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Numero do processo: 16349.000033/2007-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. SALDO CREDOR AUFERIDO APÓS A VIGENCIA DA LEI FEDERAL 10.925/2004.
As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Porém não podem ser compensados ou ressarcidos com outros débitos federais, em caso de saldo credor ao final de cada período de apuração, uma vez que foram gerados após 01/08/2004, já sob a égide da Lei Federal 10.925/2004.
Numero da decisão: 3401-004.300
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
TIAGO GUERRA MACHADO - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado, em substituição a André Henrique Lemos, ausente).
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. SALDO CREDOR AUFERIDO APÓS A VIGENCIA DA LEI FEDERAL 10.925/2004. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Porém não podem ser compensados ou ressarcidos com outros débitos federais, em caso de saldo credor ao final de cada período de apuração, uma vez que foram gerados após 01/08/2004, já sob a égide da Lei Federal 10.925/2004. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. ROSALDO TREVISAN Presidente. TIAGO GUERRA MACHADO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 00 33 /2 00 7- 33 Fl. 1433DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado, em substituição a André Henrique Lemos, ausente). Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls.1179 e seguintes), contra Acórdão da 6ª Turma, da DRJ/SP1, que considerou improcedente as razões da Recorrente em sede de Manifestação de Inconformidade sobre indeferimento parcial de pedido de ressarcimento. Da Compensação e do Despacho Decisório Naquela ocasião, a contribuinte protocolizou Pedido de Ressarcimento de Crédito da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, relativo ao Quarto Trimestre do ano calendário de 2005, por se enquadrar nos dispositivos do artigo 6°, inciso I, parágrafo 1°, da Lei n° 10.833 de 2003, no valor de R$ 3.183.323,84 (três milhões, cento e oitenta e três mil, trezentos e vinte e três reais e oitenta e quatro centavos), posteriormente retificado para R$ 3.655.873,83 (três milhões, seiscentos e cinqüenta e cinco mil, oitocentos e setenta e três reais e oitenta e três centavos), conforme Pedidos de fls. 01/48. Com o intuito de averiguar a liquidez e certeza do crédito, os autos foram encaminhados à DEFICSP que, ao término dos trabalhos de diligência, exarou a Informação Fiscal, em 14.06.2007, de fls. 1001/1005, na qual reconhece o crédito pleiteado pelo contribuinte (ressarcimento) exceto no que tange ao crédito apurado sobre fretes internacionais. Fl. 1434DF CARF MF Processo nº 16349.000033/200733 Acórdão n.º 3401004.300 S3C4T1 Fl. 1.433 3 Após a realização da diligência fiscal, os autos retornaram à DERATSP, que proferiu Despacho Decisório de fls. 1013/1021, no qual homologou parcialmente as compensações apresentadas, ratificando a posição do diligenciante, no que tange à glosa dos créditos incidentes sobre fretes internacionais (pagamento de frete para não residentes) e concluindo que o crédito presumido — atividades agroindustriais, não poderia ser objeto de compensação ou ressarcimento. Fl. 1435DF CARF MF 4 Quanto aos processos apensados, ressaltamos o resumo constante no Acordão 1630.631 (fls 1164 e seguintes): A Contribuinte transmitiu o mencionado Pedido de Ressarcimento (PER) n° 33140.44763.100206.1.1.095510 em 10/02/2006 (fls. 01/06). Este PER foi retificado pelo PER n° 10298.84414.310107.1.5.091070 (fls. 41/47) em 31/01/2007. 8. Aos autos foi apensado o processo n° 13804.000699/200606, que por seu turno possui apensados diversos outros processos. Todos estes processos controlam DCOMP apresentadas em "papel" que fazem remissão ao crédito objeto do processo em tela, entretanto, não foram objeto do Despacho Decisório de fls. 997/1.005. 9. Destarte, nos autos do processo n° 13804.000699/200606 foi proferido Despacho Decisório por parte da DERATSP (fls. 47/48 do processo n° 13804.000699/2006 06), no qual foram homologadas as compensações até o limite do crédito apurado nos autos em tela. 10. Desta decisão foi facultada a interposição de Manifestação de Inconformidade DRJ. Ciente desta decisão em 25/08/2010 (fl. 49 v), o contribuinte não apresentou defesa. Da Manifestação de Inconformidade A Contribuinte opôs Manifestação de Inconformidade, em 10.08.2007 (fls. 1044 e seguintes), alegando, em síntese, o seguinte: Fl. 1436DF CARF MF Processo nº 16349.000033/200733 Acórdão n.º 3401004.300 S3C4T1 Fl. 1.434 5 2.1 A recorrente apurou no 4° trimestre do ano de 2005, crédito decorrente de COFINS nãocumulativa — exportação, no valor de R$ 5.407.034,05, sendo que R$ 1.383.751,90 foi utilizado para dedução da COFINS apurada naquele período, R$ 367.408,32 para compensar débitos controlados no processo 13804.000502/200621 e R$ 3.655.873,83 foi objeto de Pedido de Ressarcimento. 2.2 Os Pedidos de Ressarcimento foram transmitidos à Receita Geral do Brasil sob o número 33140.44763.100206.1.1.095510 (fls01/06), posteriormente retificado pelo PER n° 10298.84414.31010.1.5.09.1070 (fls.41/47), que encaminhou o pedido para a DEFICSP (fl 08/09) que reconheceu o crédito pleiteado pela recorrente (ressarcimento), exceto no que tange ao crédito apurado sobre fretes internacionais. (...) 9. No tocante à decisão que indeferiu o ressarcimento do "crédito presumido (agroindústria)" com base na aplicação do Ato Declaratório Interpretativo SRF n.° 15/2005, a Contribuinte manifesta seu absoluto inconformismo, tendo em vista que tal ato é flagrantemente inconstitucional. (...) 23. Considerando os dispositivos acima descritos, conclusão inarredável a que se chega é a de que o referido Ato Declaratório impugnado afronta o principio da legalidade, na medida em que viola disposto nos arts. 5°, inciso II e 150, inciso I, da Constituição Federal, de 1988, bem como nas Leis Federais n.°s 10.833/2003, artigos 3.°, 6.°, §§ I.°, 2.° e 3.° (COFINS); 10.637/2002, artigos 3.°, 5.0, §§ 1.0 e 2.° (PIS); 10.925/2004, artigo 8.0; 11.116/2005, artigo 16, e 11.033/2004, artigo 17, que prevêem de forma expressa a possibilidade de compensação ou ressarcimento do saldo credor de PIS/PASEP e da COFINS. 24. Ao editar o Ato Declaratório Interpretativo n.° 15/2005, a administração pública exorbitou o poder regulamentador conferido ao Poder Executivo, na medida em que restringe o direito do contribuinte de compensar o saldo credor ou obter o ressarcimento de crédito devidamente apurado das mencionadas contribuições, configurando, de forma cristalina, cerceamento de direito garantido por Lei, o que é vedado pelo sistema jurídico pátrio. 25. A inconstitucionalidade e a ilegalidade do Ato Declaratório Interpretativo n.° 15/2005, por afrontar o principio da legalidade, fica evidente ao analisarmos o conteúdo das Leis Federais retro mencionadas. 0 artigo 16 da Lei Federal n.° 11.116, de 18/05/2005, e o art. 17 da Lei Federal n.° 11.033, de 21/12/2004, concedem ao Contribuinte o direito à compensação ou ressarcimento, de forma expressa e cristalina, do saldo credor da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, decorrentes vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota O (zero) ou não incidência de tais contribuições. Confirase: 28. Da redação do referido dispositivo legal, constatase que o legislador permitiu as pessoa jurídicas produtoras de mercadorias de origem animal ou vegetal, destinadas a alimentação humana ou animal, a apuração de crédito presumido sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3° das Leis n°s 10.637/2002, e 10.833/2003, adquiridos de pessoa física, ou recebidos de cooperado pessoa fisica. Logo, a integralidade do saldo credor da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS, decorrente de créditos apurados na forma do art. 3° das Leis n's 10.637/2002, e 10.833/2003, inclusive o crédito presumido (agroindústria), é passível de compensação ou ressarcimento em dinheiro, conforme previsto nas Leis Federais n° Fl. 1437DF CARF MF 6 10.833/2003, artigo 6.°, §§ 1., 2.° e 3.° (COFINS); 10.637/2002, artigo S.°, §§ 1.0 e 2.° (PIS); 11.116/2005, artigo 16, e 11.033/2004, artigo 17. 29. A Lei Federal n.° 10.925, de 23/12/2004, é resultado da conversão da Medida Provisória n° 183, de 30/04/2004. Analisando a exposição de motivos da mencionada Medida Provisória, verificase que o crédito presumido foi instituído com a única finalidade de anular a acumulação do PIS e da COFINS no preço dos produtos dos agricultores e pecuaristas pessoas físicas. Por outro lado, negar a possibilidade de compensação do PIS/PASEP e da COFINS ou seu ressarcimento significa transferir a acumulação dessas contribuições para a indústria que adquiriu os bens e insumos de pessoa física ou recebido de cooperado pessoa física. No caso de empresa exportadora, como esta Contribuinte, tal vedação significa acumular saldo credor das contribuições indefinida e crescentemente, ficando obrigada a exportar, em seus preços, o acúmulo das mencionadas contribuições, fatores estes, nocivos à indústria evidentemente, muito bem apontados na exposição de motivos da Medida Provisória n° 183/2004: (...) 50. Frente a todas as considerações acima expostas, demonstra a inegável e absoluta improcedência da decisão proferida pela EQITD, que indeferiu o ressarcimento do crédito presumido (agroindústria), requerendo aos Ilustres Julgadores, seja julgada procedente a presente manifestação de inconformidade para reformar a decisão ora atacada, determinando que sejam ressarcidos os créditos pleiteados na sua integralidade, afastando o malfadado, ilegal e inconstitucional Ato Declaratório Interpretativo SRF n.° 15/2005, por ser medida da mais lídima Justiça. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio Acordão 1630.631, através do qual a Impugnação foi considerada improcedente, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. A falta de reconhecimento do crédito pleiteado pelo contribuinte não permite a homologação das compensações apresentadas, bem como um eventual ressarcimento. CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa fisica. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 1438DF CARF MF Processo nº 16349.000033/200733 Acórdão n.º 3401004.300 S3C4T1 Fl. 1.435 7 Do Recurso Voluntário Irresignado, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação: Após a apresentação do recurso, ainda foram apensados os seguintes processos, que tratam da compensação relativa ao crédito objeto de ressarcimento ora impugnado: 13804.000699/200606; 13804.000502/200621; 13804.000728/20062; 13804.000808/200687; 13804.000857/200610; 13804.000942/200688; 13804.000953/2006 68; 13804.001009/200628; 13804.001010/200652; 13804.001038/200690; 13804.001039/200634; 804.001040/200669; 13804.001064/200618; 13804.001081/200655 É o relatório. Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade constantes na legislação; de modo que dele tomo conhecimento. Do Mérito A Recorrente pretende a anulação do acórdão proferido pela DRJ, no que tange à glosa do crédito presumido apropriado pela contribuinte, e alega, resumidamente que não há proibição para requerer a compensação dessa modalidade de crédito com outros tributos. Passo a expor. O crédito presumido concedido às pessoas jurídicas que desempenham atividades agroindustriais foi previsto no § 5°, do artigo 3°, da Lei Federal n° 10.833/2003, permitindo que os contribuinte apurassem crédito sobre a aquisição de bens de pessoas físicas residentes no Pais, desde que produzissem determinadas mercadorias de origem animal ou vegetal, in verbis: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º: a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: § 5º Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, Fl. 1439DF CARF MF 8 classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 1514, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, destinados à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da COFINS, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no Pais. (Revogado pela Lei n" 10.925. de 2001) À época, de acordo com o artigo 6°, da mesma Lei, esta modalidade de crédito presumido poderia ser utilizado, para fins de compensação/ressarcimento. Contudo, o § 5° do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003 foi expressamente revogado, a partir de 01/08/2004, pela Medida Provisória 183, de 30/04/2004, sendo essa, convertida na Lei Federal 10.925/2004, ratificando esta revogação, nos termos do artigo 16, I, "h" Não só isso, para não incorrer em prejuízo aos agroindustriais, criouse um novo modelo ao crédito presumido, naquele mesmo diploma legal, passando a ser regulamentado pelo artigo 8°, in verbis: Art. 8° As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos Capítulos 2 a 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 09.01, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas a alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3" das Leis nos 10.637. de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Após, o mesmo artigo foi alterado pela Lei Federal 10.925/2004: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capitulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3" das Leis di 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa fisica ou recebidos de cooperado pessoa fisica. (Redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei no 12.058, de 2009) (Vide Lei n°12.350, de 2010) Nesse sentido, desde 01/08/2004, o crédito presumido sobre tais atividades somente poderia ser utilizado para dedução da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, Fl. 1440DF CARF MF Processo nº 16349.000033/200733 Acórdão n.º 3401004.300 S3C4T1 Fl. 1.436 9 devidas em cada período de apuração, não sendo facultada a sua utilização com fins de compensação ou ressarcimento em caso de "excesso". Como se tratam de créditos apurados a partir de 2005, o arcabouço normativo a que estão sujeitos já se encontra sob a égide dessas alterações trazidas pela Lei Federal 10925/2004. Em sua defesa, a Recorrente afirma que o artigo 6° da Lei n° 10.833/2003 permitiria a compensação ou ressarcimento do crédito presumido decorrente de atividades agroindustriais. Vejamos: Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei n" 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação. §1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação especifica aplicável matéria. §3º O disposto nos §§1º e 2º aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§8º e 9º do art. 3º. Os parágrafos primeiro e segundo do artigo 6° são taxativos ao determinar que poderão ser objeto de compensação ou de ressarcimento os créditos apurados na forma do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003. E somente estes. Insubsistente, portanto, esse argumento. Por fim, o contribuinte afirma que o artigo 16 da Lei Federal 11.116/2005 permitiria a "compensação ou ressarcimento do saldo credor da COFINS, decorrente de vendas efetuadas com suspensão, isenção ou não incidência de tais contribuições, nos termos do "caput" do artigo 17 da Lei n° 11.033/04." Todavia, mais uma vez, o contribuinte procura utilizar um dispositivo específico que se refere aos créditos "ordinários", apurados em razão do art. 3° das Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003, e do art. 15 da Lei n° 10.865/2004. Fl. 1441DF CARF MF 10 Essa é a leitura que faço do caput, do art. 16, da Lei Federal 11.116/2005, abaixo transcrita: Art. 16. 0 saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3" das Leis es 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei n°11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação especifica aplicável a matéria. Quanto aos argumentos de ordem constitucional, em vista da Súmula CARF nº 2, esse Tribunal administrativo há de declinar de efetuar qualquer análise de tal natureza. Diante do exposto, conheço do recurso, porém negolhe provimento. TIAGO GUERRA MACHADO Relator Fl. 1442DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.003514/2008-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE PROVA.
Afastada a nulidade por cerceamento do direito de defesa. Fiscalização que intimou o contribuinte a providenciar documentos. ônus da prova do contribuinte.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SIMPLES. COEXISTÊNCIA DE PROCEDIMENTOS. EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SIMPLES. EFEITOS. ACRÉSCIMOS LEGAIS.
A empresa é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias a seu cargo, incidente sobre a remuneração paga ou creditada a segurados empregados e contribuintes individuais.
A contestação do procedimento de exclusão do Simples não impede que sejam apuradas outras irregularidades, decorrentes ou não das tratadas no processo de exclusão, e tampouco engessa a atuação do Fisco até o momento da existência de decisão definitiva em relação àquele litígio.
