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Numero do processo: 10580.732431/2012-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITA NA DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EVIDENTE DE FRAUDE. IMPOSSBILIDADE.
1. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula CARF nº 14).
2. A apresentação de declaração sem os valores da receita, ainda que reiterada, não configura a multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento). Este tipo fato configura declaração inexata, sancionada com a multa de 75% (setenta e cinco por cento).
JUROS DE MORA. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE.
A multa de oficio incide sobre o valor do crédito tributário devido e não pago, acrescido de juros moratórios, calculado com base na variação da taxa Selic, logo, se os juros moratórios integram a base de cálculo da referida multa, necessariamente, eles comporão o valor da multa de ofício devida.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA SITUAÇÃO PREVISTA NA LEI. IMPOSSIBILIDADE.
Deve ser afastada a responsabilidade tributária solidária, fundada nos arts. 124, I, e 135, III, do CTN, se não restou inequivocamente comprovado nos autos o interesse comum na situação que constitui o fato gerador, nem a prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3102-002.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para reduzir a multa ao percentual de 75% do imposto e excluir a sócia administradora do polo passivo. Vencidos os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira e Ricardo Paulo Rosa, que negavam provimento ao recurso. Os Conselheiros Demes Brito, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Andréa Medrado Darzé votaram pelas conclusões. O Conselheiro Ricardo Paulo Rosa fará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Demes Brito.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 REGIME NÃO CUMULATIVO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS OPERAÇÕES GERADORAS DE CRÉDITO. DEDUÇÃO BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo, por expressa previsão legal, é permitido ao contribuinte deduzir do valor dos débitos da Contribuição para o PIS/Pasep os valores dos créditos autorizados na legislação de regência, desde que comprovados com documentação hábil e idônea, o que não ocorreu na autuação objeto dos presentes autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 REGIME NÃO CUMULATIVO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS OPERAÇÕES GERADORAS DE CRÉDITO. DEDUÇÃO BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo, por expressa previsão legal, é permitido ao contribuinte deduzir do valor dos débitos da Cofins os valores dos créditos autorizados na legislação de regência, desde que comprovados com documentação hábil e idônea, o que não ocorreu na autuação objeto dos presentes autos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITA NA DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EVIDENTE DE FRAUDE. IMPOSSBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 24 31 /2 01 2- 51 Fl. 2157DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 2 1. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula CARF nº 14). 2. A apresentação de declaração sem os valores da receita, ainda que reiterada, não configura a multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento). Este tipo fato configura declaração inexata, sancionada com a multa de 75% (setenta e cinco por cento). JUROS DE MORA. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. A multa de oficio incide sobre o valor do crédito tributário devido e não pago, acrescido de juros moratórios, calculado com base na variação da taxa Selic, logo, se os juros moratórios integram a base de cálculo da referida multa, necessariamente, eles comporão o valor da multa de ofício devida. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA SITUAÇÃO PREVISTA NA LEI. IMPOSSIBILIDADE. Deve ser afastada a responsabilidade tributária solidária, fundada nos arts. 124, I, e 135, III, do CTN, se não restou inequivocamente comprovado nos autos o interesse comum na situação que constitui o fato gerador, nem a prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para reduzir a multa ao percentual de 75% do imposto e excluir a sócia administradora do polo passivo. Vencidos os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira e Ricardo Paulo Rosa, que negavam provimento ao recurso. Os Conselheiros Demes Brito, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Andréa Medrado Darzé votaram pelas conclusões. O Conselheiro Ricardo Paulo Rosa fará declaração de voto. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Demes Brito. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório contido na decisão de primeiro grau, que segue integralmente transcrito: Fl. 2158DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10580.732431/201251 Acórdão n.º 3102002.254 S3C1T2 Fl. 101 3 Trata o presente processo de Autos de Infração e Demonstrativos (fls.03/44) lavrados contra a contribuinte acima identificada, em decorrência da constatação de insuficiência de declaração/recolhimento do Contribuição para o Programa da Integração Social Pis e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social –Cofins, em 2009, que ensejou a lavratura de auto de infração que pretende a cobrança da Cofins e do PIS, relativa aos períodos de apuração do ano de 2009, nos valores de R$1.855.643,01 e R$402.895,73, respectivamente, acrescidos dos juros de mora e da multa de ofício agravada no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), totalizando um crédito tributário no valor de R$6.353.179,73. O enquadramento legal prevê a infração aos dispositivos legais descritos às fls. 05/06 (Cofins) e 26/27 (PIS). O autuante assim descreve no Termo de Verificação Fiscal (fls.45/48): • a empresa foi constituída desde 09/02/1998; • o quadro societário, durante o ano de 2009, era composto pelos seguintes sócios: a) Iraildes Souza da Silva, CPF n° 388.661.88549, com o percentual de 80,00% de participação no capital social; e b) Iraci Vasconcelos de Souza, CPF n° 132.316.42515, com o percentual de 20,00% de participação no capital social. O capital social é de RS 120.000,00 (cento e vinte mil reais). Somente a sócia Iraildes de Souza e Silva é a sócia administradora da sociedade; • em relação ao ano calendário de 2009 apresentou DIPJ adotando como forma de tributação o lucro real tendo e o regime nãocumulativo em relação à apuração do Pis e da Cofins; • a empresa foi intimada a apresentar os elementos solicitados no Termo de Início de Fiscalização, e, após pedido de prorrogação, apresentou: Livros Diário e Razão; Tabela com o faturamento do ano de 2009; • declaração, datada de 27082012, em que afirma que sua base de cálculo para o cálculo do PIS e da Cofins é a sua própria receita, pois não possui créditos que possa utilizar com dedução dos valores de receita; • de acordo com as informações contidas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, foram verificado: a) o contribuinte entregou as DACON's recepcionada peia SRFB em relação ao ano calendário de 2009, com os valores "zerados"; b) informações contidas nas DCTF's do ano de 2009 com os valores referentes ao PIS e a COFINS foram entregue "zeradas", sem informações de débitos; c) foram feitas retenções de PIS e COFINS pelos tomadores de serviços da fiscalizada, conforme verificado pelas DlRF's recepcionadas pela RFB; Fl. 2159DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 4 • a empresa em resposta a termo de intimação declara que: não Possui Nenhum Bem Imóvel e tampouco possui qualquer veículo. Esta resposta foi prestada pelo atual sócio Sr. Luis Cláudio Cerqueira de Oliveira, CPF: 537.080.83504; • consultando o Sistema RENAVAN, em 05/11/2012, verificouse que a empresa possui o Veículo Toyota Hilux SW4 cor prata placa NYO0020, ano 2010, modelo 2011, n°RENAVAN 276027604, sem qualquer restrição para venda. Foi feito o devido arrolamento do veículo acima descrito através do Processo Administrativo Fiscal n° 10580.732433/201240. • com base nas informações obtidas na análise dos elementos acima, e considerando os valores constantes na relação de faturamento de 2009, apresentada pela fiscalizada, que está em consonância com o montante de receitas escriturado no livro Razão apresentado à fiscalização, foi então elaborada planilha demonstrativa de apuração do PIS, da COFINS em relação ao ano calendário de 2009, que demonstra insuficiência de declaração/recolhimento de PIS e da COFINS, pela fiscalizada, em relação ao ano calendário de 2009. Quanto a qualificação da multa de ofício, no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), aplicada sobre os valores lançados como insuficiência de recolhimento nos autos de infração do Pis e da Cofins, verifica tratarse de infração prevista no artigo 44, I e §1° da Lei n° 9.430/96 combinado com o art. 71 da Lei n° 4.502/64, uma vez ser incontestável que a contribuinte, embora tenha auferido receitas com a atividade operacional, deixou de proceder à tributação dela, e com isso deixou também de proceder ao recolhimento no que se referem aos tributos federais administrados pela RFB (PIS e COFINS). Além disso, considerando o que determina o art. 1º da Lei n° 8.137/90, que trata dos crimes contra a ordem tributária, efetuou a Representação Fiscal para Fins Penais com o objetivo de que seja apurada a ocorrência de crime contra a ordem tributária conforme determina o dispositivo legal. Foi constituída a devida Representação Fiscal Para Fins Penais através do Processo administrativo fiscal n° 10580.732432/201203. Com a lavratura do auto de infração do PIS e COFINS referente ao ano calendário de 2009, conforme Processo Administrativo Fiscal PAF n° 10.580.732.431/201251, em 06 de novembro de 2012, restou caracterizada a sujeição passiva da pessoa física Sra Iraildes Souza da Silva, CPF nº388.661.88549, pessoalmente responsável pelo crédito tributário objeto deste auto de infração, na forma dos artigos 124, inciso I e 135, inciso III, da Lei nº5.172, de 1955, que aprova o Código Tributário Nacional – CTN, conforme lavratura do Termo de sujeição Passiva Solidária nº001, fl.471/472, haja vista que a empresa fiscalizada ORBRASERV ORGANIZAÇÃO BRASILEIRA DE SERVIÇOS LTDA, constituída em 09/02/1998, e desde a alteração contratual arquivada na JUCEB em 02/04/2004 até a alteração contratual arquivada na JUCEB em 08/01/2010 tem como sócios: a) Iraíldes Souza da Silva, CPF n° 388.661.88549 com 80% das quotas do Capital Social, e b) Sandra Souza da Silva, CPF n° 784.754.30520 com 20% das quotas do Capital Fl. 2160DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10580.732431/201251 Acórdão n.º 3102002.254 S3C1T2 Fl. 102 5 Social, sendo a administração da sociedade exercida exclusivamente pela sócia Iraildes Souza da Silva conforme determina a cláusula sexta da alteração contratual arquivada em 02/04/2004 pela Junta Comercial do estado da Bahia, tendo a empresa fiscalizada declarado como inexistentes ("zerados") as Receitas Tributáveis que compõe a base de cálculo do PIS e da COFINS, incorrendo, portanto, em tese, em crime de sonegação. Como a gestão da empresa foi exercida pela sócia Iraildes Souza da Silva, CPF n° 388.661.88549 ela é responsável solidária, quanto à exigência do crédito tributário de que trata os Autos de Infração lavrados relativamente ao PIS e à COFINS na data de 06/11/2012, conforme Processo Administrativo Fiscal PAF n° 10580.732431/201251. Cientificada do lançamento em 08/11/2012 (fl.04 e 24), a contribuinte apresenta impugnação, em 05/12/2012, folhas 1990/2001, sendo essas as suas alegações de defesa, em síntese: 1. a Fiscalização se valeu das informações prestadas pela própria contribuinte para efetuar o lançamento tributário em riste, notadamente, os Livros Diário e Razão do referido exercício, bem como a Tabela com faturamento do ano de 2009, e, ainda, as DACON's e DCTF's da fiscalizada, além das DIRF's enviadas pelos seus tomadores de serviços; 2. a Autoridade Fiscal, calcada em tais argumentos, entendeu pela qualificação da multa de ofício, agravandoa para o importe de 150% (cento e cinqüenta por cento), nos termos capitulados pelo art. 44,1 e §§, da Lei nº 9.430/96, por entender que as condutas da contribuinte revelaramse como prática de sonegação (art. 71, da Lei nº 4.502/64); 3. o agente autuante, justamente por entender que as condutas da contribuinte revelaramse como prática de sonegação, procedeu à Representação Fiscal para Fins Penais em face da contribuinte, a fim de seja apurada a ocorrência de crime contra a ordem tributária, desaguando, por conseguinte, na responsabilização solidária da sócia administradora Iraildes Souza da Silva, nos termos dos artigos 124,1, e 135, III, da Lei nº 5.172/66; 4. a autuação administrativa não detém qualquer respaldo jurídicolegal apto a sustentála, uma vez que os créditos tributários foram apurados através de critérios incompatíveis com a legislação tributária aplicável à espécie, além de os atos administrativos inerentes ao processo encontraremse flagrantemente carentes de motivação; 5. consoante inteligência do art. 2º da Lei n°. 9.718/98, temse que as contribuições para o PIS e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, devem ser calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas pela referida norma legal. Fl. 2161DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 6 6. nos termos do art. 22 da Lei nº 9.715/98 e do art. 22 da Lei Complementar nº 70/91, temse, respectivamente, que as contribuições para o PIS e a COFINS incidirão sobre o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, ou seja, restou definido que a base de cálculo dos referidos tributos deverá considerar, especificamente, o faturamento mensal da pessoas jurídicas contribuintes; 7. o fato gerador é o faturamento mensal do contribuinte; 8. a Fiscalização, com lastro nos elementos fiscocontábeis descortinados no curso do procedimento administrativo pela própria contribuinte, Livros Diário e Razão do referido exercício fiscalizado, bem como a Tabela com faturamento do mesmo ano de 2009, procedeu à aferição do quantum tributário que entendeu devido utilizandose, entretanto, de bases tributáveis superiores àquelas que efetivamente corresponderiam à atividade da impugnante e ao seu regime de tributação; 9. considerou a impugnante como prestadora de serviços em geral, o que é correto; porém, de forma equivocada, aplicoulhe uma sistemática indevida de tributação, configurada no regime nãocumulativo em relação à apuração do PIS e da COFINS, sem, contudo, proceder à devida e necessária consideração dos descontos alusivos aos créditos de que trata o art. 39, da Lei nº. 10.833/03, findando, pois, por majorar a exação, por haver apurado seus respectivos valores mediante a adoção de critérios incompatíveis com a natureza jurídica das atividades desenvolvidas pela impugnante; 10. constitui direito da contribuinte descontar do valor apurado, concernente às sobreditas contribuições, os créditos calculados em relação aos bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços, dentre outros, consoante inteligência do préfalado art. 3g, da Lei nº 10.833/03, sob pena de procederse a excesso de tributação, porquanto ser claro que apuração das contribuições restará maculada no tange à incorreta e exagerada quantificação da exação; 11. necessário acrescentar que o caput do art. 37 da Constituição Federal de 1988 determina como um dos princípios norteadores das atividades da administração pública, e atributo necessário do ato administrativo, o respeito ao Princípio da Legalidade; 12. a Lei Maior e o próprio CTN estabelecem que os tributos devem ser exigidos na forma da lei, sem a qual será inconstitucional e ilegal a sua cobrança, assim como será a atividade administrativa do lançamento vinculada as previsões legais, nos termos do inc. II, do art. 5º inc. I, do art. 150, ambos da CF/88, e inc. I, do art. 97 e Parágrafo único, do art. 142, do CTN; 13. confirmada a inobservância de norma legal a qual deveria ter sido aplicada à espécie para fins da correta constituição do crédito tributário, outra solução para contenda não poderia ser tomada por essa Conspícua Autoridade Julgadora senão a de Fl. 2162DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10580.732431/201251 Acórdão n.