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Numero do processo: 16561.720073/2016-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2402-000.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para adoção das providências, conforme voto do relator.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Relatório
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para adoção das providências, conforme voto do relator. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 65 61 .7 20 07 3/ 20 16 -7 1 Fl. 7264DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201671 Resolução nº 2402000.651 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (efls. 7132/7194) em face do Acórdão n. 0442.962 2ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) DRJ/CGE (efls. 7106/7121) que julgou improcedente a impugnação de efls. 6809/6864 e manteve o crédito tributário consignado no lançamento Auto de Infração IRRF no valor total de R$ 285.537.546,63 (efls. 6729/6733) constituído em 22/08/2016 (efls. 6759/6760), conforme discriminado no Termo de Encerramento de Fiscalização (TEF) de efls. 6736/6758. A descrição sumária da operação em apreço inaugura o TEF (efls. 6736/6758), a seguir reproduzido, ipsis litteris: "[...] 1 DESCRIÇÃO SUMÁRIA DA OPERAÇÃO SOCIETÁRIA ANALISADA: Tratase da aquisição de empresa sediada na Espanha (JANTUS SL) controladora direta de duas empresas no Brasil, a SIIF Energies do Brasil Ltda., e a SIIF Desenvolvimento de projetos Eólicos Ltda., por parte da CPFL ENERGIAS RENOVÁVEIS S/A (ERSA) sem o recolhimento, por parte da ADQUIRENTE (Energias Renováveis S/A), de Imposto de renda sobre o Ganho de Capital obtida pelos alienantes, residentes ou sediados no exterior, LIBERTY MUTUAL INSURANCE COMPANY (com sede no número 175, Berkeley Street, Boston, MA 02117, USA), BLACK RIVER CEI SUBSDIARY 3 S.A.R.L. (com sede na 56º A Rue de Newdorf L2220 – Luxemburgo), CARBON CAPITAL MARKETS LTD (sede na 22 Billiter Street, 7 andar Londres – Reino Unido), Sr. MATTHEW ALEXANDER SWINEY (Austrália), Sra. KAREN ADANS MCCLELLON (Inglaterra) e Sr. REUBEN ZED MALTBY (Inglaterra). É de se registrar que a ERSA foi capitalizada pela CPFL COMERCIALIZAÇÃO BRASIL LTDA, que originalmente era a adquirente da Jantus Sl e que por integralização de capital repassou para a primeira. [...] (grifos originais) Ao fim e ao cabo, assim conclui o TEF (efls. 6736/6758): "[...] 4 – DA ESSÊNCIA DA OPERAÇÃO Considerando que: a) a JANTUS SL não possuía nenhum funcionário ou dirigente; b) que a única movimentação econômica da Jantus SL eram as duas empresas sediadas no Brasil, qual sejam a SIIF ENERGIES DO BRASIL LTDA e a SIIF DESENVOLVIMENTO DE PROJETOS DE ENERGIA EÓLICA LDA; c) que o único interesse do grupo CPFL era adquirir as duas empresas nacionais para obter hegemonia na produção de energias renováveis, Do exposto, entendemos que de fato a essência da operação se tratou de aquisição das duas empresas brasileiras, e não de uma empresa espanhola. [...] Fl. 7265DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201671 Resolução nº 2402000.651 S2C4T2 Fl. 4 3 As duas SIIF declaram que em 2011 seu sócio único é a CPFL ENERGIAS RENOVAVEIS S/A, quando a incorporação da Jantus somente ocorreu em 2013. É de se registrar, novamente, que no “protocolo de incorporação da Jantus pela CPFL Energias Renováveis S/A” consta que “ para fins específicos da legislação aplicável na Espanha, fica consignado que a Jantus não possuí nenhum empregado e, portanto, a incorporação não ocasionará nenhum impacto sobre empregados”. De tudo que foi levantado, concluímos que foram negociados com empresas do exterior a aquisição de empresas genuinamente brasileiras, pelo que entendemos ser passível de tributação sobre o ganho de capital e, pelo fato de boa parte do valor ter sido remetido ao exterior, torna o fiscalizado responsável pelo recolhimento do tributo, como detalhamos em capitulo próprio mais adiante. [...](grifos originais)" Irresignada com o lançamento de efls. 6729/6733, a Recorrente apresentou a impugnação de efls. 6809/6864, resumida na decisão recorrida conforme segue: Preliminarmente, argúi nulidade do lançamento, pois “(i) não foi apresentada a motivação legal para fundamentar a desconsideração da operação de aquisição da empresa Jantus, (ii) as dd. autoridades fiscais consideraram, para fins de cálculo do ganho de capital, que o custo de aquisição da participação societária teria sido zero, (iii) no cálculo do ganho de capital foi indevidamente considerada a parcela referente o aumento de capital realizado na Jantus após a sua aquisição, e (iv) foi efetivado o reajuste (grossup) da base de cálculo do ganho de capital para o cálculo do IRRF”; No mérito, argumenta que i. os fatos não se subsumem à hipótese de incidência do imposto na fonte; ii. a operação realizada foi regular; iii. deve ser respeitada a liberdade de organização; iv. inexistiu simulação; Por fim apresenta seus pedidos: Em vista de todo o exposto, a Impugnante requer, preliminarmente, seja reconhecida a nulidade dos autos de infração, tendo em vista que as dd. autoridades fiscais (i) desconsideram um negócio jurídico sem demonstrar a motivação necessária para tanto, (ii) consideraram no cálculo do ganho de capital que o custo de aquisição da participação societária teria sido zero, (iii) consideraram no cálculo do ganho de capital a parcela referente o aumento de capital realizado na Jantus após a sua aquisição, (iv) não consideraram na apuração e no demonstrativo do crédito tributário lançado na autuação a parcela referente ao pagamento efetuado pela Impugnante em 07 de maio de 2012 e (v) porque efetivaram o reajuste (grossup) da base de cálculo do ganho de capital para o cálculo do IRRF. No mérito, a Impugnante requer seja reconhecida a total improcedência do lançamento fiscal, tendo em vista a regularidade da operação realizada e a improcedência da exigência do IRRF. Fl. 7266DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201671 Resolução nº 2402000.651 S2C4T2 Fl. 5 4 A impugnação de efls. 6809/6864 foi julgada improcedente pela DRJ/CGE que manteve, portanto, o crédito tributário consignado no Auto de Infração (efls. 6729/6733), nos termos do Acórdão n. 0442.962 (efls. 7106/7121), sumarizado na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF AnoCalendário: 2016 NULIDADE O relatório fiscal e anexos descrevem com clareza os fundamentos de fato e de direito que embasam o lançamento tributário. Não há nulidade do lançamento quando não configurado óbice à defesa ou prejuízo ao interesse público. GANHO DE CAPITAL DE PESSOA JURÍDICA COM SEDE NO EXTERIOR A apuração e recolhimento do imposto devido sobre o ganho de capital de pessoa jurídica com sede no exterior, são obrigações do adquirente, no momento do pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa do preço. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO As operações de natureza societária, mesmo que formalmente dentro dos limites legais e efetuadas segundo a vontade daqueles que detêm o poder de decisão na companhia podem ser desconsideradas para fins tributários, se não contiverem um propósito negocial que não seja simplesmente o de economia tributária. A mera regularidade formal das operações societárias não lhes confere validade para obstar uma incidência tributária, quando ausente uma justificativa fáticonegocial para as essas operações. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Recorrente foi cientificada do teor do Acórdão n. 0442.962 (efls. 7106/7121) na data de 23/05/2017 (efls. 7127/7129), e, inconformada, interpôs, em 14/06/2017 (efl. 7130), tempestivamente, portanto, o Recurso Voluntário de efls. 7132/7194, no qual esgrime, em linhas gerais, os mesmos argumentos apresentados na impugnação de e fls. 6809/6864, acrescentando, todavia, preliminar de nulidade da decisão de primeira instância (Acórdão n. 0442.962 efls. 7106/7121). Por fim, a PGFN apresentou contrarrazões ao Recurso Voluntário em apreço, conforme documento de efls. 7222/7261. É o relatório. Fl. 7267DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201671 Resolução nº 2402000.651 S2C4T2 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O Recurso Voluntário (efls. 7132/7194) é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores. Portanto, dele CONHEÇO. Verificase, no caso concreto, que ao tratar da alegação da Recorrente, de que deveria ser considerado como custo de aquisição ao menos os incorridos pela Jantus SL, registrado como Investimento Externo Direto no Banco Central, os quais procura comprovar com os documentos de efls. 7040/7041 que comprovariam valores de R$ 322.098.936,00 e R$ 1.957.764,00, totalizando R$ 324.056.700,00 , assim se pronuncia a decisão recorrida: "Em que pese o alegado, há de se notar que esses documentos têm a aparência de cópias de telas de sistemas informatizados, sem que se possa constatar sua autenticidade e nem mesmo a expressão monetária dos números nele contidos, pois não é indicada a equivalência em moeda, apenas a quantidade de ações ou quotas de capital." (grifei) Observase que a decisão a quo, não obstante ter suscitado dúvidas no tocante à autenticidade e conteúdo, inclusive procedência e origem das informações consignadas no RDEIED/SISBACEN (efls. 7040/7041), não determinou as diligências necessárias no sentido de elucidálas junto às partes envolvidas (Banco Central do Brasil e Impugnante, ora Recorrente), para fins de comprovação, com documentação hábil e idônea, das informações registradas no RDEIED/SISBACEN, observandose, cumulativamente, os requisitos dos §§ 3°. e 4°., do art. 26 da Instrução Normativa SRF n. 208/2002, com a redação vigente à época dos fatos geradores em litígio (antes, portanto, das alterações promovidas pela Instrução Normativa RFB n. 1.662/2016), vez que é condição para o registro no RDEIED que o capital estrangeiro de que trata o art. 5º. da Lei n. 11.371/2006 conste regularmente dos registros contábeis da pessoa jurídica receptora do capital estrangeiro, exigência reforçada na Circular Bacen n. 3.344/2007, vigente à época dos fatos: Instrução Normativa SRF n. 208/2002: Art. 26. A alienação de bens e direitos situados no Brasil realizada por não residente está sujeita à tributação definitiva sob a forma de ganho de capital, segundo as normas aplicáveis às pessoas físicas residentes no Brasil. [...] § 3º O valor de aquisição do bem ou direito para fins do disposto neste artigo deve ser comprovado com documentação hábil e idônea. § 4º Na impossibilidade de comprovação, o custo de aquisição é: I apurado com base no capital registrado no Banco Central do Brasil, vinculado à compra do bem ou direito; II igual a zero, nos demais casos. [...]. (grifei) Fl. 7268DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201671 Resolução nº 2402000.651 S2C4T2 Fl. 7 6 Lei n. 11.371/2006: Art. 5o Fica sujeito a registro em moeda nacional, no Banco Central do Brasil, o capital estrangeiro investido em pessoas jurídicas no País, ainda não registrado e não sujeito a outra forma de registro no Banco Central do Brasil. § 1o Para fins do disposto no caput deste artigo, o valor do capital estrangeiro em moeda nacional a ser registrado deve constar dos registros contábeis da pessoa jurídica brasileira receptora do capital estrangeiro, na forma da legislação em vigor. [...](grifei) Circular Bacen n. 3.344/2007 Titulo 3 Capitais Estrangeiros no País Capítulo 4 Capital em moeda nacional Lei n. 11.371/2006 (NR) 1. Deve ser registrado, a partir de 19 de março de 2007, em moeda nacional, no Sistema de informações Banco Central Sisbacen, Registro Declaratório Eletrônico Módulo Investimento Externo Direto RDEIED, o capital estrangeiro de que trata o art. 5º da Lei nº 11.371, de 28 de novembro de 2006, desde que conste regularmente dos registros contábeis da empresa brasileira receptora do capital estrangeiro, observado o seguinte: [...] (grifei) Observase que o art. 5º. da Lei n. 11.371/2006, supra referida, inovou na matéria, determinando que o valor do capital estrangeiro em moeda nacional a ser registrado deve constar dos registros contábeis da pessoa jurídica brasileira receptora do capital estrangeiro, na forma da legislação em vigor, estabelecendo, assim, um novo requisito para o registro do capital estrangeiro investido em pessoas jurídicas no País. No plano infralegal, a Circular Bacen n. 3.344/2007, também acima transcrita, reproduz esse entendimento. É oportuno destacar a natureza meramente declaratória do registro declaratório eletrônico do RDE/IED (registro de capitais estrangeiros no Banco Central do Brasil), vez que a partir dele não se constitui um direito, mas tãosomente declarase uma situação préexistente, no caso específico, operações relacionadas a investimentos externos diretos em empresas brasileiras, para as quais exigese que deva constar dos registros contábeis da pessoa jurídica brasileira receptora do capital estrangeiro. É dizer, não é com o registro declaratório eletrônico que se constitui o direito, vez que já existia ou pelo menos deveria ter existido. O RDEIED, ex vi legis, apenas o revela ao órgão de controle responsável, no caso o Banco Central do Brasil, cabendo a este determinar que os responsáveis pelo registro mantenham à disposição do Banco Central do Brasil, atualizada e em ordem, a documentação comprobatória de todas as informações declaradas no RDE, até o termo final do prazo de 5 (cinco) anos, contado a partir do término da participação no capital social da pessoa jurídica receptora, no caso de investimento estrangeiro direto, ou da conclusão da operação, nos demais casos, observandose ainda que a realização do registro em apreço não exime os responsáveis pelo registro do cumprimento das disposições legais e regulamentares aplicáveis às operações registradas, inclusive as de natureza tributária, cabendo a esses a responsabilidade pela veracidade, legalidade e fundamentação econômica das declarações prestadas. Fl. 7269DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201671 Resolução nº 2402000.651 S2C4T2 Fl. 8 7 É nesse sentido a Resolução n. 3.844/2010 do Conselho Monetário Nacional, que dispõe sobre o capital estrangeiro no País e seu registro no Banco Central do Brasil, vigente até os dias atuais, verbis: Art. 1º Esta Resolução dispõe sobre o capital estrangeiro ingressado ou existente no País, em moeda ou em bens, e seu registro no Banco Central do Brasil, aí incluído o registro das movimentações financeiras com o exterior dele decorrentes. § 1º O registro de que trata o caput, efetuado de forma declaratória e eletrônica, compreende as seguintes modalidades, cujos Regulamentos encontramse anexos à presente Resolução: I investimento estrangeiro direto; [...] Art. 3º Para os fins do disposto nesta Resolução, conceituase como registro o lançamento, no Sistema de Informações Banco Central (Sisbacen) – Registro Declaratório Eletrônico (RDE), das informações necessárias à identificação das partes e à caracterização individualizada das operações atinentes ao capital estrangeiro investido no País. [...] Art. 4º Os responsáveis pelo registro, indicados nos Regulamentos Anexos a esta resolução, devem manter à disposição do Banco Central do Brasil, atualizada e em ordem, a documentação comprobatória de todas as informações declaradas no RDE, até o termo final do prazo de 5 (cinco) anos, contado a partir do término da participação no capital social da pessoa jurídica receptora, no