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Numero do processo: 10880.941092/2010-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2000
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS.
Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido, porém, não o fez.
Na averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior, se faz necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontando-as com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e compará-lo ao pagamento efetuado
Numero da decisão: 1301-002.721
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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W. KOGOS - PROCEDIMENTOS MEDICOS S/S LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido, porém, não o fez. Na averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior, se faz necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontando-as com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e compará-lo ao pagamento efetuado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10880.941092/2010-55 Acórdão n.º 1301-002.721 S1-C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão proferido pela DRJ, que, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, entendeu, por unanimidade de votos, julgá-la improcedente. O presente processo decorre de pedido de Declaração de Compensação, onde o contribuinte utilizou-se de crédito de pagamento a maior de IRPJ. Segundo o despacho decisório, a compensação não foi homologada porque o pagamento considerado indevido foi integralmente utilizado para extinguir débito de IRPJ, inexistindo, portanto, crédito a compensar. Irresignado, o contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, informando que retificou sua DCTF, apropriando-se integralmente do valor recolhido indevidamente. Pondera que a única justificativa da RFB, ao proferir tal despacho, foi ter-se baseado na DCTF original e não considerar a DCTF retificadora, caso contrário não teria porque não homologar a compensação realizada. Estes argumentos foram apreciados pela DRJ, que decidiu pela improcedente da defesa. Anote-se que, em seu decisium, a DRJ consignou que o contribuinte não comprovou a existência do crédito declarado. Após intimado, inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, pugnando por provimento, sustentando a certeza e liquidez do crédito apresentado, pois, em sua ótica, o crédito está devidamente demonstrado através da comparação das obrigações acessórias transmitidas e DARF recolhido. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 1301-002.696, de 19.10.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.973679/2009-90. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301-002.696): O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972. Portanto, dele conheço. Da análise do recurso Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10880.941092/2010-55 Acórdão n.º 1301-002.721 S1-C3T1 Fl. 4 3 Como bem apontado na decisão recorrida, a compensação prevista nos artigos 156 e 170 do CTN, e regulada pelo artigo 74, da Lei 9.430/96, constitui-se em um instrumento de extinção de crédito tributário, mediante apresentação de declaração de compensação, sob condição resolutiva de sua ulterior homologação. O contribuinte quem figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. No caso de pagamento indevido, que é o caso específico dos autos, o reconhecimento de seu direito creditório exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontando-as com os registro contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e compará-lo ao pagamento efetuado. O contribuinte trouxe aos autos apenas suas Declarações (DCTF, Dcomp e DIPJ), informando que retificou sua DCTF, e insiste na comparação das informações declaradas com o DARF recolhido, pois, a partir de tal confronto, em sua ótica, estaria comprovado o crédito que alega ser titular. Não penso assim, pois deveria ter trazido mais elementos de provas, com o escopo de demonstrar não só a origem do crédito, como sua liquidez e certeza. Além do mais, é bom que se diga que as Declarações são documentos produzidos pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências ou omissões, impõe-se a obrigação da recorrente de comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, sustentada em documentos, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocadamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66. Neste ponto, acresça-se o que dispõem os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972, como segue: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) (grifou-se) Assim, o ônus probatório em processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito. Assim vem reiteradamente decidindo este CARF, veja-se: Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10880.941092/2010-55 Acórdão n.º 1301-002.721 S1-C3T1 Fl. 5 4 “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destina-se a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.”(grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) COFINS. DCOMP. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o Per/DComp o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação. DCOMP. CRÉDITOS. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação eficaz desses atributos impossibilita à homologação. (Acórdão 3802003.395, v.u., para negar provimento ao recurso voluntário) RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. (Acórdão 3301003.192, v. u. para negar provimento ao recurso voluntário). Portanto, a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o alegado direito líquido e certo, decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido de IRPJ. Por fim, com relação ao argumento da recorrente, ao final, de que no Acórdão recorrido, foram acrescentados fatos e alegações novos e estranhos ao processo, desconhecidos da empresa recorrente, em especial por ter feito referência a Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10880.941092/2010-55 Acórdão n.º 1301-002.721 S1-C3T1 Fl. 6 5 julgamentos de outros processos de compensação, e por isso, por esta referência, sustentou que foi desrespeitado o devido processo legal, entre outros princípios; também não há que se dá razão ao contribuinte. O fato da decisão recorrida ter feito referência a outros processos que discutem a certeza e liquidez de crédito oriundo de pagamento indevido a título de IRPJ, não agride a estes princípios, e nem altera o resultado da decisão recorrida, pois não se reconhece o crédito pretendido por ausência de provas quanto ao fato constitutivo do direito alegado pelo contribuinte. Sendo assim, rejeitam-se suas alegações. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 120DF CARF MF Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 15521.000142/2010-45
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.913
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1599; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15521.000142/201045 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9202005.913 – 2ª Turma Sessão de 26 de setembro de 2017 Matéria CSP RETROATIVIDADE BENIGNA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ASSOCIACAO HOSPITALAR ARMANDO VIDAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 52 1. 00 01 42 /2 01 0- 45 Fl. 262DF CARF MF Processo nº 15521.000142/201045 Acórdão n.º 9202005.913 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 15521.000142/201045 Acórdão n.º 9202005.913 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 264DF CARF MF Processo nº 15521.000142/201045 Acórdão n.º 9202005.913 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 265DF CARF MF Processo nº 15521.000142/201045 Acórdão n.º 9202005.913 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 266DF CARF MF Processo nº 15521.000142/201045 Acórdão n.º 9202005.913 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 267DF CARF MF Processo nº 15521.000142/201045 Acórdão n.º 9202005.913 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 268DF CARF MF Processo nº 15521.000142/201045 Acórdão n.º 9202005.913 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 269DF CARF MF Processo nº 15521.000142/201045 Acórdão n.º 9202005.913 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 270DF CARF MF Processo nº 15521.000142/201045 Acórdão n.º 9202005.913 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 271DF CARF MF Processo nº 15521.000142/201045 Acórdão n.º 9202005.913 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 272DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.002960/91-91
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Apr 13 00:00:00 UTC 1999
Numero da decisão: 302-000.907
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, encaminhar o processo à Egrégia CSRF, acolhendo a preliminar arguida pelo conselheiros Paulo Roberto Cuco Antunes, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os conselheiros Luis Antonio Flora, Ubaldo Campello Neto e Henrique Prado Megda. Designado para redigir a resolução o conselheiro Paulo Roberto Cuco Antunes.
Nome do relator: Luis Antonio Flora
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Numero do processo: 14033.000777/2008-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
IMPOSTO INCIDENTE NO EXTERIOR. LUCROS, RENDIMENTOS E GANHOS DE CAPITAL. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
O ordenamento jurídico permite a compensação do imposto incidente sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior com o imposto de renda apurado no Brasil, condicionada à observância de requisitos cumulativos tais como: (i) o oferecimento dos rendimentos, lucros e ganhos de capital auferidos no exterior à tributação no regime do lucro real (art. 26 da Lei nº 9.249/95); (ii) a efetiva apuração do lucro no país estrangeiro (art. 16, § 2º da Lei nº 9.430/96); e (iii) o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto (§2° do art. 26 da Lei n°. 9.249/95).
IMPOSTO DEVIDO NO EXTERIOR. EFETIVO PAGAMENTO. PAGAMENTO EM ESPÉCIE OU COMPENSAÇÃO. EXIGÊNCIA DE ÔNUS FINANCEIRO DO CONTRIBUINTE.
Quando o artigo 14, §8o da IN SRF 213/2002 faz menção a efetivo pagamento ela quer dizer a modalidade de quitação do tributo no exterior em que o montante apurado como devido é retirado do patrimônio da devedora e revertido em favor do governo estrangeiro, seja via pagamento em espécie ou compensação de tributos anteriormente recolhidos. O que a IN SRF 213/2002 está a exigir é apenas que não se admitam deduções fictícias ou o abatimento de quaisquer tipo de bônus correspondentes a incentivos fiscais eventualmente concedidos pelo governo estrangeiro. Interpretar tais dispositivos como efetivo pagamento, restringindo outras modalidades de quitação do tributo em que há ônus financeiro para o devedor e incremento financeiro para o governo estrangeiro é impor ressalva onde a lei não autoriza.
IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. EXIGÊNCIA DE CONSULARIZAÇÃO DE DOCUMENTOS. EXCEÇÃO. CONVENÇÃO DA APOSTILA.
A consularização de documentos é formalidade expressamente exigida pelo §2° do art. 26 da Lei n°. 9.249/95 como condição para a compensação do imposto pago no exterior e não se pode deixar de aplicá-la unicamente em prol de princípios como o da verdade material, já que o aplicador da lei deve, primeiramente, buscar compatibilizar os princípios com os dispositivos legais vigentes. Exceção se faz aos documentos provenientes de países signatários da Convenção sobre a Eliminação da Exigência de Legalização dos Documentos Públicos Estrangeiros, ou "Convenção da Apostila", objeto do Decreto 8.660/2016, tendo em vista o artigo 98 do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 1401-002.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da Relatora. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto e Daniel Ribeiro Silva.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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IMPOSTO INCIDENTE NO EXTERIOR Recorrente BANCO DO BRASIL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 IMPOSTO INCIDENTE NO EXTERIOR. LUCROS, RENDIMENTOS E GANHOS DE CAPITAL. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. O ordenamento jurídico permite a compensação do imposto incidente sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior com o imposto de renda apurado no Brasil, condicionada à observância de requisitos cumulativos tais como: (i) o oferecimento dos rendimentos, lucros e ganhos de capital auferidos no exterior à tributação no regime do lucro real (art. 26 da Lei nº 9.249/95); (ii) a efetiva apuração do lucro no país estrangeiro (art. 16, § 2º da Lei nº 9.430/96); e (iii) o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto (§2° do art. 26 da Lei n°. 9.249/95). IMPOSTO DEVIDO NO EXTERIOR. EFETIVO PAGAMENTO. PAGAMENTO EM ESPÉCIE OU COMPENSAÇÃO. EXIGÊNCIA DE ÔNUS FINANCEIRO DO CONTRIBUINTE. Quando o artigo 14, §8o da IN SRF 213/2002 faz menção a efetivo pagamento ela quer dizer a modalidade de quitação do tributo no exterior em que o montante apurado como devido é retirado do patrimônio da devedora e revertido em favor do governo estrangeiro, seja via pagamento em espécie ou compensação de tributos anteriormente recolhidos. O que a IN SRF 213/2002 está a exigir é apenas que não se admitam deduções fictícias ou o abatimento de quaisquer tipo de bônus correspondentes a incentivos fiscais eventualmente concedidos pelo governo estrangeiro. Interpretar tais dispositivos como efetivo pagamento, restringindo outras modalidades de quitação do tributo em que há ônus financeiro para o devedor e incremento financeiro para o governo estrangeiro é impor ressalva onde a lei não autoriza. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 03 3. 00 07 77 /2 00 8- 67 Fl. 3432DF CARF MF 2 IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. EXIGÊNCIA DE CONSULARIZAÇÃO DE DOCUMENTOS. EXCEÇÃO. CONVENÇÃO DA APOSTILA. A consularização de documentos é formalidade expressamente exigida pelo §2° do art. 26 da Lei n°. 9.249/95 como condição para a compensação do imposto pago no exterior e não se pode deixar de aplicála unicamente em prol de princípios como o da verdade material, já que o aplicador da lei deve, primeiramente, buscar compatibilizar os princípios com os dispositivos legais vigentes. Exceção se faz aos documentos provenientes de países signatários da Convenção sobre a Eliminação da Exigência de Legalização dos Documentos Públicos Estrangeiros, ou "Convenção da Apostila", objeto do Decreto 8.660/2016, tendo em vista o artigo 98 do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da Relatora. Declarouse impedido de votar o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto e Daniel Ribeiro Silva. Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de julgamento em Brasília DF que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra a homologação parcial de declarações de compensação apresentadas pelo ora Recorrente. No caso, foi apresentada declaração de compensação 14445.91696.290208.1.3.026086, em 29/02/2008, com o objetivo de compensar créditos referentes a saldo negativo de IRPJ relativos ao anocalendário de 2006, no valor de R$120.420.758,59; com débitos de IRPJ/estimativa mensal referentes a janeiro de 2008. Fl. 3433DF CARF MF Processo nº 14033.000777/200867 Acórdão n.º 1401002.103 S1C4T1 Fl. 3.433 3 Nesse primeiro momento a DRF de Brasília decidiu homologar o pedido de compensação, proferindo o seguinte despacho: "Considerando o disposto no art. 170 do CTN, no artigo 74 da Lei n 9430, de 1996 e o disposto nos artigos 2° e 26 da INSRF 600/2005; Considerando haver sido constatada a existência do crédito solicitado, conforme comprovação efetuada nos autos do presente processo administrativo; Considerando que o crédito é suficiente para compensar integralmente o débito solicitado; Considerando tudo o mais que nos autos contas; HOMOLOGO o PER/DCOMP objeto do presente processo." Em 24/06/2008 e 27/06/2008, antes da ciência do referido despacho, o contribuinte transmitiu PER/DCOMPs retificadores (nos. 33508.07206.240608.1.7.025162 e 11285.14467.270608.1.7.022814), em que informou como crédito o valor total de R$224.970.025,89, mantendo o valor do débito originalmente declarado. Em 30/06/2008 transmitiu novo PER/DCOMP (n° 28813.41328.300608.1.3.021154), para compensação de crédito de saldo negativo de IRPJ, referente ao anocalendário de 2006, o valor de R$ 105.698.360,95 com débitos de IRPJ/estimativa mensal referente a maio de 2008, no montante de R$ 89.812.952,31. Foi, também, apresentada declaração para retificar a DIPJ/2007. O despacho decisório antes proferido foi então objeto de revisão, tendo sido homologadas parcialmente as compensações, nos seguintes termos: "(...) A contribuinte declarou na linha 12 da Ficha 12B (fls. 220) o montante de R$ 1.706.092.451,53. Da análise dos valores lançados na ficha 11 da DIPJ/2007, foi confirmado somente o valor de R$ 1.676.467.217,25, conforme tabela à fls. 231 e detalhamento a seguir: (...) A diferença (R$ 29.625.234,29) entre o valor de IRPJ mensal pago por estimativa lançado na linha 12 da Ficha 12B (R$ 1.706.092.451,53) e o montante reconhecido no parágrafo anterior (R$ 1.676.467.217,25) referese ao IR pago no exterior declarado no PER/DCOMP objeto deste processo, conforme fls. 158. Ocorre que para estes recolhimentos constarem como estimativa mensal efetivamente paga na ficha 12B, a contribuinte deveria ter lançado estes pagamentos na linha 08 da ficha 11 dos respectivos meses, o que não foi feito. Caso optasse por levar esses valores para o ajuste, o local correto para se declarar este imposto pago seria na linha 07 da ficha 12, o que também não foi feito. Dessa forma, não será possível reconhecer este valor supostamente pago no exterior em vista o presumido erro quando do preenchimento da DIPJ/2007. Cabe considerar que caso a contribuinte tivesse declarado algum valor de imposto pago no exterior, citado no item anterior, caberia uma análise para se verificar se foram Fl. 3434DF CARF MF 4 atendidas as condições impostas pelo art. 14 da Instrução Normativa n°213, de 7 de outubro de 2002. Em resumo, foi glosado o valor de R$ 29.625.234,29 e, por conseguinte, somente reconhecido como crédito de saldo negativo de IRPJ, referente ao anocalendário de 2006, o valor de R$ 195.344.791,60. (...)". O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade e requereu a homologação total das compensações declaradas, bem como a extinção do presente processo. E, por entender se tratar de mero erro no preenchimento da declaração, e não erro de apuração ou de recolhimento, em 19/08/2008, mesma dada em que interposta a manifestação, a contribuinte, novamente, retificou a DIPJ/2007, fazendo constar ali o valor supostamente pago no exterior. A DRJ, na ocasião entendendo que poderia se tratar de erro de fato no preenchimento da Declaração, baixou o feito em diligência para se investigar a existência ou não do crédito tributário da interessada que não havia sido apreciado pela DRF, autoridade competente para fazêlo. A DRF, atendendo o pedido da DRJ, intimou o contribuinte a trazer aos autos uma série de documentos para provar a apuração correta dos lucros auferidos no exterior, bem assim o oferecimento dos rendimentos à tributação no Brasil, nos seguintes termos: Deverá ser entregue em meio magnético e físico uma planilha contendo o valor: I do imposto pago no exterior, correspondente aos lucros de cada filial, sucursal, controlada ou coligada e aos rendimentos e ganhos de capital que houverem sido computados na determinação do lucro real (demonstrar os lucros); II do imposto de renda e adicional devidos sobre o lucro real antes e após a inclusão dos lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior. 5. A planilha citada no item 4 deverá demonstrar que o valor compensável do imposto pago no exterior não excede o valor determinado segundo o disposto em seu inciso I, nem à diferença positiva entre os valores calculados sobre o lucro real com e sem a inclusão dos referidos lucros, rendimentos e ganhos de capital, referidos em seu inciso II. 6.Cumpre ressaltar que, para terem sua validade reconhecida, documentos em língua estrangeira devem estar traduzidos por tradutor juramentado, conforme dispõem o art 224 da Lei 406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil, os art 156 e 157 da Lei n. 5.869, v li e janeiro de 1973 Código de Processo Civil (CPC), os art 129 e 148 da Lei n° 6.015, de 31 de dezembro de 1973, e o art. 18 do Decreto n° 13.609, de 21 de outubro de 1943. A diligência concluiu que "como a contribuinte não incluiu na apuração do lucro real (citado no parágrafo 4 acima) nenhum valor dos lucros, rendimentos e ganho de capital auferidos no exterior, não poderá ter imposto a compensar, ou seja, não poderá utilizar os R$ 29.625.234,29." Fl. 3435DF CARF MF Processo nº 14033.000777/200867 Acórdão n.