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Numero do processo: 13839.721088/2011-57
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS.
O êxito das alegações contidas na impugnação e no Recurso Voluntário está diretamente ligado no conjunto probatório dos autos e em sua conformidade com as exigências contidas na legislação tributária, de forma a não deixar dúvida em relação à fidedignidade dos fatos alegados.
Numero da decisão: 2002-000.203
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. O êxito das alegações contidas na impugnação e no Recurso Voluntário está diretamente ligado no conjunto probatório dos autos e em sua conformidade com as exigências contidas na legislação tributária, de forma a não deixar dúvida em relação à fidedignidade dos fatos alegados.
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DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. O êxito das alegações contidas na impugnação e no Recurso Voluntário está diretamente ligado no conjunto probatório dos autos e em sua conformidade com as exigências contidas na legislação tributária, de forma a não deixar dúvida em relação à fidedignidade dos fatos alegados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 72 10 88 /2 01 1- 57 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13839.721088/201157 Acórdão n.º 2002000.203 S2C0T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls.39/47), contra decisão de primeira instância (fls.30/32) que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: Tratase de impugnação em face à Notificação de Lançamento, fls.16/22, lavrada contra a interessada, já qualificada nos autos, em procedimento de revisão de Declaração de Ajuste Anual, Exercício 2008, AnoCalendário 2007, no qual foram constatadas as seguintes infrações: I Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa jurídica pela titular, no valor de R$11.297,00, com IRRF no valor de R$1.143,00, declarados na Dirf da empresa GE Promoções e Serviços de Cobrança e Telemarketing Ltda, CNPJ: 02.501.077/000170, apurada da seguinte forma: Rendimento Recebido – R$26.871,81 Rendimento Declarado –R$15.574,81 Omissão – R$11.297,00 II Glosa do valor de RS11.332,71 , indevidamente deduzido a titulo de Despesas Médicas, por falta de endereço do prestador de serviço e considerar apenas o valor de R$824,24 como despesa da declarante com a Unimed de Jundiaí, conforme a seguir indicado: Marcelo Luiz Massagli, CPF: 046.539.77860, no valor de R$1.600,00; Fabiana Christina Lucena Ribeiro, CPF: 259.546.62835, no valor de R$8.400,00; e Unimed de Jundiaí Cooperativa, CNPJ: 56.727.134/000163, no valor de R$3.332,72 (manutenção de R$824,24). Resultou a ação fiscal na apuração de crédito tributário no valor de R$11.589,13, compreendendo o imposto, a multa de ofício (passível de redução) e os juros de mora calculados até 29/04/2011. Em sua impugnação, fls. 02/03, a interessada, alega, em síntese, que: Informa que pagou corretamente o imposto de renda baseada nas informações de rendimento fornecidas pela GE Promoções e Serviços de Cobrança e Telemarketing Ltda, com um aviso para desconsiderar o Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13839.721088/201157 Acórdão n.º 2002000.203 S2C0T2 Fl. 4 3 informe anterior por erro de valor declarado e conclui que a firma não deve ter feito a retificação na Dirf. Quanto às deduções com despesas médicas informa, na impugnação, os endereços dos médicos Marcelo Luiz Massagli e Fabiana Christina Lucena Ribeiro, acrescentando que necessitou dos serviços de fisioterapia e tratamento dentário e desconhecia da necessidade de ter no recibo o endereço dos prestadores. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: IRPF. REVISÃO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. OMISSÃO DE RENDIMENTO TRIBUTÁVEIS DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. O êxito das alegações contidas na impugnação está diretamente ligado ao conjunto probatório existente nos autos e em sua conformidade com as exigências contidas na legislação tributária, de forma a não deixar dúvida em relação à fidedignidade dos fatos alegados. Inconformada a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário, aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. Contribuinte notificada em 11/10/2013 (fl.37), Recurso Voluntário protocolado em 11/11/2013 (fl.39). Diz a recorrente que a divergência de valores encontrada pelo Sr Auditor Fiscal, decorreu exclusivamente de erro por parte da empresa pagadora que informou valores a maior do efetivamente pago e deixou de retificar a sua DIRPF. Assim desta forma, deveria a recorrenteter juntado em seu Recurso Voluntário, uma declaração da empresa nos exatos termos de sua alegação, não o fazendo assiste razão ao Fisco. No que pertine a Dedução de Valores Pagos pela Prestação de Serviços Médicos/Saúde, alude a recorrente, que apresentou todos os recibos em sede de impugnação, mas que foram rejeitados pelo Sr Auditor Fiscal. Pulsando os autos, verifico não haver nenhum recibo juntado com a impugnação, e muito menos em sede de Recurso Voluntário. E mais, à fl.49 dos autos, no "Termo de Análise de Solicitação de Juntada" assim retrata: · Recurso Voluntário E os seguintes documento não foram aceitos: Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13839.721088/201157 Acórdão n.º 2002000.203 S2C0T2 Fl. 5 4 Nenhum documento foi rejeitado. Assim sendo, entende este relator que a recorrente não produziu nenhuma prova dos fatos, que pudesse combater a ação do Fisco. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito, negase provimento, mantendo a exação fiscal. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 56DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10670.005223/2008-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SIMPLES NACIONAL
Exercício: 2010
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. PROCEDÊNCIA.
Há de se manter a exclusão do Regime Especial Unificado de Tributos e Contribuições (SIMPLES NACIONAL), na circunstância em que o contribuinte não traz ao processo mácula de qualquer natureza capaz de tornar insubsistente o motivo causador da providência. No caso vertente, em que a referida exclusão se deu em razão da existência de débito com a Fazenda Pública, eventual contestação contra a exigibilidade desse mesmo débito deveria ter sido direcionada para o feito administrativo que cuidou da
sua constituição, revelando-se imprópria a sua apresentação no processo administrativo que cuidou de ato decorrente (exclusão do SIMPLES NACIONAL).
Numero da decisão: 1301-000.973
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator, vencido o Conselheiro Valmir Sandri.
Nome do relator: Wilson Fernandes Guimarães
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ementa_s : SIMPLES NACIONAL Exercício: 2010 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. PROCEDÊNCIA. Há de se manter a exclusão do Regime Especial Unificado de Tributos e Contribuições (SIMPLES NACIONAL), na circunstância em que o contribuinte não traz ao processo mácula de qualquer natureza capaz de tornar insubsistente o motivo causador da providência. No caso vertente, em que a referida exclusão se deu em razão da existência de débito com a Fazenda Pública, eventual contestação contra a exigibilidade desse mesmo débito deveria ter sido direcionada para o feito administrativo que cuidou da sua constituição, revelando-se imprópria a sua apresentação no processo administrativo que cuidou de ato decorrente (exclusão do SIMPLES NACIONAL).
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EXCLUSÃO. PROCEDÊNCIA. Há de se manter a exclusão do Regime Especial Unificado de Tributos e Contribuições (SIMPLES NACIONAL), na circunstância em que o contribuinte não traz ao processo mácula de qualquer natureza capaz de tornar insubsistente o motivo causador da providência. No caso vertente, em que a referida exclusão se deu em razão da existência de débito com a Fazenda Pública, eventual contestação contra a exigibilidade desse mesmo débito deveria ter sido direcionada para o feito administrativo que cuidou da sua constituição, revelandose imprópria a sua apresentação no processo administrativo que cuidou de ato decorrente (exclusão do SIMPLES NACIONAL). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator, vencido o Conselheiro Valmir Sandri. “documento assinado digitalmente” Alberto Pinto Souza Junior Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 68DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 7/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10670.005223/200890 Acórdão n.º 130100.973 S1C3T1 Fl. 63 2 Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alberto Pinto da Souza Junior, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 7/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10670.005223/200890 Acórdão n.º 130100.973 S1C3T1 Fl. 64 3 Relatório MAURÍCIO AMORMINO, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora, Minas Gerais, que indeferiu pedido veiculado por meio de manifestação de inconformidade, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exclusão do SIMPLES NACIONAL fundada na alegação de existência de débitos fiscais em nome da contribuinte, sem a exigibilidade suspensa, fato representativo de causa impeditiva de opção pelo citado regime nos termos do inciso V, do art. 17, da Lei Complementar nº 123, de 2006. Em sede de manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou que apresentou a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica 2001 dentro do prazo legal, mas que posteriormente foi comunicado pela Receita Federal de sua exclusão do Simples Federal a partir de novembro de 2000 e, por isso, teve que apresentar outra declaração, desta vez pelo lucro presumido, relativa ao período de novembro e dezembro de 2000. Diante de tal contexto, discordou das multas geradas pelo atraso na entrega desta última declaração, processo n° 10670.200900/200610, que deram origem à inscrição em Dívida Ativa da União. A já citada 1a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora, analisando os elementos reunidos ao processo, decidiu, por meio do Acórdão nº. 09 30.020, de 17 de junho de 2010, pela improcedência da manifestação de inconformidade. O referido julgado restou assim ementado: EXCLUSÃO. DÉBITO. Deve ser excluída do Simples Nacional a pessoa jurídica que possui débito junto a Fazenda Pública Federal, cuja exigibilidade não esteja suspensa e não pago dentro de 30 (trinta) dias da ciência do Ato de Exclusão. Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 31, por meio do qual renova a argumentação expendida na manifestação de inconformidade anteriormente apresentada. É o Relatório. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 7/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10670.005223/200890 Acórdão n.º 130100.973 S1C3T1 Fl. 65 4 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. A controvérsia a ser enfrentada no presente processo está relacionada à exclusão da contribuinte do SIMPLES NACIONAL em razão da constatação de fato impeditivo, qual seja, a existência de débitos com a Fazenda Pública, cuja exigibilidade não se encontra suspensa. O Ato Declaratório Executivo de exclusão (fls. 06) aponta, como fundamento legal para a providência, o inciso V do art. 17 da Lei Complementar nº 123, de 2006, abaixo reproduzido. Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: [...] V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; O débito que serviu de suporte para a exclusão em questão encontrase detalhado às fls. 17/19. Referese à multa, encontrase inscrito em dívida ativa e, pelo que se pode supor, decorre de apuração promovida por meio do processo nº 10670.200900/200610 (fls. 07). Em sede de recurso voluntário, renovando argumentos expendidos na Manifestação de Inconformidade anteriormente apresentada, a contribuinte procura contestar o débito que serviu de fundamento para a exclusão. Neste particular, noto que a peça de defesa encartada no processo e recepcionada como recurso faz referência, em epígrafe, ao processo nº 10670.200900/200610, e não ao presente. Os argumentos apresentados pela contribuinte, inclusive, são direcionados para atacar “auto de infração”, peça que, à evidência, não compõe o acervo documental reunido no presente processo. Como adequadamente salientado pela decisão de primeira instância, as alegações acerca de uma eventual improcedência do débito inscrito em dívida ativa que motivou a exclusão do SIMPLES NACIONAL, deveriam ter sido aportadas ao processo que tratou da matéria. Assim, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 71DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 7/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10670.005223/200890 Acórdão n.º 130100.973 S1C3T1 Fl. 66 5 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 7/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR
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Numero do processo: 11080.724128/2015-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.799
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, vencida a relatora (Conselheira Mara Cristina Sifuentes), converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora: (i) detalhe conclusivamente, se necessário, com planilhas extraídas com consultas a banco de dados da RFB, preservado o sigilo do nome dos importadores, a existência (ou não) de importação de mercadorias idênticas ou similares, observados os conceitos e requisitos do AVA-GATT, e a alegação de defesa que revê, ainda que a título exemplificativo, a informação anterior do sujeito passivo sobre o tema; (ii) manifeste-se sobre os erros de cálculo apontados em recurso voluntário que não foram objeto da diligência realizada ainda antes do julgamento de piso; e (iii) produza relatório circunstanciado sobre os temas objeto da diligência, cientificando a recorrente para que esta, se assim desejar, apresente manifestação no trintídio regulamentar, retornando-se posteriormente os autos a este CARF, para julgamento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rosaldo Trevisan.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente o Conselheiro Cássio Schappo.
Relatório
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, vencida a relatora (Conselheira Mara Cristina Sifuentes), converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora: (i) detalhe conclusivamente, se necessário, com planilhas extraídas com consultas a banco de dados da RFB, preservado o sigilo do nome dos importadores, a existência (ou não) de importação de mercadorias idênticas ou similares, observados os conceitos e requisitos do AVAGATT, e a alegação de defesa que revê, ainda que a título exemplificativo, a informação anterior do sujeito passivo sobre o tema; (ii) manifestese sobre os erros de cálculo apontados em recurso voluntário que não foram objeto da diligência realizada ainda antes do julgamento de piso; e (iii) produza relatório circunstanciado sobre os temas objeto da diligência, cientificando a recorrente para que esta, se assim desejar, apresente manifestação no trintídio regulamentar, retornandose posteriormente os autos a este CARF, para julgamento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rosaldo Trevisan. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 24 12 8/ 20 15 -2 1 Fl. 5631DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.595 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente o Conselheiro Cássio Schappo. Relatório Tratase de Auto de Infração para exigência de Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, contribuições para o PISImportação e CofinsImportação, acréscimos legais e multa por declaração inexata prevista no inciso III, art. 711 do Regulamento Aduaneiro. Do relatório fiscal concluise que foi efetuada a valoração aduaneira das mercadorias importadas no período de 2010 a 2013, por a empresa ter sido autuada por ter praticado preços influenciados pela vinculação existente entre ela e seus fornecedores estrangeiros em grande parte de suas operações de importação, o que, nos termos do que determina o parágrafo 1(d), Artigo 1, do Acordo de Valoração Aduaneira AVA/GATT, tornou inviável a utilização do 1º método de valoração aduaneira, tendo sido determinado o valor aduaneiro das importações pela utilização do 6º método de valoração, depois de demonstrada a impossibilidade de utilização dos métodos substitutivos precedentes. A fiscalização apresenta no relatório fiscal informações sobre a empresa e suas operações, além de explicitar a metodologia utilizada no trabalho de apuração do valor aduaneiro conforme preconiza o AVAGATT. Apresentou também o histórico do procedimento fiscal, com detalhamento das informações solicitadas à empresa e respostas apresentadas. Informa no Relatório Fiscal que no período sob fiscalização, de 2010 a 2013, o importador registrou, 8.503 declarações de importação – DIs, cujo valor total declarado foi de US$ 236.290.805,55. Destas, 2.236 operações (26%) no valor de US$ 101.149.640,84 (43%) referemse a mercadorias adquiridas de exportadores pertencentes ao próprio grupo GKN. Estes dados correspondem a importações registradas pela matriz e pelas filiais 2 e 7 da empresa, embora a matriz tenha sido responsável pelo registro de operações que totalizam US$ 100.137.347,15. Estão sendo consideradas nesta fiscalização apenas aquelas DI´s cujas mercadorias foram exportadas por empresas que contenham em seu nome a expressão GKN, conforme consta da planilha I (fls. 3260 a 4063). Nestas importações, o contribuinte informou, no campo específico referente à valoração aduaneira, que utilizou o Primeiro Método de Valoração, amparado na declaração de que a vinculação existente com os exportadores estrangeiros não teria influenciado os preços praticados, como demonstram as informações constantes na PLANILHA I (fls. 3260 a 4063). O contribuinte utilizou em suas importações diversos regimes de tributação: Recolhimento Integral, Drawback Suspensão, Drawback Isenção, Redução pelo Regime Automotivo e Preferência Tarifária do Mercosul. Embora algumas operações tenham sido Fl. 5632DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.596 3 registradas em nome das filiais 2 e 7 da empresa, para efeito deste procedimento fiscal, agrupamos todas as importações no estabelecimento matriz, que é quem efetivamente mantém os controles sobre as operações registradas, especialmente no que se refere aos cálculos dos preços parâmetros para efeitos da legislação sobre Preços de Transferência. A fiscalização teve início a partir de constatações efetuadas nas DIs e nas DIPJs apresentadas pelo contribuinte, que sugeriam que os preços declarados nos despachos aduaneiros poderiam ter sido influenciados pela vinculação entre o importador e os exportadores estrangeiros. Em resposta à intimação o contribuinte informou que elegeu o método CPL (custo de produção mais lucro), onde o custo de produção computado abrange o custo de matéria prima, os custos variáveis compostos por mãodeobra variável e insumos variáveis, e custos fixos, compostos por mãodeobra fixa, depreciação de ativos e outros insumos fixos. Também apresentou planilha contendo a composição percentual de cada parcela do custo. Além disso, o contribuinte informou que a empresa não adquire produtos idênticos ou similares de fornecedores não vinculados; que os fornecedores vinculados não exportam os mesmos produtos para importadores não vinculados; que para a Divisão Driveline, a definição dos preços se dá com base em catálogo de preços de transferência definido globalmente e que, para a Divisão Walterscheid, não existe uma regra específica, em função da diversidade de produtos de maneira que os preços são definidos comercialmente entre as empresas envolvidas. As respostas apresentadas deixam evidente que, pelo menos em relação à Divisão Driveline, que representa mais de 90% do valor total importado, os preços praticados não decorrem de negociações comerciais. A empresa foi intimada a apresentar contratos sociais, contratos de licenciamento e assistência técnica. Após análise efetuada foi informada à empresa a impossibilidade de se utilizar o valor de transação para valoração aduaneira pela constatação de que a vinculação entre as empresas havia influenciado os preços praticados. Após diversas intimações foram efetuadas várias trocas de informações e esclarecimentos para se chegar ao preço da mercadoria. De posse da documentação obtida com a empresa a fiscalização inicia o procedimento de valoração aduaneira, prestando esclarecimentos sobre o AVAGATT e que não era possível utilizar o 1º método de valoração por haver vinculação entre as empresas que influenciou no preço das mercadorias. Apresenta relatório demonstrando como foi constatada a vinculação entre as empresas e a influência nos preços. Perpassa por todos os métodos de valoração até concluir pela aplicação do 6º método. Discorre sobre o preço de transferência, a legislação aplicável e a obrigatoriedade de apresentar na DIPJ a comparação entre os preços médios ponderados praticados em suas operações com os preços parâmetros, para determinação do IRPJ e CSLL. Regularmente cientificada a empresa apresentou impugnação que foi julgada pela DRJ Fortaleza, acórdão 08037824, de 15/02/2017: Acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado, por: Fl. 5633DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.597 4 I – PRELIMINARMENTE, por maioria, a) CONHECER do teor da peça impugnatória; b) NEGAR o pedido de diligência; c) REJEITAR as preliminares de nulidades em função do objeto valoração aduaneira, por o lançamento ter sido efetuado em nome da matriz, no lugar do estabelecimento filial que registrou a DI. O julgador Ricardo Serra Rocha acompanhou pela conclusão a rejeição da preliminar de nulidade em virtude do lançamento ter sido efetuado em nome da matriz, no lugar do estabelecimento filial que registrou a DI, conforme Declaração de Voto. O julgador Ícaro Nonato Lopes Cezar acolheu a preliminar de nulidade formal dos lançamentos referentes às importações registradas pelos estabelecimentos filiais, mas autuados no CNPJ da matriz, conforme Declaração de Voto. d) NÃO APRECIAR as alegações de inconstitucionalidades referentes às multas de ofício e isolada. e) ACOLHER a nulidade, por vício material, da exigência de II e respectivos acréscimos legais, referente à DI nº 13/15861730 (adições 001 a 009), pela não demonstração da matéria tributável, no valor total de: R$ 4.154,00 de II; R$ 3.115,50 de multa de 75%; R$ 674,14 de juros de mora. II NO MÉRITO, POR UNANIMIDADE, JULGAR PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação apresentada, MANTENDO o crédito tributário no valor total de R$ 15.109.716,08 (consideradas todas as exonerações), e, EXCLUINDO dos lançamentos os valores referentes à inclusão em duplicidade de parcelas do frete internacional no valor aduaneiro das oito importações discriminadas no quadro abaixo. Fl. 5634DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.598 5 Intimese a impugnante para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações posteriores. DEIXASE DE RECORRER DE OFÍCIO do presente Acórdão perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, não obstante a previsão no artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, em virtude de o crédito tributário exonerado ser inferior ao limite de alçada previsto no artigo 1º da Portaria MF nº 63, de 10 de fevereiro de 2017. A empresa apresenta Recurso Voluntário em que argumenta, em síntese: 1 nulidade do lançamento em nome da matriz; 2 nulidade do auto de infração por ter como objeto valoração aduaneira e ter sido exigido documentos relativos ao preço de transferência; 3 inafastabilidade do 1º método de valoração aduaneira; 4 inobservância sequencial obrigatória dos métodos de valoração; 5 momento da constatação do valor aduaneiro; 6 observância das orientações expedidas pelo comitê técnico de valoração aduaneira; 7 opinião consultiva 2.2 e estudo de caso 12.1; 8 cálculos efetuados para se chegar ao valor aduaneiro; 8.1 inclusão indevida de operações de importação cujo valor praticado supera o valor calculado pela RFB através do 6º método; 8.2 inclusão indevida de importações efetuadas do Uruguai; 8.3 informações equivocadas de preços parâmetro (utilizados para fins de determinação de ajustes do preço de transferência) utilizadas subsidiariamente para aplicação do 6º método; 8.4 inclusão, no auto de infração, de importações que foram incluídas como ajustes nas bases de cálculo do IRPJ e CSLL para fins de determinação dos preços de transferência (método CPL), em decorrência da adoção de margem de lucro superior a 20%; 8.5 imposição de margem de lucro superior ao patamar de 20% estabelecido pela legislação do preço de transferência para fins de aplicação do 6º método de valoração aduaneira; Fl. 5635DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.599 6 8.6 taxa cambial utilizada para fins de apuração de eventual ajuste no valor aduaneiro, em especial, o IENE; 8.7 apuração do valor aduaneiro por DI para fins de lavratura do auto; 9 informações prestadas pela fiscalização na diligência; 9.1 itens indicados com a expressão #N/D que foram revalorados; 9.2 margens de lucro consideradas como aceitáveis; 9.3 itens não revalorados; 9.4 taxa de moedas utilizadas na conversão; 9.5 DIs com itens faltantes; 9.6 itens com problemas de fórmula; 9.7 moeda utilizada para conversão dos custos; 10 inaplicabilidade da multa; 11 ônus da prova. E por fim conclui que: É o relatório. Fl. 5636DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.600 7 Voto Vencido Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. 1 Da nulidade do lançamento em nome da matriz. A recorrente inicia o contraditório alegando que o art. 127 II do CTN dispõe que o domicílio tributário se dá no lugar da sede, ou, em relação aos atos ou fatos que derem origem à obrigação, o de cada estabelecimento, sendo denominado Princípio da Autonomia do Estabelecimento. Art. 127. Na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicílio tributário, na forma da legislação aplicável, considerase como tal: [...]II quanto às pessoas jurídicas de direito privado ou às firmas individuais, o lugar da sua sede, ou, em relação aos atos ou fatos que derem origem à obrigação, o de cada estabelecimento. Apresenta a Solução de Consulta Cosit nº 27/2013 que dispõe que tendo a pessoa jurídica diversos estabelecimentos em lugares diferentes, cada um será considerado domicílio para os atos nele praticados. Dessa forma é absolutamente teratológico agruparse todas as importações no estabelecimento matriz, mesmo em razão de que esta pode concentrar o controle sobre as operações registradas, conforme relatado em fls. 4592, eis que o fato gerador de cada obrigação opera de maneira individualizada. A preliminar foi rejeitada pela DRJ por maioria, tendo dois julgadores apresentado Declaração de Voto. Consta no Relatório fiscal a informação de que os estabelecimentos, filiais 2 e 7, atuaram de forma residual no comércio internacional, sendo que das DIs que foram autuadas 98,99% foram registradas pela matriz: A sede social da empresa é na Rua Joaquim Silveira, 557, Parque São Sebastião, Porto Alegre, RS. Além da matriz, atuaram no comércio internacional, ainda que de forma muito residual, a filial 2 (CNPJ 58.512.310/000256), com sede na Rua Albarus, 11, Distrito Industrial, Charqueadas, RS, e a filial 7 (CNPJ 58.512.310/000760), com sede na Rua Caí, 240, Vila Princesa Izabel, Cachoeirinha, RS. ... No período sob fiscalização, de 2010 a 2013, o importador registrou, 8.503 declarações de importação – DIs, cujo valor total declarado foi Fl. 5637DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.601 8 de US$ 236.290.805,55. Destas, 2.236 operações (26%) no valor de US$ 101.149.640,84 (43%) referemse a mercadorias adquiridas de exportadores pertencentes ao próprio grupo GKN. Estes dados correspondem a importações registradas pela matriz e pelas filiais 2 e 7 da empresa, embora a matriz tenha sido responsável pelo registro de operações que totalizam US$ 100.137.347,15. (grifos nossos) E a fiscalização assim justifica a opção por agrupar todas as importações no estabelecimento matriz para efeito de lançamento: Embora algumas operações tenham sido registradas em nome das filiais 2 e 7 da empresa, para efeito deste procedimento fiscal, agrupamos todas as importações no estabelecimento matriz, que é quem efetivamente mantém os controles sobre as operações registradas, especialmente no que se refere aos cálculos dos preços parâmetros para efeitos da legislação sobre Preços de Transferência. Os autos de infração que decorrem deste procedimento, portanto, são lavrados diretamente contra o estabelecimento matriz, independente de qual estabelecimento tenha figurado como importador. (grifos nossos) Na diligência efetuada foi solicitado que a fiscalização apresentasse relação das importações autuadas por estabelecimento importador. E foi respondido das 2.236 importações realizadas, 22 (vinte duas) DI´s foram registradas para a filial 2 e 2 (duas) DIs para a filial 7: No quarto item, a Auditora Fiscal julgadora solicita que seja apresentada a relação das importações autuadas com a identificação do estabelecimento do importador de cada DI. Em atendimento ao solicitado, informamos que, com exceção de apenas 24 DI, todas as demais importações autuadas foram registradas em nome do próprio estabelecimento matriz, CNPJ 58.512.310/000175, com endereço na Rua Joaquim Silveira, 557, Bairro Parque São Sebastião, Porto Alegre, RS. Das 24 DI registradas em nome de outros estabelecimentos, 22 DI foram registradas em nome da filial 2, CNPJ 58.512.310/000256, com endereço na Rua Albarus, 11, Distrito Industrial, Charqueadas, RS, e somente 2 DI foram registradas em nome da filial 7, CNPJ 58.512.310/000760, com endereço na Rua Caí, 240, Vila Princesa Izabel, Cachoeirinha, RS. (apresenta relação fls. 5053 e 5054) (grifos nossos) O acórdão recorrido decidiu que no tocante ao princípio da autonomia dos estabelecimentos entende que na esfera tributária apenas para efeitos de IPI cada estabelecimento pode ser tratado como autônomo, de acordo com o art. 51, parágrafo único, CTN, e entende que essa é a posição externada na SC Cosit nº 27/2013: Art. 51. Contribuinte do imposto é: I o importador ou quem a lei a ele equiparar; II o industrial ou quem a lei a ele equiparar; Fl. 5638DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.602 9 III o comerciante de produtos sujeitos ao imposto, que os forneça aos contribuintes definidos no inciso anterior; IV o arrematante de produtos apreendidos ou abandonados, levados a leilão. Parágrafo único. Para os efeitos deste imposto, considerase contribuinte autônomo qualquer estabelecimento de importador, industrial, comerciante ou arrematante. . Solução de Consulta nº 27 –Cosit, de 25/11/2013 34. Finalmente, o CTN, em 1966, dá prioridade à eleição pelo contribuinte de seu “domicílio tributário”. O domicílio tributário, como regra, é de eleição pelo contribuinte dentre os possíveis domicílios definidos pela legislação civil, ressalvada