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Numero do processo: 10283.720216/2006-13
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NOTIFICAÇÃO POR VIA POSTAL - VALIDADE Em consonância com a Súmula do CARF nº 9, “é válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário”. Contribuinte não logrou demonstrar a alegada nulidade da notificação, e, por conseguinte, afastar a intempestividade de seu recurso voluntário.
Numero da decisão: 1801-000.874
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo
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ementa_s : NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NOTIFICAÇÃO POR VIA POSTAL - VALIDADE Em consonância com a Súmula do CARF nº 9, “é válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário”. Contribuinte não logrou demonstrar a alegada nulidade da notificação, e, por conseguinte, afastar a intempestividade de seu recurso voluntário.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1952; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 296 1 295 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.720216/200613 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801000.874 – 1ª Turma Especial Sessão de 01 de fevereiro de 2012 Matéria IRPJ Omissão de Receita Recorrente NACIONAL ASSESSORIA DE COBRANÇA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NOTIFICAÇÃO POR VIA POSTAL VALIDADE Em consonância com a Súmula do CARF nº 9, “é válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário”. Contribuinte não logrou demonstrar a alegada nulidade da notificação, e, por conseguinte, afastar a intempestividade de seu recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente. (documento assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo – Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 02 16 /2 00 6- 13 Fl. 668DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 25/02/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 Relatório Tendo em vista que a Conselheira relatora responsável pelos presentes autos, Magda Azario Kanaan Polanczyk, renunciou ao mandato de conselheira sem entregar este acórdão formalizado, fui designada para este fim, consoante despacho de fls. Tratase o presente de processo administrativo de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), referente a fatos geradores ocorridos no ano de 2001, no valor consolidado de R$904.699,88, com imposição de multa de oficio de 75%, sob o fundamento de omissão de receitas presumida a partir da constatação de depósitos bancários de origem não comprovada. Em 09.10.2006, a Recorrente foi cientificada do auto de infração (fl. 5) e, em 08.11.2006, apresentou impugnação (fls. 193 a 202), à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, em Belém (PA), que deu parcial procedência aos seus argumentos, em decisão veiculada no Acórdão n° 019.362, ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Comprovada a atividade antecipada do sujeito passivo em informar à Administração os dados relativos a sua obrigação tributária, e ausentes o dolo, fraude ou simulação, realizase a contagem do prazo decadencial pelo disposto no §4° do art. 150 do CTN. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, • regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LANÇAMENTOS REFLEXOS. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL. PRAZO. O prazo decadencial para a constituição do crédito tributário relativo às contribuições é de dez anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído,conforme determina a legislação de regência. Lançamento Procedente em Parte Fl. 669DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 25/02/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10283.720216/200613 Acórdão n.º 1801000.874 S1TE01 Fl. 297 3 Da referida decisão foi dada ciência à Recorrente em 24.11.2007, conforme Aviso de Recepção acostado aos autos às fls. 247. Em 06.05.2008 foi lavrado termo de preclusão (fls.250), constatado o silêncio da Recorrente até a mencionada data, e encaminhada a respectiva carta de cobrança (fls.251), que foi recebida pela empresa em 29.05.2008 (fls.252). Em 25.06.2008, a Recorrente apresentou recurso voluntário, em que, preliminarmente, discorreu longamente sobre a nulidade da intimação. Alegou a nulidade da citação/intimação e, por conseguinte, o não aperfeiçoamento da relação processual, pois, no caso em tela, a Recorrente não teria sido regularmente intimada do acórdão proferido pela DRJ/BEL. A Sra. Fátima Almeida, funcionaria do Condomínio –Rio Negro Center teria entregue a correspondência contendo a intimação, por engano, a FM Freire, Escritório Contábil, que funcionaria no mesmo edifício da Recorrente. Posteriormente, verificando que tal correspondência tinha sido entregue por engano, devolveu à recepção do condomínio, que, por sua vez, devolveu aos correios na pessoa do Sr. Olintho no dia 28/11/2008, conforme declaração do Condomínio Rio Negro Center datada de 12 de junho de 2008 e cópia de protocolo de devolução de correspondência (fls.278 e 279). Ademais, observou a Recorrente que teria, durante todo o procedimento fiscal, sempre sido notificada/intimada dos atos processuais pessoalmente por servidor deste órgão, que o recepcionava nas dependências da empresa, razão pela qual, não se conformaria com o modo diverso realizado para a intimação da decisão da DRJ. Ainda, de acordo com o Código de Processo Civil, exigese que a carta seja entregue a pessoa com poderes de gerência geral ou de administração, ou então que tenha sido efetivamente entregue nas dependências da empresa. No mérito, aduziu a Recorrente que todos os valores depositados em sua conta bancária foram identificados e justificados com relação a parte que lhe cabia, qual seja, "comissão", esclarecendo que o restante seriam valores de terceiros/clientes . Alegou que em consonância com o Código Tributário Nacional, no parágrafo 4° do art. 150 teriam sido alcançados pela decadência, os créditos tributários. Finalmente,.de acordo com os Livros Contábeis e os extratos bancários, verificase que todos os depósitos, sem exceção, teriam sido devidamente escriturados contabilmente dentro dos padrões regulamentares, e que deveriam fazer prova a favor do contribuinte. É o relatório. Fl. 670DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 25/02/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Redatora designada Alega a Recorrente que seria nula a notificação da decisão da DRJ, que não teria se aperfeiçoado, na medida em que a funcionária do Condomínio Empresarial Rio Negro Center , por engano, teria entregue a correspondência a outra empresa, que funcionaria ao lado de sua sede, juntado para comprovação de tal alegação, declaração de que a correspondência foi devolvida à recepção do condomínio e esta devolveu ao funcionário do correio no dia 28/11/2007( fls. 278 ). O inciso II do artigo 23 do Dec.70.235 de 1972, determina que a intimação é válida se ocorrida no endereço do domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo da obrigação tributária. Outrossim, a súmula 09 do CARF assim dispõe: “É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário”. No caso em tela, o endereço da empresa utilizado pela Fazenda Pública está correto e foi encaminhada notificação ao endereço informado pela Recorrente. O argumento segundo o qual, por engano, o condomínio teria entregue a correspondência a outra empresa que funcionaria ao lado da Recorrente, não se reflete nas provas acostadas aos autos. Com efeito,.embora na declaração conste que a correspondência foi devolvida à recepção do condomínio e que esta teria devolvido ao funcionário do correio no dia 28/11/2007, o fato é que não é isto que se depreende do excerto do livro de protocolos acostado, que consigna como destinatário da correspondência, a empresa “Nacional Assessoria de Cobrança S/C”, ora Recorrente, e, na discriminação do objeto, correspondência procedente da unidade local da Delegacia da Receita Federal. Por outro lado, parece improvável que a administração do condomínio não fosse apta a identificar que a Recorrente era condômina, a quem a correspondência pertencia, observandose, ainda, que a carta de cobrança foi recebida pela mesma funcionária que recebeu a notificação da impugnação, tendo sido, nessa oportunidade, devidamente entregue à Recorrente. Diante do exposto, a Turma votou no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo – Redatora designada Fl. 671DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 25/02/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10283.720216/200613 Acórdão n.º 1801000.874 S1TE01 Fl. 298 5 Fl. 672DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 25/02/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10803.000008/2007-69
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 2005, 2006
NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Tendo sido o auto de infração lavrado por autoridade competente, observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo tributário, e não demonstrado óbice ao pleno exercício do direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento.
EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM RAZÃO DO PAGAMENTO. INEXISTÊNCIA.
A espontaneidade do contribuinte é excluída pela ciência do primeiro ato escrito lavrado por servidor competente. A extinção do crédito pelo pagamento deve ser provada pelo contribuinte.
CANCELAMENTO DA MULTA DE OFICIO E JUROS DE MORA. INOCORRÊNCIA.
A multa de ofício e os juros de mora não podem ser cancelados se é mantido o valor principal.
TAXA SELIC. INCIDÊNCIA.
A Súmula CARF nº 4 estabelece que a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3001-000.009
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões o conselheiro Cássio Shappo.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleber Magalhães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (presidente da turma), Cleber Magalhães, Renato Vieira de Ávila (vice-presidente) e Cássio Schappo.
Nome do relator: CLEBER MAGALHAES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Exercício: 2005, 2006 NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Tendo sido o auto de infração lavrado por autoridade competente, observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo tributário, e não demonstrado óbice ao pleno exercício do direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM RAZÃO DO PAGAMENTO. INEXISTÊNCIA. A espontaneidade do contribuinte é excluída pela ciência do primeiro ato escrito lavrado por servidor competente. A extinção do crédito pelo pagamento deve ser provada pelo contribuinte. CANCELAMENTO DA MULTA DE OFICIO E JUROS DE MORA. INOCORRÊNCIA. A multa de ofício e os juros de mora não podem ser cancelados se é mantido o valor principal. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A Súmula CARF nº 4 estabelece que a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado
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INEXISTÊNCIA. Tendo sido o auto de infração lavrado por autoridade competente, observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo tributário, e não demonstrado óbice ao pleno exercício do direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM RAZÃO DO PAGAMENTO. INEXISTÊNCIA. A espontaneidade do contribuinte é excluída pela ciência do primeiro ato escrito lavrado por servidor competente. A extinção do crédito pelo pagamento deve ser provada pelo contribuinte. CANCELAMENTO DA MULTA DE OFICIO E JUROS DE MORA. INOCORRÊNCIA. A multa de ofício e os juros de mora não podem ser cancelados se é mantido o valor principal. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A Súmula CARF nº 4 estabelece que a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 00 00 08 /2 00 7- 69 Fl. 578DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões o conselheiro Cássio Shappo. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (presidente da turma), Cleber Magalhães, Renato Vieira de Ávila (vicepresidente) e Cássio Schappo. Relatório Pela completude e clareza, reproduzo partes do relatório feito pela DRJ/São Paulo quando do julgamento do feito por aquela Unidade (efl. 453 e seguintes). O presente processo versa acerca de auto de infração (fls. 225/234) lavrado em 30/11/2007, atinente à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) relativa aos fatos geradores dos anoscalendário de 2005 e 2006, resultando no crédito tributário total de RS 13.018,41 (treze mil, dezoito reais e quarenta e um centavos),composto de principal, multa de oficio de 75% e de juros de mora vinculados, calculados ate' 31/10/2007. (O Termo de Verificação e Conclusão Fiscal) Certifica, ainda, que o exame das informações prestadas em planilha concernentes aos montantes de faturamento da empresa, cuja formatação e apresentação ocorreu em atendimento ao teor do Termo de Intimação Fiscal de 08/11/2007, cotejadas com aquelas consignadas nas DCTF semestrais correlatas aos períodos fiscalizados, evidenciouse que: 1) O contribuinte apresentavase omissa em relação à entrega das declarações pertinentes a julho a dezembro do anocalendário de 2005 e de janeiro e junho do anobase de 2006; 2) No tocante ao período de julho a outubro e dezembro do anocalendário de 2006, embora tenha formalizado a transmissão da correlata a DCTF do 2° Semestre de 2006, as informações declaradas não apontavam a confissão de nenhum debito apurado nos períodosbase correspondentes. Vale frisar também que autoridade fiscal tornou manifesto que não foram consideradas no universo da análise as DCTF transmitidas extemporaneamente pelo sujeito passivo, ou seja, após a perda de espontaneidade do exercício de entrega das aludidas declarações originais ou retificadoras. Regularmente notificado do auto de infração e do Termo de Verificação e Conclusão Fiscal em 18/12/2007, por via postal, Fl. 579DF CARF MF Processo nº 10803.000008/200769 Acórdão n.º 3001000.009 S3C0T1 Fl. 3 3 consoante AR”s anexados as fls. 239/240, contribuinte apresentou impugnação em 17/01/2008 (fls. 242/259), acompanhado da documentação de fls. 260/399 e 402/417, segundo a qual pede que o cancelamento integral do auto de infração, em síntese, apoiandose nas seguintes alegações de fato e de direito: 1) Preliminarmente, após breve relato dos fatos, bem como avocando interpretações emanadas pela doutrina tributária, excertos de preceitos legais que regulam a prestação de informações por intermédio DCTF e ementas de decisões proferidas pelo Conselho de Contribuinte e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, reclama a nulidade e insubsistência do lançamento defronte a dispensabilidade de autuação de créditos tributários que estejam reportados em DCTF apresentada pelo contribuinte; 2) Completa, inclusive, destacando os termos da redação do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, alterada pela redação do art. 18 da Medida Provisória n° 303, de 29/06/2006, que a sujeição do lançamento de oficio e a aplicação da multa de 75% somente pode ser atribuída ao sujeito passivo nas circunstâncias de falta de declaração e nos de declaração inexata, razão porque na hipótese em que o contribuinte declara seus débitos em DCTF de forma correta, tal como procedeu a impugnante, os débitos não estão sujeitos à ap ' aç da sanção, tão pouco à realização de lançamento de ofício, devendo ser encaminhados diretamente para inscrição em Divida Ativa da União e ulterior ajuizamento da execução fiscal; 3) Assegura, portanto, que ante a declaração em DCTF dos valores informados a titulo de COFINS, devidamente recolhidos, consoante ulterior demonstração, fica claro que a constituição dos créditos tributários devem ser declarados nulos, uma vez que em razão da apresentação da DCTF as exigências fiscais estariam passíveis unicamente à cobrança por meio da inscrição em Divida Ativa da União, caso não estivessem extintos; 4) Destaca, ainda, que as declarações relativas ao 2° semestre de 2005 e l° ao 2° semestres de 2006 apresentam erro de fato no preenchimento, uma vez que, por lapso, não informou a quantia que efetivamente promoveu o recolhimento (pagamento em DARF e retenções) a titulo de COFINS vinculados aos períodos em questão, consoante se pode comprovar mediante DARF acostada à defesa. Sustenta suas argüições arrogando o dispositivo legal previsto no art. 147, §2° do CTN e o principio da verdade material, este último, baseado nos termos de ementa relacionada a decisão proferida pelo Conselho de Contribuinte; 5) No campo do mérito, enfatizando ensinamento extraído da doutrina tributária, protesta a nulidade material do lançamento, agora, por afronta ao art. 142 do CTN, sob a argumentação de que autoridade fiscal não exerceu seu dever de comprovar se a empresa efetuou ou não o recolhimento da contribuição correlata aos períodos fiscalizados; Fl. 580DF CARF MF 4 6) Sustenta que se tivesse o AFRFB examinado as guias de recolhimento concernentes aos períodosbase, bem como as informações integrantes da escrituração contábil da entidade, constataria a ocorrência da extinção por pagamento dos créditos tributários; 7) Nesse sentido, destaca ementas de decisões proferidas pelo Conselho de Contribuintes, asseverando que compete ao Fisco provar a ocorrência do fato gerador, em última análise, em respeito ao princípio da verdade material que rege o preceito insculpido no art. l42 do CTN, haja vista que não se pode conceber que seja exigido um tributo sobre evento que não se subsume ao antecedente de sua norma de incidência, principalmente, quando efetuado o recolhimento do tributo originário; (...) 10) Desse modo, insiste ser notória a inconsistência do referido lançamento de oficio quando analisadas as guias de recolhimento de COFINS carreadas aos autos, haja vista que comprovam o efetivo pagamento do crédito tributário exigido pela autoridade lançadora, razão porque não merece prevalecer qualquer crédito tributário a relada ao auto de infração; 11) Sob este ponto de vista, por conseqüência, ante a demonstrada extinção da obrigação principal e perda da eficácia do lançamento de oficio, reclama a determinação da exclusão e cancelamento em definitivo da multa de oficio, bem como d juros de mora incidentes sobre os créditos exigidos no auto de infração; 12) Finalmente, no tocante aos juros moratórios incidentes sobre os valores integrantes do lançamento, invocando votos de julgados prolatados no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, aduz argüições de direito visando questionar a legalidade e a inconstitucionalidade da aplicação da taxa SELIC para fins de apuração e cálculo dos juros incidentes sobre os créditos tributários devidos à Fazenda Nacional, reivindicando o afastamento da sua aplicação sobre os débitos autuados diante de sua desarmonia com os princípios que baseiam o Sistema Constitucional Tributário. Em seu voto, a DRJ/SP (efl. 469 a 471) dá provimento parcial à impugnação da atual Recorrente, exonerando os créditos tributários que já teriam extintos, sido nos seguintes termos Fl. 581DF CARF MF Processo nº 10803.000008/200769 Acórdão n.º 3001000.009 S3C0T1 Fl. 4 5 Fl. 582DF CARF MF 6 Fl. 583DF CARF MF Processo nº 10803.000008/200769 Acórdão n.º 3001000.009 S3C0T1 Fl. 5 7 Finalmente, a DRJ/SP ementou assim: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005, 2006 DA PRELIMINAR. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. DAS ALEGAÇÕES DE INCONSISTÊNCIA DOS PROCEDIMENTOS CORRELATOS À FISCALIZAÇÃO E DA INSUBSISTÊNCIA INTEGRAL DO LANÇAMENTO. É incabível a arguição de nulidade do auto dc infração cujos atos administrativos formalizados no curso do procedimento de fiscalização encontramse revestidos de suas formalidades essenciais, assim como plenamente inseridos no contexto dos lançamentos constituídos em estrita observância aos pressupostos e preceitos legais. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. AUSÊNCIA DE CONFISSÃO EM DCTF. ADMISSIBILIDADE DE LANÇAMENTO DE DIFERENÇAS APURADAS. VERDADE MATERIAL. Fl. 584DF CARF MF 8 Configurada a falta de confissão em DCTF em relação aos créditos tributários apurados com fulcro nas informações prestadas pelo próprio sujeito passivo, torna cabível O lançamento de oficio das omissões relacionadas à contribuição, certificadas no encerramento dos trabalhos fiscais. TRATAMENTO DE RECOLHIMENTOS EFETUADOS ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. EFEITOS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Constatada a existência recolhimento efetuado antes do início do procedimento de fiscalização, impõese afastar a incidência de multa de oficio sobre as respectivas importâncias ou parcelas adimplidas espontaneamente pelo contribuinte. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual repete as argumentações já trazidas ao processo na impugnação enviada à DRJ. É o relatório. Voto Conselheiro Cleber Magalhães Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. O valor em litígio é de R$ RS 13.018,41(efl. 04), dentro do limite da competência das Turmas Extraordinárias do CARF, de sessenta salários mínimos, segundo o art. 1º da Portaria CARF nº 47, de 24 de julho de 2017. Da preliminar de "nulidade material do Auto de Infraçãoviolação ao disposto no artigo 142 do CTN" (efl. 493). A Recorrente alega que o lançamento seria materialmente nulo, por ter afrontado o art. 142 do CTN, haja vista que a autoridade tributária não teria comprovado a ocorrência do fato gerador. Assim reza o art. 142 da Lei n° 5.172, de 1966 (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, Fl. 585DF CARF MF Processo nº 10803.000008/200769 Acórdão n.º 3001000.009 S3C0T1 Fl. 6 9 identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. A autoridade autuante identificou o sujeito passivo e a matéria tributável corretamente. No mesmo sentido, verificou a ocorrência do fato gerador pela falta de confissão de débitos de COFINS em DCTF no período apropriado. Temse, assim, que foram cobertos todos os requisitos necessários ao perfeito lançamento tributário, nos termos determinados pelo art. 142 do CTN. Outrossim, o Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, que rege o processo administrativo de fiscal da União assim dispõe, em seu artigo 59: Art 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Tendo sido o auto de infração lavrado por autoridade competente, observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo tributário, e não demonstrado minimamente o óbice ao pleno exercício do direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. Do mérito I "Da extinção do crédito tributário em razão do pagamento artigo 156, inciso I,do CTN" Insurgese a Recorrente contra o lançamento feito pela autoridade autuante sobre créditos que teriam sido extintos pelo pagamento. Sobre essa questão, o tribunal a quo já se pronunciou favoravelmente à Recorrente em relação aos pagamentos realizados antes do início do procedimento fiscal por parte da Receita Federal (apresentados em tabela produzida pela DRJ sob o título "Créditos Exonerados efl. 470). O direito à exclusão desses valores, então, forma parte já decidia, incontroversa, e não faz mais parte dessa análise no CARF. O que se discute nesse tribunal administrativo, então, são os pagamentos realizados pela Recorrente após o início de procedimento fiscal aberto para analisar a suposta falta de confissão de débitos tributários federais. Fl. 586DF CARF MF 10 A espontaneidade do contribuinte é excluída pela ciência do primeiro ato escrito lavrado por servidor competente, razão porque a entrega das DCTF originais e retificadoras exercidas no curso da ação fiscal não detém o condão de impedir a lavratura de autos de infração e tampouco exime o sujeito passivo da aplicação das sanções correspondentes, caso cabíveis. Assim determina o § 1º do art. 7º do Decreto 70.235, de 1972: § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Com base no Termo de Verificação e Conclusão Fiscal (efl. 215 e seguintes) verificase que a Recorrente foi cientificada do início do procedimento fiscal em 14/12/2014. Somente em 20/11/2017 (efl. 218) ela entregou/transmitiu DCTF correspondentes ao segundo semestre do Anocalendário 2005 e primeiro semestre do Anocalendário 2006. Por outro lado, em nenhum momento a Recorrente apresentou provas suficientes de que já teria cumprido com suas obrigações tributárias inadimplidas, segundo a fiscalização. Assim, não há que se falar em extinção do crédito tributário no caso em tela. II _ "Do cancelamento da multa de ofício e juros de mora aplicados" Como foi visto no item anterior que não houve comprovação da extinção dos créditos existentes junto à Fazenda Nacional, também não há que se falar de cancelamento de multa de ofício e juros de mora, aplicados em razão desses mesmos créditos. III "Da ilegitimidade da aplicação da taxa SELIC" A Recorrente insurgese contra a aplicação da Selic para como taxa de referência aplicável à cobrança de juros moratórios para créditos fiscais. O CARF, entretanto, já sumulou sobre o assunto, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. E o art 45, inciso VI do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 2015, assim estabelece: Fl. 587DF CARF MF Processo nº 10803.000008/200769 Acórdão n.º 3001000.009 S3C0T1 Fl. 7 11 Art. 45. Perderá o mandato o conselheiro que: VI deixar de observar enunciado de súmula ou de resolução do Pleno da CSRF, bem como o disposto no art. 62; Desta forma, não há como dar provimento a essa solicitação da Recorrente. Assim, por todo o exposto, voto por NEGAR provimento ao Recurso Voluntário contra a decisão da DRJ/ São Paulo, alertando para os"Créditos Exonerados", já providos por aquela, segundo tabela à efl. 470. (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Fl. 588DF CARF MF
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Numero do processo: 15165.003049/2006-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
VALORAÇÃO. TERCEIRO MÉTODO. DIFERENÇA DE TRIBUTOS. LANÇAMENTO.
Diante da impossibilidade, devidamente motivada pela fiscalização, de aplicação do método de valoração adotado pelo importador e do método subsequente, correta a adoção do terceiro método de valoração, com base em importações de mercadorias similares, em conformidade com o Acordo de Valoração Aduaneira.
É cabível a exigência de tributos e multas relativamente à diferença entre valor aduaneiro obtido pela fiscalização pela aplicação do terceiro método de valoração e o valor declarado pelo importador.
Recurso Voluntário negado
Crédito Tributário mantido
Numero da decisão: 3402-004.435
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos a Relatora e os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Carlos Augusto Daniel Neto. Designada redatora para o voto vencedor a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula.
