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Numero do processo: 10830.001238/2011-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3401-000.748
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencida a Conselheira Ângela Sartori, que dava parcial provimento para reconhecer a decadência e afastar a tributação quanto à matéria objeto de consulta. O Conselheiro Júlio César Alves Ramos redigirá a resolução. Júlio César Alves Ramos – Presidente e Redator para a resolução Ângela Sartori - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça. RELATÓRIO Trata – se de exigência fiscal relativa à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins e à contribuição para o Programa de Integração Social – PIS formalizadas em autos de infração, referente a fatos geradores ocorridos no ano de 2006 e totalizou crédito tributário de R$ 6.545.411,83, somados principal, multa de ofício qualificada no percentual de 150% e juros de mora. Os motivos da autuação foram detalhados em Termo de Verificação Fiscal que compõe os autos. O Termo está divido em duas partes. Na primeira delas, a autoridade aponta diferenças de recolhimento das contribuições verificadas no período de maio a dezembro de 2006 tendo em vista o regime não cumulativo das contribuições e a tributação do álcool para fins carburante segundo o regime cumulativo. Em outra parte do termo, a fiscalização menciona que o auto de infração também formaliza lançamento suplementar de diferenças relativas ao período de janeiro a abril de 2006, não constituídas em outros autos de infração. O referido Termo é iniciado com a informação acerca do objeto principal da contribuinte: O sujeito passivo em epígrafe tem por objeto social principal o comércio atacadista de álcool carburante, biodiesel, gasolina e demais derivados de petróleo, comércio atacadista de lubrificantes comércio atacadista de gás liquefeito de petróleo (glp) e transporte rodoviário de produtos perigosos. Depois, anuncia o que se constatou após o exame da documentação examinada no curso da ação fiscal: Após análise da documentação apresentada, constante dos Termos, Intimações e Reintimação, constatou – se que o sujeito passivo não tributou de forma cumulativa a venda do álcool carburante ou hidratado, que pertence ao regime de apuração cumulativo, quando a legislação assim estabelece no período fiscalizado, isto é, a receita auferida com a venda do álcool para fins carburantes encontra-se no regime cumulativo de contribuição, e a pessoa jurídica não pode calcular créditos sobre quaisquer custos, despesas e encargos vinculados a essa receita (art. 10, inciso I da Lei nº 10.833/03). O sujeito passivo apresentou os dados contábeis e escrituração fiscal em meio digital, conforme Documentos anexos denominados Recibos de Entrega de Arquivos Digitais, devidamente validados no SVA Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais, conforme cópias anexadas ao processo administrativo, visto que uma via de cada recibo foi entregue ou encaminhada sob recibo pelo Correio ao contribuinte, com aviso de recebimento. As bases de cálculos, alíquotas aplicadas e contribuições devidas e não declaradas, relativamente à Receita auferida com a venda de álcool para fins carburantes são as seguintes: Constatou – se ainda que o contribuinte não efetuou o rateio entre as receitas sujeitas ao regime da cumulatividade e da não cumulatividade, isto é, na hipótese da pessoa jurídica estar submetida ao regime não-cumulativo da contribuição (ou seja, for tributada pelo IRPJ com base no lucro real), havendo custos, despesas e encargos comuns ao auferimento de receitas sujeitas aos regimes cumulativo (tal como álcool para fins carburantes) e não-cumulativo da contribuição, os créditos devem ser determinados pela pessoa jurídica de acordo com os métodos de rateio/apropriação dispostos nos artigos 21 a 28 da IN SRF 404/2004 ,de 12/03/2004, publicada no DOU em 15/03/2004. [...] Na segunda parte do Termo de Verificação, a fiscalização refere- se à necessidade de formalização de diferenças não constituídas em lançamentos anteriores. Diz o autor do feito: Considerando que o contribuinte apresentou com deficiência, apesar de intimado e reintimado, os relatórios, planilhas, demonstrativos e documentação relativos aos bens para revenda, quanto à validade dos créditos a descontar em geral, no que se refere ao regime da não cumulatividade, e especialmente deixou de apresentar os documentos relativos aos aluguéis de imóveis e de locação de máquinas e equipamentos, ambos de pessoas jurídicas (comprovação da finalidade e validade do suposto crédito, recibos, notas fiscais, contratos, etc), conforme lançamentos no DACON, os valores de créditos a descontar preliminar e inicialmente aceitos, mediante rateio proporcional, estão sendo ora desconsiderados pelo Fisco e lançados a título de contribuições suplementares, em razão dos procedimentos finais de encerramento da ação fiscal e da falta decompleta e necessária comprovação documental, conforme quadro abaixo: Considerando a grande complexidade da legislação e sua variação ao longo do tempo; as dificuldades geradas pelo contribuinte durante a ação fiscal, pela morosidade e apresentação deficiente de elementos, justificativas e documentos, bem como pela grande discrepância entre os valores de contribuição apurados pelo Fisco e os declarados pelo sujeito passivo, efetuou-se, para fins de encerramento do procedimento fiscal, uma revisão final dos documentos, informações e arquivos digitais em poder da Fiscalização, elaborando-se, no período janeiro a abril de 2006, um novo quadro demonstrativo das receitas, com base nos dados contábeis do próprio sujeito passivo, e constantes do Anexo V. A constatação do dolo e a imposição da multa qualificada foram tratados na sequência do relatório: CRÉDITOS ANTERIORES LANÇADOS NO DACON Os créditos anteriores a janeiro de 2006 foram desconsiderados pela fiscalização tendo em vista a constatação que o sujeito passivo está preenchendo incorretamente o DACON, gerando créditos considerados inexistentes pela Fiscalização, seja por não tributar o Álcool Carburante de forma cumulativa, como previsto pela legislação, seja por não ter justificado documentalmente os valores dos créditos a descontar informados no DACON e nem efetuado corretamente o rateio proporcional, entre as receitas não cumulativas e as cumulativas e concentradas. Contribuinte não registrou nenhum valor em DCTF acerca das contribuições do PIS e COFINS. Como o DACON tem natureza jurídica apenas informativa e não gera direitos em relação à decadência, ou seja, o período anterior a 01/2006 foi atingido pela decadência, mesmo com erros em seu preenchimento, o mesmo argumento se aplica em relação aos créditos indevidos informados na DACON, ou seja, entende o AuditorFiscal Notificante que não há que se falar em direito adquirido a tais supostos créditos, visto que inexistentes e, em tese, manifestamente ilícitos, nos termos da legislação vigente, sem o que estar-se-ia promovendo, em tese, o enriquecimento sem causa e ilícito do contribuinte. PROCESSO DE CONSULTA O Contribuinte apresentou, sob intimação, o Processo de Consulta 10835.000136/200735, de 07/02/2007, protocolizada no CAC/DRF Presidente Prudente (SP). Foi localizada internamente a Solução de Consulta nº 306 SRRF08/ DISIT, de 26/08/2010, cujo entendimento final sobre o mérito é o mesmo observado por este AuditorFiscal, ou seja, no período fiscalizado o Álcool carburante sofria incidência pelo sistema cumulativo, às alíquotas 1,46% (PIS) e 6,74% (COFINS). O sujeito passivo foi cientificado da consulta supra em 17/09/2010, conforme cópia (Anexo VII), através do Comunicado SEORT/DRF/CPS nº 1.615/2010, de 01/09/2010 e, após isso, apesar de intimado e reintimado, não tomou quaisquer das providências cabíveis para as retificações e respectivos recolhimentos cabíveis nos aplicativos da Receita Federal (DACON e DCTF). Entende o Notificante que o procedimento do sujeito passivo caracteriza, em tese, ilícito contra a ordem tributária, visto que: Omitiu fato gerador de contribuições para o PIS e para a COFINS, deixando de tributar o Álcool carburante no regime cumulativo de contribuição, durante todo o período fiscalizado, totalmente em desacordo com a legislação; Mesmo cientificado da irregularidade dos procedimentos realizados até então, não retificou as Declarações apresentadas (DCTF e DACON) e nem efetuou quaisquer recolhimentos pertinentes, no prazo legal de 30 (trinta) dias após a ciência da Solução de Consulta acima, e nem mesmo sob intimação e reintimação durante a presente fiscalização. Com tal procedimento,caracterizado, em tese, como doloso e lesivo ao Erário efetuado pelo contribuinte, especialmente após a ciência da consulta em questão, há que se observar o prazo decadencial mais favorável à União, previsto no Artigo 173, inciso I, combinado com o Artigo 150, parágrafo quarto, ambos do CTN Código Tributário Nacional; • Declarou e não comprovou valores de créditos da não cumulatividade muito superiores aos apurados pela Fiscalização, conforme quadro demonstrativo específico deste Auto e, mesmo intimado e reintimado, não justificou, corrigiu ou apresentou elementos que justificassem os créditos declarados, considerados inexistentes pelo Fisco e também continuou deixando de declarar e tributar o álcool carburante no regime cumulativo; • Conforme demonstrado acima, o sujeito passivo não seguiu a orientação legal sobre o PIS e a COFINS, tanto na apuração dos débitos, quanto dos créditos, e mesmo ciente do procedimento correto que deveria adotar, através da Solução de Consulta que efetuou à RFB, e após intimação e reintimação durante o procedimento fiscal, e ainda sem comprovar ter qualquer amparo judicial preventivo para seu procedimento, não o retificou, mantendo os valores inferiores a título de débito e os créditos fictícios a maior gerados em seu favor, deixando, em conseqüência, de apurar e declarar corretamente os débitos e créditos, e deixando de recolher as contribuições devidas ora examinadas, assumindo o risco tributário e penal de sua conduta lesiva ao erário; • Observação importante: o fato deste AFRFB registrar que se trata de ilícito, em tese, não significa que o mesmo tenha dúvida sobre a ilicitude da conduta, mas trata-se de mera precaução funcional e legal, diante do dever de oficio de representar perante o Ministério Público Federal, sob risco de penalidades administrativas e judiciais ao AFRFB. O julgamento do suposto ilícito é assunto de exclusiva competência do Poder Judiciário, e somente aquele Poder pode dizer se um fato aparentemente ilícito, realmente o é à luz do Direito. Assim, considerando o dever funcional deste AuditorFiscal e as competências legais do Judiciário, entende, justifica, esclarece e solicita este AFRFB aos Senhores Julgadores, tanto na esfera Administrativa como na Judicial, que apliquem o prazo decadencial mais favorável ao Erário e, diante dos fatos relatados, entende estar plenamente caracterizado e comprovado o DOLO; • A Representação Fiscal para Fins Penais será emitida ao final da ação fiscal, para as providências cabíveis no âmbito da Receita Federal e do Ministério Público Federal; • Em razão de todo o exposto foi aplicada a multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento), conforme fundamentos legais constante dos relatórios anexos. IMPUGNAÇÃO Notificada da exigência em 31/05/2011, em 24/06/2011 a contribuinte apresentou impugnação argumentando, em síntese, o que segue. Inicialmente, volta-se contra o trabalho fiscal. Cita que o Mandado de Procedimento Fiscal, datado de 18/08/2009, teve seu prazo prorrogado por dez vezes. Ainda assim, com a aproximação do prazo decadencial, diz que a auditoria teve que se apressar para fazer lançamentos parciais. Em tabela, discrimina os processos que resultaram do procedimento. Destaca que do conjunto de autos de infração, um deles foi lavrado de forma complementar para correção de erro verificado pela auditoria. Lembra ainda que no auto de infração tratado nos presentes autos, a fiscalização refaz lançamentos anteriores. Afirma que o trabalho conduzido pelo auditor: [...] não prezou pelo cuidado, pela lógica, pela organização, pela aplicação correta da legislação tributária, e principalmente, pelo respeito aos direitos constitucionais do contraditório e da ampla defesa do contribuinte. Se nos processos 10830.001238/201102, 10830.001756/201118, 10830.720472/201124 foram realizados lançamentos parciais relativos aos meses janeiro a abril de 2.006, porque na lavratura do auto encartado no processo 10830.721425/201106 a auditoria diz estar refazendo todo o lançamento? Na apresentação de defesa relativa ao presente processo 10830.721425/201106 terá que aduzir novamente todas as matérias de defesa já expostas nas impugnações anteriormente apresentadas? A conduta do Auditor deixa o Contribuinte/Impugnante em dúvidas quanto ao objeto da autuação, quanto ao que alegar em resposta e dessa forma prejudica o exercício pleno do seu direito de defesa. Se no presente processo 10830.721425/201106, datado de 27 de maio foram refeitos os lançamentos relativos aos períodos de apuração janeiro / abril de 2.006, não se deveria considerar decaído o direito de lançar relativo a esses meses? De se considerar também que desde o início dos trabalhos era de conhecimento da Auditoria que a Contribuinte tinha em trâmite um processo de consulta sobre a legislação tributária (10835.000136/200735). Essa consulta pretendia obter esclarecimentos sobre a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS na compra de álcool de estabelecimento "congênere", ou seja, qual o tratamento tributário na aquisição feita de outra distribuidora, visto que não seria lógico, nessa situação, que duas empresas (igualmente sujeitas ao regime concentrado ou monofásico) recolhessem o tributo. A autuação do pedido de consulta é datada de 07 de fevereiro de 2.007 e até que a Fiscalização verificasse a situação do processo a Contribuinte ainda não tinha notícias sobre sua solução. É que apesar de essa solução estar datada de 26 de agosto de 2.010, o contribuinte não foi devidamente cientificado dela, tendo sido entregue em Paulínia, quando o centro de sua administração (bem como o loca do protocolo do pedido de consulta) é a cidade de Presidente Prudente. Um outro detalhe a se reparar é que na presente autuação houve aplicação de multa qualificada de 150% (na forma do art. 44, inciso I e § I o da Lei n. 9.430/96 c.c. arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64) visto que a fiscalização entendeu haver dolo do contribuinte; diferente dos demais autos onde a multa aplicada foi de 75%. Como se salientou, havia um processo de consulta apresentado em 2.007, o que denota que a própria Contribuinte tinha dúvidas (e as manifestou por escrito à autoridade fiscal). Assim, como se pode falar na ocorrência de dolo que autorize a aplicação da multa majorada de 150%? A pendência da consulta atesta, no mínimo, a boa fé e impediria de se cogitar dolo, ou prática de sonegação ou fraude. Note- se que o próprio fiscal faz referência à consulta, que apesar de solucionada, foi inicialmente considerada ineficaz pela Auditoria (o que afirmou, no item 14 do Termo de Encerramento do Processo 10830.001238/201102). Ainda, assevera que teria, a empresa, apresentado com deficiência o DACON, deixando de retificar as informações em desacordo com a legislação vigente. Estaria, também, com deficiência a planilha apresentada. Ora, como poderia retificar qualquer declaração que fosse se estava sob fiscalização? Além de disposições normativas são vários os precedentes das Delegacias de Julgamento que falam na vedação de retificar declarações relativas a períodos que sejam objeto de trabalho fiscal [...] Paralelo a isso, os créditos anteriores a janeiro de 2006 foram desconsiderados sob o argumento de que o sujeito passivo estaria preenchendo incorretamente o DACON, gerando créditos considerados inexistentes pela Fiscalização, seja por não tributar o álcool carburante de forma cumulativa, como previsto pela legislação, seja por não ter justificado documentalmente os valores dos créditos a descontar informados no DACON e nem efetuado corretamente o rateio proporcional, entre as receitas não cumulativas e as cumulativas e concentradas. Neste ponto, a contribuinte detalha seu inconformismo com a desconsideração dos créditos da não cumulatividade apurados antes de janeiro de 2006. Alega, inicialmente, a decadência do direito de a Administração fiscalizar créditos anteriores a janeiro de 2006. Depois, contesta a utilização do sistema CONTAGIL: Esse aplicativo parece ser capaz de um verdadeiro milagre: a solução definitiva para encerrar a guerra entre o fisco e os contribuintes a respeito das situações permissivas de creditamento! Como se sabe, esse tema (o creditamento de PIS e COFINS) é amplamente controverso; travam-se verdadeiras batalhas ao redor do conceito de "insumo" sobre o qual se permite o crédito. Na maioria das vezes os casos demandam análise minuciosa e um profundo estudo da jurisprudência da Receita Federal, externada por meio de julgados de suas Delegacias, do CARF e das soluções de consulta e de divergência. Com tudo isso considerado, como poderia um aplicativo de computador dizer o que gera e o que não gera crédito de maneira tão simplória? Mais do que isso, o uso do aplicativo inclusive já limita as chances de defesa do contribuinte visto que não detalha as situações que "entende" não dar direito a crédito. Isso porque ele não discrimina quais seriam as situações inválidas de creditamento: a planilha apresentada pelo AFRFB "Modelo Analítico Dinâmico" não é clara quanto a seus critérios, usa siglas (ex.: aquisição de se N/D), o que mais uma vez inviabiliza o exercício do direito de defesa, simplesmente porque não é possível saber qual crédito foi desconsiderado e porque. Chama a atenção, também, o fato de que o próprio auditor confessar não ter clareza da legislação, quando assinala, em seu relatório (p. 10) sobre a "grande complexidade da legislação e sua variação ao longo do tempo". Ainda contestando o procedimento fiscal, investe contra o prazo decadencial referido pela autoridade autuante como sendo aquele previsto no art. 173, I, do CTN: A fim de ser esquivar da decadência flagrante no caso, alegou que mesmo cientificado da irregularidade dos procedimentos realizados, não retificou, a impugnante, as declarações apresentadas (DCTF e DACON) e nem efetuou quaisquer recolhimentos pertinentes, no prazo legal de 30 dias após a ciência da Solução de Consulta. Com tal afirmação, que caracterizaria, em tese, dolo e lesão ao Erário efetuado pelo contribuinte, especialmente após a ciência da consulta em questão, deveria ser observado o prazo decadencial mais favorável à União, previsto no art. 173, I, combinado com o art. 150, § 4 o , ambos do CTN. Importante sobre esse ponto ser destacado: primeiro, que o contribuinte não foi validamente notificado da solução; e segundo, que não poderia tomar qualquer medida para retificação de suas declarações porque já se encontrava sob fiscalização; e é vedado ao contribuinte alterar DACON e DCTF durante fiscalização, como se viu. A afirmação em questão teve um único propósito: valer-se do prazo decadencial mais favorável à União, já que ciente que havia lançado crédito já alcançado pela decadência. A defesa passa então a detalhar cada uma dessas questões apresentadas de forma resumida. No tocante ao prazo decadencial, lembra que a contagem aplicável é a descrita no art. 150, §4º do CTN. Realça que o fato apontado pela autoridade para estender o prazo decadencial até o marco previsto pelo art. 173, I da CTN, teria sido tão somente o preenchimento incorreto do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais DACON, o que acabou gerando recolhimento insuficiente da contribuição ao PIS e da COFINS nos períodos de janeiro a dezembro de 2006. Essa situação não seria suficiente para suspender o prazo decadencial insculpido no art. 150, §4, do CTN, a exemplo de ementas que transcreve colhidas do antigo Conselho de Contribuintes. Dessa forma, conclui que à data do lançamento já expirara à Administração Fiscal o direito de lançar crédito relativo aos meses de janeiro a abril de 2006. A interessada toca na questão da consulta formulada à Administração e explora sua influência sobre o trabalho fiscal: A Contribuinte autuada, aqui Impugnante, tem sua sede administrativa localizada no município de Presidente Prudente/SP, e dentre seus objetivos sociais, está a distribuição de combustíveis líquidos, derivados de petróleo e álcool combustível. Na execução de seu objetivo social, adquire combustível diretamente dos produtores e de outras empresas distribuidoras (que nessa condição são chamadas de "congêneres"). Nesse ponto é preciso consignar que não há como o empresário, devido à sua descomunal obrigação em relação à legislação conhecer todos os seus direitos e obrigações, por exemplo, no âmbito tributário, contábil, trabalhista, ambiental, do direito do consumidor, etc. O próprio auditor, aliás, confessa essa dificuldade ao falar em "grande complexidade da legislação e sua variação ao longo do tempo", ao redigir o Termo de Encerramento e Verificação. [...] Como regular contribuinte, que sempre buscou cumprir suas obrigações fiscais, acessórias e principais e, considerando sua atividade, em 07 de fevereiro de 2007 valeu-se dessa via e apresentou, na DRF/Presidente Prudente, consulta autuada sob n. 10835.000136/200735, dirigida à Superintendência da Secretária da Receita Federal da 8a Região Fiscal. Em suas razões, a contribuinte expôs sua situação (de ser empresa distribuidora de combustíveis), que adquire álcool etílico hidratado carburante (AEHC) de distribuidores congêneres e revende a mercadoria tanto para outros distribuidores quanto para a rede varejista. A dúvida que motivou a consulta surgiu em vista das disposições da Medida Provisória 199118/ 00 e das Leis 9.900/00; 10.637/02; 10.833/03 e 10.865/04 que disciplinam que a tributação sobre o álcool para fins carburantes com alíquota de: 1,46% (PIS) e 6,74% (COFINS) nas distribuidoras, sem esclarecer a hipótese de operação de compra e venda entre empresas congêneres, ou seja, uma distribuidora de combustível adquirindo o produto de outra distribuidora. [...] Ainda que a Fiscalização tenha levantado que a consulta foi solucionada, deve-se ter em conta que o Mandado de Procedimento Fiscal teve seu início em 18 de agosto de 2.009. Em setembro de 2009 a Contribuinte foi notificada do início do Procedimento Fiscal e, no curso dos trabalhos foi apresentado ao Auditor responsável a cópia da inicial do processo de consulta. No primeiro lançamento efetuado (Processo 10830.001238201102), desconsiderando por completo esse fato, e fundando-se em mero entendimento pessoal, o auditor aduziu que a Consulta pretendida pela Impugnante não produziria efeitos. [...] Ocorre que a Consulta que a Autoridade a princípio sequer considerava ser válida, acabou admitida e respondida pela Superintendência da 8ª Região Fiscal. E dela o Contribuinte acabou não sendo devidamente notificado: o cartão do aviso de recebimento foi assinado em Paulínia (e não na sede administrativa em Presidente Prudente, local onde foi feito o protocolo do pedido) pelo Sr. Sérgio Afonso Braz, que não tem poderes para representação da pessoa jurídica. Mas o ponto mais importante é que o MPF foi iniciado em momento em que essa consulta (válida e respondida) ainda encontrava-se em trâmite e pretendia ver esclarecida a aplicação da legislação na compra de combustíveis de "congênere". Isso é importante pois a apresentação dessa consulta demonstra no mínimo a boa-fé da Contribuinte. Como, então, querer sustentar a aplicação da multa qualificada de 150% asseverando que a Contribuinte agiu com dolo? A lógica dessa posição é baseada no fato de que o processo de consulta é a saída do Contribuinte que quer obter esclarecimentos e assim não cometer erros que o levem a ser autuado, diante de uma norma cuja interpretação é duvidosa. Assim, é por completo despropositada a aplicação de multa qualificada ao presente caso. Continuando, a defesa comenta não ter tido oportunidade de adaptar sua conduta ao decidido na consulta: [...] primeiro, pelo fato de que a solução foi encaminhada para a cidade de Paulínia, sendo que a sede administrativa da empresa fica em Presidente Prudente, local onde foi apresentado o pedido de consulta. Não bastasse isso, a notificação foi encaminhada à pessoa que não tem poderes de representação da empresa. Terceiro, porque mesmo que tivesse sido regularmente cientificada, não poderia alterar suas declarações em razão de estar sob procedimento de fiscalização [...] Retomando a questão da desconsideração dos créditos não cumulativos apurados antes de janeiro de 2006, alega a interessada que: O direito de se valer dos créditos da contribuição ao PIS e da COFINS na modalidade não cumulativa seguem a regra geral do CTN, portanto, extinguindo-se com o decurso do prazo de cinco anos, no caso, contados a partir do período de apuração de aquisição do insumo. Assim, a Receita Federal do Brasil considera a dedução dos créditos do PIS e da COFINS uma "restituição", e não aceita a dedução de saldo credor originários de fatos geradores com mais de cinco anos, contados do fato gerador. Tomado esse norte, da mesma forma que não poderia hoje o Contribuinte querer utilizar créditos gerados a partir da aquisição de insumos relativos ao período de apuração anteriores a dezembro de 2005, não pode também a administração retroagir mais de cinco anos para desconsiderar os créditos acumulados como fez no curso da ação fiscal. Superado o lustro, ou considera-se tacitamente homologada a apuração feita pelo contribuinte ou operam-se os efeitos da decadência [...] Dessa forma é descabida a pretensão da Autoridade Fiscal quando desconsidera os saldos de crédito acumulados até dezembro de 2005. Devem eles ser mantidos e abatidos em relação ao valor lançado, se eventualmente subsistir o trabalho fiscal, haja vista a nulidade apontada no tópico anterior. Seguindo, a defesa contesta a desconsideração de créditos por parte da auditoria sem a necessária motivação, o que tornaria nulo o procedimento: No "Termo de Verificação" a fiscalização diz que os créditos da não cumulatividade foram apurados com base nos elementos da escrituração contábil e fiscal, apresentadas em meio digital pelo contribuinte, cujos valores foram submetidos ao aplicativo de Auditoria Fiscal CONTAGIL, que apurou os valores passíveis de aproveitamento como crédito conforme dados constantes de planilha que seguiu anexada à autuação. Apesar disso não descreve os itens que a fiscalização entende que dão ou não dão direito a crédito, ou seja, o aplicativo de Auditoria Fiscal CONTAGIL desconsidera os créditos mas não diz quais operações estão sendo desconsideradas. A planilha que está anexada à intimação (Modelo Analítico Dinâmico dos Itens de Notas Fiscais de Entrada) não permite nenhum tipo de identificação de quais bens foram tratados entre aqueles que dão direito a crédito e quais foram excluídos do creditamento. Ora, a fiscalização teve acesso a todos os documentos da Contribuinte, incluído o livro razão, e não teve sequer o cuidado de indicar as situações que segundo seu entendimento não dão direito a crédito! Ao mesmo tempo o art. 3º da Lei n. 10.637/02 e da Lei n.º 10.833/03 são claros em relacionar as situações que geram direito ao desconto de créditos, de forma que, observada essa situação, o direito a crédito é decorrência lógica e inconteste. A fiscalização, lançando mão do uso de um software, desconsiderou bens adquiridos para revenda, e tudo sem a indicação do que se entende que não gera direito a crédito. Dessa maneira é nítido o cerceamento de defesa visto que a Contribuinte não tem sequer como entender quais situações tiveram o crédito desconsiderado. Além de chegarmos ao ponto absurdo de utilizar um aplicativo de computador para identificar os itens com direito a crédito. Como foi salientado em momento anterior o tema creditamento de PIS e COFINS é amplamente controverso e na maioria das vezes para se identificar os casos com direito a crédito devem-se fazer análises minuciosas e um profundo estudo da jurisprudência da Receita Federal, externada por meio de julgados de suas Delegacias, do CARF e das soluções de consulta e de divergência. Com tudo isso considerado, como poderia um aplicativo de computador dizer o que gera e o que não gera crédito? Em mais esse ponto, portanto, é viciado o trabalho da fiscalização, o que não pode resultar em outra conseqüência, senão a anulação do lançamento pela incompletude do trabalho da fiscalização e pelo claro prejuízo à Contribuinte que fica impossibilitada de apresentar defesa contra esse aspecto. Afirma a fiscalizada que sequer tomou créditos de todas as situações em que poderia e, naquelas que tomou (relacionados a bens adquiridos para revendas, aluguel de imóveis e máquinas) o fez legitimamente com amparo em entendimento da própria Receita Federal. No tocante à apuração do PIS e da Cofins, a contribuinte aponta falhas na auditoria: A fiscalização afirma que a Contribuinte não efetuou o rateio entre as despesas sujeitas ao regime da cumulatividade e da não cumulatividade. Constata que teve receita originária de operações com produtos sujeitos à incidência concentrada ou monofásica do PIS e da COFINS; deixou sem esclarecimento quais das atividades estão sujeitas à incidência concentrada e que deram origem a essas receitas. Afirma que na hipótese de a pessoa jurídica estar submetida ao regime não cumulativo, havendo custos e despesas e encargos comuns ao auferimento de receitas sujeitas aos regimes cumulativo e não cumulativo, os créditos devem ser determinados de acordo com os métodos de rateio/apropriação dos arts. 21 a 28 da INSRF 404/04. Em determinada altura do "Termo de Verificação" (item 11) confunde os regimes de recolhimento com os de apuração quando diz que a Contribuinte erra: [...] por não ter efetuado o rateio proporcional, entre as receitas não cumulativas e as cumulativas concentradas, na forma apresentada pela fiscalização no presente lançamento. Nesse ponto é preciso deixar bem clara a diferença entre "regime de recolhimento monofásico ou concentrado" e regimes de incidência "cumulativa" e "não cumulativa". Apesar de a comercialização ou produção de um determinado serviço ou produto estar submetido ao regime especial ou incidência monofásica com alíquota zero nas cadeias subseqüentes, a diferenciação entre regime não cumulativo e cumulativo é feita na forma da Lei n.º 10.637/02 e Lei n.º 10.833/03, que expressamente designam quais estão na exceção do regime cumulativo, nos seguintes termos (Lei n. 10.833/03) [...] Com relação às receitas vinculadas à tributação concentrada, trata-se de comercialização, principalmente, de óleo diesel e gasolina. Nessa situação, embora não possa descontar os créditos relativamente aos bens adquiridos para revenda (art. 3º inciso I da Lei nº 10.833/03) pode apurar esses créditos em relação a determinadas situações como o consumo de energia elétrica (art. 3 o , inciso III da Lei n. 10.833/03); aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos (inciso IV); contraprestações de operações de arrendamento mercantil (inciso V); máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços (inciso VI); armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda (inciso IX), entre outros [...] Citando soluções de consulta da Receita Federal prossegue concluindo que revendedores de produtos sujeitos à alíquota zero ou tributação concentrada, podem ao mesmo tempo estar no regime não cumulativo e descontar créditos em relação a determinadas operações que mesmo sujeitas a alíquota zero ou tributação concentrada, não há vedação ou rateio do crédito, podendo ser tomado integralmente. E continua: Diferente do entendimento da auditoria quando vinculou as receitas sujeitas à tributação concentrada à sistemática cumulativa, o que o art. 2º, § 1º da Lei n. 10.833/03 faz é simplesmente estabelecer uma alíquota diferenciada para o recolhimento das contribuições; nesse sentido, não exclui nenhuma atividade do regime não cumulativo. A tributação concentrada ou monofásica não se confunde com os regimes cumulativo ou não cumulativo de apuração das contribuições, como parece entender a fiscalização quando no "Termo de Verificação" anota que a Contribuinte erra quando não efetua "o rateio proporcional entre as receitas não cumulativas e as cumulativas concentradas". De modo geral, a tributação monofásica consiste na atribuição da responsabilidade ao fabricante ou importador de certos produtos de recolher as contribuições à uma alíquota diferenciada (leia-se majorada), de modo a "concentrar" a carga tributária incidente sobre toda a cadeia produtiva. Por outro lado, a venda dos produtos monofásicos pelos demais participantes da cadeia produtiva (distribuidores, atacadistas e varejistas) fica sujeito à alíquota zero. Assim, os demais elos da cadeia dos produtos submetidos ao regime monofásico, à exceção do produtor ou importador (responsáveis pelo recolhimento do tributo à uma alíquota maior) ficam desobrigados do recolhimento porquanto sobre a receita por eles auferida aplica-se a alíquota zero. A circunstância dessa receita estar submetida à alíquota zero não impede que estes contribuintes possam manter os créditos em relação a determinadas despesas, como garante o art. 17 da Lei n. 11.033/04. É nesse sentido que a Contribuinte apurou créditos em relação aos custos com comercialização de óleo diesel (principalmente) e gasolina, não estando impedida de efetuar o rateio correto [...] O rateio apresentado pela fiscalização no "Termo de Verificação" é equivocado pois exclui as receitas do regime concentrado. Dessa maneira, o correto seria calcular sobre o somatório das receitas não cumulativas e concentradas, sendo essa a maneira certa de aplicação do rateio, pelo fato de as receitas do regime concentrado não necessariamente estarem vinculadas ao regime cumulativo, como se demonstrou. Por fim, contesta a imposição da multa qualificada nos seguintes termos: Sem adentrar muito no mérito do conceito de fraude temos que esclarecer que o princípio da tipicidade penal exige que a norma seja interpretada, e que o fato descrito na norma abstratamente seja concretizado em todo o seu âmbito. Na norma descrita no art. 72 da Lei 4.502/64 só se tem fraude quando há ação tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Em outras palavras, a fraude se caracteriza pela ação ou omissão visando impedir, retardar que o fato gerador ocorra, se realize alterando ou omitindo informações de forma a esconder que existe o crédito tributário. Também ocorre fraude quando a ação ou omissão tem como objetivo excluir ou modificar as características do fato gerador, de modo a reduzir o imposto devido e a evitar ou diferir seu pagamento. Por razões evidentes, o caso em questão não se conforma à norma acima descrita. Como narrado no relatório fiscal, a contribuinte informava a receita obtida, o que pode ser confirmado pelo exame de suas obrigações acessórias. Não houve ação ou omissão no sentido de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador, nem muito menos buscou-se excluir ou modificar suas características. Destaca-se que havia inclusive consulta para esclarecimento do caso. E como exposto, o Processo de Consulta é o instrumento à disposição do contribuinte que tem dúvidas sobre a aplicação da legislação tributária; se a dúvida existe, e se existia um processo de consulta, fica atestada ao menos a boa-fé da empresa e, dessa maneira, incabível a qualificação da multa sob o pretexto de que teria agido dolosamente. Pergunta-se: como poderia ela dolosamente estar cometendo fraude se não tinha certeza da aplicação das normas? O contribuinte, como se disse, sem um melhor apoio do Fisco, é responsável por todo o processo de lançamento; e mesmo quando efetua uma consulta para solucionar suas dúvidas ainda é taxado de fraudador? Outro aspecto a se considerar é a falta de parâmetros da Autoridade Fiscal: nos primeiros três autos, aplicou a multa de 75%, e agora no último mudou o critério e resolveu aplicar multa majorada de 150%! Não houve intenção, nem muito menos ação ou omissão que se enquadre na hipótese descrita na norma que tipifica o crime de fraude. Fato é que a contribuinte apresentava DACON, efetuou consulta sobre sua situação, apresentou a documentação de que dispunha solicitada durante a fiscalização. Não há como se cogitar intuito de fraude diante de comportamento nesse sentido. A simples ocorrência de equívoco (que se ampara na boa fé da apresentação de um pedido de consulta) nas obrigações acessórias não é bastante para a configuração do intuito de fraude que justifica a exasperação da multa. [...] O fato é que o dolo em questão não encontra apoio na conduta do Contribuinte, que de maneira prudente, tendo dúvidas sobre a aplicação das normas, apresentou processo de Consulta. Falar em dolo, quer parecer é algo que foi levantado pelo auditor com um único propósito. Valer-se do prazo decadencial mais favorável ao erário (CTN, art. 150, § 4o ) , dado que tinha ciência de que estava lançando crédito já atingido pela decadência. Por fim, discorre sobre o princípio da boa fé e diz que este deve ser considerado ao caso em tela para fins de exclusão da multa qualificada. O proceder do contribuinte não revelou má-fé; não houve qualquer ocultação de dados, tanto que os devidos documentos foram entregues em atendimento as intimações recebidas da autoridade fazendária, ensejando a glosa ou conferência dos referidos documentos. Ao fim da peça de impugnação, a contribuinte assim resume suas pretensões: (a) reconhecer a NULIDADE material do MPF 08104002009010506 e, por conseqüência, do lançamento consubstanciado no Processo Administrativo 10830.721425/201106 ante o flagrante cerceamento de defesa, dado que: não houve devolução ao contribuinte dos documentos entregues para fiscalização; não foram discriminados os créditos desconsiderados pela fiscalização, nem tampouco justificada individualmente a desconsideração; e por todas as violações aos direitos do contraditório e ampla defesa apontados, que colocam em risco a defesa apresentada pelo contribuinte, conforme amplamente exposto ao longo do texto; (b) de forma subsidiária, e considerando que o lançamento do Processo 10830.721425/201106 (datado de 27 de maio de 2.011) se refere aos períodos de apuração de janeiro a dezembro de 2.006, mediante a aplicação do art. 150, § 4 o do CTIM, REQUER que seja reconhecida a decadência relativamente aos períodos janeiro a abril de 2006, em relação aos quais, na data do lançamento, havia transcurso de prazo superior a cinco anos; (c) subsidiariamente, reconhecer a existência de saldos credores acumulados da contribuição ao PIS e da COFINS referentes aos períodos de apuração até dezembro de 2005 (tacitamente homologados ou cuja verificação pelo Fisco se torna impossível pelo decurso do prazo decadencial), injustificadamente desconsiderados pela fiscalização, abatendo-se no montante dos créditos aquilo que eventualmente for devido e lançado no presente auto de infração; (d) também de forma subsidiária o reconhecimento de que, na forma do art. 10 da Lei n. 10.833/03, as receitas sujeitas ao regime concentrado não estão vinculadas à sistemática cumulativa da contribuição ao PIS e da COFINS, o que inverte o cálculo do rateio em relação àquilo que fez a fiscalização, devendo ser adotado o cálculo aqui apresentado pela Impugnante; e (e) subsidiariamente, reconhecer ser inaplicável ao caso a multa qualificada de 150%, uma vez que não houve intuito de fraude (a apresentação de DACON e DCTF, bem como a consulta sobre o fato comprovam a boa-fé do contribuinte), e não ser aplicável multa nos casos em que o erro do contribuinte já tem conseqüências específicas previstas na legislação. DECISÃO DA DRJ A DRJ decidiu em síntese: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 2006 DECADÊNCIA. PIS. COFINS. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A contagem do prazo decadencial é regida pelo disposto no Código Tributário Nacional. Na hipótese em que não há recolhimento, o prazo decadencial de cinco anos conta-se a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. CRÉDITO NÃO CUMULATIVO. DECADÊNCIA. PRAZO. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao aproveitamento indevido de créditos da não cumulatividade é contado do período da efetiva utilização, por desconto, do crédito não cumulativo. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. ATRIBUIÇÃO DE CRÉDITOS. REGIME NÃO CUMULATIVO. O percentual a ser estabelecido entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, para aplicação do rateio proporcional previsto no inciso II do § 8º do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002, a ser utilizado na apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, referente a custos, despesas e encargos comuns, deve ser aquele resultante do somatório somente das receitas que, efetivamente, foram incluídas nas bases de cálculo de incidências e recolhimentos nos regimes da não cumulatividade e da cumulatividade. As receitas decorrentes de vendas realizadas com isenção, alíquota zero, não alcançadas pela incidência, de bens do ativo permanente e as receitas financeiras por não integrarem ou estarem excluídas da base de cálculo de incidência e recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep, não integram também os respectivos montantes da receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e nem o da receita bruta total, auferidas em cada mês, utilizados na determinação do percentual a ser aplicado no método dorateio proporcional para fins de aproveitamento de créditos relativos aos custos, despesas e encargos comuns. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Anocalendário: 2006 DECADÊNCIA. PIS. COFINS. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A contagem do prazo decadencial é regida pelo disposto no Código Tributário Nacional. Na hipótese em que não há recolhimento, o prazo decadencial de cinco anos contase a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. CRÉDITO NÃO CUMULATIVO. DECADÊNCIA. PRAZO. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao aproveitamento indevido de créditos da não cumulatividade é contado do período da efetiva utilização, por desconto, do crédito não cumulativo. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. ATRIBUIÇÃO DE CRÉDITOS. REGIME NÃOCUMULATIVO. O percentual a ser estabelecido entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, para aplicação do rateio proporcional previsto no inciso II do § 8º do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, a ser utilizado na apuração de créditos da Cofins, relativo a custos, despesas e encargos comuns, deve ser aquele resultante da aplicação somente das receitas que, efetivamente, foram incluídas nas bases de cálculo de incidências e recolhimentos nos regimes da não cumulatividade e da cumulatividade. As receitas decorrentes de vendas realizadas com isenção, alíquota zero, não alcançadas pela incidência, de bens do ativo permanente e as receitas financeiras por não integrarem ou estarem excluídas da base de cálculo de incidência e recolhimento da Cofins, não integram também os respectivos montantes da receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e nem o da receita bruta total, auferidas em cada mês, utilizados na determinação do percentual a ser aplicado no método do rateio proporcional para fins de aproveitamento de créditos relativos aos custos, despesas e encargos comuns. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 MULTA QUALIFICADA. IMPROCEDÊNCIA. Não comprovados os elementos caracterizadores de fraude, sonegação e conluio, afasta-se a qualificação da multa de ofício, reduzindo-se seu percentual. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte.” O Recorrente apresentou recurso voluntário reiterando os argumentos acima descritos na impugnação. É o relatório. VOTO
Nome do relator: ANGELA SARTORI

