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Numero do processo: 12448.723228/2011-62
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.089
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1337; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 2 1 1 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.723228/201162 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.089 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 30 de outubro de 2017 Matéria INDEFERIMENTO DE OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL Recorrente MENINA DO RIO INDUSTRIA COMERCIO EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO DA CONFECÇÃO DO VESTUÁRIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO INDEFERIMENTO DE OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL ANOCALENDÁRIO 2011 A existência de débito com a Secretaria da Receita Federal do Brasil, cuja exigibilidade não esteja suspensa, é hipótese de indeferimento da inclusão no Simples Nacional, nos termos do inciso V do artigo 17 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 32 28 /2 01 1- 62 Fl. 47DF CARF MF 2 Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão 1241.277, proferido pela 8ª Turma da DRJ/RJ1, a qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, face à existência de débito inscrito em Dívida Ativa da União, sem exigibilidade suspensa, consoante o artigo 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123, de 2006. Foi expedido o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional devido à existência de débitos para com a Fazenda Nacional, conforme a seguir transcrito: A ora recorrente apresentou impugnação que foi analisada pela DRJ que proferiu a seguinte decisão: O processo versa sobre indeferimento à opção da interessada pela sistemática do Simples Nacional. O Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (fl.3) de 31/01/2011, informa que a pessoa jurídica possuía dois débitos relativo ao código 6808 (multa por atraso/falta Fl. 48DF CARF MF Processo nº 12448.723228/201162 Acórdão n.º 1001000.089 S1C0T1 Fl. 3 3 DACON), períodos de 03 e 05/2010, nos valores de R$ 258,55 e R$ 500,00 , respectivamente. A data do registro do referido Termo é de 17/02/2011. Na fl. 2 consta manifestação de inconformidade, datada de 14/03/2011 contra o citado Termo alegando que os débitos foram recolhidos. É o relatório Voto A manifestação de inconformidade é tempestiva e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, portanto, dela tomo conhecimento. A interessada teve negado seu pedido de inclusão da sistemática do Simples Nacional através do Termo de fl. 3 pelo fato de existir dois débitos relativo ao código 6808(multa por atraso/falta DACON), períodos de 03 e 05/2010, nos valores de R$ 258,55 e R$ 500,00, respectivamente. Nas fl. 4 e 5, estão acostados dois Comprovantes de Arrecadação DARF especificados a seguir: • Data de arrecadação30/ 09/2010; per. apuração 10/05/2010; data de vencimento08/11/2010; valor total R$ 250,00. • Data de arrecadação17/ 08/2010; per. apuração08/ 03/2010; data de vencimento14/ 05/2010; valor principal R$500,00; juros R$ 13,25; valor total R$ 513,25. Tais pagamentos foram confirmados no sistema Sief, conforme extrato de fl. 19 e 20. Analisandose tais recolhimentos, verificase que o débito relativo ao período de 03/2010, no valor de R$ 258,55 foi pago em 17/08/2010 mas com os valores correspondentes ao período de 05/2010 (valor principal R$ 500,00; juros R$ 13,25; valor total R$ 513,25). Quanto ao débito do período de 05/2010, no valor de R$ 500,00, constatase que o mesmo foi recolhido parcialmente no valor de R$ 250,00, em 30/09/2010. Na verdade, houve um pagamento a maior quanto ao débito de 03/2010 e um pagamento a menor quanto ao débito de 05/2010, persistindo, portanto, débito junto à RFB. Poderia até ser argumentado que houve uma confusão por parte do contribuinte quando do pagamento., contudo, mesmo considerando a hipótese de que o pagamento efetuado em 30/09/2010, no valor de R$ 250,00, se refere ao período de 03/2010, este não seria suficiente para quitar o débito que monta a R$ 258,55. Fl. 49DF CARF MF 4 Face o exposto, voto por negar provimento à manifestação de inconformidade para não incluir a interessada na sistemática do Simples Nacional. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele eu conheço. A recorrente apresentou, em resumo, as seguintes razões para o Recurso Voluntário: A DRJ, consoante o acórdão e documentos constantes do processo, verificou a existência de débitos tributários que impedem a opção pelo Simples Nacional, de acordo com a legislação em vigor, Lei Complementar 123/2006, art. 17, inciso V, como versa: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; Conseqüentemente, é de se negar provimento ao recurso sem crédito tributário em litígio. É como voto. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 12448.723228/201162 Acórdão n.º 1001000.089 S1C0T1 Fl. 4 5 (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 51DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720116/2012-95
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. PREÇO PRATICADO. INCLUSÃO DE FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES SOBRE A IMPORTAÇÃO.
Segundo o disposto no art. 18, § 6º, da Lei nº 9.430/96, o preço praticado é o preço de aquisição da mercadoria (FOB), acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. A inclusão desses valores no cálculo do preço praticado em nada prejudica o direito do sujeito passivo em deduzi-los integralmente como despesa no levantamento do lucro líquido do exercício. Por outro lado, a não inclusão daqueles valores no cálculo do preço praticado prejudicaria a sua comparabilidade com o preço parâmetro levantado segundo o método PRL, uma vez que neste último estão necessariamente incluídos os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇO PARÂMETRO. IN SRF Nº 243/2002. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA.
O princípio da legalidade tributária, albergado no art. 150, I, da Constituição da República, estabelece que nenhum tributo poderá ser instituído ou aumentado senão por intermédio de lei.
O preço parâmetro PRL60 calculado segundo o disposto na Instrução Normativa SRF nº 243/2002 resulta em ajustes ao lucro liquido sempre em montantes iguais ou inferiores àqueles calculados segundo a correta interpretação da Lei nº 9.430/96, daí porque não há que se falar em violação ao princípio da legalidade tributária.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
Por ser parte integrante do crédito tributário, a multa de ofício sofre a incidência dos juros de mora, conforme estabelecido no art. 161 do CTN. Precedentes do STJ.
Numero da decisão: 9101-003.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, quanto (i) aos juros sobre a multa, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento; quanto (ii) à Ilegalidade da IN/SRF 243/2002, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento e quanto (iii) aos seguros e fretes, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rego. Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. PREÇO PRATICADO. INCLUSÃO DE FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES SOBRE A IMPORTAÇÃO. Segundo o disposto no art. 18, § 6º, da Lei nº 9.430/96, o preço praticado é o preço de aquisição da mercadoria (FOB), acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. A inclusão desses valores no cálculo do preço praticado em nada prejudica o direito do sujeito passivo em deduzi-los integralmente como despesa no levantamento do lucro líquido do exercício. Por outro lado, a não inclusão daqueles valores no cálculo do preço praticado prejudicaria a sua comparabilidade com o preço parâmetro levantado segundo o método PRL, uma vez que neste último estão necessariamente incluídos os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇO PARÂMETRO. IN SRF Nº 243/2002. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA. O princípio da legalidade tributária, albergado no art. 150, I, da Constituição da República, estabelece que nenhum tributo poderá ser instituído ou aumentado senão por intermédio de lei. O preço parâmetro PRL60 calculado segundo o disposto na Instrução Normativa SRF nº 243/2002 resulta em ajustes ao lucro liquido sempre em montantes iguais ou inferiores àqueles calculados segundo a correta interpretação da Lei nº 9.430/96, daí porque não há que se falar em violação ao princípio da legalidade tributária. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Por ser parte integrante do crédito tributário, a multa de ofício sofre a incidência dos juros de mora, conforme estabelecido no art. 161 do CTN. Precedentes do STJ.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, quanto (i) aos juros sobre a multa, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento; quanto (ii) à Ilegalidade da IN/SRF 243/2002, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento e quanto (iii) aos seguros e fretes, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra - Relator (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rego. Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
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MÉTODO PRL. PREÇO PRATICADO. INCLUSÃO DE FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES SOBRE A IMPORTAÇÃO. Segundo o disposto no art. 18, § 6º, da Lei nº 9.430/96, o preço praticado é o preço de aquisição da mercadoria (FOB), acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. A inclusão desses valores no cálculo do preço praticado em nada prejudica o direito do sujeito passivo em deduzilos integralmente como despesa no levantamento do lucro líquido do exercício. Por outro lado, a não inclusão daqueles valores no cálculo do preço praticado prejudicaria a sua comparabilidade com o preço parâmetro levantado segundo o método PRL, uma vez que neste último estão necessariamente incluídos os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇO PARÂMETRO. IN SRF Nº 243/2002. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA. O princípio da legalidade tributária, albergado no art. 150, I, da Constituição da República, estabelece que nenhum tributo poderá ser instituído ou aumentado senão por intermédio de lei. O preço parâmetro PRL60 calculado segundo o disposto na Instrução Normativa SRF nº 243/2002 resulta em ajustes ao lucro liquido sempre em montantes iguais ou inferiores àqueles calculados segundo a correta interpretação da Lei nº 9.430/96, daí porque não há que se falar em violação ao princípio da legalidade tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 16 /2 01 2- 95 Fl. 10657DF CARF MF 2 JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Por ser parte integrante do crédito tributário, a multa de ofício sofre a incidência dos juros de mora, conforme estabelecido no art. 161 do CTN. Precedentes do STJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, quanto (i) aos juros sobre a multa, por voto de qualidade, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento; quanto (ii) à Ilegalidade da IN/SRF 243/2002, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento e quanto (iii) aos seguros e fretes, por voto de qualidade, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rego. Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Fl. 10658DF CARF MF Processo nº 16561.720116/201295 Acórdão n.º 9101003.206 CSRFT1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pelo Contribuinte em epígrafe, admitido para discussão das seguintes matérias: (i) ilegalidade da IN/SRF nº 243/2002; a (ii) ilegítima inclusão dos valores relativos ao frete, seguro e tributos no cálculo do preço praticado, e a (iii) ilegítima incidência de juros sobre multa de ofício. Na origem, entendeu a fiscalização que a contribuinte teria indevidamente adotado a sistemática da Lei nº. 9430/96 para cálculo do preço parâmetro com base no método PLR 60%, ao invés da sistemática prevista na Instrução Normativa 243/2002, ocasionando suposta dedutibilidade indevida de custos de mercadorias importadas. Além disso, as diferenças encontradas também são decorrentes da adoção, pela fiscalização, da sistemática da Instrução Normativa 243/2002 para cálculo do preço parâmetro, incluindo no preço praticado as parcelas de frete, seguro e imposto de importação. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação ao auto de infração, alegando, dentre outros argumentos: 1. Que as despesas de frete, seguro e tributos não decorrem de transações realizadas com a empresa vinculada, mas sim de operações com terceiros, empresas seguradoras, transportadoras e a própria Administração Federal, que não possuem vínculo de dependência com a empresa sediada no Brasil. Assim, na importação de produtos de empresas vinculadas, os valores de frete, de seguro e dos tributos incidentes sobre a importação estão fora do escopo das regras de preços de transferência; 2. Que é possível a alteração do método de cálculo do preço de transferência após o início do procedimento fiscal; 3. Que a IN SRF n° 243/2002 prevê um procedimento diverso daquele previsto pela Lei n° 9.430/96 para a determinação do preço parâmetro segundo o método PRL60, quando deveria limitarse a regular tais dispositivos. Em face dessa ilegalidade da IN SRF n° 243/2002, os cálculos que fundamentaram o Auto de Infração devem ser desconsiderados; 4. Que é ilegal a incidência de juros Selic sobre a multa de ofício. No julgamento da impugnação decidiuse que (i) após o início do procedimento fiscal, não cabe mais ao contribuinte alterar o método utilizado na DIPJ para determinação dos ajustes decorrentes da legislação dos preços de transferência; (ii) as Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil não possuem competência para apreciar a legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas; (iii) que na apuração dos preços praticados segundo o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), devese incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação; e (iv) por não fazer parte da lide, a autoridade julgadora não se manifestou a respeito de juros sobre multa de ofício. Fl. 10659DF CARF MF 4 Novamente inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário ao CARF, repisando os argumentos da impugnação. No julgamento do Recurso, a 1ª Turma da 1ª Câmara, da 1ª Seção de julgamento, a ele negou provimento, assim se manifestando: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 ALTERAÇÃO DE OPÇÃO PELO MÉTODO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O intimação prévia prevista no art. 20A da Lei nº 9.430/96 somente deve ser observada nos procedimentos fiscais que tenham por objeto as apurações do anocalendário 2012 e seguintes. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE. IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243, de 2002, cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. PREÇO PRATICADO. INCLUSÃO DE FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. Na apuração do preço praticado segundo o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), devese incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. CSLL. DECORRÊNCIA. O quanto decidido para fins de IRPJ deve ser aplicado à CSLL, eis que os lançamentos decorrem dos mesmos fatos e dos mesmos elementos de prova. Ciente dessa decisão o Contribuinte, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, objetivando discutir as seguintes matérias: (a) a ilegítima inclusão dos valores relativos ao frete, seguro e tributos no cálculo do preço praticado; (b) a possibilidade de apresentação de novo método após apresentação da DIPJ; (c) a ilegalidade da IN/SRF nº 243/2002, e (d) a ilegítima incidência de juros sobre multa de ofício. Conforme despacho de admissibilidade do Presidente da Câmara, apenas foi conhecido o Recurso em relação às matérias (a), (c), e (d), acima. Diante da admissibilidade parcial o Contribuinte apresentou agravo, o qual foi conhecido, porém rejeitado pelo Presidente do Tribunal. Em relação às matérias admitidas, em suas razões alega o contribuinte: Fl. 10660DF CARF MF Processo nº 16561.720116/201295 Acórdão n.º 9101003.206 CSRFT1 Fl. 4 5 ü O art. 18, § 6º da Lei nº. 9.430/96 não pretendeu incluir frete, seguro e os tributos incidentes na importação no cálculo dos preços de transferência, mas, tão somente, integrálos ao custo, para efeitos de dedutibilidade no cálculo do Lucro Real. Não por outra razão, o legislador fez constar a expressão “para efeito de dedutibilidade” na redação do dito §6º; ü O art. 18 da Lei nº. 9430/96 tem como objetivo limitar a dedutibilidade do custo do bem importado ao valor aferido pelo preço parâmetro (preço praticado nas condições de livre mercado, apurado conforme os métodos), nas operações efetuadas com pessoa vinculada. Entretanto, as despesas com frete, seguro e os tributos incidentes na importação não decorrem de operação com empresa vinculada, mas sim de operação com terceiros, que não possuem vínculo com o Contribuinte; ü Assim, nas operações de importação realizadas entre pessoas vinculadas, os valores de frete, seguro e os tributos incidentes na importação estão fora do escopo das normas de preços de transferência; ü São distintas as regras de apuração do preço parâmetro baseado no PRL60, previstas na Lei 9.430/96 e na IN 243/2002. As regras da instrução normativa implicam em ônus muito mais elevado para o contribuinte; ü Concluise claramente, do exposto, que a IN SRF 243/02 prevê um procedimento diverso daquele previsto pela Lei 9.430/96, para determinação do preço parâmetro segundo o método PRL60, quando deveria limitarse a regular os dispositivos da lei que o estabeleceu; ü Tendo restado claro que a IN 243/02 inovou o ordenamento jurídico, frente aos preceitos estabelecidos pelas Leis 9.430/96 e 9.959/00 para o cálculo do método PRL60, importante repisar que o sistema tributário brasileiro tem como seu principal alicerce o principio da estrita legalidade, previsto no artigo 150, I da Constituição Federal; ü Todo ato normativo infralegal deve restringirse a regulamentar dispositivos legais, dispondo sobre aspectos formais, procedimentais ou esclarecendo seu conteúdo, nada mais. Daí concluirse que não é dado a uma Instrução Normativa extrapolar os limites que foram delimitados através de Lei, nem mesmo estabelecer procedimento diverso a ser seguido pelo contribuinte que possa ter efeito mais oneroso; ü Também não merece prevalecer o v. acórdão recorrido no que tange a suposta incidência de juros moratórios sobre as multas de ofício lançada na presente autuação, uma vez que afrontam diretamente à Legislação Pátria pertinente e o próprio Princípio da Segurança Jurídica; Fl. 10661DF CARF MF 6 ü De acordo com o artigo 139 do CTN, o crédito tributário decorre apenas da obrigação principal e, nos termos do artigo 113, parágrafo 1º do CTN, esta somente surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento de tributo; ü A palavra “crédito” sobre o qual incidem os juros de mora previstos no artigo 161 do CTN se refere apenas aos tributos devidos, caso contrário, não haveria razão alguma para a ressalva final constante do mesmo dispositivo, no sentido de que esta incidência de juros se dá “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis”; ü Se a expressão “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições” constante no “caput” do artigo 61 contemplasse também multas, não haveria necessidade alguma da previsão do parágrafo único do artigo 43, uma vez que a incidência dos juros sobre a multa isolada, assim como a de ofício, já decorreria diretamente do artigo 61. Cientificada do Recurso, a Fazenda Nacional, tempestivamente, apresentou contrarrazões, argumentando, em suma: ü A divergência sobre a aplicabilidade da SELIC sobre a multa de ofício a título de juros de mora se dá, primordialmente, acerca do que se entende por “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”; ü O art. 61, caput, e seu § 3º da Lei nº 9.430/96 utilizam, respectivamente, as expressões “débitos para com a União” e “débitos a que se refere este artigo”. Assim, é importante definir a que “débitos” se referem o art. 61, caput, e seu § 3º do mencionado diploma legal; ü É sabido que, com a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, surge o direito subjetivo público do sujeito ativo (União) a receber o crédito tributário e o respectivo dever do sujeito passivo (devedor) de pagálo no prazo previsto na legislação específica; ü Portanto, notase que, se não pago o tributo no prazo estipulado legalmente, o Fisco efetuará o lançamento do crédito tributário, expressão que abrange o tributo e os acréscimos legais (multa e juros); ü Querse dizer com isso que os débitos a que se referem o art. 61, caput, e seu § 3º da Lei nº 9.430/96 são os créditos tributários devidos à União e não somente o valor do tributo. Os juros incidirão sobre o principal e a multa de ofício aplicada. É o que manda o citado § 3º; ü Logo, resta correta a aplicação dos juros de mora, com base na taxa SELIC, sobre a multa de ofício; ü Que a metodologia de cálculo exposta na IN SRF nº 243/2002 simplesmente regulamenta o disposto no art. 18, inciso II, da Lei nº 9.430/96, em estrita conformidade à intenção do legislador: evitar a Fl. 10662DF CARF MF Processo nº 16561.720116/201295 Acórdão n.º 9101003.206 CSRFT1 Fl. 5 7 transferência indireta de lucros para o exterior nas operações praticadas entre partes vinculadas, através do controle dos preços dos bens importados; ü A sistemática delineada pelo art. 18 da Lei nº 9.430/96 é voltada para a quantificação de um preçoparâmetro para o bem importado, e não para o bem produzido localmente, razão pela qual não há coerência em se apurar a margem de lucro de 60% sobre o preço líquido de revenda do produto final; ü A interpretação meramente gramatical do art. 18 da Lei nº 9.430/96 pode resultar em diferentes fórmulas de cálculo do PRL 60, constatação esta que se agrava pela impropriedade de redação da Lei, o que denota que não há uma única fórmula “pronta e acabada” no diploma legal. Assim como em qualquer texto, a interpretação da Lei nº 9.430/96 é plurívoca, e dá margem a dúvidas que devem ser esclarecidas pela regulamentação administrativa, de acordo com a finalidade da Lei; ü Os valores de frete, seguro e tributos não recuperáveis incidentes na importação integram, sim, tanto o preço praticado quanto o preço parâmetro, eis que a comparação feita entre ambos deve, por razões lógicas, contemplar grandezas análogas, sendo expressa a norma que impõe a inclusão neste último, a saber, o § 4º do art. 4o da IN 243/02; ü Salientese que a base legal para esse dispositivo repousa no §6º do art. 18 da Lei n. 9.430/96, dispositivo que, com o advento da Lei n. 12.715/2012, passou a ostentar redação diametralmente oposta; ü Com efeito, ao tempo dos fatos geradores em análise, o citado §6º do art. 18 estabelecia que, litteris: “§6º Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação”; ü Apenas com o advento da Lei n. 12.715/2012 que a sistemática de não inclusão de frete, seguro e imposto de importação passou a vigorar, mas essa norma é inaplicável à hipótese. Assim, pediu o não provimento do Recurso do contribuinte. É o relatório. Fl. 10663DF CARF MF 8 Voto Vencido Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator A admissibilidade do Recurso do Contribuinte não foi questionada pela Fazenda Nacional. A par disso, entendo não haver há reparos a se fazer na análise realizada pelo então Presidente da Câmara. IMPOSSIBILIDADE DE INCLUSÃO DAS DESPESAS COM FRETES, SEGUROS E IMPOSTOS Concordo como Contribuinte no sentido de que a interpretação conferida pela IN SRF nº. 243/2002 ao art. 18, § 6º da Lei nº. 9430/96 não ser correta. Isso porque a lei não pretendeu incluir frete, seguro e os tributos incidentes na importação no cálculo dos preços de transferência, mas, tão somente, integrálos ao custo, para efeitos de dedutibilidade no cálculo do Lucro Real. Por isso mesmo o legislador fez constar a expressão “para efeito de dedutibilidade” no § 6º do art. 18 da Lei nº. 9430/96. Importante destacar que as normas reguladoras do preço de transferência visam a impedir a evasão de tributos, que pode ocorrer através da manipulação de operações comerciais entre empresas brasileiras e suas coligadas domiciliadas no exterior. Tais normas pretendem garantir que os preços praticados nessas operações pautemse pelas condições usuais de livre mercado (Arm’s Length). Dessa forma, o art. 18 da Lei nº. 9430/96 tem como objetivo limitar a dedutibilidade do custo do bem importado ao valor aferido pelo preço parâmetro (preço praticado nas condições de livre mercado, apurado conforme os métodos), nas operações efetuadas com pessoa vinculada, como diz a lei. Frisese: somente os custos inerentes às operações praticadas com pessoas vinculadas são alvo do controle pelas normas de preço de transferência. Logo, as despesas com frete, seguro quando não decorrem de operação com empresa vinculada, mas sim de operação com terceiros, que não possuem vínculo com a empresa no Brasil não podem se sujeitar às regras de preços de transferência. Menos ainda os tributos incidentes na importação, já que devidos ao próprio Estado. Assim, nas operações de importação realizadas entre pessoas vinculadas, os valores de frete, seguro e os tributos incidentes na importação estão fora do escopo das normas de preços de transferência. Mas não é só. Também compactuo com os argumentos do relator do Acórdão 1402 001.379, no seguinte sentido: Acrescentese, por oportuno, que é irrelevante se tais valores são pagos diretamente à pessoa vinculada, como ocorre nas contratações pela modalidade CIF, ou se os valores são pagos diretamente aos terceiros (seguradoras, transportadoras e Administração Pública Federal, etc), como ocorre nas contratações pela modalidade FOB. Fl. 10664DF CARF MF Processo nº 16561.720116/201295 Acórdão n.º 9101003.206 CSRFT1 Fl. 6 9 Uma vez que tais custos são decorrentes de operações entre partes não vinculadas, não estando sujeitos à manipulação, não devem ser incluídos no cálculo do preço de transferência. Finalmente, vale mencionar, que o próprio legislador reconheceu os equívocos interpretativos que vinham ocorrendo e veio determinar, expressamente, a exclusão destes valores do cálculo do preço parâmetro, encerrando as discussões sobre o tema. Para tanto, editou a MP nº. 563/12, convertida na Lei nº. 12.715/12 que modificou a redação do § 6º do artigo 18 da Lei n. 9430/96 e inclui o § 6ºA. Vejamos: § 6º Não integram o custo, para efeito do cálculo disposto na alínea b do inciso II do caput, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, desde que tenham sido contratados com pessoas: (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) I não vinculadas; e (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) II que não sejam residentes ou domiciliadas em países ou dependências de tributação favorecida, ou que não estejam amparados por regimes fiscais privilegiados. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) § 6ºA. Não integram o custo, para efeito do cálculo disposto na alínea b do inciso II do caput, os tributos incidentes na importação e os gastos no desembaraço aduaneiro. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) A justificativa do legislador para a alteração na redação dos citados dispositivos pode ser observada já na Exposição de Motivos da MP nº. 563/12 que vale à pena ser transcrita: 61. Como fruto de toda a experiência até então angariada no que concerne à aplicação de referidos controles, com o intuito de minimizar a litigiosidade FiscoContribuinte até então observada, e objetivando alcançar maior efetividade dos controles em questão, propõese alterações na legislação de regência. 62. Entre essas alterações, merecem destaque as seguintes: ... c) não consideração de montantes pagos a entidades não vinculadas ou a pessoas não residentes em países de tributação favorecida ou ainda a agentes que não gozem de regimes fiscais privilegiados a título de fretes, seguros, gastos com desembaraço e impostos incidentes sobre as operações de importação para fins de cálculo do preço parâmetro pelo método PRL, vez que tais montantes não são suscetíveis de eventuais manipulações empreendidas com o intuito de esvaziar a base tributária brasileira; As alterações recentes na legislação de preços de transferência e a leitura dos trechos em destaque demonstram de forma Fl. 10665DF CARF MF 10 incontestável que a interpretação adotada pela Recorrente está correta. Nesse contexto, entendo que merece guarida a pretensão do Contribuinte de excluir o valor do frete, seguros e impostos incidentes na importação do cálculo dos tributos ora cobrados. ILEGALIDADE DA IN 243/02 De acordo com o contribuinte, a Instrução Normativa n. 243/2002 seria ilegal por carrear fórmula para a mensuração do Preço Parâmetro pelo método PRL 60% que destoa daquela fórmula que decorreria do art. 18 da Lei n. 9.430/96, na redação dada pela Lei n. 9.959/2000. Diversamente, o Fisco e a Fazenda Nacional entendem que a Instrução Normativa n. 243/2002 jamais contrariou a Lei n. 9.430/96 – na redação dada pela Lei n. 9.959/00 –, mas apenas deu à Lei a sua melhor interpretação. Vejamos, pois, os textos desses atos normativos. Frisese que o período objeto dos vertentes Autos de Infração é anterior ao advento da Lei n. 12.715/2012, razão pela qual não serão transcritas as alterações que essa lei impôs ao texto da Lei n. 9.430/96. Lei n. 9.430/96 Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado, observadas as condições previstas no presente dispositivo, por um dos seguintes métodos: (...) II – Método do Preço de Revenda menos Lucro – PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; Instrução Normativa n. 243/2002 Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: Fl. 10666DF CARF MF Processo nº 16561.720116/201295 Acórdão n.º 9101003.206 CSRFT1 Fl. 7 11 I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. (...) § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. Como se percebe na regra da Lei, o valor do prego liquido de revenda (PLV) é alcançado quando se descontam os valores relativos ás alíneas "a", "b" e "c". Assim, para se obter o prego parâmetro (PP), deste PLV deve ser deduzida a margem de lucro de 60%, calculada com base no PLV, deduzido o valor agregado (VA) no pais. Valor agregado (VA) é o montante relacionado ás demais matérias primas e custos inerentes à produção do produto acabado, excluindose o valor relativo ao item importado sob análise. Em outras palavras, é o custo de produção do produto acabado vendido (CPV) menos o custo da matéria prima importada de pessoa vinculada (CMP). Fl. 10667DF CARF MF 12 Feitas as observações acima, o cálculo do PRL na margem de 60% segundo a Lei 9.430/96 resumese à seguinte fórmula: PP = PLV {[PLV — (CPV — CMP)] x 60%) Já o artigo 12 §11 da IN 243/02 prevê uma metodologia de apuração do PRL60 diferente, na qual a margem de lucro é obtida por meio da aplicação do percentual de 60% sobre a "participação do bem importado no prego de venda do bem produzido". Esta participação deve ser calculada com o "percentual correspondente ao custo do bem importado em relação ao custo total do produto". Apesar de a IN SRF 243/02 mencionar o termo valor agregado, ela desconsidera este conceito e se utiliza de um critério de rateio para obter a participação da matéria prima dentro do produto acabado. Este rateio consiste numa divisão do custo do produto acabado vendido (CPV) pelo custo da matériaprima importada. de pessoa vinculada (CMP). Desta divisão se obtém um fator que deverá ser multiplicado pelo preço liquido de venda (PLV) o que gera a seguinte fórmula matemática para este cálculo: PP = [(CPV / CMP) x PLV] — {[(CPV / CMP) x PLV] x 60%) Concluise claramente, do exposto, que a IN SRF 243/02 prevê um procedimento diverso daquele previsto pela Lei 9.430/96, para determinação do preço parâmetro segundo o método PRL60, quando deveria limitarse a regular os dispositivos da lei que o estabeleceu. Com efeito, à instrução normativa caberia somente dar efetividade lei, jamais alternandoa ou criando inovações inexistentes no diploma de hierarquia superior, especialmente se tais inovações, na esfera do direito tributário, implicam em ofensa a direitos do contribuinte, como resulta do cálculo de um preço parâmetro muito mais baixo que aquele calculado nos termos da lei, implicando adições excessivas às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Desse modo, claramente ilegal a referida instrução normativa, de modo que o lançamento efetuado não pode prevalecer. Mas não só por essa razão o lançamento não pode prevalecer. A interpretação do artigo 18, da Lei 9.430/96 pode gerar diferentes fórmulas de cálculo, conforme bem expressou o Conselheiro BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, relator do Acórdão n.º 1101001.080, em seu voto vencido proferido no processo, cujos trechos nesse sentido abaixo transcrevo: Retornando à tese que pretendo demonstrar, percebese que a dupla possibilidade de formulação aritmética da equação prevista no citado art. 18 da Lei n. 9.430/96 decorre do fato de que, em termos aritméticos, a estatuída supressão do valor agregado pode operarse de duas formas distintas. A primeira delas é justamente aquela vislumbrada pelo sujeito passivo, fórmula essa que concebe o Valor Agregado como um dado nominal, que basicamente emerge da diferença entre o custo total do bem produzido e o custo do item importado que se agrega ao bem produzido. Fl. 10668DF CARF MF Processo nº 16561.720116/201295 Acórdão n.º 9101003.206 CSRFT1 Fl. 8 13 Ocorre que, em termos aritméticos, também é possível proceder à referida supressão do Valor Agregado concebendoo (leiase, concebendo o Valor Agregado) como um quociente, como um número maior do que zero e menor do que um a ser multiplicado pela variável (Preço Líquido de Revenda) da qual deve ser subtraída a referida parcela (Valor Agregado). É que a Lei n. 9.959/00 jamais determinou se o Valor Agregado se exprimiria por uma cifra nominal – que é a interpretação do sujeito passivo – ou por um percentual, sendo que ambas as formulações podem ser vislumbradas em se tratando de uma grandeza como essa. Alega a Fazenda Nacional, inclusive, que a fórmula descrita na IN 243/02 é uma das interpretações possíveis do texto da lei (argumento com o qual não concordo). Nesse contexto, ao realizar o trabalho fiscal a autoridade tributária deveria ter invalidado o cálculo elaborado pelo contribuinte, ao argumento de que não se enquadrava nem nas fórmulas passíveis de serem extraídas da Lei, nem da fórmula descrita na IN 243/02. Vale frisar, ainda, que não há dúvidas de que a Lei é lei de eficácia plena, que não depende de regulamentação para surtir efeitos. Logo, não poderia a fiscalização ter desconsiderado seus comandos e se pautado exclusivamente no texto na instrução normativa para efetuar o lançamento. Logo, também por esse motivo entendo que o lançamento em questão não merece prosperar. Faltou à fiscalização refutar o cálculo elaborado pelo Contribuinte. INAPLICABILIDADE DE JUROS SOBRE MULTA De acordo com o artigo 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e, nos termos do artigo 113, parágrafo 1º, também do CTN, esta somente surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento de tributo. Não há que se falar que, de acordo com o artigo 113, parágrafo 1º do CTN, que a multa de ofício também faria parte da obrigação principal, uma vez que, primeiro, (i) referida norma trata das obrigações acessórias, ou seja, as decorrentes do não cumprimento de obrigações de fazer e (ii) já é unânime na doutrina e jurisprudência pátria que a penalidade pecuniária não se confunde com a obrigação principal, pois é decorrente de uma sanção pelo não pagamento do tributo (vide artigo 3º do CTN). Vale destacar que o artigo 161 do CTN prevê que o crédito não pago é acrescido de juros de mora, in verbis: “Artigo 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária” É evidente que a palavra “crédito” sobre o qual incidem os juros de mora previstos no artigo 161 do CTN se refere apenas aos tributos devidos, caso contrário, não haveria razão alguma para a ressalva final constante do mesmo dispositivo, no sentido de que esta incidência de juros se dá “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis”. Fl. 10669DF CARF MF 14 Destaquese que a Lei nº 9.430/96 igualmente prevê a incidência dos juros de mora apenas sobre o valor dos tributos, contribuições e multas isoladas, e não sobre as multas de ofício exigidas como acessório juntamente com o tributo eventualmente exigido, verbis: “Art. 61 – Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do artigo 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” O art. 43 da mesma Lei 9.430/96 vem a reforçar a interpretação acima ao prever a incidência de juros de mora sobre as multas isoladas, verbis: “Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora isolada ou conjuntamente. Parágrafo único – Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento”. Ora, se a expressão “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições” constante no “caput” do artigo 61 contemplasse também multas, não haveria necessidade alguma da previsão do parágrafo único do artigo 43, uma vez que a incidência dos juros sobre a multa isolada, assim como a de ofício, já decorreria diretamente do artigo 61. Concluise, portanto, que, fora a hipótese dos juros serem cobrados a fim de indenizar o credor pelo não pagamento do tributo no prazo estipulado, qualquer outra incidência de juros seria abusiva e arbitrária, por ausência e, digase, contrariedade ao pressuposto legal vigente (CTN, artigos 3º, 113, 139, parágrafo 1º, e 161 do CTN). Admitirse tal cobrança implicaria enriquecimento ilícito do Erário, o qual estaria aplicando a incidência dos juros de mora à obrigação principal e à multa de ofício. Nesse contexto, voto por dar provimento ao Recurso do Contribuinte. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 10670DF CARF MF Processo nº 16561.720116/201295 Acórdão n.º 9101003.206 CSRFT1 Fl. 9 15 Voto Vencedor Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, Redator designado. Em que pesem as razões de mérito defendidas pelo Relator, peço licença para delas divergir, conforme a seguir exposto. 1) DA INCLUSÃO DOS VALORES DE FRETE, SEGURO E TRIBUTOS SOBRE A IMPORTAÇÃO Ao auditar os cálculos dos preços de transferência segundo o método PRL, a autoridade verificou que a contribuinte deixara de agregar ao preço de aquisição (FOB) de cada produto importado junto à pessoa vinculada os valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. Por entender que tal conduta violou o disposto no art. 4º, § 4º, da Instrução Normativa SRF nº 243/2002, promoveu a inclusão daqueles valores no cálculo do preço praticado. Em sua defesa a recorrente alega, primeiramente, que a inclusão dos valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação no cálculo do preço praticado macula o disposto no art. 18, § 6º, da Lei nº 9.430/96. Pois bem, sobre o assunto o art. 18, § 6º, da Lei nº 9.430/96 assim prescreve: Art.18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) Fl. 10671DF CARF MF 16 (...) § 6º Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. (...) O art. 18, caput, estabelece que o custo sujeito a ajuste em razão da regra de preços de transferência é o preço de aquisição do produto importado junto à pessoa vinculada residente no exterior. Por sua vez, o parágrafo 6º da norma estabelece que o preço praticado é o preço de aquisição do produto acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. Isso posto, ao contrário do alegado pela recorrente, o art. 18, § 6º, da Lei nº 9.430/96 expressamente estabelece que no preço praticado incluemse os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. Argumenta a recorrente, também, ser incorreta a interpretação de que o art. 18 da Lei nº 9.430/96 estabeleça a inclusão dos valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação no cálculo do preço praticado. Afirma que, como os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação não decorrem de operações com pessoas ligadas, não poderiam ser eles afetados por ajustes relativos a preços de transferência. Quanto a essa alegação há que se dizer, em primeiro lugar, que a recorrente não logrou êxito em demonstrar adequadamente o papel que, em sua interpretação, desempenha o parágrafo 6º da norma o qual, como dito antes, expressamente estabelece que no preço praticado incluemse os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. Dito de outro modo, a “interpretação” do art. 18 defendida pela recorrente, a meu ver, não se sustenta como interpretação propriamente dita, nos exatos termos em que esse vocábulo é compreendido no âmbito da Ciência do Direito . Mas digamos que, de fato, também seja possível interpretarse o art. 18 da Lei nº 9.430/96 do modo sustentado pela recorrente, ou seja, no sentido de que os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação não integrem o preço praticado. Nesse hipótese teríamos, então, duas interpretações possíveis da mesma norma e, em sendo assim, haveríamos de verificar qual das duas é a interpretação “correta”. E será considerada “correta” aquela que melhor atender aos métodos de hermenêutica jurídica acolhidas pelo Direito. Passemos então a examinar as duas interpretações quanto à sua correção. No que concerne à interpretação proposta pela recorrente, percebese ser ela fruto de um componente finalístico, qual seja, que as normas de preço de transferência têm como finalidade regular operações realizadas entre pessoas residentes no país e pessoas a ela ligadas, residentes no exterior. Em assim sendo, não seria finalidade da norma regular operações de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação pois, via de regra, não são elas realizadas entre pessoas vinculadas. Ocorre que, ao contrário do afirmado pela defesa, a inclusão dos valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação no cálculo do preço praticado não significa que tais operações estejam sendo submetidas às regras de preços de transferência. Fl. 10672DF CARF MF Processo nº 16561.720116/201295 Acórdão n.º 9101003.206 CSRFT1 Fl. 10 17 Mais especificamente, apesar de tais valores integrarem o preço praticado, não são eles objeto de adição ao lucro real. Não é demais lembrar que tanto o preço de aquisição do produto importado, quanto valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação, são custos integralmente dedutíveis na apuração do lucro líquido do período. A adição ao lucro real, a título de preços de transferência, limitarseá à diferença positiva verificada entre o preço praticado e o preço parâmetro. Como se verá adiante, os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação entram no cálculo do preço praticado apenas para fins de possibilitar sua comparação com o preço parâmetro calculado segundo o método PRL, pois neste também estão incluídos os mesmos valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. Isso posto, a interpretação proposta pela contribuinte não se sustenta pois a inclusão dos valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação no cálculo do preço praticado de modo algum significa que tais operações estejam sendo submetidas a controle por preços de transferência. Por outro lado, a interpretação do art. 18 da Lei nº 9.430/96, albergada pelo art. 4º, § 4º, da Instrução Normativa SRF nº 243/2002, e empregada pela autoridade fiscal no caso sob exame, também é fundada em um componente finalístico, qual seja, possibilitar a comparação entre preço praticado e preço parâmetro, conforme já adiantado acima. A questão da comparabilidade entre o preço praticado na importação de produtos junto a pessoas vinculadas, e aquele que seria praticado em operações entre pessoas não vinculadas, está no cerne do princípio do arm’s lenght. Tanto é assim que o OECD Transfer Pricing Guidelines dedica todo o seu capítulo III ao exame desta matéria. De fato, o objetivo da comparação entre o valor de uma transação realizada entre pessoas vinculadas, e o valor da mesma transação realizada entre pessoas não vinculadas, é a identificação do quanto a vinculação afetou o valor da transação sob exame. Tendo sido inspirado no princípio do arm’s lenght, o art. 18 da Lei nº 9.430/96 não poderia ser corretamente interpretado acaso não fosse dada a devida importância à questão da comparabilidade entre o preço praticado e o preçoparâmetro. No caso do método PRL o preço parâmetro inclui os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. Tomemos, por exemplo, o método PRL aplicado à simples revenda de produtos importados junto a pessoas vinculadas (PRL20). As conclusões a seguir, entretanto, valem igualmente para o caso de o bem importado ser empregado na industrialização de outro produto (PRL60). Pois bem, o pressuposto para o emprego do PRL20 é que o produto seja revendido a uma pessoa não vinculada, em condições de livre mercado. Em transações entre pessoas não vinculadas e em condições de livre mercado, é lícito pressupor que o revendedor (no caso, a contribuinte) procurará obter uma remuneração por sua atividade, ou seja, procurará obter lucro. O PRL20 estipula que a margem bruta de lucro em tais condições é de 20% o que, em verdade, é uma taxa bastante baixa pois implica uma margem de lucro líquido para o empresário bem inferior a 20%, haja vista a necessidade de dedução de despesas administrativas, despesas com vendas etc. Fl. 10673DF CARF MF 18 A partir, então, do preço de revenda do produto, deduzido da margem bruta de lucro de 20% prevista em lei, chegase ao custo estimado de aquisição produto numa operação entre pessoas não vinculadas, ou simplesmente preço parâmetro PRL20. Notese que, assim calculado, esse custo (o preçoparâmetro PRL20) inclui não só o custo estimado de aquisição do produto (FOB), como também os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação deste produto. Resumindo, preço parâmetro PRL20 é um preço CIF + Trib. s/imp. Isso posto, a comparação direta entre o custo de aquisição do produto junto à pessoa vinculada (preço da declaração de importação FOB) e o preço parâmetro PRL20 (CIF + Trib. s/imp), como quer a recorrente, seria de todo inútil ao fim a que se destina a lei de preços de transferência, qual seja, verificar, mediante comparação entre aqueles preços, se a contribuinte está, ou não, reduzindo artificialmente o lucro apurado no Brasil por meio de aquisições de produtos junto a sua vinculada no exterior a preços superiores aos de mercado. Nesse sentido, para corretamente compararse o preço de aquisição com o preço parâmetro PRL20, é necessário que ambos estejam em pé de igualdade. Para tanto, apenas para efeito dessa comparação, é necessário, adicionarse ao preço de aquisição (preço da declaração de importação FOB), os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. Fazendo isso obteremos o preço praticado de que cuida o parágrafo 6º do art. 18 da Lei nº 9.430/96. O importante é ter em conta que, como dito antes, os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação não foram glosados pela autoridade. O que o auditor fez foi adicionar ao lucro líquido, para apuração do lucro real, a parcela do preço de aquisição do produto excedente ao preço que o produto seria adquirido em condições de mercado. Os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação integraram tanto o preço praticado como o preço parâmetro, com vistas a possibilitar a comparação entre ambos. Poderiam, ainda, não compor nem o preço praticado nem o preço parâmetro, tal como recomendado pelo OECD Transfer Pricing Guidelines, que o resultado da adição ao lucro real seria o mesmo. O que não se admite, nem sob o ponto de vista jurídico, nem sob o ponto de vista lógico, é realizarse uma comparação entre preço praticado e preço parâmetro em que os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação estejam incluídos neste, mas não naquele, ou viceversa. Ou bem são incluídos em ambos (como prevê o art. 18, § 6º, da Lei nº 9.430/96), ou bem não são incluídos em nenhum dos dois (como sugerido no OECD Transfer Pricing Guidelines), e ainda assim o resultado da comparação será o mesmo. Também afirma a recorrente que o § 4º do art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 243/2002 é manifestamente ilegal pois teria tratado a matéria de forma distinta do estipulado no § 6º do art. 18 da Lei nº 9.430/96. Não há como se acolher a alegação de ilegalidade pois, ao contrário do afirmado pela recorrente, e embora tenha sido redigida com as mesmas palavras da norma legal, a referida Instrução Normativa nada mais fez do que reproduzir o comando legal, qual seja, determinou a inclusão dos valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação no preço praticado (FOB), senão vejamos: Lei nº 9.430/96: Art. 6º (...) Fl. 10674DF CARF MF Processo nº 16561.720116/201295 Acórdão n.º 9101003.206 CSRFT1 Fl. 11 19 (...) §6º Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. (g.n.) (...) Instrução Normativa SRF nº 243/2002: Art. 4º (...) (...) § 4º Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, calculado com base no método de que trata o art. 12, serão integrados ao preço praticado na importação os valores de transporte e seguro, cujo ônus tenha sido da empresa importadora, e os de tributos não recuperáveis, devidos na importação. (g.n.) Inexistente, portanto, a alegada violação ao comando legal. 2) DO MÉTODO PRL60 LEGALIDADE DA IN SRF Nº 243/2002 Em seu recurso especial alega o sujeito passivo que a Turma recorrida decidiu pela legalidade do cálculo do preço parâmetro PRL60 estabelecido na Instrução Normativa nº 243/2002, decisão essa que divergiu do entendimento acolhido nos acórdãos apontados como paradigmas. 