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Numero do processo: 13971.720796/2009-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
CRÉDITO PRESUMIDO IPI. EXTEMPORÂNEO. RESSARCIMENTO RECONHECIDO.
Inexiste na legislação aplicável uma disciplina específica para a forma de ressarcimento do crédito identificado de forma extemporânea. O meio encontrado pela Recorrente para solicitar o ressarcimento foi realizado em conformidade com a disciplina normativa, com a correção das informações e documentos pertinentes (DCP, LRAIPI e Pedido de Ressarcimento) e observando o prazo prescricional aplicável. Análise das Instruções Normativas n.º 419/2004 e 420/2004, quanto ao crédito presumido, e da Instrução Normativa n.º 460/2004, quanto ao pedido de ressarcimento, vigentes à época.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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CRÉDITO PRESUMIDO EXTEMPORÂNEO Recorrente AKL MADEIRAS LTDA. EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITO PRESUMIDO IPI. EXTEMPORÂNEO. RESSARCIMENTO RECONHECIDO. Inexiste na legislação aplicável uma disciplina específica para a forma de ressarcimento do crédito identificado de forma extemporânea. O meio encontrado pela Recorrente para solicitar o ressarcimento foi realizado em conformidade com a disciplina normativa, com a correção das informações e documentos pertinentes (DCP, LRAIPI e Pedido de Ressarcimento) e observando o prazo prescricional aplicável. Análise das Instruções Normativas n.º 419/2004 e 420/2004, quanto ao crédito presumido, e da Instrução Normativa n.º 460/2004, quanto ao pedido de ressarcimento, vigentes à época. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 07 96 /2 00 9- 21 Fl. 204DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 04 /10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 2 Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Por trazer uma síntese clara e objetiva do processo, peço vênia para transcrever o relatório do voto do I. Conselheiro Relator Gilson Macedo Rosenburg Filho na Resolução n.º 3402000.518, na qual entendeu pela conversão do presente julgamento em diligência: "Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: ' Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório resultante da apreciação dos Pedidos de Ressarcimento e das Declarações de Compensação eletrônicos n° 09947.43676.301105.1.7.013544 (fls. 001/009), protocolado em 30/11/2005, n° 34759.89198.301105.1.1.010684 (fls. 010), protocolado em 30/11/2005, n° 16763.62589.141106.1.7.012301 (fls. 011/014), protocolado em 14/11/2006, e n° 12797.23287.120107.1.3.014650 (fls. 015/016), protocolado em 12/01/2007, por meio dos quais a contribuinte pretende compensar crédito no valor total de R$ 23.492,61, em débitos do estabelecimento. Conforme informado pela contribuinte, o crédito a ser compensado tem sua origem em créditos de insumos, fundamentado no art. 11 da Lei 9.779, de 19 de janeiro de 1999, e em crédito presumido, com base na Lei 10.276, de 10 de setembro de 2001, referentes ao 2º trimestre de 2004 (sic.). A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau SC, que, em 07/12/2009, emitiu Despacho Decisório (fls. 63/64), no qual a autoridade competente reconheceu apenas em parte o crédito no valor de R$ 14.525,09 e homologou apenas em parte as compensações em virtude da apuração e da escrituração extemporâneas de parte do crédito presumido pleiteado. Cientificada do Despacho Decisório, em 11/12/2009 (fl. 67), a contribuinte ingressou, em 08/01/2010, com a manifestação de inconformidade de fls. 68/73 e documentos anexos, na qual se manifesta, em síntese, conforme o disposto a seguir. 1. A diferença não reconhecida não se trata de crédito novo, mas de um complemento do crédito que já havia sido apurado. Tal diferença foi regularmente informada no momento em que foi identificada por meio das retificações correspondentes tanto do DCP como da declaração de compensação, tudo conforme as regras dos respectivos programas geradores. Assim, como o crédito original e o crédito complementar têm a mesma origem e não há razão para desvincular um do outro e, portanto, a justificativa utilizada pela fiscalização para indeferir o crédito não merece êxito, pois Fl. 205DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 04 /10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 13971.720796/200921 Acórdão n.º 3402003.295 S3C4T2 Fl. 205 3 aplicase aos casos de apuração de crédito pela primeira vez e não de retificação, que é a situação presente. Conclui requerendo o reconhecimento do crédito integral, bem como o deferimento dos pedidos e a homologação das compensações vinculadas ao referido crédito.' A 8ª Turma da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) considerou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 14 34281, de 21 de junho de 2011, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: 'Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITO PRESUMIDO. ESCRITURAÇÃO EXTEMPORÂNEA. RESSARCIMENTO SUJEITO AO SALDO CREDOR DO TRIMESTRE– CALENDÁRIO DA ESCRITURAÇÃO. O crédito presumido extemporaneamente escriturado vinculase ao ressarcimento de eventual saldo credor do trimestecalendário de sua escrituração, não podendo ser incluído em ressarcimentos de períodos anteriores por não ter submetido ao aproveitamento prioritário na dedução de débitos de IPI.' Inconformado com a decisão proferida, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, onde alega, em brevíssima síntese, que: 1) A empresa desde o ano de 2003 até o ano de 2005, nunca teve saldo devedor de créditos de IPI, ou seja, apurou sim débitos de IPI em alguns períodos, porém sempre encerrou os períodos com saldo credor da contribuição (sic). Assim, não procede a afirmação do Fisco de que a contribuinte não teria utilizado primeiramente o crédito presumido do IPI para abater os débitos de IPI, uma vez que não havia deduções para realizar; 2) A diferença não reconhecida não se trata de crédito novo, mas de um complemento do crédito que já havia sido apurado. Tal diferença foi regularmente informada no momento em que foi identificada por meio das retificações correspondentes tanto do DCP como da declaração de compensação, tudo conforme as regras dos respectivos programas geradores. Assim, como o crédito original e o crédito complementar têm a mesma origem e não há razão para desvincular um do outro e, portanto, a justificativa utilizada pela fiscalização para indeferir o crédito não merece êxito, pois aplicase aos casos de apuração de crédito pela primeira vez e não de retificação, que é a situação presente; 3) Caso seja indeferido o direito do contribuinte ao ressarcimento integral do crédito do 3º trimestre de 2004, a recorrente estaria impossibilitada de fazer novo pedido de ressarcimento em face de prescrição quinquenal que já teria sucumbido o seu direito creditório, nos termos do art. 1 ° do Decreto n ° 20.910, de 06/01/32; 4) Em 31/01/2006, transmitiu outro pedido de ressarcimento referente ao 4º trimestre de 2005. Assim, caso a empresa tivesse optado por fazer um novo pedido de ressarcimento em 2005 com período do 4º trim/2005, estaria pedindo créditos em duplicidade. Termina a petição recursal requerendo o provimento do recurso para reconhecer o crédito integral referente ao 3º trimestre de 2004 no montante de R$ 23.492,61, bem como o deferimento do PER nº 34759.89198.301105.1.1.010684 e a homologação Fl. 206DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 04 /10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 4 da compensação vinculada ao referido crédito, sob nº 12797.23287.120107.1.3.014650." (fls. 173/175) Como mencionado, o julgamento foi convertido em diligência para que a Unidade de Origem identificasse informações não constante dos autos, quais sejam, "as datas das efetivas exportações ou vendas à comercial exportadora dos bens cujos custos dos insumos estão sendo incluídos na base de cálculo do incentivo fiscal previsto na Lei nº 10.276/2001." (fl. 175) Esta diligência se fez necessária diante do entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais no sentido de que o sujeito passivo só poderá requisitar o ressarcimento do crédito presumido de IPI no trimestrecalendário seguinte à exportação ou à venda dos bens à comercial exportadora (momento no qual se adquire o direito ao crédito presumido). Em atendimento à diligência, após a apresentação das notas fiscais pela Recorrente, foi formulada a Informação Fiscal de fls. 196/197, nas quais foram trazidas as datas das efetivas exportações ou vendas a comercial exportadora, abaixo reproduzidas: Sem manifestação do sujeito passivo, os autos voltaram a esse CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne Fl. 207DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 04 /10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 13971.720796/200921 Acórdão n.º 3402003.295 S3C4T2 Fl. 206 5 Comprovada a tempestividade do Recurso Voluntário, passase à análise de suas razões. Antes, para uma devida compreensão do presente caso, essencial focar em alguns aspectos fáticos delineados pela fiscalização e pela Recorrente. Originariamente, a Recorrente transmitiu o Demonstrativo do Crédito Presumido do IPI DCP relativo ao 3º trimestre de 2004 com o valor total do crédito presumido de R$ 14.525,09. Este crédito foi registrado no livro Registro de Apuração do IPI e foi objeto do Pedido de Ressarcimento. Em novembro/2005 e antes da emissão do despacho decisório relativo ao pedido de ressarcimento, a Recorrente verificou equívoco em sua apuração do crédito presumido apurado naquele período, procedendo com a retificação do DCP para a indicar o valor total do crédito entendido como correto, no valor de R$ 23.492,61. Com essa retificação, o crédito complementar (de R$ 8.967,52) foi lançado no livro Registro de Apuração do IPI de novembro/2005 e foi apresentado o Pedido de Ressarcimento Retificador 09947.73676.311105.1.7.013544, substituindo o anteriormente emitido para a inclusão das notas fiscais correspondentes ao crédito complementar. Com a emissão do PER, o crédito foi estornado no LRAIPI de dezembro de 2005. Em análise dos créditos indicados no referido PER retificador, foi emitido o Despacho Decisório reconhecendo parcialmente o crédito pleiteado por entender que o crédito complementar não teria sido solicitado no trimestre calendário correto. No entendimento da fiscalização, este crédito complementar deveria compor o pedido de ressarcimento relativo ao 4º trimestre de 2005, momento da retificação do DCP e do LRAIPI quando, no entender fiscal, o crédito estaria disponível para ressarcimento. Vejamos o exato fundamento para a glosa no despacho decisório: "Analisando o Livro Registro de Apuração do IPI n° 15 (LRAIPI n° 15), no qual constam os registros do ano calendário 2004, vemos que ao longo dos meses de julho, agosto e setembro a interessada fez três lançamentos um em cada mês na rubrica "outros créditos, especificando tratarse de crédito presumido, cujos valores são respectivamente R$ 3.594,74, R$ 4.136,93 e R$ 6.793,42, o que totaliza R$ 14.525.09. O restante do valor do credito presumido por ela demonstrado no DCP do 3º trimestre de 2004 R$ 8.967,52 foi escriturado apenas no mês de novembro de 2005 (fl. 46 do LRAIPI n° 16). Considerando o momento da escrituração desta parcela do crédito presumido apurado no 3º trimestre de 2004, temse que eles devem compor o montante de credito de IPI apurado ao longo do 4º trimestre de 2005. A interessada incorreu em um equívoco quanto ao conceito "período de apuração" do credito de IPI objeto de Pedido de Ressarcimento . Uma vez que no que tange ao detalhamento do crédito de IPI objeto de Pedido de Ressarcimento/Declaração de Compensação, o conceito "período de apuração" indica o trimestrecalendário da escrituração do crédito, e não necessariamente trimestre calendário em que se deu o fato gerador do acúmulo dos referidos créditos. Tanto que a interessada só conseguiu gerar um documento que incluísse no valor de crédito passível de ressarcimento para o 3º trimestre de 2004 o valor integral do crédito presumido informado no DCP do 3º trimestre de 2004 porque ela, no documento que detalha o crédito (PER/DCOMP n° 09947.73676.311105.1.7.01 Fl. 208DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 04 /10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 6 3544) informou que escriturou no 2º decêndio de setembro de 2004, crédito presumido decorrente das operações de exportação do mês de setembro de 2004, no valor de R$ 23.492,61." (fl. 78 grifei) Assim, o único fundamento para a glosa foi o aparente equívoco quanto ao momento da disponibilidade do crédito: entendeu a fiscalização que o crédito somente estaria disponível no 4º trimestre de 2005, momento de sua escrituração no Livro de IPI (em decorrência da retificação dos cálculos) e não no 3º trimestre de 2004, momento da efetiva apuração do crédito. Como se depreende desse histórico, traçado pela própria fiscalização no Despacho Decisório, constatase que o presente caso difere de outros muito mais complexos que já foram analisados por este Conselho, vez que a discussão travada não abrange o valor do crédito apurado ou mesmo a sua validade diante dos requisitos legais. A lide se cinde em verificar qual é o período de apuração correto para o ressarcimento de créditos presumidos das Leis n° 9.363/1996 e n° 10.276/2001, apurados de forma extemporânea: aquele no qual foi feita a escrituração no Livro de IPI e no DCP retificador (4º trimestre de 2005, no entendimento da fiscalização e da decisão de primeira instância) ou aquele aos quais os créditos presumidos se referem (3º trimestre de 2004, no entendimento da Recorrente). E entendo que tem razão a Recorrente. Senão vejamos. Os artigos 4º a 6º da Lei n.º 9.363/1996 garantem o ressarcimento em dinheiro dos valores do crédito presumido de IPI que não for utilizado na apuração deste imposto pelo contribuinte exportador. Referida disciplina legal, igualmente aplicável ao crédito presumido apurado na forma da Lei n.º 10.276/2001 (art. 1º, §5º)1, expressa: "Art. 4º Em caso de comprovada impossibilidade de utilização do crédito presumido em compensação do Imposto sobre Produtos Industrializados devido, pelo produtor exportador, nas operações de venda no mercado interno, farseá o ressarcimento em moeda corrente. Parágrafo único. Na hipótese de crédito presumido apurado na forma do § 2º do art. 2º, o ressarcimento em moeda corrente será efetuado ao estabelecimento matriz da pessoa jurídica. Art. 5º A eventual restituição, ao fornecedor, das importâncias recolhidas em pagamento das contribuições referidas no art. 1o, bem assim a compensação mediante crédito, implica imediato estorno, pelo produtor exportador, do valor correspondente. Art. 6º O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador" (grifei) 1 "Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. (...) § 5o Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei no 9.363, de 1996." Fl. 209DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 04 /10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 13971.720796/200921 Acórdão n.º 3402003.295 S3C4T2 Fl. 207 7 A disciplina normativa mencionada no art. 6º acima transcrito foi trazida pelas Instruções Normativas n.º 419/2004 (quanto ao crédito da Lei n.º 9.363/1996) e n.º 420/2004 (quanto ao crédito da Lei n.º 10.256/2001), vigentes2 à época dos fatos que deram ensejo ao crédito e da retificação de sua apuração: · Instrução Normativa n.º 419/2004 "Art. 18. A utilização do crédito presumido darseá: I primeiramente, pela dedução do valor do IPI devido pelas operações no mercado interno do estabelecimento matriz da pessoa jurídica; II a critério do estabelecimento matriz da pessoa jurídica, o saldo resultante da dedução descrita no inciso I poderá ser transferido, no todo ou em parte, para outros estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, da mesma pessoa jurídica; III não existindo os débitos de IPI referidos no inciso I ou remanescendo saldo credor após o aproveitamento na forma dos incisos I e II, é permitida a utilização de conformidade com as normas sobre ressarcimento em espécie e compensação previstas em ato específico da SRF: a) a partir do primeiro dia subseqüente ao trimestrecalendário em que o crédito presumido tenha sido escriturado no livro Registro de Apuração do IPI, caso se trate de matriz contribuinte do imposto; ou b) a partir do primeiro dia subseqüente ao trimestrecalendário em que o crédito presumido tenha sido apurado, caso se trate de matriz não contribuinte do IPI. § 1º A utilização do crédito presumido de conformidade com o disposto nos incisos I e II poderá se dar ao final do mês em que foi apurado. § 2º O crédito presumido do IPI somente poderá ser utilizado na forma prevista no inciso III, após a entrega, pela pessoa jurídica cujo estabelecimento matriz tenha apurado o referido crédito, do demonstrativo do crédito presumido (dcp) relativo ao trimestrecalendário de sua apuração." (grifei) · Instrução Normativa n.º 420/2004 "Art. 22. A utilização do crédito presumido darseá: I primeiramente, pela dedução do valor do IPI devido pelas operações no mercado interno do estabelecimento matriz da pessoa jurídica; II a critério do estabelecimento matriz da pessoa jurídica, o saldo resultante da dedução descrita no inciso I poderá ser transferido, no todo ou em parte, para outros estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, da mesma pessoa jurídica; III não existindo os débitos de IPI referidos no inciso I ou remanescendo saldo credor após o aproveitamento na forma dos incisos I e II, é permitida a utilização de conformidade com as normas sobre ressarcimento em espécie e compensação previstas em ato específico da SRF, a partir do primeiro dia subseqüente ao trimestrecalendário em que o crédito presumido tenha sido: a) escriturado no livro registro de apuração do IPI, caso se trate de matriz contribuinte do imposto; ou b) apurado, caso se trate de matriz não contribuinte do IPI. § 1º A utilização do crédito presumido de conformidade com o disposto nos incisos I e II poderá se dar ao final do mês em que foi apurado o crédito presumido. 2 Conforme art. 41 da IN 419/2004 e art. 46 da IN 420/2004, as referidas instruções normativas entraram em vigor na data de sua publicação, em 21/05/2004, produzindo efeitos a partir de 01/02/2004. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 04 /10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 8 § 2º O crédito presumido do IPI somente poderá ser utilizado na forma prevista no inciso III, após a entrega, pela pessoa jurídica cujo estabelecimento matriz tenha apurado o referido crédito, do DCP relativo ao trimestrecalendário de sua apuração." (grifei) É possível depreender que a disciplina trazida pelos dois diplomas normativos é idêntica quanto à possibilidade de ressarcimento do crédito presumido, exigindo, em se tratando de matriz contribuinte do IPI, que: 1) exista saldo credor de IPI no período / inexista débito de IPI; 2) o pedido de ressarcimento seja apresentado na forma exigida pelas normativas da Receita (à época, a Instrução Normativa n.º 460/2004); 3) o pedido de ressarcimento seja formulado a partir do primeiro dia subseqüente ao trimestrecalendário em que o crédito presumido tenha sido escriturado no livro registro de apuração do IPI; e 4) tenha sido entregue o DCP relativo ao trimestrecalendário de sua apuração. Sem se atentar para o fato que o presente caso envolve uma identificação extemporânea de crédito, a decisão de primeira instância se ateve com veemência na exigência indicada no item 3 acima3, mantendo o entendimento no sentido de que o crédito presumido (cuja validade não foi rebatida, frisese novamente) deveria ter sido solicitado no primeiro dia subseqüente ao 4º trimestrecalendário de 2005, vez que o crédito foi escriturado no livro de apuração de novembro/2005: "No entanto, a parcela complementar do crédito presumido referente aos meses do 3º trimestre de 2004 somente está disponível para ressarcimento se implementadas duas condições, nos termos do art. 18 da IN SRF n.º 313/2003: 1. escrituração no RAIPI, para disponibilização desse crédito a eventual dedução de débitos do trimestrecalendário da escrituração; e 2. entrega do DCP em que esteja registrado o valor do crédito presumido apurado. Essas duas condições somente foram implementadas em novembro de 2005, com a escrituração da parcela complementar do crédito presumido e com a retificação do DCP original. Portanto, somente a partir do primeiro dia do trimestrecalendário seguinte, esse valor estaria disponível para ressarcimento referente ao 4º trimestre de 2005. Logo, não é possível incluílo em um pedido de ressarcimento referente ao 3º trimestre de 2004." (fl. 110) Entretanto, com grande respeito ao entendimento trazido na primeira instância, ele não merece prevalecer. Ora, todas as exigências normativas acima elencadas foram devidamente observadas pela Recorrente quando da elaboração do primeiro pedido de ressarcimento, elaborado em janeiro/2005, como atestado pela própria fiscalização. Foi, inclusive, observado o prazo para a formulação do pedido, a partir do primeiro dia subseqüente ao trimestre calendário em que o crédito presumido foi escriturado no livro registro de apuração do IPI. 3 Cumpre mencionar que, à época da apuração dos créditos presumidos sob análise (3º trimestre de 2004), já estavam vigentes as Instruções Normativas n.º 419/2004 e 420/2004, acima mencionadas, já estando revogada a Instrução Normativa n.º 313/2003. Por um lapso, a decisão administrativa mencionou a última IN mencionada, já revogada à época, mas que trazia redação idência aos dispositivos acima transcritos. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 04 /10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 13971.720796/200921 Acórdão n.º 3402003.295 S3C4T2 Fl. 208 9 Contudo, meses depois, em novembro/2005, a Recorrente verificou que teria deixado de indicar créditos válidos na escrituração do livro e, observando o prazo prescricional de 5 anos contados da exportação/entrega para comercial exportadora, na forma do Decreto n.º 20.910/324, procedeu com a retificação da documentação pertinente para identificar os créditos presumidos complementares. Por se tratar de crédito de período pretérito, e inexistindo na legislação uma tratativa específica dessa situação, a Recorrente se utilizou das formas previstas nos próprias normas da Secretaria da Receita Federal para evidenciar o crédito e sua validade, procedendo com a retificação: (i) do DCP relativo ao 3º trimestre de 2004. A retificação do DCP é autorizada por seu programa gerador e pelas Instruções Normativas que tratam do crédito presumido sob análise. De fato, a única hipótese de vedação de retificação é trazida no art. 2º da IN n.º 420/20045, quanto à escolha da alternativa de apuração do crédito presumido da Lei n.º 10.276/2001. Por sua vez, todas as Instruções Normativas trazem previsão expressa quanto à exigência de retificação do DCP na hipótese do contribuinte verificar a ocorrência de fato futuro que o impediria de apurar o crédito presumido (art. 37 da IN n.º 419/20046 e art. 41 da IN n.º 420/20047). (ii) da informação no Livro de Registro de Apuração do IPI. Uma vez que inexistia à época a possibilidade de retificação do Livro de Apuração de IPI, o registro do crédito presumido foi realizado no campo de observação do LRAIPI do mês quando identificou o equívoco na apuração (novembro/2005), com o correspondente estorno do crédito em dezembro/2005; (iii) do Pedido de Ressarcimento formulado quanto ao 3º trimestre de 2004, conforme autorizado pelos artigos 55 a 60 da IN n.º 460/2004 vigente à época da retificação. O pedido retificador, analisado pela fiscalização, relacionou todas as notas fiscais objeto do pedido (sejam aquelas que foram inicialmente indicadas no Livro de Apuração, sejam aquelas objeto da retificação incorrida em novembro/2005). E, na diligência realizada, a 4 Aplicável à hipótese conforme Parecer Normativo CST n.º 515/1971 5 "Art. 2º A opção pelo regime alternativo de que trata esta Instrução Normativa abrangerá: I todo o anocalendário; II o período remanescente do anocalendário, na hipótese de exercício quando do início de atividades da pessoa jurídica. Parágrafo único. Não será admitida a retificação da opção de que trata o caput." 6 "Art. 37. No caso em que a pessoa jurídica esteja submetida ao regime nãocumulativo de apuração do PIS/Pasep e da Cofins e que, durante o trimestre de apuração do crédito presumido, verifique a ocorrência de fato que impeça a utilização desse regime, deverá retificar as informações relativas à apuração do crédito presumido de todo o trimestrecalendário, inclusive no Livro Registro de Apuração do IPI, ainda que já tenha ocorrido o aproveitamento de parte desses créditos para dedução co valor do IPI devido em operações no mercado interno. Parágrafo único. Caso já tenha sido entregue o DCP relativo ao trimestre de ocorrência do fato, a retificação de que trata o caput deverá ser informada em DCP retificador." 7 "Art. 41. No caso em que a pessoa jurídica esteja submetida ao regime nãocumulativo de apuração do PIS/Pasep e da Cofins e que, durante o trimestre de apuração do crédito presumido, verifique a ocorrência de fato que impeça a utilização desse regime, deverá retificar as informações relativas à apuração do crédito presumido de todo o trimestrecalendário, inclusive no Livro Registro de Apuração do IPI, ainda que já tenha ocorrido o aproveitamento de parte desses créditos para dedução do valor do IPI devido em operações no mercado interno." Fl. 212DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 04 /10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 10 Recorrente apresentou todas as notas fiscais que respaldaram o crédito extemporâneo. Exatamente com fulcro nessas notas, a fiscalização conseguiu identificar todas as datas das efetivas exportações/vendas para as comerciais exportadoras, demonstrando, por conseguinte, o adimplemento de todas as condições legais e normativas necessárias ao gozo do crédito presumido, inclusive do prazo prescricional. Insta novamente frisar que a fiscalização em qualquer momento refutou a validade dos créditos presumidos, aduzindo, apenas, que o momento para o seu pleito estaria equivocado. Entretanto, o dispositivo legal no qual se respalda a fiscalização e a decisão de primeira instância não é aplicável ao presente caso por se tratar de hipótese distinta: de crédito presumido identificado em momento posterior ao período de apuração. Ora, inexistindo na legislação aplicável qualquer disciplina específica para esse crédito identificado de forma extemporânea, vislumbrase que o meio encontrado pela Recorrente para solicitar o ressarcimento do crédito presumido extemporâneo foi realizado em conformidade com a disciplina normativa, com a correção das informações e documentos pertinentes (DCP, LRAIPI e Pedido de Ressarcimento) e observando o prazo prescricional aplicável. Assim, inexiste razão para o não reconhecimento do crédito. E aqui é importante salientar as incongruências do raciocínio proposto no Despacho Decisório e na decisão de primeira instância: se o contribuinte tem prazo prescricional em curso para o aproveitamento do seu crédito, qual a razão para a esperar até o primeiro dia subseqüente ao trimestrecalendário de escrituração do crédito, relativo à período pretérito, para aproveitar o crédito? Além disso, se já possuía pedido de ressarcimento sob análise e sem decisão administrativa, porque não poderia retificar seu pedido para devidamente incluir, com fulcro em DCP retificada, os valores pertinentes de crédito? Não há qualquer dispositivo legal que vede o procedimento adotado, afastado pela fiscalização. O aproveitamento de crédito extemporâneo pelos contribuintes passíveis de serem beneficiados pelo crédito presumido é plenamente aceito pela Secretaria da Receita Federal nas soluções de consulta abaixo, que trazem como exigência, apenas, a retificação da documentação suporte (DCP/DCTF) e a observância do prazo prescricional de 5 anos do Decreto n.º 20.910/32, ambos observados no presente caso: "ASSUNTO: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI EMENTA: CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO E UTILIZAÇÃO EXTEMPORÂNEAS. RETIFICAÇÃO DE DCTF ANTES DA UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. INAPLICABILIDADE. Não se aplica a multa prevista no art. 30 da IN SRF nº 419, de 2004, quando a pessoa jurídica que faça jus a créditos presumidos do IPI, não os tendo apurado nem utilizado, por qualquer forma, procede à revisão das correspondentes DCTF, apresentadas originalmente dentro do prazo, para apurar e utilizar créditos presumidos referentes a períodos em que as informações a eles relativas deviam ser prestadas nessa declaração, respeitado o prazo decadencial de 5 anos, contados da data da realização das exportações que tenham originado o direito ao benefício fiscal, e atendidas todas as obrigações acessórias estabelecidas na legislação pertinente." (Solução de Consulta n.º 267 de 12 de Agosto de 2004 grifei) "ASSUNTO: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI EMENTA: CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO E UTILIZAÇÃO EXTEMPORÂNEAS. DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO PRESUMIDO. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. MULTA POR ATRASO NA Fl. 213DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 04 /10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 13971.720796/200921 Acórdão n.º 3402003.295 S3C4T2 Fl. 209 11 ENTREGA . APLICABILIDADE. A pessoa jurídica produtoraexportadora pode, respeitado o prazo prescricional, utilizar o crédito presumido a que faz jus em qualquer tempo, devendo observar, entretanto, que, a partir do momento que o utilize, tornase obrigada à apresentação do Demonstrativo do Crédito Presumido(DCP), inclusive daqueles relativos a períodos anteriores à utilização do crédito presumido, sendo de se observar os prazos para entrega do referido demonstrativo, o qual tem início a partir do trimestre da utilização do respectivo crédito presumido. A multa por falta de entrega do DCP tornase devida a partir da utilização do crédito presumido, por qualquer forma, desde que não sejam observados os prazos de entrega, contados a partir da referida utilização. A versão do Programa Gerador da DCP a ser utilizada é a disponível na Internet, no endereço http://www.receita.fazenda.gov.br. Atualmente o Programa DCP 1.1 permite ao declarante o preenchimento, validação do conteúdo e gravação do Demonstrativo do Crédito PresumidoDCP, para entrega à SRF, de informações relativas à apuração do Crédito Presumido de IPI a partir do 4º trimestre de 2002." (Solução de Consulta n.º 120 de 02 de Abril de 2007 grifei) Acrescese ainda o fato que a Recorrente não possuiu qualquer débito de IPI no período sob análise, como se depreende dos Livros de Apuração acostados aos presentes autos, autorizando o seu ressarcimento quando comprovada a validade do crédito presumido. Assim, sendo válido o crédito presumido (como reconhecido pela fiscalização) e inexistindo qualquer vedação normativa para o seu ressarcimento no 3º trimestre de 2004, período de apuração ao qual se refere (único fundamento para a glosa pela fiscalização), entendo que ele deve ser integralmente reconhecido para a correspondente homologação das compensações vinculadas. Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a integralidade do crédito presumido glosado. É como voto. Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora Fl. 214DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 04 /10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM
