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Numero do processo: 10935.904631/2012-54
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 19/10/2007
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA.
Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.407
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 19/10/2007 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado
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DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 46 31 /2 01 2- 54 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904631/201254 Acórdão n.º 3801002.407 S3TE01 Fl. 63 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904631/201254 Acórdão n.º 3801002.407 S3TE01 Fl. 64 3 . Relatório Tratase de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior formulado pelo ora Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda., que não foi reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de origem. Não concordando com o indeferimento do seu pleito, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento. Restou assim ementado o acórdão: COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão proferida e repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904631/201254 Acórdão n.º 3801002.407 S3TE01 Fl. 65 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito decorre da inconstitucional inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, do valor do ICMS devido aos Estadosmembros. Sem trazer nenhum provimento jurisdicional favorável, em suas razões recursais, alega que o ICMS é tributo devido aos Estadosmembros e, por isso, não pode ser considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o tema para embasar suas alegações. Em que pese essa Relatora ter o mesmo entendimento do Recorrente com relação à matéria, ou seja, o ICMS, de fato, não poderia compor a base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, como muito bem colocado no acórdão recorrido, “cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”. Inexistindo na legislação em vigor a possibilidade de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o direito creditório do Recorrente. Ademais, importante ressaltar que os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a favor dos contribuintes. Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em 2007 e ainda pendente de julgamento. Assim, não há, até o presente momento, qualquer definição do Poder Judiciário acerca da questão. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904631/201254 Acórdão n.º 3801002.407 S3TE01 Fl. 66 5 Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10945.000285/2011-33
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.TRIBUTAÇÃO.
Sujeita se à tributação o acréscimo patrimonial apurado pela autoridade lançadora não justificado por rendimentos declarados ou comprovados pelo contribuinte, presunção esta que somente pode ser elidida mediante a apresentação de prova hábil.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DISPÊNDIOS. ÔNUS DA PROVA.
No âmbito da presunção legal de acréscimo patrimonial a descoberto compete à fiscalização comprovar as aplicações e/ou dispêndios que irão compor o demonstrativo da variação patrimonial mensal e, ao contribuinte demonstrar que possui recursos com origem em rendimentos tributáveis, isentos,ou de tributação exclusiva na fonte ou definitiva.
Neste caso concreto, verifica-se que o contribuinte pretende justificar o acréscimo patrimonial com o empréstimo contraído pela pessoa jurídica que é sócio, e a contratação do empréstimo foi posterior a aquisição do imóvel pelo pessoa física.
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BENS MÓVEIS. CUSTO DE AQUISIÇÃO.
Submete se à incidência do imposto o ganho de capital auferido pelo sujeito passivo em decorrência da alienação de bens móveis,considerando se como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição.
In casu o contribuinte era na época proprietário de outros imóveis, não fazendo jus à isenção na venda do único imóvel prevista no artigo 23, da Lei n° 9.250/95 (único imóvel). Também não há comprovação de que o produto da venda tenha sido aplicado na aquisição de outro imóvel residencial no prazo de 180 dias. Assim, tampouco faz jus a isenção prevista no artigo 39, da Lei 11.196/2005.
MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃOCONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009)
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2802-002.747
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(Assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite-Relatora.
EDITADO EM: 20/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.TRIBUTAÇÃO. Sujeita se à tributação o acréscimo patrimonial apurado pela autoridade lançadora não justificado por rendimentos declarados ou comprovados pelo contribuinte, presunção esta que somente pode ser elidida mediante a apresentação de prova hábil. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DISPÊNDIOS. ÔNUS DA PROVA. No âmbito da presunção legal de acréscimo patrimonial a descoberto compete à fiscalização comprovar as aplicações e/ou dispêndios que irão compor o demonstrativo da variação patrimonial mensal e, ao contribuinte demonstrar que possui recursos com origem em rendimentos tributáveis, isentos,ou de tributação exclusiva na fonte ou definitiva. Neste caso concreto, verifica-se que o contribuinte pretende justificar o acréscimo patrimonial com o empréstimo contraído pela pessoa jurídica que é sócio, e a contratação do empréstimo foi posterior a aquisição do imóvel pelo pessoa física. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BENS MÓVEIS. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Submete se à incidência do imposto o ganho de capital auferido pelo sujeito passivo em decorrência da alienação de bens móveis,considerando se como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição. In casu o contribuinte era na época proprietário de outros imóveis, não fazendo jus à isenção na venda do único imóvel prevista no artigo 23, da Lei n° 9.250/95 (único imóvel). Também não há comprovação de que o produto da venda tenha sido aplicado na aquisição de outro imóvel residencial no prazo de 180 dias. Assim, tampouco faz jus a isenção prevista no artigo 39, da Lei 11.196/2005. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃOCONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente (Assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite-Relatora. EDITADO EM: 20/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2239; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 215 1 214 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10945.000285/201133 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802002.747 – 2ª Turma Especial Sessão de 18 de março de 2014 Matéria IRPF Recorrente GEANE CRISTINA BISPO ANTONIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.TRIBUTAÇÃO. Sujeita se à tributação o acréscimo patrimonial apurado pela autoridade lançadora não justificado por rendimentos declarados ou comprovados pelo contribuinte, presunção esta que somente pode ser elidida mediante a apresentação de prova hábil. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DISPÊNDIOS. ÔNUS DA PROVA. No âmbito da presunção legal de acréscimo patrimonial a descoberto compete à fiscalização comprovar as aplicações e/ou dispêndios que irão compor o demonstrativo da variação patrimonial mensal e, ao contribuinte demonstrar que possui recursos com origem em rendimentos tributáveis, isentos,ou de tributação exclusiva na fonte ou definitiva. Neste caso concreto, verificase que o contribuinte pretende justificar o acréscimo patrimonial com o empréstimo contraído pela pessoa jurídica que é sócio, e a contratação do empréstimo foi posterior a aquisição do imóvel pelo pessoa física. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BENS MÓVEIS. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Submete se à incidência do imposto o ganho de capital auferido pelo sujeito passivo em decorrência da alienação de bens móveis,considerando se como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição. In casu o contribuinte era na época proprietário de outros imóveis, não fazendo jus à isenção na venda do único imóvel prevista no artigo 23, da Lei AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 02 85 /2 01 1- 33 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/03/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 n° 9.250/95 (único imóvel). Também não há comprovação de que o produto da venda tenha sido aplicado na aquisição de outro imóvel residencial no prazo de 180 dias. Assim, tampouco faz jus a isenção prevista no artigo 39, da Lei 11.196/2005. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃOCONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente (Assinado digitalmente) Dayse Fernandes LeiteRelatora. EDITADO EM: 20/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2010, anocalendário 2009, por ter sido apurada omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, no valor de R$152.793,43 e omissão de ganho de capital obtido na alienação de bens e direitos, R$31.891,56 apurada em 30/11/2009 e R$8.546,00 em 31/12/2009, conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal – TVF, de fls. 159 a 162, que integra o auto de infração. Na impugnação apresentada em primeira instância a contribuinte concordou com a infração relativa a omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos, no valor de R$8.546,00 em 31/12/2009. Quanto a omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, no valor de R$152.793,43, consoante o relatório da decisão de primeira instância apresentou os seguintes argumentos: “...alega que não teria ocorrido a variação patrimonial a descoberto apurada pela Fiscalização no mês de 08/2009, uma vez que não teriam sido Fl. 274DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/03/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10945.000285/201133 Acórdão n.º 2802002.747 S2TE02 Fl. 216 3 computados como origem de recursos à disposição da contribuinte naquele período, o valor de R$ 200.000,00 obtidos mediante empréstimo junto à SICREDI. Sobre referido empréstimo, restaria comprovado pelos seguintes documentos: 1) Instrumento de Contrato de Empréstimo e Financiamento; 2) Cópia do extrato da conta corrente mantida na "Sicredi" onde constam: um lançamento de R$ 200.000,00 à crédito da conta corrente relativo à LIBERAÇÃO DO CRÉDITO e, um lançamento de R$ 200.000,00 à débito da mesma conta corrente relativo à RECIBO DE SAQUE; 3) Cópia das páginas 69, 76 e 83 do Livro Diário da empresa J.B. Silva Antonio & Cia. Ltda onde se encontram contabilizadas as operações acima referidas, bem como as liquidações das parcelas "1/36" e "2/36"; 4) Cópia das páginas 16, 30 e 49 do Livro Razão da empresa J.B. Silva Antonio & Cia. Ltda, relativas à mesma contabilização citada no item anterior 5) Cópia da página 30 do livro Razão onde consta a conta terrenos com o respectivo lançamento de aquisição no valor de R$200.000,00; Sobre essa operação imobiliária, a impugnação tece ainda as seguintes considerações: De um lado, a ação fiscal levada a efeito não se dirigiu tão somente ao ora impugnante, mas também à pessoa de seu cônjuge, a contribuinte Geane Cristina Bispo Antonio, CPF 100.398.10895, conforme se constata na folha "4 " do Termo de Verificação Fiscal; De outro lado, temse que, na transação imobiliária considerada na mesma ação fiscal, são partes as pessoas do impugnante, e a pessoa jurídica J. B. Silva Antonio & Cia. Ltda, CNPJ n°. 04.927.399/000101, pessoa jurídica constituída unicamente pelas pessoas de Geane Cristina Bispo Antonio, CPF n°. 100.398.10895, (a ora impugnante) e a pessoa de João Batista da Silva Antonio, CPF n°.725.893.02991, (Cônjuge), participando na sociedade com 0,5% e 95% respectivamente, conforme se comprova pela cópia da Adequação e Consolidação do Contrato Social da empresa, arquivada no Registro do Comércio sob o n°. 20040378888, em 04/02/2004, e constante do incluso anexo II desta. Pedese vênia ao Senhor Julgador para, utilizandose de linguagem leiga e vulgar, afirmar que em realidade a transação se apresenta como sendo "dele" para e com "ele mesmo", e é fato, acrescendose que as pessoas de MICHEL ARON PLATCHEK e sua esposa em realidade, (a Verdade Material) transacionaram com João Batista da Silva Antonio e Fl. 275DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/03/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 seu cônjuge e, também com a pessoa jurídica J.B. da Silva Antonio & Cia. Ltda. A corroborar tal assertiva constatese o contido na página 16 do Livro Razão, a contabilização da transação, descrita no histórico como sendo: "CONFORME CONTRATO LOTE 50C, COM ÁREA DE 4.572,00M2". Ainda, no mesmo sentido, mesmo raciocínio e mesma constatação da Verdade Material, frisese que a própria Autoridade Fazendária já havia constatado a ocorrência de "confusão" entre transações da pessoa física do ora impugnante e transações da pessoa jurídica composta societariamente pelo mesmo impugnante e seu cônjuge, como já se observou aqui, anteriormente, na transcrição do quesito constante na página 147 do PAF, da qual transcrevemos excerto: (...) após a exclusão da movimentação bancária (depósitos e saldos) do demonstrativo de fluxo de caixa, em razão da comprovação de que os recursos movimentados pertenciam a empresa J. B. da Silva & Cia. Ltda (fls 145)." O que aqui se constata, não obteve o mesmo entendimento pela Autoridade Fazendária, no mesmo quesito "4.1 Acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos conhecidos", que entendeu pelo seguinte, (grifamos): “” (...) No que se refere às transações imobiliárias (aquisição e alienação), foram consideradas tanto as declaradas como as não declaradas, desde que corroboradas por escrituras públicas de compra e venda lavradas em Tabelionato de Notas ou no registro da operação efetuado na matrícula do imóvel. Por outro lado, a suposta venda do Lote n° 50 C, que teria sido efetuada em 15.10.2009, foi desconsiderada por não ter sido apresentada comprovação hábil dessa transação. E, se tratando de transação imobiliária temse que a escritura pública, lavrada no Ofício de Notas, quando a lei não dispor em contrário, é documento dotado de fé pública essencial para a validade dos negócios jurídicos que visem a constituição, transferência, modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis de valor superior a 30 salários mínimos, nos precisos termos ao artigo 108 do Código Civil transcrito, como segue.” Senhor Julgador; pelos apontamentos contábeis aqui apresentados resta clara a comprovação da transação levada à efeito, conquanto formalizada de forma discutível. Não se pode ignorar que, ainda, em nossa sociedade pessoas e empresas adotem, por ignorância, desconhecimento e até má orientação, práticas questionáveis em suas atividades. Estamos progredindo com a ajuda de entidades que se empenham no esclarecimento destas pessoas e empresas, destacandose, por Fl. 276DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/03/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10945.000285/201133 Acórdão n.º 2802002.747 S2TE02 Fl. 217 5 exemplo, as atividades desenvolvidas pelo SEBRAE, que muito vem contribuindo na qualificação de nossos empreendedores. Houve sim uma inadequação na forma pela qual se efetivou a alienação ora em comento, o que, entretanto, não impede a verificação e a constatação da referida verdade material que aqui se demonstra, qual seja, o acréscimo patrimonial considerado está cabalmente lastreado em origem lícito não tendo ocorrido a figura da (suposta) omissão de rendimentos. A utilização de instrumento particular pode mostrarse inadequada, contudo não ilícita e, por vezes utilizada tanto pela Administração Pública quanto pelo Judiciário Pátrio. ... Não se consegue aceitar a imputação de omissão de receitas adotada pela Autoridade Fiscal. Não houve nenhuma omissão de receita, sequer houve receita, menos ainda receita presumida, houve sim operação lastreada com recursos de terceiros, lícitos, obtidos em Instituição Financeira, como o aqui já demonstrado e comprovado. A própria Autoridade Fazendária, em ato louvável, no curso do Procedimento Administrativo Fiscal compreendeu e determinou a ocorrência do que aqui de denominou 'confusão' quando, no uso de suas prerrogativas legais, deliberou pela exclusão da movimentação bancária (depósitos e saldos) do demonstrativo de fluxo de caixa, em razão da comprovação de que os recursos movimentados pertenciam a empresa J. B. da Silva & Cia. Ltda. A importância de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais) aqui em comento, por certo, haverá de ter o mesmo tratamento. O contrário irá demonstrar indubitavelmente o enriquecimento sem causa de Fazenda Nacional via tributação de "renda" comprovadamente inexistente. A situação que aqui se apresenta não causou dano a qualquer um dos intervenientes, menos ainda à Fazenda Nacional. O que no caso, e aqui, se denominou de "confusão" não pode ser tomado como ato deliberado, ilícito, intencional ou de simulação, tratou se tão somente de falta de esclarecimento, informação, organização e orientação. A empresa é economicamente saudável, não está em processo de falência, "concordata", ou recuperação judicial. O ocorrido tampouco podese caracterizar pelo abuso do instituto da personalidade jurídica da empresa J. B. da Silva & Cia. Ltda., ao que se poderia cogitar das circunstancias exposta no texto do art. 135 do CTN. A confusão patrimonial poderia se manifestar tanto pela apuração de que bens de titularidade documental da pessoa física foram adquiridos com recursos da pessoa jurídica como, em sentido oposto, de que bens de titularidade documental da pessoa jurídica foram adquiridos com recursos da pessoa física. Serão diferentes as conseqüências tributárias Fl. 277DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/03/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 em cada situação. Atrai o art. 135 somente a primeira situação quando são desviados recursos da pessoa jurídica. Senhor Julgador; não houve desvio de recursos. Ocorreu efetivo e legal empréstimo bancário, (recurso de terceiros), para pagamento em 36 (trinta e seis) parcelas. Não pode prosperar o lançamento. Já no que diz respeito à apuração de omissão de ganho de capital que foi impugnada (item 4.2, letra “a”, do termo de verificação fiscal), alega simplesmente que: Situação idêntica à anterior ocorre no presente quesito. Ou seja, em realidade houve sim a aplicação do produto da venda considerada na Ação Fiscal conforme demonstrado na Declaração de Bens e Direitos constante na Declaração de Ajuste Anual do Exercício 2010, Ano Calendário 2009, mediante a "baixa" do imóvel adquirido pelo valor de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) e a devida e respectiva inclusão do imóvel adquirido pelo valor de R$105.000,00 (cento e cinco mil reais). Ainda, considerada a realidade factual das ocorrências, inequivocamente, constatase que não existiu a omissão de receita considerada no mês de agosto de 2009, bem como não há incidência de tributação sobre o valor do ganho de capital. Houve sim inversão e incorreção de datas consideradas nos recursos e nos dispêndios no exato valor de R$105.000,00 em cada rubrica. Ao final, argumenta que a multa aplicada seria confiscatória e que, além disso, “... o impugnante, em momento algum incorreu nas práticas, ações ou omissões definidas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64 e previstas no artigo 44 da Lei nº9.430,96.” A impugnação foi indeferida pelos fundamentos resumidos na ementa (fls. 236): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente impugnada pelo sujeito passivo. VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. EMPRÉSTIMO CONTRATADO POR PESSOA JURÍDICA POSTERIOR Á AQUISIÇÃO DO BEM. A contratação de empréstimo bancário pela pessoa jurídica da qual o autuado seja sócio majoritário não serve de justificativa da origem dos recursos utilizados pela pessoa física na aquisição de bens imóveis quanto mais quando a contratação do empréstimo é posterior à aquisição do bem. VERDADE MATERIAL. EFEITOS TRIBUTÁRIOS DO NEGÓCIO JURÍDICO. O princípio da Verdade Material não pode ser invocado como suporte para afastar a tributação decorrente de transação imobiliária regular mas não Fl. 278DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/03/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10945.000285/201133 Acórdão n.º 2802002.747 S2TE02 Fl. 218 7 suportada por recursos declarados pelo contribuinte ao argumento de que, no caso, estaria havendo simples confusão entre o patrimônio da pessoa física com o patrimônio da pessoa jurídica da qual é sócio majoritário. GANHO DE CAPITAL. ISENÇÃO. INOCORRÊNCIA. O gozo de isenção tributária está condicionado ao preenchimento, pelo contribuinte, de todos os requisitos que a lei determina para fruição do benefício, sem o que a deve suportar o ônus da tributação aplicável à generalidade dos contribuintes. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Impugnação Improcedente A ciência do acórdão ocorreu em 05/06/2012 e o recurso voluntário foi interposto no dia 25/06/2012 (fls. 256 e ss). No voluntário a recorrente : · Invocando a consideração do Princípio da Verdade Material e com os mesmos argumentos apresentados na fase impugnatória, reitera que a origem dos recursos R$ 200.000,00 (duzentos mil reais), utilizados na para aquisição do Lote Urbano n°. 50 foi um empréstimo bancário, (recurso de terceiros), para pagamento em 36 (trinta e seis) parcelas. Os documentos comprobatórios da referida transação já foram apresentados na impugnação. · Ratifica os argumentos apresentados na impugnação para infração relativa a omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos, no valor de R$31.891,56 em 30/11/2009 e para a multa de ofício aplicada. É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Analisandose a planilha de fls. 146, constatase que a variação patrimonial a descoberto decorre da consideração das seguintes aquisições no mês de agosto de 2009 . 