a recusa fiscal quando a escolha impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização do tributo, bem como no caso de aplicação do princípio da autonomia do estabelecimento que faz de cada filial uma unidade independente, quando se trata de fatos geradores individualizados, como, no âmbito federal, para o caso do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI. 35. No que toca ao domicílio tributário das pessoas jurídicas, há que se observar, porém, que o Superior Tribunal de Justiça – STJ, no REsp 1137236/SC (DJe 15/08/2011), ao admitir a vigência do art. 34, parágrafo único, da Lei n. 4.154, de 1962, bem como do art. 212 do Regulamento aprovado pelo Decreto n. 3.000/99, decidiu que esta norma específica está em conformidade com a norma geral do CTN, de modo que optar por estabelecer a matriz (centro de direção e administração) em determinado lugar implica eleger ali, em princípio, seu domicílio tributário. Para o II, PISImportação e CofinsImportação, nos termos do art. 22 do CTN e art. 5º da Lei nº 10.865/2004, que definem os contribuintes desses tributos, é cristalino que o contribuinte é o importador. E há a determinação expressa nesses dispositivos de que se considera importador a pessoa que promova a entrada de bens estrangeiros no território nacional: CTN Art. 22. Contribuinte do imposto é: I o importador ou quem a lei a ele equiparar; II o arrematante de produtos apreendidos ou abandonados. DecretoLei nº 37/1966 Art.31 É contribuinte do imposto: (Redação pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) I o importador, assim considerada qualquer pessoa que promova a entrada de mercadoria estrangeira no Território Nacional; (Redação pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Lei nº 10.865/2004 Art. 5o São contribuintes: I o importador, assim considerada a pessoa física ou jurídica que promova a entrada de bens estrangeiros no território nacional; Fl. 5639DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.603 10 II a pessoa física ou jurídica contratante de serviços de residente ou domiciliado no exterior; e III o beneficiário do serviço, na hipótese em que o contratante também seja residente ou domiciliado no exterior. Parágrafo único. Equiparamse ao importador o destinatário de remessa postal internacional indicado pelo respectivo remetente e o adquirente de mercadoria entrepostada. Agrega argumentos de que a indicação do CNPJ matriz como sujeito passivo não causou prejuízo, seja no direito de defesa ou seja na possibilidade de escriturar os fatos autuados por estabelecimento que deu causa ao fato gerador do imposto. Apresenta entendimento veiculado pela SC Interna Cosit nº 8/2013 segundo a qual meras irregularidades na identificação do sujeito passivo que não prejudiquem o exercício do contraditório não geram nulidade do ato de lançamento, sendo portanto desnecessário o saneamento do lançamento. Na primeira declaração de voto o julgador Ricardo Serra Rocha esclarece ter acompanhado pelas conclusões por entender que diante da alegação de ofensa ao instituto da autonomia dos estabelecimentos o que deve ser analisado é se o lançamento de forma centralizada foi suficiente para ensejar a nulidade do lançamento. Primeiramente, temse que a discussão em pauta restringese à instrumentalidade do lançamento, ou seja, do uso do CNPJ matriz pelo da filial (elemento forma), que em nada se confunde com a escorreita identificação do sujeito passivo (pelo critério pessoal da regra matriz de incidência), vez que o produto do lançamento está devidamente direcionado à pessoa (jurídica) obrigada ao cumprimento da obrigação e ou penalidade, o que de plano afasta a possibilidade de vício material. Por segundo, convém verificar se a ocorrência do erro ou irregularidade no elemento forma ocasionou um vício no lançamento, o que, para tal, fazse necessário perscrutar a ocorrência de preterição do direito de defesa. No caso, ao revés, restou plenamente demonstrado nos autos pela fiscalização (e de forma ainda mais clara com o cumprimento da diligência fiscal) o quantum do crédito lançado que foi atribuído a cada estabelecimento apontado do sujeito passivo autuado, seja matriz ou filial, de modo que o fato de o lançamento ter sido consolidado unicamente no CNPJ da matriz (0001), em nada obstou a ampla defesa, não trazendo qualquer prejuízo à pessoa jurídica autuada. Desse modo, pela inexistência de prejuízo à pessoa jurídica autuada (GKN DO BRASIL LTDA.), razão nenhuma assiste à defendente no seu pleito de nulidade da presente autuação, nem mesmo sequer da parte referente aos 02 (dois) estabelecimentos filiais arrolados, não se podendo olvidar que a empresa autuada exerceu na totalidade seu direito de defesa, impugnando inclusive as questões de fundo do lançamento, estando ainda devidamente representada, não havendo assim, nesse cenário, o porquê de se refazer um novo lançamento, sob a suposta alegação de malferimento à autonomia dos estabelecimentos, o que beiraria a um formalismo exacerbado, em total dissonância com o princípio da instrumentalidade das formas. Fl. 5640DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.604 11 Por derradeiro, considero oportuno trazer à colação excertos da Ementa do REsp: 1.355.812 RS (2012/02490963), Relator: Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Data de Julgamento: 22/05/2013, Data de Publicação: DJe 31/05/2013, conforme a seguir: (...)PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. DÍVIDAS TRIBUTÁRIAS DA MATRIZ. PENHORA, PELO SISTEMA BACENJUD, DE VALORES DEPOSITADOS EM NOME DAS FILIAIS. POSSIBILIDADE. ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL COMO OBJETO DE DIREITOS E NÃO COMO SUJEITO DE DIREITOS. CNPJ PRÓPRIO DAS FILIAIS. IRRELEVÂNCIA NO QUE DIZ RESPEITO À UNIDADE PATRIMONIAL DA DEVEDORA. 1. No âmbito do direito privado, cujos princípios gerais, à luz do art. 109 do CTN, são informadores para a definição dos institutos de direito tributário, a filial é uma espécie de estabelecimento empresarial, fazendo parte do acervo patrimonial de uma única pessoa jurídica, partilhando dos mesmos sócios, contrato social e firma ou denominação da matriz. Nessa condição, consiste, conforme doutrina majoritária, em uma universalidade de fato, não ostentando personalidade jurídica própria, não sendo sujeito de direitos, tampouco uma pessoa distinta da sociedade empresária. Cuidase de um instrumento de que se utiliza o empresário ou sócio para exercer suas atividades. (grifei) 2. A discriminação do patrimônio da empresa, mediante a criação de filiais, não afasta a unidade patrimonial da pessoa jurídica, que, na condição de devedora, deve responder com todo o ativo do patrimônio social por suas dívidas, à luz de regra de direito processual prevista no art. 591 do Código de Processo Civil, segundo a qual “o devedor responde, para o cumprimento de suas obrigações, com todos os seus bens presentes e futuros, salvo as restrições estabelecidas em lei".(grifei) 3. O princípio tributário da autonomia dos estabelecimentos, cujo conteúdo normativo preceitua que estes devem ser considerados, na forma da legislação específica de cada tributo, unidades autônomas e independentes nas relações jurídicotributárias travadas com a Administração Fiscal, é um instituto de direito material, ligado à questão do nascimento da obrigação tributária de cada imposto especificamente considerado e não tem relação com a responsabilidade patrimonial dos devedores prevista em um regramento de direito processual, ou com os limites da responsabilidade dos bens da empresa e dos sócios definidos no direito empresarial. (grifei) 4. A obrigação de que cada estabelecimento se inscreva com número próprio no CNPJ tem especial relevância para a atividade fiscalizatória da administração tributária, não afastando a unidade patrimonial da empresa, cabendo ressaltar que a inscrição da filial no CNPJ é derivada do CNPJ da matriz. (grifei) 5. Nessa toada, limitar a satisfação do crédito público, notadamente do crédito tributário, a somente o patrimônio do estabelecimento que participou da situação caracterizada como fato gerador é adotar interpretação absurda e odiosa. Absurda porque não se concilia, por exemplo, com a cobrança dos créditos em uma situação de falência, Fl. 5641DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.605 12 onde todos os bens da pessoa jurídica (todos os estabelecimentos) são arrecadados para pagamento de todos os credores, ou com a possibilidade de responsabilidade contratual subsidiária dos sócios pelas obrigações da sociedade como um todo (v.g. arts. 1.023, 1.024, 1.039, 1.045, 1.052, 1.088 do CC/2002), ou com a administração de todos os estabelecimentos da sociedade pelos mesmos órgãos de deliberação, direção, gerência e fiscalização. Odiosa porque, por princípio, o credor privado não pode ter mais privilégios que o credor público, salvo exceções legalmente expressas e justificáveis. (grifei) 6. Recurso especial conhecido e provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n. 8/08. (...)Diante de todo o exposto, não há falar em nulidade do presente lançamento, nem mesmo em referência à parte dos 02 (dois) estabelecimentos filiais. Na segunda declaração de voto, o julgador Ícaro Nonato Lopes Cezar suscitou a nulidade parcial do lançamento. Argumenta que ao lavrar o auto de infração a autoridade fiscal tem o dever de identificar o sujeito passivo, art. 142 do CTN, e de acordo com o art. 121 do CTN o sujeito passivo da obrigação principal dizse contribuinte quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador. Cita legislação que define o contribuinte como importador para efeitos do IPI, II, Pis e Cofins, concluindo que conforme determinado pela RFB a declaração de importação será registrada pelo importador. Esclarece que sob a ótica tributária a filial detém legitimidade passiva para figurar na relação jurídica ente o fisco e o contribuinte., sendo que o art. 127 do CTN o domicílio tributário do contribuinte será o de cada estabelecimento em relação aos atos ou fatos que derem origem à obrigação. Cita a Lei nº 9.779/99, art. 15, que define os casos em que a apuração e recolhimento dos tributos deverão ocorrer de forma centralizada, sendo que nos demais casos podem ocorrer de forma descentralizada: Logo, entendo que, na hipótese de tributo cujo fato gerador operase de forma individualizada na filial e não havendo obrigatoriedade legal de apuração ou pagamento de forma centralizada na matriz, requisitos que não ocorrem no caso dos tributos incidentes sobre o comércio exterior, os estabelecimentos da matriz e das filiais devem ser considerados como entes autônomos. Logo, nas ações tributárias referentes aos procedimentos realizados em face da filial, somente ela podem ser considerada contribuinte e, por conseqüência, sobre ela deve recair a exigência fiscal. Também utiliza a SC Interna Cosit nº 8/2013 para justificar seu posicionamento: 8.3. Em outras palavras, há um desajuste dentro do ato normativo concreto (lançamento ou auto de infração) entre o que consta dele e os fatos ocorridos no mundo fenomênico. No presente caso, é o erro na situação fática que aquele apontado como sujeito passivo realmente o fosse. Como exemplos (não exaustivos) de erros que podem ser considerados de fato na identificação do sujeito passivo: Fl. 5642DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.606 13 a) Lançamento feito em face de falecido, em vez de estar direcionado o espólio ou sucessores. b) Lançamento em face de matriz, em vez de ser a determinada filial; c) Lançamento feito em face de responsável decorrente de erro na análise da situação fática ou documental; d) Equívoco na identificação de responsável pela gestão de sociedade empresária,pois na época do fato gerador ele não era mais responsável por aquele ato (mas seria se ele fosse responsável). Após apresentar os posicionamentos da fiscalização, todos da DRJ, e o da recorrente passemos as conclusões. Como podese perceber da leitura dos posicionamentos apresentados o erro na identificação do sujeito passivo pode ser um vício formal ou material. Por isso a jurisprudência ora tem se posicionado pela nulidade do lançamento ora por ser possível seu saneamento. Para aqueles que advogam ser um vício formal, por descumprir requisitos formais existentes no art. 142 CTN e arts. 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72 é possível seu saneamento desde que não tenha havido preterição do direito de defesa. Já para os que entendem é vício material, estaria prejudicada a regramatriz de incidência do tributo e portanto nulo o lançamento efetuado. Já adiantando meu posicionamento entendo que o uso do CNPJ da matriz ao invés do da filial deve ser insculpido dentro das possibilidades de erro formal do lançamento. Explico. Segundo o art. 142 do CTN o lançamento deverá identificar o sujeito passivo: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. E de acordo com os arts. 10 e 11 do PAF o auto de infração conterá a qualificação do autuado: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; Fl. 5643DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.607 14 V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A partir da leitura dos dispositivos citados que tratam da definição da figura do contribuinte, do importador, do domicilio tributário podese chegar a uma única conclusão, de fato o sujeito passivo da obrigação tributária, o contribuinte, ou, no caso, o importador é o estabelecimento que deu asas a ocorrência do fato gerador dos tributos. Toda a jurisprudência caminha nesse sentido, e seria improfícuo citar todos acórdãos CARF, DRJ e judiciários que adotam esse entendimento, já que beira o senso comum. Entretanto, no caso vertente, devese verificar se a identificação do sujeito passivo no lançamento dá margem para que seja decretada a nulidade de parte do mesmo. Digo parte do mesmo porque conforme já esclarecido estamos diante de um universo de 2.236 declarações em que apenas 24 são dos estabelecimentos, sendo a maior parte registrada pela Matriz. Não há como adotar o posicionamento de que 24 declarações contaminaram todo o lançamento já que é possível efetuar sua separação e a recorrente demonstrou ter perfeito conhecimento disso, o que não prejudicou sua defesa. Compactuando com o REsp 1.355.812, RS (2012/02490963), entendo que o princípio tributário da autonomia dos estabelecimentos não tem relação com a responsabilidade patrimonial dos devedores, e a pessoa jurídica é uma unidade patrimonial, por isso limitar a satisfação do crédito tributário a somente o patrimônio do estabelecimento que participou da situação caracterizada como fato gerador é adotar interpretação absurda e odiosa. Os casos de nulidade estão dispostos no art. 59 do PAF, que determina que serão nulos os atos lavrados por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. E o art. 60 dispõe que meras irregularidades, incorreções e omissões não importarão nulidades, mormente quando não influírem na solução do litígio. No caso, a identificação do sujeito passivo pela matriz e não pela filial, não maculou o direito de defesa da recorrente. Vemos que o lançamento esta corretamente direcionado ao sujeito passivo, e conforme já explicado no REsp a pessoa jurídica é uma unidade patrimonial. Fl. 5644DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.608 15 E a SC Cosit nº 8/2013, aqui usada em partes, ora para defender um posicionamento ora outro, é clara em explicar que "há vício formal quando tenha ocorrido erro de fato na identificação do sujeito passivo, o qual decorre de erro quanto à análise de fatos ou documentos mas cuja interpretação legal esteja correta". E continua a Solução de Consulta esclarecendo que no caso não há necessidade de um novo lançamento se o sujeito passivo impugnou o mérito do ato, qualificando adequadamente e exercendo na totalidade o direito de defesa. E esclarece: Basta consignar no processo a correta identificação do sujeito passivo e dar andamento a ele, em prol da instrumentalidade das formas. O ato está convalidado. Apenas faz um senão quanto a haver manifestação apenas quanto ao erro na identificação do sujeito passivo, sem adentrar no mérito, o ato não é mais possível de ser convalidado, mas esse não foi o caso, a empresa exerceu seu direito de defesa, adentrando o mérito da autuação. Por isso concluo que mera irregularidade na identificação do sujeito passivo que não prejudique o exercício do contraditório não gera nulidade do ato de lançamento, e a ocorrência de defeito no instrumento do lançamento que configure erro de fato é convalidável e, por isso, anulável por vício formal. 2 Nulidade do auto de infração por ter como objeto valoração aduaneira e ter sido exigido documentos relativos ao preço de transferência A recorrente alega que o MPF foi instaurado para se verificar a regularidade na determinação do valor aduaneiro, mas desde o início do procedimento fiscal foram exigidos documentos e informações que se referiam ao preço de transferência. Esses são dois institutos diferentes, com legislação própria a cada um e âmbito de aplicação diferente. Diante da determinação do preço da mercadorias e vinculação entre as partes nos colocamos diante de dois institutos: a valoração aduaneira e o preço de transferência. O Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do GATT (AVA/GATT), conhecido como acordo de valoração aduaneira tem como escopo a determinação do valor aduaneiro das mercadorias, que serve de base para o cálculo dos tributos vinculados a importação das mercadorias. O Decretolei nº 37/66 determina a aplicação do valor aduaneiro apurado segundo as normas do art. 7º do GATT: Art.2º A base de cálculo do imposto é: I quando a alíquota for específica, a quantidade de mercadoria, expressa na unidade de medida indicada na tarifa; II quando a alíquota for "ad valorem", o valor aduaneiro apurado segundo as normas do art.7º do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio GATT. Fl. 5645DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.609 16 E o Regulamento Aduaneiro, Decreto nº 6.759/2009 veio disciplinar a aplicação do acordo: Art.75. A base de cálculo do imposto é (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 2º, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, art. 1º, e Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e ComércioGATT 1994Acordo de Valoração Aduaneira, Artigo 1, aprovado pelo Decreto Legislativo no30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto no1.355, de 30 de dezembro de 1994): Iquando a alíquota for ad valorem, o valor aduaneiro apurado segundo as normas do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e ComércioGATT 1994; e IIquando a alíquota for específica, a quantidade de mercadoria expressa na unidade de medida estabelecida. A Ata Final da Rodada Uruguai de Negociações Comerciais Multilaterais do GATT foi aprovada pelo Decreto Legislativo nº 30/1994, e promulgada pelo Decreto nº 1.355/1994, incorporando os resultados da Rodada Uruguai de Negociações Comerciais Multilaterais do GATT no ordenamento jurídico brasileiro, e o AVA/GATT passou a ser de aplicação obrigatória, pelos acordos firmados pelo Brasil. No caso dos Preços de transferência, temos que quando um Grupo Empresa Multinacional (EMN), ou seja, um grupo de empresas associadas com estabelecimentos comerciais em dois ou mais países, segundo definição da OCDE 2010, Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, determinam os preços de mercadorias dentro do grupo é conhecido como Preços de Transferência. A OCDE elaborou orientações para a metodologia a ser aplicada quando forem estabelecidos ou testados preços de transferência para fins tributários diretos. Essa metodologia, baseada no princípio "arm´s length", é geralmente aceita como norma internacional utilizada pelas empresas e autoridades fiscais. A partir do início dos anos 1900 os países tenderam a basear as disposições de sua legislação tributária em matéria de preços de transferência no princípio do "arm´s length", sendo implicitamente incluído nos tratados celebrados pela França, Reino Unido e Estados Unidos. A primeira orientação internacional foi desenvolvida pela OCDE em 1979, e em 1995 a OCDE publicou as orientações revisadas Guia sobre Preços de Transferência para Empresas Multinacionais e Administrações Fiscais. Esse guia tem desempenhado um papel de liderança para influenciar o desenvolvimento da legislação e a prática dos preços de transferência a nível global. Em 2010 foi publicada uma versão revisada. No Brasil o art. 18 da Lei nº 9.430/1996 trouxe disposições sobre a aplicabilidade dos preços de transferência na legislação nacional. E de acordo com a legislação vigente, o contribuinte, sempre que praticar operações de importação ou exportação de bens e serviços com empresas vinculadas no exterior, para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ (Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica) e da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), fica obrigado a apresentar em sua DIPJ a comparação entre os preços médios ponderados praticados em suas operações com os preços parâmetros, utilizando qualquer um dos métodos previstos. Fl. 5646DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.610 17 A relação entre a valoração aduaneira e os preços de transferência tem sido discutida em vários foros nacionais e internacionais ao longo dos últimos anos. A comunidade empresarial demonstrou preocupação com o fato das Aduanas utilizarem informações disponíveis sobre preços de transferência, elaborados para fins tributários diretos e qual seria o impacto dos ajustes dos preços de transferência no valor aduaneiro. Existem particularidades nos marcos jurídicos de cada tributo e seria importante avaliar em que medida as informações contidas nas documentações para fins de preço de transferência poderiam fornecer informações úteis para as Aduanas. A partir dessas discussões o Comitê Técnico de Valoração Aduaneira CTVA, da OMA, confirmou o princípio de que a documentação dos preços de transferência pode fornecer informações úteis para as Aduanas, a respeito das transações entre partes vinculadas. Atualmente a OMA, o grupo OCDE e o Banco Mundial vem trabalhando conjuntamente para incentivar as administrações aduaneiras e fiscais a estabelecerem linhas de comunicação bilaterais, no sentido de intercambiar conhecimento, habilidade e dados, de modo a assegurar que cada autoridade tenha uma visão mais ampla dos negócios e dos registros sobre a conformidade, ou seja, o cumprimento das obrigações , de empresas multinacionais. Dentro desse escopo de atuação a OMA e a OCDE realizaram até o momento duas conferências conjuntas, 2006 e 2007, para ajudar a obter um melhor entendimento sobre o tema, reunindo especialistas das administrações aduaneira, tributária e setor privado. Após a segunda conferência, em 2007, foi estabelecido o Grupo Foco para discutir os temas chaves levantados durante as conferências, onde concluise por especial relevância a disposição relativa as "circunstâncias que envolvem a venda". Após essa definição do Grupo Foco, o tópico "Transações entre Partes vinculadas no âmbito do Acordo de Valoração e dos Preços de Transferência" foi incluído como item regular desde 2008 na agenda de trabalho do CTVA, culminando na adoção do Comentário 23.1 do CTVA que reconhece que um estudo de preços de transferência pode ser útil para o exame das transações entre partes vinculadas no contexto da valoração aduaneira, confirmando o princípio de que os preços de transferência constituem uma fonte de informação para a aduana. Esse posicionamento é compactuado pela Câmara de Comércio Internacional, CCI, na qualidade de organização mundial de negócios com autoridade para falar em nome de empresas de todos os setores, em todas as partes do mundo, que produziu uma declaração política (atualizada em 2015) que define uma série de comentários e propostas refletindo o ponto de vista do comércio sobre a relação entre preços de transferência e valor aduaneiro. Ademais na legislação nacional temos que o CTN autoriza as administrações tributárias a examinar livros e documentos: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão Fl. 5647DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.611 18 conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. E em consonância ao que determina o art. 32 da IN SRF nº 327/2003 e ao disposto no AVA/GATT, quando as informações prestada não forem suficientes para confirmar o valor declarado, a fiscalização poderá solicitar o fornecimento de explicações, documentos ou outras provas: Art. 32. Quando as informações prestadas não forem suficientes para comprovar o valor declarado e a fiscalização aduaneira tiver motivos para duvidar da veracidade ou exatidão das informações ou dos documentos apresentados para justificar essa declaração, poderá solicitar ao importador o fornecimento de explicações, documentos ou outras provas, de que o valor declarado representa o montante efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas, ajustado em conformidade com as disposições do Artigo 8, e a apresentar, conforme o caso, elementos para proceder à valoração com base em método substitutivo. Portanto, resta claro, que a utilização dos preços de transferência como subsídio para exame das transações entre parte vinculadas no contexto da valoração aduaneira é prática recomendada pelos organismos internacionais, OMA, OCDE e CCI, e prevista na legislação nacional. 3 Inafastabilidade do 1º método de valoração aduaneira Propugna a recorrente que deve ser utilizado o primeiro método de valoração aduaneira, que só deve ser afastado após intensa investigação por parte da Aduana. Acrescenta a obrigatoriedade de aplicação dos métodos em sequência. Continua que o valor de transação entre empresas vinculadas é permitido quando aceitável para fins aduaneiros. Apresenta junto a impugnação planilha comparativa entre os valores de transação de 3 itens e o preço critério praticado pelos demais importadores desses mesmos itens, concorrentes da recorrente. Para tanto utilizou dados publicados pela RFB, para subsidiar estudos de mercado e formulação de políticas e análises setoriais, a partir dos dados para as principais NCMs indicadas no Auto de Infração, 8708.99.90, 7215.90.10 e 3926.90.90. Constatou que os preços praticados por ela são superiores aos similares informados na publicação da RFB. Concluindo que a vinculação não influenciou nos preços. Segundo o Acordo de Valoração aduaneira, deverá ser aplicado o 1º método de valoração, valor de transação, nos casos em que não haja vinculação entre as empresas relacionadas ou no caso de haver que essa vinculação não tenha influenciado nos preços praticados: Artigo 1 1. O valor aduaneiro de mercadorias importadas será o valor de transação, isto é, o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias, em uma venda para exportação para o país de importação, ajustado de acordo com as disposições do Artigo 8, desde que: (...). (d) não haja vinculação entre o comprador e o vendedor ou, se houver, que o valor de transação seja aceitável para fins aduaneiros, conforme as disposições do parágrafo 2 deste Artigo. Fl. 5648DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.612 19 2. (a) Ao se determinar se o valor de transação é aceitável para os fins do parágrafo 1, o fato de haver vinculação entre comprador e vendedor, nos termos do Artigo 15, não constituirá, por si só, motivo suficiente para se considerar o valor de transação inaceitável. Neste caso, as circunstâncias da venda serão examinadas e o valor de transação será aceito, desde que a vinculação não tenha influenciado o preço. Se a administração aduaneira, com base em informações prestadas pelo importador ou por outros meios, tiver motivos para considerar que a vinculação influenciou o preço, deverá comunicar tais motivos ao importador, a quem dará oportunidade razoável para contestar. Havendo solicitação do importador, os motivos lhe serão comunicados por escrito; (b) no caso de venda entre pessoas vinculadas, o valor de transação será aceito e as mercadorias serão valoradas segundo as disposições do parágrafo 1, sempre que o importador demonstrar que tal valor se aproxima muito de um dos seguintes, vigentes ao mesmo tempo ou aproximadamente ao mesmo tempo: (i) o valor de transação em vendas a compradores não vinculados, de mercadorias idênticas ou similares destinadas a exportação para o mesmo país de importação; (ii) o valor aduaneiro de mercadorias idênticas ou similares, tal como determinado com base nas disposições do Artigo 5; (iii) o valor aduaneiro de mercadorias idênticas ou similares, tal como determinado com base nas disposições do Artigo 6; Na aplicação dos critérios anteriores, deverão ser levadas na devida conta as diferenças comprovadas nos níveis comerciais e nas quantidades, os elementos enumerados no Artigo 8 e os custos suportados pelo vendedor, em vendas nas quais ele e o comprador não sejam vinculados, e que não são suportados pelo vendedor em vendas nas quais ele e o comprador não sejam vinculados, e que não são suportados pelo vendedor em vendas nas quais ele o comprador sejam vinculados. (c) Os critérios estabelecidos no parágrafo 2(b) devem ser utilizados por iniciativa do importador e exclusivamente para fins de comparação. Valores substitutivos não poderão ser estabelecidos com base nas disposições do parágrafo 2 (b).