarou,  Fl. 7338DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 34          33  assim, a validade formal do lançamento e, na seqüência, apreciando seu mérito, firmou que o  debate dos autos era matéria de prova, o que por si só já afasta a alegação de postergação. Na  seqüência,  admitindo  a  necessidade  da  prova  exigida  pela  Fiscalização,  convalidou  a  glosa  promovida,  inclusive  das  despesas  consideradas  acessórias.  No  mais,  apreciou  todos  os  argumentos da recorrente acerca da liquidação do crédito tributário lançado, de modo que sua  defesa  foi  integralmente  apreciada,  devendo  ser  REJEITADA  a  arguição  de  nulidade  da  decisão recorrida.  Adentrando  ao  mérito,  vê­se  que  a  discussão,  nestes  autos,  prende­se  à  qualidade da prova que deve ser produzida pelo sujeito passivo para fins de dedução de perdas  na forma do caput do art. 396 do RIR/99:  Art.  396.  Serão  computados  na  determinação  do  lucro  real  os  resultados  líquidos,  positivos  ou  negativos,  obtidos  em  operações  de  cobertura  (hedge)  realizadas  em  mercados  de  liquidação  futura,  diretamente  pela  empresa  brasileira,  em  bolsas  no  exterior (Lei nº 9.430, de 1996, art. 17).   §  1º O disposto  neste  artigo  aplica­se,  também, às operações  de  cobertura  de  riscos  realizadas  em  outros  mercados  de  futuros,  no  exterior,  além  de  bolsas,  desde  que  admitidas  pelo  Conselho  Monetário  Nacional  e  que  sejam  observadas  as  normas  e  condições por ele estabelecidas (Lei nº 8.383, de 1991, art. 63).   § 2º No caso de operações que não se caracterizem como de cobertura, para efeito de  apuração do lucro real, os lucros obtidos serão computados e os prejuízos não serão  dedutíveis.   A  partir  do  exame  dos  documentos  e  dos  esclarecimentos  apresentados  pela  contribuinte em razão do termo inicial de fiscalização, a autoridade lançadora reconheceu que  os relatórios apresentam cálculos corretos dos valores das margens dos contratos futuros das  operações de Hedge alegadas  pelo  contribuinte, mas  ressalvou que os  referidos documentos  não  comprovam  a  efetiva  aplicação  dos  recursos  remetidos  ao  exterior  para  cobertura  das  margens dos contratos futuros de commodities, ou seja, não demonstram a transferência dos  recursos  da ADM em nome da ADM do Brasil  para  a Bolsa  de Mercadorias & Futuros  de  Chicago.   Em  conseqüência,  por  meio  das  intimações  lavradas  de  05/07/2009  a  25/08/2009,  a  Fiscalização  buscou  prova  de  que  a  contribuinte  havia,  de  fato,  realizado  operações  de  hedge  junto  à  Bolsa  de  Chicago,  mediante  demonstração  do  fluxo  financeiro  necessário  para  tanto  em  favor  daquela  entidade.  Questionou,  dentre  outros  aspectos,  a  existência de contrato de adiantamento financeiro para pagamento das margens de garantia,  ante a alegação de que ADM Company, sediada nos EUA, promovera tais pagamentos.   Ao  final,  os  esclarecimentos  prestados  pela  contribuinte não  foram  suficientes  para o convencimento do fiscal autuante, que em razão da possibilidade aventada pelo Banco  Central  do Brasil  de  que  as  operações  da  autuada  poderiam  configurar,  em  tese,  indícios  de  cometimento de crime tipificado na Lei 9.613/98, do volume de remessas em favor de outras  empresas do grupo  (ADM Company e ADM  Investor Services), da  inexistência de contratos  entre  elas,  e  do  registro  das  operações  apenas  em  conta  corrente  contábil,  concluiu  que  não  havia prova da efetiva aplicação dos recursos transferidos ao exterior pela ADM do Brasil na  operação de Hedge alegada pelo contribuinte, isto é, nenhum deles apresenta a transferência  de  recursos  da  ADM  Investor  Services,  em  nome  da  ADM  do  Brasil,  para  a  Bolsa  de  Mercadorias & Futuros de Chicago.  Fl. 7339DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 35          34  A  contribuinte  apresentara  relatório  dos  pagamentos  efetuados  pela  ADM  Investor Services para a Bolsa de Chicago e seus respectivos comprovantes de transferência  de recursos, mas o fiscal autuante não conseguiu determinar a que empresas se referiam estas  transferências.  Ainda,  a  partir  do  volume  de  operações  da  ADM  Investor  Services  e  dos  depósitos  de  margens  que  teriam  sido  feitos  pela  ADM  Company  e  pela  ADM  Brasil,  a  autoridade  lançadora  também vislumbrou  indícios de que boa parte dos valores  remetidos ao  exterior pela ADM Brasil não teriam sido aplicados para cobertura de margens de garantia de  hedge.  Diante deste contexto,  releva  inicialmente  refutar a afirmação da recorrente de  que a Fiscalização pautou suas requisições em providências impossíveis, de modo a justificar o  lançamento na inexistência de comprovantes de pagamento, em nome da ADM do Brasil, para  a Bolsa de Chicago. A Fiscalização permitiu à contribuinte demonstrar o  fluxo financeiro de  recursos em favor da Bolsa de Chicago, de modo a evidenciar que, mesmo com a atuação de  intermediários,  havia  pagamentos  à  Bolsa  de  Chicago  correspondentes  às  perdas  contabilizadas. Todavia, os elementos apresentados revelaram discrepâncias significativas, que  somadas  a  outros  indícios,  justificaram  a  glosa  promovida.  Logo,  a  prova  necessária  para  desconstituição da exigência consiste na demonstração segura de que as perdas contabilizadas  decorrem  de  operações  de  hedge  junto  à  Bolsa  de  Chicago,  o  que  se  faz,  na  ausência  de  documento emitido por parte daquela entidade, mediante a demonstração do fluxo financeiro  correspondente em seu favor.  Feita esta ressalva, passa­se à apreciação dos demais argumentos da recorrente.  Nos  termos  do  art.  396 do RIR/99,  o  lucro  real  somente pode  ser  afetado  por  perdas decorrentes de operações de cobertura (hedge) realizadas em mercados de liquidação  futura, se a empresa brasileira promover estas operações diretamente em bolsas no exterior. A  recorrente se empenha em demonstrar que as operações de hedge foram realizadas na Bolsa de  Mercadorias  e Futuros de Chicago, mediante um complexo  fluxo de operações que  envolvia  também  outra  empresa  do  grupo  (ADM  Trading),  em  razão  das  restrições  da  legislação  estrangeira aplicável à ADM Investor Services e às que com ela operam, ao final  liquidando  financeiramente  as  operações  de  hedge  com  a  intervenção  da  holding  do  grupo,  ADM  Company.  Primeiramente cumpre definir se o art. 396 do RIR/99, ao exigir que a empresa  brasileira realize as operações de hedge diretamente em bolsas no exterior, pretende firmar a  indedutibilidade  das  perdas  em  operações  nas  quais  atuam  intermediários,  como  os  aqui  apontados  pela  contribuinte:  ADM  Trading,  ADM  Investor  Services  ou  Financeira  e  ADM  Company. Em caso  positivo,  a  glosa  das  perdas  deveria  ser mantida,  pois  a  própria  autuada  reconhece  que  não  realizou,  e  nem  poderia  realizar,  tais  operações  diretamente  na Bolsa  de  Chicago.  Todavia,  esta  não  parece  ser  a  melhor  interpretação  da  norma.  Ao  exigir  a  realização das operações diretamente em bolsas no exterior, a lei fixa que a cobertura seja dada  por uma bolsa no exterior, com a efetividade e a transparência que estas instituições conferem  às  operações  nelas  realizadas,  em  razão  da  regulação  a  que  se  sujeitam.  A  necessidade,  usualidade  e  normalidade  de  despesas  desta  espécie  seriam  demonstradas  pela  prática  mais  segura e impessoal de garantia contra oscilações de preços: a cobertura mediante a realização  da operação inversa à contratada pela empresa com seus clientes ou fornecedores, em Bolsa de  Mercadorias e Futuros.  Fl. 7340DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 36          35  Assim, compartilha­se aqui da interpretação exteriorizada no parecer concedido  à recorrente pelo Professor Marco Aurélio Greco, nos seguintes termos:  Da perspectiva brasileira, a razão fundamental dessa previsão é a mesma que embasa  a quase  totalidade das regras que disciplinam o  funcionamento das bolsas em geral:  pretende­se  impedir  a  manipulação  de  resultados.  No  caso  tributário,  busca­se  bloquear a geração de prejuízos fictícios redutores da base de cálculo de imposto sobre  a renda e da contribuição social sobre o lucro.  O motivo do preceito é o de assegurar que o eventual resultado negativo seja fruto da  assunção  efetiva  do  risco  inerente  às  operações  no  mercado  de  bolsa,  pois,  nesse  ambiente,  o  resultado  se  apresenta  confiável  em  função  da  minuciosa  e  rigorosa  regulação a que as operações estão sujeitas.  Ou seja, a  lei assegura ser dedutível o prejuízo que resultar de operação cercada de  confiabilidade e submetida à regulação rigorosa, inerentes ao funcionamento da bolsa  e  não  o  prejuízo  fruto  de  mera  negociação  entre  particulares  fora  desse  manto  de  controle.   A contratação destas operações de cobertura em Bolsa, por sua vez, devem ser  realizadas  segundo  as  normas  da  instituição,  de  modo  que,  se  para  tanto  for  necessária  a  intervenção  de  um  corretor,  a  operação  ainda  assim  será  realizada  diretamente  em  Bolsa,  porque feita por um  terceiro em nome ou por ordem do  interessado. A  recorrente demonstra  que a Bolsa de Chicago somente admite operações por membros credenciados, mas estabelece  controles da origem das demandas feitas a estes operadores, de modo a assegurar a estabilidade  do mercado.  Extrai­se do parecer concedido pelo Professor Steven Scott Thel – apresentado  em língua estrangeira e vertido em língua portuguesa por tradutor juramentado –, os seguintes  esclarecimentos:  Nos  Estados  Unidos,  os  mercados  de  futuros  de  commodity  são  negociados  nos  mercados de câmbio organizados  como a CBOT  [Bolsa de Mercadorias  e Futuros de  Chicago]  que  devem  registrar­se  na  CFTC  federal  [Comissão  de  Negociação  de  Mercadorias Futuras, órgão fiscalizador federal dos Estados Unidos] como mercados de  contrato designados. Comerciantes que efetuam operações para clientes nos mercados  geralmente devem registrar­se como operadores da bolsa.   A  negociação  de mercados  e  futuros  de  commodity  é  intensamente  regulada  sob  um  estatuto federal dos Estados Unidos, a Commodity Exchance Act [Lei sobre o Mercado  de Commodities]. Conforme a Suprema Corte dos Estados Unidos declarou em uma de  suas  decisões  mais  importantes  no  campo,  “a  Commodity  Exchance  Act  foi  adequadamente  caracterizada  como  ‘uma  estrutura  reguladora  inclusive  para  supervisionar  os  mercados  de  futuros  voláteis  e  complexos  de  negócios  futuros  privados’”1[1 Merrill Lynch, Pierce, Fenner & Smith v. Curran, 456 EUA 353, 355­56  (1982)  (citação  omitida,  citação  H.R.  Rep.  Nº  93.975,  at  1  (1974))].  As  bolsas  de  futuros de commodities são intensamente reguladas e são exigidas a supervisionar seus  mercados, executar suas próprias regras e prevenir a manipulação. Semelhantemente,  a  Commodity  Excchange  Act  e  regulamentos  de  implementação  exigem  que  os  negociantes  de  comissão  de  mercados  futuros,  como  a  ADM  IS  [ADM  Investor  Services],  registrem­se na CFTC pela Associação Nacional de Mercados de Futuros.  Os  corretores  comissionados  de mercados  futuros  devem  realizar  e  manter  registros  extensos  com  respeito  às  suas  próprias  transações  e  posições  bem  como  as  de  seus  clientes.  Eles  devem  produzir  relatórios  periódicos  de  situação  financeira.  Eles  são  responsáveis  por  informar  todas  as  posições  relatáveis  de  seus  clientes.  Eles  devem  Fl. 7341DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 37          36  segregar os fundos e propriedade do cliente, e seus controles de fundos e propriedade  de  cliente  são  intensamente  regulados. Eles  estão  sujeitos a  vários  regulamentos que  visam  proteger  os  clientes  e  os  mercados,  incluindo  regras  que  lhes  exigem  dar  prioridade a pedidos de cliente.  A ADM [Archer­Daniels­Midland Compant] e a ADM Trading também estão sujeitas a  regulamentação das bolsas e da CFTC. A ADM, como a ADM IS, é membro da CBOT e  outras  bolsas,  e  está  adequadamente  sujeita  a  extensa  regulamentação.  Conforme  indicado  acima,  as  regulamentações  de  mercado  governam  todos  os  aspectos  das  atividades  do  mercado  de  seus  membros.  A  ADM  Trading  é  membro  de  bolsa  para  propósitos de execução das regras da CBOT como afiliada de membros ADM e ADM  IS e pode ser disciplinada diretamente pela bolsa.2   Na nota de rodapé nº 2, acima indicada, o Professor Steven Scott Thel remete a  consulta  à CBOT  Regra  400  e  complementa: O Conselho  adotou  Regras,  e  periodicamente  adota emendas e complementos a  tais Regras, para promover um mercado  livre e aberto na  Bolsa, manter a administração apropriada dos negócios e  fornecer proteção para o público  em seus procedimentos com a Bolsa e seus Membros. O Conselho criou comitês para os quais  delegou responsabilidade pela investigação, audiência e  imposição de multas para violações  de  Regulamentos  de  Mercado.  O  Conselho  também  delegou  responsabilidade  para  a  investigação  e  imposição  de  multas  para  violações  de  Regulamentos  de  Mercado  para  a  Equipe  de  Bolsa  conforme  estabelecido  nos  Regulamentos.  A  delegação  de  tal  responsabilidade e autoridade de nenhuma maneira  limitará a autoridade do Conselho com  respeito  a  todas  as  violações  de  Regulamento.  Para  propósitos  do  Capítulo  4,  o  termo  “Membro” significará: 1) membros e membros de compensação da Bolsa; incluindo membros  aposentados com privilégios de acesso ao pregão e indivíduos e entidades descritas na Regra  106;  2)  pessoas  associadas  (“PAs”)  e  afiliadas  de  membros  de  compensação  e  empresas  membros  da  Bolsa;  3)  corretores  de  introdução  garantidos  de membros  de  compensação  e  empresas  membros  de  Bolsa  e  seus  PÁS;  4)  titulares  de  licença  de  mercado/negociação  e  qualquer pessoa ou entidade que recebeu privilégios de negociação cruzados; 5) funcionários,  representantes  autorizados,  contratados,  e  agentes  de  quaisquer  das  pessoas  ou  entidades  anteriores,  com  respeito  a  atividades  relacionadas  à  Bolsa  de  tais  indivíduos;  6)  empresas  regulares; 7) indivíduos e entidades que concordaram via assinatura escrita ou eletrônica em  obedecer aos Regulamentos da Bolsa; 8) membros de CME e outros indivíduos com acesso aos  pregões combinados CBOT e CME. Considera­se que os membros sabem, consentem e estão  ligados por todos os Regulamentos de Mercado. Os ex­membros estarão sujeitos à jurisdição  contínua  da  Bolsa,  incluindo,  entre  outros,  a  aplicação  da  Regra  432.L.,  com  respeito  a  qualquer conduta que aconteceu enquanto membro.  