Numero da decisão: 2201-004.392
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE PROVA. Afastada a nulidade por cerceamento do direito de defesa. Fiscalização que intimou o contribuinte a providenciar documentos. ônus da prova do contribuinte. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SIMPLES. COEXISTÊNCIA DE PROCEDIMENTOS. EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SIMPLES. EFEITOS. ACRÉSCIMOS LEGAIS. A empresa é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias a seu cargo, incidente sobre a remuneração paga ou creditada a segurados empregados e contribuintes individuais. A contestação do procedimento de exclusão do Simples não impede que sejam apuradas outras irregularidades, decorrentes ou não das tratadas no processo de exclusão, e tampouco engessa a atuação do Fisco até o momento da existência de decisão definitiva em relação àquele litígio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 35 14 /2 00 8- 12 Fl. 171DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório 1 Tratase de Recurso Voluntário (fls.118/126), todas as folhas serão mencionadas pelo seu arquivo PDF, interposto pelo contribuinte contra a R. decisão da DRJ BHE (fls. 106/111) que julgou improcedente sua Impugnação ao lançamento Auto de Infração — DEBCAD n° 37.024.3870, lavrado em face do contribuinte acima identificado. 2 – Adoto inicialmente como complemento ao relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (fls. 106/111) por sua precisão e clareza: Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10665.003514/200812 Acórdão n.º 2201004.392 S2C2T1 Fl. 172 3 Fl. 173DF CARF MF 4 Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10665.003514/200812 Acórdão n.º 2201004.392 S2C2T1 Fl. 173 5 3 A decisão da DRJBHE julgou improcedente a Impugnação do contribuinte, conforme decisão ementada abaixo: Fl. 175DF CARF MF 6 4 Cientificados da decisão de piso (fls. 115/116) em 02/12/2010, o contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. (118/126) mantendo praticamente os mesmos argumentos da impugnação e ao final requer o provimento do recurso com o cancelamento do auto de infração. 5 – Em decisão de 12/09/2017 essa C. Turma converteu o julgamento em diligência (fls. 128/133) para: “7 – Em vista da existência de alegação do contribuinte de questionamento quanto a sua exclusão do Simples Federal, proponho a conversão do julgamento em diligência para que a autoridade preparadora informe: a) a situação atual dos Atos Declaratórios Executivo DRF/DIV nº 46 e 48 emitidos para excluir o contribuinte do Simples e o seu inteiro teor; Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10665.003514/200812 Acórdão n.º 2201004.392 S2C2T1 Fl. 174 7 b) a situação atual do(s) Processo Administrativo Fiscal em que o contribuinte questiona esses ADE nº 46 e 48 e informação quanto ao trânsito em julgado na esfera administrativa, com a juntada da decisão se possível; c) outras informações que entender necessárias que complementem a diligência acima requerida.” 6 A autoridade lançadora se manifestou sobre a diligência às fls. 167 no seguinte sentido: “Em atendimento à Solicitação de Diligência (fls.133), temos a informar que: 2. Em 21/10/2008 a empresa tomou ciência (fls. 139) dos Atos Declaratórios Executivos nº 46 (Exclusão do Simples Federal gerando efeitos a partir de 01/01/2004) e nº 48 (Exclusão do Simples Nacional gerando efeitos a partir de 01/07/2007) e, em 20/11/2008 foi apresentada contestação às exclusões por eles promovidas (fls. 140 a 143). 3. Em 26/12/2008 o processo 10665.002946/200814 foi apensado ao processo 10665.002883/200898 (fls. 144) e, em 06/01/2009 encaminhados à DRJ/BHE para julgamento (fls. 145). 4. Em 08/04/2009 a DRJ/BHE converteu o julgamento em diligência para juntada de documentos, realização de ciência e reabertura do prazo para manifestação (fls. 146 a 149). 5. A ciência foi dada em 07/12/2009 e não houve manifestação do contribuinte sendo os processos remetidos à DRJ/BHE para julgamento (fls. 150 a 153) 6. Em 04/02/2010 a impugnação foi julgada improcedente (Acórdão 0225.426 – 4ª Turma da DRJ/BHE fls. 154 a 161). 7. A ciência do Acórdão foi dada em 08/03/2010 e não houve interposição de recurso (fls. 163 e 164). Fl. 177DF CARF MF 8 8. Sendo a decisão definitiva na esfera administrativa, os processos foram remetidos ao arquivo em 19/04/2010 (fls. 165). 9. Com estas informações entendo ter prestado os esclarecimentos solicitados no item 7 da Resolução nº 2201000.288 do CARF.” 7 É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 8 – O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. 9 – O recurso do contribuinte se sintetiza em apenas alegar que a autuação se deu em cima de valores relacionados a cesta básica e que houve duplicidade de lançamento de segurados em decorrência de problemas em seu programa de folha de salário. 10 – A DRJ verificando tal alegação em defesa converteu o julgamento em diligência às fls. 96/97 para a autoridade lançadora efetuasse a análise desse ponto. 11 – Apesar de intimado às fls. 102/103 o contribuinte ficou inerte, deixando transcorrer in albis o prazo sem qualquer manifestação acerca da matéria trazida em defesa quanto à propalada existência de segurados cadastrados em duplicidade no NIT. 12 – No presente caso o ônus probatório é do contribuinte quando alega de acordo com os termos do artigo 373, II do CPC aplicável ao caso, matéria extintiva do direito do autor: Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10665.003514/200812 Acórdão n.º 2201004.392 S2C2T1 Fl. 175 9 Art. 373. O ônus da prova incumbe: II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. 13 – Contudo, apesar de intimado anteriormente não produziu nenhum tipo de prova quanto aos fatos alegados, apenas alegando situações sem qualquer elemento de prova, sendo como de geral conhecimento, o fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente, conforme antiga máxima expressa no seguinte brocardo jurídico allegatio et non probatio quasi non allegatio (alegar e não provar é quase não alegar). 14 – A diligência requisitada e respondida às fls. 167 pela autoridade lançadora comprovam que houve a exclusão do contribuinte do SIMPLES na forma da Lei e portanto cabível o lançamento na forma como efetuado. Conclusão 15 Diante de todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e negar provimento nos termos da fundamentação. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso – Relator Fl. 179DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.940294/2011-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.623
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1925; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.940294/201132 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3301000.623 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 19 de abril de 2018 Assunto PERDCOMP. COFINS. Recorrente Sociedade Paranaense de Ensino e InformáticaSPEI Recorrida Fazenda Nacional Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. A DRF, no despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição ou compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, o Pedido de Restituição foi indeferido e a compensação declarada não foi homologada, conforme o caso. Cientificada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade cuja argumentação é a seguir resumida. Sustenta que é uma instituição de educação sem fins lucrativos e, nos termos do art. 14, X da MP nº 2.15835, de 2001, estaria isenta da COFINS. Argumenta que tal RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 40 29 4/ 20 11 -3 2 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10980.940294/201132 Resolução nº 3301000.623 S3C3T1 Fl. 3 2 dispositivo estabelece que tal isenção se dá, a partir de 01/02/1999, para as receitas relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13, o qual, por sua vez, referese às “instituições de educação e de assistência social” arroladas no art. 12 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Afirma que se encaixa nos requisitos legais, uma vez que: (a) não remunera, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; (b) aplica integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; e (c) assegura a destinação de seu patrimônio à outra instituição congênere, em caso de extinção. Anexa o seu Estatuto Social para provar o alegado. Relativamente à expressão “atividade própria” (art. 14, X, da MP 2.158/35), argumenta que deve ser entendida como aquela atividade regular e relativa à natureza essencial da entidade. Sustenta que ‘própria’ é toda a atividade prevista em seu estatuto, ou na lei, já que conexa à própria existência da pessoa jurídica. Assim, assevera que “a existência de finalidade lucrativa não devia ser vinculada à gratuidade ou não dos serviços prestados ou à forma de obtenção da receita, nas, sim, à forma como ela é aplicada. Caso constitua objetivo da instituição exercer atividade educacional sem fins lucrativos, ainda que o serviço seja prestado mediante o pagamento de mensalidade ou retribuições, a receita obtida com as mensalidades constitui receita própria de sua atividade e, desta forma, estaria isenta da COFINS.” Afirma, outrossim, que os princípios da legalidade e da legalidade tributária impede o Fisco de exigir tributo que não está previsto em lei, acrescentando que a lei, nesse caso, prevê expressamente uma isenção. Portanto, em seu entendimento, não há “espaço para que atos normativos como, por exemplo, decretos, instruções normativas, atos interpretatórios ou declaratórios criem qualquer redução ou limitação à isenção de COFINS prevista nos artigos 13 e 14 da MP 2.15835/01”. No seguimento, tece comentários sobre o instituto da compensação para afirmar que “tendo a instituição recolhido o tributo de forma indevida tem direito à restituição/compensação”. Em razão do alegado, requer a homologação da compensação pleiteada. A 3ª Turma da DRJ/CTA indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 06046.063. Em seu recurso voluntário, a empresa: § Reitera os fundamentos de sua manifestação de inconformidade; § Declara que se subsume à isenção do art. 14, X da MP n° 2.15835; § Aduz que “todos os valores que são aplicados no desenvolvimento da atividade da entidade sem fins lucrativos são receitas decorrentes de atividades próprias”. § Defende a inaplicabilidade da IN n° 247/2002; § Junta documentos que comprovariam sua condição de isenta. É o relatório. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10980.940294/201132 Resolução nº 3301000.623 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.589, de 19 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.934789/200916, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.589): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Os fundamentos da negativa do pleito da Recorrente pela DRJ foram: I. Na interpretação do art. 14, X da MP, entendeu o voto condutor que seriam receitas de atividades próprias das instituições a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532/97, apenas as receitas típicas dessas entidades, como as decorrentes de contribuições, doações e subvenções por elas recebidas, bem assim mensalidades ou anuidades pagas por seus associados, destinadas à manutenção da instituição e consecução de seus objetivos sociais, sem caráter contraprestacional. A DRJ aplicou o art. 47, da Instrução Normativa n° 247/2002: Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9º desta Instrução Normativa: I – não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e II – são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. § 1º Para efeito de fruição dos benefícios fiscais previstos neste artigo, as entidades de educação, assistência social e de caráter filantrópico devem possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos, de acordo com o disposto no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. § 2º Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. II. Atendeu ao comando do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, aduzindo que se sujeitam à incidência da COFINS, as receitas decorrentes de atividades comuns às dos agentes econômicos, como as resultantes da venda de mercadorias e prestação de serviços, inclusive as receitas de matrículas e mensalidades dos cursos ministrados pelas entidades educacionais, ainda que exclusivamente a seus Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10980.940294/201132 Resolução nº 3301000.623 S3C3T1 Fl. 5 4 associados e em seu benefício e, receitas de aplicações financeiras. Concluiu que estão sujeitas à COFINS, por força da Lei nº 9.718/98, as receitas de caráter contraprestacional, inclusive as mensalidades cobradas por instituições de educação e as receitas financeiras auferidas. A revisão dos dois pontos será feita a seguir. Isenção do art. 14, X, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001 Prescreve o art. 14, X da MP n° 2.15835: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. Por sua vez, o art. 13 do mesmo veículo normativo dispõe: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997; Notese que o art. 13, III da MP nº 2.15835/2001 ao fazer remissão ao art. 12 da Lei n° 9.532/1997, condiciona a Instituição ao cumprimento das exigências impostas por esta Lei. O art. 12 da Lei n° 9.532/1997, com redação vigente à época, exigia: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10980.940294/201132 Resolução nº 3301000.623 S3C3T1 Fl. 6 5 d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público; h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. § 3º Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinando exercício, destine referido resultado integralmente ao incremento de seu ativo imobilizado. Ocorre que as mensalidades cobradas por instituições de educação estão ao abrigo da norma isentiva, como já pacificado pela Súmula CARF n° 107 e pelo REsp 1.353.111 RS, DJ 18/12/2015, julgado como recurso repetitivo, transitado em julgado desde 02/03/2016, verbis: Súmula CARF nº 107 A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.15835, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997. REsp 1.353.111 – RS PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COFINS. CONCEITO DE RECEITAS RELATIVAS ÀS ATIVIDADES PRÓPRIAS DAS ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS PARA FINS DE GOZO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ART. 14, X, DA MP N. 2.15835/2001. ILEGALIDADE DO ART. 47, II E § 2º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N. 247/2002. SOCIEDADE CIVIL EDUCACIONAL OU DE CARÁTER CULTURAL E CIENTÍFICO. MENSALIDADES DE ALUNOS. 1. A questão central dos autos se refere ao exame da isenção da COFINS, contida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), relativa às entidades sem fins lucrativos, Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10980.940294/201132 Resolução nº 3301000.623 S3C3T1 Fl. 7 6 a fim de verificar se abrange as mensalidades pagas pelos alunos de instituição de ensino como contraprestação desses serviços educacionais. O presente recurso representativo da controvérsia não discute quaisquer outras receitas que não as mensalidades, não havendo que se falar em receitas decorrentes de aplicações financeiras ou decorrentes de mercadorias e serviços outros (vg. estacionamentos pagos, lanchonetes, aluguel ou taxa cobrada pela utilização de salões, auditórios, quadras, campos esportivos, dependências e instalações, venda de ingressos para eventos promovidos pela entidade, receitas de formaturas, excursões, etc.) prestados por essas entidades que não sejam exclusivamente os de educação. 2. O parágrafo § 2º do art. 47 da IN 247/2002 da Secretaria da Receita Federal ofende o inciso X do art. 14 da MP n° 2.15835/01 ao excluir do conceito de "receitas relativas às atividades próprias das entidades", as contraprestações pelos serviços próprios de educação, que são as mensalidades escolares recebidas de alunos. 3. Isto porque a entidade de ensino tem por finalidade precípua a prestação de serviços educacionais. Tratase da sua razão de existir, do núcleo de suas atividades, do próprio serviço para o qual foi instituída, na expressão dos artigos 12 e 15 da Lei n.º 9.532/97. Nessa toada, não há como compreender que as receitas auferidas nessa condição (mensalidades dos alunos) não sejam aquelas decorrentes de "atividades próprias da entidade", conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001). Sendo assim, é flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 4. Precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (...) 6. Tese julgada para efeito do art. 543C, do CPC: as receitas auferidas a título de mensalidades dos alunos de instituições de ensino sem fins lucrativos são decorrentes de "atividades próprias da entidade" , conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), sendo flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 7. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Logo, deve a decisão de piso ser reformada nesse ponto. A respeito do cumprimento dos requisitos do art. 12 da lei n° 9.532/97, aponta a Instituição os artigos do seu Estatuto Social que comprovam exatamente o exigido pela Lei n° 9.532/97 (art. 1°, 3°, 30, 32, 34), junta a DIPJ alegando que sua condição sempre foi de conhecimento do fisco e prossegue: Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10980.940294/201132 Resolução nº 3301000.623 S3C3T1 Fl. 8 7 Entendo que a prova do cumprimento dos requisitos é da Recorrente, contudo não foi instada a isso quando da edição do Despacho Decisório. No recurso voluntário, acostou documentos que merecem a análise da Delegacia de Origem. Alargamento da Base de Cálculo da COFINS – RE n° 585.235/MG RG Resta pacificado no STF o entendimento sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Dessa forma, considerase receita bruta ou faturamento o que decorre da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. É o resultado econômico das operações empresariais típicas, que constitui a base de cálculo do PIS. O alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais... Em decorrência, apenas o faturamento decorrente da prestação de serviços e da venda de mercadorias (não se podendo incluir outras receitas, tais como aquelas de natureza financeira) pode ser tributado pelo PIS. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10980.940294/201132 Resolução nº 3301000.623 S3C3T1 Fl. 9 8 Logo, assiste razão à Recorrente quando alega que as receitas financeiras não podem compor a base de cálculo da COFINS. Conclusão Diante da plausibilidade do pleito da Recorrente, entendo necessária a conversão em diligência deste processo para a confirmação da tributação indevida pela COFINS sobre as receitas operacionais (“próprias”), bem como sobre as receitas financeiras. Isso porque a tributação sobre as “receitas próprias”, incluídas as mensalidades pagas por alunos, são isentas, nos termos do art. 14, X da Medida Provisória. Ao passo que a exclusão das receitas financeiras se dá com base na inconstitucionalidade do alargamento a base de cálculo da COFINS pelo art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/1998. Por conseguinte, voto pela conversão do julgamento em diligência para que seja solicitado à unidade de origem que: a) Examine a documentação juntada pela Recorrente no recurso voluntário; b) Verifique, com base nessa documentação, se houve a indevida inclusão das receitas próprias e receitas financeiras na base de cálculo da COFINS, fazendo a segregação entre as receitas, se houver; c) Verifique o cumprimento pela Recorrente dos requisitos do art. 12 da Lei n° 9.532/1997. Para tanto, intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos, caso necessário; d) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; e) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; f) Após, retorne o processo ao CARF para julgamento. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que seja solicitado à unidade de origem que: a) Examine a documentação juntada pela Recorrente no recurso voluntário; b) Verifique, com base nessa documentação, se houve a indevida inclusão das receitas próprias e receitas financeiras na base de cálculo da COFINS, fazendo a segregação entre as receitas, se houver; Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10980.940294/201132 Resolução nº 3301000.623 S3C3T1 Fl. 10 9 c) Verifique o cumprimento pela Recorrente dos requisitos do art. 12 da Lei n° 9.532/1997. Para tanto, intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos, caso necessário; d) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; e) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; f) Após, retorne o processo ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 114DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.928905/2009-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2005
Ementa:
SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE.
Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal.
SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES.
A instalação de elevadores amolda-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços.
Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.181
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra acompanharam o Relator do acórdão paradigma pelas conclusões (art. 63, § 8º do RICARF).
