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Numero do processo: 10860.900360/2008-01
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003
PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento.
PER/DCOMP. NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-003.887
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente).
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. PER/DCOMP. NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. PER/DCOMP. NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 03 60 /2 00 8- 01 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente). (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 9ª Turma da DRJ de Campinas SP (fls. 25/29 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a não homologação de compensação de débito tributário com crédito decorrente de suposto pagamento a maior de PIS, relativo ao ano calendário de 2003. No Despacho Decisório (fl.7), a Delegacia da Receita Federal em Taubaté (SP), aponta que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP apresentado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados par a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP nº 16863.10613.120804.1.3.047723 (fls. 2/6). Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Tratase de Declaração de Compensação (DcomP) com aproveitamento de suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação (fl. 6), tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Cientificada do despacho decisório em 05/05/2008 (fl. 7), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 03/06/2008 (fl. 8/13), na qual alegou que o despacho decisório decorre do fato de não terem sido retificadas as DCTFs que identificam os pagamentos realizados durante o ano de 2003 e em janeiro de 2004 em relação aos débitos de PIS, e informa que estava apresentando as correspondentes declarações retificadoras, conforme cópia que anexava aos autos. A interessada alegou, ainda, que, em conformidade ao disposto no § 1° do art. 11 da Instrução Normativa RFB no 786, de 2007, a declaração retificadora substitui integralmente a original, sendo que os valores corretos devidos a titulo de PIS são aqueles declarados na DIPJ 2004. Assim, conclui que os créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior de PIS foram devidamente demonstrados por meio das DCTF retificadoras, restando comprovado que o crédito que possui é suficiente para compensar os débitos da DCOMP. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10860.900360/200801 Acórdão n.º 3802003.887 S3TE02 Fl. 126 3 Ao final, entendendo que o procedimento adotado estava em consonância com a legislação vigente A época, a contribuinte requer a nulidade do despacho decisório. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito credit6rio, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito credit6rio aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Cientificada da referida decisão em 25/10/2011 (fl. 32), a interessada, em 24/11/2011, apresentou o recurso voluntário (fl. 33/41), descrevendo, em síntese, as seguintes razões: a) que as decisões ora combatidas decorre basicamente do fato de não terem sido retificadas as DCTF que identificam os pagamentos realizados durante o ano de 2003 e em janeiro de 2004, em relação aos débitos de PIS do ano calendário de 2003; b) os créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior de PIS dos meses de janeiro a agosto de 2003, foram devidamente demonstrados através das DCTF retificadoras do 1º ao 4º trimestre de 2003, em consonância com as informações relativas aos débitos do PIS demonstrados na DIPJ/2004, gerando então os pagamentos a maior, conforme demonstrado no recurso; c) que junta aos autos, cópia das correspondentes declarações retificadoras (DCTF, DIPJ e DACON), e que os valores do PIS foram retificados em conformidade daqueles declarados na DIPJ/2004 ano calendário de 2003; d) que, em conformidade com a legislação que cita, a DCTF retificadora substitui integralmente a original, sendo que os valores corretos devidos a titulo de PIS são aqueles declarados na DIPJ/2004. Assim, conclui que os créditos decorrentes de pagamento Fl. 127DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 indevido ou a maior de PIS dos meses de janeiro a agosto de 2003, foram devidamente demonstrados por meio das DCTF retificadoras, restando comprovado que o crédito que possui é suficiente para compensar os débitos da respectiva DCOMP. e) ressalta que não houve intimação da RFB para comprovação da base de cálculo do PIS a da COFINS daquele ano, mesmo após a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente; Ao final, entendendo que o procedimento adotado estava em consonância com a legislação vigente à época, requer que seja homologada as compensações realizadas como referido crédito decorrente do pagamento indevido ou a maior de PIS. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Tempestivamente interposto e atendido os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso Voluntário e passo à análise das razões recursais. Análise dos fatos Conforme se verifica nos autos, o valor do indébito com o qual a Recorrente declarou a compensação, objeto deste processo, seria originário de pagamento indevido ou a maior da Contribuição de PIS. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Taubaté (SP), no seu Despacho Decisório (fl. 7), não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do indébito já havia sido integralmente utilizado pára quitação de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na PER/DCOMP ora examinada. Já na decisão recorrida, a DRJ/POR, descreve em seus fundamentos que o reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido e que, apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme disposto no artigo 170 do CTN. Vejase o trecho da decisão abaixo transcrito: (...) Não se trata aqui, de privilegiar o aspecto formal em detrimento da verdade material. Contudo, tendo em vista que a interessada pretende infirmar informações por ela própria prestadas, é necessário que a dita pretensão esteja calcada em provas documentais robustas. Destarte, faltando aos autos a comprovação da existência de pagamento indevido ou a maior, o direito credit6rio não pode ser admitido e a compensação que dele se aproveita não pode ser homologada. Pois bem, no caso sob exame, a Recorrente transmitiu sua DCOMP compensando débito com suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, Fl. 128DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10860.900360/200801 Acórdão n.º 3802003.887 S3TE02 Fl. 127 5 apontando um documento de arrecadação como origem desse credito. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito confessado pela interessada. A Recorrente restringe a controvérsia à existência do crédito reportado no PER/DCOMP, buscando comprovar suas alegações, essencialmente por intermédio da apresentação da DCTF retificadora, que foi transmitida à RFB posteriormente a ciência do despacho decisório e que isto daria suporte ao direito de credito a seu favor. Alega ainda, sem trazer cópia dos documentos aos autos, que os valores corretos devidos estariam declarados em sua DIPJ/2004, anocalendário 2003 bem como nos DACON respectivos. Visando corroborar tais informações, junta aos autos, os seguintes documentos, alegando ficar demonstrado que o débito não existe, portanto não é devido: a) cópia das DCTF retificadoras (fls. 16/19); b) cópia da DIPJ 2004, anocalendário 2003 (fls. 55/83); c) cópia dos DACON, 1º a 4º Trimestre/2003 (fls. 84/123). Verificase que o contribuinte retificou a supracitada DCTF para adequála ao pedido em tela. Contudo, somente o fez após a ciência do despacho decisório atacado, conforme cópias juntadas às fls. 16/19. Do exame dos autos, constatase, que a DCTF retificadora referente ao período examinado, foi transmitida em 03/06/2008, ou seja, posteriormente à ciência do despacho decisório que não homologou a compensação, ciência esta que se deu em 05/05/2008 (fl. 8). Como ressaltado pela recorrente, à época dos fatos vigorava a IN SRF no 786, de 19/11/2007, cujo artigo 11, § 1º, embora ressaltasse, quanto à DCTF retificadora, sua condição de “[...] mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente [...]”. No entanto, a mesma legislação prescrevia que a apresentação de retificação, dentre outras hipóteses, depois de iniciado procedimento fiscal, não produziria qualquer efeito (item III, § 2º, do art. 11). Como visto, detectado qualquer erro no preenchimento da referida declaração, o sujeito passivo tem a possibilidade de retificar sua DCTF antes que seja iniciado qualquer procedimento de fiscalização ou que decorra o prazo para a homologação do “lançamento” por ela praticado. Sendo a correção destinada a reduzir ou excluir tributo, a retificação somente será admitida se houver comprovação do erro e realizada antes da notificação do lançamento, conforme preceituado no art. 147, §1º, do Código Tributário Nacional – CTN: Art. 147 O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa Fl. 129DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. §1º A retificação da declaração por iniciativa da própria declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento (grifo nosso). Em que pese a referência do dispositivo legal citado à declaração de prestação de informações indispensáveis ao lançamento, admitese, por analogia, sua aplicação quanto à retificação de débitos apurados pelo sujeito passivo e confessados em DCTF, como assevera LEANDRO PAULSEN, que assim leciona: “Aplicação por analogia aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Tendose em conta que a quase totalidade dos tributos, atualmente, sujeitamse a lançamento por homologação vinculados a obrigações acessórias de prestar declarações ao Fisco e que não há dispositivo no CTN cuidando especificamente da retificação de tais declarações, o §1º do art. 147, tem sido bastante invocado e aplicado para definir o marco até quando pode o contribuinte retificar suas declarações livremente, com eficácia imediata e. a contrario sensu, a partir de quando o contribuinte não pode exigir do Fisco que, independentemente de apreciação dos erros e equívocos da declaração originariamente prestada, considere as retificações” (...) (PAULSEN, Leandro, Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 12ª edição, Livraria do Advogado, ESMARFE, Porto Alegre, 2010, p. 1026) Portanto, acarretando a redução de tributo, a admissão da retificação é condicionada à comprovação do erro cometido, cujo ônus incumbe ao interessado na aludida redução (o contribuinte que promove a retificação), sendo, no entanto, excepcionalmente admitida sua retificação após o início do procedimento revisional em privilégio ao princípio da verdade material, conforme decidido já reiteradamente por esta Turma Especial, em consonância com todo o CARF. Nesse sentido, imprescindível analisar se o contribuinte recompôs nos autos o crédito alegado, a fim de se confirmar a materialidade do crédito que ele alega ser habilitado para compensação. A DRJ ao apreciar o material probante juntado à época de sua manifestação de inconformidade, dispôs que o recorrente não apresentou documentação hábil a comprovar a legitimidade dos dados declarados na DCTF retificadora, conforme trecho abaixo transcrito: (...) No caso concreto, a contribuinte apenas alega, sem trazer cópia aos autos, ao contrário do que afirma em sua manifestação de inconformidade, que os valores corretos devidos estariam declarados em sua DIPJ de 2004. (...) Dessa forma, para que os dados declarados em DIPJ fossem considerados corretos, infirmando aqueles confessados em DCTF e demonstrando a liquidez e certeza do crédito a compensar, seria necessário que a interessada trouxesse aos Fl. 130DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10860.900360/200801 Acórdão n.º 3802003.887 S3TE02 Fl. 128 7 autos documentos outros que corroborassem a apuração do tributo ali declarado. Entretanto, a impugnante não apresenta qualquer documento que comprove o seu direito. Nenhuma apuração ou documentação que indicasse pagamento indevido ou a maior e desse suporte ao crédito tributário aproveitado. A Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), ao tratar do instituto da compensação tributária, trouxe as seguintes disposições: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (destaquei). Assim, vale frisar, sem embargo, que no que tange ao instituto da compensação é ônus do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza Todavia, neste recurso, foi juntado ao processo apenas cópia dos documentos/declarações já citados, quais sejam: cópias das DCTF retificadoras, cópia da DIPJ 2004 anocalendário 2003 e DACON/2003. Mesmo desconsiderando o fato de que a Recorrente não trouxe outros elementos probatórios aos autos, digase que tais documentos apresentados tratase apenas de outra declaração, tal qual a DCTF, porém, sem o mesmo valor. Isso porque, ao contrário da DCTF, a DIPJ e o DACON não tem natureza de confissão de dividas. Não obstante, não pode ser atribuída ao julgador – até pelo momento processual, em que apenas excepcionalmente seria aceita a juntada de prova, por haver comprovação de plano da materialidade do crédito – a tarefa de conferir e comprovar à diferença desses montantes para fins da recomposição do faturamento do Recorrente. Ou seja, a reclamante não apresentou nenhuma explicação a respeito do suposto erro incorrido para justificar a recomposição de seu faturamento e a foram com que os valores corretos devidos estariam declarados em sua DIPJ de 2004. Neste contexto, portanto, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca da base de cálculo do PIS são indispensáveis para que se comprove a alegação aqui firmada pela contribuinte. Dai porque é imprescindível que venham aos autos as provas, notadamente contábeis, mesmo porque a contribuinte é pessoa jurídica. Diante disto, é importante ressaltar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 Nessa esteira, a DCOMP sob exame, por ocasião do presente contencioso, deveria estar necessariamente instruída com as devidas provas, dentre estas, destacamse: os registros contábeis que identifiquem a base de cálculo do PIS, registro contábil da conta "PIS a recuperar", a expressão deste direito em balanços ou balancetes, o Livro Diário, etc., tudo de forma a ratificar a base de cálculo do PIS, o pagamento efetuado e o indébito pleiteado. Tal qual o pagamento de tributos e contribuições, que necessita, para convalidar o recolhimento efetuado, de uma série de atos do sujeito passivo, como manter escrituração contábil, baseada em documentos hábeis e idôneos, e a partir desta documentação determinar o tributo devido e recolher o correspondente valor, a compensação também almeja, para materializar o indébito, uma tarefa semelhante. O processo administrativo de revisão da compensação não faz – como não o poderia – as vezes de mero retificador de DCTF após o prazo ordinário. A retificação da DCTF pode até ser acatada pelo revisor; todavia, para que tal aconteça, é cabal que o contribuinte demonstre que faz jus a essa excepcionalidade. Neste espeque, repisese que a Recorrente não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que houve erro na composição da base de cálculo do PIS declarada na DCTF originária. Por consequência, tampouco restou comprovado o direito creditório pleiteado, posto que supostamente decorrente do erro cometido na apuração do tributo, que reduziu sua base de cálculo, nos termos da DCTF retificadora e a DIPJ/2004. É importante destacar que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. E a não comprovação da certeza e da liquidez dos referidos créditos, materializada na não apresentação da documentação necessária à verificação do direito creditório alegado, não poderia redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Portanto, a realidade em exame não se subsume ao direito de que trata o inciso I do artigo 165 do CTN, que possibilita a restituição de tributo recolhido indevidamente. Conclusão Pelos motivos acima expostos, e tendo o Recorrente disposto de todas as oportunidades para comprovar seu direito creditório, e não o fazendo no momento apropriado, deve ser negado provimento ao recurso voluntário ora analisado. Desta forma, conheço do recurso voluntário para NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 132DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10860.900360/200801 Acórdão n.º 3802003.887 S3TE02 Fl. 129 9 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 13982.000954/2003-17
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003
SOCIEDADE COOPERATIVA OPERAÇÕES COM COOPERADOS. CSL. NÃO INCIDÊNCIA.
Não há que se falar em incidência da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido sobre os resultados da Cooperativa, devendo, pois, não ser computada no cálculo do PIS, na forma determinada pela diligência realizada.
SOCIEDADE COOPERATIVA OPERAÇÕES COM COOPERADOS. SOBRAS LÍQUIDAS.
As sobras líquidas também devem ser excluídas, posto que influenciadas totalmente pela associação da Recorrente à Cooperativa Central, decorrentes da prática de ato cooperativo, e não ingressam no cálculo do PIS.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3403-003.189
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir do lançamento os valores correspondentes à Contribuição Social sobre o Lucro e sobras líquidas.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 SOCIEDADE COOPERATIVA OPERAÇÕES COM COOPERADOS. CSL. NÃO INCIDÊNCIA. Não há que se falar em incidência da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido sobre os resultados da Cooperativa, devendo, pois, não ser computada no cálculo do PIS, na forma determinada pela diligência realizada. SOCIEDADE COOPERATIVA OPERAÇÕES COM COOPERADOS. SOBRAS LÍQUIDAS. As sobras líquidas também devem ser excluídas, posto que influenciadas totalmente pela associação da Recorrente à Cooperativa Central, decorrentes da prática de ato cooperativo, e não ingressam no cálculo do PIS. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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CSL. NÃO INCIDÊNCIA. Não há que se falar em incidência da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido sobre os resultados da Cooperativa, devendo, pois, não ser computada no cálculo do PIS, na forma determinada pela diligência realizada. SOCIEDADE COOPERATIVA OPERAÇÕES COM COOPERADOS. SOBRAS LÍQUIDAS. As sobras líquidas também devem ser excluídas, posto que influenciadas totalmente pela associação da Recorrente à Cooperativa Central, decorrentes da prática de ato cooperativo, e não ingressam no cálculo do PIS. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir do lançamento os valores correspondentes à Contribuição Social sobre o Lucro e sobras líquidas. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 09 54 /2 00 3- 17 Fl. 1590DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 2 (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Relator. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator). Relatório Tratase de Auto de Infração em que se exigiu, no período de janeiro de 2000 a maio de 2003, da Recorrente R$ 713.779,12 a título de crédito tributário, incluindose a Contribuição ao PIS, multa punitiva e juros, pela constatação de duas supostas infrações: a) PIS FATURAMENTO Diferença Apurada entre o Valor Escriturado e o Declarado/Pago (verificações obrigatórias, fls. 13); b) PIS FOLHA DE PAGAMENTO Diferença Apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago (verificações obrigatórias, fls. 15). A exigência tributária foi impugnada e a DRF de Florianópolis julgou o lançamento procedente, nos termos do Acórdão, o que levou a Recorrente a apresentar Recurso Voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: I do valor lançado a importância de R$ 185.432,89 fora incluída no Programa de Parcelamento Especial (Paes) instituído pela Lei n. 10.684/2003, que autoriza a inclusão de débitos vencidos até 28 de fevereiro de 2003; II sua adesão ao Paes foi formalizada em 30 de julho de 2003, data em que não havia sido formalizada a exigência tributária, e a Declaração de Parcelamento Especial foi apresentada em 28 de novembro de 2003; III o fato de estar sob ação fiscal à época em que requereu sua adesão ao Paes não constitui óbice a essa adesão, conforme a Portaria Conjunta SRF/PGFN n. 3/2003; IV as aquisições de leitões repassados aos associados para cria e recria feitas da Cooperativa Central, no período de 1 de janeiro a 15 de junho de 2000, não podem ser consideradas operações com terceiros, pois a Recorrente sucedeu por incorporação as Cooperativas Santa Lúcia e Arco Íris, associadas de longa data da Cooperativa Central e, com o propósito de regularizar a sua situação perante esta última encaminhou pedido de filiação em Fl. 1591DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 13982.000954/200317 Acórdão n.º 3403003.189 S3C4T3 Fl. 9 3 15 de maio de 2000, aceito em 16 de junho de 2000, tendo sido consignado na respectiva ata que a filiação da Recorrente produziria efeitos retroativos a 1 de janeiro de 2000; V ainda que se considere que a Recorrente somente passou a ser associada da Cooperativa Central em 16 de julho de 2000, os leilões foram adquiridos para repassar aos produtores rurais para recria e terminações; portanto, não se trata de produto rural destinado à comercialização, mas de insumo para fornecimento ao produto rural e, por isso, independentemente de quem seja o fornecedor, tratase de ato cooperativo, uma vez que o destinatário é produtor rural associado à cooperativa; VI de acordo com o artigo 59 da Lei n. 5.764/1971, e o artigo 227 da Lei n. 6.404/1976, a incorporada sucede a incorporadora em todos os seus direitos e obrigações, portanto, a recorrente foi sucessora nos direitos e obrigações das cooperativas que incorporara para com a Cooperativa Central; VII a Recorrente não poderia comprovar desde logo a destinação dos leitões adquiridos, visto que o motivo da autuação, em relação a essa matéria, foram as aquisições da Cooperativa Central em período em que supostamente não era associada; VIII As cooperativas podem, nos termos da Lei n. 10.637/2003, reconhecer o custo agregado ao produto agropecuário e esse custo foi definido no art. 33, parágrafo 9, da Instrução Normativa SRF n. 247, de 2002, com as alterações da IN SRF 358/2003, que incluiu os custos de comercialização e armazenamento do produto entregue pelo cooperado, o que abrange o ICMS que, indiscutivelmente é custo da comercialização; IX as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício não podem ser deduzidas da CSLL nem das participações dos empregados no resultado da empresa, pois o Conselho de Contribuintes já firmou jurisprudência com o entendimento de que sobras não são sinônimo de lucro e, por isso, não comporta a incidência da CSLL e, quanto às participações de empregados constatase que o artigo 1 da Lei n. 10.676/2003 referese a sobras antes da constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, independentemente do destino que seja dado a essas sobras pela Assembléia Geral dos Associados, que pode decidir destinálas integralmente aos funcionários da cooperativa; X É indevida a dedução do valor das sobras dos valores recebidos pela Recorrente também a título de sobras da Cooperativa Central, visto que a Lei não faz essa limitação. NO CARF decidiuse pela determinação de diligência, para que sejam examinadas as consolidações dos débitos da Recorrente, no âmbito daquele programa de parcelamento, e elaborada planilha demonstrativa, por período de apuração, do crédito tributário lançado relativo ao PIS Faturamento e PIS Folha de Salários, relacionandoo com a parte que estiver incluída no Paes, para calcular o saldo não parcelado. Ainda, uma vez que o pedido de associação à Cooperativa Central foi formulado antes do início do procedimento fiscal, por vislumbrar divergência quanto às aquisições dessa, no período de janeiro a junho de 2000, e quanto à dedução da CSLL e da participação dos empregados na apuração das sobras líquidas passíveis de dedução da base de cálculo, é mister que se elaborem novos demonstrativos dos valores do PIS, por período de Fl. 1592DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 4 apuração, com consdierações dessas aquisições em todos os períodos autuados e sem exclusão da CSLL e das participações dos empregados das sobras líquidas. DILIGÊNCIA Em resposta à diligência às fls. 1367 e seguintes, a Delegacia da Receita Federal de Joaçaba SC respondeu que a Recorrente efetivamente ingressou no Paes relativamente aos seus débitos de PIS FATURAMENTO (código de receita 8109), tendo apresentado a declaração Paes para efeitos de confissão de débito, e que ela está cumprindo regularmente o parcelamento. O saldo não parcelado, segundo a Autoridade Fazendária, coincide com os valores informados na planilha demonstrativa integrante da peça de impugnação de fls. 1185 e 1186, coluna Diferença, por período de apuração do crédito tributário relativo ao PIS FATURAMENTO, resultando, portanto, desnecessário elaborar nova planilha para repisar os dados registrados pela própria Recorrente. Relativamente ao segundo ponto, a Autoridade Fazendária salientou que a matéria seria de competência da auditoria fiscal externa, devendo o processo ser encaminhado a Safis para as providências requeridas. A Seção de Fiscalização e Controle Aduaneiro SAFIS, às fls. 1373 e seguintes respondeu a solicitação e juntou aos autos os demonstrativos afirmando que a planilha de fls. 108, denominada DEMONSTRATIVO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS (2000 a 2003) passa a vigorar na forma constante na planilha de fls. 1375, a qual deverá ser cotejada com os débitos constituídos (fls. 18 a 23). Com relação ao mês de janeiro de 2002 tal competência não foi objeto da autuação combatida pelo contribuinte, conforme fls. 21. A Recorrente se manifestou sobre a diligência que apontou as fls. 1375 os valores ainda devidos que apontou débitos no ano de 2000, de aproximadamente R$ 91.000,00, e de R$ 6.455,44 em janeiro de 2001, sem a dedução do Paes. De acordo com a Recorrente se se deduzir o Paes no ano de 2000 ela seria devedora de R$ 28.112,54, aproximadamente, e de R$ 2.878,86 relativamente a janeiro de 2001, nada sendo devido nos meses subsequentes. Por fim, a Recorrente requer seja acolhido o seu recurso interposto com o consequente reconhecimento do direito à dedução dos valores incluídos no Paes a título de PIS/Faturamento, reconhecendose, inclusive, o direito à compensação dos saldos devedores apurados no ano de 2000 com os valores incluídos no Paes dos meses subsequentes, até o seu limite, intimandose a Recorrente para recolher a diferença, se houver, e mais os valores correspondentes ao Pis/Folha de Pagamento, nos valores lançados. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista, Fl. 1593DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 13982.000954/200317 Acórdão n.º 3403003.189 S3C4T3 Fl. 10 5 Inicialmente, a controvérsia se dá sobre os efeitos do parcelamento, realizado pela Recorrente, e que vinha cumprindo regularmente, sobre o lançamento de ofício realizado pelas autoridades fazendárias. A Recorrente, durante o curso da Fiscalização iniciada em 03 de junho de 2003, ingressou no Paes e entregou a declaração Paes para efeitos de confissão de débitos em 28 de novembro de 2003, antes mesmo do Auto de Infração, do qual tomou ciência em 12 de janeiro de 2004 (fls. 1184). A diligência aponta que o saldo não parcelado seria aquele indicado pela própria Recorrente às fls. 1.185/1.186, que aponta uma diferença original de R$ 144.970,51, A DRJ decidiu que a confissão parcial da dívida e a adesão ao Paes, nas circunstâncias acima descritas, não revestem o caráter de espontaneidade, não operaram qualquer efeito contrário no lançamento de ofício, nem dispensam o contribuinte do pagamento da multa de ofício e dos juros moratórios lançados. De fato, o parcelamento realizado pela Recorrente durante o curso da ação fiscal não lhe atribui espontaneidade, de modo que entendo correto o lançamento realizado, com aplicação da multa de ofício e dos juros de mora. Considerando que a Recorrente parcelou valores originais, o saldo existente deve ser aquele resultante entre o crédito tributário que remanescer ao final do presente processo administrativo, incluindo multa e juros, a ser comparado com o saldo parcelado pela Recorrente a ser levado em conta em imputação proporcional de pagamento. No tocante ao pedido de Associação à Cooperativa Central, de cujas aquisições não foram consideradas pela Autoridade Fazendária, há que se ressaltar que o pedido de associação foi realizado em 15 de maio de 2000, tendo sido aceito em 16 de junho do mesmo ano, mas com efeitos retroativos a 1 de janeiro de 2000. Tais efeitos retroativos constaram na Ata de Filiação, uma vez que a Recorrente sucedeu integralmente, como incorporadora, as Cooperativas Central Agropecuária Santa Lúcia e Regional ArcoÍris. De acordo com a Decisão à míngua de qualquer fundamento ou permissivo legal que atribua às partes disponibilidade jurídica de tais efeitos no tempo, não pode ser convalidada na instância administrativa de julgamento, embora possa eventualmente produzir efeitos negociais entre as partes. Ora, não se trata de convalidação e muito de ausência de fundamento ou permissivo legal. A Recorrente sucedeu por incorporação Cooperativas que já eram associadas da Cooperativa Central, de modo que passou, por subrogação de direitos a ostentar a condição de associada da Cooperativa Central por sucessão. De modo a regularizar o seu cadastro encaminhou pedido de filiação, que foi aceito com efeitos retroativos, com fundamento na sua sucessão por incorporação, com base no Direito Civil e no próprio Direito Societário (Lei n. 6.404/1976), que oferecem sólido fundamento à tese da Recorrente. Fl. 1594DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 6 Não se trata, pois, diversamente do afirmado na Decisão, de mero efeito entre as partes, mas sim de uma condição de associação que repercute sobre as operações praticadas entre as duas Cooperativas de janeiro a junho de 2000, a serem enquadradas como ato cooperativo em razão da união associativa entre elas. Por outro lado, não se pode perder de vista que se trata de operações praticadas por duas Cooperativas, a Recorrente e a Cooperativa Central, que já ostenta a condição de ato cooperado. Quanto à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS (fls. 1.190 a 1.193) correto a Decisão da DRJ, vez que realmente o ICMS integra a sua própria base de cálculo e compõe a receita bruta para fins de incidência do PIS e da COFINS, não podendo, sem autorização judicial, ser excluído da base de cálculo do PIS, procedimento adotado pela Recorrente. Relativamente à discussão das sobras líquidas e a exclusão da CSLL, em meu pensar se equivocou a Decisão, conforme demonstra farta jurisprudência do CARF, consubstanciada nas ementas abaixa transcritas, que demonstram que a Contribuição Social Sobre o Lucro não incide sobre os resultados da Cooperativa, devendo, pois, não ser computada no cálculo do PIS, na forma determinada pela diligência realizada. No mesmo sentido, as sobras líquidas também devem ser excluídas, posto que influenciadas totalmente pela associação da Recorrente à Cooperativa Central, decorrentes da prática de ato cooperativo, e não ingressam no cálculo do PIS. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2001 CSLL SOCIEDADE COOPERATIVA OPERAÇÕES COM COOPERADOS SOBRAS LÍQUIDAS NÃO INCIDÊNCIA. A base de cálculo da Contribuição Social é o lucro líquido ajustado. Se a fiscalização não demonstra que a cooperativa auferiu receitas em operação com não cooperados, não há lucros passíveis de incidência da contribuição, nos precisos termos dos artigos 1º e 2º da Lei nº 7.689/88, c/c com os artigos 79 e 111 da Lei nº 5.764/71. Acórdão CSRF 9101001.433 Período de apuração: 2002, 2003, 2004, 2005 PIS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. BASE DE CÁLCULO A base de cálculo das Contribuições ao PIS das cooperativas de crédito, a partir da edição da Lei no. 10.637/2002, é a receita total auferida, excluindose as sobras, na forma do par. 2o do art. 1o da Lei no. 10.676/2003. Fl. 1595DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 13982.000954/200317 Acórdão n.º 3403003.189 S3C4T3 Fl. 11 7 PIS SOBRE FOLHA DE PAGAMENTOS. COOPERATIVA DE CRÉDITO. Não se aplica às cooperativas de crédito a incidência cumulativa do PIS sobre a Folha de Pagamentos e o PIS sobre as receitas auferidas, uma vez que as exclusões previstas no art. 15 da MP no. 2.15835/2001 não se referem à atividade dessa espécie de cooperativa. Acórdão 330201.449 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2001. CSLL SOCIEDADE COOPERATIVA OPERAÇÕES COM COOPERADOS SOBRAS LÍQUIDAS NÃO INCIDÊNCIA. A base de cálculo da Contribuição Social é o lucro líquido ajustado. Se a fiscalização não demonstra que a cooperativa auferiu receitas em operação com não cooperados, não há lucros passíveis de incidência da contribuição, nos precisos termos dos artigos 1º e 2º da Lei nº 7.689/88, c/c com os artigos 79 e 111 da Lei nº 5.764/71. Acórdão 9101001.433 CSRF ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. SOCIEDADES COOPERATIVAS. INCIDÊNCIA. O resultado dos atos cooperados estão fora do campo de incidência da tributação da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. 9101001.552 – 1ª Turma CSRF Nessa linha de raciocínio, adoto o relatório de fls. 1374/1378, que, com os atos praticados pela Recorrente com a Cooperativa Central, determina novo índice de aquisições de produtos agropecuários, que influenciam o valor das sobras, calculadas sem a incidência da CSL e das participações. E o cálculo resultou em novos valores originais de PIS a lançar, com a dedução dos respectivos valores. Fl. 1596DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 8 Por outro lado, relativamente à exigência do PIS sobre a folha de pagamento, há que se ressaltar que a Recorrente não trouxe nenhum elemento bastante para afastar a exigência fiscal. A Recorrente alega que os valores pagos a título de PRO LABORE não podem ingressar na base de cálculo do PIS – folha de pagamento, mas não traz nenhum elemento de prova hábil a demonstrar quais valores compuseram a base de cálculo da incidência do PIS. Nesse ponto, julgo acertada a decisão proferida pela DRJ. Ante o exposto, dou parcial provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Fl. 1597DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA
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Numero do processo: 10675.907927/2009-30
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/12/2003
PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL.