º 3102002.254 S3C1T2 Fl. 103 7 desconstituir o crédito tributário. Assim, pugna a empresa contribuinte, ora impugnante, pela declaração de integral improcedência do ato administrativo ensejador do lançamento tributário; 14. quanto a qualificação da multa de ofício, apesar de a Fiscalização afirmar que a figura da sonegação restou configurada nas condutas desenvolvidas pela empresa impugnante, não há, em todo o corpo dos autos, qualquer demonstração fática concreta de tais condutas ilícitas, sendo inadmissível aceitar que seja imposta à contribuinte a multa de ofício agravada à razão de 150% (cento e cinqüenta por cento), utilizandose como fundamento para tal imposição, tão somente, a capitulação legal do ilícito tributário da sonegação fiscal, sem, contudo, demonstrar a ocorrência de qualquer fato ou evento que conduzisse à imposição da sanção em comento; 15. estando a posição da Fiscalização fundada na presença, em tese, de sonegação, para proceder com a exasperação da multa de ofício prevista no dispositivo legal do art.44 da Lei nº9.430, de 1996, deveria o ente estatal ter demonstrado, de forma expressa e inconteste, ou melhor, ter provado a ocorrência da conduta prevista no art. 71 da Lei nº4.502/64, o qual reproduz; 16. desta disposição legal depreendese que a conduta cuja necessária comprovação é exigida para fins da imputação da multa agravada 150% (cento e cinqüenta por cento), é a SONEGAÇÃO, a qual se configura como a ação ou omissão dolosa do contribuinte tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou, ainda, as condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; 17. para a configuração da possibilidade de imposição da multa de ofício exasperada, haveria de ficar cabalmente demonstrada uma construção de fatos de difícil percepção que faria com que a impugnante passasse desapercebida do fisco, isto é, dificultasse de tal forma o conhecimento da autoridade fazendária acerca da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, que não fosse sequer selecionada para ser fiscalizada; 18. a atitude da impugnante não pode, jamais, ser considerada como ardilosa, a ponto de conduzir à interpretação da ocorrência da fraude tributária capitulada como SONEGAÇÃO, porquanto referiremse tais atos, tão somente, à ausência de oferecimento das suas receitas à tributação, desaguando, assim, em mero inadimplemento de tributo, fato que pode ser enquadrado, no máximo, como negligência, elemento da culpa, e não do dolo, razão pela qual restam completamente afastadas quaisquer das hipóteses de constituição da infração tributária em riste (art. 71, I e II, da Lei nº4.502/64) e, por conseguinte, o agravamento da multa de ofício; Fl. 2163DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 8 19. necessário destacar, outrossim, que o próprio Agente Autuante, também no seio do Termo de Verificação Fiscal, asseverou que “com base nas informações obtidas na análise dos elementos acima, e considerando os valores constante na relação de faturamento de 2009, apresentada pela fiscalizada, que está em consonância com o montante de receitas escriturado no livro Razão apresentado à esta fiscalização” e, ao aceitar as DIPJ's, as DCTF's e as DACON's apresentadas a tempo e modo pela impugnante, bem se valer das DIRF's enviadas pelos tomadores de serviços da requerente, atribuindolhes retroatividade, inclusive servindose de tais para seu trabalho, o Agente Autuador anulou qualquer possibilidade de prestação de informação inexata ou a prática de conduta dolosa e fraudulenta, visto que o cometimento da sonegação reclama, necessariamente, a ocorrência de uma ação ou omissão tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária dos fatos tributários inerentes à determinada exação, exigência essa que não se coaduna com os comportamentos adotados pela impugnante; 20. o evidente intuito de fraude apresentase nos casos típicos de adulteração de documentos e comprovantes, adulteração de notas fiscais, conta bancária fictícia, falsidade ideológica, notas frias ou paralelas, o que, a toda prova, não ficou demonstrado nos autos. Ora, se a não apresentação da documentação solicitada pela fiscalização pudesse dar margem à aplicação de multa qualificada, não haveria hipótese de aplicação de multa de ofício normal, ou seja, haveria de ser aplicada multa qualificada a todas as infrações tributárias. Essa situação não se encontra evidenciada nos autos e, aliás, nem poderia estar, pois se estivesse não seria condizente com a verdade; 21. transcreve jurisprudência do Egrégio Conselho de Contribuintes que justifique a multa qualificada para casos a estes semelhantes; 22. diante das considerações acima argüidas, caso o Colegiado Julgador entendam pela manutenção do lançamento ora impugnado, mesmo estando o ato administrativo eivado de vícios e insubsistências, expressamente demonstradas nesse petitório, o que se admite por mera argumentação, a incidência da multa de ofício agravada à razão de 150% (cento e cinqüenta por cento), deverá, por Direito e Justiça, ser integralmente afastada, ante a completa e comprovada inexistência de ação fraudulenta nas condutas desenvolvidas pela empresa impugnante; 23. incidência de juros de mora sobre os valores exigidos a título de multa de mora e/ou de ofício, além de afrontar as disposições contidas no art. 953, § 29, do RIR/94, representa uma tributação apócrifa, pois é carente de subscrição legal, vez que inexistente no ordenamento jurídico qualquer dispositivo que venha a firmar de maneira clara e insofismável a incidência de juros de mora sobre as penalidades acrescidas ao tributo não recolhido; 24. exigência de juros sobre a multa de ofício/proporcional, quando da atualização do crédito tributário exigido, é inaplicável em razão da ausência de previsão legal, pois o art. 61, da Lei n9. 9.430/96, bem como o artigo 161, do Código Fl. 2164DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10580.732431/201251 Acórdão n.º 3102002.254 S3C1T2 Fl. 104 9 Tributário Nacional (CTN), prevêem a incidência dos juros SELIC apenas sobre o montante do tributo devido, mas não sobre a penalidade pecuniária; 25. em estrita observância ao conteúdo do art. 953, § 22, do Regulamento do Imposto de Renda e pela inexistência de lei que expressamente determine a cobrança dos juros de mora sobre o valor exigido a título de multa, afastar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício cominada à impugnante, sob pena de ofensa ao princípio da estrita legalidade tributária, segundo o qual a obrigação tributária decorre, tão somente, de disposição expressamente prevista na lei; 26. pelo exposto, requer a empresa impugnante o provimento desta Impugnação ao Lançamento Tributário, para declarar a improcedência das autuações fiscais efetuadas, extinguindose, assim, os créditos tributários através delas veiculados. Alternativamente, caso não entendam pelo total deferimento do pedido de impugnação ora intentado, o que se admite apenas como mera argumentação, requer a empresa impugnante que seja afastada a incidência da multa de ofício agravada à razão de 150%, bem como a incidência dos juros de mora sobre a multa de mora e de ofício em observância ao conteúdo do art. 953. § 29. do Regulamento do Imposto de Renda. A contribuinte solidária também apresentou impugnação em 05/12/2012 (fls.2054/2075), esta, que em síntese dispõe que: 1. a referida autuação fiscal remete à inexistência de oferecimento à tributação dos valores inerentes à constituição da base de cálculo do PIS e da COFINS, e conseqüente ausência de recolhimento, sendo necessário informar, contudo, que a Fiscalização se valeu das informações prestadas pela própria contribuinte pessoa jurídica para efetuar o lançamento tributário, notadamente, os Livros Diário e Razão do referido exercício, bem como a Tabela com faturamento do ano de 2009; 2. a autuação administrativa não detém qualquer respaldo jurídicolegal apto a sustentála, uma vez que os supracitados créditos tributários foram apurados através de critérios incompatíveis com a legislação tributária aplicável à espécie, além de os atos administrativos inerentes ao processo encontraremse flagrantemente carentes de motivação; 3. afirma a fiscalização que a ora impugnante, na condição de sócia administradora, e, portanto, à frente da gestão da empresa autuada, seria a responsável pela prática, em tese, de crime contra a ordem tributária, praticado através da pessoa jurídica ORBRASERV ORGANIZAÇÃO BRASILEIRA DE SERVIÇOS LTDA., uma vez que o Agente Autuante entendeu que as condutas na gestão da empresa revelaramse como prática de sonegação (art. 71, da Lei n^. 4.502/64); 4. a impugnante, conquanto inserta no status de contribuinte solidária por força do Termo de Sujeição Passiva Solidária, não fora intimada de ato algum do procedimento fiscal, não lhe Fl. 2165DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 10 havendo sido facultado manifestarse sobre os documentos utilizados pela Fiscalização para vinculála à pessoa jurídica autuada na condição de sujeito passivo da obrigação tributária; 5. o auto de infração ora vergastado não possui arcabouço jurídico sobre o qual prosperar, ao menos com relação à ora co responsável, primeiramente, porque não alcança comprovar a real participação da impugnante na realização do fato gerador da obrigação tributária, condição sine qua non à observância da solidariedade prescrita no art. 124, do CTN, conclusão esta corroborada ante o fato de que o Fiscal Autuante sequer imputa, isto é, tipifica as supostas condutas ilícitas que haveriam sido apuradas no decorrer da procedimento de fiscalização; 6. em passagem alguma dos autos processuais, logra a Fiscalização demonstrar o interesse jurídico daquela na realização do fato gerador da obrigação principal, uma vez que a Autoridade Fazendária somente afirma, de modo genérico, que o fato de a impugnante ser a sócia administradora da empresa à época dos fatos geradores da exação sob enfoque, seria ela responsável direta pelo ilícito fiscal, fato insuficiente à demonstração de solidariedade; 7. asseverase que a sujeição passiva solidária almejada pela autoridade fiscal orbita no plano da impossibilidade, porquanto impraticável a instrumentalização da relação de solidariedade entre a defendente e a empresa ORBRASERV ORGANIZAÇÃO BRASILEIRA DE SERVIÇOS LTDA., eis que a impugnante sequer pode imiscuirse na condição de contribuinte das espécies tributárias sub examine, cuja norma de incidência tributária exclusivamente contempla em seu aspecto pessoal pessoas jurídicas; 8. a pessoa física não pode, por vedação legal, praticar fato gerador de obrigação tributária própria às pessoas jurídicas, donde se apreende que a impugnante não poderia haver participado, em concorrência com a empresa ORBRASERV ORGANIZAÇÃO BRASILEIRA DE SERVIÇOS LTDA., da realização dos fatos geradores a partir dos quais se projeta a autuação; 9. a Fiscalização não consegue demonstrar, sequer minimamente, a prática de qualquer ato doloso por parte da impugnante que tenha importado na constituição do crédito tributário sob enfoque, uma vez que a fiscalização somente se resume a afirmar que “restou caracterizada a sujeição passiva da pessoa aqui arrolada, conforme determinam os artigos 124, I e 135, III da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional)”; 10. a Fiscalização aponta a capitulação legal que fundamenta a determinação da sujeição passiva em comento, mas, em contrapartida, apenas afirma que houve, in casu, a prática, em tese, de crime de sonegação, sendo, pois, a impugnante responsável solidária à exigência do crédito tributário sob enfoque, porquanto gestora da pessoa jurídica autuada, não logrando, contudo, comprovar aquilo que apregoa, pois, ausente Fl. 2166DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10580.732431/201251 Acórdão n.º 3102002.254 S3C1T2 Fl. 105 11 qualquer demonstração da real ocorrência das hipóteses legais desencadeadoras da responsabilização pessoal ora combatida; 11. a Fiscalização, apesar de eleger a ora impugnante como responsável solidário da exação fiscal em testilha, o auto de infração afronta, sobejamente, os princípios da ampla defesa e do contraditório, implicando em ofensa direta ao devido processo legal, posto que nada obstante ter a impugnante sido haurida à condição de contribuinte da obrigação tributária principal em apreço, esta não fora intimada de qualquer ato havido no âmbito deste processado, não, tendo, portanto, tomado conhecimento de qualquer evento referente aos procedimentos de fiscalização realizados no seio presente processo administrativo fiscal, não lhe sendo, assim, oportunizada a garantia mínima de defesa; 12. a atuação materializase ante à só vontade do Fiscal Autuante, que deixa de estabelecer a devida vinculação do contexto dos fatos aos ditames da norma legal, razão pela qual resta ferido o princípio da tipicidade ao qual deve se adstringir a imposição tributária; 13. sendo o fim da instrução do processo a busca da verdade material, quando os elementos existentes no processo administrativo tributário mostram dúvida irredutível quanto à existência ou não do fato imponível, impõese seja o lançamento anulado; 14. a atividade administrativa consubstanciada no ato do lançamento obrigase, nesta oportunidade, a demonstrar, de forma lúcida e idônea, a infração cometida, o tributo a que se refere, a sua base de cálculo, alíquota, período de apuração, a quantificação econômica correspondente à infração e qual a sua fundamentação/origem, e. ainda, o fato da infração observada, conforme jurisprudência do Conselho de Contribuintes que transcreve; 15. a Fazenda deve se vincular aos princípios da legalidade e tipicidade, assim dispõe o Supremo Tribunal Federal, em julgamento elucidativo; 16. o princípio da motivação, por sua vez, decorre do princípio do devido processo legal, assim como o princípio da legalidade e ampla defesa e do contraditório; 17. o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, a seu talante, já alinhavou que “para a validade do lançamento é fundamental a perfeita descrição do fato, de maneira a que o contribuinte possa dele se defender, e que o julgador, que conhece o direito, avalie se houve violação à lei”; 18. o presente procedimento fiscal padece de mácula de inconstitucionalidade, ante ao desrespeito ao princípio do devido processo legal, porquanto tolhido o direito da impugnante à ampla defesa e ao contraditório, visto que apesar de ter sido ela elegida como responsável solidária da exação fiscal em testilha, Fl. 2167DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 12 inexistiu, a qualquer tempo do presente processo administrativo fiscal, qualquer ato de intimação/comunicação respeitante à requerente, não tendo ela, portanto, tomado conhecimento de qualquer evento referente aos procedimentos de fiscalização realizados no seio presente processo administrativo fiscal, vindo a conhecer os fatos, tão somente, quando da ciência do Termo de Sujeição Passiva Solidária; 19. a administração tributária instituiu o mandado de procedimento fiscal cuja ciência fazse imperiosa à validade do processo administrativo, extraindose daí que a impugnante faria jus a tal comunicação, ante a circunstância de ser pinçada à condição de contribuinte do tributo em tela, já que em liame de solidariedade para com a empresa ORBRASERV ORGANIZAÇÃO BRASILEIRA DE SERVIÇOS LTDA; 20. tendo em vista que a impugnante não pode se pronunciar quanto aos atos e documentos que compõem o procedimento fiscal, não havendo sido cientificado quanto aos vários termos de intimação e/ou verificação havidas no seio deste processado, eivase o procedimento administrativo da pecha de nulidade, porquanto se afigurarem tais elementos probatórios como imprestáveis a embasar o lançamento, já que não oportunizado à ora contestante o direito de pronunciarse sobre tais atos processuais, vindo a tomar conhecimento do procedimento fiscal tão somente ao final do procedimento, quando já definitivamente constituído o crédito tributário; 21. inexiste a relação de solidariedade tributária, nos termos do art. 124. do Código Tributário Nacional, no que respeita ao sujeito passivo pessoa física do lançamento de ofício sob enfoque, temse que não restou provado que a mesma fora beneficiária de quaisquer numerários advindos das supostas infrações tributárias praticadas pela empresa ORBRASERV ORGANIZAÇÃO BRASILEIRA DE SERVIÇOS LTDA., tendo a impugnante sido alçada à condição de sujeito passivo, tão somente, em razão de exercer a função de sócia administradora da pessoa jurídica quando da ocorrência dos fatos geradores da exação, o que não se apresenta como suficiente para desencadear a sujeição passiva da obrigação tributária principal nos contornos do art. 124, do Código Tributário Nacional; 22. os fatos colacionados pela Fiscalização afiguramse imprestáveis a fundamentar a eleição da impugnante como sujeito passivo por solidariedade, tendo em vista que tal instituto possui como arcabouço a própria prática do fato gerador, isto é, a própria qualidade de contribuinte do responsável solidário; 23. a impugnante não realizou o fato tributável da exação e, tampouco, tomou parte nele. Até mesmo por que se constitui como contribuinte pessoa física, não podendo sequer praticar os fatos a partir dos quais se projeta o lançamento tributário efetuado nos vertentes autos; 24. o interesse comum das pessoas não é revelado pelo interesse econômico no resultado ou no proveito da situação constitui o fato gerador da obrigação principal, mas pelo interesse jurídico, Fl. 2168DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10580.732431/201251 Acórdão n.º 3102002.254 S3C1T2 Fl. 106 13 que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação que constitui o fato gerador; 25. inaplicável o art. 135. III. do CTN, pois o Fisco não se desincumbiu do ônus de comprovar a efetiva ocorrência de atos praticados com infração de lei pela ora pleiteante, à medida que, não apenas não demonstra, como sequer procura elucidar o ato doloso/fraudulento em razão do qual colima enquadrar os requerentes nos lindes do art. 135, III, do CTN, resumindose, exclusivamente, à esdrúxula afirmação de que “restou caracterizada a sujeição passiva da pessoa aqui arrolada, conforme determinam os artigos 124,1 e 135, III da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional)”, sem, contudo, especificar o fato que ensejou tal responsabilização, isto é, se tal imposição teria decorrido da atuação com excesso de poderes ou em virtude de infração de lei, contrato social ou estatutos; 26. exsurge cabal a inadmissibilidade da sujeição passiva solidária descortinada no seio do presente processo administrativo fiscal, porquanto afigurarse eivado de ilegalidade e inconstitucionalidade o Termo de Sujeição Passiva Solidária exarado pela Autoridade Fazendária, seja diante da ausência de demonstração do pressuposto fático apto a embasar a aplicação do art. 135, III, do CTN, tanto à força da carência de motivação que macula o ato administrativo, porquanto ofender diretamente a Constituição Federal, art. 93, X; 27. as prescrições encartadas na Portaria PGFN nº 180, de 25 de fevereiro de 2010, mais especialmente por seu art. 2º, o qual preceitua que a inclusão do responsável solidário na Certidão de Dívida Ativa da União somente ocorrerá após a declaração fundamentada da autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) ou da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) acerca da ocorrência de ao menos uma das quatro situações a seguir: I excesso de poderes; II infração à lei; III infração ao contrato social ou estatuto; IV dissolução irregular da pessoa jurídica; 28. tal Portaria nº180/2010 não institui condição de responsabilidade, especialmente porque assim não poderia laborar, eis que a obrigação tributária deve decorrer de lei stricto sensu, elevada na vertente hipótese ao status de lei complementar. Em verdade, a referenciada norma infralegal cria um procedimento que unicamente reflete as condições plasmadas na lei (art. 135, III, do CTISI [CTN]), a tal ponto de exigir a comprovação da ocorrência do ato ilícito, para fins de responsabilização dos terceiros; 29. a fiscalização não se preocupou em palmilhar fundamentação alguma ao despacho que ordenou a inserção da impugnante na condição de coresponsável pela obrigação tributária da pessoa jurídica autuada; 30. há necessidade de comprovação da ocorrência da conduta em desconformidade à lei ou com excesso de poderes, sem a qual não se pode atribuir a responsabilidade àquelas pessoas; Fl. 2169DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 14 31. o Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 001, de 06/11/2012, traz como fundamento legal único, o art. 124, da Lei n^. 