Prosseguindo, complementa o Professor Steven Scott Thel:  Além  do  regulamento  como  membros  de  mercado,  o  grupo  de  empresas  ADM  está  sujeito a extensivos requisitos de manutenção de registros e relatório sob as regras da  CFTC como participantes significativos no mercado. Pessoas que controlam certo nível  de  posições  de  mercados  de  futuros  (uma  posição  relatável)  em  uma  bolsa  devem  manter  livros  e  registros  apropriados  demonstrando  todos  os  detalhes  relativos  às  posições  e  transações  de  commodity  nas  bolsas.  Os  titulares  de  posições  relatáveis  também devem manter registros demonstrando todos os detalhes de suas participações  em mercados  externos  e  também  com  relação  a  “todas  as  posições  e  transações  no  mercado à vista, seus produtos e subprodutos e  todas as atividades comerciais que o  comerciante  faz  uso  do  hedge”3[3  Consulte  17C.F.R.  §18.05].  Todos  esses  registros  devem  ser  disponibilizados  à  CFTC  mediante  seu  pedido.  Além  de  informar  Fl. 7342DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 38          37  mensalmente as posições de mercado à vista, a ADM deve informar a CFTC sobre os  tipos  de  mercados  futuros  em  que  negocia,  os  tipos  de  negócios  envolvidos  e  as  identidades  de  suas  afiliadas  que  são  ativas  nos  mercados  de  futuros.  Além  disso,  diariamente  a  ADM  IS  apresenta  à  CFTC  relatórios  de  grande  comerciante  e  as  negociações  que mostram  todas  as  posições  nas  contas  operacionais  da ADM  sobre  liminares especificados que são realizados na ADM IS.  A ADM também é registrada na Chicago Mercantile Exchange (doravante denominada  “CME”) para uma isenção de  limites de posição de hedge. Para assegurar e manter  aquela isenção, a ADM deve demonstrar que suas posições e atividade são apropriadas  às  suas  necessidades  de  administração  de  risco,  devem  cumprir  regulamentações  de  mercado e  iniciar  e  liquidar posições de uma maneira ordeira. O nível  de  escrutínio  aumenta significativamente quando um mês de opção particular muda para o período  de entrega, e a CFTC e a bolsa insistem que a expiração de contrato esteja em ordem, e  que a realização ou recebimento da entrega estejam de acordo com as economias de  mercado sólidas.  Estas informações estão alinhadas àquelas prestadas pela contribuinte durante o  procedimento fiscal, em especial no documento de fls. 866/868, embora ali não se destaque a  possibilidade  de  os  órgãos  federais  norte­americanos  fiscalizarem  e  exigirem  declarações  da  ADM Company.   De  toda  sorte,  o  fato  é  que  para  operar  junto  à  Bolsa  de  Chicago,  a  ADM  Investor Services  registrou­se  na Comissão  de Negociação  de Mercadorias Futuras  – CFTC,  órgão fiscalizador federal dos Estados Unidos, submetendo­se a controle de suas transações e  de  seus clientes mediante  relatórios periódicos. Seus clientes,  especialmente o grupo do qual  faz  parte  a  autuada,  controlador  de  um  volume  significativo  de  posições  de  mercados  de  futuros, também se sujeitam a fiscalização e controle dos órgãos federais e da Bolsa, devendo  manter registros específicos e prestar informações àquelas entidades.   De  outro  lado,  embora  tais  entidades  possam  exigir  das  empresas  do  grupo  ADM  as  informações  que  se  fizerem  necessárias  para  assegurar  a  regularidade  de  suas  operações, declaração do Presidente da CME Group, vertida em língua portuguesa por tradutor  juramentado,  e  apresentada  à  Fiscalização  (fl.  1010),  nega  a  existência  do  fluxo  inverso  de  informações, qual seja, a demonstração, pela Bolsa de Chicago, das demonstrações realizadas  pelo grupo ADM:  Com base em sua solicitação, confirmamos que a ADM Investor Services, Inc. (ADMIS)  é  um membro  da  compensação  da Camara  de Compensação  da Chicago Mercantile  Exchange (CME) e tem sido um membro da compensação de boa reputação desde 1968  até o ano atual.  Esclarecemos  também  que  a  CME  não  oferece  extratos  ou  quaisquer  outros  documentos informativos diretamente aos titulares das contas de ADMIS em relação a  quaisquer  transações  registradas  por  esses  titulares.  Esses  extratos  são  de  responsabilidade da ADMIS conforme seu papel como um membro da compensação da  CME.  Acrescentamos  ainda  que  a  CME  não  recebe  nem  realiza  pagamentos  diretamente  de/para os titular das contas para transações registradas pelo ADMIS em seus nomes  ou para suas contas.  Em  tais  circunstâncias,  a  validade  dos  fatos  narrados  somente  poderia  ser  questionada  mediante  demonstração  de  vícios,  não  sendo  possível  presumir  a  má­fé  da  Fl. 7343DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 39          38  contribuinte  em  simular  prova  em  seu  favor.  Assim,  o  fato  de  inexistir  documento  que  comprove  a  transferência  de  recursos  em  nome  da  autuada,  para  Bolsa  de  Mercadorias  e  Futuros  de  Chicago,  não  pode  representar  obstáculo  à  dedução  pretendida.  É  admissível  a  prova  mediante  demonstração  da  contratação  das  operações  de  cobertura  com  membro  credenciado da Bolsa de Chicago.  É  importante  acrescentar,  neste  ponto,  que  em  memoriais  complementares  apresentados pela  recorrente após a  exposição do presente voto na  reunião de  julgamento de  março/2013,  a  recorrente  anota  que  parece  contraditório  que  a  Conselheira  Relatora,  num  primeiro momento, manifeste a concordância com os procedimentos adotados pela Recorrente  para  a  realização  das  operações  na  Bolsa  de  Chicago,  e,  num  segundo  momento  faça  as  exigências  que  serão  a  seguir  expostas.  Assim,  releva  frisar  que  a  argumentação  até  aqui  exposta  enseja  a  conclusão,  apenas,  de  que:  1)  as  operações  são  consideradas  como  realizadas diretamente em Bolsa, ainda que feitas por um terceiro em nome ou por ordem  do  interessado,  e  2)  a  inexistência  de  documento  que  comprove  a  transferência  de  recursos  em  nome  da  autuada,  para  Bolsa  de Mercadorias  e  Futuros  de Chicago,  não  pode  representar  obstáculo  à  dedução  pretendida.  Ou  seja,  somente  estão  afastados  os  óbices  formais  que  poderiam dispensar  a  comprovação  das  operações  realizadas,  e  ensejar  a  manutenção  da  exigência.  Prossegue­se,  assim,  na  abordagem  da  prova  necessária  para  a  dedutibilidade dos valores aqui glosados.  Neste sentido, a fiscalizada, em atendimento ao termo de início de fiscalização,  apresentou instruções de pagamento da/para a Archer Daniels Midland Company ou da/para a  ADM Investor Services, baseadas em extratos das operações de hedge. Contudo, o exame dos  elementos apresentados pela contribuinte conduz à mesma conclusão da autoridade lançadora:  não  é possível  assegurar  que  os  recursos  remetidos  ao  exterior  destinaram­se  efetivamente  à  cobertura das margens dos contratos futuros de hedge.  De fato, as remessas ao exterior (contratos de câmbio às fls. 18/89 e swifts às fls.  831/856)  são  decompostas  nos  demonstrativos  de  fls.  812/822,  que  apontam  a  origem  dos  ganhos/perdas  liquidados  nas  datas  das  remessas.  Estes  ganhos/perdas,  por  sua  vez,  são  detalhados  por  contas  representativas  de  diferentes  produtos  (fls.  99/678)  e  resultam  em  um  valor líquido de ganho ou perda por conta (fls. 91/97), registrado contabilmente sob histórico  CLOSED ou FUTUROS CLOSED na conta contábil ADM DECATUR EXEC FUTUROS (conta  nº  128116­501),  representativa  das  obrigações  da  contribuinte  com  sua  controladora  ADM  Company (fls. 679/708). A soma mensal destes ganhos/perdas, embora com algumas variações,  aparentam ser aquelas posteriormente remetidas ao exterior.   A  título  de  exemplo,  é  possível  traçar  o  percurso  do  que  seria  a perda  com  o  produto soja controlado na conta 6370,  relativamente ao mês de  janeiro/2004. O  relatório de  fls. 99/126 detalha as operações que resultariam em perda de US$ 6.407.150,00, equivalente a  R$ 18.642.787,44, contabilizado na conta ADM DECATUR EXEC FUTUROS (nº 128116­501)  à  fl.  680,  e  integrado  ao  demonstrativo  de  fl.  91  para  apuração  da  perda  líquida  total,  em  janeiro/2004,  de R$  37.478.526,70  (US$  12.743.897,00).  Esta  perda  líquida  de  janeiro/2004  está  apresentada  no  demonstrativo  de  fl.  814,  por  seu  valor  original  e  atualizado  de  R$  40.077.007,29, como integrante da remessa de R$ 304.313.183,09, promovida em 28/05/2004.  Tal  remessa,  equivalente  a  US$  96.767.103,50  está  apontada  no  contrato  de  câmbio  às  fls.  30/33 e no swift de fls. 845/846.  Fl. 7344DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 40          39  Como  se  vê,  a  conexão  das  remessas  ao  exterior  com  a  perda  originalmente  apurada  é  feita  mediante  demonstrativos  que  consolidam  diversas  operações,  a  exigir  a  verificação de  todas estas para se confirmar a conexão alegada. Demais disso, a apuração da  perda é feita por meio do relatório de operações sujeitas a variação de preço, a exigir, também,  a  confirmação  de  todas  estas  operações  para  admissibilidade  da  perda  alegada,  e  de  que  corresponderia  a  operação  de  cobertura,  e  não  operação  exposta.  Por  fim,  nenhum  destes  elementos evidenciam que a operação de cobertura  foi  realizada  em bolsa, e  apenas  indicam  que a ADM Company poderia ter sido ressarcida pelas operações de cobertura que ensejariam  tais perdas.   Os  demais  documentos  apresentados  em  conjunto  com  os  acima  referidos  (posição  dos  contratos  de  originação  de  grãos  às  fls.  709/713  e  posição  de  contratos  de  processamento às fls. 714/811) não auxiliam na sua compreensão, na medida em que, além de  redigidos em língua estrangeira, apenas refletem consolidações de quantidades possivelmente  negociadas, ao passo que os demais relatórios dão ênfase às variações de preço, em especial os  demonstrativos de fls. 98/678, sem trazer totalização das quantidades que estariam associadas a  estas variações.   No  mais,  a  contribuinte  não  logrou  apresentar  qualquer  outro  documento,  durante  o  procedimento  fiscal,  que  pudesse  afastar  estas  dúvidas.  Em  resposta  às  demais  intimações  da  Fiscalização,  sempre  no  sentido  de  que  fosse  comprovado  o  pagamento  das  alegadas perdas em operações de hedge junto à Bolsa de Chicago, a contribuinte concentrou­se  em  demonstrar  a  forma  de  operação  da  Bolsa  de  Chicago.  Assim  procedeu,  inclusive,  na  resposta  à  intimação  de  25/08/2009,  quando  buscou  exemplificar  as  operações  da  ADM  Investor Services,  na medida  em que  não  distinguiu  operações  próprias, mas  sim  transações  globais  daquela  empresa  que  incluem  contas  da  ADM  Brasil.  Também  globais  foram  as  informações  juntadas  às  fls.  1025/1483,  que  reportam  a  Pagamentos  efetuados  pela  ADM  Investor  Services,  Inc.  para  Bolsa  de  Chicago  (Chicago Mercantile  Exchange)  relativos  às  operações  do Grupo  ADM no  ano  de  2004, mas  somente  demonstram  o  que  possivelmente  sejam as transferências bancárias em favor da Bolsa de Chicago, sem qualquer esclarecimento  acerca da composição dos pagamentos.   Ainda,  ao  apresentar planilhas  suporte  (doc. 5)  para o  cálculo dos  juros  e da  variação cambial da conta contábil 128116­501 (fls. 857/861), a contribuinte informou valores  devidos em razão de operações de  futuros  fechadas nos meses de 2004  incompatíveis com a  transcrição  dos  extratos  CBOT  (hedge)  de  fls.  91/97,  que  dariam  suporte  às  perdas  contabilizadas,  como  antes  demonstrado.  Em  janeiro/2004,  por  exemplo,  o  que  parece  ser  a  dívida  da  empresa  brasileira  em  razão  das  operações  do  mês,  tem  seu  valor  acrescido  por  possíveis  perdas  no  valor,  aparentemente  em  dólares  americanos,  de  6.336.747,00,  ao  passo  que  a  perda  líquida  contabilizada  naquele mês  foi  de R$  37.478.526,69,  equivalente  a US$  12.743.897,00 (ao dólar de R$ 2,9409, informado naquele mesmo demonstrativo), conforme fl.  91. Recorde­se que, como também demonstrado, a perda líquida de R$ 37.478.526,69 integra o  valor remetido ao exterior em 28/05/2004.  Ressalte­se,  ainda,  que  não  se  trata  de  exigir  a  realização  de  remessas  internacionais  diárias  para  a  cobertura  das  margens  à  ADM  Financeira,  mas  sim  que  as  remessas  se  refiram  a  pagamentos  que  a  ADM  Company  efetivamente  teria  de  realizar  em  nome da ADM Brasil, em favor da ADM Investor Services, por conta da cobertura de margens  em operações de hedge contratadas junto à Bolsa de Chicago.   Fl. 7345DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 41          40  Irrelevante,  desta  forma,  se  o  confronto  dos  resultados  auferidos  pela  Recorrente  com as  suas  operações  de  hedge  permite  verificar que  estes  oscilam  exatamente  conforme as variações dos preços das mercadorias "hedgeadas" na Bolsa de Chicago, como  diz  a  recorrente,  reportando­se  a  reconhecimento  expresso neste  sentido pela Fiscalização. É  indispensável  a  comprovação  documental  de  que  a  operação  de  hedge  foi  efetivamente  realizada em Bolsa, como também exigiu a Fiscalização, sem a qual subsiste a dúvida de qual  mecanismo  foi  utilizado  pela  empresa,  voluntariamente  ou  por  restrição  de  legislação  estrangeira, para evitar prejuízos com a variação do preço das commodities com as quais opera.  