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Numero do processo: 10680.912790/2009-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3302-000.451
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria da Conceição Arnaldo Jacó- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente), Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas , Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó..
Nome do relator: Não se aplica
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(assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) Maria da Conceição Arnaldo Jacó Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente), Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas , Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.. Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte FEDERAÇÃO INTERFEDERATIVA DAS COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS em face do Acórdão nº 0238.0532ª Turma da DRJ/BHE, prolatado em 20 de março de 2012. Por bem relatar os fatos, transcrevese a seguir o relatório do Acórdão recorrido: “DO DESPACHO DECISÓRIO RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 12 79 0/ 20 09 -6 6 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.912790/200966 Resolução nº 3302000.451 S3C3T2 Fl. 163 2 O presente processo trata da Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório emitido eletronicamente (fl. 08), referente ao PER/DCOMP nº 14500.97005.311005.1.3.040729. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a PIS – Folha de Salários no valor original na data de transmissão de R$ 2.105,53, representado por Darf recolhido em 15/04/2005 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse:arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 30/04/2009, conforme documento de fl. 49, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 02/04, em 02/06/2009, cujo conteúdo, em síntese, o seguinte: registra, inicialmente, a tempestividade da defesa; assevera que, ao contrário do que supõe a fiscalização, não requereu a utilização daquele crédito para a quitação de qualquer outro débito, mas tão somente daquele objeto do ora discutido PER/DCOMP, sendo perfeitamente suficiente para a compensação a ser realizada (documentação anexa); esclarece que o procedimento adotado atendeu regularmente a todos os requisitos da legislação então em vigor, e que a controvérsia que persiste nos autos referese, exclusivamente, à existência do crédito no equivocado entendimento fiscal de que o contribuinte teria pleiteado a compensação de crédito já compensado em processo administrativo diverso; fazendo menção ao art. 156, II do Código Tributário Nacional (CTN), afirma que resta demonstrado o direito creditório postulado, objeto do despacho decisório ora questionado, devendo ser reconhecida e homologada a compensação procedida, desconstituindose a exigência das diferenças apontadas pelo Fisco Federal; assim, ao final, requer seja homologado o direito de compensação, por todos fundamentos aqui apresentados. Na hipótese de não se conhecer a referida homologação, garantindolhe o direito constitucional previsto no artigo 5°, LV, de ampla defesa, requer que a Fl. 163DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.912790/200966 Resolução nº 3302000.451 S3C3T2 Fl. 164 3 Receita Federal do Brasil apresente as supostas duplicações de compensações alegadas no referido despacho decisório. Por sua vez, a DRF de origem se manifesta a respeito da tempestividade da manifestação de inconformidade apresentada.” Julgando o litígio estabelecido, a Autoridade Julgadora de 1ª Instância Administrativa, decide pela improcedência da manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório postulado, nos termos da ementa e dispositivo do Acórdão recorrido, a seguir transcrito: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/03/2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Acórdão Acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado..” Cientificada da decisão de 1ª Instância de Julgamento administrativo em 09/04/201 (AR de efl 61), por meio do Termo de Ciência e Notificação de efls. 56/58, a contribuinte, ainda insatisfeita, apresenta em 09/05/2012, o seu recurso voluntário, por meio do qual sustenta que: (a) a conclusão do fisco de que o pagamento havia sido integralmente utilizado para quitar o débito possivelmente “partiu do equívoco da recorrente, que deixou de retificar a DCTF a fim de explicitar a inexistência do débito daquela contribuição após tomar ciência do pagamento indevido e proceder à sua compensação com débito diverso, mero erro material, por óbvio”; (b) a DRJ inovou ao julgar a manifestação de inconformidade, referindose ao § 4º do art. 32 do Decreto nº 4.524/2002 , que mencionado Decreto extrapola previsão legal dos limites da incidência do PIS Folha; (c) a decisão de Ia instância contraria o entendimento da Receita Federal, que na Solução de Consulta n.° 412, de 15 de dezembro de 2004, afastou a Recorrente do rol de contribuintes do PIS Folha, entendendo pela incidência Fl. 164DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.912790/200966 Resolução nº 3302000.451 S3C3T2 Fl. 165 4 exclusiva sobre o PIS Faturamento,a qual possui efeito vinculante para a administração, nos termos do art. 100, inc. II do CTN. (d) O Decreto nº 4.524, de 2002 e as Instruções Normativas SRF nº 145, de 1999, e nº 247, de 2002, são ilegais quando prevêem a incidência do PIS Folha na hipótese de deduções de sobras, eis que tal dedução, embora também diga respeito à cooperativa de trabalho, não está prevista na Medida Provisória nº 2.15835, de 2001; (e) a Recorrente não procedeu a qualquer dedução prevista na Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, que pudesse justificar a cobrança do PIS Folha (até porque as deduções dos incisos I a V do artigo 32 do Decreto nº 4.524/2002 dizem respeito à cooperativas de produção e não de trabalho); (f) a Recorrente não deduziu da base de cálculo do PIS Faturamento qualquer parcela referente a sobras (inciso VI do artigo 32 do Decreto nº 4.524/2002), tendo depositado em juízo o valor integral da referida contribuição na modalidade prevista na Lei nº 9.718, de 1998. Afirma que sob pena de se contrariar a realidade fática, a obediência ao princípio da legalidade e a própria solução de consulta, que vincula a administração pública, não pode prevalecer o entendimento de Ia instância. E anexa, ao final de seu recurso, planilha, comprovante de pagamento, cópia da Solução de Consulta SRRF06/DISIT nº 412, de 15 de dezembro de 2004 e cópia de balancete parcial referente ao mês do período de apuração do PIS Folha, dito como pago indevidamente(código 8301) e cópias de procuração e do Estatuto Social. Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído. É o relatório. VOTO Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ O recurso voluntário da contribuinte é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A contribuinte pretende compensar como pagamento indevido ou a maior valor recolhido sob o código de receita 8301 (PIS FOLHA DE PAGAMENTO), consoante consignado na DComp em causa. O despacho decisório eletronicamente emitido que deu origem ao presente processo entendeu que o crédito referente ao PIS folha, na forma solicitado pela contribuinte, seria inexistente, eis que já vinculado a suposto débito de PIS Folha, motivo pelo o qual não homologou a compensação declarada. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.912790/200966 Resolução nº 3302000.451 S3C3T2 Fl. 166 5 Conforme relatado, em seu recurso voluntário, a contribuinte aduz que possivelmente tal conclusão “partiu do equívoco da recorrente, que deixou de retificar a DCTF a fim de explicitar a inexistência do débito daquela contribuição após tomar ciência do pagamento indevido e proceder à sua compensação com débito diverso, mero erro material, por óbvio” Para melhor esclarecimento, adoto as palavras do julgador Márcio André Moreira Brito, em voto proferido no Acórdão nº 1146.072 – da 2ª Turma da DRJ/REC, quando de análise de caso similar ao aqui ocorrido: “a DCTF, com fundamento no art. 5º, §1º, do Decreto–lei nº 2.124, de 13/06/1984 representa confissão de dívida dos débitos nelas declarados, sendo pacífico o entendimento judicial, consolidado na Súmula STJ nº 436, de que a entrega de declaração em que, a exemplo da DCTF, o contribuinte reconhece débito fiscal “constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência neste sentido por parte do fisco. Conquanto não padeça de qualquer vício o Despacho Decisório que, na análise do indébito, norteouse em informações de caráter confessional prestadas pelo próprio contribuinte, a este é facultado, caso se julgue prejudicado, interpor, no prazo de 30 (trinta) dias da ciência, Manifestação de Inconformidade para desconstituir, total ou parcialmente, tal confissão, já que o art. 214, do Código Civil, prevê que ‘A confissão é irrevogável, mas pode ser anulada se decorreu de erro de fato ou coação’. No entanto, do ônus probante que sobre ele recai de comprovar equívoco na confissão (art. 36, da Lei nº 9.784/99 e art. 333, I, do CPC), deve o contribuinte se desincumbir quando da interposição deste recurso, ao qual devem ser anexadas as correspondentes provas, na forma do art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72, sob pena de preclusão, ressalvadas as hipóteses previstas no §4º, deste artigo.”. Neste sentido fundamentou o Acórdão ora recorrido quando assim posicionou se: “Portanto, está correto o Despacho Decisório, uma vez que os indícios apurados com base em informações prestadas pelo próprio contribuinte evidenciaram a inexistência do crédito pretendido. Estando correto o entendimento expresso no Despacho Decisório, caberia ao manifestante, na condição de postulante de um direito a crédito compensável, apresentar provas cabais da ocorrência do pagamento indevido ou a maior.” In casu, o Acórdão recorrido dá conta que a documentação anexada aos autos pela contribuinte é essencialmente constituída de cópia do comprovante de arrecadação, da DComp e do seu estatuto social, concluindo que tal documentação, por si só, não é suficiente para comprovar a existência de pagamento indevido de PIS – Folha de Salário. Em seu voto, seguido por unanimidade pelos membros do colegiado, o relator do Acordo recorrido esclarece que: Fl. 166DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.912790/200966 Resolução nº 3302000.451 S3C3T2 Fl. 167 6 “Nesse aspecto, tomandose o citado estatuto social, ainda que se considere a situação do contribuinte, na condição de federação regida pela legislação cooperativista, não há como afirmar, nem o manifestante alegou na defesa apresentada, que estaria dispensado do recolhimento de PIS sobre a folha de salários, uma vez que a própria legislação prevê a hipótese de recolhimento concomitante dessa exação e do PIS Faturamento, a exemplo das disposições do § 4º do art. 32 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, que determinam que a cooperativa que fizer uso de qualquer das exclusões da receita bruta previstas neste artigo contribuirá, cumulativamente, para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários. Ou seja, sob qualquer ótica que se faça a análise da manifestação de inconformidade apresentada, não há como reconhecer o direito creditório postulado, lembrando que é condição indispensável para a homologação da compensação pretendida que o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública seja líquido e certo (art. 170 do CTN). Essa condição, no presente caso, não se verifica.” Em face de tal citação, a contribuinte, em seu recurso voluntário apresenta seus argumentos de defesa, visando demonstrar não se enquadrar na incidência do PIS Folha. Entre outras coisas alegações, argúi que a Autoridade a quo desconsiderou a Solução de Consulta nº 412, de 15 de dezembro de 2004, que afastou a Recorrente do rol de contribuintes do PIS Folha, entendendo pela incidência exclusiva sobre o PIS Faturamento,a qual possui efeito vinculante para a administração, nos termos do art. 100, inc. II do CTN. Anexa cópia da referida Solução de Consulta. Sobre tal consulta, esclarece que entendendo estar sujeita apenas ao recolhimento do PIS sobre a Folha de Salários, afastandose a incidência sobre o PIS Faturamento, formulou Consulta Fiscal demonstrando o seu enquadramento como federação, prevista no inciso V do artigo 13 da MP n.° 2.158. Não menciona quando a consulta foi formulada. Tal informação é confirmada pela leitura da referida Solução de Consulta, cuja cópia foi anexada ao recurso, e de onde se extrai trechos de parágrafos ali inserto: “A interessada informa que é uma federação de cooperativas dedicadas à assistência médicohospitalar, na forma da Lei n° 5.674/71 e de seu estatuto. Diz que, no desenvolvimento de suas atividades, presta serviços às cooperativas suas associadas, recebendo pagamentos mensais, a título de "taxas de manutenção", necessárias à sua sobrevivência atuação, tratandose também de ato cooperativo, destinado a manter a sociedade cooperativa de segundo grau. Cita o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto 2001, ao qual faz menção aos sindicatos, as federações e confederações, concluindo que são isentas da Cofins as receitas das atividades próprias dessas entidades, as quais contribuem para o PIS com base na folha de salários.” A referida solução de consulta proferida pela Superintendência Regional da Receita Federal da 6ª Região Fiscal, em sua parte dispositiva assim decide: Fl. 167DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.912790/200966 Resolução nº 3302000.451 S3C3T2 Fl. 168 7 “À vista do exposto, respondo à consulente que, à vista dos elementos do processo, ela não preenche as condições para o tratamento fiscal previsto nos artigos 13 e 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, devendo ter o tratamento fiscal geral aplicável às pessoas jurídicas que não gozam de isenção ou imunidade.”(grifei) Verificase que a Superintendência Regional da Receita Federal da 6ª Região Fiscal, na parte dispositiva, não se pronunciou especificamente sobre o art. 15, § 2º, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001,correspondente ao § 4º do art. 32 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002 mencionado no Acórdão recorrido. É verdade que a Solução de Consulta vincula o consulente. Mas, tal vinculação fica adstrita aos termos expostos na consulta. De modo que, em caso de a Solução de Consulta não contemplar a hipótese prevista no art. 15, § 2º, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001,correspondente ao § 4º do art. 32 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, a contribuinte possui o ônus de comprovar a não ocorrência das deduções mencionadas no art. 32 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002 mencionado no Acórdão recorrido. Embora a recorrente alegue não ter efetuado tais deduções quando do cálculo dos valores do PIS Faturamento cujas apurações, diz, foram efetuadas na modalidade prevista na Lei nº 9.718, de 1998, depositados judicialmente, e, embora tenha anexado planilha de cálculo de apuração do PIS Faturamento e Balancete Parcial referente ao mesmo período de apuração do alegado crédito do PIS Folha, de suas análises não se detectou se as sobras de que trata o art. 32, VI do Decreto nº 4.524, de 2002, foram ou não excluídas da respectiva base de cálculo. Ressaltese que provar significa contextualizar elementos relevantes e não somente anexar documentos. Por outro lado, em seu recurso voluntário, a contribuinte menciona ter impetrado Mandado de Segurança nº 2002.38.000204732, no qual foram efetuados depósitos judiciais do PIS Faturamento, sob o código 7460. Em consulta ao sistema eprocesso, verificase que tal Mandado de Segurança encontrase controlado por meio do Processo nº 10680.010675/200289 e foi preventivamente impetrado em 18/06/2002, objetivando a concessão de medida liminar que autorize “recolher o PIS, com base na folha de pagamentos, à alíquota de 1% (um por cento), nos moldes do § 1º do art. 2º da Lei 9.715/98 e do art. 13 da MP nº 2.15835/2001, c/c art. 15 da Lei nº 9.532/95”. O Mandado de Segurança nº 2002.38.000204732 encontrase em fase de Recurso especial nº 1.366.315 MG (2012/00896109), sobrestado, pelo o fato de que, nas palavras da Decisão proferida pelo o relator Ministro Humberto Martins, “referida temática encontrase afetada à Primeira Seção do STJ, aguardando o julgamento do REsp 1.141.667/RS, relatoria Min. Napoleão Nunes Maia Filho, sob o rito dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC)” A Instrução Normativa nº 230, de 25 de Outubro de 2002, que dispõe sobre a consulta acerca da interpretação da legislação tributária e da classificação de mercadorias, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, vigente à época da emissão da Solução de Consulta nº 412, de 15 de dezembro de 2004, em seu art. 15estabelece: “Art. 15 . Não produz efeitos a consulta formulada: Fl. 168DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.912790/200966 Resolução nº 3302000.451 S3C3T2 Fl. 169 8 (...); IV sobre fato objeto de litígio, de que o consulente faça parte, pendente de decisão definitiva nas esferas administrativa ou judicial; (...).”(grifei). Viuse acima que a contribuinte impetrou Mandado de Segurança preventivo em 18/06/2002 e que a Solução de Consulta nº 412 foi emitida em 15 de dezembro de 2004. Em ambos a contribuinte pretendia ser tributado pelo PIS Folha e não sobre o PIS Faturamento. Não se tem a informação, porém, de quando a contribuinte apresentou na RFB a sua consulta, se antes ou depois de ter impetrado o Mandado de Segurança e em quais termos foi a mesma formulada, de modo a saber se a sua consulta teria ou não efeito, consoante a previsão contida no inciso IV do art. 15 da IN 230/2002 acima transcrito. Necessário, portanto, ter o conhecimento dessa informação, para que se decida com segurança acerca do presente litígio. Assim, tendo em vista que: ● o recurso voluntário devolve à Administração, em segunda instância, a revisão dos fundamentos do Acórdão recorrido, naquilo em que foram contestados pela contribuinte; ● somente no Acórdão da Autoridade a quo foi feita menção ao § 4º do art. 32 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002; ● a contribuinte impetrou em 18/06/2002 Mandado de Segurança preventivo , objetivando a concessão de medida liminar que autorize “recolher o PIS, com base na folha de pagamentos, à alíquota de 1% (um por cento), nos moldes do § 1º do art. 2º da Lei 9.715/98 e do art. 13 da MP nº 2.15835/2001, c/c art. 15 da Lei nº 9.532/95”; ● igualmente, por entender estar sujeita apenas ao recolhimento do PIS sobre a Folha de Salários, afastandose a incidência sobre o PIS Faturamento, formulou Consulta Fiscal demonstrando o seu enquadramento como federação, prevista no inciso V do artigo 13 da MP n.° 2.158; ● tendo havido recolhimento de PIS sobre a folha de pagamento e depósito judicial sobre o faturamento, mostrase viável que possa haver efetivamente, ao menos em tese, algum recolhimento indevido a título da referida contribuição; ● não restou comprovado que a contribuinte efetivamente não efetuou deduções previstas no art. 32 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, consoante suas alegações; ● sendo determinante para o julgamento dos presentes autos a anexação das informações e documentos, já acima mencionados; Voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para: Fl. 169DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.912790/200966 Resolução nº 3302000.451 S3C3T2 Fl. 170 9 i) A Fiscalização, mediante intimação da Interessada e diante da documentação probatória apresentada, verifique e informe se a contribuinte utilizouse das deduções previstas no art. 32 do .Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, mencionada no Acórdão recorrido, anexando documentação probatória; ii) Informar quando foi efetuada a consulta formulada pela contribuinte, anexando cópia da mesma, esta referente à Solução de Consulta nº 412 de 15 de dezembro de 2004; iii)Solicitar manifestação da Superintendência Regional da Receita Federal da 6ª Região Fiscal acerca de: a) efeito da consulta formulada, nos termos disposto no art. 15, IV da Instrução Normativa nº 230, de 25 de Outubro de 2002, tendo em vista o Mandado de Segurança preventivo nº 2002.38.000204732 impetrado pela a contribuinte em 18/06/2002; b) Se diante dos termos da consulta formulada pela contribuinte, a Solução de Consulta nº 412 , de 15 de dezembro de 2004, ao fundamentar sua decisão no Decreto n.° 4.524/2002 e na MP 2.15835/2001 a Receita Federal, afastou igualmente a hipótese da cumulação do Pis Folha com o Pis Faturamento prevista no art. 15 da MP 2.15835/2001, reproduzida no art. 32 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002; iv).Intimar a contribuinte a apresentar as principais peças (Petição, sentença e Acórdãos) do Mandado de Segurança nº 2002.38.000204732, que deverão ser anexados aos autos; v) prestar demais informações que entendam necessários; vi) dar ciência do resultado da diligência para a contribuinte, concedendolhe prazo para manifestação; vii) retornar o presente processo ao CARF para posterior julgamento. (Assinado digitalmente) Maria da Conceição Arnaldo Jacó Relatora Fl. 170DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10218.000118/2005-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 25 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2004
DIF - PAPEL IMUNE. FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A não apresentação da DIF - Papel Imune nos prazos estabelecidos
para entrega sujeitava o contribuinte à imposição da multa
prevista sob a égide do art. 57 da MP ri.0 2.158-35/2001, por mês-calendário.