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Numero do processo: 10240.000727/2010-06
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/10/2009
MULTA QUALIFICADA COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO. CONSCIÊNCIA DO NÃO GOZO DO BENEFÍCIO ISENCIONAL
A inserção de informação falsa na GFIP pelo sujeito passivo, que tinha plena consciência de sua situação de não isento das contribuições previdenciárias, revela a conduta dolosa do contribuinte e se subsume à multa de ofício qualificada aplicada com fulcro no §1º, do art. 44 da Lei n.º 9.430/96,
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.353
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Julgado dia 24/08/2016 no período da tarde.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1517; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10240.000727/201006 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202004.353 – 2ª Turma Sessão de 24 de agosto de 2016 Matéria CSP OBRIGAÇÃO PRINCIPAL MULTA QUALIFICADA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado EMPRESA ESTADUAL DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA E EXTENSÃO RURAL DO ESTADO DE RONDÔNIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/10/2009 MULTA QUALIFICADA COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO. CONSCIÊNCIA DO NÃO GOZO DO BENEFÍCIO ISENCIONAL A inserção de informação falsa na GFIP pelo sujeito passivo, que tinha plena consciência de sua situação de não isento das contribuições previdenciárias, revela a conduta dolosa do contribuinte e se subsume à multa de ofício qualificada aplicada com fulcro no §1º, do art. 44 da Lei n.º 9.430/96, Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 07 27 /2 01 0- 06 Fl. 321DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Julgado dia 24/08/2016 no período da tarde. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10240.000727/201006 Acórdão n.º 9202004.353 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório O Auto de Infração AIOP DEBCAD n.º 37.288.5012, referese às contribuições destinadas aos Terceiros, no período de 01/2009 a 10/2009, incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados. De acordo com o relatório fiscal, o sujeito passivo teve cancelada a isenção patronal das contribuições previdenciárias de que trata a Lei n.º 8.212/91 nos arts. 22 e 23, por meio do Ato Cancelatório n.º 01, de 21/01/2005, por não possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos, como explicitava a legislação vigente, em especial o artigo 55 da já citada Lei n.º 8.212/91. Frente ao cancelamento, o contribuinte ingressou com Mandado de Segurança n.º 2006.41.00.0010845, na Segunda Vara Federal, obtendo liminar em 31/06/2006, que suspendeu o Ato Cancelatório n.º 01 e restabeleceu a isenção, sustando a exigibilidade de qualquer débito fiscal relativo às contribuições previdenciárias patronais. A liminar foi cassada em 01/11/2006, denegada a segurança e desde 14/08/2008, o processo está concluso para sentença. Aduz o relatório, que no período fiscalizado de 01/2009 a 10/2009, a entidade prestou informações incorretas em GFIP, porque declarou no campo FPAS o Código 639, relativo à entidade isenta da contribuição patronal, quando deveria ter informado o Código 515, já que não possuía mais o benefício isentivo. Este fato ocasionou a aplicação da multa de ofício qualificada, com esteio no art. 44,§1º, da Lei n.º 9.430/96 e art. 35 A da Lei n.º 8.212/91, incluído pela Lei n.º 11.941/2009. A autuação foi considerada procedente por decisão da 4ª Turma da DRJ de Belém/PA, consubstanciada no Acórdão nº 0122.730, de fls. 222/225. De tal decisão o contribuinte recorreu a este Conselho. Em sessão plenária de 22/01/2013, foi dado provimento parcial ao recurso voluntário prolatandose o Acórdão nº 2301003.249 (fls. 248/253), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/10/2009 DA NULIDADE DO ATO CANCELATÓRIO DE IMUNIDADE Pretende a Recorrente que o egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais manifestese quanto ao Ato Cancelatório de imunidade 001/2005 RFB, declarando o mesmo ser nulo em razão de Adin que tramita pelo STF ter efeito ‘ex nunc’ e ‘erga omnes’, que trata das alterações introduzidas na redação dada ao artigo 55, inciso III, da Lei 8.212/91, pelo artigo 1° da Lei 9.732/98, e ainda do § 4° do mesmo artigo e lei, bem como do artigo 7° da mesma lei, uma vez estarem com a exigibilidade suspensa. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Ainda, quanto ao mencionado Ato Cancelatório a Recorrente procurou o Judiciário para discutir tal matéria, a Recorrente. Não compete ao CARF julgar a nulidade de Ato Declaratório, sendo de competência exclusiva do Judiciário. Ademais, há nos autos renúncia expressa ao contencioso administrativo, ao menos quanto a esta matéria, conforme RI desta Corte, pois houve a procura do Judiciário. MULTA CONFISCATÓRIA. Não é multa confiscatória aquela que se enquadra à determinação legal. Há nos autos a expressa demonstração de sonegação, o que gera a aplicação da multa qualificada. Recurso Voluntário Provido em Parte A decisão foi registrada nos seguintes termos: ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por maioria de votos: a) em analisar e decidir o recurso. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou em converter o julgamento em diligência, a fim de para solicitar documentos sobre a ação judicial, para avaliar a concomitância. II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, no mérito, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado; b) em dar provimento parcial ao recurso, para retirar a qualificação da multa de ofício, nos termos do voto do Relator. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN foi cientificada do acórdão em 19/03/2013, (fls.254) e ofereceu o recurso especial em análise (fls. 255/271). Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho de Exame de Admissibilidade às fls.300/305. A recorrente traz como alegações: · Que não se aplica a Súmula 14 do CARF, já que a prática de conduta ilícita por anos consecutivos demonstra o intuito de fraude do sujeito passivo. · Que o acórdão recorrido divergiu dos paradigmas apontados, porque apesar de restar claro nos autos os requisitos para a aplicação da multa de ofício disposta no art. 44,§1º, da Lei n.º 9.430/96, a mesma foi reduzida ao percentual de 75%. · Que a reiterada conduta omissiva do contribuinte implica na aplicação da multa com base no §1º, do art. 44 da Lei n.º 9.430/96; · Que os paradigmas são expressos ao impor a conduta prevista no §1º, do art. 44 da Lei n.º 9.430/96, quando constatado o evidente intuito de fraude e/ou sonegação dolosa, o que se equipara a apresentação de declarações falsas ao Fisco. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10240.000727/201006 Acórdão n.º 9202004.353 CSRFT2 Fl. 4 5 · Que o contribuinte tinha pleno conhecimento de que quando da ocorrência dos fatos geradores não vigorava qualquer ato que afirmasse a sua condição de isento. · Que do exame dos autos restou evidenciado o intuito doloso do contribuinte em retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária ao Fisco. · Que a apresentação de declarações falsas ao Fisco de forma reiterada não pode ser considerada um mero equívoco ou declaração inexata, porque o autuado tinha pleno conhecimento de que suas informações não eram verídicas, tanto pelo trânsito em julgado da decisão administrativa, quanto pelo insucesso da ação judicial. · Que a conduta do contribuinte está devidamente detalhada para demonstrar as razões da qualificação da multa. · Requer o provimento do recurso especial para reformar o acórdão recorrido, restabelecendose o lançamento em sua integralidade, em especial da multa qualificada no patamar de 150%. As contrarrazões do Contribuinte apresentam os seguintes argumentos (fls.313/318): · Que não há que se falar em sonegação, não podendo a multa de ofício atingir o patamar de 150%. · Que por meio de ação judicial está questionando o Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n.º 001/2005, mas até o momento apesar de não ter decisão favorável ao contribuinte, também não há decisão contrária transitada em julgado, podendo o referido Ato ser revisto pelo Poder Judiciário, o que virá a respaldar o procedimento adotado pelo sujeito passivo. · Que a situação da autuada, ao buscar a via judicial para reverter a situação isentiva, não pode ser comparada a de outros contribuintes que a despeito de não discordarem ou questionarem determinada exigência fiscal, agem com máfé e se valem de artifícios protelatórios para impedir que o Fisco tome conhecimento dos fatos geradores de contribuição previdenciária. · Que em momento algum impediu que a autoridade fazendária tivesse conhecimento dos fatos geradores que deram origem às contribuições previdenciárias objeto da autuação. · Que os fatos geradores foram declarados em GFIP. · Que os paradigmas não se prestam a sustentar a divergência argüida , porque neles os contribuintes nunca foram isentos ou imunes às contribuições previdenciárias e neles está caracterizada a máfé das Fl. 325DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 empresas autuadas, que se utilizavam de artifícios escusos para omitir receitas. · Que a jurisprudência deste conselho já sedimentou entendimento no sentido de que o dolo das ações descritas nos artigos 71 a 73 da Lei n.º 4.502/64, deve ser devidamente comprovado e não presumido, estando correta a decisão ora recorrida. · Por fim, requer o não provimento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, mantendose o acórdão atacado. É o relatório. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10240.000727/201006 Acórdão n.º 9202004.353 CSRFT2 Fl. 5 7 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Da análise dos autos, se vê que em julgamento de segunda instância a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a multa de ofício aplicada com fulcro no §1º, do art. 44 da Lei n.º 9.430/96, no percentual de 150%, fosse reduzida ao patamar de 75%. Transcrevo a seguir, os fundamentos adotados no julgado: [...] Mas, compulsando os autos nele não se vê alusão que autoridade Fiscal tenha mencionado que a Recorrente praticou fraude ou conluio, mas tão somente a pratica de sonegação de contribuição previdenciária nos termos do inciso III, do art. 337A, do DecretoLei n° 2.848/1940. O que se vê no Relatório Fiscal é que a Fiscalização informa que a multa de ofício foi aplicada de acordo com o previsto no parágrafo § 1° do art. 44, da Lei n° 9.430,/96, ‘in verbis’: [...] Quanto à sonegação praticada pela Recorrente, a Autoridade Fiscal descreve no Relatório Fiscal que ela declarase isenta das contribuições previdenciárias patronal, informando em GFIP, no campo FPAS (Fundo de Previdência e Assistência Social), o código 639 (Entidade Beneficente de Assistência Social), enquanto o correto seria o código 515 (Empresa em Geral). Mas, evidente, foi um equívoco cometido por um funcionário sem comprometimento à Instituição/Recorrente, razão pela qual há de se excluir a multa qualificada. Portanto, não vislumbro a hipótese de sonegação com fim de ludibriar ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, obtendo como resultado, a redução do montante do tributo devido, materializando a hipótese prevista no art. 71, inciso I, da Lei n° 4.502, de 1964, antes menciona e transcrito. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 Portanto, não está correto o procedimento da fiscalização em aplicar a multa qualificada de 150% sobre as contribuições apuradas. A PGFN apresentou Recurso Especial de Divergência alegando que o contribuinte tinha pleno conhecimento de que, quando da ocorrência dos fatos geradores não vigorava qualquer ato que afirmasse a sua condição de isento e que a apresentação de declarações falsas ao Fisco de forma reiterada não pode ser considerada um mero equívoco ou declaração inexata, porque o autuado tinha pleno conhecimento de que suas informações não eram verídicas, tanto pelo trânsito em julgado da decisão administrativa, quanto pelo insucesso da ação judicial. Do exame dos autos, em especial do Relatório Fiscal de fls 14/17, do acórdão de primeira instância às fls. 222/225 e do acórdão ora recorrido, fls.248/253, passo a tecer as seguintes considerações: O sujeito passivo teve efetivamente cancelada a isenção patronal das contribuições previdenciárias através de Ato Cancelatório de 21/01/2005, por não possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social. Após o episódio do cancelamento, o contribuinte ingressou com Mandado de Segurança n.º 2006.41.00.0010845, na Segunda Vara Federal, obtendo liminar em 31/06/2006, que suspendeu o Ato Cancelatório n.º 01 e restabeleceu a isenção, sustando a exigibilidade de qualquer débito fiscal relativo às contribuições previdenciárias patronais, mas tal medida foi cassada em 01/11/2006, denegada a segurança e desde 14/08/2008, o processo está concluso para sentença. Portanto, o contribuinte estava ciente de que administrativamente existia uma decisão transitada em julgado que não lhe conferia a situação de entidade isenta das contribuições previdenciárias e da mesma forma, sabia que a ação judicial interposta, que por um período lhe restabeleceu a condição de isenta, teve liminar cassada e assim, a entidade voltava a ser obrigada ao recolhimento integral das contribuições previdenciárias, ainda que a lide judicial não tivesse sentença definitiva. Entretanto, conforme informa o relatório fiscal que sustenta o lançamento, no período fiscalizado de 01/2009 a 10/2009, a entidade prestou informações incorretas em GFIP, porque declarou no campo FPAS o Código 639, relativo à entidade isenta da contribuição patronal, quando deveria ter informado o Código 515, já que não possuía mais o benefício isentivo. Ao informar deliberadamente o código de entidade beneficente isenta da contribuição patronal, quando já não o era, a autuada inseriu dados falsos no documento que objetiva prestar ao Fisco as informações relativas a sua situação acerca das contribuições previdenciárias. Este fato ocasionou a aplicação da multa de ofício qualificada, com esteio no art. 44,§1º, da Lei n.º 9.430/96 "in verbis": Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: 1 de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...]§ Io O percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Fl. 328DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10240.000727/201006 Acórdão n.º 9202004.353 CSRFT2 Fl. 6 9 Lei n" 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Para se caracterizar a sonegação, o art. 71, inciso I, da Lei n° 4.502/64, assim dispõe: "Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Assim, se vê que a conduta da autuada se subsume ao conceito de sonegação, na medida em que conscientemente, porque sabia que não mais possuía a isenção patronal previdenciária, tanto que buscava obter o beneficio por via judicial, inseriu dados falsos na GFIP, informando o Código FPAS 639 de entidade isenta, o que impede ou retarda o conhecimento do Fisco acerca da ocorrência dos fatos geradores. A falsidade se manifesta na volitiva e consciente ação de declarar nas GFIP um dado errôneo e mais grave, falso, com o fim de prejudicar o direito do Fisco de constituir o crédito tributário correspondente. Frente a estes fatos, o acórdão recorrido ao excluir a qualificação da multa diz de forma simplista que o dado falso informado nas GFIP's, ocorreu por equívoco de um funcionário sem comprometimento com a autuada, conforme excerto do voto condutor que transcrevo abaixo: "Quanto à sonegação praticada pela Recorrente, a Autoridade Fiscal descreve no Relatório Fiscal que ela declarase isenta das contribuições previdenciárias patronal, informando em GFIP, no campo FPAS (Fundo de Previdência e Assistência Social), o código 639 (Entidade Beneficente de Assistência Social), enquanto o correto seria o código 515 (Empresa em Geral). Mas, evidente, foi um equívoco cometido por um funcionário sem comprometimento à Instituição/Recorrente, razão pela qual há de se excluir a multa qualificada." Todavia, não há nos autos qualquer prova a corroborar tal afirmação que se mostra por demais frágil para excluir a qualificação da multa de ofício lançada pelo Fisco com embasamento em fatos ocorridos e relatados e que não foram contrapostos pelo sujeito passivo, como a existência do Ato Cancelatório da isenção patronal das contribuições previdenciárias e a cassação de medida liminar em ação judicial sem decisão definitiva. Do exposto, se mostrou acertado o lançamento da multa qualificada porque foi inserido dado falso em documento, visando a iludir o Fisco sobre a efetiva ocorrência do fato gerador do tributo, ou retardando o seu conhecimento e reduzindo, assim, de forma ardilosa o montante do tributo devido. Por certo, que um mero erro material de digitação, ou a informação ocasional de um dado incorreto em GFIP não ocasionaria a qualificação da multa de ofício. Porém, no caso dos autos não há qualquer prova de que o fato incorrido teria sido um simples equívoco, a Fl. 329DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 uma porque se repetiu durante todo o período lançado, invalidando a assertiva de engano ocasional, e a duas porque a autuada em todas as suas manifestações diz que como a ação judicial pode lhe restabelecer o direito ao gozo da isenção previdenciária, não vê prejuízo ao Fisco quanto a ter informado o Código FPAS incorreto. Tal alegação corrobora o fato de que a conduta da autuada foi consciente ao inserir dado falso na GFIP. Com o intuito de sustentar a divergência, a PGFN acosta dois julgados paradigmas, que embora tratem de tributos diversos ao aqui examinado, bem se posicionam e demonstram similitude quanto ao fato até aqui explanado de que a adoção de prática reiterada de ocultar a ocorrência dos fatos geradores do tributo, tipifica a intenção fraudulenta do contribuinte e o sujeita à multa qualificada. A título de ilustração transcrevo as ementas dos paradigmas adotados: Acórdão n.º 10196.908 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ AnosCalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 Ementa: MULTA QUALIFICADA DE 150% — CONDUTA FRAUDULENTA A prática reiterada da contribuinte, por sucessivos exercícios, em omitir receitas, mediante declaração falsa de inatividade, e em declarar de maneira significantemente reduzida a receita auferida, caracterizam sua intenção fraudulenta e, por conseguinte, justificam a aplicação da multa qualificada de 150%. Acórdão n.º20178.336 NORMAS PROCESSUAIS. CONSTITUCIONAL1DADE DE LEIS. DISCUSSÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Os Conselhos de Contribuintes somente podem afastar a aplicação de lei por inconstitucionalidade nas hipóteses previstas em lei, decreto presidencial e regimento interno. IR'. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. LEI N2 9.311/96. NORMA PROCEDIMENTAL. APLICAÇÃO INTERTEMPORAL PARA A CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Norma que permite a utilização de informações bancárias para fins de apuração e constituição de crédito tributário, por envergar natureza procedimental, tem aplicação imediata, alcançando mesmo fatos pretéritos. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. PRESENÇA DOS PRINCÍPIOS DE OCULTAÇÃO E DE PRÁTICA REITERADA CONDENÁVEL. A adoção de prática reiterada de ocultar a ocorrência do fato gerador, com subtração permanente de receitas nos livros fiscais ou nos entes acessórios, tipifica o intuito de fraude. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10240.000727/201006 Acórdão n.º 9202004.353 CSRFT2 Fl. 7 11 MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO FISCAL. EXIGÊNCIA FORMULADA COM BASE EM CFO ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL REGULAR E EM CONTA CORRENTE BANCÁRIA. A movimentação de conta bancária ocultada e nãoalcançável por unia singela auditoria fiscal é prática sujeita à multa majorada. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE. DECADÊNCIA. A presença comprovada de fraude desloca a regra de contagem do prazo decadencial para a do inciso I do art. 173 do CTN. Recurso negado. Assim como nos paradigmas adotados se vê do caso em tela que houve ânimo de fraude, já que a recorrente tinha conhecimento de que não gozava da isenção contributiva previdenciária, mas inseriu dados falsos em GFIP, ocasionando prejuízo para o Fisco Fazendário, na medida em que ocultou ou retardou o conhecimento do fato gerador das contribuições devidas. Desta forma, por se tratar de lançamento de ofício a legislação determinou a incidência de multa de ofício, correspondente a 75% da totalidade ou diferença de imposto ou contribuição devidos e não recolhidos, podendo, inclusive ser duplicado o valor em caso de fraude, simulação ou conluio: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 331DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 12 §1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) §2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Portanto, no exame do caso em questão é de se ver que o Fisco agiu de acordo com a legislação vigente e frente à demonstração de que houve intenção de se evadir do integral recolhimento das contribuições previdenciárias, foi correta a aplicação da multa de ofício agravada, nos termos anteriormente descritos. Por tudo que foi exposto, se afigura a tentativa de sonegação/fraude mediante a consciente inserção de informações falsas na GFIP, visando dolosamente a reduzir tributo, devendo ser infligida ao infrator a multa de 150% sobre o valor total do débito. Aliás, o próprio manual de GFIP 8.4, aprovado pela IN MPS/SRP nº 19, de 26/12/2006 , alterado pela IN RFB nº 880, de 16/10/2008, estando em vigor à época dos fatos geradores, assim estabelece a obrigação de informação em GFIP 7 – INFORMAÇÃO DE OBRIGAÇÕES DISCUTIDAS JUDICIALMENTE Caso o empregador/contribuinte decida discutir judicialmente alguma obrigação, deve informar a GFIP/SEFIP normalmente de acordo com a legislação. Não deve elaborar a GFIP/SEFIP de acordo com o que entende ser devido. Caso a decisão judicial altere a obrigação, o empregador/contribuinte deverá retificar as GFIP/SEFIP de acordo com a sentença, sendo passível de autuação a falta de correção após a referida decisão. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10240.000727/201006 Acórdão n.º 9202004.353 CSRFT2 Fl. 8 13 O referido procedimento aplicase também às contribuições destinadas a outras entidades e fundos, arrecadadas pela RFB. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO AO RECURSO INTERPOSTO pela Fazenda Nacional, mantendo a multa qualificada como lançada no AI DEBCAD 37.288.5012. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10480.000969/2003-30
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 12 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1997
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS - IMPLICAÇÕES COM O TRIBUTO APURADO NO FINAL DO ANO
Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido), e, sendo assim, a obrigatoriedade de seu recolhimento não fica afastada seja em função de apuração de prejuízo, seja em função de
apuração de tributo em valor menor que o total das estimativas não pagas. Pelo contrário, tal obrigatoriedade subsiste integralmente, e a sua não observância enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 44, § 1º, IV, da Lei 9.430/96, já consideradas no presente caso as alterações promovidas pela
Lei 11.488/2007 (retroatividade benigna).
MULTA - EFEITO DE CONFISCO
O acolhimento das alegações sobre o percentual da multa de oficio implicaria no afastamento de norma legal vigente (artigo 44 da Lei 9.430/96), por suposto vício de inconstitucionalidade, e falece a esse órgão de julgamento administrativo competência para provimento dessa natureza, que está a cargo do Poder Judiciário, exclusivamente.
Numero da decisão: 1802-000.392
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Primeira Seção de
Julgamento, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, Sergio Luiz Bezerra Presta e João Francisco Bianco, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Orlando José Gonçalves Bueno
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1997 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS - IMPLICAÇÕES COM O TRIBUTO APURADO NO FINAL DO ANO Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido), e, sendo assim, a obrigatoriedade de seu recolhimento não fica afastada seja em função de apuração de prejuízo, seja em função de apuração de tributo em valor menor que o total das estimativas não pagas. Pelo contrário, tal obrigatoriedade subsiste integralmente, e a sua não observância enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 44, § 1º, IV, da Lei 9.430/96, já consideradas no presente caso as alterações promovidas pela Lei 11.488/2007 (retroatividade benigna). MULTA - EFEITO DE CONFISCO O acolhimento das alegações sobre o percentual da multa de oficio implicaria no afastamento de norma legal vigente (artigo 44 da Lei 9.430/96), por suposto vício de inconstitucionalidade, e falece a esse órgão de julgamento administrativo competência para provimento dessa natureza, que está a cargo do Poder Judiciário, exclusivamente.