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Ano-calendário: 2005 Ementa: SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores amolda-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1738; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.928905/200966 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402005.181 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria PIS/Cofins Recorrente THYSSENKRUPP ELEVADORES SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Anocalendário: 2005 Ementa: SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores amoldase ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra acompanharam o Relator do acórdão paradigma pelas conclusões (art. 63, § 8º do RICARF). (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 89 05 /2 00 9- 66 Fl. 362DF CARF MF Processo nº 11080.928905/200966 Acórdão n.º 3402005.181 S3C4T2 Fl. 0 2 Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado. Relatório Trata o presente processo de DCOMP transmitida com objetivo de compensar os débitos nela apontados com créditos provenientes de pagamento indevido ou a maior. A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório, no qual a Delegacia de origem, com base em informação fiscal resultante de diligência do Serviço de Fiscalização para apuração do direito creditório informado na DCOMP, onde ficou constatada a improcedência do mesmo, revisou de ofício o reconhecimento do direito creditório automático para não reconhecimento do direito creditório por inexistência do crédito e também de ofício revisou a homologação total da compensação efetuada através da mencionada declaração para compensação não homologada. A autoridade fiscal que proferiu a referida informação tomou por base a Solução de Consulta 446 SRRF/8ª RF/Disit, de 18/08/2007, uma vez que a Solução de Consulta 104 SRRF/10ª RF/Disit, de 18/08/2008, foi anulada pelo Parecer 52 SRRF10/Disit, de 13/09/2011, sob o seguinte argumento: É vedada a coexistência de duas soluções de consulta vigentes e eficazes sobre o mesmo fato, relativas a um mesmo sujeito passivo(...). Por sua vez, a Solução de Consulta vigente tem a seguinte ementa para o PIS: ELEVADORES. NÃOCUMULATIVIDADE. A instalação de elevador por seu produtor não caracteriza obra de construção civil, descabendo a aplicação do art. 10, XX, da Lei nº 10.833, de 2003. Caracterizase como operação de industrialização, na modalidade montagem, a reunião de partes, peças e componentes da qual resulte elevador, inclusive quando realizada fora do estabelecimento do executor, no próprio prédio onde esse equipamento será utilizado. Sofre incidência da contribuição para o PIS/Pasep em regime de apuração não cumulativo o total das receitas decorrentes do fornecimento de elevador por seu produtor, o qual se conclui ao final do processo de montagem. Para a Cofins foi proferida ementa com igual teor. (...). Uma vez intimado o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, a qual foi julgada improcedente pelo acórdão 09054.876, que entendeu que a compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, não verificado no caso em comento, afastou a preliminar de nulidade do Despacho Decisório e concluiu que "a Fl. 363DF CARF MF Processo nº 11080.928905/200966 Acórdão n.º 3402005.181 S3C4T2 Fl. 0 3 decisão judicial transitada em julgado é, na verdade, a lei aplicada ao caso concreto e, tratandose de exclusão do crédito tributário, deve ser interpretada literalmente". Diante deste quadro, o contribuinte apresentou o recurso voluntário tempestivo, oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.145, de 18 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 11080.729500/201323, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.145): "5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. A discussão travada nos autos e o precedente vinculante deste CARF favorável ao contribuinte 6. A questão aqui travada não é nova, uma vez que já foi decidida por este CARF para o mesmíssimo contribuinte de forma paradigmática, i.e., nos termos do art. 47, § 2º do RICARF. Referida decisão foi veiculada por intermédio do acórdão n. 3201002.448 e encontrase assim prescrita: (...). A princípio, temse que o cerne da questão é definir qual a natureza da atividade exercida pela Recorrente (instalação de elevadores): se construção civil ou se industrialização. Tal definição determinará se a Recorrente deveria, à época dos fatos geradores, apurar o recolhimento do PIS e da COFINS pelo regime não cumulativo ou pelo cumulativo. Há peculiar situação no feito, consistente no fato de que a Recorrente teria apresentado duas Consultas Fiscais acerca do tratamento tributário mais adequado, obtendo Soluções conflitantes. Na primeira delas, Solução de Consulta nº 446/2007, da 8ª Região Fiscal, concluiuse que se tratava de industrialização e que, portanto, as receitas estariam Fl. 364DF CARF MF Processo nº 11080.928905/200966 Acórdão n.º 3402005.181 S3C4T2 Fl. 0 4 sujeitas ao regime não cumulativo das citadas contribuições. A segunda, Solução de Consulta nº 104/2008, da 10ª Região Fiscal, afirmou que as receitas estariam sob o regime cumulativo. No caso, o crédito postulado pela Recorrente origina da aplicação do segundo entendimento. Os créditos postulados, portando, decorrem da reapuração do PIS e da COFINS outrora calculados pelo regime não cumulativo e reajustados para o cumulativo. Idêntica questão já foi examinada por esta mesma Turma na sessão de 24 de fevereiro de 2016, em decisão por maioria proferida nos autos do Processo nº 11080.726628/201335, da mesma THYSSENKRUPP ELEVADORES S/A, no qual a Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi designada Relatora para o Voto Vencedor. O referido Acórdão nº 3201002.070 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 Fl. 365DF CARF MF Processo nº 11080.928905/200966 Acórdão n.º 3402005.181 S3C4T2 Fl. 0 5 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado Vistos,relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Winderley Morais Pereira, relator. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Como consta em ata, o voto da i. Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi por mim acompanhado integralmente. Por essa razão, peço vênia para transcrevêlo como fundamento do presente julgado: Como se depreende do voto do eminente relator, o mérito da presente demanda não foi conhecido, por se entender que havia solução de consulta, proferida para a situação específica dos autos e proposta pela própria Recorrente. Com efeito, no mérito a Recorrente alega que o regime jurídico de apuração das contribuições sociais, tome a sua atividades de instalação de elevadores como prestação de serviços de construção civil, o que determinaria a aplicação do regime cumulativo. A Recorrente obteve a solução de consulta SRRF/8ªRF/DISIT nº 446, de 18/09/2007, que ao analisar as atividades realizadas pela Recorrente de instalação de elevadores, decidiu não ser atividade de construção civil e portanto, estariam sujeita a apuração do PIS e da COFINS no regime não cumulativo. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 11080.928905/200966 Acórdão n.º 3402005.181 S3C4T2 Fl. 0 6 Não obstante, a Recorrente protocolou nova consulta, na Superintendência da Receita Federal do Brasil na 10ª Região Fiscal (Solução de Consulta SRRF/10ªRF/DISIT nº 104, de 18 de agosto de 2008), que considerou a atividade da Recorrente como prestação de serviços de construção civil e portanto, enquadrada nas disposições do art. 10, XX, da Lei nº 10.833/2003, determinando a apuração do PIS e da COFINS no regime cumulativo.(fls. 391 a 397). O entendimento do eminente Conselheiro Winderley Morais Pereira foi no sentido de que, em sendo a solução de consulta instrumento de garantia do contribuinte para esclarecimentos quanto a aplicação da legislação, a possibilidade de consultas do mesmo contribuinte tratando da mesma matéria serem protocoladas em unidades diversas da RFB, poderia mitigar a força normativa das consultas. Por essa razão, a decisão anterior não produziria efeito, nos termos do art. 54, IV do Decreto nº 70.235/72. Contudo, a questão que se põe e da qual se diverge do ilustre relator, é precisamente sobre a possibilidade de a decisão proferida no âmbito do contencioso administrativo fiscal, se sobrepor a decisão em solução de consulta, para o mesmo contribuinte. Ora, embora pelo processo de consulta possa se entender que o contribuinte recorra à Administração para buscar a correta exegese de determinada norma jurídica, verificase o que se busca, invariavelmente, é uma medida protetiva, de cunho preventivo, para a estruturação tributária de suas operações. O fato é que no âmbito do processo de consulta, o contribuinte não comparece na condição de mero consulente, até mesmo porque, já traz em seu pedido o posicionamento que entende cabível, com a respectiva fundamentação legal, o que aliás, é condição para o processamento de sua consulta, de acordo com a legislação em vigor, sob pena de sua ineficácia. Embora o procedimento de consulta não se equipare lógica e juridicamente ao processo administrativo fiscal, o fato é que este também possui conteúdo persuasivo, buscandose convencimento da Administração, acerca de determinada interpretação. E se assim for o caso, a solução em consulta conferelhe medida protetiva, um verdadeiro escudo contra eventuais futuros entendimentos administrativos contrários. Por essa razão, apenas a solução de consulta favorável ao contribuinte tem repercussões no contencioso administrativo fiscal, no sentido de coibir o lançamento. Observese que, nessa toada, dispõe o art. 100 do Decreto n. 7574/2011: (...). Fl. 367DF CARF MF Processo nº 11080.928905/200966 Acórdão n.º 3402005.181 S3C4T2 Fl. 0 7 Acresçase, por fim, que as decisões proferidas em procedimentos de consulta e no processo administrativo fiscal são lógica e juridicamente distintas, de sorte que não se verifica quaisquer relações de hierarquia entre elas. Superadas a questão, partese para o conhecimento do mérito da lide. A atividade de instalação de elevadores deve ser caracterizada como serviço, e não como atividade de industrialização, frisandose que, na hipótese dos autos, a Recorrente aparta a atividade de fabricação dos elevadores, da de sua instalação. Além de todas os fundamentos jurídicos trazidos pela Recorrente, como o fato de que a instalação de elevadores sob encomenda ser complemento da obra de construção civil, esta, indubitavelmente subsumida ao conceito de serviço, por se agregarem ao solo, dentre outras, temse que, para efeitos da legislação federal, que passou a tributar os serviços pelas contribuições sociais, bem como instituir o instrumental necessário para o controle do comércio exterior de serviços, com a edição da Nomenclatura Brasileira de Serviços, Decreto n. 7708/2011, não há mais dúvidas quanto ao enquadramento. Destarte, de acordo com o art. 2o do decreto, a NBS será adotada como nomenclatura única na classificação das transações com serviços, intangíveis e outras operações que produzam variações no patrimônio das pessoas físicas, pessoas jurídicas e entes despersonalizados. Os serviços de instalação de elevadores estão assim dispostos: SEÇÃO I SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO Capítulo 1 Serviços de construção 1.0131 Outros serviços de instalação 1.0131.10.00 Serviços de instalação de elevadores, esteiras e escadas rolantes O direito positivo brasileiro não traz um conceito conotativo de "serviço' nem mesmo para efeitos de incidência do ISSQN, operando sempre com definições denotativas, ou seja, com listas que arrolam o que são considerados os "serviços" para efeitos de tributação. Portanto, não se questiona a validade, vigência e eficácia da Nomenclatura Brasileira de Serviços, para esse fim. Não se olvide, finalmente, que os decretos são de aplicação obrigatória para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de maneira que considerada a atividade em questão como serviço, deve ser a aplicação do regime cumulativo das contribuições sociais. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 11080.928905/200966 Acórdão n.º 3402005.181 S3C4T2 Fl. 0 8 Por essas razões, entendo que há de ser dado provimento ao recurso voluntário.Com efeito, não vislumbro a possibilidade de uma Solução de Consulta expedida pela Receita Federal do Brasil vincular, ad eternum, uma exigência tributária que se mostre claramente ilegítima. Não se trata aqui de discutir se o contribuinte poderia ou não ter formulado uma segunda Consulta Fiscal, ou mesmo qual das respostas deveria prevalecer. Tratase aqui de reconhecer a legalidade ou ilegalidade de uma exigência tributária, ou, melhor dizendo, de definição acerca do alcance de uma norma tributária. Mesmo se admitisse que, de acordo com as normas procedimentais, a segunda Solução de Consulta deveria ser tida por inexistente, tal constatação, por óbvio, não chancela a legitimidade da primeira Solução de Consulta. Afinal, este não é o meio adequado para se definir fato gerador de obrigação tributária. E, nesse sentido, trago o seguinte precedente do Superior Tribunal de Justiça que reconhece o serviço de instalação e montagem de elevadores como obra de engenharia, e não como industrialização (portanto, atraindo a incidência do regime cumulativo do PIS e da COFINS à época dos fatos geradores): TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. FORNECIMENTO DE ELEVADORES. IPI. NÃO INCIDÊNCIA. 1. A atividade de fornecimento de elevadores, que envolve a produção sob encomenda e a instalação no edifício, encerra, precipuamente, uma obra de engenharia que complementa o serviço de construção civil, não se enquadrando no conceito de montagem industrial, para fins de incidência do IPI. 2. Recurso especial provido. (REsp 1231669/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/11/2013, DJe 16/05/2014) Diante do exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, exonerando o crédito tributário lançado. 7. Referida decisão apresenta um caráter vinculante, devendo ser seguida por esta Turma julgadora. Neste aspecto, todavia, não concordou o colegiado, que entende que, em tese, o colegiado poderia julgar de forma diferente daquele precedente paradigmático, haja vista que se está diante de outro lote de processos (ainda que referentes aos mesmíssimos fatos e com as mesmíssimas partes litigantes). Deixo tais considerações aqui registradas em razão do disposto no esquizofrênico art. 63, Fl. 369DF CARF MF Processo nº 11080.928905/200966 Acórdão n.º 3402005.181 S3C4T2 Fl. 0 9 §8º do RICARF1, que determina que as conclusões adotadas pelo colegiado seja externada por aquele Conselheiro que divergiu (e continua divergindo) e que foi vencido em relação à tais conclusões. 8. Tais considerações do colegiado, entretanto, não trazem qualquer repercussão no caso prático, até porque, no que tange ao mérito, a Turma julgadora aderiu integralmente com as precisas considerações elaboradas pela então Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e replicadas pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (transcritas alhures), motivo pelo qual emprego tais fundamentos para fins de motivação do presente voto, o que faço com amparo no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/992. Dispositivo 9. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. 10. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. 1 "Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (...). § 8º Na hipótese em que a decisão por maioria dos conselheiros ou por voto de qualidade acolher apenas a conclusão do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros." 2 "Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...). § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...)." Fl. 370DF CARF MF Processo nº 11080.928905/200966 Acórdão n.º 3402005.181 S3C4T2 Fl. 0 10 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado deu provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra . Fl. 371DF CARF MF
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Numero do processo: 13884.900859/2008-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-004.931
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 08 59 /2 00 8- 20 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13884.900859/200820 Acórdão n.º 3401004.931 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de declaração de compensação, realizada com base em suposto crédito de contribuição social originário de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, em razão da inexistência de crédito disponível. Cientificada desse despacho, a manifestante protocolou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos, pois não considerou os termos do parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/98, quando apurou as bases de cálculos das contribuições; o único fundamento para a glosa das compensações é uma pretensa inexistência de crédito; não foi sequer solicitado ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não o crédito; tivesse a autoridade intimado o contribuinte, teria acesso As planilhas de apuração, podendo verificar a regularidade do encontro de contas efetuado; pelas razões alegadas, deve ser anulado o despacho decisório, determinando que a autoridade efetue as diligências necessárias para comprovar a origem e existência do crédito utilizado, alternativamente, requer que seja logo homologada a compensação. Ao final pede deferimento da presente manifestação de inconformidade" . A Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 0530.589, em que se decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, sob o fundamento de que "os valores faturados, ainda que repassados a terceiros, compõem a base tributável da contribuição social, em face da inexistência de permissivo legal para sua exclusão". Devidamente notificada desta decisão, a recorrente interpôs tempestivamente o recurso voluntário ora em apreço, no qual reitera as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13884.900859/200820 Acórdão n.º 3401004.931 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.923, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 13884.900342/200831, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.923): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: Conforme relatado, a não homologação da DCOMP em tela decorreu do fato de estar o Darf informado na DCOMP integralmente utilizado para a quitação de débitos da contribuinte. No caso, a contribuinte transmitiu sua DCOMP compensando débito com suposto crédito de contribuição social decorrente de pagamento indevido ou a maior, apontando um documento de arrecadação como origem desse crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte na DCOMP foi realizada também de forma eletrônica, cotejandoos com os demais por ela informados A. Receita Federal em outras declarações (DCTFs, DIPJ, etc), bem como com outras bases de dados desse órgão (pagamentos, etc), tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito de Cofins da interessada. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13884.900859/200820 Acórdão n.º 3401004.931 S3C4T1 Fl. 5 4 Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito liquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Dai a não homologação, não havendo qualquer nulidade nesse procedimento. Sobre o motivo da não homologação, como já antes explicitado neste voto, revelase procedente, pois, de acordo com as próprias informações prestadas pela contribuinte Receita Federal, o direito creditório apontado na DCOMP era inexistente. Não obstante, agora, em sede de manifestação de inconformidade, pretende a contribuinte demonstrar que seus débitos de contribuição social antes declarados e pagos são indevidos, pois não havia considerado, quando da apuração da base de cálculos das contribuições, o disposto no parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei n° 9.718/1998. Em termos legais, significa ver excluídos da receita bruta os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para terceiros, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo. Neste ponto, fazse necessário destacar que, por força de sua vinculação aos atos legais, assim como àqueles emanados por autoridades que lhe são hierarquicamente superiores, este colegiado está adstrito à interpretação que a própria administração pública dá legislação tributária. 110 A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Ato Declaratório SRF n°56, de 20 de julho de 2000, já se posicionou a respeito da situação em exame: Ato Declaratório SRF n° 56, de 2000: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do art. 20 do art. 3° da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; Considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 9 de junho de 2000; Considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de I° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13884.900859/200820 Acórdão n.º 3401004.931 S3C4T1 Fl. 6 5 tenha sido feita a titulo de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica" (destacouse). Esse entendimento torna sem força a argumentação alegada pela Contribuinte no sentido de que as provas dos alegados créditos, consistentes em planilhas de apuração da contribuição social, deveriam ser examinadas na busca da constatação da regularidade do encontro de contas, uma vez que o crédito calcado neste dispositivo é inexistente. Diante de tudo exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o disposto no despacho decisório da unidade de origem. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato",1 postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. 2 Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401 003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. 2 Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13884.900859/200820 Acórdão n.º 3401004.931 S3C4T1 Fl. 7 6 Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Acrescese a tal constatação o intento da contribuinte de ver compensado seu débito com crédito fundado em quaestio jurídica que busca inaugurar em fase de instauração de contencioso administrativo posterior à apresentação de sua declaração de compensação, com a apresentação de sua impugnação, sob o pálio do argumento de que devem ser expurgados da receita bruta, ainda que assim escriturados, os valores que tenham sido transferidos para terceiros, nos termos do § 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/1998, argumento que se encontra em contrariedade com o preceptivo normativo do Ato Declaratório SRF n° 56, de 20/07/2000. Independentemente da discussão respeitante à matéria, no entanto, o que se constata é que a compensação tem por base direito creditório ilíquido e incerto, carente de prova de sua constituição definitiva, uma vez que a contribuinte somente poderia utilizar, na compensação de débitos próprios relativos a tributos administrados pela RFB, crédito passível de restituição ou de ressarcimento. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 71DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.908419/2009-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES.
Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DE PRELIMINAR EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
No julgamento de recurso voluntário em que se supera preliminar que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES. Constatado a existência do crédito tributário, por meio das DCTFs e DIPJs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório tributário, este deve ser analisado pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Numero da decisão: 1301-003.108
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: Relator
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OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolatase nova decisão para suprila, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, concluise pela alteração no resultado do julgado. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DE PRELIMINAR EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que se supera preliminar que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES. Constatado a existência do crédito tributário, por meio das DCTFs e DIPJs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório tributário, este deve ser analisado pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 84 19 /2 00 9- 84 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10380.908419/200984 Acórdão n.º 1301003.108 S1C3T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10380.908419/200984 Acórdão n.º 1301003.108 S1C3T1 Fl. 4 3 Relatório Transcrevo os trechos de interesse do despacho quando da admissão dos embargos: No julgamento do recurso do processo em epígrafe, entendeu o colegiado em superar os óbices de direito, elencados preliminarmente, pela unidade de origem para não reconhecer o direito creditório pleiteado. Ato contínuo, entendeuse por bem converter julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem, superadas as questões de direito, procedesse às análises de fato a fim de verificar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado. Ao final, deveria elaborar relatório circunstanciado, abrindose vista ao contribuinte para que esse, querendo, se manifestasse a respeito das conclusões da autoridade fiscal, e a seguir encaminhasse os autos novamente ao CARF para que pudesse, enfim, decidir sobre o mérito da exigência. Pois bem, assim deliberando, o colegiado deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo do contribuinte, em tese, ao direito de recurso em caso de não reconhecimento integral do crédito pleiteado, uma vez que o mérito da exigência poderia não vir a ser examinado não examinado pela DRJ, acarretando, repitase, em tese, supressão de instância. Por essas razões, nos termos do inciso I, do art. 65, do Anexo II do RICARF, oponho os presentes embargos de declaração em razão de omissão, no acórdão embargado, de ponto sobre qual deveria pronunciarse a turma. E, a fim de se evitar burocracia absolutamente desnecessária, tendo em vista que compete ao Presidente do colegiado analisar a admissibilidade dos embargos, já o admito de plano, determinandose o encaminhamento dos autos ao relator do acórdão embargado para relato e inclusão em pauta de julgamento. É o relatório. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10380.908419/200984 Acórdão n.º 1301003.108 S1C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.088, de 17.05.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10380.904202/201110, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.088): "Conforme já relatado, no acórdão embargado o colegiado deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo do contribuinte, em tese, ao direito de recurso em caso de não reconhecimento integral do crédito pleiteado, uma vez que o mérito da exigência poderia não vir a ser examinado não examinado pela DRJ, acarretando, repitase, em tese, supressão de instância. De fato, no acórdão embargado, o colegiado entendeu por bem superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância. Contudo, ao se determinar, superada a citada preliminar, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. Por essas razões, entendo que o resultado mais adequado para o julgado seria dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para analise o mérito do pedido. Caberá à DRF de origem analisar o mérito do crédito pleiteado nas compensações, levando em consideração os débitos de IRPJ e CSLL constantes das DIPJs e DCTFs retificadoras apresentadas. Saliento que a autoridade fiscal deverá considerar que o IRPJ e a CSLL devem ser apurados mediante aplicação dos coeficientes, respectivamente, de 8% e de 12%, nos termos do acórdão no REsp 1.116.399/BA, decidido sob a sistemática de Recurso Repetitivo do Superior Tribunal de Justiça. Nessa hipótese, eventual indeferimento do pleito do contribuinte, ainda que parcial, poderá ensejar nova apresentação de manifestação de inconformidade, e, se, for o caso, interposição Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10380.908419/200984 Acórdão n.º 1301003.108 S1C3T1 Fl. 6 5 de novo recurso voluntário, garantindo ao contribuinte o pleno exercício de sua defesa. CONCLUSÃO Isso posto, voto por acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 94DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.002703/2004-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 10/10/2002 a 10/10/2002
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. MATÉRIAS NÃO APRECIADAS NO ACÓRDÃO EMBARGADO.