5.172/66, a saber: o Código Tributário Nacional, e, uma vez afastada a sua aplicabilidade ao caso concreto, quando do julgamento da presente impugnação, não cabe à Autoridade Julgadora buscar fundamento no art. 135, do CTN, ou em qualquer outro dispositivo legal, objetivando a manutenção da sujeição passiva solidária ora discutida, haja vista não possuir a competência de imputar ou eleger coresponsabilidade; 32. requer que seja declarada a inexistência de relação jurídica de sujeição passiva solidária entre a ora impugnante e a pessoa jurídica autuada, ORBRASERV – ORGANIZAÇÃO BRASILEIRA DE SERVIÇOS LTDA., no que tange à obrigação tributária descortinada por meio do Termo de Sujeição Passiva Solidária repousado deste caderno processual, exonerando, pois, a impugnante de qualquer responsabilidade pelo crédito tributário veiculado através da autuação fiscal ora vergastada. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 1103/1110), em que, por unanimidade de votos, o lançamento foi considerado procedente, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE Os órgãos julgadores administrativos não são detentores de competência para apreciar argüição de inconstitucionalidade. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. As argüições de nulidade do auto de infração só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei para a sua ocorrência. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário, que teve procedimento fiscal efetuado de forma regular. SUJEIÇÃO PASSIVA DIRETA. Os atos da pessoa jurídica são exteriorizados pela atuação dos seus sócios, administradores, mandatários, prepostos e empregados. Tendo a pessoa física relação pessoal e direta com a situação que constitua fato gerador, ela é sujeito passivo da obrigação tributária principal. É cabível o chamamento ao pólo passivo da relação tributária da única sócia que assumia a função exclusiva na administração e gerência da pessoa jurídica, em razão de condutas praticadas com excesso de poderes. Fl. 2170DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10580.732431/201251 Acórdão n.º 3102002.254 S3C1T2 Fl. 107 15 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Verificado que não foram declarados débitos da contribuição em DCTF nem houve recolhimentos da contribuição no período fiscalizado, constatado ainda que o contribuinte não apresentou os DACON informando os débitos da contribuição apurados e os créditos a que fazia jus, é legítimo o lançamento de ofício no caso de omissão de receitas percebidas pelo contribuinte e omitidas nas declarações obrigatórias, ainda que tenha por base as informações prestadas à autoridade lançadora pelo próprio autuado, em resposta a termo de intimação. FALTA DE RECOLHIMENTO Apurada a falta de recolhimento da COFINS, é devida sua cobrança, com os encargos legais correspondentes. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, será aplicada quando o procedimento fiscal evidenciar que o contribuinte adotou práticas que visaram impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. JUROS DE MORA. TAXA SELIC É legítima a exigência de juros de mora tendo por base percentual equivalente à taxa Selic para títulos federais, acumulada mensalmente. JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A multa de ofício integra a obrigação tributária principal, e por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência dos juros de mora calculados com base na taxa Selic desde o mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês do pagamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Verificado que não foram declarados débitos da contribuição em DCTF nem houve recolhimentos da contribuição no período fiscalizado, constatado ainda que o contribuinte não apresentou os DACON informando os débitos da contribuição apurados e os créditos a que fazia jus, é legítimo o lançamento de ofício no caso de omissão de receitas percebidas pelo contribuinte e omitidas nas declarações obrigatórias, ainda que tenha por base Fl. 2171DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 16 as informações prestadas à autoridade lançadora pelo próprio autuado, em resposta a termo de intimação. FALTA DE RECOLHIMENTO Apurada a falta de recolhimento da contribuição para PIS, é devida sua cobrança, com os encargos legais correspondentes. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, será aplicada quando o procedimento fiscal evidenciar que o contribuinte adotou práticas que visaram impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. JUROS DE MORA. TAXA SELIC É legítima a exigência de juros de mora tendo por base percentual equivalente à taxa Selic para títulos federais, acumulada mensalmente. JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A multa de ofício integra a obrigação tributária principal, e por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência dos juros de mora calculados com base na taxa Selic desde o mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Em 17/6/2013, a interessada foi cientificada da decisão de primeira instância (fls. 2110 e 2112). Inconformada, em 17/7/2013, protocolou o recurso voluntário de fls. 2138/2149, no qual reafirmou as razões de defesa suscitadas na fase impugnatória. Por sua vez, em 20/6/2013, a responsável solidária foi cientificada da referida decisão (fls. 2111e 2113). Irresignada, em 17/7/2013, protocolou o recurso voluntário de fls. 2138/2149, no qual reafirmou as razões de defesa suscitadas na fase impugnatória. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relatório. Os recursos voluntários são tempestivos, tratam de matéria da competência deste Colegiado e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, devem ser conhecidos. Os recursos voluntários em referência apresentam distintas razões de defesa, por esse motivo serão analisados separadamente. Em primeiro lugar, será analisado o recurso voluntário da contribuinte, posto que o desfecho do seu julgamento, certamente, repercutirá no julgamento do recurso da responsável solidária. I Do Recurso Voluntário da Contribuinte. Fl. 2172DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10580.732431/201251 Acórdão n.º 3102002.254 S3C1T2 Fl. 108 17 A contribuinte alegou em seu recurso voluntário as seguintes razões de defesa: a) improcedência do lançamento por excesso de majoração da base de cálculo; b) ausência de motivação para aplicação da multa de ofício qualificada e c) ilegalidade da incidência de juros de mora sobre multa de ofício. Da improcedência do lançamento por excesso de majoração da base de cálculo Em relação a esse ponto, a recorrente alegou que, de forma equivocada, a fiscalização aplicoulhe uma sistemática indevida de tributação, configurada no regime não cumulativo em relação à apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, sem, contudo, proceder à devida e necessária consideração dos descontos alusivos aos créditos assegurados por lei, resultando, pois, por majorar a exação em questão, elevando o valor devido atinente às ditas contribuições, por haver apurado seus respectivos valores mediante a adoção de critérios incompatíveis com a natureza jurídica das atividades desenvolvidas pela recorrente. É incontroverso que a recorrente estava sujeita a cobrança das referidas contribuições pelo regime da não cumulatividade. Ademais, dúvida inexiste de que, por força do disposto nos arts. 1º e 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, o valor devido das referidas é o resultado do confronte de débitos e créditos. Para atendimento desse requisito legal, a Administração tributária disponibiliza aos contribuintes o Demonstrativo de Apuração das Constribuições Sociais (Dacon). Entretanto, em relação ao período da autuação, o Dacon apresentado pela autuada, os valores das receitas e os valores passíveis de dedução de créditos foram informados zerados. Com base na escrituração contábil e fiscal da recorrente e informações prestadas pelas tomadoras de serviços, consignadas nas respectivas Dirf, a fiscalização apurou os valores das receitas tributáveis no período. No entanto, embora intimada (fl. 444), a recorrente não apresentou os valores dos créditos a que tinha direito, ao contrário, por meio da petição de fl. 444, informou que “não possui crédito para dedução do valor bruto da receita”. Portanto, no que tange ao direito de a recorrente descontar os valores dos créditos apurados na forma dos art. 3º das citadas leis, inexiste controvérsia nos autos. Na verdade, o que faltou foi a recorrente demonstrar que tais créditos existiam. Dessa forma, como a própria recorrente informou que não tinha tais créditos, obviamente, a fiscalização não tinha como proceder tal dedução. Inclusive, nas duas oportunidades em que compareceu aos autos, a recorrente não apresentou qualquer elemento que demonstrasse a existência dos mencionados créditos. Assim, fica evidenciado que, no caso em tela, não houve a alegada falta de subsunção do fato à norma, mas sim falta de comprovação da existência do alegado crédito a ser deduzido do valor débito apurado pela fiscalização, que foram determinados com base nos valores das receitas informados pela própria recorrente na sua escrituração contábil e fiscal, e corroborados pelos dados consignados nas Dirf do período. Da ausência de motivação para aplicação da multa de ofício qualificada No item 4 do citado Termo de Verificação Fiscal (fl. 47), a fiscalização informou que o motivo da majoração da multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) para 150% (cento e cinquenta por cento) fora a prática de sonegação fiscal, capitulada no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, caracterizada pela não tributação das receitas auferidas e, em Fl. 2173DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 18 decorrência, pelo não recolhimento dos valores das correspondentes contribuições devidas no período. A referida penalidade foi enquadada do art. 44, I, e § 1º, da Lei n° 9.430, de 1996, a seguir transcrito: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Vide Lei nº 10.892, de 2004)(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] (grifos não originais) Por sua vez, o ilícito de sonegação fiscal encontrase definido no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, com os seguintes dizeres, in verbis: Art. 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetiveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. A conduta atribuída a recorrente, a meu ver, não se subsome ao conceito de sonegação definido no referido preceito legal. De acordo com o preceito legal em comento, a sonegação se materializa quando o contribuinte, de forma dolosa, omite da fiscalização o conhecimento da ocorrência do fato gerador, sua natureza ou circunstâncias materiais, bem como as condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. No caso em tela, a própria fiscalização informou que a receita auferida pela recorrente estava corretamente registrada nos livros contábeis da recorrente, o que evidencia que não houve qualquer atitude deliberada ou intencional de omitir da autoridade fiscal o conhecimento de qualquer informação suscetivel de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Além disso, a Administração tributária foi informada da existênica dos valores das receitas auferidas, por meio das Dirf apresentadas pelas tomadoras dos serviços da recorrente, o que evidencia, de certa forma, um modo indireto de levar os valores das receitas auferidas pela recorrente ao conhecimento da Administração tributária, o que descaracteriza o caráter necessário da ocultação que configura o ilícito de sonegação fiscal. O fato de a recorrente, de forma reiterada, não ter informado os valores das receitas no Dacon e, por conseguinte, não ter confessado os correspondentes débitos na DCTF, tratase de situação que se subsome a figura típica de declaração inexata ou falta de declaração, Fl. 2174DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10580.732431/201251 Acórdão n.º 3102002.254 S3C1T2 Fl. 109 19 conduta sancionada com a multa de 75% (setenta e cinco por cento), definida no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1966, na redação vigente na época da ocorrência dos fatos tributários objeto das questionadas autuações. No mesmo sentido, os seguintes julgados deste Conselho: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. RECEITA ESCRITURADA E NÃO DECLARADA. Incabível a exigência da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, afeta às condutas de sonegação, fraude e conluio, quando a receita tomada em conta pelo procedimento fiscal para o lançamento dos tributos foi colhida em livro contábil ou fiscal da própria contribuinte, aflorando a hipótese de declaração inexata, igualmente prevista no mesmo comando legal e cuja penalidade pecuniária é aquela prevista em seu inciso I, qual seja, multa de 75%. (CARF. 1ª Seção. 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara. Ac. 140201.271, de 4/12/2012, rel. Carlos Pelá, processo nº 13971.001150/200607) MULTA QUALIFICADA. ART. 44, § 1º, DA LEI 9.430/96. CARACTERIZAÇÃO DAS CONDUTAS PREVISTAS NOS ARTS. 71, 72 E 73 DA LEI 4502/64. NÃO CONFIGURAÇÃO. A aplicação da multa qualificada depende da demonstração de que o contribuinte tenha praticado conduta tipificada nos arts. 71, 72 ou 63 da Lei nº 4.502/64. Não caracteriza fraude o fato, em si mesmo, de o contribuinte informar em declaração um valor de tributo inferior ao valor que foi posteriormente apurado pela Fiscalização, se declarou o valor corresponde ao que efetivamente apurou, com base na interpretação que entendia aplicável à legislação. A reiteração do mesmo método de apuração ao longo do tempo apenas demonstra que era tal, e a mesma, a interpretação que o contribuinte entendia aplicável. Conduta que não evidencia a intenção de impedir o conhecimento da Fiscalização quanto à ocorrência do fato gerador, nem de modificar as características do fato gerador para reduzir imposto, nem configura fraude ou sonegação. (CARF. 3ª Seção. 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara. Ac. 3403 001.989, de 20/3/2013, rel. Ivan Allegretti, processo nº 13982.001408/200981) Atualmente, essa jurisprudência encontrase consolidada no âmbito deste Conselho, nos termos da Súmula CARF nº 14, que tem o seguinte teor: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. No caso em tela, não restou provado o evidente intuito de fraude do sujeito passivo, de que trata o enunciado do verbete da súmula em destaque. As hipóteses mais frequentes de caracterização de evidente intuito de fraude são os casos em que não há emissão da documentação fiscal idônea ou adulteração de recibos de rebimento e pagamento, de notas fiscais, ou emissão de notas fiscais frias, calçadas ou paralelas, o que, induvidosamente, não se vislumbra no caso em tela. Fl. 2175DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 20 Por essas razões e por entender que não se encontra demonstrado o dolo necessário para a caracterização da sonegação, propugnase pela redução da multa para o percentual normal de 75% (setenta e cinco por cento), nos termos do art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996. Entretanto, por força do disposto no art. 631, § 9º, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho (RICARF), ressaltase o entendimento diferente dos nobres Conselheiros que votaram pelas conclusões. Para eles, somente na hipótese da declaração informada sem os valores das receitas (ou valores “zerados”), caso dos autos, estaria descaracterizada a qualificadora da multa de ofício de 150% (cento e cinquenta por cento). Da incidência ilegal de juros de mora sobre multa de ofício. A recorrente alegou que a exigência de juros moratórios sobre a multa de ofício/proporcional, quando da atualização do crédito tributário exigido, era inaplicável em razão da ausência de previsão legal, pois o art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, bem como o artigo 161, do CTN, prevêem a incidência dos juros de mora, calculado com base na variação da taxa Selic, apenas sobre o montante do tributo devido, mas não sobre a penalidade pecuniária. Não assiste razão à recorrente. Com efeito, a cobrança da juros moratórios, com base na variação da taxa Selic, alcança apenas os débitos decorrentes de tributos e contribuições administrados pela RFB, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, conforme determina o artigo 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996, a seguir transcrito: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...). § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (destacouse) O débito atinente à multa de ofício decorre da aplicação da penalidade pecuniária, que, sabidamente, não tem a mesma natureza do tributo. Diferentemnte da multa, o tributo não constitui sanção de ato ilícito, conforme estabelecido no art. 3º do CTN. Em outras palavras, o valor da multa aplicada não decorre do tributo, mas do descumprimento do dever legal de apurálo ou pagálo. 1 “Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. [...] § 9º Na hipótese em que a maioria dos conselheiros acolher apenas a conclusão do voto do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros. [...]” Fl. 2176DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10580.732431/201251 Acórdão n.