2.1) O PRL60 e a Lei nº 9.430/96 Antes mesmo de examinarmos a alegada ilegalidade da IN SRF nº 243/2002 frente à Lei nº 9.430/96, questão essa que será objeto do item seguinte deste voto, é imprescindível identificarmos o que realmente estabelece a própria Lei nº 9.430/96 acerca do PRL60. Isso porque, para verificarmos a existência, ou não, de violação da Lei nº 9.430/96 pela IN SRF nº 242/2002, é necessário que antes determinemos exatamente o que aquela Lei prescreve. Partamos, então, do texto legal: Art.18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; Fl. 10675DF CARF MF 20 b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) (...) No caso, duas interpretações bem distintas acerca do art. 18 da Lei nº 9.430/96 vêm sendo defendidas no presente processo. A seguir encontrase a representação matemática dessas duas interpretações: (3A) PParam = 40%*PLV + 60%*VA (3B) PParam = 40%*PLV VA onde: • PParam é o preço parâmetro do bem importado junto a pessoa vinculada residente no exterior • PLV é o preço líquido de venda de um determinado produto produzido no Brasil, em cuja fabricação foi empregado o bem importado. • VA é o valor agregado no país. A equação (3A) representa a interpretação defendida pelo sujeito passivo para o art. 18 da Lei nº 9.430/96, enquanto a equação (3B) representa a interpretação da Fazenda Nacional para a mesma norma. A demonstração matemática das equações (3A) e (3B) encontrase, respectivamente, nos anexos 1 e 2 deste voto. No anexo 3 demonstrase matematicamente que a interpretação proposta pelo sujeito passivo (3A) resulta em adições ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real, sempre iguais ou inferiores àquelas derivadas da interpretação defendida pela Fazenda Nacional (3B). A interpretação (3A), advogada pela recorrente, também vinha sendo adotada pelo próprio Fisco, inicialmente por meio da Instrução Normativa SRF nº 38/1997, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 113/2000, posteriormente revogada pela Instrução Normativa SRF nº 32/2001, a qual manteve o mesmo entendimento sobre o assunto. Com o advento da Instrução Normativa SRF nº 243/2002, o Fisco passou a refutar essa interpretação. A interpretação (3B), sustentada pela Fazenda Nacional, é aquela que, a meu juízo, corretamente reproduz as exigências contidas no art. 18 da Lei nº 9.430/96. São ao menos dois os argumentos que sustentam essa afirmação, a saber: Fl. 10676DF CARF MF Processo nº 16561.720116/201295 Acórdão n.º 9101003.206 CSRFT1 Fl. 12 21 Argumento Linguístico Para melhor compreendermos o art. 18 da Lei nº 9.430/96 sob o ponto de vista meramente linguístico é necessário recordarmos que, em sua redação original, essa norma não albergava o PRL60, mas tãosomente os métodos de cálculo do preço parâmetro PIC (inciso I), PRL com margem de 20% (inciso II) e CPL (inciso III), senão vejamos: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes; II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; III Método do Custo de Produção mais Lucro CPL: definido como o custo médio de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no país onde tiverem sido originariamente produzidos, acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido país na exportação e de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o custo apurado. (...) O cálculo do preço parâmetro PRL com margem de 60% só passou a ter existência jurídica a partir do advento da Lei nº 9.959/2000, que deu nova redação ao art. 18 da Lei nº 9.430/96. Reconheçase inicialmente que o texto legal em sua nova redação, acaso lido apressadamente, conduz à interpretação ora defendida pela recorrente, segundo a qual o valor agregado no país compõe a margem de lucro. Ocorre que uma leitura atenta do texto legal revela que o valor agregado no país não compõe a margem de lucro. Os trechos da norma abaixo negritados deixam clara essa afirmação: Fl. 10677DF CARF MF 22 II Método do Preço de Revenda menos LucroPRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) (...) De fato, se o valor agregado compusesse a margem de lucro, a expressão “valor agregado no País” contida no texto legal deveria estar precedida do artigo “o”, como abaixo simulado, e não da preposição “do”, como visto acima. II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e o valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) (...) Argumento LógicoEconômico Mas se sob a ótica linguística o equívoco da interpretação defendida pelo sujeito passivo só pode ser constatado através de uma leitura mais atenta do texto legal, sob o ponto de vista lógico essa mesma interpretação revelase manifestamente equivocada. Veja que o art. 18 da Lei nº 9.430/96 estabelece as regras para apuração do preço parâmetro, o qual pode ser definido como sendo o preço presumivelmente praticado na importação de um bem acaso essa operação seja realizada entre pessoas não vinculadas. No caso do PRL60, o preço parâmetro do bem importado é apurado a partir do preço de venda de um determinado produto produzido no Brasil a pessoa não vinculada, produto esse em cujo processo produtivo foi empregado o referido bem importado. Fl. 10678DF CARF MF Processo nº 16561.720116/201295 Acórdão n.º 9101003.206 CSRFT1 Fl. 13 23 Em outras palavras, no preço de venda do produto produzido no país logicamente estará incluído o custo de aquisição do bem importado (CIF + Trib. s/imp.), o valor agregado no país e a margem de lucro do empresário (Preço de Venda = Custo do Prod. Imp. + Valor Agreg. + Margem de Lucro). É uma lógica econômica do modelo capitalista que, na formação do preço de venda de um produto qualquer, o empresário embuta ali todos os custos incorridos, mais uma margem de lucro. Isso posto, é economicamente lógico que, para apurarse o preçoparâmetro do bem importado pelo PRL60 é necessário que, do preço de venda do produto produzido no país sejam subtraídas as parcelas referentes ao valor agregado no país e à margem de lucro, tal como representado na equação (3B). Ocorre que no cálculo do preço parâmetro PRL60 defendido pelo sujeito passivo o valor agregado no país, ao invés de ser subtraído do preço de venda do bem produzido no país, é a ele adicionado, conforme demonstra a equação (3A). Tal interpretação, evidentemente, subverte a lógica econômica, daí porque não pode ser admitida. Isso posto, seja com base no argumento linguístico, seja com fundamento no argumento lógicoeconômico, a correta interpretação do cálculo do preço parâmetro PRL60 previsto na Lei nº 9.430/96 é aquela sustentada pela Fazenda Nacional, e representada matematicamente pela equação (3B), e não aquela defendida pelo sujeito passivo e representada matematicamente pela equação (3A). 2.2) Da Legalidade da IN SRF 243/2002 Como dito anteriormente, a partir do advento da Instrução Normativa SRF nº 243/2002 o Fisco abandonou a interpretação que até então vinha emprestando ao art. 18 da Lei nº 9.430/96, no que toca ao cálculo do preçoparâmetro PRL60, passando a adotar uma nova interpretação. Alega a recorrente que essa nova interpretação é incompatível com os ditames art. 18 da Lei nº 9.430/96, devendo, portanto, ser declarada ilegal. Vejamos, então, o que prescreve o art. 12 da IN SRF 243/2002. Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; Fl. 10679DF CARF MF 24 b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. (...) § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. A representação matemática do cálculo do preçoparâmetro PRL60, segundo a Instrução Normativa SRF nº 243/2002, encontrase no anexo 5 a este voto. Pois bem, conforme dito anteriormente, a questão da legalidade, ou não, do art. 12 da IN SRF 243/2002 frente ao art. 18 da Lei nº 9.430/96 somente pode ser apropriadamente examinada tomandose por base a correta interpretação desta última norma, qual seja, aquela matematicamente representada na já referida equação (3B). Isso posto, em primeiro lugar cabe destacar que o cálculo do preço parâmetro PRL60, conforme estabelecido na IN SRF 243/2002, resulta em adições ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real, sempre iguais ou inferiores àquelas exigidas pelo art. 18 da Lei nº 9.430/96 corretamente interpretado, conforme demonstrado no anexo 6. Em segundo lugar é necessário recordar que o princípio da legalidade tributária contido no art. 150, I, da Constituição, abaixo transcrito, veda a exigência ou o Fl. 10680DF CARF MF Processo nº 16561.720116/201295 Acórdão n.º 9101003.206 CSRFT1 Fl. 14 25 aumento de tributo sem lei que o estabeleça, mas não veda a redução de tributo já instituído por lei. Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; (...) E esse é exatamente o caso em questão, pois, como a aplicação do PRL60, conforme estabelecido pela IN SRF 243/2002, resulta em exigência de IRPJ e CSLL sempre igual ou inferior àquela decorrente da correta interpretação do art. 18 da Lei nº 9.430/96, não há que se falar em aumento de tributo, daí porque também não há violação ao princípio da legalidade. Portanto, ainda que seja verdadeira a afirmação da recorrente segundo a qual a fórmula para o cálculo do preço parâmetro PRL60 prevista no art. 12 da IN SRF nº 243/2002 é distinta daquela determinada no art. 18 da Lei nº 9.430/96, é falsa a conclusão de que os ajustes ao lucro líquido resultantes da IN são superiores àqueles resultantes da Lei, pois, conforme matematicamente demonstrado no anexo 6, tais ajustes são sempre iguais ou inferiores. Alega também a recorrente que o posterior advento da Medida Provisória nº 478/2008, que perdeu eficácia por não ter sido convertida em lei, e da Lei nº 12.715/2012, que acabou por legalizar a fórmula prevista no art. 12 da IN SRF nº 243/2002, demonstram a ilegalidade anterior desse ato normativo. Entendo, todavia, de outro modo. A meu ver, o fato de a fórmula contida no art. 12 da IN SRF nº 243/2002 ter sido posteriormente acolhida pela MP nº 478/2008 (sem eficácia) e pela Lei nº 12.715/2012, por si só não autoriza a conclusão de ilegalidade daquela Instrução Normativa, da mesma forma que uma norma legal posteriormente constitucionalizada por meio de Emenda ao Texto Magno não autoriza, por si só, a conclusão de que tal norma era anteriormente inconstitucional. Por fim, aduz ainda a recorrente que o cálculo do PRL60 instituído pela IN SRF nº 243/2002 incorre em petição de princípio pois parte do custo do bem importado, para descobrir ele próprio. Bem, quanto a isso há que se dizer que, em sendo verdadeira a afirmação da recorrente, o cálculo do PRL60 instituído pela novel Lei nº 12.715/2012 também incorre no mesmo vício de petição de princípio pois, como bem ressaltado pela interessada, essa Lei reproduziu a forma de cálculo prevista na IN SRF nº 243/2002. Seja como for, havendo ou não o alegado vício de petição de princípio, o fato iniludível é que, como já afirmado anteriormente, e provado matematicamente nos anexos a este voto, a aplicação do PRL60, conforme estabelecido pela IN SRF 243/2002, resulta em exigência de IRPJ e CSLL sempre igual ou inferior àquela decorrente da correta interpretação do art. 18 da Lei nº 9.430/96, daí porque não há violação ao princípio da legalidade tributária. 3) DA INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Fl. 10681DF CARF MF 26 Alega o sujeito passivo que a Turma recorrida, ao acolher a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, emprestou ao art. 61 da Lei nº 9.430/96 interpretação divergente da sustentada nos acórdãos apontados como paradigmas. Explica que inexiste previsão legal para a aludida incidência de juros sobre multa. Não assiste razão à recorrente. Isso porque a multa de ofício é parte integrante do crédito tributário, sobre o qual incidem os juros de mora. É o que estabelece o art. 161 do CTN, in verbis: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (g.n.) (...) Esse é também o entendimento do STJ sobre o assunto, conforme se observa na abaixo transcrita ementa ao AgRg no REsp 1335688/PR (DJe de 10/12/2012): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. (...) Embora essa decisão não possua efeito vinculante perante esse Conselho, é importante ressaltar que o STJ vem reiteradamente admitindo a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício em decisões proferidas por ambas as Turmas de sua Primeira Seção. Da mesma forma, é pacífica a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais no sentido de que é cabível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, conforme acórdãos nos 910100.539, 9101001.474, 9101001.657, 9303002.399, 9303002.400 e 9101001.678. 4) CONCLUSÃO Tendo em vista todo o exposto, voto por conhecer do recurso especial do sujeito passivo e, no mérito, por negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Fl. 10682DF CARF MF Processo nº 16561.720116/201295 Acórdão n.º 9101003.206 CSRFT1 Fl. 15 27 Anexo 1 Art. 18 da Lei nº 9.430/96 PRL60 Interpretação do Sujeito Passivo (1A) PParam = PLV – ML, onde: PParam é o preço parâmetro, definido como sendo o preço que presumivelmente seria praticado na importação de um bem acaso a importadora no Brasil e a exportadora no exterior fossem pessoas não vinculadas. PLV é o preço líquido de venda do produto produzido pela pessoa jurídica no Brasil, e em cujo processo produtivo foi empregado o bem importado de pessoa vinculada no exterior. O PLV é igual ao preço bruto de venda produto produzido no país, deduzidos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições incidentes sobre a vendas, das comissões e corretagens pagas. ML é a margem de lucro do empresário com a venda do produto produzido no país. (2A) ML = 60%*(PLV VA), onde: VA é o “valor agregado no País” Substituindose ML contido na equação (1A) por ML conforme descrito na equação (2A) temse o seguinte: PParam = PLV – 60%*(PLV VA) PParam = PLV – 60%*PLV + 60%*VA (3A) PParam = 40%*PLV + 60%*VA A adição ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL será: (4A) Adição = PPrat – PParam, onde: Adição, quando positiva, é o valor que deverá ser adicionado ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Quando negativa, não haverá adição ou exclusão. PPrat é o preço de aquisição do bem importado, acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes na importação. Por fim, substituindose PParam contido na equação (3A) por PParam conforme descrito na equação (4A), temse: Adição = PPrat – (40%*PLV + 60%*VA) (5A) Adição = PPrat – 40%*PLV 60%*VA Fl. 10683DF CARF MF 28 Anexo 2 Art. 18 da Lei nº 9.430/96 PRL60 Interpretação "Correta" (1B) PParam = PLV – ML VA PParam é o preço parâmetro, definido como sendo o preço que presumivelmente seria praticado na importação de um bem acaso a importadora no Brasil e a exportadora no exterior fossem pessoas não vinculadas. PLV é o preço líquido de venda do produto produzido pela pessoa jurídica no Brasil, e em cujo processo produtivo foi empregado o bem importado de pessoa vinculada no exterior. O PLV é igual ao preço bruto de venda produto produzido no país, deduzidos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições incidentes sobre a vendas, das comissões e corretagens pagas. ML é a margem de lucro do empresário com a venda do produto produzido no país. VA é o “valor agregado no País” (2B) ML = 60%*PLV Substituindose ML contido na equação (1B) por ML conforme descrito na equação (2B) temse o seguinte: PParam = PLV – 60%*PLV – VA (3B) PParam = 40%*PLV VA A adição ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real será: (4B) Adição = PPrat – PParam Adição, quando positiva, é o valor que deverá ser adicionado ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Quando negativa, não haverá adição ou exclusão. PPrat é o preço de aquisição do bem importado, acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes na importação. Por fim, substituindose PParam contido na equação (3B) por PParam conforme descrito na equação (4B), temse: Adição = PPrat – (40%*PLV – VA) (5B) Adição = PPrat – 40%*PLV + VA Fl. 10684DF CARF MF Processo nº 16561.720116/201295 Acórdão n.º 9101003.206 CSRFT1 Fl. 16 29 Anexo 3 Art. 18 da Lei nº 9.430/96 PRL60 Interpretação do Sujeito Passivo vs. Interpretação "Correta" O objetivo do presente anexo é demonstrar matematicamente que o PRL60 previsto no art. 18 da Lei nº 9.430/96, segundo a interpretação defendida pelo sujeito passivo (anexo 1), resulta em adições ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real, sempre iguais ou inferiores àquelas decorrentes da "correta" interpretação da mesma norma (anexo 2). Para tanto, partiremos das equações (5A) e (5B) presentes nos anexos 1 e 2, respectivamente. O símbolo <>, abaixo empregado, representa a relação entre a equação (5A), no lado esquerdo, e a equação (5B), no lado direito. (5A) <> (5B) (5A) Adição = PPrat – 40%*PLV 60%*VA (5B) Adição = PPrat – 40%*PLV + VA PPrat – 40%*PLV 60%*VA <> PPrat – 40%*PLV + VA Ora, como a parcela (PPrat – 40%*PLVenB) é igual em ambos os lados da relação, fica claro que, para todos os valores positivos de VA (e seria absurdo admitirse valor agregado negativo), a adição em (5A) será sempre inferior à adição em (5B). Ademais, a adição em (5A) será igual à adição em (5B) em apenas duas hipóteses. A primeira quando tanto (5A) como (5B) resultarem em valores negativos, caso em que a adição será igual a zero, conforme art. 18, § 5º, da Lei nº 9.430/96. A segunda quando VA for igual a zero, caso em que tanto (5A) como (5B) resultarão em adição de (PPrat – 40%*PLVenB), desde que esse valor não seja negativo, caso em que nem (5A) nem (5B) resultarão em adição. Comprovado, então, que o PRL60 segundo a interpretação do art. 18 da Lei nº 9.430/96 defendida pelo sujeito passivo (5A), resultará em adições sempre iguais ou inferiores àquelas decorrentes da interpretação "correta" da mesma norma (5B). No anexo 4, a seguir, é apresentado um exemplo numérico para ilustrar as diferenças de adição aqui demonstradas. Fl. 10685DF CARF MF 30 Anexo 4 Art. 18 da Lei nº 9.430/96 PRL60 Tabela Exemplificativa Interpretação do Sujeito Passivo vs. Interpretação "Correta" O presente anexo tem como objetivo ilustrar, por meio de um exemplo numérico, as diferenças de adição ao lucro líquido entre a interpretação do sujeito passivo acerca do art. 18 da Lei nº 9.430/96 (5A), e a interpretação "correta" sobre a mesma norma (5B). Foram simulados cinco cenários (A, B, C, D e E) de operações de venda do bem produzido no país a pessoa não vinculada, em cujo processo produtivo foi empregado: (i) o bem importado adquirido junto a pessoa vinculada no exterior, e; (ii) outros bens e serviços adquiridos no país junto a pessoas não vinculadas – valor agregado. Como o bem produzido no país é o mesmo, e a transação ocorre entre pessoas não vinculadas, o preço de venda do produto produzido no país foi mantido constante em todos os cenários (PLV = R$ 1.000,00). Pelas mesmas razões também permanece constante o valor agregado no país (VA = R$ 50,00). A única variável é o preço praticado na aquisição do bem importado junto à pessoa vinculada no exterior (PPrat). Isso porque, apesar de ser o mesmo bem, seu preço pode ser livremente ajustado entre as pessoas vinculadas, independentemente de seu real valor econômico. A margem de lucro (ML), o preço parâmetro do bem importado (PParam) e a adição ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL (Adição), decorrem das fórmulas presentes nos anexos 1 e 2, aplicadas aos valores acima referidos. Recordese também que Adição será igual a zero quando PPrat for menor do que PParam, já que a lei proíbe adições negativas. Por fim, registrese que nos cenários D e E a soma do preço praticado na importação do bem junto a pessoa vinculada com o valor agregado no país se aproxima ou supera o preço líquido de venda do bem produzido no país. São cenários impensáveis em situações de mercado, mas possíveis quando a intenção da empresa no Brasil é transferir lucro à sua vinculada no exterior. Lei 9.430/96 – Interp. do Contrib. – Anexo 1 A B C D E PPrat 100,00 300,00 600,00 900,00 1.200,00 VA 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 PLV 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 ML = 60%*(PLV VA) 570,00 570,00 570,00 570,00 570,00 PParam = PLV ML 430,00 430,00 430,00 430,00 430,00 Adição = PPrat PParam 0,00 0,00 170,00 470,00 770,00 Lei 9.430/96 – Interp. Correta – Anexo 2 A B C D E PPrat 100,00 300,00 600,00 900,00 1.200,00 VA 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 PLV 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 ML = 60%*PLV 600,00 600,00 600,00 600,00 600,00 PParam = PLV ML VA 350,00 350,00 350,00 350,00 350,00 Adição = PPrat PParam 0,00 0,00 250,00 550,00 850,00 Fl. 10686DF CARF MF Processo nº 16561.720116/201295 Acórdão n.º 9101003.206 CSRFT1 Fl. 17 31 Anexo 5 Istrução Normativa SRF nº 243/2002 PRL60 O objetivo do presente anexo é representar matematicamente o cálculo do PRL60 previsto no art. 12 da Instrução Normativa nº 243/2002 (1C) PParam = PartBI®PP – ML, conforme art. 12, § 10, V, da IN SRF 243/2002. (2C) ML = 60%* PartBI®PP, conforme art. 12, § 10, IV, da IN SRF 243/2002. Substituindose ML contido na equação (1C) por ML conforme descrito na equação (2C), temse: PParam = PartBI®PP 60%*PartBI®PP (3C) PParam = 40%* PartBI®PP, onde: PartBI®PP é a participação do bem importado junto à pessoa vinculada, no preço de venda do produto produzido no país, conforme art. 12, § 10, III, da IN SRF 243/2002, ou seja: (4C) PartBI®PP = %PartBI>PP*PLV, onde: %PartBI>PP é o percentual de participação do custo do bem importado junto à pessoa vinculada, no custo do produto produzido no país, conforme art. 12, § 10, II, da IN SRF 243/2002, ou seja: (5C) %PartBI>PP = PPrat/(PPrat + VA) Substituindo (5C) e (4C) em (3C), teremos: (6C) PParam = 40%*PLV*PPrat/(PPrat + VA) A adição ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real será: Adição = PPrat – PParam, onde: Adição, quando positivo, é o valor que deverá ser adicionado ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Quando negativo, não haverá adição. (7C) Adição = PPrat – 40%*PLV*PPrat/(PPrat + VA) Fl. 10687DF CARF MF 32 Anexo 6 PRL60 Adição ao Lucro Real IN SRF 243/2002 vs. "Correta" Interpretação do Art. 18 da Lei nº 9.430/96 O objetivo do presente anexo é demonstrar matematicamente que o PRL60 previsto na Instrução Normativa SRF nº 243/2002 (anexo 5) resulta em adições ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, sempre iguais ou inferiores àquelas decorrentes da "correta" interpretação do 18 da Lei nº 9.430/96 (anexo 2). Para tanto, partiremos das equações (5B) e (7C) presentes nos anexos 2 e 5, respectivamente. O símbolo <>, abaixo empregado, representa a relação entre a equação (5B), no lado esquerdo, e a equação (7C), no lado direito. (5B) <> (7C) (5B) Adição = PPrat – 40%*PLV + VA (7C) Adição = PPrat – 40%*PLV*PPrat/(PPrat + VA) PPrat – 40%*PLV + VA <> PPrat – 40%*PLV*PPrat/(PPrat + VA) O exame da relação acima requer um pouco mais de atenção. Repare que na equação (5B), se multiplicarmos o termo (40%*PLV) por 1 não a alteraremos em nada (40%*PLV = 40%*PLV*1). Veja também que na equação (7C) o mesmo termo (40%*PLV) está multiplicado pelo termo (PPrat/(PPrat + VA)). É fácil ver que o termo (PPrat/(PPrat + VA)) será sempre um número maior que zero e menor ou igual a 1. Assim, para todos os valores positivos de VA (e seria absurdo admitir valor agregado no país negativo), a adição em (7C) será sempre inferior à adição em (5B). Ademais, a adição em (7C) será igual à adição em (5B) em apenas duas hipóteses. A primeira quando tanto (7C) como (5B) resultarem em valores negativos, caso em que a adição será igual a zero, conforme art. 18, § 5º, da Lei nº 9.430/96. A segunda quando VA for igual a zero, caso em que tanto (7C) como (5B) resultarão em adição de (PPrat – 40%*PLVenB), desde que esse valor não seja negativo, caso em que também não haverá adição nem em (7C) nem em (5B). Comprovado, então, que o PRL60 segundo a IN SRF243/2002 (7C) resultará em adições sempre iguais ou inferiores àquelas decorrentes da aplicação "correta" da Lei nº 9.430/96 (5B). Ou seja: (7C) <= (5B), onde o símbolo <= significa menor ou igual. No anexo 7, a seguir, é apresentado um exemplo numérico para ilustrar as diferenças de adição aqui demonstradas. Fl. 10688DF CARF MF Processo nº 16561.720116/201295 Acórdão n.º 9101003.206 CSRFT1 Fl. 18 33 Anexo 7 PRL60 Adição ao Lucro Real Tabela Exemplificativa IN SRF 243/2002 vs. Art. 18 da Lei nº 9.430/96 O presente anexo tem como objetivo ilustrar, por meio de um exemplo numérico, as diferenças de adição ao lucro real entre a aplicação do PRL60 segundo a IN SRF 243/2002, e a aplicação do mesmo método segundo a "correta" interpretação do art. 18 da Lei nº 9.430/96. Foram simulados cinco cenários (A, B, C, D e E) de operações de venda do bem BP, produzido no país, a pessoa não vinculada, e em cujo processo produtivo foi empregado: (i) o bem importado junto a pessoa vinculada no exterior, e; (ii) outros bens e serviços adquiridos no país junto a pessoas não vinculadas – valor agregado. Como o produto produzido no país é o mesmo em todos os cenários, e a venda é feita a pessoa não vinculada, seu preço foi mantido constante em todos os cenários (PLV = R$ 1.000,00). Pelas mesmas razões, o mesmo se diga em relação ao valor agregado no país (VA = R$ 50,00). A única variável é o preço praticado na aquisição do bem importado junto à pessoa vinculada no exterior (PPrat). Isso porque, apesar de ser o mesmo bem em todos os cenários, seu preço pode ser livremente ajustado pelas pessoas vinculadas, independentemente de seu real valor econômico. A margem de lucro (ML), o preço parâmetro na importação do bem importado junto à pessoa vinculada (PParam) e a adição ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL (Adição), decorrem das fórmulas presentes nos anexos 2 e 5, aplicadas aos valores acima referidos. Recordese também que Adição será igual a zero quando PPrat for menor do que PParam, já que a lei proíbe adições negativas. Por fim, registrese que nos cenários D e E a soma do preço praticado na importação do bem junto à pessoa vinculada, com o valor agregado no país, se aproxima ou supera o preço líquido de venda do produto produzido no país. São cenários impensáveis em situações de mercado, mas possíveis quando a intenção da empresa no Brasil é transferir lucro à sua vinculada no exterior. IN SRF 243/2002 – Anexo 5 A B C D E PPrat 100,00 300,00 600,00 900,00 1.200,00 VA 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 %PartBI>PP = PPrat/(PPrat + VA) 66,67% 85,71% 92,31% 94,74% 96,00% PLV 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 PartBI>PP = %PartBI>PP*PLV 666,67 857,14 923,08 947,37 960,00 ML = 60%*PartBI>PP 400,00 514,29 553,85 568,42 576,00 PParam = PartBI>PP ML 266,67 342,86 369,23 378,95 384,00 Adição = PPrat PParam 0,00 0,00 230,77 521,05 816,00 Lei 9.430/96 – Interp. Correta – Anexo 2 A B C D E PPrat 100,00 300,00 600,00 900,00 1.200,00 VA 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 PLV 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 ML = 60%*PLV 600,00 600,00 600,00 600,00 600,00 Fl. 10689DF CARF MF 34 PParam = PLV ML VA 350,00 350,00 350,00 350,00 350,00 Adição = PPrat PParam 0,00 0,00 250,00 550,00 850,00 Fl. 10690DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.732190/2015-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
DECADÊNCIA.
A decadência rege-se pelo disposto no art. 173, inciso I, nos casos em que não tenha havido antecipação ou pagamento do tributo e nos casos de ocorrência de dolo, fraude ou simulação.
GANHO DE CAPITAL.
É sujeito passivo de fato dos tributos incidentes sobre o ganho de capital a pessoa que promove devolução de capital por valor contábil após redução de capital, quando presente conjunto de indícios que convergem à conclusão de que promoveu a alienação por intermédio de outra pessoa após uma série de operações sem propósito negocial e manteve atuação em aspectos relevantes do negócio que em tese não mais lhe competia.
MULTA QUALIFICADA.
Constituem fatos que, em seu conjunto, evidenciam intuito de fraude e implicam a qualificação da multa de ofício a realização de operações em reduzido lapso temporal, o protagonismo da autuada em aspectos relevantes do negócio que em tese não mais lhe competia, a interdependência das partes, a incoerência da operação com a lógica da atividade desenvolvida e a conseqüente falta de propósito negocial.
MULTA CONFISCATÓRIA.
A aplicação da multa de ofício decorre de dispositivo legal vigente, sendo defeso ao órgão de julgamento administrativo analisar a sua constitucionalidade, matéria da competência exclusiva do Poder Judiciário.
MULTA ISOLADA. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.488/07). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de oficio exigida no lançamento para cobrança de tributo, visto que ambas penalidades tiveram como base o valor da receita omitida apurado em procedimento fiscal.
Em se tratando as multas tributárias de medidas sancionatórias, aplica-se a lógica do princípio penal da consunção, em que a infração mais grave abrange aquela menor que lhe é preparatória ou subjacente.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos.
JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA SOBRE MULTA. CABIMENTO.
Os juros moratórios incidem sobre a totalidade da obrigação tributária principal, nela compreendida, além do próprio tributo, a multa.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Ao lançamento da CSLL aplica-se o entendimento esposado quanto ao IRPJ em face da similitude dos motivos de autuação e das razões recursais.
Numero da decisão: 1301-002.609
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em relação ao recurso voluntário da pessoa jurídica: (i) rejeitar a argüição de decadência; (ii) negar-lhe provimento em relação à exigência de tributos e à multa de ofício de 150%; (iii) por maioria de votos dar provimento para excluir a exigência de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas. Vencidos os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, Milene de Araújo Macedo e Fernando Brasil de Oliveira Pinto; (iv) por voto de qualidade negar provimento quanto ao pedido de não incidência de juros sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. Em relação ao recurso voluntário dos coobrigados, por unanimidade de votos negar-lhe provimento. Conselheiro Roberto Silva Junior designado redator do voto vencedor. Em relação ao recurso voluntário da pessoa jurídica julgado na sessão do dia 16 de agosto de 2017 (nos termos do § 3º do art. 58 do Anexo II do RICARF), participou do julgamento o Conselheiro Flávio Franco Corrêa. Tendo em vista que esse Conselheiro deixou compor o presente colegiado, foi substituído nesta sessão pelo Conselheiro Ângelo Abrantes Nunes para apreciação do recurso dos coobrigados.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Júnior - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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A decadência regese pelo disposto no art. 173, inciso I, nos casos em que não tenha havido antecipação ou pagamento do tributo e nos casos de ocorrência de dolo, fraude ou simulação. GANHO DE CAPITAL. É sujeito passivo de fato dos tributos incidentes sobre o ganho de capital a pessoa que promove devolução de capital por valor contábil após redução de capital, quando presente conjunto de indícios que convergem à conclusão de que promoveu a alienação por intermédio de outra pessoa após uma série de operações sem propósito negocial e manteve atuação em aspectos relevantes do negócio que em tese não mais lhe competia. MULTA QUALIFICADA. Constituem fatos que, em seu conjunto, evidenciam intuito de fraude e implicam a qualificação da multa de ofício a realização de operações em reduzido lapso temporal, o protagonismo da autuada em aspectos relevantes do negócio que em tese não mais lhe competia, a interdependência das partes, a incoerência da operação com a lógica da atividade desenvolvida e a conseqüente falta de propósito negocial. MULTA CONFISCATÓRIA. A aplicação da multa de ofício decorre de dispositivo legal vigente, sendo defeso ao órgão de julgamento administrativo analisar a sua constitucionalidade, matéria da competência exclusiva do Poder Judiciário. MULTA ISOLADA. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.488/07). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de oficio exigida AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 21 90 /2 01 5- 96 Fl. 1788DF CARF MF Processo nº 11080.732190/201596 Acórdão n.º 1301002.609 S1C3T1 Fl. 1.789 2 no lançamento para cobrança de tributo, visto que ambas penalidades tiveram como base o valor da receita omitida apurado em procedimento fiscal. Em se tratando as multas tributárias de medidas sancionatórias, aplicase a lógica do princípio penal da consunção, em que a infração mais grave abrange aquela menor que lhe é preparatória ou subjacente. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA SOBRE MULTA. CABIMENTO. Os juros moratórios incidem sobre a totalidade da obrigação tributária principal, nela compreendida, além do próprio tributo, a multa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ao lançamento da CSLL aplicase o entendimento esposado quanto ao IRPJ em face da similitude dos motivos de autuação e das razões recursais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em relação ao recurso voluntário da pessoa jurídica: (i) rejeitar a argüição de decadência; (ii) negarlhe provimento em relação à exigência de tributos e à multa de ofício de 150%; (iii) por maioria de votos dar provimento para excluir a exigência de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas. Vencidos os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, Milene de Araújo Macedo e Fernando Brasil de Oliveira Pinto; (iv) por voto de qualidade negar provimento quanto ao pedido de não incidência de juros sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. Em relação ao recurso voluntário dos coobrigados, por unanimidade de votos negarlhe provimento. Conselheiro Roberto Silva Junior designado redator do voto vencedor. Em relação ao recurso voluntário da pessoa jurídica julgado na sessão do dia 16 de agosto de 2017 (nos termos do § 3º do art. 58 do Anexo II do RICARF), participou do julgamento o Conselheiro Flávio Franco Corrêa. Tendo em vista que esse Conselheiro deixou compor o presente colegiado, foi substituído nesta sessão pelo Conselheiro Ângelo Abrantes Nunes para apreciação do recurso dos coobrigados. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Fl. 1789DF CARF MF Processo nº 11080.732190/201596 Acórdão n.º 1301002.609 S1C3T1 Fl. 1.790 3 (assinado digitalmente) Roberto Silva Júnior Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão nº 0440.716, proferido pela 2ª Turma da DRJ/CGE, na sessão de 10 de maio de 2016, que, por unanimidade de votos, entendeu conhecer parcialmente das impugnações, excetuada a impugnação da incidência de juros sobre as multas, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: OBJETO Trata o presente processo de impugnação à autuação fiscal em desfavor de Matone Investimentos S/A, com os sujeitos passivos responsáveis solidários nos termos do art. 135, inc. III, do Código Tributário Nacional Alberto David Matone, Ernandi Vanderley Pereira Martins de Ávila e Daniel Matone. AUTUAÇÃO FISCAL Na autuação fiscal em comento foram lavrados os autos de infração (fls. 1203 e seguintes, fls. 1212 e seguintes): Os fatos geradores ocorreram no anocalendário 2009. A autuação foi cientificada aos sujeitos passivos por via postal em 11/12/2015, conforme avisos de fls. 1356 e seguintes. INFRAÇÕES Fl. 1790DF CARF MF Processo nº 11080.732190/201596 Acórdão n.º 1301002.609 S1C3T1 Fl. 1.791 4 As infrações à legislação tributária foram relatadas na peça fiscal de fls. 1223 e seguintes, que, por bem descrevêlas no tópico “I.a – RESUMO DA AUTUAÇÃO”, a seguir é transcrita nesse particular: 2. Durante o procedimento fiscal a fiscalização apurou que a CONTRIBUINTE MATONE INVESTIMENTOS S/A, doravante denominada de FISCALIZADA, cometeu infrações às Leis Tributárias que disciplinam os seguintes tributos: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL, apurados no Anocalendário 2009 Exercício 2010. 3. Constatouse que as 800.000 (oitocentas mil) ações subscritas e integralizadas no ato de constituição da sociedade BemVindo! Promotora de Vendas S/A, CNPJ 10.397.031/000181, pela FISCALIZADA foram repassadas para MATONE PARTICIPAÇÕES S/A, doravante denominada CONTROLADORA, através de ato de devolução de capital baseado em operação societária de redução de capital social em infração à Lei e materialmente simulada, com objetivo específico de transferir contabilmente a propriedade das ações para registrar a operação de alienação da participação societária e gerar o ganho de capital de R$102.051.279,86 (cento e dois milhões, cinqüenta e um mil, duzentos e setenta e nove reais e oitenta e seis centavos) na CONTROLADORA, e assim, proporcionar redução ilícita do Lucro Real e Base de Cálculo da CSLL no AC2009 Exercício 2010 4. A CONTROLADORA mantinha em seus Livros Fiscais elevados montantes de Prejuízo Fiscal e de Base Negativa da CSLL acumulados de períodos anteriores. Com a transferência da propriedade através de ato de devolução de capital, o ganho de capital gerado pela alienação da participação migrou para o resultado da CONTROLADORA e proporcionou a compensação dos prejuízos fiscais e da base negativa da CSLL e, consequente, redução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL no AC2009. 5. Constata a Fiscalização que as operações societárias implementadas ocorreram em infração à Lei 6.404/76 e foram realizadas com fins específicos de transferir o ganho de capital da FISCALIZADA para a CONTROLADORA, com fins de deflagrar a fraude tributária com a interposição da CONTROLADORA na operação de alienação da participação acionária da FISCALIZADA. A partir do item “V INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA”, a peça fiscal prossegue com descrição do procedimento fiscal e as cominações aplicadas: V INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA V.a Omissão de Ganho na Alienação de Participação no lucro líquido da FISCALIZADA 401. De todo o exposto, concluise que a FISCALIZADA é o SUJEITO PASSIVO da obrigação tributária, pois era ela quem estava à frente da operação de venda e compra das 800mil ações da investida BEMVINDO! para o BANCO. 402. Através da INTERPOSIÇÃO da CONTROLADORA no negócio, por intermédio de ato simulado de redução de capital com devolução em bens, a CONTROLADORA foi ilicitamente levada para o polo passivo da relação jurídico tributária com fins de redução ilícita dos tributos que seriam devidos pela FISCALIZADA. 403. A Fiscalização comprova que o ato que antecedeu a formalização do negócio foi simulado e realizado através de fraude à Lei Societária e, também, à Lei Fl. 1791DF CARF MF Processo nº 11080.732190/201596 Acórdão n.º 1301002.609 S1C3T1 Fl. 1.792 5 Tributária provocando a redução no resultado auferido pela FISCALIZADA no exercício 2009. 404. Para incorrerem na fraude tributária a FISCALIZADA deixou de contabilizar em sua escrituração contábil digital ECD a operação de alienação da participação que detinha na BEMVINDO!, bem como o custo desse investimento, omitindo do lucro líquido do exercício 2009, que é base para apuração do lucro real, o ganho de capital tributável. 405. No seu lugar implementou uma simulada redução de capital social, promovendo a escrituração contábil da baixa do investimento pelo ato de devolução de capital em favor da CONTROLADORA, que atuou como interposta no negócio para recebimento dos valores da venda, contabilizando o ganho como se decorrente de sua atividade, com fins de aproveitamento dos prejuízos fiscais e bases negativas que acumulava em sua escrituração fiscal. 406. Isso posto, para alcançar a sonegação dos tributos, a FISCALIZADA incorreu em infração à legislação tributária, por não observar, na apuração do seu lucro líquido do período e na apuração do lucro real, os preceitos emanados pela legislação comercial (societária), mais precisamente o conjunto dos seguintes dispositivos legais: art. 37, §1º, da Lei nº 8.981/1995, art. 6º, § 1º DecretoLei nº 1.598/1977, art. 18 da Lei nº 7.450/1985 e art. 4º da Lei 9.249/1995 por não observar na apuração do lucro líquido as disposições que regem a legislação comercial (§1º do art. 247 e art. 248 do RIR); art. 6º, § 2º do DecretoLei nº 1.598/1977, por não adicionar ao lucro líquido do período de apuração, para determinação do lucro real, os, resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido (art. 249, inciso II do RIR); art. 7º, do DecretoLei nº 1.598/1977, por não manter escrituração com observância das lei comerciais e fiscais (art. 251 do RIR); art 31 do DecretoLei nº 1.598/1977, por não computar na determinação do lucro real, como ganho de capital, os resultados da alienação de bens do ativo permanente. (art. 418 do RIR) 407. O valor do ganho omitido pela venda das 800mil ações da BEMVINDO é de R$102.051.279,86, e corresponde ao valor da venda constante nos contratos de compra e venda firmados entre a CONTROLADORA (interposta alienante) e BANCO (adquirente), em 22/12/2009 e 30/12/2009, nos valores de R$51.360.000,00 (cinquenta e um milhões, trezentos e sessenta mil reais) cada um. O custo corresponde ao custo contábil de R$668.720,14 (seiscentos e sessenta e oito mil, setecentos e vinte reais e quatorze centavos) avaliado pelo MEP na data 31/12/2009. (...) VI – APLICAÇÃO DE MULTA NA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO POR LANÇAMENTO DE OFÍCIO MULTA QUALIFICADA 413. A multa de ofício conforme inciso I (75%) do art. 44 da Lei 9430/96 é aplicada em dobro, nos termos do §1º, com a redação dada pelo artigo 14 da Medida Provisória n° 351/2007 e pelo artigo 14 da Lei n° 11.488/2007, Fl. 1792DF CARF MF Processo nº 11080.732190/201596 Acórdão n.º 1301002.609 S1C3T1 Fl. 1.793 6 correspondendo a 150% (cento e cinqüenta por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição não declarados, não pagos ou recolhidos. (...) 415. As circunstâncias apuradas e descritas no decorrer do presente Relatório Fiscal, em especial, aquelas que levaram a fiscalização a formar convicção de que as condutas da FISCALIZADA, da CONTROLADORA, bem como dos seus diretores, qualificados como responsáveis solidários, se subsumem às hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, (...) 420. Isso posto, em razão da constatação de situações agravantes dispostas na Lei, cabe à Fiscalização proceder a qualificação da multa disposta no inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, aplicandoa em dobro, nos termos do §1º do art. 44 da mesma Lei, sem prejuízo das demais penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) VII – APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA POR NÃO PAGAMENTO DAS ESTIMATIVAS DO IRPJ e CSLL SOBRE A BASE ESTIMADA APURADA ATRAVÉS DO BALANCETE DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO 422. A FISCALIZADA optou pela apuração Anual do IRPJ nos Anos calendário 2009, assim ficou obrigada a efetuar pagamentos mensais do IRPJ e CSLL, os quais são apurados sobre bases de cálculo mensais estimadas, nos termos do art. 2º da Lei nº 9.430/96. (...) 425. A multa pecuniária isolada disposta no inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96 é aplicável quando houver lançamento de ofício e for constatado o descumprimento de obrigação tributária acessória, pela ausência do pagamento mensal que deixar de ser realizado no regime de apuração anual do IRPJ, (...) 426. A multa aplicada é de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do pagamento mensal, apurado na forma do art. 2° da Lei 9.430/1996, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, ou seja, a multa é aplicável em todas as situações que configuram ausência de pagamento das estimativas devidas, inclusive após o encerramento do exercício que não apurar base tributável anual. A responsabilização solidária dos administradores assim foi relatada pela autoridade fiscal: IX RESPONSABILIZAÇÃO SOLIDÁRIA DOS ADMINISTRADORES 440. A Fiscalização aplica o disposto no inciso III do art. 135 do Código Tributário Nacional, com fins de imputar responsabilidade tributária solidária pelo crédito tributário ora constituído aos Diretores da FISCALIZADA, que detinham o poder de administração e deram azo a INTERPOSIÇÃO DA CONTROLADORA através da confecção de ato de redução de capital social simulado em fraude a lei societária em 28/09/2009. 441. Os Administradores infringiram à Lei Societária, mais precisamente os arts. 117, §1º, "f", 154, 173 e 245 da Lei nº 6.404/76, por utilizar operação Fl. 1793DF CARF MF Processo nº 11080.732190/201596 Acórdão n.º 1301002.609 S1C3T1 Fl. 1.794 7 societária (redução de capital social) para aparentar legalidade em operação que visava um benefício tributário que não seria alcançado se o curso normal das operações fosse mantido, e assim, por via societária transversa, contabilizaram a operação da FISCALIZADA na escrituração contábil e fiscal da CONTROLADORA e aproveitaram os prejuízos fiscais e bases negativas de períodos anteriores que a CONTROLADORA mantinha, compensandoos sobre o tributo gerado pelo ganho auferido pela FISCALIZADA. Após discorrer sobre a representação fiscal para fins penais, o relato fiscal expôs considerações finais às fls. 1340. IMPUGNAÇÃO Os sujeitos passivos apresentaram impugnação conjunta, em 11/01/2016, às fls. 1362 e seguintes, que, por delimitar a controvérsia sob sua ótica, transcrevese parcialmente a seguir: Dentre todas as operações longamente relatadas pelo auditor fiscal, a única que realmente é relevante para se concluir pela procedência ou pela improcedência dos lançamentos ora impugnados está, brevemente, descrita no item I.a "Resumo da Autuação" (fls. 12241225). A sociedade ora impugnante, Matone Investimentos S/A, promoveu, em 28.09.2009, a redução de seu capital social, em R$ 380.214,00 (trezentos e oitenta mil, duzentos e catorze reais), com o consequente cancelamento de 380.214 (trezentos e oitenta mil, duzentos e catorze) ações ordinárias de sua acionista Matone Participações S/A (atual Matone Empreendimentos Imobiliários S/A, CNPJ 96.036.366/000100), conforme Ata da Assembleia Geral Ordinária e Extraordinária anexada a fls. 10 11 dos autos. Por consequência dessa redução, a impugnante Matone Investimentos S/A entregou, em devolução de capital, à acionista Matone Participações S/A, ativos que compunham o seu capital social, constituídos por 800.000 mil ações ordinárias da sociedade BemVindo! Promotora de Vendas S/A (CNPJ 10.397.031/000181), por seu valor contábil de R$ 380.214,00 (trezentos e oitenta mil, duzentos e catorze reais). Como a entrega dos ativos (ações da BemVindo) à acionista Matone Participações S/A, a título de devolução de sua participação no capital social, foi avaliada pelo valor contábil, a Matone Investimentos S/A não apurou ganho de capital nessa operação. Em dezembro de 2009, a acionista Matone Participações S/A promoveu a venda desses ativos (as 800.000 ações ordinárias da BemVindo! Promotora de Vendas S/A), ao Banco Matone S/A, pelo valor total de R$ 102.720.000,00 (cento e dois milhões, setecentos e vinte mil reais), apurando, então, ganho de capital na operação. A venda foi realizada através de dois contratos, o Contrato de Venda e Compra de Ações da Sociedade BemVindo Promotora de Vendas e Serviços Ltda., de 22.12.2009, em que foram vendidas 400.000 (quatrocentos mil) ações, pelo preço de R$ 51.360.000,00 (cinquenta e um milhões, trezentos e sessenta mil reais), conforme cópia do respectivo instrumento, de fls. 586588 dos autos. E o Contrato de Venda e Compra de Ações da Sociedade BemVindo Promotora de Vendas e Serviços Ltda., de 30.12.2009, em que foram vendidas as demais 400.000 (quatrocentos mil) ações, também pelo preço de R$ 51.360.000,00 (cinquenta e um milhões, trezentos e sessenta mil reais), conforme documento de fls. 589591. Como a Matone Participações S/A, vendedora dos ativos recebidos em devolução de capital social, contava com prejuízos fiscais e base negativa de CSLL, acumulados de períodos anteriores, na apuração do IRPJ e da CSLL sobre o ganho Fl. 1794DF CARF MF Processo nº 11080.732190/201596 Acórdão n.