(grifei) Portanto, no caso de vinculação entre empresas, o valor de transação poderá ser aceito, mas se a administração aduaneira, com base em informações prestadas pelo importador ou por outros meios, tiver motivos para considerar que a vinculação influenciou o preço, deverá solicitar ao importador que preste esclarecimentos. No caso presente a fiscalização constatou a vinculação entre as empresas, inclusive tendo sido informada a vinculação nas Declarações de Importação (fls. 3260 a 4063). A partir daí iniciou uma investigação para verificar se a vinculação havia influenciado nos preços, constatando que havia diferenças significativas nos preços praticados, a partir de vários elementos, entre eles a DIPJ para averiguar o preço de transferência. Fl. 5649DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.613 20 Tendo motivos para considerar que a vinculação influenciou no preço, solicitou esclarecimentos ao importador (fls 2209 a 2210). Observese que a valoração aduaneira regese pelo princípio da colaboração entre as partes, por isso a partir de evidências a fiscalização solicita esclarecimentos ao importador, para somente depois, sopesando as informações de que dispõe e os esclarecimentos prestados, decidir sobre a necessidade de se descartar a aplicação do método de valoração e partir para a aplicação do próximo método. As respostas apresentadas pela recorrente foram insuficientes para demonstrar que a vinculação não havia influenciado nos preços (fls. 2.217/2.236) conforme evidências constatadas nas DIPJ. Também não houve apresentação pela empresa de valores critérios nos termos do que estabelece o parágrafo 2(b), artigo 1 do AVA/GATT, que pudessem demonstrar que os preços praticados pelo importador se aproximam dos preços que seriam praticados entre intervenientes não vinculados: Os elementos apresentados pelo importador, em resposta ao Termo de Notificação 054/2013 (doc. 6 fls. 2217 a 2236), são insuficientes para afastar as evidências constantes nas DIPJs e nas respostas apresentadas a intimações anteriores de que os preços realmente foram influenciados pela vinculação para a maioria dos produtos importados. Não foram apresentados os denominados valores critérios, nos termos do que estabelece a letra (b) do parágrafo 2 do Artigo 1 do AVA/GATT, que pudessem demonstrar que os preços praticados pelo importador se aproximam dos preços que seriam praticados entre intervenientes não vinculados. (Relatório de Fiscalização fls. 4.622). Os preços praticados pela empresa foram definidos globalmente, a partir de um “catálogo de preços de transferência” “TP_Catalogue_2006” (fls. 4.627) e pela inferioridade dos preços praticados nas importações em relação aos preços parâmetros informados nas DIPJ, para fins de preços de transferência (fls. 4.046/4.352). Exceto em relação a alguns produtos discriminados nos relatórios apresentados pela empresa, em que os preços praticados são superiores aos preços parâmetros constantes nos demonstrativos que deram suporte às suas DIPJs, para os demais produtos as próprias declarações do contribuinte já comprovam, portanto, que os preços praticados foram de fato influenciados pela vinculação. Assim, com base no que dispõe o item 3, do parágrafo 2, da Nota do Artigo 1, do AVA/GATT, o impedimento de aplicação do Primeiro Método de Valoração Aduaneira somente NÃO se aplicaria àquelas situações em que os preços praticados são suficientes para cobrir os custos e assegurar um lucro representativo do lucro global. (Relatório de Fiscalização fls. 4.627) O catálogo utilizado para a maioria dos itens e componentes é o “TP_Catalogue_2006”, datado de 01/03/2006 (doc. 7 fls.2336 a 2351), o qual apresenta o conjunto de diretrizes válidas para todas as empresas participantes do “transfer price scheme”, como denominado no próprio documento. Sobre o preço obtido por meio das diretrizes do catálogo, são aplicadas uma redução de 1%, referente a 2007 e, sobre o valor resultante, mais uma redução de 1%, referente a 2008, seguindo instrução recebida globalmente da matriz, conforme declarou o importador. Os preços, portanto, são formados a partir de uma lógica corporativa que independe do importador e do exportador e prescinde de qualquer operação prévia de natureza comercial, o que Fl. 5650DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.614 21 explica a razão de muitos produtos estarem sendo exportados a preços inferiores aos custos de produção, como vimos anteriormente. (Relatório de Fiscalização fls. 4.628) Ainda que posteriormente, pois não foi apresentado no momento propício estipulado no AVA/GATT de troca de informações entre a administração aduaneira e o importador, a recorrente apresentou junto a impugnação planilha comparativa entre os valores de transação de 3 itens e o preço critério praticado pelos demais importadores desses mesmos itens, concorrentes da recorrente. Para tanto utilizou dados publicados pela RFB, para subsidiar estudos de mercado e formulação de políticas e análises setoriais, a partir dos dados para as principais NCMs indicadas no Auto de Infração, 8708.99.90, 7215.90.10 e 3926.90.90. Constatou que os preços praticados por ela são superiores aos similares informados na publicação da RFB. Concluindo que a vinculação não influenciou nos preços. Entretanto os critérios para formação de preço parâmetro estão dispostos no art. 1, § 2b do AVA/GATT, e a recorrente não apresentou justificativas de que tais dados se enquadram nesses critérios, limitouse a apresentar três NCMs que identificou como mercadorias similares às suas, conforme art. 2 do AVA/GATT que dispõe sobre mercadorias idênticas ou art. 3 sobre mercadorias similares. 2 (b) no caso de venda entre pessoas vinculadas, o valor de transação será aceito e as mercadorias serão valoradas segundo as disposições do parágrafo 1, sempre que o importador demonstrar que tal valor se aproxima muito de um dos seguintes, vigentes ao mesmo tempo ou aproximadamente ao mesmo tempo: (i) o valor de transação em vendas a compradores não vinculados de mercadorias idênticas ou similares, destinadas a exportação para o mesmo país de importação; (ii) O valor aduaneiro de mercadorias idênticas ou similares, tal como determinado com base nas disposições do Artigo 5; (iii) o valor aduaneiro de mercadorias idênticas ou similares, tal como determinado com base nas disposições do Artigo 6; Na aplicação dos critérios anteriores, deverão ser levadas na devida conta as diferenças comprovadas nos níveis comerciais e nas quantidades, os elementos enumerados no Artigo 8 e os custos suportados pelo vendedor, em vendas nas quais ele e o comprador não sejam vinculados, e que não são suportados pelo vendedor em vendas nas quais ele e o comprador não sejam vinculados, e que não são suportados pelo vendedor em vendas nas quais ele o comprador sejam vinculados; (c) Os critérios estabelecidos no parágrafo 2 (b) devem ler utilizados por iniciativa do importador, e exclusivamente para fins de comparação. Valores substitutivos não poderão ser estabelecidos com base nas disposições do parágrafo 2 (b). (grifos nossos) Além disso a Portaria SRF nº 306/2007, que dispunha sobre a divulgação de dados estatísticos de importações, revogada pela Portaria SRF nº 361/2016, dispunha que dados estatísticos relativos a operações de importação seriam divulgados para subsidiar estudos de mercado, formulação de políticas e análises setoriais. E ainda poderiam ser utilizados como Fl. 5651DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.615 22 instrumento de monitoramento no combate à prática de concorrência desleal e de levantamento de indícios de sonegação fiscal ou de cometimento de infrações relativas à classificação fiscal, origem ou valor aduaneiro da mercadoria. A empresa também afirmou que não existiriam importações de outras empresas para o país de produtos idênticos e similares aos por ela importados de empresas do Grupo GKN (vinculadas), conforme respostas da empresa às intimações. E a Fiscalização afirmou não ter localizado operações de importações de mercadorias com descrição semelhantes às autuadas no Sistema Siscomex Importação. Diferentemente do alegado pela recorrente caberia ao importador demonstrar que o valor de transação não foi afetado pela vinculação entre as empresas, e ele não logrou demonstrar, nem durante a fase de trocas de informação com a fiscalização, nem após na impugnação em que se limitou a apresentar dados estatísticos que não comprovam o alegado e carecem de cumprir requisitos normativos para ser considerado um preço parâmetro. Fl. 5652DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.616 23 4 Inobservância sequencial obrigatória dos métodos de valoração A recorrente alega que ao contrário do preconizado no AVA/GATT a fiscalização não esgotou cada um dos métodos para chegar à aplicação do 6º método, e que deveria ter utilizado os dados estatísticos da Portaria SRF nº 306/2007. Já explicamos no item anterior a impossibilidade de utilização dos dados estatísticos por não atenderem aos requisitos do AVA/GATT, e dada a impossibilidade do reconhecimento de identidade e similaridade das mercadorias de que trata com as mercadorias objeto da valoração aduaneira. Ao contrário do afirmado pela recorrente resta demonstrado no relatório fiscal a análise de cada método de valoração de forma sequencial e a motivação de não utilização de cada um. Quanto ao 2º método a fiscalização esclarece que a própria importadora informou não ser possível a utilização do método relativo a mercadorias idênticas , já que seus fornecedores vinculados não promovem vendas a outros importadores não vinculados no Brasil (fls. 4632): O Artigo 15, parágrafo 2 do AVA estabelece o conceito de mercadorias idênticas, como segue: (a) Neste Acordo, entendese por “mercadorias idênticas” as mercadorias que são iguais em tudo, inclusive nas características físicas, qualidade e reputação comercial. Pequenas diferenças na aparência não impedirão que sejam consideradas idênticas mercadorias que em tudo o mais se enquadram na definição. Somente poderão ser consideradas idênticas as mercadorias produzidas no mesmo país que as mercadorias objeto de valoração e preferencialmente pela mesma pessoa. Esta possibilidade já fica, desde logo, refutada, pois, de acordo com informação prestada pelo contribuinte, os seus fornecedores vinculados não promovem vendas a outros importadores não vinculados no Brasil (doc. 4a fls. 2058 a 2061). No entanto a fiscalização reconhece que é possível utilizar mercadorias produzidas por empresas diferentes. É importante ressaltar que, conforme o parágrafo 4 da Nota Interpretativa ao Artigo 2 do AVA/GATT, deve ser entendido por valor de transação de mercadorias importadas idênticas, um valor aduaneiro ajustado conforme as determinações dos parágrafos 1(b) e 2 deste Artigo, e que já tenha sido aceito com base no Artigo 1. Dessa forma, na aplicação do segundo método de valoração, somente poderá ser utilizado o valor de transação de mercadoria idêntica, que tenha sido previamente analisado e aceito segundo as disposições do primeiro método de valoração. Ou seja, somente operações que comprovadamente atendam aos requisitos para aplicação do primeiro método é que podem servir de paradigma para valoração de outras mercadorias pela aplicação do segundo método. Fl. 5653DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.617 24 A primeira questão que se coloca, portanto, é verificar se existem operações de importação de mercadorias idênticas às mercadorias importadas. Por segundo, se as operações com tais mercadorias atendem aos requisitos estabelecidos pelo Artigo 1. Sem vencer estas duas etapas, não se pode sequer cogitar sobre a aplicabilidade deste método de valoração. Como em resposta à intimação o importador informou que a empresa não adquire produtos idênticos ou similares de fornecedores não vinculados e que seus exportadores vinculados não exportam produtos idênticos ou similares a outros importadores não vinculados no Brasil, a fiscalização iniciou investigação sobre operações internas ou operações de terceiros que pudessem ser consideradas idênticas, não se esquecendo de descartar as operações internas com o próprio importador ou dos seus fornecedores. No espírito de colaboração que norteia o acordo de valoração a empresa foi intimada a informar se existiriam fabricantes de produtos idênticos ou similares aos produtos importados, informando que apesar de existirem produtos fabricados pelas concorrentes eles não poderiam ser considerados idênticos ou similares pela tecnologia incorporada em cada produto por cada empresa (fls. 4634). A fiscalização também efetuou pesquisa no sistema de comércio exterior Siscomex não localizando produtos com descrição semelhante, já que se tratam de produtos específicos. Partindo para a aplicação do 3º método, que utiliza valor de transação de mercadorias similares vendidas para exportação para o mesmo país de importação e exportadas ao mesmo tempo que as mercadorias objeto de valoração, ou em tempo aproximado. Art. 15, parágrafo 2 (b) neste Acordo, entendese por “mercadorias similares” as que, embora não se assemelhem em todos os aspectos, têm características e composição material semelhantes, o que lhes permite cumprir as mesmas funções e serem permutáveis comercialmente. Entre os fatores a serem considerados para determinar se as mercadorias são similares incluemse a sua qualidade, reputação comercial e a existência de uma marca comercial; Novamente podemos reproduzir a informação do importador de que seus fornecedores não realizam vendas para outros compradores não vinculados no Brasil. As mesmas considerações efetuadas para o 2º método foram aplicadas, mutatis mutandis, para o 3º método, restando descartado esse método também. Analisando a aplicação do 4º método, ou método dedutivo. Partese do valor de venda da mercadoria importada, para pessoas não vinculadas, aplicando as deduções previstas para se chegar ao valor de importação da mercadoria. No caso em exame já havia sido constatado que as importações eram destinadas á produção e não à revenda. Mesmo assim a empresa foi intimada a informar se havia realizado operações de revenda, com os respectivos documentos comerciais, tendo respondido que não realizou revendas dos produtos importados de empresas ligadas. E esgotando as possibilidades de aplicação do 4º método a fiscalização se posicionou pela impossibilidade de aplicação do Fl. 5654DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.618 25 valor do produto processado pela empresa, já que o processo produtivo é complexo e os produtos perdem sua identidade após o processamento: O parágrafo 2, do Artigo 5 do AVA/GATT, estabelece ainda que o valor aduaneiro poderia ser determinado a partir do preço unitário pelo qual as mercadorias importadas e posteriormente processadas são vendidas no país de importação, se assim o importador o solicitar. O Artigo 83, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 6.759, de 2009, determina que esta possibilidade independe da solicitação do importador, mas que deve ser aplicada em conformidade com o que dispõe a Nota Interpretativa do Artigo 5. O parágrafo 12 da referida Nota Interpretativa estabelece que este dispositivo não será normalmente aplicável quando, como resultado de processamento ulterior, as mercadorias perdem sua identidade. O processo produtivo da empresa não se restringe a um simples processamento dos produtos importados, mas consiste em processo industrial mais complexo. Os produtos fabricados não têm a mesma identidade dos insumos importados, como demonstram os arquivos apresentados pelo contribuinte com a composição de custos dos produtos produzidos. O 5º método diz respeito ao valor computado, ao contrário do 4º método, parte se do custo da produção da mercadoria e acrescentase os custos incorridos até a exportação para se chegar ao valor aduaneiro. 1. O valor aduaneiro das mercadorias importadas, determinado segundo as disposições deste artigo, basearseá num valor computado. O valor computado será igual à soma de: (a) o custo ou o valor dos materiais e da fabricação ou processamento, empregados na produção das mercadorias importadas; (b) um montante para lucros e despesas gerais, igual àquele usualmente encontrado em vendas de mercadorias da mesma classe ou espécie que as mercadorias objeto de valoração, vendas estas para exportação, efetuadas por produtores no país de exportação, para o país de importação; (c) o custo ou o valor de todas as demais despesas necessárias para aplicar a opção de valoração escolhida pela Parte, de acordo com o parágrafo 2 do Artigo 8. Segundo a fiscalização o 5º método se aproxima muito do método CPL utilizado pela empresa para o cálculo do preço de transferência, conforme legislação aplicável ao DIPJ. O enunciado do quinto método já revela a sua profunda semelhança com o método CPL utilizado pelo contribuinte para o cálculo dos preços parâmetros utilizados na comparação com os preços praticados para efeito de verificar a necessidade ou não da realização de ajustes de preços de transferência. Repetindo o que já foi relatado anteriormente, em relação às importações realizadas de 2010 a 2013, o contribuinte adotou o método CPL para o cálculo dos preços parâmetros. Tal método, nos termos do que dispõe o Artigo 18 da Lei 9.430, de 1996, estabelece que o preço parâmetro será calculado a Fl. 5655DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.619 26 partir do custo de produção dos produtos importados acrescido de uma margem de lucro fixada em 20%. A legislação que trata dos preços de transferência adota como fator de comparação o preço médio ponderado dos produtos importados durante o exercício anual e o custo médio ponderado de produção dos mesmos produtos acrescido da margem de lucro. Já o quinto método de valoração estabelece que o valor aduaneiro será determinado a partir do custo de produção da própria mercadoria importada. Enquanto a legislação sobre preços de transferência adota uma margem fixa de lucro, de 20%, o quinto método determina que ao custo deverá ser acrescido um montante para lucros e despesas gerais igual àquele usualmente encontrado em vendas de mercadorias da mesma classe ou espécie que as mercadorias objeto de valoração. Não há dúvida de que a quantificação do custo de produção de uma determinada mercadoria tornase mais precisa após a contabilização dos custos fixos, os quais, diferentemente dos custos variáveis, dificilmente podem ser apropriados com precisão a cada unidade produzida no momento da produção. Maior segurança na apropriação destes custos aos produtos somente pode ser obtida quando se considera um determinado período de tempo, por exemplo, um ano. Assim, os custos médios ponderados apropriados no período de um ano são uma boa referência do que seriam os custos efetivos de produção, especialmente quando não existem variações substanciais de preços no decorrer do referido período. O custo de produção da mercadoria importada, previsto no Artigo 6 do AVA/GATT, e o custo médio ponderado das mercadorias importadas no período de um ano, previsto no método CPL serão tão mais próximos quanto menos variações ocorrerem nos preços dos elementos que os compõem no período considerado. Por outro lado, ainda que ocorram variações, a precisão na quantificação dos custos fixos na contabilização do custo médio tenderia a compensar a falta de precisão na apropriação desta parcela do custo, decorrente apenas de estimativas apropriadas em cada operação individual. O AVA/GATT ratifica, ainda que seja com vistas à manutenção do valor de transação, a utilização de valores consolidados num determinado período. O item 3, do parágrafo 2, da Nota ao Artigo 1, já citado anteriormente neste Relatório, explicita que o importador, embora vinculado ao exportador, pode utilizar o Primeiro Método “quando ficar demonstrado que o preço é suficiente para cobrir o todos os custos e assegurar um lucro representativo do lucro global obtido pela firma durante um período de tempo também representativo (por exemplo, anual), em vendas de mercadorias da mesma classe ou espécie”, pois estaria comprovado que o preço não teria sido influenciado pela vinculação. Quanto à possibilidade de aplicação do quinto método de valoração tendo por base as informações utilizadas pelo contribuinte para calcular os preços parâmetros é importante tecer ainda mais alguns comentários. Primeiramente é relevante reconhecer que há uma grande similaridade conceitual entre o quinto método de valoração Fl. 5656DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.620 27 do AVA/GATT e o método CPL previsto na legislação sobre preços de transferência. Ambos partem do custo de produção das próprias mercadorias importadas. Embora tenham objetivos distintos em termos de aplicação da legislação tributária, os dois métodos buscam determinar onde estariam localizados os preços, casos os mesmos não tivessem sido influenciados pela vinculação, tendo em conta os princípios contábeis aceitos internacionalmente e a premissa de que em situação de normalidade comercial entre pessoas independentes, os preços seriam decorrentes exatamente destes custos de produção acrescidos de uma razoável margem de lucro. Os dois métodos diferenciamse em relação a alguns aspectos que precisam ser considerados. O primeiro diz respeito a utilização de uma margem de lucro fixada em 20% para o cálculo do preço parâmetro com vistas à legislação dos preços de transferência e a definição de acréscimo de um montante para lucros e despesas gerais igual àquele usualmente encontrado em vendas de mercadorias de mesma classe ou espécie que as mercadorias importadas, para efeitos da Valoração Aduaneira. Obviamente, os lucros e despesas gerais devem ser aqueles efetivamente praticados em vendas a pessoas não vinculadas. Outro elemento de diferenciação referese à utilização dos valores médios ponderados dos custos de produção incorridos no período de um ano que coincide com o exercício fiscal das empresas na aplicação do método CPL e a necessidade de identificar o custo de produção da mercadoria importada submetida à valoração aduaneira. A determinação do montante de lucros e despesas gerais usualmente praticadas encontra aqui uma barreira, pois dependeria de uma demonstração individualizada por produto importado e por fornecedor de margens praticadas em vendas a pessoas não vinculadas. Por margens usualmente praticadas em vendas de mercadorias de mesma classe ou espécie não se poderia tomar as margens globais de lucro da empresa, pois estas decorrem do somatório das margens individualizadas, nem as margens informadas como praticadas entre empresas vinculadas, pois estas estariam influenciadas pela vinculação. Embora seja razoável considerar que do custo médio ponderado de produção se possa obter o custo de produção das próprias mercadorias importadas, a falta de elementos objetivos que permitam quantificar os dados específicos de cada operação é elemento que impõe a necessidade de afastamento do quinto método como válido para valoração das operações fiscalizadas. Também a ausência de elementos que permitam a determinação do que seriam os lucros e despesas gerais usualmente praticados nos países de cada um dos fornecedores em vendas de mercadorias da mesma classe ou espécie deve ser considerado como elemento que impede a aplicação deste método. O 5º método teve sua aplicação rejeitada pela Fiscalização, pela falta de elementos objetivos que permitissem a quantificação dos dados específicos de cada operação e Fl. 5657DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.621 28 a determinação do que seriam os lucros e despesas gerais usualmente praticados nos países de cada um dos fornecedores em vendas de mercadorias da mesma classe ou espécie. Restou a fiscalização a aplicação do 6º método, que propugna por critérios razoáveis. Após todos esses esclarecimentos não há como rechaçar a metodologia utilizada pela fiscalização que utilizou o procedimento de valoração, com utilização dos métodos em forma sequencial, justificando e motivando a não possibilidade de utilização de cada método. 5 Momento da constatação do valor aduaneiro. Mudança no critério jurídico. A recorrente cita a IN SRF nº 327/2003 para justificar seu entendimento de que o momento para averiguação do valor aduaneiro é no despacho de importação da mercadoria. Justifica que grande parte das DI´s autuadas foi parametrizada para os canais vermelho e amarelo, o que significa que a fiscalização verificou o valor aduaneiro nesse momento. Consequentemente ocorreu mudança no critério jurídico, nos termos do art. 146 do CTN. Cita doutrina e jurisprudência sobre o princípio da proteção da confiança. Em que pese ser essa uma tese bastante debatida no âmbito do CARF, não merece ser acolhida. Já que a recorrente não arguiu o tema em sede de impugnação. De acordo com o art. 16, inciso III, do Decreto 70.235/1972, com a redação dada pela Lei 8.748/1993, a impugnação deverá mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. E de acordo com o art. 17 do mesmo Decreto 70.235/1972, com a redação dada pela Lei 9.532/1997, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Sendo assim operouse a preclusão, e a matéria resta definitiva na esfera administrativa. 6 Observância das orientações expedidas pelo comitê técnico de valoração aduaneira A recorrente entende pela aplicação obrigatória dos pareceres, comentários ou notas explicativas emanados do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira, da OMA e incorporados no ordenamento jurídico pela IN SRF nº 318/2003. Em especial solicita a aplicação do Comentário 8.1, Opinião Consultiva 2.1 e o Estudo de Caso 12.1. Reproduzo o acórdão DRJ por ter esclarecido sobre a não aplicabilidade dos documentos ao caso concreto, e que não merece reparos: O Comentário 8.1 se reporta ao tratamento aplicável aos contratos globais (package deals) na valoração, no qual, o contrato global é definido como “um acordo que prevê o pagamento de uma soma global por um conjunto de mercadorias correlacionadas, ou vendidas juntas, Fl. 5658DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.622 29 sendo o preço das mercadorias vendidas a única contraprestação”. Portanto, um preço único pactuado para diferentes mercadorias, em nada se assemelha a preço único de um produto definido globalmente para venda a todas as subsidiárias no mundo. A Opinião Consultiva 2.1, in verbis se refere a possibilidade de aceitação de preço de transação inferior aos preços correntes de mercadorias idênticas, in casu, a inferioridade dos preços declarados foi revelada a partir dos preços de custos informados pela empresa das próprias mercadorias. O Estudo de Caso 12.1, por sua vez, trata da aplicação do artigo 1 do AVA no caso de mercadorias vendidas a preços a baixo de custo, desde que não haja vinculação entre vendedor e comprador e que existam circunstâncias econômicas que justifiquem a inferioridade desses preços, conforme trechos abaixo transcritos dos §§ 1 e 4 do referido Estudo de Caso. Não é o caso da presente autuação, em que a própria importadora GKN declara a vinculação entre ela e suas fornecedoras estrangeiras e que não foi apresentada nenhuma circunstância econômica que justificasse a inferioridade dos preços de transação declarados em relação aos próprios preços de custos informados para fins de determinação de preço de transferência. 7 Opinião Consultiva 2.2 e Estudo de Caso 12.1 Acrescenta em Recurso Voluntário a menção a Opinião Consultiva 2.2 e o Estudo de Caso 12.1 que justificariam a possibilidade de se utilizar o 1º método. A Opinião Consultiva 2.2 apenas enfatiza que o simples fato de um preço ser inferior aos preços correntes de mercado não poderia ser motivo para sua rejeição para fins do artigo 1. Restou amplamente demonstrado em todo o transcorrer do voto que não foi somente o simples fato do preço ser inferior que descaracterizou a aplicação do primeiro método. Foram juntados outros elementos e dada a oportunidade de esclarecimento e agregar informações à empresa. E a partir do cotejamento de todas as informações, muito embasado e justificado no relatório fiscal, que a fiscalização concluiu pela não aplicação do primeiro método. O Estudo de Caso 12.1 foi apresentado pela aduana de um país membro da OMA e referese a um caso concreto. Os estudos de caso só devem ser aplicados para casos semelhantes, não sendo possível a extensão de suas conclusões a outros casos, ainda mais quando efetuada a partir de cortes no texto. Além do mais o estudo de caso em nada contradiz o procedimento adotado pela fiscalização para rechaçar o primeiro método, valor de transação. 8 Cálculos efetuados para se chegar ao valor aduaneiro 8.1 Inclusão indevida de operações de importação cujo valor praticado supera o valor calculado pela RFB através do 6º método Fl. 5659DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.623 30 Alega em sequência que a fiscalização adotou o 6º método para fins de lavratura do auto de infração para todas as importações e não somente para as que foram praticados valores inferiores ao calculado. Apresenta documento, 3 e 10, com demonstrativo de valores incluídos indevidamente. Consequentemente deve ser ajustado o valor da multa para esses itens já que não houve erro na prestação da informação na DI para eles. O documento 3 consta como anexo da impugnação, fls . 4767. Esse assunto foi objeto de um dos quesitos submetidos a esclarecimento na diligência, sendo que a fiscalização assim respondeu: Na folha 4.627 consta o esclarecimento de que, com base no que dispõe o item 3 do parágrafo 2 da Nota do Artigo 1, do AVAGATT, “o impedimento de aplicação do Primeiro Método de Valoração somente NÃO se aplicaria àquelas situações em que os preços praticados são suficientes para cobrir os custos e assegurar um lucro representativo do lucro global”. Assim, os produtos que tenham sido declarados por preços superiores ao custo de produção acrescido das margens aceitáveis de lucro tiveram seus preços declarados preservado, sem desclassificação do Primeiro Método, sem que fossem revalorados, portanto. Os demais produtos, tendo em vista o impedimento de aplicação do Primeiro Método, com base no mesmo raciocínio, foram valorados pela aplicação do Sexto Método. Ressaltamos também que nas folhas 4.621 e 4.622 há esclarecimento de que os produtos importados, em relação aos quais, não havia nenhuma referência nos demonstrativos de cálculo de preços parâmetros (indicados com a expressão #N/D) e, portanto, não se conhecia a composição de seus custos de produção, assim como os produtos não identificados por código de referência nas adições das DI (#N/D), não foram revalorados e tiveram, da mesma forma, seu valor declarado preservado pelo Primeiro Método. A aplicação do Sexto Método, portanto, restringiuse aos produtos, cujos preços declarados eram inferiores ao custo de produção acrescido das margens de lucro. As margens de lucro consideradas aceitáveis foram as margens segregadas por família de produtos informadas pelo próprio importador (fls. 4.646). Dentre estas, foram utilizadas apenas a menor margem de lucro praticada em cada um dos anos fiscalizados e que correspondem aos produtos da família “FORA DE ESTRADA E AGRÍCOLAS”, cujas margens eram 30,3% em 2010, 21,8% em 2011, 23,8% em 2012 e 12,2% em 2013 (fls. 4.647), como demonstra exerto abaixo: ... A comparação entre os preços praticados e os custos acrescidos dos lucros aceitáveis, foi feita na moeda estrangeira. Os preços parâmetros, indicado em Reais nos Demonstrativos, foram reconvertidos para a moeda estrangeira de origem pela aplicação da taxa de câmbio utilizada pela própria empresa (fls. 4.599). (grifos nossos) Fl. 5660DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.624 31 Resta claro que, diferentemente do alegado pela recorrente e conforme relatado pela fiscalização não foram considerados os produtos que tenham sido declarados por preços superiores ao custo de produção acrescido das margens aceitáveis de lucro. Esses produtos tiveram seus preços declarados preservados, sem desclassificação do Primeiro Método, sem que fossem revalorados, portanto. E continua esclarecendo que os produtos importados, em relação aos quais, não havia nenhuma referência nos demonstrativos de cálculo de preços parâmetros (indicados com a expressão #N/D) e, portanto, não se conhecia a composição de seus custos de produção, assim como os produtos não identificados por código de referência nas adições das DI (#N/D), não foram revalorados e tiveram, da mesma forma, seu valor declarado preservado pelo Primeiro Método. A aplicação do Sexto Método, portanto, restringiuse aos produtos, cujos preços declarados eram inferiores ao custo de produção acrescido das margens de lucro. Quanto a alegação que a multa deveria ser recalculada já que não havia erro na prestação de informação para esses itens, também não merece guarita. Consta no relatório fiscal a informação de que a multa não incidiu sobre os produtos que não foram revalorados: 17 Para o cálculo da multa administrativa de 1% sobre o valor aduaneiro, cuja justificativa consta discriminada no próximo capítulo, consideramos irrelevante o fato de estar ou não a operação sujeita à tributação. Por outro lado, tendo em vista que esta multa tem por fato imputável a declaração indevida de que a vinculação não havia influenciado o preço praticado, consideramos como base de cálculo o somatório dos valores em reais das mercadorias cujos preços parâmetros calculados (custo de produção mais lucro empresarial) eram superiores aos preços declarados. 