º 1401002.103 S1C4T1 Fl. 3.434 5 Com base em tal relatório a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos seguintes termos (fl. 910 Volume 3): "Nos termos da legislação do imposto de renda a retificação da declaração não é admitida posteriormente a procedimentos de ofício em relação aquele anocalendário, portanto, o valor de R$ 29.625.234,29 referente a IR pago no exterior não pode ser reconhecido, pois incluído em retificação efetuada a destempo. Além disso, a autoridade fiscal observa que a contribuinte não incluiu na apuração do lucro real nenhum valor dos lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, ficha 09B/05 (fl. 597), porém apresenta na ficha 12B (fl. 599), inobservando os parágrafos 7° e 9° do art. 14 da IN SRF 213/2002, ver folhas 600, itens 3, 4 e 5. " Intimado em 31 de agosto de 2009, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 21 de setembro de 2009 (fls. 917926 Volume 4), por meio do qual alegou que, em casos como o dos autos, por se tratar de mero erro formal no preenchimento da declaração, caberia ao Fisco proceder a retificação de ofício. Ainda, trouxe novamente aos autos a documentação comprobatória do recolhimento dos impostos no exterior (Anexo 6 fl. 963 em diante Volume 4) buscando defender que, sanado o vício apontado a justificar a glosa, e uma vez demonstrado que o Recorrente é de fato possuidor do crédito, tendo direito à compensação segundo a legislação de regência (IN SRF 213/2002), inexistem razões para a não homologação integral do pedido de compensação. Contrarrazões da PFN às fls. 1 a 11 (processo eletrônico). Em 20 de janeiro de 2016, esta Turma resolveu novamente converter o julgamento em diligência, por entender que a DRF, nas intimações realizadas quando da diligência solicitada pela DRJ, deixou de questionar pontos importantes para a resolução da lide. Eis o voto objeto da Resolução 1401000.370, com grifos nossos (fls. 1.8451.854): Conforme relatado, a DRF, em seu despacho revisório, deixou de analisar possível erro de fato no preenchimento da declaração, no que concerne à possível falta de da compensação do Imposto pago no exterior, como preceitua a legislação de regência (art. 26 da Lei n°. 9.249/95 c/c art. 16 da Lei n. 9430/96, regulamentado pela IN SRF n° 213, de 07.10.2002). Fato esse muito bem percebido pela DRJ, tanto assim que baixou o feito em diligência para que a DRF averiguasse aquilo que já deveria ter feito anteriormente, ou seja, se foram atendidas as condições para esse aproveitamento. Nesse sentido, visto de forma pragmática, já que não foi dito literalmente, a DRJ ultrapassou a questão formal da correção da retificação. A DRJ tinha como norte o cumprimento das condições para se dar essa compensação, que se traduz na prática no cumprimento do art. 26 da Lei n°. 9.249/95 c/c art. 16 da Lei n. 9430/96, que são os preceptivos legais que regulamentam a compensação do Fl. 3436DF CARF MF 6 imposto incidente no exterior sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital tributados no Brasil, nos seguintes termos: Art. 26. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. § 1º Para efeito de determinação do limite fixado no caput, o imposto incidente, no Brasil, correspondente aos lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos no exterior, será proporcional ao total do imposto e adicional devidos pela pessoa jurídica no Brasil. § 2º Para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. § 3º O imposto de renda a ser compensado será convertido em quantidade de Reais, de acordo com a taxa de câmbio, para venda, na data em que o imposto foi pago; caso a moeda em que o imposto foi pago não tiver cotação no Brasil, será ela convertida em dólares norteamericanos e, em seguida, em Reais. Lei nº 9.430/96: Art. 16. Sem prejuízo do disposto nos arts. 25, 26 e 27 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os lucros auferidos por filiais, sucursais, controladas e coligadas, no exterior, serão: I considerados de forma individualizada, por filial, sucursal, controlada ou coligada; II Omissis § 1º Omissis. § 2º Para efeito da compensação de imposto pago no exterior, a pessoa jurídica: I com relação aos lucros, deverá apresentar as demonstrações financeiras correspondentes, exceto na hipótese do inciso II do caput deste artigo; II fica dispensada da obrigação a que se refere o § 2º do art. 26 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, quando comprovar que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado. (...) Os dispositivos legais acima foram consolidados no art. 395 do RIR/99: Fl. 3437DF CARF MF Processo nº 14033.000777/200867 Acórdão n.º 1401002.103 S1C4T1 Fl. 3.435 7 Art. 395. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos, ganhos de capital e receitas decorrentes da prestação de serviços efetuada diretamente, computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos, ganhos de capital e receitas de prestação de serviços (Lei n 9.249, de 1995, art. 26, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 15). (...) §2° Para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no pais em que for devido o imposto (Lei n9.249, de 1995, art. 26, §22). (...) §4° Para efeito da compensação do imposto referido neste artigo, com relação aos lucros, a pessoa jurídica deverá apresentar as demonstrações financeiras correspondentes, exceto na hipótese do inciso II do §10 do art. 394 (Lei n° 9.430, de 1996, art. 16, §2º inciso I) §5° Fica dispensada da obrigação de que trata o §2o deste artigo a pessoa jurídica que comprovar que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado (Lei nº 9.430, de 1996, art. 16, §2S, inciso II). (...) Como se vê, o ordenamento jurídico permite, sim, a compensação do imposto incidente sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior com o imposto de renda apurado no Brasil. Ora, se a filial, sucursal, controlada ou coligada, no exterior, por meio da nova sistemática legal de tributação (princípio da universalidade) deve consolidar os tributos pagos correspondentes a lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos por meio de outras pessoas jurídicas nas quais tenha participação societária, para fins de tributação no Brasil, nada mais coerente do que permitir a compensação do tributo pago sobre o montante já tributado no exterior. Porém, condiciona esta compensação a vários requisitos que devem ser obedecidos de forma cumulativa. Isso quer dizer que o descumprimento apenas de um dos requisitos já é suficiente para que tal compensação seja obstaculizada. Eis abaixo as condições exigidas por Lei: 1) O oferecimento daqueles rendimentos, lucros e ganhos de capital auferidos no exterior à tributação no regime do lucro real (art. 26, caput da Lei nº 9.249/95). Fl. 3438DF CARF MF 8 2) efetiva apuração do lucro em país estrangeiro (art. 16, inciso II, § 2º da Lei nº 9.430/96). 3) Para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto (§2° do art. 26 da Lei n°. 9.249/95). Bem, vejo que a DRF, na diligência preocupouse em intimar o contribuinte a provar as três condições acima, porém, percebo que não foi muito feliz no cumprimento da primeira condição que se dobra em duas questões: a) o oferecimento à tributação no Brasil dos lucros auferidos no exterior; b) o oferecimento à tributação no Brasil de quaisquer outros rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior. Tanto é verdade que tal distinção ocorre e é importante que vemos que tal informação foi separada em Linhas distintas na Declaração, Linhas 05 e 06 da Ficha 09B Demonstração do Lucro Real (LR) da DIPJ 2007. Vejamos como são claras as instruções do Manual de preenchimento das DIPJ a esse respeito: Linha 09B/04 Lucros Disponibilizados no Exterior Indicar, nesta linha, os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas, que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil no curso do anocalendário (Lei n 9.532, de 1997, art. 1°, § 1º; Lei n9.959, de 27 de janeiro de 2000, art. 3º; MP nº 1.99115, de 2000, art. 35 e reedições; MP ns 2.15834, de 2001, art. 74). Em caso de apuração trimestral do imposto, tais lucros devem ser informados na coluna relativa ao 42 trimestre. Linha 9B/05 Exterior Rendimentos e Ganhos de Capital Auferidos no Exterior Indicar, nesta linha, os rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, os quais devem ser considerados pelos seus valores antes de descontado o tributo pago no país de origem (IN SRF n213, de 07 de outubro de 2002, art. 1º, § 7º). No caso de apuração trimestral, os rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior que tenham sido excluídos nos 1, 2 e 3trimestres na apuração do lucro real referente a esses períodos (Linha 09A/30) devem ser adicionados, nesta linha, na coluna do 4trimestre (Lei nº 9.249, de 1995, art. 25; Lei nº 9.532, de 1997, art. 1º; IN SRF n213, de 2002, art. 9º). Na verdade as intimações de direcionaram para o cumprimento da condição “1 a” acima (tributação no Brasil dos Lucros) e não da “ 1 b” (tributação de outros rendimentos e ganho de capital no exterior). Verifico também que a farta documentação trazida aos autos pelo contribuinte visou demonstrar os itens 1 a, 2 e 3, passando ao largo o item 1 b. Tomese, como exemplo, a esse respeito o atendimento à intimação fiscal, onde o contribuinte dá conta da documentação entregue à fiscalização para atendimento do que fora solicitado: “(....) a) item 1 demonstrativo de afiliações e participações empresariais no exterior —anexo 2; Fl. 3439DF CARF MF Processo nº 14033.000777/200867 Acórdão n.º 1401002.103 S1C4T1 Fl. 3.436 9 b) item 3 descrição das operações e atividades exercidas pelas entidades no exterior — anexo 3; c) item 4 — atos constitutivos das entidades no exterior — anexo 4; d) item 7 cópias das folhas do Livro Diário do Banco do Brasil, nas quais foram transcritas as demonstrações financeiras das entidades no exterior— anexo 5; e) item 9 cópias das memórias de cálculo e dos lançamentos contábeis das equivalências patrimoniais referentes às entidades controladas direta ou indiretamente no exterior — anexo 6; f) item 10 comprovação da inclusão nos cálculos do IR no Brasil, dos lucros obtidos com as entidades no exterior, bem como com rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior diretamente pelo Banco do Brasil — anexo 7; g) item 13 cópias da parte A do Livro Apuração do lucro Real (LALUR) do anocalendário 2006 — anexo 8; h) estatuto social do Banco do Brasil — anexo 9; i) arquivo digital com as informações dos itens 2, 5, 6 e 8 — Código de Identificação Geral 4ea14e5e991d371edd55c997548a3182.(...) Verifico ainda que o Contribuinte ofereceu à tributação todo seu lucro auferido no exterior, ao preencher a linha 09B/04 Lucros Disponibilizados no Exterior, no valor de R$247.838.272,75, da DIPJ/2007 (fls. 467), informação esta coerente com o que consta de suas planilhas de apuração, bem assim da Adição feita ao LALUR, com o histórico “2. 64 Lucros no exterior” (fls. 1.406), nesse mesmo montante. Porém, quanto à linha 09B/05 Rendimentos e Ganhos de Capital Auferidos no Exterior, tal linha de fato encontrase ZERADA. O curioso é que não existe uma intimação específica ao contribuinte para pelo menos para justificar o porquê desse campo está zerado. Há aqui uma patente confusão de informações que precisa ainda serem esclarecidas. Parece até que por essa omissão no direcionamento e depois conclusão, a Recorrente ainda não se deu conta, ou não entende o motivo da sua negativa pela DRF (em diligência) e DRJ, pois o recurso é direcionado apenas para afirmar que possui imposto pago no exterior e que cometera apenas um erro de fato no preenchimento da declaração. Observei até que a PFN também comete esse mesmo equívoco após analisar a informação vinda do retorno de diligência. Tomese como exemplo esta passagem: Fl. 3440DF CARF MF 10 Da simples leitura dos referidos artigos concluise que o cômputo da renda auferida no exterior por filial, sucursal, controlada ou coligada de empresa brasileira, no tributo por esta devido no país, é condição para aproveitamento do imposto pago no exterior. Não preenchida esta condição, a compensação resta impossível. Nesse sentido, é de se ver que apesar da DRJ manifestarse sobre a ausência de inclusão dos lucros auferidos no exterior na apuração do lucro real, a contribuinte, nas suas razões recursais, mantevese silente quanto ao tema, razão pela qual concluise ter confessado tal fato e gerado a preclusão de seu direito de apresentar argumentos contrários. Ao que parece, ressalvado esse ponto, o contribuinte, até prova em contrário, a princípio atendeu com a farta documentação trazida aos autos o que lhe fora solicitado na diligência. Negou se o seu pleito com base em informação em que não foi lhe dado oportunidade de se defender a respeito, de forma a se saber com segurança a possível omissão de outros rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior,. Nesse contexto e em nome da verdade material, baixo o processo em diligência para que seja esclarecido o seguinte: Intimar o contribuinte a justificar o porquê a Ficha/Linha 09B/05 Rendimentos e Ganhos de Capital Auferidos no Exterior, da DIPJ, encontrase zerada. Se tais rendimentos já estariam ou não inclusos na Ficha 09B/04 – ou equivocadamente, em outro lugar qualquer da DIPJ. Independente da justificativa dada pelo contribuinte, a fiscalização deve detalhar a cada um dos pontos relação ao atendimento ou não das demais condições impostas pela IN SRF n° 213, de 07.10.2002, para que essa Turma tenha condições de se decidir com base no maior número de informações disponíveis. Ainda a respeito do tópico anterior, levar em consideração a oposição que a PFN fez, em suas contrarrazões, em relação ao atendimento de um outra condição, qual seja, a disposta no §2° do art. 395 do RIR/99 “Para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no pais em que for devido o imposto” (Lei n. 9.249, de 1995, art. 26, §22). Eis suas palavras: Outrossim, mister ressaltar que os documentos apresentados pela contribuinte, com o intuito de provar os supostos recolhimentos de IR no exterior, não se prestam para esse fim. Analisandoos, verificase que os mesmos, na maioria das vezes, reportamse à simples declarações ou cobranças dos tributos, não sendo hábeis, portanto, para demonstrar o efetivo pagamento do imposto de renda devido no exterior. Apenas a título de exemplificação, vejamos o que alguns destes documentos representam: • Fls. 457 e seguintes: tratase, meramente, de um aviso sobre o valor paramétrico sobre a atividade comercial de 2006. Esclarecese, inclusive, que com base neste valor paramétrico estipularseá e cobrarseá o Fl. 3441DF CARF MF Processo nº 14033.000777/200867 Acórdão n.º 1401002.103 S1C4T1 Fl. 3.437 11 imposto sobre a atividade comercial e, ainda, que a estipulação do imposto pode ser objeto de contestação recursal. • Fls. 469: o documento é, simplesmente, um "reconhecimento de uma declaração de imposto de renda", por meio do qual se acusou o recebimento de uma declaração. • Fls. 491 e seguintes: referemse a declarações de imposto estimado por empresas bancárias, indicando valores de impostos devidos e trazendo, inclusive, orientações sobre como deve ser feito o pagamento, na medida em que determinam que "o pagamento deve ser feito em dólares americanos, sacados de um bando americano". • Fls. 568 e seguintes: o documento é um aviso de imposto de renda pessoa jurídica de 2006, contra o qual cabe, inclusive, recurso. Ora, por razões óbvias, um documento elaborado com a simples finalidade de comunicar débitos, orientar sobre a forma de pagamento ou avisar sobre o direito à interposição de recurso não pode servir para provar pagamento, já que este, se efetivado, somente o seria posteriormente àquelas informações. Além disso, tais documentos fazem referências às moedas estrangeiras, sem que fossem feitas as devidas conversões de tais valores em reais, a corroborar os montantes informados pelo recorrente. Outrossim, alguns estão sem tradução e outros não passam de documentos internos do próprio Banco Em relação ao tópico anterior, oportunizar ao contribuinte o complemento da prova, se for o caso. Ao final, a autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações, ressalvado o fornecimento de informações adicionais e a juntada de outros documentos que entender necessários, entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. Para subsidiar o atendimento da diligência, o Recorrente foi intimado a justificar o porquê de a Ficha/Linha 09B/05 – Rendimentos e Ganhos de Capital Auferidos no Exterior, da DIPJ, encontrarse zerada, assim com se tais rendimentos já estariam ou não inclusos na Ficha 09B/04 – ou equivocadamente, em outro lugar qualquer da DIPJ, de acordo com item 1 do parágrafo 12 desta Informação Fiscal (fls.1856/1862). Em resposta à intimação, o Recorrente apresentou os documentos constantes às fls. 1867/2584 e, em relação à Ficha/Linha 09B/05 – Rendimentos e Ganhos Auferidos no Exterior, afirma, em fl.1867, que não houve rendimentos e ganhos de capital no exterior. Além disso, mesmo já tendo sido apresentada vasta documentação a respeito do imposto de renda pago no exterior, intimação fiscal também solicitou ao Recorrente que apresentasse informações pontuais, relativas aos documentos de arrecadação em cada país de domicílio das filiais, sucursais, controladas ou coligadas, com a intenção de verificar se houve o atendimento das condições impostas pela IN SRF nº 213/2002, bem como dos requisitos estabelecidos no art. 26, § 2º, da Lei nº 9.249, de 1995, e no art. 16, § 2º, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996. O resultado da diligência encontrase na Informação Fiscal de fls. 3.332 3.365. Fl. 3442DF CARF MF 12 A Informação Fiscal confirmou o efetivo pagamento do imposto no exterior e a observância dos limites previstos no art. 14 da IN SRF 213/2002 com relação a parte dos valores, nos seguintes termos (fls. 3.3613.362 grifamos): 170. Após a análise do crédito pleiteado para cada filial/controlada, parágrafos 25 a 169, foi possível verificar se houve o efetivo pagamento de imposto de renda no exterior, nos termos da legislação. Assim, a tabela 15 abaixo indica os valores que foram confirmados para cada filial/controlada e, ao final, consolida o valor total do imposto pago no exterior, num montante de R$ 20.334.089,19. A primeira coluna indica o país em que se localiza a filial/controlada. Segunda coluna, extraída da tabela 01, indica o valor que foi informado como imposto pago no exterior. A terceira coluna indica os valores confirmados em parágrafos anteriores. (...) 180. Pelo exposto, os dois limites estabelecidos pela legislação foram respeitados. Assim, confirmase o valor de R$ 20.334.089,19, a título de imposto de renda pago no exterior, conforme tabela 15. Fl. 3443DF CARF MF Processo nº 14033.000777/200867 Acórdão n.º 1401002.103 S1C4T1 Fl. 3.438 13 Com relação à consideração feita pela PFN em suas contrarrazões, em relação ao atendimento dos requisitos estabelecidos no §2° do art. 395 do RIR/99, a Informação Fiscal observa que tais requisitos formais que também foram atendidos. Nesse ponto, afirma que, quanto ao requisito de o documento ser reconhecido pelo órgão arrecadador do país onde o imposto foi pago, a norma não determinou forma específica e cabe à autoridade fiscal brasileira verificar se a documentação apresentada pertence ao órgão arrecadador informado. Em resumo, conclui (fl. 3.365): 185. Verificase ainda em relação a documentação apresentada para cada filial/controlada, que a análise se pautou basicamente nos parâmetros citados abaixo. O cumprimento de todos esses itens é imprescindível para o reconhecimento do crédito pleiteado. Todos os pagamentos que foram confirmados em tabela 15 cumpriram os itens abaixo: a) Houve o efetivo pagamento do tributo no exterior, conforme § 8º, art.14, da IN 213/2002; b) Foi possível verificar a data em que o pagamento foi efetuado e, consequentemente, a a taxa de câmbio para conversão, conforme art.26, § 3º, da Lei nº 9.249, de 1995, e art. 14, § 2º, da IN SRF nº 213, de 2002, c) O tributo pago no exterior incide sobre o lucro, independentemente de sua denominação, conforme § 1º, art.14, da IN 213/2002; d) Os documentos apresentados foram reconhecido pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que o imposto foi pago, conforme §22, art.26, da Lei nº 9.249; e) Os documentos apresentados possuem a indicação/reconhecimento do órgão arrecadador no país em que o imposto foi pago, conforme §22, art.26, da Lei nº 9.249; f) Houve o oferecimento à tributação no Brasil dos lucros auferidos no exterior por cada filial/controlada, conforme art. 1º da IN 213/2002; Intimado a se manifestar, o ora Recorrente pleiteia o reconhecimento da diferença entre o valor total declarado (R$ 29.625.234,29) e o valor reconhecido pela DRF na diligência solicitada por este CARF (R$20.334.089,19), correspondente a R$9.291.241,10, nos seguintes termos: (i) Paraguai Fl. 3444DF CARF MF 14 ... (ii) Alemanha ... (iii) Portugal Fl. 3445DF CARF MF Processo nº 14033.000777/200867 Acórdão n.