1. Veículo Saveiro 1.6, placas AKE0049– R$ 20.000,00; Fl. 279DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/03/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 2. Lote Urbano nº 404. mat. 64.013 – R$ 105.000,00; 3. Lote Urbano nº 50, mat. 23.605 – R$ 200.000,00; 4. Veículo Ford, placa APS 1086 – R$ 30.000,00. Ressalto que a planilha referese a variação patrimonial da interessada e seu cônjuge João Batista da Silva Antonio CPF 725.893.02991, sendo esta a razão do valor de R$152.793,43, apurada em nome do recorrente., ou seja 50% do valor de R$305.586,86 Acréscimo patrimonial a descoberto apurado no mês de agosto de 2009), fls 146. Em primeira instância foi considerado como matéria não impugnada a omissão do ganho de capital no valor de R$8.546,00 apurada em 31/12/2009. Assim também foi considerada como não impugnada em primeira instância a origem de recursos para a aquisição dos seguintes bens do casal:a) Veículo Saveiro 1.6, placas AKE0049– R$ 20.000,00; b)Lote Urbano nº 404. mat. 64.013 – R$ 105.000,00 e ; c) Veículo Ford, placa APS 1086 – R$ 30.000,00. Destarte, o recurso voluntário gira em torno da variação patrimonial a descoberto no valor de R$75.293,43, omissão de ganho de capital obtido na alienação de bens e direitos, R$31.891,56 apurada em 30/11/2009 e a Multa de Ofício de 75%, aplicada sobre o Imposto de Renda apurado no Auto de Infração em questão. No voluntário a contribuinte apenas ratifica as alegações apresentadas em primeira instância, nenhum novo elemento foi juntado aos autos Importante ressaltar que a tributação do acréscimo patrimonial a descoberto está especificada no Decretonº 3.000/1999(Regulamento do Imposto de Renda –RIR/1999), arts. 55, XIII, 806 e 807 (Leis nºs 4.069/1962, arts.51, § 1º, e 52 e 7.713/1988, arts.3º § 4º): Art.55. São também tributáveis (Lei n° 7.713/88, art. 3°, §4°); (...) XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente,quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, nãotributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. (...) Art. 806. A autoridade fiscal poderá exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessários acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações,sempre que as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição do patrimônio (Lei n° 4.069/1962,art.51,§ 1°). Art.807.O acréscimo do patrimônio da pessoa física está sujeito à tributação quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de Fl. 280DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/03/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10945.000285/201133 Acórdão n.º 2802002.747 S2TE02 Fl. 219 9 bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo se o contribuinte provar que aquele acréscimo teve origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte.(Lei n° 4.069/1962, art. 52)" A jurisprudência administrativa é pacífica no tocante à necessidade de provas concretas com o fim de se elidir a tributação erigida por acréscimo patrimonial injustificado, conformeAcórdãosemanadosdoentãoConselhodeContribuintes,aseguircolacionados. PROVAA tributação de acréscimo patrimonial não justificado pelo total dos rendimentos auferidos pelo contribuinte, só pode ser elidida por meio de prova em contrário. (Ac. 10612485, sessão de 23/01/2002) VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO PROVA DOS RECURSOS O afastamento da variação patrimonial a descoberto somente é possível se há prova inequívoca do ingresso dos recursos (Ac.10612203, sessão de 19/09/2001). IRPF ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO A tributação de acréscimo patrimonial não compatível com os rendimentos declarados, tributáveis ou não, só pode ser elidida mediante prova em contrário. (Ac. 10242582, sessão de 12/12/1997). Verificase, portanto, que a variação patrimonial a descoberto é matéria cujo ônus da prova foi transferido para o contribuinte, por presunção legal,uma vez que a prova de infração fiscal pode ser realizada por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes,sendo,outrossim,livre a convicção do julgador na apreciação das provas, de conformidade com os arts.131 e 332 do Código de Processo Civil,e o art. .29 do Decreto nº 70.235,de1972. Em seu recurso o litigante aduz que a origem dos recursos R$ 200.000,00 (duzentos mil reais), utilizados na para aquisição do Lote Urbano n°. 50 foi um empréstimo bancário, (recurso de terceiros), para pagamento em 36 (trinta e seis) parcelas. Os documentos comprobatórios da referida transação já foram apresentados na impugnação. Assim passo a analisar os documentos apresentados pelo contribuinte como comprobatórios da origem dos recursos para a aquisição do lote ao Lote nº 50C, matrícula 23.605, no valor de R$ 200.000,00. · Fls 92 está a certidão de registro da escritura pública de compra e venda , dando conta que em 20/08/2009, o Sr. João Batista Antônio, adquiriu do Sr. Michey Aron Platchek e sua esposa, o imóvel constituído de : Lote nº 50C, da sub divisão do lote nº 50, do Imóvel Foz do IguaçuParte I, situado em foz do Iguaçu, com área de 4.572,00 m2, contendo como benfeitoria uma construção parcial com 1.094,84 m2, de área construída em alvenaria para fins comerciais, devidamente registrada sob nº 23.605, do livro 02, do Cartório de 1º Fl. 281DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/03/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 Ofício de Imóveis da Comarca de Foz do Iguaçu, sendo que o preço pago pelo comprador foi R$200.000,00 (Duzentos Mil Reais), pagos integralmente em moeda corrente do pais. · Fls. 95, Contrato Particular de Compra e Venda de Imóvel, celebrado em 15 de outubro de 2009, entre o vendedor ,JOÃO BATISTA DA SILVA ANTÔNIO e o comprador JB DA SILVA ANTONIO & CIA LTDA ME , tendo como objeto a alienação do Lote nº 50 C, pelo preço total R$200.000,00 pagos pela compradora ao vendedor, no ato da assinatura do contrato em moeda corrente do pais. · Fls 152 Demonstrativo de Ganho de Capital relativo a alienação do imóvel lote urbano de nº 50, adquirido em 20/08/2009 por R$200.000,00 e vendido em 15/10/2009 para JB DA SILVA ANTONIO E CIA LTDA, por R$200.000,00. · FlS 211 está uma cédula de crédito bancário Nº A960308407, no valor de R$200.000,00, emitida em nome do associado J.B DA SILVA ANTÔNIO & CIA LTDA CNPJ 04.927.399/00001, cujos avalistas são JOÃO BATISTA DA SILVA ANTÔNIO E GEANE CRISTINA BISPO ANTÔNIO.Ressalto que tratase de um crédito concedido a Pessoa Jurídica, J.B DA SILVA ANTÔNIO & CIA LTDA, em 13 de outubro de 2009, que teve como garantia do adimplemento dos compromissos assumidos pela pessoa jurídica em questão, a hipoteca do lote urbano número 50c da sub divisão do lote nº 50, do imóvel sob a matrícula nº 23605 de propriedade do Sr. João Batista da Silva. Assim, da análise dos documentos acima citados, firmo idêntico entendimento manifestado no acórdão recorrido, onde naquela decisão restou demonstrado de forma escorreita e fundamentada que o empréstimo, contratado junto à instituição financeira denominada Coop. Créd. Livre Adm. Cataratas do Iguaçu " SICREDI", no valor de R$200.000,00, foi contraído pela pessoa jurídica e não pela pessoa física, seja porque a contratação do empréstimo é posterior à aquisição do imóvel, não há como acatar a tese da defesa, devendo ser mantida a autuação integralmente quanto a esta matéria.,pelo que adoto neste voto, in totum, as razões de decidir postas naquele julgado em relação a esta demanda suscitada pela recorrente. Apenas para ilustrar, pelo Princípio Contábil da Entidade, a partir da aquisição da personalidade jurídica é que se pode ter início a Escrituração Contábil da sociedade. O Princípio da Entidade versa sobre a separação dos patrimônios da empresa e de seus respectivos sócios ou proprietários, fazendo com que os atos e fatos ocorridos no patrimônio daquela sejam registrados de forma autônoma ao patrimônio destas. Essa conclusão podemos extrair da leitura do artigo 4º da Resolução CFC nº 750/1993,in verbis Seção I O Princípio da Entidade Art. 4º O Princípio da Entidade reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, Fl. 282DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/03/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10945.000285/201133 Acórdão n.º 2802002.747 S2TE02 Fl. 220 11 um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Por conseqüência, nesta acepção, o patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição. Parágrafo único O Patrimônio pertence à Entidade, mas a recíproca não é verdadeira. A soma ou agregação contábil de patrimônio autônomos não resulta em nova Entidade, mas numa unidade de natureza econômico contábil. DA OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL IMPUGNADA · Casa sobre o lote nº 546, situada na cidade de Foz do Iguaçu, PR, matrícula nº 33.333. Imóvel adquirido em 16.01.2004, por R$20.00 e alienado em 27/11/2009 por R$105.000,00. Conforme consta no voto de primeira instância, se consultarmos a relação de bens e direitos que consta da declaração de ajuste de 2010 (fls. 22 dos autos), verificaremos que o Lote urbano nº 546 que em 31/12/2008 ali constava pelo valor declarado de R$ 20.000,00, foi baixado no ano base e, logo em seguida, houve a inclusão do lote urbano nº 404, pelo exato valor de R$ 105.000,00. Assim também, devese registrar que a contribuinte era na época proprietária de outros imóveis, não fazendo jus à isenção na venda do único imóvel prevista no artigo 23, da Lei n° 9.250/95 (único imóvel). Também não há comprovação de que o produto da venda tenha sido aplicado na aquisição de outro imóvel residencial no prazo de 180 dias. Assim, tampouco faz jus a isenção prevista no artigo 39, da Lei 11.196/2005. Destarte, entendo correto o Demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital, fls. 124, que apurou um ganho de capital no valor total de R$63.783,12, eis que se trata de bens comuns em virtude do regime de comunhão parcial de bens adotado pela contribuinte no casamento, para fins de tributação foi atribuído a cada um dos cônjuges 50% do ganho apurado. No presente caso cabe a recorrente tributar a título de ganho de capital o valor de R$31.891,56 sendo o imposto de R$4.783,73. (R$31.891,56 X 15%= R$4.783,73). DA MULTA APLICADA Sobre o percentual de 75% da multa de ofício, que foi aplicada conforme disposto no art. 44 da Lei nº9.430, de 27 de dezembro de 1996, o recorrente afirma ser confiscatório. Vale dizer que o exame da obediência das leis tributárias aos princípios constitucionais é matéria que não deve ser abordada na esfera administrativa,conforme infere se da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção1, de 22/12/2009: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/03/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 12 Como se vê, os julgamentos administrativos não contemplam o exame de constitucionalidade de leis tributárias,de sorte que não será neste voto apreciada a alegação do recorrente de ofensa ao princípio constitucional de não confisco. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite : Fl. 284DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/03/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 15954.000002/2006-09
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
Em se tratando de discussão limitada a critérios distintos de valoração de prova e, assim, não restando caracterizada a existência de divergência jurisprudencial, não há de ser conhecido o recurso especial interposto para a uniformização de interpretação de legislação tributária.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.019
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício)
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator
EDITADO EM: 13/03/2014
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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DESPESAS MÉDICAS. Em se tratando de discussão limitada a critérios distintos de valoração de prova e, assim, não restando caracterizada a existência de divergência jurisprudencial, não há de ser conhecido o recurso especial interposto para a uniformização de interpretação de legislação tributária. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício) (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 4. 00 00 02 /2 00 6- 09 Fl. 223DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/2 014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 15954.000002/200609 Acórdão n.º 9202003.019 CSRFT2 Fl. 205 2 EDITADO EM: 13/03/2014 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de Recurso Especial (fls. 179 a 184), interposto pela Fazenda Nacional, através de seu representante legal, com fulcro no art. 67 do Regimento Interno deste CARF (RICARF), em face de acórdão no 220200.832, proferido pela 2a Turma Ordinária da 2a Câmara da 2a Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 19 de outubro de 2010 (fls. 174/175). O acórdão guerreado encontrase assim ementado : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA Exercício:2001 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Poderão ser deduzidas da base de cálculo as despesas médicas do contribuinte e de seus dependentes devidamente comprovadas. A dedução limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu. É lícita a inversão do ônus da prova, determinando que o contribuinte prove a efetividade da prestação dos serviços e o correspondente pagamento pelas despesas médicas e afins, para fins de dedutibilidade do IRPF. Porém, em sendo apresentadas provas pelo contribuinte que permitam identificar a prestação de serviços e o pagamento, o ônus da prova da inidoneidade de tais documentos caberá ao Fisco, já que a ele aproveita a contraprova do fato constitutivo de seu direito ao crédito tributário refletido no lançamento. Recurso provido. Decisão unânime constante do referido acórdão, da seguinte forma: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Alega o representante da Fazenda, em sede recursal, divergência interpretativa caracterizada em relação à interpretação conferida, em caso análogo, tanto pela Sexta Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes (Acórdão Paradigma no 106 15.445) como pela Segunda Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, agora através do Acórdão Paradigma no 10243.935. Quanto à matéria objeto do Recurso, alega, especificamente que no primeiro Acórdão Paradigma, de no 10615.445, se estabelece que, para fins de dedução do IRPF, há necessidade do contribuinte comprovar a efetividade da despesa médica, com a apresentação das provas de saída dos recursos e de destinação coincidente com o fim utilizado, sempre que solicitado pelo Fisco, restando inservíveis mero recibos. Transcreve, a propósito, às Fls. 180 e Fl. 224DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/2 014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 15954.000002/200609 Acórdão n.º 9202003.019 CSRFT2 Fl. 206 3 180v. a ementa do referido acórdão e trecho do voto vencedor de lavra do Relator, colacionando a seguir posicionamento igualmente esposado pela ementa do acórdão Paradigma de no 10243.935. Reproduz a legislação tributária aplicável à matéria, a saber, o art. 8o da Lei no 9.250, de 26 de dezembro de 1995, em seu caput e incisos I e II, alínea "a" e o art. 73 do Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), em seu caput e §1o. Ressalta a possibilidade de exigência, pelo Fisco, de documentos adicionais para a comprovação da efetividade do tratamento e do real desembolso pelo contribuinte, sem os quais o recibo não é bastante para justificar o abatimento. Propugna pela inexistência, no julgado ora recorrido, de qualquer prova documental idônea da efetividade do tratamento médico e reembolso, devendo, assim, o lançamento ser restabelecido em sua integralidade. Recurso regularmente admitido consoante Despacho de fls. 185 a 187. Ciência ao Contribuinte do teor do acórdão questionado e do Recurso Especial da Fazenda Nacional em 23/08/2011. Contrarazões do contribuinte às fls. 190 a 201, onde são trazidas a colação decisões oriundas da 2a Câmara do 2a Seção deste CARF (Acórdão no 220100.976) e da mesma 6a Câmara do então 1o Conselho de Contribuintes (Acórdão no 10615.532), que propugnam pela suficiência de recibos e declarações dos profissionais (ratificando a prestação dos serviços), para fins de dedutibilidade de despesas médicas na declaração de IRPF. Ressalta cumprirem todos os recibos apresentados o requisito constante do art. 80, §1 o, inciso III, do mesmo RIR/99, sendo que, pelo teor do artigo, a indicação do cheque nominativo só pode ser exigida na falta de documentação comprobatória. Alega ter o Fisco presumido a inidoneidade dos recibos e declarações apresentados, sem que tenha logrado êxito na comprovação de tal inidoneidade, cabendo ao Fisco o ônus da prova para fins de constituição do crédito tributário aqui em litígio, trazendo lições doutrinárias acerca do tema, bem como Decisão do então 1o Conselho de Contribuintes suportando tal argumentação (Acórdão no 10610.859). Alega, por fim, a necessidade de aplicação do princípio da boafé, suportada por jurisprudência administrativa deste Conselho (Acórdão no 220100.976), caracterizandose a conduta fiscal em presunção de máfé pela Recorrente. Requer, assim, que seja declarado improcedente o lançamento tributário. A título informativo, consta o auto de infração objeto do presente processo formalizado (acompanhado de seus demonstrativos) às fls. 121 a 128 do presente, com os elementos probatórios de interesse principal às fls. 60 a 62 e 82 a 87. Impugnação do contribuinte constante de fls. 01 a 25, com decisão de 1a instância às fls. 141 a 148 e posterior Recurso Voluntário a este CARF constante das fls. 151 a 171. É o relatório. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/2 014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 15954.000002/200609 Acórdão n.º 9202003.019 CSRFT2 Fl. 207 4 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Tratase de recurso especial da Fazenda Nacional para discutir o provimento a recurso voluntário de iniciativa da contribuinte, através de acórdão de fl. 174/175. Preliminarmente, sou obrigado a divergir do despacho que admitiu o recurso especial. Verifico convergirem o acórdão recorrido e o paradigma quanto à possibilidade de exigência, pelo Fisco, de documentação que comprove a efetividade da prestação dos serviços e o correspondente pagamento pelas despesas médicas e afins, para fins de dedutibilidade do IRPF. A propósito, salientese que na ementa do 1o acórdão paradigma consta haver falta de comprovação: IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS GLOSA . Cabe ao sujeito passivo a comprovação, com documentação idônea, da efetividade da despesa médica utilizada como dedução na declaração de ajuste anual. A falta da comprovação permite o lançamento de oficio do imposto que deixou de ser pago. Tal ementa é melhor esclarecida nos termos do voto condutor vencedor, que entende ser necessário o preenchimento de requisitos formais e comprovação da despesa, expressis verbis: Tão importante quanto o preenchimento dos requisitos formais do documento comprobatório da despesa, é a constatação da efetividade do pagamento direcionado ao fim indicado. Isto quer dizer que os documentos relacionados às despesas permitidas como dedução da base de cálculo do imposto sobre a renda não representam uma presunção absoluta e inquestionável, pois, sempre que necessário, a autoridade tributária poderá exigir do si jeito passivo a comprovação da sua efetividade. Comprovar a efetividade da despesa não é simplesmente apresentar os documentos que lastreiam a dedução. É mais do que isso: na comprovação da efetividade do gasto, devem ser apresentadas as provas da saída dos recursos e a destinação coincidente com o fim utilizado. Comparando tal ementa com a do acórdão guerreado, verifico que, em ambos os acórdãos, admitese a necessidade de apresentação pelo contribuinte, de documentação idônea que comprove a efetiva prestação do serviços e o pagamento pelas despesas médicas. O que há, efetivamente, é uma discussão quanto à valoração da prova do processo: (a) no recorrido, o colegiado entendeu que os recibos apresentados traziam elementos suficientes para identificar os serviços prestados e os pagamentos; e (b) no paradigma, entendeuse que, no caso, seria necessária prova de saída dos recursos e destinação coincidente com o fim utilizado. Por sua vez, encontrase o 2o acórdão paradigma assim ementado: Fl. 226DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/2 014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 15954.000002/200609 Acórdão n.º 9202003.019 CSRFT2 Fl. 208 5 Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de um simples recibo, sem vinculação do pagamento ou a efetiva prestação de serviços. Essas condições devem ser comprovadas quando restar dúvida quanto à idoneidade do documento. A propósito, faço notar que, no caso do acórdão recorrido, o colegiado entendeu não restar dúvida quanto à identificação da prestação dos serviços e o pagamento, em vista das provas apresentadas pelo contribuinte e à idoneidade da documentação apresentada, conforme voto de Fl. 175 do Conselheiro Relator, adotado unanimemente pela turma julgadora. Portanto, voto por não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 227DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/2 014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES
score : 1.0
Numero do processo: 13609.000334/2003-37
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
RECAUCHUTAGEM OU RECAPAGEM DE PNEUS PARA CONSUMO DE DESTINATÁRIO ENCOMENDANTE. EXCLUSÃO DO CONCEITO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IPI.
