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Numero do processo: 10735.003349/2004-02
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Sat Feb 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
APLICAÇÕES FINAM. INDEFERIMENTO. REQUISITOS EXIGIDOS. CONTRADITÓRIO.
Se o lançamento se calcou em recolhimento a menor de IRPJ devido a excesso de destinação ao FINAN, mas o contribuinte ainda poderia, no âmbito administrativo, contestar o indeferimento do incentivo fiscal, deve lhe ser franqueado o contraditório acerca dessa questão.
Simples extratos, com apontamentos genéricos e não elucidativos, não têm o condão de suprir esta exigência, devendo ser esclarecido ao contribuinte claramente os fatores impeditivos à opção, com reabertura do prazo de defesa.
Numero da decisão: 9101-002.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Luís Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez e, no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO DE FREIRAS BARRETO
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator.
EDITADO EM: 19/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martínez López (Vice-Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rego, Luís Flávio Neto, André Mendes de Moura, Lívia de Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araújo e Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado).
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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INDEFERIMENTO. REQUISITOS EXIGIDOS. CONTRADITÓRIO. Se o lançamento se calcou em recolhimento a menor de IRPJ devido a excesso de destinação ao FINAN, mas o contribuinte ainda poderia, no âmbito administrativo, contestar o indeferimento do incentivo fiscal, deve lhe ser franqueado o contraditório acerca dessa questão. Simples extratos, com apontamentos genéricos e não elucidativos, não têm o condão de suprir esta exigência, devendo ser esclarecido ao contribuinte claramente os fatores impeditivos à opção, com reabertura do prazo de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Luís Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez e, no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO DE FREIRAS BARRETO (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator. EDITADO EM: 19/02/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 33 49 /2 00 4- 02 Fl. 315DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martínez López (VicePresidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rego, Luís Flávio Neto, André Mendes de Moura, Lívia de Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araújo e Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado). Relatório Tratase de recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão 120100.204, exarado pela 2ª Câmara – 1ª Turma, que deu provimento parcial ao recurso voluntário que analisou lançamento de IRPJ relativo a excesso de destinação ao FINAM e pugnou por determinar a remessa dos autos à unidade de origem a fim de que “seja procedida a intimação ao sujeito passivo do ato de indeferimento do beneficio pleiteado, reabrindose o contraditório a partir de então, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado”. Objeto de embargos o referido Ac. restou inalterado, cf. 120100.571, exarado em 05 de agosto de 2011 pela mesma 2ª C. da 2ª T. da 1ª Seção do CARF. O acórdão foi assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício:2000 Ementa: CONTRADITÓRIO Se o lançamento se calcou em recolhimento a menor de IRPJ devido a excesso de destinação ao FINAM, mas o contribuinte ainda poderia, no âmbito administrativo, contestar o indeferimento do incentivo fiscal, deve lhe ser franqueado o contraditório acerca dessa questão. Consoante consta dos autos, o lançamento perpetrado decorreu de “excesso de destinação ao FINAM, no valor de R$ 689.677,97” (TVF – fls. 90 – numeração digital), advindo, daí, a glosa fiscal e a conseqüente constituição do crédito tributário. Autuada, a contribuinte apresentou impugnação inaugural à DRJ na qual, além de expor seus argumentos, sustentou que “não recebeu o extrato de apuração de incentivos fiscais” (fls. 103 – nd). A Autoridade Julgadora de 1º Piso, apesar de alertar a existência, nos autos, de comprovante de entrega dos “extratos” (“AR” de fls. 137), entendeu por determinar o retorno do processo à Unidade de Origem para cientificar o sujeito passivo da existência do “AR” e reabrir o prazo para aditamento da peça impugnatória; transcorrido o trintídio, nada foi apresentado pela autuada, de modo que o julgamento prosseguiu, com mantença do lançamento, tendo a decisão a quo sustentado que: i) “o art. 60 da Lei n° 9.069, de 29 de julho de 1995, base legal do parágrafo único do art. 614 do RIR11999 anteriormente transcrito, determina que a concessão ou reconhecimento de benefícios fiscais é condicionado à comprovação, pelo contribuinte, da quitação de tributos e contribuições federais”; que, ii) “dos autos, constatase que a interessada nada alega a respeito das pendências verificadas, não restando comprovada, portanto, a sua regularidade fiscal e cadastral, o que, conseqüentemente, obsta o reconhecimento do incentivo fiscal”; e que, Fl. 316DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10735.003349/200402 Acórdão n.º 9101002.222 CSRFT1 Fl. 3 3 iii) “Assim, ainda que superada a não apresentação tempestiva do PERC, constatase que não foram afastadas as ocorrências apontadas”. No Voluntário, a contribuinte reafirma manifestações anteriores, insiste que não teria recebido o extrato, alega que “o que há nos autos é uma cópia simples do A.R. que teria sido postado a Recorrente (sem qualquer comprovante de seu recebimento)”, reclama que, “nunca teve acesso a uma descrição pormenorizada dos débitos que impediam a fruição do beneficio fiscal (art. 60, da Lei n°. 9.065/95), o que certamente cerceou o seu direito fundamental ao devido processo legal, a ampla defesa e ao contraditório”, e sustenta que “não cabe ao contribuinte provar que não infringiu as normas! Cabe ao agente fiscalizador comprovar as infrações, só efetuando o lançamento do imposto após dita comprovação”. A Turma recorrida, na dicção do Relator, ponderou ser “falacioso” o argumento da autuada de que somente o “AR” não comprovaria ter sido remetido o extrato, mas, acrescenta, “ao compulsar os autos, verifiquei que no referido AR não consta o nome do recebedor, mas apenas uma pequena rubrica e um número de identidade sem qualquer identificação do órgão de emissão. Em suma, não é possível identificar quem recebeu os extratos”, para, a partir desta premissa, concluir que, “a ausência de identificação torna nula a ciência, nulidade esta que deve ser reconhecida ainda que não alegada pela parte” (fls. 224/225). E finalizar para “dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar a remessa dos autos à unidade de origem para que seja procedida a intimação ao sujeito passivo do ato de indeferimento do beneficio pleiteado, reabrindose o contraditório a partir de então”. Irresignada com o R. decisum, a recorrente interpôs o Recurso Especial (fls. 247/251 – nd) ora apreciado, alegando divergências entre o acórdão recorrido e paradigmas que juntou e sustentando, no mérito, a impropriedade do decidido, especialmente por ter o interessado, somente em sede de recurso voluntário, se atido aos argumentos esposados, quedando silente “diante da oportunidade concedida pela DRJ de se pronunciar sobre a ciência contida no AR de fls. 132”, pelo que estarseia frente a “matéria preclusa, a teor do art. 17 do Decreto n" 70.235/72”. Argui, ainda, não se tratar de matéria de ordem pública, de modo que o voto condutor contrariou não só os princípios da eventualidade e do ônus da impugnação específica das questões de fato e de direito, atribuído ao autuado, mas também ao “principio do efeito devolutivo dos recursos, vez que a matéria não foi objeto de apreciação pela autoridade de primeira instância e, logicamente, também não poderia ser apreciada pela autoridade ad quem”. Alega que o prazo para o exercício do PERC é semelhante ao do direito de defesa e que seu silêncio levou à caducidade de tal direito, posto que não exercido no interregno legal. Em contrarrazões de fls. 272/295 (nd), a autuada repisa argumentos e volta a manifestar não ter recebido o extrato e que “quanto à segunda ocorrência, o que exatamente seria a alegada "omissão de DIRF e/ou DITR e/ou DCTF" constante no Extrato juntado aos autos?!?” É o relatório, em síntese apertada. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 4 Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, Relator Entendo que a divergência restou comprovada e por isso conheço do especial. O cerne da discussão está em se definir se a opção feita pelo sujeito passivo em sua DIPJ do exercício/2000, destinando parte do seu Imposto de Renda devido para aplicação no FINAM (18% R$ 689.677,98) deveria ser acatada pela Autoridade Tributária ou se, como ocorreu, estaria correta a glosa do incentivo, conforme citado no “Relatório IRPJ/CONS/SRF — Consulta Declaração — DIPJ 2000 — Ficha 16 — Aplicações em Incentivos Fiscais — Valor Emitido” (fls. 85 – numeração digital), que levou ao lançamento aqui apreciado. O tema foi objeto de análise pela DRJ, mas acabou por ser não enfrentado pela Turma recorrida, que entendeu por devolver os autos à unidade de origem para que procedesse à “intimação ao sujeito passivo do ato de indeferimento do beneficio pleiteado, reabrindose o contraditório a partir de então”. Para chegar a tal entendimento, o voto condutor pontuou que: A jurisprudência administrativa e judicial é pacifica no sentido de que basta a entrega postal dos atos administrativos no domicilio do interessado para caracterizar a sua ciência. Não é necessário que o recebedor tenha poderes expressos para tal. Isso se presume. Essa presunção, contudo, é relativa. Pode ser infirmada se a parte fizer prova de que o recebedor não guarda qualquer relação com o interessado. (...) No meu entender, a ausência de identificação torna nula a ciência, nulidade esta que deve ser reconhecida ainda que não alegada pela parte. Poderíamos, porém, considerar, na linha da argumentação da defesa recorrida, que, uma vez expirado o prazo para o pedido de revisão do incentivo, o interessado estava ciente de seu indeferimento; na verdade, teria perecido seu direito ao beneficio e assim o valor recolhido a esse titulo teria reduzido indevidamente o recolhimento do imposto do período. Como a autuação foi promovida após esse momento, seus fundamentos não estariam maculados pela falha da ciência. Nada obstante, a jurisprudência deste Colegiado é no sentido de que o contribuinte possui o prazo de 5 (cinco) anos equivalente ao prazo de repetição do indébito para pleitear a revisão dos incentivos fiscais e tal lapso temporal não estava esgotado no momento da autuação. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10735.003349/200402 Acórdão n.º 9101002.222 CSRFT1 Fl. 4 5 Pois bem, com a devida vênia, penso que o tema principal a ser enfrentado, conforme reconheceu a decisão recorrida, vai além do fato de a contribuinte não ter se manifestado após o prazo reaberto pela unidade de origem, a mando da DRJ, ou se efetivamente foi intimado, mas a questão do esclarecimento dos motivos que levaram à glosa que originou o lançamento. Vejase que de acordo com o que é possível extrair, das informações presentes nos autos, dois “poderiam” ser os motivos determinantes da glosa levada a efeito pelo Fisco e que acabaram por gerar o lançamento realizado, a saber, a) o cálculo equivocado do benefício, ou seja, mero erro matemático; ou, b) infração aos ditames do artigo 60, da Lei nº 9.069/1995 (base legal do art. 614, parágrafo único do RIR/1999). Na primeira hipótese (embora não haja definição clara por parte do Fisco sobre este isso), o eventual “erro” seria de pequena monta, reconhecido literalmente pela autuada, e que afetaria o lançamento em apenas R$ 4.500,00 (contrarrazões – fls. 276). Na segunda, que me parece o tomo central da sustentação do lançamento, a autuada estaria na posição de devedora de tributos e contribuições sociais, o que levaria, a teor do artigo 60, da Lei citada, à não aceitação do benefício fiscal pleiteado. A propósito, mencionado dispositivo: Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Neste eito, como não é possível vislumbrar, objetivamente, qualquer oposição por parte do Fisco ao cálculo feito pela autuada em sua DIPJ e que pudesse levar à glosa, é lícito presumir que o empecilho seja débito para com a Fazenda Pública à época do exercício da opção (Declaração IRPJ/2000 anocalendário/1999). Tal presunção é ainda mais fortalecida pelas esparsas e imprecisas informações constantes no processo e que têm, no documento de fls. 80 (numeração manual – 85 – numeração digital), seu ápice (atentandose que tal “Ficha”, extraída dos sistemas internos da RFB, foi a “base” para o lançamento perpetrado). Vejase na reprodução abaixo: Fl. 319DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 6 Deveras, como bem alertado pela defesa da contribuinte, o que significaria, em termos concretos e precisos, "omissão de DIRF e/ou DITR e/ou DCTF" constante no Extrato juntado aos autos?!?” (fls. 294). De fato, se esta frase incorpora a possibilidade de o contribuinte ser devedor junto ao Tesouro Nacional e por isso sua opção de aplicar parte do seu IRPJ em quotas do FINAM não pôde ser validada, óbvio que esta condição deveria estar expressa, literal e claramente estampada em uma preliminar intimação do Fisco ou mesmo quando da lavratura do auto de infração, de modo a propiciar, ao autuado, o pleno exercício de seu inalienável e constitucional direito de defesa, não sendo permitido que a acusação fique na nebulosidade. Não foi que ocorreu. Neste cenário, penso ser irrelevante se o prazo para manifestação da contribuinte já teria se esgotado, como alega a recorrente no RE, às fls. 250/251 (“convém registrar que o prazo para o exercício do PERC assemelhase ao prazo para o exercício do direito de defesa (...). O contribuinte tomou conhecimento da situação que ensejaria o PERC em 23/09/2002 (AR de fls. 132), mas permaneceu inerte durante o prazo de 30 dias (...). Portanto, no momento em que ocorreu a ciência do Auto de Infração em 28/12/2004 (...) já havia acabado o prazo para que ele refutasse a denegação do incentivo”). Igualmente irrelevante o enunciado pela defesa: “há muito tempo este Eg. CARF pacificou o entendimento de que não existe prazo para a apresentação do PERC, devendo ser analisado caso a caso qual será o prazo para eventual apresentação do referido Pedido de Revisão” (fls. 289). O que é relevante, no caso, é saberse, de modo claro, quais os motivos da denegação do incentivo, ou seja, se foram cálculos matemáticos equivocados ou se o motivo foi a existência de débitos da autuada junto ao Tesouro Nacional. Porque, inquestionável, o "Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais" (cópia fls. 211/212) não apresenta qualquer informação mais precisa, limitandose a dizer que há “erro na apuração da BC na Declaração” e “Contribuinte com débitos de Tributos e Contribuições Federais”. Vejase: Fl. 320DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10735.003349/200402 Acórdão n.º 9101002.222 CSRFT1 Fl. 5 7 Portanto, em um ou outro caso, é ônus do Fisco demonstrar, explicitamente, as condições impeditivas, no primeiro apontando eventuais cálculos errôneos que possam ter ocorrido e, em contrapartida, os que seriam corretos e no segundo, disponibilizando listagem completa dos débitos existentes no período referente à DIPJ no qual se deu a opção pelo incentivo, permitindo, assim, ao acusado, defenderse de forma plena daquilo que lhe é impingido. Lembro, por importante, o teor da Súmula CARF nº 37, pertinente ao caso: Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Assim, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial e manter a decisão recorrida, para determinar a remessa dos autos à Unidade de Origem para que seja procedida a intimação ao sujeito passivo do ato de indeferimento do beneficio pleiteado, reabrindose o contraditório a partir de então, se for o caso, na hipótese do contribuinte postular novo julgamento pela DRJ; determinando também que a mesma Unidade, na mesma intimação, explicite de maneira objetiva os motivos do indeferimento da opção. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Fl. 321DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10680.723568/2010-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso interposto intempestivamente não pode ser conhecido por este Colegiado, em razão de carência de requisito essencial de admissibilidade, eis que interposto após exaurimento do prazo normativo.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2401-004.057
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário, pela perda do seu objeto, em razão da sua apresentação intempestiva.
Maria Cleci Coti Martins Presidente-Substituta de Turma.
Arlindo da Costa e Silva Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (Presidente-Substituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva.