caso de investimento estrangeiro direto, ou da conclusão da operação, nos demais casos. Art. 5º A realização do registro de que trata esta Resolução não exime os responsáveis pelo registro do cumprimento das disposições legais e regulamentares aplicáveis às operações registradas, inclusive as de natureza tributária. Parágrafo único. A responsabilidade pela veracidade, legalidade e fundamentação econômica das declarações prestadas é do responsável pelo registro, indicado nos Regulamentos Anexos a esta Resolução. (Incluído, a partir de 30/1/2017, pela Resolução nº 4.533, de 24/11/2016.) [...](grifei) Os fatos geradores em apreço eram disciplinados pela IN SRF n. 208/2002 (mais precisamente, art. 26, § 4°., inciso I), que determinava que a apuração do custo de aquisição com base no capital registrado no Banco Central do Brasil, vinculado à compra do bem ou direito, ocorre quando da impossibilidade de comprovação do valor de aquisição do bem ou direito com documentação hábil e idônea. E apenas nesta hipótese. É relevante esclarecer que em 07/03/2014 entrou em vigor a Instrução Normativa RFB n. 1.455/2014 dispondo sobre a incidência do IRRF sobre rendimentos pagos, creditados, empregados, entregues ou remetidos para pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, nas hipóteses que menciona vindo a normatizar, de forma específica, a tributação de ganho de capital auferido no Brasil por pessoa jurídica domiciliada no exterior, até então regida, por analogia, pelos arts. 26 e 27 da IN SRF n. 208/2002, vez que ausente, até a edição da IN RFB N. 1.455/2014, dispositivo infralegal dispondo sobre a matéria, relativamente ao Fl. 7270DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201671 Resolução nº 2402000.651 S2C4T2 Fl. 9 8 tratamento da pessoa jurídica. Por óbvio, a IN RFB N. 1.455/2014 não alcança os fatos geradores que ensejaram o lançamento em apreço, vez que ocorridos no anocalendário 2011. Todavia, a Instrução Normativa RFB n. 1.662/2016 (DOU 03/10/2016), nos arts, 1°. e 2°., alterou, de uma só empreitada, o § 4°., I, do art. 26 da Instrução Normativa SRF n. 208/2002 e o § 2°., I, do art. 23 da Instrução Normativa RFB n. 1.455/2014, conferindolhes nova redação no sentido de que, na impossibilidade de comprovação, o custo de aquisição será igual a zero, e, suprimiu o inciso I, nos dois casos, que estabelecia que o custo de aquisição seria apurado com base no capital registrado no Banco Central do Brasil vinculado à compra do bem ou direito (na impossibilidade de sua comprovação). É dizer, atualmente não há mais previsão normativa para que, na impossibilidade de comprovação, o custo de aquisição deva ser apurado com base no capital registrado no Banco Central do Brasil vinculado à compra do bem ou direito, sendo, nessa circunstância (impossibilidade de comprovação), aquele igual a zero. No que diz respeito à força probante do registro declaratório eletrônico, dada a sua natureza meramente declaratória, vinculase, inclusive para efeitos fiscais, à comprovação, com documentação hábil e idônea, das informações registradas no RDE IED/SISBACEN, observandose, cumulativamente, os requisitos dos §§ 3°. e 4°., do art. 26 da Instrução Normativa SRF n. 208/2002, com a redação vigente à época dos fatos geradores em litígio, vez que é condição para o registro no RDEIED que o capital estrangeiro de que trata o art. 5º. da Lei n. 11.371/2006 conste regularmente dos registros contábeis da pessoa jurídica receptora do capital estrangeiro. Nessa perspectiva, concluise que a apreciação das informações consignadas nas telas do SISBACEN (efls. 7040/7041) em toda a sua completude, inclusive mediante diligência junto ao Banco Central do Brasil e à Recorrente, é fator determinante à formação da convicção em face das questões preliminares e de mérito aduzidas pela Recorrente em seu Recurso Voluntário de efls.. 7132/7194, inclusive quanto à apuração do crédito tributário em litígio, tendo em vista que todas as informações consignadas no RDEIED/SISBACEN devem ser comprovadas mediante documentação hábil e idônea, tendo em vista o caráter declaratório dos registros, que não se submetem à comprovação documental por parte do Banco Central do Brasil, uma vez que não há verificação dos registros contábeis da empresa para comprovar a declaração da existência de um investimento estrangeiro nela registrado. No caso concreto, com mais razão ainda, vez que as informações em apreço serão utilizadas em procedimento fiscal que ultrapassa as fronteiras do órgão registrador (Bacen), que, ele mesmo, reservase ao direito de averiguálas. Concluise, assim, que, se não houve fiscalização do Banco Central do Brasil no tocante às informações consignadas no RDEIED/SISBACEN (efls. 7040/7041), este é o momento de averiguálas para fins de aproveitamento (ou não) dos valores declarados na determinação do custo de aquisição, de forma a repercutir na apuração do ganho de capital em litígio. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (e fls. 7132/7194) e CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA junto à autoridade fiscal lançadora, no sentido de diligenciar junto ao Banco Central do Brasil acerca da autenticidade, conteúdo, procedência, origem das informações, expressão monetária dos números informados, equivalência em moeda, sem prejuízo de qualquer outro esclarecimento que julgue relevante para elucidação do RDEIED/SISBACEN (efls. 7040/7041), bem assim junto à Recorrente para comprovar, com documentação hábil e idônea, todas as informações registradas no RDEIED/SISBACEN, observandose, cumulativamente, os requisitos dos §§ Fl. 7271DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201671 Resolução nº 2402000.651 S2C4T2 Fl. 10 9 3°. e 4°., do art. 26 da Instrução Normativa SRF n. 208/2002, com a redação vigente à época dos fatos geradores em litígio, vez que é condição para o registro no RDEIED que o capital estrangeiro de que trata o art. 5º. da Lei n. 11.371/2006 conste regularmente dos registros contábeis das pessoas jurídicas receptoras do capital estrangeiro (no caso concreto, a SIIF Energies do Brasil Ltda. e a SIIF Desenvolvimento de Projetos Eólicos Ltda., controladas diretamente pela Jantus SL, adquirida pela Recorrente), observandose que após a diligência em tela, deverá a autoridade lançadora proceder à elaboração de Informação Fiscal em face dos procedimentos efetuados e dos documentos apresentados, devendo cientificar a Recorrente da referida informação e dos respectivos documentos trazidos aos autos em decorrência da diligência em apreço, concedendo prazo de 30 (trinta) dias, a contar da ciência, para que a Recorrente, querendo, apresente contrarrazões. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 7272DF CARF MF
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Numero do processo: 15586.000827/2005-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
EMBARGOS INOMINADOS. AUSÊNCIA DE INEXATIDÃO MATERIAL. REJEIÇÃO.
Constatado que não se sustenta a alegação de erro material no dispositivo do acórdão embargado, rejeitam-se os embargos opostos.
Numero da decisão: 1301-002.874
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em receber a petição de fls. 1890-1891 como embargos inominados, e rejeitá-los, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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AUSÊNCIA DE INEXATIDÃO MATERIAL. REJEIÇÃO. Constatado que não se sustenta a alegação de erro material no dispositivo do acórdão embargado, rejeitamse os embargos opostos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em receber a petição de fls. 18901891 como embargos inominados, e rejeitálos, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 08 27 /2 00 5- 70 Fl. 1903DF CARF MF Processo nº 15586.000827/200570 Acórdão n.º 1301002.874 S1C3T1 Fl. 1.904 2 Relatório Transcrevo os trechos de interesse do despacho do ilustre Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento quando da admissão dos embargos (fls. 18941898): [...] passase a análise dos embargos de declaração interpostos pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), em face do Acórdão nº 1102000.961, de 06.11.2013, (Turma extinta), em cuja ementa consta: [...] ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2001, 2002, 2003 BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. O Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento das bases de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1o do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, no Recurso Extraordinário nº 585.235/MG, reconhecendo a repercussão geral do tema. O art. 62, inciso I, do anexo II do Regimento do CARF permite que se afaste a aplicação de lei sob o fundamento de inconstitucionalidade, nos casos em que a lei já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. Dessa forma, o PIS e a Cofins tributados na forma da Lei nº 9.718, de 1998, incidem somente sobre o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e de serviços, e não sobre receitas financeiras e demais receitas operacionais, como feito no lançamento em análise. [...] Notificada da referida decisão em 30.05.2014, a PGFN opôs embargos de declaração em 09.06.2014 (§ 9º do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972),suscitando que: Fl. 1904DF CARF MF Processo nº 15586.000827/200570 Acórdão n.º 1301002.874 S1C3T1 Fl. 1.905 3 A 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, com base na decisão do STF no RE 346.084, deu provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento, as receitas distintas das vendas de bens e/ou prestações de serviços durante a vigência da Lei nº 9.718/98. Contudo, deixou o colegiado de analisar todo o contexto do julgamento proferido pelo STF na matéria em questão, motivo pelo qual o acórdão é omisso neste ponto. Ocorre que a tendência que vem se delineando na Suprema Corte é no sentido de que faturamento não é conceito que se encerra na mera venda de mercadorias e serviços, estendendose, pois, às receitas decorrentes da soma de outras atividades empresariais. [...] A declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, s.m.j., não alterou, nesse particular, o critério definidor da base de incidência da COFINS e do PIS como o resultado econômico da atividade empresarial vinculada aos seus objetivos sociais. Portanto, para o STF, até a EC n. 20/98, a COFINS e o PIS somente poderiam incidir sobre os ingressos patrimoniais oriundos de sua atividade empresarial típica; isto é, as demais receitas atípicas (não operacionais) estariam fora da hipótese de incidência de tais tributos, posto que, nesse caso, não são faturamento da empresa. Como visto, não se depreende da declaração de inconstitucionalidade do Supremo Tribunal Federal que o conceito de faturamento é restrito e, muito menos, que ele está encastelado nas disposições literais da LC nº. 70/91. Tudo isto impele esse Colegiado a analisar a natureza das receitas porventura excluídas. Desta forma, para apontar concretamente que tipos de receitas podem ser classificadas como receita operacional, é preciso terse em vista qual a atividade social da empresa. Se for ela uma empresa prestadora de serviços, uma receita proveniente de uma ocasional venda de mercadorias consistirá em uma receita nãooperacional; se for uma empresa comercial, a eventual prestação de serviços, dará origem a receita nãooperacional. É, assim, destituído de sentido definirse esta ou aquela modalidade de receita como receita operacional sem que se tenha em vista qual seja o objeto social da empresa, tornandose imprescindível a análise em cada processo administrativo ou judicial, sob pena de ensejar novo litígio no momento da execução do julgado para definição de quais rubricas deverão ou não ser retiradas da base de cálculo. Não se pode olvidar também que, atreladas ao complexo conjunto de atividades operacionais e sua respectiva contabilização, aparecem ainda rubricas que aumentam o patrimônio líquido da empresa (receitas) e compõem acessoriamente suas operações. Fl. 1905DF CARF MF Processo nº 15586.000827/200570 Acórdão n.º 1301002.874 S1C3T1 Fl. 1.906 4 A literatura chama tais ingressos de “receitas operacionais acessórias”, pois sua origem está intrinsecamente ligada ao objeto social da empresa, o que demonstra seu caráter operacional, sem corresponder, no entanto, a receitas diretamente decorrentes da atividadefim. [...] Dessa forma, visando à correção da omissão existente no acórdão, a União requer o conhecimento e o provimento do presente recurso para que sejam analisadas as receitas financeiras excluídas à luz do objeto social da empresa, na medida em que tais rubricas podem estar incluídas no conceito de faturamento, sendo tributada pela Cofins e pelo PIS, mesmo após a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 pelo STF. Os embargos de declaração têm como requisito de admissibilidade a indicação de algum dos vícios de obscuridade ou contradição no julgado ou omissão de algum ponto sobre o qual deveria pronunciarse o colegiado não se prestando, portanto, ao rejulgamento da matéria posta nos autos. Eles estão regulamentados no art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) e foram opostos no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão e atendem aos pressupostos de tempestividade e legitimidade. Passase a apreciar a admissibilidade. Tem cabimento transcrever excertos do acórdão embargado: ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS Parte do lançamento decorre do fato de o contribuinte ter deixado de incluir, nas bases de cálculo das contribuições sociais devidas ao PIS e à Cofins, o montante das receitas financeiras e demais receitas operacionais auferidas no período de 1º/1/2001 a 31/12/2003, em desacordo com as prescrições § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, que determinou o alargamento da base de cálculo desses tributos, passando a nela incluir a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Contudo, o Supremo Tribunal Federal reputou tal alargamento da base de cálculo como inconstitucional, reconhecendo a repercussão geral do tema, quando do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG, em 10/9/2008, tendo por relator o Ministro Cezar Peluso, que restou assim ementado: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Fl. 1906DF CARF MF Processo nº 15586.000827/200570 Acórdão n.º 1301002.874 S1C3T1 Fl. 1.907 5 Verificase que a jurisprudência mais recente do CARF tem adotado o mesmo entendimento, sendo que algumas decisões se fundamentam no art. 62A do RICARF, enquanto outras no art. 62 do Regimento. Como a decisão do STF não foi tomada na sistemática prevista pelo art. 543B do Código de Processo Civil, penso que a alternativa correta é o uso do art. 62, inciso I, do anexo II do RICARF, que permite que se afaste a aplicação de lei sob o fundamento de inconstitucionalidade, nos casos em que a lei já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. [...] Assim, o PIS e a Cofins tributados na forma da Lei nº 9.718, de 1998, incidem somente sobre o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e de serviços, e não sobre receitas financeiras e demais receitas operacionais, como feito no lançamento em análise. Nesse sentido, dou provimento ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento, constante da planilha de fl. 1.266 (fl. 1.188 física), as receitas constantes das colunas “RECEITAS FINANCEIRAS” e “OUTRAS RECEITAS”. A situação de omissão está apontada objetivamente. Verificase que não houve expressa manifestação do julgado sobre ponto em que se impunha o seu pronunciamento de forma obrigatória, dentro dos ditames da causa de pedir em relação a natureza jurídica do instituto do faturamento. Temse que a tendência que vem se delineando no Supremo Tribunal Federal (STF) é no sentido de que faturamento não é conceito que se encerra na mera venda de mercadorias e serviços, estendendose, pois, às receitas decorrentes da soma de outras atividades empresariais. Assim, devem ser analisadas as receitas financeiras excluídas à luz do objeto social do Sujeito Passivo, na medida em que tais rubricas podem estar incluídas no conceito de faturamento, sendo tributada pela Cofins e pelo PIS, mesmo após a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 pelo STF. Por todo o exposto, ADMITO os embargos de declaração interpostos. Em seguida os autos foram submetidos a novo sorteio. É o relatório. Fl. 1907DF CARF MF Processo nº 15586.000827/200570 Acórdão n.