(assinado com certificado digital)
Jorge Lock Olmiro Freire - Presidente
(assinado com certificado digital)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora
(assinado com certificado digital)
Maria Aparecida Martins de Paula - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Lock Olmiro Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 VALORAÇÃO. TERCEIRO MÉTODO. DIFERENÇA DE TRIBUTOS. LANÇAMENTO. Diante da impossibilidade, devidamente motivada pela fiscalização, de aplicação do método de valoração adotado pelo importador e do método subsequente, correta a adoção do terceiro método de valoração, com base em importações de mercadorias similares, em conformidade com o Acordo de Valoração Aduaneira. É cabível a exigência de tributos e multas relativamente à diferença entre valor aduaneiro obtido pela fiscalização pela aplicação do terceiro método de valoração e o valor declarado pelo importador. Recurso Voluntário negado Crédito Tributário mantido
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MÉTODOS Recorrente JOAOMED COMERCIO DE MATERIAIS CIRURGICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 VALORAÇÃO. TERCEIRO MÉTODO. DIFERENÇA DE TRIBUTOS. LANÇAMENTO. Diante da impossibilidade, devidamente motivada pela fiscalização, de aplicação do método de valoração adotado pelo importador e do método subsequente, correta a adoção do terceiro método de valoração, com base em importações de mercadorias similares, em conformidade com o Acordo de Valoração Aduaneira. É cabível a exigência de tributos e multas relativamente à diferença entre valor aduaneiro obtido pela fiscalização pela aplicação do terceiro método de valoração e o valor declarado pelo importador. Recurso Voluntário negado Crédito Tributário mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos a Relatora e os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Carlos Augusto Daniel Neto. Designada redatora para o voto vencedor a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. (assinado com certificado digital) Jorge Lock Olmiro Freire Presidente (assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 00 30 49 /2 00 6- 11 Fl. 1092DF CARF MF 2 (assinado com certificado digital) Maria Aparecida Martins de Paula Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Lock Olmiro Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Auto de infração lavrado para a cobrança de diferença de Imposto de Importação (II), acrescido de juros de mora e multa de ofício, decorrentes da revisão aduaneira do valor aduaneiro informado pela empresa em 28 (vinte e oito) Declarações de Importação – DI, registradas para nacionalização de “luvas de procedimento descartáveis” adquiridas no exterior nos anos de 2001 a 2004. O contribuinte apurou o valor aduaneiro das mercadorias pelo 1º método do Acordo de Valoração Aduaneira – AVA/GATT (Valor de Transação) em montante inferior ao de mercado conforme verificado no sistema DW ADUANEIRO e em diversas Declarações de Importação – DI paradigmas. Por essa razão, a fiscalização desconsiderou os valores declarados pelo contribuinte em suas faturas e, por não ter localizado mercadorias idênticas que pudessem servir de paradigma (2º método do AVA), apurou os novos valores das mercadorias importadas pelo valor de transação de mercadorias similares (3º método do AVA). Após a apresentação de Impugnação Administrativa pelo contribuinte, o processo foi convertido em diligência pelo despacho às efls. 1.0011.004 para que fossem apresentadas complementações fáticas em torno do Auto de Infração, em especial quanto à similaridade das mercadorias identificadas como paradigma e as razões para não se aplicar o primeiro e segundos métodos de valoração. Com a apresentação da informação fiscal em resposta à diligência (efls. 1.006/1.009), a Impugnação foi julgada parcialmente procedente para excluir valores alcançados pela decadência referentes a três DIs autuadas (DI nº 01/09755019, nº 01/10048606 e nº 01/10497877). O Acórdão 1663.321 24ª Turma da DRJ/SPO foi ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 VALORAÇÃO ADUANEIRA. DESCLASSIFICAÇÃO DO VALOR DE TRANSAÇÃO. UTILIZAÇÃO DE MÉTODOS SUBSTITUTOS DO ACORDO DE VALORAÇÃO ADUANEIRA AVA/GATT. Verificada a imprestabilidade dos elementos utilizados para a comprovação do valor aduaneiro declarado com base no método do Valor de Transação (1º método), será esse apurado com base em método substitutivo, observada a ordem sequencial estabelecida no Acordo de Valoração Aduaneira AVA/GATT. DECADÊNCIA. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. DIFERENÇA DE TRIBUTOS. PAGAMENTO PARCIAL. Tratandose de imposto sujeito ao lançamento por homologação e tendo por fato gerador a data do registro da Declaração de Importação DI, na forma do artigo 23, combinado com o artigo 44 do Decretolei nº 37/66, o prazo decadencial para a Fazenda constituir o crédito tributário é de 5 (cinco) anos, contados da data do registro da DI (ex vi do Art. 150, § 4º, do CTN). Fl. 1093DF CARF MF Processo nº 15165.003049/200611 Acórdão n.º 3402004.435 S3C4T2 Fl. 1.093 3 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" (efl. 1.034) Intimada desta decisão em 05/12/2014, a empresa apresentou Recurso voluntário em 05/01/2015 (efls. 1.069/1.090) reiterando parte dos argumentos da Impugnação, alegando em síntese: (i) a ocorrência de prescrição intercorrente, vez que o processo administrativo permaneceu paralisado por mais de sete anos; (ii) a nulidade do auto de infração em razão: (ii.1) da violação ao devido processo legal, vez que não respeitado o contraditório e a ampla defesa na fase de fiscalização por não ter sido disponibilizado ao contribuinte o acesso ao banco de dados no qual a fiscalização se respaldou (DW Aduaneiro); (ii.2) a impossibilidade de utilização do 2º ou do 3º método de valoração aduaneira vez que a fiscalização não apresentou qualquer fundamentação para desqualificar a operação de importação realizada, desconsiderando o valor da transação exclusivamente pelo fato de ter localizado preços superiores para mercadorias similares. Além disso, a fiscalização partiu para o 3º método de valoração aduaneira, sem identificar a possibilidade de aplicar o 2º método. Em seguida os autos foram direcionados para este Conselho. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne Conheço do Recurso Voluntário interposto, por tempestivo, adentrando em suas razões. Como se depreende da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do Auto de Infração, às efls. 4/7, o presente processo administrativo decorre de procedimento de revisão aduaneira de diversas Declarações de Importação de Luvas de Procedimento Descartáveis (NCM 4015.19.00), registradas pela Recorrente nos anos de 2001 a 2004, em relação às quais foram desconsiderados os valores das transações indicados nas faturas comerciais apresentadas pela empresa no despacho aduaneiro. No entender da fiscalização, os valores das mercadorias indicados nas faturas seriam inferiores aos praticados no mercado (subvaloração), razão pela qual não poderia ser admitido como válido o 1º método de valoração aduaneira trazido no Acordo de Valoração Aduaneira (AVA/GATT), aprovado pelo Decreto 1.355/94. Como descrito na autuação: Fl. 1094DF CARF MF 4 "No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal, em procedimento de Revisão Aduaneira, formalizamos o presente Relatório: INTRODUÇÃO 2. No curso de auditoria do valor aduaneiro declarado foram conseguidas diversas informações e documentos os quais demonstraram a ocorrência, naquela operação comercial, de irregularidade fiscal que, nos termos da legislação de regência, acarretou a descaracterização do método de valoração aduaneira utilizado pelo importador, levando à utilização de métodos substitutivos de valoração. Tendo em vista a diferença, a maior, nos valores aduaneiros encontrados, foi constituído o crédito tributário dela decorrente através deste auto de infração. DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA 3. O DecretoLei n.° 37/66 estabelece em seu artigo 2° que a base de cálculo do imposto de importação, quando a aliquota for ad valorem, é o valor aduaneiro apurado segundo as normas do artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio (GATT). 4. O Congresso Nacional aprovou, mediante o Decreto Legislativo n.° 30/94, a Ata Final que Incorpora os Resultados da Rodada Uruguai de Negociações Comerciais Multilaterais do GATT. 5. O Poder Executivo, mediante o Decreto n.° 1.355/94, promulgou a Ata Final que incorpora os Resultados da Rodada Uruguai de Negociações Comerciais Multilaterais do GATT, a qual contém o Acordo de Valoração Aduaneira (AVA GATT) constante do Anexo lA ao Acordo Constitutivo da Organização Mundial de Comércio OMC. 6. O referido AVAGATT, possuindo status de lei, estabelece as normas internas sobre valoração aduaneira no Brasil. 7. O valor aduaneiro da mercadoria não se confunde com o valor faturado nem com o valor para fins de licenciamento das importações, embora na maioria das vezes tenham o mesmo valor. Como bem esclarece o Artigo 15, parágrafo 1, alínea A, do AVAGATT o "valor aduaneiro das mercadorias importadas" significa o valor das mercadorias para fins de incidência de direitos aduaneiros ad valorem sobre mercadorias importadas. 8. Conforme o AVAGATT, em vigor desde 1994: "Toda mercadoria submetida a despacho de importação está sujeita ao controle do correspondente valor aduaneiro; "O controle do valor aduaneiro consiste no procedimento de verificação da do valor aduaneiro declarado pelo importador; "O importador deve comprovar o valor aduaneiro declarado; 9. O valor aduaneiro será apurado com base em método substitutivo ao valor de transação, quando o importador ou o adquirente da mercadoria não apresentar A fiscalização, em perfeita ordem e conservação, os documentos comprobatórios das informações prestadas na declaração de importação, a correspondência comercial e, se obrigado à escrituração, os respectivos registros contábeis (Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, art. 86). DAS IMPORTAÇÕES EM ANALISE 10. O importador acima qualificado registrou várias DI's nos anos de 2001 a 2004, de LUVAS DE PROCEDIMENTO DESCARTÁVEIS, NCM 4015.19.00, que foram objeto de revisão aduaneira que consistiu na análise minuciosa dos valores declarados, à vista dos dados constantes nas DI's e nos documentos que a instruem, bem como em outros que foram apresentados ou conseguidos nessa fase. 11. Algumas dessas importações já haviam sido objeto de exame conclusivo de valor, com resultado negativo ou rito sumário, porque na época não foram encontradas outras importações que pudessem servir de paradigma para uma valoração aduaneira, o que só foi possível com a Revisão Aduaneira no tempo presente e consulta ao Sistema DW ADUANEIRO. Fl. 1095DF CARF MF Processo nº 15165.003049/200611 Acórdão n.º 3402004.435 S3C4T2 Fl. 1.094 5 DO MÉTODO DE VALORAÇÃO A SER APLICADO 12. O AVAGATT prevê 06 (seis) diferentes métodos para a determinação do valor aduaneiro das mercadorias importadas. A Nota Geral Interpretativa, constante no Anexo I do AVAGATT, no seu parágrafo 2°, determina que sempre que não for possível a utilização do 1° método de valoragão devese passar sucessivamente aos métodos seguintes, até chegarmos ao primeiro que permita determinar o valor aduaneiro. 13. O AVAGATT determina em seu artigo 1° (1° método) que o valor aduaneiro das mercadorias importadas será o valor de transação, isto é, o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias, em uma venda para exportação para o pais de importação, ajustado de acordo com as disposições do Artigo 8°. 15. Uma vez que o importador declarou o 1° método como sendo aquele utilizado para a valoração das mercadorias, fazse necessário a verificação de todos os pressupostos. 16. Intimado pela via formal, não atendeu ao que foi solicitado, visto que não esclareceu inequivocamente o porquê de seus valores declarados estarem bem abaixo dos valores de outras importações, dos mesmos países de origem e mesmas épocas de suas importações. 17. DA DESCARACTERIZAÇÃO DO MÉTODO DE VALORAÇÃO ADOTADO 18. Face a todo o exposto, nos termos da legislação de regência supramencionada, foi recusado o valor aduaneiro declarado para as mercadorias e passado aos métodos seguintes de valoração aduaneira para a obtenção da correta base de cálculo. (...) 24. De acordo com o Artigo 15, parágrafo 2, do AVAGATT, entendese por mercadorias similares as que, embora não se assemelhem em todos os aspectos, têm características e composição material semelhantes, o que lhes permite cumprir as mesmas funções e serem permutáveis comercialmente. 25. O método adotado pela fiscalização, no caso presente, foi o 3°, de mercadoria similar. DA ESCOLHA DAS DIs PARADIGMAS 26. A fim de identificarmos outras importações dos mesmos tipos de mercadorias, as quais puderam ser utilizadas como paradigmas de valoração para as DI's sob auditoria, recorremos ao sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal (SRF) denominado DW ADUANEIRO, o qual registra todas as importações realizadas no Brasil e verificamos a existência de outras importações com valores superiores aos declarados. 27. Em virtude dos custos de transporte das mercadorias importadas até o porto ou de importação e o custo do seguro, quando existente, serem normalmente diferentes para cada operação de importação, tomamos como base para comparação o valor unitário no local de embarque da mercadoria (VOLE), ou seja, o custo FOB da mercadoria somente, sem a influência desses custos. 28. Em atendimento à necessidade de garantirmos os sigilos comercial e fiscal, não pudemos informar a identificação dos importadores das DI's paradigmas, porém os demais dados da operação comercial necessários ao nosso trabalho estão devidamente indicados, através das telas anexas aos processos. 29. Quanto aos valores referentes ao frete e seguro, foram utilizados os valores informados pelo próprio importador, em virtude dos mesmos terem sido corretamente informados quando do registro da DI. Baseado nesses dados foram recompostos os valores aduaneiros da DI sob auditoria conforme planilha anexa aos processos. DA FALTA DE RECOLHIMENTO 30. O primeiro efeito decorrente do procedimento irregular praticado pelo importador foi a falta de recolhimento do Imposto de Importação. 0 Artigo 72, do Fl. 1096DF CARF MF 6 Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 4.543/02, estabelece como fato gerador do Imposto de Importação a entrada da mercadoria estrangeira no território aduaneiro. 31. Para efeito de cálculo do imposto, considerase ocorrido o fato gerador na data registro da Declaração de importação de mercadoria despachada para consumo. (DecretoLei 37/66, art. 23 parágrafo único.) 32. Como se vê, tendo havido a entrada da mercadoria estrangeira no território nacional, com subseqüente registro da declaração de importação e posterior desembaraço aduaneiro, fica perfeitamente caracterizada a incidência do referido tributo e materializada a obrigação tributária principal. 33. Os tributos devidos foram recalculados, no auto de infração, tendo como base de cálculo os valores aduaneiros auditados. 34. O importador intencionalmente diminuiu as bases de calculo dos direitos com a intenção de iludir o pagamento dos tributos." (efls. 4/7 grifei) Observase que o único fundamento concreto trazido no Auto de Infração para a desconsideração do 1º método de valoração aduaneira foi a identificação de suposto subvaloração, vez que os preços praticados pela empresa seriam inferiores a outros identificados no mercado. Atentandose para os autos, observase que não foram anexados documentos ao Auto de Infração para demonstrar sequer essa diferença de preço, razão pela qual o processo foi convertido em diligência para decisão recorrida exatamente para a demonstração concreta dessa diferença. Pela informação fiscal apresentada (efls. 1.006/1.009), observase que a fiscalização apresentou planilha identificando quais as DIs que teria considerado como paradigma, sem apresentar, contudo, a cópia destas DIs (ainda que ocultando o nome e demais informações dos contribuintes envolvidos naquelas DIs para preservar as informações protegidas pelo sigilo fiscal). Ademais, a fiscalização reitera naquela informação que caberia ao contribuinte comprovar a razão para a diferença de preço identificada. Contudo, a fiscalização não esclarece como essa comprovação poderia ser realizada, especialmente considerando o fato que as importações identificadas como paradigma não seriam idênticas àquelas importadas pelo Recorrente, mas apenas similares por estarem enquadradas na mesma NCM 4015.19.00. Acrescese ainda que não é possível precisar a localização dos importadores apontados como paradigmas, sendo que a fiscalização identificou em sua planilha elaborada em diligência, somente, a informação do país exportador. A única DI paradigma concretamente identificada foi a de n.º 02/07713485 que teria sido emitida pela própria contribuinte, em agosto/2002. Como indicado na informação fiscal, "ao contrário das demais, a DI PARADIGMA 02/07713485 foi registrada pela própria empresa autuada, e indica exatamente o mesmo fabricante (ARISTA LATINDO IND LTD) das DI 02/03098581 e 02/09669556." Contudo, analisando a planilha da fiscalização, vislumbra se que inexiste uma grande discrepância de preços entre a DI paradigma (US$ 10,00), emitida em agosto/2002, com a DI autuada 02/09669556, emitida em outubro/2002 (US$ 9,80), havendo diferença somente quanto à DI emitida em período anterior, em abril/2002 (US$ 5,16). Assim, não há nos autos qualquer elemento probatório que ampare a desconstituição da fatura comercial, nem nada que indique a ocorrência efetiva de subvaloração, tendo o juízo do auditor fiscal responsável sido conformado apenas pela diferença de preço em relação ao mercado. Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 15165.003049/200611 Acórdão n.º 3402004.435 S3C4T2 Fl. 1.095 7 Ora, nos moldes como feita, a autuação contraria o art. 1º do Acordo de Valoração Aduaneira GATT, promulgado pelo Decreto nº 1.355/1994, e a Opinião Consultiva n° 2.1, divulgada pela Instrução Normativa n.º 318/2003. Isso porque o simples fato de um preço ser inferior aos preços correntes de mercado para mercadorias idênticas ou similares não é motivo suficiente para sua rejeição. Vejamos os exatos termos da referida Opinião: "OPINIÃO CONSULTIVA 2.1 ACEITABILIDADE DE UM PREÇO INFERIOR AOS PREÇOS CORRENTES DE MERCADO PARA MERCADORIAS IDÊNTICAS 1. Foi formulada a questão acerca da aceitabilidade de um preço inferior aos preços correntes de mercadorias idênticas quando da aplicação do Artigo 1 do Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio. 2. O Comitê Técnico de Valoração Aduaneira examinou esta questão e concluiu que o simples fato de um preço ser inferior aos preços correntes de mercado para mercadorias idênticas não poderia ser motivo para sua rejeição para os fins do Artigo 1, sem prejuízo, no entanto, do estabelecido no Artigo 17 do Acordo." (grifei) Como já tivemos a oportunidade de discutir nos acórdãos 3402003.841, de minha relatoria, e 3402003.484, de relatoria do Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto, a desconsideração do valor indicado nas DIs, por parte da fiscalização deve atender a dois ônus argumentativoprobatórios distintos: a) um relativo à descaracterização do valor aduaneiro adotado pelo importador, através da prova do subvaloração; e b) determinação do correto valor aduaneiro, com base na legislação aplicável. No caso em tela, a autoridade desconsiderou as informações das faturas por entender que o valor declarado seria inferior ao valor corrente do mercado, sem, contudo, acompanhar esse juízo com provas que demonstrassem que o pagamento foi superior ao declarado, ou qualquer outro elemento que autorizasse a desconsideração das faturas apresentadas. Portanto, a afirmação da fiscalização no sentido de que teria ocorrido o subvaloração das mercadorias se respaldou em meros indícios sequer admitidos pela legislação aduaneira (diferença quanto ao valor corrente de mercado da mercadoria), devendo ser cancelada como já entendido por este CARF: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2008 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO. SUBFATURAMENTO. ÔNUS DA PROVA. A acusação de subfaturamento nas operações comerciais não pode ser presumida, devendo ser efetivamente comprovada, não bastando a indicação de meros indícios ou do fato de haver interdependência entre comprador e vendedor para descaracterizar o valor da fatura comercial. Recurso de Ofício Negado" (Processo 16561.720180/201276 Data da Sessão 28/09/2016 Relator(a) Fenelon Moscoso de Almeida Nº Acórdão 3401003.266 grifei) "Assunto: Imposto sobre a Importação II Anocalendário: 2009, 2010 Fl. 1098DF CARF MF 8 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Estando o Auto de Infração devidamente motivado, contendo a descrição dos fatos e a fundamentação jurídica referentes a todas as infrações, com a indicação dos arquivos magnéticos apreendidos, e tendo sido autorizado judicialmente o compartilhamento de provas entre a Polícia Federal e a Receita Federal do Brasil, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. VALOR ADUANEIRO. SUBFATURAMENTO. SUBVALORAÇÃO. Comprovado, por meio de documentação relativa à transação comercial, que o valor aduaneiro indicado na fatura e declarado ao órgão aduaneiro não representa o preço efetivamente pago pelas mercadorias importadas, assim como a falta de adição de acréscimos obrigatórios ao valor aduaneiro, ficam configurados o subfaturamento e a subvaloração, sendo cabível a exigência das diferenças de tributos que deixaram de ser recolhidas, acrescidas dos juros de mora e das multas aplicáveis. (...)."(Número do Processo 10516.720013/201375 Sessão 26/01/2016 Relator Antonio Carlos Atulim Nº Acórdão 3402002.853 grifei) "Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 23/10/2013, 31/12/2013 TRIBUTOS ADUANEIROS. BASE DE CÁLCULO. FRAUDE DE VALOR. SUBFATURAMENTO. SUBVALORAÇÃO. DIFERENCIAÇÃO. Nos casos de fraude de valor, não há subvaloração, mas subfaturamento, que se diferencia da primeira em razão da ilicitude da conduta do importador. O subfaturamento ocorre quando o importador registra a declaração de importação (DI) tendo por base um fatura comercial que não reflete o preço realmente pago pelo produto importado. Essa discrepância pode resultar da falsificação da fatura, mediante apresentação de versão não verdadeira substitutiva da fatura genuína ou por alteração do documento verdadeiro (falsidade material). Também pode ocorrer quando, mediante conluio entre importador e exportação, emitese uma fatura verdadeira, porém, com valores menores que os efetivamente praticados (falsidade ideológica). Não se confunde com a subvaloração, que constitui a aplicação indevida de um dos métodos de valoração aduaneira do AVA/Gatt, sem a ocorrência de fraude (Opinião Consultiva nº 10.1, do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira). FALSIDADE MATERIAL. NÃO CARACTERIZADA. AUSÊNCIA DE PROVAS DE ADULTERAÇÃO. ALEGAÇÃO DE PRETERIÇÃO DE FORMALIDADE NÃO ESSENCIAL. A ausência de elementos que demonstrem com segurança a adulteração do documento, associada à simples alegação de preterição de formalidade não essencial (RA/2009, o art. 557), são insuficientes para se concluir pela falsidade material da fatura comercial. FALSIDADE IDEOLÓGICA. PROVA DE VENDA ABAIXO DO PREÇO DE CUSTO. AUSÊNCIA DE PROVAS DO PREÇO EFETIVAMENTE PRATICADO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A simples comprovação da venda com prejuízo é insuficiente para se concluir pela falsidade ideológica da fatura. Exigese a demonstração de que o preço declarado pelo importador na DI foi diferente do efetivamente praticado na operação, o que pode ocorrer por qualquer meio de prova, desde a realização de pagamentos em paralelo (“por fora”), ordens de compra, faturas proforma, documentos financeiros, comprovantes de operações bancárias, até mesmo registros internos de controle paralelo de pagamentos. Do contrário, não há como se diferenciar uma fraude de valor de uma simples venda com custo reduzido, sobretudo nos casos entre partes relacionadas. Desapareceria a diferença entre o subfaturamento e o subvaloração, implicando a atribuição do mesmo tratamento jurídico à operações lícitas e ilícitas. BASE DE CÁLCULO. LANÇAMENTO. ARBITRAMENTO. ART. 88 DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.158/2001. REGRAS DE VALORAÇÃO ADUANEIRA DO AVA/GATT. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE. Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 15165.003049/200611 Acórdão n.º 3402004.435 S3C4T2 Fl. 1.096 9 Se a prova dos autos indica de se tratar de hipótese de subvaloração, e não de subfaturamento, a autoridade aduaneira, diante de inaceitabilidade do valor declarado, ao invés de arbitrar a base de cálculo na forma do art. 88 da Medida Provisória nº 2.158/2001, deveria ter constituído o crédito tributário mediante aplicação de um dos métodos substitutivos do Artigo VII do Acordo Geral de Tarifas e Comércio Gatt (Anexo 1A), afastando o método do valor da transação e exigindo a diferença do crédito tributário (IPI, II, PIS/Pasep e Cofins), acrescido apenas de juros e da multa deofício de 75%. Vício material. Nulidade do lançamento. (...)."(Número do Processo 10909.720986/201471 Data da Sessão 25/02/2015 Relator Solon Sehn Nº Acórdão 3802004.098 grifei) Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar a exigência fiscal autuada. É como voto. Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora Voto Vencedor Maria Aparecida Martins de Paula, Redatora designada Na sessão de julgamento ousei divergir da Ilustre Conselheira Relatora, no que fui acompanhada por outros Conselheiros, razão pela qual apresento abaixo as minhas razões de decidir. É verdade que o simples fato de um preço ser inferior aos preços correntes de mercado para mercadorias idênticas não é motivo suficiente para sua rejeição, conforme concluiu o Comitê Técnico de Valoração Aduaneira, da Organização Mundial de Aduanas (OMA), na Opinião Consultiva 2.11, divulgada pela Instrução Normativa SRF nº 318/2003, sem prejuízo, no entanto, conforme expressa ressalva, do disposto no art. 17 do Acordo de Valoração Aduaneira (AVA), o qual dispõe: Artigo 17 Nenhuma disposição deste Acordo poderá ser interpretada como restrição ou questionamento dos direitos que têm as administrações aduaneiras de se assegurarem da veracidade ou exatidão de qualquer afirmação, documento ou declaração apresentados para fins de valoração aduaneira. No caso, a fiscalização não rejeitou liminarmente os valores declarados para as mercadorias nas Declarações de Importação, mas, dentro da prerrogativa dada pelo art. 17 1 OPINIÃO CONSULTIVA 2.1 ACEITABILIDADE DE UM PREÇO INFERIOR AOS PREÇOS CORRENTES DE MERCADO PARA MERCADORIAS IDÊNTICAS 1. Foi formulada a questão acerca da aceitabilidade de um preço inferior aos preços correntes de mercadorias idênticas quando da aplicação do Artigo 1 do Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio. 2. O Comitê Técnico de Valoração Aduaneira examinou esta questão e concluiu que o simples fato de um preço ser inferior aos preços correntes de mercado para mercadorias idênticas não poderia ser motivo para sua rejeição para os fins do Artigo 1, sem prejuízo, no entanto, do estabelecido no Artigo 17 do Acordo. Fl. 1100DF CARF MF 10 do AVA, intimou o importador a apresentar esclarecimentos e documentos que pudessem justificar os preços inferiores aos de mercado. Entretanto, as respostas do importador no procedimento fiscal, como também os argumentos da impugnação e do recurso voluntário, não foram suficientes para esclarecer a prática de preços bem abaixo dos valores declarados nas importações paradigmas. Dessa forma, foi correto o procedimento da fiscalização de, motivadamente, não aceitar o valor aduaneiro declarado com base no 1º método (valor da transação), apurandoo com base em método substitutivo, nos seguintes termos: Após a desclassificação do 1º método de valoração, a fiscalização pesquisou nas bases de dados da Receita Federal importações de mercadorias idênticas para a aplicação do 2º método de valoração, não tendo logrado êxito em encontrálas, razão pela qual, tendo encontrado importações de mercadorias similares, decidiu pela aplicação do 3º método de valoração aduaneira, em conformidade como o art. 15 do AVA/GATT: (b) neste Acordo, entendese por mercadorias similares as que, embora não se assemelhem em todos os aspectos, têm características e composição material semelhantes, o que lhes permite cumprir as mesmas funções e serem permutáveis comercialmente. Entre os fatores a serem considerados para determinar se as mercadorias são similares, incluemse a boa qualidade, reputação comercial e a existência de uma marca comercial; (...) (d) somente poderão ser consideradas idênticas ou similares as mercadorias produzidas no mesmo país que as mercadorias objeto de valoração; (e) somente serão levadas em conta mercadorias produzidas por uma pessoa diferente quando não houver mercadorias idênticas ou similares, conforme o caso, produzidas pela mesma pessoa que produziu as mercadorias objeto de valoração. Nessa esteira a fiscalização escolheu como importações paradigmas aquelas cujas mercadorias se enquadravam na mesma classificação fiscal – NCM 4015.19.00, com a descrição de OUTRAS LUVAS DE BORRACHA VULCANIZADA, indicando o mesmo país de origem (Indonésia ou Tailândia ou Malásia, conforme o caso) e registradas dentro do mesmo ano, na data mais próxima. Quando havia mercadorias dentro da adição da DI paradigma com diferentes preços, considerouse para fins de valoração o menor preço, o que é Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 15165.003049/200611 Acórdão n.º 3402004.435 S3C4T2 Fl. 1.097 11 bastante razoável. Inclusive, uma das importações paradigmas (DI 02/07713485), foi registrada pela própria recorrente com a indicação do mesmo fabricante (ARISTA LATINDO IND LTD) das DI 02/03098581 e 02/09669556. Não houve cerceamento do direito de defesa da recorrente a escolha das importações paradigmas pela fiscalização, eis que os dados essenciais dessas operações e o critérios de cálculo foram fornecidos, conforme esclarecido no auto de infração: DA ESCOLHA DAS DIs PARADIGMAS 26. A fim de identificarmos outras importações dos mesmos tipos de mercadorias, as quais puderam ser utilizadas como paradigmas de valoração para as DI's sob auditoria, recorremos ao sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal (SRF) denominado DW ADUANEIRO, o qual registra todas as importações realizadas no Brasil e verificamos a existência de outras importações com valores superiores aos declarados. 27. Em virtude dos custos de transporte das mercadorias importadas até o porto ou de importação e o custo do seguro, quando existente, serem normalmente diferentes para cada operação de importação, tomamos como base para comparação o valor unitário no local de embarque da mercadoria (VULE), ou seja, o custo FOB da mercadoria somente, sem a influência desses custos. 28. Em atendimento à necessidade de garantirmos os sigilos comercial e fiscal, não pudemos informar a identificação dos importadores das DI's paradigmas, porém os demais dados da operação comercial necessários ao nosso trabalho estão devidamente indicados, através das telas anexas aos processos. [negritei] 29. Quanto aos valores referentes ao frete e seguro, foram utilizados os valores informados pelo próprio importador, em virtude dos mesmos terem sido corretamente informados quando do registro da DI. Baseado nesses dados foram recompostos os valores aduaneiros da DI sob auditoria conforme planilha anexa aos processos. Embora não faça qualquer sentido a contribuinte ter acesso a Sistema Informatizado da Receita Federal com informações protegidas por sigilo fiscal de outros contribuintes, nada impediria que a recorrente demonstrasse, no curso do processo administrativo fiscal, a eventual inadequação das importações paradigmas, o que não logrou êxito. Certamente que há outros meios de pesquisa disponíveis de preços de mercadorias similares no mercado, inclusive consultas aos próprios exportadores no exterior de mercadorias similares. Conforme bem esclareceu o julgador de primeira instância, o Acordo de Valoração Aduaneira e as normas internas pertinentes foram devidamente respeitadas pela fiscalização, na apuração do valor aduaneiro das mercadorias: (...) Alegou a impugnante que a fiscalização não observou o disposto pelo item 3, do artigo 3º, do AVA (3. Se na aplicação deste Artigo for encontrado mais de um valor de transação de Fl. 1102DF CARF MF 12 mercadorias similares, o mais baixo deles será utilizado na determinação do valor aduaneiro das mercadorias importadas), pois teria se utilizado de valores paradigmas que apresentam discrepância da ordem de 67,40% para o período pesquisado, diferentes do menor valor encontrado. Quanto a este argumento, de início, importa mencionar que os preços declarados pela impugnante apresentam uma discrepância ainda maior, da ordem de 89,92 %, considerando que o menor preço declarado (FOB) para o período analisado, entre os anoscalendário de 2001 a 2004, foi US$/milheiro 5,16 e o maior US$/milheiro 9,80, conforme pode ser observado à fl. 1007. Não obstante, de acordo com as regras do AVA, para que possam ser consideradas similares as mercadorias precisam preencher, de forma simultânea, entre outras, as seguintes condições: devem ser vendidas para exportação para o mesmo país de importação e exportadas ao mesmo tempo que as mercadorias objeto de valoração ou em tempo aproximado (artigo 3º, item 1, ‘a’); deverão ser produzidas no mesmo país que as mercadorias objeto de valoração (artigo 15, item ‘d’); somente serão levadas em conta mercadorias produzidas por uma pessoa diferente quando não houver mercadorias idênticas ou similares, conforme o caso, produzidas pela mesma pessoa que produziu as mercadorias objeto de valoração (artigo 15, item e). Com efeito, as DI analisadas pela fiscalização foram registradas em datas diversas, entre os anoscalendário de 2001 a 2004, além de terem como países de origem Indonésia, Malásia e Tailândia. Dessa forma, em respeito às regras do AVA, não poderia a fiscalização comparar mercadorias não exportadas ao mesmo tempo, ou em tempo aproximado, ou comparar mercadorias produzidas em países diferentes, levando em consideração exclusivamente a regra prevista pelo item ‘3’, do artigo 3º, do AVA. Definitivamente, as diversas regras do AVA devem ser interpretadas simultaneamente, como fez a fiscalização. Inclusive, às fls. 1006 a 1009, além de apresentar uma planilha formatada para comparar as DI autuadas com as DI paradigmas, considerando o preço praticado, o país de origem da mercadoria e data de registro da DI, a fiscalização apresentou os seguintes esclarecimentos sobre o cumprimento das regras do AVA (negritos meus): Em relação às DI autuadas, as DI paradigmas apresentam mercadorias com a mesma classificação fiscal (código: 4015.19.00), mesmo país de origem (Indonésia, Tailândia ou Malásia), conforme o caso, e foram registradas no mesmo ano, considerando a data mais próxima; Na planilha de fl. 1007, as células sombreadas indicam que a DI paradigma apresentava diversas mercadorias dentro da mesma adição, com diferentes preços, sendo que, para fins de valoração, foi considerado o item com menor valor declarado; Ao contrário das demais, a DI paradigma 02/07713485 foi registrada pela empresa autuada, e indica o mesmo fabricante. Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 15165.003049/200611 Acórdão n.º 3402004.435 S3C4T2 Fl. 1.098 13 Destarte, as regras do AVA foram respeitadas pela fiscalização, inclusive a prevista pelo item 3, do artigo 3º. (...) Quanto à alegação de prescrição intercorrente, tratase de matéria pacificada neste Conselho pela Súmula CARF nº 11: "Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal". Conforme determina o art. 72 do Regimento Interno do CARF, as súmulas são de observância obrigatória pelos membros do CARF, razão pela qual desnecessário debater os argumentos da recorrente em sentido contrário. Também quanto à alegação de ofensa ao devido processo legal, melhor sorte não assiste à recorrente. Na etapa anterior ao lançamento não é imprescindível a participação do sujeito passivo. Quando a administração já dispõe de todos os dados, deve efetuar o lançamento e dar ciência ao contribuinte, que, a partir daí, exercerá o contraditório e a ampla defesa. Nessa linha é que dispõe a Súmula CARF nº 46 que: "O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.” Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinatura digital) Maria Aparecida Martins de Paula Redatora designada Fl. 1104DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.949856/2013-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO.
Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômico-fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ).
Numero da decisão: 1401-001.986
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório suplementar no valor originário de R$ 2.944.742,21 a título de saldo negativo de CSLL para o ano-calendário de 2008, relativo a parcelas não homologadas das estimativas de janeiro, fevereiro, março e setembro do mesmo ano, bem assim para realizar as compensações declaradas até o montante do valor reconhecido.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório suplementar no valor originário de R$ 2.944.742,21 a título de saldo negativo de CSLL para o anocalendário de 2008, relativo a parcelas não homologadas das estimativas de janeiro, fevereiro, março e setembro do mesmo ano, bem assim para realizar as compensações declaradas até o montante do valor reconhecido. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 94 98 56 /2 01 3- 01 Fl. 699DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Em relação às peças iniciais do presente feito, sirvome do relatório da autoridade a quo: A interessada transmitiu, em 10 de março de 2010, a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) numerada 07465.57762.100310.1.6.033739, alegando dispor de direito creditório oriundo de saldo negativo de CSLL – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – apurado no exercício de 2009. DESPACHO DECISÓRIO Tal declaração foi examinada pela DRF de origem, que prolatou o Despacho Decisório de nº 067707612, de 4 de novembro de 2013, nos seguintes termos: À fl. 9, encontramse as “Informações Complementares da Análise de Crédito” relativas à DCOMP acima mencionada, dentre as quais se copia a seguinte tabela, correspondente às parcelas de crédito não confirmadas: Ciente em 11 de novembro de 2013 (fl. 2), a interessada apresentou, em 10 de dezembro de 2012, a peça de defesa de fls. 21 a 35, alegando, resumidamente, o que segue. Fl. 700DF CARF MF Processo nº 10880.949856/201301 Acórdão n.º 1401001.986 S1C4T1 Fl. 700 3 3 DO MÉRITO 3.1 Da Duplicidade da Cobrança [...] Ocorre que as referidas declarações de compensação objetivam compensar as estimativas relativas ao ano calendário de 2008 com créditos de PIS e COFINS, bem como de Saldo negativo de IRPJ de 2007, cuja liquidez e certeza está sendo tratada em processos administrativos próprios, ainda pendentes de julgamento, conforme abaixo DCOMP Origem Processo 27748.05602.111208.1.7.115400 Cofins Ml 4T2007 16349.000184/200953 29742.61390.310308.1.3.025203 Saldo Negativo IRPJ 2007 10880.942.431/201282 33514.18268.290408.1.3.101311 PIS MI 1T2008 16349.000209/200919 09828.94370.290408.1.3.114447 COFINS MI 1T2008 16349.000186/200942 32791.29733.300408.1.3.107801 PIS MI 4T2007 16349.000207/200920 18195.70842.231008.1.3.08.4841 PIS ME 3T2008 16349.000213/200987 07879.19101.231008.1.3.090445 COFINS ME 3T2008 16349.000190/200919 26163.61730.231008.1.3.110007 COFINS MI 3T2008 16349.000189/200986 Assim, a não homologação das compensações supra, que corresponde à quitação das estimativas devidas nos meses de janeiro, fevereiro, março e setembro de 2008, formadores do Saldo Negativo de CSLL de 2008, gera dupla cobrança dos débitos que se pretendeu compensar, pois, já estão sendo cobrados nos referidos processos administrativos, já que a DCOMP constitui confissão irretratável de dívida. Caso as decisões dos processos supra indicados homologuem as compensações das estimativas de CSLL consolidará os créditos ora discutidos. Por outro lado, caso as decisões sejam desfavoráveis ao contribuinte, ou seja, não homologuem total ou parcialmente as antecipações, será efetuada a cobrança da própria CSLL antecipada, formadora do saldo negativo apurado ao final do ano calendário de 2008!!!! Ou seja, independentemente do resultado dos processos indicados, a Requerente fará jus ao aproveitamento desses valores pagos por estimativas mensais de CSLL, formador se deu saldo negativo. Desta forma, é evidente que a cobrança decorrente das DCOMPS homologadas parcialmente ou não homologadas configura cobrança em duplicidade, vez que decorrem de crédito que será confirmado nos autos dos processos administrativos supra indicados. Fl. 701DF CARF MF 4 [...] A seguir, a interessada faz referência a cada uma destas DCOMP, reiterando sempre haver manifestado sua inconformidade com o resultado desfavorável da análise destas declarações por parte da DRF de origem; acrescenta que [...] conforme anteriormente exposto, caso seja homologado a compensação a Requerente fará jus ao Saldo Negativo, caso não seja homologado, será cobrado juros e multa e conferirá o direito à Requerente de qualquer forma. Entende também que [...] o reconhecimento do saldo negativo não está condicionado à homologação, pois independentemente do desfecho da decisão sobre a compensação, o saldo negativo será composto. Em 5 de agosto de 2015, a interessada obteve, no curso do processo nº 001490766.2015.403.6100, liminar em mandado de segurança, determinando o julgamento em trinta dias, contados de 14 de agosto de 2015, das manifestações de inconformidade encartadas nos processos 16692.720746/201436, 16692.720744/201447, 16692.720090/201371 e 10880.907918/201481, cuja análise depende, direta ou indiretamente, da solução do presente litígio. Da decisão de primeiro grau A Delegacia de Julgamento negou provimento à manifestação de inconformidade (fls. 640645), por ausência de certeza e liquidez das estimativas, que compuseram o crédito. Isso porque as referidas estimativas foram compensadas, mas tais compensações não foram homologadas pela Receita Federal, em que pese o interessado ter apresentado manifestações de inconformidade ainda pendentes de julgamento por equipe de julgamento de outra DRJ. Abaixo, reproduzo os principais trechos da decisão recorrida: A contribuinte, ao computar o saldo negativo de CSLL que daria suporte ao direito creditório invocado na DCOMP 07465.57762.100310.1.6.033739, valeuse das estimativas dos meses de janeiro, fevereiro, março e setembro de 2008, cujos débitos haveriam sido extintos por meio de sua compensação com créditos apurados, supostamente, em períodos base anteriores. A liquidez e certeza destes créditos prévios não foi confirmada pelo Fisco da União, e, por conseguinte, não foram homologadas tais compensações, alegando a interessada haver se insurgido contra os despachos decisórios lavrados nos processos numerados 16349.000184/200953, 16349.000209/200919, 16349.000186/200942, 16349.000207/200920, 16349.000213/200987, 16349.000190/200919, 16349.000189/200986 e 10880.942.431/201282. Fl. 702DF CARF MF Processo nº 10880.949856/201301 Acórdão n.º 1401001.986 S1C4T1 Fl. 701 5 A manifestação de inconformidade inserta no processo 10880.942.431/201282 foi julgada por este Colegiado e considerada improcedente, a teor do Acórdão nº 0266.555, de 2015. As demais manifestações ainda pendem de julgamento por parte de equipe alheia a esta DRJ, como se verifica no demonstrativo abaixo, obtido a partir dos sistemas informatizados da RFB: (...) Uma vez que a liquidez e certeza daqueles créditos prévios não foram confirmadas pelo Fisco da União e, por conseguinte, não se homologaram as compensações com que se pretendia extinguir os débitos correspondentes às mencionadas estimativas é mister concluir que estas continuam em aberto e não podem ser usadas para dar suporte ao pretendido direito creditório. Por oportuno, salientese que a suspensão de exigibilidade, nos termos do artigo 151, inciso III, do CTN, não implica o reconhecimento do direito creditório pretendido pela interessada. Assim, em face do teor do artigo 74, § 2o, da Lei nº 9.430, de 1996, no presente momento processual inexiste o direito creditório pretendido pela contribuinte, motivo por que encaminho meu voto no sentido de considerar improcedente a manifestação de inconformidade ora em exame. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O sujeito passivo apresentou recurso voluntário, às fls. 651 a 658, em que reitera as razões de mérito do seu pleito. É o relatório. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator A questão ora em disputa diz respeito ao reconhecimento de saldo negativo de CSLL para o anocalendário de 2008, relativamente às parcelas de estimativa de janeiro, fevereiro, março e setembro que haviam sido extintas por compensação, as quais, contudo, não foram homologadas. Já julguei de forma similar à posição adotada pela DRJ. Sempre tive a convicção de que estimativas não podem ser lançadas, nem cobradas. Caso não recolhidas, a omissão deve ser punida com a multa isolada e repercutir no saldo negativo do período ou no tributo a recolher que, este sim, deve ser lançado relativamente à diferença não recolhida. Desse modo, uma compensação não homologada não poderia repercutir na formação do saldo negativo do período. Fl. 703DF CARF MF 6 Nada obstante, a Administração Tributária entende de modo diverso e efetivamente cobra estimativas declaradas em Dcomp não homologadas. Citese, nesse sentido o Parecer PGFN/CAT n.º 193/2013, cuja conclusão reproduzimos abaixo: CONCLUSÃO 22. Em síntese, os questionamentos levantados na consulta oriunda da Secretaria da Receita Federal do Brasil devem ser respondidos nos seguintes termos: a) Entendese pela possibilidade de cobrança dos valores decorrentes de compensação não homologada, cuja origem foi para extinção de débitos relativos a estimativa, desde que já tenha se realizado o fato que enseja a incidência do imposto de renda e a estimativa extinta na compensação tenha sido computada no ajuste; b) Propõese que sejam ajustados os sistemas e procedimentos para que fique claro que a cobrança não se trata de estimativa, mas de tributo, cujo fato gerador ocorreu ao tempo adequado e em relação ao qual foram contabilizados valores da compensação não homologada, a fim de garantir maior segurança no processo de cobrança. Em razão dessa premissa, tanto a Receita Federal do Brasil, quanto a Procuradoria da Fazenda Nacional já se manifestaram no sentido de a estimativa objeto de compensação não homologada compensada possa compor o saldo negativo do período, conforme podemos constatar na Solução de Consulta Interna COSIT nº 18/2006 e no Parecer/PGFN/CAT nº 88/2014, cujas ementas transcrevo abaixo: Solução de Consulta Interna (SCI) Cosit n° 18, de 13 de outubro de 2006: Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. PARECER PGFN/CAT/Nº 88/2014: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Opção por tributação pelo lucro real anual. Apuração mensal dos tributos por estimativa. Lei nº 9.430, de 27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada pelo Fisco. Conversão das estimativas em tributo após ajuste anual. Possibilidade de cobrança. Fl. 704DF CARF MF Processo nº 10880.949856/201301 Acórdão n.º 1401001.986 S1C4T1 Fl. 702 7 A Câmara Superior de Recursos Fiscais também já assentou esse entendimento, conforme podemos constatar pela ementa do Acórdão nº 9101002.493, de 23/11/2016: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Não há, pois, razão para a glosa das estimativas extintas por meio de compensação posteriormente não homologada. Conclusão Por todo o exposto, voto para dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório suplementar no valor originário de R$ 2.944.742,21 a título de saldo negativo de CSLL para o anocalendário de 2008 e que é relativa a parcelas não homologadas das estimativas de janeiro, fevereiro, março e setembro de 2008, bem como para realizar as compensações declaradas até o montante do valor reconhecido. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 705DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16004.000220/2007-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano calendário:2002, 2003
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
Aplica-se a multa de ofício qualificada de 150% quando caracterizado que ocorreu prática reiterada de omissão de valores cuja expressividade evidencia uma conduta consistente no tempo destinada a não registrar receitas auferidas que se oferecidas à tributação excluiriam a empresa do SIMPLES.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA.
As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.
DECADÊNCIA. CONTAGEM INICIAL.
Ocorrendo, em tese, a prática dolosa, o início do prazo de decadência se desloca para o art. 173, I, do CTN, contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. SIMPLES PIS COFINS – CSLL. Estende-se
aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 1401-000.634
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, afastar a decadência e, quanto ao mérito, dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Antonio Bezerra Neto
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário:2002, 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Aplica-se a multa de ofício qualificada de 150% quando caracterizado que ocorreu prática reiterada de omissão de valores cuja expressividade evidencia uma conduta consistente no tempo destinada a não registrar receitas auferidas que se oferecidas à tributação excluiriam a empresa do SIMPLES. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. DECADÊNCIA. CONTAGEM INICIAL. Ocorrendo, em tese, a prática dolosa, o início do prazo de decadência se desloca para o art. 173, I, do CTN, contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. SIMPLES PIS COFINS – CSLL. Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Aplicase a multa de ofício qualificada de 150% quando caracterizado que ocorreu prática reiterada de omissão de valores cuja expressividade evidencia uma conduta consistente no tempo destinada a não registrar receitas auferidas que se oferecidas à tributação excluiriam a empresa do SIMPLES. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. DECADÊNCIA. CONTAGEM INICIAL. Ocorrendo, em tese, a prática dolosa, o início do prazo de decadência se desloca para o art. 173, I, do CTN, contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 22/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.000220/200718 Acórdão n.º 1401000.634 S1C4T1 Fl. 2.338 2 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. SIMPLES PIS COFINS – CSLL. Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, afastar a decadência e, quanto ao mérito, dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Karem Jureidini Dias e Viviane Vidal Wagner. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 22/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.000220/200718 Acórdão n.º 1401000.634 S1C4T1 Fl. 2.339 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Karem Jureidini Dias e Viviane Vidal Wagner. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 22/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.000220/200718 Acórdão n.º 1401000.634 S1C4T1 Fl. 2.340 4 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1417.035, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão PretoSP. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: “Tratase de impugnação aos Autos de Infração de IRPJ Simples, PISSimples, CSLLSimples, e CofinsSimples, lavrados e cientificados em 18 de maio de 2007, contra o Interessado, relativos aos anoscalendário de 2002 e 2003, em razão de haver sido apurado omissão de receitas decorrente de depósitos bancários não escriturados. Os valores relativos aos fatos geradores verificados encontram se indicados nos corpos dos autos de infração, nos quais também constam os enquadramentos legais respectivos, atingindo o crédito tributário o montante de R$ 1.474.684,12 na data da lavratura, compreendendo os valores dos tributos, acrescidos da multa de ofício de 150% e dos juros de mora calculados até 30/04/2007, assim distribuídos: IRPJ..................................................R$ 449.832,50 PIS....................................................R$ 143.061,23 CSLL................................................R$ 219.468,06 Cofins................................................R$ 662.322,33 No Termo de Descrição dos Fatos e Conclusão Fiscal(fls. 2.076 a 2.122), há a descrição do procedimento fiscal e das irregularidades, apontadas pelo autuante como infrações à legislação tributária, que motivaram a lavratura dos presentes autos de infração. Regularmente cientificada, ingressou com a impugnação de fls. 2.172 a 2.195, firmada pelo procurador Dr. Osvaldo de Brito, constituído pela procuração de fl. 2.196, onde em síntese alega: 1. PRELIMINAR 1.1. Decadência do direito de constituição de parte do crédito tributário exigido. Alega que o argumento do fisco para imposição da multa qualificada é que na ocorrência de prática dolosa, o prazo de decadência é o que está estabelecido no art. 173, I, do CTN, contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 22/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.000220/200718 Acórdão n.º 1401000.634 S1C4T1 Fl. 2.341 5 Contesta o entendimento do autuante, afirmando que a prática dolosa não restou caracterizada nos autos, eis que a simples presunção de omissão de receita e inexatidão de declarações de rendimentos não permite sequer vislumbrar o comportamento doloso de que fala a norma reguladora. E, em não se caracterizando o ato doloso, o termo decadencial deve submeter se ao prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4° do CTN)”. Argúi que teria ocorrido a decadência do crédito do IRPJ e da CSLL, inclusive, para o trimestre encerrado em 31/03/2002, sobre o qual já transcorreu o prazo de 5 (cinco) anos delimitado para homologação do lançamento. Portanto, considerando que os Autos de Infração foram dados a conhecer em 18 de maio de 2007, é evidente que se operou a decadência com relação a tais exações do período em questão. Pela mesma circunstância, igual tratamento se aplica em relação às contribuições do PIS e da COFINS, estas com referência aos fatos geradores de 01/01/2002 a 01/05/2002. A contar da ocorrência de seus fatos geradores até a ciência dos autos de infração, transcorreu o prazo de cinco anos dentro do qual se permitiria ao fisco que efetuasse o lançamento. Se assim não procedeu, decaiulhe o direito de lançar. Discorre sobre o lançamento por homologação, citando o art. 156, V, do CTN, e reproduzindo o art. 150 e seus parágrafos, que regula dito lançamento. Reproduz várias ementas de Acórdãos do Conselho de Contribuintes em reforço aos seus argumentos. Conclui que consoante o termo inicial prescrito no artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, qual seja, o momento da ocorrência do fato gerador, os supostos créditos acima referidos caducaram no mais tardar em 1°/05/2007, enquanto os autos de infração ora debatidos só vieram à luz em 18/05/2007. 2.Do mérito 2.1. O simples depósito ou crédito bancário não configura obtenção de receita ou rendimento. Alega que a fiscalização valeuse para a determinação da matéria tributável e conseqüente apuração dos tributos, não só da receita declarada pela contribuinte, mas também da movimentação financeira constante de seus extratos bancários. Tomando por base os créditos lançados nas contascorrente bancárias, elegeuos como se frutos de receitas não oferecidas à tributação. Contesta a ação do Fisco argumentando que a movimentação registrada em extratos bancários nem sempre configura a infração omissão de receita. Tratase de elemento indiciário que necessita de outros para se promover uma ligação causal entre uma forma de evasão (omissão de vendas, subfaturamento, etc) e Fl. 5DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 22/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.000220/200718 Acórdão n.º 1401000.634 S1C4T1 Fl. 2.342 6 os respectivos créditos ou depósitos, objetivandose uma convicção segura acerca do contribuinte fiscalizado. Aduz que a fiscalização, sem nenhum procedimento investigatório, mas simplesmente baseada no fato de que a fiscalizada não logrou comprovar a origem da totalidade dos créditos registrados nas contas bancárias, destes lançou mão e efetuou o lançamento dos tributos destacados no item acima. Isso é inconcebível à luz do direito. Reproduz o art. 43 do CTN, c/c art. 153, III da CF, que dispõe sobre o fato gerador do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, argumentando que da interpretação do dispositivo supra, inferese que, no sistema jurídico brasileiro, a expressão “renda e proventos de qualquer natureza” só abrange os fatos que efetivamente correspondam a acréscimo patrimonial nunca aquilo que, em dado momento (mês) — como ocorre na movimentação de uma conta bancária ‘ simplesmente tenha circulado pelas contas do contribuinte. Não fosse assim o imposto em exame não seria sobre a renda e proventos de qualquer natureza, mas sobre a circulação de valores. Aliás, a movimentação financeira, em si mesma, é hipótese de incidência de outro tributo a CPMF. Cita trecho da obra de Geraldo Ataliba e Cléber Giardino (in, “PIS — Exclusão do 1CM de sua Base de Cálculo” Revista de Direito Tributário n° 35, p. 160), que trata de acréscimo patrimonial. Reproduz parte do voto condutor e a ementa do Acórdão do STFPleno – RE 1178876SP Rel. Mm. Carlos Velloso j 11/02/93 DJU 1 23/04/93, p 6.923 ementa oficial, que fala do conceito de renda e proventos de qualquer natureza. Cita também Acórdãos exarados pelo Conselho de Contribuintes e pela CSRF sobre o assunto. Conclui afirmando que “a incompatibilidade verificada por meio do cruzamento de informações do recolhimento da CPMF com a Declaração da contribuinte, prestase a início de procedimento de investigação, no qual deve ser assegurados ampla defesa com os meios e recursos a ele inerentes (art. 50, LV, da Constituição da República), mas não à pronta afirmação da ocorrência de supressão de tributos”. 2.2. Da irregularidade na determinação do valor tributável base dos tributos lançados (irpj, csll, pis e cofins) Alega que a execução do lançamento é de relevante importância, pois provoca inúmeros efeitos jurídico sendo ato privativo da autoridade administrativa. Se por um lado é um direito, por outro, provoca deveres que devem ser observados pelas mesmas autoridades. Para que o lançamento, contido no Auto de Infração seja claro, objetivo e principalmente preciso é necessário que o mesmo seja precedido de verificações. Tantas quantas forem necessárias. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 22/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.000220/200718 Acórdão n.º 1401000.634 S1C4T1 Fl. 2.343 7 Ressalta que nem mesmo uma empresa que possua um razoável sistema de contabilidade conseguiria identificar todos os créditos efetuados em conta corrente, até porque, com raras exceções, na maioria dos casos os comprovantes de depósito não identificam o que foi depositado. O que não dizer da requerente, empresa de pequeno porte optante pelo sistema simplificado. Isso não quer dizer, contudo, que os recursos depositados sejam oriundos de receitas omitidas. Embora possam ser indício de auferimento de renda, os depósitos bancários não caracterizam, por si só, disponibilidade de rendimentos, cabendo à fiscalização demonstrar o nexo causal entre cada depósito e o fato para caracterizar omissão de receita. Diz que o lançamento fiscal é ilíquido e incerto, contrapondose ao que determina o art. 142 do CTN, haja vista que a autoridade administrativa ao constituir o crédito tributário, deve fazêlo com correção e certeza, sob todos os aspectos. Destaca algumas incorreções que teria havido no levantamento fiscal, tais como, depósitos em cheques que teriam parte dos cheques devolvidos, e, portanto, a fiscalização tomou em duplicidade a título de omissão de receita; operações de empréstimos e empréstimos contabilizados em duplicidade, apontando alguns valores a titulo de exemplos. Reclama que a fiscalização não se deu ao trabalho de fazer uma depuração dos valores ou, ao menos intimar os bancos para os devidos esclarecimentos, limitandose a considerar como omissão de receitas tais valores. 2.3. Da aplicação da multa agravada de 150% sobre os tributos exigidos. Contesta a aplicação da multa qualificada em razão da não escrituração de contas bancárias, referentes a depósitos, relações de descontos de cheques junto aos bancos, créditos de cartões de créditos e de débitos, créditos de liquidação de cobrança, pagamentos do SIAFEM. Entende que a fiscalização extrapolou porque a tributação resultou de mera presunção de receitas auferidas pela fiscalizada e que a manutenção de contas bancárias a margem da escrituração, por si só, é insuficiente para amparar a aplicação de multa qualificada. Alega que a documentação relativa as operações acima citadas foi apresentada por ela à fiscalização(fls. 452 a 970) e não se caracteriza em prova de fraude, mas, sim da atividade normal praticada pela empresa. Aduz que não se tratam de informações ocultas ao fisco, que delas tem pleno conhecimento, porquanto periodicamente as recebe dos bancos via cruzamento da CPMF. Insurgese contra a omissão de receita apontada pela fiscalização, argüindo que, quando muito se poderia aventar a possibilidade de ter havido a apresentação de declaração inexata, ainda assim em decorrência de pura presunção de omissão de receita. (destaque do original). Fl. 7DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 22/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.000220/200718 Acórdão n.º 1401000.634 S1C4T1 Fl. 2.344 8 Transcreve parcialmente voto do conselheiro Nelson Mallmann, exarado no Acórdão nº 10419.227 de 27/02/2003. Afirma que diante das dificuldades enfrentadas na obtenção dos extratos bancários autorizou a SRF a requisitálos e que em nenhum momento deixou de atender as exigências da fiscalização. Conclui que por não existir fraude presumida é sempre necessário que a autoridade fiscal faça a comprovação do referido ilícito de forma absolutamente segura e inconteste, reproduzindo diversas ementas do Conselho de Contribuintes que evidencia esse entendimento. 2.4. Dos autos reflexos do PIS, da Cofins e da Contribuição Social. Alega que os Autos de Infração das contribuições são decorrentes da autuação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, a improcedência deste, conforme vigorosamente comprovada comporta igual tratamento àqueles, isto é, aos lançamentos reflexos deve ser dado o mesmo destino do lançamento principal. Com relação ao PIS e a COFINS estranhase a identificação dos fatos geradores como se ocorridos no primeiro dia de cada mês, data esta não prevista na legislação tributária. 3. Do Pedido Requer o acolhimento da impugnação e o cancelamento dos autos de infração e protesta pela juntada em momento oportuno de documentos a serem fornecidos pelas instituições financeiras. É a síntese do essencial.” A DRJRibeirão Preto SP, por unanimidade de votos, julgou procedentes os lançamentos, nos termos da ementa que se transcreve: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002, 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Aplicase a multa de ofício qualificada de 150% quando caracterizado que ocorreu prática reiterada de omissão de valores cuja expressividade evidencia uma conduta consistente Fl. 8DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 22/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.000220/200718 Acórdão n.º 1401000.634 S1C4T1 Fl. 2.345 9 no tempo destinada a não registrar receitas auferidas que se oferecidas à tributação excluiriam a empresa do SIMPLES. DEMAIS TRIBUTOS PIS, COFINS, CSLL. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003 PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. NULIDADE. ERRO NA DESCRIÇÃO DOS FATOS E NA BASE LEGAL. Restando evidenciado que a descrição dos fatos e o enquadramento legal foram suficientemente claros para propiciar o entendimento da infração imputada e o seu embasamento legal, descabe acolher alegação de nulidade do auto de infração. DECADÊNCIA. CONTAGEM INICIAL. Ocorrendo, em tese, a prática dolosa, o início do prazo de decadência é o que está estabelecido no art. 173, I, do CTN, contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Primeiro Conselho de Contribuinte, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação, com exceção da preliminar de nulidade. DILIGÊNCIA FALTA COMPLEME3NTAR É o relatório. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 22/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.000220/200718 Acórdão n.º 1401000.634 S1C4T1 Fl. 2.346 10 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, tratase o presente processo de recurso contra ato de exclusão da empresa do SIMPLES, bem assim contra o Auto de Infração que exige da interessada o IRPJ e seus reflexos, acrescidos de multa de ofício de 150%. A recorrente foi excluída do SIMPLES e após intimada não ter apresentado escrituração suficiente à determinação do Lucro Real teve o seu lucro apurado segundo as regras do lucro arbitrado, correspondente aos anoscalendário de 2002 e 2003. Delimitação da lide Desde de sua impugnação, passando pelo recurso a contribuinte deixa de se insurgir sobre as seguintes matérias, constituindose, portanto, matérias preclusas: quanto à sua exclusão do Simples e a aplicação do arbitramento. Decadência Inicialmente cabe analisar a preliminar de decadência argüída. A recorrente pleiteia a aplicação do art. 150, § 4º do CTN. Conforme relatado: “Argúi que teria ocorrido a decadência do crédito do IRPJ e da CSLL, inclusive, para o trimestre encerrado em 31/03/2002, sobre o qual já transcorreu o prazo de 5 (cinco) anos delimitado para homologação do lançamento. Portanto, considerando que os Autos de Infração foram dados a conhecer em 18 de maio de 2007, é evidente que se operou a decadência com relação a tais exações do período em questão. Pela mesma circunstância, igual tratamento se aplica em relação às contribuições do PIS e da COFINS, estas com referência aos fatos geradores de 01/01/2002 a 01/05/2002. A contar da ocorrência de seus fatos geradores até a ciência dos autos de infração, transcorreu o prazo de cinco anos dentro do qual se permitiria ao fisco que efetuasse o lançamento. Se assim não procedeu, decaiulhe o direito de lançar”. Do IRPJ Fl. 10DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 22/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.000220/200718 Acórdão n.º 1401000.634 S1C4T1 Fl. 2.347 11 No tocante ao prazo de decadência, em primeiro lugar, reconhecendo a controvérsia que o tema envolve, ressalvo a minha opinião particular de ter defendido anteriormente que o fato contingente de existir ou não pagamentos não teria o condão de interferir na natureza do tributo sujeito a homologação e por conseqüência aplicarseia a regra do art. art. 150, § 4º do CTN, ressalvado o caso de fraude ou dolo em que preponderaria a regra do art. 173, I do CTN. Entretanto, curvome a partir à jurisprudência atual do STJ, no sentido de entender que a aplicação do art.150, §4º, do CTN atrai a realização de um pagamento. Na ausência desse pagamento, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese também após 5 (cinco) anos, mas, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art.173, I, do CTN). Quanto à matéria, adoto, portanto, a posição consolidada do STJ: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PETIÇÃO DE RECURSO ESPECIAL ASSINADA POR ADVOGADO SEM PROCURAÇÃO NOS AUTOS. SÚMULA 115/STJ. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. COMPETÊNCIA DA SUPREMA CORTE. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. ..... 3. Nos créditos tributários relativos à contribuição previdenciária – tributo sujeito a lançamento por homologação – cujo pagamento não foi antecipado pelo contribuinte, caso em que se aplica o art. 173, I, do CTN, deve o prazo decadencial de cinco anos para a sua constituição ser contado a partir do primeiro dia do exercício financeiro seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Portanto, escorreito o acórdão recorrido, o qual entendeu pela exigibilidade integral dos débitos referentes ao ano base de 1992. ..... 7. Recurso especial não conhecido.(Segunda Turma, REsp 1154592 / PR, Min. Castro Meira, Julg. 20/05/2010, DJe 02/06/2010). AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. 1. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando inocorre o pagamento antecipado pelo contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de ofício substitutivo é determinado pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. 2. Orientação reafirmada pela Primeira Seção desta Corte, no julgamento do REsp nº 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, sob o rito dos recursos repetitivos (Código de Processo Civil, artigo 543C). 3. Agravo regimental improvido. (Primeira Turma, AgRg no REsp 1120220 / PR, Min. Hamilton Carvalhido, Julg. 18/05/2010, DJe 02/06/2010) Fl. 11DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 22/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.000220/200718 Acórdão n.º 1401000.634 S1C4T1 Fl. 2.348 12 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). ..... 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (Primeira Seção, REsp 973.733/SC, Min. Luiz Fux, Julg. 12/08/2009, DJe 18/09/2009) De qualquer sorte, como se demonstrará mais adiante neste voto, a regra do art. 173, I seria atraída de qualquer forma por força da existência de fraude/dolo no presente caso. Dos demais tributos (CSLL, PIS E COFINS) Ressaltese que a conclusão supra não prejudica, nesse particular, os lançamentos decorrentes relativamente às contribuições sociais, cujo disciplinamento envolvendo a decadência não mais possui regramento próprio (artigo 45, da Lei nº 8.212, de 1991), após a declaração de inconstitucionalidade dos artigos 44 e 45 do referido diploma legal. A matéria foi contemplada com a Súmula Vinculante nº 8: Fl. 12DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 22/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.000220/200718 Acórdão n.º 1401000.634 S1C4T1 Fl. 2.349 13 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Dessa forma, a regra do art. 173, I do CTN, no caso de ausência de pagamento ou de fraude ou dolo, como é o caso, também se aplica às contribuições sociais (tributos sujeitos à homologação). Vejamos agora a aplicação da regra geral referida no art. 173, I do CTN ao caso concreto. No caso concreto, apesar de haver pagamentos, há também “evidente intuito de fraude”, como se demonstrará mais adiante, deve, pois, prevalecer a regra do 173, I do CTN. Em aplicando essa rega, afastada está a decadência do IRPJ, uma vez que a ciência do auto de infração se deu em 18/05/2007 e o período mais antigo (1º trimestre de 2002) decairia apenas em 31/12/2007. Dos demais tributos Ressaltese que a conclusão supra não prejudica, nesse particular, os lançamentos decorrentes relativamente às contribuições sociais, cujo disciplinamento envolvendo a decadência não mais possui regramento próprio (artigo 45, da Lei nº 8.212, de 1991), após a declaração de inconstitucionalidade dos artigos 44 e 45 do referido diploma legal. A matéria foi contemplada com a Súmula Vinculante nº 8: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Dessa forma, a regra do art. 173, I do CTN no caso de fraude, dolo ou conluio também se aplica às contribuições sociais (tributos sujeitos à homologação), ficando afastada, portanto, a decadência também para essas contribuições, uma vez que a ciência do auto de infração se deu em 18/05/2007 e o período mais antigo (janeiro de 2002) decairia apenas em 31/12/2007. Afastada está a decadência. DA ATUAÇÃO Depósitos Bancários Sem Comprovação da Origem dos Recursos A contribuinte não escriturava em seu Livro Caixa a movimentação bancária, foi intimada a apresentar justificativas para os créditos efetuados em suas contas bancárias, trazendo em suas razões recursais alegação genérica de que “(...) à luz do art. 43 do CTN, é óbvio que movimentação bancária não caracteriza receita auferida vez que, em princípio, a movimentação registra valores patrimoniais ativos, sem qualquer influência na apuração de resultado”. Prossegue em um longo arrazoado na tentativa de infirmar o lançamento por falta de uma investigação melhor da movimentação financeira; bem assim na tentativa de atribuir à fiscalização todo o ônus da prova, não lhe bastado “intimar o contribuinte para a comprovação da origem dos depósitos bancários que lhe deram causa. (...) Nesse contexto , a única interpretação que se Fl. 13DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 22/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.000220/200718 Acórdão n.º 1401000.634 S1C4T1 Fl. 2.350 14 pode admitir em face do art. 42 da apontada lei é no sentido de que, ali, o legislador admitiu que o depósito bancário seja considerado “indício de receita auferida, cabendo ao Fisco, partindo desses elementos indiciário, desenvolver a fiscalização, apurando outros elementos seguros (aquisição de bens, variação patrimonial em geral, etc.) com vistas à efetiva identificação do fato gerador do tributo.” A recorrente, na verdade, tece considerações vazias e genéricas, não logrando fazer o principal: comprovar, através de documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, a ligação dos recursos recebidos em conta bancária e o seu discurso apresentado. Ademais, traz respaldo jurisprudencial de há muito ultrapassado, segundo o qual seria ilegítimo o lançamento de tributos arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários. Em verdade, a argumentação da recorrente denota um total desconhecimento da existência do art. 42 da Lei nº 9.43096 que representa um verdadeiro marco em termos de presunção legal de omissão de receitas, verbis: LEI n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 DOU de 30.12.96 “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratandose de uma presunção legal de omissão de rendimentos, o ônus da prova fica invertido, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova à contribuinte. O contribuinte, por sua vez, não logrando êxito nessa tarefa que se lhe impunha, como ocorre no caso presente, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, por presunção legal se toma como verdadeiro que os recursos depositados representam rendimentos do contribuinte. Por se tratar de uma presunção relativa juris tantum, somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. A prova de que a recorrente despreza totalmente a existência daquele marco (art. 42 da Lei nº 9.430/96), levando à pique toda sua argumentação é a alusão a uma jurisprudência totalmente ultrapassada, que se refere a um momento histórico completamente distinto, onde não era possível formularse uma presunção legal com base em depósitos bancários. A partir da vigência da Lei nº 9.430/1996, tal jurisprudência se deu por ultrapassada. Feitas tais digressões e, evidenciada a absoluta licitude do estabelecimento das presunções legais, cumpre dizer que, em relação aos anoscalendário (2002 e 2003), as alegações trazidas pelo contribuinte mostramse despropositadas, visto que, o simples fato da existência de depósitos bancários com origem não comprovada é, por si só, em tais anos calendário, hipótese presuntiva de omissão de receitas, cabendo ao sujeito passivo a prova em contrário que, conforme dito, não as apresentou. Ao fisco cabe provar o fato constitutivo do seu direito, no caso em questão, a existência de depósito bancário sem origem comprovada. À recorrente, comprovar a origem desses depósitos. Da irregularidade na determinação do valor tributável Fl. 14DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 22/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.000220/200718 Acórdão n.º 1401000.634 S1C4T1 Fl. 2.351 15 Nesse ponto, a recorrente utilizase de dois argumentos centrais. O primeiro ponto já foi refutado no tópico anterior. Tratase da tentativa de inverter o ônus da prova para fiscalização, quando o art. 42 da Lei nº 9.430/96 atribui ao contribuinte esse ônus, uma vez intimado à comprovar a origem dos depostos na identificados. O segundo argumento se encarrega de tentar enfraquecer o lançamento sob o argumento de que a fiscalização não fez a sua parte de apurar a base de cálculo expurgando as duplicidades de movimentação existente em suas contascorrentes. Nesse passo, relaciona na fase impugnatória alguns cheques devolvidos e alguns lançamentos de créditos, a título de exemplo, que afirma serem relativos a empréstimos considerados em duplicidade pela fiscalização e que não deveriam compor a base de cálculo. Na fase recursal repisa a mesma coisa apenas ampliando um pouco mais a lista de empréstimos que estaria, a seu ver, registrados em duplicidade. Não é verdade que a fiscalização se omitiu de fazer essa tarefa. Muito ao contrário, o que se vê ao longo do processo é um trabalho meticuloso e muito bem feito pelo autuante, analisando cada depósito um a um, classificandoos, criando terminologias para a perfeita caracterização desses depósitos e assim facilitar o trabalho de defesa. A recorrente por sua vez, é que se mostrou apática ao não desempenhar a contento o seu ônus de provar que tais créditos são oriundos dos objetivos sociais da empresa. A DRJ por sua vez decisão de piso e do que se colocou no parágrafo anterior, passo a adotar como razão de decidir os fundamentos utilizados pela decisão de piso, abaixo reproduzidos: “Neste tópico o contribuinte relaciona alguns cheques devolvidos e alguns lançamentos de créditos, a título de exemplo, que afirma serem relativos a empréstimos considerados em duplicidade pela fiscalização e que não deveriam compor a base de cálculo de apuração do tributo devido. Insta considerar, que de acordo com o exposto no item anterior, em que pese o contribuinte ter citado os valores faltou o principal: os documentos que comprovem suas alegações. A simples menção desses valores em sua impugnação não tem o condão de ilidir a apuração fiscal. Relativamente aos empréstimos deveria a contribuinte ter juntado os documentos bancários(como por exemplo: contrato de abertura de crédito, cópias dos avisos de créditos emitidos pelo banco, etc...) que evidenciassem que os mesmos foram considerados em duplicidade pela fiscalização; quanto aos cheques devolvidos deveria comprovar que os mesmos foram reapresentados e não recebidos diretos no caixa como é praxe nessas situações. Estas provas – de acordo com a legislação que rege a matéria – competem à contribuinte. Além disso, conforme se verifica do “Termo de Descrição dos Fatos e Conclusão Fiscal” às fls.2.116 e 2.117, a contribuinte utilizava a sistemática de contabilizar o Livro Caixa e as contas Caixa, Bancos e Mercadorias dos livros Diário e Razão por totais mensais, sem que mantivesse qualquer livro auxiliar, Fl. 15DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 22/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.000220/200718 Acórdão n.º 1401000.634 S1C4T1 Fl. 2.352 16 exigido por lei, para identificação das operações realizadas, consoante dispõe o Decreto 3.000, de 1999, verbis: (...) Mesmo mantendose indevidamente no Simples, a contribuinte estava obrigada a submeterse, no que tange a escrituração de suas operações mercantis, à legislação da matéria, especificamente, a Lei nº 9.317, de 1996, instituidora de tal regime, verbis: “Seção IV Da Declaração Anual Simplificada, da Escrituração e dos Documentos Art. 7° Omissis... § 1° A microempresa e a empresa de pequeno porte ficam dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham, em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes: a) Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; b) Livro de Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término de cada ano calendário; c) todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração dos livros referidos nas alíneas anteriores. § 2° Omissis...”. Ora, não pode a contribuinte transferir para o autuante deveres que por determinação legal a ela competiam. Portanto, não restando provadas as alegações da contribuinte mantémse o valor apurado pela fiscalização.” Em apertada síntese e como já se colocou retro, entre outras alegações (fls. 2271 a 2276 do recurso), em relação à presunção legal de omissão de receita decorrente de depósitos bancários, a recorrente reclama: devoluções de cheques não considerados na apuração; e duplicidade de lançamentos causada por cômputo na base de cálculo de adiantamentos de crédito posteriormente estornados no movimento bancário. Em relação ao primeiro item, entre outros exemplos, cita em seu recurso, à fl. 2271, a seguinte situação: “Tomese, como exemplo, o extrato da Caixa Econômica Federal (fls. 61 a 132). Constam devoluções totais (DVL.DP.CH) de R$ 843,50 na fl. 63; R$ 1.202,00 na fl. 69; R$ 1.983,50 na fl. Fl. 16DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 22/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.000220/200718 Acórdão n.º 1401000.634 S1C4T1 Fl. 2.353 17 81; R$ 1.069,75 na fl. 111; R$2.148,25 na fl. 117; R$ 1.880,00 na fl. 126. Basta observar os extratos e se verá que em todos os meses, indistintamente, houve devoluções de cheques depositados.” Em relação ao segundo item, cita em seu recurso (fl.2273), entre outros exemplos, a seguinte situação: “(...) Ademais, se realmente tivesse examinado os extratos como haveria de ser, teria verificado que todas as operações de adiantamento (AD. O . CRED.) foram, indistintamente, efetivamente estornadas (E.AD.OP.CRED.) na data em que se concretizaram os empréstimo”. s sob a identificação “AV. E/B CART (...)” Dessa forma, apesar de a DRJ ter razão em tese em relação ao ônus da prova e da necessidade de manter em boa ordem a escrituração contábil, em nome do princípio da verdade material dos fortes indícios indicativos de duplicidade de cobrança, bem assim da presença de empréstimos em função das nomenclaturas constantes nos extratos bancários tidos como não comprovado, baixouse o feito em diligência para que se esclarecesse as reclamações referidas. Tendo em vista conversão de julgamento em Diligência, fls. 2298/2299, a fiscalização fez intimações e reintimações ao interessado e a instituição bancária no sentido de resolver das dúvidas suscitadas. O resultado das diligências resultaram na confecção do relatório anexo às folhas de n° 2311/2327, onde foi dado razão parcial ao contribuinte, documento este que foi encaminhado ao Sujeito Passivo, no sentido de que os representantes legais do mesmo se manifestem sobre seu conteúdo. Após as intimações à Recorrente e ao banco e análise de toda a documentação, a fiscalização deu razão à Recorrente em parte, nos seguintes termos: O autor da diligência concluiu pela resposta da instituição financeira, que assiste razão ao contribuinte com relação aos créditos relacionados ao histórico "AD.O.CRÉDIT, cujos valores devem ser suprimidos da tributação, bem assim quanto aos valores subtraídos das contas sobre a rubrica "cheque devolvido" que devem ser deduzidos das bases de cálculo do Irpj e reflexos. Entretanto, alega o AuditorFiscal com relação ao histórico "AV.E/B CART" que por não se tratar de operações de empréstimo, os valores devem ser mantidos nas bases de cálculo das omissões de receitas, nos seguintes termos: Visando resolver as questões que motivaram a conversão de julgamento em diligência, intimamos a recorrente , por duas vezes (Folhas de n° 2302/2303 e 2306/2307) e conforme de pode deduzir pelas respostas da mesma às folhas de n° 2305 e 2308, nenhuma informação foi trazida aos autos a fim de dirimir as dúvidas suscitadas sobre o significado dos histórico de lançamentos aludidos, (entre outros). Em ato contínuo, intimamos (Fls. 2309) , a Instituição Financeira sucessora 4 do Banco Mercantil de São Paulo, para informar os reais significados dos históricos em alusão. Fl. 17DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 22/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.000220/200718 Acórdão n.º 1401000.634 S1C4T1 Fl. 2.354 18 Em resposta os representantes do Banco Bradesco informam às folhas de n° 2310 que: "...Outrossim, informamos que os históricos "AD. O. Cred." referese a créditos relativos a Empréstimos e Financiamentos contratados pelo cliente junto ao Banco e "AV. E/B CART" referese a créditos de cobrança (simples, caução e desconto) Conforme se deduz , ao verificar e comparar as informações do banco sucessor com as alegações da recorrente, assiste razão ao contribuinte com relação aos créditos relacionados ao histórico "AD. O. CRED.". Conseqüentemente os valores com tais características, que compuseram as bases de cálculo de omissão receitas, devem ser suprimidos. Entretanto, com relação ao histórico "AV. E/B CART", não se tratam de operações de empréstimo, conforme assevera a recorrente, cujos valores devem ser mantidos nas bases de cálculo das omissões de receitas, visto que se tratam de créditos em cobrança, em relação aos quais o contribuinte fora devidamente intimado , conforme documentos às folhas de n° 15/17 e 353/451, mas não justificou as origens de tais créditos, logicamente, à luz do art. 42 da Lei 9430/96, devem ser considerados infração à legislação tributária como omissões de receitas. (destaquei) A recorrente discorda de tal consideração, haja vista que também as operações "AV. E/B CART se referem aos empréstimos concedidos pelo Banco Mercantil Finasa. Até porque “o Banco Bradesco (sucessor) informa que pode se tratar, também, de créditos sob a forma de desconto. Ora, a operação de desconto nada mais é do que o recurso financeiro disponibilizado pelo próprio banco ao cliente contra a apresentação de um título, uma duplicata, etc. É recurso financeiro do banco, fornecido ao cliente.” Acrescenta, por fim: (...) que os Adiantamentos de Operações de Crédito (AD.O.CRÉDIT) foram todos eles estornados dois dias após a data da disponibilidade provisória do recurso ao contribuinte, no momento em que as operações de Empréstimos foram efetivamente concretizadas e lançadas sob a rubrica "AV.E/B CART" . Desta feita os lançamentos sob essa rubrica (Aviso de Empréstimo Bancário em Carteira) constituem parte das operações de Empréstimo iniciadas pela via dos Adiantamentos, tanto que seus valores são extremamente próximos daqueles constantes dos respectivos adiantamentos. De fato, não há como emprestar outro entendimento aos lançamentos sob a rubrica AV. E/B CART quando a instituição financeira afirma que dentro dessa rubrica se inclui os descontos bancários e a isso se alia o fato ressaltado pela Recorrente de que os AD. O. CREDIT. foram seguidos por estornos em dois dias úteis a partir do referido adiantamento e no mesmo dia que é feito o estorno e aparece o valor novamente a crédito, com pequeníssimas difernças, na rubrica AV. E/B Cart., ou seja, como Aviso de Empréstimo Bancário em Carteira: AD.O.CREDIT AD OP.CRED AV. E/B CART. 04/03102 16.631,48 (Fls. 253) 06/03/02 16.631,48 (Fls. 254) 06/03/02 16.669,08 (Fls. 253) 05/03/02 12.576, 10 (Fls. 253) 07/03/02 12.576,10 (Fls. 254) 07/03/02 12.609,40 (Fls. 254) 05/06/02 13.467,73 (Fls. 260) 07/06/02 13.467,73 (Fls. 261) 07/06102 13.512,13 (Fls. 260) 30/09/02 21.164,60 (Fls. 272) 02/10/02 21.164,60 (Fls. 273) 02/ 10/02 21.205,10 (Fls. 273) 22/11/02 40.358,36 (Fls. 277) 25/11/02 40.358,36 (Fls. 277) 25/11/02 40.429,36 (Fls. 277) 10/03/03 12.279,80 (Fls. 288) 12/03/03 12.279,80 (Fls. 288) 12/03/03 12.321,40 (Fls. 288) 02/05/03 19.634,50 (Fls. 293) 06/05/03 19.634,50 (Fls. 294) 06/05/03 18.646,99 (Fls. 294) Fl. 18DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 22/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.000220/200718 Acórdão n.º 1401000.634 S1C4T1 Fl. 2.355 19 Como se vê, de fato os lançamentos sob a rubrica Aviso de Empréstimo Bancário em Carteira seguidos desse modo de operação acima configurado, constituem parte das operações de Empréstimos iniciadas pela via dos Adiantamentos. Mas, isso apenas justifica o cancelamento das operações de adiantamento sob a rubrica “AD.O.CREDIT”, o que já foi feito pelo Fiscal, pois senão teríamos aí configurada patente duplicidade de cobrança. Mas ir além disso já é um passo bastante largo que não se pode dar sem provas adicionais que lastreiem essa pretensão. É o que se demonstrará a seguir. Descontos Bancários Como se sabe o desconto de duplicatas é uma operação financeira em que a empresa entrega determinadas duplicatas, geralmente de sua emissão, para o banco e este lhe antecipa o valor em conta corrente, cobrando juros antecipadamente, daí os adiantamentos, o lapso temporal para se checar a liquedez dessas duplicatas e uma vez validadas, seguese o estorno dos adiantamentos e sua transmutação em empréstimo. Em consonância com a Lei nº 5.474/68 (Lei das Duplicatas), a duplicata, título de crédito causal, só cabe ser emitida a partir da entrega das mercadorias ou da prestação dos serviços. Portanto daí se presume que, com a emissão da mesma houve a prestação de serviços, pois a emissão daquele título de crédito causal supõe ou pressupõe a prestação de serviços. Embora a propriedade dos títulos negociados sejam transferidos para a instituição, a empresa é coresponsável pelo pagamento dos mesmos em caso de não liquidação pelo devedor. Neste caso, a instituição financeira leva a débito em conta corrente da empresa o valor de face do título não liquidado. Tratamento Contábil Os montantes de face das duplicatas descontadas são contabilizadas em uma conta redutora do ativo circulante inserida em um subitem da conta de “duplicatas a receber”. Esta conta recebe o nome de “duplicatas descontadas”, apresentando sempre saldo credor. A conta "duplicatas descontadas" apresenta a seguinte função na operação de desconto: a) é creditada, pelo valor de face dos títulos, no momento em que é efetuada a operação de desconto e a instituição financeira faz o crédito em conta corrente da empresa; b) é debitada no momento da liquidação do título pelo devedor ou quando a instituição financeira leva a débito em conta corrente da empresa por falta de pagamento por parte do devedor. Os encargos financeiros debitados pela instituição financeira devem ser contabilizados como "encargos financeiros a transcorrer", já que se tratam de despesas antecipadas, sendo debitada por ocasião do desconto e creditadas no momento em que a despesa é incorrida, observandose o regime de competência. Como se vê, tipo de financiamento é feito através de um título causal (duplicatas) que por sua vez tem por base receitas operacionais da empresa, cujo fluxo financeiro é bem captado contabilmente . Ora, o que está sendo autuado é créditos cuja origem não foi comprovado ou contabilizado. O ônus da prova é da Recorrente. Fl. 19DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 22/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.000220/200718 Acórdão n.º 1401000.634 S1C4T1 Fl. 2.356 20 De fato, poderseia considerar a hipótese de que sendo decorrentes de duplicatas objeto de desconto bancário, as receitas já poderiam ter sido consideradas por meio das contabilizações correspondentes as notas fiscais associadas a cada uma daquelas duplicatas. Ora, mas isso é justamente que a Recorrente deveria ter provado. Como já se disse esse ônus é seu e não do fiscal ou do julgador. Não trouxe um único lançamento contábil amparado em documentos hábeis e idôneos de forma a confirmar de uma vez por toda a hipótese acima referida, apesar das inúmeras oportunidades que lhe foram concedidas, inclusive tendo o feito sido baixado em julgamento justamente para esse fim. Portanto, quanto a esse item dou provimento parcial apenas para considerar o resultado de diligência conforme tabelas abaixo: Os totais mensais, que devem ser subtraídos das bases de cálculo para apuração dos impostos e contribuições , itens 1 5 e 2 6, estão demonstrados na planilha adiante. 3)Conclusivamente, os valores que serviram de base de cálculo para a constituição do crédito tributário 1, às folhas de n° 2119 (verso) , 2123 e 2126, repetidos abaixo ( 2a e 3a colunas), após as alterações solicitadas pelo CARF 8, passam a ser os valores mencionados na sexta e sétima colunas da tabela adiante. [TABELA 1] Coluna 1 Coluna 2 Coluna 3 ' Coluna 4 Coluna 5 Coluna 6 Coluna 7 ês Total Arbitrado Totais por trimestre Créditos sob a denominação "AD.O.CRED." ‐ Item 1 cheques depositados custodiados devolvidos ‐ Item 2 Total Arbitrado (após Diligência Fiscal)‐Vlrs mensais Total Arbitrado (após Diligência Fiscal)‐ Vlrs trimestrais ian/02 222.184,35 119.092,49 7.207,00 95 884.86 fev/02 83.073,90 9.501,00 73.572,90 mar/02 399.879,62 705.137,93 45.560,27 4.827,25 349 492,10 518.949,92 abr/02 146.676,39 2.529,00 144.147,39 mai/02 189.511,46 16.431,76 3.117,46 169 962,24 jun/02 239.366,48 575.554,33 29.664,91 30,00 209 671,57 523.781,20 M/02 334.115,11 71.096,58 1.886,50 261 132,03 ago/02 403.063,00 45.863,8e 2.544,50 354 654,64 set/02 360.817,60 1.097.995,71 35.186,74 2.309,50 323 321,36 939.108,03 out/02 417.999,53 34.998,07 2.900,00 380.101,46 nov/02 564.122,70 247.857,65 2.929,50 313.335.55 dez/02 486.234,22 1.468.356,45 52.292,36 1.897,00 432.044,86 1.125.481,87 ian/03 451.253,54 46.734.4C 3.830,75 ! 400.688,39 fev/03 480.040,77 72.118,23 2.164,00 ,405,758,54 mar/03 224.040,87 1.155.335,18 35.836,34 1.846,50 186.358,03 992.804,96 abr/03 446.074,37 53.009,88 5.969,18 387.095.31 mai/03 462.876,99 39.370,70 5.067,95 418.438.34 iun/03 335.940,00 1.244.891,36 7.022,90 328.917.10 1.134.450,75 M/03 297.769,96 7.199,28 290.570,68 ago/03 288.862,53 2.245,08 286.617,45 set/03 351.077,91 937.710,40 12.562,25 338.515,66 915.703,79 Fl. 20DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 22/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.000220/200718 Acórdão n.º 1401000.634 S1C4T1 Fl. 2.357 21 out/03 320.932,68 4.844.0C 316.088,68 riov/03 386.484,34 9.111,68 377.372,66 dez/03 405.639,15 1.113.056,17 21.810,92 383.828,23 1.077.289,57 Multa Qualificada (150%) – Prática reiterada Assoma claro nos autos que a empresa, de forma intencional e reiterada, buscou ocultar receitas com o fim de eximirse do devido recolhimento dos tributos, o que caracteriza ação dolosa visando a impedir ou retardar o conhecimento da obrigação tributária por parte da Fazenda Pública, nos termos do art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, adiante reproduzido: “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.” Nestes termos, como nos autos está devidamente evidenciado que o contribuinte, ao longo de vários anos, omitia receitas de forma contínua e reiterada, em valores substancialmente mais elevados do que os montantes declarados (deixou de oferecer à tributação 200% do total de seu faturamento), não se pode chegar a outra conclusão que não seja a de que o que houve, concretamente, foi conduta tendente a manter ao largo da tributação o montante dos seus ganhos auferidos. Acresçase isso ao fato de que tal estratagema permitia que a recorrente se beneficiasse de um regime de tributação favorecida (SIMPLES), que lhe seria naturalmente vedado se declarasse as receitas efetivamente auferidas. A fim de dar o verdadeiro tom do mecanismo de sonegação perpetrado pela recorrente, reproduzo abaixo trecho do Termo de Verificação Fiscal: “Comprovação material da prática de omissão de receitas de forma reiterada e freqüente, é a obtida na verificação dos documentos anexados pelo contribuinte (total de 294 laudas), anexas as folhas de n° 1778/2075. São relatos de cheques recebidos pelas vendas da empresa, prédatados, os quais eram relacionados pelo fiscalizado em sistema próprio e descontados nas Instituições financeiras que detinha conta corrente. Observe se que em grande parte dos relatórios, constam carimbos que acusam o recebimento dos títulos pelos Bancos. A soma destes títulos de créditos, em seus valores nominais perfazem a quantia de RS 2.082.878,65. Somente tais relatórios que denotam o desconto de títulos de créditos (cheques prédatados) superam as receitas declaradas em 4 pontos percentuais. Outra comprovação material das omissões de receitas, são os créditos em suas contas correntes referentes a: “vendas de Fl. 21DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 22/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.000220/200718 Acórdão n.º 1401000.634 S1C4T1 Fl. 2.358 22 mercadorias e serviços através de cartão de crédito e débito”, “Créd. Rede Shop”, liquidação de cobrança e pagamento SIAFEM (órgãos públicos municipais), as quais representaram 1855 registros de créditos totalizando no biênio fiscalizado a quantia de R$ 1.946.548,51.” Apesar de o caso concreto não se amparar apenas na chamada “prática reiterada” de omissão de receitas, a existência dessa, para mim, por si só, já constitui condição suficiente para a caracterização do evidente intuito de fraude. É que pauto o meu sistema de referência em cima da impossibilidade epistemológica (limites do conhecimento) de se caracterizar o evidente “intuito” de fraude nos termos postos por alguns julgados. Parto do princípio de que não se deve nunca interpretar uma lei quando o resultado dessa exegese leve a absurdos tais como o de imaginar que o dolo ou “o evidente intuito de fraude” devam ser extraídos da mente do sujeito passivo e não das circunstâncias fáticas que permeiam todo o contexto onde a prática aconteceu. É o elemento objetivo que se deve procurar e daí, a partir dele, valendose do raciocínio lógico e probabilístico, extrair aquilo que o impregna: o elemento subjetivo (dolo). Dessa forma, a prática de omitir receitas por 2(dois) anos de forma reiterada (elemento objetiva) e em montantes bastante superiores ao declarado denota concretamente o “evidente intuito de fraude”. Não se pode aqui imaginar que o agente que pratica “erros” de forma contínua por um longo tempo não possua a intenção de retardar/impedir ou afetar as características essenciais da ocorrência do fato gerador. Diante desse contexto, deve ser mantida a multa qualificada de 150%. Lançamentos Reflexos Por estarem sustentados na mesma matéria fática, os mesmos fundamentos devem nortear a manutenção em parte das exigências lançadas por via reflexa. Por todo o exposto, afasto a decadência e, quanto ao mérito, dou provimento parcial ao recurso nos termos do resultado de diligência de fls. 2.325/2.327 e campos 6 e 7 da Tabela 1 acima. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 22DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 22/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 17/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10480.729596/2013-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009
NULIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. METODOLOGIA. VÍCIO MATERIAL. ÔNUS DA PROVA DA FISCALIZAÇÃO. PASEP.