º 1401002.103 S1C4T1 Fl. 3.439 15 ... (iv) Reino Unido ... (v) Estados Unidos ... (vi) Chile Fl. 3446DF CARF MF 16 ... (vii) Áustria Nada é mencionado quanto ao valor de R$179,99 referente às Ilhas Cayman. Em 19 de junho de 2017, junta, ainda, petição de fls. 3.4173.426 comprovando o apostilamento, ocorrido em 16 de março de 2017, do documento de fls. 2.819 2.825, apresentado durante o atendimento à diligência e referente ao pagamento de imposto sobre lucros do BB Londres (comprovante de pagamento acompanhando de tradução juramentada). Recebi o processo em distribuição realizada em 26 de julho de 2017. Voto Conselheira Relatora Livia De Carli Germano Fl. 3447DF CARF MF Processo nº 14033.000777/200867 Acórdão n.º 1401002.103 S1C4T1 Fl. 3.440 17 O recurso voluntário é tempestivo e observa os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Conforme relatado, as divergências inicialmente apuradas no despacho decisório que homologou apenas parcialmente as compensações foram reanalisadas pela DRF nas duas oportunidades em que o julgamento foi convertido em diligência. Após tais verificações, remanesce controverso o valor de R$9.291.241,10, correspondente à diferença entre o valor total pleiteado pelo Recorrente a título de imposto pago no exterior (R$ 29.625.234,29) e o valor finalmente reconhecido pela DRF após as diligências efetuadas (R$20.334.089,19). Tal diferença se deve basicamente a duas questões: (i) não admissão, para fins de consideração como imposto pago no exterior, de valores quitados via compensação casos de Paraguai, Alemanha, Portugal, Chile, Áustria. (ii) exigência de consularização de documentos com relação ao imposto pago na Alemanha, Reino Unido, Estados Unidos e Áustria. Iniciaremos nesse voto tratando dessas questões em tese, para depois analisar os documentos referentes a cada país. Análise de questões em tese Conforme observou o ilustre relator no voto proferido na Resolução 1401 000.370, o ordenamento jurídico permite a compensação do imposto incidente sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior com o imposto de renda apurado no Brasil, porém condiciona esta compensação a vários requisitos que devem ser obedecidos de forma cumulativa, quais sejam: 1) O oferecimento daqueles rendimentos, lucros e ganhos de capital auferidos no exterior à tributação no regime do lucro real (art. 26, caput da Lei nº 9.249/95). 2) efetiva apuração do lucro em país estrangeiro (art. 16, inciso II, § 2º da Lei nº 9.430/96). 3) Para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto (§2° do art. 26 da Lei n°. 9.249/1995). As questões que permanecem sob discussão no presente processo dizem respeito a esse terceiro requisito. Neste sentido, vale transcrever o teor do art. 26 da Lei 9.249/1995, que regula o tema: Art. 26. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. Fl. 3448DF CARF MF 18 § 1º Para efeito de determinação do limite fixado no caput, o imposto incidente, no Brasil, correspondente aos lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos no exterior, será proporcional ao total do imposto e adicional devidos pela pessoa jurídica no Brasil. § 2º Para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. § 3º O imposto de renda a ser compensado será convertido em quantidade de Reais, de acordo com a taxa de câmbio, para venda, na data em que o imposto foi pago; caso a moeda em que o imposto foi pago não tiver cotação no Brasil, será ela convertida em dólares norteamericanos e, em seguida, em Reais. a) Imposto compensado no exterior o alcance do art. 14, § 8º, da IN SRF 213/2002 Como visto, o §2° do art. 26 da Lei n°. 9.249/95 menciona a compensação do "imposto de renda incidente, no exterior". Por sua vez, a Receita Federal, ao regular o tema, utiliza o termo "efetivo pagamento" ao determinar, no artigo 14 da Instrução Normativa SRF 213/2002, que a conversão do imposto pago no exterior para Reais tome por base "a taxa de câmbio da moeda do país de origem, fixada para venda, pelo Banco Central do Brasil, correspondente à data de seu efetivo pagamento" (§2o), bem como ao estabelecer que "Para efeito de compensação, o tributo será considerado pelo valor efetivamente pago, não sendo permitido o aproveitamento de crédito de tributo decorrente de qualquer benefício fiscal." (§8º). Daí a questão: a menção a "efetivo pagamento" pode ser interpretada como uma exigência de que o pagamento seja em espécie, estando vedadas todas as outras formas de extinção do crédito tributário? Entendo que a resposta é negativa. De fato, vimos que a lei não estabelece tal restrição pelo contrário, é abrangente a ponto de permitir a compensação do imposto "incidente" no exterior. Além disso, não há nenhum comando normativo que determine a interpretação restritiva de tal dispositivo. Na verdade, quando a IN SRF 213/2002 faz menção a "efetivo pagamento" ela quer dizer a modalidade de quitação do tributo no exterior em que o montante de imposto apurado como devido é retirado do patrimônio da devedora e revertido em favor do governo estrangeiro. A questão é semelhante à exigência de vedar a denúncia espontânea no caso de compensação exigindo efetivo pagamento quando o que a legislação exige é a quitação imediata do tributo. O que a IN SRF 213/2002 está a exigir e nisso ela é expressa é que não se admitam deduções fictícias ou o abatimento de quaisquer tipo de bônus correspondentes a incentivos fiscais eventualmente concedidos pelo governo estrangeiro. Mas só. Interpretar tais dispositivos como uma restrição a outras modalidades de quitação do tributo em que há ônus financeiro para o devedor e incremento financeiro para o governo estrangeiro como é o caso da compensação de tributos anteriormente recolhidos é impor restrição onde a lei não autoriza. Fl. 3449DF CARF MF Processo nº 14033.000777/200867 Acórdão n.º 1401002.103 S1C4T1 Fl. 3.441 19 Quanto à data a ser considerada como parâmetro para a conversão para Reais do imposto pago no exterior, no caso em que o pagamento é realizado em espécie a legislação estabelece expressamente que se leve em consideração o dia do efetivo pagamento. Neste sentido, por questão de coerência, no caso de a quitação ocorrer por outras formas, a data a ser utilizada como parâmetro é o dia em que ocorreu tal quitação. Assim, no caso em que a quitação ocorre mediante compensação do imposto anteriormente recolhido, considerando que a apuração do montante de imposto finalmente devido no exterior ocorre por ocasião da elaboração das demonstrações financeiras, é legítimo levar em consideração tal data, como procedeu o Recorrente. b) Consularização de documentos Quanto à consularização de documentos, tratase de uma formalidade expressamente exigida pela lei, mais precisamente, o §2° do art. 26 da Lei n°. 9.249/95. Assim, não se pode, a princípio, deixar de aplicála unicamente em prol de princípios como o da verdade material, já que o aplicador da lei deve, primeiramente, buscar compatibilizar os princípios com os dispositivos legais vigentes. No caso, não há incompatibilidade entre o princípio da verdade material e a regra que determina a consularização dos documentos, já que esta é apenas uma exigência formal que busca dar efetividade a tal princípio, por atestar a validade do documento emitido no exterior. A única exceção a ser admitida à exigência de consularização de documentos consta da própria legislação brasileira. Isso porque o Decreto 8.660/2016 promulgou no Brasil a Convenção sobre a Eliminação da Exigência de Legalização dos Documentos Públicos Estrangeiros, também conhecida como "Convenção da Apostila" celebrada na Haia em 5 de outubro de 1961. Nesse ponto, vale lembrar o disposto no artigo 98 do CTN, segundo o qual "Os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha." A Convenção da Apostila, em vigor no Brasil desde 14 de agosto de 2016, estabelece que, para produzir efeitos contra terceiros no Brasil, os documentos emitidos em países estrangeiros partes da Convenção da Apostila não mais precisam passar por formalidades por agentes diplomáticos ou consulares no exterior, bastando o apostilamento feito pelas autoridades apostilantes localizadas no país emissor dos documentos. Todos os países referidos no presente processo são partes nessa Convenção (conforme lista disponível em http://www.cnj.jus.br/poderjudiciario/relacoes internacionais/convencaodaapostiladahaia/paisessignatarios, consulta em 11/09/2017). Portanto, a consularização de documentos é uma exigência formal que deve ser cumprida quanto aos países não signatários da Convenção da Apostila, bastando, para os signatários, o apostilamento feito pela autoridade competente no exterior. Conclusão sobre as questões em tese Conforme analisado acima, a IN 213/2002 condiciona a compensação do imposto pago no exterior ao seu "efetivo pagamento" ela apenas está a exigir que o valor do imposto apurado como devido tenha sido retirado do patrimônio da devedora e revertido em Fl. 3450DF CARF MF 20 favor do governo estrangeiro, não sendo admitidas deduções fictícias ou o abatimento de quaisquer tipo de bônus correspondentes a incentivos fiscais eventualmente concedidos pelo governo estrangeiro. Tal exigência não é tão restrita a ponto de apenas se admitir a compensação do imposto que seja pago em espécie. Assim, devese admitir como imposto pago no exterior quaisquer valores que tenham sido apurados como devidos e quitados perante o governo estrangeiro, seja por meio de pagamento em espécie seja por dação em pagamento ou compensação com créditos do sujeito passivo perante o governo estrangeiro, neste último caso desde que tais créditos não tenham origem em incentivos fiscais de qualquer espécie. Já com relação à consularização de documentos, vimos que esta exigência legal é compatível com o princípio da verdade material, estando dispensada apenas entre os países signatários da Convenção da Apostila da Haia, dentre os quais se encontram todos os referidos no presente processo bastando, para estes, o apostilamento realizado pelas autoridades estrangeiras. Análise dos documentos e informações relativos a cada país Paraguai a Informação Fiscal afirma que pelo aspecto formal, os documentos apresentados cumpriram os requisitos contidos no art. 26, § 2º, da Lei 9.249, de 1995, quais sejam, o reconhecimento do documento pelo Consulado da Embaixada Brasileira e pelo órgão arrecadador do Paraguai. No entanto, "restou comprovada a ausência de pagamento efetivo de imposto de renda no Paraguai, pois o que houve de fato foi uma compensação. Além disso, não foi possível identificar a data do suposto pagamento, o que impossibilita a determinação da taxa de câmbio para conversão e a apuração do exato valor a ser confirmado como imposto pago no Paraguai. Assim, não será considera do o imposto de renda apurado no Paraguai, no valor de 367.502.513 PYG, tampouco o valor de R$ 176.433,09, que foi considerado pelo contribuinte na composição do imposto de renda pago no exterior" (fl. 3.339). > Conclusão: o imposto foi quitado no exterior via compensação, logo devese admitir o respectivo valor como imposto pago no exterior para fins de compensação com o imposto devido no Brasil. Alemanha dos 3 valores pleiteados, a Informação fiscal atestou o pagamento no valor de EUR 739.026 euros e a idoneidade da documentação comprobatória, confirmando o montante de R$ 1.938.797,76 relativo a imposto pago na Alemanha. Não foram admitidos: (i) o valor de EUR 21.176, por não se tratar de montante "efetivamente pago" mas sim compensado; e (ii) o valor de EUR 724.244, em razão de ausência de comprovação do pagamento ou compensação no caso, afirma que o Recorrente juntou documentos que comprovam que o pagamento seria descontado diretamente de uma conta bancária, trimestralmente, no entanto não apresentou comprovantes do efetivo desconto, mas apenas uma planilha por ele elaborada, que até por ser documento próprio não foi consularizado. > Conclusão: o valor de EUR 21.176 foi quitado no exterior via compensação, logo devese admitir o respectivo valor como imposto pago no exterior para fins de compensação com o imposto devido no Brasil. Já quanto ao montante de EUR 724.244, mantémse a decisão recorrida já que não restam comprovados quer o pagamento quer a compensação. Portugal a Informação Fiscal não admite o valor de EUR 1.000 (R$ 2.818,33) por se tratar de compensação e não de efetivo pagamento. Fl. 3451DF CARF MF Processo nº 14033.000777/200867 Acórdão n.º 1401002.103 S1C4T1 Fl. 3.442 21 Conforme informado pelo Recorrente a fl. 603 não houve pagamento de imposto de renda em 2006 pois o valor devido foi compensado com valores pagos antecipadamente em anos anteriores. O documento comprobatório anexado a fl. 661 possui o carimbo do Consulado Geral do Brasil, estando cumprido o requisito formal da consularização. > Conclusão: o imposto foi quitado no exterior via compensação, logo devese admitir o respectivo valor como imposto pago no exterior para fins de compensação com o imposto devido no Brasil. Reino Unido a Informação Fiscal afirma que o montante do imposto pago na Inglaterra é R$ 6.182.331,30, no entanto, não reconhece o valor apurado porque, apesar de o contribuinte ter apresentado a documentação (fls.2820/2821) com o reconhecimento do órgão arrecadador inglês, não houve o reconhecimento pelo Consulado da Embaixada Brasileira na Inglaterra, nos termos do art. 26, § 2º, da Lei 9.249, de 1995. > Conclusão: o documento de fls. 3.4173.426 atesta o apostilamento da documentação apresentada pelo contribuinte, logo foi cumprido o requisito legal faltante e devese admitir o respectivo valor como imposto pago no exterior para fins de compensação com o imposto devido no Brasil. EUA Sobre a transferência bancária no valor de $ 130.000,00 (fl.679 e respectiva tradução em fl.705), a Informação Fiscal aponta que "A análise desses documentos não permite identificar o beneficiário da transação, tampouco inferir que essa transação bancária se refere a pagamento de imposto nos EUA. Ademais, não foi apresentada qualquer declaração ou outro documento que faça referência a imposto pago nos EUA. Também não consta nesse documento o reconhecimento pelo órgão arrecadador e nem pelo Consulado da Embaixada Brasileira nos EUA, nos termo do art. 26, §§ 2º e 3º, da Lei nº 9.249/95. Logo, o valor de US$ 130.000,00 não será considerado na composição do imposto pago no exterior."(fl. 3.346) Apesar de o Recorrente afirmar que o documento foi consularizado, verifica se que o documento que consta como notarizado e consularizado (fl. 1.950) é uma carta assinada pelo gerente do Banco do Brasil em Nova York declarando o montante de imposto de renda submetido às autoridades fiscais locais no ano de 2006. Tratase, portanto, de documentação interno da empresa e não de efetivo comprovante de pagamento ou compensação de tributos. Neste sentido, não foi cumprido o requisito formal de consularização, pelo que o documento não deve ser admitido. Já quanto aos valores relativos ao “Imposto Estimado” e o “Imposto Corporativo”, para os quais há comprovação de pagamento mediante cheques (fls.679/703, Formulário CT400MN e Formulário NYC400B), a Informação Fiscal aponta que os documentos foram confirmados nos órgãos arrecadadores americanos, mas não consta nesses documentos o reconhecimento pelo Consulado da Embaixada Brasileira nos Estados Unidos, nos termos do art. 26, §2º, da Lei nº 9.249/95. Além disso, a Informação Fiscal constata que "o contribuinte foi intimado a apresentar a legislação tributária americana que comprove que incidem sobre o lucro, em conformidade com o §1º, art.14, da IN SRF nº 213/2002. Nesse contexto, foram analisadas todas as 484 páginas, que compreende os documentos citados em parágrafos 88 e 89, e não foi verificado nenhum documento que comprove que o Imposto Estimado e o Imposto Corporativo incidem sobre o lucro, renda ou rendimentos." (fl. 3.347). De uma forma ou de outra, não foram cumpridos os requisitos legais para a admissão dos comprovantes. Fl. 3452DF CARF MF 22 > Conclusão: mantémse a decisão recorrida uma vez que não foram observados os requisitos formais para a utilização dos documentos estrangeiros no país. Chile a Informação Fiscal afirma que pelo aspecto formal, os documentos apresentados cumpriram os requisitos contidos no art. 26, § 2º, da Lei 9.249, de 1995, quais sejam, o reconhecimento do documento pelo Consulado da Embaixada Brasileira e pelo órgão arrecadador do Chile. No entanto, aduz que no campo 36 da declaração original de imposto de renda (fl.763 e 2.188; tradução à fl.759 e 2.144) está informado o valor de 66.679.044 pesos chilenos (o mesmo valor indicado pelo contribuinte como sendo o imposto de renda pago no Chile), porém tal campo se refere a “Pagamentos Provisionais Atualizados”, ou seja, não se trata do valor efetivamente pago pelo contribuinte. Assim, não admite o valor por considerar a ausência de pagamento efetivo, além de não ser possível identificar a data do suposto pagamento para fins de conversão para reais. No documento de fl. 603 o Recorrente afirmou: "Apesar de que na declaração enviada consta o direito de receber de volta parte dos tributos recolhidos, a dependência não disponibilizou em tempo hábil os documentos de arrecadação e nem conseguimos em que ano ocorreu o recolhimento. Iremos questionar a dependência o motivo da falta de envio dos comprovantes de recolhimentos.". Não foi trazida porém nenhuma informação concreta a respeito. > Conclusão: mantémse a decisão recorrida já que não restam comprovados quer o pagamento quer a compensação do imposto no exterior, além de haver dúvidas sobre se parte dos tributos apurados como devidos foram devolvidos ao contribuinte. Áustria a Informação Fiscal aponta que, quanto ao aspecto formal, o documento relativo ao imposto de renda incidente apresentado pelo contribuinte não foi reconhecido pelo Consulado Geral da do Brasil na Áustria, mas apenas o reconhecimento pelo órgão arrecadador, que é a Secretaria de Receita de Viena (Áustria). Além disso, não foi constatado nenhum documento de arrecadação que comprovasse o efetivo pagamento do imposto para esta filial, mas apenas a tradução juramentada de uma declaração denominada “Aviso de Imposto de Renda Pessoa Jurídica 2006” (fls.855/864), a qual atesta que houve a apuração do imposto de renda, no valor de 525.744,34 euros, mas não ocorreu seu efetivo pagamento já que, após abatimento de "Imposto Estrangeiro" neste exato valor, o “Imposto de Renda Pessoa Jurídica estipulado” consta no valor de EUR 0,00. O Recorrente afirma que se trata de compensação do valor retido no Brasil referente a remessa de juros ao exterior, mas não traz qualquer detalhamento a respeito dessa informação. Os documentos trazidos como prova do pagamento do imposto no exterior não estão consularizados nem há qualquer menção a apostilamento. > Conclusão: mantémse a decisão recorrida uma vez que não foram observados os requisitos formais para a utilização dos documentos estrangeiros no país. Observese que, mesmo que tais requisitos tivessem sido cumpridos, faltam informações sobre o imposto estrangeiro utilizado para abatimento do imposto devido no exterior, de forma que não é possível atestar que não se trata do uso de créditos fiscais oriundos de incentivos dados pelo governo estrangeiro. Ilhas Cayman: Nada é mencionado quanto ao valor de R$179,99, razão porque mantémse a decisão recorrida nesse ponto. Fl. 3453DF CARF MF Processo nº 14033.000777/200867 Acórdão n.º 1401002.103 S1C4T1 Fl. 3.443 23 Resumo conclusivo Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário com relação aos valores de imposto pago no exterior reconhecidos pela Informação Fiscal de fls. 3.3323.365, no total de R$ 20.334.089,19, conforme coluna "IRPJ Confirmado" da Tabela 15, que reproduzo a seguir: Quanto à diferença não reconhecida na Informação Fiscal, no valor de R$9.291.241,10, pelas razões acima expostas, voto por (i) dar provimento ao recurso voluntário quanto ao valor do imposto pago no Paraguai, Portugal, Reino Unido e, quanto ao imposto pago na Alemanha, especificamente com relação ao valor de EUR 21.176; e (ii) não dar provimento do recurso voluntário quanto ao montante de EUR 724.244 referente à Alemanha, bem como com relação ao imposto pago nos Estados Unidos, Chile, Ilhas Cayman (R$179,99) e Áustria. Fl. 3454DF CARF MF 24 (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 3455DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.721951/2012-74
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. DISTINÇÃO ENTRE FATOS, FUNDAMENTOS E CAUSA DE PEDIR.
Não se conhece de Recurso Especial quando a causa de pedir destoa totalmente dos fatos e fundamentos jurídicos discutidos nos autos.
No caso, tratava-se de lançamento consubstanciado na glosa de despesas de ágio, em razão da ausência de substância econômica da empresa veículo, utilizada para efetiva aquisição de participação societária por terceiros. A Fazenda Nacional pede em seu recurso a reforma da decisão recorrida, alegando que o ágio gerado em operações realizadas no âmbito de um grupo econômico, desprovida de pagamento não deve ser admitido para fins fiscais.