º 1301002.609 S1C3T1 Fl. 1.795 8 de capital houve o aproveitamento, por compensação, dos prejuízos fiscais e da base negativa de CSLL. É contra esse aproveitamento de prejuízos fiscais e de base negativa de CSLL que se insurgem os autos de infração ora impugnados, ao argumento, insubsistente, de que a redução do capital social da Matone Investimentos S/A teria sido realizada em infração à lei e de modo materialmente simulado. Todas as demais digressões constantes do relatório fiscal, examinando as operações subsequentes à venda das ações da BemVindo Promotora de Vendas e Serviços Ltda., presentes no item Il.d (fls. 12461277) e no item Il.e (fls. 1277 1296) dos autos, são irrelevantes para o deslinde da causa. As operações societárias de aumento de capital social de empresas do mesmo grupo econômico (Matone Investimentos S/A, Matone Holding S/A e Banco Matone S/A), com os recursos advindos da venda das ações da BemVindo, e a posterior rejeição, pelo Banco Central do Brasil (BACEN), do aumento do capital social do Banco Matone S/A, não geram nenhuma consequência para os autos de infração ora impugnados. Em verdade, atualmente é discutida em juízo se a rejeição ao aumento de capital do Banco Matone. S/A, pelo BACEN (Parecer da ProcuradoriaGeral de fis. 906921), e a posterior reratificação dos contratos de compra e venda das ações da BemVindo (fls. 632635), reduzindo o preço de aquisição, podem ter por consequência reduzir também o ganho de capital originalmente apurado na operação. A matéria é objeto de embargos à execução fiscal, em tramitação sob o n° 500277129.2015.4.04.7100/RS, perante a 19a Vara Federal da Subseção Judiciária de Porto Alegre, RS. O processo aguarda julgamento de recurso de apelação interposto por Matone Empreendimentos Imobiliários S/A (denominação atual da Matone Participações S/A), em face da sentença de improcedência dos embargos. Em anexo, seguem a movimentação do processo e cópias da petição inicial, da sentença, da apelação, das contrarrazões de apelação (doe. 03). Não é, nem pode ser o objeto do presente processo administrativo perquirir se o ganho de capital apurado por Matone Participações S/A (atual Matone Empreendimentos Imobiliários S/A) pode ou não ser revisto, por conta da oposição manifestada pelo BACEN às operações societárias do Grupo Matone e a consequente retificação do preço da venda das ações da BemVindo. Isso é matéria alheia ao âmbito das próprias autuações fiscais, limitadas como estão ao tema relativo à validade da redução do capital social da Matone Investimentos S/A, com a entrega de ativos, em devolução de capital social, avaliados pelo valor contábil. É certo que eventual procedência dos embargos à execução fiscal, com a consequente revisão da apuração de ganho de capital na alienação das ações da BemVindo pela vendedora Matone Participações S/A, produzirá efeitos em relação aos autos de infração de IRPJ e de CSLL, ora impugnados. Se a extensão do ganho de capital vier a ser reduzida, em face do reconhecimento da validade e da eficácia da reratificação dos contratos de compra e venda das ações da BemVindo, não haverá espaço para a manutenção das presentes autuações, restritas ao aproveitamento de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa na composição desse ganho. Porém, ainda que seja mantida a conclusão da sentença dos embargos à execução fiscal, rejeitandose a pretensão do contribuinte em revisar o montante original do ganho de capital, esse julgamento não terá reflexos necessários sobre as autuações examinadas no presente processo administrativo fiscal. Em suma, o ponto a ser enfrentado nesses autos diz respeito, exclusivamente, à legitimidade da entrega de ativos (ações da Bem Vindo), pela contribuinte Matone Investimentos S/A a sua acionista Matone Participações S/A, a título de devolução Fl. 1795DF CARF MF Processo nº 11080.732190/201596 Acórdão n.º 1301002.609 S1C3T1 Fl. 1.796 9 de sua participação no capital social, avaliados a valor contábil. E a partir da oposição a essa operação que os autos de infração de IRPJ e de CSLL foram lavrados. E é, portanto, em face desse tema que os ora impugnantes oferecem os seguintes motivos de fato e de direito, que fundamentam a sua defesa. Delimitada a matéria a impugnar, passaram os interessados a demonstrar seus motivos de fato e de direito, sob os seguintes títulos, com sua numeração original, e que serão detalhados no voto a seguir: II.1 Da legitimidade da redução de capital social e da subseqüente entrega de ativos a acionista a valor contábil; II.1.1 Da inocorrência de simulação ou fraude; II.1.2 Da ausência de interposição de sociedade; II.2 Do descabimento da multa qualificada; II.3 Do descabimento da multa isolada por não recolhimento do pagamento mensal por estimativas, diante da aplicação conjunta da multa de ofício; II.4 Da decadência dos créditos tributários; II.5 Da impossibilidade da responsabilização dos administradores; II.6 Da exclusão dos juros sobre as multas; II.7 Do caráter confiscatório das multas; Por fim, requereram os interessados: EM FACE DO EXPOSTO, postulam os impugnantes seja recebida a presente impugnação, julgandose os lançamentos IMPROCEDENTES, nos termos da fundamentação, diante da ausência de fatos geradores de obrigações tributárias de IRPJ ou de CSLL, realizados pela sociedade Matone Investimentos S/A (itens II. 1, II. 1.1. e II. 1.2, supra), ou em face da extinção dos créditos tributários, por decadência (item II.4, supra). Postulam, subsidiariamente: seja afastada a aplicação das multas de ofício em percentual dobrado, diante da inocorrência de sonegação, fraude ou conluio (item II.2, supra); seja afastada a aplicação das multas isoladas por falta de recolhimento no regime de estimativas, diante da impossibilidade de aplicação concomitante com multas de ofício (item II.3, supra); seja afastada a responsabilidade solidária dos administradores, em face da inocorrência de atos em infração à lei e da ausência de individualização das condutas ilícitas dos apontados como responsáveis tributários. Ainda subsidiariamente, seja limita a responsabilidade tributária ao Diretor Presidente e controlador acionário Alberto Davi Matone (item II.5, supra); sejam excluídos os juros calculados sobre as multas (item II.6, supra); sejam limitadas as multas aplicadas a 100% (cem por cento) do valor dos respectivos tributos (item II.7, supra). Fl. 1796DF CARF MF Processo nº 11080.732190/201596 Acórdão n.º 1301002.609 S1C3T1 Fl. 1.797 10 Requerem, ainda, a juntada de novos documentos, destinados a corroborar as questões suscitadas na presente impugnação. Nesses termos, pedem deferimento. É a síntese do necessário Na seqüência, foi proferido o Acórdão nº 0440.716, pela 2ª Turma da DRJ/CGE, julgando improcedente as impugnações apresentadas, com o seguinte ementário: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2009 DECADÊNCIA. A decadência regese pelo disposto no art. 173, inciso I, nos casos em que não tenha havido antecipação ou pagamento do tributo e nos casos de ocorrência de dolo, fraude ou simulação. GANHO DE CAPITAL. É sujeito passivo de fato dos tributos incidentes sobre o ganho de capital a pessoa que promove devolução de capital por valor contábil após redução de capital, quando presente conjunto de indícios que convergem à conclusão de que promoveu a alienação por intermédio de outra pessoa após uma série de operações sem propósito negocial e manteve atuação em aspectos relevantes do negócio que em tese não mais lhe competia. MULTA QUALIFICADA. Constituem fatos que, em seu conjunto, evidenciam intuito de fraude e implicam a qualificação da multa de ofício a realização de operações em reduzido lapso temporal, o protagonismo da autuada em aspectos relevantes do negócio que em tese não mais lhe competia, a interdependência das partes, a incoerência da operação com a lógica da atividade desenvolvida e a conseqüente falta de propósito negocial. MULTA CONFISCATÓRIA. A aplicação da multa de ofício decorre de dispositivo legal vigente, sendo defeso ao órgão de julgamento administrativo analisar a sua constitucionalidade, matéria da competência exclusiva do Poder Judiciário. MULTA ISOLADA. SÚMULA CARF Nº 105. À autuação fundamentada com base no art. 44, § 1º, IV da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação do art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, que c/c o art. 106, II “c” do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 1966, que reduziu o percentual da multa de 75% para 50%, não se aplica a Súmula Carf nº 105, a qual se refere à multa isolada de 75% com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações Fl. 1797DF CARF MF Processo nº 11080.732190/201596 Acórdão n.º 1301002.609 S1C3T1 Fl. 1.798 11 tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. PRODUÇÃO DE PROVAS. No rito do processo administrativo fiscal, as provas devem ser apresentadas com a impugnação ou, nos casos autorizados, mediante requerimento do interessado, inexistindo previsão legal para deferir sua produção. JUROS SOBRE MULTAS. A cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício só é passível de impugnação a partir do momento em que o fato se materializar, sendo defeso ao órgão de julgamento conhecer a impugnação e apreciar a matéria preventivamente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ao lançamento da CSLL aplicase o entendimento esposado quanto ao IRPJ em face da similitude dos motivos de autuação e das razões de impugnação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Após intimados, todos os envolvidos, ou seja, a empresa autuada e os responsáveis tributários i) Alberto Davi Matone; ii) Daniel Matone; e, iii) Ernandi Vardeley Pereira Martins de Ávila, apresentam, em peça única, tempestivamente, Recurso Voluntário, , através de representante legal, pugnando por provimento, onde apresentam argumentos que serão a seguir analisados. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator. O recurso apresentado é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972. Portanto, dele conheço. DA ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO Tratase de exigência de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL), relativo ao anocalendário de 2009, em desfavor de Matone Investimentos S/A, incidente sobre a apuração de ganho de capital ocorrido na venda de participações societárias, além da aplicação da multa qualificada e exigência concomitante de multa isolada. A presente discussão reside na seqüência de operações societárias que resultaram na redução do capital pela fiscalizada e entrega de ativos a sua controladora, a título de devolução de sua participação no capital social, avaliados por valor contábil. Fl. 1798DF CARF MF Processo nº 11080.732190/201596 Acórdão n.º 1301002.609 S1C3T1 Fl. 1.799 12 Segundo a fiscalização, ocorreu uma articulação simulada de atos, confeccionados após a implementação dos negócios realizados pelo grupo Matone, com o escopo de reduzir ilicitamente a tributação, concatenados para aparentar que a controladora Matone Empreendimentos Imobiliários S/A se constituía como proprietária da participação da BemVindo! ao tempo da alienação das ações ao Banco Matone S/A. Aduz que, no dia 28/09/2009 a empresa autuada promoveu uma Assembléia Geral Ordinária e Extraordinária, que deliberou pela redução do respectivo capital social, sem qualquer menção aos motivos ou da necessidade que nortearam a operação, e em seguida, nos dias 22/12/2009 e 30/12/2009, alienou ao Banco Matone, com a interposição de sua controladora, participação societária na BemVindo!, instrumentalizada por contratos redigidos com esse teor. No seu entender da fiscalização, a empresa autuada foi o estopim para toda uma engenharia societária do grupo Matone com vistas a obter redução artificial da carga tributária, já que "houve uma operação entre fiscalizada e controladora 'as vesperas' da operação de compra e venda informada ao Fisco. A operação avaliada a valor contábil deuse através de uma devolução de capital promovida pela redução de capital social da Fiscalizada, cujo objeto de restituição foi exatamente as 800.000 (oitocentas mil ações) da BemVindo! transferidas a valor contábil" (parágrafo nº 247 às fls. 74 do Relatório Fiscal). Por outro lado, a autuada, Matone Investimentos S/A, defende a legitimidade da redução de capital social e subseqüente entrega de ativos a acionista a valor contábil, em conformidade com o que preconiza o art. 22 da Lei nº 9.249/95, cuja a conseqüência fiscal foi a apuração de ganho de capital pela controladora com redução de incidência tributária em face da compensação de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da contribuição social apurados anteriormente. Para sustentar a legitimidade, traz à luz autorizada doutrina de J.X. Carvalho de Mendonça, Trajano de Miranda Valverde, Franz Martins e Modesto Carvalhosa, no sentido de que a redução voluntária de capital é permitida, com ressalva de algumas hipóteses, além de citar precedentes oriundos deste Conselho em abono a sua tese. Pois bem. Como antes demonstrado em outros julgados, alinhome ao entendimento de que a redução do capital social deve ser de competência exclusiva da Assembléia Geral, desde que não haja prejuízos a credores. Assim, apenas os acionistas, que assumem o risco do negócio, possuem legitimidade para definir o montante necessário para continuar as atividades de sua empresa. Desta forma, aprovada a deliberação pela redução do capital social, a entrega de bens e direitos a acionistas, em devolução de capital, pode ocorrer em conformidade com o que dispõe o artigo 22 da Lei nº 9.249, de 199, tudo porque o próprio legislador possibilitou que as pessoas jurídicas, ao entregar bens ao titular ou a sócio ou acionista, a título de devolução de sua participação no capital social, poderiam avaliar tais bens pelo valor contábil ou de mercado. Porém, o caso que se apresenta não é de resolução pura e simples de aplicação deste dispositivo legal, e sim, de verificar, no caso concreto, se existe ou não interposta pessoa na alienação da participação da BemVindo! ao Banco Matone de participação societária, vez que o lançamento fiscal adota como premissa que a autuada é a real Fl. 1799DF CARF MF Processo nº 11080.732190/201596 Acórdão n.º 1301002.609 S1C3T1 Fl. 1.800 13 alienante das ações, o que é expresso nos parágrafos 397 e seguintes do relato fiscal, fls. 1.330 dos autos, a seguir transcritos: 397. Qual é a verdade aparente que as partícipes exteriorizaram ao FISCO? A CONTROLADORA é a alienante das ações da BEMVINDO ao BANCO a preço de mercado que foram adquiridas em 28/09/2009, avaliadas a valor contábil, em razão da FISCALIZADA ter reduzido o seu capital social por "declarálo" excessivo em relação ao seu objeto. 398. Então, passando para o caso concreto analisado, temse a verdade real: a FISCALIZADA, procede todos os atos para alienar a participação que detinha na BEMVINDO! ao BANCO, a preço de mercado, até 22/12/2009; contrata a empresa que avalia as ações em novembro de 2009;presta as informações sobre a investida; recebe o laudo e as comunicações da empresa avaliadora;paga os serviços prestados; retém e recolhe os tributos e contabiliza as despesas. No momento da concretização do negócio, simulam uma redução de capital por excesso de capital para transferir a valor contábil para a CONTROLADORA toda a participação na BEMVINDO!. Assim, a CONTROLADORA figura formalmente como alienante da participação. A receita da venda do patrimônio da FISCALIZADA é contabilizada na escrituração contábil da CONTROLADORA, a qual é se apresenta como CONTRIBUINTE ao FISCO. Por ter acumulado prejuízos fiscais e bases negativas em períodos passados, os tributos devidos pela FISCALIZADA são reduzidos. 399. A verdade material apurada é que A FISCALIZADA É A ALIENANTE DAS AÇÕES DA BEMVINDO, porém, sua condição de contribuinte foi acortinada pela operação simulada de redução de capital social em infração à Lei nº 6.404/76 em favor da CONTROLADORA. Penso que a mera regularidade formal das operações societárias, de acordo com nossa CF e leis pertinentes, não lhes confere validade para obstar uma incidência tributária, quando a formalidade jurídica não reflete expressão fidedigna da realidade. Assim, ainda que a estrutura aparente das operações societárias empregadas subsumase ao arcabouço legal que geraria menor ônus, cabe ao Fisco investigar se a estrutura adotada foi legítima e se o seu regime jurídico foi observado. Ou seja, para a prevalência dessas estruturas é necessário que haja causa jurídica e sua coerência com o conteúdo e a forma utilizada. No caso sob análise, apesar de ter sido registrado a redução do capital social na empresa autuada e devolução de capital à empresa controladora, que, posteriormente alienou sua participação societária ao Banco Matone, o que se vê dos autos, em face das provas coletadas pela fiscalização, é que na realidade, a controladora foi utilizada como interposta pessoa para a alienação das ações. Com efeito, a justificativa apresentada pela recorrente que a redução do capital social ocorreu por ser excessivo, não me parece razoável, tendo em vista que correspondeu a apenas 2,77% do capital social, ficando pouco claro como esta fração bastante pequena serviria ao propósito de redução do excesso. Mas não é só. Verificase que a fiscalização efetuou detalhada análise contábil com o escopo de apurar a procedência do alegado excesso de capital, e dentre suas conclusões ressaltase a constatação de que o capital social da autuada, antes da redução, era suficiente para financeira apenas 16,33% do ativo, além de pontuar que a controladora Fl. 1800DF CARF MF Processo nº 11080.732190/201596 Acórdão n.º 1301002.609 S1C3T1 Fl. 1.801 14 encontravase em débito para com a autuada no expressivo valor de R$ 5.469.482,88 e, por isso, dificilmente seria justificável a operação mais desfavorável de devolução de capital sob a forma de ativos, no valor de R$ 380.214,00, que tinham valor de mercado de R$ 102.720.000,00. Ora, a controladora Matone Participações estava em débito com a recorrente, o que tornava pouco crível justificar a operação mais desfavorável de devolução de capital sob a forma de ativos que detinham valor de mercado (R$ 102.720.000,00), muito superior ao valor contábil (380.214,00) Outro fato digno de nota foi que, embora a autuada tivesse entregue as ações pela redução de capital, contratou a empresa de assessoria para avaliar as ações a serem alienadas, pagou pelos referidos serviços, reteve e recolheu os respectivos tributos e contabilizou tais custos. Tais atitudes são mais compatíveis com a de verdadeiro detentor das ações e, embora a recorrente argumente que os atos da autuada são justificáveis por integrar o mesmo grupo econômico, não há como acatar tal argumento, pois é até possível admitirse que tenha um interesse genérico pela situação financeira do grupo, mas, em sendo real a devolução das ações, aparentemente nenhuma atividade eficaz poderia desempenhar, ou desse conhecimento lhe decorrer uma conseqüência favorável, após já ter sido tão prejudicada com a entrega de ativos por valor ínfimo. Desta maneira, não há reparos a fazer à decisão recorrida, que negou provimento, nesta parte, à defesa apresentada, pois, pelo que se vê, restou devidamente comprovado que o ato que antecedeu a formalização do negócio foi simulado e realizado através de fraude à Lei Societária e à Lei Tributária, provocando a redução indevida no resultado auferido pela empresa autuada no anocalendário de 2009. A caracterização da fraude tributária consiste no fato da autuada ter deixado de contabilizar em sua escrituração contábil ECD a operação de alienação da participação que detinha na Benvindo!, bem como o custo desse investimento, omitindo do lucro líquido do período. No seu lugar, implementou uma simulada redução de capital social, promovendo a escrituração contábil da baixa do investimento pelo ato de devolução de capital em favor da controladora, que autuou como interposta pessoa no negócio para recebimento dos valores da venda, contabilizando o ganho como se decorrente de sua atividade, com fins de aproveitamento dos prejuízos fiscais e bases negativas que acumulava em sua escrituração fiscal. Dessa forma, a qualificação da multa de ofício para o percentual de 150% foi regular e encontra amparo na legislação tributária. Como bem analisado pela decisão recorrida, "o desenho das operações entre partes relacionadas, com contrariedade à lógica das condições subjacentes, e o protagonismo da autuada quando em tese não mais detinha os ativos são fatores que levam à conclusão de que havia o objetivo ocultar a autuada e a natureza material dos fatos, com base nesses artifícios" (fls. 1.665). Assim, restou suficientemente demonstrado que o grupo Matone intercalou na operação de alienação de ações da BemVindo! a controladora Matone Participações, que ocupou formalmente a posição de alienante quando, na verdade, a real vendedora das ações era a própria recorrente, Matone Investimentos S/A. As operações foram todas realizadas para que a controladora aproveitasse os prejuízos fiscais e ocultasse os rendimentos advindos com a alienação das ações da BemVindo! detidas pela recorrente. Logo, não há a menor dúvida da Fl. 1801DF CARF MF Processo nº 11080.732190/201596 Acórdão n.º 1301002.609 S1C3T1 Fl. 1.802 15 caracterização da fraude, tendo em vista a simulação dos negócios pactuados, visando à redução da carga tributária da fiscalizada. O conluio também ocorreu, pois é evidente a manifestação da vontade entre as empresas do Grupo na operação simulada, pois os sócios da empresa controladora, Matone Participações, são os mesmos representantes da autuada, Matone Investimentos, e também os mesmos que controlavam e representavam a empresa BemVindo! e o Banco Matone (adquirente final das ações da BemVindo!). Referido controle acionário e representativo se mostra decisivo, portanto, para configurar a evasão fiscal. Da mesma foram, também se reconhece a caracterização de dolo, pois as provas colhidas no processo bem demonstram a existência dos requisitos necessários a sua configuração, ou seja, o elemento intelectual e o volitivo, pois forçoso reconhecer que os sócios do Grupo Matone agiram de forma livre e consciente, com a finalidade tãosomente de reduzir ilicitamente a carga tributária. Qualquer pessoa que desenvolva atividade econômica por meio de empresa tem consciência de que ela deve existir de fato e não apenas no papel, isto é, deve desenvolver efetivamente a atividade para qual foi criada. A empresa autuada também tinha consciência de que era a real vendedora e estava alienando ações da então ligada BemVindo!, não sem antes ocultar o ganho de capital dessa venda mediante ato dissimulado de redução do capital em face de suposto excesso, cujo propósito final foi compensar prejuízos da controladora. Ao final, todos os atos praticados, na essência, não tinham finalidade civil, comercial ou econômica, mas tãosomente gerar evasão fiscal. Portanto, temse a prova do elemento volitivo, qual seja, a vontade de reduzir ilicitamente a carga tributária. Com referência à cumulação da multa de ofício com a multa isolada, devo aqui fazer reparos à decisão recorrida, pois penso não ser possível a aplicação simultânea da multa isolada pelo não pagamento de estimativas apuradas no curso do anocalendário e da multa proporcional concernente à falta de pagamento do tributo devido apurado no balanço final do mesmo anocalendário. O não pagamento das estimativas seria apenas uma etapa preparatória da execução da infração. Como estimativas caracterizam meras antecipações dos tributos devidos, a concomitância significaria dupla imposição de penalidade sobre a mesma infração, qual seja, o descumprimento de uma obrigação principal a pagar. Penso que os fundamentos que resultaram na edição da Súmula CARF 105 permanecem firmes diante da edição da Lei n. 11.488/2007. Portanto, mesmo após as alterações introduzidas pela Lei n. 11.488/2007 ao art. 44 da Lei n. 9.430/96, a teoria da consunção permanece plenamente aplicável. Esse é, inclusive, o entendimento que vem sendo adotado pelo Superior Tribunal de Justiça (doravante “STJ”), como se observa do seguinte julgado: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. DEFICIÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.488/07). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. Fl. 1802DF CARF MF Processo nº 11080.732190/201596 Acórdão n.º 1301002.609 S1C3T1 Fl. 1.803 16 1. Recurso especial em que se discute a possibilidade de cumulação das multas dos incisos I e II do art. 44 da Lei n. 9.430/96 no caso de ausência do recolhimento do tributo. 2. Alegação genérica de violação do art. 535 do CPC. Incidência da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal. 3. A multa de ofício do inciso I do art. 44 da Lei n. 9.430/96 aplicase aos casos de "totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata". 4. A multa na forma do inciso II é cobrada isoladamente sobre o valor do pagamento mensal: "a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) e b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei n. 11.488, de 2007)". 5. As multas isoladas limitamse aos casos em que não possam ser exigidas concomitantemente com o valor total do tributo devido. 6. No caso, a exigência isolada da multa (inciso II) é absorvida pela multa de ofício (inciso I). A infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Princípio da consunção. Recurso especial improvido. (STJ, REsp 1.496.354/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2015, DJe 24/03/2015) Em seu voto, acompanhado pela unanimidade da Segunda Turma da 1a Seção do STJ, o i. Ministro HUMBERTO MARTINS, relator do referido julgado, assim explicitou os fundamentos, in verbis: “Sistematicamente, notase que a multa do inciso II do referido artigo somente poderá́ ser aplicada quando não possível a multa do inciso I. Destacase que o inadimplemento das antecipações mensais do imposto de renda não implicam, por si só, a ilação de que haverá tributo devido. Os recolhimentos mensais, ainda que configurem obrigações de pagar, não representam, no sentido técnico, o tributo em si. Este apenas será apurado ao final do ano calendário, quando ocorrer o fato gerador. As hipóteses do inciso II, "a" e "b", em regra, não trazem novas hipóteses de cabimento de multa. A melhor exegese revela que não são multas distintas, mas apenas formas distintas de aplicação da multa do art. 44, em conseqüência de, nos caso ali descritos, não haver nada a ser cobrado a título de obrigação tributária principal. As chamadas "multas isoladas", portanto, apenas servem aos casos em que não possam ser as multas exigidas juntamente com o tributo devido (inciso I), na medida em que são elas apenas formas de exigência das multas descritas no caput. Fl. 1803DF CARF MF Processo nº 11080.732190/201596 Acórdão n.º 1301002.609 S1C3T1 Fl. 1.804 17 Esse entendimento é corolário da lógica do sistema normativotributário que pretende prevenir e sancionar o descumprimento de obrigações tributárias. De fato, a infração que se pretende repreender com a exigência isolada da multa (ausência de recolhimento mensal do IRPJ e CSLL por estimativa) é completamente abrangida por eventual infração que acarrete, ao final do ano calendário, o recolhimento a menor dos tributos, e que dê azo, assim, à cobrança da multa de forma conjunta. Em se tratando as multas tributárias de medidas sancionatórias, aplicase a lógica do princípio penal da consunção, em que a infração mais grave abrange aquela menor que lhe é preparatória ou subjacente. O princípio da consunção (também conhecido como Princípio da Absorção) é aplicável nos casos em que há uma sucessão de condutas típicas com existência de um nexo de dependência entre elas. Segundo tal preceito, a infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Sob este enfoque, não pode ser exigida concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício por falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também por falta de antecipação sob a forma estimada. Cobrase apenas a multa de oficio pela falta de recolhimento de tributo.” Em decisão posterior, no REsp 1.499.389/PB, o STJ novamente vivificou o princípio da consunção para afastar a cumulação da multa de ofício com a multa isolada, em período posterior à Lei n. 11.488/2007. A referida decisão restou assim ementada: TRIBUTÁRIO. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.488/07). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. PRECEDENTE. 1. A Segunda Turma desta Corte, quando do julgamento do REsp nº 1.496.354/PR, de relatoria do Ministro Humberto Martins, DJe 24.3.2015, adotou entendimento no sentido de que a multa do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96 somente poderá ser aplicada quando não for possível a aplicação da multa do inciso I do referido dispositivo. 2. Na ocasião, aplicouse a lógica do princípio penal da consunção, em que a infração mais grave abrange aquela menor que lhe é preparatória ou subjacente, de forma que não se pode exigir concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício por falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também por falta de antecipação sob a forma estimada. Cobrase apenas a multa de oficio pela falta de recolhimento de tributo. 3. Agravo regimental não provido. (STJ, AgRg no REsp 1499389/PB, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/09/2015, DJe 28/09/2015) Desta forma, é incabível a exigência de multa isolada pelo não recolhimento de estimativas, devendo ser mantida apenas a multa de ofício. Quanto à alegação de decadência, como se viu, restou demonstrado ter ocorrido operações societárias simuladas, que comprovaram o propósito de afastar ilicitamente a incidência tributária sobre o lucro obtido pela recorrente na venda das ações que ela era titular na pessoa jurídica ligada BemVindo!. Fl. 1804DF CARF MF Processo nº 11080.732190/201596 Acórdão n.º 1301002.609 S1C3T1 Fl. 1.805 18 Assim, na esteira do entendimento do STJ, cuja posição se encontra sedimentada em recurso repetitivo (RESP 973.733/SC), de observação obrigatória pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no artigo 62, §2º, do Regimento Interno RICARF, considerando que os fatos geradores de IRPJ e CSLL se aperfeiçoaram no dia 31/12/2009, a contagem dos 5 anos se iniciou a partir do primeiro dia do exercício seguinte (1º/01/2011) àquele que os tributos poderiam ter sido lançados (2010), nos termos do que dispõe o art. 173, inciso I do CTN. Portanto, considerando que a fiscalização teria até o dia 31/12/2015 para cientificar a recorrente do lançamento, não há que se cogitar de decadência, haja vista que a ciência ocorreu no dia 11/12/2015. Com referência à alegação de exclusão dos juros sobre a multa, alinhome às razões da recorrente, no sentido de entender que a incidência de juros sobre a multa de ofício viola o princípio constitucional da legalidade. De fato, não há previsão legal para incidência de juros sobre a multa. O § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/96 determina que “sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. À evidência, a expressão “sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora ...”, que inaugura o dispositivo supra transcrito, diz respeito somente ao valor do principal relativo à obrigação tributária não paga no vencimento. Basta ver que o caput do art. 61 da Lei nº 9.430 está assim redigido: “Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal (...), não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora (...)” Resta evidente que o “débito” a que se refere a lei é composto apenas pelo valor do principal, isto é, do tributo vencido e não pago. Posteriormente ao vencimento é que são lançados os acréscimos de multa e juros. Falta, portanto, lei que autorize a União a incluir a multa como parte integrante do principal, para efeitos de incidir os juros sobre ambos, o que viola, segundo meu entender, o princípio da legalidade. Corrobora tal entendimento o votocondutor do ilustre Conselheiro Caio Marcos Cândido, verbis: “Entendo caber razão à recorrente quanto à não aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, nem mesmo no percentual de 1%. Reproduzo parte dos argumentos de defesa esposados pela recorrente. O artigo 139 do CTN estabelece que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Fl. 1805DF CARF MF Processo nº 11080.732190/201596 Acórdão n.º 1301002.609 S1C3T1 Fl. 1.806 19 Já o artigo 113 do CTN estatui que a obrigação tributária pode ser principal (de pagar tributo ou penalidade pecuniária) ou acessória (de fazer), sendo que a obrigação acessória “pelo simples fato de sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária”, nos termos do parágrafo 3º do citado artigo 113. Assim, a penalidade pecuniária que se converte em obrigação principal é exatamente aquela que decorre da inobservância da obrigação acessória. É somente sobre esta penalidade, que por si só consubstancia (ou se converteu em) obrigação principal, que se não integralmente paga no respectivo vencimento podem incidir os juros de mora, seja de 1% ao mês com base no art. 161 do CTN, seja com base na taxa SELIC como atualmente previsto no artigo 43 da Lei nº 9.430/1996. Portanto, sobre a penalidade incidente pelo não pagamento da obrigação principal, exigida conjuntamente com o tributo não pago, não pode incidir juros moratórios, posto que se já estivesse incluída na expressão “crédito” sobre o qual incidem os juros de mora previstos no artigo 161 do CTN, não haveria razão alguma para a ressalva final constante do mesmo dispositivo, no sentido de que esta incidência de juros se dá “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis.”. Corrobora tal entendimento o voto condutor do ilustre Conselheiro Antônio Zomer, nos autos do recurso nº 125.436, que deu origem ao acórdão 202 16.397: Restaria, por derradeiro, a possibilidade de aplicação, sobre as multas de ofício não pagas no vencimento, dos juros previstos no artigo 161 do Código Tributário Nacional, que assim determina: (...) Entretanto, nem aqui a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício encontra guarida. Isto porque a redação do art. 161 do CTN permite inferir que o termo crédito nele referido não engloba o tributo e a multa de ofício, mas apenas o tributo, pois se assim não fosse, deixaria de ter sentido a expressão “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis” que aparece logo depois da previsão dos juros sobre o crédito. Se a multa de ofício está contida no termo crédito, de que penalidade estaria tratando a parte final do art. 161 do CTN? A conclusão a que chego, mais uma vez, é que o CTN também não buscou regular a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. Pelo quê, entendo não ser cabível a cobrança de juros moratórios, à taxa de 1% ao mês, sobre a multa de ofício imposta no lançamento.” (Processo n. 16327.004079/200275, Acórdão n. 10196.008, sessão de 01 de março de 2007). Assim, dou provimento ao recurso voluntário, quanto a este item. Por fim, sustenta a recorrente o caráter confiscatório das multas, com o escopo de que elas sejam afastadas por violar princípios constitucionais, em especial da impossibilidade do confisco, da proporcionalidade e da razoabilidade. Ocorre ser descabida a análise por este CARF da constitucionalidade de artigo de lei que prevê a aplicação de multa. Estando o dispositivo legal em plena vigência, descabe a este colegiado manifestarse acerca de sua constitucionalidade. Fl. 1806DF CARF MF Processo nº 11080.732190/201596 Acórdão n.º 1301002.609 S1C3T1 Fl. 1.807 20 Esta matéria se encontra sumulada por este CARF, na Súmula CARF n.º 2 que expressa que "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Assim, em razão da incompetência deste Conselho, nego provimento quanto ao argumento relativo à confiscatoriedade e desproporcionalidade da multa de ofício. Da responsabilização dos Diretores Conforme visto no relatório, a fiscalização promoveu a inclusão do Diretor Presidente Alberto Davi Matone, do Diretor VicePresidente Ernandi Vardeley Pereira Martins de Ávila e do Diretor Daniel Matone como responsáveis solidários em relação aos créditos tributários constituídos contra a empresa autuada, Matone Investimentos S/A. No entender da fiscalização, os referidos Diretores teriam dado azo à interposição da controladora através da confecção de ato de redução de capital social simulado em fraude à lei societária em 28/09/2009, o que implicaria em ofensa aos arts. 117, §1º, "f", 154, 173 e 245 da Lei nº 6.404/76. Confirase: 440. A Fiscalização aplica o disposto no inciso III do art. 135 do Código Tributário Nacional, com fins de imputar responsabilidade tributária solidária pelo crédito tributário ora constituído aos Diretores da FISCALIZADA, que detinham o poder de administração e deram azo a INTERPOSIÇÃO DA CONTROLADORA através da confecção de ato de redução de capital social simulado em fraude a lei societária em 28/09/2009. 441. Os Administradores infringiram à Lei Societária, mais precisamente os arts. 117, §1º, "f", 154, 173 e 245 da Lei nº 6.404/76, por utilizar operação societária (redução de capital social) para aparentar legalidade em operação que visava um benefício tributário que não seria alcançado se o curso normal das operações fosse mantido, e assim, por via societária transversa, contabilizaram a operação da FISCALIZADA na escrituração contábil e fiscal da CONTROLADORA e aproveitaram os prejuízos fiscais e bases negativas de períodos anteriores que a CONTROLADORA mantinha, compensandoos sobre o tributo gerado pelo ganho auferido pela FISCALIZADA. Por outro lado, as recorrentes negam a ocorrência de infrações à lei que ensejassem a responsabilidade dos administradores da empresa autuada, bem como a falta de descrição individualizada de suas condutas e, subsidiariamente, argumentam que a responsabilização deveria restringirse ao diretorpresidente, por força do cargo exercido e por exercer controle majoritário da autuada. Pois bem. Concordo com as recorrentes quando afirmam que para atribuirse responsabilidade aos Diretores da empresa autuada, deveria a fiscalização comprovar que os coobrigados teriam agido com excesso de poderes, ou extrapolando as suas atribuições próprias de gestão. Porém, no caso, entendo que restou devidamente comprovado que os referidos Diretores utilizaramse de operação societária (redução de capital social) para aparentar legalidade em operação que visava um benefício tributário que não seria alcançado se não fosse através do uso da simulação. Assim, através de seus Diretores, a recorrente mascarou que seria ela a real alienante das ações da empresa BemVindo!. Fl. 1807DF CARF MF Processo nº 11080.732190/201596 Acórdão n.º 1301002.609 S1C3T1 Fl. 1.808 21 Vejase que o desenho das operações entre partes relacionadas, sempre tendo como participações os mencionados Diretores, que, aliás, assinaram as respectivas Atas, com vício de causa, com contrariedade à lógica das condições subjacentes, com o protagonismo da empresa autuada quando em tese não mais detinha os ativos, são fatores que levam a conclusão de que havia o objetivo de ocultar a empresa autuada e a natureza material dos fatos, com base em artifícios. É evidente o conluio entre as empresas do Grupo na operação simulada, pois os sócios da empresa controladora, Matone Participações S/A, são os mesmos representantes da autuada, Matone Investimentos, e também os mesmos que controlavam e representavam a empresa BemVindo! e o Banco MATONE (adquirente final das ações da BemVindo!). Referido controle acionário e representativo se mostra decisivo, portanto, para configurar a evasão fiscal. Portanto, também não se tem dúvidas acerca da presença do elemento subjetivo da conduta dos referidos Diretores, pois as provas colhidas no processo bem demonstram a existência de que eles tinham consciência do que estavam fazendo e vontade de praticar a conduta reprovável. Logo, os sócios do grupo MATONE, especificados nos autos, agiram de forma livre e consciente, com a finalidade de reduzir ilicitamente a carta tributária. Quanto ao pedido subsidiário de exclusão de dois Diretores, tal pedido não deve ser atendido, pois restou demonstrado que todos realizaram atos com excesso de poderes, ou extrapolando as suas atribuições próprias de gestão. Assim, nego provimento ao recurso neste item, para manter a responsabilidade dos coobrigados. Conclusão Assim, diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a alegação de decadência e no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir i) a exigência de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas e ii) os juros sobre a multa de ofício, rejeitando os demais itens do recurso. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Voto Vencedor Conselheiro Roberto Silva Júnior, Redator Designado Não obstante o bem fundamentado voto do ilustre Conselheiro Relator, peço licença para dele divergir quanto à incidência de juros de mora sobre a multa. Acerca da matéria, esta 1ª Turma Ordinária tem posição firmada, se inclinando pela validade dessa incidência. O fundamento legal estaria nos art. 61 da Lei nº 9.430/1996, e nos artigos 161 e 139 ambos do CTN. Emprestase um sentido amplo à expressão "débitos para com a União, decorrentes de tributos", constante do art. 61 da Lei nº 9.430/1996, de modo a abarcar tanto o tributo, quanto a multa. Fl. 1808DF CARF MF Processo nº 11080.732190/201596 Acórdão n.º 1301002.609 S1C3T1 Fl. 1.809 22 Nesse sentido, decidiu esta 1ª Turma Ordinária no Acórdão nº 1301002.154, cujo ementa, naquilo que diz respeito ao ponto a aqui tratado, tem a seguinte redação: JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. PROCEDÊNCIA. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Sobre a matéria, o eminente Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto proferiu o seguinte voto: Observase, inicialmente, que a questão tem sido objeto intenso debate pela Câmara Superior, haja vista que, num lapso de poucos meses, ocorreram votações em sentidos opostos, ambos decididos por maioria apertada de votos, como se verifica dos acórdãos n° 910100539,de 11/03/2010, e n° 910100.722, de 08/11/2010. Abstraindose de argumentos finalísticos, como o enriquecimento ilícito do Estado,os quais fogem à alçada deste tribunal administrativo, conforme determina a Súmula CARF n° 2,expõese os fundamentos considerados suficientes para justificar a cobrança nos presentes autos, com espelho no acórdão n° 910100539, de 11/03/2010, de lavra da Conselheira Viviane Vidal Wagner: "O conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto tributo quanto penalidade pecuniária. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito". Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: 'Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação.' (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74).' Fl. 1809DF CARF MF Processo nº 11080.732190/201596 Acórdão n.º 1301002.609 S1C3T1 Fl. 1.810 23 Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." A obrigação tributária principal referente à multa de ofício, a partir do lançamento, convertese em crédito tributário, consoante previsão do art. 113, § 1°, do CTN: 'Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue se juntamente com o crédito tributário dela decorrente.' (destacouse) A obrigação principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. A multa de ofício é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago" (§ 1°). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício,tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício,tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido,constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente Fl. 1810DF CARF MF Processo nº 11080.732190/201596 Acórdão n.º 1301002.609 S1C3T1 Fl. 1.811 24 ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no § 3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício. 'Art.950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61). § 1°A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61, § 1°). § 2°O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei n°9.430, de 1996, art. 61, § 2°). § 3°A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício.' A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: 'JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO OBRIGAÇÃO PRINICIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.' Cabe referir, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei n° 9.065, de 1995. Fl. 1811DF CARF MF Processo nº 11080.732190/201596 Acórdão n.º 1301002.609 S1C3T1 Fl. 1.812 25 No âmbito do Poder Judiciário, a jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, como se vê no exemplo abaixo: 'REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL2008/02395728 Relator(a)Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃOOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quando o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07).' No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, de observância obrigatória pelo colegiado, por força de norma regimental (art. 72 do RICARF), nos seguintes termos: 'Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.' " No que se refere ao período de 01/01/1995 a 31/12/1996, sustentam alguns que o Parecer MF/SRF/Cosit nº 28/98 teria deixado claro não ser exigível a incidência de juros sobre a multa de ofício tendo em vista as disposições do inciso I, do art. 84, da Lei nº 8.981/95. O mencionado Parecer, ainda que conclua pela incidência dos juros sobre a multa de ofício para fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, de fato manifestase nos termos dessa tese. Entretanto, constatase que o referido Ato Administrativo não levou em consideração a alteração legislativa trazida pela MP nº 1.110, de 30/08/95, que acrescentou o § 8º ao art. 84, da Lei 8.981/95, e que estendeu os efeitos do disposto no caput aos demais créditos da Fazenda Nacional cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional. Cumpre esclarecer ainda que as três turmas da Câmara Superior, em decisões recentes, vêm confirmando a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício (Acórdãos 9101001.863, 9202003.150 e 9303002.400). Fl. 1812DF CARF MF Processo nº 11080.732190/201596 Acórdão n.º 1301002.609 S1C3T1 Fl. 1.813 26 Por fim, corroborando o aqui exposto, o STJ vem firmando entendimento no mesmo sentido, entendendo que os juros moratórios incidem sobre a multa de ofício, conforme se observa na ementa a seguir reproduzida: "DIREITO TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA FISCAL PUNITIVA. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. Precedentes citados: REsp 1.129.990PR, DJe 14/9/2009, e REsp 834.681MG, DJe 2/6/2010. AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012." Ressaltase ainda que, em recentes julgados o STJ decidiu que, no âmbito do parcelamento especial previsto na Lei nº 11.941/2009, as remissões previstas em tal dispositivo legal para as multas de mora e de ofício não autorizam aplicações de reduções superiores às fixadas na mesma lei (45%) para os juros de mora incidentes sobre tais penalidades, ou seja, visto sob outro enfoque, reafirmouse o entendimento de que incidem juros moratórios sobre as multas de mora e de ofício. Tal exegese pode ser observada no REsp 1.492.246/RS (Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, segunda turma, julgado em 02/06/2015, DJe 10/06/2015) e no REsp 1.510.603–CE (Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 20/08/2015), em relação ao qual transcrevese a seguir sua ementa: "TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO. 11.941/2009. REMISSÃO DE MULTA EM 100%. DESINFLUÊNCIA NA APURAÇÃO DOS JUROS DE MORA. PARCELAS DISTINTAS. PRECEDENTE. 1. "Em se tratando de remissão, não há qualquer indicativo na Lei n. 11.941/2009 que permita concluir que a redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício estabelecida no art. 1º, § 3º, I, da referida lei implique uma redução superior à de 45% (quarenta e cinco por cento) dos juros de mora estabelecida nos mesmo inciso, para atingir uma remissão completa da rubrica de juros (remissão de 100% de juros de mora), como quer o contribuinte " (REsp 1.492.246/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/06/2015, DJe 10/06/2015.). 2. Consequentemente, a Lei n. 11.941/2009 tratou cada parcela componente do crédito tributário (principal, multas, juros de mora e encargos) de forma distinta, de modo que a redução percentual dos juros moratórios incide sobre as multas tão somente após a apuração atualizada desta rubrica (multa). Recurso especial provido. REsp 1.510.603–CE, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 20/08/2015. Isso posto, voto por manter tal exigência." Portanto, com base nesses fundamentos, negase provimento à pretensão de afastar, desde logo, a possibilidade de incidir juros de mora sobre a multa. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 1813DF CARF MF Processo nº 11080.732190/201596 Acórdão n.º 1301002.609 S1C3T1 Fl. 1.814 27 Fl. 1814DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.723923/2012-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Nov 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2008
CONTRATO IMPROPRIAMENTE DENOMINADO DE AFRETAMENTO DE NAVIO DE PESQUISA. REAL NATUREZA DO NEGÓCIO JURÍDICO CONTRATADO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS TÉCNICOS. REMESSA AO EXTERIOR A TÍTULO DE REMUNERAÇÃO PELOS SERVIÇOS PRESTADOS. INCIDÊNCIA DA CIDE. POSSIBILIDADE.
1. Para fins tributários, prevalece a natureza real do negócio jurídico realizado e não a declaração formal inverídica contida nos instrumentos contratuais impropriamente denominados de afretamento de navio de pesquisa. Segundo os fatos comprovados nos autos, o real negócio jurídico contratado pela recorrente foi a prestação de serviços de levantamento de dados sísmicos multicomponentes tridimensionais (3D) e não o afretamento de navio de pesquisa.
2. O fornecimento da embarcação, aparelhada com os equipamentos sísmicos, é parte integrante e indissociável dos real contrato de serviços técnicos de levantamento de dados sísmicos contratados, razão pela qual os valores mensais integrais remetidos ao exterior a título de remuneração às empresas estrangeiras prestadoras dos referidos serviços estão sujeitos à incidência da CIDE e integram a base de cálculo da referida contribuição.
REMESSA AO EXTERIOR. REMUNERAÇÃO POR PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS TÉCNICOS. INCIDÊNCIA DA CIDE. POSSIBILIDADE.
Há incidência da CIDE sobre os valores da remuneração mensalmente pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a residentes ou domiciliados no exterior, em retribuição pela prestação de serviços técnicos estabelecidos em contrato, não havendo, nestes casos, para a caracterização da hipótese de incidência da contribuição qualquer vinculação com transferência de tecnologia.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
MATÉRIA DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. APRECIAÇÃO PELOS INTEGRANTES DO CARF. IMPOSSIBILIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
MULTA DE OFÍCIO. ACRÉSCIMO DE JUROS DE MORA. POSSIBILIDADE.