º 1301002.874 S1C3T1 Fl. 1.908 6 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. Conforme já relatado, o despacho de admissibilidade dos embargos (fls. 1894 1898) tratou sobre o a peça protocolada pela Fazenda Nacional às fls. 18621864 que versava sobre suposta omissão no acórdão embargado a respeito do real conceito de faturamento para fins de incidência de PIS e de Cofins, matéria que não teria sido alvo de manifestação do colegiado. Contudo, com a devida vênia, o referido despacho tratou de matéria já preclusa, pois às fls. 18671870 consta despacho exarado pelo Presidente da turma (que proferiu o acórdão) rejeitando os embargos de forma definitiva. Posteriormente, inclusive, fora apresentado recurso especial pela PGFN, tendo seu seguimento sido negado (fls. 18821886 e fls. 18871888). Na realidade os autos retornaram a este colegiado para apreciação dos embargos inominados apresentados pela PGFN às fls. 18901891 por meio dos quais foi alegado haver erro material no dispositivo do Acórdão 1102000.961. Transcrevo os argumentos apresentados pela PGFN: A e. 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF julgou que deveriam ser excluídas da base de cálculo do PIS e da Cofins, as receitas financeiras e demais receitas operacionais tributadas com base no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, declarado inconstitucional pelo STF. Vejamos: “Verificase que a jurisprudência mais recente do CARF tem adotado o mesmo entendimento, sendo que algumas decisões se fundamentam no art. 62A do RICARF, enquanto outras no art. 62 do Regimento. Como a decisão do STF não foi tomada na sistemática prevista pelo art. 543B do Código de Processo Civil, penso que a alternativa correta é o uso do art. 62, inciso I, do anexo II do RICARF, que permite que se afaste a aplicação de lei sob o fundamento de inconstitucionalidade, nos casos em que a lei já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. Foi esse o entendimento do Acórdão nº 9303002.182, da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, julgado na sessão de 5 de fevereiro de 2013, tendo por relator o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, cuja ementa transcrevo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 1908DF CARF MF Processo nº 15586.000827/200570 Acórdão n.º 1301002.874 S1C3T1 Fl. 1.909 7 Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/2004 Base de Cálculo. Alargamento. Aplicação de Decisão Inequívoca do STF. Possibilidade. Nos termos regimentais, podese afastar aplicação de dispositivo de lei que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária do Supremo Tribunal Federal. Afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, com trânsito em julgado, a base de cálculo da contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, até a vigência da Lei 10.833/2003, voltou a ser o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e de serviços. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. Assim, o PIS e a Cofins tributados na forma da Lei nº 9.718, de 1998, incidem somente sobre o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e de serviços, e não sobre receitas financeiras e demais receitas operacionais, como feito no lançamento em análise”. (destaques incluídos nos embargos) Contudo, por um lapso, não foi especificado no dispositivo que os valores cobrados a título de PIS a partir de dezembro de 2002 deveriam ser mantidos em razão da vigência da Lei nº 10.637/02. Assim, percebese que houve uma inexatidão material no dispositivo do acórdão, na medida em que não ressalvou a possibilidade de cobrança de PIS sobre as receitas financeiras e demais receitas operacionais, no período de vigência da Lei nº 10.637/02. Em face do exposto e com amparo no art. 66 do Regimento Interno do CARF, a União requer a retificação do dispositivo do Acórdão nº 1102000.961. Pois bem, conforme se observa, mesmo após ter o recurso especial negado, a PGFN invocou a existência de vício material no acórdão. E, com a devida vênia, mais uma vez sem razão. Convém ressaltar que a PGFN argumenta que o acórdão teria se equivocado ao não ressalvar a possibilidade de cobrança de PIS sobre as receitas financeiras e demais receitas operacionais, no período de vigência da Lei nº 10.637/02, contudo, o lançamento de PIS (e também e o de Cofins) foram realizados, inclusive no período após o início da vigência da Medida Provisória nº 66/2002 (convertida na Lei 10.637/02), em 01/12/2002, com base no regime cumulativo dessas contribuições, conforme podese observar no enquadramento legal Fl. 1909DF CARF MF Processo nº 15586.000827/200570 Acórdão n.º 1301002.874 S1C3T1 Fl. 1.910 8 utilizado à fl. 12941, e continuidade da aplicação da alíquota de 0,65% para o PIS nos meses de dezembro de 2002 a dezembro de 2003 (fls. 12971298). Portanto, como a autoridade fiscal não realizou o lançamento com base no regime não cumulativo de PIS e de Cofins, não há que se falar em vício material no dispositivo do acórdão embargado. CONCLUSÃO Isso posto, voto por receber a petição de fls. 18901891 como embargos inominados, e rejeitálos. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto 1 Arts. 1° e 3°, da Lei Complementar n ° 07/70; Arts. 2°, inciso I, 8°, inciso I, e 9°, da Lei n° 9.715/98; Arts. 2° e 3°, da Lei n° 9.718/98; Arts. 2°, inciso I, alínea "a" e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto n° 4.524/02. Artigo 80 e 81 da MP 2.15835 de 24/08/2001; Art. 2o. da IN SRF 75/2001, Art. lº e 2º da IN SRF 98/2001; Art. 2º do ADI SRF no. 07/2002. Fl. 1910DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.721004/2011-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2402-000.652
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta anexe aos autos todos os documentos apresentados pelo contribuinte no curso da fiscalização (tais como recibos de pagamento, dentre outros) referentes aos gastos com os Planos de Saúde "Ana Costa" e "Bradesco Saúde". Caso não possua, por qualquer motivo, tais documentos em seu poder, que proceda à intimação do contribuinte para reapresentá-los.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO Recorrente JOSÉ ROBERTO BRANCO Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta anexe aos autos todos os documentos apresentados pelo contribuinte no curso da fiscalização (tais como recibos de pagamento, dentre outros) referentes aos gastos com os Planos de Saúde "Ana Costa" e "Bradesco Saúde". Caso não possua, por qualquer motivo, tais documentos em seu poder, que proceda à intimação do contribuinte para reapresentálos. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 19ª Tuma da DRJ/RJ1, consubstanciada no Acórdão nº 1259.014, que julgou improcedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Contra o sujeito passivo foi emitida Notificação de Lançamento nº 2010/137881576433788, relativa ao anocalendário 2009, decorrente de procedimento de revisão da sua Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que foi apurada pela fiscalização dedução indevida de despesas médicas, na importância de R$ 82.987,86 (fls.21). A Notificação de Lançamento alterou o resultado de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exigindo o Fisco a diferença apurada, acrescida de juros de mora e multa de ofício. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .7 21 00 4/ 20 11 -0 9 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13896.721004/201109 Resolução nº 2402000.652 S2C4T2 Fl. 3 2 Cientificado da notificação, o contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls.2/13), esclarecendo a natureza e origem das despesas médicas cujas deduções foram glosadas pela fiscalização, colacionando respectiva documentação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) julgou improcedente em parte a impugnação, conforme ementa abaixo reproduzida: Acórdão 1259.014 19ª Turma da DRJ/RJ1 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2010 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO PARCIAL. Uma vez comprovadas, parcialmente, despesas médicas do contribuinte, conforme previsão contida na legislação pertinente, há de se restabelecer, em parte, o valor informado na correspondente declaração de rendimentos. PLANO DE SAÚDE. BENEFICIÁRIO. Uma vez não comprovados, com documentos hábeis, os beneficiários dos planos de saúde, quando este foi o motivo da apuração da infração, procede a glosa efetuada. APARELHOS ORTOPÉDICOS. PRÓTESES. RECEITUÁRIO MÉDICO. NOTA FISCAL. No caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário, por expressa determinação legal. IMPUGNAÇÃO. PROVAS. A impugnação deve ser instruída com os elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelamse insuficientes para comprovar os fatos alegados. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado dessa decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário de fls. 61/65, por meio do qual reitera, em síntese, o quanto aduzido na impugnação apresentada em relação às glosas mantidas pela DRJ, colacionando novos documentos. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13896.721004/201109 Resolução nº 2402000.652 S2C4T2 Fl. 4 3 VOTO Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. A Notificação de Lançamento guerreada foi motivada em decorrência da glosa de deduções de despesas médicas, abaixo descritas para melhor análise: DESCRIÇÃO VALOR MOTIVO DA GLOSA MARSTELA PEREIRA 450,00 1 FERNANDA FAVERAN ROVARON 1.000,00 1 MARIA FERNANDA DOMINGUES 1.550,00 1 CRISTIANE DE JESUS PEDROSO 6.000,00 1 MARIA FERNANDA DOMINGUES 1.350,00 1 MARIA FERNANDA DOMINGUES 1.200,00 1 ALEXANDRE DE OLIVEIRA ITU – ME 9.730,00 2 ALEXANDRE DE OLIVEIRA ITU – ME 25.200,00 3 PLANO DE SAÚDE ANA COSTA LTDA 11.437,01 4 BRADESCO SAÚDE S/A 25.070,85 4 1 – recibos sem identificação do endereço do prestador; 2 – dedução sem previsão legal; 3 – despesa com prótese exige comprovação com receituário médico, além da nota fiscal em nome do beneficiário; 4 – não foram discriminados os pagamentos por beneficiário. Com o julgamento de primeira instância, remanesceram as glosas referentes aos motivos “2”, “3” e “4”, abaixo reproduzidos: DESCRIÇÃO VALOR MOTIVO DA GLOSA ALEXANDRE DE OLIVEIRA ITU – ME 9.730,00 2 ALEXANDRE DE OLIVEIRA ITU – ME 25.200,00 3 PLANO DE SAÚDE ANA COSTA LTDA 11.437,01 4 BRADESCO SAÚDE S/A 25.070,85 4 No que tange especificamente às glosas das despesas referentes aos Planos de Saúde “Ana Costa” e “Bradesco Saúde”, o contribuinte / recorrente, no recurso voluntário em análise, reportase “a documentação / comprovantes de pagamento anexos ao processo”, conforme excerto abaixo reproduzido: Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13896.721004/201109 Resolução nº 2402000.652 S2C4T2 Fl. 5 4 1.5 – DOS FATOS Em que pese o elevado saber dos Nobres Julgadores, os mesmos não se atentaram para o fato de anexos aos processos, encontrarse documentação do plano Ana Costa, atestando a condição de beneficiário do Sr. Adriano Branco. (...) Quanto ao plano Bradesco Saúde, também anexouse os comprovantes de pagamento (...). Da leitura dos argumentos trazidos pelo contribuinte por meio do seu recurso voluntário, inferese que os citados documentos referentes aos planos de saúde “Ana Costa” e “Bradesco Saúde” são anteriores à decisão de primeira instância. Compulsando os autos, entretanto, não foram identificados os susoditos documentos / comprovantes de pagamento. Registrese pela sua importância que, em relação às glosas decorrentes da falta de endereço dos prestadores de serviço, o órgão julgador de piso fez importante constatação acerca dos respectivos recibos (comprovantes de pagamento), in verbis: Observese que apesar de os recibos médicos não constarem do processo, concluise que os mesmos foram devidamente apresentados à Fiscalização, já que o único motivo para não aceitação das despesas, descrito na peça fiscal, foi a falta de identificação dos endereços dos prestadores (fl. 22). O fato de a Fiscalização não haver juntado aos autos o dossiê da ação fiscal não pode prejudicar o contribuinte. Como se vê, concluiu a DRJ que, apesar de não constarem no processo, os recibos dos prestadores de serviços médicos cujas deduções foram glosadas foram devidamente apresentados à Fiscalização, considerando que a motivação das respectivas glosas consistiu na ausência do endereço do beneficiário do pagamento. Neste contexto, considerando que o Recorrente, em relação às despesas dos planos de saúde “Ana Costa” e “Bradesco Saúde”, expressamente se reporta à documentação / recibos de pagamento anexos aos processos, não se afigura desarrazoado concluir que, tal como em relação aos recibos dos prestadores de serviços médicos, a Fiscalização também não os tenha juntado aos autos. Assim, julgando ser imprescindível a análise de tais documentos para o deslinde da questão neste particular, voto por converter o julgamento em diligência para que a autoridade administrativa fiscal da DRF Barueri, responsável pela lavratura da Notificação de Lançamento que deu origem ao presente PAF, anexe aos autos todos os documentos apresentados pelo contribuinte no curso da fiscalização (tais como recibos de pagamento, dentre outros), referentes aos gastos com os Planos de Saúde “Ana Costa” e “Bradesco Saúde”. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13896.721004/201109 Resolução nº 2402000.652 S2C4T2 Fl. 6 5 Caso não possua, por qualquer motivo, tais documentos em seu poder, que proceda à intimação do contribuinte para reapresentálos. É como voto. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior – Relator. Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.720170/2014-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003, 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO NO DISPOSITIVO DA DECISÃO NÃO VERIFICADA.
Embargos conhecidos, contradição inexistente.
Numero da decisão: 1401-002.290
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, em por unanimidade de votos, rejeitar os embargos apresentados pela Contribuinte. Participaram do julgamento os Conselheiros Suplentes Lizandro Rodrigues de Sousa e Aílton Neves da Silva. Ausentes justificadamente os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Presidente em Exercício), Ailton Neves da Silva, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Leticia Domingues Costa Braga, Abel Nunes De Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Lizandro Rodrigues De Sousa.
