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Numero do processo: 13609.001603/2009-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 17 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.303
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Acompanhou o julgamento, pela Recorrente, o advogado Dr. Gustavo Froner Minatel, OAB/SP 210.198.
Luis Eduardo Garrossino Barbieri Presidente Substituto
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Paulo Roberto Stocco Portes e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Acompanhou o julgamento, pela Recorrente, o advogado Dr. Gustavo Froner Minatel, OAB/SP 210.198. Luis Eduardo Garrossino Barbieri – Presidente Substituto Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Paulo Roberto Stocco Portes e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do acórdão da DRJ de Belo Horizonte, verbis: Lavrouse, contra a contribuinte acima qualificada, o auto de infração de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 09 .0 01 60 3/ 20 09 -7 8 Fl. 1419DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 13609.001603/200978 Resolução nº 3202000.303 S3C2T2 Fl. 1.401 2 fls. 315/320, para exigência de multa isolada no valor de R$ 21.412.613,33, decorrente de compensação indevida, relativa ao período de 31/01/2004 a 31/12/2005. Segundo a "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" (fls. 317/318), constatouse, no curso do procedimento fiscal, a compensação indevida de valores em declaração prestada pelo sujeito passivo. O fundamento legal do lançamento está indicado à fl. 318. No Relatório de Auditoria Fiscal de folhas 307/314, a autoridade fiscal relata os procedimentos realizados e os fatos apurados, que podem ser assim sintetizados: . a fiscalização foi motivada por demanda interna e baseouse por Representação fiscal oriunda da SAFIS/DRFNarginha noticiando sobre a utilização, por parte da empresa Embrasil — Empresa Brasileira Distribuidora Ltda., de créditos de terceiros na compensação de débitos próprios; . intimada a se manifestar a respeito dos PER/DCOMPs que apresentam créditos vinculados ao processo administrativo n° 10660.000339/200266, referente à empresa COMERCIAL BENEFICIADORA DE CAFÉ LTDA, informou a contribuinte que os créditos. foram adquiridos através de procedimento de cisão e incorporação e que a decisão proferida pela DRF/Varginha no citado processo, indeferindo os créditos, havia sido reformada pelo Conselho de Contribuintes; . intimada, ainda, a se manifestar sobre PER/DCOMP com crédito vinculado ao processo administrativo n° 10070.000778/200561, considerada não declarada por utilizar crédito de terceiro, informou a contribuinte que os créditos foram adquiridos da empresa PARADIESEL por cessão e assunção de pólo ativo na liquidação de sentença levada a efeito pela cedente nos autos do processo n° 96.00000042 da 5 a Vara da Justiça Federal de Belém do Pará; . da análise da representação fiscal elaborada pela Auditora Fiscal da DRF/Varginha, verificase que o trabalho desenvolvido por ela na empresa Comercial Beneficiadora de Café demonstra que, na verdade, a cisão parcial foi uma manobra para encobrir a real operação: a cessão de créditos; . a representação fiscal enumera os vários indícios de fraude em relação à cisão parcial de 12 de dezembro de 2003: não foi encontrada, na escrituração contábil da empresa Comercial Beneficiadora de Café, a correta contabilização que corrobore o procedimento de cisão parcial; os livros Diários da empresa foram sendo autenticados à medida que a empresa era intimada a apresentálos; no protocolo de cisão há a redação expressa de que esses créditos foram transferidos para a Embrasil; praticamente a totalidade do patrimônio, que consiste no suposto direito a esses créditos, foi vertido sem receber "nada em troca", ainda mais quando se constata, na verdade, a existência de várias transferências on une de valores expressivos, documentalmente comprovadas; renúncia expressa, de forma irrevogável e irretratável, dos sócios da cindida ao direito de participação societária na Embrasil; • e em relação à cisão parcial de 10 de maio de 2005: não foi encontrada a correta contabilização do procedimento de cisão parcial; o livro Diário foi autenticado no órgão competente após a intimição para apresentação; Fl. 1420DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 13609.001603/200978 Resolução nº 3202000.303 S3C2T2 Fl. 1.402 3 diferença relevante de valores nas operações de admissão e retirada dos sócios da cindida na Embrasil, realizadas no mesmo dia e no mesmo ato; constatação de várias transferências on une de valores expressivos, documentalmente comprovadas, enviadas pela Embrasil para a conta corrente conjunta dos sócios da Comercial Beneficiadora de Café Ltda.; . segundo o PROTOCOLO DE CISÃO, de 12 de dezembro de 2003, as empresas expressamente declaram: "a cindida possui um crédito registrado em seu ativo referente a recolhimentos no período de dezembro de 1986 a abril de 1990 de tributo (.) e não tendo como a aproveitálo por intermédio próprio decidiu transferilo para a EMBRASIL e EMBRAEX ..."; . na alteração contratual n° 44 de 10 de maio de 2005 os sócios da COMERCIAL BENEFICIADORA DE CAFÉ LTDA, ADRIANO FERREIRA SODRÉ e ALYSON CARVALHO ROCHA são admitidos como sócios da EMBRASIL e no mesmo ato, retiramse da sociedade transferindo aos sócios remanescentes a totalidade de suas cotas; . no PROTOCOLO/JUSTIFICATIVA DE CISÃO COMPLEMENTAR, de 10 de maio de 2005, consta a seguinte expressão "Os sócios da cindida renunciam expressamente ao direito de sua participação societária decorrente do procedimento de cisão anterior..."; . diferentemente da Cisão prescrita no art. 229 da Lei n° 6.404/1976, o que houve no caso presente demonstra um evidente intuito de através de um procedimento de cisão parcial encobrir uma real cessão de créditos, com evidente intuito de fraude; . em documentação complementar enviada pela DRF/VAR, verificase que o Instrumento Particular de Cessão de Créditos Tributários e Outras Avencas, de 11 de dezembro de 2003, entre a EMBRASIL e a Comercial Beneficiadora de Café Ltda. não deixam dúvidas de que a operação é uma cessão de créditos, que os signatários sabiam que a Instrução Normativa n° 41/2000 impediu a cessão de créditos tributários de um contribuinte para outro e que houve um deságio de 40%, usual no caso de cessão de créditos; . do mesmo modo se verifica no Instrumento Particular de Cessão de Créditos Tributários e Outras Avencas, de 20 de abril de 2005, entre a EMBRASIL e a Exportadora Varginha Ltda, pertencente aos mesmos sócios da Comercial Beneficiadora de Café, que o deságio foi de 50%; . nos mesmos termos no Instrumento Particular de Cessão de Créditos Tributários e Outras Avencas, de 20 de abril de 2005, entre a EMBRASIL e a Comercial Beneficiadora de Café Ltda.; . presentes, portanto, o evidente intuito de sonegação, fraude e conluio prescritos nos art. 71 a 73 da Lei n°4.502/1964; . ademais, já existe manifestação da Receita Federal de que na cisão parcial é vedado ao contribuinte ceder créditos tributários: Solução de Consulta SRRF/CRF/DISIT n° 85, de 15 de maio de 2001; . portanto, sujeitase a contribuinte à aplicação da multa isolada prevista no art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835/2001 c/c o art. 18 da Lei n° 10.833/2003 e seu § 2°, com a redação anterior à Lei n° 11.051/2004, para os fatos anteriores a 30/12/2004; . para os fatos a partir de 30/12/2004, art. 18 da Lei n° 10.833/2003 e seus §§ 2° e 4°, com a redação da Lei n° 11.051/2004 c/c artigo 44, II, da Lei n° 9.430/96, tendo em vista evidente intuito de fraude; . foi formalizado o processo administrativo n° 13609.001605/200967 que Fl. 1421DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 13609.001603/200978 Resolução nº 3202000.303 S3C2T2 Fl. 1.403 4 trata de Representação Fiscal para Fins Penais e o processo administrativo n° 13609.001604/200912 que trata do arrolamento de bens e direitos. Cientificada do lançamento em 10/12/2009 (fl. 316), a contribuinte apresentou, tempestivamente (fl. 1.250), suas razões de defesa, alegando, em síntese e fundamentalmente, que (fls. 324/380): . o autuante cometeu equívocos na apuração do montante da multa ao incluir na sua base de cálculo valores de multa moratória e juros; . a multa incide apenas sobre o valor original do imposto ou contribuição apurados e declarados em DCTFs; . a negativa da autoridade administrativa em revisar o lançamento constituirseá em evidente cerceamento de defesa; . as compensações de débitos da impugnante, efetivadas através das DCOMPs citadas no termo de início da ação fiscal de fls. 95/97 dos presentes autos, utilizaram o direito creditório oriundo do PTA n° 10660.000339/200266 e foram baixadas para tratamento manual nos autos do PTA n° 13609.720020/200605; . tais DCOMPs foram consideradas nãohomologadas em decisão proferida em 13/11/2006, contra a qual a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade; . em 23/02/2007, a decisão foi revista pela autoridade administrativa para considerar não declaradas as compensações, com alteração, portanto, dos critérios jurídicos do lançamento e da tipificação da compensação nãohomologada para não declarada; . é importante destacar que no caso em tela a autoridade administrativa recorrida, desde o primeiro lançamento efetuado, tinha o conhecimento da ocorrência da titularidade do crédito utilizado na compensação, não enfrentando este fato a tempo e modo, mesmo diante do fato de todas as informações referentes à compensação terem sido devidamente informadas legalmente à Secretaria da Receita Federal, contrariando com isso, o disposto no art. 145 e 149 do CTN; . inconformada com tais atos, a ora impugnante impetrou mandado de segurança autos do processo n° 2007.38.12.0021685, perante a Justiça Federal, objetivando suspender a exigibilidade dos débitos exigidos no PTA de cobrança n° 13609.720020/200605, bem como o deferimento da oportunidade de apresentar manifestação de inconformidade, noticiandose o julgamento do recurso voluntário interposto nos autos do PTA n° 10660.000339/200266, que recebeu provimento do CARF para afastar a prejudicial de decadência e determinar o retomo dos autos à DRF/Varginha; . na sentença exarada no mandado de segurança decidiu o juízo o seguinte: "JULGO PROCEDENTE EM PARTE O PEDIDO deduzido na inicial e CONCEDO A SEGURANÇA, apenas para suspender a exigibilidade da cobrança dos créditos relacionados no PTA no. 13609.720020/200605 até ulterior manifestação acerca do pedido de compensação aviado nos autos de PTA no. 10660.000339/200266"; . entretanto, a autoridade administrativa desrespeita a ordem judicial, continuando na cobrança dos débitos extintos por compensação com a mesma alegação anterior de que os créditos seriam de "terceiros", o que fulmina por completo o auto de infração e decreta sua nulidade ab initio; • o art. 145 do CTN consagra o princípio da inalterabilidade do lançamento Fl. 1422DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 13609.001603/200978 Resolução nº 3202000.303 S3C2T2 Fl. 1.404 5 regularmente notificado ao sujeito passivo; . segundo a doutrina e a jurisprudência, não está o Fisco autorizado a rever o lançamento por erro de direito, o que equivale à mudança de critério jurídico vedada pelo CTN; . outro não foi o entendimento recente proferido em acórdão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; • de tudo, concluise serem fortes e irrefutáveis as razões de nulidade do presente lançamento, afinal três situações se verificaram: 1. primeiro, a autoridade administrativa considerou não homologadas as compensações por ter sido indeferido o direito ao crédito em outro processo administrativo; 2. na sequência, promoveu a primeira revisão daquele lançamento, tomando por base os mesmos fatos e fundamentos, para considerar não declaradas as compensações e negar seguimento à manifestação de inconformidade; 3. após, tomando novamente os mesmos fatos e fundamentos, promove uma terceira revisão daquele mesmo lançamento, para aplicar a exorbitante multa de 150% dos créditos tributários legalmente compensados pela impugnante, concluindo agora ter havido na verdade cessão de créditos e evidente intuito de fraude no comportamento da impugnante; . ao se promover a terceira revisão do lançamento, houve mudança de critério jurídico adotado pelo Fisco, isso porque, antes a Autoridade Administrativa entendeu não haver ilegalidade alguma no ato de cisão seguido de incorporação, tanto é que não homologou as compensações e depois considerouas nãodeclaradas; . a referida Autoridade conhecia, desde o primeiro lançamento, em toda a sua inteireza o ato de cisão seguida de incorporação promovida pela Impugnante e a empresa Comercial Beneficiadora de Café Ltda., não podendo agora com base em outros critérios jurídicos entender que tal operação se deu com intuito de fraude ao Fisco Federal; . noutra vertente, é ilícito e ilegal o ato praticado pela autoridade administrativa que afronte a ordem judicial suspensiva como ocorre no caso em discussão, afinal o lançamento posterior agravando a exigência inicial de débitos, cuja exigibilidade encontrase suspensa por decisão judicial proferida nos autos do mandado de segurança n° 2007.38.12.0021685, carrega a marca do desrespeito à ordem judicial; . chegase à conclusão óbvia de que não poderia nem mesmo ter existido algum procedimento fiscal em face da Impugnante e destas compensações, cujos valores estão com sua exigibilidade suspensa por força da referida decisão judicial, e, assim, ao lavrar o auto de infração as autoridades administrativas violam literal dispositivo de lei, desobedecem a uma determinação judicial, além de violação funcional; . endossar tal decisão é atrair para si as mesmas responsabilidades civis, criminais e funcionais eventualmente praticadas pelo auditor fiscal subscritor do ilegal e abusivo auto de infração, devendo este ser cancelado para não se evidenciar cumplicidade e coautoria na prática dos atos ilegais; . o artigo 62 do Decreto n° 70.235/72 é norma cogente de observação obrigatória pela autoridade administrativa; . a medida judicial acima suspendeu a cobrança dos débitos objeto das compensações exigidas nos autos do PTA n° 13609.720020/200605 que ora são revistas, de oficio, no presente auto de infração; Fl. 1423DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 13609.001603/200978 Resolução nº 3202000.303 S3C2T2 Fl. 1.405 6 . tais fatos, por si só, demonstram a total impropriedade da presente autuação, isto sem falar na sua nulidade ah initio; . outra ilegalidade a macular o presente auto de infração vem a ser a multiplicidade de revisões do lançamento, sem que tenha havido qualquer modificação ou ocorrência de fato gerador posterior ao primeiro lançamento, sendo óbice para essas revisões o estatuído no artigo 146 do CTN; . a Impugnante considera a atitude do autuante como desobediência a ordem judicial, violação ao art. 62 do Decreto n° 70.235/72 e inobservância de deveres funcionais contidos na Lei n° 8.112/90, como também contrária aos artigos 136, § 1°, 319 e 330 do Código Penal brasileiro; . neste sentido, jurisprudência do STJ, que assegura ao contribuinte que o Fisco se abstenha de promover qualquer ato que afronte a decisão judicial que suspendeu a exigibilidade dos débitos compensados, sob pena de responsabilidade criminal; . o autuante impôs severa multa sobre o valor das compensações sob o singelo e descabido argumento de que a Impugnante efetuou compensação indevida; . há que se ressaltar logo de início, e conforme se verá adiante, que não houve a utilização de crédito de terceiros nas compensações dos créditos tributários que deram origem à multa ora aplicada, isso porque os créditos eram e são de titularidade da Impugnante, já que foram a ela cedidos mediante o legítimo e regular processo de cisão parcial seguido de incorporação, devidamente formalizada na forma do art. 229 da Lei n° 6.404/76, que incorporou ao seu patrimônio o direito creditório contido nos autos do PTA n° 10660.000339/200266; . diante da ausência de disposição legal específica estabelecendo penalidade tributária nas situações de compensações "não homologadas", a Secretaria da Receita Federal passou a estabelecer imposições de penalidades mediante presunção de fraude com fundamento tão somente no Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 17, de 03/10/2002; . o suprimento da disposição legal somente adveio com a edição da Lei n° 11.051, de 2004, vigente a partir de 02/2005, que deu nova redação ao art. 18 da Lei n° 10.833/03, citada no enquadramento legal; . da mesma forma, a proibição de algumas modalidades de compensação tributária somente fora introduzida pela mesma Lei, ao estabelecer alterações, com a inclusão do parágrafo 12 ao artigo 74, da Lei n° 9.430/6; . portanto, somente com o advento da Lei ri° 11.051/2004 passou a existir uma redação expressa a respeito das vedações à compensação nos casos de crédito de terceiros, refirase ao créditoprêmio, refirase a título público e não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal; . vale dizer, a respeito dos fatos que ocorreram até 31 de dezembro de 2004, não havia qualquer amparo legal para restrições à compensação e, tampouco, para imposições de penalidades; . e somente através da Lei n° 11.196, de 2005, com vigência iniciada em 01/01/2006, é que restou introduzido no ordenamento jurídico a possibilidade da aplicação da multa isolada no percentual de 150% sobre o valor compensado, caso a compensação declarada estivesse tipificada no rol de restrições nela consagradas; Fl. 1424DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 13609.001603/200978 Resolução nº 3202000.303 S3C2T2 Fl. 1.406 7 . no caso, verificase que as compensações referemse ao período de 19/01/2004 a 13/09/2005, ou seja, são anteriores também às disposições implementadas pela Lei n° 11.196/2005; . a realização de compensação antes da vigência dessas normas não caracteriza fraude fiscal; . os atos praticados pela Impugnante quando operou os atos de transferência do crédito na forma da Lei Comercial e Civil e o aproveitamento do mesmo na extinção de seus créditos através da compensação não encontravam impedimento na lei tributária anterior; . na essência, o que a autoridade pretende é a imposição de penalidades calcadas em presunção absoluta; . a lei nova não pode e não deve retroceder, sob pena de macular preceitos constitucionais como o princípio da irretroatividade e da segurança jurídica; . não é aceitável que o contribuinte venha a ser penalizado, de forma exorbitante, pela prática de um fato sobre o qual, à época de sua realização, não havia qualquer norma que estabelecesse de forma clara mínima obrigação ou proibição; • a fraude deverá ser provada e caberá prova em contrário; • mesmo que se admita a possibilidade de enquadramento das compensações relativas aos fatos mencionados no art. 74, § 12, da Lei n° 9.430/96, em hipótese alguma ela poderia atingir fatos praticados antes da vigência da Lei, vale dizer, fatos ocorridos até 31/12/2004; . a imposição de multa isolada no patamar de 150% não poderia jamais atingir os fatos ocorridos até o dia 31/12/2005, porque o veículo jurídico desta modalidade de penalidade, referente às compensações não declaradas, supostamente somente foi estabelecido pela Lei n° 11.196, de 2005; . inferese que as multas foram impostas pela suposta ocorrência de pelo menos um dos seguintes motivos: a) hipótese prevista no § 4° do art. 18 da Lei n° 10.833/03, que se refere às compensações nãodeclaradas; hipótese do capuz' do art. 18 da Lei n° 10.833/03, na redação dada pela Lei n° 11.051/04, que se relaciona à fraude; . todavia, nos termos do despacho decisório (anexo à presente) atinente ao processo n° 13609.720020/200605, verificase que as compensações da Impugnante não foram consideradas nãodeclaradas, mas sim não homologadas; . não obstante a tudo isso, conquanto subsista a cominação das multas ora aplicada com arrimo no § 4° do art. 18 da Lei n° 10.833/03, impende destacar a superveniência da lei n° 11.488/2007, que estabeleceu percentual menor a ser aplicado, o qual passou a ser o de 75%, ex vi do art. 27 da Medida Provisória n° 472, de 2009; . também não há como subsistir a imposição das multas com base na aplicação do capuz' do art. 18 da Lei n° 10.833/03, na redação dada pela Lei n° 11.051/04, pois não configuradas nos autos a práticas das infrações previstas nos ares. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64; . os §§ 12 e 13 da Lei n° 9.430/96 não devem prevalecer no mundo jurídico, sob pena de ofensa aos incisos XXXIV, LIV e LV do artigo 50 e inciso IV do § 4° do artigo 60 da Constituição Federal; . não foi efetivada nenhuma declaração ou notificação considerando ilícito Fl. 1425DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 13609.001603/200978 Resolução nº 3202000.303 S3C2T2 Fl. 1.407 8 o procedimento de cisão seguido de incorporação das empresas ali citadas, que pudesse dar ensejo a esta autuação, o que também a torna nula, por implicar evidente cerceamento de defesa; . a referida operação permanece revestida do ato jurídico perfeito, o que por si só veda completamente a desconsideração por mera subjetividade do autuante; . a cisão e a incorporação são situações legais, o que por si só já demonstra ser o procedimento levado a efeito entre cedente e cessionária absolutamente legal; . não há uma só legislação de natureza civil, comercial ou tributária impeditiva de tal procedimento, razão pela qual não seria a mera subjetividade de uma auditora fiscal que haveria de desconsiderála, e nem mesmo a lei tributária nos termos do artigo 110 do CTN; • a impugnante, ao contrário do que aduz a autoridade recorrida, é legítima titular do crédito legalmente compensado, razão pela qual não há que se falar em compensação indevida, muito menos em manobra para encobrir uma real cessão de créditos; . a operação de reorganização societária, cisão seguid& de incorporação, forma legal de reorganização societária, tratada expressamente pela legislação comercial brasileira: artigos 227 e 229 da Lei n° 6.404/76, e a legítima transferência do direito creditório decorre do direito à propriedade, além dos princípios da livre iniciativa e legalidade, são todos amparados em sede constitucional; . o direito de propriedade é absoluto e abrange qualquer direito de conteúdo patrimonial, econômico e tudo que possa ser convertido em dinheiro, alcançando créditos e direitos pessoais, que podem ser legitimamente alienados ou cedidos ao patrimônio de outra pessoa física ou jurídica; . com a reorganização societária, o direito ao crédito, antes pertencente à empresa Comercial Beneficiadora de Café Ltda., foi legitimamente inserido no patrimônio da impugnante e, como consequência, passou a assumir a condição de créditos próprios; . o programa eletrônico PER/DCOMP contempla a possibilidade de compensação com créditos da empresa sucedida, cujas situações ali estão previstas nos itens "cisão", "fusão", "incorporação" e "outra"; . os atos praticados pelas empresas (cindida e seus sócios) foram feitos "às claras" e sob o amparo de lei e não têm ou tiveram intenção de lesar o fisco; . para a aplicação da multa ora aplicada é absolutamente necessário restar demonstrada a materialidade dessa conduta, ou que reste configurado o dolo específico do agente, evidenciando não somente a intenção, mas também o seu objetivo, isso porque a fraude não pode ser presumida, mas sim comprovada através de elementos contundentes, e a prova neste aspecto deve ser material, evidente, como diz a lei; . o evidente intuito de fraude se configura nas situações em que fica demonstrado o emprego de meios ardilosos, que floresce nos casos típicos de adulteração de comprovantes, adulteração de notas fiscais, conta bancária em nome fictício, falsidade ideológica, notas calçadas, notas frias, notas paralelas, contabilização de despesas e escrituração de créditos de impostos inexistentes, etc.; Fl. 1426DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 13609.001603/200978 Resolução nº 3202000.303 S3C2T2 Fl. 1.408 9 • a fraude se caracteriza por uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe, sempre, a intenção de causar dano à fazenda pública; • a leitura do parágrafo 6° do artigo 17 da Lei 10.833/03 autoriza a dizer que se demonstra inviável a caracterização da conduta típica prevista nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64 para o caso de não homologação de compensação, eis que o contribuinte confessa a dívida quando realiza a declaração de compensação, e se há confissão da dívida não se pode cogitar na presença do intuito de evitar ou protelar o pagamento; • nos protocolos de cisão, em nenhum momento deixouse de afirmar, ou tentouse esconder, que a motivação negocial consistente na cisão seguida da incorporação foi a transferência do direito creditório oriundo de recolhimento indevido; • a redação do § 12 do artigo 74, da Lei n° 9.430/96, introduzida pela Lei n° 11.051/04, não pode não deve ser aplicado na hipótese vertente, pois ali se considera como "não declarada" a compensação nas hipóteses em que o crédito utilizado pelo contribuinte seja "de terceiros", o que não é caso destes autos; . o instituto da cessão de direitos creditórios não depende de autorização judicial, já que nem mesmo o devedor do crédito cedido a ela pode se opor, tratandose de autonomia de vontade do credor, de livremente dispor de seus bens; . a legislação tributária não proíbe o uso da cessão de créditos e também não o contempla expressamente, porém, havendo sua previsão em outro ramo do direito, é plenamente viável a sua aplicação subsidiária à espécie; . neste sentido a doutrina e a jurisprudência do STJ; . o art. 74 da Lei n° 9.430/96 não carrega12ipue veda a cessão sobre determinado crédito cuidando tão somente do instituto da compensação de débitos relativos a tributos e contribuições; . segundo a doutrina, o art. 109 do CTN muniu o legislador de meios para enfrentar o abuso de formas de Direito Privado não significando, conclusivamente, permissãopara a interpretação econômica dos fatos geradores pelos intérpretes; . nem se alegue que, assim agindo, estaria o contribuinte pretendendomodificar a definição legal do sujeito passivo da obrigação tributária, em afronta ao art. 123 doCTN; . o sujeito passivo continuará sendo o cessionário; . devidamente autorizada pela previsão legal dos artigos 42, § 3° c/c art.567, II, do CPC, e atendendo às exigências do art. 288 e 290 do CC, a cessionária pode adquirirparte, ou a totalidade, dos direitos creditórios reconhecidos judicialmente passando a ser partena relação processual, tornandose legítima titular desse direito, podendo promover a execuçãodo julgado (administrativa ou judicialmente) em nome próprio, com todas as prerrogativas docredor originário; . devese reconhecer a distinção da relação processual em face da relação material; . as normas existentes no âmbito tributário tratam apenas de regular opagamento de tributos, relações típicas de Direito Tributário, porém, não se aplicam à repetiçãodo indébito, muito menos à alienação de crédito oriundo do mesmo, matérias totalmenteavessas à tipologia fiscal; Fl. 1427DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 13609.001603/200978 Resolução nº 3202000.303 S3C2T2 Fl. 1.409 10 o STJ, em casos similares, decidiu que os créditos do contribuinte, por não estar sob a égide do direito tributário, pode ser cedido a terceiros, se inexistir óbices na lei que instituir a exação; . a especialidade do instituto da cessão de crédito como forma de transmissão de obrigações , está tanto na sua origem, que pode decorrer de lei, decisão judicial ou administrativa, ou convenção entre as partes, quanto pela transferência da posição de sujeito ativo na relação obrigacional; . não pode a administração pública interpretar de forma diversa normas de direito privado, chamando de "crédito de terceiro" o que, na realidade, é de legítima titularidade do cessionário, ou seja, crédito próprio; . como consequência, não restou configurado intuito de fraude ou conluio entre as empresas. Ao final, pleiteia o cancelamento do Auto de Infração, a extinção e o arquivamento deste processo e dos decorrentes representação fiscal para fins penais e arrolamento de bens. O Acordão da DRJ foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/2004 a 31/12/2005 Ementa: Quando a pretensão judicial tem objeto distinto do processo administrativo não ocorre renúncia à instância administrativa. São nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. A cobrança em auto de infração da multa isolada decorre da aplicação da lei tributária, que, em decorrência dos princípios da legalidade e da indisponibilidade, é de aplicação compulsória pelos agentes públicos. A multa isolada exigida em razão do artigo 18 da Lei n° 10.833, de 2003, não se caracteriza como acréscimo ao principal não recolhido, tendo por base de cálculo o valor indevidamente compensado. Com a Instrução Normativa n° 534, de 2005, foi expurgada a presunção de fraude presente no ADI SRF n° 17, de 2002, e na IN SRF n° 226, de 2002, que determinavam a aplicação de multa de 150%, prevista no artigo 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, na hipótese de utilização de crédito não passível de compensação por expressa disposição de lei. Cabe a duplicação do percentual de 75% desde que evidenciadas as condutas previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. Inconformada com tal decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde repisa os argumentos anteriormente apresentados. Fl. 1428DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 13609.001603/200978 Resolução nº 3202000.303 S3C2T2 Fl. 1.410 11 É o Relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Para o deslinde questão da multa isolada é importante saber quais foram as decisões finais dos processos administrativos citados na decisão recorrida: 10070.000778/200561 (habilitação de crédito), 13609.720020/200605 (compensação) e 10660.000339/200266 (restituição movida por COMERCIAL BENEFICIADORA DE CAFE LTDA, ainda em andamento segundo pesquisa no COMPROT). Diante disso, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Unidade de origem aguarde a decisão definitiva na esfera administrativa, assim entendida aquela contra a qual não caiba mais nenhum tipo de recurso, do PAF 10660.000339/200266 10070.000778/200561, de modo que, somente após a juntada da referida decisão e das decisões definitivas dos PAFs 10070.000778/200561 e 13609.720020/200605 nestes autos, ele retorne a julgamento neste Colegiado. Após a realização da(s) diligência(s), remetamse os autos a este Conselho para que seja proferido acórdão tratando dos temas objeto de recurso voluntário. É como voto. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 1429DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI
score : 1.0
Numero do processo: 13607.000606/2004-08
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece do recurso voluntário interposto após o prazo de trinta dias, contado da ciência da decisão de primeira instância.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2801-003.425
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso voluntário interposto após o prazo de trinta dias, contado da ciência da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Adoto como relatório aquele elaborado pelo órgão Julgador de 1ª instância, que bem descreve e resume os fatos: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 7. 00 06 06 /2 00 4- 08 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 20 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 23/03/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13607.000606/200408 Acórdão n.º 2801003.425 S2TE01 Fl. 61 2 Contra o contribuinte precitado foi formalizada a exigência às fls. 3 a 9, relativamente ao exercício 2002, anocalendário 2001, consubstanciando imposto suplementar no valor de R$ 194,00, com multa de ofício e juros de mora calculados até agosto de 2004. Na declaração apresentada havia sido apurado saldo de imposto a restituir no valor de R$ 112,28. Por meio do lançamento foi alterado o montante de rendimentos tributáveis de R$ 0,00 para R$ 16.052,40 e, conseqüentemente, o desconto simplificado de R$ 0,00 para R$ 3.210,48. Cientificado em 31/08/2004 (fl. 24), o contribuinte apresenta, em 09/09/2004, a impugnação à E. 1, alegando, em síntese, que dois de seus dependentes, e respectivas despesas com instrução, não foram incluídos da Declaração de Ajuste Anual, de sorte que faz jus às deduções correspondentes. Conhecida e tratada pela DRJ/Belo Horizonte, a Impugnação apresentada pelo contribuinte foi considerada improcedente, sob as seguintes razões: Inicialmente, observase que o interessado optou por apresentar a Declaração de Ajuste Anual no modelo simplificado, que permite deduzir vinte por cento do rendimento bruto, e independe de comprovação. (...) Desse modo, não há autorização normativa para atender ao pedido do interessado, eis que optou originalmente pelo modelo simplificado e pleiteou a retificação optando pelo modelo completo somente em 03/09/2004, muito após o fim do prazo para a entrega da declaração referente ao exercício 2002. Ante o exposto, voto por considerar procedente o lançamento. Dessa decisão de 1ª instância o contribuinte foi cientificado em 23/08/2007, conforme AR na fl. 42 e apresentou recurso voluntário em 26/09/2007, conforme protocolo na fl. 43, e como se observa na data consignada no documento pelo subscritor. Em sede de recurso, apresenta as seguintes razões, em síntese: Na data de 29/04/2002 foi enviada a declaração de IRPF exercício 2002 ano calendário 2001. Nesta declaração o campo referente a rendimentos tributáveis de 2001, deveria constar o valor de R$ 16.052,40, mas houve um erro na digitação e o valor preenchido foi R$ 0,00 – ou seja, foi informado que não houve rendimentos no ano de 2001; Entende que o programa de declaração do IRPF da Receita Federal não deveria permitir que se colocasse o valor de R$ 0,00 para este campo. Entende também que o programa da Receita Federal deveria ter informado que havia um erro grave na declaração e não o fez; No mês de agosto de 2004, foi informado pela Receita Federal que estava sob procedimento de revisão de ofício da declaração malha fina e recebeu uma cobrança de imposto de renda a pagar por causa do erro descrito acima. Resolveu fazer a retificação da Fl. 61DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 20 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 23/03/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13607.000606/200408 Acórdão n.º 2801003.425 S2TE01 Fl. 62 3 declaração e optou pela mudança do modelo de “simplificada” para o modelo “completo” e a Receita não aceitou a retificação; O site da Receita Federal informa que a retificação pode ser pleiteada ate cinco anos após o envio da declaração que foi enviada em 29/04/02, portanto quando foi enviada a retificação na data de 03/09/2004, ainda estava no prazo. Desta feita, requer o Recorrente que seja acolhido o presente recurso cancelandose o débito fiscal reclamado ou, alternativamente, que sejam retiradas as importâncias relativas a juros e multa. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. PRELIMINAR. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Na folha 40 consta que a Intimação n°: 86/2007 foi emitida em 21 de agosto de 2007 pela Agência da Receita Federal/ARFPedro Leopoldo/MG, com a finalidade de dar ciência ao interessado do Acórdão 0215.107 e, considerando a decisão da Turma de Julgamento, foramlhe facultados vista do processo e a possibilidade de recurso administrativo, no prazo de trinta dias contados a partir do recebimento do expediente. Na folha 42 consta a cópia do Aviso de Recebimento, entregue no endereço Rua Benedito Valadares, 319/A, Pedro Leopoldo/MG, CEP 33.600000 firmado por Isabela Otoni B. Costa, em 23/08/2007, que, observamos, tratouse de um dia de quinta feira, onde não consta feriado. Observo ainda o carimbo dos Correios, com a mesma data. Quanto ao endereço, registro que é o mesmo que consta da Impugnação, da Declaração em causa e do Recurso apresentado. Vale, então, transcrever a Súmula CARF Nº 9 – “É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.” Verificase, na fl. 43 que o recurso foi apresentado na Unidade preparadora em 26/09/2007, conforme consta do carimbo aposto no documento, e também é possível verificar que o mesmo foi assinado pelo subscritor em 26/09/2007. O art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, que trata do prazo da interposição de recurso contra decisão de primeira instância, assim dispõe: Fl. 62DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 20 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 23/03/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13607.000606/200408 Acórdão n.º 2801003.425 S2TE01 Fl. 63 4 “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão” Por sua vez, o art. 5º do mesmo Decreto disciplina como deve ser feita a contagem dos prazos. “Art. 5o. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato”. Desta feita, considerando a ciência no dia 23 de agosto de 2007 (quinta feira) e o início da contagem no dia 24 de agosto (sexta feira), o trigésimo dia posterior deuse em 22 de setembro de 2007 (sábado), encerrandose o prazo para apresentação do recurso no dia 24 de setembro de 2007 (segunda feira). Portanto, o recurso apresentado em 26 de setembro de 2007 é extemporâneo. O magistério de HUMBERTO THEODORO JUNIOR traz que todos os atos processuais são preclusivos. Portanto, decorrido o prazo, extinguese o direito de praticar o ato. Opera, para o que se manteve inerte, aquele fenômeno que se denomina preclusão processual, que, nesse caso, vem a ser a perda da faculdade ou direito processual, que se extingue pelo não exercício em tempo útil . A preclusão existe no processo moderno erigida à classe de um princípio básico ou fundamental do procedimento. Com esse método, evitase o desenvolvimento arbitrário do processo. O Código de Processo Civil até permite que após a extinção do prazo, em caráter excepcional, possa a parte provar que o ato não foi praticado em tempo útil por “justa causa” (art. 183). Entretanto, para o Código, “reputase justa causa o evento imprevisível, alheio à vontade da parte e que a impediu de praticar o ato por si ou por mandatário” (art. 183, § 1º). (THEODORO JUNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed. Rio de Janeiro, Forense : 2004, p. 229/230) Ressalto que o contribuinte nada alegou sobre a tempestividade em seu recurso e que a Unidade preparadora (ARF) ratificara as conclusões a que aqui chegamos, consignando no despacho de encaminhamento de folha 59 tratarse de recurso voluntário apresentado “intempestivamente”. Por essa razão, VOTO por não conhecer do recurso e não se adentra no mérito da controvérsia. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 63DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 20 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 23/03/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13607.000606/200408 Acórdão n.º 2801003.425 S2TE01 Fl. 64 5 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 20 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 23/03/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN
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Numero do processo: 11040.721577/2011-60
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
CONTABILIDADE. PROVA.
O registro contábil é suficiente para embasar o lançamento, quando a impugnante não comprova suas alegações de erro de escrituração dos valores lançados.