Devem ser rejeitados os embargos de declaração sobre em matéria não apreciada na decisão embargada.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 3302-005.459
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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MATÉRIAS NÃO APRECIADAS NO ACÓRDÃO EMBARGADO. Devem ser rejeitados os embargos de declaração sobre em matéria não apreciada na decisão embargada. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Tratamse de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 3302002.830, cuja ementa segue abaixo: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 27 03 /2 00 4- 11 Fl. 444DF CARF MF Processo nº 11516.002703/200411 Acórdão n.º 3302005.459 S3C3T2 Fl. 444 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário:1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 PROCESSO CONEXO DECISÃO ÚNICA PROFERIDA NOS AUTOS DO PROCESSO PRINCIPAL APLICAÇÃO Um vez que a complexidade da matéria fez com que a turma de julgamento analisasse os casos de forma concomitante e proferisse uma única decisão, adotase integralmente nos processos conexos a decisão proferida nos autos do processo principal. Recurso Voluntário Provido em Parte. A decisão embargada aplicou o decidido no 10735.000001/9918. Os embargos alegaram obscuridade e contradição quanto à: 1) coisa julgada e 2) eficácia dos mandados de segurança nº 2001.51100010250 e 2005.51.10.0026900, repetindo as alegações efetuadas nos embargos opostos no processo nº 10735.000001/9918. O despacho de admissibilidade entendeu haver omissão quanto à não observância da Súmula CARF nº 1 (concomitância entre as esferas judicial e administrativa), havendo contradição entre os fundamentos do voto na medida que reconhece a existência de ações judiciais que discutem a matéria em litígio, mas, ainda assim, debateu e decidiu sobre tais matérias, não aplicando os efeitos decorrentes da concomitância. Na forma regimental,o processo foi distribuído a este relator por conexão com processos anteriormente distribuídos. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. Os embargos opostos alegaram obscuridade e contradição quanto à: 1) coisa julgada e 2) eficácia dos mandados de segurança nº 2001.51100010250 e 2005.51.10.0026900 e, como afirmado pela embargante, reiteraramse as alegações aduzidas nos embargos opostos no processo nº 10735.000001/9918. Ocorre que o julgamento efetuado no processo nº 10735.000001/9918 abrangeu diversas matérias, nem todas aplicáveis a todos os processos, devendo ser analisado os efeitos daquela única decisão em cada processo. Assim, concernente a este processo, a recorrente alegou em recurso voluntário a preliminar de nulidade de incompetência da autoridade que analisou as compensações efetuadas, que fora decidida favoravelmente à recorrente no Acórdão nº 3302 002.816, proferido nos autos nº 10735.000001/9918, cujo resultado foi aqui aplicado. Transcrevemse a ementa e excertos do referido acórdão: Fl. 445DF CARF MF Processo nº 11516.002703/200411 Acórdão n.º 3302005.459 S3C3T2 Fl. 445 3 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. LEI 9.430/96, ART. 74, § 4º. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito. DCOMP. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. LEI 9.430/96, ART. 74, § 5º. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação (Dcomp) que não seja objeto de despacho decisório proferido ou que o sujeito passivo não tenha sido cientificado no prazo de cinco anos, contado da data de seu protocolo Excertos: "(ii) Preliminar de Nulidade Processos nº 11516.002703/200411, 10930.003102/200391 e 11610.001259/200367 Nos processos nº 11516.002703/200411, 10930.003102/200391 e 11610.001259/200367, a recorrente apresentou preliminar de nulidade de incompetência da Autoridade que analisou as compensações efetuadas. Com razão a Recorrente em sua preliminar. Tratamse de compensações feitas com créditos objeto desse processo administrativo (10735.000001/9918), cedido pela Nitriflex e quanto a isso deve ser respeitado o disposto na IN/SRF 21/1997 que, no seu art. 15, § 4º, determinava o seguinte: “a competência para analisar o pleito, efetuar a compensação e adotar os procedimentos internos de que trata o § 2º, do art. 13 é da DRF ou IRFA da jurisdição do contribuinte titular do crédito”. Os referidos processos deveriam ser anulados ab initio por incompetência da autoridade que analisou o feito. Inclusive esse foi o entendimento do processo nº 13963.000218/200389, de relatoria do Ilustre Conselheiro José Antonio Francisco, da então Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes que pelo voto de qualidade decidiu anular o processo a partir do despacho decisório, inclusive, cuja ementa teve o seguinte teor: “NORMAS PROCESSUAIS. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TACITA. PRAZO. Fl. 446DF CARF MF Processo nº 11516.002703/200411 Acórdão n.º 3302005.459 S3C3T2 Fl. 446 4 O prazo para homologação tácita das declarações de compensação é de cinco anos, contados da data da entrega da respectiva declaração. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CREDITOS DE TERCEIROS, DECORRENTES DE RESSARCIMENTO DE IPI. COMPETÊNCIA PARA HOMOLOGAÇÃO. NULIDADE. Nos casos de compensação com créditos decorrentes de ressarcimento de IPI, é competente para apreciar a declaração de compensação o Delegado da Receita Federal com jurisdição sobre o estabelecimento credor, sendo nulo o despacho decisório exarado vela autoridade com jurisdição sobre a empresa devedora , no caso de compensação com créditos de terceiros. supostamente efetuada com base em decisão judicial. Processo anulado.” – destaquei. Tenho, entretanto, que esses devem seguir o mesmo caminho dos processos a eles vinculados. É cediço que a referida IN determinava aos contribuintes credor e devedor, respectivamente cedente e cessionário do crédito a formalização de processos perante as unidades da SRF de suas respectivas jurisdições fiscais, possuindo neste caso o protocolo feito pelo devedorcessionário mero caráter informativo. Esta é a hipótese em discussão. A credoracedente, Nitriflex, juntamente com a cessionária, formularam perante a DRF/Nova Iguaçu/RJ (domicílio fiscal da Nitriflex) pedidos de compensação que geraram o processo administrativo n° 13746.000060/200310 que está vinculado ao de nº 11610.001259/200367 e que geraram os processos 13746.000058/200332, 13746.000144/200345 e 13746.000252/200318, vinculados ao processo 11516.002703/200411 e o processo nº 13746.000474/200501, vinculado ao processo nº 10930.003102/200391. Logo, além da incompetência da autoridade de piso para decidir sobre as compensações constantes desses dois processos é um completo sem sentido haver decisões distintas em relação à mesma compensação. Assim, com relação aos processos nº 11516.002703/200411, 10930.003102/200391 e 11610.001259/200367 possuindo os mesmos caráter informativo da compensação, anulo as decisões realizadas pela Delegacia de Florianópolis, devendo a DRF/Nova Iguaçu/RJ realizar nova decisão, observando por conectivo lógico, o decidido nos processos administrativos vinculados Nesse sentido, voto por: [...] Fl. 447DF CARF MF Processo nº 11516.002703/200411 Acórdão n.º 3302005.459 S3C3T2 Fl. 447 5 b) Com relação aos processos nº 11516.002703/200411, 10930.003102/200391 e 11610.001259/200367, possuindo os mesmos caráter informativo da compensação, deverá a DRFNova Iguaçu/RJ proceder nova decisão considerando o decidido nos processos administrativos vinculados; e," Constatase, portanto, que, para este processo, a decisão única proferida no Acórdão nº 3302002.816, aqui aplicada, acatou a preliminar de nulidade das decisões da DRF/Florianópolis, sendo que as demais matérias abordadas na decisão única tornaramse aqui prejudicadas. Destarte, os embargos de declaração opostos, ao versarem sobre matérias não decididas neste processo, terminaram por abordar questões estranhas ao julgamento aplicado a este processo, não sendo passíveis de conhecimento. Diante do exposto, voto para rejeitar os embargos de declaração opostos. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 448DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.694839/2009-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.377
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação cujo crédito é decorrente de pagamento de IRPJ a maior que o devido. Pelo Despacho Decisório, o crédito não foi reconhecido e a compensação não foi homologada em face de o crédito informado decorrer de "pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período". Protocolada a Manifestação de Inconformidade, foi julgada improcedente pelo seguinte fundamento: "a pessoa jurídica tributada pelo lucro real que efetuar pagamento RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 94 83 9/ 20 09 -3 7 Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10880.694839/200937 Resolução nº 1201000.377 S1C2T1 Fl. 3 2 indevido ou a maior a título de estimativa mensal somente poderá utilizar o valor pago na dedução do tributo devido ao final do período de apuração". Foi manejado o Recurso Voluntário em que é alegado: a) houve um equívoco da contribuinte ao indicar o crédito como decorrente de pagamento indevido ou a maior que o devido; b) o valor do "pagamento indevido" é exatamente o mesmo do saldo negativo apurado ao final do período de apuração; c) houve retificação da DIPJ para que esta espelhasse com exatidão o valor do saldo negativo; d) não foi possível retificar a Dcomp após a emissão do Despacho Decisório, por impedimento imposto pelo próprio sistema da Receita Federal; É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.362, de 23.02.2018, proferida no julgamento do Processo nº 10880.679536/200994, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. No processo paradigma o contribuinte solicitou a compensação de débitos com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, recolhido em 31/10/2006 e, nos presentes autos, o contribuinte solicita a compensação de débito com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior que o devido de IRPJ recolhido em 28/07/2006. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.362): "O crédito indicado é relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ. Consultandose a DIPJ retificadora correspondente ao anocalendário em questão, verificase que, dentre as estimativas de IRPJ a pagar declaradas, não se vê nenhum valor igual ao do crédito pleiteado. Nessa mesma declaração foi apurado saldo negativo de IRPJ, em face da dedução de estimativas pagas e IRRF durante o anocalendário. Ocorre que o total das estimativas a pagar apuradas mensalmente nas fichas próprias da DIPJ é menor que o indicado para fins de apuração do saldo negativo. Também, o total do IRRF aproveitado para fins de dedução das estimativas mensais devidas tem valor maior que aquele declarado na ficha da apuração anual (saldo negativo). Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10880.694839/200937 Resolução nº 1201000.377 S1C2T1 Fl. 4 3 Nas DCOMPs com que a recorrente pretendeu retificar as originariamente entregues, há informações quanto a estimativas pagas, compensadas e de IRRF. Ocorre que esses valores também não são consentâneos com os declarados na DIPJ. Vêse, assim, que não há certeza quanto ao valor do saldo negativo apurado. Em face do exposto, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade da Receita Federal da circunscrição da contribuinte: a) verifique qual é o real montante do saldo negativo do período, em face das estimativas efetivamente pagas, compensadas e do IRRF; b) relacione todas as Dcomps relativas a pagamento a maior de IRPJ do anocalendário em questão, discriminando todos os créditos e débitos indicados para compensação, procedendo à valoração para fins de verificação de suficiência do saldo negativo apurado, considerandose, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada. Para fins dessa verificação, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos. Encerrada a diligência, a contribuinte deverá ser intimada para que, querendo, manifestese num prazo de trinta dias. Havendo ou não manifestação da contribuinte, após esgotado o prazo a ela concedido os autos devem retornar ao CARF para julgamento. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, converto o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 150DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721524/2013-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1401-000.504
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos, resolvem os membros da Turma converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Aílton Neves da Silva em substituição ao Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Presidente em Exercício), Livia De Carli Germano (Vice-Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Aílton Neves da Silva (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves), Letícia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1342; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 60.430 1 60.429 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.721524/201399 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1401000.504 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 13 de março de 2018 Assunto DILIGÊNCIA E SOBRESTAMENTO Recorrente JANSSENCILAG FARMACEUTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, resolvem os membros da Turma converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Aílton Neves da Silva em substituição ao Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Presidente em Exercício), Livia De Carli Germano (VicePresidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Aílton Neves da Silva (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves), Letícia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 21 52 4/ 20 13 -9 9 Fl. 60430DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 60.431 ___________ Relatório Tratase de autos de infração para cobrança de IRPJ e CSLL em razão das seguintes infrações apuradas pela fiscalização: (i) amortização de ágio apurado em participação intragrupo, com aplicação de multa qualificada de 150%; (ii) despesas não comprovadas de Participação nos Lucros e Resultados PLR, com multa de ofício de 75%, e (iii) despesas não comprovadas provisões, com multa agravada no valor de 112,5%. As sócias administradoras Johnson & Johnson Indústria e Comercio de Produtos de Saude Ltda. e Johnson & Johnson Industrial Ltda. foram indicadas como responsáveis com base nos artigos 124, I, 133 e 134, III, do CTN. O relatório da decisão recorrida assim resume o Termo de Verificação Fiscal e os argumentos de defesa: 4. A fiscalização apresenta, por meio do “Termo de Verificação Fiscal” (TVF), resumidamente, o seguinte. A AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO 5. No anocalendário de 2008 a empresa contabilizou despesas com amortização de ágio reduzindo o seu lucro líquido e a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Nos anos calendário de 2009 a 2012, não mais registrou a amortização do ágio em sua contabilidade, não passando pela apuração do lucro contábil, em virtude das novas regras societárias introduzidas pela Lei nº 11.638/07. Ela passou a registrar tal amortização como exclusão para apuração do lucro real no seu LALUR. 5.1. Os valores de amortização de ágio lançados foram: 5.2. Diante da glosa da exclusão no anocalendário de 2009 e da composição da nova base de cálculo o prejuízo apurado e declarado pela fiscalizada, no valor de R$17.235.219,35 para o IRPJ e de R$34.495.534,35 para a CSLL, deixou de existir. Assim as compensações utilizadas nos anos subsequentes também foram glosadas e lançadas conforme a seguinte classificação: 5.3. Em resposta a intimação lavrada a empresa informou a origem do ágio amortizado, in verbis: "Amortização Goodwill: Quanto à exclusão denominada: Amortização Goodwill", a fiscalizada esclarece que se trata de amortização de ágio originado em uma reestruturação societária e operacional ocorrida no Grupo empresarial de que faz parte entre os anos de 2005 e 2007. A Fl. 60431DF CARF MF Processo nº 19515.721524/201399 Resolução nº 1401000.504 S1C4T1 Fl. 60.432 3 referida reorganização teve como um de seus objetivos a uniformização de melhores e mais eficientes práticas de negócios pelo Grupo em todo o mundo. No caso especifico da fiscalizada, implicou na segregação de suas atividades comerciais até então desenvolvidas para a integração em outra sociedade que unificou esta atividade para todo o grupo. Conseqüentemente, a fiscalizada manteve apenas as atividades industriais. No contexto desta reorganização, as detentoras da Fiscalizada deliberaram o aumento de seu capital social consoante a reestruturação operacional acima mencionada, e efetuaram conferencia do ágio então registrado no ativo diferido da controladora e que se referia à fiscalizada, como comprova a cópia da alteração de contrato social anexa (doc.03 CD anexo). O valor do ágio então integralizado correspondia a R$424.873.612 e, de acordo com a regra estabelecida pelo artigo 7 °, inciso III, da Lei nº 9.532/97, poderia ser amortizado no montante de R$84.974.722,00 ao ano. Neste sentido, a amortização no montante de R$66.719.616 ao ano ocorreu em patamar inferior ao permitido pela legislação." 5.4. Como síntese dos fatos e documentação analisa temos a seguinte situação: (i) A origem do ágio na empresa JANSSENCILAG FARMACÊUTICA LTDA se deu quando da subscrição e integralização do Capital Social pela empresa JOHNSON & JOHNSON DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS PARA SAÚDE LTDA, CNPJ nº 54.516.661/000101; (ii) A empresa JANSSENCILAG FARMACÊUTICA LTDA aumentou seu capital social no valor de R$424.873.612,00, mediante a emissão de 424.873.612 quotas, no valor nominal de R$1,00; (iii) A empresa JOHNSON & JOHNSON DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS PARA SAÚDE LTDA, controladora, integralizou o capital na controlada mediante a contribuição de parte do valor contabilizado em conta de seu ativo diferido, definido como ágio baseado em expectativa de rentabilidade futura; (iv) Este ágio contabilizado na empresa JOHNSON & JOHNSON DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS PARA SAÚDE LTDA, é a parcela do ágio correspondente às atividades industriais da JANSSENCILAG FARMACÉUTICA LTDA., que equivale a 65,50% do total do ágio amortizar em 30 de abril de 2008 no balancete da JOHNSON & JOHNSON DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS PARA SAÚDE LTDA (conforme Laudo) baseado no relatório de avaliação econômicofinanceira da empresa JANSSEN CILAG emitido pela empresa Ernst & Young o qual apurou o valor justo da empresa; Fl. 60432DF CARF MF Processo nº 19515.721524/201399 Resolução nº 1401000.504 S1C4T1 Fl. 60.433 4 (v) A integralização teve como lançamento contábil, em abril de 2008, débito na conta 75851919001101 ATIVO DIFERIDO JJCD AMORTIZAÇÃO e crédito na conta CAPITAL; (vi) No Anocalendario 2008 a empresa contabilizou a débito na conta de resultado 758556452900101 Amortização Ativo Diferido Investimentos, laçando como despesas dedutíveis o valor de R$40.872.000,00 a título de amortização de ágio; (vii) A partir do anocalendário 2009 a empresa excluiu do Lucro Real o valor da amortização do ágio anual; (viii) O valor do ágio contabilizado na empresa JOHNSON & JOHNSON DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS PARA SAÚDE LTDA, controladora da fiscalizada, foi originalmente reconhecido na aquisição da Fiscalizada por outra sociedade brasileira a JJBR Latam administração de Investimentos e Participações Ltda; (ix) A empresa JJBR LATAN ADMINISTRAÇÃO DE INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, foi constituída em 01/09/2006, com a denominação JOHNSON & JOHNSON ADMINISTRAÇÃO DE INVESTIMENTOS LTDA cujo capital social de R$3.369.631.029,00 foi dividido entre a empresa LATAM INTERNATIONAL INVESTMENT COMPANY, empresa com sede na República da Irlanda, com 3.369.631.028 quotas, e a empresa JOHNSON E JOHNSON INDUSTRIAL LTDA, com sede em São Paulo, CNPJ nº 59.748.988/000114, com 01 (uma) quota. A integralização do capital se deu com a conferencia das totalidades das quotas que a LATAN INTERNATIONAL possuía das empresas JOHNSON & JOHNSON COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO, CNPJ nº 61.192.571/000160, no valor de R$2.666.521.862,00 e da empresa JOHNSON & JOHNSON PRODUTOS PROFISSIONAIS LTDA, CNPJ nº 54.516.601/000101, no valor de R$703.109.166,00 (empresa que originou o ágio na fiscalizada); 5.5. Diante dos fatos aqui expostos temos que a empresa fiscalizada, aumentou seu capital social de R$55.123.402,00 para R$479.997.014,00, um aumento de R$424.873.612,00, mediante a emissão de 424.873.612 quotas, no valor nominal de R$1,00 subscritas e integralizadas pela sócia controladora, JOHNSON & JOHNSON DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS PARA SAÚDE LTDA. A controladora integralizou com bens de seu ativo diferido, este bem foi o ágio a amortizar correspondente a previsão dos resultados nos exercícios futuros (Goodwill) das atividades industriais da própria controlada JANSSENCILAG FARMACÉUTICA LTDA. Este ágio foi então objeto de despesa dedutível no anocalendário de 2008 e de exclusão da base de cálculo da apuração do Lucro Real nos anos calendário 2009 a 2012. 