º 3102002.254 S3C1T2 Fl. 110 21 No entanto, há previsão legal expressa para cobrança de juros moratórios, calculado com base na variação da taxa Selic, mas tal cobrança restrigese apenas às multas aplicadas isoladamente, nos termos do art. 43 da Lei nº 9.430, de 1996, a seguir reproduzido: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. É pertinentes ressaltar que a cobrança dos juros moratórios sobre os débitos tributários foi instituída no art. 61, § 3º, enquanto que a cobrança do referido gravame sobre os débitos vencidos de multa isolada foi instituída no art. 43, parágrafo único. Tratase de preceitos legais constantes do mesmo diploma legal, no caso, a Lei nº 9.430, de 1966, o que evidencia que o legislador, deliberada e intencionalmente, conferiu tratamento distinto para ambas as situações, mas com o objetivo de conferir tratamento isonômico, ou seja, cobrança dos juros moratórios em ambas os casos. E a razão desse tratanto diferente é óbvia, pois, se a multa de ofício incide sobre o valor do tributo devido, acrescido dos juros moratórios, logo, na data do pagamento, tal gravame, automaticamente, também integrará o valor da multa de ofício proporcional . Em outras palavras, não são os juros que incidem sobre a multa, mas sim a multa que incide sobre o crédito tributário acrescido de juros moratórios, portanto, este sempre comporá o valor da multa proporcional, calculada sobre a “totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento”, nos termos do art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996. No mesmo sentido, o entendimento explicitado no enunciado da ementa do julgado que segue transcrito: JUROS SOBRE MULTA. A multa de oficio, segundo o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago, consistente na diferença entre o tributo devido e aquilo que fora recolhido. Não procede ao argumento de que somente no caso do parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Isso porque a previsão contida no dispositivo referese à aplicação de multa isolada sem crédito tributário, Assim, nada mais lógico que venha dispositivo legal expresso para fazer incidir os juros sobre a multa que não toma como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa. (CARF. 1ª Seção. 4ª Câmara. 1ª Turma Ordinária, Ac. 1401 00.155, j. 28.01.2010, rel. Alexandre Antônio Allcmim Teixeira) – Grifos não originais. Fl. 2177DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 22 Por todas essas razões, fica demonstrado que os juros moratórios incidem diretamente sobre o valor da multa isolada e indiretamente sobre o valor da multa de ofício proporcional ao valor do tributo lançado. Portanto, em qualquer das hipóteses os juros moratórios são devidos. Com base nessas considerações, fica demonstrada a improcedência da alegação da recorrente de que não há amparo legal para cobrança dos juros moratórios sobre o valor da multa de ofício proporcional ao valor tributo lançado. II Do Recurso Voluntário da Responsável Solidária. No seu recurso voluntário (fls. 2138/2149), a responsável solidária alegou apenas questões preliminares, atinentes a (i) ofensa aos princípios contraditório, ampla defesa e do devido processo legal e (ii) falta de motivação para a sua inclusão no polo passivo da autuação, ante a inexistência de relação de solidariedade tributária por ausência de interesse comum ou por falta de ato praticado com infração de lei. Da ofensa aos princípios contraditório, ampla defesa e devido processo legal A recorrente alegou que o lançamento padecia de mácula de inconstitucionalidade, porque desrespeitara o princípio do devido processo legal e tolhera o seu direito à ampla defesa e ao contraditório, visto que, apesar de ter sido incluída como responsável solidária da exação fiscal não tomara conhecimento de qualquer evento referente aos procedimentos de fiscalização realizados no seio presente processo administrativo fiscal, vindo a conhecer os fatos somente quando da ciência do Termo de Sujeição Passiva Solidária. Não se pode confundir a fase procedimental do lançamento (denominada de procedimento fiscal), de natureza fiscalizatória e apuratória, visando constituir o crédito tributário, com fase do contraditório (denominada de processo administrativo fiscal), que se instaura após a conclusão e ciência do sujeito passivo dos atos do procedimento fiscal, mediante apresentação de ato de resistência. Na fase procedimental ou préprocessual, de natureza essencialmente inquisitória, a autoridade fiscal, no exercício das prerrogativas conferidas pelos artigos 194, 195 e 197 do CTN, tem poderdever de verificar e investigar o correto cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte. E o contribuinte, por sua vez, tem dever de se comportar de maneira cooperativa, atendendo à fiscalização, prestandolhe os esclarecimentos solicitados e lhe entregando os documentos solicitados, com vista a demonstrar o cumprimento das correspondentes obrigações tributárias. Ademais, como ainda não há exigência de crédito tributário formalizada, nem há, consequentemente, litígio instaurado, não há que se falar em malferimento do devido processo legal e tampouco afronta ao contraditório e ao direito de defesa, de que tratam os incisos LIV e LV do artigo 5 da CF/1988. Tais garantias, sabidamente, são conferidas contribuinte somente na fase processual, com a instauração do contraditório, quando o constribuinte poderá exercer plenamente o seu direito de defesa. Assim, somente a partir da lavratura do auto de infração, e desde que formalizada a discordância contra a exigência, é que o contribuinte respaldado pelas garantias constitucionais ao contraditório e à ampla defesa, passa a participar ativamente do litígio, inaugurando o processo administrativo de exigência de crédito tributário, apresentando as razões e provas que fundamentam a sua discordância. Fl. 2178DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10580.732431/201251 Acórdão n.º 3102002.254 S3C1T2 Fl. 111 23 Logo, somente tem sentido questionar a aplicação do princípio do devido processo legal após a apresentação de constestação, que instaura o contraditório, quando passam a ser aplicáveis os princípios da ampla defesa e do contraditório. Antes, não há litígio, não há contraditório e o procedimento é, fundamentalmente, conduzido, de ofício, pela autoridade fiscal. Como é cediço, o princípio do contraditório preserva o direito do sujeito passivo de se manifestar acerca de fatos, documentos e, em última análise, da própria motivação do ato administrativo de lançamento. No âmbito do processo administrativo fiscal, regido pelo Decreto nº 70.235, de 1972, esse princípio encontrase previsto pelo menos dois dispositivos: (i) no artigo 9º2, que exige a juntada de todos os elementos que deram espeque à formalização da exigência, e (ii) no § 3º do art. 183, que exige a comunicação reabertura de prazo para que o sujeito passivo se manifeste acerca de inovações com relação à exigência inicial, além, evidentemente, dos dispositivos que zelam pela adequada comunicação processual. Já o princípio da ampla defesa, resguarda o direito do sujeito passivo rebater ou contestar fatos, argumentos, interpretações que possam acarretarlhe prejuízos físicos, materiais ou morais. Ora, no presente processo, não se verifica violação a qualquer desses deveres atribuídos a fiscalização, haja vista o sujeito passivo tomou conhecimento das acusações que lhe foram imputadas e teve oportunidade de contraditálas, o que, no caso em tela, foi assegurada à responsável solidária e adequadamente por ela exercida, conforme evidenciam as robustas peças de defesas coligidas aos autos. Portanto, não houve a alegada afronta ao princípio do contraditório e da ampla defesa. Também não tem guarida a alegação de nulidade do procedimento fiscal, suscitada pela recorrente, sob o argumento de que não fora cientificada do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) e dos vários termos de intimação e/ou verificação realizados no curso no procedimento fiscal, o que somente ocorrera no final do procedimento fiscal, quando já definitivamente constituído o crédito tributário. As razões que embasam esta conclusão estão assentadas no fato de não existir, nas normas que tratam da emissão do MPF, qualquer exigência no sentido de que tal documento tenha de ser, obrigatoriamente, emitido em nome do responsável solidário, até porque, normalmente, essa situação somente se configura ao final do procedimento fiscal instaurado perante o contribuinte, situação que ficou evidenciada no caso em tela, conforme explicitado no item 6 doTermo de Verificação Fiscal (fls. 47/48). Pela mesma razão, a fiscalização também não estava obrigada a cientificar a responsável solidária dos vários termos de intimação expedidos durante a ação fiscal, haja vista que a obrigação de prestar os respectivos esclarecimentos e de apresentar a documentação 2 Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) 3 § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. Fl. 2179DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 24 solicitada, induvidosamente, era da contribuinte, que fora devidamente cientificada dos referidos atos. Ademais, conforme explicitado anteriormente, o exercício do contraditório e do direito de defesa foi plenamente assegurado à recorrente e exercido, após a ciência do auto de infração e de todos os atos que deram suporte a autuação. Por todas essas razões, rejeitase a alegação de nulidade do lançamento por desrespeito ao princípio do devido processo legal e afronta ao direito à ampla defesa e ao contraditório. Da falta de motivação para inclusão da responsável solidária no polo passivo da autuação. No item 6 do citado Termo de Verificação Fiscal (fls. 47/48), relatou a fiscalização que a sujeição passiva solidária da recorrente restava caracterizada, na forma dos arts. 124, I, e 135, III, do CTN, haja vista que, no período da fiscalização, a empresa autuada teve como sócios: a) a recorrente, com 80% das quotas do Capital Social, e b) Sandra Souza da Silva, CPF n° 784.754.30520, com 20% das quotas do Capital Social, sendo que a administração da sociedade era exercida, exclusivamente, pela recorrente, conforme determinava a cláusula sexta da alteração contratual, arquivada em 2/4/2004 no órgão de registro competente. Dessa forma, concluiu a fiscalização que tendo (i) a empresa fiscalizada declarado como inexistentes (“zerados”) os valores das receitas tributáveis que integravam a base de cálculo das referidas contribuições, incorrendo, em tese, em crime de sonegação e (ii) a sua gestão fora exercida pela recorrente, logo a recorrente era responsável solidária, quanto à exigência do crédito tributário de que trata os autos em questão. Os preceitos legais, que serviram de fundamento para inclusão da recorrente no polo passivo da autuação, têm a seguinte redação, in verbis: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; [...] Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: [...] III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. O primeiro preceito legal (art. 124, I) trata da denominada responsabilidade solidária de fato, que tem como característica a existência de “interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.” No caso em apreço, o fato apontado pela fiscalização, como caracterizador do referido interesse, teria sido, em tese, o ilícito de sonegação fiscal apontado pela fiscalização, o que, conforme anteriormente exposto, não foi demonstrado nos autos. Além disso, o fato de a contribuinte ter registrado em sua contabilidade as receitas objeto da autuação também evidencia que tais recursos ingressaram, regularmente, no patrimônio da empresa autuada. Ademais, não há provas nos autos de que houve devios de tais Fl. 2180DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10580.732431/201251 Acórdão n.º 3102002.254 S3C1T2 Fl. 112 25 recursos para o patrimônio da responsável solidária, o que descaracteriza a existência do referenciado interesse comum. E sem a demonstração da sonegação e comprovação dos desvios dos recursos, certamente, não há como presumir que a sócia mojoritária e administradora da empresa autuada tivesse o mesmo interesse desta na realização das operações tributadas, que foram objeto das autuações em apreço. Essa presunção somente seria permitida se comprovada a existência da sonegação ou os desvios dos recursos financeiros auferidos nas correspondentes operações, o que não ocorreu no caso em tela. Por essas razões, afastase a imputação de responsável solidária à recorrente e sóciagerente da autuada por interesse comum, nos termos do art. 124, I, do CTN. No que tange a responsabilidade tributária por “atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos” (art. 135, III), denominada ora de responsabilidade subsidiária, ora de responsabilidade solidária (dolosa), independentemente do tipo, sempre será necessário que a autoridade fiscal demonstre, pelo menos, qual foi poder excedido, qual foi dispositivo legal infringido (da legislação civil e societária, certamente), ou qual foi a cláusula contratual ou estatutária descumprida. Compulsando o mencionado Termo de Verificação Fiscal, que integra a autuação, verificase que não foi apontado pela fiscalização nenhuma dos ilícitos acima mencionadas. Deveras, foi feita apenas uma menção genérica de que houve tais infringências, contudo, sequer foi mencionada qual foi conduta infratora praticada pela responsável solidária. Infringiu a lei? Infringiu o contrato social? Não é possível saber. E sem que esteja provado, nos autos, a conduta ilícita, especificamente praticada pela sóciaadministradora, induvidosamente, não é possível imputarlhe a responsabilidade solidária pelo crédito tributário consignado nas questionadas autuações. Por todas essas razões, fica demonstrada a improcedência da inclusão da responsável solidária no polo passivo das presentes autuações. III Da Conclusão Por todo o exposto, votase pelo PROVIMENTO PARCIAL dos recursos, para (i) reduzir a multa de ofício para o percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e (ii) excluir a responsável solidária do polo passivo das autuações. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 2181DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 26 Declaração de Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Lancei mão do presente expediente por ter sentido, no curso do julgamento, a necessidade de expressar minha veemente divergência à leitura proposta pelo meu i. Colega, Relator do Processo, por quem tenho, digase desde logo, grande admiração e respeito. Em breves palavras, pretendo deixar nesta Declaração de Voto consignado que, a meu sentir, tratase, aqui, de um caso típico de sonegação de impostos. Recorro mais uma vez ao texto normativo art. 71 da Lei nº 4.502/64. Art. 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetiveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. No caso concreto, não tenho nenhuma dúvida, ao deixar de declarar de forma contumaz nas DCTF os valores que sabia serem devidos ao Erário, o contribuinte incorreu na circunstância agravante especificada no inciso I, acima, agindo (e, ao mesmo tempo omitindo se) de maneira a impedir, de forma intencional, o conhecimento da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, qual seja, a percepção de receita/faturamento. De fato, há circunstâncias nas quais não é possível aferir a presença do elemento volitivo nas ações praticadas pelo administrado. Se, por exemplo, alguém deixa de oferecer à tributação do Imposto de Renda Pessoa Física determinados valores recebidos durante o ano, impossível dizer que a omissão tenha sido intencional. É perfeitamente possível, e por isso mesmo deve ser admitida, a hipótese de que o contribuinte tenhase esquecido de declarar tais valores a tributação. Em tais condições, em prestígio ao preceito legal da responsabilidade tributária objetiva, o infrator sujeitase à multa de 75%, não agravada. Creio que tenha sido essa a premissa que deu ensejo à edição da Súmula CARF nº 14, conforme a seguir Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Importante observar no texto de enunciação da Súmula a presença das palavras simples e por si só. Observese o abismo que separa a hipótese de simples omissão de receita, por si só, de uma situação como a que está descrita nos autos. Aqui, de forma alguma, se admite Fl. 2182DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10580.732431/201251 Acórdão n.º 3102002.254 S3C1T2 Fl. 113 27 cogitar da possibilidade de que o contribuinte tenha se esquecido, ao longo do período de uma ano inteiro, de declarar ao Fisco os valores devidos. Digase, aliás, que nem há argumento da Parte tendente a demonstrar que isso tivesse ocorrido. Se foi intencional, impediu o conhecimento da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, então é sonegação de impostos. Finalmente, também não posso concordar com a interpretação de que a infração sujeita à multa de 75% é mais especifica ou tem materialidade melhor definida para as circunstâncias identificadas no Processo. Ora, a infração é a mesma (!). Apenas se altera o percentual da multa por ter sido constatada a ocorrência de uma das circunstâncias agravantes listadas no § 1º do mesmo artigo 44 da Lei 9.430/96. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Vide Lei nº 10.892, de 2004)(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Por essas razões, VOTO com a divergência, pelo desprovimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 2183DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A
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Numero do processo: 10880.920501/2009-46
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 09/03/2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGADA DCTF RETIFICADORA. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO. EFEITO. INEXISTENTE.
A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida.
PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS. CONTRIBUINTE.
Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre.