Declarou-se impedida a Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini em razão de haver participado do julgamento da Impugnação ao presente lançamento, em grau de Primeira Instância Administrativa.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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NÃO CONHECIMENTO. O recurso interposto intempestivamente não pode ser conhecido por este Colegiado, em razão de carência de requisito essencial de admissibilidade, eis que interposto após exaurimento do prazo normativo. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário, pela perda do seu objeto, em razão da sua apresentação intempestiva. Maria Cleci Coti Martins – PresidenteSubstituta de Turma. Arlindo da Costa e Silva – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (PresidenteSubstituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva. Declarouse impedida a Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini em razão de haver participado do julgamento da Impugnação ao presente lançamento, em grau de Primeira Instância Administrativa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 35 68 /2 01 0- 24 Fl. 1309DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Relatório Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 Data da lavratura do AIOP: 27/09/2010. Data da Ciência do AIOP: 04/10/2010. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.278.8220, consistentes em contribuições sociais a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração paga, creditada ou devida a segurados empregados e a segurados contribuintes individuais, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 106/138. Consta no relatório fiscal que os fatos geradores para os quais foram lançadas contribuições são: pagamentos de alugueis de veículos de empregados (código de levantamento AE); despesas de viagem sem comprovação (levantamento DV1); pagamento de aluguéis de veículos de pessoas físicas contribuintes individuais (levantamento AF1); pagamentos efetuados a pessoas físicas, contribuintes individuais, identificados na contabilidade da empresa e não incluídos em folhas de pagamentos (levantamento CI1); pagamentos a empregados não constantes das folhas de pagamento (levantamento EF1); fornecimento de valetransporte a empregados em desacordo com legislação própria (levantamento VT1) e; glosa parcial de retenção de 11% para a seguridade social informada em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP (levantamento RE1). Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo ofereceu impugnação a fls. 484/511. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG baixou o feito em diligência para que a Autoridade Lançadora se pronunciasse a respeito de questões controvertidas do lançamento, conforme Despacho de Diligência a fls. 1192/1196. Em atendimento à diligência requestada, a Autoridade Lançadora emitiu Relatório Fiscal Complementar a fls. 1211/1216. Em face do conteúdo do Relatório Fiscal Complementar acima mencionado, o Sujeito Passivo apresentou aditamento à impugnação a fls. 1219/1242. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 0252.809 – 8ª Turma da DRJ/BHE, a fls. 1244/1259, julgando procedente em parte o lançamento em debate, e retificando o Crédito Tributário na forma exposta no Discriminativo Analítico de Débito Retificado a fls. 1261/1270. Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10680.723568/201024 Acórdão n.º 2401004.057 S2C4T1 Fl. 1.309 3 O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 10/03/2014, conforme Intimação DRF/BHE/MG nº 0022/2014 , a fl. 1272, e Aviso de Recebimento a fl. 1273. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, em 11/04/2014, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 1275/1297, requerendo ao fim a nulidade e o cancelamento do Auto de Infração. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 10/03/2014, segundafeira, dia útil, conforme Intimação DRF/BHE/MG nº 0022/2014 , a fl. 1272, e Aviso de Recebimento, a fl. 1273. Nos Processos Administrativos Fiscais que tratam da constituição de crédito tributário de natureza previdenciária, a matéria pertinente ao oferecimento de recursos administrativos foi confiada à Lei nº 8.213/91, a qual concedeu ao sujeito passivo o prazo de 30 dias para o oferecimento, ao órgão julgador de 2ª instância, de bloqueio em face de decisão de 1º grau que lhe tenha sido desfavorável. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528/97) Regulamento da Previdência Social/ Decreto n° 3.048/99 Art. 305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social e da Secretaria da Receita Previdenciária nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social, respectivamente, caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento do CRPS. (Alterado pelo Decreto nº 6.03/2007) §1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarrazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Cumpre trazer à baila que os processos administrativos fiscais relativos aos créditos em fase de constituição foram transferidos, por força do art. 4º da Lei nº 11.457/2007, para a Secretaria da Receita Federal do Brasil, cujo iter procedimental passou a ser regido, desde então, pelo rito fixado pelo Decreto nº 70.235/72, em atenção às disposições insculpidas no art. 25 daquele Diploma Legal. Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10680.723568/201024 Acórdão n.º 2401004.057 S2C4T1 Fl. 1.310 5 Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007. Art. 2º Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. (...) Art. 3º As atribuições de que trata o art. 2º desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicando se em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. (...) Art. 4º São transferidos para a Secretaria da Receita Federal do Brasil os processos administrativofiscais, inclusive os relativos aos créditos já constituídos ou em fase de constituição, e as guias e declarações apresentadas ao Ministério da Previdência Social ou ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, referentes às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º desta Lei. Art. 25. Passam a ser regidos pelo Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972: I a partir da data fixada no §1º do art. 16 desta Lei, os procedimentos fiscais e os processos administrativofiscais de determinação e exigência de créditos tributários referentes às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º desta Lei; II a partir da data fixada no caput do art. 16 desta Lei, os processos administrativos de consulta relativos às contribuições sociais mencionadas no art. 2º desta Lei. §1º O Poder Executivo poderá antecipar ou postergar a data a que se refere o inciso I do caput deste artigo, relativamente a: I procedimentos fiscais, instrumentos de formalização do crédito tributário e prazos processuais; II competência para julgamento em 1a (primeira) instância pelos órgãos de deliberação interna e natureza colegiada. §2º O disposto no inciso I do caput deste artigo não se aplica aos processos de restituição, compensação, reembolso, imunidade e isenção das contribuições ali referidas. §3º Aplicamse, ainda, aos processos a que se refere o inciso II do caput deste artigo os arts. 48 e 49 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 Ao dispor sobre prazos, o antecitado Decreto nº 70.235/72 determinou que os prazos recursais devem ser contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Estatuiu, igualmente, que os prazos recursais só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. É mister salientar, por relevante, que o art. 6º do referido Decreto concedia à autoridade preparadora, em circunstâncias especiais, a faculdade de acrescer de metade o prazo para a impugnação da exigência. Tal prerrogativa, contudo, lhe foi excluída pela lei nº 8.748/1993, que expressamente revogou o mencionado art. 6º, em sua integralidade, de molde que, a contar de então, não mais dispõe a referida autoridade de poder discricionário para prorrogar os prazos recursais. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 6º A autoridade preparadora, atendendo a circunstâncias especiais, poderá, em despacho fundamentado: (Revogado pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos) I acrescer de metade o prazo para a impugnação da exigência; (Revogado pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) II prorrogar, pelo tempo necessário, o prazo para a realização de diligência. (Revogado pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos) No presente caso, o sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da Decisão de Primeira Instância Administrativa em 10/03/2014, segundafeira, dia útil, conforme Intimação DRF/BHE/MG nº 0022/2014, a fl. 1272, e Aviso de Recebimento, a fl. 1273, iniciandose, por conseguinte, a fluência do trintídio recursal na terçafeira imediatamente seguinte, digase, no dia 11/03/2014, dia útil. Sendo de 30 dias contínuos o prazo para o oferecimento de recurso voluntário, este se encerraria aos 09 dias do mês de abril do mesmo ano, inclusive, quartafeira, dia útil. Salientese, de maneira a nocautear qualquer dúvida, que o prazo recursal é contínuo, não sendo suspenso ou interrompido por fins de semana ou feriados nacional, estadual ou municipal, salvo se estes coincidirem com a data de início ou de término do referido prazo, o que não ocorre no caso em apreço. Nesse contexto, o dies a quo do aludido prazo recursal recaiu, para todos os efeitos jurídicos, exatamente, no dia 11/03/2014, o que implica na fixação do dia 09/04/2014 como o dies ad quem para a protocolização do competente Recurso Voluntário. Tal circunstância é corroborada pelos extratos do SICOB a fls. 1304 e 1305, os quais informam o prazo recursal compreendendo o horizonte temporal de 10/03/2014, data de ciência da Decisão de 1ª Instância, até 09/04/2014, data de expiração do prazo para a interposição de eventual Recurso Voluntário. No caso vertente, havendo sido o Recurso Voluntário protocolizado, tão somente no dia 11/04/2014, sextafeira, dia útil, como assim denuncia o Carimbo de Protocolo da DRF/Belo Horizonte aposto no canto superior esquerdo da Folha de Rosto do Instrumento Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10680.723568/201024 Acórdão n.º 2401004.057 S2C4T1 Fl. 1.311 7 Recursal, a fl. 1275, há que se reconhecer, portanto, a intempestividade do recurso interposto, fato que impede o seu conhecimento por parte deste Colegiado. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no art. 63, I, da Lei nº 9.784/99, a qual estabelece normas básicas sobre o processo administrativo no âmbito da Administração Federal direta e indireta, visando, em especial, à proteção dos direitos dos administrados e ao melhor cumprimento dos fins da Administração. Lei nº 9.784 , de 29 de janeiro de 1999. Art. 63. O recurso não será conhecido quando interposto: (grifos nossos) I fora do prazo; (grifos nossos) II perante órgão incompetente; III por quem não seja legitimado; IV após exaurida a esfera administrativa. §1º Na hipótese do inciso II, será indicada ao recorrente a autoridade competente, sendolhe devolvido o prazo para recurso. §2º O não conhecimento do recurso não impede a Administração de rever de ofício o ato ilegal, desde que não ocorrida preclusão administrativa. Nas circunstâncias do caso em apreciação, o não oferecimento de Recurso no prazo normativo implica o trânsito em julgado da decisão de 1ª instância, tornandoa definitiva no âmbito administrativo, a teor dos artigos 22 e 26, I, ‘a’, da Portaria RFB nº 10.875/2007, sob cuja égide sucederam os fatos jurídicos em realce. Portaria RFB nº 10.875, de 16 de agosto de 2007 Art. 22. Decorrido o prazo sem que o recurso tenha sido interposto, será o sujeito passivo cientificado do trânsito em julgado administrativo e intimado a regularizar sua situação no prazo de trinta dias, contados da ciência da intimação. (grifos nossos) Parágrafo único. Esgotados os meios de cobrança amigável, o processo será encaminhado ao órgão competente para inscrição em DAU. Art. 26. São definitivas as decisões: I de primeira instância: a) depois de esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (grifos nossos) b) na parte que não foi objeto de recurso voluntário e não estiver sujeita a recurso de ofício; c) quando não couber mais recurso; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 8 §1º Na hipótese da alínea "a" do inciso I do caput, o trânsito em julgado administrativo darseá no primeiro dia útil seguinte ao término do prazo para apresentação de recurso voluntário. (grifos nossos) §2º Na hipótese da alínea "b" do inciso I do caput, o trânsito em julgado administrativo, relativamente à parte não recorrida, darseá no primeiro dia útil seguinte ao término do prazo para apresentação de recurso voluntário. §3º Nos julgamentos em que não couber mais recurso, o trânsito em julgado ocorre com a ciência da decisão ao sujeito passivo. §4º Nos casos de interposição dos recursos previstos no art. 56 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, o trânsito em julgado da decisão somente ocorrerá após a ciência da nova decisão ao sujeito passivo. Óbvio está que os selecionados dispositivos da Portaria MPS em realce não ousaram ultrapassar o âmbito da norma que rege a matéria ora em relevo, sendo, antes, desta, mero reflexo, conforme se vos segue: Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (grifos nossos) II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Por tais razões, pugnamos pelo não conhecimento do presente Recurso Voluntário, por falta de requisito essencial para a sua admissibilidade. 2. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do Recurso Voluntário, em virtude de sua apresentação intempestiva. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 1316DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10680.723568/201024 Acórdão n.º 2401004.057 S2C4T1 Fl. 1.312 9 Fl. 1317DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
score : 1.0
Numero do processo: 12448.725406/2014-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece de recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2201-002.866
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente Substituto.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa Da Cruz. Ausente, Justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior (Presidente).
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah - Presidente Substituto. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa Da Cruz. Ausente, Justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior (Presidente).
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INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa Da Cruz. Ausente, Justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 54 06 /2 01 4- 32 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 12448.725406/201432 Acórdão n.º 2201002.866 S2C2T1 Fl. 84 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 19ª Turma da DRJ/RJO (Fls. 48), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Tratase de impugnação protocolizada pelo interessado, contra Lançamento de Ofício nº 2012/953692994237729 relativo ao Exercício de 2012 Ano Calendário 2011 que resultou em crédito tributário no montante de R$ 7.589,27 , sendo R$ 4.034,06 de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar (código de receita 2904), R$ 3.025,54 de Multa de Ofício e de R$ 529,67 de Juros de Mora, calculados até 30/12/2013, conforme Notificação de Lançamento fls. 07/11. A Descrição dos Fatos e o Enquadramento Legal encontramse detalhados no Demonstrativo de fl. 09, versando sobre a infração de Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica. O contribuinte tomou ciência da Notificação de Lançamento em 04/06/2014 de acordo com o Aviso de Recebimento de fl. 30, tendo protocolizado a impugnação de fls. 02/05 em 30/06/2014, onde consta: Com relação a infração de Omissão de Rendimentos recebidos da pessoa jurídica Fundação de Assistência e Previdência Social do BNDES – FAPES CNPJ 00.397.695/000197 no valor de R$ 270.167,84 (fl. 09), o interessado afirmou: que é aposentado do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e participante assistido da Fundação de Assistência e Previdência Social do BNDES (FAPES) desde 18/06/2010 e do INSS desde 11/09/2008. que já aposentado em julho de 2013 teve diagnoticada Cardiopatia Isquêmica Grave por doença aterosclerótica coronariana com início em atestado em 18/02/1997. Que anexa Laudos Médicos. que foi submetido a angioplastias com colocação de stent´s em 2002, 2006 e 2013 (CID I25 5) que sendo portador de moléstia grave, seus proventos tornaramse passíveis de isenção da tributação do Imposto de Renda na Fonte, sendo que a referida isenção só foi requerida a fonte pagadora em julho de 2013 após os cumprimentos exigidos para a efetivação do pedido. que apresentou Declarações de Ajuste Anuais Retificadoras referentes aos exercícios de 2013, 2012 e 2011 realocando os rendimentos de aposentadoria no campo pertinente a “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis – Moléstia Grave”. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 12448.725406/201432 Acórdão n.º 2201002.866 S2C2T1 Fl. 85 3 que o Resultado da Solicitação de Retificação de Lançamento – SRL, de 26/05/2014 negou seu direito: “Data de início da moléstia grave: 23/07/2013. Requerimento de Isenção de IRPF e Laudo Médico emitido em 23/07/2013, atestando ser o contribuinte portador de moléstia grave, neste documento não é apontada a data de início da moléstia grave, e portanto não sendo possível reconhecer a retoatividade da moléstia em relação a data de emissão do referido Laudo.”(fl. 06) solicita a restituição do IRRF referente ao Exercício 2012 Ano Calendário 2011 no valor de R$ 52.299,89 reajustado monetariamente. solicita o cancelamento do crédito tributário pertinente a Notificação de Lançamento (R$ 7.589,27) O contribuinte anexou aos autos as cópias de documentos constantes das fls. 14/24. Passo adiante, a 19ª Turma da DRJ/RJO entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. Somente são isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores das moléstias enumeradas no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações. A moléstia deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do Laudo Pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. O direito à isenção do imposto sobre a renda da pessoa física portadora de moléstia grave aplicase aos períodos identificados em laudo pericial médico e a proventos que sejam comprovadamente decorrentes de aposentadoria, reforma ou pensão. Cientificado em 22/06/2015 (Fls. 59), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 28/07/2015 (fls. 62 e 63). Anexou cópia dos seguintes documentos: 1 cópia da carteira de identidade; 2 Declaração da Fundação de Assistência e Previdência Social do BNDES com data de 22112013; 3 Carta de concessão de aposentadoria por tempo de contribuição INSS; 4 – Laudo médico do Hospital Centro Municipal de Saúde Dom Helder Câmara, com data de 23072013; Fl. 86DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 12448.725406/201432 Acórdão n.º 2201002.866 S2C2T1 Fl. 86 4 5 Laudo médico do Hospital Centro Municipal de Saúde Dom Helder Câmara, com data de 18062014; 6 Carta DEPREV/GEMAB n° 239/2013, comunicando a cessação da retenção do IR na fonte; 7 Comprovante de rendimentos da Fundação de Assistência e Previdência Social do BNDES; 8 Comprovante de rendimentos do BNDES Participações S. A.; 9 Requerimento para prioridade no pagamento de restituição de pessoas físicas doença grave; É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Do exame dos autos verificase que existe uma questão prejudicial à análise do mérito da presente autuação, relacionada com a preclusão do prazo para interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O contribuinte foi intimado da decisão de Primeira Instância, encaminhada ao seu endereço, via correio, em 22/06/2015 conforme fls.59. A peça recursal somente foi protocolizada em 28/07/2015, conforme atesta documento de fls. 62 a 63, portanto, fora do prazo fatal que seria em 22/07/2015, quintafeira. Nos termos do artigo 33 do Decreto n 70.235/1972, que regula o processo administrativo fiscal, o prazo para interposição do recurso é de trinta dias, a contar da ciência da decisão da DRJ; in verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Caberia ao recorrente adotar medidas necessárias ao fiel cumprimento das normas legais, observando o prazo fatal para interpor a peça recursal. Assim, não se conhece de recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Nestes termos, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, por intempestivo. Assinado digitalmente Fl. 87DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 12448.725406/201432 Acórdão n.º 2201002.866 S2C2T1 Fl. 87 5 Carlos César Quadros Pierre Fl. 88DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001760/2009-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 14 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.570
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por UNANIMIDADE de votos, em converter o julgamento em diligência.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cassio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira.
Compareceram à sessão de julgamento os advogados Guilherme de Assis, OAB/SP nº 274444, e César Manzione, OAB/SP nº 306409.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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decisao_txt : ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por UNANIMIDADE de votos, em converter o julgamento em diligência. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cassio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira. Compareceram à sessão de julgamento os advogados Guilherme de Assis, OAB/SP nº 274444, e César Manzione, OAB/SP nº 306409.