18 A base de cálculo da multa de 1% de que trata o item anterior pode ser distinta da base de cálculo do I.I. e dos outros tributos, pois, para o cálculo dos tributos consideramos a base de cálculo reconstituída, que incluiu as parcelas referentes a produtos cujos preços parâmetros eram superiores aos preços declarados, pois foram deduzidos, dos tributos calculados para cada adição, os tributos pagos no registro das DIs. Reforçase que para os produtos em que os preços não foram consideramos influenciados pela vinculação, utilizamos na reconstituição do valor aduaneiro os próprios preços informados nas DIs. 8.2 Inclusão indevida de importações efetuadas do Uruguai Alega que existe laudo emitido pela PwC atestando que os valores praticados nas operação entre GKN do Uruguai e GKN do Brasil estão dentro dos parâmetros do mercado. A DRJ analisou o pleito e assim se pronunciou: Convém ressaltar que o Parecer de empresa independente apresentado pela impugnante (fls. 4.840/4.842) não comprova a não afetação dos Fl. 5661DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.625 32 preços de transação das mercadorias pela vinculação entre a importadora e a GKN do Uruguai, uma vez que tal Parecer analisa as informações referentes as operações da GKN DUSA (Uruguai) com suas empresas vinculadas em comparação com as informações de 22 companhias independentes de autopeças, para fins de documentar a análise de transações sujeitas a regime de preços de transferência do exercício de 2011. Esse parecer não traz nenhum dado concreto, e em nenhum momento menciona a não influência da vinculação entre as partes nos preços de transação de mercadorias importadas pela GKN do Brasil, mas apenas de forma genérica conclui que, em 2011 a rentabilidade da GKN DUSA em operações celebradas com entidades vinculadas não foi inferior a que seria obtida com entidades não vinculadas. Assim, resta configurado o acerto da fiscalização em afastar o primeiro método de valoração aduaneira, visto que a impugnante não logrou êxito em justificar a não influência da vinculação entre as partes nos preços declarados. Acompanho a DRJ pela não comprovação da não afetação dos preços de transação pela vinculação entre as empresas. 8.3 Informações equivocadas de preços parâmetro (utilizados para fins de determinação de ajustes do preço de transferência) utilizadas subsidiariamente para aplicação do 6º método A recorrente alega que o preço parâmetro informado pela GKN para cálculo do preço de transferência, para alguns casos, não corresponde ao custo efetivo de seus fornecedores acrescido de margem de lucro de 20%, método CPL, e que esse custo efetivo é inferior ao considerado pela RFB. A DRJ analisou o pleito e assim pronunciou, pelo que eu acompanho: Entretanto, das planilhas apresentados pela impugnante referentes a tais alegações (DOC. 05 – fls. 4.786/4.797 e DOC. 06 – fls. 4.798/4.801) não consta qualquer demonstração efetiva de que o custo do produto efetivo dos produtos tenha sido inferior ao resultante da diminuição da margem de lucro de 20% dos preços parâmetros, para fins de preço transferência e/ou que determinadas operações tenham sido objeto de ajustes nos custos dedutíveis das bases de incidência do IRPJ e CSLL, em razão de preços praticados nas importações superiores aos preços parâmetros, apurados segundo o método CPL escolhido pela importadora, para fins de preço de transferência. E ainda, apenas o cometimento de algum equívoco na apuração do custo médio ponderado dos produtos importados, na determinação do preço parâmetro, para fins de preços de transferência, utilizando o método adotado (CPL), previsto no inciso III, do artigo 18 da Lei nº 9.430/1996, poderia justificar a não aceitação do preço de custo resultante do preço parâmetro, uma vez que a margem de lucro de 20% é definida pela lei. Fl. 5662DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.626 33 Nessa situação caberia a empresa demonstrar os supostos valores corretos de preços parâmetros, e apresentar retificação de suas DIPJ. A realização de margem de lucro superior à determinada pela legislação dos preços de transferência em operações de importação não interfere no custo ponderado declarado pela empresa. Assim, entendo que tais alegações da impugnante, não dotadas da força probante da coerência e desacompanhadas de qualquer demonstração, não se prestam a descaracterizar o custo médio ponderado declarado dos produtos, na forma da legislação aplicável. 8.4 Inclusão, no auto de infração, de importações que foram incluídas como ajustes nas bases de cálculo do IRPJ e CSLL para fins de determinação dos preços de transferência (método CPL), em decorrência da adoção de margem de lucro superior a 20% Alega em síntese que foram incluídos como itens sujeitos a ajuste para fins de valoração aduaneira, itens que foram incluídos pela empresa como passíveis de ajuste no preço de transferência, justamente pelo fato de ter sido praticado valor aduaneiro superior ao custo acrescido de 20%, método CPL. E continua alegando que houve incoerência já que procedeu a adição de valores relativos a ajuste de preço de transferência, pelo método CPL, para as bases de cálculo do IRPJ e CSLL porque o preço praticado nessas importações ficou acima do aceitável pela RFB, e ao mesmo tempo foram considerados com valor abaixo do aceitável para fins aduaneiros. O Relatório Fiscal (fls. 4.644) fundamenta com clareza essa distinção: [...] Por óbvio não se pode considerar como lucro usualmente praticado o lucro de 20% estabelecido na Lei 9.430, de 1996, para efeitos de utilização do método CPL. Por outro lado, como já vimos anteriormente, não há informações disponíveis que permitam individualizar o montante de lucros encontrado em vendas de mercadorias da mesma classe ou espécie efetuados por produtores no país de exportação, para o país de importação, como estabelece a letra (b) do parágrafo 1 do Artigo 6 do AVA/GATT, reforçada pela Nota Interpretativa ao Artigo 6, parágrafo 4. Na segregação do valor unitário de custo, partindo do preço de parâmetro, para fins de preço transferência com a utilização do método CPL (Custo de Produção mais Lucro), a Fiscalização utilizou a margem de lucro determinada pelo art. 18, inciso II, para o método CPL, in verbis. Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (Vide Medida Provisória nº 478, de 2009) Fl. 5663DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.627 34 [...]III Método do Custo de Produção mais Lucro CPL: definido como o custo médio ponderado de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, acrescido dos impostos e taxas cobrados na exportação no país onde tiverem sido originariamente produzidos, e de margem de lucro de 20% (vinte por cento), calculada sobre o custo apurado. (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) (Vigência) Para a determinação do preço unitário da mercadoria pela aplicação do 6º método de valoração aduaneira, foram utilizadas como margens de lucros consideradas aceitáveis, a menor margem de lucro, dentre as informadas pela importadora, independente do produto valorado ser identificado como da família de produtos da margem utilizada, e de acordo com o parágrafo 1(b) do artigo 6 do AVA/GATT, corroborada pelo parágrafo 4 da Nota Interpretativa ao artigo 6 e a flexibilização possibilitada pelo parágrafo 15 do Comentário 15.1 do Comitê de Valoração Aduaneira, extraído da IN SRF nº 318/2003. Artigo 6 do AVA GATT 1. O valor aduaneiro das mercadorias importadas, determinado segundo as disposições deste artigo, basear seá num valor computado. O valor computado será igual à soma de (a) o custo ou o valor dos materiais e da fabricação ou processamento,empregados na produção das mercadorias importadas; (b) um montante para lucros e despesas gerais, igual àquele usualmente encontrado em vendas de mercadorias da mesma classe ou espécie que as mercadorias objeto de valoração, vendas estas para exportação,efetuadas por produtores no país de exportação, para o país de importação; Nota Interpretativa ao Artigo 6, parágrafo 4 4. O “montante para lucros e despesas gerais” a que se refere o parágrafo 1 (b) do Artigo 6 deverá ser determinado com base em informações prestadas pelo produtor, ou em seu nome, a menos que seus números sejam incompatíveis com aqueles usualmente verificados em vendas de mercadorias da mesma classe ou espécie das mercadorias objeto de valoração, vendas estas efetuadas por produtores no país de exportação, para exportação para o país de importação. Comentário 15.1, do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira 15. A metodologia para a obtenção de dados pode variar de um país a outro, entretanto, podem consistir em fiscalizações realizadas junto a importadores conhecidos de mercadorias da mesma classe ou espécie, os quais, a pedido, poderiam fornecer os dados de bom grado e em estudos sobre casos de valoração relativos a importadores conhecidos. Considerando que as empresas podem não ter informação sobre lucros e despesas gerais por produto, as administrações podem atuar segundo o princípio do exame de lucros e despesas gerais relativos à faixa ou ao grupo mais restrito de mercadorias sobre as quais possam ser obtidas informações suficientes.(grifei) Acompanhando o acórdão recorrido concluo que a Fiscalização utilizou as margens de lucros adequadas ao objetivo, em conformidade com os respectivos normativos de regência, não havendo reparos a fazer. Fl. 5664DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.628 35 8.5 Imposição de margem de lucro superior ao patamar de 20% estabelecido pela legislação do preço de transferência para fins de aplicação do 6º método de valoração aduaneira Esse ponto já foi esclarecido acima ao demonstrar que as legislações foram aplicadas no seu escopo de atuação individual, não havendo reparos a serem efetuados. 8.6 Taxa cambial utilizada para fins de apuração de eventual ajuste no valor aduaneiro, em especial, o IENE Alega que a RFB adotou taxa de câmbio com duas casas depois da vírgula o que distorceu os preços praticados. Na determinação do valor aduaneiro pelo 6º método do AVA/GATT foram empregadas também espécies diferentes de taxas de câmbio, dependendo do valor a ser convertido. Os preços parâmetros em reais, para fins de preços de transferência, constante dos demonstrativos apresentados pela importadora, foram (re)convertidos para a moeda original, utilizada a taxa de câmbio informada pela empresa, como aquela empregada para a consecução dos custos, para fins de cálculo dos preços parâmetros (fls. 2.271/2.272), conforme explicitado pela Fiscalização em diversos pontos do Relatório Fiscal, trechos abaixo transcritos (fls. 4.599, 4.618 e 4626). Resposta à Intimação nº 002/2015 prestada pela GKN DO BRASIL (fls. 2.271/2.272) 4. Esclarecimento sobre quais são e como foram obtidas as taxas de câmbio utilizadas para conversão dos custos de produção para a moeda nacional na determinação do preço parâmetro pelo método CPL As taxas de câmbio utilizadas para conversão dos custos de produção para reais (R$) foram as mesmas utilizadas para a conversão dos preços médios ponderados. Segue a seguir demonstrativo com as taxas médias de cada ano e as taxas utilizadas pela GKN Relatório Fiscal: Que as taxas de câmbio utilizadas para conversão dos custos de produção para reais foram as mesmas utilizadas para a conversão dos Fl. 5665DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.629 36 preços médios ponderados e são as que constam no quadro abaixo: (Fls. 4.599) Para efeitos deste procedimento fiscal, a adequação na utilização da correta taxa de câmbio deixa de ser relevante na medida em que os valores que servirão de comparação com vistas tanto à demonstração da afetação dos preços praticados, como à valoração aduaneira serão os valores em moeda estrangeira e para tanto, utilizaremos os valores declarados nas DIs e os valores dos preços parâmetros reconvertidos para a moeda original. (fls. 4.618) Os preços parâmetros foram antes convertidos para moeda estrangeira pela taxa média utilizada pela empresa e reconvertidos para moeda nacional pela taxa de câmbio do dia do registro de cada DI. (fls. 4.626) E, na conversão do valor aduaneiro resultante da aplicação do 6º método de valoração para Reais foi utilizada a taxa de câmbio do dia do registro da DI, consoante determina o artigo 24 do DecretoLei nº 37/1966 c/c o artigo 23 do mesmo normativo, in verbis. Art.24 Para efeito de cálculo do imposto, os valores expressos em moeda estrangeira serão convertidos em moeda nacional à taxa de câmbio vigente no momento da ocorrência do fato gerador. Art. 23 Quando se tratar de mercadoria despachada para consumo, considerase ocorrido o fato gerador na data do registro, na repartição aduaneira, da declaração a que se refere o artigo 44. É importante ainda mencionar que as taxas de câmbio acima mencionadas foram utilizadas com a quantidade de casas decimais que foram apresentadas, a informada pela empresa, com duas casas decimais (fls. 2.271/2.272 e 4.599, anteriormente copiados) da maneira que teria sido utilizada na conversão original, e a vigente no dia do registro da DI com cinco casas decimais, conforme determinada pelo Banco Central do Brasil. A Fiscalização aplicou a espécie de taxa de câmbio apropriada a cada momento de conversão, em consonância com o objeto relacionado e/ou a legislação aplicável. 8.7 Apuração do valor aduaneiro por DI para fins de lavratura do auto Por fim a recorrente alega que ao fazer os ajustes a fiscalização considerou todos os itens da DI e não somente aqueles que deveria ser efetuado o ajuste. O assunto foi submetido a diligência e a fiscalização constatou alguns erros na apuração dos valores. Em sede de diligência fiscal resultante do presente julgamento, as autoridades fiscais corrigiram equívocos no demonstrativo de base cálculo apresentado (PLANILHA IV – fls. 4.366/4.442), seja pela não inclusão de itens de mercadoria não submetidos à valoração, seja pela apropriação em duplicidade do valor do frete na base de cálculo de 22 operações, negociadas no incoterms10 CFR e CPT11, com a Fl. 5666DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.630 37 apresentação da PLANILHA VI (fls. 4.867/5.039), em substituição àquela. A inclusão de todos os itens de produto, mesmo os não valorados, nas respectivas adições de DI no novo Demonstrativo sanou as dúvidas levantadas quanto ao valor declarado total das mercadorias em cada adição apresentado no demonstrativo anterior. O exemplo constante da Informação fiscal (fls. 5.046), resultante da conversão do presente julgamento em diligência, ilustra bem o adequado esclarecimento das questões levantadas na Resolução desta Turma de Julgamento. Por exemplo: A adição 001 da DI 10/21065392 (fls. 4.381) aparece na PLANILHA IV com quatro produtos, quando na verdade esta adição contém cinco produtos. O somatório dos valores dos cinco produtos é US$ 217.567,16 que consta corretamente na coluna “VT ADIÇÃO 6º MET”. No entanto, este valor é maior do que o somatório dos 4 produtos que constam discriminados na PLANILHA. Com o propósito de corrigir os equívocos citados, elaboramos a PLANILHA VI (fls. ),em substituição à PLANILHA IV, contendo, além daquelas informações, também a demonstração da metodologia de cálculo do valor aduaneiro de cada uma das adições das DI, ressaltando os produtos que foram revalorados pela aplicação do 6º Método e os produtos que não foram revalorados e que tiveram preservados seus preços declarados. No tocante às alegações da impugnante, à exceção do atinente à DI nº 13/15861730, tratada em tópico “Do vício material” nas Preliminares deste Voto, a seguir explicitadas, ou se mostram equivocadas ou referentes a erros irrelevantes, sem nenhum prejuízo ao direito da impugnante à ampla defesa e ao contraditório. Esses erros foram corrigidos e a DRJ acabou por acatar algumas alegações iniciais da impugnação: Fl. 5667DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.631 38 9 Informações prestadas pela fiscalização na diligência Todos os subitens desse item 9 foram submetidos a apreciação da DRJ em impugnação, e foram respondidos, demonstrando muitas vezes o equívoco da recorrente na apresentação e análise das informações. A recorrente não apresentou novos argumentos em sede de recurso voluntário, sendo recebido para reexame. Muitos dos itens, inclusive, foram acatados pela fiscalização em informação fiscal na diligência e também julgados procedentes pelo acórdão DRJ, não necessitando de reexame já que é matéria definitiva no contencioso administrativo. Pelo amor ao debate e para não furtar ao exame do contencioso, reanaliso ponto a ponto, entendendo por acompanhar o posicionamento da DRJ em todos os itens por não ter sido apresentado fatos novos e a decisão DRJ ter esgotado toda a argumentação. 9.1 Itens indicados com a expressão #N/D que foram revalorados Apesar de o relatório fiscal informar que os itens com a expressão #N/D não foram revalorados, a recorrente identificou na planilha VI itens que foram revalorados. Fl. 5668DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.632 39 Quanto a DI 13/15861730 que a recorrente utiliza como exemplo para justificar que haviam itens na planilha da fiscalização que foram revalorados, esclareço que essa DI específica foi retirada da autuação no acórdão de piso por a DRJ entender que não houve demonstração da matéria tributável: e) ACOLHER a nulidade, por vício material, da exigência de II e respectivos acréscimos legais, referente à DI nº 13/15861730 (adições 001 a 009), pela não demonstração da matéria tributável, no valor total de: R$ 4.154,00 de II; R$ 3.115,50 de multa de 75%; R$ 674,14 de juros de mora. A DRJ assim analisou esse pleito quando submetido em impugnação: Da não demonstração da matéria tributável. Do vício material Consoante a PLANILHA VI (fls. 5.022), as adições 001 a 009 da DI nº 13/15861730 se referem a produtos com preço parâmetro não disponível, portanto, tais operações não foram objeto de valoração aduaneira pela Fiscalização, como, aliás, expressamente informado na referida planilha, com a aposição da informação “Não Revalorado” para essas adições. Entretanto, para essas adições foi mostrado valor aduaneiro apurado maior do que o declarado, tendo sido exigido o II correspondente a essa diferença entre valor aduaneiro apurado e declarado (fls. 111/112), com a informação de que tal diferença teria resultado da revaloração aduaneira, pela aplicação do 6º Método. Revelase, portanto, não somente a não demonstração da origem da base de cálculo da autuação, mas também a sua falta de motivação, tendo em vista que essa DI não foi objeto de valoração aduaneira pela fiscalização, muito menos submetida ao 6º método de valoração. Verificase, assim, que a exigência do II e respectivos acréscimos legais referentes a essa DI, por não ter sido devidamente fundamentada, resta carente de requisito essencial à constituição do lançamento, in casu, a determinação da matéria tributável, nos termos do art. 142 do CTN, in verbis. Tal vício atinge a própria verificação da ocorrência do fato gerador, tendo em vista que da forma apresentada impossível examinar seu cabimento. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (grifei) Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Diante do exposto, entendo pela existência de violação de requisito essencial ao lançamento, o que torna nulo, por vício material, não se aplicando o prazo decadencial previsto no art. 173, inciso II, do CTN, as autuações referentes à DI nº 13/15861730 (adições 001 a 009), no total de R$ 4.154,00 de II, de R$ 3.115,50 de multa de ofício, e, de R$ 674,40 de juros de mora. Fl. 5669DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.633 40 Portanto não resta matéria contenciosa. A indicação genérica quanto a existência de outros itens não merece prosperar, já que o recurso deve ser específico não se aceitando alegações genéricas em que não se junte alegações e indicações específicas quanto aos erros apurados. 9.2 Margens de lucro consideradas como aceitáveis A recorrente alega a margem aplicada pela fiscalização não passou por critério detalhado de análise: Que utilizou como base para seu cálculo as margens aplicadas aos produtos da família "FORA DE ESTRADA E AGRÍCOLAS". Porém, é importante salientar que a Impugnante efetuou importações de outros tipos de bens que não deveriam estar neste conceito, tais como itens comprados para o ativo imobilizado, ou itens comprados para uso e consumo no processo produtivo, que não possuem relação a estas famílias de produtos. Que apesar de estes itens não apresentarem diferenças entre os valores aduaneiros e bases de cálculo de Imposto de Importação, é certo que não deveriam ter suas margens atribuídas, o que denota divergência de entendimento por parte da fiscalização. Neste mesmo sentido, porém com impacto para fins de cálculo de Multa e Juros de Mora, a Fiscalização também adotou estas margens para itens que não representam insumos, tais como etiquetas, manuais, banners e expositores, conforme exemplo indicado abaixo para o produto 705068. Conforme já reproduzido acima para outro item semelhante ao presente, o assunto foi objeto da diligência e foi respondido pela fiscalização fls. 5042 e sgs. Também foi analisado no acórdão recorrido: Primeiramente afirmou que foram encontradas algumas inconsistências na forma de apresentação dos dados na PLANILHA IV, mas que para melhor entendimento da metodologia do cálculo do valor aduaneiro, retomaria algumas explicações constantes do Relatório de Auditoria. Que a aplicação do 6º Método se restringiu aos produtos, cujos preços declarados eram inferiores ao custo de produção acrescido das margens de lucro. As margens de lucro consideradas aceitáveis foram as margens segregadas por família de produtos informadas pelo próprio importador (fls. 4.646). Dentre estas, foi utilizada apenas a menor margem de lucro praticada em cada um dos anos fiscalizados e que correspondem aos produtos da família “FORA DE ESTRADA E AGRÍCOLAS”, cujas margens eram 30,3% em 2010, 21,8% em 2011, 23,8% em 2012 e 12,2% em 2013 (fls. 4.647). (grifei) Que os produtos declarados por preços superiores ao custo de produção acrescido das margens aceitáveis de lucro tiveram seus Fl. 5670DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.634 41 preços declarados preservados, sem desclassificação do 1º método, sem que fossem revalorados. Os demais produtos, tendo em vista o impedimento de aplicação do 1º método, com base no mesmo raciocínio, foram valorados pela aplicação do 6º método. (grifei) Que foi também ressaltado às folhas 4.621 e 4.622 que os produtos importados, em relação aos quais, não havia nenhuma referência nos demonstrativos de cálculo de preços parâmetros (indicados com a expressão #N/D) e, portanto, não se conhecia a composição de seus custos de produção, assim como os produtos não identificados por código de referência nas adições das DI (#N/D), não foram revalorados e tiveram, da mesma forma, seu valor declarado preservado pelo 1º Método. (grifei) Que os preços parâmetros, indicado em Reais nos Demonstrativos, foram reconvertidos para a moeda estrangeira de origem pela aplicação da taxa de câmbio utilizada pela própria empresa (fls. 4.599). Metodologia do Cálculo do Valor Aduaneiro Que o valor aduaneiro foi calculado por adição da DI, para que se pudesse apropriar com segurança as parcelas corretas de frete e seguro, e para poder deduzir com precisão os valores já recolhidos de tributos. Assim, quando em uma mesma adição constavam produtos a serem revalorados (6º Método) e produtos não revalorados (manutenção do 1º Método), seguiuse a seguinte metodologia: 1 Para os produtos a serem revalorados: a. A partir do preço parâmetro convertido para a moeda estrangeira original, calculamos o custo, deduzindo 20% do valor (margem de lucro prevista na legislação de preços e transferência). b. Multiplicamos o valor do custo pela quantidade de produtos importados. c. Ao valor do custo total acrescentamos o lucro aceitável, pela aplicação da menor margem entre as possíveis em cada ano. 2 Para produtos não revalorados (quando os preços praticados já eram superiores aos custos mais lucros, quando não havia referência nos demonstrativos de cálculo dos preços parâmetro ou quando não foi possível identificar a referência na descrição das DI (#N/D)): a. Utilizamos o próprio preço unitário, na moeda estrangeira, constante na adição da DI. b. Multiplicamos o preço unitário pela quantidade importada. 3Totalizamos o valor da adição, na moeda negociada, somando os valores de todos os itens (revalorados pelo 6º Método e não revalorados). 4 Convertemos o valor total da adição para moeda nacional, multiplicando pela taxa de câmbio vigente no dia do registro das DI. 5 Acrescentamos os valores do frete e do seguro em Reais. Fl. 5671DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.635 42 Que a PLANILHA IV (fls. 4.366 a 4.442), que serviu de exemplo e que suscitou as dúvidas levantadas, de fato foi elaborada de forma equivocada, com a falta de algumas linhas, embora, os valores que constem como valor aduaneiro estejam corretamente calculados, salvo algumas pequenas exceções, tratadas mais adiante. Por exemplo: A adição 001 da DI 10/21065392 (fls. 4.381) aparece na PLANILHA IV com quatro produtos, quando na verdade esta adição contém cinco produtos. O somatório dos valores dos cinco produtos é US$ 217.567,16 que consta corretamente na coluna “VT ADIÇÃO 6º MET”. No entanto, este valor é maior do que o somatório dos 4 produtos que constam discriminados na PLANILHA. Que, com o propósito de corrigir os equívocos citados, foi elaborada a PLANILHA VI, em substituição à PLANILHA IV, contendo, além daquelas informações, também a demonstração da metodologia de cálculo do valor aduaneiro de cada adição das DI. Que, como já antecipado acima, houve pequenas inconsistências na aplicação da metodologia de cálculo, que serão esclarecidas adiante, no atendimento ao terceiro quesito formulado pela autoridade julgadora. Segundo Quesito 2) Demonstrativo que explicite à apropriação no valor aduaneiro total da adição/DI (que ampara importação de produtos submetidos à valoração não valorados) dos valores de produtos não submetidos à valoração, conforme exemplo acima mencionado na DI nº 10/08540007, adição: 001. Que a inexatidão dos dados constantes na PLANILHA IV, já citada acima, tornou incompreensível o cálculo do Valor Aduaneiro, uma vez que, em relação a esta adição faltou apresentar uma das linhas. Que esse problema fica perfeitamente sanado na PLANILHA VI (fls. ), uma vez que se refere ao mesmo problema citado anteriormente e não em relação à metodologia de cálculo do Valor Aduaneiro. Na PLANILHA IV aparecia apenas uma linha, referente ao produto 217 1171, cujo valor ajustado era de US$ 22.694,94. No entanto, esta adição contém também o produto 2977791, cujo valor ajustado era de US$ 1.321,51. O somatório destes dois valores é que resulta em US$ 24.016,44. Que na PLANILHA II (fls. 4.064 a 4.352) já era possível perceber que esta adição continha dois produtos e que ambos estariam sujeitos à revaloração. Portanto, entendo que foi esclarecida a questão da margem de lucro aplicada e que não merece reparo a decisão da DRJ. 9.3 Itens não revalorados Quanto a esse ponto a recorrente apresenta a seguinte alegação: Fl. 5672DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.636 43 Que inexistem motivos para a fiscalização ter deixado de revalorar alguns itens cujos preços declarados eram inferiores ao custo de produção acrescido das margens de lucro, conforme se pode verificar na DI nº 10/08873685, às fls. 4.686. Esse assunto também foi analisado no acórdão recorrido, e foi esclarecido que ao contrário do alegado pela recorrente não existe equívoco na autuação. Ao contrário do que alega a impugnante não existe nenhum equívoco na não autuação da adição 002 da DI nº 10/08873685, uma vez que o valor aduaneiro declarado (base de cálculo II) mostrado na planilha VI (fls. 4.689), de R$ 133.757,00 é superior ao que seria apurado pelo 6º método de valoração, de R$ 78.174,66. De qualquer forma, na hipótese de que determinada adição não tivesse sido autuada, mesmo com a apuração de valor aduaneiro pela aplicação do 6º método de valoração superior ao declarado, seria o caso de efetuar os lançamentos referentes a essa apuração, a depender do prazo decadencial, e não de anulação dos lançamentos regularmente efetuados. 9.4 Taxa de moedas utilizadas na conversão A recorrente alega que houve divergência entre a argumentação da fiscalização e a resposta à diligência: Que, em resposta à diligência, o fisco respondeu ao primeiro quesito que usou a taxa de câmbio do dia do registro da DI para conversão do valor total da adição para moeda nacional. Que tal informação difere da verificada na Fiscalização, pois, foi informado que "multiplicando pela taxa de câmbio vigente no dia do registro" quando, em verdade, utilizou a data do segundo dia útil anterior à data de registro de embarque para conversão, nos termos do art. 79 da Instrução Normativa 1.312, de 2012. O tema foi objeto de análise no acórdão recorrido, fls. 5209 e sgs. A fiscalização explica detalhadamente como foram efetuados os cálculos, e utilização das taxas de conversão, já que se tratavam de moedas diferentes e tipos de importação com finalidades diversas, consumo, aplicação em regimes aduaneiros, etc. Logo a Fiscalização aplicou a espécie de taxa de câmbio apropriada a cada momento de conversão, em consonância com o objeto relacionado e/ou a legislação aplicável. 9.5 DIs com itens faltantes Nesse ponto a recorrente alega: Fl. 5673DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.637 44 Que na análise da planilha VI, deparase com as Declarações de Importação com itens faltantes, copia o resumo DI 10/10130848, retirado desta planilha, transcrito abaixo: Que se podeverificar que há 04 itens indicados, contudo, esta DI possui 05 itens listados. Que a fiscalização deixou de incluir itens na planilha sem qualquer justificativa. Salientase que, mesmo que não houvesse descrição para tais itens, estes deveriam fazer parte da planilha confeccionada. No acórdão recorrido consta a análise e a conclusão: Todos os itens de produtos de uma adição de DI foram incluídos na planilha VI (fls. 4.867/5.039). O alegado item 5 faltante da DI nº 10/10130848, conforme informado pela impugnante, seria referente a produto classificado no código tarifário da NCM 3623.10.90 (fls. 5.064). Entretanto, o código tarifário da NCM dos produtos pertencentes às adições 001 e 003 dessa DI, constantes da Planilha VI (fls. 4.871) é o 8708.99.90. Portanto, tal item obrigatoriamente não pertence às adições 001 e 003, discriminadas na Planilha VI, uma vez que foi declarado produto com código tarifário distinto ao dos produtos daquelas adições. A não inclusão de uma adição de DI não analisada pela Fiscalização na Planilha VI não constitui nenhum equívoco. 