Com a vigência do art. 1 da Lei n 5 11.945/2009, com efeitos a
partir de 16/12/2008, a pena deve ser cominada em valor único por
declaração não apresentada no prazo . Para os processos pendentes
de julgamento, há que se aplicar o dispositivo benéfico previsto no art, 106, II, "c", do CTN, de forma que a exigência fiscal limite-se ao valor da multa aplicada, porém em uma única vez por
cada declaração não apresentada no prazo.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3202-000.158
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: José Luiz Novo Rossari
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FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A não apresentação da DIF - Papel Imune nos prazos estabelecidos para entrega sujeitava o contribuinte à imposição da multa prevista sob a égide do art. 57 da MP ri.0 2.158-35/2001, por mês-calendário. Com a vigência do art. 1 da Lei n 5 11.945/2009, com efeitos a partir de 16/12/2008, a pena deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo . Para os processos pendentes de julgamento, há que se aplicar o dispositivo benéfico previsto no art, 106, II, "c", do CTN, de forma que a exigência fiscal limite-se ao valor da multa aplicada, porém em uma única vez por cada declaração não apresentada no prazo. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar I provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o 'presente julgado. LLÍZ NOVO ROSSA I - Presidente e Relator FORMALIZADO EM: 10 de setembro de 2010. Participaram do presente julgamento os conselheiros Jose Luiz Novo Rossari, , Irene Souza da Trindade Torres, Heroldes Bahr Neto, João Luiz Fregonazzi, Rodrigo Cardozo Miranda e Gilberto de Castro Moreira Junior. 2 cesso n° 10218,000118/2005-69 83-C212 &no a.' 3202-00.158 Fl 90 elatório Cuida-se de lide sobre exigência de multas por falta de entrega da Declaração rspecial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIP — Papel Imune) de que 'Etta, o art. 10 da Instrução Normativa SRF na 71, de 2001, alterada pelas IN SRF n' 101, de 001, e 134, de 2002, correspondente aos l'-' a 4° trimestres de 2002 e de 2003, e aos 1 -° e 2' mestres de 2004. Por ser optante do Simples, a empresa foi penalizada com a multa reduzida R:t 1.500,00 por mês calendário, conforme estabelece o art_ 505, parágrafo único do Decreto 4!544, de 2002 (Regulamento do IP1/2002). 1111 A descrição dos fatos encontra-se no relatório componente do Acórdão roferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA, que anscrevo e adoto, verbis: "A DU' Marabá/PA, em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, lavrou Auto de Infração lançando multa em virtude da não entrega, no prazo fixado pela legislação, das Declarações Especiais de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIP — Papel Imune) a que estava obrigado o contribuinte acima identificado, com fundamento no art, 505 c/c art. 368 do Decreto ria 4.544, de 26 de dezembro de 2002 - Regulamento do IN (Ripi/2002), num valor total de R$ 322,500,00, conforme demonstrativo de fl. 016 2. Cientificada do lançamento em 15.03,2005 (AR — ft 25), a interessada apresentou, tempestivamente, em 11.04.2005, impugnação na qual preliminarmente alega ser nulo o Auto, por haver sido lavrado em Marabá/PA, quando a sede da empresa esta no município de Redenção/PA, em descumptimento ao disposto no art. 10 do Decreto na 70.235, de 6 de março de 1972 - Processo Administrativo Fiscal (PAP). A outra nulidade apontada seria a citação, como base legal, de instrução normativa inexistente, caracterizando, segundo seu entendimento, cerceamento do direito de defesa. 3. Defende, citando o art. 505 do Ripi/2002, que o fato gerador da multa seria o não atendimento As intimações feita pela Fiscalização, o que não ocorreu no caso presente, uma vez que a empresa apresentou explicações dentro do prazo concedido. Na hipótese, a multa deveria ser aplicada entre a data maxima objeto do termo de intimação e da data em que a empresa apresentou seus motivos para a não apresentação da declaração no prazo. 4. Alega haverem sido quebrados os princípios da proporcionalidade, tazoabilidade e eficiência, requerendo ainda a aplicação da multa mais benéfica, no caso de não ser compartilhado seu entendimento, e ressaltando a inconstitucionalidade da norma imposta por ser a obrigação tributária matéria de lei complementar'. 5. Pede que seja verificada a "legislação mais recente sobre Imposto de Renda ou mesmo a legislação que reporta aos contribuintes do SIMPLES, e assim, por analogia, teremos uma multa mais branda, que, no caso de não serem aceitas as argumentações acima expostas, deverão ser aceitas afim de que, ao abraçar o caráter da lei, inclusive a administrativa, a legislação mais benéfica possa tetroagir pat a beneficiar o contribuinte/impugnante". 6. Por fim, requer: 1) que sejam reconhecidas as preliminares de nulidade; II) caso não seja acatada a tese da nulidade, a multa seja calculada a partir da última ri intimação não atendida; III) a realização de diligências para se apurar o indicado pelo inciso II do art. 57 da Medida Provisória n° 2.158-34, de 2001; IV) que em razão da quebra dos princípios constitucionais, seja desconsiderada a autuação, ou mesmo incorretos os valores apresentados; V) que sejam alterados os valores em virtude da empresa ser optante do Simples ou por existir "legisla cão mais benéfica ao contribuinte, a saber, legislação quanta ao atraso na entrega de declarações, que impõe aos contribuintes uma multa Incas branda".. O julgamento de primeira instância foi realizado pela 3" Turma da DRJ em Belém/PA, nos termos do Acórdão DRJ/BEL n p- 01-9.295, de 20/9/2007 (fls. 55/60), cuja ementa dispõe, verbis: "OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS DIF-PAPEL IMUNE FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A não-apresentação, ou a apresentação da DIF-Papel Imune após os prazos estabelecidos para a entrega dessa declaração, sujeita o contribuinte a imposição da multa prevista no artigo 57 da MP 2.158-35. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO 1NCONSTITUCIONALIDADE PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade de dispositivos legais. Os atos regularmente editados segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade até decisão emz contrário do Poder NULIDADE. É legitima a lavratura de auto de infração no local em z que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento db contribuinte. Inexiste prejuízo para a defesa do contribuinte na menção incorreta do ano de ato normativo no Auto, mesmo porque, em seu arrazoado, a Impugnante mostra conhecer o ato em questão, ao citá-lo corretamente. Lançamento Procedente" • O órgão julgador rejeitou as preliminares de nulidade e, quanto ao mérito, aduziu essencialmente, que o art. 16 da Lei rig- 9.779, de 1999, a Receita Federal instituiu obrigação acessória (entrega de DIF — Papel Imune) para as empresas incluidas no registro especial para estabelecimentos que realizem operações com papel destinado à impressão de , livros, jornais e periádicos, e que posteriormente foi editada a IN SRF n ° 159, de 2002, que ; prescreveu que a apresentação da DIP é obrigatória, independente de ter havido ou não OPeração corn papel imune no período. Entendeu a DIU que, no caso concreto, o lançamento foi feito corn a multa reduzida em virtude de a empresa ter optado pelo Simples, não sendo aplicável o inciso II do art, 57 da Medida Provisória n° 2.158-34, de 2001, vez que não se trata ide hipótese de operação em que a empresa seja responsável tributária, concluindo que a , 14islação foi aplicada corretamente no que respeita à aplicação da penalidade, 1!1 S3-C2T2 Processo n° 10218.000118/2005-69 AC6rao n "3202-00.155 Fl. 91 3 ri , S3-C212 e Fl 92 cesso n0 10218000118/2005-69 &ciao n.° 3202-00.158 A interessada apresenta recurso As fls. 65/79, no qual ratifica as alegações pntidas em sua impugnação e requer seja dado provimento ao recurso, com o cancelamento do i.fiçamento em questão. o relatório. 4 1 1 Processo n° 10218.000118/2005-69 S3-C2T 2 Ae6rdao n O 3202-00.158 Fl. 93 Voto Conselheiro JOSÉ LUIZ NOVO ROSSARI, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razões por que dele tomo conhecimento. Entendo que as preliminares suscitadas, pertinentes a alegações de nulidade do Auto de Infração por ter sido lavrado em local distinto do domicilio da recorrente e por ter sido utilizada capitulação errônea, foram bem apreciadas e afastadas pelo órgão julgador de primeira instancia. A propósito, a Súmula n2 6 citada pela DRJ foi recentemente ratificada, em identicos termos, pela Súmula nt.) 6 do CARF, divulgada pela Portaria CARF n 106, de 121/1212009 (DOU de 22112/2009). Quanto a menção incorreta do ano de edição da IN SRF nC 171, também não vejo como possa ser motivo de cerceamento do direito de defesa, visto que a ppria recorrente citou corretamente esse ato, demonstrando ter pleno conhecimento de sua eistência. Por isso, rejeito as preliminares apresentadas . I Por igual, entendo descabido o pedido de diligência para que seja verificado sei a recorrente está incursa na situação referida no inciso II do art, 57 da Medida Provisória 21158-34/2001, visto que os elementos constantes dos autos trazem as informações necessárias pra a apreciação da lide e, além disso, não foram satisfeitos pela recorrente os requisitos l obrigatórios pertinentes A solicitação de perícia para a produção de provas, previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto n' 70.235, de 1972. No mérito, verifica-se que, com base na competência para dispor sobre 9brigações acessórias, que foi atribuida à SRF pelo art. 16 da Lei n9.779, de 1999, a legislação é clara quanto à obrigatoriedade de apresentação da DIF — Papel Imune no prazo definido no art. 11 da IN SRF ng 71, de 2001, sob pena de aplicação da multa referida no art. 57, da Medida Provisória n° 2.158-34, de 2001, conforme refere o art. 12 do citado ato administrativo. ,k vista da clareza dessa legislação, não procede a arguição da recorrente no sentido de que a multa seja calculada a partir da última intimação não atendida, cumprindo observar que o lançamento foi formalizado com a aplicação correta da norma legal vigente e obediência a todos os aspectos formais. Trata-se, na espécie, de norma tributária-penal 'destinada ao controle fiscal e decorrente de lei, sendo descabida a sua inaplicação em face de alegações de violação aos princípios de proporcionalidade, razoabilidade e eficiência, como pleiteia a recorrente . No entanto, com a superveniência da Lei n 11,945, de 4/6/2009, houve sOstancial alteração na legislação pertinente ao Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil e à apresentação de informações referentes ao controle de papel beneficiado com imunidade, como se verifica do seu art. 1 12, verbis: "Art. 1 1 Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: 5 I - exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado a impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art, 150 da Constituição Federal; e II - adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso H do an, 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de /1w os, jornais e periódicos. § 12 A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput deste at tigo faz prova da regidai idade da sua destinação, sem prejuízo da responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua finalidade constitucional. § 22 0 disposto no § 12 deste artigo aplica-se também para efeito do disposto no § 22 do art 22 da Lei if 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no § 2 2 do art. 22 e no § 15 do art. 32 da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e no § 10 do art. 82 da Lei if 10,865, de 30 de abril de 2004. § 32 Fica atribuida à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para. I - expedir narinas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as! pessoas jurídicas para sua concessão; II - estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da con-eta destinação do papel beneficiado coin imunidade, inclusive mediante a instituição de obriga cão acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 42 0 não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3= deste artigo sujeitará a pessoa jurídica as seguintes penalidades I - 5% (cinco por cento), não infer jar a R$ 100,00 (cem reels) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel inutile omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II - de R$ 2.500.00 Oils mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5 000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste ai-ligo, se as informações não .forem apresentadas no prazo estabelecido (destaquei) § 52 Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio, a multa de que trata o inciso II do § 42 deste artigo será reduzida à metade." Esse dispositivo legal foi objeto da IN RFB IV 976, de 2009, que revogou a SET ri° 71 e as 'Ns que lhe alteratam a redação, e dispôs especificamente sobre a 1'41 apresentaeão da DIE — Papel Imune em seu art. 12, verbis: 11 S3-C2 T 2 Fl 94 vcesso n" 10218. 000118/2005-69 cárdão n " 3202-00.158 6 83-C212 pcqso n° 10218.000118/2005-69 bárdrici ti ° 3202-00.158 Fl. 96 ti
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Numero do processo: 35011.002573/2005-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1998 a 30/04/2001
SERVIDOR TEMPORÁRIO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL.
Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica-se o regime geral de previdência social.
Numero da decisão: 2301-003.862
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para decidir que a Relação de CoResponsáveis CORESP", o "Relatório de Representantes Legais RepLeg e a Relação de Vínculos VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal,tendo finalidade meramente informativa,nos termos do voto do Relator; b) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 09/2000, anteriores a 10/2000, nos termos do voto do(a) Relator(a); c) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a)Relator(a).c) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente,nos termos do voto do(a) Relator(a).
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR- Relator.
EDITADO EM: 23/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, FABIO PALLARETTI CALCINI
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplicase o regime geral de previdência social. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para decidir que a Relação de CoResponsáveis CORESP", o "Relatório de Representantes Legais RepLeg e a Relação de Vínculos VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal,tendo finalidade meramente informativa,nos termos do voto do Relator; b) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 09/2000, anteriores a 10/2000, nos termos do voto do(a) Relator(a); c) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a)Relator(a).c) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente,nos termos do voto do(a) Relator(a). MARCELO OLIVEIRA Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 01 1. 00 25 73 /2 00 5- 46 Fl. 287DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 09/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA 2 EDITADO EM: 23/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, FABIO PALLARETTI CALCINI Relatório Adoto o relatório constante do Acórdão n. 1514.960 – 6ª Turma da DRJ/SDR [fls. 130 e ss]: Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) lavrada em substituição a NFLD DEBCAD n° 35.782.7988, declarada nula, conforme Decisão Notificação n° 03.401.4/0211/2005, que consigna contribuições sociais previdenciárias correspondentes à parte dos segurados empregados (não descontada) e à parte do órgão público, destinada ao Fundo de Previdência e Assistência Social (FPAS) e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, previstas na Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991. O Auditor Fiscal no Relatório Fiscal, às fls. 43 a 49, afirma que o crédito compreende as competências de 12/1998 a 04/2001 e se refere às contribuições incidentes. sobre a remuneração paga ou creditada por serviços prestados pelos segurados contratados sob a égide do Regime Jurídico dos Servidores admitidos em caráter temporário — Lei Estadual n° 1.674, de 10 de dezembro de 1984 (pessoal civil), lotados na Polícia Militar do Estado do Amazonas. Afirma que "os valores dos Levantamentos `YC2' e `YC3' que compõem o Relatório de Lançamentos — RL foram arbitrados por aferição indireta, com base no § 3° do art. 33 da Lei n° 8.212/91, pois as rubricas Etapas e Produtividade constavam na Folha de Pagamento de forma a englobar os servidores estatutários e temporários. Dividimos então, por competência, o montante das rubricas pelo número total de servidores e multiplicamos pelo número de servidores temporários. O resultado foi lançado como Base de Cálculo das Contribuições devidas". Afirma também que, a partir da Emenda Constitucional n° 20, de 15 de dezembro de 1998, os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) dos entes da Federação devem abranger somente os servidores titulares de cargos efetivos e que foram admitidos por • intermédio de concurso público. Os servidores com outros tipos de vínculos com a administração pública seriam segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) na condição de empregados. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 09/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35011.002573/200546 Acórdão n.º 2301003.862 S2C3T1 Fl. 288 3 Dispõe que o § 13 do art. 40 da Constituição Federal, introduzido pela citada Emenda Constitucional, é claro ao vincular ao RGPS os servidores públicos contratados sob a égide de regime temporário ou de emprego público, sendo, portanto, uma norma de eficácia plena e autoaplicável. Desse modo, conclui, "aplicase essa regra a partir de 16 de dezembro de 1998 para os servidores contratados sob Regime Temporário". Para apuração do crédito o Auditor relata que foram examinadas as folhas de pagamento dos servidores temporários, "identificados no seu controle interno como `Vínculo Ç`; Notas de Empenho; Notas de Liquidação de Despesas; Ordens Bancárias e Registros Contábeis do período fiscalizado. O contribuinte tomou ciência da notificação em 26/10/2005, na pessoa do Subprocurador Geral do Estado, conforme assinatura à fl. 1, tendo apresentado i ugnação em 10/11/2005, juntada às fls. 56 a 78, na qual, dispõe, em síntese, o que se segue: A sistemática de levantamento do crédito tributário sob comento não permitiria a identificação de dois aspectos do fato imponível de suma importância: o aspecto material e o aspecto quantitativo (base de cálculo), uma vez que o lançamento não traz a relação nominal dos servidores submetidos ao regime temporário. Dessa forma, é impossível ao Impugnante averiguar quais foram os rendimentos pagos ou creditados aos servidores temporários. Argúi o fato de a Fiscalização ter afirmado no item 10 do Relatório Fiscal que examinou a folha de pagamento dos servidores temporários identificados com o "Vínculo C", as Notas de Empenho, Notas de Liquidação de Despesas, Ordens Bancárias e Registros Contábeis do período fiscalizado e ter arbitrado o lançamento. Conclui, que a Fiscalização lançou crédito em duplicidade, devendo ser declarada a nulidade da NFLD. Para dar concreção aos princípios do contraditório, ampla defesa e devido processo legal, imperioso se torna a relação nominal dos servidores ocupantes de cargo em regime temporário. E isso por dois motivos: 1) esta é a única forma pela qual o Impugnante • pode constatar que a tributação está incidindo sobre os rendimentos pagos/creditados aos servidores ocupantes de cargo em regime temporário — e não a servidores que ocupam cargo em comissão, mas que têm vínculo com o Estado do Amazonas; 2) somente com a relação nominal de tais servidores é possível averiguar a base de cálculo in concretu, ou seja, a base calculada. Alega que parte do crédito tributário lançado na NFLD substituída já tinha sido extinto pela decadência e, conseqüentemente, parte do crédito da NFLD sob julgamento também estaria decadente. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 09/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA 4 Tece comentários a respeito do prazo de decadência em matéria tributária, transcreve trechos de decisões proferidas por tribunais regionais federais e conclui que o art. 45 da Lei n° 8.212, de 1991, seria inconstitucional. Partindo desse entendimento conclui que estaria extinta a constituição dos créditos tributários relativos a contribuições cujos fatos geradores ocorreram antes de janeiro de 1999. Argumenta que os servidores do Estado do Amazonas contratados sob regime • temporário disciplinado pela Lei Estadual n° 1.674, de 1984, possuem vínculo com o Fundo Previdenciário do Estado do Amazonas (Amazonprev), que sucedeu o Instituto do Estado do Amazonas (IPEAM), desde muito antes da edição da EC n° 20, de 1998 e nessa condição receberão aposentadoria pelo Amazonprev como se estatutários fossem. Além disso, declara que o Estado do Amazonas sentese ofendido em sua autonomia, não reconhecendo a constitucionalidade da EC n° 20, de 1998, no que pertine à obrigatoriedade de filiação de seus servidores especiais contratados pela Lei Estadual n° 1.674, de 1984, já que os mesmos estão rodeados de peculiaridades que não podem deixar de ser reconhecidas. Alega que o § 13 do art. 40 da Constituição da República, incluído pela EC n° 20, de 1998, contraria as próprias normas incertas na Lei Maior quando trata do servidor público, principalmente porque fere a autonomia administrativa dos er^s federados quanto à organização de seus serviços e do regime jurídico de seus servidores. Alega também que o citado dispositivo está sob ampla discussão acerca de sua constitucional idade através da ADIN n° 20242, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). Com fulcro nos Princípios da Eventualidade e do Contraditório, argumenta que, somente poderia ser aceita a exigência de contribuições previdenciárias daqueles que foram admitidos na qualidade dessa espécie de tributo, a partir do advento de regra constitucional incluída pela EC n° 20, de 1998, após se completarem os 90 (noventa) dias, de que trata o §6°, do art. 195 da CF. Assim, não se pode exigir, antes de 16/03/1999, a contribuição para a Seguridade Social relativa às categorias de servidores que o novo texto constitucional passou a identificar. Alega que a validade do pagamento efetuado pelo Impugnante ao IPEAM (atual Amazonprev) há que ser considerada, uma vez que agiu com boafé. Impor ao Estado o • pagamento da mesma contribuição ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) é clara violação ao princípio constitucional que veda a chamada "dupla tributação", com o recolhimento da contribuição previdenciária a dois institutos distintos. Por fim, requer que sejam acolhidos os argumentos de fato e de direito levantados e consolidados em sua defesa administrativa, para o fim de ser julgada improcedente a presente NFLD e que seja realizada diligência junto à Polícia Militar/AM para que a Gerência de Recursos Humanos daquele órgão apresente Fl. 290DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 09/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35011.002573/200546 Acórdão n.