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MINISTÉRIO DA FAZENDA:. :r• ..,,,,, .ii- CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAISNI r . —.. :.= PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10480.000969/2003-30 Recurso n° 157.870 Voluntário Acórdão a° 1802-00.392 — r Turma Especial Sessão de 12 de março de 2010 Matéria IRPJ Recorrente OLICO RENOVADORA DE PNEUS LTDA. Recorrida 3' TURMA/DRJ-RECIFE/PE ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IREI Ano-calendário: 1997 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS - IMPLICAÇÕES COM O TRIBUTO APURADO NO FINAL DO ANO Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido), e, sendo assim, a obrigatoriedade de seu recolhimento não fica afastada seja em função de apuração de prejuízo, seja em função de apuração de tributo em valor menor que o total das estimativas não pagas. Pelo contrário, tal obrigatoriedade subsiste integralmente, e a sua não observância enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 44, * 1 0, IV, da Lei 9.430/96, já consideradas no presente caso as alterações promovidas pela Lei 11.488/2007 (retroatividade benigna). MULTA - EFEITO DE CONFISCO O acolhimento das alegações sobre o percentual da multa de oficio implicaria no afastamento de norma legal vigente (artigo 44 da Lei 9.430/96), por suposto vício de inconstitucionalidade, e falece a esse órgão de julgamento administrativo competência para provimento dessa natureza, que está a cargo do Poder Judiciário, exclusivamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2. Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, Sergio Luiz Bezerra Presta e João Francisco Bianco, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. 9../ i c-------------'s---- i ESTER MARQUES LINS DE " a SA — Presi e -- • e. ,--;... e- J LIE OLIVEIRA Fe • ' ',/ CO " A — Relator.J , EDITADO EM: ..0 8 AB ! 2010 Particip. •dee da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente da Turma), João Francisco Bianco (Vice-Presidente), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Nelso Kichel e Sérgio Luiz Bezerra Presta (Suplente Convocado). - . .... _ __ .. .. 2 Processo n 10480.000969/2003-30 81-TE02 Acórdão n.° 1802-00.392 Fl. 2 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, que considerou parcialmente procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ, no valor de R$ 91.128,20, estando incluído nesse montante a multa de oficio de 75% e os juros moratórios; e também relativo à multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais, no valor de 27.294,12, conforme Auto de Infração de fls. 210 a 217. A exigência fiscal abrange o ano-calendário de 1997. Em relação ao IRPJ, o Relatório da Ação Fiscal, às—fls. 218 a 220, traz as seguintes informações: A partir do Balancete de dezembro ((ls. 178 a 189), calculamos a receita líquida por atividade, o lucro da exploração, a isenção do imposto e o imposto de renda (/ls. 196 e 197). Registre-se que, tendo em vista que o contribuinte até a presente data não nos apresentou o Lalur, utilizamos no cálculo do imposto de renda o lucro real constante na declaração de rendimentos O. 26). Glosamos o valor informado como "saldo negativo de períodos anteriores" tendo em vista a não existência de tais saldos conforme pudemos verificar nas declarações de rendimentos dos anos-calendários de 1995 e de 1996 (fls. 190 a 193). Apuramos o valor de R$ 41.404,01, mas como o contribuinte já havia declarado na D1RPJ/98 o valor de R$ 7.54245, ou seja, tal valor já está sendo controlado pelos sistemas da Si??, estamos lançando apenas a diferença. Quanto à multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, o mesmo relatório registra que: Apesar do não cumprimento das obrigaçães acessórias acima citada baseados nos balancetes mensais, elaboramos as planilhas de fis. 202 a 209, onde calculamos, mês a mês, a receita liquida por atividade, o lucro da exploração, a isenção do imposto e o imposto de renda com base nos balancetes de suspensão/redução. Confrontamos os valores do imposto de renda calculados com base na estimativa (fls. 199 e 201) com os valores calculados com base nos balancetes de suspensão/redução (fls. 203, 205, 207 e 209) e identificamos os valores que deveriam ter sido recolhidos (finita intitulada "imposto a pagar", fls. 199 e 201). Deduzimos de tais valores os já declarados (seja em DCTF, D1RPJ/98, ou REF1S) ou pagos (II. 195) (o maior dos dois) e encontramos os valores passíveis de multa de oficio de 75% Sobre esses valores aplicamos o percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e encontramos os valores das multas isoladas mês a mês. Instaurada a fase contenciosa, com a impugnação de fls. 225 a 232, a Contribuinte apresentou os seguintes argumentos, conforme descritos na decisão de primeira - instância, Acórdão no 11-17.125, de fls. 272 a 281: 9., 3 Inicia descrevendo a sua atividade (recapagem e revenda de pneumáticos em gemi), discorrendo em seguida acerca da política econômica adotada pelo governo ao longo dos últimos anos, discorrendo sobre as várias dificuldades pelas quais passou o setor produtivo nacional e na sua atividade em particular. Em seguida, alega ser os valores dos autos de infração exagerados e improcedentes, afirmando não possuir "acervo líquido neste montante" e que a autoridade administrativa não havia observado o princípio da não confiscariedade do tributo disposto no artigo 150, IV da Constituição Federal. Afirma que havia optado pelo REFIS, encontrando-se com os pagamentos em dia e não tendo sido excluído do referido programa, e que não seria legal a cobrança do débito do IRPJ já que o período de apuração seria de 01/1997 a 06/2002. Protesta pela 'juntada de documentos e planilhas que demonstram o alegado e os cálculos do imposto legalmente devido sem expurgos monetários "e -pela sustentação oral caso se faça necessário para dirimir quaisquer dúvidas sobre esta defesa" e perícia contábil. Requer seja o Auto de Infração julgado improcedente, argumentando que com a transferência dos débitos para o parcelamento consolidado do REFIS, não existiria infração punível. Requer, também, caso não seja cancelado o lançamento, seja concedido "parcelamento administrativo especial em 240 meses de amortização com expurgo total do IRPJ quanto a cobrança de juros moratórios de 1% ao mês, atualização monetária, multas pecuniárias de 2% entre outros valores acessórios que não condizem com a realidade da impugnante." Finaliza requerendo seja "impugnado totalmente" o lançamento por 'falta de razoabilidade, proporcionalidade, agressão ao princípio constitucional da não confiscatoriedade dos tributos (art. 150 IV da CF/88), dentre outras ilegalidades a serem apuradas pelo procedimento Administrativo Tributário Federal" Conforme mencionado, a DRJ Recife/PE considerou parcialmente procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1997 DIFERENÇA APURADA EN7RE VALOR ESCRITURADO E DECLARADO/PAGO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA: Considera-se não impugnada matéria que não tenha sido expressamente contestada pela contribuinte. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ DEVIDO COM BASE EM ESTIMATIVAS MENSAIS: É devida multa de oficio lançada isoladamente, quando constatado que a (1.„. 4 Processo n° 10480.00096912003-30 SI-TE02 Acórdão n.° 1802-00392 PI. 3 contribuinte deixou de efetuar o recolhimento obrigatório do IRPJ sobre a base estimada. DÉBITO CONFESSADO. FALTA DE COMPROVAÇÃO:Descabido o argumento da defesa de que os valores lançados de oficio já haviam sido confessados à Receita Federal, por intermédio do programa REFIS, vez que não veio acompanhado de prova. LEGISLAÇÃO. CARÁTER CONFISCATORIO:A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a legislação tributária vigente. PERÍCIA CONTÁBIL: Descabe perícia quando as informações necessárias á fundamentação _da autuação encontram-se nos autos e os termos processuais forem confeccionados em estrita observância da legislação aplicável. APRESENTAÇÃO DE PROVA: O momento oportunizado pela legislação para apresentação de prova no processo administrativo fiscal é no momento da apresentação da impugnação. PEDIDO DE PARCELAMENTO. COMPETÊNCIA PARA APRECIAR: Não compete às Delegacias da Receita Federal de Julgamento apreciar pedido de parcelamento. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1997 MULTA ISOLADA. RETROAÇÃO DE LEGISLAÇÃO MENOS GRAVOSA: Aplica-se ao fato pretérito, objeto de processo ainda 1 não definitivamente julgado, a legislação que imponha penalidade menos gravosa do que a prevista na legislação vigente ao tempo da sua prática. Lançamento Procedente em Parte Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 27/12/2006, a Contribuinte apresentou em 16/0112007 o recurso voluntário de fls. 287 a 294, onde desenvolve os seguintes argumentos: - a Câmara Superior de Recursos Fiscais tem expressado o entendimento de que as multas isoladas por falta do recolhimento mensal da antecipação do IRPJ e da CSLL por estimativa não seriam exigíveis, porque, entre outros argumentos, versariam sobre desatendimento de mera obrigação acessória apurada após o encerramento do ano-calendário, sem repercussão na órbita do tributo; porque deveria prevalecer apenas o imposto (definitivo) efetivamente apurado com base no lucro real, ou porque se apurou prejuízo no ano-calendário; - a multa aplicada não se coaduna com o principio do não-confisco, principio esse que decorre do disposto no inciso IV do artigo 150 da CF; 9 5 - a vedação do confisco no Direito Tributário é matéria pacífica na doutrina e na jurisprudência, sendo inconstitucional a legislação que dispõe de forma diversa; - o confisco atenta contra o direito de propriedade e a segurança jurídica, princípios fundamentais da Constituição Federal de 1988; - não se concebe uma multa de tal valor, até porque a Recorrente não causou nenhum dano à União, uma vez que é participante do REFIS, conforme restou comprovado pelos documentos que instruíram a defesa monocrática. Ao final do recurso, a Contribuinte requer seja tomado Subsistente os valores aplicados a título de multa isolada, juros de mora e multa proporcional sobre o IRPJ. Este é o Relatório. • id Processo n° 10480.000969/2003-30 SI-TE02 Acórdão nd 1802-00.392 Fl. 4 V080 Conselheiro JOSÉ DE OLIVEIRA FERRAZ CORRÊA, Relator O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Não há propriamente um litígio sobre o fato gerador anual do IRPJ em 31/12/1997, conforme apurado pela Fiscalização, e que configura o primeiro item da autuação. Em seu recurso, a Contribuinte argumenta apenas contra a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas de IRPI ao longo de 1997 e contra o percentual da multa de oficio que acornp-anha-o IRPJ lançado no final do ano. - A norma que estipula multa isolada para o não recolhimento de estimativas mensais está contida no art. 44 da Lei 9.430/1996, e ela deve ser aplicada ainda que tenha sido "apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente", conforme prevê o inciso IV do §1 0 deste artigo, em sua redação original: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: 1- de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; 11- cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n°4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: 1 - 11 - 111 - IV - isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no ano- calendário correspondente; 7 Não vislumbro outra interpretação possível para a parte final do texto acima transcrito, senão a de que a referida multa deve ser exigida da pessoa jurídica ainda que esta tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a CSLL. Com efeito, a clareza da redação não possibilita entendimento diverso, a menos que se admita o afastamento de norma legal vigente, tarefa que não compete à Administração Tributária. Além disso, a hermenêutica jurídica ensina que se deve preferir a inteligência dos textos que tome viável o seu objetivo, ao invés da que os reduza à inutilidade. Nesse caso, o entendimento contrário implicaria na supressão ou inutilidade de todo o adendo estabelecido pelo inciso IV acima (ainda que tenha apurado ...). Também é importante destacar que o texto legal diz "ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ...." e não "ainda que venha a ser apurada prejuízo fiscal ...", numa clara indicação de que a multa deve ser aplicada mesmo com o período já encerrado, e não apenas no ano em curso. Tudo isso que se disse até aqui serve para demonstrar que as estimativas mensais, de fato, configuram obrigações autônomas, que não se confundem com a obrigação tributária decorrente do fato gerador de 31 de dezembro. Sua natureza jurídica, inclusive, a faz destoar totalmente do padrão traçado pelo art. 113 do CTN (que trata das obrigações tributárias), pois ela é uma obrigação que surge antes da ocorrência do fato gerador do tributo. Seu pagamento, por outro lado, nada extingue, gerando apenas um registro contábil de crédito a favor do contribuinte, a ser aproveitado no filtro. Além disso, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/96, essa obrigação existe mesmo que a pessoa jurídica tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a CSLL. Ou seja, existe ainda que não haja tributo devido. Portanto, não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido), e, sendo assim, a obrigatoriedade de seu recolhimento não fica afastada seja em função de apuração de prejuízo, seja em função de apuração de tributo em valor menor que o total das estimativas não pagas. Pelo contrário, tal obrigatoriedade subsiste integralmente, e a sua não observância enseja a aplicação da penalidade acima transcrita. E ainda que assim não fosse, caberia assinalar que não há no Direito Tributário algo semelhante ao Princípio da Consunção (Absorção) do Direito Penal, o que também afasta os argumentos sobre a concomitância de multas. No que toca à alegação da Recorrente sobre a desproporcionalidade e o efeito de confisco da multa de oficio, cujo acolhimento implicaria no afastamento de norma legal vigente (art. 44, I, da Lei 9.430/96), por suposta inconstitucionalidade, cabe ressaltar que falece a esse órgão de julgamento administrativo competência para provimento dessa natureza, que está a cargo do Poder Judiciário, exclusivamente. _ Oportuno lembrar que apenas de modo excepcional, havendo prévia decisão por parte do Supremo Tribunal Federal, e cumpridos os requisitos do Decreto n° 2.346/97 ou do art. 103-A da Constituição, o que não ocorre no presente caso, é que a Administração Pública deixaria de aplicar a referida norma legal. Ç[ 8 Processar? 10480.000969/2003-30 81-TE02 Acórdão n.° 1802-00392 Fl. 5 Essa matéria, inclusive, já foi sumulada pelo antigo Primeiro Conselho de Contribuintes: Súmula I° CC n o 2- O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Embora a Contribuinte não tenha desenvolvido qualquer argumento sobre os juros de mora, solicitando apenas o seu afastamento ao final do recurso, o mesmo pode ser dito em relação a eles. Incumbe a esse órgão julgador cumprir as normas legais que se encontram em pleno vigor, no caso, o § 3° do art. 5° e o art. 61 da Lei n° 9.430/1996, aplicando-as às situações concretamente verificadas. Quanto à menção ao REFIS, observo que não consta dos autos qualquer_ comprovação de que os valores objeto do lançamento sob exame tenha sido incluídos naquele parcelamento. Finalmente, registro que a decisão de primeira instância já aplicou a retroatividade benigna para fins de reduzir a multa isolada de 75% para 50%, em razão das alterações promovidas pela Lei 11.488/2007 no art. 44 da Lei 9.430/1996. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 12 de março de 2010.12 de março de 2010 _a_ 61 se de Oliveira Ferraz Corrêa • 9
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Numero do processo: 10580.721994/2014-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2014
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INEXISTÊNCIA DE JUSTA CAUSA. INTEMPESTIVIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO.
O prazo legal para interposição de recurso voluntário é de trinta dias contado da intimação da decisão recorrida. Tendo o contribuinte interposto o recurso voluntário fora do prazo legal, sem provar a ocorrência de causa impeditiva, o recurso não pode ser conhecido. Portanto, configurada a intempestividade da peça recursal, interposta após decorrido o prazo de 30 dias contados da ciência da decisão de primeira instância, nos termos dos artigos 33 e 42, I, do Decreto nº 70.235/1972, não é possível o conhecimento do recurso.
INTIMAÇÃO VIA POSTAL. INEFICÁCIA. CIÊNCIA POR EDITAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Hipótese em que a Administração agiu de acordo com o art. 23, §§ 1º e 4º, do Decreto nº 70.235/1972, na medida em que intimou o contribuinte por Edital tão somente após caracterizada a ineficácia da comunicação via postal.
É intempestiva o recurso ofertado após o decurso do prazo estabelecido na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Para efeito de contagem do prazo de 30 dias para impugnar, considera-se feita a intimação 15 (quinze) dias após a publicação do Edital, se este for o meio utilizado para tanto.
Recurso Voluntário não Conhecido.
Numero da decisão: 3402-003.234
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO conhecer do recurso voluntário, por ser intempestivo, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Esteve presente ao julgamento a Dra. Ana Luísa Fernandes Pereira de Oliveira, OAB/DF nº 26.088.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2014 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INEXISTÊNCIA DE JUSTA CAUSA. INTEMPESTIVIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO. O prazo legal para interposição de recurso voluntário é de trinta dias contado da intimação da decisão recorrida. Tendo o contribuinte interposto o recurso voluntário fora do prazo legal, sem provar a ocorrência de causa impeditiva, o recurso não pode ser conhecido. Portanto, configurada a intempestividade da peça recursal, interposta após decorrido o prazo de 30 dias contados da ciência da decisão de primeira instância, nos termos dos artigos 33 e 42, I, do Decreto nº 70.235/1972, não é possível o conhecimento do recurso. INTIMAÇÃO VIA POSTAL. INEFICÁCIA. CIÊNCIA POR EDITAL. RECURSO INTEMPESTIVO. Hipótese em que a Administração agiu de acordo com o art. 23, §§ 1º e 4º, do Decreto nº 70.235∕1972, na medida em que intimou o contribuinte por Edital tão somente após caracterizada a ineficácia da comunicação via postal. É intempestiva o recurso ofertado após o decurso do prazo estabelecido na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Para efeito de contagem do prazo de 30 dias para impugnar, considerase feita a intimação 15 (quinze) dias após a publicação do Edital, se este for o meio utilizado para tanto. Recurso Voluntário não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO conhecer do recurso voluntário, por ser intempestivo, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 19 94 /2 01 4- 85 Fl. 484DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Esteve presente ao julgamento a Dra. Ana Luísa Fernandes Pereira de Oliveira, OAB/DF nº 26.088. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia de Julgamento de em Belém, que julgou improcedente a impugnação da Recorrente, referente ao auto de infração lavrado, em que foi lançado crédito tributário no valor de R$ 19.531.836,47, incluídos nesse valor o IPI, multa de ofício qualificada de 150% e juros de mora. Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA), colaciono o relatório do Acórdão recorrido nº 0129.999, da 3ª Turma, in verbis: “(...) 7 Da análise das EFD ICMS/IPI do ano 2011 constatou se créditos de IPI escriturados como ‘Outros Créditos’. Através da ECD 2011 Livro Diário Digital n° 90 com Termo de Autenticação n° 130309796, constatase compensações efetuadas pelo contribuinte na conta 20100300101002 IPI A RECOLHER com créditos escriturados na conta 1.01.003.002.01.001 – ‘TIT DIV PUBLICA PROC 05810623201040134’ compra de crédito fiscal oriundos de apólice D.PUBLICA PROC JUD 00581062320104013400 1ª VARA TRF/DF, ‘crédito fiscal’ no valor R$ 12.100.000,00, com deságio de R$ 9.900.000,00 perfazendo o total de R$ 22.000.000,00 (VINTE E DOIS MILHÕES DE REAIS) escriturados nesta conta e com utilização na compensação de tributos federais IPI, PIS e COFINS. 8 Foram compensados na conta 20100300101002 IPI A RECOLHER ECD 2011 Livro Diário Digital n° 90 com Termo de Autenticação n° 130309796 o valor total R$ 6.577.446,00 que foram declarados em DCTF como suspensão para os meses de setembro de 2010, novembro de 2010 e dezembro de 2010 e de janeiro de 2011 a março de 2011 e maio de 2011. Os débitos referentes a setembro, novembro e dezembro de 2010 estão controlados no processo n° 10580.722813/2011 95 todos inscritos em Dívida Ativa da União, os débitos relativos a janeiro, fevereiro e março de 2011 fazem parte do processo n° 10580.725883/201103 todos inscritos em Dívida Ativa da União Fl. 485DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10580.721994/201485 Acórdão n.º 3402003.234 S3C4T2 Fl. 485 3 e o débito de maio de 2011 no processo n° 10580.725533/2012 10 também inscrito em Dívida Ativa da União. 9 Termos de Intimação Fiscal n° 4 e 5 foram lavrados solicitando esclarecimentos em relação aos ‘Outros Créditos’ lançados na escrita fiscal de apuração do IPI Livro de Apuração do IPI e EFD ICMS/IPI, além de esclarecimentos relativos as compensações contábeis efetuadas na apuração do IPI com Títulos da Dívida Pública e informações quanto ao processo judicial n° 00581062320104013400 1ª VARA TRF/DF. Em resposta no dia 25/11/2014 se limita a esclarecer a escrituração do Título da Dívida Pública adquiridos. 10 Em consulta ao site do TRF/DF na internet, verificamos que o processo judicial n° 00581062320104013400 com tramitação na 18a VARA, se refere a execução de título extrajudicial, objetivando cobrança de dívida oriunda de título da dívida externa brasileira, emitido no ano de 1904 pela Prefeitura do Distrito Federal. Na sentença proferida em 05/07/2012 o Juiz reconhece que a exigibilidade do título resta fulminada pela prescrição e extingue a execução. Inclusive manda oficiar a RFB da decisão. 11 Verificase também que esses títulos também não se prestam à compensação de tributos federais. É que a Lei 9.430, de 1996, diz expressamente, no art. 74, § 12, alínea ' c ' , que é vedada a compensação tributária na hipótese em que o crédito se refira a titulo público. 12 Diante da falta de previsão legal e decisão judicial definitiva e que parte das compensações efetuadas não foram efetivadas por meio de DCOMP e nem declaradas em DCTF, elaboramos Demonstrativo de Apuração do IPI, reconstituindo a escrita fiscal para expurgar os efeitos dos valores lançados na escrituração como ‘Outros Créditos’ e confrontando o saldo devedor do IPI após a reconstituição da escrita com os valores declarados em DCTF, apurando diferenças passíveis de lançamento em períodos de apuração do ano 2011. ...... 15 Novamente intimado através do Termo de Intimação Fiscal n° 10 lavrado em 09/04/2014 para apresentar o contrato de compra e venda de título público que deram suporte a escrituração na conta 1.01.003.002.01.001 – ‘TIT DIV PUBLICA PROC 05810623201040134’ nos valores de R$ 12.100.000,00 mais o deságio de R$ 9.900.000,00, o contribuinte em 15/04/2014 apresenta um Contrato de Cessão de Direitos Creditórios que não tem nenhuma correspondência com o que foi solicitado no Termo de Intimação Fiscal. 16 Portanto efetuamos a glosa dos créditos escriturados indevidamente como ‘Outros Créditos’ nas EFD ICMS/IPI considerando as devoluções comprovadas, e reconstituímos a escrita fiscal apurando saldo devedor do IPI nos períodos Fl. 486DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 considerados, conforme demonstrativos de apuração do IPI anexo 02. 17 Apurado o imposto para cada período de apuração mensal efetuamos o lançamento de ofício do IPI com duas infrações distintas: Insuficiência de Declaração e Recolhimento do Saldo Devedor do IPI Escriturado EFD ICMS/IPI para o período de março de 2011, e Crédito Indevido Outros Créditos para os períodos de abril de 2011 e de junho de 2011 a dezembro de 2011, conforme demonstrativos de apuração e enquadramento legal constantes do Auto de Infração IPI. 18 No presente caso, o contribuinte tinha pleno conhecimento de que o procedimento adotado, compensação do IPI com créditos de Títulos Públicos levada a efeito em sua contabilidade, não estava amparado na legislação tributária ou em ação judicial com decisão definitiva, posto que ainda não tinha sido ainda proferida a sentença da 18a Vara do TRD/DF posterior as compensações efetuadas na contabilidade, e contrária a sua pretensão. Além disso, tinha conhecimento também do entendimento da Receita Federal do Brasil da não possibilidade de compensações do IPI com títulos da dívida pública, através das várias decisões e cobranças efetuadas nos processos administrativos citados no item 08 deste Termo de Verificação Fiscal. 19 A conduta fraudulenta adotada pelo contribuinte relatada no item anterior, autoriza a qualificação da multa de lançamento de ofício que passa a ser de 150% Fraude, art.72 da Lei n° 4.502/1964. O enquadramento legal da multa de lançamento de ofício consta no Auto de Infração do IPI lavrado nesta mesma data. 20 Ocorre ainda que quando contabilizou na ECD 2011 Livro Diário Digital n° 90 com Termo de Autenticação n° 130309796, créditos na conta 1.01.003.002.01.001 – ‘TIT DIV PUBLICA PROC 05810623201040134’ oriundo de Títulos Públicos e proceder contabilmente compensações com o PIS a recolher conta 20100300101007 e COFINS a recolher conta 20100300101008, ou seja, efetuar a compensação de tributos federais com créditos inexistentes pois representados por título de autenticidade duvidosa, incerto e prescrito, com tributos federais sem autorização legal ou judicial, o contribuinte manteve em tese uma conduta em fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal, além de omitir informações e prestar declaração falsa às autoridades tributárias, enseja Representação Fiscal para Fins Penais RFFP, tendo em vista o disposto no art. 1º da Portaria RFB n° 2.439/2010. 21 Portanto por dever legal lavramos a competente Representação Fiscal para Fins Penais perante o Delegado da Receita Federal do Brasil em Salvador, Ba, com fundamentação no art. 1º, II da Lei n° 8.137/90, que define os crimes contra a ordem tributária. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10580.721994/201485 Acórdão n.º 3402003.234 S3C4T2 Fl. 486 5 22 A Lei n° 5.172/66 Código Tributário Nacional em seu art. 135: ‘são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado’. O Sr Remco Drosten, holandês, CPF: 838.314.28549, consta como administrador não sócio da sociedade conforme Cláusula Quinta, Parágrafo Único do Contrato Social consolidado apresentado a fiscalização com registro na Junta Comercial da Bahia sob o n° 29203558736 em 11/01/2011. Também resta informado no Contrato Social que os dois sócios do fiscalizado, empresas estrangeiras, tem como representante legal o Sr. Remco Drosten. Concluímos que o representante legal do contribuinte fiscalizado passa a responder pessoalmente pelo crédito tributário lançado no Auto de Infração do IPI com fundamentação no art 135, III da Lei n° 5172/66 CTN. ............” 2. Cientificada em 25.04.2014 (fl. 04), a interessada apresentou, tempestivamente, em 27.05.2014, impugnação (fls. 408/426), na qual se refere a todos os autos efetivados na ação fiscal (IPI, Cofins. PIS/Pasep, IRPJ e CSLL), alegando: a) Em preliminar, reclama que não lhe foi conferido tempo hábil para prestar os esclarecimentos relativos às compensações realizadas. Entende que se não fosse esse fato tudo estaria esclarecido, uma vez que possui direito creditório contra a União, o que lhe permite o encontro de contas. Assim, estaria nulo o lançamento por preterição do direito de defesa; b) Outra nulidade apontada seria relativa ao reexame de período já fiscalizado sem que tivesse sido pedida autorização expressa ao Delegado da Receita Federal, uma vez que os referidos períodos de apuração já teriam sido objeto de análise nos processos 10580.722813/201195 e 10580.725883/201103; c) No mérito, com relação ao lançamento de IPI objeto do presente processo, apresenta apenas o trecho abaixo: “No tocante à cobrança feita pelo suposto IPI devido, deixou o Auditor da Receita Federal, responsável pela fiscalização na empresa Impugnante, entendeu por bem lavrar os Autos de Infração em ‘combate’ ao argumento de que a empresa teria feito uso de créditos indevidos. Ainda que se admita a glosa dos créditos, conforme pretendido pelo aludido auto de infração, é de se observar que não haveria que se falar em débitos de IPI, vez que os referidos créditos foram utilizados para compensação de outros tributos.” d) Com referência à qualificação da multa de ofício, defende que o art. 72 da Lei nº 4.502/64 “não é aplicável ao fato descrito pelo Auditor, pois em momento algum a Empresa impediu ou retardou a ocorrência do fato gerador dos impostos e contribuições”. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 Acrescenta: “Tampouco diferiu ou evitou o pagamento, não havendo como concluir que houve dolo. O que houve foi apenas a utilização de um credito, existente è válido para compensálo”. 3. Através do Termo de fls. 378/379, foi constituído sujeito passivo solidário o Sr. Renco Drosten, administrador e representante legal dos sócios da empresa, que apresentou impugnação nas fls. 384/402, em 27.05.2004, com idêntico teor da apresentada pela empresa. Em que pese a inexistência de comprovação da ciência do Termo, considerando o período decorrido entre a data da lavratura do mesmo 25.04.2014 e a data da apresentação da impugnação 27.05.2014, podese concluir que a mesma também é tempestiva. É o relatório. A DRJ em Belém (PA) considerou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 30/04/2011, 30/06/2011, 31/07/2011, 31/08/2011, 30/09/2011, 31/10/2011, 30/11/2011, 31/12/2011 CRÉDITOS INDEVIDOS. Correta a reconstituição da escrita fiscal para exclusão dos créditos indevidamente utilizados pela empresa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2014 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 80 da Lei nº 4.502/64, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase, em tese, na hipótese tipificada no art. 72 da mesma lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2014 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Comprovada a inexistência de cerceamento do direito de defesa da impugnante, descabe falar em nulidade do lançamento. PRIMEIRA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO. SUSTENTAÇÃO ORAL. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão para acompanhamento ou sustentação oral por representante do contribuinte na sessão de julgamento administrativo em primeira instância. Impugnação Improcedente Fl. 489DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10580.721994/201485 Acórdão n.º 3402003.234 S3C4T2 Fl. 487 7 Crédito Tributário Mantido Ressaltase que através do Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 01 às fls. 378/379, foi constituído sujeito passivo solidário o Sr. Renco Drosten, holandês, administrador (não sócio) e representante legal dos sócios da empresa, conforme Contrato Social e representação às fls. 427/441, que apresentou impugnação às fls. 384/402, em 27.05.2004, com idêntico teor da apresentada pela empresa. Em 27/09/2014, foi dada ciência ao Recorrente (GOLDEN LEAF) do resultado do julgamento, de forma eletrônica, por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização (que ocorreu em 12/09/2014, fl. 461), através da Caixa Postal, Modulo e CAC do Site da Receita Federal do Brasil, conforme consta do Despacho da DRF de Salvador (BA), às fls. 462. Com relação ao Sr. Renco Drosten, administrador da empresa e representantes do sócios, arrolado como responsável solidário neste processo, em 16/09/2014 (fls. 459/460), foi intimado no endereço informado a Administração Tributária. Os Correios, no entanto, conforme documento AR anexado às fls. 464/465, devolveu ao "remetente", não localizando o endereço informado. Mostrandose ineficiente a tentativa de intimação por AR (Correios), a DRF de Salvador (BA), então, expediu a intimação por Edital nº 011052051400737, que foi afixado em local apropriado na data de 12/12/2014 (sexta feira), e desafixado em 27/12/2014 (sábado), conforme à fl. 466. Em 28/01/2015 (fl. 468), o Sr. Renco Drosten, protocolou o Recurso Voluntário (fls. 468/473), repisando os argumentos trazidos em sua impugnação, que pode ser desta forma resumidos: (i) em fase preliminar, alega que houve cerceamento do direito de defesa e solicita a nulidade do procedimento fiscal; (ii) no mérito, aduz que não haveria que se falar em débitos de IPI, uma vez que os referidos créditos foram utilizados para a compensação de outros tributos, sem contestar as glosas efetuadas ou ainda a reconstituição da escrita feita pela fiscalização, não podendo assim ser imputada qualquer debito a titulo de IPI a Recorrente; Ao final, em face do exposto e confiante no senso de legalidade que norteia as decisões do CARF, requer o recebimento e provimento do presente recurso para declarar a improcedência do lançamento realizado através do Auto de Infração. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 490DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 1. Da TEMPESTIVIDADE e do CONHECIMENTO do Recurso Primeiramente devese analisar a possibilidade de conhecimento do recurso. Verificase que não consta dos autos, o recurso da Recorrente GOLDEN LEAF, o que pode ser corroborado pelas informações extraídas no Despacho de fl. 481, proferido pela DRF de Salvador (BA). Consta da referida informação que a Recorrente foi cientificada em 27/09/2014, no entanto não se constata a data de protocolo do Recurso e o nº de folhas correspondentes. Também verificase que, dentro dos fatos relatados, a ciência da decisão ao Sr. Renco Drosten (sujeito passivo solidário), que indeferiu o pedido da Recorrente, ocorreu por Edital nº 011052051400737, que foi afixado em 12/12/2014 e desafixado em 27/12/2014 (sábado), documento à fl. 466. A intimação por Edital se deu porque, nos termos do art. 23, item II, do Decreto nº 70.235, de 1972, alterado pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 1997, revelouse improfícuo o outro meio de intimação (via postal). Observase que o referido Edital de intimação se tornou profícuo, até mesmo porque em seu recurso, o Sr. REMCO DROSTEN, reconhece a data em que foi formalmente notificada da ciência da decisão por Edital. Vejase trecho reproduzido (fl. 468) grifouse: "(...) Inicialmente, convém esclarecer que no dia 12/12/2014 (sextafeira) foi afixado edital de intimação de decisão de impugnação. A data final da desafixação do edital ocorreu em 27/12/2014 (sábado), prorrogandose o prazo de desafixação para o dia útil subsequente, neste caso 29/12/2014 (segundafeira), data esta que se iniciou a contagem do prazo para a apresentação de recurso voluntário, conforme edital constante em anexo. Considerando que o contribuinte foi formalmente notificado em 29/12/2014 (segundafeira), temos o iniciou da contagem do prazo recursal no dia 30/12/2014 (terçafeira), pelo que, computandose os 30 (trinta) dias previstos em lei para este ato, temos o seu vencimento em 28 de Janeiro de 2015 (quartafeira). Considerando a data de protocolo constante no rosto desta petição, dúvidas não pairam quanto à tempestividade da mesma". No entanto, verificase que o Recorrente está equivocado quanto a contagem do prazo legal para interposição do Recurso, no caso específico de intimação por Edital. Explico. Conforme a Solução de Consulta Interna COSIT n.º 5, de 14/11/2002, após cientificado por Edital o sujeito passivo, o prazo deve ser iniciado no dia seguinte à data da publicação ou afixação do Edital, independente do dia da semana que seja, ou de se tratar de dia útil ou não, considerandose intimado o sujeito passivo impreterivelmente no décimo quinto dia seguinte. Como já dito, no caso em tela, o Edital foi afixado em 12/12/2014 (sexta feira), e desafixado em 27/12/2014 (sábado), conforme Edital abaixo reproduzido (fl. 466): "DESTINATÁRIO: REMCO DROSTEN EDITAL Nº: 011052051400737 Fl. 491DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10580.721994/201485 Acórdão n.º 3402003.234 S3C4T2 Fl. 488 9 Pelo presente EDITAL, nos termos do art. 23, § 1º, do Decreto no. 70.235, de 06 de março de 1972, por não ter sido localizado no domicílio fiscal fornecido à Secretaria da Receita Federal, fica o contribuinte acima identificado intimado a comparecer nesta unidade para tomar ciência dos documentos abaixo relacionados: Acórdão de Impugnação Não havendo comparecimento do contribuinte à repartição, será considerado devidamente cientificado dos documentos acima relacionados no 15o.(décimo quinto) dia após a data de afixação deste edital. Data de afixação do Edital : 12/12/2014 Data de desafixação do Edital : 27/12/2014". A Recorrente informa em seu recurso que "(...) Considerando que o contribuinte foi formalmente notificado em 29/12/2014 (segundafeira), temos o iniciou da contagem do prazo recursal no dia 30/12/2014 (terçafeira), pelo que, computandose os 30 (trinta) dias previstos em lei para este ato, temos o seu vencimento em 28 de Janeiro de 2015 (quartafeira)". Portanto, há de se ressaltar que a Recorrente em seu recurso não diverge da data da ciência da intimação por Edital, muito pelo contrário. No entanto, conforme define a legislação, o Edital de intimação considerase publicado na data de sua afixação (12/12/2014), com lapso temporal de quinze dias para inicio da contagem do prazo recursal. Assim, o prazo recursal tem como marco inicial o décimo sexto dia após a afixação do edital que se deu em 27/12/2014, um sábado. Portanto, a contagem de prazo se inicia na segunda feira, primeiro dia útil seguinte, dia 29/12/2014. A partir desta data o Contribuinte tem o prazo de 30 (trinta) dias para protocolizar o seu recurso, prazo este que se deu em 27/01/2015. E como verificado, a Recorrente apresentou o seu Recurso Voluntário, protocolado no dia 28/01/2015 (fl. 468), encontrandose, portanto, INTEMPESTIVO. Assim, conforme documentos acostados aos autos, o recurso voluntário fora interposto após o prazo estipulado no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972. Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. A Lei nº 9.784, de 1999, determina que a intimação deve ser efetuada por meio que assegure a certeza da ciência do interessado. Ainda mais, elenca as formas de intimação, dentre as quais, via postal com aviso de recebimento (método utilizado pela autoridade fazendária), e publicação oficial. Vejase: Art. 26. O órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo determinará a intimação do interessado para ciência de decisão ou a efetivação de diligências. (...). §3º A intimação pode ser efetuada por ciência no processo, por via postal com aviso de recebimento, por telegrama ou outro meio que assegure a certeza da ciência do interessado. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 10 §4º No caso de interessados indeterminados, desconhecidos ou com domicílio indefinido, a intimação deve ser efetuada por meio de publicação oficial. Consta dos autos que foi feita a tentativa de entrega da intimação do Acórdão de Impugnação via postal, com aviso de recebimento, contudo sem sucesso. Assim, não restando outra alternativa, a autoridade fiscal agiu conforme a lei específica (§1º, do art. 23 do Decreto nº 70235, de 1972), a seguir transcrito: Art. 23. Farseá a intimação: (...). § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído Lei nº 11.196, de 2005) III (...). § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído Lei nº 11.196, de 2005) Desta forma, concluise que estritamente de acordo com os dispositivos anteriormente reproduzidos, houve a regular intimação, por meio do EDITAL, e sendo assim, o recurso protocolizada apenas em 28/01/2015, é intempestivo, visto que apresentado após o prazo legal de 30 (trinta) dias previsto no caput do art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 e, desta forma, portanto, não deve ser conhecido. 2. CONCLUSÃO Assim, em face dos fundamentos acima expostos, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto, por intempestividade, mantendose o lançamento. É como voto. (Assinatura Digital) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 493DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10580.721994/201485 Acórdão n.º 3402003.234 S3C4T2 Fl. 489 11 Fl. 494DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 19515.001407/2002-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 1999
PAF. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. REJEIÇÃO.
Não restando comprovada a contradição no Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõe-se a rejeição dos Embargos de Declaração, sobretudo quando objetiva rediscutir matéria já devidamente debatida por ocasião do julgamento atacado e devidamente inserta no decisum em comento.
Mais a mais, ainda que se entendesse pela ocorrência de omissão no julgado, o que se admite apenas por amor ao debate, não caberia a este Colegiado enquadrar de ofício os Embargos opostos com arrimo em outro requisito (contradição), de maneira a conhecê-los e levá-los a julgamento sob o fundamento da pretensa omissão, eis que a Embargante assim não sustentou, sob pena de analisar questão extra petita.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 2401-004.551
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar os embargos de declaração. Vencidos os conselheiros Maria Cleci Coti Martins e Márcio de Lacerda Martins.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Marcio de Lacerda Martins, Andre Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. REJEIÇÃO. Não restando comprovada a contradição no Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõese a rejeição dos Embargos de Declaração, sobretudo quando objetiva rediscutir matéria já devidamente debatida por ocasião do julgamento atacado e devidamente inserta no decisum em comento. Mais a mais, ainda que se entendesse pela ocorrência de omissão no julgado, o que se admite apenas por amor ao debate, não caberia a este Colegiado enquadrar de ofício os Embargos opostos com arrimo em outro requisito (contradição), de maneira a conhecêlos e leválos a julgamento sob o fundamento da pretensa omissão, eis que a Embargante assim não sustentou, sob pena de analisar questão extra petita. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 14 07 /2 00 2- 52 Fl. 218DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar os embargos de declaração. Vencidos os conselheiros Maria Cleci Coti Martins e Márcio de Lacerda Martins. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Marcio de Lacerda Martins, Andre Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 19515.001407/200252 Acórdão n.º 2401004.551 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório ARNALDO GOLTCHER, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo em referência, teve contra si lavrado o Auto de Infração exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da constatação de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários não comprovados, em relação ao exercício 1999, conforme Auto de Infração e TVF, às fls. 172/178, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à 2ª Seção de Julgamento do CARF, contra decisão de primeira instância, a egrégia 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, em 21/10/2010, por unanimidade de votos, achou por bem conhecer do Recurso do contribuinte e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, o fazendo sob a égide dos fundamentos consubstanciados no Acórdão nº 210100.835, com sua ementa abaixo transcrita: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida junto a instituição financeira, quando não forem comprovados a sua origem. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS, EXCLUSÃO, DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$12.000,00, LIMITE DE R$80.000,00. Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$80,000,00, dentro do anocalendário. Recurso provido em parte." Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração, à efl. 213, com fulcro no artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, pugnando pela sua reforma em virtude da contradição a seguir exposta. Insurgese contra o Acórdão recorrido, por entender ter havido contradição na sua fundamentação, eis que o crédito exonerado do lançamento, pela leitura do corpo, deveria Fl. 220DF CARF MF 4 ter sido anulado por vício formal, diferentemente o que diz a conclusão, segundo a própria aplicação da Sumula 30 (nova Súmula Vinculante 29) para fundamentação do voto, senão vejamos: "Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento." Por fim, pugna pelo recebimento e acolhimento dos presentes Embargos de Declaração, para que a Turma recorrida se pronuncie a respeito da contradição suscitada, capaz de justificar a conclusão levada a efeito no resultado final do julgamento. Submetido à análise de admissibilidade, por parte do nobre Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, este entendeu por bem acolher o pleito da PGFN inscrito nos Embargos de Declaração, com a ressalva de tratarse de omissão quanto a natureza do vício e não contradição, propondo inclusão em nova pauta de julgamento para sanear a omissão apontada, nos termos do Despacho de efls. 216/217. Distribuídos os presentes Embargos, ad hoc, a este Relator já com Despacho de acolhimento e determinação de inclusão em pauta, consoante Despacho encimado, assim o faço. É o relatório. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 19515.001407/200252 Acórdão n.º 2401004.551 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade dos embargos de declaração e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Em suas razões recursais, pretende a Procuradoria da Fazenda Nacional sejam conhecidos seus Embargos, insurgindose contra o Acórdão recorrido, por entender ter havido contradição em sua fundamentação, eis que o crédito exonerado do lançamento, pela leitura do corpo, deveria ter sido anulado por vício formal, diferentemente o que diz a conclusão, segundo a própria aplicação da Sumula 30 (nova Súmula Vinculante 29) para fundamentação do voto. Por fim, pugna pelo recebimento e acolhimento dos presentes Embargos de Declaração, para que a Turma recorrida se pronuncie a respeito da contradição apontada, de modo a constar expressamente no Acórdão a modalidade do vício que levaram a examinar a nulidade da matéria aventada acima. Como já devidamente lançado no Despacho que propôs o acolhimento dos presentes Embargos, o Conselheiro Dr. Heitor de Souza Lima Junior constatou que não houve contradição, mas, sim, omissão no Acórdão guerreado o qual deixou de explicitar qual a natureza do vício. Não obstante o esforço da ilustre representante da Fazenda Nacional, os presentes Embargos de Declaração não merecem ser acolhidos, senão vejamos. Primeiramente, em que peses as sempre bem fundamentadas razões do ilustre Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, peço vênia para manifestar entendimento divergente, por vislumbrar na hipótese vertente conclusão diversa da adotada pelo nobre julgador, quanto a suposta omissão no Acórdão Embargado, capaz de ensejar o conhecimento do pleito da PFN. Conforme se depreende da análise das alegações e documentos que instruem o processo, constatase que, muito embora a Embargante procure demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido utilizandose dos mais variados argumentos, a bem da verdade discute se, novamente, o mérito da questão (improcedência do lançamento), o qual já foi objeto de análise da colenda Turma embargada, inclusive com remissão expressa ao tema sob análise, como segue: Fl. 222DF CARF MF 6 Como se observa, entendeu a Turma recorrida não ter havido a caracterização da omissão de rendimentos, haja vista o fiscal não ter cumprido o artigo 42 da Lei n° 9.430/96, decretando assim a improcedência do feito. Não vislumbramos em nenhum momento a menção a nulidade do lançamento por caracterização de vício. Extraise daí que toda a fundamentação e entendimento da Turma Recorrida é no sentido da não caracterização da omissão de rendimentos pela falta de intimação do cotitular da conta conjunta, consoante, inclusive, consta taxativamente da transcrição da decisão mencionada pelo Relator: Fl. 223DF CARF MF Processo nº 19515.001407/200252 Acórdão n.º 2401004.551 S2C4T1 Fl. 5 7 Repitase, a fundamentação legal é no sentido de afastar a presunção de omissão de rendimentos, ou seja, decretar a improcedência do lançamento, e não a nulidade deste. O Relator com intuito de reforçar sua fundamentação, colaciona ao corpo do voto a antiga Súmula n° 30 (atual Súmula Vinculante n°29), com a seguinte conclusão: Ao observar a conclusão encimada, resta claro a exclusão dos créditos em relação a conta cotitulada, ou seja, a improcedência do lançamento em relação a estes créditos. Não bastassem as razões acima elencadas, por si só passíveis de ensejar o não conhecimento dos Embargos ora analisado, tendo a nobre Procuradoria escorado seu pleito na ocorrência de uma pretensa contradição, não cabe a este Colegiado acolher sua pretensão com base em outra fundamentação, qual seja, omissão, por não constar do próprio pedido da Embargante. Assim, escorreito o Acórdão atacado devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso na forma decidida pela Turma Embargada, uma vez que a Embargante não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório combatido, especialmente no que diz respeito aos requisitos para o conhecimento dos Embargos de Declaração. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE REJEITAR OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO opostos pela Fazenda Nacional, pelas razões de fato e de direito acima ofertadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira. Fl. 224DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.001629/2006-35
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA.
A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial.
PREJUDICIALIDADE. DISCUSSÃO DE PRELIMINAR SEM POSSIBILIDADE DE REVERSÃO DO MÉRITO. AUSÊNCIA DE UTILIDADE.
Não há utilidade em se discutir eventual divergência que trate de preliminar, restando esta prejudicada; pois, ainda que a preliminar que foi acolhida pelo recorrido venha a ser rejeitada no julgamento da instância especial, tal decisão não poderá reverter o mérito do recorrido, que cancelou parte do auto de infração e não chegou a ser conhecido no julgamento do recurso especial.
Numero da decisão: 9101-002.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencida a conselheira Adriana Gomes Rego, que o conheceu. Votou pelas conclusões o conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em exercício.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rego, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Demetrius Nichele Macei, Luis Flavio Neto, Cristiane Silva Costa.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. PREJUDICIALIDADE. DISCUSSÃO DE PRELIMINAR SEM POSSIBILIDADE DE REVERSÃO DO MÉRITO. AUSÊNCIA DE UTILIDADE. Não há utilidade em se discutir eventual divergência que trate de preliminar, restando esta prejudicada; pois, ainda que a preliminar que foi acolhida pelo recorrido venha a ser rejeitada no julgamento da instância especial, tal decisão não poderá reverter o mérito do recorrido, que cancelou parte do auto de infração e não chegou a ser conhecido no julgamento do recurso especial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencida a conselheira Adriana Gomes Rego, que o conheceu. Votou pelas conclusões o conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. (documento assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 16 29 /2 00 6- 35 Fl. 2685DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 9101002.431 CSRFT1 Fl. 3 2 Rafael Vidal de Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rego, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Demetrius Nichele Macei, Luis Flavio Neto, Cristiane Silva Costa. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), pelo qual se alega divergência jurisprudencial em relação à glosa de despesas consideradas desnecessárias, referentes a juros pagos por captação de recursos no exterior, e em relação à impossibilidade de retroação da auditoria com base em decadência. A recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 1202000.757, de 12/04/2012, por meio do qual a 2a Turma Ordinária da 2a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, ao examinar o "item 03 do auto de infração, intitulado Custos, despesas operacionais e encargos não necessários", deu provimento ao recurso voluntário da contribuinte para fins de cancelar o referido item. O acórdão recorrido possui a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. Rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento, quando não configurado vício ou omissão de que possa ter decorrido o cerceamento do direito de defesa. RETIFICAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL E DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL. RETROAÇÃO DA AUDITORIA A PERÍODO JÁ DECAÍDO. Cabível a retroação da auditoria fiscal a períodos já decaídos para análise preliminar de prejuízos e de bases de cálculo negativas da CSLL, mormente quando os valores constantes dos livros fiscais são divergentes daqueles indicados nas DIPJs e nos controles eletrônicos da Receita Federal do Brasil, em virtude de cisão, fusão e incorporação de empresas e autuações fiscais. GLOSA DE DESPESAS DE JUROS. INDÍCIOS. O lançamento tributário com base em glosa de despesa de juros precisa estar apoiado em provas cabais que caracterizem a sua ocorrência. Indícios de que o fato registrado na contabilidade em Fl. 2686DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 9101002.431 CSRFT1 Fl. 4 3 período já decaído não corresponderia a real operação idealizada pela contribuinte não sustentam a exigência fiscal. Incabível a retroação da auditoria a período já decaído para descaracterização desse fato. DECADÊNCIA. Ao tributo sujeito à modalidade de lançamento por homologação, que ocorre quando a legislação impõe ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, aplicase a regra especial de decadência insculpida no parágrafo 4º do artigo 150 do CTN, refulgindo à aplicação do disposto no art. 173 do mesmo Código. Nesse caso, o lapso temporal de cinco anos tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Tendo a ciência do auto de infração sido realizada em 17/10/2006, é incabível a preliminar de decadência suscitada. LUCRO AUFERIDO NO EXTERIOR. EMPRÉSTIMOS TOMADOS DE CONTROLADA. EXISTÊNCIA DE LUCROS A DISPONIBILIZAR. INDEDUTIBILIDADE DOS JUROS VINCULADOS. A contratação de empréstimos com controlada no exterior e a existência de lucro a disponibilizar, fulminam a subsunção à regra contida no § 3º do art. 34 da Medida Provisória nº 2.15835/ 2001, tornando indedutível os juros relativos a esses empréstimos pagos ou creditados à controlada. LUCRO AUFERIDO NO EXTERIOR. MONTANTE A DISPONIBILIZAR EM 31/12/2002. REGRA DO PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 74 DA MP Nº 2.15835/ 2001. Os lucros auferidos no exterior por intermédio de controladas devem ser adicionados ao lucro líquido para determinação do Lucro Real da empresa nacional no momento em que forem disponibilizados. O parágrafo único do art. 74 da MP nº 2.15835/2001 determinou a disponibilização compulsória dos lucros acumulados em 31/12/2002, sendo o valor a tributar o saldo dessa rubrica na referida data, com a compensação de eventual prejuízo apurado no Balanço levantado no período de 2002 pela controlada. DEDUTIBILIDADE DE CUSTOS E DESPESAS. PAGAMENTO DE 13º SALÁRIO A DIRETORES. Para serem dedutíveis na apuração do lucro real, os custos e despesas devem ser usuais e necessários à atividade da empresa. MULTA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. A falta de recolhimento da CSLL e IRPJ calculado por estimativa sujeitam a contribuinte à imposição da multa prevista no art. 44 § 1º inciso IV da Lei nº 9.430/96. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe a este Conselho negar vigência à lei ingressada regularmente no mundo jurídico, atribuição reservada exclusivamente Fl. 2687DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 9101002.431 CSRFT1 Fl. 5 4 ao Supremo Tribunal Federal, em pronunciamento final e definitivo. Súmula nº 02 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. MULTA DE OFÍCIO. CARACTERIZAÇÃO DE CONFISCO. A multa de ofício constitui penalidade imposta como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, não se aplicando a ela o conceito de confisco, previsto no inciso V do artigo 150 da Constituição Federal. CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. O decidido no julgamento do lançamento principal do Imposto de Renda Pessoa Jurídica faz coisa julgada no dele decorrente, no mesmo grau de jurisdição, ante a íntima relação de causa e efeito entre eles existente. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência dos lançamentos. No mérito, quanto ao item 03 do auto de infração, intitulado Custos, despesas operacionais e encargos não necessários, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Carlos Alberto Donassolo que negava provimento ao recurso. Em relação ao item 004 do auto de infração Gratificações atribuídas a dirigentes ou administradores 13º salário pagos a diretores da empresa, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Em relação ao item 007 do auto de infração Adições não computadas na apuração do lucro real. Lucros auferidos no exterior, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para manter a tributação apenas do montante de R$2.379.239,70. Quanto ao item 008 do auto de infração Adições não computadas na apuração do lucro real. Juros passivos indedutíveis, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencida a conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta que dava provimento. Quanto ao item 009 do auto de infração Multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Geraldo Valentim Neto, Orlando José Gonçalves Bueno e Nereida de Miranda Finamore Horta, que cancelavam a exigência da multa isolada, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (negritos acrescidos) A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, especificamente quanto ao cancelamento do "item 03 do auto de infração, intitulado Custos, despesas operacionais e encargos não necessários", que abrangeu a glosa de despesas consideradas desnecessárias, referentes a juros pagos por captação de recursos no exterior. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: Fl. 2688DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 9101002.431 CSRFT1 Fl. 6 5 DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL EXISTENTE CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS NÃO NECESSÁRIOS. DEDUÇÃO DE DESPESAS JUROS DESNECESSÁRIA. ITENS 03 DO AUTO DE INFRAÇÃO E 09 DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL. o r. acórdão recorrido não empreendeu a melhor análise da legislação pertinente, tendo, no ponto, contrariado também jurisprudência desse Eg. Conselho Administrativo e dos extintos Conselhos de Contribuintes; a decisão recorrida entendeu "assistir razão à recorrente em suas alegações para não prosperar este item dos autos de infração do IRPJ e da CSLL, por dois motivos básicos: não restou comprovada a desconsideração da operação efetivada e, o mais importante a meu ver, não poderia mais o Fisco questionála por ela ter se concretizado em período já decaído, não sujeito a auditoria"; no presente caso, há nítida divergência entre o acórdão recorrido e o acórdão ora adotado como paradigma abaixo transcrito: Processo n° 13971.001630/200660 Recurso n° 160.286 Voluntário Acórdão n° 210200.294 — 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de agosto de 2009 Matéria Imposto de Renda Retido na Fonte Recorrente BUNGE ALIMENTOS S/A Recorrida 4ª Turma/DRJFlorianópolis/SC ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004. NORMAS PROCESSUAIS. DECADÊNCIA. MATÉRIA QUE PODE SER CONHECIDA DE OFÍCIO. Sendo a decadência causa extintiva do crédito tributário e causa de nulidade do lançamento, deve ser conhecida de oficio. DECADÊNCIA. O Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) veicula hipótese de lançamento por homologação, sendo o prazo de decadência para a constituição do crédito tributário de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, a teor do artigo 150, parágrafo 4º do CTN, salvo nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação. Decadência acolhida. IRRF. RENDIMENTOS DE RESIDENTES E DOMICILIADOS NO EXTERIOR. REMESSA DE JUROS. ALÍQUOTA ZERO. PRAZO MÍNIMO MÉDIO PARA AMORTIZAÇÃO DE 96 MESES. Para que o pagamento de juros, comissões, despesas e descontos decorrentes de colocação de títulos no exterior (Fixed Rate Notes), previamente autorizada pelo Banco Central do Brasil, possa se beneficiar da alíquota zero do imposto sobre a renda retido na fonte, o prazo médio mínimo de amortização deve ser de 96 meses. Fl. 2689DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 9101002.431 CSRFT1 Fl. 7 6 IRRF. JUROS INCIDENTES EM PRÉPAGAMENTOS DE EXPORTAÇÃO. É condição para o gozo da alíquota zero do imposto, fixada pelo art. 1°, XI, da Lei n°. 