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CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cassio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira. Compareceram à sessão de julgamento os advogados Guilherme de Assis, OAB/SP nº 274444, e César Manzione, OAB/SP nº 306409. RELATÓRIO Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Inicialmente, cabe esclarecer que, em razão deste processo administrativo ter sido digitalizado e materializado na forma eletrônica, todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo digital. Tratase de Auto de Infração lavrado para o lançamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, constituindose os respectivos créditos tributários, em desfavor da contribuinte epigrafada, no RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 01 76 0/ 20 09 -1 7 Fl. 2776DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 11/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.001760/200917 Resolução nº 3201000.570 S3C2T1 Fl. 2.777 2 montante total de R$ 805.347,39 (oitocentos e cinco mil, trezentos e quarenta e sete reais, trinta e nove centavos), consolidado na data do lançamento, conforme demonstrativo de fl. 1. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 663/670), a Fiscalização narra os fatos destacados a seguir. O procedimento fiscal teve início em 21/11/2007, com o fito de verificar a regularidade dos créditos de IPI apropriados pela fiscalizada nos anoscalendário de 2003 e 2004. Constatada a existência de creditamento sob a rubrica “Outros Créditos”, a fiscalizada foi instada a justificar a apropriação, manutenção e uso dos referidos créditos, bem como a apresentar a documentação hábil que lhe deu suporte. De acordo com a fiscalizada, houve erro de classificação fiscal na saída de mercadorias do estabelecimento industrial, gerando, indevidamente, débitos de IPI, cujo ônus foi suportado pela própria empresa, o que caracterizou pagamento indevido. Os erros aconteceram em virtude de implantação de novo sistema informatizado de emissão e controle de notasfiscais. Os estabelecimentos adquirentes de produtos da empresa fiscalizada, relativamente aos créditos apropriados em 2004, declararam não terem se aproveitado dos créditos do IPI indevido, autorizando o estabelecimento vendedor a creditarse do IPI em seu lugar. No entanto, tais declarações, sozinhas, podem servir apenas como controle interno das empresas, mas não são hábeis para a comprovação pretendida. Por parte dos adquirentes, deveria ser apresentada cópia autenticada: (a) das notas fiscais com carimbo de comprovação da efetiva entrada dos produtos em seu estabelecimento industrial; (b) das páginas do Livro de Entradas e de Apuração do IPI nas quais foram registrados os eventos de entrada; (c) das páginas do Livro de Saídas e de Apuração do IPI nas quais foram registrados os eventos de saídas e o “estorno” do crédito; (d) dos registros desses documentos nos livros contábeis, onde se comprove o real pagamento (ônus financeiro) cometido a favor de Siemens Ltda, com cópia de duplicata quitada e extrato bancário, se for o caso. Por parte da interessada, deveria ser apresentada cópia autenticada: (a) das páginas do Livro de Saídas e de Apuração do IPI nas quais foram registrados os eventos de saídas; (b) das páginas do Livro de Entradas e de Apuração do IPI nas quais foram registrados os eventos de entradas e o “crédito” recebido; (c) das páginas dos livros contábeis onde o beneficiado com o crédito tenha registrado, de forma inequívoca, os valores recebidos dos clientes outorgantes; (d) outros documentos que comprovem o recebimento dos valores, bem como seus respectivos registros contábeis e fiscais. Não havendo comprovação da regularidade dos créditos, estes foram glosados e a escrita reconstituída, resultando em saldos devedores objeto do presente auto de infração. Fl. 2777DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 11/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.001760/200917 Resolução nº 3201000.570 S3C2T1 Fl. 2.778 3 Anteriormente, houve também, em dezembro de 2008, a lavratura de auto de infração do IPI pelo mesmo motivo (glosas de créditos apropriados sob a rubrica “Outros Créditos”). Regularmente cientificada do lançamento em 27/05/2009, a interessada apresentou a impugnação de fls. 682/708. Aduziu em sua defesa as razões resumidamente expostas a seguir. 1 Expiração do prazo de validade do MPF. Um dos princípios que devem ser obedecidos em todos os atos praticados pela Administração Pública é o princípio de legalidade. Para a Administração Pública, este princípio possui duas vertentes: a de que esta apenas pode praticar os atos previstos e a de que ela deve obedecer estritamente às normas vigentes. Um desdobramento deste princípio é o princípio da vinculação dos atos administrativos, que preceitua que quando a lei estabelece requisitos e condições para que um ato administrativo seja praticado, sua validade dependerá do cumprimento destes requisitos. O procedimento de fiscalização caracterizase claramente como ato vinculado, uma vez que é condição para seu início ou continuação a existência de Mandado de Procedimento Fiscal válido durante todo o procedimento. O Mandado de Procedimento Fiscal foi emitido em 21/11/2007 e prorrogado em 19/03/2008, através do “termo de prosseguimento da fiscalização” sendo observado, portanto, o prazo inicial de 120 dias. Entretanto, após essa data, não houve qualquer prorrogação do MPF, que teria vencido em 17/07/2008. Após, em 08/09/2008, foi emitido novo termo de prosseguimento, seguido de outro em 11/11/2008. Assim, considerando que o Auto de Infração apenas foi lavrado em 27 de maio de 2009, a fiscalização foi realizada de maneira ilegal durante quase seis meses. É incabível que se considere procedente auto de infração decorrente de fiscalização manifestamente ilegal e inconstitucional. De fato, com a lavratura do auto de infração ora impugnado, não foi obedecido o princípio da legalidade previsto constitucionalmente, tendo as autoridades fiscais agido de maneira discricionária, não seguindo as próprias normas. 2 Falta de procedimento investigativo por parte da autoridade fiscal. A autoridade fiscal esclareceu que os documentos apresentados pela fiscalizada eram subsidiários aos reais documentos comprovadores do crédito, tendo sido, no momento da lavratura do auto de infração, apontado todos os documentos que supostamente seriam suficientes para a comprovação dos valores escriturados no campo “Outros Créditos”, do Livro de Registro de Apuração do IPI. É de se lembrar que, durante o período de fiscalização, não foram, em momento algum, especificados os documentos que deveriam ser apresentados que, no entendimento da autoridade fiscal, seriam considerados idôneos para comprovar o alegado. Fl. 2778DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 11/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.001760/200917 Resolução nº 3201000.570 S3C2T1 Fl. 2.779 4 Todavia, ao proceder ao lançamento tributário sem a devida “investigação” dos fatos, na medida em que não foram informados quais documentos deveriam ser disponibilizados para comprovar os créditos lançados, a Fiscalização se afastou dos princípios e normas que regulam o ato de lançamento, acarretando, assim, a precariedade e insubsistência da ação fiscal. O auto de infração foi lavrado sem sequer ter havido comprovação ou demonstração da materialidade da suposta infração, limitandose a apontar que os documentos apresentados eram “subsidiários aos ‘reais’ documentos comprovadores do(s) crédito(s)”. Como acusa a impugnante de ter creditado, indevidamente, créditos decorrentes de lançamento a maior no documento fiscal de saída, em razão de erro, a Fiscalização deveria, necessariamente, ter demonstrado que, após uma efetiva investigação e análise de todos os documentos solicitados, o crédito mostrouse indevido, e isso não foi feito. 3 Decadência do crédito tributário. Até a data da lavratura do auto de infração (27/05/2009) decaiu o direito da Fazenda Pública de constituir até 27 de maio de 2004, uma vez que se quedou inerte, permitindo a fluência de lapso temporal de cinco anos. 4 Regularidade dos créditos escriturados. Foi efetivamente constatado que, de fato, houve lançamento a maior em alguns documentos fiscais, ocasionado em razão de equívocos como: classificação fiscal de determinadas mercadorias e erro na emissão da nota fiscal que não refletia a correta ordem de venda, gerando nova base de cálculo do imposto, divergente da real pactuada entre as partes. É certo que o IPI é classificado como imposto indireto, que suporta transferência do encargo financeiro ao adquirente da mercadoria. Assim, diante de tal situação, a impugnante, em total atenção ao disposto no artigo 156 do CTN c/c artigo 7° da Instrução Normativa nº 600, de 28 de dezembro de 2005, informou aos destinatários das mercadorias o erro cometido no documento fiscal, recebendo, assim, carta de não aproveitamento do crédito, o que gerou estorno no livro da impugnante, com conseqüente remessa ao campo “Outros Créditos”. No decorrer da fiscalização, a empresa informou o procedimento adotado, como apresentou, por amostragem, os documentos mencionados. No entanto, a autoridade fiscal, ignorando a regularidade do procedimento adotado, lavrou o auto de infração ao argumento de que os documentos apresentados eram “subsidiários aos ‘reais’ documentos comprovadores do(s) crédito(s) em razão de sua relevância”, sendo certo que cabia à impugnante comprovar a regularidade dos créditos com base nos documentos já retratados anteriormente. Cabe questionar qual base legal justifica que somente aqueles documentos arrolados pela autoridade fiscal podem dar suporte ao Fl. 2779DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 11/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.001760/200917 Resolução nº 3201000.570 S3C2T1 Fl. 2.780 5 creditamento realizado. Não há na legislação fiscal qualquer imposição neste sentido. Na hipótese de constatação de lançamento a maior de IPI no documento fiscal de saída, cabe ao contribuinte, desde que devidamente autorizado pelo destinatário, a restituição do imposto devidamente destacado, independentemente de requerimento à autoridade fiscal. Ao final, a impugnante requer o integral cancelamento do auto de infração, tendo em vista as razões expostas. Por derradeiro, protesta, pela juntada posterior de quaisquer documentos que possam comprovar tudo o quanto foi alegado. Sobreveio decisão da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. IPI NÃO RECOLHIDO EM FACE DE CRÉDITOS NÃO ADMITIDOS PELA LEGISLAÇÃO. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente ao IPI que deixou de ser recolhido pela utilização de créditos não admitidos pela legislação tem sua base legal no art. 173, inciso I, do CTN. COMPENSAÇÃO. ESCRITURAÇÃO DE CRÉDITO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Somente são passíveis de registro na escrita fiscal os créditos concernentes a aquisições de insumos e a devoluções de produtos vendidos, além dos estornos de débitos efetuados dentro do período de apuração, devendo o pagamento indevido ou a maior ser objeto de pedido de restituição ou declaração de compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EXPIRAÇÃO DO PRAZO DE VALIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento administrativo de controle da atividade fiscal, e eventual falta ou imperfeição do instrumento não é capaz de macular o lançamento que atendeu a todos os requisitos fixados no art. 142 do CTN. O lançamento é ato administrativo plenamente vinculado e obrigatório por parte da autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 2780DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 11/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.001760/200917 Resolução nº 3201000.570 S3C2T1 Fl. 2.781 6 COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A PRETENSÃO É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito ou dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito da Fazenda Publica. O contribuinte deve comprovar a existência dos créditos que poderão ser utilizados para deduzir os débitos de IPI apurados. É incabível pretender que deva o Fisco produzir prova negativa da existência do crédito.Inconformados com a decisão, apresentaram os responsáveis, tempestivamente, os presentes recursos voluntários. A contribuinte, tempestivamente, apresenta recurso voluntário frente a esta decisão. É o relatório. VOTO Entre as questões definidas pelo acórdão recorrido encontrase a decadência do crédito tributário, tendo o órgão a quo decidido pela aplicação do artigo 173, I, do CTN devido a ausência de pagamento antecipado, que, caso constatado, conduziria a decisão a aplicação do artigo 150, § 4º, do mesmo CTN. A contribuinte, em seu recurso voluntário, anexa diversos comprovantes de recolhimento visando a comprovar que a premissa do acórdão recorrido estava equivocada. Observo que a matéria já se encontra pacificada nesta casa, tendo em vista a observância obrigatória do entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça nos autos do REsp 973.733 SC (2007/01769940), submetido à sistemática dos recursos repetitivos de que trata o art. 543C do CPC, que possui a seguinte ementa: RECURSO ESPECIAL Nº 973.733 SC (2007/01769940) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 2781DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 11/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.001760/200917 Resolução nº 3201000.570 S3C2T1 Fl. 2.782 7 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, os Ministros da PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça acordam, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Denise Arruda, Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Eliana Calmon e Francisco Falcão votaram com o Sr. Ministro Relator. Brasília (DF), 12 de agosto de 2009 (Data do Julgamento) MINISTRO LUIZ FUX Relator Deixou de ter relevância a verificação da específica natureza do tributo para a verificação do regime decadencial aplicável (art. 150, par. 4º ou art. 173, I do CTN) sendo a Fl. 2782DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 11/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.001760/200917 Resolução nº 3201000.570 S3C2T1 Fl. 2.783 8 identificação do regime definido com base na verificação da existência (ou não) de pagamento do tributo pelo contribuinte no respectivo período de apuração. Diante da divergência de informações constantes dos autos, mostrase necessário que a unidade da RFB que originou o presente processo esclareça se a recorrente, como alega, efetuou ou não recolhimentos, mesmo que parciais, do IPI devido nos períodos de apuração que abarcam o presente lançamento. Diante do exposto, voto pela CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA do presente processo, para que a unidade de origem informe a este colegiado se a recorrente efetuou ou não recolhimentos, mesmo que parciais, referentes ao IPI devido nos períodos de apuração que abarcam o presente lançamento. Realizada a diligência, deverá ser dado vista à recorrente e à PGFN para, em tendo interesse, manifestaremse no prazo de 30 dias. Concluídos os procedimentos, devem os autos retornar a este Colegiado para se prosseguir com o julgamento da lide. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator Fl. 2783DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 11/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 10855.001601/93-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 1992, 1993
RECURSO VOLUNTÁRIO. COFINS. DEPÓSITOS JUDICIAIS. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INAPLICABILIDADE DE MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA.
Realizados depósitos judiciais dos valores discutidos em ação judicial a tempo e modo, verifica-se a suspensão da exigibilidade crédito tributário, nos termos do artigo151, inciso II, do CTN.
Não há fundamentação para aplicação da multa de ofício e juros de mora sobre os valores lançados em face da existência de depósito integral anterior ao lançamento.
Lançamento de ofício é efetuado simplesmente para prevenir a decadência, sendo incabível a aplicação de penalidades. Súmulas CARF nº 5 e 17.
Numero da decisão: 3201-002.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira,Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1976; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 111 1 110 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.001601/9323 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201002.037 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2016 Matéria COFINS Recorrente ANTONIO CLAUDIO DE ARRUDA CAMPOS ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 1992, 1993 RECURSO VOLUNTÁRIO. COFINS. DEPÓSITOS JUDICIAIS. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INAPLICABILIDADE DE MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. Realizados depósitos judiciais dos valores discutidos em ação judicial a tempo e modo, verificase a suspensão da exigibilidade crédito tributário, nos termos do artigo151, inciso II, do CTN. Não há fundamentação para aplicação da multa de ofício e juros de mora sobre os valores lançados em face da existência de depósito integral anterior ao lançamento. Lançamento de ofício é efetuado simplesmente para prevenir a decadência, sendo incabível a aplicação de penalidades. Súmulas CARF nº 5 e 17. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 16 01 /9 3- 23 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 01 /03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 2 Winderley Morais Pereira,Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Sorocaba/SP. Pela clareza e objetividade dos seus termos, adoto como relatório a Informação DRF SOR/EQJUD nº113, de 27 de abril de 2.015, de fls. 107/108, aqui transcrita: “Trata o presente processo de Auto de Infração(fls.38 a 43) lavrado para constituição de débitos de COFINS PA Abril/1992 a Julho/1993 para fins de prevenção quanto ao efeito decadencial previsto pelo artigo 173 do CTN. O crédito tributário foi lançado com a sua exigibilidade suspensa em função da existência de depósitos judiciais efetuados nos autos dos processos 92.00535330 e 92.0063941 0. 2. O contribuinte, através de impugnação tempestiva(fls.45 a 49), alegou: preliminarmente, que os valores dos débitos de COFINS PA Abril/1992 a Julho/1993 eram incertos, “(...)especialmente porque não demonstrada adequadamente a fórmula de cálculo e conversão da suposta dívida, para UFIR.” e que “Indevida é a conversão do valor do tributo e multas, além dos juros, em quantidade de UFIR, visando indexar a totalidade do suposto valor do débito.(...)”; que houve excesso de exação com o lançamento de multa de ofício e juros de mora, tendo em vista a existência de depósitos judiciais integrais e tempestivos realizados. 3. Decisão nº097/94(fls.52 a 54) manteve integralmente o lançamento. 4. O Primeiro Conselho de Contribuintes, por meio da Resolução nº1021.782(fls.64 a 69), converteu o julgamento do Recurso Voluntário de fls.58 a 61, “...para que o processo aguarde na Repartição de origem a decisão judicial, para somente então retornar a este Colegiado, após verificação minuciosa sobre a quitação ou não da exigência com vinculada exigência da penalidade, tudo registrado em relatório circunstanciado.”(destaque nosso). DA ACAO JUDICIAL → 92.00535330 5. Por meio da ação cautelar 92.00535330, Antonio Cláudio de Arruda Campos (MATRIZ CNPJ 55.198.188/000116 e FILIAL – CNPJ 55.198.188/000205) requereu a concessão da liminar para que fosse autorizada a realização do depósito judicial dos valores devidos a título de COFINS, instituída pela Lei Complementar 70/91(fls.05 a 15). 6. Decisão proferida em 01/07/1992 autorizou a realização do depósito ora solicitado(fls.16). 7. Decisão proferida em 23 de agosto de 1994 extinguiu o processo sem julgamento do mérito, nos termos dos artigos 3º e 295, incisos IV e VI do CPC(fls.79/80). Esta decisão transitou em julgado em 14/02/1995. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 01 /03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10855.001601/9323 Acórdão n.º 3201002.037 S3C2T1 Fl. 112 3 → 92.00639410 8. Por meio da ação ordinária 92.00639410, Antonio Cláudio de Arruda Campos(MATRIZ CNPJ 55.198.188/000116 e FILIAL – CNPJ 55.198.188/0002 05) pleiteou quefosse declarada a inexigibilidade das parcelas devidas a título de COFINS, instituída pela Lei Complementar nº70/91(fls.17 a 27). 9. Em 01/11/1995 foi extinto o processo com julgamento do mérito, diante da improcedência do pedido(fls.95). 10. Os autos encontramse arquivados(fls.95). DOS DEPOSITOS JUDICIAIS 11. Por meio do SICALC(fls.99 a 106), imputamos os depósitos de fls.29 a 37 aos débitos de PIS PA Abril/92 a Julho/93 e verificamos que os mesmos são suficientes para liquidar o crédito tributário e foram efetuados anteriormente ao início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. 12. Conforme apuração presente às fls.92(DEPJUD) e de acordo com extrato de fls.90/91, constatase que os depósitos judiciais foram integralmente convertidos em renda da União em 27/10/1998. 13. Diante do todo exposto, atendida à solicitação presente na Resolução nº102 1.782(fls.64 a 69), encaminhese o presente processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais(CARF), nos termos do artigo 49 da Lei 11941/2009 e da Portaria MF 256/2009.” Acrescentase que, em seu Recurso Voluntário de fls. 58/61, o Recorrente alega que "existindo depósito do montante integral do tributo, no prazo de vencimento do tributo, inexiste qualquer direito a penalidade de qualquer espécie". Por fim, cumpre registrar que o presente PAF 10855.001601/9323 decorre de Auto de Infração lavrado em face do estabelecimento matriz da Recorrente (CNPJ 55.198.188/000116), sendo este conexo ao PAF 10855.001600/009361, originário de Auto de Infração lavrado contra o estabelecimento filial (CNPJ 55.198.188/000205). Ambos tem por objeto a exigência da COFINS e possuem mesmos fatos geradores e períodos de apuração. É o relatório. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 01 /03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 4 Voto O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Como se verifica do relato dos fatos, tratase de Auto de Infração lavrado para prevenção de decadência, uma vez que o Recorrente possuia discussão judicial acerca da matéria, tendo realizado os depósitos judiciais dos valores controvertidos. Não é objeto do presente Recurso o mérito da exigência tributária, objeto de decisão judicial já transitada em julgado, tampouco o direito do Fisco de realizar o lançamento fiscal para prevenção da decadência. Está sob análise, tãosomente, a legitimidade dos lançamentos realizados a título de juros de mora e multa de ofício. Conforme atestado pela Fiscalização após diligência solicitada por este Órgão Julgador, os depósitos judiciais realizados pelo Recorrente (i) são suficientes para liquidar o crédito tributário; (ii) foram efetuados anteriormente ao início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo; e (iii) foram integralmente convertidos em renda da União em 10/08/1999. Desse modo, resta claro que não subsiste crédito tributário principal a ser apreciado por esta Turma Julgadora. No que toca aos valores lançados a título de juros de mora e multa de ofício, assiste razão ao Recorrente. Um vez realizados os depósitos judiciais a tempo e modo pelo contribuinte e anteriormente ao lançamento fiscal, ocorre a suspensão da exigibilidade do crédito tributário sob discussão, nos termos do art. 151, II do CTN. Assim, não há falar em mora capaz de suportar o lançamento de juros e multa. É o que resta pacificado pelas Súmulas CARF nº 5 e 17: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Súmula CARF n° 17: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário tempestivamente interposto, para excluir o crédito tributário decorrente dos lançamentos realizados a título de juros de mora e multa de ofício sobre os valores objeto de depósitos judiciais realizados pelo Recorrente, nos termos das Súmulas CARF nº 5 e 17. É como voto. Conselheira Relatora Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 114DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 01 /03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10855.001601/9323 Acórdão n.º 3201002.037 S3C2T1 Fl. 113 5 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 01 /03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 10909.000934/2002-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Dec 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1997
Ementa:
Para que se possa promover a compensação dos pretensos créditos, necessário se faz o preenchimento dos requisitos da liquidez e certeza, nas condições estipuladas por lei.Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3201-001.948
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Charles Mayer de Castro Souza- Presidente.