Numero da decisão: 3803-006.309
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 09/03/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGADA DCTF RETIFICADORA. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO. EFEITO. INEXISTENTE. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS. CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
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NÃO HOMOLOGADA DCTF RETIFICADORA. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO. EFEITO. INEXISTENTE. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS. CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 05 01 /2 00 9- 46 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma. Relatório Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação servindose de crédito de Cofins Importação, decorrente de alegado pagamento a maior. Despacho Decisório do DRF/ indeferiu a DComp, tendo em vista que, a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível a compensar Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que: a) possuir "elevada quantia creditícia" perante a RFB, a titulo de IRRF, CIDE, PISImportação e CofinsExportação, em valores que teria utilizado para quitar débitos de Cofins, referentes ao período de apuração dos anocalendário 2006 e 2007, mediante PeR/DComp; b) juntamente com o Despacho Decisório eletrônico em comento, foram emitidos outros cento e quarenta e sete, todos decidindo pela não homologação de compensações declaradas pela Contribuinte; c) deixou de retificar as DCTF relativas aos períodos que entende ter havido recolhimentos a maior de IRRF, CIDE PISImportação e CofinsExportação, entendendo ser esta a razão do indeferimento das compensações; d) mero equivoco no preenchimento das DCTF não poderia geral débitos fiscais e que o fato deveria ser reconhecido de plano pela RFB; f) o Despacho Decisório carece de fundamentação, em violação ao principio do contraditório e ampla defesa, alegando, ainda, que não foram atendidas as garantias constitucionais na decisão proferida na dita decisão, entendendo ser nulo o ato ora impugnado; g) o mero erro de preenchimento da DCTF não geraria crédito em favor da Fazenda Nacional, pelo que reclamou que "se fosse dado ao contribuinte a chance de apresentar explicações antes de sofrer a autuação, certamente a Fazenda Nacional pouparia preciso tempo desta Delegacia de Julgamento com cobranças infundadas como esta" ; h) qualquer agente fiscal que " ... analisasse com a mínima cautela a situação apresentada nos fatos, notaria que houve tãosomente um erro no preenchimento da declaração, o que não justifica a glosa ora Impugnada"; i) declarara em DCTF débito que fora pago em DARF que, após revisão teria constatado que os cálculos estavam sendo feitos de maneira incorreta, restando inexigível a existência de créditos de IRRF após a correção do montante efetivamente devido; j) à luz dos princípios da capacidade contributiva e da busca da verdade material não admite cobrança de tributo decorrente de erro na prestação de informações ao Fisco, citando decisão do TRF da 1ª Região que embasaria o que alegou, além de acórdão do Conselho de Contribuintes; Fl. 150DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.920501/200946 Acórdão n.º 3803006.309 S3TE03 Fl. 150 3 k) foi exíguo o prazo para apresentar cento e quarenta e oito defesas em apenas trinta dias e informou que já estaria levantando toda a documentação comprobatória de seu direito, mormente a DCTF retificadora que comprovaria a existência do crédito; Por fim. requereu a suspensão da cobrança dos débitos declarados em PeR/DComp, a nulidade do despacho decisório e a conversão do julgamento em diligencia para ser comprovado o que alega. Em 24/09/2010, enviou o que chama de complemento à manifestação de inconformidade, fls. 72/76, informando ter enviado DCTF retificadora e, por conseqüência, entende ter direito a homologação da compensação declarada. Em julgamento da lide a DRJ/Campo Grande argumentou que: a) ao contrário do que alegara a Manifestante, o despacho decisório neste processo não é nulo pois, foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções, sem preterimento do direito de defesa, de acordo com o art. 59 do Decreto n° 70.235/72; b) deveria ser óbvio para a Contribuinte que se ela apresenta DCTF informando determinado débito e efetua recolhimento desse debito, em DARF, no exato valor declarado em DCTF, não há apuração de qualquer pagamento a maior. Estando essa informação perfeitamente clara no citado despacho decisório, a Contribuinte pôde se defender amplamente, como o fez; c) quanto aos erros cometidos no preenchimento da DCTF e que uma vez sanados haveria o crédito que utilizou nas DComps, observou que a Contribuinte limitouse a alegar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova; d) a retificação da DCTF para reduzir débitos declarados, feita após a decisão prolatada pela autoridade fiscal que examinou os pedidos de restituição e compensação, não pode, simplesmente, ser acolhida como argumento de defesa; e) a manifestação de inconformidade deve ser dirigida a apontar erros que teriam sido cometidos na analise do crédito da contribuinte, feita com base nas informações constantes dos Sistemas da Receita Federal prestadas pelos próprios contribuintes através das declarações fiscais. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 09/03/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP ALTERAÇÃO DE DCTF A1 PÓS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do Fl. 151DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 despacho deciSório, efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. PRINCIPIO DA VERDADE MATERIAL NÃO OFENSA CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão em 24 de janeiro de 2011, irresignada, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 23 de fevereiro de 2011, em que reiterou todos os termos da manifestação de inconformidade, destacandose as alegações: a) de carência de fundamentação do despacho decisório; b) da violação aos princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade; e c) de ter executado um escorreito procedimento de compensação. Ao fim, requer que seja declarado nulo o Despacho Decisório ante a patente carência de fundamentação, caso assim não se entenda, seja determinada a conversão do julgamento em diligência na forma do Regimento Interno deste E. Conselho para que seja efetivamente examinada a sua escrita fiscal, confirmandose a compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A Recorrente reconhece que o valor dos pagamentos do débito em DARF estava de acordo com o débito declarado em DCTF. Na sequência, sustenta que o fato de não ter retificado a DCTF em tempo hábil, antes da transmissão das compensações, não pode lhe subtrair o direito ao crédito. Correta está a Recorrente em sua afirmação. Ocorre que a Administração Tributária somente veio a ter ciência de erro no preenchimento das DCTFs na manifestação de inconformidade. Logo o sistema PER/DCOMP ao realizar a compensação não poderia ter encontrado saldo credor no DARF utilizado na Fl. 152DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.920501/200946 Acórdão n.º 3803006.309 S3TE03 Fl. 151 5 Declaração de Compensação (DComp), eis que estava alocado ao débito segundo informado na DCTF. O Despacho Decisório emitido em resultado do procedimento eletrônico fez então registrar: Limite do crédito analisado correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 17.012,94 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Não há previsão legal para a existência de contraditório no itinerário entre a transmissão da DComp, pelo contribuinte, e a análise do crédito e subsequente decisão administrativa, pois os procedimentos dãose em torno de dados do sistemas, alimentados pelo próprio contribuinte. O contraditório e o exercício da ampla defesa, segundo previsto no Decreto nº 70.235/72, ocorrem a partir do processo, que somente surge com a Manifestação de Inconformidade. O texto do Despacho Decisório possui clareza suficiente na descrição do fato verificado, de sorte que permite a sua compreensão por qualquer técnico de inteligência mediana que opera com DCTF, DARF, PERD/COMP, sendo elementar que sobre tal fato esta Contribuinte haveria de construir a sua ampla defesa. Reiterese que a declaração antes prestada pela Contribuinte, no exercício do seu ofício legal de apurar e antecipar o pagamento de tributos, no regime de lançamento por homologação procedimento que supre de dados os sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) , é o que a impediu de lograr êxito no seu procedimento de compensar débitos utilizando parcela de pagamento em DARF já alocado integralmente a outro débito, por si declarado. A declaração de compensação que o contribuinte transmite configura o uso de um direito potestativo, que, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96, apura a existência de crédito perante a RFB. Pela natureza jurídica deste direito é que a compensação extingue o crédito tributário, independentemente de apreciação prévia do órgão fazendário, nada obstante sob a condição resolutiva de ulterior verificação da legitimidade do procedimento, no prazo de cinco anos. Uma demonstração da veracidade deste efeito é a possibilidade de o contribuinte extrair certidão negativa de débito momentos após a transmissão da DComp. Dada esta feição das relações FiscoContribuinte, neste particular, é que ao transmitir a compensação o contribuinte extingue o seu débito, mas o faz por conta e risco seu. Noutra vertente, outro efeito a compensar o ganho do contribuinte na agilidade da extinção do seu débito é que ao malograr no seu intento por se verificar inexistência de crédito é ele que tem que provar que possui o crédito com que quitara o seu débito. Não é a Fazenda que tem que ir lá esquadrinhar a sua contabilidade para buscar a verdade material do seu crédito. Não. Não nesta hipótese. Em auto de infração, por meio do qual a Fazenda acusa, sim. Neste caso, o dever de ir em busca da verdade dos fatos é da Fazenda. E assim dispõe o Decreto nº 70.235/72, em seu art. 16, verbis: Fl. 153DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Pelo que foi dito acima, não é nulo o despacho decisório e a Contribuinte não foi obstada no seu direito ao contraditório e à ampla defesa. A decisão de primeira instância, à míngua de provas que deveriam ter sido carreadas junto com a manifestação de inconformidade, consideroua improcedente e indeferiu a solicitação. E foi específica e pontual ao dizer que “Assim, a contribuinte deveria ter acostado aos autos a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa”. Entre ser verdadeira a afirmação da Contribuinte, segundo a qual o fato de não ter retificado a DCTF em tempo hábil antes da transmissão das compensações , não lhe pode subtrair o direito ao crédito, e reconhecerlhe o direito a esse crédito, passa, inapelavelmente, pelo vão das provas, que a ela competia trazer aos autos, exercendo, com isto, sim, sua ampla defesa, ainda que fosse na segunda instância. Se juntasse as provas no recurso voluntário contaria com a possibilidade de seu acolhimento em segunda instância. Ressaltese que, um ano e meio entre a manifestação de inconformidade e o recurso voluntário não lhe bastaram para conseguir coligir tais provas. Por fim, em nada repercute apenas proceder à retificação a destempo da DCTF, ausente dos documentos e demonstrações que a supriram de novos dados. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 23 de abril de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 154DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 13706.001487/2003-01
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000
IRPF. GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE IRRF POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA DE DIRF. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS EMITIDO PELA FONTE PAGADORA. APRESENTAÇÃO NA FASE RECURSAL.DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. COMPENSAÇÃO RESTABELECIDA. COMPROVANTE DE ANUAL DE RENDIMENTOS E DE RETENÇÃO. PREENCHIMENTO DATILOGRAFADO. AUSÊNCIA DE ASSINATURA. DOCUMENTO INÁBIL. COMPENSAÇÃO NÃO RESTABELECIDA.
Deve ser restabelecida a glosa de compensação de IRRF que se motivou na falta de comprovação, quando o recorrente apresenta documentação hábil e idônea de que a retenção foi efetivada. A DIRF emitida pela fonte pagadora não é o único meio de prova dessa retenção. Contudo, o comprovante anual de rendimentos que é datilografado e não contém assinatura não é documento hábil, uma vez que a legislação somente dispensa a assinatura quando o comprovante é emitido por meio de processamento automático de dados.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2802-003.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a compensação de IRRF no valor de R$8.512,50 (oito mil, quinhentos e doze reais e cinqüenta centavos), nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 06/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE IRRF POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA DE DIRF. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS EMITIDO PELA FONTE PAGADORA. APRESENTAÇÃO NA FASE RECURSAL.DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. COMPENSAÇÃO RESTABELECIDA. COMPROVANTE DE ANUAL DE RENDIMENTOS E DE RETENÇÃO. PREENCHIMENTO DATILOGRAFADO. AUSÊNCIA DE ASSINATURA. DOCUMENTO INÁBIL. COMPENSAÇÃO NÃO RESTABELECIDA. Deve ser restabelecida a glosa de compensação de IRRF que se motivou na falta de comprovação, quando o recorrente apresenta documentação hábil e idônea de que a retenção foi efetivada. A DIRF emitida pela fonte pagadora não é o único meio de prova dessa retenção. Contudo, o comprovante anual de rendimentos que é datilografado e não contém assinatura não é documento hábil, uma vez que a legislação somente dispensa a assinatura quando o comprovante é emitido por meio de processamento automático de dados. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a compensação de IRRF no valor de R$8.512,50 (oito mil, quinhentos e doze reais e cinqüenta centavos), nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 14 87 /2 00 3- 01 Fl. 235DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 EDITADO EM: 06/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2000, anocalendário 1999, decorrente de glosa de compensação de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, no valor de R$23.697,06, por falta de comprovação do quanto declarado e divergência perante as Declarações de Rendimentos Pagos e Retenção na Fonte – DIRF. Na impugnação, o contribuinte alegou que declarou na DIRPF/2000 os rendimentos recebidos das empresas Café Onze Bar e Restaurante Ltda. no valor de R$ 235.540,58 com IRRF de R$ 59.683,55 e Barra Sul Veículos, de R$ 44.826,35 com IRRF de R$ 9.441,68; que os valores foram declarados de acordo com os documentos fornecidos pelas empresas;. que, de acordo com os documentos juntados, está provado que sofreu retenção de Imposto de Renda, tendo recebido os valores líquidos dos aluguéis. A impugnação foi parcialmente deferida para que fosse admitida a compensação de IRRF no valor total de R$69.125,23, ao invés de R$67.676,13 como constou no lançamento, porém ainda inferior ao que declarado pela contribuinte (R$91.373,19) A ciência do acórdão ocorreu em 12/02/2007 e o recurso voluntário foi interposto no dia 13/03/2007. O recorrente alegou que ao impugnar apresentou defesa unicamente em relação às duas fontes pagadoras acima mencionadas porque pensou que se tratava apenas de comprovar o vínculo de locação, porém há de ser observado que o valor do IRRF declarado corresponde à soma das retenções de todas as fontes pagadoras informadas na Declaração de Ajuste Anual, entre as quais a Abolição Veículos e Corporation Veículos e Serviços Ltda, com IRRF de R$6.810,00 e R$15.437,96, respectivamente. Foram apresentados comprovante de rendimentos e recibos de aluguel relativos a Corporation Veículos e SERV. Ltda (fls. (fl. 42/55) e a Abolição Veículos (fls. 56/64). Por meio da Resolução 38050002, de 19/03/1999 o julgamento foi convertido em diligência para que o órgão preparador verificasse e esclarecesse se há DIRF relativas aos contribuintes Corporation Veículos e Serviços Ltda (CNPJ 01.45.614/000193) e Abolição Veículos Ltda (CNPJ 33.627.555/000117) com informação dos valores pagos e retido; e, havendo divergência em relação aos comprovantes de rendimentos, intimar as empresas a informar os valores corretos. A Unidade Preparadora intimou a recorrente para apresentar declaração dos empregadores Corporation e Abolição (fls. 96 e 105) do que resultou a reposta da contribuinte (fls. 103). Fl. 236DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13706.001487/200301 Acórdão n.º 2802003.243 S2TE02 Fl. 236 3 Foi proferia Nova Resolução (fls. 107/108), pois não foi esclarecido se havia DIRF das duas citadas empresas e porque as empresas não foram intimadas e sim a recorrente. A Informação Fiscal (fls. 131) denota que (a) não foram transmitidas DIRF por Corporation Veículos e por Abolição Veículos para o CPF da recorrente (fls. 117); (2) a Corporation Veículo está inapta desde 31/12/2008 (fls. 118); e (3) a Abolição Veículos informou que não possui qualquer documento do período de 1999 em razão do decurso de 14 anos (fls. 124); (4) a recorrente foi notificada do resultado da diligência mas não se manifestou. O processo foi distribuído a este Relator, por sorteio, durante a sessão de agosto de 2014. É o Relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso já foi integralmente conhecido por este Colegiado, quando da determinação para realização de diligência. Passo ao exame de mérito. A decisão de primeira instância admitiu a compensação do quanto informado nos documentos emitidos por (a) Café Onze bar e Restaurante Ltda e (b) Barra Sul. Ocorre que a autoridade lançadora não glosou esses itens. Quanto a Barra Sul, a contribuinte havia declarado R$8.824,18. A DRJ considerou a compensação em valor superior ao que foi declarado: R$59.683,55 de Café Onze Bar (fls. 9) e R$9.441,68 de Barra Sul (fls. 10/13). Quando intimada, em fase de diligência, a recorrente informou que não mantinha relação de emprego com as duas fontes pagadoras; que os rendimentos referemse a aluguel de imóveis de sua propriedade; que a Corporation Veículos não mais existe; apresentou comprovante de rendimentos emitidos em nome de Abolição Veículos e contrato social dessa empresa; e que os valores declarados foram informado pela Administradora de Imóveis Moura e Lopes. Na diligência buscouse obter informação sobre as DIRF emitidas pelas fontes pagadoras Corporation e Abolição Veículos, em relação às quais o recorrente alegou que, na impugnação, não apresentou a documentação correspondente por ter entendido que a autuação reportavase unicamente às duas fontes pagadoras mencionadas no parágrafo anterior, o que visou corrigir com a juntada dos documentos abaixo, além de reapresentar documentos alusivos a Café Onze Bar (fls. 41) e comprovante de rendimentos alusivos a Barra Sul (fls. 56). O comprovante de rendimentos de Barra Sul, no valor de R$9.441,68 (fls. 56) e correspondentes recibos de aluguel (não assinados) emitidos por Administradora Moura e Fl. 237DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Lopes (fls. 57/60) relacionamse ao valor cuja compensação já foi admitida em primeira instância. Eis os documentos apresentados que interessam à fase recursal: a) comprovante anual de rendimentos emitido por Corporation Veículos e Serviços LTDA sem assinatura, com rendimentos e IRRF, de R$85.245,43 e R$15.437,96, respectivamente (fls. 42) e correspondentes recibos de aluguel (não assinados) emitidos por Administradora Moura e Lopes (fls. 43/55); e b) comprovante anual de rendimentos emitido por Abolição Veículos Ltda, com rendimentos de R$37.500,00 e IRRF de R$8.512,50 (fls.61) – notese que a rasura não desabona o documentos, pois visa, exclusivamente, corrigir evidente erro de soma; e correspondentes recibos de aluguel (não assinados) emitidos por Administradora Moura e Lopes (fls. 62/64). Esses documentos somam R$ 23.950,46 de IRRF. A diligência somente serviu para verificar (fls. 131) que: (a) na pesquisa que teve como critério o CPF da recorrente, não constam DIRF transmitidas DIRF por Corporation Veículos e por Abolição Veículos (fls. 117); (b) a Corporation Veículo está inapta desde 31/12/2008 (fls. 118); e (c) a Abolição Veículos informou que, pelo decurso de 14 anos, não mais dispõe de documentos do anocalendário 1999. Para comprovar a retenção do IRRF, o documento hábil e idôneo por natureza é o comprovante de rendimentos pagos e de retenção na fonte emitido pelas fontes pagadoras Corporation Veículos e Serviços LTDA e Abolição Veículos Ltda, relativos ao ano calendário 1999. O comprovante em nome de Abolição Veículos (fls. 61) é documento hábil e idôneo para comprovar a retenção. Desta maneira, a falta de assinatura nos recibos emitidos em nome da Administradora de Imóveis Moura e Lopes não prejudica a comprovação feita pelos comprovantes de rendimentos, ao contrário, tem efeito esclarecedor a reforçar o valor probante daqueles. O contribuinte não pode ser prejudicado, exclusivamente, pelo fato de as fontes pagadoras não terem apresentado DIRF ou não terem informado esses rendimentos e retenções em DIRF, pois esta não é o único meio de prova e não é de responsabilidade do contribuinte sua entrega. Para corroborar os supramencionados documentos, foi apresentada parte do contrato de “transferência e renovação de contrato de locação do imóvel na Av. Érico Veríssimo, nº 858”, tendo como locatária cedente a empresa Barra Sul e locatária cessionária a Abolição Veículos, fazendo referência a locação em curso no ano de 1999 (fls. 69). Diversamente, não se pode reconhecer como hábil, o comprovante de rendimentos em nome de Corporation Veículos e Serviços Ltda, posto que não contém Fl. 238DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13706.001487/200301 Acórdão n.º 2802003.243 S2TE02 Fl. 237 5 assinatura do responsável pela emissão, situação em os recibos da Administradora de Imóveis não ajudam, uma vez que também não estão assinados. Para o período destes autos, a emissão de comprovante anual rendimentos pagos às pessoas físicas estava regida pela IN SRF nº 143, de 1999, que somente dispensava a assinatura quando havia emissão por meio de processamento automático de dados. No caso dos autos, o comprovante foi datilografado, de forma que sua assinatura não pode ser dispensada. No voto da Resolução 38050002, de 19/03/2009 (fls. digital 174/175), foi demonstrado que os valores dos rendimentos mencionados nos comprovantes de rendimentos de Abolição Veículos foram declarados na DIRPF2000, de modo que está comprovado que a retenção ora analisada está vinculada a esses mesmos rendimentos. Diante do exposto, devese DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a compensação de IRRF no valor de R$8.512,50 (oito mil, quinhentos e doze reais e cinqüenta centavos). (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 239DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10925.905462/2009-93
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2003
COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE ESTIMATIVAS APURADAS. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM SALDO NEGATIVO APURADO. ADMISSIBILIDADE.
Não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no ano-calendário correspondente àquelas estimativas.