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencida a Conselheira Ângela Sartori, que dava parcial provimento para reconhecer a decadência e afastar a tributação quanto à matéria objeto de consulta. O Conselheiro Júlio César Alves Ramos redigirá a resolução. Júlio César Alves Ramos – Presidente e Redator para a resolução Ângela Sartori - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça. RELATÓRIO Trata – se de exigência fiscal relativa à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins e à contribuição para o Programa de Integração Social – PIS formalizadas em autos de infração, referente a fatos geradores ocorridos no ano de 2006 e totalizou crédito tributário de R$ 6.545.411,83, somados principal, multa de ofício qualificada no percentual de 150% e juros de mora. Os motivos da autuação foram detalhados em Termo de Verificação Fiscal que compõe os autos. O Termo está divido em duas partes. Na primeira delas, a autoridade aponta diferenças de recolhimento das contribuições verificadas no período de maio a dezembro de 2006 tendo em vista o regime não cumulativo das contribuições e a tributação do álcool para fins carburante segundo o regime cumulativo. Em outra parte do termo, a fiscalização menciona que o auto de infração também formaliza lançamento suplementar de diferenças relativas ao período de janeiro a abril de 2006, não constituídas em outros autos de infração. O referido Termo é iniciado com a informação acerca do objeto principal da contribuinte: O sujeito passivo em epígrafe tem por objeto social principal o comércio atacadista de álcool carburante, biodiesel, gasolina e demais derivados de petróleo, comércio atacadista de lubrificantes comércio atacadista de gás liquefeito de petróleo (glp) e transporte rodoviário de produtos perigosos. Depois, anuncia o que se constatou após o exame da documentação examinada no curso da ação fiscal: Após análise da documentação apresentada, constante dos Termos, Intimações e Reintimação, constatou – se que o sujeito passivo não tributou de forma cumulativa a venda do álcool carburante ou hidratado, que pertence ao regime de apuração cumulativo, quando a legislação assim estabelece no período fiscalizado, isto é, a receita auferida com a venda do álcool para fins carburantes encontra-se no regime cumulativo de contribuição, e a pessoa jurídica não pode calcular créditos sobre quaisquer custos, despesas e encargos vinculados a essa receita (art. 10, inciso I da Lei nº 10.833/03). O sujeito passivo apresentou os dados contábeis e escrituração fiscal em meio digital, conforme Documentos anexos denominados Recibos de Entrega de Arquivos Digitais, devidamente validados no SVA Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais, conforme cópias anexadas ao processo administrativo, visto que uma via de cada recibo foi entregue ou encaminhada sob recibo pelo Correio ao contribuinte, com aviso de recebimento. As bases de cálculos, alíquotas aplicadas e contribuições devidas e não declaradas, relativamente à Receita auferida com a venda de álcool para fins carburantes são as seguintes: Constatou – se ainda que o contribuinte não efetuou o rateio entre as receitas sujeitas ao regime da cumulatividade e da não cumulatividade, isto é, na hipótese da pessoa jurídica estar submetida ao regime não-cumulativo da contribuição (ou seja, for tributada pelo IRPJ com base no lucro real), havendo custos, despesas e encargos comuns ao auferimento de receitas sujeitas aos regimes cumulativo (tal como álcool para fins carburantes) e não-cumulativo da contribuição, os créditos devem ser determinados pela pessoa jurídica de acordo com os métodos de rateio/apropriação dispostos nos artigos 21 a 28 da IN SRF 404/2004 ,de 12/03/2004, publicada no DOU em 15/03/2004. [...] Na segunda parte do Termo de Verificação, a fiscalização refere- se à necessidade de formalização de diferenças não constituídas em lançamentos anteriores. Diz o autor do feito: Considerando que o contribuinte apresentou com deficiência, apesar de intimado e reintimado, os relatórios, planilhas, demonstrativos e documentação relativos aos bens para revenda, quanto à validade dos créditos a descontar em geral, no que se refere ao regime da não cumulatividade, e especialmente deixou de apresentar os documentos relativos aos aluguéis de imóveis e de locação de máquinas e equipamentos, ambos de pessoas jurídicas (comprovação da finalidade e validade do suposto crédito, recibos, notas fiscais, contratos, etc), conforme lançamentos no DACON, os valores de créditos a descontar preliminar e inicialmente aceitos, mediante rateio proporcional, estão sendo ora desconsiderados pelo Fisco e lançados a título de contribuições suplementares, em razão dos procedimentos finais de encerramento da ação fiscal e da falta decompleta e necessária comprovação documental, conforme quadro abaixo: Considerando a grande complexidade da legislação e sua variação ao longo do tempo; as dificuldades geradas pelo contribuinte durante a ação fiscal, pela morosidade e apresentação deficiente de elementos, justificativas e documentos, bem como pela grande discrepância entre os valores de contribuição apurados pelo Fisco e os declarados pelo sujeito passivo, efetuou-se, para fins de encerramento do procedimento fiscal, uma revisão final dos documentos, informações e arquivos digitais em poder da Fiscalização, elaborando-se, no período janeiro a abril de 2006, um novo quadro demonstrativo das receitas, com base nos dados contábeis do próprio sujeito passivo, e constantes do Anexo V. A constatação do dolo e a imposição da multa qualificada foram tratados na sequência do relatório: CRÉDITOS ANTERIORES LANÇADOS NO DACON Os créditos anteriores a janeiro de 2006 foram desconsiderados pela fiscalização tendo em vista a constatação que o sujeito passivo está preenchendo incorretamente o DACON, gerando créditos considerados inexistentes pela Fiscalização, seja por não tributar o Álcool Carburante de forma cumulativa, como previsto pela legislação, seja por não ter justificado documentalmente os valores dos créditos a descontar informados no DACON e nem efetuado corretamente o rateio proporcional, entre as receitas não cumulativas e as cumulativas e concentradas. Contribuinte não registrou nenhum valor em DCTF acerca das contribuições do PIS e COFINS. Como o DACON tem natureza jurídica apenas informativa e não gera direitos em relação à decadência, ou seja, o período anterior a 01/2006 foi atingido pela decadência, mesmo com erros em seu preenchimento, o mesmo argumento se aplica em relação aos créditos indevidos informados na DACON, ou seja, entende o AuditorFiscal Notificante que não há que se falar em direito adquirido a tais supostos créditos, visto que inexistentes e, em tese, manifestamente ilícitos, nos termos da legislação vigente, sem o que estar-se-ia promovendo, em tese, o enriquecimento sem causa e ilícito do contribuinte. PROCESSO DE CONSULTA O Contribuinte apresentou, sob intimação, o Processo de Consulta 10835.000136/200735, de 07/02/2007, protocolizada no CAC/DRF Presidente Prudente (SP). Foi localizada internamente a Solução de Consulta nº 306 SRRF08/ DISIT, de 26/08/2010, cujo entendimento final sobre o mérito é o mesmo observado por este AuditorFiscal, ou seja, no período fiscalizado o Álcool carburante sofria incidência pelo sistema cumulativo, às alíquotas 1,46% (PIS) e 6,74% (COFINS). O sujeito passivo foi cientificado da consulta supra em 17/09/2010, conforme cópia (Anexo VII), através do Comunicado SEORT/DRF/CPS nº 1.615/2010, de 01/09/2010 e, após isso, apesar de intimado e reintimado, não tomou quaisquer das providências cabíveis para as retificações e respectivos recolhimentos cabíveis nos aplicativos da Receita Federal (DACON e DCTF). Entende o Notificante que o procedimento do sujeito passivo caracteriza, em tese, ilícito contra a ordem tributária, visto que: Omitiu fato gerador de contribuições para o PIS e para a COFINS, deixando de tributar o Álcool carburante no regime cumulativo de contribuição, durante todo o período fiscalizado, totalmente em desacordo com a legislação; Mesmo cientificado da irregularidade dos procedimentos realizados até então, não retificou as Declarações apresentadas (DCTF e DACON) e nem efetuou quaisquer recolhimentos pertinentes, no prazo legal de 30 (trinta) dias após a ciência da Solução de Consulta acima, e nem mesmo sob intimação e reintimação durante a presente fiscalização. Com tal procedimento,caracterizado, em tese, como doloso e lesivo ao Erário efetuado pelo contribuinte, especialmente após a ciência da consulta em questão, há que se observar o prazo decadencial mais favorável à União, previsto no Artigo 173, inciso I, combinado com o Artigo 150, parágrafo quarto, ambos do CTN Código Tributário Nacional; • Declarou e não comprovou valores de créditos da não cumulatividade muito superiores aos apurados pela Fiscalização, conforme quadro demonstrativo específico deste Auto e, mesmo intimado e reintimado, não justificou, corrigiu ou apresentou elementos que justificassem os créditos declarados, considerados inexistentes pelo Fisco e também continuou deixando de declarar e tributar o álcool carburante no regime cumulativo; • Conforme demonstrado acima, o sujeito passivo não seguiu a orientação legal sobre o PIS e a COFINS, tanto na apuração dos débitos, quanto dos créditos, e mesmo ciente do procedimento correto que deveria adotar, através da Solução de Consulta que efetuou à RFB, e após intimação e reintimação durante o procedimento fiscal, e ainda sem comprovar ter qualquer amparo judicial preventivo para seu procedimento, não o retificou, mantendo os valores inferiores a título de débito e os créditos fictícios a maior gerados em seu favor, deixando, em conseqüência, de apurar e declarar corretamente os débitos e créditos, e deixando de recolher as contribuições devidas ora examinadas, assumindo o risco tributário e penal de sua conduta lesiva ao erário; • Observação importante: o fato deste AFRFB registrar que se trata de ilícito, em tese, não significa que o mesmo tenha dúvida sobre a ilicitude da conduta, mas trata-se de mera precaução funcional e legal, diante do dever de oficio de representar perante o Ministério Público Federal, sob risco de penalidades administrativas e judiciais ao AFRFB. O julgamento do suposto ilícito é assunto de exclusiva competência do Poder Judiciário, e somente aquele Poder pode dizer se um fato aparentemente ilícito, realmente o é à luz do Direito. Assim, considerando o dever funcional deste AuditorFiscal e as competências legais do Judiciário, entende, justifica, esclarece e solicita este AFRFB aos Senhores Julgadores, tanto na esfera Administrativa como na Judicial, que apliquem o prazo decadencial mais favorável ao Erário e, diante dos fatos relatados, entende estar plenamente caracterizado e comprovado o DOLO; • A Representação Fiscal para Fins Penais será emitida ao final da ação fiscal, para as providências cabíveis no âmbito da Receita Federal e do Ministério Público Federal; • Em razão de todo o exposto foi aplicada a multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento), conforme fundamentos legais constante dos relatórios anexos. IMPUGNAÇÃO Notificada da exigência em 31/05/2011, em 24/06/2011 a contribuinte apresentou impugnação argumentando, em síntese, o que segue. Inicialmente, volta-se contra o trabalho fiscal. Cita que o Mandado de Procedimento Fiscal, datado de 18/08/2009, teve seu prazo prorrogado por dez vezes. Ainda assim, com a aproximação do prazo decadencial, diz que a auditoria teve que se apressar para fazer lançamentos parciais. Em tabela, discrimina os processos que resultaram do procedimento. Destaca que do conjunto de autos de infração, um deles foi lavrado de forma complementar para correção de erro verificado pela auditoria. Lembra ainda que no auto de infração tratado nos presentes autos, a fiscalização refaz lançamentos anteriores. Afirma que o trabalho conduzido pelo auditor: [...] não prezou pelo cuidado, pela lógica, pela organização, pela aplicação correta da legislação tributária, e principalmente, pelo respeito aos direitos constitucionais do contraditório e da ampla defesa do contribuinte. Se nos processos 10830.001238/201102, 10830.001756/201118, 10830.720472/201124 foram realizados lançamentos parciais relativos aos meses janeiro a abril de 2.006, porque na lavratura do auto encartado no processo 10830.721425/201106 a auditoria diz estar refazendo todo o lançamento? Na apresentação de defesa relativa ao presente processo 10830.721425/201106 terá que aduzir novamente todas as matérias de defesa já expostas nas impugnações anteriormente apresentadas? A conduta do Auditor deixa o Contribuinte/Impugnante em dúvidas quanto ao objeto da autuação, quanto ao que alegar em resposta e dessa forma prejudica o exercício pleno do seu direito de defesa. Se no presente processo 10830.721425/201106, datado de 27 de maio foram refeitos os lançamentos relativos aos períodos de apuração janeiro / abril de 2.006, não se deveria considerar decaído o direito de lançar relativo a esses meses? De se considerar também que desde o início dos trabalhos era de conhecimento da Auditoria que a Contribuinte tinha em trâmite um processo de consulta sobre a legislação tributária (10835.000136/200735). Essa consulta pretendia obter esclarecimentos sobre a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS na compra de álcool de estabelecimento "congênere", ou seja, qual o tratamento tributário na aquisição feita de outra distribuidora, visto que não seria lógico, nessa situação, que duas empresas (igualmente sujeitas ao regime concentrado ou monofásico) recolhessem o tributo. A autuação do pedido de consulta é datada de 07 de fevereiro de 2.007 e até que a Fiscalização verificasse a situação do processo a Contribuinte ainda não tinha notícias sobre sua solução. É que apesar de essa solução estar datada de 26 de agosto de 2.010, o contribuinte não foi devidamente cientificado dela, tendo sido entregue em Paulínia, quando o centro de sua administração (bem como o loca do protocolo do pedido de consulta) é a cidade de Presidente Prudente. Um outro detalhe a se reparar é que na presente autuação houve aplicação de multa qualificada de 150% (na forma do art. 44, inciso I e § I o da Lei n. 9.430/96 c.c. arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64) visto que a fiscalização entendeu haver dolo do contribuinte; diferente dos demais autos onde a multa aplicada foi de 75%. Como se salientou, havia um processo de consulta apresentado em 2.007, o que denota que a própria Contribuinte tinha dúvidas (e as manifestou por escrito à autoridade fiscal). Assim, como se pode falar na ocorrência de dolo que autorize a aplicação da multa majorada de 150%? A pendência da consulta atesta, no mínimo, a boa fé e impediria de se cogitar dolo, ou prática de sonegação ou fraude. Note- se que o próprio fiscal faz referência à consulta, que apesar de solucionada, foi inicialmente considerada ineficaz pela Auditoria (o que afirmou, no item 14 do Termo de Encerramento do Processo 10830.001238/201102). Ainda, assevera que teria, a empresa, apresentado com deficiência o DACON, deixando de retificar as informações em desacordo com a legislação vigente. Estaria, também, com deficiência a planilha apresentada. Ora, como poderia retificar qualquer declaração que fosse se estava sob fiscalização? Além de disposições normativas são vários os precedentes das Delegacias de Julgamento que falam na vedação de retificar declarações relativas a períodos que sejam objeto de trabalho fiscal [...] Paralelo a isso, os créditos anteriores a janeiro de 2006 foram desconsiderados sob o argumento de que o sujeito passivo estaria preenchendo incorretamente o DACON, gerando créditos considerados inexistentes pela Fiscalização, seja por não tributar o álcool carburante de forma cumulativa, como previsto pela legislação, seja por não ter justificado documentalmente os valores dos créditos a descontar informados no DACON e nem efetuado corretamente o rateio proporcional, entre as receitas não cumulativas e as cumulativas e concentradas. Neste ponto, a contribuinte detalha seu inconformismo com a desconsideração dos créditos da não cumulatividade apurados antes de janeiro de 2006. Alega, inicialmente, a decadência do direito de a Administração fiscalizar créditos anteriores a janeiro de 2006. Depois, contesta a utilização do sistema CONTAGIL: Esse aplicativo parece ser capaz de um verdadeiro milagre: a solução definitiva para encerrar a guerra entre o fisco e os contribuintes a respeito das situações permissivas de creditamento! Como se sabe, esse tema (o creditamento de PIS e COFINS) é amplamente controverso; travam-se verdadeiras batalhas ao redor do conceito de "insumo" sobre o qual se permite o crédito. Na maioria das vezes os casos demandam análise minuciosa e um profundo estudo da jurisprudência da Receita Federal, externada por meio de julgados de suas Delegacias, do CARF e das soluções de consulta e de divergência. Com tudo isso considerado, como poderia um aplicativo de computador dizer o que gera e o que não gera crédito de maneira tão simplória? Mais do que isso, o uso do aplicativo inclusive já limita as chances de defesa do contribuinte visto que não detalha as situações que "entende" não dar direito a crédito. Isso porque ele não discrimina quais seriam as situações inválidas de creditamento: a planilha apresentada pelo AFRFB "Modelo Analítico Dinâmico" não é clara quanto a seus critérios, usa siglas (ex.: aquisição de se N/D), o que mais uma vez inviabiliza o exercício do direito de defesa, simplesmente porque não é possível saber qual crédito foi desconsiderado e porque. Chama a atenção, também, o fato de que o próprio auditor confessar não ter clareza da legislação, quando assinala, em seu relatório (p. 10) sobre a "grande complexidade da legislação e sua variação ao longo do tempo". Ainda contestando o procedimento fiscal, investe contra o prazo decadencial referido pela autoridade autuante como sendo aquele previsto no art. 173, I, do CTN: A fim de ser esquivar da decadência flagrante no caso, alegou que mesmo cientificado da irregularidade dos procedimentos realizados, não retificou, a impugnante, as declarações apresentadas (DCTF e DACON) e nem efetuou quaisquer recolhimentos pertinentes, no prazo legal de 30 dias após a ciência da Solução de Consulta. Com tal afirmação, que caracterizaria, em tese, dolo e lesão ao Erário efetuado pelo contribuinte, especialmente após a ciência da consulta em questão, deveria ser observado o prazo decadencial mais favorável à União, previsto no art. 173, I, combinado com o art. 150, § 4 o , ambos do CTN. Importante sobre esse ponto ser destacado: primeiro, que o contribuinte não foi validamente notificado da solução; e segundo, que não poderia tomar qualquer medida para retificação de suas declarações porque já se encontrava sob fiscalização; e é vedado ao contribuinte alterar DACON e DCTF durante fiscalização, como se viu. A afirmação em questão teve um único propósito: valer-se do prazo decadencial mais favorável à União, já que ciente que havia lançado crédito já alcançado pela decadência. A defesa passa então a detalhar cada uma dessas questões apresentadas de forma resumida. No tocante ao prazo decadencial, lembra que a contagem aplicável é a descrita no art. 150, §4º do CTN. Realça que o fato apontado pela autoridade para estender o prazo decadencial até o marco previsto pelo art. 173, I da CTN, teria sido tão somente o preenchimento incorreto do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais DACON, o que acabou gerando recolhimento insuficiente da contribuição ao PIS e da COFINS nos períodos de janeiro a dezembro de 2006. Essa situação não seria suficiente para suspender o prazo decadencial insculpido no art. 150, §4, do CTN, a exemplo de ementas que transcreve colhidas do antigo Conselho de Contribuintes. Dessa forma, conclui que à data do lançamento já expirara à Administração Fiscal o direito de lançar crédito relativo aos meses de janeiro a abril de 2006. A interessada toca na questão da consulta formulada à Administração e explora sua influência sobre o trabalho fiscal: A Contribuinte autuada, aqui Impugnante, tem sua sede administrativa localizada no município de Presidente Prudente/SP, e dentre seus objetivos sociais, está a distribuição de combustíveis líquidos, derivados de petróleo e álcool combustível. Na execução de seu objetivo social, adquire combustível diretamente dos produtores e de outras empresas distribuidoras (que nessa condição são chamadas de "congêneres"). Nesse ponto é preciso consignar que não há como o empresário, devido à sua descomunal obrigação em relação à legislação conhecer todos os seus direitos e obrigações, por exemplo, no âmbito tributário, contábil, trabalhista, ambiental, do direito do consumidor, etc. O próprio auditor, aliás, confessa essa dificuldade ao falar em "grande complexidade da legislação e sua variação ao longo do tempo", ao redigir o Termo de Encerramento e Verificação. [...] Como regular contribuinte, que sempre buscou cumprir suas obrigações fiscais, acessórias e principais e, considerando sua atividade, em 07 de fevereiro de 2007 valeu-se dessa via e apresentou, na DRF/Presidente Prudente, consulta autuada sob n. 10835.000136/200735, dirigida à Superintendência da Secretária da Receita Federal da 8a Região Fiscal. Em suas razões, a contribuinte expôs sua situação (de ser empresa distribuidora de combustíveis), que adquire álcool etílico hidratado carburante (AEHC) de distribuidores congêneres e revende a mercadoria tanto para outros distribuidores quanto para a rede varejista. A dúvida que motivou a consulta surgiu em vista das disposições da Medida Provisória 199118/ 00 e das Leis 9.900/00; 10.637/02; 10.833/03 e 10.865/04 que disciplinam que a tributação sobre o álcool para fins carburantes com alíquota de: 1,46% (PIS) e 6,74% (COFINS) nas distribuidoras, sem esclarecer a hipótese de operação de compra e venda entre empresas congêneres, ou seja, uma distribuidora de combustível adquirindo o produto de outra distribuidora. [...] Ainda que a Fiscalização tenha levantado que a consulta foi solucionada, deve-se ter em conta que o Mandado de Procedimento Fiscal teve seu início em 18 de agosto de 2.009. Em setembro de 2009 a Contribuinte foi notificada do início do Procedimento Fiscal e, no curso dos trabalhos foi apresentado ao Auditor responsável a cópia da inicial do processo de consulta. No primeiro lançamento efetuado (Processo 10830.001238201102), desconsiderando por completo esse fato, e fundando-se em mero entendimento pessoal, o auditor aduziu que a Consulta pretendida pela Impugnante não produziria efeitos. [...] Ocorre que a Consulta que a Autoridade a princípio sequer considerava ser válida, acabou admitida e respondida pela Superintendência da 8ª Região Fiscal. E dela o Contribuinte acabou não sendo devidamente notificado: o cartão do aviso de recebimento foi assinado em Paulínia (e não na sede administrativa em Presidente Prudente, local onde foi feito o protocolo do pedido) pelo Sr. Sérgio Afonso Braz, que não tem poderes para representação da pessoa jurídica. Mas o ponto mais importante é que o MPF foi iniciado em momento em que essa consulta (válida e respondida) ainda encontrava-se em trâmite e pretendia ver esclarecida a aplicação da legislação na compra de combustíveis de "congênere". Isso é importante pois a apresentação dessa consulta demonstra no mínimo a boa-fé da Contribuinte. Como, então, querer sustentar a aplicação da multa qualificada de 150% asseverando que a Contribuinte agiu com dolo? A lógica dessa posição é baseada no fato de que o processo de consulta é a saída do Contribuinte que quer obter esclarecimentos e assim não cometer erros que o levem a ser autuado, diante de uma norma cuja interpretação é duvidosa. Assim, é por completo despropositada a aplicação de multa qualificada ao presente caso. Continuando, a defesa comenta não ter tido oportunidade de adaptar sua conduta ao decidido na consulta: [...] primeiro, pelo fato de que a solução foi encaminhada para a cidade de Paulínia, sendo que a sede administrativa da empresa fica em Presidente Prudente, local onde foi apresentado o pedido de consulta. Não bastasse isso, a notificação foi encaminhada à pessoa que não tem poderes de representação da empresa. Terceiro, porque mesmo que tivesse sido regularmente cientificada, não poderia alterar suas declarações em razão de estar sob procedimento de fiscalização [...] Retomando a questão da desconsideração dos créditos não cumulativos apurados antes de janeiro de 2006, alega a interessada que: O direito de se valer dos créditos da contribuição ao PIS e da COFINS na modalidade não cumulativa seguem a regra geral do CTN, portanto, extinguindo-se com o decurso do prazo de cinco anos, no caso, contados a partir do período de apuração de aquisição do insumo. Assim, a Receita Federal do Brasil considera a dedução dos créditos do PIS e da COFINS uma "restituição", e não aceita a dedução de saldo credor originários de fatos geradores com mais de cinco anos, contados do fato gerador. Tomado esse norte, da mesma forma que não poderia hoje o Contribuinte querer utilizar créditos gerados a partir da aquisição de insumos relativos ao período de apuração anteriores a dezembro de 2005, não pode também a administração retroagir mais de cinco anos para desconsiderar os créditos acumulados como fez no curso da ação fiscal. Superado o lustro, ou considera-se tacitamente homologada a apuração feita pelo contribuinte ou operam-se os efeitos da decadência [...] Dessa forma é descabida a pretensão da Autoridade Fiscal quando desconsidera os saldos de crédito acumulados até dezembro de 2005. Devem eles ser mantidos e abatidos em relação ao valor lançado, se eventualmente subsistir o trabalho fiscal, haja vista a nulidade apontada no tópico anterior. Seguindo, a defesa contesta a desconsideração de créditos por parte da auditoria sem a necessária motivação, o que tornaria nulo o procedimento: No "Termo de Verificação" a fiscalização diz que os créditos da não cumulatividade foram apurados com base nos elementos da escrituração contábil e fiscal, apresentadas em meio digital pelo contribuinte, cujos valores foram submetidos ao aplicativo de Auditoria Fiscal CONTAGIL, que apurou os valores passíveis de aproveitamento como crédito conforme dados constantes de planilha que seguiu anexada à autuação. Apesar disso não descreve os itens que a fiscalização entende que dão ou não dão direito a crédito, ou seja, o aplicativo de Auditoria Fiscal CONTAGIL desconsidera os créditos mas não diz quais operações estão sendo desconsideradas. A planilha que está anexada à intimação (Modelo Analítico Dinâmico dos Itens de Notas Fiscais de Entrada) não permite nenhum tipo de identificação de quais bens foram tratados entre aqueles que dão direito a crédito e quais foram excluídos do creditamento. Ora, a fiscalização teve acesso a todos os documentos da Contribuinte, incluído o livro razão, e não teve sequer o cuidado de indicar as situações que segundo seu entendimento não dão direito a crédito! Ao mesmo tempo o art. 3º da Lei n. 10.637/02 e da Lei n.º 10.833/03 são claros em relacionar as situações que geram direito ao desconto de créditos, de forma que, observada essa situação, o direito a crédito é decorrência lógica e inconteste. A fiscalização, lançando mão do uso de um software, desconsiderou bens adquiridos para revenda, e tudo sem a indicação do que se entende que não gera direito a crédito. Dessa maneira é nítido o cerceamento de defesa visto que a Contribuinte não tem sequer como entender quais situações tiveram o crédito desconsiderado. Além de chegarmos ao ponto absurdo de utilizar um aplicativo de computador para identificar os itens com direito a crédito. Como foi salientado em momento anterior o tema creditamento de PIS e COFINS é amplamente controverso e na maioria das vezes para se identificar os casos com direito a crédito devem-se fazer análises minuciosas e um profundo estudo da jurisprudência da Receita Federal, externada por meio de julgados de suas Delegacias, do CARF e das soluções de consulta e de divergência. Com tudo isso considerado, como poderia um aplicativo de computador dizer o que gera e o que não gera crédito? Em mais esse ponto, portanto, é viciado o trabalho da fiscalização, o que não pode resultar em outra conseqüência, senão a anulação do lançamento pela incompletude do trabalho da fiscalização e pelo claro prejuízo à Contribuinte que fica impossibilitada de apresentar defesa contra esse aspecto. Afirma a fiscalizada que sequer tomou créditos de todas as situações em que poderia e, naquelas que tomou (relacionados a bens adquiridos para revendas, aluguel de imóveis e máquinas) o fez legitimamente com amparo em entendimento da própria Receita Federal. No tocante à apuração do PIS e da Cofins, a contribuinte aponta falhas na auditoria: A fiscalização afirma que a Contribuinte não efetuou o rateio entre as despesas sujeitas ao regime da cumulatividade e da não cumulatividade. Constata que teve receita originária de operações com produtos sujeitos à incidência concentrada ou monofásica do PIS e da COFINS; deixou sem esclarecimento quais das atividades estão sujeitas à incidência concentrada e que deram origem a essas receitas. Afirma que na hipótese de a pessoa jurídica estar submetida ao regime não cumulativo, havendo custos e despesas e encargos comuns ao auferimento de receitas sujeitas aos regimes cumulativo e não cumulativo, os créditos devem ser determinados de acordo com os métodos de rateio/apropriação dos arts. 21 a 28 da INSRF 404/04. Em determinada altura do "Termo de Verificação" (item 11) confunde os regimes de recolhimento com os de apuração quando diz que a Contribuinte erra: [...] por não ter efetuado o rateio proporcional, entre as receitas não cumulativas e as cumulativas concentradas, na forma apresentada pela fiscalização no presente lançamento. Nesse ponto é preciso deixar bem clara a diferença entre "regime de recolhimento monofásico ou concentrado" e regimes de incidência "cumulativa" e "não cumulativa". Apesar de a comercialização ou produção de um determinado serviço ou produto estar submetido ao regime especial ou incidência monofásica com alíquota zero nas cadeias subseqüentes, a diferenciação entre regime não cumulativo e cumulativo é feita na forma da Lei n.º 10.637/02 e Lei n.º 10.833/03, que expressamente designam quais estão na exceção do regime cumulativo, nos seguintes termos (Lei n. 10.833/03) [...] Com relação às receitas vinculadas à tributação concentrada, trata-se de comercialização, principalmente, de óleo diesel e gasolina. Nessa situação, embora não possa descontar os créditos relativamente aos bens adquiridos para revenda (art. 3º inciso I da Lei nº 10.833/03) pode apurar esses créditos em relação a determinadas situações como o consumo de energia elétrica (art. 3 o , inciso III da Lei n. 10.833/03); aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos (inciso IV); contraprestações de operações de arrendamento mercantil (inciso V); máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços (inciso VI); armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda (inciso IX), entre outros [...] Citando soluções de consulta da Receita Federal prossegue concluindo que revendedores de produtos sujeitos à alíquota zero ou tributação concentrada, podem ao mesmo tempo estar no regime não cumulativo e descontar créditos em relação a determinadas operações que mesmo sujeitas a alíquota zero ou tributação concentrada, não há vedação ou rateio do crédito, podendo ser tomado integralmente. E continua: Diferente do entendimento da auditoria quando vinculou as receitas sujeitas à tributação concentrada à sistemática cumulativa, o que o art. 2º, § 1º da Lei n. 10.833/03 faz é simplesmente estabelecer uma alíquota diferenciada para o recolhimento das contribuições; nesse sentido, não exclui nenhuma atividade do regime não cumulativo. A tributação concentrada ou monofásica não se confunde com os regimes cumulativo ou não cumulativo de apuração das contribuições, como parece entender a fiscalização quando no "Termo de Verificação" anota que a Contribuinte erra quando não efetua "o rateio proporcional entre as receitas não cumulativas e as cumulativas concentradas". De modo geral, a tributação monofásica consiste na atribuição da responsabilidade ao fabricante ou importador de certos produtos de recolher as contribuições à uma alíquota diferenciada (leia-se majorada), de modo a "concentrar" a carga tributária incidente sobre toda a cadeia produtiva. Por outro lado, a venda dos produtos monofásicos pelos demais participantes da cadeia produtiva (distribuidores, atacadistas e varejistas) fica sujeito à alíquota zero. Assim, os demais elos da cadeia dos produtos submetidos ao regime monofásico, à exceção do produtor ou importador (responsáveis pelo recolhimento do tributo à uma alíquota maior) ficam desobrigados do recolhimento porquanto sobre a receita por eles auferida aplica-se a alíquota zero. A circunstância dessa receita estar submetida à alíquota zero não impede que estes contribuintes possam manter os créditos em relação a determinadas despesas, como garante o art. 17 da Lei n. 11.033/04. É nesse sentido que a Contribuinte apurou créditos em relação aos custos com comercialização de óleo diesel (principalmente) e gasolina, não estando impedida de efetuar o rateio correto [...] O rateio apresentado pela fiscalização no "Termo de Verificação" é equivocado pois exclui as receitas do regime concentrado. Dessa maneira, o correto seria calcular sobre o somatório das receitas não cumulativas e concentradas, sendo essa a maneira certa de aplicação do rateio, pelo fato de as receitas do regime concentrado não necessariamente estarem vinculadas ao regime cumulativo, como se demonstrou. Por fim, contesta a imposição da multa qualificada nos seguintes termos: Sem adentrar muito no mérito do conceito de fraude temos que esclarecer que o princípio da tipicidade penal exige que a norma seja interpretada, e que o fato descrito na norma abstratamente seja concretizado em todo o seu âmbito. Na norma descrita no art. 72 da Lei 4.502/64 só se tem fraude quando há ação tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Em outras palavras, a fraude se caracteriza pela ação ou omissão visando impedir, retardar que o fato gerador ocorra, se realize alterando ou omitindo informações de forma a esconder que existe o crédito tributário. Também ocorre fraude quando a ação ou omissão tem como objetivo excluir ou modificar as características do fato gerador, de modo a reduzir o imposto devido e a evitar ou diferir seu pagamento. Por razões evidentes, o caso em questão não se conforma à norma acima descrita. Como narrado no relatório fiscal, a contribuinte informava a receita obtida, o que pode ser confirmado pelo exame de suas obrigações acessórias. Não houve ação ou omissão no sentido de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador, nem muito menos buscou-se excluir ou modificar suas características. Destaca-se que havia inclusive consulta para esclarecimento do caso. E como exposto, o Processo de Consulta é o instrumento à disposição do contribuinte que tem dúvidas sobre a aplicação da legislação tributária; se a dúvida existe, e se existia um processo de consulta, fica atestada ao menos a boa-fé da empresa e, dessa maneira, incabível a qualificação da multa sob o pretexto de que teria agido dolosamente. Pergunta-se: como poderia ela dolosamente estar cometendo fraude se não tinha certeza da aplicação das normas? O contribuinte, como se disse, sem um melhor apoio do Fisco, é responsável por todo o processo de lançamento; e mesmo quando efetua uma consulta para solucionar suas dúvidas ainda é taxado de fraudador? Outro aspecto a se considerar é a falta de parâmetros da Autoridade Fiscal: nos primeiros três autos, aplicou a multa de 75%, e agora no último mudou o critério e resolveu aplicar multa majorada de 150%! Não houve intenção, nem muito menos ação ou omissão que se enquadre na hipótese descrita na norma que tipifica o crime de fraude. Fato é que a contribuinte apresentava DACON, efetuou consulta sobre sua situação, apresentou a documentação de que dispunha solicitada durante a fiscalização. Não há como se cogitar intuito de fraude diante de comportamento nesse sentido. A simples ocorrência de equívoco (que se ampara na boa fé da apresentação de um pedido de consulta) nas obrigações acessórias não é bastante para a configuração do intuito de fraude que justifica a exasperação da multa. [...] O fato é que o dolo em questão não encontra apoio na conduta do Contribuinte, que de maneira prudente, tendo dúvidas sobre a aplicação das normas, apresentou processo de Consulta. Falar em dolo, quer parecer é algo que foi levantado pelo auditor com um único propósito. Valer-se do prazo decadencial mais favorável ao erário (CTN, art. 150, § 4o ) , dado que tinha ciência de que estava lançando crédito já atingido pela decadência. Por fim, discorre sobre o princípio da boa fé e diz que este deve ser considerado ao caso em tela para fins de exclusão da multa qualificada. O proceder do contribuinte não revelou má-fé; não houve qualquer ocultação de dados, tanto que os devidos documentos foram entregues em atendimento as intimações recebidas da autoridade fazendária, ensejando a glosa ou conferência dos referidos documentos. Ao fim da peça de impugnação, a contribuinte assim resume suas pretensões: (a) reconhecer a NULIDADE material do MPF 08104002009010506 e, por conseqüência, do lançamento consubstanciado no Processo Administrativo 10830.721425/201106 ante o flagrante cerceamento de defesa, dado que: não houve devolução ao contribuinte dos documentos entregues para fiscalização; não foram discriminados os créditos desconsiderados pela fiscalização, nem tampouco justificada individualmente a desconsideração; e por todas as violações aos direitos do contraditório e ampla defesa apontados, que colocam em risco a defesa apresentada pelo contribuinte, conforme amplamente exposto ao longo do texto; (b) de forma subsidiária, e considerando que o lançamento do Processo 10830.721425/201106 (datado de 27 de maio de 2.011) se refere aos períodos de apuração de janeiro a dezembro de 2.006, mediante a aplicação do art. 150, § 4 o do CTIM, REQUER que seja reconhecida a decadência relativamente aos períodos janeiro a abril de 2006, em relação aos quais, na data do lançamento, havia transcurso de prazo superior a cinco anos; (c) subsidiariamente, reconhecer a existência de saldos credores acumulados da contribuição ao PIS e da COFINS referentes aos períodos de apuração até dezembro de 2005 (tacitamente homologados ou cuja verificação pelo Fisco se torna impossível pelo decurso do prazo decadencial), injustificadamente desconsiderados pela fiscalização, abatendo-se no montante dos créditos aquilo que eventualmente for devido e lançado no presente auto de infração; (d) também de forma subsidiária o reconhecimento de que, na forma do art. 10 da Lei n. 10.833/03, as receitas sujeitas ao regime concentrado não estão vinculadas à sistemática cumulativa da contribuição ao PIS e da COFINS, o que inverte o cálculo do rateio em relação àquilo que fez a fiscalização, devendo ser adotado o cálculo aqui apresentado pela Impugnante; e (e) subsidiariamente, reconhecer ser inaplicável ao caso a multa qualificada de 150%, uma vez que não houve intuito de fraude (a apresentação de DACON e DCTF, bem como a consulta sobre o fato comprovam a boa-fé do contribuinte), e não ser aplicável multa nos casos em que o erro do contribuinte já tem conseqüências específicas previstas na legislação. DECISÃO DA DRJ A DRJ decidiu em síntese: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 2006 DECADÊNCIA. PIS. COFINS. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A contagem do prazo decadencial é regida pelo disposto no Código Tributário Nacional. Na hipótese em que não há recolhimento, o prazo decadencial de cinco anos conta-se a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. CRÉDITO NÃO CUMULATIVO. DECADÊNCIA. PRAZO. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao aproveitamento indevido de créditos da não cumulatividade é contado do período da efetiva utilização, por desconto, do crédito não cumulativo. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. ATRIBUIÇÃO DE CRÉDITOS. REGIME NÃO CUMULATIVO. O percentual a ser estabelecido entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, para aplicação do rateio proporcional previsto no inciso II do § 8º do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002, a ser utilizado na apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, referente a custos, despesas e encargos comuns, deve ser aquele resultante do somatório somente das receitas que, efetivamente, foram incluídas nas bases de cálculo de incidências e recolhimentos nos regimes da não cumulatividade e da cumulatividade. As receitas decorrentes de vendas realizadas com isenção, alíquota zero, não alcançadas pela incidência, de bens do ativo permanente e as receitas financeiras por não integrarem ou estarem excluídas da base de cálculo de incidência e recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep, não integram também os respectivos montantes da receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e nem o da receita bruta total, auferidas em cada mês, utilizados na determinação do percentual a ser aplicado no método dorateio proporcional para fins de aproveitamento de créditos relativos aos custos, despesas e encargos comuns. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Anocalendário: 2006 DECADÊNCIA. PIS. COFINS. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A contagem do prazo decadencial é regida pelo disposto no Código Tributário Nacional. Na hipótese em que não há recolhimento, o prazo decadencial de cinco anos contase a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. CRÉDITO NÃO CUMULATIVO. DECADÊNCIA. PRAZO. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao aproveitamento indevido de créditos da não cumulatividade é contado do período da efetiva utilização, por desconto, do crédito não cumulativo. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. ATRIBUIÇÃO DE CRÉDITOS. REGIME NÃOCUMULATIVO. O percentual a ser estabelecido entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, para aplicação do rateio proporcional previsto no inciso II do § 8º do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, a ser utilizado na apuração de créditos da Cofins, relativo a custos, despesas e encargos comuns, deve ser aquele resultante da aplicação somente das receitas que, efetivamente, foram incluídas nas bases de cálculo de incidências e recolhimentos nos regimes da não cumulatividade e da cumulatividade. As receitas decorrentes de vendas realizadas com isenção, alíquota zero, não alcançadas pela incidência, de bens do ativo permanente e as receitas financeiras por não integrarem ou estarem excluídas da base de cálculo de incidência e recolhimento da Cofins, não integram também os respectivos montantes da receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e nem o da receita bruta total, auferidas em cada mês, utilizados na determinação do percentual a ser aplicado no método do rateio proporcional para fins de aproveitamento de créditos relativos aos custos, despesas e encargos comuns. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 MULTA QUALIFICADA. IMPROCEDÊNCIA. Não comprovados os elementos caracterizadores de fraude, sonegação e conluio, afasta-se a qualificação da multa de ofício, reduzindo-se seu percentual. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte.” O Recorrente apresentou recurso voluntário reiterando os argumentos acima descritos na impugnação. É o relatório. VOTO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10830.001238/2011­02  Resolução nº  3401­000.748  S3­C4T1  Fl. 6            2       RELATÓRIO  Trata – se de exigência fiscal relativa à Contribuição para o Financiamento da  Seguridade  Social  –  Cofins  e  à  contribuição  para  o  Programa  de  Integração  Social  –  PIS  formalizadas  em  autos  de  infração,  referente  a  fatos  geradores  ocorridos  no  ano  de  2006  e  totalizou crédito tributário de R$ 6.545.411,83, somados principal, multa de ofício qualificada  no percentual de 150% e juros de mora.    Os motivos  da  autuação  foram detalhados  em Termo de Verificação Fiscal  que  compõe os  autos. O Termo  está  divido  em  duas  partes. Na primeira  delas,  a  autoridade  aponta  diferenças  de  recolhimento  das  contribuições  verificadas  no  período  de  maio  a  dezembro de 2006 tendo em vista o regime não cumulativo das contribuições e a tributação do  álcool  para  fins  carburante  segundo  o  regime  cumulativo.  Em  outra  parte  do  termo,  a  fiscalização menciona  que  o  auto  de  infração  também  formaliza  lançamento  suplementar  de  diferenças relativas ao período de janeiro a abril de 2006, não constituídas em outros autos de  infração.    O referido Termo é iniciado com a informação acerca do objeto principal da  contribuinte:  O sujeito passivo em epígrafe  tem por objeto social principal o  comércio atacadista de álcool carburante, biodiesel, gasolina e  demais  derivados  de  petróleo,  comércio  atacadista  de  lubrificantes  comércio  atacadista  de  gás  liquefeito  de  petróleo  (glp) e transporte rodoviário de produtos perigosos.     Depois,  anuncia  o  que  se  constatou  após  o  exame  da  documentação examinada no curso da ação fiscal:    Após  análise  da  documentação  apresentada,  constante  dos  Termos, Intimações e Reintimação, constatou – se que o sujeito  passivo  não  tributou  de  forma  cumulativa  a  venda  do  álcool  carburante  ou  hidratado,  que  pertence  ao  regime  de  apuração  cumulativo,  quando  a  legislação  assim  estabelece  no  período  fiscalizado, isto é, a receita auferida com a venda do álcool para  fins  carburantes  encontra­se  no  regime  cumulativo  de  contribuição,  e  a  pessoa  jurídica  não  pode  calcular  créditos  sobre  quaisquer  custos,  despesas  e  encargos  vinculados  a  essa  receita (art. 10, inciso I da Lei nº 10.833/03).  Fl. 278DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10830.001238/2011­02  Resolução nº  3401­000.748  S3­C4T1  Fl. 7            3 O sujeito passivo apresentou os dados contábeis e escrituração  fiscal  em  meio  digital,  conforme  Documentos  anexos  denominados  Recibos  de  Entrega  de  Arquivos  Digitais,  devidamente  validados  no  SVA  Sistema  de  Validação  e  Autenticação de Arquivos Digitais, conforme cópias anexadas ao  processo  administrativo,  visto  que  uma  via  de  cada  recibo  foi  entregue  ou  encaminhada  sob  recibo  pelo  Correio  ao  contribuinte, com aviso de recebimento.  As  bases  de  cálculos,  alíquotas  aplicadas  e  contribuições  devidas e não declaradas, relativamente à Receita auferida com  a venda de álcool para fins carburantes são as seguintes:     Constatou  –  se  ainda  que  o  contribuinte  não  efetuou  o  rateio  entre as receitas sujeitas ao regime da cumulatividade e da não  cumulatividade,  isto  é,  na  hipótese  da  pessoa  jurídica  estar  submetida  ao  regime  não­cumulativo  da  contribuição  (ou  seja,  for tributada pelo IRPJ com base no lucro real), havendo custos,  despesas e encargos comuns ao auferimento de receitas sujeitas  aos regimes cumulativo (tal como álcool para fins carburantes) e  não­cumulativo  da  contribuição,  os  créditos  devem  ser  determinados pela pessoa jurídica de acordo com os métodos de  rateio/apropriação  dispostos  nos  artigos  21  a  28  da  IN  SRF  404/2004 ,de 12/03/2004, publicada no DOU em 15/03/2004.  [...]    Na  segunda  parte  do  Termo  de  Verificação,  a  fiscalização  refere­  se  à  necessidade  de  formalização  de  diferenças  não  constituídas em lançamentos anteriores. Diz o autor do feito:    Considerando  que  o  contribuinte  apresentou  com  deficiência,  apesar  de  intimado  e  reintimado,  os  relatórios,  planilhas,  demonstrativos e documentação relativos aos bens para revenda,  quanto à validade dos créditos a descontar em geral, no que se  refere ao regime da não cumulatividade, e especialmente deixou  de apresentar os documentos relativos aos aluguéis de imóveis e  de  locação  de  máquinas  e  equipamentos,  ambos  de  pessoas  jurídicas  (comprovação  da  finalidade  e  validade  do  suposto  crédito,  recibos,  notas  fiscais,  contratos,  etc),  conforme  lançamentos  no  DACON,  os  valores  de  créditos  a  descontar  preliminar e inicialmente aceitos, mediante rateio proporcional,  estão sendo ora desconsiderados pelo Fisco e  lançados a título  de  contribuições  suplementares,  em  razão  dos  procedimentos  finais  de  encerramento  da  ação  fiscal  e  da  falta  decompleta  e  necessária comprovação documental, conforme quadro abaixo:    Fl. 279DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10830.001238/2011­02  Resolução nº  3401­000.748  S3­C4T1  Fl. 8            4 Considerando  a  grande  complexidade  da  legislação  e  sua  variação  ao  longo  do  tempo;  as  dificuldades  geradas  pelo  contribuinte  durante  a  ação  fiscal,  pela  morosidade  e  apresentação  deficiente  de  elementos,  justificativas  e  documentos,  bem  como  pela  grande  discrepância  entre  os  valores  de  contribuição  apurados  pelo  Fisco  e  os  declarados  pelo  sujeito  passivo,  efetuou­se,  para  fins  de  encerramento  do  procedimento  fiscal,  uma  revisão  final  dos  documentos,  informações  e  arquivos  digitais  em  poder  da  Fiscalização,  elaborando­se,  no  período  janeiro  a  abril  de  2006,  um  novo  quadro  demonstrativo  das  receitas,  com  base  nos  dados  contábeis do próprio sujeito passivo, e constantes do Anexo V.     A constatação do dolo e a imposição da multa qualificada foram  tratados na sequência do relatório:     CRÉDITOS ANTERIORES LANÇADOS NO DACON   Os créditos anteriores a janeiro de 2006 foram desconsiderados  pela  fiscalização  tendo  em  vista  a  constatação  que  o  sujeito  passivo  está  preenchendo  incorretamente  o  DACON,  gerando  créditos  considerados  inexistentes  pela  Fiscalização,  seja  por  não  tributar  o  Álcool  Carburante  de  forma  cumulativa,  como  previsto  pela  legislação,  seja  por  não  ter  justificado  documentalmente os valores dos créditos a descontar informados  no DACON e nem efetuado corretamente o rateio proporcional,  entre  as  receitas  não  cumulativas  e  as  cumulativas  e  concentradas.  Contribuinte não registrou nenhum valor em DCTF acerca das  contribuições do PIS e COFINS. Como o DACON tem natureza  jurídica  apenas  informativa  e  não  gera  direitos  em  relação  à  decadência,  ou  seja,  o  período  anterior  a  01/2006  foi  atingido  pela  decadência,  mesmo  com  erros  em  seu  preenchimento,  o  mesmo  argumento  se  aplica  em  relação  aos  créditos  indevidos  informados  na  DACON,  ou  seja,  entende  o  AuditorFiscal  Notificante que não há que se  falar em direito adquirido a  tais  supostos  créditos,  visto  que  inexistentes  e,  em  tese,  manifestamente ilícitos, nos termos da legislação vigente, sem o  que  estar­se­ia  promovendo,  em  tese,  o  enriquecimento  sem  causa e ilícito do contribuinte.  PROCESSO DE CONSULTA   O  Contribuinte  apresentou,  sob  intimação,  o  Processo  de  Consulta  10835.000136/200735,  de  07/02/2007,  protocolizada  no  CAC/DRF  Presidente  Prudente  (SP).  Foi  localizada  internamente a Solução de Consulta nº 306 SRRF08/  DISIT, de 26/08/2010, cujo entendimento final sobre o mérito é o  mesmo  observado  por  este  AuditorFiscal,  ou  seja,  no  período  Fl. 280DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10830.001238/2011­02  Resolução nº  3401­000.748  S3­C4T1  Fl. 9            5 fiscalizado  o  Álcool  carburante  sofria  incidência  pelo  sistema  cumulativo, às alíquotas 1,46% (PIS) e 6,74% (COFINS).  O  sujeito  passivo  foi  cientificado  da  consulta  supra  em  17/09/2010,  conforme  cópia  (Anexo  VII),  através  do  Comunicado SEORT/DRF/CPS nº 1.615/2010, de 01/09/2010 e,  após isso, apesar de intimado e reintimado, não tomou quaisquer  das  providências  cabíveis  para  as  retificações  e  respectivos  recolhimentos  cabíveis  nos  aplicativos  da  Receita  Federal  (DACON e DCTF).  Entende  o  Notificante  que  o  procedimento  do  sujeito  passivo  caracteriza, em tese, ilícito contra a ordem tributária, visto que:  Omitiu  fato  gerador  de  contribuições  para  o  PIS  e  para  a  COFINS,  deixando  de  tributar  o  Álcool  carburante  no  regime  cumulativo de contribuição, durante  todo o período fiscalizado,  totalmente em desacordo com a legislação;   Mesmo  cientificado  da  irregularidade  dos  procedimentos  realizados até então, não retificou as Declarações apresentadas  (DCTF  e  DACON)  e  nem  efetuou  quaisquer  recolhimentos  pertinentes, no prazo legal de 30 (trinta) dias após a ciência da  Solução  de  Consulta  acima,  e  nem  mesmo  sob  intimação  e  reintimação  durante  a  presente  fiscalização.  Com  tal  procedimento,caracterizado,  em  tese,  como  doloso  e  lesivo  ao  Erário efetuado pelo contribuinte, especialmente após a ciência  da consulta em questão, há que se observar o prazo decadencial  mais  favorável  à  União,  previsto  no  Artigo  173,  inciso  I,  combinado com o Artigo 150, parágrafo quarto, ambos do CTN  Código Tributário Nacional;  •  Declarou  e  não  comprovou  valores  de  créditos  da  não  cumulatividade  muito  superiores  aos  apurados  pela  Fiscalização,  conforme  quadro  demonstrativo  específico  deste  Auto e, mesmo intimado e reintimado, não justificou, corrigiu ou  apresentou  elementos  que  justificassem  os  créditos  declarados,  considerados  inexistentes  pelo  Fisco  e  também  continuou  deixando de  declarar  e  tributar  o  álcool  carburante no  regime  cumulativo;  • Conforme demonstrado acima, o  sujeito passivo não seguiu a  orientação legal sobre o PIS e a COFINS, tanto na apuração dos  débitos,  quanto  dos  créditos,  e  mesmo  ciente  do  procedimento  correto que deveria adotar, através da Solução de Consulta que  efetuou  à  RFB,  e  após  intimação  e  reintimação  durante  o  procedimento  fiscal,  e  ainda  sem  comprovar  ter  qualquer  amparo  judicial  preventivo  para  seu  procedimento,  não  o  retificou, mantendo os valores  inferiores a  título de débito e os  créditos  fictícios  a  maior  gerados  em  seu  favor,  deixando,  em  conseqüência,  de  apurar  e  declarar  corretamente  os  débitos  e  créditos,  e  deixando  de  recolher  as  contribuições  devidas  ora  examinadas, assumindo o risco tributário e penal de sua conduta  lesiva ao erário;  Fl. 281DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10830.001238/2011­02  Resolução nº  3401­000.748  S3­C4T1  Fl. 10            6 • Observação  importante: o  fato deste AFRFB  registrar  que  se  trata de ilícito, em tese, não significa que o mesmo tenha dúvida  sobre  a  ilicitude  da  conduta,  mas  trata­se  de  mera  precaução  funcional  e  legal,  diante  do  dever  de  oficio  de  representar  perante o Ministério Público Federal, sob risco de penalidades  administrativas e judiciais ao AFRFB. O julgamento do suposto  ilícito é assunto de exclusiva competência do Poder Judiciário, e  somente  aquele  Poder  pode  dizer  se  um  fato  aparentemente  ilícito,  realmente  o  é  à  luz  do  Direito.  Assim,  considerando  o  dever funcional deste AuditorFiscal e as competências legais do  Judiciário,  entende,  justifica,  esclarece  e  solicita  este  AFRFB  aos  Senhores  Julgadores,  tanto  na  esfera  Administrativa  como  na Judicial, que apliquem o prazo decadencial mais favorável ao  Erário  e,  diante  dos  fatos  relatados,  entende  estar  plenamente  caracterizado e comprovado o DOLO;  • A Representação Fiscal para Fins Penais será emitida ao final  da  ação  fiscal,  para  as  providências  cabíveis  no  âmbito  da  Receita Federal e do Ministério Público Federal;  • Em razão de todo o exposto foi aplicada a multa qualificada de  150%  (cento  e  cinqüenta  por  cento),  conforme  fundamentos  legais constante dos relatórios anexos.  IMPUGNAÇÃO  Notificada  da  exigência  em  31/05/2011,  em  24/06/2011  a  contribuinte  apresentou impugnação argumentando, em síntese, o que segue.  Inicialmente,  volta­se  contra  o  trabalho  fiscal.  Cita  que  o  Mandado  de  Procedimento Fiscal, datado de 18/08/2009,  teve  seu prazo prorrogado por dez vezes. Ainda  assim, com a aproximação do prazo decadencial, diz que a auditoria teve que se apressar para  fazer  lançamentos  parciais.  Em  tabela,  discrimina  os  processos  que  resultaram  do  procedimento.  Destaca que do conjunto de autos de infração, um deles foi lavrado de forma  complementar para  correção  de  erro  verificado  pela  auditoria.  Lembra  ainda  que no  auto  de  infração tratado nos presentes autos, a fiscalização refaz lançamentos anteriores. Afirma que o  trabalho conduzido pelo auditor:  [...]  não  prezou  pelo  cuidado,  pela  lógica,  pela  organização,  pela  aplicação  correta  da  legislação  tributária,  e  principalmente,  pelo  respeito  aos  direitos  constitucionais  do  contraditório e da ampla defesa do contribuinte.  Se nos processos 10830.001238/201102,  10830.001756/201118,  10830.720472/201124  foram  realizados  lançamentos  parciais  relativos  aos  meses  janeiro a abril de 2.006, porque na lavratura do auto encartado  no  processo  10830.721425/201106  a  auditoria  diz  estar  refazendo todo o lançamento?  Fl. 282DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10830.001238/2011­02  Resolução nº  3401­000.748  S3­C4T1  Fl. 11            7 Na  apresentação  de  defesa  relativa  ao  presente  processo  10830.721425/201106  terá  que  aduzir  novamente  todas  as  matérias  de  defesa  já  expostas  nas  impugnações  anteriormente  apresentadas?  