Atividade de recauchutagem ou recapagem de pneus quando efetuada exclusivamente para consumo final do destinatário encomendante, tem-se como excludente do conceito de industrialização, inteligência do art. 5º, inciso XI, do RIPI/1998 - ou do RIPI/2002.
Logo, não há direito ao ressarcimento de que trata o art. 11 da Lei nº 9.779/99, tendo em vista tratar-se de pedidos formulados por pessoa jurídica não contribuinte desse imposto.
O regime da não-cumulatividade do IPI permite o creditamento referente ao
tributo incidente sobre as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem que integram o produto ou sejam
consumidos no processo de industrialização, o que não é o caso. Recurso Voluntário ao qual se nega.
Numero da decisão: 3802-002.874
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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EXCLUSÃO DO CONCEITO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IPI. Atividade de recauchutagem ou recapagem de pneus quando efetuada exclusivamente para consumo final do destinatário encomendante, temse como excludente do conceito de industrialização, inteligência do art. 5º, inciso XI, do RIPI/1998 ou do RIPI/2002. Logo, não há direito ao ressarcimento de que trata o art. 11 da Lei nº 9.779/99, tendo em vista tratarse de pedidos formulados por pessoa jurídica não contribuinte desse imposto. O regime da nãocumulatividade do IPI permite o creditamento referente ao tributo incidente sobre as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem que integram o produto ou sejam consumidos no processo de industrialização, o que não é o caso. Recurso Voluntário ao qual se nega. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 03 34 /2 00 3- 37 Fl. 280DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG. Trata o presente processo a DCOMP, formalizada pela contribuinte onde se pretendeu a extinção de débitos, apontando crédito originário de Ressarcimento de IPI apurado no trimestre referido na ementa, com base no art. 11 da Lei nº 9.779/99 e IN SRF nº 33/99. A Fiscalização verificou tratarse de empresa que “realiza serviços de recapagem ou recauchutagem de pneus, trabalhando sempre por encomenda de seus clientes, isto é, a empresa não compra as carcaças de pneus para revendêlas após o recondicionamento, mas executa as reformas nas carcaças fornecidas pelos próprios clientes, sob encomenda. Além disso, a fiscalizada trabalha somente com consumidor final, sem atender a comerciantes de pneus”. Acrescentou, ainda, a autoridade fiscal que “pelo Livro Registro de Saídas ... verificase que todas as notas fiscais ali registradas são de prestação de serviços” e que “toda a receita consignada no Livro Razão provém da prestação de serviços ou são receitas financeiras ou recuperação de algum tipo de despesa”. Destacouse, ainda, no Relatório Fiscal, que o contrato social da empresa e alterações posteriores indica que o objeto social é o “serviço de reforma e conserto de pneus em geral”. Concluindo que o estabelecimento não se caracteriza como industrial, pois as operações que realiza não se distinguem como industrialização, conforme o art. 4º do RIPI/1998 e o inciso XI do art. 5º1 do mesmo regulamento [que exclui as operações ali indicadas do conceito de industrialização]. Logo, indicou o indeferimento dos pedidos de ressarcimento, “por ineficácia dos mesmos, tendo em vista tratarse de pedidos formulados por pessoa jurídica não contribuinte do imposto”. Assim sendo, foi proferido Despacho Decisório com base nas constatações contidas no Relatório Fiscal, ou seja, indeferindo o direito creditório e não homologando a DCOMP. Argumenta na manifestação de inconformidade, o seguinte: alega que o relatório de auditoria fiscal distorce a aplicação da legislação e omite partes do processo industrial, ao procurar descaracterizar a industrialização exercida sobre produto usado, deteriorado ou inutilizado renovando ou restaurando o produto para utilização, nos termos do inciso V do art. 4º do RIPI/1998; 1 Art. 5º Não se considera industrialização: XI o conserto, a restauração e o recondicionamento de produtos usados, nos casos em que se destinem ao uso da própria empresa executora ou quando essas operações sejam executadas por encomenda de terceiros não estabelecidos com o comércio de tais produtos, bem assim o preparo, pelo consertador, restaurador ou recondicionador, de partes ou peças empregadas exclusiva e especificamente naquelas operações (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, inciso I); Fl. 281DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13609.000334/200337 Acórdão n.º 3802002.874 S3TE02 Fl. 281 3 pondera que descaracterizada estaria a industrialização se estivesse consertando um pneu que ainda possui vida útil mas que necessite de reparo (como numa borracharia) e o devolvendo ao cliente, o que não é o caso, haja vista que o pneu “reformado”, antes da reforma, não possuía mais vida útil; destaca o conceito de pneu ou pneumático reformado dado pelo art. 2º, III da Resolução nº 258/99, do CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente: “todo pneumático que foi submetido a algum tipo de processo industrial com o fim específico de aumentar sua vida útil de rodagem em meios de transporte, tais como recapagem, recauchutagem ou remoldagem, enquadrandose, para efeitos de importação, no código 4012.10 da Tarifa Externa Comum – TEC”; argumenta que o pneu recauchutado é um produto novo, classificado na NCM 40.12 – Pneumáticos recauchutados ou usados de borracha; protetores, bandas de rodagem para pneumáticos e ‘flaps’ de borracha – à qual é atribuída alíquota zero, enquanto que os pneus novos classificamse na NCM 40.11 – Pneumáticos novos, de borracha; acrescenta que “tem sua atividade principal classificada de acordo com o CNAE 2.0 enquadrada na subclasse 22.12.9.00 – ‘REFORMA DE PNEUMÁTICOS USADOS’, que pertence à seção C – ‘INDUSTRIAS DE TRANSFORMAÇÃO’, divisão 22 – ‘FABRICAÇÃO DE PRODUTOS DE BORRACHA E DE MATERIAL PLÁSTICO’, grupo 221 – ‘FABRICAÇÃO DE PRODUTOS DE BORRACHA’ e classe 22129 – ‘REFORMA DE PNEUMÁTICOS USADOS’” e conclui que “caso a reforma de pneumáticos usados não fosse uma atividade industrial a CONCLA – Comissão Nacional de Classificação, responsável pelas normas de utilização e padronização das classificações estatísticas nacionais, teria colocado esta atividade em outra seção que não fosse a seção C que contempla apenas as atividades das INDUSTRIAS DE TRANSFORMAÇÃO”; pondera que houve afronta à jurisprudência do Conselho de Contribuinte que afirma que o recondicionamento é um processo de industrialização, nos termos do Acórdão 20208348, de 20/03/1996; contesta a conclusão da autoridade fiscal no sentido de que a atividade exercida não caracteriza industrialização e afirma que a atividade de recauchutagem é efetiva industrialização na medida em que aperfeiçoa o produto para consumo, nos termos do conceito dado pelo § único do art. 46 do CTN; menciona ainda que não pode ser considerado oficina seja pelo número de empregados (em média 25), seja pelo parque industrial (dotado de diversos equipamentos de potência superior ao limite fixado pela lei), seja pela utilização de mãodeobra que representa cerca de 15% do custo do produto final; cita a Solução de Consulta DISIT/SRRF/10ª RF nº 245, de 18/12/2007, que conclui que as atividades de recapagem, recauchutagem e recondicionamento de pneus usados configuram operações de industrialização, sendo irrelevante ou não a incidência do ISS, excepcionando, de tal conceito de industrialização quando tais atividades forem realizadas por encomenda direta do consumidor ou usuário na residência do preparador ou oficina com preponderância do trabalho profissional; menciona estar juntando, por amostragem, cópias de notas fiscais de entrada e de saída de 1999 e 2001 [que na realidade compõem o ANEXO I do processo nº 13609.000326/200391] por meio das quais pretende demonstrar que é falso afirmar que todos os clientes fornecem as carcaças para a recauchutagem; Fl. 282DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 pede, ao final, seja declarada a insubsistência do indeferimento do pedido de ressarcimento e da nãohomologação da compensação. A DRJ solicitou diligência para verificar a existência, no período a que se refere o pleito, de saídas para terceiros encomendantes estabelecidos com o comércio dos produtos recondicionados pela empresa, ou seja, caso em que a operação de recondicionamento não estaria excluída do conceito de industrialização, e que não se aplicaria, pois, o disposto no inciso XI do art. 5º do RIPI/1998 e, se for o caso, apurar o valor dos créditos passíveis de ressarcimento. Concluiuse que: i não houve saídas de produtos a terceiros encomendantes que sejam estabelecidos com o comércio de produtos recondicionados, segundo informação do próprio contribuinte; ii verificando os livros apresentados pelo contribuinte constatamos que este realizou corretamente o estorno dos créditos pleiteados. Empresa foi cientificada e reforça os argumentos da manifestação de inconformidade no sentido de reconhecimento imediato da atividade industrial do contribuinte, pois que sua produção de pneumáticos recauchutados é diferente dos pneumáticos novos, conforme tabela do IPI; que sua atividade não se confunde com a atividade de borracharia que faz remendos e reparos em pneus danificados restabelecendo sua condição de uso; que a carcaça é utilizada como matériaprima no processo industrial que entrega um produto novo, ou seja, pneu recauchutado, produto este diferente do pneumático novo. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, ou seja, o julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, no sentido de manter a não homologação da compensação, por falta de direito creditório, nos seguintes termos: RECAUCHUTAGEM DE PNEUS SOB ENCOMENDA DE CONSUMIDOR FINAL. EXCLUSÃO DO CONCEITO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IPI. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. O direito ao ressarcimento de que trata o art. 11 da Lei nº 9.779/99 decorre do saldo credor do IPI incidente na aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos que estejam dentro do campo de incidência do imposto, o que não ocorre quando a atividade de recauchutagem ou regeneração de pneus é efetuada exclusivamente para consumo final do destinatário encomendante [excludente do conceito de industrialização, na forma do art. 5º, inciso XI, do RIPI/1998 ou do RIPI/2002], situação esta não afastada pela interessada, mediante apresentação de provas documentais, quando da apresentação da manifestação de inconformidade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO I COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INDEFERIDO. NÃO HOMOLOGAÇÃO A permissão para a compensação de débitos tributários somente se dá com créditos líquidos e certos, conforme art. 170 do CTN. Uma vez indeferido o direito creditório indicado pela interessada para compensar os débitos objeto das DCOMPS em análise, cabe a não homologação das compensações sob exame. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Portanto, o julgamento foi no sentido de não acolher a pretensão pela falta de liquidez e certeza do aludido crédito de ressarcimento. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13609.000334/200337 Acórdão n.º 3802002.874 S3TE02 Fl. 282 5 Regularmente cientificado do Acórdão proferido, a recorrente, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Enfatiza que coleta carcaça e entrega pneus usados. O resultado é pneu reformado destituído de qualquer marca. Argumenta que o julgamento da 1 ª decisão deve ser nulo, inclusive por inovar, quando do pleito de diligência realizado. O processo digitalizado foi redistribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente de indeferimento do direito creditório decorrente da constatação, pela Fiscalização, de que a empresa realiza os serviços de recapagem ou recauchutagem de pneus por encomenda de seus clientes, que se tratam de consumidores finais e não de comerciantes de pneus. Dessa forma, afasta a atividade realizada pela empresa do conceito de industrialização prescrito no art. 4º, V2, do RIPI/1998 (renovação ou recondicionamento) e a enquadra na hipótese de exclusão de tal conceito indicada no art. 5º, XI3, do mesmo regulamento. Inicialmente, observase que o objeto social é o serviço de reforma e conserto de pneus em geral. Consta no Relatório de Auditoria Fiscal, tratarse de empresa que “realiza serviços de recapagem ou recauchutagem de pneus, trabalhando sempre por encomenda de seus clientes, isto é, a empresa não compra as carcaças de pneus para revendêlas após o recondicionamento, mas executa as reformas nas carcaças fornecidas pelos próprios clientes, sob encomenda. Além disso, a fiscalizada trabalha somente com consumidor final, sem atender a comerciantes de pneus”. 2 Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): V a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). 3 Art. 5º Não se considera industrialização: XI o conserto, a restauração e o recondicionamento de produtos usados, nos casos em que se destinem ao uso da própria empresa executora ou quando essas operações sejam executadas por encomenda de terceiros não estabelecidos com o comércio de tais produtos, bem assim o preparo, pelo consertador, restaurador ou recondicionador, de partes ou peças empregadas exclusiva e especificamente naquelas operações (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, inciso I); Fl. 284DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Bem como “pelo Livro Registro de Saídas (....) verificase que todas as notas fiscais ali registradas são de prestação de serviços” e que “toda a receita consignada no Livro Razão provém da prestação de serviços ou são receitas financeiras ou recuperação de algum tipo de despesa”. A questão resumese se o estabelecimento exerce atividade de industrialização, ou a atividade encontrase afastada do conceito de industrialização, por conta de estar inserida na exclusão do conceito de industrialização. Antes de adentrar no mérito, argumenta a recorrente que houve inovação, quando do pedido de diligência pela DRJ. Transcrevo passagem do texto motivador da mesma pela decisão a quo: Contrapondo a motivação do indeferimento com a demonstração, pela requerente, mediante notas fiscais de saída apresentadas por amostragem, da existência de saídas para terceiros que, pela atividade exercida [comércio varejista ou atacadista de pneumáticos e câmaras de ar], s.m.j, tratamse de pessoas jurídicas estabelecidas com o comércio dos produtos por ela recondicionados, entendeu esta Relatora pela necessidade de retorno do processo à DRF de origem, em diligência, para verificar a existência, no período a que se refere o pleito, de saídas para terceiros encomendantes estabelecidos com o comércio dos produtos recondicionados pela contribuinte [caso em que a operação de recondicionamento não estaria excluída do conceito de industrialização, não se aplicando, pois, o disposto no inciso XI do art. 5º do RIPI/1998] e, se fosse o caso, apurar o valor dos créditos passíveis de ressarcimento. Em resposta à diligência, conclui a fiscalização que (já relatado, inclusive): não houve saídas de produtos a terceiros encomendantes que sejam estabelecidos com o comércio de produtos recondicionados, segundo informação do próprio contribuinte; verificando os livros apresentados pelo contribuinte constatamos que este realizou corretamente o estorno dos créditos pleiteados. A recorrente foi cientificada e, inclusive, apresentou razões adicionais de defesa, no sentido de reconhecer a sua atividade industrial, uma vez que sua produção de pneumáticos recauchutados é diferente dos pneumáticos novos, conforme tabela do IPI; que sua atividade não se confunde com a atividade de borracharia que faz remendos e reparos em pneus danificados restabelecendo sua condição de uso; que a carcaça é utilizada como matéria prima no processo industrial que entrega um produto novo, ou seja, pneu recauchutado, produto este diferente do pneumático novo. De pronto, afasto as alegações da recorrente, pois não houve inovação nos autos, tampouco cerceamento de defesa; não ensejando nulidade de julgamento e sim pleito para esclarecimentos adicionais para convencimento do julgador. Passando ao mérito, a recorrente apresentou, através das cópias de notas fiscais de entrada e de saída de 1999 e 2001, anexadas por amostragem (ANEXO I do processo nº 13609.000326/200391) e informa que não trabalha somente por encomenda de clientes consumidores finais, mas, que adquire as carcaças de pneus de diversos fornecedores, executa a operação de recondicionamento, e revende o produto a uma terceira pessoa (distinta do fornecedor das carcaças). Fl. 285DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13609.000334/200337 Acórdão n.