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003, 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO NO DISPOSITIVO DA DECISÃO NÃO VERIFICADA. Embargos conhecidos, contradição inexistente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, em por unanimidade de votos, rejeitar os embargos apresentados pela Contribuinte. Participaram do julgamento os Conselheiros Suplentes Lizandro Rodrigues de Sousa e Aílton Neves da Silva. Ausentes justificadamente os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Presidente em Exercício), Ailton Neves da Silva, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Leticia Domingues Costa Braga, Abel Nunes De Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Lizandro Rodrigues De Sousa.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO NO DISPOSITIVO DA DECISÃO NÃO VERIFICADA. Embargos conhecidos, contradição inexistente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, em por unanimidade de votos, rejeitar os embargos apresentados pela Contribuinte. Participaram do julgamento os Conselheiros Suplentes Lizandro Rodrigues de Sousa e Aílton Neves da Silva. Ausentes justificadamente os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Presidente em Exercício), Ailton Neves da Silva, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Leticia Domingues Costa Braga, Abel Nunes De Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Lizandro Rodrigues De Sousa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 01 70 /2 01 4- 00 Fl. 1912DF CARF MF 2 Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Afirma a embargante que a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, ao prolatar o acórdão 1401001.869, incorreu em contradição, conforme trechos de seus embargos a seguir reproduzidos: O r. acórdão embargado anulou o Acórdão DRJ/RJO 1 nº 1267.824, de 20 de agosto de 2014 (fl. 1345/1368), proferido pela 15ª Turma de Julgamento, por cerceamento do direito de defesa, uma vez que o acórdão recorrido teria deixado de avaliar os documentos apresentados em sede de impugnação. No acórdão ora embargado, a ilustre relatora afirmou que: “Isto porque, aduz a Recorrente que a prova da regularidade de sua contabilidade apta a afastar a causa do arbitramento está nos documentos de fls. 704 a 1332, arquivos nominados: 1 – Speed Contábil; 2 – Comparação DIPJ X Balancete; 3 – Balancete 2011; 4 – Demonstração CSLL 2011; 5 – LALUR 2011; 6 – DIPJ 2009 e 2011; 7 – DACON 2011; 8 – DCTF 2009 E 2010; e 9 – RECIBO SVA, que não foram analisados por terem sido considerados preclusos. Em prol da verdade material, o fato da prova não ter sido feita em momento oportuno, não impede o órgão julgador a aprecie e lhe reconheça a validade. (...) Diante dos elementos dos autos, temse claro que a omissão do julgador na apreciação de elementos de prova trazidos pelo sujeito passivo ao processo administrativo, quando da apresentação da impugnação, configura negativa de prestação jurisdicional, acarretando cerceamento de defesa decorrente da falta de análise de argumentos essenciais quanto à matéria controvertida, em flagrante prejuízo concreto à parte. (...) Até porque, os documentos mencionados na peça impugnatória e constantes na mídia digital, quais sejam: 1 – Speed Contábil; 2 – Comparação DIPJ X Balancete; 3 – Balancete 2011; 4 – Demonstração CSLL 2011; 5 – LALUR 2011; 6 – DIPJ 2009 e 2011; 7 – DACON 2011; 8 – DCTF 2009 E 2010; e 9 – RECIBO SVA, são imprescindíveis ao deslinde da controvérsia posta a respeito da legitimidade do procedimento do arbitramento e demonstração da sua causa, ou seja, a imprestabilidade da contabilidade da autuada. (...) Vale também destacar que da análise do conteúdo da Súmula 59 do CARF, a tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal, importa considerar que os julgadores de 1ª Instância teriam que ter analisado as provas trazidas junto à Impugnação até para constatar que se eram provas que deveriam ter sido apresentadas no curso da fiscalização, o Fl. 1913DF CARF MF Processo nº 10865.720170/201400 Acórdão n.º 1401002.290 S1C4T1 Fl. 1.913 3 que, efetivamente não foi feito, ou se seriam provas que indicariam que o arbitramento não era cabível ao caso. (...)” Inicialmente, cumpre salientar que, conforme Termo de Verificação de Infração Fiscal (fl. 63/70), foi arbitrado o lucro da interessada no anocalendário de 2011 tendo em vista não terem sido apresentados à autoridade tributária os livros e demonstrações financeiras exigidos pela legislação fiscal, apesar de ter sido devidamente intimada. Em sua impugnação, à fl. 630, a interessada ratifica terem ocorrido impropriedades na apresentação de arquivos e documentação requisitados pela Fiscalização, afirmando estarem à disposição, naquele momento, os livros e documentos, conforme se reproduz: "4.2. Realmente, ocorreram algumas impropriedades da do Impugnante na apresentação de arquivos e documentação requisitados pela Fiscalização, mas, afirmamos que estas foram todas sanadas. Pois, a DIPJ retificadora foi entregue em 22/01/2014;as DCTF's retificadoras foram entregues em 20/03/2014.Ainda, o Livro Lalur, devidamente escriturado, encontrase arquivado na sede da ora Impugnate. E, o Livro Contábil, Razão Contabil e Livro de Apuração de ICMS (entradas e saídas), os qusi se encontram devidamente escriturados, também se encontram arquivados na sede da ora impugnante e à disposição". No Acórdão DRJ/RJO 1 nº 1267.824, assim se manifestou o relator sobre a ulterior apresentação de livros e documentos fiscais, à fl. 1363: No caso em comento, ocorreram as três situações: a escrituração não se encontrava na boa e devida forma, impossibilitava a apuração do lucro real e não foi apresentado o LALUR. Ressaltese que os livros devem ser apresentados no momento da fiscalização para que esta possa calcular o lucro e verificar se este está corretamente declarado na DIPJ. No curso de uma ação fiscal, é dever da pessoa jurídica demonstrar o acréscimo patrimonial ou mesmo a inexistência desse acréscimo. Omitindose a pessoa jurídica desse dever, o seu lucro é arbitrado. Na impugnação, a interessada alega que é cabível a apresentação de dos livros obrigatórios na fase de impugnação. Argumenta que mesmo que não tivesse finalizado a escrituração dos Livros Diário e Razão (mas estão finalizados), simples matrizes apresentadas já seriam suficientes para inibir o presente Auto de Infração. Também faz menção à Súmula n° 76 do TFR da 3ª Região. Afirma que as diligências requeridas demonstrarão a improcedência do arbitramento. Tal alegação não se sustenta. Para que a autoridade fiscal possa verificar o lucro real apurado pelo contribuinte, é necessário que este apresente seus livros no momento da fiscalização, e não na impugnação, e isto está bem claro no art. 530, III do RIR/99. Não será uma diligência que suprirá a falta de apresentação do Lalur, por se tratar de um fato do passado. Constatase, portanto, que o relator do Acórdão recorrido adotou o entendimento de que a ulterior apresentação de livros e documentos fiscais não elide a apuração do lucro mediante arbitramento, entendimento este que se encontra, inclusive, sumulado por esse CARF: Fl. 1914DF CARF MF 4 Súmula CARF nº 59: A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal.” Registrese, ainda, que, ao examinar caso similar ao dos autos, essa 1ª Turma da 4ª Câmara aplicou a Súmula CARF nº 59 de forma diversa à adotada no Acórdão ora embargado, conforme ementa do Acórdão nº 1401001.790, sessão de 15 de fevereiro de 2017. [...] Pois bem, a seguir passaremos à verificação da observância dos pressupostos para admissibilidade dos declaratórios (§§ 1º e 3º do art. 65). Conforme consulta ao eprocesso, os embargos foram opostos tempestivamente e por parte legítima, qual seja, o titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. Tendo em vista todo o exposto, e nos termos do art. 65, § 1º, V do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os presentes Embargos de Declaração foram acolhidos, em razão de a alegação de contradição apontarse relevante para ser submetida à apreciação da Turma. No momento da admissibilidade, restou ainda esclarecido que, com relação às “Razões em face dos Embargos de Declaração”, apresentadas pelo Interessado, não foram conhecidas, tendo em vista a ausência de previsão legal para sua recepção, sem prejuízo, porém, da possibilidade de sua apresentação, como memoriais, em sustentação oral, por ocasião do julgamento dos presentes Embargos de Declaração, na forma do art. 65, § 8º, do Anexo II do RI/CARF/2015. É o relatório. Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Relatora. Os embargos são tempestivos, para preencher todos os requisitos de admissibilidade, há que se verificar a existência dos vícios apontados. Nos embargos declaratórios, a Embargante entende ter havido vício de contradição no Acórdão embargado na aplicação da Súmula CARF nº 59, a qual dispõe o seguinte: Súmula 59. A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. A alegada contradição decorreria do fato de o Acórdão embargado ter determinado a nulidade do julgamento da DRJ para que novo julgamento analise os documentos juntados pela ora Embargada, enquanto a Súmula CARF nº 59 possui disposição de que a tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração Fl. 1915DF CARF MF Processo nº 10865.720170/201400 Acórdão n.º 1401002.290 S1C4T1 Fl. 1.914 5 do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. Com o devido respeito, não existe a contradição alegada pela Embargante. Isso porque, em nenhum momento o Acórdão recorrido negou vigência ou deixou de considerar a disposição contida na Súmula CARF nº 59. Com efeito, vejase a seguinte passagem do voto vencedor às fls. 1786, a qual foi trazida pela própria Embargante nas fls. 1812: Vale também destacar que da análise do conteúdo da Súmula 59 do CARF, a tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal, importa considerar que os julgadores de 1ª Instância teriam que ter analisado as provas trazidas junto à Impugnação até para constatar que se eram provas que deveriam ter sido apresentadas no curso da fiscalização, o que, efetivamente não foi feito, ou se seriam provas que indicariam que o arbitramento não era cabível ao caso. Como se percebe da passagem destacada acima, o Acórdão embargado mencionou que a apresentação posterior ao lançamento de documentos e livros não invalida a tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado, ou seja, usando palavras um pouco diferentes, manteve exatamente a linha do que prescreve a Súmula CARF nº 59. Nitidamente, a Embargante pretende rediscutir o mérito do Recurso Voluntário por meio de embargos declaratórios, o que, evidentemente, não é cabível. Com a devida vênia, a contradição não existe simplesmente porque o Acórdão embargado não obrigou que a DRJ desconsidere a sistemática do lucro arbitrado em razão da apresentação dos documentos. Em vez disso, no Acórdão embargado, o entendimento foi o de que a análise dos documentos apresentados em primeira instância se faz importante para: (i) constatar se os documentos são provas que deveriam ter sido apresentadas no curso da fiscalização; ou (ii) se são provas que indicariam que o arbitramento não era cabível ao presente caso. Dessa forma, o que se verifica é que, nos termos do Acórdão embargado, o novo julgamento da DRJ deve fazer detida análise dos documentos juntados pelo contribuinte para dar amparo aos argumentos da impugnação e para avaliar pela aplicação ou não da Súmula CARF nº 59 e, na hipótese de aplicação da mencionada súmula, o afastamento dos documentos deve ser devidamente justificado pela Turma Julgadora da DRJ. Até porque, na impugnação há contestação quando a legitimidade do próprio procedimento de apuração por arbitramento, bem como questiona o lnaçamento no sentido de que ainda que houvesse o arbitramento seria possível o acréscimo da reserva de capital, o que não foi apreciado na decisão de piso, justamente por entender intempestivos os documentos trazidos pela parte sucessivamente à impugnação, sendo neste aspecto reformada a decisão de piso, dada a constatação de sua nulidade. O julgamento embargado, parte do pressuposto que os documentos juntados pela parte precisariam ser analisados, até porque a contribuinte defende que não era caso de arbitramento. Fl. 1916DF CARF MF 6 Contrário ao conteúdo do decidido, a Embargante quer a reapreciação do mérito para aplicação direta da sumula, sem a análise dos documentos anexados à impugnação, cuja intempestividade foi afastada, todavia, restou contatado pela turma julgadora que se não houver a análise dos documentos haverá preterição do direito de defesa, razão pela qual o Acórdão "a quo", foi anulado, afim que outro fosse proferido em seu lugar. Não há, portanto, que se falar em contradição no Acórdão embargado. Ante o exposto, conheço dos Embargos de Declaração opostos e negolhes provimento. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Fl. 1917DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13770.720188/2013-60
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2013
SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITO COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. MANUTENÇÃO DO INDEFERIMENTO.
Face à existência de débitos não suspensos perante a Fazenda Nacional na data limite para a opção e demonstrado que a recorrente não solucionou ou mesmo adotou qualquer providência, tempestivamente, de forma a regularizar pendência que a impediu de ingressar no Simples Nacional, é correto indeferimento do pedido de inclusão do contribuinte nesse regime.
Numero da decisão: 1001-000.547
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues (relator), vencido também o conselheiro José Roberto Adelino da Silva, que votou pela diligência. Acordam, ainda, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues (relator), que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Edgar Bragança Bazhuni.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues De Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eduardo Morgado Rodrigues - Relator.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: 06094153952 - CPF não encontrado.
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INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITO COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. MANUTENÇÃO DO INDEFERIMENTO. Face à existência de débitos não suspensos perante a Fazenda Nacional na data limite para a opção e demonstrado que a recorrente não solucionou ou mesmo adotou qualquer providência, tempestivamente, de forma a regularizar pendência que a impediu de ingressar no Simples Nacional, é correto indeferimento do pedido de inclusão do contribuinte nesse regime. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues (relator), vencido também o conselheiro José Roberto Adelino da Silva, que votou pela diligência. Acordam, ainda, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues (relator), que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Edgar Bragança Bazhuni. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues De Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 0. 72 01 88 /2 01 3- 60 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13770.720188/201360 Acórdão n.º 1001000.547 S1C0T1 Fl. 72 2 Edgar Bragança Bazhuni Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 56 a 60) interposto contra o Acórdão nº 1255.304, proferido pela 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Rio de Janeiro/RJ (fls. 48 a 51), que, por unanimidade, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2013 DÉBITOS COM A SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. NÃO REGULARIZAÇÃO DOS DÉBITOS. MANUTENÇÃO DO TERMO DE INDEFERIMENTO DA OPÇÃO. A não regularização das pendências impeditivas à inclusão no Simples Nacional, no prazo regulamentar, impossibilita o ingresso da pessoa jurídica no regime especial de tributação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Tratase de manifestação de inconformidade (fls. 2/5) oposta em 18/02/2013, pela interessada acima qualificada contra o ato de indeferimento de opção pelo regime de tributação especial, denominado Simples Nacional (fl. 10), registrado em 15/02/2013, de que trata o artigo 12 da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, para o anocalendário 2013, pelo fato de constar nos arquivos eletrônicos da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, os débitos abaixo citados, cuja exigibilidade não estaria suspensa: Competência 10/2012 – R$ 160,57 Da manifestação de inconformidade 2. Irresignada, apresentou, em 18/02/2013, manifestação de inconformidade de fls. 2/5, através da qual alega que: 2.1. o valor do débito apontado no Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional está errado; foram quitados em 25/01/2012; Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13770.720188/201360 Acórdão n.º 1001000.547 S1C0T1 Fl. 73 3 2.2. o valor correto é de R$ 255,78, e que este foi quitado em 19/11/2012; 2.3. apresenta comprovante (GPS) dos pagamentos efetuados; 2.4. requer que seja deferido seu pedido de inclusão ao regime diferenciado do SIMPLES NACIONAL." Inconformada com a decisão de primeiro grau, que julgou improcedente a sua manifestação de inconformidade, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário alegando que não havia qualquer pendência fiscal que obstasse a sua opção, apresentando Certidões Negativas de Débitos e comprovantes de pagamentos de GPS. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues, Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Da análise dos autos extraise que o ponto focal da lide é a competência 10/2012 das Contribuições Previdenciárias, e que o suposto não pagamento integral destes valores foi a razão para o indeferimento da opção pelo Simples realizada pela Recorrente. A decisão de piso alega que a competência citada não estaria devidamente quitada na data de 31/01/2013, e que tal pendência só foi sanada em data de 15/02/2013, com a apresentação de nova GFIP (fls. 1540). Como fundamento de sua decisão a DRJ de origem apontou e trouxe aos autos a tela do sistema de arrecadação de fl. 47. Por sua vez, em seu Recurso Voluntário, a Recorrente discordou das conclusões adotadas pela decisão de piso, alegando que a competência de 10/2012 fora plenamente quitada no prazo devido e, a título de prova, colacionou Certidões Negativas de Débitos das três esferas do poder público (fls. 6366) e a GPS paga da referida competência (fl. 67). Da análise de toda a documentação acostada aos autos, tanto pela fiscalização, quanto pela Recorrente, faço as seguintes considerações. Primeiramente, analisando a tela do sistema DATAPREV (fl. 47) citada pela decisão de piso como lastro para as suas conclusões, vislumbro que não há menção a qualquer divergência de valores ou débito em aberto referente à competência de 10/2012. Ademais, ainda nesta tela do sistema, consta apenas 04 pagamentos referentes à competência 10/2012, todos eles ocorridos entre o dia 19/11/2012 e 20/11/2012, dentro do prazo, portanto. De outra sorte, temse que a Recorrente expediu regularmente a sua Certidão Negativa de Débitos relativos às Contribuições Previdenciárias em data de 14/12/2012 (fl. 66). Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13770.720188/201360 Acórdão n.º 1001000.547 S1C0T1 Fl. 74 4 Destarte, em primeira análise, todos os elementos acima perfazem evidencia de que os débitos previdenciários relativos à competência de 10/2012 estariam quitados no prazo apropriado. Caso as informações fornecidas pelo contribuinte sejam verdadeiras, e os pagamentos apontados na tela do sistema DATAPREV (fl. 47) sejam suficientes para garantir a totalidade dos débitos do aludido período, há que se dar razão ao pleito da Contribuinte no presente feito. Quer isto dizer que se faz imprescindível para o bom deslinde do presente caso apurarse os fatos narrados. Por fim, é de bom alvitre frisar que uma vez que o Termo de Indeferimento de Opção apontou tão somente a competência de 10/2012 como impeditiva, este julgamento fica vinculada a definir se esta competência se encontrava quitada ou não no prazo devido. Quer isto dizer que, ainda que eventualmente se descubra a existência de débitos referentes a outros períodos, tal constatação é estranha ao presente processo. Desta forma, pelo exposto, VOTO por CONVERTER o presente julgamento em diligência para que a autoridade fiscal competente proceda à análise de todos os pagamentos apontados pela informação do sistema na fl. 47, em relação a competência de 10/2012; igualmente, analise as GFIPs apresentadas às fls. 1540; verifique a regularidade de expedição da CND de fl. 66; e, finalmente, elabore relatório circunstanciado esclarecendo se: (i) os débitos previdenciários relativos apenas à competência de 10/2012 estariam quitados até a data de 31/01/2013; e (ii), em caso negativo, explicar pormenorizadamente a origem das divergências e em qual contexto foi possível a expedição da CND de fl. 66. Após, a Recorrente deve ser cientificada, com reabertura de prazo de 30 dias para complementar as suas razões do recurso. É como voto. Uma vez vencido na proposta de diligência, elaborada com fim primário de resguardar os interesses do fisco, entendo que as demonstrações prestadas pela Contribuinte são suficientes para demonstrar seu direito, portanto, VOTO por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Voto Vencedor Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Redator Designado. Conforme bem relatado pelo muito digno Relator, gira a lide sobre o indeferimento do pedido de inclusão no Simples Nacional, em virtude de débito previdenciário referente à competência 10/2012, que não foi quitado integralmente e que, portanto, não se encontrava suspenso na data limite para a opção para o Simples Nacional. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13770.720188/201360 Acórdão n.º 1001000.547 S1C0T1 Fl. 75 5 A base legal do indeferimento foi o art. 17, inciso V, da Lei Complementar 123/2006, verbis: Das Vedações ao Ingresso no Simples Nacional Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (grifo não consta do original) Nesse particular, mediante o art 6º, §§1º e 2º, da Resolução CGSN nº 94/2011, o Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN), assim dispôs sobre a forma de ingresso no regime especial: DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (grifos não pertencem ao original) Conforme bem relatado pelo digno Relator do voto vencido, “a decisão de piso alega que a competência citada não estaria devidamente quitada na data de 31/01/2013, e que tal pendência só foi sanada em data de 15/02/2013, com a apresentação de nova GFIP (fls. 1540).” (grifei) Transcrevo, a seguir, excerto do voto condutor do acórdão recorrido que bem sintetiza a situação: 9. Verificouse em consulta ao sistema GfipWeb que o Contribuinte emitiu 3 (três) GFIPs para a competência 10/2012, nas seguintes datas: 19/11/2012 (exportadasubstituída); 06/12/2012 (exportadasubstituída) e 15/02/2013 (exportada). 10. A diferença apontada no Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional referese à diferença entre o valor informado no campo “Valor devido à Previdência” pela GFIP do dia 06/12/2012 e o da GFIP do dia 15/02/2013. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13770.720188/201360 Acórdão n.º 1001000.547 S1C0T1 Fl. 76 6 11. As GPS relativas à competência apontada, outubro de 2012, foram recolhidas dentro do prazo legal, ou seja, até 20/11/2012. 12. Através de consulta efetuada ao sistema da Dataprev/Plenus/CVALDIV, anexada à fl. 47, verificase que, conquanto o Contribuinte tenha recolhido o valor reputado por ele como correto em tempo hábil (valor que não é objeto de análise neste processo), temos que em 31/01/2013 existia uma pendência não sanada quanto às contribuições previdenciárias, PENDÊNCIA ESTA QUE SÓ SERIA RESOLVIDA COM A ENTREGA DE NOVA GFIP EM 15/02/2013. Quanto às CND Estadual e Municipal apresentadas pela recorrente em seu recurso voluntário, esta não tem qualquer efeito quanto ao débito previdenciário em questão. Já a CND relativa aos tributos federais, a mesma foi extraída em 15/02/2013. Pelo exposto, face à existência de débitos não suspensos perante a Fazenda Nacional na data limite para a opção e demonstrado que a recorrente não solucionou ou mesmo adotou qualquer providência, tempestivamente, de forma a regularizar pendência que a impediu de ingressar no Simples Nacional, conforme previsto na legislação acima transcrita, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.722234/2014-81
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA DE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE - ISENÇÃO
Os rendimentos oriundos de proventos de aposentadoria ou reforma estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda quando recebidos por portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids) e fibrose cística (mucoviscidose). A comprovação da moléstia grave deverá ser realizada mediante laudo pericial contendo requisitos mínimos necessários, tais como a especificação da data em que a doença foi contraída, o prazo de validade do laudo, e emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
Numero da decisão: 2001-000.369
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA DE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE - ISENÇÃO Os rendimentos oriundos de proventos de aposentadoria ou reforma estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda quando recebidos por portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids) e fibrose cística (mucoviscidose). A comprovação da moléstia grave deverá ser realizada mediante laudo pericial contendo requisitos mínimos necessários, tais como a especificação da data em que a doença foi contraída, o prazo de validade do laudo, e emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
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A comprovação da moléstia grave deverá ser realizada mediante laudo pericial contendo requisitos mínimos necessários, tais como a especificação da data em que a doença foi contraída, o prazo de validade do laudo, e emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 22 34 /2 01 4- 81 Fl. 456DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2009, anocalendário de 2008, por meio do qual constatouse omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 209.063,29. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação alegando, em síntese: existe o processo judicial no. 2004.33.00.0160210, interposto em 12/07/2004, que trata de uma ação ordinária em face da União com pedido de isenção do imposto de renda da pessoa física sobre proventos de quaisquer natureza, após ter sido acometido por Doença Grave – câncer de próstata CID C61. Solicitou que referida isenção fosse estendida a trabalhadores da ativa; faz uma descrição do conteúdo e da tramitação da ação ordinária citada. Tal ação transitou em julgado em 23/05/2010 sem êxito para o contribuinte. Apresenta decisão prolatada em processo de outro contribuinte, datada de 18/11/2011, da Oitava Turma do Tribunal Regional Federal da 1a. Região em que foi reconhecido o direito da isenção do imposto de renda pessoa física a portadores de doenças graves a trabalhadores da ativa; devido à isenção pleiteada do imposto de renda por ser portador de doença grave apresenta os valores a restituir dos anos calendário de 2004 a 2013; tanto a decadência como a prescrição acima dos 5 anos legais devem ser decretadas interrompidas pelo motivo do fato superveniente do novo entendimento do TRF1 no processo no. 2009.33.00.0095451/BA que foi beneficiário o sr. Edson Sebastião de Almeida, entre outros que lhe sucederam, para que não se caracterize enriquecimento sem causa por parte da Fazenda Pública; ao tomar conhecimento de que o novo entendimento do TRF1 havia contemplado a tese de que os portadores de doenças graves, que, mesmo na ativa, têm direito à isenção do imposto de renda pessoa física, tomaramse as providências para que o benefício fosse estendido ao processo que havia transitado em julgado em 23/05/2010; nesse momento surgiu um obstáculo pois não podia mais interpor uma ação rescisória sendo que já havia passado 3 anos. Nessa situação, tomou conhecimento dos pareceres da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN/CRJ/no. 492/2010 e PGFN/CDA/CRJ/no. 396/2011 com a proposta de reconhecer administrativamente pela PGFN todos os processos que versem sobre temas já definidos pelos Tribunais Superiores STF e STJ, bem como adotada pela respectiva turma, negando seguimento ao recurso; a Administração Pública pode rever seus próprios atos a qualquer tempo e não o fazendo, mesmo em face da mudança de posição pelo TRF1, não restou outra alternativa ao administrado senão lembrála desta prerrogativa; Fl. 457DF CARF MF Processo nº 10530.722234/201481 Acórdão n.º 2001000.369 S2C0T1 Fl. 3 3 Através do termo circunstanciado, do despacho decisório e da decisão da DRJ São Paulo, verificase que o fisco entende que o contribuinte não logrou êxito em comprovar a sua condição de moléstia grave no período analisado. Em sede de Recurso Voluntário, repisa o contribuinte as mesmas razões e ratifica a juntada dos documentos comprobatórios. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. O art. 2º da Instrução Normativa SRF nº 15/2001 define o que éconsiderado rendimento tributável. Senão vejamos: Art. 2º Constituem rendimentos tributáveis todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões e, ainda, os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. Na DIRPF/2009, o contribuinte informou os rendimentos consideradosisentos no campo “Rendimentos Isentos e NãoTributáveis”: Pensão, Aposentadoria ou Reforma por Moléstia Grave 209.063,29 A isenção dos proventos de aposentadoria e reforma percebidos por portadores de moléstias graves encontra amparo no art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 22/12/1.988, com nova redação dada pelo art. 1o. da Lei no. 11.052, de 29/12/2004. Dispondo sobre essa concessão, o artigo 30 da Lei nº 9.250 de 26/12/1995 veio a exigir, a partir de 1º de janeiro de 1.996, para reconhecimento de novas isenções, que a doença fosse comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Pelos dispositivos acima transcritos, para que o contribuinte tenha direito à isenção pleiteada são necessárias duas condições concomitantes: uma a de que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão, e outra a de que seja portador de uma das doenças previstas no texto legal. De acordo com o exposto anteriormente, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Esclareçase, ainda, que a Solução de Consulta Interna no. 11 – Cosit, de 28/06/2012, dispõe que a comprovação da moléstia grave deverá ser realizada Fl. 458DF CARF MF 4 mediante laudo pericial, assim entendido como documento emitido por médico legalmente habilitado ao exercício da profissão de medicina, integrante de serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. O(s) médico(s) responsável(is) pela emissão do laudo não necessita(m) de especialização na área considerada para perícia, devendo possuir conhecimentos na identificação da moléstia grave prevista no inciso XIV do art. 6o. da Lei no. 7.713, de 1988, ou seja, que o profissional tenha condições de esclarecer a existência ou não da moléstia grave; . o médico legalmente habilitado ao exercício da profissão de medicina, integrante de serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, pode exercer as atividades periciais, independentemente se investido ou não na função de perito, observadas a legislação e as normas internas específicas de cada ente. Ainda, no que tange à eficácia do laudo pericial, em seu item 10, estabeleceu que o documento deve conter, no mínimo, as seguintes informações: I – o órgão emissor; II – a qualificação do portador da moléstia; III – o diagnóstico da moléstia, compreendendo: a) a descrição; b) o código correspondendo à Classificação Estatística Internacional de Doenças e de Problemas Relacionados à Saúde – Décima Revisão (CID –10); c) os elementos que o fundamentaram; d) a data em que a pessoa física é considerada portadora de moléstia grave, nos casos constatação da existência da doença em período anterior à emissão do laudo; IV – caso a moléstia seja passível de controle, o prazo de validade do laudo pericial ao fim do qual o portador de moléstia grave provavelmente esteja assintomático; e V – o nome completo, a assinatura, o no. de inscrição no Conselho Regional de Medicina (CRM), o no. de registro no órgão público e a qualificação do (s) profissional (is) do serviço médico oficial responsável (is) pela emissão do laudo pericial. O impugnante anexou os seguintes documentos: cópia de um atestado médico emitido em 16/10/2003 pelo urologista Nilo Leão Barretto, fl. 77, que atesta para os fins da Instrução Normativa SRF no. 15, de 06/02/2001, e art. 39 XXXIII do Decreto no. Fl. 459DF CARF MF Processo nº 10530.722234/201481 Acórdão n.º 2001000.369 S2C0T1 Fl. 4 5 3000/1999 que o paciente Carlos Roberto de Carvalho era portador de câncer de próstata, CID C61 e que o estágio clínico da doença era estável, porém o paciente encontravase em acompanhamento médico para controle; cópia de um atestado médico emitido em 20/05/2013 pelo urologista Nilo Leão Barretto, fl. 28, que atesta para os fins da Instrução Normativa SRF no. 15, de 06/02/2001, e art. 39 XXXIII do Decreto no. 3000/1999 que o paciente Carlos Roberto de Carvalho foi submetido no dia 23/04/2003 a uma cirurgia de próstata. Encontrava se naquele momento em acompanhamento para controle da doença. Da análise dos documentos carreados aos autos verificase que o contribuinte, no anocalendário 2008, não recebia proventos de aposentadoria, mas sim rendimentos do trabalho assalariado. Os atestados emitidos pelo urologista em 16/10/2003 e 20/05/2013 não podem ser acatados, considerando que não se trata de laudo médico pericial emitido por médico legalmente habilitado ao exercício da profissão de medicina, integrante de serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Cumpre lembrar que a isenção é modalidade de exclusão do crédito tributário e é sempre instituída por lei, sendo que a legislação que versa sobre o assunto deve ser interpretada literalmente, conforme previsão expressa dos artigos 175, inciso I e 111 do Código Tributário Nacional – CTN. Considerando que os atestados médicos não consistem em laudo médico pericial que contemplem as exigências acima expostas na Solução de Consulta Interna no. 11 – Cosit, de 28/06/2012 e que os rendimentos recebidos no anocalendário 2008 não são proventos de aposentadoria, concluise que não foram atendidos os requisitos legais para que os rendimentos auferidos da Secretaria de Fazenda da Bahia pudessem ser considerados isentos do Imposto de Renda, devendo, portanto, ser mantido o lançamento nos exatos termos em que efetuado pela Fiscalização. No que se refere às decisões, como bem colocado pela DRJ, tanto na peça impugnatória, quanto na contestação à revisão de oficio procedida, o contribuinte solicita que seu caso seja tratado considerando o acórdão no 2009.33.00.0095451/BA dos apelantes e apelados Edson Sebastião de Almeida e Fazenda Nacional junto ao Tribunal Regional Federal da 1a. Região, datado de 18/11/2011, que reconheceu a isenção de Imposto de Renda para rendimentos recebidos na atividade. Salientese que as decisões administrativas, mesmo que proferidas pelos órgãos colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia normativa, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Destarte, somente aplicamse sobre a questão em análise e vinculam as partes envolvidas naqueles litígios, nos termos do inciso II do art. 100 do Código de Tributário Nacional. Da mesma maneira, as decisões judiciais não fazem coisa julgada sobre os demais, à exceção das decisões do Supremo Tribunal Federal sobre inconstitucionalidade da legislação e das que foram objeto de Súmula Vinculante, nos termos da Lei no. 11.417/2006. A eficácia dos acórdãos dos tribunais limitase especificamente ao caso julgado e às partes inseridas no processo de que resultou a sentença, não aproveitando tais Fl. 460DF CARF MF 6 acórdãos em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela objeto da sentença, ainda que de idêntica natureza. E, por último, o contribuinte solicita, na peça impugnatória, que seja aguardado o resultado do processo no. 10530.727.567/201315 em julgamento na Receita que trata da isenção do IRPF pretendido. Em consulta ao SIEFWeb verificase que o processo referido já foi objeto de revisão de lançamento em 02/12/2013. Pelo exposto, e sob a luz do princípio da verdade material e da informalidade, somado ao festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda entendo que resta clara que a decisão da DRJ deve ser mantida. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim, mantenho a decisão a quo e entendo que deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 461DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16542.000456/2007-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2005
EMBARGOS. CONTRADIÇÃO.
Verificada contradição entre a passagem da fundamentação do acórdão e a conclusão do julgamento, cabe a correspondente retificação via embargos, sem modificação quanto ao resultado do julgamento.