5.6. Conforme demonstrado neste relatório a empresa fundamenta o direito de amortização e exclusão do ágio no artigo 7 º, inciso III da Lei n 0 9.532/97. Ou seja, houve a transferência, para a fiscalizada, do ágio que já havia preenchido os requisitos do artigo desta Lei. Fl. 60433DF CARF MF Processo nº 19515.721524/201399 Resolução nº 1401000.504 S1C4T1 Fl. 60.434 5 5.7. Diante do exposto temos caracterizado diversos fatos que inviabilizam a fundamentação legal prevista para que a empresa tenha o direito por ela aplicado. 5.8. Primeiro que quando da ocasião da aquisição da participação na investida ela deveria ter sido adquirida com ágio pela investidora, isto é, a investidora deveria ter efetivamente arcado com o pagamento do ágio, porém a empresa aqui fiscalizada ao aumentar seu capital social de R$55.123.402,00 para R$479.997.014,00, um aumento de R$424.873.612,00, o fez mediante a emissão de 424.873.612 quotas, no valor nominal de R$1,00 subscritas e integralizadas pela sócia controladora, JOHNSON & JOHNSON DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS PARA SAÚDE LTDA, não tendo que se falar em ágio. 5.9. Segundo porque como o bem integralizado pela controladora foi um bem registrado em seu ativo diferido denominado ágio a amortizar correspondente a previsão dos resultados nos exercícios futuros (Goodwill) das atividades industriais da própria controlada JANSSEN CILAG FARMACÊUTICA LTDA, não se deu o "encontro" da participação societária adquirida e do ágio pago por tal participação em um mesmo patrimônio ("confusão patrimonial"). 5.10. Terceiro a absorção de patrimônio da investida pela investidora ou viceversa (absorção de patrimônio da investidora pela investida), só deve ocorrer por meio de incorporação, fusão ou cisão, tal fato não ocorreu na empresa aqui fiscalizada. 5.11. Em que pesem as situações anteriormente descritas temos ainda que ressaltar que a origem deste suposto ágio na empresa JOHNSON & JOHNSON DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS PARA SAÚDE LTDA decorreu de operações envolvendo sociedades de um mesmo grupo sujeito a um mesmo controlador, tal situação caracteriza "Ágio Intragrupo". Este ágio é aquele decorrente de uma ou mais operações societárias realizadas entre entidades sujeitas a um mesmo controle, as quais, portanto, não são independentes. 5.12. A empresa também não justificou itens básicos sobre o relatório de avaliação emitido pela Ernest & Young Brasil, conforme a baixo listado : a) O relatório da avaliação econômicofinanceiro da empresa JASSENCILAG, elaborado pela Ernest & Young Brasil, não demonstra a origem dos R$424.873.612,00, nem os critérios utilizados pela empresa avaliadora que determinou a porcentagem de 65,50% do total do ágio. Também não demonstra que este valor está relacionado com expectativa de rentabilidade futura; b) A empresa também foi intimada para informar qual o prazo, extensão e proporção dos resultados da expectativa de rentabilidade futura projetados e que valores a empresa utiliza e utilizará como exclusão no LALUR e se há acompanhamento e verificação que revisem os critérios, os valores originais, as realizações, e se há algum ajuste contábil ou extracontábil para cômputo dos novos parâmetros. A empresa somente respondeu que " no que tange ao acompanhamento e Fl. 60434DF CARF MF Processo nº 19515.721524/201399 Resolução nº 1401000.504 S1C4T1 Fl. 60.435 6 eventuais ajustes relativos à rentabilidade futura, informa a fiscalizada que esta verificação não é feita", nada mais foi apresentado ou informado. 5.13. Logo, como demonstrado acima fica clara a impossibilidade da empresa utilizar amortização e exclusão sobre o que ela denominou “ágio Goodwil”, já que a empresa não demonstrou o propósito negocial da reorganização societária realizada e nem os elementos que possibilitem seu enquadramento legal, sendo, portanto, o objetivo desta “reorganização” a diminuição na carga tributária com a operação realizada. MULTA 5.14. Diante das informações reunidas no curso do procedimento fiscal, e aqui demonstradas, concluise que o sujeito passivo deliberadamente se utilizou da dedução de encargos de amortização de ágio para reduzir ilicitamente suas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. É certo, ainda, que foram compactuadas operações entre pessoas jurídicas do mesmo grupo, tendo por objetivo único reduzir as bases tributáveis do IRPJ e da CSLL da JANSSEN CILAG. 5.15. É fato demonstrado que a empresa se apropriou deliberadamente e intencionalmente dos pressupostos legais para a amortização de ágio sem que o mesmo sequer tenha existido na operação em análise. Assim a duplicação do percentual fica fundamentado no artigo 72 da Lei nº 4.502/64. B DESPESAS NÃO COMPROVADAS PLR 6. A empresa registrou na DIPJ do anocalendário de 2009, Ficha 07 A, linha 63 “Participações de Empregados” o valor de R$13.430.444,69 como despesas reduzindo o lucro contábil base para a apuração do lucro real. 6.1. Intimada a apresentar a composição deste valor a empresa disponibilizou o seguinte demonstrativo: 6.2. Na análise do razão contábil da conta 615160101 – PLR MENS ESCRITÓRIO, verificouse que somente há um lançamento de R$6.337.441,95. Indagada a empresa, sobre a discrepância do valor apontado na DIPJ com o registrado na contabilidade, a mesma informou que “pelo que foi possível apurar até este momento, o lançamento de R$6.337.441,95 foi considerado em duplicidade quando da declaração da despesa na DIPJ. Os lançamentos contábeis existentes sustentam este valor apenas uma vez, conforme já apurado por esta fiscalização”. 6.3. Como a empresa diminuiu da base de cálculo do IRPJ e da CSLL uma despesa não comprovada e reconhecida como declarada em duplicidade o valor de R$6.337.441,95 esta sendo glosado através de lançamento incluso neste Auto de Infração. MULTA 6.4. A Lei nº 9.430/96 (com redação atualmente dada pela Lei n° 11.488/20 07) constitui o diploma legal que dispõe acerca das Fl. 60435DF CARF MF Processo nº 19515.721524/201399 Resolução nº 1401000.504 S1C4T1 Fl. 60.436 7 multas aplicáveis nos casos de lançamento de ofício. A multa de ofício utilizada no lançamento foi com a alíquota de 75%, conforme caput, inciso I. C DESPESA NÃO COMPROVADA – LEI Nº 11.638/07 7. Este item referese a diversas contas contábeis de provisões em que os valores do ano anterior são adicionados na apuração do lucro real “LALUR”, para efeito de estorno de saldos, e excluídos os valores das novas provisões. A fiscalização relata detalhadamente nos itens 68 a 70 do “Termo de Verificação Fiscal” os motivos das glosas realizadas, conforme as quantias abaixo relacionadas: MULTA 7.1. A multa aplicada foi de 75% e aumentada de metade, conforme §2º, do inciso I, da Lei n° 9.430/96 totalizando 112,5%, pelo fato de que o contribuinte não ter apresentado os documentos solicitados mediante Termo de Intimação e Termo de Reintimação conforme descrito nos itens 98 e 70. D SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA E RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA 8. Conforme última consolidação do contrato social, de agosto de 2008, o valor total de R$479.997.014,00 do capital social está composto de 479.997.014 quotas, no valor nominal de R$1,00 (um real), distribuídas da seguinte forma: 479.997.013 quotas no valor de R$479.997.013,00 para a empresa JOHNSON & JOHNSON DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO DE PRODUTOS PARA SAÚDE LTDA, CNPJ nº 54.516.661/000101 e 1 (urna) quota no valor de R$1,00 para a empresa JOHNSON & JOHNSON INDUSTRIAL LTDA, CNPJ n° 59.748.988/000114. A administração da empresa se dará pelas duas sócias quotistas, conforme artigo 5o . 8.1. Diante dos fatos restou caracterizada a Sujeição Passiva Solidária e a Responsabilidade Tributária, nos termos dos artigos 124, inciso I, 133 e 134 III, da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional), onde ambos os sócios serão devidamente cientificados através do Termo de Sujeição Passiva Solidária. DA IMPUGNAÇÃO 9. A Empresa tempestivamente apresentou impugnação protocolada em 27/09/2013 contestando a lavratura dos Autos de Infração, nos seguintes termos, resumidamente. PRELIMINARES Erro de enquadramento legal 10. A fiscalização tanto no Relatório Fiscal como nos Autos de Infração listou várias normas tributárias, sem estabelecer a necessária relação entre o seu conteúdo e os fatos por ela narrados. Ela nem mesmo menciona entre essas normas os artigos 385 ou 386 do RIR/99, ou ainda os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, que teriam relação com os fatos comentados em seu Termo de Verificação. 10.1. Logo, a incorreta capitulação legal da autuação leva ao necessário cancelamento do lançamento (artigo 10 do Decreto nº 70.235/72). Fl. 60436DF CARF MF Processo nº 19515.721524/201399 Resolução nº 1401000.504 S1C4T1 Fl. 60.437 8 Decadência (ativo diferido formado em 2007) 11. Os questionamentos da fiscalização relativos à dedutibilidade de amortização do ágio encontrase fulminado pela decadência, visto que o mesmo foi constituído em 31/10/2007 e o auto de infração foi lavrado em 26/08/2013, após o término do prazo decadencial, conforme previsto no artigo 150, § 4º, do CTN. O inicio da contagem do prazo decadencial não deve ser o anocalendário em que ocorreu a amortização do ágio, mas sim, quando houve a sua formação do ativo diferido da JJBR. A GLOSA DE DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO Dos fatos 12. A Impugnante inicialmente faz um detalhado relato do projeto “Business Integration”, reorganização das atividades do grupo Johnson & Johnson, que abaixo reproduzo parte: (..........) Assim foi que, a partir do anocalendário de 2005, no contexto de uma reorganização mundial do grupo visando otimizar sua estrutura operacional, administrativa e gerencial e integrar o Brasil ao padrão de reestruturação internacional em implementação em todo mundo, o grupo Johnson & Johnson passou a discutir possíveis alternativas para a reorganização de suas atividades no Brasil e na América Latina, incluindo, dentre outros pontos, a unificação de centros de custo e de tesourarias sob a empresa irlandesa Johnson & Johnson International Financial Services Company ("IFSC"') o que já ocorria em outras jurisdições onde o grupo atuava; e a criação de centros de prestação de serviços compartilhados ("CSCs") na América Latina. Em 13.12.2005, as sociedades irlandesas Janssen Pharmaceutical Ltd. ("Janssen IR") e a IFSC adquiriram participação societária nas sociedades holdings Bella 7, LLC ("Bella 7") e Ethicon EndoSurgery, LLC ("Endo"). que detinham as operações brasileiras e latino americanas do grupo Johnson & Johnson, dentre as quais, as da JanssenCilag Farmacêutica Ltda., ora Requerente. Pela totalidade do negócio, a Janssen IR e a IFSC pagaram, com efetiva transferência de recursos, o valor de US$1.197.070.000,00 (um bilhão, cento e noventa e sete milhões e setenta mil Dólares) (docs. nº 7 e 8). Vale salientar que a transação envolvendo as sociedades brasileiras fez parte de uma operação muito mais ampla, pela qual se instrumentou a repatriação de recursos da Irlanda para os EUA sob a égide do programa de incentivos à criação de empregos nos EUA do governo George W. Bush denominado "Homeland Investment Act", que resultaram no pagamento total de mais de US$11 bilhões aos EUA. É importante frisar que todas as operações foram feitas em condições de mercado (arm's length), (..............) Assim foi que a Ernst & Young Assessoria Empresarial Ltda. ("Ernst & Young"'), empresa especializada nesse tipo de avaliação, preparou, em dezembro de 2005, avaliações completas do valor de mercado de todas as sociedades envolvidas no negócio, incluindo as respectivas empresas controladas no Brasil, como a ora Requerente (docs. nº 9 a 12). Essas avaliações foram feitas com base em projeções de rentabilidade futura de cada uma das sociedades envolvidas na operação, utilizandose o método do fluxo de caixa descontado e utilizando múltiplos de EBITDA como parâmetros Fl. 60437DF CARF MF Processo nº 19515.721524/201399 Resolução nº 1401000.504 S1C4T1 Fl. 60.438 9 subsidiários de comutatividade. Após as aquisições acima, o grupo Johnson & Johnson transferiu as participações societárias então detidas pela Janssen IR na Bella 7 e na Endo para a Latam International Investment Company ("Latam Investment"), mediante o pagamento, em dinheiro, do valor de US$1.575.477.384,00 (Um bilhão, quinhentos e setenta e cinco milhões, quatrocentos e setenta e sete mil, trezentos e oitenta e quatro Dólares) (docs. n° 13). (......) Para o exame dessas questões, que poderiam ter impacto na estrutura organizacional de cada uma dessas empresas e assim demandavam cautela absoluta com o sigilo das informações envolvidas, o grupo Johnson & Johnson criou a sociedade holding Johnson & Johnson Administração de Investimentos Ltda. ("JJ Administração"), para a qual foram transferidos os principais Diretores de cada uma das sociedades controladas pelo grupo no Brasil à época. Por mais de um ano o corpo diretivo da JJ Administração discutiu e examinou alternativas para a otimização dos processos produtivos e da estrutura administrativa das sociedades do grupo Johnson & Johnson no Brasil. A este respeito, todas as alternativas e providência avaliadas foram objeto de deliberação em reuniões de Conselho de Administração, cujas atas de reuniões foram registradas na Junta Comercial do Estado de São Paulo ("JUCESP"). Em 31.10.2007, o grupo Johnson & Johnson deliberou uma série de providências quanto à integração dos diversos processos internos dessas sociedades. As principais linhas de produção e unidades de negócio, por outro lado, foram segregadas, de modo que se atingiu um ponto claramente distinto, entre os conceitos de "integração" e "segregação" que inicialmente vinham sendo cogitados pela JJ Administração. Com isso, foi realizada uma série de mudanças no grupo Johnson & Johnson no Brasil, dentre as quais se destacam as seguintes: (i) cisão parcial da Requerente, visando segregar suas linhas de comércio e distribuição, das atividades industriais farmacêuticas e integrar as operações comerciais privadas com as demais linhas de negócios do grupo. A parcela farmacêutica industrial foi mantida pela Requerente, ao passo que a linha de comércio e distribuição foi incorporada pela Johnson & Johnson Produtos Profissionais Ltda. ("JJ Produtos") (doc. n° 14); (ii) alteração da denominação social da JJ Produtos, que passou se chamar Johnson & Johnson do Brasil Indústria e Comércio de Produtos para a Saúde Ltda. (JJBR) refletindo assim a pretendida integração de atividades de todas as linhas de negócios do grupo no Brasil (doc. n° 15); (iii) incorporação da Johnson & Johnson Comércio e Distribuição Ltda. ("JJ Comércio") pela JJBR (doc. n° 16), de modo que essa sociedade conclui integração de todas as atividades de comércio e distribuição do grupo Johnson & Johnson no Brasil; e (iv) com a segregação das linhas de produção do grupo Johnson & Johnson no Brasil e a conclusão da integração de seus processos administrativos Fl. 60438DF CARF MF Processo nº 19515.721524/201399 Resolução nº 1401000.504 S1C4T1 Fl. 60.439 10 internos, a JJ Administração, cuja denominação passara a ser JJBR Latam Administração de Investimentos e Participações Ltda. (doc. n° 17), foi incorporada pela JJBR (doc. n° 18). Em razão das alterações societárias acima, e, por ser obrigada a avaliar os investimentos que passou a deter nas sociedades JJ Comércio, JJBR, Johnson & Johnson Industrial Ltda. ("JJ Industrial") e na própria Requerente pelo método da equivalência patrimonial, a JJ Administração registrou valores de ágio baseados na expectativa de rentabilidade futura dessas empresas, segundo os laudos de avaliação produzidos pela Ernst & Young (docs. n°s 9 a 12, acima). Com a posterior cisão parcial da Requerente, a incorporação da JJ Comércio pela JJBR e a incorporação da JJ Administração pela JJBR, o ágio apurado pela JJ Administração passou a ser considerado como amortizável para fins fiscais, nos termos dos artigos 7° e 8° da Lei 9.532/97, e 385 e 386 do RIR/99. (..................). Resta claro, portanto, que as despesas de amortização de ágio registradas pela JJBR e que, em razão da posterior contribuição do ativo diferido em aumento de capital da Requerente, acabaram sendo por ela deduzidas no período de 2008 a 2012, não podem ser glosadas pela D. Fiscalização com base em alegações destoantes do contexto acima evidenciado. Do Direito (a) As normas fiscais que regulamentam a dedutibilidade das despesas de amortização de ágio (a.1) Regra geral para a dedutibilidade de despesas de ágio 13. Conforme previsto nos artigos 7o e 8o da Lei 9.532/97, a dedutibilidade de despesas de amortização de ágio está condicionada à: (i) aquisição de investimento com pagamento de ágio; (ii) que o investimento adquirido seja avaliado conforme o "método da equivalência patrimonial; (iii) que o ágio em questão esteja fundamentado na expectativa de rentabilidade futura da sociedade adquirida; e (iv) haja a incorporação, cisão ou fusão entre a sociedade adquirente e a sociedade adquirida (ou viceversa). 13.1. No caso em discussão todos os requisitos à dedutibilidade das despesas de amortização do ágio foram atendidos: (i) A JJ Administração adquiriu investimento nas sociedades JJ Comércio, JJ Produtos (JJBR), JJ Industrial e na Requerente, sendo que o valor dessa aquisição se deu pelos exatos valores efetivamente pagos pela Latam Investment em dinheiro, com efetiva transferência de caixa (doc. nº 13). (ii) A JJ Administração obrigatoriamente teve que avaliar estes investimentos pelo método da equivalência patrimonial, assim teve que desdobrar em subcontas de patrimônio líquido das sociedades adquiridas e o ágio. (iii) Os valores pelos quais se deu a aquisição das sociedades brasileiras pela JJ Administração estavam devidamente embasados por laudos proferidos pela Ernst & Young, uma empresa nãorelacionada ao grupo Johnson & Johnson. Fl. 60439DF CARF MF Processo nº 19515.721524/201399 Resolução nº 1401000.504 S1C4T1 Fl. 60.440 11 (iv) com a cisão parcial da Requerente e incorporação da sua linha de atividades industriais pela JJ Produtos (JJBR), a posterior incorporação da JJ Comércio pela JJBR e a incorporação da JJ Administração pela JJBR, o ágio originalmente apurado pela JJ Administração passou a ser considerado como amortizável para fins fiscais pela JJBR, nos termos dos dispositivos acima citados (artigos 7o e 8o da Lei 9.532/97, consolidados nos artigos 385 e 386 do RIR/99), incluindo a parcela correspondente à linha de negócios industriais da Requerente, decorrente da cisão ocorrida em 31.10.2007. (a.2 ) A contribuição em aumento de capital como forma de aquisição 14. A aquisição com ágio no presente caso se deu no nível da JJ Administração, quando, após sua constituição, recebeu investimentos na JJ Comércio, JJ Produtos (JJBR), JJ Industrial e na Requerente, a valores justos de mercado, que passaram a ser avaliados conforme o método da equivalência patrimonial. Com a posterior cisão parcial da Requerente e segregação de suas linhas de negócio, a parcela cindida incorporada pela JJ Produtos (JJBR) passou a ser considerada como amortizável para fins fiscais, nos termos dos artigos 7o e 8° da Lei 9.532/97 e dos artigos 385 e 386 do RIR/99. 14.1. Em relação a essa análise se equivoca a fiscalização: em momento algum a Requerente adquiriu ou teve a intenção de adquirir investimento com ágio. A partir dos fatos acima descritos, resta claro que a Requerente adquiriu um ativo diferido já amortizável para fins fiscais, que se encontrava registrado pela JJBR e que tinha por base o ágio originalmente registrado em relação à expectativa de rentabilidade futura da própria JJBR, com base em sua participação detida na Requerente. 14.2. Mesmo que assim não entendesse, do ponto de vista da Requerente, o recebimento do ativo diferido da JJBR como contribuição em aumento de seu capital social também funcionou como verdadeira “aquisição”, para quaisquer fins de direito, inclusive aqueles questionados pela D. Fiscalização no Auto de Infração. 14.3. Carece de fundamento jurídico, portanto, as alegações feitas pela fiscalização, no sentido de que a Requerente não teria "efetivamente arcado com o pagamento do ágio". No momento em que a JJ Administração adquiriu as quotas da JJ Comércio, da JJ Produtos (JJBR), da JJ Industrial e da Requerente em aumento de seu capital social, ocorreu efetiva aquisição de investimento com ágio exigido pela legislação fiscal. O que ocorreu depois foi uma aquisição de ativo diferido pela Requerente, que, de acordo com a doutrina e jurisprudência acima indicadas, também caracterizaria hipótese de "aquisição" para todos os fins legais. (a.3) A "confusão patrimonial" 15. O mesmo em relação à suposta "não ocorrência de confusão patrimonial” alegada pela fiscalização para desqualificar a validade do ativo diferido adquirido pela Requerente em 30.4.2008: como mencionado nos itens anteriores, a "confusão patrimonial" ocorreu no nível da JJBR, quando da cisão parcial da Requerente, com versão de parte de sua linha de negócios para a JJ Produtos (JJBR), e a posterior incorporação da JJ Administração pela JJBR, a partir da qual o ágio registrado pela JJ Fl. 60440DF CARF MF Processo nº 19515.721524/201399 Resolução nº 1401000.504 S1C4T1 Fl. 60.441 12 Administração passou a ser amortizável, para fins fiscais, conforme as regras acima explicadas. 