Numero da decisão: 2403-002.260
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio De Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Magalhães Peixoto. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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PROVA. O registro contábil é suficiente para embasar o lançamento, quando a impugnante não comprova suas alegações de erro de escrituração dos valores lançados. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 15 77 /2 01 1- 60 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio De Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Magalhães Peixoto. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11040.721577/201160 Acórdão n.º 2403002.260 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre, Acórdão 1042.426 da 7 ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. A autuação e a impugnação foram assim apresentadas no relatório do acórdão recorrido: Tratase de crédito tributário lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada, apurado no período de 01/2009 a 12/2009, consolidado em 06/12/2011, formalizado no seguinte auto de infração: 1) AI Debcad nº 51.011.2927, no valor consolidado de R$ 160.088,24 (cento e sessenta mil, oitenta e oito reais e vinte e quatro centavos), referente à contribuição previdenciária da empresa, incidente sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais que prestaram serviços diretamente a contribuinte. Conforme relato da Autoridade Fiscal, as bases de cálculo das contribuições apuradas correspondem aos pagamentos efetuados aos transportadores autônomos, identificados nos lançamentos contábeis registrados na conta Serviços de Terceiros código 000857 da contribuinte. Segue relatando sobre as multas aplicadas nos períodos, a fundamentação legal, evidenciando os anexos do auto de infração, o arrolamento de bens efetuado e a representação fiscal para fins penais elaborada. E, ao final, menciona todos créditos constituídos decorrentes desta mesma ação fiscal. Regularmente cientificada do Auto de Infração em 20/12/2011, a empresa autuada apresentou em 18/01/2012, impugnação parcial tempestiva, alegando, após relato dos fatos, o que segue. No mérito, inicialmente a impugnante discorre sobre os princípios constitucionais da eficiência e da verdade material. Após essas considerações, acrescenta “que os valores lançados como ‘LEVANTAMENTO GASTREL’ ou seja, fretes pagos a terceiros a maior parte referese a fretes internos, feitos por funcionários da BEBSTREL (motoristas), prestadora de serviço, contabilizados como ‘Serviços de Terceiros’ na conta Razão 000857.” (...) “Entendese como fretes internos os realizados com os veículos da interessada, utilizando os motoristas da prestadora de serviços contratada (BEBSTREL), com todas as despesas inerentes ao fato suportadas pela Fl. 187DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 contratante (GASTREL), não se tratando, sob nenhuma hipótese, de serviços de terceiros, como o fisco considerou.” (...) “Os ‘pseudos’ RPA's de controle dos fretes internos, que objetivavam, como instrumento gerencial, a aferição da produtividade da frota de veículos da empresa, foram indevidamente contabilizados na conta ‘Serviços de Terceiros’, código 000857, por pura ingenuidade e sem qualquer conotação de má fé”, fato que foi informado à fiscalização quando da intimação para apresentação dos documentos de caixa. Aduz que os RPA’s não continham qualquer assinatura, eram preenchidos sempre pela mesma pessoa e com lacunas de seus quadros indispensáveis para serem documentos considerados hábeis e idôneos. Impugna o levantamento das bases de cálculo apresentando demonstrativo mês a mês para o período de 01/2009 12/2009, com os dados extraídos da ficha razão 000857, como as bases de cálculo lançadas, e as aceitas pela impugnante (dossiê 05). Afirma que o fisco para a mesma situação de fato e contábil os tratamentos foram diferenciados e constaram de processos distintos, o que comprova o descritério da fiscalização ao promover os lançamentos em questão, que, certamente, os levarão aos seus cancelamentos. Ao final, requer seja julgado improcedente o auto de infração, determinando o cancelamento da exigência. Consta na fl. 140 informação de que o presente processo foi desmembrado, sendo transferido para o processo nº 11040.720112/201272 o débito reconhecido no valor de R$ 2.648,10 (dois mil, seiscentos e quarenta e oito reais e dez centavos). Os autos foram baixados em diligência, conforme despacho nº 17/2012, de 19 de julho de 2012. Em resposta, a Autoridade Fiscal manteve o lançamento, conforme informação de fls. 145. O contribuinte teve ciência do resultado da diligência e não se manifestou. É o relatório. Para esclarecer questões associadas aos fatos geradores, o processo baixou em diligência. Em resposta foi informado que além da conta contábil Serviços de Terceiros (código 000857), foram utilizadas as contas 000917 (Serviço de Limpeza e Conservação), 000898 (Manutenção e Conservação), 000900 (Despesas Advocatícias) e conta 000919 (Serviços de Vigilância) e que todas as despesas identificadas na contas supracitadas referemse a pagamentos efetuados por atividade remunerada de segurados contribuintes individuais, sendo que as bases de cálculo dos pagamentos efetuados aos transportadores autônomos correspondem a 20% sobre o valor total do recibo de prestação de serviços. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11040.721577/201160 Acórdão n.º 2403002.260 S2C4T3 Fl. 4 5 2. Complementando as informações prestadas no item 13 do relatório fiscal, foram utilizadas, além da conta contábil Serviços de Terceiros (código 000857) as contas 000917 (Serviço de Limpeza e Conservação), 000898 (Manutenção e Conservação), 000900 (Despesas Advocatícias) e conta 000919 (Serviços de Vigilância); v 3. Todas as despesas identificadas na contas supracitadas referemse a pagamentos efetuados por atividade remunerada de segurados contribuintes individuais, sendo que as bases de cálculo dos pagamentos efetuados aos transportadores autônomos correspondem a 20% sobre o valor total do recibo de prestação de serviços; A recorrente não se manifestou acerca da diligência. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega/questiona, em síntese: · Os lançamentos contábeis registrados na conta “Serviços de Terceiros, Código 000857”, em sua maior parte referemse a fretes internos feitos por motoristas da BEBSTREL, empresa prestadora de serviço, com veículos da recorrente e com todas as despesas suportadas pela mesma. · Aceita a contribuição lançada de R$ 3.684,10, cuja cobrança foi transferida para o processo 11040.720112/201272. · “Os ‘pseudos’ RPA's de controle dos fretes internos, que objetivavam, como instrumento gerencial, a aferição da produtividade da frota de veículos da empresa, foram indevidamente contabilizados na conta ‘Serviços de Terceiros’, código 000857, por pura ingenuidade e sem qualquer conotação de má fé”. · Os RPA’s não continham qualquer assinatura, eram preenchidos sempre pela mesma pessoa e com lacunas de seus quadros indispensáveis para serem documentos considerados hábeis e idôneos. · Na realidade são fretes internos para fins gerenciais em formulários RPA’s, indevidamente contabilizados e informados ao fisco no decorrer da auditoria. É o relatório Fl. 189DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. Neste lançamento, os fatos geradores decorreram do exercício de atividade remunerada de segurados contribuintes individuais que prestaram serviços à impugnante. A recorrente alega que, em sua maior parte, referemse a fretes internos feitos por motoristas da BEBSTREL, empresa prestadora de serviço, com veículos da recorrente e com todas as despesas suportadas pela mesma, que os ‘pseudos’ RPA's de controle dos fretes internos, eram instrumento gerencial e objetivavam, a aferição da produtividade da frota de veículos da empresa e que foram indevidamente contabilizados na conta ‘Serviços de Terceiros’, código 000857, por pura ingenuidade e sem qualquer conotação de má fé”. Conforme relatado acima, os fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas neste Auto de Infração ocorreram pelo exercício de atividade remunerada de segurados contribuintes individuais que prestaram serviços a impugnante, com pagamentos identificados na sua contabilidade, nas contas serviços de terceiros – conta 00857, serviços de limpeza e conservação– conta 917, manutenção e conservação – conta 898, despesas advocatícias – conta 900, e, serviços de vigilância – conta 919. No lançamento, a fiscalização, fundamentada na contabilidade da empresa, demonstrou com clareza os elementos que serviram de base para este lançamento, anexando ao processo cópias do Livro Razão da contribuinte, com a identificação dos fatos geradores das contribuições previdenciárias e elaboração de planilha expositiva dos lançamentos efetuados. Registra o acórdão recorrido que “Deste novo demonstrativo a impugnante não se manifestou”. Entendo que a contabilidade da empresa faz prova dos fatos geradores e que a recorrente não conseguiu comprovar sua tese de “equívoco”. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 190DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11040.721577/201160 Acórdão n.º 2403002.260 S2C4T3 Fl. 5 7 Fl. 191DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10480.007823/2002-34
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1988 a 30/11/1993
CONCOMITÂNCIA DE MATÉRIA DISCUTIDA NA ESFERA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. RENÚNCIA TÁCITA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF Nº 1
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula Carf no 01).
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-003.872
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1988 a 30/11/1993 CONCOMITÂNCIA DE MATÉRIA DISCUTIDA NA ESFERA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. RENÚNCIA TÁCITA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF Nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula Carf no 01). Recurso Voluntário Não Conhecido. Crédito Tributário Mantido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1988 a 30/11/1993 CONCOMITÂNCIA DE MATÉRIA DISCUTIDA NA ESFERA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. RENÚNCIA TÁCITA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF Nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula Carf no 01). Recurso Voluntário Não Conhecido. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 00 78 23 /2 00 2- 34 Fl. 1547DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase, o presente feito, de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Recife/PE, que julgou improcedente impugnação apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1988 a 30/11/1993 DESISTÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas. Impugnação não Conhecida. Por bem delimitar a matéria discutida no presente caso, transcrevese parte do relatório constante da decisão recorrida: O Contribuinte já identificado solicita restituição do PIS, em virtude da inconstitucionalidade dos Decretosleis no 2.445/88 e 2.449/88 através do presente processo, bem como compensação com débitos diversos através das seguintes PERD/COMP: 38911.39380.061006.13.045183, 35333.15191.081106,1.3.044976, 11089.97572.201106.1.3.043403, 25025.41371.221206.1.3.046962, 40707.96034.150107.1.3.040649, 29507.35036.060207.1.3,070033 e 22261,55406.200407.1.3.044220. 2. Pelo Despacho Decisório, de fl. 1.148, o Delegado Adjunto da DRF/Recife/PE, indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações, considerando que a empresa está executando os créditos do PIS dos períodos de apuração 01/88 a 04/92 através do processo judicial n° 92.00069517 e, ainda, que a empresa levantou os créditos do PIS dos períodos de apuração 05/92 a 11/93 pelo alvará judicial nº 133/04 do processo n° 92.00069517, não havendo, portanto, crédito de PIS a compensar. Pela consulta realizada, fl. 1.203, o mencionado processo tramita na 3ª Vara Federal de Pernambuco. O Recorrente, em suas razões recursais de fls. 1231 e ss., alega os pagamentos realizados desde o ano de 1991 deveriam ser recalculados, sob pena de violação ao que foi decidido na sentença judicial acerca da semestralidade do PIS. Sustenta que os fatos tratados no âmbito administrativo seriam diversos do processo judicial, que seria mais abrangente. Requer o conhecimento e provimento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão se deu no dia 16/04/2008 (fls. 1229) e o protocolo do recurso, em 13/05/2008 (fls. 1231). Tratase, portanto, de recurso tempestivo, que versa sobre Fl. 1548DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10480.007823/200234 Acórdão n.º 3802003.872 S3TE02 Fl. 1.548 3 matéria da competência da Terceira Seção e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972. Compulsando os autos, verificase que, de fato, o Recorrente, em 29/06/1992, propôs ação judicial (autos nº processo n° 92.00069517) perante a 3ª Vara Federal de Recife/PE (fls. 1.203), tendo o seguinte objeto, nas palavras do Recorrente:“[...] no referido processo, se discutia a exigência de toda a alteração do PIS, e que, sendo vitoriosa a contribuinte, sequer conseguiu gerar efeitos fora dos autos, sendo os processos referidos, exatamente, pela cobrança do PIS, inclusive no tempo dos depósitos feitos no processo”. Há, portanto, concomitância entre as esferas administrativa e judicial, o que, nos termos do Ato Declaratório Normativo COSIT nº 03/1996, do art. 38, parágrafo único, da Lei no 6.830/1980 e da Súmula CARF nº 01, implica renúncia à instância administrativa: Súmula CARF nº 01: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Votase, assim, pelo não conhecimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 1549DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10980.010654/2009-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
PER/DCOMP. IMPUGNAÇÃO. LIMITES OBJETIVOS DA LIDE
A admissibilidade de impugnação em face de despacho não-homologatório de compensação limita-se a verificar a existência do direito creditório alegado e, caso exista, o quanto do débito tributário confessado pela impugnante foi, por ele, compensado. Qualquer decisão além disso, desbordaria dos limites da competência da DRJ e configuraria uma afronta ao requisito da adequação recursal.
Numero da decisão: 1302-001.621
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto, Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Guilherme Pollastri, Márcio Frizzo e Hélio Araújo.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 PER/DCOMP. IMPUGNAÇÃO. LIMITES OBJETIVOS DA LIDE A admissibilidade de impugnação em face de despacho não-homologatório de compensação limita-se a verificar a existência do direito creditório alegado e, caso exista, o quanto do débito tributário confessado pela impugnante foi, por ele, compensado. Qualquer decisão além disso, desbordaria dos limites da competência da DRJ e configuraria uma afronta ao requisito da adequação recursal.
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IMPUGNAÇÃO. LIMITES OBJETIVOS DA LIDE A admissibilidade de impugnação em face de despacho nãohomologatório de compensação limitase a verificar a existência do direito creditório alegado e, caso exista, o quanto do débito tributário confessado pela impugnante foi, por ele, compensado. Qualquer decisão além disso, desbordaria dos limites da competência da DRJ e configuraria uma afronta ao requisito da adequação recursal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto, Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Guilherme Pollastri, Márcio Frizzo e Hélio Araújo. Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 0640.562 da 1ª Turma da DRJ/CTA, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 06 54 /2 00 9- 55 Fl. 366DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Anocalendário: 2005 PRETENSÃO DE REEXAME DOS FATOS PARA CANCELAMENTO DA COMPENSAÇÃO DECLARADA NO PER/DCOMP E RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO DE DIPJ. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, compete conhecer e julgar o litígio já instaurado pela manifestação de inconformidade. Não lhes compete apreciar originariamente DIPJ e retificálas, de ofício, ou determinar o cancelamento de débitos confessados em PER/DCOMP. CANCELAMENTO DE COMPENSAÇÃO DECLARADA EM PER/DCOMP. A desistência da compensação declarada deve ser requerida mediante apresentação de PER/DCOMP específico, antes da edição de despacho decisório, e não mediante requerimento em manifestação de inconformidade contra a homologação da compensação declarada. Impugnação Não Conhecida Para melhor análise da questão posta, vale a transcrição dos seguintes excertos da fundamentação do acórdão recorrido: “Eventualmente – e quiçá isso ocorra na maioria dos casos – o contribuinte que pede a restituição do pagamento indevido utiliza seu indébito para compensar um débito seu. Nesse caso, o formulário tem a dupla função de requerer a restituição e declarar a compensação. Entretanto, não é a hipótese materializada nestes autos. Não se trata aqui da hipótese em que a contribuinte, tendo feito determinado recolhimento, pleiteou que a Administração Tributária reconhecesse esse indébito e autorizasse a compensação. Pelo contrário, tratase daquela situação em que a contribuinte, tendo apurado crédito passível de restituição, exerce seu direito de utilizálo na compensação de débitos próprios, nos exatos termos do permissivo veiculado no art. 74, antes transcrito. Urge ter em mente, portanto, que a peça exordial apresentada pela contribuinte não foi um pedido de reconhecimento de seu saldo negativo. Foi o exercício de seu direito subjetivo de declarar uma compensação, que pressupõe a prévia existência de um crédito líquido e certo. Essa, portanto, a natureza do PER/DCOMP original – nº 08832.66207.300109.1.3.028840, espelhado às fls. 1015 por ela apresentado em 30/01/2009. Significa, portanto, que quando apresentou o PER/DCOMP o crédito alegado pela contribuinte deveria já ter sido devidamente apurado, conforme exige o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, e apresentar os atributos de certeza e liquidez, conforme exige o art. 170 do CTN. Entretanto, o crédito alegado pela contribuinte – saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2005 – sequer existia, uma vez que na única DIPJ apresentada até aquele momento não fora apurado saldo negativo. Com efeito, a DIPJ retificadora, na qual seria apurado o saldo negativo pleiteado, somente viria a ser apresentada nove meses depois, em 04/09/2009, como se vê às fls. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.010654/200955 Acórdão n.º 1302001.621 S1C3T2 Fl. 367 3 308. E ainda assim, por força de impedimentos legais, jamais se tornou DIPJ ativa. Temse, portanto, que o crédito apontado pela contribuinte não é líquido ou certo. Ademais, a contribuinte vem agora em sua manifestação de inconformidade alegar que o débito a ser compensado pura e simplesmente não existe! Nada há, portanto, a ser compensado. O que a contribuinte quer agora, em outras palavras, é o cancelamento da compensação declarada no PER/DCOMP. Entretanto, desde quando a contribuinte é sabedora da inexistência desse indébito? Conforme se vê às fls. 314, já em 28/07/2010 a contribuinte apresentou DIPJ retificadora do anocalendário 2008 suprimindo o débito de estimativa de IRPJ do mês de dezembro de 2008, cuja compensação foi declarada no PER/DCOMP aqui apreciado. Ora, se a contribuinte já acreditava, em 28/07/2010, que não existia o débito objeto do PER/DCOMP aqui discutido, deveria pura e simplesmente ter cancelado em tempo hábil esse PER/DCOMP, na forma prevista no art. 82 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30/12/2008, verbis: (...) Não existe motivo para a contribuinte deixar os vários PER/DCOMP ativos e, somente depois de sua apreciação, inclusive com homologação parcial ocorrida em alguns deles, vir agora desistir da compensação. O normativo é peremptório ao dispor que o cancelamento somente é possível antes da prolação do despacho decisório. Insisto que a contribuinte não mais pleiteia ou insiste na compensação declarada. A compensação não é, portanto, o provimento por ela pretendido. Não exterioriza, assim, inconformidade contra a não homologação da compensação. Logo, não há como este Colegiado apreciar a compensação e homologála. Reforço que a pretensão deduzida pela contribuinte em face deste Colegiado não consiste na homologação da compensação declarada no PER/DCOMP. Pelo contrário, requer a retificação de ofício da DIPJ 2006, anocalendário 2005, para que passe a constar o saldo negativo de IRPJ no valor original total de R$ 2.225.562,46 (item 3.10 da manifestação de inconformidade), possivelmente para ser utilizado em outras compensações, e a extinção – por reconhecer sua inexistência do débito de IRPJ estimativa mensal, sob código 2362, referente ao período de apuração de dezembro de 2008, no valor total de R$ 9.385.983,93, e, por consequência, o valor nele contido de R$ 2.910.855,05 (item 5.2 da manifestação de inconformidade). Fl. 368DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Ora, ambas as pretensões não comportam ser apreciadas nestes autos, em face da literalidade do permissivo veiculado no § 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, verbis: (...) Logo, o que pode aqui ser discutido e apreciado é o cabimento ou não da compensação pleiteada – e não o cabimento da retificação de DIPJ de anoscalendário anteriores ou o reconhecimento de inexistência de débitos ou cancelamento de3 PER/DCOMP. Aliás, com respeito à segunda pretensão, ou seja, a extinção do débito confessado no PER/DCOMP, cumpre acrescentar que o mesmo já se classifica como dívida confessada, a teor do § 6º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Fácil é de ver, portanto, que as providências requeridas pela contribuinte demandariam a análise de sua escrituração, de seus recolhimentos, etc., alusivas aos dois anoscalendário pertinentes (2005 e 2008), providências inéditas nestes autos e que certamente ensejariam a formação de um novo contraditório, em nada coincidente com aquele aqui já existente. A propósito, registro que a competência deste Colegiado está limitada ao exame de contraditórios previamente instaurados, a teor do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14/05/2012, verbis: (...) No caso presente, não existe um litígio previamente instaurado a respeito da pretensão de tornar insubsistente o débito de estimativa de IRPJ que a contribuinte apurara em sua DIPJ e confessara em seus PER/DCOMP. Aliás, não precisaria existir qualquer litígio nesse sentido. Bastaria a contribuinte ter cancelado o PER/DCOMP antes de sua análise. Da mesma forma, é a primeira vez que a contribuinte manifesta o desejo de que seja retificada de ofício sua DIPJ/2006. Evidente, portanto, que a contribuinte não está insistindo em face deste Colegiado na compensação declarada no PER/DCOMP analisado no despacho decisório. Pelo contrário, a contribuinte vem agora desistir dessa compensação, posto que sequer reconhece o débito, e pretende que este Colegiado analise a sua DIPJ e declare a inexistência do débito que já confessou em vários PER/DCOMP, algo que, até onde se encontra aqui documentado, jamais foi objeto de pronunciamento anterior por parte da Administração Fazendária. Também pretende transmudar a natureza do PER/DCOMP, de Declaração de Compensação para Pedido de Restituição do saldo negativo do ano calendário 2005, provavelmente pretendendo utilizálo em outras compensações. Não cabe a este Colegiado proceder ao primeiro exame e expender o primeiro juízo de valor a respeito da pretensão da contribuinte, como pretende esta peticionária. A atuação deste Colegiado somente pode ocorrer em um segundo momento, após o pronunciamento respectivo original da DRF e subsequente Fl. 369DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.010654/200955 Acórdão n.º 1302001.621 S1C3T2 Fl. 368 5 exteriorização de inconformismo por parte do contribuinte, e se limita ao litígio daí resultante. Entendo, portanto, que sua manifestação de inconformidade não deve ser conhecida, uma vez que o provimento nela reclamado refoge à competência deste Colegiado.”. A recorrente, cientificada do Acórdão nº 0640.562 em 04/10/2013 (Termo a fls. 345), interpôs, em 16/10/2013 (cf. carimbo aposto a fls. 349), recurso voluntário (doc. a fls. 349 e segs.), no qual alega as seguintes razões de defesa: a) que protocolou, em 30/01/09, pedido de compensação, PER/Dcomp nº 08832.662 07.300109.1.3.028840, na qual requereu a compensação de suposto débito de IRPJ por estimativa mensal relativo ao período de apuração dezembro de 2008, com crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ por estimativa mensal relativo ao período de apuração dezembro de 2008, com crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2005; b) que, analisada a declaração, o Sr. Auditor Fiscal da RFB em Curitiba decidiu, por meio do despacho decisório, não homologar a compensação, em razão de ter constatado ausência de crédito no período indicado no PER/Dcomp, apontando, portanto, saldo a pagar no valor original de R$ 2.910.855,05; c) que, em face de não ter havido o conhecimento da manifestação de inconformidade, a recorrente teme que o débito no valor de R$ 2.910.855,05, objeto do pedido de compensação sob análise, seja encaomnhado para cobrança e inscrição em Dívida Ativa, o que impediria a emissão de Certidão Negativa, causando transtornos, razão pela qual é necessário que seja mantida a suspensão da exigibilidade do débito vinculado à compensação, nos termos contidos na segunda parte do § 11 do art. 74 da Lei 9.430/96, o qual remete ao art. 151 do CTN; d) que a manifestação de inconformidade requereu: 1) análise da existência do crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2005, em valor diverso daquele informado no Per/Dcomp; 2) e recohecimento da inexistência do débito de IRPJ por estimativa de dezembro de 2008, objeto do pedido de compensação; e) que os pedidos da recorrentes constantes da sua manifestação de inconformidade, temse que o primeiro pedido foi o reconhecimento do crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2005, no montante de R$ 2.225.562,46, apontada em DIPJ retificadora, ante o valor zero informado na DIPJ original; f) que sobre a discussão acerca do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2005, temse que, sendo o PER/Dcomp o instrumento hábil a demonstrar os valores passíveis de compensação, bem como o débito compensável, a medida prevista na Lei para se instaurar o litígio daí decorrente é a manifestação de inconformidade, cuja competência para análise é da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento; g) que, assim, a manifestação de inconformidade foi apresentada em parte, para que o crédito objeto do pedido de compensação fosse reconhecido; Fl. 370DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 h) que deveria a Autoridade Julgadora ter convertido o julgamento em diligência para que a Autoridade Fiscal da Delegacia da Receita Federal de origem pudesse analisar as informações da recorrente e confirmar ou não a existência do saldo negativo de IRPJ de 2005 e a inexistência do débito informado no Per/Dcomp; i) que a compensação declararada no PER/Dcomp nº 08832.662 07.300109.1.3.028840 nõa foi homologada, em razão de suposta inexistência de crédito, remanescendo o valor a pagar de R$ 1.228.135,57, sendo assim, o que pretendeu a recorrente foi o reconhecimento da existência de crédito, em montante diverso daquele apontado na declaração original; j) que é fato que a DIPJ retificadora, na qual foi apontado o saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 2.225.562,46 não foi admitida, uma vez que a sua transmissão ocorreu no período em que a recorrente se encontrava sob fiscalização; k) que o aceite da referida DIPJ retificadora é um dos objetos de discussão do processo administrativo nº 10980.009446/200911, o qual se encontra pendente de decisão definitiva; l) que o presente processo administrativo de compensação deveria ter sido sobrestado para ser analisado somente após a decisão definitva do processo administrativo nº 10980.009446/200911, sendo que, se confirmada a retificação da DIPJ, seria possível confirmar a suficiência do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2005, para, então compensar integralmente a parte do débito de IRPJ por estimativa de dezembro de 2008, requerida nesse processo, mesmo sendo inexistente; m) que havendo a confirmação, por parte da SRF da existência do crédito no valor original de R$ 2.225.562,46, objeto da retificadora, caberia a esse Órgão proceder à comensação do débito no valor de R$ 2.910.815,05, não homologando por suposta inexistência do crédito, ou em face da inexistência desse débito, converter a compensação em restituição, evitando, desa forma grave prejuízo à recorrente e enriquecimento ilícito da Fazenda; n) que não obstante evidenciado pela recorrente o seu direito à análise e deferimento do crédito no valor de R$ 2.910.815,05, demonstrou na manifestação de inconformidade que o débito objeto da compensação requerida, IRPJ do 12/2008, não existe; o) que, antes de adentrar a essa questão, cuumpre esclarecer que a recorrente, de fato, cometeu um equívoco ao não cancelar o Per/Dcomp após ter constatado a inexistência do débito objeto do pedido de compensação; p) que, na segunda parte de sua manifestação de inconformidade, pretendeu demonstrar a inexistência do débito de IRPJ por estimativa de 12/2008 a fim de que o valor não compensado, exigido indevidamente, fosse cancelado; q) que os débitos de IRPJ por estimativa de 12/2008, erroneamente informado na DIPJ/2009, foi objeto de compensações parciais em outros Per/Dcomps, dentre esses, houve análise do débito em questão no processo nº 10980.010658/200933, no qual foi proferida decisão Fl. 371DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.010654/200955 Acórdão n.º 1302001.621 S1C3T2 Fl. 369 7 reconhecendo a inexistência de débito de IRPJ por estimativa em dezembro de 2008; r) que requer que: r.1) o recurso voluntário seja admitido; r.2) que não sendo admitido, requer que se converta em recurso hierárquico, com o consequente, encaminhamento à autoridade competente; r.3) no mérito, sejam baixados os autos em diligência a fim de que sejam obtidas informações necessárias para o reconhecimento do SNIRPJ AC 2005 no valor de R$ 2.225.562,46 ou, alternativamente, seja sobrestada a análise do crédito, já em discussão no Processo Administrativo 10980.010658/200933; r.4) seja declarada a extinção do débito no valor de R$ 2.910.815,05, referente ao IRPJ por estimativa de dezembro de 2008, ante a decisão que reconheceu a sua inexistência, proferida no Processo 10980.010658/200933; r.5) seja reconhecido crédito referente ao SNIRPJ AC 2005 no valor de R$ 2.225.562,46, em discussão no Processo nº 10980.010658/200933, e seja esse restituído à recorrente, ante a inexistência do débito objeto do presente pedido de compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por mandatários com poderes para tal, conforme procuração a fls. 260/262 e substabelecimento a fls. 258, razão pela qual dele conheço. Inicialmente, ressalto que o conhecimento do recurso voluntário limitase a analisar a decisão recorrida que não conheceu da manifestação de inconformidade, não podendo, assim, adentrar nas questões de mérito trazidas pela recorrente, sob pena de incorrer em indevida supressão de instância. Como se verifica, da simples leitura do relatório, tratase de uma situação inusitada, para falar o mínimo, em que o recorrente apresenta manifestação de inconformidade, para requerer a retificação de sua DIPJ e a desconstituição do débito tributário por ele mesmo confessado. O objeto dos presentes autos é o pedido de compensação apresentado pela recorrente, por meio da PerDcomp a fls. 3 e segs.. Dessa forma, a admissibilidade da manifestação de inconformidade na espécie limitase a verificar a existência do direito creditório alegado e, caso exista, o quanto do débito tributário confessado pela recorrente foi, por ele, compensado. Qualquer decisão além disso, desbordaria dos limites da competência Fl. 372DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 regimental desta Turma, para julgar recurso em face de decisão nãohomologatória de compensação e configuraria uma afronta ao requisito da adequação recursal. É oportuna a transcrição do pedido feito pela recorrente na sua Manifestação de Inconformidade a fls. 256, in verbis: “5.1 À vista do exposto, requer dignese V.Sa. acolher a presente Manifestação de Inconformidade para atribuirlhe, preliminarmente, o devido efeito suspensivo, nos termos do artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional 5.2 Outrossim, requer, seja extinto o débito de IRPJ estimativa mensal, sob código 2362, referente ao período de apuração de dezembro de 2008, no valor total de R$ 9.385.983,93, e, por consequ ência, o valor nele contido de R$ 2.910.855,05, objeto do presente processo. 5.3 Requer, ainda, seja procedida a retificação de Ofício da DIPJ 2006, ano calendário 2005, com fundamento no artigo 149 do Código Tributário Nacional, para fins de reconhecimento do direito da ora Recorrente ao crédito no valor de R$ 2.225.562,46, com o que estarse á promovendo a verdadeira aplicação do DIREITO! 5.4 Por derradeiro, se entender o ínclito Julgador Tributário que a prova ofertada não é suficiente para provar o alegado, protesta por todos os meios de prova em direito admitidos, bem como a prestação de esclarecimentos e informações que se fizerem necessários e apresentação de livros e documentos fiscais e contábeis.”. Ora, razão teve o acórdão recorrido para não conhecer da manifestação de inconformidade, pois não poderia a DRJ apreciar, em sede de processo de compensação, pedido de retificação de DIPJ, para, daí, declarar ex officio a inexistência de débito confessado pelo recorrente. Não obstante o processo administrativo seja informado por certo informalismo, este não pode ser tão excessivo a ponto de afrontar o devido processo legal, nem, no presente caso, podese aplicar a fungibilidade recursal por se tratar de erro grosseiro de adequação. Por esse motivo, entendo que não poderia a recorrente transmudar a natureza da manifestação de inconformidade, para que a DRJ a conhecesse como impugnação ao débito confessado pela própria recorrente ou para fins de discutir a retificação não processada de sua DIPJ. Não procede o pedido de sobrestamento dos autos, pois o PAF nº 10980.009446/200911 jamais poderia confirmar a suficiência do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2005, pois o seu objeto são autos de infração do IRPJ, CSLL e Multa isolada. Sendo assim, jamais iria ser reconhecido, em tais autos, o SNIRPJ AC 2005 declarado na DIPJ retificadora que não foi processada (por ter sido entregue quando a recorrente estava sob fiscalização). Em outras palavras, o máximo que poderá ocorrer, será o retorno à situação declarada na DIPJ original, caso os autos de infração venham a ser cancelados. Conforme consulta ao Eprocesso, apenas a multa isolada foi cancelada pelo Acórdão nº 1301001.227, da 1ª TO/3ª Câm./1ª Sejul, estando, hoje, pendente de julgamento o recurso especial interposto pela recorrente. Conforme consulta ao Eprocesso, constato que é verdade que, no Despacho Decisório nº 35/2012, da SRRF09/Disit constante do Processo nº 10980.010658/200933, está afirmado que a Secat/DRF/Curitiba deferiu o pedido para declarar inexistente o débito no valor de R$ 957.638,06 referente a IRPJestimativa PA 12/2008, o qual era objeto de pedido de Fl. 373DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.010654/200955 Acórdão n.º 1302001.621 S1C3T2 Fl. 370 9 compensação com SNCSLL AC 2004. Todavia, isso não altera em nada o que fora afirmado no Acórdão recorrido, pois a manifestação de inconformidade só poderia devolver à DRJ a matéria relativa a existência ou não do crédito e o quanto ele compensaria o débito confessado na Per/Dcomp objeto dos presentes autos. Por sua vez, se revisão de ofício couber acerca do débito tributário confessado pela recorrente na PER/Dcomp objeto destes autos, esta será de competência da Autoridade Tributária competente para expedir o aviso de cobrança, oportunidade em que a recorrente poderá confrontar o que fora decidido no Despacho Decisório nº 35/2012, da SRRF09/Disit, com a situação resultante deste processo. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 374DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10166.013233/2008-07
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Dec 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
PEDIDO DE EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE LITÍGIO.