Numero da decisão: 9101-003.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Flávio Franco Corrêa e Adriana Gomes Rêgo, que conheceram do recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro André Mendes de Moura.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rego. Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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NÃO CONHECIMENTO. DISTINÇÃO ENTRE FATOS, FUNDAMENTOS E CAUSA DE PEDIR. Não se conhece de Recurso Especial quando a causa de pedir destoa totalmente dos fatos e fundamentos jurídicos discutidos nos autos. No caso, tratavase de lançamento consubstanciado na glosa de despesas de ágio, em razão da ausência de substância econômica da empresa veículo, utilizada para efetiva aquisição de participação societária por terceiros. A Fazenda Nacional pede em seu recurso a reforma da decisão recorrida, alegando que o ágio gerado em operações realizadas no âmbito de um grupo econômico, desprovida de pagamento não deve ser admitido para fins fiscais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Flávio Franco Corrêa e Adriana Gomes Rêgo, que conheceram do recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente em exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 19 51 /2 01 2- 74 Fl. 5014DF CARF MF 2 Gerson Macedo Guerra Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rego. Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase o presente de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 1201001.534, por meio do qual os membros do Colegiado acordaram em afastar a glosa de despesa de ágio, ao argumento de que o uso de empresa veículo e de incorporação reversa, por si só, não invalidam as operações societárias que transferiram o ágio da investidora original para a empresa investida, estando diretamente vinculadas ideologicamente a um propósito negocial. Na origem, foi lavrado auto de infração pela constatação de indevida redução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL pela amortização de ágio decorrente de incorporação reversa mediante o uso de empresa veículo. Faticamente, verificouse que de uma situação inicial, onde a GDC Alimentos S/A era controlada pela GDC Holdings LCC e possuía participação residual de outras empresas, foram realizados os atos de: 1. Compra, com ágio de R$ 95.380.833,17, em 25/10/2004, da GDC Alimentos S/A pela Luiz Calvo Sanz S/A (empresa espanhola), esta como compradora de fato, com a intermediação da Luiz Calvo Sanz do Brasil Participações Ltda, esta como “empresa veículo”; 2. A transmissão do ágio pela incorporação da Luiz Calvo Sanz do Brasil Participações Ltda pela GDC Alimentos S/A. Para a fiscalização ocorreu a constituição de uma empresaveículo, para compra de participação societária de empresa nacional por empresa estrangeira, cuja origem foi motivada única e exclusivamente pelo objetivo de criar ficticiamente (de forma escritural, sem a devida fundamentação econômica) as condições de amortizar o ágio segundo a legislação brasileira, e, assim, reduzir a tributação. Conforme TVF, o objetivo do sujeito passivo foi especialmente provado pela falta de propósito negocial na interposição da dita empresaveículo na aquisição da participação societária. Nesse sentido, destacase o fato de a escrituração da empresaveículo, elaborada ao longo dos seus quase dois meses e meio de existência, só conter lançamentos relacionados a três tipos de fatos contábeis: a constituição da sociedade empresária, a operação de compra de participação societária e conseqüente incorporação pela controlada, bem assim, a dissolução da empresa. Nesse contexto, a fiscalização considerou a conduta do sujeito passivo compatível com as hipóteses previstas nos arts. 167 (simulação) e 187 (abuso de direito) da Lei Fl. 5015DF CARF MF Processo nº 11516.721951/201274 Acórdão n.º 9101003.211 CSRFT1 Fl. 5.016 3 nº 10.406/02, bem assim, infringente a vários dispositivos da legislação tributária, dentre os quais, o art. 299 do Decreto nº 3000/99. Concluiu a Auditoria Fiscal, assim, pela aplicação da multa qualificada no percentual de 150%, pela constatação de que as infrações foram cometidas com base em artifícios fraudulentos que envolviam o uso abusivo de personalidade jurídica com o fim exclusivo de operar reduções e supressões de tributos. Por fim, a fiscalização concluiu que haver responsabilidade na consecução dos ilícitos praticados pelas pessoas que envidaram esforços para o a redução ilícita do IRPJ e da CSLL devidos, sendo elas: i) Hermano de Villemor Amaral (Neto); ii) Áurea d’Àvila Mello Cotrim; iii) José Eduardo Simão; iv) Ismar Machado Assaly; v) Moacir Zilbovicius; Os papéis desempenhados por essas pessoas e os respectivos elementos de prova foram detalhados à f. 3098 e seguintes dos autos, sendo indicado o fundamento legal para a sua responsabilização solidária, por infração à lei: art. 135, II e III do CTN, art. 50 da Lei nº 10.406/02, e suas condutas foram assim descritas à f. 3100 e seguintes dos autos. Inconformados o Contribuinte e os responsáveis apresentaram impugnações. Nas peças de defesa são levantados vários argumentos para contestação da glosa de despesas realizada. Especificamente nas impugnações dos responsáveis, também é discutida a legitimidade da responsabilização. A DRJ/MS, entretanto, negou provimento às impugnações, entendendo, em resumo, no que interessa ao presente julgamento, que o ágio sem fundamento econômico é ineficaz perante o Fisco, não podendo a respectiva amortização ser deduzida da base de cálculo do tributo. Para a DRJ, da análise dos fatos, foi possível concluir que, embora os atos formais indiquem como compradora da GDC Alimentos S/A a subsidiária Luiz Calvo Sanz do Brasil Participações S/A, ao final prevaleceu, como compradora de fato que era, a Luiz Calvo Sanz S/A (empresa espanhola). Na decisão em comento considerouse que, embora isoladamente não se veja ilicitude na constituição de empresa de participações como subsidiária de outra, nem a constituição de empresa com um propósito específico que, uma vez alcançado, implique sua desconstituição, a associação dessas características demonstra que o propósito buscado foi exclusivamente fiscal, sem outros de natureza negocial. Assim, verificase oposição entre o negócio jurídico almejado, que foi atingido mediante uma série de operações estruturadas, e o formalizado, aparente às Fl. 5016DF CARF MF 4 autoridades responsáveis pelo registro do comércio, pelo controle cambial e pelo controle tributário. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário ao CARF, arguindo, repisando os argumentos arguidos em sede de impugnação. No julgamento do Recurso a 1ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, deu provimento ao Recurso , conforme ementa e decisão abaixo transcritas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 ÁGIO FUNDAMENTADO EM EXPECTATIVA DE RESULTADOS FUTUROS. DEDUTIBILIDADE DA AMORTIZAÇÃO. A legislação que permite a dedução da amortização do ágio em determinadas circunstâncias e desde que preenchidos determinados requisitos é norma indutora de comportamento do contribuinte. Uma vez norteado o permissivo legal para a amortização do ágio contido no art. 7° da Lei 9532/97 e, de fato concretizada a confusão patrimonial que reúne as despesas de amortização fiscal do ágio e os lucros que motivaram o pagamento do ágio baseado em expectativa de rentabilidade futura, possibilitando o emparelhamento de receitas e despesas, tornase legal a amortização do ágio. PROPÓSITO NEGOCIAL. VALIDADE DA OPERAÇÃO. Não havendo ocorrência de fraude ou simulação e tendo sido verdadeiras e legitimas as operações perpetradas, inclusive, com a ocorrência do efetivo pagamento do preço, a dedução do ágio é possível, ainda que o benefício fiscal seja o principal ou mesmo o único elemento motivador. Uma vez demonstrado o devido propósito negocial e substância econômica na realização de reorganizações societárias, a dedução da amortização do ágio tornase ainda mais justificada. ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. EMPRESA VEÍCULO. INCORPORAÇÃO REVERSA. VALIDADE. O uso de empresa veículo e de incorporação reversa, por si só, não invalidam as operações societárias que transferiram o ágio da investidora original para a empresa investida, estando diretamente vinculadas ideologicamente a um propósito negocial. BAIXA DA MARCA DO ATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE IDENTIFICAÇÃO NO PREÇO DE CUSTO. POSSIBILIDADE DE AGREGAÇÃO AO PREÇO DE VENDA. Os gastos incorridos com marcas não podem ser separados dos custos relacionados ao desenvolvimento do negócio como um todo. Dessa forma, as marcas não devem ser reconhecidas como ativos intangíveis. No entanto a agregação do valor da marca à Fl. 5017DF CARF MF Processo nº 11516.721951/201274 Acórdão n.º 9101003.211 CSRFT1 Fl. 5.017 5 expectativa de rentabilidade futura, para compor o preço de venda, encontra possibilidade lógica e fática. VALIDADE DO LAUDO DE AVALIAÇÃO. DESNECESSIDADE DE CONCRETIZAÇÃO DOS RESULTADOS ESPERADOS. FLUXO DE CAIXA DESCONTADO. Sob o respaldo do Princípio da Legalidade, constatase que não há nenhuma necessidade de comprovação específica, através de laudo de avaliação, da rentabilidade futura que fundamente o ágio. A metodologia do fluxo de caixa descontado, desde que aplicada corretamente, utilizando premissas compatíveis com os negócios da empresa adquirida, deve ser considerada apropriada para se avaliar a expectativa de rentabilidade futura. Quanto a não concretização da expectativa projetada por ocasião do pagamento do ágio, ressaltese a total desnecessidade da efetiva produção dos resultados esperados, dos lucros de fato. O fundamento econômico positivado na lei tributária é a expectativa de rentabilidade futura e não sua efetiva verificação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento aos Recursos Voluntários, vencido o Conselheiro José Carlos, que lhes dava parcial provimento, para afastar a qualificação da multa e a responsabilidade solidária. Cientificada dessa decisão a Fazenda Nacional, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, objetivando rediscutir a dedutibilidade do ágio. Em sua peça recursal a Fazenda pugna pelo conhecimento de seu apelo com base nos acórdãos de nº 10323.290 e 1402001.404. Alega que os fatos analisados nos acórdãos confrontados são idênticos: 1) criouse uma empresaveículo com o único propósito de adquirir (com ágio) participação em outra empresa operacional; 2) discutese a regularidade da "transferência" do ágio contabilizado na controladora incorporada para a controlada incorporadora, numa operação comumente denominada "incorporação às avessas”. Afirma a Fazenda que a contrariedade entre os acórdãos confrontados reside na validade da utilização de empresaveículo para fins de aproveitamento do ágio na incorporação. Aduz que para o acórdão desafiado, a incorporação levada a efeito com o fito exclusivo de aproveitamento fiscal do ágio constitui propósito negocial idôneo, sendo perfeitamente possível a utilização de empresaveículo para esse fim. De outra banda, os acórdãos paradigmas pontificam que a idoneidade do propósito negocial não pode estar ancorado tão somente no aproveitamento fiscal do ágio. Em suas razões, alega a Fazenda, em suma: ü para existir, o ágio ou deságio deve sempre ter como origem um propósito negocial (aquisição de um investimento) e, assim, um substrato econômico (transação comercial). Somente registros escriturais, por exemplo, não podem ensejar o nascimento dessa figura econômica e contábil; Fl. 5018DF CARF MF 6 ü Por propósito negocial, entendese a lógica econômica que levou ao surgimento do ágio ou deságio, ou seja, a razão negocial que ensejou a aquisição de um investimento por valor superior ou inferior àquele que custou originalmente ao alienante; ü O ágio ou deságio, dessa forma, deve sempre decorrer da efetiva aquisição de um investimento oriundo de um negócio comutativo, onde as partes contratantes, interdependentes entre si e ocupando posições opostas, tenham interesse em assumir direitos e deveres contrapostos e proporcionais; ü Para que ocorra a efetiva aquisição de um investimento, com o correspondente surgimento do ágio ou deságio, é imprescindível a existência de substrato econômico à sua realização, ou seja, de transação econômica que materialize o valor de aquisição ao mesmo tempo pago pelo adquirente e recebido pelo alienante; ü A aquisição de um investimento, assim como de qualquer bem ou direito, deve sempre importar o dispêndio de um gasto (econômico ou patrimonial) pelo adquirente e o ganho (também econômico ou patrimonial) pelo alienante. Sem essa troca de riquezas e da titularidade do investimento, não há que se falar em aquisição, e, como conseqüência, no surgimento de ágio ou deságio; ü Corroborando com esse entendimento, a Comissão de Valores Mobiliários – CVM – emitiu o OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007, in fine. Nesse documento, a CVM, ao esclarecer dúvidas sobre a aplicação das Normas Gerais de Contabilidade, chama atenção para os casos como o da presente lide, onde o ágio é criado artificialmente; onde, indevidamente, empresas de um mesmo grupo econômico geram ágio sem que haja o dispêndio de efetiva despesa (financeira ou patrimonial); ü A hipótese em exame se encaixa como uma luva às vedações emanadas da CVM, já que os ágios registrados foram “criados” sem qualquer contraprestação, isto é, sem qualquer dispêndio efetivo, mormente porque a aquisição das ações entre as empresas pertencentes ao mesmo grupo decorreram de meras anotações contábeis; ü De igual modo, também será comprovado que a mens legis dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 foi de repudiar ações como a praticada pela Recorrente junto com o seu grupo econômico; ü Da análise dos fatos e documentos, concluise que houve desconformidade entre o ato desejado e o praticado; ü O que teria ocorrido é a aquisição da GDC Alimentos S/A pela Luiz Calvo Sanz S/A, embora tenham sido realizadas várias operações intermediárias sem propósito negocial autônomo, que não o de criar o ágio que viria ser amortizado; Fl. 5019DF CARF MF Processo nº 11516.721951/201274 Acórdão n.º 9101003.211 CSRFT1 Fl. 5.018 7 ü Conforme bem salientado no acórdão da DRJ, não há dúvidas de que toda a operação empreendida pelos participantes do negócio foi artificialmente construída para impedir parcialmente a ocorrência dos fatos geradores do IRPJ e da CSLL, mediante uma série de atos formalmente lícitos, contra os quais não havia terceiros interessados que pudessem contestalos, mas cujo objetivo foi a criação do ágio que é o centro da controvérsia fiscal que aqui se discute. Não houve qualquer outro motivo para a forma praticada, até porque a aquisição da empresa produtiva poderia ocorrer de maneira independente sem qualquer relação com a reorganização praticada; ü Ante o exposto, a Fazenda Nacional requer seja conhecido e provido seu recurso especial a fim de que seja reformado o r. acórdão recorrido com a consequente manutenção do lançamento. Regularmente intimado, o Contribuinte apresentou contrarrazões, alegando, em suma: ü O não conhecimento do Recurso por tratar de matéria estranha aos autos. Nas razões de Recurso a Fazenda trata da impossibilidade de se amortizar ágio gerado em operações intragrupo. Traz, inclusive, menção ao Ofício CVM 01/2007; ü Não conhecimento do recurso dada a necessidade de reexame da matéria fática. Diferentemente dos paradigmas, a turma a quo reconheceu que além da economia tributária ser legítima para justificar o propósito negocial, houve no caso propósito extra tributário, consubstanciado na razão do grupo espanhol objetivar expandir suas atividades;[ ü Não conhecimento do recurso dada a ausência de similitude fática entre o recorrido e os paradigmas; ü No mérito, sustenta a existência de propósito negocial. ü Alega que todos os requisitos para a amortização fiscal do ágio foram cumpridos, inclusive com (i) pagamento em dinheiro; (ii) partes independentes; e (iii) laudo de avaliação com base em expectativa de rentabilidade futura; ü Alega que o artigo 981 do Códgo Civil permite que sejam constituídas sociedades com fim específico de realizar um ou mais negócios jurídicos; ü A decisão do grupo de constituir sociedade no Brasil estava de acordo com a Lei e tinha propósito negocial e econômico de expandir suas atividades no país; ü dentro dos limites doutrinários e jurisprudenciais delimitados para a teoria do propósito negocial, exigese a existência do motivo, da finalidade e da congruência entre os atos praticados; Fl. 5020DF CARF MF 8 ü No presente caso os três elementos estavam presentes. O motivo representado pela aquisição da empresa brasileira; a finalidade representada pelo interesse de ingresso do grupo no mercado brasileiro e a congruência encontrase no fato que todos os atos societários praticados caminharam na inserção do grupo no mercado brasileiro; ü Coerência da operação com o planejamento estratégico do grupo, consistente no objetivo de se tornar líder em seu ramo nos mercados brasileiros e da América Latina; ü Ad argumentandum, que a utilização de empresa holding (empresa veículo) não é motivo para tornar inválida a amortização fiscal do ágio; ü Da necessidade de conhecimento e julgamento dos demais argumentos desenvolvidos no Recurso Voluntário, na hipótese de conhecimento e provimento do Recurso da Fazenda; ü Ilegalidade da cobrança de juros sobre multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Diante o questionamento da admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda pelo Contribuinte, fazse importante sua análise. Uma das alegações de não conhecimento fundase no fato de o Recurso Especial da Fazenda tratar de matéria estranha àquela discutida no autos. Pois bem. De fato, nas razões do Recurso da Fazenda a linha traçada pelo defensor vai no sentido de tratar como ilegítimo o ágio gerado em operações com empresas do mesmo grupo econômico. Em determinadas passagens de seu recurso a Fazenda foca na ausência de pagamento pela aquisição, para demonstrar a invalidade do ágio. Frisese, que a Fazenda pautase, inclusive em orientações da CVM sobre a invalidade do ágio gerado em operações intragrupo, sem o correspondente pagamento, para sustentar a impossibilidade de aproveitamento fiscal do ágio. Vejamos a transcrição de trecho do Recurso: A aquisição de um investimento, assim como de qualquer bem ou direito, deve sempre importar o dispêndio de um gasto (econômico ou patrimonial) pelo adquirente e o ganho (também econômico ou patrimonial) pelo alienante. Sem essa troca de riquezas e da titularidade do investimento, não há que se falar Fl. 5021DF CARF MF Processo nº 11516.721951/201274 Acórdão n.º 9101003.211 CSRFT1 Fl. 5.019 9 em aquisição, e, como conseqüência, no surgimento de ágio ou deságio. Corroborando com esse entendimento, a Comissão de Valores Mobiliários – CVM – emitiu o OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007, in fine. Nesse documento, a CVM, ao esclarecer dúvidas sobre a aplicação das Normas Gerais de Contabilidade, chama atenção para os casos como o da presente lide, onde o ágio é criado artificialmente; onde, indevidamente, empresas de um mesmo grupo econômico geram ágio sem que haja o dispêndio de efetiva despesa (financeira ou patrimonial). (...) Como será demonstrado a seguir, a hipótese em exame se encaixa como uma luva às vedações emanadas da CVM, já que os ágios registrados foram “criados” sem qualquer contraprestação, isto é, sem qualquer dispêndio efetivo, mormente porque a aquisição das ações entre as empresas pertencentes ao mesmo grupo decorreram de meras anotações contábeis. Nesse contexto, após relatar os fatos dos presentes autos conclui a Fazenda: Da análise dos fatos e documentos, concluise que houve desconformidade entre o ato desejado e o praticado. O que teria ocorrido é a aquisição da GDC Alimentos S/A pela Luiz Calvo Sanz S/A, embora tenham sido realizadas várias operações intermediárias sem propósito negocial autônomo, que não o de criar o ágio que viria ser amortizado. As evidências que denotam ser este o ânimo inicial dos atos negociais foram as seguintes: (...) Conforme bem salientado no acórdão da DRJ, não há dúvidas de que toda a operação empreendida pelos participantes do negócio foi artificialmente construída para impedir parcialmente a ocorrência dos fatos geradores do IRPJ e da CSLL, mediante uma série de atos formalmente lícitos, contra os quais não havia terceiros interessados que pudessem contestalos, mas cujo objetivo foi a criação do ágio que é o centro da controvérsia fiscal que aqui se discute. Não houve qualquer outro motivo para a forma praticada, até porque a aquisição da empresa produtiva poderia ocorrer de maneira independente sem qualquer relação com a reorganização praticada. Vese, pois, que todo o arrazoado trazido pela Fazenda defende a ilegitimidade de ágio gerado em operação intragrupo, onde empresas de um mesmo grupo econômico criam artificialmente o ágio, sem que haja o dispêndio de efetiva despesa. Nesse contexto, entendo que atender ao pedido da Fazenda para manutenção do lançamento, sendo que a causa de pedir destoa totalmente dos fatos e fundamentos jurídicos discutidos nos presentes autos de fato consubstanciaria numa decisão extra petita. Fl. 5022DF CARF MF 10 Nesse contexto, entendo que não merece ser conhecido o Recurso da Fazenda. Por tais razões, voto pelo não conhecimento do recurso da União. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 5023DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.900764/2008-23
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. ADMISSIBILIDADE. Constitui crédito tributário passível de compensação o valor efetivamente comprovado do saldo negativo de CSLL decorrente do ajuste anual. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Recorrente.
