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Numero do processo: 35366.002164/2006-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 2302-000.090
Decisão: Resolvem os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Marco Andre Ramos Vieira
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score : 1.0
Numero do processo: 10880.675893/2009-83
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/02/2002
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE PELO CARF.
CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº2).
VALIDADE DA INTIMAÇÃO POSTAL
É válida a ciência do Despacho Decisório por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do
recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário (Súmula CARF nº 9).
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 28/02/2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3001-000.321
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleber Magalhães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Ávila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: CLEBER MAGALHAES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 28/02/2002 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE PELO CARF. CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº2). VALIDADE DA INTIMAÇÃO POSTAL É válida a ciência do Despacho Decisório por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário (Súmula CARF nº 9). Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 28/02/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente (assinado digitalmente) Cleber Magalhães - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Ávila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
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IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE PELO CARF. CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº2). VALIDADE DA INTIMAÇÃO POSTAL É válida a ciência do Despacho Decisório por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário (Súmula CARF nº 9). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 28/02/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 58 93 /2 00 9- 83 Fl. 106DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Ávila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Por bem resumir os fatos, adoto o relatório produzido pelo tribunal de origem, a 2ªTurma da DRJ/Belo Horizonte (efl. 67 e ss): DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº rastreamento 849905848 emitido eletronicamente em 23/10/2009, referente ao PER/DCOMP nº 26503.23131.270406.1.3.048340. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de COFINS, Código de Receita 2172, no valor original na data de transmissão de R$180,02, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 28/02/2002. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN),art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 06/11/2009, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 01/12/2009, tendo indicado endereço para onde deverão ser enviadas todas as notificações e intimações referentes ao presente processo. Também aduziu que o débito decorrente da não homologação da compensação está com a sua exigibilidade suspensa, consoante legislação especificada. Em preliminar, argumenta que recebeu o despacho decisório questionado, mas o Aviso de Recebimento (AR) não foi juntado aos autos, como instrumento de prova, pelo fato de a Receita Federal não entregar cópia do documento em tempo hábil, Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10880.675893/200983 Acórdão n.º 3001000.321 S3C0T1 Fl. 3 3 apesar de solicitado pelo manifestante. Requer a anexação do termo de assinatura do AR pelos motivos que passa a discorrer. Alega que o despacho decisório teria sido recebido por pessoa não autorizada para recebimento da sua correspondência e que apenas o sócio, o representante legal da empresa ou qualquer pessoa legitimada poderiam ter recebido a correspondência que trata de intimação com aviso de recebimento. Defende que os princípios da verdade material e da legalidade impõem à Administração rever seus atos contrários ao ordenamento jurídico, o que a leva a requerer a anulação da notificação do despacho decisório. Na possibilidade de que não ser acolhida a preliminar suscitada, passa a discorrer sobre o mérito da compensação. Nas questões de fato, alega que efetuou compensação em conformidade com o disposto no artigo 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, tendo feito menção ainda ao Código Tributário Nacional (CTN) e às instruções normativas que regularam a matéria. O sistema, na hipótese de crédito proveniente de decisão judicial, apenas aceita a compensação se corretamente informada a data do trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o direito creditório. Entende ser descabida tal exigência, na medida em que as compensações são realizadas dentro da sistemática do lançamento por homologação, na qual o contribuinte apura por sua conta e risco o valor devido ao Fisco. Argui que o processo eletrônico a impede de esclarecer a origem do crédito (“declaração expressa de inconstitucionalidade do STF”) e de exercer seu direito constitucional de petição, a qual somente pode ser providenciada com a interposição da manifestação de inconformidade. Na parte que trata dos fundamentos legais, assevera que recolheu a Cofins na forma prevista pela Lei nº 9.718, de 1998, a qual majorou a alíquota do tributo de 2% para 3%, inconstitucionalmente a seu ver, pois a Lei Complementar nº 70, de 1991, previa a alíquota de 2%. Assim, se viu obrigado a recuperar os valores indevidamente recolhidos por meio da compensação. Destaca que o legislador editou a Lei Complementar 70, de 1991, que descreveu minuciosamente a regra matriz da hipótese de incidência da Cofins, sendo sua base de cálculo o faturamento. Em seguida, o Poder Executivo, por meio da Medida Provisória nº 1.724, de 1998, teria alterado a base de cálculo da Cofins para receita bruta e majorado a alíquota para 3%, em afronta ao disposto no artigo 155 da Magna Carta, pois a tributação deveria recair apenas sobre o “faturamento”. Fl. 108DF CARF MF 4 Argumenta ainda que a inclusão das receitas financeiras no cálculo da Cofins somente foi permitida com a edição da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Contudo, a Lei nº 9.718, de 1998 foi editada em data anterior à emenda, e deveria ter respeitado o antigo texto do art. 195 da Constituição Federal, que não previa a cobrança de contribuições à seguridade social sobre receitas financeiras. Portanto, totalmente inconstitucional a alteração da base de cálculo da Cofins por lei ordinária, que não se convalida com a superveniência da Emenda Constitucional. Alega que a MP nº 1.724, de 1998, convertida na Lei nº 9.718, de 1998, que dispõe sobre a cobrança adicional de 1% da Cofins, fere o princípio da equidade na participação do custeio da seguridade social, tendo a Lei estabelecido que o acréscimo de 1% da Cofins deveria ser pago por todas as empresas, mas poderia ser compensado com a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Com isso, as empresas altamente lucrativas não sofreram os efeitos do aumento da carga tributária; somente as empresas que tiveram prejuízos ou lucro baixo, como o manifestante, é que arcaram com a majoração da Cofins. Passa, na continuação, a tratar do prazo prescricional para a repetição do indébito tributário. Defende que, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário se dá com a homologação, expressa ou tácita, do Fisco. Adotada esta premissa, o prazo prescricional para a recuperação de valores indevidamente recolhidos deveria ter início cinco anos após a data do efetivo pagamento (a chamada tese dos cinco mais cinco). Salienta que a empresa “efetuou a restituição do COFINS dentro do prazo prescricional” (sic), em conformidade com as jurisprudências do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Conselho de Contribuintes, tendo o manifestante dez anos para pedir de volta o que foi pago indevidamente. Assevera que, para fundamentar sua decisão, o julgador monocrático aduziu que a Lei Complementar 118/05, dispondo sobre a interpretação do inciso I do art. 168, descreveu que a extinção do credito tributário nos tributos com lançamento por homologação ocorre no pagamento, entendimento que considera equivocado, uma vez que a lei interpretativa deve esclarecer o significado de texto legal controverso, o que não foi o caso, posto que a interpretação posta foi inovadora e contrária à jurisprudência. No Recurso Voluntário, a Recorrente, em suma, repete as alegações já expressas na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10880.675893/200983 Acórdão n.º 3001000.321 S3C0T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Cleber Magalhães Relator. O limite da competência das Turmas Extraordinárias do CARF é de sessenta salários mínimos, segundo o 23B, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017. O valor do saláriomínimo nacional é de R$ 954,00, segundo Decreto nº 9.255, de 29 de dezembro de 2017. Dessa forma, o limite de valor de litígio para processos a serem julgados pelas turmas extraordinárias é de R$ 57.240,00. Como o valor em litígio é de R$ 494,70 (efl. 2), a análise do p.p. está dentro da alçada das turmas extraordinárias. Da preliminar Da intimação por via postal Quanto à arguição de nulidade do Despacho Decisório, uma vez que teria sido recebido por pessoa não autorizada pela empresa, cumpre destacar o que prescreve o inciso II do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: Art. 23. Farseá a intimação: [...]II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; Exige a norma legal que a entrega da intimação seja efetuada no domicílio eleito pelo sujeito passivo. Não se impõe que o sócio ou representante legal do sujeito passivo pessoa jurídica tenha diretamente recebido a intimação cientificada por via postal. O próprio CARF já se posicionou sobre o assunto, por intermédio da na Súmula nº 9, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Assim, voto por REJEITAR a preliminar de nulidade apresentada pela Recorrente. Do mérito Da Inconstitucionalidade da decorrente da alteração da base de cálculo da COFINS pela Medida provisória nº 1.724. Fl. 110DF CARF MF 6 No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, consoante o disposto no art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, salvo os casos de declaração de inconstitucionalidade por decisão definitiva plenária do STF, e de edição de atos específicos do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional e da AdvocaciaGeral da União, nos estritos termos previstos no § 6º da referida norma legal. No mesmo sentido, assim determina a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente pra se pronunciar sobre a constitucionalidade de lei tributária. Do não reconhecimento do crédito no montante postulado Em um processo de restituição, ressarcimento ou compensação, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, quer por pedido de restituição ou ressarcimento, quer por compensação, em ambos os casos mediante a apresentação do PER/DCOMP, de tal sorte que, se a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) resistir à pretensão do interessado, indeferindo o pedido ou não homologando a compensação, incumbirá a ele – o contribuinte –, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. Levandose em conta que o crédito oferecido à compensação deve ser líquido e certo (art. 170 do CTN), concluise que deve a RFB não homologar a compensação se ficar configurada a falta de certeza e liquidez, notadamente com base em informações prestadas em DCTF, quando o contribuinte deixa de comprovar eventual erro cometido no preenchimento daquela declaração. Esse entendimento aplicase também à restituição. Compete ao contribuinte comprovar o direito ao crédito postulado na Declaração de Compensação. Não se encontram nos autos, entretanto, smj, nenhuma prova robusta do solicitado. Não pode a administração tributária aquiescer com o pedido da Recorrente sem que ela apresente elementos que comprovem a justiça de seu pleito. Não há, assim, como acatar o pedido de reforma da decisão do tribunal a quo. Assim, por todo o exposto, voto por REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10880.675893/200983 Acórdão n.º 3001000.321 S3C0T1 Fl. 5 7 (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Fl. 112DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.003048/2009-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
PIS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO.
Para fins de apuração de crédito do PIS/Pasep e da Cofins não-cumulativos, há de se observar o rol de deduções previstos no art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente, adotando-se, no que tange ao seu inciso II, a interpretação intermediária construída no CARF quanto ao conceito de insumo, tornando-se imperativa para o reconhecimento do direito ao crédito a análise acerca da sua essencialidade.
No caso concreto analisado, há de ser reconhecido o direito ao crédito relativo às despesas com (a) embalagens e (b) fretes, porém, mantida a glosa no que tange às despesas com condomínio.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-004.504
Decisão: Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: por unanimidade de votos, em dar provimento para admitir o creditamento de embalagens e fretes das embalagens e, por maioria de votos, em negar provimento para manter a glosa relativa à despesa com condomínio, vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada) e Semíramis de Oliveira Duro.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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Recorrente POMAGRI FRUTAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 PIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. Para fins de apuração de crédito do PIS/Pasep e da Cofins nãocumulativos, há de se observar o rol de deduções previstos no art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente, adotandose, no que tange ao seu inciso II, a interpretação intermediária construída no CARF quanto ao conceito de insumo, tornandose imperativa para o reconhecimento do direito ao crédito a análise acerca da sua essencialidade. No caso concreto analisado, há de ser reconhecido o direito ao crédito relativo às despesas com (a) embalagens e (b) fretes, porém, mantida a glosa no que tange às despesas com condomínio. Recurso Voluntário Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: por unanimidade de votos, em dar provimento para admitir o creditamento de embalagens e fretes das embalagens e, por maioria de votos, em negar provimento para manter a glosa relativa à despesa com condomínio, vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada) e Semíramis de Oliveira Duro. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 30 48 /2 00 9- 48 Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10925.003048/200948 Acórdão n.º 3301004.504 S3C3T1 Fl. 3 2 Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10925.003048/200948 Acórdão n.º 3301004.504 S3C3T1 Fl. 4 3 Relatório Tratase o presente processo de pedido de ressarcimento, cumulado com declarações de compensação, relativo a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep Não Cumulativa, vinculado a receitas de vendas submetidas à alíquota zero (produção e comercialização de maçãs), deferido parcialmente por Despacho Decisório exarado pela unidade de origem. Dessa forma, apenas parte das compensações declaradas foi homologada. Conforme Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal constante nos autos, o reconhecimento parcial do crédito decorreu de glosas efetuadas em itens diversos de custo e despesa que compunham o crédito demonstrado pelo contribuinte no Dacon. Cientificado do decisório, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual pede o reconhecimento integral do crédito de ressarcimento, com base nas seguintes razões: (i) Os materiais de embalagens (cantoneiras, bandejas, fitas adesivas, pallets, papelseda, plástico bolha, tampas, fundos, caixas de papelão etc) são indispensáveis ao acondicionamento do produto, não exclusivamente com o fim de transporte, porquanto utilizados para assegurar a integridade da fruta até o seu destino; (ii) O papelseda, fita, cantoneira e outros são insumos na produção da maçã, conforme item acima, de modo que gera creditamento a despesa com o serviço de transporte para adquirilos; (iii) A despesa com condomínio deve ser creditada da mesma forma que a despesa com aluguel, pois o acessório segue o principal; (iv) Não existe lei formal determinando a aplicação do conceito de insumo do IPI à apuração das contribuições nãocumulativas; (v) O critério de insumo utilizado na decisão recorrida não está em conformidade com Soluções de Consulta emanadas das Superintendências da Receita Federal do Brasil (Processo de Consulta nº 99/09 da SRRF6ªRF), com decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Recurso Voluntário nº 146.778) e com a jurisprudência judicial (Acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, de 26 de março de 2009; Agravo Regimental no REsp nº 1.125.253/SC, de 15 de abril de 2010). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, nos termos do Acórdão nº 08033.958. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão e, insatisfeito com o seu teor, interpôs Recurso Voluntário, através do qual requereu: (i) recebimento do recurso voluntário; ii) procedência do recurso para reformar o acórdão recorrido, com o reconhecimento do direito ao crédito de PIS requerido no pedido de ressarcimento. É o breve relatório. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10925.003048/200948 Acórdão n.º 3301004.504 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.488, de 22 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10925.003010/200975, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.488): "Voto Vencido O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 1) Do direito ao creditamento de COFINS linhas gerais Consoante acima indicado, a presente demanda versa sobre o direito ao creditamento de COFINS em razão da análise do conceito de insumos disposto na legislação de regência. A DRJ seguiu a legislação do IPI, entendendo que, para que fosse concedido o crédito, seria essencial o desgaste físico no produto no processo produtivo da empresa. Esse entendimento, contudo, encontrase superado por este Conselho, que construiu uma corrente intermediária própria, fugindo tanto às normas atinentes ao IPI quanto às normas atinentes ao IRPJ. E é com base nesta corrente intermediária, com a qual me alinho, que serão analisados a seguir os itens que foram objeto de glosa por parte da fiscalização. Importante destacar que o embasamento da glosa realizada pela fiscalização foi a ausência de previsão legal para autorização do creditamento realizado, e não a falta de comprovação da sua origem. Logo, a questão deve ser apreciada sobre o aspecto de direito. Sobre o creditamento, o art. 3º da Lei nº 10.833/2003 assim dispõe: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10925.003048/200948 Acórdão n.º 3301004.504 S3C3T1 Fl. 6 5 exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Grifos apostos). No que tange à alínea II acima, embora ciente que alguns julgadores deste Conselho adotam interpretação restritiva do conceito de insumos para fins de admissão do crédito, inclusive acolhendo em alguns casos o conceito de insumos inserto na legislação do IPI, tem prevalecido nas decisões proferidas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais uma posição menos engessada, por meio da análise dos créditos aplicáveis em cada caso concreto, em razão da atividade desempenhada pela empresa. A análise do presente caso, portanto, em determinadas situações, perpassa pela definição do conceito de insumos para o PIS e a COFINS. Nos termos dos recentes julgados proferidos por este Conselho, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10925.003048/200948 Acórdão n.º 3301004.504 S3C3T1 Fl. 7 6 construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Logo, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade à atividade desempenhada pela empresa, direta ou indiretamente. Esta, inclusive, também é a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento daquela Corte pode ser visualizado no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques, proferido nos autos do Recurso Especial nº 1.246.317MG: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10925.003048/200948 Acórdão n.º 3301004.504 S3C3T1 Fl. 8 7 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Quanto ao tema, filiome à corrente intermediária acima indicada, pelo que entendo merecer reforma a decisão recorrida quanto aos seus fundamentos, uma vez que, para a compreensão do direito à apuração de créditos de PIS e COFINS no sistema da nãocumulatividade, não deve ser adotado o conceito estrito de insumos constante da decisão recorrida. 2) Dos itens em que o direito ao creditamento restou afastado pela DRJ A empresa em questão planta, produz e comercializa frutas. O recorrente se insurge contra o entendimento da DRJ, argumentando que as despesas com aquisições de embalagens, frete das embalagens e condomínio devem gerar crédito de COFINS por serem todas diretamente necessárias à comercialização do produto. Afirma que tais despesas se relacionam diretamente com a preservação da integridade do produto, transporte de insumos e armazenamento. Com relação ao condomínio, afirma que este é acessório que deve seguir a sorte do principal, que é o aluguel, devendo todas essas despesas gerar créditos de COFINS. A decisão da primeira instância analisou a legislação que trata do conceito de insumo para fins de creditamento da COFINS, e concluiu que o caso dos presentes autos não se enquadra no conceito legal, visto que as embalagens utilizadas pelo contribuinte têm a finalidade única de servir ao transporte das frutas, não havendo comprovação de que acompanham o produto em sua apresentação final ao consumidor, de modo a agregarlhe valor. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10925.003048/200948 Acórdão n.º 3301004.504 S3C3T1 Fl. 9 8 Manteve a glosa do crédito referente ao frete das embalagens por terem sido desconsideradas como insumo. Quanto aos gastos com condomínio, rejeitou o argumento de que o acessório segue o principal em razão de não haver a alegada relação de acessoriedade, visto que o pagamento do condomínio independe da existência de relação locatícia, e que o acolhimento de um brocardo para alargar a hipótese de creditamento iria de encontro ao princípio da legalidade. Além disso, a utilidade decorrente do condomínio é deslocada espaçotemporalmente do processo produtivo da maçã. Por fim, manteve as glosas dos créditos sobre as despesas com gás combustível para as empilhadeiras, por não ter havido a desconstituição pelo contribuinte da constatação de que as empilhadeiras possuem uso geral para transporte de objetos, não estando sua utilidade adstrita à produção das maçãs. Entendo que assiste razão ao contribuinte em seus argumentos, consoante restará devidamente demonstrado nos tópicos a seguir. 2.1. Das embalagens As embalagens aqui analisadas são as seguintes: bandejas (utilizadas nas caixas de papelão para separar e acondicionar as maçãs), cantoneiras (utilizadas nas caixas de papelão, para proteger o produto, durante o transporte até o cliente, evitando o amassamento da caixa e das maçãs), fitas adesivas (para lacrar o fundo das caixas), pallets e seus acessórios (tais como pregos e etiquetas, utilizados no armazenamento e transporte das caixas de maçãs), papelseda (utilizado para embrulhar a maçã), plástico bolha (empregado para envolver a maçãs, evitando o atrito entre elas), caixa e fundos (usados no acondicionamento das frutas), tampas (utilizadas para proteger a fruta do contato com o ambiente externo), cola (utilizada para colar os rótulos nas caixas de madeira), filme PVC (usado para segurar as caixas nos pallets), termógrafo (usado para controlar a temperatura das caixas quando transportadas). Quanto às embalagens, entendo que a legislação admite o direito ao crédito no caso concreto ora analisado, ainda que as embalagens utilizadas. Isso porque, em razão da especificidade dos produtos produzidos pela Recorrente, é inconteste que as embalagens servem não apenas para o mero transporte, mas também para o seu acondicionamento, apresentandose essenciais à conservação da integridade e qualidade do produto. Conforme fundamentos constantes do tópico anterior, entendo desnecessário que as embalagens sejam incorporadas ao produto durante o processo de industrialização para que seja reconhecido o seu direito ao crédito. É imprescindível, na verdade, identificar se o insumo em questão é essencial à atividade produtiva desempenhada pela empresa, direta ou indiretamente, tendo concluído no caso dos presentes autos que sim. Até porque, ainda que se entendesse que as embalagens em questão seriam destinadas apenas ao transporte, o que não é o caso, a legislação atinente à COFINS não acoberta a restrição realizada pela fiscalização para fins de tomada de crédito, a qual levou em consideração a legislação do IPI, cuja aplicável há de ser afastada. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10925.003048/200948 Acórdão n.º 3301004.504 S3C3T1 Fl. 10 9 Estes custos com embalagens para acondicionamento e transporte, em razão da especificidade dos produtos que a Recorrente comercializa, são essenciais a que o produto produzido pela empresa seja colocado à venda, pelo que se insere no conceito de insumo que adoto, nos termos acima analisados. Entendo, ainda, que este item específico também se insere no inciso IX, que expressamente autoriza o creditamento relativo à armazenagem de mercadoria e frete na importação de vendas, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Isso porque, verificase que a adoção da embalagem em questão é necessária tanto para a armazenagem quanto para o transporte dos produtos que a recorrente industrializa e comercializa, em razão das suas especificidades. Há de se destacar, inclusive, que a Câmara Superior de Recursos Fiscais, em caso análogo, já se manifestou pelo direito ao crédito em tal caso. É o que se infere da decisão a seguir transcrita: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PIS/PASEP. REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CREDITAMENTO. Para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS/PASEP, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido) TAMBORES UTILIZADOS COMO EMBALAGEM PARA TRANSPORTE. GÁS EMPREGADO EM EMPILHADEIRAS. É legítima a apropriação do crédito da contribuição ao PIS/PASEP nãocumulativo em relação às aquisições de tambores empregados como embalagem de transporte e sobre o gás empregado em empilhadeiras, tendo em vista a relação de pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CREDITAMENTO. Para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10925.003048/200948 Acórdão n.º 3301004.504 S3C3T1 Fl. 11 10 menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido) TAMBORES UTILIZADOS COMO EMBALAGEM PARA TRANSPORTE. GÁS EMPREGADO EM EMPILHADEIRAS. É legítima a apropriação do crédito da contribuição à COFINS nãocumulativa em relação às aquisições de tambores empregados como embalagem de transporte e sobre o gás empregado em empilhadeiras, tendo em vista a relação de pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo. (Acórdão n. 9303004.192, de 04/08/2016). Logo, entendo que a decisão recorrida também deverá ser reformada neste ponto, para fins de admitir o direito ao crédito também no que concerne aos tambores utilizados para acondicionamento e transporte. Sendo assim, entendo que deverá ser reconhecido o direito ao crédito no que concerne às embalagens. 2.2. Dos fretes das embalagens A segunda glosa objeto da presente demanda incidiu sobre o serviço de transporte de material não considerado insumo na produção da maçã, tais como papelseda, fitas, filmes, cantoneira, cola, termógrafo etc. O contribuinte defende que, uma vez considerado insumo o material de embalagem utilizado, a despesa com frete na sua aquisição é capaz de gerar creditamento. No que tange aos fretes das embalagens, uma vez admitido o crédito no que concerne às embalagens, entendo que há de ser admitido o direito ao crédito também no que tange aos fretes das referidas embalagens. Até porque, penso que o gasto com frete pago ou creditado pelo comprador à pessoa jurídica domiciliada no País incorporase ao custo de aquisição do insumo, além de encontrar previsão de desconto de crédito no artigo 3º, inciso IV da Lei nº 10.833/2003, cumulado com o inciso II deste mesmo dispositivo legal. (...) Voto Vencedor (...) Quanto às despesas com condomínio, concluise que não assiste razão ao contribuinte em seu pleito, em razão da ausência de respaldo legal para o creditamento de tal despesa. Por concordar com os fundamentos constantes da decisão recorrida no que concerne a tal despesa, transcrevoo a seguir: 42. Em contraparte, o manifestante sustenta a possibilidade de creditamento com base nas despesas de condomínio, à Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10925.003048/200948 Acórdão n.º 3301004.504 S3C3T1 Fl. 12 11 semelhança do que sucede em relação às despesas de aluguel, invocado o velho brocardo de que o acessório segue o principal (accessorium seguitur principale). 43. De fato, o inciso IV do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, prevê a possibilidade de as despesas incorridas com aluguel gerarem crédito na apuração nãocumulativa das contribuições. Entretanto, a máxima não se aplica à espécie, por dois motivos básicos. 44. Em primeiro lugar, não há acessoriedade entre aluguel e encargo de condomínio, uma vez ausente vínculo de causalidade entre eles. Com efeito, pagase condomínio não porque o imóvel é alugado, mas porque se usufrui de utilidades compartilhadas pelos proprietários ou usuários de prédios. 45. Pelo contrato de locação, uma das partes se obriga a ceder o uso e gozo de coisa não fungível, mediante certa retribuição. As despesas de condomínio, por sua vez, são destinadas a gastos relativos ao imóvel respectivo como, por exemplo, salários de empregados, materiais de consumo, equipamentos, serviços prestados ao condomínio, podendo, até mesmo, haver sobra em um mês determinado. Dessa forma, percebese que despesas de condomínio não se relacionam com aluguel. 46. Em segundo lugar, a aplicação de um brocardo não pode resultar na ampliação, por analogia, de hipóteses de creditamento que interferem na determinação da base de cálculo da contribuição, sob pena de ofensa ao princípio da legalidade tributária. 47. Resta verificar se os gastos com condomínio podem ser considerados insumo. 48. Dado que deles resultam utilidades imateriais para o contribuinte, seriam insumos se assim caracterizados sob o aspecto funcional. Entretanto, os serviços de condomínio são completamente deslocados espaçotemporalmente do processo produtivo da maçã. 49. Por essa razão, correta está a glosa das despesas de condomínio. Nesse mesmo sentido, já se manifestou este Conselho, consoante se extrai do Acórdão nº 3302.001.491, a seguir colacionado: (...). COFINS NÃO CUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. INSUMO. CONCEITO. Os bens e serviços que geram direito a crédito da contribuição são aqueles conceituados como insumos, assim entendidos os que sejam diretamente utilizados ou consumidos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Despesa de condomínio incorrida por Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10925.003048/200948 Acórdão n.º 3301004.504 S3C3T1 Fl. 13 12 indústria de beneficiamento de carnes não enquadra neste conceito. Nego, portanto, o direito creditório quanto a tal item." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado tanto à COFINS quanto à Contribuição para o PIS/Pasep. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário, para admitir o creditamento de embalagens e fretes das embalagens, e para manter a glosa relativa à despesa com condomínio. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 168DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.901458/2013-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO.