A simples informação de pagamento do crédito tributário não contesta a matéria lançada, e não permite o prosseguimento da lide por falta de objeto
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2801-002.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por ausência de litígio, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (05/12/2014), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (05/12/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por ausência de litígio, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (05/12/2014), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (05/12/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
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AUSÊNCIA DE LITÍGIO. A simples informação de pagamento do crédito tributário não contesta a matéria lançada, e não permite o prosseguimento da lide por falta de objeto Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por ausência de litígio, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (05/12/2014), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (05/12/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 01 32 33 /2 00 8- 07 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/12/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10166.013233/200807 Acórdão n.º 2801002.169 S2TE01 Fl. 82 2 Relatório Adoto como relatório o explicitado pela DRJ que assim dispõe: Contra o contribuinte qualificado foi emitida, em 01 de setembro de 2008, a Notificação de Lançamento n°2005/601451091284135 de fls. 8 a 11, referente ao Imposto de Renda da Pessoa Física — IRPF, do exercício 2005, ano calendário de 2004, por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil em Brasilia/DF. 0 crédito tributário lançado está assim constituído, em Reais: Imposto de Renda Suplementar 6.571,86 Multa de Oficio —75% (Passível de Redução) 4.928,89 Juros de Mora — calculados até 29/08/2008 2.942,87 Imposto de Renda Pessoa Física (Sujeito à Multa de Mora) 0,00 Multa de mora (NM Passível de Redução) 0,00 Juros de Mora calculados até 29/08/2008 0,00 Total do crédito tributário apurado 14.443,62 Depois de revisada a correspondente declaração de ajuste anual, a autoridade fiscal apurou a seguinte infração: Dedução Indevida de Despesas Médicas glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas pelo contribuinte na sua declaração de ajuste, no valor de R$ 23.897,70, por falta de comprovação das despesas ou por falta de previsão legal. Rejeitadas as seguintes despesas: R$ 60,00 e R$ 23.829,67 com Ligia Flores, pessoa não dependente (e apresentou DIRPF em separado) e R$ 8,03, dispêndio com Exército sem comprovante. Os enquadramentos legais das infrações, da multa e dos juros de mora encontramse As fls. 8, 9 e 11 dos autos. Conforme extratos do SUCOP e AR das fls. 53 e 54, o interessado foi cientificado da autuação em 10/09/2008 e protocolou, em 30/09/2008, sua impugnação, As fls. 1 a 5 (anexos das fls. 6 a 43), onde alega, em síntese, em relação As glosas, que preencheu sua Declaração de Ajuste Anual, lastreado na sua própria interpretação das informações obtidas no Manual de Preenchimento do Imposto de Renda, do exercício de 2005, o qual, pela falta de clareza e omissão em esclarecer melhor a legislação tributária o teria feito vitima de equivocada orientação. Decorrente de seu entendimento e interpretação, informou o valor total pago A. AM1L, no montante de R$ 27.689,37, sem considerar que seria necessário excluir dessa despesa paga ao plano de saúde, seu cônjuge e não dependente para fins do IR. Em relação ao dispêndio de R$ 60,00 ao oftalmologista Alfredo Guerra da Costa, afirma ter feito o pagamento pela consulta a que compareceu e a anotação no recibo de que o valor cobrado foi a preço de convenio de Ligia Flores não deve invalidar sua despesa. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/12/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10166.013233/200807 Acórdão n.º 2801002.169 S2TE01 Fl. 83 3 No que tange ao valor de R$ 8,03, referente ao dispêndio declarado através do Exército, discorda da falta de comprovação, visto que apresentou o "Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção do IR na Fonte", emitido pelo Centro de Pagamento do Exército, que traz a informação no campo 6, das "Informações Complementares", com a denominação de "Despesas MédicoOdontoHospitalares". Ao fmal, entendendo ser responsabilidade da Receita Federal, a indução ao equivoco ocorrido, espera e requer seja acolhida sua impugnação para a reavaliação do débito fiscal reclamado. A DRJ/BSB julgou a impugnação procedente em parte (fls. 60/65), em acórdão que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NÃO DEPENDENTE A dedução das despesas médicas restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, conforme estabelece no item II, art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 1999. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado da decisão de primeira instância em 26/10/2010, fl. 71, o Interessado apresentou, em 18/11/2010, o Recurso de fls.72/76, no qual, em síntese, solicita a extinção do crédito tributário pelo pagamento. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Relator: O recurso é tempestivo, e traz como único argumento o pedido de extinção do crédito tributário com o DARF de fl. 77. Desta forma, não houve contestação da glosa mantida pela decisão de primeira instância. A extinção do crédito tributário pelo pagamento é direito líquido e certo do contribuinte, desde que ele tenha se dado nos termos da legislação tributária e não esteja alocado a outro débito, e não necessita da intervenção da autoridade julgadora. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso, por ausência de litígio. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/12/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10166.013233/200807 Acórdão n.º 2801002.169 S2TE01 Fl. 84 4 Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/12/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 19991.000531/2009-51
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 29 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3403-000.573
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinatura digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinatura digital)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Relatório
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinatura digital) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinatura digital) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 0939.302, de 29 de fevereiro de 2012 (fls. 137/150), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG (DRJ), cuja ementa resume o seguinte entendimento: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO AO CRÉDITO. AQUISIÇÕES DE COOPERATIVAS E DE EMPRESAS CONSIDERADAS INAPTAS. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 99 91 .0 00 53 1/ 20 09 -5 1 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19991.000531/200951 Resolução nº 3403000.573 S3C4T3 Fl. 214 2 1.As aquisições de mercadorias para revenda efetuadas de sociedades cooperativas geram créditos de Cofins nãocumulativa exportação como as das demais pessoas jurídicas. 2. A adquirente faz jus aos créditos em relação às compras para revenda somente quando apresentadas as notas fiscais referentes às operações e quando comprovada a efetiva entrega das mercadorias comercializadas, independentemente de haver contra os fornecedores declaração de inaptidão. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte O provimento parcial se deu em relação à glosa das aquisições de bens de pessoas inaptas, na parte em que se entendeu existir a comprovação do pagamento e da entrega das mercadorias. Assim decidiu a DRJ, nesta parte: Quanto a linha de defesa apresentada em relação à glosa das aquisições para revenda das empresas “por existirem contra elas Processos de Representação Fiscal para inaptidão dos seus CNPJ”, temse que a Delegacia de origem se baseou em irregularidades detectadas capazes, segundo ela, de enquadrar os documentos emitidos no §1º do art. 48 da IN RFB no 748, de 2007, in verbis: Art. 48. Será considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ haja sido declarada inapta. § 1º Os valores constantes do documento de que trata o caput não poderão ser: III utilizados como crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e das Contribuições para o PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativos ... Porém, pelas notas fiscais trazidas ao processo pela reclamante, (19991.000525/200902), temse que houve a comprovação do pagamento das aquisições objeto da glosa em comento e da efetiva entrega das mercadorias adquiridas caracterizada pelo carimbo da empresa responsável pelo recebimento das mesmas. Além disto, a existência das operações, em alguns casos, foi corroborada pelo carimbo da fiscalização estadual que é encontrado em algumas das notas fiscais. Em assim sendo, aplicase às notas fiscais consideradas inidôneas pela DRF de origem o disposto no §5º do mesmo art. 48 da IN RFB nº 748, de 2007, abaixo transcrito: § 5º O disposto no § 1o não se aplica aos casos em que o terceiro interessado, adquirente de bens, direitos e mercadorias, ou o tomador de serviços, comprovar o Fl. 214DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19991.000531/200951 Resolução nº 3403000.573 S3C4T3 Fl. 215 3 pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços. Ressaltese que os dispositivos citados da IN SRF nº 748, de 2007 tem como base o art. 82 da Lei nº 9.430, de 1996. No entanto, algumas notas fiscais devem ser mantidas as exclusões referentes a bens por falta de apresentação de documentos hábeis a evidenciar “o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços”, são eles os de fls. 937, 963 e 964. Cumpre ressaltar, que em relação às transferências bancárias efetuadas para a empresa GW Comércio Atacadista de Café Ltda, documentos de fls. 963 e 964, não foram sequer comprovadas as operações, pois, não foram trazidas ao processo as notas fiscais. A propósito do assunto, temse que a comprovação da operação, através das notas fiscais é a condição primeira a ser satisfeita. E mais, a demonstração de apenas um dos requisitos contidos no §5º acima transcrito (pagamento/entrega) é necessária mas não é suficiente para afastar a aplicação do caput do artigo 82 já mencionado, pois da leitura da norma ressalta que é imprescindível o cumprimento de ambas as exigências. O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 173/176), no qual alega o seguinte: Destarte, alega a autoridade fiscal que a Contribuinte não apresentou a comprovação do pagamento e da entrega das mercadorias nas notas fiscais de fls. 937, 963 e 964, pelo que, então, não cumpriria um dos requisitos contidos no §5° do art 48 IN RFB n° 748, de 2007. Porém, tal assertiva não deve prosseguir, tendo em vista o Princípio Ha Verdade Material, já que apresentados os documentos pertinentes, necessários à comprovação do pagamento das mercadorias, bem como da efetiva entrega das mesmas, com relação às operações objeto de glosa, a saber: a) S/A SILVEIRA CPF n° 7.336.072/000153 (fls. 937); e b) ITAPORANGA Comércio e Exportação Ltda. CNPJ n° 26.378.611/000180 (fls. 963 e 964) Isto porque, com relação às operações com os fornecedores acima discriminados, a documentação apresentada pela Contribuinte efetivamente se reveste de todos os requisitos que legitimam o direito ao crédito, em nada se justificando as glosas efetuadas sobre as mesmas, bastando, inclusive, um simples cotejo destes com os demais documentos aceitos pela própria autoridade fazendária. Ademais, ainda de acordo com o Princípio da Verdade Material, se dúvidas ainda persistirem, deverão ser consideradas todas as provas e fatos novos, ainda que desfavoráveis contra a Fazenda Pública, desde que sejam provas lícitas. Interessa à Administração que seja apurada a verdade rea! dos fatos ocorridos (verdade material). Fl. 215DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19991.000531/200951 Resolução nº 3403000.573 S3C4T3 Fl. 216 4 É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso voluntário foi protocolado em 12/04/2012 (fl. 173), dentro do prazo de 30 dias contados da notificação do acórdão da DRJ, ocorrida em 13/03/2012 (fl. 151). Por ser tempestivo e por conter fundamentos para a reforma do acórdão da DRJ, conheço do recurso. No mérito, a discussão gira em torno de saber se houve a comprovação do pagamento dos valores e do recebimento das mercadorias a que se referem as notas fiscais apresentadas pelo recorrente, que se referem a aquisições que realizou de pessoas jurídicas que vieram a ser declaradas inaptas. Mais especificamente, tratase das notas fiscais que se encontram as fls. 937, 963 e 964 do Processo Administrativo nº 19991.000525/200902. Ocorre que nem o referido Processo Administrativo foi apensado ao presente processo, nem as referidas notas fiscais encontramse juntadas aos autos do presente processo, tanto menos a documentação que serviria de prova do pagamento dos valores e do recebimento das mercadorias referentes a estas mesmas notas. Destarte a necessidade de converter o presente julgamento em diligência. Voto pela conversão do julgamento em diligência para que a Delegacia de origem promova as seguintes providências: a) promova a apensamento ou anexação aos presentes autos de cópia integral do PA nº 19991.000525/200902; b) intime o contribuinte a demonstrar, por meio de sua escrituração contábil ou outros documentos (cheques, conhecimento de transporte etc) o efetivo pagamento do valor de cada nota fiscal e o efetivo recebimento da mercadoria; c) lavre termo final de diligência; d) intime o contribuinte a, querendo, apresentar manifestação quanto ao termo final de diligência e devolva os autos a este Conselho para julgamento. (asinatura digital) Ivan Allegretti Fl. 216DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 13891.720131/2013-94
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
DCTF. ENTREGA INTEMPESTIVA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA.
A obrigação acessória, prestação positiva ou negativa no interesse do fisco, obrigatoriedade de entrega tempestiva de DCTF está prevista em lei em sentido amplo, e regulamentada por instruções normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil.
A imposição de multa pecuniária, por descumprimento de prazo atinente à DCTF, tem amparo na lei em sentido estrito.
O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal.
Não sendo a entrega serôdia de declaração infração de natureza tributária, mas sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea do artigo 138 do CTN, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF.
As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo.
A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo ou contribuição.
DCTF. PERDA DE PRAZO. ENTREGA A DESTEMPO. ESPONTANEIDADE. APLICAÇÃO DE OFÍCIO DE MULTA MÍNIMA. REDUÇÃO DA MULTA PECUNIÁRIA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL.
Não há previsão legal para redução da multa pecuniária mínima aplicada de ofício, por descumprimento de obrigação acessória autônoma - entrega tardia, fora do prazo, de declaração, ainda que a entrega da declaração tenha ocorrido, de forme espontânea, antes da ciência do início do procedimento de fiscalização.
Há previsão legal apenas para redução de 50% da multa aplicada para pagamento à vista ou redução de 40% para pedido de parcelamento formalizado, no prazo de trinta dias da ciência do lançamento fiscal (Art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosgto de 1991, com redação pela Lei nº 11.941, de maio de 2009), porém a contribuinte preferiu impugnar, discutir, o lançamento fiscal, perdendo esse benefício fiscal.
PERDA DE PRAZO PARA APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DA DCTF. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
A responsabilidade por infração à legislação tributária é objetiva, não se perquire a razão, o motivo, da perda de prazo que implicou o cumprimento intempestivo da obrigação acessória.
Pretensa demora ou falta de manifestação do fisco, quanto ao pedido de validação de procuração para utilização de certificação digital protocolizado antes do término do prazo tempestivo para entrega de DCTF, não exime o contribuinte de apresentar a DCTF no prazo legal, seja pela internet, seja em disquete, seja por outro meio (por exemplo, DCTF em papel) diretamente na repartição fiscal ou por via postal com comprovação de data de postagem, pois a referida protocolização do pedido de validação de procuração não tem efeito suspensivo (não tem o condão de eximir o contribuinte de cumprir tempestivamente a obrigação acessória autônoma).
O ônus de fazer prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito constitutivo do fisco, é do sujeito passivo (Arts. 15 e 16, III, do Decreto nº 70.235/72 e art. 333, II, do Código de Processo Civil).
Numero da decisão: 1802-002.404
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Correa - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Henrique Heiji Erbano
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2010 DCTF. ENTREGA INTEMPESTIVA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA. A obrigação acessória, prestação positiva ou negativa no interesse do fisco, obrigatoriedade de entrega tempestiva de DCTF está prevista em lei em sentido amplo, e regulamentada por instruções normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A imposição de multa pecuniária, por descumprimento de prazo atinente à DCTF, tem amparo na lei em sentido estrito. O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal. Não sendo a entrega serôdia de declaração infração de natureza tributária, mas sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea do artigo 138 do CTN, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF. As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo. A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo ou contribuição. DCTF. PERDA DE PRAZO. ENTREGA A DESTEMPO. ESPONTANEIDADE. APLICAÇÃO DE OFÍCIO DE MULTA MÍNIMA. REDUÇÃO DA MULTA PECUNIÁRIA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não há previsão legal para redução da multa pecuniária mínima aplicada de ofício, por descumprimento de obrigação acessória autônoma - entrega tardia, fora do prazo, de declaração, ainda que a entrega da declaração tenha ocorrido, de forme espontânea, antes da ciência do início do procedimento de fiscalização. Há previsão legal apenas para redução de 50% da multa aplicada para pagamento à vista ou redução de 40% para pedido de parcelamento formalizado, no prazo de trinta dias da ciência do lançamento fiscal (Art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosgto de 1991, com redação pela Lei nº 11.941, de maio de 2009), porém a contribuinte preferiu impugnar, discutir, o lançamento fiscal, perdendo esse benefício fiscal. PERDA DE PRAZO PARA APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DA DCTF. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infração à legislação tributária é objetiva, não se perquire a razão, o motivo, da perda de prazo que implicou o cumprimento intempestivo da obrigação acessória. Pretensa demora ou falta de manifestação do fisco, quanto ao pedido de validação de procuração para utilização de certificação digital protocolizado antes do término do prazo tempestivo para entrega de DCTF, não exime o contribuinte de apresentar a DCTF no prazo legal, seja pela internet, seja em disquete, seja por outro meio (por exemplo, DCTF em papel) diretamente na repartição fiscal ou por via postal com comprovação de data de postagem, pois a referida protocolização do pedido de validação de procuração não tem efeito suspensivo (não tem o condão de eximir o contribuinte de cumprir tempestivamente a obrigação acessória autônoma). O ônus de fazer prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito constitutivo do fisco, é do sujeito passivo (Arts. 15 e 16, III, do Decreto nº 70.235/72 e art. 333, II, do Código de Processo Civil).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2419; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 43 1 42 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13891.720131/201394 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1802002.404 – 2ª Turma Especial Sessão de 23 de outubro de 2014 Matéria Multa por Atraso na Entrega de DCTF Recorrente DANILO MARCONDES REIS & CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 DCTF. ENTREGA INTEMPESTIVA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA. A obrigação acessória, prestação positiva ou negativa no interesse do fisco, obrigatoriedade de entrega tempestiva de DCTF está prevista em lei em sentido amplo, e regulamentada por instruções normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A imposição de multa pecuniária, por descumprimento de prazo atinente à DCTF, tem amparo na lei em sentido estrito. O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal. Não sendo a entrega serôdia de declaração infração de natureza tributária, mas sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea do artigo 138 do CTN, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF. As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo. A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo ou contribuição. DCTF. PERDA DE PRAZO. ENTREGA A DESTEMPO. ESPONTANEIDADE. APLICAÇÃO DE OFÍCIO DE MULTA MÍNIMA. REDUÇÃO DA MULTA PECUNIÁRIA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não há previsão legal para redução da multa pecuniária mínima aplicada de ofício, por descumprimento de obrigação acessória autônoma entrega tardia, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 1. 72 01 31 /2 01 3- 94 Fl. 43DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720131/201394 Acórdão n.º 1802002.404 S1TE02 Fl. 44 2 fora do prazo, de declaração, ainda que a entrega da declaração tenha ocorrido, de forme espontânea, antes da ciência do início do procedimento de fiscalização. Há previsão legal apenas para redução de 50% da multa aplicada para pagamento à vista ou redução de 40% para pedido de parcelamento formalizado, no prazo de trinta dias da ciência do lançamento fiscal (Art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosgto de 1991, com redação pela Lei nº 11.941, de maio de 2009), porém a contribuinte preferiu impugnar, discutir, o lançamento fiscal, perdendo esse benefício fiscal. PERDA DE PRAZO PARA APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DA DCTF. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infração à legislação tributária é objetiva, não se perquire a razão, o motivo, da perda de prazo que implicou o cumprimento intempestivo da obrigação acessória. Pretensa demora ou falta de manifestação do fisco, quanto ao pedido de validação de procuração para utilização de certificação digital protocolizado antes do término do prazo tempestivo para entrega de DCTF, não exime o contribuinte de apresentar a DCTF no prazo legal, seja pela internet, seja em disquete, seja por outro meio (por exemplo, DCTF em papel) diretamente na repartição fiscal ou por via postal com comprovação de data de postagem, pois a referida protocolização do pedido de validação de procuração não tem efeito suspensivo (não tem o condão de eximir o contribuinte de cumprir tempestivamente a obrigação acessória autônoma). O ônus de fazer prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito constitutivo do fisco, é do sujeito passivo (Arts. 15 e 16, III, do Decreto nº 70.235/72 e art. 333, II, do Código de Processo Civil). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa Presidente. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720131/201394 Acórdão n.º 1802002.404 S1TE02 Fl. 45 3 (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Henrique Heiji Erbano Fl. 45DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720131/201394 Acórdão n.