Numero da decisão: 2402-006.138
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para que sejam efetuadas no Acórdão nº 2402-005.881 as alterações insertas voto do relator.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho, Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2005 EMBARGOS. CONTRADIÇÃO. Verificada contradição entre a passagem da fundamentação do acórdão e a conclusão do julgamento, cabe a correspondente retificação via embargos, sem modificação quanto ao resultado do julgamento.
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Embargante PAR8 PARTICIPACOES LTDA EPP Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2005 EMBARGOS. CONTRADIÇÃO. Verificada contradição entre a passagem da fundamentação do acórdão e a conclusão do julgamento, cabe a correspondente retificação via embargos, sem modificação quanto ao resultado do julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 54 2. 00 04 56 /2 00 7- 67 Fl. 2549DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para que sejam efetuadas no Acórdão nº 2402005.881 as alterações insertas voto do relator. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho, Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Fl. 2550DF CARF MF Processo nº 16542.000456/200767 Acórdão n.º 2402006.138 S2C4T2 Fl. 2.550 3 Relatório A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção exarou o Acórdão nº 2402 005.881 em 8/6/2017 (fls. 2516/2530), negando provimento ao recurso voluntário, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2005 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. ARBITRAMENTO FISCAL. Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtida mediante cálculo de mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo à empresa notificada o ônus da prova em contrário. O contribuinte interpôs embargos de declaração (fls. 2538/2540) alegando a existência de contradição e omissão na decisão, porém conforme Despacho de Admissibilidade (fls. 2544/2548) restou configurada somente a contradição, a qual ensejou a inclusão do processo em pauta para julgamento e apreciação da questão. É o relatório. Fl. 2551DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator Dado que o contribuinte foi cientificado do acórdão de recurso voluntário em 13/7/2017, constatase a tempestividade dos embargos, nos termos do RICARF, Anexo II, art. 65, § 1º, haja vista terem sido apresentados em 18/7/2017. Na peça de embargos, são apresentadas as razões que apontam para a existência de contradição: a. Da Contradição: A contradição a que chama atenção a Embargante, diz respeito ao fato de que nas razões expostas no Voto, a i. Relatora entendeu à fl. 13 encaminhou seu voto no seguinte sentido: “Desta forma, voto para que seja o processo baixado em diligencia para que seja esclarecido pela fiscalização se houve a devida subtração de tais valores.” Em que pese o entendimento supra, a conclusão contida no v. Acórdão foi pelo desprovimento do recuso voluntário por unanimidade, sem o julgamento da diligência deferida pelo voto, ou seja, se mostrando contraditório ao encaminhamento do voto pela i. Relatora. Assim, merece ser sanada a contradição apontada, a fim de que seja reformado o v. Acórdão, de modo que seja apreciada a diligência cujo encaminhamento de voto propõe e que não foi apreciado pela C. Turma Julgadora. De sua parte, consta a análise da situação no Despacho de Admissibilidade (fl. 2546): Segundo a defesa, em que pese o voto condutor do acórdão embargado ter decidido pela conversão do julgamento em diligência, restou consignada em sua conclusão, porém, apenas a negativa de provimento ao recurso. Pois bem, para análise da questão, transcrevemos o seguinte trecho do item V do voto condutor (fl. 2.528): Defende, ademais, que o mais grave, porém, é a manifesta bitributação que a Recorrente está a sofrer. Alega que não está claro nos "cálculos" realizados pelo AFPS se, ao arbitrar a mão de obra própria (base de cálculo da contribuição previdenciária em discussão), foram devidamente abatidos os valores informados nas notas fiscais de mão de obra terceirizada, os quais, ou já haviam sido recolhidos tempestivamente pela Recorrente, ou foram pagos com os devidos acréscimos legais após a autuação da PAR promovida através da NFLD 31.000.8391. Fl. 2552DF CARF MF Processo nº 16542.000456/200767 Acórdão n.º 2402006.138 S2C4T2 Fl. 2.551 5 Entendo que, apesar deste argumento só ter sido trazido em sede recursal, deveria ser conhecido por este colegiado pois se relaciona a conformação da base de cálculo do lançamento, sendo, portanto, de ordem pública. Ao analisar a NFLD (fl. 4), não se verifica, deveras, a exclusão de quaisquer valores pagos terceiros. Desta forma, voto para que seja o processo baixado em diligencia para que seja esclarecido pela fiscalização se houve a devida subtração de tais valores. Como se vê, ao apreciar alegação ventilada apenas no Recurso Voluntário, a Relatora do voto condutor decidiu baixar o processo em diligência para que a fiscalização esclarecesse se houve ou não a subtração de valores pagos a terceiros, porém, ao concluir seu voto, nada disse quanto à diligência, nos seguintes termos: CONCLUSÃO Tendo em vista todo o acima, voto por CONHECER o Recurso Voluntário e NEGAR PROVIMENTO. Portanto, diante desse quadro, restou patente a contradição apontada, a qual deverá ser apreciada e sanada pela Turma. Pois bem, tal como colocada a questão pelo embargante, e constante do voto condutor, aparentemente houve contradição, pois o entendimento da relatora pela diligência não foi circunstanciado na conclusão, tampouco no acórdão da decisão. Na verdade, tal fato se deve à ter o Colegiado, à ocasião, rejeitado tal proposta, face, como admitido na exposição da relatora, ao contribuinte ter trazido o argumento de que a obra foi executada via utilização de mão de obra terceirizada, tão somente na segunda instância recursal administrativa. Nessa esteira, afastouse a possibilidade de realização de diligência com vistas a sanar supostas incorreções aventadas apenas em sede de recurso voluntário, e prosseguiuse com o julgamento. Vencida a relatora no particular, acompanhou a Turma quanto as demais deliberações, concluindose o julgamento pelo não provimento do recurso. Porém e daí advém a contradição arguída a relatora deixou de consignar tal evento, acontecido no curso da sessão de julgamento, na fundamentação, bem como na conclusão do voto. Daí a incoerência parte do voto alude à realização de diligência, mas não há menção sobre a rejeição de tal proposta. Deveria então ter a relatora circunstanciado devidamente no seu voto, ainda que brevemente, a situação, para deixar claro não ter prosperado seu encaminhamento inicial. Na finalização/revisão do Acórdão, contudo, aparentemente não se lembrou de assim o mencionar. Fl. 2553DF CARF MF 6 Sendo assim, voto no sentido de conhecer e acolher os embargos para fins de que se proceda as seguintes modificações no Acórdão nº 2402005.881, rerratificandose o julgado quanto aos demais aspectos: Após o parágrafo (fl. 2528), Desta forma, voto para que seja o processo baixado em diligencia para que seja esclarecido pela fiscalização se houve a devida subtração de tais valores. Deverá constar o seguinte parágrafo: Não obstante, tendo em vista ter sido a relatora vencida quanto a esse encaminhamento, por força do entendimento do Colegiado de que se estaria diante de inovação nas razões recursais, a não amparar a realização de diligência, prosseguiuse no exame das demais alegações do contribuinte. E a conclusão do acórdão deverá apresentar a seguinte redação: Tendo em vista todo o acima, voto por conhecer o recurso voluntário e, havendo sido vencida quanto à proposta de realização de diligência, negar provimento ao recurso. É o voto. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 2554DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.721291/2008-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2003, 2004
FATO GERADOR MENSAL. REGRA PRÓPRIA.
O regime tributário do simples compõe regra própria de apuração dos tributos ali abrangidos. De acordo com o disposto na Lei nº 9.317/1996, os tributos são apurados mensalmente, diferenciando-se das regras estabelecidas para o regime do lucro real (trimestral e anual), lucro presumido e lucro arbitrado, bem como dos regimes não cumulativos e cumulativos do Pis e da Cofins. Se a fiscalização autuou a empresa tomando como fato gerador o mês de dezembro do referido ano, necessário o reconhecimento da improcedência do lançamento fiscal.
ADE DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. ADE DE EXCLUSÃO CANCELADO.
Se o lançamento fiscal foi exonerado, o Ato Declaratório Executivo de exclusão do Simples, por decorrer do lançamento que ora se exonera, deve ser cancelado.
Numero da decisão: 1401-002.515
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para cancelar a exigência e o respectivo Ato Declaratório Executivo de exclusão do SIMPLES.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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REGRA PRÓPRIA. O regime tributário do simples compõe regra própria de apuração dos tributos ali abrangidos. De acordo com o disposto na Lei nº 9.317/1996, os tributos são apurados mensalmente, diferenciandose das regras estabelecidas para o regime do lucro real (trimestral e anual), lucro presumido e lucro arbitrado, bem como dos regimes não cumulativos e cumulativos do Pis e da Cofins. Se a fiscalização autuou a empresa tomando como fato gerador o mês de dezembro do referido ano, necessário o reconhecimento da improcedência do lançamento fiscal. ADE DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. ADE DE EXCLUSÃO CANCELADO. Se o lançamento fiscal foi exonerado, o Ato Declaratório Executivo de exclusão do Simples, por decorrer do lançamento que ora se exonera, deve ser cancelado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para cancelar a exigência e o respectivo Ato Declaratório Executivo de exclusão do SIMPLES. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 12 91 /2 00 8- 63 Fl. 494DF CARF MF 2 Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recursos de Ofício e Voluntário interpostos em face de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (DRJ/BEL), que, por meio do Acórdão 0115.561, de 09 de novembro de 2009, julgou improcedente a impugnação apresentada pela empresa. Reproduzo, por oportuno, o teor do relatório constante no acórdão da DRJ. (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) Trata o processo de lançamentos (fls. 03/59), decorrentes do SIMPLES (AC 2003 e 2004) de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, PIS, CSLL, Cofins e Contribuição para a Seguridade Social, no montante de R$ 298.246,29, já acrescidos de multa de ofício e juros de mora calculados até 28/11/2008, e de Ato Declaratório Executivo, de 14 de janeiro de 2009, fl. 05 do processo (apenso) 10283.721292/200816, que excluiu o contribuinte do Simples, a partir de 1º/01/2005. 2. Segundo Descrição dos Fatos (fls. 14/23) a autuação fundamentouse em: a) Omissão de Receitas não Escrituradas. “(...) O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil compareceu no dia 17 de abril de 2008, no endereço cadastral do sujeito passivo, onde este foi cientificado do Termo de Início de Fiscalização, decorrente do Mandado de Procedimento Fiscal n° 02201002008003928, cujo código de acesso foi informado ao fiscalizado, e do qual foi solicitada documentação contábil e fiscal para subsidiar a auditoria tributária. Com os elementos disponibilizados pelo contribuinte e outras informações extraídas do Sistema de Dados RFB, a fiscalização efetuou o cotejamento entre o valor de estoque final (31/12/2003) constante do razão da conta nº 01202 Mercadoria para Revenda (Estoque) no valor de R$ 390.857,96 com o valor do estoque final declarado na Declaração Anual Simplificada — SIMPLES AC/2003, Ficha 07 — Informações Gerais, Linha 02. Estoque Final, no montante de R$ 653.158,02, constatando a diferença de Fl. 495DF CARF MF Processo nº 10283.721291/200863 Acórdão n.º 1401002.515 S1C4T1 Fl. 495 3 R$ 262.300,06 conforme planilha relacionada no tópico “Das Planilhas Elaboradas pela Fiscalização”. Igualmente foi realizada a comparação entre o valor do total das compras no anocalendário 2004, extraído do Livro Registro de Compras que alcançou a cifra de R$ 989.510,38 com o valor do total das compras declaradas na Declaração Anual Simplificada — SIMPLES AC/2004, Ficha 07 — Informações Gerais, Linha 06. Total das Compras no Anocalendário, no montante de R$ 210.189,00, constatando a diferença de R$ 779.321,38 conforme planilha relacionada no tópico “Das Planilhas Elaboradas pela Fiscalização”. Em uma das frentes de operação desencadeada pela Polícia Federal intitulada OPERAÇÃO RIO NILO que objetivou a repressão a crimes cometidos contra o chamado sistema de internamento de mercadorias na Zona Franca de Manaus, o proprietário de fato da empresa Maria Alcilene Comes da Silva — ME e SEVERINO G. DE OLIVEIRA ESTIVAS EM GERAL — ME (segundo informação da Polícia Federal — ver Ofício n° 002/2007, de 08/03/2007), o senhor SIDONEI GONÇALVES DE OLIVEIRA realiza compras em nome de suas empresas (entre elas — Maria Alcilene Gomes da Silva — ME e SEVERINO G. DE OLIVEIRA —ME) para outros empresários do setor de carnes e estivas de Manaus, assumindo a carga tributária devida e eximindo os empresários beneficiados do pagamento dos tributos federais, mediante o recebimento de um percentual daquilo que seria devido, ocorrendo que a “contabilidade” de SIDONEI escritura apenas uma pequena parte de sua movimentação, a fim, de inclusive, de não permitir que as suas empresas saiam do limite do SIMPLES. (...) Por meio do Oficio Secri n° 542/2008 foram encaminhadas ao Serviço de Fiscalização extratos do Processo n° 2008.32.00.0019096 Justiça Federal Seção Judiciária do Amazonas 4 Vara Federal , Processo n° 2005.32.00.0047481 e Inquérito Policial n° 30l/2005SR/DPF/AM (cópias anexas), que são partes integrantes e indissociáveis deste Auto de Infração. Ressaltamse os fatos acima transcritos, que foram confessados na Polícia Federal, pelos senhores SIDONEI GONÇALVES DE OLIVEIRA (proprietário de fato da empresa Maria Alcilene Gomes da Silva ME e Severino G. de Oliveira Estivas em Geral ME) e o senhor PAULO AFONSO JACOB DE SOUSA (sócio da Casa de Carne Souza Ltda um dos principais beneficiados pelo esquema fraudulento) Sobressaise que o contribuinte apresentou à RFB, Declaração Anual Simplificada Pessoa Jurídica AnoCalendário 2003 e 2004, apesar de ter auferido receitas naquele período, em montantes significativamente superiores aos valores informados nas declarações prestadas à RFB...” b) Insuficiência de Recolhimentos. c) DA MULTA A multa aplicada é de 150%, conforme estabelece o § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96, em relação às infrações descritas nos itens Omissão de Receitas não Escrituradas e Insuficiência de Recolhimentos, pois o contribuinte procurou evitar Fl. 496DF CARF MF 4 que a Administração Tributária tomasse conhecimento do fato gerador, incorrendo assim no cometimento de infração capitulada como sonegação, conforme prescreve o art. 71 da Lei 4.502/1964. 