É legítima a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, a qual integra o crédito tributário, por expressa previsão legal.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO AO DIREITO DE DEFESA. VÍCIO DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
1. A apuração da ocorrência do fato gerador dispensa o exame acerca da validade ou invalidade dos negócios jurídicos celebrados entre as partes. O lançamento não está motivado na invalidade dos contratos celebrados pela recorrente, mas na desconsideração do negócio aparente e na consideração do real negócio jurídico realizado pela autuada.
2. A adequada descrição e fundamentação fática jurídica, consignada no Termo de Verificação Fiscal (TVF) revela que não houve qualquer prejuízo ao direito de defesa da autuada.
DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO. NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade, por contradição com a autuação, a decisão recorrida que, em consonância com os fundamentos do lançamento, reconheceu que os valores remetidos às empresas estrangeiras contratadas foram provenientes de remuneração pela prestação de serviços técnicos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.822
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade do votos, em afastar as preliminares de nulidade do auto de infração e da decisão recorrida e, por maioria de votos, em conhecer parcialmente o recurso e, na parte conhecida, em negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Lenisa R. Prado que dava provimento integral e os Conselheiros Sarah Maria L. de A. Paes de Souza e José Renato P. de Deus que davam provimento para exclusão dos juros de mora sobre a multa de ofício.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2008 CONTRATO IMPROPRIAMENTE DENOMINADO DE AFRETAMENTO DE NAVIO DE PESQUISA. REAL NATUREZA DO NEGÓCIO JURÍDICO CONTRATADO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS TÉCNICOS. REMESSA AO EXTERIOR A TÍTULO DE REMUNERAÇÃO PELOS SERVIÇOS PRESTADOS. INCIDÊNCIA DA CIDE. POSSIBILIDADE. 1. Para fins tributários, prevalece a natureza real do negócio jurídico realizado e não a declaração formal inverídica contida nos instrumentos contratuais impropriamente denominados de afretamento de navio de pesquisa. Segundo os fatos comprovados nos autos, o real negócio jurídico contratado pela recorrente foi a prestação de serviços de “levantamento de dados sísmicos multicomponentes tridimensionais (3D)” e não o afretamento de navio de pesquisa. 2. O fornecimento da embarcação, aparelhada com os equipamentos sísmicos, é parte integrante e indissociável dos real contrato de serviços técnicos de levantamento de dados sísmicos contratados, razão pela qual os valores mensais integrais remetidos ao exterior a título de remuneração às empresas estrangeiras prestadoras dos referidos serviços estão sujeitos à incidência da CIDE e integram a base de cálculo da referida contribuição. REMESSA AO EXTERIOR. REMUNERAÇÃO POR PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS TÉCNICOS. INCIDÊNCIA DA CIDE. POSSIBILIDADE. Há incidência da CIDE sobre os valores da remuneração mensalmente pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a residentes ou domiciliados no exterior, em retribuição pela prestação de serviços técnicos estabelecidos em contrato, não havendo, nestes casos, para a caracterização da hipótese de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 39 23 /2 01 2- 12 Fl. 1726DF CARF MF 2 incidência da contribuição qualquer vinculação com transferência de tecnologia. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 MATÉRIA DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. APRECIAÇÃO PELOS INTEGRANTES DO CARF. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). MULTA DE OFÍCIO. ACRÉSCIMO DE JUROS DE MORA. POSSIBILIDADE. É legítima a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, a qual integra o crédito tributário, por expressa previsão legal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO AO DIREITO DE DEFESA. VÍCIO DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. 1. A apuração da ocorrência do fato gerador dispensa o exame acerca da validade ou invalidade dos negócios jurídicos celebrados entre as partes. O lançamento não está motivado na invalidade dos contratos celebrados pela recorrente, mas na desconsideração do negócio aparente e na consideração do real negócio jurídico realizado pela autuada. 2. A adequada descrição e fundamentação fática jurídica, consignada no Termo de Verificação Fiscal (TVF) revela que não houve qualquer prejuízo ao direito de defesa da autuada. DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO. NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade, por contradição com a autuação, a decisão recorrida que, em consonância com os fundamentos do lançamento, reconheceu que os valores remetidos às empresas estrangeiras contratadas foram provenientes de remuneração pela prestação de serviços técnicos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade do votos, em afastar as preliminares de nulidade do auto de infração e da decisão recorrida e, por maioria de votos, em conhecer parcialmente o recurso e, na parte conhecida, em negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Lenisa R. Prado que dava provimento integral e os Conselheiros Sarah Maria L. de A. Paes de Souza e José Renato P. de Deus que davam provimento para exclusão dos juros de mora sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. Fl. 1727DF CARF MF Processo nº 18470.723923/201212 Acórdão n.º 3302004.822 S3C3T2 Fl. 1.727 3 (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório encartado na Resolução nº 3302000.348, por meio da qual este Colegiado converteu o julgamento do processo em diligência, que segue transcrito: Tratase de Auto de Infração lavrado para constituição de crédito de CIDE (fls. 1.135/1.140), cujo fato gerador são diversas datas no curso do ano de 2008, tendo sido aplicada multa de ofício no percentual de 75%, pelo pagamento insuficiente da contribuição considerada devida pela autoridade fiscal. No Termo de Constatação Fiscal (fls. 956/959) o agente administrativo esclarece que a Recorrente desenvolvia, à época dos fatos geradores, atividades de comercialização (mediante cessão de uso) de dados sísmicos, em conformidade com regulamentação específica da Agência Nacional de Petróleo (ANP). Para desenvolvimento de suas atividades a Recorrente firmou diversos contratos no exterior (fls. 20/311) com empresas relacionadas. Dentre tais contratos a fiscalização destaca instrumento firmado com a PGS Geophysical AS, sociedade estrangeira com sede na Noruega, que vem a ser uma das sócias da Recorrente, e com a PGS Exploration UK, com sede na Inglaterra. Os contratos em questão têm por objeto o afretamento de embarcações equipadas para levantamentos de dados sísmicos e reflexão tridimensional (3D). Destaca a fiscalização no referido Termo de Constatação (e documentação anexa), que os contratos previam que as embarcações afretadas teriam de ser perfeitamente adaptadas e equipadas para os fins acima descritos, bem como deveriam ser entregues em condições satisfatórias de navegação e operação, condições e características que estariam descritas no Anexo C dos contratos firmados. O Anexo deixa claro tratarse de navio de pesquisa, assim como o próprio contrato estabelece que a contratada deveria não só entregar, como manter a embarcação em perfeitas condições de funcionamento, arcando com os custos e atividades de manutenção, reparo e operação, eventualmente necessários para seu bom funcionamento. Há previsão, ainda, de que a contratada forneceria e custearia todos os equipamentos e Fl. 1728DF CARF MF 4 materiais necessários aos registros geofísicos que seriam feitos pela Recorrente. Pelos termos do contrato a contratada se responsabilizaria, ainda, pelo fornecimento e operação de sistema de comunicação entre navios e bases em terra, bem como arcaria com os custos de realização de testes necessários a verificar as condições de operação dos equipamentos e instrumentos que existiam no navio de pesquisa afretado. Deveria, também, a contratada, arcar com os testes de pulso dos instrumentos de registros sísmicos que equipavam o navio. Da análise dos contratos a fiscalização concluiu que: “(...) constatouse que o contribuinte pagou para empresas sediadas no exterior pelos serviços técnicos especializados com os aluguéis dos navios de pesquisa, aparelhados e equipados para levantamento de dados sísmicos 3D e não efetuou o recolhimento da contribuição de intervenção no domínio econômico (CIDE), pelas remessas efetuadas às referidas empresas.” Com base nesta conclusão foi lançada a CIDE sobre as remessas efetuadas pela Recorrente à PGS UK e à PGS Geophysical AS, no curso do anocalendário de 2008, conforme quadro demonstrativo constante no Termo de Constatação Fiscal. Intimada do Auto de Infração A Recorrente apresentou sua Impugnação (fls. 1.157/1.196), na qual alega em síntese: a inocorrência do fato gerador da CIDE, pois não foram prestados serviços técnicos pelas empresas contratadas; os contratos de afretamento (firmados, e questionados pela fiscalização) têm por objeto a locação de embarcação, e não a prestação de serviços técnicos; a natureza do contrato é confirmada não só pela doutrina e pela legislação, mas também, pela documentação de admissão temporária das embarcações no País, que evidenciam que a entrada no território nacional se deu em razão de aluguel; as remessas para o exterior foram classificadas pela própria instituição financeira remitente sob o código próprio de “remuneração por afretamento marítimo” e não como prestação de serviços; o próprio auto de infração e o agente fiscal reconhecem a natureza dos contratos, como sendo de afretamento de embarcação, sem questionar que houve a entrega do navio à Recorrente, por prazo determinado, o que caracteriza a locação do bem; a motivação do lançamento não é clara, embora aparentemente possa indicar que a fiscalização concluiu pela prestação de serviços técnicos com base em obrigações dos contratados. Há, contudo, ofensa ao artigo 10 do Decreto n° 70.235/72, com prejuízo à ampla defesa da Recorrente; não foi apontado no lançamento quais seriam, efetivamente, os supostos serviços técnicos prestados, que poderiam gerar a Fl. 1729DF CARF MF Processo nº 18470.723923/201212 Acórdão n.º 3302004.822 S3C3T2 Fl. 1.728 5 incidência da CIDE lançada, o que torna o auto de infração nulo; as obrigações contraídas pelas contratadas representam apenas obrigações necessárias e imprescindíveis ao bom funcionamento do bem locado, que se não entregue em plenas condições de funcionamento, de nada adiantaria a locação. Tais obrigações, portanto, são inerentes a este tipo de contrato, conforme, inclusive, determina o Código Civil; ainda que se admitisse a possibilidade de se considerar a existência/contratação de prestação de serviços, não poderia admitirse a incidência da CIDE, pois não haveria, de todo modo, prestação de serviços técnicos – única hipótese legal que autoriza a incidência; como não há indicação no auto de infração de quais serviços técnicos estariam sendo onerados pela CIDE lançada e, mesmo se considerarse todas as obrigações assumidas pelas contratadas, não há nenhuma que se confunda com prestação de serviços técnicos; não há no auto de infração qualquer indicação das razões que levaram o agente fiscal a concluir pela existência de prestação de serviços técnicos – não há indicação de quais seriam estes serviços e/ou porque estariam sendo qualificados como serviços técnicos (nos termos do artigo 17 da IN 252/02); referida norma, em consonância com a finalidade da CIDE, indica que apenas serviços técnicos que impliquem em transferência de tecnologia, podem ser gravados pela contribuição, sendo que nos contratos sob análise não há previsão da prestação de qualquer serviço que implique em transferência de tecnologia; nulidade do auto de infração por erro na base de cálculo da contribuição lançada, na medida em que considera que a totalidade do valor remetido referese exclusivamente aos supostos serviços técnicos prestados, sem considerar que parte do valor teria, necessariamente, de referirse à locação da embarcação cuja existência não só foi constatada pelos agentes fiscais, como se configura como o próprio objetivo do contrato/principal (tornando os eventuais serviços como mero acessórios); conforme se comprova a remuneração paga referese apenas à taxa diária de locação da embarcação, o que evidencia não só a inexistência de cobrança por qualquer serviço (especialmente, de natureza técnica), como a utilização de base de cálculo equivocada pela fiscalização, que admite não só a adoção do valor total remetido/valor total do contrato como a base da incidência da CIDE, como a existência de aluguel e remessa ao exterior sob tal código; nulidade pela impossibilidade de adequação dos cálculos, bem como pela inexistência de critério (inclusive porque não Fl. 1730DF CARF MF 6 determinado pelos agentes fiscais no lançamento), que permitisse avaliar quanto do valor remetido poderia referirse à remuneração de qualquer serviço técnico eventualmente prestado; traz jurisprudência do CARF que reconhece a nulidade de lançamento que tem vício insanável de base de cálculo, devido ao apontamento de valor não correspondente à base do tributo lançado; nulidade na eleição da base de cálculo, por não ter promovido a exclusão do valor do IRRF, também lançado relativamente às quantias remetidas, objeto deste lançamento; inconstitucionalidade da cobrança da CIDE por ter sido instituída por lei ordinária, sendo exigível lei complementar; inconstitucionalidade da multa aplicada, por ofensa aos princípios de proporcionalidade, razoabilidade e vedação ao enriquecimento ilícito do Estado, além do procedimento adotado pela Recorrente – não recolhimento da CIDE sobre remessas para remuneração de contrato de aluguel – ser coerente com o posicionamento da administração tributária, o que impediria a aplicação da penalidade, nos termos do artigo 100 do CTN. Da análise dos autos a Delegacia de Julgamento manteve o lançamento, em decisão assim ementada (fls. 1.487/1.496): “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2008 CONTRATO DE AFRETAMENTO. No caso de afretamento por tempo, em que a embarcação é cedida armada e tripulada, o contrato de afretamento se torna complexo, conjugando a transferência do bem com a prestação de uma diversidade de serviços. INCIDÊNCIA DA CIDE. A partir de 1° de janeiro de 2002, a CIDE passou a ser devida pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes prestados por residentes ou domiciliados no exterior, não havendo, nestes casos, para a caracterização da hipótese de incidência da contribuição qualquer vinculação com transferência de tecnologia. FALTA DE RECOLHIMENTO. Diante de falta de recolhimento de tributo, é devido lançamento de ofício. MULTA DE OFÍCIO. Nos lançamentos de ofício, é devida a exigência de multa de ofício. A multa de ofício de 75% tem encontra amparo legal. É vedado à autoridade administrativa se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei. Fl. 1731DF CARF MF Processo nº 18470.723923/201212 Acórdão n.º 3302004.822 S3C3T2 Fl. 1.729 7 Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido” Em resumo, a decisão de primeira instância administrativa conceituou o contrato de afretamento em discussão como contrato de natureza complexa, que além da obrigação de dar conjuga a prestação de serviços técnicos especializados e prestados por profissionais de alto nível técnico, os quais devem sofrer a incidência da CIDE. Observa que a segregação da base de cálculo deveria ter sido realizada pela contribuinte, sob pena de todo o valor remetido ao exterior ser considerado como base do tributo. Irresignado com a decisão a Recorrente apresentou seu Recurso Voluntário (fls. 1.502/1.559), no qual reitera seus argumentos apresentados na Impugnação, acrescentando: que há cerceamento de seu direito de defesa, na medida em que a DRJ inovou na fundamentação do lançamento, ao considerar que a existência de tripulação acompanhando a embarcação seria evidência de que as remessas ao exterior poderiam ser gravadas pela CIDE, pois se havia tripulação haveria prestação de serviços; que é ilegal a aplicação de juros SELIC sobre a multa de ofício, pois o artigo 61 da Lei n° 9.430/96, que fundamenta a sua aplicação apenas autoriza a atualização de débitos decorrentes de tributos e não sobre penalidades. Cita jurisprudência do CARF que reconhece a ilegalidade apontada. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou ContraRazões ao Recurso Voluntário (fls. 1.565/1.584), na qual alega que: conforme anotado pela decisão recorrida, os contratos analisados revelam natureza complexa, na qual conjugase com a disponibilização do bem uma série de serviços adicionais, sendo que tais serviços não perdem sua qualidade por terem sido prestados em conjunto com o afretamento; que em verdade tratase de “dois contratos ajustados sob um mesmo instrumento”; que nos termos da legislação pertinente à matéria não haveria necessidade de transferência de tecnologia para incidência da CIDE; que os serviços em questão só poderiam ser prestados por pessoal qualificado razão pela qual seriam, indiscutivelmente, serviços técnicos; que caberia ao contribuinte segregar o valor das prestações de serviços do valor da locação da embarcação, não cabendo à fiscalização fazer este discrímen, sendo que ainda que fosse o caso não seria razão de nulidade mas de diligencia, que a base de calculo da CIDE é o valor bruto da operação, ou o valor faturado, e não o valor líquido, descontado o IRRF; Fl. 1732DF CARF MF 8 que não houve inovação por parte da DRJ porque ela manteve o lançamento em seus exatos termos; que as referências da DRJ à questão do afretamento com tripulação já constavam do Termo de Constatação Fiscal e que as referências às cláusulas eram meramente exemplificativas para demonstrar que havia previsão de prestação de serviços que embasavam o lançamento; que é legal a incidência de juros sobre multa de ofício, pois a penalidade faz parte do crédito tributário, e este pode ser atualizado. Na Sessão de 26 de junho de 2013, por meio da Resolução nº 3302000348, o julgamento foi convertido em diligência, para que a fiscalização verificasse, por meio de intimações e eventual visita à interessada, como eram executados, na prática, os contratos, e respondesse as seguintes questões: a) como o navio era operado?; b) como as informações a serem fornecidas eram requeridas?; c) quem recebia as informações?; d) quem coletava os dados?; e) como esses dados eram fornecidas à interessada? onde o pessoal da interessada se localizava?; e f) como era efetuada a troca de informações com o navio? Por meio do Relatório de Diligência Fiscal (RDF) de fls. 1600/1623, a autoridade fiscal prestou as seguintes informações acerca da execução dos contratos de afretamento, a seguir resumidos: 1) Em relação a natureza do contrato de afretamento do navio pesquisa: a) a PGS elaborava os parâmetros de aquisição para o levantamento sísmico 3D na bacia sedimentar e após fazia um plano de todo projeto com as especificações técnicas do trabalho, que eram os limites de controle de qualidade a serem adotados durante a aquisição: “limites de variação de profundidade dos cabos e da geometria geral dos arranjos de cabos e fontes, número máximo de registros inválidos por linha, variações no pulso acústico, especificações de cobertura por cela de aquisição, etc,”; b) essa parametrização geral do trabalho era especifica para cada área de levantamento e devia “ser elaborada por um corpo técnico de geólogos/geofísicos anteriormente ao início da aquisição de dados geofísicos e deve ser respeitada durante todo o trabalho. Daí inclusive a necessidade de serviços técnicos continuamente a bordo do navio pesquisa”; c) mesmo que solicitado na auditoria fiscal que resultou no lançamento da CIDE, a empresa não teria como apresentar a segregação dos valores do afretamento e dos valores dos serviços técnicos, uma vez que os serviços prestados pelas empresas contratadas eram indissociáveis; d) o CARF tem decido na mesma linha de compreensão da jurisprudência mansa e pacifica do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que manifestou “serem os contratos de afretamento por tempo do tipo complexos porque, além da locação da embarcação, com a transferência do bem, há a prestação de uma diversidade de serviços, dentre os quais se inclui a cessão de mão de obra, de modo que NÃO PODEM SER DESMEMBRADOS PARA EFEITOS FISCAIS”; e) o contribuinte não poderia, para fins fiscais, dividir os contratos “em ‘afretamento’ e ‘serviços’, pois o navio e profissionais técnicos estrangeiros (marítimos e sísmicos) formam um todo indissociável para fins fiscais”; e Fl. 1733DF CARF MF Processo nº 18470.723923/201212 Acórdão n.º 3302004.822 S3C3T2 Fl. 1.730 9 f) o afretamento do navio pesquisa era mero meio imprescindível ao fim colimado de levantamento dos dados sísmicos, como os demais equipamentos e profissionais necessários, “formando um conjunto harmônico na prestação dos serviços, os quais envolvem técnicos geológicos e/ou geofísicos, além dos demais profissionais necessários ao desenvolvimento da atividade, conforme relação anexa ao presente relatório e, repistrese, de conhecimento da autuada, porque foi ela a requerente das autorizações de trabalho dos profissionais estrangeiros”; 2) Em relação ao contrato celebrado entre a PGS (EAD) e as Concessionárias: a) um ponto de extrema importância que merecia esclarecimento tratavase da diferenciação entre dados adquiridos por uma Empresa de Aquisição Sísmica (EAD), caso da PGS; b) segundo a ANP, “há dados proprietários ou exclusivos e dados multiclientes ou não exclusivos, estes são os dados adquiridos por uma EAD através de autorização da ANP para realizar tal operação em área que seja ou não objeto de contrato de concessão. Já os dados proprietários ou exclusivos são dados adquiridos por Concessionária autorizada pela ANP a explorar e produzir petróleo e gás natural em área determinada, em concessão, ou por uma EAD mediante solicitação e em benefício exclusivo de Concessionária”; c) a aquisição de dados exclusivos ou de dados não exclusivos não deve ser confundida com o conceito utilizado para definir se a prestação a que se obrigava a PGS era de fazer ou de dar. O fato de os dados serem exclusivos significava que foram obtidos por uma concessionária em sua área de concessão ou por meio de uma EAD por ela contratada; os dados não exclusivos, por outro lado, são dados adquiridos por EAD que obteve a autorização da ANP para realizar tal operação. Assim, ainda que fossem considerados não exclusivos “segundo o conceito dado pela Portaria ANP n° 188, de 1998, esses dados podem ser adquiridos, processados e entregues de acordo com as necessidades do cliente, traduzindose, o contrato assim formalizado, em uma obrigação de fazer”; e d) ao se analisar o contrato juntado aos autos digitais, efls 829 a 874, semelhantes aos outros contratos solicitados na diligência, extraíase através da análise de cláusulas contratuais que se tratava “de típico contrato de prestação de serviços, considerando as obrigações ali estabelecidas terem natureza de obrigações de fazer”; 3) Em relação a contrato celebrado entre PGS e Afretadoras (PGS GEOPHYSICAL AS e PGS Exploration UK): a) a PGS podia realizar uma aquisição de dados exclusivos ou não exclusivos e comercializálos com a Concessionária. Isso não devia ser confundido com o contrato que a PGS fazia com “as empresas afretadoras, pois independentemente da forma de aquisição dos dados, se exclusivos ou não exclusivos, o contrato segue os mesmos requisitos de uma obrigação de fazer, uma vez que a obrigação a que se sujeita as afretadoras referese a uma obrigação de fazer, haja vista que se compromete a entregar uma pesquisa de dados referentes a uma determinada área, utilizando parâmetros de pesquisa e formatos de mídia prédefinidos pela PGS, além de realizar todo e qualquer teste que a PGS julgar necessário”; Fl. 1734DF CARF MF 10 b) a obrigação a que se sujeitavam as fretadoras, portanto, era de preparar e realizar um estudo, seguindo as coordenadas estabelecidas pela PGS, traduzindose na obrigação de fazer uma atividade que atendesse às exigências impostas pela PGS. Assim, uma vez que a PGS, poderia estabelecer parâmetros e exigir a realização de diferentes testes, os dados eram adquiridos, de acordo com as necessidades da PGS, independentemente se a EAD faria a venda de dados exclusivos ou não exclusivos, isto devia estar bem claro e seria melhor compreendido ao responder os questionamentos do CARF; e c) configuravase desarrazoada a tese de inexistência de prestação de serviços técnicos defendida pela PGS na sua defesa e recurso. Em seguida, a autoridade fiscal diligente apresentou as respostas às questões formuladas no mencionado pedido de diligência, que seguem transcritas na íntegra: 101. Como o navio era operado? O capitão do navio (comandante da marinha mercante) é responsável pela gestão náutica da embarcação, sendo o navio operado pela mão de obra cedida pela empresa proprietária do navio pesquisa (tripulação estrangeira), conforme planilha em anexo a este relatório. 102. Como as informações a serem fornecidas eram requeridas? Realizavase um estudo preliminar em cada área da bacia sedimentar em que se iria realizar a prospecção sísmica, a fim de saber qual a tecnologia a ser utilizada. Por hipótese, imagine se que a empresa quisesse imagear uma área de grande profundidade como o PréSal. Geofísicamente, a fonte de energia sísmica emite uma frente de onda sísmica (um pulso acústico) que se propaga até o fundo do mar, da qual parte se reflete para a superfície e parte se refrata para as camadas subjacentes, sendo também refletida de volta a cada interface, e então, chegando à superfície é recebida pelos sensores (hidrofones) que ficam nos cabos, que são arrastados pelo navio pesquisa. Dependo da profundidade, a qual você quer ter a resposta, precisase de mais comprimento do cabo de receptores (hidrofones). Isso se deve ao método de aquisição dos dados sísmicos. A imagem a seguir, ilustra o método sísmico. [...] Por isso era necessário realizar um projeto parametrizado para cada área que se queria realizar o estudo, definindo qual a extensão de cabos e quantidades de sensores para poder obter uma boa imagem. Por exemplo, dois mil metros de profundidade necessitam de cabos bem menores do que alvos com cinco mil metros de profundidade, Além disso, para a boa parametrização precisam ser considerados também: área de imagem, coordenadas delimitadas do polígono de aquisição e dos pontos de registro, definição do espaçamento das linhas de navegação, o intervalo de pontos de registro, etc. Elaborados os parâmetros de aquisição para o levantamento sísmico 3D na bacia sedimentar, fazse um plano de todo projeto com as especificações técnicas do trabalho, que são os limites de controle de qualidade a serem adotados durante a aquisição: Fl. 1735DF CARF MF Processo nº 18470.723923/201212 Acórdão n.º 3302004.822 S3C3T2 Fl. 1.731 11 limites de variação de profundidade dos cabos e da geometria geral dos arranjos de cabos e fontes, número máximo de registros inválidos por linha, variações no pulso acústico, especificações de cobertura por cela de aquisição, etc. Essa parametrização geral do trabalho é específica para cada área de levantamentos e deve ser elaborada por um corpo técnico de geólogos/geofísicos anteriormente ao início da aquisição de dados geofísicos e deve ser respeitada durante todo o trabalho. Daí inclusive a necessidade de serviços técnicos a bordo do navio pesquisa. 103. Quem recebia as informações? Essas informações parametrizadas são inseridas nos sistemas do navio pesquisa. IO navio possui três sistemas informatizados integrados: sistema de navegação, sistema de registro e sistema de fonte sísmica. O início dos serviços de obtenção dos dados sísmico é definido por empregado da PGS Investigação Petrolífera Ltda, determinando a partir de que coordenadas começa o funcionamento dos sistemas. O sistema de navegação identifica a posição exata da coordenada definida. O sistema de fonte tem que emitir o pulso acústico, através de fonte de energia sísmica (conjunto de equipamentos que possui câmara de ar que dispara um pulso acústico). O sistema de registro tem que gravar os dados recebidos pela captação dos hidrofones, por isso, os cabos precisam estar perfeitamente posicionados nas águas marinhas. A tripulação estrangeira a bordo do navio pesquisa era responsável pela inserção do cartucho de informações (digital) no sistema de navegação já mencionado. A tripulação técnica é responsável pela manutenção do sistema, uma vez que a solicitação dos serviços pela PGS deve ser executada como contratada. Há necessidade de técnicos que precisam entender dos equipamentos que estão no navio, mais uma necessidade, dentre várias, de profissionais capacitados na prospecção marítima. O navio possui, por exemplo, um técnico chamado observador sísmico, que fica atento, entre outros, aos cabos, a fim de saber se os mesmos estão adequados à obtenção dos dados, durante a aquisição de dados. Referido observador sísmico, inclusive, tem previsão contratual (vide efl. 863), cujos relatórios deixaram de ser entregues, conforme solicitação do TIF n° 03 de 17/01/2014. 104. Quem coletava os dados? O navio pesquisa vem completo com a capacidade para aquisição dos dados, inclusive com os técnicos que estão acostumados a manusear os sistemas do navio, para realizar manutenção, suporte, trocar placa do sistema, trocar cabo, tirar um canhão (airgun) que não atira e colocar outro no lugar, etc, Os parâmetros do sistema são inseridos por estes técnicos, caso contrário poderia se ter o risco de inserção e configuração Fl. 1736DF CARF MF 12 incorreta das informações nos sistemas do navio pesquisa e prejudicar todo serviço. 105.Como esses dados eram fornecidas à Interessada? Um Cartucho (digital) com as informações dos dados adquiridos eram entregues pelas empresas estrangeiras contratadas a funcionário da Interessada (PGS), sendo estas informações transferidas acobertadas por cláusula de confidencialidade ou sigilo contratual. 106.Onde o pessoal da Interessada se localizava? Um empregado da Interessada (PGS) ficava no navio, fiscalizando os serviços para garantir que a execução do contrato respeite os parâmetros e especificações técnicas definidas, e os demais empregados ficavam na empresa, inclusive, monitorando e obtendo feedback dos serviços. 107. Como era efetuada a troca de informações com o navio? Em primeiro lugar, a PGS faz a entrega do mapa de levantamentos, depois, faz a gestão do projeto para acompanhamento diário da execução do contratado e, por fim, os técnicos do navio pesquisa entregavam o cartucho (arquivo digital) com as informações dos dados adquiridos na prospecção sísmica. A comunicação da interessada com o navio se dava através de sistema de computadores com acesso à internet, correio eletrônico bem como telefone/fax, para comunicações entre navio sísmico/base/fiscalização da PGS. (grifos do original) Cientificada do RDF, por meio da petição de fls. 1630/1676, a recorrente assim se manifestou: 1) Em sede de preliminar, alegou irregularidade da diligência realizada, com base nos seguintes argumentos: a) a diligência fugiu completamente do escopo determinado na referida Resolução e voltouse “à análise de temas jamais abordados pelo CARF, em uma clara tentativa de se manter, por qualquer motivo, o auto de infração combatido”; b) não houve o correto cumprimento do que fora determinado na Resolução, mas sim uma nova fiscalização, em uma tentativa descabida das autoridades fiscais de acharem uma nova causa para manutenção do lançamento; c) documentos e esclarecimentos solicitados não tinham qualquer pertinência com a mencionada diligência, para que talvez assim alguma outra razão pudesse ser suscitada a fim de se alegar que a autuada não estaria afretando uma embarcação, mas sim contratando um serviço do exterior; d) o agente fiscal buscou encontrar novos fundamentos para a autuação, agindo de forma não apenas excessiva, mas até mesmo irregular, o que, além de violar o direito à ampla defesa e ao contraditório, feria claramente o devido processo legal; Fl. 1737DF CARF MF Processo nº 18470.723923/201212 Acórdão n.º 3302004.822 S3C3T2 Fl. 1.732 13 e) o agente fiscal não possuía os conhecimentos técnicos necessários e adequados sobre a indústria petrolífera e os aspectos regulatórios da atividade desenvolvida pela recorrente, por isso cometera uma série de distorções nos seus comentários sobre assunto, a exemplo da infundada alegação de que o processamento de dados sísmicos somente poderia ser efetuado no Brasil; e f) o contrato de processamento de dados celebrado com a empresa estrangeira PGS Data Processing, Inc., não guardava qualquer correlação com o afretamento de embarcações, mas sim com a etapa posterior à aquisição de dados sísmicos, ademais, não houve qualquer irregularidade na celebração de tal contrato, especialmente, porque fora para atender demanda extraordinária. 2) Quanto ao mérito, a recorrente apresentou as seguintes considerações: 2.1) Previamente aos comentários às respostas apresentadas no RDF, a recorrente apresentou as seguintes alegações, explicações e esclarecimentos: 2.1.1) sobre a coleta de dados realizada com os navios afretados, a recorrente alegou que a aquisição de dados sísmicos era por ela efetuada, e não pelas fretadoras das embarcações. Em síntese, as explicações/esclarecimentos apresentados pela recorrente foram os seguintes: a) o processo de aquisição de dados sísmicos era feito essencialmente em duas etapas: i) a primeira etapa, realizada pelo pessoal brasileiro da recorrente, consistia “no estudo do subsolo marítimo nacional a ser pesquisado, e realização do planejamento da coleta, com definição de todos os parâmetros a serem seguidos para a pesquisa, preparandose a ‘programação’ a ser seguida pela embarcação; e ii) a segunda etapa consistia “na realização, pelo navio, do percurso ‘préprogramado’, utilizando os sistemas sísmicos integrados de aquisição (sistema de navegação, sistema de fonte de energia sísmica e sistema de registro), os quais, funcionando de forma autônoma, capturam (através de seus ‘sensores’) e registram os dados acerca do subsolo marítimo”; b) a primeira etapa era “a verdadeira ‘inteligência’ da operação, pois nela é que de fato se define como a coleta de dados será feita e como o barco será empregado na pesquisa”. Nesta etapa não havia “qualquer ingerência ou participação da empresa arrendadora da embarcação”. Enquanto que para realização da segunda etapa, em condições normais, não era “necessária a atuação de pessoal seja da Manifestante seja da empresa detentora das embarcações, sendo que o navio atua de forma similar aos famosos Veículos Aéreos Não Tripulados (VANT), mais popularmente conhecidos como ‘drone’, tal o seu grau de automatização”; c) a embarcação alugada era gigantesca e, como permanecia vários meses no mar, requeria “manutenção preventiva das suas partes e peças (tanto dos equipamentos marítimos como os sísmicos), realização de testes periódicos para verificar o seu bom funcionamento, bem como reparos em caso de qualquer defeito”, atividades que eram da responsabilidade do pessoal mantido a bordo pela empresa arrendadora da embarcação; d) todas as obrigações realizadas pelo pessoal mantido a bordo pelas empresas arrendadoras do navio eram típicas de um contrato de aluguel e a ele inerentes. Porém, o emprego da embarcação era indiscutivelmente feito pela recorrente, a qual detinha o seu controle e comando; Fl. 1738DF CARF MF 14 e) o navio possuía três sistemas: sistema de navegação, sistema de registro e sistema de fonte sísmica. Esses três sistemas (navegação, registro e fonte sísmica) se comunicavam e atuavam de forma integrada e sincronizada para a captura dos dados sísmicos, de forma automática; f) todo o processo operacional de captura de dados sísmicos envolvia a comunicação sucessiva e encadeada entre os três sistemas, que ocorria de forma automática e sucessivamente ao longo de todas as linhas sísmicas que eram percorridas pela embarcação, percurso esse que era controlado pelo sistema de navegação em tempo real; g) muito embora a recorrente “não ficasse na embarcação para fiscalizar um ‘serviço’ (mas sim o correto funcionamento dos equipamentos integrantes da embarcação)”, todo o procedimento descrito era por ela definido e controlado e, à medida em que os dados eram capturados, a recorrente fazia o controle de qualidade desses dados e podia, se fosse o caso, determinar que certa linha fosse novamente percorrida e refeita; g) após a captura dos dados sísmicos, as fitas em que o sistema de registro gravava os dados sísmicos (os chamados "cartuchos digitais") eram encaminhadas à sede da autuada em terra, a qual fazia, então, o seu processamento; h) após a captura dos dados sísmicos, as fitas em que o sistema de registro gravou tais dados (os chamados "cartuchos digitais") eram encaminhadas à sede da manifestante em terra, a qual fazia, então, o seu processamento; 2.1.2) sobre a presença de pessoal presente nas embarcações, a recorrente esclareceu que: a) a atuação do pessoal presente nas embarcações se limitaria à realização dos testes da embarcação e seus equipamentos, e inserção de cartuchos com parâmetros do sistema. Por outro lado, tal pessoal deveria estar a bordo e disponível para pronta resposta caso algum equipamento apresentasse problemas, isto é, caso estivesse “danificado ou não funcione (por exemplo, canhão que não dispara, cabo que é mordido por fauna marinha ou se rompe durante a navegação, defeito em algum dos sensores etc)”. Nestes casos, devia ser feito o conserto ou substituição do item pelas fretadoras; b) de qualquer modo, a obrigação de manter pessoal nas embarcações, a fim de assegurar o pleno funcionamento do navio, não implicava a caracterização do contrato de afretamento como sendo uma prestação de serviços, pois “as obrigações previstas nos contratos de afretamento (que acabam por fazer que as fretadoras mantenham pessoal nas embarcações afretadas) são apenas obrigações necessárias e imprescindíveis para a própria entrega do bem individualizado no contrato de afretamento (a embarcação, no caso), em boas condições de funcionamento” (grifo do original); c) a circunstância de as fretadoras manterem pessoal nas embarcações (para garantir que tais embarcações estejam em perfeitas condições) não somente não descaracteriza o contrato de locação, como, mais do que isso, é uma obrigação totalmente normal e típica dessa espécie contratual; d) essas obrigações secundárias e acessórias em nada descaracterizavam o objeto e elemento principal do contrato de aluguel (do qual o afretamento era uma subespécie), qual seja: a disponibilização do bem para uso temporário por parte do locatário, mediante contraprestação; Fl. 1739DF CARF MF Processo nº 18470.723923/201212 Acórdão n.º 3302004.822 S3C3T2 Fl. 1.733 15 f) o objeto precípuo do contrato era a entrega de um bem (embarcação) a ser empregado na coleta de dados sísmicos de acordo com a parametrização e sob o comando da manifestante, logo, “a obrigação da arrendadora da embarcação cumprese com a própria entrega da embarcação (e sua manutenção em perfeitas condições de utilização), não sendo obrigação da arrendadora o levantamento de qualquer dado para a Manifestante”; g) a fiscalização apresenta uma lista de estrangeiros que receberam autorização para trabalhar no país no ano de 2008. Ocorre, porém, que apesar de a autuação se referir a remessas realizadas no anobase de 2008, os pagamentos em questão eram relativos a afretamento de embarcações realizadas nos anos de 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007, como referido nas próprias invoices pagas pela Manifestante. Assim, os estrangeiros indicados na planilha do fiscal não possuem qualquer relação com o presente caso; h) de todo modo, mesmo para o ano de 2008, o número de autorizações obtidas (148, no caso) era sempre maior do que o número de estrangeiros que efetivamente eram trazidos ao país, na medida em que era necessário possuir um número sobressalente de autorizações para atendimento das situações não previstas. Outros aspectos era que os estrangeiros não permaneciam todos ao mesmo tempo no país, as autorizações obtidas no ano de 2008 se referiam a diversas embarcações afretadas pela manifestante e existiam turnos a serem cumpridos; e i) em razão do tamanho das embarcações afretadas, apenas cerca de 20 tripulantes (entre marinheiros, sísmicos e outras pessoas a bordo) se revezavam em turnos nas diversas embarcações afretadas pela manifestante (e não só naquelas relacionadas às remessas que originaram o presente processo). 2.1.3) sobre as conclusões apresentadas pela autoridade fiscal acerca da natureza dos contratos de afretamento celebrados, a recorrente alegou apresentou os seguintes esclarecimentos: a) era a patente a contradição incorrida pelas autoridades fiscais, que entendiam o contrato de afretamento como um contrato complexo (e, portanto, indissociável) para, depois, sustentarem que ele deveria ser tributado integralmente como mero contrato de prestação de serviços, quando, na verdade, a característica fundamental do afretamento era a transferência de embarcação para terceiro, mediante pagamento de aluguel; b) era evidente que as autoridades fiscais “não poderiam considerar todo o contrato como de prestação de serviços, como foi realizado no presente caso”, de modo que podiase concluir que, em se tratando de contratos complexos, a CIDE também só poderia incidir nos contratos de afretamento caso houvesse previsão expressa nesse sentido pela Lei n° 10.168/2000, que não havia; 2.2) nos comentários às respostas apresentadas na diligência, a recorrente apenas reapresentou, com outros termos e de forma resumida, as alegações, explicações e esclarecimentos anteriormente sumariados. Uma vez concluída a diligência, os presentes autos foram enviados a este Conselho e, em seguida, distribuídos a este Relator. É o relatório. Fl. 1740DF CARF MF 16 Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, será conhecido. O litígio envolve questões preliminares e de mérito, que serão a seguir analisadas. I Das Questões Preliminares Em sede de preliminar, a recorrente alegou a nulidade do auto de infração, por inadequada fundamentação e erro na apuração da base de cálculo, e da decisão recorrida, por cerceamento do direito de defesa. Da nulidade do auto de infração A recorrente alegou nulidade do auto de infração por dois motivos: inadequada fundamentação e erro na apuração da base de cálculo. Em relação à primeira alegação, a recorrente alegou que as autoridades fiscais descreveram, de forma genérica, algumas obrigações assumidas entre a recorrente e as empresas fretadoras das embarcações e concluíram, de forma vaga, que as remessas efetuadas ao exterior englobariam pagamento por serviços técnicos, além dos aluguéis de navios. Porém, a falta de indicação de elementos, nessas obrigações, que caracterizassem eventuais serviços técnicos prestados pelas empresas fretadoras tornaram a fundamentação do auto de infração inadequada e o lançamento nulo. Não procede a alegação da recorrente. A uma, porque a fiscalização não tributou valores remetidos ao exterior a título de pagamento por remuneração pela prestação de serviços técnicos e por retribuição pelo afretamento ou aluguéis de navios, mas apenas valores remetidos a título de pagamento por remuneração pela prestação de serviços técnicos de levantamento de dados sísmicos. A leitura dos fatos descritos no Termo de Constatação Fiscal (TCF) de fls. 956/959 em conjunto com o enquadramento legal, consignado no Auto de Infração de fls. 1135/1140, no art. 2º, da Lei 10.168/2000, não deixa qualquer dúvida a respeito. Portanto, diferentemente do alegado, o lançamento contém a indicação do fato praticado e da norma legal infringida. A duas, porque, ao se referir às obrigações assumidas pelas empresas estrangeiras contratadas, além das obrigações atinentes à manutenção da navegabilidade das embarcações (gestão náutica), a autoridade fiscal, de forma expressa, fez menção ao disposto nos Anexos “A”, “B” e “C” dos denominados contratos de afretamento colacionados aos autos, que dispõem, respectivamente, sobre as obrigações das contratadas quanto (i) ao formato e processamento dos dados sísmicos em terceira dimensão coletados, (ii) ao controle de qualidade dos correspondentes serviços de levantamento dos dados sísmicos em 3D (gestão comercial) e (iii) as equipes técnicas (marítimos e sísmicos) necessárias para a operação (navegabilidade) da embarcação e dos equipamentos sísmicos. A três, porque a autoridade fiscal expressamente mencionou no TCF, que era obrigação da contratada o fornecimento, licenciamento e operação do sistema completo e Fl. 1741DF CARF MF Processo nº 18470.723923/201212 Acórdão n.º 3302004.822 S3C3T2 Fl. 1.734 17 eficiente de comunicação entre as embarcações e as bases em terra, conforme expressamente determinado na cláusula 3.2.4 dos referidos contratos. Enfim, sem aterse aos meandros dos aspectos da qualificação jurídica dos fatos, a autoridade fiscal limitouse a descrevêlos, conforme exige o art. 10, III, da Decreto 70.235/1972, o que constitui condição necessária e suficiente para motivação da autuação. E na precisa e objetiva descrição dos fatos, a autoridade fiscal demonstrou que afastou o negócio jurídico denominado contratualmente de afretamento de navio de pesquisa utilizado no “levantamento de dados sísmicos multicomponentes tridimensionais (3D)”, fora do campo de incidência da CIDE, e considerou somente o real negócio jurídico da prestação dos referidos serviços. E ao assim proceder, a autoridade fiscal agiu em perfeita consonância com o disposto no art. 118 do CTN, que tem o seguinte teor: Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Além disso, embora tenha tentado demonstrar o contrário, a análise do inteiro teor das robusta e bem redigidas peças defensivas coligidas aos autos, a autuada revelou ter pleno conhecimento do real motivo da autuação e dele se defendeu adequadamente, com todos os meios de prova que dispunha. A segunda alegação de nulidade por erro de apuração de base de cálculo, pela mesma razão, também não procede, porque, se o lançamento limitouse a tributação apenas dos valores pagos a título de prestação de serviços técnicos de fornecimento de dados sísmicos, obviamente, não havia razão alguma para que fosse excluído da base de cálculo supostos valores pagos/remetidos a título de retribuição pelo afretamento ou aluguel das embarcações. Além disso, embora a autoridade fiscal não tenha mencionado, expressamente, no TCF que a principal atividade da contratada das empresas estrangeiras foi a prestação de serviços de levantamento de dados sísmicos, a descrição e a conclusão apresentadas pela fiscalização e o enquadramento legal da infração, inequivocamente, levam a esse entendimento. A propósito, cabe destacar que a própria a recorrente, explicitamente, compreendeu e defendeuse dessa imputação, conforme explicitado no pequeno fragmento do recurso voluntário em apreço, que segue transcrito: 6. Conforme restou demonstrado em sua Impugnação, a d. fiscalização considerou que as remessas feitas ao exterior pela Recorrente em 2008 para pagamento de contratos de afretamento de embarcações estariam sujeitas à incidência da CIDE à aliquota de 10%, nos termos do artigo 2°, § 2o, da Lei 10.168/00, uma vez que tais contratos envolviam a prestação de serviços técnicos. [...] 46. Verificando as obrigações apontadas acima, percebese desde já e claramente que nenhuma delas implica a Fl. 1742DF CARF MF 18 caracterização do contrato como sendo uma prestação de serviços. Na verdade, tratase apenas de obrigações necessárias e imprescindíveis para a própria entrega do bem individualizado no contrato de afretamento (a embarcação, no caso), em boas condições de funcionamento. (grifos do original) Além disso, por se tratar de questão de evidente natureza meritória, a seguir será demonstrado a improcedência dessa alegação. Assim, resta demonstrado que o lançamento em questão foi efetuado com observância dos requisitos do art. 142 do CTN e do art. 10 do Decreto 70.235/1972, e diferentemente do alegado, a recorrente exerceu o contraditório e o direito de defesa adequadamente, o que afasta qualquer mácula de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa, prevista no art. 59, II, do Decreto 70.235/1972. Da nulidade da decisão recorrida A recorrente alegou nulidade da decisão recorrida, por cerceamento do direito de defesa, sob o argumento de que houve inovação do lançamento, mediante apresentação de nova fundamentação para o auto de infração, ou seja, como havia tripulação na embarcação, havia prestação de serviço. Não houve a alegada inovação. O órgão julgador de primeiro grau manteve a autuação com base no mesmo fundamento da autuação. Senão veja os excertos extraídos do voto condutor do julgado: [...] no Anexo C, que trata das características e equipamentos da embarcação, temse: 31. Tripulantes: 20 marítimos – 20 sísmicos. Uma vez que houve a transferência da posse do navio ao afretador com todas as condições de navegabilidade, inclusive com tripulação (marítimos e sísmicos), não se pode considerar restar caracterizada a obrigação de dar ou ceder o direito de uso pura e simplesmente. Os referidos contratos envolvem tripulação (marítimos e sísmicos), emprego de pessoal qualificado e gerenciamento técnico por parte do fretador, portanto, serviços. Com linguajar diferente, a autoridade fiscal também fez expressa menção aos diferentes tipos de tripulação integrantes das embarcações (20 marítimos e 20 sísmicos), ao fazer expressa menção à cláusula 3.2.1 e ao Anexo “C” dos citados contratos, nos trechos extraídos do TCF, que seguem transcritos: Nas cláusulas terceiras, que tratam das obrigações da contratada, o item 3.2.1 estabelece que: "A Contratada fornecerá uma ou mais embarcações dotadas das características descritas no Anexo "C", conforme for solicitado pela PGS do Brasil, para execução de levantamentos tridimensionais (3D), perfeitamente adaptadas e equipadas para esse fim, e em condições satisfatórias de navegação e operação." (grifei) O Anexo "C" trata das características e equipamentos da embarcação e no item 2 define o tipo da embarcação, que se trata de Navio de Pesquisa. Fl. 1743DF CARF MF Processo nº 18470.723923/201212 Acórdão n.