º 2301003.862 S2C3T1 Fl. 289 5 documentação que comprove os argumentos apresentados nos itens da sua defesa. Em primeira análise, a então Seção do Contencioso Administrativo da Delegacia da Receita Previdenciária — DRP / Manaus solicitou em diligência, às fls. 85 a 87, ao Auditor Fiscal notificante que se manifestasse a respeito da adequação do caso em estudo com o Parecer CJ n° 3.333, de 29 de outubro de 2004, e que juntasse ao processo as Leis Estaduais n° 2.624, de 2000, 2.607, de 29 de junho de 2000, 1.762, de 1986, 1.674, de 1984, e outras que entendesse aplicáveis à situação jurídica tratada pela presente notificação. • Em atendimento à diligência, o Auditor Fiscal notificante trouxe ao processo as leis solicitadas, juntamente com Informação Fiscal, fls. 91 e 92, onde cita parte do art. 1 ° da Lei Estadual 1.674, de 1984, e afirma que, em se tratando de servidores admitidos em caráter temporário, não cabe apoio do previsto no caput do art. 40 da Constituição da República para colocálos como beneficiários do regime próprio de previdência do Estado do Amazonas. Isso posto, apresenta entendimento segundo o qual os servidores admitidos através da Lei Estadual n° 1.674, de 1984, enquadramse no item "c" do Parecer CJ no 3.333, de 2004, referindose a servidores não estabilizados por não cumprirem o interregno de 05 (cinco) anos previsto no art. 19 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias — ADCT, quando a natureza das atribuições dos cargos ou funções ocupados seja temporária, aplicandose, nesse caso o RGPS. Aduz, também, que as disposições da Lei Estadual n° 2.624, de 2000, que transformou em cargos as funções temporárias dos servidores admitidos pela Lei Estadual n° 1.674, de 1984, não se sustentam, à dida que não têm respaldo na Constituição Federal e nem no Parecer CJ n° 3.333, de 2004. Em seguida o mesmo Auditor Fiscal emitiu Relatório Fiscal Complementar, fls.90, que foi encaminhado ao sujeito passivo, com reabertura do prazo para impugnação, conforme cópia de ofício e de Aviso de Recebimento, às fls. 123 e 125, respectivamente. Não tendo sido apresentada nova impugnação pelo sujeito passivo, os autos foram encaminhados para esta Delegacia de Julgamento em SalvadorBA. Em 23 de janeiro de 2008, foi prolatado Acórdão pela DRJSalvador (BA) que julgou procedente o lançamento realizado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS • PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1998 a 30/04/2001 SERVIDORES TEMPORÁRIOS. RGPS. VINCULAÇÃO. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 09/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA 6 Vinculamse ao Regime Geral de Previdência Social os servidores temporários de órgão público. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para o lançamento de contribuições previdenciárias é de 10 anos. Lançamento Procedente Intimado do decisum, o Sujeito Passivo interpôs recurso voluntário [fls. 142 e ss] que reitera as alegações constantes da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade conheço do recurso e passo ao seu exame. I CORESPONSÁVEIS Argüi a recorrente a exclusão do nome do Procurador Geral do Estado da relação de coresponsáveis e da relação de vínculos, haja vista que o quadro de coobrigados será repetido na eventual e futura Certidão da Dívida Ativa. Cumpre esclarecer que os anexos CORESP e relação de vínculos foram claros em afirmar que o relatório trazido é apenas uma lista dos representantes legais do sujeito passivo, indicando a qualificação e o período de atuação, não estabelecendo nenhuma responsabilidade às pessoas nele relacionadas. Ademais, os relatórios de CoResponsáveis e de Vínculos fazem parte de todos processos como instrumento de informação, em conformidade com disposto pelo art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005, que determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativo fiscais e esclarece: Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: (...) X Relação de CoResponsáveis CORESP, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; XI Relação de Vínculos VÍNCULOS, que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; Nesse sentido, o CARF já emitiu enunciado de Súmula que consolidou o entendimento acima manifestado: Fl. 292DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 09/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35011.002573/200546 Acórdão n.º 2301003.862 S2C3T1 Fl. 290 7 Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Portanto, não acolho a preliminar suscitada. II DECADÊNCIA Já manifestei meu entendimento em diversas oportunidades segundo o qual a Contribuição Previdenciária é tributo sujeito ao lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para efetuar o lançamento de tal tributo seria, em regra, o do art.150, §4º do CTN. Dessa forma, o prazo decadencial para o lançamento seria de cinco anos a contar do fato gerador. No tocante à decadência é mister analisarmos o instituto à luz da Súmula Vinculante nº 8, do Supremo Tribunal Federal, publicada no Diário Oficial da União, de 20/06/2008, em consonância com as disposições do art. 103A da Constituição Federal, in verbis: Súmula Vinculante nº 8 – São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.5691997 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) (Vide Lei nº 11.417, de 2006). O art. 2º da Lei nº 11.417, de 19/12/2006, que regulamenta o dispositivo constitucional supratranscrito, assim dispõe sobre os efeitos da Súmula Vinculante editada pelo Supremo Tribunal Federal: Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 09/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA 8 Quanto ao teor da Súmula Vinculante editada, esta declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que previam, respectivamente, prazos decadencial e prescricional de 10 anos para as contribuições devidas à Seguridade Social. O fundamento da decisão foi que lei ordinária não pode dispor sobre prazos de decadência e prescrição de tributo, questões reservadas à lei complementar (artigo 146, III, “b”, da Constituição Federal). Além do entendimento manifesto pelo Supremo Tribunal Federal, para deslinde da questão há de ser considerada também a previsão contida no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, alterado pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, abaixo transcrito: “62A – As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infracontitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dessa forma, no tocante à matéria prazo decadencial, o Superior Tribunal de Justiça, julgando os recursos submetidos à sistemática de repetitivos, proferiu o Acórdão no Resp 973733, pacificando a matéria, cujo ementa transcrevo: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, Fl. 294DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 09/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35011.002573/200546 Acórdão n.º 2301003.862 S2C3T1 Fl. 291 9 "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Nesse sentido, considerando a existência de decisão emanada do egrégio Tribunal, em sede de Recursos Repetitivos, passo a análise do caso concreto. Notese, inicialmente que, diferente da tese dominante nesse Conselho em relação ao fato de que a atividade desenvolvida pelo sujeito passivo tendente a praticar as ações previstas no art. 142 do CTN, independente de pagamento, seria o objeto da homologação pela autoridade tributária, verificase que a teor da decisão do STJ, o que deve ser homologado é o pagamento eventualmente antecipado pelo sujeito passivo. Feitas essas considerações, para solução da lide ora proposta, resta dirimir se houve ou não recolhimento da parte do contribuinte. Dessa forma, com o advento da decisão acima referida, temse que nos casos em que não houve antecipação de pagamento devese aplicar a regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, contarse o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Nos casos em que há recolhimento, ainda que parcial, aplicase a regra do art. 150, § 4º do CTN, ou seja, o prazo iniciase na data do fato gerador. Considerando que Recorrente foi cientificada em 26/10/2005 e que houve recolhimento, aplico o art. 150, §4º do CTN, restando, por conseguinte, fulminadas pela decadência as competências anteriores a 10/2000. III SERVIDORES TEMPORÁRIOS Referese a notificação às contribuições previdenciárias relativas aos servidores contratados sob a égide do regime temporário que, obrigatoriamente, são enquadrados no RGPS, por força do disposto no artigo 40, § 13, da Constituição Federal de 1988, na redação dada pela Emenda Constitucional n°20, de 15 de dezembro de 1998: Constituição da República, de 5 de outubro de 1988 Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Fl. 295DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 09/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA 10 Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e do pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. (Redação dada pela Emenda Constitucional n°41, 19.12.2003) § 13 Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica se o regime geral de previdência social. (Incluído pela Emenda Constitucional n°20, de 15/12/98) De acordo com os elementos descritos no processo, em especial com o disposto na Lei Estadual n.º 1.674/84, a natureza das atribuições dos cargos ou funções ocupados é temporária, aplicandose a estes servidores o Regime Geral de Previdência Social. A alegação do contribuinte de que a Lei Estadual n.º 2.624/2000, transformou em cargos as funções exercidas pelos temporários não tem o condão de excluir os servidores do RGPS, pois está explicito na mesma que a contratação deles se dará por prazo determinado e para atender necessidade temporária de excepcional interesse público. A natureza das funções é temporária e embora os servidores estejam por muito tempo exercendo alguma função, isto não os transforma em servidores públicos efetivos abrangidos por Regime Próprio de Previdência. Do exame das leis estaduais juntadas aos autos, se verifica que a Lei Estadual n° 2.607, de 2000, fls. 104/106, em seu art.15, revoga expressamente a Lei Estadual n° 1.674, de 1984, e "dispõe sobre a contratação de pessoal por tempo determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público, sob regime de Direito Administrativo, nos termos do art. 37, IX, da Constituição Federal e do art. 108, § 1° da Constituição do Estado". Por outro lado, a Lei Estadual n° 2.624, de 2000, assim dispõe: Art. 1° Ficam transformados em cargos as funções que atualmente desempenham os servidores que pertenciam ao regime especial instituído pela Lei n° 1.674, de 10 de dezembro de 1984, ou admitidos na forma do § P do art. 108 da Constituição do Estado. A transformação de funções em cargos não descaracteriza a natureza temporária das atribuições dos servidores, que, por esta razão, continuam vinculados ao RGPS. Ademais, a própria Constituição da República, em seu art. 40, § 13, acima transcrito, referese a "ocupante de cargo temporário", estabelecendo que a este se aplica o regime geral de previdência. Quanto à argüição da recorrente de que as competências de 01/1999 e 02/1999, deveriam ser excluídas do levantamento por não obedecerem ao prazo nonagesimal, previsto na Constituição Federal, que as liquidações de despesas não traziam os destinatários das mesmas, que existem servidores efetivos nos quadros dos comissionados, que não foi observado o teto de contribuição para os segurados, que não foram deduzidas as parcelas de saláriofamília e que devem ser excluídas as diárias pagas a servidores efetivos, registro que tais alegações não constaram da peça de defesa da recorrente, por ora da impugnação do lançamento, motivo pelo qual deixo de me manifestar sobre tais assuntos. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 09/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35011.002573/200546 Acórdão n.º 2301003.862 S2C3T1 Fl. 292 11 Portanto, conheço do recurso, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 09/2000, anteriores a 10/2000. É como voto. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Fl. 297DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 09/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 11080.011261/2008-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 14 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2101-000.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento em diligência, para esclarecimento sobre o valor dos honorários recebidos pelo advogado da causa trabalhista objeto do auto de infração em discussão. Vencidos os Conselheiros Eduardo de Souza Leão, Eivanice Canário da Silva e Alexandre Naoki Nishioka, que votavam por dar provimento ao recurso. Designada para redigir a resolução de diligência a Conselheira Maria Cleci Coti Martins.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
EDUARDO DE SOUZA LEÃO - Relator
MARIA CLECI COTI MARTINS - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka, Heitor de Souza Lima Junior, Maria Cleci Coti Martins, Eivanice Canario da Silva e Eduardo de Souza Leão.
Nome do relator: EDUARDO DE SOUZA LEAO
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Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento em diligência, para esclarecimento sobre o valor dos honorários recebidos pelo advogado da causa trabalhista objeto do auto de infração em discussão. Vencidos os Conselheiros Eduardo de Souza Leão, Eivanice Canário da Silva e Alexandre Naoki Nishioka, que votavam por dar provimento ao recurso. Designada para redigir a resolução de diligência a Conselheira Maria Cleci Coti Martins. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente EDUARDO DE SOUZA LEÃO Relator MARIA CLECI COTI MARTINS Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka, Heitor de Souza Lima Junior, Maria Cleci Coti Martins, Eivanice Canario da Silva e Eduardo de Souza Leão. Relatório Em princípio deve ser ressaltado que a numeração de folhas referidas no presente julgado foi a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Tratase de Recurso Voluntário objetivando a reforma do Acórdão de nº 1036.092 da 4ª Turma da DRJ/POA (fls. 120/122), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Impugnação do Contribuinte/Recorrente, mantendo o Lançamento Fiscal RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .0 11 26 1/ 20 08 -9 4 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 10/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11080.011261/200894 Resolução nº 2101000.161 S2C1T1 Fl. 3 2 lavrado para incluir na tributação valores correspondentes a rendimentos recebidos acumuladamente pelo Contribuinte em razão de ação trabalhista, resultando na diminuição do saldo do valor a restituir, apurado na Declaração de Ajuste do Contribuinte. Os argumentos de Impugnação arguidos foram sintetizados pelo Órgão Julgador a quo nos seguintes termos “O contribuinte, inconformado com o lançamento, apresentou impugnação tempestiva à Notificação Fiscal, às fls. 02 a 10, informando, inicialmente, que está contestando apenas a recusa do desconto de honorários advocatícios no valor de R$ 70.000,00, do montante recebido em decorrência de ação trabalhista. Junta documentação anexada às fls. 23 a 56." (fls. 121). A decisão proferida pela da 4ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre (RS), restou assim ementada: “RENDIMENTO TRIBUTÁVEL. Integra o montante de rendimentos tributáveis os valores do trabalho assalariado recebidos acumuladamente em decorrência de reclamatória trabalhista, podendo ser deduzidas as despesas com honorários advocatícios/periciais necessárias ao recebimento desses rendimentos, comprovadas com documentação hábil e idônea. Impugnação Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” No Recurso de fls. 126/133, o Recorrente reitera as razões de impugnação, insistindo na desconfiguração de parte do crédito tributário, porquanto alega que dos R$129.426,51 dispostos como omitidos, o montante de R$ 70.000,00 referese à verba honorária devida ao Dr. Adroaldo J. Dall”agnol, conforme comprova documentos acostados ao feito. Pede, ao final, que seja acolhido o recurso para afastar o valor de R$70.000,00 do rendimento tributável repassados pela Empresa Brasil Telecom S/A, incluído no acordo trabalhista a título de honorários de assistência judiciária. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO Fl. 143DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 10/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11080.011261/200894 Resolução nº 2101000.161 S2C1T1 Fl. 4 3 O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Em princípio, conforme se verifica nos autos, importa salientar que tanto a Impugnação quanto o Recurso Voluntário em análise, restou questionado apenas parte dos valores submetidos a tributação, no montante de R$ 70.000,00, valor alegado que transferido diretamente aos advogados que atuaram na ação trabalhista. Neste caso, não impugnada toda a matéria disposta na Notificação de Lançamento, considerase admitido a parte do crédito tributário não contestado pelo Contribuinte, na melhor aplicação do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)” Por outro lado, restou em litígio parte do lançamento relativo aos rendimentos recebidos em razão da ação da ação trabalhista movida contra a Empresa Brasil Telecom S/A., cuja tributação culmina na diminuição de valores a serem restituídos ao Contribuinte/Recorrente. De fato, pretende o recorrente que seja deduzido o valor dos honorários advocatícios despendidos em face da ação judicial que resultou no recebimento do rendimento considerado omitido pelo lançamento fiscal. Para tanto, juntou documentos, em especial Alvará (fls. 32), em nome do Dr. Adroaldo J. Dall’agnol, e uma Nota Fiscal de prestação de serviços (fls. 35), atestando o trabalho e recebimento do valor de R$ 70.000,00 a título de honorários advocatícios, em razão dos serviços prestados nos autos do processo nº 00596.2002.006.04.017, referente a ação trabalhista. Não obstante, os documentos juntados aos autos indicam que tratase de processo que tramitou perante a Justiça do Trabalho da 4ª Região. No caso, uma simples consulta processual no site do TRT da 4ª Região (www.trt4.jus.br), oferta os seguintes dados: Fl. 144DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 10/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11080.011261/200894 Resolução nº 2101000.161 S2C1T1 Fl. 5 4 Depreendese dos dados levantados, que o Dr. Adroaldo J. Dall’agnol figurou como Patrono do Reclamante ROBERTO ROSADO TELLES no Processo nº 00596.2002.006.04.017, que representa a numeração antiga do Processo nº 0059601 15.2002.5.04.0006 (Carta de sentença), este apensado a Ação Reclamatória nº 0059600 30.2002.5.04.0006, transitada na 6ª Vara do Trabalho de Porto Alegre. Do exame das peças indicadas que integram os presentes autos, em confrontação com tais dados, verificase que, de fato, o referido advogado figura como patrono do Recorrente na ação trabalhista movida contra o OI S.A. (BRASIL TELECOM S.A.), razão pela qual lhe foi auferido um pagamento no valor de R$ 70.000,00, descontado do montante recebido (fls. 32). Nestes casos, o parágrafo único do art. 56, do Decreto nº 3.000, de 1999 – RIR/1999, autoriza a seguinte providência: Art. 56. (...) Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, poderá ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12). (Grifamos) Assim, nos termos da legislação em vigor, há que ser excluída da base de cálculo tributável, considerada omitida pela Fiscalização o valor de R$ 70.000,00 pagos ao Douto Causídico. Neste sentido já se posicionou este Colendo Conselho: "PAGAMENTO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Deduzse do rendimento considerado omitido o valor honorários advocatícios desembolsados em face da ação judicial que propiciou o respectivo recebimento. Recurso voluntário provido. (Acórdão nº 2802002.874, Processo nº 13894.720066/201113, Relator Cons. JACI DE ASSIS JUNIOR, 2ª TE / 2ª CÂMARA / 2ª SEJUL / CARF/MF); HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUÇÃO. Comprovado o pagamento de honorários advocatícios e a efetiva contratação do profissional, deve ser admitida a dedução na determinação da base de cálculo do imposto. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Acórdão nº 2801003.431, Processo nº 10930.000500/200941, Relatora Conselheira TANIA MARA PASCHOALIN, 1ª TE / 1ª CÂMARA / 2ª SEJUL / CARF/MF); Fl. 145DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 10/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11080.011261/200894 Resolução nº 2101000.161 S2C1T1 Fl. 6 5 DESPESAS COM HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUÇÃO. Os honorários advocatícios são dedutíveis, para fins de determinação da base de cálculo sujeita à incidência do imposto, sendo certo que a apresentação de recibos são suficientes para comprovar a despesa. Recurso Voluntário Provido (Acórdão nº 2102002.770, Processo nº 10840.720621/200831, Relatora Conselheira NUBIA MATOS MOURA, 2ª TO / 1ª CÂMARA / 2ª SEJUL / CARF/MF); RENDIMENTOS AUFERIDOS EM AÇÃO JUDICIAL. DEDUÇÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. CABIMENTO. Os honorários advocatícios comprovadamente pagos são dedutíveis na apuração do imposto incidentes sobre os rendimentos auferidos relativamente à correspondente ação judicial. Recurso provido. (Acórdão nº 2802002.542, Processo nº 10805.001118/200817, Relatora Conselheira DAYSE FERNANDES LEITE, 2ª TE / 2ª SEJUL / CARF/MF). Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo tributável o valor de R$ 70.000,00, relativo a parcela paga a titulo de honorários advocatícios, contudo mantendo o lançamento fiscal no restante não contestado e assim admitido como devido pelo Contribuinte/Recorrente, reduzindo o valor da restituição do Contribuinte/Recorrente nos valores cominados em sua Declaração de Rendimentos. É como voto. Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO Voto Vencedor O contribuinte foi autuado por omissão de rendimentos em decorrência de recebimento de ação trabalhista no exercício 2006. O Acórdão de Impugnação 1036.092 da 4a. Turma da DRJ/POA manteve o lançamento. No Recurso Voluntário o contribuinte novamente pede o reconhecimento da dedutibilidade dos valores pagos pelo juízo diretamente ao patrono da ação, sob a denominação de "honorários de assistência jurídica", no valor de R$ 70.000,00. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 10/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11080.011261/200894 Resolução nº 2101000.161 S2C1T1 Fl. 7 6 O recorrente argumenta que o valor em litígio não foi recebido, sendo repassado diretamente do juízo para o patrono da causa. O colegiado entendeu que, tendo em vista a possibilidade de que os honorários de assistência jurídica se refiram à honorários de sucumbência, e não honorários advocatícios que o recorrente teria pago ao patrono da causa trabalhista, decidiu transformar o julgamento em diligência para dirimir a dúvida. Assim, o presente processo está sendo baixado em diligência para que sejam juntados aos autos os seguintes documentos/esclarecimentos: 1. Contrato de prestação de serviços entre o contribuinte e o patrono da causa; 2. Cópia da peça inicial da ação trabalhista aonde constam os pedidos do recorrente junto àquela esfera judicial; 3. Esclarecimentos devidamente documentados sobre todos os valores recebidos pelo patrono da ação trabalhista (prestação de serviços ao recorrente e os de sucumbência) em decorrência do processo. O recorrente deve ser cientificado do resultado da diligência, e informado de que poderá se manifestar sobre o resultado da diligência dentro do prazo de 30 dias. Maria Cleci Coti Martins Redatora designada Fl. 147DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 10/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 17546.001025/2007-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/05/2003
DECADÊNCIA PARCIAL
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência.
Tratando-se de descumprimento de dever instrumental incide do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional.
BIS IN IDEM. INEXISTÊNCIA.
A apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores correspondia a uma multa de 100% do valor relativo à contribuição não declarada, dependendo do número de segurados, e apresentar GFIP com erro de preenchimento com dados não relacionados a fatos geradores sujeitava à penalidade do artigo 92 da Lei 8.212/91, conforme §§ 5º e 6º do artigo 32 da Lei 8.212/91, na redação vigente à época dos fatos.
ALÍQUOTAS DO RAT. SUMULA 351 DO STJ. PARECER PGFN/CRJ/Nº 2120 /2011.
A alíquota do RAT, de acordo com a jurisprudência do STJ, acolhida pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, deve ser calculada por estabelecimento identificado por CNPJ.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea c, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 32-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte.