A  conduta  do  Auditor  deixa  o  Contribuinte/Impugnante  em  dúvidas quanto ao objeto da autuação, quanto ao que alegar em  resposta e dessa forma prejudica o exercício pleno do seu direito  de  defesa.  Se  no  presente  processo  10830.721425/201106,  datado  de  27  de  maio  foram  refeitos  os  lançamentos  relativos  aos  períodos  de  apuração  janeiro  /  abril  de  2.006,  não  se  deveria  considerar decaído  o  direito  de  lançar  relativo  a  esses  meses?  De se considerar também que desde o início dos trabalhos era de  conhecimento da Auditoria que a Contribuinte tinha em trâmite  um  processo  de  consulta  sobre  a  legislação  tributária  (10835.000136/200735).  Essa  consulta  pretendia  obter  esclarecimentos  sobre  a  incidência da contribuição ao PIS e da COFINS na compra de  álcool  de  estabelecimento  "congênere",  ou  seja,  qual  o  tratamento  tributário  na  aquisição  feita  de  outra  distribuidora,  visto  que  não  seria  lógico,  nessa  situação,  que  duas  empresas  (igualmente  sujeitas  ao  regime  concentrado  ou  monofásico)  recolhessem o tributo.  A autuação do pedido de consulta é datada de 07 de fevereiro de  2.007 e até que a Fiscalização verificasse a situação do processo  a Contribuinte ainda não tinha notícias sobre sua solução.  É que apesar de essa solução estar datada de 26 de agosto de  2.010,  o  contribuinte  não  foi  devidamente  cientificado  dela,  tendo  sido  entregue  em  Paulínia,  quando  o  centro  de  sua  administração  (bem  como  o  loca  do  protocolo  do  pedido  de  consulta) é a cidade de Presidente Prudente.  Um outro detalhe a se reparar é que na presente autuação houve  aplicação  de multa  qualificada  de  150%  (na  forma do  art.  44,  inciso I e § I o da Lei n. 9.430/96 c.c. arts. 71, 72 e 73 da Lei n.  4.502/64)  visto  que  a  fiscalização  entendeu  haver  dolo  do  contribuinte; diferente dos demais autos onde a multa aplicada  foi de 75%.  Como se  salientou, havia um processo de consulta apresentado  em 2.007, o que denota que a própria Contribuinte tinha dúvidas  (e as manifestou por escrito à autoridade fiscal). Assim, como se  pode  falar  na  ocorrência  de  dolo  que  autorize  a  aplicação  da  multa majorada de 150%?  A pendência da consulta atesta, no mínimo, a boa fé e impediria  de se cogitar dolo, ou prática de sonegação ou fraude. Note­ se  que  o  próprio  fiscal  faz  referência  à  consulta,  que  apesar  de  solucionada, foi inicialmente considerada ineficaz pela Auditoria  (o  que  afirmou,  no  item  14  do  Termo  de  Encerramento  do  Processo 10830.001238/201102).  Fl. 283DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10830.001238/2011­02  Resolução nº  3401­000.748  S3­C4T1  Fl. 12            8 Ainda,  assevera  que  teria,  a  empresa,  apresentado  com  deficiência o DACON, deixando de retificar as  informações em  desacordo  com  a  legislação  vigente.  Estaria,  também,  com  deficiência a planilha apresentada.   Ora,  como  poderia  retificar  qualquer  declaração  que  fosse  se  estava  sob  fiscalização?  Além  de  disposições  normativas  são  vários os precedentes das Delegacias de Julgamento que  falam  na  vedação  de  retificar  declarações  relativas  a  períodos  que  sejam objeto de trabalho fiscal [...]  Paralelo a  isso, os créditos anteriores a janeiro de 2006  foram  desconsiderados  sob  o  argumento  de  que  o  sujeito  passivo  estaria preenchendo incorretamente o DACON, gerando créditos  considerados  inexistentes  pela  Fiscalização,  seja  por  não  tributar o álcool carburante de forma cumulativa, como previsto  pela legislação, seja por não ter justificado documentalmente os  valores dos créditos a descontar  informados no DACON e nem  efetuado  corretamente  o  rateio  proporcional,  entre  as  receitas  não cumulativas e as cumulativas e concentradas.    Neste  ponto,  a  contribuinte  detalha  seu  inconformismo  com  a  desconsideração  dos  créditos  da  não  cumulatividade  apurados  antes de  janeiro de 2006. Alega,  inicialmente, a decadência do  direito  de  a  Administração  fiscalizar  créditos  anteriores  a  janeiro  de  2006.  Depois,  contesta  a  utilização  do  sistema  CONTAGIL:  Esse  aplicativo  parece  ser  capaz  de  um  verdadeiro milagre:  a  solução  definitiva  para  encerrar  a  guerra  entre  o  fisco  e  os  contribuintes  a  respeito  das  situações  permissivas  de  creditamento!  Como  se  sabe,  esse  tema  (o  creditamento  de PIS  e COFINS)  é  amplamente  controverso;  travam­se  verdadeiras  batalhas  ao  redor do conceito de "insumo" sobre o qual se permite o crédito.    Na maioria  das  vezes  os  casos  demandam  análise minuciosa  e  um  profundo  estudo  da  jurisprudência  da  Receita  Federal,  externada por meio de julgados de suas Delegacias, do CARF e  das soluções de consulta e de divergência.   Com  tudo  isso  considerado,  como  poderia  um  aplicativo  de  computador  dizer  o  que  gera  e  o  que  não  gera  crédito  de  maneira tão simplória?  Mais  do  que  isso,  o  uso  do  aplicativo  inclusive  já  limita  as  chances  de  defesa  do  contribuinte  visto  que  não  detalha  as  situações que "entende" não dar direito a crédito.  Isso  porque  ele  não  discrimina  quais  seriam  as  situações  inválidas de creditamento: a planilha apresentada pelo AFRFB  "Modelo  Analítico  Dinâmico"  não  é  clara  quanto  a  seus  Fl. 284DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10830.001238/2011­02  Resolução nº  3401­000.748  S3­C4T1  Fl. 13            9 critérios, usa siglas (ex.: aquisição de se N/D), o que mais uma  vez  inviabiliza  o  exercício  do  direito  de  defesa,  simplesmente  porque  não  é  possível  saber  qual  crédito  foi  desconsiderado  e  porque.  Chama  a  atenção,  também,  o  fato  de  que  o  próprio  auditor  confessar não ter clareza da legislação, quando assinala, em seu  relatório  (p. 10) sobre a "grande complexidade da  legislação e  sua variação ao longo do tempo".    Ainda contestando o procedimento fiscal, investe contra o prazo  decadencial  referido  pela  autoridade  autuante  como  sendo  aquele previsto no art. 173, I, do CTN:  A  fim de  ser  esquivar  da decadência  flagrante no  caso,  alegou  que  mesmo  cientificado  da  irregularidade  dos  procedimentos  realizados,  não  retificou,  a  impugnante,  as  declarações  apresentadas  (DCTF  e  DACON)  e  nem  efetuou  quaisquer  recolhimentos  pertinentes,  no  prazo  legal  de  30  dias  após  a  ciência da Solução de Consulta.  Com tal afirmação, que caracterizaria, em tese, dolo e lesão ao  Erário efetuado pelo contribuinte, especialmente após a ciência  da  consulta  em  questão,  deveria  ser  observado  o  prazo  decadencial  mais  favorável  à  União,  previsto  no  art.  173,  I,  combinado com o art. 150, § 4 o , ambos do CTN.  Importante  sobre  esse  ponto  ser  destacado:  primeiro,  que  o  contribuinte  não  foi  validamente  notificado  da  solução;  e  segundo,  que  não  poderia  tomar  qualquer  medida  para  retificação  de  suas  declarações  porque  já  se  encontrava  sob  fiscalização; e é vedado ao contribuinte alterar DACON e DCTF  durante fiscalização, como se viu.  A  afirmação  em  questão  teve  um  único  propósito:  valer­se  do  prazo  decadencial  mais  favorável  à  União,  já  que  ciente  que  havia lançado crédito já alcançado pela decadência.  A defesa  passa  então  a  detalhar  cada  uma dessas  questões  apresentadas  de  forma resumida. No tocante ao prazo decadencial, lembra que a contagem aplicável é a descrita  no  art.  150,  §4º  do CTN. Realça  que  o  fato  apontado  pela  autoridade  para  estender  o  prazo  decadencial  até  o  marco  previsto  pelo  art.  173,  I  da  CTN,  teria  sido  tão  somente  o  preenchimento incorreto do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais DACON, o  que  acabou  gerando  recolhimento  insuficiente  da  contribuição  ao  PIS  e  da  COFINS  nos  períodos de janeiro a dezembro de 2006. Essa situação não seria suficiente para suspender o  prazo decadencial  insculpido no art. 150, §4, do CTN, a exemplo de ementas que transcreve  colhidas do antigo Conselho de Contribuintes.    Dessa forma, conclui que à data do lançamento já expirara à Administração  Fiscal o direito de lançar crédito relativo aos meses de janeiro a abril de 2006. A interessada  Fl. 285DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10830.001238/2011­02  Resolução nº  3401­000.748  S3­C4T1  Fl. 14            10 toca  na  questão  da  consulta  formulada  à  Administração  e  explora  sua  influência  sobre  o  trabalho fiscal:  A  Contribuinte  autuada,  aqui  Impugnante,  tem  sua  sede  administrativa  localizada  no  município  de  Presidente  Prudente/SP,  e  dentre  seus  objetivos  sociais,  está  a  distribuição de combustíveis líquidos, derivados de petróleo e álcool combustível.  Na  execução  de  seu  objetivo  social,  adquire  combustível  diretamente  dos  produtores  e  de  outras  empresas  distribuidoras  (que  nessa  condição  são  chamadas  de  "congêneres").  Nesse  ponto  é  preciso  consignar  que não  há  como o  empresário,  devido  à  sua  descomunal  obrigação  em  relação  à  legislação  conhecer  todos  os  seus  direitos  e  obrigações, por exemplo, no âmbito tributário, contábil, trabalhista, ambiental, do direito do  consumidor, etc.  O  próprio  auditor,  aliás,  confessa  essa  dificuldade  ao  falar  em  "grande  complexidade  da  legislação  e  sua  variação  ao  longo  do  tempo",  ao  redigir  o  Termo  de  Encerramento e Verificação.  [...]  Como  regular  contribuinte,  que  sempre  buscou  cumprir  suas  obrigações  fiscais,  acessórias  e  principais  e,  considerando  sua  atividade,  em  07  de  fevereiro  de  2007  valeu­se  dessa  via  e  apresentou,  na  DRF/Presidente  Prudente,  consulta  autuada  sob  n.  10835.000136/200735,  dirigida  à  Superintendência  da  Secretária  da Receita Federal  da  8a  Região Fiscal.  Em  suas  razões,  a  contribuinte  expôs  sua  situação  (de  ser  empresa  distribuidora  de  combustíveis),  que  adquire  álcool  etílico  hidratado  carburante  (AEHC)  de  distribuidores  congêneres  e  revende  a  mercadoria  tanto  para  outros  distribuidores  quanto  para a rede varejista.  A dúvida que motivou a consulta surgiu em vista das disposições da Medida  Provisória 199118/ 00 e das Leis 9.900/00; 10.637/02; 10.833/03 e 10.865/04 que disciplinam  que a tributação sobre o álcool para fins carburantes com alíquota de: 1,46% (PIS) e 6,74%  (COFINS) nas distribuidoras, sem esclarecer a hipótese de operação de compra e venda entre  empresas  congêneres,  ou  seja,  uma  distribuidora  de  combustível  adquirindo  o  produto  de  outra distribuidora.  [...]  Ainda  que  a  Fiscalização  tenha  levantado  que  a  consulta  foi  solucionada,  deve­se ter em conta que o Mandado de Procedimento Fiscal teve seu início em 18 de agosto  de 2.009.   Em  setembro  de  2009  a  Contribuinte  foi  notificada  do  início  do  Procedimento Fiscal e, no curso dos trabalhos foi apresentado ao Auditor responsável a cópia  da inicial do processo de consulta.  Fl. 286DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10830.001238/2011­02  Resolução nº  3401­000.748  S3­C4T1  Fl. 15            11 No  primeiro  lançamento  efetuado  (Processo  10830.001238201102),  desconsiderando  por  completo  esse  fato,  e  fundando­se  em  mero  entendimento  pessoal,  o  auditor aduziu que a Consulta pretendida pela Impugnante não produziria efeitos. [...]  Ocorre que a Consulta que a Autoridade a princípio sequer considerava ser  válida, acabou admitida e respondida pela Superintendência da 8ª Região Fiscal.  E dela o Contribuinte acabou não sendo devidamente notificado: o cartão do  aviso de  recebimento  foi assinado em Paulínia  (e não na sede administrativa em Presidente  Prudente, local onde foi feito o protocolo do pedido) pelo Sr. Sérgio Afonso Braz, que não tem  poderes para representação da pessoa jurídica.  Mas o ponto mais importante é que o MPF foi iniciado em momento em que  essa  consulta  (válida  e  respondida)  ainda  encontrava­se  em  trâmite  e  pretendia  ver  esclarecida a aplicação da legislação na compra de combustíveis de "congênere".  Isso é importante pois a apresentação dessa consulta demonstra no mínimo a  boa­fé da Contribuinte.  Como,  então,  querer  sustentar  a  aplicação  da  multa  qualificada  de  150%  asseverando que a Contribuinte agiu com dolo? A lógica dessa posição é baseada no fato de  que o processo de consulta é a saída do Contribuinte que quer obter esclarecimentos e assim  não  cometer  erros  que  o  levem  a  ser  autuado,  diante  de  uma  norma  cuja  interpretação  é  duvidosa. Assim, é por completo despropositada a aplicação de multa qualificada ao presente  caso.  Continuando,  a  defesa  comenta  não  ter  tido  oportunidade  de  adaptar  sua  conduta ao decidido na  consulta:  [...] primeiro,  pelo  fato de que a  solução  foi  encaminhada  para  a  cidade  de Paulínia,  sendo que  a  sede administrativa  da  empresa  fica  em Presidente  Prudente, local onde foi apresentado o pedido de consulta.  Não  bastasse  isso,  a  notificação  foi  encaminhada  à  pessoa  que  não  tem  poderes de representação da empresa. Terceiro, porque mesmo que tivesse sido regularmente  cientificada,  não  poderia  alterar  suas  declarações  em  razão  de  estar  sob  procedimento  de  fiscalização [...]    Retomando  a  questão  da  desconsideração  dos  créditos  não  cumulativos  apurados antes de janeiro de 2006, alega a interessada que:  O direito de se valer dos créditos da contribuição ao PIS e da COFINS na  modalidade  não  cumulativa  seguem  a  regra  geral  do  CTN,  portanto,  extinguindo­se  com  o  decurso  do  prazo  de  cinco  anos,  no  caso,  contados  a  partir  do  período  de  apuração  de  aquisição do insumo.  Assim, a Receita Federal do Brasil considera a dedução dos créditos do PIS  e da COFINS uma "restituição", e não aceita a dedução de saldo credor originários de fatos  geradores com mais de cinco anos, contados do fato gerador.    Fl. 287DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10830.001238/2011­02  Resolução nº  3401­000.748  S3­C4T1  Fl. 16            12 Tomado  esse  norte,  da mesma  forma  que  não  poderia  hoje  o Contribuinte  querer  utilizar  créditos  gerados  a  partir  da  aquisição  de  insumos  relativos  ao  período  de  apuração anteriores a dezembro de 2005, não pode também a administração retroagir mais de  cinco anos para desconsiderar os créditos acumulados como fez no curso da ação fiscal.    Superado o lustro, ou considera­se tacitamente homologada a apuração feita  pelo contribuinte ou operam­se os efeitos da decadência [...]  Dessa  forma  é  descabida  a  pretensão  da  Autoridade  Fiscal  quando  desconsidera os saldos de crédito acumulados até dezembro de 2005. Devem eles ser mantidos  e abatidos em relação ao valor lançado, se eventualmente subsistir o trabalho fiscal, haja vista  a nulidade apontada no tópico anterior.    Seguindo,  a  defesa  contesta  a  desconsideração  de  créditos  por  parte  da  auditoria sem a necessária motivação, o que tornaria nulo o procedimento:  No  "Termo  de  Verificação"  a  fiscalização  diz  que  os  créditos  da  não  cumulatividade  foram  apurados  com  base  nos  elementos  da  escrituração  contábil  e  fiscal,  apresentadas em meio digital pelo contribuinte, cujos valores foram submetidos ao aplicativo  de  Auditoria  Fiscal  CONTAGIL,  que  apurou  os  valores  passíveis  de  aproveitamento  como  crédito conforme dados constantes de planilha que seguiu anexada à autuação.  Apesar  disso  não  descreve  os  itens  que  a  fiscalização  entende  que  dão  ou  não dão direito a crédito, ou seja, o aplicativo de Auditoria Fiscal CONTAGIL desconsidera  os créditos mas não diz quais operações estão sendo desconsideradas.  A  planilha  que  está  anexada  à  intimação  (Modelo Analítico Dinâmico  dos  Itens de Notas Fiscais de Entrada) não permite  nenhum  tipo de  identificação de quais bens  foram  tratados  entre  aqueles  que  dão  direito  a  crédito  e  quais  foram  excluídos  do  creditamento.  Ora,  a  fiscalização  teve  acesso  a  todos  os  documentos  da  Contribuinte,  incluído o  livro razão, e não  teve sequer o cuidado de  indicar as situações que segundo seu  entendimento não dão direito a crédito!  Ao mesmo  tempo  o  art.  3º  da  Lei  n.  10.637/02  e  da  Lei  n.º  10.833/03  são  claros  em relacionar as  situações que geram direito ao desconto de créditos,  de  forma que,  observada essa situação, o direito a crédito é decorrência lógica e inconteste.  A  fiscalização,  lançando  mão  do  uso  de  um  software,  desconsiderou  bens  adquiridos  para  revenda,  e  tudo  sem a  indicação do  que  se  entende que  não  gera  direito a  crédito.  Dessa maneira é nítido o cerceamento de defesa visto que a Contribuinte não  tem  sequer  como  entender  quais  situações  tiveram  o  crédito  desconsiderado.  Além  de  chegarmos ao ponto absurdo de utilizar um aplicativo de computador para identificar os itens  com direito a crédito.  Fl. 288DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10830.001238/2011­02  Resolução nº  3401­000.748  S3­C4T1  Fl. 17            13 Como  foi  salientado  em  momento  anterior  o  tema  creditamento  de  PIS  e  COFINS é amplamente controverso e na maioria das vezes para se  identificar os casos com  direito a crédito devem­se fazer análises minuciosas e um profundo estudo da jurisprudência  da  Receita  Federal,  externada  por  meio  de  julgados  de  suas  Delegacias,  do  CARF  e  das  soluções de consulta e de divergência.  Com  tudo  isso  considerado,  como  poderia  um  aplicativo  de  computador  dizer o que gera e o que não gera crédito? Em mais esse ponto, portanto, é viciado o trabalho  da  fiscalização,  o  que  não  pode  resultar  em  outra  conseqüência,  senão  a  anulação  do  lançamento pela incompletude do trabalho da fiscalização e pelo claro prejuízo à Contribuinte  que fica impossibilitada de apresentar defesa contra esse aspecto.  Afirma a fiscalizada que sequer tomou créditos de todas as situações em que  poderia  e,  naquelas  que  tomou  (relacionados  a  bens  adquiridos  para  revendas,  aluguel  de  imóveis  e máquinas)  o  fez  legitimamente  com  amparo  em  entendimento  da  própria  Receita  Federal.  No  tocante  à  apuração  do PIS  e da Cofins,  a  contribuinte  aponta  falhas  na  auditoria: A  fiscalização  afirma  que  a  Contribuinte  não  efetuou  o  rateio  entre  as  despesas  sujeitas  ao  regime  da  cumulatividade  e  da  não  cumulatividade.  Constata  que  teve  receita  originária de operações com produtos sujeitos à incidência concentrada ou monofásica do PIS  e  da  COFINS;  deixou  sem  esclarecimento  quais  das  atividades  estão  sujeitas  à  incidência  concentrada e que deram origem a essas receitas.  Afirma que na hipótese de a pessoa jurídica estar submetida ao regime não  cumulativo, havendo custos e despesas e encargos comuns ao auferimento de receitas sujeitas  aos regimes cumulativo e não cumulativo, os créditos devem ser determinados de acordo com  os métodos de rateio/apropriação dos arts. 21 a 28 da INSRF 404/04.  Em  determinada  altura  do  "Termo  de  Verificação"  (item  11)  confunde  os  regimes de recolhimento com os de apuração quando diz que a Contribuinte erra: [...] por não  ter  efetuado  o  rateio  proporcional,  entre  as  receitas  não  cumulativas  e  as  cumulativas  concentradas,  na  forma  apresentada pela  fiscalização  no  presente  lançamento. Nesse  ponto  é  preciso  deixar  bem  clara  a  diferença  entre  "regime  de  recolhimento  monofásico  ou  concentrado" e regimes de incidência "cumulativa" e "não cumulativa".  Apesar  de  a  comercialização  ou  produção  de  um  determinado  serviço  ou  produto estar submetido ao regime especial ou incidência monofásica com alíquota zero nas  cadeias  subseqüentes,  a  diferenciação  entre  regime  não  cumulativo  e  cumulativo  é  feita  na  forma da Lei n.º 10.637/02 e Lei n.º 10.833/03, que expressamente designam quais estão na  exceção do regime cumulativo, nos seguintes termos (Lei n. 10.833/03) [...]  Com  relação  às  receitas  vinculadas  à  tributação  concentrada,  trata­se  de  comercialização, principalmente, de óleo diesel e gasolina.  Nessa  situação,  embora não  possa  descontar  os  créditos  relativamente  aos  bens adquiridos para revenda (art. 3º inciso I da Lei nº 10.833/03) pode apurar esses créditos  em relação a determinadas situações como o consumo de energia elétrica (art. 3 o , inciso III  da  Lei  n.  10.833/03);  aluguéis  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos  (inciso  IV);  contraprestações  de  operações  de  arrendamento  mercantil  (inciso  V);  máquinas,  equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para  Fl. 289DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10830.001238/2011­02  Resolução nº  3401­000.748  S3­C4T1  Fl. 18            14 locação  a  terceiros,  ou  para  utilização  na  produção  de  bens  destinados  à  venda  ou  na  prestação de serviços (inciso VI); armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda  (inciso IX), entre outros [...]    Citando  soluções  de  consulta  da Receita  Federal  prossegue  concluindo  que  revendedores de produtos sujeitos à alíquota zero ou tributação concentrada, podem ao mesmo  tempo  estar  no  regime  não  cumulativo  e  descontar  créditos  em  relação  a  determinadas  operações que mesmo  sujeitas  a alíquota  zero ou  tributação concentrada,  não há vedação ou  rateio do crédito, podendo ser tomado integralmente. E continua:    Diferente do entendimento da auditoria quando vinculou as receitas sujeitas  à tributação concentrada à sistemática cumulativa, o que o art. 2º, § 1º da Lei n. 10.833/03 faz  é simplesmente estabelecer uma alíquota diferenciada para o recolhimento das contribuições;  nesse sentido, não exclui nenhuma atividade do regime não cumulativo.  A  tributação  concentrada  ou monofásica  não  se  confunde  com  os  regimes  cumulativo  ou  não  cumulativo  de  apuração  das  contribuições,  como  parece  entender  a  fiscalização  quando  no  "Termo  de  Verificação"  anota  que  a  Contribuinte  erra  quando  não  efetua  "o  rateio  proporcional  entre  as  receitas  não  cumulativas  e  as  cumulativas  concentradas".  De  modo  geral,  a  tributação  monofásica  consiste  na  atribuição  da  responsabilidade ao fabricante ou importador de certos produtos de recolher as contribuições  à  uma alíquota  diferenciada  (leia­se majorada),  de modo a  "concentrar"  a  carga  tributária  incidente sobre toda a cadeia produtiva.  Por  outro  lado,  a  venda  dos  produtos  monofásicos  pelos  demais  participantes  da  cadeia  produtiva  (distribuidores,  atacadistas  e  varejistas)  fica  sujeito  à  alíquota zero.  Assim,  os  demais  elos  da  cadeia  dos  produtos  submetidos  ao  regime  monofásico, à exceção do produtor ou importador (responsáveis pelo recolhimento do tributo  à uma alíquota maior) ficam desobrigados do recolhimento porquanto sobre a receita por eles  auferida aplica­se a alíquota zero.  A  circunstância  dessa  receita  estar  submetida  à  alíquota  zero  não  impede  que estes contribuintes possam manter os créditos em relação a determinadas despesas, como  garante o art. 17 da Lei n. 11.033/04.  É  nesse  sentido  que  a Contribuinte  apurou  créditos  em  relação  aos  custos  com  comercialização  de  óleo  diesel  (principalmente)  e  gasolina,  não  estando  impedida  de  efetuar o rateio correto [...]  O  rateio  apresentado  pela  fiscalização  no  "Termo  de  Verificação"  é  equivocado pois exclui as receitas do regime concentrado.   Fl. 290DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10830.001238/2011­02  Resolução nº  3401­000.748  S3­C4T1  Fl. 19            15 Dessa maneira, o correto seria calcular sobre o somatório das receitas não  cumulativas e concentradas, sendo essa a maneira certa de aplicação do rateio, pelo fato de as  receitas  do  regime  concentrado  não  necessariamente  estarem  vinculadas  ao  regime  cumulativo, como se demonstrou.  Por fim, contesta a imposição da multa qualificada nos seguintes termos:  Sem adentrar muito  no mérito  do  conceito  de  fraude  temos  que  esclarecer  que o princípio da tipicidade penal exige que a norma seja interpretada, e que o fato descrito  na norma abstratamente seja concretizado em todo o seu âmbito.  Na norma descrita no art.  72 da Lei 4.502/64  só  se  tem  fraude quando há  ação tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da  obrigação  tributária  principal.  Em  outras  palavras,  a  fraude  se  caracteriza  pela  ação  ou  omissão visando impedir, retardar que o fato gerador ocorra, se realize alterando ou omitindo  informações de forma a esconder que existe o crédito tributário.  Também ocorre fraude quando a ação ou omissão tem como objetivo excluir  ou modificar as características do fato gerador, de modo a reduzir o imposto devido e a evitar  ou diferir seu pagamento.  Por  razões  evidentes,  o  caso  em  questão  não  se  conforma  à  norma  acima  descrita. Como narrado no relatório  fiscal, a contribuinte  informava a  receita obtida, o que  pode ser confirmado pelo exame de suas obrigações acessórias. Não houve ação ou omissão  no sentido de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador, nem muito menos buscou­se  excluir ou modificar suas características.  Destaca­se que havia inclusive consulta para esclarecimento do caso.  E  como  exposto,  o  Processo  de Consulta  é  o  instrumento  à  disposição  do  contribuinte que tem dúvidas sobre a aplicação da legislação tributária; se a dúvida existe, e  se  existia  um  processo  de  consulta,  fica  atestada  ao  menos  a  boa­fé  da  empresa  e,  dessa  maneira, incabível a qualificação da multa sob o pretexto de que teria agido dolosamente.  Pergunta­se: como poderia ela dolosamente estar cometendo  fraude se não  tinha certeza da aplicação das normas?  O contribuinte, como se disse, sem um melhor apoio do Fisco, é responsável  por  todo  o  processo  de  lançamento;  e mesmo  quando  efetua  uma  consulta  para  solucionar  suas dúvidas ainda é taxado de fraudador?   Outro aspecto a se considerar é a falta de parâmetros da Autoridade Fiscal:  nos  primeiros  três  autos,  aplicou  a  multa  de  75%,  e  agora  no  último  mudou  o  critério  e  resolveu aplicar multa majorada de 150%!  Não houve intenção, nem muito menos ação ou omissão que se enquadre na  hipótese descrita na norma que tipifica o crime de fraude.  Fato é que a contribuinte apresentava DACON, efetuou consulta  sobre sua  situação, apresentou a documentação de que dispunha solicitada durante a fiscalização. Não  há como se cogitar intuito de fraude diante de comportamento nesse sentido.  Fl. 291DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10830.001238/2011­02  Resolução nº  3401­000.748  S3­C4T1  Fl. 20            16 A simples ocorrência de equívoco (que se ampara na boa fé da apresentação  de um pedido de consulta) nas obrigações acessórias não é bastante para a configuração do  intuito de fraude que justifica a exasperação da multa.  [...]  O  fato  é  que  o  dolo  em  questão  não  encontra  apoio  na  conduta  do  Contribuinte,  que  de  maneira  prudente,  tendo  dúvidas  sobre  a  aplicação  das  normas,  apresentou processo de Consulta.  Falar em dolo, quer parecer é algo que  foi  levantado pelo auditor com um  único propósito. Valer­se do prazo decadencial mais favorável ao erário (CTN, art. 150, § 4o )  , dado que tinha ciência de que estava lançando crédito já atingido pela decadência.    Por  fim,  discorre  sobre  o  princípio  da  boa  fé  e  diz  que  este  deve  ser  considerado  ao  caso  em  tela  para  fins  de  exclusão  da  multa  qualificada.  O  proceder  do  contribuinte não revelou má­fé; não houve qualquer ocultação de dados, tanto que os devidos  documentos  foram  entregues  em  atendimento  as  intimações  recebidas  da  autoridade  fazendária, ensejando a glosa ou conferência dos referidos documentos.  Ao fim da peça de impugnação, a contribuinte assim resume suas pretensões:  (a) reconhecer a NULIDADE material do MPF 08104002009010506 e, por  conseqüência,  do  lançamento  consubstanciado  no  Processo  Administrativo  10830.721425/201106  ante  o  flagrante  cerceamento  de  defesa,  dado  que:  não  houve  devolução  ao  contribuinte  dos  documentos  entregues  para  fiscalização;  não  foram  discriminados  os  créditos  desconsiderados  pela  fiscalização,  nem  tampouco  justificada  individualmente a desconsideração; e por  todas as  violações aos direitos do  contraditório  e  ampla  defesa  apontados,  que  colocam  em  risco  a  defesa  apresentada  pelo  contribuinte,  conforme amplamente exposto ao longo do texto; (b) de forma subsidiária, e considerando que  o  lançamento do Processo 10830.721425/201106  (datado de 27 de maio de 2.011)  se refere  aos períodos de apuração de janeiro a dezembro de 2.006, mediante a aplicação do art. 150, §  4 o do CTIM, REQUER que seja reconhecida a decadência relativamente aos períodos janeiro  a  abril  de  2006,  em  relação  aos  quais,  na  data  do  lançamento,  havia  transcurso  de  prazo  superior a cinco anos;   (c)  subsidiariamente,  reconhecer  a  existência  de  saldos  credores  acumulados  da  contribuição  ao PIS  e  da COFINS  referentes  aos  períodos  de  apuração  até  dezembro  de  2005  (tacitamente  homologados  ou  cuja  verificação  pelo  Fisco  se  torna  impossível  pelo  decurso  do  prazo  decadencial),  injustificadamente  desconsiderados  pela  fiscalização,  abatendo­se  no  montante  dos  créditos  aquilo  que  eventualmente  for  devido  e  lançado no presente auto de infração;   (d) também de forma subsidiária o reconhecimento de que, na forma do art.  10  da  Lei  n.  10.833/03,  as  receitas  sujeitas  ao  regime  concentrado  não  estão  vinculadas  à  sistemática cumulativa da contribuição ao PIS e da COFINS, o que inverte o cálculo do rateio  em relação àquilo que fez a fiscalização, devendo ser adotado o cálculo aqui apresentado pela  Impugnante; e (e) subsidiariamente, reconhecer ser inaplicável ao caso a multa qualificada de  150%,  uma  vez  que  não  houve  intuito  de  fraude  (a  apresentação de DACON e DCTF,  bem  Fl. 292DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10830.001238/2011­02  Resolução nº  3401­000.748  S3­C4T1  Fl. 21            17 como a consulta sobre o fato comprovam a boa­fé do contribuinte), e não ser aplicável multa  nos  casos  em  que  o  erro  do  contribuinte  já  tem  conseqüências  específicas  previstas  na  legislação.    DECISÃO DA DRJ  A DRJ decidiu em síntese:    “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Ano calendário: 2006  DECADÊNCIA.  PIS.  COFINS.  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  PRAZO DECADENCIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.  A  contagem  do  prazo  decadencial  é  regida  pelo  disposto  no  Código  Tributário  Nacional.  Na  hipótese  em  que  não  há  recolhimento,  o  prazo  decadencial  de  cinco  anos  conta­se  a  partir  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado.  CRÉDITO NÃO CUMULATIVO. DECADÊNCIA. PRAZO.  O  prazo  decadencial  para  constituição  do  crédito  tributário  relativo  ao  aproveitamento  indevido  de  créditos  da  não  cumulatividade  é  contado  do  período  da  efetiva  utilização,  por  desconto, do crédito não cumulativo.  MÉTODO  DE  RATEIO  PROPORCIONAL.  ATRIBUIÇÃO  DE  CRÉDITOS. REGIME NÃO CUMULATIVO.  O  percentual  a  ser  estabelecido  entre  a  receita  bruta  sujeita  à  incidência não cumulativa e a  receita bruta  total, auferidas em  cada  mês,  para  aplicação  do  rateio  proporcional  previsto  no  inciso  II  do  §  8º  do  art.  3º,  da  Lei  nº  10.637,  de  2002,  a  ser  utilizado  na  apuração  de  créditos  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep, referente a custos, despesas e encargos comuns, deve  ser  aquele  resultante  do  somatório  somente  das  receitas  que,  efetivamente,  foram  incluídas  nas  bases  de  cálculo  de  incidências e recolhimentos nos regimes da não cumulatividade  e da cumulatividade.  As  receitas  decorrentes  de  vendas  realizadas  com  isenção,  alíquota zero, não alcançadas pela incidência, de bens do ativo  permanente  e  as  receitas  financeiras  por  não  integrarem  ou  estarem  excluídas  da  base  de  cálculo  de  incidência  e  recolhimento  da Contribuição  para  o PIS/Pasep,  não  integram  também  os  respectivos  montantes  da  receita  bruta  sujeita  à  incidência  nãocumulativa  e  nem  o  da  receita  bruta  total,  auferidas  em  cada  mês,  utilizados  na  determinação  do  percentual a ser aplicado no método dorateio proporcional para  Fl. 293DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10830.001238/2011­02  Resolução nº  3401­000.748  S3­C4T1  Fl. 22            18 fins de aproveitamento de créditos relativos aos custos, despesas  e encargos comuns.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL COFINS.  Anocalendário: 2006  DECADÊNCIA.  PIS.  COFINS.  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  PRAZO DECADENCIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.  A  contagem  do  prazo  decadencial  é  regida  pelo  disposto  no  Código  Tributário  Nacional.  Na  hipótese  em  que  não  há  recolhimento, o prazo decadencial de cinco anos contase  a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o  lançamento poderia ter sido efetuado.  CRÉDITO NÃO CUMULATIVO. DECADÊNCIA. PRAZO.  O  prazo  decadencial  para  constituição  do  crédito  tributário  relativo  ao  aproveitamento  indevido  de  créditos  da  não  cumulatividade  é  contado  do  período  da  efetiva  utilização,  por  desconto, do crédito não cumulativo.   MÉTODO  DE  RATEIO  PROPORCIONAL.  ATRIBUIÇÃO  DE  CRÉDITOS. REGIME NÃOCUMULATIVO.  O  percentual  a  ser  estabelecido  entre  a  receita  bruta  sujeita  à  incidência não cumulativa e a  receita bruta  total, auferidas em  cada  mês,  para  aplicação  do  rateio  proporcional  previsto  no  inciso  II  do  §  8º  do  art.  3º,  da  Lei  nº  10.833,  de  2003,  a  ser  utilizado  na  apuração  de  créditos  da Cofins,  relativo  a  custos,  despesas  e  encargos  comuns,  deve  ser  aquele  resultante  da  aplicação  somente  das  receitas  que,  efetivamente,  foram  incluídas  nas  bases  de  cálculo  de  incidências  e  recolhimentos  nos regimes da não cumulatividade e da cumulatividade.  As  receitas  decorrentes  de  vendas  realizadas  com  isenção,  alíquota zero, não alcançadas pela incidência, de bens do ativo  permanente  e  as  receitas  financeiras  por  não  integrarem  ou  estarem  excluídas  da  base  de  cálculo  de  incidência  e  recolhimento  da  Cofins,  não  integram  também  os  respectivos  montantes da receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e  nem o da receita bruta  total, auferidas em cada mês, utilizados  na  determinação  do  percentual  a  ser  aplicado  no  método  do  rateio  proporcional  para  fins  de  aproveitamento  de  créditos  relativos aos custos, despesas e encargos comuns.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano calendário: 2006  MULTA QUALIFICADA. IMPROCEDÊNCIA.  Fl. 294DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10830.001238/2011­02  Resolução nº  3401­000.748  S3­C4T1  Fl. 23            19 Não  comprovados  os  elementos  caracterizadores  de  fraude,  sonegação e conluio, afasta­se a qualificação da multa de ofício,  reduzindo­se seu percentual.  Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte.”  O Recorrente apresentou recurso voluntário reiterando os argumentos acima  descritos na impugnação.  É o relatório.  VOTO CONSELHEIRO JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS – Redator para a Resolução  Dissentiu o colegiado da proposta da Conselheira Ângela Sartori, que implicava,  de imediato, o afastamento da exigência.  Diferentemente,  o  colegiado  houve  por  bem  ver  esclarecido  primeiro  se  este  lançamento, que engloba apenas os meses de janeiro e fevereiro de 2006, efetivamente alcança  alguma receita obtida com a revenda de combustível adquirido de outra distribuidora. Assim,  decidiu, por maioria, determinar a realização de diligência para que:  a)  a  fiscalização  afirme  se  em  algum  dos  meses  objeto  do  lançamento há na base de cálculo por ela adotada a inclusão de  receitas  que  a  contribuinte  tenha  obtido  com  a  revenda  de  combustível  adquirido  de  outras  distribuidoras  e,  em  caso  afirmativo, discrimine o valor dessas receitas e o montante de  cada tributo sobre elas exigido neste processo;  b)  confirme  se  esse  é o  objeto  da  consulta  formulada,  se  ela  foi  declarada  ineficaz,  e  informe  a  data  em  que  a  empresa  foi  validamente comunicada de seu resultado;  c)  sendo a data acima posterior à de início da ação fiscal, aponte  por que, ainda assim, entende cabível aquela inclusão.  Das  conclusões  deve  ser  dada  ciência  à  empresa  para  apresentação  de  manifestação no prazo de trinta dias.    CONSELHEIRO JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS – Redator para a resolução      Fl. 295DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS

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Numero do processo: 12898.000344/2009-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 FALTA DE PROVAS. IMPROCEDÊNCIA. A falta de provas nos autos do processo administrativo fiscal gera a improcedência dos lançamentos.
Numero da decisão: 1401-001.021
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) JORGE CELSO FREIRE DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias, Sergio Luiz Bezerra Presta e Alexandre Antonio Alkmim Teixeira.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) JORGE CELSO FREIRE DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias, Sergio Luiz Bezerra Presta e Alexandre Antonio Alkmim Teixeira.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 0/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS     2   Relatório  Trata­se  de  recurso  de  ofício,  apresentado  pela  8ª  Turma  da  DRJ  Rio  de  Janeiro I, em face do Acórdão nº 12­27.129, de 13/11/2009, que por unanimidade de votos, deu  provimento à impugnação, para exonerar integralmente o crédito.  Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida (verbis):  Trata o processo dos autos de infração de fls.98/102 e 103/107,  lavrados pela Delegacia da Receita Federal de Fiscalização no  Rio  de  Janeiro,  (Defic/RJ),  exigindo  da  Interessada,  acima  identificada,  o  Imposto  sobre  a  Renda  da  Pessoa  Jurídica,  (IRPJ) e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido,  (CSLL),  respectivamente,  nos  valores  de  R$5.608.985,70  e  R$1.985.796,00,  acrescidos  em  cada  um  dos  tributos,  de multa  de ofício de 75%, e juros de mora calculados até 31.03.2009.  O enquadramento legal consta nos respectivos autos de infração.  A  descrição  dos  fatos  aponta  que  houve  exclusão  indevida  no  lucro real de ganho de capital de participação extinta por cisão.  O Termo de Constatação Fiscal, fls.97, informa que:  ­  em  03­09­2008,  a  Interessada  foi  intimada  a  especificar  as  contas  que  originaram  as  exclusões  declaradas  na  sua  DIPJ/2006, no campo "outras exclusões";  ­  em  11­09­2008,  (fls.36),  a  Interessada  informou  que  as  referidas contas contábeis  faziam parte do grupo contábil 4.2 ­  não  operacionais,  sub  contas  4.2.1.1.03.62100  (outros  ganhos  não  tributáveis  ­  Fazenda  Pindaíbas),  4.2.1.1.03.62999  (outros  ganhos não tributáveis ­Diversos) e 4.2.1.01.62999 (reversão de  provisão ­ diversos);  ­  em  22­09­2008,  a  Interessada  foi  solicitada  a  justificar  apresentando  documentação  comprobatória,  os  lançamentos  contábeis referentes às contas acima mencionadas;  ­  em  26­09­2008,  (fls.39),  a  Interessada  informou  que  os  lançamentos  da  conta  4.2.1.1.03.62999  (outros  ganhos  não  tributáveis  ­  Diversos),  decorreram  de  dois  ganhos  de  capital  resultantes  de  cisões  parciais  da  pessoa  jurídica  Lorentzen  Empreendimentos S.A., os quais acabaram gerando um aumento  percentual na sua participação na mesma, gerando o ganho;  ­  em  05­03­2009,  a  Interessada  foi  intimada  a  apresentar  a  legislação,  na  qual  encontrou  amparo  legal  para  excluir  da  apuração  do  Lucro  Real,  o  ganho  de  capital  obtido  em  conseqüência das cisões parciais da Lorentzen Empreendimentos  S.A;  ­  em  09­03­2009,  a  Interessada  informou  encontrar  amparo  legal no artigo 428 do RIR/99, fls.96;  Fl. 410DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 0/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 12898.000344/2009­97  Acórdão n.º 1401­001.021  S1­C4T1  Fl. 3          3 ­  registrou a Fiscalização que o artigo 428 do RIR/99  trata de  resultado na alienação de Investimentos, o que não ocorreu com  a Interessada;  ­ entendeu a Fiscalização que a Interessada deixou de cumprir o  previsto na legislação vigente;  ­  informou  a  Fiscalização  que  a  Interessada  registrou  em  sua  contabilidade o ganho, bem como, declarou na sua DIP J/2006.  Os formulários FAPLI, FACS e demonstrativos de compensação  de bases negativas e de prejuízos fiscais estão às fls. 119/122 e  124.  Inconformada com o crédito tributário originado da ação fiscal  da qual teve ciência do lançamento em 26­03­2009, (fls .108), a  Interessada apresentou em 24­04­2009, (fls. 125), a impugnação  de  fls.125/138,  instruída  pelos  documentos  de  fls.  138/199,  argüindo em síntese, o que segue.  ­  não  houve  extinção  da  sua  participação  na  Lorentzen  Empreendimentos S.A;  ­  não  recebeu  nenhum  acervo  líquido  por  conta  das  cisões  ocorridas na Lorentzen Empreendimentos S.A em 30­06­2005 e  28­11­2005;  ­  não  houve  alienação  do  investimento,  houve  tão­somente  alteração de participação societária, a qual foi contabilizada em  conformidade  com  o  artigo  428  do  RIR/99,  que  se  aplica  aos  casos em que não houve a alienação da participação;  ­  não  foi  ela  que  recebeu  o  acervo  cindido  da  Lorentzen  Empreendimentos;  ­ não teve ações da Lorentzen Empreendimentos SA canceladas;  ­ na cisão corrida em 30­06­2005, as ações canceladas foram da  DnB Nor Invest Holdings AS, com a conseqüente saída desta, e  não da sua;  ­  a  parcela  cindida  foi  incorporada  pela  Vitória  Participações  SA, tendo esta emitido novas ações de titularidade da DnB Nor  Invest Holdings AS;  ­  a  avaliação  da  parcela  cindida  da  Lorentzen  foi  efetuada  conforme  laudo  realizado  com  base  nas  demonstrações  financeiras  da  Lorentzen,  referenciados  a  31­05­2005,  e  com  base  nos  critérios  previstos  no  artigo  183,  da  Lei  n°.6.404,  de  1976;  ­  o  acervo  líquido  cindido  equivaleu  a  uma  redução  total  do  patrimônio líquido da Lorentzen no valor de R$107.692.694,98,  sendo  R$42.048.696,76  correspondente  à  redução  do  capital  social, R$7.667.547,10 relativo à redução de reservas de capital,  R$44.645.015,99  relativo  à  redução  das  reservas  de  lucros,  e  R$13.331.435,13 a título de redução dos lucros acumulados;  Fl. 411DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 0/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS     4 ­  na  cisão  corrida  em  28­11­2005,  as  ações  canceladas  foram  das  pessoas  físicas  e  jurídicas mencionadas  às  fls.  127,  com  a  conseqüente  redução  do  capital  da  Lorentzen  em  R$67.539.769,98, passando o mesmo de R$131.851.310,60 para  R$64.311.540,62;  ­  a  parcela  cindida  foi  incorporada  pelas  pessoas  jurídicas  mencionadas às fls. 128, primeiro parágrafo;  ­  quando  das  duas  cisões,  o  valor  por  ação  do  acervo  líquido  correspondente às ações que foram canceladas no capital social  da  Lorentzen  era  inferior  ao  valor  patrimonial  da  ação  da  Lorentzen naquele período;  ­ depois das cisões, com o cancelamento de ações e a  saída de  alguns  acionistas,  o  seu  percentual  de  participação  no  capital  social da Lorentzen aumentou, resultando um acréscimo no seu  investimento, conforme demonstrado às fls. 129, 130 e 131;  ­  sobre  tal  acréscimo  de  investimento  não  incide  IRPJ  nem  CSLL,  pois,  o  valor  representado  pela  diferença  no  percentual  de  participação  no  capital  social  não  caracteriza  ganho  de  capital;  ­  houve  tão­somente  alteração  no  percentual  de  participação  sem  que  com  isto  tivesse  ocorrido  a  realização  deste investimento, nem mesmo a sua disponibilidade;  ­ por isto, o acréscimo foi contabilizado em conformidade com o  artigo  428,  do  RIR/1999,  que  é  resultado  da  combinação  do  artigo  33,  parágrafo  2°.,  do  DL  n°.  1.648/1978  e  DL  n°.  1.598/1977, transcritos às fls.132/134;  ­  não  se  aplica  o  artigo  430,  do  RIR/1999,  utilizado  pela  Fiscalização  e  transcrito  às  fls.133/134,  pois,  não  houve  extinção da participação, mas sim, mera alteração da mesma.  A 8ª Turma da DRJ Rio de Janeiro, por unanimidade, proferiu decisão assim  ementada (fls. 256):  Assunto : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ  Ano­calendário: 2005  FALTA DE PROVAS. IMPROCEDÊNCIA.  A  falta  de  provas  nos  autos  do  processo  administrativo  fiscal  gera a improcedência dos lançamentos.  Impugnação Procedente  Crédito Tributário Exonerado  É o relatório  Fl. 412DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 0/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 12898.000344/2009­97  Acórdão n.º 1401­001.021  S1­C4T1  Fl. 4          5   Voto             O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido.  A decisão da DRJ Recife foi vazada nos seguintes termos:   No caso de cisão parcial, os elementos formadores de ganhos e  perdas  de  capital  para  a  investidora,  passam  necessariamente  pela extinção de ações ou quotas de capital de sua participação  societária, e que a investidora tenha participado da sucessão do  patrimônio.  Desta  forma,  é  requisito  para  a  aplicação  daquele  dispositivo  que,  ao  menos,  parte  do  acervo  líquido  tenha  sido  transferido  para  a  investidora,  e  que  a  sua  participação  societária  tenha  sido, também, pelo menos em parte, extinta na cisão parcial.  Em  suma,  o  artigo  430,  do  RIR/1999,  disciplina  o  tratamento  fiscal do ganho ou perda decorrente de participação societária  extinta na fusão, incorporação ou cisão.  Em relação a estes pontos, alegou a Interessada que não houve  extinção  da  sua  participação  na  Lorentzen  Empreendimentos  S.A,  e  que  não  recebeu  nenhum  acervo  líquido  por  conta  das  cisões ocorridas na Lorentzen Empreendimentos S.A em 30­06­ 2005 e 28­11­2005.  Para comprovar o alegado, acostou aos autos os documentos de  fls. 171/208.  [...]  Às  fls.210/221,  consta  parecer  de  auditores  independentes  informando que em 31­12­2005, a Interessada manteve o mesmo  número  de  ações  do  capital  social  da  Lorentzen  Empreendimentos S.A.  Conforme  fls.39/94,  verifica­se  que  tais  informações  e  documentos  foram  apresentados  pela  Interessada  quando  da  ação fiscal.  A  Fiscalização  com  base  nestes  documentos  deveria  ter  analisado  a  correção  e  legitimidade  das  informações  neles  contidas,  objetivando  verificar  se  efetivamente  as  cisões  ocorridas  revelaram  fatos  geradores  do  IRPJ  a  teor  do  que  determina o artigo 430 do RIR/1999.  Resta  concluir  que  a Fiscalização não  comprovou que  ocorreu  exclusão indevida na apuração do lucro real. A falta de provas  nos  autos  do  processo  administrativo  fiscal  gera  a  improcedência do lançamento.  Fl. 413DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 0/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS     6 Analisando­se as razões de decidir adotadas pela decisão de piso, verifico que  foi correta a interpretação da legislação de regência.   Os  elementos  constantes  dos  autos  demonstram que  não  houve  extinção da  sua participação na Lorentzen Empreendimentos S.A, e que a contribuinte não recebeu nenhum  acervo  líquido  por  conta  das  cisões  ocorridas  na  Lorentzen  Empreendimentos  S.A.,  em  30/06/2005 e em 28/11/2005.  Conforme bem apontado pelo voto condutor da decisão da DRJ, “no caso de  cisão parcial, os elementos formadores de ganhos e perdas de capital para a investidora, passam  necessariamente pela extinção de ações ou quotas de capital de sua participação societária,  e  que a investidora tenha participado da sucessão do patrimônio.”  Em outras palavras, para aplicação do disposto no art. 430 do RIR/99, seria  necessário  que  pelo  menos  parte  do  acervo  líquido  da  pessoa  jurídica  cindida  tivesse  sido  transferida  para  a  investidora,  e  que  a  sua  participação  societária  também  tivesse  sido,  pelo  menos em parte, extinta na cisão parcial. Tais  requisitos não se  fazem presentes no caso sob  análise.   Importante  destacar  que  todos  os  documentos  e  informações  capazes  de  demonstrar a inocorrência de ganho de capital por parte da contribuinte, por ocasião da cisão  parcial  da  Lorentzen  Empreendimentos  S.A.  já  haviam  sido  apresentados  pela  contribuinte,  durante a ação fiscal.  Tal  fato motivou o  seguinte  comentário do Relator do  acórdão de piso,  fls.  261:  A  Fiscalização  com  base  nestes  documentos  deveria  ter  analisado  a  correção  e  legitimidade  das  informações  neles  contidas,  objetivando  verificar  se  efetivamente  as  cisões  ocorridas  revelaram  fatos  geradores  do  IRPJ  a  teor  do  que  determina o artigo 430 do RIR/1999.  Resta  concluir  que  a Fiscalização não  comprovou que  ocorreu  exclusão indevida na apuração do lucro real. A falta de provas  nos  autos  do  processo  administrativo  fiscal  gera  a  improcedência do lançamento.  Conclusão  Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao presente recurso  de ofício.  (assinado digitalmente)  Fernando Luiz Gomes de Mattos ­ Relator.                            Fl. 414DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 0/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 12898.000344/2009­97  Acórdão n.º 1401­001.021  S1­C4T1  Fl. 5          7     Fl. 415DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 0/02/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS

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Numero do processo: 13839.722214/2011-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 20/07/2010, 19/08/2010, 16/09/2010, 27/10/2010, 14/12/2010, 27/12/2010, 18/01/2011, 02/02/2011, 25/02/2011, 25/03/2011,25/04/2011, 28/04/2011, 24/05/2011, 22/06/2011 COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL. Será aplicada multa exigida isoladamente no percentual de 75% sobre o débito indevidamente compensado nos casos em que a compensação seja considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 1996. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco.