Somente  com  a  apresentação  das  petições  após  o  recurso  voluntário  a  contribuinte  agregou  elementos  que  se  prestaram  a  demonstrar,  efetivamente,  o  fluxo  operacional  e  financeiro  das  atividades  questionadas  pela  Fiscalização.  Antes,  porém,  cabe  observar  que  apenas  na  impugnação  a  contribuinte  passou  a mencionar  a  atuação  da  ADM  Trading em seu fluxo operacional, assim esclarecendo:  ·  De forma geral, as subsidiárias do Grupo ADM no mundo fecham negócios  de  compra com entrega  física  futura de  soja  com os produtores  rurais  ou  exportadores  ao  redor  do  mundo,  bem  como  contratos  de  venda  dessa  natureza  com  seus  clientes  locais  ou  internacionais.  A  fim  de  reduzir  os  riscos das flutuações dos preços de mercado recorrem, necessariamente, às  operações de hedge. Dessa  forma,  submetem as ordens (compras e vendas  de  mercadorias  em  mercado  futuro)  de  hedge,  concomitantemente  à  realização de  suas operações comerciais de compra e exportação de soja,  em  sistema  de  computador,  o  qual  é  administrado  pela  ADM  Trading  Company  ("ADM  Trading"),  subsidiária  da  ADM  CO.  ("Ordem").  Na  colocação  da  Ordem,  são  informados  o  número  da  conta  de  controle  da  subsidiária, o tipo e quantidade de mercadoria a ser coberta pelo hedge, o  tipo de operação  (compra ou venda) e a data de opção da mercadoria na  Bolsa de Chicago.  ·  Cada  Ordem  configura  um  contrato,  o  que  implica  a  obrigação  de  compra/venda do tipo e quantidade de mercadoria estabelecidos na Ordem,  na data de entrega ali prevista, avaliada conforme precificação de mercado  listada na Bolsa de Chicago; e  ·  As Ordens são inseridas no sistema administrado pela ADM Trading, o qual  as consolida e as submete para a ADM Financeira, entidade financeira do  Grupo ADM, a qual executa tais Ordens junto à Bolsa de Chicago.  Até  então,  a  contribuinte  limitara­se  a  dizer  que  a  ADM  Investor  Services  (Financeira)  concentrava  as  operações  de  cobertura  para  o Grupo ADM,  e  que  a  liquidação  financeira  destas  operações  era  centralizada  pela  ADM  Company  (vide  fluxogravam  à  fl.  1605).  Havia  referências  à  ADM  Trading  nas  remessas  feitas  pela  autuada,  bem  como  esta  denominação figurava no cabeçalho de alguns relatórios, mas nada constou nos autos acerca de  sua  atuação  como  mediadora  das  necessidades  do  Grupo  ADM  antes  da  contratação  das  operações  de  cobertura  pela  ADM  Investor  Services.  Aliás,  a  respeito  do  fato  de  a  ADM  Company nem sempre figurar nos contratos de câmbio relativos às remessas questionadas pela  Fiscalização, disse a recorrente, em suas defesas, que a conta­corrente  indicada nos contratos  de  câmbio  é  sempre da ADM Company, o que desmerece  até mesmo as  referências  à ADM  Trading naqueles documentos.  Diz  a  recorrente  que  a  atuação  da  ADM  Trading  decorre  da  necessidade  de  melhor  cumprir  as  regras  do  Grupo  CME,  controlador  da  Bolsa  de  Chicago  e  do  órgão  Fl. 7346DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 42          41  regulador  norte­americano  (i.e.,  the  Commodity  Futures  Trading  Commission  ("CFTC"),  aplicáveis a empresas do porte do Grupo ADM, que operam volume  imenso de  transações e  possuem inúmeras subsidiárias que precisam, ao mesmo tempo, ter acesso a Bolsa de Chicago.  Reporta­se a carta preparada pelos Srs. Scott E. Early e Kathryn M. Trkla, ex­diretor jurídico  e ex­vice­presidente da Bolsa de Chicago, respectivamente (doc. 03), mas referido documento  está  redigido  em  língua  estrangeira  e  desacompanhado  de  tradução  juramentada,  ou mesmo  livre (fls. 2858/2860).  De toda sorte, a matéria é também tratada no parecer do Professor Steven Scott  Thel, aqui já mencionado, do qual extrai­se:  Um  propósito  primário  do  regulamento  de  mercado  de  negociação  de  futuros  nos  Estados  Unidos,  talvez  o  propósito  primário,  é  prevenir  a  manipulação  pelos  participantes  do  mercado.  Para  esta  finalidade,  as  leis  proíbem  várias  práticas  de  negociação. Uma destas é a transação fictícia. A Commodity Exchange Act torna ilícito  “para  qualquer  pessoa  participar  de  uma  transação  que...  for,  do  caráter  de,  ou  geralmente  for  conhecida do comércio  como uma  ‘transação  fictícia.’”4[4 Consulte  a  Commodity Exchange Act § 4c(a)(2), 7 U.S.C. §6 c(a)(2) (...)].  A  Lei  de Mercados  de Capitais  e  Commodities  dos  Estados Unidos  há muito  tempo  proibiu transações fictícias, em que uma pessoa ou grupo efetua pedidos para comprar  e vender substancialmente a mesma quantidade de um valor mobiliário ou commodity  em substancialmente o mesmo tempo e preço.5 [5 Consulte também a Lei de Mercado de  Capitais §9(a)(1), 15 U.S.C §78i(a)(1)]. As transações fictícias são proibidas por várias  razões. Na medida em que o comerciante não assumir risco econômico – desde que as  negociações  sejam  compensadas  –  as  transações  fictícias  são  consideradas  inerentemente  enganosas  e  os  preços  nos  quais  acontecem  são  considerados  falsos.  Transações fictícias também criam uma impressão enganosa de volume de negócio que  pode, por sua vez, mudar preços de mercado. A hostilidade reguladora para transações  fictícias foi resumida durante os debates sobre a promultação da Commodity Exchange  Act: “Todos que estiverem familiarizados com os mercados sabem exatamente co que é  uma ‘transação fictícia’. É uma pura, não adulterada fraude.”6 [6 80 Cong. Rec. 7905­ 06 (26 de maio de 1936) declaração do Senador Smith].  A  Commodity  Exchange  Act  não  define  o  termo  “transação  fictícia”.  Falando  em  termos  gerais,  uma  transação  fictícia  é  a  execução  de  uma  compra  e  venda  que  se  compensam.  Um  tratado  principal  explica:  “O  termo  transação  fictícia  não  está  definido  na  [Commodity  Exchange]  Act  ou  nos  Regulamentos...  mas  geralmente  tem  sido interpretado como a compra e venda do mesmo contrato de futuros de commodity  para o mesmo contratante sob o qual ambos os lados da negociação ‘se desgastam’ e,  em efeito prático, o contratante não ganha propriedade de qualquer novo contrato.”7 [7  2Phillip McBride Johnson & Tomas Lee Hazen, Regulamento de Derivativas §3.10 [8]  em 775 (2004); consulte  também Charles R.P. Pouncy, The Scienter Requirement and  Wash Trading in Commodity Futures, the Knowledge Lost in Knowing, 16 Cardozo L.  Rev.  1625,  1625  (1995)  (“negociação  fictícia,  que  é  proibida  pela  seção  4c  da  Commodity  Exchange  Act.  ...  consiste  na  compra  e  venda  simultânea  do  mesmo  número  de  contratos  de  futuros  no mesmo preço  ou preço  semelhante.”). Como  caso  criminal  freqüentemente  citado  explica,  “As  decisões  administrativas  fornecem  uma  definição  consistente  para  o  termo  ‘transação  fictícia’  [As  acusações  na  denúncia]  indicam  que  os  mesmos  indivíduos  compraram  e  venderam  os  mesmos  contratos  de  futuros nas mesmas quantidades pelo mesmo preço. Isso é  tradicionalmente o tipo de  conduta associado ao termo ‘transação fictícia.’”8 [8 Estados Unidos v. Siegel, 472 F.  Supp. 440, 443 (N.D. III. 1979), consulte também Wilson v. CFTC, 322 F.3d 555, 559  (8o Cir. 2003) (...)]  Fl. 7347DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 43          42  Um  comerciante  que  efetua  compensação  de  compra  e  venda  de  um  determinado  contrato futuro de commodity pode argumentar que suas negociações não constituem  uma transação fictícia porque ele não negociou com intenção inadequada. Enquanto os  tribunais  e  administradores  considerarem  que  aquela  intenção  inadequada  é  um  elemento  de  delito,  não  fica  claro  qual  a  intenção  é  requerida.  A  confusão  sobre  o  requisito intenção pode surgir porque em ações contra corretores agindo para clientes,  não  fica  sempre  claro  quanto  os  corretores  sabiam  dos  planos  de  seus  clientes.9  [9  Consulte, por exemplo, Wilson v. CFTC, 322 F.d 555 (8o Cir. 2003)]. Em casos contra  um cliente, a CFTC sustentou que a questão é se o cliente, quando negociou, planejou  as negociações correspondentes para eliminar o risco de preço. 10 [10 In re San Diego  Gas x Elec. Co., [Atual] Comm. Fut. L. Rep. (CCH) 31.549, 2010 WL 1638992 (CFTC  22 de abril de 2010)]. Sob esse padrão, negociações  simétricas podem ser suficientes  apenas para  estabelecer  ilegalidade.11  [11 Consulte Elliott  v. CFTC, 202 F.3d 926  (7o  Cir. 2000) ...]. Em todo caso, fica claro que as transações fictícias são ilícitas mesmo se  não forem realizadas com intenção de manipulação e mesmo se forem para propósitos  legítimos.12 [12 Consulte In re San Diego Gas x Elec. Co., [Atual] Comm. Fut. L. Rep.  (CCH) 31.549, 2010 WL 1638992 (CFTC 22 de abril de 2010); consulte também In re  Elliott  ,  [1997­199  Pasta  de  Transferência]  Comm.  Fut.  L.  Rep.  27.243  (CFTC  3  de  fevereiro de 1998) ...]  Daí  a  conclusão  do  referido  parecerista,  no  sentido  de  que,  se  a ADM e  suas  subsidiárias efetuassem todas as suas compras e vendas de futuros de commodity diretamente  com bolsas de mercadorias (em vez de primeiro consolidar internamente as negociações) elas  enfrentariam um risco significativo de violar a proibição de transações fictícias, de modo que  resta­lhe  claro  que o mecanismo  que  a ADM e  suas  afiliadas  utilizam  para  consolidar  suas  negociações  foi projetado exatamente para evitar esta possibilidade. Acrescenta que, mesmo  se  a  ADM  e  suas  afiliadas  estivessem  dispostas  a  arriscar  a  violação  da  proibição  de  transação  fictícia,  arriscariam  violar  os  limites  de  posição  se  inserissem  todas  as  suas  operações diretamente na bolsa.   Como já antes dito, o Grupo ADM deteria a referida isenção de limites mas, no  entender do Professor Steven Scott Thell, como esta isenção é concedida pela CFTC com base  na boa­fé, se o grupo elevasse exponencialmente suas posições, levantaria a questão se essas  posições seriam consideradas de boa fé com a finalidade de determinar limites de posição, e  exceder os limites de especulação é uma violação séria. Citando caso semelhante já apreciado  pelos Tribunais, o parecerista conclui que o caso demonstra que a ADM e suas afiliadas não  podem  evitar  as  proscrições  da  Commodity  Exchange  Act  discutindo  que  são  entidades  separadas.  Infere­se, de  todo o exposto, que operações de cobertura exigidas em razão de  contratações da ADM no Brasil não poderiam ser promovidas na Bolsa de Chicago caso outra  empresa do Grupo ADM necessitasse de  cobertura para contratação oposta por ela  realizada  em outro país. Assim, a empresa brasileira definiria sua exposição e ordenaria a contratação da  operação de cobertura,  apurando os posteriores ganhos ou perdas em razão desta solicitação.  Mas  a ADM Trading,  atuando  como  o  que  se  denominou  hedge  center,  faria  o  cruzamento  destas contratações antes de definir quais coberturas poderiam ser promovidas junto à Bolsa de  Chicago,  possivelmente  deixando  de  realizar  aquelas  compensadas  com  exposições  opostas,  apresentadas por outra empresa do Grupo.  Surge, assim, um segundo aspecto a ser apreciado acerca do alcance do art. 396  do RIR/99: a dedutibilidade de perdas em razão de operações de hedge que seriam necessárias,  mas não são contratadas em Bolsa, em razão de impedimentos legais.  Fl. 7348DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 44          43  O  tema  foi  submetido  à  apreciação  do  Professor Marco  Aurélio  Greco,  cujo  parecer destinou­se a responder, dentre outras, às seguintes questões:  1)  Em sua opinião, a utilização do hedge center pelo Grupo ADM, a fim de evitar  a  prática  de  wash  sales,  conforme  determinado  pela  legislação  norte­ americana, deve ser observada na aplicação da norma contida no artigo 17 da  Lei nº 9.430/96?  2)  Poderia  o  aplicador  da  norma  contida  no  aludido  artigo  17,  condicionar  a  dedutibilidade de um custo/despesa à prática, pela ADM do Brasil, de ato tido  por ilícito pela legislação norte­americana (wash sales)?  3)  Em sua opinião, utilização de um hedge center pela ADM do Brasil, visando a  evitar  a  prática  de  wash  sales,  violaria  a  regra  do  artigo  17  da  Lei  nº  9.430/96? Nesse sentido, pode­se afirmar que a utilização de hedge center está  abrangida  pela  expressa  “bolsa  no  exterior”  utilizada  pelo  legislador  no  aludido dispositivo legal?  4)  Nesse  cenário,  é  correto  afirmar  que  as  operações  efetuadas  pela  ADM  do  Brasil foram diretamente em bolsa no exterior?  O  Professor  Marco  Aurélio  Greco  inicialmente  aborda,  em  seu  parecer,  o  problema representado pelo fato de, uma pessoa, numa mesma operação, comparecer em Bolsa  como comprador e vendedor, assim observando:  Neste caso, desde reunidos outros elementos, pode configurar­se aquilo que, no jargão  do mercado, é conhecido como operação “Zé com Zé”, pois a mesma pessoa estará nas  duas  pontas  da  operação  e  isto  pode  ser  o  instrumento  para  o  cometimento  de  uma  infração, por interferir na formação de preços, volumes, demanda, etc.  Nas  palavras  de  ILENE  PATRÍCIA  DE  NORONHA,  dentre  os  principais  tipos  de  irregularidades que podem vir a ser cometidos no mercado bursátil brasileiro, incluem­ se as “operações conhecidas pela denominação Zé com Zé” da qual essa Autora dá um  exemplo:  “Para induzir os participantes do mercado à compra, a empresa "B" começa  a COMPRAR E VENDER, em Bolsa, PARA SI MESMA, as ações de emissão  da companhia "A", operações essas conhecidas como "Zé com Zé", de forma a  dar a falsa aparência de que o papel era bastante negociado e que tinha preço  atrativo.  Portanto,  criação  de  condições  de  demanda,  oferta  e  preço,  porque  tudo era falso.”14 [14 No seu texto, “Poder de polícia da CVM”, disponível em  http://www.cjf.jus.br/revista/seriecadernos/VOL15­8.htm,  acessado  em  13.10.2011. Grifei, realcei e coloquei em maiúsculas]  E prossegue acentuando o caráter de “meio hábil” de que elas podem se revestir:  “As  operações "Zé com Zé"  configuram criação  de  condições  artificiais  de  demanda,  oferta  e  preço,  pois  nelas  tudo  é  falso,  fictício,  tratando­se  de  operações  simuladas,  que  geram  o  MEIO  PARA  manipular  o  mercado  induzindo seus participantes a comprar ações. E não se pode deixar de lembrar  que  todo o conjunto consiste numa fraude.”15  [15 Op. loc. cit., grifei, realcei e  coloquei em maiúsculas]  [...]  