Numero da decisão: 2301-004.065
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir da autuação, devido à regra decadencial expressa no inciso I, Art. 173 do CTN, os fatos ensejadores da multa até 11/2000, anteriores a 12/2000, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em dar provimento parcial ao recurso, para acatar o argumento de que a verificação do SAT/RAT deve ser efetuado por estabelecimento da recorrente identificado por CNPJ, nos termos do voto do Relator; c) em dar provimento parcial o recurso, para aplicar a multa prevista nos termos do artigo 32-A, inciso I, da Lei nº 8.212/1991, nos termos do voto do Relator.
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Wilson Antonio de Souza Correa, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva, Andrea Brose Adolfo e Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/05/2003 DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência. Tratandose de descumprimento de dever instrumental incide do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. BIS IN IDEM. INEXISTÊNCIA. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores correspondia a uma multa de 100% do valor relativo à contribuição não declarada, dependendo do número de segurados, e apresentar GFIP com erro de preenchimento com dados não relacionados a fatos geradores sujeitava à penalidade do artigo 92 da Lei 8.212/91, conforme §§ 5º e 6º do artigo 32 da Lei 8.212/91, na redação vigente à época dos fatos. ALÍQUOTAS DO RAT. SUMULA 351 DO STJ. PARECER PGFN/CRJ/Nº 2120 /2011. A alíquota do RAT, de acordo com a jurisprudência do STJ, acolhida pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, deve ser calculada por estabelecimento identificado por CNPJ. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 32A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 54 6. 00 10 25 /2 00 7- 41 Fl. 681DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 21/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir da autuação, devido à regra decadencial expressa no inciso I, Art. 173 do CTN, os fatos ensejadores da multa até 11/2000, anteriores a 12/2000, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em dar provimento parcial ao recurso, para acatar o argumento de que a verificação do SAT/RAT deve ser efetuado por estabelecimento da recorrente identificado por CNPJ, nos termos do voto do Relator; c) em dar provimento parcial o recurso, para aplicar a multa prevista nos termos do artigo 32A, inciso I, da Lei nº 8.212/1991, nos termos do voto do Relator. Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Wilson Antonio de Souza Correa, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva, Andrea Brose Adolfo e Adriano Gonzales Silvério. Relatório Tratase de Auto de Infração nº 37.017.0083, cientificado ao contribuinte em 14/09/2006, o qual exige multa pela infringência ao art. 32, Inciso IV, parágrafo 6°, da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei n° 9.528/97, regulamentada pelo Decreto n° 3.048/99 e alterações posteriores, pela apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações A Previdência Social GFIP com erro nos campos relativos a Alíquota SAT e omissão de informações relativas a autônomos e cooperativas, não relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias, nas competências 01/2000 A 05/2003, conforme Relatório Fiscal da Infração as fls. 38. Conforme Relatório Fiscal de aplicação da multa, As fls.39, aplicouse a multa prevista no art. 284, III, do Regulamento da Previdência Social — RPS, Decreto no 3.048/99, equivalente a 5% (cinco por cento) do valor mínimo por campo com informação incorreta, atualizada pela Portaria MPS no 342, de 16/08/2006, perfazendo o total de R$ 4.974,89 (quatro mil, novecentos e setenta e quatro reais e oitenta e nove centavos). A ora recorrente, devidamente intimada, apresentou sua impugnação alegando, em breve síntese, que o lançamento não merece prosperar, uma vez que houve bis in idem, na medida em que houve a lavratura de auto de infração de GFIP, relacionado a fatos geradores e que não houve equívoco em relação a alíquota do SAT (2% ou 3%), pois há estabelecimentos que a empresa entende que a alíquota deve ser 2%. Fl. 682DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 21/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 17546.001025/200741 Acórdão n.º 2301004.065 S2C3T1 Fl. 682 3 A DRJ da São Paulo manteve o lançamento, o que motivou o sujeito passivo a interpor recurso voluntário deduzindo a matéria suscitada em impugnação, bem como a decadência parcial do crédito tributário É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso voluntário reúne as condições de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Decadência De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. O Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 5596664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8212/91. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 na respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconst6itucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 683DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 21/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafo da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. §1º A Súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.).” Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, nos termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilidade pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Fl. 684DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 21/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 17546.001025/200741 Acórdão n.º 2301004.065 S2C3T1 Fl. 683 5 Afastado, pois, o prazo previsto originalmente no citado artigo 45, cabe agora verificar o prazo aplicável, se aquele do artigo 150, § 4º ou 173, inciso I, ambos da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. Temos adotado a posição doutrinária e jurisprudencial no sentido de que havendo pagamento antecipado por parte do contribuinte, em relação ao fato gerador posto em discussão, deve incidir o prazo decadencial qüinqüenal previsto no mencionado artigo 150, § 4º. Nesse sentido a decisão proferida pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, na sistemática de recurso repetitivo, nos autos do Recurso Especial 973.733/SC, a qual deve ser atendida, por força do disposto no artigo 62A Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758∕SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163∕210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos Fl. 685DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 21/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 6 sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa∕concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91∕104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396∕400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183∕199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.” No caso dos autos não há que se falar em pagamento antecipado, pois houve o descumprimento de dever instrumental, o que atrai a incidência do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Sabendose que na espécie o período verificado está compreendido entre janeiro de 2000 a maio de 2003 e que a ora recorrente foi intimada do AI em 14 de setembro de 2006, verificase que está decaído o período de janeiro de 2000 a novembro de 2000. Bis in idem Insurgese o recorrente alegando que há bis in idem na exigência da multa lançada nesses autos, uma vez que a fiscalização, em outro Auto de Infração, já teria calculado multa em razão da não informação em GFIP de dados relacionados a fatos geradores. A alegação não se sustenta face aos ditames legais previstos à época dos fatos, na medida em que os parágrafos 5º e 6º do artigo 32 da Lei nº 8.212/91 previam penalidades distintas para as respectivas infrações. Em outras palavras, a apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores correspondia a um multa de 100% do valor relativo à contribuição não declarada, dependendo do número de segurados, e apresentar GFIP com erro de preenchimento com dados não relacionados a fatos geradores sujeitava à penalidade do artigo 92 da Lei 8.212/91. No caso concreto houve a aplicação de penalidades distintas para fatos distintos, não havendo que se falar, portanto, em bis in idem. SAT Fl. 686DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 21/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 17546.001025/200741 Acórdão n.º 2301004.065 S2C3T1 Fl. 684 7 No tocante ao enquadramento em relação ao grau de risco de acidente do trabalho, há de ser observar que hodiernamente está pacificada a questão no sentido de que o grau de risco deve ser apurado em cada estabelecimento da empresa identificado por CNPJ, como já decidiu o Colendo Superior Tribunal de Justiça, que cristalizou o seu entendimento na Súmula 351, in verbis: A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. A Fazenda Nacional, por meio da DD. ProcuradoriaGeral, no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2120/2011 acolheu o entendimento daquele Tribunal Superior, conforme ementa abaixo: “Contribuição Previdenciária. Alíquota. Seguro de Acidente do Trabalho (SAT). A alíquota da contribuição para o SAT é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. Possibilidade de a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional não contestar, não interpor recursos e desistir dos já interpostos, quanto à matéria sob análise. Necessidade de autorização da Sra. Procuradora Geral da Fazenda Nacional e aprovação do Sr. Ministro de Estado da Fazenda.” Assim, no caso dos autos o RAT deve ser apurado de acordo com o grau de risco existente nos estabelecimentos da recorrentes identificados por CNPJ, a fim de verificar a incorreção na GFIP. Multa No tocante à GFIP segundo as novas disposições legais, a multa prevista no artigo 32, § 6º da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, qual seja, aquela aplicada em razão de erro no preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores, a qual culminava com determinado valor por campo inexato, omisso ou incompleto, passou a ser prevista no artigo 32A, cujo inciso I, limita o valor a R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. Incabível a multa prevista no artigo 35A da Lei 8.212/91, uma vez que este dispositivo, ao fazer referência ao artigo 44 da Lei 9.430/61, tal como aplicado pela decisão recorrida, restringe sua aplicação ao lançamento de créditos relativos às contribuições previdenciárias e não o descumprimento de obrigação acessória. Tanto isso é verdade que o novel artigo 35A acima mencionado faz referência “às contribuições referidas no art. 35 desta Lei”. Seguindo essa linha vemos que o artigo 35, ao tratar das contribuições faz nova remissão, agora às alíneas “a”, “b” e “c” do Fl. 687DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 21/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 8 parágrafo único do artigo 11 da Lei 8.212/91, o qual dispõe que constituem contribuições sociais as das empresas, as dos empregadores domésticos e as dos trabalhadores. Não há, portanto, permissão para que a multa do artigo 35A seja lançada em decorrência do descumprimento de dever instrumental. Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na competência 12/2003 ser calculada nos termos do artigo 32A, inciso I, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Diante dessas considerações, voto no sentido de CONHECER o recurso voluntário e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para: i) reconhecer a decadência do período compreendido entre janeiro de 2000 a novembro de 2000, com base no artigo 173, inciso I, do CTN; ii) acatar que a verificação do SAT/RAT deve ser efetuado por estabelecimento da recorrente identificado por CNPJ; e aplicar a multa prevista nos termos do artigo 32A, inciso I, da Lei 8.212/91, nos termos da fundamentação acima. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 688DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 21/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Numero do processo: 16004.001441/2008-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2301-000.280
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a)
Marcelo Oliveira - Presidente.
Bernadete de Oliveira Barros- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva e Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a) Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva e Leonardo Henrique Pires Lopes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 04 .0 01 44 1/ 20 08 -9 4 Fl. 951DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001441/200894 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.280 S2C3T1 Fl. 910 2 RELATÓRIO Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente à contribuições devidas à Previdência Social pelo produtor rural, pessoa física, incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção rural. Conforme Relatório Fiscal (fls. 66), a autuada, pessoa jurídica, adquiriu produção rural de pessoas físicas, ficando, portanto, subrogada nas obrigações de tais produtores. A autoridade lançadora informa que os valores da base de cálculo das contribuições destinadas à Seguridade Social e ao SAT, objeto do levantamento de débito, foram obtidos dos documentos apreendidos, denominados "Planilhas de Abate Diários", nos quais constam a identificação do produtor rural, data e horário de abate, número de cabeças, peso individual por cabeça, valor por arroba, valor total do gado abatido, data do pagamento ou datas quando parcelado, "Relatórios de Movimentação Bancária" e "Formulários Cotações/Compras/Pagamentos" onde constam a data, nome do produtor (fornecedor), valor total da compra, histórico e condições de pagamento. Segundo relato fiscal, verificouse, da análise de tais documentos emitidos pela empresa em comparação com as notas fiscais de entrada emitidas no mesmo período e lançamentos nos Livros Razão, algumas divergências, tais como, para alguns abates e pagamentos efetuados, não foram emitidas as Notas Fiscais de Entrada correspondentes, além de terem sido emitidas algumas Notas Fiscais de Entrada com valores inferiores aos constantes dos documentos de abate e pagamento. Registra que a base de cálculo, demonstrada na Planilha I, referese às divergências acima constatadas nas aquisições de bovinos para abate pela filial da Coferfrigo ATC Ltda CNPJ. Consta, ainda, que o valor das contribuições apuradas e lançadas, constantes da planilha, não foram descontadas dos valores pagos, devidos ou creditados aos produtores rurais pela comercialização dos produtos rurais, como também não foram informados em GFIP, o que, em tese, configura a prática de crime previsto no DecretoLei n. 2.848/40, Art. 337A, inciso III, na redação dada pela Lei n. 9.983/2000, motivo pelo qual será objeto de comunicação a ser encaminhada ao Ministério Público Federal para conhecimento. Esclarece que a ação foi desenvolvida por uma junta fiscal e teve início em 01/2005, tendo sido retomada, em 05/10/2006, por determinação judicial, uma vez que a Policia Federal desencadeou a operação denominada "GRANDES LAGOS”, procedendo buscas e apreensões de documentos em diversos locais, com o intuito de obter provas dos ilícitos praticados pela organização, constituída de várias células ou núcleos, cujo objetivo era sonegar tributos e eximir os titulares de fato de suas responsabilidades relacionadas às áreas trabalhistas e previdenciárias. Observa que o crédito tributário em comento foi lançado em nome de Coferfrigo ATC Ltda "E OUTROS", vez que, analisando a documentação apreendida pela Policia Federal, Fl. 952DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001441/200894 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.280 S2C3T1 Fl. 911 3 Receita Federal do Brasil e Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, verificouse que a empresa Coferfrigo ATC Ltda, juntamente com outras pessoas jurídicas, formam um grupo econômico de fato. A seguir, sintetiza algumas informações a respeito das empresas integrantes do grupo e informa que todos os fatos e documentos que caracterizam o grupo estão relatados e anexados no Relatório de Grupo Econômico, Anexos I e II, que fica fazendo parte integrante deste Auto de Infração. No item 27 do Relatório Fiscal (fls. 79), o agente autuante informa que o Relatório do Grupo Econômico Anexos I e II será encaminhado em arquivo digital, de acordo com o artigo 663, parágrafos 1° e 2° da IN 3/2005, alterado pela IN 851/2008 e, no item 29, esclarece que todos os documentos que integram o Auto de Infração bem como o Relatório de Grupo Econômico Anexos I e II estão a disposição da empresa e responsáveis solidários na Delegacia da Receita Federal do Brasil. Os sujeitos passivos Alfeu Crozato Mozaquatro, Patricia Buzolin Mozaquatro, Marcelo Buzolin Mozaquatro, Indústrias Reunidas CMA Ltda e CM4 Paticipações Ltda, apresentaram defesa tempestiva em conjunto, e o Sr. João Pereira Fraga, espólio, representado por João Adson Fraga (inventariante), também impugnou o lançamento. Apesar de devidamente cientificadas, as demais empresas que, segundo entendimento da fiscalização, integram o grupo econômico de fato e, nessa condição, são responsáveis solidárias pelo débito, não apresentaram defesa e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1426.535, da 9a Turma da DRJ/RPO (fls. 708), julgou as impugnações improcedentes, mantendo o crédito tributário. Inconformados com a decisão, os recorrentes Alfeu Crozato Mozaquatro, Patricia Buzolin Mozaquatro, Marcelo Buzolin Mozaquatro, Indústrias Reunidas CMA Ltda e CM4 Paticipações Ltda, considerados pela fiscalização como coresponsáveis pelo débito, apresentaram recurso tempestivo em conjunto (fls. 799), repetindo as alegações trazidas na impugnação. Reiteram que os Recorrentes, pessoas físicas e jurídicas, foram considerados responsáveis solidários pelo débito tendo como única fundamentação para tanto um "Relatório da Polícia Federal", extraído de Inquérito Policial, sendo certo que a ação penal até a data de hoje não transitou em julgado. Entendem que o presente Auto de Infração é inconsistente e baseiase em prova ilícita, nula de pleno direito, posto que não foi submetida ao crivo do contraditório e da ampla defesa, bem como viola o principio da presunção de inocência, além do órgão autuador não ter produzido prova da responsabilidade na fase administrativa, ônus que lhe competia. Defendem que a prova emprestada do Inquérito Policial presidido por Delegado da Policia Federal não é meio licito para se fundamentar as responsabilidades dos Recorrentes, uma vez que não foram observados os .princípios constitucionais do devido processo legal, ampla defesa e contraditório no processo onde ela foi produzida. Reafirmam que, no caso dos autos, o órgão autuador não fez prova licita alguma da responsabilidade dos Recorrentes, o que impõe a nulidade/inconsistência do auto de infração sobre a responsabilidade atribuída aos mesmos e discorre sobre o princípio da Fl. 953DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001441/200894 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.280 S2C3T1 Fl. 912 4 presunção da inocência, tentando demonstrar que apenas após o trânsito em julgado da ação criminal é que se poderia afirmar algo. Finalizam requerendo que seja reformada a decisão de primeira instância e julgado nulo o AI. O recorrente Sr. João Pereira Fraga espólio, considerado coresponsável pelo débito, representado por João Adson Fraga (inventariante), apresentou recurso tempestivo (fls.813) requerendo, inicialmente, que o Espólio de JOÃO PEREIRA FRAGA falecido, em 02/10/08, seja excluído da condição de passivo solidário. Traz o histórico da empresa COFERCARNES COMERCIAL FENANDOPOLOIS DE CARNES LTDA, da qual seu falecido pai e sua mãe eram sócios fundadores, desde sua constituição. Informa que, após separação judicial, sua mãe vendeu 50% do Capital Social da COFERCARNES para ALFEU MOZAQUADRO, que colocou essas quotas de capital social em nome da empresa CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA, da qual era o proprietário, e impôs que a planta do imóvel industrial fosse integralmente arrendada para uma filial da empresa COFERFRIGO ATC LTDA que, apesar de pertencer no papel a Valter Francisco Rodrigues Junior, havia fortes suspeitas de a mesma pertencer de fato ao Sr ALFEU, uma vez que foi ele quem pessoalmente determinou o arrendamento das instalações do frigorífico Cofercarnes, entabulou o preço e as condições do arrendamento. Discorre sobre o temperamento do Sr. Alfeu e a sociedade, que durou apenas oito meses, concluindo que não pode ser responsabilizado por atos praticados pela empresa COFERFRIGO ATC LTDA, da qual não fora sócio, por ter deixado esta empresa de arrecadar contribuições devidas no período de 01/12/2002 a 31/10/2006. Tenta demonstra que inexiste qualquer relação mercantil ou comercial de seu pai com as empresas mencionadas no Processo e requer a exclusão de seu pai da responsabilidade solidária pelos débitos devidos pela empresa COFERFRIGO, da qual não tinha o menor conhecimento e da qual não participava, por quaisquer de suas formas. Preliminarmente, alega nulidade da autuação por falta de clareza, argumentando que as autoridades fiscais não indicaram a conta contábil ou outro elemento constante da escrituração contábil da COFERFRIGO das quais foram extraídas as importâncias oras lançadas, bem como não elencaram, nos autos, quais seriam as remunerações admitidas como base de calculo das contribuições ou pagamentos que se sucedeu a esse titulo, denotando que não avaliou ou não se aprofundou suficientemente na natureza das rubricas, desconhecida do recorrente. Entende que houve cerceamento de defesa por terlhe sido entregue apenas um CDR, o que impediu o inventariante de manipular os documentos que o fisco julga supostamente representativas das operações praticadas pela Coferfrigo. Sustenta que o arbitramento e o termo de sujeição passiva solidária sobre as contribuições que o Fisco julga devidas pela COFERFRIGO ATC LTDA se deram apenas e estritamente por presunção. Fl. 954DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001441/200894 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.280 S2C3T1 Fl. 913 5 Assevera que o Fisco achou por bem desconsiderar a personalidade jurídica da empresa COFERFRIGO ATC