15.1. Além de haver a confusão patrimonial exigida pela legislação fiscal, houve ainda a confusão patrimonial na própria entidade com expectativa de geração de caixa (Requerente), de modo que as alegações feitas pela D. Fiscalização não merecem acolhida. (b) Da improcedência das alegações relativas a "ágio intragrupo" (b.1) A não vedação à apuração de ágio em operações entre partes relacionadas 16. Uma das alegações da fiscalização para desqualificar os efeitos jurídicos decorrestes das operações acima discutidas foi a de que o ativo diferido contribuído pela JJBR em aumento de capital da Requerente formouse a partir de um “ágio intragrupo”. Porém, o mero fato de haver na estrutura ora examinada ágio decorrente de negociações realizadas entre partes relacionadas não pode implicar a invalidade do ativo diferido ou a indedutibilidade dos valores respectivos, ainda mais quando houve um custo de aquisição efetivo, baseado em laudos de avaliação preparados por empresa independente, especializada, e todos os requisitos previstos na legislação estão presentes. 16.1. Sobre esta questão a Requerente destaca da doutrina as lições de Edmar Oliveira Andrade Filho a respeito da validade dos valores de ágio gerados entre operações praticadas por partes relacionadas. Reproduz também jurisprudência, sobretudo administrativa, onde o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais , quanto o próprio Colegiado da Comissão de Valores Mobiliários admitem os efeitos decorrentes do registro e da apuração do denominado “ágio intragrupo”. 16.2. Portanto, resta demonstrado de forma incontestável, com base no posicionamento da doutrina jurídica e contábil, bem como da jurisprudência do E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que o mero fato de o ágio decorrer de transações com partes relacionadas não impede o seu reconhecimento e aproveitamento para fins fiscais, especialmente quando há efetivo fluxo de recursos justificando o ágio pago, laudos de avaliação preparados por empresa independente, especializada, e todos os requisitos previstos na legislação estão presentes. (b.2) Os laudos de avaliação e a parcela atribuível às atividades da Requerente 17. A fiscalização tenta refutar as operações das quais se originaram o ativo diferido ora discutido por entender que supostamente os laudos de avaliação elaborados pela Ernst & Young, (tanto em 2005, quanto em 2008), "não contempla[m] o solicitado, não demonstra[m] a origem dos R$424.873.612,00, nem os critérios utilizados pela empresa avaliadora que determinou a porcentagem de 65,50% do total do ágio [a] amortizar em 30 de abril de 2008". 17.1. As alegações fiscalização a respeito do laudo de avaliação não encontram qualquer fundamento fático ou jurídico. Com efeito, para se certificar que os padrões de mercado efetivamente fossem respeitados, assegurando transparência às operações, como se efetivamente, na substância, tivessem sido realizadas entre partes independentes, o grupo & Johnson solicitou à Ernst & Young, uma empresa Fl. 60441DF CARF MF Processo nº 19515.721524/201399 Resolução nº 1401000.504 S1C4T1 Fl. 60.442 13 reconhecidamente especializada e independente, com tradição no mercado, para proceder à avaliação do valor de mercado de todas as subsidiárias do grupo Johnson & Johnson no Brasil (docs. n°s 9 a 12, acima), inclusive da Requerente. 17.2. Todos os laudos elaborados pela Ernst & Young, apresentam de forma clara e minuciosa os critérios empregados, as premissas utilizadas e os cálculos relativos ao valor justo de mercado das sociedades brasileiras do grupo, com base na metodologia do fluxo de caixa descontado, não havendo que se falar, portanto, em falta de determinação ou de critério desses laudos. Quanto à porcentagem de 65,50%, a Requerente destacou acima se tratar de um valor facilmente obtido a partir dos valores de mercado das linhas industrial e farmacêutica da Requerente, conforme trabalhos de avaliação da Ernst & Young. 17.3. Ainda que assim não o fosse, cabe notar que, se a fiscalização não concorda que os laudos produzidos por empresa independente e especializada refletem os valores da JJ Comércio, da JJBR, da JJ Industrial e da Requerente, ela deveria ter, no mínimo, apresentado outros estudos ou laudos de avaliação contendo as premissas que entendesse aplicáveis para contrapor os resultados apresentados pela Requerente. (b.3) A jurisprudência sobre o assunto 18. A par dos pontos tratados nos itens precedentes, temse ainda que o caso sob exame envolve questões recentemente decididas pelo E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais nos seguintes Processos Administrativos: (i) Processo Administrativo n° 16327.001482/201052, en volvendo o Banco GMAC S.A. ("Caso GMAC"); e (ii) Processo Administrativo n° 10680.724392/ 201028, envolvendo a empresa Gerdau Açominas S/A ("Caso Gerdau"). Além disso, cabe também destacar a decisão proferida pelo Colegiado da CVM nos autos do Processo Administrativo RJ2010/16665, envolvendo a empresa Mahle Metal Leve S.A. ("Caso Mahle"). 18.1. Neste ponto a Impugnante faz um resumo de cada decisão mencionada. (................). (b.4) A necessidade de sobrestamento do presente Processo Administrativo 19. Caso as questões acima não sejam admitidas, cabe notar que a discussão a respeito da validade e da legitimidade do ágio que originou o ativo diferido adquirido pela Requerente está diretamente vinculada à solução dos Processos Administrativos n° 16561.720172/201220 e 16561.720170/201231, que ainda se encontram em curso na esfera administrativa. 19.1. De fato, o julgamento dos processos principais faz coisa julgada no processo reflexo, em razão da estreita relação de causa e efeito existente, como já decidiu o CARF. (c) Outras questões mencionadas pela D. Fiscalização no Auto de Infração (c.1) O suposto não acompanhamento e ajustes relativos à rentabilidade futura 20. A fiscalização questiona também o fato de a Requerente não proceder ao acompanhamento e revisões de critérios e Fl. 60442DF CARF MF Processo nº 19515.721524/201399 Resolução nº 1401000.504 S1C4T1 Fl. 60.443 14 não fazer "ajuste contábil ou extracontábil para cômputo dos novos parâmetros". 20.1. A Requerente destaca, como inclusive chegou a ser informado à fiscalização que as normas fiscais que regem o reconhecimento, o registro, a amortização e a dedução dessas despesas de ágio (ativo diferido) não impõem qualquer dever ou obrigação nesse sentido. 20.2. cabe esclarecer que o suposto dever de revisão de critérios de amortização mencionado pela fiscalização é uma orientação estabelecida tão somente por regras contábeis. Ocorre que essas disposições somente podem ser levadas em consideração para fins contábeis, e não fiscais. (c.2) A suposta ausência de "propósito negocial" 21. Por fim, a fiscalização chega ainda a alegar que "a empresa não demonstrou o propósito negocial da reorganização societária (...), sendo, portanto, o objetivo desta 'reorganização' a diminuição na carga tributária com a operação realizada". Com o devido respeito, essa alegação é completamente equivocada e não se sustenta ao exame mais superficial dos fatos ora discutidos. 21.1. Como visto, a reorganização societária implementada não apenas no Brasil, mas mundialmente pelo grupo Johnson & Johnson a partir de 2005, estava inserida num contexto de reformulação de atividades operacionais, administrativas, financeiras e gerenciais do grupo Johnson & Johnson, com a unificação de centros de custo e de tesourarias sob a empresa irlandesa IFSC, a criação dos CSCs na América Latina, e, especificamente no que diz respeito às operações brasileiras, a transferência do controle que pertencia à JJ US para outras entidades que gerenciavam as demais operações do grupo em nível global, e a definição de linhas de produção, que, até então, eram comuns a diversas sociedades do grupo. 21.2. Portanto, é inegável o equívoco da fiscalização ao alegar que a reorganização empreendida pelo grupo Johnson & Johnson, da qual se originou o ativo diferido ora discutido, não estaria lastreada em propósitos negociais independentes de efeitos fiscais. 21.3. E, mesmo que referido propósito negocial não existisse nas operações em tela, o que se admite unicamente para fins de argumentação, não poderia a presente autuação fiscal desconstituir uma operação realizada em absoluta conformidade com a legislação em vigor, unicamente por conta das suas motivações econômicas. 21.4. A referida interpretação do propósito negocial foi adotada pela autoridades fiscais a partir da LC nº 104/2001, porém, como previsto na parte final do referido dispositivo, que alterou o artigo 116, parágrafo único, do CTN, ele não é auto aplicável, mas depende de regulamentação por lei ordinária, a qual não ocorreu até o presente momento. 21.5. Em resumo, a única conclusão a que se pode chegar é que não é dado à fiscalização desconsiderar negócios jurídicos com base em uma suposta falta de propósito negocial. Fl. 60443DF CARF MF Processo nº 19515.721524/201399 Resolução nº 1401000.504 S1C4T1 Fl. 60.444 15 B GLOSA DE DESPESAS DE PLR 22. De acordo com a fiscalização, a Requerente teria deduzido em duplicidades despesas relativas ao pagamento de PLR, no valor de R$6.337.441,94. Ocorre, essa suposta divergência decorre de um mero erro de preenchimento da DPJ, mas que, não influiu no resultado final tributável. 22.1. Com efeito, em resumo, o valor em questão reduziu o custo informado na Ficha 04 A e na linha 17 das Fichas 06 A / 07 A, tendo sido excluído destas informações e acrescido na Linha 63 das Fichas 06 A / 07 A por ajuste manual. 22.2. Assim, parte do lançamento relativo às despesas de PLR declaradas na Linha 63 da Fichas 06A/07A pela Requerente é oriunda de despesas comerciais e administrativas informadas pela Requerente em sua ECD, sendo que essa parcela acabou por reduzir o valor declarado na Linha 38 da DIPJ. Essa informação, vale lembrar, também já havia sido prestada pela Requerente à Fiscalização. 22.3. De qualquer forma, a Requerente afirma que a apuração de seu resultado contábil e corresponde ao resultado declarado na DIPJ, apesar de serem aparentes algumas diferenças entre os valores informados nas linhas de receitas, despesas e custos. Confirase, a esse respeito, uma comparação entre os valores constantes na DIPJ e na Escrituração Contábil Digital ("ECD") da Requerente. 22.4. A Impugnante faz uma demonstração detalhada entre os valores registrados na contabilidade e aqueles apontados nas linhas e fichas da DIPJ, concluindo que não houve alteração no resultado tributável apurado. 22.5. Ela declara que, ainda que se admitisse a ocorrência de um erro formal no presente caso, esse fato não poderia, por si só, ensejar a cobrança de quaisquer valores a título de IRPJ e de CSL da Requerente, uma vez que os vínculos obrigacionais em Direito Tributário decorrem da subsunção do fato à norma, não se justificando formalizar qualquer exigência contra o contribuinte com base em um erro de fato, sobretudo se desse erro formai não resultou qualquer dano à Fazenda Pública. C – GLOSA DE DESPESAS DE PROVISÕES 23. Por fim, a fiscalização glosa valores registrados pela Requerente como despesas nos anoscalendário de 2008 e 2009 a incorridas a título de (i) convenção anual de vendas; (ii) reservas para pagamentos de empregados; e (iii) indenizações. Embora tenha optado por quitar imediatamente os supostos débitos relativos ao anocalendário de 2009 (doc. n° 6, acima), a Requerente irá demonstrar que são improcedentes as alegações da D. Fiscalização para considerar indedutíveis os valores relativos ao anocalendário de 2008, sendo que a D. Fiscalização justificou o lançamento sem a devida fundamentação, mas apenas alegando a falta de autorização legal para a dedução desses valores. 23.1. Ocorre, entretanto, que a glosa empreendida pela fiscalização, não encontra fundamento jurídico no ordenamento, na medida em que (i) as despesas deduzidas pela Requerente revestemse dos requisitos Fl. 60444DF CARF MF Processo nº 19515.721524/201399 Resolução nº 1401000.504 S1C4T1 Fl. 60.445 16 previstos pelo artigo 299 do RIR/99; e (ii) a glosa dessas despesas viola os princípios tributários da legalidade e da tipicidade cerrada. 23.2. No caso em análise, ficou demonstrado, por meio de evidências materiais, econômicas e lógicas apresentadas ao longo do procedimento de fiscalização que, os valores glosados pela D. Fiscalização foram efetivamente incorridos e prestados, razão pela qual, a autuação em apreço deve ser integralmente cancelada. 23.3. Caso se entenda que as razões de fato e de direito acima expostas não são suficientes para cancelar a exigência fiscal em comento e que, além disso, os documentos acostados pela Requerente ao longo do procedimento de fiscalização não são suficientes para comprovar os fatos acima explicados, a Requerente pleiteia aqui o seu direito e a necessidade de se baixar o processo em diligência para a produção de provas. DESISTÊNCIA DOS ARGUMENTOS DE FATO E DE DIREITO RELATIVOS À PARTE C DO AUTO DE INFRAÇÃO 23.4. Em 08/09/2014 a Impugnante apresentou petição com o seguinte teor, resumidamente: (..............) Especificamente no que diz respeito à Parte C do Auto de Infração, a Requerente esclarece que, em 27.9.2013, valendose das reduções previstas no artigo 6o da Lei 8.218, de 29.8.1991, optou pelo pagamento do débito referente ao anocalendário de 2009, no valor de R$1.445.073,93, conforme comprovante anexo (doc n° 2). Os demais pontos questionados pela D. Fiscalização no Auto de Infração (Partes A, B e C quanto ao débito de 2008) foram objeto de Impugnação tempestivamente apresentada pela Requerente, que aguarda julgamento em primeira instância administrativa (doc. n° 3). Ocorre que diante dos benefícios econômicos trazidos pelo REFIS, a Requerente optou por incluir nesse programa, na modalidade de parcelamento em 30 meses, o débito remanescente relativo à Parte C do Auto de Infração, que trata da glosa de despesas relacionadas a provisões constituídas pela Requerente no anocalendário de 2008 no valor de R$3.797.209,93, conforme se verifica do anexo Recibo de Pedido de Parcelamento e do comprovante do pagamento realizado em 22.8.2014, anexos a esta petição (docs. n°s 4 e 5). Os valores adotados como referência pela Requerente para o pagamento da antecipação a que se refere o artigo 3o da Portaria Conjunta 13/14 foram apurados por meio da planilha anexa (doc. n° 6) e, para fins do parcelamento em 30 meses no REFIS, foram aplicadas as reduções previstas no artigo 2o, inciso II, da mesma Portaria. Notese que o débito especificamente incluído pela Requerente no REFIS (glosa de despesas relacionadas a provisões constituídas pela Requerente no anocalendário de 2008 no valor de R$3.797.209,93) encontrase devidamente discriminado nas folhas anexas do Auto de Infração, podendo ser individualizados e segregados dos demais débitos em discussão no presente caso (doc. n° 7). Fl. 60445DF CARF MF Processo nº 19515.721524/201399 Resolução nº 1401000.504 S1C4T1 Fl. 60.446 17 Assim, nos termos do artigo 8º da Portaria Conjunta 13/14 , a Requerente manifesta desistência parcial dos argumentos de fato e de Direito relativos exclusivamente à Parte C do Auto de Infração, correspondente à "glosa de despesas relacionadas a provisões constituídas pela Requerente no anocalendário de 2008", constantes de sua Impugnação apresentada em 27.9.2013, sendo certo que todos os demais argumentos de fato e de Direito relativos às Partes A e B do Auto de Infração permanecem em trâmite perante esta esfera administrativa, inclusive quanto à discussão envolvendo a inaplicabilidade da multa e dos juros. D INAPLICABILIDADE DAS MULTAS IMPOSTAS a) O descabimento da Multa Qualificada (150%) 24. Ainda que se admitisse que as despesas de amortização de ágio discutidas na PARTE A do Auto de Infração não fossem válidas, o CARF vem decidindo que o mero fato de a dedução de valores de ágio decorrer de transações entre partes relacionadas e sem propósito negocial (o que, ressaltese, não é o caso ora tratado) não enseja a aplicação da multa qualificada de 150%. Nesse sentido, a Requerente pede vénia para destacar os seguintes julgados: (.................). 24.1. A Autoridade Fiscal deve trazer provas inequívocas da ocorrência dos vícios previstos pelos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964: casos de sonegação, fraude ou conluio, respectivamente, para aplicação da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, §1º da Lei nº 9.430/1996 , com a redação dada pelo artigo 14 da Lei nº 11.488//2007. 24.2. Aplicando os critérios utilizados nas decisões apresentas acima ao presente caso, fica claro que não existe qualquer espaço para a aplicação de multa qualificada. 24.3. As operações acima descritas se inseriram num contexto de reorganização mundial das atividades desenvolvidas pelo grupo Johnson & Johnson, não apenas no Brasil, mas também em outros países onde o grupo atua. Foi um projeto, aliás, que durou mais de dois anos, e que envolveu diversas questões administrativas, operacionais e gerenciais, nenhuma delas relacionada a razões de natureza tributária. 24.4. Além disso, a Requerente é empresa sujeita à fiscalização e acompanhamento especiais disciplinados pela Portaria RFB n° 2.563, de 19.12.2012 ("Acompanhamento EconómicoTributario Diferenciado das Pessoas Jurídicas"), de forma que não seria nem razoável supor que ela teria qualquer possibilidade de iludir a D. Fiscalização ou dela ou ocultar os lançamentos contábeis relativos às deduções de ágio discutidas neste caso. 24.5. Ademais, além de registrar todos os seus atos nos estritos termos da legislação em vigor, a Requerente portouse ainda de forma exemplar durante a fase de fiscalização e disponibilizou todas as informações e documentos solicitados pela D. Fiscalização, sem jamais omitir ou ocultar qualquer coisa da D. Fiscalização. Fl. 60446DF CARF MF Processo nº 19515.721524/201399 Resolução nº 1401000.504 S1C4T1 Fl. 60.447 18 24.6. A Impugnante, ainda, aborda a “teoria da imputação subjetiva”, além de alegar que as operações autuadas pela fiscalização eram, até a época dos fatos ora discutidos, largamente reconhecidas como válidas pela jurisprudência administrativa. (b) O descabimento da Multa Agravada (112,5%) 25. Na Parte C GLOSA DE DESPESA DE PROVISÕES do Auto de Infração, a fiscalização aplica à Requerente multa agravada, no valor de 112,5%, sob a alegação de que "o contribuinte não apresentou os documentos solicitados mediante Termo de Intimação e Termo de Reintimação conforme descrito nos itens 68 a 70". Ocorre, contudo, que essa imposição é desproporcional, desarrazoada e abusiva, conforme se passará a demonstrar. 25.1. A Impugnante faz uma descrição detalhada das intimações recebidas e atendidas para provar que houve o atendimento ao solicitado, não cabendo o agravamento da multa aplicada pela fiscalização. 25.2. Além disso, a Impugnante apresentou desistência parcial dos argumentos de fato e de Direito relativos exclusivamente à Parte C do Auto de Infração, em que a multa foi agravada. (c) O descabimento da Multa de Ofício (75%) e 26. Muito embora a Requerente já tenha demonstrado de forma incontestável a improcedência do crédito tributário exigido na Parte B do Auto de Infração, caso esse D. Órgão Julgador entenda por bem mantêlo, o que se admite apenas para argumentar, a Requerente considera que há exagero cometido na exigência de uma multa de ofício de 75% sobre o pretenso débito em questão. 26.1. Nos termos do artigo 142 do CTN, apenas se e quando for o caso, a autoridade administrativa deverá propor a aplicação da penalidade cabível. Ademais, consoante recente jurisprudência do C. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, mesmo multas de 25% têm sido consideradas desproporcionais e abusivas. (d) Os Juros SELIC 27. Após a lavratura dos autos de infração as multas passam a ser mensalmente atualizadas com base na taxa de juros SELIC. Porém, não há margem para qualquer interpretação do artigo 61 da Lei nº 9.430/96 para aplicar juros sobre as multas. Ao contrário o dispositivo é expresso no sentido de que apenas os débitos decorrentes de tributos e contribuições são atualizáveis. 27.1. Cabe lembrar também que a jurisprudência tem reconhecido a inaplicabilidade da taxa SELIC aos créditos tributários, uma vez que essa taxa não foi criada por lei para fins tributários. Tendo em vista a real possibilidade dela vir a ser considerada inconstitucional para fins tributários pelo Poder Judiciário, a Requerente contesta sua aplicação e requer sua desconsideração. E – TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA 28. Em 29/08/2013 a Johnson & Johnson Industrial Ltda., CGC nº 59.748.988/000114 e a Johnson & Johnson do Brasil Industria e Comércio de Produtos para Saúde Ltda., Fl. 60447DF CARF MF Processo nº 19515.721524/201399 Resolução nº 1401000.504 S1C4T1 Fl. 60.448 19 CNPJ nº 54.516.661/000101, receberam o “Termo de Sujeição Passiva Solidária e Responsabilidade Tributária”. 28.1. Em 27/09/2013, tempestivamente, as empresas apresentaram as impugnações com respeito aos termos lavrados, sendo que foram utilizados os mesmos argumentos em ambas as peças, que estão resumidamente relatados abaixo. 