Numero da decisão: 3302-001.861
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES - Relator. EDITADO EM: 23/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 20/07/2010, 19/08/2010, 16/09/2010, 27/10/2010, 14/12/2010, 27/12/2010, 18/01/2011, 02/02/2011, 25/02/2011, 25/03/2011,25/04/2011, 28/04/2011, 24/05/2011, 22/06/2011 COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL. Será aplicada multa exigida isoladamente no percentual de 75% sobre o débito indevidamente compensado nos casos em que a compensação seja considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 1996. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES - Relator. EDITADO EM: 23/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1937; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T2  Fl. 392          1 391  S3­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13839.722214/2011­91  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3302­001.861  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  24 de outubro de 2012  Matéria  MULTA ISOLADA  Recorrente  SIFCO SA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Data  do  fato  gerador:  20/07/2010,  19/08/2010,  16/09/2010,  27/10/2010,  14/12/2010,  27/12/2010,  18/01/2011,  02/02/2011,  25/02/2011,  25/03/2011,25/04/2011, 28/04/2011, 24/05/2011, 22/06/2011  COMPENSAÇÃO  NÃO  DECLARADA.  MULTA  ISOLADA.  PERCENTUAL.  Será  aplicada  multa  exigida  isoladamente  no  percentual  de  75%  sobre  o  débito  indevidamente  compensado  nos  casos  em  que  a  compensação  seja  considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei  no 9.430, de 1996.  INCONSTITUCIONALIDADE.  INSTÂNCIAS  ADMINISTRATIVAS.  COMPETÊNCIA.  As  autoridades  administrativas  estão  obrigadas  à  observância  da  legislação  tributária  vigente  no  País,  sendo  incompetentes  para  a  apreciação  de  argüições  de  inconstitucionalidade  e  ilegalidade,  restringindose  a  instância  administrativa  ao  exame  da  validade  jurídica  dos  atos  praticados  pelos  agentes do Fisco.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator  (assinado digitalmente)  WALBER JOSÉ DA SILVA ­ Presidente.   (assinado digitalmente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 72 22 14 /2 01 1- 91 Fl. 393DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES     2 ALEXANDRE GOMES ­ Relator.  EDITADO EM: 23/01/2014  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva  (Presidente),  José  Antonio  Francisco,  Fabiola  Cassiano  Keramidas,  Maria  da  Conceição  Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.  Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário apresentado em 13 de abril de 2012 contra o  Acórdão nº 05­36.047, da 3ª Turma da DRJ/CPS, que por unanimidade de votos, decidiu por  julgar improcedente a impugnação apresentada.  A exigência fiscal discutida foi formalizada no auto de infração e refere­se ao  montante  de  R$14.175.194,15,  originários  da  aplicação  de  multa  regulamentar  exigida  isoladamente em razão de compensação indevida.   Nota­se abaixo, resumidamente, os fatos que motivaram o lançamento e que  foram especificados no auto de infração  1. INTRODUÇÃO:  O  presente  procedimento  fiscal  teve  origem  nos  Despachos  Decisórios  DRF/JUN,  proferidos  nos  seguintes  processos  administrativos:  Processo nº   Data Pedido Despacho Decisório Ciência do Contribuinte  12217.000131/201011 20/07/2010  Folhas nº 66 a 70v   25/07/2011  12217.000094/201041 22/06/2010    Folhas nº 104 a 108   25/07/2011  12217.000148/201078 19/08/2010  Folhas nº 142 a 146v   25/07/2011  12217.000149/201012 16/09/2010  Folhas nº 105 a 109   25/07/2011  12217.000150/201047 20/10/2010   Folhas nº 68 a 72   25/07/2011  13839.000164/201197 14/12/2010  Folhas nº 87 a 94   08/06/2011  13839.004244/201031 27/12/2010  Folhas nº 67 a 74   08/06/2011  13839.000194/201101 18/01/2011  Folhas nº 67 a 71   25/07/2011  13839.720729/201156 25/04/2011  Documento nº 11   25/07/2011  13839.721073/201199 24/05/2011  Documento nº 12   25/07/2011  13839.720662/201150 19/04/2011  Documento nº 09   25/07/2011  13839.720730/201181 25/04/2011  Documento nº 08   25/07/2011  13839.720803/201134 28/04/2011  Documento nº 06   25/07/2011  13839.721425/201114 22/06/2011  Documento nº 08   27/07/2011  Fl. 394DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13839.722214/2011­91  Acórdão n.º 3302­001.861  S3­C3T2  Fl. 393          3 O  sujeito  passivo  requereu  compensação  de  débitos  de  IRRF,  CSLL,  contribuição para o PIS/PASEP e COFINS de períodos aquisitivos distintos, informando como  origem  créditos  de  PIS/PASEP  e  COFINS  demonstrados  na  tabela  constante  do  anexo  I,  alegando serem estes valores recolhidos  indevidamente, em face da inclusão inconstitucional,  na  base  de  cálculo  dos  tributos,  de  montante  relativo  ao  Imposto  Sobre  Circulação  de  Mercadorias e Serviços (ICMS).  Explicou que pretendia utilizar o crédito ora requerido na quitação de débitos  tributários de sua responsabilidade.  Os  referidos  despachos  decisórios  consideraram  NÃO  DECLARADAS  as  compensações  supracitadas  (apresentadas  por  meio  de  formulários),  posto  ser  vedada  a  compensação do crédito que tiver como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei,  sem  que  a  lei  tenha  sido:  (i)declarada  inconstitucional  pelo  STF,  em  ação  direta  de  inconstitucionalidade  ou  em  ação  declaratória  de  constitucionalidade;  (ii)  sua  execução  suspensa pelo Senado federal; (iii) julgada em sentença judicial transitada em julgado a favor  do  contribuinte;  ou  seja  (iv)  objeto  de  súmula  vinculante  aprovada  pelo  STF  nos  termos  do  artigo 103­A da Constituição Federal; uma vez que a atividade da Secretaria da Receita Federal  do Brasil é vinculada, não cabendo se pronunciar a respeito da constitucionalidade ou não de  quaisquer leis ou atos normativos, e em conformidade com o determinado na Lei nº 9.430, de  27 de dezembro de 1996, artigo 74, parágrafo 12, alínea "f", itens 1 a 4, bem como com a IN  RFB nº 900/2008”.  Como as compensações foram consideradas não declaradas, foram aplicadas  as multas previstas no parágrafo 4º do artigo 18 da Lei nº 10.833/03, com redação dada pela  Lei nº 11.488/2007 e artigo 44 da Lei nº 9.430/1996.  Intimado  do  teor  do  auto  de  infração,  o  contribuinte  protocolizou  impugnação, aduzindo em síntese que: a) Compensações foram realizadas regularmente, pois a  Recorrente não se enquadra nas hipóteses de utilização do Programa PER/DCOMP; b) Multa  aplicada  de  75%  ofende  o  princípio  da  Isonomia  e  da  Proporcionalidade,  bem  como  possui  caráter  confiscatório;  c)  Há  nulidade  do  auto  de  infração  por  entender  que  a  Autoridade  Administrativa aplicou a legislação tributária de forma equivocada; d) Mencionou que: “não há  se falar em lançamento de ofício, descrito no artigo 44, inciso I, §1º da lei 9.430/96”, devendo  ser  aplicada,  subsidiariamente  a  multa  prevista  no  artigo  74§17º  da  Lei  nº  9.430/96.  e)  A  redução da multa para 20%, tendo em vista que obedeceu aos ditames legais de compensação.  A  impugnação  foi  julgada  totalmente  improcedente  (fls.  334/344),  como  se  nota abaixo:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO   Data  do  fato  gerador:  20/07/2010,  19/08/2010,  16/09/2010,  27/10/2010,  14/12/2010,  27/12/2010,  18/01/2011,  02/02/2011,  25/02/2011,  25/03/2011,  25/04/2011,  28/04/2011,  24/05/2011,  22/06/2011   COMPENSAÇÃO  NÃO  DECLARADA.  MULTA  ISOLADA.  PERCENTUAL.  Será aplicada multa exigida isoladamente no percentual de 75%  sobre  o  débito  indevidamente  compensado nos  casos  em que a  Fl. 395DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES     4 compensação seja considerada não declarada nas hipóteses do  inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 1996.  INCONSTITUCIONALIDADE.  INSTÂNCIAS  ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA.  As  autoridades  administrativas  estão  obrigadas  à  observância  da  legislação  tributária  vigente  no  País,  sendo  incompetentes  para  a  apreciação  de  argüições  de  inconstitucionalidade  e  ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame  da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco.  Impugnação Improcedente   Crédito Tributário Mantido      Irresignado  com  tal  improcedência,  o  contribuinte  protocolizou  Recurso  Voluntário (fls. 350/370), reforçando os argumentos levantados na impugnação  Voto             Conselheiro ALEXANDRE GOMES  O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e  dele tomo conhecimento.  A  matéria  trata  de  pedidos  de  restituição  e  compensação  formulados  pelo  contribuinte  que  não  foram  formalizados  pelo  programa  PER/DCOMP.  Deste  modo,  estes  pedidos restaram indeferidos, sendo aplicada multa isolada.  Para  que  não  haja  confusão  entre  a  matéria  levantada  e  a  discutida  nestes  autos, tal motivação deste Acórdão será subdividida em tópicos.  II.1 Das compensações realizadas e do programa PER/DCOMP.  Como argumentado pelo Contribuinte, este aduz que a compensação não foi  realizada pelo programa pois não houve hipótese fornecida pelo programa que o contribuinte se  encaixasse. Passa­se à análise da IN nº 900/08:  “Art.  34.  O  sujeito  passivo  que  apurar  crédito,  inclusive  o  reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo  a  tributo  administrado  pela RFB, passível  de  restituição ou de  ressarcimento,  poderá  utilizá­lo  na  compensação  de  débitos  próprios,  vencidos  ou  vincendos,  relativos  a  tributos  administrados  pela  RFB,  ressalvadas  as  contribuições  previdenciárias,  cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a  48,  e  as  contribuições  recolhidas  para  outras  entidades  ou  fundos.  §  1º  A  compensação  de  que  trata  o  caput  será  efetuada  pelo  sujeito passivo mediante apresentação à RFB da Declaração de  Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou, na  impossibilidade  de  sua  utilização,  mediante  a  apresentação  à  RFB  do  formulário  Declaração  de Compensação  constante  do  Anexo  VII,  ao  qual  deverão  ser  anexados  documentos  comprobatórios do direito creditório.  Fl. 396DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13839.722214/2011­91  Acórdão n.º 3302­001.861  S3­C3T2  Fl. 394          5 §  2º  A  compensação  declarada  à  RFB  extingue  o  crédito  tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do  procedimento.   § 3º Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega,  pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º:  I ­ o crédito que:  a) seja de terceiros;  b) se refira a "crédito­prêmio" instituído pelo art. 1º do Decreto­ Lei nº 491, de 5 de março de 1969;  c) se refira a título público;  d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado;   e) não se refira a tributos administrados pela RFB; ou   f) tiver como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de  lei, exceto nos casos em que a lei: (Redação dada pela Instrução  Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009)  1 ­ tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal  Federal  em  ação  direta  de  inconstitucionalidade  ou  em  ação  declaratória  de  constitucionalidade;  (Incluído  pela  Instrução  Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009)   2  ­  tenha  tido  sua  execução  suspensa  pelo  Senado  Federal;  (Incluído  pela  Instrução  Normativa  RFB  nº  973,  de  27  de  novembro de 2009)  3  ­  tenha  sido  julgada  inconstitucional  em  sentença  judicial  transitada em julgado a favor do contribuinte; ou (Incluído pela  Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009)  4  ­  seja  objeto  de  súmula  vinculante  aprovada  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  nos  termos  do  art.  103­A  da  Constituição  Federal; (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 973, de 27  de novembro de 2009)  Ocorre  que,  da  interpretação  sistemática  da  Instrução  Normativa,  pode­se  notar  no  caput  do Art.  34  que,  o  contribuinte  que  não  conseguir  utilizar  o  programa  poderá  apresentar formulário de declaração, constante do Anexo VII e com os respectivos documentos  comprobatórios anexados.  Portanto, a declaração manual poderá ser realizada, desde que a compensação  não  seja  hipótese  prevista  do  §3º  da  Instrução Normativa  citada  acima.  E  esta  situação  não  corresponde com os autos.  Não há a possibilidade de apresentar declaração manual de compensação nos  casos  em  que  o  fundamento  para  compensar  seja  a  inconstitucionalidade  de  lei.  Somente  haverá  esta possibilidade nos  casos  também previstos pela  Instrução Normativa citada acima  (§3º, “e”).  Fl. 397DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES     6 Esta  situação  também  foi  verificada  pelo  indeferimento  dos  pedidos  de  compensação, como se nota:  Art.  39.  A  autoridade  competente  da  RFB  considerará  não  declarada a compensação nas hipóteses previstas no § 3º do art.  34.(gn)  § 1º Também será considerada não declarada a compensação ou  não  formulado  o  pedido  de  restituição,  de  ressarcimento  ou  reembolso  quando  o  sujeito  passivo,  em  inobservância  ao  disposto  nos  §§  2º  a  5º  do  art.  98,  não  tenha  utilizado  o  programa  PER/DCOMP  para  declarar  a  compensação  ou  formular  o  pedido  de  restituição,  ressarcimento  ou  reembolso.(Vide  Instrução  Normativa  RFB  nº  973,  de  27  de  novembro de 2009)(gn)  ...  Art. 98. Ficam aprovados os formulários:  ...  I ­ Pedido de Restituição ­ Anexo I;  ...  VII ­ Declaração de Compensação ­ Anexo VII;  ...  § 1º A RFB disponibilizará no seu sítio na Internet, no endereço  <http://www.receita.fazenda.gov.br>,  os  formulários  a  que  se  refere o caput.  § 2º Os formulários a que se refere o caput somente poderão ser  utilizados pelo sujeito passivo nas hipóteses em que a restituição,  o ressarcimento, o reembolso ou a compensação de seu crédito  para  com  a  Fazenda  Nacional  não  possa  ser  requerido  ou  declarado  eletronicamente  à  RFB  mediante  utilização  do  programa PER/DCOMP.  § 3º A RFB caracterizará como impossibilidade de utilização do  programa  PER/DCOMP,  para  fins  do  disposto  nos  §  2º  deste  artigo, no § 2º do art. 3º, no § 6º do art. 21, no caput do art. 28 e  no  §  1º  do  art.  34,  a  ausência  de  previsão  da  hipótese  de  restituição, de ressarcimento, de reembolso ou de compensação  no  aludido  Programa,  bem  como  a  existência  de  falha  no  Programa  que  impeça  a  geração  do  Pedido  Eletrônico  de  Restituição,  do  Pedido  Eletrônico  de  Ressarcimento  ou  da  Declaração de Compensação.  § 4º A falha a que se refere o § 3º deverá ser demonstrada pelo  sujeito passivo à RFB no momento da entrega do formulário, sob  pena  do  enquadramento  do  documento  por  ele  apresentado no  disposto no § 1º do art. 39. (gn)  §  5º  Não  será  considerada  impossibilidade  de  utilização  do  programa  PER/DCOMP,  a  restrição  nele  incorporada  em  cumprimento ao disposto na legislação tributária. (gn)  Fl. 398DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13839.722214/2011­91  Acórdão n.º 3302­001.861  S3­C3T2  Fl. 395          7 Por estes motivos as compensações foram consideradas não declaradas, tendo  em vista que a falha no momento da entrega do formulário não ficou demonstrada pelo sujeito  passivo e pelo não enquadramento na hipótese prevista no §3º da Instrução Normativa nº 900.  II.2  –  Da  alegação  de  caráter  confiscatório  e  ofensa  ao  Princípio  da  Isonomia e Proporcionalidade pelo sujeito passivo em face da multa aplicada:  Alega  o  Sujeito  Passivo  que  a  aplicação  da multa  ofendeu  ao  Princípio  da  Isonomia  e  ao  Princípio  da  Proporcionalidade,  bem  como  argui  que  a  multa  possui  caráter  confiscatório.  Como se sabe, a Administração Pública exerce uma atividade vinculada, não  cabendo a ela pesar ou comparar situações entre sujeitos passivos/cidadãos/contribuintes.  É  neste  sentido  que,  em  relação  ao  princípio  da  legalidade,  corrobora  Di  Pietro1:     “Esse  princípio,  juntamente  com  o  de  controle  da  Administração  pelo  poder  Judiciário,  nasceu  com  o Estado  de  Direito e constitui uma das principais garantias de respeito aos  direitos  individuais.  Isto porque a lei, ao mesmo tempo em que  os  define,  estabelece  também  os  limites  de  atuação  administrativa que tenha por objeto a restrição ao exercício de  tais direitos em benefício da coletividade.    É  aqui  que  melhor  se  enquadra  aquela  ideia  de  que,  na  relação administrativa, a vontade da Administração Pública é a  que decorre da lei”.   Ademais, a súmula nº 2 do CARF veicula que:  “O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  quanto  a  inconstitucionalidade de lei tributária”  Por estes motivos, deixou de analisar e fundamentar a argumentação trazida  pelo sujeito passivo.  II.3 ­ Da alegação de nulidade do auto de infração pelo sujeito passivo e  da aplicação subsidiária do artigo 74 da Lei 9.430/96:  Por entender que a Autoridade Administrativa aplicou a legislação tributária  de forma equivocada, o sujeito passivo requereu a nulidade do auto de infração.  Este argumento não possui razão em ser sustentado. Alega o sujeito passivo  que  a  aplicação  do  Art.  44,  inciso  I,  da  Lei  nº  9.430/96  não  deve  subsistir,  pois  a  lei  nº  12.249/10 institui uma multa isolada de 50% (§15º da lei 9.430/96) sobre o valor do crédito no  caso de declaração de compensação não homologada.  Passa­se à análise dos artigos mencionados:  Art.  44  (Lei  nº  9.430/96):  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº  11.488, de 2007)  Fl. 399DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES     8 I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  (...)  Art.  74.  O  sujeito  passivo  que  apurar  crédito,  inclusive  os  judiciais  com  trânsito  em  julgado,  relativo  a  tributo  ou  contribuição  administrado  pela  Secretaria  da Receita Federal,  passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá­lo na  compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e  contribuições  administrados  por  aquele  Órgão.(Redação  dada  pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010)  [...]  § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento)  sobre  o  valor  do  crédito  objeto  de  pedido  de  ressarcimento  indeferido ou indevido. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010)  § 16. O percentual da multa de que  trata o § 15 será de 100%  (cem  por  cento)  na  hipótese  de  ressarcimento  obtido  com  falsidade no pedido apresentado pelo sujeito passivo.  (Incluído  pela Lei nº 12.249, de 2010)  § 17. Aplica­se a multa prevista no § 15, também, sobre o valor  do  crédito  objeto  de  declaração  de  compensação  não  homologada,  salvo  no  caso  de  falsidade  da  declaração  apresentada pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 12.249, de  2010).  Deve­se  esclarecer  aqui  duas  situações  hipotéticas.  Existe  a  situação  de  declaração  realizada  e  não  homologada  e  existe  o  pedido  de  restituição  considerado  não  formulado e de compensações tidas por não declaradas, sendo este último, o caso dos autos.  Portanto, não há possibilidade de a multa sofrer redução tendo em vista que a  hipótese legal prevista no §15 e §17, estão prevendo uma situação hipotética que é diferente da  correlacionada aos autos.  A hipótese relacionada aos autos é justamente aquela prevista no §4º, art. 18  da Lei nº 10.833, de 2003 que por sua vez remete ao percentual fixado no art. 44, I da Lei nº  9.430, de 1996, ou seja, de 75% e não há se falar em nulidade do auto de infração.  II.4 – Da alegação de redução da multa para 20%, por não obedecer aos  ditames legais de compensação pelo sujeito passivo.  O Sujeito Passivo alega, em suma, que uma multa justa não poderia exceder o  montante  máximo  de  20%,  pois  deste  modo  assumiriam  uma  feição  confiscatória  e  inconstitucional.  Como  já  levantado,  a  Administração  Pública  está  vinculada  à  estrita  legalidade, sendo incompetente para se pronunciar sobre matéria constitucional.  .Ademais,  não  está  o  julgador  livre  para  aplicar  uma  multa  que  entender  cabível. E sim, deve aplicar a multa prevista na hipótese legal.  Fl. 400DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13839.722214/2011­91  Acórdão n.º 3302­001.861  S3­C3T2  Fl. 396          9 Em  resumo  corroboro  o  lançamento  realizado,  pois  a multa  teve  aplicação  correta, com situação e percentual previstos na lei.  Diante  do  exposto,  voto  por  NEGAR  PROVIMENTO  ao  Recurso  Voluntário.  (assinado digitalmente)  ALEXANDRE GOMES ­ Relator                                Fl. 401DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES

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Numero do processo: 13204.000039/2004-14
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 PIS/COFINS. CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Não geram direito a créditos a serem descontados da contribuição os gastos de produção que não aplicados ou consumidos diretamente no processo fabril, vez que não se enquadram no conceito de insumos. CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS. Os combustíveis utilizados ou consumidos diretamente no processo fabril geram o direito de descontar créditos da contribuição apurada de forma não-cumulativa. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3801-002.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I - Por maioria de votos, em não converter o processo em diligência. Vencido o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira; II - Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial, no sentido de reconhecer o direito de descontar créditos em relação as aquisições do óleo combustível TP A-BPF; III - Por maioria de votos, em negar provimento quanto às glosas decorrentes de fornecimento de alimentação para os funcionários e serviço especializado de vigilância. Vencido o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira; IV - Pelo voto de qualidade, em negar provimento em relação as demais glosas (alteamento, limpeza e passagem, locação de equipamentos, decapeamento, lavra, transporte de funcionários, melhoria das estradas, gasolina comum e óleo diesel). Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Sidney Eduardo Stahl, e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento nestes itens. Designado o Conselheiro Flávio de Castro Pontes para elaborar o voto vencedor. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. André Delduca Cilino, OAB/SP 258.040. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2589; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE01  Fl. 2          1 1  S3­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13204.000039/2004­14  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3801­002.038  –  1ª Turma Especial   Sessão de  21 de agosto de 2013  Matéria  CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Recorrente  IMERYS RIO CAPIM CAULIM S/A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004  PIS/COFINS.  CRÉDITOS  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  CONCEITO  DE INSUMOS.   Não geram direito a créditos a serem descontados da contribuição os gastos  de  produção  que  não  aplicados  ou  consumidos  diretamente  no  processo  fabril, vez que não se enquadram no conceito de insumos.  CRÉDITOS DA NÃO­CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS.   Os  combustíveis  utilizados  ou  consumidos  diretamente  no  processo  fabril  geram o direito de descontar créditos da contribuição apurada de forma não­ cumulativa.  Recurso Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado:  I  ­  Por  maioria  de  votos,  em  não  converter o processo em diligência. Vencido o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da  Silveira; II ­ Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial, no sentido de reconhecer o  direito de descontar créditos em relação as aquisições do óleo combustível TP A­BPF; III ­ Por  maioria  de  votos,  em  negar  provimento  quanto  às  glosas  decorrentes  de  fornecimento  de  alimentação para os funcionários e serviço especializado de vigilância. Vencido o Conselheiro  Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira; IV ­ Pelo voto de qualidade, em negar provimento  em  relação  as  demais  glosas  (alteamento,  limpeza  e  passagem,  locação  de  equipamentos,  decapeamento, lavra, transporte de funcionários, melhoria das estradas, gasolina comum e óleo  diesel).  Vencidos  os  Conselheiros  Paulo  Antônio  Caliendo  Velloso  da  Silveira,  Sidney  Eduardo Stahl,  e Maria  Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento nestes  itens. Designado  o Conselheiro  Flávio  de Castro  Pontes  para  elaborar  o  voto  vencedor.  Fez  sustentação oral pela recorrente o Dr. André Delduca Cilino, OAB/SP 258.040.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 20 4. 00 00 39 /2 00 4- 14 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO D E CASTRO PONTES Processo nº 13204.000039/2004­14  Acórdão n.º 3801­002.038  S3­TE01  Fl. 3          2       (assinado digitalmente)  Flávio de Castro Pontes ­ Presidente.         (assinado digitalmente)  Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira ­ Relator.    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Flávio  de  Castro  Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da  Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.   Fl. 174DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO D E CASTRO PONTES Processo nº 13204.000039/2004­14  Acórdão n.º 3801­002.038  S3­TE01  Fl. 4          3   Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão n° 01­14 . 298, de  16  de  junho  de  2009,  da  3ª.  Turma  da  DRJ/BEL,  referente  ao  processo  administrativo  n°  13204.000039/2004­14,  em  que  foi  julgada  improcedente  a manifestação  de  inconformidade  apresentada pela  contribuinte,  não  sendo  reconhecido o direito  creditório,  sendo mantidas  as  glosas.  Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/BEL, que assim relata:  Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito  de PIS/Pasep  não  cumulativo  no  valor  de R$  111.309,32,  feito  pela  empresa  acima  identificada  (fl.  01),  a  ser  utilizado  na  compensação de fl. 02.   2. A DRF Belém, conforme Parecer Seort n° 729, de 16.10.2008,  fls.  74/95  (cópia),  procedeu  a  análise  conjunta  do  presente  pleito e de outros mais referentes ao PIS/Pasep e à Cofins não  cumulativos.  3.  Após  diligência  realizada  pela  Fiscalização  da  Unidade  (cópia  do  Termo  nas  fls.  64/73  do  presente  processo),  foi  reconhecido  o  direito  ao  crédito  de  PIS/Pasep  no  valor  de  R$  85.647,43, sendo parcialmente homologada a compensação, até  o  limite  do  crédito. Cabe  destacar  que  os  Anexos  (I  a  IV)  do  referido  Termo  de  Diligência  encontram­se  no  processo  n°  13204.000009/2004­16,  o  qual  deverá  acompanhar  todos  os  demais analisados conjuntamente.  4.  Cientificada  em  17.11.2008  (AR  fl.  96­v.),  a  interessada  apresentou,  tempestivamente,  em  17.12.2008,  manifestação  de  inconformidade (fls. 22/40), na qual, em síntese:  a) Argumenta que as glosas efetuadas desrespeitam o princípio  da  não  cumulatividade,  uma  vez  que  os  serviços  e  bens  desconsiderados  estão  intimamente  ligados  ao  processo  produtivo da empresa, sendo passíveis de creditamento;  b) Tece considerações acerca da contribuição, destacando que a  legislação  tratou  de  prever  expressamente  as  hipóteses  em que  não  há  direito  ao  crédito  (art.  3°,  §  2%  da  Lei  n°  10.637,  de  2002),  não  devendo  "pairar  dúvidas  sobre  a  possibilidade  de  creditamento  da  pessoa  jurídica  referente  aos  bens  e  serviços  utilizados  como  inumo  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos destinados à venda';  c)  Ressalta,  ao  comentar  a  utilização  pela  Fiscalização  do  Parecer  Normativo  n°  65,  de  1979,  e  da  Instrução  Normativa  SRF n° 404, de 2004, que “qualquer definição de insumo trazido  ao mundo  jurídico, seja por veículo de Instrução Normativa ou  Parecer Normativo, contraria a competência que lhe é atribuída  Fl. 175DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO D E CASTRO PONTES Processo nº 13204.000039/2004­14  Acórdão n.º 3801­002.038  S3­TE01  Fl. 5          4 pelo Código Tributário Nacional”. Acrescenta que tais veículos  normativos citados "extrapolam seus poderes, na medida em que  tentam inovar o conceito constitucional e legal de insumos”;  d) Defende que "o conceito de inumo está intimamente ligado à  idéia  de  consumo  de  certo  bem  ou  serviço,  deforma  direta  ou  indireta,  na atividade desenvolvida pela pessoa  jurídica para a  fabricação  do  produto',  sendo  "a  complexidade  de  bens  e  serviços  aplicados  na  produção ou  fabricação  de  bens,  sem  os  quais não seria possível a obtenção do produto final e acabado  com suas características próprias”;  e)  Afirma  estar  claro  que  os  bens  e  insumos  glosados  estão  intrinsecamente  afetos  à  fabricação  do  produto  caulim,  procurando  justificar  a  função  de  cada  item,  conforme  tabela  nas fls. 31/32;  f) Procura demonstrar o caráter contraditório das conclusões da  Fiscalização,  na medida  em  que  não  teria  lógica  a  adoção  de  bens ou serviços inúteis à sua produção, aumentando o custo de  produção;  g)  Cita  Solução  de  Consulta  expedida  no  âmbito  da  Receita  Federal  do  Brasil,  sem  especificar  de  qual  Região  Fiscal,  que  manifesta juízo no sentido de que “os bens e serviços utilizados  como  insumos  na  prestação  de  serviços,  intrinsecamente  relacionado  com  o  objetivo  da  empresa  e  com  o  serviço  prestado,  podem  ser  considerados  créditos  na  apuração  do  PIS/Pasep não cumulativo”;  h) Reforça o entendimento de que a desconsideração dos bens e  serviços  fere  o  princípio  da  não  cumulatividade  previsto  na  Carta Magna,  alertando  que  o  fato  de  haver  sido  atribuída  ao  legislador  ordinário  a  competência  de  definir  os  setores  de  atividade  econômica  sujeitos  à  não  cumulatividade  da  contribuição, não significa autorização para desvirtuamento do  conceito “não­cumulativo”;  i) Não se pode interpretar o conceito de insumo exclusivamente a  partir  das  legislações  de  IPI  ou  ICMS,  por  falta  de  previsão  legal  e  devido  a  divergência  da materialidade  desses  impostos  com relação à contribuição;  j)  Alerta  para  a  violação  do  princípio  constitucional  do  "não­ confisco"  sempre  que  o  tributo  absorva  parcela  expressiva  da  renda ou de propriedade do contribuinte;  k)  Por  fim,  requer  a  revisão  da  decisão,  sendo  enquadrados  como insumos os bens e serviços glosados.    Entendeu  a  DRJ/BEL  por  conhecer  a  manifestação  de  inconformidade  apresentada, por ser tempestiva e por esta atender aos requisitos dos artigos 15 e 16 do Decreto  n° 70.235/1972.  Fl. 176DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO D E CASTRO PONTES Processo nº 13204.000039/2004­14  Acórdão n.º 3801­002.038  S3­TE01  Fl. 6          5 Na  primeira  parte  do  acórdão,  fez  a  DRJ/BEL  tratou  das  alegações  de  inconstitucionalidade. Transcreve­se aqui este trecho do acórdão:    5.  No  que  diz  respeito  às  alegações  de  inconstitucionalidade,  vale lembrar que tais argumentos não são oponíveis à instância  julgadora  administrativa,  pelo  que  não  se  toma  conhecimento  destes.  6.  Não  cabe  à  autoridade  administrativa,  em  face  de  sua  vinculação  ao  texto  legal,  apreciar  questões  de  ordem  constitucional  ou  doutrinária,  competindo­lhe  tão  somente  aplicar  o  direito  tributário  positivo.  O  julgador  administrativo  nesta instância deve estrita observância aos atos expedidos pela  Receita Federal, consoante estabelece o art. 7° da Portaria MF  n° 58, de 17 de março de 2006, que "Disciplina a  constituição  das  turmas  e  o  funcionamento  das  Delegacias  da  Receita  Federal de Julgamento — DR F.  7. Em verdade, de acordo com o parágrafo único do artigo 142  do  CTN,  a  autoridade  fiscal  encontra­se  limitada  ao  estrito  cumprimento  da  legislação  tributária,  estando  impedida  de  ultrapassar tais restrições para examinar questões outras como  as  suscitadas  na  impugnação  em  exame.  Compete  ao  julgador  administrativo  simplesmente  seguir  a  lei  obrigar  seu  cumprimento,  cabendo  ainda  citar  que  tal  entendimento  foi  objeto de súmulas dos extintos Conselhos de Contribuintes, hoje  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  do Ministério  da  Fazenda.  Após,  a  DRJ/BEL  julga  o  mérito  da  manifestação  de  inconformidade,  entendendo pelo indeferimento da solicitação da contribuinte, devendo ser mantidas as glosas,  vejamos:    15. Em relação às glosas, no que diz respeito aos bens, tem­se:   a) gasolina e óleo diesel utilizados para transporte de materiais  —  deverá  ser  mantida  a  glosa,  por  não  se  enquadrarem  no  conceito de insumos;  b)  óleo  combustível  TP,  utilizado  como  energia  para  aquecimento  dos  vasos  que  promoverão  a  redução  da  água  contida  na  polpa — conforme  transcrição  do  art.  3°  da Lei  n°  10.822,  de  2003,  acima,  a  energia  térmica  somente  pôde  ser  aproveitada  a  partir  da  Lei  n°  11.488,  de  2007,  (15.07.2007),  devendo ser mantida a glosa.  16. Quanto aos serviços glosados (alteamento, limpeza, locação,  jantar,  descapeamento,  lavra,  transporte  de  funcionários,  vigilância  e melhoria  nas  estradas),  entende­se  que  os mesmos  não são utilizados na linha de produção, devendo ser mantida a  Fl. 177DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO D E CASTRO PONTES Processo nº 13204.000039/2004­14  Acórdão n.º 3801­002.038  S3­TE01  Fl. 7          6 glosa,  conforme esclarecimentos anteriormente prestados  (itens  13 e 14 acima).  17. Especificamente com relação à energia elétrica, conforme os  esclarecimentos feitos pela Fiscalização no Termo de Diligência,  não houve glosa a partir de fevereiro de 2003, podendo isso ser  comprovado pelas relações de produtos glosados constante das  fls. 03/38 do Anexo I ao processo n° 13204.000009/2004­16.    Assim restou ementado o Acórdão n. 01­14.298, de 16 de junho de 2009, da  3ª. Turma da DRJ/BEL:  Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep  Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004  INSUMO.  BENS  UTILIZADOS  NA  FABRICAÇÃO  DE  PRODUTOS.  Além das matérias  primas,  produtos  intermediários  e materiais  de  embalagem  que  componham  visualmente  o  produto  final,  poderão  ser  descontados  créditos  em  relação  a  produtos  que  sejam aplicados ou consumidos em ação direta sobre o produto  em fabricação.  INSUMO. SERVIÇOS APLICADOS NA PRODUÇÃO.  Geram  direito  ao  crédito  os  serviços  prestados  por  pessoas  jurídicas contribuintes do PIS/Pasep, domiciliadas no País, que  sejam utilizados na linha de produção da empresa.  Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário  Exercício: 2004  INCONSTITUCIONALIDADE.  PRESUNÇÃO  DE  LEGITIMIDADE.  A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar  a  argüição  de  inconstitucionalidade  de  dispositivos  legais.  Os  atos  regularmente  editados  segundo  o  processo  constitucional  gozam  de  presunção  de  constitucionalidade  até  decisão  em  contrário do Poder Judiciário.  Solicitação Indeferida.  A  contribuinte  apresentou  Recurso  Voluntário.  Após  fazer  breve  retrospectiva dos fatos, foram apresentadas as razões de direito para a reforma da decisão de 2ª.  instância.  Em  seus  requerimentos,  requereu  que  seja  julgado  procedente  o  Recurso  Voluntário apresentado, sendo reformada a decisão proferida pela DRJ. Reproduzem­se aqui os  pedidos:    Fl. 178DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO D E CASTRO PONTES Processo nº 13204.000039/2004­14  Acórdão n.º 3801­002.038  S3­TE01  Fl. 8          7 51. Diante de todo o exposto, requer a total reforma da decisão  recorrida, em razão da demonstração de que:  (i) o artigo 3°, da Lei n° 10.637, dispõe sobre a possibilidade de  se utilizar, no regime não­cumulativo, de créditos decorrentes de  bens  e  serviços  utilizados  como  insumos  nas  atividades  desenvolvidas pela Recorrente;  (ii)  o  conceito  de  insumo  da  decisão  recorrida  não  encontra  respaldo  no  dispositivo  legal  que  permite  o  aproveitamento  de  créditos, tampouco na Constituição Federal;  (iii)  todos  os  créditos  decorrem  de  bens  e  serviços  utilizados  como  insumos  no  processo  produtivo  da  Recorrente,  não  havendo  qualquer  fundamento  de  validade  o  entendimento  fazendário  impugnado,  no  sentido  de  que  o  insumo  deve  ter  (necessária e obrigatoriamente) relação direta com o produto e  não com o processo produtivo, como sustenta a Recorrente.    Após, apresenta a contribuinte petição, onde foram reiterados os pedidos para  que seja dado  integral provimento ao  recurso voluntário,  reformando­se o acórdão  recorrido.  Na mesma  oportunidade  juntou  documento,  que  se  trata  de  Solução  de  Divergência  n°  37­ Cosit, oriunda do processo n° 13204.000028/2007­87, onde é interessada a própria contribuinte  ora recorrente.  É o relatório.    Fl. 179DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO D E CASTRO PONTES Processo nº 13204.000039/2004­14  Acórdão n.º 3801­002.038  S3­TE01  Fl. 9          8 Voto Vencido  Conselheiro Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira.    O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda,  os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço.  O  caso  em  questão  trata  de  pedido  de  homologação  de  créditos  de  bens  e  serviços  que  seriam  utilizados  como  insumo  no  processo  produtivo  desenvolvido  pela  Recorrente.  Os  bens  e  serviços  não  homologados  pela  Delegacia  de  Julgamento  foram  os  seguintes:    (i) Serviços de alteamento;  (ii) Serviços de limpeza e passagem;  (iii)  Serviço  de  locação  de  equipamentos  para  extração  do  minério;  (iv) Fornecimento de alimentação para os funcionários;  (v) Serviço de decapeamento;  (vi) Serviço de lavra;  (vii) Serviço de transporte de funcionário;  (viii) Serviço especializado de vigilância;  (ix) Serviço  de melhoria  das  estradas que  conduzem às  jazidas  minerais;  (x) Gasolina comum;  (xi) Óleo diesel;  (xii) Óleo combustível TP A­BPF;  (xiii) Energia elétrica.  A  jurisprudência  do  CARF  é  polêmica  em  relação  ao  tema,  existindo  posicionamentos  divergentes  sobre  a  matéria.  Três  posicionamentos  sobressaem  sobre  o  conceito de insumo: como integrados ao produto ou serviço, como necessários à atividade ou  como   O primeiro conceito aparece em diversas decisões do CARF, dentre as quais  podemos citar:  INCIDÊNCIA NÃO­CUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS.  Fl. 180DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO D E CASTRO PONTES Processo nº 13204.000039/2004­14  Acórdão n.º 3801­002.038  S3­TE01  Fl. 10          9 Somente  geram  créditos  da  Cofins  as  despesas  com  matéria­ prima,  produto  intermediário,  material  de  embalagem  e  quaisquer  outros  bens  que  sofram  alterações,  tais  como  o  desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas,  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre  o  produto  em  fabricação,  desde  que  não  estejam  incluídas  no  ativo  imobilizado.  O  termo  "insumo"  não  pode  ser  interpretado  como  todo  e  qualquer  bem  ou  serviço  que  gera  despesa  necessária  para  a  atividade da empresa, mas, sim, tão somente aqueles, adquiridos  de  pessoa  jurídica,  que  efetivamente  sejam  aplicados  ou  consumidos  na  produção  de  bens  destinados  à  venda  ou  na  prestação do serviço da atividade.    Em sentido diverso podemos citar a seguinte decisão:    Acórdão 3402001.661 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  COFINS  NÃO  CUMULATIVIDADE  RESSARCIMENTO  CONCEITO  DE  INSUMO  CRÉDITOS  RELATIVOS  A  AQUISIÇÕES  DE  PEÇAS  COM  DESGASTE  NO  PROCESSO  PRODUTIVO LEIS Nº 10.637/02 E Nº 10.684/03.  O princípio da não cumulatividade da COFINS visa neutralizar  a cumulação das múltiplas incidências da referida contribuição  nas diversas etapas da cadeia produtiva até o consumo final do  bem  ou  serviço,  de  modo  a  desonerar  os  custos  de  produção  destes  últimos.  A  expressão  “insumos  e  despesas  de  produção  incorridos e pagos”, obviamente não se restringe somente aos  insumos  utilizados  no  processo  de  industrialização,  tal  como  definidos  nas  legislações  de  regência  do  IPI  e  do  ICMS,  mas  abrange também os insumos utilizados na produção de serviços,  designando  cada  um  dos  elementos  necessários  ao  processo  produtivo  de  bens  e  serviços,  imprescindíveis  à  existência,  funcionamento, aprimoramento ou à manutenção destes últimos.  Créditos  autorizados:  a  aquisições  de  óleo  combustível,  e  de  peças  com  desgaste  no  processo  produtivo  tais  como  peneiras,  chapas perfuradas, correias,  telas, capas perfuradas e martelos  tipicamente integrantes dos maquinários do processo produtivo,  e material de embalagem (containeres flexíveis).  Atividade da empresa: setor de alimento.  Por último, partilhamos do entendimento de que o conceito de insumo de ser  buscado de modo autônomo ao preceituado no IPI, no ICMS e mesmo no IRPJ, visto que os  tributos mencionados possuem materialidade distinta da PIS e COFINS.  Diferencia­se  do  IPI  porque  não  abrange  somente  atividades  de  industrialização,  não  se  dirige  apenas  a  comercialização,  pois  envolve  outras  atividades  de  Fl. 181DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO D E CASTRO PONTES Processo nº 13204.000039/2004­14  Acórdão n.º 3801­002.038  S3­TE01  Fl. 11          10 produção  (industrialização)  e  não  se  submete  ao  IRPF  porque  não  procura  verificar  a  renda  (disponibilidade econômica ou jurídica) do contribuinte, nem tampouco aferir a sua capacidade  contributiva.  Tampouco  se  admitiria  a  utilização  do  conceito  de  insumo previsto  no  IPI,  ICMS ou IR sob pena de se constituir na utilização indevida de analogia, pelo uso de vedada  ampliação  da  base  de  cálculo  do  tributo.  Determina  o  art.  108  do  CTN  que:  “(...)  §  1º  O  emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei“.   O conceito de insumo diferencia­se dos gastos necessários à industrialização  (IPI),  consumidos  ou  integrados  à  mercadoria  ou  necessários  à  atividade  (IR)  e  deve  estar  coerentemente  ligado  à  essência  do  tributo  em  questão,  ou  seja,  na  produção.  Os  gastos  de  materiais  de  escritório  não  são  usualmente  necessários  à  produção  e  portanto  não  geram  créditos de PIS/Cofins, apesar de necessários à atividade, abatendo da base de cálculo do IR.  O  conceito  de  insumo  não  está  claramente  delimitado  na  legislação,  sendo  que o art. 3º determina que:  “Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá  descontar créditos calculados em relação a:  (...)  II  ­  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto  em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485,  de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao  concessionário,  pela  intermediação  ou  entrega  dos  veículos  classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada  pela Lei nº 10.865, de 2004)”.  Inexistindo  limitação  por  parte  da  legislação,  não  cogita  tal  limitação  por  normas  infralegais,  de  tal  modo  que  toda  a  despesa  necessária  à  produção  ou  prestação  de  serviços permitirá o seu aproveitamento em prol do princípio da não­cumulatividade.  Da leitura do pedido da recorrente se verifica que a prova de que os insumos  citados  foram  necessários  à  produção  se  encontraria  presente  no  processo  n°  13204.000009/2004­16,  inexistindo  nestes  autos  qualquer  elemento  que  permita  fazer  o  julgamento sem a referida prova.  O relatório da DRJ/BEL, em seu item 2, do acórdão ora recorrido deixa claro  que:  “A  DRF  Belém,  conforme  Parecer  Seort  n°  729,  de  16.10.2008,  fls.  74/95  (cópia),  procedeu a análise conjunta do presente pleito e de outros mais referentes ao PIS/Pasep e à  Cofins não cumulativos.”.   Em  seguida,  no  item  3,  também  é  referido  que:  “Após  diligência  realizada  pela  Fiscalização  da  Unidade  (cópia  do  Termo  nas  fls.  64/73  do  presente  processo),  foi  reconhecido o direito ao crédito de PIS/Pasep no valor de R$ 85.647,43, sendo parcialmente  homologada a compensação, até o limite do crédito. Cabe destacar que os Anexos (I a IV) do  referido Termo de Diligência encontram­se no processo n° 13204.000009/2004­16, o qual  deverá acompanhar todos os demais analisados conjuntamente.”  Fl. 182DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO D E CASTRO PONTES Processo nº 13204.000039/2004­14  Acórdão n.º 3801­002.038  S3­TE01  Fl. 12          11 Necessário  destacar  também  que  a  fls.  15  dos  autos  há  um  TERMO  DE  JUNTADA DE PROCESSO. No  referido  termo é dito que o presente processo estava sendo  juntado, por apensação, naquela data (28/12/2007), ao processo 13204.000009/2004­16.  O  processo  13204.000009/2004­16  ainda  não  foi  julgado,  estando  no  momento aguardando julgamento por este Conselho.   Absolutamente necessário portanto que seja realizada a baixa em diligências  do presente processo, de modo que estes seja somente incluído em pauta junto com o processo  13204.000009/2004­16, haja vista o apensamento realizado de fls. 15, bem como de que toda a  prova realizada se encontra no referido processo, não sendo passível de verificação se os bens e  serviços são ou não insumos sem a referida prova.  Em  face  do  exposto,  encaminho  o  voto  para  que  seja  o  presente  processo  baixado em diligências, a fim de que seja ele aguardado para colocação em pauta a posteriori,  de modo que seja julgado conjuntamente com o processo 13204.000009/2004­16.  É o meu voto.    (assinado digitalmente)  Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira – Relator.  Voto Vencedor  Conselheiro Flávio de Castro Pontes ­ Redator designado  Ainda  que  respeitáveis  as  razões  do  ilustre  relator,  discorda­se  de  seu  entendimento.   O processo tem todos os elementos necessários para a formação da convicção  do julgador. Assim, afasta­se de imediato a proposta do relator de conversão em diligência.  Passa­se  a  apreciação  do  mérito.  As  matérias  em  discussão  nesse  litígio  administrativo  são  objeto  de  inúmeras  controvérsias  entre  a  Fazenda  Nacional  e  os  contribuintes. O julgador com os elementos probatórios tem que solucioná­las.   A  recorrente  insurgiu­se  contra  a  glosa  dos  serviços  e  bens  descritos  no  recurso voluntário:  ­ Serviço de alteamento: consiste no aumento da capacidade da  bacia de  rejeites. Por sua natureza,  fica claro que o serviço de  alteamento  representa  importante  etapa  do  processo  produtivo  em sua fase posterior. (...).   ­  Serviço  de  limpeza  e  passagem:  consiste  na  remoção  de  minério  para  permitir  a  passagem  de  veículos  extratores  de  caulim. (...)  Fl. 183DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO D E CASTRO PONTES Processo nº 13204.000039/2004­14  Acórdão n.º 3801­002.038  S3­TE01  Fl. 13          12 ­ Serviço de locação: consiste na locação de equipamentos para  extração  do  minério.  Por  sua  especificidade  e  alta  exigência  técnica a extração de minério não pode ser realizada a contento  sem maquinário apropriado. (...)  ­ Fornecimento de jantar: consiste no serviço de refeitório para  os funcionários. (...)  ­ Serviço de decapeamento: consiste na retirada de vegetação e  solo para expor o minério. (...)  ­ Serviço de lavra: consiste na extração do minério da natureza.  (...)  ­  Serviço  de  transporte:  consiste  no  serviço  de  transporte  de  funcionários. (...)  ­  Serviço  especializado  de  vigilância:  consiste  no  serviço  de  segurança patrimonial. (...)  ­ Serviço de melhoria das estradas: consiste na manutenção de  estradas privadas que conduzem às jazidas minerais. (...)  ­  Gasolina  comum:  utilizada  nos  veículos  da  fábrica  para  transporte de materiais. (...)  ­  Óleo  diesel:  utilizado  nos  caminhões  para  transporte  de  caulim. (...)  ­ Óleo combustível TP A­BPF: utilizado na fase da "evaporação"  (redução do teor de água contida na polpa através de passagem  por evaporadores, que são aquecidos por caldeiras alimentadas  pela queima de combustível). (...)  De sorte que a grande controvérsia tem por objeto o conceito de insumo.   A legislação de regência, Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 – Cofins  e Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 – PIS, e alterações posteriores, disciplinava:   Art. 3o Do valor apurado na  forma do art. 2o a pessoa  jurídica  poderá  descontar  créditos  calculados  em  relação  a:  (Vide  Medida Provisória nº 497, de 2010)   I  ­  bens  adquiridos  para  revenda,  exceto  em  relação  às  mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº  10.865, de 2004)   a) nos  incisos III e  IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e  (Incluído  pela Lei nº 10.865, de 2004)    b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de  2004)   II  ­  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda,  inclusive  combustíveis  e  lubrificantes,  exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no  Fl. 184DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO D E CASTRO PONTES Processo nº 13204.000039/2004­14  Acórdão n.º 3801­002.038  S3­TE01  Fl. 14          13 10.485,  de  3  de  julho  de  2002,  devido  pelo  fabricante  ou  importador,  ao  concessionário,  pela  intermediação  ou  entrega  dos  veículos  classificados  nas  posições  87.03  e  87.04  da  Tipi;  (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)   III ­ energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa  jurídica;   IV  ­  aluguéis  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos,  pagos  a  pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa;  V  ­  valor  das  contraprestações  de  operações  de  arrendamento  mercantil  de  pessoa  jurídica,  exceto  de  optante  pelo  Sistema  Integrado  de  Pagamento  de  Impostos  e  Contribuições  das  Microempresas  e das Empresas  de Pequeno Porte  ­  SIMPLES;  (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)   VI  ­  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado  adquiridos  para  utilização  na  produção  de  bens destinados à venda, ou na prestação de serviços;  VII  ­  edificações  e  benfeitorias  em  imóveis  próprios  ou  de  terceiros, utilizados nas atividades da empresa;   VIII ­ bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha  integrado  faturamento  do mês  ou  de  mês  anterior,  e  tributada  conforme o disposto nesta Lei;   IX ­ armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda,  nos  casos dos  incisos  I  e  II,  quando o ônus  for  suportado pelo  vendedor.  (...)  (grifou­se)    Destarte,  o  ponto  central  da  questão  é  compreender  o  conceito  de  insumo  estabelecido nos termos do inciso II do art. 3º das Lei nº 10.833/03 e 10.637/2002.   Há  diversas  exegeses  a  respeito  desse  dispositivo,  tais  como:  definição  de  insumo segundo a legislação do IPI, aplicação de custos e despesas de acordo com a legislação  do IRPJ, custos de produção, etc. Para o deslinde da questão, é despiciendo examinar o método  indireto  subtrativo  que,  em  regra,  foi  adotado  para  o  exercício  da  não­cumulatividade  da  contribuição PIS.   A respeito da interpretação das leis, Carlos Maximiliano em Hermenêutica e  Aplicação do Direito, 19ª ed. – Rio de Janeiro: Forense, 2010, p. 162, ensina:  Por  mais  opulenta  que  seja  a  língua  e  mais  hábil  quem  a  maneja, não é possível cristalizar numa fórmula perfeita tudo o  que se deva enquadrar em determinada norma jurídica: ora o  verdadeiro significado é mais estrito do que se deveria concluir  do  exame  exclusivo  das  palavras  ou  frases  interpretáveis;  ora  sucede  o  inverso,  vai  mais  longe  do  que  parece  indicar  o  invólucro  visível  da  regra  em apreço. A  relação  lógica  entre  a  expressão e o pensamento faz discernir se a lei contém algo de  mais  ou  de  menos  do  que  a  letra  parece  exprimir:  as  circunstâncias extrínsecas revelam uma idéia  fundamental mais  Fl. 185DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO D E CASTRO PONTES Processo nº 13204.000039/2004­14  Acórdão n.º 3801­002.038  S3­TE01  Fl. 15          14 ampla ou mais estreita e põem em realce o dever de estender ou  restringir  o  alcance  do  preceito.  Mais  do  que  regras  fixas  influem  no  modo  de  aplicar  uma  norma,  se  ampla,  se  estritamente, o fim colimado, os valores jurídico sociais que lhe  presidiram à  elaboração e  lhe  condicionaram a aplicabilidade.  (grifou­se)    A  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  (RFB),  por  meio  da  Instrução  Normativa  (IN)  nº  404/2004  – Cofins  –  abaixo  transcrito,  e  da  Instrução Normativa  (IN)  nº  247/2002  (redação  dada  pela  IN SRF  nº  358/03)  –  PIS,  regulamentou  o  assunto  a  partir  da  concepção tradicional da legislação do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) e adotou  uma interpretação restritiva para o conceito de insumo, conforme excerto a seguir transcrito:  Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica  pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da  mesma alíquota, sobre os valores:  I ­ das aquisições efetuadas no mês:  a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos  produtos referidos nos incisos III e IV do § 1º do art. 4º;  b)  de  bens  e  serviços,  inclusive  combustíveis  e  lubrificantes,  utilizados como insumos:  b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados  à venda; ou   b.2) na prestação de serviços;  (..).  § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende­ se como insumos:  I  ­  utilizados  na  fabricação  ou  produção  de  bens  destinados  à  venda:  a)  a  matéria­prima,  o  produto  intermediário,  o  material  de  embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais  como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre  o  produto  em  fabricação,  desde  que  não  estejam  incluídas  no  ativo imobilizado;  b)  os  serviços  prestados  por  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País,  aplicados  ou consumidos na produção ou  fabricação do  produto;  II ­ utilizados na prestação de serviços:  a)  os  bens  aplicados  ou  consumidos  na  prestação  de  serviços,  desde  que  não  estejam  incluídos  no  ativo  imobilizado;  e  b)  os  serviços  prestados  por  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País,  aplicados ou consumidos na prestação do serviço.  Fl. 186DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO D E CASTRO PONTES Processo nº 13204.000039/2004­14  Acórdão n.º 3801­002.038  S3­TE01  Fl. 16          15 Em que pese não vincular a autoridade  julgadora, a  interpretação dada pela  RFB  apresenta­se  compatível  e  coerente  com  a  legislação  da  não­cumulatividade  dessas  contribuições. Essas normas complementares não atentaram contra a  legalidade, além de não  terem extrapolados os limites traçados na respectiva lei.   Em outras palavras, as normas acima delimitaram o direito de crédito com a  especificação  dos  serviços  que  geram  crédito.  Posto  isso,  ao  sujeito  passivo  somente  é  permitido descontar unicamente os créditos autorizados e discriminados pela lei. Em suma, não  é qualquer serviço, custo de produção ou despesa que confere crédito da contribuição.  Caso  o  legislador  tivesse  outra  intenção,  de  tal  forma  que  os  direitos  de  descontar os créditos abrangeriam o maior número de gastos possíveis, teria feito constar na lei  uma  referência  explícita  ao  direito  de  descontar  créditos  em  conformidade  com  custos  e  as  despesas necessárias segundo a legislação do IRPJ. Da mesma maneira, caso quisesse adotar o  conceito de custos de produção, não teria utilizado a expressão insumos.  Além  disso,  a  lei  que  instituiu  a  não­cumulatividade  das  contribuições  em  referência especificou outros custos de produção e despesas operacionais que geram direto ao  crédito,  tais  como:  aluguéis  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos,  pagos  a  pessoa  jurídica,  utilizados nas atividades da empresa; valor das contraprestações de operações de arrendamento  mercantil de pessoa jurídica; máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação  de produtos destinados à venda, bem como a outros bens  incorporados ao ativo  imobilizado;  edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mão­de­obra,  tenha sido suportado pela locatária; energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa  jurídica.   Com  efeito,  o  conceito  de  insumo  no  âmbito  do  direito  tributário  foi  estabelecido no  inciso  I,  § 1º,  do  artigo 1º da Lei nº 10.276, de 10 de  setembro de 2001,  in  verbis:  Art. 1º   (...)  §1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos  seguintes  custos,  sobre  os  quais  incidiram  as  contribuições  referidas no caput:  I  ­  de  aquisição  de  insumos,  correspondentes  a  matérias­ primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem,  bem  assim  de  energia  elétrica  e  combustíveis,  adquiridos  no  mercado interno e utilizados no processo produtivo;  Destarte,  em  tributos  não  cumulativos  o  conceito  de  insumo  corresponde  a  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  a materiais de  embalagem. Ampliar  este  conceito  implica em fragilizar a segurança jurídica tão almejada pelos sujeitos ativo e passivo.  Nesse  sentido,  recentemente  o  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ),  no  julgamento do Recurso Especial 1.020.991 ­ RS, assim se pronunciou:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  PIS  E  COFINS.  CREDITAMENTO. LEIS Nº  10.637/2002 E 10.833/2003. NÃO­ CUMULATIVIDADE.  ART.  195,  §  12,  DA  CF.  MATÉRIA  Fl. 187DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO D E CASTRO PONTES Processo nº 13204.000039/2004­14  Acórdão n.º 3801­002.038  S3­TE01  Fl. 17          16 EMINENTEMENTE  CONSTITUCIONAL.  INSTRUÇÕES  NORMATIVAS SRF 247/02 e SRF 404/04. EXPLICITAÇÃO DO  CONCEITO DE INSUMO. BENS E SERVIÇOS EMPREGADOS  OU  UTILIZADOS  DIRETAMENTE  NO  PROCESSO  PRODUTIVO.  BENEFÍCIO  FISCAL.  INTERPRETAÇÃO  EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN.  1.  A  análise  do  alcance  do  conceito  de  não­cumulatividade,  previsto  no  art.  195,  §  12,  da  CF,  é  vedada  neste  Tribunal  Superior, por se tratar de matéria eminentemente constitucional,  sob  pena  de  usurpação  da  competência  do  Supremo  Tribunal  Federal.  2.  As  Instruções  Normativas  SRF  247/02  e  SRF  404/04  não  restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumo previsto  nas Leis 10.637/02 e 10.833/03.  3.  Possibilidade  de  creditamento  de PIS  e COFINS apenas  em  relação  aos  bens  e  serviços  empregados  ou  utilizados  diretamente sobre o produto em fabricação.  4.  Interpretação  extensiva  que  não  se  admite  nos  casos  de  concessão  de  benefício  fiscal  (art.  111  do  CTN).  Precedentes:  AgRg  no  REsp  1.335.014/CE,  Rel.  Ministro  Castro  Meira,  Segunda Turma, DJe 8/2/13, e Resp 1.140.723/RS, Rel. Ministra  Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10.  5. Recurso especial a que se nega provimento.  (STJ, 1ª Turma, REsp 1.020.991­RS, Dje 14/05/2013, rel. Sérgio Kukina)  Por  pertinente,  transcreve­se  o  seguinte  excerto  do  voto  proferido  pelo  Ministro Relator no julgamento deste recurso especial:   No mais, não houve a alegada restrição do conceito de insumo  com  a  edição  das  Instruções  Normativas  SRF  247/02  e  SRF  404/04,  mas  apenas  a  explicitação  da  definição  deste  termo,  que já se encontrava previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03.  Nesses  instrumentos  normativos, o  critério  para  a  obtenção do  creditamento  é  que  os  bens  e  serviços  empregados  sejam  utilizados  diretamente  sobre  o  produto  em  fabricação.  Logo,  não  se  relacionam  a  insumo  as  despesas  decorrentes  de  mera  administração interna da empresa.  Assim, a parte recorrente não faz jus à obtenção de créditos de  PIS  e  COFINS  sobre  todos  os  serviços  mencionados  como  necessários à consecução do objeto da empresa, como pretende  relativamente aos valores pagos à empresas pela representação  comercial  (comissões),  pelas  despesas  de  marketing  para  divulgação do produto, pelos  serviços  de  consultoria  prestados  por  pessoas  jurídicas  (aqui  incluídos  assessoria  na  área  industrial,  jurídica,  contábil,  comércio  exterior,  etc),  pelos  serviços  de  limpeza,  pelos  serviços  de  vigilância,  etc.,  porque  tais  serviços  não  se  encontram  abarcados  pelo  conceito  de  Fl. 188DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO D E CASTRO PONTES Processo nº 13204.000039/2004­14  Acórdão n.º 3801­002.038  S3­TE01  Fl. 18          17 insumo previsto na legislação, visto não incidirem diretamente  sobre o produto em fabricação.  Quando a lei entendeu pela incidência de crédito nesses serviços  secundários,  expressamente  os  mencionou,  a  exemplo  do  creditamento  de  combustíveis  e  lubrificantes  previsto  nos  dispositivos legais questionados (...) (grifou­se)  Nessa esteira, se o conceito de insumo estivesse relacionado com os custos de  produção,  não  faria  sentido  o  legislador  ordinário  enumerar  uma  série  de  outros  custos  passíveis de gerarem créditos. Deste modo, adota­se como solução deste litígio o conceito de  insumo segundo o disposto na IN 404/2004 ­ Cofins e na IN nº 247/2002 (redação dada pela IN  SRF nº 358/03) ­ PIS.   Consigne­se,  por  oportuno,  que  a  autoridade  fiscal  no  Termo  de  Encerramento  da  Ação  Fiscal  manifestou  expressamente  no  sentido  de  que  os  bens  e  os  serviços  acima  mencionados  não  se  enquadram  no  conceito  de  insumo,  visto  que  não  se  integram nem agem diretamente sobre o produto em fabricação.   Deste modo, nos termos da posição adotada anteriormente, para se ter direito  ao  desconto  dos  créditos  é  necessário  que  os  serviços  prestados  pela  pessoa  jurídica  sejam  aplicados diretamente na fabricação do produto, o que não ocorreu nas situações descritas. Dos  elementos  que  constam  neste  processo  administrativo  fiscal,  constata­se  que  os  serviços  que  foram objeto de glosa fiscal (alteamento, limpeza e passagem, locação, fornecimento de jantar,  descapeamento,  lavra,  transporte  de  funcionários,  vigilância  e  melhoria  das  estradas)  não  podem ser considerados insumos porque não foram aplicados diretamente na atividade fabril.    É bem verdade que esses serviços são importantes para o processo produtivo,  todavia  tais  serviços  não  são  empregados  diretamente  na  fabricação  do  produto  destinado  à  venda.   Do  exame dos  elementos  probatórios,  é  forçoso  concluir  que  são  serviços  auxiliares  e/ou complementares ao processo produtivo. Como visto, em regra, são custos de produção que  não se enquadram no conceito de insumos.   Em relação à glosa dos combustíveis gasolina comum e óleo diesel, verifica­ se  que  eles  foram  utilizados  nos  veículos  da  fábrica  para  transporte  de  materiais,  nos  caminhões para  transporte de caulim, portanto  sem  ligação direta  com o processo produtivo,  logo,  conclui­se  que  a  aquisições  de  tais  produtos  não  geram  direito  a  créditos  a  serem  descontados da contribuição apurada de forma não­cumulativa.  Ao contrário dos demais combustíveis, o óleo combustível TP A­BPF, que é  utilizado  na  fase  da  "evaporação"  (redução  do  teor  de  água  contida  na  polpa  através  de  passagem  por  evaporadores,  que  são  aquecidos  por  caldeiras  alimentadas  pela  queima  de  combustível), configura insumo, visto que é consumido diretamente no processo fabril.  Por  fim,  em  relação  às  alegações  de  inconstitucionalidades,  a  autoridade  julgadora não pode afastar a aplicação de norma jurídica, visto que não tem competência legal  para decidir sobre constitucionalidade e legalidade de leis em vigor. Além disso, o controle das  constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou  difuso, nos termos dos arts. 97 e 102 da Constituição Federal.  Fl. 189DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO D E CASTRO PONTES Processo nº 13204.000039/2004­14  Acórdão n.º 3801­002.038  S3­TE01  Fl. 19          18 Em  face  do  exposto,  voto  no  sentido  de  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário para afastar a glosa de créditos decorrentes da aquisições do óleo combustível TP A­ BPF.         (assinado digitalmente)  Flávio de Castro Pontes – Redator designado                  Fl. 190DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO D E CASTRO PONTES

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Numero do processo: 10580.728962/2009-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1401-000.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Roberto Armond Ferreira da Silva., Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. .
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1369; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T1  Fl. 743          1 742  S1­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10580.728962/2009­43  Recurso nº  999.999De Ofício e Voluntário  Resolução nº  1401­000.211  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  06 de março de 2013  Assunto  Solicitação de Diligência  Recorrente  ARTIS SERVIÇOS TÉCNICOS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o  julgamento  em  diligência,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que  passam  a  integrar  o  presente  julgado.    (assinado digitalmente)  Jorge Celso Freire da Silva ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Antonio Bezerra Neto ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros: Antonio Bezerra Neto,  Roberto Armond Ferreira da Silva., Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro,  Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. .     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 28 96 2/ 20 09 -4 3 Fl. 743DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10580.728962/2009­43  Resolução nº  1401­000.211  S1­C4T1  Fl. 744          2 RELATÓRIO  Trata­se de recurso voluntário e de ofício no Acórdão da 2ª Turma da Delegacia  da Receita Federal de Salvador­BA.  Adoto  e  transcrevo  o  relatório  constante  na  decisão  de  primeira  instância,  compondo em parte este relatório:  Trata o presente processo de Autos de Infração relativos: ao Imposto de Renda da  Pessoa  Jurídica  (IRPJ),  no  valor  de R$1.034.139,79  (um milhão,  trinta  e  quatro mil,  cento  e  trinta  e  nove  reais  e  setenta  e  nove  centavos);  à Contribuição Social  sobre  o  Lucro Líquido (CSLL), no valor de R$380.930,32 (trezentos e oitenta mil, novecentos e  trinta reais e  trinta e dois centavos);à Contribuição para Financiamento da Seguridade  Social (Cofins), no valor de R$972.331,86 (novecentos e setenta e dois mil, trezentos e  trinta  e  um  reais  e  oitenta  e  seis  centavos);  e  à  Contribuição  para  o  Programa  de  Integração  Social  (PIS),  no  valor  de  R$156.814,11  (cento  e  cinquenta  e  seis  mil,  oitocentos e quatorze reais e onze centavos), acrescidos da multa de ofício qualificada,  no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento) e dos juros de mora calculados até  a data dos lançamentos, e de Autos de Infração para exigência de Multa Regulamenta  pela Falta de apresentação de Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais  (DCTF), no valor de R$185.641,30 (cento e oitenta e cinco mil, seiscentos e quarenta e  um  reais  e  trinta  centavos),  e  Multa  Regulamentar  pela  Falta  de  apresentação  da  Declaração  de  Informações  Econômico  Fiscais  (DIPJ),  no  valor  de  R$500,00  (quinhentos reais), totalizando R$7.204.733,07 (sete milhões , setecentos e trinta e três  reais e sete centavos).  O Relatório Fiscal (fls. 61 a 79), subscrito pela Autoridade Tributária, registra os  seguintes fatos:  ­ a  Tecnologia  Avançada  Garantida  S/A,  doravante  denominada  Contribuinte,  está inscrita no CNPJ sob o n° 01.009.886/0001­05, com endereço cadastral na Rua do  Paço  n°  498,  Itinga,  Lauro  de  Freitas  ­  BA,  CEP  42.700­000,  conforme  extrato  do  CNPJ em anexo;  ­ o art. 5° do Estatuto Social, contido na Ata de Assembléia de Constituição de  31/10/2005, registra que "O capital social é de R$3.000.000,00 (três milhões de reais)  dividido em 2.832.153 (dois milhões, oitocentos e trinta e duas mil e cento e cinqüenta  e  três)  ações  ordinárias,  153.215  (cento  e  cinqüenta  e  três mil  e  duzentos  e  quinze)  ações preferenciais, 14.632 (quatorze mil seiscentos e trinta e duas) ações preferenciais  classe B, no valor nominal de R$1,00 (um real) cada uma subscrito e integralizado em  bens abaixo relacionados, vertidos pela empresa IMS ­ INDÚSTRIA MECÂNICA DE  SALVADOR S.A., conforme Laudo de Avaliação, que fica como parte integrante deste  instrumento, aprovado na Ata de Assembléia Geral Extraordinária realizada no dia 31  de outubro de 1995.";  ­ entretanto, em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal 0002, o Contribuinte  informa que a sua composição atual é conforme demonstrado abaixo:        Ações    Acionista  CNPJ/CPF (*)  Endereço (*)  Qtde  Valor (em R$)  Vespar  Industrial  e  13.997.200/0001 ­ Rua  da  Bélgica,  74,  4°  andar, 2.841.870  2.841.870,03  Fl. 744DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10580.728962/2009­43  Resolução nº  1401­000.211  S1­C4T1  Fl. 745          3 Comercial Ltda  02  Bairro Comércio,  Salvador­Ba, CEP 40.015030  Victor  Hugo  Folkerts  000.689.935­87  Rua da Polêmica, 510, Lotes 2  e 3, quadra F,  22.608  22.608,00      Bairro Brotas, Salvador­BA,  CEP 40.275­360            2.894.669  2.864.478,03   (*) Os n° dos CNPJ/CPF e respectivos endereços estão de acordo com os dados  cadastrais registrados nos sistemas CNPJ/CPF da Receita Federal do Brasil, conforme  extrato em anexo.  ­ o Contribuinte informou um total de quantidade de ações divergente do total em  valor,  fato  que  não  deveria  ter  ocorrido  tendo  em  vista  que  cada  ação  possui  valor  nominal igual, qual seja R$1,00 (um real), independentemente da espécie;  ­ de acordo com o art. 3° do Estatuto Social, "a sociedade tem por objeto social a  fabricação  de  válvulas  e  equipamentos  industriais  em  geral  e  a  comercialização  dos  referidos produtos, suas peças e acessórios";  ­ a  forma  de  tributação  escolhida  foi  a  do  Lucro  Real  Trimestral,  conforme  demonstrado  na  Ficha  n°  1  da  sua  Declaração  de  Informações  Econômico­Fiscais  ­  DIPJ  2006  (ano­calendário  2005).  Consequentemente,  o  Contribuinte  está  sujeito  ao  regime da não­cumulatividade para apuração do PIS  e Cofins,  conforme determinado  pela lei n° 10.637/02 e Lei n° 10.8333/03;  ­ o procedimento de fiscalização, iniciado em 22/07/2008, por meio do Termo de  Início  do  Procedimento  Fiscal,  objetivou  verificar  divergências  entre  os  valores  de  receita bruta informados pelo próprio Contribuinte à Secretaria Estadual da Fazenda do  Estado da Bahia (SEFAZ­BA), por meio da Declaração e Apuração Mensal do ICMS ­  DMA,  e  à  Receita  Federal  do  Brasil  (RFB),  por  meio  da  entrega  da  Declaração  de  Informações Econômico Fiscais ­ DIPJ 20006, relativa ao ano­calendário 2005 e avaliar  os correspondentes efeitos tributários;  ­ foram emitidos diversos termos de intimação e de reintimação fiscal solicitando  a entrega dos livros e/ou documentos relacionados no Termo de Início do Procedimento  Fiscal, tendo a Contribuinte apresentado, durante a ação fiscal, os seguintes elementos:  Livro Registro de Entradas; Livro Registro de Saídas; Livro Registro de Apuração do  ICMS;  Contrato/Estatuto  Social  e  suas  alterações;  Livro Diário;  Livro  Razão;  Lalur;  Livro de Apuração do IPI; Memória de Cálculo do Pis/Cofins 2005; Demonstrativo do  quadro societário;  ­ tendo  em  vista  o  objetivo  da  fiscalização,  foram  analisados  os  elementos  citados no tópico anterior, apresentados durante a ação fiscal, cujas cópias ou originais  considerados mais relevantes estão anexados a este Relatório, e extratos dos sistemas:  CPF; CNPJ; DCTF; Dacon,  sendo verificadas quatro  infrações à  legislação  tributária,  descritas a seguir:  1)  Omissão  na  Declaração  de  Informações  Econômico  Fiscais  (DIPJ)  e  na  Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF)  Em face da omissão nas entregas das DCTF e DIPJ, e visando ao cumprimento  do disposto na Lei n° 10.426, de 2002, art. 7°; na Instrução Normativa SRF n°  482/2004, art. 3°, art. 6°, art. 8°; e na Instrução Normativa SRF n° 642/2006, art.  4°;  art.  5°  (parcialmente  transcritos)  o  Contribuinte  foi  intimado  a  transmitir  Fl. 745DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10580.728962/2009­43  Resolução nº  1401­000.211  S1­C4T1  Fl. 746          4 eletronicamente,  em  5  dias,  as  declarações/demonstrativos  originais  a  que  estivesse  obrigado.  Embora  o  Contribuinte  tenha  entregue  as  DCTF  e  DIPJ  pertinentes,  estas  foram apresentadas extemporaneamente, isto é, em prazo superior àquele estabelecido  nos  supracitados  Termos,  ensejando  a  aplicação  de  multa  por  atraso  na  entrega  de  declaração.  Com  base  na  legislação  tributária  citada  acima,  foram  apurados  os  valores  das  Multas por Atraso na Entrega ­ MAED ­ das DCTF e DIPJ, do seguinte modo:  DCTF  • preparação  do Demonstrativo  de Apuração  da Multa  Isolada  ­DCTF,  em  que  foram  somados  os  valores  dos  tributos  declarados  nas  DCTF  do  1°  e  2°  trimestres,  respectivamente; e  • aplicação do fator de 20% (limite máximo tendo em vista que houve mais de 20  meses de atraso na apresentação da DCTF) sobre o somatório dos  tributos declarados  semestralmente que estão resumidos no Demonstrativo citado acima.  DIPJ  • aplicação da multa mínima de R$500,00, tendo em vista que o Contribuinte não  apurou IRPJ devido.  2)  Falta  de  recolhimento  do  PIS  e  Cofins  declarados  intempestivamente  em DCTF durante procedimento de fiscalização  Conforme  se  verifica  no  extrato  do  sistema  "dctfconsger",  as  DCTF  foram  entregues em 26/06/2009, atendendo à intimação, estando, portanto, o Contribuinte sob  ação fiscal. O início do procedimento fiscal, em 25/06/2008, excluiu a espontaneidade  conforme Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional ­ CTN ), art. 38, parágrafo  único, c/c Decreto n° 70.235, de 1972, art. 7°, § 1°, reproduzidos, e consequentemente  as DCTF apresentadas não possuem efeito e os débitos nelas declarados somente serão  utilizados como base de cálculo da MAED, e os débitos nas aludidas DCTF não devem  ser  objeto  de  cobrança,  pois  serão  parte  integrante  dos  correspondentes  Autos  de  Infração.  3)  Omissão de receitas  No curso do procedimento de fiscalização foram executados os procedimentos de  auditoria­fiscal indicados abaixo:  • cruzamento dos valores de  receitas  escriturados mensalmente no Livro Razão  n° 02/02 (coluna "Saldo atual") com o Livro Registro de Saídas n° 11 (coluna "Valor  contábil"), conforme demonstrativo;  • cruzamento dos valores de receitas escriturados mensalmente no Livro Registro  de Saídas n° 11 (coluna "Valor contábil") e Livro de Apuração do IPI n° 011;  • preparação do Demonstrativo das Diferenças não Justificadas pelo Contribuinte.  Em consequência dos  cruzamentos  acima  foram apuradas diferenças,  objeto de  pedido  de  esclarecimento,  mediante  termos  de  intimação  e  de  reintimação,  não  respondidos. Logo, inferiu­se a ocorrência de omissão de receitas de vendas, pois nem  todas  as  receitas  escrituradas  mensalmente  no  Livro  Registro  de  Saídas  foram  registradas no Livro Razão n° 02/02 e no Livro de Apuração do IPI n° 011.  Fl. 746DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10580.728962/2009­43  Resolução nº  1401­000.211  S1­C4T1  Fl. 747          5 O Contribuinte  foi  enquadrado  nos  seguintes  dispositivos  legais:  art.  541;  542;  841 e 845, do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de  Renda ­ RIR/1999) e art. 28, 44, inciso I e § 1°, da Lei n° 9.430, de 1996, art. 1°, §§ 1°,  2°; art. 2° e art. 37, da Lei n° 10.637, de 2002, e art. 1°, §§ 1° e 2°; art. 2, ambos da Lei  n° 10.833, de 2003.  O art. 288 (transcrito) determina a tributação da receita omitida de acordo com o  regime  de  tributação  utilizado  pela  pessoa  jurídica,  sendo  que  no  caso  em  tela,  o  Contribuinte adotou o Lucro Real e, portanto, foi este regime usado para a apuração dos  montantes não recolhidos.  Na  apuração  do  PIS  e  da  Cofins,  pelo  regime  da  não­cumulatividade,  foram  descontados os créditos constantes das Fichas 11B, linhas 10 e 11 e Ficha 17B, linhas 9  e 10, das DACON apresentadas,  respectivamente. Quanto  à dedução de PIS e Cofins  constante  da  Ficha  11B,  linha  25  e  Ficha  17B,  linha  24,  das  DACON  apresentadas,  referente  à  retenção  na  fonte,  observe­se  que  tal  retenção  é  relativa  às  receitas  de  prestação de serviços, não se aplicando ao Contribuinte, tendo em vista que este exerce  atividades  industriais,  razão  pela  qual  os  valores  pertinentes  à  retenção  não  foram  deduzidos ex ofício.  4) Falta de recolhimento do imposto escriturado no Livro de Apuração do IPI n°  011  O Contribuinte apurou  saldo devedor do  IPI  em diversos períodos de  apuração  conforme  se  verifica  no  Livro Registro  de Apuração  do  IPI  n°  011.  Ocorre  que  tais  débitos  constam  nas  DCTF  que  foram  consideradas  sem  efeito.  Consequentemente,  devem ser objeto de lançamento, com fundamento nos art. 127 do Decreto n° 4.544, de  2002 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados ­ RIPI), transcrito.  ­ conforme  exposto,  o Contribuinte omitiu  receitas  em  todos  os meses  do  ano­ calendário de 2005. Logo, em 100% dos períodos de apuração sob exame, as mesmas  infrações foram cometidas, reiteradamente, demonstrando, portanto, que não houve um  mero  erro  ou  falha  no  processo  de  contabilização,  configurando­se,  então,  a  situação  prevista no RIR/1999, art. 957 e na Lei n° 9.430, de 1996, art. 44, § 1°,  c/c a Lei n°  4.502, de 1966, art. 71 e 72 (transcritos), que enseja a aplicação da multa qualificada.  ­ a legislação que embasou a lavratura dos Autos de Infração foi: RIR/1999, art.  288; art. 541; art. 542; art. 841, IV; art. 845, III; art. 957, I, II, parágrafo único, I; Lei n°  5.172, de 1966, art. 138, parágrafo único; Decreto n° 70.235, de 1972, art. 7°, I, § 1°;  Lei n° 8.850, de 1994, art. 1°, II; Lei n° 9.430, de 1996, art. 28; art. 44, I, § 1°; Lei n°  10.833,  de  2003,  art.  1°;  art.  2°;  Decreto  n°  4.544,  de  2002,  art.  127;  IN  SRF  n°  482/2004, art. 3°; art. 6°, II, a, b; art. 8°, I; IN SRF n° 642, de 2006, art. 4°, § 3°; art. 5°,  I, § 1° e § 3°.  A  Contribuinte,  Tecnologia  Avançada  Garantida  S/A,  atual  Artis  Serviços  Técnicos Ltda, por sua procuradora, devidamente constituída (Instrumento de Mandato  à fl. 340), apresentou impugnação aos lançamentos, sob os seguintes argumentos:  Preliminarmente  ­ argui a nulidade do auto de Infração, porque teria sido extrapolado o prazo de  120 dias para a conclusão dos trabalhos, inexistindo prorrogação por escrito de mais 60  dias, tendo em vista que a fiscalização iniciou­se no dia 26/06/2008, por meio do MPF  05.1.01.00­2008­00962­2,  e  concluiu  suas  atividades  em  23/11/2009,  conforme  lavratura do Auto, passando 510 dias sem que o MPF fosse prorrogado e o contribuinte  tivesse ciência formal de todas as suas prorrogações;  Fl. 747DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10580.728962/2009­43  Resolução nº  1401­000.211  S1­C4T1  Fl. 748          6   Do Mérito  ­ entende  ser  cabível  a  improcedência  dos  lançamentos,  porque  teriam  sido  efetuados tomando­se por base os registros fiscais (Livro de Saída n° 011) conciliando  com  o  Razão  Contábil  n°  02/02,  contas  n°  3.1.01.01.00.1  (Vendas Mercado  Interno  Industrial) e 3.1.01.02.00.1 (Vendas Mercado Interno Petróleo), sem considerar que nos  registros  contidos  no  Livro  Fiscal  n°  011  encontram­se  registrados  códigos  (CFOP  ­  CÓDIGO  FISCAL  DE  OPERAÇÕES  E  DE  PRESTAÇÃO)  que  não  se  referem  a  vendas,  e  que  não  representam  operações  tributadas  pelo  PIS,  Cofins,  IRPJ  e  CSLL  (relaciona os vários códigos);  ­ pede a improcedência da Multa Isolada referente à falta da entrega da DCTF no  prazo estipulado por lei, já que os Auditores evocaram a Lei n° 5.172, de 1966 (CTN),  art.  38,  parágrafo  único  c/c  Decreto  n°  70.235,  de  1972,  art.  7°,  I,  "EXCLUI  a  ESPONTANEIDADE da entrega feita pelo contribuinte da DCTF";  ­ pede  também  a  improcedência  do  IPI,  pois  teriam  sido  apurados,  pela  Impugnante,  créditos  extemporâneos,  conforme  Instrução Normativa  n°  23/1997,  e  o  que trata a Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, que se referem a bens de produção  destinados à exportação direta ou a empresa comercial exportadora;  ­ sob o tópico ­ As Presunções Fiscais e o Lançamento Tributário ­discorre sobre  lançamento  e  elementos  de  prova  utilizados  para  embasar  exigência  fiscal,  inclusive  presunções, e conclui que não pode prosperar crédito tributário lavrado com base num  único  indício,  qual  seja,  os  registros  contidos  nos  livros  fiscais  de  n°  011,  incluindo  códigos CFPO que não tratam de vendas;  ­ elabora um demonstrativo do confronto entre as operações constantes do Livro  Registro  de  Saídas  n°  011  e  os  registros  feitos  nas  contas  3.1.01.01.00.1  e  3.1.01.02.00.1, do Livro Razão n° 02/­02, mês a mês, e aponta os valores que  teriam  sido  considerados  como  receitas  no  Auto  de  Infração,  mas  que,  de  acordo  com  os  respectivos CFOP, não corresponderiam a operações de vendas e não estariam sujeitos  à tributação;  ­ diz  que  em  consequência  das  apurações  indevidas  feitas  pelos  Auditores,  o  Demonstrativo  do  Lucro  Real  (doc.  3)  e  o  Demonstrativo  da  Base  de  Cálculo  e  da  CSLL  a  lançar  (doc.  4)  ficam  totalmente  prejudicados  e  são  impugnados  totalmente.  Apresenta  os  demonstrativos  do  Lucro  Real  e  da  Base  de  Cálculo  da  CSLL  que  considera corretos, com alguns ajustes em relação ao registrado no Livro de Apuração  do Lucro Real original, e com valores do IRPJ e da CSLL a pagar apenas no mês de  dezembro;  ­ afirma que, do mesmo modo, o Demonstrativo de Apuração da Base de Cálculo  e  do  PIS  a  Lançar  (doc.  5)  encontra­se  totalmente  equivocado,  impugnando­o  e  elaborando um demonstrativo  dos  valores  de PIS  a  pagar  que  considera  corretos. Na  apuração de tais valores deduz retenções de PIS, feitas pela Petrobrás, destacando que  estas retenções obedecem à legislação, Lei n° 9.430, de 1996, art. 64, por a Petrobras  ser uma instituição pública, apesar de ser uma S.A;  ­ destaca que a Petrobras é uma empresa federal, retém contribuições federais e o  contribuinte,  na  ótica  dos  Auditores,  tem  que  pagar  duas  vezes,  na  retenção  e  na  apuração destas contribuições;  Fl. 748DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10580.728962/2009­43  Resolução nº  1401­000.211  S1­C4T1  Fl. 749          7 ­ sustenta  que  também o Demonstrativo  de Apuração da Base  de Cálculo  e  da  Cofins a Lançar (doc. 6) encontra­se equivocado na demonstração do faturamento, além  de repetir os valores dos créditos do PIS, dos meses de julho a dezembro de 2005, na  demonstração da Cofins. Elabora o demonstrativo da Cofins a pagar que entende ser o  correto, reitera a mesma defesa feita para o PIS;  ­ afirma  que  apurou  créditos  extemporâneos  de  PIS  e  Cofins  e  faz  um  demonstrativo destes;  ­ argui que o Demonstrativo de Apuração da Multa Isolada ­ DCTF (doc. 7) foi  também  elaborado  de  forma  não  condizente  com  a  realidade  dos  fatos,  quando  considera  informações  transmitidas  pelo  contribuinte  na  DCTF,  considerada  pelos  Auditores sem efeito, excluindo a espontaneidade, em respeito à Lei n° 5.172, de 1966,  art.  38.  O  contribuinte  impugna  totalmente,  por  não  ter  impostos  e  contribuições  a  pagar;  ­ faz um demonstrativo da improcedência do lançamento do IPI;  ­ como conclusão da sua defesa,  faz um resumo dos valores que entende  terem  sido apurados indevidamente e dos valores que considera realmente devidos;  ­ informa ter juntado como prova os documentos enumerados de doc. 1 até doc.  12 e, em seguida, aduz ser imprescindível a realização de perícia para constatação dos  fundamentos narrados, indicando e qualificando o perito;  ­ finalizando, requer seja reconhecida a ocorrência da nulidade do procedimento  fiscal, bem como a improcedência pelas razões de fato e de direito do Auto de Infração,  requerendo, de logo, perícia para que fique provado, por meio de livros e documentos,  que o lançamento é improcedente.  A DRJ MANTEVE EM PARTE os lançamentos, nos termos da ementa abaixo e  RECORREU de ofício da parte cancelada:  ASSUNTO:  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  Ano­ calendário: 2005 PEDIDO DE PERÍCIA.  Deve  ser  indeferido  o  pedido  de  perícia  feito  em  desacordo  com  a  legislação pertinente, mormente quando os  fatos relatados e as provas  constantes dos autos são suficientes para o deslinde da questão.  NULIDADE.  MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL  E  AUTORIDADE COMPETENTE.  Há  de  se  rejeitar  a  preliminar  de  nulidade  quando  nos  autos  está  comprovado  que  o  auto  de  infração  foi  lavrado  por  autoridade  fiscal  competente,  além  de  terem  sido  cumpridos  todos  os  requisitos  legais  pertinentes ao MPF.  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­  IRPJ  Ano­calendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS.  As receitas omitidas apuradas mediante o confronto entre o Livro Fiscal  e a escrituração contábil devem ser submetidas à tributação.  LANÇAMENTOS DECORRENTES.  Contribuição para o PIS/Pasep  Fl. 749DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10580.728962/2009­43  Resolução nº  1401­000.211  S1­C4T1  Fl. 750          8 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social ­ Cofins  Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido ­ CSLL  Em  se  tratando  de  tributação  reflexa,  deve  ser  observado  o  que  for  decidido para o Auto de Infração principal, no que couber, uma vez que  todas as exigências tiveram o mesmo suporte fático.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Ano­calendário: 2005  FALTA DE RECOLHIMENTO.  Na  apuração  da  Contribuição  para  do  PIS  a  ser  lançada  de  ofício,  incidente  sobre  as  receitas  contabilizadas  acrescidas  das  receitas  omitidas  mantidas,  pelo  regime  da  não­cumulatividade,  devem  ser  deduzidos  os  valores  retidos  na  fonte  e  descontados  os  créditos  informados nas DACON.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Ano­calendário: 2005  FALTA DE RECOLHIMENTO  Na  apuração  da  Cofins  a  ser  lançada  de  ofício,  incidente  sobre  as  receitas contabilizadas acrescidas das  receitas omitidas mantidas,  pelo  regime da não­cumulatividade, devem ser deduzidos os valores retidos  na fonte e descontados os créditos informados nas DACON.  MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.  Uma vez descaracterizada a ocorrência da prática reiterada de omissão  de  receitas,  descrita  nos  Autos  de  Infração,  não  deve  prosperar  a  qualificação da multa de ofício,  ficando a multa de ofício  reduzida ao  percentual de 75%.  MULTA ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ.  Mantém­se a Multa por atraso na entrega da DIPJ, apresentada fora do  prazo e sob ação fiscal.  MULTA ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DAS DCTF.  Mantém­se a Multa por Atraso na Entrega da DCTF, apresentada fora  do prazo e sob ação fiscal.  Impugnação Parcial    A  DRJ  recorreu  de  ofício  da  parte  cancelada,  nos  termos  do  resultado de julgamento abaixo:  Acordam  os membros  da 2a Turma  de  Julgamento,  por  unanimidade  de  votos,  julgar Procedente em Parte a Impugnação, para indeferir o pedido de perícia, rejeitar a  preliminar de nulidade e, no mérito: exonerar o  Imposto de Renda da Pessoa Jurídica  (IRPJ)  lançado nos 1°, 2° e 3° trimestres de 2005; restabelecer o prejuízo fiscal do 1°  trimestre de 2005, no valor de R$47.619,20 (quarenta e sete mil, seiscentos e dezenove  reais e vinte centavos); reduzir o prejuízo fiscal dos 2° e 3° trimestres de 2005 para os  valores de R$23.423,74  (vinte  e  três mil, quatrocentos  e vinte e  três  reais  e  setenta e  quatro centavos) e R$2.400,00 (dois mil e quatrocentos reais), respectivamente; manter,  parcialmente,  a  parte  impugnada  do  lançamento do  IRPJ  referente  ao 4°  trimestre de  Fl. 750DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10580.728962/2009­43  Resolução nº  1401­000.211  S1­C4T1  Fl. 751          9 2005, no valor de R$155.534,11 (cento e cinquenta e cinco mil, quinhentos e  trinta e  quatro  reais  e  onze  centavos);  exonerar  a Contribuição Social  sobre  o Lucro Líquido  (CSLL)  lançada  nos  1°,  2°  e  3°  trimestres  de  2005;  restabelecer  a  Base  de  Cálculo  Negativa da CSLL do 1° trimestre de 2005, no valor de R$47.619,20 (quarenta e sete  mil, seiscentos e dezenove reais e vinte centavos); reduzir a Base de Cálculo Negativa  da CSLL dos 2° e 3°  trimestres de 2005 para os valores de R$23.423,74 (vinte e  três  mil, quatrocentos e vinte e três reais e setenta e quatro centavos) e R$2.400,00 (dois mil  e  quatrocentos  reais),  respectivamente;  manter,  parcialmente,  a  parte  impugnada  do  lançamento  da  CSLL  referente  ao  4°  trimestre  de  2005,  no  valor  de  R$57.487,23  (cinquenta  e  sete  mil,  quatrocentos  e  oitenta  e  sete  reais  e  vinte  e  três  centavos);  exonerar a Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição  para  Financiamento  da  Seguridade  Social  (Cofins)  lançadas  nos  meses  de  janeiro  a  novembro  de  2005;  manter  parcialmente  o  PIS  e  a  Cofins  lançados  no  mês  de  dezembro, nos valores de R$2.412,88  (dois mil, quatrocentos e doze  reais e oitenta e  oito  centavos)  e  R$27.427,18  (vinte  e  sete  mil,  quatrocentos  e  vinte  e  sete  reais  e  dezoito  centavos);  reduzir  o  percentual  da  multa  de  ofício  sobre  os  lançamentos  mantidos, de 150% (cento e cinquenta por cento) para 75% (setenta e cinco por cento),  devendo os lançamentos mantidos serem também acrescidos dos juros de mora; manter  a Multa Regulamentar pelo Atraso na Entrega das Declarações de Débitos e Créditos  Tributários Federais  (DCTF), no valor de R$185.641,30  (cento  e oitenta e  cinco mil,  seiscentos e quarenta e um reais e trinta centavos), e a Multa Regulamentar pelo Atraso  na Entrega da Declaração de  Informações Econômico Fiscais  (DIPJ),  exercício 2006,  ano­calendário 2005, no valor de R$500,00 (quinhentos reais), nos termos do relatório e  voto que integram o presente julgado.    Irresignada  com a  decisão  de primeira  instância  a  interessada  interpôs  recurso  voluntário a este CARF aduzindo o seguinte:  ­  reconhece apenas o valor original de R$ 5.968,32, como devido de MULTA  sobre o atraso das DCTF's do 1°. E 2º semestres de 2005.   ­ Também o contribuinte  IMPUGNA PARCIALMENTE a decisão contida no  Acórdão  15­26.750,  em  relação  a  CSLL  e  IRPJ  relativos  ao  4o.  TRIMESTRE  de  2005,  conforme abaixo:  IRPJ:       Omissão mantida          RS 734.407,63  RS  30.134,86       Prejuízo Fiscal no Lalur       R$  3.744,03  RS  3.744,03       Lucro Real antes da compensação   RS 730.663,60  RS  26.390,83       Limite de compensação prejuízos Fiscais (30%) RS 219.199,08  RS  7.917,25  Compensação de prejuízos (1º, 2º e 3º Trimestres RS 73.442,94  RS  7.917,25)  Lucro Real ajustado após compensação Prej. RS 657.220,66  RS  18.473,58  IR alíquota de 15%         RS 98.583,09  RS  2.771,04  Adicional do IR (BC 657.220,66­60.000)* 10% RS 59.722,06  RS  0  Fl. 751DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10580.728962/2009­43  Resolução nº  1401­000.211  S1­C4T1  Fl. 752          10 Total do IR apurado         RS 158.305,15  RS  2.771,04  Parte reconhecida          RS 2.771,04 RS  2.771,04  Parte Impugnada mantida       R$ 155.534,11  RS  0,00  ­  Alega  que  a  omissão  considerada  pela  DRJ  no  valor  de  R$  734.407,63,  referem­se  à  venda  do  Ativo  Imobilizado  no  valor  de  RS  681.788,00  mais  o  valor  de  RS  30.134„86, referente a ajustes fiscais, considerados pela contabilidade do contribuinte.  ­  a  venda  do  Ativo  Imobilizado  apresentou  uma  perda  de  RS  285.666,73,  conforme registro no Livro Diário de no. 11 à folha de no. 735 (anexa) e memória de cálculo  abaixo demonstrada:  Venda do Ativo Imobilizado em 11­2005  ­ RS 681.788,00  Valor residual do bem vendido em 11­2005  ­ RS 967.454,73  Perda  na  Venda  do  bem  do  Ativo  Imobilizado  ­  R$  285.666,73  registrado  á  folha 735 no Livro diário no. 11.  ­  Em  relação  ao  limite  de  compensação  de  Prejuízos  Fiscais,  os  Doutos  Julgadores  deixaram  de  considerar  dentro  do  limite  de  30%  sobre  o  Lucro  Real,  os  PREJUÍZOS ACUMULADOS DOS EXERCÍCIOS ANTERIORES A 2005,  no  valor  de R$  1.479.782,00, conforme folhas de nos. 35 e 36 da DIRPJ2006.  Considerando  recurso  parcial  apresentado,  consta  Termo  de  Transferência  de  débitos às fls. 733/734 dando conta de que foi formalizado o processo nº 10580.722891/2012­ 71,  para  onde  foram  transferidos  os  créditos  tributários  não  recorridos.  O  extrato  analítico  dessas diferenças transferidas está às fls. 735/739.  É o relatório.  Fl. 752DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10580.728962/2009­43  Resolução nº  1401­000.211  S1­C4T1  Fl. 753          11     VOTO  Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator.  Os recursos (voluntário e de ofício) preenchem os requisitos de admissibilidade,  portanto, deles tomo conhecimento.  Os autos de infração versam sobre:  1) Omissão de receitas  (IRPJ, CSLL, PIS e Cofins) a partir do confronto entre  Livros fiscais e contábeis;   2) Lançamentos do PIS e Cofins,; 3) Multas isoladas por atraso na entrega das  DCTF e DIPJ, relativas aos períodos de apuração ocorridos no ano­calendário de 2005.  A presente diligência versará sobre dois itens. Um deles em sede de Recurso de  Ofício e outro em sede de Recurso voluntário.  RECURSO DE OFÍCIO     No voto condutor do Acórdão, o relator cancelou quase que a integralidade do  lançamento,  por  vários  motivos.  O  que  nos  interessa  para  efeito  desta  Resolução  trata­se  crédito tributário de PIS e COFINS não cumulativos dados de ofício.  