É inválido o lançamento de ofício que deixa de apresentar elementos, matéria, fundamentos, descrição e métodos de cálculo válidos, por ofensa ao aspecto substancial da garantia do contraditório, ao duplo grau de jurisdição e à regra geral da legalidade dos atos administrativos. Fundamento nos Art. 10, 31, 59, 60 e 61 do Decreto 70.235/72 (que regula o Processo Administrativo Fiscal), noS Art. 113, 142 e 145 do Código Tributário.
Numero da decisão: 3201-003.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para anular o lançamento por vício material. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Giovani Vieira e Paulo Roberto Duarte Moreira. Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. José Augusto Lima Neto Júnior, OAB-PE 24559, Procuradoria Geral do Estado de Pernambuco.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA- Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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LANÇAMENTO DE OFÍCIO. METODOLOGIA. VÍCIO MATERIAL. ÔNUS DA PROVA DA FISCALIZAÇÃO. PASEP. É inválido o lançamento de ofício que deixa de apresentar elementos, matéria, fundamentos, descrição e métodos de cálculo válidos, por ofensa ao aspecto substancial da garantia do contraditório, ao duplo grau de jurisdição e à regra geral da legalidade dos atos administrativos. Fundamento nos Art. 10, 31, 59, 60 e 61 do Decreto 70.235/72 (que regula o Processo Administrativo Fiscal), noS Art. 113, 142 e 145 do Código Tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para anular o lançamento por vício material. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Giovani Vieira e Paulo Roberto Duarte Moreira. Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. José Augusto Lima Neto Júnior, OABPE 24559, Procuradoria Geral do Estado de Pernambuco. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinado digitalmente) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 95 96 /2 01 3- 54 Fl. 5550DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso de Ofício em virtude de valor exonerado e Recurso Voluntário interposto por contribuinte em fls 5369, pessoa jurídica de direito público interno, em face do Acórdão 1668.515 da DRJ/SP de fls. 5340 que manteve em parte o lançamento por insuficiência de recolhimento do Pasep, com multa e juros. Como de costume, transcrevese o relatório desta decisão de primeira instância para a demonstração e acompanhamento dos fatos do presente procedimento administrativo: “Tratase de auto de infração (fls. 3/9) lavrado contra o contribuinte em epígrafe, relativo à falta/insuficiência de recolhimento da contribuição para o PIS/Pasep, para os períodos de apuração de janeiro/2008 a dezembro/2009, no montante total de R$ 209.307.206,13. No Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 12/21), o autuante assim fundamenta a diferença da base de cálculo do PIS/Pasep apurada: 2.1 Em 22/06/2012, mediante a ciência do Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, deuse início ao procedimento de fiscalização junto ao contribuinte acima identificado, sendo o mesmo intimado a apresentar, dentre outros, os Balancetes Contábeis da Receita referentes ao período de janeiro a dezembro de 2008 e de janeiro a dezembro de 2009. (...) 2.4 Em 06/09/2012 o contribuinte foi intimado, através do Termo de Intimação Fiscal (TIF) nº 001, a apresentar: 1) Demonstração da composição das receitas e despesas orçamentárias constante do balanço orçamentário publicado no sítio www.contaspublicas.com.br (SISTN – Sistema de Coleta de Dados Contábeis) referente ao período de 01/01/2008 a 31/12/2009; 2) Justificar as divergências de receitas/despesas, constantes do anexo I e II do Relatório Balancete Contábil e dos dados constantes do SISTN; 2.5 Em resposta a intimação (TIF nº 001), o Estado de Pernambuco apresentou o Ofício nº 048/2012 – SETE/SEFAZ PE, de 14/09/2012, no qual esclarece que: “A divergência entre os dados do SISTN e os valores constantes do Relatório Balancete Contábil 2008/2009 justificase em razão de os dados constantes no SISTN serem referentes à consolidação dos valores da Administração Direta e Indireta, enquanto que os constantes no Relatório Balancete Contábil 2008/2009, dizer respeito tão somente às receitas/despesas da Administração Direta”. Fl. 5551DF CARF MF Processo nº 10480.729596/201354 Acórdão n.º 3201003.161 S3C2T1 Fl. 5.551 3 Apresentou, ainda, o Relatório Balancete Contábil anual de 2008 e 2009. O Estado de Pernambuco, apesar de asseverar que os dados constantes do SISTN estão consolidados, não demonstrou a composição das receitas mensais por entidade da administração indireta identificandoas por razão social e CNPJ. Dessa forma a diferença apurada entre o total verificado no SISTN e o apresentado através do Relatório Balancete Contábil, por tipo de receita, foi dividida por 12 e adicionada à base de cálculo, conforme demonstrado no anexo I e II. A partir da base de cálculo apurada, o auditor fiscal calculou a contribuição devida, deduziu os valores retidos por ocasião dos repasses efetuados pela União e também os valores recolhidos pelo contribuinte antes do início da ação fiscal e declarados em DCTFs e, por fim, constituiu o crédito tributário de ofício. Destaquese que os valores do PIS/Pasep lançados no auto de infração não foram declarados em DCTF. O autuante também informa que, com base no art. 9º da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, c/c art. 44, inciso I e § 1º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, foi aplicada a multa de ofício de cento e cinquenta por cento sobre as diferenças de contribuições mensais para o PIS/Pasep não recolhidas e não declaradas, tendo em vista a omissão, por parte do contribuinte, ao não informar em suas DCTFs a totalidade das contribuições devidas ao PIS/Pasep, evidenciando, em tese, a vontade do agente em praticar o dolo, tipificando a hipótese de sonegação fiscal descrita no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964. Acrescenta ainda que a omissão do contribuinte enquadrase, em tese, no art. 1º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990. Em consequência dessa caracterização do dolo, o auditor fiscal considera como termo inicial da contagem do prazo decadencial para constituir o crédito tributário referente ao PIS/Pasep do ano calendário 2008 como sendo 01/01/2009, o que permitiria ao Fisco fazer o lançamento de ofício até 31/12/2013, a teor do disposto no art. 150, § 4º, e no art. 173 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. Apenso a este, encontrase o processo administrativo nº 10480.729597/ 201307 de representação fiscal para fins penais. Cientificado do auto de infração em 26/12/2013 (fl. 2345), o contribuinte apresentou impugnação em 24/01/2014 (fls. 2349/2391), na qual, depois de dizer da tempestividade de sua defesa, alega que: • a divergência entre os dados do Sistema de Coleta de Dados Contábeis dos entes da Federação (SISTN) e os valores constantes do Relatório Balancete Contábil 2008/2009 é plenamente justificada pelo fato de os dados do SISTN conterem uma consolidação dos valores da Administração Direta e da Administração Indireta do Estado de Pernambuco, enquanto que Fl. 5552DF CARF MF 4 os dados constantes no Relatório Balancete Contábil 2008/2009 dizem respeito tão somente às receitas/despesas da Administração Direta estadual. Assim, considerando que a pessoa jurídica de direito público interno autuada foi o Estado de Pernambuco com seus órgãos públicos dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, por meio de sua unidade gestora de Encargos Gerais responsável pelo CNPJ 10.571.982/000125, concluise que não há que se falar que o autuado ocultou qualquer valor devido a título de PIS/Pasep simplesmente porque existe divergência entre os Balanços Orçamentários publicados no SISTN e as DCTFs e Balancetes Contábeis apresentados à Receita Federal; • o Estado de Pernambuco é pessoa jurídica de direito público interno distinta de suas autarquias e fundações, entidades da administração pública indireta, assim como também distinta das empresas públicas e sociedades de economia mista, que inclusive são de direito privado. Desse modo, não há que se falar em acrescer à base de cálculo do PIS/Pasep devido pelo autuado as receitas correntes arrecadadas e as transferências correntes e de capital recebidas pelas entidades da administração pública indireta; • nos termos do inciso III do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, c/c os incisos II, IV e V do art. 41 do Código Civil, são contribuintes do PIS/Pasep o Estado de Pernambuco, suas autarquias, fundações e demais entidades de caráter público criadas por lei, cada uma delas constituindo pessoa jurídica distinta das demais. Por sua vez, as empresas públicas e sociedades de economia mista estaduais são pessoas jurídicas de direito privado, sujeitas, portanto, à contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento, e não sobre as receitas e transferências, a teor do disposto no art. 2º, inciso I, da Lei nº 9.715, de 1998; • em que pese o Estado de Pernambuco possa ter uma eventual responsabilidade tributária subsidiária pelos tributos devidos pelos entes da administração indireta que criou, de forma alguma a autuação menciona alguma responsabilidade nesse sentido; • ainda que a lavratura do auto de infração não tivesse partido de uma premissa totalmente equivocada, ela incorreu em erros na apuração das diferenças anuais das receitas (bases de cálculo), por adotar os valores constantes das colunas “Movimento Acumulado Credor” no Relatório Balancete Contábil, quando o adequado teria sido os das colunas “Saldo Final”, para comparação com os valores consolidados do SISTN; • o autuante não solicitou formalmente um detalhamento de receitas mensais organizado por entidade da administração indireta, razão social e CNPJ. Se isso tivesse sido requerido, teria sido fornecido, pois houve a apresentação das receitas por entidades e, por meio de atendimento telefônico e mensagens eletrônicas, foram respondidos diversos questionamentos. Portanto, é correto dizer que houve total disponibilidade da equipe do Governo para atender às demandas do auditor fiscal durante o procedimento de fiscalização; Fl. 5553DF CARF MF Processo nº 10480.729596/201354 Acórdão n.º 3201003.161 S3C2T1 Fl. 5.552 5 • foi aplicada multa de ofício no percentual de cento e cinquenta por cento, mas não houve a comprovação efetiva da fraude ou do dolo, e nem poderia haver, pois a divergência de dados apontada se deveu à equivocada consideração das receitas arrecadadas e transferências recebidas por entidades da administração indireta na base de cálculo do PIS/Pasep devido pelo Estado de Pernambuco, administração direta; • o autuante ainda considerou valores mensais de retenção do PIS/Pasep não coincidentes com os valores efetivamente retidos, conforme consulta ao sítio do Banco do Brasil na internet. Além disso, foi utilizada uma metodologia questionável para justificar a apuração dos fatos geradores mensais e respectivas diferenças supostamente não recolhidas, dividindo a diferença anual encontrada igualmente por 12, quando os registros contábeis do contribuinte apresentamse adequadamente individualizados mensalmente; • a utilização das informações contidas no SISTN deveria ser precedida do entendimento real da abrangência dos valores constantes naquele repositório consolidado dos dados contábeis nacionais. Especificamente sobre o Balanço Anual dispõe a cartilha do SISTN: 3.1.2. Esta declaração, representada pelo “Quadro dos Dados Consolidados – EDCC”, deve ser encaminhada pelos entes da Federação – Estados, DF e Município, e consolida os dados contábeis de todos os órgãos da administração direta, englobando todos os Poderes e as entidades da administração indireta existentes (Autarquias, Fundações, Fundos Especiais, Empresas Estatais Dependentes). Por essa razão, tais dados não podem ser fonte de informação referente à base de cálculo do PIS/Pasep devido pelo autuado. Ainda mais que, nos termos das Instruções Normativas RFB nº 786, de 2007, e nº 903, de 2008, cabe às entidades da administração indireta dos Estados apresentar DCTFs próprias; • a estrutura administrativa do Estado de Pernambuco compreende os órgãos das Administração Direta do Poder Executivo, do Poder Legislativo e do Poder Judiciário, o Ministério Público e a Defensoria Pública, todos os fundos e entidades que integram a Administração Indireta, sendo doze autarquias, seis fundações, seis empresas estatais dependentes, nove estatais independentes. Dessa estrutura, apenas as empresas estatais independentes não fazem parte do Balanço Consolidado do Estado, e não apresentam seus dados registrados no SISTN; • surpreendeuse com a justificativa apresentada pela fiscalização para adoção dos dados consolidados no SISTN do ente do Estado de Pernambuco como base de cálculo do PIS/Pasep, isto é, que não teria sido demonstrada a composição das receitas mensais por entidades da administração indireta, identificandoas por razão social e CNPJ. Ao contrário dessa justificativa, juntamse aos autos provas do repasse dessas Fl. 5554DF CARF MF 6 informações via mensagem eletrônica para o endereço corporativo do auditor fiscal, com resposta automática, que atesta o recebimento, identificando unidades gestoras, tipos de receitas e valores (não foi solicitada a informação da razão social e do CNPJ dessas unidades gestoras, mas não haveria dificuldade, nem falta de interesse para repassálas). Ademais, não houve nenhuma resposta aos questionamentos se as informações e explicações repassadas eram suficientes para dirimir as dúvidas apresentadas; • o Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco nunca deixou de aprovar as contas da Unidade Gestora de Encargos Gerais do Tesouro; • não existindo a divergência apontada pela fiscalização entre os dados do Balanço Orçamentário e os publicados no SISTN, resta patente que não ocorreu nenhum tipo de fraude ou dolo que possa lhe ser imputado. Do mesmo modo, não se pode cogitar de ocorrência de crime contra a ordem tributária; • ainda que se viesse a entender, apenas hipoteticamente, que o contribuinte, por algum motivo, não tivesse recolhido integralmente a contribuição ao PIS/Pasep, é certo que não houve nenhuma ação ou omissão no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal ou excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou evitar ou diferir o seu pagamento. Logo, não se pode subsumir as ações e omissões do Estado de Pernambuco e de seus agentes, no presente caso, ao conceito de fraude contido no art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964. Inclusive, se a suposta divergência é em relação a dados informados publicamente, onde estaria a intenção de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador, ou de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador, ou evitar ou diferir o pagamento do tributo? Assim, a multa aplicável, na improvável hipótese de não ser totalmente desconstituído o auto de infração, deveria ser no percentual de setenta e cinco por cento, já que não foi comprovada a suposta fraude alegada pelo autuante; • inexistindo fraude, a decadência deve ser contada da data da ocorrência do fato gerador, a teor do disposto no art. 150, § 4º, do CTN. Com isso, e tendo em conta que foi cientificado do auto de infração em 26/12/2003, resta flagrante a decadência do direito de lançar supostas diferenças não recolhidas de PIS/Pasep para fatos geradores que ocorreram no ano de 2008. Ao final, levantando a hipótese de que o julgador entenda necessários maiores esclarecimentos, o impugnante indica seu assistente técnico de perícia e apresenta os quesitos a serem respondidos. Em razão de os documentos juntados aos autos pelo impugnante indicarem a existência de outras pessoas jurídicas autônomas que comporiam sua Administração Indireta, mas não serem suficientes para certificar se todos os componentes dessa Fl. 5555DF CARF MF Processo nº 10480.729596/201354 Acórdão n.º 3201003.161 S3C2T1 Fl. 5.553 7 Administração Indireta realmente constituiriam pessoas jurídicas legalmente estabelecidas, bem como em razão de os valores considerados pelo autuante como retenções efetuadas pelo Banco do Brasil não coincidirem com aqueles do demonstrativo por ele próprio juntado às fls. 2216/2290, o presente processo foi encaminhado em diligência em 29/05/2004 para que: 1. fosse verificado se cada uma das unidades gestoras listadas pelo autuado como de sua Administração Indireta corresponderia realmente a pessoa jurídica legalmente constituída, contribuinte do PIS/Pasep, apurandose, a seguir, os valores referentes a elas informados no SISTN para os anos calendário de 2008 e 2009; 2. deduzindo dos dados informados no SISTN os valores referentes às pessoas jurídicas legalmente constituídas da Administração Indireta (resultado do item 1), fosse apurado se ainda haveria divergências entre esses dados e os Relatórios dos Balancetes Contábeis. Sendo o caso, diligenciasse junto ao contribuinte no intuito de, se possível, obter os dados para que a diferença constatada, ao invés de ser simplesmente dividida por doze, fosse calculada mensalmente, em conformidade com a escrita contábil; 3. fosse esclarecida a razão das divergências entre os valores considerados como retidos e o demonstrativo do Banco do Brasil juntado aos autos às fls. 2216/2290; e 4. por fim, após as providências acima, fosse recalculado o PIS/Pasep devido e não declarado/recolhido pelo contribuinte. Realizada a diligência, o auditor fiscal assim relatou seus resultados na Informação Fiscal juntada às fls. 5299/5300: 5.1. A partir do exame da documentação apresentada na diligência, a saber: “Demonstração da Receita Orçamentária da Administração Indireta – 2008/2009 e Fechamento com SISTN”, verificamos que as unidades gestoras listadas nesse demonstrativo correpondem a entidades da Administração Indireta, salvo as seguintes detalhadas no quadro abaixo: 01.060.317/000186 Programa de Desenvolvimento do Estado de Pernambuco PRODEPE Órgão Público Executivo / 02.770.511/000118 Escola de Contas Públicas Professor Barreto Guimarães Órgão Público Legislativo / 02.965.057/000312 Secretaria de Planejamento e Gestão – FDS Órgão Público Executivo / 08.334.329/000109 Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária – APEVISA Órgão Público Executivo / 10.572.055/000553 Secretaria de Agricultura e Reforma Agrária FUNTEPE Órgão Público Executivo / 5.2. Fl. 5556DF CARF MF 8 Seguem, em anexo, os comprovantes de inscrição e situação cadastral (CNPJ – Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral) desses órgãos comprovando a natureza jurídica, em nexo (fls. 5279 a 5283). 5.3. Elaboramos demonstrativo mensal das receitas desses órgãos: anexo III 2008 (fls. 5285) e anexo IV2009 (fls. 5286). Os valores totais mensais, por tipo de receita, desses anexos III 2008 e IV2009, foram transportados para as planilhas que constituem os Anexos I2008 Revisado (fls. 5287 a 5292) e Anexo II2009 Revisado (fls. 5293 a 5298), nas colunas “valores Oriundos do Anexo III 2008” e “Valores Oriundos do Anexo IV2009”), respectivamente para o exercício de 2008 e 2009. 5.4. Destacamos, também, que após os esclarecimentos fornecidos na diligência acerca dos valores lançados na coluna “Movimento Acumulado Devedor” no Relatório Balancete Contábil, procedemos a retificação dos valores das receitas orçamentárias, ou seja, consideramos para fins de apuração da receita a coluna “Movimento Acumulado Líquido” do Relatório Balancete Contábil. Os valores podem ser verificados na planilha Anexo I2008 Revisado e Anexo II2009 revisado, na coluna “Relatório Balancete Contábil” com o Realtório Balancete Contábil (fls. 75 a 2186) apresentado durante o procedimento fiscal. 5.5. No tocante as divergências de retenções do PASEP, informamos que procedemos consulta no site do Banco do Brasil (https://www.bb.com.br) e extraímos as telas de todas as retenções sofridas pelo Estado de Pernambuco no período de 01/2008 a 12/2008 (fls. 5140 a 5208) e para o período de 01/2009 a 12/2009 (fls. 5209 a 5278). A partir dos valores das retenções verificadas elaboramos planilha que constitui o anexo “Retenções PASEP” (fls. 5284). A análise dessa planilha revelou que não foram considerados no lançamento original (coluna retenção BB – Créditos no Anexo I e II) as retenções do IPIExportação e da CIDCIDE. Os valores da coluna “TOTAL” dessa planilha, que contemplam as retenções do IPI e CID, foram tansportados para a planilha Anexo I2008 Revisado e Anexo II2009 Revisado. 5.6. Após todas as considerações destacadas no item 5, elaboramos planilhas que constituem os anexos: I2008 Revisado e II2009, respectivamente para o exercício de 2008 e 2009, identificadas como “Demonstrativo dos Valores Lançados – 2008/2009 (Revisados)” que resume os valores mensais devidos para o PASEP depois todas a retificações. Cientificado do resultado da diligência em 25/02/2015, o contribuinte apresentou, em 26/03/2015 (fl. 5305), aditamento a sua impugnação original (fls. 5306/5323), na qual, preliminarmente, alega nulidade do procedimento fiscal pelas seguintes razões: • após a diligência fiscal, o autuante alterou toda a base do auto de infração, o que resultou, na prática, na realização de um novo procedimento fiscal. Tanto é verdade que as Planilhas Fiscais e os Demonstrativos de Crédito Tributário que lastrearam o auto Fl. 5557DF CARF MF Processo nº 10480.729596/201354 Acórdão n.º 3201003.161 S3C2T1 Fl. 5.554 9 de infração foram integralmente desconsiderados por essa diligência fiscal; • o vício material que inquinou o procedimento fiscal inicial, qual seja, a realização de lançamento de crédito tributário por arbitramento sem indicação dos fundamentos legais e métodos não pode ser sanado pela realização de um procedimento fiscal complementar, ou melhor, de um novo procedimento fiscal; • a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é uníssona no sentido de que a realização de arbitramento de base de cálculo sem que haja a devida motivação, sem indicação de fundamentação legal e sem explicitar os métodos utilizados implica em cerceamento do direito de defesa do contribuinte, devendo ser decretada a nulidade da autuação; • por se tratar aqui de nulidade que consubstancia a ocorrência de vício material, esta não é passível de correção. A seguir, quanto ao mérito, o autuado alega que: • do resultado da diligência se infere que a autoridade fiscal alterou seu entendimento jurídico e reconheceu que as entidades apontadas pelo Estado, desde o início da fiscalização, como integrantes da Administração Indireta, realmente possuem essa natureza jurídica. Entretanto, ela entendeu que cinco unidades gestoras integrariam na verdade a Administração Direta. O auditor fiscal utilizou como critério de classificação dessas unidades a natureza jurídica indicada no extrato do CNPJ, e não a natureza jurídica prevista em lei. Consoante será demonstrado, três dessas unidades estão efetivamente vinculadas à Administração Indireta e, ainda que assim não fosse, o fato de as cinco terem sido vinculadas à Administração Indireta é despido de repercussão fiscal; • o fundo Prodepe foi instituído pela Lei Estadual nº 11.675, de 1999. De acordo com essa lei, o Prodepe é um fundo público estadual vinculado a uma entidade da Administração Indireta (Perpart) e assim está registrado nas leis orçamentárias anuais dos exercícios de 2008 e 2009. Sendo assim, a unidade gestora Prodepe, apesar de sua incorreta classificação no extrato do CNPJ, possui a natureza jurídica de fundo vinculado à Administração Indireta; • em conformidade ao art. 2º da Lei Estadual nº 11.566, de 1998, c/c com o art. 194 da Lei Estadual nº 7.741, de 1978, a Escola de Contas Públicas Professor Barreto Guimarães é um órgão autônomo, sendo aplicadas, contudo, as disposições financeiras inerentes à administração indireta. Justificase, dessa forma, o registro orçamentário da instituição como pertencente à administração indireta, para que seja viabilizado o tratamento legalmente estabelecido, principalmente no que tange ao Sistema eFisco; Fl. 5558DF CARF MF 10 • a Apevisa foi criada pela Lei Estadual nº 13.077, de 1976, da qual se infere que se trata de uma unidade técnica vinculada a um órgão da Administração Direta, e, portanto, dela é integrante. Como corolário, apesar de possuir autonomia administrativa e financeira, não se constitui em unidade orçamentária, estando, por esse fato, ausente das Leis Orçamentárias a sua referência. Em outras linhas, a Apevisa faz parte da Administração Direta, mas por não se constituir em unidade orçamentária, o seu orçamento está inserido dentro do orçamento da Secretaria da Saúde; • com relação ao fundos estaduais FDS – Fundo de Desenvolvimento Social e Funtepe – Fundo de Terras do Estado de Pernambuco, válido é ressaltar que, devido à lacuna legal relacionada ao assunto, não há convergência clara dos entendimentos contemporâneos tangentes à natureza jurídica dessas entidades, sendo ora consideradas como integrantes da Administração Direta, ora como da Administração Indireta. Por isso, fazse necessário estabelecer algumas premissas acerca da instituição dos fundos públicos no Estado de Pernambuco: I. os fundos públicos são entes de variada natureza, conforme a destinação dada no âmbito da Administração Pública de cada esfera de Governo; II. na estrutura do orçamento do Estado de Pernambuco, encontramse fundos de natureza orçamentária e fundos de natureza contábil. Os primeiros são constituídos como unidades orçamentárias integrantes do orçamento fiscal, enquanto os segundos são apenas fontes de recursos financiadoras de ações de determinadas unidades orçamentárias; III. no orçamento fiscal do Estado, distinguemse, ainda, fundos integrantes da Administração Direta e fundos integrantes da Administração Indireta, a depender da natureza jurídica do órgão ao qual cada um deles está vinculado, sem, no entanto, obedecerem a um critério sistematizado para essa distinção; • o FDS foi instituído pela Lei nº 12.300, de 2002. Segundo esse diploma legal, tratase de um fundo público administrado pela Administração Direta, evidenciando uma incongruência com registros orçamentários dos exercícios de 2008 e 2009. Nada obstante, essa incongruência de classificação e registro nas leis orçamentárias é despida de repercussão fiscal, posto que seu orçamento integrou a “Demonstração da Receita Orçamentária da Administração Indireta – 2008/2009”. Assim sendo, as receitas orçamentárias do FDS integraram a base de cálculo do PIS/Pasep de responsabilidade dos entes integrantes da Administração Indireta; • o Funtepe foi instituído pela Lei nº 10.606, de 1991. O Decreto Estadual nº 15.373, de 1991, determinou que o órgão gestor desse fundo é a Secretaria da Agricultura, por meio da unidade técnica Programa de Apoio ao Pequeno Produtor Rural – Prorural. O Funtepe, por estar associado a um órgão da Administração Direta, e por esta ser gerido, deve a ela pertencer. Portanto, para que seja mantida a devida coerência, Fl. 5559DF CARF MF Processo nº 10480.729596/201354 Acórdão n.