º 3802002.874 S3TE02 Fl. 283 7 Em análise das notas fiscais de saída apresentadas, notase, no Quadro Dados Adicionais, Campo Informações Complementares, a indicação do número da Nota Fiscal de Entrada. Este fato configura a situação do art. 5º, inciso XI, na forma do art. 333, IV, § 1º, do RIPI/2002 [art. 310, IV, §1º no RIPI/1998], ou seja: Art. 333. A Nota Fiscal, modelos 1 ou 1A, será emitida: IV na saída, em restituição, do produto consertado, restaurado ou recondicionado, nos casos previstos no inciso XI do art. 5º; § 1º Da nota fiscal prevista no inciso IV do caput constará a indicação da nota fiscal emitida, pelo estabelecimento, por ocasião do recebimento do produto. [destaques da Relatora]. Consta da maioria das notas fiscais de saída apresentadas, a indicação do CFOP 5.99 e a descrição da natureza da operação “Reformas”. Algumas poucas apresentam o CFOP 6.99, com descrição de operação “Reformas fora do Estado”. A apresentação das notas fiscais não logrou êxito em contrapor a conclusão da autoridade fiscal no sentido de que a atividade encontrase afastada do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5º, inciso XI, do RIPI/2002 [ou do RIPI/1998]. Ao contrário, a emissão das notas fiscais de saída da forma mencionada revela que ela dá saída aos produtos recondicionados para o próprio autor da encomenda, para uso deste, ou seja, o encomendante é o consumidor final do produto, não o revende, enquadrando a atividade exercida, portanto, como prestação de serviços sujeita somente ao ISS. A decisão a quo, menciona dois Pareceres que esclarecem, em termos de conceituação do que seja operação de recauchutagem, bem como a destinação do produto é determinante se a operação é tributada ou não pelo IPI, isto é, se está enquadrada ou não no conceito de industrialização, conforme: O PARECER NORMATIVO CST nº 299/70, que dispõe: A recauchutagem de pneus, operação consistente em restaurar ou recapear os pneus usados, de forma a restaurar a sua utilização, caracterizase como "renovação" (RIPI4, art. 1º , § 2º , inc. V) e, pois, industrialização; o estabelecimento que a executa será, para os efeitos do IPI, um estabelecimento industrial e o seu titular será, em consequência, contribuinte do imposto, com relação aos mencionados produtos, saídos de seu estabelecimento (RIPI, art. 53, inciso I). ......... Todavia, "exvi" do disposto no inciso I, § 4º , do referido art. 1°, a citada operação não será considerada industrialização quando executada em pneus usados, por encomenda direta de terceiros, não estabelecidos com o comércio de tais produtos, ou seja, sem intuito de revenda. Nessa hipótese e, em consequência, a saída dos produtos acabados não obriga ao pagamento do imposto. 4 O regulamento a que se reporta o parecer é o RIPI/67 [ Decreto nº 61.514, de 12/10/1967]. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 As empresas recauchutadoras, segundo declara a respectiva entidade de classe, executam a mencionada operação, nas seguintes modalidades: a) por encomenda direta do proprietário, para uso deste; b) por encomenda do proprietário, para uso deste, mas por intermédio do borracheiro; c) por conta própria, para a revenda; d) por encomenda do borracheiro, para a revenda. Nenhuma dúvida subsiste nas modalidades descritas em "a", "c" e "d": eis que no primeiro caso, a operação se equipara a conserto, não alcançada pelo imposto, enquanto que as duas outras ("c" e "d") configuram renovação, sujeitas ao tributo às respectivas saídas. Merece, contudo, algumas considerações a modalidade descrita em "b". Então, não há dúvidas quanto à atividade de recauchutagem de pneus tratar se de operação de industrialização. No entanto, a destinação do produto recondicionado [se para revenda a terceiros ou para uso do autor da encomenda] é que determinará se a operação é tributada ou não pelo IPI, isto é, se está enquadrada ou não no conceito de industrialização. Da mesma forma o PARECER NORMATIVO CST nº 437/70: Isto posto, somos de parecer que a operação de industrialização de objetos usados adquiridos de particulares para revenda a terceiros efetivamente se enquadra no conceito de "renovação ou recondicionamento" a que se refere o RIPI, o já transcrito inc. V, § 2º , art. 1º . Só nesse conceito, e não noutro. Portanto, se o produto usado submetido a um processo de recondicionamento ou renovação for destinado ao encomendante proprietário da carcaça do pneu, para uso deste (consumidor final), a operação equiparase a conserto, não alcançada pelo IPI. Se o encomendante for revender o produto recondicionado, caso em que o encomendante comerciante será estabelecimento equiparado a industrial, por força do inciso IV do art. 9º do RIPI/1998 (ou do RIPI/2002). No entanto, no Termo de Verificação Fiscal consta que “a fiscalizada trabalha somente com consumidor final, sem atender a comerciantes de pneus” foi confirmada pela recorrente. Assim sendo, conceitualmente, será industrialização se o pneu for recauchutado para venda. Como se trata de encomenda do usuário, a exclusão do conceito de industrialização depende da atividade deste último: se for estabelecido com o comércio de pneus, é; do contrário, não, nos termos do inciso XI do art. 5º RIPI/98 e 2002. Por final, a recorrente limitouse a discutir que sua atividade está inserida no processo de industrialização, não aduzindo provas que lhe dessem respaldo para alcance do seu pleito. No que tange à prova, é de se observar o esclarecimento de Paulo Celso B. Bonilha (Da Prova no Processo Administrativo Tributário, 2ª Edição, Dialética, São Paulo, 1997): “Embora de maior amplitude, o poder de prova das autoridades administrativas deve ser, por uma questão de princípio, distinto do Fl. 287DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13609.000334/200337 Acórdão n.º 3802002.874 S3TE02 Fl. 284 9 direito de prova a ser exercido pela Fazenda na relação processual. Essa conclusão elementar decorre da própria estrutura da relação processual administrativa, visto que ela pressupõe modos de atuação distintos da Administração: não se confundem as atribuições de defesa da pretensão fiscal e a de julgamento, por isso mesmo desempenhadas por órgãos autônomos. Essas premissas, a nosso ver, justificam as seguintes assertivas: o poder instrutório das autoridades de julgamento (aqui englobamos a de preparo) deve se nortear pelo esclarecimento dos pontos controvertidos , mas sua atuação não pode implicar invasão dos campos de exercício de prova do contribuinte ou da Fazenda. Em outras palavras, o caráter oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer suas atribuições, inclusive a probatória, não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear para o processo.” (Grifei) Por essa razão, não se pode aceitar a compensação em discussão, com base nas alegações da recorrente sem documentação necessária à comprovação da consistência dos créditos do IPI, que pretende compensar. Por todo o acima exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 288DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 13602.001777/2008-10
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DECADÊNCIA PARCIAL. OCORRÊNCIA. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. ARTIGO 106, II, C DA LEI 5.172/66.
O lançamento foi realizado em 22/10/2008 (fls. 172) abrangendo as competências de janeiro de 2003 a dezembro de 2003. No ponto, ocorreu, sim, a decadência parcial na forma requerida pelo contribuinte. A situação adequa-se perfeitamente à novel Súmula 99 do CARF.
A multa a ser aplicada é a do art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, desde que mais favorável ao contribuinte, nos termos do artigo 106, II, c, da Lei 5.172/66, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-003.069
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso. As competências de 01/2003 a 10/2003 foram atingidas pela decadência, na forma do § 4º do art. 150 do CTN, restando aptas para cobrança somente as competências 11 e 12 de 2003. A multa a ser aplicada é a do art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, desde que mais favorável ao contribuinte, nos termos do artigo 106, II, "c", da Lei 5.172/66, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DECADÊNCIA PARCIAL. OCORRÊNCIA. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. ARTIGO 106, II, “C” DA LEI 5.172/66. 1. O lançamento foi realizado em 22/10/2008 (fls. 172) abrangendo as competências de janeiro de 2003 a dezembro de 2003. No ponto, ocorreu, sim, a decadência parcial na forma requerida pelo contribuinte. A situação adequase perfeitamente à novel Súmula 99 do CARF. 2. A multa a ser aplicada é a do art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, desde que mais favorável ao contribuinte, nos termos do artigo 106, II, “c”, da Lei 5.172/66, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso. As competências de 01/2003 a 10/2003 foram atingidas pela decadência, na forma do § 4º do art. 150 do CTN, restando aptas para cobrança somente as competências 11 e 12 de 2003. A multa a ser aplicada é a do art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, desde que mais favorável ao contribuinte, nos termos do artigo 106, II, "c", da Lei 5.172/66, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 2. 00 17 77 /2 00 8- 10 Fl. 993DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13602.001777/200810 Acórdão n.º 2803003.069 S2TE03 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 994DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13602.001777/200810 Acórdão n.º 2803003.069 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, referente a contribuições previdenciárias do período de janeiro a dezembro de 2003, incidentes sobre valores de prólabore / honorários pagos a segurados contribuintes individuais empresários / representantes legais da autuada, relativamente a valores in natura fornecidos pela empresa aos referidos segurados contribuintes individuais empresários, como por exemplo: despesas de aluguéis, telefone, condomínio, seguro, etc., e, ainda, incidentes sobre valores pagos a pessoas físicas contribuintes individuais por serviços de fretes e carretos e sobre valores a pessoas físicas contribuintes individuais trabalhadores autônomos. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 17 de fevereiro de 2011 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 DECADÊNCIA QUINQUENAL. INOCORRÊNCIA. O débito lançado não se encontra atingido pelo prazo decadencial quinquenal, cuja contagem se iniciou no primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado em razão de não ter havido pagamento antecipado e da emissão de Representação Fiscal para Fins Penais para a apuração da ocorrência, em tesem de tipo penal. AFERIÇÃO INDIRETA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário, a ser feita através de documentos hábeis e idôneos, que, uma vez constante dos autos, determina a exclusão do valor comprovadamente indevido. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese a perícia requerida que se mostrar desnecessária à comprovação de fatos que independem de conhecimento técnico. RETROATIVIDADE BENIGNA. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 995DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13602.001777/200810 Acórdão n.º 2803003.069 S2TE03 Fl. 5 4 Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Tratase de Auto de Infração referente à aplicação de multa decorrente à suposta entrega de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias. A recorrente apresentou defesa e documentos, alegando, dentre outros temas, a exorbitância na cobrança da multa e a aplicação da retroatividade benigna. No processo conexo, PTA 13602.001777/200810, a Recorrente juntou laudo pericial elaborado por auditor independente, o contabilista Geraldo Luiz Batista de Oliveira. Neste laudo, instruído por vastíssima documentação, no qual se evidencia que vários fatos apontados pela fiscalização como fatos geradores de contribuição previdenciária na verdade não o eram, sendo que a base de cálculo foi apurada de forma equivocada. No processo conexo, a Recorrente demonstrou ter havido decadência tributária e que valores indevidos foram incluídos na base de cálculo das contribuições previdenciárias, apontando lançamentos que devem ser extirpado do levantamento fiscal, relacionandoos com o Livro Razão e o Relatório de Lançamentos constante do Auto de Infração. Apontouse incorreções no trabalho fiscal, requereu a aplicação do princípio da verdade material e do in dubio pro contribuinte, opondose contra a aferição indireta. Apesar dos argumentos e provas apresentados, a impugnação foi julgada apenas parcialmente procedente, havendo a diminuição do débito de R$148.175,83 para R$140.210,21. Como restou demonstrado nos autos em apenso, ocorreu a decadência do direito do Fisco realizar o lançamento do crédito tributário, operandose também a decadência em relação às obrigações acessórias. Em se tratando de tributo sujeito a lançamentos por homologação, aplicase o art. 150, § ao invés do art. 173 do CTN. E de acordo com o art. 150, § 4º, o prazo decadencial é de 5 anos a contar da ocorrência do fato gerador. A recorrente efetuou o pagamento da contribuição previdenciária, tendo sido apurada como inadimplida apenas a diferença resultante de uma parte dos valores que a recorrida entendeu que deveriam compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Houve, portanto, o pagamento parcial que autoriza a aplicação do prazo quinquenal constante do art. 150, § 4º do CTN. Como a própria decisão contida no processo conexo reconheceu, quando é feito o pagamento parcial do tributo, a exigência da diferença se submente à aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º do CTN. Assim, se os débitos referemse a 01/2003 a 12/2003, e se o Auto de Infração foi lavrado somente em 10/10/2008, é certo que foi ultrapassado o prazo decadencial de 5 anos contados entre o fato gerador e o lançamento dos tributos. Fl. 996DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13602.001777/200810 Acórdão n.º 2803003.069 S2TE03 Fl. 6 5 O ato administrativo que aplicou a penalidade imposta à Recorrente deve ser considerado nulo, eis que eivado de vícios, posto ter ocorrido a invocação equivocada dos motivos que consubstanciaram o ato por parte do agente administrativo, motivo pelo qual a decisão recorrida deve ser reformada. As multas ora hostilizadas negam do princípio milenar da gradação da penalidade, isto é, da dosimetria da penalidade, levandose sempre em conta a natureza e as circunstâncias da falta cometida. O acórdão recorrido deve ser reformado, inclusive reconhecendose a decadência parcial do crédito tributário, o excesso das multas aplicadas e a nulidade do auto de infração. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 997DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13602.001777/200810 Acórdão n.º 2803003.069 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Tendo em vista que o contribuinte reitera, em preliminar, a ocorrência de decadência da maior parte do lançamento na forma estabelecida no § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN, e a decisão recorrida aponta em sentido diverso, ou seja, que a alegada decadência não ocorreu, porquanto a regra a ser aplicada é aquela prevista no inciso I do art. 173 do mesmo diploma legal, passo a analisar a divergência. Destaquese que o lançamento foi realizado em 22/10/2008 (fls. 172) abrangendo as competências de janeiro de 2003 a dezembro de 2003. No ponto, ocorreu, sim, a decadência parcial na forma requerida pelo contribuinte. A situação, a meu ver, adequase perfeitamente à novel Súmula 99 do CARF, in verbis: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4º, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo desse recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Vêse, portanto, que a maior parte do lançamento foi atingida pela decadência, estando aptos para cobrança do devido, somente os meses de novembro e dezembro de 2003. No que diz respeito à multa aplicada, o contribuinte alega que tal penalidade nega o princípio milenar da gradação, isto é, da dosimetria, levandose sempre em conta a natureza e as circunstâncias da falta cometida. Como se percebe, tratase de argumento sem qualquer fundamento legal. Por seu turno, consta no acórdão recorrido que a MP 449 alterou a redação de diversos artigos da Lei nº 8.212/91, que tratavam da sistemática de cálculo de multas de mora, de ofício e daquelas decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias relacionadas à GFIP, anteriormente previstas nos artigos 32 e 35 da Lei nº 8.212/91, acrescentando os artigos 32A e 35A. Fl. 998DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13602.001777/200810 Acórdão n.º 2803003.069 S2TE03 Fl. 8 7 Segundo o julgado a quo, a aplicação das aludidas alterações foi normatizada através da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009, DOU de 08/12/2009, que esclarece que a penalidade mais benéfica será aplicada no momento do pagamento ou parcelamento do débito, caso de o contribuinte se subsuma às possibilidades ali tratadas. Ainda de acordo com o julgador a quo, quando do pagamento ou parcelamento, deverá ser verificada a hipótese de ocorrência, ou não, de retroatividade benigna das multas constantes deste Auto de Infração em conjunto com o AI 13602.001776/200875 DEBCAD 37.028.1667, à luz das disposições contidas na mencionada Portaria. Neste ponto, ou seja, o da análise conjunta disposta no parágrafo anterior, entendo que tal procedimento não pode e não deve ser realizado, tendo em vista que no caso vertente, há que se observar o que se segue adiante. Nos termos do artigo 144, caput, da Lei 5.172/66 a regra a ser aplicada é a do artigo 35 da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, ou seja, a multa sobre a contribuição exigida variaria de 24% a 100% a depender da fase do processo administrativo. Este deve ser o patamar de multa a ser aplicado no período suscitado, salvo se a multa chegar a 80%, na fase de execução fiscal, ainda, que não citado o devedor, desde que não houvesse parcelamento, uma vez que nesta situação a multa do artigo 35A da Lei 8.212/91, na redação da Lei 11.941/2009, passa a ser mais benéfica, hipótese que esta deve ser aplicada, nos termos do artigo 106, II, “c”, da Lei 5.172/66, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO. As competências de 01/2003 a 10/2003 foram atingidas pela decadência, na forma do § 4º do art. 150 do CTN, restando aptas para cobrança somente as competências 11 e 12 de 2003. A multa a ser aplicada é a do art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, desde que mais favorável ao contribuinte, nos termos do artigo 106, II, “c”, da Lei 5.172/66, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 999DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10980.720316/2008-44
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. AUSÊNCIA DE REQUISITO PREVISTO NA LEGISLAÇÃO.