29. Não obstante a regularidade dos procedimentos adotados pela Janssen, bem como a ausência de dolo, fraude, ou simulação, as DD. Autoridades Fiscais também lavraram Termos de Sujeição Passiva contra as sócias e administradoras dessa sociedade, com base nos artigos 124, inciso I, 133 e 134, inciso III do CTN. 29.1. Caso as DD. Autoridades Julgadoras entendam que a Requerente é solidariamente responsável pelo débito fiscal cobrado no referido Auto de Infração, o que se admite apenas para argumentar, a Requerente esclarece que: (i) a D. Fiscalização também se equivocou na análise dos fatos e do direito a eles aplicável; e (ii) assim, a integralidade dos fatos e argumentos que determinam o cancelamento da exigência fiscal, incluídos na Impugnação apresentada pela Janssen, devem ser também aplicados à presente exigência fiscal contra a Requerente. 29.2. De acordo com o artigo 124, inciso I, do CTN, que serviu de fundamento legal para a formalização do Termo de Sujeição Passiva contra a Requerente, a responsabilidade solidária deve fundamentarse no "interesse comum". 29.3. Contudo, esse dispositivo é inaplicável ao caso ora em exame, tendo sido invocado de forma indevida pela D. Fiscalização. Com efeito, conforme aponta Misabel Abreu Machado Derzi, em atualização da obra de Aliomar Baleeiro, "a solidariedade não é forma de eleição de responsável tributário", já que esse dispositivo é uma mera cláusula para graduação de responsabilidade, e não um mecanismo de inclusão de terceiros na relação jurídicotributária, razão pela qual o artigo 124 do CTN sequer encontrase inserido no Capítulo V (Responsabilidade Tributária). 29.4. Do mesmo modo, Luiz ANTONIO CALDEIRA MIRETTI conclui que o artigo 124, inciso I, do CTN não pode ser aplicado como uma norma atribuidora de responsabilidade a terceiros, em razão de seu alcance amplo e genérico, acarretando imprecisão no lançamento e insegurança jurídica: 29.5. A D. Fiscalização tenta ainda, no presente caso, atribuir responsabilidade solidária à Requerente com base no disposto no artigo 133 do CTN, sem identificar, contudo, quais elementos ou mesmo qual de seus incisos (I ou II) seria aplicável à Requerente, conforme podese concluir a partir da leitura do seguinte trecho do Termo de Sujeição: (.....). 29.6. Independentemente da falta de clareza do Termo de Sujeição, fato é que o artigo 133 é totalmente inaplicável ao caso em exame. A partir de uma leitura preliminar do artigo 133 do CTN, notase que seu conteúdo diz respeito à possibilidade de responsabilização do Fl. 60448DF CARF MF Processo nº 19515.721524/201399 Resolução nº 1401000.504 S1C4T1 Fl. 60.449 20 adquirente de fundo de comércio ou estabelecimento. No caso em exame, contudo, além de a Requerente simplesmente não se revestir da condição de adquirente de qualquer negócio em relação à Janssen, não há que se falar em aquisição de fundo de comércio. 29.7. Por fim, o último artigo invocado pela D. Fiscalização para tentar atribuir responsabilidade solidária à Requerente pelos débitos lançados contra Janssen é o artigo 134, inciso III, do CTN, que versa sobre a responsabilização de administradores de bens de terceiros. Mais uma vez, a tentativa da D. Fiscalização mostrase equivocada e carece de embasamento jurídico, já que esse dispositivo não é aplicável ao presente caso. 29.8. Com efeito, embora possa parecer que o artigo 134, inciso III, contenha uma previsão ampla sobre a responsabilização "administradores de bens de terceiros", o entendimento já consolidado pela doutrina e jurisprudência é o de que esse dispositivo não alcança sócios ou sócios administradores das pessoas jurídicas. Em 9 de dezembro de 2014 a DRJ em São Paulo julgou as impugnações improcedentes, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 AMORTIZAÇÃO DE ATIVO DIFERIDO TRANSFERIDO DA CONTROLADORA (ÁGIO). INDEDUTIBILIDADE. Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a amortização de ativo diferido transferido de sua controladora e originário de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura apurado em decorrência de aquisição, realizada no exterior, de empresa do mesmo grupo societário. PARTICIPAÇÕES DE EMPREGADOS. DEDUÇÃO EM DUPLICIDADE. Não provando com documentos hábeis e idôneos o alegado da não consideração em duplicidade como despesa dedutível a quantia paga aos empregados como participação nos resultados, deve ser mantida a glosa efetuada pela fiscalização. DESISTÊNCIA DOS ARGUMENTOS DE FATO E DE DIREITO RELATIVOS À PARTE “C” DO AUTO DE INFRAÇÃO. Com relação as provisões não dedutíveis glosadas pela fiscalização a Impugnante optou pelo pagamento do débito referente ao ano calendário de 2009 e, o relativo a 2008 aderiu ao REFIS. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Aplicase a multa de ofício qualificada no percentual de 150%, quando o procedimento fiscal evidenciou que o contribuinte realizou operações visando à criação de ágio intragrupo e sua amortização para redução indevida da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Correta a sujeição passiva solidária imputada às pessoas jurídicas que tenham interesse comum nas atividades da empresa e conseqüentemente na situação que gerou a obrigação tributária. AUTO REFLEXO CSLL. O decidido, no mérito do IRPJ, repercute na tributação reflexa. Fl. 60449DF CARF MF Processo nº 19515.721524/201399 Resolução nº 1401000.504 S1C4T1 Fl. 60.450 21 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte foi intimada em 10 de fevereiro de 2015, por meio de de sua Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico perante a RFB (fl. 3.001) e apresentou recurso voluntário em 11 de março de 2015 (fl. 3.009), defendendose no mérito e arguindo as seguintes preliminares: (i) nulidade da decisão recorrida, eis que fora prolatada por apenas três julgadores, em violação ao disposto na Portaria MF nº 341/2011; (ii) decadência por não observância do prazo de 360 dias previsto no artigo 24 da Lei nº 11.457/2007; (iii) nulidade em face da existência de erro de enquadramento legal, já que a Fiscalização apenas indicou dispositivos genéricos (iv) preclusão do direito de a Fiscalização questionar o ágio amortizado, já que o prazo decadencial deveria ser contado a partir das operações societárias que deram origem ao registro do ágio. JJ Indústria e Comercio de Produtos de Saude Ltda. foi intimada em 13 de fevereiro de 2015 (fl. 3.003) e JJ Industrial Ltda. foi intimada em 19 de fevereiro de 2015 (fl. 3.002). Ambas apresentaram recurso voluntário em 11 de março de 2015 (fl. 60.195 e 60.275), sustentando, em síntese, a improcedência da autuação e também a não aplicação do art. 124, I do CTN ao caso por ausência de interesse comum, bem como a inaplicabilidade dos demais dispositivos citados pela fiscalização (art. 133 e 134, III, do CTN), seja em razão de as ditas responsáveis não se revestirem da condição de adquirentes de qualquer negócio em relação à Janssen, seja porque o art. 134, III, se aplica a administradores de bens de terceiros, o que não se confunde com administradores de empresas. A União apresentou contrarrazões (fls. 60.35860.413), ressaltando apenas aspectos relacionados à ausência das nulidades apontadas no recurso voluntário da contribuinte e à indedutibilidade do ágio. Recebi o processo em distribuição realizada em 17 de agosto de 2017. Voto Conselheira Livia De Carli Germano Relatora Os recursos voluntários são tempestivos e preenchem os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto deles conheço. Conforme relatado, em virtude da desistência da contribuinte com relação aos débitos relativos ao item "C" do auto de infração (despesas não comprovadas provisões), permanecem em discussão nos presentes autos (i) a glosa de despesas com amortização de ágio; e (ii) a glosa de despesas com PLR. PRELIMINARES Fl. 60450DF CARF MF Processo nº 19515.721524/201399 Resolução nº 1401000.504 S1C4T1 Fl. 60.451 22 Preliminarmente, a contribuinte sustenta a nulidade da decisão recorrida tendo em vista que a turma julgadora da DRJ em São Paulo não estava com o número mínimo de membros quando do julgamento da presente lide. Isso porque, nos termos do art. 2o da Portaria MF nº 341/2011, que disciplina a constituição das Turmas e o funcionamento das DRJ, "As DRJ são constituídas por Turmas Ordinárias e Especiais de julgamento, cada uma delas integrada por 5 (cinco) julgadores, podendo funcionar com até 7 (sete) julgadores, titulares ou pro tempore". Em face de tal argumentação, registrase o teor do parágrafo 6º do artigo 4o desta mesma norma (grifamos): Art. 4º O julgador será designado para mandato de até 36 (trinta e seis) meses, com término no dia 31 de dezembro do 2º (segundo) ano subsequente ao da designação, admitidas reconduções. omissis § 6º O Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento pode designar julgador ad hoc para participar de sessão específica em Turma de julgamento, visando a garantir o quorum mínimo de 3 (três) julgadores para a realização da sessão. Conforme se depreende da leitura do trecho acima grifado, a despeito de o artigo 2º da referida Portaria mencionar que as turmas de julgamento das DRJ serão compostas por 5 julgadores, podendo funcionar com até 7, o parágrafo acima referendado estabelece o quorum mínimo de 3 julgadores para a realização das sessões de julgamento. Tendo em vista que, no caso, foi respeitado o quorum mínimo para julgamento, não há que se falar em nulidade da decisão recorrida. Em segundo lugar, sustenta a Recorrente que houve decadência por não observância do prazo previsto de 360 dias para a sua prolação, previsto no artigo 24 da Lei nº 11.457/2007. Ocorre que o lapso de 360 dias previsto para que decisões administrativas sejam proferidas não causam a preclusão dessa possibilidade, não impedem que a autoridade administrativa prolate a decisão. O seu não cumprimento não afeta o processo de constituição do crédito tributário, embora exija a análise do motivo pelo qual porque não foi cumprido, podendo acarretar, a depender do caso, a aplicação de sanções administrativas. Isso porque tratase de prazo impróprio, sem qualquer efeito sobre a discussão material da lide. Assim, tal como ocorre com os prazos impróprios previstos no processo civil, os quais são destinados aos juízes, integrantes do Ministério Público e auxiliares da Justiça, e não impedem a prática dos atos a que se relacionam, o descumprimento do prazo previsto no artigo 24 da Lei nº 11.457/2007 não afasta da autoridade administrativa o dever de decidir e não implica automático reconhecimento das alegações do contribuinte. Este CARF tem decidido neste sentido: PRAZO DE 360 DIAS. JULGAMENTO. ART. 24 DA LEI N. 11.457/07 DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO. O art. 24 da Lei n. 11.457/07 não impõe à Administração Pública a perda de seu poderdever de julgar processos administrativos no caso de escoado o prazo impróprio trazido no referido dispositivo. Outrossim, prevalece Fl. 60451DF CARF MF Processo nº 19515.721524/201399 Resolução nº 1401000.504 S1C4T1 Fl. 60.452 23 sobre a Lei n. 11.457/07, o Decreto n. 70.235/72, que trata especificamente sobre o processo e procedimento administrativos federais. Precedentes. (...). (Acórdão nº 1801002.315) NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. PRAZO PARA QUE SEJA PROFERIDA DECISÃO ADMINISTRATIVA. O descumprimento do prazo estabelecido no art. 24 da Lei nº 11.457/2007 não leva a qualquer impedimento na constituição definitiva do crédito tributário sobrevinda de decisão administrativa proferida em prazo superior a 360 dias. (...) (Acórdão nº 1301001.697) Quanto à alegação da Recorrente de que o STJ já julgou a matéria em sede de recurso repetitivo (REsp 1.138.206/RS), de fato, o tribunal superior tratou do caso de um contribuinte que havia protocolado pedidos de restituição de indébito em 2007 e que em 2010 ainda estava sem resposta. No caso, referido acórdão deu parcial provimento ao recurso especial "para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para a conclusão do procedimento sub judice". Vêse, portanto, que o STJ não determinou o reconhecimento automático do direito pleiteado pelo contribuinte, mas antes determinou que a autoridade administrativa analisasse o caso, o que implica dizer que tratou o prazo como impróprio, tal como sustentado no presente voto. Quanto à observação da Recorrente de que após o 361o dia não poderiam incidir juros moratórios em relação aos valores discutidos nos presentes autos, tal interpretação, embora bastante razoável, dependeria de pronunciamento judicial. Isso porque a incidência de juros está prevista em texto expresso de lei que não contempla tal condição, e aplicála seria adentrar em discussão sobre a constitucionalidade de tal legislação, o que é vedado aos julgadores administrativos, nos termos do enunciado da Súmula no. 2 deste CARF: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Duas outras preliminares dizem respeito especificamente à infração relativa ao ágio e será tratada em item próprio. Antes, porém, entendo ser conveniente analisar o item relativo à glosa de despesas de PLR. DESPESAS COM PLR A fiscalização apurou que o valor de R$6.337.441,95, relativo PLR, foi considerado em duplicidade no preenchimento da DIPJ (Ficha 07 A, linha 63 “Participações de Empregados” e, em decorrência disso glosou este valor da apuração do resultado tributável. De fato, ainda no curso da fiscalização a empresa apresentou resposta no seguinte sentido: Fl. 60452DF CARF MF Processo nº 19515.721524/201399 Resolução nº 1401000.504 S1C4T1 Fl. 60.453 24 Diante disso, a autoridade lançadora ignorou a informação de que os lançamentos contábeis sustentam o valor apenas uma vez e simplesmente considerou que a despesa estaria lançada em duplicidade, vejase (TVF): Em sua impugnação (assim como no recurso), a empresa defende que o valor deduzido em duplicidade do PRL (Ficha 07A, linha 63, da DIPJ) foi em decorrência de um ajuste manual indevido aumentando o custo dos bens e serviços vendidos (Ficha 04A) na mesma quantia. A decisão recorrida não deixa claro se analisou tal ponto e se concorda com a alegação da ora Recorrente de que uma análise da conciliação entre os valores apresentados na contabilidade com os registrados na DIPJ revelaria que, no final, não houve nenhum reflexo no resultado tributável considerado da DIPJ. Isso porque o recurso foi julgado improcedente simplesmente porque a Recorrente não teria trazido o motivo e a documentação para suportar tal ajuste no “Custo dos Bens e Serviços Vendidos” que foi compensado com o aumento neste valor das despesas de PRL na DIPJ. Ocorre que, se é verdade que o ajuste não teve reflexo no resultado tributável, é indiferente o motivo pelo qual ele foi feito. Pode ter sido equívoco, ou divergência entre a interpretação da legislação tal como entendida pela RFB, não importa, fato é que se não impactou o resultado não há porque ser realizada a glosa, já que de qualquer forma não haveria fato gerador de IRPJ e CSLL no caso. Considerando que nem a fiscalização nem a DRJ parecem ter analisado a questão, oriento meu voto por converter o presente julgamento em diligência a fim de que seja realizada a conciliação entre os valores apresentados na contabilidade com os registrados na DIPJ, apontandose conclusivamente se procedem as alegações da Recorrente, em resumo, se houve aumento do custo dos bens e serviços vendidos (Ficha 04A) na mesma quantia do valor deduzido em duplicidade do PRL (Ficha 07A, linha 63, da DIPJ), apurandose, assim, se é possível concluir que o ajuste teve ou não reflexo no resultado tributável. DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO A Recorrente sustenta a nulidade do lançamento quanto a este item em face da suposta existência de erro de enquadramento legal. Conforme afirma, na elaboração do auto de infração, a Fiscalização apenas indicou dispositivos genéricos, sem indicar expressamente a Lei 9.532/1997, que trata da amortização do ágio. Ocorre que o Termo de Verificação Fiscal é parte integrante do lançamento, razão pela qual não há motivo para a desconsideração do seu conteúdo no que toca à fundamentação legal utilizada pela autuação. Fl. 60453DF CARF MF Processo nº 19515.721524/201399 Resolução nº 1401000.504 S1C4T1 Fl. 60.454 25 Com efeito, ao ser notificado do lançamento, o contribuinte não recebeu apenas o auto de infração, com a indicação dos valores apurados e das normas violadas, mas também o Termo de Verificação Fiscal, o qual de forma detalhada explica as razões de fato e de direito que fundamentam o lançamento. Assim, sendo um dos instrumentos que auxilia a formação do conhecimento do contribuinte acerca dos fatos e das normas que lhe estão sendo imputados, não há como afastar esse Termo da análise da observação do direito de defesa do contribuinte pela Fiscalização. A fim de apurar eventual erro cometido, deve o contribuinte demonstrar que o vício está presente tanto no auto como no Termo de Verificação Fiscal. No caso, o Termo de Verificação Fiscal detalha as normas violadas pelo contribuinte com relação às infrações apuradas, citando trechos do art. 7o da Lei 9.532/1997 e inclusive reproduzindo integralmente o teor do artigo 386do RIR/99, que tem por base tal artigo 7o. (por exemplo a fls. 1884 e 1885). Assim, não se evidencia qualquer erro de enquadramento legal que afete a validade do lançamento. Quanto à preclusão do direito de a Fiscalização questionar o ágio amortizado, também não acolho o argumento da Recorrente de que o prazo para as autoridades fiscais questionarem as operações deve ser contado a partir do registro contábil do ágio pela empresa adquirente. Isso porque o registro contábil do ágio não é fato gerador de tributo nem há, aí, lançamento. Ora, sendo o prazo decadencial aquele após o qual o fisco perde o direito de constituir o crédito tributário, e sendo tal constituição possível apenas quando ocorre o fato gerador, fica fácil perceber que não há que se falar em início de contagem do prazo decadencial pelo mero registro contábil de uma potencial despesa. Assim se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais a respeito dos prejuízos fiscais, cujo paralelo pode ser traçado com o ágio: ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL O prazo decadencial para a lavratura de auto de infração para a glosa de despesas de amortização de ágio tem início com a efetiva dedução de tais despesas pelo contribuinte. Não ocorrência de decadência no caso concreto. (acórdão 9101002.387, julgado em 13/07/2016) Passando ao mérito, a autoridade autuante acusa a ora Recorrente de ter indevidamente recebido do grupo empresarial do qual faz parte o direito de amortização e dedução fiscal de um ágio. Em sua defesa, a Recorrente alega que adquiriu um ativo diferido já amortizável para fins fiscais, que se encontrava registrado pela JJBR e que tinha por base o ágio originalmente registrado em relação à expectativa de rentabilidade futura da própria JJBR, com base em sua participação detida na Recorrente. Assim, sobre o ágio, a questão a ser resolvida no presente processo é apenas se é possível transferir um ativo diferido correspondente a um ágio amortizável. É verdade que, ao analisar o ágio transferido, o fiscal também questionou a sua formação, ao reputar que este fora criado em operações internas, que não foi comprovada a sua fundamentação, assim como o prazo, extensão, proporção dos resultados futuros e o seu acompanhamento. Ocorre que a discussão a respeito da validade e da legitimidade do ágio que originou o ativo diferido adquirido pela ora Recorrente está diretamente vinculada à solução Fl. 60454DF CARF MF Processo nº 19515.721524/201399 Resolução nº 1401000.504 S1C4T1 Fl. 60.455 26 dos Processos Administrativos n° 16561.720172/201220 e 16561.720170/201231, que ainda se encontram em curso na esfera administrativa. Percebese, assim, que é pressuposto para a decisão dos presentes autos (i.e., dizer se o ativo diferido pode ser transferido) afirmar se o ágio que formou tal ativo diferido existe ou não. Em tese, entendo que tal transferência é possível, afinal o ativo diferido é um direito como qualquer outro constante dos registros contábeis da empresa. Além disso, o ágio em questão teve por base as atividades operacionais da Janssen, então nada mais natural que a amortização ocorresse com as receitas dessa, operandose a “confusão patrimonial” que tantas vezes é colocada pela fiscalização como requisito para a amortização do ágio. De qualquer forma, antes da solução dos referidos processos administrativos a decisão no caso concreto seria condicional, portanto nula. Neste sentido, também por esta razão é necessário baixar o presente processo em diligência, de maneira que se aguarde a solução definitiva neste CARF quanto aos Processos Administrativos n° 16561.720172/201220 e 16561.720170/201231. CONCLUSÃO Em síntese, oriento meu voto para converter o presente julgamento em diligência a fim de que: (i) quanto às despesas com PLR, seja realizada a conciliação entre os valores apresentados na contabilidade com os registrados na DIPJ, apontandose, em relatório conclusivo, se houve aumento do custo dos bens e serviços vendidos (Ficha 04A) na mesma quantia do valor deduzido em duplicidade do PRL (Ficha 07A, linha 63, da DIPJ), apurando se, assim, se o ajuste teve ou não reflexo no resultado tributável; e (ii) independentemente da conclusão da diligência acima, sobre a qual a Recorrente deverá ser intimada a se manifestar, aguardese a solução definitiva neste CARF quanto aos Processos Administrativos n° 16561.720172/201220 e 16561.720170/201231. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 60455DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.723566/2014-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
IMUNIDADE RECÍPROCA. IMPOSTO SOBRE A RENDA. ADMINISTRAÇÃO DOS PORTOS DE PARANAGUÁ E ANTONINA.