A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
Numero da decisão: 1402-003.026
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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DIREITO CREDITÓRIO. A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 14 58 /2 01 3- 53 Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10850.901458/201353 Acórdão n.º 1402003.026 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) assim ementado: "ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2012 RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" O caso foi assim relatado pela instância a quo, in verbis: "Trata o presente processo de Pedido de Restituição [...], transmitida em 27/12/2012, por meio da qual o contribuinte acima identificado solicita restituição de direito creditório decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ (código 2089) do período de apuração 30/06/2012. Despacho Decisório (fl. 04) da Delegacia da Receita Federal em São José do Rio Preto indeferiu o Pedido de Restituição em virtude da inexistência de crédito, sob a seguinte fundamentação: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados pra quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. " Cientificado do Despacho Decisório por via postal em 14/05/2013, o contribuinte apresentou, em 07/06/2013, manifestação de inconformidade (fl. 03), alegando que teve indeferido seu pedido de restituição pelo fato de não ter retificado suas declarações (DCTF, DACON e DIPJ), porém pleiteia novamente o crédito afirmando ter corrigido todas as declarações." Inconformada com a decisão da Instância a quo, a recorrente interpôs recurso voluntário, no qual traz a seguinte explicação para retificar a DCTF, DACON e DIPJ: "Isto tudo foi feito quando constatado que a empresa LC ASSISTÊNCIA MÉDICA S/S LTDA, recolheu o IRPJ sendo 4,80% e a CSLL sendo 2,88% na Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10850.901458/201353 Acórdão n.º 1402003.026 S1C4T2 Fl. 4 3 sua totalidade, e a empresa INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO ESTRATÉGICO E ASSISTÊNCIA INTEGRAL A SAÚDE, CNPJ N° 00.376.056/000145, também havia retido e recolhido o IRRF 1,5%, Código 1708 e o PIS/COFINS/CSLL 4,65% Código 5952." Em seu pedido, requer que se aceite as retificações das declarações, pleiteando o crédito novamente referente ao PER/DCOMP acima identificado. Fl. 40DF CARF MF Processo nº 10850.901458/201353 Acórdão n.º 1402003.026 S1C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.078, de 11/04/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10850.901450/2013 97, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.078): "O Recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos, portanto dele conheço. O recorrente teve seu pedido de restituição indeferido o fato de que, ainda que tenha sido localizado pagamento ao qual se amolda aquele apontado na PER/DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente já teria sido utilizado para a extinção anterior de outro débito. Isso equivale a dizer que o valor do DARF foi integralmente consumido na extinção, por pagamento, de débito regularmente registrado nos arquivos da Receita Federal, motivo pelo qual não há saldo disponível para restituir. O recorrente alega que retificou as declarações DCTF, DACON e DIPJ para redução de tributos, pois recolheu o IRPJ e a CSLL na sua totalidade, contudo a empresa INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO ESTRATÉGICO E ASSISTÊNCIA INTEGRAL A SAÚDE, CNPJ N° 00.376.056/000145, também havia retido e recolhido o IRRF e o PIS/COFINS/CSLL. Uma vez que a administração tributária tenha iniciado procedimento fiscal para verificar as obrigações tributárias referentes a determinado período e tributo, não mais se pode falar em espontaneidade na entrega de declaração retificadora. Dessa forma, uma vez que a administração tributária emite decisão com base em declaração regularmente entregue, não é lícito que o recorrente retifique a informação que levou àquela decisão e pretenda que seja a nova informação aceita sem passar pelo crivo do Autoridade Fiscal. Sendo assim, deveria o recorrente ter apresentado sua manifestação de inconformidade acompanhada de elementos probatórios que permitissem à autoridade julgadora constatar a efetiva ocorrência dos alegados equívocos cometidos em suas declarações anteriores, nos termos do artigo 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972. Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10850.901458/201353 Acórdão n.º 1402003.026 S1C4T2 Fl. 6 5 Contudo, apesar das alegações, o recorrente não traz quaisquer documentos (notas fiscais, recibos, comprovante de pagamento) que comprovem que houve a retenção dos referidos valores de IRRF, CSLL, PIS e COFINS. Além de não comprovar a retenção dos referido tributos, também não houve a demonstração de que os valores retidos seriam suficientes para quitar integralmente os tributos apurados a partir de seus livros comerciais e fiscais. Desse modo, sendo do recorrente o ônus de provar o crédito que alegava ter, nos termos do artigo 333, I, do Código de Processo Civil, e não tendo se desincumbido de referido ônus, cumpre indeferir seu pedido de restituição e de compensação, por falta de comprovação da existência do crédito. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 42DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.901199/2008-80
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. PAGAMENTO DEVIDO.
Não há pagamento indevido quando efetivado nos termos da legislação vigente editada em momento posterior ao trânsito em julgado de decisão judicial.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
IMUNIDADE RECONHECIDA POR DECISÃO JUDICIAL. INEXISTÊNCIA. CESSAÇÃO DOS EFEITOS DA COISA JULGADA MATERIAL.
Em se tratando de relação jurídica continuada, alteradas as circunstâncias fáticas ou jurídicas existentes à época da prolação da decisão, cessam automaticamente os efeitos vinculantes da coisa julgada. Aplicação da cláusula rebus sic stantibus, subjacente às decisões de mérito em geral.
Numero da decisão: 9101-003.521
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente e Redatora designada
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente) e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado para os impedimentos de conselheiros).
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. PAGAMENTO DEVIDO. Não há pagamento indevido quando efetivado nos termos da legislação vigente editada em momento posterior ao trânsito em julgado de decisão judicial. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 IMUNIDADE RECONHECIDA POR DECISÃO JUDICIAL. INEXISTÊNCIA. CESSAÇÃO DOS EFEITOS DA COISA JULGADA MATERIAL. Em se tratando de relação jurídica continuada, alteradas as circunstâncias fáticas ou jurídicas existentes à época da prolação da decisão, cessam automaticamente os efeitos vinculantes da coisa julgada. Aplicação da cláusula rebus sic stantibus, subjacente às decisões de mérito em geral.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Adriana Gomes Rêgo. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente e Redatora designada (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente) e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado para os impedimentos de conselheiros).
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DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. PAGAMENTO DEVIDO. Não há pagamento indevido quando efetivado nos termos da legislação vigente editada em momento posterior ao trânsito em julgado de decisão judicial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 IMUNIDADE RECONHECIDA POR DECISÃO JUDICIAL. INEXISTÊNCIA. CESSAÇÃO DOS EFEITOS DA COISA JULGADA MATERIAL. Em se tratando de relação jurídica continuada, alteradas as circunstâncias fáticas ou jurídicas existentes à época da prolação da decisão, cessam automaticamente os efeitos vinculantes da coisa julgada. Aplicação da cláusula rebus sic stantibus, subjacente às decisões de mérito em geral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Adriana Gomes Rêgo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 11 99 /2 00 8- 80 Fl. 778DF CARF MF Processo nº 15374.901199/200880 Acórdão n.º 9101003.521 CSRFT1 Fl. 779 2 (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente e Redatora designada (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente) e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado para os impedimentos de conselheiros). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte, em face de acórdão onde se analisou pedido de restituição/compensação de IRPJ pago, porém sob os efeitos de decisão judicial transitada em julgado que reconhecia o direito à imunidade dos impostos ao Contribuinte. Decidiu a Turma a quo pela aplicação do Parecer PGFN nº 492, de 2011, segundo o qual “alteradas as circunstâncias fáticas ou jurídicas existentes à época da prolação da decisão, esta naturalmente deixa de produzir efeitos vinculantes, dali para frente, dada a sua natural inaptidão de alcançar a nova relação jurídica tributária.”. Desse modo, foi negado provimento ao recurso do Contribuinte. Na origem, tratase de PER/DECOMP apresentado pelo contribuinte, para compensação de tributos com crédito oriundo de IRPJ pago. Para o Contribuinte, o imposto pago o foi por equívoco, na medida em que possuía decisão judicial transitada em julgado reconhecendo sua imunidade da cobrança de todos os impostos, de forma ampla e irrestrita, independente de mudança da legislação infraconstitucional, já que a decisão transitada em julgado no MS n° 90.100712 se fundava em regras constitucionais. No decorrer do processo administrativo, sua pretensão não foi acolhida. Na decisão proferida pela maioria dos componentes da Turma a quo ressaltouse que a Suprema Corte do país já se pronunciou sobre a ausência de imunidade das entidades previdência privada, através do RE nº 202.700/DF, de 08 de novembro de 2001, de relatoria do Ministro Maurício Correa. Ressaltouse, também, que o presente caso trata de tentativa de repetição de indébito relativa a imposto incidente sobre fato ocorrido no anocalendário de 2001, período em que se encontrava vigente a Medida Provisória nº 2.222, que não foi objeto de discussão acerca da sua constitucionalidade. Fl. 779DF CARF MF Processo nº 15374.901199/200880 Acórdão n.º 9101003.521 CSRFT1 Fl. 780 3 Fundandose na Portaria PGFN 492/2011, segundo a qual: "a alteração das circunstâncias fáticas ou jurídicas existentes ao tempo da prolação de decisão judicial voltada à disciplina de uma dada relação jurídica tributária de trato sucessivo faz surgir uma relação jurídica tributária nova, que, por isso, não é alcançada pelos limites objetivos que balizam a eficácia vinculante da referida decisão judicial" decidiuse que a decisão judicial que reconhecera a imunidade tributária ao Contribuinte perdera sua eficácia, de modo a não existir o crédito pleiteado. Irresignado, tempestivamente o Contribuinte apresentou recurso especial de divergência, demonstrando que em casos similares, mais especificamente, casos em que contribuintes que possuíam decisão judicial reconhecendolhes o direito de não recolher a CSLL, por tratarse de tributo cobrado com base em leis inconstitucionais, mesmo havendo decisão do STF e alteração da legislação do tributo posteriores ao trânsito em julgado da respectiva ação, este Tribunal reconheceu eficácia às decisões judiciais. No mérito, contribuinte traz ao julgamento entendimento sobre ser aplicável ao caso o RESP 1.118.893, proferido com base no regime do artigo 543C do antigo CPC, onde restou decidido que: (i) o fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade; e (ii) declarada a inexistência de relação jurídicotributária entre o contribuinte e o fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, afastase a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, ainda não revogado ou modificado em sua essência. O recurso do Contribuinte foi admitido pelo Presidente da câmara. A Fazenda apresenta contrarrazões, pugnando pela manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Sobre a admissibilidade do Recurso, entendo não haver reparos a serem feitos no despacho de admissibilidade, portanto, dele conheço. Sobre o mérito da questão, entendo que merece reparo decisão recorrida. Conforme bem delineado no relatório da referida decisão, as decisões judiciais trazidas aos autos, reconheceram ao Contribuinte a imunidade à cobrança de qualquer imposto (nos termos do art. 150, IV, “c” da CF) de forma ampla e irrestrita até que o referido dispositivo constitucional seja modificado. Fl. 780DF CARF MF Processo nº 15374.901199/200880 Acórdão n.º 9101003.521 CSRFT1 Fl. 781 4 Claro também ficou que o acórdão que reconheceu a imunidade ao Contribuinte transitou em julgado e que a Fazenda Nacional não ajuizou ação rescisória visando desconstituir o referido acórdão. Importante destacar que restou expresso em decisão transitada em julgado o reconhecimento de que o Contribuinte seria imune e que a alteração da legislação infraconstitucional não afeta a coisa julgada que tem fundamento constitucional, a saber, o art. 150, VI, "c", da CF/88, que não foi alterado nem revogado. Pois bem. O atual Código de Processo Civil, em seu artigo 502, dispõe que denominase coisa julgada material a autoridade que torna imutável e indiscutível a decisão de mérito não mais sujeita a recurso. Já em seu artigo 503 dispõe tal norma que a decisão que julgar total ou parcialmente o mérito tem força de lei nos limites da questão principal expressamente decidida. Relativizando a força da coisa julgada o artigo 505, I, do NCPC dispõe que nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas relativas à mesma lide, salvo se, tratandose de relação jurídica de trato continuado, sobreveio modificação no estado de fato ou de direito, caso em que poderá a parte pedir a revisão do que foi estatuído na sentença. Percebam que tal norma admite que nova decisão seja dada à mesma lide, nas relações jurídicas de trato continuado, na hipótese de posterior alteração no estado de fato ou de direito, mas, para tanto, exige que a parte expressamente peça ao juiz a revisão da decisão. Ou seja, trazendo a aplicação dessa regra para o caso em questão, podese concluir que, para que fosse reconhecida como legítima a relação jurídica entre União e o Contribuinte em questão, no que toca à cobrança do IRPJ, deveria a Fazenda Nacional expressamente solicitar ao juiz da causa a revisão da decisão, demonstrando alteração no estado de fato e/ou de direito da relação. Contudo, não há nos autos nada acerca da movimentação da Fazenda perante o Judiciário, para pedir a revisão da decisão, pela alteração das circunstâncias fáticas ou jurídicas relacionadas ao tema. Outra hipótese de relativização da coisa julgada seria a propositura da ação rescisória, no prazo e respeitados os limites e requisitos legais a ela relativos. Mas, conforme consta dos autos, a Fazenda não ingressou com a ação no prazo legalmente previsto. Mas qual a razão da inércia da Fazenda? Penso que a resposta foi dada pelo STJ, ao proferir a decisão no RESP 1.118.893 e, em resumo, ela é bem simples. Decisão do STF posterior ao trânsito em julgado de ação judicial não pode ser considerada modificação no estado de fato, bem como que a Medida Provisória nº 2.222 não pode ser considerada modificação no estado de direito. Fl. 781DF CARF MF Processo nº 15374.901199/200880 Acórdão n.º 9101003.521 CSRFT1 Fl. 782 5 Sobre o fato de a decisão do STF posterior e contrária não alterar decisão passada em julgado, aproveito das razões do Ministro Arnaldo Esteves Lima, proferidas no RESP 1.118.893, nos seguintes termos: Outrossim, o fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade à própria existência do controle difuso de constitucionalidade, fragilizando, sobremodo, a res judicata , com imensurável repercussão negativa no seio social. A propósito, transcrevo a lição de Luiz Guilherme Marinoni, (Coisa Julgada Inconstitucional . São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2008, pp. 104/105): A circunstância de uma questão constitucional chegar ao Supremo Tribunal Federal após o trânsito em julgado de decisões sobre a mesma questão certamente não é motivo para a admissão da retroatividade do pronunciamento do Supremo Tribunal Federal sobre a coisa julgada. As decisões que transitaram em julgado, tratando da questão constitucional posteriormente interpretada de outra maneira pelo Supremo Tribunal Federal, expressam um juízo legítimo sobre a constitucionalidade. Este juízo nada mais é do que resultado do deverpoder judicial de realizar o controle da constitucionalidade. Ademais, o fato de a decisão transitar em julgado, antes de a questão chegar à análise do Supremo Tribunal Federal, é mera conseqüência do sistema de controle da constitucionalidade brasileiro. A admissão da força de pronunciamento do Supremo Tribunal Federal sobre a coisa julgada, ao fundamento da sua natural e insuprimível demora para se manifestar sobre a questão constitucional, significa a negação do sistema de controle difuso da constitucionalidade. Ao invés da retroatividade das decisões do Supremo Tribunal Federal, seria efetiva e praticamente mais conveniente – obviamente se isto fosse juridicamente possível e conveniente no sistema brasileiro (o que evidentemente não é) – suprimir a possibilidade de o juiz ordinário realizar o controle da constitucionalidade. Já no que tange a ausência de alteração no estado de direito no que toca a relação tributária, entendo que, tal qual ocorreu no caso de CSLL, a MP 2.222 não criou nova relação jurídicotributária em relação ao IRPJ das entidades de previdência privada fechadas, mas apenas alterou elementos dessa relação já existente desde sempre do ponto de vista legal, mas que fora declarada inexistente para o Contribuinte em questão, em decisão proferida através de controle difuso de constitucionalidade, já transitada em julgado. O próprio artigo 1º da referida MP já é claro no sentido da alteração da forma de tributação apenas dos os rendimentos e ganhos auferidos nas aplicações de recursos das provisões, reservas técnicas e fundos de entidades abertas de previdência complementar e de sociedades seguradoras que operam planos de benefícios de caráter previdenciário, vejamos sua redação: Fl. 782DF CARF MF Processo nº 15374.901199/200880 Acórdão n.º 9101003.521 CSRFT1 Fl. 783 6 Art.1oA partir de 1o de janeiro de 2002, os rendimentos e ganhos auferidos nas aplicações de recursos das provisões, reservas técnicas e fundos de entidades abertas de previdência complementar e de sociedades seguradoras que operam planos de benefícios de caráter previdenciário, ficam sujeitos à incidência do imposto de renda de acordo com as normas de tributação aplicáveis às pessoas físicas e às pessoas jurídicas nãofinanceiras. Ora, como se vê, tal norma não cuidou da relação jurídica entre Estado e Contribuinte, que nasce com o fato auferir renda, mas apenas e tão somente deu tratamento distinto do genérico à renda gerada especificamente nas aplicações de recursos das provisões, reservas técnicas e fundos. Ou seja, a MP não estabeleceu nova matriz jurídica do IRPJ, mas tão somente alterou regras que orbitam ao entorno da regra central que faz nascer o dever de pagar o imposto de renda. Isso fica ainda mais evidente no artigo 2º de tal MP, que concede opção aos contribuintes por regime especial de tributação, no qual o resultado positivo, de novo, dos rendimentos e ganhos das provisões, reservas técnicas e fundos será tributado pelo imposto de renda à alíquota de vinte por cento. Vejamos sua redação: Art.2oA entidade aberta ou fechada de previdência complementar, a sociedade seguradora e o administrador do Fundo de Aposentadoria Programada IndividualFAPI poderão optar por regime especial de tributação, no qual o resultado positivo, auferido em cada trimestrecalendário, dos rendimentos e ganhos das provisões, reservas técnicas e fundos será tributado pelo imposto de renda à alíquota de vinte por cento. Nesse contexto, também são aplicáveis aqui as razões do STJ no RESP 1.118.893, no sentido de que declarada a inexistência de relação jurídicotributária entre o contribuinte e o fisco, afastase a possibilidade de sua cobrança com base em diploma legal, ainda não revogado ou modificado em sua essência. No presente caso, a MP 2.222 não traz novo regramento para o imposto de renda, ou seja, não modifica o tributo em sua essência, como visto. Logo, não há que se falar em criação de nova relação jurídicotributária, único elemento capaz de fazerem cessar os efeitos da decisão passada em julgado. Diante de todo o exposto, voto por dar provimento ao Recurso do Contribuinte. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 783DF CARF MF Processo nº 15374.901199/200880 Acórdão n.º 9101003.521 CSRFT1 Fl. 784 7 Voto Vencedor Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Redatora Designada Em que pese o muito bem fundamentado voto proferido pelo ilustre Conselheiro Relator, peço vênia para discordar em relação ao mérito. A contribuinte defende que possui imunidade tributária ampla e irrestrita a todo e qualquer imposto, em razão do MS 90.00100712 e dos AG n.1999.02.01.0320250 e n. 2002.02.01.0425528, que por conseqüência, o pagamento de IRPJ realizado em 31/01/2002 foi indevido, resultando no crédito a compensar. Inicialmente, cabe um breve resumo acerca da ação judicial citada. O mandado de segurança nº 90.00100712 foi impetrado contra ato do Delegado da Receita Federal no Rio de Janeiro, no sentido de não sofrer a incidência do IOF, instituído pela Lei nº 8.033/90. Alegou a impetrante ser imune ao referido imposto em razão de decisão judicial proferida ainda na vigência da Emenda Constitucional nº1, de 17 de outubro de 1969. A segurança foi concedida em 1ª instância, já sob a égide da Constituição Federal de 1988, em sentença proferida em 31 de agosto de 1990, e ratificada no Tribunal Regional Federal da 2ª Região. A União agravou da decisão (AG 1999.02.01.0320250) e o Tribunal negou provimento ao agravo de instrumento e julgou prejudicado o agravo regimental. Transcrevo ementa do voto: EMENTA: CONSTITUCIONAL E PROCESSUAL CIVIL MANDADO DE SEGURANÇA IMUNIDADE TRIBUTARIA COISA JULGADA. 1. Reconhecida a imunidade tributária da recorrida por sentença transitada em julgada, proferida em mandado de segurança, com base em dispositivo constitucional, não pode a Fazenda Nacional exigir o recolhimento de IOF com base em legislação infraconstitucional superveniente. 2. Inalterada a finalidade para a qual foi constituida e que conduziu ao reconhecimento de sua imunidade tributária, permanece a recorrente ao abrigo da coisa julgada. 3. Agravo de instrumento desprovido e agravo regimental prejudicado. (grifo nosso) Houve ainda outro agravo de instrumento, de nº 2002.02.01.0425528, por parte da Fundação de Seguridade e embargos de declaração no agravo. A União ainda apelou contra essa decisão, porém em 15 de maio de 1991, o tribunal negou provimento ao recurso de apelação. Fl. 784DF CARF MF Processo nº 15374.901199/200880 Acórdão n.º 9101003.521 CSRFT1 Fl. 785 8 Assim, de fato, não há como se negar que durante um determinado período a recorrente gozou de imunidade tributária reconhecida por força de decisão judicial transitada em julgado. É que há situações que fazem cessar os efeitos da coisa julgada material, como a superveniência de legislação ou as decisões do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, conforme o caso, com eficácia erga omnes. É nesse sentido que se manifesta o Parecer PGFN/CRJ/n. 492/2011 que trata de decisão transitada em julgado relativa à relação jurídica tributária continuativa, conforme se pode depreender: 1. A alteração das circunstâncias fáticas ou jurídicas existentes ao tempo da prolação de decisão judicial voltada à disciplina de uma dada relação jurídica tributária de trato sucessivo faz surgir uma relação jurídica tributária nova, que, por isso, não é alcançada pelos limites objetivos que balizam a eficácia vinculante da referida decisão judicial. Daí por que se diz que, alteradas as circunstâncias fáticas ou jurídicas existentes à época da prolação da decisão, esta naturalmente deixa de produzir efeitos vinculantes, dali para frente, dada a sua natural inaptidão de alcançar a nova relação jurídica tributária. (...) 10. Ocorre que a imutabilidade e a eficácia vinculante da decisão transitada em julgado apenas recairá sobre os desdobramentos futuros da declaração, nela contida, de existência ou inexistência da relação jurídica de direito material sucessiva deduzida em juízo, se e enquanto permanecerem inalterados os suportes fático e jurídico existentes ao tempo da sua prolação, ou seja, se e enquanto continuarem ocorrendo aqueles mesmos fatos e continuar a incidir (ou a não incidir) aquela mesma norma sob os quais o juízo de certeza se formou. Alteradas as circunstâncias fáticas ou jurídicas existentes à época da prolação da decisão, o que se faz possível em face da natureza conhecidamente dinâmica dos fatos e do direito, essa decisão naturalmente deixa de produzir efeitos vinculantes, dali para frente; tratase da cláusula rebus sic stantibus subjacente às sentenças em geral, com especial destaque àquelas que se voltam à disciplina de relações jurídicas de trato continuado.(Grifei) Aplicase, portanto, a cláusula rebus sic stantibus, onde se conserva o instituto da coisa julgada com seu caráter de imutabilidade até que sobrevenham mudanças fáticas e jurídicas, que tornam imperativo o devido ajuste às relações tributárias de trato sucessivo. Ademais, é preciso ter em conta o aspecto de a imunidade ser matéria constitucional e sendo o STF o “Guardião da Constituição”, seu pronunciamento em caráter definitivo afasta qualquer dúvida sobre a constitucionalidade/inconstitucionalidade de uma norma. Fl. 785DF CARF MF Processo nº 15374.901199/200880 Acórdão n.º 9101003.521 CSRFT1 Fl. 786 9 Como bem observado no citado Parecer PGFN/CRJ nº 492/2011, após 3 de maio de 2007 (data da alteração regimental do STF, introduzindo as disposições da Lei nº 11.418, de 2006), possuem essa característica de alterar o sistema jurídico pátrio declarando a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de uma norma, os precedentes do STF formados: iii) quando anteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham sido oriundos do Plenário do STF e sejam confirmados em julgamentos posteriores da Suprema Corte. Ainda, de acordo com as conclusões do Parecer, após vasto estudo pautado na doutrina e regimento interno do STF: (iii) o advento de precedente objetivo e definitivo do STF configura circunstância jurídica nova apta a fazer cessar a eficácia vinculante das anteriores decisões tributárias transitadas em julgado que lhe forem contrárias; De acordo com o vasto estudo reproduzido nesse Parecer, antes de março de 2007, as decisões proferidas pelo STF em controle difuso sobre uma determinada questão constitucional, mesmo que não submetidas a Resolução Senatorial, se proferidas pelo Plenário, e cujo entendimento tenha sido reafirmado em diversos julgados posteriores, também têm esse efeito. No caso em apreço, como bem reconheceu tanto a decisão de 1ª instância, quanto a de 2ª instância, a despeito das decisões judiciais que haviam a favor da contribuinte, em sessão de 08/11/2001, portanto após essas decisões judiciais citadas, o Plenário do Supremo Tribunal Federal decidiu (RE 202700/DF) que as entidades que as entidades de previdência privada não gozavam da imunidade de impostos de que trata a alínea “c” do inciso VI do art. 150 da CF, que foi a mesma base legal citada pelas decisões judiciais transitadas em julgado. Por oportuno, reproduzo ementa do acórdão: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. PREVIDÊNCIA PRIVADA. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. INEXISTÊNCIA. 1. Entidade fechada de previdência privada. Concessão de benefícios aos filiados mediante recolhimento das contribuições pactuadas. Imunidade tributária. Inexistência, dada a ausência das características de universalidade e generalidade da prestação, próprias dos órgãos de assistência social. 2. As instituições de assistência social, que trazem ínsito em suas finalidades a observância ao princípio da universalidade, da generalidade e concede benefícios a toda coletividade, independentemente de contraprestação, não se confundem e não podem ser comparadas com as entidades fechadas de previdência privada que, em decorrência da relação contratual firmada, apenas contempla uma categoria específica, ficando o gozo dos benefícios previstos em seu estatuto social dependente do recolhimento das contribuições avençadas, conditio sine qua non para a respectiva integração no sistema. Recurso extraordinário conhecido e provido. (Grifei) Fl. 786DF CARF MF Processo nº 15374.901199/200880 Acórdão n.