A eficácia da prova de despesas médicas, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, e de requisitos de julgamento baseados em critérios de razoabilidade
MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
Presentes os pressupostos de exigência, cobra-se multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. (Art. 44, da Lei 9.430/1996).
MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO INAPLICABILIDADE
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado,por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
José Valdemir da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: JOSE VALDEMIR DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado,por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
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GLOSA. AUSÊNCIA DE REQUISITO PREVISTO NA LEGISLAÇÃO. A eficácia da prova de despesas médicas, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, e de requisitos de julgamento baseados em critérios de razoabilidade MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobrase multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. (Art. 44, da Lei 9.430/1996). MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO INAPLICABILIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado,por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 03 16 /2 00 8- 44 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/02/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10980.720316/200844 Acórdão n.º 2801003.335 S2TE01 Fl. 127 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 4a Turma da DRJ/CTA. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de Notificação de Lançamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, fls. 13 a 16, referente ao anocalendário de 2004, que exige R$ 3.773,60 de imposto suplementar, com multa de ofício e juros de mora, em razão da glosa de R$ 13.722,20 de despesas médicas. Consta do lançamento que foram glosados os valores de R$ 6.579,00 e de R$ 4.080,00 declarados como pagos a Emanuela S Motta e Fernanda Grespan, respectivamente, “por falta de comprovações dos efetivos desembolsos, coincidentes em datas e valores, conforme solicitado na intimação”, além dos R$ 3.063,20 referentes ao plano de saúde dos beneficiários Priscila e Rogério, que não foram relacionados como dependentes da contribuinte na declaração de ajuste do exercício de 2005. Cientificada do lançamento por via postal, em 11/09/2008 – fl. 93, a contribuinte apresentou, em 13/10/2008 – fl. 01, por intermédio de procurador – fl. 17, a impugnação de fls. 02 a 12, acompanhada dos documentos de fls. 13 a 81, acatada como tempestiva pelo órgão de origem – fl. 92. Alega que os valores gastos com os tratamentos médicos declarados foram comprovados por meio de declarações dos profissionais que a atenderam. Afirma que a legislação do IR autoriza a dedução dos pagamentos efetuados com dentistas e psicólogos referentes ao tratamento próprio. Insurgese contra a exigência da comprovação do efetivo desembolso, afirmando que efetuou os pagamentos com o dinheiro que guardava consigo para eventuais despesas e que não haveria “qualquer exigência legal se referindo que se faça as comprovações dos desembolsos que sejam coincidentes em datas e valores”. Suscita que a exigência de comprovação do desembolso afrontaria o princípio da legalidade, ressaltando que os documentos apresentados são suficientes para comprovação dos tratamentos médicos, por possuírem todos os requisitos exigidos na legislação do IRPF. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/02/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10980.720316/200844 Acórdão n.º 2801003.335 S2TE01 Fl. 128 3 Concorda com a glosa das despesas com planos de saúde de pessoas não declaradas como dependentes, salientando que apresentaria a comprovação do pagamento da parte não impugnada do lançamento e que espera “não ser prejudicada com a aplicação de multa de ofício e da multa de juros sem as devidas reduções que possui direito com o pagamento no vencimento da intimação”. Protesta contra a aplicação da multa com percentual de 75%, afirmando que seria confiscatória e ilegal, corroborando suas alegações com doutrina. Aduz que não agiu de máfé, que é cumpridora de seus deveres tributários e que sempre atendeu às intimações, afirmando se tratar de “pessoa leiga quanto à matéria em discussão, e, apenas tomou ciência do equívoco ocorrido quanto a sua declaração referente aos beneficiários no momento que procurou profissional especializado”. Apresenta doutrina acerca de confisco e de boafé. Finaliza solicitando: a) improcedência do lançamento; b) interpretação mais benéfica da legislação tributária com consequente gradação da penalidade, citando o art. 112 do Código Tributário Nacional – CTN para pleitear; o cálculo do valor incontroverso. A impugnação apresentada foi julgada improcedente, conforme acórdão de ( fls.94/103), assim ementado a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase como não impugnada a parte do lançamento com a qual a contribuinte concorda ou não se manifesta expressamente. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise daconformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, portanto, em âmbito administrativo, não é efetuada a análise de ofensa a princípios constitucionais das exigências legais. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. APRESENTAÇÃO. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/02/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10980.720316/200844 Acórdão n.º 2801003.335 S2TE01 Fl. 129 4 Cumpre à contribuinte instruir a peça impugnatória com todos os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa. DEDUÇÕES. ÔNUS DA PROVA. Havendo dúvidas quanto à regularidade das deduções, cabe à contribuinte o ônus da prova. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual da contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo pagamento e prestação do serviço. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. PREVISÃO LEGAL. APLICAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Segundo expressa previsão legal, com força vinculante sobre a autoridade lançadora, a multa de ofício de 75% deve ser aplicada quando verificada a falta de recolhimento de imposto de renda, em razão do descumprimento da legislação tributária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de 1a instância em 22.08.2011(fl.108), a contribuinte, representado por seu advogado, apresentou recurso em 20.09.2011,(fls.110/122). Em sua defesa argumentou, em síntese o seguinte ● Diz que os pagamentos foram feitos em espécie com saques na conta corrente da contribuinte. ● Alega que os recibos dos profissionais Emanuela S. Motta e Fernanda Crespan apresentados (fl2336), são sufucientes e cabais para comprovar as alegações da recorrente. ● Aduz que a contribuinte agiu de boa fé, pois cumpriu com todas as explicações do ordenamento para demonstração dos pagamentos solicitados. ● Invoca o princípio da legalidade, com cerne do processo Administrativo Fiscal, não deve exigir que se façam as comprovações dos desembolsos que seja coincidentes em datas e valores. ● Transcreveu longos trechos de doutrinadores renomados e decisão do CARF. ● A multa de ofício deverá ser afastada pelo seu caráter confiscatório. posto que a contribuinte não cometeu qualquer infração. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/02/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10980.720316/200844 Acórdão n.º 2801003.335 S2TE01 Fl. 130 5 ● Por fim requer seja dado provimento ao recurso, julgandose improcedente a Notificação de Lançamentos em objeto e determinando seu arquivamento. É o Relatório Voto Conselheiro José Valdemir da Silva, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS A controvérsia cingese à glosa da dedução de despesas médicas referentes as profissionais Emanuela Swiech Motta no valor de R$ 6.579,00 e Fernanda Crespan no valor de R$ 4.080,00, para os quais foram exigidos comprovação do efetivo pagamento. A eficácia da prova de despesas médicas, para fins de dedução da base da de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, o art. 80 do RIR, in verbis: “ Art. 80 – Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias ( Lei n. 9.250, art. 8o, inciso II, alínea “a” ). # 1o O disposto neste artigo ( lei n. 9.250, de 1995. 8º § 2o ). I – Aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidade que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza. II – restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF, ou no Cadastro Nacional Pessoa Jurídica – CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; g.n. Nada obsta, entretanto, que a Administração Tributária exija que a interessada comprove o efetivo pagamento das despesas médicas realizadas quando a Autoridade fiscal assim entender necessário, na linha do disposto no art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR, aprovado pelo Decreto n. 3000/1999, cujo teor é o seguinte: Fl. 130DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/02/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10980.720316/200844 Acórdão n.º 2801003.335 S2TE01 Fl. 131 6 Art. 73 – Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, ( DecretoLei n. 5.844, de 1943, art. 11 § 3o. Observo, por importante, que tal faculdade deve ser concretizada por meio de um ato cuja materialização se dá com lavratura de um termo, isto é, de um lançamento no qual está expressa a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionandolhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. No caso vertente, a contribuinte foi intimado a comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas, mas não o fez, entendo que a glosa das referidas despesas médicas deve ser mantida por falta de comprovação do efetivo dispêndio, com fulcro no do art. 73 do RIR/99. Transcrevo jurisprudência desse Egrégio Conselho Administrativo de julgamento: DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO.POSSIBILIDADE. Toda as despesas médicas estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de provas dos respectivos pagamentos, nessa hipótese, a apresentação tãosomente de recibos, sem a prova do efetivo pagamento, é insuficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada. Multa de ofício. CARF – 2a secção – 1a Turma Especial / ACÓRDÃO 280100.497 em 12.05.2010.Publicado DOU 16.09.2010. MULTA DE OFICIO É Cabível, por disposição literal da lei, a incidência de multa de ofício, no percentual de 75%, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte, independentemente do motivo determinante da falta. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO INAPLICABILIDADE No que tange ao caráter confiscatório do crédito tributário exigido, destaque se a súmula nº 2, do CARF, a saber: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Fl. 131DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/02/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10980.720316/200844 Acórdão n.º 2801003.335 S2TE01 Fl. 132 7 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/02/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA
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Numero do processo: 10830.002939/2003-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REVISÃO DO JULGADO. Os embargos de declaração não são instrumento hábil a viabilizar a revisão do ato decisório embargado.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 1102-000.979
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração.
(assinado digitalmente)
João Otavio Oppermann Thome - Presidente.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Guidoni Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otavio Oppermann Thome, Jose Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) João Otavio Oppermann Thome - Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otavio Oppermann Thome, Jose Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1542; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T2 Fl. 2 1 1 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.002939/200341 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1102000.979 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 03 de dezembro de 2013 Matéria PERC Embargante EXPAMBOX INDÚSTRIA DE MOBILIÁRIO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REVISÃO DO JULGADO. Os embargos de declaração não são instrumento hábil a viabilizar a revisão do ato decisório embargado. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) João Otavio Oppermann Thome Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otavio Oppermann Thome, Jose Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 29 39 /2 00 3- 41 Fl. 770DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10830.002939/200341 Acórdão n.º 1102000.979 S1C1T2 Fl. 3 2 Relatório Tratamse de embargos de declaração apresentados pela Contribuinte em face de acórdão proferido por esse Colegiado assim ementado, verbis: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2003 Ementa: DECADÊNCIA. Em não sendo o caso de constituição de crédito tributário ou de redução de prejuízo fiscal (IRPJ) ou bases negativas (CSLL), para os quais há obrigatoriedade de lançamento à luz das regras do Decreto n. 70.235/1972 (sujeito às regras decadenciais, portanto), legítima a pretensão da Fiscalização de investigar fatos ocorridos nos anoscalendário de 1996 e seguintes quando estes repercutem diretamente no direito creditório pretendido no anocalendário de 2002. MATÉRIA DE FATO. Não colacionados aos autos documentos que comprovem as alegações recursais e ilidam a legitimidade da ação fiscal, impõese a manutenção da negativa do direito creditório pretendido. Recurso voluntário negado.” No que interessa ao exame do recurso, o acórdão embargado negou provimento ao recurso voluntário sob o fundamento de que esta não teria se desincumbido do ônus de comprovar o direito creditório alegado, já que Conforme comezinhas lições de direito processual, “provar” não significa trazer aos autos tãosomente “elementos ou meios de prova”, mas sim compreende a atividade da parte de demonstrar a plena conexão entre o meio de prova (um documento, por exemplo) e o fato que se pretende ver provado. Trazer o documento aos autos é necessário para a atividade de provar, contudo não é suficiente. É indispensável, como se disse, indicar a relação plena entre este meio e o fato a ser provado. No caso, não basta ao Contribuinte juntar aos autos centenas de folhas de documentos sem neles indicar minimamente onde residem suas razões de defesa e/ou as incorreções das conclusões da Fiscalização sobre o direito creditório alegado. Esse é exatamente o caso dos autos. Em sede de impugnação, a Contribuinte tão somente fez referência a “vasta documentação” para “demonstrar a total legitimidade do direito creditório”, sem qualquer preocupação em relacionálos com os fatos objeto do processo. Em sede de recurso voluntário, a despeito de relacionar um a um os documentos juntados, também não houve nenhuma manifestação sobre o conteúdo dos meios de prova acostados e sua pertinência com os fatos a serem provados na lide. O “confronto detalhado” a que se refere a Contribuinte deveria ter sido feita por ela própria, em sede de impugnação e Fl. 771DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10830.002939/200341 Acórdão n.º 1102000.979 S1C1T2 Fl. 4 3 em recurso, em virtude do ônus da prova a ela imposto face ao motivado despacho decisório impugnado nos autos.” Por meio desses declaratórios, sustenta a Contribuinte que o acórdão embargado teria sido contraditório, “ao sustentar ser ônus da ora embargante a prova dos seus direitos creditórios, e em contrapartida, reconhecer que procedeu a juntada de vasta documentação relativa a origem e composição dos direitos creditórios, que, contudo, deixou de ser apreciada, havendo sido rejeitado seu pedido por ausência de comprovação dos direitos creditórios!”. Reitera, ao final, pedido de que seja aplicado ao caso o “princípio da verdade material” e seja convertido o julgamento em diligência, conforme voto vencido do acórdão embargado. É a síntese do necessário. Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho Conheço dos embargos de declaração, posto que tempestivos e apresentados por parte legítima. Ao contrário do referido pela Contribuinte, o acórdão embargado não padece de quais quer dos defeitos relacionados no art. 65 do Regimento Interno dessa Corte. Não há omissão, obscuridade, contradição ou dúvida que justifique a apresentação de embargos. O acórdão recorrido assentou o entendimento de que a atividade de provar não significa trazer aos autos tão somente “elementos ou meios de prova”, mas sim compreende a atividade da parte de demonstrar a plena conexão entre o meio de prova (um documento, por exemplo) e o fato que se pretende ver provado, o que não foi feito pela Contribuinte em momento algum deste processo administrativo. No caso, ainda segundo o acórdão embargado, a Contribuinte fez referência a “vasta documentação” para demonstrar a existência do direito creditório sem a menor preocupação de demonstrar mínima pertinência destes (documentos) com os fatos a serem demonstrados na lide. Em suma, entendeu o acórdão recorrido que a Contribuinte não teria feito prova sobre a existência do direito de crédito alegado, cujo ônus lhe competia. Tais embargos pretendem, em verdade, impugnar as conclusões do acórdão embargado e obter a reforma do entendimento nele consubstanciado, o que é defeso em sede de embargos de declaração. No particular, o extinto Primeiro Conselho de Contribuintes já firmou o entendimento de que os embargos de declaração são instrumento inadequado para obter a revisão do ato decisório embargado. Os embargos de declaração não devem ser acolhidos quando ausentes omissão, contrariedade, obscuridade ou dúvida a serem supridas no julgado, tal como ocorre nos autos. Vejase, nesse sentido, acórdão proferido pela extinta Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, verbis: Número do Recurso: 131361 Câmara: TERCEIRA CÂMARA Número do Processo: 11030.000183/9846 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: IRPJ E OUTROS Recorrente: DATASA COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA. Recorrida/Interessado: 1ª TURMA/DRJSANTA MARIA/RS Data da Sessão: 24/02/2005 01:00:00 Fl. 772DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10830.002939/200341 Acórdão n.º 1102000.979 S1C1T2 Fl. 5 4 Relator: Victor Luís de Salles Freire Decisão: Acórdão 10321871 Resultado: OUTROS – OUTROS Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, REJEITAR os embargos de declaração interpostos pela contribuinte e ratificar a decisão do acórdão nº 103 21.243, de 14/05/2003, no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir as exigências do IRPJ, IRF e PIS/REPIQUE. Inteiro Teor do Acórdão ac10321.871131361.pdf Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – OMISSÃO DO JULGADO – Não é de se acolherem embargos de declaração quando não há omissão de julgamento. Publicado no D.O.U. nº 63 de 04/04/05. No mesmo sentido: Número do Recurso: 119170 Câmara: OITAVA CÂMARA Número do Processo: 10855.000315/9873 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: IRPJ E OUTROS Recorrente: ANDREW COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA. Recorrida/Interessado: DRJCAMPINAS/SP Data da Sessão: 08/11/2000 01:00:00 Relator: Tânia Koetz Moreira Decisão: Acórdão 10806287 Resultado: OUTROS – OUTROS Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, ACOLHER em parte os embargos de declaração opostos, a fim de suprir a omissão apontada no Acórdão 10805.798, de 13/07/99, mantendose contudo a decisão nele consubstanciada. Ementa: Processo Administrativo Fiscal – Embargos de Declaração – Os Embargos de Declaração não constituem o instrumento adequado para reexame do julgado. Embargos acolhidos na parte em que se confirma a existência de omissão no acórdão embargado. Lançamento "exofficio" Multa – O apelo ao Poder Judiciário, em busca de amparo a procedimento que o sujeito passivo entende correto, não configura denúncia espontânea da infração. A denúncia espontânea apenas afasta a aplicação da multa se acompanhada do pagamento do tributo devido. Embargos parcialmente acolhidos. Por tais fundamentos, voto no sentido de conhecer dos embargos de declaração para, no mérito, rejeitálos. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Fl. 773DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10830.002939/200341 Acórdão n.º 1102000.979 S1C1T2 Fl. 6 5 Fl. 774DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME
score : 1.0
Numero do processo: 13974.000124/2003-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
IPI - RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO - CRÉDITO PRESUMIDO - DIREITO AO RESSARCIMENTO NÃO RECONHECIDO EM PROCESSO ANTECEDENTE COMPENSAÇÃO IMPOSSIBILIDADE..