9.481/97, que a empresa utilize o valor correspondente ao recurso financeiro internado para fomentar suas exportações. Assim, seria deturpar a finalidade da isenção concedida nestes casos exigir que o contribuinte permaneça, em caixa, com o dinheiro (bem fungível) especificamente obtido nas operações de empréstimo até que sua utilização nas operações de exportação ocorra. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento suscitada pelo recorrente. No mérito, por unanimidade de votos, em reduzir a multa de oficio de 150% para 75%, e, por maioria de votos, em reconhecer que a decadência fulminou os fatos geradores anteriores a 04/10/2001, vencida a Conselheira Núbia Matos Moura que não acatava essa decadência. Ainda no mérito, por voto de qualidade, em manter a infração referente ao item 1 Não recolhimento de IRRF sobre juros pagos em empréstimos tomados ("eurobônus"), vencidos os Conselheiros Vanessa Pereira Rodrigues Domene (Relatora), Moises Giacomelli Nunes da Silva e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, sendo designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rubens Mauricio Carvalho. Por fim, por maioria de votos, em exonerar a infração do item 2 Não recolhimento de IRRF sobre juros incidentes em prépagamentos de exportação, vencidos os Conselheiros Núbia Matos Moura e Rubens Mauricio Carvalho." (negritos acrescidos) a fim de evidenciar o dissídio jurisprudencial proposto, fazse necessário não só transcrever passagens do voto condutor, mas também do relatório do paradigma, verbis: [...] a divergência que se pretende estabelecer referese aos dois fundamentos indicados pela decisão guerreada para o provimento do recurso voluntário quanto ao presente item; em primeiro lugar, cabe observar, tal como constatou o acórdão hostilizado, que o precedente acima transcrito discute os mesmos fatos, concernentes à mesma empresa e à mesma operação, ainda que relacionados a tributo distinto; enquanto a decisão recorrida concluiu que "a realidade factual descrita pelo Fisco não caracteriza indícios fortes de confusão de recursos entre a recorrente e sua controlada no exterior, se apegando o auditor à coincidência parcial de datas de remessa e de valores e a recompra do Eurobônus, além da data de resgate desses títulos e da remessa de quantias pela Fl. 2690DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 9101002.431 CSRFT1 Fl. 8 7 controlada no exterior, não suficientes para descaracterizar o mútuo efetuado entre controlada e controladora", o paradigma entendeu de modo diverso; o voto vencedor quanto à matéria assevera expressamente que "o que não se pode desconsiderar é o fato dos recursos da Bunge Alimentos repassados à Ceval International, via contrato de mútuo, terem sido aplicados de forma inequívoca no resgate antecipado dos Eurobônus, deixando patente a real intenção da autuada nessa operação. Para se ter esse raciocínio não é preciso lançar mão da Desconsideração da Personalidade Jurídica, tratase na verdade de uma constatação notória pelo sincronismo das operações documentadas". Ressaltou ademais que "Os fatos estão claros e comprovados nos autos: Recursos repassados pela autuada à controlada serviram exclusivamente para efetuar o discutido resgate. Contrario sensu, onde teriam sido aplicados tais vultuosos recursos? Não se vislumbra em todo o processo qualquer resposta senão o que foi demonstrado pela fiscalização e que embasou o lançamento. (...) Importante repetir que o valor do mútuo concedido (US$90.000.000,00) é quase idêntico à dívida na forma de eurobônus da empresa fiscalizada (US$90.940.000,00). (...) Além disso, ressaltese que os juros também indiretamente passaram a ser pagos para a própria contribuinte, já que a credora dos juros passou a ser a Ceval International, sua controlada. (...) de minha parte entendo que faz sentido sim essa argumentação, pois, demonstra que houve uma inversão no fluxo de recursos com um objetivo especial e especifico, qual seja, o resgate dos títulos"; como visto, portanto, os acórdãos confrontados, discutindo a mesma situação fática, emprestaramlhes qualificação jurídica diversa. A decisão hostilizada concluiu que o Fisco não teria logrado comprovar a confusão de recursos entre a empresa autuada e sua controlada no exterior, pela indicação de que houve coincidência entre as datas de remessa e de recompra dos títulos eurobônus e também entre as datas de resgate desses títulos e da remessa de quantias pela controlada no exterior. O paradigma posicionouse de modo oposto; contrariamente, o paradigma entendeu que tais fatos estariam devidamente comprovados. Inclusive indagou onde teriam sido aplicados tais vultuosos recursos. E, diante dos elementos coligidos pela Fiscalização e pelo autuado, concluiu que não se vislumbraria outra resposta senão o que foi demonstrado pela fiscalização e embasou o lançamento; outra premissa sobre a qual se assenta o dissídio é quanto à decadência. Inicialmente, cumpre esclarecer que o fundamento legal aventado para a contagem do prazo decadencial no paradigma não é aqui afirmado ou reconhecido como o correto. Ao revés, a Fazenda Nacional inclusive interpôs recurso especial naquele feito questionando a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN ao caso; ultrapassado esse esclarecimento, cabe observar que o precedente indicado também analisava os mesmos fatos, frisese, concernentes à mesma empresa e à mesma operação. Analisando a matéria, a decisão recorrida entendeu que "não mais poderia o Fisco auditar os elementos da operação efetuada pela pessoa jurídica, relativa a Eurobônus, depois de decorrido o lapso decadencial, por estarem homologados os registros contábeis e fiscais do período de 1999". Outra, porém, foi a conclusão do paradigma; nada obstante a aplicação do art. 150, §4º, do CTN e a consideração de que o fato gerador do IRRF, por obviedade, é diverso do IRPJ e demais tributos veiculados neste feito, o que se deve considerar para a caracterização do dissídio é quanto à possibilidade de o Fisco analisar a operação de que se trata. Tanto no precedente quanto no presente feito, foram solicitados e/ou analisados registros contábeis e fiscais do período de 1999, muito embora o Fl. 2691DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 9101002.431 CSRFT1 Fl. 9 8 fato gerador de todos os tributos, incluídos os vertentes nestes autos, ocorreram em período posterior, não alcançado pela decadência; também com relação a esse tópico, a conclusão estampada nos acórdãos confrontados foram diversas. Enquanto a decisão hostilizada concluiu pela impossibilidade de auditoria dessa operação pelo Fisco, o precedente superou essa barreira, sequer cogitando da decadência sob esse fundamento; ainda quanto à matéria relativa à decadência, apontase outro paradigma: Acórdão nº 10195.014 Ementa DECADÊNCIA — Não decorridos cinco anos da data da ocorrência do fato gerador, legitima a atuação do fisco em efetuar o lançamento de oficio. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE DA CSLL. DESCABIMENTO. Conforme art. 9° da Portaria SRF 3007/2001, se as irregularidades apuradas constituem, ao mesmo tempo, infrações à legislação da CSLL e à legislação do IRPJ, e os elementos de prova são os mesmos, considerase a CSLL incluída no procedimento de fiscalização acobertado pelo MPF relativo ao IRPJ, independentemente de menção expressa. ERRO NA APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. Demonstradas inconsistências contidas na apuração da matéria tributável, impõese corrigilas e excluir a parcela da exigência correspondente. EMPRÉSTIMOS CONTRÁRIOS NO EXTERIOR COM CONTROLADA DEDUTIBILIDADE DOS ENCARGOS Tendo em vista (1) a inexistência de regras referentes à indedutibilidade por subcapitalização, (2) a efetividade do empréstimo contraído, (3) a natureza de mera condução do repasse do valor para operações instantâneas no Uruguai (em beneficio do vendedor de participação societária e não do comprador, ora recorrente, (4) a possibilidade jurídica do empréstimo, bem como (5) a tributação dos valores dos encargos creditados ou pagos ao exterior, há de se admitir a dedutibilidade dos encargos com variações passivas e juros. Recurso voluntário provido. Decisão: Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio e, quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade do lançamento da CSL e de decadência e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento integral ao recurso. Vencidos os Conselheiros Sandra Maria Faroni (Relatora), Paulo Roberto Cortez e Caio Marcos Cândido que deram provimento parcial ao recurso, tão somente para cancelar a exigência da CSL. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Mário Junqueira Franco Júnior. consta do voto condutor desse segundo paradigma: A preliminar de decadência foi suscitada ao argumento de que o empréstimo cuja existência foi negada pelo auditor fiscal foi formalizado por contrato de 10/01/1995, e que, conforme acórdão deste Conselho, que colaciona por sua ementa, em 17/09/2001, na data da ciência do auto de infração, estava o Fisco impedido de rever atos, fatos ou contratos ocorridos quando já decorridos mais de cinco anos. Fl. 2692DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 9101002.431 CSRFT1 Fl. 10 9 (...) A Turma julgadora expressou o entendimento de que o termo inicial para contagem do prazo de decadência, no caso, é a data da entrega da declaração de rendimentos. Quanto a esse aspecto, discordo da Turma Julgadora. Conforme jurisprudência pacificada neste Conselho, em se tratando de lançamento por homologação, o termo inicial para a contagem da decadência é a data de ocorrência do fato gerador. Em relação ao fato gerador ocorrido em 31/12/1996, o termo final para contagem do prazo de decadência seria 31/12/2001. Uma vez que o lançamento se aperfeiçoou em 17/09/2001, não está ele fulminado pela decadência. Rejeito a preliminar. enquanto o paradigma, diante das mesmas alegações postas pelo acórdão a quo, refutou a consumação da decadência, a decisão recorrida considerou que o Fisco não poderia adentrar no exame de fatos ocorridos em período já abrangido pela decadência; uma vez evidenciada a divergência jurisprudencial, passase a demonstrar doravante as razões pelas quais merece ser adotado o entendimento exarado no paradigma, reformandose, assim, o v. acórdão ora recorrido; DOS FUNDAMENTOS PARA REFORMA DO ACÓRDÃO RECORRIDO primeiramente, com relação à decadência, a conclusão do acórdão a quo não merece prosperar. Ora, são distintos o momento da ocorrência do fato gerador que motivou a realização do lançamento e o lapso temporal em que praticadas as operações pela empresa; sobre a temática, bem explica o Conselheiro Luiz Martins Valero, no Acórdão nº 10706.061, proferido pela Sétima Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, que a discussão se vincula a uma questão temporal, originária de fatos que nascem ou se formam em um exercício e que repercutem em exercícios posteriores. Desta forma, a solução da controvérsia requer a análise do fato sob duas perspectivas: no passado, no que tange à sua formação e, no futuro, no tocante às repercussões fiscais a produzir; nesse sentido, o Ilustre Julgador expõe: "Como já acenado, em todas as hipóteses acima consideradas há um elemento uniforme, qual seja, temse um fato pretérito que se integra aos resultados apurados nos exercícios seguintes. Vale dizer, a repercussão atual tem origem e representa a continuação dos fatos verificados no passado. Portanto, tais fatos devem ser examinados sob duas perspectivas: no passado, no tocante à formação; no futuro, no que tange às repercussões ficais decorrentes da efetiva apropriação. O trabalho fiscal, nesses casos, pode examinar a formação pretérita do fato, mas não deve extrair e atribuir repercussão aos exercícios já protegidos pela decadência. O possível ajuste na formação desse fato, neste contexto, deve repercutir no exercício subseqüente, vale dizer, no momento de sua apropriação. Há, assim, um perfeito equilíbrio, pois o lançamento de oficio não invade o exercício já atingido pela preclusão administrativa, como também o fato não repercute no futuro com uma formação distorcida." Fl. 2693DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 9101002.431 CSRFT1 Fl. 11 10 na linha desse arrazoado, o que se insere no campo da decadência é o exercício fiscal alcançado pelo efeito jurídico produzido pelo fato formado no passado. Portanto, a adoção de procedimento para averiguar a efetiva realização do fato escriturado cujos efeitos jurídicos se projetam para o futuro pode ser feita a qualquer tempo, independente da época em que o fato ocorreu. Nesse ponto, vale a pena lembrar que a notificação do lançamento ocorreu em 17/10/2006, enquanto os fatos apurados pela Fiscalização ocorreram nos anoscalendário de 2001 a 2004; ainda com relação à matéria, o CTN é bastante claro: Art. 190. omissis. Parágrafo Único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. como reporta o TVE, o procedimento de glosa perpetrado pela fiscalização decorreu tãosomente da não apresentação pelo autuado da documentação necessária a legitimar os lançamentos contábeis. Ou seja, quem deu causa à exclusão dos valores foi unicamente a empresa autuada que, inclusive, poderia ter apresentado a documentação solicitada pelo auditor fiscal junto com a impugnação, conforme faculta o Decreto 70.235/72. Toda via, não o fez; diante do exposto, merece reforma o acórdão recorrido, pois o auto de infração foi cientificado à contribuinte antes do prazo quinquenal previsto no CTN, não havendo como se cogitar de decadência in casu; quanto à infração em testilha, entendeu o acórdão recorrido que "não restou comprovada a desconsideração da operação efetivada"; é importante ressaltar que as operações realizadas pelo autuado não foram desconsideradas pela fiscalização. Nesse teor, merece aporte a decisão da DRJ: "Em análise das questões postas, verificase que a impugnante não tem razão. E que ela tinha recursos para resgatar diretamente os títulos eurobônus no montante de US$68.978.000,00, mas resolveu utilizar esses recursos em mútuo que lhe rendeu taxa inferior ao que pagou pelos títulos. Nesta situação, se vê claramente que a despesa incorrida, na parcela que supera a receita advinda do mútuo não pode ser considerada necessária à atividade da empresa, pois não havia justificativa para que fosse suportada. Chegase a esta conclusão sem que tenha sido desconsiderada qualquer das operações realizadas pela contribuinte, de modo que é despropositada a menção feita pela impugnante ao parágrafo único do art. 116 do CTN, que autorizaria tal desiderato, mediante a devida regulamentação. (...) No caso em concreto, a vinculação do mútuo concedido à controlada com o resgate dos eurobônus ficou muito bem caracterizada, porque ficou demonstrado que a controlada utilizou o recurso recebido para adquirir os títulos eurobônus, cujos juros eram pagos pela controladora mutuante. Ante o exposto, o lançamento não demanda reparo." Fl. 2694DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 9101002.431 CSRFT1 Fl. 12 11 é imperioso concluir diante da detalhada descrição sobre o caso, que os recursos da Bunge Alimentos repassados à Ceval International, por intermédio de contrato de mútuo, foram aplicados de forma inequívoca no resgate antecipado dos Eurobônus deixando patente a real intenção da empresa autuada nessa operação; tais fatos estão claros e devidamente comprovados nos autos, em especial, pela coincidência: (i) entre as datas de concessão de empréstimo pelo autuado à controlada Ceval International e a da data de compra dos títulos Eurobônus por esta última; (ii) entre os valores dos títulos e do mútuo contratado; (iii) entre as datas de liquidação do mútuo e a quitação do empréstimo lastreado em títulos Eurobônus. Além desses, outros fatos corroboram a conclusão da fiscalização de que os recursos repassados pela empresa autuada à controlada serviram exclusivamente para efetuar o discutido resgate dos títulos, dentre os quais, a comprovação de que a empresa Ceval International, na data da operação, não possuía disponibilidade para a aquisição de títulos Eurobônus; por fim, como mais um elemento a demonstrar o acerto do lançamento, verificase que o autuado não comprovou onde teriam sido aplicados tais recursos; logo, fica demonstrada a necessidade de reforma do acórdão recorrido, devendo ser restabelecido o lançamento em sua totalidade. Quando do exame de admissibilidade do recurso especial da PGFN, o Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 1200 00.265, de 06/11/2013, admitiu o recurso especial reconhecendo a existência das divergências suscitadas, nos seguintes termos: Verificouse que os pressupostos de tempestividade e legitimidade estão atendidos, o que autoriza a apreciação da admissibilidade da divergência quanto ao decidido pelo CARF. No que tange às matérias objeto das divergências apontadas, transcrevemse partes do recurso especial, a saber: [...] Verificase, pois, divergências entre as interpretações contidas nos paradigmas quando confrontadas com as teses adotadas pelo acórdão recorrido. Ocorre que, analisando os mesmos fatos, concernentes à mesma empresa e à mesma operação, ainda que se trate de tributos diversos, as decisões contidas nos paradigmas citados pela recorrente deram entendimento diverso do contido no acórdão recorrido. As divergências cingemse, notadamente: (i) o Fisco não teria logrado comprovar a confusão de recursos entre a empresa autuada e sua controlada; e (ii) quanto à possibilidade de o Fisco auditar operações registradas depois de decorrido o lapso decadencial, por estarem homologados os registros contábeis e fiscais do período, ainda que os efeitos tributários repercutam em períodos futuros, não abrangidos pela decadência. Assim sendo, concluo que a recorrente demonstrou a divergência de entendimento jurisprudencial em relação à matéria decidida nos acórdãos recorrido e paradigma. Levando em conta que a uniformização da Fl. 2695DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 9101002.431 CSRFT1 Fl. 13 12 jurisprudência administrativa é o escopo do recurso especial, opino pelo SEGUIMENTO do recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. Em 05/08/2014, a contribuinte foi intimada do despacho que admitiu o recurso especial da PGFN, e em 18/08/2014 ela apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com os argumentos descritos a seguir: PRELIMINARMENTE DA FALTA DE ATENDIMENTO DOS REQUISITOS PARA INADMISSIBILIDADE DO REsp a Fazenda Nacional invocou como paradigma o Acórdão n° 210200.294, em que a ora recorrida também figura como autuada, contudo relativamente ao IRRF do ano calendário 2001 a 2004; "data máxima venia", não se houve com acerto o r. Despacho n° 1200 00.265 exarado pelo Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção para admissibilidade do Recurso Especial da PGFN; afora a coincidência de contribuinte, do anocalendário e de se tratar de auto de infração relativamente ao recolhimento de tributo pelo regime de estimativa, não há entre os arestos qualquer divergência de entendimento entre matéria equivalente (quadro apresentado nas contrarrazões); como é possível se depreender com bastante facilidade da leitura dos referidos acórdãos, não obstante semelhança de aspectos fáticos, a matéria de fundo e o tributo envolvido em cada caso são distintos; o §6º do art. 67 do Regimento Interno deste Conselho determina que "a divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido"; repitase, afora a semelhança fática de alguns aspectos envolvidos, os fundamentos de uma e de outra decisão não são comparáveis, posto que tratam de princípios e pressupostos de direito inconfundíveis, tal como demonstrado analiticamente no quadro anterior, ou seja, de tributos e fatos geradores distintos; o acórdão paradigma tratou de manter a exigência de IRRF sobre juros pagos com isenção deste imposto, entendendo ter havido antecipação do vencimento dos títulos Eurobônus; já o acórdão recorrido admitiu a dedutibilidade dos juros no cálculo do IRPJ; verificase a total incoerência entre as razões do recurso especial da PGFN e o voto vencedor do acórdão paradigma, na medida que não tratam de situações relativas a interpretação divergente de lei tributária sobre uma mesma matéria de direito, mas de matéria de direito distintas; Fl. 2696DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 9101002.431 CSRFT1 Fl. 14 13 por tais motivos, requer seja o recurso especial da PGFN não conhecido por falta de cumprimento dos requisitos de admissibilidade, não tendo efetivamente demonstrado a divergência determinada no art. 67 Regimento Interno deste Conselho; DO DIREITO inicialmente, destaca a Recorrida que há duas matérias distintas entre o acórdão recorrido e as razões do recurso especial; DA DECADÊNCIA não há de prosperar o recurso especial nesta parte, pois ocorreu a decadência do direito para alterar ditas deduções; pelo fato de ter havido fiscalização abrangendo esta revisão realizada pelos Srs. Fiscais, não cabia aos mesmos este novo procedimento considerando que se concretizou a homologação do fato jurídico tributário, especialmente não atendidos os pressupostos do art. 149 do CTN. Como dito antes, ainda assim o procedimento estaria eivado de vício insanável pelo fato da decadência do direito de lançar. Basta atentar para os períodos que os Srs. Fiscais buscaram revisar; o presente auto de infração deve partir das informações fiscais consolidadas em 01/01/2001. Os resultados anteriores a essa data foram atingidos pela decadência, razão suficiente para extinguirse o crédito correspondente por ter transcorrido o prazo decadencial previsto no parágrafo único, do artigo 150, §4° do CTN; DO MÉRITO o entendimento manifestado no voto que orientou o acórdão recorrido é por demais suficiente, pedindose "venia" para transcrevêlo: [...] diante do exposto, REQUER se digne esse E. Conselho Superior acolher os argumentos acima para, preliminarmente, negar seguimento ao recurso especial pelo não cumprimento do disposto no art. 67 do regimento desse Conselho e, no mérito, negar provimento para manter o acórdão recorrido por seus fundamentos, por ser medida de direito e de justiça. É interessante registrar que, juntamente com as contrarrazões, a contribuinte também apresentou embargos de declaração contra o Acórdão nº 1202000.757, mas abordando matéria distinta da tratada no recurso especial da PGFN. Esses embargos foram rejeitados pelo Acórdão nº 1202001.251, de 24/03/2015, e a contribuinte não apresentou recurso especial em relação à parte da decisão do CARF que lhe foi desfavorável. É o relatório. Fl. 2697DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 9101002.431 CSRFT1 Fl. 15 14 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Não há condições para se conhecer do recurso especial da PGFN. O presente processo teve inicialmente por objeto lançamento a título de IRPJ e tributos reflexos incidentes sobre fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2001 a 2004. A autuação fiscal envolveu várias infrações, mas o recurso especial da PGFN trata especificamente da glosa de despesas consideradas desnecessárias, referentes a juros pagos por captação de recursos no exterior. Essa infração foi mantida pela decisão de primeira instância, e afastada pela segunda instância administrativa (acórdão recorrido). O recurso especial da PGFN busca exatamente restabelecer a parte da autuação correspondente à referida infração, que é tratada no item 03 do auto de infração e no item 09 do Termo de Verificação Fiscal. É importante visualizar resumidamente o contorno dos fatos que motivaram essa parte da autuação fiscal. Em resumo: em 1996, a empresa autuada emitiu títulos de crédito internacionais para captação de recursos no exterior, denominados Eurobônus, que venceriam em 2004; em 1999, a empresa autuada concedeu empréstimo para empresa controlada no exterior; em 1999, essa empresa controlada no exterior adquiriu grande parte dos títulos que haviam sido anteriormente emitidos pela empresa autuada (o que foi considerado como resgate indireto e antecipado dos títulos); a empresa autuada passou a pagar a remuneração dos títulos para a sua controlada no exterior (que era a nova detentora dos títulos Eurobônus), com juros de 10,625% e 11,125%, e a controlada no exterior passou a pagar juros de 9% sobre o empréstimo que havia contraído junto à sua controladora; em 2004, houve a liquidação do mútuo firmado em 1999 e também o resgate "formal" dos títulos. O resgate indireto e antecipado dos títulos resultou em autuação de IRfonte (processo nº 13971.001630/200660), que foi mantida pela 2ª Seção do CARF, cuja decisão corresponde ao primeiro paradigma indicado no recurso especial da PGFN (Acórdão n° 2102 00.294). Fl. 2698DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 9101002.431 CSRFT1 Fl. 16 15 A Fiscalização entendeu ainda que, em relação ao IRPJ e à CSLL, deveria glosar as despesas de juros que continuaram a ser computadas após o resgate indireto e antecipado dos títulos Eurobônus, no montante em que essas despesas superaram as receitas geradas pelo mútuo concedido. É essa precisamente a matéria que está sendo tratada no presente voto. O relatório anterior esclarece que o acórdão recorrido cancelou o lançamento sobre a infração em questão porque: (1) no mérito, não restou comprovada a desconsideração das operações efetivadas em 1999 (que envolveram o mútuo firmado entre a empresa autuada e sua controlada no exterior, e a aquisição por essa última dos títulos Eurobônus que haviam sido anteriormente emitidos pela empresa autuada para captação de recursos no exterior); e (2) não poderia mais o Fisco questionar essas operações por elas terem se concretizado em período já decaído, não sujeito à auditoria em preliminar. O recurso especial da PGFN apresenta paradigmas para confrontar esses dois motivos, que são independentes entre si e que se mostram suficientes, isoladamente, para excluir o referido item do lançamento. Com efeito, tanto a não comprovação de fatos que poderiam embasar a glosa das despesas de juros, quanto a decadência sobre as operações relativas ao resgate indireto e antecipado dos títulos (em 1999), podem, em tese, justificar o afastamento da infração. Por isso, o êxito do recurso especial da PGFN depende de ele ser admitido e provido em dois aspectos: (1) comprovação de fatos e circunstâncias jurídicas que embasem a glosa da despesa de juros, e (2) afastamento da decadência, permitindo desconsideração das operações realizadas em 1999. E é justamente o item (1) acima que, a meu ver, ao dar provimento ao recurso voluntário no mérito, inviabiliza a admissibilidade e o conhecimento do recurso do especial da PGFN. A comprovação da divergência deve ser feita pelo cotejo analítico entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas. Desse modo, transcrevo a seguir trechos destas decisões, relativamente às questões pertinentes ao presente recurso especial. ACÓRDÃO RECORRIDO Acórdão nº 1202000.757 Relatório [...] Adoto o Relatório do acórdão de primeira instância, no que aqui pertine: [...] No curso da auditoria, foram apuradas as seguintes infrações: [...] Fl. 2699DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 9101002.431 CSRFT1 Fl. 17 16 g) Dedução de despesas de juros desnecessárias. Durante todo o período fiscalizado a empresa apropriou valores expressivos de despesas relacionadas a juros, incidentes sobre títulos de crédito internacionais denominados "eurobônus" emitidos pela companhia. Entretanto, a fiscalização verificou que parte destes juros não deve ser considerada como dedutivel, pois não seria necessária à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, já que estaria vinculada a empréstimo concedido, que gerou receitas em valores proporcionalmente inferiores às despesas de juros apropriadas. g.1) Emissão de Títulos de Crédito Internacionais – Eurobônus. Intimada a informar a composição do valor de R$ 253.596.329,05 informado na linha correspondente a "Outras Despesas Financeiras" (Ficha 06 — Demonstração do Resultado) de sua DIPJ referente ao anocalendário 2001, a empresa revelou que parte deste valor correspondia a juros incidentes sobre títulos de crédito internacionais denominados "eurobônus". Foi constatado que os títulos emitidos estavam em mãos de partes relacionadas da companhia fiscalizada, especificamente as empresas Bunge Fertilizantes International, Ceval International e Bunge Finance. Haviam sido efetuadas duas emissões desses títulos, cada uma no valor de US$100.000.000,00. Posteriormente, em virtude da cisão parcial do patrimônio da empresa ocorrida em 31/10/1998, parte deste passivo foi vertida para a empresa Seara Alimentos S/A. Em síntese, as emissões dos títulos têm as seguintes especificações: 1ª emissão Citibank valor original: US$ 100.000.000,00; data de ingresso das divisas no país: 02/10/1996; vencimento do principal: parcela única em 01/10/2004; valor remanescente após cisão da empresa: US$ 79.518.000,00; agente de colocação: Citibank International PLC; juros:11,125% ao ano, semestralmente vencidos. 