º 9101003.521 CSRFT1 Fl. 787 10 Acerca dos julgados posteriores que corroboram esse entendimento, nada mais flagrante do que a Sumula STF n. 730, que assim dispõe: A imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem fins lucrativos pelo art. 150, VI, "c", da Constituição, somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada se não houver contribuição dos beneficiários. No caso em comento, a própria recorrente declara ser mantida pelas contribuições da sua patrocinadora e dos seus participantes (conforme se pode depreender do item 2 do seu recurso especial), sendo assim não atenderia aos requisitos para imunidade. Aliás, o próprio Tribunal Regional Federal da 2ª Região, quando negou provimento ao recurso de apelação no Mandado de Segurança em apreço, proferiu decisão que, após a manifestação do STF, é flagrantemente contrária a essa. Por oportuno, transcrevo a ementa: ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA PRIVADAS As entidades fechadas de previdência privada, embora cobrando das seus associados contribuições mensais, a título de remuneração pelos serviços prestadas, gozam de imunidade tributária. Basta que atendam aos requisitos do artigo 14 do Código Tributário Nacional, nao se restringindo o benefício à entidades beneficentes. (Negritei) Logo, somente essa decisão do Plenário do STF e a jurisprudência reiterada já seriam suficientes para alterar os efeitos da coisa julgada material relativa às decisões transitadas em julgado a favor da contribuinte. A recorrente argumenta, a partir da decisão nos autos do REsp nº 1.118.893 MG, de 23/3/2011, que a mudança de entendimento do STF nada poderia alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada. Contudo, é preciso esclarecer que esse entendimento do Ministro Arnaldo Esteves Lima é no sentido de que o pronunciamento do STF não pode retroagir. Não tratou o STJ, naquele caso, dos efeitos prospectivos da decisão do STF. É flagrante no voto do Ministro que o valor perquirido foi a segurança jurídica daqueles que se comportaram segundo uma decisão transitada em julgado em controle difuso, consoante trecho que ora transcrevo: “Outrossim, o fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade à própria existência do controle difuso de constitucionalidade, fragilizando, sobremodo, a res judicata, com imensurável repercussão negativa no seio social.” Da mesma forma, analisandose o RE 730.462/SP, julgado sob o rito da Repercussão Geral, podese verificar que o bem tutelado foi a segurança jurídica e que na dicção do Relator, Min. Teori Zavascki, em relação aos fatos geradores ocorridos após a publicação de pronunciamento do STF em sede de controle concentrado, não há que se falar em eficácia da sentença judicial contrária a esse pronunciamento. Ou seja, para fatos Fl. 787DF CARF MF Processo nº 15374.901199/200880 Acórdão n.º 9101003.521 CSRFT1 Fl. 788 11 geradores anteriores, seria necessária uma ação rescisória para fazer cessar os efeitos da coisa julgada material; contudo, para o futuro, tal ação é prescindível. Por oportuno, transcrevo trechos do voto para demonstrar essa conclusão, fazendo grifos das partes que considero importantes: 4. É importante distinguir essas duas espécies de eficácia (a normativa e a executiva), pelas consequências que operam em face das situações concretas. A eficácia normativa (= declaração de constitucionalidade ou de inconstitucionalidade) se opera ex tunc, porque o juízo de validade ou nulidade, por sua natureza, dirigese ao próprio nascimento da norma questionada. Todavia, quando se trata da eficácia executiva, não é correto afirmar que ele tem eficácia desde a origem da norma. É que o efeito vinculante, que lhe dá suporte, não decorre da validade ou invalidade da norma examinada, mas, sim, da sentença que a examina. Derivando, a eficácia executiva, da sentença (e não da vigência da norma examinada), seu termo inicial é a data da publicação do acórdão do Supremo no Diário Oficial (art. 28 da Lei 9.868/1999). É, consequentemente, eficácia que atinge atos administrativos e decisões judiciais supervenientes a essa publicação, não atos pretéritos. Os atos anteriores, mesmo quando formados com base em norma inconstitucional, somente poderão ser desfeitos ou rescindidos, se for o caso, em processo próprio. Justamente por não estarem submetidos ao efeito vinculante da sentença, não podem ser atacados por simples via de reclamação. É firme nesse sentido a jurisprudência do Tribunal: “Inexiste ofensa à autoridade de pronunciamento do Supremo Tribunal Federal se o ato de que se reclama é anterior à decisão emanada da Corte Suprema. A ausência de qualquer parâmetro decisório, previamente fixado pelo Supremo Tribunal Federal, torna inviável a instauração de processo de reclamação, notadamente porque inexiste o requisito necessário do interesse de agir” (Rcl 1723 AgRQO, Min. Celso de Mello, Pleno, DJ de 6.4.2001). No mesmo sentido: Rcl 5388 AgR, Min. Roberto Barroso, 1ª Turma, DJe de 23.10.14; Rcl. 12741 AgR, 2ª Turma, Min. Ricardo Lewandowski, DJe de 18.9.201; Rcl 4962, Min. Cármen Lúcia, 2ª Turma, DJe 25.6.2014). 5. Isso se aplica também às sentenças judiciais anteriores. Sobrevindo decisão em ação de controle concentrado declarando a constitucionalidade ou a inconstitucionalidade de preceito normativo, nem por isso se opera a automática reforma ou rescisão das sentenças anteriores que tenham adotado entendimento diferente. Conforme asseverado, o efeito executivo da declaração de constitucionalidade ou inconstitucionalidade deriva da decisão do STF, não atingindo, consequentemente, atos ou sentenças anteriores, ainda que inconstitucionais. Para desfazer as sentenças anteriores será indispensável ou a interposição de recurso próprio (se cabível), ou, tendo ocorrido o trânsito em julgado, a propositura da ação rescisória, nos termos do art. 485, V, do CPC, observado o respectivo prazo decadencial (CPC, art. 495). Ressalvase desse entendimento, quanto à indispensabilidade da ação rescisória, a questão Fl. 788DF CARF MF Processo nº 15374.901199/200880 Acórdão n.º 9101003.521 CSRFT1 Fl. 789 12 relacionada à execução de efeitos futuros da sentença proferida em caso concreto, notadamente quando decide sobre relações jurídicas de trato continuado, tema de que aqui não se cogita. Interessante notar que o novo Código de Processo Civil (Lei 13.105, de 16.3.2015), com vigência a partir de um ano de sua publicação, traz disposição explícita afirmando que, em hipóteses como a aqui focada, “caberá ação rescisória, cujo prazo será contado do trânsito em julgado da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal” (art. 525, § 12 e art. 535, § 8º). No regime atual, não há, para essa rescisória, termo inicial especial, o qual, portanto, se dá com o trânsito em julgado da decisão a ser rescindida (CPC, art. 495). No caso dos autos, a decisão Plenária do STF é de 2001 e a contribuinte passou a recolher em 2002! Daí porque descabe falar em ofensa ao princípio da segurança jurídica. É importante registrar, portanto, que sequer se pode cogitar em ofensa ao art. 62 do RICARF, como quer entender a recorrente, porque aquela decisão do STJ decidiu outra lide (CSLL), em outro contexto (analisou apenas os dispositivos então vigentes naquele processo) e ainda assim, não emana entendimento divergente do que estou adotando, porque tutela a conduta do contribuinte relativa a fatos anteriores à mudança de entendimento do STF. Mas além disso, é importante destacar que a ação judicial era de natureza mandamental, ou seja, não propriamente uma ação de conhecimento, e que por meio desta foi concedida a segurança para garantir a imunidade da contribuinte em relação ao IOF. Ou seja, o pedido inicial nos autos do MS n.90. 00100712 foi no sentido de não ser impelida ao pagamento do IOF pelo Delegado da Receita Federal no Rio de Janeiro, logo não caberia a ampliação dos efeitos da coisa julgada para além do que foi demandado. A recorrente argumenta que obteve decisões de agravo e trechos de ofício, os quais conferem imunidade a todo e qualquer imposto. No entanto, no que diz respeito ao conteúdo dos ofícios, convém registrar que sequer são decisões judiciais. Quanto às decisões proferidas em sede dos recursos de agravo de instrumento e agravo regimental, tratamse de decisões interlocutórias no processo. E, a respeito da coisa julgada, que é tratada na seção V, do capítulo XIII do livro I da parte especial no Novo Código de Processo Civil – NCPC, cumpre observar: Seção V Da Coisa Julgada Art. 502. Denominase coisa julgada material a autoridade que torna imutável e indiscutível a decisão de mérito não mais sujeita a recurso. (Destaquei) Portanto, a coisa julgada se dá nas decisões de mérito proferidas no processo e não nas decisões interlocutórias. Por conseguinte, não há que se falar em efeitos da coisa julgada em relação a decisões interlocutórias, muito menos em relação ao conteúdo dos ofícios emitidos pelas autoridades judiciais. Ainda em relação à coisa julgada, merecem destaque os arts. 503 e 505, do NCPC: Fl. 789DF CARF MF Processo nº 15374.901199/200880 Acórdão n.º 9101003.521 CSRFT1 Fl. 790 13 Art. 503. A decisão que julgar total ou parcialmente o mérito tem força de lei nos limites da questão principal expressamente decidida. (...) Art. 505. Nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas relativas à mesma lide, salvo: I se, tratandose de relação jurídica de trato continuado, sobreveio modificação no estado de fato ou de direito, caso em que poderá a parte pedir a revisão do que foi estatuído na sentença; II nos demais casos prescritos em lei. Ou seja, conforme o citado art. 503, a decisão judicial de mérito tem força de lei, jamais de norma constitucional. Por conseguinte, a lei nova ou uma medida provisória podem fazer cessar os efeitos da coisa julgada, ainda que o objeto da demanda judicial tenha interpretado matéria constitucional. E, à luz do art. 505, sobrevindo modificação de direito, descabe falar de eficácia da coisa julgada. Na esteira, então da legislação superveniente, temse a MP nº 2.222/01, convertida posteriormente na Lei nº 11.053/2004, que inovou o estado de direito e fez cessar quaisquer efeitos da coisa julgada porventura existentes em relação ao IRPJ. Nesse sentido, transcrevo o art. 1º da referida MP: Art. 1º A partir de 1º de janeiro de 2002, os rendimentos e ganhos auferidos nas aplicações de recursos das provisões, reservas técnicas e fundos de entidades abertas de previdência complementar e de sociedades seguradoras que operam planos de benefícios de caráter previdenciário, ficam sujeitos à incidência do imposto de renda de acordo com as normas de tributação aplicáveis às pessoas físicas e às pessoas jurídicas não financeiras. Parágrafo único. O imposto correspondente à parcela do rendimento ou ganho apropriada ao participante ou assistido pelo plano não pode ser compensado com qualquer imposto ou contribuição devido pelas pessoas jurídicas referidas neste artigo ou pela pessoa física participante ou assistida. Logo, ainda que se entendesse que a decisão transitada em julgado nos autos do MS n. 90. 00100712 abrangeria outros impostos, como o imposto de renda, a coisa julgada encontra outros limites para o IRPJ, dada a edição da MP nº 2.222/01, como bem compreendera a contribuinte, quando passou a recolher o tributo que depois entendeu ser indevido e que é objeto da presente lide. Relativamente à afirmação do acórdão recorrido de que, nos termos da LC nº 73/93, o CARF estaria vinculado ao entendimento exarado no Parecer PGFN/CRJ/nº 492/2011, alega a recorrente que, de acordo como art. 18, inciso XXII do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 256/2009), somente há obrigatoriedade de observância a parecer quando este for emitido pela Advocacia Geral da União e aprovado pela Presidência da República, nos termos do art. 40, combinado com o art. 41 da referida LC nº 73/93. De fato, entendo que o CARF não está vinculado a referido parecer; entretanto, por concordar com as conclusões nele exaradas Fl. 790DF CARF MF Processo nº 15374.901199/200880 Acórdão n.º 9101003.521 CSRFT1 Fl. 791 14 quanto à cessação dos efeitos da coisa julgada material nas relações jurídicas tributárias continuativas é que o utilizo na fundamentação do presente acórdão. Quanto ao fato de a contribuinte ter se declarado isenta e não imune, penso que esse argumento utilizado pelas decisões anteriores é irrelevante ao deslinde da matéria. Pelo exposto, entendo que o pagamento do IRPJ era devido nos termos do art.1º da MP n.2222/01, posto que editada posteriormente ao trânsito em julgado do mandamus, e que, portanto, não há pagamento indevido a justificar o pedido de compensação objeto do presente processo. Conclusão Em face do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de compensação objeto da presente lide. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 791DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.904846/2010-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2010
MERA ALEGAÇÃO DE ERRO MATERIAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCTF. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO ERRO.
A alegação de que houve erro material no preenchimento da DCTF, mesmo que posteriormente retificada, e que determinado débito de IRRF teria sido pago a maior, não é suficiente para assegurar que tenha sido, de fato, maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, de modo a justificar a existência de direito creditório. É imprescindível a apresentação de prova cabal e inconteste do alegado erro material.
Numero da decisão: 2201-004.438
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2010 MERA ALEGAÇÃO DE ERRO MATERIAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCTF. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A alegação de que houve erro material no preenchimento da DCTF, mesmo que posteriormente retificada, e que determinado débito de IRRF teria sido pago a maior, não é suficiente para assegurar que tenha sido, de fato, maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, de modo a justificar a existência de direito creditório. É imprescindível a apresentação de prova cabal e inconteste do alegado erro material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 48 46 /2 01 0- 58 Fl. 140DF CARF MF Processo nº 16327.904846/201058 Acórdão n.º 2201004.438 S2C2T1 Fl. 725 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 1633.576 8a Turma da DRJ/SP1, o qual julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada em face da não homologação da PER/DCOMP nº 09536.14712.090307.1.3.04 0100 (fls. 57 a 62), protocolizada em 09/03/2007. A manifestação de inconformidade (fls. 02 a 09), em face do Despacho Decisório eletrônico n° (de Rastreamento) 887175384 (fl. 33), de 05/10/2010, no qual a autoridade não homologou, por inexistência de direito creditório, a compensação declarada na PER/DCOMP. Na Fundamentação da decisão, a autoridade informa que, consoante os sistemas de controle da RFB, o valor recolhido em DARF, em 31/10/2005, de R$ 8.559,16, código de receita 5936 (IRRF REND DECOR DEC JUSTIÇA TRABALHO, EXCETO ART 12A L. 7.713/88), relativo ao período de apuração de 05/11/2005, declarado na DCOMP como indevido ou a maior (fl. 59), teria sido integralmente utilizado na quitação de débito do interessado (mesmo tributo, valor e período de apuração mencionados), não restando, assim, crédito disponível para a liquidação do débito declarado para compensação (IRRF Rendimentos do Trabalho Assalariado código 0561, período de apuração de 02/2007, com vencimento em 09/03/2007). Em conseqüência, apurou valor devedor consolidado para pagamento até 29/10/2010, referente ao débito indevidamente compensado mediante a referida DCOMP, de R$ 10.146,88, de principal, R$ 3.793,91, de juros, e de R$ 2.029,37, de multa. Cientificado da decisão, em 14/10/2010 (fls. 34 e 35), o interessado apresentou manifestação de inconformidade, em 11/11/2010 (fl. 01), oferecendo, em síntese, as seguintes informações e razões: i) o direito creditório invocado, de R$ 8.559,16, seria líquido e certo porque integraria o pagamento a maior de “IRRF Rendimentos decorrentes de decisão de Justiça do Trabalho”, código 5936, efetuado mediante recolhimentos que totalizariam R$ 30.753,61 (fls. 37 a 39), referentes ao período de apuração da 1a semana de 11/2005, em lugar do total correto, de R$ 22.194,45 (R$ 8.559,16 = R$ 30.753,61 R$ 22.194,45 ); ii) declarado, equivocadamente, o débito de R$ R$ 30.753,61 na DCTF de 11/2005 (fl. 49), esta teria sido retificada em 19/10/2010 (fl. 52) para conter o valor correto (fl. 55); iii) considerando seu direito à compensação assegurado pelo artigo 74 da Lei n° 9.430/96 e pelos artigos 165 e 170 do CTN, requer seja revisto o Despacho Decisório, homologandose a compensação declarada, e também seja anulada a multa aplicada no importe de R$ 2.029,37. Foi prolatado o Acórdão nº 1633.576 8a Turma da DRJ/SP1 (fls. 68/74), que julgou manifestação de inconformidade improcedente, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Fl. 141DF CARF MF Processo nº 16327.904846/201058 Acórdão n.º 2201004.438 S2C2T1 Fl. 726 3 Data do fato gerador: 31/10/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. CRÉDITO DE PAGAMENTO ALEGADAMENTE A MAIOR. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCTF. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO POR FALTA DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A mera alegação de que determinado débito de IRRF teria sido pago a maior, como também declarado a maior em DCTF, mesmo posteriormente retificada, não é suficiente para assegurar que tenha sido, de fato, maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, de modo a justificar a existência de direito creditório. É imprescindível a apresentação de documentos, registros e demonstrativos que evidenciem, de forma cabal, a efetiva ocorrência de erro na apuração que ensejou o pagamento e o preenchimento da DCTF. Em face dessa decisão, cuja ciência se deu em 20/10/2011 (fl.135) e o recurso voluntário foi protocolado tempestivamente em 11/11/2011 (fls. 78/87), tendo apresentado as razões recursais, a seguir sintetizadas: 1) A tempestividade do recurso voluntário; 2) Que o presente recurso seja recebido com efeito suspensivo. O art. 151, III, do CTN prevê que as reclamações e recursos suspendem a exigibilidade do crédito tributário; 3) No caso concreto, o recorrente efetuou recolhimentos a maior de IRRF e, posteriormente, apresentou a declaração por meio da DCTF. 4) Ocorre que, nos referidos atos ocorreu erro material, o que resultou em recolhimento indevido, surgindo o direito da recorrente à restituição do valor recolhido a maior. 5) A não homologação do crédito compensado inaugura uma nova fase procedimental, representada pelo lançamento do crédito não homologado, consistindo em ato privativo da autoridade administrativa, com base no art. 142 do CTN, cabendo à autoridade administrativa apurar que o valor recolhido foi indevido. 6) Aduz que a postura adotada pela autoridade administrativa viola os princípios da publicidade, motivação e vinculação. Deve, também, prevalecer o princípio da verdade material, por ser dever do ente tributante demonstrar de maneira inequívoca a ocorrência do fato gerador. 7) Os fundamentos apresentados demonstram a improcedência do lançamento decorrente da não homologação da compensação tributária, especialmente porque o ora recorrente apresentou manifestação de inconformidade e demonstrou a ocorrência de recolhimento indevido, que inclusive constou em DCTF retificadora. Por fim, requer seja provido o recurso voluntário para que seja anulado o acórdão recorrido. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 16327.904846/201058 Acórdão n.º 2201004.438 S2C2T1 Fl. 727 4 É relatório. Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Considerações iniciais Suspensão da exigibilidade do crédito tributário Requer o recorrente que o voluntário seja recebido com efeito suspensivo, para sustar quaisquer atos de cobrança. O tema não comporta maiores digressões, uma vez que não há interesse processual nesse aspecto do apelo, sendo certo que não há atos de cobrança em andamento e a suspensão da exigibilidade do crédito é decorrente do protocolo de reclamações e recursos, nos termos do art, 151, III, do CTN, dispositivo legal mencionado no próprio recurso voluntário. Destarte, não há controvérsia a ser dirimida quanto a este aspecto. No mérito Sustenta o recorrente que houve erro material no preenchimento da DCTF, a qual foi posteriormente retificada, fato que o fez recolher valor maior do que o devido. Com base no crédito que entendeu fazer jus, apresentou a PER/DCOMP em referência objetivando quitar outros débitos tributários. Em face da não homologação de sua Declaração de Compensação, entende que se inaugura uma nova fase, que seria o lançamento do crédito tributário do valor não homologado, cabendo à autoridade administrativa observar os ditames traçados pelo art. 142 do CTN. Verificase, pois, que o recorrente, além de não demonstrar em que consistiu o erro material alegado, ainda tenta alterar a distribuição do ônus probatório, transferindo ao Fisco a obrigação que lhe cabia de demonstrar cabalmente que o valor não homologado efetivamente decorreu de um erro, e de teria crédito passível de ser compensado através de PER/DCOMP. Vejamos o que preceitua a Lei n. 13.105/2015 (Código de Processo Civil): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo Fl. 143DF CARF MF Processo nº 16327.904846/201058 Acórdão n.º 2201004.438 S2C2T1 Fl. 728 5 ou extintivo do direito do autor. Essa Turma julgadora já teve a oportunidade de se debruçar acerca do tema em caso análogo ao dos autos, em sessão realizada no dia 07/03/2018, no julgamento do processo nº 10880.920504/200980, da lavra do nobre Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, a quem peço vênia para transcrever excertos do seu voto proferido naquela ocasião, utilizandoos como minha razão de decidir, pelo brilhantismo e capacidade de elucidação da matéria submetida a julgamento: “(...) Como é de elementar sabença, no exercício de seu mister, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais promove a verificação da legalidade dos atos administrativos produzidos no curso do procedimento fiscal e do julgamento em primeira instância, cotejando os fatos identificados e os efetivamente ocorridos com a legislação tributária correspondente. No caso ora sob análise, temos que o contribuinte, utilizando de indébito tributário decorrente de pagamento a maior ou indevido, extinguiu débitos de sua responsabilidade, nos termos do art. 74 da Lei 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5° O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Dentro do lapso temporal legal, a Autoridade Administrativa emitiu o Despacho Decisório, por identificar que o pagamento que lastreava o crédito utilizado na compensação estaria integralmente comprometido com a liquidação de débito confessado pelo contribuinte em DCTF. Por sua vez, o recorrente reconhece que houve erro nas informações prestadas na DCTF ativa na data análise da PER/DCOMP, tendo apresentado a impugnação alegando que estaria levantando internamente toda a documentação probante do seu direito creditório e providenciando a retificação da DCTF. A criação do Sistema de Controle de CréditosSCC objetivou dar maior celeridade e segurança à necessária conferência dos Fl. 144DF CARF MF Processo nº 16327.904846/201058 Acórdão n.º 2201004.438 S2C2T1 Fl. 729 6 pedidos de restituição, ressarcimentos e declarações de compensação formalizados pelos contribuintes. Naturalmente, tratase de ferramenta de extrema utilidade e eficiência quando batimentos de sistemas podem indicar a existência dos direitos pleiteados. Por outro lado, quando a complexidade da demanda exige, remanesce a necessidade de análise manual dos créditos pleiteados. Das situações possíveis de serem tratadas eletronicamente, sem sombra de dúvida, os indébitos tributários decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior são, como regra, os que apresentam menor complexidade de análise, já que basta o SCC localizar o pagamento, identificar suas características e verificar, no sistema próprio, se há débitos compatíveis que demonstrem, no todo ou em parte, a ocorrência de um pagamento indevido ou a maior. Assim, não merece prosperar a alegação da defesa sobre a suposta incapacidade dos sistemas da RFB em cruzar informações. Ora, o sistema foi preciso em suas verificações e as alegações recursais sobre o erro no preenchimento da DCTF apenas corroboram a excelência do trabalho efetuado pelos sistemas da RFB. Afinal, nem mesmo o contribuinte havia apurado a efetiva existência do seu direito creditório quando da apresentação da DCOMP ou da impugnação. Menos procedente ainda é a argumentação recursal de que o contribuinte deveria ter sido instado a apresentar explicações à Fazenda Nacional. Se assim fosse, em particular nestes casos mais simples, do que teria adiantado a construção de um sistema eletrônico para tratamento de demandas dessa natureza, já que um simples cotejo de informações declaradas daria lugar a um lento e manual procedimento fiscal? Portando, em uma análise primária, notase que a não homologação em discussão é procedente, o que não impede que se reconheça, em respeito à verdade material, que tenha havido algum erro de fato que justifique sua revisão. Contudo, para tanto, necessário que sejam apresentados os elementos que comprovem a ocorrência de tal erro. Veja o que preceitua a Lei 13.105/2015 (Código de Processo Civil): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Assim, caso a retificação tivesse ocorrido antes do procedimento de homologação, decerto que caberia ao Fisco buscar elementos que apontassem eventual impropriedade na alteração para menor do débito anteriormente declarado. Contudo, efetuada a Fl. 145DF CARF MF Processo nº 16327.904846/201058 Acórdão n.º 2201004.438 S2C2T1 Fl. 730 7 retificação em momento posterior àquele em que o Fisco exerce com precisão o seu direito, passa ser do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. Ocorre que o contribuinte limitase a contestar a Decisão recorrida afirmando a ocorrência de mero erro de informação e que estaria providenciando o levantamento do seu crédito e a retificação da DCTF. Ora, não merece prosperar tais conclusões. Não foi trazida aos autos nenhuma documentação que tenha sido produzida em tal levantamento e que pudesse lastrear a alegação de erro. Por outro lado, a DCTF retificadora, ainda que não haja impedimento para que seja apresentada após a não homologação de uma compensação, por si só não se constituiu em elemento capaz de confirmar a correção dos dados nela inseridos. As manifestações doutrinárias e os precedentes administrativos colacionados no recurso não vinculam a presente análise, sendo certo que tantas outras decisões em sentido oposto poderiam ser citadas, com se verifica no Acórdão n° 3201001.713 da 2a Câmara/1a Turma Ordinária: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Notase que, mesmo sabendo da necessidade de apresentação de elementos probatórios, do mesmo modo agiu o recorrente ao apresentar seu recurso voluntário, lastreando o suposto direito ao crédito unicamente no erro que teria levado à retificação da DCTF levada a termo após o Despacho Decisório de não homologação, quando já decorridos quase 5 anos do fato gerador que pretende ver alterado. É inegável que, comprovada a ocorrência de erro que justifique a alteração de ato administrativo que tenha constituído crédito tributário em razão de infração à legislação tributária, ou mesmo negado direito pleiteado pelo contribuinte, pode a Administração, diante do seu dever de auto tutela, reconhecer efeitos de ofício. Contudo, não há nos autos nenhuma evidência da ocorrência de tal erro, que se mostra presente apenas nas alegações do recorrente. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 16327.904846/201058 Acórdão n.º 2201004.438 S2C2T1 Fl. 731 8 Assim, não tendo sido apresentado pelo recorrente elementos que justificassem a conversão do julgamento em diligência ou que comprovassem os supostos erros de fato que levaram à retificação da DCTF em momento posterior à Decisão administrativa, correta a decisão recorrida ao negar a conversão do julgamento em diligência e ao entender improcedente a manifestação de inconformidade (...)”. Por derradeiro, temos que não merece prosperar o inconformismo recursal ao alegar ofensa aos Princípios da Publicidade, da Motivação, da Vinculação e da Verdade Material. Todo o procedimento fiscal, inaugurado com a apresentação do PER/DCOMP e o Despacho Decisório, bem como o processo administrativo fiscal, iniciado com o protocolo da manifestação de inconformidade, até o julgamento do presente recurso voluntário estão estritamente balizados pela legislação que rege a matéria, não havendo que se falar em violação a qualquer norma ou princípio normativo. O recurso voluntário, podemos concluir, trouxe alegações genéricas e evasivas desacompanhadas do indispensável e necessário arrimo probatório. Assim o fez em relação ao ponto nodal da controvérsia, que seria o alegado erro material no preenchimento da DCTF, em que não se teceu nenhuma consideração relacionada às circunstâncias em que se deram esse erro, nem muito menos foi colacionada documentação comprobatória do alegado. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 147DF CARF MF
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Numero do processo: 10950.900828/2008-40
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TRIBUTOS NÃO DECLARADOS EM DCTF. PAGAMENTO EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OCORRÊNCIA. MULTA DE MORA. EXCLUSÃO.