As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.990
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Maria Teresa Martínez López (Relatora), que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa.
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente Substituto
Maria Teresa Martínez López - Relatora
Ricardo Paulo Rosa - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: Relator
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BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Maria Teresa Martínez López (Relatora), que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 79 27 /2 00 9- 30 Fl. 271DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907927/200930 Acórdão n.º 9303002.990 CSRFT3 Fl. 272 2 Maria Teresa Martínez López Relatora Ricardo Paulo Rosa Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de pedido de restituição de PIS ancorada em ação judicial proposta pela contribuinte, transitada em julgado, na qual lhe foi reconhecida a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Consta do relatório da decisão recorrida o que a seguir reproduzo: Tratase de Recurso Voluntário em face da nãohomologação parcial de compensação realizada com créditos de PIS decorrentes da decisão judicial transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança nº 2000.38.03.0007782, de autoria da Recorrente, que objetivou a declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 (ampliação da base de cálculo do tributo). O despacho decisório exarado pela Delegacia da Receita Federal em Uberlândia – MG que vedou parcialmente o direito ao crédito de PIS da Recorrente, baseouse em manifestação da Equipe de Ações Judiciais – EQAJ daquela DRF, exarada em processo fiscal de acompanhamento do Mandado de Segurança acima aludido (Informação Fiscal n°. 0098/2010/DRF/UBE/EGAJ PAJ 10675.000306/0097), que ao analisar o alcance da decisão judicial em questão, acabou por entender que o Recorrente se utilizou de base de cálculo menor do que a devida, pois considerou que as receitas que deverão compor a base de cálculo do PIS das instituições financeiras tais como a Recorrente serão todas aquelas relativas às atividades típicas realizadas por este gênero empresarial, quais sejam, as oriundas das “operações bancárias” em geral, o que culminou na apresentação de Manifestação de Inconformidade pelo Contribuinte. A Manifestação de Inconformidade restou indeferida através do Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora MG, que corroborou o Fl. 272DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907927/200930 Acórdão n.º 9303002.990 CSRFT3 Fl. 273 3 entendimento esposado pela DRF de origem, conforme ementa abaixo transcrita, in verbis: “PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A base de cálculo do PIS/Pasep para as instituições financeiras e assemelhadas é o faturamento, entendido como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” A fundamentação apontada pelo acórdão da DRF que sustentou a decisão pode ser extraída dos seguintes trechos: Ao pretender ser tributada apenas em relação aos serviços prestados no seu sentido estrito, intenta a manifestante excluir da incidência da contribuição as receitas provenientes daquelas que constituem justamente as atividades principais do seu objeto, ou seja, as receitas obtidas no exercício das suas atividades empresariais , que são as mais expressivas em termos de riquezas geradas. (…) Ora, as chamadas operações bancárias (“spreads”, prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, empréstimos, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, arrendamento mercantil, etc.), se constituem na essência do exercício das atividades empresariais das instituições financeiras. Já os chamados serviços bancários (tarifas de manutenção de conta, de abertura de crédito, de custódia, de administração, etc...), são atividades secundárias e acessórias, executadas unicamente para que a instituição possa desempenhar adequadamente a sua atividade principal. Portanto, correta a autoridade administrativa ao incluir no faturamento da manifestante as receitas relativas a empréstimos, financiamentos, etc…, que são oriundas do exercício das atividades empresariais, como definido na decisão exarada no Recurso Extraordinário 401.3487Minas Gerais. Inconformada, a Contribuinte interpõe o presente Recurso Voluntário, através do qual sustenta possuir direito ao crédito de PIS inicialmente indeferido, porquanto está devidamente amparada por decisão transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança n° 2000.38.03.0007782, o qual, por sua vez, está em consonância com a decisão do Órgão Plenário do Supremo Tribunal Federal que extirpou do ordenamento jurídico o artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, ao consignar que a base de cálculo do PIS está atrelada ao conceito estrito de receita bruta de venda de mercadorias e da prestação de serviços. Em suma, alega a Recorrente em suas razões recursais que a receita de prestação de serviços que configura o “faturamento” das Fl. 273DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907927/200930 Acórdão n.º 9303002.990 CSRFT3 Fl. 274 4 instituições financeiras engloba todos os tipos de taxas, tarifas e comissões cobradas pelas instituições para prestar serviços bancários. Por sua vez, a movimentação financeira decorrente de operações bancárias, e não de serviços bancários, está fora do conceito de “faturamento” determinado pelo Supremo Tribunal Federal. À final, requer seja dado provimento ao recurso. Contra a decisão da DRJ de origem, que negou provimento ao recurso, a contribuinte interpôs recurso voluntário, que por sua vez foi julgado improcedente pela Câmara a quo. A recorrente interpôs recurso especial e sustentou que a decisão recorrida interpretou equivocadamente a decisão prolatada pelo eg. Supremo Tribunal Federal no RE 401.348/MG, devendo ser reformada para que a base de cálculo do PIS limitese à receita bruta das vendas de mercadoria e da prestação de serviços, sem a inclusão da receita financeira decorrente das operações bancárias. Alega contrariedade à coisa julgada, eis que possue decisão transitada em julgado que não só declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, mas também reconheceu o significado de faturamento a ser utilizado para a incidência do PIS “ é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza”. O i. Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial por considerar que restou comprovada a divergência jurisprudencial. Na sessão de novembro de 2013, em suposta obediência ao que dispunha o Regimento do CARF, art. 62A (sobrestamento do julgamento) o processo foi suspenso por meio de Resolução, “ até que sobrevenha decisão definitiva do STF no RE nº 609.096 (Tema 372).” Em face da revogação dos §§ 1º e 2º do art. 62A do RICARF, o processo retorna em pauta para seguimento do julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora O recurso atende aos requisitos legais e dele tomo conhecimento. Conforme relatado a recorrente possui decisão judicial transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança nº 2000.38.03.0007782, que objetivou a declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 (ampliação da base de cálculo do tributo). Fl. 274DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907927/200930 Acórdão n.º 9303002.990 CSRFT3 Fl. 275 5 Cabe, no entender desta Conselheira, analisar os efeitos da decisão do STF transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança nº 2000.38.03.0007782. I Entende a recorrente que a decisão que transitou em julgado não só declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, mas também reconheceu o significado de faturamento a ser utilizado para a incidência do PIS “ é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza”. II Entende a fiscalização que, ao analisar o alcance da decisão judicial em questão, acabou por entender que a recorrente se utilizou de base de cálculo menor do que a devida, pois considerou que as receitas que deverão compor a base de cálculo do PIS das instituições financeiras serão todas aquelas relativas às atividades típicas realizadas por este gênero empresarial, quais sejam, as oriundas das “operações bancárias”. 1 A contribuinte tem decisão que transitou em julgado que não só declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, mas também reconheceu o significado de faturamento a ser utilizado para a incidência do PIS como sendo o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza”. Nem se afirme que dúvidas poderiam existir, para aqueles que ainda não possuem uma decisão do Judiciário, eis que a matéria, envolvendo base de cálculo para as instituições financeiras, ainda (até junho/14) não foi julgada pelo STF. Isto porque, no meu sentir, o conceito fixado pelo Pleno, não pode ser alterado até que uma nova decisão do Pleno venha a alterar o conceito. Explico. Fazse necessária breve explanação histórica da jurisprudência da Corte no que toca ao tema em referência. Em 2005, no julgamento dos recursos extraordinários 346.084 (DJ 01/09/2006 – Rel p/ acórdão Min. Marco Aurélio), 357.950, 358.273 e 390.840 (todos DJ 15.08.06 – Rel. Min. Marco Aurélio), houve amplo debate no Plenário do STF acerca do conceito constitucional de faturamento, para fins de verificação da constitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei 9.718/1998, à luz do artigo 195, inciso I, da Constituição Federal de 1988, no período anterior à Emenda Constitucional 20/1998. Ficou definido que faturamento corresponde à receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, nos termos da seguinte ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº. 20, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº. 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para 1 em razão deste entendimento, optei no passado pela escolha da via do sobrestamento do julgamento ao caso de outra financeira, pelo STF. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907927/200930 Acórdão n.º 9303002.990 CSRFT3 Fl. 276 6 envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. 2 Na ocasião, o Exmo. Sr. Ministro Cezar Peluso, parcialmente vencido no julgamento, reconheceu que a jurisprudência do STF, exposta na ADC 1 (Rel. Min. Moreira Alves, DJ 16.06.95), fixou esse mesmo conceito de faturamento. Ao final de seu voto, porém, entendeu que faturamento deveria ser entendido não só como “receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços”, mas também como a “somas das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”.3 É importante ressaltar que, todavia, esse significado externado pelo referido Ministro não prevaleceu, porque o Plenário entendeu que extrapolava o objeto do recurso. O Exmo. Sr. Ministro Marco Aurélio, redator do acórdão, expressamente consignou que, se houvesse dúvida quanto ao conceito de faturamento para instituições financeiras, seguradoras, ou para outras hipóteses de receitas, a questão deveria ser analisada em recurso próprio: O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO: Sr. Presidente, gostaria de enfatizar meu ponto de vista, para que não fique nenhuma dúvida ao propósito. Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 170.755/PE, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado à idéia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de “receita bruta igual a faturamento”. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR): Mas, ministro, seria interessante, em primeiro lugar, esperar a chegada de um conflito de interesses, envolvendo uma dúvida quanto ao conceito que, por ora, não passa por nossa cabeça. No caso em discussão, a bem da verdade, sob a análise desse mesmo Ministro CEZAR PELUSO, o que se percebe é que a matéria não foi enfrentada. Por outro lado, não houve recurso da Procuradoria Geral da Fazenda. É importante também observar que somente com a alteração ocorrida a partir de 2014, pela edição da Medida Provisória nº 627/2013, art. 49 4 transformada na Lei nº 12.973, de 2014, que alterou a legislação federal – as instituições financeiras terão que recolher PIS e Cofins sobre uma base maior, ou seja, o faturamento incluindo o spread. Se foi preciso alteração da norma é porque antes não era devido a inclusão de receitas sobre o conceito mais largo de Receita. 2 RE 346.084, DJ 01/09/2006, Red. p/ acórdão Min. Marco Aurélio, Ementa, p. 1. 3 RE 346.084, DJ 01/09/2006, Red. p/ acórdão Min. Marco Aurélio, Voto Ministro Cezar Peluso, p. 84. 4 altera o art. 12 do DL nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907927/200930 Acórdão n.º 9303002.990 CSRFT3 Fl. 277 7 Nesse sentido consta da exposição de motivos da MP 627, de 2013 o que a seguir transcrevo: Sublinhamos, ainda, a inovação proporcionada pela alteração do art. 12 do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, no que se refere a ampliação da base de cálculo do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS ao se tributar, a partir deste momento, as receitas da atividade principal da pessoa jurídica. Assim, além do produto da venda de bens, de serviços e o resultado auferido nas operações de conta alheia, passase a tributar, como fato gerador novo, inaugural no mundo jurídico tributário, as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica. Merece destaque a lição do i. Prof. Humberto Theodoro Júnior (2002), em seu livro Curso de Direito Processual Civil (38. ed., Ed. Forense, v. 1, p. 485), trazida pelo patrono do recorrente: "A coisa julgada material abrange o deduzido e o deduzível. Por isso, não se podem levantar, a respeito da mesma pretensão, "questões arguidas ou que o podiam ser , se com isso se consiga diminuir ou atingir o julgado imutável e, consequentemente, a tutela jurisdicional nele contida. Com todo o respeito, olvidou a Fiscalização que a Procuradoria da Fazenda Nacional poderia e devia ter embargado a decisão do STF se entendesse que interpretação a ser dada era limitada. Se não o fez á época, o acórdão transitou em julgado sem limitações ao pedido efetuado pela recorrente. Inclusive, durante o curso do processo, a Procuradoria da Fazenda Nacional em nenhum momento suscitou a diferenciação do conceito de faturamento para cada setor da atividade econômica. A despeito da unilateralidade no estabelecimento desse conceito alargado, pois decorrente exclusivamente do “ponto de vista” de um dos julgadores “Ministro César Peluzo”, decisões monocráticas de outros Ministros, 5 algumas já confirmadas pelas respectivas Turmas, utilizaram dessa definição, sempre citando o precedente do atual Presidente do STF, como se fosse aquela estabelecida pelo Plenário da Suprema Corte. Outrossim, no julgamento da Questão de Ordem no RE 585.235 (Repercussão Geral DJ 28.11.08 – Rel. Min. Cezar Peluso), que vislumbrou apenas reafirmar a jurisprudência do STF sobre a inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei 9.718/1998, também foi indevidamente inserida a locução “soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais” no conceito de faturamento. 6 5 várias decisões monocráticas podem ser colhidas para a expressão “soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. Vg.: RE 631873, Dj 11.02.11, Rel. Min. Celso de Mello; RE 612340, DJ 14.02.11, Rel. Min. Carmen Lucia; AI 716675 AgR, DJ 03.12.10, Rel. Min. Ellen Gracie; AI 592080, DJ 30.11.10, Rel. Min. Joaquim Barbosa; AI 799.767, DJ 25.05.10, Rel. Min. Ricardo Lewandowski; AI 799578, DJ 19.05.10, Rel. Min. Carlos Britto. decisões monocráticas para a expressão “soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. Vg.: RE 631873, Dj 11.02.11, Rel. Min. Celso de Mello; RE 612340, DJ 14.02.11, Rel. Min. Carmen Lucia; AI 716675 AgR, DJ 03.12.10, Rel. Min. Ellen Gracie; AI 592080, DJ 30.11.10, Rel. Min. Joaquim Barbosa; AI 799.767, DJ 25.05.10, Rel. Min. Ricardo Lewandowski; AI 799578, DJ 19.05.10, Rel. Min. Carlos Britto. 6 O alvo da questão de ordem era legítimo: evitar a subida de recursos extraordinários sobre a controvérsia, já devidamente pacificada pelo Plenário do STF. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907927/200930 Acórdão n.º 9303002.990 CSRFT3 Fl. 278 8 O objetivo, todavia, não era reabrir o debate acerca do conceito de faturamento, o que sequer seria possível, pois (i) o representativo da controvérsia pretendeu apenas reafirmar a jurisprudência, de modo que não poderia, consequentemente, modificála; e (ii) porque a questão relativa ao conceito de faturamento já estava afetada ao Plenário para apreciação no RE 400.479, que discute o conceito à luz das receitas das instituições financeiras e seguradoras, matéria cuja repercussão geral foi reconhecida, posteriormente, no RE 609.096 (ambos os recursos pendentes de julgamento). Realmente, não teria sentido o STF apreciar os limites do conceito de faturamento e, posteriormente, fazêlo novamente nos RE’s 400.479 e 609.096. No caso em análise, ao analisar a decisão transitada em julgado em favor da recorrente, o respeitável Ministro não ressaltou a locução “soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais” no conceito de faturamento. É importante reiterar essa observação. Até porque, seria uma decisão em contradição à solução dada pelo Plenário nos leading cases do STF sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9718/98. Assim sendo a decisão que transitou em julgado não só declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, mas também reconheceu o significado de faturamento a ser utilizado para a incidência do PIS “ é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza”. Por último, o voto do Ministro Peluso cita expressamente os Recursos Extraordinários nº 346.084PR, nº 357.950RS, nº 358.273RS e nº 390.840MG, informando que a decisão se deu conforme o seu teor, da maneira que se pode ver por meio da abreviatura “cf”. Conforme já visto anteriormente esses Recursos firmaram o entendimento que era inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvidas e da classificação contábil adotada, devendose tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Assim, referendou o Ministro o entendimento do próprio STF de que o faturamento se cinge à receita decorrente da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, independentemente de sua posição pessoal, mesmo porque, julgando nos termos do artigo 557 do Código de Processo Civil não poderia têlo feito, se em sentido distinto da jurisprudência dominante do STF. Penso, com todo o respeito àqueles que de mim divergem, que uma vez reconhecido a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, seja a empresa financeira, comercial ou industrial, a revogação da norma se aplica indistintamente para todos os seguimentos. É estranho se pensar que a depender da atividade econômica possa se ter um conceito de receita/faturamento diferente. A base de cálculo deve estar limitada à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação se serviços, sem a inclusão da receita financeira decorrente das operações bancárias. Considerando isso, quer pela óptica constitucional, quer pela óptica doutrinária ou ainda, pela interpretação primária do próprio voto, tenho que não há como se tomar as intermediações financeiras sujeitas à incidência da contribuição Fl. 278DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907927/200930 Acórdão n.º 9303002.990 CSRFT3 Fl. 279 9 O fato do STF ter reconhecido a repercussão geral da matéria atinente à base de cálculo do PIS para instituições financeiras (vide RE nº 609.096/RS) reforça o posicionamento de que as coisas julgadas em outros processos decorrentes da aplicação do anterior julgamento da matéria pelo Pleno do STF, como ocorreu no presente caso, têm conteúdo jurídico delimitado, com a definição do conceito estrito de faturamento, vinculado à venda de mercadorias e/ou prestação de serviços. Reitero. Caso seja alterado o posicionamento do STF, haverá a produção dos efeitos somente para os processos ainda em andamento, não podendo atingir o conteúdo jurídico em ofensa à coisa julgada e à vedação à sua relativização (Súmula 487 do STJ) – às decisões definitivamente proferidas, como é o caso em análise. 7 No caso concreto da recorrente, vejase não ter ocorrido diferenciação do conceito de faturamento por setor econômico. Caso houvesse, o pedido não poderia ter sido julgado totalmente procedente. O resultado seria o de reconhecer a inconstitucionalidade da lei em parte? Ou, seria, constitucional apenas para as instituições financeiras? Seria um contra senso, admitir que a contribuinte foi ganhador na ação judicial, mas perante a Receita, não. Julgarseia procedente um pedido que contrariaria o que foi pedido na exordial. Ademais, se assim o fizesse, o Ministro Cezar Peluso, relator do acórdão, não poderia fazer monocraticamente e muito menos com base no art. 557, § 1°A. Deveria, então, levar o processo novamente para julgamento pelo Pleno, pois poderia haver uma alteração do entendimento já consolidado nos leading cases mencionados. Ao prever os efeitos preclusivos da coisa julgada, o art. 474 do CPC, determina que passada em julgado a sentença de mérito, reputarseão deduzidas e repelidas todas as alegações e defesas, que a parte poderia opor assim ao acolhimento como à rejeição do pedido. Para Rodolfo Mancuso, a técnica da eficácia preclusiva acolhida por este dispositivo legal opera como uma válvula de segurança do sistema, de modo a imunizar as questões deduzidas e deduzíveis, mas desde que atinentes ao núcleo do tema decidido, isto é, ao preciso objeto litigioso. 8 Barbosa Moreira entende que há uma relação de instrumentalidade entre os limites objetivos da coisa julgada e a sua eficácia preclusiva, pois enquanto os limites objetivos geram a imutabilidade do julgado, no que tange à parte dispositiva, a eficácia preclusiva consiste no impedimento que surge à discussão e apreciação de questões suscetíveis de influir neste julgado, cobrindo o deduzido e dedutível. Assim, pode suceder que, de fato, não tenham sido exaustivamente consideradas, no processo, as questões que poderiam influir na decisão, sendo vedado que depois de findo o processo se viesse a pôr em dúvida o resultado atingido, acenandose com tal ou qual questão que haja ficado na sombra e que, porventura trazida à luz, teria sido capaz de levar o órgão judicial à conclusão diferente da corporificada na sentença (ressalvados os casos restritos de rescindibilidade do julgado). 9 Na lição de Fredie Didier 10 transitada em julgado a decisão definitiva da causa, todas as alegações e defesas que poderiam ter sido formuladas para o acolhimento ou 7 nesse sentido, vide Acórdão nº 3403001.945, 8 MANCUSO, Rodolfo de Camargo. Jurisdição Coletiva e Coisa Julgada: teoria geral das ações coletivas. São Paulo: RT, 2006, pp. 29,236. 9 BARBOSA MOREIRA, José Carlos. A eficácia preclusiva da coisa julgada material no sistema do processo civil brasileiro. Temas de Direito Processual. 1ª série, São Paulo: Saraiva, 1977, pp. 98103 10 Fredie Didier, in Curso de Direito Processual Civil . Salvador/BA: Editora Juspodivm, vol. II, 4ª ed., 2009, p. 426. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907927/200930 Acórdão n.º 9303002.990 CSRFT3 Fl. 280 10 rejeição do pedido reputamse arguidas e repelidas; tornamse irrelevantes todos os argumentos e provas que as partes tinham a alegar ou produzir em favor da sua tese. Com a formação da coisa julgada, preclui a possibilidade de rediscussão de todos os argumentos alegações e defesas, na dicção legal que poderiam ter sido suscitados, mas não foram. A coisa julgada torna preclusa a possibilidade de discutir o deduzido e torna irrelevante suscitar o que poderia ter sido deduzido (o dedutível ). CONCLUSÃO Diante do acima exposto, tendo em vista que a recorrente é possuidora de decisão que transitou em julgado que não só declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, mas também reconheceu o significado de faturamento a ser utilizado para a incidência do PIS como sendo o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, VOTO, no sentido de lhe dar provimento, e assim homologar a compensação efetuada. Maria Teresa Martínez López Voto Vencedor Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Redator Designado Embora a clareza e proficiência com que a i. Conselheira Relatora do Processo fundamentou a decisão proposta, ouso divergir de suas conclusões pelas razões que a seguir serão expostas. O litígio decorre de declarações de compensação apresentadas pela Requerente visando a compensação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep apurados de acordo com o entendimento que teve de decisão judicial transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança n° 2000.38.03.000.7782, que tramitou na 1ª Vara Federal de Uberlândia/MG. Informa a Recorrente que o Mandado de Segurança foi impetrado “em 16 de fevereiro de 2000, com pedido para que fosse concedida a segurança, declarandose a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 e reconhecendo o direito de recolher a contribuição ao PIS, a partir de 1°/01/2001, à alíquota de 0,65% sobre seu efetivo faturamento que engloba a receita decorrente da prestação de serviços a seus clientes”. Adiante conclui, No entanto, o Recurso Extraordinário foi não só conhecido como foi integralmente provido o pedido do Requerente, pelo STF: A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim, a noção de Fl. 280DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907927/200930 Acórdão n.º 9303002.990 CSRFT3 Fl. 281 11 faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE n. 346.084PR, Rei. orig. Min. Ilmar Galvão; RE n. 357.950RS, RE n. 358.273RS e RE n. 390.840MG, Rel. Min. Marco Aurélio, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF n. 408, p. 1). Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1°A do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados Embora o caso em tela envolva provimento jurisdicional específico, a solução da lide, segundo me parece, guarda estreita relação com o entendimento que se tem acerca do evento marcado pela declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e dos efeitos que lhe são próprios e alcançam os contribuintes de modo geral. Necessário introduzir o assunto. A controvérsia teve início na promoção do alargamento do conceito de faturamento para efeito de cálculo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, introduzido pela Lei 9.718/98, que incluiu na base de cálculo toda e qualquer receita, independentemente de sua classificação contábil11. A inconformidade dos contribuintes alcançados pela medida levou o assunto ao Poder Judiciário, onde a matéria terminou por ser decidida pelo Supremo Tribunal Federal, em Regime de Repercussão Geral, nos seguintes termos. EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Decisão O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco 11 Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907927/200930 Acórdão n.º 9303002.990 CSRFT3 Fl. 282 12 Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. RE 585.235QO, Min. Cezar Peluso O que se discute nos autos, e o assunto não é novo, diz respeito ao preciso efeito da declaração de inconstitucionalidade do parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, uma vez que, em nenhum momento, as decisões tomadas no âmbito do Supremo Tribunal Federal estenderam esse juízo à alteração introduzida pelo caput do artigo 3º, assim como por todos os demais critérios de apuração especificados nos parágrafos e artigos subsequentes e na legislação superveniente. Com efeito, é de sabença que a Suprema Corte do Pais, na pessoa do Exmo. Sr. Ministro Cezar Peluso, fez expressa menção à constitucionalidade do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, a teor do pronunciamento encontrado, pelo menos, nos Recursos Extraordinários nº. 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840. Embora no caso concreto discutase exclusivamente a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, não será demais que aqui se fale também a respeito dos efeitos da modificação legislativa sobre a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, uma vez que sua base de cálculo se tenha também afetado no curso mesmo empreendimento legislativo que promoveu o alargamento da base de cálculo do PIS e tenha sido, tal como a última, submetida a idêntica conformação aos liames constitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. A Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins tinha base de cálculo definida na Lei Complementar nº 70/91 como sendo o faturamento decorrente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Já as Contribuições para o PIS e para o PASEP contavam com fontes de financiamento advindas de diversas origens, conforme Leis Complementares 07 e 08 de 197012, dentre elas o faturamento das empresas e demais entidades especificadas nas Leis, onde estavam textualmente incluídas as instituições financeiras13. Ao instituir a nova base tributável por meio da Lei 9.718/98, o legislador ordinário, embora tenha mantido o faturamento como definição elementar do fenômeno econômicocontábil gravado pela tributação, especificouo, conforme dito antes, como sendo toda a receita bruta auferida pela pessoa jurídica, irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada, conceito que conflitou com o disposto no inciso I 12 A constituição da República Federativa do Brasil de 1988, no Ato das Disposições Constitucionais Transitórias art. 72, inciso V, destinou uma parcela da Contribuição para o PIS devida pelas instituições financeiras ao Fundo Social de Emergência, fixando alíquotas e definindo a base de cálculo como sendo a receita bruta operacional. A Lei 9.701/98 autorizou determinadas exclusões ou deduções dessa base. 13 § 2.º As instituições financeiras, sociedades seguradoras e outras empresas que não realizam operações de vendas de mercadorias participarão do Programa de Integração Social com uma contribuição ao Fundo de Participação de, recursos próprios de valor idêntico do que for apurado na forma do parágrafo anterior. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907927/200930 Acórdão n.º 9303002.990 CSRFT3 Fl. 283 13 do artigo 195 da Constituição Federal que, antes da Emenda Constitucional nº 20, de 20 de dezembro de 1998, previa o financiamento da seguridade social com base no valor arrecadado pelas contribuições sociais incidentes sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro14, sem nenhuma menção à receita. É precisamente neste ponto que se encontra a origem de toda a discussão em torno da inconstitucionalidade do conceito insculpido no parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, transbordando as delimitações contidas no texto constitucional na data da entrada em vigor da legislação novel. Ainda que, para efeitos tributários, já houvesse uma tendência ao reconhecimento de certa equivalência entre o conceito de faturamento e receita (observese que, muito antes de se falar na EM 20/98, a própria LC 70/91 já especificava a base de cálculo como sendo a receita), a expansão promovida pelo parágrafo primeiro foi para muito além daquilo que estava e ainda está sedimentado na doutrina e na jurisprudência como sendo o possível conceito de faturamento empresarial para fins de incidência tributária. De fundamental importância, neste cenário, observar e compreender com precisão o verdadeiro problema identificado pelos Ministros do Supremo Tribunal Federal ao acolhimento da nova definição de faturamento introduzida pela Lei 9.718/98. Nos precitados Recursos Extraordinários, tornaramse de amplo conhecimento as considerações feitas sobre o assunto pelo Ministro Cesar Peluso, estabelecendo os limites da definição possível para o conceito veiculado no (constitucional) caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, conforme segue (todos os grifos acrescentados). Por todo o exposto, julgo inconstitucional o parágrafo 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, parágrafo 4º, se considerado para esse efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe dar interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. 14 O texto antes e depois da EM 20/98. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; II dos trabalhadores; Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, o Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; b) a receita ou o faturamento; c) o lucro; Fl. 283DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907927/200930 Acórdão n.º 9303002.990 CSRFT3 Fl. 284 14 (...) Sr. Presidente, gostaria de enfatizar meu ponto de vista, para que não fique nenhuma dúvida ao propósito. Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado à idéia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de “receita bruta igual a faturamento.” (...) 6. (...) Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. – grifamos. (...) Uma vez que o Ministro Cezar Peluso tenha sido parcialmente vencido na decisão da causa, se tem criticado o uso de suas manifestações (e as de outros Ministros que também foram total ou parcialmente vencidos) na fundamentação de decisões envolvendo os efeitos da declaração de inconstitucionalidade do parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98. Quanto a isso, de grande relevo que se situe com clareza a matéria que estava então sub judice na Suprema Corte, as considerações que lhes emprestaram não apenas o Ministro Cesar Peluso mas todos os demais integrantes do Tribunal e em que assunto e aspectos, especificamente, uns e outros se viram vencedores ou vencidos. Analisase um dos precedentes apontados no Recurso Extraordinário nº 585.235 que concedeu Regime de Repercussão Geral à questão: RE 346.0846/PR, da Relatoria do Ministro Ilmar Galvão, Relator para acórdão Ministro Marco Aurélio. O Relatório do Ministro Ilmar Galvão delimita com rapidez e precisão os liames da lide. RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO ILMAR GALVÃO (Relator) : Recurso que, pela letra a do permissivo constitucional, foi interposto contra acórdão que concluiu pela legitimidade da ampliação da base de cálculo da COFINS até então restrita às “vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza” conforme definido pela Lei Complementar n.° 70/91 (art. 2.°), para nela fazer compreender “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”, efetuada por meio de lei ordinária (Lei n.° 9.718/98, art. 3.°, § 1.°), alteração que teve por vigente a partir de 1.° de fevereiro de 1999, como estabelecido no art. 17, I, do referido diploma normativo. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907927/200930 Acórdão n.º 9303002.990 CSRFT3 Fl. 285 15 Sustenta a recorrente que, ao assim decidir, o acórdão ofendeu o inciso I e o § 4.° do art. 195 e, por conseqüência, o inciso I do art. 154, ambos da CF. Sustenta, ainda, haver a decisão recorrida contrariado, por igual, o § 6.° do mencionado art. 195, por haver considerado que a alteração passou a produzir efeito a partir da edição da primeira medida provisória e não da EC 20, de 15 de dezembro de 1998 , que, a seu ver, não poderia constitucionalizar norma editada com ofensa à Constituição. Regularmente processado, foi o recurso admitido na origem, havendo a douta ProcuradoriaGeral da República, em parecer do Dr. Roberto Monteiro Gurgel Santos, opinado pelo nãoconhecimento. É o relatório. Se bem posso traduzir em poucas palavras o relatório acima transcrito, diria tratarse de um litígio que se travou em torno da constitucionalidade do alargamento da base de cálculo, (i) à luz do conceito de faturamento vigente à época da formulação da exigência fiscal e (ii) da possibilidade de que se reconhecesse a constitucionalidade superveniente da Lei 9.718/98 em face da modificação introduzida pela Emenda Constitucional nº 20. A ementa do decisum confirma a circunscrição da lide nos termos em que está acima definida. CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 32, § l2, DA LEI Na 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Ne 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § Ia DO ARTIGO 3 a DA LEI Na 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional na 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § lº do artigo 3º da Lei na 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Uma vez especificado o que havia por decidir no âmbito do Recurso Extraordinário nº 346.0846, relevante que se observe o conteúdo das decisões parciais proferidas após o Voto de cada um dos Ministros que participaram do processo de formação do Ato Decisório, até o último Extrato de Ata emitido pela Secretaria, em 09 de novembro de 2005. PLENÁRIO EXTRATO DE ATA Fl. 285DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907927/200930 Acórdão n.º 9303002.990 CSRFT3 Fl. 286 16 RECURSO EXTRAORDINÁRIO 346.0846 PROCED.: PARANÁ RELATOR ORIGINÁRIO: MIN. ILMAR GALVÃO RELATOR PARA O ACÓRDÃO: MIN. MARCO AURÉLIO RECTE.: DIVESA DISTRIBUIDORA CURITIBANA DE VEÍCULOS S/A ADVDOS.: MARCELO MARQUES MUNHOZ E OUTROS ADV.(A/S): RODRIGO LEPORACE FARRET E OUTROS RECDA.: UNIÃO ADV.: PFN RICARDO PY GOMES DA SILVEIRA Decisão: Após o voto do Senhor Ministro Ilmar Galvão, Relator, conhecendo e provendo parcialmente o extraordinário, para fixar, como termo inicial dos 90 (noventa) dias, 1º de fevereiro de 1999, pediu vista o Senhor Ministro Gilmar Mendes. Falaram, pela recorrente., o Dr. Helenilson Cunha Pontes, e, pela recorrida, o Dr. Francisco Targino da Rocha Meto, Procurador da Fazenda Nacional. Presidência do Senhor Ministro Marco Aurélio. Plenário, 12.12.2002. Decisão: Após o voto do Senhor Ministro Ilmar Galvão, Relator, conhecendo e provendo parcialmente o extraordinário, para fixar, como termo inicial dos 90 (noventa) dias, 1º de fevereiro de 1999, e dos votos dos Senhores Ministros Gilmar Mendes e Presidente, Ministro Maurício Corrêa, que conheciam do recurso, mas negavamlhe provimento, pediu vista dos autos o Senhor Ministro Cezar Peluso. Não participou da votação o Senhor Ministro Carlos Britto por suceder ao Senhor Ministro limar Galvão que proferira voto anteriormente. Plenário, 01.04.2004. Decisão: Renovado o pedido de vista do Senhor Ministro Cezar Peluso, justificadamente, nos termos do § 1º do artigo lº da Resolução nu 278, de 15 de dezembro de 2003. Presidência, em exercício, do Senhor Ministro Nelson Jobim, VicePresidente. Plenário, 13.05.2004. Decisão: Após os votos dos Senhores Ministros Cezar Peluso, Marco Aurélio, Carlos Velloso, Celso de Mello e Sepúlveda Pertence, conhecendo e provendo o recurso, nos termos dos seus respectivos votos, pediu vista dos autos o Senhor Ministro Eros Grau. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Nelson Jobim (Presidente). Presidência da Senhora Ministra Ellen Gracie (Vice Presidente). Plenário, 18.05.2005. Decisão: Renovado o pedido de vista do Senhor Ministro Eros Grau, justificadamente, nos termos do § 1º do artigo 1º da Resolução nº 278, de 15 de dezembro de 2003. Presidência do Senhor Ministro Nelson Jobim. Plenário, 15.06.2005. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1º. do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Ilmar Galvão (Relator), Cezar Peluso e Celso de Mello e, integralmente, os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Maurício Corrêa, Joaquim Barbosa, e o Presidente (Ministro Nelson Jobim). Reformulou parcialmente o voto o Senhor Ministro Sepúlveda Pertence. Não participaram da votação os Senhores Ministros Carlos Britto e Eros Grau por serem sucessores dos Senhores Ministros limar Galvão e Maurício Corrêa que proferiram voto. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie. Plenário, 09.11.2005;. Presidência do Senhor Ministro Nelson Jobim. Presentes â sessão os Senhores Ministros Sepúlveda Pertence, Celso de Mello, Carlos Velloso, Marco Aurélio, Gilmar Mendes, Cezar Peluso, Carlos Britto, Joaquim Barbosa e Eros Grau. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907927/200930 Acórdão n.º 9303002.990 CSRFT3 Fl. 287 17 ProcuradorGeral da. República, Dr. Antônio Fernando Barros e Silva de Souza. Luiz Tomimatsu Secretário Percebese acima que, o núcleo da discussão até que o Ministro Cezar Peluso pedisse vista dos autos, girava em torno da constitucionalidade superveniente da Lei 9.718/98 em face da modificação introduzida pela Emenda Constitucional nº 20. Essa circunstância está estampada no excerto a seguir reproduzido, extraído do próprio Voto do Ministro Cezar Peluso. Admitido o recurso, o relator, Min. ILMAR GALVÃO, deulhe parcial provimento, para julgar inconstitucional a majoração da base de cálculo da COFINS, na forma do art. 39 da Lei ne 9.718/98, até a edição da EC ns 20/98, que “veio emprestarlhe o embasamento constitucional de que carecia, ao dar nova redação ao art. 195 da Carta de 88, para dispor que a COFINS passaria a incidir sobre ‘b) a receita ou o faturamento’“. O Min. GILMAR MENDES, em votovista, entendeu constitucional a majoração, pelos seguintes fundamentos: (...) Este entendimento foi acompanhado pelo Min. MAURÍCIO CORREA, que, antecipando voto, julgou constitucional a majoração. Nessa fase do julgamento, foi, então, justamente o Ministro Cezar Peluso que, como se lê nas transcrições acima, abriu a divergência na decisão que vinha sendo proposta à lide, para externar seu entendimento e decidir pela inconstitucionalidade do “parágrafo 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para ‘toda e qualquer receita’, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, parágrafo 4º, se considerado para esse efeito de nova fonte de custeio da seguridade social”. Ante tais evidências colhidas dos registros feitos ao longo do julgamento, pareceme impróprio minorar a relevância dos fundamentos do Ministro Cesar Peluso na solução da lide. Foi justamente ele quem primeiro destoou do entendimento, até então prevalente, de que o alargamento promovido pela Lei 9.718/98 havia sido constitucionalizado pela Emenda Constitucional nº 20, determinando novo rumo ao julgamento e à decisão que ao final haveria de ser proposta. Ainda mais, como adiante se pretenderá demonstrar, foi o Ministro Cezar Peluso quem mais fundo foi no estudo da questão posta, tendo sido citado por quase todos os demais Ministros em seus respectivos votos. A redação final do Acórdão não permite saber exatamente em que assunto o Ministro Cezar Peluso ficou vencido, mas, sem margem de dúvida, ele não se refere nem à decisão de considerar inconstitucional apenas o parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98, tampouco à dedicada incursão que fez ao significado do vernáculo faturamento15. 15 Interessante observar, inclusive, que o Ministro Carlos Velloso, apontado como vencedor no Acórdão, acompanhou o Ministro Cezar Peluso em usa decisão. "Concluo o meu voto. Com a vénia do eminente Relator, que já não está aqui, acompanho o voto do Ministro César Peluzo. Nos demais recursos extraordinários, com o eminente MinistroRelator, Ministro Marco Aurélio". Fl. 287DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907927/200930 Acórdão n.º 9303002.990 CSRFT3 Fl. 288 18 Com efeito, de grande importância sublinhar que, ao longo de todo o julgamento, não se logra êxito em encontrar no corpo do decisum qualquer dissonância entre os integrantes da Corte Suprema acerca disponibilidade concedida pela Carta Política ao legislador ordinário para fixação do que deva ser considerado faturamento para fins tributários. Outrossim, identificase ao longo de todo o processo decisório uma única menção, de lavra do Ministro Celso de Mello, propondo a inconstitucionalidade do artigo 3º como um todo. O Ministro, contudo, assim como o Ministro Cezar Peluso, foi, ao final, declarado parcialmente vencido. É de grande interesse conhecer, da leitura dos excertos que seguem, como os Ministros se manifestaram a respeito do conceito de faturamento para fins tributários, assunto a respeito do qual, repitase, não há registro de divergência. Ministro Ilmar Galvão. O recorrente considera que tais precedentes não seriam aplicáveis ao caso, haja vista que o STF teria estabelecido sinonímia entre faturamento e receita bruta quando tais expressões designavam receitas oriundas de vendas de bens e/ou serviços. Tal leitura não é correta. A Corte, ao admitir tal equiparação, em verdade assentou a legitimidade constitucional da atuação do legislador ordinário para densificar uma norma constitucional aberta, não estabelecendo a vinculação pretendida pelo recorrente em relação às operações de venda. Ao contrário do que pretende o recorrente, a Corte rejeitou qualquer tentativa de constitucionalizar eventuais préconcepções doutrinárias não incorporadas expressamente no texto constitucional. O STF jamais disse que havia um específico conceito constitucional de faturamento. Ao contrário, reconheceu que ao legislador caberia fixar tal conceito. E também não disse que eventuais conceitos vinculados a operações de venda seriam os únicos possíveis. Não fosse assim, teríamos que admitir que a composição legislativa de 1991 possuía um poder extraordinário. Por meio da Lei Complementar nº 71, teriam aqueles legisladores fixado uma interpretação dotada da mesma hierarquia da norma constitucional, interpretação esta que estaria infensa a qualquer alteração, sob pena de inconstitucionalidade. Na tarefa de concretizar normas constitucionais abertas, a vinculação de determinados conteúdos ao texto constitucional é legítima. Todavia, pretender eternizar um específico conteúdo em detrimento de todos os outros sentidos compatíveis com uma norma aberta constitui, isto sim, uma violação à força normativa da Constituição, haja vista as necessidades de atualização e adaptação da Carta Política à realidade. Tal perspectiva é sobretudo antidemocrática, uma vez que impõe às gerações futuras uma decisão majoritária adotada em uma circunstância específica, que pode não representar a melhor via de concretização do texto constitucional. (...) Fl. 288DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907927/200930 Acórdão n.º 9303002.990 CSRFT3 Fl. 289 19 Ministro Gilmar Mendes Nessa breve história legislativa da COFINS percebese, desde logo, que já sob o regime da Lei Complementar de 1991 a acepção de faturamento adotada pelo legislador não correspondia àquela usualmente adotada nas relações comerciais. Ou seja, já sob o império da Lei Complementar n° 70 se verificara o abandono do conceito tradicional de faturamento, especialmente naquela acepção comercialista que se refere, grosso modo, a operações de venda de mercadorias já concluídas e registradas em fatura. Esse conceito técnicocomercial é invocado expressamente pelos recorrentes. Precedentes do STF A discussão quanto à legitimidade dessa perspectiva adotada pelo legislador, de abandono de eventuais préconcepções da expressão “faturamento”, não é estranha para este Tribunal. No RE 150.755, da relatoria do Ministro Carlos Velloso (redator do acórdão o Min. Sepúlveda Pertence), em que se discutia a constitucionalidade da contribuição do FINSOCIAL, tal como fixada no art. 28 da Lei n° 7.738, de 1989, admitiuse como legítima a assimilação do conceito de receita bruta ao de faturamento. Nesse precedente, registra a parte final da ementa: 8. A contribuição social questionada se insere entre as previstas no art. 195, I, CF e sua instituição, portanto dispensa a lei complementar: no art. 28 da L. 7.738/89, a alusão a “receita bruta”, como base de cálculo do tributo, para conformarse ao art. 195, I, da Constituição, há de ser entendida segundo a definição do Dl. 2.397/87, que é equiparável à noção corrente de “faturamento” das empresas de serviço.” Especificamente sobre a alegação de que o tributo previsto art. 28 da Lei n° 7.738 não se enquadraria na definição constitucional de faturamento, assentou o Ministro Sepúlveda Pertence: “(...) 43. Convencime, porém, de que a substancial distinção pretendida entre receita bruta e faturamento cuja procedência teórica não questiono , não encontra respaldo atual no quadro do direito positivo pertinente à espécie, ao menos, em termos tão inequívocos que induzisse, sem alternativa, à inconstitucionalidade da lei. 44. Baixada para adaptar a legislação do imposto sobre a renda à Lei das Sociedades por Ações, dispusera o Dl. 1.598, 26.12.77: (...) O recorrente considera que tais precedentes não seriam aplicáveis ao caso, haja vista que o STF teria estabelecido sinonímia entre faturamento e receita bruta quando tais expressões designavam receitas oriundas de vendas de bens e/ou serviços. Tal leitura não é correta. A Corte, ao admitir tal equiparação, em verdade assentou a legitimidade constitucional da atuação do legislador ordinário para densificar uma norma constitucional aberta, não estabelecendo a vinculação pretendida pelo recorrente em relação às operações de venda. Ministro Eros Grau Fl. 289DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907927/200930 Acórdão n.º 9303002.990 CSRFT3 Fl. 290 20 “06. No caso, faturamento terá sido tomado como termo de uma das várias noções que existem as noções de faturamento na e com uma de suas significações usuais atualmente. Sabemos de antemão que já não se a toma como atinente ao fato de ‘emitir faturas’. Nós a tomamos, hoje, em regra, como o resultado econômico das operações empresarias do agente econômico, como ‘receita bruta das vendas de mercadorias e mercadorias e serviços, de qualquer natureza’ [art.22 do decretolei n. 2.397/87]. Esse entendimento foi consagrado no RE 150.764, Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, e na ADC n. 1, Relator o Ministro MOREIRA ALVES. 07. Daí porque tudo parece bem claro: em um primeiro momento diremos que faturamento é outro nome dado à receita bruta das vendas e serviços do agente econômico. Essa é uma das significações usuais do vocábulo [i.é., a noção da qual o vocábulo é termo é precisamente esta faturamento é receita bruta das vendas e serviços do agente econômico]. A análise dos precedentes aponta, no entanto – isso é proficientemente indicado em parecer de HUMBERTO ÁVILA no sentido de inversão dos termos: a lei tributária chamou de receita bruta, para efeitos do FINSOCIAL, o que é faturamento; o conceito de receita bruta [ = receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços], na lei, é que coincide com a noção de faturamento, na Constituição. 08 .Ora, o artigo 3º da Lei n. 9.718/98 não diz mais do que isso. Seu § 1º é que vai além, para afirmar que ali e ali não se cogita de faturamento, mas de receita bruta se trata da totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para tais receitas. (...) 10. (...) Eis o que aí se tem, nesse § 1º do artigo 3º e da Lei nº 9.718/98, uma definição jurídica de receita bruta: a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para tais receitas. 11 .Cumpre então indagarmos se a lei poderia ter afirmado essa definição de receita bruta. A Constituição dizia, anteriormente à EC 20/98, que a seguridade social seria financiada, entre outros, mediante recursos provenientes de contribuição social “dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e os lucros” art. 195, I). A EC 20/98 alterou o preceito, para afirmar que essa mesma contribuição incidirá sobre a folha de salários e outros rendimentos do trabalho, sobre “a receita ou o faturamento” e sobre o lucro. A lei é anterior à EC 20/98, ao tempo em que o artigo 195, I da Constituição afirmava que a contribuição incidiria “sobre a folha de salários, o faturamento e os lucros”. 12. A alteração no texto da Constituição aparentemente, mas não necessariamente, indica alteração do campo de incidência da contribuição. A emenda , ao referir “a receita ou o faturamento”, poderia estar a tomar receita como sinônimo de faturamento e faturamento como sinônimo de receita. Anteriormente à EC 20/98 ela incidia sobre a receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços [= receita bruta], que coincidia, qual afirmou esta Corte, Fl. 290DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907927/200930 Acórdão n.º 9303002.990 CSRFT3 Fl. 291 21 com a noção de faturamento. Após a EC 20/98 ela incide sobre “a receita ou o faturamento”. Ora, se receita bruta [= receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços] coincide, qual afirmou esta Corte, com a noção de faturamento, a inserção do termo de um outro conceito “receita” no texto constitucional há de estar referindo outro conceito, que não o que coincide com a noção de faturamento. Para exemplificar, sem qualquer comprometimento com a conclusão: receita como totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante para a determinação dessa totalidade o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para tais receitas. Temos aí receita bruta, termo de um conceito, e receita bruta, termo de outro conceito. No primeiro caso, receita bruta que é enquadrada na noção de faturamento, receita bruta das vendas e serviços do agente econômico, isto é, proveniente das operações do seu objeto social. No segundo, receita bruta que envolve, além da receita bruta das vendas e serviços do agente econômico isto é, das operações do seu objeto social aquela decorrente de operações estranhas a esse objeto. (grifos meus). Impõese então distinguirmos: de um lado teremos receita bruta/faturamento; de outro, a receita bruta que excede a noção de faturamento, introduzida pela EC 20/98, para a determinação de cuja totalidade são irrelevantes o tipo de atividade que dá lugar a sua percepção e a classificação contábil adotada. 13. Dirseá que a Constituição, ao não definir faturamento, incorporou noção que dele se tinha à época. Na verdade incorporou uma das noções que dele à época se tinha. A Constituição poóleria [sic], mais do que incorporar, poderia ter contemplado uma definição jurídica, de faturamento. Não o tendo feito, prevaleceu um dos entendimentos possíveis, aquele nos termos do qual receita bruta coincide com a noção de faturamento enquanto receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços. Poderia ter prevalecido outro. E cumpre aqui dedicar especial atenção à fundamentação do voto do Ministro Relator Marco Aurélio, que, ainda que faça menção ao conceito de faturamento como sendo a receita vinculada à venda de mercadorias, serviços ou ambos, conforme explicitado na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 11/DF (leitura empregada em data muito anterior à Lei 9.718/98), deixa claro que o problema está no conceito veiculado pelo parágrafo primeiro: o passo mostrouse demasiadamente largo, (...) por incluir no conceito de receita bruta todo e qualquer aporte contabilizado pela empresa, pouco importando a origem, em si, e a classificação que deva ser levada em conta sob o ângulo contábil. Quer dizer, a norma transgrediu o ordenamento jurídico ao transbordar a noção técnicojurídica possível de faturamento e não ao definilo como sendo resultado de outras operações empresariais além das vendas de mercadorias e serviços ou ambos. Ministro Marco Aurélio (Relator) Examino, então, a problemática referente à Lei nº 9.718/98. Aqui há de se perceber o empréstimo de sentido todo próprio ao conceito de faturamento. Eis o teor da lei envolvida na espécie: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907927/200930 Acórdão n.º 9303002.990 CSRFT3 Fl. 292 22 Tivesse o legislador parado nessa disciplina, aludindo faturamento sem dar lhe, no campo da ficção jurídica, conotação discrepante da consagrada por doutrina e jurisprudência, terseia solução idêntica à concernente à Lei nº 9.715/98. Tomarse ia o faturamento tal como veio a ser explicitado na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 11/DF, ou seja, a envolver o conceito de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços. Respeitado estaria o Diploma Maior ao estabelecer, no inciso I do artigo 195, o cálculo da contribuição para o financiamento da seguridade social devida pelo empregador, considerado o faturamento. Em última análise, terseia a observância da ordem natural das coisas, do conceito do instituto que é o faturamento, caminhandose para o atendimento da jurisprudência desta Corte. (...) Não fosse o § lº que se seguiu, terseia a observância da jurisprudência desta Corte, no que ficara explicitado, na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 1 1/DF, a sinonímia dos vocábulos “faturamento” e “receita bruta”. Todavia, o § 1º veio a definir esta última de forma toda própria: § 1 Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. O passo mostrouse demasiadamente largo, olvidandose, por completo, não só a Lei Fundamental como também a interpretação desta já proclamada pelo Supremo Tribunal Federal. Fezse incluir no conceito de receita bruta todo e qualquer aporte contabilizado pela empresa, pouco importando a origem, em si, e a classificação que deva ser levada em conta sob o ângulo contábil. Essencial que se diga que a questão específica da incidência das Contribuições nas receitas das instituições financeiras terminou por não ser resolvida nas decisões que lastrearam o Recurso Extraordinário 585.235, que outorgou repercussão geral à decisão de extirpar do mundo jurídico o parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98. Isso se vê em diversos dos debates colhidos das notas taquigráficas. Seguese um deles. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO Sr. Presidente, gostaria de enfatizar meu ponto de vista, para que não fique nenhuma dúvida ao propósito. Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado à idéia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de “receita bruta igual a faturamento”. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) Mas, ministro, seria interessante, em primeiro lugar, esperar a chegada de um conflito de interesses, envolvendo uma dúvida quanto ao conceito que, por ora, não passa pela nossa cabeça, Fl. 292DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907927/200930 Acórdão n.º 9303002.990 CSRFT3 Fl. 293 23 O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO Mas passa pela cabeça de outros. Já não temos poucas causas, Sr. Ministro, para julgar. Quanto mais claro seja o pensamento da Corte, melhor para a Corte e para a sociedade. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) Não pretendo, neste julgamento, resolver todos os problemas que possam surgir, mesmo porque a atividade do homem é muito grande sobre a base de incidência desses tributos. E, de qualquer forma, estamos julgando um processo subjetivo e não objetivo e a única controvérsia é esta: o alcance do vocábulo “faturamento”. E, a respeito desse alcance, temos já, na Corte, reiterados pronunciamentos. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO É o que estou fazendo: esclarecendo meu pensamento sobre o alcance desse conceito. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) Senão, em vez de julgarmos as demandas que estão em Mesa, provocaremos até o surgimento de outras demandas, cogitando de situações diversas. (...) No curso do julgamento, o Colegiado chegou inclusive a adentrar à questão (preocupação mais uma vez manifesta pelo Ministro Cezar Peluso) dos demais parágrafos do artigo 3º da Lei 9.718/98, sem, contudo, chegar a uma conclusão a esse respeito. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO Presidente, só uma ponderação. Como o artigo 3º não tem um único parágrafo, mas vários, se for declarada a inconstitucionalidade do caput, os outros parágrafos ficarão soltos, perderão o seu objeto de referência. O SR. MINISTRO CARLOS VELLOSO Ministro, eles ficam soltos e vêm soltos porque se referem ao parágrafo lº: "§ 2º Para. fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta:” Que receita bruta? A que está no § lº. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO O meu receio é de que haja algum parágrafo que, depois, ganhe certa autonomia e gere dificuldade. É isso que me preocupa. O SR. MINISTRO CARLOS VELLOSO Todos eles são dependentes do § 1º. O SENHOR MINISTRO SEPÚLVEDA PERTENCE Todos eles regulam a base de cálculo da COFINS. Se estamos entendendo que o conceito básico e a disciplina do COFINS já estão declarados constitucionais pelo Tribunal... O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO Estou apenas ponderando quanto ao risco de eventuais incertezas futuras. A SRA. MINISTRA ELLEN GRACIE (PRESIDENTE) Ainda teremos uma sessão de julgamento em que o Ministro Eros Grau trará o seu voto e poderemos eventualmente reajustar. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907927/200930 Acórdão n.º 9303002.990 CSRFT3 Fl. 294 24 Vêse, sem margem para dúvidas, que se constitui em assunto bastante controvertido, e, por certo, não haverá de, aqui, deixar de sêlo. Com efeito, o alinhamento do entendimento aplicável à matéria depende, em última análise, do julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal, em Regime (já determinado) de Repercussão Geral, do Recurso Extraordinário nº 609096, a partir de quando, pelo menos no contexto atual e na presente instância, as opiniões pessoais cederão à hierarquia da jurisdição. Enquanto não consumado o julgamento do RE pelo Pretório Excelso, cumpre a este Colegiado escolher a interpretação que considera correta e determinar o cumprimento da decisão em âmbito administrativo. Nestas condições, pareceme que, a despeito das reticências que se extraem do debate travado entre Ministros da Suprema Corte, uma vez que não foi declarada a inconstitucionalidade do caput do artigo 3º, necessário distinguir que a base de cálculo, até então adstrita à receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, passou a ser também identificada, simplesmente, como receita bruta. De fato, ao declarar a inconstitucionalidade apenas do parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, o Supremo Tribunal Federal não deixou outro caminho, se não o que conduz o intérprete a compreensão de que é constitucional a definição insculpida no caput do artigo. A alteração promovida pela Emenda Constitucional nº 20/98 teve por escopo justamente permitir que a receita, lato sensu, fosse alcançada pelas contribuições para o financiamento da seguridade social. Como foi observado pelo Exmo. Ministro Carlos Britto, a autorização introduzida pela Emenda autoriza, justamente, a incidência sobre as receitas que estariam especificadas no parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98. A conclusão a que se chega é que depois da Lei 9.718/98 e da declaração da inconstitucionalidade do parágrafo 1º de seu artigo 3º, apenas a receita típica da pessoa jurídica e não a totalidade das receitas auferidas por ela poderiam integrar a base de cálculo das Contribuições. Quanto a isso, que se diga que não se desconhecem os diversos Acórdãos do Supremo Tribunal Federal que, depois da decisão pela inconstitucionalidade do parágrafo primeiro, fazem remissão ao conceito de faturamento que parecia pacificado antes da entrada em vigor da Lei 9.718/98, o da Lei Complementar 70/91. Sobre o assunto, imperioso pontuar que emerge inconfundível das manifestações colhidas dos votos dos Ministros que participaram dos leading case do Recurso Extraordinário 585.235, que é nítido o entendimento de que jamais pretendeuse “a constitucionalização de preconcepções doutrinárias não incorporadas expressamente no texto constitucional”, nem o reconhecimento de “um específico conceito constitucional de faturamento16“. A dedução remissiva ao status anterior da base imponível encontrada em muitos acórdãos decorre da destinação das decisões onde eles se encontram, em processos nos quais discutiase o direito do contribuinte de afastar o inconstitucional alargamento da base de cálculo e não a amplitude do conceito de faturamento que, me arrisco dizer, não foi objeto daquelas lides. 16 As duas remissões são à manifestação, antes reproduzida, do Exmo. Ministro Ilmar Galvão. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907927/200930 Acórdão n.º 9303002.990 CSRFT3 Fl. 295 25 E que se diga, no caso concreto o provimento judicial, embora refirase à venda de mercadorias e prestação de serviços de qualquer natureza, acrescenta, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Isto tudo esclarecido, que se diga, há, ainda, outras questões que merecem ser levadas em consideração. Do parágrafo 2º ao parágrafo 9º do artigo 3º, assim como na MP 2.158/01, encontramse exclusões permitidas da base de cálculo das Contribuições apuradas no Sistema Cumulativo que não fariam nenhum sentido se essa as instituições financeiras continuassem sujeitas à incidência apenas sobre as receitas provenientes da prestação de serviços stricto sensu. Outrossim, resgatando mais uma vez o arcabouço normativo histórico da Cofins, vêse que a Lei Complementar nº 70/91, ao disciplinar de maneira ampla a incidência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, seu raio de alcance e fonte de financiamento das atividadesfins das áreas de saúde, previdência e assistência social, excluiu as instituições financeiras do pagamento da Contribuição e elevou a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido por elas devida. Lei Complementar 70/91 Art. 11. Fica elevada em oito pontos percentuais a alíquota referida no § 1° do art. 23 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, relativa à contribuição social sobre o lucro das instituições a que se refere o § 1° do art. 22 da mesma lei, mantidas as demais normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações posteriormente introduzidas. Parágrafo único. As pessoas jurídicas sujeitas ao disposto neste artigo ficam excluídas do pagamento da contribuição social sobre o faturamento, instituída pelo art. 1° desta lei complementar. Lei 8.212/91 Art. 23. As contribuições a cargo da empresa provenientes do faturamento e do lucro, destinadas à Seguridade Social, além do disposto no art. 22, são calculadas mediante a aplicação das seguintes alíquotas: I 2% (dois por cento) sobre sua receita bruta, estabelecida segundo o disposto no § 1º do art. 1º do Decretolei nº 1.940, de 25 de maio de 1982, com a redação dada pelo art. 22, do Decretolei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, e alterações posteriores; 9 II 10% (dez por cento) sobre o lucro líquido do períodobase, antes da provisão para o Imposto de Renda, ajustado na forma do art. 2º da Lei nº 8.034, de 12 de abril de 1990. 10 § 1º No caso das instituições citadas no § 1º do art. 22 desta Lei, a alíquota da contribuição prevista no inciso II é de 15% (quinze por cento). § 2º O disposto neste artigo não se aplica às pessoas de que trata o art. 25. Não somente a Lei 9.718/98, mas outras medidas legislativas que se seguiram, como fazem exemplo a MP 2.158/01 e, mais tarde, as Leis 10.637/03 e 10.833/03, que introduziram o Sistema NãoCumulativo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, Fl. 295DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907927/200930 Acórdão n.º 9303002.990 CSRFT3 Fl. 296 26 revisaram o Sistema de financiamento da Seguridade Social, incluindo as instituições bancárias no rol de contribuintes sujeitos ao recolhimento da exação fiscal. Vejase. Se o que se discute é a possibilidade de que estejam extirpados do ordenamento jurídico todas as disposições normativas introduzidas pelo artigo 3º da Lei 9.718/98 e MP 2.158/01, então haveria de se estar faltando em exclusão total do pagamento da Cofins, uma vez que a revogação tácita do parágrafo único do artigo 11 da Lei Complementar 70/91 decorre das disposições introduzidas pelo artigo 3º da Lei 9.718/98 e MP 2.158/0117. Já no que concerne à alteração introduzida recentemente pela Lei 12.973/04 e a correspondente exposição de motivos, importante observar que se trata de uma inovação na definição da receita bruta que alcança a base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep, essas duas últimas, também quando calculadas no Sistema NãoCumulativo de apuração. A exposição de motivos não deixa claro para qual desses tributos e contribuições estarseia passando a tributar fato gerador novo, inaugural no mundo jurídico tributário. A despeito disso, não há como interpretar que a Lei tenha encerrado a questão da incidência ou não das Contribuições sobre o spread bancário para fato geradores anteriores a sua entrada em vigor. As manifestações colhidas da mais alta instância da jurisdição brasileira mostram que tratase de um assunto em aberto, que será decidido apenas quando com o trânsito em julgado do Recurso Extraordinário nº 609096. De resto, não será demais acrescentar que o vernáculo serviço, cujo produto da venda é base de cálculo das Contribuições, admite múltiplas concepções. No âmbito do Acordo Geral sobre Comércio e Serviços – GATS, por exemplo, o spread bancário é textualmente incluído no rol de atividades designadas como tal. De fato, não há como afirmar que a inclusão da atividade bancária no conceito de serviços seja uma violação a preceitos constitucionais ou ao ordenamento jurídico pátrio. A palavra serviço amoldase muito bem às mais diferentes atividades. Muito diferente é o que ocorre, por exemplo, com a atividade de locação. Como apontado pelo Ministro Cesar Peluso, justamente no votovista em que propôs a inclusão de todas as receitas decorrentes da atividade típica da pessoa jurídica na base de cálculo das Contribuições, “a Corte julgou inconstitucional a exigência de imposto sobre serviços na ‘locação de bens móveis’, por delirar do conceito de serviços pressuposto pela Constituição na outorga de competência aos municípios. Da ementa consta: RE 116.1213 “TRIBUTO FIGURINO CONSTITUCIONAL. A supremacia da Carta Federal é conducente a glosarse a cobrança de tributo discrepante daqueles nela previstos. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS CONTRATO DE LOCAÇÃO. A terminologia constitucional do Imposto Sobre Serviços revela o objeto da tributação. Conflita com a Lei Maior dispositivo que imponha o tributo considerado contrato de locação de bem móvel. Em direito, os institutos, as expressões e os vocábulos têm sentido próprio, descabendo confundir a locação de serviços com a de móveis, praticas diversas regidas pelo Código Civil, cujas definições são de observância inafastável art. 110 do Código Tributário Nacional.” 17 Como disse antes, faço remissão à Cofins mesmo que o assunto dos autos restrinjase ao PIS. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907927/200930 Acórdão n.º 9303002.990 CSRFT3 Fl. 297 27 Por todo o exposto, meu VOTO é por negar provimento ao Recurso Especial. Ricardo Paulo Rosa Fl. 297DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10925.000972/2008-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.264
Decisão: RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator
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Z. IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por S. Z. IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Julianna Bandeira Toscano, Rafael Pandolfo e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Pedro Anan Junior, Odmir Fernandes e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10925.000972/200891 Resolução n.º 220200.264 S2C2T2 Fl. 2 2 RELATÓRIO Em desfavor da contribuinte, S. Z. IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., acima identificado, foi lavrado o Auto de Infração de fls.274 a 323, que exige da interessada supra identificada, o recolhimento da importância de R$ 3.896.934,76 a título de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, anos calendário de 2003 a 2005, acrescida de multa de ofício de 150% e juros de mora. O lançamento do IRRF incidiu sobre pagamento a beneficiários não identificados, tendo como enquadramento legal o art.674 do RIR/99 (fl.322). Segundo o Termo de Verificação Fiscal: Em atendimento a Intimação feita junto ao Termo de Início, a fiscalizada apresentou os documentos discriminados de fls.11 qa 14. Ao analisarmos a escrituração contábil constante dos Livros Diário e Razão apresentados pela fiscalizada, verificamos que a empresa, costumeiramente, emitia vários cheques no mesmo dia e apresentava como contrapartida a estes lançamentos a conta "Caixa". Com tais lançamentos, a empresa passava a ideia de que efetuava saques em suas contascorrentes para suprir seu Caixa. Acontece que, com tais lançamentos o saldo da "conta Caixa" da empresa apresentou exorbitantes valores, como por exemplo: em 2003: R$ 1.343.024,24 (um milhão, trezentos e quarenta e três mil, vinte e quatro reais e vinte e quatro centavos); em 2004: R$ 1.679.340,48 (um milhão, seiscentos e setenta e nove mil, trezentos e quarenta reais e quarenta e oito centavos) e em 2005: R$ 570.484,31 (quinhentos e setenta mil, quatrocentos e oitenta e quatro reais e trinta e um centavos), conforme se comprova através das cópias dos Livros Razão dispostos no Anexo II: folhas 36 a 86 do presente processo. Por ser bastante incomum nos dias de hoje uma empresa possuir em caixa elevados valores em espécie, esta fiscalização achou por bem intimar os gerentes do: Banco do Brasil em Dionísio Cerqueira, Bradesco em São José do Cedro/SC e do SICREDI em Capanema/PR para: 1 Confirmar se alguns cheques selecionados de forma amostral foram pagos pelas instituições financeiras em dinheiro; 2 Informar se os valores foram utilizados para depósitos ou outros pagamentos; 3 Apresentar cópia da fita do caixa na parte em que consta a autenticação relativa ao pagamento dos cheques, e, no caso de os mesmos terem sido utilizados para depósitos ou outros pagamentos, apresentar cópia das autenticações respectivas com, no mínimo, três autenticações imediatamente anteriores e três autenticações imediatamente posteriores às operações relativas ao pagamento dos cheques acima relacionados. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10925.000972/200891 Resolução n.º 220200.264 S2C2T2 Fl. 3 3 O objetivo destas intimações era verificar se realmente a empresa estava utilizando, os recursos, provenientes dos saques efetuados para suprir o Caixa da empresa ou se tais recursos estavam sendo utilizados para outros fins ocultos dos registros contábeis. Como parte integrante do Auto de Infração, encontrase às fls.266 a 273, o Relatório da Atividade Fiscal, do qual a Interessada teve ciência e recebeu cópia (fl.273). Cientificada da exigência fiscal, a interessada apresentou junto à IRF de Dionísio Cerqueira/SC, sua impugnação (fls.327 a 350), que a seguir se resume: Do Auto de Infração que o Auto descreve os fatos motivo da lavratura como sendo, pagamentos a beneficiários não identificados, caracterizando omissão de receita, incidindo os impostos de lei, bem como o reajustamento da base de cálculo e multa qualificada; fato gerador corresponde aos períodos de jan/2003 a dez/2005; Preliminarmente / Do pagamento a beneficiário não identificado que evidente o equívoco da autoridade fazendária, eis que a mesma afirma ter identificado no auto de infração os beneficiários, senão vejamos: ",..Ao analisarmos estes cheques verificamos que vários deles foram emitidos nominalmente a diversas pessoas que não têm relação gerencial ou administrativa com a fiscalizada... " assim, é insofismável que foram identificados os beneficiários, razão pela qual é nulo de pleno direito o presente auto de infração; não bastasse isso, nas intimações efetuadas pela digna autoridade fazendária, nunca constou a finalidade de caracterizar omissão de receita, razão pela qual houve insurgências da contribuinte, através de petições que sequer foram respondidas, ocasionando vício formal no processo em tela; assim, se nulas as intimações efetuadas pela autoridade, nulo é o presente auto de infração; Da Decadência que segundo a CF/88, questões ligadas a decadência estão reguladas no CTN; no caso do lançamento, tomou ciência em 15/05/2008, quando já havia ocorrido a decadência e, portanto, extinto o crédito tributário (art.156, V. do CTN), nos termos do art.150, §4° do CTN, que transcreve a fl.330; nesse contexto, os fatos geradores ocorridos no ano de 2003 estão atingidos pela decadência tributária, uma vez que as autoridades administrativas a partir do mês seguinte à ocorrência de tais fatos geradores, poderiam ter conhecimento do autolançamento efetuado pelo contribuinte. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10925.000972/200891 Resolução n.º 220200.264 S2C2T2 Fl. 4 4 é no prazo de cinco anos, previsto no §4° do art.150 do CTN para homologação, que o Fisco deve promover a fiscalização, analisando o pagamento efetuado e entendendo que é insuficiente, fazer o lançamento de oficio através da lavratura de auto de infração, em vez de chancelálo pela homologação; com o decurso de prazo de cinco anos contados do fato gerador, pois ocorre a decadência do direito do Fisco de lançar eventual diferença; (cita e transcreve excerto de julgado do Conselho de Contribuintes, fls.331/333); Da Multa Qualificada o lançamento fiscal em apreço exige multa qualificada de 150% por omissão da declaração quanto aos valores constantes dos extratos de conta bancária, pois a Autoridade considerou que os créditos constantes seriam receitas sem custos; que há que haver provas convincentes por parte do Fisco que houve evidente intuito de fraude, ou aumento de patrimônio ou disponibilidade econômica, o que no caso do presente processo não ocorreu, nem há provas convincentes das causas de tais receitas teriam sido efetivamente apropriadas, pois há um saldo nas mencionadas contas bancárias; que houve isto sim, apenas transações resultantes num lucro ou prejuízo, sendo a parcela da renda efetiva obtida, destacado nas notas fiscais emitidas pela empresa (transcreve excerto de julgado do Conselho de Contribuintes, fls.334/337); é certo que a aplicação da multa de 150% deve ser devidamente fundamentada e comprovada, pois do contrário a mesma deve ser de pronto repelida; neste ponto, é notório que não cabe a aplicação da multa qualificada no importe de 150%, bem como a cobrança do imposto por não ficar demonstrado o aumento de patrimônio, visto que as movimentações bancárias mantida, em nenhum momento demonstram qualquer intenção do contribuinte em fraudar o fisco; Da Movimentação Bancária conforme se depreende do Relatório da Atividade Fiscal, quanto a este item temos que a sua motivação foi de apenas em não ter sido comprovada a movimentação bancária; que movimentos bancários ou contas bancárias, após a eliminação do sigilo bancário nas operações de fiscalização de tributos — vale dizer, o Fisco tem acesso a tais dados, no momento que lhe aprouver ou necessitar; deixou de ser elemento prestativo ao cometimento de fraude ou da existência de dolo, porquanto, como se disse acima, está sempre à disposição da fiscalização; de outra parte, com a instituição da CPMF, os dados da movimentação bancária dos contribuintes tornouse totalmente disponível à Fiscalização; portanto, não existe pressupostos lógicos para atribuirse fraude ou outro ilícito fiscal que leve à majoração da multa para 150% tendose por base a movimentação bancária; Fl. 431DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10925.000972/200891 Resolução n.º 220200.264 S2C2T2 Fl. 5 5 e se for considerado recolhimento a menor de tributos, como pretende a presente autuação fiscal, tal fato revelase falta simples e que não pode levar à exasperação da multa para a qualificadora de 150%; não houve também a comprovação de aumento de capital, pois somente movimentação bancária não quer dizer que houve receitas; que o Fisco presumiu a existência de fraude, então ocorreu a inversão do ônus da prova: quem tem de provar a existência da fraude é a fiscalização; a fiscalização fazendária houve por entender que todos os depósitos ou créditos do ora Impugnante, constantes das contas bancárias, constituemse em receitas, ou seja, receitas líquidas; não houve a comprovação de ter ocorrido renda consumida, e como já antes mencionado, apenas cingiuse a autuação fiscal considerando os créditos por depósitos bancários como receitas líquidas; neste entendimento fiscal, não existem custos ou despesas incorridas, ou lucro, ou também a ocorrência de prejuízos ou perdas, fatos normais; (transcreve excertos de julgados do Conselho de Contribuintes, fls.339/341); num primeiro momento, verificase que não há sinais exteriores de riqueza do Impugnante e isto o Fisco não comprovou ou, pelo menos, tentou investigar, já que dispõe de todo um aparato para atingir tal finalidade; não comprovou, ademais, o senhor Fiscal que dos referidos depósitos bancários tenha resultado DISPONIBILIDADE ECONÔMICA DE RENDA E PROVENTOS (CTN, art.43); nem renda consumida; em suma, o lançamento fiscal baseado nos depósitos bancários só é admissível QUANDO FICAR COMPROVADO O NEXO CAUSAL ENTRE OS DEPÔSITOS/CHEQUES EMITIDOS E O FATO QUE REPRESENTE OMISSÃO DE RENDIMENTO; (neste sentido transcreve duas ementas de julgados do Conselho de Contribuintes, fls.342/344); do exame da documentação dos autos, observase que a Receita Federal efetuou lançamento de oficio, constituindo crédito tributário de imposto de renda, por ocorrência de omissão de rendimentos provenientes de movimentação bancária, utilizando somente extratos de depósitos do contribuinte; justificou seu agir na presunção legal (inversão do ônus da prova) que teria surgido com a alteração promovida pela Lei 9.430/96 (art.42); transcreve súmula 182 do TRF (fl.400) e salienta que a jurisprudência do STJ continua observando tal súmula, mesmo depois da vigência da Lei 9.430/1996, considerando que não existe a presunção legal oposta pelo Fisco e, de igual forma, a matéria está pacificada nos Tribunais Regionais Federais (transcreve ementas de decisões judiciais, fls.344 a 347); conclui afirmando que é nulo o lançamento tributário baseado apenas em extratos bancários de depósitos bancários e que a existência de depósitos bancários não é fato gerador do imposto de renda e demais tributos reflexivos; Fl. 432DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10925.000972/200891 Resolução n.º 220200.264 S2C2T2 Fl. 6 6 Da não aplicabilidade da extinção do crédito tributário com base no artigo • 173, I, do CTN que pelo acima demonstrado, não cabe o deslocamento do prazo para constituição do crédito tributário para o preceituado no artigo 173, I do CTN, mas, sim, deve ser acatado o prazo decadencial de extinção do cr'edito tributário previsto no artigo 150, parágrafo 4° do CTN; Do não atendimento à legislação outro ponto a ser destacado é a ausência da finalidade da intimação art.26, § P, II, da Lei 9.784/99 (que transcreve a fl.348); que não pode ser considerado a não apresentação da documentação em desfavor do Impugnante, visto que a autoridade deixou de cumprir com o estabelecido na legislação; que deveria ser mencionado na intimação o motivo da requisição da documentação; assim não o sendo, não se pode atribuir qualquer tipo de culpa ao Impugnante, • se não revestidas das formalidades legais, a intimação é nula; dessa forma, requer a nulidade das intimações realizadas e, em consequência, de todo o processo administrativo; Da necessidade de perícia contábil a autoridade fazendária não cabe presumir a omissão de receita e sim provála, em face do princípio da verdade real que se sobrepõe à presuntio legis, nos termos do §2° do art.12 do DL1.598/77 (art.281 do RIR/99), ao estabelecer ao contribuinte a faculdade de demonstrar, inclusive em processo judicial, a improcedência da presunção de omissão de receita, considerada no auto de infração lavrado em face da irregularidade dos registros contábeis, indicando a existência de saldo credor em caixa; no caso em tela, a hipótese é de valoração da prova e não a sua análise engendrada pela autoridade fazendária; assim, requer seja efetuada perícia contábil junto ao caixa da contribuinte, antes do julgamento da presente impugnação e, nos termos do art.16, §4° do Decreto 70.235/72, a futura juntada de documentos. A DRJ Florianópolis julga o lançamento procedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003, 2004, 2005 Pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. A pessoa jurídica que efetuar pagamento á beneficiário não identificado ou não comprovar a operação ou a causa do pagamento efetuado ou recurso entregue a terceiros, contabilizados ou não, sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10925.000972/200891 Resolução n.º 220200.264 S2C2T2 Fl. 7 7 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004, 2005 Multa de Oficio Qualificada. Duplicação do Percentual da Multa de Oficio. Legitimidade. Constatado que na conduta da fiscalizada existem as condições previstas nos arts.71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, cabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei n° 9.430/96 (com a nova redação do artigo dada pela Medida Provisória n° 303, de 29/06/2006, DOU de 30/06/2006). Lançamento por homologação. Fraude. Decadência. Art.173 do CTN. IRRF. Nos casos em que comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial deslocase daquele previsto no art.150 para as regras estabelecidas no art.173 (ambos do CTN), onde ficou constatado que não ocorreu a decadência para qualquer fato gerador considerado no lançamento. Lançamento Procedente Insatisfeito, a contribuinte apresenta o recurso voluntário, onde reitera os argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10925.000972/200891 Resolução n.º 220200.264 S2C2T2 Fl. 8 8 VOTO Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Ante de apreciar o recurso cabe discutir se o referido processo estaria sujeito a sobrestamento. Após análise pormenorizada dos autos entendo que cabe aqui sobrestamento de julgado feito de ofício pelo relator, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ocorre que está em Repercussão Geral o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/200 (RE 601314) Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos artigos 5º, X, XII, XXXVI, LIV, LV; 145, § 1º; e 150, III, a, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial, bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. A constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais utilização de dados da CPMF e obtenção de informações junto às instituições através da RMF está sendo analisada pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramita em regime de repercussão geral, reconhecida em 22/10/09, conforme ementa abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL Fl. 435DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10925.000972/200891 Resolução n.º 220200.264 S2C2T2 Fl. 9 9 Conforme disposto no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256/09, devem ficar sobrestados os julgamentos dos recursos que versarem sobre matéria cuja repercussão geral tenha sido admitida pelo STF. O dispositivo há pouco referido vai ao encontro da segurança jurídica, da estabilidade e da eficiência, pois ao tempo em que assegura a coerência do ordenamento, confere utilidade à atividade judicante exercida no âmbito do CARF. Assim, reconhecida, pelo STF, a relevância constitucional de tema prejudicial à validade do procedimento utilizado na constituição do crédito tributário, deve ser sobrestado o julgamento do recurso no CARF. Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua consequência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as consequências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: D ESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura ? Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro D IAS T OFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA ? PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA ? SIGILO DADOS BANCÁRIOS ? FISCO ? AFASTAMENTO ? ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 ? SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, Fl. 436DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10925.000972/200891 Resolução n.º 220200.264 S2C2T2 Fl. 10 10 concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): "ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO ? UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS ? IMPOSTO DE RENDA ? QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO ? PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 ? APLICAÇÃO IMEDIATA ? RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN ? PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO ? RECURSO ESPECIAL PROVIDO." Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus Fl. 437DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10925.000972/200891 Resolução n.º 220200.264 S2C2T2 Fl. 11 11 parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal ?discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Sendo assim, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09, ratificado pelas decisões acima transcritas, que retratam o quadro descrito pela Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Nesses termos, voto para que seja sobrestado o presente recurso, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314, pelo STF. No caso concreto, foram emitidas RMF as fls.20, 24e 29, respectivamente, a Cooperativa de Crédito de Livre ADM Fronteira do Iguaçu, Bradesco e Banco do Brasil. De onde foram extraídos elementos colaboradores para a convicção da autoridade fiscal. Diante de todo o exposto, proponho o SOBRESTAMENTO do julgamento do presente Recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. Observandose que após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 438DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 11128.005807/2005-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 25/09/2001, 19/11/2001, 11/01/2002
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
O produto denominado AGNIQUE BL 3601, fabricado pela COGNIS da Alemanha, identificado por Laudo de Análise como sendo uma preparação na forma de solução constituída de Alcool Graxo Etoxilado e Solvente, uma preparação das indústrias químicas, não especificados nem compreendidos em outras posições, encontra correta classificação tarifária na NCM 3824.90.29
MULTA POR INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES.