2ª emissão Chase valor original: US$ 100.000.000,00; data de ingresso das divisas no país: 30/12/1996; vencimento do principal: parcela única em 30/12/2004; valor remanescente após cisão da empresa: US$ 11.422.000,00; agente de colocação: Chase Manhattan International Limited; juros: 10,625% ao ano, semestralmente vencidos. g.2) Empresas investidoras detentoras dos títulos Eurobônus emitidos Ao final de 1997, do total de US$ 200.000.000,00 emitidos, US$180.238.000,00 foram adquiridos pela empresa Bunge Finance. Em análise das informações presentes no balanço apresentado, a fiscalização verificou que ao final de 1997 existia a necessidade de resgate antecipado, mas isso não ocorreu porque a controladora interveio, através da Bunge Finance, comprando a maciça maioria dos títulos eurobônus. A fiscalização salienta que a operação é tratada em Fl. 2700DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 9101002.431 CSRFT1 Fl. 18 17 nível de grupo econômico, pois consta nas informações colhidas que "o acionista controlador recomprou", mas ela não poderia recomprar títulos que nunca lhe pertenceram diretamente. Em 31/10/1998, em virtude da cisão parcial, permaneceram em mãos da Bunge Finance US$ 75.488.000,00 dos títulos de responsabilidade da fiscalizada. Em 1999, a controlada Ceval International Ltd. adquiriu a totalidade dos títulos que estavam de posse da Bunge Finance. Em 01/03/2001, a empresa Ceval International vendeu a totalidade de seus títulos para a Bunge Fertilizantes International, que é controlada direta da Bunge Fertilizantes S/A. Esta, por sua vez, é controlada integral da Bunge Brasil S/A, da mesma forma que a fiscalizada. Em 03/09/2001, a empresa Ceval International adquiriu US$ 400.000,00 da 1ª emissão e depois, em 31/12/2001, adquiriu mais US$ 8.355.000,00 da segunda emissão. Em 30/06/2001, a Bunge Finance adquiriu US$ 1.000.000,00 em títulos da 2ª emissão. Como resultado de todas estas operações, no vencimento dos títulos de responsabilidade da empresa fiscalizada, a quase totalidade destes estava em mãos de suas partes relacionadas. Dos US$ 79.518.000,00 da 1ª emissão, mais de 95% estavam em mãos de partes relacionadas, da mesma forma que 82% dos US$ 11.422.000,00 da 2ª emissão. Desta forma, a fiscalização constatou que a maior parte das transações foi feita entre empresas relacionadas com a companhia, indicando que a capitalização da empresa por tais títulos foi em grande parte financiada por dinheiro do próprio grupo de empresas a que pertence. g.3) Recursos utilizados pela Ceval International para aquisição dos eurobônus. A fiscalizada possui a totalidade do patrimônio da empresa Santista Export Ltd., localizada nas Ilhas Cayman, sendo, portanto, sua controladora integral. Em novembro de 1999, a fiscalizada alienou para a Santista Export Ltd. a totalidade de sua participação na Ceval International. Esta alienação não alterou o controle da Ceval International, que permaneceu integralmente com a fiscalizada, mas através de sua subsidiária integral Santista Export Ltd. Em 19/10/1999, a fiscalizada concedeu empréstimo de US$ 90.000.000,00 para a empresa Ceval International, por meio de contrato de mútuo. O recurso foi enviado no dia 20/10/1999 e no dia seguinte, a mutuária adquiriu grande parte dos títulos eurobônus. Entre 29/09/2004 e 01/10/2004, houve a liquidação do mútuo com o recebimento dos valores pela fiscalizada, na mesma época em que deveria honrar a maior parte dos títulos eurobônus de sua Fl. 2701DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 9101002.431 CSRFT1 Fl. 19 18 responsabilidade. Além disso, o valor do mútuo concedido (US$90.000.000,00) é quase idêntico à dívida na forma de eurobônus da empresa fiscalizada (US$ 90.940.000,00). Para ratificar a tese de que os recursos utilizados pela Ceval International para a aquisição dos títulos eurobônus foram provenientes da Bunge Alimentos, esta foi intimada a informar a destinação dada pela empresa Ceval International Ltd. ao valor recebido em virtude do mútuo pactuado em 19/10/1999. Entretanto, a empresa somente afirmou genericamente que os recursos foram utilizados para fomentar as operações mantidas pela companhia. A análise dos balanços e balancetes apresentados demonstraria que a empresa Ceval International não possuía disponibilidades para a aquisição de títulos eurobônus efetuada em 21/10/1999, no valor de US$ 68.978.000,00. Para aprofundar as investigações, foi solicitado que a empresa apresentasse o razão das contas contábeis 1.1.01.02.08 —Citibank — NY e 1.1.01.04.04 — Citibank — NY, de sua controlada Ceval International Ltd., relativamente aos lançamentos efetuados no mês de outubro de 1999 e os respectivos diários, bem como os extratos bancários relativos à movimentação bancária contabilizada no mês de outubro de 1999 em tais contas contábeis. Todavia, a empresa não apresentou os documentos solicitados, alegando que em virtude do tempo transcorrido a empresa não dispunha mais dos elementos solicitados. A fiscalização contesta esta assertiva, apoiandose no fato de que seria obrigatória a conservação dos comprovantes até o transcurso do prazo de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, conforme art. 37 da Lei n° 9.430, de 1996. Além disso, as contribuições teriam prazo decadencial de 10 (dez) anos, obrigando a apresentação dos documentos solicitados. Desta forma, à luz das respostas genéricas apresentadas e em virtude da ausência de apresentação de elementos que poderiam comprovar o contrário, a fiscalização concluiu que a aquisição de US$ 68.978.000,00 em títulos eurobônus em 21/10/1999 pela Ceval International foi efetuada com recursos recebidos na véspera da empresa fiscalizada, especificamente parte dos US$ 90.000.000,00 relativos ao mútuo concedido. Para reforçar a vinculação do mútuo sob análise com a dívida representada pelos títulos eurobônus, a fiscalização utilizou a mesma sistemática, desta vez buscando o rastreamento dos recursos recebidos pela empresa fiscalizada quando da liquidação do mútuo em 2004, visando identificar se estes foram utilizados para quitação da dívida representada pelos títulos eurobônus. A contribuinte foi intimada a apresentar o razão de sua conta contábil 01020.01012 Banco do BrasilBL AS, com os lançamentos efetuados no dia 28/09/2004, além do respectivo extrato bancário. Fl. 2702DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 9101002.431 CSRFT1 Fl. 20 19 Em análise dos documentos fornecidos, foi verificado o seguinte lançamento: débito contábil de R$ 255.773.400,00, com histórico "Ref. Liq. Santista Export XB. Al”. Tal lançamento corresponde ao valor da maior parte recebida pela empresa referente à quitação do mútuo concedido à Ceval International Ltd. As obrigações de tal mútuo foram transferidas pela Ceval International para a Santista Export Ltd., na data de 05/06/2000, conforme "Instrumento Particular de Contrato de Cessão de Crédito com Assunção de Débito" (docs. 75 e 76), o que justifica o pagamento efetuado pela Santista Export. A este lançamento contábil corresponde crédito no extrato bancário de mesmo valor com o histórico "câmbio". O lançamento a crédito contábil de R$ 240.197.711,61, com o histórico "Pgto pric + jrs Eurobônus Citi" corresponde ao pagamento dos títulos eurobônus que venceriam em 01/10/2004 e corresponde a dois lançamentos constantes no extrato bancário, na mesma data de recebimento da maior parcela do mútuo recém tratada, também com histórico "câmbio". Desta forma, o fluxo financeiro relativo às operações em análise foi sincronizado, com a empresa fiscalizada recebendo a liquidação do mútuo e utilizando tais recursos na quitação de seu empréstimo lastreado em títulos eurobônus. A empresa teria optado pela concessão do mútuo à sua subsidiária Ceval International para que esta efetuasse o resgate dos títulos eurobônus, ao invés de efetuar tal operação diretamente. A motivação para tal "artifício" estaria relacionada com o imposto de renda retido na fonte (IRRF) sobre todas as remessas efetuadas a titulo de juros incidentes sobre os títulos eurobônus, no caso de resgate antecipado dos títulos. A alíquota de IRRF só seria reduzida a zero quando o prazo médio de amortização correspondesse, no mínimo, a 96 meses, conforme inciso IX, do art. 1° da Lei n° 9.481/97. g.4) Conseqüências do resgate antecipado dos títulos eurobônus. As conseqüências do resgate dos títulos eurobônus relativamente ao IRRF estão tratadas em termo próprio, conforme processo administrativo fiscal n° 13971.001630/200660. Quanto à apuração dos resultados da empresa, a ocorrência do resgate antecipado dos títulos eurobônus por intermédio de empresa controlada, via concessão de mútuo, implicaria necessidade de se analisar a dedutibilidade dos juros pagos sobre tais títulos no contexto global da operação. Mesmo após este resgate, a empresa continuou apropriando integralmente as despesas vinculadas aos juros pagos, como já visto à razão de 10,625% e 11,125%. Entretanto, como parte desta divida estaria "visceralmente" relacionada ao mútuo concedido de US$90.000.000,00, que rendia, ao mesmo tempo, juros de 9,0%. Desta forma, o resgate antecipado efetuado por intermédio do mútuo concedido gerou receitas e despesas, que não deveriam existir caso a empresa efetuasse o resgate diretamente. Sendo as despesas Fl. 2703DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 9101002.431 CSRFT1 Fl. 21 20 geradas superiores aos juros reconhecidos como receitas, terseia caracterizada a não necessidade da concessão do mútuo. Além de desnecessária, a operação seria lesiva à manutenção da atividade da empresa. A fiscalização glosou então as despesas de juros, no valor em que superaram as receitas geradas no mútuo concedido. Tal cálculo foi feito apenas em relação à parcela do mútuo utilizada para resgate dos títulos eurobônus. Voto Conselheiro Nelson Lósso Filho [...] b) Custos, despesas operacionais e encargos não necessários. Dedução de despesas juros desnecessária. Itens 03 do auto de infração e 09 do Termo de Verificação Fiscal. Em relação à glosa das despesas de juros apropriadas indevidamente, uma vez que desnecessárias, descrita nos itens 03 do auto de infração e 09 do Termo de Verificação Fiscal, deixo consignado a possibilidade de análise da matéria por esta Turma, mesmo tendo o auto de infração do IR Fonte sido julgado autonomamente pela 2ª Seção de Julgamento do CARF, por possuírem objetos distintos. No auto do IR Fonte a fiscalização tratou de recompra dos Eurobônus antes de ultrapassado o prazo de 90 meses para não incidência desse tributo, enquanto o de IRPJ e da CSLL se refere à glosa de despesas por desnecessárias, não havendo formação de coisa julgada material no caso. Conforme consta do Relatório, o autuante assim descreve a infração: [...] Alega a pessoa jurídica em sua defesa que a fiscalização teria apoiado a exigência em mera presunção: “Afirma que a fiscalização não poderia desqualificar procedimentos e decisões administrativas e financeiras adotadas pela impugnante, que teria realizado operações jurídicas lícitas no seu livre exercício da atividade empresarial. Sustenta que o lançamento está pautado na mera presunção de atos e fatos eventualmente cometidos pela impugnante ou por sua coligada, e muito provavelmente inspirado no disposto no parágrafo único do art. 116 do CTN, que não possui eficácia por falta de regulamentação e está inquinado de inconstitucional em ADIn própria. Fl. 2704DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 9101002.431 CSRFT1 Fl. 22 21 As despesas glosadas seriam referentes aos juros dos títulos eurobônus captados no mercado internacional, os quais eram repassados aos bancos intermediários da operação, nunca como remuneração de empréstimo/mútuo. Operações lícitas teriam sido desconstituídas por meras presunções lançadas a partir da imaginação fiscal, afrontando o disposto nos arts. 109, 110 e 142 do CTN, simplesmente porque os autuantes entenderam que o mútuo realizado pela impugnante à Ceval International Ltd., de US$ 90.000.000,00, sob sua ótica não tinha justificativa.” Entendo assistir razão à recorrente em suas alegações para não prosperar este item dos autos de infração do IRPJ e da CSLL, por dois motivos básicos: não restou comprovada a desconsideração da operação efetivada e, o mais importante a meu ver, não poderia mais o Fisco questionála por ela ter se concretizado em período já decaído, não sujeito à auditoria. Vislumbro nos autos que a realidade factual descrita pelo Fisco não caracteriza indícios fortes de confusão de recursos entre a recorrente e sua controlada no exterior, se apegando o auditor à coincidência parcial de datas de remessa e de valores e a recompra do Eurobônus, além da data de resgate desses títulos e da remessa de quantias pela controlada no exterior, não suficientes para descaracterizar o mútuo efetuado entre controlada e controladora. Tenho firmado entendimento em diversos julgados neste Conselho quanto à possibilidade de lançamento baseado em prova indiciária, porque além das presunções legais pode o Fisco valerse da presunção simples para efetuar sua exigência. Essa presunção, na qualidade de prova indireta, sendo resultante de um elenco, um somatório de indícios e provas convergentes, é meio idôneo para referendar uma autuação. Para tal, deve sempre existir indícios convergentes levando a um mesmo ponto, a uma mesma conclusão. [...] Os fatos apurados traduzem indícios que não caracterizam a ocorrência da infração imputada à pessoa jurídica. Ainda que a movimentação financeira possa ser considerada o produto de procedimento anormal por parte da contribuinte, entendo que nada provam por si só, nem autorizam o lançamento fiscal. Quando muito podem constituir um indício que justifique um aprofundamento da ação fiscal em torno de eventual infração, o que somente se concretizaria caso a fiscalização viesse a juntar outras provas materiais. Ao Fisco competia apurar outros fatos que o conduzissem à conclusão mais segura sobre tal irregularidade. O fato em si não autoriza e nem dá suporte à tributação, sob pena de caso assim prevaleça ser admitida uma presunção não autorizada por lei. Fl. 2705DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 9101002.431 CSRFT1 Fl. 23 22 [...] Além disso, não podia mais o Fisco auditar o envio de valores à pessoa ligada, ao contrário da revisão preliminar de prejuízos e bases negativas analisadas anteriormente no item “a” do voto onde se admite essa revisão mesmo transcorrido o lapso decadencial. No caso em tela, a fiscalização pretendeu descaracterizar a operação de mútuo entre as empresas autuada e a controlada no exterior, intimando a contribuinte no ano de 2006 a comprovar operações que remontam ao ano de 1999, exigindo Razão de contas e seus lançamentos, Diários e extratos bancários, sendo cabível a atitude da empresa em informar que não dispunha mais de tais elementos depois de transcorridos mais de seis anos do fato. O auditor autuante contesta esse posicionamento afirmando que era dever da empresa a guarda de livros e documentos até o decurso do lapso decadencial e que as contribuições teriam prazo de dez anos para homologação do lançamento, afirmativa superada por julgado definitivo do Supremo Tribunal Federal que considerou inconstitucional o art. 45 da Lei nº 8.212/91, que previa esse prazo decadencial. Portanto, não mais poderia o Fisco auditar os elementos da operação efetuada pela pessoa jurídica, relativa a Eurobônus, depois de decorrido o lapso decadencial, por estarem homologados os registros contábeis e fiscais do período de 1999. Assim, não pode prosperar este item do lançamento pautado em indícios e em auditoria que adentrou em análise de elementos constantes de período já decaído. (destaques acrescidos) A seguir estão transcritos trechos do voto que orientou o primeiro acórdão paradigma, Acórdão nº 210200.294, referente à mesma contribuinte, e que tratou das mesmas operações acima referidas, mas na ótica do lançamento do IRfonte, que foi mantido pela 2ª Seção de Julgamento do CARF. Esse primeiro paradigma foi apresentado para a comprovação das duas divergências alegadas abrangendo (1) a comprovação de fatos e circunstâncias jurídicas que embasem a glosa da despesa de juros, e (2) afastamento da decadência, permitindo desconsideração das operações realizadas em 1999. PRIMEIRO ACÓRDÃO PARADIGMA Acórdão nº 210200.294 Voto Vencedor Conselheiro RUBENS MAURÍCIO CARVALHO. Fl. 2706DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 9101002.431 CSRFT1 Fl. 24 23 Inicialmente, devo esclarecer que este voto cingese, tãosomente, ao Item 1: Não recolhimento de IRRF sobre juros pagos em empréstimos tomados ("eurobônus"). Data venia, ouso discordar das razões nesse item do voto da i. Relatara pelos argumentos que declino a seguir. Consta no Relatório supra: [...] Diante dessa situação a ilustre relatora entendeu que o procedimento da fiscalização não poderia prosperar fundamentando seu voto no seguinte: (...) a autuação perpetrada contra a Recorrente partiu do pressuposto de que inexiste independência econômica e principalmente jurídica entre empresas vinculadas, a exemplo da Bunge Alimentos e da Ceval International. A meu ver, referida ausência de autonomia entre as empresas somente poderia ser considerada a partir de eventual desconsideração da personalidade jurídica de uma delas. Com base nesse pressuposto de Desconsideração da Personalidade Jurídica, discorreu longamente sobre essa impossibilidade no caso concreto, salvo se tivesse sido decretada pelo poder judiciário e concluiu: (...) Primeiramente, porque diante dos motivos já expostos neste voto o trabalho da fiscalização foi pautado, ainda que de forma indireta, na desconsideração da personalidade jurídica da empresa Ceval International. Essa foi a linha básica do voto da relatora para desconstituir o lançamento reforçada pelo aspecto que a única condição ao gozo da alíquota zero do IRRF prevista pelo art. 1º, IX, da Lei n°. 9.481, de 1997 é a emissão de títulos no exterior com prazo de amortização médio mínimo de 96 meses, entendimento esse reforçado pela jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes, especificamente nos Recursos 154.569 e 148.330. Sobre isso, importante destacar que esse assunto não se trata de jurisprudência pacifica nesse órgão. No próprio recurso citado pela Relatora, nº 148.330, que deu provimento ao pedido do contribuinte, contudo, por maioria de votos, importante destacar que nesse acórdão, os relevantes esclarecimentos que o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa fez em sua declaração de voto, cujas razões se amoldando com perfeição ao caso em debate, transcrevoas de forma livre a seguir. (...) O que se discute é a incidência, ou não, no caso concreto, de uma norma que institui uma exceção à regra geral contida no art. 8°, acima transcrito, que reduz para zero a alíquota aplicável. Tratase do art. 1°, IX da Lei n° 9.481, de 1997, verbis: "Art. 1º A alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no Pais, por residentes ou domiciliados exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses: Fl. 2707DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 9101002.431 CSRFT1 Fl. 25 24 IX — juros, comissões, despesas e descontos decorrentes de colocação no exterior, previamente autorizados pelo Banco Central do Brasil, de títulos de crédito internacionais, inclusive comercial papers, desde que o prazo médio de amortização corresponda, no mínimo, a 96 (noventa e seis) meses." (sublinhei) Ora, essa é uma norma de índole eminentemente extrafiscal, onde o legislador claramente oferece uma vantagem a alíquota zero na remessa de rendimentos com o objetivo de induzir uma determinada conduta, qual seja, a de que as captações de recursos no exterior sejam feitas com prazos de amortização longos, mantendo no Pais por mais tempo esses recursos. Dessa explanação se vê que não se trata de aplicação da Teoria da Desconsideração da Personalidade Jurídica, tanto que em toda extensão do acórdão no recurso citado nº 148.330, em nenhum momento é citada essa questão. Restando, portanto, ser uma questão de prova se, em cada caso, a conduta do sujeito passivo se amoldou ou não a situação legal para que o contribuinte possa usufruir do beneficio fiscal. Ainda, sendo uma questão de prova não se pode diretamente aplicar um julgado ao outro de forma direta, de toda sorte entendo aplicável o delineamento do objeto que ora se discute. Na citada Declaração de voto ainda encontramos o seguinte: A questão central é: esses aumentos de capital, nas circunstâncias em que ocorreram, são oponíveis ao Fisco, para legitimar a pretensão da Contribuinte de usufruir a vantagem oferecida pela norma excepcional? Ou, por outro ângulo, essas remessas de recursos ao exterior podem não ser consideradas como devolução dos recursos que ingressaram no pais? A resposta é negativa para ambas as indagações. É evidente que, embora a saída dos recursos tenha se dado sob a rubrica de aumento de capital, se destinaram ao pagamento dos empréstimos captados no exterior cujos recursos foram repassados para a Recorrente. A remessa dos recursos, para a liquidação desses empréstimos, portanto, representa, ipso facto, o retorno, antes do prazo médio dos 96 meses, dos recursos ingressados no Pais. Não há como desconsiderar o fato de que o aumento de capital das empresas Lir e Loi visava alcançar um outro objetivo: contornar a norma que exigia a permanência dos recursos captados no exterior por prazo longo. Embora do ponto de vista formal, a operação se processe de acordo com a letra da lei, a convivência entre a saída antecipada dos recursos e o gozo da vantagem oferecida pelo legislador, afronta o seu espírito. Fl. 2708DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 9101002.431 CSRFT1 Fl. 26 25 Tratase de hipótese típica da chamada fraude à lei, isto e, a observância da letra da lei (verba legis) para alcançar fim contrário ao seu espírito (mens legis). De outro lado, no voto condutor de primeira instância, asseverou o insigne julgador: Em 19/10/1999, a fiscalizada concedeu empréstimo de US$ 90.000.000,00 para a empresa Ceval International, por meio de contrato de mútuo. O recurso foi enviado no dia 20/10/1999 e no dia seguinte, a mutuária adquiriu grande parte dos títulos eurobônus. Entre 29/09/2004 e 01/10/2004, houve a liquidação do mútuo com o recebimento dos valores pela fiscalizada, na mesma época em que deveria honrar a maior parte dos títulos eurobônus de sua responsabilidade. Além disso, o valor do mútuo concedido (US$90.000.000,00) é quase idêntico à dívida na forma de eurobônus da empresa fiscalizada (USS 90.940.000,00). Para ratificar a tese de que os recursos utilizados pela Ceval International para a aquisição dos títulos eurobônus foram provenientes da Bunge Alimentos, esta foi intimada a informar a destinação dada pela empresa Ceval International Ltd. ao valor recebido em virtude do mútuo pactuado em 19/10/1999. Entretanto, a empresa somente afirmou genericamente que os recursos foram utilizados para fomentar as operações mantidas pela companhia. A análise dos balanços e balancetes apresentados demonstraria que a empresa Ceval International não possuía disponibilidades para a aquisição de títulos eurobônus efetuada em 21/10/1999, no valor de US$ 68.978.000,00. Para aprofundar as investigações, foi solicitado que a empresa apresentasse o razão das contas contábeis 1.1.01.02.08 – Citibank – NY e 1.1.01.04.04 – Citibank –NY, de sua controlada Ceval International Ltd., relativamente aos lançamentos efetuados no mês de outubro de 1999 e os respectivos diários, bem como os extratos bancários relativos à movimentação bancária contabilizada no mês de outubro de 1999 em tais contas contábeis. Todavia, a empresa não apresentou os documentos solicitados, alegando que em virtude do tempo transcorrido a empresa não dispunha mais dos elementos solicitados. A fiscalização contesta esta assertiva, apoiandose no fato de que seria obrigatória a conservação dos comprovantes até o transcurso do prazo de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito Tributário, conforme art. 37 da Lei n° 9,430, de 1996. Além disso, as contribuições teriam prazo decadencial de 10 (dez) anos, obrigando a apresentação dos documentos solicitados. Fl. 2709DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 9101002.431 CSRFT1 Fl. 27 26 Desta forma, à luz das respostas genéricas apresentadas e em virtude da ausência de apresentação de elementos que poderiam comprovar o contrário, a fiscalização concluiu que a aquisição de US$ 68.978.000,00 em títulos eurobônus em 21/10/1999 pela Ceval International foi efetuada com recursos recebidos na véspera da empresa fiscalizada, especificamente parte dos US$ 90.000.000,00 relativos ao mútuo concedido. Para reforçar a vinculação do mútuo sob análise com a divida representada pelos títulos eurobônus, a fiscalização utilizou a mesma sistemática, desta vez buscando o rastreamento dos recursos recebidos pela empresa fiscalizada quando da liquidação do mútuo em 2004, visando identificar se estes foram utilizados para quitação da divida representada pelos títulos eurobônus. A contribuinte foi intimada a apresentar o razão de sua conta contábil 01020.01012 Banco do BrasilBL AS, com os lançamentos efetuados no dia 2810912004, além do respectivo extrato bancário. Em análise dos documentos fornecidos, foi verificado o seguinte lançamento: débito contábil de R$ 255.773.400,00, com histórico "Ref. Liq. Santista Export XB. Al". Tal lançamento corresponde ao valor da maior parte recebida pela empresa referente à quitação do mútuo concedido à Ceval International Ltd. As obrigações de tal mútuo foram transferidas pela Ceval International para a Santista Export Ltd., na data de 05/06/2000, conforme "Instrumento Particular de Contrato de Cessão de Crédito com Assunção de Débito" (docs. 75 e 76), o que justifica o pagamento efetuado pela Santista Export. A este lançamento contábil corresponde crédito no extrato bancário de mesmo valor com o histórico "câmbio". O lançamento a crédito contábil de R$ 240.197.711,61, com o histórico "Pgto pric + jrs Eurobónus Citi" corresponde ao pagamento dos títulos eurobônus que venceriam em 01/10/2004 e corresponde a dois lançamentos constantes no extrato bancário, na mesma data de recebimento da maior parcela do mútuo recém tratado, também com histórico "câmbio". Desta forma, o fluxo financeiro relativo às operações em análise foi sincronizado, com a empresa fiscalizada recebendo a liquidação do mútuo e utilizando tais recursos na quitação de seu empréstimo lastreado em títulos eurobônus, o que indicaria que desde a concessão deste mútuo tais recursos já estavam vinculados ao resgate destes títulos. A empresa teria optado pela concessão do mutuo à sua subsidiária Ceval International para que esta efetuasse o resgate dos títulos eurobônus, ao invés de efetuar tal operação diretamente. A motivação para tal "artifício" estaria relacionada com o imposto de renda retido na fonte (IRRF) sobre todas as remessas efetuadas a titulo de juros incidentes sobre os títulos eurobônus, no caso de resgate antecipado dos títulos. A alíquota Fl. 2710DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 9101002.431 CSRFT1 Fl. 28 27 de IRRF só seria reduzida a zero quando o prazo médio de amortização correspondesse, no mínimo, a 96 meses, conforme inciso IX, do art. 10 da Lei n° 9.481/97. Com essa detalhada descrição sobre o caso em julgamento, o que não se pode desconsiderar é o fato dos recursos da Bunge Alimentos repassados a Ceval International, via contrato de mútuo, terem sido aplicados de forma inequívoca no resgate antecipado dos Eurobônus deixando patente a real intenção da autuada nessa operação. Para se ter esse raciocínio não é preciso lançar mão da Desconsideração da Personalidade Jurídica, tratase na verdade de uma constatação notória pelo sincronismo das operações documentadas. Não há que se falar em Desconsideração da Personalidade Jurídica, isso somente poderia ser ventilado se para que fosse possível chegar a conclusão da responsabilidade da autuada, houvesse o requisito da aplicação da desconsideração mas não é o caso. Os fatos estão claros e comprovados nos autos: Recursos repassados pela autuada a controlada serviram exclusivamente para efetuar o discutido resgate. Contrario sensu, onde teriam sido aplicados tais vultuosos recursos? Não se vislumbra em todo o processo qualquer resposta senão o que foi demonstrado pela fiscalização e que embasou o lançamento. Subsidiariamente entendeu a relatora que a fiscalização deveria ter contestado o fato que Ceval International já havia adquirido parte dos eurobônus antes mesmo do recebimento dos valores mutuados, no importe de US$ 6,510,000.00. Ora, a legislação sobre essa questão amplamente debatida nos atos anteriores mostra que o prazo médio mínimo de amortização dos títulos deveria ser de (96 meses). O Valor da aquisição dos títulos no exterior correspondeu a US$ 90.940.000.00. O fato de hipoteticamente ser possível que aproximadamente 7% dos títulos tenham sido resgatados com recursos próprios da Ceval International em nada socorre a autuada nessa questão. De uma forma ou de outra não estaria sendo atendido o requisito do prazo médio mínimo. Importante repetir que o valor do mútuo concedido (US$90.000.000,00) é quase idêntico à divida na forma de eurobônus da empresa fiscalizada (US$ 90.940.000,00). Além disso, ressaltese que os juros também indiretamente passaram a ser pagos para a própria contribuinte, já que a credora dos juros passou a ser a Ceval International, sua controlada. Continuando, diferentemente da Conselheira Relatora que entendeu ser uma conclusão contraditória exposta pelo Fisco o fato da Ceval International ser empresa "majoritariamente fornecedora de recursos para a controladora" (Recorrente) por se encontrar estabelecida em região "caracterizada pela facilidade de obtenção de financiamentos internacionais e também ser caracterizada com falta de capacidade financeira, de minha parte entendo que faz sentido sim essa argumentação, pois, demonstra que houve uma inversão no fluxo de recursos com um objetivo especial e específico, qual seja, o resgate dos títulos. CONCLUSÃO Fl. 2711DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 9101002.431 CSRFT1 Fl. 29 28 Pelo exposto, concluo que o procedimento da Contribuinte constituiu violação do requisito previsto no art. 1º, XI da Lei ° 9.481, de 1997 e, portanto, é devida a cobrança do Imposto de Renda sobre a remessa dos recursos para pagamento dos encargos referentes aos recursos captados no exterior. Os trechos sublinhados do acórdão recorrido e do primeiro acórdão paradigma explicitam o problema que há em relação à comprovação da divergência para o exame do mérito que levou o acórdão recorrido a afastar a infração no âmbito do IRPJ e da CSLL. Logo quando começa a tratar da infração sob exame, o voto que orientou o acórdão recorrido registra a possibilidade de