Numero da decisão: 1803-002.419
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE ESTIMATIVAS APURADAS. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM SALDO NEGATIVO APURADO. ADMISSIBILIDADE. Não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no anocalendário correspondente àquelas estimativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 54 62 /2 00 9- 93 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.905462/200993 Acórdão n.º 1803002.419 S1TE03 Fl. 89 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.905462/200993 Acórdão n.º 1803002.419 S1TE03 Fl. 90 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido: Por meio do Despacho Decisório eletrônico que consta do presente processo, a autoridade competente não homologou a compensação pretendida pela Contribuinte acima identificada, formalizada por meio de Declaração de Compensação (DComp), na qual foi indicado, como crédito do tipo “Pagamento Indevido ou a Maior”, um documento de arrecadação (DARF) com código de receita referente a estimativa mensal. De acordo com o referido Despacho, inexiste direito creditório em razão de o pagamento indicado na DComp encontrarse integralmente utilizado na quitação de débito declarado pela Contribuinte, com idênticas características. Irresignada, a Contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade, na qual informa que apresentou a respectiva DComp indicando, como crédito, o tipo “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR, quando o correto seria informar o tipo de compensação de SALDO NEGATIVO”. Por outro lado, no restante de sua petição, a Contribuinte dá a entender que detém o direito creditório, em razão de não existir o débito ao qual se vincula o Darf indicado na DComp. Inclusive, em demonstrativo elaborado para fundamentar a existência de seu direito, referindose ao débito de estimativa vinculado ao Darf, a Contribuinte indica o seguinte: “Valor DEVIDO a ser Retificado na DCTF: R$ 0,00”. 2. A decisão da instância a quo foi assim fundamentada: A manifestação de inconformidade é tempestiva e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual podese dela conhecer. Conforme relatado, a declaração de compensação sob exame não foi homologada, em razão da inexistência do direito creditório pleiteado pela Contribuinte. De acordo com o que restou esclarecido, o pagamento indicado como crédito referese a estimativa mensal, e encontrase integralmente utilizado na extinção de débito com idênticas características. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Contribuinte primeiro informa que apresentou a respectiva DComp, indicando, como crédito, o tipo “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR, quando o correto seria informar o tipo de compensação de SALDO NEGATIVO”. Depois, defende que possui o direito creditório, em razão de não existir o débito de estimativa ao qual se vincula o Darf indicado na DComp. Inclusive, em demonstrativo elaborado para fundamentar a existência de seu direito, referindose ao débito de estimativa vinculado ao Darf, a Contribuinte indica o seguinte: “Valor DEVIDO a ser Retificado na DCTF: R$ 0,00”. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.905462/200993 Acórdão n.º 1803002.419 S1TE03 Fl. 91 4 Neste momento, há que se registrar que a autoridade competente da DRF de jurisdição sobre o domicílio fiscal da Contribuinte não se manifestou em relação ao saldo negativo que teria sido apurado no respectivo anocalendário. Em outras palavras, o saldo negativo apurado pela Contribuinte não constitui o objeto do presente litígio. Na verdade, o cerne do litígio é outro. Ao que tudo indica, a Contribuinte apurou saldo negativo no anocalendário em referência e, ao invés de utilizálo como crédito em compensação, conforme lhe é facultado, levou à DComp sob análise um pagamento a título de estimativa, devidamente declarada em DCTF, que teria contribuído para formar o referido saldo negativo. Muito embora possa ter contribuído com a formação do saldo negativo, a estimativa mensal apurada, conforme disposição legal, não constitui pagamento indevido ou maior que o devido, de modo que não pode ser utilizada como crédito em compensação pleiteada em face da Fazenda Nacional. Sabese que a obrigação de recolher estimativas mensais integra a sistemática legalmente prevista para a apuração do IRPJ e da CSLL, segundo as regras de Lucro Real na periodicidade anual. Segundo essa sistemática, ao longo do anocalendário, a pessoa jurídica se obriga a mensalmente antecipar o valor do tributo que somente será conhecido em definitivo no final do período, em 31 de dezembro, quando então se considera ocorrido o fato gerador. Encerrado o anocalendário, a pessoa jurídica deve apurar o tributo devido e, para encontrar o valor do saldo a pagar, ou do saldo negativo a restituir, do valor do tributo devido pode deduzir os valores recolhidos antecipadamente, a título de estimativa. Portanto, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, é este valor que pode ser utilizado como crédito em compensação, e não as antecipações regularmente apuradas que o compuseram, efetuadas ao longo do ano. Ademais, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, não há que se providenciar uma retificação da DCTF para zerar o débito a título de estimativa e, consequentemente, “liberar” o Darf ao qual estiver vinculado, como parece ser o entendimento da Contribuinte. Em verdade, tendo sido regularmente apuradas, as estimativas mensais são devidas, ainda que ao final do ano se descubra a formação de um saldo negativo. Nesse caso, a retificação da DCTF pretendida pela Contribuinte, se efetuada, não encontraria respaldo legal. De se reiterar que, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, este, sim, pode ser objeto de compensação, conforme estabelece a vigente Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 20121: Art. 4º Os saldos negativos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição, nas seguintes hipóteses: I – de apuração anual, a partir do mês de janeiro do anocalendário subsequente ao do encerramento do período de apuração; [...] 1 Disposições semelhantes já eram encontradas na Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, na Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004, na Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, e na Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.905462/200993 Acórdão n.º 1803002.419 S1TE03 Fl. 92 5 Art. 41. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 56 a 60, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à RFB do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo VII, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. § 2º A compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. [...] Portanto, como na DComp sob exame a Contribuinte não utilizou direito creditório passível de compensação, mostrase correta a conclusão do Despacho Decisório atacado, razão pela qual não há como reformálo. Ante o exposto, é de se considerar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Interessada. 3. Devidamente cientificada da referida decisão, a tempo, apresenta a interessada Recurso Voluntário, nele argumentando, em síntese: a) que o débito de estimativa, objeto de compensação não homologada, deverá ser considerado na formação do saldo negativo; b) que o entendimento da Receita Federal – de glosar o saldo negativo quando este for composto por estimativas quitadas por compensação não homologada – implica dupla cobrança do mesmo crédito tributário; c) que o contribuinte terminaria pagando duas vezes o mesmo débito; mediante a redução do saldo negativo e pela via da execução fiscal (cobrança do débito de estimativa objeto da compensação não homologada); d) que, no mérito, existindo, sim, saldo negativo a ser compensado, o contribuinte não pode ser penalizado com a dupla cobrança, pelo fiscal, de um tributo já declarado e compensado por erro de fato do mesmo, declarado em PER/DComp incorreta, sem a possibilidade de retificar a mesma e demonstrar os créditos oriundos formados para a efetivação da compensação do débito compensado; e e) que a dupla cobrança ocorrerá, se o contribuinte tiver de pagar novamente o débito compensado não homologado na PER/DComp, aplicandose a decadência do crédito de saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL. Em mesa para julgamento. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.905462/200993 Acórdão n.º 1803002.419 S1TE03 Fl. 93 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Concordase inteiramente com a decisão recorrida, quando esta afirma que (destaque do original): Muito embora possa ter contribuído com a formação do saldo negativo, a estimativa mensal apurada, conforme disposição legal, não constitui pagamento indevido ou maior que o devido, de modo que não pode ser utilizada como crédito em compensação pleiteada em face da Fazenda Nacional. [...]. Portanto, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, é este valor que pode ser utilizado como crédito em compensação, e não as antecipações regularmente apuradas que o compuseram, efetuadas ao longo do ano. [...]. De se reiterar que, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, este, sim, pode ser objeto de compensação, conforme estabelece a vigente Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012: [...]. 5. É que não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no ano calendário correspondente àquelas estimativas. 6. Como decorrência, cabe à repartição de origem reexaminar a compensação requerida, devendo, para tanto, considerar, como direito creditório pleiteado, o saldo negativo apurado no respectivo anocalendário. 7. Já com relação à preocupação externada pela Recorrente, em seu Recurso Voluntário, as estimativas não pagas, mas compensadas, se não homologada a respectiva compensação, serão objeto de cobrança na correspondente DComp, não cabendo a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ, conforme entendimento já externado, tanto pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), quanto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN): Solução de Consulta Interna Cosit nº 18, de 2006: Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a Fl. 93DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.905462/200993 Acórdão n.º 1803002.419 S1TE03 Fl. 94 7 glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. Parecer PGFN/CAT/nº 88, de 2014: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Opção por tributação pelo lucro real anual. Apuração mensal dos tributos por estimativa. Lei no 9.430, de 27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada pelo Fisco. Conversão das estimativas em tributo após ajuste anual. Possibilidade de cobrança. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que a repartição de origem reexamine a compensação requerida, devendo, para tanto, considerar, como direito creditório pleiteado, o saldo negativo apurado no respectivo anocalendário. Deve ser observada a eventual existência de outros processos nos quais o direito creditório a ser considerado como pleiteado corresponda ao mesmo saldo negativo. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 94DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 13971.000654/2010-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2302-000.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência até que se conclua, no âmbito administrativo, o julgamento da demanda objeto do PAF nº 13971.001650/2005-50, relativo à exclusão da recorrente do SIMPLES.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: Não se aplica
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RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência até que se conclua, no âmbito administrativo, o julgamento da demanda objeto do PAF nº 13971.001650/200550, relativo à exclusão da recorrente do SIMPLES. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e Arlindo da Costa e Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .0 00 65 4/ 20 10 -8 8 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13971.000654/201088 Resolução nº 2302000.343 S2C3T2 Fl. 132 2 1. RELATÓRIO Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2007 Data da lavratura do Auto de Infração: 11/02/2010. Data da Ciência do Auto de Infração: 19/02/2010. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Brasília/DF que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.246.4645, CFL 68, lavrado em decorrência do descumprimento de obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei de Custeio da Seguridade Social. CFL 68 Apresentar a empresa GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural) – Art. 284, II na redação do Dec. 4.729, de 09/06/2003. O contribuinte informava nas GFIP relativas ao período de apuração suso indicado ser optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES Federal, apesar de já haver sido excluída de tal Sistema Simplificado, desde 01/01/2002, mediante o Ato Declaratório Executivo nº 045, de 23/04/2009, a fl. 18, oriundo da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau, em virtude de infração ao art. 15, inciso II, da Lei nº 9.317/96 e art. 24, §1º, II, da IN SRF nº 608/2006. A omissão de forma sistemática pela empresa da contribuição patronal destinada ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a Outras Entidades e Fundos à Secretaria da Receita Federal do Brasil e da contribuição para o custeio do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho GILRAT, em consequência da informação incorreta do código de opção pelo SIMPLES na GFIP, cujo programa gerador deixa de calcular as referidas contribuições, constituise infração ao disposto no artigo 32, IV, da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 9.528/97. A multa aplicada corresponde a 100 % do valor das contribuições previdenciárias devidas e não declaradas em GFIP, relativas aos fatos geradores descritos no parágrafo precedente, conforme destacado no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa a fl. 23. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 27/43. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13971.000654/201088 Resolução nº 2302000.343 S2C3T2 Fl. 133 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF lavrou decisão administrativa aviada no Acórdão nº 0339.072 – 5ª Turma da DRJ/Brasília/DF, a fls. 103/108, julgando procedente o lançamento, e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 20/12/2010, conforme Aviso de Recebimento a fl. 111. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário a fls. 112/126, requerendo preliminarmente a suspensão do presente Processo Administrativo Fiscal até o julgamento definitivo do processo administrativo n° 13971.001650/200550, no qual se discute a exclusão, ou não, do contribuinte do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte. Relatados sumariamente os fatos relevantes. 2. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 2.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 20/12/2010. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 18/01/2011, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 3. DAS PRELIMINARES 3.1. DEPENDÊNCIA DE JULGAMENTO DE AUTO DE INFRAÇÃO CONEXO O Recorrente argumenta que o presente Auto de Infração houvese por lavrado em razão da emissão do Ato Declaratório Executivo nº 045, de 23/04/2009, a fl. 18, oriundo da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau, o qual foi tempestivamente impugnado e se encontra pendente de decisão administrativa nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 13971.001650/200550. A vexata quaestio sobre a qual se funda a lide em debate reside na confirmação ou não da efetiva exclusão da empresa autuada do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte. O Ato Declaratório Executivo nº 045/2009 acima referido foi impugnado pela entidade interessada, constituindo os autos do Processo Administrativo Fiscal nº 13971.001650/200550, no qual se analisa a manutenção da empresa em tela ao albergue do mencionado sistema simplificado. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13971.000654/201088 Resolução nº 2302000.343 S2C3T2 Fl. 134 4 Avulta das circunstâncias do presente caso que o veredictum a ser proferido no vertente Processo Administrativo Fiscal depende visceralmente do desfecho definitivo a que alcançar o julgamento PAF nº 13971.001650/200550, no qual se debate a manutenção da empresa em tela no SIMPLES Federal. Por tais razões, como medida de reconhecida prudência, pautamos pela conversão do julgamento em Diligência Fiscal, para que se aguarde o Trânsito em Julgado do Processo Administrativo Fiscal nº 13971.001650/200550 suso citado, devendo a diligência ser concluída com a juntada aos presentes autos de cópia da decisão definitiva proferida no PAF acima mencionado. Na sequência, antes de os autos retornarem a esta Corte Administrativa, deve ser promovida a ciência do resultado da Diligência Fiscal ao Sujeito Passivo, para que, desejando, possa se manifestar nos autos do processo, no prazo normativo. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto pela CONVERSÃO do julgamento em DILIGÊNCIA, até que se conclua, no âmbito administrativo, o julgamento da demanda objeto do PAF nº 13971.001650/200550, devendo ser acostada aos presentes autos cópia da decisão definitiva em apreço. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10909.000997/2002-06
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1997
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO OBJETO DE DISCUSSÃO
JUDICIAL.
A compensação tributária só é possível nas condições estipuladas pela lei, entre créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos do sujeito passivo. Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-003.675
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1997 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO OBJETO DE DISCUSSÃO JUDICIAL. A compensação tributária só é possível nas condições estipuladas pela lei, entre créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos do sujeito passivo. Recurso ao qual se nega provimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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CRÉDITO OBJETO DE DISCUSSÃO JUDICIAL. A compensação tributária só é possível nas condições estipuladas pela lei, entre créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos do sujeito passivo. Recurso ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 09 97 /2 00 2- 06 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Por meio do Auto de Infração às folhas 16 a 22, exigese do sujeito passivo acima qualificado a importância de R$ 15.569,55, relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, em virtude da não confirmação do processo judicial indicado para compensação com os débitos declarados para os períodos de apuração de setembro a dezembro de 1997. Os dispositivos legais infringidos constam do respectivo auto de infração. O sujeito passivo apresenta impugnação, de fls. 1 a 12, argüindo, em síntese, o abaixo exposto. Argumenta que efetuou a compensação em conformidade com o Processo Judicial nº 97.20044993, todavia o auto de infração relata que o processo não foi encontrado, sendo este o motivo do lançamento. Alude que o contribuinte não tem obrigação de comprovar a existência da ação judicial, pois inexiste norma impositiva, e a Receita Federal tem conhecimento de todas as ações judiciais das quais é parte. Defende ainda que, mesmo que inexistisse processo judicial, a compensação de créditos tributários levada a efeito pelo sujeito passivo encontra apoio no artigo 66 da Lei nº 8.383/91. Esta norma permite a implementação da compensação por iniciativa do próprio contribuinte, independentemente de prévio requerimento ou autorização administrativa ou judicial. Afirma ainda que possui decisão judicial concessiva do crédito, e que, em face da natureza da sentença de procedência do feito ser meramente declaratória, a mesma retroage seus efeitos à data da propositura da ação judicial. Requer, por fim, o cancelamento do lançamento. É o relatório. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/FNS no 0718.952, de 19/02/2010, proferida pelos membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, cuja ementa é dispensada, nos termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 DISPENSA DE EMENTA Fl. 91DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10909.000997/200206 Acórdão n.º 3802003.675 S3TE02 Fl. 91 3 Ementa dispensada de acordo com a Portaria SRF nº 1.364, de 10 de novembro de 2004. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. O julgamento foi no sentido de julgar procedente o lançamento decorrente de compensação não comprovada. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Requer a Recorrente integral provimento ao mesmo, tendo em vista que somente com a entrada em vigor da Lei Complementar n° 104/2001, de 11/01/2001, que passou a ser vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial (CTN, art. 170A) e que esse dispositivo legal não pode atingir fatos pretéritos, ocorridos antes da sua vigência, sob pena de violar o princípio da segurança juridica, retratado pelo dispositivo constitucional que garante a intangibilidade do direito adquirido e do ato jurídico perfeito (CF, art. 5°, XXXVI), assim como o princípio da irretroatividade da lei tributária, positivada em nosso ordenamento jurídico através do artigo 105 do Código Tributário Nacional. O processo digitalizado foi a mim distribuído. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o presente processo de auto de infração relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, em virtude da não comprovação do processo judicial indicado para compensação com os débitos declarados para os períodos de apuração de setembro a dezembro de 1997 (proc jud não comprovado). A recorrente argumenta que efetuou a compensação declarada em DCTF em conformidade com o Processo Judicial nº 97.20044993, no entanto o auto de infração relata a não confirmação do processo judicial, sendo este o motivo do lançamento. A decisão recorrida, por sua vez, através do seu voto condutor, observou que o sujeito passivo, à época, em que informou as compensações, o mesmo ainda não possuía decisão transitada em julgado, com base no artigo 170 da CTN. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Para que se possa promover a compensação dos pretensos créditos, necessário se faz o preenchimento dos requisitos da liquidez e certeza decorrentes do art. 170 do Código Tributário Nacional. E, é justamente aqui se esbarra o direito do contribuinte. A compensação tributária só ocorre nas condições estipuladas pela lei, entre créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos do sujeito passivo. Inclusive, os decorrentes de ação judicial, como alega a recorrente, porém, só poderia ser utilizado, quando do trânsito em julgado, bem como ser o crédito líquido e certo. O artigo 170 do Código Tributário Nacional, que assim determina: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. (grifou se) Com a entrada em vigor da Lei Complementar nº 104/2001, de 11/01/2001, passa a ser vedada compensação objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo antes do trânsito em julgado da decisão judicial, com a introdução da letra ‘A’ no artigo 170 do CTN, que trata especificamente da questão, tendo em vista decisão judicial sujeita ainda a reformas. Em assim sendo, na ocasião da compensação declarada em DCTF, a recorrente não detinha ainda, de forma incontroversa, decisão judicial transitada em julgado que lhe reconhecesse definitivamente seus créditos, consequentemente, não podendo ter promovido a compensação, pela inexistência da liquidez e certeza (acórdão somente transitou em julgado em 17/06/2003, à fl.49 (pdf)). Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 93DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10830.007419/99-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/10/1991
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. CONFIRMADO O DESCUMPRIMENTO DO PRAZO. CONHECIMENTO DAS RAZÕES DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE.