Destacando que comprar e vender para si mesmo determinado valor mobiliário  é um meio hábil para manipular o mercado, o Professor Marco Aurélio Greco define, a partir  do  item  5  de  seu  parecer,  o  que  significa  realizar  “diretamente”  a  operação  em  Bolsa,  asseverando que o requisito expresso no art. 396 do RIR/99 consiste na emissão pela empresa  Fl. 7349DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 45          44  brasileira de uma ordem de venda ou de compra a ser executada NA bolsa no exterior, ordem  esta que se submeterá à disciplina normativa estrangeira que regula o funcionamento da bolsa  em questão, pois é ela que irá determinar o meio e o modo de executar essa ordem de compra  ou  de  venda,  assim  como  é  a  disciplina  da  bolsa  que  imporá  restrições  e  limites  à  sua  execução.  A partir daí, sob o pressuposto de que a ADM Services visualiza todas as ordens  da Consulente destinadas a serem executadas na Bolsa de Chicago, conclui o professor que se  estaria diante de atuação direta em bolsa. Recordando, porém, que as operações “Zé com Zé”  (ou  wash  sale)  são  interpretadas  como  meios  hábeis  para  manipular  o  mercado,  e  que  o  simples fato de uma pessoa jurídica pertencente a um Grupo que possui outras empresas em  que  também emitem ordens a  serem executadas na mesma bolsa,  já é,  em si mesmo, o meio  hábil para a prática de uma infração punível, assevera que consolidar as ordens de todas as  integrantes  do  Grupo  é  uma  exigência  que  resulta  da  proibição  mencionada  e  das  circunstâncias de ser um Grupo. Deste modo:  ...  tão  logo  emitida  a  ordem  pela  Consulente,  ela  já  se  encontra  alcançada  pela  legislação que regula o funcionamento da bolsa e deve seguir seus ditames. Portanto,  daí por diante, a compra ou a venda estará sendo realizada no âmbito e segundo as  regras pertinentes àquela bolsa.  Defende que a finalidade e a função da norma brasileira é assegurar o adequado  tratamento  tributário  às  operações  realizadas  pelas  empresas  brasileiras  resultantes  da  sua  inserção  numa  economia  globalizada,  não  se  podendo  olvidar  que  a  lei  estrangeira  impõe  realizar uma compensação de ordens das diversas empresas no âmbito do grupo para que a  ordem  final  seja  o  saldo  dessa  prévia  confrontação.  Acrescenta  que  ainda  que  se  enxergue  apenas o resultado consolidado, mesmo assim a ordem emitida pela Consulente dele faz parte,  de modo que,  se em determinado momento não existir qualquer outra ordem de empresa do  Grupo, esta será a ordem executada na Bolsa.  Nas palavras do Professor Marco Aurélio Greco:  Sublinhe­se  que  o  “saldo”  apurado  no  âmbito  do  hedging  center  do  Grupo  que  consolida  as  ordens  é  fruto  de  cada  um  das  ordens  individuais  emitidas,  portanto  comunga da sua natureza.  Diante  disso,  minha  conclusão  é  que,  neste  caso,  a  subsidiária  brasileira  está  realizando operações diretamente na bolsa no exterior, pois emitiu ordens para serem  nela  executadas  e o  fato  de  a  legislação  de  regência  impor  este modo de  executar  a  ordem para assegurar a plena legalidade da sua conduta não lhe retira o caráter de  determinar uma operação a ser realizada na bolsa.  Sua  interpretação,  portanto,  é  no  sentido  de  que  a  lei  brasileira  não  poderia  condicionar a dedutibilidade à prática de uma operação ilícita em outro País, de modo que a  utilização de um hedge center  não  representa violação  ao  art.  17 da Lei nº 9.430/96  (matriz  legal  do  caput  do  art.  396  do RIR/99), mas  sim  sua  exata  aplicação ao  enxergar  o  seu  uso  como necessário para a realização de operações em bolsa.  Inicialmente  cumpre  observar  que,  mesmo  admitindo­se  esta  argumentação,  necessária seria a comprovação de que as ordens foram, de fato, enviadas à ADM Trading, a  qual, depois de realizar as compensações impostas pela legislação estrangeira, solicitou à ADM  Investor Services a operação de hedge  correspondente ao saldo  líquido. E  isto porque, como  Fl. 7350DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 46          45  antes destacado, não há evidências de que a atuação intermediária da ADM Trading tenha sido  reportada à Fiscalização, mas somente alegada em defesa administrativa.  Ademais,  embora  não  seja  exigível,  da  contribuinte,  um  extrato  de  suas  aplicações  emitido  pela  Bolsa  de  Chicago,  houve  falhas  por  parte  da  recorrente  no  cumprimento de seu dever de conservar em ordem, documentos e papéis que se refiram a atos  e operações que modifiquem ou possam vir a modificar a sua situação patrimonial. De fato,  seus  registros  contábeis  deveriam  estar  suportados  por  controles  internos  diários  de  suas  posições  e  de  suas  ordens  enviadas  à  ADM  Trading,  bem  como  de  sua  confrontação  permanente com as variações de mercado a que se sujeitavam suas operações de hedge, não  bastando, para tanto, a existência de sistemas informatizados que agregassem estes dados.  Neste  sentido,  não  só  durante  o  procedimento  fiscal,  como  também  em  sua  primeira  manifestação  complementar  ao  recurso  voluntário  (petição  de  16/03/2012),  a  contribuinte buscou demonstrar a  compatibilidade de  seus  registros  contábeis  com os preços  praticados nas operações de hedge no exterior, mediante a apresentação de estudos realizados  por KPMG Advisors Ltda, no que foi denominado 1a fase dos serviços previstos. Este exame,  embora  necessário  e  relevante,  exigiria  complementação  acerca  da  confirmação  de  que  as  operações  foram  efetivamente  realizadas,  aspecto  não  abordado  nos  primeiros  elementos  apresentados, já digitalizados e integrados aos autos como Anexos 1 a 30 daquela petição.  De  fato,  nesta  1a  fase  dos  serviços,  inicialmente  a  contratada  atestou  que  a  contribuinte  utilizou  corretamente  suas  contas  contábeis  para  registro  de  operações  de  derivativos financeiros, conforme sistemática por ela descrita no documento de fls. 3782/3784  (Anexo  8),  gerando  contrapartidas  em  resultado  de  R$  884.814.749,14,  diferindo  em  R$  982.351,31  do  valor  lançado  em  conta  de  resultado  apurado  pela  Fiscalização  (R$  885.797.100,45).  Para  tanto,  valeu­se  da  acusação  fiscal  (Anexo  1,  fl.  3379/3408)  e  do  balancete de verificação de 2004 (Anexo 2, fl. 3409/3506), confrontando seus resultados com  os  registros  em  lotes  contábeis  de  lançamentos  (Anexos  3  e  4,  fls.  3507/3669),  registros  na  conta 128116­501 (Anexo 5 e 6, fls. 3670/3682), e registros dos Livros Diário e Razão de 2003  e 2004 (Anexo 7, fls. 3683/3781).   Na seqüência, tendo em conta documentos semelhantes aos de fls. 96/678, aqui  denominados  extratos  disponibilizados  emitidos  pela  Archer  Daniels  Midland  Company  (Anexo 9, fls. 3785/4211), e a informação de que as contas de hedge na bolsa de mercadoria e  futuro (trading accounts) numeradas 6302, 6311, 6312, 6313,6321, 6331, 6341, 6361, e 6370,  foram aquelas utilizadas pela ADM do Brasil Ltda durante o ano calendário de 2004 (Anexo  10, fl. 4212), a contratada fez a conciliação das informações do “Anexo 9” com os resultados  mensais  contabilizados  consolidados  no  “Anexo  6”  (fls.  3681/3682),  demonstrando­a  no  “Anexo  11”  (fl.  4213/4217),  o  qual  também  reuniu  a  conciliação  dos  resultados  mensais  obtidos em operações com opções, aferidos a partir do “Anexo 12” (fls. 4218/4330), na medida  em  que  estes  resultados  tiveram  como  contrapartida  a  mesma  conta  de  resultado  (423130  “Ajuste P. Hedge Contr. Fut. Enc.”). As conversões de dólares para reais foram demonstradas  no  “Anexo  13”  (fl.  4331/4332)  e  as  taxas  utilizadas  no  “Anexo  14”  (fls.  4333/4345).  O  resultado de operações com futuros foi de R$ 891.111.833,32, que reduzido pelos ganhos com  opções  de  R$  4.462.247,99,  totalizou  R$  886.649.585,33,  apresentando  variação  de  R$  1.834.836,19  (0,21%)  em  relação  aos  valores  contabilizados.  A  tributação  do  ganho  das  operações com opções foi demonstrada no “Anexo 30” (fls. 7059/7301).  Fl. 7351DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 47          46  A  partir  daí,  a  contratada  demonstrou  a  compatibilidade  das  informações  do  “Anexo  9”  –  origem  da  contabilização  de  perdas  aqui  questionadas  –  com  as  oscilações  de  preço da Bolsa de Chicago, assim atestando:  A partir  dos  extratos  disponibilizados  pela Companhia  (anexo  9)  [fls.  3785/4211]  e  das  informações  constantes  do  sítio  eletrônico  da  Bloomberg  (anexo  15)  [fls.  4346/6590],  confrontamos os preços  (price) de  cada posição de  compra e  venda de  todas as operações de  futuro de  soja, óleo de  soja  e  farelo de  soja,  realizadas pela  ADM do Brasil  no  período  compreendido  entre  1° de  janeiro  a  31  de  dezembro  de  2004, com os preços das operações de  futuros das referidas commodities praticados  na Bolsa de Mercadorias e Futuros de Chicago (CBOT), para o mesmo período.  Para a conversão dos valores dos extratos em dólar para reais, nos valemos das taxas  de  conversão  de  dólar  para  real  demonstradas  nos  controles  extra­contábil  (anexo  13)[fl. 4331/4332].  Essas operações, expurgados os contratos de boardcrush e rollover, corresponderam à  negociação  de  914.484  contratos  (de  um  total  de  983.836  contratos  ­  92,95%)  e  resultaram  em  uma  perda  da  ordem  de  R$  835.804.754,20  (de  um  total  de  R$  891.111.833,32 ­ 93,79%).[Anexo 16, à fl. 6591, demonstra a correlação mensal entre  o resultado total e a quantidade de contratos]   Do confronto efetuado, constatamos que os preços praticados em 633.416 contratos  de  futuros  (64,38% do  total  de  contratos),  que  corresponderam a  uma perda de R$  708.316.097,73 (79,49% do total da perda), estavam entre o mínimo e o máximo dos  preços dos contratos negociados na CBOT naquela mesma data em que firmados os  contratos de futuros e em relação ao mesmo tipo de operação, conforme informações  do sítio da Bloomberg. Entenda­se como o mesmo tipo de operação aquele em que o  produto (soja, óleo de soja e farelo de soja) e o termo/vencimento são iguais.  Para  os  281.068  contratos  de  futuros  restantes  (28,57% do  total  de  contratos),  que  corresponderam  a  uma  perda  de  R$  127.488.656,47  (14,31%  do  total  da  perda),  verificamos  que  os  preços  praticados  pela  ADM  do  Brasil,  muito  embora  não  estivessem  entre  o  preço  mínimo  e  o  máximo  dos  contratos  negociados  na  CBOT,  foram em grande parte satisfatoriamente esclarecidos e justificados pela Companhia.  [Os esclarecimentos evidenciariam que as operações foram praticadas antes do início  do  pregão  da  bolsa,  adotavam  parâmetros  de  dias  próximos  ou  vinculados  a  contratação  prévia,  foram  estornados,  ou  apresentavam  outras  particularidades.  Documentos acerca destas ocorrências integram os Anexos 17 a 22, fls. 6590/6643].  A contratada esclarece nos anexos 26 a 28 (fl. 7052/7056) as características das  operações de “rolagem” (rollover) – decorrente de alteração nas datas de entrega física ou de  esmagamento –, e no “Anexo 29” (fl. 7058) das operações de “board crush” – decorrente da  venda interna da divisão Originação (grãos) para a divisão Esmagamento, com uma nova data  de entrega de óleo ou farelo. Nos “Anexo 25” e “Anexo 25.1” (fls. 6975/6978) demonstra que  apenas  36,71%  dos  contratos  atrelados  às  operações  de  rolagem  o  valor  dos  spreads  apresentou­se dentro dos limites esperados. No “Anexo 28” (fl. 7057) apresenta o resultado da  análise  das  operações  de  “board  crush”,  observando  que  o  preço  praticado  em  uma  das  oposições não estava dentro dos limites esperados.   Com  estes  elementos,  a  contribuinte  apenas  evidencia  o método  adotado  para  contabilização das operações de hedge, mas ainda não demonstra a efetividade das operações.  Em especial, não estabelece correlação entre os extratos disponibilizados emitidos pela Archer  Daniels Midland Company (Anexo 9, fls. 3785/4211), e as operações de hedge realizadas junto  à Bolsa de Chicago.   Fl. 7352DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 48          47  Somente na petição apresentada em 06/12/2012 a recorrente traz elementos que  podem dar suporte às suas alegações acerca do fluxo operacional das operações de hedge aqui  questionadas. Menciona que as empresas do Grupo ADM inserem os dados de suas respectivas  operações comerciais em um único sistema de computador denominado Sistema VAX, o qual é  administrado  pela  ADM  Trading  Compay  (“ADM  Trading”),  submetendo  a  esta  as  correspondentes ordens de hedge, que nada mais são do que as posições contrárias àquelas  contratadas fisicamente com os produtos rurais ou clientes das empresas do Grupo ADM.  Diz que cada ordem de hedge configura um contrato, o que implica a obrigação  de compra ou venda do tipo e quantidade de mercadoria estabelecidos nessa ordem, na data  de  entrega  ali  prevista,  conforme  precificação  de  mercado  listada  na  Bolsa  de Chicago.  E  neste  sentido  apresenta  relatório  do  fluxo  operacional  no  Brasil,  elaborado  por  KPMG  Tax  Advisors Ltda (Relatório da comprovação do hedge em operações de futuros realizadas pela  companhia  no  ano­base  de  2004),  bem  como  relatório  do  fluxo  operacional  no  exterior,  elaborado  por  Ernst  &  Young  LLP  (Relatório  de  auditoria  independente  das  operações  de  futuro  e opções  de  commodities  realizadas  pela  companhia),  este  último  juntado  apenas  em  língua estrangeira, mas com tradução juramentada já produzida, e apresentada por cópia a esta  Relatora depois da apresentação deste voto na reunião de julgamento de março/2013.   