º 3302004.822 S3C3T2 Fl. 1.735 19 Do cotejo entre os referidos textos, chegase a inevitável conclusão que tanto órgão de julgamento de primeiro grau quanto a autoridade fiscal utilizaram os mesmos elementos fáticos, ou seja, que as contratadas foram quem forneceram a mão de obra, composta de marítimos e de sísmicos, utilizada na execução, respectivamente, das operações de navegação e de levantamentos dos dados sísmicos, o que caracteriza atividade de prestação de serviços técnicos de levantamento de dados sísmicos e não de afretamento de embarcação, como corretamente concluíram. No voto condutor do julgado recorrido, o nobre Relator deixou expresso esse entendimento nos trechos que seguem transcritos: Os serviços prestados ao interessado dependem de conhecimentos técnicos especializados, posto que foram celebrados contratos de afretamento de embarcações equipadas para levantamento de dados sísmicos 3D, com tripulação composta de marítimos e sísmicos, sendo obrigação da contratada responder por toda a execução do afretamento, empregando “em número suficiente pessoal qualificado para utilizar o mais alto nível das técnicas de operação”. Com vistas a evitar a contaminação da atividade de locação da embarcação por outras desenvolvidas pelo fretador, caberia sua segregação contratual, para possibilitar a defesa da não incidência da CIDE sobre a locação da embarcação propriamente dita segregação do contrato de afretamento por tempo em um contrato de afretamento a casco nu e um contrato de prestação de serviços, o primeiro não tributável pela CIDE e o segundo sujeito à incidência da CIDE. A segregação compete às partes contratantes (e não a fiscalização). Não tendo havido segregação, como o próprio interessado admite na sua defesa, a CIDE incide sobre o valor total das remessas. Assim, se as contratadas exerceram tanto a atividades de gestão náutica e de gestão comercial das embarcações, a seguir definidas, o negócio de afretamento e os respectivos contratos foram descaracterizados, porque a autoridade fiscal e o Colegiado julgador chegaram a mesma conclusão, ou seja, a atividade efetivamente contratada pela recorrente fora de prestação de serviços de extração/levantamento de dados sísmicos e não de afretamento de embarcação, como defendido pela recorrente. Aliás, quem entrou em evidente contradição foi a recorrente, pois, logo após alegar que as autoridades julgadores havia inovado o fundamento da autuação, com a apresentação de novos argumentos, alegou que as autoridade fiscais e julgadoras pretenderam alterar a natureza jurídica dos contratos de afretamento, transformandoos indevidamente em contratos de prestação de serviços, conforme explicitado no excerto que segue transcrito: 26. Ora, nada mais descabido! O que se percebe no presente caso é que,em sua sede arrecadatória, as autoridades fiscais e julgadoras pretenderam alterar a natureza jurídica dos contratos de afretamento celebrados entre a Recorrente e as empresas PGS Geophysical AS e PGS Exploration UK, transformandoos indevidamente em contratos de prestação de serviços, quando, na verdade, a sua natureza jurídica está Fl. 1744DF CARF MF 20 relacionada a um contrato de locação de embarcação. (grifos do original) Nessa passagem, a recorrente, expressamente, revelou pleno conhecimento das razões da autuação e que, em vez de contradição, as autoridades fiscais e julgadoras apresentaram a mesma motivação para o lançamento em questão, ou seja, que os denominados contratos de afretamento, na verdade, tinham por objeto a prestação de serviços de técnicos de levantamento de dados sísmico em terceira dimensão e não o afretamento das mencionadas embarcações. E se não existe a alegada contradição, por conseguinte, também não houve o alegado cerceamento do direito de defesa, até porque a recorrente revelou pleno conhecimento e se defendeu adequadamente das questões que foram analisadas no julgamento de primeiro de grau. Por essas razões, rejeitase a presente preliminar de nulidade da decisão recorrida. II Das Questões de Mérito No mérito, o cerne da controvérsia cingese à ocorrência do fato gerador da contribuição lançada, especificamente, quanto ao tipo de atividade econômica efetivamente contratada e, consequentemente, a real natureza dos contratos celebrados pela recorrente com as empresas estrangeiras. De acordo com o referido TCF, a fiscalização apurou que o real negócio jurídico contratado pela recorrente das referidas pessoas jurídicas estrangeiras foi a prestação de serviços de extração ou levantamentos de dados sísmicos em terceira dimensão e não o afretamento de embarcações. Em decorrência dessa constatação, a autoridade fiscal entendeu que os recursos financeiros remetidos às referidas pessoa jurídicas domiciliadas no exterior, na verdade, representavam a remuneração pela prestação dos referido serviços técnicos, logo, estavam sujeitos à incidência da CIDE, nos termos do art. 2º, §§ 2º a 5º, da Lei 10.168/2000, que seguem transcritos: LEI 10.168/2000 Art. 2º Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. (Vide Decreto nº 6.233, de 2007) (Vide Medida Provisória nº 510, de 2010) [...] § 2º A partir de 1º de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior.(Redação da pela Lei nº 10.332, de 2001) Fl. 1745DF CARF MF Processo nº 18470.723923/201212 Acórdão n.º 3302004.822 S3C3T2 Fl. 1.736 21 § 3º A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2º deste artigo. (Redação da pela Lei nº 10.332, de 2001) § 4º A alíquota da contribuição será de 10% (dez por cento). (Redação da pela Lei nº 10.332, de 2001) § 5º O pagamento da contribuição será efetuado até o último dia útil da quinzena subseqüente ao mês de ocorrência do fato gerador. (Incluído pela Lei nº 10.332, de 2001) [...]. (grifos não originais) Por sua vez, no recurso em apreço, a recorrente alegou que os contratos por ela celebrados com as empresas estrangeiras eram, exclusivamente, de afretamento de embarcações e tinham como objeto o aluguel de embarcações das empresas estrangeiras PGS Geophysical AS e PGS Exploration UK, as quais foram empregadas na consecução do seu objeto social, que consiste na comercialização para empresas que atuam no setor de petróleo e gás no Brasil, mediante cessão de direito de uso de dados sísmicos obtidos em águas marinhas brasileiras. Ainda segundo a recorrente, os referidos contratos de afretamento envolviam apenas o fornecimento da embarcações, juntamente com os equipamentos, os quais eram por ela utilizados e operados durante certo período de tempo, mediante remuneração. E dada essa característica, asseverou a recorrente que os referidos contratos tinham a mesma natureza dos contratos de locação ou de aluguel. Com base no exposto, resta demonstrado que o ponto fulcral da controvérsia cingese ao real tipo de atividade econômica contratada pela recorrente, ou seja, se foi mera atividade de afretamento de embarcações, como defendido pela recorrente, ou de prestação de serviços de levantamento ou extração de dados sísmico mediante utilização das referidas embarcações. Em razão dessa particularidade, revelase imprescindível apresentar uma breve digressão sobre caracterização, a definição e os tipos de contrato de afretamento de embarcações, que se encontra previsto no direito positivo brasileiro, genericamente, nos arts. 566 a 574 no Código Comercial (Lei 556/1850) e, subsidiariamente, na Lei 9.432/1997 e na Resolução Normativa 01/2015 da ANTAQ, que dispõem sobre a regulação da navegação comercial de transporte de bens e pessoas. Da caracterização, definição e dos tipos de contrato de afretamento. No direito positivo brasileiro, as características principais do contrato de afretamento de embarcação encontramse estabelecidas no art. 566 do vetusto Código Comercial, a seguir transcrito: Art. 566 O contrato de fretamento de qualquer embarcação, quer seja na sua totalidade ou em parte, para uma ou mais viagens, quer seja à carga, colheita ou prancha. O que tem lugar quando o capitão recebe carga de quanto se apresentam, deve provarse por escrito. No primeiro caso o instrumento, que se chama cartapartida ou carta de fretamento, deve ser assinado pelo fretador e afretador, e por quaisquer outras pessoas que intervenham no contrato, do qual se dará a cada uma das partes Fl. 1746DF CARF MF 22 um exemplar; e no segundo, o instrumento chamase conhecimento, e basta ser assinado pelo capitão e o carregador. Entendese por fretador o que dá, e por afretador o que toma a embarcação a frete. Os elementos principais do contrato de afretamento, denominado de Carta Partida ou Charter Party (CP), encontramse definidos do art. 567 do Código Comercial, a seguir transcrito: Art. 567 A cartapartida deve enunciar: 1 o nome do capitão e o do navio, o porte deste, a nação a que pertence, e o porto do seu registro (artigo nº. 460); 2 o nome do fretador e o do afretador, e seus respectivos domicílios; se o fretamento for por conta de terceiro deverá também declararse o seu nome e domicílio; 3 a designação da viagem, se é redonda ou ao mês, para uma ou mais viagens, e se estas são de ida e volta ou somente para ida ou volta, e finalmente se a embarcação se freta no todo ou em parte; 4 o gênero e quantidade da carga que o navio deve receber, designada por toneladas, nºs, peso ou volume, e por conta de quem a mesma será conduzida para bordo, e deste para terra; 5 o tempo da carga e descarga, portos de escala quando a haja, as estadias e sobre estadias ou demoras, e a forma por que estas se hão de vencer e contar; 6 o preço do frete, quanto há de pagarse de primagem ou gratificação, e de estadias e sobre estadias, e a forma, tempo e lugar do pagamento; 7 se há lugares reservados no navio, além dos necessários para uso e acomodação do pessoal e material do serviço da embarcação; 8 todas as mais estipulações em que as partes se acordarem. Portanto, tratase de um contrato típico, por força do disposto no art. 5681 do Código Comercial, deve ser registrado no órgão competente do registro do comércio. Com base nos referidos preceitos legais, o contrato de afretamento pode ser definido com o instrumento por meio do qual o fretador (proprietário da embarcação ou o armador proprietário) disponibiliza sua embarcação ou apenas o serviço da embarcação para o afretador (disponente da embarcação ou armador disponente ou beneficiário), que utilizará a embarcação na navegação marítima e fluvial para o transporte de mercadorias e/ou de pessoas ou na prestação de outros serviços específicos. Em retribuição, o afretador remunera o fretador com a taxa de afretamento. 1 "Art. 568 As cartas de fretamento devem ser lançadas no Registro do Comércio, dentro de 15 (quinze) dias a contar da saída da embarcação nos lugares da residência dos Tribunais do Comércio, e nos outros, dentro do prazo que estes designarem (artigo nº. 31)." Fl. 1747DF CARF MF Processo nº 18470.723923/201212 Acórdão n.º 3302004.822 S3C3T2 Fl. 1.737 23 No mesmo sentido, especificamente no que tange à atividade de navegação comercial de transporte de bens e pessoas, a definição veiculada no art. 2º, I, do Anexo Único da Resolução Normativa 01/2015 da ANTAQ, a seguir transcrito: Art. 2º Para os fins desta Norma consideramse: I afretamento: contrato por meio do qual o fretador cede ao afretador, por certo período, direito total ou parcial sobre o emprego da embarcação, mediante taxa de afretamento, podendo transferir ou não a sua posse; [...] (grifo não original) De acordo com essas definições, o contrato de afretamento apresenta dois elementos essenciais: o elemento estrutural, representado pelo objeto regulado (a embarcação), e o elemento funcional, consistente na cessão do direito de uso da embarcação na prestação dos serviços por meio dela executáveis (transportes de pessoas ou cargas, levantamento de dados sísmicos, exploração/perfuração de poços etc.). Segundo a forma como a embarcação é disponibilizada ao afretador, a doutrina especializada classifica o contrato de afretamento nas seguintes três principais modalidades: a) afretamento por viagem (voyage charter party); b) afretamento por tempo (time charter party); e c) afretamento a casco nu (bareboat charter party/by demise charter). Cada um desses tipos de contratos possui características próprias que os diferenciam. O contrato de afretamento por viagem é aquele em que o fretador disponibiliza a totalidade ou parte do espaço da embarcação ao afretador por uma viagem ou mais. Enquanto que o contrato de afretamento por tempo é aquele em que o fretador disponibiliza a própria embarcação, armada, tripulada e em condições de navegabilidade, por tempo determinado. Enfim, o contrato de afretamento a casco nu é aquele em que o fretador disponibiliza para o afretador a embarcação completamente desarmada, ou seja, não tripulada e não equipada. Nesta modalidade contratual, a embarcação é tomada em afretamento desprovida do comandante, da tripulação e dos demais itens inerentes e necessários à navegação. Essa modalidade contratual assemelhase ao contrato de arredamento ou locação. As referidas classificação e definição também foram adotadas pelo legislador brasileiro na redação do art. 2º, I a III, da Lei 9.432/1997, a seguir transcrito: Art. 2º Para os efeitos desta Lei, são estabelecidas as seguintes definições: I afretamento a casco nu: contrato em virtude do qual o afretador tem a posse, o uso e o controle da embarcação, por tempo determinado, incluindo o direito de designar o comandante e a tripulação; II afretamento por tempo: contrato em virtude do qual o afretador recebe a embarcação armada e tripulada, ou parte dela, para operála por tempo determinado; III afretamento por viagem: contrato em virtude do qual o fretador se obriga a colocar o todo ou parte de uma embarcação, com tripulação, à disposição do afretador para efetuar transporte em uma ou mais viagens; Fl. 1748DF CARF MF 24 [...] (grifos não originais) O tipo de afretamento também define responsabilidade pela gestão da embarcação, que se divide em: gestão náutica e a gestão comercial. A primeira compreende as atividades de navegação, estabilidade e manobra da embarcação, ao passo que a segunda envolve atividades relacionadas diretamente com os serviços prestados por meio da embarcação, tais como o transporte da carga, que inclui o recebimento, transporte e entrega das cargas, além do acondicionamento e estivagem a bordo etc. A responsabilidade pela gestão da embarcação varia conforme o tipo de contrato de afretamento. No contrato de afretamento por viagem a responsabilidade pelas gestões náutica e comercial é toda concentrada na pessoa do fretador. No contrato de afretamento por tempo a gestão embarcação é dividida entre o fretador e afretador. A este cabe a gestão comercial e àquele a gestão náutica. Por fim, no contrato de afretamento a casco nu a responsabilidade pela gestão integral da embarcação cabe ao afretador, que concentra as gestões náutica e comercial da embarcação. A tabela a seguir resume os responsáveis pela gestão da embarcação: Tipo de Contrato de Afretamento Objeto Responsável Pela Gestão Náutica Responsável Pela Gestão Comercial Por viagem Prestação de serviço Fretador Fretador Por tempo Disponibilização/Prestação de serviço Fretador Afretador A casco nu Posse da embarcação Afretador Afretador Com base nessas definições, passase analisar a real natureza dos contratos celebrados pela recorrente com as empresas estrangeiras PGS Geophysical AS (fls. 960/1055) e PGS Exploration UK (1056/1133) e quem, de fato, assumiu a responsabilidade pela gestão da embarcação (as gestões náutica e comercial). Da real natureza dos contratos celebrados pela recorrente Neste tópico, analisarseá a real natureza dos contratos celebrados pela recorrente com as empresas estrangeiras, especificamente, se os referidos contratos, efetivamente, regulam o negócio de afretamento de embarcação, como defendido pela recorrente, ou a atividade de prestação de serviços de “levantamento de dados sísmicos multicomponentes tridimensionais (3D)”, como apurou a fiscalização com base no conteúdo das cláusulas contratuais e nas informações complementares contidas nos anexos integrantes dos referidos contratos. Sabese que o contrato constitui a roupagem jurídicoformal do negócio jurídico celebrado entre as partes. Por força dessa característica, para que seja reputado idôneo o contrato, o seu conteúdo deve refletir o real negócio jurídico celebrado entre as partes. Em outros termos, para que seja considerado idôneo o contrato o negócio jurídico nele declarado trato deve corresponder ao negócio jurídico efetivado realizado pelas partes. Para confirmar essa condição, a interpretação do negócio jurídico não deve limitarse apenas aos instrumentos contratuais celebrados entre as partes, mas ir além para alcançar os elementos probatórios que confirmem a adequada compatibilidade (ou não) entre o negócio jurídico declarado e o negócio jurídico concretizado pelas partes, isto é, que os fatos ocorridos possuam substrato econômico efetivo e efeitos idênticos ou semelhantes ao fato jurídico declarado. Fl. 1749DF CARF MF Processo nº 18470.723923/201212 Acórdão n.º 3302004.822 S3C3T2 Fl. 1.738 25 E no contexto em que há prevalência da substância sobre a forma, certamente, não será o nome do contrato que definirá a sua natureza, mas o seu conteúdo formal que, necessariamente, deve corresponder ou refletir o mesmo ou efeito semelhante do negócio realizado pelas partes. Assim, se a denominação do contrato discrepa do negócio jurídico regulado, induvidosamente, será este que deverá definir a natureza do contrato e não a mera denominação. Da mesma forma, se o negócio jurídico regulado não corresponder ao negócio jurídico concretizado pelas partes, este último deve prevalecer e definir a natureza do contrato. Em suma, em qualquer dos casos, a substância deverá sempre prevalecer sobre a forma. Essa é a diretriz traçada pelo art. 118 do CTN, anteriormente transcrito. É com base nessa premissa que será feita a análise dos contratos celebrados entre a recorrente e as empresas estrangeiras, denominados impropriamente de contratos de afretamento. De acordo com a cláusula primeira dos referidos contratos, as embarcações descritas nos referidos contratos foram utilizadas na prestação de serviços de “levantamento de dados sísmicos multicomponentes tridimensionais (3D)”. Dada essa peculiaridade, para que seja considerado de afretamento, o afretador (contratante) deverá assumir, no mínimo, a gestão comercial das referidas embarcações, ou seja, o afretador será a pessoa incumbida da prestação dos referidos serviços. Assim, tendo em conta a natureza dos serviços prestados, obviamente, tais tipos de embarcações não são passíveis de afretamento por viagem, haja vista que essa modalidade de afretamento aplicase apenas às embarcações utilizadas na prestação de serviços de transporte de pessoas e/ou cargas. Pelas características dos citados serviços e tendo em vista as definições anteriormente apresentadas, os referidos tipos de embarcação só são passíveis de contrato de afretamento por tempo e a casco nu. No primeiro caso, a responsabilidade pela gestão da embarcação é dividida entre o fretador e o afretador. A gestão náutica fica a cargo do fretador enquanto que a gestão comercial fica sob a responsabilidade do afretador. No segundo caso, o afretador assume a responsabilidade pelas gestões náutica e comercial. No caso, o teor das cláusulas contratuais dos referidos contratos revela que, embora denominado de afretamento, os referidos contratos, de fato, regulam a prestação de serviços técnicos de “levantamento de dados sísmicos multicomponentes tridimensionais (3D)”. A interpretação das cláusulas contratuais revelam que as empresas estrangeiras contratadas foram quem assumiram as gestões náutica e comercial das embarcações, ou seja, foram elas que assumiram a operação da embarcação e a prestação dos serviços contratados, uma vez que foram elas que: a) contrataram e forneceram toda a mão de obra direta e indireta utilizada na navegação e na extração dos dados sísmicos (subitem 3.1.2 e anexo “C”); b) realizaram a coleta e a fase inicial do processamento dos dados sísmicos, bem como a elaboração de relatórios periódicos sobre os dados levantados (subitem 3.1.3); c) assumiram a manutenção e conserto da embarcação e de todos os equipamentos náuticos e de levantamento de dados sísmicos a bordo da embarcação (subitem 3.2.2); d) forneceram todos os equipamentos e materiais necessários aos registros geofísicos, bem como todo o combustível e lubrificantes para as embarcações e equipamentos (subitem 3.2.3) etc. Em consonância com o disposto nas cláusulas contratuais, o teor dos Anexos “A”, “B” e “C” confirma que o real o objeto dos referidos contratos era o levantamento de dados sísmicos em terceira dimensão. De fato, no Anexo “A” encontrase consignado que as Fl. 1750DF CARF MF 26 requisições de operações deverão ser emitidas com antecipação de 15 dias, “a fim de permitir à Contratada coordenar a equipe, preparar, testar e transportar os equipamentos pertinentes” (4.1). Enquanto que no Anexo “B”, foram estabelecidos os critérios para controle de qualidade dos serviços de levantamento dos dados sísmicos em 3D prestados pelas contratadas. Enfim, no Anexo “C”, foram descritas as características e os equipamentos da embarcação e a tripulação, composta de marítimos e sísmicos, necessária a operação do navio e dos equipamentos de extração de dados sísmicos. A forma de remuneração também confirma que o negócio efetivamente contratado foi a prestação dos serviços de coleta de dados sísmicos em 3D e não o afretamento das embarcações, pois, embora tenha sido estabelecido uma estimativa de um valor global e uma taxa diária (subitem 5.1.1) nos citados contratos, a recorrente contratante não estava obrigada a efetuar o pagamento do valor integral estimado, mas apenas do valor correspondente aos resultados das operações efetivamente realizadas para a contratante, aferidos por meio de Boletim de Medição (BM) mensal (subitens 5.2 e 6.1). A comparação entre os valores de mobilização das embarcações de US$ 2.250.000.00 (dois milhões, duzentos e cinquenta mil dólares dos Estados Unidos da América) e 4.200.000.00 (quatro milhões, duzentos mil dólares dos Estados Unidos da América) e os valores globais dos contratos, respectivamente, de US$ 139.125.000,00 (Cento e trinta e nove milhões, cento e vinte e cinco mil dólares dos Estados Unidos da América ), e USS 255.500.000,00 (Cento e trinta e nove milhões, cento e vinte e cinco mil dólares dos Estados Unidos da América), revela que a desproporção entre o valor contratado e o valor dos equipamentos supostamente afretados, o que corrobora a conclusão de que o real objeto do contrato foi a prestação dos serviços de levantamento de dados sísmicos em 3D e não o afretamento da embarcação, como defendido pela recorrente. Com base apenas nas informações extraídas dos referidos contratos, chegase a conclusão que a responsabilidade pelas gestões náutica e comercial das embarcações foram assumidas exclusiva e integralmente pelas empresas contratadas estrangeiras, haja vista que foram elas que forneceram as equipes de marítimos e de sísmicos utilizadas nas atividades de navegação e de coleta dos dados sísmicos em 3D. Assim, embora denominado de contrato de afretamento, a interpretação do inteiro teor dos referidos contratos revela que o negócio jurídico efetivamente celebrado entre as parte, inequivocamente, foi a prestação de serviços de levantados de dados sísmicos em terceira dimensão e não o afretamento dos navios pesquisas utilizados na prestação dos referidos serviços. Em suma, o que a recorrente contratou foi a levantamento dos dados sísmicos e não o afretamento das embarcações. E se havia alguma dúvida quanto ao real negócio jurídico contratado e o efetivamente realizado, por meio da referida diligência, ela foi dirimida pela autoridade fiscal diligente que, com base nas informações colhidas, também concluiu que os referidos contratos tratavam de prestação de serviços técnicos sujeitos à incidência da CIDE. De acordo com o bem elaborado e exaustivo relatório de diligência colacionado aos autos, com respaldo em elementos idôneos, a autoridade fiscal diligente, que se limitou a responder os questionamentos suscitados por este Colegiado, chegou a essa com conclusão baseada nas seguintes constatações: a) toda a mão de obra estrangeira utilizada na operação do navio (equipe de marítimos) e dos equipamentos de pesquisa (equipe de sísmicos), incluindo outros trabalhadores (geólogos, geoquímicos e geofísicos etc.) necessários à prestação dos serviços de Fl. 1751DF CARF MF Processo nº 18470.723923/201212 Acórdão n.º 3302004.822 S3C3T2 Fl. 1.739 27 levantamento dos dados sísmicos, foram contratada e fornecida pelas empresas estrangeiras contratadas; b) o navio de pesquisa era mero meio imprescindível para o levantamento dos dados sísmicos, que, junto com os demais equipamentos e profissionais necessários, formava um conjunto harmônico na prestação dos serviços, os quais envolviam técnicos geológicos e/ou geofísicos, além dos demais profissionais necessários ao desenvolvimento da atividade; c) os contratos que a recorrente celebrou com as empresas estrangeiras, independentemente da forma de aquisição dos dados, se exclusivos ou não exclusivos, seguiam os mesmos requisitos de uma obrigação de fazer, uma vez que a obrigação a que se sujeitava as contratadas referiase a uma obrigação de fazer, haja vista que se comprometiam a entregar uma pesquisa de dados referentes a uma determinada área, utilizando parâmetros de pesquisa e formatos de mídia prédefinidos pela recorrente (contratante), além de realizar todo e qualquer teste que a recorrente julgasse necessário; e d) a obrigação a que se sujeitava as contratada era de preparar e realizar um estudo seguindo as coordenadas estabelecidas pela recorrente, traduzindose na obrigação de fazer uma atividade que atendia às exigências impostas pela recorrente. Assim, uma vez que a contratante poderia estabelecer parâmetros e exigir a realização de diferentes testes, os dados eram adquiridos de acordo com as necessidades da contratante. A relação de trabalhadores estrangeiros de fls. 1621/1623, especialmente as equipes de marítimos e sísmicos, contratados pelas empresas estrangeiras, ratificam as informações extraídas dos referidos contratos. Cabe consignar que a referida relação de trabalhadores, que foi fornecida pelo Ministério do Trabalho, em resposta ao Ofício do Gabinete da Secretaria da Receita Federal do Brasil em Brasília, comprova que foram as empresas estrangeiras que contrataram e forneceram toda a mão de obra técnica especializada utilizada na navegação da embarcação e na operação dos equipamentos de extração e registro dos dados sísmicos. No mesmo sentido, acertadamente, concluiu o relator do voto condutor do julgado recorrido que os referidos contratos envolviam “tripulação (marítimos e sísmicos), emprego de pessoal qualificado e gerenciamento técnico por parte do fretador, portanto, serviços”. Assim, resta demonstrado que, no caso em apreço, não houve afretamento das embarcações por tempo e tampouco a casco nu, este último alegado pela recorrente. Logo, sob o aspecto substancial, os impropriamente denominados contratos de afretamento, de fato, regulam a atividade de prestação de serviços técnicos de levantamento de dados sísmicos multicomponentes tridimensionais (3D), conforme, acertadamente, concluiu a autoridade fiscal responsável pela autuação. Das alegações da recorrente sobre a natureza dos contratos No recurso em apreço, a recorrente alegou que, no caso em tela, não ocorreu o fato gerador da CIDE, porque não houve qualquer prestação de serviços pelas contratadas no curso da execução dos referidos contratos, que tinham por objeto a locação ou o aluguel das mencionadas embarcações, em vez de prestação de serviços técnicos, como entendera a fiscalização e colegiado julgador a quo. Fl. 1752DF CARF MF 28 Não é necessário esforço argumentativo algum para demonstrar que essa alegação não tem procedência, pois, além de destoar do teor das cláusulas contratuais e dos anexos integrantes dos contratos em comento, ela é infirmada, peremptoriamente, pelos fatos, devidamente comprovados nos autos, no sentido de que foram as empresas estrangeiras contratadas e não a recorrente a responsável pelas gestões náutica e comercial das referidas embarcações, ou seja, pela prestação dos serviços de navegação das embarcações e de operação dos equipamentos de levantamento de dados sísmicos. A recorrente alegou que os contratos de afretamento eram espécie do gênero “contratos de aluguel ou de locação”, que tinham por objeto uma obrigação de dar, a qual consistia “na disponibilização temporária de determinado bem, a ser utilizado por terceiro durante um determinado período, mediante pagamento de contraprestação.” Para a recorrente, a empresa estrangeira disponibilizou “determinado bem (embarcação), juntamente com os equipamentos integrantes, para que a Recorrente utilizasse esse bem durante certo período de tempo, mediante remuneração”, o que configurava típico contrato de locação ou de aluguel. Sem fundamento a alegação da recorrente, haja vista que, embora tenha alguma semelhança com o contrato de locação de coisa não fungível, definido no art. 5652 do Código Civil de 2002, o contrato de afretamento de embarcação, que se encontra definido e tipificado, respectivamente, nos arts. 566 e 567 do vetusto Código Comercial, anteriormente transcritos, tem objeto e característica próprios que os diferencia dos contratos de locação. A propósito, com base nas definições anteriormente apresentadas, podese afirma que somente o contrato de afretamento a casco nu assemelhase ao contratos de locação de coisa não fungível. As outras modalidades de contrato de afretamento (contrato de afretamento por viagem ou por tempo), por envolver também a prestação de serviços, obviamente, não guarda semelhança com o contrato de locação. Esses dois últimos tipos de contrato de afretamento são considerados pela doutrina e jurisprudência como contratos complexos e, portanto, sem característica bem definida. Entretanto, ainda que, em tese, o contrato de afretamento (a casco nu) fosse equiparado ao contrato de locação, no caso em apreço, restou demonstrado que, os impropriamente denominados de afretamento, de fato, eram contratos de prestação de serviços de levantamento de dados sísmicos em 3D. Portanto, só por esse motivo, a alegação em apreço não merece guarida. Pela razão, não tem procedência a alegação da recorrente de que assumira “apenas de obrigações necessárias e imprescindíveis para a própria entrega do bem individualizado no contrato de afretamento (a embarcação, no caso), em boas condições de funcionamento”, o que não descaracterizava o contrato de locação, porque se tratava de obrigações secundárias e acessórias, totalmente normais e típicas dessa espécie contratual. Para a recorrente, os serviços de navegação e levantamento de dados sísmicos representavam apenas atividademeio, para alcançar a finalidade principal do contrato de afretamento, o que não é verdade. No âmbito do contrato de afretamento, tais atividades tem suma importância, especialmente, porque é a presença delas ou não que definirá a natureza e o tipo de contrato de afretamento. No caso, diferentemente do alegado pela recorrente, a utilização da embarcação e dos equipamentos sísmicos representa o meio imprescindível para prestação dos serviços de levantamento de dados sísmicos, o real objeto contratado pela recorrente. 2 Art. 565. Na locação de coisas, uma das partes se obriga a ceder à outra, por tempo determinado ou não, o uso e gozo de coisa não fungível, mediante certa retribuição. Fl. 1753DF CARF MF Processo nº 18470.723923/201212 Acórdão n.º 3302004.822 S3C3T2 Fl. 1.740 29 Também não altera a real natureza dos referidos contratos, o fato de a recorrente ter remetido o valor para exterior a título de remuneração pelo fretamento marítimo, conforme alegado pela recorrente. Em caráter alternativo, a recorrente alegou que, se adotado o entendimento de que o contrato de que os denominados contratos de afretamento não fosse considerado um contrato de aluguel, e sim um contrato complexo, o que não se podia admitir era tratálo como um contrato de serviços. Para a recorrente, nas situações em que houvesse contratos complexos, o entendimento da doutrina e da jurisprudência, era no sentido de ser impossível realizar sua segregação para fins fiscais, ou seja, as várias obrigações assumidas pelas partes (tanto de dar, como de fazer) eram indissociáveis, não podendo serem tratadas de forma isolada, como se fossem contratos autônomos. Tendo em conta o que restou definido no tópico anterior, essa alegação deixou de ter relevância para o deslinde da controvérsia, haja vista que, diferentemente do alegado pela recorrente, a conclusão acertada a que chegou a autoridade fiscal lançadora, acompanhada pelo colegiado julgador recorrido, foi que os contratos em apreço tinham natureza de prestação de serviços técnicos, por conseguinte, todos os valores remetidos ao exterior a título de remuneração dos referidos serviços prestados estavam sujeitos a incidência da CIDE. Pela mesma razão, fica demonstrada a improcedência da alegação de que, nos termos do art. 110 do CTN, o direito tributário não poderia se sobrepor ao direito privado, para fim de alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos privados. Ademais, sabidamente, o referido preceito legal impõe limite à atividade do legislador infraconstitucional, o que não é o caso. Das alegações da recorrente quanto à natureza dos serviços prestados Se admitida a prestação de serviços, alternativamente, a recorrente alegou que os serviços prestados não tinham natureza técnica e não envolvia a transferência de tecnologia. Segundo a recorrente, o auto de infração não indicara quaisquer serviços autônomos prestados pelas empresas contratadas, mas tão somente apontara algumas obrigações assumidas entre as partes. Sem razão a recorrente. A uma, porque as obrigações principais das empresas contratadas, indicadas no auto de infração, consistiam em obrigações de fazer, portanto, prestação de serviços, dentre os quais, merece destaque os serviços de prospecção/levantamento de dados sísmicos, o real e principal objeto dos referidos contratos, conforme já demonstrado. A duas, porque os referidos serviços de prospecção, assim como os serviços de navegação, são serviços de natureza técnica, pois se enquadram, perfeitamente, na definição veiculada no art. 17, II, “a”, da Instrução Normativa SRF 252/2002, vigente na época dos fatos, que segue transcrito: Art. 17. As importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas a pessoa jurídica domiciliada no exterior a título de royalties de qualquer natureza e de remuneração de serviços técnicos e de assistência técnica, administrativa e semelhantes sujeitamse à incidência do imposto na fonte à alíquota de quinze por cento. [...] Fl. 1754DF CARF MF 30 II considerase: a) serviço técnico o trabalho, obra ou empreendimento cuja execução dependa de conhecimentos técnicos especializados, prestados por profissionais liberais ou de artes e ofícios; [...] (grifos não originais) Quanto a exigência de que teriam natureza técnica somente os contratos que implicassem transferência de tecnologia, mais uma vez, a recorrente equivocase. Da simples leitura do caput do art. 2º do citado diploma legal inferese, sem qualquer esforço interpretativo, que o contrato que exige a transferência de tecnologia representa outra hipótese de incidência da CIDE, distinta da que se encontra definida no § 2º do mesmo artigo, objeto da presente autuação, que trata da prestação de serviços técnicos por residentes ou domiciliados no exterior e não exige a transferência de tecnologia. A recorrente alegou ainda que a CIDE tinha natureza regulatória (extrafiscal) e não arrecadatória. Segundo a recorrente, a instituição da cobrança da CIDE tratavase de norma tributária indutora, que tinha por objetivo intervir na economia, com o objetivo de desestimular a aquisição de tecnologia estrangeira e, de outra parte, estimular o desenvolvia de tecnologia no mercado interno, com vista a alcançar a autonomia do País neste setor tão importante para o desenvolvimento econômico. Com base nessa alegação, a recorrente reivindicou interpretação teleológica da norma que instituiu a cobrança da CIDE. Mas, ao contrário do pretendido, no caso em tela, tal interpretação não favorece a recorrente. Essa interpretação favoreceria a recorrente, se ela tivesse demonstrado que os serviços de navegação e levantamento dos dados sísmicos realizados no País tivessem sido executados por trabalhadores brasileiros, o que não ocorreu. Entretanto, além de não ter apresentado prova da utilização de mão de obra nacional na execução dos referidos serviços, de outra parte há nos autos provas não infirmadas pela recorrente, que confirmam que, na prestação dos mencionados serviços técnicos, as empresas estrangeiras utilizaramse apenas de mão de obra altamente especializada estrangeira, formada por marítimos, sísmicos, geólogos, geoquímicos e geofísicos etc. A comprovação do asseverado encontrase explicitada na extensa relação de 148 (cento e quarenta e oito) trabalhadores estrangeiros, que se encontram discriminados na planilha de fls. 1621/1623, os quais foram autorizados pelo órgão competente do Ministério Trabalho a trabalhar para as referidas empresas no País no ano de 2008. Especificamente sobre a utilização dos trabalhadores estrangeiras, as explicações apresentadas pela recorrente, na sua manifestação sobre o relatório da diligência, não amparam a pretensão da recorrente, por se revelarem desprovida da menor razoabilidade. Senão leiase o excertos que seguem transcritos: 81.4 De todo modo, mesmo para o ano de 2008, alguns aspectos devem ser esclarecidos. 81.4.1 Primeiramente, o número de autorizações obtidas (148, no caso) é sempre maior do que o número de estrangeiros que efetivamente são trazidos ao país, na medida em que é necessário possuir um número sobressalente de autorizações para atendimento das situações não previstas. 81.4.2 Um outro aspecto é que os estrangeiros não permanecem todos ao mesmo tempo no país. Ao longo do ano, há diversas alterações na equipe, algumas pessoas retornam ao exterior e Fl. 1755DF CARF MF Processo nº 18470.723923/201212 Acórdão n.º 3302004.822 S3C3T2 Fl. 1.741 31 outras assumem os seus lugares. Ou seja, no ano de 2008, os 148 estrangeiros autorizados não se encontravam no país no mesmo período. 81.4.3 Além disso, é importante nota que as autorizações obtidas no ano de 2008 se referem a diversas embarcações afretadas pela Manifestante, as quais são utilizadas simultaneamente pela Manifestante em projetos que acontecem ao mesmo tempo, ou seja, esses estrangeiros não são trazidos para uma mesma embarcação, sendo, ao contrário, distribuídos entre os diversos navios afretados. 81.4.4 Um outro ponto é que existem turnos a serem cumpridos. Assim, se uma determinada embarcação possui 10 pessoas encarregadas da manutenção e conserto, então são alocadas 30 pessoas para aquela mesma embarcação, pois há três turnos a serem observados. Porém, na prática, o que se tem a bordo são 10 pessoas atuando, e não 30. 81.5 Diante dos aspectos acima, notase que o fiscal pretende dar uma falsa impressão de que havia 148 pessoas trabalhando em uma única embarcação afretada pela Manifestante, quando na verdade havia, quando muito, 20 pessoas (o que é totalmente compatível com o tamanho da embarcação). 81.6 Com efeito, até mesmo em razão do tamanho das embarcações afretadas, apenas cerca de 20 tripulantes (entre marinheiros, sísmicos e outras pessoas a bordo) se revezavam em turnos nas diversas embarcações afretadas pela Manifestante (e não só naquelas relacionadas às remessas que originaram o presente processo). Algumas considerações são pertinentes. A alegação de que as autorizações obtidas no ano de 2008 referiamse a diversas embarcações afretadas pela recorrente demandava apresentação de provas, o que não ocorreu. E a alegação de que “apenas cerca de 20 tripulantes (entre marinheiros, sísmicos e outras pessoas a bordo) se revezavam em turnos nas diversas embarcações afretadas”, diferentemente do alegado, confirma a informação consignada no Anexo “C” dos referidos contratos, que foram expressamente destacados no relatório da autuação, no voto condutor do julgado recorrido e no relatório da diligência. Além disso, ao afirmar que as embarcações eram operadas com uma tripulação de 20 (vinte) tripulantes, implicitamente, a própria recorrente encarregouse de negar a informação, consignada na manifestação sobre relatório da diligência, de que as embarcações eram operadas a distância, por controle remoto, de forma similar aos famosos Veículos Aéreos Não Tripulados (VANT), popularmente conhecidos como “drone” (subitem 57.1), com o propósito de justificar que não houve prestação de serviços e que era ela a operadora das embarcações e não as contratadas. Ainda a propósito da alegação em comento, cabe consignar que, no curso do procedimento fiscal, intimada apresentar a relação de trabalhadores utilizados na prestação dos referidos serviços, a fiscalizada informou, por meio do documento de fl. 531, que “não possui funcionários trabalhando em tempo integral a bordo das embarcações sísmicas empregadas na aquisição de dados sísmicos, limitandose ao gerenciamento da embarcação, que é de sua responsabilidade” (sic). Fl. 1756DF CARF MF 32 Em suma, em vez de apresentar provas de que os serviços técnicos foram prestados por algum trabalhador brasileiro, a recorrente apenas apresentou argumentos contraditórios e sem provas, para fim de justificar o que se revela injustificável, ou seja, que os serviços técnicos foram prestados pelas empresas estrangeiras, mediante utilização apenas de trabalhadores estrangeiros, o que comprova a ocorrência da prática do fato gerador da CIDE. Das alegações da recorrente sobre o erro na apuração da base de cálculo. Alternativamente, a recorrente alegou que se entendido que, além dos aluguéis, também houve a prestação de serviços técnicos, o que se admitia somente a título de argumentação, a base de cálculo utilizada pela fiscalização para efetuar o lançamento não indicara, em relação ao valor integral do contrato, quais seriam os valores relativos aos supostos serviços, o que também ensejaria a necessidade de cancelamento do auto de infração ora combatido. Para a recorrente, houve erro de apuração da base de cálculo da CIDE lançada, pois integraram a base de cálculo os valores dos aluguéis e da prestação de serviços. Mais uma vez a recorrente não tem razão, pois, conforme já exaustivamente demonstrado, o autoridade fiscal considerou que o objeto dos referidos fora a prestação de serviços técnicos, logo, a utilização das referidas embarcações serviram apenas como meio para prestação dos referidos serviços. E a enorme discrepância entre os valores contratados e os valores mobilizados anteriormente abordada, de forma congruente, confirma o acerto da conclusão apresentada pela autoridade fiscal. Com base nessa conclusão e tendo em conta que, no seio da doutrina e da jurisprudência, consolidouse o entendimento de que, para fins tributários, no âmbito dos contratos complexos, não é admitida a segregação entre os valores da atividade principal e das atividade acessórias, induvidosamente, resta demonstrado que a fiscalização procedeu com acerto ao computar na base cálculo da contribuição todos os pagamentos efetuados às empresas estrangeiras e remetidos ao exterior como remuneração a título prestação de serviços técnicos, sujeitos a incidência da CIDE, pelos fundamentos anteriormente aduzidos. Da inconstitucionalidade da Lei 10.168/2000 A recorrente alegou que a Lei 10.168/2000 era inconstitucional, porque estava manifesta desconformidade como art. 149 da Constituição Federal de 1988 (CF/1988). A análise da constitucionalidade norma legal é matéria excluída da competência deste Conselho, por expressa determinação do art. 26A3 do Decreto 70.235/1972, com redação dada Lei 11.941/2008. 3 "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)" Fl. 1757DF CARF MF Processo nº 18470.723923/201212 Acórdão n.º 3302004.822 S3C3T2 Fl. 1.742 33 Em consonância com esse preceito legal, sabidamente, o julgamento na esfera administrativa visa, fundamentalmente, o controle da legalidade do ato administrativo (auto de infração, despacho decisório, decisão de instâncias de julgamento de grau inferior etc.), mediante o exame da conformidade dos referidos atos com as normas legais vigentes. Por outro lado, falecelhe competência para se pronunciar sobre a constitucionalidade de preceito de lei, validamente editada e em plena vigência, por se tratar de matéria reservada, com exclusividade, ao crivo do Poder Judiciário. No âmbito deste Conselho, tal vedação encontrase expressamente determinada no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF 343/2015, e consolidada na sua jurisprudência, por meio do enunciado da Súmula CARF nº 2, que tem o seguinte teor, in verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Por essas razões, deixase de tomar conhecimento da presente alegação. Da inaplicabilidade da multa de ofício A recorrente alegou que a multa de ofício aplicada, no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), encontrava amparo no art. 44, I, da Lei 9.430/1996, contudo, além de ferir os princípios da proporcionalidade, da razoabilidade, e representar um verdadeiro enriquecimento sem causa da União, ela “nunca poderia ter sido aplicada ao presente caso, na medida em que a Recorrente se limitou a seguir práticas normalmente aceitas pela Administração Tributária, agindo em plena boafé.” O art. 44, I, da Lei 9.430/1996, expressamente, determina que, nos casos de lançamento de ofício, sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição exigida deve ser aplicada a multa de 75% (setenta e cinco por cento), caso configurada a falta de pagamento ou de recolhimento de tributos, fato que se subsume perfeitamente à conduta infracionária imputada à recorrente na presente autuação. De outra parte, a alegação da recorrente de que a cobrança da referida multa era inconstitucional e feriria os princípios da proporcionalidade, da razoabilidade, além de representar verdadeiro enriquecimento sem causa da União, inequivocamente, prescinde da análise da compatibilidade da referida norma com os referidos princípios, inscritos na CF/1988, matéria que, segundo o exposto anteriormente, não se encontra na competência deste Colegiado. Por essas razões, não se toma conhecimento da presente questão. Da inaplicabilidade de juros moratórios sobre a multa de ofício. Enfim, a recorrente alegou que se entendesse cabível a manutenção do crédito lançado com imposição de multa de oficio de 75% (setenta e cinco por cento), o que admitia apenas a título de argumentação, no presente caso, devia “ser cancelada a aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício, pela ausência de previsão legal expressa.” Diferentemente do alegado, o art. 161 do CTN prevê a cobrança de juros de mora sobre crédito tributário não integralmente pago no vencimento. E o crédito tributário compreende tanto o valor principal (o valor tributo) e quanto o valor da penalidade pecuniária Fl. 1758DF CARF MF 34 (a multa ofício, por exemplo), conforme se extrai da interpretação conjunta dos arts. 1134 e 1395 do CTN. E em consonância com o disposto no art. 161, § 1º, do CTN, no que tange aos débitos decorrentes de tributos e contribuições administrados pela RFB, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, há expressa previsão de cobrança de juros moratórios, calculados com base na variação da taxa Selic. Tratase do artigo 61, § 3º, da Lei 9.430/1996, a seguir transcrito: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...). § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (destacouse) Sabese que o débito atinente à multa de ofício decorre da aplicação da penalidade pecuniária, que não tem a mesma natureza do tributo. Com efeito, diferentemente da multa, o tributo não constitui sanção de ato ilícito, conforme estabelecido no art. 3º do CTN. Em outras palavras, o valor da multa aplicada não tem natureza tributária, mas sancionatória, posto que decorre do descumprimento do dever legal de apurálo ou pagálo. No entanto, há previsão legal expressa para cobrança de juros moratórios, calculado com base na variação da taxa Selic, mas essa previsão restringese às multas aplicadas isoladamente, nos termos do art. 43 da Lei nº 9.430, de 1996, a seguir reproduzido: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. É pertinentes ressaltar que os transcritos preceitos legais pertencem ao mesmo diploma legal, o que evidencia que o legislador, deliberada e intencionalmente, 4 Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. 5 Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Fl. 1759DF CARF MF Processo nº 18470.723923/201212 Acórdão n.º 3302004.822 S3C3T2 Fl. 1.743 35 conferiu tratamento distinto para ambas as situações, mas com o objetivo de conferir tratamento isonômico para as duas situações. E a razão para esse tratamento diferente é óbvia, pois, se a multa de ofício incide sobre o valor do tributo devido, acrescido dos juros moratórios, logo, na data do pagamento, tal gravame, automaticamente, também integrará o valor da multa de ofício proporcional. Em outras palavras, não são os juros que incidem sobre a multa, mas sim a multa que incide sobre o crédito tributário acrescido de juros moratórios. Logo, por força dessa característica, o valor dos juros moratórios sempre comporá o valor da multa proporcional ou de ofício, calculada sobre a “totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento”, nos termos do art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996. As Turmas da CSRF tem manifestado o entendimento que juros moratórios incidem sobre crédito tributário lançado, que inclui o tributo e multa de ofício lançado, conforme explicitado nos enunciados das ementas dos julgados das 1ª e 3ª Turmas da CSRF, que seguem transcritos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (CSRF, 3ª Turma, Processo nº 10835.001034/0016, Sessão de 15/08/2013, Acórdão nº 9303002400. Relator Joel Miyazaki). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (CSRF, 1ª Turma, Processo nº 13839.001516/200664, Sessão de 15/05/2013, Acórdão nº 9101001657. Relator designado Valmir Sandri) Esse também é o entendimento das Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ, conforme explicitado no julgamento do AgRg no REsp 1335688/PR, cujo enunciado da ementa segue transcrito: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o Fl. 1760DF CARF MF 36 crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1335688/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 10/12/2012) (grifos não originais) Por todas essas razões, fica demonstrado que os juros moratórios incidem diretamente sobre o valor da multa isolada e indiretamente sobre o valor da multa de ofício, calculada proporcionalmente ao valor do tributo lançado. Portanto, em qualquer das hipóteses os juros moratórios são devidos. III Da Conclusão. Por todo o exposto, votase por conhecer parcialmente do recurso e na parte conhecia por rejeitar as preliminares de nulidade do auto de infração e do acórdão recorrido e no mérito por negar provimento ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 1761DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.004634/2008-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007
LANÇAMENTO. NULIDADES. INEXISTÊNCIA.