Sendo o produto importado de licenciamento automático, estando perfeitamente descrito na Declaração de Importação e não tendo sido identificado intuito doloso ou de má-fé por parte do importador, incabível a penalidade por infração ao controle administrativo das importações.
MULTA DE OFÍCIO. RECOLHIMENTO A MENOR DOS TRIBUTOS ADUANEIROS. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CORRETA DESCRIÇÃO DO PRODUTO. AFASTAMENTO. INAPLICABILIDADE.
A falta ou o recolhimento a menor dos tributos aduaneiros em virtude de classificação tarifária errônea do produto na NCM, constitui infração punível com a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, por configurar típica infração tributária prevista em lei.
Numero da decisão: 3101-001.689
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir a multa por infração ao controle administrativo da importação (multa por importação desamparada por guia de importação). Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Elias Fernandes Eufrásio e Luiz Roberto Domingo (Relator), que davam provimento parcial para excluir também a multa de ofício. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes.
Rodrigo Mineiro Fernandes Presidente em exercício e redator designado
Luiz Roberto Domingo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri (Suplente), Valdete Aparecida Marinheiro, Amauri Amora Câmara Junior (Suplente), Elias Fernandes Eufrásio (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 25/09/2001, 19/11/2001, 11/01/2002 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. O produto denominado AGNIQUE BL 3601, fabricado pela COGNIS da Alemanha, identificado por Laudo de Análise como sendo uma preparação na forma de solução constituída de Alcool Graxo Etoxilado e Solvente, uma preparação das indústrias químicas, não especificados nem compreendidos em outras posições, encontra correta classificação tarifária na NCM 3824.90.29 MULTA POR INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. Sendo o produto importado de licenciamento automático, estando perfeitamente descrito na Declaração de Importação e não tendo sido identificado intuito doloso ou de máfé por parte do importador, incabível a penalidade por infração ao controle administrativo das importações. MULTA DE OFÍCIO. RECOLHIMENTO A MENOR DOS TRIBUTOS ADUANEIROS. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CORRETA DESCRIÇÃO DO PRODUTO. AFASTAMENTO. INAPLICABILIDADE. A falta ou o recolhimento a menor dos tributos aduaneiros em virtude de classificação tarifária errônea do produto na NCM, constitui infração punível com a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, por configurar típica infração tributária prevista em lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir a multa por infração ao controle administrativo da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 58 07 /2 00 5- 31 Fl. 345DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/09 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO 2 importação (multa por importação desamparada por guia de importação). Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Elias Fernandes Eufrásio e Luiz Roberto Domingo (Relator), que davam provimento parcial para excluir também a multa de ofício. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. Rodrigo Mineiro Fernandes – Presidente em exercício e redator designado Luiz Roberto Domingo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri (Suplente), Valdete Aparecida Marinheiro, Amauri Amora Câmara Junior (Suplente), Elias Fernandes Eufrásio (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 183/224) interposto contra a decisão da DRJSão Paulo/SP (fls. 163/175) que julgou procedente o lançamento do crédito referente ao recolhimento a menor do Imposto de Importação, pois, a substância importada por meio das DI´s nº01/09444706 (fls.18/25), 01/11218025 (fls. 32/36) e 02/0029356 (fls. 49/56) foi classificada na posição 3823.70.90, sobre a qual incidiu a alíquota de 4,5% para as DI´s registradas em 2001 e de 3,5% para a DI registrada em 2002, tendo sido também constituído o crédito referente à ausência de recolhimento do IPI, pois, sobre as importações realizadas incidiu uma alíquota de 0%, na medida em que, segundo o entendimento Fiscal, a substancia é corretamente classificada na posição 3824.90.29, sobre a qual incide as alíquotas de 16,5%, 15,% (para o Imposto de Importação, respectivamente) e 10% para o Imposto sobre Produtos Industrializados, o crédito em tela também é composto pelos valores referentes à multa pela importação desamparada da respectiva guia ou documento equivalente (Decreto 91.030/85 – art. 526, II), multa pela classificação incorreta da mercadoria (art. 84, I da MP 2.158/01), além da multa do art. 44, I da Lei 9.430/96 pelo recolhimento insuficiente dos tributos em tela. Por meio das DI´s acima, a Recorrente declarou a importação de Agnique BL 3601 – outros alcoóis graxos industriais no estado líquido para uso industrial, e a classificou na posição 3823.70.90. As DI´s nº 01/09444706 e 02/00293596, registradas em 25/09/2001 e 18/01/2002, respectivamente, foram selecionadas para canal vermelho de parametrização de conferência aduaneira, o que motivou a colheita de amostra para exame laboratorial, realizado pelo LABANA, conforme laudos de fls. 27/28 e 44/45. Já a DI nº 02/0029356 foi selecionada para o canal amarelo, oportunidade em que também teve amostras retiradas e analisadas pelo LABANA, segundo laudo de fls. 58/59. Com base nestes dados, a fiscalização adotou a conclusão dos referidos laudos que, nos três casos, identificou a mercadoria como sendo: Fl. 346DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/09 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 11128.005807/200531 Acórdão n.º 3101001.689 S3C1T1 Fl. 346 3 Preparação na forma de solução constituída de Álcool graxo etoxilado e solvente, uma preparação contendo derivado de alcoóis graxos (gordos) industriais, uma preparação diversa das indústrias químicas, não especificada e nem compreendida em outras posições. Valendose desta descrição, a Fiscalização classificou a mercadoria no código 3824.90.29, constituindo o crédito referente ao Imposto de Importação e ao Imposto sobre Produtos Industrializados, que tiveram a incidência de alíquotas inferiores ao que se aplica às mercadorias com base nesta nova classificação, aplicando as multas já mencionadas. Inconformada com a autuação, a Recorrente interpôs sua Impugnação, fundamentando no mérito, sucintamente, que a mercadoria está corretamente descrita, pois se trata de Álcool Graxo no estado líquido para uso industrial e não de uma Preparação contendo Alcoóis graxos e solvente, como atestou o Labana e, por conta disso, a classificação adotada nas DI´s está correta. Contudo, a DRJSão Paulo/SP negou provimento à Impugnação da Recorrente, conforme podemos observar nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 25/09/2001, 19/11/2001, 11/01/2002 Classificação fiscal do produto AGNIQUE EL 3601 O produto denominado AGNIQUE BL 3601, fabricado pela COGNIS da Alemanha, identificado por Laudo de Análise como sendo uma preparação na forma de solução constituída de Álcool Graxo Etoxilado e Solvente, uma preparação das indústrias químicas, não especificados nem compreendidos em outras posições, encontra correta classificação tarifária na NCM 3824.90.29. Lançamento Procedente Intimada da decisão em 12/03/2009 (fls. 178verso), a Recorrente manejou seu Recurso Voluntário, protocolizandoo em 13/04/2009, sob os fundamentos a seguir expostos: 1) Preliminarmente aduz cerceamento de defesa pois, na ocasião da elaboração dos laudos periciais pelo LABANA (fls. 27/28; 44/45 e 58/59) não teve a oportunidade de formular seus quesitos, vendose, assim, prejudicada pelos resultados obtidos. Neste sentido ainda argumenta que, com base no art. 7º, III do nº 70.235/72, o procedimento fiscal tem início com o começo do despacho aduaneiro da mercadoria importada, de modo que se torna uma necessidade a sua participação, desde este momento, durante todo o procedimento, por observância estrita ao princípio do contraditório e ao princípio da ampla defesa; 2) Também em sede de preliminares argumenta que o princípio da isonomia foi desrespeitado, apresentando como fundamento jurídico de seu posicionamento o disposto pelo inciso II do art. 150 e o §2º do art. 173, ambos da Constituição Federal; 3) Aduz também tratarse de cerceamento de defesa o indeferimento de seu pedido de produção de prova pericial, voltando a tocar no tema de sua não participação com quesitos na produção da perícia realizada pelo Labana, que fundamentou a autuação, pois, Fl. 347DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/09 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO 4 tratandose de processo administrativo, tem o direito de contraditar e apresentar suas questões em observância do princípio do contraditório; 4) No mérito argumenta que a substância Agnique BL3601 não é uma preparação, mas sim um álcool graxo no estado líquido para uso industrial de modo que a classificação adotada pela fiscalização (3824.90.29) sucumbe diante da adotada pela Recorrente (3823.70.90); 5) É indevida a multa prevista pelo art. 84, I da MP 2.158/01, pois a mercadoria em tela foi corretamente classificada segundo a codificação do Sistema Harmonizada, além de argumentar que o parecer COSIT nº 477/88 exarou que, em classificação incorreta de mercadorias, pois não se trata de fato tipificado como infração, não sendo possível falar em penalidades;. 6) Indevida também a multa do art. 44, I da Lei 9.430/96, dada a impossibilidade de aplicação de penalidades nos casos de incorreta classificação de mercadorias (redação do parecer COSIT nº 477/88 e Ato Declaratório Normativo Cosit 29/80); 7) Inaplicável a multa do art. 526, II do Decreto nº 91.030/85, posto tratarse de mercadoria que, estando classificada segundo o entendimento da Recorrente ou segundo o entendimento da Fiscalização, a licença de importação é automática pelo SISCOMEX, não havendo que se falar em falta de licença de importação; 8) Finalmente, aduz ser ilegal a atualização monetária com base na SELIC; 9) Quanto às provas, repete o que já disse em sua Impugnação, ou seja, que os argumentos e provas produzidas nos autos já são suficientes para o indeferimento da pretensão fiscal, porém, caso persista alguma dúvida, por parte do órgão julgador, requer a produção de provas, indicando o INT/RJ para realização da perícia, além de nomear assistente técnico e formula quesitos. Como se apreende da leitura dos autos, a discussão está centrada na divergência de posicionamento entre a Fiscalização e a Recorrente, de modo que a primeira classifica a substância importada no código 3824.90.29 da TEC, enquanto que a segunda defende tratarse da posição 3823.70.90. Submetido à apreciação desta Turma, este julgador se pronunciou nos seguintes termos: O fundamento dessa divergência está na diferença de entendimento quanto às características intrínsecas da substância, de modo que a Recorrente, ao declarar tratarse de outros alcoóis graxos industriais no estado líquido para uso industrial, classificou a substância na codificação referida (3823.70.90), pertinente aos: 3823 – ÁCIDOS GRAXOS (GORDOS*) MONOCARBOXÍLICOS INDUSTRIAIS; ÓLEOS ÁCIDOS DE REFINAÇÃO; ÁLOÓIS GRAXOS (GORDOS*) INDUSTRIAIS. 3823.70 – ALCOÓIS GRAXOS INDUSTRIAIS. 3823.70.90 OUTROS Já a Fiscalização, com base nas descrições trazidas pelos laudos do Labana, em virtude dos exames periciais realizados sobre cada uma das importações, representadas pelas três DI´s acima mencionadas, entendeu tratarse de: Fl. 348DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/09 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 11128.005807/200531 Acórdão n.º 3101001.689 S3C1T1 Fl. 347 5 Tratase de Preparação na forma de Solução constituída de Álcool Gravo Etoxilado e Solvente, uma Preparação contendo Derivado de Alcoóis Graxos (Gordos) Industrial, uma Preparação Diversa das Indústrias Químicas, não especificada e nem compreendida em outras posições. [...] De acordo com Literatura Técnica (cópia anexa), mercadorias de nome comercial AGNIQUE DL são utilizadas como emulsificante em formulações contendo Óleo Mineral e Vegetal, Ésteres Metílicos, Solventes derivado de Petróleo. etc. E, com esta descrição da substância, classificoua conforme já mencionado (3824.90.29), codificação referente a: 3824 – AGLUTINANTES PREPARADOS PARA MOLDES OU PARA NÚCLEOS DE FUNDIÇÃO; PRODUTOS QUÍMICOS E PREPARAÇÕES DAS INDÚSTRIAS QUÍMICAS OU DAS INDÚSTRIAS CONEXAS (INCLUÍDOS OS CONSTITUÍDOS POR MISTURAS DE PRODUTOS NATURAIS), NÃO ESPECIFICADOS NEM COMPREENDIDOS EM OUTRAS POSIÇÕES 3824.90 – OUTROS 3924.90.29 – outros Em que pesem as brilhantes argumentações aduzidas pelas partes, contudo, ao mesmo tempo em que os laudos do Labana informam tratarse de solução constituída de Álcool Graxo e solvente, ou seja, indica a presença de álcool graxo, também aduz tratarse de uma preparação diversa das indústrias químicas, restando, portanto a dúvida acerca das alterações trazidas à substância com a adição do solvente, ou seja, se esta dissolução é capaz de desclassificar o produto como álcool graxo para uso industrial, segundo a literatura técnica. Como se observa, portanto, os laudos periciais juntados aos autos não descartam a possibilidade de se tratar de um álcool graxo, bem como não descartam o fato de se tratar de uma preparação diversa das indústrias químicas, sendo impossível descartar as classificações em litígio. Uma outra questão que se faz obscura é o fato de os laudos serem unânimes em afirmar que a substância analisada tem a função emulsificante, a qual não é relatada como função típica das substâncias da posição 3824, que são aglutinantes. Diante dessa análise, o julgamento foi convertido em diligência pela Resolução nº 310100101, de 24 de maio de 2010, para obter junto ao INT – Instituto Nacional de Tecnologia – laudo técnico em resposta os quesitos abaixo formulados: 1 – Qual a diferença entre uma substância aglutinante e uma substância emulsificante? O que é uma emulsão? 2 – Qual a relação da emulsão com os sabões? Os Sabões são substâncias emulsificantes? 3 – Apenas os sabões podem ser substâncias emulsificantes? Se negativa a resposta, dar exemplos. 4 – Alcoóis graxos podem exercer a função aglutinantes preparados para moldes ou para núcleos de fundição? Se positiva a resposta, o Álcool Graxo Etoxilado, também Fl. 349DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/09 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO 6 pode exercer esta função aglutinante? Ele exerce alguma outra função além dessa? Exemplificar. 5 – A adição de solvente à substância, na proporção e forma relatadas pelos laudos do Labana, é capaz de desclassificála como álcool graxo industrial, segundo a literatura técnica? 6 – O produto "AGINIQUE BL 3601", na forma como importado, encontra se acondicionado para a venda a retalho (para pronto uso nas indústrias) ? 7 – O produto "AGNIQUE BL 3601", na forma como se apresenta quando importado, é uso imediato na indústria, ou vai ser ainda manuseado industrialmente para obter se um produto fina!? 8 – 0 Solvente encontrado . na composição química do produto importado (AGNIQUE BL 3601), é decorrente do processo de síntese do aludido produto, ou foi deliberadamente deixado para tornálo apto para uso especifico em detrimento de sua aplicação geral ? 9 – Em face da Literatura Técnica; do ponto de vista científico/químico, qual a, diferença entre uma REAÇÃO OU MISTURA DE SÍNTESE NA FORMA DE SOLUÇÃO • CONSTITUÍDA DE ÁLCOOL GRAXO ETOXILADO E SOLVENTE" E UMA PREPARAÇÃO QUÍMICA CONTENDO DERIVADOS DE ÁLCOOIS GRAXOSGORDOS INDUSTRIAIS? 10 – O produto importado "AGNIQUE EL 3601", pode ser considerado uma Mistura de Síntese ou Mistura de Reação NA FORMA DE SOLUÇÃO CONSTITUÍDA DE ÁLCOOL GRAXO ETOXILADO E SOLVENTE ? Em caso negativo, explicar/justificar, inclusive com citação de referências bibliográficas. Oficiado, o referido órgão respondeu que “o laboratório do INT informa que não poderá atender a esta solicitação, uma vez que para responder os quesitos, é preciso uma caracterização mais completa do produto com relação a sua composição e não dispomos da técnica HPLC – massas, indicada na leitura operacional. Intimado, a Recorrente aduz que a impossibilidade de identificação do produto opera em favor do contribuinte devendo ser julgada improcedente a exigência. Submetido a apreciação da Turma, dada a impossibilidade de o instituto indicado realizar a avaliação solicitada, o julgamento foi, novamente, convertido em diligência “à repartição de origem para que providencie junto ao Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista – UNES, Campos Araraquara a elaboração de laudo técnico para resposta dos quesitos formulados na Resolução nº 310100101, e, na impossibilidade, oficiese o Laboratório Nacional de Análises para responder aos quesitos”. Foi juntado aos autos Parecer Técnico 003/2014, elaborado pelo Centro Tecnológico de Controle de Qualidade Falcão Bauer – Laboratório de Análises que prestou informações e respondeu aos quesitos formulados. Intimada, a Recorrente manifestase impugnando o Parecer Técnico emitido pelo Labana/8ª RF, vez que não houve nova análise do produto importado, com base na contra prova que deveria estar de posse do LABANA/8ª RF. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/09 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 11128.005807/200531 Acórdão n.º 3101001.689 S3C1T1 Fl. 348 7 Diante da impossibilidade de realização de nova análise do produto importado, com base na contraprova do aludido produto, requer o julgamento favorável à Recorrente com base nos artigos 108, inciso III, e 112 do CTN, indicando como paradigmas os Acórdãos nºs 30127.261, 30127.788, 30126.615 e 30126.774. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Luiz Roberto Domingo Conheço do recurso por atender aos requisitos de admissibilidade. A questão objeto da lide está centrada na definição da classificação fiscal do produto descrito "AGNIQUE BL 3601” – outros alcoóis graxos industriais, no estado líquido, para uso industrial”, que o contribuinte classificou na posição 3823.70.90 e o Fisco, com base nos laudos periciais , ao entende que se trata de “preparação na forma de solução constituída de álcool graxo etoxilado e solvente, uma preparação contendo derivado de álcoois graxos (gordos) industriais, uma preparação diversa das indústrias químicas, não especificada e nem compreendida em outras posições", classificada na posição 3824.90.29. Quanto às preliminares entendo que os laudos não são nulos por conta dos quesitos formulados, ou pelo fato de o Labana ter consignado a classificação fiscal do produto. É entendimento corrente de que, apesar de o técnico que elabora o laudo não ser competente para realizar a classificação fiscal das mercadorias, o fato de consignála não torna o conteúdo do laudo impróprio para que o julgador considere apenas os elementos que caracterizam a mercadoria submetida à análise de classificação fiscal. Inobstante, a parte não está impedida de apresentar laudo que desconstitua os elementos técnicos trazidos pelo Labana. o que é plenamente favorecido pelo direito à ampla defesa e ao contraditório que se inaugura pela impugnação. Ademais, cabe a apreciação da alegação da Recorrente acerca da necessidade de realização de nova perícia com base na contraprova e que a não realização importaria de julgamento favorável à classificação fiscal adotada pela Recorrente. Entendo ser incabível a repercussão requerida, uma vez que em relação ao laudo de fls. 61/62 não se demonstraram qualquer vício. A dúvida levantada em relação às características intrínsecas do produtos e os termos do laudo não são elementos suficientes para produção da contraprova. Aliás, a Recorrente não trouxe qualquer elemento de fato que pudesse por em dúvida o laudo exordial, nem mesmo um laudo que pudesse subsidiar sua tese. Quanto ao mérito, cumpre esclarecer que o fato de a nota 1, alínea “a”, item 2, do Capítulo 38, estabelecer que os produtos de constituição química definida, apresentados isoladamente, apresentados em embalagens para venda a retalho não estar compreendidos no Capítulo 38, não se aplica ao produto sob análise porque não se trata de produto de constituição química definida, por ser uma preparação, como se verificará adiante. Senão Vejamos. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/09 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO 8 Quanto ao resultado da diligência, entendo ter sido esclarecedora a manifestação da Labana ao informar que “de acordo com informações encontradas em Literaturas Técnicas,mercadorias com a denominação “AGNIQUE BLEND” referemse à mistura/combinações de surfactantes indicados como emulsificantes para formulações industriais.” “Na Ficha de Informações de Segurança do Produto (FISP) “AGNIQUE BL 3601” referese a mistura de álcoois graxos e tensoativos não iônicos (alcoóis graxos etoxilados). Na resposta aos quesitos o Parecer Técnico explica: 1 – Qual a diferença entre uma substância aglutinante e uma substância emulsificante? O que é uma emulsão? Emulsificantes ou Emulsionantes são substâncias que tornam possível a formação ou manutenção de uma mistura uniforme de duas ou mais fases imiscíveis, são substâncias adicionadas às emulsões para aumentar a sua estabilidade, tornandoas razoavelmente estáveis e homogêneas. Emulsões são sistemas dispersos constituídos de duas fases líquidas imiscíveis (oleosa e aquosa), onde a fase dispersa ou interna é finamente dividida e atribuída em outra fase continua externa. A estabilidade da emulsão é garantida com o uso de agentes emulsificantes, geralmente substâncias tensoativas. As emulsões podem ser pastosas ou líquidas. 2 – Qual a relação da emulsão com os sabões? Os Sabões são substâncias emulsificantes? O sabão geralmente é o resultado da reação química entre uma base forte (geralmente hidróxido do sódio ou hidróxido de potássio) e algum Acido graxo, numa reação chamada saponifição. Os ácidos graxos normalmente usados são o oléico, o esteárico e o palmítico, encontrados sob a forma do triacilgliceróis. Na reação de saponificação o hidróxido de sódio ou hidróxido de potássio ataca os triacilgliceróis. deslocando o glicerol e formando sais sádicos ou potássicos, que recebem o nome de sabões. Como eles possuem uma parte organica (longa cadeia carbônica. hidrofóbica) e uma parte inorgânica (ion proveniente da base, hidrofílico), eles dissolvem a gordura e são solúveis em água. A parte orgânica se lida à gordura, enquanto a parte inorgânica se liga a água, por ser polar. A capacidade de limpeza dos sabões e detergentes depende da sua capacidade de formar emulsões com materiais solúveis nas gorduras. Na emulsão as moléculas de sabão ou detergente envolvem a "sujeira" de modo a colocála em urna micela. Os sabões são agentes emulsificantes, pois tendem a tornar as emulsões mais estáveis e homogéneas. 3 – Apenas os sabões podem ser substâncias emulsificantes? Se negativa a resposta, dar exemplos. Não, alguns importantes agentes emulsificantes são os sabões, detergentes, goma arábica, saponinas. Obus sulfonados, lecitinas, proteínas, entre outros. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/09 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 11128.005807/200531 Acórdão n.º 3101001.689 S3C1T1 Fl. 349 9 4 – Alcoóis graxos podem exercer a função aglutinantes preparados para moldes ou para núcleos de fundição? Se positiva a resposta, o Álcool Graxo Etoxilado, também pode exercer esta função aglutinante? Ele exerce alguma outra função além dessa? Exemplificar. Não, os alcoóis graxos não possuem função de aglutinante para núcleos de fundição. Moldes ou núcleo para fundição são preparações que, misturadas com areias de moldação à base de produtos resinosos naturais (por exemplo,colofônia) óleo de linhaça, rnucilagens vegetais, dextrina, melaço ou de polímeros. que dãolhes uma consistência apropriada para serem utilizadas e para facilitar a remoção da areia após a peça for sido moldada. Devido à sua natureza anfipática, álcoois graxos comportamse como surfactantes não iônicos. Eles encontram uso como emulsiticantes, emolientes e espessantes em cosméticos e indústria alimentícia. Álcoois graxos são componentes comuns de ceras, principalmente corno ésteres com ácidos graxos mas também como os próprios álcoois. 5 – A adição de solvente à substância, na proporção e forma relatadas pelos laudos do Labana, é capaz de desclassificála como álcool graxo industrial, segundo a literatura técnica? Sim, a adição de solventes a um Álcool Graxo Industrial ou em misturas de Álcoois Graxos Industriais merceologicamente tornam o produto um Preparação. Para ser considerado merceologicamente. um Álcool Graxo Industrial, a mercadoria deverá ser constituída apenas de mistura de Álcoois Graxos Industriais. No caso da mercadoria em epígrafe, conforme corista na literatura Técnica alem do Alcool Graxo Industrial contém na sua composição a presença de Tensoativos Não Iônicos, caracterizandoa como urna preparação. 6 – O produto "AGINIQUE BL 3601", na forma como importado, encontra se acondicionado para a venda a retalho (para pronto uso nas indústrias) ? Não. Apesar da mercadoria não estar acondicionada para venda a retalho, não a descaracteriza de urna preparação. 