2.1. Consta dos autos o Termo de Sujeição Passiva em nome de Paulo Afonso Jacob de Souza, CPF 560.747.60225, ciência em 23/12/2008 (fl. 60). 3. Os sujeitos passivos apresentaram impugnações que assim se resume (sic): 3.1. Casa da Carne Souza Ltda, CNPJ 03.449.490/000104, e Paulo Afonso Jacob de Souza, CPF 560.747.60225 fls. 299/302, de 15/01/2009: a) Em relação ao ano calendário 2003 o AFRFB, a seu livre arbítrio, julgou que o valor correto do estoque seria o registrado na Declaração de Imposto de Renda, e não o registrado nos livros contábeis da empresa; b) O que aconteceu, de fato, foi um engano no preenchimento da Declaração do Imposto de Renda, já que o valor do Estoque Final de 31 de dezembro de 2003 é, na verdade, R$ 390.857,96, conforme está devidamente registrado no Livro de Inventário, livro este que não foi solicitado pelo AFRFB, mas cujas cópias estão à disposição desse órgão de julgamento para análise e constatação. c) “Aliás, considerando (i) o objeto social da impugnante (venda de carne), (ii) sua estrutura física (apenas um prédio) e (iii) o valor do quilo do frango à época (cerca de R$ 2,00), era possível presumir que o valor declarado realmente não poderia ser aquele que havia sido informado. Com efeito, ao se analisar os dados acima mencionados, concluise que a impugnante deveria ter espaço para armazenar nada menos que 300.000 kg de carne, o que é totalmente fora do razoável para seu porte. Já no que diz respeito ao anocalendário 2004, melhor sorte não assiste à autuação. É que, nesse caso, a fiscalização presumiu uma omissão de receitas apenas porque há uma divergência entre os valores escriturados e os declarados pela impugnante. Devese ressaltar que o que interessa ao SIMPLES é o valor da receita bruta obtida e, não, o valor do estoque. Eventuais divergências constatadas no cotejo entre o valor do estoque registrado e o valor do estoque declarado não podem fazer presumir a existência de omissão de receita. O método adotado pela fiscalização, além de não revelar qualquer coerência para uma apuração séria do montante da receita bruta obtida, não levou em consideração que rigorosamente toda a receita obtida foi submetida à tributação. Em verdade, não podem os impugnantes sofrer a exação fiscal da forma como está sendo feita, mormente porque o crédito tributário não pode nascer de um equívoco de preenchimento de uma declaração. Todos os livros da autuada demonstram que a omissão de receita que está sendo imputada aos impugnantes não existiu, motivo pelo qual os AINFs devem ser julgados improcedentes.” Fl. 497DF CARF MF Processo nº 10283.721291/200863 Acórdão n.º 1401002.515 S1C4T1 Fl. 496 5 3.2. Casa da Carne Ltda, CNPJ 03.449.490/000104, fls. 155/161, de 16/02/2009: “ (...) 4 Conforme o demonstrativo constante da fl 02 destes autos, a Receita Federal do Brasil (RFB) afirma que a Impugnante auferiu, no anocalendário 2004, R$ 1 566 487,44 (um milhão quinhentos e sessenta e seis mil, quatrocentos e oitenta e sete reais e quarenta e quatro centavos), ultrapassando o limite de R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais) previsto na Lei n 9 317/96 (art 9º), vigente a época daquele ano calendário 5 Ressaltese que, como afirmado na fl 01, pelo auditorfiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB), o aludido demonstrativo considerou (i) a receita declarada pela Impugnante e uma receita supostamente adicional, que foi apurada pela Fiscalização em procedimento próprio (processo administrativo n. 10283 721 291/200863) 6 Importante esclarecer, ainda, que a extrapolação do limite legal do art 9º da Lei n 9.317/96 somente se sustenta com a adição do credito tributário apurado pela Fiscalização, que se refere a uma suposta omissão de receita por parte da Impugnante 7 Ocorre que essa omissão de receita não existe, conforme foi demonstrado na impugnação ao auto de infração (AINF) 8 Ademais, não obstante a inexistência da omissão de receita imputada a impugnante, um outro ponto deve ser ponderado por esse órgão de julgamento administrativo, qual seja, os efeitos do AINF, que estão suspensos com a impugnação apresentada pelo contribuinte 9 Assim, necessariamente se deve aguardar o desfecho do processo administrativo da suposta omissão de receita referente ao anocalendário 2004, para que realmente seja possível aquiescer a extrapolação do limite legal do art 9° da Lei n 9 317/96 e sua respectiva conseqüência (exclusão do SIMPLES FEDERAL) 10 Isso significa que o julgamento da presente manifestação de inconformidade deve necessariamente aguardar o julgamento da impugnação ao AINF referente ao anocalendário 2004, já que se trata de questão prejudicial. (...)” 11 Como já explanado alhures, há uma questão prejudicial ao julgamento da presente manifestação de inconformidade, qual seja, o julgamento do processo administrativo n 10283 721 291/200863.” (término da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) A DRJ, por meio do Acórdão 0115.561, de 09 de novembro de 2009, julgou improcedente a impugnação apresentada pela empresa, conforme a seguinte ementa: Fl. 498DF CARF MF 6 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003, 2004 EMENTA Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da decisão da DRJ na data de 10/12/2009 cf. ARECF de efl. 452, e não satisfeita com a decisão da delegacia de piso, apresentou recurso voluntário em 06/01/2010 (efls. 458 a 477), conforme protocolo de efl. 458, em que basicamente repisa os argumentos da impugnação. No CARF, coube a mim a relatoria do processo. É o relatório Voto Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. A fiscalização autuou a empresa recorrente em relação a duas infrações: Infração 1 (ano de 2003) Omissão de receitas de R$ 262.300,06, decorrente de diferença entre o estoque final constante na Declaração do Simples (R$ 653.158,02) e o valor constante em 31/12/2003 na conta contábil nº 01202 Mercadoria para Revenda, no valor de R$ 390.857,96. PLAN DIFERENÇA DE ESTOQUE AC2003 ESTOQUE FINAL Declaração do Simples AC2003 653.158,02 ESTOQUE FINAL Livro Razão 31/12/2003 390.857,96 DIFERENÇA DE ESTOQUE 262.300,06 Fl. 499DF CARF MF Processo nº 10283.721291/200863 Acórdão n.º 1401002.515 S1C4T1 Fl. 497 7 Infração 2 (ano de 2004) Omissão de receitas de R$ 779.321,38, decorrente de diferença entre o valor de compras no Livro Registro de Compras (R$ 989.510,38) e o valor de compras na Declaração do Simples (R$ 210.189,00). PLAN OMISSÃO DE COMPRAS AC2004 TOTAL DE COMPRAS AC 2004 Livro de Registro de Entradas 989.510,38 TOTAL DE COMPRAS AC 2004 Declaração do Simples Ficha 07 Linha 06 210.189,00 DIFERENÇA 779.321,38 Livro Registro de Entradas AC/2004 Mês Entrada Janeiro 130.810,20 Fevereiro 85.957,34 Março 140.773,49 Abril 74.428,99 Maio 68.291,52 Junho 203.239,86 Julho 37.491,34 Agosto 18.563,16 Setembro 71.616,86 Outubro 40.871,42 Novembro 53.578,45 Dezembro 63.887,75 TOTAL 989.510,38 Outrossim, foi emitido Ato Declaratório Executivo nº 03, de 14 de janeiro de 2009 (efl. 484 deste processo), cujo teor reproduzo abaixo. O referido Ato Declaratório Executivo consta no processo administrativo fiscal nº 10283.721292/200816, que segue apenso a este processo. Entretanto, como o acórdão recorrido trata tanto do lançamento fiscal quanto da exclusão do Simples, a decisão referente ao Ato Declaratório deverá ser emitida neste processo que aqui se analisa. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO Nº 3, DE 14 DE JANEIRO DE 2009 Declara excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) o contribuinte que menciona. O DELEGADOADJUNTO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM MANAUSAM, no uso das atribuições regimentais e de acordo com o disposto nos artigos 13, 14 e 15 da Lei nº 9.317, de 05 de Dezembro de 1996, com suas alterações posteriores, considerando ainda, o que consta do processo nº 10283.721292/200816, declara: Art. 1º Excluída do Simples o contribuinte CASA DE CARNE SOUZA, CNPJ 03.449.490/000104 em virtude de ter sido Fl. 500DF CARF MF 8 constatada a situação excludente prevista no art. 14, inciso I da Lei nº 9.317/96. Art. 2º A exclusão ora declarada surtirá efeitos a partir de primeiro de janeiro de 2005, em consonância com o disposto no inciso IV do art. 15 da Lei nº 9.317/96. Art. 3º Com relação a esta exclusão, é facultado ao contribuinte, por meio de representante legal ou procurador, no prazo de trinta dias, contados da publicação deste ato, manifestar por escrito sua inconformidade à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em BelémPA, nos termos do Decreto nº 70.235, de 7 de março de 1972, de acordo com o art. 23, parágrafo único, da Instrução Normativa SRF nº 355 de 2003, assegurados o contraditório e a ampla defesa. Art. 4º Não havendo manifestação no prazo indicado no artigo anterior, a exclusão do Simples tornarseá definitiva. ALZEMIR ALVES VASCONCELOS Pois bem. Há uma questão central para o julgamento deste processo: a fiscalização efetuou o lançamento considerando que o fato gerador dos tributos do Simples tenha ocorrido no mês de 12/2003 (em relação à infração 1) e no mês de 12/2004 (em relação à infração 2). O regime do Simples é um regime diferenciado de tributação, seguindo regras próprias para sua concretização, das quais se destaca a Lei nº 9.317/1996, vigente à época de apuração dos fatos geradores aqui lançados. Conforme dispõe o art. 5º da referida Lei nº 9.317/1996, o fato gerador dos tributos constantes no Simples é mensal: Art. 5° O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: Quer dizer, a fiscalização desrespeitou o teor do artigo supra, ao efetuar uma única tributação em relação à infração 1 (no mês de 12/ 2003) e uma única tributação em relação à infração 2 (no mês 12/2004), cometendo um equívoco irreversível na determinação do fato gerador dos tributos do Simples. O art. 142 do CTN determina que a autoridade fiscal deve identificar o fato gerador do tributo a que se refere: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (destaquei) No caso concreto, apesar de haver informações mensais sobre o valor do estoque final em cada mês (infração 1), no livro razão; e de compras (infração 2), no livro de Fl. 501DF CARF MF Processo nº 10283.721291/200863 Acórdão n.º 1401002.515 S1C4T1 Fl. 498 9 estoques; a Declaração Anual Simplificada dos anoscalendário de 2003 e 2004 cingese apenas a informar os valores do estoque e das compras consolidados no final do referido ano. Quer dizer, pelos instrumentos que (a fiscalização) possuía para a avaliação de suposta omissão de fato gerador de tributo alcançado pelo Simples, não havia como identificar qual foi exatamente o fato gerador omitido pela empresa, em relação a cada mês de 2003 e de 2004. E mesmo que as informações de estoques e compras existentes nas Declarações Anuais Simplificadas se refiram à data de 31/12/2003 e 31/12/2004, respectivamente, não há como manter o lançamento parcial, ou seja, tão somente em relação aos meses de 12/2003 e 12/2004, pois também não há como afirmar qual o valor de estoques e compras referentes aos próprios meses de 12/2003 e de 12/2004, respectivamente, que serviram de base para a informação nas referidas Declarações Anuais. Desta forma, o lançamento contém um vício insanável relativo ao fato gerador dos tributos alcançados pelo Simples, pelo que proponho que seja exonerado. Outrossim, por decorrer do lançamento que ora se exonera, proponho cancelar o Ato Declaratório Executivo nº 03, de 14 de janeiro de 2009 (processo nº 10283.721292/200816), que excluíra o contribuinte do Simples a partir de 1º/01/2005. Conclusão Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso voluntário para cancelar a exigência do lançamento fiscal e o respectivo Ato Declaratório Executivo nº 03, de 14 de janeiro de 2009 de exclusão do SIMPLES. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 502DF CARF MF 10 Fl. 503DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000380/2007-99
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2005
ETIQUETAS. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE.
A operação de etiquetagem é uma das fases do processo de industrialização, tal como acontece com a rotulagem e a marcação por estampagem, que são análogas, havendo, assim, na aquisição de etiquetas, direito ao crédito (Inteligência do Parecer Normativo Cosit nº 4/2014).
EMBALAGENS PARA TRANSPORTE DE PRODUTOS PRONTOS PARA VENDA A VAREJO. DIREITO AO CRÉDITO. INEXISTÊNCIA.
As embalagens que são simplesmente utilizadas para o transporte de produtos prontos e acabados para venda a varejo, na embalagem de apresentação, não geram direito a crédito, pois não se integram ao produto final, não fazendo, assim, parte do processo produtivo.