º 3201003.161 S3C2T1 Fl. 5.555 11 esse fundo associado a um órgão da Administração Direta deveria estar assim registrado nas leis orçamentárias. Todavia, essa incongruência de classificação nas leis orçamentárias é despida de repercussão fiscal, posto que seu orçamento integrou a “Demonstração da Receita Orçamentária Indireta – 2008/2009”. Sendo assim, as receitas orçamentárias do Funtepe integraram a base de cálculo do PIS/Pasep de responsabilidade dos entes integrantes da Administração Indireta; • as receitas das cinco entidades não aceitas pelo auditor fiscal foram incluídas na “Demonstração da Receita Orçamentária da Administração Indireta – 2008/2009”. Por sua vez, as referidas receitas foram oferecidas à tributação e, por conseguinte, integraram a base de cálculo do PIS/Pasep das entidades da Administração Direta. Com efeito, se tais receitas eventualmente não foram oferecidas à tributação pela Administração Direta, foram devidamente oferecidas à tributação pela Administração Indireta. Desse modo, é de fácil conclusão que a discussão sobre a natureza jurídica das cinco entidades acima mencionadas é despida de repercussão fiscal, posto que comprovadamente o tributo devido foi recolhido, ainda que vinculado a um ente público diverso. Incluir novamente as receitas dos referidos órgãos na base de cálculo do PIS/Pasep devido pelo Estado de Pernambuco importaria em bitributação; • os valores indicados nas planilhas revisadas na diligência apresentam os totais anuais das apurações coerentes com os valores indicados pelo Estado em sua impugnação, incluindo apenas as cinco entidades consideradas pelo auditor fiscal como pertencentes à Administração Direta e deixando de excluir da base de cálculo do PIS/Pasep as contribuições do Estado ao Fundeb. De fato, depreendese do cotejo entre os valores das receitas apuradas pelo autuante e os informados pelo Estado em suas DCTFs e balancetes que eles são praticamente iguais, não existindo diferença em 2008 e apenas uma pequena diferença em 2009. Essa pequena diferença em 2009 se deve exclusivamente à equivocada técnica erigida pela autoridade fiscal que, ao invés de analisar a escrita contábil e fiscal do Estado de Pernambuco, resolveu fazer um cruzamento de informações de DCTF x SISTN, sendo que este último envolve informações de entes da Administração Direta e Indireta. Neste ponto, requer que tais diferenças sejam desconsideradas, expurgadas do procedimento fiscal, já que o auditor fiscal não comprovou suas origens; • o saldo de PASEP apontado como não recolhido, indicado nas Planilhas Revisadas, intituladas Anexos I – 2008 Revisado (fls. 5287 a 5292) e Anexo II – 2009 Revisado (fls. 5293 a 5298), não decorrem de divergências entre o total de Receitas apontadas pelo Estado de Pernambuco e o total de Receitas apontadas pela Autoridade Fiscal, mas sim pelo fato de a Autoridade Fiscal não ter considerado a dedução do FUNDEB da base de cálculo do Fl. 5560DF CARF MF 12 PASEP, que até o ano de 2009 era permitida (fato que só foi mudado com o advento da Solução de Consulta nº 101/2009, publicado em 21.12.2009, que alterou o entendimento da RFB sobre a matéria); • não existe diferença entre as Receitas apuradas pelo Auditor Fiscal e as informadas pelo Estado em suas DCTF’s e Balancetes, a divergência reside apenas na apuração da base de cálculo, especificamente sobre a interpretação das deduções legais. Portanto os valores declarados e recolhidos pelo Estado de Pernambuco (CNPJ 10.571.982/000125) a título de Contribuição para o PASEP nos anos de 2008 e 2009 estão corretos, inexistindo qualquer motivo ensejador de acusação de ‘fraude’ e/ou ‘dolo’ imputados pelo Auditor da RFB; • a informação fiscal após a diligência só veio demonstrar que o Estado de Pernambuco não omitiu informações em suas declarações contábeis e nas DCTFs. • Pelo contrário, as divergências apontadas inicialmente na lavratura do auto de infração foram frutos da inconsistência do procedimento de auditoria erigido pelo autuante; • não tendo havido a discrepância de dados narrada pelo auditor fiscal no “Relatório Fiscal do Auto de Infração”, resta patente que tampouco ocorreu qualquer tipo de fraude ou dolo que possa ser imputada ao sujeito passivo ou a seus agentes públicos; • o saldo de PIS/Pasep apontado como não recolhido não decorre de divergências entre o total de receitas registradas pelo Estado de Pernambuco e o total de receitas apontadas pela autoridade fiscal, mas sim do fato de esta não ter considerado a dedução do Fundeb da base de cálculo da contribuição, que até o ano de 2009 era permitida. Assim, na remota hipótese de recolhimento a menor, este não se deu por omissão de receitas ou informações, mas por divergência de entendimento jurídico, qual seja, no entender do Estado de Pernambuco o Fundeb era passível de dedução da base de cálculo do PIS/Pasep até o final do ano de 2009. Registrese ainda que a apuração dessa base de cálculo e a realização da dedução do Fundeb encontramse devidamente declaradas e registradas nas DCTFs, não se podendo cogitar em omissão de receitas ou informações; • nenhuma conduta praticada pelos agentes públicos estaduais no presente caso pode ser definida como tendente a omitir informação ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias, razão pela qual não se encontra presente o tipo penal descrito no art. 1º ou em nenhum outro artigo da Lei nº 8.137, de 1990, não havendo justificativa para a existência de representação fiscal para fins penais; • não se pode subsumir as ações e omissões do Estado de Pernambuco e de seus agentes, no caso em tela, ao conceito de fraude contido no art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964, como pretendeu fazer o autuante; • se o Estado publicou no SISTN, ao alcance do acesso de todos, as supostas receitas a maior encontradas pelo auditor fiscal, não se vê onde estaria a intenção de impedir ou retardar, total ou Fl. 5561DF CARF MF Processo nº 10480.729596/201354 Acórdão n.º 3201003.161 S3C2T1 Fl. 5.556 13 parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal; • sobre a insuficiência da mera alegação e da necessidade de comprovação efetiva da ocorrência de fraude praticada pelo sujeito passivo, merece transcrição a Súmula nº 25 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Além disso, o Carf sedimentou o entendimento de que não há evidente intuito de fraude quando a controvérsia diz respeito, fundamentalmente, a questões jurídicas, de direito, de lei, de interpretação e ou de aplicação dos preceitos normativos (citase, por exemplo, o acórdão nº 20217.993); • se não houve dolo ou máfé comprovadas a Receita Federal do Brasil não pode considerar a intenção de cometer fraude. Essa imputação de fraude visa exclusivamente justificar a aplicação do percentual de cento e cinquenta por cento de multa de ofício, bem como a indevida inclusão do período de 2008 no lançamento tributário, quando é sabido que em relação a esse período já ocorreu a decadência do direito de constituir o crédito tributário; • inexistindo fraude praticada e comprovada, a contagem do prazo de decadência do direito de constituir o crédito tributário referente a tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso do PIS/Pasep, se inicia com a ocorrência do fato gerador, a teor do art. 150, § 4º, do CTN. E tendo o prazo decadencial se iniciado na data da ocorrência dos fatos geradores, enquanto o lançamento tributário ora impugnado está datado de 23/12/2013 e foi cientificado ao sujeito passivo em 26/12/2013, resta flagrante a decadência do direito de lançar as supostas diferenças não recolhidas cujos fatos geradores ocorreram no ano de 2008.” A decisão de primeira instância da DRJ/SP de fls. 5340 foi publicada com a seguinte Ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009. FUNDEB. Os valores destinados pelo Estado ao Fundeb não podem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasep. MULTA QUALIFICADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DOLO. Fl. 5562DF CARF MF 14 Não comprovado nos autos a ocorrência dolosa de omissão de informações em DCTF e em Dacon, descabe a aplicação da multa de ofício qualificada. DECADÊNCIA. Na inexistência de dolo, fraude ou simulação, é de cinco anos o prazo de que a RFB dispõe para constituir os seus créditos, contados, no caso de ter havido recolhimento, da data do fato gerador. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. DRJ COMPETÊNCIA. A DRJ não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.” O processo digitalizado foi distribuído e pautado conforme regimento interno deste Conselho. Em fls. 5495 encontrase a Resolução proferida por esta Turma de julgamento para que fosse verificada a planilha apresentada pela DRJ em sua decisão de primeira instancia, por haver divergências nos valores. Em fls. 5516 a Informação Fiscal confirmou o erro na planilha e a corrigiu. Relatório proferido. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Inicialmente, é importante esclarecer que há jurisprudência, tanto neste Conselho quanto no Supremo tribunal Federal, advinda do julgamento da Ação Cível ordinária n.º 471/PR, no sentido de entender que a contribuição ao Pis/Pasep, após a Constituição Federal de 1988, passou a ser obrigatória para todas as pessoas jurídicas de direito público, em que pese a regra da imunidade recíproca prevista no Art. 150, VI, “a” desta CF. Por conta desta jurisprudência do STF, é preciso ressaltar que em doutrinas jurídicas há controvérsia constitucional sobre a cobrança recíproca de tributos por pessoas jurídicas de direito público interno, por agredir a ordem constitucional vigente e o princípio da imunidade recíproca e autonomia financeira dos entes federativos, mas o aprofundamento desta Fl. 5563DF CARF MF Processo nº 10480.729596/201354 Acórdão n.º 3201003.161 S3C2T1 Fl. 5.557 15 discussão iria levar inexoravelmente à avaliação da inconstitucionalidade da cobrança, o que não é permitido por este Conselho conforme Súmula n.º 2. Isto posto, é possível limitar a lide às questões não constitucionais constantes no presente processo administrativo fiscal. Em formato sui generis e generalizado, o Auto de Infração foi lavrado com fundamento na obrigatoriedade do cumprimento da contribuição do Pasep para as pessoas jurídicas de direito público interno, por conta da omissão proposital e fraudulenta no período de 01/01/2008 a 31/12/2009. Os lançamentos de ofício de Pasep, em regra, devem ser lançados com fundamento nos seguintes dispositivos legais: Art. 1º da Lei Complementar nº 8/70, Arts. 2º, inciso III, 7º e 8º, inciso III, da Lei nº 9.715/98 e Art. 44, inciso I e §1.º, da Lei nº 9.430/96 com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07. Vislumbrando a melhor solução para a lide apresentada nos autos, antes mesmo de avaliar se os critérios e fundamentos legais utilizados no lançamento em confronto com as alegações do contribuinte devem prosperar ou não, é importante considerar as alegações apresentadas em impugnação fls. 2349, impugnação parcial de fls. 5306 e preliminar de Recurso Voluntário de fls. 5369, em confronto com as informações do resultado da diligência solicitada pela DRJ/SP de fls.4884 e seguintes e 5140 a 5301, com a decisão deste colegiado de primeira instância de fls. 5340 a 5359. A DRJ/SP assim decidiu com relação as preliminares argüidas em impugnação: “A impugnação é tempestiva e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dela se conhece. No aditamento que fez à impugnação após a diligência, o contribuinte requereu a nulidade do auto de infração porque, segundo ele, as alterações promovidas pelo autuante teriam resultado na realização de um novo procedimento fiscal. Além disso, apesar de na impugnação original não ter levantado nenhuma preliminar, no aditamento ele alegou nulidade também porque o lançamento de ofício teria sido feito por arbitramento sem a indicação dos fundamentos legais e métodos, o que, segundo ele, não poderia ser sanado pela realização de um procedimento complementar ou por um novo procedimento fiscal. Não obstante esse segundo argumento de nulidade já poder ser de plano rejeitado, uma vez que no aditamento o autuado tem direito a se manifestar apenas sobre os resultados da diligência efetuada, esclareçase que o auto de infração não foi lavrado com base em arbitramento, pois os valores informados ao Sistema de Coleta de Dados Contábeis – SISTN, ao contrário do que parece crer o contribuinte, podem sim ser utilizados como fonte para apuração de sua receita. É certo que ao utilizar essa fonte, devese ter o cuidado de averiguar se toda a receita ali informada pertence ao sujeito passivo sob fiscalização. Aliás, na impugnação original os argumentos do impugnante foram Fl. 5564DF CARF MF 16 justamente nesse sentido, ou seja, alegando que na receita extraída desse sistema pelo auditor fiscal constavam receitas de outras pessoas jurídicas, que compunham sua Administração Indireta. Por sua vez, o primeiro argumento de nulidade igualmente não subsiste, porque o procedimento fiscal na diligência não resultou em um novo lançamento de ofício. Com efeito, a infração cometida continua exatamente a mesma, ou seja, a omissão de receitas na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e a consequente falta de recolhimento desse tributo. Na diligência o auditor fiscal apenas fez ajustes na base de cálculo, para excluir as receitas das pessoas jurídicas que compõem a Administração Indireta do autuado e considerar os valores discriminados na coluna “Movimento Acumulado Líquido” do Balancete Contábil, bem como deduziu todo o valor retido pelo Banco do Brasil. Aliás esses procedimentos vão ao encontro das alegações iniciais do impugnante e foram aqueles solicitados por este julgador ao encaminhar o presente processo para diligência. Se esse procedimento fosse resultar em novo lançamento de ofício, o processo não teria sido encaminhado para diligência, mas simplesmente teria sido cancelado o auto de infração.” Em Recurso Voluntário, de fls. 5369, em preliminar o contribuinte apresentou suas razões para a reforma da decisão de primeira instância em virtude de erro/lapso manifesto no “Demonstrativo do Crédito Tributário” de fls. 5359 (em confronto com fls. 5140 a 5301 do retorno da diligência nos "Valores Revisados" de 2008 e 2009), anulação do lançamento por cerceamento do direito de defesa, ausência de motivação, vício material e alteração do critério jurídico após o lançamento ter sido modificado com a diligência solicitada pela DRJ/SP. Com relação ao erro na planilha de "Demonstrativo de Crédito Tributário" apresentado acima, verificase que a DRJ/SP realmente trocou as colunas dos créditos mantidos pelos créditos excluídos, o que resultou em uma manutenção lançamento em valor maior do que o realmente devido. Basta confrontar este Demonstrativo de fls. 5359 com o apresentado pela autoridade em fls. 5287, "Anexo I 2008 Revisado", em que verificase o erro no período de Dezembro de 2008, por exemplo, em que o real valor mantido foi de R$ 1.458.677,62 e o excluído R$ 2.378.572,92 (invertido na decisão da DRJ e onerando o contribuinte). Este erro na planilha foi corrigido e confirmado na Informação Fiscal de fls. 5516, após Resolução de fls 5495, proferida por esta Turma de julgamento do CARF. Mas a presente lide administrativa fiscal continuou sem solução. Diferentemente do apresentado em decisão de primeira instância em fls. 5351, trecho em que o relator afirmou que o contribuinte não alegou a preliminar de alteração de critério jurídico em impugnação, verificase que o contribuinte solicitou em impugnação em fls 2358 que o órgão de julgamento de primeira instância apreciasse que poderia haver alteração de critério jurídico após o cumprimento da diligência – conexão com a alegação de vício material e ausência de motivação – e, verificase que foram inseridos novos critérios para manutenção do lançamento. Fl. 5565DF CARF MF Processo nº 10480.729596/201354 Acórdão n.º 3201003.161 S3C2T1 Fl. 5.558 17 A DRJ/SP concluiu que o contribuinte deveria ter alegado a alteração de critério jurídico na impugnação inicial e não após a diligência, mas conforme exposto acima, o contribuinte previu que no lançamento não houve fundamento ou critério que justificasse a cobrança do Pasep devida por entes da administração indireta e que, eventual cobrança do Pasep nesse sentido, seria alterar o critério e motivação apresentados no lançamento. Assim, é importante que o julgamento desta lide administrativa fiscal considere as informações concretas e presentes nos autos, assim como os principais trechos da descrição do lançamento, conforme relatório Fiscal de fls. 14: (...) (...) (...) (...) Fl. 5566DF CARF MF 18 (...) A DRJ/SP verificou que houve o equívoco na cobrança do Pasep nos moldes alegados pelo contribuinte e concordou por retirar do lançamento tais cobranças (administração indireta), reconheceu que não houve fraude ou sonegação e reduziu as multas para o patamar regular, mas manteve a cobrança do Pasep decorrente da base de cálculo de receita proveniente das seguintes 5 (cinco) entidades: 01.060.317/000186 Programa de Desenvolvimento do Estado de Pernambuco PRODEPE Órgão Público – Executivo, 02.770.511/000118 Escola de Contas Públicas Professor Barreto Guimarães Órgão Público – Legislativo, 02.965.057/0003 12 Secretaria de Planejamento e Gestão – FDS Órgão Público – Executivo, 08.334.329/0001 09 Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária – APEVISA Órgão Público – Executivo, 10.572.055/000553 Secretaria de Agricultura e Reforma Agrária FUNTEPE Órgão Público – Executivo. Assim, o Recurso de Ofício visa tanto a exclusão da cobrança do Pasep das receitas advindas de entidades da administração indireta, quanto o reconhecimento de que não houve fraude e a conseqüente redução da multa para a regular. Muito acertada a decisão de primeira instância nestes tópicos em que deu provimento. Com relação ao Recurso Voluntário, o contribuinte alegou, entre muitas e pertinentes alegações, que surgiu somente após o lançamento a "palavra Fundeb" e a necessidade da análise da natureza jurídica das entidades, se da administração direta ou indireta, critérios não utilizados e sequer citados no lançamento. Realmente, não cabe discutir sobre as receitas recebidas do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Fl. 5567DF CARF MF Processo nº 10480.729596/201354 Acórdão n.º 3201003.161 S3C2T1 Fl. 5.559 19 Educação – Fundeb ou sobre as receitas advindas da administração direta ou indireta, visto que a fiscalização, sabendo que o SISTN Sistema de Coleta de Dados Contábeis continha verbas da administração indireta, lançou de ofício uma cobrança genérica mesmo assim. Ficou evidente que a cobrança de Pasep, presente nesta lide administrativa, é apoiada no entendimento de que, o ônus para separar quais verbas eram da administração direta ou indireta, seria do contribuinte. Tal entendimento inverteu o ônus da prova, ao contrário de disposição legal expressa no Art. 142 do Código Tributário Nacional e Art. 10 do Decreto 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal. O contribuinte não separou as verbas da forma esperada pela fiscalização e esta lançou todos os valores constantes no SISTN, que não haviam sido lançados pelo próprio contribuinte. Em adição ao já exposto, cabe registrar que o Auditor Fiscal por meio de Auto de Infração e Representação Penal, descreve “PJ de Direito Público – Insuficiência de Recolhimento da Contribuição para o Pasep” e fundamenta no Relatório Fiscal de fls 12 ter ocorrido a omissão proposital e fraudulenta nas DCTFs, mas as alegações do contribuinte vieram no sentido de demonstrar que os fatos e critérios utilizados no lançamento se mostraram equivocados e foram alterados, de forma que a subsunção dos fatos às disposições legais, que fundamentaram a lavratura do Auto de Infração, foi comprometida. A própria fiscalização entende que o contribuinte declarou as receitas nos períodos fiscalizados, que somente não declarou aquilo que tinha sido deduzido da base de cálculo que foram justamente as receitas recebidas do Fundeb e concluiu que o contribuinte intencionalmente deixou de declarar receitas em DCTF, configurando omissão de receita, fraude e sonegação. O contribuinte entende que não basta capitular uma acusação grave como esta para que o lançamento seja mantido, porque os fatos, a valoração destes fatos e os critérios, têm de corresponder ao tipo legal. É relevante destacar o seguinte trecho do Recurso Voluntário que explica bem a situação: Fl. 5568DF CARF MF 20 O contribuinte alegou e demonstrou desde o início, que realmente foi feita uma nova base de cálculo, restando o lançamento baseado no SISTN equivocado, porque contém dados da administração direta a indireta. Uma nova base de cálculo foi lançada de forma arbitrária e sem descrição ou motivação, o que mudou a base material do lançamento e o método de apuração. A natureza das entidades não foi discutida no lançamento original mas passou a ser discutida posteriormente, em razão da diligência realizada pela DRJ. Deduzir os repasses do Fundeb não é omissão proposital de receita, fraude ou sonegação. Ficou evidente nos autos que foi trocado o objeto da denúncia fiscal, de "omissão de receita", para "dedução indevida do Fundeb da base de cálculo do Pasep". Logo, a conclusão mais acertada é reconhecer a ausência de elemento, matéria, fundamento, motivação e descrição do lançamento, para não haver conflito com o disposto nos Art. 10, 31, 59, 60 e 61 do Decreto 70.235/72 (Lei do Processo Administrativo Fiscal), no Art. 142 e 145 do Código Tributário Nacional, art. 93, inciso IX da Constituição Federal, bem como ao prescrito no art. 31 do Decreto n. 70.235/723 e art. 2.º da lei n. 9.784/99. Procedem as alegações de vício material, ausência de motivação e alteração de critério jurídico. Em adição, em sessão esta Turma de julgamento destacou o fato de que a fiscalização deixou de utilizar critério válido ou legal para a apuração do Pasep, porque além da equivocada utilização das verbas do SISTN como referência para a cobrança, fez uma soma e divisão obscura dos valores, conforme pode ser verificado em trecho do Relatório Fiscal de fls. 14: Em face do exposto, votase para DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para que o lançamento seja anulado, com fundamento nos Art. 31, 59, 60 e 61 do Decreto 70.235/72 (Lei do Processo Administrativo Fiscal), no Art. 113, 142 e 145 do Código Tributário Nacional e Regimento Interno deste Conselho, por não haver medida sanatória. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 5569DF CARF MF Processo nº 10480.729596/201354 Acórdão n.º 3201003.161 S3C2T1 Fl. 5.560 21 Fl. 5570DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10552.000609/2007-71
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 18/04/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.793
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 55 2. 00 06 09 /2 00 7- 71 Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10552.000609/200771 Acórdão n.º 9202005.793 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10552.000609/200771 Acórdão n.º 9202005.793 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 350DF CARF MF Processo nº 10552.000609/200771 Acórdão n.º 9202005.793 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10552.000609/200771 Acórdão n.º 9202005.793 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10552.000609/200771 Acórdão n.º 9202005.793 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10552.000609/200771 Acórdão n.º 9202005.793 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10552.000609/200771 Acórdão n.º 9202005.793 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10552.000609/200771 Acórdão n.º 9202005.793 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10552.000609/200771 Acórdão n.º 9202005.793 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10552.000609/200771 Acórdão n.º 9202005.793 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 358DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.900320/2010-13
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jan 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
.IPI - RESSARCIMENTO - ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado
Numero da decisão: 3001-000.062
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 03 20 /2 01 0- 13 Fl. 220DF CARF MF 2 Despacho Decisório 855622465 O despacho decisório acima identificado tratou de julgar o Per/Dcomp sob n. 04749.62021.150906.1.3.019255, referente ao 1.º Trimestre de 2006 e relativo a Ressarcimento de IPI O Valor do crédito solicitado/utilizado totalizou RS 29.671,82, sendo que o Valor do crédito reconhecido foi de RS 7.206,14. O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos. Constatação de que o saldo credor passlvel de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passivel de ressarcimento em periodos subsequentes ao trimestre em referancia, até a data da apresentação do PER/DCOMP O crédito tributário exigido perfaz, em seu principal o valor de R$ 22.465,68, acrescido de Multa no valor de R$ 4.493,13 e Juros de R$ 8.238,16. Manifestaçao de Inconformidade A Recorrente apresentou pedido de ressarcimento via PER/DCOMP n. 04749.62021.150906.1.3.019255, referente à ressarcimento de IPI do lo trimestre de 2006, na qual foi solicitado o valor de R$ 29.671,82. Quanto ao Despacho Decisório, informou que o crédito reconhecido teria sido insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, haja vista que do crédito pretendido, restou reconhecido foi de R$ 7.206,14, restando, por fim, um saldo devedor consolidado no valor de R$ 35.136,97 Do principio da nãocumulatividade do IPI. Da sistemática prevista Delo artigo 11 da Lei 9.779/99 Verificouse, no presente caso, que o motivo ensejador do deferimento parcial dos créditos pleiteados consistiu no seguinte: "Estabelecimento emitente da Nota Fiscal na situação INAPTO no cadastro do CNPJ. PIRÂMIDE IND. E COM. LDA., inscrita no CNPJ sob o no 43.274.356/000126, conta com situação cadastral ativa, conforme Além do que, pela Certidão Simplificada emitida pela Junta Comercial do Estado de São Paulo — JUCESP, bem assim, pela Consulta Pública realizada junto ao sitio do Sintegra/ICMS, constatase que a empresa emitente encontrase habilitada (leiase, em regular funcionamento e situação cadastral ativa perante os órgãos fazendáirios), desde 19/06/1980. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10920.900320/201013 Acórdão n.º 3001000.062 S3C0T1 Fl. 220 3 A Manifestante apresenta as notas fiscais glosadas, bem como os comprovantes de pagamento das mercadorias adquiridas, visando o reconhecimento para efeitos de crédito de IPI. Documentos anexados Procuração; 2) Atos constitutivos; 3) Carteira/OAB da procuradora; 4) Cartão do CNPJ da empresa Pirâmide Indústria e Comércio Ltda.; 5) Consulta Pública ao Sintegra/ICMS; 6) Certidão Simplificada emitida pela JUCESP; 7) Cópia das Notas Fiscais indevidamente glosadas ; 8) Comprovante de pagamentos das aquisições de mercadorias. DRJ / RPO A Manifestação de Inconformidade foi julgada com a seguinte ementa: Acórdão 1441.042 8ª Turma ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. CREDITAMENTO DE IPI. NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR FORNECEDOR COM SITUAÇÃO REGULAR NO CNPJ. Com a apresentação de todas as Declarações de Rendimentos da Pessoa Jurídica (DIPJ), fica superada a situação de inaptidão no CNPJ motivada pela omissão contumaz de entrega de declarações. Nessas circunstâncias, há de se reconhecer como legítimos os créditos escriturados pelo adquirente do fornecedor de insumos tributados (MP, PI e ME), agora em situação de ativo no CNPJ, uma vez que a presunção de irregularidade de seus fornecimentos não mais persiste. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE IPI. MENOR SALDO CREDOR. O valor do ressarcimento limitase ao menor saldo credor apurado entre o encerramento do trimestre em que se originou o saldo a ressarcir e o período de apuração anterior ao da protocolização do pedido. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Glosa de créditos da empresa na situação INAPTO no cadastro CNPJ Fl. 222DF CARF MF 4 A glosa foi desconsiderada em razão das provas apontadas na Manifestação de Inconformidade. Apuração do valor passível de ressarcimento. Apesar do saldo passível a ser ressarcido de R$ 29.851,05, apurado no 1º trimestre de 2006, conforme análise efetuada acima, o montante ressarcível fica limitado conforme a apuração do menor saldo credor nos períodos de apuração após o trimestre calendário de referência até o período de transmissão da DCOMP. A verificação eletrônica da legitimidade do valor pleiteado pelo contribuinte consiste tanto no cálculo do saldo credor de IPI passível de ressarcimento apurado ao fim do trimestrecalendário a que se refere o pedido, como na verificação se esse saldo se mantém na escrita até o período imediatamente anterior ao da transmissão do PER/DCOMP. Foi constatada, segundo o acórdão, a utilização parcial ou total do saldo credor existente no final do trimestre calendário, glosandose a diferença encontrada. Tratase da verificação de possível utilização do saldo credor em análise para abatimento de débitos de períodos posteriores, ou seja, até a data da solicitação do ressarcimento. A apuração do saldo credor é feita no encerramento do trimestre em que se detecta o referido saldo e o estorno deve ser feito no período de apuração do pedido. Em face da análise efetuada, concluise que ficou disponível para ressarcimento no trimestrecalendário o valor de R$ 17.116,90. Recurso Voluntário Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente expos que houve, apenas, o reconhecimento parcial de seu pleito, limitando o crédito ao menor saldo credor entre a apuração do crédito e a apresentação do pedido De outro lado, alegou que as informações apuradas no Acórdão, não encontra respaldo nem nos Per/Dcomp utilizados, nem no Livro de Apuração do IPI. Em seu arrazoado, pugnou pela legítima existência de crédito e sua correspondência entre o menor saldo credor e o valor requerido. Em síntese, alega que, apesar do acórdão reconhecer o crédito de R$ 29.851,05, que, em sua análise, seria maior do que o crédito pleiteado, possibilitou, tão somente, a utilização do valor de R$ 17.116,90, vez que considerou o menor saldo credor entre apuração e o pedido. Sustentou que o ocorrido se deveu porque os valores lançados na planilha de apuração, constante do corpo do acórdão, não correspondem aos valores lançados nos livros fiscais, nem nos Per/Dcomps. Para o deslinde da questão, mencionou a Recorrente ter atendido ao comando disposto no artigo 17 da IN/SRF n. 600/2005, tendo realizado devidamente os estornos nos meses em que as Per/Dcomps foram transmitidas. A fim de fazer a prova de seus atos, providenciou a correspondência entre Per/Dcomps e demonstrativos de apuração dos livros fiscais da Recorrente, conforme a tabela abaixo: Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10920.900320/201013 Acórdão n.º 3001000.062 S3C0T1 Fl. 221 5 A fim de evidenciar o erro, mencionou a planilha fiscal que, ao invés de considerar os débitos e estornos mensalmente, como demonstrado acima, a DRF somou o débito do mês de junho/06 aos estornos realizados nos meses subsquentes (julho e agosto), totalizando R$ 62.943,63. Apontou também, que, sem razão aparente, a planilha da DRF, sequencialmente, diminuiu o crédito ajustado nos meses de abril, maio e junho, reduzindo o menor saldo credor para o valor de R$ 17.116,90. Fl. 224DF CARF MF 6 Destacou que, ainda considerando os valores de créditos apurados na planilha fiscal, o menor saldo credor permaneceria sendo o montante de R$ 29.851,05 Concluiu por ser ilegal a soma dos estornos e débitos dos meses de julho e agosto com o apurado em junho, não havendo base legal a sustentar tal sistemática. Assim, pugnou que, uma vez comprovada a legitimidade do crédito, e evidente o equívoco incorrido na composição do menor saldo disponível, temse por iminente a revisão do acórdão, para que seja reconhecido o menor salado credor no exato montante requerido. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila, Relator Tratase, como observado, de discussão acerca do menor saldo credor passível de ressarcimento. Como se sabe, o tema leva necessariamente, à analise aprofundada dos documentos probatórios que legitimariam o crédito, ou seja, matéria de prova. Por bem explicitar as nuances do tema, trazse aos autos, trechos do acórdão 3403002.814, mais especificamente, trechos do voto do eminente Relator Alexandre Kern, assim ementado: Acórdão 3403002.814 Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10920.900320/201013 Acórdão n.