Numero da decisão: 1801-000.903
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para se pronunciar sobre o valor do direito creditório pleiteado e a respeito dos pedidos de compensação dos débitos, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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SALDO NEGATIVO. ADMISSIBILIDADE. Constitui crédito tributário passível de compensação o valor efetivamente comprovado do saldo negativo de CSLL decorrente do ajuste anual. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para se pronunciar sobre o valor do direito creditório pleiteado e a respeito dos pedidos de compensação dos débitos, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Fl. 89DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.900764/200823 Acórdão n.º 180100.903 S1TE01 Fl. 89 2 Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Maria de Lourdes Ramirez, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) em 05.01.2004, fls. 0815, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior no valor total de R$35.334,71 de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) determinada sobre a base de cálculo estimada, código nº 2484, efetuado em 30.09.2002. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 39, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação. Cientificada em 05.05.2008, fl. 58, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 04.06.2008, fls. 0104, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Suscita que apurou a CSLL a pagar no valor de R$92.979,11 no final do ano calendário 2002. Argúi que houve erro no preenchimento da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) por não ter informado na Ficha 17 a título de CSLL mensal paga por estimativa o valor de R$314.840,71 para fins de cálculo do saldo negativo no valor de R$221.861,60, a despeito do fato de ter confessado os referidos débitos em Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) indicando que foram integralmente extintos mediante pagamentos com DARF. Esclarece que nos presentes autos, para fins de compensação tributária, tem direito ao reconhecimento do crédito indicado na Per/DComp, que está contido no saldo negativo de CSLL a que tem direito. Solicita a produção de todos os meios de prova em direito admitidas. Por conseguinte, requer que seu direito creditório seja reconhecido e a compensação homologada, porque se originam de valores regularmente escriturados, recolhidos e declarados. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/BSA/DF nº 0340.944, de 13.12.2010, fls. 6066:“Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Restou ementado Assunto: Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido – CSLL Data do fato gerador: 30/09/2002 ESTIMATIVA. SALDO DE IMPOSTO A PAGAR OU A COMPENSAR. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.900764/200823 Acórdão n.º 180100.903 S1TE01 Fl. 90 3 A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. CIÊNCIA DA DECISÃO ADMINISTRATIVA. ESTABILIDADE DA LIDE. ALTERAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Uma vez apreciado o pedido de compensação pela autoridade administrativa, não há previsão para alteração no direito creditório, o que torna inadmissível a retificação da DCOMP. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Uma vez que o crédito apontado não é passível de restituição, não há que se falar em sua utilização para compensação de débitos, devendo, por conseguinte, não ser homologada a compensação. Notificada em 21.02.2011, fl. 67verso, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 18.03.2011, fls. 6974, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na impugnação. Acrescenta que apresentou a Declaração Integrada de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) retificadora indicando o saldo negativo correto. Reitera que o erro escusável nos dados declarados não tem o condão de extinguir seu direito, de modo que a realização de diligência é imprescindível. Assim novamente requer que seu direito creditório seja reconhecido e a compensação homologada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente suscita que a Per/DComp deve ser deferida. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.900764/200823 Acórdão n.º 180100.903 S1TE01 Fl. 91 4 O regime de tributação com base no lucro real anual, prevê que a pessoa jurídica que efetuar pagamento de tributo a título de estimativa mensal pode utilizálo ao final do período de apuração na dedução do devido ou para compor o saldo negativo, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza. A partir de 30.11.2009, foi expressamente afastada a vedação de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL, para fins de compensação com débitos tributários, cuja matéria é tratada em sede de norma complementar. Sobre a retroatividade de seus efeitos, vale ressaltar que a legislação tributária abrange as normas complementares que incluem os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas superiores, necessários à perfeita execução das leis. Como têm caráter meramente elucidativo e explicitador, apresentam nítida feição interpretativa, podendo operar efeitos retroativos para atingir fatos anteriores ao seu advento. Assim, em relação à compensação tributária, temse que o permissivo regulamentar de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL alcança o Per/DComp formalizado antes da sua vigência.1 Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Desta forma, a comprovação, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido 2. A presente 1ª Turma Especial da 1º Seção do CARF examinando esta mesma questão de direito, pacificou o entendimento, de acordo com o Acórdão nº 180100.597 proferido pela Conselheira Relatora Maria de Lourdes Ramirez na sessão de julgamento de 28.06.2011 no processo nº 19647.010657/200610, no seguinte sentido: A questão que se coloca para análise nestes autos se refere à possibilidade de haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais no curso do ano calendário e, havendo tal possibilidade, se isto geraria um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação. 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Código Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 73 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 4º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, art. 30 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 96, inciso I do art. 100, inciso I do art. 106 do Código Tributário Nacional, Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009, Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, art. 269 do Código de Processo Civil, Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. 2 Fundamentação legal: art. 37 da Constituição Federal, art. 14, art. 15, art. 16, art. 17, art. 26A e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.900764/200823 Acórdão n.º 180100.903 S1TE01 Fl. 92 5 Nesse sentido registro que a questão é tormentosa e não se encontra pacificada neste Órgão Colegiado. Muito longe disso, há divergências inúmeras acerca da questão. Há aqueles que comungam do entendimento esposado pelas autoridades administrativas da DRF e DRJ, consignado nas decisões proferidas nestes autos, no sentido de que para as pessoas jurídicas tributadas com base nas regras do lucro real, o crédito ou o débito decorrente do confronto do pagamento das estimativas, de que trata o artigo 2° da Lei n° 9.430, de 1996, com o valor devido a título de IRPJ e CSLL, só seria apurado em 31 de dezembro de cada anocalendário. Antes do encerramento do anocalendário não haveria, pois, que se falar em tributo a restituir, já que até o último momento poderiam ocorrer eventos que viriam a alterar o quantum devido a título de IRPJ e CSLL. Assim, partindo da premissa de que o fato gerador do imposto de renda e da contribuição social para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real somente se concretizaria no final de cada anocalendário, seria a partir deste evento que se encontraria o saldo do imposto a pagar ou a recuperar, nos termos do artigo 6º, § 1°, I e II, da Lei nº. 9.430, de 1996: Art. 6° .... § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. Por conta dessa interpretação não haveria que se falar em fluência de juros a partir do recolhimento indevido da estimativa, mas, somente a partir do mês subseqüente do ano calendário seguinte, dado que a geração do indébito somente ocorreria em 31/12 de cada ano, com o surgimento do saldo negativo de IRPJ ou de CSLL. A interpretação é válida e encontra robustos fundamentos. Ao afastar entendimentos contrários no sentido de que o artigo 74 da Lei n°. 9.430, de 1996, que regula a compensação, ao se referir as vedações, não dispôs expressamente acerca de qualquer restrição à compensação de estimativas pagas a maior ou indevidamente, essa corrente teoriza o entendimento de que não haveria necessidade de se inserir dispositivo específico nessa sentido, pois se estaria a registrar o óbvio já previsto na própria legislação que regulamenta a apuração e o pagamento de estimativas mensais. Nesse contexto, em relação às críticas quanto às restrições contidas em atos normativos infralegais, como por exemplo, o discutido artigo 10 da IN SRF n°. 600, de 2005 (também previsto na IN SRF n° 460, de 2004), destacam que tais normas administrativas não se prestariam a criar, modificar ou extinguir Fl. 93DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.900764/200823 Acórdão n.º 180100.903 S1TE01 Fl. 93 6 direitos, mas sim disciplinar ou regulamentar o exercício de prerrogativas previstas em Lei, esta em sentido formal. Seria possível, assim, fazer referência a um ato administrativo subseqüente em relação à situação pretérita, desde que a situação fosse prevista em lei. Esta relatora por muito tempo comungou desse entendimento. Entretanto, surgem interpretações em outros sentidos, também apoiadas em fortes e sólidos argumentos. Depois de refletir sobre o assunto e sobre os posicionamentos doutrinários estudados, passo a fazer minhas considerações. Nesse sentido peço permissão para reproduzir as palavras da Ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa, proferidas em recentes julgados nesta 1a. Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que há muito tempo vem estudando o tema com profundidade. Cumpre ressaltar, assim, que é certo que a legislação consolidada no Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 (art. 895) autoriza a Receita Federal a expedir instruções necessárias à efetivação de compensação pelos contribuintes. No mesmo sentido veio também redigido o §5o incluído no art. 74 da Lei nº. 9.430/96, pela Medida Provisória nº. 66/2002, atualmente transportado para o § 14 desde a edição da Lei nº. 11.051/2004: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº. 11.051, de 2004) E este poder normativo pode se materializar tanto no âmbito da definição de procedimentos operacionais, como na fixação de restrições materiais já presentes na lei que estabelece a incidência tributária ou concede benefícios fiscais. Contudo, ao operar sob este segundo direcionamento, temse a dita eficácia retroativa da norma interpretativa, que se verifica ainda que a Administração Tributária assim não a declare expressamente. Relativamente aos indébitos de estimativas, não há como tratar a restrição inserta a partir da Instrução Normativa SRF nº. 460/2004 como procedimental. Não se vislumbra espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.900764/200823 Acórdão n.º 180100.903 S1TE01 Fl. 94 7 Poderia se cogitar de tal possibilidade em razão destes recolhimentos não se constituírem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação tributária principal, aproximandose, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para não se sujeitar à regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, porém, exigiria que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de indébitos de estimativas a qualquer tempo, e não apenas na vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição. Neste aspecto, relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF nº. 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB nº 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Assim, as antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF nº. 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário: Fl. 95DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.900764/200823 Acórdão n.º 180100.903 S1TE01 Fl. 95 8 O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei Nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei Nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei Nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. EVERARDO MACIEL Entretanto, a própria Receita Federal mudou seu entendimento, ao suprimir parte da redação do dispositivo, quando da edição da IN RFB nº. 900, de 2009, como se verifica a seguir: Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Não é por demais relembrar que o artigo 74 da Lei nº. 9.430, de 1996, já previu, expressamente os casos em que é vedada a compensação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.900764/200823 Acórdão n.º 180100.903 S1TE01 Fl. 96 9 III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. [...] É verdade que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei nº. 9.430/96, observase que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB nº. 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. De outro giro é possível interpretar, também, que a Lei nº. 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art. 2o: Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº. 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº. 9.065, de 20 de junho de 1995. §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de Fl. 97DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.900764/200823 Acórdão n.º 180100.903 S1TE01 Fl. 97 10 dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (destacou se) Diante deste contexto, temse que as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual da CSLL/IRPJ – já que o recolhimento efetuado a maior não observou o regramento acima, posto que feito a maior que o devido e o crédito daí decorrente, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, evidentemente sem a dedução das parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis. Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não se vislumbra, ante o contexto exposto, obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4o da Lei nº. 9.250/95 c/c art. 73 da Lei nº. 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, interpretandose que somente as estimativas devidas na forma da Lei nº. 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, concluise que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na Fl. 98DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.900764/200823 Acórdão n.º 180100.903 S1TE01 Fl. 98 11 data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, frisese, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não é admissível que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. O art. 35 da Lei nº. 8.981, de 1995, referenciado no art. 2o da Lei nº. 9.430, de 1996, assim dispõe acerca dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução de estimativas: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF nº. 51, de 31 de outubro de 1995, especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do Fl. 99DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.900764/200823 Acórdão n.º 180100.903 S1TE01 Fl. 99 12 período em curso (art. 12), é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. II reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. § 1º A diferença verificada, correspondente ao imposto de renda pago a maior, no período abrangido pelo balanço de suspensão, não poderá ser utilizada para reduzir o montante do imposto devido em meses subseqüentes do mesmo anocalendário, calculado com base nas regras previstas nos arts. 3º a 6º. § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo ano calendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. [...] Art. 12. Para os efeitos do disposto no art. 10: [...] § 1º O resultado do período em curso deverá ser ajustado por todas as adições determinadas e exclusões e compensações admitidas pela legislação do imposto de renda, observado o disposto nos arts. 25 a 27. § 2º O disposto no parágrafo anterior alcança, inclusive, o ajuste relativo ao diferimento do lucro inflacionário não realizado do período em curso, observados os critérios para sua realização. § 3º Para fins de determinação do resultado, a pessoa jurídica deverá promover, ao final de cada período de apuração, levantamento e avaliação de seus estoques, segundo a legislação específica, dispensada a escrituração do livro "Registro de Inventário". § 4º A pessoa jurídica que possuir registro permanente de estoques, integrado e coordenado com a contabilidade, somente estará obrigada a ajustar os saldos contábeis, pelo confronto com a contagem física, ao final do anocalendário ou do encerramento do período de apuração, nos casos de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividade. § 5º O balanço ou balancete, para efeito de determinação do resultado do período em curso, será: a) levantado com observância das disposições contidas nas leis comerciais e fiscais; b) transcrito no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.900764/200823 Acórdão n.º 180100.903 S1TE01 Fl. 100 13 § 6º Os balanços ou balancetes somente produzirão efeitos para fins de determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, devidos no decorrer do ano calendário. [...] Art. 14. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes a que se referem os arts. 10 a 13, deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, observandose o seguinte: I a cada balanço ou balancete levantado para fins de suspensão ou redução do imposto de renda, o contribuinte deverá determinar um novo lucro real para o período em curso, desconsiderando aqueles apurados em meses anteriores do mesmo anocalendário. II as adições, exclusões e compensações, computadas na apuração do lucro real correspondentes aos balanços ou balancetes, deverão constar, discriminadamente, na Parte A do LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro real do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B do referido Livro. Destaquese, ainda, que não há indébitos quando, após efetuar recolhimentos estimados com base na receita bruta, o contribuinte passa a suspendêlos ou reduzilos por meio dos balancetes, demonstrando que o valor do imposto/contribuição já pago, ou o somatório dele com a estimativa do mês, supera o devido com base no lucro real (balancetes suspensão/redução). As únicas alternativas no curso do ano calendário são: pagar com base na receita bruta, reduzir esse valor com base no balancete ou suspender o pagamento com base também em balancete. Ou seja, se o valor pago no decorrer do período superar o devido com base em balancete de suspensão/redução, o máximo efeito que o contribuinte pode extrair dos referidos balancetes é deixar de pagar o tributo, até que ele se torne novamente devido, seja pela mera apuração da estimativa com base na receita bruta, seja com base no lucro acumulado em balancetes de redução. Logo, o pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. Neste sentido, aliás, já se manifestou a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Divisão de Tributação da 9a Região Fiscal, ao publicar a Solução de Consulta no 285/2009, em resposta ao questionamento formulado nos autos do processo administrativo no 10909.000244/200969: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Fl. 101DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.900764/200823 Acórdão n.º 180100.903 S1TE01 Fl. 101 14 SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com devido a contribuição devida a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Aproveito, ainda, o desfecho do retro mencionado Acórdão, adotandoo neste voto, mutatis mutandis, em virtude de ser outro o valor da estimativa ora discutido nos autos: Imperioso, portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido, seja na apuração da estimativa com base em receita bruta, seja com base em balancete de suspensão/redução, a sua adequação para a formação do indébito [...] e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação da CSLL devida no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, em verdade, o fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade Fl. 102DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.900764/200823 Acórdão n.º 180100.903 S1TE01 Fl. 102 15 administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Tem cabimento, portanto, o exame da situação fática. A Recorrente apresentou a DIPJ original em que nenhuma dedução foi informada a título de CSLL mensal paga por estimativa, a despeito do fato de, como alega, ter confessado os referidos débitos indicando que foram integralmente extintos mediante pagamentos com DARF, em conformidade com os valores constantes na Tabela 1. Tabela 1 Cálculo na CSLL informado na DIPJ original do anocalendário de 2002 Descrição R$ Ficha 16 – Cálculo da CSLL por Estimativa Janeiro 13.971,13 Fevereiro 19.771,09 Março 20.514,59 Abril 20.514,59 Maio 29.278,44 Junho 32.708,21 Julho 31.979,40 Agosto 35.334,71 Setembro 35.793,02 Outubro 37.677,78 Novembro 37.297,75 Dezembro 0,00 Total 314.840,71 Ficha 17 – Cálculo da CSLL Cálculo da CSLL 92.979,11 CSLL Mensal Paga por Estimativa (0,00) CSLL a Pagar 92.979,11 Tendo em vista a verificação do erro no preenchimento, a Recorrente diz apresentar a DIPJ retificadora apurando saldo negativo de CSLL, que considera correto. Em relação à matéria, vale esclarecer que a declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para os efeitos de restituição, em função da data de sua entrega3. Deste modo, os dados constantes no documento retificador (DIPJ) devem ser considerados para análise da Per/DComp. E isto porque, em verdade, o fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito decorrente do saldo negativo de CSLL. Superada esta questão, necessário 3 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.900764/200823 Acórdão n.º 180100.903 S1TE01 Fl. 103 16 se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento, nos termos do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade de deferimento da Per/DComp, cujo pretenso direito creditório se refere ao pagamento de estimativa em valor indevido, impõe, pois, o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB. Também devem ser examinados conjuntamente os Per/DComp que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso4. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de saldo negativo de CSLL no anocalendário de 2002, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em Per/DComp, inclusive no que diz respeito à juntada por anexação dos processos administrativos, cujas declarações tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 4 Fundamentação legal: art. 9º do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10850.720996/2014-20
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator .
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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score : 1.0
Numero do processo: 18088.720536/2012-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA
Durante todo o procedimento fiscal ocorreram intimações para a contribuinte comprovar a origem dos depósitos, devidamente relacionados pela fiscalização, o que ocasionou a apresentação de esclarecimentos e documentos por parte da contribuinte. Inexiste preterição ao direito de defesa.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL
O Superior Tribunal de Justiça reconheceu a legalidade do lançamento do imposto de renda com base no art. 42 da Lei 9.430/1996, tendo a corte assentado entendimento de que cabe ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos recursos a fim de ilidir a presunção de que se trata de renda omitida.
COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS
Lastreada na documentação apresentada, restou comprovada a origem dos valores recebidos da venda do imóvel rural.
GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. BENFEITORIAS. CRITÉRIO DE APURAÇÃO.
A partir de 1º de janeiro de 1997, para efeito de apuração de ganho de capital de imóvel rural é considerado o valor da terra nua declarado pelo alienante no Documento de Informação e Apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (Diat), relativamente aos anos de alienação e de aquisição. Quando as benfeitorias não houverem sido deduzidas como custo ou despesa da atividade rural, o ganho de capital é determinado pela diferença entre o valor da terra nua do ano de alienação do imóvel somado ao valor correspondente às benfeitorias, menos o valor da terra nua do ano de aquisição somado aos custos das benfeitorias.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA (SELIC). INCIDÊNCIA.
Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício não recolhida no prazo legal.
