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Numero do processo: 19515.001410/2009-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103.
A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício.
Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadrava-se na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa.
Numero da decisão: 1402-003.550
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 15521.000284/2009-79, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício. Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadrava-se na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa.
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LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício. Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadravase na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 15521.000284/200979, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 14 10 /2 00 9- 42 Fl. 469DF CARF MF Processo nº 19515.001410/200942 Acórdão n.º 1402003.550 S1C4T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório Trata de Recurso de Ofício oposto em face do cancelamento de exações sofridas pela Contribuinte, promovido pela DRJ a quo, dando provimento às razões de Impugnação opostas contra o lançamento de ofício procedido. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.484, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 15521.000284/2009 79, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.484): "Inicialmente, analisando os requisitos de admissibilidade do Recurso de Ofício, constatase que tal apelo foi tirado de v. Acórdão que exonerou débito tributário (considerando, aqui, principal e multas) em monta inferior ao atual valor de alçada que propiciaria seu manejo e consequente conhecimento por este E. CARF. Posto isso, tal montante está abaixo do mínimo de R$ 2.500.000,00 fixados pela Portaria MF nº 63/2017, acarretando no seu não conhecimento, considerandose definitivamente exonerado tal crédito fiscal, nos precisos termos e limites da r. decisão da DRJ a quo. Fl. 470DF CARF MF Processo nº 19515.001410/200942 Acórdão n.º 1402003.550 S1C4T2 Fl. 4 3 Tais circunstâncias e ocorrência também atraem a incidência da Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Como se extrai de tal entendimento sumular plenamente vigente deste E. Conselho, ainda que quando da prolatação do v. Acórdão recorrido a monta do débito cancelado enquadravase na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador de 2ª Instância administrativa. In casu, como mencionado, tal evento ocorre após a vigência Portaria MF nº 63/2017, não havendo mais justificativa e motivação para o conhecimento recursal. Diante de todo o exposto, voto por não conhecer do Recurso de Ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103, conforme voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 471DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.007872/97-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 1991, 1992, 1993
IRPJ. DECLÍNIO DE COMPETÊNCIA.
De acordo com o Regimento Interno do CARF, cabe à 1ª Sessão de julgamento desse Conselho a apreciação de lides relacionadas a Imposto de Renda de Pessoa Jurídica.
Numero da decisão: 3401-001.775
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não se conhecer do Recurso em face de a Competência ser da Primeira Seção.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE- Relator.
EDITADO EM: 19/06/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte
Nome do relator: Fernando Duarte Marques Cleto
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 1991, 1992, 1993 IRPJ. DECLÍNIO DE COMPETÊNCIA. De acordo com o Regimento Interno do CARF, cabe à 1ª Sessão de julgamento desse Conselho a apreciação de lides relacionadas a Imposto de Renda de Pessoa Jurídica.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 1991, 1992, 1993 IRPJ. DECLÍNIO DE COMPETÊNCIA. De acordo com o Regimento Interno do CARF, cabe à 1ª Sessão de julgamento desse Conselho a apreciação de lides relacionadas a Imposto de Renda de Pessoa Jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não se conhecer do Recurso em face de a Competência ser da Primeira Seção. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. EDITADO EM: 19/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 78 72 /9 7- 93 Fl. 402DF CARF MF 2 O presente processo trata dos pedidos de compensação emitidos pela interessada Xerox do Brasil Ltda, nos quais pretende a extinção dos seguintes débitos: 1) Data do protocolo: 26/10/1998 Débito: IPI – R$ 2.325.968,38 2) Data do protocolo: 18/04/2001 Débitos: Cofins – R$ 609.960,74 e PIS – R$ 198.237,24 3) Data do protocolo: 12/07/2001 Débito: Cofins – R$ 596.373,82 4) Data do protocolo: 22/07/2001 Débito: Cofins – R$ 618.888,77 5) Data do protocolo: 14/09/2001 Débito: Confins – R$ 581.672,67 6) Data do porotocolo: 11/10/2001 Débito: Cofins – R$ 550.774,66 Para tanto, a interessada pretende utilizarse dos créditos que, segundo alega, seriam resultado da retificação das declarações dos rendimentos dos anoscalendário de 1991, 1992 e 1993, apresentados pela incorporada Xerox do Nordeste Ltda. Os pedidos de compensação converteramse em declarações de compensação, por força do art.74, § 4º, da Lei 9.430/1996, com nova redação dada pelo art. 49 da Lei 10.637/2002. A solicitação de retificação das declarações de 1991, 1992 e 1993, protocolizadas em 15.12.1997, concedeu à Xerox do Nordeste Ltda. a isenção do Imposto de Renda calculado sobre o Lucro de Exploração referente à atividade de fabricação do revelador. O benefício foi concedido em 1994, por dez anos, contados retroativamente a 1991. Cientificada do resultado da Diligência realizada, a contribuinte realizou petição (fls. 116/117) na qual indica e discrimina o direito creditório pleitado, calculado de acordo com as informações prestadas nas declarações retificadoras dos anos 1991 a 1993. Em 02/05/2006 a interessada é cientificada do Despacho Decisório da Derat/RJ (fls. 191/196), o qual nega o pleito, sob os seguintes fundamentos: a) O direito creditório não possui liquidez e certeza; b) As retificações das declarações de rendimento não tiveram como objetivo corrigir erros de fato ou equívoco de preenchimento, mas sim redução de resultados baseada em ampliações de benefícios fiscais. Em 1º.6.2006, a requerente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls.245/257), na qual alega, em síntese, que: Fl. 403DF CARF MF Processo nº 10580.007872/9793 Acórdão n.