Mércia Helena Trajano Damorim- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Mércia Helena Trajano Damorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 09 34 /2 00 2- 41 Fl. 308DF CARF MF Impresso em 30/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 7/12/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA 2 Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Tratase de Auto de Infração decorrente de procedimento fiscal de auditoria interna das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF do anocalendário de 1997, emitido contra a interessada acima identificada por falta de pagamento da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, relativa ao terceiro e ao quarto trimestres de 1998, no valor R$ 15.066,87, conforme demonstrativos anexos ao Auto de Infração. A motivação do lançamento (folha 03) consta ser “FALTA DE RECOLHIMENTO OU PAGAMENTO DO PRINCIPAL, DECLARAÇÃO INEXATA”. Extraise do DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS VINCULADOS NÃO CONFIRMADOS (fls. 04/05) que os débitos, com vencimentos em 15/10/1997, 14/11/1997, 15/12/1997 e 15/01/1998, não foram compensados pois o crédito a estes vinculado, referente ao processo de nº 97.20037865, não teria sido comprovado. Inconformada com o lançamento, a contribuinte interpôs impugnação onde alega, que “O imposto PIS com vencimento em 10/10/1997, foi compensado através do processo nº 97.20037865, ao qual (sic) não foi localizado pela SRF”. Ao final, requer o cancelamento do Auto de Infração. Consta dos autos que: a autuada foi intimada pela SARAC/DRF/ITJ a apresentar: relação do faturamento mensal dos períodos de apuração que geraram os créditos de PIS; livros fiscais e balancetes do referido período; demonstrativos de apuração e compensação dos indébitos; e escrituração contábil relativa as compensações alegadas (fl. 37/38); em resposta a esta intimação, a interessada trouxe os documentos à folhas 40 a 141, diante dos quais a EAC 02/DRF/ITJ manifestouse pelo “atendimento precário à intimação, especialmente no que se refere aos documentos necessários para a conferência da formação do alegado crédito decorrente as decisão judicial transitada em julgado”; o processo foi, então, encaminhado para julgamento. É o relatório. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/FNS 0719.236, de 19/03/2010, proferido pelos membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, que manifestou pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito exigido. O respectivo acórdão foi dispensado de ementa, nos termos da Portaria SRF nº 1.364/2004. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 30/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 7/12/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10909.000934/200241 Acórdão n.º 3201001.948 S3C2T1 Fl. 309 3 O julgamento foi no sentido de que as compensações informadas em DCTF não foram concluídas, tendo em vista inexistência de crédito líquido e certo, restando correto o lançamento dos débitos lá declarados. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Solicitando, improcedência da decisão administrativa e do lançamento, na medida em que se operou a extinção desses créditos tributários em decorrência da compensação, a teor do artigo 156, II, do CTN, bem como se operou a decadência do direito de lançar e/ou a homologação tácita das compensações efetuadas em virtude da entrega da DCTF e respectivas compensações e enfim, pleiteia a exclusão da penalidade, nos termos do art. 100 do CTN. Apresenta: Instrumento de Procuração; Contrato Social Consolidado empresa, Precedentes Superior Tribunal de Justiça STJ, documentos sobre a ação judicial e planilhas. O processo foi distribuído a esta Conselheira, de forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Tratase de Auto de Infração decorrente de procedimento fiscal de auditoria interna das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF do anocalendário de 1997, por falta de pagamento da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, relativa ao terceiro e ao quarto trimestres de 1997. A motivação do lançamento consta ser “FALTA DE RECOLHIMENTO OU PAGAMENTO DO PRINCIPAL, DECLARAÇÃO INEXATA”. Extraise do DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS VINCULADOS NÃO CONFIRMADOS que os débitos, com vencimentos em 15/10/1997, 14/11/1997, 15/12/1997 e 15/01/1998, não foram compensados pois o crédito a estes vinculado, referente ao processo de nº 97.20037865 (ação judicial ), não teria sido comprovado. Antes de adentrar no mérito, em sede de preliminar, o recorrente argumenta sobre decadência do lançamento, bem como a questão da homologação tácita das compensações e exclusão da penalidade, por conta do art. 100 do CTN. Preliminares Fl. 310DF CARF MF Impresso em 30/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 7/12/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA 4 Em relação à decadência de lançar, temse que o Auto de Infração do PIS, com identificação 000272, ano calendário 1997 (3° e 4° trimestres de 1997) consta a data de 20/02/2002, bem como à fl. 01, indica como impugnação pessoa jurídica, o qual o recorrente informa que foi notificado do Auto de Infração em 20/03/2002 e esta referida impugnação está datada de 16/04/2002. O prazo sobre decadência tratase de norma geral, matéria de lei complementar. Por sua vez, O Código Tributário Nacional tem status de lei complementar e precisamente nos arts 173 e 150 disciplinam esses prazos. O art. 173 do CTNCódigo Tributário Nacional, dispõe: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Bem como o art. 150, 4º, do mesmo CTN, in verbis: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Em sendo assim, percebese que o prazo mais remoto, cujo vencimento do tributo seria em outubro de 1997, teria a fiscalização o prazo suficiente para lançar, o que o fez em 02/2002 e com ciência em 03/2002, logo, afastase a DECADÊNCIA. Em relação à preliminar da homologação tácita da compensação, que argumenta a recorrente, inicialmente em sede de recurso voluntário. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 30/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 7/12/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10909.000934/200241 Acórdão n.º 3201001.948 S3C2T1 Fl. 310 5 É sabido que nos termos do art. 156 do CTN, a compensação é hipótese de extinção do crédito tributário e está regulada no art. 74 da Lei nº 9.430/96 e redações posteriores. E que passados cinco anos sem a notificação da requerente de decisão das autoridades administrativas acerca das compensações declaradas, consideramse estas tacitamente homologadas, com a extinção definitiva dos créditos tributários compensados, nos termos do artigo 74 e seus parágrafos, da Lei º 9.430/96, no entanto, não é o que ocorreu ao caso. A empresa foi intimada a apresentar diversos demonstrativos de apuração e compensação de indébitos, livros fiscais, balancetes do período em litígio, enfim, não houve inércia por parte da fiscalização, portanto, não há que se falar em homologação tácita. Em derradeiro, não procede a argumentação no sentido de excluir a penalidade por conta do § único do art. 100 do CTN, inclusive matéria tida como preclusa, trazida no recurso voluntário. Alega que não caberia o pagamento de penalidade, por força do art. 100, do CTN, que dispõe: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Enfim, a multa de ofício foi aplicada pela falta de pagamento, ou seja, o lançamento foi efetuado, por força do disposto na Lei nº 9.430, de 1996, art. 44, I, onde é devida a multa punitiva no percentual de 75,0 % do crédito tributário lançado. Portanto, rejeitadas as preliminares, passo ao mérito. Mérito Para que se possa promover a compensação dos pretensos créditos, necessário se faz o preenchimento dos requisitos da liquidez e certeza decorrentes do art. 170 do CTN. E é justamente aqui se esbarra o direito do recorrente. A compensação tributária só ocorre nas condições estipuladas pela lei, entre créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos do sujeito passivo. Inclusive, os decorrentes de ação judicial, como alega a recorrente, porém, só poderia ser utilizado, quando do trânsito em julgado, bem como líquido e certo. Relembrando o que dispõe o art. 170 do CTN: Fl. 312DF CARF MF Impresso em 30/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 7/12/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA 6 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública Destarte, o CTN é expresso ao dispor sobre a permissão da compensação, desde que seja feita com a utilização de créditos líquidos e certos. Pois bem, como está disposto de forma literal no artigo 170 do CTN, a compensação, para ser válida, demanda a existência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional, o que não se verifica no presente caso. O crédito apontado supostamente originário da ação judicial nº 97.20037865, encontrava ainda na fase “aguardando julgamento agravo”, ou seja, ao proceder as compensações informadas nas DCTF ainda não detinha de decisão judicial transitada em julgado que garantisse, de forma líquida, certa e definitiva, o crédito contra a Fazenda Nacional de que se utilizou. À época do lançamento, inclusive, já estava em vigor, desde sua publicação no Diário Oficial da União, em 11/01/2001, a Lei Complementar nº 104, que introduziu ao art. 170 do CTN: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Logo, as compensações não ocorreram de fato, pois, à época da apresentação das DCTF, estava ausente requisito essencial a sua concretização, independentemente de, posteriormente, ter o recorrente reconhecido seu direito creditório na via judicial. Em assim sendo, as compensações informadas em DCTF efetivamente não foram homologadas, portanto, correto o lançamento dos débitos lá declarados. Diante do exposto, afasto as preliminares e NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, prejudicados os demais argumentos. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 313DF CARF MF Impresso em 30/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 7/12/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 10935.002914/2003-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO - INTIMAÇÃO POR EDITAL - NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DE QUE OS MEIOS PARA INTIMAÇÃO PESSOAL E PELO CORREIO RESULTARAM IMPROFÍCUOS.
Verificado nos autos que a fiscalização esgotou os meios normais para ciência pessoal da parte, com base no artigo 23, III, do Decreto n° 70.235, de 1972, considera-se válida a citação feita por edital.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-000.611
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos,em dar provimento ao recurso para considerar válida a intimação editalícia, devolvendo os autos à câmara recorrida para reexame das demais questões suscitadas no recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Moises Giacomelli Nunes da Silva (Relator) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Designado o Conselheiro Julio César Vieira Gomes para redigir o voto vencedor.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Moises Giacomelli Nunes da Silva
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Verificado nos autos que a fiscalização esgotou os meios normais para ciência pessoal da parte, com base no artigo 23, III, do Decreto n° 70.235, de 1972, considera-se válida a citação feita por edital. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiada por maioria de votos,em dar provimento ao recurso para considerar válida a intimação editalicia, devolvendo os autos à câmara recorrida para reexame das demais questões suscitadas no recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Moises Giacomelli Nunes da Silva (Relator) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Designado o Conselheiro Julio César Vieira Gomes para redigir o voto vencedor. I / ' 0 17t- CARLOS ALBER i AFITAS BA • f • ETO - Presidenteen ' ea -1110 MO1SES 4 . 1317 ó ••n - .." •atm S ii SILVA - Relator1 i lir% JULIO ( A • VIEIRA GOMES — Redator-Designado i EDITADO EM: "d 1 MA I 2010 • Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Lourenço Ferreira do Prado (suplente convocado), Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. 2 Processo ri° 10935.002914/2003-79 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-90.611 Fl. 2 Relatório Conforme auto de infração de fls. 203 e seguintes, a parte recorrida foi autuada em face da omissão caracterizada com base em depósito bancário de origem não comprovada, no ano-calendário de 1998. A declaração de imposto de renda da parte recorrida, correspondente ao ano fiscalizado, consta das fls. 19 e seguintes, entregue de forma tempestiva, com imposto a pagar. Segundo relatado no acórdão recorrido, a contribuinte vinha atendendo, com regularidade, as intimações feitas por telefone, ou melhor, os contatos feitos por telefone, para que comparecesse na Delegacia da Receita com a finalidade de ser intimada acerca de algum procedimento fiscal. No dia 25/11/2003, conforme consta do termo de fl. 139, a fiscalização compareceu pessoalmente no endereço da parte recorrida, para intimação pessoal, tendo sido atendida pela Sra. Tarine Cavalli que a contribuinte não se encontrava presente. Diante da informação de que a contribuinte não se encontrava presente, a autoridade fiscal, no dia seguinte (26-11-2003), remeteu a notificação pelos correios que foi devolvida com a informação de que a parte interessada encontrava-se ausente (fl. 140). Diante de tal informação, foi afixado o edital de fl. 142. Em 06 de janeiro de 2004, a parte recorrida, por procurador, comparece no processo e se dá por ciente, alegando ser nula a citação feita por edital visto que não foram esgotados os meios para intimação pessoal, em especial diante da circunstância de que a fiscalização era conhecedora do endereço de uma . das empresas da parte recorrente que poderia ser localizada até mesmo por telefone. Após a apresentação da impugnação, em face do despacho de ff 188, foi entregue à parte recorrida cópia dos instrumentos pelos quais a fiscalização teve acesso às informações bancárias, com ciência para se pronunciar no prazo de 20 dias. A Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, julgou procedente o recurso, cujo acórdão recorrido possui a seguinte ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO - CIÊNCIA POR EDITAL - Até a vigência da Lei 11.196/2005, somente era cabível a intimação do lançamento por edital quando restasse improficuas tanto a ciência pessoal quanto a postal. Verificado nos autos que a .fiscalizacão não esgotou os meios ordinários de ciência, é nulo o editaL DECADÊNCIA - TERMO FINAL DE CONTAGEM DO PRAZO - APERFEIÇOAMENTO DO PROCEDIMENTO FISCAL -- REABERTURA DO PRAZO DE IMPUGNAÇÃO - A reabertura do prazo de impugnação para o contribuinte manifestar-se sobre documentos que deveriam fazer parte dos autos, haja vista que deram suporte ao lançamento, mas somente foram juntados após o encerramento da auditoria, evidencia a necessidade , de/ I • i 3.4/ ' aperfeiçoamento do procedimento fiscal. Uma vez que a ciência desse saneamento/ aperfeiçoamento ocorreu após o prazo de 5 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do 1RPF, o lançamento foi fidminado pela decadência, à luz do art. 150, yç 40 do Código Tributário Nacional. Do acórdão recorrido, ainda transcrevo os seguintes fundamentos: 23. Segundo relatado no Termo de Verificação fiscal, o procedimento dos Auditores Fiscais limitou-se apenas a uma visita, na data de 25/11/2003, no endereço consignado como domicílio fiscal da Recorrente; oportunidade em que, tomou conhecimento da ausência da Recorrente, por motivo de viagem a serviço, e que provavelmente retornaria no dia 30 daquele mês, conforme declaração anexa. 24. Aqui cabe uma indagação: teriam sido esgotadas todas as alternativas para a consecução da ciência pessoal? Com certeza, não. 25. Se a fiscalização tivesse agido com coerência e bom senso, teria efetuado o contato posterior a visita de 25/11/2003, mesmo por telefone, uma vez que este procedimento já havia sido adotado em 11/09/2003, cujo fato foi relatado pelo próprio Auditor Fiscal, no Termo de Verificação e Ação Fiscal (fls. 123 do PAF): Em 11/09/2003, após contato telefónico com o contribuinte, este compareceu no Setor de Fiscalização e Controle Aduaneiro (FIANA) da Delegacia da Receita Federal em Cascavel, onde tomou ciência pessoal do Termo de Intimação Fiscal lavrado no dia 08/09/2003... 26. Porém, mesmo sabedores da ausência temporária da Recorrente - viagem no período de 24 à 30 de novembro de 2003 - optaram pelo envio da documentação via correio, de imediato. 25. Se a fiscalização tivesse agido com coerência e bom senso, teria efetuado o contato posterior à visita de 25/11/2003, mesmo por telefone, uma vez que este procedimento já havia sido adotado em 11/09/2003, cujo fato foi relatado pelo próprio Auditor Fiscal, no Termo de Verificação e Ação Fiscal (fls. 123 do PAF): t.. Em 11/09/2003, após contato telefónico com o contribuinte, este compareceu no Setor de Fiscalização e Controle Aduaneiro (FLANA) da Delegacia da Receita Federal em Cascavel, onde tomou ciência pessoal do Termo cie Intimação Fiscal lavrado no dia 08/09/2003... 26, Porém, mesmo sabedores da ausência temporária da Recorrente - viagem no período de 24 à 30 de novembro de 2003 - optaram pelo envio da documentação via correio, de imediato. A.2) DA IMPOSSIBILIDADE DA CIÊNCIA VIA POSTAL 27. Ressalte-se que, no Aviso de Recebimento e no envelope endereçado à Recorrente, documentos de fls. 140 e 141 dos autos, consta que o fracionário da Agência de Correios de Cascavel tentou por três vezes, nos dias 27 a 29/11/2003, efetuar a entrega pessoal do A utodeInfraçãoeanexos.Ouseta,exatamentenoperiodoem Recorrente encontrava-se de viagem a serviço. ‘‘)Ns 4 Processo n° 10935.002914/2003-79 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00611 Fl. 3 28. Frise-se, novamente, que a ausência da Recorrente não se constituía em impeditivo para a entrega da correspondência no destino, já que é o endereço do domicilio tributário informado pelo sujeito passivo à Receita Federal, A intimação por via postal, contudo, não ocorreu, e, diga-se: não por culpa da Recorrente. 