Numero da decisão: 2401-005.116
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. No mérito, por voto de qualidade, dar-lhe provimento parcial para excluir da base de cálculo os depósitos bancários do período de agosto e setembro de 2008, no montante de R$ 183.534,00. Vencida a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa que dava provimento parcial em maior extensão para excluir também os juros sobre a multa. Vencidos a relatora e o conselheiro Rayd Santana Ferreira, que davam provimento parcial em maior extensão para excluir também o imposto apurado sobre o ganho de capital e os juros sobre a multa. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA Durante todo o procedimento fiscal ocorreram intimações para a contribuinte comprovar a origem dos depósitos, devidamente relacionados pela fiscalização, o que ocasionou a apresentação de esclarecimentos e documentos por parte da contribuinte. Inexiste preterição ao direito de defesa. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL O Superior Tribunal de Justiça reconheceu a legalidade do lançamento do imposto de renda com base no art. 42 da Lei 9.430/1996, tendo a corte assentado entendimento de que cabe ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos recursos a fim de ilidir a presunção de que se trata de renda omitida. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS Lastreada na documentação apresentada, restou comprovada a origem dos valores recebidos da venda do imóvel rural. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. BENFEITORIAS. CRITÉRIO DE APURAÇÃO. A partir de 1º de janeiro de 1997, para efeito de apuração de ganho de capital de imóvel rural é considerado o valor da terra nua declarado pelo alienante no Documento de Informação e Apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (Diat), relativamente aos anos de alienação e de aquisição. Quando as benfeitorias não houverem sido deduzidas como custo ou despesa da atividade rural, o ganho de capital é determinado pela diferença entre o valor da terra nua do ano de alienação do imóvel somado ao valor correspondente às benfeitorias, menos o valor da terra nua do ano de aquisição somado aos custos das benfeitorias. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA (SELIC). INCIDÊNCIA. Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício não recolhida no prazo legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. No mérito, por voto de qualidade, dar-lhe provimento parcial para excluir da base de cálculo os depósitos bancários do período de agosto e setembro de 2008, no montante de R$ 183.534,00. Vencida a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa que dava provimento parcial em maior extensão para excluir também os juros sobre a multa. Vencidos a relatora e o conselheiro Rayd Santana Ferreira, que davam provimento parcial em maior extensão para excluir também o imposto apurado sobre o ganho de capital e os juros sobre a multa. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Rayd Santana Ferreira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2104; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 440 1 439 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18088.720536/201230 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.116 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 4 de outubro de 2017 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente JULIANE JOAS SILVEIRA ARAUJO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA Durante todo o procedimento fiscal ocorreram intimações para a contribuinte comprovar a origem dos depósitos, devidamente relacionados pela fiscalização, o que ocasionou a apresentação de esclarecimentos e documentos por parte da contribuinte. Inexiste preterição ao direito de defesa. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL O Superior Tribunal de Justiça reconheceu a legalidade do lançamento do imposto de renda com base no art. 42 da Lei 9.430/1996, tendo a corte assentado entendimento de que cabe ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos recursos a fim de ilidir a presunção de que se trata de renda omitida. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS Lastreada na documentação apresentada, restou comprovada a origem dos valores recebidos da venda do imóvel rural. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. BENFEITORIAS. CRITÉRIO DE APURAÇÃO. A partir de 1º de janeiro de 1997, para efeito de apuração de ganho de capital de imóvel rural é considerado o valor da terra nua declarado pelo alienante no Documento de Informação e Apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (Diat), relativamente aos anos de alienação e de aquisição. Quando as benfeitorias não houverem sido deduzidas como custo ou despesa da atividade rural, o ganho de capital é determinado pela diferença entre o valor da terra nua do ano de alienação do imóvel somado ao valor correspondente às benfeitorias, menos o valor da terra nua do ano de aquisição somado aos custos das benfeitorias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 72 05 36 /2 01 2- 30 Fl. 440DF CARF MF 2 JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA (SELIC). INCIDÊNCIA. Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício não recolhida no prazo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. No mérito, por voto de qualidade, darlhe provimento parcial para excluir da base de cálculo os depósitos bancários do período de agosto e setembro de 2008, no montante de R$ 183.534,00. Vencida a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa que dava provimento parcial em maior extensão para excluir também os juros sobre a multa. Vencidos a relatora e o conselheiro Rayd Santana Ferreira, que davam provimento parcial em maior extensão para excluir também o imposto apurado sobre o ganho de capital e os juros sobre a multa. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Rayd Santana Ferreira. Fl. 441DF CARF MF Processo nº 18088.720536/201230 Acórdão n.º 2401005.116 S2C4T1 Fl. 441 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão exarada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora MG (DRJ/JFA) que, por unanimidade de votos, decidiu por não conhecer da nulidade suscitada, indeferir a perícia requerida e, no mérito, considerar improcedente a impugnação, para manter a exigência do crédito tributário constante do auto de infração, conforme ementa do Acórdão nº 0957.763 (fls. 376/394): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Com a edição da Lei n.º 9.430/96, a partir de 01/01/1997, passaram a ser caracterizados como omissão de rendimentos, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica deixe de comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. GANHOS DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. A ausência de indicação de benfeitorias na escritura e na Declaração de Ajuste Anual nua levou a Fiscalização a realizar a apuração dos ganhos de capital considerando os dados disponíveis, sendo que o valor de aquisição definido em outro processo administrativo revelavase menor do que o adotado pela autoridade lançadora, razão pela qual, no propósito de se evitar agravamento, mantevese o dos presentes autos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2009 LANÇAMENTO. NULIDADE. A ação fiscal delineada, os termos expressos no lançamento e os documentos que o seguem, não traduzem o cerceamento do direito de defesa manifesto pela interessada; logo, não há que se falar da nulidade do lançamento. CONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. EXAME. Foge da competência do julgado administrativo o exame da constitucionalidade de Lei ou da legalidade de atos administrativos. PERÍCIA. MOTIVAÇÃO. Fl. 442DF CARF MF 4 A perícia requerida, em face dos quesitos formulados, apenas refletiria itens que já deveriam estar demonstrados, se fosse o caso, pela impugnante, sendo, pois, prescindível. IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. O sujeito passivo não demonstrou a ocorrência de alguma das ressalvas previstas na legislação para a apresentação de provas em momento posterior ao prazo para impugnação, o que afastaria em termos formais o seu exame. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2009 JUROS DE MORA. SELIC. A discussão sobre a aplicação da taxa SELIC passa ao largo da seara administrativa, porquanto a autoridade administrativa, de forma vinculada, aplicou a legislação vigente. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Considerando que a multa de ofício sé classifica como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, correta se faz a incidência dos juros de mora sobre os valores da multa de ofício não pagos, a partir de seu vencimento. PENALIDADE. MULTA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE DOLO. A Fiscalização aplicou a multa de ofício de 75% em fiel obediência à legislação, sendo que, em contrário do que equivocadamente entendeu a autuada, não houve o seu agravamento para a de 150%, já que o intuito doloso não fora descrito no lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata do Auto de Infração lavrado contra a Contribuinte em 08/11/2012 (fls. 02/11), onde foi apurado Imposto no valor de R$ 101.971,44, Juros de Mora, calculados até 31/10/2012, no valor de R$ 37.932,70 e Multa Proporcional no valor de R$ 76.478,57, perfazendo um total de Crédito Tributário no montante de R$ 216.382,71. Conforme consta na DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL – Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 08/09), foram apuradas as seguintes infrações: 1. Omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos, nos termos descritos no "Relatório da Ação Fiscal", nos montantes de R$ 137.575,00 (fato gerador 30/06/2008) e R$ 302.665,00 (fato gerador 31/07/2008); 2. Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida em instituição(ões) Fl. 443DF CARF MF Processo nº 18088.720536/201230 Acórdão n.º 2401005.116 S2C4T1 Fl. 442 5 financeira(s), em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, o que também se encontra delineado no "Relatório da Ação Fiscal", observandose os valores tributáveis de R$ 18.400,00 (janeiro/2008), R$ 140.172,00 (agosto/2008) e R$ 43.362,00 (setembro/2008). No RELATÓRIO DE AÇÃO FISCAL (fls. 233/313) estão detalhados de forma extensa todos os passos adotados pela Fiscalização, bem como as pesquisas e diligências efetuadas. As conclusões do Auditor Fiscal acerca das infrações apuradas são: 1. Quanto aos ganhos de capital: a. De acordo com o Formal de Partilha (fls. 131/139), o inventariante atribuiu ao imóvel rural Fazenda Santa Floriana com área de 296,42 ha o valor de R$ 796.120,00, conforme declarado no ITR do anocalendário 2003 (fls. 151/157); b. À Contribuinte coube 1/3 (33,33%) deste imóvel rural, sendo 50% adquiridos quando da transmissão “causa mortis” em 04/0/2004 de sua genitora (Certidão de óbito a fl. 138) e os outros 50% adquiridos através de doação por adiantamento da legítima de seu genitor, o viúvo meeiro (fl.175); c. O desmembramento do imóvel rural só ocorreu em 30/04/2008, através da Escritura Pública de Divisão Amigável (fls. 24/33), onde à Contribuinte coube uma área de terra (Gleba “C”) com 101,86 ha, o que resulta em um percentual de 34,36% da área total do imóvel rural; d. Para apuração do ganho de capital a fiscalização considerou que o custo de aquisição do imóvel alienado pela Contribuinte seria 34,36% de R$ 796.120,00 (Valor atribuído ao todo na propriedade no Formal de Partilha), que equivale à R$ 273.546,83; e. Para apuração do valor do custo de aquisição foi considerado R$ 189.378,58 de custo de aquisição da terra nua e R$ 84.168,26 de custo de aquisição das benfeitorias (Quadro a fl. 297); f. O valor de alienação do imóvel pertencente à Contribuinte (Gleba “C” desmembrado da Fazenda Santa Floriana), de acordo com sua Declaração de Ajuste Anual IRPF do ano calendário 2008 (fl. 125) foi R$ 800.000,00; g. O ganho de capital apurado, aplicandose o caput do art. 2º da IN SRF 84/01, foi de R$ 526.453,17, obtido pela subtração de R$ 189.378,58 (custo de aquisição da terra nua) e R$ 84.168,26 (custo de aquisição das benfeitorias) de R$ 800.000,00 (Valor de alienação do imóvel); Fl. 444DF CARF MF 6 h. De posse desses valores, considerando os ajustes decorrentes da redução do ganho de capital, foi elaborado o Demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital as fls. 223 a 225. 2. Quanto aos depósitos bancários de origem não comprovada, transcrevemos trechos do Relatório que melhor esclarecem as conclusões do Auditor Fiscal: O valor de R$ 18.400,00 creditado na conta corrente bancária da fiscalizada em 09/01/2008 foi considerado como de origem não comprovada, dado que não foi juntada à resposta do contribuinte nenhum documento comprobatório de suas alegações de que tão somente o numerário teria transitado por sua conta bancária, sendo, portanto, dinheiro de terceiro. Os valores de R$ 16.472,00, R$ 16.250,00, R$ 17.000,00, R$ 17.200,00, R$ 16.150,00, R$ 57.100,00 e R$ 43.362,00 foram considerados, também, como de origem não comprovada, dado que não foi juntada à resposta do contribuinte nenhum documento comprobatório de suas alegações de que tratamse de cheques depositados de emissão de Marlene Crepaldi Silveira para pagamento da fazenda. Remetemos aos documentos de venda da referida fazenda: Instrumento Particular de Compromisso de Venda e Compra de 29/06/2008 (fls. 61 a 65), o qual estipula em sua cláusula nº 3 apenas o preço ajustado de R$ 800.000,00 entre as partes, é omisso sobre as condições de pagamento do preço acertado; contudo, a Escritura Pública de Venda e Compra de 11/07/2008 (fls. 57 a 60), embora não faça menção ao Instrumento Particular de Compromisso de Venda e Compra de 29/06/2008 (fls. 61 a 65), é de clareza solar quanto ao valor da venda de R$ 800.000,00 e quanto às condições de pagamento dessa importância: 'pago neste ato e em moeda corrente do país...', conforme mencionado à fl. 59. Às fls. 122 a 130 consta a Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física da fiscalizada; em Declaração de Bens e Direitos (fl. 125) nada encontramos de empréstimos ativos da fiscalizada que pudessem dar base a tal trânsito de numerário, e em Dívidas e Ônus Reais (fl. 125) também nada encontramos de empréstimos passivos da fiscalizada que pudessem dar base a tal trânsito de numerário de valores de R$ 16.472,00, R$ 16.250,00, R$ 17.000,00, R$ 17.200,00, R$ 16.150,00, R$ 57.100,00 e R$ 43.362,00 lançados a crédito de sua conta corrente bancária, conforme extratos da instituição financeira as fls. 86 a 104. Tivemos oportunidade de analisar nesse relatório, às fls. 24 e seguintes, a influência do Instrumento Particular de Compromisso de Venda e Compra de 29/06/2008 (fls. 61 a 65) sobre a Escritura Pública de Venda e Compra de 11/07/2008 (fls. 57 a 60), por conta do princípio da verdade material; consoante jurisprudência mencionada, deuse a influência tão somente quanto à data do negócio entre a fiscalizada e os compradores Marlene Aparecida Crepaldi Silveira e seu cônjuge, quanto à data de início do pagamento, em 30/06/2008, pelos compradores à vendedora ora fiscalizada, segundo consta o valor de R$ 250.000,00 (duzentos e cinquenta mil reais) no extrato bancário da fiscalizada a fl. 91 proveniente de TED – Transferência Eletrônica efetuada no nome Fl. 445DF CARF MF Processo nº 18088.720536/201230 Acórdão n.º 2401005.116 S2C4T1 Fl. 443 7 da compradora, perfeitamente identificada, Marlene Aparecida Crepaldi Silveira, para crédito em contracorrente bancária da vendedora, ora fiscalizada. Quanto à data de término do pagamento, verificamos que não ultrapassou o momento da lavra da Escritura Pública de Venda e Compra de 11/07/2008 (fls. 57 a 60), já que, documento de fé pública, a escritura a fl. 59 reza que o pagamento entre vendedora e compradores foi feito 'neste ato e em moeda corrente do país...'. ... A fl. 226 arrolamos o Extrato de Crédito Origem Não Comprovada Mediante Documentação Hábil e Idônea do anocalendário 2008, considerandose parte integrante e inseparável desse relatório e do auto de infração, cujo valor total de R$ 201.934,00 levamos à tributação, mês a mês, ou seja, efetuamos o lançamento de ofício para cobrança do Imposto de Renda Pessoa Física IRPF Lançamento com Base em Valores Constantes de Extratos Bancários – Depósitos Bancários de Origem não Comprovada Artigo 42 da Lei nº 9.430/96, dado que fica caracterizada como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira em relação aos quais o fiscalizado, pessoa física, regularmente intimado, não comprovou, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. As operações de depósito/crédito aqui levadas à tributação não contêm a identificação do depositante." (fls. 304/306). A Contribuinte tomou ciência da lavratura do Auto de Infração, via Correio, em 08/12/2012 (AR fl. 318), e em 14/01/2013 ofereceu sua IMPUGNAÇÃO de fls. 321/360, onde, em síntese, traz suas alegações separadas nos seguintes tópicos: 1. Cerceamento de defesa com violação do devido processo legal administrativo (fls. 323/330); 2. Omissão de receitas/presunção de omissão de receitas receitas não escrituradas e depósitos bancários não escriturados (fls. 330/335); 3. Obtenção de prova ilícita/ofensa aos princípios constitucionais do sigilo bancário (fls. 335/343); 4. Omissão de receitas/depósitos bancários e o conceito constitucional de renda (fls. 343/346); 5. Ganho de capital análise do processo n. 18088.720054/201107 (fls. 346/347); 6. Ganho de capital (fls. 347/353); 7. Dos juros (fls. 353/356); 8. Da multa confiscatória aplicada (fls. 356/358); 9. Da não incidência de juros sobre a multa (fls. 358/359); Fl. 446DF CARF MF 8 10. Da prova pericial (fls. 359/360); 11. Pedido (fl. 360). Diante da impugnação tempestiva o processo foi encaminhado à DRJ/JFA para julgamento que, através do Acórdão nº 0957.763, decidiu pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário exigido. A Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/JFA, via Correio, em 21/05/2015 (AR – fl. 397) e, tempestivamente, em 16/06/2015, apresentou seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 398/435, onde repete os mesmos argumentos aduzidos na impugnação para ao final requerer que sejam acolhidos seus argumentos para reformar a decisão recorrida, julgando improcedente o lançamento impugnado. É o relatório. Fl. 447DF CARF MF Processo nº 18088.720536/201230 Acórdão n.º 2401005.116 S2C4T1 Fl. 444 9 Voto Vencido Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Cerceamento do direito de defesa – Nulidade do lançamento Assevera a recorrente o cerceamento do direito de defesa por não ter sido demonstrado, através de planilha, os depósitos bancários que foram utilizados como omissão de rendimentos. Destarte, durante todo o procedimento fiscal ocorreram intimações para a contribuinte comprovar a origem dos depósitos, devidamente relacionados pela fiscalização, o que ocasionou a apresentação de esclarecimentos e documentos por parte da contribuinte. Assim, antes da instauração do contencioso administrativo, era de pleno conhecimento da Recorrente os valores creditados em conta corrente em que a fiscalização pretendia a comprovação da origem (fls. 226). No Relatório da Ação Fiscal (fl. 303) consta a indicação dos oito depósitos que foram considerados pela fiscalização como de origem não comprovada. Após a instauração do contencioso administrativo a contribuinte teve a oportunidade para apresentar defesas com as razões que entendeu pertinentes, não existindo no presente feito qualquer preterição ao direito do contraditório e ampla defesa. Assim, rejeito a preliminar suscitada. Da Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada Em razões recursais a contribuinte se insurge contra o lançamento aduzindo que foi baseado em mera presunção e que a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada não deve prevalecer. Afirma ainda que os valores movimentados em conta corrente decorreram do recebimento da venda do imóvel rural. Fl. 448DF CARF MF 10 A despeito dos depósitos bancários de origem não comprovada, o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de receita caracterizada em virtude da existência de depósitos bancários em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove a sua origem, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, senão vejamos o que determina a Lei nº 9.430/96: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Com efeito, referida regra presume a existência de rendimento tributável, invertendose, por conseguinte, o ônus da prova para que o contribuinte comprove a origem dos valores depositados a fim de que seja refutada a presunção legalmente estabelecida. Tratase, assim, de presunção relativa que admite prova em contrário, cabendo ao contribuinte trazer os elementos probatórios que permita a identificação da origem dos recursos. No âmbito do Superior Tribunal de Justiça verificase que foi reconhecida a legalidade do lançamento do imposto de renda com base no art. 42 da Lei 9.430/1996, tendo a corte assentado entendimento de que cabe ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos recursos a fim de ilidir a presunção de que se trata de renda omitida (AgRg no REsp 1.467.230/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28.10.2014; AgRg no AREsp 81.279/MG, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 21.3.2012). Dessa forma, é perfeitamente cabível a tributação com base na presunção definida em lei, tanto que referida matéria encontrase pacificada no âmbito do CARF através da Súmula nº 26: Súmula CARF nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Fl. 449DF CARF MF Processo nº 18088.720536/201230 Acórdão n.º 2401005.116 S2C4T1 Fl. 445 11 Com efeito, para a caracterização da omissão, necessário se faz a intimação do contribuinte objetivando a comprovação da origem dos recursos considerados não justificados, para que seja refutada a presunção legalmente estabelecida, o que restou cumprido pela fiscalização encontrandose o procedimento fiscal em consonância com a legislação de regência. Da origem dos valores creditados em conta bancária No que tange a comprovação dos depósitos que foram considerados pela fiscalização como de origem não comprovada (fl. 303), importante proceder à análise da documentação apresentada pela Recorrente. Após intimação de fl. 83, a Recorrente, prontamente, apresentou a relação das contas e extratos bancários às fls. 86/103 e esclarecimentos às fls. 109/110. Informou a contribuinte que a origem dos valores referiase à venda da sua parte no imóvel rural, denominado Fazenda Floriana, para os seus tios Francisco Alves Silveira e Marlene Crespaldi Silveira, e que, em virtude do grau de parentesco não achou necessário fazer recibo para cada pagamento. Isso porque, como os parentes possuíam plantação de cana de açúcar, na medida em que ocorria o recebimento da venda da cana procediam ao repasse do dinheiro para a quitação da compra do imóvel. Informou a Recorrente que na mesma época, efetuou a compra de uma casa residencial no valor de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) utilizando o dinheiro recebido da venda da Fazenda e que, muitas vezes, recebia dos tios e repassava direto ao Sr. Paulo Sérgio Silveira (exproprietário da casa). Compulsando os autos, verifico que a Recorrente declarou a alienação do imóvel denominado Fazenda Floriana, ao Sr. Francisco Alves Silveira pelo valor de R$ 800.000,00 e a compra de um imóvel residencial pelo valor de R$ 500.000,00 (fls. 21/23). Junta ainda a escritura pública em que consta a venda da Fazenda (fls. 34/37); o contrato de compromisso de venda e compra (fls. 61/65); a escritura da compra do imóvel residencial (fls. 66/70). Entendo que o conjunto probatório adunado aos autos confirmam as informações apresentadas pela Recorrente quanto à origem dos valores depositados em sua conta bancária relativos ao pagamento da venda da Fazenda Floriana. Foi oferecido à tributação o ganho de capital declarado pela contribuinte e existe convergência temporal dos fatos constantes nos autos. Realmente, constatase a ocorrência da venda do imóvel rural, bem como valores depositados em sua conta exatamente no período da venda. No item “8” do instrumento particular de contrato de compromisso de venda e compra, as partes firmaram acordo no sentido de providenciar até 28/08/2008 os documentos necessários para a escritura (fl. 64), não existindo maiores detalhes relacionados ao pagamento por se tratar de contrato entre familiares, razão da informalidade apresentada nos instrumentos contratuais. Fl. 450DF CARF MF 12 Cabe esclarecer que após intimada para prestar todas as informações dos depósitos bancários, prontamente atendeu à Fiscalização com a apresentação dos extratos bancários. A valoração das provas convergem para que esses valores que circularam na conta na referida data se refiram ao pagamento do imóvel vendido, razão pela qual, lastreada na documentação apresentada, entendo que restou comprovada a origem dos valores de R$ 16.472,00, R$ 16.250,00, R$ 17.000,00, R$ 17.200,00, R$16.150,00, R$ 57.100,00 e R$ 43.362,00 recebidos da venda do imóvel rural. O valor de R$ 18.400,00 creditado na contacorrente bancária da Recorrente em 09/01/2008, não restou comprovada a sua origem. Ganho de capital na venda de imóvel rural Assevera a contribuinte que não caberia qualquer exigência de Imposto de Renda sobre ganho de capital em face da isenção prevista no art. 39 da Lei nº 11.196/2005, regulamentada pela IN SRF 599/2005. Não assiste razão à Recorrente quanto à isenção. O artigo 39 da Lei nº 11.196/2005 se aplica à hipótese de venda de imóvel residencial para a aquisição de outro imóvel residencial no prazo de 180 (cento e oitenta dias), senão vejamos: Art. 39. Fica isento do imposto de renda o ganho auferido por pessoa física residente no País na venda de imóveis residenciais, desde que o alienante, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias contado da celebração do contrato, aplique o produto da venda na aquisição de imóveis residenciais localizados no País. § 1o No caso de venda de mais de 1 (um) imóvel, o prazo referido neste artigo será contado a partir da data de celebração do contrato relativo à 1ª (primeira) operação. § 2o A aplicação parcial do produto da venda implicará tributação do ganho proporcionalmente ao valor da parcela não aplicada. § 3o No caso de aquisição de mais de um imóvel, a isenção de que trata este artigo aplicarseá ao ganho de capital correspondente apenas à parcela empregada na aquisição de imóveis residenciais. [...] § 5o O contribuinte somente poderá usufruir do benefício de que trata este artigo 1 (uma) vez a cada 5 (cinco) anos. De acordo com as disposições insculpidas Instrução Normativa SRF nº 599, de 28 de dezembro de 2005, considera imóvel residencial a unidade construída segundo as normas disciplinadoras das edificações da localidade em que se situar, não se aplicando à venda ou aquisição de terreno: Art. 2º Fica isento do imposto de renda o ganho auferido por pessoa física residente no País na venda de imóveis residenciais, desde que o alienante, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias Fl. 451DF CARF MF Processo nº 18088.720536/201230 Acórdão n.