Tenho  para  mim  que  tal  cancelamento,  por  precaução,  deve  sempre  ser  acompanhado de uma maior investigação sobre a liquidez e certeza de referidos créditos. Esse,  inclusive, vem sendo o entendimento reiterado desta Turma. Para justificar meu entendimento,  transcrevo alguns  trechos da declaração de voto,  formulada pelo  ilustre Conselheiro Eduardo  Martins Neiva Monteiro:em outra assentada, mas que mutatis mutandis se aplica aqui também  a este caso concreto:  [...] é natural que este "aproveitamento" apenas possa  ser  realizado quando  tais  créditos  sejam  líquidos  e  certos.  Não  basta  ao  contribuinte  apresentar  os  respectivos  Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais ­ DACON, ou mesmo informar  os  créditos  em DIPJ,  para  que  a  Receita  Federal  obrigue  se  a  aproveitá­los,  sempre  supondo dispositivo legal para tanto, que, é importante frisar, não há.  A  análise  da  existência  das  operações  que  autorizam  o  creditamento  (certeza),  das quais decorrem o direito pleiteado pela defesa, bem como dos respectivos valores  (liquidez),  mostra­se  indispensável  ao  "aproveitamento"  de  oficio  a  que  alude  a  SCI  COS1T  n°  24/07.  Antes  de  deferi­lo  a  unidade  de  julgamento  (DRJ)  não  pode  prescindir de tal verificação, que deve ser inequívoca.  O caput do art.170 do Código Tributário Nacional é taxativo ao estabelecer que a  compensação apenas deve ocorrer com créditos líquidos e certos. Vejamos:  Fl. 753DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10580.728962/2009­43  Resolução nº  1401­000.211  S1­C4T1  Fl. 754          12 "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação  em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos  tributários  com  créditos  liquidas  e  certos,  vencidos  ou  vincendos,  do  sujeito  passivo  contra a Fazenda Pública"  Veja  que  o  próprio  legislador  cuidou  de  apenas  deferir  um  crédito  pleiteado  quando  presentes  determinados  requisitos. Ainda  que  em  tese  reconheça­se  o  direito,  enquanto não for comprovada a certeza e liquidez os créditos não podem ser deferidos.  Este  é  um norte  a  ser  seguido mesmo  em casos  submetidos  ao  crivo  do  poder  Judiciário,  nos  termos  do  art170­A do CTN,  acrescentado  pela Lei Complementar  n°  104/01,  e  Enunciado  n°  212  da  súmula  de  jurisprudência  do  Superior  Tribunal  de  Justiça, abaixo transcritos:  Art.  .170­A.  É  vedada  a  compensação  mediante  o  aproveitamento  de  tributo,  objeto  de  contestação  judicial  pelo  sujeito  passivo,  antes  do  trânsito  emjulgado  da  respectiva decisão judicial.  Enunciado n° 212: "A compensação de créditos tributários não pode ser deferida  em ação cautelar ou por medida liminar cautelar ou antecipatária.  Parece­me ser essencial, para que possam ser aproveitados de ofício, uma análise  prévia sobre a liquidez e certeza dos créditos de PIS e COFINS. Não se nega vigência à  SCI  n°  24/07,  mas,  ao  contrário,  procura­se  prestigiá­la  em  todos  os  seus  termos,  principalmente o seu item 12:  12. De qualquer forma, sempre que se proceder ao aproveitamento de oficio dos  créditos apurados pelo contribuinte, na forma dessa Solução de Consulta Interna, é de  fundamental  importância  a  verificação  da  liquidez  e  certeza  desses  mesmos  créditos ". (destaquei)  Posta  a  interpretação  que  entendo  ser  condizente  com  a  legalidade  e  com  o  resguardo do interesse público, vamos ao caso concreto.  No Termo  de Verificação Fiscal,  não  há  qualquer menção  da  autoridade  fiscal  sobre  o  fato  de  ter  ou  não  procedido  à  verificação  de  tais  créditos, mas  apenas  uma  afirmação  sobre  o  confronto  entre  as  receitas  declaradas  e  as  escrituradas,  além  da  constatação  de  que  nos  respectivos  anos­calendário  não  houve  contribuições  a pagar.  Vejamos:  "(.)  Em  atendimento  as  determinações  comidas  na  citada  portaria,  foram  verificado  os  livros  contábeis  em  confrontos  com  DCTF  e  DACON  nos  anos  calendários  de  2003,  2004,  2005,  2006,  2007  e  de  111  janeiro  a  junho  de  2008,  os  valores relativos ao PIS, COFIES, CSLL, 11212F e IRPJ.  Na análise dos DACON'S, livro de apuração das contribuições para o PIS e para  a COFINS não cumulativo, confrontamos as receitas     informadas com as receitas constantes nos livros contábeis e DCTF'S estando as  receitas declaradas corretamente nos anos calendários verificados.  Ficou constatado também que na apuração das contribuições para o PIS e para a  COFINS,  conforme  DACON,  nos  anos  calendários  constante  das  verificações  obrigatórias, não houve contribuições a pagar.  Fl. 754DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10580.728962/2009­43  Resolução nº  1401­000.211  S1­C4T1  Fl. 755          13     Foi  realizado  confronto  dos  valores  escriturados  na  DACON  e  no  DCTF  em  confronto  com  os  valores  declarados  na  DIPJ,  para  a  verificação  da  correta  base  de  cálculo das contribuições para o PIS e 41 COFIES" (sic)fls. 502/503)  De tal relato, não vislumbro que a agente fiscal tenha concluído pela procedência  dos créditos e que, inadvertidamente, deixara de considerá­los na apuração,  talvez até  por  um  hipotético  desconhecimento  da  SCI  n°  24/07.  Se  não  foram  aproveitados  de  ofício, é até intuitivo pensar o contrário. Ao sujeito passivo, então, caberia carrear aos  autos as respectivas provas que lhe fossem favoráveis, consoante dispõem os artigos 15  e 16 do Decreto n°70.235/72.  Contudo, em razão de a  redação de que se valeu a autoridade  responsável pela  autuação  não  permitir  identificar  com  exatidão  se  houve  realmente  a  análise  de  tais  créditos, entendo que uma diligência com vistas ao esclarecimento de tal ponto mostrar­ se­ia  necessária  à  luz  das  normas  já mencionadas.  A  fiscalização  poderia  remover  a  dúvida  sobre  a  certeza  e  liquidez  dos  créditos  declarados;  a  impugnante  não  sofreria  qualquer prejuízo, pois suas alegações não seriam logo afastadas em razão da falta de  provas  na  impugnação,  além  de  ter  uma  oportunidade  para  se  contrapor  às  novas  conclusões advindas da diligência, ou mesmo participar ativamente desta em auxílio à  fiscalização,  se  fosse  o  caso;  e,  finalmente,  o  julgamento  seria  realizado  após  um  pronunciamento  explícito,  direto,  manifesto,  sobre  a  presença  dos  necessários  requisitos, como exige o item 12 da SCI n° 24/07.  A  diligência  também  seria  proveitosa  para  que  a  DRF­Recife  (PE),  por  ser  a  unidade competente para análise e controle, atestar se  tais créditos estão vinculados a  Pedido de Ressarcimento (PER) ou Compensação (DCOMP) pendente de verificação, o  que impediria o aproveitamento de oficio, como preceitua tal ato normativo.  Enfim, as considerações acima levam­me a não concordar com o aproveitamento  de ofício dos créditos de PIS e COFINS, sem que estejam postas claramente a certeza e  liquidez dos mesmos.  Diante  do  exposto,  voto  pela  realização  de  diligência,  nos  termos  acima  delineados,  para que a autoridade competente da unidade de origem analise a liquidez e certeza dos créditos de PIS  e COFINS, declarados pela contribuinte e considerados pela DRJ, em conformidade com o disposto no  item 12 da SCI n° 24/07.  Após, deve a unidade diligenciante apresentar um relatório conclusivo, dando ciência à  contribuinte, que, caso deseje, poderá se manifestar sobre a matéria objeto da presente diligência.    RECURSO VOLUNTÁRIO    O  Contribuinte  também  recorre  PARCIALMENTE  da  decisão  contida  no  Acórdão  15­26.750,  em  relação  a  CSLL  e  IRPJ  relativos  ao  4o.  TRIMESTRE  de  2005,  conforme abaixo:  DEMONSTRATIVO 4° TRIMESTRE DE 2005  Fl. 755DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10580.728962/2009­43  Resolução nº  1401­000.211  S1­C4T1  Fl. 756          14 Omissão de Receita Mantida R$734.407,63  Prejuízo Fiscal apurado no Lalur  R$3.744,03  Lucro  Real  Antes  da  Compensação  de  Prejuízos  de  períodos  anteriores   R$730.663,60  Limite para Compensação de Prejuízos Fiscais 30%  R$219.199,08  Compensação de Prejuízos do 1°, 2° e 3° Trimestres  R$73.442,94  Lucro  Real  Ajustado  após  Compensação  de  Prejuízos  Fiscais  Per.  Anteriores   R$657.22G,66  IR alíquota 15%  R$98.583,09  Adicional do IR BC (657.220,66­60.000,00) x10% R$59.722,06  Total IRPJ Apurado  R$158.305,15  Parte Reconhecida  R$2.771,04  Parte Impugnada Mantida  R$155.534,11  ­  Alega  que  a  omissão  considerada  pela  DRJ  no  valor  de  R$  734.407,63,  referem­se  à  venda  do  Ativo  Imobilizado  no  valor  de  RS  681.788,00  mais  o  valor  de  RS  30.134„86, referente a ajustes fiscais, considerados pela contabilidade do contribuinte.  ­  a  venda  do  Ativo  Imobilizado  apresentou  uma  perda  de  RS  285.666,73,  conforme registro no Livro Diário de no. 11 à folha de no. 735 (anexa) e memória de cálculo  abaixo demonstrada:  Venda do Ativo Imobilizado em 11­2005  ­ RS 681.788,00  Valor residual do bem vendido em 11­2005  ­ RS 967.454,73  Perda  na  Venda  do  bem  do  Ativo  Imobilizado  ­  R$  285.666,73  registrado  á  folha 735 no Livro diário no. 11.  A DRJ, assim manteve o 4o Trimestre de 2005:  (...)  5)  no mês  de  novembro  de  2005,  não  foram  contabilizadas  nas  contas  do  Livro Razão, objetos do confronto, as notas fiscais n° 4654; 4655 e 4656, no valor de  R$97.666,00, cada uma, de 1°/11/2005, assim como, a nota fiscal n° 4664, no valor de  R$101.640,00,  de  10/11/2005,  e  a  nota  fiscal  n°  4666,  no  valor  de  R$384.816,80,  também de  10/11/2005,  totalizando R$681.788,00,  todas  elas  registradas  no Livro  de  Saídas com o CFOP 551.  Cumpre  salientar  que  a  contabilização  referente  à  venda  de  bem  do  Ativo  Imobilizado não deveria ser feita nas contas de Razão objeto do confronto, por se tratar  de  uma  receita  não  operacional.  Todavia,  examinando­se  as  linhas  42  e  43  da  Ficha  06A  da  DIPJ/2006,  percebe­se  que  não  foi  informado  qualquer  valor  que  indique  o  oferecimento  à  tributação  de  Receita  de  Alienação  de  Bens/Direitos  do  Ativo  Fl. 756DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10580.728962/2009­43  Resolução nº  1401­000.211  S1­C4T1  Fl. 757          15 Permanente, razão pela qual foi mantida a omissão de receita, nos valores das vendas de  bem do ativo permanente constantes do Livro Registro de Saídas.  Como se vê o motivo pelo qual a DRJ manteve essa parte do lançamento foi o  fato de o contribuinte não ter oferecido à tributação a receita de Alienação de Bens/Direitos do  Ativo Permanente nas linhas 42 e 43 da Ficha 06 A da DIPJ/2006.  Porém,  em  fase  recursal  a  Recorrente  tenta  se  desincumbir  da  prova  de  fato  extintivo do seu direito. Aponta que a venda do Ativo Imobilizado apresentou uma perda de RS  285.666,73, conforme registro no Livro Diário de no. 11 à folha de no. 735, que traz em anexo  e memória de cálculo abaixo:  Venda do Ativo Imobilizado em 11­2005  ­ RS 681.788,00  Valor residual do bem vendido em 11­2005  ­ RS 967.454,73  Perda  na  Venda  do  bem  do  Ativo  Imobilizado  ­  R$  285.666,73  registrado  á  folha 735 no Livro diário no. 11.  De fato, a contabilidade faz prova a seu favor, nesse sentido não teria a princípio  nada  a  reparar  em  sua  justificativa,  porém  como  se  está  baixando  o  feito  em  diligência  em  função do RECURSO DE OFÍCIO e por precaução, aproveito essa diligência para que o fiscal  autuante aprofunde às investigações colhendo dados adicionais que ratifiquem­na ou conduzam  a manutenção do lançamento.  Como  já  foi  dito,  deve  a  unidade  diligenciante  aqui  também  apresentar  um  relatório  conclusivo, dando ciência à contribuinte, que, caso deseje, poderá se manifestar sobre a matéria objeto  da presente diligência.      (assinado digitalmente)  Antonio Bezerra Neto  Fl. 757DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO

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Numero do processo: 13227.000672/2007-97
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 PRODUÇÃO RURAL. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ENTREGAR GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES. INAPLICABILIDADE. PREJUDICIALIDADE NA MATÉRIA. No RE 596.177, submetido ao regime do Art. 542-B, de relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski, foi julgada a inconstitucionalidade da contribuição de 2% sobre a produção rural, por ofender ao art. 150, II, da CF, em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador e por necessidade de Lei Complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-002.270
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto – Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Magalhães Peixoto. Ausente o Conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1739; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T3  Fl. 2          1 1  S2­C4T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13227.000672/2007­97  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2403­002.270  –  4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária   Sessão de  18 de setembro de 2013  Matéria  CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA  Recorrente  FRIGORÍFICO TANGARA LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006  PRODUÇÃO  RURAL.  INCONSTITUCIONALIDADE.  REPERCUSSÃO  GERAL.  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA.  ENTREGAR  GFIP  COM  DADOS  NÃO  CORRESPONDENTES  AOS  FATOS  GERADORES.  INAPLICABILIDADE. PREJUDICIALIDADE NA MATÉRIA.  No RE 596.177, submetido ao regime do Art. 542­B, de relatoria do Ministro  Ricardo Lewandowski, foi julgada a inconstitucionalidade da contribuição de  2% sobre a produção rural, por ofender ao art. 150, II, da CF, em virtude da  exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador e por  necessidade de Lei Complementar para a instituição de nova fonte de custeio  para a seguridade social.  Recurso Voluntário Provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos,  em dar  provimento ao recurso.    Carlos Alberto Mees Stringari ­ Presidente    Marcelo Magalhães Peixoto – Relator     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 00 06 72 /2 00 7- 97 Fl. 321DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI     2    Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees  Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos  Santos  e  Marcelo  Magalhães  Peixoto.  Ausente  o  Conselheiro  Paulo  Mauricio  Pinheiro  Monteiro.  Fl. 322DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13227.000672/2007­97  Acórdão n.º 2403­002.270  S2­C4T3  Fl. 3          3   Relatório  Cuida Cuida­se de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº. 01­ 24.922,  fls.  248/253,  que  julgou  improcedente  a  Impugnação  apresentada,  mantendo­se  incólume o crédito previdenciário, consubstanciado no AI DEBCAD 37.127.690­0, no importe  de R$ 276.729,64  (duzentos  e  setenta e  seis mil  setecentos  e vinte  e nove  reais  e  sessenta  e  quatro centavos).  O Auto  de  Infração  foi  lavrado  em  razão  do  descumprimento  de  obrigação  acessória,  por  ter  a  empresa  apresentado  GFIP  com  dados  não  correspondentes  aos  fatos  geradores de todas as contribuições previdenciárias.  Segundo  o  relatório  fiscal  da  infração,  fls.  12/16,  a  empresa  deixou  de  declarar  em  GFIP  a  base  de  cálculo  da  contribuição  do  produtor  rural  pessoa  física  e  do  segurado  especial,  incidente  sobre  a  comercialização  da  produção,  adquirida  ou  recebida  em  consignação do produto rural. A base de cálculo foi extraída dos livros de apuração do ICMS e  identificados pelos números 02 e 03 do ‘CFOP’.  A  empresa  apresentou  nas  fls.192/194,  pedido  de  retirada  de  seu  nome  do  CADIN, uma vez que o DEBCAD fora enviado diretamente à Procuradoria Geral da Fazenda  Nacional para inscrição do débito em dívida ativa da União, sem mesmo ter sido oportunizado  o  exercício  do  direito  de  defesa. A  PGFN  posteriormente  confirmou  a  remessa  indevida  do  lançamento à dívida ativa e determinou a análise da impugnação apresentada pelo contribuinte  nas fls. 200/210.  DO ACÓRDÃO DA DRJ  Em análise aos argumentos da então impugnante, a 5ª Turma da Delegacia da  Receita Federal  do Brasil  de  Julgamento  em Belém/PA,  julgou, na  sessão de 09 de maio de  2012,  o  acórdão  01­24.922,  fls.  248/253,  pela  improcedência  da  impugnação,  mantendo  o  crédito lançado, em decisão que restou ementada da seguinte forma:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006  PREVIDENCIÁRIO.  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA.  GFIP.  OMISSÃO DE FATOS GERADORES.  Constitui infração ao disposto no artigo 32, inciso IV, parágrafo  5º  da  Lei  n.  8.212/91,  apresentar  Guias  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência Social – GFIP, com dados não correspondentes aos  fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.  PENALIDADE APLICÁVEL.  Fl. 323DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI     4  A  multa  sobre  o  valor  das  contribuições  previdenciárias,  por  ocasião do pagamento ou do trânsito em julgado administrativo,  ficará sujeita a cálculo de acordo com a Lei 11.941/2009, cujo  resultado  deverá  prevalecer  se  mais  benéfico  para  o  sujeito  passivo.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  DO RECURSO VOLUNTÁRIO  Inconformado com a decisão, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário,  nas fls. 292/299, com os seguintes argumentos, em suma:  ­ A conexão com o processo principal, decorrente do DEBCAD 37.127.692­ 6;  ­  A  retroatividade  da  multa  mais  benéfica  em  decorrência  da MP  449/08,  posteriormente convertida na Lei 11.941/09;  ­  A  inconstitucionalidade  das  contribuições,  já  reconhecida  pelo  Supremo  Tribunal Federal nos autos do RE 362852/MG, de observância obrigatória pelo colegiado em  razão do art. 62, I do RICARF;  É o relatório.  Fl. 324DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13227.000672/2007­97  Acórdão n.º 2403­002.270  S2­C4T3  Fl. 4          5   Voto               Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator  DA TEMPESTIVIDADE  Conforme documento de fl. 178,  tem­se que o recurso é  tempestivo e  reúne  os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento.  DA  (IN)CONSTITUCIONALIDADE  DA  CONTRIBUIÇÃO  DO  PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA E DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO  RURAL  Apesar  de  se  tratar  de  Auto  de  Infração  por  descumprimento  de  obrigação  acessória,  deve­se,  no  caso  concreto,  analisar  o mérito  da  autuação  em  razão  da  atração  do  disposto no art. 62­A do Regimento Interno deste Conselho.  A autuação em pauta foi precedida pelo MPF n. 09407183F00, fl. 126, para  verificação  obrigatória  de  contribuições  previdenciárias  devidas  na  comercialização  de  produtos rurais por adquirente na condição de sub­rogado.  No  relatório  fiscal,  o  Auditor  da  Receita  Federal  do  Brasil  afirma  que  a  empresa  deixou  de  declarar  em  GFIP  a  base  de  cálculo  da  contribuição  do  produtor  rural  pessoa física e do segurado especial da produção rural, fl. 12.  Ante  estes  fatos,  a  exigência  é  indevida  ante  a  sua  declaração  de  inconstitucionalidade  pelo  Supremo  Tribunal  Federal,  em  sede  repercussão  geral,  de  reprodução obrigatória, em razão de expressa disposição regimental, art. 62­A, in verbis:  CONSTITUCIONAL.  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA.  INCIDÊNCIA  SOBRE  A  COMERCIALIZAÇÃO  DA  PRODUÇÃO.  ART.  25  DA  LEI  8.212/1991,  NA  REDAÇÃO  DADA  PELO  ART.  1º  DA  LEI  8.540/1992.  INCONSTITUCIONALIDADE.   I  –  Ofensa  ao  art.  150,  II,  da  CF  em  virtude  da  exigência  de  dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador.   II – Necessidade de lei complementar para a instituição de nova  fonte de custeio para a seguridade social.   III  –  RE  conhecido  e  provido  para  reconhecer  a  inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/1992, aplicando­se  aos  casos  semelhantes  o  disposto  no  art.  543­B  do  CPC.  (RE  Fl. 325DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI     6  596177, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal  Pleno,  julgado  em  01/08/2011,  REPERCUSSÃO  GERAL  ­  MÉRITO  DJe­165  DIVULG  26­08­2011  PUBLIC  29­08­2011  EMENT  VOL­02575­02  PP­00211  RT  v.  101,  n.  916,  2012,  p.  653­662)  Cumpre  trazer  à  lume  os  argumentos  para  reconhecimento  da  inconstitucionalidade,  constantes  no  voto  condutor  do  acórdão,  de  relatoria  do  Ministro  Ricardo Lewandowski:  ­ A Lei Maior é exaustiva quanto aos fatos que podem dar causa à obrigação  de  financiamento  da  seguridade  social,e  que  somente  a  Constituição  pode  abrir  exceção  à  unicidade de incidência da contribuição;  ­  O  produtor  rural  passou  a  estar  compelida  a  duplo  recolhimento,  com  a  mesma destinação, ou seja, o financiamento da seguridade social ­ recolhe, a partir do disposto  no art. 195, I, alínea 'b', a COFINS e a contribuição prevista no referido art. 25";  ­ Ofensa ao princípio constitucional da isonomia tributária ­ Art. 150,  II, da  CF/1988 ­ pois haveria duplicidade de contribuição, uma vez que o produtor rural, caso possua  empregados estará obrigado não só ao recolhimento sobre a folha de salários, como também,  levando em conta o faturamento da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade  Social ­ COFINS e da prevista ­ tomada a mesma base de incidência, o valor comercializado ­  no artigo 25 da Lei n. 8.212/91;  ­ Necessidade de lei complementar para se instituir nova fonte de custeio para  a  seguridade social, dado que o  faturamento e  resultado da produção não possuem o mesmo  significado.  Nesse  sentido,  destacou  ser  essa  a  razão  para  a  existência  do  art.  195  da  Constituição  e  da  impossibilidade  de  se  considerar  o  previsto  no  art.  25,  I  e  II,  da  Lei  8.212/1991  como  majoração  da  alíquota  da  contribuição  prevista  na  Lei  Complementar  70/1991.  Todos  os  fundamentos  foram  retirados  do  julgamento  do  RE  363.852,  matéria com o mesmo objeto do  julgado acima, apenas  sem o pálio da  repercussão geral, de  relatoria do Ministro Marco Aurélio, cuja ementa segue dado o valor do precedente:  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO  ­  PRESSUPOSTO  ESPECÍFICO  ­  VIOLÊNCIA  À  CONSTITUIÇÃO  ­  ANÁLISE  ­  CONCLUSÃO.  Porque  o  Supremo,  na  análise  da  violência  à  Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo do  extraordinário,  a  conclusão  a  que  chega  deságua,  conforme  sempre  sustentou  a  melhor  doutrina  ­  José  Carlos  Barbosa  Moreira  ­,  em provimento  ou  desprovimento  do  recurso,  sendo  impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento.  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  ­  COMERCIALIZAÇÃO  DE  BOVINOS  ­  PRODUTORES  RURAIS  PESSOAS  NATURAIS  ­  SUB­ROGAÇÃO  ­  LEI Nº  8.212/91  ­  ARTIGO  195,  INCISO  I,  DA  CARTA  FEDERAL  ­  PERÍODO  ANTERIOR  À  EMENDA  CONSTITUCIONAL Nº 20/98 ­ UNICIDADE DE INCIDÊNCIA ­  EXCEÇÕES  ­  COFINS  E  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  ­  PRECEDENTE  ­  INEXISTÊNCIA  DE  LEI  COMPLEMENTAR.  Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação  tributária  sub­rogada  do  adquirente,  presente  a  venda  de  bovinos  por  produtores  rurais,  pessoas  naturais,  prevista  nos  artigos  12,  incisos  V  e  VII,  25,  incisos  I  e  II,  e  30,  inciso  IV,  da  Lei  nº  Fl. 326DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13227.000672/2007­97  Acórdão n.º 2403­002.270  S2­C4T3  Fl. 5          7 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº  9.528/97. Aplicação de leis no tempo ­ considerações.   (RE  363852,  Relator(a):  Min.  MARCO  AURÉLIO,  Tribunal  Pleno,  julgado  em  03/02/2010,  DJe­071  DIVULG  22­04­2010  PUBLIC  23­04­2010  EMENT  VOL­02398­04  PP­00701  RTJ  VOL­00217­ PP­00524 RET v. 13, n. 74, 2010, p. 41­69)  O Acórdão prolatado foi no seguinte sentido, in verbis:  Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros  do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade e nos termos do  voto  do  relator,  em  conhecer  e  dar  provimento  ao  recurso  extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do  recolhimento da contribuição social ou do recolhimento por sub­ rogação sobre a "receita bruta proveniente da comercialização  da  produção  rural"de  empregadores,  pessoas  naturais,  fornecedores  de  bovinos  para  abate,  declarando  a  inconstitucionalidade  do  artigo  1  da  Lei  n.  8.540/92,  que  deu  nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e  30, inciso IV, da Lei n. 8.212/91, com a redação atualizada até a  Lei n. 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda  Constitucional n. 20/98, venha a  instituir a contribuição,  tudo  na forma do pedido inicial, invertidos os ônus sucumbência. Em  seguida,  o  relator  apresentou  petição  da  União  no  sentido  de  modular  os  efeitos  da  decisão,  que  foi  rejeitada  por  maioria,  vencida  a  Ministra  Ellen  Gracie,  em  sessão  presidida  pelo  Ministro Gilmar Mendes, na conformidade da ata do julgamento  e das respectivas notas taquigráficas.  Em continuação ao  acórdão do Recurso em sede de repercussão geral, para  que não restasse dúvidas, o Ministro relator do primeiro acórdão julgado, RE 363.852, Marco  Aurélio, interveio em seu voto, cujos trechos seguem transcritos a seguir:  Senhor Presidente,  apenas  em atenção ao que  foi  veiculado da  tribuna,  consigno  que  persiste  o  erro  glosado  quando  do  pronunciamento anterior do Tribunal.  Veio à balha não uma lei complementar que atendesse ao artigo  195, parágrafo quarto, da Carta Federal, mas uma lei ordinária,  a n. 10.256/2001. E nem se diga que a Emenda Constitucional n.  20 acabou por placitar a utilização da lei ordinária para criação  desse  tributo,  porque  apenas  alterou  o  parágrafo  oitavo  do  artigo 185 para expungir a referência a garimpeiro.  A situação, portanto, é idêntica àquela com a qual o Plenário se  defrontou  ­  se não me  falha a memória, quando do  julgamento  do  Recurso  Extraordinário  n.  363.852/MG  ­,  e  concluiu  pelo  provimento do recurso do contribuinte.  Acompanho  o  relator  provendo  o  recurso  e  declarando  a  inconstitucionalidade  dos  preceitos  referidos  por  Sua  Excelência,  reportando­me  ao  voto  proferido  no  mencionado  extraordinário:  (...)  Fl. 327DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI     8  Portanto, por estar afastada a exigência no tocante à contribuição decorrente  da  aquisição  de  produtos  rurais  de  pessoas  físicas,  também  o  está  a  aplicação  da multa  por  suposto  descumprimento  de  obrigação  acessória  disposta  no  art.  32  da  Lei  8.212/91  por  prejudicialidade.  CONCLUSÃO  Ante o exposto, voto pelo provimento do presente Recurso Voluntário.    Marcelo Magalhães Peixoto.                              Fl. 328DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI

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Numero do processo: 10940.903177/2009-40
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/07/2002 CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. ROL TAXATIVO DA LEI 9.718/98. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas na Lei 9.718/98, assim o ICMS inclui-se na base de cálculo da contribuição. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-002.607
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES

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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/07/2002 CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. ROL TAXATIVO DA LEI 9.718/98. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas na Lei 9.718/98, assim o ICMS inclui-se na base de cálculo da contribuição. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso. Recurso Voluntário Negado.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903177/2009­40  Acórdão n.º 3801­002.607  S3­TE01  Fl. 11          2 Relatório  Adoto parcialmente o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de  Julgamento (DRJ), que narra bem os fatos:  Trata o processo de Despacho Decisório  emitido pela DRF em  Ponta  Grossa/PR,  que  não  homologou  a  compensação  informada  no  Per/Dcomp  nº  11484.12538.091106.1.3.04­0488  devido  à  inexistência  de  crédito  de  R$  264,84  para  efetuar  a  compensação  pretendida  de  R$  707,99,  uma  vez  que  o  pagamento  de  PIS/PASEP  (código  8109),  efetuado  em  15/07/2002,  teria  sido  integralmente utilizado para quitação de  débito próprio.   Cientificada  em  01/06/2009,  a  interessada  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade,  alegando,  em  síntese,  a  inconstitucionalidade da  incidência do PIS e da Cofins  sobre o  ICMS.  Ressalta  que  pela  nova  sistemática  de  apuração  dessas  contribuições (Lei nº 9.718, de 1998, para o sistema cumulativo  e  Leis  nºs  10.637,  de  2002,  e  10.833,  de  2003,  para  o  nãocumulativo)  mantiveram  a  obrigatoriedade  da  inclusão  do  ICMS em suas bases de cálculo, em contradição à Constituição  Federal,  isso porque os  valores pagos  a  tal  título,  inclusos nas  operações por ela realizadas, não correspondem a faturamento,  nem  tampouco  à  receita.  Cita  entendimento  de  ministros  do  Supremo Tribunal Federal e lição de doutrinadores, a respeito.  A  DRJ  em  Curitiba  (PR)  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade, nos termos da ementa abaixo:  BASE DE CÁLCULO. ICMS.  O valor do ICMS compõe a base de cálculo da Cofins, podendo,  a partir de fevereiro de 1999, ser excluído da base de cálculo da  contribuição somente quando cobrado pelo vendedor de bens ou  serviços, na condição de substituto tributário.  ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE.  O  julgador  da  esfera  administrativa  deve  limitarse  a  aplicar  a  legislação  vigente,  restando,  por  disposição  constitucional,  ao  Poder  Judiciário  a  competência  para  apreciar  inconformismos  relativos à sua validade ou constitucionalidade.  Discordando da decisão  de primeira  instância,  a  recorrente  interpôs  recurso  voluntário,  instruído com diversos documentos. Em síntese, apresentou as mesmas alegações  suscitadas na manifestação de inconformidade.   Por  fim,  requereu  que  fosse  reconhecido  o  seu  direito  à  compensação,  referente  aos  indevidos  pagamentos  a  título  da  contribuição,  em  virtude  da  não  dedução  da  base de  cálculo  daquelas  exações,  na  época própria,  da  totalidade das  despesas  operacionais  Fl. 65DF CARF MF Impresso em 26/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903177/2009­40  Acórdão n.º 3801­002.607  S3­TE01  Fl. 12          3 incorridas em cada mês de competência, decorrentes das suas atividades, bem como, não haja a  incidência da multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea (sic).   É o relatório.  Fl. 66DF CARF MF Impresso em 26/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903177/2009­40  Acórdão n.º 3801­002.607  S3­TE01  Fl. 13          4 Voto             Conselheiro Flávio de Castro Pontes  O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto,  dele tomo conhecimento.  De  imediato  desconsidera­se  o  pedido  da  recorrente  que  é  dissociado  da  fundamentação do recurso voluntário. O recurso voluntário tem por objeto a exclusão do ICMS  na base de cálculo da contribuição, enquanto o pedido faz referência ao direito de deduzir da  base de cálculo da contribuição a totalidade das despesas operacionais incorridas em cada mês  de competência.   Em atenção ao amplo direito de defesa e do contraditório aprecia­se as razões  do recurso voluntário.  Como relatado, o litígio tem como controvérsia a exclusão do ICMS da base  de cálculo da contribuição.  Para  o  período  de  apuração  em  discussão,  segundo  o  código  de  receita  do  pagamento a maior, 2172 ou 8109, aplicavam­se os dispositivos da Lei da Lei 9.718/98:  Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas  pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com  base no seu  faturamento, observadas a  legislação vigente e as  alterações introduzidas por esta Lei   Art.  3º  ­  "O  faturamento  a  que  se  refere  o  artigo  anterior  corresponde à receita bruta da pessoa jurídica.   (...)  Como  apresentado  nos  recursos  da  recorrente,  as  exclusões  e  deduções  da  base cálculo estão discriminadas no §2º e seguintes do art. 3º da Lei 9.718/98:  §  2º  Para  fins  de  determinação  da  base  de  cálculo  das  contribuições  a  que  se  refere  o  art.  2º,  excluem­se  da  receita  bruta:  I  ­  as  vendas  canceladas,  os  descontos  incondicionais  concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados ­ IPI e o  Imposto  sobre  Operações  relativas  à  Circulação  de  Mercadorias  e  sobre  Prestações  de  Serviços  de  Transporte  Interestadual  e  Intermunicipal  e  de  Comunicação  ­  ICMS,  quando  cobrado  pelo  vendedor  dos  bens  ou  prestador  dos  serviços na condição de substituto tributário;  II  ­  as  reversões  de  provisões  e  recuperações  de  créditos  baixados  como  perda,  que  não  representem  ingresso  de  novas  receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo  Fl. 67DF CARF MF Impresso em 26/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903177/2009­40  Acórdão n.º 3801­002.607  S3­TE01  Fl. 14          5 valor do patrimônio  líquido e os  lucros e dividendos derivados  de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham  sido  computados  como  receita;  (Redação  dada  pela  Medida  Provisória nº 2158­35, de 2001)  III  ­  os  valores  que,  computados  como  receita,  tenham  sido  transferidos  para  outra  pessoa  jurídica,  observadas  normas  regulamentadoras  expedidas  pelo Poder Executivo;  .(Revogado  pela Medida Provisória nº 2158­35, de 2001)  IV ­ a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente.  V  ­  a  receita  decorrente  da  transferência  onerosa,  a  outros  contribuintes  do  ICMS,  de  créditos  de  ICMS  originados  de  operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do §  1o do art. 25 da Lei Complementar nº 87, de 13 de setembro de  1996.  (Incluído  pela  Medida  Provisória  nº  451,  de  2008)  (Produção de efeito)  § 3º Nas operações realizadas em mercados futuros, considera­ se  receita  bruta  o  resultado  positivo  dos  ajustes  diários  ocorridos no mês. (Revogado pela Lei nº 11.051, de 2004)  §  4º  Nas  operações  de  câmbio,  realizadas  por  instituição  autorizada  pelo  Banco  Central  do  Brasil,  considera­se  receita  bruta a diferença positiva entre o preço de venda e o preço de  compra da moeda estrangeira.  § 5º Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1º do art.  22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para  os  efeitos  da  COFINS,  as  mesmas  exclusões  e  deduções  facultadas  para  fins  de  determinação  da  base  de  cálculo  da  contribuição para o PIS/PASEP.  § 6o Na determinação da base de cálculo das contribuições para  o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1o  do  art.  22  da  Lei  no  8.212,  de  1991,  além  das  exclusões  e  deduções  mencionadas  no  §  5o,  poderão  excluir  ou  deduzir:  (Incluído pela Medida Provisória nº 2158­35, de 2001)  I  ­  no  caso  de  bancos  comerciais,  bancos  de  investimentos,  bancos  de  desenvolvimento,  caixas  econômicas,  sociedades  de  crédito,  financiamento  e  investimento,  sociedades  de  crédito  imobiliário,  sociedades  corretoras,  distribuidoras  de  títulos  e  valores  mobiliários,  empresas  de  arrendamento  mercantil  e  cooperativas  de  crédito:  (Incluído  pela  Medida  Provisória  nº  2158­35, de 2001)  a)  despesas  incorridas  nas  operações  de  intermediação  financeira;  (Incluído  pela  Medida  Provisória  nº  2158­35,  de  2001)  b)  despesas  de  obrigações  por  empréstimos,  para  repasse,  de  recursos  de  instituições  de  direito  privado;  (Incluído  pela  Medida Provisória nº 2158­35, de 2001)  Fl. 68DF CARF MF Impresso em 26/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903177/2009­40  Acórdão n.º 3801­002.607  S3­TE01  Fl. 15          6 c)  deságio  na  colocação  de  títulos;  (Incluído  pela  Medida  Provisória nº 2158­35, de 2001)  d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações;  (Incluído pela Medida Provisória nº 2158­35, de 2001)  e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de  hedge; (Incluído pela Medida Provisória nº 2158­35, de 2001)  II ­ no caso de empresas de seguros privados, o valor referente  às  indenizações  correspondentes  aos  sinistros  ocorridos,  efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título  de  cosseguro  e  resseguro,  salvados  e  outros  ressarcimentos.  (Incluído pela Medida Provisória nº 2158­35, de 2001)  III  ­  no  caso  de  entidades  de  previdência  privada,  abertas  e  fechadas,  os  rendimentos  auferidos  nas  aplicações  financeiras  destinadas  ao  pagamento  de  benefícios  de  aposentadoria,  pensão, pecúlio e de resgates; (Incluído pela Medida Provisória  nº 2158­35, de 2001)  IV  ­  no  caso  de  empresas  de  capitalização,  os  rendimentos  auferidos  nas  aplicações  financeiras  destinadas  ao  pagamento  de resgate de títulos. (Incluído pela Medida Provisória nº 2158­ 35, de 2001)  §  7o  As  exclusões  previstas  nos  incisos  III  e  IV  do  §  6o  restringem­se  aos  rendimentos  de  aplicações  financeiras  proporcionados  pelos  ativos  garantidores  das  provisões  técnicas,  limitados  esses  ativos  ao  montante  das  referidas  provisões.  (Incluído  pela  Medida  Provisória  nº  2158­35,  de  2001)  § 8o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o  PIS/PASEP  e  COFINS,  poderão  ser  deduzidas  as  despesas  de  captação  de  recursos  incorridas  pelas  pessoas  jurídicas  que  tenham  por  objeto  a  securitização  de  créditos:  (Incluído  pela  Medida Provisória nº 2158­35, de 2001)  I ­ imobiliários, nos termos da Lei no 9.514, de 20 de novembro  de 1997; (Incluído pela Medida Provisória nº 2158­35, de 2001)  II  ­  financeiros,  observada  regulamentação  editada  pelo  Conselho Monetário Nacional. (Incluído pela Medida Provisória  nº 2158­35, de 2001)  III  ­  agrícolas,  conforme ato do Conselho Monetário Nacional.  (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005)  § 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o  PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à  saúde  poderão  deduzir:  (Incluído  pela  Medida  Provisória  nº  2158­35, de 2001)  I  ­  co­responsabilidades  cedidas;  (Incluído  pela  Medida  Provisória nº 2158­35, de 2001)   Fl. 69DF CARF MF Impresso em 26/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903177/2009­40  Acórdão n.º 3801­002.607  S3­TE01  Fl. 16          7 II  ­  a  parcela  das  contraprestações  pecuniárias  destinada  à  constituição  de  provisões  técnicas;  (Incluído  pela  Medida  Provisória nº 2158­35, de 2001)  III  ­  o  valor  referente  às  indenizações  correspondentes  aos  eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias  recebidas  a  título  de  transferência  de  responsabilidades.  (Incluído pela Medida Provisória nº 2158­35, de 2001)  (...) Grifou­se  Com efeito, as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas na lei e  para as pessoas jurídicas em geral o ICMS não faz parte desse rol, logo não pode ser excluído  da  base  de  cálculo  da  contribuição.  Insista­se  que  a  norma  estabelece  a  incidência  da  contribuição sobre o faturamento e não prevê esta exclusão.  Quanto às argumentações referentes ao conceito de faturamento com base nas  regras estabelecidas nos artigos 195 e 239 da Constituição Federal, é importante consignar que  a  autoridade  julgadora  tem  que  observar  o  princípio  da  legalidade,  não  podendo  negar  aplicação à norma, de sorte que a restituição/compensação postulada carece de previsão legal.   Além  disso,  a  esfera  administrativa  não  pode  apreciar  eventual  inconstitucionalidade de Lei, tendo em vista que o controle de constitucionalidade de normas é  prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle concentrado ou difuso.   Em  relação  a  essa  discussão,  aplica­se  a  Súmula  nº  02  do  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que uniformizou o seguinte entendimento:  Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  Súmulas 2 do 1º e 2º CC  Tenha­se  presente  que  a  discriminação  das  exclusões  e  deduções  da  base  cálculo  da  contribuição  foi  uma  opção  do  legislador  no  período  em  referência,  não  sendo  a  seara administrativa o fórum adequado para questioná­lo.   Cabe,  mais,  acrescentar  que  a  Lei  estabelece  que  a  exclusão  do  ICMS  somente é permitida quando ele é cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na  condição de substituto tributário.   A  propósito,  o  Superior  Tribunal  de  Justiça  também  consolidou  esse  entendimento nos termos da Súmulas 68 e 94.   Súmula  68  ­  A  parcela  relativa  ao  ICM  inclui­se  na  base  de  calculo  do  PIS.  (Súmula  68,  PRIMEIRA  SEÇÃO,  julgado  em  15/12/1992, DJ 04/02/1993 p. 775)  Súmula  94  ­  A  parcela  relativa  ao  ICMS  inclui­se  na  base  de  cálculo  do Finsocial.  (Súmula  94,  PRIMEIRA  SEÇÃO,  julgado  em 22/02/1994, DJ 28/02/1994)      Fl. 70DF CARF MF Impresso em 26/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903177/2009­40  Acórdão n.º 3801­002.607  S3­TE01  Fl. 17          8 Registre­se,  por oportuno, que o Supremo Tribunal Federal  está  apreciando  está  matéria  na  ADC  nº  18,  no  RE  nº  240.785  e  no  RE  nº  574.706/PR  (sistemática  de  repercussão geral), salientando que não há uma decisão em definitivo sobre a questão.  De  modo  que,  ao  contrário  do  alegado,  não  há  que  se  falar  em  direito  à  restituição/compensação  dos  valores  de  PIS  e  Cofins,  visto  que  o  ICMS  integra  a  base  de  cálculo da contribuição em referência.  No  que  tange  ao  pedido,  assinale­se  desprovido  de  fundamentação,  de  não  incidência da multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea, é importante  .assinalar,  ainda,  que,  na  legislação  tributária,  a multa de mora  sempre  esteve  integrada para  inibir o pagamento de tributos com atraso, conforme os seguintes dispositivos: art. 74 da Lei nº  7.799, de 1989; art. 3º da Lei nº 8.218, de 1991; art. 59º da Lei nº 8.383, de 1991; art. 84 da Lei  nº 8.981, de 1995 e o vigente art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, in verbis:  “Art. 61. Os débitos para com a União decorrentes de tributos e  contribuições  administrados  pela  SRF,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica,  serão  acrescidos  de  multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por  cento, por dia de atraso.” (Grifou­se)  Como visto, o legislador ordinário estabeleceu como acréscimo legal a multa  de mora para o recolhimento espontâneo após o vencimento do prazo legal. Não se tem notícia  de que este dispositivo tenha sido declarado inconstitucional, ainda, que de forma parcial, ou  mesmo, tenha ocorrido uma declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto.   A propósito,  o Superior  Tribunal  de  Justiça  consolidou  o  entendimento  em  sede  de  recurso  repetitivo  de  controvérsia  de  que  se  o  crédito  foi  previamente  declarado  e  constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu  posterior recolhimento fora do prazo estabelecido:  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  DECLARADO  PELO  CONTRIBUINTE  E  PAGO  COM  ATRASO.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360∕STJ.  1.  Nos  termos  da  Súmula  360∕STJ,  "O  benefício  da  denúncia  espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por  homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo".  É  que  a  apresentação  de  Declaração  de  Débitos  e  Créditos  Tributários  Federais  –  DCTF,  de  Guia  de  Informação  e  Apuração  do  ICMS  –  GIA,  ou  de  outra  declaração  dessa  natureza,  prevista  em  lei,  é  modo  de  constituição  do  crédito  tributário,  dispensando,  para  isso,  qualquer  outra  providência  por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado  e  constituído  pelo  contribuinte,  não  se  configura  denúncia  espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora  do prazo estabelecido.   2.  Recurso  especial  desprovido.  Recurso  sujeito  ao  regime  do  art. 543­C do CPC e da Resolução STJ 08∕08.  (REsp 962379, DJe 28/10/2010)  Fl. 71DF CARF MF Impresso em 26/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903177/2009­40  Acórdão n.º 3801­002.607  S3­TE01  Fl. 18          9 Além do mais, na situação em comento não há que se alegar o benefício da  denúncia espontânea porque não há notícia do pagamento dos débitos compensados, assim, se  não há pagamento a destempo não é possível aplicar o instituto da denúncia espontânea.  Tenha­se presente que de acordo com o § 6º do art. 74 da Lei nº 9430/1996 a  declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a  exigência dos débitos indevidamente compensados.   Por tais razões, nos cálculos dos débitos pagos fora do prazo de vencimento  devem incidir as multas de mora.  Em  face  do  exposto,  voto  no  sentido  de  negar  provimento  ao  recurso  voluntário interposto.    (assinado digitalmente)  Flávio de Castro Pontes                                Fl. 72DF CARF MF Impresso em 26/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES

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5276012 #
Numero do processo: 10845.905888/2011-51
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.569
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligencia, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio De Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu , Sidney Eduardo Stahl, Relator