O instituto da denúncia espontânea aproveita àqueles que recolhem a destempo o tributo sujeito ao lançamento por homologação, nos casos em que não tenha havido prévia declaração do débito em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001
SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE
As decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ em regime de recursos repetitivos deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - Portaria 343/2015 e alterações.
Numero da decisão: 9303-006.588
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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TRIBUTOS NÃO DECLARADOS EM DCTF. PAGAMENTO EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OCORRÊNCIA. MULTA DE MORA. EXCLUSÃO. O instituto da denúncia espontânea aproveita àqueles que recolhem a destempo o tributo sujeito ao lançamento por homologação, nos casos em que não tenha havido prévia declaração do débito em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001 SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE As decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça STJ em regime de recursos repetitivos deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Portaria 343/2015 e alterações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 08 28 /2 00 8- 40 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10950.900828/200840 Acórdão n.º 9303006.588 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte contra decisão tomada no Acórdão nº 3803002.806, de 25 de abril de 2012 (efolhas 66 e segs), que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001 DECISÕES DO STJ. SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. APLICAÇÃO NOS JULGAMENTO DO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001 MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. O beneficio da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo, situação que corresponde, inclusive, a pagamento efetuado fora do vencimento e dentro do prazo da apresentação da DCTF. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10950.900828/200840 Acórdão n.º 9303006.588 CSRFT3 Fl. 4 3 A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 76 e segs) referese à exigência de multa de mora no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação pagos a destempo sem prévia declaração em DCTF. O Recurso especial foi admitido conforme despacho de admissibilidade de e folhas 92 e segs. Contrarrazões da Fazenda Nacional às efolhas 96 e segs. Requer que não seja admitido o recurso especial e, no mérito, que lhe seja negado provimento. É o Relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. Conhecimento do Recurso Especial A contrarrazoante considera que não foi devidamente demonstrada a divergência jurisprudencial necessária à admissão do recurso especial. Assim entende porque Observase, nessa linha, que os acórdãos indicados como paradigmas foram proferidos anteriormente a essa decisão do STJ em que amparado o entendimento do acórdão recorrido. Logo, dela não trataram nem tergiversaram E porque, alegadamente, não haveria semelhança nos contextos fáticos dos acórdãos paradigma e do acórdão recorrido. Concessa venia, entendo que esteja, sim, demonstrada a divergência. Primeiro, como fica claro do excerto que segue, extraído do corpo do despacho de admissibilidade do recurso especial, ao contrário do asseverado, os acórdãos paradigma levaram, sim, em consideração a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Importante transcrever excertos do voto vencedor proferido no paradigma 9101 00.431, para atestar o entendimento adotado naquele julgado: Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10950.900828/200840 Acórdão n.º 9303006.588 CSRFT3 Fl. 5 4 "Segundo o entendimento pacificado pela 1ª seção do STJ, a apresentação de declaração (obrigação acessória) pelo contribuinte é modo de constituição do crédito tributário, que dispensa qualquer outra providencia por parte do Fisco. Tal entendimento foi, inclusive, objeto da súmula nº 360, vejamos: 'Súmula 360. O beneficio da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regulamente declarados, mas pagos a destempo. Ademais, a cognição lógicojurídica que remeteu à decisão tomada no acórdão paradigma revelase inteiramente contemplada na controvérsia de que aqui se trata, envolvendo a caracterização da denúncia espontânea nas situações em que o contribuinte recolhe em atraso o tributo sujeito ao lançamento por homologação, com ou sem a prévia declaração em DCTF. Observese a abordagem do assunto, no fragmento a seguir transcrito, desta feita, extraído do próprio acórdão paradigma nº 910100.431. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido, ainda que de forma integral, não se configura Denúncia Espontânea (art. 138 do CTN), não podendo o contribuinte usufruir de suas benesses. No presente caso, por ter o débito sido pago em data anterior a qualquer procedimento da administração tributária e/ou declaração do sujeito passivo informando o tributo devido, resta configurado o instituto da denúncia espontânea, sendo este, inclusive o entendimento que vem sendo adotado pelo Superior Tribunal de Justiça, vejamos: (grifos meus) (...) Como se vê, a condição identificada pelo Relator do feito para o reconhecimento da espontaneidade não guarda relação com a apresentação de DCTF posteriormente retificada, nem com o pagamento parcial, mas, exclusivamente, com o Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10950.900828/200840 Acórdão n.º 9303006.588 CSRFT3 Fl. 6 5 pagamento do débito em data anterior à (...) declaração do sujeito passivo informando o tributo devido. Mérito A matéria em litígio não é novidade para este Colegiado. Pelo menos por meio dos acórdãos nºs 9303004.191, 9303003.489, 9303003.490, 9303003.364, 9303 003.220, 9303003.203 , 9303003.202, o assunto foi discutido e decidido no mérito. Como é de sabença, o Superior Tribunal de Justiça, na pessoa do então Ministro Teori Albino Zavascki, decidiu, nos autos do processo nº 2007/01428689, sobre a aplicação do instituto da denúncia espontânea nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação previamente declarados pelo contribuinte e pagos a destempo, nos seguintes termos. EMENTA 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. (REsp 962379 RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/10/2008, DJe 28/10/2008) Mais tarde, no REsp 1149022, da relatoria do Ministro Luiz Fux, ficou consignado o entendimento de que a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do tributos sujeito a lançamento por homologação, acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica a declaração. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10950.900828/200840 Acórdão n.º 9303006.588 CSRFT3 Fl. 7 6 A intelecção induvidosa da decisão acima transcrita é no sentido de que o pagamento que não fora previamente declarado em DCTF está albergado pela denúncia espontânea quando pago antes de qualquer procedimento fiscal. Noutro giro, é translúcido o entendimento de que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte (item 7 da ementa a seguir transcrita). EMENTA 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10950.900828/200840 Acórdão n.º 9303006.588 CSRFT3 Fl. 8 7 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. (REsp 1149022 SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) O artigo 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria 343/2015 e alterações, determina Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10950.900828/200840 Acórdão n.º 9303006.588 CSRFT3 Fl. 9 8 que as matérias de Repercussão Geral sejam reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pela contribuinte1. Em acréscimo, destacase que, por força do disposto no art. 21 da Lei nº 12.844/2013, que deu nova redação ao art. 19 da Lei nº 10.522/2002, a própria Procuradoria da Fazenda Nacional, com base nas disposições do art. 2º, inciso VII, da Portaria PGFN Nº 502/2016, especifica em seu site uma relação de temas que não devem mais ser objeto de recurso. Dentre eles está elencado a denúncia espontânea, nos seguintes termos. 1.13 Denúncia espontânea a) Declaração parcial Diferença a maior Multa moratória REsp 1.149.022/SP (tema nº 385 de recursos repetitivos) Resumo: (i) A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente; e (ii) A denúncia espontânea exclui a multa moratória. Vide Atos Declaratórios nº 08/2011 e nº 04/2011. Ressaltase que ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ entendem, de maneira pacífica, que, ainda que se trate de tributo sujeito a lançamento por homologação, se o crédito não foi previamente declarado pelo contribuinte, mas foi pago, podese configurar a denúncia espontânea, desde que ocorram as demais hipóteses do art. 138 do CTN (REsp 1155146/AM, AgRg nos EDcl no Ag 1009777/SP, AgRg no REsp 1046285/MG e AgRg no REsp 1046285/MG). Todavia, isso não afasta a tese firmada no tema nº 61 de recursos repetitivos 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10950.900828/200840 Acórdão n.º 9303006.588 CSRFT3 Fl. 10 9 (REsp's nº 962.379/RS e nº 886.462/RS), no sentido de que "Não resta caracterizada a denúncia espontânea, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos declarados, porém pagos a destempo pelo contribuinte, ainda que o pagamento seja integral". Vide, ainda, a Súmula 360/STJ. I (grifos meus) Neste mesmo sentido, recente decisão tomada por meio do acórdão nº 9303 004.431, de 07 de dezembro de 2016, da relatoria do i. Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 30/12/2003 a 31/07/2007 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138 CTN. AFASTAMENTO DA MULTA MORATÓRIA. POSSIBILIDADE. A denúncia espontânea, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, se aplica aos casos em que não houve a declaração do tributo, porém houve o pagamento antes de iniciado qualquer procedimento administrativo fiscal visando sua exigência. No caso concreto, é incontroverso que o pagamento do contribuinte não foi precedido de declaração, razão pela qual não está sujeito à incidência de multa moratória. Diante do exposto voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Fl. 115DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.724102/2013-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
Intimação Pessoal e por Via Postal. Ordem de Preferência. Notificação Enviada para o Domicílio do Sujeito Passivo. Validade.
Não existe ordem de preferência entre a intimação pessoal e a realizada por via postal, que é válida se enviada para o domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja representante do destinatário.
Lançamento. Impugnação. Julgamento de Primeira Instância. Competência. Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento.
Em primeira instância, a competência para julgar impugnações a lançamento de crédito tributário é de uma das turmas da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a que o processo for enviado.
Mandado de Procedimento Fiscal-MPF. Emissão e Prorrogação. Irregularidade. Nulidade. Não Ocorrência. Pluralidade de Sujeitos Passivos. Dispensa de MPF.
As irregularidades na emissão e prorrogação do MPF não acarretam nulidade do lançamento, nem do processo administrativo, ademais, nos casos de pluralidade de autuados, não se exige MPF individual para cada um dos responsáveis tributários.
Enquadramento Legal. Irregularidade. Correta Descrição dos Fatos. Validade do Lançamento.
É válido o lançamento, ainda que contenha alguma irregularidade no enquadramento legal, se a descrição dos fatos for correta, permitindo ao sujeito passivo exercer o direito de defesa.
Decadência. Lançamento por Homologação. Dolo. Termo Inicial. Prescrição. Constituição Definitiva do Crédito Tributário.
Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação e estando comprovado o dolo do sujeito passivo, o termo inicial do prazo de decadência é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado, já o prazo prescricional só começa a fluir da data em que o crédito tributário esteja definitivamente constituído, o que não ocorre enquanto existir recurso pendente de julgamento.
Prova Emprestada. Prova Indiciária. Validade.
É válido o emprego no processo administrativo tributário de prova emprestada, bem como de provas indiciárias, cujo valor probante dependerá da quantidade e da consistência dos indícios.
Excesso de Poderes. Infração de Lei, Contrato ou Estatuto. Interesse Comum. Solidariedade.
Os administradores, gestores e representantes de pessoas jurídicas, quando praticarem atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato ou estatuto, passam a ser sujeitos passivos da relação tributária, e quando se associam de forma voluntária e consciente, praticando em conjunto o fato gerador do tributo, obrigam-se solidariamente pelo pagamento do crédito tributário, dada a existência de interesse comum.
Pluralidade de Sujeitos Passivos. Lançamento. Inclusão de Todos os Responsáveis. Validade.
Uma vez apurada pela Fiscalização a existência de pluralidade de sujeitos passivos, o lançamento deve ser dirigido contra todos eles, os quais deverão figurar no polo passivo, assegurando a cada um o direito de defesa.
Uso de Documentos Fiscais Pertencentes a Empresa de Existência Puramente Formal. Interposição de Pessoas. Dolo.
O uso de documentos fiscais pertencentes a empresa de existência meramente formal - inexistente de fato - bem como a interposição de pessoas caracterizam por si sós o dolo, porquanto revelam a intenção de lesar o Fisco.
Multa. Efeito de Confisco. Exame na Esfera Administrativa. Impossibilidade.
No processo administrativo tributário é vedado o exame do caráter confiscatório da multa, por implicar a realização de controle de constitucionalidade, vedado pelo art. 26-A do Decreto nº 70.235/1972.
Juros de Mora. Emprego da Taxa Selic. Validade.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
IRPJ e CSLL. Identidade de Matéria Fática. Mesma Decisão.
Quando os lançamentos de IRPJ e de CSLL recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo.
Numero da decisão: 1301-002.932
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade, e, no mérito, por maioria de votos negar provimento aos recursos voluntários, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto, que votaram por lhes dar provimento parcial para obstar a incidência de juros sobre a multa de ofício.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild). Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 Intimação Pessoal e por Via Postal. Ordem de Preferência. Notificação Enviada para o Domicílio do Sujeito Passivo. Validade. Não existe ordem de preferência entre a intimação pessoal e a realizada por via postal, que é válida se enviada para o domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja representante do destinatário. Lançamento. Impugnação. Julgamento de Primeira Instância. Competência. Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Em primeira instância, a competência para julgar impugnações a lançamento de crédito tributário é de uma das turmas da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a que o processo for enviado. Mandado de Procedimento Fiscal-MPF. Emissão e Prorrogação. Irregularidade. Nulidade. Não Ocorrência. Pluralidade de Sujeitos Passivos. Dispensa de MPF. As irregularidades na emissão e prorrogação do MPF não acarretam nulidade do lançamento, nem do processo administrativo, ademais, nos casos de pluralidade de autuados, não se exige MPF individual para cada um dos responsáveis tributários. Enquadramento Legal. Irregularidade. Correta Descrição dos Fatos. Validade do Lançamento. É válido o lançamento, ainda que contenha alguma irregularidade no enquadramento legal, se a descrição dos fatos for correta, permitindo ao sujeito passivo exercer o direito de defesa. Decadência. Lançamento por Homologação. Dolo. Termo Inicial. Prescrição. Constituição Definitiva do Crédito Tributário. Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação e estando comprovado o dolo do sujeito passivo, o termo inicial do prazo de decadência é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado, já o prazo prescricional só começa a fluir da data em que o crédito tributário esteja definitivamente constituído, o que não ocorre enquanto existir recurso pendente de julgamento. Prova Emprestada. Prova Indiciária. Validade. É válido o emprego no processo administrativo tributário de prova emprestada, bem como de provas indiciárias, cujo valor probante dependerá da quantidade e da consistência dos indícios. Excesso de Poderes. Infração de Lei, Contrato ou Estatuto. Interesse Comum. Solidariedade. Os administradores, gestores e representantes de pessoas jurídicas, quando praticarem atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato ou estatuto, passam a ser sujeitos passivos da relação tributária, e quando se associam de forma voluntária e consciente, praticando em conjunto o fato gerador do tributo, obrigam-se solidariamente pelo pagamento do crédito tributário, dada a existência de interesse comum. Pluralidade de Sujeitos Passivos. Lançamento. Inclusão de Todos os Responsáveis. Validade. Uma vez apurada pela Fiscalização a existência de pluralidade de sujeitos passivos, o lançamento deve ser dirigido contra todos eles, os quais deverão figurar no polo passivo, assegurando a cada um o direito de defesa. Uso de Documentos Fiscais Pertencentes a Empresa de Existência Puramente Formal. Interposição de Pessoas. Dolo. O uso de documentos fiscais pertencentes a empresa de existência meramente formal - inexistente de fato - bem como a interposição de pessoas caracterizam por si sós o dolo, porquanto revelam a intenção de lesar o Fisco. Multa. Efeito de Confisco. Exame na Esfera Administrativa. Impossibilidade. No processo administrativo tributário é vedado o exame do caráter confiscatório da multa, por implicar a realização de controle de constitucionalidade, vedado pelo art. 26-A do Decreto nº 70.235/1972. Juros de Mora. Emprego da Taxa Selic. Validade. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. IRPJ e CSLL. Identidade de Matéria Fática. Mesma Decisão. Quando os lançamentos de IRPJ e de CSLL recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo.