7 – O produto "AGNIQUE BL 3601", na forma como se apresenta quando importado, é uso imediato na indústria, ou vai ser ainda manuseado industrialmente para obter se um produto fina!? De acordo com informações constantes nas Literaturas Técnicas encontradas (copias anexas) e nas Literaturas que fazem parte integrante deste processo, e considerandose os Resultados das Analises constantes nos Laudos LABANA, parte integrante deste processo, a mercadoria "AGNIQUE BL 3601" referese a uma preparação pronta para ser utilizada como emulsiticante de uso Fl. 353DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/09 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO 10 industrial, o que será apenas acondicionada em embalagens para venda a retalho, para ser comercializada. 8 – 0 Solvente encontrado . na composição química do produto importado (AGNIQUE BL 3601), é decorrente do processo de síntese do aludido produto, ou foi deliberadamente deixado para tornálo apto para uso especifico em detrimento de sua aplicação geral ? Não dispomos de informações do método sobre o fabricação da mercadoria, no entanto alem do solvente (aproximadamente 20%) informado nos Resultados das Análises, constantes rios Laudos LABANA, as informações constantes nas literaturas técnicas não deixam dúvidas do quo a mercadoria é uma preparação a base de Mistura de Álcoois Graxos e Tensoativos NÃO Iônicos. 9 – Em face da Literatura Técnica; do ponto de vista científico/químico, qual a, diferença entre uma REAÇÃO OU MISTURA DE SÍNTESE NA FORMA DE SOLUÇÃO • CONSTITUÍDA DE ÁLCOOL GRAXO ETOXILADO E SOLVENTE" E UMA PREPARAÇÃO QUÍMICA CONTENDO DERIVADOS DE ÁLCOOIS GRAXOSGORDOS INDUSTRIAIS? Antes de abordar o mérito da questão, seguem considerações. Uma reação química de síntese é uma transformação da matéria na qual ocorrem mudanças qualitativas na composição química de urna ou mais substancias reagentes, resultando em um ou mais produtos. Envolve mudanças relacionadas à mudança nas conectividades entre os átomos ou ions, na geometria das moléculas das espécies reagentes ou ainda na interconversão entra dois tipos de isômeros. Como exemplo o Alcoois Graxos Etoxilados, resultado da reação química entre álcoois graxos com oxido de eteno (EO), utilizando catalisador básico (NaOH. KOH). Preparação química é a relação quantitativa de compostos a fim de formação de um produto a ser utilizada diretamente pelo usuário final. Nesta preparação os componentes adicionados não fazem interações entre si, não alteram sua estrutura molecular a geometria, os componente adicionados continuam com as mesmas características físicoquímicas do produto em relação ao composto isolado. Como exemplo um medicamento é uma preparação química já que é uma relação quantitativa de vários componentes, principio ativo e excipientes para se dar forma farmacêutica a ser utilizada pelo usuário final. Visto as considerações acima, segue resposta ao quesito apresentado. Do ponto de vista técnico cientifico a diferença entra reação química ou mistura de síntese na forma de solução constituída de álcoois graxo etoxilado e solvente e uma preparação química contendo derivado de alcoóis graxosgordos industrias é que a reação química ou mistura de síntese são compostos adicionados para que ocorra interação entre si, a fim de formar um novo componente, e na preparação química os compostos são adicionados quantitativamente não apresentando interações Fl. 354DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/09 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 11128.005807/200531 Acórdão n.º 3101001.689 S3C1T1 Fl. 350 11 entre si, mantendose as características físico químicas de cada componente adicionado na preparação química. 10 – O produto importado "AGNIQUE EL 3601", pode ser considerado uma Mistura de Síntese ou Mistura de Reação NA FORMA DE SOLUÇÃO CONSTITUÍDA DE ÁLCOOL GRAXO ETOXILADO E SOLVENTE ? Em caso negativo, explicar/justificar, inclusive com citação de referências bibliográficas. Não. De acordo com informações encontradas em Literaturas Técnicas mercadorias com a denominação "AGNIQUE BLEND" referemse à mistura combinações de surfactantes indicados como emulsificanles pana formulações industriais. Na ficha de Informação de Segurança do Produto (FISP) "AGNIQUE BL 3601" referese a mistura de alcoóis graxos e tensoativos não tônicos (álcoois graxos etoxilados). Entendo terem sido esclarecidas as aparentes contradições suscitada na Resolução nº 310100101, de 24/05/2010, uma vez que o produto não é um aglutinante preparado para moldes ou para núcleos de fundição, mas “preparação da indústria química, constituído por mistura, não especificado em outras posições”. O laudo é certeiro ao firmar que o produto AGNIQUE BL 3601 é “uma preparação pronta para ser utilizada como emulsiticante de uso industrial, o que será apenas acondicionada em embalagens para venda a retalho, para ser comercializada”, o que está confirmado na Ficha de “mistura de álcoois graxos e tensoativos não iônicos (alcoóis graxos etoxilados)”, classificandose na posição 3824.90.29. De modo que, não se aplica a função aglutinante, conforme imaginei, mas a preparação/mistura consideradas de forma genérica, ou seja, não especificadas em outras posições. Improcede, portanto, os argumentos da Recorrente que buscam a classificação do produto na posição 3823.70.90, uma vez que esta não se coaduna com a a descrição da posição. Quanto às penalidades, afasto a multa por infração ao controle administrativo das importações, por importação desamparar de guia de importação ou documento equivalente, uma vez que a mercadoria não está submetida ao licenciamento, sendo este automático. Desta forma, não se poderia exigir guia de importação ou licença, o que impede a aplicação da penalidade por infração ao controle administrativo da importação. É de notarse que a mercadoria foi corretamente descrita, uma vez que a Recorrente indicou o nome comercial da mercadoria que, por se tratar de produto químico está plenamente descrita e lastreada em literatura técnica internacionalmente conhecida e referenciada. Assim, havia à disposição da fiscalização todos os elementos necessários ao pleno conhecimento da mercadoria com o fim de promover a classificação fiscal. Assim, sendo o caso de classificação fiscal incorreta, no qual o produto foi corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado e comprovada a inexistência de dolo ou máfé do declarante, entendo aplicável o Ato Declaratório Normativo nº 10/2007, vigente à época dos fatos: Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Fl. 355DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/09 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO 12 Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração punível com as multas previstas no art. 4° da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho aduaneiro, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a classificação tarifária errônea ou a indicação indevida de destaque (ex), desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. Diante do exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para excluir a multa proporcional (75%) em decorrência dos Atos Declaratórios COSIT nºs 10/97 e a multa por infração ao controle administrativo das importações por inaplicável ao presente caso. Luiz Roberto Domingo – Relator Voto Vencedor Rodrigo Mineiro Fernandes – redator designado Fui designado para redigir o voto vencedor acerca das penalidades afastadas pelo i. Relator, que divergiu da decisão deste colegiado que entendeu pelo afastamento apenas da multa por infração ao controle administrativo da importação (multa por importação desamparada por guia de importação ou documento equivalente), uma vez que a mercadoria estava submetida ao licenciamento automático. Estando a mercadoria submetida ao licenciamento automático e corretamente descrita, com a indicação de seu nome comercial, lastreado em literatura técnica internacionalmente conhecida e referenciada, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado atendidos, correto o afastamento da multa por infração ao controle administrativo da importação. Tratase de penalidade exclusivamente aduaneira, sujeita ao regime jurídico aduaneiro. Uma vez constatado que a ação do sujeito passivo (erro na classificação fiscal) não causou violação ao controle aduaneiro, correto o afastamento da penalidade aplicada. Entretanto, divergimos do i.Relator acerca do afastamento da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/1996, sanção de natureza estritamente tributária, sujeita ao regime jurídico tributário. Conforme determinado pelo referido dispositivo legal, nos casos de lançamento de ofício, será aplicada a multa de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento do tributo devido. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/09 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 11128.005807/200531 Acórdão n.º 3101001.689 S3C1T1 Fl. 351 13 É incontroverso que o erro de classificação fiscal gerou recolhimento a menor dos tributos aduaneiros, que foram objeto do lançamento em questão. Pelo enquadramento da conduta do sujeito passivo no tipo infracional previsto no art. 44 da lei nº 9.430/1996 (falta de pagamento ou recolhimento do tributo devido), foi lançada a multa de ofício de 75%. Restanos saber se a edição de um ato normativo (Ato Declaratório Normativo nº 10/2007) contrário à lei, poderia excluir a imposição de uma penalidade regulamente prevista em lei. De acordo com o art. 146 da Constituição Federal, cabe à lei complementar (CTN) estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária sobre o crédito tributário. A penalidade lançada (multa de ofício), faz parte do crédito tributário, e sua regulação deve obedecer ao título III do CTN. Regulamente lançado, o crédito tributário somente seria extinto pelas modalidades previstas no art. 156 do CTN. Já a exclusão do crédito tributário se dá através da isenção e da anistia. Em ambos os casos, a exclusão deve ser prevista em lei, não em ato normativo infralegal. Também o art. 100 do CTN não socorre a tese de afastamento da penalidade tributária aplicada, por referirse aos atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas como normas complementares das leis, não como normas contrárias às leis. O que o Ato Declaratório Normativo nº 10/2007 tentou fazer é considerar um fato definido por lei como infracional (falta de pagamento ou recolhimento do tributo devido) como não infracional, sem a competência para tanto. Não pode um ato normativo revogar uma lei! Portanto, não poderia um ato normativo (ADN 10/97) excluir a imposição de penalidade tributária prevista em lei (Lei nº 9.430), nem definir que determinado ato não constitui infração punível com multa prevista em lei, pela ausência de competência da autoridade que o editou, sendo matéria exclusivamente legal. Desta forma, uma vez constatado que a ação do sujeito passivo (falta de pagamento ou recolhimento do tributo devido), causou violação ao bem jurídico tutelado pelo regime jurídico tributário (arrecadação), correta a imposição da penalidade (multa de ofício de 75%). Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir apenas a multa por infração ao controle administrativo da importação (multa por importação desamparada por guia de importação). Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 357DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/09 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO
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Numero do processo: 15521.000379/2008-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2401-000.402
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 21 .0 00 37 9/ 20 08 -1 0 Fl. 343DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15521.000379/200810 Resolução nº 2401000.402 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob os n. 37.179.9791, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas na qualidade de empregados (12/2002 a 10/2007) e contribuintes individuais (06/2006 a 10/2007). Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 72 e seguintes encontrase descrito no estatuto que a entidade tem por objeto o desenvolvimento de atividades beneficentes e de assistência social, auto enquadrandose, em relação ao FPAS no código 639, como se constata nas GFIP de todo o período de apuração do débito objeto deste AI. Ocorre que o código FPAS 639 é próprio de Entidade Beneficente de Assistência Social ISENTA, qualidade que o contribuinte não tinha, pois apesar de possuir Titulo de Utilidade Pública Federal que é concedido pelo Ministério da Justiça, ser portadora do Registro e Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social não havia requerido isenção ao Instituto Nacional do Seguro Social ou Secretaria da Receita Federal do Brasil, não satisfazendo portanto, todos os requisitos previstos no Art. 55 da Lei 8.212 de 24/07/1991. O lançamento do débito, correspondente ao período fiscalizado nos meses de 12/2002 a 10/2007, teve como Fato Gerador as remunerações pagas aos segurados empregados em todo o período em tela, e a contribuinte individual no período de 06/2006 a 10/2007, e foi apurado com base no valor das remunerações constantes das respectivas folhas de pagamento, anexadas por amostragem, (docs. fls. 188 a 199 e 202 a 249) e declaradas nas correspondentes GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações Previdenciárias, (documentos de fls. n.o 77 a 187) , constituindo os principais elementos de prova. Na apuração deste débito não se cogitou as DEDUÇÕES de Salário Família e Salário Maternidade constantes das Folhas de Pagamento e declaradas em GFIP, porque o contribuinte efetuou estas deduções quando do recolhimento das Contribuições dos Segurados Empregados por ele retidas, devidamente demonstradas no Levantamento "PNA", discriminadas nos Relatórios de Lançamentos e Diferenças Apuradas, (docs. fls. 252 a 262), sendo aproveitadas eventuais sobras destes recolhimentos conforme RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados, (doc. fls. 35 a 42). Importante, destacar que a lavratura do AIOP deuse em 16/12/2008, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 23/12/2008. Não concordando com o lançamento, a entidade apresentou impugnação, fls. 271 a 275. A Decisão de Primeira Instância administrativa julgou procedente em parte o lançamento, determinando a exclusão a luz do art. 150, §4 do CTN, fls. 301 a 312. Segue ementa do acordão: Fl. 344DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15521.000379/200810 Resolução nº 2401000.402 S2C4T1 Fl. 4 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SOCIAIS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/10/2007 IMUNIDADE. EMISSÃO DE ATO DECLARATÓRIO. PRESSUPOSTO. A entidade interessada em gozar da imunidade tributária, prevista no art. 195, §7° da CRF/88, deve, preliminarmente A. fruição do beneficio, requerêla formalmente, demonstrando todos os requisitos previstos em lei para sua concessão. t ilegal, portanto, o auto enquadramento, quando efetuado antes da emissão do ato declaratório. TAXA SELIC. É legitima a utilização da taxa SELIC, conforme o disposto no §1° do art. 161, CTN c/c art. 34, caput, da Lei 8.212/91. TRIBUTÁRIO. PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA VINCULANTE N° 08 DO STF. REVISÃO DO LANÇAMENTO. Com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91, o prazo decadencial das contribuições previdenciárias passa a ser regido pelo Código Tributário Nacional, fato que implica a revisão imediata dos créditos em fase de cobrança administrativa. Lançamento Procedente em Parte Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, fls. 325 a 326, onde em geral traz o recorrente os mesmos argumentos já apresentados na impugnação, quais sejam: 1. Entretanto, os demais argumentos mencionados na Impugnação em à imunidade fiscal garantida as entidades filantrópicas, que da ao RETIRO SAO JOÃO BATISTA tal direito não foram suficientes para cancelar o lançamento após o período decadencial. 2. Conforme documentação acostada, foi requerida tal isenção junto ao O competente, não deferido o pedido pela inércia do próprio Órgão. 3. É de bom alvitre lembrar que o beneficio as entidades de assistência social foi criado para suprir alguma deficiência do Governo, por não ter este condições de atender aos anseios da população, delegando a tarefa à iniciativa privada. Ainda assim, suas deficiências são visíveis, não apenas no tocante ao atendimento à população, mas também as entidades que já prestam atendimento que deveria caber única e exclusivamente ao Estado. 4. Considerese que até a presente data o pedido de concessão não foi sequer analisado pelo órgão; entretanto, atendido, geraria efeitos extunc, reconhecendo a imunidade a partir de então, ou seja, desde 2002. 5. Para comprovação de seu direito, juntou a recorrente ao recurso interposto, documentação comprobatória não apenas do requerimento formulado junto ao Instituto de Previdência, então nos moldes da Lei n° 8.212/91, como também comprovação da manutenção do direito em relação A. legislação vigente, qual seja, a MP n° 447/08. A unidade descentralizada da DRFB encaminhou o processo a este CARF. É o relatório. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15521.000379/200810 Resolução nº 2401000.402 S2C4T1 Fl. 5 4 VOTO Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos, fl. 328. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO O lançamento em questão versa sobre contribuições previdenciárias não recolhidas na época própria, tendo em vista auto enquadrarse a autuada como isenta, porém não tendo a empresa requerido junto a previdência social o pedido de isenção. Vejamos, trecho do relatório fiscal com a imputação: “encontrase descrito no estatuto que a entidade tem por objeto o desenvolvimento de atividades beneficentes e de assistência social, auto enquadrandose, em relação ao FPAS no código 639, como se constata nas GFIP de todo o período de apuração do débito objeto deste AI. Ocorre que o código FPAS 639 é próprio de Entidade Beneficente de Assistência Social ISENTA, qualidade que o contribuinte não tinha, pois apesar de possuir Titulo de Utilidade Pública Federal que é concedido pelo Ministério da Justiça, ser portadora do Registro e Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social não havia requerido isenção ao Instituto Nacional do Seguro Social ou Secretaria da Receita Federal do Brasil, não satisfazendo portanto, todos os requisitos previstos no Art. 55 da Lei 8.212 de 24/07/1991.” Já em sua impugnação o recorrente alega equivocado o posicionamento do fisco, tendo em vista ter formalizado pedido de isenção ainda no ano de 2002, conforme transcrevo abaixo trecho da defesa: Em 09/05/2002, foi requerido ao Instituto Nacional de Previdência Social, recebido pelo órgão na mesma data — conforme Processo n° 35308.000360/200211, nos moldes do art. 55 da Lei n° 8.212/91, a isenção das Contribuições Previdenciárias Patronais, tendo em vista que a entidade possuía todos os requisitos necessários A. sua concessão (documentos anexos) Entretanto, encontra se hoje penalizada pela inércia do Órgão, cujo processo ainda tramita, sem manifestação da autoridade competente. Em análise aos argumentos apresentados pelo recorrente, o julgador de primeira instância, entendeu por bem não acatar o pedido, argumentado que a empresa teria outros meios legais para Da Imunidade Inicialmente, o art. 195, §7", da CRF/88, estabelece vedação à tributação das entidades beneficentes de assistência social, para o custeio da seguridade social, tratandose de imunidade tributária e não, propriamente, de isenção. A imunidade condiciona o exercício da tributação, ao passo que o instituto da isenção e simples beneficio fiscal concedido pelo legislador infraconstitucional, e que pode ser revogado.(...) Fl. 346DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15521.000379/200810 Resolução nº 2401000.402 S2C4T1 Fl. 6 5 Do dispositivo constitucional supracitado, inferese que a imunidade conferida beneficentes de assistência social vinculase ao atendimento de pressupostos em lei. Tratase, portanto, de uma imunidade condicionada, eis que dependente normativa para a fixação dos pressupostos a serem observados para o exercício do direito. Nesse passo, os pressupostos para a fruição da imunidade tributária encontramo art. 55, da Lei n.° 8.212/91, nos seguintes termos(...) Na mesma esteira, o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, assim estabelece(...) Extraise com meridiana clareza do texto acima, que a entidade interessada em gozar da imunidade tributária deve satisfazer todas as exigências previstas em lei, de forma cumulativa, excepcionadas as disposições (inciso III do art. 55 e §§3°,4°) que se encontram com a eficácia suspensa, por força de Liminar concedida na ADIN 20285, até seu julgamento final. De acordo com o procedimento fixado na legislação infraconstitucional para reconhecimento da imunidade, deve a entidade interessada formular pedido ao INSS ou, atualmente, à Receita Federal do Brasil, vedandose, portanto, o auto enquadramento. Nesse sentido já decidiu o TRF da 4a Regido(...) Assim, o reconhecimento da condição de entidade beneficente de assistência social, para fins de fruição da imunidade tributária, deve ser requerido junto ao órgão competente que, se entender pelo deferimento do pedido após análise dos pressupostos legais, emitirá o "Ato Declaratório de Isenção de Contribuições Previdenciárias", com a fruição do beneficio retroagindo h. data do protocolo do requerimento. Não obstante a Interessada ter demonstrado, ás fls. 276/277, que formalizou O "pedido de isenção" em 09/05/2002, e que até então não obteve resposta alguma, tal fato não legitima o auto enquadramento levado a efeito. Isso se explica, pois o §4°, do art. 208, do RPS/99, expressamente estabelece que, na ausência de decisão no prazo de 30 dias da solicitação do pedido, a entidade interessada poderia formular reclamação, dirigida A. autoridade hierarquicamente superior, a quem caberia decidir sobre o reconhecimento do beneficio e, se fosse o caso, promoveria a apuração de responsabilidade funcional. Ademais, poderia ainda ajuizar ação cuja finalidade fosse a obtenção de tutela especifica em obrigação de fazer, e nunca realizar "justiça" com as próprias mãos. 26. Não há, portanto, deferimento automático do pedido em caso de mora da Administração Pública, sendo que a própria legislação institui o procedimento a ser adotado, nos casos de retardamento injustificável do processo. Assim, embora tenham sido apresentados e rebatidos diversos argumentos em sede de recurso, entendo haver uma questão prejudicial a continuidade do presente julgamento. À decisão da procedência ou não do presente autodeinfração está ligado à sorte da decisão do Fl. 347DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15521.000379/200810 Resolução nº 2401000.402 S2C4T1 Fl. 7 6 Pedido de Isenção”, que possui correlação direta com o mesmo. Notese que o relatório fiscal, foi enfático ao vincular o presente lançamento a ausência do pedido de isenção razão pela qual se faz necessário identificar o andamento do mesmo. Ao contrário do que entendeu o julgador, entendo que o resultado do pedido de isenção é crucial para que se determine a procedência do presente AI. Realmente o requerimento do pedido de isenção não dá direito a empresa considerarse isenta automaticamente. No caso, se o processo (pedido de isenção) fosse julgado improcedente a empresa teria que arcar com o ônus do seu auto enquadramento equivocado. Dessa forma, entendo que o melhor encaminhamento é determinar o retorno do processo à DRFB jurisdicionante, para que sejam prestadas informações acerca do andamento do processo Processo n° 35308.000360/200211 referente ao pedido de isenção, inclusive identificando o número do processo. Caso o referido processo já tenha sido julgado, favor colacionar aos autos o acórdão do julgamento, cientificando o recorrente dos termos da diligência para só então retornar o processo ao CARF. CONCLUSÃO: Voto pela CONVERSÃO do julgamento EM DILIGÊNCIA, para que sejam prestadas informações acerca do pedido de isenção da autuada. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10935.906340/2012-09
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 20/06/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.638
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 20/06/2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de COFINS que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/06/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 63 40 /2 01 2- 09 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.788, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 03/01/2013, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 31770.94980.110209.1.2.042683, rastreamento nº 041906939, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 32.515,88, uma vez que o pagamento de COFINS (Código 5856), do período de 31/05/2007, efetuado em 20/06/2007, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 18/01/2013, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906340/201209 Acórdão n.º 3802002.638 S3TE02 Fl. 122 3 Data do fato gerador: 20/06/2007 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906340/201209 Acórdão n.º 3802002.638 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906340/201209 Acórdão n.º 3802002.638 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906340/201209 Acórdão n.º 3802002.638 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 69DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 13971.722242/2013-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3401-000.842
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência.