Ante a inexistência, iliquidez e incerteza do valor do suposto crédito ressarciendo de IPI, já proclamada por decisão no processo administrativo de ressarcimento, inexiste o direito à sua compensação com débitos (vencidos ou vincendos), donde decorre que estes últimos devem ser cobrados através do procedimento previsto nos §§ 7º e 8º do art. 74 da Lei nº 9430/96 (na redação dada pela Lei nº 10.833/03)
Não se justifica, a reforma da r. decisão recorrida, se tanto na fase instrutória, como na fase recursal, a Recorrente não apresentou nenhuma evidencia concreta e suficiente para descaracterizar a motivação invocada pela d. Fiscalização, para o indeferimento do direito creditório.
Numero da decisão: 3402-002.117
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso voluntário.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Presidente Substituto
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Winderley Morais Pereira (Substituto), Silvia de Brito Oliveira, Leonardo Mussi da Silva (Suplente) e João Carlos Cassuli Junior. Ausente, justificadamente, a conselheira Nayra Bastos Manatta
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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Ante a inexistência, iliquidez e incerteza do valor do suposto crédito ressarciendo de IPI, já proclamada por decisão no processo administrativo de ressarcimento, inexiste o direito à sua compensação com débitos (vencidos ou vincendos), donde decorre que estes últimos devem ser cobrados através do procedimento previsto nos §§ 7º e 8º do art. 74 da Lei nº 9430/96 (na redação dada pela Lei nº 10.833/03) Não se justifica, a reforma da r. decisão recorrida, se tanto na fase instrutória, como na fase recursal, a Recorrente não apresentou nenhuma evidencia concreta e suficiente para descaracterizar a motivação invocada pela d. Fiscalização, para o indeferimento do direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso voluntário. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 4. 00 01 24 /2 00 3- 81 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 20/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 2 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Winderley Morais Pereira (Substituto), Silvia de Brito Oliveira, Leonardo Mussi da Silva (Suplente) e João Carlos Cassuli Junior. Ausente, justificadamente, a conselheira Nayra Bastos Manatta Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 52/71) contra o Acórdão DRJ/RPO nº 1416.125 de 21/06/07 constante de fls. 41/46 exarado pela 2ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto SP que, por unanimidade de votos, houve por bem “indeferir” a Manifestação de Inconformidade de fls. 15/29, mantendo o Despacho Decisório da SAORT da DRF de Joinvile SC (fls. 09/108) que à vista do Despacho decisório proferido no Processo nº 13974.00122/200391, deixou de homologar a declaração de compensação que visava compensar débitos de COFINS no período de apuração de 01 a 12 de 2000, com supostos créditos presumidos de IPI ressarciendos referentes ao ano calendário de 2002. Por seu turno, a r. decisão de fls. 41/46 da 2ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto SP, houve por bem “indeferir” a Manifestação de Inconformidade de fls. 15/29, mantendo o Despacho Decisório da SAORT da DRF de Joinvile SC (fls. 09/108), aos fundamentos sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 DCOMP. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas nãocontribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NT. Inexiste previsão legal para a inclusão de exportações de produtos NT, quanto à quantificação da receita de exportação para a determinação da base de cálculo do crédito presumido. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÕES DE PRODUTOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. Na apuração da receita de exportação não devem ser incluídas as vendas para o exterior de produtos adquiridos de terceiros, que não tenham sofrido qualquer processo de industrialização. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 20/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13974.000124/200381 Acórdão n.º 3402002.117 S3C4T2 Fl. 3 3 Solicitação Indeferida” Nas razões de Recurso Voluntário (52/71) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta a insubsistência da r. decisão recorrida tendo em vista que: a) que os referidos créditos ressarciendos de IPI seriam legítimos conforme reconhecido nas decisões do Poder Judiciário que cita. Submetido o recurso a julgamento, em sessão de 04/06/2009, através da Resolução nº 220200.034 (fls. 94/97) a C. 2ª Turma ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF, acolhendo proposta da ínclita Presidente e Relatora (Cons. Nayra Bastos Manatta), por unanimidade de votos converteu o julgamento em diligência, para que fossem tomadas as seguintes providências: a) anexar copia da decisão final proferida na esfera administrativa do processo n" 13974.000122/200391; b) verificar, diante da decisão final proferida naquele processo, se o credito porventura concedido naquele processo é capaz de fazer frente aos débitos constantes deste processo e objeto de compensação; c) elaborar demonstrativo de calculo, se for o caso de haver sido concedido algum direito creditório no processo acima mencionado; d) elaborar parecer conclusivo, anexando os documentos que se fizerem necessários para o deslinde da questão; e) dos resultados das averiguações, seja dado conhecimento ao sujeito passivo, para que, em querendo, manifestese sobre o mesmo no prazo de 30 (trinta) dias; f) após conclusão da diligência, retornassem os autos a esta Câmara, para julgamento. No atendimento à diligência solicitada, a SAORT da DRF de Joinvile – SC (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) certifica que: “Versa o presente processo sobre declaração de compensação, protocolada pelo contribuinte acima identificado na data de 29/04/2003 (fls. 02/04), por meio da qual informou a utilização de parte do crédito detalhado em pedido de ressarcimento anterior referente a credito presumido de IPI, pleiteado sob o processo nº 13974.000122/200391, no valor de R$ 11.709.724,94 na compensação de débitos de COFINS (código 2172), períodos de apuração 01/2000, 02/2000 e 07/2000 a 12/2000, que perfazem, em valores originários, o montante de R$ 1.295.657,66. Após passar pelas instâncias administrativas de julgamento, o processo em questão aportou na Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a qual, através da Resolução n° 220200.034 Câmara/2ª Turma Ordinária, de 04 de junho de 2009 (tis. 98/101), por unanimidade de votos, converteu o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatara, que a seguir transcrevese: "RELATÓRIO Trata o presente processo de declaração de compensação dos débitos confessados às fls. 01 com direito creditório que adviria do ressarcimento do crédito presumido do IPI pleiteado no processo n° 13974.000122/200391. A DRF de origem não homologou as compensações tendo em vista que o crédito pleiteado no processo acima mencionada foi indeferido pois foram glosadas naquele processo. as aquisições Fl. 162DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 20/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 4 de pessoa física não contribuintes do PIS/PASEP e da Cofins, bem como exportação de produtos não tributados ou adquiridos de terceiros. A contribuinte interpôs manifestação de inconformidade alegando em síntese: o processo nº 13974.000122/200391 ainda estava em discussão no contencioso administrativo razão pela qual o presente processo deveria ser juntado àquele: são ilegais as restrições feitas através de instruções normativos relativas às aquisições de insuetos de pessoa física e cooperativas: o crédito presumido é devido na exportação de mercadorias e não apenas de produtos industrializados, cindiume conceito dado pela Lei n° 9363/96 que instituiu o benefício: requer homologação das DCOMPs apresentadas. A DRJ indeferiu a solicitação, sob os argumentos de que o processo de ressarcimento foi julgado de maneira desfavorável ao contribuinte pela Quarta do Segundo Conselho de Contribuintes: é indevida a inclusão no cálculo do crédito presumido de IPI de aquisições de pessoa física, bem como que existe previsão legal para inclusão no cálculo do beneficio de exportação de produtos NT ou adquiridos de terceiros que não tenham sofrido qualquer industrialização. Cientificada a contribuinte interpôs recurso voluntário alegando, em síntese. as mesmas razões da inicial, acrescendo ainda as características da empresa que a colocam como “industrializadora” pois o fato dos produtos por ela fabricados serem NT na TIPI não significa que não sejam industrializados. mas sim que estes produtos não sofrem a incidência do IPI, e. mais ainda, a recorrente realiza beneficiamento dos produtos. 0 julgamento do recurso foi convertido em diligência para que fosse: Informado qual a situação do processo n" 13974.000122/2003 91 (se houve interposição de recurso especial. se este já foi definitivamente julgado esfera administrativa, e, se ()foi, anexar cópia da decisão final): Verificado diante da decisão final proferida naquele processo, se o crédito porventura concedido naquele processo é capaz de fizer frente aos débitos constantes deste processo e objeto de compensação: Elaborado demonstrativo de cálculo se for o caso de haver sido concedido algum direito creditório no processo acima mencionado: Elaborado parecer conclusivo, anexando os documentos que se fizerem necessários para o deslinde da questão. Em resposta à diligência proposta a autoridade fiscal informou que o processo acima mencionado encontrase no Conselho de Fl. 163DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 20/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13974.000124/200381 Acórdão n.º 3402002.117 S3C4T2 Fl. 4 5 Contribuintes aguardando julgamento do recurso especial interposto. Cientificada do teor da diligência proposta a contribuinte solicita que se aguarde o julgamento definitivo, na esfera administrativa, do processo no qual se discute o direito creditório sob pena de decisões conflitantes. VOTO O recurso interposto encontrase revestido das formalidades legais cabíveis merecendo ser apreciado. O processo versa sobre a não homologação de compensações dos débitos confessados à fls. 01 com direito creditório que pleiteado através do processo no 13974.000122/200391, relativo a ressarcimento do crédito presumido do IPI. O motivo da não homologação das compensações foi exatamente o fato de o direito creditório pleiteado no citado processo de ressarcimento haver sido indeferido. Ou seja, o motivo para que as compensações pleiteadas não fossem homologadas é a inexistência do direito creditório a fizer frente aos débitos. Por sua vez, o direito creditório em si é objeto de outro processo administrativo o de n° 13974.00012212003 91. Naquele processo é que se vai discutir o direito creditório. se for mantida a negação do direito creditório as compensações neste processo pleiteadas não podem ser homologadas. por outro lado, se o direito creditório for deferido à recorrente, as compensações aqui pleiteadas hão de ser homologadas até o limite do direito creditório reconhecido naquele processo, razão pela qual a sorte deste processo está intimamente ligada à sorte daquele outro. Restou confirmado que foi interposto recurso especial no processo de ressarcimento contra decisão proferida pela Quarta Câmara deste Segundo Conselho de Contribuintes que, por voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário interposto, ou seja, ainda não há decisão definitiva na esfera administrativa sobre o direito creditório usado nas compensações. Desta forma, diante dos fatos. e com esteio no artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, somos pela transformação do presente voto em diligência. para que sejam tomadas as seguintes providências: Anexar cópia da decisão final proferida na esfera administrativa do processo nº 13974.0001227200391: Verificar. diante da decisão final proferida naquele processo se o crédito porventura concedido naquele processo é capaz de fazer frente aos débitos constantes deste processo e objeto de compensação: Fl. 164DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 20/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 6 Elaborar demonstrativo de cálculo, se for o caso de haver sido concedido algum direito creditório no processo acima mencionado: Elaborar parecer conclusivo. anexando os documentos que se fizerem necessários parar o deslinde da questão. Dos resultados das averiguações, seja dado conhecimento ao sujeito passivo, para que, em querendo. manifestese sobre o mesmo no prazo de 30 (trinta) dias. Após conclusão da diligência. retornem os autos a esta Câmara, para julgamento". É o relatório. Preliminarmente, cumpre esclarecer que, além do presente processo, foram enviados em diligência a esta SAORT outros três processos, todos na mesma situação, a saber: 13974.000125/200325, 13974.000126/200370 e 13974.000127/200314. Observase que, em atendimento à primeira das providências a serem tomadas consoante a diligência acima transcrita, a ARF/Mafra anexou ao processo os principais provimentos concernentes ao processo n" 13974.0001221200391, sendo de se destacar, relativamente a decisão final proferida, o acórdão n" 930300.682 (fls. 124/131) e o despacho n" 9303103 (fls, 133/134), ambos do CARF. À vista do acórdão n' 930300.682, da Y Turma do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de 02 de fevereiro de 2010 (fls. 124/131), constatase que o recurso especial do contribuinte restou provido, por maioria de votos, conforme se extrai de sua ementa e relatório, a seguir parcialmente transcrito: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2007 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que. por se tratar de presunção “juris et de jure”: não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo Fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas. produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da Cofins (pessoas físicas e cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei n"9.363/96. Não cabe ao intérprete Jazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Recurso Especial do Contribuinte Provido. [...] Fl. 165DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 20/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13974.000124/200381 Acórdão n.º 3402002.117 S3C4T2 Fl. 5 7 Tratase de pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI a que se refere a Lei nº 9.363/1996. A matéria devolvida a este Colegiado cingese à questão da inclusão ou não na base de cálculo do crédito presumido dos valores pertinentes às aquisições de não contribuintes. O julgamento deste recurso tem como paradigma o Recurso nº 222.766. julgado na sessão imediatamente anterior a esta, sendolhe aplicada a mesma tese daquele julgado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 256. de 22 de junho de 2009. Este voto segue as disposições do § in fine., do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do CARI: aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Para tanto, resguardando o entendimento pessoal, adoto a tese do julgamento do Recurso nº 222.766. 'Aquisições de não contribuintes Tratase de análise de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte, no qual foi dado seguimento para análise da glosa de insumos que supostamente não tiveram incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins (pessoas físicas e cooperativas:. A controvérsia limitase à incidência do art. 1º da Lei nº 9.363, de 16/12/96, imposta pela Instrução Normativa SRF nº 23, de 13/03/1997, que reconhece o direito apenas para aquisições de pessoas jurídicas e pela Instrução Normativa SRF nº 103, de 30/12/1997, que excluem as cooperativas de produção. Em ambos os casos, o fundamento é o mesmo: o benefício do crédito presumido do IPI, para ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS, somente será cabível quando nas aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem pelo produtor exportador houver incidência dessas contribuições sociais. [...] Muito embora o assunto já se encontre pacificado no âmbito desta E. Câmara Superior, conforme jurisprudência trazido pela interessada, não pela unanimidade de votos. Pertinente são as conclusões do respeitável doutrinador Ricardo Mariz de Oliveira em trabalho divulgado em 2000, quando o assunto era ainda polêmico. Para melhor clareza, peço vênia para reproduzir as suas conclusões como se minhas fossem: VII CONCLUSÃO: AS AQUISIÇÕES NÃO TRIBUTADAS INTEGRAM O CÁLCULO DO INCENTIVO, SENDO ILEGAIS AS INSTRUÇÕES NORMATIVAS FAZENDÁRIAS EM CONTRÁRIO De tudo se conclui que as aquisições de insumos que não tenham sofrido a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS também integram a determinação da base de cálculo do credito presumido a que alude a Lei nº. 9363. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 20/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 8 Isto porque, e em síntese: a expressão legal “Contribuições incidentes” não pode ser vinculada a cada operação de aquisição de insumos, pois tal vinculação não faz qualquer sentido lógico, além de impor condição a incidência sobre cada aquisição, isoladamente considerada de realização impossível, porque as contribuições não incidem na base de 5,37%, que é a porcentagem para cálculo do crédito presumido segundo a respectiva fórmula legal: seja pela literalidade da norma do art. 1º da Lei n. 9363, seja por sua consideração em conjunto com os demais dispositivos dessa mesma lei, especialmente com os que estatuem a fórmula de cálculo do crédito presumido. verificase que o alusão ao ressarcimento das contribuições incidentes somente pode ser referida a todas as incidências que possivelmente tenham ocorrido em qualquer anterior etapa do ciclo econômico do produto exportado e dos seus insumos; o incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção 'juris et de jure', não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte; a fórmula legal de cálculo do incentivo manda considerar o valor total das aquisições de insumos, sem distinção entre as tributárias e as não tributadas; o crédito presumido é uma subvenção que Visa incrementar as exportações brasileiras, e não se confunde com restituição de contribuições, não havendo, assim, razão para exigir a incidência de contribuições para que uma aquisição de insumos seja integrada ao respectivo cálculo: o ressarcimento do crédito presumido em moeda corrente, é uma forma alternativa de pagamento da subvenção, sendo que ressarcimento significa provimento do incentivo em cobertura de parte das despesas de custeio, e não restituição de contribuições, também por isto sendo irrelevante ter ou não ter havido incidência sobre cada aquisição de instintos, isoladamente considerada; a prova da incidência e dos recolhimentos sobre cada aquisição de insumos era exigida pela legislação anterior, mas foi tacitamente revogada não podendo, pois, ser feita na vigência da nova lei, revogadora da anterior: o ressarcimento, por ser presumido e estimado na forma da lei, é referente às possíveis incidências das contribuições em todos as etapas anteriores à aquisição dos insumos e à exportação, os quais integram o custo do produto exportado; tudo isto é confirmado pelas regras de hermenêutica, que excluem interpretação pela literalidade da norma legal e a consideração de apenas um dispositivo isolado das demais normas da mesma lei e do ordenamento jurídico, que exigem Fl. 167DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 20/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13974.000124/200381 Acórdão n.