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E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 INTIMAÇÃO PESSOAL E POR VIA POSTAL. ORDEM DE PREFERÊNCIA. NOTIFICAÇÃO ENVIADA PARA O DOMICÍLIO DO SUJEITO PASSIVO. VALIDADE. Não existe ordem de preferência entre a intimação pessoal e a realizada por via postal, que é válida se enviada para o domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja representante do destinatário. LANÇAMENTO. IMPUGNAÇÃO. JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. COMPETÊNCIA. DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO. Em primeira instância, a competência para julgar impugnações a lançamento de crédito tributário é de uma das turmas da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a que o processo for enviado. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCALMPF. EMISSÃO E PRORROGAÇÃO. IRREGULARIDADE. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. PLURALIDADE DE SUJEITOS PASSIVOS. DISPENSA DE MPF. As irregularidades na emissão e prorrogação do MPF não acarretam nulidade do lançamento, nem do processo administrativo, ademais, nos casos de pluralidade de autuados, não se exige MPF individual para cada um dos responsáveis tributários. ENQUADRAMENTO LEGAL. IRREGULARIDADE. CORRETA DESCRIÇÃO DOS FATOS. VALIDADE DO LANÇAMENTO. É válido o lançamento, ainda que contenha alguma irregularidade no enquadramento legal, se a descrição dos fatos for correta, permitindo ao sujeito passivo exercer o direito de defesa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 41 02 /2 01 3- 25 Fl. 15090DF CARF MF Processo nº 11020.724102/201325 Acórdão n.º 1301002.932 S1C3T1 Fl. 15.091 2 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DOLO. TERMO INICIAL. PRESCRIÇÃO. CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação e estando comprovado o dolo do sujeito passivo, o termo inicial do prazo de decadência é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado, já o prazo prescricional só começa a fluir da data em que o crédito tributário esteja definitivamente constituído, o que não ocorre enquanto existir recurso pendente de julgamento. PROVA EMPRESTADA. PROVA INDICIÁRIA. VALIDADE. É válido o emprego no processo administrativo tributário de prova emprestada, bem como de provas indiciárias, cujo valor probante dependerá da quantidade e da consistência dos indícios. EXCESSO DE PODERES. INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO OU ESTATUTO. INTERESSE COMUM. SOLIDARIEDADE. Os administradores, gestores e representantes de pessoas jurídicas, quando praticarem atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato ou estatuto, passam a ser sujeitos passivos da relação tributária, e quando se associam de forma voluntária e consciente, praticando em conjunto o fato gerador do tributo, obrigamse solidariamente pelo pagamento do crédito tributário, dada a existência de interesse comum. PLURALIDADE DE SUJEITOS PASSIVOS. LANÇAMENTO. INCLUSÃO DE TODOS OS RESPONSÁVEIS. VALIDADE. Uma vez apurada pela Fiscalização a existência de pluralidade de sujeitos passivos, o lançamento deve ser dirigido contra todos eles, os quais deverão figurar no polo passivo, assegurando a cada um o direito de defesa. USO DE DOCUMENTOS FISCAIS PERTENCENTES A EMPRESA DE EXISTÊNCIA PURAMENTE FORMAL. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. DOLO. O uso de documentos fiscais pertencentes a empresa de existência meramente formal inexistente de fato bem como a interposição de pessoas caracterizam por si sós o dolo, porquanto revelam a intenção de lesar o Fisco. MULTA. EFEITO DE CONFISCO. EXAME NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. No processo administrativo tributário é vedado o exame do caráter confiscatório da multa, por implicar a realização de controle de constitucionalidade, vedado pelo art. 26A do Decreto nº 70.235/1972. JUROS DE MORA. EMPREGO DA TAXA SELIC. VALIDADE. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. IRPJ E CSLL. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. MESMA DECISÃO. Fl. 15091DF CARF MF Processo nº 11020.724102/201325 Acórdão n.º 1301002.932 S1C3T1 Fl. 15.092 3 Quando os lançamentos de IRPJ e de CSLL recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade, e, no mérito, por maioria de votos negar provimento aos recursos voluntários, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto, que votaram por lhes dar provimento parcial para obstar a incidência de juros sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild). Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 15092DF CARF MF Processo nº 11020.724102/201325 Acórdão n.º 1301002.932 S1C3T1 Fl. 15.093 4 Relatório Tratase de recursos interpostos por ROBSON MARCELO TOLARDO, ROGÉRIO MÁRCIO TOLARDO, JEANE CRISTINE TOLARDO DALLE ORE, ÍRIS DA SILVA TOLARDO, e SAMUEL TOLARDO JUNIOR, todos já qualificados nos autos, contra o Acórdão n° 1270.242, da 5ª Turma da DRJ Rio de Janeiro, que negou provimento às impugnações dos recorrentes. A controvérsia foi assim resumida pela DRJ: Trata o presente processo do auto de infração de fls. 14.389 a 14.417, lavrado pela DRF/MGA, no qual consta a exigência de: • Imposto de renda da pessoa jurídica IRPJ, cód. 2917, no valor de R$ 175.094,37, somados a multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora; e • Contribuição social sobre o lucro líquido CSLL, cód. 2973, no valor de R$ 84.458,38, somados a multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal de fl. 14.391 e do termo de verificação fiscal de fls. 13.811 a 14.186, os lançamentos se devem a apuração da omissão de receitas da atividade referentes à revenda de mercadorias, com arbitramento do lucro com base na receita conhecida, por ter a autuada deixado de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração, embora tenha sido regularmente notificada, ou apresentado sem as formalidades essenciais, bem como parte da escrituração apresentada e mantida pelo contribuinte ser imprestável para a determinação do lucro real em virtude de erros e fraudes apuradas. Segundo a autoridade fiscal, o procedimento fiscal decorreu do resultado da operação "Laranja Mecânica", deflagrada em 17/11/2012, fruto da parceria entre o Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal, na qual foram cumpridos mandados de busca e apreensão nos estados do Paraná (Maringá e Curitiba), São Paulo (Guarulhos), Rio Grande do Sul (Caxias do Sul) e Mato Grosso do Sul (Campo Grande e Iguatemi), no qual apurouse, por meio de vasta documentação e arquivos magnéticos apreendidos com autorização da justiça federal, a existência de uma rede intrincada de empresas atuando no ramo de comercialização de autopeças, denominada Rede Presidente, do qual a autuada faz parte, constituídas por interpostas pessoas, porém administradas de fato por integrantes da família Tolardo. O histórico de atuação das empresas e pessoas físicas envolvidas, somado à falta documentação e demais elementos probatórios obtidos nos procedimentos acima mencionados, apontariam de forma contundente e inequívoca para a existência de um grande empreendimento comercial, voltado ao ramo de comércio no auto peças (atacado e varejo), denominado Rede Presidente, com lojas espalhadas em várias unidades da federação, e que, embora formalmente constituído por diversas empresas, a quase totalidade em nome de "laranjas", tratase, em verdade, de um único empreendimento, que teria sido originariamente iniciado por Samuel Tolardo (CPF 006.914.70944), já falecido, e transmitido aos seus herdeiros e atuais proprietários, quais sejam, sua esposa, Íris da Silva Tolardo (CPF 958.804.96953), e Fl. 15093DF CARF MF Processo nº 11020.724102/201325 Acórdão n.º 1301002.932 S1C3T1 Fl. 15.094 5 os filhos, Róbson Marcelo Tolardo (CPF 623.843.84953), Rogério Márcio Tolardo (CPF 723.045.53915), Samuel Tolardo Júnior (CPF 121.023.83814) e Jeane Cristme Tolardo Dalle Ore (CPF 828.784.55991). Com base em documentação e em arquivos magnéticos apreendidos teria sido possível apurar que a receita bruta efetiva da fiscalizada no anocalendário de 2008 foi de R$ 8.684.544,20, sendo calculados o montante de IRPJ e CSLL devidos, com base no lucro arbitrado, e abatido os tributos já declarados pela autuada em Declaração Anual do Simples Nacional (DASN). Tendo em vista que a autuada teria se utilizado de elaborada sistemática de vendas sem emissão de notas fiscais, às quais não foram declaradas à RFB, omitindo, portanto, parcela relevante de suas vendas mediante intricado sistema mantido a margem de sua escrita contábil e fiscal, bem como a apuração de que sociedade teria sido constituída por sócios sem capacidade econômica, mediante falsificação de diversos documentos e assinaturas, foi aplicada a multa qualificada no percentual de 150%, pela prática de sonegação fiscal e fraude, segundo a definição contida nos incisos I e II do art. 71 e art. 72 da Lei n° 4.502/64, com fundamento no § 1º, do inciso I do art. 44, da Lei n° 9.430/96. Em decorrência da comprovação inequívoca de que os reais proprietários e administradores da fiscalizada seriam os integrantes da família Tolardo, foram nomeados sujeitos passivo solidários mediante lavratura dos competentes termos de sujeição passiva solidária, com base no art 124, inciso I, e art 135, inciso III, ambos da Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional), as seguintes pessoas físicas: Íris da Silva Tolardo, CPF 958.804.96953; Róbson Marcelo Tolardo, CPF 623.843.84953; Rogério Márcio Tolardo, CPF 723.045.53915; Samuel Tolardo Júnior, CPF 121.023.83814; Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, CPF 828.784.55991. Cientificada da autuação em 27/12/2013, conforme Edital de fl. 14.432, a interessada não apresentou impugnação. Cientificados da autuação e dos termos de sujeição passiva em 07/12/2013, conforme AR de fls. 14.436, 14.437, 14.433 e 14.435, Rogério Márcio Tolardo, Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, Íris da Silva Tolardo e Samuel Tolardo Júnior apresentaram em 06/01/2014 as impugnações de fls. 14.448 a 14.487, 14.531 a 14.569, 14.584 a 14.623 e 14.628 a 14.667, respectivamente, nas quais alegam, em apertada síntese, a tempestividade e: 1) a nulidade da autuação por ausência de mandado de procedimento fiscal; 2) a ausência de intimação pessoal, considerando nula a efetuada através dos correios; 3) cerceamento do direito de defesa, uma vez que não obtiveram o acesso ao inteiro teor dos autos apesar de requerido; 4) a ilegitimidade passiva dos impugnantes, ante a ausência de prova do vínculo entre estes e a empresa autuada, e tendo em vista a impossibilidade de Fl. 15094DF CARF MF Processo nº 11020.724102/201325 Acórdão n.º 1301002.932 S1C3T1 Fl. 15.095 6 utilização de prova emprestada produzida em inquérito policial onde não foi observado o contraditório e à ampla defesa; 5) a falta de motivação e fundamentação da autuação; 6) a incompetência legal da autoridade fiscal para desconsiderar a personalidade jurídica da empresa e atribuir a responsabilidade objetiva e solidária aos impugnantes; 7) a ilicitude das provas utilizadas, tendo em vista que a ordem de busca e apreensão teria sido emanada por autoridade judicial incompetente; 8) pugna pela necessidade de suspensão do processo administrativo fiscal para aguardar o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal de cinco Ações Diretas de Inconstitucionalidade, que questionam a constitucionalidade da quebra do sigilo fiscal diretamente pela autoridade administrativa, com base na Lei Complementar n° 105; 9) a ausência de responsabilidade dos impugnantes, uma vez que não seriam sócios ou administradores da autuada, nem teriam interesse comum no fato gerador da obrigação tributária, pois a realização do comércio é exclusiva da pessoa jurídica; 10) a decadência ou a prescrição dos créditos tributários lançados; 11) pleiteiam a exclusão ou redução da multa, uma vez que a responsabilidade pelo não atendimento às intimações não pode ser atribuída a terceiros, e tendo em vista que o agravamento da multa seria incompatível com a aplicação do arbitramento do lucro, além do fato de que seria vedado a aplicação de multa com caráter confiscatório; 12) a inaplicabilidade da correção da multa com base na taxa Selic, por ausência de previsão legal; Por fim, requereram a produção de prova pericial, oral e a juntada posterior de documentos, bem como que fosse julgada improcedente a exigência fiscal. Cientificado da autuação e do termo de sujeição passiva em 28/12/2013, conforme Edital de fls. 14.443, Robson Marcelo Tolardo apresentou em 06/01/2014 a impugnação de fls. 14.671 a 14.710, na qual apresenta as mesmas alegações e pedidos dos demais impugnantes responsáveis solidários. (fls. 14.751 a 14.753) A DRJ RJO negou provimento às impugnações em acórdão cuja ementa foi assim redigida: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 AUTO DE INFRAÇÃO. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE. DOLO OU SIMULAÇÃO. INOCORRÊNCIA Fl. 15095DF CARF MF Processo nº 11020.724102/201325 Acórdão n.º 1301002.932 S1C3T1 Fl. 15.096 7 Começa a fluir o prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser lançado, quanto aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIOSGERENTES E ADMINISTRADORES DE FATO. INTERESSE COMUM. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, decorrente de atos praticados com infração de lei. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONTROLE EFETUADO À MARGEM DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL. COMPROVAÇÃO. Caracterizam a omissão de receitas as vendas efetuadas sem emissão de nota fiscal, com registro das receitas auferidas efetuado pelo contribuinte e mantidos à margem de sua escrituração contábil e fiscal. MULTA QUALIFICADA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. SONEGAÇÃO. CABIMENTO. E cabível a qualificação da multa no caso de sonegação, caracterizada pela utilização de interpostas pessoas, de modo a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade tributária das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributaria principal ou o crédito tributário correspondente. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. CABIMENTO. É cabível a qualificação da multa no caso de fraude, caracterizada pela utilização de sistema de controle de vendas realizadas sem a emissão de notas fiscais, e mantidos a margem da escrituração contábil e fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Diante da decisão que lhes foi desfavorável, Robson Marcelo Tolardo, Rogério Márcio Tolardo, Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, Íris da Silva Tolardo e Samuel Tolardo Junior apresentaram recursos que, tanto nas preliminares, quanto no mérito, tanto nas questões centrais, quanto nas periféricas, têm o mesmo conteúdo. São estes os pontos suscitados pelos recorrentes: Nulidade Os recorrentes arguiram a nulidade do lançamento por vários motivos. 1º) Nulidade por violação da garantia do contraditório e da ampla defesa, já que os recorrentes teriam sido incluídos no auto de infração por meio de "termo de sujeição passiva tributária", desprovido de fundamentação e desacompanhado de elementos de Fl. 15096DF CARF MF Processo nº 11020.724102/201325 Acórdão n.º 1301002.932 S1C3T1 Fl. 15.097 8 convicção. Receberam apenas um relatório, fazendo referência a documentos apreendidos em poder de terceiras pessoas; documentos aos quais se negou acesso aos recorrentes. Foram solicitadas cópias dos documentos, as quais não foram fornecidas a tempo e no prazo da impugnação, gerando nulidade na constituição do crédito tributário. Ademais, efetuouse a desconsideração da personalidade jurídica e a imputação de responsabilidade solidária objetiva aos recorrentes, sem que eles tivessem participado do processo administrativo. Não foram apresentadas aos recorrentes as provas com base nas quais a autoridade lançadora lhes imputou responsabilidade tributária. Dizem eles: Evidente o cerceamento de defesa, na medida em que teve que se defender sem ter acesso aos autos, embora tenha diligenciado neste sentido, quando o próprio termo de sujeição passiva solidária reconhece a ausência de seu envio, tanto que consta: "O conteúdo integral do Processo Administrativo Fiscal acima identificado poderá ser consultado pelo sujeito passivo solidário nos Centros de Atendimento ao Contribuinte (CAC) nas unidades da Receita Federal do Brasil." Embora tenha diligenciado neste sentido na Delegacia da Receita Federal de seu domicílio fiscal, não obteve êxito em consultar o conteúdo integral e nem em obter cópia antes de exaurido o prazo de impugnação, causando nulidade insanável ante a inobservância do devido processo legal. (fl. 14.844) Até o momento, os recorrentes não tiveram acesso ao conteúdo do processo administrativo, não conhecendo os motivos, as razões e os documentos que levaram à imputação de responsabilidade, situação que caracteriza cerceamento de defesa, gerando nulidade do lançamento. 2º) O segundo motivo é a ausência de análise de todas as matérias invocadas na defesa, mediante impugnação administrativa, bem como a ausência de fundamentação do acórdão da DRJ. A decisão de primeira instância não teria analisado as questões invocadas na impugnação. Não teria sido examinada a validade das provas indiciárias contidas no inquérito policial, nem a ofensa ao contraditório e à ampla defesa. Aduziram os recorrentes que, apesar de terem demonstrado que nenhum vínculo havia entre eles e os fatos, rebatendo as afirmações da autoridade fiscal, a DRJ não se ateve a tais alegações, adotando simplesmente, como razões de decidir, o relatório do auto de infração. As provas não seriam suficientes para sustentar as ilações do lançamento. Com uma simples planilha, a Fiscalização entendeu que todas as lojas de autopeças do Brasil tinham vinculação com Samuel Tolardo, sem identificar uma ligação sequer com os recorrentes, salvo o parentesco. O art. 93, incisos IX e X, da Constituição Federal exige o convencimento racional e motivado, e que haja fundamentação do julgamento. 3º) O terceiro motivo está no fato de que o julgamento teria sido proferido por autoridade incompetente, pois prolatado por Auditor da Receita Federal, quando deveria ter sido por Delegado da Receita Federal. Fl. 15097DF CARF MF Processo nº 11020.724102/201325 Acórdão n.º 1301002.932 S1C3T1 Fl. 15.098 9 4º) O quarto motivo é a ausência de mandado de procedimento fiscal MPF. Os recorrentes não foram cientificados da existência de processo de fiscalização contra si instaurado, nem da desconsideração da personalidade jurídica da empresa autuada, com a consequente responsabilização solidária dos recorrentes, sem a observância dos requisitos legais. 5º) O quinto motivo está na ausência de intimação pessoal e na nulidade da intimação realizada por via postal. 6º) O sexto motivo é a ilegitimidade passiva dos recorrentes. O processo administrativo foi instaurado, utilizandose de elementos coligidos nos processos administrativos 11020.723699/201218 e 15586.720329/201195, e no Inquérito Policial nº 256/2008 DPF/MGA/PR, instaurado em 02/04/2008, por força de requisição do Ministério Público Federal e que tramita na Delegacia de Polícia Federal de Maringá/PR. No entanto, seria nulo o direcionamento do processo administrativo contra os recorrentes, como se sujeitos passivos solidários fossem, dada a ausência de prova que demonstre a existência de qualquer vínculo entre eles e a pessoa jurídica autuada. A conclusão de que os recorrentes são sujeitos passivos solidários, a quem o Fisco denomina de proprietários da empresa autuada, foi extraída de inquérito policial, que, em si, nada mais é do que um procedimento administrativo, de cunho meramente investigativo e inquisitivo, sem contraditório e ampla defesa. É peça meramente informativa, destituída de juízo de valor. Por isso, não se admite a validade da prova emprestada, como pretende a Fiscalização. 7º) O sétimo motivo é falta de motivação e fundamentação. A autoridade lançadora tipificou as exigências em dispositivos genéricos, o que foi mantido pela DRJ, não especificando em seu relatório quais artigos servem de embasamento à lavratura do auto de infração, especialmente quando impõe a responsabilidade objetiva aos recorrentes. 8º) O oitavo motivo é a ilegitimidade do Auditor Fiscal que lavrou os autos de infração. Esse servidor, extrapolando os limites de sua competência funcional, previstas na Lei nº 10.593/2002, desconsiderou a personalidade jurídica da empresa, atribuindo responsabilidade objetiva e solidária aos recorrentes, sem indicar os motivos. Os recorrentes não seriam sócios da pessoa jurídica autuada, nem teriam exercido qualquer função relacionada ao fato gerador do tributo. A responsabilidade apontada no lançamento baseouse no art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN, mas não mostrou a presença do interesse comum, nem a relação dos recorrentes com a situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária. Além disso, com base no art. 135, inciso III, do CTN, os recorrentes foram responsabilizados de forma objetiva, sem que a autoridade fiscal provasse que qualquer deles ostentava a condição de diretor, gerente ou representante da pessoa jurídica, e que, nessa condição, tivesse praticado ato com excesso de poderes ou infração de lei. Fl. 15098DF CARF MF Processo nº 11020.724102/201325 Acórdão n.º 1301002.932 S1C3T1 Fl. 15.099 10 Por outro lado, a referida responsabilização foge da esfera de competência do Auditor Fiscal, pois, além de não estar prevista expressamente na lei de regência de seu cargo, compete exclusivamente ao Procurador da Fazenda Nacional fazêlo, na esfera judicial, desde que presentes os requisitos da lei. 9º) O nono motivo da nulidade do lançamento está na ilicitude das provas. Embora não se admitam provas obtidas por meios ilícitos, seriam ilícitas as provas utilizadas no presente processo administrativo, pois decorrentes de mandados de busca e apreensão expedidos por autoridade judicial incompetente para a matéria. O inquérito policial teve origem no compartilhamento de dados entre COAF, Receita Federal e Ministério Público, sem qualquer autorização judicial. Além disso, no momento em que o juízo decretou a busca e apreensão, quando houve a instauração dos procedimentos, nenhum dos crimes investigados era crime antecedente do delito de lavagem de dinheiro. Portanto, a vara de lavagem de dinheiro não tinha competência para processar o feito. Ademais, a utilização, pela autoridade fiscal de dados sigilosos, inclusive de terceiros, com a quebra de sigilo fiscal, de dados de informática e utilização de planilhas unilaterais, que sequer foram fornecidas à recorrente, caracteriza utilização de prova ilícita Questão prejudicial Os recorrentes pedem, caso seja superada a alegação de nulidade, a suspensão do processo administrativo, pois, segundo afirmam, é preciso aguardar a decisão do E. Supremo Tribunal Federal STF acerca da constitucionalidade da quebra de sigilo bancário pela autoridade fiscal, sem a intervenção do Poder Judiciário. Prescrição e decadência Afirmaram a ocorrência de prescrição e decadência. Ausência de responsabilidade dos recorrente e inexistência de prova do benefício No mérito alegaram a ausência de responsabilidade, o que, por si só, inviabilizaria a solidariedade tributária passiva indicada nos autos de infração. Os recorrentes seriam pessoas estranhas ao quadro societário da pessoa jurídica autuada. A autoridade fiscal, todavia, invocou o art. 124, inciso I, do CTN, sem qualquer fundamentação, utilizandose de presunções e ficções baseadas em provas ilícitas. Dizem os recorrentes que não há provas de que eles tenham recebido qualquer vantagem da pessoa jurídica autuada. Não tiveram qualquer relação com a empresa ou seus sócios. Não existe procuração passada em favor de nenhum deles. Não há vinculação dos recorrentes com os fatos geradores, nem existe interesse comum. Ressaltaram que, para haver interesse comum, as pessoas devem agir de um mesmo lado da relação jurídica. A responsabilidade solidária do art. 124, inciso I, do CTN, só pode subsistir quando todos os sujeitos passivos houverem praticado, conjuntamente, atos Fl. 15099DF CARF MF Processo nº 11020.724102/201325 Acórdão n.º 1301002.932 S1C3T1 Fl. 15.100 11 relacionados com o fato gerador, porque essa é a única hipótese em que todos têm interesse jurídico comum no fato gerador de que se origina a tributação. Afirmaram que a vinculação dos recorrentes ao fato gerador não restou demonstrada. Não haveria sequer a possibilidade de aplicação do art. 135 do CTN, já que os recorrentes não são sócios da empresa fiscalizada. Além disso, atribuir responsabilidade solidária aos recorrentes implicaria desconsiderar ato jurídico sem observar o disposto no parágrafo único do art. 116 do CTN. No mais, a desconsideração de personalidade jurídica requer autorização judicial. Afirmam os recorrentes que a acusação é frágil, pois se baseia em documentos unilaterais, elaborados por terceiros, sem identificar os recorrentes. As planilhas mencionadas foram elaboradas por pessoa totalmente desconhecida, que não tinha poder, nem autorização para vincular os recorrentes. Os Auditores Fiscais reconheceram que as planilhas se referem a anos anteriores ao período abrangido no lançamento, não podendo, pois, valer como prova. Além disso, por se tratar de mera presunção, não servem para impingir qualquer responsabilidade aos recorrentes, sobretudo quando os nomes destes sequer são mencionados em tais documentos. O processo administrativo tributário deve garantir que o devido processo legal e o contraditório, princípios primários e basilares do Estado de Direito, sejam respeitados, quando da constituição do crédito tributário. Destarte, a eleição do sujeito passivo, seja por solidariedade ou por desconstituição da pessoa jurídica, deve ter como alicerce, primeiro, uma legislação em vigor que atribua a determinada pessoa a responsabilidade pelo tributo; e, segundo, provas cabais, produzidas em ação fiscal e detalhadamente apresentadas na notificação, possibilitando a ampla defesa do sujeito passivo, o que certamente não se verifica no caso em tela. As alegações mencionadas no Relatório Fiscal são frágeis e subjetivas. O fato de os sócios de algumas das empresas indicadas no relatório terem sido funcionários da empresa pertencente ao falecido Samuel Tolardo não é suficiente para a responsabilização de setenta empresas e seus respectivos sócios e de toda a família Tolardo, indicados equivocadamente como "sócios de fato" das empresas. A mera presunção levada a efeito pela autoridade fiscal não é suficiente para impor responsabilidade tributária, ainda mais em se tratando de "prova" consubstanciada em documentos produzidos por terceiros, sem qualquer relação direta com os recorrentes. Acresce a isso o fato de serem os documentos de períodos anteriores aos anos a que se referem os autos de infração. Por outro lado, não pode o legislador estabelecer confusão entre os patrimônios das pessoas físicas e jurídicas, o que, além de impor desconsideração "ex lege" e objetiva da personalidade jurídica, descaracterizando as sociedades limitadas, implicaria falta de razoabilidade, inibindo a iniciativa privada, por afronta aos arts. 5º, XIII, e 170, parágrafo único, da Constituição Federal. Da análise dos documentos mencionados no Relatório Fiscal, verificase que as empresas ali mencionadas, supostamente pertencentes ao mesmo grupo econômico "Rede Fl. 15100DF CARF MF Processo nº 11020.724102/201325 Acórdão n.