Não merece reparo a decisão de primeira instância que não toma conhecimento de razões de defesa suscitadas em manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal de 30 (trinta) dias.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-002.279
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Demes Brito, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Antonio Mario de Abreu Pinto.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/1989 a 31/10/1991 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. CONFIRMADO O DESCUMPRIMENTO DO PRAZO. CONHECIMENTO DAS RAZÕES DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não merece reparo a decisão de primeira instância que não toma conhecimento de razões de defesa suscitadas em manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal de 30 (trinta) dias. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Demes Brito, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Antonio Mario de Abreu Pinto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 74 19 /9 9- 69 Fl. 1827DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 2 Por bem descrever os fatos, adotase o relatório contido na decisão de primeiro grau, que segue integralmente transcrito: Tratase de Pedido de Restituição, fl. 01, protocolado em 15/09/1999, do Finsocial recolhido com alíquotas superiores a 0,5%, reconhecido por sentença judicial proferida no processo nº 94.002565152. O Pedido foi retificado posteriormente, conforme documentos de fls. 119/120. Ao crédito reivindicado foram atrelados Pedidos de Compensação com Débitos de Terceiros, fls. 02, 90, 121, 143, 170 e 189, formalizados nos processos administrativos nº 13811002892/9911, 13811003013/9913, 13811003328/9916 e 13811000367/0077. Examinado o pleito da contribuinte, a autoridade jurisdicionante emitiu o despacho de fl. 365, reconhecendo parcialmente o direito creditório de Finsocial e imputando o valor reconhecido aos débitos da Cofins. Como conseqüência foram homologadas parcialmente as compensações e encaminhados para cobrança os débitos não extintos pela compensação. Cientificada em 09/09/2005, a contribuinte apresentou, em 19/12/2005, Manifestação de Inconformidade, fls. 372/375, argüindo a tempestividade de sua interposição e questionando o método de imputação dos créditos aos débitos, bem como requerendo a nulidade do despacho decisório por conta de obscuridade em seus fundamentos. Por força do questionamento preliminar da tempestividade, foram os autos encaminhados para julgamento. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 1522/1525), em que, por unanimidade de votos, a impugnação não foi conhecida por intempestividade, com base no fundamento resumido no enunciado da ementa que segue transcrito: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/1989 a 31/10/1991 Manifestação de Inconformidade. Tempestividade. Considerase intimado o sujeito passivo na data de recebimento da correspondência que dá ciência do indeferimento do pedido de restituição. O prazo de trinta dias para a contestação da decisão administrativa se encerra em dia de expediente normal da repartição em que deve ser praticado o ato. Extrapolado o prazo delimitado por estes dois marcos, a manifestação do sujeito passivo não pode ser admitida. Em 6/9/2007, a interessada foi cientificada da decisão de primeira instância (fl. 1538). Inconformada, em 25/9/2007, a recorrente protocolou o recurso voluntário de fls. 1784/1804, em que alegou a tempestividade da manifestação de inconformidade protocolada no dia 19/12/2005, com base no argumento de que, na data em que tomou ciência do contestado despacho decisório, a contagem do prazo para apresentação de defesa estava suspensa, em face do movimento grevista dos servidores da unidade da Receita Federal preparadora, no caso, a DRF em Campinas. Dada essa circunstância, segundo a recorrente, Fl. 1828DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10830.007419/9969 Acórdão n.º 3102002.279 S3C1T2 Fl. 1.828 3 somente no dia 21/11/2005 houve expediente normal na referida Unidade, dia em que se iniciou a contagem do prazo de 30 dias para ela apresentar a manifestação de inconformidade, com término no dia 20/12/2005. Por julgar necessário a obtenção de elementos que comprovassem as alegações do sujeito passivo, por meio da Resolução 310200077, de 14 de agosto de 2009, o julgamento foi convertido em diligência a fim de que fosse esclarecido se, dentre os dias 9/9/2005 e 21/11/2005, houve algum dia em que o expediente não transcorreu normalmente e, em caso afirmativo, quais teriam sido. Em resposta (fls. 538/539), foi informado que, no citado período, não houve alteração do funcionamento normal da unidade. Cientificada do resultado da diligência, não concordou a informação prestada e, em nome da economia processual, propôs que se considerasse comprovada a greve do período de 9/9/2005 a 21/11/2005, ou, alternativamente, a realização de nova diligência, para que fosse respondidos os quesitos que formulou. Ao ponderar as novas alegações suscitadas pela recorrente, na Sessão de 7/10/2011, por meio da Resolução 3102000182, o julgamento foi novamente convertido em diligência, desta feita, para que a unidade preparadora respondesse as seguintes questões, in verbis: a) há, nas folhas de ponto, assentamentos funcionais ou em qualquer outro registro atinente aos servidores que estão ou estiveram lotados naquela unidade, bem assim ofícios, memorandos ou qualquer outro registro relativo ao expediente da unidade alguma informação acerca de greve no período compreendido entre 09/09/2005 a 21/11/2005? b) em caso afirmativo, em quais dias? Caso a unidade de jurisdição não mais disponha de tais anotações ou registros solicito que seja expedido ofício à Delegacia Sindical do Sindicato dos AuditoresFiscais da Secretaria da Receita Federal do Brasil requerendo que seja informado se, no período em questão, houve indicativo de greve na Delegacia de Campinas e, em caso afirmativo, quais foram as datas de paralisação definidas. Em resposta, por meio do despacho fl. 1803, foram prestados os seguintes esclarecimentos relevantes para o deslinde da controvérsia, in verbis: 2) Há nos assentamentos indicação de greve para diversos servidores. Porém, reforçando a informação anteriormente prestada pelo SEPOL à folha 538, informase que a paralisação não afetou completamente o atendimento da Delegacia, uma vez não ter sido total. 3) Isto posto, e respondendo diretamente ao questionamento do CARF colocado no item b) da Resolução, informamos que entre 09/09/2005 e 21/11/2005 há (para servidores diversos em momentos diversos) anotações de greve nas folhas pontos para os dias: − 9/13/14/19 a 23 e 26 a 30 de setembro; Fl. 1829DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 4 − 3 a 7/10 a 14/ 17 a 21/24 a 27 e 31 de outubro; − 1/3/4/7 a 11/14 e 16 a 18 de novembro. Cientificada do resultado da referida diligência, em 14/4/2014, a recorrente protocolou a petição de fls. 1815/1821, em que, em síntese, apresenta as seguintes alegações: a) diante referida resposta era flagrante que a aludida unidade pouco funcionou durante a greve, o que dificultaria, e muito, para a requerente, ter que comparecer diariamente perante a unidade para descobrir se estava funcionando ou não, afinal, sendo a greve pública e notória, cabia à requerente aguardar o seu encerramento; b) com base na referida informação, concluiu a recorrente que: (i) no mês de setembro, a DRF Campinas trabalhou apenas por 02 (dois) dias após a intimação da Requerente, ocorrida no dia 12.09.2005, quais sejam os dias 15 e 16; (ii) no mês de outubro, houve o funcionamento da unidade apenas no dia 28; e (iii) no mês de novembro não houve funcionamento da referida unidade até o dia 21/11/2005; c) com base nessas ilações e tendo em conta que fora intimada do despacho decisória em 12/9/2005, concluiu a recorrente que teriam transcorrido apenas dois dias de prazo no mês de setembro (dias 15 e 16) e um dia no mês de outubro (dia 28), ficando o restante do prazo suspenso até o final da greve. Sendo retomada a contagem no dia 21/11/2005, o prazo final para apresentação da manifestação de inconformidade seria no dia 17/12/2005, sábado, ficando, consequentemente, prorrogado para o próximo dia útil, qual seja, dia 19/12/2005, segundafeira, dia em que foi efetuado o protocolo da manifestação de inconformidade; e d) no final, a recorrente concluiu que a manifestação de inconformidade, colacionada aos autos, fora apresentada tempestivamente, devendo suas alegações e fundamentos serem analisado pela competente DRJ. Em 22/04/2014, em cumprimento ao despacho de fl. 1823, os autos retornaram a este Conselho, para prosseguimento do julgamento. Na Sessão de 24/7/2014, mediante sorteio, foram redistribuídos para este Relator. É o relatória. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia cingese à questão atinente à tempestividade da manifestação de inconformidade de fls. 1346/1352. De acordo com aviso de recebimento (AR) de fl. 386, a recorrente tomou ciência do contestado despacho decisório no dia 9/9/2005 e apresentou a referida manifestação de inconformidade no dia 19/12/2005. Como o dia da ciência foi uma sextafeira, o termo inicial do prazo de 30 (trinta) dias, para apresentação da manifestação de inconformidade, iniciouse no dia12/9/2005, uma segundafeira, logo o termo final do referido prazo ocorreu no dia 11/10/2005. Fl. 1830DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10830.007419/9969 Acórdão n.º 3102002.279 S3C1T2 Fl. 1.829 5 Portanto, fica demonstrado que a recorrente apresentou a dita manifestação bem além do prazo de 30 (trinta) dias, precisamente, 68 (sessenta e oito dias) após o termo final do referido prazo. No entanto, apesar da evidente intempestividade, no presente recurso, a recorrente alegou que a referida manifestação de inconformidade foi apresentada fora do prazo legal, sob argumento de que suposta greve dos servidores da unidade da Receita Federal preparadora (a DRF em Campinas/SP) havia suspenso a contagem do prazo para apresentação da defesa desde a data da ciência do contestado despacho decisório até o dia 21/11/2005, quando o expediente retornou ao normal na referida unidade e se reiniciou a contagem do prazo de 30 dias para apresentação da manifestação de inconformidade, com término no dia 20/12/2005. Portanto, segundo a recorrente, havia cumprido o prazo, uma vez que a citada manifestação foi protocolada no dia 19/12/2005. Para fim de confirmar o alegado, por duas vezes, o julgamento foi convertido em diligência. Na primeira, foi solicitado que a unidade da Receita Federal preparadora informasse se, no período de 9/9/2005 a 21/11/2005, houve algum dia em que o expediente não transcorreu normalmente e, em caso afirmativo, quais teriam sido. Em resposta, a unidade preparador informou que, no citado período, não houve alteração do funcionamento normal da unidade. Na segunda, foi solicitado que a unidade preparadora informasse se havia alguma informação acerca de greve no período compreendido entre 9/9/2005 a 21/11/2005 e, caso afirmativo, em quais dias. Em resposta, a unidade preparadora informa que havia anotações de greve nas folhas de ponto para os dias: 9/13/14/19 a 23 e 26 a 30 de setembro; 3 a 7/10 a 14/ 17 a 21/24 a 27 e 31 de outubro; 1/3/4/7 a 11/14 e 16 a 18 de novembro. Entretanto, reafirmou que “a paralisação não afetou completamente o atendimento da Delegacia, uma vez não ter sido total.” A suspensão de contagem de prazo de defesa, por se tratar de procedimento estabelecido em lei, precisava de um ato administrativo da autoridade local, com ampla publicidade, dando a conhecer ao público em geral o fato. Sem tal ato e na falta de uma prova cabal de que a atividade de atendimento ao público da unidade, em especial, a do setor de protocolo, não funcionou no horário normal durante o período de 9/9/2005 a 21/11/2005, impossibilita qualquer decisão no sentido de menoscabar essa regra tão cara ao processo administrativo fiscal. E a questão se torna mais relevante na medida em que a própria autoridade administrativa competente compareceu aos autos e informou que “a paralisação não afetou completamente o atendimento da Delegacia, uma vez não ter sido total.” E se não afetou completamente, certamente, o atendimento funcionou durante o expediente normal da unidade, tornando possível a entrega de documentos. Além disso, não aceitar essa informação, sem o respaldo em prova concreta que a infirme, a meu ver, configuraria um sonoro menosprezo ao pronunciamento oficial das autoridades, invertendo por completo e tornando letra morta o instituto da fé de ofício ou fé pública, consagrada no seio da Administração pública. Sabidamente, em consonância com o Princípio da Legitimidade e da Veracidade, há uma presunção juris tantum. Logo, até prova em contrário, os atos da Administração Pública, bem como as suas manifestações no exercício da função pública, são Fl. 1831DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 6 verdadeiros e praticados com observância das normas legais. Em outras palavras, orienta o referido princípio que os atos da Administração podem ser contestados, porém desde que o administrado prove o contrário. Assim, enquanto não declarada a ilegitimidade do ato administrativo ou a informação da autoridade, a meu ver, ele ou ela continua a produzir seus efeitos. No mesmo sentido, a lição de Maria Sylvia Zanella Di Piero1, para quem “a presunção de legitimidade constitui um princípio do ato administrativo que encontra o seu fundamento na presunção da validade que acompanha todos os atos estatais, princípio em que se baseia, por sua vez, o dever do administrado de cumprir o ato administrativo.” Assim, se a greve não afetou completamente o atendimento na Delegacia, certamente, a recorrente poderia ter entregue a sua defesa dentro prazo legal, como fizeram os demais contribuintes da jurisdição da unidade. Darlhe tratamento que não foi conferido aos demais contribuintes da jurisdição da unidade, inequivocamente, implica afronta ao princípio da isonomia que deve reger o relacionamento entre Administração e administrado, para evitar tratamento privilegiado ou discriminatório em relação aos demais. Com base nessas considerações, rejeitase a alegação da recorrente de que, no âmbito da jurisdição da referida Delegacia, durante o período de 9/9/2005 a 21/11/2005 os prazos para apresentação de impugnação ou manifestação de inconformidade foram suspensos, em razão da inexistência de expediente normal na referida unidade. Porém, ainda que admitido que nos dias em que houve registro de servidor em greve tenha havido paralisação total na Delegacia, inclusive dos serviços de atendimento, melhor sorte assiste a recorrente, pois, no período de 9/9/2005 a 21/11/2005, houve dias sem registro de servidor em greve, portanto, dias de expediente normal na repartição, que resultou no início do alegado prazo de defesa. Com efeito, no mês setembro, não houve registro de servidor em greve no dia 12 (segundafeira) e nos dias 15 e 16 (quintafeira e sextafeira). E não se pode olvidar que, no âmbito do processo administrativo fiscal, os prazos são contínuos e uma vez iniciados eles não interrompem com intercalação de feriados ou dias sem expediente normal no órgão em que corra o processo. Nesse sentido, dispõe o art. 5º do Decreto 70.235/1972, a seguir transcrito: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Assim, como a recorrente recebeu o questionado despacho decisório no dia 9/9/2005 (sextafeira), a ciência somente ocorreu no dia 12/9/2005 (segundafeira), dia de expediente normal (sem registro de servidor em greve), e o início da contagem do prazo ocorreu no dia 15/9/2005 (quintafeira), dia de expediente normal (sem registro de servidor em greve). Uma vez iniciado o prazo, como ele não se interrompeu em razão de dias intercalados de suposto expediente anormal, o prazo de 30 (dias) completouse no dia 14/10/2005. Porém, como todos os dias do mês de outubro não houve o alegado expediente normal, posto que todos os dias do mês houve registro de servidor em greve, o primeiro dia de expediente normal, sem registro de greve, ocorreu no dia 21/11/2005. 1 DI PIERO, Maria Sylva Zanella. Direito administrativo. 3. ed. Atlas, pg. 151. Fl. 1832DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10830.007419/9969 Acórdão n.º 3102002.279 S3C1T2 Fl. 1.830 7 Dessa forma, supondo que os dias de greve não foram considerados dia de expediente normal, o prazo para apresentação da manifestação de inconformidade se expirou no dia 21/11/2005, enquanto a referida manifestação de inconformidade foi protocolada no dia 19/12/2005. Dessa forma, ainda que acatada a alegação de que referida greve suspendeu os prazos de apresentação de contestação, fica também demonstrado que a dita manifestação de inconformidade foi apresentado a destempo. Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra a decisão recorrida. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 1833DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A
score : 1.0
Numero do processo: 10510.721638/2011-42
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2009
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais em atraso pelo contribuinte enseja a exigência pelo Fisco da multa prevista na legislação tributária.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, mas sim exclusiva do Judiciário. SÚMULA CARF 02.
Numero da decisão: 1803-001.763
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Carmem Ferreira Saraiva - Presidente
(assinado digitalmente)
Victor Humberto da Silva Maizman - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à época do julgamento), Maria Elisa Bruzzi Boechat (Suplente Convocada), Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Roberto Armond Ferreira da Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2009 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais em atraso pelo contribuinte enseja a exigência pelo Fisco da multa prevista na legislação tributária. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, mas sim exclusiva do Judiciário. SÚMULA CARF 02.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmem Ferreira Saraiva - Presidente (assinado digitalmente) Victor Humberto da Silva Maizman - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à época do julgamento), Maria Elisa Bruzzi Boechat (Suplente Convocada), Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Roberto Armond Ferreira da Silva (Suplente Convocado).