º 3001000.062 S3C0T1 Fl. 222 7 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL MATÉRIA: IPI SALDO CREDOR TRIMESTRAL PEDIDO DE RESSARCIMENTO DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ALEGAÇÕES E PROVAS APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos e provas não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar provas necessárias para a comprovação dos créditos alegados, no momento processual adequado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. VERIFICAÇÃO ELETRÔNICA. Na verificação eletrônica dos PER/DCOMPs, o saldo credor do período anterior, para o primeiro período de apuração do trimestrecalendário de referência, é igual ao saldo credor apurado no final do trimestrecalendário anterior, ajustado pelos valores dos créditos reconhecidos em PER/DCOMPs de trimestres anteriores ao de referência. Recurso Voluntário Negado Importante, também, colacionar trechos do voto, pelo teor esclarecedor, sore o tema de prova em material da técnica do menos saldo credor. A 3a Turma da DRJ/POA julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O voto condutor da decisão considerou que o manifestante não comprovou o saldo credor inicial do período de apuração seguinte O saldo credor inicial considerado pelo sistema no DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO SALDO CREDOR RESSARCÍVEL, contempla os créditos reconhecidos em PER/DCOMP de períodos anteriores, O interessado não comprova como chegou ao saldo credor do período anterior de R$ 173.328,09, constante no Livro RAIPI, em janeiro de 2008, fl. 67, o que alteraria o saldo credor total apurado ao final do trimestre a que se refere o pedido. Fl. 226DF CARF MF 8 Tampouco anexou documentação comprobatória relativa ao débito por ele considerado na manifestação de inconformidade relativo ao terceiro decêndio Relativamente à falta de prova do valor do saldo credor de período de apuração imediatamente posterior ao do trimestre de referência, pede a juntada do Livro RAIPI dos anos 2005, 2006 e 2007 Como se percebe, no ressarcimento de créditos, a autoridade competente para decidir o pleito pode exigir a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prerrequisito. E o que se deve ter por documentos comprobatórios do crédito? Por óbvio que os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito. Sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. Observe o recorrente, em primeiro lugar, que o DDE no 850187716 apoiouse, exclusivamente, na transcrição do Livro RAIPI feita pelo próprio contribuinte no PER/DComp que transmitiu 2 . Reitero: o valor do saldo credor inicial do PA 1 01/2008 (R$ 145.907,37) foi extraído dos dados fornecidos pelo próprio contribuinte, sem qualquer contestação por parte do Fisco. Em sede de manifestação do inconformidade, o interessado alegou que o valor do saldo credor em 31/12/2007 era R$ 173.328,09 (cf. cópia do Livro RAIPI que instruiu a MI, fl. 67), e não R$ 145.907,37, adotado pelo SCC a partir das informações oferecidas nos PER/DComp transmitidos. Para refutálos o manifestante deveria fazer prova cabal do erro dessas informações. O manifestante, contudo, omitiuse em comprovar como chegou a esse saldo credor. Pretende fazêlo agora, quando já esgotada a fase de instrução processual e mediante a entrega – pura e simples de cópia do Livro RAIPI. A par da preclusão acima referida, saiba o recorrente que, no caso específico dos pedidos de ressarcimento de créditos, o contribuinte cumpre o ônus que a legislação lhe atribui, quando traz os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. E tal demonstração, no caso das pessoas jurídicas, está associada à conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. É dever processual de quem alega, vincular registros contábeis a documentos fiscais, estabelecendo com clareza a natureza das operações por eles instrumentadas, não lhe sendo lícito simplesmente juntar a cópia do de um livro fiscal, sem indicação individualizada de quais registros são pertinentes. A atividade de "provar" não se limita, no mais das vezes, a simplesmente juntar documentos aos autos; Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10920.900320/201013 Acórdão n.º 3001000.062 S3C0T1 Fl. 223 9 nos casos em que se tem inúmeros registros associados a inúmeros documentos; provar significa associar registros e documentos de forma individualizada, do mesmo modo que, no caso das provas indiciárias, exigese a contextualização dos fatos por via do cruzamento dos indícios. Não é tarefa do julgador contextualizar os elementos de prova trazidos pelo contribuinte no caso de um pedido de ressarcimento, tanto quanto não é contextualizar os elementos de prova trazidos pela autoridade fiscal no âmbito de um lançamento de oficio. Quem acusa deve provar, contextualizando os elementos de prova que evidenciam a infração; da mesma forma, quem pleiteia repetição deve provar a existência do direito creditório, contextualizando os elementos de prova que evidenciam o crédito. Diante do Exposto, ou seja, que os documentos acostados aos autos não se prestam para provar as alegaçoes da Recorrente, vez que apenas demonstra que os valores lançados na planilha de apuração, constante do corpo do acórdão, não correspondem aos valores lançados nos livros fiscais, nem nos Per/Dcomps. Ainda, menciona a Recorrente que, a fim de fazer a prova de seus atos, providenciou a correspondência entre Per/Dcomps e demonstrativos de apuração dos livros fiscais, ou seja, justamente a base de dados utilizado pela autoridade fazendária. Conclusão Diante do Exposto, Conheço do Recurso para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Fl. 228DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.000640/2009-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento Fiscal. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão- somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) DESTRUIÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. INCÊNDIO. PROCEDIMENTOS REGULAMENTARES. Ocorrendo a eventual destruição de livros e documentos que amparam a escrituração, em decorrência de incêndio, é mister que o contribuinte adote, no intuito de provar suas alegações, todas as providências previstas no art. 264, § 1º, do RIR/99.
CASO FORTUITO OU DE FORÇA MAIOR.% Apenas caracteriza-se
como caso fortuito ou de força maior o evento acontecido inexoravelmente, sem que o homem tenha interferido e sem que possa impedilo ou para ele tenha concorrido, como, por exemplo, por negligência, imperícia, imprudência, omissão etc.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS COFINS CSLL.
Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1401-000.958
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: Antonio Bezerra Neto
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REQUISITOS ESSENCIAIS. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento Fiscal. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) DESTRUIÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. INCÊNDIO. PROCEDIMENTOS REGULAMENTARES. Ocorrendo a eventual destruição de livros e documentos que amparam a escrituração, em decorrência de incêndio, é mister que o contribuinte adote, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 06 40 /2 00 9- 94 Fl. 635DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.000640/200994 Acórdão n.º 1401000.958 S1C4T1 Fl. 636 2 no intuito de provar suas alegações, todas as providências previstas no art. 264, § 1º, do RIR/99. CASO FORTUITO OU DE FORÇA MAIOR.% Apenas caracterizase como caso fortuito ou de força maior o evento acontecido inexoravelmente, sem que o homem tenha interferido e sem que possa impedilo ou para ele tenha concorrido, como, por exemplo, por negligência, imperícia, imprudência, omissão etc. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS COFINS CSLL. Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. . . (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 636DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.000640/200994 Acórdão n.º 1401000.958 S1C4T1 Fl. 637 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra Acórdão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Ribeirão PretoSP. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Contra a empresa epigrafada foram lavrados os autos de infração de fls. 350/393, que se prestaram a exigir o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e respectivos consectários legais, como também a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins e a Contribuição para o PIS/Pasep PIS, relativos aos anoscalendário de 2004 e 2005, apurados em decorrência da constatação de omissão de receitas oriundas de depósitos bancários de origens não comprovadas. O crédito tributário exigido está composto dos seguintes montantes: tributo valor do tributo valor dos juros valor da multa proporcional total irpj 1.187.417,2 3 588.099,1 9 890.562,90 2.666.079,3 2 csll 642.388,27 318.310,7 3 481.791,17 1.442.490,1 7 cofins 1.784.411,8 0 908.653,0 2 1.338.308,77 4.031.373,5 9 pis 386.622,46 196.874,6 9 289.966,77 873.463,92 total 9.013.407,0 0 A fundamentação legal para o lançamento dos tributos está indicada no corpo dos respectivos autos de infração. O procedimento de fiscalização foi realizado em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n° 08.1.90.002008039126 (fls. 01/02), da Defis São Paulo, tendo se iniciado em 4/07/2008, com a ciência do Termo de Início da Ação Fiscal (fl. 53), por meio do qual foi solicitada a apresentação de livros fiscais e contábeis, arquivos magnéticos, além do contrato social (e suas alterações), e também dos extratos das contas bancárias da .empresa. O Termo de Constatação (fls. 280/283) prestouse a sintetizar as constatações e conclusões da autoridade fiscal responsável pela condução do procedimento. Conforme lá relatado, em relação ao período objeto do procedimento de fiscalização, a fiscalizada apresentou DIPJs com a opção pelo Lucro Presumido. Em atenção às diversas intimações encaminhadas, a fiscalizada apresentou os extratos de suas contas bancárias, além da documentação societária e do seu Livro Caixa. De posse dos extratos bancários, a autoridade fiscal elaborou o "Demonstrativo de Depósitos Bancários, que fez parte integrante e indissociável de Termo de Intimação cientificado ao contribuinte em 10/12/2008, e relaciona as movimentações financeiras que representam entradas de recursos em contas correntes do contribuinte, já excluídas as entradas de recursos claramente Fl. 637DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.000640/200994 Acórdão n.º 1401000.958 S1C4T1 Fl. 638 4 identificadas como transferências entre contas do próprio contribuinte". E a fiscalizada foi intimada, "por quatro vezes, a comprovar a origem e a regular apresentação à tributação dos valores utilizados nas movimentações financeiras identificadas, não tendo apresentado qualquer esclarecimento". Prossegue a autoridade fiscal asseverando que "o tempo total' transcorrido desde a primeira intimação para justificar a origem dos recursos até o término do prazo para atendimento à última intimação foi de 82 dias, sem que qualquer informação tenha sido prestada pelo contribuinte". A falta de comprovação da origem dos depósitos bancários ensejou a presunção de omissão de receitas, com fundamento no disposto no art. 287 do RIR/99. Passo seguinte, a autoridade fiscal elaborou o "Demonstrativo de Receita Omitida" (fl. 284), que relaciona, mês a mês, os valores dos depósitos bancários, das receitas declaradas, e das receitas omitidas. Observa a autoridade que os valores mensais das receitas declaradas, relativos ao anocalendário de 2005, foram apurados a partir dos débitos declarados de Cofins (considerando a alíquota de 3%), "em face da inexistência da informação de faturamento mensal do contribuinte na DIPJ relativa ao anocalendário 2005". Acrescenta referida autoridade, que os resultados obtidos foram compatíveis "com o faturamento trimestral informado em DIPJ". Os valores mensais das receitas omitidas foram, por fim, considerados como bases de cálculo dos tributos lançados. O lançamento do IPI foi recepcionado pelo processo administrativo n° 19515.000639/200960, simultaneamente impugnado. O sujeito passivo foi cientificado dos lançamentos em 06/03/2009 (fls. 357, 368, 379, 390), na pessoa de seu sócio majoritário (fls. 443/447), tendo apresentado sua impugnação em 03/04/2009, conforme peça de fls. 400/405 (e anexos), firmada por procurador regularmente estabelecido (fl. 406), por meio da qual aduz, em síntese, que: a) o procedimento de fiscalização iniciouse em consequência da reforma de provimento judicial que lhe havia assegurado o direito de não ter retida a CPMF incidente sobre suas operações financeiras, proferida em ação mandamental impetrada ainda no ano de 1999; b) a autuação também se fundamentou "pelas notas fiscais de saída, que serviria de base para averiguar o Imposto de Renda, PIS, CSLL, Cofins"; c) o que está a ocorrer, na verdade, "é que o Estado/União pede a decretação da falência de uma empresa de 35 (trinta e cinco) anos de mercado, que responde socialmente com ligações diretas e indiretas de aproximadamente 3.000 (três mil) pessoas, com um valor extremamente absurdo". E como os valores dos acréscimos legais são maiores que o principal, "as dívidas se tornam impagáveis"; d) a autuação baseouse exclusivamente em informações prestadas pelas instituições financeiras, não tendo havido oportunidade para a fiscalizada se defender, o que cerceia o direito constitucional de defesa; e) não apresentou a documentação solicitada, e não pôde se defender, porque seu estabelecimento foi atingido por incêndio ocorrido no dia 20yÓ6/2008, que se iniciou em empresa "que faz fundo com imóvel do autor". O fato foi Fl. 638DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.000640/200994 Acórdão n.º 1401000.958 S1C4T1 Fl. 639 5 registrado conforme Boletim de Ocorrência, com cópia anexada à reclamação, e também com laudo pericial do Instituto de Criminalística de SP, com cópia também anexada. E as fotos 17, 18 e 19 do referido laudo pericial demonstram "os danos gerados aos arquivos e estoques da empresa"; f) em razão do ocorrido, "o autor deu prioridade no primeiro momento para levantar os prejuízos materiais, para que pudesse reaver sua indenização material, serviço este que durou aproximadamente 6 (seis) g) as conclusões do laudo pericial apontam no sentido de que o incêndio foi criminoso. E o interrogatório realizado com o suspeito (cópia anexa) contém informação de "como começou o fogo, e outros fatos". Isto para mostrar "que o autor nunca ao longo de sua história deixou de cumprir com quaisquer obrigações tributárias, e mesmo agora não está deixando de cumprir, mas está sim impossibilitado de se defender, pois, os arquivos da empresa foram queimados, e estão sendo levantados quais documentos e de qual período estavam neste arquivo". Dado ao grande volume de documentos então arquivados, "não se sabe exatamente o que se perdeu"; h) ao caso concreto se aplica o disposto no art. 393 do Código Civil, não podendo ser condenado pelo que não deu causa, ou por simples indício de omissão. E "o Fisco não pode, simplesmente, tomar qualquer ingresso do contribuinte/requerente como receita tributável, sendo fundamental que associe as informações, pagamentos, investimentos, e outros, à verdadeira receita". Conclui a impugnante requerendo "a anulação do auto de infração imposto". A DRJ MANTEVE o lançamento, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei n.° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receitas'com base nos calores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DESTRUIÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. INCÊNDIO. PROCEDIMENTOS REGULAMENTARES. Ocorrendo a eventual destruição de livros e documentos que amparam a escrituração, em decorrência de incêndio, é mister que o contribuinte adote, no intuito de provar suas alegações, todas as providências previstas no art. 264, § Io, do RIR/99. CASO FORTUITO OU DE FORÇA MAIOR. Apenas caracterizase como caso fortuito ou de força maior o evento acontecido inexoravelmente, sem que o homem tenha interferido e sem que possa impedilo ou para ele tenha concorrido, como, por exemplo, por negligência, imperícia, imprudência, omissão etc. Fl. 639DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.000640/200994 Acórdão n.º 1401000.958 S1C4T1 Fl. 640 6 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004, 2005 LANÇAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA E OBRIGATÓRIA. Constatada infração à legislação tributária, impõese o lançamento, que deve observar as normas que regem a matéria. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação, bem assim questionando a qualificação da multa de ofício bem assim a legalidade dos juros moratórios Selic. É o relatório. Fl. 640DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.000640/200994 Acórdão n.º 1401000.958 S1C4T1 Fl. 641 7 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Conforme relatado, a autuação envolveu omissão de receitas por presunção legal a partir de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada. No caso, considerouse a diferença entre o que fora declarado em DIPJ e DCTF e o total de depósitos bancários cuja origem não fora comprovada. Os extratos foram fornecidos espontaneamente pela Recorrente sem a necessidade da expedição de RMF para os bancos, motivo pelo qual afasta o caso concreto da necessidade de sobrestamento por questão ligada à Repercussão geral no STF. Preliminar de nulidade Preliminarmente, a recorrente imputa a nulidade do feito por questões gerais que mais se ligam ao mérito da lide. Eis os termos dessas alegações postas pela DRJ: A impugnante assevera que não teve oportunidade de se defender da acusação fiscal (que "se baseou exclusivamente em informações prestadas pelas instituições financeiras"), em razão do incêndio ocorrido em seu estabelecimento (dias antes do início do procedimento de fiscalização), o que dificultou a apresentação da documentação solicitada pela autoridade fiscal. Informa que, em razão do grande volume de documentos arquivados, não pôde apurar "exatamente o que se perdeu". Entende que não pode ser "condenada" pelo que não deu causa, ou por simples indício de omissão. Reclama, também, da onerosidade do crédito tributário (num montante "extremamente absurdo"), que torna "as dívidas impagáveis". Apenas para um melhor esclarecimento sobre o assunto, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no processo administrativo fiscal. Prescreve o art. 59 do Decreto 70235/72 com a nova redação dada pela Lei 8748/93: Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Por conseguinte, considerase nulo o ato, se praticado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, não tendo se caracterizado quaisquer das situações, pois não se põe em dúvida a competência do autor, nem há que se falar em preterição do direito de defesa, vez que os fatos apurados foram descritos com o respectivo enquadramento legal, e levados ao conhecimento, da autuada, levando a mesma a defenderse plenamente através da peça impugnatória acostada aos autos. Fl. 641DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.000640/200994 Acórdão n.º 1401000.958 S1C4T1 Fl. 642 8 O que se vê foi um grande empenho da fiscalização em cumprir o seu papel e somente após inúmeras negativas do Contribuinte de apresentar provas que lhe cabiam, é que procedeu à aplicação da presunção legal de omissão de receitas por depósitos bancários não comprovados. Conforme consta do TVF: Com base no demonstrativo elaborado, comprovar a origem e a regular apresentação à tributação dos recursos utilizados movimentações financeiras identificadas, não tendo apresentado qualquer esclarecimento. O tempo total transcorrido desde a primeira intimação para justificar a origem dos recursos até o término do prazo para atendimento à última intimação foi de .82 dias, sem que qualquer informação tenha sido prestada pelo contribuinte. Pleiteou a nulidade do feito fiscal também alegando que os meios utilizados para a apuração dos créditos tributários ferem o sigilo bancário do contribuinte, direito fundamental individual, haja vista a legislação da Lei Complementar nº 105/2001 ser inconstitucional. Quanto a esse aspecto, conforme já colocado retro, os extratos bancários foram fornecidos espontaneamente pela Recorrente sem a necessidade da expedição de RMF para os bancos, motivo pelo qual se afasta do caso concreto da necessidade de sobrestamento por questão ligada à Repercussão geral no STF, bem assim de enfrentar questão ligada ‘a pretensa inconstitucionalidade de Lei, por fugir de nossa alçada de competência. Acrescentese que, quando muito, em se admitindo o fato da autoridade lançadora ter cometido algum engano com relação à matéria de fato, enquadramento legal e a sua subsunção à norma, tratarseia então de questão de mérito e não de preliminar de nulidade. E como ficará bem demonstrado mais adiante, nem mesmo isso aconteceu. Assim, rejeito a preliminar de nulidade suscitada MÉRITO PRESUNÇÃO LEGAL Depósitos Bancários Sem Comprovação da Origem dos Recursos O art. 42, da Lei nº 9.430/1996 é cristalino ao determinar que a omissão de receitas pode ser caracterizada por meio de valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Ora, como se vê da descrição dos fatos, a empresa não apresentou documentação que comprovasse a origem dos recursos daqueles diversos depósitos. Com efeito, sequer os contabilizou ou os declarou. A recorrente não logrou comprovar, através de documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, a ligação dos recursos recebidos em conta bancária e o seu discurso apresentado. Na verdade, a interessada ao invés de tentar provar os fatos alegados, se limita a tecer considerações de direito, no sentido de enfraquecer o lançamento por ter sido lastreado apenas em presunções. Fl. 642DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.000640/200994 Acórdão n.º 1401000.958 S1C4T1 Fl. 643 9 Em verdade, a argumentação da recorrente denota um total desconhecimento da existência do art. 42 da Lei nº 9.43096 que representa um verdadeiro marco em termos de presunção legal de omissão de receitas, verbis: LEI n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 DOU de 30.12.96 “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratandose de uma presunção legal de omissão de rendimentos, o ônus da prova fica invertido, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova à contribuinte. O contribuinte, por sua vez, não logrando êxito nessa tarefa que se lhe impunha, como ocorre no caso presente, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, por presunção legal se toma como verdadeiro que os recursos depositados representam rendimentos do contribuinte. Por se tratar de uma presunção relativa juris tantum, somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. Feitas tais digressões e, evidenciada a absoluta licitude do estabelecimento das presunções legais, cumpre dizer que, em relação aos anoscalendários autuados, as alegações trazidas pelo contribuinte mostramse despropositadas, visto que, o simples fato da existência de depósitos bancários com origem não comprovada é, por si só, hipótese presuntiva de omissão de receitas, cabendo ao sujeito passivo a prova em contrário que, conforme dito, não as apresentou. Ao fisco cabe provar o fato constitutivo do seu direito, no caso em questão, a existência de depósito bancário sem origem comprovada. À recorrente, comprovar a origem desses depósitos. Outrossim, o dispositivo legal acima citado supramencionado é válido e vigente em nosso ordenamento jurídico, dando respaldo à autuação praticada pela Autoridade Fiscal. O que quer dizer que ilegalidades e inconstitucionalidades no auto de infração guerreado que gravitariam em torno do art. 42 da Lei n. 9.430/96 são improcedentes. Quanto à esse aspecto reiterese, a autoridade administrativa é vinculada a lei válida e vigente, não cabendo a este órgão do Poder Executivo deixar de aplicálas, encontrando óbice, inclusive na Súmula nº 2 deste CARF, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Outrossim, questões outras de cunho econômico são irrelevantes para o deslinde da questão, uma vez que a autoridade fiscal exerce uma atividade vinculada à Lei. Portanto, mantenho o lançamento nesse item. Fl. 643DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.000640/200994 Acórdão n.º 1401000.958 S1C4T1 Fl. 644 10 Alegação de caso fortuito ou força maior Sustenta a empresa que a não apresentação dos documentos que comprovariam a origem dos recursos se deu, não por culpa sua, mas por questões de caso fortuito e força maior, ou seja, teve sua contabilidade e documentos extraviados. Antes de mais nada, cabe desconsiderar de plano tal argumentação que só foi trazida em fase impugnatória e agora na fase recursal. Não há a menor possibilidade de que isso tenha acontecido, pois senão a Contribuinte teria justificado à fiscalização nas diversas oportunidade (quatro) que fora inquirida a fazêlo. Quedouse inerte. É bastante razoável então que não se dê peso a tais argumentações trazidas à baila somente posteriormente na fase impugnatória, não ser que se trouxesse uma outra forte justificativa para que não tenha feito isso no momento oportuno. Porém, apenas para argumentar, mesmo que fosse possível transpor esse obstáculo ainda assim não se poderia dar razão à Recorrente. Senão vejamos. Em relação ao procedimento a ser adotado em relação a extravio de documentos por fatores supostamente alheios à vontade do contribuinte, o art. 264 do vigente Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, dispõe: “Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). § 1º Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10).” (grifei) De observar que o supracitado dispositivo legal elenca as providências que o contribuinte, ante a destruição dos seus livros, deve adotar como elementos de prova de suas alegações. No caso que se cuida, prova não há de que o estabelecimento do contribuinte foi vitimado, muito menos de que seus livros tenham sido destruídos. Trouxera apenas indícios de que ocorrera um incêndio em empresa vizinha a ela, sem contudo trazer prova cabal de que os seus livros e documentos foram efetivamente extraviados. Conforme bem colocado pela DRJ, a própria impugnante assevera que "não sabe exatamente o que se perdeu". Mesmo que o sinistro tivesse ocorrido durante ou após os fatos geradores, o que se cogita à guisa de esclarecimento, a prova necessária de sua ocorrência configurarseia com a adoção de todas as providências especificadas na norma, que à evidência não foi o caso. Fl. 644DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.000640/200994 Acórdão n.º 1401000.958 S1C4T1 Fl. 645 11 Atendose ao caso concreto, observase que o contribuinte não demonstrou que tenha cumprido a determinação de prestar minuciosa informação, dentro de 48 horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, com cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição, neste mesmo prazo, além de não dar notícia do fato em jornal de grande circulação. Por fim, vale ainda ressaltar o que a DRJ fundamentou como se aqui estivesse transcrito em relação a não ocorrência de caso fortuito ou força maior no caso que se cuida. É que, conforme pacífica jurisprudência deste CARF, impõese também ao contribuinte fazer a prova de ausência de culpa, mediante adoção de cuidados adequados à conservação de todos os seus livros e documentos, o que não foi o caso. Multa confiscatória A Recorrente em sede de recurso reclama do lançamento de multa qualificada. Ora, a multa em questão foi lançada com o percentual de 75% e não de 150%, portanto não foi qualificada. Se pretende a Recorrente, na verdade, dizer que a multa seria exagerada ou confiscatória, cumpre gizar que ao julgador administrativo, que se encontra totalmente vinculado aos ditames legais, mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN), não é dado apreciar questões – como a de que a multa fiscal seria confiscatória – que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal válido e vigente. Tal prática encontra óbice, inclusive na Súmulas nº 2 deste E. Primeiro Conselho de Contribuintes, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010). Legalidade dos Juros de Mora Em relação aos juros de mora, determina a legislação que sobre os débitos pagos fora de prazo, independente de qualquer causa, incidirão eles a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.Não cabe, portanto, a este órgão do Poder Executivo deixar de aplicálos, encontrando óbice, inclusive nas Súmulas nº 4 do CARF, in verbis: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Em relação à sua alegação de ter errado no código de recolhimento e têlo recolhido a título de juros de mora o que importa é que o referido valor já foi abatido do montante total devido a título de multa de mora. Como se está cancelando a multa de mora, a autoridade executora deverá considerar esse fato e abatêlo como se na rubrica certa tivesse sido recolhido. Fl. 645DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.000640/200994 Acórdão n.º 1401000.958 S1C4T1 Fl. 646 12 Lançamentos Reflexos Por estarem sustentados na mesma matéria fática, os mesmos fundamentos devem nortear a manutenção das exigências lançadas por via reflexa. Por todo o exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 646DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 12571.000201/2010-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3301-000.521
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento. por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para fins de juntada de processos vinculados, nos termos do voto do Relator.