º 1301002.932 S1C3T1 Fl. 15.101 12 Presidente", são empresas absolutamente autônomas, localizadas em bairros, cidades e Estados distintos, sem qualquer identidade em seu quadro societário e, quiçá, no objeto social, cada uma com seu próprio quadro de funcionários, e em dia com as respectivas obrigações tributárias, razão pela qual não se pode sustentar a tese apresentada pela autoridade lançadora. Não se trata sequer de grupo econômico, visto que possuem administração própria e descentralizada como se apurou, e não realizavam conjuntamente situações configuradoras de fato jurídico tributário. Não existia, portanto, interesse comum. Crucial destacar que a responsabilidade solidária prevista no art. 124, inciso I, do CTN, só pode subsistir quando todos os sujeitos passivos houverem realizado conjuntamente o fato gerador, porque esta é a única hipótese em que todas as pessoas possuem interesse jurídico comum no fato de que se origina a tributação. Enfim, para que se configure a solidariedade fundada no interesse comum é essencial que se realize, pessoalmente e em conjunto com outras pessoas, a materialidade do próprio fato gerador, pois somente assim se caracterizará o interesse jurídico que faz surgir a solidariedade. O interesse comum não se confunde com o fato de existir eventual benefício em contratos celebrados em parceria, em aquisição e alienação de bens, e outros negócios jurídicos por elas ou entre elas realizados. Contudo, fundamental perquirir qual o tipo de interesse existente acerca dos negócios praticados por empresas pertencentes a um mesmo grupo. Pois se ele for movido apenas por razões econômicas, financeiras e negociais, não será capaz de gerar a responsabilidade tributária, visto que esta apenas se configura se existente o interesse jurídico, e não o interesse econômico. Multa Os recorrentes pedem a exclusão da multa. Lembram que o CARF editou a Súmula 14 cujo enunciado diz que "a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo." Invocaram também a Súmula 25, com o seguinte teor "a presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64." Disseram não caber o agravamento de multa contra os que não respondem pela empresa, e sequer tinham conhecimento do mandado de procedimento fiscal. Extrapola, pois, os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade impor penalidade por atos praticados por outrem. O agravamento da multa de ofício em face do não atendimento à intimação para apresentar a escrita fiscal e contábil ou para esclarecer fatos não se aplica aos casos em que a omissão do contribuinte já tem consequências específicas previstas na legislação, no caso, o arbitramento dos lucros. Fl. 15101DF CARF MF Processo nº 11020.724102/201325 Acórdão n.º 1301002.932 S1C3T1 Fl. 15.102 13 Para haver a cobrança da multa é preciso haver intuito de fraude, o que não ficou provado. Ademais, a multa tem caráter confiscatório. Devem prevalecer os princípios da razoabilidade e da capacidade contribuinte. Redução Na hipótese de ser mantida a multa, pede sua redução. Qualificação da multa A desqualificação da multa se deve ao fato de os recorrentes não terem praticado fraude, nem omissão dolosa durante o processo fiscalizatório. Estariam ausentes, pois, os requisitos necessários à qualificação da multa. Inaplicabilidade da taxa Selic e da incidência de juros sobre multa Os recorrentes alegaram também a inaplicabilidade da taxa Selic como critério para cálculo do juros de mora, bem como o não cabimento da incidência de juros de mora sobre a multa. Produção de provas Por último, afirmaram não terem tido acesso aos documentos constantes dos autos, o que lhes impediu de formular quesitos em eventual pedido de perícia. Reiteram o pedido de produção de provas, resguardandose o direito de formular quesitos tão logo tenham acesso à toda documentação. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator Admissibilidade Os recursos são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade. Nulidades 1) Foram arguidas várias nulidades. A primeira delas se refere a uma possível violação do contraditório e da ampla defesa, pois a inclusão dos recorrentes no polo passivo carece de fundamentação. Além disso, não teriam sido entregues aos interessados ou postos à disposição os documentos apreendidos com terceiros, e com base nos quais se procedeu à imputação de responsabilidade. Questionam também a desconsideração da personalidade Fl. 15102DF CARF MF Processo nº 11020.724102/201325 Acórdão n.º 1301002.932 S1C3T1 Fl. 15.103 14 jurídica e a inclusão dos recorrentes no polo passivo da relação tributária, sem que tivessem participado do processo administrativo. Em primeiro lugar, não é correta a afirmação de que a inclusão dos recorrentes no polo passivo carece de fundamentação. Ao contrário, existe exaustiva fundamentação no Relatório de Atividade Fiscal (fls. 13.811 a 14.186). Quanto à copiosa documentação constante dos autos, o Termo de Ciência (fl. 14.419) deixa claro que tais documentos sempre estiveram à disposição dos recorrentes. Consta do termo: No exercício das funções de AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, encaminhamos ao contribuinte acima identificado, em arquivos digitais gravados no Compact Disk (CD) anexo ao presente Termo de Ciência, os documentos extraídos do Processo Administrativo Fiscal n° 11020.724102/201325 abaixo relacionados: 1) Auto de Infração de IRPJ/CSLL, ano 2008, folhas 14.389 a 14.417 2) Demonstrativo Consolidado do Crédito, folhas 14.388 3) Relatório de Atividade Fiscal, folhas 13.811 a 14.186 4) Anexo ao Relatório de Atividade Fiscal, folhas 14.187 a 14.387 5) Orientações para pagamento ou impugnação, folhas 14.418 (...) Os códigos de autenticação foram gerados pelo Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais (SVA), disponível no site da Receita Federal do Brasil. As demais folhas do referido processo poderão ser obtidas nos Centros de Atendimento ao Contribuinte (CAC) da Receita Federal do Brasil. Para constar e surtir os efeitos legais lavramos o presente termo em duas vias de igual teor e forma, assinado pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, sendo a via do contribuinte encaminhada para ciência via postal, por Aviso de Recebimento (AR). Se, ao contrário do que consta do termo, os documentos não lhes foram entregues, nem postos à disposição, cabia aos recorrentes, de plano, acusar formalmente o fato, requerendo vista dessa documentação. Entretanto, não há prova nos autos de que tal medida tenha sido adotada, o que leva a presumir que o acesso aos documentos que instruem o processo sempre esteve disponível aos autuados. Quanto à alegada desconsideração de personalidade jurídica, importa dizer que a norma de direito material aplicada ao caso concreto não foi o art. 50 do Código Civil, nem o art. 28 do Código de Defesa do Consumidor, que cogitam expressamente da desconsideração de personalidade jurídica. Aplicouse aqui o art. 135 do CTN, que existe desde 25 de outubro de 1966, sem fazer referência à desconsideração de personalidade jurídica. O art. 135 vem sendo utilizado pelo Fisco na constituição de crédito tributário, sem necessidade de procedimento específico de desconsideração de personalidade jurídica ou de petição à Justiça para esse fim. Fl. 15103DF CARF MF Processo nº 11020.724102/201325 Acórdão n.º 1301002.932 S1C3T1 Fl. 15.104 15 Igualmente desnecessária é a autorização judicial para a que Fiscalização possa considerar não oponíveis à Fazenda os atos e negócios jurídicos praticados com dolo, fraude ou simulação, na forma do art. 149, inciso VII, e do art. 150, § 4º, todos do CTN. 2) O segundo motivo de nulidade, de acordo com os recorrentes, não diz respeito ao lançamento em si, mas à decisão de primeira instância, que teria deixado de apreciar as matérias invocadas nas impugnações, carecendo também de fundamentação em diversos pontos. É vaga a afirmação. O recorrente deve especificar os pontos sobre os quais a decisão recorrida deveria discorrer, e se omitiu. A impugnação, assim como o recurso devem ser especificados. O que não for especificado deve ser tido como matéria não impugnada ou não recorrida. De forma específica, existe apenas a alegação quanto aos seguintes pontos: validade das provas indiciárias contidas no inquérito policial; razões de decidir baseadas no relatório do auto de infração; e insuficiência da prova para sustentar as ilações do lançamento. A primeira questão foi examinada na decisão recorrida, como se vê do trecho abaixo reproduzido: Quanto à alegada ilicitude das provas utilizadas por empréstimo, obtidas em decorrência de ordem judicial expedida por autoridade supostamente incompetente, não há como dar guarida às pretensões dos impugnantes. A ordem emanada por autoridade judicial reputase como válida até que outra lhe sobrevenha, alterandoa ou cancelandoa. Não cabe ao julgador administrativo avaliar a validade das decisões proferidas em sede judicial, por lhe faltar competência legal, e em respeito ao princípio constitucional de separação dos poderes. (fls. 14.756) (g.n.) A questão, como se percebe, foi enfrentada. Portanto não existe a suposta omissão no acórdão da DRJ. Já os outros dois pontos não se referem propriamente a omissão, mas, sim, ao exame e à valoração da prova. O erro na apreciação da prova pode dar causa à reforma da decisão, mas não à sua nulidade, o que implicaria devolver os autos à DRJ para proferir um novo acórdão. 3) O terceiro motivo de nulidade seria a incompetência do agente público que proferiu o julgamento, que não poderia ser um Auditor da Receita, mas, sim, o Delegado da Receita Federal. A decisão não foi proferida por um Auditor da Receita Federal, mas por um colegiado, na forma do art. 25, inciso I, do Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pela MP nº 2.15835/2001. 4) A quarta causa de nulidade estaria na ausência de mandado de procedimento fiscal MPF. Os recorrentes não teriam sido cientificados da existência de procedimento de fiscalização contra si instaurado. O MPF, no tempo em que era exigido, não passava de instrumento de controle administrativo. Assim, eventuais irregularidades em sua emissão, prorrogação de vigência, ou ampliação de objeto não eram aptos a projetar qualquer efeito sobre o lançamento ou sobre o processo. Fl. 15104DF CARF MF Processo nº 11020.724102/201325 Acórdão n.º 1301002.932 S1C3T1 Fl. 15.105 16 A consequência que poderia advir de um daqueles vícios cingiase ao plano funcional, podendo dar ensejo, nos casos de extrema gravidade, a uma medida de ordem disciplinar, mas sem acarretar a invalidade do lançamento, se este (que é ato vinculado) fosse realizado por servidor competente, e se da irregularidade do MPF não tivesse resultado prejuízo real para o contribuinte. No caso concreto, entretanto, nem sequer de irregularidade se trata, já que a Portaria RFB nº 2.284/2010, no § 2º do art. 2º, deixava claro que, no caso de pluralidade de sujeitos passivos, não se exigia um MPF para cada codevedor. Art. 2º Os AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, na formalização da exigência, deverão, sempre que, no procedimento de constituição do crédito tributário, identificarem hipóteses de pluralidade de sujeitos passivos, reunir as provas necessárias para a caracterização dos responsáveis pela satisfação do crédito tributário lançado. § 1º A autuação deverá conter a descrição dos fatos e o enquadramento legal das infrações apuradas e do vínculo de responsabilidade. § 2º Na hipótese de que trata o caput, não será exigido Mandado de Procedimento Fiscal para os responsáveis. (g.n.) 5) O quinto motivo é a ausência de intimação pessoal e a nulidade da intimação realizada por via postal. Não procede a alegação. O Decreto nº 70.235/1972 não estabelece preferência entre estas duas formas de intimação: a pessoal e a por via postal. Nesse sentido dispõe o art. 23 daquele diploma normativo: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: I no endereço da administração tributária na internet; Fl. 15105DF CARF MF Processo nº 11020.724102/201325 Acórdão n.º 1301002.932 S1C3T1 Fl. 15.106 17 II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (...) § 3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (g.n.) Entre as três formas de intimação, pessoal, por via postal ou por meio eletrônico, qualquer uma delas pode ser validamente utilizada, pois entre elas não há ordem de preferência. 6) O sexto motivo é a ilegitimidade passiva dos recorrentes. Sustentam que o processo administrativo foi instaurado com base em elementos extraídos dos processos administrativos 11020.723699/201218 e 15586.720329/201195, e do Inquérito Policial nº 56/2008 DPF/MGA/PR, instaurado em 02/04/2008. Seria nulo o direcionamento da autuação contra os recorrentes, como se sujeitos passivos solidários fossem, dada a ausência de prova que demonstrasse a existência de qualquer vínculo entre os recorrentes e a pessoa jurídica autuada. Disseram que a conclusão de que os recorrentes são sujeitos passivos solidários, a quem o Fisco denomina de proprietários da empresa autuada, foi extraída de inquérito policial, que, em si, nada mais é do que um procedimento administrativo, de cunho meramente investigativo e inquisitivo, sem contraditório e ampla defesa. É peça meramente informativa, destituída de juízo de valor. Por isso, não se admite a validade da prova emprestada, como pretende a Fiscalização. Essa matéria será tratada quando se examinar a validade das provas emprestadas e indiciárias. Também será examinada de forma específica a legitimidade passiva de cada um dos autuados. 7) A sétima causa de nulidade é a falta de motivação e fundamentação, pois a autoridade lançadora tipificou as exigências em dispositivos genéricos. O lançamento foi mantido pela DRJ, que não especificou em seu relatório quais artigos servem de embasamento à lavratura do auto de infração, especialmente quando impõe a responsabilidade objetiva aos recorrentes. Para a validade do lançamento é necessária a descrição correta e precisa dos fatos, pois é dos fatos que o contribuinte se defende. O erro de capitulação legal, se efetivamente existir, só invalidará o lançamento se dele resultar prejuízo ao direito de defesa, o que deve ser demonstrado pelo recorrente. No caso em tela, não há comprovação do efetivo prejuízo. Por outro lado, não procede o argumento de que a decisão de primeira instância carece de fundamentação específica sobre a matéria. Os fundamentos, embora contrários aos recorrentes, estão postos voto que conduziu a decisão vencedora. 8) O oitavo motivo de nulidade é a suposta incompetência do Auditor Fiscal, que teria extrapolado suas atribuições e desconsiderado a personalidade jurídica da empresa, para assim imputar responsabilidade solidária aos recorrentes, sem indicar os motivos para Fl. 15106DF CARF MF Processo nº 11020.724102/201325 Acórdão n.º 1301002.932 S1C3T1 Fl. 15.107 18 tanto. O lançamento, não obstante fundado no art. 124, inciso I, do CTN, não teria demonstrado a relação dos recorrentes com o fato gerador, nem a presença do interesse comum. A autoridade fiscal, por outro lado, teria deixado de provar que qualquer um dos recorrentes, na condição de diretor, gerente ou representante da pessoa jurídica, tenha praticado atos com excesso de poderes ou infração de lei. Disseram ainda que a imputação desse tipo de responsabilidade compete exclusivamente ao Procurador da Fazenda Nacional. Sem razão os recorrentes. Como se disse, não houve desconsideração de personalidade jurídica na forma do Código Civil, do Código de Defesa do Consumidor ou de qualquer outra lei. A ação fiscal teve por base o disposto no art. 135 do CTN, cuja aplicação se dá, na via administrativa, mediante lançamento, que é ato administrativo inserido no rol de atribuições do Auditor Fiscal da Receita Federal, nos termos do art 6º, inciso I, alínea "a", da Lei nº 10.593/2002. Frisese que, ao realizar o lançamento, a autoridade, na forma do art. 142 do CTN, tem o dever de identificar o sujeito passivo, seja ele pessoa física ou jurídica, seja contribuinte ou responsável. Quanto à prova do interesse comum ou da prática de atos com excessos de poderes ou com infração de lei, tratase de matéria de mérito, a ser examinada mais adiante. Outro ponto suscitado diz respeito à suposta impossibilidade de atribuição de responsabilidade tributária no lançamento, pois tal providência caberia somente à PFN, na fase de execução. O lançamento tem de incluir no polo passivo todas as pessoas obrigadas, na condição de responsável, ao pagamento do crédito tributário, salvo se a situação da qual decorra o vínculo de responsabilidade for posterior ao lançamento, como se dá, por exemplo, na extinção irregular da empresa (STJ, Súmula 435), depois de lançado o tributo. Ao contrário, se o fato que impõe a sujeição passiva for anterior ao lançamento, nele já deve ser incluído o responsável. Esse entendimento, mais do que o interesse da Fazenda, tutela o interesse do responsável tributário, assegurandolhe a possibilidade de defesa ainda na esfera administrativa. Assim vem decidindo do E. STJ, como revela o voto proferido, no REsp nº 1.435.515 SP, pelo Ministro Og Fernandes, do qual se extrai o trecho abaixo: Como é sabido, a ausência da precisa indicação do devedor na constituição do crédito tributário vulnera o título executivo, retirandolhe a certeza, liquidez e exigibilidade que lhe são inerentes, nos termos dos arts. 202 e 203 do CTN. Na senda de tal premissa, não se concebe a substituição do sujeito passivo no título executivo constituído, pois tal alteração corresponderia a um novo lançamento tributário, sem que fosse conferida ao novo devedor a oportunidade de exercer sua impugnação na via administrativa, ou mesmo do pagamento do débito antes do ajuizamento da ação de cobrança. (g.n.) O CARF também adota entendimento semelhante, o que fica evidente pelo enunciado da Súmula nº 71: Fl. 15107DF CARF MF Processo nº 11020.724102/201325 Acórdão n.º 1301002.932 S1C3T1 Fl. 15.108 19 Súmula CARF n° 71: Todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade. A legitimidade para impugnar o lançamento pelos responsáveis tributários tem como pressuposto o fato de que tais pessoas tenham sido originalmente incluídas no polo passivo. Portanto, é a inclusão do responsável no polo passivo do lançamento que lhe assegura, ainda em sede de processo administrativo, o direito de discutir a validade do ato nos seus aspectos formais e materiais, bem como de discutir a própria existência do liame de responsabilidade. 9) A última causa de nulidade suscitada pelos recorrentes estaria na ilicitude das provas utilizadas na apuração das infrações. Segundo eles, seriam ilícitas as provas, pois colhidas em mandados de busca e apreensão expedidos por autoridade judicial incompetente. Dizem que o Juízo de onde emanou a ordem era competente para processar e julgar os crimes de lavagem de dinheiro; porém, decretou busca e apreensão em procedimento investigatório de crimes que não eram antecedentes do delito de lavagem de dinheiro. Além disso, não existiria autorização judicial para o compartilhamento de dados entre COAF, Receita Federal e Ministério Público. Os documentos, que neste processo servem de prova das infrações e do envolvimento dos autuados, não vieram aos autos por acaso, mas por determinação da Justiça Federal, como se pode concluir dos termos do Ofício nº 032/2012UIP/DPF/MGA/PR (fl. 9.223), cujo teor abaixo se reproduz: Como é de conhecimento de V.Sa no último dia 17/10/2012, foi deflagrada a fase ostensiva da investigação denominada internamente como "Operação Laranja Mecânica", com o cumprimento de dezenas de mandados de busca/apreensão e condução coercitiva expedidos pelo Juízo Federal da 3ª Vara Criminal de Curitiba/PR, inclusive com a participação de servidores dessa Instituição. Por ocasião do cumprimento das medidas judiciais pertinentes, foi arrecadada/apreendida farta documentação, bem como mídias, veículos, etc., sendo que parte do material já se encontra acautelado nesta Delegacia de Polícia Federal em Maringá/PR, enquanto que acervo arrecadado fora desta cidade será encaminhado a esta descentralizada nos próximos dias. Considerando os termos de decisões judiciais prolatadas no âmbito do Inquérito Policial n° 256/2008DPF/MGA/PR, onde estão sendo conduzidas as investigações da denominada "Operação Laranja Mecânica", autorizando o compartilhamento dos dados ali obtidos, dentre outros, com Delegacia da Receita Federal do Brasil, serve o presente para colocar à disposição dessa Instituição o material arrecadado durante as buscas, os quais poderão ser analisados por servidores designados, numa sala já reservada para esta finalidade nas dependências desta Delegacia de Polícia Federal em Maringá/PR, sempre com a ressalva da manutenção do sigilo das informações compartilhadas. (g.n.) No âmbito administrativo não se pode discutir a validade de ato judicial. Se os recorrentes entendiam que a determinação da Justiça Federal estava viciada, a eles cabia Fl. 15108DF CARF MF Processo nº 11020.724102/201325 Acórdão n.º 1301002.932 S1C3T1 Fl. 15.109 20 requerer medida judicial visando o reconhecimento do vício ou o afastamento da ilicitude. A esfera administrativa não é o local adequado para discutir a matéria. Suspensão do processo Os recorrentes pediram a suspensão do processo até que fossem julgadas pelo E. STF as ações que questionavam a constitucionalidade do acesso direto pelo Fisco aos dados bancários de contribuintes. A pretensão deve ser indeferida. O lançamento não se baseou em dados obtidos pelo exame de extratos bancários. Porém, ainda que isso tivesse ocorrido, a suspensão do processo administrativo não seria cabível. É que a discussão que envolve a possibilidade de requisição direta de informações bancárias pela autoridade administrativa já está superada por decisão do E. STF, que, no julgamento das Ações Diretas de Inconstitucionalidade nº 2859, 2390, 2386 e 2397, em 24/02/2016, decidiu pela constitucionalidade das normas que permitem à Receita Federal receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelas instituições financeiras, sem autorização judicial. (http ://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=310670) Prescrição e decadência São genéricas as alegações de prescrição e decadência. Os recorrentes não explicitaram as razões pelas quais, no caso concreto, teria ocorrido decadência, referindose apenas ao fato de que o lançamento deveria ter sido feito por homologação. Entretanto, o lançamento por homologação requer que o sujeito passivo apure o débito e proceda ao recolhimento sem prévio exame da autoridade administrativa. Quando essa atividade não é realizada corretamente, abrese espaço para o lançamento de ofício, cuja decadência é regulada pelo § 4º do art. 150 ou pelo inciso I do art. 173, todos do CTN. Ademais, por força do mesmo § 4º do art. 150, havendo dolo, fraude ou simulação, o termo inicial do prazo de decadência é o assinalado no art. 173, inciso I, do CTN, mesmo que o tributo seja passível de lançamento por homologação. No caso em tela, o dolo dos autuados é manifesto. Portanto, se o fato gerador mais remoto é de 2008 e o lançamento se aperfeiçoou com a intimação em 2013, é forçoso concluir que não houve decadência. Os recorrentes, no caso em tela, não demonstraram o motivo pelo qual sustentam ter a Fazenda decaído do direito de constituir o crédito tributário mediante auto de infração (lançamento de ofício). Quanto à prescrição, o termo inicial do prazo, conforme dispõe o caput do art. 174 do CTN, é a data da constituição definitiva do crédito, que só ocorre com a decisão final no processo administrativo. Enquanto houver recurso pendente de decisão não tem início a fluência do prazo prescricional. Provas Fl. 15109DF CARF MF Processo nº 11020.724102/201325 Acórdão n.º 1301002.932 S1C3T1 Fl. 15.110 21 Os recorrentes buscam desqualificar as provas, contestando a validade da utilização de prova emprestada, de informações extraídas de inquérito policial e de indícios. Quanto à prova emprestada, não há dúvida de que sua utilização é válida. É o que ensina Moacyr Amaral Santos: 208. Perguntase: é admissível a prova emprestada? Indiscutivelmente, sim. Sempre é uma peça de instrução, que, quando maior efeito não tenha, trará consigo valor argumental, servirá de subsídio na formação do convencimento. (...) Na verdade, a prova emprestada, como todas as espécies de provas, é sujeita à avaliação e vale pelo poder de convencimento que carrega. Tanto poderá, por si só, convencer, como poderá cooperar no convencimento, quando mais não seja, pelo seu simples valor argumental, como ainda poderá ser considerada inteiramente ineficiente, tudo dependendo das condições objetivas e subjetivas que apresenta, das partes nela interessadas, do caráter do fato probando, da natureza do processo, enfim das circunstâncias que influem na avaliação e estimação das provas. (...) Contudo, não padece dúvida, em razão do próprio caráter de sua produção, que as provas de natureza oral (depoimentos de parte ou de testemunhas, esclarecimentos prestados pelo perito em audiência) não podem ser transplantadas, com a mesma tonalidade e vigor, de um processo para outro, diversamente da prova de natureza escrita, muda, que se traslada como se trasladam documentos. Não é por isso que aquelas não possam ser transportadas, nem que, isso acontecendo, não se lhes atribua no novo processo valor bastante que não baste para formar convencimento. O mais acertado é concederse à prova de natureza oral transportada o valor da prova feita mediante precatória. (...) Em suma, podese, em princípio, adotar como regras gerais, quanto à eficácia da prova emprestada, segundo o sistema do Código, as seguintes: a) a prova emprestada guarda a eficácia do processo em que foi colhida, na conformidade do poder de convencimento que trouxer consigo; b) a eficácia e a aproveitabilidade da prova emprestada, de natureza oral, estão na razão inversa da possibilidade de sua repetição no processo; c) a eficácia da prova emprestada, de natureza oral, equivale à da produzida mediante precatória. (Moacyr Amaral Santos. Prova Judiciária Cível e Comercial. São Paulo: Max Limonad. Volume I. 4ª ed. 1970, pp 307 a 311) É válido o emprego da prova emprestada. A controvérsia sobre sua eficácia cingese à prova oral, em face dos princípios da imediatidade, da identidade física do juiz, da concentração e da oralidade. Ressalvadas, portanto, as provas orais (como depoimentos das partes ou de testemunhas e esclarecimentos de peritos prestados em audiência), as demais, desde que envolvam as mesmas partes, podem ser trasladadas de um processo para outro, tendo no segundo processo a mesma força probante que ostentavam no primeiro. No caso de prova oral, entretanto, a eficácia deve ser analisada levando em conta as circunstâncias em que, no Fl. 15110DF CARF MF Processo nº 11020.724102/201325 Acórdão n.º 1301002.932 S1C3T1 Fl. 15.111 22 caso concreto, foram produzidas as provas. Portanto, a prova empresta é válida e eficaz, devendo, como qualquer outra prova, ser valorada pelo julgador. Frisese, entretanto, que não caracteriza prova emprestada o simples traslado de documentos de um processo para outro. No caso concreto, o que se deu foi o compartilhamento, por ordem judicial, de informações e documentos colhidos em inquérito policial, procedimento válido se assegurado ao contribuinte o direito de se manifestar sobre os documentos. No que tange aos indícios, também prevalece o entendimento de que é possível seu emprego como meio de prova, sobretudo, para demonstrar a existência de fatos ilícitos. Admitese a prova de fatos ilícitos por indícios porque, diferentemente dos atos e negócios jurídicos, os ilícitos, principalmente os de natureza tributária, são concebidos às escondidas, e executados sob a roupagem de aparente licitude. Os ajustes ilícitos destinados a fraudar a arrecadação tributária, no mais das vezes, são urdidos sem a presença de testemunhas. Não se lavra escritura ou outro instrumento formal para provar a existência ou o conteúdo de conluios ou pactos com intuito fraudatório. Nem sempre é possível, por essa razão, obter do ato fraudulento uma prova direta. A comprovação, muitas vezes, se faz pela reunião consistente de indícios, que apontem no mesmo sentido. No caso dos autos, o ilícito imputado aos recorrentes é a omissão de receitas, perpetrada mediante constituição de entidades empresariais em diversas unidades da Federação, tendo por sócios pessoas interpostas, desprovidas de capacidade econômica para a integralização do capital social subscrito. O ajuste fraudulento envolveria, entre outras práticas, falsidade documental, falso reconhecimento de firma, suborno de agentes públicos etc O Ministro do STF Luiz Fux, no voto proferido na Ação Penal 470, sustenta a viabilidade da utilização de indícios como prova de ilícito penal. Eis os fundamentos então adotados: Assim é que, através de um fato devidamente provado que não constitui elemento do tipo penal, o julgador pode, mediante raciocínio engendrado com supedâneo nas suas experiências empíricas, concluir pela ocorrência de circunstância relevante para a qualificação penal da conduta. Aliás, a força instrutória dos indícios é bastante para a elucidação de fatos, podendo, inclusive, por si próprios, o que não é apenas o caso dos autos, conduzir à prolação de decreto de índole condenatória, (cf. PEDROSO, Fernando de Almeida. Prova penal: doutrina e jurisprudência. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2005, p. 9091). Neste sentido, este Egrégio Plenário, em época recente, decidiu que "indícios e presunções, analisados à luz do princípio do livre convencimento, quando fortes, seguros, indutivos e não contrariados por contraindícios ou por prova direta, podem autorizar o juízo de culpa do agente" (AP 481, Relator: Min. Dias Toffoli, Tribunal Pleno, julgado em 08/09/2011). Idêntica a orientação da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, cabendo a referência aos seguintes Julgado: Fl. 15111DF CARF MF Processo nº 11020.724102/201325 Acórdão n.º 1301002.932 S1C3T1 Fl. 15.112 23 "O princípio processual penal do favor rei não ilide a possibilidade de utilização de presunções hominis ou facti, pelo juiz, para decidir sobre a procedência do ius puniendi, máxime porque o Código de Processo Penal prevê expressamente a prova indiciária, definindoa no art. 239 como "a circunstância conhecida e provada, que, tendo relação com o fato, autorize, por indução, concluirse a existência de outra ou outras circunstâncias". Doutrina (LEONE, Giovanni. Trattato di Diritto Processuale Penale. v. II Napoli: Casa Editrice Dott. Eugenio Jovene, 1961. p. 161162)." (HC nº 111.666, Relator: Min. Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em O8/05/2012) CONDENAÇÃO BASE. Constando do decreto condenatório dados relativos a participação em prática criminosa, descabe pretender fulminálo, a partir de alegação do envolvimento, na espécie, de simples indícios. (HC 96062, Relator: Min. Marco Aurélio, Primeira Turma, julgado em 06/10/2009) Em idêntico sentido: HC nº 83.542, Relator: Min. Sepulveda Pertence, Primeira Turma, julgado em 09/03/2004; HC nº 83.348, Relator: Min. Joaquim Barbosa, Primeira Turma, julgado em 21/10/2003. As digressões ora engendradas se justificam porque, nesses delitos econômicos e sofisticados, unemse as forças das provas diretas e dos indícios. (...) Em suma: a presunção de não culpabilidade pode ser ilidida até mesmo por indícios que apontem a real probabilidade da configuração da conduta criminosa. A condenação, na esteira do quanto já exposto, não necessita basearse em verdades absolutas, por isso que os indícios podem ter, no conjunto probatório, robustez suficiente para que se pronuncie um juízo condenatório. (grifo do original) (...) Ora, se a prova deve ser compreendida em sua função persuasiva, é na argumentação do processo que se deve buscar o convencimento necessário aos magistrados para o teste probatório às alegações das partes. E um conjunto probatório seguro, cuja elaboração, decorrente do debate processual, seja apta a reconstruir os fatos da vida e apontar para a ocorrência dos fatos alegados pelo Ministério Público, é o suficiente para extirpar qualquer " dúvida razoável" que as alegações de defesa tentavam impingir na convicção do julgador. Isso é especialmente importante em contextos associativos, no qual os crimes ou infrações administrativas são praticados por muitos indivíduos consorciados, nos quais é incomum que se assinem documentos que contenham os propósitos da associação, e nem sempre se logra filmar ou gravar os acusados no ato de cometimento do crime. Fato notório, e notoria non egent probatione, todo contexto de associação pressupõe ajustes e acordos que são realizados a portas fechadas. (g.n.) Neste sentido, por exemplo, a doutrina norteamericana estabeleceu a tese do "paralelismo consciente" para a prática de cartel. Isso porque normalmente não se assina um "contrato de cartel", basta que se provem circunstâncias indiciárias, como a presença simultânea dos acusados em um local e a subida simultânea de preços, v.g., para que se chegue à conclusão de que a conduta era ilícita, até porque, num ambiente econômico hígido, a subida de preços, do ponto de vista de apenas um agente econômico, seria uma conduta irracional economicamente. Portanto, a Fl. 15112DF CARF MF Processo nº 11020.724102/201325 Acórdão n.º 1301002.932 S1C3T1 Fl. 15.113 24 conclusão pela ilicitude e pela condenação decorre de um conjunto de indícios que apontem que a subida de preços foi fruto de uma conduta concertada. No mesmo diapasão é a prova dos crimes e infrações no mercado de capitais. São as circunstâncias concretas, mesmo indiciárias, que permitirão a conclusão pela condenação. Na investigação de insider trading (uso de informação privilegiada e secreta antes da divulgação ao mercado de fato relevante): a baixa liquidez das ações; a frequência com que são negociadas; ser o acusado um neófito em operações de bolsa; as ligações de parentesco e amizade existentes entre os acusados e aqueles que tinham contato com a informação privilegiada; todas estas e outras são indícios que, em conjunto, permitem conclusão segura a respeito da ilicitude da operação. Em resumo, se as provas indiciárias são admitidas no processo penal, com muito mais razão devem ser aceitas na apuração de ilícito administrativo tributário. Omissão de receita Quanto à omissão de receitas e a sujeição passiva dos autuados, cumpre frisar que a presente autuação é uma dentre várias que foram lavradas no bojo da chamada "Operação Laranja Mecânica". Foram vários autos de infração tendo por base os mesmos fatos e mesmos elementos de convicção, variando apenas a unidade econômica (o estabelecimento empresarial), os valores envolvidos e os períodos. Considerando essa circunstância, cabe transcrever os fundamentos já expostos no processo nº 10945.720395/201468 (Pré Comércio Distribuição de Auto Peças Ltda.), envolvendo as mesmas pessoas físicas que aqui figuram no polo passivo. Eis os fundamentos então adotados, no que concerne à omissão de receitas e à sujeição passiva: Omissão de receitas foi a infração que deu causa ao lançamento. O ilícito foi praticado pelos autuados, utilizandose para tanto de diversas pessoas jurídicas que, embora constituídas de forma autônoma, integravam um mesmo grupo econômico, denominado Rede Presidente, controlado pelos autuados. Os sócios dessas empresas eram pessoas interpostas, desprovidas de capacidade contributiva (fls. 30.636 a 30.681). Algumas delas já haviam trabalhado para os autuados ou para uma de suas empresas. A constituição desses empresas, em alguns casos, se fazia mediante o uso de documentos falsos dos sócios, com a colaboração de funcionários de um cartório de notas da cidade de Maringá, como demonstra o trecho abaixo transcrito, extraído de decisão judicial que determinou uma busca e apreensão: 37.31. Na decisão que fundamenta o MBA (fl 781): E importante ressaltar a possível participação na empreitada criminosa de Humberto Perón Neto, representante do Cartório Costa, onde foram autenticados diversos dos contratos sociais relativos ao Grupo Tolardo sem que correspondessem à realidade. Humberto foi flagrado em interceptações telefônicas, transcritas na representação de prisão preventiva, em que conversava com Liderci acerca do reconhecimento de firma de várias pessoas, muito provavelmente com o intuito de constituir novas empresas ou adquirir bens utilizandose de pessoas interpostas. (fl. 30.599) Fl. 15113DF CARF MF Processo nº 11020.724102/201325 Acórdão n.º 1301002.932 S1C3T1 Fl. 15.114 25 A autoridade fiscal chegou aos valores de receita omitida, ao longo do período, a partir de dados extraídos de arquivos de computador, apreendido pela autoridade policial, em cumprimento de mandado de busca e apreensão. A DRJ manteve a autuação, servindose dos seguintes fundamentos: "A autoridade autuante efetuou o lançamento com base em arquivos digitais apreendidos com autorização da justiça federal de Curitiba, nos quais eram feitos pelos administradores de fato da autuada ou por seus empregados o controle das receitas de vendas da fiscalizada e de todas as suas filiais, e mantidos à margem da escrituração contábil e fiscal da autuada. (...) Há nos autos, farto conjunto probatório demonstrando e quantificando a receita de vendas obtidas não só pela autuada, como de todas as empresas da denominada "Rede Presidente", uma vez que era efetuado pela autuada o controle das receitas com vendas sem emissão de notas fiscais, ao passo que as vendas com emissão de notas fiscais eram devidamente escrituradas e suas receitas declaradas ao Fisco. Em diversos documentos apreendidos, havia as expressões "TAB1" e "TAB2". Apurouse que "TAB1" referiase a vendas com nota fiscal, e "TAB2" referiase a vendas sem documento fiscal. Tal constatação é confirmada pela informação constante da agenda encontrada na loja de CuritibaPR, constante das fls 1.200 a 1.242, e reproduzida à fl. 30.869 a 30.871 do relatório fiscal, com agravante de que as vendas sem nota eram estimuladas pela autuada com comissão majorada em 50% em relação às das vendas com nota. Mesmas conclusões se tiram dos documentos reproduzidos no relatório fiscal à fl. 30.871, extraído de duas agendas encontradas na loja de Curitiba/PR. Da análise efetuada dos arquivos com extensão SPL, bem como dos relatórios extraídos dos programas AUTOW, obtidos no disco rígido do computador de funcionário Daniel de Oliveira Júnior apreendido, constante das fls. 10.305 a 10.311, 13.757 a 13.761, e 27.499 a 29.875, em que consta o controle mensal das vendas de todas empresas da Rede Presidente, inclusive a autuada, com individualização das receitas auferidas por estabelecimento e segregação das vendas com emissão de notas fiscais e das vendas sem emissão de documentos fiscais, foi possível apurar as receitas mensais da autuada, possibilitando o lançamento, levandose em conta que a autuada era considerada a filial 44 da Rede Presidente, e que os valores controlados representam 10% do valor real das operações de vendas, conforme metodologia de cálculo explicitada no relatório de atividade fiscal, às fls. 30.904 a 31.010. A prova obtida foi sem dúvida elaborada pela própria autuada, por meio dos seus administradores de fato ou por seus empregados, e mantida nos computadores e pendrives apreendidos das empresas da Rede Presidente, de seus empregados ou de seus administradores de fato do grupo empresarial. Assim, tenho como comprovada a omissão de receitas de vendas da autuada, razão pela qual mantenho, neste aspecto, o lançamento." (fls. 31.699 a 31.700) Firmado nessas razões, se deve considerar caracterizada a omissão de receitas. Fl. 15114DF CARF MF Processo nº 11020.724102/201325 Acórdão n.º 1301002.932 S1C3T1 Fl. 15.115 26 Ressaltese que, no lançamento, foram considerados os débitos declarados pela pessoa jurídica autuada. Sujeição passiva Os recorrentes negam responsabilidade pelo crédito tributário. Dizem não existir fundamento para a aplicação do disposto no art. 124, inciso I, do CTN, diante da ausência de vínculo entre suas condutas e o fato gerador da obrigação tributária, o que implicaria também a ausência de interesse comum. Ademais, afirmam não serem sócios da empresa autuada, nem terem dela recebido qualquer recurso ou vantagem. A acusação do Fisco, dizem, baseiase em documentos de terceiros, produzidos de forma unilateral, e em meras presunções. A imputação de responsabilidade está baseada nas diversas provas e indícios reunidos nos autos. São papéis, arquivos de computador, depoimentos e diálogos interceptados entre diversas pessoas envolvidas no esquema, inclusive os autuados. O Relatório de Atividade Fiscal (fls. 30.575 a 31.225), que contém 447 páginas, acrescidas ainda de um anexo com 202 páginas, traz capítulo específico, tratando da participação de cada um dos corresponsáveis. Desse relatório se pode retirar alguns trechos, a fim de pôr em evidência a responsabilidade dos recorrentes. Íris da Silva Tolardo (fls. 30.788 a 30.797) é tida, juntamente com Robson Marcelo Tolardo, como a proprietária da Rede Presidente. Tem conhecimento pleno das atividades do grupo e de seu caráter ilícito, além de auferir ganhos patrimoniais oriundos dessa atividade. A seu respeito consta do Relatório Fiscal: O programa CAIXA, utilizado pela REDE PRESIDENTE, e onde eram registradas todas movimentações financeiras do esquema, traz, na Subconta “Iris” (fls 26.976 a 26.984) diversos pagamentos feitos à IRIS DA SILVA TOLARDO. Vê se que a REDE PRESIDENTE pagava todo o tipo de despesas pessoais de ÍRIS (TV a cabo, plano de saúde, água, telefone, consertos, etc...), além de vultosos pagamentos sob histórico “RETIRADAS”. Abaixo alguns exemplos desses registros, extraídos do programa CAIXA. (fl. 30.788) Íris da Silva Tolardo é administradora e formalmente responsável por algumas empresas do grupo. (fl. 30.789) Consta do Relatório de Atividade Fiscal: 479. Destaquese também que ÍRIS DA SILVA TOLARDO consta como usuária de um cartão de crédito AMEX, conjuntamente com os demais integrantes/proprietários do esquema, e cuja fatura é paga pela REDE PRESIDENTE. (...) 480. Adiantese que este cartão AMEX, conforme faturas encontradas no computador de SAMUEL TOLARDO JUNIOR (CTB29.10 – fls 9.777 a 9.798), era utilizado pela família TOLARDO (ÍRIS, ROBSON, SAMUEL, ROGÉRIO e JEANE) Fl. 15115DF CARF MF Processo nº 11020.724102/201325 Acórdão n.º 1301002.932 S1C3T1 Fl. 15.116 27 e pago pela REDE PRESIDENTE, tendo os valores pagos apontados em uma planilha de “acerto” entre os irmãos. (fls. 30.792 e 30.793) Este trecho revela a posição de Íris da Silva Tolardo dentro do grupo Rede Presidente: Notese que seu irmão, ÉDSON BARBOSA DA SILVA, em depoimento à Polícia Federal, prestado no dia 17/OUT/2012 (MGA06, fls 2.226), afirmou claramente que a REDE PRESIDENTE pertence à sua irmã, ÍRIS DA SILVA TOLARDO. Vejamos o trecho do depoimento, onde o mesmo afirma: “que não tem nenhum emprego formal e exerce esporadicamente atividade de “flanelinha” no centro da cidade; QUE pelo que sabe nunca foi sócio de empresa; (...) QUE conhece a distribuidora Presidente, pois pertence à sua irmã ÍRIS DA SILVA TOLARDO e seu sobrinho ROBSON MARCELO TOLARDO” (fl. 30.797) Robson Marcelo Tolardo (fls. 30.782 a 30.831) é reconhecido como o comandante do esquema. Eis trecho do Relatório de Atividade Fiscal que evidencia essa circunstância: 498. O primeiro elemento de comprovação da participação de ROBSON MARCELO TOLARDO, e também de seus irmãos (ROGÉRIO MÁRCIO TOLARDO, SAMUEL TOLARDO JÚNIOR, JEANE CRISTINE TOLARDO) no esquema REDE PRESIDENTE é o arquivo "ACERTOS CELO MAR JR JI ALTERADOS.xis" (arquivo anexado aos documentos de fls 9.751 pendrive de ODETE; e fls. 9.684 pendrive de Samuel Tolardo Júnior). 499. Como visto no subtópico 6.1 PLANILHA CONTROLE DE CRÉDITOS JUNTO À REDE PRESIDENTE, tal arquivo controla os débitos e créditos entre os irmãos TOLARDO e os rendimentos obtidos no esquema da REDE PRESIDENTE, desde 30/11/2007 até 31/05/2011. Viuse que em todo período de 30/11/2007 até 31/05/2011 cada um dos 04 irmãos recebeu um crédito superior a R$ 200.000,00 mensais. 500. Deste crédito mensal eram descontadas as despesas pessoais de cada irmão, tais como o já mencionado cartão de crédito (AMEX), luz, condomínio, net, despesas estas que, logicamente, haviam sido pagas pela REDE PRESIDENTE. 501. Como visto anteriormente, o programa CAIXA, utilizado pela REDE PRESIDENTE, e onde eram registradas todas movimentações financeiras do esquema, confirma tais pagamentos. Tal programa traz, na Subconta "Celo" (fls 26.964 a 26.975) diversos pagamentos feitos à ROBSON MARCELO TOLARDO. Vêse que a REDE PRESIDENTE pagava todo o tipo de despesas pessoais de ROBSON (escola dos filhos, energia elétrica, água, telefone, manutenção da residência, etc...), além de vultosos pagamentos sob histórico "RETIRADAS". Abaixo alguns exemplos desses registros, extraídos do programa CAIXA. (fl. 30.799) Depoimentos de empregados das empresas do grupo e diálogos obtidos por meio de interceptações telefônicas confirmam que Robson Marcelo Tolardo era visto como o proprietário das empresas e líder do grupo. Este trecho revela a posição de Robson Marcelo Tolardo dentro do grupo e dá mostras do modus operandi do esquema. Fl. 15116DF CARF MF Processo nº 11020.724102/201325 Acórdão n.º 1301002.932 S1C3T1 Fl. 15.117 28 541. Em junho de 2009, DANIEL repassa a ROBSON MARCELO TOLARDO informações do banco acerca de um saque de valores elevados que seriam utilizados na compra de um avião. Notemse as dificuldades apontadas pela gerente do banco SICOOB, causadas pelo fato de que "nenhum dos sócios tem bens, e nenhuma das empresas tem bens no nome". Ora, já se viu que os sócios de direito eram sempre laranjas, sem bens registrados em seus nomes. DANIEL ainda comenta que "vai ficar muito na cara que fazemos uns procedimentos errados" (fls 13.562 a 13.567). "ADEUS NAS PAZ SOBRE O ESQUEMA DO SICOOB PARA PAGAMENTO DO AVIÃO, NOSSA GERENTE DISSE QUE NÃO TERIA PROBLEMA EM RELAÇÃO À AGÊNCIA, POIS A GARANTIA QUE ESTAMOS DANDO É EXPRESSIVA. O problema maior é que o dinheiro QUE VC QUER SACAR tem um valor expressivo e necessariamente precisa passar para A CENTRAL DELES. Nos documentos pedira as seguintes opções » SÓCIOS OU EMPRESA POSSUI BENS ???? Nenhum dos sócios tem bens, e nenhuma das empresas tem bens no nome também. ELA DISSE QUE FICARA ESTRANHO ESTA OPÇÃO EM BRANCO POIS NOSSO FATURAMENTO E LIQUIDAÇÕES SÃO ALTAS. VAI FICAR MUITO NA CARA QUE FAZEMOS UNS PROCEDIMENTOS ERRADOS. O Q O SENHOR SUGERE??? A ÚNICA EMPRESA QUE TEMOS CARROS NO NOME SERIA A REDE PRESIDENTE PORÉM NÃO TEMOS CONTA NO SICOOB. TAMBÉM PODERIA PEGAR ALGUNS CARROS E PASSAR PARA O NOME DOS SÓCIOS OU DA EMPRESA. AGUARDO SUA SUGESTÃO. DANIEL JR 542. ROBSON MARCELO TOLARDO responde: "Adeus Daniel conversamos depois pessoalmente. Paz de Deus. Marcelo.". A empresa utilizada para registrar o avião comprado pelo esquema foi a RNO COBRANÇAS LTDA ME (CNPJ 10.768.625), criada em ABR/2009. 543. Fezse uma brevíssima amostra dos inúmeros emails trocados entre DANIEL DE OLIVEIRA JÚNIOR e ROBSON MARCELO TOLARDO no período compreendido entre JAN/2008 e JUL/2012 (arquivo encontrado no computador de DANIEL MGA08.23). A tal amostra foram somados ainda os emails trocados entre ROBSON MARCELO TOLARDO e ADRIANO PIAMOLIN, sobre parcela de salário "por fora". 544. A partir dessas comunicações podese fixar, de forma inequívoca, a posição de comando exercida por ROBSON MARCELO TOLARDO à frente do esquema REDE PRESIDENTE. Notese que ROBSON MARCELO TOLARDO é consultado (e é quem decide) sobre todos os assuntos, desde moradias para funcionários, passando por salários, localização de equipamentos (servidor de rede informatizada), nomes de empresas a serem constituídas, bem como sobre reuniões com gerentes de bancos, decisões sobre contas bancárias, etc. (fls. 30.815 a 30.816) Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore (fls. 30.832 a 30.841) tinha participação no esquema. Ela também recebia valores oriundos da Rede Presidente. A exemplo do que ocorria com Robson Marcelo Tolardo, Jeane Cristina também recebeu, no período de 30/11/2007 a 31/05/2011 crédito superior a R$ 200.000,00 mensais. Também utilizou, para pagamento de despesas pessoais, cartão de crédito cuja fatura era liquidada pela Rede Presidente. O recebimento de quantias expressivas (cf extrato fl. 30.833) indica uma posição de destaque dentro da organização. Fl. 15117DF CARF MF Processo nº 11020.724102/201325 Acórdão n.º 1301002.932 S1C3T1 Fl. 15.118 29 Diz o Relatório de Atividade Fiscal: 579. JEANE tinha participação ativa na REDE PRESIDENTE, sobretudo na posição de administradora do novo grupo adquirido (EMBREPAR), em Curitiba/PR, como demonstram as ligações telefônicas interceptadas pela Polícia Federal. Nesse sentido, reproduzse a transcrição abaixo, que descreve o conteúdo da conversa por telefone entre JEANE e outra funcionária do esquema, realizada em 29/05/2012 (fls 678), acerca da apreensão de um caminhão da REDE PRESIDENTE que estava registrado em nome de uma laranja: “MNI (VANINHA???). MNI diz em tom de brincadeira que a JEANE está trabalhando feito uma 'condenada' agora e teria até que aumentar o salário dela. JEANE diz que agora é “funcionária” da EMBREPAR. MNI diz que precisa que JEANE encaminhe alguns documentos pra ela ainda hoje, um recibo de um caminhão que foi 'preso'. JEANE pergunta: 'preso'?, por que? e MNI diz que estava com mercadorias lá em Foz do Iguaçu. JEANE se assusta 'putz'. JEANE pergunta qual foi, pois MNI tem uma lista dos caminhões de JEANE. MNI diz que é o caminhão que está em nome de OTTILIA HOFFMANN e que está faltando um monte de recibos dos veículos, que não estão com MNI. JEANE diz que teve um que o NEGO perdeu, que tem que tirar uma segunda via. MNI diz que tem uma lista completa. JEANE pergunta quantas folhas é a relação que MNI possui, se foi a lista com o abecedário inteirinho. MNI diz que tem a lista por placa e JEANE diz que MNI tem mais informações que ela a respeito dos caminhões, pelo fato de estar de posse de uma listagem com as placas. JEANE pergunta se o caminhão foi estava com o licenciamento certinho e que foi pego por causa da mercadoria. MNI confirma que sim. JEANE pergunta se o caminhão é o 1595. MNI diz que sim.” (fls. 30.833 e 30.834) Foram encontradas várias procurações passadas por sócios das empresas do grupo (pessoas interpostas), outorgando poderes de representação a Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, como registra o Relatório de Atividade Fiscal: 583. No cumprimento dos MBAs foram localizadas várias procurações dos sócios laranjas de empresas do esquema REDE PRESIDENTE, para JEANE CRISTINE TOLARDO DALLE ORE, senão vejamos: a) Cópia de Procuração autenticada tendo como outorgante GERALDO RICHTER, e outorgada JEANE CRISTINE TOLARDO, com poderes para vender ou incorporar as quotas da REDE PRESIDENTE LTDA, datada de 07/11/2002 (MGA19.1931, fls 8.299); b) Cópia de Procuração autenticada da RPT, representada por GERALDO RICHTER, constituindo JEANE CRISTINE TOLARDO, como sua procuradora para representálo perante bancos, datada de 07/11/2002; (MGA19.1934, fls 8.302); c) Cópia de Procuração autenticada da RPT, representada por GERALDO RICHTER, constitui JEANE CRISTINE TOLARDO como seu procurador a quem confere poderes amplos gerais para representálo, datada de 07/11/2002 (MGA19.1937, fls 8.309 a 8.311); d) Procuração da empresa RPT, representada pelo sócio gerente GERALDO RICHER, constituindo como sua procuradora JEANE CRISTINE TOLARDO DALLE ORE, a quem confere poderes amplos, gerais e ilimitados para representá la em bancos, datada de 12/11/2003 (MGA19.19128, fls 8.342); Fl. 15118DF CARF MF Processo nº 11020.724102/201325 Acórdão n.º 1301002.932 S1C3T1 Fl. 15.119 30 e) Procuração da empresa RPT, representada pelo sócio gerente GERALDO RICHER, constituindo como sua procuradora JEANE CRISTINE TOLARDO DALLE ORE, a quem confere poderes amplos, gerais e ilimitados, datada de 12/11/2003 (MGA1919136, fls 8.350 a 8.352); f) Procuração da empresa NOBRE PARTICIPAÇÕES LTDA (CNPJ 06.178.519/000140), representada pela sócia laranja MIRIAN COUTINHO DE LIMA constituindo como seu procurador SAMUEL TOLARDO JUNIOR e JEANE CRISTINE TOLARDO DALLE ORE, a quem confere poderes amplos e gerais, datada de 25/08/2004 (MGA1919132, fls 8.346 a 8.348). Essa empresa é uma das que foram criadas pela FAMÍLIA TOLARDO para gerir os imóveis amealhados pelo esquema. No início de suas atividades estava em nome de laranjas da REDE PRESIDENTE. Atualmente tem como sócias ÍRIS DA SILVA TOLARDO (99,90%) e ADRIANA DE OLIVEIRA LIMA (CPF 064.874.43964), uma laranja remanescente com ínfimos 0,10%. (fls. 30.835 e 30.836) Além disso, existem contratos de locação de imóveis utilizados pelas empresas do grupo ou por pessoas do esquema, nos quais Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore figura como garante. Rogério Márcio Tolardo (fls. 30.841 a 30.852), assim como Robson e Jeane Cristine, também recebeu no período de 30/11/2007 a 31/05/2011 crédito superior a R$ 200.000,00 mensais; utilizou, para pagamento de despesas pessoais, cartão de crédito cuja fatura era liquidada pela Rede Presidente; e recebeu quantias expressivas. Também foram encontradas várias procurações lhe outorgando poderes, como revela o Relatório de Atividade Fiscal: 613. Outras provas da atuação de ROGÉRIO MÁRCIO TOLARDO na REDE PRESIDENTE a serem citadas são as seguintes procurações encontradas: a) Procuração, datada de 10/10/1996, da então ainda FORAMEC AUTO PEÇAS LTDA (atual RPT CNPJ 62.622.881/000130), representada pelos então sócios ROGÉRIO MÁRCIO TOLARDO e SAMUEL TOLARDO JÚNIOR, constituindo um procurador (JAIRO BOLOGNO COUTINHO) para representar a empresa perante repartições públicas (MGA1919.43, fis 8.313); b) Procuração de ADANICE GONÇALVES DE JESUS, constituindo como seus procuradores ROGÉRIO MÁRCIO TOLARDO e SAMUEL TOLARDO a quem confere poderes amplos, gerais e ilimitados, datada de 03/04/2000 (MGA19.19.72, fls 8.319 a 8.320); c) Procuração da empresa REDE PRESIDENTE LTDA, representada pelos sócios SAMUEL TOLARDO, ADANICE GONÇALVES DE JESUS e MANSFIELD FINANCE LTD (representada pela mesma ADANICE GONÇALVES DE JESUS) constituindo como seus procuradores SAMUEL TOLARDO e ROGÉRIO MÁRCIO TOLARDO, conferindolhes poderes amplos, gerais e ilimitados, datada de 03/04/2000 (MGA19.19.73, fls 8.321 a 8.323); d) Procuração, datada de 07/11/2002, de GERALDO RICHTER (então laranja da RPT CNPJ 62.622.881/000130), constituindo como seu procurador ROGÉRIO MÁRCIO TOLARDO, conferindo amplos e gerais poderes para vender ou incorporar as quotas da RPT, ou assinar pelo outorgante quaisquer contratos de compra e venda, inclusive alterações contratuais. (MGA1919.30, fls 8.298). Fl. 15119DF CARF MF Processo nº 11020.724102/201325 Acórdão n.º 1301002.932 S1C3T1 Fl. 15.120 31 e) Procuração, datada de 07/11/2002, da REDE PRESIDENTE (CNPJ 62.622.881/000130), representada pelo laranja GERALDO RICHTER, constituindo como seu procurador ROGÉRIO MÁRCIO TOLARDO, concedendo amplos e gerais poderes para representar a empresa perante quaisquer estabelecimentos bancários, público ou privado do país, podendo abrir ou movimentar e encerrar contas, solicitar, retirar, e emitir cheques, autorizar débitos e créditos, etc...