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A apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais em atraso pelo contribuinte enseja a exigência pelo Fisco da multa prevista na legislação tributária. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, mas sim exclusiva do Judiciário. SÚMULA CARF 02. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmem Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Victor Humberto da Silva Maizman Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à época do julgamento), Maria Elisa Bruzzi Boechat (Suplente Convocada), Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Roberto Armond Ferreira da Silva (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 16 38 /2 01 1- 42 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CARMEN FE RREIRA SARAIVA Processo nº 10510.721638/201142 Acórdão n.º 1803001.763 S1TE03 Fl. 3 2 Relatório Trata se de Notificação de Lançamento exigindo a multa pelo atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, com base no art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 1.051, de 29 de dezembro de 2004. Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação requerendo o cancelamento da multa exigida, em face da ilegalidade e inconstitucionalidade da exigência de apresentação da DCTF, haja vista ter sido instituída através de Instrução Normativa, quando tal obrigação somente pode ser exigida através de lei, em sentido formal e material. Ademais, de acordo com o ordenamento jurídico vigente, é ilegal a previsão de multa pela não apresentação ou apresentação da declaração com informações inexatas, incompletas ou omissas. Neste sentido, transcreve doutrina e jurisprudência judicial que corroborariam seus argumentos. Em sede de cognição ampla, a DRJ refutou os argumentos sustentados pela Recorrente sob o fundamento de que a exigência em questão tem respaldo no art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002. Inconformada com a decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário sustentando os mesmos argumentos lançados na peça impugnatória É o simples relatório. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CARMEN FE RREIRA SARAIVA Processo nº 10510.721638/201142 Acórdão n.º 1803001.763 S1TE03 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman Relator Preliminarmente admito o inconformismo da contribuinte mormente em virtude de seu cabimento e tempestividade. Pois bem, ao contrário do que consta das razões do inconformismo, a conduta que motivou o lançamento impugnado e a respectiva penalidade tem respaldo no art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, tudo conforme bem consignado nos fundamentos da r. decisão recorrida. Demais a mais, a alegação de inconstitucionalidade dos enunciados normativos que respaldam tal exigência não podem ser objeto de análise por esse E. Conselho face o impeditivo previsto no enunciado da súmula CARF 02. Em virtude do exposto, conheço do inconformismo e negolhe provimento mantendose a exigência fiscal hostilizada. É como voto. (assinatura digital) Victor Humberto da Silva Maizman Fl. 50DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CARMEN FE RREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 10218.720113/2008-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2004
EMBARGOS. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE
Devem ser rejeitados os embargos fundamentados em omissão, contradição ou obscuridade no acórdão quando estas figuras inexistem e o recurso integrativo é empregado com o intuito de reabrir o mérito da causa.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 2102-002.863
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho Relator.
EDITADO EM: 01/04/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros
Jose Raimundo Tosta Santos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Alice Grecchi, Núbia Matos Moura e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Ausente momentaneamente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2004 EMBARGOS. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE Devem ser rejeitados os embargos fundamentados em omissão, contradição ou obscuridade no acórdão quando estas figuras inexistem e o recurso integrativo é empregado com o intuito de reabrir o mérito da causa. Embargos rejeitados.
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AUSÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE Devem ser rejeitados os embargos fundamentados em omissão, contradição ou obscuridade no acórdão quando estas figuras inexistem e o recurso integrativo é empregado com o intuito de reabrir o mérito da causa. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR OS EMBARGOS de declaração. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho – Relator. EDITADO EM: 01/04/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jose Raimundo Tosta Santos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Alice Grecchi, Núbia Matos Moura e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Ausente momentaneamente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 01 13 /2 00 8- 07 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 03/04/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10218.720113/200807 Acórdão n.º 2102002.863 S2C1T2 Fl. 11 2 Relatório Em sessão plenária realizada em 15 de outubro de 2013, essa Turma de Julgamento, apreciou o recurso apresentado pelo contribuinte no Acórdão nº 2102002.726, fls. 76 a 83, ocasião em que negouse provimento ao recurso, por unanimidade de votos. O acórdão está assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA. A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente e de reserva legal, tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação. ITR. REDUÇÃO DO VALOR DA TERRA NUA. REQUISITOS. Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/ha apontados no SIPT, exigese que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, bem como, a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos. Recurso Voluntário Negado Cientificado do referido Acórdão, o contribuinte apresentou Embargos de Declaração, fls. 88 a 100, onde afirma que no mencionado acórdão a administração tributária é incompetente para exigir o ADA. O Embargante alega, também, que foram indicadas no Recurso Voluntário Decisões Judiciais, acerca das questões do ADA e do VTN que não foram apreciadas pela autoridade julgadora do Carf, assim, o acórdão teria sido obscuro e omisso, pois, não se pronunciou acerca de pontos que deveria ter debatido. É o Relatório. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. Inicialmente, acerca da alegação nos embargos que a administração tributária é incompetente para exigir o ADA, na realidade, o contribuinte tenta rediscutir o mérito do Fl. 105DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 03/04/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10218.720113/200807 Acórdão n.º 2102002.863 S2C1T2 Fl. 12 3 julgado. Os embargos são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos ou for omisso quanto a ponto sobre o qual deveria se pronunciar, o que não é o caso dessa alegação. Destarte, entendo que não estão presentes os requisitos regimentais para acolhimento dessa questão levantada nos Embargos Declaratórios. Ainda, o embargante destaca que o Recurso Voluntário trouxe em seu bojo, fls. 41 a 64, jurisprudência do Poder Judiciário para fundamentar suas razões que não foram apreciadas. Da análise do Voto embargado, embora não tenham sido refutadas as jurisprudências arguidas, entendo que foram esclarecidas as questões da necessidade de ADA para isenção da APP e de Laudo Técnico para reavaliar o VTN, fls. 76 a 83 do processo. É certo que o contribuinte tem a prerrogativa de elaborar seu recurso na forma que entender adequada, em face de seu direito de ampla defesa, garantido inclusive na Constituição Federal de 1988. Todavia, é cediço que a autoridade julgadora não fica obrigada a manifestarse sobre todas as alegações do recorrente, nem a aterse aos fundamentos indicados por ele ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, fato que ocorreu no presente caso, conforme indicado acima. Sobre esse tema, vejamos as ementas das decisões proferidas por aquele tribunal nos REsp 874793/CE, julgado em 28/11/2006; e REsp 876271/SP, julgado em 13/02/2007: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ARTIGO 535 DO CPC. (...). 1. Não há violação do artigo 535 do CPC quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados.”(REsp 874793/CE, relator Ministro Castro Meira) “TRIBUTÁRIO PROCESSUAL CIVIL VIOLAÇÃO DO ART. 535, II, DO CPC NÃOOCORRÊNCIA (...) 1. A questão não foi decidida conforme objetivava a embargante, uma vez que foi aplicado entendimento diverso. É cediço, no STJ, que o juiz não fica obrigado a manifestarse sobre todas as alegações das partes, nem a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu.” (REsp 876271/SP, relator Ministro Humberto Martins). (Grifei). No voto condutor de outro julgado, “AgRg no Ag 353263/MG Agravo Regimental no Agravo de Instrumento 2000/01348655”, de 21/02/2006, asseverou o insigne Ministro Peçanha Martins: Fl. 106DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 03/04/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10218.720113/200807 Acórdão n.º 2102002.863 S2C1T2 Fl. 13 4 “A jurisprudência dominante neste Tribunal Superior proclama a não ocorrência de violação ao art. 535, incisos I e II, do Código de Processo Civil, se o acórdão recorrido, ainda que sucinto, tiver bem delineado as questões a ele submetidas, não se encontrando o magistrado obrigado a responder a todas as alegações das partes, quando já tiver encontrado motivos suficientes para fundar a decisão, nem se ater aos fundamentos indicados por elas ou a responder um a um todos os seus argumentos. Não há que se falar em ofensa ao dispositivo legal se a questão controvertida foi resolvida pelo acórdão de forma fundamentada. (RESP 174.390/SP e EDCL no RESP 202.056/SP).” Esse entendimento também é majoritário nesse Conselho, citese, como exemplo, o Acórdão No. 20178.107, de 01/12/2004, que traz a seguinte ementa sobre a matéria. “NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADES DAS DECISÕES. Descabe falarse em nulidade da decisão, por falta de análise de todos os argumentos aduzidos, quando a motivação do julgador já afasta a argumentação em torno das demais questões trazidas aos autos.” Cabe destacar que a autoridade administrativa julgadora não está obrigada a submeterse a decisões desprovidas de efeito erga omnes, envolvendo terceiros estranhos à controvérsia, podendo firmar seu livre convencimento na apreciação da matéria, em consonância com a legislação de regência a que se encontra vinculada. Por essa razão, diante dos argumentos expostos não há como prosperar a pretensão do recorrente com base na jurisprudências apresentadas. Destarte, entendo que não estão presentes os requisitos regimentais para acolhimento dos Embargos Declaratórios. Assim sendo, VOTO POR REJEITAR OS EMBARGOS de declaração opostos pelo contribuinte, em razão da não ocorrência de omissão ou da contradição no Acórdão nº 2102 002.726. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 03/04/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10218.720113/200807 Acórdão n.º 2102002.863 S2C1T2 Fl. 14 5 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 03/04/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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Numero do processo: 10680.011392/2007-69
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 17 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3201-000.416
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o presente recurso por força do art. 62-A, §1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais-CARF, aprovado pela Portaria Ministro da Fazenda nº 256 de 2009, e alterações posteriores, bem como o art. 2º, § 2º, I, da Portaria CARF nº 001 de 2012, e Recurso Extraordinário 638.7109/RS.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM -Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Joel Miyazaki, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Adriana Oliveira e Ribeiro e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência justificada de Daniel Mariz Gudiño
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o presente recurso por força do art. 62A, §1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF, aprovado pela Portaria Ministro da Fazenda nº 256 de 2009, e alterações posteriores, bem como o art. 2º, § 2º, I, da Portaria CARF nº 001 de 2012, e Recurso Extraordinário 638.7109/RS. JOEL MIYAZAKI Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Joel Miyazaki, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Adriana Oliveira e Ribeiro e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência justificada de Daniel Mariz Gudiño Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG. RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .0 11 39 2/ 20 07 -6 9 Fl. 332DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 5/09/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10680.011392/200769 Resolução nº 3201000.416 S3C2T1 Fl. 333 2 Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Lavraramse contra o contribuinte acima identificado os Autos de Infração de fls. 11/18 e 03/10 e relativos à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, nos valores de R$ 65.559,99 e R$ 296.526,49, respectivamente, totalizando um crédito tributário de R$ 362.086,48, incluindo multa de ofício e juros de mora, correspondente aos períodos de 01/2002 a 11/2002 (fls. 03/04 e 11/12). A autuação ocorreu em virtude de insuficiência de recolhimento, decorrente da exclusão indevida de vendas no mercado externo (01/2002 a 06/2002) e da postergação de receita de variação cambial (05/2002 a 11/2002), conforme consta do Termo de Verificação Fiscal de fls. 19/37, cuja apuração encontrase discriminada nos demonstrativos de fls. 23/29. Como enquadramento legal, citaramse, para o PIS, os artigos 1º e 3º, da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970; artigos 2º, inciso 1, 3º, 8º, inciso 1, e 9º, Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, e arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998; Para a Cofins, os artigos 1º e 2º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991; artigos 2º, 3º e 8º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, (Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 2º e 3º). Irresignado, tendo sido cientificado em 16/08/2007 (fl. 07), o autuado apresentou, em 14/09/2007, acompanhadas dos documentos de fls. 223/293, as suas razões de discordância (fls. 180/222), a seguir resumidas: Narrando os fatos considerados pelo fisco na formalização do presente processo, especificamente com relação ao PIS, aponta erro na base tributável, solicitando a devida correção no demonstrativo de apuração. Invoca a inaplicabilidade do método de imputação proporcional no cálculo da variação cambial postergada, porquanto, a partir da Lei nº 9.430, de 1996, restou extinta a imputação proporcional, conforme Acórdão do Conselho de Contribuintes, que transcreve. Argúi a decadência do direito de o fisco constituir o crédito tributário para os fatos geradores de 01/2002 a 06/2002, em face do que dispõe o art. 150, §º 4º, do Código Tributário Nacional – CTN. Alega a não incidência da contribuição sobre as receitas de variação cambial ativa, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718, de 1998, conforme pronunciamento do Supremo Tribunal Federal, em sede de recurso extraordinário. Transcreve jurisprudência administrativa a respeito do tema. Afirma que as compras efetuadas pela Vale foram específicas para exportação, como bem expressam os pedidos da compradora, inexistindo a necessidade de depósito em armazém alfandegado, porquanto as obrigações tributárias são transferidas às tradings pela tradição da mercadoria. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 5/09/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10680.011392/200769 Resolução nº 3201000.416 S3C2T1 Fl. 334 3 Por fim, propugna pela improcedência da presente autuação, dandose integral provimento às suas razões de defesa. É o relatório do essencial.” O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/BHE no 0221.749, de 30/03/2009, proferida pelos membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/01/2002 a 30/11/2002 O art. 163 do Código Tributário Nacional fundamentou o instituto da imputação dos pagamentos efetuados. Extingue o crédito tributário a homologação do lançamento, nos termos do art. 156, VII do CTN. A argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 31/01/2002 a 30/11/2002 O art. 163 do Código Tributário Nacional fundamentou o instituto da imputação dos pagamentos efetuados. Extingue o crédito tributário a homologação do lançamento, nos termos do art. 156, VII do CTN. A argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria. Lançamento Procedente em Parte. O julgamento foi no sentido de tornar procedente em parte a manifestação de inconformidade interposta pelo interessado, exonerando do valor lançado de R$ 111.161,40 e dos encargos legais correspondentes, relativo à Cofins, referente aos fatos geradores de 01/2002 a 06/2002, bem como o valor lançado de R$ 65.057,16 e dos encargos legais correspondentes, relativo ao PIS, referente aos fatos geradores de 01/2002 a 06/2002. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, rebate sobre a manutenção da tributação sobre as receitas financeiras decorrentes de variações cambiais. Ataca o art. 43 da Lei de n° 9.430/96 que não permite mais a aplicação da imputação proporcional e a inconstitucionalidade do §1 ° do art. 3° da Lei de n° 9.718/98. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Fl. 334DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 5/09/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10680.011392/200769 Resolução nº 3201000.416 S3C2T1 Fl. 335 4 O recurso voluntário é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Como relatado, versam os autos baseados na exclusão de vendas de exportação ( decisão a quo já afastou essa parte, aplicando a Súmula Vinculante de n° 8 do STF, tendo em vista o instituto da decadência) e postergação do registro de variação cambial ativa nas exportações realizadas, utilizandose método de imputação proporcional. Ou seja, a parte que resta, consiste na postergação do registro de variação cambial ativa nas exportações realizadas, utilizandose método de imputação proporcional. Observase que o tema da inclusão da variação cambial na base de cálculo do PIS e da COFINS é matéria cuja repercussão geral foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 638.710/RS, que assim dispõe: RECURSO EXTRAORDINÁRIO 638.710 RIO GRANDE DO SUL RELATOR :MIN. JOAQUIM BARBOSA RECTE.(S) :UNIÃO PROC.(A/S)(ES):PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECDO.(A/S):MASTER SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA E OUTRO(A/S) DECISÃO: O Plenário do Supremo Tribunal Federal, apreciando o RE 540.41000, Rel. Min. Cezar Peluso, acolheu questão de ordem no sentido de “determinar a devolução dos autos, e de todos os recursos extraordinários que versem a mesma matéria, ao Tribunal de origem, para os fins do art. 543B do CPC” (Informativo 516, de 27.08.2008). Decidiuse, então, que o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil também se aplica aos recursos interpostos de acórdãos publicados antes de 03 de maio de 2007 cujo conteúdo verse sobre tema em que a repercussão geral tenha sido reconhecida. No presente caso, o recurso extraordinário trata sobre temas (termo a quo do prazo prescricional da ação de repetição de indébito relativa a tributos sujeitos a lançamento por homologação arts. 3º e 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005; exportação incidência do PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da variação cambial positiva Temas 4 e 329) em que a repercussão geral já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (RE 566.621RG e RE 627.815RG, rel. min. Ellen Gracie). Do exposto, nos termos do art. 328 do RISTF (na redação dada pela Emenda Regimental 21/2007), determino a devolução dos presentes autos ao Tribunal de origem, para que seja observado o disposto no art. 543B e parágrafos do Código de Processo Civil. Publiquese. Brasília, 4 de outubro de 2012. Ministro JOAQUIM BARBOSA Relator. Considerando que o Supremo Tribunal Federal determinou expressamente o sobrestamento de todos os recursos sobre o tema, aplico o art. 62A, §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, e alterações Fl. 335DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 5/09/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10680.011392/200769 Resolução nº 3201000.416 S3C2T1 Fl. 336 5 posteriores, bem como o art. 2º, § 2º, I, da Portaria CARF nº 001 de 2012, para sobrestar o presente recurso voluntário até que esteja transitado em julgado o acórdão a ser proferido no recurso extraordinário acima mencionado. Pelo exposto, é como voto. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 336DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 5/09/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por JOEL MIYAZAKI
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