O  relatório  elaborado  por  KPMG  Tax  Advisors  Ltda  busca  evidenciar  a  operacionalização do hedge localmente, bem como a demonstrar que as operações de futuros  realizadas pela Companhia, no ano­calendário de 2004, tiveram por finalidade proteger suas  operações de compra e venda de soja em grão, óleo e farelo de soja contra as oscilações de  preço  dessas  commodities  (objetivo  de  hedge),  de  modo  a  estabelecer  a  correspondência  inversa entre os saldos mensais no mercado físico (estoque + compras – vendas) e os saldos  mensais no mercado futuro (compras – vendas) das referidas commodities em quantidade, no  decorrer do ano­calendário de 2004.  Quanto  à  operacionalização  do  hedge,  a  contratada  descreve  a  atuação  dos  setores da companhia responsáveis pela compra e venda das mercadorias, bem como pelo seu  processamento, os quais demandam o setor comercial para  realização de operações  inversas  no mercado de futuro a fim de proteger suas posições, no mercado físico, contra as oscilações  de preço (hedge). As ordens de hedge são inseridas no sistema VAX de propriedade da Archer  Daniels Midland Company,  responsável pelo  registro  e controle das operações de  futuros da  companhia, o qual é usado no Brasil, meramente, para inserção das ordens de hedge à ADM  Trading.  Há  confrontos  diários  entre  a  posição  líquida  em  aberto  no  mercado  físico  e  no  mercado  futuro,  e  diferenças  são  ajustadas  mediante  novas  ordens  de  hedge,  ou  suscitam  operações de “rolagem” ou de “board cruch” (semanal). Ao final do mês, há nova conciliação  das  posições  existentes  no  mercado  físico  e  futuro,  podendo  ser  verificadas  diferenças  especialmente em razão de ocorrências ligadas ao estoque físico, ou de ordens não efetivadas  em função de encerramento do expediente ou fechamento do pregão.  O  demonstrativo  abaixo  exemplifica  as  análises  feitas  pela  KPMG  acerca  da  operacionalização da compra da soja em grão até a  realização do hedge. Outros  fluxogramas  foram produzidos para as operações de venda de soja em grão, realocação da soja em grão da  Divisão  de Originação para  a Divisão  de Processamento,  compra  de  farelo  e  óleo  de  soja,  venda de farelo e óleo de soja.  Fl. 7353DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 49          48      Fl. 7354DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 50          49  Para  demonstrar  que  as  operações  de  futuros  realizadas  pela  Companhia,  no  ano­calendário de 2004, tiveram por finalidade proteger suas operações de compra e venda de  soja em grão, óleo e farelo de soja contra as oscilações de preço dessas commodities (objetivo  de hedge), a contratada apurou o saldo líquido de compras/vendas em aberto ao final de cada  mês a partir de planilhas e de controles de estoque, e testou por amostragem estas informações.  De outro lado, extraiu do sistema VAX a informação dos saldos líquidos ao final de cada mês,  confrontando­os  com o  saldo  físico  convertido  em  lotes  negociáveis,  apurando divergências,  mas  constatando  que  na  maior  parte  dos  meses  a  posição  no  mercado  futuro  era  oposta  à  posição  no  mercado  físico.  Ao  final,  considerando  as  justificativas  apresentadas  pela  contribuinte, apresentou gráficos por commodity para evidenciar que as posições no mercado  futuro  tendem a seguir  inversamente as posições no mercado  físico. Reproduz­se, a  título de  exemplo, o gráfico referente às operações com soja em grão:    Ao  final,  a  contratada  reproduz  conciliação  semelhante  à  antes  feita  entre  o  “Anexo  9”  (extratos  disponibilizados  emitidos  pela  Archer  Daniels  Midland  Company,  fls.  3785/4211)  e  os  resultados  mensais  contabilizados  consolidados  no  “Anexo  6”  (fls.  Fl. 7355DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 51          50  3681/3682), mas agora reportando­se a informações do Sistema VAX, do qual possivelmente  originam­se os extratos antes juntados no “Anexo 9”.  O  relatório  elaborado  por  KPMG  Tax  Advisors  Ltda  faz  referência  a  outros  Anexos,  numerados  de  1  a  33  e  organizados  em  17  (dezessete)  volumes,  os  quais,  como  relatado, somente foram digitalizados em fevereiro/2013 e estão pendentes de juntada aos autos  em razão de eles estarem pautados para julgamento.  Quanto  ao  relatório  elaborado  por Ernst & Young LLP,  aduz  a  recorrente  em  sua petição de 06/12/2012 que as planilhas que o seguem resultam de aprofundada auditoria  do fluxo operacional no exterior das suas operações de hedge, especificamente para atestar,  numericamente  (contratos  e  valores),  o  referido  fluxo.  Esclarece  que  os  demonstrativos  que  acompanham a petição apresentam a reconciliação da consolidação dos contratos de hedge do  Grupo ADM, a transferência destas informações da ADM Trading para a ADM Financeira e a  sua liquidação junto à Bolsa de Chicago.  O exame dos referidos demonstrativos coincide com algumas informações aqui  já  expostas,  a  título  de  exemplo,  relativamente  ao  registro  de  perda  em  janeiro/2004  com  o  produto  soja  controlado  na  conta  6370.  Segundo  o  relatório  de  fls.  99/126,  estas  operações  teriam  resultado  em  perda  de US$  6.407.150,00,  a  qual  integraria  a  perda  líquida  total,  em  janeiro/2004, de R$ 37.478.526,70 (US$ 12.743.897,00), conforme demonstrativo de fl. 91 e  relatório  das  remessas  ao  exterior  à  fl.  814. Estes mesmos  valores  foram demonstrados  pela  Ernst & Young LLP em planilhas que detalham as operações da conta 6370 e sua consolidação  com  as  demais  contas  utilizadas  pela  empresa  brasileira,  formuladas  a  partir  de  registros  da  ADM Trading (Schedule  III, campos em verde e  lilás). Segundo esclarecimentos contidos na  tradução  juramentada  do  relatório  elaborado  por  Ernst  &  Young  LLP  (apresentado  a  esta  Relatora  após  a  exposição  deste  voto  na  reunião  de  julgamento  de  março/2013),  referido  demonstrativo, ali denominado Anexo III – Reconciliação das Demonstrações da ADMIS, das  Demonstrações  de  Negociação  da  ADM  e  dos  Resultados  de Hedge  da  ADM  do  Brasil  no  Razão Geral dos exercícios findos em 31 de dezembro de 2004, 2006 e 2007, apresenta em sua  primeira parte a origem das informações financeiras presentes nas contas de Nível D, expondo  os resultados realizados em contratos finalizados.  Todavia,  há  divergências  quando  comparadas  estas  informações  com  os  registros da ADM Investor Services, os quais apontam a perda de US$ 14.312.725, em razão  de  operações  fechadas  em  janeiro/2004  (Schedule  III,  campos  em  amarelo).  Neste  mesmo  sentido,  a  planilha  que  consolida mensalmente  as  perdas  em  razão  das  contas  operadas  pela  empresa  brasileira,  totaliza  em  US$  14.320.470,50  este  valor  para  janeiro/2004,  o  qual  é  integrado por perda de US$ 5.187.464,00 decorrente da conta 6370 (Schedule II).  Esta última planilha (Schedule II) – nomeada Anexo II – Resumo dos valores de  Liquidação Líquidos no Encerramento do Mês por Conta de Nível D dos exercícios findos em  31  de  dezembro  de  2004,  2006  e  2007,  na  tradução  juramentada  antes  referida  –  também  evidencia que as perdas realizadas em janeiro/2004, quando somadas às perdas não realizadas  da  empresa  brasileira  no  valor  de  US$  153.834.408,50,  totalizam US$  168.154.879,00,  que  confrontados com ganhos decorrentes de contas “D” não operadas pela empresa brasileira, no  montante  de US$ 255.214.015,85,  resultam no  ganho  acumulado  de US$ 87.059.136,85,  até  janeiro/2004. Este valor é conciliado com o resultado apurado nas contas “A” em janeiro/2004  (US$ 87.071.544,58) na planilha denominada Schedule  I  (nomeada Anexo  I – Reconciliação  Fl. 7356DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 52          51  dos Valores de Liquidação Líquidos no Encerramento do Mês entre as Contas de Nível D e  Nível A dos exercícios findos em 31 de dezembro de 2004, 2006 e 2007).  Como se vê, os Anexos I e II fazem referência a valores de liquidação líquidos,  ao  passo  que  o  Anexo  III  trata  de  resultados  realizados  em  contratos  finalizados.  Assim,  eventualmente  a  diferença  entre  as  perdas  US$  6.407.150,00  e  US$  5.187.464,00,  relativamente  ao  produto  soja,  na  conta  6370,  em  janeiro/2004  pode  se  esclarecida  pela  consolidação que não reporta à ADM Investor Services as operações contrárias praticadas pelo  Grupo. Este aspecto, porém, precisa ser melhor investigado.  Para além disso, convém notar que a recorrente reporta­se a análises da empresa  contratada acerca do fluxo operacional após a consolidação de operações pela ADM Trading,  acerca das quais não havia  evidências nos  demonstrativos  juntados  à petição de 06/12/2012.  Especificamente diz a recorrente:  26. Pois bem, após a consolidação dos contratos de hedge do Grupo ADM, inclusive da  Requerente,  a  ADM  Trading  transfere  à  ADM  Financeira  todas  as  exposições  em  aberto, não consolidadas nesse procedimento. As exposições em aberto dão surgimento  às contas de liquidação “A” (“Contas de Nível A”): nº 5000, nº 5031, nº 5032, nº 5033,  nº 5034, nº 5035, e nº 5036. As “Contas de Nível A” agrupam todas as exposições em  aberto  e as Bolsas de Valores de  liquidação. Assim, no  caso  concreto,  pela natureza  das operações  físicas  realizadas  pela Requerente  (compra e  venda de soja,  farelo de  soja  e  óleo  de  soja),  as  exportações  não  consolidadas  foram  liquidadas  através  da  Conta de Nível A , nº 5032 (conta correspondente às operações realizadas na Bolsa de  Chicago).  27. Portanto, o Relatório da EY reconciliou e atestou o procedimento de consolidação,  realizado dentro dos parâmetros da Bolsa de Chicago, bem como da transferência das  posições em aberto da ADM Trading para a ADM Financeira, e a sua liquidação, junto  à Bolsa de Chicago, mediante o respectivo fluxo de caixa entre a ADM Financeira e a  Bolsa de Chicago.  Esta  última  demonstração  acerca  do  fluxo  de  caixa  entre  a  ADM  Investor  Services  e  a  Bolsa  de  Chicago  aparenta  corresponder  à  planilha  denominada  Schedule  IV  (nomeada Anexo IV – Reconciliação entre a Variação no Patrimônio Líquido Total e o Caixa  Pago  nas  Transações  Cambiais  nos  exercícios  findos  em  31  de  dezembro  de  2004,  2006  e  2007, na  tradução  juramentada antes  referida),  apresentada com as  informações do  fluxo nos  dias  de  dezembro  de  2004.  No  mais,  aparentemente  não  foram  juntados,  à  petição  de  06/12/2012 os demonstrativos que evidenciaram as exposições efetivamente levadas à Bolsa de  Chicago.  Por fim, na tradução juramentada antes mencionada, há referência, também, ao  Anexo V – Resumo dos Valores de Liquidação Líquidos do Encerramento do Mês da Conta de  Nível A, o qual apontaria, em 31 de dezembro de 2004, 2006 e 2007 que o valor de liquidação  líquido da conta de Nível A no mês findo está de acordo com o Valor de Mercado da Conta  total, conforme indicado no Anexo I.  Antes  da  presente  sessão,  a  interessada  apresentou  memoriais  elaborados  em  27/02/2013 que aparentemente abordam referido fluxo. A partir de exemplos referentes à conta  de  nível D nº  6321,  a  contribuinte  busca demonstrar  a  consolidação  das  operações  advindas  desta  sua  planta  operacional  (Fábrica  de  Campo  Grande/MS)  em  outubro/2004,  das  quais  resultam as exposições que ensejam o registro contábil das operações de hedge, agrupadas em  conta de nível A na ADM Trading. Para tanto, junta exemplo das seguintes demonstrações: 1)  Fl. 7357DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 53          52  relatório de operações inseridas no Sistema referente à Conta de Nível D no 6321, relativo ao  período de outubro de 2004; 2) relatório emitido pela ADM Trading para o período de outubro  de 2004, que refletiria as mesmas operações; 3)  relatório emitido pela ADM Financeira com  agrupamento dos contratos colocados no Sistema; 4) planilhas da ADM Financeira nas quais  constariam os montantes liquidados a partir da conciliação de todas as Contas de Nível D, bem  como  os  montantes  liquidados  a  partir  da  conciliação  de  todas  as  Contas  de  Nível  A;  5)  relatório da ADM Financeira que indicaria as exposições não consolidadas agrupadas por meio  da Conta de Nível A no 5032, a serem colocadas na Bolsa de Chicago. Todavia, são elementos  correspondentes a apenas uma espécie de registro de um dos meses autuados.   Registre­se, por oportuno, que o parecer elaborado pelo Professor Ary Oswaldo  Mattos Filho, apresentado com a petição de 06/12/2012, ao fazer menção à atuação da ADM  Investor  Services  como  membro  de  compensação,  parece  cogitar  que  referida  instituição  promoveria a compensação, também, para com terceiros clientes sem qualquer vínculo com a  ADM IS, talvez considerando que haja liquidações externas ao pregão da CBOT, promovidas  pela ADM Investor Services, entre ordens de hedge do Grupo ADM com ordens de hedge de  terceiros.  Todavia,  não  há  alegação  da  contribuinte,  nem  qualquer  outra  evidência  nos  elementos  por  ela  apresentados,  naquele  sentido.  Assim,  supõe­se  que  as  posições  líquidas,  após a consolidação feita pela ADM Trading, são comunicadas à ADM Investor Services que  necessariamente as apresenta à Bolsa de Chicago, sendo este o fluxo que a recorrente pretende  provar por meio dos elementos apresentados.  De  toda  sorte,  as  alegações  da  recorrente  são  suficientes  para  demonstrar  seu  empenho  em  reunir  elementos  para  convencer  este  órgão  julgador  da  legitimidade  de  seus  registros  contábeis.  Ideal  seria  que  dossiês  diários  fossem  mantidos  para  demonstração  da  equivalência  entre  os  registros  contábeis  e  as  operações  da  empresa  junto  ao  mencionado  Sistema  VAX. Mas  os  elementos  trazidos  pela  recorrente  são  evidências  fortes  de  que  estes  registros  existiam  e  obedeciam  a  um  fluxo  operacional  sujeito  a  conciliações  periódicas,  de  modo  a  assegurar  a  cobertura  de  suas  operações  físicas  com  commodities.  Apenas  que,  a  precariedade  da  guarda  documental  destas  demonstrações  não  permitiu  que  a  empresa  as  apresentasse  à  Fiscalização  e  convencesse  a  autoridade  lançadora  da  regularidade  de  seus  registros contábeis.  