9.6 Itens com problemas de fórmula Também apresentado argumento pela recorrente nos seguintes termos: Constatouse também itens com problemas de fórmula ou informações incoerentes, senão vejamos o exemplo da DI 11/23696227. Que em sua adição 001, apresenta o valor do 'custo mais lucro por adição' indicado pela expressão #VALOR!. Assim, não há como precisar os valores envolvidos pela fiscalização para o cálculo desta DI. Foi constatado erro no cálculo da DI alegada na planilha da fiscalização. Entretanto o erro não trouxe prejuízo a defesa já que é possível chegarse ao valor correto pelos cálculos de outras colunas da planilha: Realmente, nos campos “C + L ADIÇÃO”, “Valor Aduaneiro” e “BC II DI” da Planilha VI, referentes à adição 001 da DI nº 11/23696227 (fls. 4.937), consta a informação “#valor”, o que indica que houve erro no processamento da fórmula. Entretanto, esse erro não traz nenhum prejuízo à defesa da impugnante, uma vez que tal somatório pode ser perfeitamente calculado a partir dos valores insertos na planilha para cada um dos itens da adição, conforme demonstrado abaixo. Memória de Cálculo adição 001 da DI nº 11/23696227 (fls. 4.937): Fl. 5674DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.638 45 Somatório dos valores da coluna“PR. AJUSTADO” para cada um dos itens da adição = 16.785,30 = “C + L ADIÇÃO” “C+ L REAIS” = “C + L ADIÇÃO” x “TX CAMBIO” = 16.785,30 x 1,82188 = 30.580,80 “VALOR ADUANEIRO” (R$)= “C + L REAIS” + “FRETE R$” + “SEGURO R$” = 30.580,80 + 1.931,00 + 57,00= 32.568,85 O valor aduaneiro de R$ 32.568,85 Reais, acima calculado, corresponde ao valor informado no auto de infração como “Valor Tributável” do II dessa adição (fls. 64). Portanto, não existe nenhum erro nas fórmulas utilizadas para consecução do valor aduaneiro apurado. O que existiu foi uma mera falha no processamento dos somatórios da planilha apenas para essa adição de DI, plenamente sanável, como acima demonstrado. 9.7 moeda utilizada para conversão dos custos Que a fiscalização utilizou para cálculo da recomposição do 'preço parâmetro', por mera liberalidade, a taxa da moeda estrangeira utilizada para o cálculo do 'preço praticado'. Que, não considerando a possibilidade da Impugnante ter calculado o custo do bem convertido por outro tipo de moeda, por exemplo, o produto "00809289 SEH AC2000I GI620S", comprado pela GKN Brasil da sua empresa vinculada na Eslovênia (GKN Slovenija) em 2010. No documento "4b Anexo 1 Percentuais Preço Parâmetro enviada a RFB em resposta da Intimação nº 382014", a Impugnante informou como 'preço parâmetro' para este parágrafo o valor de R$ 97,45 e com o custo unitário de R$ 81, 21. Que, todavia, ao analisar o recálculo efetuado pela RFB, (Planilha II, que foi utilizado para o cálculo do campo "VAL. PAR. MOEDA" da Planilha VI), Podese denotar que a autoridade fiscal utilizou o Euro para cálculo da conversão para obtenção do 'preço parâmetro' em moeda estrangeira, contudo a Impugnante ao fazer o cálculo utilizou o dólar dos Estados Unidos como base para seu cálculo. Que, posto isto, na conversão feita pela RFB do total da adição, também teve como base a moeda utilizada na conversão do 'preço praticado', ou seja, o Euro. Citando como exemplo do efeito desta diferença, a análise da adição 001 da DI 10/20114217: Que tal fato não se restringe ao exemplo acima apresentado, podendo ser verificada situação semelhante nos casos transcritos na tabela às fls. 5.068. No item c) distinção das taxas de câmbio é abordado o assunto no acórdão DRJ, onde é reproduzido a resposta à intimação: As taxas de câmbio utilizadas para conversão dos custos de produção para reais (R$) foram as mesmas utilizadas para a conversão dos preços médios ponderados. Segue a seguir demonstrativo com as taxas médias de cada ano e as taxas utilizadas pela GKN. No relatório fiscal consta: Fl. 5675DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.639 46 Que as taxas de câmbio utilizadas para conversão dos custos de produção para reais foram as mesmas utilizadas para a conversão dos preços médios ponderados e são as que constam no quadro abaixo: (Fls. 4.599) Para efeitos deste procedimento fiscal, a adequação na utilização da correta taxa de câmbio deixa de ser relevante na medida em que os valores que servirão de comparação com vistas tanto à demonstração da afetação dos preços praticados, como à valoração aduaneira serão os valores em moeda estrangeira e para tanto, utilizaremos os valores declarados nas DIs e os valores dos preços parâmetros reconvertidos para a moeda original. (fls. 4.618) E novamente a conclusão da DRJ deve ser acompanhada "tenho que a Fiscalização aplicou a espécie de taxa de câmbio apropriada a cada momento de conversão, em consonância com o objeto relacionado e/ou a legislação aplicável". 10 Inaplicabilidade da multa Entende que o auto foi lavrado para exigir valores relacionados a valoração aduaneira, mas o trabalho fiscal foi efetuado em cima de informações sobre preço de transferência, e o método de valoração deveria ser o 1º método, e caso não aplicado o 1º método deveriam ter esgotado todos os outros métodos antes da aplicação do 6º método. Por isso as duas multas não devem ser aplicadas, a de 75% sobre a diferença apurada dos tributos e a de 1% por declaração inexata. Também entende pelo caráter confiscatório da multa. As alegações quanto ao caráter confiscatório das multas não devem ser acolhidas, já que já sumulado pelo CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Já discutido exaustivamente o mérito da autuação e restando superado o assunto quanto a correta aplicação do 6º método de valoração aduaneira, e também sobre a possibilidade de utilizar dados sobre preço de transferência, resta portanto a análise da aplicação das multas. Ambas as multas estão previstas em lei, sendo a multa de ofício de 75% sobre as diferenças de II, PIS e Cofins apuradas, aplicadas na autuação desses tributos têm fundamento legal no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996; e a referente ao IPI, no artigo 80 da Lei n° 4.502/64, inciso II, alterado pelo artigo 13 da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007. Por sua vez, a multa isolada de 1% sobre o valor aduaneiro em decorrência de prestação de informação inexata é prevista no art. 711 do Decreto nº 6.759/2009, com base no Artigo 69 da lei 10.833/2003. A autoridade fiscal não pode se furtar a cumprir o comando legal, pelo princípio da vinculação de seus atos, sob pena de responsabilidade funcional, art. 142 CTN, portanto correta a aplicação das multas ao caso em exame. Fl. 5676DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.640 47 11 ônus da prova. A recorrente repete os mesmos argumentos postos em impugnação, não inovando na argumentação: Que, tal qual ocorre no processo judicial, no âmbito administrativo as decisões que lhe são veiculadas devem obedecer ao disposto no art. 59, incisos LIV e LV, da Constituição Federal, referente à adoção do devido processo legal e da ampla defesa. Extraíse destes princípios que, para a sujeição de qualquer contribuinte à autuação de instituição fiscal, há o dever de que qualquer decisão seja veiculada à materialidade probatória suficiente para a imposição de qualquer penalidade. Que, no presente auto de infração, é patente a total ausência de provas para qualquer atribuição de responsabilidade imputada à Impugnante, decorrendo de mera presunção. Cabe salientar, ainda, que não é lícito à autoridade fiscal presumir que as operações da Impugnante estavam equivocadas uma vez que, se exige provas para sua constituição. Que nestes autos a Fiscalização baseouse única e exclusivamente em seu entendimento e interpretação do ocorrido, afirmando que os preços praticados foram influenciados pela vinculação, além de elencar que os preços não eram suficientes para cobrir custos de produção acrescidos de margem de lucro razoável, contudo, desincumbiuse de provar o quanto alegado. O assunto já restou pacificado e decidido no acórdão recorrido, que reproduzo e aplico conforme autorizado pelo RICARF art. 62: Alega a impugnante que presente autuação padece de total ausência de provas para qualquer atribuição de responsabilidade imputada à Impugnante, decorrendo de mera presunção. Entretanto, venho a discordar da impugnante, uma vez que a Fiscalização demonstrou a influência da vinculação entre importador e fornecedor estrangeiro nos preços das importações e as conseqüências, afastamento do primeiro método de valoração e aplicação dos métodos sucessivos de determinação do preço de mercadorias importadas, por meio de vasta documentação comprobatória disponibilizada pela própria impugnante, conforme explicitado nos itens anteriores deste Voto. As provas são diferenciadas em diretas e indiretas. Direta é a que se destina a comprovar o próprio objeto da investigação, já a indireta ou indiciária é a que por meio da comprovação de fatos secundários, aptos e suficientes, induzem o conhecimento de outro fato não conhecido diretamente. A reunião de elementos indiciários coerentes, harmoniosos e convergentes forma o denominado conjunto probante, do qual cada elemento poderá ser avaliado isoladamente e/ou em conjunto, para a formação do juízo. Fl. 5677DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.641 48 Vale aqui mencionar que as provas indiretas ou indiciárias utilizadas pela Fiscalização são admitidas em todos os ramos do direito, e também no administrativo fiscal. Portanto, não resta dúvida quanto à possibilidade de utilização de provas indiciárias para a fundamentação dos fatos alegados pela acusação ou defesa no processo administrativo fiscal. Nesse sentido, ressalto jurisprudência de Aliomar Baleeiro, no seguinte dizer: “SIMULAÇÃO. INDÍCIOS VÁRIOS E CONCORDANTES SÃO PROVA” (RE nº 68006/MG. Publicado no Diário da Justiça de 14/11/1969). No caso presente, em nada se sustenta a alegação de inversão do ônus da prova, uma vez que a própria impugnante apresenta os dados estatísticos da RFB para se opor à afetação dos preços dos produtos importados pela vinculação entre importador e fornecedores estrangeiros da qual foi acusada por meio de provas indiretas, embora não tenha obtido êxito nesse intento. Ou seja, quem não apresentou provas suficientes de sua alegação foi a impugnante, conforme já pormenorizado neste Voto. Nesse sentido destaco, a lição de Marcos Vinicius Neder e Maria Tereza Martínez López9, No processo administrativo fiscal federal, temse como regra que aquele que alega algum fato é quem deve provar. Então o ônus da prova recai a quem dela se aproveita. Assim, se a Fazenda alega ter ocorrido fato gerador da obrigação tributária, deverá apresentar prova de sua ocorrência. Se, por outro lado, o interessado aduz a inexistência da ocorrência do fato gerador, igualmente, terá que provar a falta dos pressupostos de sua ocorrência ou a existência de fatores excludentes.Portanto, a obrigação de provar será tanto do agente fiscal, conforme disposto na parte final do caput do art. 9º do PAF, como do contribuinte que contesta o auto de infração, conforme se verifica pela redação dada ao artigo 16 do PAF.(sublinhei) Diante do exposto, concluo que, in casu, a Fiscalização apresentou argumentos e provas coerentes e harmônicos que demonstram suas acusações, a defendente, no entanto, lançou mão de argumentos e provas incapazes de abalar a concretude das imputações que lhe foram feitas. Por todo o exposto voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora Fl. 5678DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.642 49 Voto Vencedor Conselheiro Rosaldo Trevisan, Redator Designado Em que pese o fundamentado voto da relatora, que revela o conhecimento da questão em debate, tecnicamente enfrentada, externo aqui as razões que me levaram à convicção de que o presente processo não está concluso para julgamento, sendo necessário o esclarecimento prévio de algumas questões. Pela importância internacional do tema, referente à relação existente entre valoração aduaneira e preços de transferência, que é pouco estudado, ao menos no Brasil, não havendo precedentes deste tribunal administrativo sobre a matéria, efetuo inicialmente algumas considerações sobre o assunto, e o tratamento que vem recebendo da doutrina e de organizações internacionais, para depois migrar ao caso concreto, descrito nos autos. 1. Da relação entre valoração aduaneira e preços de transferência Como bem narra a relatora, a origem da disciplina desses dois institutos é distinta, sendo o tratamento dos preços de transferência derivado de avenças no âmbito da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que vem publicando diretrizes periodicamente revisadas (no sítio www.oecd.org podem ser encontradas, para leitura online, as “OECD Transfer Pricing Guidelines for Multinational Enterprises and Tax Administrations 2017”), voltadas à tributação de renda entre empresas vinculadas, e a valoração aduaneira, que é destinada ao estabelecimento da base de cálculo do imposto de importação de maneira internacionalmente uniforme, derivada do Artigo VII do GATT, e disciplinada em codificação da Rodada Tóquio do GATT, que resultou em acordo multilateral da Rodada Uruguai do GATT (Acordo para Implementação do Artigo VII do GATT Acordo de Valoração Aduaneira do GATT AVA/GATT), vigente entre os 164 membros da OMC. Enquanto a disciplina de preços de transferência tem por universo, grosso modo, a busca por preços em condições de mercado (arm’s lenght) nas transações entre empresas vinculadas, para efeito de tributação da renda, com a finalidade de real alocação da carga tributária, a disciplina da valoração aduaneira objetiva a determinação do valor real da mercadoria transacionada, em uma determinada operação de importação, evitando a discriminação entre os países por meio da adoção de bases de cálculo arbitrárias ou fictícias, tendo como base o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias, entre empresas vinculadas ou não, com os ajustes estabelecidos no AVAGATT. Tanto para determinação dos preços de transferência quanto da valoração aduaneira são adotados métodos, estes delineados no AVAGATT, e de aplicação obrigatoriamente sequencial e sucessiva, e aqueles referenciados nas Diretrizes da OCDE, que não estabelece ordem necessária, e remete a uma “seleção apropriada”. Logo após Juan Martin JOVANOVICH buscar, em sua pioneira obra “Customs valuation and transfer pricing: is it possible to harmonize customs and tax rules?” (Series on Fl. 5679DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.643 50 International Taxation, n. 28, Ed. Kluwer Law International, New York, 2002), a harmonização entre valoração aduaneira e preços de transferência, Enrique C. BARREIRA aponta, em artigo intitulado “El ‘Valor en Aduana’ y los ‘Precios de Transferencia’ en las transacciones internacionales entre empresas vinculadas: dos enfoques ante un mismo fenómeno” (Revista de Estudios Aduaneros, n. 15, disponível em: http://www.iaea.org.ar/global/img/2010/09/Barreira3.pdf), semelhanças entre alguns métodos de valoração estabelecidos no AVAGATT, com os constantes nas diretrizes da OCDE: “(…) Método del precio comparable entre partes independientes: (…) Este método es similar a los métodos contemplados en el régimen de valoración en aduana en los artículos 2 y 3 del ‘Acuerdo del Valor en aduana del GATT 1994’, es decir los correspondientes a las mercaderías idénticas o similares a las que son objeto de valoración. (...) Precio de reventa entre partes independientes: (…) Este método es similar al denominado ‘método sustractivo’ o ‘deductivo’, que contempla el artículo 5 del ‘Acuerdo del Valor en aduana del GATT 1994’. (...) Costo más margen de utilidad: (…) Este método es similar al denominado ‘método reconstructivo’, que contempla el artículo 6 del ‘Acuerdo del Valor en aduana del GATT 1994’. (…) (p. 120, grifos no original) Como aproximação entre os dois temas, BARREIRA destaca ainda a Seção 1059A do “Internal Revenue Code” norteamericano, que limita o custo de aquisição da mercadoria importada, para os fins de imposto de renda, ao “valor em aduana” determinado pelo serviço aduaneiro. Tal dispositivo, da codificação dos EUA de 1986, estabelece: “§ 1059A. If any property is imported into the United States in a transaction (directly or indirectly) between related persons (within the meaning of section 482), the amount of any costs (1) which are taken into account in computing the basis or inventory cost of such property by the purchaser, and (2) which are also taken into account in computing the customs value of such property, shall not, for purposes of computing such basis or inventory cost for purposes of this chapter, be greater than the amount of such costs taken into account in computing such customs value. (grifo nosso) (disponível em https://www.govinfo.gov/content/pkg/USCODE2011 title26/pdf/USCODE2011title26.pdf) BARREIRA já manifestava temor em relação à utilização dos institutos com fins contraditórios, entendendo imprescindível a adoção de sistemas que permitam previsibilidade/segurança jurídica, indicando como paliativos eventuais acordos entre as administrações tributárias acerca da aceitação dos métodos empregados pelas empresas. JOVANOVICH, em artigo publicado em 2006, intitulado “Precios de Transferencia en materia aduanera e impositiva. El uso de las Directrices de la OCDE en el contexto del Artículo 1.2 (A) del Acuerdo de Valoración de Mercaderías de la OMC” (Revista de Estudios Aduaneros, n. 17, disponível em: http://www.iaea.org.ar/global/img/2010/09/Jovanovich.pdf), por seu turno, critica a analogia entre métodos do AVAGATT e da OCDE (o que endossamos, já entendendo que BARREIRA apenas apontava semelhanças, e não coincidências de objeto de aplicação normativa), e Fl. 5680DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.644 51 menciona que a Organização Mundial das Aduanas (OMA, organização que o próprio AVA GATT menciona ao estabelecer um Comitê Técnico de valoração Aduaneira), e a OCDE, em março de 2005, reuniramse com o objetivo de debater os elementos de conexão entre valoração aduaneira e preços de transferência, originando conferência específica sobre o tema, em 2006. JOVANOVICH narra, como participante dessa iniciativa de tratamento do tema, e expositor nos eventos relacionados, que: “…la posición que dejé planteada no sólo se limitó a destacar que la convergencia de los regímenes aduaneros y tributarios de precios de transferencia es posible y deseable, sino que además es obligatoria en aquellos países que han adoptado el principio arm's length en materia tributaria pues, al coincidir con el principio adoptado por el Acuerdo en su art. 1.2, la existencia de decisiones contrapuestas entre las administraciones aduaneras y tributarias con respecto al carácter arm's length de una misma transacción sería contraria a los principios de legalidad y buena fe que deben regir la actividad de la administración.” (p. 78) A nosso ver, detecta precisamente JOVANOVICH o elementochave de conexão entre os institutos, no Artigo 1, parágrafo 2 do AVAGATT: “(...) Ao se determinar se o valor de transação é aceitável para os fins do parágrafo 1, o fato de haver vinculação entre comprador e vendedor, nos termos do Artigo 15, não constituirá, por si só, motivo suficiente para se considerar o valor de transação inaceitável. Neste caso, as circunstâncias da venda serão examinadas e o valor de transação será aceito, desde que a vinculação não tenha influenciado o preço. Se a administração aduaneira, com base em informações prestadas pelo importador ou por outros meios, tiver motivos para considerar que a vinculação influenciou o preço, deverá comunicar tais motivos ao importador, a quem dará oportunidade razoável para contestar. Havendo solicitação do importador, os motivos lhe serão comunicados por escrito.” (grifo nosso) Não há, assim, a simples extensão ou equivalência de preços de transferência à valoração aduaneira, ou viceversa, pois estamos a tratar de institutos nitidamente distintos, com finalidades próprias. O que existe, e encontra expressa previsão no citado dispositivo do AVAGATT, é a possibilidade de utilização de informações relativas a preços de transferência no exame das circunstâncias da venda, a fim de se saber se houve afetação do preço em função da vinculação entre as partes. É exatamente o que propôs JOVANOVICH, sinteticamente, inclusive apresentando exemplos de manejo tributário dos institutos (p. 8590): “Nuestra tesis principal es, en términos generales, que la armonización de las reglas sobre precios de transferencia en materia aduanera y tributaria en cada país no sólo es posible sino también conveniente. Nuestra segunda tesis es que las Directrices son consistentes con el art. 1.2(a) del Acuerdo y que, por lo tanto, pueden ser utilizadas por los servicios aduaneros para verificar los efectos de la vinculación sobre el precio pagado o por pagar. La proposición de esta segunda tesis está dirigida, primordialmente, a los países que ya hayan adoptado las Directrices y presenta la ventaja de ser conducente a la aplicación uniforme del Acuerdo. (...) Fl. 5681DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.645 52 No debemos olvidarnos que, en materia aduanera, el art. 1.2(a) pretende evitar principalmente que la vinculación entre comprador y vendedor distorsione los precios de forma tal que se reduzca indebidamente el impacto de los aranceles al momento de la importación. Paralelamente, en el impuesto a la renta, las reglas sobre precios de transferencia pretenden evitar que las empresas vinculadas reduzcan su ganancia imponible aumentando indebidamente sus costos de adquisición de mercaderías importadas” (p. 81/82, grifo nosso) Essa última consideração de JOVANOVICH está bem ilustrada no “Guía de la OMA sobre Valoración en Aduana y Precios e Transferencia” 2015 (disponível em: http://www.wcoomd.org//media/wco/public/es/pdf/topics/keyissues/revenue package/gu%C3%8Dadelaomasobrevaloraci%C3%93nenaduanaypreciosde transferencia.pdf, p. 60): Na Guia da OMA sobre o tema, há expressa referência às citadas conferências conjuntas OMA/OCDE sobre o tema, em 2006 e 2007. Depois da conferência de 2007 foi estabelecido um Grupo Focal, que recomendou, entre outras coisas, que fossem tomados em conta por parte do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira (CTVA), da OMA (p. 63): O tema foi, então, incluído na pauta do CTVA, e, após debates, resultou no Comentário 23.1 do referido Comitê, cujas conclusões são abaixo reproduzidas: Fl. 5682DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.646 53 As conclusões endossam, embora mais timidamente, a linha de argumentação inicialmente externada por JOVANOVICH, de que estudos relativos a preços de transferência podem ser úteis para examinar as circunstâncias da venda, e se houve afetação do preço em função da vinculação entre o importador nacional e o vendedor estrangeiro. E JOVANOVICH endossa a tese, em artigo mais recente (Valoración Aduanera y Precios de Transferencia, in PARDO CARRERO, Germán (org.), Relevancia Tributaria del Valor en Aduana de la Mercancía Importada, ICDT, Bogotá, 2015, p. 171194), no qual narra inclusive as origens do Comentário 23.1, nas sessões n. 28 a 31 do CTVA, destacando que tal comentário “...es un punto de partida y no puede pretenderse nada más de el. Es el primer puente construído entre los precios de transferencia aduaneros e impositivos, y, como tal, representa um enorme avance” (p. 185). Também se dedicaram especificamente ao estudo do tema Santiago IBÁÑEZ MARSILLA (Customs valuation and transfer pricing, ERAForum, v. 9, n. 3, p. 399412); Germán PARDO CARRERO, La valoración en Aduanas y los precios de transferencias: la cuestionable compatibilidade, in PARDO CARRERO, Germán (org.), Relevancia Tributaria del Valor..., op. cit., p. 109144; Vicente Torre DELGADILLO, Precios de Transferencia y Valoración en Aduana, in PARDO CARRERO, Germán (org.), Relevancia Tributaria del Valor..., op. cit., p. 145 169; e Jonathan Barros VITA, A Integração entre Valoração Aduaneira e Preços de Transferência sob a Perspectiva Institucional e Documental: a Experiência Internacional e as Perspectivas Brasileiras, in TREVISAN, Rosaldo (org.), Temas Atuais de Direito Aduaneiro II, p. 139161. Pelas limitações desta análise, utilizada apenas como base para julgamento de caso concreto, cremos que as lúcidas observações de JOVANOVICH, aliadas aos textos das disposições normativas e dos estudos da OMA e da OCDE são suficientes para consolidar a conclusão de que um estudo sobre preços de transferência não só pode ser efetuado, para examinar as circunstâncias da venda, na linha do Artigo 1.2 do AVAGATT, como é recomendável pata tal fim, buscandose saber se a vinculação entre vendedor e comprador afetou o preço. Fl. 5683DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.647 54 E, apurado que afetou, descartase a utilização do primeiro método de valoração aduaneira, e deve a fiscalização aduaneira, na determinação do valor aduaneiro, partir para os demais métodos, observandose a ordem sequencial e sucessiva estabelecida no AVAGATT. 2. Da valoração aduaneira, no caso concreto A nosso ver, no caso em análise, houve o estudo de preços de transferência sobre o qual tratamos no tópico anterior, e tal estudo, como bem destacou a relatora, afastou fundamentadamente a aplicação do primeiro método de valoração aduaneira, para as mercadorias objeto do lançamento. Assim, cabe analisar como seguiu a valoração aduaneira, a começar pelo segundo método (importação de mercadorias idênticas, vendidas para exportação para o mesmo país de importação, ao mesmo tempo ou aproximado), tratado às fls. 4631 a 4634 do Relatório Fiscal. Parte o fisco de afirmação da própria recorrente de que “a empresa não adquire produtos idênticos ou similares de fornecedores não vinculados”, e de que a fornecedora estrangeira não exporta tais produtos para outros importadores não vinculados, no Brasil. Tal informação é relevante em relação a importações que envolvem o mesmo exportador ou importador, mas é possível haver importação de mercadorias idênticas, na acepção do GATT, com pessoas diversas. Daí ter revelado a fiscalização insistido em solicitar ao importador se existiam outros fabricantes de produtos idênticos (ou até similares), tendo respondido a empresa que existem produtos fabricados pelos seus concorrentes que cumprem a mesma função técnica, mas que não é possível consideralos idênticos nem similares, pois cada empresa emprega tecnologia própria aos seus produtos, para que sejam aplicados especificamente para cada cliente. E, informa, por fim, a fiscalização, que efetuou consultas no Sistema Integrado de Comércio Exterior (SISCOMEX) brasileiro, não localizando mercadorias com descrição semelhante, impossibilitando a aplicação do segundo método. E, em relação ao terceiro método (mercadorias similares fls. 4634/4635), o cenário se repete. Ocorre que a empresa, na fase contenciosa, pósfiscalização, passa a sustentar que existem importações de mercadorias idênticas/similares (inclusive com alguns exemplos, para os quais não é possível atestar se o tempo da importação é o mesmo ou aproximado, se a origem é do mesmo país exportador, ou até se houve efetiva verificação do valor aduaneiro). Para que se chegue à verdade material, entendo que deve se checada tal informação, pois ao tempo da fiscalização a própria empresa negava o conhecimento da existência de importações idênticas ou similares, o que agora parece rechaçar em sua defesa. Para tanto, deve a fiscalização detalhar, conclusivamente, se necessário, com planilhas extraídas com consultas a banco de dados da RFB, preservado o sigilo do nome dos Fl. 5684DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201521 Resolução nº 3401001.799 S3C4T1 Fl. 5.648 55 importadores, a existência (ou não) de importação de mercadorias idênticas ou similares, observados os conceitos e requisitos do AVAGATT (mesmo tempo ou aproximado, e efetiva verificação do valor aduaneiro declarado), trazendo aos autos os critérios de busca, para que o julgador forme a convicção sobre a efetiva existência ou não de importação de mercadorias idênticas ou similares àquelas que são objeto do lançamento. Quanto à aplicação do quarto, do quinto e do sexto métodos (fls. 4635 a 4651 do Relatório Fiscal), considerase prudente aguardar o resultado da diligência, para análise mais detida, mas é possível antecipar que não se tem dúvida a ensejar, sobre o tema, questão adicional de diligência. Aproveitase ainda a conversão em diligência, no entanto, para demandar à autoridade preparadora da RFB, também em nome da verdade material, manifestação sobre os erros de cálculo apontados em recurso voluntário que não foram objeto da diligência realizada ainda antes do julgamento de piso. Solicito que, ao final do procedimento de diligência, seja a elaborado relatório circunstanciado sobre os temas objeto da diligência, cientificando a recorrente para que esta, se assim desejar, apresente manifestação no trintídio regulamentar, retornandose posteriormente os autos a este CARF, para julgamento. Em síntese, pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora: (i) detalhe conclusivamente, se necessário, com planilhas extraídas com consultas a banco de dados da RFB, preservado o sigilo do nome dos importadores, a existência (ou não) de importação de mercadorias idênticas ou similares, observados os conceitos e requisitos do AVAGATT, e a alegação de defesa que revê, ainda que a título exemplificativo, a informação anterior do sujeito passivo sobre o tema; (ii) manifestese sobre os erros de cálculo apontados em recurso voluntário que não foram objeto da diligência realizada ainda antes do julgamento de piso; e (iii) produza relatório circunstanciado sobre os temas objeto da diligência, cientificando a recorrente para que esta, se assim desejar, apresente manifestação no trintídio regulamentar, retornandose posteriormente os autos a este CARF, para julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 5685DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19615.000446/2006-38
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 12/07/2006
MULTA POR EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO ADUANEIRA INCIDÊNCIA.
Aplica-se multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado, à intimação em procedimento fiscal.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 12/07/2006
INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. VALIDADE. SÚMULA CARF Nº 09.