29. Releva destacar que em momento algum a Recorrente recusou ou deixou de receber qualquer correspondência a ela destinada. O que significa que a Recorrente só não tomou ciência da medida fiscal, por via postal, pelo fato do fitncionário do ECT, estranhamente, insistir na entrega pessoal da correspondência, sabendo que a destinatária encontrava-se ausente. A.3)D31 PRECIPITAÇÃO EM CIENTIFICAR VIA EDITAL 30. Na realidade, tudo leva a crer que a precipitação da Administração Tributária, em imediatamente afixar o Edital sem tomar as devidas precauções, deveu-se à figura tenebrosa do instituto da 'DECADÊNCIA' que rondava de forma ameaçadora o crédito tributário a se constituir. Em 17/03/2008 (fl. 298), a Fazenda Nacional foi intimada do acórdão antes referido e em 26/03/2008 protocolizou o recurso especial de tls. 300 a 311, alegando que o acórdão recorrido contrariou o inciso III do artigo 23 do Decreto n° 70.235, de 1972, cuja redação da época assim dispunha: "Art. 23. Far-se-á a intimação: - pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada ao inciso pela Lei n°9532, de 10.12.1997, DOU (1.121997) - por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo. (Redação dada ao inciso pela Lei n°9.532, de 10.12.1997, DOU 11.12.1997) III — por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (grifos no original da recorrente) Sustenta a recorrente que a juntada de documentos que autoridade fiscal entendeu como necessários (fl. 192) para integrar o procedimento fiscal, com a conseqüente ciência à autuada em 17/0212004 (fl. 192), não alterou o critério material da autuação, razão pela qual a ciência da autuação deve ser considerada quando da publicação do edital. Admitido o recurso com base nas regras vigentes no regimento interno da época, a parte recorrida apresentou as contrarrazões de fls. 318 a 325, alegando, em síntese, que apesar da fiscalização ter sido informada de que a recorrida retornaria em três dias, por razões desconhecidas, no mesmo dia, os fiscais retomaram à repartição e postaram 4 T I correspondência que, por razões óbvias, não foi entregue à recorrente porque nos dias 27 a 29, data em que os correios diligenciaram, a recorrente estava ausente. A recorrida ainda destaca que seu domicilio fiscal é o mesmo endereço de seu estabelecimento empresarial, que fica a três quadras da Delegacia da Receita Federal. Diz que bastaria um simples telefonema, como ocorrido anteriormente, para que a recorrida comparecesse à repartição fiscal. Por fim, argumenta a recorrida que tais documentos tanto eram essenciais ao lançamento que foram juntados aos autos para que a recorrida apresentasse a manifestação de fls. 205/2008, na qual argüiu nulidade de citação por edital e que o crédito tributário já se encontrava extinto pela decadência. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro MOIS ES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Relator O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria no 147 de 25 de junho de 2007, do Ministro da Fazenda. Foi interposto por parte legitima e está devidamente fundamentado. Alegando a recorrente que a decisão contrariou, em tese, o inciso III do artigo 23 do Decreto n° 70.235, de 1972, merece o recurso ser conhecido para que se possa verificar se, efetivamente, houve contrariedade à lei. A notificação válida, no processo administrativo, se constitui em elemento essencial ao desenvolvimento do devido processo legal. É a partir dela que se instaura o litígio e, no caso do processo administrativo, a interrupção do prazo decadencial. Em determinada época, tanto no processo administrativo como judicial, a citação editalicia ficou reservada a casos extremos, abrandados no decorrer do tempo. O que interessa ao julgamento do presente recurso é o significado das expressões "resultarem improficuos os meios para intimação pessoal ou pelo correio", de que tratava o inciso II! do Decreto n° 70.235, de 1972, antes da alteração pela Lei n° 11.196, de 2006. O fato da autoridade fiscal ir até o domicilio da contribuinte às 16h do dia 25/11/2003 e certificar que a mesma não se encontrava presente (fl. 139), informação esta que lhe foi prestada por Tatiana Cavalli que, à fl. 260, esclarece ter informado a autoridade fiscal de que a Sra. Fátima Regina retomaria o dia 30/11/2003, não significa esgotamento das tentativas de intimação pessoal, em especial quando se leva em consideração de que a sede da delegacia fiscal da receita federal da cidade de Cascavel, como reiteradamente apontado nos autos, situa- se há poucas quadras do domicilio fiscal da parte recorrida. A confirmação da ausência da parte recorrida na última semana do mês de novembro de 2003 também é atestada nas diligências dos correios que no dia 29/11/03 já havia devolvido a correspondência que a fiscalização encaminhou no dia 26/11/2003 com a informação de que não a entregou porque a destinatária estava ausente. Na sociedade moderna, a ausência temporária das pessoas de negócios é algo normal. No entanto, nem por isto, se uma diligência para intimação pessoal resultar inexitosa, se pode afirmar, sem realizar outras diligências, que a intimação pessoal resultou inexitosa, especialmente quando se tem notícias nos autos de que a parte recorrida vinha atendendo inclusive a intimações feitas por telefone. \ Processo n° 10935.0029141200349 CSRF-T2 Acórdão ri.° 9202-00.611 Fl. 4 Ao meu sentir, o acórdão recorrido, ao contrário de negar vigência ao artigo 23, III, do Decreto n° 70.235, de 1972, com a redação vigente à época, conferiu aplicação efetiva da norma deixando claro que, no caso concreto, não era cabível a intimação por edital, por não ter sido esgotados os meios para intimação pessoal ou pelo correio. Por fim, registro que o acórdão recorrido deixa claro que não houve recusa no recebimento da correspondência enviada pelos correios, mas sim a não entrega da mesma porque a destinatária estava ausente no período compreendido entre 26 (data da postagem nos correios) e 29 de novembro de 2003, data da devolução dos correios. Ainda que se verifique que a parte recorrida possa ter se utilizado de expediente para que o crédito fosse extinto pela decadência, é certo que a intimação válida somente ocorreu com o "termo de vista em processo de fi. 148", efetivado em 06101/2004, quando o crédito já havia sido extinto pela decadência, matéria esta reconhecida no acórdão e que não foi objeto de recurso especial. ISSO POSTO, voto no sentido de negar provimento ao recurso para reconhecer a nulidade da citação por edital. É o voto. Moisestracomelli Nunes da Silvà.̀ Relator 7 Voto Vencedor Conselheiro JULIO CÉSAR VIEIRA GOMES, Redator-Designado Peço vênia para divergir do ilustre relator. Nessa mesma sessão, fui relator do processo n° 10805.002997/2002-09, em que enfrentei situação também quanto o que se pode considerar por intimação válida. Segue transcrição: Para o deslinde do mérito do recurso especial, temos que buscar a interpretação dos dispositivos do Decreto 70.235/72 que tratam dos prazos no processo administrativo fiscal. Reproduzimos o art 5' do referido Decreto: -Art. 5" Os prazos serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do inicio e incluindo-se o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato." Como podemos observar, o copai do artigo 5" prescreve que os prazos são "contínuos", o que equivale dizer que não há espaço para qualquer hipótese de interrupção ou suspensão dos prazos na âmbito do PAY Quanto ao dies a quo - dia de inicio da contagem - e ao dies ad quem - dia de vencimento dos prazos -, o parágrafo único do art. 5° estabelece que ambos exigem que haja expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Para a interpretação de tal dispositivo partimos do significado de expediente, segundo o dicionário Michaelis, como o "período cotidiano de trabalho em repartição pública ou escritório". Se o expediente ou o período cotidiano de trabalho não foi alterado no local onde seria praticado o ato - apesar de ser inconteste a existência naqueles dias de movimento paredista parcial de servidores do órgão que pode ter acarretado menor número de servidores disponíveis - temos configurado o requisito legal para o início e o fim da contagem dos prazos. O texto legal não fala em funcionamento normal da repartição e sim em expediente normal, em horário de trabalho normal, ou seja, em possibilidade de acesso à repartição no horário normalmente praticado por esta. É exatamente o caso dos autos, pois em fls. 115 há prova de que o horário de atendimento da seção encarregada do processo foi normal. Não estamos afirmando que - toda a Secretaria da Receita Federal estava naqueles dias funcionando normalmente, pois isso seria impossível diante da existência de movimento grevista. Mas as provas dos autos comprovam que o órgão no qual o recurso poderia ser apresentado funcionava em horário normal, em outras palavras, mantinha expediente normal - a repartição estava aberta para protocalização da peça recursal. 8 Processo ri° 10935.002914/2003-79 CSRF-T2 Acórdão rh° 9202-00.611 Fl. 5 Ao concluirmos que é o expediente normal e não o funcionamento normal que é requisito legal para haja o dies a que ou o dies ad quem dos prazos processuais no PAF, afastamo-nos da respeitável manifestação anterior da turma recorrida que equiparou o expediente normal com o funcionamento normal da repartição, conforme podemos constatar a seguir: "Acórdão CSRF/03-04.195 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — PRAZOS — INICIO E VENCIMENTO — EXPEDIENTE NA REPARTIÇÃO. - A paralisação, total ou parcial, por motivo de greve ou qualquer outro, do órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato, ainda quefimcione regulamente o seu protocolo, ou outro setor com recebimento normal de petições, configura ANORMALIDADE no expediente desse órgão. Assim acontecendo, não se dá o vencimento de prazo enquanto o expediente não tomar á sua normalidade por completo. Inteligência do art. 5 0, § único, do Decreto n°. 70.235/72." Nesse Acórdão, o Ilustre Conselheiro Relator manifestou-se pela equiparação de expediente normal com funcionamento normal do órgão, conforme pode ser constatado no trecho a seguir: "Ora, se ocorreu a greve na referida repartição, parece não restar qualquer dúvida quanto à inexistência de EXPEDIENTE NORMAL na referida repartição. Ainda que o órgão de recebimento de petições, recursos, etc., estivesse funcionando ininterruptamente, durante o período de paralisação; ou que a maioria dos setores da repartição estivessem funcionado, evidentemente que, havendo alguma paralisação, por menor que fosse, estaria configurada a ANORM4LID4DE no funcionamento do expediente da repartição." Divergimos do ilustre Conselheiro ao entendermos que expediente normal diz respeito ao horário de funcionamento do órgão e não à quantidade de servidores disponíveis para o trabalho. Portanto é perfeitamente possível, como ocorreu no caso em análise, que o expediente normal seja mantido mesmo em período que haja greve de servidores. Ressaltamos que adotar tal interpretação não resulta em qualquer óbice para o amplo direito à defesa do contribuinte, pois, além de permanecer com acesso à repartição em horário normal, o contribuinte, em situações similares, ainda desfruta da possibilidade de enviar os recursos e documentos por via postal. . Assim, votamos por dar provimento ao recurso especial, resultando na reforma do acórdão recorrido e na declaração de que a manifestação de inconformidade foi apresentada intempestivamente. Neste acórdão para o qual fui designado redator do voto vencedor, entendo que a fiscalização olvidou todos os esforços para a intimação pessoal do contribuinte, nos termos do artigo 23 do Decreto n°70.235, de 1972, cuja redação da época assim dispunha: 9 "Art. 23. Far-se-á a intimação: ...I - pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada ao inciso pela Lei n°9.532, de 10.12.1997, DOU 11.12.1997) - por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo. (Redação dada ao inciso pela Lei n° 9.532, de 10.12.1997, DOU 11 .12.1997) III — por edital, quando resultarem improficuos os meios referidos nos incisos I e II (grifos no original da recorrente) Pelos fatos relatados, o contribuinte influenciou diretamente na impossibilidade de intimação pessoal. Outra pessoa poderia em uma das três tentativas dos correios assinar o aviso de recebimento, mas ninguém se apresentou, isso associado ao fato de o contribuinte alegar ter viajado exatamente durante o período em que seria intimado e, ainda, coincidentemente, ao final do ano, quando restaria o crédito alcançado pela decadência. Por tudo, por todas as tentativas de intimação realizadas, só consigo concluir que todos os meios se mostraram improfícuos, conforme inciso III acima. Assim, voto por dar provimento ao recurso especial, com devolução do processo à turma recorrida, a fim de que sejam apreciadas as demais matérias e questões do recurso voluntário. Julio Césa iei1 Gomes — Redator-Designado to
score : 1.0
Numero do processo: 11516.001206/2010-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
AUSÊNCIA DE CONTESTAÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO.Face à ausência de contestação da decisão de primeira instância administrativa, não cabe conhecimento do recurso voluntário.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-004.916
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo, Presidente
Ronnie Soares Anderson, Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
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NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO.Face à ausência de contestação da decisão de primeira instância administrativa, não cabe conhecimento do recurso voluntário. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo, Presidente Ronnie Soares Anderson, Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 12 06 /2 01 0- 43 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (SC) – DRJ/FNS, que julgou parcialmente procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) exigindo crédito tributário relativo ao anocalendário 2007 no montante de R$ 10.506,87 (fls. 10/14), face à constatação de compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte. A decisão de primeira instância entendeu não ter sido impugnado o imposto de renda suplementar no valor de R$ 4.601,57, e exonerou R$ 80,89 lançados a esse título, mantendo os demais aspectos do lançamento. O contribuinte interpôs recurso voluntário em 3/10/2012. Narra a sua versão dos fatos, e após asseverar que "considera sepultada a questão de fundo", esclarece que o relato visa tão somente provar que sempre atendeu de pronto os requerimentos que lhe foram feitos, frisando que o recurso tem por objeto o débito atual existente em nome do contribuinte, cujo valor é de R$ 3.762,19, visto que os valores já pagos à RFB são superiores ao valor cobrado", afirmando que "o parcelamento feito via internet, estava sendo efetuado", e que já sofrera, ademais retenções de imposto em função do débito. Nesse sentido, arremata acrescentando que o recurso tem o objetivo de "sustar o parcelamento em vigor junto à Procuradoria da Fazenda Nacional, bem como impedir nova inscrição em dívida ativa e, especialmente, considerar quitado o débito existente em nome do contribuinte, com a devolução imediata dos valores já pagos a maior". É o relatório. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11516.001206/201043 Acórdão n.º 2402004.916 S2C4T2 Fl. 76 3 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo, porém não cabe o seu conhecimento. Vejase que o notificado busca com o recurso não a reforma da decisão de primeira instância, mas sim que sejam considerados determinados valores discriminados na fl. 51 como parcelamentos e retenções a título de compensação de ofício para fins de demonstração de que o débito cobrado no processo já estaria, na realidade, quitado. Ora, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235, o recurso voluntário tem por escopo a reforma da decisão de primeiro grau: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Portanto, constatado que o contribuinte verte sua inconformidade não contra o aresto da DRJ/FNS e as respectivas conclusões acerca do crédito tributário apurado, mas sim contra o montante cobrado pela repartição fazendária de origem, o qual alega não se coadunar com a realidade dos fatos, exsurge de plano a inadequação o recurso interposto para fins de satisfação de suas pretensões. Em suma, não há amparo para o conhecimento do recurso. Ante o exposto, concluo o voto no sentido de NEGAR CONHECIMENTO ao recurso voluntário. Ronnie Soares Anderson. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 13804.721272/2012-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NA FASE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO.
São definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário, o que importa não conhecimento da matéria não impugnada.
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA.
O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Precedentes do STF e do STJ na sistemática dos artigos 543-B e 543-C do CPC.
INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA REFAZER O LANÇAMENTO. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA.
O lançamento adotou critério jurídico equivocado e dissonante da jurisprudência do STF e do STJ, impactando a identificação da base de cálculo, das alíquotas vigentes e, consequentemente, o cálculo do tributo devido. Não compete ao CARF refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas apenas cancelar a exigência.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, a fim de afastar a infração atinente à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, Kleber Ferreira de Araújo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NA FASE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. São definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário, o que importa não conhecimento da matéria não impugnada. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Precedentes do STF e do STJ na sistemática dos artigos 543-B e 543-C do CPC. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA REFAZER O LANÇAMENTO. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. O lançamento adotou critério jurídico equivocado e dissonante da jurisprudência do STF e do STJ, impactando a identificação da base de cálculo, das alíquotas vigentes e, consequentemente, o cálculo do tributo devido. Não compete ao CARF refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas apenas cancelar a exigência. Recurso Voluntário Provido.