(MGA1919.33, fis 8.301). f) Procuração, também datada de 07/11/2002, da própria REDE PRESIDENTE (CNPJ 62.622.881/000130), representada pelo laranja GERALDO RICHTER, constituindo como seu procurador ROGÉRIO MÁRCIO TOLARDO, conferindo amplos e gerais poderes para constituir advogados outorgandolhes os poderes da cláusula adjudicia et extra, com todos os poderes inerentes (MGA19 19.36, fls 8.306 a 8.308). (fls. 30.843 a 30.844) Rogério Márcio Tolardo era também proprietário de vários imóveis, onde funcionavam empresas do grupo. Samuel Tolardo Júnior (fls. 30.852 a 30.866), assim como os outros autuados, recebeu mensalmente elevadas quantias em dinheiro e teve despesas pessoais pagas com cartão de crédito cuja débitos foram liquidados pela Rede Presidente. Em seu apartamento, encontraramse vários documentos das empresas da Rede Presidente, inclusive procurações de pessoas ligadas ao esquema. Existem também procurações outorgadas por algumas daquelas pessoas interpostas, utilizadas pelo esquema, conferindo poderes a Samuel Tolardo Júnior. Consta do Relatório de Atividade Fiscal: 642. Além disso, como já visto, JÚNIOR, ou SAMUEL TOLARDO JÚNIOR, foi diversas vezes mencionado nas escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal. Inicialmente citamos duas interceptações telefônicas, uma do dia 22/05/2012 entre ÍRIS e a filha JEANE (fls. 687), e outra do dia 26/05/2012, entre ÍRIS o filho MÁRCIO ROGÉRIO (fls. 688). Nestas interceptações fica clara a participação de JÚNIOR (SAMUEL TOLARDO JÚNIOR) na empresa recém adquirida pelo esquema, o grupo EMBREPAR: (fl. 30.857) Esta é a sinopse do diálogo referido acima: Curitiba fechando contrato (EMBREPAR). Íris diz que final de mês Marcelo costuma ir para SP. Íris comenta que Marcelo é sobrecarregado de atividades. Jeane diz que a nova firma vai exigir ainda mais. Jeane diz que Júnior vai ficar no setor comercial, vai ajudar Marcelo. Íris diz que como está Marcelo fica com muito poder, pois os outros não ajudam no serviço. Reclama de Paula e Amanda. Íris deixa claro que Marcelo é o líder da família (18 min). Íris reclama que Paula bajula demais Liderci, e acha que isso se deve ao fato de Liderei saber de "tudo". (fl. 30.587) (g.n.) Ainda do Relatório de Atividade Fiscal são colhidas as seguintes observações: 644. Ainda acerca da participação de SAMUEL TOLARDO JUNIOR, destacase o imóvel onde se localizava um dos "bunkers" do esquema REDE PRESIDENTE, na Rua das Camélias, 690, Maringá/PR, que se trata de uma Fl. 15120DF CARF MF Processo nº 11020.724102/201325 Acórdão n.º 1301002.932 S1C3T1 Fl. 15.121 32 residência em alvenaria, sem qualquer tipo de identificação, e onde, em cumprimento ao MBA, foram encontrados inúmeros documentos do esquema REDE PRESIDENTE. Esse imóvel foi registrado em nome de DANIEL DE OLIVEIRA JUNIOR, CPF 040.589.53993 (matrícula 7.811 MGA1913.143), importante operador do esquema. Porém, consta uma procuração desse operador para a família TOLARDO ÍRIS DA SILVA TOLARDO, ROBSON MARCELO TOLARDO e SAMUEL TOLARDO JUNIOR, datada de 22/06/2009, concedendo poderes para "vender, ceder, prometer, transferir ou de qualquer forma alienar a quem quiser, pelo preço e condições que convencionarem" (MGA1916.59 fls. 8.053 a 8.054). 645. Considerandose que o imóvel em questão era utilizado pelo esquema REDE PRESIDENTE como um "bunker" administrativo, a procuração é um inequívoco elemento que vincula SAMUEL TOLARDO JÚNIOR ao esquema. (fls. 30.859 e 30.860) O Relatório de Atividade Fiscal não menciona, mas a procuração referida acima é pública, e dela consta, em destaque (sublinhada e em negrito), a seguinte observação: "...o presente mandato é outorgado por prazo indeterminado, em caráter irrevogável e irretratável, ficando ainda os outorgados isentos da prestação de contas com relação aos atos praticados com fulcro neste instrumento." (fl. 8.054) O quadro aqui descrito mostra o concerto havido entre os autuados, que ingressaram no denominado esquema Rede Presidente, de forma livre e voluntária. Todos estavam conscientes da ilicitude que envolvia o funcionamento daquela engrenagem, da qual sistematicamente extraíram benefícios econômicos. Ficou evidenciado também que os recorrentes integravam o núcleo de onde partiam as decisões; núcleo que comandava todo o esquema, não obstante, nesse aspecto, a posição de proeminência fosse ocupada por Robson Marcelo Tolardo. Não obstante fosse Robson Marcelo Tolardo o cabeça, a função exercida no esquema por parte de cada um dos recorrentes permite atribuir a eles o papel de administradores e, assim, com fulcro no art. 135 do CTN, imputarlhes responsabilidade tributária. Solidariedade passiva Na hipótese de lançamento que coloca no polo passivo duas ou mais pessoas, como coobrigadas ao pagamento do crédito tributário, tendo por base legal o art. 124, inciso I, do CTN, a exemplo do que ocorre no caso em exame, não raro se alega a incompatibilidade desse dispositivo legal com o disposto no art. 135 do mesmo CTN, utilizado para imputar responsabilidade aos administradores, diretores ou representantes de pessoas jurídicas. A responsabilidade tributária de terceiros, prevista no art 135, surge quando estão presentes, de forma concomitante, duas situações: a primeira é a pessoa jurídica ter seu patrimônio gerido ou administrado por pessoas que, em nome da entidade, praticam atos e negócios jurídicos; a segunda é a existência de atos praticados com excesso de poderes ou com infração de lei, contrato social ou estatuto. Tais atos são realizados em benefício próprio, contra os interesses da pessoa jurídica; ou são realizados em benefício próprio, valendose da pessoa jurídica como instrumento da fraude. Fl. 15121DF CARF MF Processo nº 11020.724102/201325 Acórdão n.º 1301002.932 S1C3T1 Fl. 15.122 33 Demonstrada a presença dessas circunstâncias, o administrador vem, por força do art 135, para o primeiro plano, passando a ocupar o polo passivo da relação tributária. Se forem dois ou mais os administradores, ou se forem duas ou mais as pessoas que tenham praticado atos de gestão com excesso de poderes ou infração de lei, contrato ou estatuto, todas elas devem figurar no polo passivo, na qualidade de devedores solidários. A solidariedade, nessa hipótese, vem do interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. O interesse comum aqui decorre da atuação conjunta, ou seja, da efetiva participação das pessoas físicas na ocorrência do fato gerador. Para caracterizar o interesse comum é necessário que as pessoas tenham se associado, para a prática do fato gerador e do ilícito tributário, de forma livre, voluntária e consciente. Os que realizam o fato gerador são aqueles que voluntária e conscientemente se associam para esse fim. É dessa associação que vem o interesse comum. Eis a razão pela qual devem figurar no polo passivo do lançamento todas essas pessoas, na condição de devedores solidários, não se podendo cogitar de um lançamento autônomo contra cada uma delas individualmente. É exatamente essa a situação que se verifica no caso em exame, como ficou demonstrado. Multa Os recorrentes confundem multa agravada e multa qualificada. O agravamento tem como causa atos praticados ao tempo da fiscalização, que consistem em opor injustificada resistência ao trabalho da autoridade fiscal, caracterizando embaraço à fiscalização. A qualificação da multa, ao contrário, tem por fundamento uma conduta dolosa praticada ao tempo do fato gerador, visando ocultar do Fisco o nascimento da própria obrigação tributária ou mascarar um de seus elementos constitutivos, tais como a base de cálculo ou o sujeito passivo. As multas, agravada e qualificada, têm como causa infrações diferentes, ocorridas em momentos diferentes. São autônomas e, por isso, podem ser aplicadas cumulativamente. No caso em exame, entretanto, não houve aplicação de multa agravada, de modo que toda a alegação envolvendo especificamente essa matéria é impertinente, não merecendo atenção maior. Quanto à multa qualificada, seu fundamento está no ajuste voluntário e consciente dos autuados, para subtrair à tributação parcela significativa das receitas auferidas pelas empresas do grupo, inclusive mediante emprego de falsificações e interpostas pessoas, como ficou demonstrado nos autos. No que tange à alegação de efeito confiscatório da multa e de violação do princípio da capacidade contributiva e da razoabilidade, a apreciação da matéria implicaria, de forma indireta, o exercício do controle de constitucionalidade de ato normativo, o que não se permite no âmbito do processo administrativo, não estando inserido, por isso mesmo, na competência do CARF. Nesse sentido o art. 26A do Decreto nº 70.235/1972: Fl. 15122DF CARF MF Processo nº 11020.724102/201325 Acórdão n.º 1301002.932 S1C3T1 Fl. 15.123 34 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. O mesmo entendimento está consolidado no enunciado da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por último, a pretensão de reduzir o percentual de multa não pode ser acolhida por absoluta falta de amparo legal. A multa no percentual pretendido pelos recorrentes cingese aos casos de auto de infração lavrado contra espólio. Juros Sobre essa matéria são duas as alegações. A primeira é relativa ao emprego da taxa Selic como critério de cálculo dos juros de mora; a segunda é a incidência de juros sobre a multa. Relativamente ao emprego da taxa Selic, a questão já está pacificada no âmbito do CARF, como se constata pelo enunciado da Súmula nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. O Egrégio Superior Tribunal de Justiça STJ também considera legítimo o emprego da taxa Selic para cálculo dos juros de mora, desde que haja previsão legal nesse sentido. Esse entendimento está consagrado na Súmula 523, abaixo reproduzida. Súmula 523. A taxa de juros de mora incidente na repetição de indébito de tributos estaduais deve corresponder à utilizada para cobrança do tributo pago em atraso, sendo legítima a incidência da taxa Selic, em ambas as hipóteses, quando prevista na legislação local, vedada sua cumulação com quaisquer outros índices. No que concerne à incidência de juros sobre a multa proporcional aplicada em lançamento de ofício, esta 1ª Turma Ordinária tem posição firmada, se inclinando pela validade dessa incidência. O fundamento legal estaria nos art. 61 da Lei nº 9.430/1996, e nos artigos 161 e 139 ambos do CTN. Nessa linha de interpretação, emprestase um sentido amplo à expressão "débitos para com a União, decorrentes de tributos", constante do art. 61 da Lei nº 9.430/1996, de modo a abarcar tanto o tributo, quanto a multa. Nesse mesmo sentido, decidiu esta 1ª Turma Ordinária no Acórdão nº 1301 002.154, cujo ementa, naquilo que diz respeito ao ponto a aqui tratado, tem a seguinte redação: JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. PROCEDÊNCIA. Fl. 15123DF CARF MF Processo nº 11020.724102/201325 Acórdão n.º 1301002.932 S1C3T1 Fl. 15.124 35 A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Portanto, com base nesses fundamentos, deve ser indeferida a pretensão de obstar a incidência de juros sobre a multa. CSLL Quanto ao lançamento de CSLL, por ter origem na mesma situação fática do IRPJ, deve receber a mesma decisão adotada para este (IRPJ), o que só não aconteceria se houvesse algum aspecto específico, inerente à legislação dessa contribuição que impusesse solução diferente. Conclusão Pelo exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade, para, no mérito, negar provimento aos recursos. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 15124DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.901351/2012-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.317
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Arnaldo Cardoso Mangueira, OAB-RJ 201646.
(assinado digitalmente)
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - PRESIDENTE.
(assinado digitalmente)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - RELATOR.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: 31154744825 - CPF não encontrado.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Arnaldo Cardoso Mangueira, OABRJ 201646. (assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA PRESIDENTE. (assinado digitalmente) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA RELATOR. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls 221 em face de decisão de primeira instância administrativa da DRJ/SP de fls. 191 que decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade de fls 63, restando o crédito de Pis e Cofins não cumulativo glosado, nos moldes do Despacho Decisório de fls. 45. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .9 01 35 1/ 20 12 -3 6 Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10280.901351/201236 Resolução nº 3201001.317 S3C2T1 Fl. 258 2 Como de costume nesta Turma de Julgamento, transcrevese o relatório e ementa do Acórdão da Delegacia de Julgamento de primeira instância, para a apreciação dos fatos e trâmite dos autos: "Na sessão de 26 de março de 2015, esta 4ª Turma julgou procedente, em parte, a manifestação de inconformidade interposta pelo interessado. Contudo, por um equívoco deste Relator, foi analisado como período de competência do ressarcimento pleiteado, o 2º trimestre de 2009, quando, de fato, o correto deveria ter sido o 2º trimestre de 2008. Remetidos os autos à unidade de origem para executar o acórdão, a autoridade administrativa apresentou o requerimento à fl. 177 informando o equívoco quanto ao trimestre calendário e requerendo sua retificação. Assim, reproduzo o acórdão original, com a retificação do período e das matérias que serão alteradas em virtude da correção, mantendo aquelas que não serão afetadas por conta da retificação, conforme segue: Tratase de manifestação inconformidade interposta contra despacho decisório que deferiu, em parte, o Pedido de Ressarcimento (PER) do saldo credor de créditos da Cofins não cumulativa, às fls. 06/08, vinculados a exportações, apurado para o 2º trimestre de 2008, e homologou, na íntegra, as Declarações de Compensação (Dcomp) às fls. 09/12; 13/16; 17/20; 21/24; 25/28; 29/33; e, em parte, a Dcomp às fls. 34/37, transmitidas entre as datas de 18/8/2008 e 31/8/2011. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Belém, PA, homologou, em parte, as Dcomps sob o fundamento de que "Analisadas as informações relacionadas ao documento acima identificado, houve reconhecimento de direito creditório conforme descrito no quadro abaixo", nos termos do despacho decisório às fls. 45 de cuja ciência o interessado foi intimado em 20/9/2012. Inconformado com aquele despacho, o interessado apresentou manifestação de inconformidade (fls. 51/71), insistindo na homologação integral das Dcomps, alegando, em síntese: I) em preliminar, a nulidade do despacho decisório sob o argumento de falta da indicação da disposição legal infringida e a penalidade aplicável, conforme previsto no inciso IV do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, o que implicou cerceamento do seu direito de defesa; e, II) no mérito, o reconhecimento do seu direito aos créditos da Cofins sobre os custos com serviços de mão de obra e transporte de carga, por constituírem insumos, nos termos do art. 3º, II, da Lei nº 10.833, de 2003, tendo em vista que são necessários na produção e venda do caulim; assim, requereu o restabelecimento das glosas dos créditos apurados sobre as notas fiscais nº 1.530 (30/6/2008), no valor de R$624.822,72; nº 858 (15/5/2008), no valor de R$166.080,31; e nº 860 (15/5/2008), no valor de R$241.773,92. É o relatório." Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10280.901351/201236 Resolução nº 3201001.317 S3C2T1 Fl. 259 3 A Ementa deste Acórdão de primeira instância administrativa fiscal foi publicada da seguinte forma: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 ACÓRDÃO. REVISÃO. PERÍODO DE COMPETÊNCIA. Constatado erro material, quanto ao período de apuração do pedido de ressarcimento analisado e julgado, revisase o acórdão original para corrigir aquele período e suas consequências sobre as demais matérias julgadas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. É válido o despacho decisório proferido por autoridade administrativa competente de conformidade com as normas legais. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. Reconhecida pelo julgador ser prescindível ao julgamento a baixa dos autos, em diligência, à unidade de origem para realização de perícia, rejeitase o pedido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 CUSTOS/DESPESAS. INSUMOS. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. O aproveitamento de créditos sobre custos/despesas com serviços de mão de obra e transporte de carga está condicionado à apresentação das respectivas notas fiscais, documento imprescindível para identificar a natureza dos serviços e seu valor. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/05/2011 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. A homologação de compensação de débito tributário, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Declaração de Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10280.901351/201236 Resolução nº 3201001.317 S3C2T1 Fl. 260 4 Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido." Em Recurso Voluntário o contribuinte reforçou os argumentos anteriores e salientou que as NFs 1530, 859 e 860 já haviam sido juntadas aos autos, as juntou novamente e solicitou que sejam consideradas, visto que a glosa se deu unicamente em razão das ausência destas NFs. Após, os autos forma distribuídos e pautados nos moldes do regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Conforme a legislação, as provas, os fatos, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Depreendendose da análise do processo, vêse que o cerne da lide envolve a matéria do creditamento na apuração das contribuições PIS e COFINS não cumulativas, assim como o creditamento sobre os insumos do processo produtivo, matéria recorrente nesta seção de julgamento. De forma majoritária, este Conselho segue a posição intermediária entre aquela restritiva, que tem como referência a IN SRF 247/02 e IN SRF 404/04, normalmente adotada pela Receita Federal e aquela totalmente flexível, normalmente adotada pelos contribuintes, posição que aceitaria na base de cálculo dos créditos das contribuições todas as despesas e aquisições realizadas, porque estariam incluídas no conceito de insumo. Dicotomia que retrata a presente lide administrativa. Portanto, é condição sem a qual não haverá solução de qualidade à lide, nos parâmetros atuais de jurisprudência deste Conselho no julgamento da matéria, definir quais produtos e serviços estão sendo pleiteados, além de identificar em qual momento e fase do processo produtivo eles estão vinculados. Verificase nos autos que a glosa ocorreu em razão do contribuinte não ter comprovado, com a juntada das respectivas NFs, os gastos com serviços de mão de obra e de carga, que teriam originado o crédito de Pis e Cofins não cumulativo. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10280.901351/201236 Resolução nº 3201001.317 S3C2T1 Fl. 261 5 Contudo, não há nos autos uma discriminação exata e certeira da glosas que foram mantidas após o julgamento de primeira instância. Além do exposto, em seu recurso o contribuinte aponta que já havia juntado as respectivas NFs e as junta novamente. Diante do exposto, em observação ao princípio da verdade material que permeia o processo administrativo, votase no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, com o objetivo de que: o contribuinte apresente laudo conclusivo, em prazo razoável, não inferior a 60 dias, para detalhar o seu processo produtivo e indicar de forma minuciosa qual a interferência e papel dos dispêndios gerais que serviram de base para tomada de crédito, como os gastos com serviços de mão de obra e carga; independentemente da especificidade do item acima, em adição, contribuinte e autoridade de origem devem identificar exatamente quais foram as glosas, relacionar as glosas com as NFs e identificar quais destas glosas restaram após o julgamento de primeira instância, considerando que este Conselho fará sua própria avaliação destas e apontar quais são despesas administrativas ou não, com o objetivo de que este Conselho possa avaliar a real essencialidade, pertinência e relação dos produtos e serviços com o processo produtivo e atividades da empresa. a receita deve ser cientificada do laudo apresentado pelo contribuinte, analisar as NFs fiscais e documentos juntados em Recurso Voluntário, com o objetivo de atestar se são suficientes para comprovar os gastos e apresentar seu relatório fiscal. A receita deve ser cientificada do laudo apresentado pelo contribuinte, analisar as NFs fiscais e documentos juntados em Recurso Voluntário, com o objetivo de atestar se são suficientes para comprovar os gastos com mão de obra e carga e apresentar seu relatório fiscal. Após cumpridas estas etapas, o contribuinte deve ser novamente cientificado do resultado da manifestação da Receita, assim como, a PGFN deve ser informada do resultado final da diligência demandada, para ambos se manifestarem dentro do prazo de trinta dias. Após, retornem os autos a este Conselho para a continuidade do julgamento. Voto proferido. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 261DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17613.720761/2015-61
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS.
Da legislação de regência, extrai-se que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano-calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973.
PENSÃO ALIMENTÍCIA. DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO.
Os rendimentos provenientes do 13º salário estão sujeitos a regime de tributação específico, não se podendo, portanto, deduzir o desconto de pensão alimentícia no ajuste anual do Imposto de Renda.
Numero da decisão: 2001-000.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS. Da legislação de regência, extrai-se que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano-calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Os rendimentos provenientes do 13º salário estão sujeitos a regime de tributação específico, não se podendo, portanto, deduzir o desconto de pensão alimentícia no ajuste anual do Imposto de Renda.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
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REQUISITOS. Da legislação de regência, extraise que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Os rendimentos provenientes do 13º salário estão sujeitos a regime de tributação específico, não se podendo, portanto, deduzir o desconto de pensão alimentícia no ajuste anual do Imposto de Renda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 61 3. 72 07 61 /2 01 5- 61 Fl. 118DF CARF MF 2 Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, fls. 31 a 34, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2014, anocalendário de 2013, por meio do qual foi constatado que se apurou a dedução indevida de pensão alimentícia, no valor de R$ 39.204,37. A fiscalização argumenta que o contribuinte não apresentou escritura pública, decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, fixando o valor da pensão alimentícia, conforme solicitado no termo de intimação fiscal.. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação alegando, em síntese, que o fez o preenchimento correto e anexou os documentos no sentido de comprovar o direito a dedução glosada. A DRJ São Paulo, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que restou comprovado nos autos o direito à dedução de pensão alimentícia e refez corretamente todos os cálculos conforme regras estabelecidas em Lei, chegando ao saldo final de imposto de renda a restituir ao contribuinte no valor de R$6.696,96. Em sede de Recurso Voluntário, solicita o contribuinte um direito maior a restituição, com base em outros cálculos. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Pensão alimentícia O presente lançamento decorre de glosa efetuada pela autoridade tributária na dedução de pensão alimentícia na declaração do imposto de renda pessoa física, entregue pelo contribuinte, relativo ao exercício de 2014. Nesta senda, merece trazer a baila o que dispõe a legislação no que se refere à pensão alimentícia. Vejamos o que está previsto no art. 8º, II, “f”, da Lei nº 9.250/1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 119DF CARF MF Processo nº 17613.720761/201561 Acórdão n.º 2001000.379 S2C0T1 Fl. 3 3 I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; Ressaltese que a alínea “f” do inciso II do artigo 8º da Lei nº 9.250, de 1995, passou a ter nova redação com o advento da Lei n.º 11.727, de 23 de junho de 2008, redação esta que, nos termos do art. 21 desta Lei, entrou em vigor na data da publicação da Lei nº 11.441, de 4 de janeiro de 2007. Eis a nova redação: f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou deescritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Conforme verificase da legislação acima transcrita, são requisitos para a dedução: a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; que o pagamento tenha a natureza de alimentos; que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do anocalendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Observese, portanto, que o contribuinte somente tem o direito de deduzir na declaração de ajuste anual o valor de pensão alimentícia pago em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública. Conforme consta no Termo de Audiência de fls. 5/6, de 20/12/1993, do Juizado de Direito da Primeira Vara de Família de Vitória/ES, ficou estipulado, por meio de acordo judicial, que em razão do divórcio consensual, o Sr. Humberto Del Maestro deveria pagar a sua exmulher, Sra. Wilma Silva Almeida, a título de alimentos, “o percentual de 25% sobre o que ganha ou vier a ganhar abatidos os descontos de Imposto de Renda e Previdência Social”. Consta também ali que ele deveria pagar o percentual de 15% sobre esse mesmo valor à filha menor do casal. Posteriormente, em 17/05/2007, consoante se observa no Termo de Audiência de fl. 7, o contribuinte foi exonerado do pagamento da pensão alimentícia devida à filha, tendo, no entanto, ficado mantido o percentual de 25% em favor da exesposa. No comprovante de rendimentos de fl. 8, da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil, há a informação de que foram descontados dos rendimentos do contribuinte, a título de pensão alimentícia devida à Sra. Wilma Silva Almeida, R$ 36.606,32 referentes aos salários de janeiro a dezembro mais R$ 2.598,05 referentes ao 13° Fl. 120DF CARF MF 4 salário, totalizando, assim, a importância de R$ 39.204,37 informada pelo contribuinte na DIRPF 2014 (fl. 19). Observese, como destacou a DRJ, que a pensão alimentícia descontada do 13° salário não é dedutível na declaração de ajuste anual, conforme entendimento exarado na pergunta n° 340 do Manual de Perguntas e Respostas do IRPF 2014 e destacado na decisão da DRJ. Merece analisar, portanto, se o contribuinte tem direito à dedução da totalidade dos R$ 36.606,32 descontados de seus rendimentos de janeiro a dezembro de 2013 a título de pensão alimentícia. Em outras palavras, devemos verificar se esse valor não excede o percentual de 25% estipulado no acordo homologado judicialmente, hipótese em que o excedente teria sido pago por mera liberalidade do contribuinte, não sendo, portanto, dedutível. Mais uma vez, de acordo com o quanto exposto na decisão a quo, a pergunta n° 341 do Manual de Perguntas e Respostas do IRPF 2014 estabelece que ss pensões pagas por liberalidade, ou seja, sem decisão judicial ou acordo homologado judicialmente não são dedutíveis. Nesta senda, destaco, mais uma vez o cálculo do valor da pensão alimentícia paga dedutível na declaração de ajuste anual e feita com base na documentação acostada aos autos do processo: Rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual: R$ 122.612,01 (+) Rendimentos isentos: R$ 22.240,14 (=) Total de rendimentos brutos (sem incluir o 13° salário): R$ 144.852,15 (–) Contribuição previdenciária oficial: R$ 0,00 (–) Imposto de renda retido na fonte (sem incluir o do 13° salário): R$ 20.682,50 (=) Total de rendimentos líquidos (sem incluir o 13° salário): R$ 124.169,65 Pensão alimentícia dedutível na DIRPF 2014: 25% x R$ 124.169,65 = R$ 31.042,41 Como o contribuinte deduziu a importância de R$ 39.204,37 (fl. 19), houve a dedução indevida do valor de R$ 8.161,96. Feitas essas considerações, e à vista das demais informações da DIRFP 2014 (fls. 15/24), o correto valor do imposto a pagar/a restituir que deveria ter sido ali apurado. Rendimentos tributáveis: 122.612,01 Deduções: 45.419,58 – 8.161,96 = 37.257,62 Base de cálculo: 122.612,01 – 37.257,62 = 85.354,39 Imposto devido: 27,5% x 85.354,39 – 9.486,91 = 13.985,54 IRRF: 20.682,50 Imposto a restituir: 20.682,50 – 13.985,54 = 6.696,96 CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo o cálculo feito na decisão da DRJ, o qual gera um imposto de renda a restituir ao contribuinte no valor de R$6.696,96. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 17613.720761/201561 Acórdão n.º 2001000.379 S2C0T1 Fl. 4 5 Fl. 122DF CARF MF
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