Diante  deste  contexto,  já  seria  justificável  a  conversão  do  julgamento  em  diligência  para  que  a  autoridade  lançadora  confirmasse  a  validade  dos  critérios  de  auditoria  adotados pelas empresas contratadas, e por conseqüência a admissibilidade de seus relatórios  para  demonstração  da  regularidade  dos  valores  contabilizados  pela  contribuinte,  apontando  divergências  que deste  exame  resultem  e  quantificando  sua  repercussão  no  crédito  tributário  lançado.  Antes porém, é necessário observar que a alegada compensação de ordens das  diversas  empresas  no  âmbito  do  grupo  pode  ser  interpretada,  também,  como  evidência  da  desnecessidade da operação de hedge, na medida em que a cobertura é dada por outra operação  comercial do próprio grupo. O exemplo construído no parecer exarado pelo Professor Marco  Aurélio Greco deixa transparecer este aspecto:  Realmente,  se,  por  hipótese,  a  ADM do  Brasil  vender  soja  para  o  Japão  e  der  uma  ordem  de  compra31  [31  Ordem  inversa  à  operação  física  emitida  com  a  finalidade  de  cobertura  (hedge).] a ser executada na Bolsa de Chicago, a ADM do Japão que  está  importando soja, poderá estar, ao mesmo tempo, emitindo uma ordem de venda a ser  executada na mesma Bolsa.   Fl. 7358DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 54          53  Se  o  objetivo  das  normas  estrangeiras  é  assegurar  uma  livre  e  verdadeira  formação  de  preço  junto  ao  mercado  comprador  e  vendedor  de  contratos  futuros,  e  esta  condição é necessária para tornar dedutíveis as perdas de hedge na forma do art. 17 da Lei nº  9.430/96  (matriz  legal do caput  do  art.  396 do RIR/99),  como diz o Professor Ary Oswaldo  Mattos Filho em seu parecer, a vedação à prática de operações opostas e simultâneas por um  mesmo  grupo  empresarial  pode  ser  perfeitamente  interpretada  como  restrição  a  uma  prática  desnecessária, que pode prejudicar a livre e verdadeira formação de preços.  A  prática  descrita  pela  recorrente,  em  verdade,  afirma  a  existência  de  uma  operação  de  cobertura  junto  à  Bolsa  de  Chicago  que  não  foi  formalizada,  e  assim  enseja  o  reconhecimento  contábil  de  um  resultado  decorrente de  uma operação  que  efetivamente  não  existiu. Assim,  não  basta  reputar  como método  aceitável  para  admissibilidade  de  perdas  em  hedge  aquele  que  demonstre  em  tempo  real  a  formação  de  preço,  e  que  permita  que  as  compras  e  vendas  sejam  liquidadas  por  valores  praticados  livremente  pelo  mercado  secundário, como dito pelo Professor Ary Oswaldo Mattos Filho em seu parecer apresentado  pela  recorrente  com  a  petição  de  06/12/2012.  É  necessário  que  a  cobertura  resulte  de  uma  operação  realizada  em  bolsa  para  que  tenha  efetividade,  não  bastando  que  ela  adote  os  parâmetros daquele mercado regulado.   Veja­se, ainda, que a prática da recorrente permite a remessa de valores a título  de pagamento de margens que não eram devidas à Bolsa de Chicago, mas sim a outra empresa  do Grupo ADM.   Este  aspecto,  inclusive,  poderia  justificar  as  disparidades  apontadas  pela  Fiscalização,  acerca  da  representatividade  dos  depósitos  totais  de  margens  remetidos  ao  exterior  pela  autuada,  quando  comparado  com  seu  faturamento  (24,73%),  que  destoa  do  percentual  de  1,25%,  inferido  a  partir  dos  depósitos  de  margens  promovidos  pela  ADM  Investor Services em favor de todo o Grupo ADM, considerando o faturamento global deste. É  certo que a recorrente contesta as premissas destas inferências, especialmente o período ao qual  se refere faturamento global do Grupo e a utilização do dólar médio para conversões. Contudo,  no  mais,  os  depósitos  de  margem  promovidos  pela  ADM  Investor  Services  em  2004,  e  a  informação  de  que  80%  de  suas  operações  corresponderiam  a  terceiros  estranhos  ao Grupo  ADM,  são  informações  apresentadas  pela  contribuinte  à  Fiscalização.  Ademais,  são  apenas  inferências, que somente ganham relevo ante os demais fatos não esclarecidos adequadamente  pela contribuinte.  Irrelevante, assim, se a bolsa de mercadorias brasileira não tem capacidade para  acolher  os  negócios  da  recorrente,  estando  ela  obrigada  a  recorrer  à  Bolsa  de  Chicago  e  submeter­se às suas regras. O fato de as  leis estrangeiras visualizarem as empresas do Grupo  ADM como um ente único, e impedir­lhes de requerer cobertura para operações simultâneas e  opostas, autoriza a interpretação de que a hedge é desnecessária e, por conseqüência, sua perda,  indedutível nos termos do art. 396, caput, do RIR/99.  Observe­se  que,  ao  contrário  do  que  diz  a  recorrente  em  memorial  complementar  formulado  após  a  apresentação  deste  voto  na  reunião  de  julgamento  de  março/2013, não se trata, aqui, de questionar a natureza de proteção das operações de hedge,  mas sim de apurar como esta proteção se efetivou dentro do grupo empresarial, e se houve a  necessidade,  e  conseqüente  efetivação  de hedge  em bolsa. Há  evidências  de proteção  contra  oscilações de preços mediante contratação de operações físicas opostas por outras empresas do  grupo, as quais não podem ser interpretadas como operações de hedge em bolsa.   Fl. 7359DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 55          54  Recorde­se,  ainda,  que  nada  neste  sentido  teria  sido  argüido  durante  a  Fiscalização, na medida em que a contribuinte, ao longo do procedimento fiscal, asseverou que  as  perdas  deduzidas  decorreriam de  operações  de hedge  contratadas  em Bolsa,  e não  logrou  provar este fato. Ademais, não apontou em seus esclarecimentos a atuação da ADM Trading,  de  modo  a  suscitar  dúvida  na  Fiscalização  acerca  deste  outro  aspecto  subsidiário,  mas  que  passa a ser determinante para aferição da dedutibilidade a partir do momento em que se busca  trazer  aos  autos  a  prova  das  operações  realizadas.  Assim,  tais  aspectos  não  representam  a  abertura  de  uma  nova  discussão,  mas  sim  considerações  acerca  da  prova  necessária  para  dedutibilidade dos valores contabilizados.  A recorrente também invoca, subsidiariamente, a aplicação do §1o do art. 396 do  RIR/99  ou  do  art.  71  da  Lei  nº  9.430/96,  com  vistas  a  legitimar  perdas  decorrentes  de  operações de hedge realizadas fora de Bolsa.   O  §  1o  do  art.  396  do  RIR/99  reflete  o  cenário  legal  anterior  à  alteração  introduzida pelo art. 17 da Lei nº 9.430/96, base  legal do caput daquele artigo regimental. O  referido  §1o  tem  fundamento  no  art.  63  da  Lei  nº  8.383/91  que,  reportando­se  ao  art.  6o  do  Decreto­lei nº 2.397/87, assim dispunham até o  final de 2004  (art. 24 da Lei nº 11.033/2004  revogou o art. 63 da Lei nº 8.383/91 a partir de 01/01/2005):  Decreto­lei nº 2.397, de 1987:   Art.  6°  Serão  computados  na  determinação  do  lucro  real  da  pessoa  jurídica  os  resultados  líquidos  obtidos  em  operações  de  cobertura  realizadas  nos  mercados  de  futuros, em bolsas no exterior, iniciadas a partir de 1° de janeiro de 1988.   1° No caso de operações que não se caracterizem como de cobertura, para efeito de  apuração do  lucro real os  lucros obtidos serão computados e os prejuízos não serão  dedutíveis.   2° O Poder Executivo expedirá instruções para a apuração do resultado líquido, sobre  a movimentação de divisas relacionadas com essas operações, e outras que se fizerem  necessárias à execução do disposto neste artigo.   Lei nº 8.383, de 1991  Art. 63. O tratamento tributário previsto no art. 6° do Decreto­Lei n° 2.397, de 21 de  dezembro de 1987, aplica­se, também, às operações de cobertura de riscos realizadas  em outros mercados de futuros, no exterior, além de bolsas, desde que admitidas pelo  Conselho Monetário Nacional  e  desde  que  sejam  observadas  as  normas  e  condições  por ele estabelecidas.   Segundo a  recorrente, a Resolução CMN nº 2.012/93 autorizaria a dedução de  perdas desde que se  trate de operações de hedge vinculadas a operações  reais  e  efetivas de  revenda de soja e que sigam rigorosamente os parâmetros de mercado. Referida Resolução,  revogada a partir de 19/09/2005 pela Resolução CMN nº 3.312/2005, assim dispunha:  Art.  1º.  Permitir  que  as  entidades  do  setor  privado  realizem,  no  exterior,  com  instituições  financeiras  ou  em  bolsas,  operações  destinadas  a  proteção  ("hedge")  contra o risco de variações de taxas de juros, de paridades entre moedas e de preços de  mercadorias, no mercado internacional.   Parágrafo 1º. As operações de que se trata pautar­se­ão pelos parâmetros vigentes no  mercado  internacional,  podendo o Banco Central  do Brasil,  a  seu  exclusivo  critério,  exigir  compensação  cambial  suficiente  para  elidir  os  efeitos  das  operações  que  se  mostrarem dissonantes  do objetivo  previsto  ou  celebradas  fora  daqueles  parâmetros,  sem prejuízo da aplicação das sanções porventura cabíveis.   Fl. 7360DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 56          55  Parágrafo  2º.  As  operações  que  se  vinculem  a  direitos  e  obrigações  registradas,  ou  sujeitas a registro, no Banco Central do Brasil/Departamento De Capitais Estrangeiros  (FIRCE)  estarão  igualmente  sujeitas  a  registro,  o  qual  poderá  ser  efetuado  após  a  respectiva contratação.   [...]   Art. 3º. Observado o disposto no art. 1º, parágrafo 1º, desta  resolução,  fica  reduzido  em 100% (cem por cento) o valor do imposto de renda que incida sobre remessas ao  exterior,  desde  que,  comprovadamente,  se  caracterizem  como  necessárias,  usuais  e  normais,  inclusive  quanto  ao  seu  valor,  à  realização  da  cobertura  de  riscos  de  variações, no mercado internacional, de taxas de juros, de paridades entre moedas e de  preços de mercadorias, e/ou delas decorram, obedecida a regulamentação pertinente.   Art. 4º. Fica delegada competência ao Banco Central do Brasil para adotar as medidas  e baixar as normas necessárias à execução do disposto nesta resolução.   Art. 5º. Esta resolução entra em vigor na data de sua publicação.   Art.  6º.  Ficam  revogadas  as  resoluções  nºs  272,  de  17.12.73,  1.203,  de  30.10.86,  e  1.921, de 30.04.92. (negrejou­se)  Como se vê, as operações de hedge  cogitadas na Resolução CMN nº 2.012/93  seriam  aquelas  realizadas  junto  a  instituições  financeiras,  circunstância  aqui  não  verificada.  Imprópria, assim, a alegação da recorrente.  Quanto  ao  art.  71  da  Lei  nº  9.430/96,  há  que  se  ter  em  conta  sua  redação  na  forma da Lei nº 10.833/2003:  Art.71. Sem prejuízo do disposto no art. 74 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995,  os  ganhos  auferidos  por  qualquer  beneficiário,  inclusive  pessoa  jurídica  isenta,  nas  demais operações  realizadas  em mercados de  liquidação  futura,  fora de bolsa,  serão  tributados  de  acordo  com  as  normas  aplicáveis  aos  ganhos  líquidos  auferidos  em  operações de natureza semelhante realizadas em bolsa.  §1º  Não  se  aplica  aos  ganhos  auferidos  nas  operações  de  que  trata  este  artigo  o  disposto no §1º do art. 81 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995.  §  2o Somente  será  admitido  o  reconhecimento  de  perdas  nas  operações  registradas  nos  termos  da  legislação  vigente.  (Redação  dada  pela  Lei  nº  10.833,  de  2003)  (negrejou­se)  Assim, não bastasse a oposição que a  recorrente  se antecipa a questionar – de  que o referido dispositivo legal (art. 71), ao assegurar a dedutibilidade das perdas auferidas  nas operações realizadas em mercado de liquidação futura fora de Bolsa, não teria explicitado  que tal regra também seria aplicável às operações realizadas no exterior –, bem como o fato  de o  referido dispositivo  legal apenas se prestar a equivaler a  tributação de ganhos auferidos  dentro  ou  fora  da  bolsa,  vê­se  que,  de  toda  sorte,  somente  seriam  dedutíveis  perdas  nas  operações registradas nos  termos da  legislação vigente, quais sejam, operações em bolsa ou  em instituições financeiras como antes exposto.  Por estas  razões, o presente voto é no sentido de CONVERTER o  julgamento  em diligência, para que a autoridade lançadora:  §  Sob a premissa inicial de que todas as operações contabilizadas como sendo  de hedge  seriam necessárias e dedutíveis: 1) analise os elementos  trazidos  pela  recorrente  como  evidências  de  que  os  registros  junto  ao mencionado  Sistema  VAX  existiam  e  obedeciam  a  um  fluxo  operacional  sujeito  a  Fl. 7361DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.077  S1­C1T1  Fl. 57          56  conciliações periódicas, de modo a assegurar a cobertura de suas operações  físicas  com  commodities;  2)  informe  a  validade  dos  critérios  de  auditoria  adotados pelas empresas contratadas, e por conseqüência a admissibilidade  de  seus  relatórios  para  demonstração  da  regularidade  dos  valores  contabilizados pela contribuinte, ou apure esta regularidade por outros meios  que  entender  e  justificar  suficientes;  3)  aponte  divergências  que  deste  exame  resultem,  identificando as perdas que  restarem sem comprovação, e  quantificando sua repercussão no crédito tributário lançado;  §  Sob a premissa final de que somente as operações de hedge  realizadas em  bolsa ensejam perdas dedutíveis, promova as verificações acima requeridas,  mas  identifique  as  perdas  correspondentes  a  operações  de  hedge  efetivamente  contratadas  junto  à  Bolsa  de  Chicago,  sem  antes  terem  sido  compensadas  com  posições  opostas  apresentadas  no  mesmo  período  por  outra empresa do Grupo ADM.  Ao  final  dos  trabalhos  a  contribuinte  deverá  ser  cientificada  de  relatório  circunstanciado  da  diligência  fiscal,  com  reabertura  de  prazo  de  30  (trinta)  dias  para  sua  manifestação, antes da devolução dos autos a este Conselho.    (documento assinado digitalmente)  EDELI PEREIRA BESSA – Relatora      Fl. 7362DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO

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5127007 #
Numero do processo: 10735.908928/2009-40
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO POR OMISSÃO. Não configurada a omissão no acórdão embargado, devem ser rejeitados os embargos.