Nos termos da súmula CARF nº 9, é válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
Numero da decisão: 3002-000.540
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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MULTA POR EMBARAÇO. INTIMAÇÃO VIA POSTAL. Recorrente ADRIANO MART1NELLI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 12/07/2006 MULTA POR EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO ADUANEIRA INCIDÊNCIA. Aplicase multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado, à intimação em procedimento fiscal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 12/07/2006 INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. VALIDADE. SÚMULA CARF Nº 09. Nos termos da súmula CARF nº 9, é válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 61 5. 00 04 46 /2 00 6- 38 Fl. 75DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fl. 34/35 dos autos: Tratase de auto de infração, de fls. 1 a 5, lavrado contra o impugnante já qualificado nos autos, no qual foi constatado embaraço ou impedimento à ação da fiscalização, inclusive não atendimento à intimação, resultando na exigência fiscal de R$ 5.000,00, exclusivamente decorrente de multa regulamentar. Da Autuação Descreve a autoridade fiscal que, em procedimento de fiscalização realizado, em 18 de outubro de 2005, pela Divisão de Repressão ao Contrabando e Descaminho na LP Região Fiscal (DIREP/SRRF04) nas dependências do Centro de Distribuição da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), foi efetuada apreensão das mercadorias de origem estrangeira, desacompanhadas de documentação fiscal, constantes do Termo de Abertura/Retenção, fls. 11. Tais produtos foram enviados pelo impugnante tendo como destinatário a Multinet Tecnologia Ltda, que, após intimação, esclareceu que a compra se deu via internet, site www.mercado livre.com.br, eshop Martinelli Wireless, Empresa Martinelli Informática; o pedido foi feito pela internet, com pagamento mediante transferência da Conta Corrente do Sr. Alexandre Cesar de Freitas Raposo para a Conta Corrente do impugnante e que o fornecedor foi o impugnante. A fiscalização intimou o impugnante em três oportunidades para prestar esclarecimentos acerca das referidas mercadorias. Todavia, tais intimação não foram respondidas. Acrescenta a autoridade fiscal que na Base de dados da Receita Federal do Brasil (RFB) o impugnante aparece como sócio da empresa Martinelli Comércio de Materiais Elétricos Ltda, CNPJ 00.021.482/000166, que se encontra cancelada desde 23/02/2001. Face ao exposto, entendeu a autoridade autuante que se configurou a ocorrência de embaraço ou impedimento à ação da fiscalização, em função do não atendimento das intimações, e efetuou o lançamento da multa indicada no Auto de Infração em apreço. Da Impugnação Inconformado com a exigência, o contribuinte apresenta impugnação (fls. 19 a 21) com base sinteticamente nos seguintes fundamentos: a) adquiriu as mercadorias apreendidas no Paraguai, em uma viagem que fez com a família, dentro da cota estipulada pela RFB; b) não estando satisfeito com os equipamentos adquiridos, fez um anuncio no site de vendas e leilão pela internet, efetuando a venda para um cidadão da cidade de Recife PE; Fl. 76DF CARF MF Processo nº 19615.000446/200638 Acórdão n.º 3002000.540 S3C0T2 Fl. 76 3 c) depois do envio, o destinatário entrou em contato informando que não tinha recebido as peças adquiridas e após verificação junto ao site dos correios, contatou que as peças tinham sido apreendidas pela RFB por falta de nota fiscal; d) informou ao comprador que não tinha as notas fiscais, e ele se prontificou a entrar em contato com a RFB, verificar o procedimento a ser tomado e posteriormente fazer contato; e) nunca mais obteve resposta do comprador e não imaginou que poderia estar havendo algum problema; f) não tem loja alguma de informática, é bacharel em direito e estudante para concurso público, estando nos quadros da OAB como estagiário; g) recebeu no mês de agosto/06 cópia do auto de infração, cópia do edital de intimação e prazo para impugnar, sendo a primeira documentação que recebe da RFB; h) analisando a documentação recebida, verificou que o primeiro Termo de Intimação foi enviado para um local que não reside e posteriormente foi enviado mais dois Termos de Intimação para um prédio novo, sem porteiro, onde ficava apenas funcionários da obra; i) recebeu o Auto de Infração agora porque o prédio já possui porteiro para receber correspondências e na época das outras duas intimações não possuía. Ao final, requer o cancelamento do lançamento contestado. O contribuinte juntou, com sua impugnação, contrato de prestação de serviço de viagem e turismo e documentos pessoais de identificação (fls. 27/31). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 12/07/2006 MULTA POR EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO ADUANEIRA INCIDÊNCIA. Aplicase multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado, à intimação em procedimento fiscal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 12/07/2006 INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. VALIDADE válida a intimação feita por via postal entregue no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo e por ele fornecido, para fins cadastrais, para a Secretaria da Receita Federal do Brasil. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Fl. 77DF CARF MF 4 O contribuinte foi intimado da decisão em 28/12/11 (vide AR às fls. 46/47 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, tempestivamente (vide termo de desentranhamento de fls. 49 e voto da resolução de fls. 66/67), Recurso Voluntário (fls. 50/55). Conforme relatório da Resolução de fls. 57/61, o contribuinte argumentou em seu recurso, em síntese: i) Não é comerciante de produtos eletrônicos; ii) Não recebeu qualquer correspondência com pedido de informações da Receita Federal do Brasil; iii) Na época dos fatos residia em um prédio que não tinha porteiro fixo. Por ser um prédio em término de obra, ficava na portaria funcionários da construtora, que deve ter recebido a correspondência no lugar do sujeito passivo, ocasionando todo o problema; iv) No acórdão vergastado, há informação que em 2006 a correspondência foi enviada para o endereço situado na rua Calixto da Mota. Contudo, não mais residia neste local, pois o imóvel foi vendido em 1999, data de mudança para a rua Montesquieu nº 371. Após a apresentação do recurso pelo contribuinte, o julgamento foi convertido em diligência pelo CARF, através da Resolução de fls. 57/61, e foi determinado ao órgão de origem a apresentação nos autos das telas do sistema “CPF” para fins de se comprovar o histórico de eleição de domicílio fiscal do recorrente. Em resposta à determinação de diligência, foram juntados aos autos os documentos e despacho de fls. 63/64. Recebidos os autos por este Conselho, verificouse que foi juntada tela do sistema que demonstra apenas o atual domicílio do contribuinte, razão pela qual o julgamento foi novamente convertido em diligência, através da Resolução de fls. 66/67, para que se cumprisse a determinação de apresentarse o histórico de eleição de domicílio fiscal do recorrente. Em resposta, a unidade destinatária da diligência juntou o despacho e documento de fls. 70/71 e 73. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Consoante acima narrado, a presente contenda versa sobre a imposição de multa por embaraço à fiscalização, decorrente do não atendimento à intimação enviada. Consta do Fl. 78DF CARF MF Processo nº 19615.000446/200638 Acórdão n.º 3002000.540 S3C0T2 Fl. 77 5 auto de infração a indicação de 3 intimações enviadas ao Recorrente, sem que tivesse havido qualquer resposta, conforme descrição a seguir (vide fl. 06 e seguintes dos autos): Intimado com Aviso de Recebimento n° de registro RZ802905037 BR, não respondeu (cópia anexa). Reintimado com Aviso de Recebimento n° de registro RZ530121575 BR, não respondeu (cópia anexa). Reintimado com Aviso de Recebimento de registro n° RZ530122681 BR, não respondeu (cópia anexa). Em sua impugnação, o contribuinte trouxe os seguintes argumentos: Em seu Recurso Voluntário, acrescentou: Como se vê, alega o Recorrente que não teria recebido qualquer uma das 3 intimações anteriormente enviadas pela Receita Federal, seja porque não residia no endereço para o qual fora enviada, seja porque o prédio não possuía porteiro. Entendo que não assiste razão ao Recorrente quanto aos seus fundamentos. Isso porque, como é cediço, o endereço que deverá ser considerado pela Receita Federal para fins de envio de notificações é o endereço eleito pelo próprio contribuinte, conforme cadastro realizado perante este órgão. E, consoante se extrai do histórico de endereços constante do cadastro do CPF deste contribuinte (fls. 70/71 dos autos), verificase que este solicitou em 03/07/2005 alteração do seu endereço para a Rua Calixto da Mota (endereço para o qual fora enviada a notificação recebida em 13/04/2006) e, em 20/06/2006, solicitou nova alteração de endereço, desta vez para a Praça N. Senhora do Carmo (endereço para o qual fora enviada a notificação recebida 15/03/2006). Fl. 79DF CARF MF 6 Sendo assim, temse que, à época do envio das correspondências (março e abril de 2006) o endereço oficial do Recorrente, segundo os registros da Receita Federal, era o situado na Rua Calixto da Mota. Considerase válida, portanto, a intimação realizada neste endereço. Nesse sentido, trazse à colação o teor da súmula nº 09 do CARF, de observância obrigatória por parte deste Colegiado: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. E ainda que o Recorrente já tivesse se mudado para o novo endereço nas datas dos envios das correspondências (março e abril de 2006), conforme alteração solicitada à Receita Federal realizada em 20/06/2006, temse que eventual vício na intimação teria sido suprida diante da intimação enviada também ao novo endereço, situado na Praça N. Senhora do Carmo (repisese que a notificação recebida em 13/04/2006 foi enviada à Rua Calixto da Mota e a notificação recebida em 15/03/2006 foi enviada à Praça N. Senhora do Carmo). Destaquese, inclusive, que o fato de o prédio situado neste último endereço não possuir porteiro regular não afasta a regularidade da intimação postal enviada ao endereço eleito pelo Recorrente conforme cadastro junto à Receita Federal, nos termos do inciso I do parágrafo 4º do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972. Importante destacar, ainda, que o argumento do contribuinte de que não seria válida a intimação enviada ao endereço situado na Rua Calixto da Mota, visto que os pais dele teriam vendido este imóvel em 1999, não se sustenta. Isso porque, conforme se extrai do histórico de fls. 70/71 dos autos, o próprio Recorrente solicitou em 03/07/2005 alteração do seu endereço anteriormente cadastrado (situado na Rua Monstesquicu), justamente para o endereço situado na Rua Calixto da Mota. Ademais, verificase que o contribuinte limitouse a alegar tal fato, sem que tivesse trazido aos autos qualquer comprovação nesse sentido. Como se não bastasse, ainda que tivesse comprovado tal alegação, o fato de os pais do Recorrente terem ou não vendido o imóvel em questão não afastaria a possibilidade deste endereço ser eleito pelo contribuinte para fins de cadastro junto à Receita Federal, uma vez que não é necessária a propriedade do imóvel para este fim. Sendo assim, diante da regularidade da intimação do contribuinte, visto que enviada a endereço oficial constante do cadastro da Receita Federal, somada à ausência de resposta à intimação, entendo acertada a lavratura do auto de infração em questão, com fulcro no art. 107, IV, alínea c do Decretolei nº 37/1966. Nesse contexto, nos termos da legislação de regência, denotase aplicável a multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado, à intimação em procedimento fiscal. Por fim, não é demais registrar que, uma vez constatada a infração, a lavratura de auto de infração é medida que se impõe à autoridade fiscal. Até porque, sabese que, por força do disposto no parágrafo único do art. 142 do CTN, a atividade da autoridade autuante é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Logo, a legislação pertinente deverá ser aplicada sempre que se verificar a sua hipótese de incidência, tal qual na situação analisada nos presentes autos. Da conclusão Fl. 80DF CARF MF Processo nº 19615.000446/200638 Acórdão n.º 3002000.540 S3C0T2 Fl. 78 7 Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13637.000197/2005-65
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZO LEGAL. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias a partir da ciência o prazo para apresentação de Recurso Voluntário. Não podendo se conhecer de recurso apresentado fora do prazo legalmente estipulado, sem justificativa válida. Recurso Não Conhecido.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Sem crédito em Litígio
Numero da decisão: 1002-000.583
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZO LEGAL. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias a partir da ciência o prazo para apresentação de Recurso Voluntário. Não podendo se conhecer de recurso apresentado fora do prazo legalmente estipulado, sem justificativa válida. Recurso Não Conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido Sem crédito em Litígio
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PRAZO LEGAL. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias a partir da ciência o prazo para apresentação de Recurso Voluntário. Não podendo se conhecer de recurso apresentado fora do prazo legalmente estipulado, sem justificativa válida. Recurso Não Conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido Sem crédito em Litígio Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 63 7. 00 01 97 /2 00 5- 65 Fl. 149DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efl. 99) interposto em 22/09/2006 contra o Acórdão n° 0913.404, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora em 22/05/2006 (efls. 85 à 89), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente. Decisão essa consubstanciada nos seguintes termos: A impugnação apresentada atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Dela conheço. Em sua impugnação, o interessado não nega que entregou as declarações com atraso. Apenas pretende ver afastada a multa pelo atraso na entrega das declarações, pelos motivos expostos acima. Cabe observar que a impugnação deve conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir (art. 16,111, do PAF com redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/1993), considerando se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (artigo 17 do PAF com redação dada pelo art. 67 da Lei n° 9.532/1997). Assim, motivações, tais como: problemas financeiros, falta de orientação, falta de profissional especializado, desconhecimento ou não entendimento da legislação, entre outros, não constituem litígio a ser apreciado por essa instância administrativa. Inicialmente ponderase que, consoante o Código Tributário Nacional (CTN), art. 142, parágrafo único, a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Não podem os servidores, seja o lançador, seja o arrecadador, seja o julgador, agregar a seus atos funcionais suas convicções pessoais ou seus estados anímicos subjetivos se estes colidirem com as normas veiculadas pelos textos legais. E, por ser o lançamento ato privativo da autoridade administrativa é que a lei atribui h. Administração o poder de impor, por meio da legislação tributária, ônus e deveres aos particulares, denominados, genericamente, obrigações acessórias, que têm por objeto as prestações, positivas ou negativas, no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (Cm, art. 113, § 2°). Quando a obrigação acessória não é cumprida, fica subordinada à multa especifica (CT'N, art. 113, § 3°). Assim é que a Administração exige do particular diversos procedimentos. Relativamente à obrigatoriedade de entrega da declaração, nos termos da legislação de regência, alcança todas as pessoas jurídicas de direito privado, domiciliadas no Pais, registradas ou Fl. 150DF CARF MF Processo nº 13637.000197/200565 Acórdão n.º 1002000.583 S1C0T2 Fl. 150 3 não, sejam quais forem seus fins e nacionalidade, inclusive as a elas equiparadas, as filiais, sucursais ou representações, no Pais, das pessoas jurídicas com sede no exterior, estejam ou não sujeitas ao pagamento do imposto de renda (R11R11999, arts. 146, 147, 150, e 808 a 831). Incluemse também nesta obrigação, dentre outras, as instituições imunes e isentas. A apresentação da DIPJ fora do prazo enseja a aplicação da multa de oficio, conforme previsão legal constante do auto de infração. A penalidade é exigida em função do descumprimento da obrigação acessória. A possibilidade de ser considerada, na aplicação da lei, a condição pessoal do agente não é admitida no âmbito administrativo, ao qual compete aplicar as normas nos estritos limites de seu conteúdo, sem poder apreciar argüições de cunho pessoal. Ressaltese, ainda, que, segundo o CTN, art. 136, salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Dessa forma, estando caracterizada a situação fática que originou o lançamento nenhum reparo há de se lhe fazer. Assim, voto por julgar procedente o lançamento, para manter o crédito tributário tal como lançado. Após o transcurso do trintídio legal, não houve apresentação de Recurso, conforme corrobora o termo de perempção, acostado à efl. 97: Fl. 151DF CARF MF 4 Mais adiante, em 23/09/2008, a Recorrente apresentou seu Recurso Voluntário, expondo as seguintes razões: A Associação de Pais e Mestres da Escola Municipal Vereador Otávio Rufino Pereira, inscrita no CNPJ 02.066.4781000140, por intermédio de sua representante legal, Vanessa Moreira Gomes de Souza, portadora do CPF n° 714.559.22668, vem mui respeitosamente a vossa presença solicitar a redução da multa por atraso na entrega da Declaração referente ao exercício de 2003 ano calendário de 2002, de acordo com o artigo 30 da Lei 11.727 de 23 de Junho de 2008. Contamos com vossa atenção, colaboração e senso de justiça, que temos certeza é a marca das atividades desenvolvidas por V.S.a e pelo órgão do qual é o responsável. É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira Relator O Recurso Voluntário não atende ao pressuposto de admissibilidade extrínseco relativo à tempestividade, uma vez que foi interposto após o trintídio legal estabelecido no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Deveras, observo a confirmação da entrega da intimação postal, dando ciência da decisão de primeira instância, em 12/06/2006, conforme aviso de recebimento colacionado nos autos (efl. 95). No entanto o Recurso Voluntário só foi apresentado em 23/09/2008 (efls. 99), quando já vencido o prazo. Portanto, não é possível conhecêlo. Demais disto, estabelece o Decreto n.º 70.235, de 1972, que os prazos são contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento (art. 5.º, caput) e que os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato (art. 5.º, parágrafo único), mas, ainda assim, mantém o recurso intempestivo e, por outro lado, o recorrente não apresentou qualquer prova de ocorrência de eventual fato impeditivo ao manejo do seu recurso a tempo e modo esperado. Por conseguinte, não há que se admitir recurso extemporâneo, caso contrário, estaria sendo declarada uma inconstitucionalidade incidenter tantum do Decreto n.º 70.235, de 1972, vedada no Regimento Interno do CARF (art. 62, Anexo II, aprovado pela Portaria MF n.º 343, de 2015) e pela súmula a seguir deste Egrégio Conselho: "Súmula CARF n.º 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Logo, não tendo sido demonstrada a tempestividade do Recurso Voluntário, dele não conheço. Por fim, considerando o até aqui esposado e enfrentadas todas as questões necessárias para a decisão, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 13637.000197/200565 Acórdão n.º 1002000.583 S1C0T2 Fl. 151 5 Dispositivo Ante o exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Voluntário, por ausência do requisito de admissibilidade extrínseco da tempestividade, consequentemente mantendo íntegra a decisão singular. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 153DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.906125/2015-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/09/2013
RESTAURANTES E ASSEMELHADOS. MASSAS ALIMENTÍCIAS. ALÍQUOTA ZERO. NÃO APLICÁVEL.
A redução a zero da alíquota das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins sobre as massas alimentícias da posição 19.02, prevista no inciso XVIII do artigo 1º da Lei nº 10.925/2004, não alcança as receitas auferidas com a venda de refeições por restaurantes e assemelhados.
Numero da decisão: 3302-006.509
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus e Raphael Madeira Abad votaram pelas conclusões entendendo pela falta de provas.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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MASSAS ALIMENTÍCIAS. ALÍQUOTA ZERO. NÃO APLICÁVEL. A redução a zero da alíquota das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins sobre as massas alimentícias da posição 19.02, prevista no inciso XVIII do artigo 1º da Lei nº 10.925/2004, não alcança as receitas auferidas com a venda de refeições por restaurantes e assemelhados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus e Raphael Madeira Abad votaram pelas conclusões entendendo pela falta de provas. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. Relatório Tratase de Declaração de Compensação, transmitida eletronicamente em 29/07/2015, com base em créditos de Cofins recolhido em DARF, que foi integralmente utilizado para quitar outros débitos, conforme informado em "Análise Preliminar do Direto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 61 25 /2 01 5- 23 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10783.906125/201523 Acórdão n.º 3302006.509 S3C3T2 Fl. 111 2 Creditório", efl. 7, a qual orienta a recorrente a retificar o PER/DCOMP ou outras informações como DCTF, DIPJ, Dacon etc. Não efetuada qualquer retificação, foi emitido o Despacho Decisório de efl. 8, confirmando a utilização integral do crédito pleiteado em débito do próprio período de apuração. Em manifestação de inconformidade, a recorrente alegou que aufere receita de venda de massas alimentícias classificadas na posição 19.02, com alíquota reduzida a zero pelo inciso XVIII do artigo 1º da Lei nº 10.925/2004 e receita de venda de águas, cerveja de malte, cerveja sem álcool e refrigerantes, sujeita à alíquota zero pela Lei nº 10.833/2003 e que ,por alguma falha, não retificou a DCTF antes do despacho decisório, fazendoa apenas após a ciência do referido e juntandoa na impugnação. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2013 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DCTF. RETIFICAÇÃO. Retificada a DCTF após o despacho decisório que não homologou a compensação, o direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, alegando a nulidade do PAF por violação do devido processo legal, ante a ausência de diligência fiscal para se comprovar o direito creditório. No mérito, reiterou que auferiu receitas de venda de massas alimentícias sujeita à alíquota zero, requerendo diligência, ao final, para análise da documentação juntada aos autos, a saber: memória de cálculo, DACON, planilha de apuração de vendas de diversos estabelecimentos, extrato de movimentação de produtos (massas), planilha de fornecedor de massas. Na forma regimental, os autos foram redistribuídos a este relator. É o relatório. Voto Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10783.906125/201523 Acórdão n.º 3302006.509 S3C3T2 Fl. 112 3 Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Preliminarmente, a recorrente pede a nulidade do PAF pelo fato de a autoridade julgadora não ter determinado, de ofício, a realização de diligências, conforme artigo 18 do Decreto nº 70.235/1972. Todavia, não assiste razão à recorrente. O Decreto nº 70.235/72 dispôs sobre as nulidades em seu artigo 59, nos seguintes termos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) No caso, o despacho decisório foi fundamentado na utilização integral do crédito para extinguir débitos espontaneamente declarados, cuja retificação ocorreu apenas posteriormente à ciência do despacho decisório. Já quanto à não realização da diligência, não há obrigatoriedade por parte do julgador em determinálas, mas, sim, faculdade, quando entender necessárias. O artigo 29 do referido decreto esclarece: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Assim, a faculdade está inserta dentro da livre convicção do julgador na apreciação da prova, ou, no caso, de sua ausência, já que a retificação da DCTF pressupõe a prova inequívoca da ocorrência de erro de fato, conforme §3º1 do artigo 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.599/2015, mencionada na decisão atacada, ônus do qual a recorrente não se desincumbiu, pois nada apresentou em manifestação de inconformidade. Salientase, inclusive, que nem a própria recorrente requereu a realização de diligência. 1 § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquela declaração. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10783.906125/201523 Acórdão n.º 3302006.509 S3C3T2 Fl. 113 4 Destarte, afasto a preliminar arguida. No mérito, a recorrente pleiteou a redução a zero sobre as receitas de massas alimentícias de que trata o inciso XVIII do artigo 1º da Lei nº 10.925/2004, abaixo transcrito: Art. 1o Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de: (Vigência) (Vide Decreto nº 5.630, de 2005) [...] XVIII massas alimentícias classificadas na posição 19.02 da Tipi. (Incluído pela Lei nº 12.655, de 2012) A posição 19.02 possui o seguinte texto na TIPI: 19.02 Massas alimentícias, mesmo cozidas ou recheadas (de carne ou de outras substâncias) ou preparadas de outro modo, tais como espaguete, macarrão, aletria, lasanha, nhoque, ravioli e canelone; cuscuz, mesmo preparado. 1902.1 Massas alimentícias não cozidas, nem recheadas, nem preparadas de outro modo: 1902.11.00 Que contenham ovos 0 1902.19.00 Outras 0 1902.20.00 Massas alimentícias recheadas (mesmo cozidas ou preparadas de outro modo) 0 1902.30.00 Outras massas alimentícias 0 1902.40.00 Cuscuz 0 As NESH para a referida posição assim identificam estes produtos: As massas alimentícias da presente posição são produtos não fermentados, fabricados com sêmolas ou farinhas de trigo, milho, arroz, batata, etc. Estas sêmolas ou farinhas (ou mistura de ambas) são, em primeiro lugar, misturadas com água e depois amassadas de forma a obterse uma pasta, na qual se podem incorporar outros ingredientes (por exemplo: produtos hortícolas finamente picados, sucos ou purês de produtos hortícolas, ovos, leite, glúten, diástases, vitaminas, corantes e aromatizantes). Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10783.906125/201523 Acórdão n.º 3302006.509 S3C3T2 Fl. 114 5 A massa, em seguida, é trabalhada (por exemplo, por passagem à fieira e corte; laminagem e recorte; compressão; moldagem ou aglomeração em tambores rotativos) no intuito de se obterem formas específicas e predeterminadas (por exemplo, tubos, fitas, filamentos, conchas, pérolas, grânulos, estrelas, cotovelos e letras). No decurso desse trabalho, pode adicionarse uma pequena quantidade de óleo. Em geral, a essas formas corresponde o nome do produto acabado (por exemplo, macarrão, talharim, espaguete, aletria). Para facilidade de transporte, de armazenagem e de conservação, em geral, estes produtos são dessecados antes da comercialização. Quando secos, tornamse quebradiços. Esta posição compreende também os produtos frescos (isto é úmidos ou por secar) e os produtos congelados, por exemplo, os nhoques frescos e os ravioles congelados. As massas alimentícias desta posição podem ser cozidas, recheadas de carne, peixe, queijo ou de outras substâncias em qualquer proporção, ou preparadas de outra forma (apresentadas como pratos preparados, contendo outros ingredientes, tais como produtos hortícolas, molho, carne). O cozimento tem por objetivo amolecer as massas, conservando lhes a forma original. As massas recheadas podem ser inteiramente fechadas (por exemplo, ravioles), abertas nas extremidades (por exemplo, canelones) ou, ainda, apresentarse em camadas sobrepostas, tal como a lasanha. Esta posição abrange também o “couscous”, que é uma sêmola tratada termicamente. O “couscous” desta posição pode ser cozido ou preparado de outra forma (com carne, produtos hortícolas e outros ingredientes, tal como o prato completo que leva o mesmo nome). Percebese que a redução a zero é referente a produtos industrializados e não a refeições preparadas em restaurantes. Destacase que o preparo de alimentos em restaurante ou similares não caracteriza produto industrializado, a teor do artigo 5º do Decreto nº 7.212/2010, abaixo transcrito: Art.5o Não se considera industrialização: Io preparo de produtos alimentares, não acondicionados em embalagem de apresentação: a)na residência do preparador ou em restaurantes, bares, sorveterias, confeitarias, padarias, quitandas e semelhantes, desde que os produtos se destinem a venda direta a consumidor; ou b)em cozinhas industriais, quando destinados a venda direta a pessoas jurídicas e a outras entidades, para consumo de seus funcionários, empregados ou dirigentes; Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10783.906125/201523 Acórdão n.º 3302006.509 S3C3T2 Fl. 115 6 IIo preparo de refrigerantes, à base de extrato concentrado, por meio de máquinas, automáticas ou não, em restaurantes, bares e estabelecimentos similares, para venda direta a consumidor (DecretoLei no 1.686, de 26 de junho de 1979, art. 5o, § 2o); A recorrente, por sua vez, é rede varejista das franquias conhecidas BOB´s e SPOLETO. Assim, as massas comercializadas nestes locais são refeições ali preparadas e não consistem em produtos industrializados e estão fora do campo de incidência do IPI. A redução a zero, ao mencionar as massas alimentícias da posição 19.02 objetivou a redução dos produtos da indústria alimentícia e não das refeições elaboradas em restaurantes, bares e similares. A Solução de Consulta nº 4/2018 apreciou o tema, concluindo com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS RESTAURANTES. CARNES, PEIXES E MASSAS ALIMENTÍCIAS.ALÍQUOTA ZERO. NÃO APLICÁVEL. A redução a zero da alíquota da Cofins, prevista no art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, não alcança as receitas auferidas com a venda de refeições por restaurantes. Dispositivos Legais: Lei nº 9.718, de 1998; Lei nº 10.833, de 2003; Lei nº 10.925, de 2004, art. 1º. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP RESTAURANTES. CARNES, PEIXES E MASSAS ALIMENTÍCIAS.ALÍQUOTA ZERO. NÃO APLICÁVEL. A redução a zero da alíquota da Contribuição para o PIS/Pasep, prevista no art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, não alcança as receitas auferidas com a venda de refeições por restaurantes. Dispositivos Legais: Lei nº 9.718, de 1998; Lei nº 10.637, de 2002; Lei nº 10.925, de 2004, art. 1º. Os fundamentos da solução esclarecem o tema, razão pela qual os adoto de forma complementar e os transcrevo abaixo: 10. Conforme se constata, o caput do artigo 1º da Lei nº 10.925, de 2004, transcrito, reduz a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno daqueles produtos citados em seus incisos. Então, para que um contribuinte faça jus à referida redução de alíquotas, no caso de venda no mercado interno, é necessário que o mesmo aufira renda a partir da venda dos produtos mencionados em algum dos incisos do caput do artigo 1º da Lei nº 10.925, de 2004. 11. Porém, pelo conteúdo da presente consulta podese inferir que a consulente não atende a esta condição, ou seja, ela não efetua a venda de massas alimentícias, carnes bovina, suína, ovina, caprina e de aves, ou tampouco de peixes in natura. 12. A interessada afirma exercer a atividade de Hotelaria, não fazendo menção a nenhuma outra atividade, secundária. No Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas, está cadastrada apenas Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10783.906125/201523 Acórdão n.º 3302006.509 S3C3T2 Fl. 116 7 a atividade econômica de Hotéis, não sendo informado igualmente nenhuma outra atividade secundária. 13. Ademais, a consulente diz que: “quando comercializa esses produtos nas dependências dos seus restaurantes aos seus hóspedes (consumidores finais), tem o direito de aplicar a alíquota 0% (zero por cento) incidente sobre essas receitas nos termos do art. 1º, incisos XVIII, XIX, e XX da Lei nº10.925/2004” (sem o destaque no original). 14. Dessa forma, depreendese que a interessada não realiza a venda dos produtos citados nos incisos XVIII, XIX e XX do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, mas na verdade, realiza o preparo desses alimentos em seus restaurantes, para oferecer refeições a seus hóspedes. E essas refeições é que são vendidas pela interessada, não aqueles alimentos. 15. Ora, os restaurantes não se dedicam à compra e revenda de carnes, peixes, massa alimentícias, ou quaisquer outros produtos de origem animal ou vegetal utilizados no preparo das refeições. Adquiremnos para usálos como ingredientes na preparação de novos bens, que são as refeições fornecidas a seus clientes. Essas refeições não guardam identidade ou sequer semelhança com os produtos adquiridos, que são apenas ingredientes empregados no preparo das refeições. 16. Portanto, os restaurantes são consumidores finais das massas alimentícias, das carnes bovina, suína, ovina, caprina, de aves, e de peixes empregados na preparação de refeições vendidas a seus clientes e, por isso, não fazem jus à redução a zero das alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, prevista no art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004. 17. Diferentemente do que ocorre, por exemplo, em um açougue ou em um supermercado, não é razoável presumir que o cliente de um restaurante, especialmente um restaurante localizado dentro de um hotel, irá procurar esse estabelecimento a fim de adquirir os produtos listados pela consulente. 18. Corrobora o entendimento aqui expendido, o texto da Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 609, de 08 de março de 2013, convertida na Lei nº 12.839, de 09 de julho de 2013, que incluiu os incisos XIX e XX, dentre outros, ao texto do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004 (sem os destaques no original): Excelentíssima Senhora Presidenta da República, Tenho a honra de submeter à apreciação de Vossa Excelência projeto de Medida Provisória que reduz a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP, da COFINS, da Contribuição para o PIS/PASEPImportação e da COFINSImportação incidentes sobre a receita decorrente da venda no mercado interno e sobre a importação de produtos que compõem a cesta básica. 2. São notórias a representatividade e importância social para toda a população brasileira dos produtos que compõem a cesta Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10783.906125/201523 Acórdão n.º 3302006.509 S3C3T2 Fl. 117 8 básica, notadamente para a parcela mais vulnerável economicamente. 3. Daí a constante preocupação do Governo Federal com a produção nacional, com os sistemas de distribuição da produção, e, evidentemente, com o nível e com a variação de preços dos referidos produtos. (...) 5. Todavia, nos últimos meses, uma complexa conjugação de adversidades econômicas nacionais e internacionais tem ocasionado elevação do preço dos produtos em voga, fragilizando a população mais pobre e pressionando os índices inflacionários. 6. Em razão disso, mostrase necessário, entre outras medidas, reduzir ainda mais a carga tributária incidente na comercialização de produtos que compõem a cesta básica, o que se propõe seja operacionalizado pela redução a zero das alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes na importação e sobre a receita decorrente da venda no mercado interno de tais produtos. (...) 19. Fica evidente que a intenção do legislador foi a de reduzir a carga tributária incidente sobre os produtos de gêneros alimentícios, de higiene pessoal e de limpeza doméstica que compõem a cesta básica, e não a de reduzir a tributação incidente sobre as refeições comercializadas por restaurantes. 20. Dessa forma, a redução a zero das alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, prevista no art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, não alcança as receitas de venda de refeições auferidas pela consulente em seus restaurantes. As receitas obtidas nestas operações devem integrar a base de cálculo das referidas contribuições nos termos da legislação que rege a matéria, principalmente, a Lei nº 9.718, de 27 de novembro 1998, para receitas sujeitas à cumulatividade das aludidas contribuições, e as Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para as receitas sujeitas à não cumulatividade. Diante do exposto, voto para rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10783.906125/201523 Acórdão n.º 3302006.509 S3C3T2 Fl. 118 9 Fl. 118DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.001306/2005-15
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
IRRF. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 173, I, DO CTN.
O § 2º do art. 62 do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com que a ordem do art. 150, §4º, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, do CTN nas demais situações.
MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO.
O não atendimento pela sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimento, autoriza o agravamento da multa de ofício.
Numero da decisão: 9202-007.535
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Ana Paula Fernandes, que lhe deu provimento parcial.
Assinado digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 IRRF. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 173, I, DO CTN. O § 2º do art. 62 do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com que a ordem do art. 150, §4º, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, do CTN nas demais situações. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. O não atendimento pela sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimento, autoriza o agravamento da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencida a conselheira Ana Paula Fernandes, que lhe deu provimento parcial. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 13 06 /2 00 5- 15 Fl. 516DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva. Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 280200. 270, proferido na Sessão de 10 de maio de 2018, integrado pelo Acórdão de Embargos nº 280201.920, proferido na Sessão de 19 de setembro de 2012, com as seguintes ementas e dispositivos: Acórdão nº 2802270: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Exercício: 2001 POSSIBILIDADES DE REVISÃO DO LANÇAMENTO ART. 149 do CTN. Somente é autorizada a revisão do lançamento de diferença em relação ao valor anteriormente lançado nas seguintes hipóteses: a) quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributaria como sendo de declaração obrigatória; b) quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; c) quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; e, d) quando se comprove que,no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade essencial. Fora desta hipóteses, não ha que se falar em lançamento complementar. IRF LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO PRAZO DE DECADÊNCIA. art. 150, § 4º, do CTN.O imposto de renda na fonte e tributo sujeito ao regime denominado lançamento por homologação , sendo que o prazo decadencial para a constituição de crédito tributário é de cinco anos contados do fato gerador,que, nos casos do artigo 61 da Lei n° 8.981/95, ocorre no dia dos referidos pagamentos. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de oficio, opera se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte esta tacitamente homologada e o credito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4 e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. MULTA AGRAVADA. A apresentação de justificativa do contribuinte, por varias vezes no curso da fiscalização, a falta de atendimento da intimação fiscal, não autoriza o agravamento da multa de lançamento de oficio de 75% para 112%, nos termos do art. 44, § da Lei 9.430/96. Fl. 517DF CARF MF Processo nº 18471.001306/200515 Acórdão n.º 9202007.535 CSRFT2 Fl. 3 3 Dispositivo: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência com relação aos meses de janeiro a novembro de 2005 e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para manter a exigência referente ao mês de dezembro de 2005, com redução da multa de oficio de 112,5% para 75%, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso e Lucia Reiko Sakae, que davam provimento em menor extensão. Acórdão nº 280201.920: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2001 EMBARGOS. CORREÇÃO DE ERRO MATERIAL. Justifica o acolhimento de embargos para corrigir erro material no acórdão. Dispositivo: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos ACOLHER os embargos declaratórios para reratificar o Acórdão nº 280200.270, de 10 de ma.o de 2010 e o Acórdão nº 280201.192, de 27 de outubro de 2011, desta 2ª Turma Especial, para DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para afastar a exigência referente aos fatos geradores ocorridos no período de 1º de janeiro até 7 de novembro até 7 de novembro de 2000, por decadência, devendo prosseguir a cobrança em relação aos demais períodos, incorporando à decisão reratificada os fundamentos e a ementa do presente julgado. O Recurso visa rediscutir as seguintes matérias: a) regra a ser aplicada para determinação do termo inicial da decadência, no caso de ausência de pagamento antecipado do tributo; e b) Agravamento da multa de ofício. Em exame preliminar de admissibilidade, a Presidente da Segunda Câmara, da Segunda Seção do CARF deu seguimento ao apelo, nos termos do Despacho de efls. 459 a 450. Em sua razões recursais a Fazenda Nacional aduz, em síntese, que se aplica ao caso o entendimento firmado no âmbito o STJ, no REsp nº 973.733. Quanto ao agravamento da multa o fato de o contribuinte ter solicitado seguidos pedidos de prorrogação de prazos para atender à intimação e mesmo assim, nada ter informado, torna inequívoca a necessidade de agravamento da multa. Cientificado do Acórdão Recorrido, do recurso Especial do Procurador e do despacho que lhe deu seguimento, em 15/12/2015 (efls. 510), o contribuinte não apresentou Contrarrazões. Fl. 518DF CARF MF 4 É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Dele conheço. Quanto ao mérito, relativamente à matéria "a" regra a ser aplicada para determinação do termo inicial da decadência, no caso de ausência de pagamento antecipado do tributo cuidase de definir a regra de fixação do termo inicial de contagem do prazo decadencial. Como se sabe, a matéria foi pacificada pelo STJ, por meio do REsp. nº 973.733/SP, proferido na sistemática do art. 543C do CPC, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em Fl. 519DF CARF MF Processo nº 18471.001306/200515 Acórdão n.º 9202007.535 CSRFT2 Fl. 4 5 que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Também é conhecida a cláusula regimental que obriga os Conselheiros do CARF a reproduzirem nos seus votos as decisões do STJ e do STF proferidas na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC. Confirase: Art. 62 §2º. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Cumpre, pois, no presente caso, apenas verificar a configuração dos fatos e confrontálos com o decidido pelo STJ. Pois bem, conforme relatório fiscal, tratase neste caso de Imposto de Renda retido e não recolhido, apurado mediante cruzamento Dif x Darf, em que se verificou não ter sido feito nenhum recolhimento ou sequer confissão de dívida. Tratase, portanto, de hipótese de aplicação da regra do art. 173, I do CTN, nos termos do REsp. nº 973.733/SP. No caso, portanto, o lançamento referente ao fato gerador 31/01/2000 o mais antigo poderia ser realizado até 31/12/2005. Como a ciência do Fl. 520DF CARF MF 6 Lançamento original e complementar ocorreu em setembro de novembro de 2005, não há falar em decadência em relação a nenhum dos períodos lançados. Quanto à matéria "b" Agravamento da multa de ofício o fundamento do Recorrido para afastálo foi o de que a Contribuinte teria apresentado justificativas ao não atendimento da intimação. Todavia, compulsando os autos, verifico que, em resposta a repetidas intimações a Contribuinte apresentou apenas manifestações pelas quais afirmava não poder atender as intimações, por diferentes razões, sem, contudo, apresentar nenhum comprovante dos fatos que alegava. A meu juízo, essa situação em nada altera o fato de que o contribuinte deixou de atender às intimações. Eram intimações para apresentar livros e registros contábeis, além de outros documentos e esclarecimentos a respeito das suas atividade, sem que nada tenha sido apresentado, embora tenhalhe sido concedido prorrogações de prazos. Como justificativa, limitouse a afirmar que seus documentos contábeis haviam sido extraviados (efls. 237 e 240), sem nenhuma comprovação do fato. Nessas condições, penso que resta configurada a situação definida no art. 44, da lei nº 9.430, de 1996, ensejadora do agravamento da penalidade. Ante o exposto, conheço do recurso interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Fl. 521DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13161.001935/2007-97
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO.
Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte.
É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO.
A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de PIS.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO.
Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação.
PIS/PASEP. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125.
No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
COFINS. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO.
Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte.
É de se atentar, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO.
A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO.
Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação.
COFINS. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125.
No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
Numero da decisão: 9303-007.607
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para reformar o Acórdão recorrido reconhecendo os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CRÉDITO. FRETES. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. SELIC. Recorrente COOPERATIVA AGROPECUÁRIA INDUSTRIAL EM LIQUIDAÇÃO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 00 19 35 /2 00 7- 97 Fl. 974DF CARF MF Processo nº 13161.001935/200797 Acórdão n.º 9303007.607 CSRFT3 Fl. 3 2 A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de PIS. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. PIS/PASEP. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. COFINS. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. Fl. 975DF CARF MF Processo nº 13161.001935/200797 Acórdão n.º 9303007.607 CSRFT3 Fl. 4 3 A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. COFINS. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para reformar o Acórdão recorrido reconhecendo os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3302003.304, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE. Fl. 976DF CARF MF Processo nº 13161.001935/200797 Acórdão n.º 9303007.607 CSRFT3 Fl. 5 4 Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelecese o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA. A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANOCALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE. 1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir anocalendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro. 2. O saldo apurado antes do anocalendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária. Fl. 977DF CARF MF Processo nº 13161.001935/200797 Acórdão n.º 9303007.607 CSRFT3 Fl. 6 5 COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições. VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.15835/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins.” Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, insurgindose com as seguintes discussões: (i) dos fretes sobre operações de transferências de mercadorias; (ii) dos fretes sobre compras de fertilizantes e sementes; (iii) do crédito presumido – atividade agroindustrial – produção das mercadorias de origem vegetal classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM; (iv) possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS e Cofins (v) previsão legal para a incidência da Selic. Efetuado o exame de admissibilidade pelo Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, e, após a apresentação de Agravo pelo contribuinte, mediante reexame da admissibilidade pelo Presidente da CSRF, foi dado seguimento ao recurso especial relativamente às matérias “possibilidade de tomada de créditos de PIS/Cofins sobre despesas com fretes relativos a transferência de insumos e Fl. 978DF CARF MF Processo nº 13161.001935/200797 Acórdão n.º 9303007.607 CSRFT3 Fl. 7 6 mercadorias entre estabelecimentos (61.697.4499 e 61.697.4352)”, “possibilidade de tomada de créditos de PIS/Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes – 61.697.999)”; “enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/Cofins (61.697.4350) e “correção dos créditos pela taxa Selic (61.697.4353)”. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pela Fazenda Nacional, que apresentou, dentre outros, os seguintes argumentos: · Permitir que o contribuinte se credite de despesas necessárias, nos termos da legislação do imposto de renda redundaria em um aumento na distorção na base de cálculo dos tributos; · Como visto, na busca pela definição do que deva ser considerado insumo, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, devese adotar um conceito que esteja situado entre a noção de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem do IPI e a ideia de despesas necessárias do IRPJ, compatibilizandose, assim, a não cumulatividade com a materialidade daquelas contribuições; · Há vedação expressa quanto a incidência de juros compensatórios no ressarcimento de créditos de PIS e de Cofins nãocumulativos; · A autorização para ressarcir ou compensar o crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 conforme o inc. I e inc. e II do art. 36 opera efeitos para pedidos de compensação/ressarcimento realizados a partir do primeiro dia do mês subsequente ao da publicação da lei, isto é, a partir de 01/11/2009, tendo em vista que a publicação da Lei 12.058/2009 ocorreu em 14/10/2009; · Uma vez que a própria Lei estipulou expressamente que a compensação na forma do art. 36 não pode ser aplicada para pedidos de compensação anteriores ao mês subsequente à publicação da lei (novembro de 2009), deve ser negado provimento ao recurso especial do contribuinte neste ponto; · Os artigos 13 e 15 da Lei n° 10.833, de 2003, vedam expressamente a incidência da taxa Selic sobre crédito oriundo de ressarcimento de PIS e Cofins nãocumulativa, na medida em que estabelecem que o aproveitamento dessa modalidade de crédito não ensejará atualização monetária ou incidência de juros. É o relatório. Fl. 979DF CARF MF Processo nº 13161.001935/200797 Acórdão n.º 9303007.607 CSRFT3 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.593, de 20/11/2018, proferido no julgamento do processo 13161.001374/200726, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.593): "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os requisitos de conhecimento constantes do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/15 com alterações posteriores. O que concordo com o exame de admissibilidade constante do Despacho de agravo. Eis o que diz o Despacho de agravo (Grifos meus): “[...] O escopo do agravo, nestes termos, é avaliar a adequação do despacho questionado ao recurso especial originalmente formulado pelo interessado, sendo inadmissível inovação destinada a suprir deficiência na demonstração inicial da divergência. O despacho agravado, comum a todos eles, concluiu pelo não seguimento nos seguintes termos: (...) Demonstração da legislação interpretada divergentemente [...] Essa fundamentação alcança as cinco matérias que o recorrente queria levar ao colegiado superior, a saber, a: 1) possibilidade de tomada de créditos de PIS/COFINS sobre 1.1 despesas com fretes relativos a transferências de insumos e mercadorias entre estabelecimentos (61.697.4499 e 61.697.4352); 1.2) despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas a alíquota zero: fertilizantes e sementes (61.697.9999); 2) Enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/COFINS (61.697.4350); 3) Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS/COFINS (61.697.4350); 4) correção dos créditos pela taxa SELIC (61.697.4353) O agravo apresentado procura demonstrar que o recurso especial cumpriu todos os requisitos regimentais, em especial, a indicação da legislação contrariada. Pede, ao final, que seja dado seguimento a ele na íntegra. Fl. 980DF CARF MF Processo nº 13161.001935/200797 Acórdão n.º 9303007.607 CSRFT3 Fl. 9 8 Com respeito às duas primeiras matérias, afirma que o recurso teria apontado que a legislação contrastada nos acórdãos seria o art. 3º, incisos II e IX das leis instituidoras da nãocumulatividade das contribuições (10.637 e 10.833); quanto à terceira, seria o art. 13 da mesma Lei 10.833, já que o paradigma entendeu que ele não se aplicaria quando houvesse impedimento por parte da Administração. Esses os fatos. Para começar, deve ser enfatizado que os recursos foram apresentados quando já estava em vigor a Portaria MF 39, de fevereiro de 2016, que alterou a redação do § 1º do art. 67 do RICARF para: §1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. Vejase que, com essa alteração, que retirou a expressão "de forma objetiva" antes presente e que vinha levando à interpretação, aqui repetida, de que o parágrafo estaria a impor a indicação precisa e expressa do dispositivo legal interpretado divergentemente, apenas se exige que haja demonstração da legislação tributária que teria sido interpretada de forma divergente. Não se exige, de modo algum, que haja indicação expressa de algum dispositivo legal específico. Essa interpretação menos rigorosa já foi mesmo adotada pela própria Câmara Superior de Recursos Fiscais1: [...] Demais disso, é mesmo fato, como apontado no agravo, que o recurso especial apresentado trazia sim menções às legislações contrariadas. É certo que ele não está estruturado do modo exemplar que caracteriza o despacho que o examinou. Em especial, não destaca ele tópico específico para demonstrar o cumprimento, um a um, dos requisitos previstos no art. 67 do RICARF. Ele principia pela enunciação da matéria que entende ter sido analisada divergentemente, seguida de imediata indicação e transcrição da ementa do pretendido paradigma, passando, ato contínuo, a demonstrar a divergência em si. Isso, não obstante, é igualmente certo que o RICARF, e antes dele o próprio Decreto 70.235, não estabelecem forma rígida para apresentação dos recursos neles previstos. Por isso, ainda que a menção aos atos legais não seja bem ordenada, há de ser reconhecida, e superado, portanto, o óbice apontado. E, por economia processual, vêse desnecessário o retorno dos autos à Câmara recorrida para o exame do cumprimento do requisito material de demonstração da divergência em relação às cinco matérias. Ela é manifesta. Com efeito, a primeira, exatamente na forma como enfrentada no recorrido, o foi no primeiro paradigma arrolado. Lá, contrariamente ao que se decidiu aqui, entendeuse possível a tomada de créditos sobre fretes pagos para o transporte de mercadorias entre estabelecimentos. O mesmo se passa com as outras duas, bastando a leitura de suas ementas para se ver que se trata da mesma matéria com conclusões opostas. Constatase, assim, a presença dos pressupostos de conhecimento do agravo e a necessidade de reforma do despacho questionado. Por tais razões, propõese que o agravo seja ACOLHIDO para DAR seguimento ao recurso especial relativamente às matérias "possibilidade de tomada de créditos de PIS/COFINS sobre despesas com fretes relativos a transferências de insumos e mercadorias entre estabelecimentos (61.697.4499 e 61.697.4352)"; "possibilidade de tomada Fl. 981DF CARF MF Processo nº 13161.001935/200797 Acórdão n.º 9303007.607 CSRFT3 Fl. 10 9 de créditos de PIS/COFINS sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas a alíquota zero: fertilizantes e sementes (61.697.9999)"; "enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/COFINS (61.697.4350)"; "possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS/COFINS (61.697.4350)" e "correção dos créditos pela taxa SELIC (61.697.4353)". Vêse que, relativamente ao item: · Créditos de fretes sobre operação de transferência de mercadorias, houve demonstração de divergência entre os arestos, vez que o aresto recorrido interpretou de uma forma o inciso IX das Leis 10.637/02 e 10.833/03, diferentemente dos indicados como paradigmas que reconheceram o direito ao crédito sobre o mesmo item; · Créditos de fretes sobre compras de fertilizantes e sementes. O aresto recorrido entendeu pela impossibilidade de se constituir crédito sobre o custo de transporte, vez que a mercadoria importada transportada não teria sido onerada pelas contribuições. E os paradigmas se direcionam pelo reconhecimento dos mesmos créditos, vez que o custo do transporte não se vincula ao tratamento tributário dada às mercadorias objeto desse transporte. · Enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/COFINS Da mesma forma, houve a divergência, vez que o aresto paradigma reconhece o direito a apuração e ressarcimento do crédito sobre essas mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12 do NCM. · Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS/COFINS Vide item acima. · Taxa Selic, da mesma forma houve a divergência. Em vista de todo o exposto, conheço o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo na parte admitida em despacho de agravo – ou seja, das seguintes matérias: · Possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos a transferências de insumos e mercadorias entre estabelecimentos; · Possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes); e · Enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/COFINS · Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS/COFINS · Correção dos créditos pela taxa Selic. Ventiladas tais considerações, quanto às duas primeiras matérias trazidas e que envolvem a constituição de crédito de PIS e Cofins, passo a discorrer. Fl. 982DF CARF MF Processo nº 13161.001935/200797 Acórdão n.º 9303007.607 CSRFT3 Fl. 11 10 No que tange à discussão envolvendo a possibilidade ou não de tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre os custos de fretes nas transferências internas de mercadorias, recordase que essa discussão já foi apreciada por nossa turma, tendo sido firmado posicionamento de que os custos de frete de mercadorias entre estabelecimentos gerariam o direito à constituição e crédito. Frisese a ementa do acórdão 9303005.156: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIAS PRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matérias primas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matériaprima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto.” Nesse ínterim, proveitoso citar os acórdãos 9303005.155, 9303005.154, 9303 005.153, 9303005.152, 9303005.151, 9303005.150, 9303005.116, 9303006.136, 9303 006.135, 9303006.134, 9303006.133, 9303006.132, 9303006.131, 9303006.130, 9303 006.129, 9303006.128, 9303006.127, 9303006.126, 9303006.125, 9303006.124, 9303 006.123, 9303006.122, 9303006.121, 9303006.120, 9303006.119, 9303006.118, 9303 006.117, 9303006.116, 9303006.115, 9303006.114, 9303006.113, 9303006.112, 9303 006.111, 9303005.135, 9303005.134, 9303005.133, 9303005.132, 9303005.131, 9303 005.130, 9303005.129, 9303005.128, 9303005.127, 9303005.126, 9303005.125, 9303 005.124, 9303005.123, 9303005.122, 9303005.121, 9303005.127, 9303005.126, 9303 005.125, 9303005.124, 9303005.123, 9303005.122, 9303005.121, 9303005.120, 9303 005.119, 9303005.118, 9303005.117, 9303006.110, 9303004.311, etc. Não obstante, para melhor elucidar meu entendimento, passo a discorrer a priori sobre o conceito de insumos, vez que influenciará na questão da segmentação das atividades da recorrente. Fl. 983DF CARF MF Processo nº 13161.001935/200797 Acórdão n.º 9303007.607 CSRFT3 Fl. 12 11 Primeiramente, sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito do PIS e da Cofins trazida pela Lei 10.637/02 e Lei 10.833/03, não é demais enfatizar que se tratava de matéria controvérsia – pois em fevereiro de 2018 o STJ, em sede de recurso repetitivo, definiu que o conceito de insumo, para fins de constituição de crédito de PIS e de Cofins, deve observar o critério da essencialidade e relevância – considerandose a imprescindibilidade do item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte.. Definiu, ainda, ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas IN SRF 247 e 404 que, por sua vez, traz um entendimento mais restritivo que descrita na lei. Nessa linha, efetivamente a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, ainda que o acórdão do STJ não tenha sido publicado, tal como já entendia, expresso que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pela contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante recordar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Fl. 984DF CARF MF Processo nº 13161.001935/200797 Acórdão n.º 9303007.607 CSRFT3 Fl. 13 12 Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Fl. 985DF CARF MF Processo nº 13161.001935/200797 Acórdão n.º 9303007.607 CSRFT3 Fl. 14 13 Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. Tal como expressou o STJ em recente decisão. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Fl. 986DF CARF MF Processo nº 13161.001935/200797 Acórdão n.º 9303007.607 CSRFT3 Fl. 15 14 Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Fl. 987DF CARF MF Processo nº 13161.001935/200797 Acórdão n.º 9303007.607 CSRFT3 Fl. 16 15 Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E Fl. 988DF CARF MF Processo nº 13161.001935/200797 Acórdão n.º 9303007.607 CSRFT3 Fl. 17 16 COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição Fl. 989DF CARF MF Processo nº 13161.001935/200797 Acórdão n.º 9303007.607 CSRFT3 Fl. 18 17 essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: “COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Nessa linha, aguardamos o transito em julgado da decisão do STJ proferida após apreciação, em sede de repetitivo, do REsp1.221.170 – e que trouxe, pelas discussões e votos proferidos, o mesmo entendimento já aplicável pelas suas turmas e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Privilegiando, assim, a segurança jurídica que tanto merece a Fazenda Nacional e o sujeito passivo. Passadas tais considerações, tenho que os custos de fretes de mercadorias entre estabelecimentos são essenciais e pertinentes à sua atividade. O que geraria crédito de PIS e Cofins. Proveitoso ainda trazer que, recentemente, a PGFN publicou a Nota SEI 63/18 – dispondo sobre o conceito de insumo para fins de constituição de crédito de PIS e Cofins não cumulativo, considerando o decidido, em sede de repetitivo, pelo STJ que, por sua vez, entendeu ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas INs SRF 247/2002 e 404/2004. Traz, em síntese, que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. E que para constatarmos que tal item seria essencial e pertinente à atividade do sujeito passivo, seria importante fazer o “teste de subtração”. Eis a parte que traduz esse teste: “[...] Fl. 990DF CARF MF Processo nº 13161.001935/200797 Acórdão n.º 9303007.607 CSRFT3 Fl. 19 18 41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindose mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo. [...]” Ou seja, se aplicarmos o teste de subtração para tal custo – a atividade do sujeito passivo seria efetivamente prejudicada. Em vista do exposto e, considerando o entendimento que esse Colegiado tem proferido, voto por dar provimento ao recurso nessa parte, reconhecendo o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de mercadorias entre estabelecimentos. Continuando, relativamente à outra discussão, qual seja, possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes), entendo que tais fretes são essenciais e pertinentes à atividade do sujeito passivo – o que geraria crédito de PIS e Cofins. Ora, é de se atentar que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição – art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis 10.637/02 e 10.833/03. Não há vedação legal e tais custos são essenciais à sua atividade. É de se clarificar que a constituição do crédito observou tão somente os valores referentes às despesas de fretes dos produtos, e não os valores de aquisição dos insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições. Em vista do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo nessa parte. Fl. 991DF CARF MF Processo nº 13161.001935/200797 Acórdão n.º 9303007.607 CSRFT3 Fl. 20 19 (...)1 Direcionandome para a última matéria trazida em recurso, qual seja, se há ou não correção pela taxa Selic sobre os créditos da Contribuição para o PIS e Cofins, decorrentes da aplicação do regime da não cumulatividade, independentemente da forma de aproveitamento, curvome à Súmula CARF 125, recémpublicada – que já definiu entendimento no âmbito administrativo: “Súmula CARF nº 125 No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Sendo assim, nessa parte, nego provimento ao recurso do contribuinte. Diante do exposto, conheço o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo e dou provimento parcial ao seu recurso." (...) "Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, discordo de sua conclusão, quanto ao enquadramento da atividade de cerealista, como atividade industrial, para efeito de gozo do crédito presumido da agroindústria do PIS e da Cofins, e, consequentemente, quanto ao ressarcimento/compensação do seu saldo credor trimestral. O contribuinte pleiteia créditos presumidos da agroindústria, a título de PIS e da Cofins, calculados sobre os custos das aquisições de produtos agrícolas in natura (soja e milho), beneficiados e vendidos por ele também in natura. No entanto, somente faz jus a esse crédito as pessoas jurídicas produtoras de mercadorias de origem animal e vegetal, conforme estabelece a Lei nº 10.925, de 23 de junho de 2004, que assim dispõe: "Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: 1 Não se transcreveu, do voto da relatora do processo paradigma, a parte que tratou do enquadramento da atividade de cerealista como atividade industrial e do consequente direito ao aproveitamento do crédito presumido da agroindústria (a título de PIS e Cofins), por manifestar entendimento que restou vencido na votação, não se aplicando, portanto, à solução do litígio do presente processo. Contudo, a íntegra do voto consta do Acórdão 9303007.593 (processo 13161.001374/200723). Fl. 992DF CARF MF Processo nº 13161.001935/200797 Acórdão n.º 9303007.607 CSRFT3 Fl. 21 20 I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (...); III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...). § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; (destaques não originais) (...)." No presente caso, conforme demonstrados nos autos, o contribuinte não utilizou os produtos agrícolas, soja e milho, como matériasprimas para a fabricação de produtos derivados desses cereais. Não houve industrialização alguma. Os cereais foram adquiridos, beneficiados e comercializados in natura nos mercados interno e externo. De fato, o contribuinte exerceu apenas e tão somente as atividades de limpar, secar, padronizar, armazenar e comercializar os cereais, soja e milho, in natura, ou seja, exerceu atividade agrícola que se enquadra no § 4º, inciso I, do art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, citado e transcrito anteriormente, que veda, de forma expressa, o aproveitamento de crédito presumido da agroindústria para tal atividade. Além disto, segundo o disposto no art. 8º, citado e transcrito anteriormente, a pessoa jurídica para ter direito ao crédito presumido da agroindústria deve produzir mercadorias classificadas nos capítulos e códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul elencados no caput do artigo. As mercadorias produzidas industrialmente devem ser destinadas à alimentação humana ou animal e as pessoas jurídicas produtoras devem adquirir as matériasprimas de pessoas físicas, de cerealista ou de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e/ ou de cerealista, conforme previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de junho de 2004. Quanto ao ressarcimento/compensação do saldo credor do crédito presumido da agroindústria, ora reclamado, embora o julgamento desta matéria tenha ficado prejudicado, em virtude do não reconhecimento do direito de o contribuinte aproveitar tais créditos, demonstrase, a seguir, a falta de amparo legal para o seu ressarcimento/compensação. O crédito presumido da agroindústria referente ao PIS e à Cofins foi inicialmente instituído pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003, art. 3º, § 11, foi extinto pela Lei nº 10.925, de 23/07/2004, art. 16, convertida da MP nº 183, de 30/4/2004. Contudo, esta mesma lei o reinstituiu, nos termos do art. 8º, já citado e transcrito anteriormente, e art. 15, que assim dispõe: Fl. 993DF CARF MF Processo nº 13161.001935/200797 Acórdão n.º 9303007.607 CSRFT3 Fl. 22 21 "Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (destaque não original) [...]." Ora, segundo o disposto nos art. 8º e 15, citados e transcritos anteriormente, o crédito presumido da agroindústria somente pode ser utilizado para a dedução da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, inexistindo previsão legal para o ressarcimento/compensação. Com efeito, não é despiciendo reiterar que a compensação e o ressarcimento admitidos pelo art. 6º da Lei n° 10.833, de 2003, contemplam unicamente aos créditos apurados na forma do art. 3º daquela lei, assim dispondo: "Art. 6º A Cofins não incidirá sobre as receias decorrentes das operações de: [...]; § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art 3º, para fins de: (destaque não original) [...]." Neste diapasão, a IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, dispõe em seu art. 21: “Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637. de 30 de dezembro de 2002. e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: (destaque não original) [...].” Segundo, estes dispositivos legais, apenas os créditos apurados na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, podem ser objeto de pedido de restituição/compensação, ou seja, os créditos sobre insumos adquiridos com incidência da contribuição cujo ônus do pagamento efetivo é do adquirente. Os créditos presumidos da agroindústria não são apurados na forma daquele artigo, mas sim nos termos do art. 8º, § 3º da Lei nº 10.925, de 23/07/2004. Já suas utilizações estão previstas no próprio art. 8º e no art. 15, desta mesma lei, citados e transcritos anteriormente, ou seja, podem ser utilizados apenas e tão somente para dedução da contribuição devida em cada período de apuração. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte, quanto ao aproveitamento de crédito presumido da agroindústria, a título de PIS e Cofins, e, consequentemente, não reconhecer o seu direito ao ressarcimento/compensação de tais créditos." Fl. 994DF CARF MF Processo nº 13161.001935/200797 Acórdão n.º 9303007.607 CSRFT3 Fl. 23 22 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para reconhecer os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes relativos ao transporte de insumos adquiridos com alíquota zero. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 995DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.000886/2002-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 2000, 2001
RECEITAS AUFERIDAS NAS VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIPARAÇÃO ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO
A discussão quanto à equiparação das referidas receitas se encontra pacificada pelo Ato Declaratório PGFN 4/17.
É de se equiparar as receitas auferidas nas vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus ZFM às receitas de exportação para afastar a tributação pela Cofins.