º 1802002.404 S1TE02 Fl. 46 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de efls. 30/38 contra a decisão da 4ª Turma da DRJ/Recife (efls. 22/25) que julgou improcedente a impugnação da Notificação de Lançamento – multa por atraso na entrega da DCTF mensal do PA setembro/2010 , mantendo a exigência do crédito tributário lançado de ofício. Quanto aos fatos: consta da Notificação de Lançamento (efl. 06) que a contribuinte, em 18/04/2013, entregou ao fisco a DCTF mensal do PA setembro/2010, com atraso de 30 (trinta) meses ou fração de mês calendário. Ou seja: a) prazo limite para entrega tempestiva da DCTF: 23/11/2010; b) data de entrega: 18/04/2013; montante dos tributos/contribuições informados na DCTF: R$ 205,49 (efl. 07); multa aplicada: multa mínima R$ 500,00. Descrição dos fatos: Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) entregue fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação da multa de 2% (dois por cento) ao mês ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que tenham sido integralmente pagos, reduzida em 50% (cinqüenta por cento) em virtude da entrega espontânea da declaração, respeitado o percentual máximo de 20% (vinte por cento) e o valor mínimo de R$ 200,00 (duzentos reais) no caso de inatividade e de R$ 500,00 (quinhentos reais) nos demais casos. Enquadramento legal: Arts. 115 e 160 da Lei 5.172, de 25/10/1966; Art. 1º da Lei 9.249, de 26/12/1995; Art. 7º, caput e inc. II e § 3º , II, da Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004. (...) A contribuinte tomou ciência, eletronicamente, da Notificação de Lançamento em 18/04/2011 (efl. 06), e apresentou defesa Manifestação de Inconformidade em 06/05/2013 (efls.02/05), cujas razões, em síntese, estão assim resumidas no relatório da decisão a quo e que, nessa parte, transcrevo (efl. 21): (...) Fl. 46DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720131/201394 Acórdão n.º 1802002.404 S1TE02 Fl. 47 5 Cientificada, a contribuinte apresentou a impugnação, alegando, em síntese, que devido ao custo para adquirir um certificado digital, contratou uma contadora e protocolou no dia 12/07/2010 a solicitação de Procuração para a Receita Federal, porém até a presente data a Agência da Receita Federal de Bragança Paulista não informou o deferimento ou indeferimento do pleito. Lembra que após a solicitação a Receita Federal tem até 30 dias para deferir ou indeferir a solicitação. Sem a procuração ficou impedida de apresentar em tempo hábil a DCTF. Conclui afirmando que o atraso na entrega da DCTF foi ocasionado pela própria RFB, não sendo justo a responsabilização da impugnante. Em outro ponto afirma, caso seja mantida aplicação da multa, que o percentual a ser aplicado é de 20% totalizando uma multa de R$ 41,10. (...) A DRJ/Recife, à luz da legislação e dos fatos, julgou a impugnação improcedente, mantendo a exigência do crédito tributário, conforme Acórdão de 08/11/2013 (efls.22/25), cuja ementa transcrevo a seguir: (...) ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 ATRASO NA ENTREGA DA DCTF . O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, sujeitaserá a multa especificada na legislação. CERTIFICADO DIGITAL. É obrigação do sujeito passivo a manutenção de certificado digital válido, ou procuração eletrônica, que possibilite a entrega tempestiva de suas declarações/demonstrativos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Ciente desse decisum em 03/12/2013 (efl. 28), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 02/01/2014 (efls. 30/38), reiterando as razões já apresentadas na Manifestação de Inconformidade, na primeira instância, e já resumidas anteriormente. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720131/201394 Acórdão n.º 1802002.404 S1TE02 Fl. 48 6 Por fim, a recorrente, com base nas citadas razões, pediu: a) a reforma da decisão recorrida, ou seja, a improcedência do lançamento fiscal, b) alternativamente a redução da multa para R$ 41,10 = (20% x R$ 205,49). É o relatório. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720131/201394 Acórdão n.º 1802002.404 S1TE02 Fl. 49 7 Voto Conselheiro Relator Nelso Kichel. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, o litígio versa acerca da exigência de multa pecunária por atraso na entrega da DCTF mensal do PA setembro/2010, ou seja, pela inobservância do prazo limite no cumprimento de obrigação acessória autônoma. O prazo limite para apresentação tempestiva da DCTF mensal era 23/11/2010, conforme IN RFB nº 974, de 27/11/2009, art. 5º, in verbis: Art. 5º As pessoas jurídicas devem apresentar a DCTF até o 15º(décimo quinto) dia útil do 2º(segundo) mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores.(vide art. 1º da Instrução Normativa RFB nº 1.129, de 2011) § 1º (...) § 2º (...) § 3º (...). Entretanto, a contribuinte cumpriu essa obrigação acessória autônoma a destempo, ou seja, apenas em 18/04/2013 (trinta meses de atraso). Por isso da imposição, em concreto, da multa pecuniária objeto dos autos. Nas razões do recurso, a recorrente alegou: que perdera o prazo para entrega tempestiva da DCTF pela falta de certificação digital, pois para entrega dessa declaração pela internet a RFB passou a exigir assinatura digital, para períodos de apuração a partir de maio/2010, conforme IN RFB nº 974/2009, art. 4º, in verbis: Art. 4ºA DCTF deverá ser elaborada mediante a utilização de programas geradores de declaração, disponíveis na página da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) na Internet, no endereço < http:// www. receita.fazenda.gov.br>. § 1ºA DCTF deve ser apresentada mediante sua transmissão pela Internet com a utilização do programa Receitanet disponível no endereço eletrônico referido no caput. § 2ºPara a apresentação da DCTF é obrigatória a assinatura digital da declaração mediante utilização de certificado digital válido, ficando dispensadas dessa obrigação: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.036, de 1º de junho de 2010) Fl. 49DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720131/201394 Acórdão n.º 1802002.404 S1TE02 Fl. 50 8 I as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro presumido ou aquelas imunes ou isentas do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ), para as DCTF referentes aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro a abril de 2010; e (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.036, de 1º de junho de 2010) II os órgãos públicos da administração direta da União e as autarquias e as fundações públicas federais, para as DCTF referentes aos fatos geradores ocorridos até o mês de dezembro de 2010. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.036, de 1º de junho de 2010) § 3ºO disposto nos §§ 1ºe 2ºaplicase, inclusive, aos casos de extinção, incorporação, fusão e cisão total ou parcial. que, não sendo contribuinte do Simples e não sendo empresa inativa, está obrigada à apresentação de DCTF e que, para cumprimento dessa obrigação acessória, o fisco exige o uso da assinatura digital (certificação digital); que a emissão do certificado digital é feita de forma onerosa pelas empresas certificadoras, o que implica assumir custos; que, sendo uma uma empresa pequena (pequeno faturamento), não tem condições assumir tal custo; que contratou uma profissional de contabilidade que possui certificação digital que poderia suprir a falta de certificação digital da recorrente; que nesse sentido, em 12/07/2010, protocolizou, junto à Agência da RFB de Bragança Paulista, pedido de validação de procuração – instrumento de mandato outorgando poderes à profissional de contabilidade, para representar a outorgante (recorrente) perante a RFB, no período de 28/06/2010 a 27/06/2015, podendo a outorgada assinar digitalmente, em nome da outorgante, as declarações a serem transmitidas pela internet. Cópia da procuração (e fl. 08); que o fisco, entretanto, não se manifestou quanto ao pedido protocolado; que ficou impedida de transmitir a DCTF tempestivamente; que, por conseguinte, não tem culpa pela perda do prazo (entrega intempestiva da DCTF). Inexistindo invocação de preliminar, passo à análise do mérito. INFRAÇÃO IMPUTADA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA A recorrente reconhece que apresentou a DCTF em atraso, e não se insurge quanto a esse fato; porém, ataca os efeitos jurídicos dessa perda de prazo, alegando que não teria culpa, pois protocolara pedido de validação de procuração – instrumento do mandato – outorgando poderes, para representála junto à RFB, a profissional de contabilidade contratada para transmissão de DCTF pela internet, a qual possui certificação digital para assinatura Fl. 50DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720131/201394 Acórdão n.º 1802002.404 S1TE02 Fl. 51 9 eletrônica (efl. 08); que o fisco não se manifestou antes da data limite para apresentação tempestiva da DCTF, se validava ou não a referida procuração. Quanto ao pleito protocolizado (validação de procuração), a falta de manifestação do fisco, antes de término do prazo tempestivo para entrega da DCTF, não exime a recorrente de apresentar a DCTF no prazo legal, seja pela internet, seja em disquete, seja por outro meio (por exemplo, DCTF em papel) diretamente na repartição fiscal ou por via postal com comprovação de data de postagem, pois a referida protocolização do pedido de validação da procuração não tem efeito suspensivo (não tem o condão de eximir a contribuinte de cumprir tempestivamente a obrigação acessória). Em relação à alegada culpa da RFB na demora da validadação de procuração não restou caracterizada nos autos, tanto nesta instância recursal, quanto na primeira instância de julgamento. A propósito, nessa parte adoto também, como razão decidir, a fundamentação constante do voto condutor do acórdão recorrido e que transcrevo a seguir (efls.21/22 ), in verbis: A contribuinte alega que efetuou a Solicitação de Procuração junto a Receita Federal do Brasil e que esta atrasou na validação desta procuração. De acordo com a IN RFB nº 944 de 29/05/2009 que dispõe sobre a outorga de poderes para fins de utilização, mediante certificado digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (eCAC) da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), em especial o art. 3º, §3º, além do registro no sistema próprio para a validação da procuração deverão ser entregues a procuração original e cópias autenticadas dos documentos de identificação do outorgante, do outorgado e do procurador de que trata o inciso III do caput. No presente processo a contribuinte apresenta a Solicitação de Procuração da empresa outorgando poderes a Ana Maria Fioroni Zampronio, porém não apresenta provas que tenha cumprido as demais condições para ter sua procuração validada. Caberia a contribuinte, para provar que a Receita Federal do Brasil não cumpriu o prazo para validação da Procuração, apresentar as provas de que entregou os documentos necessários a validação da procuração, a procuração original e cópias autenticadas dos documentos de identificação do outorgante, do outorgado e do procurador: Art. 3º A procuração emitida por meio do aplicativo referido no art. 2º deverá ser impressa e assinada perante servidor da RFB: ( Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.146, de 6 de abril de 2011 ) I pelo responsável da empresa perante o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), no caso de Pessoa Jurídica; ( Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.146, de 6 de abril de 2011 ) Fl. 51DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720131/201394 Acórdão n.º 1802002.404 S1TE02 Fl. 52 10 II pelo próprio contribuinte, no caso de Pessoa Física; ou ( Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.146, de 6 de abril de 2011 ) III por procurador constituído por procuração pública específica com poderes próprios para a realização da outorga de que trata o art. 1º.( Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.146, de 6 de abril de 2011 ) § 1º Na impossibilidade de comparecimento do outorgante perante servidor da RFB, será aceita a procuração com firma reconhecida em cartório. ( Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.146, de 6 de abril de 2011 ) § 2º Para produzir efeitos junto ao eCAC, observado o disposto no caput, a procuração deverá ser incluída no Sistema de Procurações Eletrônicas do eCAC, mediante validação a ser efetuada em uma unidade de atendimento da RFB, no prazo de 30 (trinta) dias contados da data de sua emissão. ( Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.146, de 6 de abril de 2011 ) § 3º Para validação, deverão ser entregues a procuração original e cópias autenticadas dos documentos de identificação do outorgante, do outorgado e do procurador de que trata o inciso III do caput, sendo que a autenticação das cópias também poderá ser efetuada pela própria unidade de atendimento da RFB, mediante apresentação dos documentos originais. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.146, de 6 de abril de 2011 ) Não tendo comprovado que cumpriu todos os requisitos determinados pela legislação para validação de sua procuração não há como determinar que a Receita Federal foi quem ocasionou a falta do certificado digital para entrega da DCTF. Nesta instância recursal, a recorrente também não comprovou que tivesse cumprido todos os requisitos determinados pela legislação para validação de sua procuração. Logo, não há como determinar ou imputar que a Receita Federal teria ocasionado a falta do certificado digital para entrega da DCTF. O ônus de fazer prova, de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito constitutivo do fisco, é do sujeito passivo. Como demonstrado, a recorrrente não tomou as devidas cautelas para transmissão da DCTF tempestivamente, deixando o prazo, lapso temporal, transcorrer in albis. É cediço que responsabilidade por infração à legislação tributária é objetiva, não se perquire a razão, o motivo, da perda de prazo que implicou o cumprimento intempestivo da obrigação acessória. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720131/201394 Acórdão n.º 1802002.404 S1TE02 Fl. 53 11 Nesse sentido, transcrevo o disposto no art. 16 do CTN, in verbis: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Por conseguinte, a mera perda de prazo, por si só, configurou a infração imputada. Por isso da exigência da multa percuniária objeto dos autos. DCTF. PERDA DE PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. ENTREGA ESPONTÂNEA. REDUÇÃO DA MULTA APLICADA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Exceto para os casos de empresa inativa e de empresa do Simples, a multa cominada em abstrato é de 2% (dois por cento) do somatório dos tributos e contribuições confessados na DCTF do respectivo PA, não podendo a multa ser inferior a R$ 500,00 (Lei 10.426/2002, art. 7º, II e § 3º, II), in verbis: Art. 7oO sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I (...) IIde dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; (...) § 3ºA multa mínima a ser aplicada será de:(Vide Lei nº 11.727, de 2008) I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto naLei nº9.317, de 1996; IIR$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos.(os grifos não são do original) (...) Fl. 53DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720131/201394 Acórdão n.º 1802002.404 S1TE02 Fl. 54 12 No caso objeto dos autos, foi aplicada pelo fisco, em concreto, a multa pecuniária mínima de R$ 500,00. Não há previsão legal de redução da multa mínima aplicada de R$ 500,00, conforme inteligência do disposto nos §§ 2º e 3º, do art. 7º da Lei 10.426/2002, in verbis: Art. 7º (...). § 2ºObservado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: Ià metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; IIa setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3ºA multa mínima a ser aplicada será de:(Vide Lei nº 11.727, de 2008) IR$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto naLei nº9.317, de 1996; IIR$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. (os grigos não são do original) (...) DCTF. ENTREGA MENSAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. A DCTF, obrigação acessória autônoma, foi implementada pela Instrução Normativa SRF nº 129/86, com fulcro no art. 5º do DL 2.124/84 e no art. 16 da Lei 9.779/99, sendo atualizada, a partir daí, periodicamente. A propósito, transcrevo o disposto no art. 5º do Decreto nº 2.124/84: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2º (...) § 3º Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa (...) No mesmo sentido, dispõe o art. 16 da Lei nº 9.779/99: Fl. 54DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720131/201394 Acórdão n.º 1802002.404 S1TE02 Fl. 55 13 Art.16.Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. A partir da edição da IN SRF 126/1998, a DCTF passou a ser instrumento eminentemente de confissão de dívida. A dispensa de lei em sentido estrito para implementação de obrigação acessória (v. g., DCTF) é matéria pacífica no âmbito do Poder Judiciário. A propósito, transcrevo precedentes jurisprudenciais: 1) TRF/3ª Região, 6ª Turma, sessão de 04/07/2007, processo (AMS 16487 SP 2002.03.99.0164877), in verbis: (...) TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. CRIAÇÃO DCTF. INSTRUÇÃO NORMATIVA. ILEGALIDADE. INOCORRÊNCIA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. MULTA MORATÓRIA. INCIDÊNCIA. 1. A DCTF veio regulamentar a arrecadação e a fiscalização de tributos federais, tratandose, a bem da verdade, de mero procedimento administrativo, suscetível de criação por norma complementar, não havendo que se falar em ofensa ao princípio da reserva legal em vistas a indelegabilidade da competência tributária. 2. (...) 3.(..). 4. O atraso na entrega da declaração de renda de pessoa física ou jurídica é infração de natureza nãotributária, em razão do descumprimento de uma obrigação acessória autônoma necessária ao exercício da atividade administrativa de fiscalização do tributo, não lhe sendo aplicável, portanto, a regra prevista no art. 138, do CTN. 5. Apelação e remessa oficial providas. Recurso adesivo improvido. (...) 2) – TRF/4ª Região, 1ª Turma, sessão de 23/06/2010, processo (AC 11264 PR 2004.70.01.0112645), in verbis: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. DCTF. INSTRUÇÃO NORMATIVA. SELIC. ENCARGO LEGAL. DL N. 1.025/69. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720131/201394 Acórdão n.º 1802002.404 S1TE02 Fl. 56 14 1.A obrigação acessória de entrega da DCTF está prevista legalmente, sendo apenas regulamentada em instruções normativas da Secretaria da Receita Federal, (...) 2. A incidência da SELIC sobre os créditos fiscais se dá por força de instrumento legislativo próprio (lei ordinária), sem importar qualquer afronta à Constituição Federal. 3. O encargo legal de 20%, referente à inscrição em dívida ativa, é constitucional, compõe o débito exeqüendo e é sempre devido nas execuções fiscais, substituindo, nos embargos, a condenação em honorários por expressa previsão legal (artigo 1º, do Decretolei nº 1.025/69). (...) 3) – TRF/5ª Região, 1ª Turma, sessão de 03/02/2005, processo (Apelação em MS 80402PE 2001.83.00.0192525), in verbis: TRIBUTÁRIO. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. LEGALIDADE. O atraso na entrega da declaração é considerado como sendo o descumprimento de uma atividade fiscal exigida por lei, não se confundindo com o nãopagamento do tributo. A imposição da multa por falta de entrega de Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF tem amparo legal, configurando seu atraso, ou não entrega, em infração autônoma. Precedentes do STJ e desta Corte. Apelação não provida. (...) Em matéria de descumprimento de prazo para entrega tempestiva de declaração (v. g., DCTF) é inaplicável o art. 138 do CTN, quando cumprida a obrigação acessória a destempo e voluntariamente, pois tratase de obrigação autônoma, não relacionada com fato gerador de tributo ou contribuição, cuja infração configurase, simplesmente, pela perda do prazo fixado para cumprimento tempestivo dessa obrigação acessória. Nesse sentido, é a posição consolidada do STJ, in verbis: “TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Precedentes. 2. Recurso especial não provido.” (STJ, Segunda Turma, RESP RECURSO ESPECIAL – 1129202, Data da Publicação: 29/06/2010) Fl. 56DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720131/201394 Acórdão n.º 1802002.404 S1TE02 Fl. 57 15 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória. Precedentes do STJ. 2. Agravo Regimental não provido. (STJ, 2ª Turma, AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 916.168 SP 2007/00052315, sessão de 24/03/2009, Relator Min. Herman Benjamin). A multa pecuniária pela falta de entrega da DCTF ou pela entrega a destempo, está prevista em Lei stricto sensu, ou seja, no art. 7º, II e § 3º, II, da Lei nº 10.426/2002, conforme texto legal já transcrito alhures. O dispostivo legal citado é norma específica para imposição de multa pecuniária por descumprimento de obrigação acessória autônoma relativo à não entrega de DCTF no prazo regulamentar ou para entrega efetuada após vencido o prazo regulamentar. Por ter sido aplicada multa mínima de R$ 500,00 para o PA setembro de 2010 (Lei 10.426/2002, art.7º, § 3º, II), incabível sua redução por vedação do § 2º desse mesmo art. 7º da Lei nº 10.426/2002, ainda que a entrega a destempo da declaração tenha sido espontânea, ou seja, antes da ciência do início do procedimentos de fiscalização, conforme já restou enfrentada essa quesão, anteriormente. A única redução de multa prevista legalmente e que a contribuinte faria jus caso não tivesse impugnado o lançamento de ofício (porém impugnou!), seria a consignada no próprio texto da Notificação de Lançamento fiscal (efl. 06), in verbis: (...) 5. INTIMAÇÃO Fica o contribuinte acima identificado INTIMADO a recolher ou impugnar no prazo de trinta dias da ciência da Notificação de Lançamento o presente crédito tributário. A impugnação deve ser dirigida ao Delegado da Receita Federakl do Brasil de sua jurisdição (...). Até o vencimento desta notificação, serão concedidas reduções de 50% para pagamento à vista ou 40% para pedidos de parcelamento formalizados neste mesmo prazo (Art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosgto de 1991, com redação pela Lei nº 11.941, de maio de 2009). (...) Fl. 57DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720131/201394 Acórdão n.º 1802002.404 S1TE02 Fl. 58 16 Por tudo que foi exposto, voto para NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 58DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 10247.000009/2009-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
ATIVIDADE RURAL. ATIVIDADE PREVISTA NA IN 257/02. APLICÁVEL ALÍQUOTA REDUZIDA.
O exercício de alguma das atividades previstas no artigo 2º da Instrução Normativa 257/02, caracteriza o exercício de atividade rural, sendo aplicável a alíquota de 8% sobre a receita bruta auferida.
LUCRO PRESUMIDO. INEXISTENTE OPÇÃO DO CONTRIBUINTE. LANÇAMENTO DEVE SER AFASTADO.
Comprovado que o contribuinte não optou pelo lucro presumido, deve ser afastado o lançamento realizado com base neste regime.
Numero da decisão: 1201-001.092
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício e DAR provimento ao recurso voluntário, para reduzir o coeficiente de determinação do lucro presumido de 32% para 8%.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - RELATOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente) e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 ATIVIDADE RURAL. ATIVIDADE PREVISTA NA IN 257/02. APLICÁVEL ALÍQUOTA REDUZIDA. O exercício de alguma das atividades previstas no artigo 2º da Instrução Normativa 257/02, caracteriza o exercício de atividade rural, sendo aplicável a alíquota de 8% sobre a receita bruta auferida. LUCRO PRESUMIDO. INEXISTENTE OPÇÃO DO CONTRIBUINTE. LANÇAMENTO DEVE SER AFASTADO. Comprovado que o contribuinte não optou pelo lucro presumido, deve ser afastado o lançamento realizado com base neste regime.