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AJUSTE. GLOSA Recorrente MARIO TAKAO YAMAHAKI Recorrida UNIÃO FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NA FASE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. São definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário, o que importa não conhecimento da matéria não impugnada. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Precedentes do STF e do STJ na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA REFAZER O LANÇAMENTO. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. O lançamento adotou critério jurídico equivocado e dissonante da jurisprudência do STF e do STJ, impactando a identificação da base de cálculo, das alíquotas vigentes e, consequentemente, o cálculo do tributo devido. Não compete ao CARF refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas apenas cancelar a exigência. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 72 12 72 /2 01 2- 85 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 17/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, a fim de afastar a infração atinente à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista. Ronaldo de Lima Macedo Presidente João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, Kleber Ferreira de Araújo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 17/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI Processo nº 13804.721272/201285 Acórdão n.º 2402005.073 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 21ª Turma da DRJ/SP1, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, para manter o lançamento que reduziu o saldo de imposto a restituir de R$ 3.242,10 para R$ 381,31, exercício 2009, anocalendário 2008. O lançamento ocorreu porque, segundo a fiscalização, teria sido constatada: a) omissão de rendimentos decorrentes de ação trabalhista, no valor de R$ 32.107,63, sendo que, para a apuração do imposto, teria sido compensado o IRRF no valor de R$ 9.923,36; b) compensação indevida de IRRF no valor de R$ 9.923,36, relativo à fonte pagadora Ministério da Saúde; Em sede de impugnação, o contribuinte alegou que: c) concordaria com a infração relativa à compensação indevida do IRRF; d) da omissão apurada, no total de R$ 32.107,63, R$ 10.402,87 estariam sendo questionados, pois se tratariam de honorários advocatícios necessários à percepção da receita. A DRJ, contudo, manteve o lançamento integralmente, ao argumento de que: e) não teria sido contestada a compensação indevida do IRRF; f) quanto à omissão de rendimentos, no valor de R$ 32.107,63, a impugnação seria parcial (alegação de que R$ 10.402,87 corresponderiam aos honorários advocatícios), o que implicaria renúncia ao contencioso administrativo do crédito não impugnado; g) no comprovante de retenção do imposto de renda determinado pela Justiça do Trabalho constaria R$ 32.107,63 de principal e R$ 9.923,36 de imposto; h) embora o contribuinte tenha alegado que a quantia de R$ 10.402,87 seria atinente aos honorários, ele não teria comprovado tal pagamento, sobretudo porque os recibos de fls. 11 e 12 corresponderiam aos honorários pagos em 2006 e 2007; i) isto é, não constaria nos autos recibo relativo a pagamento realizado em 2008. Notificado da decisão em 06/02/2014, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 28/02/2014, no qual alegou que: Fl. 57DF CARF MF Impresso em 17/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI 4 j) no ano de 2008, teria efetivamente pago ao seu advogado a quantia de R$ 10.402,87, conforme recibo em anexo ao recurso, tanto é assim que teria declarado esse montante na DIRPF, campo pagamentos e doações efetuados. Os autos foram sorteados a este Conselheiro, conforme Ata da Sessão de 08/12/2015. É o relatório. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 17/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI Processo nº 13804.721272/201285 Acórdão n.º 2402005.073 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. Da matéria não contestada Na impugnação, o contribuinte concordou com a infração relativa à compensação indevida do IRRF. Em seu recurso, ele não a contestou. Destarte, permanece a infração retro mencionada, ex vi dos arts. 17 e 42, parágrafo único, do Decreto nº 70.235/1972. Da omissão de rendimentos O § 2º do art. 62 do RICARF estabelece que as decisões de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Até pelo uso do verbo (deverão), vêse que se trata de norma cogente, de aplicação obrigatória por parte deste Conselho. É sabido, ademais, que a tradição jurídica brasileira adotou a tese da nulidade absoluta do ato inconstitucional. Isto é, prevalece o entendimento segundo o qual são absolutamente nulos os atos normativos contrários à lei fundamental, pois tais atos são repudiados pela necessidade de se preservar o princípio da supremacia da Constituição e, consequentemente, a unidade da ordem jurídica nacional. Tomandose de empréstimo a assertiva do Min. Celso de Mello (STF, ADI 652), "esse postulado fundamental de nosso ordenamento normativo impõe que preceitos revestidos de menor grau de positividade jurídica guardem, necessariamente, relação de conformidade vertical com as regras inscritas na Carta Política, sob pena de sua ineficácia e de sua completa inaplicabilidade". Daí porque, nas palavras do citado Ministro: – Atos inconstitucionais são, por isso mesmo, nulos e destituídos, em conseqüência, de qualquer carga de eficácia jurídica. – A declaração de inconstitucionalidade de uma lei alcança, inclusive, os atos pretéritos com base nela praticados,eis que o reconhecimento desse supremo vício jurídico, que inquina de total nulidade os atos emanados do Poder Público, desampara as situações constituídas sob sua égide e inibe – ante a sua inaptidão para produzir efeitos jurídicos válidos – a possibilidade de invocação de qualquer direito. – A declaração de inconstitucionalidade em tese encerra um juízo de exclusão, que, fundado numa competência de rejeição deferida ao Supremo Tribunal Federal, consiste em remover do Fl. 59DF CARF MF Impresso em 17/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI 6 ordenamento positivo a manifestação estatal inválida e desconforme ao modelo plasmado na Carta Política, com todas as conseqüências daí decorrentes, inclusive a plena restauração de eficácia da lei e das normas afetadas pelo ato declarado inconstitucional. Esse poder excepcional – que extrai a sua autoridade da própria Carta Política – converte o Supremo Tribunal Federal em verdadeiro legislador negativo. (destacouse) Nessa toada, considerandose a nulidade absoluta do ato inconstitucional, e considerandose que a declaração de inconstitucionalidade alcança atos pretéritos praticados com base na lei destituída de carga de eficácia jurídica, devese conhecer de ofício da matéria que se passa a analisar e julgar logo abaixo. No caso concreto, vêse que os rendimentos cuja omissão foi apurada pela fiscalização são atinentes a uma reclamatória trabalhista movida em face do Ministério da Saúde. Os recibos de fls. 11 e 12; e a aplicação, pela DRJ, do art. 12 da Lei nº 7.713/88; permitem concluir que os rendimentos em questão são acumulados, devendo, assim, ser submetidos às normas tributárias a eles atinentes. Logo, tratase de analisar a incidência do imposto de renda pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. Essa matéria, reiteradamente debatida no Judiciário e neste Conselho, foi solucionada definitivamente pelo STF por ocasião do julgamento do RE 614.406, com repercussão geral e trânsito em julgado, Rel. Min. Rosa Weber, tema 368, redigido nos seguintes termos: Tema 368 Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. Como se vê, o citado tema trata exatamente da incidência do IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, hipótese esta idêntica a dos autos, na qual os rendimentos acumuladamente percebidos pela recorrente foram objeto de lançamento de ofício que se baseou na premissa de que eles deveriam ser tributados no mês do seu recebimento (regime de caixa), e não de acordo com a época em que eles deveriam ter sido efetivamente pagos (regime de competência). Naquele recurso extraordinário, com trânsito em julgado em 09/12/2014, a Suprema Corte manteve o acórdão do TRF4, que decidiu pela inconstitucionalidade, sem redução de texto, da regra do art. 12 da Lei nº 7.713/88, no tocante aos rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de remuneração, vantagem pecuniária, proventos e benefícios previdenciários, mormente para afastar o regime de caixa e determinar a incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor (regime de competência). Foi seguida a divergência aberta pelo Min. Marco Aurélio, para quem os contribuintes, em casos idênticos aos dos autos, são penalizados duplamente, pois, não recebendo as parcelas nas épocas devidas, são compelidos a ingressar em Juízo e ainda sofrem a junção dos valores para efeito de incidência do imposto, o que viola o princípio da isonomia. Mais ainda, e considerando que o imposto de renda tem como fato gerador a disponibilidade econômica ou jurídica, não se poderia, na visão do citado Min., desconsiderar o fenômeno das épocas próprias, reveladas pela disponibilidade jurídica. A título de ilustração, segue a ementa do julgado: Fl. 60DF CARF MF Impresso em 17/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI Processo nº 13804.721272/201285 Acórdão n.º 2402005.073 S2C4T2 Fl. 5 7 IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27 112014) A análise do tema, da ementa e do acórdão do recurso extraordinário demonstram que o caso julgado sob o regime da repercussão geral é idêntico ao dos autos. Mas não é só, pois a Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), sob a sistemática de que trata o art. 543C do CPC, já havia decidido que "o imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." Segue a ementa do decisum: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art.543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. (REsp 1118429/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2010, DJe 14/05/2010) Cumpre observar que o regime jurídico instituído pela Lei nº 12.350/2010, conversão da Medida Provisória nº 497/2010, que acrescentou o art. 12A à Lei 7.713/1988, não é aplicável ao presente lançamento, pois aplicável apenas aos rendimentos recebidos nos anoscalendário 2010 e seguintes. Vejase: Art. 12A. [...]. § 7o Os rendimentos de que trata o caput, recebidos entre 1o de janeiro de 2010 e o dia anterior ao de publicação da Lei resultante da conversão da Medida Provisória no 497, de 27 de julho de 2010, poderão ser tributados na forma deste artigo, devendo ser informados na Declaração de Ajuste Anual referente ao anocalendário de 2010. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 17/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI 8 Em sendo assim, deve ser aplicado o art. 62, §2o, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, segundo o qual as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC, devem ser reproduzidas pelas suas Turmas. Noutro giro verbal, o imposto deve ser apurado com base nas tabelas e nas alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, e não no mês do seu recebimento. Ocorre que o lançamento em apreço, ao determinar a tributação do imposto de renda no mês do recebimento, adotou critério jurídico totalmente equivocado e dissonante da jurisprudência do STF e do STJ. Esse critério equivocado impactou a identificação da base de cálculo e das alíquotas vigentes, impactando, por conseguinte, o cálculo do tributo devido, ex vi do art. 142 do CTN. A adoção do regime de competência, em substituição ao regime de caixa, poderia inclusive colocar os rendimentos numa faixa de isenção do imposto, ou, ainda, numa faixa de tributação menos onerosa ao recorrente. Não pode passar despercebido, também, o fato de que a distribuição dos valores mês a mês certamente atingiria exercícios pretéritos ao exercício objeto do recurso, o que demonstra que seria necessário outro lançamento de ofício, e não mera retificação do lançamento anteriormente efetuado. Cumpre lembrar que lançamento é justamente o procedimento administrativo (ou ato administrativo) tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, na dicção do art. 142 do CTN. No caso, repitase, houve incorreta identificação da base de cálculo, da alíquota e, por consequência, do montante do tributo devido. Nesse contexto, e como não compete a este Conselho refazer o lançamento com base em outros critérios jurídicos, mormente porque tal procedimento é da competência privativa da autoridade administrativa, deve ser cancelada a exigência. Em caso análogo, assim se decidiu: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2010 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62A do Regimento Interno. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do Fl. 62DF CARF MF Impresso em 17/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI Processo nº 13804.721272/201285 Acórdão n.º 2402005.073 S2C4T2 Fl. 6 9 tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidá lo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida. Recurso Voluntário Provido. (Número do Processo 13002.720640/201122, RECURSO VOLUNTÁRIO, Sessão de 11 de março de 2015, Relator(a) Marcelo Vasconcelos de Almeida, Acórdão nº 2802003.359) Diante do exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos da fundamentação, a fim de afastar a infração atinente à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista. João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 17/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI
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Numero do processo: 10783.902804/2008-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
MATÉRIAS-PRIMAS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. INTERPRETAÇÃO DA DECISÃO PROFERIDA NO RESP 1.075.508/SC. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF.
O aproveitamento do crédito de IPI relativo aos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata (direta) e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa.
A decisão proferida no Resp 1.075.508/SC, submetido à sistemática de que trata o artigo 543-C do CPC, acolhe a tese do contato físico e do desgaste direto em contraposição ao desgaste indireto, a qual deve ser acolhida nos julgamentos do CARF em conformidade com o seu Regimento Interno.
RESSARCIMENTO DE IPI. CULTIVO DE ÁRVORES. MADEIRA INSUMO. PRODUÇÃO DE CELULOSE. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O conceito de insumo na industrialização para fins de creditamento do IPI não abrange os insumos utilizados no cultivo de árvores para produção de madeira, a qual será posteriormente utilizada para a obtenção da celulose.
Embora a madeira seja matéria-prima na produção da celulose, o cultivo das árvores, mesmo que exercido pela própria contribuinte, não é operação de industrialização, mas de agricultura, cujo produto resultante é a madeira, não podendo os produtos empregados nessa etapa, serem considerados como insumos no processo industrial da celulose para fins de creditamento do IPI.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9.363/96. MATÉRIA-PRIMA. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS E NÃO CONTRIBUINTES. RECURSO REPETITIVO DO STJ. SÚMULA 494/STJ. RICARF. POSSIBILIDADE.
No âmbito da Lei nº 9.363/96, é possível apurar crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS/Cofins nas aquisições de pessoas físicas ou de pessoas jurídicas não contribuintes dessa contribuições. Inteligência do recurso repetitivo do STJ (Recurso Especial nº 993.164/MG) aplicado ao caso, nos termos do Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário provido em parte
Numero da decisão: 3402-002.830
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer os créditos decorrentes das aquisições de insumos de pessoas físicas e associações não sujeitas às contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, com a consequente homologação das compensações nessa medida. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro.
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente
(assinado digitalmente)
MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 MATÉRIAS-PRIMAS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. INTERPRETAÇÃO DA DECISÃO PROFERIDA NO RESP 1.075.508/SC. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. O aproveitamento do crédito de IPI relativo aos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata (direta) e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. A decisão proferida no Resp 1.075.508/SC, submetido à sistemática de que trata o artigo 543-C do CPC, acolhe a tese do contato físico e do desgaste direto em contraposição ao desgaste indireto, a qual deve ser acolhida nos julgamentos do CARF em conformidade com o seu Regimento Interno. RESSARCIMENTO DE IPI. CULTIVO DE ÁRVORES. MADEIRA INSUMO. PRODUÇÃO DE CELULOSE. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O conceito de insumo na industrialização para fins de creditamento do IPI não abrange os insumos utilizados no cultivo de árvores para produção de madeira, a qual será posteriormente utilizada para a obtenção da celulose. Embora a madeira seja matéria-prima na produção da celulose, o cultivo das árvores, mesmo que exercido pela própria contribuinte, não é operação de industrialização, mas de agricultura, cujo produto resultante é a madeira, não podendo os produtos empregados nessa etapa, serem considerados como insumos no processo industrial da celulose para fins de creditamento do IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9.363/96. MATÉRIA-PRIMA. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS E NÃO CONTRIBUINTES. RECURSO REPETITIVO DO STJ. SÚMULA 494/STJ. RICARF. POSSIBILIDADE. No âmbito da Lei nº 9.363/96, é possível apurar crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS/Cofins nas aquisições de pessoas físicas ou de pessoas jurídicas não contribuintes dessa contribuições. Inteligência do recurso repetitivo do STJ (Recurso Especial nº 993.164/MG) aplicado ao caso, nos termos do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário provido em parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2582; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 382 1 381 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10783.902804/200802 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.830 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de janeiro de 2016 Matéria Ressarcimento IPI Recorrente ARACRUZ CELULOSE S/A (INCORPORADA PELA FIBRIA CELULOSE S/A, CNPJ: 60.643.228/000121) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 MATÉRIASPRIMAS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. INTERPRETAÇÃO DA DECISÃO PROFERIDA NO RESP 1.075.508/SC. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. O aproveitamento do crédito de IPI relativo aos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata (direta) e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. A decisão proferida no Resp 1.075.508/SC, submetido à sistemática de que trata o artigo 543C do CPC, acolhe a tese do contato físico e do desgaste direto em contraposição ao desgaste indireto, a qual deve ser acolhida nos julgamentos do CARF em conformidade com o seu Regimento Interno. RESSARCIMENTO DE IPI. CULTIVO DE ÁRVORES. MADEIRA INSUMO. PRODUÇÃO DE CELULOSE. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O conceito de insumo na industrialização para fins de creditamento do IPI não abrange os insumos utilizados no cultivo de árvores para produção de madeira, a qual será posteriormente utilizada para a obtenção da celulose. Embora a madeira seja matériaprima na produção da celulose, o cultivo das árvores, mesmo que exercido pela própria contribuinte, não é operação de industrialização, mas de agricultura, cujo produto resultante é a madeira, não podendo os produtos empregados nessa etapa, serem considerados como insumos no processo industrial da celulose para fins de creditamento do IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9.363/96. MATÉRIAPRIMA. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS E AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 28 04 /2 00 8- 02 Fl. 382DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 2 NÃO CONTRIBUINTES. RECURSO REPETITIVO DO STJ. SÚMULA 494/STJ. RICARF. POSSIBILIDADE. No âmbito da Lei nº 9.363/96, é possível apurar crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS/Cofins nas aquisições de pessoas físicas ou de pessoas jurídicas não contribuintes dessa contribuições. Inteligência do recurso repetitivo do STJ (Recurso Especial nº 993.164/MG) aplicado ao caso, nos termos do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer os créditos decorrentes das aquisições de insumos de pessoas físicas e associações não sujeitas às contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, com a consequente homologação das compensações nessa medida. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Juiz de Fora que julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Trata o processo de pedido de ressarcimento objeto de DCOMP n° 19216.90733.171103.1.3.012050, transmitido em 17/11/2003, acerca do 3º trimestre de 2003, relativamente a créditos básicos e crédito presumido de IPI, no valor de R$ R$ 4.865.971,29. Posteriormente, vinculadas à citada DCOMP foram transmitidas diversas outras DCOMP´s para utilização do saldo credor originário da DCOMP inicial. Conforme consta no Parecer Sefis, no desenvolvimento dos trabalhos iniciados em 12/03/2008, constatouse inadequação no entendimento do contribuinte quanto à conceituação de matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME) em confronto com a legislação em vigor. Além disso, o contribuinte utilizou no cálculo do crédito presumido valores não admitidos, tais como aquisições de pessoas físicas, cooperativas, serviço de transporte e de produtos importados diretamente. Assim, a fiscalização procedeu à glosa de valores escriturados a título de créditos básicos e de crédito presumido. As glosas foram assim resumidas no Relatório Fiscal: Fl. 383DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10783.902804/200802 Acórdão n.