análise da matéria no âmbito da 1ª Seção, "mesmo tendo o auto de infração do IRFonte sido julgado autonomamente pela 2ª Seção de Julgamento do CARF, por possuírem objetos distintos". Isso porque, ainda segundo o acórdão recorrido, o auto do IRFonte tratava da recompra dos Eurobônus antes de ultrapassado o prazo legal para a não incidência desse tributo, enquanto o de IRPJ e da CSLL se referia à glosa de despesas por desnecessárias, não havendo formação de coisa julgada material pela 2ª Seção. Essa autonomia (não vinculação) entre os julgamentos da 1ª e da 2ª Seção já permite visualizar um problema na caracterização de divergência. É que o trabalho da Fiscalização, embora partindo de um mesmo fato básico, revela diferenças entre as abordagens para o lançamento de IRFonte e para o lançamento de IRPJ/CSLL. Fica claro pelo Termo de Verificação Fiscal, fls. 1726 a 1815, que o lançamento de IRPJ/CSLL necessita de uma abordagem diferente em relação ao IRfonte, o que já deixa evidente que a decisão favorável à Fazenda Nacional em relação ao IRFonte não pode ser simplesmente estendida para o IRPJ/CSLL, e nem se presta para caracterização de divergência, porque ela não adentra nas questões relativas à necessidade da despesa, que é o que interessa para o IRPJ e a CSLL. Vale registrar novamente o seguinte trecho do TVF: g.4) Conseqüências do resgate antecipado dos títulos eurobônus. As conseqüências do resgate dos títulos eurobônus relativamente ao IRRF estão tratadas em termo próprio, conforme processo administrativo fiscal n° 13971.001630/200660. Quanto à apuração dos resultados da empresa, a ocorrência do resgate antecipado dos títulos eurobônus por intermédio de empresa controlada, via concessão de mútuo, implicaria necessidade de se analisar a dedutibilidade dos juros pagos sobre tais títulos no contexto global da operação. [...] E é nesse contexto global da operação que a Fiscalização passa a confrontar as taxas de juros pagas para a empresa controlada no exterior com as taxas de juros recebidas Fl. 2712DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 9101002.431 CSRFT1 Fl. 30 29 dessa mesma controlada para fins de glosar o excesso dos juros pagos em relação aos juros recebidos (matéria que é totalmente estranha ao lançamento do IRFonte). De acordo com o acórdão recorrido, a "coincidência parcial de datas de remessa e de valores e a recompra do Eurobônus, além da data de resgate desses títulos e da remessa de quantias pela controlada no exterior" não caracterizariam indícios fortes de confusão de recursos entre a recorrente e sua controlada no exterior, e nem seriam suficientes para descaracterizar o mútuo efetuado entre controlada e controladora. Tais argumentos não podem ser nem mesmo confrontados com o acórdão paradigma, porque essas questões são irrelevantes no que toca ao IRFonte. Vale observar que o acórdão paradigma deixa claro que, em relação à matéria por ele tratada (IRFonte), não há necessidade de adentrar na Teoria da Desconsideração da Personalidade Jurídica. O que importou para o acórdão paradigma é, em síntese: que o legislador concedeu o benefício da alíquota zero para o IRFonte que incide sobre a remessa de remuneração dos títulos com o objetivo de que as captações de recursos no exterior fossem feitas com prazos longos de amortização, mantendo esses recursos no Brasil por mais tempo; que o recurso que a empresa autuada enviou para sua controlada no exterior serviu para o resgate, antes do prazo médio dos 96 meses, dos títulos que a autuada havia emitido; e que a convivência entre o resgate antecipado dos recursos pela controlada da autuada, e o gozo da vantagem oferecida pelo legislador referente à alíquota zero do IR Fonte, afronta o espírito da lei. Esses foram os fundamentos para a manutenção do lançamento de IRFonte. A PGFN alega em seu recurso especial que o lançamento de IRPJ não dependeria da desconsideração das operação de mútuo em 1999, e que a despesa incorrida, na parcela que supera a receita advinda do mútuo com empresa controlada, não pode ser considerada necessária à atividade da empresa porque não havia justificativa para que esse excesso de despesa fosse suportado. Ocorre que a questão da desnecessidade, ou não da despesa com juros não foram objeto de apreciação nem pelo acórdão recorrido nem pelo paradigma As questões do contrato de mútuo no lançamento de IRFonte serviram apenas para caracterizar que houve resgate antecipado dos títulos, que os recursos captados no exterior com a emissão de Eurobônus retornaram ao exterior antes do prazo exigido pela lei para a concessão do benefício fiscal, e que, assim, a remuneração paga ao detentor dos títulos deveria sofrer a incidência normal do IRFonte. O resgate antecipado dos títulos Eurobônus (que serviu para a manutenção do lançamento do IRFonte) não implica necessariamente em considerar a despesa de juros Fl. 2713DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 9101002.431 CSRFT1 Fl. 31 30 decorrentes do contrato de mútuo, nas condições em que foi firmado com a empresa controlada no exterior, como despesa desnecessária. Mais uma vez, vale destacar que para o IRFonte o que interessa é que houve o resgate antecipado dos títulos Eurobônus, sendo irrelevante qualquer situação posterior a isso que tenha relação com a apuração do IRPJ, atinente às diferenças entre as receitas e despesas financeiras decorrentes das operações com a empresa controlada, à caracterização de despesa desnecessária, etc. Há um parágrafo no voto vencedor que orientou o acórdão paradigma que não deixa nenhuma dúvida sobre o que orientou essa decisão: Ora, a legislação sobre essa questão amplamente debatida nos atos anteriores mostra que o prazo médio mínimo de amortização dos títulos deveria ser de (96 meses). O Valor da aquisição dos títulos no exterior correspondeu a US$ 90.940.000.00. O fato de hipoteticamente ser possível que aproximadamente 7% dos títulos tenham sido resgatados com recursos próprios da Ceval International em nada socorre a autuada nessa questão. De uma forma ou de outra não estaria sendo atendido o requisito do prazo médio mínimo. O que o paradigma diz, com todas as letras, é que, seja por meio de mútuo firmado com empresa controlada, seja por recursos próprios dessa empresa controlada, seja ainda por meio de aumento de capital de controlada no exterior (um outro caso referenciado pelo paradigma), "de uma forma ou de outra não estaria sendo atendido o requisito do prazo médio mínimo". Podese dizer mais. O requisito do prazo médio mínimo não estaria sendo atendido até mesmo se a empresa autuada tivesse resgatado diretamente os títulos, com seus próprios recursos, e também nesse caso estaria validado o lançamento de IRFonte sobre as remunerações já pagas (que haviam sido submetidas à alíquota zero do tributo), sem qualquer conseqüência para o IRPJ e a CSLL. Toda a abordagem sobre o contrato de mútuo no processo de IRFonte teve o escopo de indicar que os recursos enviados ao exterior pela empresa autuada foram destinados para o resgate antecipado dos título por ela emitidos, o que comprometeu o benefício fiscal em relação ao IRfonte. Mas isso não permite qualquer confrontação com a decisão do IRPJ e da CSLL, relativamente à glosa do excedente das despesas financeiras (em relação às receitas recebidas da controlada), que foi considerado como despesa desnecessária. O segundo paradigma, Acórdão nº 10195.014, só serve para comprovar divergência quanto à questão da decadência, que neste caso está relacionada à possibilidade de o Fisco examinar efeitos tributários futuros de operações comerciais realizadas no passado. Ele não serve para comprovar a divergência referente à glosa de despesas desnecessárias de juros. Como não houve comprovação da primeira divergência, que corresponde ao exame do mérito pelo acórdão do acórdão recorrido, sendo, portanto, autônomo e suficiente para o cancelamento da parte do auto de infração de IRPJ/CSLL aqui em análise, não há Fl. 2714DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 13971.001629/200635 Acórdão n.º 9101002.431 CSRFT1 Fl. 32 31 utilidade em se discutir eventual divergência que trate de preliminar, restando esta prejudicada; pois, ainda que a preliminar que foi acolhida pelo recorrido venha a ser rejeitada no julgamento da instância especial, tal decisão não poderá reverter o mérito do recorrido. Assim, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN, quanto a primeira divergência, e de DECLARAR prejudicada a segunda divergência. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 2715DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O
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Numero do processo: 12045.000547/2007-52
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2004
DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA.
O Superior Tribunal de Justiça - STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 - SC), definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este é efetuado (artigo 150, § 4º, do CTN).
DECISÃO DEFINITIVA DO STJ. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Por força do art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C, do CPC, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
DECADÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. SÚMULA CARF Nº 99.
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
Numero da decisão: 9202-004.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento em diligência, arguida pelo conselheiro Heitor de Souza Limar Junior. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. O Superior Tribunal de Justiça - STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 - SC), definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este é efetuado (artigo 150, § 4º, do CTN). DECISÃO DEFINITIVA DO STJ. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Por força do art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C, do CPC, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. DECADÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. SÚMULA CARF Nº 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento em diligência, arguida pelo conselheiro Heitor de Souza Limar Junior. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. O Superior Tribunal de Justiça STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 SC), definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário contase da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este é efetuado (artigo 150, § 4º, do CTN). DECISÃO DEFINITIVA DO STJ. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Por força do art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C, do CPC, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. DECADÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. SÚMULA CARF Nº 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 04 5. 00 05 47 /2 00 7- 52 Fl. 1388DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento em diligência, arguida pelo conselheiro Heitor de Souza Limar Junior. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de DébitoNFLD, referente às Contribuições devidas à Seguridade Social, a cargo dos empregados, incidentes sobre os descontos de mensalidades escolares de dependentes de empregados, considerados como salário indireto, no período de 01/1997 a 12/2004, bem como Contribuições a cargo dos Contribuintes Individuais, não retidas, no período de 04 a 10/2003. A ciência do lançamento ocorreu em 27/04/2005 (Relatório Fiscal de fls. 01). Em sessão plenária de 02/12/2010, foi julgado o Recurso Voluntário nº 150.983, prolatandose o Acórdão nº 240101.582 (fls. 414 a 416), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2004 CRÉDITO TRIBUTÁRIO PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. Declarada pelo STF, por meio da súmula vinculante n° 8, a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, que estabeleciam o prazo decenal para constituição e cobrança dos créditos relativos às contribuições sociais previdenciárias, matéria passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional, que determina o prazo de 5 (cinco) anos para a constituição e cobrança do crédito tributário, nos termos do art. 150, parágrafo 4o do CTN. SALÁRIO INDIRETO DESCONTO EM MENSALIDADE ESCOLAR incidência de contribuições Os valores recebidos indiretamente a título de desconto em mensalidades escolares dos trabalhadores da empresa sofrem incidência de contribuições previdenciárias. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Não há que se falar em inconstitucionalidade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SELIC para aplicação dos acréscimos legais ao valor Fl. 1389DF CARF MF Processo nº 12045.000547/200752 Acórdão n.º 9202004.480 CSRFT2 Fl. 1.389 3 originário do débito, porquanto encontra amparo legal no artigo 34 da Lei n° 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte." A decisão foi assim registrada: “Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos, declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 03/2000. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que votou por declarar a decadência até a competência 11/1999. Votaram pelas conclusões os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo e Elias Sampaio Freire, por entenderem que nos autos não há comprovação da ausência de antecipação de pagamento. II) Por maioria de votos, no mérito, negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Wilson Antônio Souza Corrêa, que votou por dar provimento ao recurso.” Cientificada em 11/01/2011 (fls. 417), a Fazenda Nacional opôs, na mesma data (fls. 419), os Embargos de Declaração de fls. 420 a 422, rejeitados conforme despacho de fls. 423/424. Intimada da rejeição de seus Embargos em 02/02/2012 (fls. 425), a Fazenda Nacional interpôs, em 03/02/2012 (fls. 427), o Recurso Especial de fls. 429 a 444, com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Ricarf, visando rediscutir a decadência. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2400 271/2012, de 28/05/2012 (fls. 456 a 458). Intimada do acórdão, do Recurso Especial e do despacho que lhe deu seguimento em 03/10/2012 (fls. 459), a Contribuinte ofereceu as Contrarrazões de fls. 460 a 465, defendendo a manutenção da decisão recorrida, ao argumento de que, não havendo dolo, fraude ou simulação, deve ser aplicado o art. 150, § 4º, do CTN. Interpôs também o Recurso Especial de fls. 467 a 475, ao qual foi negado seguimento, conforme o despacho de fls. 1.384/1.385, o que foi confirmado pelo Despacho de Reexame de fls. 1.386. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos, portanto deve ser conhecido. O apelo visa rediscutir a decadência. Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, referente às Contribuições devidas à Seguridade Social, a cargo dos empregados, incidentes sobre os descontos de mensalidades escolares de dependentes de empregados, considerados como salário indireto, no período de 01/1997 a 12/2004, bem como Contribuições a cargo dos Fl. 1390DF CARF MF 4 Contribuintes Individuais, não retidas, no período de 04 a 10/2003. A ciência do lançamento ocorreu em 27/04/2005 (Relatório Fiscal de fls. 01). Quanto à decadência, por imposição do artigo 62, § 2º, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, o Colegiado deve aderir à tese esposada pelo STJ no Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12/08/2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos o lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. Fl. 1391DF CARF MF Processo nº 12045.000547/200752 Acórdão n.º 9202004.480 CSRFT2 Fl. 1.390 5 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Assim, nos casos em que há pagamento antecipado, o termo inicial é a data do fato gerador, na forma do § 4º, do art. 150, do CTN. Por outro lado, na hipótese de não haver antecipação do pagamento, o dies a quo é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prevê o inciso I, do art. 173, do mesmo Código. Destarte, o deslinde da questão passa necessariamente pela verificação da existência ou não de pagamento e, mais especificamente, que tipo de recolhimento poderia ser considerado. Em relação a esse tema, foi aprovada, em 09/12/2013, a Súmula CARF nº 99, que assim dispõe: SÚMULA CARF Nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No presente caso, tratase de salário indireto e foram lançadas apenas diferenças de Contribuição. Conforme o TEAF Termo de Encerramento de Auditoria Fiscal de fls. 60, só foram efetuados os lançamentos da presente NFLD e um Auto de Infração de obrigação acessória. Como no período objeto da autuação todos os valores, inclusive os informados em GFIP, deveriam ser lançados, caso não existisse recolhimento, concluise que efetivamente houve pagamento antecipado. Destarte, rejeito a preliminar de diligência arguida pelo Ilustre Conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior, por entendêla dispensável, já que nos autos constam informações que permitem concluir pela existência de pagamento antecipado. Fl. 1392DF CARF MF 6 Assim, aplicandose a Súmula CARF 99 e o art. 150, § 4º, do CTN, como a autuação referese ao período de 01/1997 a 12/2004, e a ciência do lançamento ocorreu em 27/04/2005, constatase a decadência, até a competência 03/2000, inclusive. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, rejeito a preliminar de diligência arguida e, no mérito, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Fl. 1393DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19311.720391/2011-68
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
CONHECIMENTO. VALORAÇÃO DE PROVAS SUPOSTAMENTE DECORRENTES DA MESMA SITUAÇÃO FÁTICA.
Em se tratando do acórdão recorrido e do(s) paradigmas de mesma situação fática com caracterizada identidade probatória, é de se conhecer do feito, sob pena de se possibilitar a manutenção de decisões definitivas conflitantes em sede administrativa diante de idêntico suporte fático-probatório.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. AUSÊNCIA DE PROVAS. CONCESSÃO DE SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSPORTE COLETIVO DE PASSAGEIROS. RETENÇÃO.
Nos contratos administrativos de concessão de serviço público de transporte coletivo de passageiros o particular executa em seu nome, por sua conta e risco, o serviço delegado. Assim, inexistindo provas de que a Administração Pública exercia qualquer interferência direta nos serviços desempenhados pelos trabalhadores contratados, descaracterizado está o conceito de cessão de mão-de-obra para fins de aplicação da retenção prevista no art. 31 da Lei nº 8.212/91.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9202-004.390
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que não o conheceram, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Junior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (presidente em exercício). Designado para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 CONHECIMENTO. VALORAÇÃO DE PROVAS SUPOSTAMENTE DECORRENTES DA MESMA SITUAÇÃO FÁTICA. Em se tratando do acórdão recorrido e do(s) paradigmas de mesma situação fática com caracterizada identidade probatória, é de se conhecer do feito, sob pena de se possibilitar a manutenção de decisões definitivas conflitantes em sede administrativa diante de idêntico suporte fático-probatório. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. AUSÊNCIA DE PROVAS. CONCESSÃO DE SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSPORTE COLETIVO DE PASSAGEIROS. RETENÇÃO. Nos contratos administrativos de concessão de serviço público de transporte coletivo de passageiros o particular executa em seu nome, por sua conta e risco, o serviço delegado. Assim, inexistindo provas de que a Administração Pública exercia qualquer interferência direta nos serviços desempenhados pelos trabalhadores contratados, descaracterizado está o conceito de cessão de mão-de-obra para fins de aplicação da retenção prevista no art. 31 da Lei nº 8.212/91. Recurso Especial do Procurador Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que não o conheceram, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Junior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (presidente em exercício). Designado para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SÃO PAULO SECRETARIA MUNICIPAL DE TRANSPORTES ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Anocalendário: 2006, 2007, 2008 CONHECIMENTO. VALORAÇÃO DE PROVAS SUPOSTAMENTE DECORRENTES DA MESMA SITUAÇÃO FÁTICA. Em se tratando do acórdão recorrido e do(s) paradigmas de mesma situação fática com caracterizada identidade probatória, é de se conhecer do feito, sob pena de se possibilitar a manutenção de decisões definitivas conflitantes em sede administrativa diante de idêntico suporte fáticoprobatório. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. CESSÃO DE MÃO DEOBRA. AUSÊNCIA DE PROVAS. CONCESSÃO DE SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSPORTE COLETIVO DE PASSAGEIROS. RETENÇÃO. Nos contratos administrativos de concessão de serviço público de transporte coletivo de passageiros o particular executa em seu nome, por sua conta e risco, o serviço delegado. Assim, inexistindo provas de que a Administração Pública exercia qualquer interferência direta nos serviços desempenhados pelos trabalhadores contratados, descaracterizado está o conceito de cessão de mãodeobra para fins de aplicação da retenção prevista no art. 31 da Lei nº 8.212/91. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que não o conheceram, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 03 91 /2 01 1- 68 Fl. 1401DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Junior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (presidente em exercício). Designado para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Fl. 1402DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720391/201168 Acórdão n.º 9202004.390 CSRFT2 Fl. 1.402 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra o Município de São Paulo, por meio do qual exigese o recolhimento da Contribuição Previdenciária prevista no art. 31, §3º da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 9.711/98, c/c o art. 219, §2º, inciso XIX do regulamento da Previdência, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, caracterizada pela retenção de 11% sobre o valor do documento fiscal emitido em razão da prestação de serviço de transporte público de passageiros. O entendimento do fiscal foi no sentido de os serviços prestados pelas empresas contratadas mediante contrato administrativo de concessão de serviço público, regido pelas Leis nº 8.666/93 e 8.987/95, caracterizam verdadeira cessão de mãodeobra em favor da municipalidade e como tal estariam sujeitos a retenção da citada contribuição. O lançamento foi lavrado também contra a concessionária prestadora do serviço, classificada como responsável solidária da obrigação tributária. Em sede de Impugnação a Prefeitura Municipal de São Paulo defende que no caso em tela inexiste cessão de mãodeobra. Estaríamos diante de prestação de serviço público de transporte à população por meio de concessionários, os quais recebem como contrapartida as tarifas pagas pelos usuários os verdadeiros tomadores do serviço, portanto não haveria fato gerador do tributo. Argumenta que se quer foi feita a verificação se houve o devido recolhimento da contribuição pela empresa prestadora do serviço. A empresa solidária, entre outros argumentos, reforça o entendimento de inexistir fato gerador ensejador da retenção, tece esclarecimentos acerca das diferenças de concessão de serviço público e mera prestação de serviço ao Poder Público, afirma ter efetuado o recolhimento da totalidade da Contribuição Previdenciária incidente sobre a folha de pagamento dos funcionários vinculados ao contrato administrativo, defende a inexistência de solidariedade e questiona a base de cálculo apurada. A Delegacia de Julgamento acolhendo os argumentos das Impugnantes julgou procedente as impugnações. Para o colegiado nos contratos de concessão de serviço publico nos moldes do ora discutido não há cessão de mãodeobra. Expôs, por meio de um verdadeiro tratado, que não tendo sido configurada a cessão de mãodeobra, assim entendida a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a sua atividade fim, não há que se falar em obrigação de reter e recolher à previdência social a importância correspondente a 11% do valor da nota fiscal ou fatura emitida pela empresa contratada. Afastou ainda, expressamente, ad argumentandum tantum, a solidariedade passiva. Em recurso de ofício o Colegiado a quo confirmou, sem qualquer ressalva a decisão da Delegacia de Julgamento. Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional citando acórdão paradigma que segundo ela trataria de situação fática exatamente idêntica a do acórdão recorrido, mudando apenas a empresa contratada. Naquela oportunidade o colegiado entendeu estar caracterizada a cessão de mão obra na prestação de serviço de transporte urbano de passageiros no Município de São Paulo. Fl. 1403DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Foram apresentadas contrarrazões reiterando os argumentos da peça de impugnação e requerendo a manutenção da decisão recorrida por seus próprios fundamentos. É o relatório. Fl. 1404DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720391/201168 Acórdão n.º 9202004.390 CSRFT2 Fl. 1.403 5 Voto Vencido Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Da delimitação da lide: Apenas à título de esclarecimento destaco que o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional insurgiuse apenas contra a parte da decisão que julgou o lançamento improcedente em razão da não caracterização da cessão de mãodeobra. Tanto a decisão da Delegacia de Julgamento quanto o acórdão recorrido, apesar de afastarem a ocorrência do fato gerador abordaram a questão da responsabilidade tributária e em ambas decisões concluise pela inaplicabilidade do instituto ao presente processo. Tal conclusão não foi objeto do recurso. Reforça as explicações acima o fato de o acórdão paradigma, apesar de ter concluído pela existência da cessão de mãodeobra, ter decido no sentido de inexistir solidariedade passiva entre a Prefeitura de São Paulo e a empresa cessionária do serviço de transporte. Também no entendimento daquele colegiado o "comando contido no inciso I do artigo 124 do CTN, que prevê a responsabilidade daqueles que têm interesse comum na ocorrência do fato gerador, não se aplica às hipóteses de contratação de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, pois a lei é clara ao delimitar a responsabilidade exclusiva do contratante (art. 31 c.c. art. 33, § 5°, da Lei n° 8.212/91)". Do conhecimento do recurso: Analisando o teor da decisão recorrida, do Recurso Especial e do acórdão apontado com paradigma, julgo pertinente haver uma reavaliação do juízo de admissibilidade da peça recursal. A Fazenda Nacional ao interpor seu recurso, afirma que a decisão recorrida, na parte em que considerou que os serviços de transporte coletivo público de passageiros noticiados nos autos não foram executados mediante cessão de mãodeobra, divergiu do entendimento dado ao Acórdão nº 2302003.083 da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária. Para a recorrente "a situação fática trazida no acórdão paradigma é exatamente idêntica à do acórdão recorrido, qual seja, caracterização de cessão de mãodeobra na prestação de serviço de transporte urbano de passageiros no Município de São Paulo, mudando apenas a empresa contratada". Lembramos que o recurso é baseado no art. 67, do Regimento Interno (RICARF), o qual define que caberá recurso especial de decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Fl. 1405DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 No presente caso, ambas decisões recorrida e paradigma possuem o mesmo entendimento acerca da legislação, qual seja, é cabível a retenção de 11% sobre o valor do documento fiscal emitido em contratos administrativos que envolvem transporte coletivo de passageiros desde que fique configura cessão de mãodeobra. Percebese, portanto, que o objetivo do recurso interposto é na verdade a realização da revisão do juízo de valor exercido pelos julgadores da turma a quo, fato que conforme já me manifestei em outras ocasiões deveria ser suficiente para ensejar o não conhecimento do recurso. De toda forma, conhecendo o entendimento majoritário deste colegiado faço também outro apontamento que a meu ver nos leva a mesma conclusão. Segundo se depreende do relatório do acórdão paradigma o contrato objeto daquele lançamento, apesar de possuir traços semelhantes com o contrato ora discutido, possui uma especificidade: tratase de contrato de prestação de serviço, não submetido a processo de licitação e firmado única e exclusivamente para atender demanda emergencial da Municipalidade. E para chegar a minha conclusão cito parte do voto do Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, relator do acórdão paradigma: Compatibilidade entre Cessão de Mãodeobra e Concessão. Natureza Jurídica do Contrato. Nomen Iuris. Conceitos Doutrinários x Realidade dos Autos. Da análise dos autos, destacase, de largada, que importa muito pouco, para o presente voto, a forma de contratação dos serviços, se mediante delegação, nas suas formas de permissão e concessão; ou por intermédio de mero contrato administrativo de prestação de serviço. Importanos, muito mais, como, efetivamente, foram cumpridas as obrigações das partes, se mediante cessão de mão deobra ou não. (grifei) Ora, se nos dois processos estivéssemos diante de contratos administrativos de concessão de serviço público derivados do mesmo certame licitatório, poderíamos até supor que ambos seriam iguais, ou pelo menos semelhantes, não havendo qualquer variação substancial em suas cláusulas capaz de afastar o entendimento daquele colegiado caso o presente processo o fosse submetido. Ocorre que pelas circunstâncias fáticas que envolveram a celebração do contrato analisado pelo acórdão paradigma e a respectiva prestação do serviço (atendimento a uma situação emergencial), apesar da semelhança exposta pelo relatório, não tenho segurança em afirma que estamos diante de instrumentos com conteúdos análogos e cujos serviços foram prestados segundo as mesmas regras. Importante mencionar ainda o fato de (após o exame de admissibilidade) ter ocorrido a reforma do acórdão paradigma, tendo essa Câmara Superior em sua composição anterior e por unanimidade dos votos, concluído pela não configuração da "cessão de mãode obra determinada na Lei 8.212/1991 (colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços), mas sim a prestação de serviço determinado, em que o prestador assume o risco da atividade econômica, motivo do cancelamento do lançamento e do conseqüente provimento do recurso do contribuinte citado." Diante do exposto voto pelo não conhecimento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 1406DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720391/201168 Acórdão n.