Numero da decisão: 1802-001.868
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1538; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE02  Fl. 2          1 1  S1­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10735.908928/2009­40  Recurso nº  999.999   Embargos  Acórdão nº  1802­001.868  –  2ª Turma Especial   Sessão de  09 de outubro de 2013  Matéria  IRPJ  Embargante  FAZENDA NACIONAL  Interessado  AIS ASSOCIAÇÃO PARA INVESTIMENTO SOCIAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ­ CSLL  Ano­calendário: 2006  EMBARGOS DE DECLARAÇÃO POR OMISSÃO.   Não configurada a omissão no acórdão embargado, devem ser  rejeitados os  embargos.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade,  em  rejeitar  os  embargos de declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.  (assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa­ Presidente.   (assinado digitalmente)  José de Oliveira Ferraz Corrêa ­ Relator.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de  Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira  Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 89 28 /2 00 9- 40 Fl. 285DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10735.908928/2009­40  Acórdão n.º 1802­001.868  S1­TE02  Fl. 3          2   Relatório  Trata­se  de  embargos  de  declaração,  às  fls.  239  a  240,  interpostos  pela  Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), visando sanar alegado vício de omissão presente no  Acórdão nº 1802­001.650, proferido por este colegiado na sessão de 07/05/2013, às fls. 229 a  237.  No presente processo, a Contribuinte questionou decisão que não homologou  declaração de compensação por ela enviada em 01/06/2007, na qual utiliza crédito decorrente  de um alegado pagamento a maior referente ao IRPJ/estimativa do mês de agosto/2006.  Tanto a DIPJ, quanto as DCTF (retificadas e retificadora/ativa), informavam  débito  de  estimativa para o mês  de  agosto/2006 no  valor  de R$ 6.838,03,  e  para  quitar  esta  estimativa, a Contribuinte realizou recolhimento de R$ 34.030,85, em 20/09/2006.  O  crédito  utilizado  na  compensação  correspondeu  à  parte  excedente  verificada em relação a esse pagamento, no valor de R$ 27.192,82.  A declaração de compensação objetivou a quitação da estimativa de IRPJ do  mês de abril/2006, que na data da transmissão do PER/DCOMP correspondia ao valor total de  R$ 28.307,73 (rubrica principal: 21.983,18, multa: 4.396,63 e juros: 1.927,92).  O  acórdão  embargado,  que  deu  provimento  ao  recurso  voluntário  da  Contribuinte, possui a seguinte ementa:  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ   Ano­calendário: 2006   RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO  DE  ESTIMATIVA  RECOLHIDA A MAIOR.  1­ Em regra, o que se restitui ou compensa é o saldo negativo de  IRPJ ou de CSLL, e não as estimativas destes tributos, mas isto  diz respeito ao valor da estimativa efetivamente devida enquanto  tal, ou seja, ao valor que corretamente resulta ou do cálculo com  base  na  receita  bruta  mensal  ou  da  apuração  fundada  em  balancete cumulativo de redução.  2­ A estimativa que fica vinculada à apuração de ajuste é aquela  apurada e recolhida de acordo com a norma  tributária, não se  incluindo aí pagamento que desde o início mostra­se indevido ou  a  maior,  que  não  guarda  relação  com  a  base  de  cálculo  do  próprio mês a que deveria corresponder.  3­  A  compensação  entre  estimativas  de  mesmo  tributo  e  ano  possui  particularidades,  porque  na  sistemática  de  apuração  anual  todos  os  recolhimentos  de  estimativa  feitos  ao  longo  do  ano contribuem  igualmente nesta apuração,  independentemente  do mês a que se refira cada um deles. Seja como estimativa do  Fl. 286DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10735.908928/2009­40  Acórdão n.º 1802­001.868  S1­TE02  Fl. 4          3 mês de agosto, ou como estimativa do mês de abril, o valor está  igualmente  vinculado  e  contribuindo para  a  quitação  do ajuste  anual  do  IRPJ  em  2006,  pelo  que  o  fato  de  haverem  outras  compensações  de  estimativas  de  2006  ainda  pendentes  de  solução em nada afeta a solução do presente processo.  A PFN  seria  considerada  intimada  do mencionado  acórdão  em 15/06/2013,  segundo  as  regras  contidas  nos  §§  8º  e  9º  do  art.  23  do Decreto  70.235/1972  –  PAF,  e  os  Embargos foram apresentados em 13/06/2013.  A  Embargante  alega  que  o  acórdão  proferido  por  esta  Turma  Julgadora  incorreu em omissão pelos seguintes motivos:  ­ em razão dos documentos contábeis apresentados pela empresa e pelo fato  de que atualmente se aceita o crédito decorrente de estimativas de IRPJ pagas a maior, a Turma  julgadora  decidiu  adentrar  no  mérito  do  pedido  feito  pela  Contribuinte,  para  deferi­lo,  por  entender que uma vez analisada parte da escrituração contábil­fiscal da empresa, ficou clara a  existência do crédito;  ­  contudo,  ao  assim  decidir,  restou  omisso  o  acórdão  embargado,  pois  não  observou o fato de que a documentação apresentada pela Contribuinte sequer foi analisada pela  instância  “a  quo”  uma vez  que o  pedido  da Contribuinte  foi  negado  apenas  pelo  fato  de  ter  requerido compensação alegando existência de crédito decorrente de estimativas de IRPJ pagas  a maior, o que, no momento do julgamento em 1ª instância, não era possível;  ­ assim, não foi possível à DRJ a análise acerca da regularidade e suficiência  deste crédito, o que caracteriza supressão de instância;  ­ desta forma, para um correto saneamento do processo, o ideal seria, com os  documentos juntados pela empresa, serem os autos restituídos à DRF de origem, para análise  da questão;  ­ ante o exposto, requer a Fazenda Nacional sejam os presentes embargos de  declaração  julgados  procedentes  com  o  fito  de  sanar  a  omissão  apontada,  como medida  de  salutar justiça.    Este é o Relatório.  Fl. 287DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10735.908928/2009­40  Acórdão n.º 1802­001.868  S1­TE02  Fl. 5          4   Voto             Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator.  Os embargos são tempestivos e dotados dos demais pressupostos para a sua  admissibilidade. Portanto, deles tomo conhecimento  Conforme  relatado, o processo versa  sobre declaração de  compensação,  em  que a Contribuinte utiliza crédito decorrente de pagamento a maior de IRPJ/estimativa do mês  de agosto/2006 para quitar débito de IRPJ/estimativa do mês de abril/2006.  A  Delegacia  de  origem  (DRF  Nova  Iguaçu/RJ)  não  homologou  a  compensação  porque  o  alegado  crédito  correspondia  a  pagamento  de  estimativa  mensal  de  pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e porque, como tal, este pagamento somente poderia  ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração ou para  compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período.  A Delegacia  de  Julgamento manteve  a  negativa  em  relação  à  compensação  pelo mesmo fundamento, ou seja, a impossibilidade de restituição/compensação de pagamento  indevido ou a maior de estimativas mensais.  Ao examinar o recurso voluntário da Contribuinte, esta 2ª Turma Especial da  1ª Seção do CARF afastou o fundamento das decisões administrativas anteriores, consignando  para tanto a evolução da própria legislação que trata da matéria.   É oportuno registrar neste momento que o assunto já foi inclusive sumulado  pelo CARF:  Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de  estimativa  caracteriza  indébito  na  data  de  seu  recolhimento,  sendo passível de restituição ou compensação.  Prosseguindo  no  exame  da  compensação,  o  acórdão  embargado  apresentou  ainda as seguintes considerações:   [...]  No  caso,  a Contribuinte  não  apurou  em DIPJ  nenhum  saldo  a  pagar de IRPJ para o ano de 2006. A última estimativa, do mês  de  dezembro,  no  valor  de  R$  45.967,46,  serviu  para  zerar  o  imposto no ajuste.  Nesta  apuração,  ela  computou  estimativas  anuais  no  montante  de R$ 444.349,17, não incluindo aí o excedente de R$ 27.192,82  do mês  de  agosto,  conforme  indica  não  apenas  a DIPJ, mas  o  próprio  demonstrativo  constante  da  decisão  recorrida,  às  fls.  159.  Em relação a agosto/2006, a Contribuinte considerou estimativa  no  valor  de  R$  6.838,03,  mas  efetuou  um  pagamento  de  R$  Fl. 288DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10735.908928/2009­40  Acórdão n.º 1802­001.868  S1­TE02  Fl. 6          5 34.030,85  para  quitar  esta  estimativa,  o  que  gerou  o  referido  excedente de R$ 27.192,82.  O  próprio  relatório  SIEF,  às  fls.  128,  e  o  já  mencionado  demonstrativo  constante  da  decisão  recorrida  evidenciam  a  existência  e  disponibilidade  do  mencionado  excedente  de  R$  27.192,82.   Tais  fatos  militam  em  favor  da  homologação  da  compensação  em pauta, porque caracterizam a existência do direito creditório.   Vê­se  que  não  apenas  o  relatório  SIEF,  como  também  o  demonstrativo  constante da própria decisão recorrida, estavam a evidenciar a existência e a disponibilidade do  mencionado excedente em relação à estimativa de IRPJ de agosto/2006.   Por  outro  lado,  o  acórdão  embargado  consignou  que  haviam  outras  declarações  de  compensação,  e  que,  nesse  caso,  a  solução  do  presente  processo,  em  uma  primeira análise,  dependeria das decisões  sobre  as declarações de  compensação vinculadas  à  quitação das estimativas em 2006, porque estas teriam implicação direta na situação do ajuste  anual, e, por conseqüência, na confirmação ou não da disponibilidade do excedente relativo à  estimativa de agosto de 2006.  Contudo,  o  fato  de  o  débito  compensado  no  PER/DCOMP  ora  examinado  corresponder a  estimativa de  IRPJ do próprio  ano de 2006, no  caso,  a  estimativa do mês de  abril/2006, implicou no afastamento desta questão acerca das outras compensações, e ensejou o  provimento do recurso voluntário:  Há, no entanto, outro aspecto importante a ser analisado.  É  que,  conforme  também  aponta  a  decisão  recorrida,  do  total  anual  de  R$  444.349,17  a  título  de  estimativas  em  2006,  R$  165.488,75  correspondem  a  estimativas  mensais  que  a  Contribuinte  pretendeu  quitar  mediante  declarações  de  compensação,  várias  delas  indicadas  com  a  observação  de  “análise  suspensa”,  e  outras  como  não  homologadas  na  primeira instância administrativa.   Já mencionamos que o ajuste anual não resultou nem em saldo  negativo de IRPJ, nem em imposto a pagar, porque a estimativa  de  dezembro,  apurada  via  balancete  de  redução,  serviu  para  quitar a apuração anual.   Assim, qualquer estimativa computada pela Contribuinte em sua  apuração,  mas  que  não  viesse  a  ser  confirmada,  geraria  um  saldo  em  aberto  no  ajuste,  o  que  poderia  prejudicar  o  reconhecimento do reivindicado crédito por pagamento a maior  relativo à estimativa de agosto, já que este pagamento seria total  ou  parcialmente  absorvido  para  a  quitação  do  ajuste  anual,  dependendo do montante do saldo que restasse em aberto.   Dada a relação entre as estimativas mensais e o ajuste no final  do ano, não seria correto deixar o ajuste de IRPJ a descoberto, e  utilizar a estimativa para a quitação de débito de outra natureza,  relativo a outro tributo e/ou período.   Fl. 289DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10735.908928/2009­40  Acórdão n.º 1802­001.868  S1­TE02  Fl. 7          6 Nesse  caso,  a  solução  do  presente  processo  dependeria  das  decisões  sobre  as  declarações  de  compensação  vinculadas  à  quitação das estimativas em 2006, porque estas  tem implicação  direta  na  situação  do  ajuste  anual,  e,  por  conseqüência,  na  confirmação ou não da disponibilidade do excedente  relativo à  estimativa de agosto de 2006.  Ocorre que, como já mencionado no  início deste voto, o débito  compensado  no  PER/DCOMP  ora  examinado  corresponde  a  estimativa de IRPJ do próprio ano de 2006, no caso, a estimativa  do mês de abril/2006.  A compensação entre estimativas de mesmo tributo e ano possui  particularidades, porque na sistemática de apuração anual todos  os  recolhimentos  de  estimativa  feitos  ao  longo  do  ano  contribuem  igualmente  nesta  apuração,  independentemente  do  mês a que se refira cada um deles.  Tanto  a  apuração  final  (ajuste  anual)  quanto  os  balancetes  mensais  de  suspensão/redução  de  tributo  são  cumulativos,  computando­se neles todos os fatos e recolhimentos ocorridos a  partir de primeiro de janeiro até o último dia do período a que  se refiram.   Assim,  pela  própria  sistemática  dos  sucessivos  Balancetes  de  suspensão/redução ao longo do mesmo ano, um eventual excesso  de  estimativa  em  um  mês  acaba  sendo  absorvido  nos  meses  posteriores,  para,  ao  final,  ser  levado  em  conjunto  com  os  demais  pagamentos  como  dedução  no  ajuste  anual,  independentemente  do  mês  a  que  se  refira.  Este  tipo  de  “compensação”  não  depende  nem  mesmo  de  apresentação  de  PER/DCOMP.  No  caso  sob  exame,  a  Contribuinte  não  levou  diretamente  o  excesso  de  agosto  para  os  meses  posteriores,  por  meio  dos  balancetes cumulativos de suspensão/redução.   Ela  não  computou  diretamente  o  referido  excesso  nem  nestes  balancetes,  nem  no  ajuste  anual,  porque  pretendeu  utilizá­lo  para quitar parte da estimativa do mês de abril.  De acordo com os dados do PER/DCOMP, os R$ 27.192,82 de  excesso  em agosto  corresponderam a uma  rubrica principal de  R$  21.983,18  em  abril,  em  razão  do  cômputo  de  acréscimos  legais (multa de mora e juros).   Mas  de  qualquer  forma,  o  valor  acabou  ficando  vinculado  ao  ajuste anual de 2006, não havendo que se cogitar do problema  levantado anteriormente,  ou  seja,  de que o crédito utilizado na  compensação ora examinada poderia faltar ao ajuste anual.  A  Contribuinte  simplesmente  pretendeu  deslocar  no  tempo  o  referido  excesso  (de  um mês  para  o  outro),  e  os  balancetes  de  suspensão/redução não proporcionam este deslocamento quando  ele é feito para trás (no caso, de agosto para abril).   Fl. 290DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10735.908928/2009­40  Acórdão n.º 1802­001.868  S1­TE02  Fl. 8          7 Para  tanto,  é  necessário  a  apresentação  de  PER/DCOMP,  de  modo  a  evitar  que  o  contribuinte  fique  sujeito  à  aplicação  de  multa  isolada  por  falta/insuficiência  de  recolhimento  de  estimativa em um dos meses.  Mas o importante é que o referido valor, seja como estimativa de  agosto, ou como estimativa de abril, está igualmente vinculado e  contribuindo para a quitação do ajuste anual do IRPJ em 2006.  Neste  caso,  o  fato  de  haverem  outras  compensações  de  estimativas  de  2006  ainda  pendentes  de  solução,  conforme  apontou  a  decisão  recorrida,  em  nada  afeta  a  solução  do  presente processo.  Não há qualquer motivo para indeferir o pleito da Contribuinte,  principalmente porque, como já mencionado, o próprio relatório  SIEF, às fls. 128, e o já mencionado demonstrativo constante da  decisão  recorrida  evidenciam a  existência  e  disponibilidade  do  mencionado excedente de R$ 27.192,82.  Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso  voluntário, para homologar a compensação, no limite do crédito  reconhecido,  observados  os  acréscimos  legais  cabíveis,  conforme a data de envio do PER/DCOMP.  Em  sede  de  embargos  de  declaração,  a  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  aponta omissão no acórdão, pelo fato de a documentação que levou ao provimento do recurso  não  ter  sido  analisada  pela  instância  “a  quo”,  o  que  estaria  caracterizando  supressão  de  instância.  Não identifico omissão no acórdão deste colegiado a ser sanada por embargos  de declaração, ou seja, o não enfrentamento de aspectos suscitados pelas partes.  Também não vislumbro a ocorrência de omissão na fase processual anterior.  O  Decreto  70.235/1972  (PAF)  traz  norma  que  aponta  para  o  adequado  encaminhamento de casos semelhantes a esse:   Art. 59. São nulos:  [...]  § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a  quem  aproveitaria  a  declaração  de  nulidade,  a  autoridade  julgadora  não  a  pronunciará  nem  mandará  repetir  o  ato  ou  suprir­lhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993)  Embora  a  decisão  anterior  esteja  sendo  afastada  no  mérito,  e  não  por  nulidade, não há nenhum sentido em determinar a elaboração de um novo despacho decisório  pela Delegacia de origem, se esta instância revisora já considerou como correta a compensação  em questão.   Fl. 291DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10735.908928/2009­40  Acórdão n.º 1802­001.868  S1­TE02  Fl. 9          8 Em casos assim, a norma processual mitiga o problema que poderia advir da  alegada supressão de instância, prestigiando a celeridade processual.  O fato é que se o processo fosse enviado à Delegacia de origem, para depois  retornar à DRJ e ao CARF, a compensação a ser apreciada seria exatamente a mesma.  A  situação é muito  semelhante aos  casos  em que  se  evita o  saneamento de  nulidade  de  auto  de  infração,  com a  repetição  de  conteúdo  (mérito)  que  já  se  entende  como  comprometido/incorreto, em nome da celeridade processual prestigiada pelo dispositivo acima  transcrito.   Vale  registrar novamente que a constatação desta  turma  julgadora foi que o  crédito reivindicado existia e estava disponível, o que levou ao provimento do recurso.   Os  comentários  adicionais  acerca  da  existência  de  outras  compensações  apenas serviram para esclarecer que elas não tinham influência na decisão deste processo.  Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração.     (assinado digitalmente)  José de Oliveira Ferraz Corrêa                                 Fl. 292DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA

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5037207 #
Numero do processo: 15889.000243/2010-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 28 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2401-000.307
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15889.000243/2010­57  Resolução nº  2401­000.307  S2­C4T1  Fl. 335          2    Relatório  Trata­se  de  recurso  interposto  pelo  sujeito  passivo  contra  o  Acórdão  n.º  14­ 33.154 de lavra da 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ  em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir  o Auto de Infração – AI n.º 37.297.980­7.  O  crédito  em  questão  diz  respeito  a  contribuição  patronal  para  a  Seguridade  Social incidente sobre remuneração paga a contribuintes individuais.  De  acordo  com  o  relatório  fiscal,  fls.  148  e  segs.,  os  fatos  geradores  das  contribuições  lançadas  foram  os  pagamentos  efetuados  a  diretores  a  título  de  gratificações.  Informa­se que os valores foram extraídos da contabilidade da empresa, mais especificamente  da conta “Gratificação Diretores”.  O fisco afirma que a empresa foi  intimada a prestar esclarecimentos acerca de  divergência verificada, no ano calendário de 2008, entre o valor da remuneração dos dirigentes  informada  na DIPJ  (R$  11.520.325,80)  e  o  valor  correspondente  constante  da  contabilidade  (R$ 19.650.362,90).  A  empresa,  segundo  a  Autoridade  Lançadora,  juntou  documento  denominado  “Rendimentos  Diretoria  Ano  Calendário  2008”,  onde  os  valores  pagos  totalizam  R$  15.712.490,29.  Também  foram  juntadas  cópias  da  relação  de  trabalhadores  constantes  no  arquivo  SEFIP,  cuja  remuneração  da  diretoria  do  ano  calendário  de  2008  totalizou  R$  15.584.598,93.  Concluindo, assim se pronunciou o fisco:  5.5.1­ Face o exposto e considerando que a remuneração declarada em  GFIP  foi  de  R$  15.584.598,93  e  a  remuneração  paga/creditada  contabilizada  (efetiva)  de  R$  19.650.362,90,  forçoso  exigir  contribuições  sobre  a  diferença  da  base  de  cálculo  de R$  4.065.764,  17,  apurada  nos  meses  de  07/2008,  08/2008  e  12/2008,  a  rigor  do  DEMONSTRATIVO IV ­ DIFERENÇAS APURADAS.  A multa, ressalta­se no relatório fiscal, foi imposta levando­se em consideração  as alterações promovida s pela Lei n.º 11.941/2009, optando­se pelo valor mais  favorável ao  sujeito  passivo,  quando  se  comparou  a  multa  aplicada  com  base  na  legislação  vigente  no  momento da ocorrência dos fatos geradores e aquela calculada com esteio na norma atual.  O  sujeito  passivo  ofertou  defesa,  cujas  razões  não  foram  acolhidas  pela DRJ,  que manteve o crédito na integralidade.  A empresa interpôs recurso voluntário, fls. 243 e segs., no qual sustenta que as  divergências apontadas pelo fisco decorreram de erro no Manual de Arquivos Digitais  (sic!),  especificamente na conta contábil 30406003005, que lista exatamente os pagamentos efetuados  a seus diretores.  Fl. 352DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15889.000243/2010­57  Resolução nº  2401­000.307  S2­C4T1  Fl. 336          3  Assevera  que  as  diferenças  entre  os  valores  constantes  na  GFIP  e  na  contabilidade  não  podem  ser  tributadas,  posto  que  decorrentes  de  erro  demonstrado  pela  recorrente.  Sustenta que o “Sped Contábil” entregue em 30/06/2009, demonstra claramente  o equívoco cometido na contabilidade.  Para corroborar seu entendimento, afirma, foi também juntada a “Conta Razão”  de ordenados e salários.  Apresenta  ainda  documentos  que  comprovariam  as  gratificações  que  foram  pagas  aos  segurados  Antônio  Henrique  Prado  (08/2008);  Francis  Vernon  Quenn  Neto  (12/2008) e Pedro Luiz Cerize (12/2008). Afirma que o montante pago a esses colaboradores  somado  a  quantia  lançada  em  duplicidade  no MANAD  corresponde  exatamente  à  diferença  apurada pelo fisco.  Não  procede,  afirma,  o  argumento  da  auditoria  de  que  o  sujeito  passivo  contabilizou  despesas  operacionais  em  valores  superiores  aos  declarados,  posto  que  as  divergências decorreram de equívocos contábeis.  É o relatório.  Fl. 353DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15889.000243/2010­57  Resolução nº  2401­000.307  S2­C4T1  Fl. 337          4  Voto  Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator  Admissibilidade   O  recurso  merece  conhecimento,  posto  que  preenche  os  requisitos  de  tempestividade e legitimidade.  Da necessidade da conversão do julgamento em diligência  Em resumo o fisco aponta divergência entre os valores  relativos à gratificação  paga a dirigentes constante na contabilidade (arquivos digitais) e aqueles declarados na GFIP.  Sobre essa diferença é que incidiram as contribuições que fazem parte do presente AI.  O  sujeito  passivo  argumenta  que  o  lançamento  não  procede,  posto  que  as  divergências  detectadas  tiveram  origem  em  erro  nos  arquivos  MANAD,  os  quais  foram  lançados em duplicidade.  Foram acostadas para comprovar as alegações da defesa  telas do sistema SAP  onde  foram  procedidas  reversões  contábeis  da  conta  “Ordenados  e  Salários”  para  a  conta  “Gratificação Diretores”, conforme fls. 218/219.  Também foram juntadas cópias da conta razão “Ordenados e Salários”.  Não  localizamos  nos  autos  o  documento  relativo  ao  “Sped  Contábil”,  que  segundo a recorrente comprovaria também o equívoco.  Analisando  os  documentos,  percebe­se  que  na  cópia  do  razão  da  conta  “Ordenados e Salários” os valores de R$ 1.420.000,00; R$ 1.420.000,00; R$ 380.000,00 e R$  475.000,00 aprecem lançados duas vezes em 31/07/2008, o que representa, no mínimo, indício  de que tenha ocorrido a alegada duplicidade (ver fl. 220).  Considerando que os documentos acostados para  justificar as divergências não  foram apreciados pela Autoridade Lançadora é prudente que o julgamento seja convertido em  diligência para que sejam analisados os documentos apresentados na impugnação, de modo que  se prestigie o princípio da verdade material, tão caro ao processo administrativo fiscal.  Deve,  então,  a  Autoridade  Fiscal  objetivamente  pronunciar­se  acerca  das  alegações e provas apresentadas na defesa/recurso, concluindo se estas são hábeis a alterar o  lançamento guerreado.  Após o pronunciamento  fiscal, deve­se  facultar à  recorrente o prazo  legal para  manifestação.  Conclusão   Voto por converter o julgamento em diligência nos termos acima propostos.    Kleber Ferreira de Araújo  Fl. 354DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE

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Numero do processo: 13748.002137/2008-72
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. COMPROVAÇÃO. A falta de comprovação, mediante documentação hábil e idônea, dos valores deduzidos a título de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual implica na manutenção das despesas glosadas. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13748.002137/2008­72  Acórdão n.º 2801­003.262  S2­TE01  Fl. 69          2 Trata­se de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa  Física – IRPF por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 7.432,51, incluídos  multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora.  Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, às fls. 16/17 deste  processo digital, que foi constatada, na declaração de ajuste anual da contribuinte, os seguintes  fatos:   a) Dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 12.540,24, em face  da ausência de endereço do profissional CPF 131.473.583­72 e despesas glosadas por falta de  previsão legal para sua dedução.  b) Omissão de rendimentos do trabalho: SMH Sociedade Médico Hospitalar  Ltda, valor de R$ 1.392,90; Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, valor  de R$ 71,40.  A  contribuinte  apresentou  a  impugnação  de  fls.  2/4,  que  foi  julgada  procedente  em  parte.  Entenderam  os  julgadores  da  instância  de  piso  que  deveriam  ser  restabelecidas as despesas discriminadas na nota fiscal de fl. 11 (1 pacote mama + abdômen, 1  pacote pálpebra e frigobar), emitida pelo Hospital Santa Tereza. A glosa de despesas médicas  com o profissional Rogério Sérgio B. de Castro foi mantida com o seguinte fundamento, dentre  outros:  Nos recibos emitidos por Rogério Sérgio B. de Castro consta a  indicação de inscrição no CRO­RJ sob o nº 13.628 (fls. 5 a 9). Já  na  declaração  firmada  por  Rogério  Sérgio  Benício  de  Castro  consta a indicação de inscrição no CRO­RJ sob o nº 12.569 (fls.  4). Em consulta ao site do Conselho Regional de Odontologia do  Rio  de  Janeiro  observa­se  que  a  inscrição  nº  13.628  está  vinculada  ao  profissional Monique  Santos  de  Almeida  e  que  a  inscrição  nº  12.569  se  refere  ao  profissional  Simone  Maria  Pacheco (fls. 42 e 43).  Cientificada  da  decisão  de  primeira  instância  em  11/07/2011  (fl.  55),  a  Interessada interpôs, em 05/08/2011, o recurso de fl. 56/58. Na peça recursal aduz, em síntese,  que:   ­ Todos os recibos de despesas médicas são idôneos e representam a verdade  dos fatos constantes na DIRPF entregue tempestivamente.  ­ O CRO/RJ  nº  13.628,  constante  dos  recibos,  foi  lançado por  engano pela  secretária  que mandou  confeccionar  o  carimbo. O número  correto  fornecido  pelo CRO/RJ  é  12.569, conforme cópia em anexo.  ­  O  profissional  Rogério  Sérgio  Benício  de  Castro  pediu  baixa  de  sua  inscrição nº 12.569, junto ao CRO/RJ, em janeiro de 2007, e mudou­se para a cidade de Pedro  II, no Estado do Piauí. A partir de 2007, inscreveu­se no CRO/PI, onde recebeu o número de  inscrição 2.124.  ­  Todas  as  despesas  médicas  lançadas  na  DIRPF,  exercício  de  2007,  ano­ calendário de 2006, são legais e verdadeiras, assim como os recibos e a declaração. Portanto,  não podem ser glosadas as despesas.  Fl. 69DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13748.002137/2008­72  Acórdão n.º 2801­003.262  S2­TE01  Fl. 70          3 Ao final, requer o cancelamento do débito fiscal reclamado.  Voto             Conselheiro Marcelo Vasconcelos Almeida, Relator  Cinge­se  a  controvérsia  a  glosa  de  despesas  com  o  profissional  de  saúde  Rogério  Sérgio  Benício  de  Castro,  uma  vez  que  a  Interessada  não  impugnou  a  infração  de  omissão de rendimentos.   A  glosa  com  o  referido  profissional  foi  efetuada  em  face  da  ausência  de  endereço nos recibos apresentados. Para sanar o defeito apontado pela Autoridade lançadora a  Interessada fez juntar aos autos a declaração de fl. 5 deste processo digital, com o seguinte teor:  Declaro para fazer prova junto à Secretaria da Receita Federal  do  Brasil,  que  tenho  como  endereço  profissional  na  Av.  Leopoldina,  nº  557,  apto  205  –  Nogueira,  Petrópolis/RJ,  CEP  25.730­203 e que prestei serviços odontológicos de clareamento  a laser, gengivectomia, obturações, canal e restaurações para a  Sra. Márcia Assis Gonzaga, no ano de 2006, conforme recibos e  declaração no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais).  A declaração está datada de 02 de dezembro de 2008 e o número de inscrição  no CRO/RJ que dela consta é 12.569. Já nos recibos apresentados consta carimbo com o nome  do profissional, seu CPF e número de inscrição no CRO/RJ nº 13.628.  Aduz a Recorrente que o profissional Rogério Sérgio Benício de Castro pediu  baixa de  sua  inscrição  nº  12.569,  junto  ao CRO/RJ,  em  janeiro  de 2007,  e mudou­se para  a  cidade  de  Pedro  II,  no  Estado  do  Piauí,  onde  se  inscreveu,  a  partir  de  2007,  no  CRO/PI,  recebendo o número de inscrição 2.124.  As  alegações  da  Interessada  e  a  declaração  acostada  aos  autos  revelam  situações  inconciliáveis  entre  si,  uma  vez  que,  se  a  baixa  da  inscrição  do  profissional  no  CRO/RJ  ocorreu  em  janeiro  de  2007,  não  poderia  o  mesmo  ter  emitido  a  declaração,  em  dezembro de 2008, com o registro baixado, tampouco declarado endereço profissional, no ano  de 2008, em Petrópolis/RJ, porquanto já residente no Estado do Piauí.   Significa dizer que a declaração apresentada não se presta a corrigir o defeito  que ocasionou a glosa das despesas médicas com o referido profissional (ausência do endereço  profissional), eis que eivada de vícios que comprometem a sua validade para fins de dedução  da base de cálculo do IRPF, quais sejam: declaração firmada por profissional cujo número de  inscrição no CRO/RJ já havia sido baixado e endereço profissional, no ano de 2008, em cidade  que não mais residia.   Nesse contexto, em que os recibos apresentados não preenchem os requisitos  formais  previstos  na  legislação  do  imposto  de  renda  (ausência  de  endereço  do  profissional  prestador  de  serviços)  e  a  declaração  juntada  aos  autos  não  se  apresenta  como  suficiente  a  elidir  o  vício  apontado,  entendo  que  deva  ser  mantida  a  glosa  de  despesas  médicas  com  o  profissional de saúde Rogério Sérgio Benício de Castro.  Fl. 70DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13748.002137/2008­72  Acórdão n.º 2801­003.262  S2­TE01  Fl. 71          4 Observo,  por  fim,  que  é  irrelevante  tecer  qualquer  consideração  acerca  da  divergência  entre  o  número  de  inscrição  constante  dos  recibos  e  o  número  de  inscrição  constante  da  declaração,  ambos  do  CRO/RJ,  pois  não  foi  esta  divergência  que  originou  o  lançamento  fiscal.  Ademais,  a  ausência  do  endereço  nos  recebidos,  por  si  só,  é  suficiente  à  manutenção da glosa efetuada pela Fiscalização.   Face ao exposto, voto por negar provimento ao recurso.  Assinado digitalmente  Marcelo Vasconcelos Almeida                                Fl. 71DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN

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