LTDA, exigindo dos solidários, no caso o espólio de JOÃO PEREIRA FRAGA, os tributos eventualmente devidos por aquela, sem contudo observar as normas legais que disciplinam a matéria. Informa que as empresas que, segundo o fisco, integram o grupo econômico Mozaquatro, declararam espontaneamente, nos prazos regulares, toda a movimentação fiscal e contábil em seus nomes, mediante entrega das DCTFs, nos respectivos anoscalendário, bem como as Declarações de Rendas Pessoa Jurídica dos anos calendários de 2002 a 2006, sendo que o fisco não poderia estender a responsabilidade pelo débito constituído em face da empresa COFERFRIGO ATC LTDA, em razão de que tal prática não está autorizada pelo artigo 135, inciso III, do CTN. Argumenta que, não sendo JOÃO PEREIRA FRAGA diretor, gerente ou representante da COFERFRIGO ATC LTDA, não responde por ela, não podendo a cobrança por tais descumprimentos ser redirecionada para a pessoa física de seu pai, como solidário, por não configurar qualquer das hipóteses previstas no art. 135, do CTN, e cita a jurisprudência para reforçar suas alegações. Infere que não é possível, ao Fisco, atribuir a seu falecido pai a responsabilidade pela não retenção de contribuições previdenciárias que seriam de ordem da empresa COFERFRIGO ATC LTDA., do denominado GRUPO ECONÔMICO MOZAQUATRO, uma vez que, em nenhum momento, os fiscais autuantes lograram comprovar a existência do vinculo entre a citada empresa e a pessoa do Sr. JOÃO PEREIRA FRAGA, razões pelas quais deve ser, de plano, decretada a insubsistência do lançamento fiscal contra ele. Insurgese contra a utilização do art. 116, parágrafo único, do CTN, por ser norma de eficácia limitada, que depende de lei ordinária para sua regulamentação e reitera que a empresa de seu pai estava paralisada no período entre 10/2004 a 10/2006, não podendo, portanto, responder pelos débitos previdenciários da empresa Coferfrigo, integrante, segundo o fisco, de um grupo econômico, com empresas instaladas em vários municípios e em outros Estados. Discorre sobre contrato de arrendamento mercantil para tentar demonstrar que o arrendador não responde pelos tributos devidos pela Arrendatária ou outras empresas das quais a Arrendatária seja signatária ou faça parte e conclui que, no caso em apreço, o Espólio de FRAGA, como arrendador, não possuía a obrigação de proceder a retenção ou arrecadar contribuições devidas pela empresa COFERFRIGO ATC. Insiste no entendimento de que ocorrera a decadência de parte do débito, defendendo a aplicação da regra contida no art. 150, § 4o, do CTN, uma vez que o que o contribuinte entregou regularmente ao INSS as informações concernentes a todas contribuições previdenciárias relativas ao período fiscalizado, bem como sequer ocorreu indícios de fraude, dolo ou simulação comprovados. No mérito, reitera que seu pai nunca foi sócio, de fato ou de direito da empresa COFERFRIGO ATC LTDA, bem como não restou provado, nos autos, que seu falecido pai, João Pereira Fraga, tivesse qualquer participação com as empresas do denominado "GRUPO ECONÔMICO MOZAQUATRO”, e nem que seria solidariamente responsável pelos débitos supostamente devidos pelas empresas acima nos períodos mencionados, havendo, no caso, apenas presunções, ou seja, indícios sem comprovações. Fl. 955DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001441/200894 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.280 S2C3T1 Fl. 914 6 Entende que, no caso em tela, os fiscais autuantes promoveram o lançamento contra a empresa COFERFRIGO ATC LTDA por ter deixado de arrecadar, no período de 12/2002 a 10/2006, contribuições de segurados, e quer atribuir, por presunção, a responsabilidade pela falta das retenções ao Espólio de Joao Pereira Fraga, alegando que no período de 15.10.04 a 14.10.05 teria arrendado a planta do seu estabelecimento frigorifico para a empresa COFERFRIGO ATC LTDA, como parte integrante do "Núcleo Mozaquatro" e que, assim o sendo, em decorrência do arrendamento, dele também é parte integrante. Informa que o Espólio tentou o acesso aos documentos que estão em poder da empresa COFERFRIGO e junto à fiscalização federal e estadual para promover a sua defesa, o que lhe foi negado, sob a alegação de que João Pereira Fraga ou o Espólio não fazem parte do quadro societário e há impedimento legal para o acesso, e chama atenção para o fato de que nem mesmo os fiscais autuantes tiveram total acesso a contabilidade da empresa envolvida. Discorre sobre o instituto da solidariedade e traz a doutrina para reforçar o entendimento de que o fisco não poderia incluir o espólio no pólo passivo da presente relação tributária para responder pela divida da Coferfrigo. Quanto à subrogação da compra de gado bovino, traz a decisão do STF no sentido de que os artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis n's 8.540/92 e n° 9.528/97, é inconstitucional. Finaliza, requerendo, em obediência ao principio constitucional de celeridade e economia processual, a improcedência, de plano, da presente exigência fiscal e, pelas razões expostas, sejam acolhidas as preliminares levantadas para, ao final, decretar a exclusão da solidariedade atribuída ao espólio de João Pereira Fraga na multa aplicada contra a empresa COFERFRIGO ATC LTDA. Lucélia Aparecida Nunes Lacerda, sócia do Frigorifico Mega Boi Ltda, que, segundo o fisco, é uma das empresas integrantes do grupo econômico, também apresentou recurso (fls 872), alegando que nunca foi dona de empresa, que não sabia como era a operação da empresa e tampouco injetou dinheiro para ser sócia de empresa, sendo que recebia seu salário da empresa Frigorifico Lister Ltda, administrada pelo Sr. Ivo Chiodi de Jesus e, posteriormente, pela empresa Coferfrigo Atc Ltda e Friverde Industria de Alimentos Ltda de Campina Verde, MG, que era administrada pelo Sr. Djalma Buzolin. Informa que nunca teve casa para morar, vive de aluguel e com um recurso financeiro de R$ 1.155,00 do INSS, que recebeu mais 14 cópias de processos da Receita Federal, leuos, mas não entendeu do assunto mencionado, que nem conhece várias empresas e pessoas mencionadas nos processos, mas somente as empresas e pessoas que trabalharam em Campina Verde — MG. Às fls. 884, a UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), por sua procuradora, com fundamento no art. 48, §2°, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, apresentou contrarazões ao recurso voluntário. É o relatório. Fl. 956DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001441/200894 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.280 S2C3T1 Fl. 915 7 VOTO Conselheiro Relator Os recursos são tempestivos e não há óbice para seu conhecimento. Da análise dos autos, verificase que a fiscalização constatou a existência de grupo econômico de fato entre a empresa autuada e as demais apontadas no Relatório Fiscal, e lavrou o AI com fundamento no inciso IX, do art. 30, da Lei 8.212/91, informando que todos os fatos e documentos que caracterizam o grupo estão relatados e anexados no Relatório de Grupo Econômico, Anexos I e II, que fica fazendo parte integrante deste Auto de Infração. Da mesma forma, o Acórdão recorrido faz referência a esses Anexos, citando, inclusive, folhas onde constam os documentos comprobatórios das acusações fiscais. A autoridade julgadora de primeira instância informa que, no Anexo I, a fiscalização tece inúmeras considerações acerca das empresas que integram o "Grupo Mozaquatro", das plantas frigoríficas utilizadas pelo grupo, inclusive aquela referente à Coferfrigo; das empresas constituídas por interpostas pessoas com o objetivo de fornecer a mãodeobra de que o grupo necessitava, e discorre detalhadamente sobre cada empresa integrante do grupo e pessoas físicas vinculadas às mesmas, além da caracterização do grupo econômico e da solidariedade existente entre as empresas que o integram, procedendose, ainda, a juntada de inúmeros documentos, sendo que o referido anexo totaliza 12 (doze) volumes. Da mesma forma, o citado Anexo II, segundo o Relator do Acórdão recorrido, é “composto por inúmeros documentos tomando corpo em 21 (vinte e um) volumes, trazendo ao final o relatório denominado "VINCULAÇÃO ENTRE AS EMPRESAS NO GRUPO ECONÔMICO DE FATO — 'GRUPO MOZAQUATRO'", no qual são relacionados numerosos elementos probatórios que demonstram a vinculação entre as diversas empresas consideradas integrantes do grupo em questão, bem como, das pessoas físicas abrangidas pelo contexto fático”. Contudo, em que pese a afirmação de que tais documentos integram o AI, constatase que os Anexos citados não constam dos autos, o que impossibilita que os julgadores deste CARF tenham conhecimento pleno de todos os fatos motivadores do lançamento, dificultando a formação de convicção quanto à regularidade do feito. Cumpre observar, ainda, que não vislumbro a nulidade do AI pela ausência dos referidos anexos, já que, tanto em suas peças impugnatórias quanto em seus recursos, as recorrentes demonstram ter pleno conhecimento do que está lhes sendo imputado. Ademais, a autoridade lançadora, deixou claro nos itens 27 e 29 do Relatório Fiscal, que os referidos Anexos estavam sendo encaminhados por arquivo e que todos os documentos que integram o Auto de Infração bem como o Relatório de Grupo Econômico Anexos I e II estariam à disposição da empresa e responsáveis solidários na Delegacia da Receita Federal do Brasil Portanto, não há que se falar em cerceamento de defesa, mas apenas em falta de elementos suficientes para a tomada da decisão por este Colegiado, o que pode ser sanado com a juntada da documentação solicitada. Dessa forma, em face da necessidade de mais informações sobre os elementos de provas que levaram as autoridades fiscais à convicção de que as empresas listadas no presente processo integram de fato o grupo econômico, entendo que o processo deva ser Fl. 957DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001441/200894 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.280 S2C3T1 Fl. 916 8 baixado em diligência para que sejam juntados os Anexos citados acima, necessários para revestir a decisão de plena convicção. Tal procedimento é imprescindível para o julgamento do processo, pois permite ao julgador aferir efetivamente se existe a responsabilidade solidária entre as empresas apontadas pela fiscalização. Nesse sentido, CONSIDERANDO tudo o mais que dos autos consta; VOTO por converter o julgamento em diligência. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 958DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 16191.002109/2011-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 30/09/2003
DECISÃO ADMINISTRATIVA. INOBSERVÂNCIA DOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. NULIDADE.
O direito ao contraditório e à ampla defesa são garantias fundamentais constitucionalmente asseguradas aos litigantes em processos administrativos fiscais, sendo nula a decisão administrativa proferida sem que tenha sido oportunizado ao sujeito passivo manifestar-se sobre a conclusão da diligência elaborada pela autoridade lançadora, nos termos do art. 5, inciso LV da CF c/c art. 59, inciso II e seu § 1º.
Decisão Recorrida Nula.
Numero da decisão: 2401-003.526
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Carolina Wanderley Landim Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares e Kleber Ferreira de Araújo.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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INOBSERVÂNCIA DOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. NULIDADE. O direito ao contraditório e à ampla defesa são garantias fundamentais constitucionalmente asseguradas aos litigantes em processos administrativos fiscais, sendo nula a decisão administrativa proferida sem que tenha sido oportunizado ao sujeito passivo manifestarse sobre a conclusão da diligência elaborada pela autoridade lançadora, nos termos do art. 5, inciso LV da CF c/c art. 59, inciso II e seu § 1º. Decisão Recorrida Nula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância. Elias Sampaio Freire Presidente Carolina Wanderley Landim – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 19 1. 00 21 09 /2 01 1- 82 Fl. 239DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares e Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16191.002109/201182 Acórdão n.º 2401003.526 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito DEBCAD nº 35.554.9077, do qual o sujeito passivo foi cientificado em 31.10.2003, tendo por objeto a cobrança da contribuição previdenciária patronal e adicional ao SAT, bem como as contribuições destinadas a Terceiros, incidentes sobre a remuneração dos segurados, relativas ao período 01/2001 a 09/2003. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 52, a Autuada realizou a compensação dos débitos apurados nas competências acima citadas, inclusive dos valores retidos dos segurados a seu serviço, com créditos reconhecidos judicialmente, sendo que apenas uma parte do indébito utilizado pertencia à própria empresa, enquanto a outra parcela fora adquirida de empresa coligada. Nos termos da acusação fiscal, a integralidade das compensações foi rechaçada em virtude de pelo menos duas irregularidades, a saber: os débitos decorrentes de retenções na fonte não são passíveis de compensação; e a legislação vedaria a utilização de créditos fiscais reconhecidos em favor de terceiros. Apesar de não discordar da possibilidade da compensação dos créditos do próprio sujeito passivo, a autoridade lançadora afirmou não ser possível segregalo da parcela dos créditos cedidos pela empresa coligada, como se observa dos trechos do relatório a seguir transcritos: · Que foram examinadas as GFIPs, Batimentos, Guias de Recolhimento e outros documentos solicitados no TIAD/TIAF; · Que não foi apresentada GFIP ou batimentos para o mês de setembro de 2003, motivo pela qual não foi possível sua quantificação; · Que a empresa, através do Protocolo 9809801, informou haver compensado seus débitos, juntando cópia de decisão judicial nº 95.003.317.0, onde fica autorizado a compensação de valores da mesma espécie. · Que foram compensados valores retidos bem como que a empresa utilizouse de créditos de empresa coligada na compensação; · Que ficou impossível dividir os valores que pertencem a empresa fiscalizada, tendo sido o débito levantado em sua totalidade; · Que a compensação não foi autorizada, mesmo tendo sido aceita por meio judicial; Fl. 241DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Contra o lançamento, a Autuada apresentou impugnação alegando preliminarmente a nulidade da NFLD por excesso dos juros aplicados, com base no argumento a seguir sintetizado: · Os juros mensais foram calculados com base na Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a qual supera a taxa legal de juros de 12% ao ano, devendo via de consequência a notificação fiscal ser desconsiderada em todos os seus termos; No mérito, aduziu ser detentora de créditos perante o Instituto Nacional de Seguro Social – INSS, reconhecidos nos autos da ação judicial de nº 95.00317150, que tramitou na 9ª Vara Federal de São Paulo (SP), julgada procedente em parte para declarar a inexistência de relação jurídica que obrigasse a recolher a Contribuição Previdenciária sobre os pagamentos a administradores e autônomos, na forma das Leis n. 7.787/89 e 8.212/91, e reconhecer o direito à compensação do indébito. Sustentou, ainda, que adquiriu da empresa Usina Açucareira Paredão S.A crédito que esta possuía perante o INSS, oriundos de sentença transitada em julgado nos autos ação judicial nº 95.00317028, o que lhe autorizaria a compensar tais créditos com débitos próprios, conforme art. 248 e seguintes do Dec. 3.048/99. Anexou à sua defesa o Instrumento Particular de Cessão de Crédito e outras avenças firmadas entre a Recorrente e a Usina Açucareira Paredão S.A. (fls. 119/120), bem como a cópia de decisão judicial que reconheceu o indébito em favor da empresa supracitada. Às fls. 133, os autos foram baixados em diligência a fim de que o Autuante quantificasse a partir dos elementos fornecidos pelo sujeito passivo os créditos próprios e, se o agente autuante concordasse com a documentação apresentada, deduzisse tais créditos do montante lançado. Em resposta, o Auditor Fiscal autuante solicitou da empresa apresentação de planilha retratando apenas os créditos próprios e concluiu que os valores indicados no novo demonstrativo eram superiores àqueles retratados em planilha do contribuinte acostada às fls. 53 dos autos, nos quais estavam contemplados também os créditos cedidos pela empresa coligada. Ademais, o Autuante ressaltou que, em contato com a Procuradoria, tomou conhecimento de que, para atender ao pedido formulado pela empresa, o órgão estaria realizando levantamento dos créditos para compensação de débitos já executados, através de auditor fiscal designado para esse fim, cujos valores já ultrapassavam o montante do indébito que se pretendia reconhecer nos autos do presente PAF. Acrescentou, ainda, que a definição de valores só seria possível após a conclusão dos trabalhos do auditor fiscal responsável pela quantificação dos créditos que estariam sendo compensados judicialmente. Foi proferida decisão pela primeira instância administrativa, na forma a seguir ementada (fls. 159/164): CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. COMPENSAÇÃO. SELIC. 1. A empresa é obrigada a recolher, na forma e prazo definidos pela legislação vigente, as contribuições de que trata o artigo 22, da Lei n° 8.212/91 e alterações posteriores; Fl. 242DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16191.002109/201182 Acórdão n.º 2401003.526 S2C4T1 Fl. 4 5 2. A aplicação da taxa SELIC encontra seu fundamento de validade no §1° do art.161 do CTN; e 3. O direito a compensação deve ser exercido de modo a atender as disposições legais. LANÇAMENTO PROCEDENTE Contra o provimento a quo, a Autuada interpôs Recurso Voluntário (168/179), arguindo em sede preliminar a nulidade da decisão de primeira instância e reafirmando o quanto alegado na Impugnação. O recurso foi inicialmente julgado deserto em decorrência da não apresentação de garantia recursal, tendo sido enviado para inscrição em dívida ativa. Às fls. 230, a Procuradoria determinou o cancelamento da inscrição em dívida ativa da União, diante do que o processo foi encaminhado para este órgão colegiado, para julgamento do recurso voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim Relatora Em suas razões recursais, a Recorrente alegou, em sede preliminar, que a Decisão Regional é nula por não respeitar o princípio o contraditório, na medida em que omitiu qualquer fundamentação relevante à constituição imperfeita de crédito tributário, aduzido na defesa. Ocorre que, antes mesmo de analisar a subsistência do argumento suscitado pelo sujeito passivo, segundo o qual o provimento a quo furtouse de fundamentar adequadamente a manutenção do lançamento, vislumbro, prima facie, a existência de nulidade de atos praticados antes que fosse proferida a Decisão Regional, em afronta aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Vejamos por que. Diante alegações formuladas na peça impugnatória, os autos foram baixados em diligência (fl. 133) com vistas a que o Autuante o quantificasse, a partir dos elementos fornecidos pelo sujeito passivo, os créditos próprios e, se o agente autuante concordasse com a documentação apresentada, fossem tais créditos deduzidos do montante lançado. A diligência foi cumprida pelo Auditor (fls. 134 e s/s), cujas conclusões foram pela manutenção do crédito tributário, sob s justificativa de que haveria divergências entre as planilhas apresentadas durante o procedimento fiscalizatório (fl. 53) e os demonstrativos trazidos aos autos após a conversão do julgamento em diligência (fl. 136), além do fato de ter informado pelo Autuante que a empresa pleiteara a utilização desses mesmos créditos para compensar débitos executados. Apesar de terem sido trazidas aos autos novas informações e apontadas inconsistências nas planilhas, pelo Auditor Fiscal, a Recorrente não foi instada a se manifestar sobre a conclusão da diligência, a fim de que, querendo, se manifestasse sobre o resultado do expediente determinado pelo órgão de julgamento. Contrariando o preceito constitucional do contraditório, depois de concluída a diligência pela autoridade lançadora, o órgão de julgamento a quo proferiu a Decisão combatida, ou seja, a análise da autoridade julgadora foi realizada sem considerar eventuais discordâncias, justificativas ou ressalvas por parte do sujeito passivo. A Constituição Federal, em seu art. 5º, inciso LV, garante aos litigantes em processos administrativos e judiciais o contraditório e a ampla defesa, com todos os meios e recursos a ela inerentes. Significa dizer que o sujeito passivo demandado pelo Fisco tem o direito não só de contestar a cobrança contra si dirigida e de se insurgir contra as decisões que lhe sejam desfavoráveis, mas também de se pronunciar, se assim desejar, a respeito de quaisquer informações e documentos novos produzidos, bem como sobre as alegações formuladas no curso do processo, seja pelo Autuante, seja por Peritos ou outros órgãos auxiliares da Administração Tributária. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16191.002109/201182 Acórdão n.º 2401003.526 S2C4T1 Fl. 5 7 Nesse particular, o art. 59, inciso I, do Regulamento do Processo Administrativo Fiscal (Decreto n. 70.235/1972), considera nulas as decisões proferidas com preterição do direito de defesa, ao passo que o § 1º deste mesmo dispositivo enuncia regra segundo a nulidade dos atos anteriores prejudica a validade dos que dele dependam ou sejam consequência. Vejamos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. Trazendo as citadas normas constitucionais e legais para o caso em apreço, é evidente que, ao não ser provocado a se manifestar sobre o resultado da diligência, o sujeito passivo teve cerceado o seu direito de defesa por lhe ter sido negado o amplo direito à defesa e ao contraditório, razão pela qual a Decisão recorrida merece ser anulada. CONCLUSÃO Do exposto, voto no sentido de CONHECER DO RECURSO E DAR PROVIMENTO, para anular a Decisão de primeira instância e determinar que a DRJ, órgão atualmente responsável por julgar os processos administrativos fiscais decorrentes do lançamento de contribuições previdenciárias, abra vista dos presentes autos ao sujeito passivo para que, querendo, se manifeste sobre o resultado da diligência, no prazo de 30 dias. Em seguida, a DRJ deverá proferir nova decisão sobre a impugnação apresentada pelo Autuado, após o que o sujeito passivo deverá ser intimado dos termos do acórdão, assegurandolhe o direito de interpor recurso contra a nova decisão, no prazo de 30 dias, caso seja mantido total ou parcialmente o lançamento. Interposto o recurso, retornem os autos para julgamento por esse Colegiado sobre a subsistência da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. Carolina Wanderley Landim. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 15758.000003/2011-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1302-000.338