José Henrique Mauri - Presidente
Valcir Gassen - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento. por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para fins de juntada de processos vinculados, nos termos do voto do Relator. José Henrique Mauri Presidente Valcir Gassen Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Embargos de Declaração (fls. 1487 a 1489) interpostos pela Fazenda Nacional contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 330101.473 (fls. 1475 a 1485), de 23 de maio de 2012, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF – que, por unanimidade de votos, acordaram em anular o auto de infração/lançamento. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do Acórdão ora embargado: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 25 71 .0 00 20 1/ 20 10 -0 0 Fl. 1516DF CARF MF Processo nº 12571.000201/201000 Resolução nº 3301000.521 S3C3T1 Fl. 1.559 2 Cuidase de recurso em face do acórdão da DRJ de Curitiba que julgou procedente o auto de infração lavrado em razão de não terem sido homologadas as compensações declaradas através das PER/DCOMPS objeto dos processos relacionados na própria decisão, sendo exigida a Cofins nãocumulativa do período de apuração de 01/01/2005 a 31/12/2007, além de multa de 75% e demais encargos legais pertinentes, em virtude da constatação de falta ou insuficiência de recolhimentos da dita contribuição (fls. 1.068/1.084). Segundo o Termo de Verificação Fiscal, anexado às fls. 1.066/1.067, a autoridade fiscal relata que a contribuinte encontrase no regime não cumulativo da Cofins, tendo apurados créditos de mercado interno não tributado e no mercado externo, que foram objeto de diversos Pedidos de Ressarcimento, tendo sido verificada a inexistência de crédito a ser ressarcido à contribuinte, bem como que os créditos das contribuições apuradas nas entradas foram, inteiramente, consumidos pelos débitos das contribuições nas saídas, restando, ainda, débitos a serem lançados de ofício. A decisão recorrida encontrase ementado da seguinte forma: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não constitui requisito de validade do lançamento, pois é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos de auditoria fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Se o autuado revela conhecer as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas de forma meticulosa, com impugnação que abrange questões preliminares e razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO. REGRA. Nos termos do art. 150, § 4o do Código Tributário Nacional, existindo pagamento suscetível de ser homologado, o prazo decadencial deve ser contado a partir da ocorrência do fato gerador; contudo, em não havendo pagamento, como no presente caso, a contagem deve ocorrer segundo a regra do art. 173, I, do CTN. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO NA ESFERA Fl. 1517DF CARF MF Processo nº 12571.000201/201000 Resolução nº 3301000.521 S3C3T1 Fl. 1.560 3 ADMINISTRATIVA. As instâncias administrativas são incompetentes para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DILIGÊNCIA. PEDIDO NÃO FORMULADO. Considerase não formulado o pedido de diligência que não indica os quesitos referentes aos exames desejados. PROVAS. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A apresentação de provas deve ser realizada junto à impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outra ocasião, ressalvada a impossibilidade por motivo de força maior, quando se refira a fato ou direito superveniente ou no caso de contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. COMPRAS DE BENS DE PESSOA FÍSICA. IMPOSSIBILIDADE. No sistema da não cumulatividade da contribuição, as compras efetuadas de pessoas físicas não geram direito ao crédito básico. CEREALISTAS. CRÉDITO PRESUMIDO. No período de vigência do § 11 do art. 3o da Lei n.o 10.833, de 2003, as empresas cerealistas somente podiam apurar crédito presumido da Cofins e do PIS em relação aos produtos in natura de origem vegetal indicados nesse dispositivo, adquiridos diretamente de pessoas físicas, quando eles fossem revendidos a agroindústrias que os utilizassem como insumos na produção dos produtos especificados na lei. CRÉDITO PRESUMIDO. BENS ADQUIRIDOS DE PESSOA FÍSICA. AGROINDÚSTRIA. Somente a pessoa jurídica que produza mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas na legislação de regência, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços adquiridos de pessoas físicas residentes no País. CRÉDITOS. INSUMOS. No cálculo do PIS/Pasep ou da Cofins, o sujeito passivo somente poderá descontar créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços. Fl. 1518DF CARF MF Processo nº 12571.000201/201000 Resolução nº 3301000.521 S3C3T1 Fl. 1.561 4 VENDAS COM SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DA COFINS. ART. 9o DA LEI No 10.925 DE 2004. VIGÊNCIA. Somente a partir de 04/04/2006, com a edição da IN SRF no 660, de 2006, é que entraram em vigor as regras para a suspensão da exigibilidade da Cofins em relação às vendas efetuadas, nos moldes previsto no art. 9o da Lei no 10.925, de 2004. VENDA DE GRÃOS. BENEFÍCIO DA SUSPENSÃO. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 04/04/2006, a contribuinte, para fazer jus ao benefício da suspensão, deve observar as prescrições dos incisos I e II do art. 4o, da IN 660/2006. CRÉDITOS. ENCARGOS DE AMORTIZAÇÃO. BENS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. O crédito relacionado à depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, somente podem apurados se utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, além do que a partir de 01/08/2004 não é mais possível se creditar de bens adquiridos até 30/04/2004, nos termos do art. 31 da Lei 10.865/2004. POSIÇÃO 2710 DA NCM. VENDAS COM ALÍQUOTA ZERO. As vendas realizadas de produtos classificados pela contribuinte na posição 2710 não são beneficiadas com a incidência da alíquota zero. SEMENTES. SAÍDAS COM ALÍQUOTA ZERO. O sujeito passivo só tem direito à venda de sementes com o benefício da alíquota zero, nos termos do art. 1o, inc. III, da Lei 10.925/04, se atender aos requisitos previstos na Lei 10.711/2003. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Cientificada em 15/08/2011 (AR fl. 1.356), a interessada interpôs o recurso voluntário de fls. 1362 e seguintes, em 13/09/2011, onde, em síntese, reitera as alegações constantes de sua impugnação. Esclarece que formulou diversos pedidos de ressarcimento de créditos de PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS MERCADO INTERNO E EXPORTAÇÃO e, concomitantemente, pedidos de COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, mediante pedidos eletrônicos PER/DCOMP, correspondentes ao período do 1o. Trimestre de 2003 ao 4o. Trimestre de 2007. Sob o pretexto de efetuar a análise do direito creditório e baseada em interpretações equivocadas da legislação de PIS e COFINS não cumulativos Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como legislação correlata, efetuou a autoridade fiscal glosas de créditos e apurou supostos débitos de PIS e COFINS ao longo de todo o período examinado, culminando com a lavratura de auto de infração para exigência da COFINS NÃO CUMULATIVO de Janeiro/2005 à Dezembro/2007. Fl. 1519DF CARF MF Processo nº 12571.000201/201000 Resolução nº 3301000.521 S3C3T1 Fl. 1.562 5 Preliminarmente suscita a nulidade do auto de infração, uma vez que formalizado com ausência de provas e método deficiente para apuração do crédito tributário. Por outro lado, o método utilizado pela autoridade fiscal é totalmente confuso e equivocado para demonstrar a ausência de crédito e, ao revés, a existência de débitos de PIS e COFINS que foram objeto do lançamento de ofício. Alega que a decisão de primeira instância, além de negar a realização de diligências e produção complementar de provas, promoveu o "aperfeiçoamento do lançamento", posto que complementou a motivação e fundamentação das glosas dos créditos e apuração dos débitos levados a efeito pelo procedimento fiscal. Afirma que foi, ainda, mais além, deixou de se pronunciar sobre alegações e provas juntadas ao processo, o que configura evidente ilegalidade e nulidade ao devido processo legal administrativo, pois, ao apreciar as razões da impugnação, omitiuse completamente a decisão de primeira instância em emitir juízo de valor destas provas e, também, de apreciar as razões da impugnação, fato que evidencia nova nulidade por cerceamento de defesa. Aduz que, conforme corretamente assentou a decisão de primeira instância, em relação às compensações realizadas não ocorreu a homologação tácita, uma vez que todas as PER/DCOMP foram enviadas em 2008. Se, no entanto, era possível verificar a legitimidade dos créditos apurados pela Contribuinte, não era mais possível efetuar glosas de créditos ou apurar débitos de períodos já atingidos pela prescrição/decadência. Com efeito, sob o pretexto de verificar a legitimidade dos créditos, efetuou a autoridade fiscal a glosa de créditos e também apurou débitos desde janeiro de 2003 até dezembro de 2007 para o PIS e Fevereiro/2004 a Dezembro de 2007 para a COFINS. Considerando que a glosa dos créditos e o lançamento de débitos ocorreu em Julho/2010, não era mais possível efetuar retificações das bases de cálculo de créditos e débitos anteriores a Junho/2005. A retificação das bases de cálculo de créditos e de débitos em períodos já atingidos pela prescrição/decadência equivale à realização de revisão ou lançamento de ofício, além do prazo prescricional/decadencial previsto no art. 150, § 4o do CTN. Suscita ainda a decadência impossibilitando a exigência de PIS e COFINS relativas aos fatos geradores de Janeiro à Junho de 2005, em conformidade com o art. 150, § 4o do CTN, considerando que a ciência do lançamento se deu em 13/Julho/2010 (fl. 1.086) restavam decaídos os fatos geradores de Janeiro à Junho de 2005, que foram objeto do lançamento de ofício. No mérito alega ser improcedentes os motivos que ensejaram a não homologações levadas a efeito pela fiscalização, requerendo ao final: (i) a juntada nos autos da presente defesa dos documentos em anexo e a concessão de prazo para a juntada de novos documentos diligenciados juntos aos fornecedores e adquirentes das mercadorias; (ii)a concessão de diligências necessárias para a complementação do feito administrativo; (iii) que seja reformado o indeferimento dos pedidos de ressarcimento e a não homologação das respectivas compensações; (iv) que seja desclassificada a autuação para uma infração formal de obrigação acessória, assegurandose, ainda, o direito à denúncia espontânea; (v) que seja julgado improcedente o Auto de Infração. Fl. 1520DF CARF MF Processo nº 12571.000201/201000 Resolução nº 3301000.521 S3C3T1 Fl. 1.563 6 Tendo em vista a decisão que deu provimento ao Recurso Voluntário, a Fazenda Nacional ingressou com Embargos de Declaração (fls. 1487 a 1489), em 22 de novembro de 2012, por entender que houve omissão no ora analisado Acórdão. No exame da admissibilidade dos embargos entendeuse que há de fato o vício da omissão na decisão ora embargada, como se constata na análise formulada pela 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por meio de Despacho de Admissibilidade (fls. 1510 a 1515) em 29 de setembro de 2016. É o relatório. Voto Os Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional em face ao Acórdão nº 330101.473 são tempestivos e atendem os pressupostos legais de admissibilidade. Assim dispõe o art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF acerca da admissibilidade dos embargos: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. §1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão. Os embargos ora analisados visam sanar alegadas contradições presentes no Acórdão nº 330101.473 com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PERDCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. As declarações de compensação constituem confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos, caso sejam considerados indevidamente compensados, conforme preceitua o art. 74, § 6º da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003. Não podendo ser exigido o mesmo crédito tributário objeto de declarações PER/DCOMPs, por meio de auto de infração, por configurar exigência em duplicidade, ensejando a nulidade do processo. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular o auto de infração/lançamento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Fl. 1521DF CARF MF Processo nº 12571.000201/201000 Resolução nº 3301000.521 S3C3T1 Fl. 1.564 7 A Fazenda Nacional alega que houve, por parte do Acórdão ora embargado, vício de omissão no que tange a análise da correspondência entre os débitos informados em DCOMP e aqueles objetos de autuação. Cito trechos dos referidos Embargos como forma de elucidar a lide (fls. 1487 a 1489): Entendeu a Turma, em suma, que os débitos indevidamente compensados constituem confissão de dívida, na forma estabelecida pelo art. 74, § 6º da Lei nº 9.430/96, razão pela qual a lavratura de auto de infração para exigência dos valores declarados em DCOMPs configura exigência em duplicidade. (...) De fato, a partir da entrada em vigor da Lei nº 10.833/2003, que incluiu o § 6º no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, os débitos declarados em DCOMP constituem confissão de dívida, restando desnecessária a lavratura de auto de infração para sua exigência. Ocorre que, nos presentes autos, s.m.j., o valor objeto de autuação não corresponde aos débitos declarados em DCOMP. Explicase: A autoridade fiscal realizou auditoria para averiguar se o contribuinte possuía os créditos apurados na DACON e informados nas DCOMPs listadas na fl. 1066. Como resultado desse procedimento, constatou inexistir créditos que pudessem ser ressarcidos ao contribuinte e, ainda, que os créditos das contribuições gerados nas entradas foram totalmente consumidos pelos débitos das contribuições nas saídas, razão pela qual as compensações não foram homologadas. Diante desse quadro fático, e observando, ainda, que existiam valores a pagar de COFINS que não foram declarados pelo contribuinte nem em DCTF nem em DCOMP, lavrou o auto de infração para exigência do débito constatado em auditoria. Temse, pois, que os valores lançados não encontram correspondência com os débitos declarados em DCOMP. Com efeito, a autuação referese a débitos de COFINS não declarados pelo contribuinte. Corrobora esse entendimento o confronto entre os débitos informados nas DCOMPs apresentadas e os valores lançados no auto de infração de fls. 1069/1084. Analisando os débitos informados nas DCOMPs listadas na fl. 1066, percebese que se tratam de débitos de IRPJ e de CSLL. Por outro lado, os valores cobrados no auto de infração de fls. 1069/1084 referemse a COFINS. Assim sendo, e uma vez constatado que os valores lançados não foram declarados pelo contribuinte, entendese, s.m.j., ser necessária a lavratura de auto de infração para exigência da COFINS. Nesse contexto, e considerando que o Colegiado restou omisso quanto à análise da correspondência entre os débitos informados em DCOMP e aqueles objetos de autuação, fazse mister que se manifeste. E, caso a Turma conclua que os valores lançados a título de COFINS não foram objeto de declaração em DCOMP, confira efeitos infringentes aos presentes embargos, para restabelecer a autuação. Fl. 1522DF CARF MF Processo nº 12571.000201/201000 Resolução nº 3301000.521 S3C3T1 Fl. 1.565 8 Diante do exposto, a União requer que os presentes embargos de declaração sejam recebidos, conhecidos e providos para sanar o vício apontado. Importante observar que, no caso em análise, foi proferida a decisão baseada em erro sobre fato essencial ao deslinde do litígio e, conforme a jurisprudência, é cabível o instrumento dos Embargos de Declaração para esses casos, como bem demonstra o Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas no Despacho de Admissibilidade (fls. 1510 a 1515): O instituto dos embargos declaratórios tem por finalidade tornar clara a decisão embargada ou trazer à discussão matéria que foi omitida no julgamento, de tal sorte que a solução dada pelo órgão encarregado de resolver a controvérsia demonstre, com clareza, haver enfrentado o objeto do litígio. (...) Acontece, porém, que, às hipóteses de cabimento de embargos de declaração expressamente autorizadas no RICARF, somase outra não expressa, jurisprudencialmente aceita, tanto no âmbito do CARF quanto na esfera judicial, relativa à decisão proferida com fundamento em fato essencial equivocadamente considerado. (Grifo nosso) Na leitura da decisão ora embargada percebese de fato que ela foi proferida com base no entendimento de que os débitos lançados no auto de infração seriam os mesmos constantes dos PER/DECOMP, o que acarretou na duplicidade de exigência, isso se verifica no seguinte trecho que traz a conclusão do Acórdão (fl. 1485): Portanto, a autoridade lançadora não poderia constituir o presente crédito tributário através de auto de infração, tendo em vista estarem os mesmos declarados e confessados, através de PER/DCOMPs, ainda pendentes de decisão final, em relação às quais deverão seguir o rito previsto no art. 74, da Lei nº 9.430, de 1996. Em face do exposto, voto no sentido de anular o processo ab initio. Porém, o que ocorreu é que os débitos incluídos no Auto de Infração (fls. 1074 a 1078) não são os mesmos declarados nos PER/DECOMP, o que fez com que a Decisão se baseasse em um erro de fato. Antes da análise dos embargos interpostos pela Fazenda Nacional cabe notar que o Despacho de Admissibilidade traz informação importante acerca da existência de outro processo e assim conclui (fl. 1515): Ressaltese que a mesma contribuinte, nos autos de outro processo administrativo, de nº 12571.000200/201057, teve seu recurso voluntário negado em julgado proferido em sede embargos de declaração, aos quais foram dados efeitos infringentes em razão da ocorrência da mesma situação. Por fim, salientese que a presente hipótese não visa a estimular a oposição dos embargos de declaração em toda e qualquer hipótese de mera insatisfação da parte com o resultado do julgamento ou em relação a erro sobre fato que não seja relevante ao deslinde do feito, mas tão somente promover a correção de decisão que, a despeito de não contar com contradição, obscuridade ou omissão, no conceito Fl. 1523DF CARF MF Processo nº 12571.000201/201000 Resolução nº 3301000.521 S3C3T1 Fl. 1.566 9 técnico estrito, foi prolatada com base em pressuposto de fato equivocadamente considerado pelo julgador. Percebese que no Despacho de Admissibilidade fazse referência ao processo nº 12571.000200/201057, em que na apreciação dos embargos de declaração da Fazenda Nacional, com efeitos infringentes, reformouse a decisão negando o pedido formulado pelo Contribuinte no Recurso Voluntário. No referido processo, diante do Acórdão 3301001.892, o Contribuinte ingressou com Embargos de Declaração alegando omissão, visto que no acórdão não foi realizada nenhuma apreciação quanto ao alegado em preliminares e quanto ao mérito e solicita o exame do alegado para suprir a omissão e requer a reunião dos processos de ressarcimento/compensação de PIS e de COFINS com os processos de lançamentos de PIS (12571.000200/201057) e do lançamento de COFINS (12571.000201/201000, presente processo). O presente processo (12571.000201/201000), em que se aprecia os embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional, trata de auto de infração. Já os processos em que se estão sendo analisados os créditos de COFINS (PER/DECOMPs) e que deram ensejo ao presente auto de infração, ainda não foram julgados no âmbito do CARF e são os seguintes: Já o processo nº 12571.000200/201057, também de minha relatoria, trata de auto de infração. Os processos em que se estão sendo analisados os créditos de PIS (PER/DECOMPs) e que deram ensejo ao auto de infração, ainda não foram julgados no âmbito do CARF e são os seguintes: O Regimento Interno do CARF no que tange a existência de processos conexos dispõe: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma Fl. 1524DF CARF MF Processo nº 12571.000201/201000 Resolução nº 3301000.521 S3C3T1 Fl. 1.567 10 matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. Na análise do presente processo que trata do lançamento de COFINS, bem como, do processo nº 12571.000200/201057, também atribuído a este relator, que trata do lançamento de PIS, percebese a necessidade da reunião e julgamento de forma conjunta dos processos acima listados que tratam da análise dos créditos de COFINS e PIS (PER/DCOMPs). De acordo com o entendimento acima exposto e com base na legislação, voto no sentido de dar acolhimento aos embargos de declaração, convertendo o presente julgamento em diligência, devido a conexão, para que se possa enfrentar as questões preliminares e de mérito de forma conjunta com a reunião dos processos e que sejam distribuídos para o presente relator prevento. Em seguida os autos deverão retornar a este Conselho para fins de julgamento. Valcir Gassen Relator Fl. 1525DF CARF MF
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