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1357; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE01  Fl. 449          1 448  S3­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10845.905888/2011­51  Recurso nº  ­Voluntário  Resolução nº  3801­000.569  –  1ª Turma Especial  Data  26 de novembro de 2013  Assunto  COMPENSAÇÃO  Recorrente  CARAVEL SERVICOS DE CONTAINERS LTDA   Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o  julgamento em diligencia, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.  (assinado digitalmente)  Flávio de Castro Pontes ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Sidney Eduardo Stahl ­ Relator.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio De Castro Pontes  (Presidente),  Paulo  Sérgio  Celani, Marcos  Antonio  Borges, Maria  Ines  Caldeira  Pereira  Da  Silva  Murgel,  Paulo  Antonio  Caliendo  Velloso  Da  Silveira,  e  eu  ,  Sidney  Eduardo  Stahl,  Relator     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 45 .9 05 88 8/ 20 11 -5 1 Fl. 450DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.905888/2011­51  Resolução nº  3801­000.569  S3­TE01  Fl. 450          2   Relatório   Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  em  face  de  decisão  da  DRJ  de  Ribeirão Preto que indeferiu pedido de restituição/compensação da contribuinte.  A DRF  de  origem  proferiu  despacho  decisório  eletrônico  não  homologando  a  compensação sob o fundamento de que o pagamento informado em PER/DCOMP, através de  guia DARF, foi integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte.  Inconformado,  apresentou  o  contribuinte  manifestação  de  inconformidade  sustentando,  em  síntese,  que  a  origem  do  seu  crédito  decorre  de  pagamentos  a  maior,  realizados  em  função  da  declaração  de  inconstitucionalidade  do  §  1º  do  artigo  3º  da  Lei  n.º  9.718/1998 e que houve falta de aprofundamento na investigação dos fatos.  Em  face da  inconstitucionalidade alegada,  reclama que, na base de  cálculo do  tributo,  somente  deveriam  ter  sido  incluídos  os  valores  correspondentes  ao  seu  faturamento,  excluindo­se  a  parcela  que  foi  calculada  sobre  receitas  financeiras  acostando  aos  autos  os  demonstrativos e os documentos correspondentes.  Em  sede  de  Manifestação  de  Inconformidade  retifica  o  valor  inicialmente  pleiteado   A  Manifestação  de  Inconformidade  foi  julgada  improcedente  com  base  na  seguinte ementa:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS   Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000   CONSTITUCIONALIDADE.  A  instância administrativa é  incompetente para se manifestar  sobre a  constitucionalidade  das  leis  e  somente  pode  afastar  as  normas  declaradas  inconstitucionais  nos  casos  expressamente  previstos  no  ordenamento jurídico.  RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR.  Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento  anterior,  para  quitação  de  débitos  declarados  em  DCTF,  resta  impossibilitada, por falta de saldo, a restituição.  DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.  Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas  hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto  à  Fazenda  Nacional  para  que  sejam  aferidas  sua  liquidez  e  certeza  pela autoridade administrativa.  Fl. 451DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.905888/2011­51  Resolução nº  3801­000.569  S3­TE01  Fl. 451          3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não  Reconhecido  Apresenta  a  contribuinte  o  presente  Recurso  Voluntário  apontando  como  fundamento os mesmos apresentados na manifestação de inconformidade.   É o importa relatar.  Fl. 452DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.905888/2011­51  Resolução nº  3801­000.569  S3­TE01  Fl. 452          4 Voto   Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Relator.  O  recurso  é  tempestivo  e  preenche  os  requisitos  de  admissibilidade,  portanto  dele tomo conhecimento.  São dois os pontos que ainda se encontram em discussão no presente processo: o  um,  a  possibilidade  da  recorrente  retificar  a  Per/Dcomp  em  sua  manifestação  de  inconformidade e o dois o seu direito ao aproveitamento dos valores indevidamente pagos em  decorrência do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS por conta da alteração do  artigo 3 º, da Lei n.º 9.718/98.  Quanto  ao  primeiro  ponto,  tenho  que  não  há  como  se  alterar  o  pedido  de  compensação/restituição no curso do presente processo, quer porque os limites do processo se  dão na sua origem, nos termos do disposto no Decreto 70.235/1972, quer subsidiariamente pelo  disposto  no  Código  de  Processo  Civil,  além  disso,  havendo  meio  próprio  de  retificação  da  Per/Dcomp não se pode permitir que se o faça por outros meios.  Quanto ao segundo ponto apesar da brilhante tese esposada no acórdão da DRJ  tenho que o presente processo deve seguir caminho diverso.  O  Pleno  do  Egrégio  Supremo  Tribunal  Federal  (STF),  no  julgamento  dos  Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco  Aurélio,  e  n.º.084­6/PR,  do  Ministro  Ilmar  Galvão,  pacificou  o  entendimento  da  inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à  COFINS,  promovida  pelo  §  1º,  do  artigo  3º,  da  Lei  n.º  9.718/98,  conforme  ementa  abaixo  colacionada:  CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ­ ARTIGO 3º, § 1º, DA  LEI  Nº  9.718,  DE  27  DE  NOVEMBRO  DE  1998  ­  EMENDA  CONSTITUCIONAL  Nº  20,  DE  15  DE  DEZEMBRO  DE  1998.  O  sistema  jurídico  brasileiro  não  contempla  a  figura  da  constitucionalidade  superveniente.  TRIBUTÁRIO  ­  INSTITUTOS  ­  EXPRESSÕES E VOCÁBULOS  ­  SENTIDO. A  norma pedagógica  do  artigo  110  do Código  Tributário Nacional  ressalta  a  impossibilidade  de  a  lei  tributária  alterar  a  definição,  o  conteúdo  e  o  alcance  de  consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados  expressa ou implicitamente. Sobrepõe­se ao aspecto formal o princípio  da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  ­  PIS  ­  RECEITA  BRUTA  ­  NOÇÃO  ­  INCONSTITUCIONALIDADE  DO  §  1º  DO  ARTIGO  3º  DA  LEI  Nº  9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195  da  Carta  Federal  anterior  à  Emenda  Constitucional  nº  20/98,  consolidou­se  no  sentido  de  tomar  as  expressões  receita  bruta  e  faturamento como sinônimas, jungindo­as à venda de mercadorias, de  serviços  ou  de  mercadorias  e  serviços.  É  inconstitucional  o  §  1º  do  artigo  3º  da  Lei  nº  9.718/98,  no  que  ampliou  o  conceito  de  receita  bruta  para  envolver  a  totalidade  das  receitas  auferidas  por  pessoas  jurídicas,  independentemente da atividade por elas desenvolvida  e da  classificação contábil adotada.  Fl. 453DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.905888/2011­51  Resolução nº  3801­000.569  S3­TE01  Fl. 453          5 Destaca­se, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão  Geral” e  julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585235,  abaixo colacionado:  Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no  sentido de  reconhecer a  repercussão geral da questão  constitucional,  reafirmar  a  jurisprudência  do  Tribunal  acerca  da  inconstitucionalidade  do  §  1º  do  artigo  3º  da  Lei  9.718/98  e  negar  provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto  do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio,  que  entendia  ser  necessária  a  inclusão  do  processo  em  pauta.  Em  seguida,  o  Tribunal,  por  maioria,  aprovou  proposta  do  Relator  para  edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado  nas próximas  sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio,  que  reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão  de  Jurisprudência.  Votou  o  Presidente,  Ministro  Gilmar  Mendes.  Ausentes,  justificadamente,  o  Senhor  Ministro  Celso  de  Mello,  a  Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro  Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008.  Assim, considerando­se o disposto no art. 62­A da Portaria MF nº 256, de 22 de  junho  de  2009,  alterada  pela  Portaria MF  nº  586,  de  21  de  dezembro  de  20101  (Regimento  Interno  do CARF),  deve­se  afastar  a  tributação  do  PIS  e  da COFINS  exigidas  com  base  no  disposto no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998.  Nada  obstante,  o  órgão  judicante  a  quo  esqueceu­se  do  dever  da  autoridade  preparadora  em zelar pela  instrução na busca da verdade material,  a  teor do disposto na Lei  9.784,  de  29  de  janeiro  de 1999,  artigo  292,  artigo  36,  inteligência  do  artigo  37,  artigo  38  e  artigo 393.                                                              1 Art. 62­A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal  de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de  11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos  recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de  22.12.2010).  2    Art.  29.  As  atividades  de  instrução  destinadas  a  averiguar  e  comprovar  os  dados  necessários  à  tomada  de  decisão realizam­se de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito  dos interessados de propor atuações probatórias.  § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo.  § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizar­se do modo menos oneroso para  estes.  3 Art.  36. Cabe  ao  interessado  a  prova  dos  fatos  que  tenha  alegado,  sem  prejuízo  do  dever  atribuído  ao  órgão  competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei.  Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria  Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução  proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias.  Art. 38. O  interessado poderá,  na  fase  instrutória e antes da  tomada da decisão,  juntar documentos e pareceres,  requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo.  § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão.  §  2º.  Somente  poderão  ser  recusadas,  mediante  decisão  fundamentada,  as  provas  propostas  pelos  interessados  quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias.  Art.  39. Quando  for  necessária  a  prestação  de  informações  ou  a  apresentação  de  provas  pelos  interessados  ou  terceiros,  serão  expedidas  intimações  para  esse  fim,  mencionando­se  data,  prazo,  forma  e  condições  de  atendimento.  Parágrafo único. Não  sendo atendida  a  intimação, poderá o órgão competente,  se  entender  relevante  a matéria,  suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão.  Fl. 454DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.905888/2011­51  Resolução nº  3801­000.569  S3­TE01  Fl. 454          6 Não  considerar  tais  documentos  e  negar  o  direito  da  contribuinte  ao  aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado.  Especificamente  quanto  à  verdade  material,  transcrevo  oportunas  lições  de  Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López:  Em  decorrência  do  princípio  da  legalidade,  a  autoridade  administrativa  tem o dever de buscar a verdade material. O processo  fiscal  tem  por  finalidade  garantir  a  legalidade  da  apuração  da  ocorrência  do  fato  gerador  e  a  constituição  do  crédito  tributário,  devendo  o  julgador  pesquisar,  exaustivamente  se,  de  fato,  ocorreu  a  hipótese abstratamente  prevista  na  norma  e,  em caso  de  impugnação  do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente  do alegado e provado, Odete Medauar  preceitua que  "o princípio da  verdade  material  ou  verdade  real,  vinculado  ao  princípio  da  oficialidade,  exprime  que  a  Administração  deve  tomar  decisões  com  base  nos  fatos  tais  como  se  apresentam  na  realidade,  não  se  satisfazendo  com  a  versão  oferecida  pelos  sujeitos  Para  tanto,  tem  o  direito  de  carrear  para  o  expediente  todos  os  dados,  informações,  documentos  a  respeito  da  matéria  tratada,  sem  estar  jungida  aos  aspectos considerados pelos sujeitos.  Segundo  Alberto  Xavier,  a  lei  concede  ao  órgão  fiscal  meios  instrutórios amplos para que  venha  formar  sua  livre  convicção  sobre  os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é  lícito  ao  órgão  fiscal  agir  sponte  sua  com  vistas  a  corrigir  os  fatos  inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo  ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias.  4 Em que  pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios,  constata­se que, no caso vertente, os documentos apresentados devem  ser  devidamente  examinados  para  se  apurar  se  os  referidos  créditos  estão corretos.  Ante  ao  exposto,  voto  no  sentido  de  converter  o  presente  julgamento  em  diligência para que a Delegacia de origem:  a)  Examine  os  documentos  existentes  e  a  escrita  fiscal  da  interessada  em  relação  às  compensações  requeridas  apurando  se  estão  corretos  os  valores  inicialmente  pleiteados  correspondentes  á  indevida  ampliação  da base de cálculo do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98;  b)  Cientificar  a  interessada  do  resultado  da  diligência,  abrindo  prazo  para  manifestação, se assim desejar;  c)  Retornar o processo a este CARF para julgamento.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Sidney Eduardo Stahl, ­ Relator                                                              4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado  2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74.  Fl. 455DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES

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Numero do processo: 15374.901067/2009-39
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-004.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1711; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE03  Fl. 126          1 125  S3­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  15374.901067/2009­39  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3803­004.678  –  3ª Turma Especial   Sessão de  22 de outubro de 2013  Matéria  COFINS ­ RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO  Recorrente  AFTON CHEMICAL INDÚSTRIA DE ADITIVOS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004  INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.  O  ônus  da  prova  recai  sobre  a  pessoa  que  alega  o  direito  ou  o  fato  que  o  modifica,  extingue ou que  lhe  serve de  impedimento,  devendo prevalecer  a  decisão  administrativa  devidamente  fundamentada,  não  infirmada  com  documentação hábil e idônea.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso.  (assinado digitalmente)  Corintho Oliveira Machado ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Hélcio Lafetá Reis ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Corintho  Oliveira  Machado  (Presidente),  Hélcio  Lafetá  Reis  (Relator),  Belchior Melo  de  Sousa,  João Alfredo  Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor  Rodrigues.  Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 10 67 /2 00 9- 39 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 17/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.901067/2009­39  Acórdão n.º 3803­004.678  S3­TE03  Fl. 127          2 Trata­se de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição  à  decisão  da  DRJ  Rio  de  Janeiro  I/RJ  que  julgou  improcedente  a  Manifestação  de  Inconformidade apresentada em decorrência da não homologação da compensação declarada.  O  contribuinte  havia  transmitido  Pedido  de  Restituição  e  Declaração  de  Compensação  (PER/DCOMP)  em  7  de  março  de  2005,  referente  a  crédito  decorrente  de  alegado pagamento a maior da Cofins, no valor atualizado de R$ 6.931,46, destinado a quitar  débito de sua titularidade.  Por meio de despacho decisório eletrônico, cientificado pelo contribuinte em  4/3/2009, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento  declarado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos  da titularidade do sujeito passivo.  Cientificado  da  decisão,  o  contribuinte  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade,  requereu  o  reconhecimento  da  compensação  declarada  e  franqueou  à  Fiscalização acesso a toda a sua documentação, alegando que, no cálculo da Cofins devida no  período,  incluíra  indevidamente  o  valor  do  IPI  na  base  de  cálculo  da  contribuição,  relativamente às vendas efetuadas em consignação industrial, constando da DCTF retificadora  o valor correto da contribuição a pagar.  Junto  à  Manifestação  de  Inconformidade,  o  contribuinte  trouxe  aos  autos  cópias de documentos societários, do despacho decisório, de parte da DCTF, do comprovante  de arrecadação e do recibo de entrega do PER/DCOMP.  A DRJ Rio de Janeiro I/RJ não reconheceu o direito creditório, considerando  que,  junto à DCTF retificadora  transmitida em 9/3/2009, posteriormente à data de ciência do  despacho  decisório,  o  contribuinte  nada  trouxe  aos  autos  para  comprovar  os  fatos  alegados  acerca do seu alegado direito creditório.  Cientificado do acórdão da DRJ Rio de Janeiro  I/RJ em 18 de fevereiro de  2013,  o  contribuinte  apresentou  Recurso  Voluntário  no  dia  1º  de  março  do  mesmo  ano,  e  reiterou seu pedido de reconhecimento do direito creditório, alegando que a Manifestação de  Inconformidade  continha,  sim,  a  memória  de  cálculo  da  contribuição  e  se  encontrava  acompanhada dos documentos comprobatórios.  Apontou,  ainda,  o  Recorrente  que,  nos  termos  do  art.  7º  da  Instrução  Normativa RFB nº 1.110, de 2010, ele deveria ter sido intimado para prestar os esclarecimentos  necessários à demonstração do indébito e que a ocorrência de erro de preenchimento da DCTF  encontrava­se devidamente demonstrado.  Junto  ao  Recurso  Voluntário,  o  contribuinte  trouxe  aos  autos  cópias  de  documentos  societários,  do  acórdão  da  DRJ  Rio  de  Janeiro  I/RJ,  da  Manifestação  de  Inconformidade,  do  despacho  decisório,  de  parte  da  DCTF,  do  recibo  de  entrega  do  PER/DCOMP e do comprovante de arrecadação.  É o relatório.  Voto             Fl. 127DF CARF MF Impresso em 17/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.901067/2009­39  Acórdão n.º 3803­004.678  S3­TE03  Fl. 128          3 Conselheiro Hélcio Lafetá Reis  O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele  tomo conhecimento.  Conforme se verifica do relatório supra, a compensação declarada por meio  de  PER/DCOMP  não  foi  homologada  pela  repartição  de  origem  pelo  fato  de  que  o  crédito  pleiteado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa  mantida  pela  DRJ  Rio  de  Janeiro  I/RJ,  em  razão  da  falta  de  comprovação  do  alegado  pagamento a maior.  De  início,  registre­se  que,  para  se  apreciarem  pleitos  da  espécie,  não  basta  que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que  os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total  inviabilidade da apreciação do pedido.  O contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do  acórdão  da  DRJ  Rio  de  Janeiro  I/RJ,  da  Manifestação  de  Inconformidade,  do  despacho  decisório,  de  parte  da  DCTF,  do  recibo  de  entrega  do  PER/DCOMP  e  do  comprovante  de  arrecadação,  documentos  esses  insuficientes  à  comprovação  do  indébito,  dado  que  desacompanhados de qualquer elemento da escrituração contábil­fiscal e da documentação que  a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea.  Para  decidir  acerca  do  pedido  de  reconhecimento  do  direito  creditório  decorrente  da  inclusão  indevida  do  valor  do  IPI  na  base  de  cálculo  da  contribuição,  relativamente  às  vendas  efetuadas  em  consignação  industrial,  este  Colegiado,  além  da  confirmação de previsão legal nesse sentido, necessita dos dados constantes da escrita contábil­ fiscal, sem o que não se consegue aferir a existência e a extensão do indébito reclamado.  Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da  verdade  dos  fatos  pelo  julgador  administrativo  vai  além  das  provas  trazidas  aos  autos  pelo  interessado, nos  casos da espécie ao ora analisado, a prova encontra­se  em poder do próprio  sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo  a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra fundamento a uma possível inversão  do ônus da prova, no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem  para  que  a  Fiscalização  proceda  à  coleta  dos  documentos  necessários  à  comprovação  do  indébito.  A  não  apresentação  de  provas  dos  fatos  apontados  encontra­se  em  total  desacordo com a disciplina do art. 16,  inciso  III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que  regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis:  Art. 16. A impugnação mencionará:  (...)  III  ­  os motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta,  os  pontos  de  discordância  e  as  razões  e  provas  que  possuir;  (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)  (...)  Fl. 128DF CARF MF Impresso em 17/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.901067/2009­39  Acórdão n.º 3803­004.678  S3­TE03  Fl. 129          4 §  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)   a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de  1997)  b) refira­se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº  9.532, de 1997)  c) destine­se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas  aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)  Em  conformidade  com  o  excerto  supra,  tem­se  que  o  ônus  da  prova  recai  sobre  a  pessoa  que  alega  o  direito  ou  o  fato  que  o modifica,  extingue  ou  que  lhe  serve  de  impedimento,  devendo  prevalecer  a  decisão  administrativa  que  não  reconheceu  o  direito  creditório e não homologou a compensação, amparada em informações declaradas pelo próprio  sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal no momento da emissão do despacho  decisório, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea.  Quanto à alegação do Recorrente de que, nos termos do art. 7º da Instrução  Normativa RFB nº 1.110, de 2010, ele deveria ter sido intimado para prestar os esclarecimentos  necessários à demonstração do  indébito, há que  se  registrar que  tal  insurgência não encontra  respaldo na legislação de regência.  Quando  a  Administração  tributária  encontra­se  em  condições  de  lavrar  os  atos  de  sua  competência  com  base  nas  informações  fornecidas  pelo  sujeito  passivo  e  alimentadas  em  seus  sistemas  informatizados,  inexiste  necessidade  de  se  proceder  a  novas  coletas, ao contrário do alegado pelo Recorrente.  Dito  em outras  palavras,  quando  todos  os  dados necessários  à  análise  já  se  encontram  disponíveis,  ao  agente  público  não  é  deferido  o  direito  de  procrastinar  a  sua  atividade  vinculada  e  obrigatória,  sob  pena  de  violação  dos  princípios  da  legalidade,  da  eficiência e da oficialidade.  Não se pode perder de vista que a fase litigiosa do Processo Administrativo  Fiscal  (PAF)  inicia­se  com  a  Impugnação,  que  corresponde  à  fase  de  Manifestação  de  Inconformidade nos processos relativos à compensação tributária, por força do contido no art.  74, § 11, da Lei nº 9.430/1996 e no art. 14 do Decreto nº 70.235/1972, de sorte que, durante a  fase que antecede o litígio, dispondo a Administração dos dados necessários à produção do ato  administrativo,  não  se  exigem  intimações  prévias,  salvo  quando  imprescindíveis,  o  que  não  corresponde ao presente caso.  Outro não é o entendimento que se extrai do contido na súmula CARF nº 46,  em  que  consta  que  “[o]  lançamento  de  ofício  pode  ser  realizado  sem  prévia  intimação  ao  sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do  crédito tributário”.  Ainda  que  o  presente  processo  não  se  refira  à  constituição  de  crédito  tributário,  a  intelecção que  se obtém da súmula pode muito bem ser  a ele  estendida,  pois  se  para lançar de ofício um tributo a intimação prévia pode ser dispensada, muito mais isso poderá  Fl. 129DF CARF MF Impresso em 17/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.901067/2009­39  Acórdão n.º 3803­004.678  S3­TE03  Fl. 130          5 ocorrer nos casos de apreciação de pedidos do contribuinte,  cujo direito pleiteado compete  a  ele comprovar.  Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao  recurso, em razão da  ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Hélcio Lafetá Reis ­ Relator                              Fl. 130DF CARF MF Impresso em 17/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS

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Numero do processo: 18471.000937/2006-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 Ementa: PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. LIVRE CONVICÇÃO DO JULGADOR. Nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/1972, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo indeferir o pedido de perícia que entender desnecessário. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA QUALIFICADA. MERA OMISSÃO DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PROVA DA ORIGEM APRESENTADA DURANTE A FISCALIZAÇÃO. Apresentadas durante a fiscalização, provas da origem dos depósitos bancários, o lançamento não mais poderá ser efetuado com base na legislação que autoriza a presunção de rendimentos omitidos a partir de depósitos de origem não comprovada, mas com base na legislação específica. MULTA QUALIFICADA. SIMPLES OMISSÃO DE RECEITA. SÚMULA CARF Nº 14. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996) e da multa de ofício (incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430/1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo.
Numero da decisão: 2201-002.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para: a) excluir da base de cálculo do item 1 do Auto de Infração (Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoas Físicas) o valor de R$ 136,66; b) excluir das bases de cálculo do item 2 do Auto de Infração (Omissão de Rendimentos de Depósitos Bancários) os valores de R$ 45.054,44 e R$ 242.242,80, nos anos-calendário de 2003 e 2004, respectivamente; c) excluir da exigência o item 3 do Auto de Infração (Multa Isolada do Carnê-Leão; e d) desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah - Relator. EDITADO EM: 19/12/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah, Odmir Fernandes (Suplente convocado), Walter Reinaldo Falcao Lima (Suplente convocado), Nathalia Mesquita Ceia. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2144; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T1  Fl. 2          1 1  S2­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  18471.000937/2006­06  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2201­002.285  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  20 de novembro de 2013  Matéria  IRPF  Recorrente  ARMANDO ESCUDERO   Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005  Ementa:  PROVA  PERICIAL.  INDEFERIMENTO.  LIVRE  CONVICÇÃO  DO  JULGADOR.  Nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/1972, a autoridade julgadora de  primeira  instância,  na  apreciação  das  provas,  formará  livremente  sua  convicção, podendo indeferir o pedido de perícia que entender desnecessário.  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS.  LANÇAMENTO  COM  BASE  EM  DEPÓSITOS BANCÁRIOS.  A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de  rendimentos  com  base  nos  valores  depositados  em  conta  bancária  para  os  quais  o  titular,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  utilizados  nessas  operações.  MULTA  QUALIFICADA.  MERA  OMISSÃO  DE  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  PROVA  DA  ORIGEM  APRESENTADA  DURANTE  A  FISCALIZAÇÃO.  Apresentadas  durante  a  fiscalização,  provas  da  origem  dos  depósitos  bancários, o lançamento não mais poderá ser efetuado com base na legislação  que  autoriza  a  presunção  de  rendimentos  omitidos  a  partir  de  depósitos  de  origem não comprovada, mas com base na legislação específica.  MULTA QUALIFICADA. SIMPLES OMISSÃO DE RECEITA. SÚMULA  CARF Nº 14.  A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não  autoriza a qualificação da multa de ofício,  sendo necessária a comprovação  do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 09 37 /2 00 6- 06 Fl. 2228DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH     2 MULTA  ISOLADA  E  MULTA  DE  OFÍCIO.  CONCOMITÂNCIA.  MESMA BASE DE CÁLCULO.  A aplicação concomitante da multa  isolada (inciso  III do § 1º do art. 44 da  Lei nº 9.430/1996)  e da multa de ofício  (incisos  I  e  II  do  art.  44 da Lei nº  9.430/1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  rejeitar  as  preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para: a) excluir da base de cálculo  do item 1 do Auto de Infração (Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoas Físicas) o valor  de R$  136,66;  b)  excluir  das  bases  de  cálculo  do  item  2  do Auto  de  Infração  (Omissão  de  Rendimentos de Depósitos Bancários) os valores de R$ 45.054,44 e R$ 242.242,80, nos anos­ calendário  de  2003  e  2004,  respectivamente;  c)  excluir  da  exigência  o  item  3  do  Auto  de  Infração  (Multa  Isolada  do Carnê­Leão;  e d)  desqualificar  a multa  de  ofício,  reduzindo­a  ao  percentual de 75%.    Assinado Digitalmente  Maria Helena Cotta Cardozo ­ Presidente.     Assinado Digitalmente  Eduardo Tadeu Farah ­ Relator.    EDITADO EM: 19/12/2013  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros: Maria Helena Cotta  Cardozo  (Presidente),  Guilherme  Barranco  de  Souza  (Suplente  convocado),  Eduardo  Tadeu  Farah,  Odmir  Fernandes  (Suplente  convocado),  Walter  Reinaldo  Falcao  Lima  (Suplente  convocado), Nathalia Mesquita Ceia. Ausente,  justificadamente,  o Conselheiro Gustavo Lian  Haddad.  Presente  ao  julgamento  o  Procurador  da  Fazenda  Nacional  Jules  Michelet  Pereira  Queiroz e Silva.   Relatório  Trata  o  presente  processo  de  lançamento  de  ofício  relativo  ao  Imposto  de  Renda Pessoa Física, anos­calendário 2001 e 2004, consubstanciado no Auto de Infração, fls.  114/140,  pelo  qual  se  exige  o  pagamento  do  crédito  tributário  total  no  valor  de  R$ 2.820.891,44, calculados até 30/11/2006.  A  fiscalização  apurou  omissão  de  rendimentos  de  trabalho  sem  vínculo  empregatício recebidos de pessoas físicas; omissão de rendimentos caracterizada por depósitos  bancários  com  origem  não  comprovada  e multa  isolada  por  falta  de  recolhimento  do  IRPF  devido a título de carnê­leão.  Cientificado  do  lançamento,  o  interessado  apresentou  tempestivamente  Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis:  Fl. 2229DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 18471.000937/2006­06  Acórdão n.º 2201­002.285  S2­C2T1  Fl. 3          3 Decadência dos lançamentos referentes aos rendimentos sujeitos  ao  carnê­leão  e  à  multa  isolada  relativamente  aos  fatos  geradores  ocorridos  entre  maio  e  novembro  de  2001.  Para  o  impugnante,  a  Receita  Federal  não  pode  caracterizar  o  procedimento  como  fraudulento  com  o  objetivo  de  dilatar  o  prazo decadencial.  ­ Não ocorrência de fraude, a qual não se presumiria.  ­ Honorários advocatícios não estariam  sujeitos ao carnê­leão,  mas ao IRRF a título antecipatório, o qual teria sido recolhido.  ­ A DIRPF de isento (anos­calendário 2001, 2002 e 2004) ou sua  não  entrega  (relativa  ao  ano­calendário  2003)  seriam  atos  de  renúncia  a  quaisquer  restituições  de  IR  e  não  demonstrariam  fraude.  ­  Impossibilidade  de  cumulatividade  da  multa  de  ofício  e  da  multa isolada.  ­  Multa  isolada  foi  reduzida  de  75%  para  50%,  conforme  Medida Provisória 303/2006.  ­ Cerceamento do direito de defesa.  ­  Pedido  para  que  se  colacione  aos  autos  tela  do  sistema  Comprot  que  demonstre  a  movimentação  do  processo  em  análise.  ­  Inadmissibilidade  da  presunção  relativa  no  que  tange  aos  rendimentos omitidos referentes aos honorários advocatícios e à  omissão de rendimentos com base em depósitos bancários.  ­ Impossibilidade de inversão do ônus da prova no que se refere  aos rendimentos obtidos em virtude de honorários advocatícios.  ­  O  percentual  de  20%  relativos  aos  seus  honorários  teria  incidido sobre a base líquida, já descontado o IRRF.  ­  A  fonte  pagadora  (Banerj)  seria  o  responsável  pelo  recolhimento do IRRF, com supervisão do Tribunal Regional do  Trabalho.  ­  Traz  exemplos  às  fls.  195  e  196  com  o  fim  de  demonstrar  a  duplicidade  de  incidência  em  relação  à  mesma  base:  a  da  retenção na fonte quando do ganho da ação pelo reclamante e a  tributação de seus honorários.  ­  Informação  de  quatro  casos  em  que  os  honorários  foram  calculados  abaixo  de  20%  (fls.  326  a  334  e  339  a  344)  que  serviriam para comprovar que o contribuinte cobrava cerca de  20% sobre o valor líquido.  ­ Omissão de rendimentos com base em depósitos bancários sem  explicação  por  parte  da  fiscalização.  Seriam  eles  provenientes  dos  alvarás  judiciais  em matéria  trabalhista  e  que  teriam  sido  Fl. 2230DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH     4 repassados aos reclamantes. Não caberia a inversão do ônus da  prova. Traz exemplo de uma cliente, Ilma Martins de Almeida.   ­  Requer  diligência  a  fim  de  comprovar  a  duplicidade  de  tributação do IR, uma quando da retenção na fonte por parte do  Banerj  e  outra  quando  do  auto  de  infração  (percepção  de  honorários).  ­ Requer diligências ao TRT a fim de se verificar a retenção na  fonte do IR.  ­  Traz  aos  autos  várias  decisões  administrativas  a  fim  de  corroborar suas alegações.  A 3ª Turma da DRJ ­ Rio de Janeiro/RJ II julgou parcialmente procedente o  lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas:  DECADÊNCIA.  O  prazo  decadencial  para  a  Fazenda  Pública  constituir  de  ofício  o  crédito  tributário  relativo  ao  Imposto  de  Renda não recolhido é de cinco anos, contados do primeiro dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido efetuado.  FATO  GERADOR  ANUAL.  FATO  GERADOR  MENSAL.  O  artigo  83,  inciso  I,  do  RIR/1999  fixou  uma  regra  geral,  no  sentido de que todos os rendimentos percebidos durante o Ano­ calendário  compõem  a  base  de  cálculo  do  imposto  devido  no  Ano­calendário,  exceto  os  rendimentos  isentos,  os  não  tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à  tributação  definitiva.  O  fato  gerador  é  anual,  mas  algumas  apurações devem ser  feitas de forma mensal, como também é o  caso do Carnê­leão.  MULTA  DE  OFÍCIO  DEVIDO  À  OCORRÊNCIA  DE  SONEGAÇÃO,  FRAUDE  OU  CONLUIO.  O  lançamento  de  multa  qualificada  exige  que  a  autoridade  fiscalizadora  traga  elementos  para  os  autos  que  provem  a  presença  de  elemento  subjetivo na conduta do contribuinte de forma a demonstrar que  este  quis  os  resultados  que  os  art.  71  a  73  da  lei  4.502/64  elencam  como  caracterizadores  de  sonegação,  fraude  ou  conluio,  ou  mesmo  que  assumiu  o  risco  de  produzi­los.  Manutenção  da  multa  quando  os  elementos  dos  autos  fazem  prova de tal conduta.  MULTA  ISOLADA  SOBRE  CARNÊ­LEÃO.  MULTA  DE  OFÍCIO. SIMULTANEIDADE. É cabível o lançamento da multa  isolada sobre carnê leão não recolhido concomitante à multa de  ofício sobre o imposto apurado de ofício na declaração inexata.  FALTA  DE  RECOLHIMENTO  DO  CARNÊ­LEÃO  ­ RETROATIVIDADE  DA  LEI  FISCAL  ­  PENALIDADE  ­  REDUÇÃO  do  percentual  da  MULTA  de  75%  para  50%.  Dispondo a  lei nova de penalidade menos severa que a vigente  ao tempo da pratica da infração, aplica­se ao fato pretérito.  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS.  HONORÁRIOS  ADVOCATÍCIOS.  Sujeitam­se  à  incidência  tributária  os  rendimentos  de  prestação  de  serviços  de  advocacia,  Fl. 2231DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 18471.000937/2006­06  Acórdão n.º 2201­002.285  S2­C2T1  Fl. 4          5 comprovados  mediante  prova  documental  e  confissão  do  contribuinte.  CONFISSÃO.  Quando  da  confissão  do  sujeito  passivo  em  relação à matéria tributária, esta se torna incontroversa.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  A  presunção  legal  de  omissão  de  rendimentos  autoriza  o  lançamento  do  imposto  correspondente,  sempre  que  o  titular  e/ou  co­titular  das  contas  bancárias  ou,  ainda,  o  real  beneficiário  dos  depósitos,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado,  não  comprove, mediante  documentação  hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas  de depósitos ou de investimentos.  INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO  JURÍDICO  TRIBUTÁRIO.  A  presunção  legal  juris  tantum  inverte o ônus da prova. Neste caso, a autoridade lançadora fica  dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado  (fato  indiciário)  corresponde,  efetivamente,  ao  auferimento  de  rendimentos  (fato  jurídico  tributário).  Cabe  ao  Fisco  simplesmente  provar  a  ocorrência  do  fato  indiciário;  e  ao  contribuinte cumpre provar que o fato presumido não existiu na  situação concreta.   APRESENTAÇÃO DE  PROVAS.  A  prova  documental  deve  ser  apresentada  na  impugnação,  precluindo  o  direito  de  o  impugnante fazê­lo em outro momento processual, a menos que  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna, por motivo de força maior; refira­se a fato ou a direito  superveniente  ou  destine­se  a  contrapor  fatos  ou  razões  posteriormente trazidas aos autos.  PEDIDO DE JUNTADA DE NOVAS PROVAS  Deve  ser  indeferido  o  pedido  de  juntada  de  novas  provas,  quando  for  prescindível  para  o  deslinde  da  questão  a  ser  apreciada, contendo o processo os elementos necessários para a  formação da livre convicção do julgador.  JULGADO  ADMINISTRATIVO.  Não  pode  ser  estendido  genericamente  a  outros  casos,  aplica­se  sobre  a  questão  em  análise e vincula as partes envolvidas naquele litígio.  Transcreve­se, outrossim, o “Resultado do Voto”:  Diante  do  exposto,  voto  pela  PROCEDÊNCIA EM PARTE DO  PRESENTE  LANÇAMENTO,  consubstanciado  no  auto  de  infração de fls. 114 a 139, conforme demonstrativo abaixo:  Quadros  referentes  à  omissão  de  rendimentos  de  trabalho  sem  vínculo  empregatício  recebidos  de  pessoas  físicas  –  carnê­leão  (IRPF, multa de ofício e multa isolada)  Demonstrativo  do  Crédito  Tributário (em R$) ­ AC2001  Fl. 2232DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH     6    Exigido  Exonerado  Mantido                    IRPF  31.213,20 11.300,73  19.912,47    MULTA              OFÍCIO  46.819,80 16.951,10  29.868,70    MULTA            ISOLADA  25.029,89 13.993,66  11.036,23     Demonstrativo  do  Crédito  Tributário (em R$) ­ AC2002       Exigido  Exonerado  Mantido                    IRPF  63.929,22  4.681,42     59.247,80     MULTA              OFÍCIO  95.893,83  7.022,13  88.871,70    MULTA             ISOLADA  48.898,79  18.640,30  30.258,49       Demonstrativo  do  Crédito  Tributário (em R$) ­ AC2003       Exigido  Exonerado  Mantido                    IRPF  80.111,90  2.324,97  77.786,93    MULTA              OFÍCIO  120.167,85  3.487,45  116.680,40    MULTA             ISOLADA  61.353,07  21.613,47  39.739,60       Demonstrativo  do  Crédito  Tributário (em R$) ­ AC2004       Exigido  Exonerado  Mantido                    IRPF  99.037,76  4.274,44  94.763,32    MULTA              OFÍCIO  148.556,64  6.411,67  142.144,97    MULTA             ISOLADA  75.230,15  27.213,90  48.016,25     Quadro  Geral  dos  Anos­Calendário  2001,  2002,  2003  e  2004  contendo as três infrações (omissão de rendimentos de trabalho  sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas, omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos  bancários  com  origem  não  comprovada  e  multa  isolada  por  falta  de  recolhimento do IRPF devido a título de carnê­leão):   Demonstrativo  do  Crédito  Fl. 2233DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 18471.000937/2006­06  Acórdão n.º 2201­002.285  S2­C2T1  Fl. 5          7 Tributário  (em  R$)  –  Geral  AC  2001, 2002, 2003 e 2004     Exigido  Exonerado  Mantido                    IRPF  1.163.100,42  22.581,56  1.140.518,86    MULTA              OFÍCIO  1.078.044,37  33.872,35  1.044.172,02    MULTA             ISOLADA  210.511,90  81.461,33  129.050,57    Total  2.451.656,69  137.915,24  2.313.741,45   Intimado da decisão de primeira instância em 19/11/2007 (fl. 405), Armando  Escudero apresenta Recurso Voluntário (fls. 406 e seguintes), sustentando, essencialmente, os  mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação, sobretudo:  Sobre  as  Infrações  "001"  (  Carne­Leão")  e  "003"  (Multa  Isolada):  (...)  Foram  alteradas  as  bases  de  cálculo,  por  cliente,  e  por  dia;  algumas  para mais,  outras  para menos. Ou  seja,  a  decisão  de  Primeiro  Grau,  usurpando  competência  das  Autoridades  Lançadoras ­ e das prescrições do art. 142 do CTN ­ promovera  um  novo  lançamento,  numa  tentativa  desesperada  e  ilegal  de  salvar e exacerbar a exigência, ao invés de desfechar provimento  para todas estas parcelas. E mais: o fez sem qualquer reabertura  de prazo, se ainda pudesse esposar essa prerrogativa ou pudesse  fazê­lo e não pode e isso é primário.  Para  tanto,  basta  os  senhores  Conselheiros  compararem  o  “Demonstrativo  dos  Honorários  Advocatícios  sobre  Causas  Trabalhistas  (Elaborado  pelo  Fisco),  o  "Demonstrativo  de  Apuração do Auto de Infração", e as fls. da sentença sob os n°  388/389/390 e 39. Vejam alguns dos inúmeros casos:  (...)  Em  face  do  exposto,  requeremos  que  os  doutos  Juizes  de  Segunda  Instância  decretem  a  nulidade  da  decisão  ora  hostilizada, por absoluta ofensa ao devido processo legal. E, ao  mesmo tempo, que determinem a insubsistência do presente auto  de infração.  1.1. A Prejudicial  de Decadência. Dos Rendimentos Omitidos  ­  Infração  sob  o  n°  001  ­  Rendimentos  Recebidos  de  Pessoas  Físicas...  (...)  Aspectos Recursais: Se omissão de rendimentos fosse crime, não  poderia o Decreto  citado, em qualquer hipótese,  excepcionar a  quebra do sigilo. Se não o faz, ou por outro lado, se estabelece  em quais casos se deva fazer, é porque o próprio ente tributante  entende  que  crime há  de  restar  tipificado  e  provado. Portanto,  Senhores Julgadores, não estamos diante de uma conta corrente  Fl. 2234DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH     8 bancária  oculta,  ou  de  titularidade  duvidosa, mas  sim,  perante  uma conta creditada e fiscalizada pela Justiça do Trabalho e, o  que é mais inusitado...  (...)  Desta forma resta evidente que nenhuma resistência houve para  que desse azo tipificá­las como passíveis de criminosas...  (...)  A  violação  da  proporcionalidade,  no  caso,  é  palmar  ­  confiscatória.  Portanto,  implementada  a  condição  presumida  que permita adiar o dies a quo, salva­se o MPF (F), e desfecha­ se a sonhada tributação.  1.2. A Prejudicial de Decadência da Multa Isolada  Na exigência de tributo por auto de infração ou por notificação,  de lançamento não há espaço para se incluir concomitantemente  a  cobrança  da multa  de  lançamento  de  oficio  isolada,  sobre  a  mesma omissão que gerou o lançamento tributário, acrescido da  multa  de  oficio  que  é  exigida  juntamente  com  o  principal.  Haveria, ai, um bis in idem.  1.3. A Tipificação da Fraude  (...)  Não  justifica,  portanto,  a  aplicação  da  multa  de  oficio  qualificada, para a qual é indispensável comprovar­se o evidente  intuito de fraude, como definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei  n.° 4.502, de 30 de novembro de 1964.  (...)  E mais do que isso: A Súmula sob o n° 14, do Primeiro Conselho  de Contribuintes publicada no DOU, Seção 1, dos dias 26, 27 e  28/06/2006,  com  vigência  até  28/07/2006,  e  que  decorre  da  prescrição  da  Lei  n°  11.196,  de  21/11/2005,  a  qual  alcança  todos  os  órgãos  da  Administração  Tributária  Federal  e  aos  contribuintes,  assevera que a  simples omissão de  receita ou de  rendimento,  por  si  só,  não autoriza a qualificação da multa de  oficio.  (...)  1.4. O Ano­Calendário de 2001  O  contribuinte  apresentou  a  sua  declaração  de  rendimentos,  tempestivamente, e tomou ciência do auto de infração no dia 19  de dezembro de 2006. Resta evidente que os meses de janeiro a  novembro de 2001 já estavam feridos de morte, salvo apenas por  uma imposição maculada, pois insiste apoiada numa fraude que  por si só não se sustenta.  1.5. Preterição do Direito de Defesa  Ainda que o processo administrativo tivesse estado à disposição  do contribuinte, na CAC/Ipanema, a partir do dia 08/01/2007 (o  Fl. 2235DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 18471.000937/2006­06  Acórdão n.º 2201­002.285  S2­C2T1  Fl. 6          9 que  desconhecemos),  já  teriam  sido  ultrapassados  18  (dezoito)  dias do seu prazo legal. Vejam, Senhores Conselheiros, a lei de  regência,  principalmente  o  seu  caput  e  que  as  Autoridades  de  Primeira  Instância  se  esquivaram  de  enfrentar  sob  o  pálio  de  que  a  peça  impugnativa  fora  apresentada  dois  dias  antes  do  prazo legal.   (...)  Deveria o Fisco, ai sim, correlacionar os valores dos depósitos e  dos saques havidos em sua conta conveniada com as declarações  dos  supostos  clientes  e  submeter,  ao  acusado,  a  respectiva  planilha  para  oferecimento  das  suas  razões  contraditórias.  E  não fazê­la de forma subterrânea e às ocultas como acabou por  assim  se  cristalizar  a  exigência. Quem  garante  que muitos  dos  clientes  lançaram  despesas  com  honorários  advocatícios  em  montantes que nunca se materializaram?  (...)  Ademais,  há  casos  em  que  o  percentual  (nem  sempre  de  20%  como  afirma  a  peça  decisória)  incidira  sobre  o  valor  já  descontado  o  IRRF  (pelo  TRT)  devido  sobre  os  honorários  advocatícios  (e  não  sobre  a  porção  do  cliente­beneficiário  da  ação  judicial  como  mal  entendeu  (?)  a  decisão  de  Primeiro  Grau,  ou  seja,  em  acorde  com  o  que  está  descrito  no  subitem  “1.2.1. O Mecanismo da Satisfação das Ações Condenatórias e o  IRRF". Trata­se, na espécie, de uma ação que exige prova direta  a  ser  tecida  pelo  Fisco  (sem  que  haja  inversão  do  anus  probandi).  (...)  Portanto, a mingua de checar a descrição dos fatos com os autos  do  processo,  principalmente  os  recibos  apresentados  (?)  pelos  declarantes  beneficiários­autores  da  ação  judicial  sentenciada,  pode­se afirmar que o Termo de Constatação ou de Verificação  em  nosso  poder  não  confere  qualquer  segurança  jurídica  ao  Defendente, e nem mesmo espelha, com nitidez, o arcabouço da  matéria  impositiva  de  que  pensa  tratar.  Não  há,  por  mais  que  sejamos  condescendentes  com  o  educado  e  respeitoso  Auditor,  construir­se  uma  conexão  entre  os  presumíveis  e  imaginários  meios de prova coletados e/ou produzidos e a conclusão chegada  pela  Autoridade  Fiscal.  Esse  fosso,  entre  um  e  outro,  ficará  ainda mais aflorado quando se abordar as questões de mérito.  (...)  O Recorrente desde já requer das Autoridades Julgadoras que se  colacione  nos  autos,  por  diligencia  fiscal  (arts.  16,  17  e  29  do  Decreto  n°  70.235/72),  a  cópia  atual  da  tela  do  sistema  que  demonstra  e  controla  o  andamento  dos  processos  administrativos  (da  Divisão  de  Fiscalização  para  a  CAC/Ipanema —RJ),  como meio  de  ratificação  do  que  aqui  se  alega.  Como  se  vê,  tem  ele  até  número  e  data  (Processo  administrativo n° 18471.000937/2006­06, de 12/09/06), mas não  Fl. 2236DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH     10 corpo e muito menos peças processuais ao menos minimamente  organizadas, além de estar recalcitrantemente indisponível para  a requisitante o seu conteúdo.  1.6. Erro Ingênito na Caracterização Legal do Ilícito  II — DO MÉRITO  II.1. Da Concomitância das Multas  (...)  Ou  seja:  se  aplicada  a  multa  de  oficio  ao  tributo  apurado  em  lançamento  de  oficio,  a  ausência  de  anterior  recolhimento  mensal (via carne­leão) do referido imposto não deve ocasionar  a aplicação cumulativa da multa isolada, já que esta somente é  aplicável  de  forma  isolada  com  o  escopo  único  de  se  evitar  a  dupla penalidade sobre a mesma base de incidência.  (...)  II.2  —  Dos  Rendimentos  Omitidos  Sujeitos  ao  Recolhimento  Mensal (Carne — Leão — Item "001" do Auto de Infração )  O Parecer Normativo da SRF n° 01/2002 deliberou que, estando  a  fonte  pagadora  impossibilitada  de  efetuar  a  retenção  do  imposto  em  virtude  de  decisão  judicial,  a  responsabilidade  desloca­se,  tanto  na  incidência  exclusivamente  na  fonte  quanto  na  por  antecipação,  para  o  contribuinte,  beneficiário  do  rendimento,  efetuando­se  o  lançamento,  no  caso  de  procedimento de oficio, em nome deste.  Como  corolário,  conclui­se  que,  se  não  houver  impeditivo,  tal  atribuição legal é da fonte pagadora.  