Numero da decisão: 9303-006.090
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para não reconhecer o direito ao creditamento das embalagens para transporte. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2005 ETIQUETAS. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. A operação de etiquetagem é uma das fases do processo de industrialização, tal como acontece com a rotulagem e a marcação por estampagem, que são análogas, havendo, assim, na aquisição de etiquetas, direito ao crédito (Inteligência do Parecer Normativo Cosit nº 4/2014). EMBALAGENS PARA TRANSPORTE DE PRODUTOS PRONTOS PARA VENDA A VAREJO. DIREITO AO CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. As embalagens que são simplesmente utilizadas para o transporte de produtos prontos e acabados para venda a varejo, na embalagem de apresentação, não geram direito a crédito, pois não se integram ao produto final, não fazendo, assim, parte do processo produtivo.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 ETIQUETAS. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. A operação de etiquetagem é uma das fases do processo de industrialização, tal como acontece com a rotulagem e a marcação por estampagem, que são análogas, havendo, assim, na aquisição de etiquetas, direito ao crédito (Inteligência do Parecer Normativo Cosit nº 4/2014). EMBALAGENS PARA TRANSPORTE DE PRODUTOS PRONTOS PARA VENDA A VAREJO. DIREITO AO CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. As embalagens que são simplesmente utilizadas para o transporte de produtos prontos e acabados para venda a varejo, na embalagem de apresentação, não geram direito a crédito, pois não se integram ao produto final, não fazendo, assim, parte do processo produtivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial, para não reconhecer o direito ao creditamento das embalagens para transporte. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 03 80 /2 00 7- 99 Fl. 918DF CARF MF Processo nº 10925.000380/200799 Acórdão n.º 9303006.090 CSRFT3 Fl. 919 2 (Suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência (fls. 857 a 874), interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, contra o Acórdão 3403001.766, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 849 a 855), sob a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo do PIS o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção.. CRÉDITOS. EMBALAGENS DE TRANSPORTE E ETIQUETAS. É legítima a tomada de crédito do PIS nãocumulativo em relação às aquisições de embalagens de transporte e etiquetas, por integrarem o custo de produção e serem indispensáveis à comercialização dos produtos. CONHECIMENTOS DE TRANSPORTE. REQUISITOS. Os requisitos essenciais do conhecimento de transporte estão previstos no art. 744 do Código Civil e no Decreto nº 19.473/30. O art. 67 do Anexo 5 do Regulamento do ICMS do Estado de Santa Catarina não dispensou os transportadores beneficiários do regime especial de preencherem os campos obrigatórios dos conhecimentos de transporte de modo a permitir a perfeita identificação do remetente e do destinatário, bem como a natureza das operações. CRÉDITOS. FRETES SOBRE COMPRAS E VENDAS. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus da prova do direito de crédito oposto contra a Administração Pública. Recurso Voluntário Provido em Parte. No seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento (fls. 876 a 878), a PGFN defende que “apenas podem ser considerados insumos para fins de cálculo do crédito referente à PIS/COFINS nãocumulativa aqueles definidos na legislação do IPI, a teor do Parecer Normativo nº 65/79”, sendo que as etiquetas e as embalagens para transporte não Fl. 919DF CARF MF Processo nº 10925.000380/200799 Acórdão n.º 9303006.090 CSRFT3 Fl. 920 3 atendem a este requisito, pois “não sofrem alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação”. O contribuinte não apresentou Contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram todos cumpridos e respeitadas a formalidades previstas no RICARF, pelo que dele conheço. Todos aqui certamente estão a par das inúmeras batalhas que se travam quase que diariamente no Contencioso (principalmente na área Administrativa, mas também na Judicial) sobre o conceito de insumos para fins de creditamento PIS/Cofins, e que tende hoje o CARF a adotar um conceito “intermediário”, entre o do IRPJ e o do IPI (que seria, este último, o defendido pela RFB, mas não é bem assim: ela defende um conceito para PIS/Cofins, conforme ainda será assentado). Mesmo neste conceito “intermediário”, a questão não está pacificada: uns consideram suficiente que o bem ou serviço seja utilizado na produção; outros que é necessário que o bem seja utilizado diretamente na produção; outros, que seja indispensável. Vejamos, a título de exemplo, um caso concreto: As indústrias, em regra, fornecem vestuário a seus operários da linha de produção. Os chamados “bluecollars” vestem roupas padronizadas nas montadoras de automóveis. São utilizadas na produção?? Sim. São utilizadas diretamente na produção?? Não. São indispensáveis?? Não (ao menos de forma padronizada). Já os trabalhadores que fazem cortes de frango nas linhas de produção de frigoríficos usam “roupas” (EPI) que são exigidas pelas autoridades sanitárias. Estas são utilizadas na produção, mas não diretamente, e são indispensáveis. Uns entendem que nenhuma das duas vestimentas dá direito a crédito, outros que ambas dão e outros que só as segundas. Então, efetivamente, não é pacífico. Mas inconteste é que devem ser utilizados no processo produtivo. A discussão aqui restringese somente a se (i) etiquetas e (ii) embalagens para transporte dariam ou não direito a crédito. Invoco – conforme já implicitamente adiantado – a mais recente norma que trata do assunto no âmbito da RFB (com caráter vinculante para as unidades de origem e também para as DRJ), que é a Solução de Divergência Cosit nº 7/2016 (cujo inteiro teor anexo às fls. 886 a 917), trazendo alguns excertos de interesse (com grifos meus e invertendo a ordem dos itens, para melhor refletir o que pretendo deixar consignado): 46. Outro ponto que merece destaque é que se mostra equivocada a afirmação de que a adoção da interpretação restritiva acerca do conceito de insumo na legislação da Fl. 920DF CARF MF Processo nº 10925.000380/200799 Acórdão n.º 9303006.090 CSRFT3 Fl. 921 4 Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins corresponderia à utilização da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). 47. Conforme se demonstrou acima, a adoção do conceito restritivo de insumo na legislação das aludidas contribuições decorre das regras constantes desta mesma legislação e não da adaptação da legislação de qualquer outro tributo. 48. Sem embargo, o ponto comum entre a legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, acerca do conceito de insumo, e a legislação do IPI é a exigência, mutatis mutandis, de relação direta e imediata entre o bem ou serviço em relação ao qual se pretende apurar crédito e o produto ou serviço final disponibilizado ao público externo. 14. Analisandose detalhadamente as regras constantes dos atos transcritos acima e das decisões da RFB acerca da matéria, podese asseverar, em termos mais explícitos, que somente geram direito à apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a aquisição de insumos utilizados ou consumidos na produção de bens que sejam destinados à venda e de serviços prestados a terceiros, e que, para este fim, somente podem ser considerados insumo: a) bens que: a.1) sejam objeto de processos produtivos que culminam diretamente na produção do bem destinado à venda (matéria prima); (...) a.3) que vertam sua utilidade diretamente sobre o bem em produção ou sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço (tais como produto intermediário, material de embalagem, material de limpeza, material de pintura, etc); ou (...) Quanto às etiquetas, não precisamos discutir se é aplicável ou não o conceito do IPI, pois existe norma vinculante no âmbito da RFB para o IPI, que dá direito ao crédito. Tratase do Parecer Normativo Cosit nº 4, de 25/03/2014, do qual transcrevo a Ementa e alguns excertos de interesse dos Fundamentos: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. ETIQUETAS APLICADAS EM PRODUTOS TRIBUTADOS. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. Ementa: O estabelecimento industrial poderá creditarse do imposto relativo a etiquetas compostas de qualquer matéria, adquiridas para serem aplicadas em produtos tributados. (...) Fl. 921DF CARF MF Processo nº 10925.000380/200799 Acórdão n.º 9303006.090 CSRFT3 Fl. 922 5 5. A etiqueta não tem a função de acondicionamento do material de embalagem e também não entra na composição do produto final em si, fugindo portanto ao conceito estrito de matériaprima, mas a ele se integra – seja diretamente, seja pela aposição na sua embalagem – podendo, assim, mais propriamente, ser tida como produto intermediário, para os efeitos em estudo. 6. E se mostra induvidoso que a operação de etiquetagem é uma das fases do processo de industrialização, tal como acontece com a rotulagem e a marcação por estampagem, que são análogas. No que tange às embalagens para transporte, podemos dizer que há dois “tipos”: (1) aquelas que simplesmente servem para o transporte de produtos já prontos e acabados para venda a varejo nas embalagens para apresentação e (2) aquelas que são absolutamente essenciais para a garantia da integridade do produto transportado, tanto é que estes são vendidos a varejo nelas acondicionados. Como exemplos das primeiras, temos as caixas de papelão, sacos plásticos e semelhantes que acondicionam, por exemplo, a grande maioria dos produtos expostos nas prateleiras dos varejistas, e que são adquiridos da forma em que estão, em suas embalagens de apresentação. Já as segundas seriam, por exemplo, as caixas que acondicionam partes de móveis, os isopores, fitas metálicas e plásticos que protegem fogões e outros eletrodomésticos que, desta forma embalados, são entregues ao adquirente. A jurisprudência é tendente a admitir o crédito em relação às segundas, pois fazem parte do processo produtivo (o produto não está pronto e acabado sem elas). Quanto às primeiras, já ocorre o contrário, pois não se integram ao produto final, ou seja, não vertem sua utilidade diretamente sobre o bem em produção, que, como já vimos, preconiza a Solução de Divergência Cosit nº 7/2016 (que não vincula esta instância julgadora, mas, entendo eu, nos dá um “norte” coerente, que não pode ser desprezado). Para bem nos situarmos em relação ao caso concreto, as atividades da BONDIO ALIMENTOS abrangem toda a cadeia produtiva, desde a produção de ovos férteis, integração e processamento de carne de frango para consumo, sendo que, em pesquisa na Internet, via Google, ainda vi que a Coopercentral AURORA Alimentos assumiu as suas operações a partir de 1º de outubro de 2012 (05 dias após o julgamento do Recurso Voluntário), ficando assim, claro para todos de que produtos se tratam – cortes de frango congelados – pois a citada marca, mais que conhecida, é encontrada em praticamente todos os supermercados do País. Não resta dúvida, portanto, de que o consumidor vi lá no varejista e leva para casa o corte de frango em sua embalagem de apresentação, sem que seja necessária qualquer proteção adicional. Julgo assim que não há direito de crédito nas aquisições de embalagens que não fazem parte do processo produtivo, não se integrando ao produto final, sendo utilizadas Fl. 922DF CARF MF Processo nº 10925.000380/200799 Acórdão n.º 9303006.090 CSRFT3 Fl. 923 6 simplesmente para transporte do mesmo, que já se encontra pronto e acabado para venda a varejo em sua embalagem de apresentação. Nesta matéria, a decisão a quo merece reforma. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para não reconhecer o direito ao creditamento das embalagens para transporte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 923DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.014557/2006-99
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. NÃO DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.145
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal (Relatora), que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Jorge Henrique Backes(Presidente).
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. NÃO DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. NÃO DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal (Relatora), que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Jorge Henrique Backes(Presidente). (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 45 57 /2 00 6- 99 Fl. 125DF CARF MF 2 Fernanda Melo Leal Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório Trata o presente processo de notificação de lançamento emitida em nome do contribuinte acima identificado em decorrência de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda, referente ao exercício de 2002, ano calendário de 2001, que passou a exigir R$ 2.051,02 a título de imposto suplementar, R$ 1.538,26 de multa de ofício de 75% e encargos legais. De acordo com descrição dos fatos foram verificadas deduções indevidas de despesas médicas, na revisão da declaração do ajuste anual, no valor de R$ 13.050,00, por falta de comprovação do efetivo pagamento e da efetiva prestação dos serviços, mesmo após intimação. O interessado foi cientificado da notificação em e apresentou impugnação alegando, em síntese, falta de embasamento legal para se exigir a comprovação do efetivo pagamento e da efetiva prestação dos serviços médicos. Aduz que seriam suficientes para a comprovação os recibos emitidos pelos profissionais, contendo os requisitos legais e que, somente na falta desses recibos poderia ser exigida a comprovação por meio de vinculação com pagamentos e prestação dos serviços. Atribui ao Fisco ônus da prova contrária ao que comprovam os recibos, ou seja, demonstrar que os serviços não foram prestados ou a falsidade dos documentos apresentados. A DRJ Curitiba, na análise da peça impugnatória, entende que as às despesas médicas não foram devidamente comprovadas, em síntese, porque mesmo intimado para tal, o contribuinte não apresentou nenhum comprovante de pagamentos destes gastos, além de não constar endereço dos prestadores dos serviços nos recibos apresentados. Em sede de Recurso Voluntário, alega o contribuinte, que legalmente não é exigido a comprovação das despesas médicas, motivo pelo qual deveria ser cancelado o lançamento em epígrafe. É o relatório Voto Vencido Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10980.014557/200699 Acórdão n.º 2001000.145 S2C0T1 Fl. 3 3 Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou diversos recibos dos pagamentos relativos aos supostos tratamentos psicológicos sendo que os recibos de fl.23 a 25, emitidos por Claúdia Mara Wyscoki (psicóloga) no valor total de R$2.250,00 para os meses de janeiro, fevereiro, junho, julho e dezembro de 2001, além da falta da comprovação do efetivo pagamento e da prestação dos serviços (sessões psicoterápicas) também não trazem a inscrição no Conselho Regional de Psicologia. É indevida a dedução dessas despesas médicas, uma vez que só podem ser consideradas despesas médicas aptas à dedução as pagas a profissional legalmente habilitado ao exercício da profissão. Às fl. 26 a 31, os recibos foram emitidos por Silvana Maurani Martinelli (psicóloga) durante todo ao ano de 2001, no valor total de R$10.800,00. Tais fatos evidenciamque esses recibos foram feitos de forma continuada, como, também, que são despesas com saúde de valor expressivo. Assim, a autoridade fiscal intimou o contribuinte para comprovar as despesas, diante da incerteza da real existência de tais gastos, mas nenhuma evidência de pagamento foi juntada aos autos. A decisão de primeira instancia sustentou que o Recorrente não comprovou as despesas médicas, nos seguintes termos: Fl. 127DF CARF MF 4 “[...] Em caso de dúvida quanto a vinculação do recibo ao pagamento efetuado ou da efetiva prestação de serviço por parte do Fisco, pode este solicitar provas não só dos pagamentos, mediante cópias de cheques nominativos e de extratos bancários, mas também dos serviços prestados pelos profissionais, por meio de laudos médicos, etc.Veja só, não só o recibo, mas até mesmo o cheque, pode estar sujeito à justificação da efetiva prestação do serviço, quando dúvidas surgirem para o Fisco, consoante o inciso II do mesmo art. 8 0 da Lei 9.250, de 1995. As dúvidas suscitadas dos documentos apresentados pelo contribuinte deram subsídios à Fiscalização para exigir outros meios de provas subsidiárias. Com efeito, foi solicitado, ao interessado, que apresentasse as devidas comprovações dos efetivos pagamentos e das realizações dos serviços supostamente prestados pelos profissionais aos quais pleiteou despesas médicas. Em resposta, o contribuinte apenas exibiu os recibos emitidos pelos profissionais Cláudia Mara Wysocki e Silvana Maurani Martinelli e nada apresentou para comprovar os efetivos pagamentos dos valores constantes dos recibos (R$13.050,00) e nem as sessões psicoterápicas prestadas de janeiro de 2001 a dezembro de 2001. O imposto de renda tem relação direta com os fatos econômicos. Quando a um ato jurídico se segue a tributação, não quer dizer que se tribute aquele, mas sim o fenômeno econômico que está por detrás dele. Não pode o contribuinte alegar simples forma jurídica se o fenômeno econômico não ficar provado, e, não consta dos autos qualquer comprovação do efetivo pagamento das despesas constantes dos recibos emitidos. Cabe, aqui, ainda ressaltar o exagero das deduções declaradas em relação aos rendimentos tributáveis. Observese que na Declaração da Ajuste Anualexercício 2002 f1.34 a 37, os valores informados, à título de despesas médicas, no total de R$18.030,18, comprometeram 60% (sessenta por cento) dos rendimentos tributáveis recebidos, pelo contribuinte, que totalizaram em R$29.227,53, o que deixam dúvidas quanto ao efetivo pagamento das despesas constantes dos recibos emitidos. Outro equívoco cometido na impugnação é com relação ao ônus da prova. Como se sabe, é a lei que determina a quem caiba a incumbência de provar determinado fato. E isso ocorre no caso das deduções. O art. 11, § 3 0 do Decreto Lei n° 5.844, de 1943, estabeleceu expressamente que o contribuinte pode ser instado a comproválas ou justificá las, deslocando para ele o ônus probatório.Tal dispositivo está em sintonia com o princípio de que o ônus da prova cabe a quem o alega. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10980.014557/200699 Acórdão n.º 2001000.145 S2C0T1 Fl. 4 5 Salientase que, ante o valor das deduções pleiteadas, cabe ao Fisco, por imposição legal, tomar as cautelas necessárias a preservar o interesse público implícito na defesa da correta apuração do tributo, que se infere da interpretação do art. 11, § 4°, do DecretoLei n° 5.844, de 1943. A dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está, assim, condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados. Na relação processual tributária, compete ao sujeito passivo oferecer os elementos que possam elidir a imputação da irregularidade e, se a comprovação é possível e este não a faz — porque não pode ou porque não quer — é lícito concluir que tais operações não ocorreram de fato, tendo sido registradas unicamente com o fito de reduzir indevidamente da base de cálculo tributável. Tendo em vista que todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação a juízo da autoridade lançadora e que não foram realizadas satisfatoriamente, concluise que as glosas vertentes se encontram perfeitamente embasadas. [...]” No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, a necessidade encontrada pela autoridade fiscal em ser evidenciada a comprovação do pagamento, e a ausência deste atendimento por parte do contribuinte ora Recorrente, mesmo depois de intimado para tal. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. Fl. 129DF CARF MF 6 A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supra citados, e baseando se na fundamentação do lançamento bem como intenção das autoridades fiscais em corroborar a existência das despesas declaradas, somada à ausência de comprovação do contribuinte acerca dos dispêndios entendo por manter a glosa da dedução indevida de despesas médicas CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Voto Vencedor Discordo do relator em relação às despesas médicas. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado devem ser apontados indícios consistentes que indiquem a sua inidoneidade. Na ausência Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10980.014557/200699 Acórdão n.º 2001000.145 S2C0T1 Fl. 5 7 de indicações desabonadoras, na falta de documentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e o fundamento para lançar limitase a recibos não comprovam pagamento de despesas médicas. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte , como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF n 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art 73 do Decreto n 3000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73 Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação , a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o perío do em que foi concebido do que para os dias atuais. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações , no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão. .” Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Fl. 131DF CARF MF 8 Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Fl. 132DF CARF MF
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