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório DESPACHANTE LENY LTDA, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1444.576, de 03/09/2013, da 15ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Tratase de autos de infração para constituição de créditos tributários do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ – fl. 832), Contribuição para o Programa de Integração Social RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 57 58 .0 00 00 3/ 20 11 -2 9 Fl. 22014DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15758.000003/201129 Resolução nº 1302000.338 S1C3T2 Fl. 22.014 2 (PIS – fl. 841), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS, fl. 849) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL, fl. 856), por fatos geradores ocorridos no anocalendário 2008. O total da exação alcançou R$ 5.694.644,23 (demonstrativo à fl. 2), aí incluídos multa de ofício de 75% e juros moratórios calculados até o lançamento. A infração apurada pelo Fisco foi a omissão de receitas, com base em depósitos bancários de origem não comprovada (art. 42 da Lei nº 9.430/1996). O IRPJ e a CSLL foram apurados mediante arbitramento do lucro. PIS e COFINS foram apurados segundo o regime cumulativo. Os procedimentos da fiscalização e as infrações apuradas são descritas em detalhe no Termo de Verificação Fiscal (fls. 711 e segs.), do qual transcrevo o excerto abaixo. [...] 4 DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO A empresa apresentou sua DIPJ 2009, relativa ao ano calendário de 2.008, optando pela tributação pelo Lucro Presumido e informando receita bruta de R$ 2.120.868,41, exerce as atividades de despachante, conforme seu contrato social, informou que recebe valores de clientes para regularização de veículos, tais valores seriam depositados em suas contas correntes, e , após os pagamentos de encargos e outras despesas relativas a estes veículos, aufere sua renda que seria somente parte dos valores recebidos. Ocorre que não apresentou notas fiscais nem livros contábeis e almejou deduzir valores de despesas dos valores depositas em suas contas razão pela qual seus lucros serão arbitrados com fundamento no artigo 530, inciso III do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000 de 26 de março de 1.999 o RIR/99. Em seus DCTF's relativos ao 1º e 2° semestres de 2.008 declarou os mesmos valores de IRPJ e CSLL apurados e informados em sua DIPJ (fls. 558 a 582). Conforme citados anteriormente, tendo optado pela tributação pelo Lucro Presumido , a base de cálculo dos tributos e contribuições federais por ela devidos (IRPJ,CSLL,PIS,COFINS,) é seu faturamento, que corresponde a receita bruta auferida neste período. Não é admissivel nestas circunstâncias, dado não haver qualquer dispositivo legal que autorize semelhante exclusão da base de cálculo, pretender segregar desse montante recebida o valor dos encargos e despesas por ele suportadas, de forma a não incluílo na base de cálculo dos tributos e contribuições federais. A somatória dos valores que constituíram a base de cálculo dos tributos federais que deixaram de recolhidos em 2.008 e cuja origem se encontra nas planilhas anexas de : Resumo dos Créditos a Serem Justificados nas Contas Correntes do Contribuinte no Ano de 2.008 e nas demais planilhas de créditos a serem justificados dos bancos : Banco do Brasil, Real, Santander, Panamericado, Schahin, Itaú , Bradesco e HSBC , são a seguir, mensalmente discriminados, : [...] Irresignada, a autuada apresentou impugnação ao lançamento, cujos argumentos de defesa foram resumidos pela Autoridade Julgadora em primeira instância, no relatório de fls. 1648 e segs: Em 24/02/2011, a contribuinte apresentou impugnação de fls. 879/925, acompanhada de documentos de fls. 926/1.638. Após breve resumo, aponta a sua versão dos fatos. Fl. 22015DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15758.000003/201129 Resolução nº 1302000.338 S1C3T2 Fl. 22.015 3 Diz ser “prestadora de serviços de despachante relacionados à documentação de veículos automotores e serviços junto ao DETRAN, licenciamentos e transferências de veículos em busca e apreensão, liberação de restrições, pagamentos de multas, taxas, bem como baixa de veículos, emplacamento, reemplacamento, e outros, conforme atribuições da classe estabelecidas na Lei nº 8.107/92 do Estado de São Paulo”. E que apesar dos serviços realizados serem exclusivamente de regularização de documentação junto ao DETRAN, alega também realizar o pagamento de impostos, taxas, multas e outros emolumentos, em nome de seus clientes e representados, mediante ressarcimento posterior, “sem ganhar nada por isso”. Esclarece que é despachante de médio porte, prestando serviços a grandes clientes, tais como ABN, Banco Aymoré, HSBC, Banco Real e seus coligados, que têm considerável volume de veículos, especialmente provenientes de busca e apreensão, razão pela qual terceirizam os trâmites do DETRAN para organizar sua frota, mediante contratação dos serviços da impugnante. Justifica, assim, a utilização de recursos dos próprios clientes para pagamento de multas, impostos, etc, relativos à regularização da documentação de seus veículos. [...] Adentrando no direito, discorre sobre o princípio constitucional da capacidade contributiva (art. 145, § 1º, da CF), bem como sobre a definição do imposto de renda e de sua base de cálculo (arts. 43 e 44 do CTN), concluindo, com base na doutrina, inclusive, que “o conceito de renda tributável deve estar devidamente contextualizado com a questão do acréscimo patrimonial, e somente pode ser levado à tributação quando atende aos princípios da isonomia, da capacidade contributiva e da não confiscatoriedade”. [...] Cita doutrina e jurisprudência, acrescentando a conclusão que “o mero reembolso de uma parte à outra, de valores que uma incorreu em nome e por conta da outra, não acresce ao patrimônio do prestador de serviço, sendo ainda que se comprovam com as planilhas, declarações juntadas que se trata efetivamente de REEMBOLSO DE DESPESAS”. Entende que tais valores não podem ser submetidos à tributação, conforme jurisprudência do STJ. Afirma que seus serviços são de intermediação junto aos departamentos de trânsito e que muitos destes serviços podem ser feitos por meio de despachantes credenciados junto aos DETRAN de todo país. E complementa: [...] Prosseguindo, diz que “o valor fixado da multa, na quantia de quase seis milhões de reais é amplamente elevado, com feitio confiscatório e abusivo”, conforme proíbe a Carta Magna (art. 150, IV). Julga que tal penalidade fere os princípios gerais de direito e também os princípios da razoabilidade e proporcionalidade implícitos na CF. Aduz que a doutrina é pacífica no sentido de não aceitar a fixação de tributos com caráter confiscatório, “que agridem os princípios da capacidade contributiva, porque abusivos e desproporcionais, bem como não aceita leis que ferem preceitos básicos do sistema de equilíbrio entre o poder e os direitos e garantias individuais”. Fl. 22016DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15758.000003/201129 Resolução nº 1302000.338 S1C3T2 Fl. 22.016 4 Volta a discorrer sobre os reembolsos de despesas dos veículos dos próprios clientes, dizendo estar apresentando declarações dos clientes com os valores reembolsados e/ou adiantados, bem como os comprovantes de pagamentos em nome de terceiros arquivados em mídia digital (CD em anexo), além de apontar outros valores que não representariam ingressos de receita, consoante documentos anexos (docs. 02, 07 a 23): […] Neste ponto, a impugnante discorre detalhadamente sobre suas operações e serviços prestados a cada um dos bancos a seguir discriminados: 01 . Banco Real (denominação atual Banco Santander) 02. Banco HSBC 03. Banco do Brasil 04. Banco Santander c/c 130002565 ag. 0509 05. Banco Bradesco c/c 49662 ag. 1795 06. Banco Bradesco c/c 20.122 ag. 17951 07. Banco Itaú c/c 454762 ag. 718 08. Banco Itaú c/c 579998 ag. 718 08. Banco Schain – tipo de conta de pagamento correspondente bancário 08.1. Banco Schain c/c 744530 ag. 001 08.2. Banco Schain c/c 745862 ag. 001 Para cada um, busca conciliar a movimentação bancária com as receitas declaradas e os documentos comprobatórios do pagamento de despesas de interesse de seu cliente, objeto de reembolso. Ressalta as particularidades de cada caso e conclui, sempre, por diferenças irrisórias e pela inocorrência de receitas omitidas. A 15ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1444.576, de 03/09/2013 (fls. 1644/1704), considerou parcialmente procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 PROVAS. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal a prova documental deve ser apresentada no momento da impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes do Fl. 22017DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15758.000003/201129 Resolução nº 1302000.338 S1C3T2 Fl. 22.017 5 art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, o que não se logrou atender neste caso. DILIGÊNCIAS E PERÍCIAS. Indeferese o pedido de diligência e perícia quando presentes nos autos elementos capazes de formar a convicção do julgador, bem como quando não preenchidos os requisitos legais previstos para sua formulação. ENDEREÇAMENTO DAS INTIMAÇÕES. É prevista a intimação do sujeito passivo apenas no domicílio tributário, assim considerado o do endereço postal, eletrônico ou de fax, pelo contribuinte fornecido, para fins cadastrais, à Secretaria da Receita Federal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. A não apresentação da escrituração obrigatória para o optante do Lucro Presumido, bem como dos documentos atinentes às suas operações, autoriza o arbitramento do lucro. Nos percentuais de apuração do lucro arbitrado já se consideram os custos e as despesas inerentes à atividade desenvolvida. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Retificase a exigência na proporção dos valores comprovados/aceitos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal, e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastála sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a Fl. 22018DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15758.000003/201129 Resolução nº 1302000.338 S1C3T2 Fl. 22.018 6 apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Lavrado o Auto principal, devem também ser lavrados os Autos reflexos, nos termos do art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, devendo as exigências reflexas seguirem a mesma orientação decisória daquela da qual decorrem. Por relevante, esclareço que a Turma Julgadora em primeira instância determinou a exclusão de alguns dos créditos bancários, relacionados nos quadros às fls. 1697/1698. No que toca à questão central em discussão, concluiu que “as despesas realizadas na atividade de despachante para a regularização da documentação dos veículos integram o preço do serviço prestado, até porque passíveis de reembolso” (fl. 1690). Ciente da decisão de primeira instância em 12/09/2013, conforme Aviso de Recebimento à fl. 1717, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 09/10/2013 conforme carimbo de recepção à folha 1719. No recurso interposto (fls. 1719/1753), a recorrente reforça sua argumentação de que sua atividade é de despachante e que, nessa condição, os depósitos efetuados por seus clientes em suas contascorrentes se destinariam à quitação de tributos e taxas de veículos em nome e no interesse dos clientes. Tais valores, portanto, não lhe pertenceriam, e não poderiam integrar a base de cálculo dos tributos devidos. O seguinte trecho (fls. 1750/1751) bem resume seus argumentos: A Recorrente exerce a atividade de despachante de documentos para automóveis. Optante pelo lucro presumido a base de calculo para incidência do IRPJ e tributos reflexos (CSLL, PIS e Cofins) é seu faturamento bruto, sem dedução, obviamente, de despesas e custos operacionais. Conforme documentos anexos (contratos com os clientes – Bancos) mantinha contrato de natureza civil no qual ficava responsável na qualidade de depositária (art. 628 do Código Civil) em receber (em conta bancária) e efetuar o devido recolhimento a favor da Fazenda competente e em nome dos tomadores de serviços (Bancos) de Tributos: IPVA e TAXAS e eventual encargos de mora/penalidade e DPVAT (seguro obrigatório) juntamente com a respectiva regularização da documentação. Aludida transação extraordinária à atividade da Recorrente e muito distante do conceito de despesa operacional ou custo, equivocadamente foi tributada, porquanto, ignorada sua natureza jurídica, [...]. [...] Entretanto, Eminentes Julgadores, a documentação juntada prova de forma inequívoca que a grande maioria dos numerários depositados em conta corrente da Recorrente e novamente justificados, foram integralmente destinados ao recolhimento de tributos e taxas aos cofres Estaduais tendo como contribuinte os Bancos tomadores de serviço da Recorrente, figurante esta, estritamente como depositária, portanto, por força de lei depósitos desta natureza não integram a base de cálculo do Imposto de Renda e tributos reflexos por não configurarem Receita. Fl. 22019DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15758.000003/201129 Resolução nº 1302000.338 S1C3T2 Fl. 22.019 7 No item “C” do recurso, a interessada mais uma vez busca comprovar seus argumentos, de forma específica para cada banco com o qual transacionava. Em cada caso, referese a declarações prestadas pelos Bancos (clientes), a planilhas totalizadoras, a relatórios de conciliação e a cópias dos documentos de arrecadação (GARE). Para alguns bancos, especifica lançamentos bancários que afirma se tratarem de transferências de contas de mesma titularidade, redução de saldo devedor, resgate de poupança, devolução de cheques sem fundo, desbloqueio judicial, entre outros que não deveriam, por sua ótica, integrar o montante tributável. Ao final da peça recursal, a interessada afirma (fl. 1753) que “para os fins de evitar tumulto processual, a Recorrente junta a cópia dos Recolhimentos mencionados no item A em mídia digital (pen drive) ficando à disposição deste E. órgão julgador as cópias físicas caso necessário”. Não obstante, foi juntada aos autos (sistema eprocesso) a vasta documentação de fls. 1754 a 22012. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Cumpre, inicialmente, delimitar o litígio. A recorrente não questiona o arbitramento dos lucros, levado a efeito pela fiscalização diante da não apresentação das notas fiscais nem de livros contábeis. Também não encontro questionamento acerca da presunção legal de omissão de receitas, baseada no art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Os argumentos da recorrente, desde a fase impugnatória, se dirigem contra o entendimento da autoridade lançadora, confirmado em primeira instância, de que os valores por ela pagos a título de impostos, taxas, multas e assemelhados, incidentes sobre os veículos de propriedade de seus clientes, no exercício de seu objeto societário de despachante, constituiriam despesas próprias. Dessa forma, os valores recebidos dos clientes para fazer face a essas despesas, seja como antecipação, seja como reembolso, integrariam sua receita auferida, e estariam sujeitos à tributação. Por esse motivo, não foram considerados os elementos trazidos pela interessada como prova de que os valores que ingressaram em suas contascorrentes (ou, ao menos, parte significativa deles) não seria receita e, assim, deveria ser afastada a presunção legal. Ainda, a interessada questiona aspectos pontuais dos valores lançados. Mesmo não se tratando dos “reembolsos” mencionados no parágrafo anterior, entende que existem créditos bancários que não se subsumem à situação que autoriza a presunção legal de omissão de receitas. No que toca ao principal argumento da interessada, de que os valores recebidos de seus clientes a título de reembolso ou de antecipação do pagamento dos tributos, multas etc Fl. 22020DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15758.000003/201129 Resolução nº 1302000.338 S1C3T2 Fl. 22.020 8 incidentes sobre os veículos de propriedade daqueles não seriam receitas próprias, penso que assiste razão à recorrente. A atividade de despachante pressupõe que exista algum embaraço no que se refere à documentação do veículo. Para o desembaraço, muitas vezes exigindo cálculos específicos, obtenção de certidões e acesso a variadas repartições públicas, cada uma com seus meandros e procedimentos próprios, muitos proprietários optam por recorrer aos serviços de despachantes, pessoas ou (como é o caso) sociedades que se especializam nessa atividade, trabalhando mediante remuneração. Os valores a serem pagos para a regularização da documentação não deixam de ser encargos do titular do veículo, é ele o contribuinte do IPVA, o interessado na quitação das multas de trânsito de forma a permitir eventual transferência da propriedade, e assim por diante. O despachante atua como facilitador, emitindo as guias, fazendo os pagamentos, dando entrada nos procedimentos nas repartições e retirando os documentos, tudo mediante a autorização daquele que o contratou, seu cliente. No entanto, em momento algum considero que os pagamentos assim feitos sejam de sua esfera direta de interesse, visto que age no interesse de seu cliente. No decorrer deste voto, para simplificação, os valores aqui mencionados serão sempre referidos como reembolsos. Nessa linha de raciocínio, considero que a decisão recorrida merece reparo. No entanto, cabe recordar que a acusação fiscal é de omissão de receitas, apurada mediante depósitos bancários para os quais o contribuinte não logre comprovar a origem dos recursos empregados. E a lei exige tratamento individualizado dos créditos. Com isso, é de se concluir que, para afastar a presunção legal, a interessada deve conseguir comprovar, para cada crédito em cada uma de suas contascorrentes bancárias (aqueles objeto de lançamento), que o valor se deveu a adiantamento ou a reembolso de valores despendidos no exercício de sua função de despachante, no estrito interesse de seus clientes, e que não se confunde com a remuneração pelos serviços prestados. Esta é uma situação singular, em que a comprovação da origem de cada depósito, se feita, o será mediante comprovação do depositante (cliente) e do emprego do valor do depósito para pagamentos em benefício daquele e de seu interesse, por óbvio guardando coincidência de valores e aproximação de datas. A esta altura da análise, as dificuldades se avolumam, em especial diante da grande quantidade de documentos acostados aos autos (até o momento, mais de 22.000 folhas), e das limitações impostas pelo processo eletrônico, no que tange a dificuldades de indexação, agrupamento e individualização dos documentos. Não obstante, prossigo na análise da documentação processual, analisando os argumentos da recorrente para cada um dos bancos, com ênfase para as dificuldades encontradas, o que conduzirá, afinal, à solução proposta. O demonstrativo elaborado pelo Fisco (fl. 715/716) resume os créditos não justificados nas contascorrentes da interessada, que afinal foram objeto de lançamento. Trata se dos seguintes bancos: Santander, Bradesco (duas contas), Real, HSBC, Itaú (duas contas), Banco do Brasil e Schahin (duas contas). 1. Banco Santander: Fl. 22021DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15758.000003/201129 Resolução nº 1302000.338 S1C3T2 Fl. 22.021 9 2. Banco Real: No recurso voluntário (fl. 1730), a recorrente inclui no mesmo item os bancos provenientes do Grupo Santander (Banco Real, Real Leasing, Aymore Financiamento e Banco Santander). No entanto, sua planilha (fl. 1731, reproduzida à fl. 1767) somente diz respeito aos valores do Banco Real, como se pode observar facilmente ao confrontar os valores ali contemplados com aqueles que constam do quadro resumo do lançamento à fl. 715. Em síntese, a recorrente sustenta que, do total objeto de lançamento (R$ 9.204.724,831) conseguiria comprovar que R$ 7.985.489,34 seriam reembolsos; R$ 1.147.910,66 seriam receitas da prestação de serviços, com nota fiscal; restaria, assim, uma diferença não justificada de R$ 71.324,832. A título de comprovação, menciona o Relatório Anexo I (Conciliação de cada crédito versus apuração na fiscalização) e o Anexo II (Cópia de cada GARE recolhida a título de IPVA, taxas e mora/penalidade e seguro obrigatório). Compulsando os autos, encontro, às fls. 1769 e segs., reprodução do demonstrativo do Fisco no qual são individualizados os depósitos bancários do Banco Real. À direita do documento, a recorrente acrescentou uma coluna com numeração sequencial, certamente destinada a facilitar o cotejo com outros demonstrativos e documentos. À fl. 1768 encontro declaração, firmada por gerente do Santander Financiamentos, com o seguinte teor: Declaramos para os devidos fins que os valores constantes no relatório anexo pagos ao DESPACHANTE LENY LTDA., CNPJ 55.038.392/000170 tratamse de PAGAMENTOS DE HONORÁRIOS E REEMBOLSOS DE DESPESAS de veículos apreendidos por esta instituição, no qual os mesmos foram reintegrados ao patrimônio do banco através de ações judiciais ou acordos com seus proprietários que não pagaram os financiamentos respectivos. Os HONORÁRIOS referemse ao pagamento da prestação de serviço e os REEMBOLSOS são por conta de despesas dos VEÍCULOS, COMO IPVA, MULTAS DE TRANSITO, TAXAS DE REGULARIZAÇÃO NOS DETRANS, SEGURO OBRIGATÓRIO e demais despesas relativas aos bens, em conformidade a cada caso, ou estado da Federação. Declaramos por final que todos os serviços e reembolsos são escriturados em nossa contabilidade. No ano de 2008, foram pagos os valores a seguir: [...] Às fls. 1849 e segs. encontro o relatório do Banco Santander, mencionado na declaração acima. Para cada valor, o demonstrativo especifica tratarse de reembolso de despesas ou do pagamento de honorários, conforme o caso. Do lado direito, há anotações a mão, fazendo conexão com a numeração do demonstrativo de fls. 1769 e segs. Às fls. 9707 e segs. encontro novo demonstrativo, desta feita fazendo referência a valores de honorários e reembolsos e a números de placas de veículos. Também há uma referência que provavelmente se refere ao local (no processo, supostamente) em que se 1 A planilha da interessada traz aqui o valor de R$ 9.205.724,83. Tratase, a meu ver, de equívoco na transcrição do valor que consta à fl. 715. 