II.2.1. O Mecanismo da Satisfação das Ações Condenatórias e o  IRRF  Como  conseqüência  conclui­se  que  os  honorários  advocatícios  se  perfazem,  na  maioria  das  vezes,  sobre  o  liquido,  livre  do  IRRF, não obstante o acordo verbal ajustado indicar 20% (vinte  por cento) do valor da causa. Dessa forma, ambos o reclamante­ autor  e  o  seu  bastante  procurador  (advogado)  ­  por  vezes  suportam,  solidariamente,  a  carga  tributária  conforme  demonstrado  em  "II.2.3.  A  Prova  de  que  os  Honorários  Advocatícios foram Exigidos do Valor Liquido (Já descontado o  IRRF)".  (...)  Portanto,  frise­se,  o  RIR/94  e  o  RIR/99  ao  inserirem,  em  seu  contexto, esse art. da Lei n° 8.541/92, apenas  transferiu o ônus  da  retenção  para  a  pessoa  física  ou  jurídica  obrigada  ao  pagamento,  mas  não  submeteu  os  honorários  advocatícios  ao  recolhimento,  em  cascata,  do  carnê­leão  e  do  IR­  Fonte,  por  óbvio.  Vale  dizer:  manteve­se  integro  o  sentido  teleológico  da  tributação  das  verbas  quando  defluentes  de  aches  movidas  no  Tribunal.  Registre­se,  entretanto,  que  a  despeito  dessa  obrigatoriedade,  o  TRT  continua  promovendo  a  retenção  do  Fl. 2237DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 18471.000937/2006­06  Acórdão n.º 2201­002.285  S2­C2T1  Fl. 7          11 imposto, por entender que é mais seguro fazê­lo em beneficio da  eficácia da arrecadação tributária federal.  (...)  Inferindo:  se  o  contribuinte  não  apresentou  a  declaração  de  rendimentos  de  ajuste,  ou  apresentou­a  na  condição  de  isento,  acabou, de forma tácita, por renunciar a quaisquer restituições.  Por  esse  mecanismo,  o  que  era  IR­Fonte  de  natureza  antecipatória  transmudou­se  em  tributação  definitiva.  E,  pasmem,  tributação  definitiva  não  pode  ser  deplorada  ou  impugnada pelo Fisco.  II.2.2. A Prova Direta Tratada Como Presunção Relativa  Entende o acusado ser muito débil o pilar em que se sustentou a  acusação para se inverter o ônus da prova, no caso vertente. Ou  seja,  a  partir  das  deduções  dos  honorários  advocatícios  laboradas  nas  declarações  de  rendimentos  pelos  beneficiários­ autores,  desfechou­se  a  acusação.  Muito  pouco  para  que  se  mantenha de pé tamanha exigência fiscal.  II.2.3.  A  Prova  de  que  os  Honorários  Advocatícios  foram  Exigidos do Valor Liquido (Já descontado o IRRF).  Como asseverado, trata­se de um caso emblemático, mas que se  soma a tantos outros de igual destino. Só uma diligencia, ainda  que não se possa alterar o valor da base tributável (o repudiado  e ilegal principio da salvabilidade processual), porá fim a esses  descalabros. Desde já se requer.    11.3 — Da Omissão Presuntiva de Rendimentos Depositados em  Conta Conveniada  Mas,  para  sepultarmos  quaisquer  outras  ilações,  junta  o  insurgente,  nesta  primeira  fase,  através  do  que  denominou  de  ANEXO  I,  cópias  dos  cheques  administrativos  emitidos  pelo  patrono da causa (ora Recorrente), e sacados contra a sua conta  corrente conveniada e em beneficio do reclamante­cliente, além  de  cópias  dos  Alvarás  Judiciais,  andamento  dos  processos  judiciais  e,  todos  esses  elementos  probantes  correlacionados  com  a  listagem  dos  beneficiários,  por  ano­calendário  (2003  e  2004) e, tudo o mais, confrontado com os extratos de sua conta  corrente já devidamente apresentados, notadamente para que se  faça  uma  exaustiva  confrontação  com  os  depósitos  e  créditos  havidos em sua conta corrente. Reserva o Defendente ao direito,  à  mingua  de  qualquer  acolhimento  do  pleito  de  diligencia,  de  estender,  baldado  o  número  expressivo  de  documentos,  tais  demonstrações para todos os beneficiários e para cada depósito  tributado erroneamente pelo Fisco.  (...)  No  caso  presente,  pelo  simples  fato  de  os  depósitos  bancários,  em  bruto,  não  coincidirem  com  os  honorários  recebidos  pelo  Fl. 2238DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH     12 Defendente  dos  seus  clientes  autores  de  demandas  judiciais,  bastou  para  que  o  Fisco  exigisse,  em  procedimento  de  oficio,  uma determinada e descabida prestação impositiva.  (...)  Como  defluência,  não  podem  os  valores  depositados  serem  coincidentes com os valores lançados no sistema de andamento  processual do TRT, obviamente. Ora, entre o deposito do valor  da sentença promovido pela  reclamada e a  sua disponibilidade  para  as  partes  beneficiárias  há  um  longo  interregno  de  tempo  suscetível  de  atualização monetária,  e  essa  última  conformada  aos  indexadores  de  atualização  havidos  pela  variação  da  taxa  Referencial  de  Juros  (TR)  divulgada pelo Banco Central  no  5°  dia útil de cada mês, e adotada em consonância com as normas  do Tribunal Superior do Trabalho e do Conselho da Justiça do  Trabalho.  II.3.1.  Os  Caminhos  Percorridos  pelos  Valores  das  Causas  Trabalhistas, e a sua Comparação com os Meios Registrados no  Sistema de Andamento Processual do TRT  Ou seja: Os depósitos bancários são os honorários advocatícios  erroneamente  já  tributados  sob  o  enfoque  de  rendimentos  omitidos,  e  que  migraram  para  a  conta  conveniada  após  atualização  monetária.  E  o  montante  tributado  incorpora  a  parcela da reclamante­autora da ação. Numa única  frase,  uma  balbúrdia insanável.  II.4 — Três Casos Emblemáticos Como Exemplo dos Incontáveis  Desencontros e Imprecisões do Ato Fiscal  RAZÕES ADITIVAS À IMPUGNAÇÃO  1.2. A Prejudicial de Decadência da Multa Isolada  1.3. A Tipificação da Fraude  É o relatório.  Voto             Conselheiro Eduardo Tadeu Farah  O recurso reúne os requisitos de admissibilidade.    Cuida  o  presente  processo  de  omissão  de  rendimentos  de  trabalho  sem  vínculo empregatício  recebidos de pessoas  físicas; omissão de  rendimentos caracterizada por  depósitos bancários com origem não comprovada e multa isolada por falta de recolhimento do  IRPF  devido  a  título  de  carnê­leão,  relativamente  a  fatos  geradores  ocorridos  nos  anos­ calendário 2001 e 2004.  Antes  de  se  entrar  no  mérito  questão,  insta  examinar,  de  antemão,  as  preliminares arguidas pela defesa. A primeira alega preterição do direito de defesa e a segunda  aduz decadência do crédito tributário.  Fl. 2239DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 18471.000937/2006­06  Acórdão n.º 2201­002.285  S2­C2T1  Fl. 8          13 Em  relação  alegação  de  preterição  do  direito  de  defesa,  entendo,  pois,  que  não merece acolhida. Em que pese alegue o recorrente que não lhe foi concedido o prazo legal  de  30  dias  para  apresentação  da  Impugnação,  bem  como  que  não  conseguiu  fundamentar  adequadamente  sua  defesa,  em  razão  da  ausência  de  elementos  formadores  do  processo  administrativo fiscal, verifica­se que esta não é a realidade dos autos. Analisando detidamente  o conteúdo do processo, nota­se que o recorrente obteve ciência do processo dia 19/11/2007 (fl.  405)  e  apresentou  Recurso  Voluntário  em  18/12/2007  (fl.  406),  portanto,  o  Decreto  nº  70.235/1972 foi cumprido.  Além  do  mais,  constata­se  que  o  contribuinte  acompanhou  de  perto  o  procedimento  fiscal  e,  por  diversas  vezes,  se  manifestou  perante  as  autoridades  fiscais,  demonstrando  conhecer  bem  matéria  consubstanciada  no  Auto  de  Infração.  Verifica­se,  também, que o recorrente ao questionar a autuação, tanto em sua Impugnação quanto em seu  Recurso  Voluntário,  atacou  ponto  a  ponto  do  lançamento,  inclusive,  transcrevendo  jurisprudência  E.  Conselho.  Assim,  penso  que  o  exercício  do  contraditório  foi  exercido  plenamente, razão pela qual não há que se falar em preterição do direito de defesa.  No que  tange  a  alegação  de  erro  na  caracterização  legal  do  ilícito,  verifico  que  o  auto  de  infração,  fls.  114/140,  descreve  detalhadamente  os  dispositivos  legais  infringidos,  bem  como  seu  conteúdo  encontra­se  minuciosamente  especificado  no  Termo  Constatação Fiscal, fls. 106/108, e nos demonstrativos e planilhas às fls. 109/113. Com efeito,  não pode ser tida como insuficiente a descrição dos fatos quando, como no caso, possibilita ao  contribuinte  deles  se  defender,  em  inequívoca  demonstração  da  total  compreensão  da  imputação que lhe é feita.  Sobre  esta  matéria  supra,  cumpre  salientar  que  a  Câmara  Superior  de  Recursos Fiscais possui entendimento sedimentado de que para declarar nulidade do Auto de  Infração é necessário que  tanto  a  fundamentação  legal,  quanto os  fatos narrados  estejam em  desacordo com o caso concreto, conforme ementa que aqui transcrevo:  PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — DESCRIÇÃO DOS  FATOS  E  CAPITULAÇÃO  LEGAL  —  IMPRECISÃO  —  CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA — NULIDADE —  PROCESSO REFLEXIVO — DECORRÊNCIA PROCESSUAL  Tendo  a  peça  impositiva  procedido  à  perfeita  descrição  dos  fatos,  possibilita  ao  contribuinte  seu  amplo  direito  de  defesa,  ainda mais que ele foi exercido em sua plenitude. A capitulação  legal, cuja precisão foi prejudicada pela generalidade, mas com  perfeito enquadramento do tipo fiscal, não conduzindo à efetiva  confusão  nos  argumentos  de  defesa,  não  é  suficiente  para  provocar  a  nulidade  do  lançamento.  Sendo  processo  reflexivo,  pelo  princípio  da  decorrência  processual,  é  de  se  adotar  a  mesma  decisão  prolatada  no  processo  principal.  (Acórdão:  CSRF/01­  04.779.  Relator  (a):  José  Carlos  Passuello.  Sessão:  01/12/2003).  Ademais,  diferentemente  do  que  faz  crer  o  suplicante,  não  identifiquei  no  lançamento qualquer ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material.  Fl. 2240DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH     14 E,  em  arremate,  verifica­se  a  autoridade  recorrida  não  efetuou  novo  lançamento,  simplesmente  alterou  a  exigência  em  razão  da  apresentação  da  Impugnação  do  sujeito passivo, conforme determina o inciso I do art. 145 do CTN.  Dessarte,  não  há  como  acolher  a  preliminar  de  nulidade  pelos  motivos  alegados.  Quanto à alegação de decadência, impende esclarecer que o art. 2° da Lei n°  7.713/1988 não  tornou o  IRPF mensal, pois a  tributação desse imposto só se  torna definitiva  com o ajuste anual, na forma dos arts. 2°, 10 e 11 da Lei n° 8.134/1990, corroborada por leis  posteriores.   Ressalte­se  que  o  Regimento  Interno  deste  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais ­ CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda  n.º 586/2010, art. 62­A do anexo  II, passou a  fazer expressa previsão no sentido de que “As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543­B  e  543­C  da  Lei  nº  5.869,  de  11  de  janeiro  de  1973, Código  de Processo Civil,  deverão  ser  reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”.  Nesse  sentido,  o  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  acórdão  submetido  ao  regime do art. 543­C do CPC definiu que, na hipótese de não haver antecipação do pagamento  do imposto de renda o dies a quo será contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte  àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prevê o inciso I do art. 173 do  CTN: “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege­se pelo disposto  no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733).  Resumindo, nos casos em que houver pagamento antecipado e/ou imposto de  renda retido na fonte, ainda que parcial, o termo inicial será contado a partir do fato gerador, na  forma  do  §  4º  do  art.  150  do  CTN.  Contudo,  na  hipótese  de  não  haver  antecipação  do  pagamento o dies a quo será contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prevê o inciso I do art. 173 do CTN:  Art. 173 — O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito  tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:  1  —  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado;  No caso dos autos, verifica­se que não houve antecipação de pagamento do  imposto de renda e, consequentemente, deve­se aplicar à regra contida no inciso I do art. 173  do CTN, ou seja, conta­se o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte  àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.  Assim,  o  fato  gerador  relativo  ao  Imposto  de  Renda  da  Pessoa  Física  do  exercício  de  2002,  ano­calendário  de  2001,  ocorreu  em  31/12/2001,  e  o  primeiro  dia  do  exercício seguinte àquele em que o imposto poderia ter sido lançado corresponde a 01/01/2003,  e o término do prazo decadencial de 5 anos ocorre em 31/12/2007. Desse modo, como a ciência  do Auto de Infração ocorreu em 20/12/2006 (fls.140), e, de acordo com entendimento do STJ,  o  crédito  tributário  relativo  ao  ano­calendário  de  2001  não  havia  ainda  sido  atingido  pela  decadência.  Fl. 2241DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 18471.000937/2006­06  Acórdão n.º 2201­002.285  S2­C2T1  Fl. 9          15 No mérito, no que tange a omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo  empregatício  recebidos  de pessoas  físicas,  em  razão de  apuração efetuada pela Secretaria da  Receita  Federal  junto  às  diversas  Varas  de  Trabalho  do  TRT/RJ,  verificou­se  que  o  contribuinte  atuou  como  advogado  em  causas  trabalhistas  recebendo  valores  a  título  de  honorários  advocatícios.  Contudo,  nesse  período,  o  recorrente  entregou  suas  DIRPFs  na  condição de isento ou omisso.  Instado  a  apresentar  as  cópias  dos  contratos  de  prestação  de  serviços  e/ou  recibos  de  quitação  de  honorários  advocatícios  das  causas  trabalhistas  em  que  tenha  sido  patrono, informou que não os possui, e que os únicos documentos existentes são os andamentos  processuais  extraídos  da  internet,  onde  constam  os  valores  recebidos  por  seus  clientes.  Na  ocasião, o interessado admitiu o percentual de 20% para o cálculo de seus honorários. Confira­ se o Termo de Constatação Fiscal (fl. 107):  Em  27/07/2005  o  contribuinte,  em  resposta  ao  Termo  de  Intimação Fiscal n°2, informa que:  ­ Em seu item 1, no primeiro parágrafo, esclarece que no que se  refere  aos  recebimentos  (datas  e  valores),  que  não  possui  contrato  de  prestação  de  serviços,  já  que  seus  clientes  são  ex­ bancários, funcionários do Banerj S/A, empresa em que também  trabalhou, portanto seus colegas de serviço.  Em seu item 1, no terceiro parágrafo, esclarece que não possui  cópia dos recibos de pagamentos de honorários advocatícios das  pessoas físicas citadas no ano de 1999, 2001 e 2002.  Em  seu  item  1,  no  quarto  parágrafo,  que  com  relação  à  documentação  referente  às  pessoas  físicas  mencionadas,  apresenta os documentos que possui, que são os andamentos dos  processos  trabalhistas,  via  internet,  em que  constam os  valores  recebidos por tais pessoas e as datas de recebimentos.  Em seu  item 2, com relação à comprovação do percentual em  torno  de  20%  cobrado  a  titulo  de  honorários  advocatícios,  ratifica  que  não  possui  cópia  dos  recibos,  mas  apresenta  os  valores  recebidos  pelos  clientes  e  as  datas  dos  recebimentos,  através dos andamentos via Internet. (grifei)  Em sua Impugnação reafirma o recorrente que o cálculo dos seus honorários  era  à  base  de  20%  sobre  o  valor  líquido  de  IRRF  e  de  contribuição  ao  INSS  do  alvará  ou  acordo,  razão  pela  qual  entendeu  a  autoridade  recorrida  que  a  declaração  do  contribuinte  caracteriza  a  confissão  da  infração,  constituído,  pois,  matéria  incontroversa.  Assim,  para  os  valores  pelos  quais  não  havia  a  comprovação  do  pagamento  de  honorários,  a  fiscalização  considerou como válida a informação prestada pelo próprio autuado.   Em  sua  peça  recursal  reitera  o  suplicante  que  os  honorários  advocatícios  cobrados  incidiram  sobre  uma  base  líquida,  depois  de  descontada  a  parcela  do  IRRF.  Para  tanto,  cita  como  exemplo  três  casos  que,  segundo  seu  ponto  de  vista,  demonstraria  sua  alegação.  Pois bem, compulsando­se a planilha de cálculo dos honorários advocatícios  por  cliente,  elaborada pela DRJ, verifico que  foi  considerado o percentual  em  torno de 14%  Fl. 2242DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH     16 para os clientes: Mariângela de Castro Pereira Escudero, Terezinha de Jesus Fingolo Soares e  Ronalt  Aguiar  Santiago.  Contudo,  não  é  possível  considerar  para  todos  os  casos  a  alegada  percentagem,  como  faz  crer  o  suplicante  em  seu  apelo,  já  que  para  os  demais  clientes,  a  autoridade  lançadora  logrou  comprovar  que  o  percentual  equivale  a  20%,  conforme  os  inúmeros documentos coligidos aos autos.  Com efeito, para desconstituir as provas carreadas pela fiscalização, por meio  das  diversas  diligências  e/ou  circularizações  efetuadas,  era  necessário  que  o  recorrente  apresentasse  documentos  que  forçosamente  lastrearam  os  recebimentos  de  honorários,  tais  como:  contrato  de  prestação  de  serviços,  depósitos/transferências  bancárias,  entre  outros,  de  modo a vinculá­los, mediante o cotejo de datas e valores, diretamente aos alvarás levantados.  O que se  tem na prática são meras alegações,  ineficazes para comprovar os  honorários  recebidos.  E,  no  caso  desses  autos,  a  apresentação  de  provas  é  obrigação  do  contribuinte,  pois  a  autoridade  fiscal  não  pode  suprir  a  inércia  do  suplicante  na  instrução  probatória de suas alegações.   Portanto, embora alegue o contribuinte que a autoridade recorrida considerou  indevidamente  para  cálculo  dos  honorários  o  percentual  de  20%,  descontado  o  IRRF  e  a  contribuição ao INSS, verifica­se que esta informação foi prestada pelo próprio suplicante em  diversas  ocasiões,  inclusive  em  sua  Impugnação. Assim,  com  exceção  dos  casos  em  que  os  clientes apresentaram recibos emitidos pelo próprio contribuinte, penso que agiu com acerto a  autoridade julgadora a quo quando considerou, para fins de cálculo dos honorários recebidos, a  informação prestada pelo próprio recorrente.  Contudo, no que se refere à contribuinte Terezinha de Jesus F. Soares o valor  dos  honorários  considerados  pela  fiscalização  foi  de  R$  5.000,00  (fl.  109),  entretanto,  a  autoridade  recorrida  considerou o montante de R$ 5.136,66  (fl.  388). Assim,  em  respeito  ao  princípio  da  vedação  da  “reformatio  in  pejus”  não  cabe  à  autoridade  julgadora  agravar  o  lançamento de ofício. Assim sendo, deve­se excluir da base de cálculo o valor de R$ 136,66.  No que tange à omissão de rendimentos por depósitos bancários com origem  não comprovada, cumpre trazer a lume a legislação que serviu de base ao lançamento, no caso,  o art. 42 da Lei nº 9.430/1996, verbis:  Art.42  ­  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.  De acordo com o dispositivo supra, basta ao Fisco demonstrar a existência de  depósitos bancários de origens não comprovadas para que se presuma, até prova em contrário,  a cargo do contribuinte,  a ocorrência de omissão de rendimentos. Trata­se de uma presunção  legal  do  tipo  juris  tantum  (relativa),  e,  portanto,  cumpre  ao  Fisco  comprovar  apenas  o  fato  definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique  evidenciada a omissão de rendimentos.  O  dispositivo  legal  citado  tem  como  fundamento  lógico  o  fato  de  não  ser  comum  o  depósito  de  numerário,  de  forma  gratuita  e  indiscriminada,  em  conta  bancária  de  terceiros.  Como  corolário  dessa  afirmativa  tem­se  que,  até  prova  em  contrário,  o  que  se  Fl. 2243DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 18471.000937/2006­06  Acórdão n.º 2201­002.285  S2­C2T1  Fl. 10          17 deposita na conta de determinado titular a ele pertence. O raciocínio foi exposto com clareza  por Antônio da Silva Cabral1:  O  fato  de  alguém  depositar  em  banco  uma  quantia  superior  à  declarada  é  indício  de  que  provavelmente  depositou  um  valor  relativo  a  rendimentos  não  oferecidos  à  tributação.  Se  o  depositante não logra explicar que esse dinheiro é de outrem, ou  tem  origem  em  valores  não  sujeitos  à  tributação,  este  indício  levará à presunção de omissão de rendimentos à tributação.   Assim, diversamente do que faz crer o recorrente, na presunção legal a lei se  encarrega  de  presumir  a  ocorrência  do  fato  gerador,  na  forma  do  artigo  43  do  Código  Tributário Nacional2.  Passando as questões pontuais de mérito, alega o recorrente que os depósitos  bancários são relativos aos valores integrais dos alvarás atualizados monetariamente, portanto,  coincidem inteiramente com o que foi decidido na sentença. Assevera ainda que os ingressos  de recursos em suas contas eram transitórios, pois se destinavam aos clientes. Por fim, afirma  que  “Os honorários profissionais  tributados  constam na  relação de honorários advocatícios  sobre  causas  trabalhistas  vitoriosas  pagos  ao  contribuinte­Recorrente,  e  também  constam  como  valores  creditados  e  depositados  junto  ao  Banco  do  Brasil  S/A,  ou  junto  à  Caixa  Econômica Federal S/A”. Cita, outrossim, alguns exemplos que, segundo seu ponto de vista,  demonstram o desencontro e a imprecisão do ato fiscal.  Existência de dupla tributação e comprovação dos depósitos bancários  1  ­  Lauro  dos  Santos  Jotha  ­  Depósito  no  valor  de  R$  22.649,45,  em  29/09/2003.  Alega o suplicante que houve dupla apuração e  tributação dos rendimentos,  pois os honorários profissionais constam na  relação de honorários advocatícios e  também na  planilha dos depósitos bancários sem comprovação de origem.  Pois  bem,  compulsando­se  os  autos,  verifica­se  que  o  depósito  de  R$ 22.649,45,  datado  de  29/09/2003,  consta  do  “Demonstrativo  de  Valores  Creditados/Depositados  em  Conta  Corrente”  (fl.  111).  Entretanto,  o  referido  crédito  possui  origem  comprovada,  pois  se  refere  a  pagamento  de  honorários  de  Lauro  dos  Santos  Jota,  conforme consta da planilha confeccionada pela autoridade fiscal denominada “Demonstrativo  dos Honorários Advocatícios Sobre Causas Trabalhistas” de fl. 110.   Portanto,  deve­se  excluir da base de  cálculo  o depósito no  valor de R$  22.649,45.  2  ­  Lauro  dos  Santos  Jotha  ­  Depósito  no  valor  de  R$  47.230,74,  em  26/09/2003.                                                              1 Processo Administrativo Fiscal.; Editora Saraiva, 1993, pág. 311.  2 CTN – Lei  n° 5.172, de  1966 – Art.  43. O  imposto,  de  competência da União,  sobre  a  renda  e proventos  de  qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica:  I – de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos;  II – de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso  anterior.  Fl. 2244DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH     18 Alega o recorrente que o depósito refere­se ao Alvará Judicial de Lauro dos  Santos  Jota,  no  valor  de  R$  45.130,68,  datado  de  26/09/2003,  que  ao  ser  creditado  com  correção em 29/09/2003, representou o montante de R$ 47.230,74. Compulsando­se os autos,  verifica­se  que  o  recorrente  não  apresentou  qualquer  documento  que  comprovasse  sua  alegação. Ressalte­se que o extrato de movimentação de processo, doc. 03, fl. 204, discrimina o  histórico  “Alvara  0471/03  R$  45.130,68”.  Além  do  mais,  não  consta  no  aludido  extrato  qualquer movimentação no dia 29/09/2003.  3  ­  Mariza  Campany  Richa  ­  Depósito  no  valor  de  R$  20.000,00,  em  17/12/2003.  Alega  o  contribuinte  que  o  depósito  no  valor  de  R$  20.000,00,  datado  de  17/12/2003,  refere­se a pagamento de honorários advocatícios  recebidos de Mariza Campany  Richa.  Compulsando­se  os  autos,  verifica­se  que  o  depósito  de  R$  20.000,00,  datado  de  17/12/2003, consta do “Demonstrativo de Valores Creditados/Depositados em Conta Corrente”  (fl.  111).  Contudo,  não  é  possível  dizer  com  precisão  que  o  referido  valor  é  o  mesmo  que  consta do “Demonstrativo dos Honorários Advocatícios Sobre Causas Trabalhistas” de fl. 110,  tendo como data de pagamento dia 19/04/2004, no valor de R$ 20.000,00. Ressalte­se que o  suplicante  não  apresentou  qualquer  documento  que  comprovasse  sua  alegação.  Ademais,  o  extrato  de  movimentação  de  processo,  doc.  09,  fl.  210,  discrimina  o  histórico  “12/12/2003  Acordo cumprido ­ R$ 60.000,00”.  4  ­  Ilma  Martins  de  Almeida  ­  Depósito  no  valor  de  R$  24.464,16,  em  01/12/2003.  Alega  o  recorrente  que  o  depósito  refere­se  ao  Alvará  Judicial  de  Ilma  Martins  de Almeida,  no  valor  de R$  23.153,91,  datado  de  01/12/2003,  que  ao  ser  creditado  com  correção,  representou  o  montante  de  R$  24.464,16.  E  sobre  esse  valor  foi  tributado  honorários advocatícios de R$ 9.107,87. Compulsando­se os autos, verifica­se que o recorrente  não  apresentou  qualquer  documento  que  comprovasse  sua  alegação,  tais  como:  contrato  de  prestação  de  serviços,  alvará  judicial  e/ou memória  de  cálculo. Ressalte­se  que  o  extrato  de  movimentação  de  processo,  doc.  15,  fl.  216,  discrimina  o  histórico  “Alvara  0581/03  R$  23.153,91  p/  Rte  e/ou  Adv”.  Além  do  mais,  não  consta  no  aludido  extrato  qualquer  movimentação no dia 01/12/2003.  5 ­ Josué Ramos Diniz ­ Depósito no valor de R$ 47.039,97, em 21/10/2004.  Alega  o  recorrente  que  o  depósito  refere­se  ao  Alvará  Judicial  de  Josué  Ramos  Diniz,  no  valor  de  R$  44.244,31,  datado  de  21/10/2004,  que  ao  ser  creditado  com  correção, representou o montante de R$ 47.039,97. E sobre esse valor foi tributado honorários  advocatícios  de  R$  17.469,46.  Compulsando­se  os  autos,  verifica­se  que  o  recorrente  não  apresentou  qualquer  documento  que  comprovasse  sua  alegação,  tais  como:  contrato  de  prestação  de  serviços,  alvará  judicial  e/ou memória  de  cálculo. Ressalte­se  que  o  extrato  de  movimentação  de  processo,  doc.  22,  fl.  223,  discrimina  o  histórico  “Alvara  0645/04  R$  44.244,31  BB  p/  Rte  e/ou  Adv”.  Além  do  mais,  não  consta  no  aludido  extrato  qualquer  movimentação no dia 01/12/2003.  6  ­  Risete  Áreas  Teixeira  –  Depósito  no  valor  de  R$  69.346,30,  em  08/10/2004.  Alega  o  recorrente  que  o  depósito  refere­se  ao  Alvará  Judicial  de  Risete  Áreas  Teixeira,  no  valor  de  R$  69.346,30,  datado  de  08/10/2004,  creditado  na  Caixa  Econômica Federal. E sobre esse valor foi tributado honorários advocatícios de R$ 24.756,00.  Fl. 2245DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 18471.000937/2006­06  Acórdão n.º 2201­002.285  S2­C2T1  Fl. 11          19 Compulsando­se os autos, verifica­se que o extrato de movimentação de processo, doc. 28, fl.  229, discrimina o histórico “01/10/2004 Alvara 0492/04 R$ 69.346,30 CEF p/ Rte e/ou Adv”.  Portanto, penso que a origem do crédito restou comprovada e, dessa feita, deve­se excluir  da base de cálculo o depósito no valor de R$ 69.346,30.  7  ­  Antônio  Carlos  Pacheco  ­  Depósito  no  valor  de  R$  57.034,09,  em  14/03/2003.  Alega  o  recorrente  que  o  depósito  refere­se  ao Alvará  Judicial  de Antônio  Carlos Pacheco,  no  valor  de R$ 56.689,35,  datado  de  14/03/2003,  que  ao  ser  creditado  com  correção, representou o montante de R$ 57.034,09. E sobre esse valor foi tributado honorários  advocatícios  de  R$  24.000,00.  Compulsando­se  os  autos,  verifica­se  que  o  recorrente  não  apresentou  qualquer  documento  que  comprovasse  sua  alegação,  tais  como:  contrato  de  prestação  de  serviços,  alvará  judicial  e/ou memória  de  cálculo. Ressalte­se  que  o  extrato  de  movimentação  de  processo,  doc.  34,  fl.  235,  discrimina  o  histórico  “12/03/2003  Alvara  0130/03 R$ 56.689,35 p/ Rte e/ou Adv”.  8 ­ Francisco Sampaio de Amorim ­ Depósito no valor de R$ 42.358,65, em  08/11/2004.  Alega o recorrente que o depósito  refere­se ao Alvará Judicial de Francisco  Sampaio de Amorim, no valor de R$ 41.846,21, datado de 08/11/2004, que ao ser  creditado  com  correção,  representou  o  montante  de  R$  42.358,65.  E  sobre  esse  valor  foi  tributado  honorários  advocatícios  de  R$  16.691,10.  Compulsando­se  os  autos,  verifica­se  que  o  recorrente  não  apresentou  qualquer  documento  que  comprovasse  sua  alegação,  tais  como:  contrato  de  prestação  de  serviços  e/ou  memória  de  cálculo.  Ressalte­se  que  o  extrato  de  movimentação  de  processo,  doc.  34,  fl.  235,  discrimina  o  histórico  “04/11/2004  Alvara  0876/04 R$ 41.846,21 BB p/ Rte e/ou Adv (61207)”.  9 ­ Tamar Santos de Souza Bechara ­ Depósito no valor de R$ 18.616,68, em  18/11/2004.  Alega  o  recorrente  que  o  depósito  refere­se  ao  Alvará  Judicial  de  Tamar  Santos  de  Souza  Bechara,  no  valor  de  R$  18.341,11,  datado  de  18/11/2004,  que  ao  ser  creditado  com  correção,  representou  o  montante  de  R$  18.616,68.  E  sobre  esse  valor  foi  tributado honorários advocatícios de R$ 7.017,00. Compulsando­se os autos, verifica­se que o  recorrente  não  apresentou  qualquer  documento  que  comprovasse  sua  alegação,  tais  como:  contrato  de  prestação  de  serviços  e/ou  memória  de  cálculo.  Ressalte­se  que  o  extrato  de  movimentação  de  processo,  doc.  34,  fl.  235,  discrimina  o  histórico  “10/11/2004  Alvara  0614/04 R$ 18.341,11 BB p/ Rte e/ou Adv”.  10  ­  Luiz  Carlos  Bezerra  ­  Depósito  no  valor  de  R$  22.404,99,  em  R$  12/03/2003.  Alega o recorrente que o depósito refere­se ao Alvará Judicial de Luiz Carlos  Bezerra, no valor de R$ 21.982,55, datado de 12/03/2003, creditado no Banco do Brasil, que ao  ser creditado com correção,  representou o montante de R$ 22.404,99. E sobre  esse valor  foi  tributado honorários advocatícios de R$ 6.549,76. Compulsando­se os autos, verifica­se que o  Alvará Judicial nº 203/2003, doc. 54, fl. 255, emitido pelo Juiz Titular da 28ª Vara do Trabalho  do Rio de Janeiro/RJ, Gustavo Eugênio de Carvalho Maxa, confirma que o valor depositado  representou  o  montante  de  R$  22.404,99,  conforme  se  observa  da  autenticação  mecânica.  Fl. 2246DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH     20 Portanto, penso que a origem do crédito restou comprovada e, dessa feita, deve­se excluir  da base de cálculo o depósito no valor de R$ 22.404,99.  11  ­  Nelson  Lacerda  Rômulo  ­  Depósito  no  valor  de  R$  49.616,84,  em  19/02/2004.  Alega  o  recorrente  que  o  depósito  refere­se  ao  Alvará  Judicial  de  Nelson  Lacerda  Rômulo,  no  valor  de  R$  48.888,34,  datado  de  19/02/2004,  creditado  no  Banco  do  Brasil, que ao ser creditado com correção,  representou o montante de R$ 49.616,84. E sobre  esse valor  foi  tributado  honorários  advocatícios  de R$ 18.000,34. Compulsando­se  os  autos,  verifica­se que o Alvará Judicial nº 203/2003, doc. 60, fl. 261, emitido pelo Tribunal Regional  do  Trabalho  da  1ª  Região,  confirma  que  o  valor  depositado  representou  o  montante  de  R$  49.616,84, conforme se observa da autenticação mecânica. Portanto, penso que a origem do  crédito restou comprovada e, dessa feita, deve­se excluir da base de cálculo o depósito no  valor de R$ 49.616,84.  12  ­ Humberto Campos  dos Reis  ­ Depósito no valor de R$ 22.636,22,  em  13/03/2003.  Alega  o  recorrente  que  o  depósito  refere­se  apenas  aos  honorários  advocatícios,  no  valor de R$ 22.054,71,  em 13/03/2003,  que  ao  ser  creditado  com  correção,  representou  o  montante  de  R$  22.636,22.  Compulsando­se  os  autos,  verifica­se  que  o  recorrente  não  apresentou  qualquer  documento  que  comprovasse  sua  alegação,  tais  como:  contrato de prestação de serviços, alvará judicial e/ou memória de cálculo. Ressalte­se que o  extrato  de  movimentação  de  processo,  doc.  64,  fl.  265,  discrimina  o  histórico  “11/03/2003  Alvara 0122/03 R$ 22.054,71 p/ Adv Rte”.  13 ­ Luiz Henrique Iribarne Martins ­ Depósito no valor de R$ 26.045,09, em  03/02/2003.  Alega  o  recorrente  que  o  depósito  refere­se  ao  Alvará  Judicial  de  Luiz  Henrique  Iribarne  Martins,  no  valor  de  R$  25.513,93,  datado  de  03/02/2003,  que  ao  ser  creditado com correção,  representou o montante de R$ 26.045,09. Compulsando­se os autos,  verifica­se  que  o  recorrente  não  apresentou  qualquer  documento  que  comprovasse  sua  alegação, tais como: contrato de prestação de serviços, alvará judicial e/ou memória de cálculo.  Ressalte­se que o extrato de movimentação de processo, doc. 70, fl. 271, discrimina o histórico  “10/11/2004 24/01/2003 Alvara 0022/03 R$ 25.513,93 p/ Rte e/ou Adv”.  14  ­  Emilson  Maciel  Tavares  ­  Depósito  no  valor  de  R$  21.784,72,  em  06/06/2004.  Alega  o  recorrente  que  o  depósito  refere­se  ao Alvará  Judicial  de  Emilson  Maciel Tavares,  no  valor  de R$ 21.107,46,  datado  de 06/06/2004,  que  ao  ser  creditado  com  correção, representou o montante de R$ 21.784,72. Compulsando­se os autos, verifica­se que o  recorrente  não  apresentou  qualquer  documento  que  comprovasse  sua  alegação,  tais  como:  contrato  de  prestação  de  serviços  e/ou  memória  de  cálculo.  Ressalte­se  que  o  extrato  de  movimentação  de  processo,  doc.  75,  fl.  276,  discrimina  o  histórico  “27/05/2004  Alvara  488/04­CEF R$21.107,46 p/Rte e/ou adv.”.  15  ­  Sebastião  Pinto  Justino  ­  Depósito  no  valor  de  R$  57.156,11,  em  08/10/2004.  Alega o recorrente que o depósito  refere­se ao Alvará Judicial de Sebastião  Pinto Justino, no valor de R$ 57.156,11, datado de 08/10/2004, creditado na Caixa Econômica  Fl. 2247DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 18471.000937/2006­06  Acórdão n.º 2201­002.285  S2­C2T1  Fl. 12          21 Federal.  Compulsando­se  os  autos,  verifica­se  que  o  extrato  de  movimentação  de  processo,  doc. 85, fl. 287, discrimina o histórico “30/09/2004 Alvara 0489/04 R$ 57.156,11 CEF p/ Rte  e/ou  Adv”. Portanto,  penso  que  a  origem  do  crédito  restou  comprovada  e,  dessa  feita,  deve­se excluir da base de cálculo o depósito no valor de R$ 57.156,11.  16 ­ Ely Ney de Souza ­ Depósito no valor de R$ 63.061,61, em 26/08/2004.  Alega o recorrente que o depósito refere­se ao Alvará Judicial de Ely Ney de  Souza, no valor de R$ 62.840,11, datado de 26/08/2004, que ao ser creditado com correção,  representou  o  montante  de  R$  63.061,61.  Compulsando­se  os  autos,  verifica­se  que  o  recorrente  não  apresentou  qualquer  documento  que  comprovasse  sua  alegação,  tais  como:  contrato de prestação de serviços, alvará judicial e/ou memória de cálculo. Ressalte­se que o  extrato  de  movimentação  de  processo,  doc.  89,  fl.  291,  discrimina  o  histórico  “25/08/2004  Alvara 0471/04 R$ 62.840,11 CEF p/ Rte e/ou Adv.”.  17  ­  Sueli  Pereira  dos  Santos  ­  Depósito  no  valor  de  R$  25.176,11,  em  22/09/2004.  Alega  o  recorrente  que  o  depósito  refere­se  ao  Alvará  Judicial  de  Sueli  Pereira dos Santos, no valor de R$ 21.201,10, datado de 22/09/2004, que ao ser creditado com  correção, representou o montante de R$ 25.176,11. Compulsando­se os autos, verifica­se que o  recorrente  não  apresentou  qualquer  documento  que  comprovasse  sua  alegação,  tais  como:  contrato de prestação de serviços, alvará judicial e/ou memória de cálculo. Ressalte­se que o  extrato  de  movimentação  de  processo,  doc.  95,  fl.  297,  discrimina  o  histórico  “22/09/2004  Alvara 0513/04 R$ 21.201,10 BB p/ Rte e/ou Adv.”.  18  ­ Maria Helena Machado Mendes  ­ Depósito no valor de R$ 64.909,26,  em 01/12/2004.  Alega  o  recorrente  que  o  depósito  refere­se  ao  Alvará  Judicial  de  Maria  Helena  Machado  Mendes,  no  valor  de  R$  64.713,62,  datado  de  01/12/2004,  que  ao  ser  creditado com correção,  representou o montante de R$ 64.909,26. Compulsando­se os autos,  verifica­se  que  o  recorrente  não  apresentou  qualquer  documento  que  comprovasse  sua  alegação, tais como: contrato de prestação de serviços, alvará judicial e/ou memória de cálculo.  Ressalte­se  que  o  extrato  de  movimentação  de  processo,  doc.  100,  fl.  302,  discrimina  o  histórico “30/11/2004 Alvara 0648/04 R$ 64.713,62 CEF p/ Rte e/ou Adv.”.  19  ­  Pedro Anibal  Sartori  Philot  ­ Depósito  no  valor  de R$  50.343,43,  em  30/04/2003.  Alega  o  recorrente  que  o  depósito  refere­se  ao  Alvará  Judicial  de  Pedro  Anibal Sartori Philot, no valor de R$ 49.644,73, datado de 30/04/2003, que ao ser creditado  com correção, representou o montante de R$ 50.343,43. Compulsando­se os autos, verifica­se  que  o  recorrente  não  apresentou  qualquer  documento  que  comprovasse  sua  alegação,  tais  como: contrato de prestação de serviços, alvará judicial e/ou memória de cálculo. Ressalte­se  que  o  extrato  de  movimentação  de  processo,  doc.  104,  fl.  306,  discrimina  o  histórico  “29/04/2003 Alvara 0059/03 R$ 49.644,73 p/ Rte e/ou Adv.”.  20  ­  Sergio  Luiz  Figueira  ­  Depósito  no  valor  de  R$  47.708,24,  em  10/12/2004.  Fl. 2248DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH     22 Alega o recorrente que o depósito refere­se ao Alvará Judicial de Sergio Luiz  Figueira,  no  valor  de  R$  47.890,22,  datado  de  10/12/2004,  que  ao  ser  creditado  o  valor  diminuiu  devido  à  tarifa  bancária  cobrada  à  época  e,  portanto,  o  montante  representou  R$  47.708,24.  Compulsando­se  os  autos  verifica­se  que  o  recorrente  não  apresentou  qualquer  documento que comprovasse sua alegação, tais como: contrato de prestação de serviços, alvará  judicial e/ou memória de cálculo. Ressalte­se que o extrato de movimentação de processo, doc.  110, fl. 312, discrimina o histórico “02/12/2003 Alvara 0718/04 R$ 47.890,22 CEF p/ Rte e/ou  Adv.”.  21 ­ Carlos Alberto do Nascimento ­ Depósito no valor de R$ 66.123,55, em  15/09/2004.  Alega  o  recorrente  que  o  depósito  refere­se  ao  Alvará  Judicial  de  Carlos  Alberto do Nascimento, no valor de R$ 65.834,59, datado de 15/09/2004, que ao ser creditado  com correção, representou o montante de R$ 66.123,55. Compulsando­se os autos, verifica­se  que o Alvará Judicial nº 455/04, doc. 118, fl. 320, emitido pelo Tribunal Regional do Trabalho  da  1ª  Região,  confirma  que  o  valor  depositado  representou  o  montante  de  R$  66.123,55,  conforme  se  observa  da  autenticação mecânica. Portanto,  penso  que  a  origem  do  crédito  restou comprovada e, dessa feita, deve­se excluir da base de cálculo o depósito no valor de  R$ 66.123,55.  Do  exposto,  como  o  recorrente  logrou  comprovar  a  origem  de  vários  depósitos  bancários,  conforme  detalhado  neste  voto,  deveria,  pois,  a  autoridade  fiscal  ter  observado o disposto no § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996:  § 2º Os  valores cuja origem houver  sido  comprovada, que não  houverem  sido  computados  na  base  de  cálculo  dos  impostos  e  contribuições  a  que  estiverem  sujeitos,  submeter­se­ão  às  normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente  à época em que auferidos ou recebidos.  Nessa  conformidade,  deve­se  excluir  da  base  de  cálculo  o  valor  de  R$ 45.054,44, relativo ao ano­calendário de 2003 e R$ 242.242,80, atinente ao ano­calendário  de 2004.  No que tange à multa qualificada de 150%, penso que sua  imposição não é  possível,  pois  a  conclusão  da  autoridade  fiscal  foi  meramente  subjetiva,  tendo  em  vista  a  expressiva  movimentação  financeira  e  a  falta  de  apresentação  das  Declarações  de  Ajuste.  Transcreve­se parte do Termo de Verificação Fiscal (fl. 107):  Em  anexo,  demonstrativo  dos  honorários  advocatícios  sobre  causas trabalhistas, referente aos anos­base de 2001, 2002, 2003  e 2004 onde são relacionados, dentre outros, os nomes de  seus  clientes  que  foram  beneficiados  com  decisões  favoráveis  na  Justiça de Trabalho do Estado do Rio de Janeiro e os respectivos  valores de pagamentos de honorários advocatícios.  Tal procedimento foi adotado de forma repetitiva, nos exercícios  de  2002,  2003,  2004  e  2005  anos­base  de  2001,  2002,  2003  e  2004 onde a situação cadastral do contribuinte quanto à entrega  de declaração é de  isento e omisso,  evidencia­se assim o  claro  intuito do contribuinte de eximir­se de pagar os tributos devidos,  como  objetivamente  circunstanciado,  caracterizando  evidente  intuito de  fraude, cabendo assim a aplicação da multa prevista  no inciso II do art. 44 da Lei 9430/96, de 150%..   Fl. 2249DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 18471.000937/2006­06  Acórdão n.º 2201­002.285  S2­C2T1  Fl. 13          23 Com  efeito,  o  que  foi  relatado  pelo  fiscal  nada  mais  é  do  que  o  próprio  pressuposto da autuação, ou seja, simples omissão de rendimentos ou declaração inexata, sem  qualquer prova de conduta dolosa. É nesse sentido a Súmula CARF nº 14:  A  simples  apuração  de  omissão  de  receita  ou  de  rendimentos,  por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo  necessária  a  comprovação  do  evidente  intuito  de  fraude  do  sujeito passivo.  Incomprovada  a  fraude  ensejadora  da  multa  qualificada,  esta  não  pode  subsistir. Dessa forma, a multa de oficio sobre o item 001 do Auto de Infração ­ Rendimentos  Recebidos de Pessoas Físicas Sujeitos a Carnê­Leão, deve ser reduzida ao percentual de 75%.  Quanto  à  exigência  concomitante  da  multa  de  ofício  e  da  multa  isolada,  decorrente  do mesmo  fato  –  omissão  de  rendimentos  recebidos  de  pessoa  física  e  jurídica  e  falta  de  recolhimento  do  IRPF  devido  a  título  de  carnê­leão  –  entendo  não  ser  possível  cumular­se as referidas penalidades. Com efeito, houve a dupla incidência da penalidade sobre  a mesma  base  de  cálculo.  Cita­se,  outrossim,  a  interpretação  dada  pela  Câmara  Superior  de  Recursos Fiscais, consoante a ementa destacada:  MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA  – MESMA BASE DE CÁLCULO – A aplicação concomitante da  multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de  1996)  e  da multa  de  ofício  (incisos  I  e  II,  do  art.  44,  da Lei  n  9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma  base  de  cálculo.”  (Câmara  Superior  do  Conselho  de  Contribuintes  /  Primeira  turma,  Processo  10510.000679/2002­ 19, Acórdão n° 01­04.987, julgado em 15/06/2004).  Partindo­se  da  premissa  de  que  uma  mesma  conduta  ilícita  não  pode  ser  atribuída mais de uma penalidade sob pena de bis  in  idem,  é  forçoso concluir que as multas  previstas nos  incisos  I  a  III  do parágrafo  I  do  art.  44 da Lei n 9.430/1996 não poderiam ser  aplicadas concomitantemente.  Assim,  somente mostra­se  possível  a  cobrança  da multa  de ofício  pelo  não  recolhimento da antecipação mensal, prevista no inciso III do parágrafo I do artigo 44 da Lei n°  9.430/1996,  nas  hipóteses  em  que  tal  penalidade  venha  a  ser  exigida  isoladamente,  ou  seja,  desacompanhada do lançamento de imposto.  Nesses termos, deve ser cancelado o item 03 do auto de infração, qual seja, a  multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê­leão.  No que  tange  ao pedido de diligência,  cumpre  esclarecer que apesar de  ser  facultado ao sujeito passivo o direito de pleitear sua realização, compete à autoridade julgadora  decidir  sobre  sua  efetivação,  podendo  ser  indeferidas  as  que  considerarem  prescindíveis  ou  impraticáveis (art. 18, caput, do Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei  nº 8.748/1993).  No  presente  caso,  houve  a  devida  apreciação  pela  autoridade  recorrida  do  pedido de diligência e foi bem explicitada a razão pela qual foi indeferida. Transcreve­se o art.  29 do Decreto 70.235/1972:  Fl. 2250DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH     24 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formar  livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que  entender necessária.  Os  procedimentos  de  diligência  não  podem  ter  por  objetivo  a  complementação do conjunto probatório, suprindo, a destempo, eventuais lacunas do trabalho  do  Fisco  ao  lançar  o  crédito  ou  da  Impugnação/Recurso  apresentada  pelo  interessado.  Tais  instrumentos  se  prestam  tão  somente  a  esclarecer  dúvidas  técnicas  ou  fáticas  surgidas  ao  julgador  no  exame  do  litígio.  É  por  isso  que  não  basta,  a  quem  contesta  um  lançamento  de  ofício, vir aos autos para afirmar, simplesmente, que tudo quanto foi levantado na ação fiscal  não guarda consonância com a realidade dos fatos e que tudo precisa ser dirimido por meio de  perícia/diligência.   No seu recurso, o contribuinte reitera o pedido alegando que a diligência é o  único meio propício para averiguar a exata base de cálculo para tributação do imposto de renda  de  pessoa  física.  Da  análise  dos  argumentos  do  recorrente,  fica  evidente  que  todos  eles  se  referem à produção de provas que  caberia  ao  contribuinte apresentar,  tais  como:  contrato de  prestação  de  serviço  (devidamente  assinado),  alvará  judicial,  depósitos  e  transferências  bancárias, entre outros.  Nesses  termos,  se  o  recorrente  possuía  outros  elementos  capazes  de  corroborar com a tese esposada em sua defesa, deveria carreá­los aos autos para que pudesse  ser objeto de análise da Turma Julgadora.  Ante esses argumentos, indefiro o pedido de perícia.    Isso  posto,  voto  por  rejeitar  as  preliminares  e,  no  mérito,  dar  provimento  parcial ao recurso para:  1) Em  relação ao  item 1 do Auto de  Infração  ­ Rendimentos Recebidos  de  Pessoas  Físicas  Sujeitos  a  Carnê­Leão,  excluir  da  base  de  cálculo  o  valor  de  R$  136,66,  relativo ao ano­calendário de 2002.  2) Quanto ao  item 2 do Auto de  Infração  ­ Depósitos Bancários de Origem  não  Comprovada,  excluir  da  base  de  cálculo  o  valor  de  R$  45.054,44,  relativo  ao  ano­ calendário de 2003 e o montante de R$ 242.242,80, atinente ao ano­calendário de 2004.  3)  Cancelar  o  item  03  do  Auto  de  Infração  ­  Multa  Isolada  pela  Falta  de  Recolhimento do IRPF devido a Título de Carnê­Leão.  4) Desqualificar a multa de ofício,  relação ao  item 1 do Auto de  Infração  ­  Rendimentos Recebidos de Pessoas Físicas Sujeitos a Carnê­Leão,  reduzindo­a ao percentual  de 75%.  Assinado Digitalmente  Eduardo Tadeu Farah                  Fl. 2251DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 18471.000937/2006­06  Acórdão n.º 2201­002.285  S2­C2T1  Fl. 14          25         MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE  JULGAMENTO    Processo nº: 18471.000937/2006­06      TERMO DE INTIMAÇÃO        Em  cumprimento  ao  disposto  no  §  3º  do  art.  81  do Regimento  Interno  do Conselho  Administrativo  de Recursos  Fiscais,  aprovados  pela Portaria Ministerial  nº  256,  de  22 de  junho de  2009,  intime­se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda  Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201­002.285.      Brasília/DF, 20 de novembro de 2013    Assinado Digitalmente  MARIA HELENA COTTA CARDOZO  Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção        Ciente, com a observação abaixo:    (......) Apenas com ciência  (......) Com Recurso Especial  (......) Com Embargos de Declaração    Data da ciência: _______/_______/_________    Procurador(a) da Fazenda Nacional                                 Fl. 2252DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH     26     Fl. 2253DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH

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