º 3402002.830 S3C4T2 Fl. 383 3 a) Produtos utilizados na Area florestal, tais como herbicidas, fertilizantes, fungicida, monofosfato de amônia, ácido irdolil butirico, nitrato de potássio, vermiculita, isca formicida, etc. Tais insumos não podem ser considerados no calculo do crédito presumido tendo em vista tratarse de atividade extrativista primária e não de operação industrial de produção de celulose a que se dedica a empresa; b) Produtos utilizados como partes e pecas de máquinas e equipamentos, tais como parafusos, porcas, selos mecânicos, arruelas, molas, prendedores, cabo de selagem, etc. Como visto acima, os produtos que se enquadram como parte e peças de máquinas e equipamentos não podem ser caracterizados como MP, PI e ME. Alguns como molas e amortecedores, além de serem partes e peças de máquinas e equipamentos, não entram em contato direto com o produto, contrariando duas premissas do parecer normativo. Já os parafusos, porcas e arruelas, mesmo quando entram em contato com o produto e possam sofrer desgaste devido a este contato, a função deles não é se desgastar a partir deste contanto, mas simplesmente a montagem do equipamento, e assim, este desgaste deve ser considerado como originário de sua utilização normal e não por ação direta sobre o produto, que seria o caso de uma lixa, por exemplo, cuja a função é se desgastar pelo contato direto com o produto; c) Produtos utilizados no picador de cascas tais como Corrente Estampada, Faca do Picador de Casca, Contra faca, Pente, Peneiras, Correias, Lamina Desgaste Saída, Lâmina arrastadora, Plaa de Cobertura da Faca, Segmento Dentado, etc. As cascas da madeira são utilizadas como combustível complementar na fábrica de celulose. Estes itens são utilizados em linha industrial especifica que destina estas cascas de madeira para a produção de energia. Como combustível não é considerado no cálculo do crédito presumido, não podem, tampouco, serem considerados os insumos utilizados na sua linha de produção; d) Produtos utilizados para tratamento (desmineralização) da Agua da caldeira, tais como Triact 1800 Nalco, Resina anionica forte, Resina anionica fraca, etc . A água utilizada na caldeira deve ser tratada quimicamente para retirada de alguns minerais (desmineralização) ou 'controle do seu PH, caso contrário pode haver incrustação ou corrosão dos canos da caldeira. Como se observa, o objetivo deste procedimento é meramente de manutenção e aumento de eficiência de um equipamento, não guardando qualquer relação com processo produtivo da celulose em si; e) Produtos utilizados como combustíveis para caldeira e fornos, tais como Cavacos_APM, Calcário Calcitico, Óleo Combustível Tipo 2 A, Gás Natural, Hidrogênio. Utilização vedada, por se tratar de fonte de energia térmica para o sistema; f) Produtos utilizados no laboratório s tais como Tisulfato de Sódio, Nitrogênio Ultra Puro 99,99%, etc. Os produtos utilizados nas análises químicas e fisicas feitas depois do Fl. 384DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 4 produto acabado, com intuito de analise de suas propriedades, não fazem parte do processo produtivo da empresa, não se enquadrando assim como MP, PI e ME; g) Produtos que não entram em contato direto com a produção tais como Rolos, Roletes, Braço Peneira Cavaco, etc. Como visto no parecer normativo, somente podem ser considerados produtos intermediários os produtos que se desgastam devido à ação direta na produção, o que não ocorre no presente caso; h) Produtos com vida útil maior que um ano, tais como Conector Flangeado, Grelha Cilíndrica, etc. Os produtos que possuem vida útil maior que um ano devem ser imobilizados, não podendo ser considerados produtos intermediários na produção; i) Material de consumo e manutenção, tais como Óleo de Corrente de Moto Serra, Calcário Calcitico, etc. Estes produtos têm como função simplesmente a manutenção de máquinas e equipamentos, como lubrificação, limpeza, etc, não se enquadrando no conceito de MP, PI e ME; i) Produtos Importados, tais como Antraquinosa, Pino de Cisalhamento, etc. 0 art. 1° da Lei n° 9.363/96 determina que somente serão utilizados no cálculo do crédito presumido os valores correspondentes as aquisições no mercado interno de MP, PI e ME; k) Aquisição de serviço, tais como frete de madeira própria e de fomento. No presente caso, a única coisa que se esta adquirindo é o serviço de frete, pois o produto já pertence ao contribuinte, e serviço não pode ser considerado MP, PI e ME; l) Aquisições de Pessoa Física e Cooperativas, tais como no caso da Madeira. A utilização de aquisições de não contribuinte de PIS e COFINS é vedada. A contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, conforme consta no Relatório da decisão recorrida: => inicialmente argumenta que optou pelo Processo de Produção Integrado, que consiste no ciclo de produção que se inicia com a seleção de material genético de eucalipto de alta produtividade, o plantio das melhores espécies, a colheita, o transporte da madeira, picagem da madeira, o cozimento, o branqueamento, a secagem, a embalagem até terminar com o transporte dos produtos finais; => na sequência resume as motivações das glosas efetuadas pela Fiscalização; => discorre sobre a "natureza de insumos dos bens excluídos pela fiscalização do creditamento de IPI" , argumentando que: ... mesmo aqueles produtos que não integram o novo produto, mas sejam consumidos no processo de produção, podem ser creditados. Dessa forma, resta claro que todos os recursos utilizados na produção do produto final, isto é, os insumos em geral..., são passíveis de creditamento de IPI. Neste contexto, fazse absolutamente necessária afixação do correto conceito de insumo, posto que dele é que surgem as conclusões sobre a necessidade de reforma do despacho decisório. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10783.902804/200802 Acórdão n.º 3402002.830 S3C4T2 Fl. 384 5 Entendese por insumo toda e qualquer matériaprima, cuja utilização na cadeia produtiva seja necessária à consecução do produto final. => ressalta que a leitura de Soluções de Consulta da RFB tratando do conceito de insumos na apuração do PIS e Cofins não cumulativos nos remete à conclusão de que "insumo corresponde a tudo aquilo que contribui para o processo produtivo de determinado produto e não somente aquelas MP, Pie ME que se integram ao produto"; => prosseguindo no mesmo tópico, a empresa apresenta planilha (fls. 177/179) na qual enumerou os produtos que "sofrem desgaste direto em face do contato com o produto", os "produtos utilizados no cozimento" e os relacionados ao "cultivo de florestas de eucaliptos" apontando a utilização de cada um deles. => encerrada a sua argumentação sobre o que entende deva ser considerado insumo, passa a discorrer nos tópicos seguintes, sobre os "bens que sofrem desgaste direto em face do contato com o produto", "dos produtos utilizados no cozimento da celulose", "dos insumos utilizados no cultivo das florestas de eucalipto", das aquisições de pessoas fisicas e não contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins e, "dos Créditos Básicos"; => sobre os bens que sofrem desgaste direto em face do contato com o produto alega, em resumo, que : ... a produção da celulose como um todo começa com o plantio de árvores, passando pelo seu cultivo, corte, separação da madeira aproveitável, separação da madeira aproveitável, corte e picagem desta, cozimento da madeira picada, depuração e branqueamento, e secagem para, por fim, obterse a celulose. ... para a obtenção do produto final, o processo passa por sub produções dentro da própria empresa — que vai desde o plantio das árvores, passando pelo procedimento de corte, de picagem de madeira, de cozimento desta, dentre outras. ... a cadeia produtiva se compõe do (sub) processo de plantio, cujo produto alvo é a madeira advinda da árvore; do (sub) processo de corte e picagem, cujo produto alvo é a madeira picada; do (sub) processo de cozimento cuja intenção é adquirir o extrato, etc. ... para a execução destes subprocessos fazse necessário a utilização de uma série de elementos essenciais que, sem os quais, não seria atingido o objetivo final da cadeia produtiva; ... por exemplo, sem a utilização do prendedor, não seria possível manter a serra em posição vertical a fim de que essa cortasse as toras em tamanho ideal para o seu cozimento. Ao mesmo tempo, sem o parafuso Pallmann, que fixa as facas do picador de cascas, as facas não teriam suporte para executar sua função, a de cortar a madeira para o cozimento para posterior transformação nas placas de celulose. ... é correto afirmar que os elementos utilizados para 'produzir' madeira, 'produzir' madeira picada, 'produzir' o extrato que gerará o produto final, ou qualquer outro produto feito pela Requerente e indispensável à produção da celulose, são matérias primas utilizadas na produção da mesma. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 6 ... os produtos que são consumidos em face do desgaste direto, os denominados subprodutos, como por exemplo, a travessa da peneira, que apóia a peneira de cascas que tem contato com a árvore, a porca sextavada ... e todos aqueles relacionados na tabela acima são insumos da celulose, e como tal geram direito ao creditamento em questão. => prossegue discorrendo sobre as funções de alguns dos in_sumos_que, na seu entendimento,foram erroneamente excluídos do creditamento: a)Parafuso Pallmann: A referida peça segura a faca que realiza o corte da madeira ... é necessário que o referido parafuso fique em contato direto com a madeira a cada corte realizado. Assim, da mesma maneira que a faca sofre o desgaste corte a corte, o mesmo ocorre corn o parafuso... b)Travessa de Peneira para picador de cascas: As travessas dão suporte às peneiras que são essenciais para padronizar o tamanho das cascas consumidas; c) Corrente: tem por função arrastar resíduos na mesa de cargas e acaba por se desgastar em face do contato com peso da madeira. => argumenta que dos exemplos podese delinear o seu desgaste em decorrência do contato direito com o produto e ressalta que os referidos bens excluídos sofrem desgaste periódico, perdem suas funções em decorrência do contato fisico com o produto e, não são integrantes do ativo fixo; => acrescenta que nem mesmo os Conectores Flangeados e as Grelhas Cilíndricas podem ser consideradas como ativos fixos — embora sua vida útil seja minimamente superior a 01 ano — pois, por entrar em contato direto com o produto o desgaste a que submetem é demasiadamente elevado; => quanto aos produtos utilizados no cozimento da celulose esclarece que: ...o cozimento consiste em submeter os cavacos (madeira picada) a uma ação química do licor branco forte (soda cafistica mais sulfeto de sódio) e do vapor d'agua no digestor a fim de dissociar a lignina existente entre a fibra e a madeira. As fibras liberadas são, na realidade, a celulose industrial. O digestor é um vaso de pressão, com altura aproximada de 57 metros, onde os cavacos e licor branco forte são introduzidos continuamente pela pane superior. Após a lavagem, a celulose é retirada do digestor, sendo em seguida submetida a outra operação de lavagem dos difusores, para então ser depurada. A depuração consiste em submeter a celulose industrial à ação de peneiramento... Após essa operação, a celulose, ..., é submetida a um processo de branqueamento, que consiste em tratála com peróxido de hidrogênio, dióxido de cloro, oxigênio e soda cáustica em cinco estágios diferentes, com seus respectivos filtros lavadores. ... justamente para o funcionamento das referidas caldeiras é que se faz necessário o uso de elementos químicos para o tratamento da água das caldeiras, bem como o uso de combustíveis. ... para realizar o cozimento, ..., é essencial a utilização da água tratada quimicamente e de combustíveis. ... é impossível que o processo produtivo da celulose se dê sem a presença dos combustíveis... Fl. 387DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10783.902804/200802 Acórdão n.º 3402002.830 S3C4T2 Fl. 385 7 => no mesmo tópico prossegue discorrendo sobre a glosa dos produtos utilizados no laboratório, produtos esses indispensáveis A finalização dõ processo produtivo da celulose, sendo incontestável a participação de produtos como o Tissulfato de Sódio e Nitrogênio Ultra Pura no processo produtivo da celulose; => passando para a análise dos insumos utilizados no cultivo de florestas de eucalipto, argumenta: ... o processo produtivo da celulose, ..., tem em sua fase inicial o cultivo e corte de arvores que serão utilizadas para produção da celulose. ... o processo começa com o plantio de sementes em estufas; ... os adubos e fertilizantes... são matériasprimas necessárias para o cultivo de árvores... ... os demais produtos„ como herbicidas, iscas para formigas, vermiculitas e outros, têm por função proteger o crescimento das árvores... todos estes produtos são consumidos durante o cultivo das árvores. Demonstrado que o cultivo de arvores é parte do processo produtivo da celulose, as matériasprimas e os produtos intermediários utilizados neste processo também geram créditos de IPI. => discorrendo, na sequência, acerca das aquisições de pessoas fisicas e não contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins., argumenta: ...embora o Parecer PGFN/CAT n° 3092/2002...existam referência a julgados do E. tribunal Regional Federal da 5ª Regido, os quais consideraram, à época, o não reconhecimento de crédito de IPI por insumos adquiridos de pessoas físicas e não contribuintes de PIS/Pasep e Cofins, não é esse o entendimento pacificado do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, conforme comprovado pelas diversas e recentes Ementas abaixo transcritas; Com efeito, resta completamente assentado que não se pode impedir o creditamento presumido do IPI em razão do fato de estar ou não o fornecedor direto do exportador sujeito ao pagamento destas contribuições. => sobre os créditos básicos deixa consignado que, segundo a Fiscalização, a motivação das glosas é a mesma do crédito presumido, e argumenta que, sendo assim "o entendimento para o conceito de insumo é o mesmo, quer seja para a apuração do IPI, quer seja para a apuração do crédito presumido do IPI, razão pela qual não pode prosperar também nesse ponto a alegação fiscal". Ao longo de toda sua manifestação, a requerente reproduz fragmentos de jurisprudência administrativa e judicial, assim como alguma doutrina, que considera ampararem o seu entendimento. Requer, ao final, a reforma do despacho decisório, para reversão de todas as glosas efetuadas e para que sejam homologadas na integralidade as compensações declaradas. Requer, ainda, a juntada posterior de documentos comprobatórios de toda a cadeia produtiva, bem como a Fl. 388DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 8 realização de diligência para confirmar a utilização de todos os insumos excluídos do creditamento. Mediante o Acórdão nº 0932.652, de 30 de novembro de 2010, a 3ª Turma da DRJ/Juiz de Fora julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 I CRÉDITO DO IMPOSTO. INSUMOS ENSEJADORES DE CREDITAMENTO. PN 65/79. Ensejam o creditamento as matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem que integram o produto ou sejam consumidos no processo de industrialização, não se podendo pretender que itens empregados na etapa extrativa, anterior ao processo de industrialização, sejam considerados insumos utilizados no processo industrial. II RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI n° 9.363, de 1996. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS QUE NÃO SE IDENTIFICAM COMO MATÉRIASPRIMAS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. 1. O cômputo de aquisições na base de cálculo do crédito presumido condicionase a que essas correspondam a matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, haja vista que o benefício instituído pela Lei n° 9.363/96 teve por finalidade promover a desoneração fiscal das contribuições do PIS e da Cofins incidentes sobre as aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem para utilização no processo produtivo do produtorexportador, devendose, nos termos da citada lei, utilizarse, subsidiariamente, a legislação do IPI para o estabelecimento dos conceitos de produção, matériasprimas (MP), produtos intermediários (PI) e material de embalagem (ME). 2. A conceituação de insumos (MP, PI e ME) são as constantes da legislação do IPI e não a definição semântica do termo. 3. Não integram a base de cálculo do crédito presumido sob a forma de insumos utilizados no processo produtivo, uma vez que não revestem a condição de matériaprima ou produto intermediário, nos termos da legislação de regência: as partes e peças de máquinas e equipamentos, inclusive as partes e peças do picador de casca, pois, além de serem partes e peças de máquinas e equipamentos, não entram em contato direto com o produto; os produtos com vida útil maior que um ano, por pertencerem ao ativo permanente; os combustíveis para caldeiras e fornos, uma vez que não se revestem da condição de matériaprima ou produto intermediário; os produtos utilizados para tratamento (desmineralização) da água da caldeira, os produtos utilizados no laboratório para controle de qualidade dos produtos acabados, bem como o material de consumo e manutenção; os produtos importados, por expressa disposição legal. III CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CALCULO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E NÃO CONTRIBUINTES DO PIS/PASEP E DA COFINS. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10783.902804/200802 Acórdão n.º 3402002.830 S3C4T2 Fl. 386 9 O valor dos insumos adquiridos de pessoas físicas e não contribuintes, sobre os quais não houve incidência das contribuições sociais, não se inclui na base de cálculo do crédito presumido do IPI, por extrapolar o conteúdo da norma, cujo objetivo foi a desoneração tributária dos produtos exportados via ressarcimento das contribuições PIS/Pasep e Cofins incidentes na aquisição de MP, PI e ME. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 1 DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. PRESCINDIBILIDADE. Indeferemse os pedidos de diligência quando presentes nos autos e na legislação elementos capazes de formar a convicção do julgador. II MATÉRIA NÃO CONTESTADA Considerase definitiva, na esfera administrativa, a matéria não contestada. A contribuinte foi regularmente cientificada, por via postal, da decisão de primeira instância em 25/05/2011, tendo apresentado Recurso Voluntário, em 22/06/2011, mediante o qual traz as mesmas alegações da manifestação de inconformidade, resumidas acima, divididas nos seguintes tópicos: a) Da natureza de insumos dos bens excluídos pela fiscalização do creditamento de IPI b) Dos bens que sofrem desgaste direto em face do contato com o produto c) Dos produtos utilizados no cozimento da celulose d) Dos insumos utilizados no cultivo de florestas de eucaliptos e) Das aquisições de pessoas físicas e não contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins f) Dos créditos básicos É o relatório. Voto Conselheira MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA O recurso é tempestivo e foi apresentado por legítimo representante da contribuinte, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme esclarecido pela autoridade julgadora de primeira instância, são definitivas, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, por não terem sido contestadas, as glosas da base de cálculo do crédito presumido de IPI das aquisições de produtos importados, bem como das aquisições de serviços de transporte. Passase à análise do recurso voluntário, segundo os tópicos que nele constam. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 10 a) Da natureza de insumos dos bens excluídos pela fiscalização do creditamento de IPI: Alega a recorrente que, em conformidade com as Soluções de Consulta nºs 176/2007 e 7/2008, insumo corresponderia a tudo aquilo que contribui para o processo produtivo de determinado produto e não somente aquelas MP, PI e ME que se integram ao produto. No entanto, as Soluções de Consulta citadas, não tratam de IPI, mas das contribuições não cumulativas do PIS e da Cofins, para as quais o conceito de insumo é bastante diverso, baseado em outra legislação. O conceito de insumo para fins de creditamento do IPI sobre os produtos adquiridos está definido em leis, regulamento e normas complementares, não havendo qualquer lesão ao art. 110 do CTN, vez que a Constituição Federal não utilizou o conceito de insumo para definir ou limitar competências, mas apenas determinou, no art. 153, §3°, ao legislador ordinário que observasse a técnica da não cumulatividade do IPI. Nesse contexto é que dispõe o art. 164, I do RIPI/2002, vigente à época dos fatos geradores (3º trimestre/2003), que os estabelecimentos industriais e os que lhe são equiparados podem creditarse do imposto relativo às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de fabricação, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Também os Pareceres Normativos CST nº 65/79 e nº 181/74, parcialmente transcritos abaixo, que são atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, nos termos do art. 100, I do CTN, auxiliam na determinação do sentido e alcance das normas legais e do regulamento acerca de quais insumos ensejam aproveitamento de créditos do IPI: [Parecer Normativo CST nº 65/79] 1 Em estudo o inciso I do artigo 66 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto nº 83.263, de 9 de março de 1979 (RIPI/79). 2 O artigo 25 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, com a redação que lhe foi dada pela alteração 8ª do artigo 2º do Decretolei nº 34, de 18 de novembro de 1966, repetida “ipsis verbis” pelo artigo 1º do Decretolei nº 1.136, de 7 de setembro de 1970, dispõe: ‘Art. 25 A importância a recolher será o montante do imposto relativo aos produtos saídos do estabelecimento, em cada mês, diminuindo do montante do imposto relativo aos produtos nele entrados no mesmo período, obedecidas as especificações e normas que o regulamento estabelecer’. Como se vê, tratase de norma não autoaplicável, de vez que ficou atribuído ao regulamento especificar os produtos entrados que geram o direito à subtração do montante de IPI a recolher. 3 Diante disto, ressaltese serem ‘ex nunc’ os efeitos decorrentes da entrada em vigência do inciso I do artigo 66 do RIPI/79, ou seja, usando da atribuição que lhe foi conferida em lei, o novo Regulamento estabeleceu as normas e especificações que a partir daquela data passaram a reger a matéria, não se tratando, como há quem entenda, de disposição interpretativa e, por via de conseqüência, retroativa, somente sendo, portanto, Fl. 391DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10783.902804/200802 Acórdão n.