2 Em razão do eqúivoco quanto ao total lançado, também aqui se faz o ajuste necessário. Fl. 22022DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15758.000003/201129 Resolução nº 1302000.338 S1C3T2 Fl. 22.022 10 poderiam encontrar os comprovantes dos pagamentos das despesas reembolsadas. No entanto, não consegui localizar, nos autos, esses comprovantes de pagamentos. 3. HSBC: Em sua planilha de fl. 1733 (reproduzida à fl. 2035), a recorrente sustenta que, do total objeto de lançamento (R$ 6.645.793,86) conseguiria comprovar que R$ 5.597.747,50 seriam reembolsos; R$ 1.006.264,09 seriam receitas da prestação de serviços, com nota fiscal; restaria, assim, uma diferença não justificada de R$ 41.782,27. A título de comprovação, menciona o Relatório Anexo III (Conciliação de cada crédito versus apuração na fiscalização). À fl. 2036 encontro documento, intitulado “A Quem Possa Interessar”, firmado por funcionário do HSBC em 03/02/2011, com o seguinte teor: HSBC Bank Brasil S.A. Banco Múltiplo, [...] declara para os devidos fins que os valores discriminados no anexo e identificados como “RE”, coluna intitulada “CD_TP_DOC”, correspondem a REEMBOLSOS de despesas provenientes de regularização documental de veículos entregues amigavelmente por seus financiados e/ou arrendatários, retomados de financiamentos ou reintegrados judicialmente de arrendamentos mercantis ao patrimônio do Banco. Já os identificados como “NF” e “NE” correspondem a honorários. A referida relação de REEMBOLSOS é por conta de despesas dos próprios veículos, como IPVAs, Multas de trânsito, Baixa de Restrições, Taxas de Regularização em Detrans, Seguros Obrigatórios e demais despesas relativas aos bens, em conformidade a cada caso, Estado ou Federação, ficando os comprovantes originais em poder do Banco. No ano de 2008 foram reembolsados os valoes a seguir: Janeiro (Recibos): R$ 107.321,65 Janeiro (Notas Fiscais): R$ 19.702,87 [...] O documento acima referido discrimina, mês a mês, o montante de “recibos”, correspondente aos reembolsos e o montante de “notas fiscais”, correspondente às receitas. O total anual é de R$ 6.604.011,46 (= R$ 5.597.747,50 + R$ 1.006.263,96). À fl. 2037 encontro documento, intitulado “Declaração”, firmado por funcionário do HSBC em 30/09/2013, com o seguinte teor: Declaramos para os devidos fins que os valores constantes no relatório anexo pagos ao DESPACHANTE LENY LTDA. CNPJ 55.038.392/000170 tratamse de PAGAMENTOS DE HONORÁRIOS E REEMBOLSOS DE DESPESAS de veículos apreendidos por esta instituição, no qual os mesmos foram reintegrados ao patrimônio do banco através de ações judiciais ou acordos com seus proprietários que não pagaram os financiamentos respectivos. Os HONORÁRIOS referemse ao pagamento da prestação de serviço e os REEMBOLSOS são por conta de despesas dos Veículos, como IPVA, Multas de Transito, Taxas de regularização nos Detrans, Seguro Obrigatório e demais despesas relativas aos bens, em conformidade a cada caso, ou Estado da Federação. Fl. 22023DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15758.000003/201129 Resolução nº 1302000.338 S1C3T2 Fl. 22.023 11 Declaramos por final que todos os serviços e reembolsos são escriturados em nossa contabilidade. No ano de 2008, foram pagos os valores a seguir: Janeiro de 2008 – R$ 205.711,70 [...] O documento acima referido discrimina, mês a mês, o montante de pagamentos, sem, no entanto, especificar as parcelas mensais correspondentes a reembolsos e a receitas. O total anual difere daquele do documento anterior. Aqui, monta exatos R$ 6.533.621,59. Às fls. 2038 e segs. encontro o relatório do Banco HSBC, mencionado na declaração acima. Para cada valor, o demonstrativo especifica tratarse de reembolso de despesas ou do pagamento de honorários, conforme o caso. A partir da fl. 2142 encontro enorme sucessão de demonstrativos, com os quais a interessada busca justificar os depósitos em sua contacorrente, questionados pelo Fisco, relacionandoos a veículos, despesas e notas fiscais. A partir da fl. 2163, os demonstrativos passam a fazer referência que provavelmente se refere ao local (no processo, supostamente) em que se poderiam encontrar os comprovantes dos pagamentos das despesas reembolsadas. No entanto, não consegui localizar, nos autos, esses comprovantes de pagamentos. Também não consegui conciliar os diversos demonstrativos acostados pela recorrente, de forma a darlhes o indispensável encadeamento lógico. 4. Bradesco: Do total objeto de lançamento (R$ 1.501.051,39), a recorrente afirma que conseguiria comprovar que R$ 580.609,87 seriam reembolsos (quadro à fl. 1741). Além desse valor, reclama que R$ 65.898,00 adviriam de depósitos de cheques de sua emissão (mesma titularidade); R$ 219.071,123 seriam decorrentes de lançamentos bancários cujo histórico seria “redução sdo devedor”, que não autorizaria a presunção de omissão de receitas (quadro às fls. 1737/1740); e R$ 2.200,00 corresponderiam a um lançamento bancário em 18/02/2008 com o histórico “baixa automat poupança”, que igualmente deveria ser excluído. Feitas as contas, restaria um montante não justificado de R$ 633.272,40. 4.1. Da alegação de reembolsos No que tange ao argumento principal, não consegui identificar nos autos quaisquer demonstrativos, planilhas ou documentos comprobatórios que pudessem relacionar, de forma individualizada, os créditos bancários objeto de questionamento ao pagamento de despesas de interesse dos clientes e passíveis de reembolso. 3 Aqui, a recorrente indevidamente totaliza R$ 221.271,12. O valor correto é R$ 219.071,12, mediante a subtração do lançamento bancário no valor de R$ 2.200,00, em 18/02/2008, cujo histórico é diferente. Fl. 22024DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15758.000003/201129 Resolução nº 1302000.338 S1C3T2 Fl. 22.024 12 5. Banco Itaú: O total de créditos bancários questionados pelo Fisco foi de R$ 363.840,86, sendo que R$ 90.201,90 movimentados na contacorrente nº 454762 e R$ 273.638,96 movimentados na contacorrente nº 579998 (planilha elaborada pelo Fisco, fls. 715/716). A recorrente alega justificados e comprovados como reembolsos, na conta nº 579998, o total de R$ 224.991,54 (ou R$ 226.391,54), conforme tabela à fl. 1743. Reitera, ainda os argumentos trazidos em sede de impugnação (fls. 912 e segs.), acerca de rubricas correspondentes a cheques devolvidos, depósitos em dinheiro e desbloqueio judicial. A recorrente se refere, ainda, a transferências entre contas de mesma titularidade que importariam R$ 1.990.223,67. De plano, tal valor causa estranheza, posto que muito superior ao total lançado. O exame dos autos, em especial o demonstrativo elaborado pela interessada às fls. 2092/2096, os extratos bancários (fls. 2097 e segs., também fls. 55 e segs.) e o demonstrativo individualizado dos valores que restaram sem comprovação de origem e deram causa ao lançamento (fls. 719/721 e 722/726 e segs.), revela que tais transferências já haviam sido identificadas pelo Fisco ainda na fase procedimental, e não integraram o lançamento. Essa reclamação, portanto, será desconsiderada, por falta de objeto. Para maior clareza, as alegações da recorrente, entendidas em conjunto com a peça impugnatória, são as seguintes: 5.1. Contacorrente nº 454762 Do total objeto de lançamento (R$ 90.201,90), a recorrente afirma que conseguiria comprovar que R$ 38.246,38 seriam reembolsos (fl. 913). Além desse valor, reclama que R$ 10.185,59 seriam decorrentes de lançamentos bancários cujo histórico seria indicativo de redução de saldo devedor, devolução de cheque por erro formal e devolução de cheque sem fundos, que não autorizariam a presunção de omissão de receitas (cinco ocorrências, quadro à fl. 912); e R$ 41.602,65 corresponderiam a depósitos em dinheiro, que busca justificar. Feitas as contas, restaria um montante não justificado de R$ 167,28. 5.1.1. Da alegação de reembolsos No que tange ao argumento principal, não consegui identificar nos autos quaisquer demonstrativos, planilhas ou documentos comprobatórios que pudessem relacionar, de forma individualizada, os créditos bancários objeto de questionamento ao pagamento de despesas de interesse dos clientes e passíveis de reembolso. 5.2. Contacorrente nº 579998 Do total objeto de lançamento (R$ 273.638,96), a recorrente afirma que conseguiria comprovar que R$ 224.991,54 (ou R$ 226.391,54) seriam reembolsos (fl. 916 e 1743). Além desse valor, reclama que 52.373,41 corresponderiam a depósitos em dinheiro, que Fl. 22025DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15758.000003/201129 Resolução nº 1302000.338 S1C3T2 Fl. 22.025 13 busca justificar; e R$ 638,28 corresponderiam a “desbloqueio judicial”. Feitas as contas, haveria um excesso de comprovações de R$ 3.725,99 (ou R$ 4.364,27). 5.2.1. Da alegação de reembolsos No que tange ao argumento principal, não consegui identificar nos autos quaisquer demonstrativos, planilhas ou documentos comprobatórios que pudessem relacionar, de forma individualizada, os créditos bancários objeto de questionamento ao pagamento de despesas de interesse dos clientes e passíveis de reembolso. 6. Banco do Brasil 7. Banco Schahin: A recorrente se reporta aos argumentos da peça impugnatória, e reitera que “a instituição é típica para uso de despachantes ante o detalhamento de informação inseridas nos comprovantes de pagamentos emitidos” (fl. 1749). Para maior clareza, as alegações da recorrente, entendidas em conjunto com a peça impugnatória (fls. 917 e segs.), podem ser assim resumidas: A interessada sustenta que ambas as contascorrentes mantidas nessa instituição financeira seriam “contas de pagamento, do tipo correspondente bancário”, e não contas de “movimentos de recebimentos”. Faz referência ao documento de fl. 1579 (extraído da página do Banco Schahin na internet) e prossegue (fls. 918/919): Ou seja, o IMPUGNANTE nada mais é que uma correspondente bancário do SCHAHIN que disponibiliza, a impugnante a POSSIBILIDADE de financiar as TAXAS, MULTAS, IPVAS, e demais taxas, para possibilitar a regularização do pagamento. Mais, para evitar que haja desvio de função, O FINANCIAMENTO é liberado na conta da IMPUGNANTE, que somente pode fazer o pagamento das taxas, das placas que estiverem no respectivo contrato de financiamento, sendo assim todos os contrato que tínhamos cópias estarão juntados em arquivo ELETRONICO, nos DVDs, juntados na defesa, e seguiram em cada conta bancaria uma amostra destes contratos, POSTO QUE O DESPACHANTE, nestes casos específicos, se assemelha a uma LOTERICA, que recebe as contas de AGUA, luz e outros pagamento, mais de forma especial, pois somente PODE RECEBER OS VALORES relativos aos automóveis. Outra modalidade que é permitida é a compensação de cheques, ou seja, o cliente deixa o cheque (prédatado) para o pagamento das contas e ele é capturado pelo banco SCHAHIN, que libera os valores na conta corrente, para pagamento das taxas, impostos, IPVAS, SEGURO OBRIGATÓRIO e demais pagamentos relativos aos veículos. Como se pode verificar nos extratos bancários, todas a linhas de financiamentos possuem NUMERO DE CONTRATO FIRMADO junto ao BANCO, o que sendo assim Fl. 22026DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15758.000003/201129 Resolução nº 1302000.338 S1C3T2 Fl. 22.026 14 NÃO ACRESCEU AO PATRIMÔNIO da impugnante, e sim do patrimônio do BANCO SCHAHIN, que deve ser intimado para JUNTAR OS CONTRATOS E FINANCIAMENTO. Sendo assim fica JUSTIFICADA, TODAS AS ENTRADAS NAS CONTA DO BANCO SCHAHIN que não é uma conta corrente, e sim UMA CONTA DE PAGAMENTOS, e uma CORRESPONDENTE BANCÁRIO, para EXCLUSIVAMENTE DESPACHANTES. No que toca à contacorrente nº 744530, a interessada se reporta aos contratos de financiamento juntados por amostragem às fls. 1581/1615 e afirma que restariam justificados ingressos originados de créditos de financiamento no total de R$ 161.091,40, e de créditos do BMFACIL no total de R$ 107.638,50. Sustenta, ainda, que estariam comprovados pagamentos com esses recursos, no total de R$ 273.000,83. Quanto à contacorrente nº 745862, a interessada se reporta aos contratos de financiamento juntados por amostragem às fls. 1617/1635 e afirma que restariam justificados ingressos originados de créditos de financiamento no total de R$ 8.140,26, e de créditos do BMFACIL no total de R$ 20.897,29. Passo a apreciar os argumentos da interessada, para cada contacorrente: 7.1. Contacorrente nº 745862 Os extratos bancários se encontram às fls. 274 e segs. O exame do demonstrativo dos créditos a serem justificados, elaborado pelo Fisco (fl. 744 e resumo às fls. 715/716) revela que o total anual dos créditos objeto de lançamento é de R$ 30.202,85. 7.1.1. Dentre os lançamentos questionados, alguns contêm o histórico “liberação financ – honorários”. 7.1.2. Outros lançamentos contém o histórico “cred conf contrato”, seguido de uma sequência alfanumérica, associada pela recorrente ao número de um contrato. São no total sete lançamentos, reproduzidos na tabela à fl. 923, totalizando R$ 8.140,26. 7.1.3. Finalmente, os lançamentos bancários cujo histórico assinala “credito movim bmfacil”. Tratase de doze créditos bancários, totalizando R$ 20.897,29, provavelmente associados à facilidade oferecida pelo Banco Schahim intitulada “Bem Mais Fácil” (fl. 1579). No entanto, não encontro nos autos qualquer planilha nem documentos que demonstrem e comprovem, de forma individualizada, a vinculação dos valores creditados em contacorrente com um financiamento para pagamento de tributos e assemelhados, nem a separação entre o que seriam os “reembolsos” e os honorários. 7.2. Contacorrente nº 744532 Os extratos bancários se encontram às fls. 261/273. O exame do demonstrativo dos créditos a serem justificados, elaborado pelo Fisco (fls. 745/750 e resumo às fls. 715/716) revela que o total anual dos créditos objeto de lançamento é de R$ 273.387,45. Fl. 22027DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15758.000003/201129 Resolução nº 1302000.338 S1C3T2 Fl. 22.027 15 7.2.1. Dentre os lançamentos questionados, alguns contêm o histórico “liberação financ – honorários”. 7.2.2. Outros lançamentos contém o histórico “cred conf contrato”, seguido de uma sequência alfanumérica, associada pela recorrente ao número de um contrato. São grande número de lançamentos, totalizados pela interessada por mês na tabela à fl. 920. No ano, o montante é de R$ 161.091,40. Pretende a interessada que se trata de valores liberados a partir de contratos de financiamento, destinados e vinculados ao pagamento de tributos, multas etc do interesse dos clientes. Tratarseia, assim, de outra forma do reembolso, muitas vezes tratado antes neste voto. O exame dos documentos acostados às fls. 1581/1615 revela o que segue: Documentos de fls. 1581/1583. Referemse ao veículo de placa CWT0548, sendo esta a seqüência que aparece no extrato bancário, no histórico do crédito de R$ 1.290,10 em 22/08/2008. Os documentos revelam termo de adesão para financiamento, seguido de comprovação de pagamento vinculado a esse veículo, efetuado no próprio Banco Schahin em 27/08/2008, poucos dias após a liberação do crédito. Documentos de fls. 1584/1585. Referemse ao veículo de placa BIL7239, sendo esta a seqüência que aparece no extrato bancário, no histórico do crédito de R$ 792,62 em 21/08/2008. Os documentos revelam termo de adesão para financiamento, seguido de comprovação de pagamento vinculado a esse veículo, efetuado no próprio Banco Schahin em 25/08/2008, poucos dias após a liberação do crédito. Os documentos a partir da fl. 1586 até 1615 não mantêm a mesma coerência dos dois primeiros. Não mais consigo fazer a ligação entre eles e qualquer dos créditos objeto de questionamento pelo Fisco. Também não consigo identificar, entre a vasta documentação acostada aos autos, outros demonstrativos ou documentos comprobatórios que demonstrem e comprovem, de forma individualizada, a vinculação dos valores creditados em contacorrente com um financiamento para pagamento de tributos e assemelhados. 7.2.3. Finalmente, os lançamentos bancários cujo histórico assinala “credito movim bmfacil”. Tratase de grande número de créditos bancários, totalizando R$ 107.638,60, provavelmente associados à facilidade oferecida pelo Banco Schahim intitulada “Bem Mais Fácil” (fl. 1579). No entanto, não encontro nos autos qualquer planilha nem documentos que demonstrem e comprovem, de forma individualizada, a vinculação dos valores creditados em contacorrente com um financiamento para pagamento de tributos e assemelhados, nem a separação entre o que seriam os “reembolsos” e os honorários. Após todo o exposto, considero que o processo não reúne condições de julgamento. Diante dos princípios de provas apontados e da multiplicidade de dúvidas levantadas, decorrentes das dificuldades de identificação, nos autos, dos documentos que podem, ou não, existir, fazendo prova das alegações da recorrente, penso que julgar o processo nestas condições, sem aprofundamento das análises, traria grande risco de que a decisão se afastasse da verdade dos fatos. Acrescento, por relevante, que não se há de falar, no caso, em preclusão, visto que todos os documentos já se encontravam nos autos desde a fase Fl. 22028DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15758.000003/201129 Resolução nº 1302000.338 S1C3T2 Fl. 22.028 16 impugnatória, e que seu exame somente não foi aprofundado em etapas processuais anteriores em face do entendimento da autoridade julgadora a quo de que seriam irrelevantes. Entendimento do qual, com todas as vênias, devo divergir, pelas razões já expostas. Voto, pois, pela conversão do julgamento em diligência, para que sejam adotadas as seguintes providências: a) A SECAM desta 3ª Câmara providencie, junto ao setor competente do CARF, a digitalização do volume VIII do processo, cuja numeração (na seqüência em papel) se inicia com a fl. 1409 e termina com a fl. 1658. A seguir, o volume VIII digitalizado deve ser acostado aos autos do processo eletrônico. b) O processo seja encaminhado à Unidade Preparadora para que, diante do exame dos documentos dos autos e, se necessário, diligência junto à recorrente, responda aos seguintes quesitos: b.1.) No que toca à movimentação financeira no Banco Real (item 2 do voto, acima), a recorrente afirma que R$ 7.985.489,34 seriam reembolsos. Qual parcela desse montante encontra comprovação documental nos autos? b.2.) No que toca à movimentação financeira no Banco HSBC (item 3 do voto, acima), a recorrente afirma que R$ 5.597.747,50 seriam reembolsos. Qual parcela desse montante encontra comprovação documental nos autos? b.3.) No que toca à movimentação financeira no Banco Bradesco (item 4 do voto, acima), a recorrente afirma que R$ 580.609,87 seriam reembolsos. Qual parcela desse montante encontra comprovação documental nos autos? b.4.) No que toca à movimentação financeira no Banco Itaú, contacorrente nº 454762 (item 5.1 do voto, acima), a recorrente afirma que R$ 38.246,38 seriam reembolsos. Qual parcela desse montante encontra comprovação documental nos autos? b.5.) No que toca à movimentação financeira no Banco Itaú, contacorrente nº 579998 (item 5.2 do voto, acima), a recorrente afirma que R$ 224.991,54 seriam reembolsos. Qual parcela desse montante encontra comprovação documental nos autos? b.6.) No que toca à movimentação financeira no Banco Schahin, contacorrente nº 745862 (item 7.1 do voto, acima), em especial os doze créditos bancários referidos no item 7.1.3 do voto acima, totalizando R$ 20.897,29: existe nos autos documentação que comprove, de forma individualizada, a vinculação dos valores creditados em contacorrente com um financiamento para pagamento de tributos e assemelhados? É possível segregar, nesses valores, o que seriam os “reembolsos” e os honorários? b.7.) No que toca à movimentação financeira no Banco Schahin, contacorrente nº 744532 (item 7.2 do voto, acima), em especial os créditos bancários referidos no item 7.2.2 do voto acima, totalizando R$ 161.091,40: existe nos autos documentação que comprove, de forma individualizada, a vinculação dos valores creditados em contacorrente com um financiamento para pagamento de tributos e Fl. 22029DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15758.000003/201129 Resolução nº 1302000.338 S1C3T2 Fl. 22.029 17 assemelhados? É possível segregar, nesses valores, o que seriam os “reembolsos” e os honorários? b.8.) No que toca à movimentação financeira no Banco Schahin, contacorrente nº 744532 (item 7.2 do voto, acima), em especial os créditos bancários referidos no item 7.2.3 do voto acima, totalizando R$ 107.638,60: existe nos autos documentação que comprove, de forma individualizada, a vinculação dos valores creditados em contacorrente com um financiamento para pagamento de tributos e assemelhados? É possível segregar, nesses valores, o que seriam os “reembolsos” e os honorários? b.9) A Autoridade Fiscal encarregada da diligência acrescente os comentários que considerar pertinentes. Não é demais ressaltar: a comprovação documental buscada deve ser individualizada, considerandose cada depósito bancário, e no sentido da comprovação do depositante (cliente) e do emprego do valor do depósito para pagamentos de tributos, multas e assemelhados, em benefício daquele cliente e de seu interesse, guardando coincidência de valores e aproximação de datas. O resultado da diligência deve constar de relatório circunstanciado e conclusivo, do qual deverá ser dada ciência à interessada, facultandolhe prazo suficiente para, se assim desejar, se manifestar nos autos. Concluída a diligência, o processo deve retornar ao CARF, para prosseguimento do julgamento administrativo. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 22030DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 13804.008453/2003-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1302-000.332