Robson José Bayerl Presidente ad hoc e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori, José Luiz Feistauer de Oliveira e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência. Robson José Bayerl Presidente ad hoc e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori, José Luiz Feistauer de Oliveira e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
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SECURITY S/A Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência. Robson José Bayerl – Presidente ad hoc e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori, José Luiz Feistauer de Oliveira e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Relatório Cuidase de auto de infração de IOF resultante da descaracterização da atividade empresarial da pessoa jurídica, de securitização para factoring, com a conseqüente exigência dos tributos devidos em face da novel qualificação jurídica. Narra a autuação que o contribuinte exerceu, durante o ano 2009, atividades típicas de factoring, advindo sua receita do deságio na aquisição de títulos de crédito, não havendo no período qualquer operação de securitização, à exceção de uma única, envolvendo o DiretorPresidente da sociedade, nada obstante ser a securitização seu objeto social, segundo os atos constitutivos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .7 22 24 2/ 20 13 -4 5Fl. 2047DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 13971.722242/201345 Resolução nº 3401000.842 S3C4T1 Fl. 3 2 Em face da real atividade mercantil exercida, a fiscalização exigiu o IRPJ/CSLL na modalidade do lucro real, não aceitando a opção pelo lucro presumido exercida pelo contribuinte, bem assim, exigiu o PIS e COFINS na sistemática não cumulativa, encontrando se a consolidação destes tributos no PA 13971.722241/201309. Além do IOF exigido pela sobredita desqualificação, cobrouse o imposto relativo à operação de mútuo firmado com a pessoa jurídica ZZA Securitizadora S/A, onde o autuado figura como concedente (mutuante). O Termo de Verificação Fiscal destacou, ainda, que o lançamento se realizou com inflição de multa qualificada, em razão da simulação do objeto social e pela entrega de declarações com indicação de valores nulos, isto é, “declarações zeradas”, bem assim, que houve atribuição de responsabilidade solidária ao administrador da pessoa jurídica, com a lavratura do competente Termo de Sujeição Passiva. Em impugnação o contribuinte defendeu a não incidência do IOF sobre a operação de mútuo, em função de sua gratuidade, isto é, sem encargos para o mutuário; que a descaracterização procedida pela fiscalização se devia ao desconhecimento da atividade de securitização; que inexistia vedação legal à operação de securitização com o próprio acionista da empresa; que o descompasso entre os prazos de vencimento dos títulos de créditos negociados e a debênture contratada era natural neste tipo de atividade (securitização); apontou as diferenças entre operação de securitização e de factoring; insurgiuse contra a adoção da SCI SRRF09/Disit nº 03/2013 como fundamento do lançamento; asseverou que o principal motivo da constituição de sociedade securitizadora foi o afastamento do risco de inadimplência, inerente à atividade de fomento mercantil (factoring), eis que, em suas operações, não havia a assunção do risco pela falta de liquidação dos títulos de crédito negociados, daí porque incabível a requalificação procedida pela autoridade fiscal; que houve equívoco no levantamento das bases de cálculo do tributo, pois considerou apenas o diferencial entre o valor de face do título e o desembolso; alegou que sua obrigação jurídicotributária, na qualidade de responsável pela retenção do imposto, segundo a legislação, limitavase justamente ao dever de retenção – obrigação acessória –, não, porém, pela obrigação principal, cujos sujeitos passivos, na condição de contribuintes, seriam os tomadores do crédito, seus clientes, perfeitamente identificáveis a partir de sua documentação comercial; e, que não houve simulação alguma a justificar a exasperação da multa, baseada exclusivamente em presunções da autoridade fiscal. O responsável solidário não apresentou impugnação. A DRJ Brasília/DF manteve integralmente o lançamento, mediante julgado assim ementado: “CONTRATO DE MÚTUO. INCIDÊNCIA DE IOF. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. EMPRESA DE SECURITIZAÇÃO. CONCEITO. As companhias securitizadoras são instituições nãofinanceiras cuja atividade consiste na conversão de um grupo de ativos Fl. 2048DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 13971.722242/201345 Resolução nº 3401000.842 S3C4T1 Fl. 4 3 (créditos) gerados por uma determinada empresa (originadora) em títulos mobiliários passíveis de negociação. Isso provoca a transformação de títulos de pouca liquidez, em títulos mobiliários líquidos (debêntures), com a transferência dos riscos associados àqueles, aos compradores destes. A securitização corresponde, assim, à emissão de títulos mobiliários lastreados em recebíveis comerciais (ativos empresariais), com a conseqüente distribuição dos riscos de um único credor para vários. Securitizar tem, portanto, sua essência na conversão de determinados créditos em lastro, suporte e garantia, para a emissão de títulos ou valores mobiliários, que no caso de ativos empresariais são as debêntures. ATIVIDADE DE SECURITIZAÇÃO, DESQUALIFICAÇÃO PARA ATIVIDADE DE FACTORING. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Comprovado que a empresa fiscalizada não realizou qualquer atividade de securitização, na medida em que não promoveu a conversão dos direitos creditórios adquiridos de seus clientes em lastro para emissão de valores mobiliários, bem como, constatado que a emissão de debêntures precedeu a aquisição de qualquer título e o debenturista foi o próprio acionista e diretor presidente, havendo um grande descompasso entre os prazos dos títulos negociados e o vencimento das debêntures, correto o procedimento fiscal que desqualificou a atividade de securitização para a atividade de factoring e apurou, de ofício, os tributos devidos de acordo com o regime a que as empresas de factoring estão sujeitas, qual seja, lucro real para fins de apuração de IRPJ e CSLL, e incidência nãocumulativa, para fins de apuração de Cofins e de contribuição para o PIS. ATIVIDADE DE FACTORING. APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IOF. Diferentemente de outros tributos, cujos fatos geradores ocorrem mensal (Cofins, contribuição para o PIS) ou trimestralmente (IRPJ, CSLL), o fato gerador do IOF ocorre na data da alienação dos direitos creditórios resultantes de vendas a prazo, não cabendo cogitar de eventuais descontos ou abatimentos posteriores, mas, sim, do valor líquido recebido pelo cedente dos títulos de créditos na referida data. ATIVIDADE DE FACTORING. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. SUJEITO PASSIVO. A empresa de factoring é responsável pela cobrança (retenção) e pelo recolhimento do IOF, razão pela qual, na condição de sujeito passivo, sobre ela deve recair eventual lançamento de ofício para exigência de tributo não retido e não recolhido. SIMULAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. Fl. 2049DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 13971.722242/201345 Resolução nº 3401000.842 S3C4T1 Fl. 5 4 A falta de execução material do contrato social caracteriza clara confissão da simulação e autoriza a qualificação da multa de ofício.” O contribuinte, em recurso voluntário, com alguma variação, reprisou a argumentação deduzida em impugnação, acrescentando tópico específico acerca da responsabilidade solidária do administrador. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Examinando o contexto do procedimento fiscal, principalmente pela descrição dos fatos ensejadores da autuação, infiro que o lançamento sub examine é decorrência direta da reclassificação da atividade exercida pelo contribuinte, de securitização de títulos para operação de fomento mercantil (factoring), efetivada pela autoridade fiscal, guardando estreita vinculação com a exigência de IRPJ/CSLL/PIS/Cofins consubstanciada no PA 13971.722241/201309. Os fatos jurídicos objeto do lançamento são os mesmos para ambos os processos, quais sejam, as operações comerciais realizadas e enquadradas como relativas a factoring no transcurso de 2009. Os Termos de Verificação Fiscal lavrados são praticamente idênticos, sendo que o constante destes autos é mera síntese daqueloutro. A Fiscalização destaca, uma vez descaracterizada a operação de securitização com o conseqüente reenquadramento como factoring, que o contribuinte deveria apurar o IRPJ/CSLL na modalidade de lucro real, o PIS/Cofins na sistemática não cumulativa e o IOF nos termos da Lei nº 9.779/99, o que não ocorreu. Diante do quadro descortinado, entendo que a competência para julgamento dos recursos voluntários interpostos nestes autos pertence à Primeira Seção de Julgamento, ex vi do art. 2º, IV, Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 256/09, assim vazado: “Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...) IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ;” (grifado) Oportuno registrar que não se trata de lançamento reflexo ou decorrente, deste em relação àquele do PA 13971.722241/201309, todavia, a conexão, a imbricação, entre ambos é patente, pois, como já dito, os fatos econômicos que serviram de suporte aos lançamentos são os mesmos. Fl. 2050DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 13971.722242/201345 Resolução nº 3401000.842 S3C4T1 Fl. 6 5 Notese: o Regimento Interno do CARF dispõe que, para se tomar lançamentos como conexos, decorrentes ou reflexos, basta que os fatos que serviram de base para o lançamento de determinado tributo tenham, também, configurado prática de infração à legislação do IRPJ, como é o caso vertente. Ou seja, pela redação do dispositivo em comento, a primazia para definir se as operações realizadas pelo contribuinte qualificarseiam como securitização ou factoring, ponto nodal da questão e comum aos feitos administrativos, pertence à Primeira Seção de Julgamento. A meu sentir esta opção regimental tem por escopo salutar, digase evitar a prolação de decisões mutuamente contraditórias que envolvam a análise de lançamentos sobre os mesmos fatos jurídicos tributários, ainda que relativos à incidência de tributos distintos e, como tal, sujeitos a julgamento por seções julgadoras diversas deste órgão, o que milita em favor da segurança jurídica. Outrossim, acentuo que há, neste processo, matérias independentes que devem ser julgadas por esta Terceira Seção de Julgamento, como o IOF sobre o mútuo realizado com a pessoa jurídica ZZA Securitizadora S/A e a perempção do debate a respeito da responsabilidade solidária do administrador, em face da ausência de impugnação. Entretanto, como não existe previsão regimental de julgamento parcelado de processo, tenho que a melhor solução seja a conversão do julgamento em diligência para que se aguarde o encerramento do contencioso administrativo em relação ao processo 13971.722241/201309, com a posterior juntada da decisão administrativa irreformável neste processo, para prosseguimento do julgamento. É como voto. Robson José Bayerl Fl. 2051DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL
score : 1.0
Numero do processo: 10803.000153/2008-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/10/2007
Autos de Infração sob n° 37.211.302-8; 37.211.303-6 e 37.211.304-4
Consolidados em 09/12/2008
DECADÊNCIA
Trata-se de matéria sumulada por esta Corte, onde os seus membros são compelidos aplicá-la em razão da também Súmula CARF 72.
Em havendo pagamento antecipado, ainda que em valores inferiores ou desiguais com que se julga adequado, há de se aplicar a Súmula CARF 99, onde a contagem do prazo para fins da decadência se inicia com a data do fato gerador, conforme determina o artigo 150, § 4° do CTN.
No caso em tela, há pagamento comprovado às fls. 806 e, considerando a consolidação do lançamento em 12/2008, encontram-se abarcados pela decadência os lançamentos até novembro de 2003, anteriores a dezembro de 2003.
EXCLUSÃO DOS REPRESENTANTES LEGAIS DA RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS
Conforme Súmula CARF 88 a lista de representantes legais da relação de co-responsáveis tem finalidade meramente informativa e não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
DO CERCEAMENTO DA DEFESA / DA VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA
Lançamento que foi baseado nos valores das notas fiscais de prestação de serviços, considerado pela fiscalização como remuneração paga a seus segurados empregados, foram extraídas das notas fiscais de prestação de serviços identificadas na planilha "Pessoas Físicas Remuneradas Através de Empresas Interpostas" e cotejadas com os respectivos pagamentos lançados em seus Livros Diário, ou seja, documento fornecido pela própria Recorrente que se encontram em seu poder, não havendo de se falar em cerceamento de defesa.
DA NULIDADE DAS PROVAS TRAZIDAS NOS AUTOS.
Os mesmo elementos de "provas" que fundamentam acusações penais foram utilizados para embasar a autuação fiscal, procedimento que não viola o artigo 5 o da CF, incisos X, XI e XII, eis que as provas do processo criminal utilizadas na ação fiscal foram formalmente solicitadas ao juízo competente que as deferiu.
As provas produzidas nos autos criminal emprestada através de determinação judicial, não têm finalidade exclusivamente penais, podendo embasar qualquer lançamento fiscal.
INEXISTÊNCIA DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO - IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA
Para justificar a desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, considerou a Fiscalização que documentos apreendidos na Recorrente foram analisadas as Folhas de Pagamentos, os Livros Diário e Razão, as Notas Fiscais de prestação de serviço, recibos de pagamento e contratos de prestação de serviços. E, havendo empregados devidamente registrados e de pessoas físicas prestando serviços através de empresas interpostas, constatando-se que para os cargos de menor complexidade e capacidade técnica os segurados que os ocupavam foram considerados celetistas, enquanto os cargos de maior hierarquia e poder decisório foram executados pelas supostas pessoas jurídicas, às quais, inclusive, subordinavam-se os empregados celetistas, sendo que até fevereiro de 2006, o número de pessoas físicas contratadas através de empresas interpostas era superior ao de empregados registrados.
Desta forma configurado está a relação de emprego, porque os titulares das pessoas jurídicas contratadas pela Recorrente como prestadores de serviço preenchiam os pressupostos necessários à caracterização do vínculo empregatício com o contribuinte (onerosidade, pessoalidade, não eventualidade e subordinação), razão pela qual os titulares destas pessoas jurídicas foram enquadrados como segurados empregados da Recorrente, aferindo-se como remuneração de cada um os valores a elas pagos, sendo que as bases de cálculo utilizadas correspondem aos valores integrais constantes das notas fiscais e recibos discriminados na planilha "PESSOAS FÍSICAS REMUNERADAS ATRAVÉS DE EMPRESAS INTERPOSTAS".
DA ILEGALIDADE DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO
Trata-se de matéria não impugnada, sendo supressão de instância, analisá-la neste momento processual. Não conhecida o questionamento.
Todavia, vejo que a Recorrente não organizou em sua defesa inicial, ou seja,
DA ILEGALIDADE DA TAXA SELIC COMO JUROS DE MORA
Matéria sumulada nesta Corte, Súmula CARF n° 4, onde diz que desde 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.180
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/2003, anteriores a 12/2003, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em dar provimento ao recurso, para decretar que a Relação de Co-Responsáveis - CORESP", o "Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa, nos termos do voto do Relator; c) em negar provimento aos demais argumentos da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/2003, anteriores a 12/2003, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em dar provimento ao recurso, para decretar que a Relação de Co-Responsáveis - CORESP", o "Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa, nos termos do voto do Relator; c) em negar provimento aos demais argumentos da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA - Presidente. (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/10/2007 Autos de Infração sob n° 37.211.3028; 37.211.3036 e 37.211.3044 Consolidados em 09/12/2008 DECADÊNCIA Tratase de matéria sumulada por esta Corte, onde os seus membros são compelidos aplicála em razão da também Súmula CARF 72. Em havendo pagamento antecipado, ainda que em valores inferiores ou desiguais com que se julga adequado, há de se aplicar a Súmula CARF 99, onde a contagem do prazo para fins da decadência se inicia com a data do fato gerador, conforme determina o artigo 150, § 4° do CTN. No caso em tela, há pagamento comprovado às fls. 806 e, considerando a consolidação do lançamento em 12/2008, encontramse abarcados pela decadência os lançamentos até novembro de 2003, anteriores a dezembro de 2003. EXCLUSÃO DOS REPRESENTANTES LEGAIS DA RELAÇÃO DE CO RESPONSÁVEIS Conforme Súmula CARF 88 a lista de representantes legais da relação de co responsáveis tem finalidade meramente informativa e não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. DO CERCEAMENTO DA DEFESA / DA VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA Lançamento que foi baseado nos valores das notas fiscais de prestação de serviços, considerado pela fiscalização como remuneração paga a seus segurados empregados, foram extraídas das notas fiscais de prestação de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 00 01 53 /2 00 8- 21 Fl. 4750DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARCELO OLIVE IRA 2 serviços identificadas na planilha "Pessoas Físicas Remuneradas Através de Empresas Interpostas" e cotejadas com os respectivos pagamentos lançados em seus Livros Diário, ou seja, documento fornecido pela própria Recorrente que se encontram em seu poder, não havendo de se falar em cerceamento de defesa. DA NULIDADE DAS PROVAS TRAZIDAS NOS AUTOS. Os mesmo elementos de "provas" que fundamentam acusações penais foram utilizados para embasar a autuação fiscal, procedimento que não viola o artigo 5 o da CF, incisos X, XI e XII, eis que as provas do processo criminal utilizadas na ação fiscal foram formalmente solicitadas ao juízo competente que as deferiu. As provas produzidas nos autos criminal emprestada através de determinação judicial, não têm finalidade exclusivamente penais, podendo embasar qualquer lançamento fiscal. INEXISTÊNCIA DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Para justificar a desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, considerou a Fiscalização que documentos apreendidos na Recorrente foram analisadas as Folhas de Pagamentos, os Livros Diário e Razão, as Notas Fiscais de prestação de serviço, recibos de pagamento e contratos de prestação de serviços. E, havendo empregados devidamente registrados e de pessoas físicas prestando serviços através de empresas interpostas, constatandose que para os cargos de menor complexidade e capacidade técnica os segurados que os ocupavam foram considerados celetistas, enquanto os cargos de maior hierarquia e poder decisório foram executados pelas supostas pessoas jurídicas, às quais, inclusive, subordinavamse os empregados celetistas, sendo que até fevereiro de 2006, o número de pessoas físicas contratadas através de empresas interpostas era superior ao de empregados registrados. Desta forma configurado está a relação de emprego, porque os titulares das pessoas jurídicas contratadas pela Recorrente como prestadores de serviço preenchiam os pressupostos necessários à caracterização do vínculo empregatício com o contribuinte (onerosidade, pessoalidade, não eventualidade e subordinação), razão pela qual os titulares destas pessoas jurídicas foram enquadrados como segurados empregados da Recorrente, aferindose como remuneração de cada um os valores a elas pagos, sendo que as bases de cálculo utilizadas correspondem aos valores integrais constantes das notas fiscais e recibos discriminados na planilha "PESSOAS FÍSICAS REMUNERADAS ATRAVÉS DE EMPRESAS INTERPOSTAS". DA ILEGALIDADE DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Tratase de matéria não impugnada, sendo supressão de instância, analisála neste momento processual. Não conhecida o questionamento. Todavia, vejo que a Recorrente não organizou em sua defesa inicial, ou seja, DA ILEGALIDADE DA TAXA SELIC COMO JUROS DE MORA Matéria sumulada nesta Corte, Súmula CARF n° 4, onde diz que desde 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de Fl. 4751DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 10803.000153/200821 Acórdão n.º 2301004.180 S2C3T1 Fl. 3 3 inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/2003, anteriores a 12/2003, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em dar provimento ao recurso, para decretar que a Relação de CoResponsáveis CORESP", o "Relatório de Representantes Legais RepLeg e a Relação de Vínculos VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa, nos termos do voto do Relator; c) em negar provimento aos demais argumentos da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior. Fl. 4752DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARCELO OLIVE IRA 4 Relatório O processo principal (10.803.000153/200821) recebeu anexação de dois outros processos (10.803.000154/200875 e 10.803.000155/200810) em razão de serem originados de uma mesma ação fiscal. O presente processo esteve nesta Corte com relatoria do então conselheiro Damião Cordeiro de Moraes que observou que ao serem os demais anexados ao processo principal, na DRJ, não acudiram a devida intimação à Recorrente, o que fere princípios pétreos da Carta Maior, razão pela qual foi à diligência à autoridade fiscal preparadora para assim proceder, o que ocorreu e retornou a esta Casa, sendo a mim redistribuído em razão de o relator anterior não mais ser membro do Colegiado. Sendo: Processo sob nº 10.803.000153/200821 AI sob n° 37.211.3028 Tratase de contribuições devidas à Seguridade Social, parte da empresa e contribuições devidas ao SAT, que deixou de ser arrecadada pela Recorrente, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados não declaradas em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP e levantamento CSE – Caracterização de Segurado Empregado. Processo sob nº 10.803.000154/200875 – AI sob nº 37.211.3036 Tratase de contribuições devidas à Seguridade Social, parte segurados empregados, que deixou de ser arrecadada pela Recorrente, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados não declaradas em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP e levantamento CSE – Caracterização de Segurado Empregado. Processo sob nº 10.803.000155/200810 – AI sob nº 37.211.3044 Tratase de contribuições devidas à Seguridade Social, devidas a Terceiros (SalárioEducação, SESC, SENAC, SEBRAE, INCRA), que deixou de ser arrecadada pela Recorrente, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados não declaradas em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP e levantamento CSE – Caracterização de Segurado Empregado. O esmerado e minucioso Relatório Fiscal, entre outras valorosas informações descreve toda a operação justificando detalhadamente o forma de proceder da Recorrente, e noticianos: · Que o procedimento fiscal resultou das ações conjuntas desenvolvidas na "Operação Persona", pelo Departamento da Polícia Federal DPF, da Receita Federal do Brasil RFB, do Ministério Público Federal MPF e da Justiça Federal, objetivando apurar a existência de diversos ilícitos, tais como, interposição fraudulenta, sonegação, falsidade ideológica e documental, entre outras, que resultou na retenção judicial de mercadorias em despacho e trânsito aduaneiro, retenção Fl. 4753DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 10803.000153/200821 Acórdão n.º 2301004.180 S2C3T1 Fl. 4 5 judicial dos estoques de mercadorias e na apreensão de vasto material que comprovam os ilícitos; · Que no decorrer dos trabalhos verificouse que o quadro de funcionários do contribuinte era composto de empregados devidamente registrados e de pessoas físicas prestando serviços através de empresas interpostas. · Em analise da situação encontrada constatouse que os cargos de menor complexidade e capacidade técnica foram considerados celetistas e aqueles de maior hierarquia e poder decisório foram executados pelas supostas pessoas jurídicas, às quais, inclusive, subordinavamse os empregados celetistas, sendo que até fevereiro de 2006, o número de pessoas físicas contratadas através de empresas interpostas era superior ao de empregados registrados; · Que as contribuições previdenciárias referentes à parte dos segurados foram calculadas mediante a aplicação das correspondentes alíquotas sobre o salário de contribuição mensal, de forma não cumulativa, obedecendo aos limites máximos estabelecidos pela Previdência Social; Em 16/12/2008 a Recorrente foi noticiada do lançamento e no dia 15/01/2009, apresentou sua defesa com suas alegações, cujas quais não foram suficientes para modificarem o lançamento. Em 18 de abril de 2011 tomou ciência da decisão de piso e no dia 16 de maio de 2011 aviou os respectivos Recursos Voluntários com suas alegações. É a síntese. Fl. 4754DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARCELO OLIVE IRA 6 Voto Conselheiro WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator ‘ad hoc’ O presente Recurso Voluntário acode todos os pressupostos de admissibilidade, inclusive a tempestividade, razão pela qual dele conheço e passo análise das questões trazidas à baila. DECADÊNCIA Quanto a decadência mantenho a minha posição de que contribuinte geral, de uma forma ou de outra antecipa o recolhimento e por isto, para efeitos da contagem da decadência aplicase o Artigo 150 § 4º do CTN: Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado,expressamente a homologa. (•••)• § 4° Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. De mais a mais os membros do Colegiado, segundo o Regimento Interno do CARF que estabelece procedimento para a edição de súmulas e sua aplicação, visando a uniformização, clareza e segurança jurídica dos contribuintes, devem submeterse às suas inteligências, conforme reza o capítulo das súmulas do RICARF, ‘in verbis’: CAPÍTULO V DAS SÚMULAS Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Quanto a decadência, urge trazer à baila que havendo pagamento antecipado por conta de recolhimento, ainda que parcial, como é o caso em tela, há o julgador de submeterse a Súmula 99, transcrita a seguir: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha Fl. 4755DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 10803.000153/200821 Acórdão n.º 2301004.180 S2C3T1 Fl. 5 7 sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Conforme reza o artigo 150, caput, no lançamento por homologação a legislação de regência determina ao sujeito contribuinte o dever de antecipar o pagamento do tributo que ao menos julgava correto. E ai surge a grande questão, ou seja, é tão somente suficiente o fato de a legislação determinar que nos lançamento por homologação, para efeito da decadência já aplica o prazo de 5 anos do fato gerador, ou é necessário que se prove o recolhimento para assim proceder. Mantenhome no mesmo pensamento antes expostos, ou seja, ele é contribuinte geral e a legislação fala de lançamento por homologação inicia o prazo de 5 anos da existência do fato gerador, aplicandoselhe, no caso em tela, ainda, a Súmula CARF 99, independente de haver nos autos a comprovação do recolhimento. De mais a mais, para justificar a aplicação da Súmula CARF 99, vejo recolhimento às fls. 806. Desta forma, com aplicação da Súmula CARF 99, estão abarcados pela decadência os lançamentos até novembro de 2003, anteriores a dezembro de 2003. EXCLUSÃO DOS REPRESENTANTES LEGAIS DA RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS Tem finalidade meramente informativa, conforme já sumulado pelo CARF, cuja decisão tomo como voto. Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. De mais a mais, somente para informação decisória, mesmo que não pensasse da forma como explicitada pela Súmula CARF 88, mister esclarecer que os membros deste colegiado estão compelidos a aplicar súmulas, conforme se vê da Súmula CARF 72. Assim, é imperioso uma análise sob a égide do Regimento Interno do CARF que estabelece procedimento para a edição de súmulas e sua aplicação, visando a uniformização, clareza e segurança jurídica dos contribuintes, devem submeterse às suas inteligências, conforme reza o capítulo das súmulas do RICARF, ‘in verbis’: CAPÍTULO V DAS SÚMULAS Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Fl. 4756DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARCELO OLIVE IRA 8 DO CERCEAMENTO DA DEFESA / DA VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA Alega a Recorrente que o lançamento foi fulcrado com base nos valores das notas fiscais de prestação de serviços, que a Fiscalização considerou como remuneração paga a seus segurados empregados, mas que as referidas notas fiscais de serviços, bem como sua indicação na planilha "Pessoas Físicas Remuneradas Através de Empresas Interpostas", não consta nos autos. Diante disto, afirma a Recorrente que há cerceamento do direito de defesa, uma vez que não há nos autos qualquer elemento que lhe permita verificar a correção dos valores lançados pelas Autoridades Fiscais como base de cálculo das contribuições em cobrança, o que macula a autuação fiscal de completa e insanável nulidade. Não vislumbro o dito cerceamento de defesa, eis que as bases de cálculo utilizadas pela Auditoria Fiscal foram extraídas das notas fiscais de prestação de serviços identificadas na planilha "Pessoas Físicas Remuneradas Através de Empresas Interpostas" e cotejadas com os respectivos pagamentos lançados em seus Livros Diário, ou seja, documento fornecido pela própria Recorrente que se encontram em seu poder. De mais a mais estaria configurada o cerceamento de defesa se não tivesse a ela sido oportunizada apresentação de documentos e tão pouco não houvesse apresentado impugnação. Sem razão. DA NULIDADE DAS PROVAS TRAZIDAS NOS AUTOS. A) finalidade exclusivamente penal das provas / da impossibilidade da prova emprestada Diz a Recorrente que os mesmos elementos de "provas" que fundamentam acusações penais foram utilizados para embasar a autuação fiscal, procedimento que viola o artigo 5 o da CF, incisos X, XI e XII, que asseguram o respeito ao sigilo das informações pessoais, tanto das pessoas jurídicas quanto físicas, prevendo tratamento especial apenas às comunicações telefônicas, cuja violação ao sigilo somente pode ocorrer "por ordem judicial", e "para fins de investigação criminal ou instrução processual penal". Todavia, conforme demonstrado pela Fiscalização, onde foi também transcrito pela decisão de piso, as provas do processo criminal utilizadas na ação fiscal foram formalmente solicitadas ao juízo competente que as deferiu. E, mesmo sendo prova emprestada, ou seja, material probatório produzido num processo e levado a outro, que configurou crime, onde o juízo de origem respeitou todas os princípios pétreos, não vulnera nem mesmo o juiz natural, que dirá os demais princípios basilares da Carta Maior. Penso ser admissível as provas emprestadas se os requisitos de a) identidade das partes, b) identidade de objeto da lide, c) observância do contraditório na colheita das provas e, d) da licitude da prova produzida, forem respeitadas. E, neste sentido, a Recorrente não alegou a falta de nenhuma delas, ao contrário, genericamente diz inadmissível ser a prova emprestada. Sem razão B) da ausência de relação entre as provas e o lançamento Fl. 4757DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 10803.000153/200821 Acórdão n.