º 9202004.390 CSRFT2 Fl. 1.404 7 Do mérito: Vencida quanto ao conhecimento, passo a me manifestar quanto ao mérito do recurso o qual, conforme acima esclarecido, limitase a discutir se há nos autos elementos suficientes para caracterizar como cessão de mãodeobra a prestação de serviço público de transporte de passageiros contratado mediante contrato administrativo de concessão de serviço público. E neste aspecto comungo do entendimento externado pela decisão da Delegacia Fiscal e também do colegiado a quo para os quais inexiste provas quanto a ocorrência da cessão de mãodeobra haja vista a ausência de caracterização de um dos elementos essenciais: colocação do segurados empregados da contratada à disposição da contratante. A obrigação dos tomadores de serviços de cessão de mãodeobra de reterem 11% sobre as faturas e notas fiscais correspondentes está prevista no art. 31 da lei nº 8.212/91, com a seguinte redação: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mãodeobra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. § 1o O valor retido de que trata o caput deste artigo, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, poderá ser compensado por qualquer estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, por ocasião do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados. § 2o Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. § 4o Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; Fl. 1407DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 III empreitada de mãodeobra; IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. § 5o O cedente da mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante. § 6o Em se tratando de retenção e recolhimento realizados na forma do caput deste artigo, em nome de consórcio, de que tratam os arts. 278 e 279 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, aplicase o disposto em todo este artigo, observada a participação de cada uma das empresas consorciadas, na forma do respectivo ato constitutivo. No caso do serviços de transporte de passageiros a obrigatoriedade da retenção está prevista no art. 219, §2º, XIX do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99: Art.219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. §1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. §2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: ... XIX operação de transporte de passageiros, inclusive nos casos de concessão ou subconcessão; ... A leitura dos dispositivos acima revelam que só estará obrigado à retenção aquele que contrata a cessão de mãodeobra. Assim, na prática, em cada contrato administrativo de prestação de serviços em favor do Poder Público, deve ser observado se há o elemento caracterizador da cessão de mãodeobra, qual seja, se os empregados do cedente são postos à disposição do tomador dos serviços, à semelhança do que ocorre em uma relação de emprego. Ora, como exaustivamente esclarecido na decisão de primeira instância e na decisão recorrida, estamos diante de contrato administrativo de concessão de serviço público de prestação de transporte coletivo de passageiros. Tal contrato é regido pelas leis 8.666/93 e 8.987/95 sendo que essa em seu art. 2º, II, conceitua concessão de serviço publico como sendo a delegação de funções essenciais do estado à pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco e por prazo determinado: Fl. 1408DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720391/201168 Acórdão n.º 9202004.390 CSRFT2 Fl. 1.405 9 O Doutrinador Hely Lopes Meirelles, na obra Direito Administrativo Brasileiro, 30ª edição, p. 370/371, esclarece que "serviços concedidos são todos aqueles que o particular executa em seu nome, por sua conta e risco, remunerados por tarifa, na forma regulamentar, mediante delegação contratual ou legal do Poder Público concedente. Serviço concedido é serviço do Poder Público, apenas executado por particular em razão da concessão". Os professores Roque Antonio Carrazza e Eduardo Domingos Bottallo (in Revista Dialética de Direito Tributária nº 169. p. 136), sintetizaram muito bem a diferença ora discutida: A cessão (ou locação) é espécie do gênero prestação de serviços e se configura quando esforço humano posto à disposição do contratante (tomador dos serviços) consiste na própria colocação da mãodeobra, para que este dela faça uso, segundo suas conveniências e necessidades. Por outro lado, pode haver a contratação de prestação de serviços mediante utilização de pessoal pertencente a quadro próprio do prestador, que se encarrega da respectiva execução, ou, em outras palavras, de dar cumprimento à assumida obrigação de fazer. Nestes casos, embora exista prestação de serviços, não há cessão de mãodeobra. Como vemos, o elemento diferenciador entre a prestação de serviço (gênero) e a cessão ou locação de mãodeobra (espécie) reside no seguinte: se não houver subordinação dos empregados ao contratante (tomador de serviços), não haverá cessão ou locação de mãodeobra, mas apenas prestação de serviço. Já pelo contrário, se a sujeição dos empregados às ordens do tomador do serviço for característica marcante do contrato, então, aí sim, haverá autêntica prestação de serviços mediante cessão ou locação de mãodeobra. Diante dessa premissa é possível afirmar com segurança que no caso concreto não houve cessão de mão de obra, afinal o objeto do contrato era exatamente a prestação de um serviço pelo particular e não a contratação de mão de obra pelo Município. Para Prefeitura de São Paulo não importava a forma como os segurados empregados da contratada iriam executar o serviço, esses trabalhavam sob a gerência da própria contratada, o que lhe importava era o produto final da prestação: transporte eficiente, contínuo e com segurança a todos os cidadãos. Na prática são poucos os contratos de concessão de serviço público celebrados pela Administração Pública em que esta interfere diretamente nos trabalhos desenvolvidos pelo particular contratado, na grande maioria dos casos o ente não exerce qualquer ato de coordenação direta sobre os trabalhos da empresa contratada. Em regra o Poder Público limitase a verificar o regular cumprimento do contrato nos termos em que fixado pelo edital e essa interferência indireta é decorrência lógica do fato de a concessão ser sempre feita no interesse da coletividade, e, assim sendo, o concessionário ter o dever de prestar o serviço em condições adequadas para o público. A própria Constituição Federal, art. 175, parágrafo único, prevê esse Poder Dever da Administração Pública de regulamentar e fiscalizar os contratos de concessão de serviços públicos, exigindo do legislador a edição de lei para dispor sobre (I) o regime das Fl. 1409DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 empresas concessionárias e permissionárias de serviços públicos, o caráter especial de seu contrato e de sua prorrogação, bem como as condições de caducidade, fiscalização e rescisão da concessão ou permissão; (II) os direitos dos usuários; (III) política tarifária; e (IV) a obrigação de manter serviço adequado. E aqui estamos falando da já citada Lei nº 8.987/95, cujo art. 23 traz quais são as cláusulas essenciais que devem constar dos contratos administrativos de concessão de serviço público: Art. 23. São cláusulas essenciais do contrato de concessão as relativas: I ao objeto, à área e ao prazo da concessão; II ao modo, forma e condições de prestação do serviço; III aos critérios, indicadores, fórmulas e parâmetros definidores da qualidade do serviço; IV ao preço do serviço e aos critérios e procedimentos para o reajuste e a revisão das tarifas; V aos direitos, garantias e obrigações do poder concedente e da concessionária, inclusive os relacionados às previsíveis necessidades de futura alteração e expansão do serviço e conseqüente modernização, aperfeiçoamento e ampliação dos equipamentos e das instalações; VI aos direitos e deveres dos usuários para obtenção e utilização do serviço; VII à forma de fiscalização das instalações, dos equipamentos, dos métodos e práticas de execução do serviço, bem como a indicação dos órgãos competentes para exercêla; VIII às penalidades contratuais e administrativas a que se sujeita a concessionária e sua forma de aplicação; IX aos casos de extinção da concessão; X aos bens reversíveis; XI aos critérios para o cálculo e a forma de pagamento das indenizações devidas à concessionária, quando for o caso; XII às condições para prorrogação do contrato; XIII à obrigatoriedade, forma e periodicidade da prestação de contas da concessionária ao poder concedente; XIV à exigência da publicação de demonstrações financeiras periódicas da concessionária; e XV ao foro e ao modo amigável de solução das divergências contratuais. Mais uma vez tomando os ensinamentos do Administrativista Hely Lopes Meirelles (Direito Administrativo Brasileiro, 30ª edição p. 379/380) ressaltamos: a "fiscalização do serviço concedido cabe ao Poder Público concedente, que é o fiador da sua regularidade e boa execução perante os usuários. Já vimos que serviços públicos e serviços de Fl. 1410DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720391/201168 Acórdão n.º 9202004.390 CSRFT2 Fl. 1.406 11 utilidade pública são sempre serviços para o público. Assim sendo, é dever do concedente exigir sua prestação em caráter geral, permanente, regular, eficiente e com tarifas módicas (art. 6º, §1º). Para assegurar esses requisitos, indispensáveis em todo serviço concedido, reconhecese à Administração Pública o direito de fiscalizar as empresas, com amplos poderes de verificação de sua administração, contabilidade, recursos técnicos, econômicos e financeiros, principalmente para conhecer a rentabilidade do serviço, fixar as tarifas e punir as infrações regulamentares e contratuais." A meu ver as cláusulas integrantes do contrato celebrado entre a Prefeitura de São Paulo, por meio de sua Secretaria Municipal de Transportes, e o particular prestador do serviço, que na visão da Fiscalização ajudaram a caracterizar a cessão de mão de obra, são cláusulas que visaram exclusivamente dar cumprimento a determinação legal. Vale citar: trajetos e horários das viagens, quantidade e qualidade dos recursos materiais e humanos empregados, forma de remuneração direta (tarifas) e indireta (receitas adicionais), entre outros. No mais, parece inexistir fundamento para a alegação de que teria ocorrido a cessão de mãodeobra pelo simples fato de que a empresa contratada deixou de contar com a força do labor dos profissionais 'cedidos', ou seja, esses não estariam disponíveis para realização de outro trabalho; por questão lógica uma mesma pessoa não pode, em um mesmo momento, desempenhar suas funções em dois locais distintos. Vale citar ainda, que inexistia no contrato qualquer cláusula de exclusividade de atuação de determinado funcionário. Portanto, não havia qualquer impedimento do trabalhador ser deslocado pelo particular para exercer outras funções, o que havia era o impedimento de que o serviço fosse interrompido, devendo a contratada diligenciar no sentido de haver a manutenção do número de funcionários suficientes para o seu fiel cumprimento do contrato. Destacase que entre cláusulas contratuais que tratavam de mãodeobra havia apenas a exigência de operar somente com pessoal devidamente capacitado e habilitado, mediante contratações regidas pelo direito provado e legislação trabalhista, assumindo todas as obrigações delas decorrentes, não se estabelecendo qualquer relação jurídica entre os terceiros contratados pelo operador e o Poder Público, e ainda a obrigação de apresentar, quando solicitado, a comprovação de regularidade das obrigações previdenciárias e para com o FGTS. O fato de haver previsão de serem estabelecidos critérios (cláusula 19.1.25) para realização dos descontos das parcelas da remuneração dos funcionários destinados ao pagamento do INSS, a meu ver, tratase de questões operacional necessária. Estamos diante de um mesmo serviço que visa atender usuários de todo o município, entretanto é prestado por pessoas jurídicas distintas. Para não haver tratamento desigual entre os funcionários contatados pelo particular, gerando conflitos que poderiam prejudicar a correta prestação do serviço em sua totalidade, era crível que se estabelecesse um tratamento padrão. No mais, importante citar que o art. 71 da Lei nº 8.666/93 deixa claro que a responsabilidade pelos 'encargos trabalhistas' é da empresa contratada, sendo o Poder Público solidário apenas nos casos do descumprimento das obrigações previdenciárias: Art. 71. O contratado é responsável pelos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais resultantes da execução do contrato. Fl. 1411DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 12 § 1o A inadimplência do contratado, com referência aos encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento, nem poderá onerar o objeto do contrato ou restringir a regularização e o uso das obras e edificações, inclusive perante o Registro de Imóveis. § 2o A Administração Pública responde solidariamente com o contratado pelos encargos previdenciários resultantes da execução do contrato, nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. E aqui julgo pertinente fazer uma consideração sobre a remissão ao art. 31 da Lei nº 8.212/91. Por ora tenho dúvidas se a intenção do legislador foi a de exigir dos entes públicos a retenção dos 11% sobre a prestação do serviço. Isso porque a redação do art. 71 da Lei nº 8.666/93 foi dada pela Lei nº 9.032/95, sendo que nessa época a redação do art. 31 da Lei nº 8.212/95 não trazia qualquer previsão de retenção, na verdade apenas afirmava nos termos do parágrafo segundo que a Administração Pública era responsável solidária com os contratantes em relação aos débitos previdenciários. A obrigação da retenção surge a primeira vez apenas em 1998, com redação dada ao art. 31 pela Lei nº 9.711. Por fim, apesar de não ser esse o entendimento da maioria deste colegiado, manifestome que deve ser considerado o fato de que a retenção cobrada nada mais é do que uma antecipação do valor devido à título de contribuição correspondente aos 20% sobre a remuneração paga aos segurados. Assim, mesmo que tenha sido descumprida a obrigação e mesmo que haja a presunção de retenção nos termos do art. 33, §5º da Lei nº 8.212/91, a meu ver, essa regra não legitima a cobrança em duplicidade do crédito tributário, ou seja, havendo prova de que a empresa contratada pagou corretamente o débito (como ocorre nos autos), seria inviável exigirse o correlato crédito do Poder Público. Diante do exposto, ausente qualquer prova capaz de caracterizar cessão de mão de obra, nego provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 1412DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720391/201168 Acórdão n.º 9202004.390 CSRFT2 Fl. 1.407 13 Voto Vencedor Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia ao posicionamento esposado pela Relatora, ouso discordar quanto ao conhecimento do pleito. Inicialmente, admito já ter me posicionado no sentido de não estar contemplada na cognição desta instância a solução de divergências decorrentes de exclusiva divergente valoração probatória na instância ordinária, a qual deveria ser resolvida através do instituto processual da conexão entre feitos (vide, a propósito, Declaração de Voto no âmbito do Acórdão CSRF 9202004.252, de 22 de junho de 2016). Todavia, vislumbro necessidade de rever o referido posicionamento, especificamente no caso em que haja identidade fáticoprobatória nítida entre Acórdão recorrido e paradigma, de forma a que, uma vez também não mais se devendo declarar conexos os processos (recomendável somente a conexão até o momento da distribuição, agora, em meu entendimento), caso não se conheça do Recurso, possa se estar a referendar decisões definitivas conflitantes em termos de critério jurídico aplicado em casos com nítida identidade fático probatória. Explico melhor. Há casos em que, repitase, temse: a) Identidade fático probatória caracterizada entre os feitos recorrido e paradigma(s); b) As decisões de piso são conflitantes em termos do critério jurídico aplicado aos dois cenários fáticoprobatórios (idênticos para fins de aplicação da solução jurídica) e c) Não é mais recomendável que se declare, a esta altura, a conexão entre os feitos, visto que um deles ou ambos já foi objeto de distribuição, de forma a que, assim, reste priorizado por este Órgão o princípio do juiz natural e garantida, desta forma, a completa imparcialidade deste Conselho, objetivonúcleo de tal princípio. Em tal cenário (e somente neste cenário, onde presentes as três condições acima, de forma cumulativa) entendo que, a fim de evitar a insegurança jurídica que adviria da prolação, por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de duas soluções jurídicas distintas, de caráter definitivo, diante de idênticos arcabouços fáticoprobatórios, deva se debruçar também esta Câmara Superior, aqui, sobre o Recurso Especial admitido, buscandose, assim, que se tenha, no âmbito deste CARF, decisões jurídicas uniformes acerca de um mesmo tema, quando considerados idênticos cenários fáticoprobatórios. Feita tal digressão e atendome especificamente agora ao caso em concreto, novamente com a devida vênia ao entendimento esposado pela Relatora, vislumbro clara identidade entre as situações fáticas dos Acórdãos recorrido e paradigma e também entre os contratos utilizados para fins de contratação do transporte público de passageiros sob análise nos feitos recorrido e paradigmático, não interferindo, em meu entendimento, para fins de análise da caracterização ou não do instituto de cessão de mão de obra (cerne do caso em questão), nem o nomen juris do contrato e nem a modalidade sob o qual foi realizado (mesmo certame licitatório ou não), sendo relevante, sim, a meu ver, a coincidência entre as cláusulas contratuais de interesse para análise do instituto, de forma a ter restado caracterizada, assim, a identidade fáticoprobatória supramencionada. Fl. 1413DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 14 Destarte, diante de tal cenário, em que pese meu entendimento anteriormente manifestado acerca do limite de cognição desta Turma estar limitada a solução de divergências de natureza exclusivamente interpretativa, curvome, aqui, uma vez, repitase, caracterizada as divergentes decisões de piso em cenários fáticoprobatórios idênticos para fins de caracterização do instituto de cessão de mão de obra, e, também repetindo, uma vez não mais recomendável a reunião dos feitos por conexão a esta altura (há feito distribuído já em julgamento), à necessidade de se conhecer do pleito fazendário, sob pena de se estar a promover grave insegurança jurídica pela possibilidade de manutenção, por este CARF, de decisões administrativas definitivas conflitantes, sem que se caracterize, entre os diferentes casos, dessemelhança suficiente, seja quanto à situação fática, seja quanto aos elementos de prova relevantes para a decisão do feito. Assim, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 1414DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10882.002400/98-94
Turma: Segunda Turma Superior
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2000
Numero da decisão: 201-00.090
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, declinar' competência para julgamento do Recurso em favor da Segunda Câmara deste Conselho de Contribuintes, em razão de aquela Câmara ter-se pronunciado sobre a matéria COFINS relativa à mesma Contribuinte.
Nome do relator: Serafim Fernandes Corrêa
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Numero do processo: 10469.903726/2009-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de indeferimento de seu pedido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.075
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semiramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Valcir Gassen, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Giovani Vieira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Compensação. Comprovação do direito creditório. Recorrente G J DE MEDEIROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de indeferimento de seu pedido. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semiramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Valcir Gassen, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Giovani Vieira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4ª Turma da DRJ Recife, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório oriundo de suposto recolhimento à maior da Cofins. Em consequência, foi mantida a nãohomologação da compensação declarada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 90 37 26 /2 00 9- 07 Fl. 2691DF CARF MF Processo nº 10469.903726/200907 Acórdão n.º 3301003.075 S3C3T1 Fl. 3 2 A autoridade competente da DRF/Natal não homologou a compensação, fundamentandose no fato de o DARF informado no PER/DCOMP já ter sido utilizado integralmente para quitar débitos declarados da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP objeto do presente processo. Segundo a Contribuinte, a explicação para a existência do crédito é o fato de haver apurado e recolhido a COFINS sobre seu faturamento total. No entanto, considerando que a maior parte dos produtos vendidos eram tributados à alíquota 0% (frutas e verduras no mercado interno art. 28 da Lei 10.865/2004), o valor devido seria bem menor do que o que foi declarado/pago. Quando ciente deste erro, ocorrido em 2005 e 2006, procedeu à reapuração dos valores devidos da Cofins, apurando créditos utilizados nas compensações declaradas (PER/DECMPs), mas não retificou as DCTFs. A retificação das DCTFs só foi efetuada após a ciência dos Despachos Decisórios emitidos pela DRF/Natal. A 4ª Turma da DRJ/REC, por intermédio do Acórdão nº 1133.620, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que não foram comprovadas a liquidez e a certeza do suposto crédito informado na compensação declarada. Transcrevese a parte da ementa de interesse: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO (...) DCOMP. ERRO DE FATO EM DCTF. NÃO COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não comprovado o erro de fato no preenchimento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, com base em documentos hábeis e idôneos, não há que se acatar a retificadora para fins de comprovar a liquidez e certeza do crédito oferecido para a compensação com os débitos indicados na PER/DCOMP eletrônica. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (...) PROVAS. As provas devem ser apresentadas na forma e no tempo previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Em seu recurso voluntário, a Recorrente reitera seu direito creditório, justificando que nessa oportunidade apresenta as cópias das notas fiscais do período a que se refere a compensação, cópia do livro de registro de notas fiscais de saída, o relatório de vendas feitas no período, por produto, e o balancete do mês. Fl. 2692DF CARF MF Processo nº 10469.903726/200907 Acórdão n.º 3301003.075 S3C3T1 Fl. 4 3 Estes autos vieram ao CARF para apreciação do recurso voluntário, tendo o feito sido convertido em diligência, Resolução nº 3802000.021, da 2ª Turma Especial, nos termos do voto do relator Francisco José Barroso Rios, para que a unidade preparadora: · examinasse a fidedignidade da documentação acostada ao recurso voluntário, isso, frente a eventuais demonstrativos e documentação outra a ser requerida da interessada, porventura necessários à apuração da contribuição efetivamente devida; · diante dos elementos constantes dos autos, frente à documentação anexada ao processo e demais documentos e esclarecimentos que julgar necessários indagar à suplicante, se manifestasse sobre o valor da COFINS efetivamente devida. A empresa foi intimada pela fiscalização (Termo de Intimação Fiscal Número 001), tendo apresentado mais alguns elementos comprobatórios de seu alegado direito. Conforme consta do Relatório de Diligência Fiscal (anexado como Despacho de Diligência), as informações prestadas foram satisfatórias para a comprovação dos créditos de outros processos (outros períodos de apuração), mas, para o período de apuração analisado no presente não foi apresentada qualquer comprovação. Por isso o Auditor Fiscal concluiu que o valor devido da Cofins foi o originalmente apurado/pago pela contribuinte, que não logrou êxito em comprovar o suposto recolhimento à maior. Por fim, o despacho de encaminhamento da unidade de origem atesta que, observado o prazo regulamentar, não houve manifestação da contribuinte quanto ao resultado da diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.092, de 27 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10469.903724/200918, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.092): "O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. A não homologação do PER/DCOMP se deu pelo fato de que à época da análise eletrônica da compensação declarada, a interessada ainda não havia entregue a DCTF retificadora e o dito pagamento estava, assim, totalmente apropriado ao débito originalmente declarado. Fl. 2693DF CARF MF Processo nº 10469.903726/200907 Acórdão n.º 3301003.075 S3C3T1 Fl. 5 4 Como relatado, no Recurso Voluntário, a Recorrente informa que o faturamento total de fevereiro/2006 foi de R$ 683.020,04 e que o faturamento sujeito à tributação da COFINS era somente de R$ 27.625,15. Dessa forma, a COFINS nãocumulativa informada e pleiteada pela Recorrente seria de R$ 476,68, calculada sob a alíquota de 7,6%, portanto, a base de cálculo utilizada teria sido a de R$ 6.272,10. Por isso, a Recorrente foi intimada para apresentar e comprovar os créditos subtraídos do faturamento tributável (R$ 27.625,15) para chegar à base de cálculo efetiva, de R$ 6.272,10. Foi comprovada nos autos a ciência dessa intimação, em 29/12/2015, mas o contribuinte não procedeu a essa demonstração. A prova a cargo do contribuinte tem como função especificar quais os produtos vendidos hortifrutigranjeiros (se classificados Capítulos 7 e 8 da TIPI), com seus valores e quantidades e sua destinação ao mercado interno, para que pudesse estar sujeita ao disposto no art. 28, da Lei 10.865/2004: Lei 10.865/2004 Art. 28. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COF1NS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de: (Vide Lei n° 11.727, de 2008) (...) III produtos hortícolas e frutas, classificados nos Capítulos 7 e 8, e ovos, classificados na posição 04.07, todos da TIPI; e Na apuração de COFINS nãocumulativa, a prova da existência do direito de crédito indicado incumbe ao contribuinte, de maneira que, não havendo tal demonstração por parte do contribuinte, deve a Fiscalização não efetuar a homologação da compensação. Em regra geral, considerase que o ônus de provar recai sobre quem alega o fato ou o direito: CPC/1973 Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. CPC/2015 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 2694DF CARF MF Processo nº 10469.903726/200907 Acórdão n.º 3301003.075 S3C3T1 Fl. 6 5 II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor É do próprio contribuinte o ônus de registrar, guardar e apresentar os documentos e demais elementos que testemunhem o seu direito ao creditamento. Nesse sentido a lição de Fabiana Del Padre Tomé (A Prova no Direito Tributário. 3ª ed. São Paulo: Noeses, 2011, p. 264): A prova compete a quem tem interesse em fazer prevalecer o fato afirmado. Por outro lado, se o autor apresenta provas do fato que alega, incumbe ao demandado fazer a contraprova, demonstrando fato oposto. Em processo tributário, por exemplo, se o Fisco afirma que houve determinado fato jurídico, apresentando documento comprobatório, ao contribuinte cabe provar a inocorrência do alegado fato, apresentando outro documento, pois a negativa se resolve em uma ou mais afirmativas. A empresa foi intimada a apresentar os documentos comprobatórios, o que não foi exercido. Sem o atendimento à diligência determinada pelo CARF, não há como comprovar os créditos da nãocumulatividade, porque não foram colocados à disposição para verificação. No caso presente, devese ainda acrescentar que tratase um pedido de iniciativa do próprio contribuinte (ressarcimento), para o qual, necessariamente, o mesmo deve possuir e apresentar as provas correspondentes. Isso porque a compensação tributária somente é possível, se demonstrada a liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, conforme a prescrição do art. 170 do Código Tributário Nacional CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Enfim, estáse diante da ausência de liquidez e certeza quanto ao suposto crédito contra a Fazenda Nacional, não cabendo a homologação do PER/DCOMP a ele vinculado. Conclusão Fl. 2695DF CARF MF Processo nº 10469.903726/200907 Acórdão n.º 3301003.075 S3C3T1 Fl. 7 6 Em vista disso, a Recorrente não logrou êxito em comprovar o crédito alegado, consequentemente a COFINS devida referente ao mês de fevereiro de 2006 permanece no valor originalmente pago e declarado, de R$ 18.404,01. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a empresa foi intimada a comprovar os valores que deveriam ser subtraídos da base de cálculo originalmente apurada (vendas sujeitas à alíquota zero), para chegar à base de cálculo que, supostamente, seria a efetiva. Contudo, apesar das oportunidades que lhe foram dadas, a contribuinte não conseguiu apresentar a demonstração/comprovação necessária para que o Fisco atestasse a certeza e liquidez do direito creditório utilizado na compensação declarada nestes autos. Permanece como devido, portanto, o valor da Cofins de R$19.006,31, referente ao mês de janeiro de 2005, valor esse originalmente declarado e recolhido pela contribuinte. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 2696DF CARF MF
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