º 3402002.830 S3C4T2 Fl. 387 11 aplicável a norma em análise, a seguir transcrita, aos fatos ocorridos a partir da vigência do RIPI/79: ‘Art. 66 Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502/64 arts. 25 a 30 e Decretolei nº 3.466, art. 2º, alt. 8ª): I do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo se, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente.’ 4 Notese que o dispositivo está subdividido em duas partes, a primeira referindose às matériasprimas, aos produtos intermediários e ao material de embalagem; a segunda relacionada às matérias primas e aos produtos intermediários que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização. 4.1 Observese, ainda, que enquanto na primeira parte da norma ‘matériasprimas’ e ‘produtos intermediários’ são empregados ‘stricto sensu’, a segunda usa tais expressões em seu sentido lato: quaisquer bens que, embora não se integrando ao produto em fabricação se consumam na operação de industrialização. 4.2 Assim, somente geram direito ao crédito os produtos que se integrem ao novo produto fabricado e os que, embora não se integrando, sejam consumidos no processo de fabricação, ficando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. 5 No que diz respeito à primeira parte da norma, que se refere a matériasprimas e produtos intermediários ‘stricto sensu’, ou seja, bem dos quais, através de quaisquer das operações de industrialização enumeradas no Regulamento, resulta diretamente um novo produto, tais como, exemplificadamente, a madeira com relação a um móvel ou o papel com referência a um livro, nada há que se comentar de vez que o direito ao crédito, diferentemente do que ocorre com os referidos na segunda parte, além de não se vincular a qualquer requisito, não sofreu alteração com relação aos dispositivos constantes dos regulamentos anteriores. 6 Todavia, relativamente aos produtos referidos na segunda parte, matériasprimas e produtos intermediários entendidos em sentido amplo, ou seja, aqueles que embora não sofram as referidas operações são nelas utilizados, se consumindo em virtude do contato físico com o produto em fabricação, tais como lixas, lâminas de serra e catalisadores, além da ressalva de não gerarem o direito se compreendidos no ativo permanente, exige se uma série de considerações. 6.1 Há quem entenda, tendo em vista tal ressalva (não gerarem direito ao crédito os produtos compreendidos entre os bens do ativo permanente), que automaticamente gerariam o direito ao crédito os produtos não inseridos naquele grupo de contas, ou Fl. 392DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 12 seja, que a norma em questão teria adotado como critério distintivo, para efeito de admitir ou não o crédito, o tratamento contábil emprestado ao bem. 6.2 Entretanto, uma simples exegese lógica do dispositivo já demonstra a improcedência do argumento, uma vez que, consoante regra fundamental de lógica formal, de uma premissa negativa (os produtos ativados permanentemente não geram o direito) somente concluise por uma negativa, não podendo, portanto, em função de tal premissa, ser afirmativa a conclusão, ou seja, no caso, a de que os bens não ativados permanentemente geram o direito de crédito. (...) 10 Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deve entender como produtos ‘que embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, no processo de industrialização’, para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1 Como o texto fala em ‘incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários’, é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários ‘stricto sensu’, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto de fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2 A expressão ‘consumidos’ sobretudo levandose em conta que as restrições ‘imediata e integralmente’, constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. 11 Em resumo, geram o direito ao crédito, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, “stricto senso”, material de embalagens), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação; ou viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face dos princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente. (grifos desta Relatora) [Parecer Normativo nº 181/1974] (...) 13 Por outro lado, ressalvados os casos de incentivos expressamente previstos em lei, não geram direito ao crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e Fl. 393DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10783.902804/200802 Acórdão n.º 3402002.830 S3C4T2 Fl. 388 13 combustíveis necessários ao seu acionamento. Entre outros, são produtos dessa natureza: limas, rebolos, lâmina de serra, mandris, brocas, tijolos refratários usados em fornos de fusão de metais, tintas e lubrificantes empregados na manutenção de máquinas e equipamentos etc.” (grifos da Relatora) Assim, em consonância aos dispositivos e atos normativos acima mencionados, o aproveitamento do crédito de IPI relativo aos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata (direta) e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. De forma que não há como acolher a pretensão da recorrente de ter reconhecido o direito ao crédito do IPI sobre tudo aquilo que contribui para o processo produtivo. Neste mesmo sentido decidiu o Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo (REsp nº 1.075.508), cujos termos vincula este colegiado consoante regra contida no art. 62, §2° do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O RECURSO ESPECIAL Nº 1.075.508 SC (2008/01532905), representativo de controvérsias, nos termos do artigo 543C do CPC, traz a seguinte ementa: EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. 1. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel.Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; AgRg no REsp 1.063.630/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, DJe 29.09.2008; REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007; REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006; e REsp 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003). 2. Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose ‘aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de Fl. 394DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 14 industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente’. 3. In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos ‘que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final’, razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Nesta esteira, em julgamento anterior deste Conselho Administrativo, no Acórdão nº 3302002.475, da 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária desta Terceira Seção de Julgamento, cuja ementa segue abaixo, foi adotado o entendimento do referido Recurso Especial: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 CRÉDITOS DE IPI. PRODUÇÃO DE CANADEAÇÚCAR E DERIVADOS. O conceito de insumo para industrialização, não é largo o bastante para abranger os insumos utilizados no cultivo de cana deaçúcar. O cultivo da canadeaçúcar é processo de produção típico da agricultura, e não da atividade industrial. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. DESGASTE INDIRETO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO DE IPI. RECURSO REPETITIVO STJ. Os produtos intermediários que geram direito de crédito de IPI, nos termos do REsp nº 1.075.508, julgado em sede de recurso repetitivo, são aqueles que são consumidos ou sofrem desgaste de forma imediata e integral no processo produtivo, sendo incabível quanto aos valores do IPI pagos quando da aquisição de máquinas, equipamentos, suas partes e peças, combustível empregado em máquinas e equipamentos, bem como quando da aquisição de produtos cujo desgaste se dê apenas de forma indireta. Recurso Voluntário Negado. b) Dos bens que sofrem desgaste direto em face do contato com o produto: Insurgese a recorrente neste tópico em face das glosas relativas a produtos que sofreriam desgaste em contato direto com a madeira nos processos anteriores à obtenção da celulose, nos subprocessos de plantio, corte e picagem e no cozimento para adquirir o extrato. Conforme consta na planilha dos itens glosados, os motivos determinantes para todas as glosas foram os seguintes: 1 Florestal, 2 Partes e peças de máquinas e equipamentos, 3 Picador de cascas, 4 Tratamento de água para caldeira (desmineralização), 5 Combustível, 6 Laboratório, 7 Não entra em contato direto com o produto, 8 Vida útil Fl. 395DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10783.902804/200802 Acórdão n.º 3402002.830 S3C4T2 Fl. 389 15 maior que um ano, 9 Material de consumo/manutenção, 10 Importados, 11 Aquisição de Serviço, e 12 Aquisição Pessoa Física/Cooperativa/Permuta. Assim, não foi somente a ausência de contato direto com o produto em fabricação que foi o fato determinante para as glosas, havendo itens que, embora tenham esse contato direto, não dariam o direito ao creditamento em face de outro motivo. Desta forma, a alegação genérica da recorrente de que haveria contato direto com a madeira em fabricação não é elemento suficiente para reforma das glosas relativas aos subprocessos anteriores à obtenção da celulose, havendo que se verificar a situação ensejadora para cada glosa especificamente contestada. Vejamos os itens contestados em caráter específico: i) Prendedor: não consta no Demonstrativo de Produtos Glosados a glosa de qualquer tipo de prendedor. Apenas no Demonstrativo de Produtos Aceitos constam alguns prendedores (itens 2629, 2630 e 30280). ii) Parafuso Pallmann: todo os parafusos que constam no Demonstrativo foram glosados por se tratar de partes e peças de máquinas e equipamentos, não havendo nenhuma referência específica a "Parafuso Pallmann". De todo modo, a fiscalização assim motivou as glosas de parafusos, porcas e arruelas: "mesmo quando entram em contato com o produto e possam sofrer desgaste devido a este contato, a função deles não é se desgastar a partir deste contato, mas simplesmente a montagem do equipamento, e assim, este desgaste deve ser considerado como originário de sua utilização normal e não por ação direta sobre o produto, que seria o caso de uma lixa, por exemplo, cuja a função é se desgastar pelo contato direto com o produto". Na hipótese do referido "Parafuso Pallmann" ter sido glosado como um dos "Produtos utilizados no picador de casca", a glosa fundamentouse no fato de que, se o combustível não é considerado no crédito presumido, não podem, tampouco, serem considerados os bens utilizados na sua linha de produção. Assim, considerando que os referidos entendimentos estão de acordo com o posicionamento do presente Voto, exposto no item "a)" acima, inclusive sob respaldo de recurso repetitivo, de que o desgaste apenas indireto, da ação utilização normal do bem, não gera direito ao creditamento; a glosa deve ser mantida. iii) Porca Sextavada: Consta no Demonstrativo que as porcas sextavadas foram também glosadas por se tratar de partes e peças de máquinas e equipamentos, valendo as mesmas considerações efetuadas acima para os parafusos. iv) Travessa da peneira: este item foi glosado por fazer parte do "Picador de Cascas", tendo em vista que se tratam de produtos utilizados na linha de produção das cascas de madeira, que serão depois utilizadas como combustíveis na fábrica de celulose, sendo que combustível não é considerado no cálculo do crédito presumido: c) Produtos utilizados no picador de casca, tais como, Corrente Estampada, Faca do Picador de Casca, Contra faca, Pente, Peneiras, Correias, Lamina Desgaste Saida, Lâmina arrastadora, Placa de Cobertura da Faca, Segmento Dentado, Fl. 396DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 16 etc. As cascas da madeira são utilizadas como combustível complementar na fábrica de celulose. Estes itens são utilizados em linha industrial específica que destina estas cascas de madeira para a produção de energia. Como combustível não é considerado no cálculo co crédito presumido, não podem, tampouco, serem considerados os insumos utilizados na sua linha de produção; Quanto aos combustíveis e à energia elétrica não pairam dúvidas de que não integram a base de cálculo do crédito presumido, vez que não são consumidos em contato direto com o produto, nos termos da matéria sumulada pelo CARF (Súmula CARF nº 19), com maior razão ainda, não cabe o creditamento dos bens utilizados na linha de produção das cascas de madeira que serão, posteriormente, utilizadas como combustível na produção da celulose. v) Corrente: No Demonstrativo de Glosas, consta apenas a "corrente estampada", que foi glosada por ter vida útil superior a um ano, sendo, portanto, ativável, e não dando direito ao creditamento. No caso, a recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento modificativo quanto a esse aspecto, razão pela qual deve a glosa ser mantida. vi) Conectores Flangeados e Grelhas Cilíndricas: também esses itens foram glosados por serem ativáveis, do que a recorrente nem discorda, mas insiste que perdem suas funções em decorrência do contato físico com o produto, razão pela qual requer o creditamento. No entanto, conforme disposto no art. 164, I do Regulamento do IPI/2002, não há possibilidade de creditamento de itens compreendidos no ativo permanente, o que foi, inclusive, referendado em sede de recurso repetitivo. Assim, não merece reforma os itens contestados neste tópico, tendo em vista que não são considerados como matériaprima ou material intermediário, pois não atendem aos seguintes requisitos: devem ser consumidos (também o desbaste, o dano e a perda de propriedades fisicas ou químicas) em decorrência de uma ação direta com o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida, nos termos do item 11.1 do PN 65, de 1979; não se tratar de partes nem peças de máquinas, conforme explicitamente observado no item 13 do PN CST n° 181/1974, e não estarem compreendidos no ativo permanente. Pelos argumentos expostos, as partes e peças de máquinas e equipamentos em geral, e também as partes e peças pertencentes a linha do picador de casca, não se enquadram na situação descrita na legislação, posto que, são partes e peças de máquinas e ainda que algumas não sejam classificáveis no ativo permanente, possuem desgaste natural pelo uso e não pelo contato com o produto industrializado. c) Dos produtos utilizados no cozimento da celulose: Informa a recorrente que o processo produtivo da celulose não se dá sem o funcionamento das caldeiras, sendo que, para realizar o cozimento da madeira picada, fase essencial da produção da celulose, é essencial a utilização da água tratada quimicamente e de combustíveis. Alega que também o desgaste químico do bem daria o direito ao crédito, sendo incontestável a participação de produtos como o Tisulfato de Sódio e o Nitrogênio Ultra Pura no processo produtivo da celulose. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10783.902804/200802 Acórdão n.º 3402002.830 S3C4T2 Fl. 390 17 Com relação aos combustíveis valem as mesmas considerações expostas acima, não sendo cabível o seu creditamento, pois não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Com relação aos produtos químicos utilizados em laboratório, tais como o Tisulfato de Sódio e Nitrogênio Ultra Pura, eles foram objeto de glosa porque são utilizados nas análises químicas e físicas feitas depois do produto acabado, de forma que não se enquadram no conceito de matériaprima ou produto intermediário, no que nada há a reparar. O direito ao crédito de IPI se dá em relação a matériasprimas e produtos intermediários que passam a compor o produto final, garantindose, também, ao industrial, o direito de se creditar do imposto relativo a insumos que, sem compor a mercadoria final, sejam consumidos em decorrência de contato físico direto com o produto em fabricação durante o processo produtivo e não se classifiquem contabilmente no ativo permanente. Com relação aos produtos químicos utilizados para tratamento da água da caldeira, a fiscalização assim motivou as glosas: d) Produtos utilizados para tratamento (desmineralização) da Agua da caldeira, tais como Triact 1800 Nalco, Resina anionica forte, Resina anionica fraca, etc . A água utilizada na caldeira deve ser tratada quimicamente para retirada de alguns minerais (desmineralização) ou controle do seu PH, caso contrário pode haver incrustação ou corrosão dos canos da caldeira. Como se observa, o objetivo deste procedimento é meramente de manutenção e aumento de eficiência de um equipamento, não guardando qualquer relação com processo produtivo da celulose em si; Os referidos produtos químicos não poderiam objeto de creditamento em face do consumo, como quer a recorrente, vez que não há contato direto desses com a celulose em fabricação, mas apenas com a água da caldeira. Nesse sentido já foi decidido em outro processo da recorrente, conforme trecho abaixo do Voto Vencedor do Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede, no Acórdão nº 3302002.643– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, acerca de produtos utilizados para tratamento da água da caldeira: (...) Concluise que a decisão no Resp 1.075.508/SC prestigiou o contato direto em contraposição ao desgaste indireto, acolhendo a tese do Parecer Normativo CST nº 65, de 1979. Aliado a isto, mencionase a Súmula CARF nº 19, que embora refirase a crédito presumido, incluiu em seu enunciado o contato direto como fundamento, prestigiando o Parecer Normativo CST nº 65, de 1979. Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 18 Assim, resta verificar se houve o contato direto. Pela descrição contida no Informação Fiscal, fls. 163 a 164, constatase que estes produtos não acompanham a água que vai para a produção do licor, assim não entrando em contato direto com a celulose: (...) Concluise, portanto, que os produtos utilizados são para tratar a água das caldeiras, e não a água que vai para a produção de licor, portanto não entrando em contato direto com a celulose e, consequentemente, não gerando direito ao creditamento do IPI. (...) De forma que devem ser mantidas as glosas contestadas no presente tópico. d) Dos insumos utilizados no cultivo de florestas de eucaliptos: Alega a recorrente que o cultivo de árvores é parte do processo produtivo da celulose, logo as matériasprimas e os produtos intermediários utilizados neste processo também gerariam créditos de IPI, razão pela qual entende indevidas as exclusões dos herbicidas, dos fertilizantes/adubos, do monofosfato de amônia, da isca formicida e etc. No entanto, embora a madeira seja efetivamente matériaprima na produção da celulose, o cultivo das árvores, mesmo que exercido pela própria contribuinte, não é operação de industrialização, e sim de agricultura, cujo produto resultante é a madeira, não podendo os produtos empregados nessa etapa, serem considerados como insumos no processo industrial da celulose. O processo que envolve o cultivo de árvores para a obtenção da madeira não se enquadra no conceito de industrialização estabelecido pelo art. 4º do RIPI/2002. Nesse sentido, não ensejam direito a crédito os insumos da parte agrícola, conforme já decidido no Acórdão nº 3102000.887, da 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, assim ementado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/2002 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS DE IPI. PRODUÇÃO DE CANADEAÇÚCAR E DERIVADOS. O conceito de insumo para industrialização, não é largo o bastante para abranger os insumos utilizados no cultivo de cana deaçúcar. Ocorre que o cultivo da canadeaçúcar é processo de produção típico da agricultura, e não da atividade industrial. Recurso voluntário conhecido, mas desprovido. Crédito tributário negado. Assim, devem ser mantidas as glosas referidas neste tópico. e) Das aquisições de pessoas físicas e não contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins: Quanto à possibilidade de incluir na apuração de crédito presumido, previsto na Lei nº 9.363/96, as aquisições de insumos de pessoas físicas, o tema foi objeto de recurso Fl. 399DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10783.902804/200802 Acórdão n.º 3402002.830 S3C4T2 Fl. 391 19 repetitivo do STJ, que consolidou jurisprudência em prol do pleito dos contribuintes, como se verifica da ementa abaixo: A Primeira Seção do STJ, ao julgar o Recurso Especial n.º 993.164/MG, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 17.12.10, submetido à sistemática do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n.º 08/2008, decidiu que o crédito presumido de IPI, criado pela Lei 9.363/96, abrange as aquisições de insumos realizadas a pessoas físicas, não contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS. (REsp 1241856/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/04/2013, DJe 09/04/2013) Esta orientação foi consolidada na Súmula 494/STJ, de seguinte teor: O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP. Assim, com base no art. 62, §2º do RICARF, dou provimento nesta parte ao recurso voluntário para reconhecer os créditos decorrentes das aquisições de pessoas físicas e associações não sujeitas às contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. f) Dos créditos básicos: Alega a recorrente que o entendimento para o conceito de insumo é o mesmo, quer seja para apuração do IPI, quer seja para a apuração do crédito presumido de IPI como para o creditamento direto do PIS e da Cofins nos termos da legislação vigente, razão pela qual não poderia prosperar também nesse ponto a alegação fiscal. No entanto, embora o conceito de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem seja o mesmo para o crédito básico e para o crédito presumido do IPI, nos termos da Lei n° 9.363/1996, conforme já mencionado, é bastante diferente daquele utilizado para as contribuições sociais não cumulativas, as quais são regidas por outra legislação. Assim, em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer os créditos decorrentes das aquisições de insumos de pessoas físicas e associações não sujeitas às contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, com a consequente homologação das compensações nessa medida. É como voto. (assinatura digital) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Fl. 400DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 20 Fl. 401DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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