A ação fiscal foi conduzida por servidor competente, que concedeu à recorrente os prazos legais para a apresentação de documentos e prestação de esclarecimentos; o Auto de Infração foi devidamente motivado e foi concedido ao sujeito passivo o prazo legal para a formulação de impugnação; a autuação ainda contém clara descrição do fato gerador da obrigação, da matéria tributável, do montante do tributo devido, da identificação do sujeito e da penalidade aplicável; e não houve nenhum prejuízo para os direitos de defesa e do contraditório.
RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO TRIBUTÁRIA. AQUISIÇÃO DE FUNDO OU ESTABELECIMENTO. CONTINUIDADE DA RESPECTIVA EXPLORAÇÃO.
Cabível a responsabilização tributária à luz do artigo 133 do CTN, quando o forte conteúdo probatório revela a existência de aquisição de fundo ou estabelecimento e a continuidade da respectiva exploração.
Numero da decisão: 2402-005.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Theodoro Vicente Agostinho, Jamed Abdul Nasser Feitoza. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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NULIDADES. INEXISTÊNCIA. A ação fiscal foi conduzida por servidor competente, que concedeu à recorrente os prazos legais para a apresentação de documentos e prestação de esclarecimentos; o Auto de Infração foi devidamente motivado e foi concedido ao sujeito passivo o prazo legal para a formulação de impugnação; a autuação ainda contém clara descrição do fato gerador da obrigação, da matéria tributável, do montante do tributo devido, da identificação do sujeito e da penalidade aplicável; e não houve nenhum prejuízo para os direitos de defesa e do contraditório. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO TRIBUTÁRIA. AQUISIÇÃO DE FUNDO OU ESTABELECIMENTO. CONTINUIDADE DA RESPECTIVA EXPLORAÇÃO. Cabível a responsabilização tributária à luz do artigo 133 do CTN, quando o forte conteúdo probatório revela a existência de aquisição de fundo ou estabelecimento e a continuidade da respectiva exploração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 46 34 /2 00 8- 18 Fl. 338DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Theodoro Vicente Agostinho, Jamed Abdul Nasser Feitoza. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal. Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10935.004634/200818 Acórdão n.º 2402005.989 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório A fiscalização lavrou o presente Auto de Infração (AI) DEBCAD 37.172.0087, por ter a empresa deixado de recolher as contribuições devidas à seguridade social, parte segurados, incidentes sobre as remunerações pagas/creditadas aos seus empregados e contribuintes individuais. Segundo o relatório fiscal da infração, a auditoria fiscal teria constatado que a autuada, até a competência 03/2008, encontravase exercendo as atividades empresariais no endereço da empresa RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA (RTS), utilizando a sua mesma infraestrutura, equipamentos e funcionários. Os fatos caracterizariam sucessão empresarial e a responsabilização tributária, nos termos do art. 133 do CTN e do art. 751 da IN SRP 3/05. Segue a descrição dos fatos constante do relatório fiscal: 8. [...] Iniciada a ação fiscal 0910300.2008.000539 em 08.02.2008 esta auditoria se dirigiu ao estabelecimento da RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA, cadastrada nos sistemas informatizados, tanto da Receita Federal do Brasil, quanto da Previdência Social, como Av. Parigot de Souza 1864 Toledo PR. Neste local a fiscalização foi recebida pelo Sr. RONALDO TAVARES DA SILVA. 9. Perguntado pela fiscalização, informou que no local encontravase funcionando a empresa AMM RETIFICADORA DE MOTORES LTDA CNPJ 08.958.074/000147. Sobre o endereço onde estava operando a empresa RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA e sobre o seu vínculo com as empresas, o Sr. RONALDO informou que a empresa RTS estava com as atividades encerradas e que não possuía vínculo com nenhuma das empresas. Informou que estava apenas prestando ajuda no local e, ainda, que o escritório ORCA CONTABILIDADE S/S LTDA, situado na Av. Parigot de Souza, 1986 sala 3 Toledo PR realizava a escrituração contábil das empresas. 10. Em seguida, na mesma data (08.02.2008) a auditoriafiscal dirigiuse ao já referenciado escritório contábil, tendo então dado ciência ao Termo de Início da Ação Fiscal TIAF a sra. NEURA GRANDI SAVARIS, contadora responsável pela área de pessoal do escritório, com prazo para atendimento da intimação em 12.02.2008. 11. A apresentação de documentos pelo escritório contábil, representando a RTS, foi efetuado parcialmente e de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal se limitava ao exercício de 2004. 12. Iniciado o exame dos documentos básicos para uma auditoriafiscal nas contribuições sociais incidentes sobre pagamentos/créditos de remunerações a segurados, tais como Fl. 340DF CARF MF 4 folhas e recibos de pagamentos e de férias, rescisões de contrato de trabalho, livro de registro de empregados, guias de recolhimento do FGTS e da Previdência Social e os livros contábeis dos registros comerciais, dentre outros, esta auditoria observou que a quase totalidade destes documentos eram assinados pelo sr RONALDO TAVARES DA SILVA. 13. Tal constatação, relativamente aos documentos do exercício financeiro de 2004, indicava que o sr. RONALDO TAVARES DA SILVA possuía um vínculo com a RTS mais amplo do que havia mencionado. Ademais, aplicavase ao caso concreto a hipótese da RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA POR SUCESSÃO da empresa AMM RETIFICADORA DE MOTORES LTDA SUCESSORA DE RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA, que continuou as atividades da empresa RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA (art. 133, do Código Tributário Nacional e art. 751, da Instrução Normativa SRP 3/2005). Tais fatos motivaram esta auditoria a requerer a ampliação do período a ser examinado na RTS, bem como a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal a ser cumprido na empresa AMM. 14. Tendo sido providenciada a ampliação do período a ser examinado na empresa RTS, bem como a abertura do procedimento fiscalizatório na AMM, esta auditoriafiscal em 26.02.2008 dirigiuse ao estabelecimento, sendo recebida novamente pelo sr. RONALDO TAVARES DA SILVA. Na oportunidade foi dada ciência ao Termo de Início da Ação Fiscal da AMM RETIFICADORA DE MOTORES LTDA SUCESSORA DE RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA, qualificandose o sr. RONALDO como gerente da empresa (vide cópia do TIAF). Contudo, se negou a cientificar o Termo da RTS COMÉRCIO DE PECAS LTDA. 15. A ciência ao Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, relativo a ampliação do período a ser examinado na RTS foi dada pela sra. NEIVA MARIA THEOBALD DA SILVA, contadora no escritório ORCA CONTABILIDADE S/S LTDA, em 26.02.2008. 16. Tendo sido cumpridas as Intimações cientificadas em 26.02.2008, ambas as empresas apresentaram os documentos/livros contábeis solicitados. 17. Ao examinar os documentos já mencionados no item 12 acima, esta auditoriafiscal pôde comprovar que o vínculo do sr. RONALDO TAVARES DA SILVA, com a empresa RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA foi ininterrupto, contínuo e habitual, estabelecido desde a constituição da pessoa jurídica (de 2003 até 2007). Reforçando: a integralidade da documentação (ou quase) que necessitava da assinatura dos sócios era por ele firmada, inclusive os livros de registro de empregados e contábeis (vide cópia de farta e extensa documentação comprobatória). 18. Além dos fatos acima narrados, outros constatados por esta auditoria levaramna a concluir sobre a aplicação da hipótese de incidência do art. 14, IV, da Lei n e 9.317/96 ao caso concreto Fl. 341DF CARF MF Processo nº 10935.004634/200818 Acórdão n.º 2402005.989 S2C4T2 Fl. 4 5 (exclusão do SIMPLES por constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios). 19. A empresa RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA, até o exercício financeiro de 2006, não possuía em seus registros contábeis um ativo imobilizado (máquinas, equipamentos e imóvel) compatível com algumas das atividades exercidas, tais como a retifica de motores. Não possuía, também, escrituração de despesas com aluguel. 20. A empresa AMM RETIFICADORA DE MOTORES LTDA SUCESSORA DE RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA também não possuía os elementos comerciais/industriais citados na alínea anterior e mais grave, até a competência março de 2008, estava utilizando os funcionários registrados na RTS para gerir suas atividades econômicas. 21. Diante de tais constatações, a auditoriafiscal intimou ambos contribuintes a apresentar documentos e prestar, até 14.03.2008, as seguintes informações: a) esclarecimento por escrito sobre a propriedade do imóvel localizado na Av. Parigot de Souza, 1864 Toledo PR, juntamente com os documentos comprobatórios: registro imobiliário, contrato de locação ou comodato, dentre outros; b) esclarecimento por escrito sobre o endereço de funcionamento das atividades ou sobre o encerramento das atividades da empresa RTS; c) na hipótese de encerramento das atividades, esclarecimento por escrito sobre a transferência de máquinas/equipamentos e do ponto comercial para empresa AMM RETIFICADORA DE MOTORES LTDA SUCESSORA DE RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA CNPJ 08.958.074/000147. 22) As intimações foram assinadas pelo sr. RONALDO em 11.03.2008 (vide cópias), se qualificando como gerente, inclusive na empresa RTS. Em razão dessas intimações, esteve presente na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cascavel, no dia 13.03.2008, o sr. ANTONIO MARCOS MONTEIRO, qualificado como sóciogerente no contrato social da empresa AMM RETIFICADORA DE MOTORES LTDA SUCESSORA DE RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA. 23) Na ocasião, em razão das robustas provas que se apresentavam até aquele momento da constituição das pessoas jurídicas (RTS e AMM) por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios (respectivamente, art. 14, IV, da Lei ne 9.317/96 e art. 29, IV, da Lei Complementar n s 123/2006), a auditoriafiscal resolveu entrevistar o sr. ANTÔNIO MARCOS MONTEIRO, na presença dos auditores fiscais ANTÔNIO CARLOS DE ALMEIDA matrícula 1286863 e ANTÔNIO CARLOS FIORI matrícula 1450704. O relatório decorrente da entrevista foi reduzido a um Termo de Constatação (cópia em anexo), cujo conteúdo transcrevemos: Fl. 342DF CARF MF 6 [...] 24) Deve ficar evidenciado que o sr. ANTONIO MARCOS MONTEIRO, sóciogerente constante do contrato social da empresa AMM RETIFICADORA DE MOTORES LTDA SUCESSORA DE RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA, somente confirmou verbalmente o que os documentos e os fatos já demonstravam, ou seja, que ele e outras pessoas foram utilizadas como interpostas pessoas para acobertar a constituição das pessoas jurídicas pelos verdadeiros sócios srs. RONALDO DA SILVA TAVARES e ROSALVO DA SILVA TAVARES. É muito provável que a interposição de pessoas na constituição das empresas decorreu em virtude da impossibilidade da opção pelos regimes de tributação diferenciada do SIMPLES e do SIMPLES NACIONAL, pois vejamos as "coincidências": 25) Outro ponto a se ressaltar é que, apesar da tentativa do sr. ANTONIO MARCOS MONTEIRO em prorrogar o prazo das intimações assinadas em 11.03.2008, o prazo fixado pela auditoriafiscal (14.03.2008) correu "in albis", motivo que ensejou a lavratura de Auto de Infração Obrigação Acessória AIOA 37.172.0028. Somente em 23.04.2008 as Intimadas protocolizaram na Delegacia da Receita Federal em Cascavel correspondência justificando pontos relativos à intimação. Nesta correspondência demonstraram certa indignação pelo requerimento das informações fiscais e, pelo seu conteúdo, consideraram prestados os devidos esclarecimentos, sendo, ainda, anexadas cópias dos seguintes documentos: [...] 26) Deve ficar destacado que somente prestou informações a empresa AMM, esclarecendo situações que envolviam ambas as empresas, com quarenta dias de atraso. Ademais não foi informada sobre a continuidade ou não das atividades da empresa RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA. 27) Ocorre, também, que os reconhecimentos das firmas constantes das cópias dos contratos anexados na prestação das informações não foram confirmados pelo 6º Tabelionato Mônica Malucelli, situado na Rua Comendador Araújo, 143 Curitiba Paraná. Procurado pessoalmente, o escrevente cartorário Sr. HENRIQUE LEMES DOS SANTOS informou que a sua assinatura aposta no carimbo do cartório era falsa. A falsidade foi posteriormente confirmada expressamente por meio de ofício (cópia em anexo). 28) Diante da gravidade do fato, a auditoriafiscal intimou em 13.05.2008, na pessoa do sr. RONALDO TAVARES DA SILVA, a RTS a apresentar os originais dos citados contratos, bem como comprovar a propriedade das máquinas, equipamentos e ferramentas locadas pela sra. LILIAN TAVARES DA SILVA para a empresa AMM RETIFICADORA DE MOTORES LTDA SUCESSORA DE RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA. 29) O fato é que a empresa RTS deixou o prazo (15.05.2008) passar em "branco", sem cumprimento do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD (cópia em anexo). Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10935.004634/200818 Acórdão n.º 2402005.989 S2C4T2 Fl. 5 7 30) Desta forma, por apresentar cópia de documento com informações diversas da realidade (reconhecimento de firma falsificada), a RTS incorreu na infração capitulada no art. 33, §§ 2º e 3º , da Lei n° 8.212/91 combinado com os arts. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Tal conduta da Auditada ensejou a aplicação de multa com a agravante prevista no art. 290, II, do Decreto n° 3.048/99. Ademais, o fato caracteriza "em tese" crime de falsidade ideológica, razão pela qual foi emitida Representação Fiscal para Fins Penais RFFP. 31) Paralelamente as provas acima citadas, outras evidências auxiliam na comprovação de que as empresas RTS e AMM foram constituídas por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios: a. as iniciais da empresa RTS coincidem com os nomes dos srs. RONALDO TAVARES DA SILVA e ROSALVO TAVARES DA SILVA; b. o sr. RONALDO TAVARES DA SILVA foi nomeado procurador da RTS, possuindo amplos e ilimitados poderes para administrar a sociedade (vide cópia da procuração); c. nas quatro oportunidades em que esta auditoria esteve na Av. Parigot de Souza 1684 Toledo PR, sempre foi atendida pelo sr. RONALDO, em seu escritório no 1º andar (vide cópias dos TIAFs e TIADs). d. o sr. RONALDO TAVARES DA SILVA sempre assinou tanto as CTPS dos empregados, como os documentos relativos a administração de pessoal, bem como os livros de registro de empregados e livros comerciais (vide cópias de farta e extensa documentação); e. o sr. RONALDO TAVARES DA SILVA sempre agiu como preposto das empresas nas ações trabalhistas movidas contra as Auditadas (vide cópias de reclamatórias trabalhistas); f. a sra. ELIANE GRUNFELD sócia ingressante da 1º alteração de contrato social da RTS outorgou procurações em caráter irretratável para o sr. RONALDO TAVARES DA SILVA efetuar a venda de imóveis em 2002 na cidade de Cascavel (vide cópias das procurações), demonstrando, desde data anterior a constituição da pessoa jurídica, possuírem estreitos vínculos de confiança; g. o sr. ROSALVO TAVARES DA SILVA constituiu, ainda, outra empresa com as mesmas iniciais de seu nome, ou seja, Lanchonete RTS Ltda CNPJ 82.432.188/000101; h. a sra. LILIAN TAVARES DA SILVA sóciagerente ingressante da 1º alteração de contrato social da RTS outorgou procuração para seu pai o sr. ROSALVO TAVARES DA SILVA efetuar a administração plena de todos os seus bens (vide cópia da procuração). Fl. 344DF CARF MF 8 i. na reclamatória trabalhista 00064200806809001 (cópia em anexo) movida por José Strelin contra as Auditadas, protocolada na Vara do Trabalho em Toledo em 17.01.2008 (data anterior ao início do procedimento fiscal), o empregado na petição inicial confirma: "As rés são geridas e administradas por um mesmo grupo econômico ou de pessoas. Ambas funcionam no mesmo edifício. O que as diferenciam são apenas o local de acesso e a placa de publicidade, sendo que para a primeira a entrada é pela Avenida Parigot de Souza e a segunda é pela rua México, que faz fundos com o edifício onde ambas estão instaladas. (...)" j . na reclamatória trabalhista 00334200806809004 (cópia em anexo), movida por Adelar de Almeida Bueno contra a RTS, protocolada na Vara do Trabalho em Toledo em 27.02.2008, o empregado na petição inicial informa: "(...). No presente caso há prova inequívoca da demissão arbitrária do autor, através de documentos ora anexados e assinados pelo representante do empregador Sr. Ronaldo Tavares da Silva." No AI DEBCAD 37.172.0095, integrante do PAF 10935.004632/200811, ainda foi apurada a infração consistente na apresentação da GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. De acordo com o relatório fiscal: [...] até a versão 7.0 do SEFIP, a Previdência Social considerava todas as declarações prestadas pelo contribuinte em GFIPs, mesmo que este prestasse a informação por diversas vezes. Com o advento da versão 8.0 do SEFIP, a entrega de uma nova GFIP retifica as demais informações anteriormente prestadas, sendo válidas para a Previdência Social somente as informações constantes da última versão da GFIP. Efetuados estes esclarecimentos, resta informar que a sucedida, de junho até dezembro de 2007, realizou, dentro de uma mesma competência, diversas entregas de GFIPs, todas com a utilização das versões 8.0 e seguintes do SEFIP, de forma a recolher parcialmente o FGTS em atraso de um empregado. Assim procedendo, declarou as informações para Previdência Social apenas deste empregado com o FGTS em atraso, deixando de prestar as informações dos demais segurados por ela remunerados. A contribuinte apresentou sua impugnação tempestivamente (cujos fundamentos são idênticos aos do seu recurso voluntário), a qual foi julgada improcedente pela DRJ. Intimada da decisão em 20/08/2009 (fl. 289), através de aviso de recebimento, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 21/09/2009 (fls. 293 e seguintes), no qual reafirmou as seguintes teses de defesa: Fl. 345DF CARF MF Processo nº 10935.004634/200818 Acórdão n.º 2402005.989 S2C4T2 Fl. 6 9 a) nulidade do acórdão recorrido diante da ausência de manifestação acerca da identidade de condutas imputadas pelo fisco neste auto de infração e no auto de infração 37.172.0036; b) conclusão açodada e inverídica de sucessão empresarial e constituição por interposta pessoa; c) a recorrente é pessoa jurídica distinta da RTS, tendo objetos e quadros societários diferentes; d) a reclamatória trabalhista mencionada no relatório fiscal foi extinta em relação à recorrente; e) o funcionário em questão jamais pertenceu ao seu quadro de funcionários; f) a RTS não encerrou suas atividades e tampouco o fez de forma irregular; g) a entrevista feita pela auditoria consigna dados inverídicos e sem razoabilidade, além de não ter qualquer valor probatório; h) o documento da entrevista é apócrifo; i) a Recorrente não se encontra estabelecida no endereço para onde foram encaminhadas todas as intimações e correspondências fiscais, as quais foram recebidas por terceiro, estranho ao seu quadro social, de forma que as autuações seriam nulas; j) não há provas dos fatos imputados à recorrente e as autuações estão baseadas em ilações; k) a autoridade fiscal se limitou em indicar como motivos e fundamentos os artigos da Lei n° 8.212/91, os quais, de forma isolada, nada dizem; l) a recorrente não pode ser demandada por obrigações de terceiros e sempre declarou o que havia a declarar. Ao final, a recorrente pediu o cancelamento do Auto de Infração. O julgamento do recurso foi convertido em diligência, diante da conexão ou continência entre os lançamentos fiscais decorrentes da obrigação tributária principal (AIs 37.172.0087, 37.172.0036, 37.172.0044, 37.172.0052, 37.172.0060 e 37.172.0079) e o auto de infração 37.172.0095. Houve a prolatação de despacho de conexão e todos os Autos foram distribuídos a este Conselheiro. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 346DF CARF MF 10 Voto Vencido Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Da nulidade das autuações No requerimento final de seu recurso, o sujeito passivo pede a improcedência do auto de infração, afirmandoo por razões de mérito. Vejase: Em face de todo exposto, requer sejam recebidas as presentes razões, para ao final julgar improcedente o auto de infração em questão, pela esteira de argumentos despendidos, culminando com seu CANCELAMENTO INTEGRAL, POR SEUS PRÓPRIOS MÉRITOS [...]. Ocorre que, na fundamentação, o sujeito passivo defende a existência daquilo que chamou de nulidade das autuações e notificações. Preliminarmente, portanto, é necessário verificar se há nulidades. Nesse tocante, observase que a ação fiscal foi conduzida por servidor competente, que concedeu à recorrente os prazos legais para a apresentação de documentos e prestação de esclarecimentos; o Auto de Infração foi devidamente motivado e foi concedido ao sujeito passivo o prazo legal para a formulação de impugnação; a autuação ainda contém clara descrição do fato gerador da obrigação, da matéria tributável, do montante do tributo devido, da identificação do sujeito e da penalidade aplicável; e não houve nenhum prejuízo para os direitos de defesa e do contraditório. Vejase que o Auto de Infração foi devidamente recepcionado, tanto que a recorrente apresentou sua impugnação de forma tempestiva, sendo equivocado afirmar que ela não se encontraria no endereço informado. Por outro lado, é amplamente sabido que somente há nulidade quando o descumprimento de uma regra legal ou infralegal cause prejuízo ao direito de defesa do contribuinte. As eventuais formalidades constantes da legislação tributária não constituem um fim em si mesmas, mas sim representam um meio de assegurar o direito do devido processo legal. O contribuinte ou responsável tem todo o direito de saber os fatos contra si imputados e as provas nos quais ele se alicerçam. Todos os atos e termos devem ser lavrados por pessoa competente, e os despachos e as decisões devem ser devidamente fundamentados, e de forma alguma pode, por qualquer via, ser preterido o direito de defesa. Expressandose de outra forma, e apoiandose na inexcedível doutrina do professor Leandro Paulsen, "a nulidade não decorre propriamente do descumprimento do Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10935.004634/200818 Acórdão n.º 2402005.989 S2C4T2 Fl. 7 11 requisito formal, mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa assegurado constitucionalmente"1, já que as formalidades "não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa"2. Neste caso concreto, a recorrente fez alegações extremamente genéricas acerca do cerceamento do seu direito de defesa. Nem mesmo num patamar mínimo aceitável, ela precisou de que forma estaria caracterizado tal cerceamento. É óbvio que, a depender do grau de deficiência da instrução processual ou da decisão prolatada no processo administrativo, o sujeito passivo realmente não tem como fazer uma indicação mais detalhada, mas não é isso que ocorre neste caso. Pelo contrário, todos os atos foram devidamente fundamentados e foram assegurados todos os prazos para a apresentação de defesa e documentos. Finalmente, e quanto à não devolução dos livros contábeis, não há qualquer prova das alegações formuladas pela contribuinte. Ou seja, a fiscalização transcorreu dentro da mais restrita legalidade e não houve qualquer inobservância ao direito de defesa, rejeitandose, portanto, a preliminar de nulidade. 3 Da nulidade do acórdão recorrido Nesse ponto, a recorrente discorre sobre a nulidade do acórdão recorrido, diante da ausência de manifestação acerca da identidade de condutas imputadas pelo fisco neste auto de infração e no auto de infração 37.172.0036. Em outras palavras, a recorrente afirma que a presente autuação está exigindo as mesmas rubricas exigidas no auto de infração 37.172.0036, o que já havia suscitado em sede de impugnação, sem que a DRJ tenha enfrentado esse argumento. Analisandose a peça impugnatória, efetivamente se observa que o sujeito passivo vinha defendendo a existência de duplicidade de cobrança. Vejase excerto extraído da folha 33: Ocorre que uma análise detida do Processo Administrativo Auto de Infração n° 37.172.0036, dá conta de que a exata exação, inclusive com idênticos fundamentos legais, foram utilizadas neste feito, como se depreende da imputações lá lançadas, verbis: O acórdão recorrido, contudo, realmente não enfrentou esse argumento. Foram julgadas as teses atinentes à exclusão do simples nacional, à sucessão empresarial, à motivação do lançamento, ao prejuízo do direito de defesa, à instrução probatória e à devolução de documentos, mas não se vislumbra qualquer pronunciamento 1 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 10. ed. rev. atual. Porto Alegre: Livraria do Advogado; ESMAFE, 2008, p. 133. 2 PAULSEN, Leandro. Obra citada, p. 133. Fl. 348DF CARF MF 12 acerca da duplicidade de cobrança, o que ensejaria a declaração de nulidade da decisão recorrida. Ocorre que, na dicção do § 3º do art. 59 do Decreto 70.235/72, "quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta". Como se verá no tópico seguinte, a decisão de mérito é favorável à recorrente, o que enseja a aplicação do dispositivo legal mencionado. 4 Da sucessão empresarial Questão de fundamental importância para a solução deste caso é (i) a existência ou não de sucessão de atividade empresarial por aquisição de fundo de comércio ou estabelecimento comercial; e (ii) a cessação da exploração do comércio pela empresa adquirida, uma vez que a acusação fiscal parte desse pressuposto e também porque a principal tese de defesa se sustenta nessa quadra. Iniciandose pela norma, o art. 133 do CTN prevê a existência de responsabilidade pelos tributos à pessoa que adquirir de outra, por qualquer título, fundo ou estabelecimento, e continuar a respectiva exploração, sendo essa responsabilidade integral, caso o alienante cesse as atividades. Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: I integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; Como se vê, o fato de a empresa dita sucessora ocupar o mesmo imóvel antes ocupado pela empresa dita sucedida não é suficiente para ensejar a responsabilidade de que trata o artigo. Deve haver a aquisição do fundo ou estabelecimento, compreendido como todo complexo de bens organizado, para exercício da empresa, por empresário, ou sociedade empresária (art. 1142 do CC). Art. 1.142. Considerase estabelecimento todo complexo de bens organizado, para exercício da empresa, por empresário, ou por sociedade empresária. A distinção entre local e fundo ou estabelecimento não é sutil; e a sucessão por conta da alienação do estabelecimento ou fundo faz sentido porque eles constituem um ativo da empresa, aos quais se vinculam os tributos devidos até a data do ato. Conforme a doutrina do professor Ives Gandra da Silva Martins: [...] fundo de comércio não se confunde com ponto comercial. Fundo é a integralidade dos bens patrimoniais, inclusive os de natureza pessoal e de valor imaterial, e não apenas um local, Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10935.004634/200818 Acórdão n.º 2402005.989 S2C4T2 Fl. 8 13 para exploração de idênticas atividades, mas não da respectiva atividade. A expressão ... implica sempre um sentido de universalidade. A aquisição, portanto, apenas pode ser caracterizada como geradora de obrigações tributárias, quando a assunção do estabelecimento ... implicar a aquisição da universidade dos bens, do fundo de comércio, das marcas, da clientela específica do good will [...]3. Como reforço, vejase que a parte final do art. 133 restringe a responsabilidade do adquirente pelos tributos "relativos" ao fundo ou estabelecimento adquirido. Ainda que não contabilizados, o fundo ou estabelecimento são uma medida de grandeza da entidade, fazendo todo sentido responderem pelos tributos que lhes são correlatos. A doutrina de Luís Eduardo Schoueri está expressa nos seguintes termos: [...] a sucessão exige transferência de estabelecimento ou fundo de comércio. Se um mesmo imóvel, antes ocupado por uma empresa, é ocupado por outro, noutro ramo de atividade, não há que se falar em sucessão; se a nova empresa ocupa o mesmo imóvel e mantém o mesmo objeto, então é possível que se cogite de transferência de fundo de comércio, a ensejar a sucessão (matéria que deve ser verificada em cada caso) 4. A par da transferência do fundo ou estabelecimento, a norma ainda determina a continuidade da "respectiva exploração" como critério de aplicação da responsabilidade tributária, conforme se demonstrou na transcrição do dispositivo legal e na doutrina do professor Ives Gandra da Silva Martins. Neste caso concreto, contudo, sequer há identidade entre os objetos sociais de ambas as empresas, na medida em que a RTS era uma empresa de comércio de auto peças, ao passo que a AMM era uma retificadora de motores (vide denominação social de ambas as sociedades e contratos constitutivos de fls. 710/711 e 903/905). Logo, não há que se falar em continuidade da respectiva exploração. Ademais, a despeito de todos os indícios apurados em sede de fiscalização, como amplamente relatado acima, a autoridade também não demonstrou que a recorrente passou a se utilizar dos mesmos ativos tangíveis ou intangíveis que pertenciam à RTS, tais como máquinas, equipamentos, veículos, marcas, etc, tampouco que tenha explorado a mesma clientela. Não houve, ainda, prova da relação de continuidade entre a atividade anteriormente exercida pela RTS e a atividade da recorrente. Nesses termos, a autuação carece de provas da aquisição do fundo ou estabelecimento comercial. 3 Citado por PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 10. ed. rev. atual. Porto Alegre: Livraria do Advogado; ESMAFE, 2008, p. 942. 4 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito tributário. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2017, p. 611. Fl. 350DF CARF MF 14 Isto é, muito embora haja provas a respeito (i) da constituição de empresas por interpostas pessoas; (ii) da utilização, pela AMM, de parte dos empregados registrados na RTS; e (iii) fortes indícios de falsificação de documentos, fatos estes de grande gravidade e que podem repercutir da esfera penal, entendese que a autoridade fiscal não demonstrou a subsunção dos fatos concretos à norma do art. 133 do CTN, principalmente diante da falta de comprovação da alienação do estabelecimento e da continuidade da respectiva exploração. Como dito, os objetos sociais de ambas as empresas eram distintos e a administração fazendária não conseguiu provar que a recorrente se utilizou dos mesmos ativos da pessoa jurídica dita sucedida. Sabese das dificuldades que a fiscalização tem em procedimentos de tal natureza, mas, por outro lado, não se pode perder de vista que tal procedimento tem um viés fortemente acusatório, cabendo à autoridade empreender todos os esforços para demonstrar a efetiva ocorrência do fato gerador e de todos os requisitos legais para a aplicação da norma de responsabilidade por sucessão. A norma de responsabilização, além de pressupor a ocorrência do fato gerador, tem requisitos específicos. Expressandose de outra forma, a extensão da relação jurídicotributária, que originariamente recaía sobre determinada pessoa, a um terceiro, requer a ocorrência de todos os elementos fáticos previstos em lei, ou seja, a concretização de todas as circunstâncias legais atinentes à responsabilidade tributária. A responsabilidade pressupõe a regramatriz de incidência e a regramatriz de responsabilidade, cada uma com seus pressupostos fáticos e seus sujeitos próprios (contribuintes/solidários e responsáveis). Por todos esses motivos, entendese que não há como se aplicar o art. 133 ao caso concreto, devendo ser dado provimento ao recurso, para cancelar a autuação e o lançamento. 5 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER do recurso voluntário, para REJEITAR A PRELIMINAR DE NULIDADE e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10935.004634/200818 Acórdão n.º 2402005.989 S2C4T2 Fl. 9 15 Voto Vencedor Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Redator designado Designado para redigir o voto vencedor, passo a abordar as matérias apontadas nos itens 3 e 4 do voto do relator. Da nulidade do acórdão recorrido. Sustenta a recorrente que não teria havido manifestação acerca da identidade de condutas imputadas pelo fisco neste auto de infração e no auto de infração 37.172.0032. É dizer: alega que a presente autuação está exigindo as mesmas rubricas exigidas no auto de infração 37.172.0032, o que já havia suscitado em sede de impugnação, sem que a DRJ tivesse enfrentado esse argumento. Notese que referida alegação, tal como formulada, não demandará, para sua apreciação, qualquer manifestação de cunho decisório por parte de colegiado a ensejar eventual supressão de instância e violação ao duplo grau de jurisdição administrativa. Ao contrário, as considerações adiante, além de procurarem esclarecer a possível dúvida do recorrente, prestigiam os princípios, dentre outros, da eficiência, oficialidade e da celeridade processual. O presente feito, formalizado sob o nº 10935.004634/200818, trata, especificamente, do débito constituído de nº 37.172.0044, ao passo que os demais, como abaixo tabulados, de débitos com distintos fatos geradores e tipos tributários próprios. Vejase: PAF DÉBITO MATÉRIA PERÍODO 10935.004632/200811 37.172.0095 MULTA FATOS GERADORES NÃO DECLARADO EM GFIP 23/07/2007 10935.004634/200818 37.172.0087 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL PARTE SEGURADOS EMPREGADOS DECLARADOS EM GFIP 06/2007 a 12/2007 10935.004635/200854 37.172.0079 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL PARTE PATRONAL CONT .INDIVIDUAL . PAGTO A RONALDO T DA SILVA 07/2007 a 12/2007 10935.004636/200807 37.172.0060 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL PARTE SEGURADOS CONT .INDIVIDUAL PAGTO A RONALDO T DA SILVA 07/2007 a 12/2007 10935.004637/200843 37.172.0052 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL PARTE PATRONAL 07/2007 a 12/2007 10935.004638/200898 37.172.0044 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL ENTIDADES CONVENIADAS TERCEIROS 07/2007 a 12/2007 10935.004640/200867 37.172.0036 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL PARTE SEGURADOS EMPREGADOS NÃO DECLARADOS EM GFIP 07/2007 a 12/2007 10935.004631/200876 37.172.0109 MULTA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS NÃO CONDIZENTES COM A REALIDADE 10935.004630/200821 37.172.0117 MULTA NÃO APRESENTAÇÃO DE INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS Nesse sentido, o resumo acima propõese, tão somente, seja esclarecida a dúvida manifestada pelo recorrente. Da sucessão empresarial Em que pese o muito bem fundamentado voto do relator, ouso a, neste ponto, discordar de sua conclusão. Ao artigo 133 do CTN, ao tratar da responsabilidade pela sucessão empresarial, assim dispõe: Fl. 352DF CARF MF 16 Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: I integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; (...) O ponto sob análise resumese a determinar se houve, ou não, a efetiva aquisição do "fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional" e a continuidade da "respectiva exploração". Os fatos trazidos pela Fiscalização, ladeados aos elementos que constam dos autos, evidenciam que, a meu ver e sem sobras de dúvidas, a recorrente adquiriu o fundo de comércio da pessoa jurídica RTS, mantendo, inclusive, a exploração da mesma atividade empresarial. Vejamos: Iniciada a ação fiscal _0910300.2008.000539 em 08.02.2008 a auditoria se dirigiu ao estabelecimento da RTS COMERCIO DE PEÇAS LTDA, cadastrada nos sistemas informatizados, tanto da Receita Federal do Brasil, quanto da Previdência Social, como Av. Parigot de Souza 1864 Toledo PR. Neste local a fiscalização foi recebida pelo Sr. RONALDO TAVARES DA SILVA. Perguntado pela Fiscalização, informou que no local encontravase funcionando a empresa AMM RETIFICADORA DE MOTORES LTDA CNPJ 08.958.074/000147. Sobre o endereço onde estava operando a empresa RTS COMERCIO DE PEÇAS LTDA e sobre o seu vínculo com as empresas, o Sr. RONALDO informou que a empresa RTS estava com as atividades encerradas e que não possuía vínculo com nenhuma das empresas. Informou que estava apenas prestando ajuda no local e, ainda, que o escritório ORCA CONTABILIDADE SIS LTDA, situado na Av. Parigot de Souza, 1986 sala 3 Toledo PR realizava a escrituração contábil das empresas. Em seguida, na mesma data (08.02.2008) a auditoriafiscal dirigiuse ao já referenciado escritório contábil, tendo então dado ciência ao Termo de Início da Ação Fiscal TIAF a sra. NEURA GRANDI SAVARIS, contadora responsável pela área de pessoal do escritório, com prazo para atendimento da intimação em 12.02.2008. A apresentação de documentos pelo escritório contábil, representando a RTS, foi efetuado parcialmente e de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal se limitava ao exercício de 2004. Iniciado o exame dos documentos básicos para uma auditoriafiscal nas contribuições sociais incidentes sobre pagamentos/créditos de remunerações a segurados, tais como folhas e recibos de pagamentos e de ferias, rescisões de contrato de trabalho, livro de registro de empregados, guias de recolhimento do FGTS e da Previdência Social e os livros contábeis dos registros comerciais, dentre outros, observouse que a quase totalidade destes documentos eram assinados pelo sr. RONALDO TAVARES DA SILVA. Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10935.004634/200818 Acórdão n.º 2402005.989 S2C4T2 Fl. 10 17 Tal constatação, relativamente aos documentos do exercício financeiro de 2004, indicava que o sr. RONALDO TAVARES DA SILVA possuía um vínculo com a RTS mais amplo do que havia mencionado. Ademais, aplicase ao caso concreto a hipótese da RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTARIA POR SUCESSAO, da empresa AMM RETIFICADORA DE MOTORES LTDA SUCESSORA DE RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA, que continuou as atividades da empresa RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA (art. 133, do Código Tributário Nacional e art. 751, da Instrução Normativa SRP 3/2005). Tais fatos motivaram a Fiscalização a requerer a ampliação do período a ser examinado na RTS, bem como a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal a ser cumprido na empresa AMM. Tendo sido providenciada a ampliação do período a ser examinado na empresa RTS, bem como a abertura do procedimento fiscalizatório na AMM, a auditoriafiscal em 26.02.2008 dirigiuse ao estabelecimento, sendo recebida novamente pelo sr. RONALDO TAVARES DA SILVA. Na oportunidade foi dada ciência ao Termo de Inicio da Ação Fiscal da AMM RETIFICADORA DE MOTORES LTDA, SUCESSORA DE RTS COMÉRClO DE PEÇAS LTDA, qualificandose o sr. RONALDO como gerente da empresa (vide cópia do TIAF). Contudo, teria se negado a cientificar o Termo da RTS COMERCIO DE PEÇAS LTDA. A ciência ao Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, relativo a ampliação do período a ser examinado na RTS foi dada pela sra. NEIVA MARIA THEOBALD DA SILVA, contadora no escritório ORCA CONTABILIDADE S/S LTDA, em 26.02.2008. Tendo sido cumpridas as intimações cientificadas em 26.02.2008, ambas as empresas apresentaram os documentos/livros contábeis solicitados. Ao examinar os documentos já mencionados no item acima, a auditoriafiscal pode comprovar que o vínculo do sr. RONALDO TAVARES DA SILVA, com a empresa RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA foi ininterrupto, contínuo e habitual, estabelecido desde a constituição da pessoa jurídica (de 2003 até 2007). Reforçando: a integralidade da documentação (ou quase) que necessitava da assinatura dos sócios era por ele firmada, inclusive os livros de registro de empregados e contábeis (vide cópia de farta e extensa documentação comprobatória). Além dos fatos acima narrados, outros constatados pela auditoria levaramna a concluir sobre a aplicação da hipótese de incidência do art. 14, IV, da Lei n° 9.317/96 ao caso concreto (exclusão do SIMPLES por constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios). A empresa RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA, até o exercício financeiro de 2006, não possuía em seus registros contábeis um ativo imobilizado (maquinas, equipamentos e imóvel) compatível com algumas das atividades exercidas, tais como a retifica de motores. Não possuía, também, escrituração de despesas com aluguel. A empresa AMM RETIFICADORA DE MOTORES LTDA SUCESSORA DE RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA também não possuía os elementos comerciais/industriais citados no parágrafo anterior e mais grave, até a competência março de 2008, estava utilizando os funcionários registrados na RTS para gerir suas atividades econômicas. Fl. 354DF CARF MF 18 Diante de tais constatações, a auditoriafiscal intimou ambos contribuintes a apresentar documentos e prestar, ate 14.03.2008, as seguintes informações: a) esclarecimento por escrito sobre a propriedade do imóvel localizado na Av. Parigot de Souza, 1864 Toledo PR, juntamente com os documentos comprobatórios: registro imobiliário, contrato de locação ou comodato, dentre outros; b) esclarecimento por escrito sobre o endereço de funcionamento das atividades ou sobre o encerramento das atividades da empresa RTS; c) na hipótese de encerramento das atividades, esclarecimento por escrito sobre a transferência de maquinas/equipamentos e do ponto comercial para empresa AMM RETIFICADORA DE MOTORES LTDA SUCESSORA DE RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA CNPJ 08.958.074/000147. As intimações foram assinadas pelo sr. RONALDO em 11.03.2008 (vide cópias), se qualificando como gerente, inclusive na empresa RTS. Em razão dessas intimações, esteve presente na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cascavel, no dia 13.03.2008, o sr. ANTONIO MARCOS MONTEIRO, qualificado como sóciogerente no contrato social da empresa AMM RETIFICADORA DE MOTORES LTDA SUCESSORA DE RTS COMERCIO DE PEÇAS LTDA. Na ocasião, em razão das robustas provas que se apresentavam até aquele momento da constituição das pessoas jurídicas (RTS e AMM) por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios (respectivamente, art. 14, IV, da Lei n° 9.317/96 e art. 29, IV, da Lei Complementar n° 123/2006), a auditoriafiscal resolveu entrevistar o sr. ANTÔNIO MARCOS MONTEIRO, na presença dos auditores fiscais ANTÔNIO CARLOS DE ALMEIDA matricula 1286863 e ANTÔNIO CARLOS FIORI matricula 1450704. O relatório decorrente da entrevista foi reduzido a um Termo de Constatação, cujo conteúdo segue transcrito a baixo: () II RELATÓRIO MARCOS ALBERTO SUSSUMU LOURENÇO, matricula SIAPE 2205369, na presença das testemunhas ANTÔNIO CARLOS FIORI matricula SIAPE 1450704 e ANTÔNIO CARLOS DE ALMEIDA matrícula SIAPE 1286863, todos auditores fiscais da Receita Federal do Brasil, no dia 13 de março de 2008 as 16h e 30min, considerando o comparecimento do sóciogerente da empresa identificada na epígrafe nesta delegacia da Receita Federal do Brasil, Sr. ANTÔNIO MARCOS MONTEIRO, portador da carteira de 'identidade civil RG 5.281.6440 (SSP PR) e do CPF 809.023.91968, com o objetivo de protocolar pedido de prorrogação de prazo para apresentação de documentos, decorrente da intimação assinada em 11 de março de 2008 (cópia em anexo), procedeu a oitiva deste, visando esclarecer pontos relativos aos procedimentos fiscais 0910300.2008.00053 e 0910300.2008.00128, tendo ocorrido os seguintes fatos: a) Indagado sobre a data de inicio das atividades da empresa AMM que não se arriscaria a dizer a data, pois poderia fornecer uma informação incorreta; Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10935.004634/200818 Acórdão n.º 2402005.989 S2C4T2 Fl. 11 19 b) Indagado sobre sua experiência profissional relacionada com a atividade da empresa que já exerceu e exerce diversas atividades para muitas pessoas, dentre estas o sr. Rosalvo Tavares da Silva; c) Perguntado sobre o tipo de vínculo pessoal ou profissional com o sr. Rosalvo Tavares da Silva que há muito tempo conhece e trabalha para ele sem vínculo empregatício, realizando serviços gerais; d) Perguntado sobre como conheceu o sr. Ronaldo Tavares da Silva que o conheceu em razão de ser irmão do sr. Rosalvo Tavares da Silva; e) Indagado sobre a administração da AMM Retificadora de Motores Ltda que não administra a empresa; que é o sr. Ronaldo Tavares da Silva que efetivamente realiza a administração da empresa; que somente presta serviços gerais como motorista, mecânico e outros como entrega de documentos (similares a atividade de "office~boy" termo não utilizado pelo declarante); que ao necessitar de dinheiro para custear despesas requer a empresa AMM o pagamento pelos serviços realizados; que trabalha muito em diversas atividades e para diversos tomadores de serviço; f) Perguntado sobre ser o proprietário da empresa AMM Retificadora de Motores Ltda que seu nome consta dos documentos de constituição da empresa, mas de forma confusa relatou que seria o sr. Rosalvo Tavares da Silva o verdadeiro proprietário da empresa. Naquele momento da entrevista, o declarante se mostrou embaraçado e confuso, dizendo que estava realizando uma entrega no CEASA em Cascavel, quando recebeu uma ligação telefônica, onde o interlocutor lhe disse ser necessário entregar um documento na Receita Federal (o declarante não informou o nome do interlocutor). Apesar de ser portador e de ter assinado o documento acima referido, o declarante informou que não entendia a que este se prestava, perguntando se poderia deixar de prestar as informações requeridas pela auditoria fiscal. Considerando o estado psicológico de dúvidas que se abateu sobre o declarante, a Fiscalização informou que ele não estava obrigado a dar continuidade à entrevista. Aproveitando o momento, prestouse ao declarante algumas informações relativas ao procedimento fiscal, além das possíveis repercussões legais daí decorrentes. Nesse sentido, foram esclarecidos, em síntese, os seguintes pontos: que de acordo com o art. 133, do Código Tributário Nacional a empresa AMM Retificadora de Motores Ltda seria considerada sucessora da empresa RTS Comércio de Peças Ltda, devendo aquela assumir a responsabilidade pelos tributos devidos aos cofres públicos; que sucedida e sucessora se encontravam em débito com a Seguridade Social, inclusive de contribuições sociais objeto “em tese" dos crimes de “apropriação indébita previdenciária” e “sonegação"; Fl. 356DF CARF MF 20 que os administradores das sociedades poderiam vir a responder aos processos penais decorrentes de tais crimes; e que a constituição de uma empresa por “interposta pessoa" estaria capitulada como um procedimento ilegal. Dadas as explicações, a auditoriafiscal indagou se as informações prestadas estavam suficientemente claras para o declarante. Neste ponto o declarante, de forma titubeante, chegou a se expressar que seria, então, um “laranja” do sr. Rosalvo. A auditoria fiscal, então, explicoulhe que caso não fosse “de fato" sócio da empresa. este seria o nome comumente utilizado. O declarante, num lampejo de emoção, disse: que estava preparado para cumprir penalidades comunitárias alternativas, chegando a mencionar que “tinha entrado numa fria", que trabalhava muito somente para sobreviver; que se encontrava passando por dificuldades no relacionamento com sua esposa; que estava pensando, inclusive, em trabalhar no Paraguai, pais onde já havia vivido e trabalhado; e que a partir do momento em que havia tido recursos financeiros apreendidos durante o Plano Collor, havia se decepcionado com o governo brasileiro. Considerando o estado emocional do declarante; Considerando o pedido verbal do declarante para interromper a entrevista formal e para não assinar o termo circunstanciado; Considerando, ainda, que o declarante demonstrava não entender o real conteúdo e finalidade do documento que, portava para protocolo; A Fiscalização interrompeu, naquele momento, a entrevista para obtenção de esclarecimentos, bem como resolveu emitir este termo de constatação, visto que os fatos então narrados teriam ocorrido na presença das testemunhas arroladas adiante. Evidenciouse que o sr. ANTONIO MARCOS MONTEIRO, sóciogerente constante do contrato social da empresa AMM RETIFICADORA DE MOTORES LTDA SUCESSORA RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA, somente confirmou verbalmente o que os documentos e os fatos já demonstravam, ou seja, que ele e outras pessoas foram utilizadas como interpostas pessoas para acobertar a constituição das pessoas jurídicas pelos verdadeiros sócios srs. RONALDO DA SILVA TAVARES e ROSALVO DA SILVA TAVARES. E muito provável que a interposição de pessoas na constituição das empresas decorreu em virtude da impossibilidade da opção pelos regimes de tributação diferenciada do SIMPLES e do SIMPLES NACIONAL, pois vejamos as “coincidências": I a constituição da RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA ou da AMM RETIFICADORA DE MOTORES LTDA SUCESSORA DE RTS COMERCIO DE PEÇAS LTDA, pelos srs. RONALDO TAVARES DA SILVA e ROSALVO TAVARES DA SILVA, impossibilitaria a opção pelo sistema de tributação, respectivamente, do SIMPLES e do SIMPLES NACIONAL, haja vista já serem sócios das seguintes empresas: Auto Posto Tavares Ltda CNPJ 00.797.920/000182, Fidelcino Santos & Cia Ltda CNPJ 00.219.670/000101, Jr Adminstração e Participações Ltda CNPJ 36.956.589/000143, O. Nunes & Tavares Ltda CNPJ 79.782.660/000121, Lanchonete RTS Ltda CNPJ 82.432.188/000101 e Rosalvo Tavares Da Silva 8. Cia Ltda CNPJ 72.566.953/000122 (vedações constantes do art. 9°,lX, Lei 9.317/96 e do art. 3°, §4°, IV, da Lei Complementar 123/2006); Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10935.004634/200818 Acórdão n.º 2402005.989 S2C4T2 Fl. 12 21 II a mudança da opção do SIMPLES para o SIMPLES NACIONAL pela RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA, que poderia ser requerida no mês de julho de 2007 (data de constituição da AMM RETIFICADORA DE MOTORES LTDA SUCESSORA DE RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA) não seria possível em razão da existência de débitos para com a Seguridade Social declarados em GFIP. Outro ponto a se ressaltar é que, apesar da tentativa do sr. ANTONIO MARCOS MONTEIRO em prorrogar o prazo das intimações assinadas em 11.03.2008, o prazo fixado pela auditoriafiscal (14.03.2008) correu “in albis", motivo que ensejou a lavratura de Auto de Infração Obrigação Acessória AIOA 37.172.0028. Somente em 23.04.2008 as intimadas protocolizaram na Delegacia da Receita Federal em Cascavel correspondência justificando pontos relativos à intimação. Nesta correspondência demonstraram certa indignação pelo requerimento das informações fiscais e, pelo seu conteúdo, consideraram prestados os devidos esclarecimentos, sendo, ainda, anexadas cópias dos seguintes documentos: a) certidão n° 5165, do 1° Ofício do Registro de Imóveis da Comarca de Toledo/PR relativa ao lote urbano n° 7, da quadra 623, situado no Jardim Novo Bandeirantes; b) instrumento particular de compromisso de comodato para uso de imóvel comercial firmado entre as empresas RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA e AMM RETIFICADORA DE MOTORES LTDA SUCESSORA DE RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA datado de 10 de julho de 2007 e com reconhecimento das firmas na mesma data; c) instrumento particular de locação de maquinas e equipamentos firmado entre LILIAN TAVARES DA SILVA e AMM RETIFICADORA DE MOTORES LTDA SUCESSORA DE RTS COMERCIO DE PEÇAS LTDA datado de 10 de julho de 2007 e com reconhecimento das firmas na mesma data. Deve ficar destacado que somente prestou informações a empresa AMM, esclarecendo situações que envolviam ambas as empresas, com quarenta dias de atraso. Ademais, näo foi informada sobre a continuidade ou não das atividades da empresa RTS COMERCIO DE PEÇAS LTDA. Ocorre, também, que os reconhecimentos das firmas constantes das cópias dos contratos anexados na prestação das informações não foram confirmados pelo 6° Tabelionato Mônica Malucelli, situado na Rua Comendador Araújo, 143 Curiti_ba Parana. Procurado pessoalmente, o escrevente cartorário Sr. HENRIQUE LEMES DOS SANTOS informou que a sua assinatura aposta no carimbo do cartório era falsa. A falsidade foi posteriormente confirmada expressamente por meio de ofício (cópia em anexo), Diante da gravidade do fato, a auditoriafiscal intimou em 13.05.2008, na pessoa do sr. RONALDO TAVARES DA SILVA, a RTS a apresentar os originais dos citados contratos, bem como comprovar a propriedade das máquinas, equipamentos e ferramentas locadas pela sra. LILIAN TAVARES DA SILVA para a empresa AMM RETIFICADORA DE MOTORES LTDA SUCESSORA DE RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA. Fl. 358DF CARF MF 22 O fato é que a empresa RTS deixou o prazo (15.05.2008) passar em "branco", em cumprimento do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD (cópia em anexo). Paralelamente as provas acima citadas, outras evidências auxiliam na comprovação de que as empresas RTS e AMM foram constituídas por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios: I As iniciais da empresa RTS coincidem com os nomes dos srs. RONALDO TAVARES DA SILVA e ROSALVO TAVARES DA SILVA; II O sr. RONALDO TAVARES DA SILVA foi nomeado procurador da RTS, possuindo amplos e ilimitados poderes para administrar a sociedade (vide cópia da procuração); III Nas quatro oportunidades em que esta auditoria esteve na Av. Parigot de Souza 1684 Toledo PR, sempre foi atendida pelo sr. RONALDO, em seu escritório no 1° andar (vide cópias dos TIAFs e TlADs). IV O sr. RONALDO TAVARES DA SILVA sempre assinou tanto as CTPS dos empregados, como os documentos relativos a administração de pessoal, bem como os livros de registro de empregados e livros comerciais (vide cópias de farta e extensa documentação); V O sr. RONALDO TAVARES DA SILVA sempre agiu como preposto das empresas nas ações trabalhistas movidas contra as Auditadas (vide cópias de reclamatórias trabalhistas); VI A sra. ELIANE GRUNFELD sócia ingressante da 1“ alteração de contrato social da RTS outorgou procurações em caráter irretratável para o sr. RONALDO TAVARES DA SILVA efetuar a venda de imóveis em 2002 na cidade de Cascavel (vide cópias das procurações), demonstrando, desde data anterior a constituição da pessoa jurídica, possuírem estreitos vínculos de confiança; VII O sr. ROSALVO TAVARES DA SILVA constituiu, ainda, outra empresa com as mesmas iniciais de seu nome, ou seja, Lanchonete RTS Ltda CNPJ 82.432.188/000101; VIII A sra. LILIAN TAVARES DA SILVA sóciagerente ingressante da 1” alteração de contrato social da RTS outorgou procuração para seu pai o sr. ROSALVO TAVARES DA SILVA efetuar a administração plena de todos os seus bens (vide copia da procuração). IX Na reclamatória trabalhista 000642008068O9001 (copia em anexo) movida por José Slrelin contra as Auditadas, protocolada na Vara do Trabalho em Toledo em 17.01.2008 (data anterior ao inicio do procedimento fiscal), o empregado na petição inicial confirma: “As rés são geridas e administradas por um mesmo grupo econômico ou de pessoas. Ambas funcionam no mesmo edifício. O que as diferenciam são apenas o local de acesso e a placa de publicidade, sendo que para a primeira a entrada é pela Avenida Parigot de Souza e a segunda é pela rua México, que faz fundos com o edifício onde ambas estão instaladas. (...)" Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10935.004634/200818 Acórdão n.º 2402005.989 S2C4T2 Fl. 13 23 X Na reclamatória trabalhista 003342008'O6809004 (cópia em anexo), movida por Adelar de Almeida Bueno contra a RTS, protocolada na Vara do Trabalho em Toledo em 27.02.2008, o empregado na petição inicial informa: “(...). No presente caso há prova inequívoca da demissão arbitrária do autor, através de documentos ora anexados e assinados pelo representante do empregador Sr. Ronaldo Tavares da Silva." No caso sob análise, a aparente, ou sob o ponto de vista formal, não identidade entre os objetos sociais de ambas as empresas, na medida em que a RTS seria uma empresa de comércio de auto peças, ao passo que a AMM, uma retificadora de motores, cede espaço ao forte conteúdo probatório que conduz à convicção de que a sucessora permaneceu exercendo o negócio da sucedida, seja pelo aproveitamento de parcela de seus funcionários, bem como de suas máquinas e equipamentos, seja pela "gerência" comum a cargo do Sr Ronaldo, seja ainda pelo o que constou na exordial da reclamatória trabalhista RT 56/2006, de 23.01.2006, no sentido de que o lá reclamante teria sido contratado para ocupar o cargo de montador de motor (motores em geral principalmente motores a diesel de caminhões, tratores, máquinas industriais, e outros) e que fazia também recuperação de motores velhos (desmontar, montar, lavar peças, fazer lubrificação, etc), atividades não compatíveis com as que se espera de um comércio e de auto peças. Somase às robustas evidências encimadas, a conduta reprovável dos gestores das empresas envolvidas que navegou desde a utilização de interposta pessoa à tentativa de aproveitamento de documento falso. Por todo o exposto, tenho que, neste caso, o reconhecimento da responsabilidade por sucessão é um imperativo. Nesse sentido, VOTO por CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR LHE provimento. Mauricio Nogueira Righetti (assinado digitalmente) Fl. 360DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.987768/2012-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
DIREITO DE DEFESA - AVALIAÇÃO CONCRETA
Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito.