º 2301004.180 S2C3T1 Fl. 6 9 Em seu argumento defensivo alega a Recorrente que as provas, quando muito têm finalidade exclusivamente penais, não podendo embasar um lançamento fiscal. Segundo a Defendente a Fiscalização para concluir pela existência de vínculo de emprego valeuse de documentos como planilhas eletrônicas, questionários para análise de cargos e mapeamento de competências, relatórios de auditoria e organogramas, que são documentos extracontábeis, apócrifos, relativos a apenas parte dos períodos autuados ou mesmo sem data, não assinados, incompletos ou em forma de "minuta para discussão", de forma que não poderiam gerar qualquer obrigação em relação a outros períodos, pois suposições jamais podem fundamentar autuações fiscais, devendose determinar a anulação de tais lançamentos. Em verdade o que se vê nos autos do presente processo administrativo fiscal é que os documentos que embasaram a autuação do Fiscalizador foram localizados em computadores pessoais, devidamente identificados quanto ao objeto e às pessoas que deles faziam uso. De mais a mais, não pode a Recorrente esquecer de mencionar que além do fato acima citado, há de observar que a grande maior parte dos documentos que embasaram o lançamento foram fornecidos por ela mesma em períodos contínuos que indicam sua prática habitual. As provas, portanto, têm toda relação com o lançamento e foram pela e, daqueles que não foram angariado em computadores da Recorrente, de uso de seus funcionários, como se observa nos autos, ou vieram da justiça, ou da própria Recorrente, razão pela qual que julgo, neste quesito, não há razão a Recorrente. C) da superficialidade da fiscalização e da falta de verificação da verdade material – autuação com base em suposições – nulidade do procedimento fiscal Aos olhos deste julgador esta preliminar levantada confundese com o mérito da questão, sendo pondo nodal do lançamento, eis que alega a Recorrente, em outras palavras que: i) o fiscal não teria competência para determinar a relação de emprego desconsiderando a personalidade jurídica de muitas empresas prestadoras de serviços; ii) que o ministério público do trabalho que possui competência não teria conseguido demonstrar o vínculo empregatício de muitos empregados; ii) que dos poucos empregados que foram relacionados no vínculo empregatício foi realizado o termo de ajustamento de conduta e, iv) não demonstrou efetivamente a fiscalização, com seu trabalho, a razão pela qual realizou a desconsideração da personalidade jurídica de muitas empresas. Assim, no mérito fixaremos nosso entender. MÉRITO INEXISTÊNCIA DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO – IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Para a Recorrente é defectível a compreensão trazida aos autos, tanto pela Fiscalização quanto pela DRJ, de que pessoas jurídicas prestadores de serviços eram na verdade pessoas físicas empregados. Isto porque inexistia o vínculo de emprego, como afirmado. Segundo a Recorrente, alega com veemência: i) não houve prova individualizada dos supostos vínculos e empregos; ii) bem como inexiste comprovação nos Fl. 4758DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARCELO OLIVE IRA 10 autos dos requisitos necessários para configurar a relação de emprego; iii) que as únicas provas produzidas pela fiscalização nos autos do processo que demonstre os vínculos empregatícios são documentos eletrônicos apócrifos interpretados equivocadamente; iv) que não houve a comprovação de simulação alegada pela fiscalização para desconsiderar a personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços. E, portanto, não há fatos geradores. Aduz ainda, quanto a desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços à Recorrente que o Ministério Público do Trabalho realizou uma ação empreendida na Recorrente e não conseguiu demonstrar a anomalia trabalhista trazida pela Fiscalização, mesmo sendo o Órgão próprio para determinar a existência ou não da relação de emprego. Antes de adentrar na questão nodal, ou seja, a desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços na Recorrente, mister que observemos que tem razão a Fiscalização quando alega que o Ministério do Trabalho possui atribuições e procedimentos diversos daqueles conferidos à Secretaria da Receita Federal do Brasil, onde o primeiro Órgão Público se presta a tratar da relação de empregos e o segundo cuida dos tributos e das contribuições. Nesta razão, necessário esclarecer que o Termo de Ajuste de Conduta exarado pelo MTB não serve para determinar qualquer correção à conduta frente a suas obrigações tributárias previdenciárias, sendo inapto, portanto, para desconstituir o lançamento em apreço. Tenho que um TAC – Termo de Ajuste de Conduta não reserva às partes o exercício da ampla defesa, contraditório e devido processo legal, como ocorre numa ação trabalhista, por exemplo, que, esta sim serviria de arrimo para este Julgador, pelas razões abaixo expostas. Para justificar a desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, considerou a Fiscalização que documentos apreendidos na Recorrente foram analisadas as Folhas de Pagamentos, os Livros Diário e Razão, as Notas Fiscais de prestação de serviço, recibos de pagamento e contratos de prestação de serviços. Aponta a Fiscalização que o quadro de funcionários da Recorrente era composto de empregados devidamente registrados e de pessoas físicas prestando serviços através de empresas interpostas, constatandose que para os cargos de menor complexidade e capacidade técnica os segurados que os ocupavam foram considerados celetistas, enquanto os cargos de maior hierarquia e poder decisório foram executados pelas supostas pessoas jurídicas, às quais, inclusive, subordinavamse os empregados celetistas, sendo que até fevereiro de 2006, o número de pessoas físicas contratadas através de empresas interpostas era superior ao de empregados registrados. Segundo a Fiscalização configurado está a relação de emprego, porque os titulares das pessoas jurídicas contratadas pela Recorrente como prestadores de serviço preenchiam os pressupostos necessários à caracterização do vínculo empregatício com o contribuinte (onerosidade, pessoalidade, não eventualidade e subordinação), razão pela qual os titulares destas pessoas jurídicas foram enquadrados como segurados empregados da Recorrente, aferindose como remuneração de cada um os valores a elas pagos, sendo que as bases de cálculo utilizadas correspondem aos valores integrais constantes das notas fiscais e recibos discriminados na planilha "PESSOAS FÍSICAS REMUNERADAS ATRAVÉS DE EMPRESAS INTERPOSTAS". Fl. 4759DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 10803.000153/200821 Acórdão n.º 2301004.180 S2C3T1 Fl. 7 11 Há de observar que a desconsideração da personalidade jurídica de uma empresa tem como fim primordial a responsabilização patrimonial dos sócios ou de outra empresa para garantia de débitos encontrados, diante de uma simulação ou de uma fraude. No caso em tela temos um esmerado Relatório Fiscal, onde poderseá, tendoo como base, verificar se de fato tratouse de simulação de empresas interpostas, com fim redução da carga tributária ou não. Tenho me posicionado nos meus julgados que a desconsideração da personalidade jurídica é um ato unilateral e muito rigoroso, que quase sempre não respeita o devido processo legal, a ampla defesa e o contraditório. Mas isto não implica que toda desconsideração de personalidade jurídica esteja eivada, culminando na nulidade do lançamento. Para fulcrar meus julgados tenhoos balizados, como dito, nos relatórios fiscais e na legislação, e, nesta seara o Códex Cível, Artigo 50, quanto a personalidade jurídica, há dois requisitos para desconsiderála, sendo um o abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade e o outro a confusão patrimonial. Revendo atentamente o Relatório Fiscal observase que a PJ ‘C Procópio Advogados’ exercida pela PF Gustavo Procópio que tem o cargo de Gerente Administrativo e controla Walquíria Felix. Isto, para este julgador configura um desvio de finalidade da PJ acima mencionada, pois um escritório de advocacia não tem como fim gerir administrativo organizacional de uma empresa. Poderia até gerir a gerência jurídica que não seria desvio de função, mas administrativo é sim um desvio de função. Outra questão que tomou cuidado o Relatório Fiscal foi demonstrar os requisitos que configuram uma relação de emprego, ou seja, a onerosidade, a subordinação, não eventualidade e a pessoalidade, e neste passo restou comprovado as características de empresas supostas, exercidas por funcionários. Vejamos a dinâmica da fiscalização que entrevistou vários empregados: Fls 71 ,, 4C.B1) O Sr. Clarício Aparecido Gonçalves (Clarício Aparecido Gonçalves ME), descreve entre suas atividades, além da cobrança de títulos e a verificação dos fretes a pagar, os "Serviços administrativos gerais". O controle exercido por seu superior imediato é assim sintetizado: "O mesmo sempre está atento as nossas atividades controlando antes, durante e depois". No organograma padrão, considerase subordinado hierarquicamente ao Supervisor Financeiro e ao Gerente Financeiro. 4C.B2) O Sr. Delci José da Silva (Deldil Contabilidade e Assessoria Ltda.), Analista Fiscal e Financeiro, descreve um rol de atividades que pressupõem dedicação diária, destacamos o controle dos livros fiscais, contábeis e "Autorizações diárias de todas as operações bancárias realizadas através da Internet (on Une) utilizando senhas de acessos, certificados digitais e tokens fornecidos pela instituição financeira, tais como: Pagamento a Fl. 4760DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARCELO OLIVE IRA 12 fornecedores (boletos / TED / DOC ou transferências); Folha de Pagamento, e Pagamento de Impostos/Contribuições". 4C.B3) O Sr. Delci explica que lidera os departamentos Fiscal, Faturamento, Contas a Receber, Contas a Pagar e Recebimento Fiscal utilizandose de um total de 6 (seis) colaboradores. Com relação ao controle de seu trabalho pelo superior imediato, informa que 'Trabalhamos com o princípio de avaliação por resultados, salvo processos específicos que exige acompanhamento". Quanto à responsabilidade por valores que sua função exige, alega responder por operações bancárias da ordem de dez milhões de reais. No organograma padrão, considerase subordinado hierarquicamente ao Gerente Administrativo/Financeiro e ao Diretor Operacional. Vários outros depoimentos no mesmo sentido. Para demonstrar a relação empregatícia a Fiscalização juntou várias peças de ações trabalhistas e atas de primeira audiência. E se a Recorrente tivesse demonstrado que elas foram julgadas improcedentes, penso que, seguido o devido processo legal, ampla defesa e contraditório, teria demonstrado a inexistência da relação, o que não ocorreu. Por outro lado, em sua defesa a Recorrente também não juntou nenhuma nota fiscal de prestação de serviços das supostas empresas prestadoras de serviços de outros serviços que tenham prestados em outras empresas que sustentaria a não existência de vínculo empregatício. Assim, como alhures dito, o trabalho da Fiscalização é fundamental para se definir se a desconsideração da personalidade jurídica das empresas foram justas ou não, e, no caso em tela, tenho que ficou copiosamente demonstrado a existência dos requisitos trabalhistas que demonstram o vínculo de emprego, assaz para justificar o ato truculento, mas necessário desconsiderar as pessoas jurídicas prestadoras de serviços, que na verdade eram empregados/segurados, sobretudo porque ficou demonstrado todos os requisitos da relação de emprego, mormente o de subordinação. Sendo assim, como a subordinação é o requisito de maior ‘peso’, trago a lume a alegação da Fiscalização não espancada pela Recorrente e que foi essencial para convencimento deste Julgador: "em relação à subordinação, em razão das funções exercidas pelos segurados, não resta nenhuma dúvida de que estes laboram em completo estado de sujeição em relação ao poder de direção, sujeitos a uma hierarquia, cumprindo metas e observando os critérios, padrões e objetivos da contratante, obedecendo ordens superiores e comandando os seus inferiores. Os prestadores não assumem o risco da atividade econômica, bem como ainda são ressarcidos das despesas despendidas. Os trabalhadores executam suas atividades sobre a supervisão e fiscalização do contribuinte, obedecendo a suas normas, horários, filosofia de trabalho e padrões (estes, inclusive, estabelecidos em cláusula contratual). O serviço é executado nas dependências da contratante. A subordinação jurídica está presente no fato das pessoas físicas pagas através de pessoas jurídicas por elas constituídas se colocar à disposição do contribuinte, executando serviços essenciais e integrantes da hierarquia demonstrada nos organogramas. Estes trabalhadores, na estrutura empresarial do contribuinte, ocupam cargos e funções de gerentes, coordenadores, supervisores, analistas, vendedores internos, etc. Constam dos organogramas empresariais e atendem aos perfis traçados pelo contribuinte para suas contratações, conforme "Descrição de Cargos" retro mencionada. Os "Questionários para Análise de Cargos" relatam as dependências hierárquicas entre os diversos prestadores informando quem são os superiores a que se reportam e de que modo é executado o controle". Sem Razão. Fl. 4761DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 10803.000153/200821 Acórdão n.º 2301004.180 S2C3T1 Fl. 8 13 DA ILEGALIDADE DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Entendo que no ordenamento jurídico não há legislação que autoriza tal aplicação de juros sobre a multa de ofício. Todavia, vejo que a Recorrente não organizou em sua defesa inicial, ou seja, na impugnação a anatematização da questão, o que é supressão de instância, razão pela qual deixo de apreciála. DA ILEGALIDADE DA TAXA SELIC COMO JUROS DE MORA Alega a Recorrente que os juros aplicado com base na taxa SELIC é ilegal é defectível, eis que os juros incidentes sobre as contribuições sociais arrecadadas pela Previdência Social, pagas com atraso, incluídas ou não em notificação de débito, sujeitamse aos juros equivalentes à taxa SELIC, em caráter irrelevável, a partir da data de seu vencimento, conforme imposto pelo art. 34 da Lei n° 8.212/91: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei n2 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97) De mais a mais, tratase de questão sumulada nesta Corte: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Sem razão a Recorrente. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, o Recurso Voluntário aviado acode os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço e no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, com aplicação da Súmula CARF 99, para o fim de excluir do lançamento os meses até novembro de 2003, anteriores a dezembro de 2003, bem como aplicar a Súmula CARF 88, quando trata da Relação de CoResponsáveis CORESP”, onde esta não atribui responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. É o voto. (assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Corrêa – Relator Fl. 4762DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARCELO OLIVE IRA 14 Fl. 4763DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARCELO OLIVE IRA
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Numero do processo: 10580.001886/98-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997, 01/01/1998 a 31/12/1998
PIS - COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS RECONHECIDOS POR DECISÃO JUDICIAL.
No período de 27.12.96 a 30.12.02, era possível a compensação entre valores decorrentes de tributos distintos, desde que todos fossem administrados pela Secretaria da Receita Federal e que esse órgão, a requerimento do contribuinte, autorizasse previamente a compensação, consoante o estabelecido no art. 74 da Lei n. 9.430/96.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-002.766
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA
Presidente
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997, 01/01/1998 a 31/12/1998 PIS COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS RECONHECIDOS POR DECISÃO JUDICIAL. No período de 27.12.96 a 30.12.02, era possível a compensação entre valores decorrentes de tributos distintos, desde que todos fossem administrados pela Secretaria da Receita Federal e que esse órgão, a requerimento do contribuinte, autorizasse previamente a compensação, consoante o estabelecido no art. 74 da Lei n. 9.430/96. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 18 86 /9 8- 66 Fl. 226DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/1 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de pedido de compensação (fls. 01/08) apresentado em 27/11/1997, visando à compensação de débitos do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ com crédito da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS originado de recolhimentos efetuados com base nos Decretosleis n.° 2.445 e 2.449 ambos de 1988, declarados inconstitucionais. Foram anexados ao processo administrativo, além dos pedidos de restituição e compensação, os DARF´s originais dos recolhimentos da contribuição do PIS (fls. 10 a 53), além de cópia do mandado de segurança impetrado pela interessada para a discussão do direito do referido crédito (fls. 66/75). Neste processo judicial a Recorrente pretendia a declaração de inconstitucionalidade do PIS, bem como o reconhecimento do direito à compensação com outros tributos. O processo judicial teve sentença improcedente (fls. 172/177; efls. 175/179), acórdão procedente para inconstitucionalidade e compensação com quaisquer débitos (fls. 178/184; eproc. 180/187) e decisão do STJ restringindo a compensação para débitos de PIS (fls. 185/195; eproc. 188/198). Várias decisões foram proferidas no presente processo. A DRF em Salvador, mediante Parecer n° 947/98 (fls. 02), indeferiu o pleito da interessada, sob o argumento de que não restaram atendidos os requisitos previstos no art. 6° da Instrução Normativa SRF n° 21, de 10 de março de 1997. Contra tal decisão, a interessada opôs manifestação de inconformidade (fls. 07/09) e a Delegacia de Julgamento de Salvador anulou a decisão proferida pela DRF/Salvador (fls. 57/59), considerando a incompetência da autoridade julgadora, visto que a interessada é domiciliada em município pertencente à jurisdição da DRF/Feira de Santana. O processo retornou à origem para nova decisão. Nos termos do despacho decisório de 21/06/2001, a DRF de Feira de Santana resolveu não tomar conhecimento do pedido de restituição pleiteado no presente processo alegando a concomitância, por se tratar de matéria sub judice (fls. 80). Após recurso da interessada as fls. 85, a DRJ em Salvador indeferiu o pedido formulado, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/10/1997, 30/11/1997, 28/02/1998 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONCOMITÂNCIA ENTRE OS PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A propositura de ação judicial pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional e a submissão de matéria tutela, autônoma e superior, do Poder Judiciário, implica em renúncia às instâncias administrativas, quando coincidentes as matérias em discussão. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/1 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10580.001886/9866 Acórdão n.º 3302002.766 S3C3T2 Fl. 11 3 INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO. Os órgãos judicantes da Administração Fazendária não têm competência para pronunciarse a respeito da inconstitucionalidade de lei ou ato normativo por tratarse de matéria reservada, exclusivamente, ao Poder Judiciário. Solicitação Indeferida.” Tal decisão foi objeto de Recurso Voluntário e o Segundo Conselho de Contribuintes nos termos do Acórdão n. 20214.298, determinou o desmembramento dos processos outrora determinado e que fossem proferidas decisões individualizadas nos Processos n.s 10530.000011/9860 e 10580.001886/9866. Posteriormente, a DRF de Feira de Santana procedeu a disjuntada deste processo ao processo n° 10580.001886/9866, onde a interessada também apresentou pedido de compensação/restituição de crédito do PIS.. A DRF competente e com base no parecer de fls. 152/155, proferiu novo Despacho Decisório nº 1.497 de 22/09/2006 (fls. 135), resolvendo não conhecer do pedido de compensação formulado pela interessada, por entender que a matéria encontravase submetida à apreciação do Poder Judiciário. Em 31/10/2006, a interessada opôs Manifestação de Inconformidade, requerendo, após minuciosa exposição de seus argumentos, a reforma da decisão, de sorte que fosse homologada a compensação pleiteada. Nesta oportunidade a Recorrente informou o trânsito em julgado da ação judicial. A DRJ de Salvador, por meio do Acórdão 151961, em 17/06/2009, indeferiu a Manifestação de Inconformidade (fls. 194/197) nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/1997 a 31/12/1997, 01/01/1998 a 31/12/1998. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS RECONHECIDOS POR DECISÃO JUDICIAL. As unidades da Secretaria da Receita Federal devem dar cumprimento às decisões judiciais em vigor que disponham sobre a compensação de débitos do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, relativamente aos tributos e contribuições administrados pelo órgão, em seus exatos termos, quando a norma vigente a data em que foi proferida a decisão judicial e que regia a matéria não foi alterada por legislação superveniente, ainda que a interpretação da norma dada pelo Poder Judiciário tenha sido menos favorável ao sujeito passivo do que a interpretação da Secretaria da Receita Federal. Solicitação Indeferida.” O acórdão acima ementado entendeu, em síntese, que a Recorrente estava restrita aos limites da decisão judicial transitada em julgado que limitou a compensação do Fl. 228DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/1 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 crédito de PIS com débitos de PIS. Para aferir tal conclusão os julgadores de primeira instância administrativos esclareceram que a decisão judicial foi proferida quando já existente novas leias tratando da compensação, sendo que o julgador judicial não aplicou as leis existentes À lide. Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls.202/212), por meio do qual reiterou as razões trazidas em sua impugnação, especialmente a impossibilidade de restringirse a compensação a débitos de PIS. Defende a Recorrente em seu recurso a aplicação retroativa da legislação mais benéfica a título de compensação; bem como a inexistência de trânsito em julgado sobre o assunto, uma vez que o julgador judicial analisou a lide à luz das questões nela colocadas, e não sob a égide da nova legislação. É o relatório. Voto CONSELHEIRA FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, a Recorrente ingressou com o Mandado de Segurança nº 1997.33.006507, pleiteando o direito de compensar os pagamentos do PIS feitos com base nos DecretosLeis nº 2.445 e 2.449, de 1988, com débitos diversos daqueles devidos a título de PIS. Todavia, a decisão que definiu o processo não reconheceu o direito tal como pleiteado, restringindo a compensação do PIS somente com débitos de PIS. Foi por esta razão que os julgadores de primeira instância administrativa indeferiram a compensação ora analisada. A questão que se coloca, portanto, é se a compensação realizada pela Recorrente está restrita às limitações judiciais. Como se pode constatar das razões da decisão proferida pelo STJ nº 262.515 BA de 17/02/2002 (fls. 173/175 – mandado de segurança impetrado pela contribuinte), a autorização para a Recorrente realizar compensação teve como fundamento legal o art. 66 da Lei nº 8.383/91. Da leitura das decisões proferidas no processo judicial e anexadas aos autos, percebo que não houve, por parte do julgador judicial, a consideração da nova legislação, assim como não consta pedido das partes para que a nova legislação fosse considerada. A compensação foi analisada com base no pedido inicial, art. 66 da Lei 8.383/91. Esta legislação sofreu várias alterações, a exemplo das Leis nº 9.430/96 e 10.637/02, que passaram a permitir a compensação do crédito de um tributo com débito de qualquer tributo administrado pela RFB. Entendo que aplicase ao caso concreto a Solução de Divergência COSIT nº 2/2010, publicada no DOU 11/11/2010, que tem a seguinte redação: “Os créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, ou ainda, que tenha permitido apenas a repetição do indébito, Fl. 229DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/1 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10580.001886/9866 Acórdão n.º 3302002.766 S3C3T2 Fl. 12 5 poderão ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB (a) se houver legislação superveniente que assegure igual tratamento aos demais contribuintes ou (b) se a legislação vigente quando do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva.” Assim, a restrição em relação à compensação de tributos distintos foi afastada por legislação superveniente, pois, atualmente, é permitido a todos os contribuintes efetuar a compensação de indébitos de PIS com débitos de qualquer tributo administrado pela RFB. Ainda, registro por importante que a legislação vigente, quando do trânsito em julgado da ação judicial em 2003, não foi o fundamento da decisão do STJ, que analisou apenas a Lei nº 8.383/91. O Superior Tribunal de Justiça, ao avaliar procedimento de compensação, em caso semelhante, assim se pronunciou de forma definitiva: “TRIBUTÁRIO. COFINS. COMPENSAÇÃO COM TRIBUTOS DE ESPÉCIES DIVERSAS. IMPOSSIBILIDADE. INICIAL INTERPOSTA ANTES DA VIGÊNCIA DA LEI 10.637/02. PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO NO RESP 720.966/ES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. 1. Agravo regimental que não trouxe nenhum argumento capaz de infirmar a decisão agravada. Pretensão, apenas, de rejulgamento da causa sem nova argumentação. 2. Cuidase de questão pacificada no âmbito desta Corte quando do julgamento do REsp 720.966/ES, de relatoria da e. Ministra Eliana Calmon, afetado à 1ª Seção pela 2ª Turma, no qual se adotou a seguinte solução: (a) até 30.12.91, não havia, em nosso sistema jurídico, a figura da compensação tributária; (b) de 30.12.91 a 27.12.96, havia autorização legal apenas para a compensação entre tributos da mesma espécie, nos termos do art. 66 da Lei n. 8.383/91; (c) de 27.12.96 a 30.12.02, era possível a compensação entre valores decorrentes de tributos distintos, desde que todos fossem administrados pela Secretaria da Receita Federal e que esse órgão, a requerimento do contribuinte, autorizasse previamente a compensação, consoante o estabelecido no art. 74 da Lei n. 9.430/96; (d) a partir de 30.12.02, com a nova redação do art. 74 da Lei 9.430/96, dada pela Lei n. 10.637/02, foi autorizada, para os tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, a compensação de iniciativa do contribuinte, mediante entrega de declaração contendo as informações sobre os créditos e débitos utilizados, cujo efeito é o de extinguir o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação... (...)” (AgRg no Ag 1092752 / SP, DJe 19/08/2009)”. (grifamos) Fl. 230DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/1 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 Portanto, o crédito do PIS decorrente de pagamento indevido pode e deve ser utilizado para compensar débitos de IRPJ, devidamente declarados, até o limite do crédito reconhecido pela autoridade da RFB. Contudo, a discussão no caso em comento vai além da compensação pleiteada de débito de IRPJ com créditos do PIS, a celeuma também se coloca quanto ao momento que foi efetuada a compensação, ou seja, indagase: à época do pedido administrativo a legislação autorizava a compensação antes do trânsito em julgado da ação judicial. Vale lembrar que, à época da propositura da ação judicial e do pedido de compensação, vigia a Lei nº 9.430/96 in verbis: “Art. 73. Para efeito do disposto no art. 7º do Decretolei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal, observado o seguinte: (...) Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração.” Veja que os artigos 73 e 74, vigentes à época da formulação do pedido de compensação, em 07/04/1998 (fl. 01 verso) nada prescrevem em relação à obrigatoriedade do trânsito em julgado para se pleitear a compensação. Contudo, encontravase em vigor a Instrução Normativa SRF n° 21, de 10 de março de 1997, a qual vedava a restituição ou compensação créditos do sujeito passivo, objeto de decisão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão, nos seguintes termos: “Art. 14.... (...) § 6º A utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art.1. (...) Art. 17. Para efeito de restituição, ressarcimento ou compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição ou de ressarcimento uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação. (Redação dada pela IN SRF n º 73/97, de 15/09/1997 ) § 1° No caso de título judicial em fase de execução, a restituição, o ressarcimento ou a compensação somente poderão ser efetuados se o contribuinte comprovar junto à unidade da SRF a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial e assumir todas as custas do processo, inclusive os Fl. 231DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/1 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10580.001886/9866 Acórdão n.º 3302002.766 S3C3T2 Fl. 13 7 honorários advocatícios. (Redação dada pela IN SRF n º 73/97, de 15/09/1997 ). § 2° Não poderão ser objeto de pedido de restituição, ressarcimento ou compensação os créditos decorrentes de títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório. (Incluído pela IN SRF n º 73/97, de 15/09/1997 ).” Por tais dispositivos, somente o crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado seria passível de compensação, sendo que o contribuinte deveria comprovar a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do respectivo título judicial. Em que pese tal posicionamento, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, por ocasião do julgamento do Recurso Especial 1.167.039/DF, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil (recursos repetitivos), firmou o entendimento segundo o qual o art. 170A do CTN que veda a compensação de créditos tributários antes do trânsito em julgado da ação aplicase somente às demandas ajuizadas após 10.1.2001, mesmo na hipótese de tributo declarado inconstitucional. Ainda que não fosse por isso não seria admissível restringir o direito da Recorrente com base em Instruções Normativas, haja vista que os artigos 73 e 74 da Lei no 9.430/96 não determinavam o trânsito em julgado para o exercício do direito à compensação. Neste aspecto, já me manifestei anteriormente, que a partir do momento que a instruções normativas são utilizadas com o fim precípuo de restringir o direito do contribuinte, extrapolam o seu dever regulamentador. Neste aspecto também está a jurisprudência judicial, in verbis: “TRIBUTÁRIO E ADMINISTRATIVO. APELAÇÃO. MANDADO DE SEGURANÇA. COMPENSAÇÃO. EXIGÊNCIAS. HABILITAÇÃO. RENÚNCIA DA EXECUÇÃO DO TÍTULO JUDICIAL E DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. IN 517/05 E IN 486/04. I Compensação de créditos reconhecidos judicialmente. II As Instruções Normativas extrapolaram as suas funções ao estabelecerem a exigência de habilitação dos créditos, bem como da renúncia aos honorários advocatícios. III Possibilidade de se exigir a comprovação de renúncia da execução do título judicial. IV Descabida a condenação da Apelada ao pagamento de honorários advocatícios, a teor das Súmulas ns. 105 e 512, do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, respectivamente. V Apelação parcialmente provida para reconhecer o direito à compensação dos créditos em questão, sem a exigência de habilitação dos créditos, exigida na IN/RF 517/05, bem como da renúncia aos honorários advocatícios, conforme previsto na Fl. 232DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/1 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 8 IN/RF 486/04.” (TRF3 APELAÇÃO CÍVEL AMS 4755 SP 000475508.2005.4.03.6100 , Data de publicação: 22/11/2012) Assim, é de meu entendimento que nenhuma instrução normativa tem o condão de afastar o direito líquido e certo da Recorrente ao crédito tributário pleiteado e reconhecido inclusive judicialmente. Portanto, o crédito do PIS pode e deve ser utilizado para compensar débitos do IRPJ, devidamente declarados e requeridos, oportunamente, até o limite do crédito reconhecido pela autoridade da RFB. Isto posto, voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário, para garantir o direito da Recorrente à compensação, deixando de homologar a compensação realizada por ressalvar à autoridade administrativa competente a apuração do crédito efetivamente existente em favor da Recorrente. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 233DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/1 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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