º 2401005.116 S2C4T1 Fl. 446 13 contado da celebração do contrato, aplique o produto da venda na aquisição, em seu nome, de imóveis residenciais localizados no País. § 1º No caso de venda de mais de um imóvel, o prazo de 180 (cento e oitenta) dias referido no caput deste artigo será contado a partir da data de celebração do contrato relativo à primeira operação. [...] § 9º Considerase imóvel residencial a unidade construída em zona urbana ou rural para fins residenciais, segundo as normas disciplinadoras das edificações da localidade em que se situar. [...] § 11. O disposto neste artigo não se aplica, dentre outros: [...] II à venda ou aquisição de terreno; Ocorre que a própria contribuinte, em resposta ao Termo de Constatação Fiscal nº 10 (fls. 117/119), informou que a sua parte do imóvel correspondente a 1/3 (um terço) da Fazenda Santa Floriana não possuía benfeitorias, razão porque referido imóvel não poderia ser considerado residencial. Da leitura extraída dos dispositivos legais, ressai claro que os fatos narrados no presente caso não se enquadram na hipótese de isenção estabelecida no art. 39 da Lei nº 11.196/2005, haja vista que o imóvel alienado não era residencial. Assim, na situação em debate não configura a condição estabelecida na norma de regência para a concessão da isenção. Da apuração do ganho de capital Inicialmente, convém destacar que o Relatório da Ação Fiscal é extremamente extenso, confuso quanto às suas conclusões na verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, na determinação da matéria tributável e no cálculo do montante do tributo devido. Pois bem. O imóvel em questão foi adquirido pela contribuinte através do formal de partilha transitado em julgado, em 02/05/2006. Assim, como trata de imóvel adquirido após o ano de 1997, para a apuração do ganho de capital aplicase o dispositivo contido no art. 19 da Lei nº 9.393/96 que se refere a norma específica para o cálculo do ganho de capital de imóvel rural. Da análise do Relatório da Ação Fiscal, o ganho de capital foi determinado pela diferença entre o VTN do ano de alienação somado às benfeitorias, menos o VTN do ano de aquisição somado ao custo das benfeitorias (fl. 296). Cita a IN SRF nº 84/2001 para a aplicação do cálculo do tributo. Fl. 452DF CARF MF 14 A contribuinte assevera em razões recursais que o ganho de capital na alienação de imóveis rurais, a partir de 1997, deve seguir as regras estabelecidas na Lei nº 9.393/1996 e que, no caso, deve ser apurado a partir da diferença de Valor da Terra Nua VTN do ano da alienação e do ano da aquisição do imóvel rural. Pois bem. A Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996 determina o seguinte: Art. 19. A partir do dia 1º de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, nos termos da legislação do imposto de renda, considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º, observado o disposto no art. 14, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. Parágrafo único. Na apuração de ganho de capital correspondente a imóvel rural adquirido anteriormente à data a que se refere este artigo, será considerado custo de aquisição o valor constante da escritura pública, observado o disposto no art. 17 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Da leitura extraída do dispositivo legal, ressai claro que a partir de 1º de janeiro de 1997 a sistemática para a apuração de ganho de capital na alienação de imóvel rural deve ser considerada a diferença apurada entre o Valor da Terra Nua no ano de alienação e no ano de aquisição. Assim, a base de cálculo correta a ser adotada é exatamente a diferença positiva do Valor da Terra Nua da data da alienação e aquisição. Ocorre que ao apurar o ganho de capital, a fiscalização não aplicou sistemática correta para a apuração do ganho de capital relativo especificamente a alienação de imóvel rural (art. 19 da Lei nº 9.393/1996), razão porque se constata nitidamente o equívoco na apuração da base de cálculo tributável. Diante do exposto, tendo em vista a impossibilidade de inovar no lançamento, até mesmo em obediência ao princípio do contraditório e da ampla defesa, deve ser cancelado o lançamento. Caso esta Relatora reste vencida, cabe a análise das demais questões apresentadas na peça recursal. SELIC No que concerne ao argumento da Recorrente em que alega a inconstitucionalidade da aplicação da taxa de juros SELIC, não pode ser analisado por esta Conselheira, em razão da Súmula CARF nº 2, de aplicação obrigatória; in verbis: Súmula CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, tal matéria já se encontra pacificada no âmbito desde Conselho, conforme se extrai do enunciado da Súmula CARF n°4, nos seguintes termos: Fl. 453DF CARF MF Processo nº 18088.720536/201230 Acórdão n.º 2401005.116 S2C4T1 Fl. 447 15 Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Desta feita, correta a aplicação da taxa de juros SELIC no lançamento fiscal. Dos juros sobre a multa de ofício Pleiteia a contribuinte a não incidência dos juros correspondentes à taxa SELIC sobre o montante devido a título de multa de ofício, no caso de não ser cancelada a exigência do lançamento. A exigência combatida no Recurso Voluntário tem como fundamento o artigo 61, § 3º, da Lei nº. 9.430/96, que assim determina: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)(Grifamos). Ocorre que as multas de ofício não são débitos decorrentes de tributos, vez que são penalidades que decorrem de punição aplicada pela fiscalização quando verificadas a falta de pagamento ou recolhimento dos tributos e contribuições, após o vencimento do prazo para tal; e a falta de declaração e declaração inexata, o que enseja a aplicação da multa contida no artigo 44 da Lei nº. 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 454DF CARF MF 16 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Dessa forma, a incidência dos acréscimos moratórios previstos no art. 61 da Lei nº. 9.430/96 somente ocorre sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, ao passo que a multa de ofício não decorre de tributos ou contribuições, mas sim do descumprimento do dever legal de declarálo e/ou pagálo. Acrescentese ainda que o art. 161, § 1º do Código Tributário Nacional, mesmo modo, não autoriza referida incidência, posto que a previsão ali contida está condicionada a edição de uma lei específica regulando a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, conforme se destaca da norma: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Assim, entendo que assiste razão a recorrente, razão porque afasto a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO para excluir o imposto apurado sobre ganho de capital; mantenho a exigência do valor de R$ 18.400,00 creditado na contacorrente bancária da Recorrente em 09/01/2008, por não restar comprovada a sua origem; sobre a exigência mantida, afasto a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 455DF CARF MF Processo nº 18088.720536/201230 Acórdão n.º 2401005.116 S2C4T1 Fl. 448 17 Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço vênia a I. Relatora para divergir do seu voto que dava provimento ao recurso voluntário na parte concernente ao ganho de capital na alienação do imóvel rural, adquirido pelos alienantes após o ano de 1997, e afastava a incidência dos juros sobre a multa de ofício. a) Ganho de Capital Diz o art. 19 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, a seguir reproduzido: Art. 19. A partir do dia 1º de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, nos termos da legislação do imposto de renda, considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º, observado o disposto no art. 14, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. Parágrafo único. Na apuração de ganho de capital correspondente a imóvel rural adquirido anteriormente à data a que se refere este artigo, será considerado custo de aquisição o valor constante da escritura pública, observado o disposto no art. 17 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. (GRIFEI) Ao contrário do ponto de vista da I. Relatora, o dispositivo de lei não prescreve que, a partir do ano de 1997, o ganho de capital é resultado tão somente da diferença do valor da terra nua, obtida a partir dos dados do Documento de Informação e Apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (Diat), relativamente aos anoscalendário da ocorrência da aquisição e alienação do imóvel rural. Quando não houver benfeitorias no imóvel rural, a apuração do ganho de capital corresponderá à diferença apenas entre o valor da alienação e o custo de aquisição da terra nua, com base nos valores existentes na Diat relativa aos anos de venda e aquisição, respectivamente. Como cediço, o valor de alienação da terra nua não constitui receita da atividade rural e sujeitase à apuração do ganho de capital. Fl. 456DF CARF MF 18 Porém, o ganho de capital é uma figura que pretende refletir a avaliação estática de acréscimo patrimonial derivado do ingresso de riqueza nova, não havendo porque dispensar as benfeitorias (investimentos) da tributação do imposto sobre a renda. Via de regra, os valores com benfeitorias podem ser deduzidos como dispêndios de custeio na apuração do resultado da atividade rural, pois necessárias à percepção dos rendimentos e à manutenção da fonte produtora. Mantendose a coerência da tributação sobre a renda, o valor da alienação referente a elas será considerado uma receita da atividade rural do contribuinte (arts. 4º e 6º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990). Por outro lado, quando as benfeitorias não foram deduzidas como custos ou despesas da atividade rural, o seu valor poderá incorporar o custo de aquisição para fins de apuração do ganho de capital, na medida em que o preço pago pelas benfeitorias será computado como valor de alienação do imóvel rural. Nessa linha de entendimento, nenhuma ilegalidade contém a Instrução Normativa SRF nº 84, de 11 de outubro de 2001, que dispõe sobre a apuração e tributação de ganho de capital nas alienações por pessoas físicas: IMÓVEL RURAL Art. 9º Na apuração do ganho de capital de imóvel rural é considerado custo de aquisição o valor relativo à terra nua. § 1º Considerase valor da terra nua (VTN) o valor do imóvel rural, nele incluído o da respectiva mata nativa, não computados os custos das benfeitorias (construções, instalações e melhoramentos), das culturas permanentes e temporárias, das árvores e florestas plantadas e das pastagens cultivadas ou melhoradas. § 2º Os custos a que se refere o § 1º, quando não tiverem sido deduzidos como despesa de custeio, na apuração do resultado da atividade rural, podem ser computados para efeito de apuração de ganho de capital. Art. 10. Tratandose de imóvel rural adquirido a partir de 1997, considerase custo de aquisição o valor da terra nua declarado pelo alienante, no Documento de Informação e Apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (Diat) do ano da aquisição, observado o disposto nos arts. 8o e 14 da Lei No 9.393, de 1996. (...) VALOR DE ALIENAÇÃO Art. 19. Considerase valor de alienação: (...) VI no caso de imóvel rural com benfeitorias, o valor correspondente: a) exclusivamente à terra nua, quando o valor das benfeitorias houver sido deduzido como custo ou despesa da atividade rural; Fl. 457DF CARF MF Processo nº 18088.720536/201230 Acórdão n.º 2401005.116 S2C4T1 Fl. 449 19 b) a todo o imóvel alienado, quando as benfeitorias não houverem sido deduzidas como custo ou despesa da atividade rural. § 1º Tratandose de imóvel rural adquirido a partir de 1997, considerase valor de alienação da terra nua: I o valor declarado no Diat do ano da alienação, quando houverem sido entregues os Diat relativos aos anos de aquisição e alienação; II o valor efetivamente recebido, nos demais casos. § 2º Na alienação dos imóveis rurais, a parcela do preço correspondente às benfeitorias é computada: I como receita da atividade rural, quando o seu valor de aquisição houver sido deduzido como custo ou despesa da atividade rural; II como valor da alienação, nos demais casos. (...) (GRIFEI) Segundo o Relatório da Ação Fiscal, às fls. 233/313, à contribuinte fiscalizada coube, conforme escritura pública de divisão amigável de 30/04/2008, uma área de 101,86 ha, designada de Gleba "C", desmembrada do imóvel rural Fazenda Santa Floriana, localizado em Ribeirão Bonito (SP), resultando em um percentual de 34,36% do imóvel original. A aquisição da propriedade pela contribuinte deuse 50% por herança, no anocalendário de 2004, e outros 50% por adiantamento da legítima, no anocalendário de 2005. A Gleba "C" foi objeto de alienação pela recorrente no anocalendário de 2008, após a divisão entre os herdeiros. Por sua vez, de acordo com os dados da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR), relativas aos anoscalendário de 2004 a 2008, houve informação tempestiva da existência de benfeitorias no imóvel rural, compatíveis com referências nos documentos à área de produtos vegetais, área de pastagens cultivadas, área utilizada na atividade rural e criação de animais de grande porte. As informações não foram prestadas em separado pelos herdeiros, mas sim foi declarado em sua totalidade o imóvel rural (fls. 191/218). Todavia, quando intimada pelo agente fazendário, a contribuinte assegurou que o imóvel constituído da Gleba "C", objeto de venda, não possuía benfeitorias, compreendendo apenas a terra nua. Afirmou também que os valores declarados nas DITR´s diziam respeito à área total da Fazenda Santa Floriana, o que englobava as Glebas "A", "B" e "C" (fls. 121). Fl. 458DF CARF MF 20 Nesse contexto de conjunto probatório, entendo escorreita a conduta fiscal que deixou de acatar a só declaração da contribuinte a respeito da inexistência de benfeitorias na área do imóvel alienada (Gleba "C"), uma vez que desprovida de suporte em qualquer prova documental idônea, tal como um laudo técnico devidamente assinado por profissional habilitado. Com base no tradicional critério de distribuição do ônus probatório, caberia ao interessado, diante das declarações fiscais anteriormente apresentadas para o imóvel original, comprovar os fatos que pretende fazer prevalecer para a apuração do ganho de capital na alienação do bem. De mais a mais, não há qualquer elemento revelador que as respectivas benfeitorias foram consideradas na época própria como despesas de custeio ou investimento na atividade rural. Tornase inviável, portanto, o enfoque da recorrente quanto ao critério de apuração do ganho de capital exclusivamente segundo o parâmetro do valor da terra nua declarado nos exercício de alienação subtraído daquele montante do ano de aquisição do imóvel rural. Na hipótese sob exame, uma vez existindo o valor de terra nua de aquisição e alienação, declarado no Diat, o ganho de capital foi determinado pelo agente lançador a partir do resultado da diferença entre o valor da terra nua do ano de alienação somado ao valor correspondente às benfeitorias, menos o valor da terra nua do ano de aquisição somado ao custo das benfeitorias, respeitada, em qualquer caso, a proporção do imóvel que coube à recorrente na divisão amigável (fls. 260/300). b) Aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício A incidência de juros de mora sobre multa encontra suporte no art. 161 Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN), a seguir reproduzido: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. (GRIFEI) O art. 161 está inserido no Capítulo IV do Título III do Livro Segundo do CTN, que versa sobre extinção do crédito tributário, especificamente na Seção II, a qual trata do pagamento, uma das formas de extinção do crédito tributário. A análise sistêmica não pode levar a outra conclusão senão que a expressão "crédito não integralmente pago no vencimento" referese ao crédito tributário em atraso, composto por tributo e multa, ou tão somente pela penalidade pecuniária. Fl. 459DF CARF MF Processo nº 18088.720536/201230 Acórdão n.º 2401005.116 S2C4T1 Fl. 450 21 É certo que multa não é tributo. Porém, a obrigação de pagar a multa tem natureza tributária, tendo recebido do legislador o mesmo regime jurídico, isto é, aplicandose os mesmo procedimentos e critérios da cobrança do tributo, a teor do previsto no § 1º do art. 113 do CTN: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (...) § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Completo a avaliação destacando que o crédito tributário possui a mesma natureza da obrigação tributária principal, na dicção do art. 139 do CTN: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. O § 1º do art. 161 do CTN estabelece que os juros de mora serão calculados à taxa de um por cento ao mês, salvo se a lei dispuser de modo diverso. Em nível de lei ordinária, o art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, está assim redigido: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...). § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (GRIFEI) Já o § 3º do art. 5º da Lei nº 9.430, de 1996, citado no § 3º do seu art. 61, acima reproduzido, contém a seguinte redação: Art. 5º (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia Fl. 460DF CARF MF 22 do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. A expressão "débitos (...) decorrentes de tributos e contribuições", contida no "caput" do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, tem sido alvo de interpretações distintas. Acredito inapropriada, com a devida vênia, uma simples exegese literal e isolada desse dispositivo, devendose compreender o conteúdo e o alcance da norma jurídica nele contido como parte de um conjunto normativo mais amplo. Como visto, o débito, ou o crédito tributário, não é composto apenas pelo tributo. Constatado o inadimplemento do tributo pelo sujeito passivo, no prazo concedido pela legislação, há a aplicação da multa punitiva, a qual passa a integrar o crédito fiscal. O atraso na quitação da dívida atinge não só o tributo como a multa de ofício. Por isso, tendo em conta que a finalidade dos juros de mora é compensar o credor pela demora no pagamento, tais acréscimos devem incidir sobre a totalidade do crédito tributário. Além do que o raciocínio exposto não implica a incidência da multa de mora sobre a multa de ofício, como parece dizer o art. 61. Ambas com viés punitivo, multa de mora e de ofício se excluem mutuamente, de maneira tal que a aplicação de uma afasta, necessariamente, a incidência da outra. Logo, devida e permitida por lei a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício lançada, calculados com base na Taxa Referencial do Sistema de Liquidação e Custódia (Selic), quando não recolhida dentro do prazo. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário tão somente para excluir da base de cálculo apurada pela fiscalização os depósitos bancários do período de agosto e setembro de 2008, nos termos do voto da I. Relatora. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 461DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.720777/2011-58
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1001-000.070
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Volutário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Encaminhe-se para a Unidade de Origem para ciência do(a) Contribuinte do teor do presente Acórdão e demais providências cabíveis.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Volutário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Encaminhese para a Unidade de Origem para ciência do(a) Contribuinte do teor do presente Acórdão e demais providências cabíveis. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 07 77 /2 01 1- 58 Fl. 46DF CARF MF 2 Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão 1437.042, proferido pela 9ª Turma da DRJ/SDR, a qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, face à existência de débito inscrito em Dívida Ativa da União, sem exigibilidade suspensa, consoante o artigo 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123, de 2006. Foi expedido o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional devido à existência de débitos para com a Fazenda Nacional, conforme a seguir transcrito: A seguir, transcrevo o acórdão da DRJ: A manifestação de inconformidade reúne todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dela conheço. A Resolução CGSN nº 04/2007, art. 7º, §1º dispõe que a opção pelo Simples Nacional deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, podendo o contribuinte regularizar suas pendências, enquanto não vencido o prazo de opção. O art. 12, XVI da mesma Resolução, por outro lado, dispõe que as empresas em débitos com a Fazenda Nacional não poderão recolher impostos e contribuições na forma do Simples Nacional, verbis: Art. 12. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: [...] Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10855.720777/201158 Acórdão n.º 1001000.070 S1C0T1 Fl. 3 3 XVI que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; No presente caso, a empresa alega que, os débitos que motivaram o indeferimento da opção pelo sistema simplificado de arrecadação estão incluídos no Parcelamento do Simples Nacional, já em fase final de pagamento. Embora alegue que os demonstrativos de pagamento foram anexados, os mesmos não constam nos autos. A alegação da empresa no sentido de que não há atraso nos pagamentos do parcelamento realizado nos termos da Lei Complementar 123/2006 não procede. Isso porque, conforme demonstrado no Sistema de Cobrança – Consulta Extrato de Parcelamento Especial, nas folhas 22,23 e 24,de 27/6/2011, o parcelamento da Lei Complementar 123/2006 em nome da empresa encontrase com várias parcelas do ano 2009 e 2010 não pagas, demonstrando assim, que a empresa não regularizou seus débitos dentro do prazo para opção pelo Simples Nacional no ano 2011. Em face do exposto, voto pela IMPROCEDÊNCIA da manifestação de inconformidade contra Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele eu conheço. A recorrente apresentou, em resumo, as seguintes razões para o Recurso Voluntário: Fl. 48DF CARF MF 4 Não assiste razão à recorrente. Embora tenha solicitado o parcelamento dos débitos, conforme verificado pela DRJ, há vários débitos em atraso o que impossibilita a opção pelo Simples Nacional, nos termos do art. 17, inciso V, da Lei Complementar 123/2006 e ainda na Resolução CGSN nº 04/2007, conforme citado no acórdão da DRJ. Portanto, nego provimento ao Recurso Voluntário, não havendo crédito tributário em litígio. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 49DF CARF MF
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Numero do processo: 15956.000507/2010-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2008
PENALIDADE MAIS BENÉFICA. MP 449/08. COMPARAÇÃO DE MULTAS.
No caso de lançamento de ofício de contribuições não recolhidas e não informadas em GFIP, realizado após a entrada em vigor da MP 449/08 e em relação a fatos geradores ocorridos na vigência da legislação anterior, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, deverá ser comparada a multa de 24% da sistemática anterior, somada à multa do CFL 68, com a multa de 75% da nova sistemática.
Numero da decisão: 2401-004.875
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por voto de qualidade, negar-lhe provimento. Vencidos a relatora e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial para que a multa fosse recalculada considerando o disposto no art. 32-A da Lei 8.212/91. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada).