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Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 ATIVIDADE RURAL. ATIVIDADE PREVISTA NA IN 257/02. APLICÁVEL ALÍQUOTA REDUZIDA. O exercício de alguma das atividades previstas no artigo 2º da Instrução Normativa 257/02, caracteriza o exercício de atividade rural, sendo aplicável a alíquota de 8% sobre a receita bruta auferida. LUCRO PRESUMIDO. INEXISTENTE OPÇÃO DO CONTRIBUINTE. LANÇAMENTO DEVE SER AFASTADO. Comprovado que o contribuinte não optou pelo lucro presumido, deve ser afastado o lançamento realizado com base neste regime. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício e DAR provimento ao recurso voluntário, para reduzir o coeficiente de determinação do lucro presumido de 32% para 8%. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO Presidente. (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR RELATOR Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 7. 00 00 09 /2 00 9- 28 Fl. 550DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/1 2/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente) e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário relativo ao IRPJ e CSLL dos anos de 2006 e 2007, em razão da constatação das seguintes infrações, conforme relatado pela DRJ: “II DAS INFRAÇÕES LANÇADAS 2. A Empresa foi autuada pelas seguintes infrações à legislação tributária, a saber: 001 RECEITAS DA ATIVIDADE A PARTIR DO AC 93/ RECEITA BRUTA MENSAL SOBRE A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS – AC 2007 Receita da prestação de serviços escriturada e não declarada, apurada conforme Relatório de Fiscalização em anexo. E assim descreve no Relatório de Fiscalização: [.....] Como o sujeito passivo ora fiscalizado, não procedeu a entrega da Declaração de Informações Econômico Fiscais de Pessoa Jurídica (DIPJ) do ano calendário de 2007 (fl. 62), nem a Declaração de débitos e Créditos Federais DCTF (fl .94), que é a declaração que representa a confissão de dívida perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil, e além dessas omissões de obrigações acessórias somente realizou pagamentos, a menor, de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL no 1º o Trimestre de 2007, conforme valores retirados dos sistemas da RFB (fl. 445) ficando inadimplente com a RFB por todo o restante de 2007 , procedemos então a lavratura do Auto de Infração para apurar os lançados nos livros fiscais, não declarados e não recolhidos aos cofres públicos de acordo com as planilhas do final do presente relatório. 002 APLICAÇÃO INDEVIDA DE COEFICIENTE DE DETERMINAÇÃO DO LUCRO A PARTIR DO AC 93 APLICAÇÃO INDEVIDA DE COEFICIENTE DE DETERMINAÇÃO DO LUCRO IRPJ apurado a menor DIPJ, em decorrência da aplicação indevida do coeficiente de determinação do lucro presumido de Fl. 551DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/1 2/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R Processo nº 10247.000009/200928 Acórdão n.º 1201001.092 S1C2T1 Fl. 551 3 8% sobre as receitas da atividade de Apoio à Produção Florestal, abaixo descritas, quando o correto seria 32%. E assim descreve no Relatório de Fiscalização: [...] Verificada as infrações à legislação tributária, decorrente das diferenças entre os valores declarados com aplicação do coeficiente de determinação do lucro presumido – AC 2006 e os valores não declarados e não pagos referente ao ano calendário de 2007, o Imposto de Renda Pessoa Jurídica e o adicional apurados de acordo com o regime de tributação do lucro presumido sobre as receitas trimestrais aplicouse o percentual de 32% obtendose o lucro presumido trimestral a partir do qual foi apurado o imposto devido, conforme Auto de Infração – IRPJ (Lei 9.249/95, art. 16 e 24, e Lei nº 9.430/96, art. 27, inciso I). [.....] A OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO O Contribuinte fez opção pelo regime de tributação com base no Lucro Presumido, conforme mostra a Declaração de Informações Econômicas Fiscais de Pessoa Jurídica (DIPJ) entregue por ele do ano calendário de 2006 (fls. 63 a 92). Já no ano calendário de 2007 o sujeito passivo não efetuou a entrega da DIPJ, porém efetuou pagamentos de IRPJ referentes ao 1º Trimestre de 2007 como lucro presumido, conforme consulta realizada nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (fls. 445). [....] INFRAÇÕES APURADAS – Aplicação indevida do coeficiente de determinação do lucro – AC 2006 (...) De acordo com a descrição do contrato de prestação de serviços da empresa autuada com a empresa Jarí Celulose S/A, entregues pelo sujeito passivo à fiscalização (fls. 10/45), a atividade desempenhada pelo contribuinte é a prestação de serviço de apoio à produção florestal, CNAE 0230600 como serviços silviculturais de corte e empilhagem de madeira para celulose. Corte de resíduos florestais, desgalhamento, desdobramento, preparação de dormentes, adubação, controle de pragas, irrigação, limpeza, plantio e replantio de mudas, aplicação de produtos químicos em áreas de terceiros; e como o sujeito passivo ora Fl. 552DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/1 2/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R 4 autuado não assume todos os encargos do produtor rural abrangendo todo o ciclo produtivo, não resta dúvida de que deve ser aplicado o percentual de 32% sobre a receita bruta auferidas nos respectivos períodos de apuração. (...)” O contribuinte apresentou impugnação ao Auto de infração (fls. 490/500), argumentando, em síntese que: é pessoa jurídica que atua na área rural; nos anos fiscalizados, possuía uma média de 1.000 (mil) empregados que, por força da legislação trabalhista, estavam tutelados e vinculados as normas de controle e proteção ao trabalho rural; a Fiscalização apoiada em aspectos materiais do CNAE não analisou aspectos reais e principiológicos do caso fático. ao contrário do que afirma a Fiscalização (que a atividade da Empresa é a atividade de apoio à ATIVIDADE FLORESTAL), o contribuinte efetivamente executa todas as fases do processo produtivo agrícola(rural), ou seja, limpa a terra, ara, semeia e colhe. passou a adotar, a partir do ano calendário de 2007, a sistemática da apuração pelo Lucro Real, não tendo, como afirma a Fiscalização, optado pelo lucro presumido, muito menos pago qualquer cota relativa a esta opção. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA) considerou a impugnação procedente em parte. Em relação a base de cálculo aplicável, em 2006, àqueles que exercem atividade rural foi consignado que não resta dúvida de que a base de cálculo do lucro presumido é de 8% sobre a receita bruta auferida na atividade rural, conforme determina o art. 12 da IN SRF nº 257/2002. Entretanto, no caso, não há elementos no processo para se concluir que as atividades desenvolvidas pelo contribuinte se caracterizam ou não como atividade rural, para os fins da legislação do imposto de renda. Como a interessada cuida apenas da implantação do desmatamento ou reflorestamento, do plantio ou replantio de culturas, adubação, limpeza, recuperação ambiental, sem que desenvolva todas as etapas, concluiu que a atividade exercida é de prestação de serviços e não de atividade rural, para os fins do imposto de renda. Relativamente ao ano calendário de 2007, concluiu que foi indevida a apuração com base no lucro presumido, pois não há comprovação de que o contribuinte tenha formalizado a opção pelo lucro presumido, pelo pagamento do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração no ano calendário de 2007. Fl. 553DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/1 2/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R Processo nº 10247.000009/200928 Acórdão n.º 1201001.092 S1C2T1 Fl. 552 5 Consignou que deveria a fiscalização ter apurado o lucro tributável através do Lucro Real Trimestral, e, caso, a escrituração não estivesse apta a servir de base à tributação, efetuar a tributação pelo Lucro Arbitrado. Desse modo, diante do erro na apuração da base de cálculo dos tributos, que requerem a apuração do lucro tributável, exonerou o crédito tributário lançado no ano calendário de 2007. Diante do valor exonerado, foi apresentado Recurso de Ofício. Ademais, o contribuinte, na parte em que teve sua impugnação indeferida, apresentou Recurso Voluntário, por do qual repisou o argumento de que a atividade por ele exercida é de natureza rural, razão pela qual o percentual aplicável à base de cálculo deve ser de 8%. É o relatório. Voto Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR RELATOR Os recursos preenchem os requisitos de admissibilidade, deles tomo conhecimento. Tratase de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário relativo ao IRPJ e CSLL dos anos de 2006 e 2007, pois a fiscalização considerou indevida a aplicação do coeficiente de determinação do lucro, sob o fundamento de que, de acordo com a descrição dos contratos de prestação de serviços da empresa autuada com a empresa Jarí Celulose S/A (fls. 10/45), a atividade desempenhada pelo contribuinte é a prestação de serviço de apoio à produção florestal, CNAE 0230600, já que este não assume todos os encargos do produtor rural abrangendo todo o ciclo produtivo. Verificadas as infrações decorrentes das diferenças entre os valores declarados com erro na aplicação do coeficiente de determinação do lucro presumido AC 2006 e os valores não declarados e não pagos referentes ao ano calendário de 2007, o IRPJ e o adicional foram apurados de acordo com o regime de tributação presumido. Feitas essas considerações, passo à análise dos argumentos suscitados em sede de Recurso Voluntário. Em relação à atividade rural, esta vem definida na Instrução Normativa 257/02 que dispõe: Fl. 554DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/1 2/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R 6 “Atividade Rural Art. 2º A exploração da atividade rural inclui as operações de giro normal da pessoa jurídica, em decorrência das seguintes atividades consideradas rurais: I a agricultura; II a pecuária; III a extração e a exploração vegetal e animal; IV a exploração de atividades zootécnicas, tais como apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais; VI o cultivo de florestas que se destinem ao corte para comercialização, consumo ou industrialização; VII a venda de rebanho de renda, reprodutores ou matrizes; VIII a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como: (...)” Ademais, da documentação acostada aos autos, é possível constatar que: (i) todas as notas fiscais referemse a serviços prestados pelo contribuinte para a empresa Jarí Celulose S/A; (ii) os serviços eram prestados na totalidade ou quase totalidade da cadeia de produção, pois foi demonstrado que este realizava o “corte e empilhagem de madeira para celulose, corte de resíduos florestais, desgalhamento, desdobramento, preparação de dormentes, adubação, controle de pragas, irrigação, limpeza, plantio e replantio de mudas, aplicação de produtos químicos em áreas de terceiros”. Assim, resta evidente que a Jari Celulose terceirizava sua atividade e o contribuinte exercia atividade tipicamente rural, razão pela qual dou provimento ao Recurso Fl. 555DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/1 2/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R Processo nº 10247.000009/200928 Acórdão n.º 1201001.092 S1C2T1 Fl. 553 7 Voluntário, considerando correta a base de cálculo aplicada em 2006 (de 8% sobre a receita bruta auferida na atividade rural, conforme determina a IN SRF nº 257/2002). Em relação ao ano de 2007, a DRJ exonerou o crédito tributário lançado no período, pois concluiu que houve erro na apuração da base de cálculo dos tributos, pois a fiscalização efetuou a apuração com base no lucro presumido e, no caso, não há comprovação de que o contribuinte tenha formalizado a opção pelo lucro presumido, pelo pagamento do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração no ano calendário de 2007. Em razão do valor exonerado no período, houve recurso de ofício, ao qual nego provimento, mantendo a decisão da DRJ, pelas razões que seguem. Dispõe o art. 26, §1º, da lei 9430/96: “Art. 26. A opção pela tributação com base no lucro presumido será aplicada em relação a todo o período de atividade da empresa em cada anocalendário. § 1º A opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano calendário.” E, no caso, a fiscalização não demonstrou que o contribuinte teria optado pelo lucro presumido por meio do pagamento. Em que pese a apresentação de relação de pagamentos elaborada pela própria SRF (fl. 445), o contribuinte demonstrou, às fls. 503 a 505, que os pagamentos nos montantes de R$ 49.788,00 (IRPJ) e R$ 4.463,00 (CSLL), alocados pela fiscalização como pagamento do 1º trimestre de 2007, em verdade são referentes ao 4º trimestre de 2006. Assim, não merece reforma a decisão da DRJ nesta parte, devendo ser mantida a exoneração do crédito tributário lançado no ano de 2007. Por todo o exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário e nego provimento ao Recurso de Ofício. JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR RELATOR Relator Fl. 556DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/1 2/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R 8 Fl. 557DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/1 2/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R
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Numero do processo: 13891.720127/2013-26
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
DCTF. ENTREGA INTEMPESTIVA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA.
A obrigação acessória, prestação positiva ou negativa no interesse do fisco, obrigatoriedade de entrega tempestiva de DCTF está prevista em lei em sentido amplo, e regulamentada por instruções normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil.
A imposição de multa pecuniária, por descumprimento de prazo atinente à DCTF, tem amparo na lei em sentido estrito.
O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal.
Não sendo a entrega serôdia de declaração infração de natureza tributária, mas sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea do artigo 138 do CTN, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF.
As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo.
A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo ou contribuição.
DCTF. PERDA DE PRAZO. ENTREGA A DESTEMPO. ESPONTANEIDADE. APLICAÇÃO DE OFÍCIO DE MULTA MÍNIMA. REDUÇÃO DA MULTA PECUNIÁRIA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL.
Não há previsão legal para redução da multa pecuniária mínima aplicada de ofício, por descumprimento de obrigação acessória autônoma - entrega tardia, fora do prazo, de declaração, ainda que a entrega da declaração tenha ocorrido, de forme espontânea, antes da ciência do início do procedimento de fiscalização.
Há previsão legal apenas para redução de 50% da multa aplicada para pagamento à vista ou redução de 40% para pedido de parcelamento formalizado, no prazo de trinta dias da ciência do lançamento fiscal (Art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosgto de 1991, com redação pela Lei nº 11.941, de maio de 2009), porém o sujeito passivo preferiu impugnar, discutir, o lançamento fiscal, perdendo esse benefício fiscal.
PERDA DE PRAZO PARA APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DA DCTF. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
A responsabilidade por infração à legislação tributária é objetiva, não se perquire a razão, o motivo, da perda de prazo que implicou o cumprimento intempestivo da obrigação acessória.
Pretensa demora ou falta de manifestação do fisco, quanto ao pedido de validação de procuração para utilização de certificação digital protocolizado antes do término do prazo tempestivo para entrega de DCTF, não exime o contribuinte de apresentar a DCTF no prazo legal, seja pela internet, seja em disquete, seja por outro meio (por exemplo, DCTF em papel) diretamente na repartição fiscal ou por via postal com comprovação de data de postagem, pois a referida protocolização do pedido de validação de procuração não tem efeito suspensivo (não tem o condão de eximir o contribuinte de cumprir tempestivamente a obrigação acessória autônoma).
O ônus de fazer prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito constitutivo do fisco, é do sujeito passivo (Arts. 15 e 16, III, do Decreto nº 70.235/72 e art. 333, II, do Código de Processo Civil).