Numero da decisão: 3301-005.691
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. A Conselheira Semirames de Oliveira Duro votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Marinho Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semiramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: MARCO ANTONIO MARINHO NUNES
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EQUIPARAÇÃO ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO A discussão quanto à equiparação das referidas receitas se encontra pacificada pelo Ato Declaratório PGFN 4/17. É de se equiparar as receitas auferidas nas vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus ZFM às receitas de exportação para afastar a tributação pela Cofins. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. A Conselheira Semirames de Oliveira Duro votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Liziane Angelotti Meira, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 08 86 /2 00 2- 57 Fl. 838DF CARF MF Processo nº 10880.000886/200257 Acórdão n.º 3301005.691 S3C3T1 Fl. 839 2 Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semiramis de Oliveira Duro. Relatório Por bem descrever o caso a ser apreciado, adoto o relatório constante do acórdão nº 1623.994 9ª Turma da DRJ/SP1, desenvolvido pelo órgão julgador de primeira instância. Cuida o presente processo de pedido de restituição, protocolizado em 14/1/2002 (fl. 1), no valor de R$142.676,58, relativamente a alegados pagamentos [...] a maior da COFINS. [é dizer, contribuição para o financiamento da Seguridade Social] sobre as vendas de mercadorias nacionais para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus (período de Dezembro/00 a Maio/01). 2. Outrossim, cuida o processo de pedido de compensação, protocolizado em mesma data (fls. 2 e 22), no valor R$ 142.676,58, apontando débitos a serem compensados de COFINS, código 2172, período de apuração 12/2001. 2.1. Acompanham os pedidos de restituição e de compensação os documentos às fls. 3 a 21, 23 a 41. 3. Consta às fls. 625 a 635 que a autoridade fiscal a quo lavrou Despacho Decisório por meio do qual foi indeferido o pedido de restituição, havendo, por consequência, não homologado a compensação a ele vinculada. Eis o que consta às fls. 633 e 634, ipsis verbis: [...] a isenção da COFINS prevista no art. 14 da Medida Provisória n° 2.03725, de 2000 atual Medida Provisória n° 2.15835, de 2001 , e considerada a medida liminar deferida pelo STF na ADIn n° 2.3489, publicada no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão na Zona Franca de Manaus [ZFM] do inciso I do § 2° do art.14 da Medida Provisória n° 2.03724, de 2000, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, tem aplicação, de modo exclusivo, para as receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido art. 14, ou seja: a) receitas do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; Fl. 839DF CARF MF Processo nº 10880.000886/200257 Acórdão n.º 3301005.691 S3C3T1 Fl. 840 3 b) receitas auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei n° 9.432, de 08/01/1997; c) receitas de vendas realizadas pelo produtor vendedor às empresas comerciais exportadoras de que trata o DecretoLei n° 1.248, de 1972, e alterações posteriores, destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; d) receitas de vendas efetuadas com fins específico de exportação para o exterior, às empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. O contribuinte foi intimado a comprovar que os recolhimentos pleiteados neste processo são derivados de receitas que se enquadram em algum dos itens acima expostos. Como resposta, declarou não ser necessária tal comprovação. Também foi intimado a apresentar as cópias do livro Razão que constassem as contabilizações das respectivas receitas e sua utilização para compor as bases de cálculo dos períodos de apuração 12/00, 01/01, 02/01, 03/01, 04/01 e 05/01. Não foram aduzidas as referidas cópias. Prejudicando a constatação que na base de cálculo da COFINS, dos períodos retrocitados, constam as receitas advindas da comercialização de mercadorias para as empresa com domicílio na ZFM. O artigo 40 da Lei n° 9.784/99 determina o arquivamento do processo quando o interessado não atender, satisfatoriamente, no prazo fixado pela administração, a intimação solicitando dados ou documentos imprescindíveis para análise de mérito do pleito. Assim, atentando pelo falo do contribuinte não ter carreado aos autos qualquer comprovação de que os recolhimentos, ditos como indevidos, foram oriundos das receitas enquadradas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do art. 14, da MP n° 2.15835, de 2001, deforma a concluir que estas receitas se sujeitam à incidência da contribuição para a COFINS, sem o beneficio da isenção. Em face do exposto e considerando que a empresa não demonstrou ter efetuado recolhimentos indevidos da contribuição para a COFINS, que ensejariam unia eventual repetição de indébito, proponho o indeferimento do pedido de restituição, bem como não sejam homologadas as declarações de compensação válidas e vinculadas ao crédito aqui examinado, nos termos do disposto no artigo 49 da Lei n° 10.637/2002 e art 26, § 2º, da IN SRF nº 600/2005. 4. Irresignada com o proferido no referido Despacho Decisório, do qual foi cientificada em 25/8/2006 (fl. 636, verso), apresentou a interessada, em 26/9/2006 (fl. 637), manifestação de inconformidade às fls. 637 a 654, acompanhada dos documentos às fls. 655 a 731. Eis, em síntese, as afirmações que nela constam, ipsis verbis: Fl. 840DF CARF MF Processo nº 10880.000886/200257 Acórdão n.º 3301005.691 S3C3T1 Fl. 841 4 4.1. Destaca a interessada à fl. 639 que [...] apresentou, em janeiro de 2002, pedido de restituição [...], decorrentes da indevida tributação das receitas oriundas de vendas de mercadorias nacionais para a Zona Franca de Manaus ("ZFM") pela COFINS, nos termos do pedido de restituição e compensação [...]. Informa que [...1 os pagamentos indevidos realizados pela impugnante referemse ao período compreendido entre os meses de dezembro de 2000 e maio de 2001, resultando no montante restituível e compensável de RS 142.676,58. 4.1.2. Afirma à fl. 640 que [...] as autoridades fiscais, ao analisarem seu pedido, proferiram entendimento divergente à interpretação já consolidada no âmbito do sistema tributário nacional [...]; asseverando que [...] as autoridades julgadoras a quo restringiram, ao seu bel prazer, a isenção da COFINS às operações de vendas de mercadorias para a ZFM somente nos casos de vendas com finalidade especifica de exportação. 4.1.3. Historia a interessada às fls. 641 a 647 acerca da legislação de concessão de isenção de COFINS, destacando, por fim, à fl. 647 que [...] as receitas advindas, a partir de 1º de janeiro de 2001, da venda de mercadorias para empresas localizadas na Zona de Franca de Manaus passaram a ser desoneradas, por força da expressa previsão nesse sentido na Medida Provisória nº 2.03725, da COFINS. 4.1.4. Registra, ainda, à fl. 647 que a [...] Secretaria da Receita Federal [...] editou o Ato Declaratório Executivo n° 42, de 18 de dezembro de 2002, o qual tornou suspensos os efeitos das soluções de consulta [Solução de Consulta Cosit n.° 8/2002 e Soluções de Divergência Cosit n.º 6, 7 e 9/2002] que afirmavam que o PIS e a COFINS incidiriam sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias para a ZFM. [...] 4.1.5. Salienta à fl. 649 que [...] a Secretaria da Receita Federal não somente revogou as consultas anteriormente proferidas e que divergem do entendimento do Supremo Tribunal Federal, como consignou, em diversos pronunciamentos, o direito à não incidência da contribuição ao PIS e a COFINS sobre as receitas decorrentes da venda de mercadorias á Zona Franca de Manaus, consoante se depreende da Solução de Consulta n° 135, [...] [que dispõe] "que a partir da publicação da Medida Provisória n° 2.03725 de 21 de dezembro de 2000 (publicado no DOU de 22 de dezembro de 2000) — atualmente Medida Provisória n° 2.11330, de 26 de abril de 2001 as receitas decorrentes de vendas de mercadorias para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus estão isentas da contribuição para o PIS/ Pasep e da COFINS". [...] 4.1.6. A fim de secundar sua tese, a interessada alberga, em sua manifestação de inconformidade, citações da jurisprudência pátria (fls. 649 a 651). 4.1.7. Afirma à fl. 651 que [...] o indeferimento do pleito da IMPUGNANTE resulta em absoluta incongruência dos procedimentos adotados pela autoridade fiscal em face à determinação legal mencionada, bem como perante as interpretações decorrentes dos Tribunais Judiciais Superiores e do próprio Ato Declaratório Executivo CoordenadorGeral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal. 4.2. No que toca aos alegados créditos e à compensação, aponta a interessada à fl. 651 que, [...] embora o indeferimento do pedido de restituição tenha sido especialmente motivado pela indevida interpretação da legislação tributária, [...] a autoridade fiscal também alegou que a IMPUGNANTE, "não demonstrou ter Fl. 841DF CARF MF Processo nº 10880.000886/200257 Acórdão n.º 3301005.691 S3C3T1 Fl. 842 5 efetuado recolhimentos indevidos da contribuição para a COFINS, que ensejariam eventual repetição de indébito... " 4.2.1. Afirma à fl. 652 que [...] a autoridade fiscal, inconsistentemente, alega que não foram anexadas cópias do livro Razão que demonstrem o efetivo pagamento das contribuições nos períodos objeto de restituição; que [...] (i) o termo de intimação anexo à presente Manifestação de Inconformidade foi plenamente atendido pela IMPUGNANTE (Doe. 07) e (ii) por óbvio, a mera análise ao Livro Razão Contábil não é capaz de comprovar a tributação da COFINS sobre as receitas de vendas para a ZFM. Nesse sentido, caberia à fiscalização analisar tal livro e confrontálo com a respectiva declaração (na época DIPJ) como forma de atestar o fato de que a IMPUGNANTE recolhera o montante total da COFINS; que [...] o próprio formulário referente ao pedido de restituição/compensação anexa cópia dos respectivos documentos de arrecadação fiscal ("DARFs"), os quais demonstram o efetivo pagamento das contribuições aos cofres públicos. 4.2.2. Alega às fls. 652 e 653 que [...] caso os documentos solicitados pela autoridade fiscal não fossem suficientes para a formação de convicção sobre a origem dos pagamentos indevidos, poderia esta, a qualquer tempo, realizar diligência ou mesmo solicitar maiores esclarecimentos por parte da IMPUGNANTE para, em não sendo atendida deforma suficiente, aí sim, concluir que teria sido "prejudicada a constatação que nas bases de cálculo da COFINS constam as receitas advindas da comercialização de mercadorias para empresas com domicílio na ZFM". 4.2.3. Conclui à fl. 653 que [...] a IMPUGNANTE pretende sejam os documentos ora anexos suficientes para comprovar que os valores incluídos no pedido de restituição/compensação foram efetivamente recolhidos ao Erário [ ... ] e, caso o I. Julgador assim não entenda, requer seja convertido o julgamento em diligência de forma que sejam sanadas quaisquer dúvidas que ainda pairem no sentido de que o indébito pleiteado foi efetivamente pago na forma de contribuição à COFINS. 4.3. Finalmente, às fls. 653 e 654, solicita a impugnante o que segue: Diante de todo o acima exposto, constatase que a IMPUGNANTE efetivamente faz jus ao crédito pleiteado, uma vez comprovado (i) o direito à não incidência da COFINS sobre as receitas decorrentes de vendas para a ZFM, bem como (ii) que todo os créditos utilizados para compensação foram efetivamente recolhidos aos Cofres da União, a titulo da Contribuição ao Financiamento da Seguridade Social. Em vista disso, registra a IMPUGNANTE a necessidade da pronta reforma do conteúdo e respectivos efeitos do Despacho DIORT/DERAT/EQITD, como medida de justiça que se impõe e que representa a melhor interpretação e aplicação da legislação tributária ao presente caso, de modo a restar assegurado o direito à compensação/restituição, nos termos do pedido formulado pela ora Impugnante. Regularmente processada, a manifestação de inconformidade não foi provida e, conseqüentemente, não foi reconhecido o direito creditório pleiteado, conforme acórdão nº 1623.994, oriundo da 9ª Turma da DRJ/SP1, cuja ementa transcrevo a seguir: Assunto : Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Fl. 842DF CARF MF Processo nº 10880.000886/200257 Acórdão n.º 3301005.691 S3C3T1 Fl. 843 6 Exercício: 2000, 2001 Ementa: RECEITAS DE VENDAS EFETUADAS A EMPRESAS ESTABELECIDAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. NÃO COMPROVAÇÃO DE OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO. ISENÇÃO. DESCABIMENTO. A isenção da COFINS prevista no art. 14 da Medida Provisória n.° 2.03725/2000, atual Medida Provisória n.° 2.15835/2001, em relação às receitas de vendas efetuadas a empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, não alcança os fatos geradores ocorridos no período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2° do art. 14 da Medida Provisória n.° 1.8586/99, e reedições, até a publicação da Medida Provisória n.° 2.03724/2000. No entanto, com o surgimento da Medida Provisória n.° 2.03725/2000, em relação a essas mesmas receitas, a referida isenção aplicase, exclusivamente, às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX do art. 14 dessa medida provisória. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA CONTÁBIL. PRESCINDIBILIDADE A perícia contábil objetiva subsidiar a convicção do julgador e não inverter o ônus da prova já definido na legislação. A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde do litígio, não se justificando, quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos. É prescindível a perícia quando presentes, nos autos, os elementos necessários e suficientes à formação da convicção do julgador para proferir sua decisão. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em seu recurso voluntário, a Recorrente ratifica todos os argumentos de sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, Relator O recurso é tempestivo a atende aos demais pressupostos de admissibilidade, devendo, por tais razões, ser conhecido. A discussão posta nestes autos cingese sobre a incidência da COFINS nas receitas decorrentes de vendas destinadas à Zona Franca de Manaus, bem como a possibilidade de equiparação dessa operação às vendas ao exterior com fins de isenção. Fl. 843DF CARF MF Processo nº 10880.000886/200257 Acórdão n.º 3301005.691 S3C3T1 Fl. 844 7 Referido assunto já foi objeto de muita controvérsia no Poder Judiciário, onde já se pacificou o entendimento, especificamente à discussão à caracterização das vendas à Zona Franca de Manaus, que se tratam de exportação PARA O EXTERIOR. No âmbito do Poder Judiciário, há vários julgados, entre os quais os no REsp 874.887/AM e REsp 691.708/AM (STJ), bem como na Apelação/Reexame Necessário nº 000138445.2014.4.01.3200/AM (TRF/1), a considerar a conclusão acima exposta. Assim, de acordo com o assentado na Jurisprudência, desde a publicação do DecretoLei 288/1967, as vendas efetuadas a empresas sediadas na ZFM são equiparadas às exportações, gozando essa operação de benefícios/incentivos fiscais, inclusive da isenção da Cofins. Pacificada a questão no âmbito judicial, a PGFN, por meio do Ato Declaratório PGFN 4/17 DECLAROU que, fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante nas ações judiciais que discutam, com base no art. 4º do Decreto Lei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, a incidência do PIS e/ou da COFINS sobre receita decorrente de venda de mercadoria de origem nacional destinadas a pessoas jurídicas sediadas na Zona Franca de Manaus, ainda que a pessoa jurídica vendedora também esteja sediada na mesma localidade. Eis: Ato Declaratório PGFN nº 4, de 16 de novembro de 2017 (Publicado(a) no DOU de 21/11/2017, seção 1, página 41) "Autoriza a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante nas ações judiciais que menciona." O PROCURADOR GERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 1743/2016 desta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 14 de novembro de 2016, DECLARA que, fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que discutam, com base no art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, a incidência do PIS e/ou da COFINS sobre receita decorrente de venda de mercadoria de origem nacional destinadas a pessoas jurídicas sediadas na Zona Franca de Manaus, ainda que a pessoa jurídica vendedora também esteja sediada na mesma localidade” JURISPRUDÊNCIA: ADI 2.3489/DF, RE 539.590/PR e AgRg no RE 494.910/SC; AgInt no AREsp 944.269/AM, AgInt no AREsp 691.708/AM, AgInt no AREsp 874.887/AM, AgRg no Ag Fl. 844DF CARF MF Processo nº 10880.000886/200257 Acórdão n.º 3301005.691 S3C3T1 Fl. 845 8 1.292.410/AM, REsp 1.084.380/RS, REsp 982.666/SP, REsp 817777/RS e EDcl no REsp 831.426/RS. FABRÍCIO DA SOLLER Referido Ato Declaratório foi aprovado pelo ministro da Fazenda. Assim, em vista a publicação do Ato Declaratório da PGFN nº 04/2017, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, mencionado entendimento vincula os membros das turmas julgadoras deste CARF, conforme fundamento no art. 62, §1º, inciso II, alínea "c" do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria do MF nº 343/2015, devendo ser dado provimento ao Recurso Voluntário da Contribuinte, independentemente do entendimento particular deste Relator. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes Fl. 845DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.908612/2009-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2402-000.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) verifique: (i) a efetiva disponibilidade do crédito (se não foi alocado em outro PER/DCOMP); (ii) se os valores estão corretos; e (iii) se todos os documentos que originaram o crédito se coadunam com o disposto nos sistemas da RFB, inclusive outras declarações da Recorrente, como, por exemplo, as respectivas DIPJ e Dacon - observando-se que, após a diligência ora solicitada, a Unidade de Origem deverá consolidar Informação Fiscal em face das verificações realizadas, cientificando a Recorrente do seu teor e concedendo-lhe prazo de 30 (trinta) dias, a contar da ciência, para que, querendo, apresente contrarrazões.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício)
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício), Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Relatório
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) verifique: (i) a efetiva disponibilidade do crédito (se não foi alocado em outro PER/DCOMP); (ii) se os valores estão corretos; e (iii) se todos os documentos que originaram o crédito se coadunam com o disposto nos sistemas da RFB, inclusive outras declarações da Recorrente, como, por exemplo, as respectivas DIPJ e Dacon observandose que, após a diligência ora solicitada, a Unidade de Origem deverá consolidar Informação Fiscal em face das verificações realizadas, cientificando a Recorrente do seu teor e concedendolhe prazo de 30 (trinta) dias, a contar da ciência, para que, querendo, apresente contrarrazões. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício) (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício), Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .9 08 61 2/ 20 09 -6 4 Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10882.908612/200964 Resolução nº 2402000.707 S2C4T2 Fl. 204 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (efls. 109/200) em face do Acórdão n. 05 40.773 1ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Campinas (SP) DRJ/CPS (efls. 90/105), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 04/16) e não reconheceu direito creditório com fulcro em pagamento indevido ou a maior de IRRF. O sujeito passivo foi cientificado do Acórdão n. 0540.773 (efls. 90/105), em 18/07/2013 (efl. 107), cujo entendimento encontrase sumarizado na ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2009 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, sobretudo quando argumenta ter errado ao confessar em DCTF débito maior do que aquele que alega seria devido. Sem a comprovação da liquidez e certeza quanto ao direito de crédito não há como homologar a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em face do Acórdão n. 0540.773 (efls. 90/105), a impugnante, agora Recorrente, apresentou, em 15/08/2013, Recurso Voluntário (efls. 109/200), reforçando a procedência do direito creditório, esgrimindo, em linhas gerais, os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade (efls. 04/16). Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O Recurso Voluntário (efls. 109/200) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto, dele CONHEÇO. Inicialmente, é relevante destacar que a gênese desta lide encontrase no Despacho Decisório n. de rastreamento 848683380 data de emissão 07/10/2009 (efl. 2) Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10882.908612/200964 Resolução nº 2402000.707 S2C4T2 Fl. 205 3 que não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP n. 00723.26620.100709.1.3.044897 (efls. 39/45): Em face do Despacho Decisório acima reproduzido, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade (efls. 04/16), julgada improcedente pela DRJ/CPS, nos termos do Acórdão n. 0540.773 (efls. 90/105), que, reproduzo, no essencial: [...] Cientificada do Despacho Decisório Eletrônico em 19/10/2009, conforme comprova o documento de fls. 03 (numeração digital), a contribuinte, por intermédio de seus advogados (instrumento de procuração e substabelecimento às fls. 24/26 e 35/37), Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10882.908612/200964 Resolução nº 2402000.707 S2C4T2 Fl. 206 4 apresentou em 17/11/2009 manifestação de inconformidade de fls. 04/16, acompanhada dos documentos de fls. 16/87, com as alegações a seguir sintetizadas. Ao expor os fatos, reportase à origem do crédito no recolhimento a maior realizado pela Requerente a título de IRRF, código de receita 0561 (Rendimento do trabalho trabalho assalariado), relativo ao período de apuração de abril de 2009, no montante original de R$ 477.243,89 (doc. 05). Argúi, então, a ocorrência de cerceamento de defesa por ausência de prévia intimação para prestar informações, alegando limitações probatórias do sistema eletrônico e inobservância do art. 65 da IN RFB nr. 900/2008. Acerca da origem do crédito, assevera que: em DCTF de abril de 2009, a Requerente informou débito de código 0561 no valor de R$ 2.922.078,60, vinculado a pagamentos de R$ 187.564,64, R$ 2.257.270,07 e R$ 477.243,89, este último indicado como origem do crédito, pois, de sua composição, constou a parcela de R$ 41.436,42 (doc 6) que não se refere a débito de código 0561, mas sim a débito de código 0473 (IRRF – rendimentos de residentes ou domiciliados no exterior) retido do funcionário Julio Moura Neto, expatriado, conforme tabela anexa (doc. 07); percebendo o equívoco, a Requerente efetuou o pagamento de R$ 41.436,42 (doc 6), com o código correto 0473; para o período de apuração abril/2009 a Requerente apurou débito de código 0561 no valor de R$ 2.215.833,65 e não de R$ 2.257.270,07, referindose a diferença de R$ 41.436,42 a IRRF retido do citado funcionário expatriado, mas a DCTF não foi retificada; considerando que o valor de R$ 41.436,42 compôs indevidamente o débito apurado em abril de 2009 e que a Requerente recolheu novamente referido valor quando do pagamento dos rendimentos do funcionário expatriado, configurouse pagamento em duplicidade. Defende que, apesar do equívoco procedimental de não retificar a DCTF, o direito creditório existe, sendo passível de compensação. Invoca o art.165 do CTN e acrescenta que deve ser abrandado o rigor formal e observado o princípio da verdade material. Cita doutrina e decisões do Conselho do Contribuinte. [...] Importante, de início, destacar que o tratamento da declaração de compensação transmitida pela contribuinte se deu de forma eletrônica. A não homologação da DCOMP em tela decorreu do fato de o DARF indicado na DCOMP como origem do crédito aproveitado na compensação ter sido integralmente utilizado na quitação de débitos informados pela própria contribuinte. [...] Como dito, o ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito confessado pela interessada. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito líquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10882.908612/200964 Resolução nº 2402000.707 S2C4T2 Fl. 207 5 Com efeito, por meio da DCOMP nº 00723.26620.100709.1.3.044897, a contribuinte declarou a existência de crédito correspondente a Pagamento Indevido ou a Maior de IRRF, código 0561, no valor original de R$ 41.436,42 integrante do DARF recolhido em 20/05/2009 no valor de R$ 477.243,89. Verificado que o DARF apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado no PER/DCOMP, a compensação promovida com aquele crédito não foi homologada. Assim, presentes nos sistemas informatizados elementos suficientes para constatação da indisponibilidade do pagamento indicado como crédito, não se vislumbra irregularidade na produção do Despacho Decisório. E, quanto ao questionamento relativo à intimação/diligência prévia, registrese que sua realização não se encontra dentre os pressupostos legais, contidos no art. 74 da Lei 9.430/96, para a não homologação da compensação, quais sejam observância do prazo de homologação tácita e não confirmação de crédito líquido e certo. Atentese, inclusive, para a impropriedade de eventual pretensão de alegar cerceamento de defesa quanto à nãohomologação das compensações apresentadas. Cumpre esclarecer que o direito à ampla defesa e ao contraditório, previsto no art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, é uma garantia do processo administrativo, isto é, da fase litigiosa do procedimento fiscal, a qual, nos casos de restituição e/ou compensação, iniciase, nos termos do art. 74, §11 da Lei nº 9.430, de 1996, c/c art. 14 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com a manifestação de inconformidade. O procedimento fiscal tendente a verificar a legitimidade do direito creditório utilizado nas compensações declaradas, o qual antecede a fase litigiosa, é um procedimento de certificação do quanto informado pelo sujeito passivo, razão pela qual pode se tornar inquisitório, ou não, a critério da autoridade administrativa competente. Nesse contexto, a participação da contribuinte se limita ao fornecimento de informações, quando requisitado pela autoridade fiscal. A intimação fiscal para esclarecimentos trata, em verdade, de faculdade atribuída à autoridade administrativa competente para decidir sobre o crédito utilizado em restituição e/ou compensação, dado que a prova do indébito tributário resta a cargo do sujeito passivo. É o que se extrai da legislação de regência: [...] A contestação das informações contidas no Despacho Decisório, dos documentos juntados ou até mesmo de eventuais irregularidades somente pode ser realizada em momento posterior à decisão, com a apresentação da manifestação de inconformidade, iniciando o devido processo administrativo. Ademais, a ausência de intimação prévia não é causa de cerceamento de defesa posto que, cientificado do Despacho Decisório, é concedido à contribuinte prazo para manifestação de inconformidade oportunidade em que pode esclarecer os motivos de sua discordância e apresentar as correspondentes provas documentais de seu crédito. Acrescentese que, até mesmo para os casos de lançamento de ofício, quando a iniciativa da exigência do crédito tributário parte da Fazenda Pública mediante lavratura de Auto de Infração, a jurisprudência administrativa já consagrou entendimento acerca da questão, a teor da súmula 46 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10882.908612/200964 Resolução nº 2402000.707 S2C4T2 Fl. 208 6 Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No tocante ao mérito, das razões apresentadas na manifestação de inconformidade inferese que a contribuinte alega que, na DCTF de abril/2009, o débito de IRRF código 0561 seria menor do que aquele efetivamente devido, porque uma parcela do valor declarado (R$ 41.436,42) corresponderia a débito de código 0473 (retenção sobre pagamento efetuado a beneficiário no exterior). A diferença corresponderia a débito de código 0473 indevidamente declarado como sendo de código 0561. Todavia, para o mês de abril/2009, a interessada apresentou DCTF original em 22/05/2009 e duas DCTF retificadoras em 09/11/2009 e 17/05/2010, conforme pesquisa a seguir reproduzida: [...] Como se vê, mesmo após transmitir a DCOMP (em 10/07/2009) utilizando o crédito alegado e ser cientificada de sua não homologação (em 19/10/2009) e, ainda, mesmo após promover outras retificações na DCTF de abril de 2009 (em 09/11/2009 e 17/05/2010), a contribuinte permaneceu confessando para a para o referido mês, sob código 0561, débito no valor de R$ 2.922.078,60, vinculado a três pagamentos que perfazem este mesmo montante, entre os quais o pagamento de R$ 477.243,89 apontado como origem do crédito. Assim, mais do que informar a utilização do pagamento de valor principal de R$ 477.243,89, a contribuinte confessou, em todas as DCTF apresentadas para o período, a existência de débito no valor de R$ 2.922.078,60, E, se algum erro houve nestas informações, ele não foi devidamente comprovado na manifestação de inconformidade. De fato, para justificar sua alegação de que o débito seria menor, a interessada, apresenta, além de DCOMP e DCTF: comprovantes de arrecadação dos valores principais de R$ 477.243,89 (código 0561, fls. 80), R$ 41.436,42 (código 0473, com acréscimos moratórios, fls. 82), R$ 187.564,64 ( código 0561, fls. 86) e R$ 2.257.270,07 (código 0561, fls. 87) planilha de fls. 84 demonstrando as retenções que teriam ensejado o recolhimento de R$ 477.243,8979, como segue: Ocorre que apenas a apresentação de planilha de fls. 84 e do recolhimento efetuado sob código 0473, não é suficiente para afastar a confissão formalizada em DCTF, a qual, apesar de ter sofrido outras retificações, permanece indicando débito de Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10882.908612/200964 Resolução nº 2402000.707 S2C4T2 Fl. 209 7 código 0561 que absorve integralmente o pagamento alegado como origem do crédito. Nestas circunstâncias, para suportar a argüição de erro veiculada em sua defesa, a contribuinte deveria fazer prova de que a retenção sobre rendimentos de trabalho assalariado pagos, seria menor do que o valor declarado em DCTF, identificando a composição dos valores confessados para o período em questão, bem como a contabilização dos fatos geradores e das correspondentes retenções. Registrese que é a escrituração contábil e fiscal da pessoa jurídica, sustentada pela apresentação de documentos probatórios dos fatos nela contemplados, o meio pelo qual se demonstra a efetiva base de cálculo e apuração dos tributos federais. Todavia, no presente processo, a interessada deixou de acostar aos autos elementos de sua escrituração contábil e fiscal, bem como a documentação que suporta os registros ali efetuados, de modo a comprovar o alegado erro na DCTF, identificando o registro do fato gerador do IRRF sobre rendimento do trabalho assalariado e comprovando uma base de cálculo minorada que teria ensejado uma retenção distinta, menor do que aquela confessada em DCTF. Recordese que a DCTF é instrumento de confissão de dívidas, por expressa disposição legal (§§ 1º e 2º do art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13/06/1984) e pressupõese que, à época da entrega dessas declarações a contribuinte verificou a ocorrência do fato gerador do tributo e apurou o montante a pagar conforme confessado, declarado e recolhido. Necessário então provar que houve o erro a ser retificado. Não se trata aqui, de privilegiar o aspecto formal em detrimento da verdade material. Contudo, tendo em vista que a interessada pretende infirmar informações por ela própria prestadas, é necessário que a dita pretensão esteja calcada em provas documentais robustas que contemplem, inclusive, os correspondentes registros contábeis. Concluindo, faltando aos autos a comprovação da existência de pagamento indevido ou a maior, o direito creditório não pode ser admitido e a compensação que dele se aproveita não pode ser homologada. E, tratandose de prova documental, importa recordar o que dispõe o Decreto nº 70.235/72 (aqui aplicável nos termos do art. 74, §11, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003): [...] Logo, a manifestação de inconformidade deveria ser instruída com os elementos de provas das alegações nela contidas. Também oportuno consignar que o ônus da prova do indébito tributário incumbe à Requerente, quanto ao fato constitutivo de seu direito, conforme artigo 333, do Código de Processo Civil. Com efeito, a compensação, por ser forma de extinção do crédito tributário, consoante art. 156, inciso II, do CTN, exige a certeza e liquidez dos créditos a compensar, o que só reforça o ônus do contribuinte de provar os fatos extintivos do direito do Fisco. A jurisprudência administrativa é pacífica nesse sentido, da qual citamse, como exemplo, as seguintes ementas: [...] Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10882.908612/200964 Resolução nº 2402000.707 S2C4T2 Fl. 210 8 Acrescentese, ainda, que o princípio da verdade material foi observado por meio da concessão de prazo para apresentação de provas do crédito pretendido, não podendo ser invocado pela interessada para transferir ao Fisco ônus que é seu. Entendimento nesse sentido também foi externado pelo CARF conforme ementa a seguir transcrita: [...] Enfrentando a decisão da instância de piso, a impugnante, agora Recorrente, apresentou as seguintes razões de fato de direito a seguir transcritas, no essencial: a) em sede preliminar: nulidade da decisão recorrida por preterição do direito de defesa (utilização indevida de novo critério jurídico para manter o indeferimento do direito creditório pleiteado; e ausência de intimação específica para apresentação de documento para o esclarecimento do direito creditório); b) no mérito, existência do direito creditório pleiteado e suficiência do saldo a compensar. Alternativamente, a Recorrente requer diligência fiscal na hipótese de se entender que as informações e documentos apresentados não são suficientes para a confirmação da integralidade do direito creditório pleiteado. Muito bem. Na espécie, a Recorrente tomou ciência do teor do Despacho Decisório n. de rastreamento 848683380 data de emissão 07/10/2009 (efl. 2) na data de 19/10/2009 (e fl. 3), e, apresentou, além da DCTF original em 22/05/2009, duas DCTF retificadoras, sendo a última, que se encontra ativa, em 17/05/2010: Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10882.908612/200964 Resolução nº 2402000.707 S2C4T2 Fl. 211 9 E, em todas as referidas DCTF, informou débito de código 0561 no valor de R$ 2.922.078,60 vinculado a pagamentos de valor principal R$ 187.564,64, R$ 2.257.270,07 e R$ 477.243,89. Posteriormente, em sede de recurso voluntário, a Recorrente reforça os argumentos aduzidos frente à primeira instância e colaciona novos documentos, inclusive DARF de recolhimento de IRRF (efls. 140/200). De se observar que as informações declaradas em DCTF original ou retificadora que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no § 6º. do art. 9º. da Instrução Normativa RFB n. 1.599/2015, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fito de decidir sobre o indébito tributário. Nessa perspectiva, não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB n.1.599/2015. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra a não homologação da DCOMP, o órgão julgador de segunda instância poderá baixar em diligência à unidade de origem com espeque no art. 18 do Decreto n. 70.235/1972 , quando se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral do crédito (ou homologação integral da DCOMP). Ressaltese, por oportuno, que a diligência em destaque é fundamental para a segurança do crédito, pois, a princípio, é a unidade de origem que tem as condições de avaliar as questões fáticas relacionadas à análise do crédito, inclusive se este já não foi alocado em outro PER/DCOMP, além de questões meramente monetárias que podem gerar, inclusive, improcedência parcial da DCOMP. Assim, a unidade de origem deverá verificar: i) a efetiva disponibilidade daquele crédito (se não foi alocado em outro PER/DCOMP), ii) se os valores estão corretos; e iii) se todos os documentos que originaram o crédito se coadunam com o disposto nos sistemas da RFB, inclusive outras declarações da Recorrente, como, por exemplo, as respectivas DIPJ e Dacon. É esse, inclusive, o entendimento da RFB, consolidado no Parecer Normativo COSIT n. 2, de 28 de agosto de 2015, com o qual eu me alinho. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (e fls. 109/200),e CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA à Unidade de Origem para verificar: i) a efetiva disponibilidade daquele crédito (se não foi alocado em outro PER/DCOMP), ii) se os valores estão corretos; e iii) se todos os documentos que originaram o crédito se coadunam com o disposto nos sistemas da RFB, inclusive outras declarações da Recorrente, como, por exemplo, as respectivas DIPJ e Dacon observandose que, após a diligência ora solicitada, deverá a Unidade de Origem consolidar Informação Fiscal em face Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10882.908612/200964 Resolução nº 2402000.707 S2C4T2 Fl. 212 10 das verificações realizadas, cientificando a Recorrente do seu teor e concedendolhe prazo de 30 (trinta) dias, a contar da ciência, para que, querendo, apresente contrarrazões. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 212DF CARF MF
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