Numero da decisão: 1401-001.951
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 DIREITO DE DEFESA - AVALIAÇÃO CONCRETA Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito.
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 DIREITO DE DEFESA AVALIAÇÃO CONCRETA Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 98 77 68 /2 01 2- 19 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10880.987768/201219 Acórdão n.º 1401001.951 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento que indeferiu manifestação de inconformidade apresentada contra despacho não homologatório de compensação declarada. No referido recurso, o contribuinte alega que a decisão recorrida: 1) não considerou os princípios constitucionais da motivação e da ampla defesa, o que impediu o particular de apresentar defesa e de demonstrar a existência do crédito; 2) o princípio da motivação foi violado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação da compensação sob o fundamento de inexistência do crédito, sem qualquer outro esclarecimento, enquanto a decisão de primeiro grau aduziu que havia fundamentação fazendo menção genérica a artigos genéricos da legislação tributária; 3) essas decisões impediram a recorrente de apresentar uma defesa concreta. Com base nesses fundamentos, o recorrente pede a nulidade do despacho decisório e a homologação da compensação. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401001.937, de 22.06.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.658691/201272. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401001.937): Evidentemente, os princípios constitucionais concretizadores do devido processo legal, como a fundamentação dos atos e decisões, a ampla defesa e o contraditório, devem ser atendidos também nos processos administrativos. Os particulares devem ser capazes de identificar as razões que motivaram as prescrições veiculadas nas manifestações das autoridades administrativas que se refiram a seus direitos. Nesse sentido, diferentemente do alegado pela recorrente, tanto o despacho decisório, quanto à decisão de primeira instância ofereceram com especificidade os elementos aptos ao particular Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10880.987768/201219 Acórdão n.º 1401001.951 S1C4T1 Fl. 4 3 identificar com precisão as razões concretas para não ter a compensação homologada. Em primeiro lugar, a Delegacia de Julgamento não fundamenta a sua decisão com base em menção genérica a dispositivos legais. Pelo contrário, sua análise é fática e específica. A decisão recorrida aponta de forma minuciosa as razões de fato que ensejaram o despacho decisório denegatório da homologação, as quais, com efeito, constam do referido despacho. Para haver compensação, é necessário o reconhecimento do indébito tributário, o qual, uma vez indeferido, corresponde ao próprio fundamento da não homologação. Claro que o indeferimento do crédito ao qual o contribuinte considera fazer jus também deve ser motivado, mas foi e em quadro próprio que compõe o despacho decisório atacado. O despacho decisório são se restringiu, diferentemente do alegado pelo recorrente, a apontar genericamente a inexistência do indébito. Em quadro próprio, apresenta as razões fáticas para o não reconhecimento do crédito alegado. Já a Delegacia de Julgamento discorre com minúcias acerca dessas razões fáticas. Reiteramos: sua decisão acerca da motivação do despacho decisório não se restringiu a alegações genéricas calcadas em dispositivos da legislação tributário, como indevidamente o recorrente afirma em sua peça recursal. Tal estratégia é que pode ser imputada ao contribuinte, pois, ao revés de buscar demonstrar concretamente o seu direito creditório, apegase exclusivamente, tanto na manifestação de inconformidade, quanto no recurso voluntário, na tentativa de anular os atos decisórios administrativos e na esperança de que uma decisão desse jaez tivesse também a consequência de homologar as compensações declaradas. Claro que nem um, nem o outro pedido pode ser deferido. Não podemos deixar de consignar que cabe ao particular comprovar o seu direito de crédito contra o Fisco, o que poderia ter sido realizado, em face do princípio da eventualidade, até em sede recursal. Afinal, a nulidade da despacho decisório, diferentemente do pretendido pelo recorrente, não pode ter por efeitos imediatos o reconhecimento do indébito tributário. A consequência natural é a necessidade de refazer os atos nulos, o que pode ser superada com o provimento de mérito a favor do particular, nos termos do art. 59, § 3º, do Decreto nº 70.235/72: § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Nada obstante, o contribuinte postouse numa cômoda, mas absolutamente indevida, condição de tecer alegações genéricas Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10880.987768/201219 Acórdão n.º 1401001.951 S1C4T1 Fl. 5 4 contra o despacho decisório sem envidar qualquer esforço concreto para demonstrar, no mérito, o seu direito de crédito contra o Fazenda Pública. É importante reiterar. Ainda que considerássemos nulo o despacho decisório e, conseguintemente, a decisão da Delegacia de Julgamento, tal nulidade não acarretaria o reconhecimento de indébito tributário e, conseguintemente, a homologação da compensação pretendida. Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 61DF CARF MF
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Numero do processo: 10768.906840/2006-63
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1998
ÔNUS DA PROVA. PROCESSO DE COMPENSAÇÃO.
O artigo 74, §§ 9º, 10 e 11 da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, predicam que o rito da compensação segue as regras do Decreto-lei nº 70.235, de 1972 (PAF), sendo que a prova de liquidez e certeza do crédito tributário pleiteado para fins de indébito tributário é do contribuinte.
DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. NÃO COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. TRATAMENTO MANUAL DE INFORMAÇÕES.
Eventual retificação dos valores confessados em DCTF devem ter por fundamento os dados da escrita fiscal do contribuinte acompanhados de documentação de suporte. Tendo sido o despacho decisório resultado de tratamento manual de informações, a falta de comprovação da retificação do débito confessado, em análise realizada com base em documentação apresentada pela empresa, demonstra com exatidão a inexistência do direito creditório pleiteado.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE SALDO NEGATIVO ORIGINADO EM ANOS ANTERIORES. APRECIAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. GLOSA DE SALDO NEGATIVO SEM TRIBUTO A PAGAR. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE.
Quando o crédito utilizado na compensação tem origem em saldos negativos de anos anteriores, há que se proceder com análise da apuração de cada um dos anos-calendário pretéritos, que serviram para a composição do saldo negativo utilizado como direito creditório. Trata-se de apreciação no qual não se aplica contagem de decadência, vez que se restringe à verificação da liquidez e certeza do crédito tributário.
Caso resulte em glosa de saldo negativo sem desdobramento em tributo a pagar, não se constitui em lançamento de ofício, razão pela qual não se submete à contagem do prazo decadencial. Trata-se de situação complemente diferente daquela em que a glosa do saldo negativo tem como resultado tributo a pagar, ocasião na qual o correspondente lançamento de ofício só poderá ser efetuado caso esteja dentro do prazo decadencial previsto na legislação tributária.
Numero da decisão: 9101-003.156
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento (i) por unanimidade de votos, em relação à necessidade de retificação da DCTF e (ii) por voto de qualidade, em relação à decadência, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pelo conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. O artigo 74, §§ 9º, 10 e 11 da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, predicam que o rito da compensação segue as regras do Decretolei nº 70.235, de 1972 (PAF), sendo que a prova de liquidez e certeza do crédito tributário pleiteado para fins de indébito tributário é do contribuinte. DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. NÃO COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. TRATAMENTO MANUAL DE INFORMAÇÕES. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF devem ter por fundamento os dados da escrita fiscal do contribuinte acompanhados de documentação de suporte. Tendo sido o despacho decisório resultado de tratamento manual de informações, a falta de comprovação da retificação do débito confessado, em análise realizada com base em documentação apresentada pela empresa, demonstra com exatidão a inexistência do direito creditório pleiteado. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE SALDO NEGATIVO ORIGINADO EM ANOS ANTERIORES. APRECIAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. GLOSA DE SALDO NEGATIVO SEM TRIBUTO A PAGAR. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE. Quando o crédito utilizado na compensação tem origem em saldos negativos de anos anteriores, há que se proceder com análise da apuração de cada um dos anoscalendário pretéritos, que serviram para a composição do saldo negativo utilizado como direito creditório. Tratase de apreciação no qual não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 90 68 40 /2 00 6- 63 Fl. 621DF CARF MF Processo nº 10768.906840/200663 Acórdão n.º 9101003.156 CSRFT1 Fl. 622 2 se aplica contagem de decadência, vez que se restringe à verificação da liquidez e certeza do crédito tributário. Caso resulte em glosa de saldo negativo sem desdobramento em tributo a pagar, não se constitui em lançamento de ofício, razão pela qual não se submete à contagem do prazo decadencial. Tratase de situação complemente diferente daquela em que a glosa do saldo negativo tem como resultado tributo a pagar, ocasião na qual o correspondente lançamento de ofício só poderá ser efetuado caso esteja dentro do prazo decadencial previsto na legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento (i) por unanimidade de votos, em relação à necessidade de retificação da DCTF e (ii) por voto de qualidade, em relação à decadência, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pelo conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente em exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela TELEMAR NORTE LESTE S/A (efls. 481/495) em face da decisão proferida no Acórdão nº 1802001.139 (efls. 221 e segs), pela 2ª Turma Especial da Primeira Seção, na sessão de 14/03/2012, no qual foi negado provimento recurso voluntário da Contribuinte. Fl. 622DF CARF MF Processo nº 10768.906840/200663 Acórdão n.º 9101003.156 CSRFT1 Fl. 623 3 Resumo Processual Tratase de compensação relativa a pretenso pagamento a maior, que foi indeferida pela Derat/RJ (Parecer Conclusivo n° 166/2008 e Despacho Decisório de efls. 63/66). Foi apresentada manifestação de inconformidade (efls. 70 e segs) que foi indeferida pela DRJ (efl. 158 e segs). Foi interposto recurso voluntário (efls. 171 e segs.), que não foi provido pela Turma Especial do CARF (efls. 221 e segs). Foi interposto recurso especial pela Contribuinte (efls. 481/495). Os despachos de exame de admissibilidade de efls. 580/585 e 604/606) deram seguimento ao recurso. A PGFN apresentou contrarrazões (efls. 587/598 e 608/616). A seguir, maiores detalhes da fase contenciosa. Fase Contenciosa Peço vênia para transcrever relatório da decisão recorrida, objetivo e preciso. Em 15/09/2003, a Telemar Norte Leste S.A. formalizou pedido de restituição de crédito e declaração de compensação, por meio da transmissão do PER/DCOMP n° 16189.94941.150903.1.3.048912, com o objetivo de ver reconhecido seu direito creditório do IRPJ estimativa recolhido a maior no valor de R$ 108.000,32, quanto ao período de apuração de agosto/1998, e de seu aproveitamento – compensação tributária com débito da Cofins, relativo ao período de apuração de agosto/2003, código de receita 2173 (fls. 04/08). O crédito pleiteado tem origem no pagamento de R$ 233.290,89 de 30/09/1998, conforme cópia do DARF de fls. 06 e 15, efetuado pela empresa de Telecomunicações do Amapá S/A, CNPJ: 05.965.421/000170 (empresa incorporada, sucedida pela TELEMAR), a título de quitação do IRPJ, apurado por estimativa ou com base em balancete de suspensão ou redução, do período de apuração de agosto/1998, código de receita 2362, no citado valor, cujo montante, inclusive, foi informado na respectiva DCTF, valor totalmente vinculado ao débito confessado, restando saldo disponível zerado (fl. 136). Entretanto, na DIPJ 1999, anocalendário 1998, Ficha 12 Cálculo do Imposto de Renda por Estimativa – mês agosto/1998 –, a contribuinte informou que apurara o imposto com base em balancete de suspensão/redução (fls.137/138): • imposto apurado (alíquota de 15%): R$ 470.311,80; • (+) Adicional (10%): R$ 297.541,20; • () imposto devido meses anteriores: R$ 621.258,20; Fl. 623DF CARF MF Processo nº 10768.906840/200663 Acórdão n.º 9101003.156 CSRFT1 Fl. 624 4 • () IRRF retido por órgão público: R$ 2.491,77 • imposto a pagar: R$ 125.290,56. Para justificar o PER/DCOMP que apresentara, a contribuinte, em 18/11/2003, retificou a DCTF do 3º trimestre/1998 para se adequar à DIPJ desse anocalendário, reduzindo o IRPJ estimativa de agosto/1998 de R$ 233.290,89 para débito apurado de R$ 127.782,34, informando, ainda, compensação sem DARF de R$ 2.491,77 – retenção de IRPJ por Órgão Público, informando imposto a pagar R$ 125.290,56 (quitado pelo recolhimento de R$ 233.290,89 de 30/09/1998, conforme cópia do DARF de fls. 06 e 15),gerando, assim, o pretenso crédito pleiteado de R$ 108.000,32 (fls. 109/114). Ao apreciar o pleito da Contribuinte, a Derat/RJ emitiu o Despacho Decisório de fl. 94, no qual, com base no Parecer Conclusivo n° 164/2008, decidiu indeferir o crédito: 1. O presente processo foi formalizado com o objetivo de estabelecer tratamento manual à Declaração de Compensação (DComp) n° 16189.94941.150903.1.3.048912, transmitida eletronicamente em 15/09/2003, impressa às fls. 04 a 08, alegando possuir crédito contra a Fazenda Pública, oriundo de IRPJ em razão de pagamento a maior ou indevido efetuado em 30/09/1998 pela incorporada TELECOMUNICAÇÕES DO AMAPÁ S/A, CNPJ 05.965.421/000170. 2. O débito de COFINS a ser extinto por compensação referese ao período de apuração Agosto/2003, no valor total de R$ 212.814,63 que corresponderia a atualização do crédito original de R$ 108.000,32 oriundo do DARF discriminado à fl. 06. 3. Com o objetivo de conferir certeza e liquidez necessárias à compensação pleiteada, nos moldes determinados pelo artigo 170 do Código Tributário Nacional, a DEFIS/RJO efetuou diligência, nos termos do artigo 4° da IN SRF n° 600/2005. 4. Em decorrência da diligência empreendida, foram anexados ao presente processo os documentos de fls. 18 a 55, bem com o relatório da diligência às fls. 56 e 57 no qual o Auditor Fiscal Diligente informou que "... o contribuinte não apresentou documentação hábil e idônea que demonstre a efetividade das Exclusões ao Lucro Líquido do Período, no cálculo do Imposto de Renda por Estimativa do mês de agosto de 1998, de que tratam os Termos de Intimação Fiscal datados de 11/07/2008 e 21/07/2008 .... O livro Diário também não está disponível." (...) 11. Portanto, se o crédito aqui pleiteado não pode ser comprovado mediante a apresentação da documentação pertinente, então este crédito carece da certeza e liquidez exigidas pelas normas cogentes de Direito Público que informam o instituto da compensação em sede tributária. (...) Fl. 624DF CARF MF Processo nº 10768.906840/200663 Acórdão n.º 9101003.156 CSRFT1 Fl. 625 5 12. Por último, mas não menos importante, mediante consulta aos sistemas da RFB à fl.61, verificase que a DCTF retificadora apresentada pelo interessado em 18/11/2003, que pretendeu diminuir o débito relativo ao IRPJ de Agosto/1998, não pode ser aceita em razão do prazo decadencial para a repetição do indébito tributário, ex vi do art. 168, inciso I, do CTN. 13. Assim, o suposto pagamento indevido ou a maior, relativo ao valor pago pelo DARF discriminado às fls. 06, foi utilizado em sua totalidade, nos termos da DCTF originalmente apresentada. 14. Portanto, não resta saldo a restituir. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A 6ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I decidiu indeferir o direito creditório pleiteado, no Acórdão nº 1223.485, conforme ementa a seguir. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1998 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. No caso de pedido de restituição formulado pelo contribuinte, é dele o ônus de apresentar os documentos de sua escrituração que comprovem o alegado direito creditório. Foi interposto recurso voluntário, cujo provimento foi negado pela 2ª Turma Especial da Primeira Seção do CARF, nos termos do Acórdão nº 1802001.139, conforme ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 DESPACHO DECISÓRIO. ATO ADMINISTATIVO FUNDAMENTADO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. NULIDADE REJEITADA. Estando o despacho decisório fundamentado em parecer conclusivo, parte inseparável e incidível do citado ato administrativo, rejeitase a preliminar de nulidade suscitada pela inocorrência de vício que o pudesse macular de nulidade. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Fl. 625DF CARF MF Processo nº 10768.906840/200663 Acórdão n.º 9101003.156 CSRFT1 Fl. 626 6 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. PRELIMINAR REJEITADA. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação e não da data do fato gerador do débito declarado/confessado. PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO DE TODAS AS PROVAS ADMITIDAS EM DIREITO. INDEFERIMENTO. Indeferese o mero pedido genérico para produção posterior de provas e/ou perícia, principalmente, quando não enquadrado nas hipóteses do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. As regras do Processo Administrativo Fiscal estabelecem que a impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar, mencionando, ainda, os argumentos pertinentes e as provas que o reclamante julgar relevantes. Assim, não se configurando nenhuma das hipóteses do § 4° do art. 16 do Decreto 70.235/72, não poderá ser acatado o pedido genérico pela produção posterior de prova. A Contribuinte interpôs recurso especial, no qual protesta sobre duas matérias: (1) necessidade de a DCTF retificadora estar lastreada por documentos probatórios em processo de direito de reconhecimento creditório; e (2) decadência do Fisco para efetuar a verificação da liquidez e certeza do direito creditório. No mérito, em relação à primeira matéria, entende pela desnecessidade de obrigação do contribuinte para comprovar as razões que originaram a retificação de declarações de informações contábeis, conforme fundamentos do paradigma nº 110100.470. Sobre a segunda matéria, discorre sobre a impossibilidade de rediscussão de lançamentos por homologação relativos a período anterior a cinco anos, prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º do CTN. Faz o pedido no sentido de se julgar procedente o Recurso Especial e, subsidiariamente, pela conversão do julgamento em diligência para averiguação do direito creditório. Foi dado seguimento ao recurso especial conforme os despachos de exame de admissibilidade de efls. 580/585 e 604/606. A PGFN apresentou contrarrazões (efls. 587/598 e 608/616). Sobre a matéria "necessidade de a DCTF retificadora estar lastreada por documentos probatórios", entende que não teria restado demonstrada a divergência na interpretação da legislação tributária, razão pela qual o recurso especial não poderia ser conhecido nesta parte. Discorre que teria se consumado preclusão do direito para apresentação de provas posteriormente à impugnação, nos termos do art. 16, § 4º do PAF. No mérito, aduz que cabe ao contribuinte o ônus da prova da comprovação da exatidão e liquidez dos valores informados, vez que, uma vez analisada a DCOMP, a legislação não admite qualquer alteração no seu conteúdo. Em relação à matéria " decadência do Fisco para efetuar a verificação da liquidez e certeza do direito creditório", discorre que o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º do CTN aplicase a casos de constituição de crédito tributário, e não na verificação de liquidez e certeza efetuada nos processo de reconhecimento de direito creditório. Requer pela negativa de provimento do recurso especial. É o relatório. Fl. 626DF CARF MF Processo nº 10768.906840/200663 Acórdão n.º 9101003.156 CSRFT1 Fl. 627 7 Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. O recurso especial da Contribuinte versa sobre duas matérias: (1) necessidade de a DCTF retificadora estar lastreada por documentos probatórios em processo de direito de reconhecimento creditório. e (2) decadência do Fisco para efetuar a verificação da liquidez e certeza do direito creditório. 1. Admissibilidade. O recurso especial é tempestivo. Contudo, aduz a PGFN, em contrarrazões, que a primeira matéria, necessidade de a DCTF retificadora estar lastreada por documentos probatórios, não deveria ter seguimento, em razão da falta de similitude fática entre a decisão recorrida e o acórdão paradigma nº 110100.470. Não assiste razão à PGFN. Em ambos os casos (recorrido e paradigma), tratase de análise de reconhecimento de direito creditório, no qual a Contribuinte enviou declaração de compensação, que foi indeferida pela Receita Federal por inexistência do crédito. Em ambas as situações, a empresa alega que teria enviado declaração retificadora de DCTF posteriormente à declaração de compensação, no qual corrige os débitos anteriormente informados para valores a menor, o que teria dado origem ao crédito decorrente de pagamento a maior. No paradigma, entendeu o Colegiado que a retificação da DCTF, por si só, já seria suficiente para retificar os débitos anteriormente declarados, e, por isso, teria restado demonstrado que o pagamento efetuado teria sido a maior, em razão do pagamento ter considerado um débito "X", e a retificação ter declarado um débito no valor "X1". Por outro lado, na decisão recorrida, o Colegiado manifestouse no sentido de que a retificação da DCTF, alterando a confissão original do débito para um valor a menor, deveria estar lastreada por documentação probatória. Evidente, portanto, a interpretação divergente da legislação tributária, em face de dois suportes fáticos que guardam similitude. Em relação à outra matéria, "decadência do Fisco para efetuar a verificação da liquidez e certeza do direito creditório", acompanho as razões do despacho de exame de admissibilidade (efls. 604/606) que deu seguimento ao recurso. Assim, voto no sentido de conhecer do recurso especial da Contribuinte. Passo ao exame do mérito. 2. Mérito. Fl. 627DF CARF MF Processo nº 10768.906840/200663 Acórdão n.º 9101003.156 CSRFT1 Fl. 628 8 São duas as matérias objeto de análise: (1) necessidade de a DCTF retificadora estar lastreada por documentos probatórios em processo de direito de reconhecimento creditório.e (2) decadência do Fisco para efetuar a verificação da liquidez e certeza do direito creditório, cada qual em tópico específico. 2.1. Necessidade de a DCTF retificadora estar lastreada por documentos probatórios em processo de direito de reconhecimento creditório. A princípio, vale transcrever breve resumo dos fatos: 1º) a Contribuinte apurou IRPJ código 2362 a pagar no valor de R$233.290,89, estimativa mensal de agosto/1998, tendo efetuado o pagamento, conforme débito confessado em DCTF original; 2º) em 15/09/2003, encaminha PER/DCOMP, pleiteando reconhecimento de crédito e sua utilização para fins de compensação, por entender que teria realizado pagamento a maior do IRPJ no valor de R$108.000,32; 3º) em 04/10/2003, encaminha DCTF retificadora (efls. 127/131), para informar que o valor devido na DCTF original era menor (e que deu origem ao crédito da PER/DCOMP de 15/09/2003); 4º) ao apreciar a PER/DCOMP, em procedimento de tratamento manual, o Parecer Conclusivo nº 166, de 09/09/2008 (da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária RJ, efls. 63/65), após diligências fiscais (intimações efls. 19/58) que demandaram da Contribuinte a apresentação de documentos de escrita contábil e fiscal, concluiu que a retificação da base de cálculo da CSLL estimativa mensal janeiro/1999 não estaria comprovada, e por isso não reconheceu o direito creditório pleiteado e, por consequência, não homologou a compensação. A princípio, cumpre esclarecer que os §§ 9º, 10 e 11, do art. 74 da Lei nº 9.430, de 19961, com redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, predicam que o rito da compensação segue as regras do Decretolei nº 70.235, de 1972 (PAF), sendo que a prova de liquidez e certeza do crédito tributário pleiteado para fins de indébito tributário é do contribuinte. Ou seja, eventuais retificações em declarações, via de regra, devem ser acompanhadas de documentos de se mostram aptos a lastrear as modificações informadas. No caso concreto, numa leitura preliminar, como a DCTF retificadora foi encaminhada em 04/10/2003, e a decisão administrativa que indeferiu a compensação foi emitida em 09/09/2008, poderseia entender que a DCTF poderia, por si só, ser suficiente para alterar o valor do débito confessado, vez que foi enviada antes do despacho decisório que deliberou sobre o reconhecimento do direito creditório. Tal conclusão poderia ser definitiva, 1 Lei nº 9.430, de 1996, art. 74 (...): ................................................................................................................. § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. Fl. 628DF CARF MF Processo nº 10768.906840/200663 Acórdão n.º 9101003.156 CSRFT1 Fl. 629 9 caso se tratasse de um despacho decisório eletrônico, ocasião em que, pelo tratamento dos dados ser meramente decorrente de um cruzamento eletrônico de informações entre declarações, não tem a Contribuinte a oportunidade de se manifestar sobre a retificação antes da prolação da decisão administrativa. Ocorre que o caso em tela guarda particularidades. Isso porque foi objeto de um tratamento manual de dados. A autoridade fiscal, ao depararse com a retificação da DCTF efetuada pela Contribuinte, efetuou diligência fiscal, e encaminhou intimações para a Contribuinte (efls. 19/58), solicitando apresentação de documentos aptos a lastrear a alteração do débito confessado na DCTF original. Vale transcrever relato da autoridade fiscal na Informação Fiscal (efls. 46/47) sobre o procedimento de verificação: (2) Em 24/04/2008, o contribuinte foi intimado a apresentar o Livro de Apuração do Lucro Real LALUR de 1998 (fl. 18) e somente ao ser reintimado em 23/05/2008 (fl. 19), atendeu ao solicitado. (fls. 20 a 33) (3) Através dos Termos de Intimação datados de 11/07/2008 e 21/07/2008 (fls. 34 e 35), foi o contribuinte, na qualidade de sucessora de Telecomunicações do Amapá S/A CNPJ 05.965.421/000170, a demonstrar com documentação hábil e idônea a efetividade das Exclusões ao Lucro Líquido do Período, no cálculo do Imposto de Renda por Estimativa do mês de agosto de 1998, denominadas: "Pagamento da Provisão para Participação nos Lucros" no montante de R$ 168.915,92; "Gratificação de Administradores Págs, ref. 1997" no montante de R$ 144.926,14; (4) Em resposta ao solicitado no supra mencionado Termo o contribuinte em 28/07/2008, informa por escrito ao Auditor Fiscal abaixo identificado, que : (fls. 36 a 52) '1) Em função da grande quantidade e complexidade de contas contábeis a serem tratadas na apuração do IRPJ e da CSLL, algumas contas utilizadas nas adições e exclusões eram contas PATRIMONIAIS. Assim, o funcionamento na apuração se dava da seguinte forma : adicionavase o saldo ATUAL da conta patrimonial, e excluíase o saldo do ano ANTERIOR. Desta forma, se o saldo atual fosse maior do que o saldo anterior, teríamos, como efeito líquido, uma adição. Continuando no mesmo raciocínio, se o saldo atual fosse menor do que o saldo do ano anterior, teríamos, como efeito líquido, uma exclusão; 2) Em resposta ao Termo de Reintimação, estamos anexando cópia do balancete de dezembro de 1997, cujo saldo final das contas de Participação nos Lucros de Empregados (conta de Fl. 629DF CARF MF Processo nº 10768.906840/200663 Acórdão n.º 9101003.156 CSRFT1 Fl. 630 10 Passivo) é exatamente o valor que está sendo excluído no ano de 1998 (R$ 168.915,92); 3) Não conseguimos localizar no balancete de 1997 o valor exato de R$ 144.926,14 referente à Gratificação de Administradores, entretanto, estamos anexando cópia da DIPJ do anocalendário de 1997, onde está consignado este valor, na linha 02 da Ficha 05, no campo "PARCELA NÃO DEDUTIVEL", demonstrando, desta forma, que o valor foi devidamente adicionado no ano anterior.' (5) Mediante competente Termo datado de 20/08/2008(f1 53), foi o contribuinte intimado a responder por escrito (de imediato) se tinha condições de apresentar até o final do dia o Livro Diário do ano de 1998. (6) O contribuinte em 21/08/2008, informa que disponibilizaria os livros solicitados até 22/08/2008 (7) Até a presente data o contribuinte não apresentou documentação hábil e idônea que demonstre a efetividade das Exclusões ao Lucro Líquido do Período, no cálculo do Imposto de Renda por Estimativa do mês de agosto de 1998, de que tratam os Termos de Intimação Fiscal datados de IIII 11/07/2008 e 21/07/2008 (foram apresentados tão somente Balancetes Analíticos referentes a dezembro de 1997, cópia da DIPJ/1998 ano base de 1997 e apenas o Razão de 1998). O Livro Diário também não está disponível. (8) Cabe ressaltar que com o Plano de Contas fornecido e o Livro Razão (sem a conta de contrapartida), até a presente data nem o AuditorFiscal abaixo identificado nem os funcionários do contribuinte que o acompanham foram capazes de forma; convicção da efetividade das referidas exclusões. (9) Até a presente data o contribuinte não logrou comprovar as referidas exclusões. Desta forma o valor da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (Estimativa) para o mês de agosto de 1998 é R$ 3.449.254,17. Observase que, não obstante reiteradas intimações, a Contribuinte não apresentou documentação suficiente para lastrear a retificação da DCTF. Assim, o Parecer Conclusivo nº 166/2008 (efls. 63/65) decidiu no seguinte sentido: 4. Em decorrência da diligência empreendida, foram anexados ao presente processo os documentos de fls. 18 a 55, bem com o relatório da diligência às fls. 56 e 57 no qual o AuditorFiscal Diligente informou que "... o contribuinte não apresentou documentação hábil e idônea que demonstre a efetividade das Exclusões ao Lucro Líquido do Período, no cálculo do Imposto de Renda por Estimativa do mês de agosto de 1998, de que Fl. 630DF CARF MF Processo nº 10768.906840/200663 Acórdão n.º 9101003.156 CSRFT1 Fl. 631 11 tratam os Termos de Intimação Fiscal datados de 11/07/2008 e 21/07/2008 ... O livro Diário também dão está disponível." 5. Outrossim, prossegue informouse também "... que com o Plano de Contas fornecido e O Livro Razão (sem conta de contrapartida), até a presente data nem o AuditorFiscal .... nem os funcionários do contribuinte que o acompanham foram capazes de forma convicção da efetividade das referidas exclusões" (...) 11. Portanto, se o crédito aqui pleiteado não pode ser comprovado mediante a apresentação da documentação pertinente, então este crédito carece da certeza e liquidez exigidas pelas normas cogentes de Direito Público que informam o instituto da compensação em sede tributária. 12. Por último, mas não menos importante, mediante consulta aos sistemas da RFB à fl.61, verificase que a DCTF retificadora apresentada pelo interessado em 18/11/2003, que pretendeu diminuir o débito relativo ao IRPJ de Agosto/1998, não pode ser aceita em razão do prazo decadencial para a repetição do indébito tributário, ex vi do art. 168 inciso I do CTN. 13. Assim, o suposto pagamento indevido ou a maior, relativo ao valor pago pelo DARF discriminado às fls. 06, foi utilizado em sua totalidade, nos termos da DCTF originalmente apresentada. 14. Portanto, não resta saldo a restituir. Observase que a autoridade fiscal, ao efetuar a verificação da alteração do débito confessado em DCTF, com base em escrita e fiscal disponibilizada pela Contribuinte, concluiu no sentido de que a alteração da declaração não estava amparada por documentos contábeis e fiscais aptos a fazer a devida comprovação. Ocorre que a DCTF tem efeito de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, conforme legislação de regência (art. 5º do Decretolei n.º 2.124, de 1984, e Instruções Normativas da SRF e RFB que dispõem sobre a DCTF). Os débitos informados podem ser objeto de cobrança administrativa e, caso não liquidados, são enviados para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU). Nesse contexto, uma vez constatado pela autoridade fiscal que a retificação dos valores, com base nos dados da escrita fiscal do contribuinte e de documentação apta a lastrear os registros contábeis, não lastrou a alteração, não há como se validar a declaração retificadora. E não há que se falar em efetuar nova diligência para verificar se o crédito tem liquidez e certeza. Ora, conforme já dito, já foi realizada diligência fiscal, com várias intimações para a Contribuinte, ocasião em que não foram apresentados documentos aptos a lastrear a retificação pleiteada. Nesse contexto, tornase desprovido de finalidade o pedido de Fl. 631DF CARF MF Processo nº 10768.906840/200663 Acórdão n.º 9101003.156 CSRFT1 Fl. 632 12 diligência, não havendo nenhum sentido o retorno dos autos para solicitar documentação que já foi demandada anteriormente. Portanto, voto no sentido de negar provimento ao recurso da Contribuinte, em relação à matéria analisada. 2.2. Decadência do Fisco apreciar anoscalendário anteriores dos previstos no art. 150, § 4º do CTN para averiguar liquidez e certeza do crédito em processo de reconhecimento de direito creditório. Tratase de verificar se a administração tributária, ao verificar a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado pelo contribuinte, encontrase submetida ao prazo decadencial de cinco anos previsto no § 4º, art. 150 do CTN, aplicável aos lançamentos por homologação. Ocorre que o processo de reconhecimento de direito creditório é diferente daquele previsto para a constituição do crédito tributário. O direito creditório só é reconhecido se revestido dos atributos de liquidez e certeza, conforme o art. 170 do CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifei) Por isso, compete à autoridade tributária apurar a origem do crédito tributário, sendo que, neste caso, o ônus da prova é do contribuinte. Por outro lado, o Fisco tem um prazo determinado para promover a devida análise e a homologação do direito creditório, sob pena de se homologar tacitamente o pedido do sujeito passivo. Assim, a contagem do prazo decadencial para que o Fisco possa promover a análise do direito creditório pleiteado pelo contribuinte iniciase a partir da data de entrega da declaração, conforme dispõe o § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003 (O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação). A devida investigação da origem do crédito, que, no caso concreto, teve origem em saldos negativos de anos anteriores, resultou em uma nova apuração do tributo referente ao anocalendário. Tratase de análise em que não se aplica contagem de decadência, vez que se restringe à verificação da liquidez e certeza do crédito tributário. É situação distinta daquela em que a investigação da autoridade autuante é no sentido de se verificar a apuração efetuada pelo sujeito passivo para a constituição do crédito tributário e, caso seja detectado tributo a pagar, efetuase o lançamento de ofício. A diferença é ilustrada com bastante precisão no voto proferido pela Conselheira Edeli Pereira Bessa no Acórdão nº 1101001.084, do qual peço vênia para transcrever excerto. Fl. 632DF CARF MF Processo nº 10768.906840/200663 Acórdão n.º 9101003.156 CSRFT1 Fl. 633 13 O caput do art. 74 da Lei n° 9.430/96, nesta nova redação, exige que o credito indicado em DCOMP seja passível de restituição ou ressarcimento, significando que ele não pode estar prescrito. Contudo, uma vez deduzida tempestivamente a pretensão de ver extintos débitos com aquele crédito, admitir que o prazo para confirmação deste já estaria fluindo desde o encerramento do período de apuração correspondente, limitaria significativamente a eficácia do §5° do referido art. 74, pois antes de cinco anos da apresentação da DCOMP a certeza e liquidez do crédito restaria afirmada pelo decurso do prazo decadencial no qual, no entender da recorrente, o Fisco poderia questionar sua apuração. Não há qualquer ressalva na disposição legal que autorize esta interpretação. Os prazos decadenciais estão previstos para fins de lançamento de crédito tributário, ou seja, para que a autoridade fiscal: 1) discorde do tributo pago com base em apuração do sujeito passivo; 2) supra a omissão do sujeito passivo na apuração daquele pagamento; ou 3) pratique o lançamento dos tributos ou penalidades cuja constituição a Lei reserva ao agente fiscal. Esta é a dicção do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/66): Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1° O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...) § 4º Se a lei não fixar o prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado Fl. 633DF CARF MF Processo nº 10768.906840/200663 Acórdão n.º 9101003.156 CSRFT1 Fl. 634 14 da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de • qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (negrejouse) A decadência, nestes termos, encerra o poderdever do Fisco de formalizar o credito tributário por intermédio do lançamento, pondo fim à relação jurídica material surgida entre o contribuinte e o Estado com a ocorrência do fato gerador. Recordese que a atividade de lançamento é definida pelo art. 142 do Código Tributário Nacional como o procedimento tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Nestes termos, se a autoridade fiscal constatar divergências na apuração que resultou em saldo negativo de IRPJ, não poderá lançar a diferença apurada se o fato gerador lucro pertencer a período já atingido pela decadência. Mas pode e deve o Fisco indeferir pedido de restituição ou não homologar compensações que tenham se valido de indébito tributário inexistente conforme o ajuste realizado de oficio. É certo que nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, há uma grande discussão doutrinária e jurisprudencial acerca de qual seria o objeto da homologação: a atividade de apuração ou o pagamento do tributo devido. Todavia, há relativo consenso no sentido de que o transcurso do prazo contido no §4° do art. 150 do CTN atinge o direito de o Fisco constituir o crédito tributário, mediante o lançamento substitutivo da apuração efetuada pelo sujeito passivo, veiculada pelos instrumentos definidos na legislação fiscal. Ainda, aqueles que defendem a homologação tácita da apuração efetuada pelo sujeito passivo, consideram que o prazo decadencial tem o efeito especifico de atingir o dever/poder de o Fisco efetuar o lançamento de oficio, e não o de fazer prova absoluta de indébitos tributários, não constituídos na forma da legislação. Admitir que os saldos negativos informados na DIPJ estariam homologados tacitamente depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador correspondente, exigiria que se emprestasse A. DIPJ o poder de constituir aquele direito creditório, o que vai contra o caráter meramente informativo daquele documento, o qual não se presta, sequer, a instrumentalizar a cobrança dos saldos devedores nele indicados. Somente se concebe como instrumentos de constituição formal de direitos e obrigações aqueles assim expressamente previstos na legislação, como é o caso, por exemplo da Declaração de Débitos e Créditos Federais — DCTF, relativamente aos tributos devidos pelos contribuintes. Já relativamente aos direitos credit6rios detidos pelos sujeitos passivos, a legislação apenas prevê, atualmente e na época em que a contribuinte argüiu seu Fl. 634DF CARF MF Processo nº 10768.906840/200663 Acórdão n.º 9101003.156 CSRFT1 Fl. 635 15 direito, a DCOMP e o Pedido de Restituição como instrumentos para sua formalização perante a Receita Federal. É certo que o recolhimento indevido já existe, como evento, desde sua ocorrência no mundo fenomênico. Procedidas as antecipações exigidas por lei, encerrado o período de apuração e efetivados os recolhimentos que se entendeu devidos, temse do confronto destes, eventualmente, um desembolso maior que o devido. Todavia, este evento somente passa a se constituir em um fato jurídico apto a produzir as conseqüências previstas em lei quando formalizado pelo interessado em face do devedor, no caso, o Fisco. Dai porque, a partir do recolhimento indevido, deflagrase o prazo prescricional para que o sujeito passivo manifeste seu direito perante o Fisco, e a partir desta manifestação o prazo para o Fisco, em caso de compensação, reconhecer ou não aquele crédito. Alias, vejase que, à época em que este direito era deduzido apenas mediante a apresentação de Pedido de Restituição, sequer havia prazo fixado em lei para manifestação do Fisco acerca do que ali veiculado. Cabia ao interessado manter a guarda dos comprovantes necessários para prestar eventuais esclarecimentos acerca de seu direito, enquanto o crédito não lhe fosse reconhecido. Apenas com a criação da DCOMP passou a existir um prazo para que o Fisco pudesse questionar o direito manifestado pelo interessado, até porque, vinculado o crédito a débitos que se pretendia ver extintos, somente haveria alguma utilidade no questionamento daquele crédito enquanto possível a cobrança dos débitos compensados, direito este que pereceria ante a inércia do Fisco por mais de 5 (cinco) anos. Impróprio, assim, tentar opor, ao Fisco, uma limitação temporal à confirmação do direito creditório deduzido pelo sujeito passivo, que em momento algum esteve prevista no Código Tributário Nacional ou em lei ordinária, sendo na sistemática instituída a partir da criação da DCOMP, e evidentemente em função da vinculação daquele crédito a débitos compensados. Interessante notar, ainda, que a formalização do direito creditório em outras declarações não é requisito para sua veiculação em DCOMP. Do caput do art. 74 da Lei n° 9.430/96, desde a redação que lhe foi dada pela Lei no 10.637/2002, não se extrai qualquer exigência de que o direito credit6rio deva estar previamente evidenciado em declarações prestadas pelos sujeitos passivos, A exceção da própria DCOMP, prevista no seu § 10. É certo que a evidenciação do credito em DIPJ ou DCTF é um elemento de prova em favor do sujeito passivo que afirma ter efetuado recolhimento a maior. Mas somente quando provocado pelo sujeito passivo acerca do seu interesse de se valer daquele crédito, mediante restituição ou compensação, passa o Fisco a Fl. 635DF CARF MF Processo nº 10768.906840/200663 Acórdão n.