Numero da decisão: 1802-002.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Correa - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Henrique Heiji Erbano.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ENTREGA INTEMPESTIVA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA. A obrigação acessória, prestação positiva ou negativa no interesse do fisco, obrigatoriedade de entrega tempestiva de DCTF está prevista em lei em sentido amplo, e regulamentada por instruções normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A imposição de multa pecuniária, por descumprimento de prazo atinente à DCTF, tem amparo na lei em sentido estrito. O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal. Não sendo a entrega serôdia de declaração infração de natureza tributária, mas sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea do artigo 138 do CTN, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF. As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo. A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo ou contribuição. DCTF. PERDA DE PRAZO. ENTREGA A DESTEMPO. ESPONTANEIDADE. APLICAÇÃO DE OFÍCIO DE MULTA MÍNIMA. REDUÇÃO DA MULTA PECUNIÁRIA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não há previsão legal para redução da multa pecuniária mínima aplicada de ofício, por descumprimento de obrigação acessória autônoma entrega tardia, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 1. 72 01 27 /2 01 3- 26 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720127/201326 Acórdão n.º 1802002.401 S1TE02 Fl. 42 2 fora do prazo, de declaração, ainda que a entrega da declaração tenha ocorrido, de forme espontânea, antes da ciência do início do procedimento de fiscalização. Há previsão legal apenas para redução de 50% da multa aplicada para pagamento à vista ou redução de 40% para pedido de parcelamento formalizado, no prazo de trinta dias da ciência do lançamento fiscal (Art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosgto de 1991, com redação pela Lei nº 11.941, de maio de 2009), porém o sujeito passivo preferiu impugnar, discutir, o lançamento fiscal, perdendo esse benefício fiscal. PERDA DE PRAZO PARA APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DA DCTF. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infração à legislação tributária é objetiva, não se perquire a razão, o motivo, da perda de prazo que implicou o cumprimento intempestivo da obrigação acessória. Pretensa demora ou falta de manifestação do fisco, quanto ao pedido de validação de procuração para utilização de certificação digital protocolizado antes do término do prazo tempestivo para entrega de DCTF, não exime o contribuinte de apresentar a DCTF no prazo legal, seja pela internet, seja em disquete, seja por outro meio (por exemplo, DCTF em papel) diretamente na repartição fiscal ou por via postal com comprovação de data de postagem, pois a referida protocolização do pedido de validação de procuração não tem efeito suspensivo (não tem o condão de eximir o contribuinte de cumprir tempestivamente a obrigação acessória autônoma). O ônus de fazer prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito constitutivo do fisco, é do sujeito passivo (Arts. 15 e 16, III, do Decreto nº 70.235/72 e art. 333, II, do Código de Processo Civil). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa Presidente. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720127/201326 Acórdão n.º 1802002.401 S1TE02 Fl. 43 3 (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Henrique Heiji Erbano. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720127/201326 Acórdão n.º 1802002.401 S1TE02 Fl. 44 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de efls. 28/36 contra a decisão da 4ª Turma da DRJ/Recife (efls. 20/23) que julgou improcedente a impugnação da Notificação de Lançamento – multa por atraso na entrega da DCTF mensal do PA junho/2010 , mantendo a exigência do crédito tributário lançado de ofício. Quanto aos fatos: consta da Notificação de Lançamento (efl. 06) que a Contribuinte, em 18/04/2013, entregou ao fisco a DCTF mensal do PA junho/2010, com atraso de 33 (trinta e três) meses ou fração de mês calendário. Ou seja: a) prazo limite para entrega tempestiva da DCTF: 20/08/2010; b) data de entrega: 18/04/2013; montante dos tributos/contribuições informados na DCTF: R$ 160,06 (efl. 07); multa aplicada: multa mínima R$ 500,00. Descrição dos fatos: Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) entregue fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação da multa de 2% (dois por cento) ao mês ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que tenham sido integralmente pagos, reduzida em 50% (cinqüenta por cento) em virtude da entrega espontânea da declaração, respeitado o percentual máximo de 20% (vinte por cento) e o valor mínimo de R$ 200,00 (duzentos reais) no caso de inatividade e de R$ 500,00 (quinhentos reais) nos demais casos. Enquadramento legal: Arts. 115 e 160 da Lei 5.172, de 25/10/1966; Art. 1º da Lei 9.249, de 26/12/1995; Art. 7º, caput e inc. II e § 3º , II, da Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004. (...) A Contribuinte tomou ciência, eletronicamente, da Notificação de Lançamento em 18/04/2011 (efl. 06), e apresentou defesa Manifestação de Inconformidade em 03/05/2013 (efls.02/05), cujas razões, em síntese, estão assim resumidas no relatório da decisão a quo e que, nessa parte, transcrevo (efl. 21): (...) Fl. 44DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720127/201326 Acórdão n.º 1802002.401 S1TE02 Fl. 45 5 Cientificada, a contribuinte apresentou a impugnação, alegando, em síntese, que devido ao custo para adquirir um certificado digital, contratou uma contadora e protocolou no dia 12/07/2010 a solicitação de Procuração para a Receita Federal, porém até a presente data a Agência da Receita Federal de Bragança Paulista não informou o deferimento ou indeferimento do pleito. Lembra que após a solicitação a Receita Federal tem até 30 dias para deferir ou indeferir a solicitação. Sem a procuração ficou impedida de apresentar em tempo hábil a DCTF. Conclui afirmando que o atraso na entrega da DCTF foi ocasionado pela própria RFB, não sendo justo a responsabilização da impugnante. Em outro ponto afirma, caso seja mantida aplicação da multa, que o percentual a ser aplicado é de 20% totalizando uma multa de R$ 32,00. (...) A DRJ/Recife, à luz da legislação e dos fatos, julgou a impugnação improcedente, mantendo a exigência do crédito tributário, conforme Acórdão de 08/11/2013 (efls.20/23), cuja ementa transcrevo a seguir: (...) ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 ATRASO NA ENTREGA DA DCTF . O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, sujeitaserá a multa especificada na legislação. CERTIFICADO DIGITAL. É obrigação do sujeito passivo a manutenção de certificado digital válido, ou procuração eletrônica, que possibilite a entrega tempestiva de suas declarações/demonstrativos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Ciente desse decisum em 03/12/2013 (efl. 26), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 02/01/2014 (efls. 28/36), reiterando as razões já apresentadas na Manifestação de Inconformidade, na primeira instância, e já resumidas anteriormente. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720127/201326 Acórdão n.º 1802002.401 S1TE02 Fl. 46 6 Por fim, a recorrente, com base nas citadas razões, pediu: a) a reforma da decisão recorrida, ou seja, a improcedência do lançamento fiscal, b) alternativamente a redução da multa para R$ 32,00 = (20% x R$ 160,06). É o relatório. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720127/201326 Acórdão n.º 1802002.401 S1TE02 Fl. 47 7 Voto Conselheiro Relator Nelso Kichel. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, o litígio versa acerca da exigência de multa pecunária por atraso na entrega da DCTF mensal do PA junho/2010, ou seja, pela inobservância do prazo limite no cumprimento de obrigação acessória autônoma. O prazo limite para apresentação tempestiva da DCTF mensal era 20/08/2010, conforme IN RFB nº 974, de 27/11/2009, art. 5º, in verbis: Art. 5º As pessoas jurídicas devem apresentar a DCTF até o 15º(décimo quinto) dia útil do 2º(segundo) mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores.(vide art. 1º da Instrução Normativa RFB nº 1.129, de 2011) § 1º (...) § 2º (...) § 3º (...). Entretanto, a contribuinte cumpriu essa obrigação acessória autônoma a destempo, ou seja, apenas em 18/04/2013 (trinta e três meses de atraso). Por isso da imposição, em concreto, da multa pecuniária objeto dos autos. Nas razões do recurso, a recorrente alegou: que perdera o prazo para entrega tempestiva da DCTF pela falta de certificação digital, pois para entrega dessa declaração pela internet a RFB passou a exigir assinatura digital, para períodos de apuração a partir de maio/2010, conforme IN RFB nº 974/2009, art. 4º, in verbis: Art. 4ºA DCTF deverá ser elaborada mediante a utilização de programas geradores de declaração, disponíveis na página da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) na Internet, no endereço < http:// www. receita.fazenda.gov.br>. § 1ºA DCTF deve ser apresentada mediante sua transmissão pela Internet com a utilização do programa Receitanet disponível no endereço eletrônico referido no caput. § 2ºPara a apresentação da DCTF é obrigatória a assinatura digital da declaração mediante utilização de certificado digital válido, ficando dispensadas dessa obrigação: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.036, de 1º de junho de 2010) Fl. 47DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720127/201326 Acórdão n.º 1802002.401 S1TE02 Fl. 48 8 I as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro presumido ou aquelas imunes ou isentas do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ), para as DCTF referentes aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro a abril de 2010; e (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.036, de 1º de junho de 2010) II os órgãos públicos da administração direta da União e as autarquias e as fundações públicas federais, para as DCTF referentes aos fatos geradores ocorridos até o mês de dezembro de 2010. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.036, de 1º de junho de 2010) § 3ºO disposto nos §§ 1ºe 2ºaplicase, inclusive, aos casos de extinção, incorporação, fusão e cisão total ou parcial. que, não sendo contribuinte do Simples, nem empresa inativa, está obrigada à apresentação de DCTF e que, para cumprimento dessa obrigação acessória, o fisco exige o uso da assinatura digital (certificação digital); que a emissão do certificado digital é feita de forma onerosa pelas empresas certificadoras, o que implica assumir custos; que, sendo uma uma empresa pequena (pequeno faturamento), não tem condições assumir tal custo; que contratou uma profissional de contabilidade que possui certificação digital que poderia suprir a falta de certificação digital da recorrente; que nesse sentido, em 12/07/2010, protocolizou, junto à Agência da RFB de Bragança Paulista, pedido de validação de procuração – instrumento de mandato outorgando poderes à profissional de contabilidade, para representar a outorgante (recorrente) perante a RFB, no período de 28/06/2010 a 27/06/2015, podendo a outorgada assinar digitalmente, em nome da outorgante, as declarações a serem transmitidas pela internet. Cópia da procuração (e fl. 08); que o fisco, entretanto, não se manifestou quanto ao pedido protocolado; que ficou impedida de transmitir a DCTF tempestivamente; que, por conseguinte, não tem culpa pela perda do prazo (entrega intempestiva da DCTF). Inexistindo invocação de preliminar, passo à análise do mérito. INFRAÇÃO IMPUTADA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA A recorrente reconhece que apresentou a DCTF em atraso, não se insurge quanto a esse fato; porém, ataca os efeitos jurídicos dessa perda de prazo, alegando que não teria culpa, pois protocolara pedido de validação de procuração – instrumento do mandato – outorgando poderes, para representála junto à RFB, a profissional de contabilidade contratada para transmissão de DCTF pela internet, a qual possui certificação digital para assinatura Fl. 48DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720127/201326 Acórdão n.º 1802002.401 S1TE02 Fl. 49 9 eletrônica (efl. 08); que o fisco não se manifestou antes da data limite para apresentação tempestiva da DCTF, se validava ou não a referida procuração. Quanto ao pleito protocolizado (validação de procuração), a falta de manifestação do fisco, antes de término do prazo tempestivo para entrega da DCTF, não exime a recorrente de apresentar a DCTF no prazo legal, seja pela internet, seja em disquete, seja por outro meio (por exemplo, DCTF em papel) diretamente na repartição fiscal ou por via postal com comprovação de data de postagem, pois a referida protocolização do pedido de validação da procuração não tem efeito suspensivo (não tem o condão de eximir a contribuinte de cumprir tempestivamente a obrigação acessória). Em relação à alegada culpa da RFB na demora da validadação de procuração não restou caracterizada nos autos, tanto nesta instância recursal, quanto na primeira instância de julgamento. A propósito, nessa parte adoto também, como razão decidir, a fundamentação constante do voto condutor do acórdão recorrido e que transcrevo a seguir (efls.21/22 ), in verbis: A contribuinte alega que efetuou a Solicitação de Procuração junto a Receita Federal do Brasil e que esta atrasou na validação desta procuração. De acordo com a IN RFB nº 944 de 29/05/2009 que dispõe sobre a outorga de poderes para fins de utilização, mediante certificado digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (eCAC) da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), em especial o art. 3º, §3º, além do registro no sistema próprio para a validação da procuração deverão ser entregues a procuração original e cópias autenticadas dos documentos de identificação do outorgante, do outorgado e do procurador de que trata o inciso III do caput. No presente processo a contribuinte apresenta a Solicitação de Procuração da empresa outorgando poderes a Ana Maria Fioroni Zampronio, porém não apresenta provas que tenha cumprido as demais condições para ter sua procuração validada. Caberia a contribuinte, para provar que a Receita Federal do Brasil não cumpriu o prazo para validação da Procuração, apresentar as provas de que entregou os documentos necessários a validação da procuração, a procuração original e cópias autenticadas dos documentos de identificação do outorgante, do outorgado e do procurador: Art. 3º A procuração emitida por meio do aplicativo referido no art. 2º deverá ser impressa e assinada perante servidor da RFB: ( Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.146, de 6 de abril de 2011 ) I pelo responsável da empresa perante o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), no caso de Pessoa Jurídica; ( Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.146, de 6 de abril de 2011 ) Fl. 49DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720127/201326 Acórdão n.º 1802002.401 S1TE02 Fl. 50 10 II pelo próprio contribuinte, no caso de Pessoa Física; ou ( Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.146, de 6 de abril de 2011 ) III por procurador constituído por procuração pública específica com poderes próprios para a realização da outorga de que trata o art. 1º.( Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.146, de 6 de abril de 2011 ) § 1º Na impossibilidade de comparecimento do outorgante perante servidor da RFB, será aceita a procuração com firma reconhecida em cartório. ( Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.146, de 6 de abril de 2011 ) § 2º Para produzir efeitos junto ao eCAC, observado o disposto no caput, a procuração deverá ser incluída no Sistema de Procurações Eletrônicas do eCAC, mediante validação a ser efetuada em uma unidade de atendimento da RFB, no prazo de 30 (trinta) dias contados da data de sua emissão. ( Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.146, de 6 de abril de 2011 ) § 3º Para validação, deverão ser entregues a procuração original e cópias autenticadas dos documentos de identificação do outorgante, do outorgado e do procurador de que trata o inciso III do caput, sendo que a autenticação das cópias também poderá ser efetuada pela própria unidade de atendimento da RFB, mediante apresentação dos documentos originais. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.146, de 6 de abril de 2011 ) Não tendo comprovado que cumpriu todos os requisitos determinados pela legislação para validação de sua procuração não há como determinar que a Receita Federal foi quem ocasionou a falta do certificado digital para entrega da DCTF. Nesta instância recursal, a recorrente também não comprovou que tivesse cumprido todos os requisitos determinados pela legislação para validação de sua procuração. Logo, não há como determinar que a Receita Federal teria ocasionado a falta do certificado digital para entrega da DCTF. O ônus de fazer prova, de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito constitutivo do fisco, é do sujeito passivo. Como demonstrado, a recorrrente não tomou as devidas cautelas para apresentação tempestiva da DCTF, deixando o prazo, lapso temporal, transcorrer in albis. É cediço que responsabilidade por infração à legislação tributária é objetiva, não se perquire a razão, o motivo, da perda de prazo que implicou o cumprimento intempestivo da obrigação acessória. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720127/201326 Acórdão n.º 1802002.401 S1TE02 Fl. 51 11 Nesse sentido, transcrevo o disposto no art. 16 do CTN, in verbis: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Por conseguinte, a mera perda de prazo, por si só, configurou a infração imputada. Por isso da exigência da multa percuniária objeto dos autos. DCTF. PERDA DE PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. ENTREGA ESPONTÂNEA. REDUÇÃO DA MULTA APLICADA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Exceto para os casos de empresa inativa e de empresa do Simples, a multa cominada em abstrato é de 2% (dois por cento) do somatório dos tributos e contribuições confessados na DCTF do respectivo PA, não podendo a multa ser inferior a R$ 500,00 (Lei 10.426/2002, art. 7º, II e § 3º, II), in verbis: Art. 7oO sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I (...) IIde dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; (...) § 3ºA multa mínima a ser aplicada será de:(Vide Lei nº 11.727, de 2008) I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto naLei nº9.317, de 1996; IIR$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos.(os grifos não são do original) (...) Fl. 51DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720127/201326 Acórdão n.º 1802002.401 S1TE02 Fl. 52 12 No caso objeto dos autos, foi aplicada pelo fisco, em concreto, a multa pecuniária mínima de R$ 500,00. Não há previsão legal de redução da multa mínima aplicada de R$ 500,00, conforme inteligência do disposto nos §§ 2º e 3º, do art. 7º da Lei 10.426/2002, in verbis: Art. 7º (...). § 2ºObservado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: Ià metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; IIa setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3ºA multa mínima a ser aplicada será de:(Vide Lei nº 11.727, de 2008) IR$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto naLei nº9.317, de 1996; IIR$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. (os grigos não são do original) (...) DCTF. ENTREGA MENSAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. A DCTF, obrigação acessória autônoma, foi implementada pela Instrução Normativa SRF nº 129/86, com fulcro no art. 5º do DL 2.124/84 e no art. 16 da Lei 9.779/99, sendo atualizada, a partir daí, periodicamente. A propósito, transcrevo o disposto no art. 5º do Decreto nº 2.124/84: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2º (...) § 3º Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa (...) Fl. 52DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720127/201326 Acórdão n.º 1802002.401 S1TE02 Fl. 53 13 No mesmo sentido, dispõe o art. 16 da Lei nº 9.779/99: Art.16.Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. A partir da edição da IN SRF 126/1998, a DCTF passou a ser instrumento eminentemente de confissão de dívida. A dispensa de lei em sentido estrito para implementação de obrigação acessória (v. g., DCTF) é matéria pacífica no âmbito do Poder Judiciário. A propósito, transcrevo precedentes jurisprudenciais: 1) TRF/3ª Região, 6ª Turma, sessão de 04/07/2007, processo (AMS 16487 SP 2002.03.99.0164877), in verbis: (...) TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. CRIAÇÃO DCTF. INSTRUÇÃO NORMATIVA. ILEGALIDADE. INOCORRÊNCIA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. MULTA MORATÓRIA. INCIDÊNCIA. 1. A DCTF veio regulamentar a arrecadação e a fiscalização de tributos federais, tratandose, a bem da verdade, de mero procedimento administrativo, suscetível de criação por norma complementar, não havendo que se falar em ofensa ao princípio da reserva legal em vistas a indelegabilidade da competência tributária. 2. (...) 3.(..). 4. O atraso na entrega da declaração de renda de pessoa física ou jurídica é infração de natureza nãotributária, em razão do descumprimento de uma obrigação acessória autônoma necessária ao exercício da atividade administrativa de fiscalização do tributo, não lhe sendo aplicável, portanto, a regra prevista no art. 138, do CTN. 5. Apelação e remessa oficial providas. Recurso adesivo improvido. (...) Fl. 53DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720127/201326 Acórdão n.º 1802002.401 S1TE02 Fl. 54 14 2) – TRF/4ª Região, 1ª Turma, sessão de 23/06/2010, processo (AC 11264 PR 2004.70.01.0112645), in verbis: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. DCTF. INSTRUÇÃO NORMATIVA. SELIC. ENCARGO LEGAL. DL N. 1.025/69. 1.A obrigação acessória de entrega da DCTF está prevista legalmente, sendo apenas regulamentada em instruções normativas da Secretaria da Receita Federal, (...) 2. A incidência da SELIC sobre os créditos fiscais se dá por força de instrumento legislativo próprio (lei ordinária), sem importar qualquer afronta à Constituição Federal. 3. O encargo legal de 20%, referente à inscrição em dívida ativa, é constitucional, compõe o débito exeqüendo e é sempre devido nas execuções fiscais, substituindo, nos embargos, a condenação em honorários por expressa previsão legal (artigo 1º, do Decretolei nº 1.025/69). (...) 3) – TRF/5ª Região, 1ª Turma, sessão de 03/02/2005, processo (Apelação em MS 80402PE 2001.83.00.0192525), in verbis: TRIBUTÁRIO. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. LEGALIDADE. O atraso na entrega da declaração é considerado como sendo o descumprimento de uma atividade fiscal exigida por lei, não se confundindo com o nãopagamento do tributo. A imposição da multa por falta de entrega de Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF tem amparo legal, configurando seu atraso, ou não entrega, em infração autônoma. Precedentes do STJ e desta Corte. Apelação não provida. (...) Em matéria de descumprimento de prazo para entrega tempestiva de declaração (v. g., DCTF) é inaplicável o art. 138 do CTN, quando cumprida a obrigação acessória a destempo e voluntariamente, pois tratase de obrigação autônoma, não relacionada com fato gerador de tributo ou contribuição, cuja infração configurase, simplesmente, pela perda do prazo fixado para cumprimento tempestivo dessa obrigação acessória. Nesse sentido, é a posição consolidada do STJ, in verbis: “TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS Fl. 54DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720127/201326 Acórdão n.º 1802002.401 S1TE02 Fl. 55 15 . 1. A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Precedentes. 2. Recurso especial não provido.” (STJ, Segunda Turma, RESP RECURSO ESPECIAL – 1129202, Data da Publicação: 29/06/2010) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória. Precedentes do STJ. 2. Agravo Regimental não provido. (STJ, 2ª Turma, AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 916.168 SP 2007/00052315, sessão de 24/03/2009, Relator Min. Herman Benjamin). A multa pecuniária pela falta de entrega da DCTF ou pela entrega a destempo, está prevista em Lei stricto sensu, ou seja, no art. 7º, II e § 3º, II, da Lei nº 10.426/2002, conforme texto legal já transcrito alhures. O dispostivo legal citado é norma específica para imposição de multa pecuniária por descumprimento de obrigação acessória autônoma relativo à não entrega de DCTF no prazo regulamentar ou para entrega efetuada após vencido o prazo regulamentar. Por ter sido aplicada multa mínima de R$ 500,00 para o PA junho de 2010 (Lei 10.426/2002, art.7º, § 3º, II), incabível sua redução por vedação do § 2º desse mesmo art. 7º da Lei nº 10.426/2002, ainda que a entrega a destempo da declaração tenha sido espontânea, ou seja, antes da ciência do início do procedimentos de fiscalização, conforme já restou enfrentada essa quesão, anteriormente. A única redução de multa prevista legalmente e que a contribuinte faria jus caso não tivesse impugnado o lançamento de ofício (porém impugnou!), seria a consignada no próprio texto da Notificação de Lançamento fiscal (efl. 06), in verbis: (...) 5. INTIMAÇÃO Fica o contribuinte acima identificado INTIMADO a recolher ou impugnar no prazo de trinta dias da ciência da Notificação de Lançamento o presente crédito tributário. A impugnação deve ser dirigida ao Delegado da Receita Federakl do Brasil de sua jurisdição (...). Fl. 55DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720127/201326 Acórdão n.º 1802002.401 S1TE02 Fl. 56 16 Até o vencimento desta notificação, serão concedidas reduções de 50% para pagamento à vista ou 40% para pedidos de parcelamento formalizados neste mesmo prazo (Art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosgto de 1991, com redação pela Lei nº 11.941, de maio de 2009). (...) Por tudo que foi exposto, voto para NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 56DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL
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