º 3402002.117 S3C4T2 Fl. 6 9 resultado derivado da interpretação que seja coerente com os objetivos da lei, que excluem resultado ilógico e de realização impossível, e que requerem o emprego de todos os métodos de exegese, notadamente o sistemático, o teleológico e o histórico; não obstante, mesmo a letra da lei comporta perfeitamente a interpretação no sentido de que não é necessária a incidência sobre a aquisição de insumos propriamente dita, referindose antes, às possíveis incidências em quaisquer outras operações que tenham onerado as aquisições dos insumos e o custo do produto exportado. Em vista disso tudo, concluise de modo inarredável que carecem de base legal o parágrafo 2º do art. 2º da Instrução Normativa nº 23/97 (que limita o crédito às aquisições feitas à pessoas jurídicas e que tenham sido tributadas) e o ali. 2° da Instrução Normativas SRF nº 103/97 (que exclui as aquisições, feitas ás cooperativas). Na verdade, o crédito presumido de IPI, por ser presumido, independe do valor que efetivamente tenha sido recolhido a título daquelas contribuições sobre as diversas fases de elaboração do produto vendido. Mesmo o inexpressivo pagamento de PIS/Pasep e Cofins em etapas anteriores não obstaria o direito ao crédito. Isto porque a lei, ao estabelecer a base de cálculo e o percentual, criou uma presunção absoluta juris et de jure. A dimensão mal da cadeia produtiva é irrelevante para O cálculo do beneficio. Por fim, noticiase que a jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, consolidada em suas duas turmas de direito público, reconhece o direito do interessado. [...]. Nos termos do voto paradigma transcrito linhas acima, dáse provimento ao recurso. Às fls. 133/134, foi anexada cópia do despacho nº 9303103, de 10 de maio de 2011, por intermédio do qual a ª Turma do CARF rejeitou os embargos de declaração interpostos pelo interessado, nos seguintes termos: "Tratase de embargos de declaração interposto pelo sujeito passivo, tempestivamente, contra o Acórdão 9303.00682. que deu provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. [...] A leitura da emento transcrita. bem como do inteiro teor do acórdão embargado (fls. 551/554) permite concluir que apenas essa matéria (aquisições de não contribuintes) foi levada à apreciação da instância superior. E isso em decorrência de o recurso especial interposto pelo contribuinte, fls. 475/489, ter se restringido a levantar a divergência jurisprudencial quanto a essa matéria (aquisições de não contribuintes). exclusivamente. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 20/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 10 Ocorreu, no caso que a decisão de segunda instância não analisou a questão atinente ao direito ao crédito presumido sobre exportação de produtos N/T por entender ter restado prejudicada essa análise. Todavia, a contribuinte não apresentou embargos contra a decisão da turma a quo (acórdão 20400,408fls. 464/470), tendo a mesma tornadose definitiva quanto a essa questão. E, como a decisão da DRJ havia negado o direito ao beneficio, por tratar o caso de exportação de produto N/T, essa foi a decisão que restou aplicável, Assim, não há como concordar com a embargaste quando alega ter ocorrido obscuridade e omissão na decisão ora embargada (acórdão proferido pela terceira turma da CSRF fls. 551/554). O acórdão embargado é claro e analisou, sem qualquer contradição, a única matéria que foi objeto do recurso especial interposto pela contribuinte. Ainda que se entenda que tenha ocorrido um erro no julgamento que terminou implicando em prejuízo para a contribuinte, tal erro ocorreu na decisão de segunda instância, que deixou de decidir sobre a questão relativa à exportação de produtos N/T. Entretanto, não há conto. em sede de embargos contra decisão proferido pela instância superior reparar equívocos cometidos em decisão de turma a quo. Com essas considerações, rejeito os embargos de declaração interpostos pelo sujeito passivo, por ausência de omissão, obscuridade ou contradição na decisão embargado". Cumpre ainda observar que, no intervalo entre as duas decisões acima transcritas – definitivas no âmbito do processo nº 13974.000122/200391 emitidas nas datas de 02/02/2010 e 10/05/2011, respectivamente, esta SAORT produziu, neste mesmo processo. cm 06/12/2010, a Informação Fiscal que se reproduz (anexada às fls. 559/560 do processo nº 13974.000122/200391): "A pessoa jurídica, em epígrafe, apresentou Pedido de Ressarcimento referente a créditos de IPI apurados ao longo do anocalendário de 2002, com fundamento na Lei nº 10.276/01. no montante de RS 11.709,724,94. Conforme Despacho Decisório de fls. 392395, houve o indeferimento total do pleito em virtude basicamente de não haver instintos para composição da base de cálculo do crédito presumido do IPI, bem como de não haver receita de exportação que atenda aos critérios estabelecidos na legislação para concessão do benefício. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, fls. 400416, insurgindose contra tal decisão. Por seu turno. a DRJ Porto Alegre prolatou o Acórdão nº 4.5402004, fls. 429437, indeferindo por completo o recurso interposto pelo contribuinte, cuja ementa in verbis: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados Período de Apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 20/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13974.000124/200381 Acórdão n.º 3402002.117 S3C4T2 Fl. 7 11 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. I – PRODUTOS N/T. A exportação de produtos NT não gera direito ao crédito presumido do IPI, instituído para ressarcimento do PIS/Pasep e da Cofins . II – AQUISIÇÕES DE MATÉRIASPRIMAS DE PESSOAS FÍSICAS. O valor dos insumos adquiridos de pessoas físicas, não contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não se computa no cálculo do crédito presumido. Solicitação Indeferida. Diante disso. o contribuinte intetpôs o recurso voluntário de fls. 441460. No Acórdão nº 20400.408. fls. 464470, a 4ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes negou provimento ao recurso no que tange às aquisições de pessoas físicas. No entanto, entendeu como prejudicado o recurso no que tange aos produtos Não Tributados. e. por óbvio, não proveu o recurso nesta parte. Mais uma vez o contribuinte insurgiuse. apresentando o recurso especial de fls. 475489. A Câmara Superior de Recursos Fiscais prolatou o Acórdão nº 930300.682 3ª turma, fls. 551554. provendo o recurso especial em questão. Contudo. só garantiu ao contribuinte o direito de que as aquisições de não contribuintes do PIS e da Cofins compunham o base de cálculo do crédito presumido do IPI. Dessa feita, não obstante o contribuinte ter por provido seu recurso com relação às aquisições de pessoas físicas, não há decisão em seu favor no que atine às exportações de produtos não tributados. Com isso, NÃO HÁ DIREITO CREDITÓRIO A SER RECONHECIDO, uma vez que não há receitas de exportações a serem consideradas para a apuração do crédito presumido do IPI, uma vez que, como se apurou quando da análise fiscal que subsidiou o Despacho Decisório de fls. 392395, o contribuinte só exportou produtos NT. Ante o exposto, e tendo em vista a legislação pertinente. dêse continuidade aos procedimentos de cobrança alusivos às declarações de compensação da empresa em epígrafe. Em razão disso, os débitos em aberto no âmbito do processo n° 13974.0001221200391 foram encaminhados para inscrição cm divida ativa, a qual foi formalizada, em setembro de 2012, através das inscrições 91 2 12002 19870 e 91 6 12006 84121. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 20/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 12 Assim sendo, é de se concluir pela inexistência de direito creditório a ser empregado nas compensações declaradas pelo contribuinte no âmbito do presente processo. Face ao disposto na Resolução nº 220200.034, da 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária do CARF, cientifiquese o contribuinte do presente despacho, para, "em querendo, manifestarse sobre o mesmo no prazo de 30 (trinta) dias. Findo este prazo, com ou sem resposta, retornem os autos à 2ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária da 2ª Seção de Julgamento do CARF, para prosseguimento. Joinville, 25 de janeiro de 2013. assinatura digital Heloisa Beer Goldgaber AuditoraFiscal da RF13 Matr. 68.645” Através de r. Despacho de encaminhamento a d. Fiscalização certifica que “Devolvemos o presente processo ao CARF/MFDF, tendo em vista a diligência efetuada as folhas 141 a 150. Informamos que o interessado não se manifestou quanto a diligência.” É o relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O recurso reúne as condições de admissibilidade mas, no mérito não merece provimento. Realmente, a diligência solicitada, não contraditada pela ora Recorrente certifica que: “A Câmara Superior de Recursos Fiscais prolatou o Acórdão nº 930300.682 3ª turma, fls. 551554. provendo o recurso especial em questão. Contudo. só garantiu ao contribuinte o direito de que as aquisições de não contribuintes do PIS e da Cofins compunham o base de cálculo do crédito presumido do IPI. Dessa feita, não obstante o contribuinte ter por provido seu recurso com relação às aquisições de pessoas físicas, não há decisão em seu favor no que atine às exportações de produtos não tributados. Com isso, NÃO HÁ DIREITO CREDITÓRIO A SER RECONHECIDO, uma vez que não há receitas de exportações a serem consideradas para a apuração do crédito presumido do IPI, uma vez que, como se apurou quando da análise fiscal que Fl. 171DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 20/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13974.000124/200381 Acórdão n.º 3402002.117 S3C4T2 Fl. 8 13 subsidiou o Despacho Decisório de fls. 392395, o contribuinte só exportou produtos NT. Ante o exposto, e tendo em vista a legislação pertinente. dêse continuidade aos procedimentos de cobrança alusivos às declarações de compensação da empresa em epígrafe. Em razão disso, os débitos em aberto no âmbito do processo n° 13974.0001221200391 foram encaminhados para inscrição cm divida ativa, a qual foi formalizada, em setembro de 2012, através das inscrições 91 2 12002 19870 e 91 6 12006 84121. Assim sendo, é de se concluir pela inexistência de direito creditório a ser empregado nas compensações declaradas pelo contribuinte no âmbito do presente processo”. Diante da inexistência, iliquidez e incerteza do valor do suposto crédito ressarciendo de IPI, já proclamada por decisão definitiva no processo administrativo de ressarcimento, inexiste o direito à sua compensação com débitos (vencidos ou vincendos), donde decorre que estes últimos devem ser cobrados através do procedimento previsto nos §§ 7º e 8º do art. 74 da Lei nº 9430/96 (na redação dada pela Lei nº 10.833/03) Assim não se justifica, a reforma da r. decisão recorrida, se tanto na fase instrutória, como na fase recursal, a Recorrente não apresentou nenhuma evidencia concreta e suficiente para descaracterizar a motivação invocada pela d. Fiscalização, para o indeferimento do direito creditório. Isto posto voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso, mantendo a r. decisão recorrida. É como voto. Sala das Sessões, em 23 de julho de 2013 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 172DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 20/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 19515.000984/2007-31
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. DESPACHO DE ADMISSIBILIDADE. PRESSUPOSTOS REGIMENTAIS.
As matérias suscitadas em sede de Recurso Especial de Divergência devem ser analisadas à luz dos pressupostos de admissibilidade regimentais. É nulo, por cerceamento de direito de defesa, o Despacho de Admissibilidade em que se rechaça liminarmente uma matéria suscitada, sem fornecer-se o fundamento regimental para tal, e tampouco se determina o envio do recurso para Reexame. Ademais, é vedada a condução, à Instância Especial, de matéria que sequer foi suscitada no apelo.
Despacho de admissibilidade anulado.
Numero da decisão: 9202-003.020
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em anular o despacho de admissibilidade. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator) e Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado). Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício)
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Redatora-Designada
EDITADO EM: 13/03/2014
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. DESPACHO DE ADMISSIBILIDADE. PRESSUPOSTOS REGIMENTAIS. As matérias suscitadas em sede de Recurso Especial de Divergência devem ser analisadas à luz dos pressupostos de admissibilidade regimentais. É nulo, por cerceamento de direito de defesa, o Despacho de Admissibilidade em que se rechaça liminarmente uma matéria suscitada, sem fornecerse o fundamento regimental para tal, e tampouco se determina o envio do recurso para Reexame. Ademais, é vedada a condução, à Instância Especial, de matéria que sequer foi suscitada no apelo. Despacho de admissibilidade anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em anular o despacho de admissibilidade. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator) e Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado). Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 09 84 /2 00 7- 31 Fl. 777DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES , Assinado digitalmente em 21/03/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.000984/200731 Acórdão n.º 9202003.020 CSRFT2 Fl. 755 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício) (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo RedatoraDesignada EDITADO EM: 13/03/2014 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório O Acórdão n° 220200.385, de 03 de fevereiro de 2010, da 2a Turma Ordinária da 2a Câmara da 2a Seção de Julgamento (fls. 631 a 640), negou provimento ao recurso de ofício da Fazenda Nacional e deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte para cancelar infrações de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários não comprovados e de acréscimo patrimonial a descoberto. Em face dessa decisão, a Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração (fls. 644 a 649), alegando que o acórdão embargado foi omisso, pois deu provimento ao recurso para cancelar infração de acréscimo patrimonial a descoberto, matéria que não havia sido expressamente impugnada e tratada como incontroversa no acórdão de 1a instância, e, assim, deixou de se pronunciar precisamente sobre os efetivos contornos da lide delineados no recurso voluntário. Entretanto, os embargos foram rejeitados sob o argumento de que o contribuinte havia se insurgido contra todo o lançamento, e de que era entendimento do Colegiado que, além da menção da matéria tanto na peça impugnatória como na peça recursal, incumbe à autoridade julgadora verificar o controle interno da legalidade do lançamento, bem como observar a jurisprudência dominante na Câmara, e que, quando se trata de questões preliminares, tais como nulidade do lançamento, decadência, erro na identificação do sujeito passivo, intempestividade da petição, erro na base de cálculo, aplicação de multa, etc, essas Fl. 778DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES , Assinado digitalmente em 21/03/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.000984/200731 Acórdão n.º 9202003.020 CSRFT2 Fl. 756 3 matérias são passíveis de serem levantadas e apreciadas pela autoridade julgadora independentemente de argumentação das partes litigantes (fls. 650 a 656). Cientificada dessa decisão, a Fazenda Nacional manejou recurso especial (659 a 680), onde indicou divergências tanto para discutir a possibilidade de se imputar ao espólio a responsabilidade por depósitos bancários de origem não comprovada, quanto para defender a impossibilidade de julgar o acréscimo patrimonial por se tratar de matéria preclusa. O Despacho no 220200.292 2a Câmara / 2a Turma Ordinária, de 06 de outubro de 2010, em que pese ter referido em seu corpo que “não será analisada novamente a questão da preclusão”, deu seguimento ao recurso especial (fls. 681 a 684v). Salientese que, pelo fato de o referido despacho ter dado seguimento ao recurso, ele não foi submetido à reexame necessário da admissibilidade, tendo sido distribuído para julgamento por este colegiado. É o relatório. Fl. 779DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES , Assinado digitalmente em 21/03/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.000984/200731 Acórdão n.º 9202003.020 CSRFT2 Fl. 757 4 Voto Vencido Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Preliminarmente, quanto ao item de preclusão de matéria não impugnada, verifico inexistir qualquer divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e os acórdãos trazidos pela Fazenda Nacional a título de paradigma. Ainda que assista razão ao recorrente em afirmar que, de acordo com os acórdãosparadigma CARF no 10247.321 2a Câmara do então 1o Conselho de Contribuintes e CSRF/0103.426, a matéria não impugnada até a primeira instância está fora do limite do litígio fiscal, noto que também esse foi o critério jurídico utilizado pelo acórdão recorrido. No âmbito da decisão guerreada, a Turma julgadora concluiu no sentido de que, por haver expressa contestação do contribuinte relativa à infração de acréscimo patrimonial a descoberto (tanto na fase impugnatória como na fase recursal), permanecia tal infração no âmbito do litígio fiscal, conforme se depreende do seguinte trecho de fl. 654 de lavra do ilustre Conselheiro relator, quando da rejeição aos embargos propostos de fls. 644 a 649, verbis: "(...) Com a devida vênia da representante da Fazenda Nacional, entendo que a matéria foi contestada pelo recorrente, tanto na fase impugnatória, quanto na fase recursal. Consta de forma clara as fls. 441/442 a contestação do representante legal do espólio em sua impugnação "AUTUAÇÃO COM BASE EM MERA PRESUNÇÃO — AUSÊNCIA DE PROVA". Como também consta de forma cristalina as fls. 454, que o mesmo está se insurgindo contra a totalidade do lançamento (g.n.). (...)" Salientese que, apesar de o artigo 17 do Decreto n° 70.235, de 1972, efetivamente determinar que não sejam consideradas matérias não contestadas expressamente pelo impugnante, no caso, verificase expressa contestação das infrações objeto do lançamento, ambas sob o fundamento de que estariam baseadas em mera presunção, com ausência de provas. Independentemente de meu entendimento sobre o mérito da questão, entendo que, não há que se falar, no presente feito, em interpretação jurisprudencial divergente ou critério jurídico diverso utilizado quando da determinação de preclusão de matéria não impugnada (do limite do litígio fiscal) em relação aos acórdãos paradigmas. Com efeito, o acórdão recorrido considerou a matéria de acréscimo patrimonial a descoberto como impugnada e, portanto, não preclusa. Para que fosse caracterizada divergência, teria que ser trazido acórdão paradigma em que, com uma contestação similar, a matéria tivesse sido considerada não impugnada. Ora: Fl. 780DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES , Assinado digitalmente em 21/03/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.000984/200731 Acórdão n.