Decisão: Os membros da Turma resolvem, por maioria, converter o julgamento em diligência, vencido o Conselheiro Waldir Rocha. O Conselheiro Márcio Frizzo foi designado redator da resolução. Ausente momentaneamente o Conselheiro Helio Eduardo de Paiva Araújo.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha Relator
(assinado digitalmente)
Márcio Rodrigo Frizzo Redator Designado
Participaram do sessão julgamento os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Relatório
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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O Conselheiro Márcio Frizzo foi designado redator da resolução. Ausente momentaneamente o Conselheiro Helio Eduardo de Paiva Araújo. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha – Relator (assinado digitalmente) Márcio Rodrigo Frizzo – Redator Designado Participaram do sessão julgamento os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 04 .0 08 45 3/ 20 03 -2 1 Fl. 872DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 30/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13804.008453/200321 Resolução nº 1302000.332 S1C3T2 Fl. 873 2 Relatório COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AMÉRICAS AMBEV (sucessora por incorporação de COMPANHIA BRASILEIRA DE BEBIDAS), já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DERAT/SP. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito. O presente processo versa acerca da Declaração de Compensação (DCOMP), protocolada em 30/10/2003 (fls. 1/2), retificado em 17/05/2005 (fls. 16/18), cuja formalização visou declarar a compensação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) apurados no mês de setembro do anocalendário de 2003, com crédito proveniente de saldo negativo de IRPJ, atinente ao anocalendário 2001, conforme abaixo: [Quadro fls. 650/651] Cumpre instar que a análise do pleito realizado no âmbito da unidade de jurisdição incluiu o exame da DCOMP eletrônica, abaixo especificada, porquanto as informações nela inseridas fazem menção do aproveitamento do mesmo crédito motivado na declaração supracitada: [Quadro fl. 651] Neste contexto, a Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT) da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo/SP (DERAT/SP) realizou a apreciação do crédito consignado nas DCOMP em referência, proferindo decisão representada no Despacho Decisório EQPIR/PJ, exarado em 25/04/2008 (fls. 415/423), na qual noticia, inicialmente, que a requerente, hoje incorporada pela Companhia de Bebidas das Américas — AMBEV, CNPJ n° 02.808.708/000107, pleiteou a compensação dos respectivos débitos fiscais com crédito de saldo negativo de IRPJ proveniente da sucedida CRBS S/A, CNPJ n°56.228.356/000131. Vale ressaltar, ainda, que a análise finalizada pela autoridade administrativa para fins de certificar a lidimidade do crédito declarado inferiu a ocorrência fatos: O contribuinte não apurou IRPJ devido, por conta da existência de um saldo de prejuízo fiscal no montante de R$ 87.479.987,57, conforme Ficha 09A da DIPJ/2002 (fl. 395); O interessado computou na apuração do IRPJ as retenções do imposto na importância de R$ 33.336.420,23, conforme declarado na Ficha 12A da DIPJ/2002 (fl. 396). Nesse sentido, baseado nas informações prestadas pelas fontes pagadoras, controladas no sistema Sief/DIRF (fls. 48/51 e 56), assinala Fl. 873DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 30/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13804.008453/200321 Resolução nº 1302000.332 S1C3T2 Fl. 874 3 que restou demonstrada a suficiência de valores que permitem respaldar a utilização levada a efeito na apuração do IRPJ no encerramento do exercício. Por outro lado, notouse que as receitas correspondentes â retenções na fonte não foram totalmente oferecidas à tributação, consoante se observou pelo exame das informações carreadas aos autos pelo requerente (fl. 36), segundo o qual os rendimentos de operações de mútuo (fls. 37 a 43 e 54) totalizam R$ 88.926.190,80 com um IRRF no valor de R$ 17.785.238,16, e os rendimentos de aplicações financeiras (fls. 45/46) resultaram em R$ 77.755.910,18, com a retenção de IRRF de R$ 15.551.182,08; Atesta que o interessado foi intimado sucessivamente no curso da execução da análise das declarações para fins viabilizar a apresentação de esclarecimentos sustentados mediante demonstrativos, através dos quais deveria evidenciar o oferecimento à tributação das receitas sobre as quais incidiram o montante do IRRF do anocalendário de 2001. Assevera, contudo, que a entidade apresentou somente a demonstração mensal de rendimentos vinculados às aplicações financeiras, outrora reconhecidas e apropriadas pelo regime de competência. Assim, depreendeu que no que concerne às receitas integrantes do grupo "Receitas de Mútuo", o regime de caixa coincide com o da competência; Analisando as informações do grupo contábil de aplicações financeiras do ano de 2001 (fl. 135), destacou que o contribuinte reconheceu pelo regime de competência uma receita no valor de R$ 80.186.809,71, justificadas nas planilhas de fls. 212/247, porém, somente ofereceu à tributação o valor de R$ 39.620.843,67 (fl. 82). Noutro perspectiva, verificouse que em relação ao grupo contábil de receitas de mútuo, o contribuinte ofereceu à tributação o valor de R$ 84.839.204,79 (fl. 82). Assim, destaca que em consonância com as orientações contidas no Manual de Preenchimento da DIPJ/2002, a entidade deveria ter informado na Linha 13 da Ficha 12A apenas o imposto retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo do imposto devido; Assim sendo, realça que, recalculando proporcionalmente o IRRF em cotejo com as receitas oferecidas à tributação, o valor do imposto que deveria ser utilizado na apuração do IRPJ do exercício resultava no montante de R$ 24.892.009,72: [Quadro fl. 652] Desse modo, realizando os ajustes necessários para refletir o cálculo do IRPJ do períodobase, certificouse que os importes efetivamente comprovados perfazem a seguinte composição do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001: [Quadro fl. 653] Neste cenário, a autoridade tributária concluiu o exame da matéria promovendo a decisão nos seguintes termos: (I) RECONHECER o direito creditório contra a Fazenda Nacional à Companhia de Bebidas das Américas — AMBEC, CNPJ n° 02.808.708/000107, na importância de R$ 24.892.009,72 (vinte e quatro milhões, oitocentos e noventa e dois mil, nove reais e setenta e dois centavos) atinente ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001; e (II) Fl. 874DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 30/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13804.008453/200321 Resolução nº 1302000.332 S1C3T2 Fl. 875 4 HOMOLOGAR a compensação vinculada ao crédito declarado nas DCOMP, até o limite do valor do direito creditório reconhecido. Regularmente cientificado do aludido Despacho Decisório, por via postal, em 15/03/2010 (fl. 424), o procurador habilitado pela sucessora da requerente protocolou a manifestação de inconformidade em 12/04/2010 (fls. 431/449), acompanhado da documentação de fls. 450/576, segundo a qual apresenta seus argumentos de fato e de direito objetivando contestar as conclusões da decisão administrativa, quais sejam em síntese: 1) Inicialmente, após relato dos fatos, protesta que não pode concordar com as apontamentos emanados pela autoridade fiscal pois não se pode calcular proporcionalmente o IRRF do ano de 2001 com base nas receitas financeiras contabilizadas apenas nesse ano, ou seja, rendimentos que tem origem a partir do anocalendário de 1999. Reforça que a manifestante contabiliza a receita financeira e o IRRF, sobre a aplicação financeira com base na Lei n° 6.404 de 15/12/1976, vale dizer, pelo regime de competência (provisão mensal) e não pelo regime de caixa (no resgate da aplicação), assim, reconhecendo mensalmente a receita financeira e o IRRF em consonância com os princípios contábeis vigentes. Reforça suas argumentações citando e anexando cópia do Capítulo 5 do Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações, 5ª edição, Ed. Atlas, denominado "INVESTIMENTOS TEMPORÁRIOS"; 2) Atesta que essa assertiva pode ser verificada mediante verificação do conteúdo dos razões contábeis escriturados pela manifestante no período concernente ao anocalendário de 1999 a 2001, acostados às fls. 135 a 201 dos autos do processo; 3) Dessa forma, depreende que o exame fiscal iniciouse com base em interpretação errônea, uma vez que não se pode calcular proporcionalmente o imposto do ano de 2001, através de receitas financeiras contabilizadas exclusivamente neste período, mas, sim, observando toda a documentação acostada aos autos, uma vez que foram ocorreu o reconhecimento de receitas em anos anteriores.; 4) Conclui, portanto, que receita financeira é decorrente de aplicações financeiras iniciadas no ano calendário de 1999, conforme demonstra os Informes de Rendimentos e Extratos das aplicações em nome da CRBS S/A, atreladas às respectivas contas bancárias existentes nas instituições financeiras, confrontados com os controles do sistema de aplicação financeira constantes do processo às folhas 45 e 46 e 204 a 247; 5) Sustenta, portanto, que a manifestante vinha reconhecendo a receita financeira e o IRRF das aplicações financeiras de acordo com o regime de competência, logo oferecendoa automaticamente à tributação, conforme demonstrou na Ficha 43 da DIPJ/2002 e Informes de Rendimentos do anobase de 2001 (fls. 27 a 44) integrantes do processo, na qual ocorreu o reconhecimento da receita financeira no montante R$ 77.755.910,18, dandolhe, dessa forma, direito de utilizarse do referido crédito; Fl. 875DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 30/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13804.008453/200321 Resolução nº 1302000.332 S1C3T2 Fl. 876 5 6) Completa, ainda, que tomando por base as informações contidas na Ficha 12 da DIPJ/2001, verificase que o oferecimento à tributação da receita financeira naquele ano resultou em um importe de R$ 96.119.420,88, sendo que, dessa quantia total, R$ 63.359.314,75, consistiamse em Juros sobre Aplicação Financeira, fato que evidencia a ocorrência da tributação cm conformidade com o regime de competência. 7) Alerta ser importante observar que o valor do crédito de IRRF deduzido no ano de 2000 representou em um montante de apenas R$ 5.437.584,16, provando, assim, que a manifestante adotou a prática de tributação da receita financeira pelo regime de competência, todavia, aproveitando o IRRF pelo regime de caixa, ou seja, apenas em face do resgate das aplicações; 8) Assinala também que ante a utilização indevida da técnica adotada pela autoridade fiscal, notase que se o raciocínio fizesse sentido, a manifestante teria ainda, no ano calendário de 2000, um crédito de IRRF de R$ 7.222.961,88, uma vez que o crédito aproveitado naquele ano equivale a apenas 8,6% do valor de juros sobre aplicação financeira oferecido à tributação (R$ 63.359.314,75); 9) Protesta, enfim, que a manifestante sempre utilizouse do regime de competência para escrituração de sua contabilidade enquanto que, de outro lado, as instituições financeiras utilizavamse do regime de caixa, razão porque, ante a verificação de todos os documentos e argumentos apresentados, entende não pairar dúvidas de que o juros sobre aplicações financeiras foram oferecidos a tributações em anos anteriores, logo, sendo inadmissível que a Secretaria da Receita Federal do Brasil considere tão somente as informações concernentes ao anocalendário de 2001, reputando o cálculo proporcional como eficaz, uma vez que prejudica em demasia o direito do contribuinte e contradiz o Principio da Verdade Material, norteador do processo administrativo no direito tributário; 10) No que tange às operações de mútuo, certifica que promoveu a escrituração contábil do montante de R$ 84.939.204,79, e não os R$ 88.926.190,80, conforme constam dos informes de rendimento das empresas do grupo, integrante das folhas 37 a 43 e 57 do processo, porém, consoante firmado na DIPJ/2002 Ficha 43 (Demonstrativo do IRRF), registrouse o montante de R$ 88.926.190,80, a titulo de renda bruta e R$17.785.238,16 de IRRF, logo, o crédito de consignado na declaração configurase válido e permissível de aproveitamento pelo manifestante. Fundamenta suas argüições mediante citação de doutrina tributária através da qual reforça que o erro contábil do mútuo, todavia, corretamente declarado na DIPJ, não pode impedir o direito de compensação; 11) Encerra, renovando suas ponderações nas quais reafirma que os valores das receitas conexas às aplicações financeiras e operações de mútuo foram devidamente oferecidos à tributação, assim, legitimando que os créditos de IRRF nos valores de R$ 15.551.102,08 e R$ 17.785.238,16, respectivamente, cujo somatório qualificase suficiente para a absorção da compensação pretendida; 12) Na seqüência, reclama que a autoridade julgou antecipadamente a lide rejeitando as provas apresentadas por ocasião do atendimento das notificações Fl. 876DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 30/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13804.008453/200321 Resolução nº 1302000.332 S1C3T2 Fl. 877 6 recebidas da Receita Federal pela manifestante, as quais foram juntadas, especificadas e justificadas oportuno tempore para dirimir pontos relevantes da questão que, certamente, daria outro rumo à decisão manifesta no despacho decisório, qual seja a homologação integral da compensação declarada; 13) Avocando ementas de decisões forenses, depreende que a homologação parcial não pode prevalecer, pois é nula jure et de jure, tendo em conta que representa o cerne do cerceamento de defesa e de negativa de prestação jurisdicional face as provas carreadas ao processo, as quais foram analisadas apenas sob a ótica de um "cálculo proporcional do IRPJ", procedimento este vedado conforme previsto nos art. 142 e 149, inciso VIII do CTN; 14) Nesse compasso, sustenta que a autoridade julgadora tem o dever de investigar e de buscar a verdade, examinando toda a documentação, inclusive os sistemas eletrônicos, sob pena de aplicação indevida da lei, pois estará se baseando em fatos incorretos, demonstrando evidente ofensa a verdade material através das provas do razão e informes de rendimentos juntados; 15) Finalmente, após reiterar a pertinência da declaração de compensação e destacar os documentos de prova acostadas à manifestação de inconformidade, requer: (I) a rejeição da decisão firmada pela autoridade administrativa, sob justificativa de que não ocorreu o exame das provas acostadas pela manifestação na ocasião da análise da matéria; (II) a concessão à manifestante do direito de promover a compensação integral das exigências fiscais em face do crédito reivindicado, haja vista que as provas juntadas indicam que a receita financeira e a operação de mútuo foram oferecidos à tributação; (III) que as notificações, intimações e avisos concernentes aos atos processuais praticado neste feito , sejam remetidos para a sede do escritório dos advogados que representam a entidade. A 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, mediante o Acórdão nº 1625.805, de 23/06/2010 (fls. 649/663), indeferiu a solicitação, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Ano calendário: 2001 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO PARCIALMENTE. COMPROVAÇÃO. VERDADE MATERIAL. A insuficiência de apresentação de prova inequívoca hábil e idônea, com vistas a aferir a certeza e liquidez dos créditos requeridos, acarreta a manutenção dos efeitos da decisão administrativa que estabeleceu a delimitação de fruição do direito creditório. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. LUCRO REAL. CONDIÇÃO DE ADMISSIBILIDADE DA DEDUÇÃO DO IRRF SOBRE RENDIMENTOS DECORRENTES DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS E OPERAÇÕES DE MÚTUO. A determinação do Saldo Negativo de IRPJ, passível de ser restituído ou compensado, demanda não somente a prova da ocorrência da oportuna retenção do imposto, mas também se considera imprescindível evidenciar que as receitas financeiras que foram integralmente computadas para fins de apuração do Lucro Real. Por seu turno, constatado o oferecimento parcial dos rendimentos para a constituição da base Fl. 877DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 30/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13804.008453/200321 Resolução nº 1302000.332 S1C3T2 Fl. 878 7 tributável do imposto enseja o reconhecimento proporcional do IRRF decorrente das receitas financeiras. Ciente da decisão de primeira instância em 19/07/2010, conforme documento de fl. 665, e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 16/08/2010 (registro de recepção à fl. 666, razões de recurso às fls. 668/683), mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Preliminarmente, a interessada requer o reconhecimento da homologação tácita das compensações declaradas, forte nas disposições dos arts. 156, inciso VII, e 150, § 4º, ambos do CTN, c/c art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430/1996 (com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003). Aduz que a DCOMP teria sido recebida pela Receita Federal em 30/10/2003, e que o despacho decisório somente teria sido proferido em 08/02/2010 (ciência em 15/03/2010), após o prazo legal. Requer, então, a nulidade do acórdão recorrido. No mérito, a recorrente reitera seus argumentos contrários ao reconhecimento parcial do direito creditório pleiteado, com base na proporcionalização entre o IRRF do ano de 2001 e as receitas financeiras contabilizadas apenas nesse ano. Sustenta que o reconhecimento das receitas é feito em conformidade com os princípios contábeis vigentes, e se iniciou no ano calendário 1999, segundo o regime de competência. No que toca às receitas de mútuo, a interessada insiste em que, não obstante a contabilização tenha sido feita por valor a menor, o total das receitas teria sido oferecido à tributação na DIPJ. Finalmente, a recorrente contesta a conclusão da decisão recorrida, de que as provas trazidas aos autos seriam insuficientes. Afirma que a decisão combatida teria se dado contrariamente às provas, as quais seriam, sim, suficientes para a comprovação de seu direito. É o Relatório. Fl. 878DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 30/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13804.008453/200321 Resolução nº 1302000.332 S1C3T2 Fl. 879 8 Voto Vencedor Conselheiro Márcio Rodrigo Frizzo. Inobstante o bem fundamentado entendimento do Relator, a turma por maioria divergiu do entendimento adotado para posicionarse no sentido que passo a esclarecer. No que toca ao IRRF sobre receitas financeiras, como destacado no voto do distinto Relator, não ficou demonstrado de forma clara pela recorrente a tributação dos rendimentos relativos aos exercícios anteriores ao fiscalizado, do qual transcrevo o seguinte excerto: O Informe de Rendimentos Financeiros do anocalendário 2001 (Banco Safra) (fl. 45), apresentado pela própria interessada e confirmado pela Administração Tributária, relata rendimentos de aplicações financeiras no valor de R$ 77.755.910,18, com retenções de imposto na fonte correspondentes de R$ 15.551.182,08. A justificativa da interessada é de que as receitas teriam sido reconhecidas segundo o regime de competência, a partir do anocalendário 1999. Teriam sido, portanto, oferecidas à tributação, cabendo o aproveitamento integral do imposto de renda retido na fonte. Ocorre que, não obstante as diversas intimações e respostas apresentadas, e a grande quantidade de demonstrativos e de cópias de livros (em especial, o livro Razão), o fato é que a interessada não consegue demonstrar, de forma clara e objetiva, que teria efetivamente oferecido à tributação os rendimentos em questão, em anos anteriores. O demonstrativo de fl. 144 é uma tentativa de fazêlo, mas não aponta em que folhas de seus livros contábeis estariam registradas as receitas ali discriminadas (supostamente) segundo o regime de competência, nem mesmo indica as contas contábeis, nem faz corresponder tais valores aos informes de rendimentos da mesma aplicação financeira junto ao Banco Safra nos anos anteriores. Aliás, não encontro nos autos tais documentos. Verificando os autos, notase que a recorrente apresentou planilhas e documentos contábeis que numa primeira análise vislumbrase a verossimilhança de suas argumentações, ou seja, é possível que a recorrente tenha efetivamente oferecido a tributação em exercícios anteriores ao objeto da fiscalização as receitas financeiras apontadas. Desta forma, em observância ao princípio da verdade material, entendo pertinente converter o julgamento em diligência a fim de que a DRF de origem tome as seguintes providências: a) Intime a recorrente para que no prazo de 30 dias apresente provas idôneas e suficientes a comprovar que os valores referente as receitas financeiras glosadas foram efetivamente tributadas em exercícios anteriores; b) Após este prazo, que o agente fiscal emita parecer conclusivo sobre os documentos constantes nos autos e os novos documentos apresentados pela recorrente, manifestando expressamente sobre o montante da receita financeira efetivamente oferecido à tributação em exercícios anteriores; Fl. 879DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 30/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13804.008453/200321 Resolução nº 1302000.332 S1C3T2 Fl. 880 9 Na sequência, deve a recorrente ser cientificada do resultado da diligência para que, em sendo de seu interesse, manifestese da forma que entender adequada, no prazo de 30 (trinta) dias. Após, com ou sem manifestação, seja o feito devolvido a este Conselho, que deverá julgálo incontinenti. Ante ao exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo – Redator Designado. Fl. 880DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 30/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA
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Numero do processo: 10820.001692/2007-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 26 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 2402-000.061
Decisão: RESOLVEM os membros da Segunda Turma da Quarta Câmara do Conselho Administrativo de recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Repartição de Origem.
Nome do relator: Rogério de Lellis Pinto
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