º 9101003.156 CSRFT1 Fl. 636 16 ter o dever de avaliar a certeza e a liquidez daquele valor para admitir, ou não, a destinação pretendida pelo interessado. Firmadas estas premissas, recordese que, nos termos da legislação processual em vigor, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333 do Código de Processo Civil). Assim, no presente caso, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Decorre, dai, que a compensação deveria estar suportada por provas do indébito tributário no qual se fundamenta. Contudo, devese recordar que o procedimento em debate já se iniciou mediante a apresentação de DCOMP, desacompanhada, por autorização normativa, de qualquer prova do indébito ali indicado, posto que o Fisco teria ainda cinco anos para confirmálo. Em verdade, a interpretação veiculada pela recorrente confere ao sujeito passivo a faculdade de definir o prazo do qual o Fisco dispõe para homologar, ou não, a compensação declarada. Optando o sujeito passivo por utilizar seu crédito depois de transcorridos quatro anos e 11 meses do fato gerador, o Fisco teria apenas um mês para avaliar a liquidez e certeza do credito. Se utilizasse mais rapidamente seu credito, maior prazo teria o Fisco para esta confirmação. Certamente outro foi o objetivo da criação da DCOMP. Tal instrumento conferiu tratamento diferenciado aos contribuintes que, deduzindo créditos na forma da nova redação do caput do art. 74 da Lei n° 9.430/96, já poderiam, sem prévio exame do seu real conteúdo, angariar a extinção imediata dos débitos compensados, bem como a suspensão de sua exigibilidade até a decisão administrativa final acerca da regularidade de seu procedimento. Admitir que o prazo para questionamento desta regularidade seria definido pelo sujeito passivo está em evidente descompasso com a referência contida na Exposição de Motivos da Medida Provisória n° 66/2002, convertida na Lei n° 10.637/2002: 35. O art. 49 institui mecanismo que simplifica os procedimentos de compensa cão, pelos sujeitos passivos, dos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, atribuindo maior liquidez para seus créditos, sem que disso decorra perda nos controles fiscais . (negrejouse) Argumenta a recorrente que o Fisco não poderia questionar a compensação de prejuízos fiscais acima do limite legal depois de transcorridos 5 (cinco) anos de sua apuração. E de se questionar, porém, no presente caso, que interesse fiscal existiria na revisão de uma D1PJ que, mesmo considerando a retificação necessária, ainda apontasse saldo negativo de IRPJ? Caberia ao Fl. 636DF CARF MF Processo nº 10768.906840/200663 Acórdão n.º 9101003.156 CSRFT1 Fl. 637 17 Fisco anteciparse à pretensão da contribuinte de utilizar este valor, com vistas a convalidálo ou retificálo? E, ainda que se insista na fluência do prazo para revisão do crédito, pelo Fisco, a partir do período de apuração correspondente, do recolhimento que se mostrou indevido, ou mesmo da declaração que inicialmente informou o indébito, é licito concluir que, ao manifestar seu interesse em utilizar tal crédito mediante DCOMP, o sujeito passivo renuncia ao prazo em curso, e submetese ao prazo fixado na sistemática prevista para aquele instrumento de utilização de créditos, sob pena de retirar a eficácia do §5 ° do referido art. 74 da Lei nº 9.430/96. Por todo o exposto, resta demonstrado que a autoridade fiscal competente detinha o poder/dever de aferir a existência, suficiência e disponibilidade do crédito utilizado em compensação em até 5 (cinco) anos da entrega da correspondente DCOMP, e neste mister nenhum impedimento legal existe para confirmação, inclusive, da base de cálculo do IRPJ devido no período, mormente tendo em conta que a contribuinte equivocadamente manifestou seu direito de crédito como oriundo de retenções sofridas na fonte, sem antes confrontálo com o IRPJ devido no período, e ao adequar tal pedido As normas legais de apuração do IRPJ, a autoridade fiscal logrou identificar que o IRPJ devido no período não seria aquele originalmente indicado na DIPJ, em razão da compensação de prejuízos fiscais acima do limite legal. Em síntese, concluise que o ato de verificação da certeza e liquidez do indébito, em sede de DCOMP ou pedido de restituição apresentados pelo sujeito passivo, não está limitado aos valores das antecipações recolhidas no curso do ano calendário, devendo atingir, também, a verificação da regularidade da determinação da base de calculo apurada pelo interessado. Conseqüentemente, ainda que a retificação de base de calculo do tributo para fins de sua exigência somente seja cabível mediante lançamento de oficio, a verificação também deve ser efetuada no âmbito da análise de DCOMP ou pedido de restituição vinculados ao saldo negativo de IRPJ, para efeito de determinação da certeza e liquidez do crédito invocado pelo sujeito passivo para extinção de outros débitos fiscais. Esclareçase, por oportuno, que a mencionada liberação da DIPJ em malha cadastro não revela qualquer revisão anterior da declaração do sujeito passivo, na medida em inexiste qualquer ato administrativo praticado e, demais disso, pela denominação atribuída ao procedimento realizado, é licito inferir que tratase, apenas, de confirmações cadastrais do declarante, sem adentrar A apuração por ele informada. Por tais razões, inclusive, é imprópria, aqui, a referência As disposições da Instrução Normativa SRF n° 656/2006 acerca dos procedimentos para revisão de declarações no âmbito da Receita Federal. Fl. 637DF CARF MF Processo nº 10768.906840/200663 Acórdão n.º 9101003.156 CSRFT1 Fl. 638 18 A matéria também foi tratada recentemente pelo presente Colegiado, no Acórdão nº 9101002.548, na sessão de julgamento de 07/02/2017, voto do relator Marcos Aurélio Pereira Valadão, cuja ementa foi a seguinte: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.CRÉDITO.COMPROVAÇÃO. Tratandose de fato constitutivo de direito, cujo ônus da prova incumbe ao autor, em conformidade com o art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil CPC (Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015), e tendo em vista que a existência, certeza e liquidez do crédito pleiteado são requisitos essenciais ao deferimento da restituição/compensação requerida, na forma do art. 170 do Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), compete ao sujeito passivo, que dele pretende se beneficiar, a efetiva comprovação daquele crédito, não cabendo opor a esse ônus alegações de decadência ou de homologação tácita por parte do Fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa. Assim, uma situação é se falar em lançamento de ofício, para a constituição do crédito tributário, caso em que se aplica a contagem do prazo decadencial. Outra completamente diferente é a análise do direito creditório, cuja liquidez e certeza devem ser verificadas, razão pela qual, em se tratando de apuração de prejuízos fiscais, é dever do Fisco apreciar a sua formação desde a origem, tendo, no caso concreto, agido de maneira correta. Cabe, portanto, ser mantida a decisão recorrida, e negado provimento ao recurso. 3. Conclusão. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso especial da Contribuinte. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 638DF CARF MF Processo nº 10768.906840/200663 Acórdão n.º 9101003.156 CSRFT1 Fl. 639 19 Fl. 639DF CARF MF
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Numero do processo: 19740.900409/2009-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/2007 a 30/12/2007
DCTF RETIFICADORA. ANTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE ANÁLISE. NULIDADE.
A DCTF retificadora, transmitida em conformidade com as normas expedidas pela RFB, substitui a DCTF original, podendo o crédito decorrente do pagamento a maior do débito retificado ser utilizado para fins de compensação tributária acaso se comprove a sua certeza e liquidez.
Deve ser declarada a nulidade do despacho decisório que não homologou a compensação declarada sob o pressuposto das informações constantes na DCTF original quando essas já haviam sido alteradas por DCTF retificadora, transmitida anteriormente ao despacho decisório, da qual resultaria o alegado pagamento a maior que o devido.
Recurso Voluntário provido em parte
Aguardando nova decisão
Numero da decisão: 3402-004.823
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. Declarou-se impedido para o julgamento o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, o qual foi substituído pelo Conselheiro Suplente Diego Weis.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (Suplente) e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ANTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE ANÁLISE. NULIDADE. A DCTF retificadora, transmitida em conformidade com as normas expedidas pela RFB, substitui a DCTF original, podendo o crédito decorrente do pagamento a maior do débito retificado ser utilizado para fins de compensação tributária acaso se comprove a sua certeza e liquidez. Deve ser declarada a nulidade do despacho decisório que não homologou a compensação declarada sob o pressuposto das informações constantes na DCTF original quando essas já haviam sido alteradas por DCTF retificadora, transmitida anteriormente ao despacho decisório, da qual resultaria o alegado pagamento a maior que o devido. Recurso Voluntário provido em parte Aguardando nova decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. Declarouse impedido para o julgamento o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, o qual foi substituído pelo Conselheiro Suplente Diego Weis. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 90 04 09 /2 00 9- 39 Fl. 295DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (Suplente) e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento no Rio de Janeiro II que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2007 a 30/12/2007 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Versa o processo sobre compensação declarada no PER/DCOMP n° 23451.32373.191208.1.3.041658, transmitido em 19/12/2008, de crédito de PIS/Pasep referente a valor que teria sido recolhido a maior, no valor original inicial de R$50.645,08, com débito do mesmo tributo relativo ao período de apuração de novembro de 2008, no valor principal de R$28.372,67. A compensação não foi homologada por meio de Despacho Decisório, sob fundamento na ausência de crédito disponível para a compensação, vez que o pagamento alegado como indevido já tinha sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da contribuinte. A contribuinte apresentou sua defesa, alegando, em síntese, o que se segue: Em 24/09/2003, impetrou mandado de segurança contra a cobrança da contribuição prevista nos arts. 2º, 3º e 17 da Lei 9.718/98, tendo depositado os valores em discussão. Conforme atesta a DCTF retificadora apresentada (fls. 60/61), em 2705 2009, antes da prolação do despacho decisório impugnado, o valor devido a título de PIS em dezembro de 2007 totalizara R$ 430.423,38, dos quais: i) R$ 40.884,07 estavam suspensos por depósitos judiciais efetuados em conta vinculada ao mandado de segurança citado; e ii) os restantes R$ 389.593,31 foram liquidados por pagamento, mediante DARF no valor total de R$ 440.184,39. Resta certo, portanto, que no DARF de R$ 440.184,39 está incluída a contribuição para o quantia de R$ 25.372,67, recolhida indevidamente, passível de ser utilizada para compensação com débitos da titularidade da requerente. Para reforçar seu direito ao citado crédito, a requerente anexa demonstrativo do profissional responsável pelas suas escriturações contábil e fiscal, contendo a base de cálculo da Fl. 296DF CARF MF Processo nº 19740.900409/200939 Acórdão n.º 3402004.823 S3C4T2 Fl. 296 3 contribuição para o PIS apurada em dezembro de 2007, cópia de seu livro razão demonstrando a reversão de provisão e o lançamento a crédito de conta do ativo da parcela a compensar da contribuição decorrente dessa reversão, bem como parte do balancete espelhando o saldo das contas relacionadas. O julgador de primeira instância não acolheu as razões de defesa da interessada, em resumo, sob os seguintes fundamentos: O crédito em litígio referese, na verdade, simplesmente à diferença entre a DCTF original e a retificadora que diminuiu o débito informado inicialmente. Nos termos do art. 170 do CTN, somente poderão ser utilizados para compensação créditos líquidos e certos do sujeito passivo. Não há nos autos qualquer explicação, muito menos comprovação donde se possa deduzir que a base de cálculo que serviu de parâmetro para a DCTF transmitida originalmente contivesse valor de receita superior ao que efetivamente compunha a base de cálculo da contribuição social para a seguridade social original. Ainda que fosse procedente a retificação da DCTF, uma vez que tal homologação foi convertida em processo manual, fazse necessário comprovar, por meio dos livros empresariais e fiscais e respectivos documentos comprobatórios, o suposto equívoco cometido na escrituração da base de cálculo da contribuição. Cientificada dessa decisão em 03/02/2012, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 05/03/2012, requerendo a realização de diligência e alegando, em síntese: Não se pode desconsiderar, sem qualquer justificativa para tal, a DCTF retificadora apresentada anteriormente à prolação do despacho decisório, retificando o valor devido a título da contribuição em dezembro de 2007 para R$430.423,38. Não obstante acreditar que está devidamente comprovado seu direito creditório, anexa: a) demonstrativo de apuração equivocada da base de cálculo do PIS de dezembro de 2007, na qual se olvidou de computar como exclusões, na linha "Sinistros Efetivamente Pagos", os valores da conta 4111512001302002 (doc. 01); b) demonstrativo da apuração correta da base de cálculo correta da contribuição (doc. 02); e c) cópia do balancete assinalado com as exclusões consideradas na DCTF primitiva e com as exclusões que foram consideradas na DCTF retificadora. Em 22 de julho de 2014, a 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária entendeu pela conversão do julgamento em diligência, para que a fiscalização analisasse os documentos anexados aos autos pela recorrente, intimandoa para prestar outras informações ou apresentar documentos que julgar necessários, com vistas a esclarecer se os valores informados na DCTF retificadora podem ser confirmados na escrituração contábilfiscal do contribuinte, de modo a comprovar a existência do direito ao crédito pleiteado no PER/DCOMP. No Relatório Fiscal de Diligência, a fiscalização manifestouse no sentido de que o direito creditório da recorrente não restou comprovado, nestes termos: (...) 6. Segundo o contribuinte, o que determinou a necessidade de retificar a informação anteriormente prestada foi o fato de ter deixado de excluir da base de cálculo da contribuição o valor efetivamente pago, referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, de que trata o art. 3º, § 9º, inciso III, da Lei nº 9.718/98, constante da conta “4111512001302002 Ind. Paga MH Outr Aten Am – Rede Contratada”. Às fls. 136 encontrase o demonstrativo de apuração do Pis que deu suporte à informação prestada na DCTF original. Ali verificase que o valor excluído da base de cálculo a esse título monta em R$ 128.110.595,93, acarretando a apuração do valor de R$ 440.184,39 a título de Pis devido no período (fora da discussão judicial). Por outro lado, encontrase acostado às fls. 139 o Fl. 297DF CARF MF 4 demonstrativo de apuração do Pis que deu suporte à informação prestada na DCTF retificadora, onde se pode notar que o valor excluído da base de cálculo a esse título monta em R$ 135.902.147,91, acarretando a apuração do valor de R$ 389.539,31 a título de Pis devido no período (fora da discussão judicial). 7. A metodologia a ser utilizada na condução da presente diligência consiste em certificar, por meio dos valores registrados no balancete acostado às fls. 216/250, a correção da apuração da contribuição devida, demonstrada no documento acostado às fls. 139, cujo detalhamento encontrase às fls. 251/255. (...) 9. De plano, deve ser rejeitada a tributação negativa operada pelo contribuinte em relação à rubrica “Outras Rec. C/Op. De Seguros” (conta “344” na tabela acima, no valor de R$ 76.377,81). O conceito embutido nas regras de tributação do Pis está diretamente ligado à tributação de receitas, sendo permitidas exclusões de parte destas, além de deduções de outros valores, desde que, em ambos os casos, haja a correspondente previsão legal. No caso em comento, inexiste previsão legal para deduzir aquela “receita negativa” levada a efeito pelo contribuinte. 10. Relativamente ao valor referente ás indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades, a que se refere o art. 3º, § 9º, inciso III, da Lei nº 9.718/98, cuja exclusão deu motivo à retificação ora em debate, registro que o seu detalhamento encontrase às fls. 252/254 e foi por mim confrontado com os valores lançados no balancete apresentado (fls. 232/240), a partir do que foi possível atestar a correção do valor excluído (R$ 135.902.147,91). 11. Merece registro, também, o fato de que, pelo lado das receitas, o interessado deixou de oferecer à tributação o valor correspondente às receitas financeiras dos bens garantidores das provisões técnicas, ao excluir da base de cálculo da contribuição a totalidade das receitas financeiras. Embora tratese de receita financeira, e mesmo com a declaração de inconstitucionalidade, por parte do Supremo Tribunal Federal, do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, esta parcela deve sofrer tributação. Como bem assinalado nas palavras do Ministro Cesar Peluso, deve ser tributado “todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas”: (...) 13.Dessa forma, objetivando conhecer o valor correspondente às receitas financeiras dos bens garantidores das provisões técnicas, servime das informações prestadas pelo contribuinte, em atendimento a intimação expedida por esta Delegacia nos autos do processo nº 19740.000473/200837. Por meio do referido processo acompanhase, em âmbito administrativo, a tramitação do Mandado de Segurança nº 2003.61.00.0270753, impetrado pelo contribuinte contra as disposições da Lei nº 9.718/98. Mencionadas informações foram acostadas, por cópia, às fls. 264 do presente processo, a seguir reproduzidas já com a devida recomposição da base de cálculo, em decorrência do relatado no item “9” do presente relatório. Fl. 298DF CARF MF Processo nº 19740.900409/200939 Acórdão n.º 3402004.823 S3C4T2 Fl. 297 5 (...) CONCLUSÃO: 15. Em conclusão, objetivamente respondendo ao questionamento feito pelo órgão julgador, esclareço que o valor informado na cesta “pagamento” da DCTF retificadora, relativamente ao Pis apurado no mês de dezembro de 2007 (R$ 389.539,31 – fls. 259) não pode ser confirmado na escrituração contábilfiscal do contribuinte. O valor total escriturado é de R$ 413.560,43, conforme consignado na tabela anexada no item “13” do presente relatório fiscal. Frisese, uma vez mais, que a parcela de R$ 40.884,07, declarada na cesta “suspensão” da mesma DCTF não é objeto da presente discussão administrativa. (...) De outra parte, a recorrente manifestouse em face da diligência, apresentando suas justificativas quanto aos valores constantes na Rubrica “Outras Rec. C/Op. De Seguros” e sustentando que a contribuição sobre as receitas financeiras decorrentes dos bens garantidores das reservas técnicas havia sido depositada em conta vinculada ao mandado de segurança nº 2003.61000270753. (...) É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Não obstante a 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária tenha decidido por analisar a questão de fundo relativa à retificação da DCTF mediante a conversão do julgamento em diligência, entendo que a ausência de análise da retificação da DCTF no despacho decisórionão pode ser suprida nessa forma, eis que, pelo resultado delineado na diligência, não se poderia decidir quanto ao mérito, de pronto, favoravelmente ao sujeito passivo, o que isentaria este Colegiado da obrigação de pronunciar a nulidade a teor do art. 59, §3º do Decreto nº 70.235/72. No caso, o prosseguimento do julgamento de mérito demandaria a solicitação de outra diligência para se verificar a composição do depósito judicial de PIS relativo a dezembro de 2007, em especial, se ele inclui a parcela relativa a contribuição incidente sobre as receitas financeiras dos bens garantidores das provisões técnicas; bem como a compatibilidade das alegações da recorrente relativamente à Rubrica “Outras Rec. C/Op. De Seguros” com sua escrituração. Fl. 299DF CARF MF 6 De todo modo, se, por hipótese, após a diligência, o resultado de mérito fosse, eventualmente, desfavorável à contribuinte, a nulidade deveria, posteriormente, ser pronunciada pelo Colegiado, razão pela qual entendo por bem que ela deva ser agora declarada. O despacho decisório, de 07/10/2009, decidiu no sentido de que "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". No entanto, se a autoridade administrativa tivesse levado em consideração a retificação da DCTF de 27/05/2009, o conteúdo dessa decisão certamente seria outro, vez que ainda restaria saldo de crédito no pagamento apontado como indevido, obviamente, que ainda sujeito à análise de mérito quanto à sua certeza e liquidez. Dessa forma temse que o despacho decisório foi emitido sob o pressuposto das informações constantes na DCTF original, que já havia, à época, sido substituída pela DCTF retificadora, a qual, então, careceu de análise na decisão quanto à veracidade dos novos dados informados que poderia assegurar o direito creditório à contribuinte. Essa questão restou bem esclarecida no Acórdão nº 3403002.223– 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, de 22 de maio de 2013, sob voto condutor do Ilustre Conselheiro Alexandre Kern, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A apresentação espontânea DCTF retificadora antes da edição do despacho decisório, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, devendo por tanto ser nele considerada. Processo Anulado Aguardando Nova Decisão (...) VOTO (...) Permitome recapitular que, anteriormente à atual sistemática, a DCTF retificadora somente se prestava a reduzir o montante do tributo declarado, sujeitandose a um procedimento administrativo de análise do mérito da retificação, de forma que o valor inicialmente declarado somente seria alterado para o menor se houvesse prova antecipada do erro. Todavia, desde as alterações introduzidas pela Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001, art. 18, a DCTF retificadora, quando admitida, tem os mesmos efeitos da original (art. 9º, I, da Instrução Normativa RFB no 1.110, 24 de dezembro de 2010), tem a mesma natureza da declaração original. A esse propósito, vejase o que já decidiu a 2ª Turma do STJ, no REsp 044027/SC (...) De acordo com a IN citada acima, vigente atualmente, não se admitem retificações de DCTF tendentes reduzir tributo previamente confessado cobrança já tenha sido enviada à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ou que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 19740.900409/200939 Acórdão n.º 3402004.823 S3C4T2 Fl. 298 7 Evidentemente, não se trata disso no caso sub judice. Ademais, a retificação da DCTF em questão operouse ao abrigado da espontaneidade, porquanto efetuada antes de qualquer procedimento do Fisco. Nessas circunstâncias, a DCTF retificadora apresentada alterou eficazmente a situação jurídica anterior e inverteu o ônus da prova de que inexistiria pagamento a maior. Contudo, os efeitos da retificação da DCTF foram solenemente desconsiderados tanto no despacho decisório quanto pelo acórdão de primeira instância. A nova realidade estampada na DCTF retificadora tem de ser devidamente avaliada pela Autoridade Fiscal, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a repetição e não homologada a compensação. À vista do exposto, voto por dar provimento ao recurso, para anular o processo ab ovo, determinando à Autoridade Fiscal competente que reexamine o pleito objeto do presente processo, considerando a DCTF que estiver vigendo por ocasião da edição do novo despacho decisório. (...) Nessa linha foi também decidido recentemente em face da própria recorrente, em situação semelhante a do presente processo, no Acórdão nº 3201003.071 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 27 de julho de 2017, sob voto condutor do Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, abaixo transcrito: (...) Com efeito, com base na DCTF original não haveria pagamento a maior de Cofins e, por conseguinte, nenhum direito creditório, o que demonstraria o acerto do despacho decisório original, proferido em 07/10/2009. Ocorre que antes da prolação do despacho decisório, a recorrente após correção e ajustes informados em seu recurso, transmitiu DCTF retificadora, em 18/09/2009, portanto, em data anterior ao término da análise de sua DCOMP. No ponto, importa decidir se o despacho decisório deveria ser proferido em observância à DCTF retificadora que constava na base de dados da Secretaria da Receita Federal RFB; e mais, questão fundamental é saber se a recorrente, na eminência da prolação de despacho decisório, eralhe permitido retificar a DCTF para reduzir valor de tributo devido, que corresponderia ao direito ao crédito do valor pago a maior. Depreendese do despacho decisório que a unidade de origem decidiu por não homologar a compensação, sob o fundamento de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito da titularidade do contribuinte. Este procedimento, eletrônico digase de passagem, é efetuado segundo os princípios da compensação, que nada mais é que o encontro de contas entre débito e crédito, este caracterizado pelo pagamento a maior ou indevido, consubstanciado, no caso em apreço, em um DARF. Quanto ao débito, é o valor extraído do documento hábil no qual o contribuinte confessa sua dívida Fl. 301DF CARF MF 8 tributária, qual seja, a DCTF válida que consta da base de dados da RFB. Assim, uma vez que no presente caso a não homologação da compensação declarada decorrera apenas da vinculação do pagamento ao débito informado na DCTF original, deve ser aceita como prova a DCTF retificadora transmitida antes da emissão do despacho decisório, desde que não haja impedimento normativo à sua utilização. À época dos fatos vigia a IN RFB nº 903/2008 que dispunha do Capítulo V para tratar da retificação de declarações. Seu art. 11 rezava: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. Os dispositivos não carecem de maiores interpretações. A DCTF retificadora, quando admitida, tem a mesma natureza e efeitos da declaração original. De acordo com a IN citada acima não se admitem retificações de DCTF tendentes reduzir tributo previamente confessado cobrança já tenha sido enviada à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ou tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. No caso dos autos, não ha incidência de nenhuma das hipóteses de inadmissibilidade da DCTF retificadora. Ademais, a retificação da DCTF em questão operouse ao abrigado da espontaneidade, porquanto efetuada antes de qualquer procedimento do Fisco. Nessas circunstâncias, a DCTF retificadora apresentada alterou eficazmente a situação jurídica anterior; contudo, os efeitos da retificação da DCTF foram solenemente desconsiderados no despacho decisório. A nova realidade estampada na DCTF retificadora tem de ser devidamente avaliada pela Autoridade Fiscal, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a repetição e não homologada a compensação. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 19740.900409/200939 Acórdão n.º 3402004.823 S3C4T2 Fl. 299 9 (...) Assim, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para anular o despacho decisório e os atos administrativos posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência, possibilitando à autoridade fiscal competente reexaminar o pleito de compensação, considerando a DCTF vigente no momento da nova decisão. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 303DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.002945/2008-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/07/2007
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65.
Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
Numero da decisão: 2202-004.166
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/07/2007 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
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RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 29 45 /2 00 8- 58 Fl. 97DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 19515.001700/200813. "Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a cobrança do crédito tributário. O Auto de Infração foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória verificada durante ação fiscal realizada em órgão público. A autuação ocorreu em nome do sujeito passivo, na condição de dirigente de órgão público, por força do disposto no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, vigente à época dos fatos geradores. O recorrente tomou ciência do lançamento e apresentou defesa, entretanto, a primeira instância de julgamento manteve a autuação. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, onde alega a improcedência da autuação. É o relatório." Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 2202004.158, de 03/10/2017, proferido no julgamento do processo 19515.001700/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 2202004.158): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão público com base no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que, à época dos fatos geradores, estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10380.002945/200858 Acórdão n.º 2202004.166 S2C2T2 Fl. 3 3 Contudo, o dispositivo transcrito foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não mais se aplicando, contra dirigente de órgão público, a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Sobre a matéria, a Súmula CARF nº 65 dispõe o seguinte: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Em função disso, aplicase ao caso, a retroatividade benigna de que trata a alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifei) Portanto, o lançamento em questão deve ser cancelado. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relator" Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 99DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.004994/2007-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Normas de Administração Tributária.
Fato gerador: 31/01/2005 e 31/03/2005
Ementa: SIMULTANEIDADE DE RECURSOS VOLUNTÁRIOS.
Ocorrendo recurso voluntário contra a não homologação da compensação e outra peça recursal contra ao conseqüente lançamento da multa isolada de que trata a legislação tributária, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente (Inteligência do § 3º do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003).
Numero da decisão: 1802-000.648
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DECLINAR
da competência para a 2ª Seção de Julgamento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Ester Marques Lins de Sousa
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ementa_s : Normas de Administração Tributária. Fato gerador: 31/01/2005 e 31/03/2005 Ementa: SIMULTANEIDADE DE RECURSOS VOLUNTÁRIOS. Ocorrendo recurso voluntário contra a não homologação da compensação e outra peça recursal contra ao conseqüente lançamento da multa isolada de que trata a legislação tributária, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente (Inteligência do § 3º do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003).
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Fato gerador: 31/01/2005 e 31/03/2005 Ementa: SIMULTANEIDADE DE RECURSOS VOLUNTÁRIOS. Ocorrendo recurso voluntário contra a não homologação da compensação e outra peça recursal contra ao conseqüente lançamento da multa isolada de que trata a legislação tributária, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente (Inteligência do § 3º do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DECLINAR da competência para a 2ª Seção de Julgamento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ester Marques Lins De Sousa – Presidente e Relatora. EDITADO EM: 31/01/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José De Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Alfredo Henrique Rebello Brandão, Nelso Kichel e Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior. Ausência justificada do conselheiro João Francisco Bianco. Relatório Fl. 104DF CARF MF 2 ANACLIN LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLINICAS LTDA, já qualificada nos autos do processo, recorre a este colegiado da decisão de primeira instância, DRJ/Curitiba/PR, que julgou procedente em parte o Auto de Infração, fls.14/17, que constituiu o crédito tributário relativo à Multa Isolada no percentual de 150% sobre os débitos que foram objeto de compensação pela interessada mediante as Declarações de Compensação (PER/Dcomp) relacionadas às fls. 05/06, consideradas não-declaradas, conforme Despacho Decisório, fls. 05/13, exarado no Processo Administrativo Fiscal n.° 10920.002924/2004-54. O Auto de Infração tem como enquadramento legal (fl.17), o artigo 18 da Lei no 10.833/03, com redação dada pela Lei no 11.051/04. A decisão de primeira instância mediante o Acórdão nº 06-16.200, de 28/11/2007 (fls.51/58) julgou o lançamento parcialmente procedente para reduzir a Multa Isolada de 150% para 75% dos valores compensados indevidamente, mantendo, assim, o lançamento de R$ 1.748,54. O Acórdão da decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 31/01/2005, 31/03/2005 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO EM DISCUSSÃO JUDICIAL. INEXISTÊNCIA DE DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. MULTA ISOLADA. APLICABILIDADE. PERCENTUAL. BASE DE CÁLCULO. Considerada não-declarada a compensação em face de pretensão de utilização de créditos advindos de discussão judicial sem decisão transitada em julgado, cabível a aplicação da multa isolada, no percentual de 75%, sendo impingida a multa qualificada de 150% somente na hipótese de ser caracterizado o "evidente • intuito de fraude" referido pela legislação. MULTA DE OFÍCIO. NORMAS LEGAIS. EXAME DE VALIDADE. COMPETÊNCIA. A exigência de multa de oficio está prevista em normas regularmente editadas, não tendo o julgador administrativo competência para apreciar argüições de invalidade e/ou inconstitucionalidade contra a sua cobrança. Cientificada, em 08/01/2008, do Acórdão acima mencionado, conforme anotado à fl.61, a empresa interpôs, em 23/01/2008, tempestivamente, o Recurso Voluntário de fls.63 a 75, no qual apresenta os seguintes argumentos, em síntese: - que, a manutenção da multa isolada, aplicada no percentual de 75%, em face da utilização de créditos advindos de discussão judicial não transitada em julgado, é injusta, tendo em vista que os motivos que ensejaram a aplicação da medida punitiva não condiz com a realidade fática exaustivamente exposta nos processos administrativos de compensação e restituição; - que, há diferença entre os pedidos administrativos e judiciais formulados, na medida em que, enquanto na esfera judicial se pleiteia a isenção do imposto considerado indevido, na esfera administrativa o objeto do pedido é totalmente distinto, pleiteando-se a utilização do crédito Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10920.004994/2007-90 Acórdão n.º 1802-00.648 S1-TE02 Fl. 98 3 tributário advindo de pagamentos indevidos para compensar com outros administrados pela Receita Federal; - que, o provimento jurisdicional perquirido na ação mandamental refere-se a inexigibilidade do adimplemento de prestação pecuniária decorrente de obrigação tributária concernente a COFINS, o Pedido de Restituição Formulado na esfera administrativa, tem como escopo a restituição de valores pagos indevidamente a título de COFINS, referentes ao período de apuração; - que, o ajuizamento da Ação Judicial não pode, por si só, obstar o exercício dos direitos ao contraditório, ampla defesa, do devido processo legal, e do direito de petição, constitucionalmente garantidos e assegurados, tanto nas contendas judiciais como administrativas; e, por serem distintos o pedido administrativo e o pedido judicial, resta claro a total improcedência da aplicação da multa isolada, em quaisquer percentuais, justamente por não haver qualquer amparo legal, tendo em vista que nunca houve subsunção entre a norma tributária e o ato praticado pela Contribuinte. - que, nos termos do artigo 18 da Lei 10.833/2003, "o lançamento de oficio limitar-se-á à imposição de multa isolada em razão de não-homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo"; e, no caso em tela, as Declarações de Compensação se fundamentam no direito creditório que entende ter direito, portanto, não há que se falar em falsidade quando os créditos utilizados foram devidamente indicados em pedido de restituição, formalizado em processo administrativo; - que, falsidade haveria se o pedido de restituição informado para lastrear as compensações não existisse. Não é o que ocorre, pois desde o início, a autoridade fiscal está ciente da existência de processo administrativo de restituição. No entanto, apesar de comprovadamente demonstrada a inexigibilidade do crédito discutido, o Fisco insiste, arbitrariamente, em cobrar tais valores, em explícito desrespeito ao art. 151 do Código Tributário Nacional; e, como a falsidade é elemento essencial à subsunção da norma legal ao ato praticado pelo sujeito passivo para aplicação do dispositivo legal, torna-se impossível o lançamento de ofício da multa isolada, uma vez que o ato praticado pela Impugnante carece do elemento principal para a tipificação legal da conduta. A recorrente da mesma forma que se insurgiu na impugnação, relembra os princípios constitucionais da vedação ao confisco (art. 150, IV) e da capacidade contributiva (art. 145, § 1°), e conclui que a multa aplicada é excessiva e confiscatória; defende, para o caso, a incidência da multa de mora de 2%, prevista no art. 52, 1°, da Lei n.° 8.078, de 1991, com a alteração da Lei n.° 9.298, de 1996. Finalmente, requer o provimento integral do presente Recurso Voluntário para reformar por completo a decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba, para ver desconstituída a multa de 75% É o relatório. Fl. 106DF CARF MF 4 Voto Conselheira Relatora Ester Marques Lins De Sousa O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço. Trata-se de recurso interposto contra decisão proferida pela DRJ em Curitiba (PR), que julgou procedente em parte o lançamento reduzindo de 150% para 75% a multa isolada decorrente de compensação considerada não declarada de valores relativos a créditos de COFINS, com débitos de COFINS, PIS, CSLL e IRRF, com fundamento no artigo 18 da Lei no 10.833/03, com redação dada pela Lei no 11.051/04. A 1ª Turma Ordinária da 3 a Câmara da 3ª Seção de Julgamento declinou da competência ao 1º Conselho de Contribuintes, conforme o despacho de fls.93/94. Consta do Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinville/SC (fl.10), que, em setembro de 2005, antes da apresentação das declarações de compensação, o contribuinte impetrou mandado de segurança tratando da mesma matéria, ou seja, ver declarada a inconstitucionalidade do art. 56 da Lei n° 9.430/1996 e garantir o direito à isenção da Cofins prevista no art. 6°, II da Lei Complementar n°70/1991 e à compensação, e que, todas as decisões proferidas no processo judicial, desde o momento da impetração até a apresentação da última declaração de compensação, negaram o pedido do contribuinte. Assim, o contribuinte apresentou diversas declarações de compensação, indicando como origem de crédito recolhimentos que entende indevidos de Cofins, pois considera que a isenção dada pelo art. 6°, II da Lei Complementar n° 70/1991 não poderia ter sido revogada pelo art. 56 da Lei n° 9.430/1996. Em relação aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, a compensação tributária é regida pelo art. 74 da Lei n° 9.430/1996, com alterações posteriores, que faculta ao sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. A mencionada compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. A Lei n° 11.051/2004 alterou a redação do § 12 desse artigo 74, fazendo constar expressamente que as compensações efetuadas pelo contribuinte com base em crédito decorrente de decisão judicial não transitada em julgado serão consideradas não declaradas, conforme se transcreve a seguir: Art. 74 (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: 1 - previstas no § 3° deste artigo; II - em que o crédito: Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10920.004994/2007-90 Acórdão n.º 1802-00.648 S1-TE02 Fl. 99 5 a) seja de terceiros; b) refira-se a "crédito-premio" instituído pelo art. 1° do Decreto- Lei n°491, de 5 de março de 1969; c) refira-se a título público; d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal - SRF. § 13 O disposto nos §§ 2o e 5o a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. Como se sabe o art. 18, § 4° da Lei n° 10.833/2003, com a redação dada pela Lei n° 11.051/2004, previu a aplicação de multa isolada nos casos de compensação considerada não declarada em função das hipóteses previstas no art. 74, § 12, II, da Lei n° 9.430/1996, como é o caso tratado no presente processo, vejamos: Art. 18 (...) § 3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não- homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. § 4° Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicando-se os percentuais previstos: I- no inciso I do caput do art. 44 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996; II - no inciso II do caput do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 5° Aplica-se o disposto no § 2° do art. 44 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas no § 4° deste artigo. Tais dispositivos foram alterados pela Lei n° 11.488/2007, mas em nada modificou quanto ao § 3º acima evidenciado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinville/SC, analisando o pleito, assim constou às fls.05/06, sobre a matéria restituição/compensação e crédito utilizado pelo contribuinte para fins da compensação, considerada “ não declarada”, objeto da presente autuação: Fl. 108DF CARF MF 6 O contribuinte apresentou declarações eletrônicas de compensação (fls.01/11),para quitação dos seguintes débitos: (...) Informou que o crédito utilizado para lastrear tais compensações é o pedido de restituição formalizado no processo n° 10920.002924/2004-54. Verificamos que o pedido de restituição formalizado no processo n° 10920.002924/2004-54 foi indeferido por despacho decisório formalizado em 8 de novembro de 2004 (fls.46/51). Foi apresentada manifestação de inconformidade, que aguarda julgamento. (...) FUNDAMENTAÇÃO O contribuinte apresentou declaração de compensação (fls. 01/11) indicando como origem de crédito o pedido de restituição formalizado no processo administrativo n° 10920.002924/2004- 54. Verificamos que o pedido de restituição formulado naquele processo refere-se a recolhimentos de Cofins efetuados entre fevereiro de 2005 e julho de 2004, ao argumento de que o contribuinte estaria amparado pela isenção prevista no art. 6°, II da Lei Complementar n° 70/1991 e que o art. 56 da Lei n° 9.430/1996 não poderia revogar a isenção dada por lei complementar, já que seria uma norma de hierarquia inferior (fls.13/45). O pedido foi indeferido em 8 de novembro de 2004, conforme despacho decisório de fls.46/51. (...) Em pesquisa ao sítio desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), constata-se que o mencionado processo administrativo n° 10920.002924/2004-54, se encontra na 2ª Seção de Julgamento por se tratar do pedido de restituição com crédito decorrente de Cofins. Assim, respeitando o § 3º do art. 18, § 4° da Lei n° 10.833/2003, entendo que os presentes autos devem ser devolvidos à 2ª Seção de Julgamento para que os recursos voluntários sejam decididos simultaneamente. É como voto. Relatora Ester Marques Lins De Sousa Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10920.004994/2007-90 Acórdão n.º 1802-00.648 S1-TE02 Fl. 100 7 Fl. 110DF CARF MF
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