º 9202003.020 CSRFT2 Fl. 758 5 no acórdão 10247321, paradigma, é afirmado que, para a infração “não foram apresentados os motivos de fato e de direito para sua efetiva contestação”, o que não é o caso do acórdão recorrido; e com relação ao acórdão CSRF / 0103.426, também apresentado como paradigma, não há que se falar em divergência de interpretação da lei, porque a redação vigente do art. 17 do Decreto n° 70.235, de 1972, na data da respectiva impugnação, nem sequer abordava a questão de contestação específica ou genérica. Diante do exposto, voto, por não conhecer do recurso especial quanto à matéria. Quanto à matéria de responsabilidade do espólio, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Passo, então, à análise de mérito. Transcrevo, a propósito, o teor do caput do art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cuja aplicação em relação ao espólio se discute. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (g,n.) A propósito, é objeto de manifestação reiterada por esta Câmara Superior o entendimento de impossibilidade da aplicação da presunção legal contida no dispositivo supra no caso de intimação ao espólio acerca de depósitos anteriores ao falecimento do contribuinte (condição que se verifica no presente feito na forma de certidão de óbito de fl. 375), verbis: Acórdão CSRF 920200.2308 – 2a Turma, de 09 de agosto de 2012 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICAIRPF Ano calendário : 1998 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO. ARTIGO 42 DA LEI N° 9.430/96. NÃO INCIDÊNCIA EM FACE DO ESPÓLIO. IMPOSSIBILIDADE DE COMPROVAÇÃO DE DEPÓSITOS ANTERIORES AO FALECIMENTO DA CONTRIBUINTE. Não incide a presunção de omissão de receitas prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, em face do espólio, em relação a depósitos ocorridos anteriormente ao falecimento da respectiva contribuinte, tendo em vista que aquele não é o titular da conta, conforme previsto naquele dispositivo legal. Alinhome integralmente com tal entendimento, que reflete a necessidade do titular realizar a referida comprovação, de forma a que se caracterize a possibilidade de utilização da presunção, tratandose, na situação fática tal comprovação de requisito inatingível. Cito, a propósito, excertos dos Acórdãos no 920202.0462 e no 920202.0752, reproduzidos pelo voto irretocável da Conselheira Relatora no âmbito do mesmo Acórdão no 920200.2308, todos da 2a Turma desta CSRF, os quais resumem propriamente também meu entendimento. “Subsumidos os fatos à regra do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, surge a presunção de omissão de rendimentos caracterizada por Fl. 781DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES , Assinado digitalmente em 21/03/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.000984/200731 Acórdão n.º 9202003.020 CSRFT2 Fl. 759 6 depósitos bancários de origem não comprovada, cabendo ao titular da conta bancária a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações. Portanto, por força desta presunção, que é relativa e admite prova em contrário, o ônus de demonstrar que os depósitos bancários não representam rendimento tributável cabe ao contribuinte. Contudo, para a formação desta presunção de omissão de rendimentos, devem estar presentes todos os elementos previstos no caput do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, inclusive a intimação do titular ou dos titulares (e não do espólio ou do responsável) das contas bancárias. A devida intimação do titular da conta bancária é elemento essencial da regra em apreço. Isso porque, para que se presuma a omissão de rendimentos baseada em créditos bancários não comprovados, é imprescindível que os titulares sejam intimados a comprovar a origem dos depósitos. A regra do artigo 42 da Lei n° 9.430/1996 tem em seu núcleouma obrigação dirigida aos titulares da conta bancária, não podendo, por falta de previsão legal, ser transferida ao responsável tributário. Não se pode olvidar, em razão do disposto no § único, do artigo 142, do Código Tributário Nacional, que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, impondo à autoridade lançadora a obediência às determinações legais com vistas à constituição do crédito tributário. No caso, pelo falecimento do titular das contas bancárias, sua intimação é impossível, de modo que não pode prosperar o lançamento que tem fundamento no artigo 42 da Lei n° 9.430/1996.” Diante do exposto, voto no sentido de conhecer em parte do recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional, exclusivamente quanto à matéria de responsabilidade do espólio por depósitos bancários de origem não comprovada, para no mérito negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Fl. 782DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES , Assinado digitalmente em 21/03/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.000984/200731 Acórdão n.º 9202003.020 CSRFT2 Fl. 760 7 Voto Vencedor Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Designada Pedi vista do presente Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, para melhor analisar a questão da admissibilidade do apelo. Primeiramente, é necessário que se tenha uma visão do contexto da autuação, e nesse passo verificase que foram imputadas ao Contribuinte duas infrações, com base nos mesmos fatos: movimentação de conta bancária no exterior. A primeira infração imputada ao Contribuinte foi a omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários efetuados na citada conta, cuja origem não foi identificada. A segunda infração consistiu na omissão de rendimentos tendo em vista a apuração de Acréscimo Patrimonial a Descoberto – APD, mediante a elaboração de fluxo de caixa mensal (fls. 397 a 399), em que as origens foram representadas pelos depósitos bancários apurados na primeira infração (entradas), e as aplicações, por sua vez, foram representadas pelos débitos da conta bancária no exterior (saídas). No acórdão proferido em Primeira Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento – DRJ, entendeuse que o Contribuinte não havia impugnado o APD (preclusão), mantendose liminarmente tal infração. Já em Segunda Instância, por meio do Acórdão nº 220200.385, de 03/02/2010, foram julgados os Recursos Voluntário e de Ofício, prolatandose a seguinte decisão: negouse provimento ao Recurso de Ofício, mantendose a exoneração da multa de ofício, levada a cabo pela DRJ; deuse provimento ao Recurso Voluntário. A despeito do que fora decidido pela DRJ relativamente ao APD (preclusão), no acórdão recorrido foram tratadas, além das questões preliminares, as seguintes matérias: exoneração da multa de ofício, por tratarse de autuação de Espólio; impossibilidade de atribuição, ao Espólio, da infração referente a omissão de rendimentos com base em depósitos bancários sem identificação de origem; impossibilidade de apuração de acréscimo patrimonial a descoberto – APD com base unicamente em movimentação bancária. A Fazenda Nacional, na esteira do que fora consignado na decisão da DRJ, opôs os Embargos de Declaração de fls. 644 a 649, alegando preclusão relativamente ao APD. Entretanto, os Embargos foram rejeitados, conforme despacho de fls. 650 a 656. Cientificada da rejeição dos Embargos, a Fazenda Nacional interpôs o Recurso Especial de fls. 659 a 680, visando discutir as seguintes matérias: preclusão relativamente ao APD; Fl. 783DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES , Assinado digitalmente em 21/03/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.000984/200731 Acórdão n.º 9202003.020 CSRFT2 Fl. 761 8 possibilidade de autuação, em face do Espólio, com base na presunção do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, caberia ao Ilustre Presidente da Câmara, na análise da admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional, constatada a tempestividade do apelo, tão somente verificar se, para cada uma das duas matérias suscitadas, teria sido demonstrada a alegada divergência jurisprudencial, à luz dos pressupostos estabelecidos no art. 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. Entretanto, as matérias objeto do recurso foram assim identificadas no despacho de admissibilidade: “I Matérias objeto do recurso especial 0 recurso está manejado quanto a discussão da possibilidade de se caracterizar divergência jurisprudencial no que diz respeito as seguintes matérias: 1 lançamento de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários,cuja conta bancária foi movimentada pelo "de cujus" e o lançamento tributário realizado contra o espólio impossibilidade de lançamento contra o espólio, diante do fato das informações bancárias caracterizar obrigação personalíssima de informar; 2 acréscimo patrimonial a descoberto, apurado através de fluxo financeiro, com inclusão de depósitos bancários e repasses bancários – sem caracterizar de forma individualizada os dispêndios que representam.” De plano, verificase que a Fazenda Nacional não suscitou a revisão do APD, enquanto mérito, mas sim intentava discutir tão somente a questão da preclusão. Com efeito, nenhum paradigma foi indicado quanto ao mérito do APD, no sentido de se contrapor ao posicionamento adotado no acórdão recorrido, que considerou inadequada a apuração com base unicamente em movimentações bancárias, sendo que as origens seriam os próprios depósitos bancários objeto da primeira infração. Ao contrário, foram indicados paradigmas abordando a preclusão, de forma genérica. Destarte, seria o caso de simplesmente efetuarse o cotejo entre o acórdão recorrido e os paradigmas, à luz dos pressupostos regimentais de admissibilidade, e , no que tange ao APD, concluir pelo seguimento ou não da matéria preliminar “preclusão”. Entretanto, ao invés disso, no despacho de admissibilidade assim ficou consignado, no que tange à preclusão do APD: “É de observar inicialmente que o argumento da preclusão no que se refere a omissão de rendimentos apurados através de acréscimo patrimonial a descoberto está superada pelos Embargos de Declaração apresentados pela Fazenda Nacional, cujos embargos não foram acolhidos baseado no entendimento que a matéria foi contestada pelo recorrente, tanto na fase impugnatória, quanto na fase recursal. Consta de forma clara ás fls. 441/442 a contestação do representante legal do espólio em sua impugnação "AUTUAÇÃO Fl. 784DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES , Assinado digitalmente em 21/03/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.000984/200731 Acórdão n.º 9202003.020 CSRFT2 Fl. 762 9 COM BASE EM MERA PRESUNÇÃO – AUSÊNCIA DE PROVA". Como também consta de forma cristalina às fls. 454, que o mesmo está se insurgindo contra a totalidade do lançamento. O fato da decisão de primeira instância ter concluído, sob seu entendimento, que a irregularidade representada pelo acréscimo patrimonial a descoberto não foi impugnada, não tem o condão de transformar a matéria contestada em preclusa. Desta forma, não será analisada novamente a questão da preclusão.” (grifei) Assim, verificase que a matéria suscitada pela Fazenda Nacional restou sem análise, sendo liminarmente rechaçada, o que não está de acordo com as regras de admissibilidade do Recurso Especial. Com efeito, a rejeição de qualquer matéria suscitada em um Recurso Especial deve ser fundamentada, e além disso a Recorrente teria o direito ao Reexame, previsto no art. 71 do citado Regimento. Ademais, tendo elencado o mérito do APD como uma das matérias suscitadas – o que efetivamente não ocorreu – e ao final concluindo pelo seguimento do recurso, o despacho incorreu em mais um lapso, qual seja, o de dar seguimento a matéria não abordada no Recurso Especial. Em síntese: quanto à preclusão referente ao APD, sua rejeição teria de ser fundamentada à luz dos pressupostos de admissibilidade estabelecidos no art. 67 do RICARF; no que tange ao mérito do APD, esta matéria sequer deveria constar do despacho, já que não foi suscitada no Recurso Especial; na conclusão do despacho deveria constar o seguimento parcial, apenas para rediscussão da questão relativa à problemática da autuação com base em depósitos bancários em face do Espólio; à Fazenda Nacional deveria ser reconhecido o direito ao Reexame. Ademais, conforme o art. 81, § 3º, do RICARF, a Fazenda Nacional deve ser intimada dos despachos de admissibilidade que lhe forem contrários, o que não foi feito no presente caso, já que sequer foi oportunizado o Reexame pelo Presidente da CSRF. Destarte, entendo haver ocorrido evidente cerceamento do direito de defesa da Fazenda Nacional, e nesse sentido o Decreto nº 70.235, de 1972, assim estabelece: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. Fl. 785DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES , Assinado digitalmente em 21/03/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.000984/200731 Acórdão n.º 9202003.020 CSRFT2 Fl. 763 10 § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.” Diante do exposto, entendo que o Despacho de Admissibilidade de Recurso Especial nº 220200.292, de 06/10/2010 (fls. 681 a 684), deve ser anulado, para que outro seja proferido, desta vez analisandose as matérias suscitadas, à luz dos pressupostos regimentais. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 786DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES , Assinado digitalmente em 21/03/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 13771.000754/2006-84
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
CONCOMITÂNCIA PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1)
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 2802-002.744
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1) Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 1. 00 07 54 /2 00 6- 84 Fl. 389DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte contestando o Acórdão nº 1334.876, da 6ª Turma da DRJ/RJ2, fls. 80 a 84, que decidiu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte nos seguintes termos de sua ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2002 GLOSA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE.. Mantémse a glosa efetuada pela fiscalização quanto o contribuinte não comprovar, por meio de documento hábil e idôneo, o valor declarado a título de IRRF. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Cientificado em 22/09/2011, fls. 88, o interessado ingressou recurso voluntário em 20/10/2001, fls. 89 a 102, alegando, em síntese, que: o empregador é o único responsável pelo recolhimento do imposto de renda, ainda que não faça a retenção respectiva; fundamenta nos arts. 718 e 722 do RIR, de 1999, para dizer que a responsabilidade jurídica existe somente entre a União/Receita Federal e a VASP, e esta é a única que poderia figurar na sujeição passiva em eventual auto de infração; havendo ou não retenção do imposto de renda, será sempre e unicamente do empregador a obrigação pelo cumprimento da obrigação fiscal; a recorrente não é parte legítima para figurar no pólo passivo do procedimento de autuação elaborado pela ora recorrida, nem pode ser penalizada pela negativa de restituição do imposto apurado como consequência do inadimplemento da VASP; durante o procedimento de execução nos autos da reclamatória trabalhista, o MM. Juiz determinou a transferência de mais de R$32.000,00 (trinta e dois mil reais) de contas judiciais da VASP para pagamento do imposto de renda incidente sobre as parcelas do acordo homologado; a existência do processo de execução contra a VASP mostra que não existe qualquer fundamento para a instauração e/ou permanência de procedimento em desfavor da recorrente. Não há base legal que autorize a duplicidade de procedimentos para a realização do crédito tributário; semelhantemente ao que ocorreu nos presentes autos, foi também lavrado auto de infração em relação ao imposto de renda relativo às parcelas pagas em 2003, tendo sido igualmente impugnado pela recorrente em autos de número 13771.000629/200755. Esse procedimento já foi finalizado administrativamente, com julgamento favorável à recorrente, já tendo sido efetivada a restituição do imposto ao qual a recorrente fazia jus naquele exercício financeiro; Fl. 390DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13771.000754/200684 Acórdão n.º 2802002.744 S2TE02 Fl. 390 3 a própria União/Receita Federai que reconhece o equívoco ocorrido ao ser lavrado o auto de infração relativo ao anobase 2003 contra a recorrente e. por conseqüência, reconhece o direito à restituição do imposto apurado. Logicamente não pode haver julgamento diferente nos presentes autos, pois ambos têm origem no acordo firmado na Justiça do Trabalho; a recorrente esteve no SACAT/Vitória/ES no dia 10/10/2011 e solicitou cópia integral desse procedimento; No exercício do amplo direito à defesa assegurado na Carta Magna, requer novo prazo, até que a cópia lhe seja disponibilizada; requer a extinção integral do procedimento de cobrança lavrado contra a recorrente, bem assim para determinar a imediata restituição do imposto declarado. Às fls. 163, foi juntado o Memorando n.° 308/2011/ARF/LRS/ES, de 12/12/2011, mediante o qual foram encaminhados os documentos apresentados pela recorrente, em 09/12/2011, representados pela cópia do processo nº 13771.000629/200755, citado na peça recursal. Às fls. 279, foi juntado o Memorando SECAT/DRF/VIT N° 099, de 26/04/2012, encaminhando cópia do processo nº 1557.000047/200788, interesse da contribuinte ANA CAMATA ZUCHETTO, anexado às fls. 281 a 308, cujo assunto referese a AÇÕES DO JUIZADO ESPECIAL FEDERAL ASSUNTOS JURÍDICOS; É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator Importa, inicialmente, verificar se o recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. De acordo com o Auto de Infração de fls. 04 a 09, houve a glosa integral do imposto de renda consignado na declaração de ajuste anual relativa ao exercício financeiro de 2002, anocalendário de 2001. Diante de tal glosa, o valor do imposto de renda a restituir declarado foi alterado para imposto de renda a pagar. Verificase das fls. 281 a 308 que o interessado ajuizou na Justiça Federal ação contra a União no sentido de determinar que se proceda à restituição da quantia declarada que faz jus em relação ao mencionado anocalendário 2001, exercício 2002. Em sua petição judicial explica, em síntese, que a Receita Federal a inclui em malha fina e se nega a restituir o valor pago a maior em relação ao mencionado anobase, uma vez que constam pendências em seu nome, concernentes ao no recolhimento do IR incidente sobre valores recebidos em virtude de acordo firmando com a Viação Aérea São Paulo S/A – VASP na Justiça do Trabalho. Sustenta, também, que conforme restou especificado no acordo homologado judicialmente, a responsabilidade pelo recolhimento do IR incidente sobre as parcelas devidas à autora ficou a cargo da VASP, sendo que eventual inadimplemento IR não lhe pode causar qualquer prejuízo, haja vista, inclusive, não ter legitimidade processual para Fl. 391DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 exigir da VASP o cumprimento dessa obrigação voluntariamente assumida perante a Justiça do Trabalho. Depreendese, pois, que o contribuinte está discutindo na esfera judicial a mesma matéria objeto do lançamento de ofício, uma vez que na demanda deduzida na ação demandada contra a União Federal o contribuinte objetiva a restituição do valor do Imposto de Renda de Pessoa Física consignado em sua declaração de ajuste anual, relativa ao exercício financeiro de 2002, anocalendário de 2001. Diante disso, há que se aplicar à matéria tratada nos presentes autos o enunciado proferido na Súmula CARF nº 1, nos seguintes termos: “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Em face do exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário, sem prejuízo de a Unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB observar o quanto vier a ser decidido na ação judicial, após certificarse do trânsito em julgado. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 392DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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