Nome do relator: Andréa Viana Arrais Egypto
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MP 449/08. COMPARAÇÃO DE MULTAS. No caso de lançamento de ofício de contribuições não recolhidas e não informadas em GFIP, realizado após a entrada em vigor da MP 449/08 e em relação a fatos geradores ocorridos na vigência da legislação anterior, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, deverá ser comparada a multa de 24% da sistemática anterior, somada à multa do CFL 68, com a multa de 75% da nova sistemática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 05 07 /2 01 0- 21 Fl. 164DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por voto de qualidade, negarlhe provimento. Vencidos a relatora e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial para que a multa fosse recalculada considerando o disposto no art. 32A da Lei 8.212/91. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada). Fl. 165DF CARF MF Processo nº 15956.000507/201021 Acórdão n.º 2401004.875 S2C4T1 Fl. 165 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário e Recurso de Ofício interpostos, em face da decisão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP (DRJ/RPO), que julgou, por unanimidade de votos, PROCEDENTE EM PARTE a autuação e a impugnação apresentadas, exonerando as multas impostas pela omissão em GFIP das contribuições objeto de discussão judicial não transitada em julgado, MANTENDO PARTE DA MULTA aplicada, importando o valor remanescente em R$ $193.038,10 (cento e noventa e três mil e trinta e oito reais e dez centavos), nos termos do relatório e voto proferidos, conforme ementa do Acórdão nº 1433.281 (fls. 73/85): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. OMISSÃO DE CONTRIBUIÇÕES. AGROINDÚSTRIA. ATIVIDADE ECONÔMICA AUTÔNOMA. Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com omissão de contribuições previdenciárias, deixando de informar a contribuição, devida pela agroindústria, sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, ainda que a mesma explore também outra atividade econômica autônoma, no mesmo ou em estabelecimento distinto, hipótese em que a contribuição também incide sobre o valor da receita bruta dela decorrente. AGROINDÚSTRIA. EXPORTAÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL VIA COOPERATIVA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DISCUSSÃO JUDICIAL CONCOMITANTE. MANUAL DA GFIP. NÃO CARACTERIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. A obrigação da agroindústria de quanto as contribuições previstas no art. 22A da Lei 8.212/91 na comercialização (exportação) de produtos rurais por via de Cooperativa à qual é associada é objeto de discussão judicial. De acordo com as instruções normativas pertinentes à GFIP (Manuais de Orientação), até a competência 10/2008, o contribuinte que estiver discutindo judicialmente contribuições previdenciárias, tais como as relativas à comercialização da produção rural por meio de cooperativas, deve informar a GFIP de acordo com o que entende ser devido, podendo tal documento ser retificado em função da decisão judicial proferida. A infração só estará configurada, nesses casos, diante da persistência das omissões após a decisão judicial desfavorável ao contribuinte. Improcedentes, assim, as penalidades impostas pela omissão das informações e fatos geradores objetos de discussão judicial. Fl. 166DF CARF MF 4 ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. As normas inquinadas de ilegais ou inconstitucionais pelo impugnante continuam válidas, não sendo licito à autoridade administrativa absterse de cumprilas e nem declarar sua inconstitucionalidade ou ilegalidade. REVOGAÇÃO DE FUNDAMENTOS DA MULTA. CONDUTA INFRACIONAL. PREVISÃO LEGAL. CONTINUIDADE. SUCESSÃO DE LEIS NO TEMPO. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449/2008. RETROATIVIDADE BENÉFICA. POSSIBILIDADE. AUTUAÇÕES CONEXAS. A conduta de omitir, em GFIP, fatos geradores e basesde cálculo de contribuições previdenciárias, tipificada como infração tributária ao art. 32 e inciso IV da Lei nº 8.212/91, continuou a ser definida como tal, mesmo após as modificações introduzidas pela MP nº 449/2008, convertida na lei nº 11.941/2009. Não ocorreu a revogação do fundamento de validade do AI. Assim entendido como o suporte legal para a autuação, haja vista que a lei posterior permaneceu definindo o fato apurado (a omissão de fatos geradores em GFIP) como infração à legislação tributária. A fundamentação legal da multa e sua forma de cálculo é que sofreram alterações, cabendo a retroatividade benéfica, prevista no art. 106, II e alínea "c" do CTN, na hipótese de ser mais favorável a norma posterior. As multas introduzidas pela MP nº 449/2008 demandam a análise conjunta das penalidades aplicadas em autuações ditas conexas, isto é, aquelas relativas a obrigações principais (pelo não recolhimento) e acessórias relativas a GFIP (pela falta de declaração ou declaração inexata), nos termos da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/2009 (DOU de 08/12/2009). AUTUAÇÃO PROCEDENTE EM PARTE COM EXCLUSÃO PARCIAL DA MULTA APLICADA Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O Presente processo é composto pelo Auto de Infração AI DEBCAD nº 37.255.4679 (fl. 02), no montante de R$ 1.302.928,90 (um milhão, trezentos e dois mil, novecentos e vinte e oito reais e noventa centavos), sob Fundamento Legal FL 68, lavrado em razão do Contribuinte ter apresentado GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações A Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, o que constitui infração às disposições contidas no então vigente art. 32, inciso IV, e parágrafos 3.° e 5.° da Lei n° 8.212/91, c/c art. 225, IV e § 4º do Decreto nº 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social RPS), referente ao período de 01/2006 a 03/2008. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 15956.000507/201021 Acórdão n.º 2401004.875 S2C4T1 Fl. 166 5 Este processo está apensado ao processo nº 15956.000508/201076, composto do Auto de Infração de Obrigações Principais AIOP DEBCAD nº 37.255.4687, que contém os documentos de prova anexados pela fiscalização. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração (fls. 18/25), a fiscalização verificou que: 1. No período de 01/2006 a 03/2008, não foram declaradas na GFIP os valores relativos às receitas de comercialização da produção agroindustrial (açúcar, álcool anidro e hidratado) realizada no mercado externo, via COOPERSUCAR; 2. Não foram declaradas as receitas da comercialização de alguns produtos resultantes da produção agroindustrial (óleo diesel, revenda de insumos e venda de mercadorias), realizadas no mercado interno no período de 01/2006 a 02/2007; 3. Não ocorreram circunstâncias agravante. A Fiscalização também apresentou, em seu relatório, planilhas comparando as multas legalmente previstas antes e após a edição da Medida Provisória n° 449/2008 (DOU de 04/12/2008), convertida na lei n° 11.941/2009. De modo a respeitar a retroatividade benéfica em matéria de penalidades (art. 106, II, "c" do CTN), a fiscalização demonstrou que a multa mais benéfica ao contribuinte é a preconizada pela legislação anterior, exceto a da competência 12/2007, para a qual foi aplicada a multa de oficio de 75% do AIOP, pelas condutas de não recolher e não declarar em GFIP as contribuições devidas. O Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração lavrado, pessoalmente, em 28/09/2010 (fl. 02) e, em 27/10/2010, apresentou, dentro do prazo legal, sua impugnação (fls. 31/39), aduzindo, em síntese, o que se segue: 1. Que as contribuições previdenciárias sobre a receita de comercialização da produção rural exportada via cooperativa, objeto de discussão no processo AIOP nº 15956.000508/201076 (DEBCAD nº 37.255.4687), não são devidas e por isso não devem ser declaradas em GFIP; 2. Que a respectiva multa de obrigações acessórias deve ser cancelada ou, ao menos, ser suspenso esse processo administrativo até a decisão definitiva sobre a legitimidade das contribuições discutidas no processo da obrigação principal (AIOP nº 15956.000508/201076 DEBCAD nº 37.255.4687); 3. Que as contribuições referentes a produtos (Óleo diesel, Insumos e Sucata) comercializados no mercado interno, também lançadas no processo da obrigação principal (AIOP nº 15956.000508/201076 DEBCAD nº 37.255.4687), foram desmembradas do débito, a fim de ser incluídas no pagamento ou parcelamento instituído pela lei n° 11.941/2009; Fl. 168DF CARF MF 6 4. Que a fiscalização comparou incorretamente penalidades impostas por condutas especificamente tipificadas, como a multa por descumprimento de dever acessório (omissão de informações na GFIP), com a multa de mora por atraso no recolhimento do tributo; 5. Que, no caso em análise, as multas previstas no art. 32, § 5°, da Lei n° 8.212/91 e no art. 35A, da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei n° 11.941/2009, são as voltadas especificamente para a conduta omissão de informações na GFIP, ou seja, apenas essas duas multas devem ser consideradas pela fiscalização, sendo imperiosa a aplicação exclusiva da multa mais benéfica 6. Que, por força do princípio da retroatividade benéfica previsto no art. 106, II, "c", do CTN, a autuação aplicada deve ser retificada a fim de calcular a multa imposta de acordo com o disposto no art. 32A da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 11.941/2009. Concluiu sua impugnação requerendo que seja cancelado o Auto de Infração em exame, em razão da ilegitimidade da exigência de contribuição previdenciária, ou, quando menos, seja determinada a suspensão do processo administrativo até o julgamento definitivo do processo no qual se discute a exigência das referidas contribuições, a fim de se proceder ao cancelamento da autuação reflexa. No caso de ser mantida da exigência, pleiteia seja determinada a retificação da multa aplicada, na forma o art. 32A da Lei n° 8.212/91, na redação introduzida pela Lei n° 11.941/2009, por força do princípio da retroatividade benéfica. O processo foi encaminhado para apreciação e julgamento pela 7ª Turma da DRJ/RPO, e esta, por unanimidade de votos, julgou a autuação e a impugnação PROCEDENTES EM PARTE, excluindo as penalidades relativas às omissões de contribuições ainda sob discussão judicial pendente, e MANTENDO PARTE DA MULTA APLICADA, cujo valor remanescente importa em R$ 193.038,10 (cento e noventa e três mil e trinta e oito reais e dez centavos). Ficou também determinado no Acórdão da DRJ/RPO a interposição de Recurso de oficio ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, nos termos do art. 366 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, c/c a Portaria MF n° 3 (DOU de 07/01/2008). O Contribuinte teve ciência do Acórdão nº 1433.281, via abertura da sua Caixa Posta, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico – DTE perante a RFB (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem – fl. 97), em 30/03/2015. Em 20/04/2015, dentro do prazo legal para apresentar manifestação sobre o teor do Acórdão da DRJ/RPO, o Contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário (fls. 99/106), instruído com os documentos anexos de fls. 107/130. Em RV o Contribuinte faz um breve relato dos fatos que ensejaram a autuação e, em síntese, aduz os seguintes argumentos: 1. A fiscalização comparou de forma errada a somatória da multa de mora prevista no art. 35, I, da Lei nº 8.212/91 (24%) e da multa por falta de informação na GFIP, calculada de acordo com o art. 32 §§ 4º e 5º, da Lei nº 8.212/91 (100% do valor da contribuição omitida), com a multa de ofício prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96 Fl. 169DF CARF MF Processo nº 15956.000507/201021 Acórdão n.º 2401004.875 S2C4T1 Fl. 167 7 (75%), e conclui que a legislação anterior seria a mais benéfica na maioria das competências; 2. Ao contrário do que sustenta a fiscalização, a comparação entre a multa anteriormente vigente e a multa introduzida pela nova legislação de ocorrer exclusivamente em relação à conduta apenada, qual seja, omissão de informações na GFIP; 3. No caso em concreto, as multas voltadas especificamente para a conduta omissiva são as previstas no art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/91 e no art. 35A da Lei nº 8,212/91, na redação da Lei nº 11.941/2009, portanto, apenas essas duas multam devem ser consideradas pela fiscalização para escolha da multa mais benéfica; 4. Após análise comparativa entres as penalidades aplicáveis chegase à conclusão que a penalidade mais branda é aquela prevista no ART. 32A, da Lei nº 8.212/91, introduzido pela Lei nº 11.941/2009; O Contribuinte conclui requerendo que seja determinada a retificação da multa aplicada, na forma do art. 32A, da Lei nº 8.212/91, na redação introduzida pela Lei nº 11.941/2009, por força do princípio da retroatividade benéfica. É o relatório. Fl. 170DF CARF MF 8 Voto Vencido Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Tendo em visa que o crédito tributário exonerado pela DRJ encontrase abaixo do limite de alçada determinado pela Portaria MF n° 63/2017, não conheço do Recurso de Ofício (Súmula CARF n° 103). Recurso Voluntário Da correta aplicação da Retroatividade benéfica na aplicação da penalidade por descumprimento de obrigação acessória A controvérsia relativa ao presente Processo Administrativo persiste quanto à manutenção de parte da multa aplicada, o valor de R$ 193.038.10, por omissões em GFIP quanto às contribuições devidas referentes a produtos comercializados no mercado interno, nas competências 01/2006 a 02/2007. Asseverou o contribuinte que a fiscalização comparou, incorretamente, o valor da multa de oficio de 75%, trazido pela MP n.° 449/2008, convertida na lei n.° 11.941/2009, com a soma entre o valor da multa de mora (art. 35 da Lei n.° 8.212/91) e o da multa punitiva (art. 32 e § 5°), ao invés da multa do art. 32A da Lei n.° 8.212/91 que instituiu multa equivalente a R$ 20,00 para cada grupo de dez informações incorretas, sendo este, claramente, o mais benéfico, devendo prevalecer pelos novos critérios. Afirma ainda que as contribuições devidas referentes a produtos comercializados no mercado interno foram objeto de parcelamento, nos termos da Lei nº 11.941/2009, assim, em face do adimplemento, deve haver o cotejo da multa aplicada pela fiscalização com a prevista no art. 32A da Lei n.° 8.212/91. As normas relativas à aplicação da multa por descumprimento de obrigações principais e acessórias à época do fato gerador e com as mudanças atuais, assim determinam: Art. 32. A empresa é também obrigada a: IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (Vide Lei nº 13.097, de 2015) Fl. 171DF CARF MF Processo nº 15956.000507/201021 Acórdão n.º 2401004.875 S2C4T1 Fl. 168 9 Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (Vide Lei nº 13.097, de 2015) (Vide Lei nº 13.097, de 2015) I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Lei nº 9.430/96 Fl. 172DF CARF MF 10 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Como se constata, com o advento da Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, ocorreram profundas alterações no cálculo das multas decorrentes de descumprimento das obrigações principais e acessórias relacionadas às contribuições previdenciárias. Na sistemática anterior, quando havia falta de recolhimento do tributo acompanhada da infração de omitir fatos geradores em GFIP, aplicavase a multa por inadimplemento da obrigação principal (art. 35 da Lei n.º 8.212/1991), cumulada com a penalidade decorrente do descumprimento da obrigação acessória, esta punida com a multa correspondente a 100% da contribuição não declarada, ficando a penalidade limitada a um teto calculado em função do número de segurados da empresa (§ 5.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991) Atualmente, nos termos do art. 35A da Lei n.º 8.212/1991, ocorrendo o lançamento da obrigação principal, a penalidade decorrente do erro ou omissão na GFIP fica incluída na multa de ofício constante no crédito constituído. Deixa, assim, de haver cumulação de pena administrativa com a multa pela falta de pagamento do tributo, sendo a cobrança efetuada em valor único, por força do disposto no art. 44, I, da Lei n. 9.430/1999. Das alterações levadas a efeito, a disposição contida no art. 32A da Lei 8.212/91 é específica para os casos de GFIP com informações inexatas ou mesmo omissões apuradas pela fiscalização, motivo pelo qual entendo que deve ser, no presente caso, o dispositivo legal aplicável, conforme determinado pelo art. 106, II, do Código Tributário Nacional que assim dispõe: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Fl. 173DF CARF MF Processo nº 15956.000507/201021 Acórdão n.º 2401004.875 S2C4T1 Fl. 169 11 II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Conclusão Ante todo o exposto, voto no sentido de CONHECER do RECURSO VOLUNTÁRIO, e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO para determinar o recálculo da multa aplicada, na forma estabelecida pelo art. 32A da Lei 8.212/91. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 174DF CARF MF 12 Voto Vencedor Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Redator Designado. Com a maxima venia, divirjo da Relatora quanto à multa mais benéfica que deve ser aplicada. Segundo as razões de decidir, consignadas no Voto, entende a Relatora que a "disposição contida no art. 32A da Lei 8.212/91 é específica para os casos de GFIP com informações inexatas ou mesmo omissões apuradas pela fiscalização", motivo pelo qual entende se aplicável, no presente caso, conforme disposto "no art. 106, II, do Código Tributário Nacional", porém, discordo desse entendimento. Vejamos, primeiramente, o que dispõe o Código Tributário Nacional quanto à aplicação da penalidade menos severa: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Da exegese dos dispositivos transcritos acima, aplicase a lei ao fato pretérito na hipótese de cominar penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo dos fatos. Pois bem, em caso de mudança da legislação, como é o caso da MP 449/08, temos que comparar o conjunto das penalidades aplicáveis na sistemática vigente ao tempo da infração com a nova sistemática. Dessa forma, somamse as multas aplicáveis na sistemática anterior, decorrentes do descumprimento da obrigação principal e da obrigação acessória, e somamse as novas multas aplicáveis, comparandose os resultados da seguinte forma: Fl. 175DF CARF MF Processo nº 15956.000507/201021 Acórdão n.º 2401004.875 S2C4T1 Fl. 170 13 Sendo assim, para a comparação, precisamos saber quais multas são aplicáveis antes e depois da MP 449/08. Antes da MP 449/08 Na sistemática anterior à MP 449/08, o não cumprimento da obrigação principal importava na aplicação da multa de 24%, prevista no art. 35, inciso II, alínea "a", da Lei 8.212/91: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: [...] II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; Por sua vez, no caso de não cumprimento da obrigação acessória, referente à GFIP, eram aplicadas as seguintes multas, previstas no art. 32 da Lei 8.212/91: Art. 32 [...] [...] § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. § 6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o Fl. 176DF CARF MF 14 infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º. Tais multas podem ser assim ser resumidas: Infração Multas da sistemática anterior Não declarar (não fazer GFIP). Art. 32, § 4º ‐ CFL1 67 Declarar com incorreções ou omissões relacionadas às contribuições. Art. 32, § 5º ‐ CFL 68 Declarar com incorreções ou omissões não relacionadas às contribuições. Art. 32, § 6º ‐ CFL 69 Pois bem, no caso em tela, a infração corresponde à omissão, em GFIP, das contribuições referentes à comercialização de produtos no mercado interno, nas competências de 01/2006 a 02/2007. Logo, se trata de infração do CFL 68. Portanto, na sistemática anterior à MP 449/08, são aplicáveis as seguintes multas: Multa da Obrigação Principal 24% Multa da Obrigação Acessória CFL 68 Após a MP 449/08 Agora, na sistemática vigente após a MP 449/08, o não cumprimento da obrigação principal importa na aplicação da multa de 75%, prevista no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; 1 Código de Fundamentação Legal Fl. 177DF CARF MF Processo nº 15956.000507/201021 Acórdão n.º 2401004.875 S2C4T1 Fl. 171 15 No caso de não cumprimento da obrigação acessória, referente à GFIP, a Lei 8.212/08, com as mudanças introduzidas pela MP 449/08, prevê as seguintes multas: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. Tais multas podem ser assim resumidas: Infração Multas da nova sistemática Não declarar (não fazer GFIP). Art. 32‐A, inciso II ‐ CFL 77 Declarar com incorreções ou omissões relacionadas ou não às contribuições. Art. 32‐A, inciso I ‐ CFL 78 Portanto, numa análise imediata, seriam aplicáveis ao presente caso as seguintes multas: Multa da Obrigação Principal 75% Multa da Obrigação Acessória CFL 78 Acontece, porém, que a multa de 75% não permite a aplicação concomitante da multa do CFL 78, no caso de incorreção ou omissão relacionada às contribuições. Vejamos, novamente, o que diz o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 178DF CARF MF 16 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Grifo nosso) Conforme se observa, a multa de 75% pune, ao mesmo tempo, três infrações à lei: não recolher, não declarar e declarar com inexatidão, sendo essas duas últimas infrações correspondentes ao CFL 77 e ao CFL 78, respectivamente. Assim, a aplicação da multa de 75%, junto com a multa do CFL 78 (no caso de incorreção ou omissão relacionada às contribuições), importa em bis in idem, o que não é permitido, pois teremos o mesmo Ente aplicando duas multas (previstas em normas distintas), em face do mesmo contribuinte e do mesmo fato gerador. Dessa forma, com base na nova sistemática, deve ser aplicada no caso em análise apenas a multa de 75%, não sendo cabível a aplicação das disposições contidas no art. 32A, conforme pleiteia o Recorrente. Nesses termos, deve ser feita a seguinte comparação: Compulsando o Auto de Infração, fls. 18 a 25, constatase que a fiscalização assim procedeu, efetuando a comparação das penalidades aplicáveis nas 27 competências abarcadas pelo lançamento, sendo que apenas na competência 12/2007 a penalidade da nova sistemática foi a mais benéfica. Conclusão Isso posto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 179DF CARF MF
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