A imunidade recíproca prevista no art. 150, IV, "a", da Constituição Federal, é aplicável à Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina, que presta serviço público por delegação da União ao Estado do Paraná.
IMUNIDADE. DESCARACTERIZAÇÃO SEM PROCEDIMENTO ADEQUADO. NULIDADE.
O não cumprimento do procedimento administrativo previsto para a descaracterização da imunidade e consequente autuação, implica em sua nulidade.
ARBITRAMENTO. AUTARQUIAS PÚBLICAS. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. DISPENSA.
A obrigatoriedade de apresentação da Escrituração Contábil Fiscal não se aplica às autarquias, pois não se submetem ao regime jurídico aplicável às empresas privadas no que diz respeito às obrigações tributárias, e, consequentemente, não está obrigada a apresentar os livros exigidos pela legislação comercial e fiscal, tendo em vista ser regida pelas regras de contabilidade pública.
Numero da decisão: 1401-002.302
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora, restando prejudicada a apreciação do recurso de ofício.
(assinado digitalmente).
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente).
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 IMUNIDADE RECÍPROCA. IMPOSTO SOBRE A RENDA. ADMINISTRAÇÃO DOS PORTOS DE PARANAGUÁ E ANTONINA. A imunidade recíproca prevista no art. 150, IV, "a", da Constituição Federal, é aplicável à Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina, que presta serviço público por delegação da União ao Estado do Paraná. IMUNIDADE. DESCARACTERIZAÇÃO SEM PROCEDIMENTO ADEQUADO. NULIDADE. O não cumprimento do procedimento administrativo previsto para a descaracterização da imunidade e consequente autuação, implica em sua nulidade. ARBITRAMENTO. AUTARQUIAS PÚBLICAS. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. DISPENSA. A obrigatoriedade de apresentação da Escrituração Contábil Fiscal não se aplica às autarquias, pois não se submetem ao regime jurídico aplicável às empresas privadas no que diz respeito às obrigações tributárias, e, consequentemente, não está obrigada a apresentar os livros exigidos pela legislação comercial e fiscal, tendo em vista ser regida pelas regras de contabilidade pública.
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IMPOSTO SOBRE A RENDA. ADMINISTRAÇÃO DOS PORTOS DE PARANAGUÁ E ANTONINA. A imunidade recíproca prevista no art. 150, IV, "a", da Constituição Federal, é aplicável à Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina, que presta serviço público por delegação da União ao Estado do Paraná. IMUNIDADE. DESCARACTERIZAÇÃO SEM PROCEDIMENTO ADEQUADO. NULIDADE. O não cumprimento do procedimento administrativo previsto para a descaracterização da imunidade e consequente autuação, implica em sua nulidade. ARBITRAMENTO. AUTARQUIAS PÚBLICAS. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. DISPENSA. A obrigatoriedade de apresentação da Escrituração Contábil Fiscal não se aplica às autarquias, pois não se submetem ao regime jurídico aplicável às empresas privadas no que diz respeito às obrigações tributárias, e, consequentemente, não está obrigada a apresentar os livros exigidos pela legislação comercial e fiscal, tendo em vista ser regida pelas regras de contabilidade pública. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora, restando prejudicada a apreciação do recurso de ofício. (assinado digitalmente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 35 66 /2 01 4- 84 Fl. 950DF CARF MF 2 Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente). Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Fl. 951DF CARF MF Processo nº 10980.723566/201484 Acórdão n.º 1401002.302 S1C4T1 Fl. 951 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº. 1677.761 10ª Turma da DRJ/SPO, que manteve em parte o lançamento contra ADMINISTRAÇÃO DOS PORTOS DE PARANAGUÁ E ANTONINA, mantendo integralmente os valores de IRPJ e de CSLL lançados, e respectivas multas, e mantendo parcialmente o crédito tributário de PIS e de Cofins lançados, com redução proporcional das multas . Tratase de autos de infração, fls., relativos ao IRPJ (R$ 156.028.429,92), CSLL (R$ 46.850.700,62), PIS (R$ 5.764.940,15) e COFINS (R$ 26.607.416,17), já considerados a multa de oficio e juros de mora. I) DA AUTUAÇÃO Em 01/09/14 a fiscalização solicitou à Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA) os livros exigidos pela legislação comercial e fiscal, bem como as fichas do Demonstrativo da Execução da Receita – Receita Total, extraídas do sistema de contabilidade pública Siafi do Estado do Paraná. Em resposta, a APPA apresentou em 05/09/14 apenas os Demonstrativos de Execução da Receita e cópia de acórdão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Carf referente a ação fiscal anterior (processo 10980.725637/201131), não apresentando os livros exigidos pela legislação comercial e fiscal. Diante do exposto, procedeuse ao arbitramento do lucro da APPA com base no faturamento, eis que não há contabilidade nos moldes exigidos pelas empresas obrigadas à apuração do Lucro Real. Foram também lançados CSLL, PIS e Cofins sobre o faturamento da APPA, eis que a empresa nada declara nem recolhe nenhum dos tributos. Foram lavrados novos autos de infração onde se realizou lançamentos complementares de PIS e COFINS, quais sejam, os atinentes ao processo nº 10980.722839/201635 e o processo nº 10980.723566/201484, relativos ao mesmo período dos autos em epígrafe, sob o mesmo fundamento e apensados ao mesmo. Apreciada a impugnação, o lançamento foi julgado procedente em parte. Inconformada, apresentou Recurso Voluntário, a recorrente repisa em síntese os argumentos da impugnação, quanto à ilegalidade da exigência de documentos relativos à contabilidade privada; ausência dos pressupostos formais necessários à validade dos Autos de Infração; ilegalidade do arbitramento posto que administração Tributária, simplesmente desprezou o fato de a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina – APPA era uma autarquia estadual à época dos fatos, que se submete à contabilidade pública, regida pelas regras previstas na Lei nº 4.320/1964. Por esta razão, evidente que a Recorrente não mantém escrituração na forma das leis comerciais, mas se sujeita às regras da contabilidade pública, conforme preceituam os artigos 107, 109 e 110, parágrafo único, todos da Lei nº 4.320/1964; não incidência do IRPJ por imunidade recíproca; não ocorrência do “fato gerador” do IRPJ, CSLL, COFINS e PIS. Fl. 952DF CARF MF 4 Houve recurso de ofício em relação a parte exonerada, relativa à PIS e COFINS. Era o der essencial a ser relatado. Passo a decidir Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. O Recurso Voluntário preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Preliminar de nulidade. De início a Recorrente reclama imunidade da prestação de serviço público de fiscalização portuária, razão pela qual, para que a autoridade fiscal pudesse descaracterizar a imunidade e proceder o lançamento, erra necessário que adotasse de início os procedimentos descritos no art. 32 da Lei 9.430/96, segundo a qual: Art. 32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo. § 1º Constatado que entidade beneficiária de imunidade de tributos federais de que trata a alínea c do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal não está observando requisito ou condição previsto nos arts. 9º, § 1º, e 14, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando inclusive a data da ocorrência da infração. § 2º A entidade poderá, no prazo de trinta dias da ciência da notificação, apresentar as alegações e provas que entender necessárias. § 3º O Delegado ou Inspetor da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o ato declaratório suspensivo do benefício, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à entidade. § 4º Será igualmente expedido o ato suspensivo se decorrido o prazo previsto no § 2º sem qualquer manifestação da parte interessada. § 5º A suspensão da imunidade terá como termo inicial a data da prática da infração. § 6º Efetivada a suspensão da imunidade: I a entidade interessada poderá, no prazo de trinta dias da ciência, apresentar impugnação ao ato declaratório, a qual será objeto de decisão pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento competente; Fl. 953DF CARF MF Processo nº 10980.723566/201484 Acórdão n.º 1401002.302 S1C4T1 Fl. 952 5 II a fiscalização de tributos federais lavrará auto de infração, se for o caso. § 7º A impugnação relativa à suspensão da imunidade obedecerá às demais normas reguladoras do processo administrativo fiscal. § 8º A impugnação e o recurso apresentados pela entidade não terão efeito suspensivo em relação ao ato declaratório contestado. § 9º Caso seja lavrado auto de infração, as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente. § 10. Os procedimentos estabelecidos neste artigo aplicamse, também, às hipóteses de suspensão de isenções condicionadas, quando a entidade beneficiária estiver descumprindo as condições ou requisitos impostos pela legislação de regência. § 12. A entidade interessada disporá de todos os meios legais para impugnar os fatos que determinam a suspensão do benefício. Quando a préexistência de imunidade recíproca, a Recorrente relata que cabe destacar que a exploração dos serviços portuários pode ser executada diretamente pela União Federal, ou, então, indiretamente, por meio da utilização, por esse mesmo ente político, de instrumentos de descentralização administrativa. Para a prestação de serviços públicos, o Estado poderá criar autarquias, empresas públicas ou sociedades de economia mista. Nestas três hipóteses, irá (ao criálas) prescrever na lei quais são as suas finalidades e, implícita ou explicitamente, proceder à delegação das atribuições e competências necessárias à consecução daquelas atividades. Como definido no Convênio de Delegação 37/2001, a APPA é obrigada a destinar toda a sua receita para o “custeio das atividades delegadas, manutenção das instalações e investimento nos Portos”. Assim sendo, NÃO HÁ DISPONIBILIDADE ECONÔMICA OU JURÍDICA POR DETERMINAÇÃO DO PRÓPRIO ENTE TRIBUTANTE, titular da exploração do serviço público portuário no país. É incontroverso que a APPA presta serviço público, conforme restou consignado no RE 253.472 (“caso CODESP”), em uma série de precedentes o Supremo Tribunal reconhece que “ a exploração dos portos marítimos, fluviais e lacustres caracterizase como serviço público ”, conforme já reconhecido no Acórdão 9101002.204, precedente da 1a. TO da CSRF, julgado em 02/02/2016. Observase que a APPA, na condição de delegatária do serviço público portuário, está submetida às condições estipuladas por seu titular. No presente caso, destinar receita à finalidade estranha à atividade portuária implica no descumprimento do acordo Fl. 954DF CARF MF 6 firmado entre a União e o Estado do Paraná, o que pode ensejar o questionamento do acordo por seu titular. Neste sentido anota que a União, na condição de Delegatária, nunca questionou um eventual descumprimento de cláusula por ela proposta, é certo que o cumprimento do referido convênio dáse de modo regular. Assim, não é legítimo que se autue o inadimplemento de tributos federais supostamente devidos em face de uma irregularidade nunca arguida ou mencionada pelo titular delegante do serviço público, que, no presente caso, também é o competente pelos tributos supostamente devidos. Diante desta situação, cabia ao autuante, diante da suspeita de que a entidade beneficiária de imunidade de tributos federais não estivesse observando requisito ou condição previsto nos arts. 9º, § 1º, e 14, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, expedir notificação fiscal relatando os fatos que determinassem a suspensão do benefício, indicando inclusive a data da ocorrência da infração, aguardar a manifestação da entidade, encaminhar tudo ao Delegado da Receita Federal, para que este decidisse sobre a suspensão do benefício, para a partir daí promover o lançamento, sob pena de nulidade. No caso em apreço, dada a constatação de não cumprimento do procedimento administrativo previsto para a descaracterização da imunidade e consequente autuação, de rigor o reconhecimento de sua nulidade. Mérito. Quanto ao mérito, no que diz respeito a impossibilidade do arbitramento, anoto que à época dos tributos apurados, a APPA encontravase constituída sob à forma de autarquia, e, consequentemente, a prestação do serviço público portuário, na condição de autoridade portuária, se deu em conformidade com à legislação aplicável à administração pública em sua integralidade, inclusive no que tange às suas finanças. A Administração Tributária, entretanto, simplesmente desprezou o fato de a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina – APPA era uma autarquia estadual à época dos fatos, que se submete à contabilidade pública, regida pelas regras previstas na Lei nº 4.320/1964. Por esta razão, evidente que a Recorrente não mantinha a escrituração na forma das leis comerciais, pois se sujeitava às regras da contabilidade pública, conforme preceituam os artigos 107, 109 e 110, parágrafo único, todos da Lei nº 4.320/1964. Observese: Art. 107. As entidades autárquicas ou paraestatais, inclusive de previdência social ou investidas de delegação para arrecadação de contribuições parafiscais da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal terão seus orçamentos aprovados por decreto do Poder Executivo, salvo se disposição legal expressa determinar que o sejam pelo Poder Legislativo. Art. 109. Os orçamentos e balanços das entidades compreendidas no artigo 107 serão publicados como complemento dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal a que estejam vinculados. Art. 110. Os orçamentos e balanços das entidades já referidas obedecerão aos padrões e normas instituídas por esta lei, ajustados às respectivas peculiaridades. Parágrafo único. Dentro do prazo que a legislação fixar, os balanços serão remetidos ao órgão central de contabilidade da Fl. 955DF CARF MF Processo nº 10980.723566/201484 Acórdão n.º 1401002.302 S1C4T1 Fl. 953 7 União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal, para fins de incorporação dos resultados, salvo disposição legal em contrário. (Grifouse) Ainda, a partir da leitura dos dispositivos legais acima expostos, inferese, nitidamente, que, pela existência de um “órgão central de contabilidade” (no caso, do Estado do Paraná), a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina – APPA não se submete ao regime jurídico aplicável às empresas privadas no que diz respeito às obrigações tributárias, e, consequentemente, não está obrigada a apresentar os livros exigidos pela legislação comercial e fiscal, tendo em vista ser regida pelas regras de contabilidade pública. Solução de Consulta nº 197 Cosit Data 5 de agosto de 2015 Processo Interessado CNPJ/CPF ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL DIGITAL. OBRIGATORIEDADE. AUTARQUIAS PÚBLICAS. DISPENSA. A obrigatoriedade de apresentação da Escrituração Contábil Fiscal (ECD) não se aplica às autarquias. Dispositivos Legais: IN RFB nº 1.252, de 2012, art. 4º, § 3º, e art. 5º, V; IN RFB nº 1.420, de 2013, art. 3º, III; IN RFB nº 1.422, de 2013, art. 1º, caput, e § 2º, II, e art. 5º; IN RFB nº 1.441, de 2014, art. 1º; IN RFB nº 1.463, de 2014, art. 4º, caput, e § 1º, II. A Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) foi criada pelo Governo do Paraná, em 1947. No ano de 2014, o Estado do Paraná através da Lei n.º 17.895, de 27 de dezembro de 2013, regulamentada pelo Decreto n.º 11.562/14, transformou a Appa de autarquia para empresa pública. O período autuado esta compreendido entre 1º de janeiro de 2011 a 31 de Dezembro de 2013, razão pela qual não prospera o argumento da DRJ no sentido de que a mudança da autuada para empresa pública legitima o período arbitrado. Razão pela qual, dou provimento ao recurso voluntário para cancelar a autuação, restando prejudicado o Recurso de Ofício. Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Fl. 956DF CARF MF
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