º 3401001.775 S3C4T1 Fl. 403 3 a) A portaria que concedeu o benefício de isenção é datada de 28/07/1994, mas atingiu, retroativamente, os anos de 1991, 1992 e1993; b) No âmbito da Diligência realizada, a autoridade administrativa competente atestou que as retificações das declarações de rendimento estavam corretas e coerentes; c) O §1º do art.147 ampara a retificação da declaração, mesmo que seja para reduzir tributo, quando comprovado o erro em que se funde, antes de notificado o lançamento; d) Conforme comprovam DARFs juntados aos autos (doc. 2), os débitos de PIS, Cofins e IPI que foram objeto das declarações de compensação juntadas ao presente processo foram pagos por equívoco. Remanesce, porém, o direito creditótio da interessada; e) Tendo em vista os recolhimentos equivocados, mesmo na hipótese da não homologação das declarações de compensação, que são objeto do presente processo, não haveria débitos remanescentes a serem quitados. Em 17.11.2006, a 8ª Turma da DRJ/RJOI decidiu por declarar tacitamente homologada a compensação, extinguir o respectivo crédito tributário e indeferir o direito creditório pleitado, já que a contribuinte apresentou Pedido de Compensação fora do prazo estabelecido no art. 168 do CTN. Em 18.12.2007, a contribuinte é cientificada da decisão e, em 14.1.2008, protocolou Recurso Voluntário, alegando, em síntese, que: a) Não foi consumada a compensação objeto do processo administrativo nº 100580006980/9810 em apenso, onde o crédito em exame teria sido compensado com valores devidos de IPI (cd. 1097) referentes ao ano de 1999. Os Livros de Apuração de IPI e dos DARFs juntados às fls. 299 e seguintes destes autos, comprovam que, na maior parte dos meses daqueles anos, a recorrente apurou o saldo credor de IPI e quando foi apurado saldo devedor do imposto, os valores foram recolhidos aos cofres públicos; b) O Pedido de Compensação da recorrente foi feito dentro do prazo previsto no art. 168 do CTN, quaisquer que sejam os entendimentos atodatos por este colegiado, ou seja, adotandose o entendimento que aplica retroativamente à Lei Complementar 118/05 para contar os cinco anos a partir do pagamento indevido ou aplicandose o entendimento consagrado por este Conselho e pelo STJ (cinco anos contados após outros cinco anos referentes à homologação tácita), não restam dúvidas de que o Pedido de Compensação da recorrente foi feito tempestivamente; c) A aplicação retroativa da Lei Complementar 118/05 já foi afastada pela Corte Superior do STJ, o que demonstra que o entendimento consagrado por este conselho e pelo STJ (cinco anos contados após outros cinco anos referentes à homologação tácita) encontrase mais alinhado com a jurisprudência atual e deve ser aplicado ao presente caso; d) A legalidade do direito creditótrio em exame é evidente pois a isenção de IRPJ foi reconhecida em julho de 1994, pela portaria SUDENE nº 0246/94 (fls. 57/58) com efeitos retroativos aos anosbase de 1991, 1992 e 1993. Para demonstrar o seu crédito (o recolhimento do IRPJ a maior), a recorrente foi obrigada a retificar suas Declarações de Rendimento dos anos anteriores a 1994 para refazer o cálculo do Lucro de Exploração, que é base de cálculo para apurar o IRPJ devido pelas empresas incentivadas como a recorrente. Fl. 404DF CARF MF 4 Por fim, a interessada requer provimento aos seu Recurso Voluntário para que ocorra a reforma da decisão que indeferiu o direito creditório pleitado, reconhecendo o crédito tributário em questão originário de pagamento a maior de Imposto de Renda referente aos anos base de 1991 a 1993, quando a recorrente apurou seu lucro de exploração sem aplicar a isenção concedida pela Portaria DAI/PTE nº 0246/94, expedida pela SUDENE com efeitos retroativos ao anobase 1991. É o Relatório. Voto Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte Em suma, o presente caso versa sobre Pedido de Compensação emitido pela contribuinte afim de extinguir débitos de PIS e Cofins. Não obtido êxito em sua demanda, protocolou Recurso Voluntário, onde defende seu pleito, tendo em vista o afastamento da aplicação retroativa da Lei Complementar 118/05 e o reconhecimento de isenção de IRPJ em julho de 1994 com efeitos retroativos aos anosbase de 1991, 1992 e 1993. Esta matéria não está dentro competência da 3ª Seção, e sim da 1º Seção do CARF, conforme o art. 2º do anexo II do Regimento Interno do CARF, que reproduzo abaixo: Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional); VI penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo; e Fl. 405DF CARF MF Processo nº 10580.007872/9793 Acórdão n.º 3401001.775 S3C4T1 Fl. 404 5 VII tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções. Frente a todo o exposto, voto por não conhecer do Recurso Voluntário, devendo ele ser encaminhado à 1ª Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É como Voto! Sala das Sessões, em 24 de abril de 2012. Fernando Marques Cleto Duarte – Relator. Fl. 406DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.723398/2014-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103.
A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício.
Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadrava-se na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa.
Numero da decisão: 1402-003.492
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 15521.000284/2009-79, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício. Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadravase na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 15521.000284/200979, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 72 33 98 /2 01 4- 09 Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10320.723398/201409 Acórdão n.º 1402003.492 S1C4T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório Trata de Recurso de Ofício oposto em face do cancelamento de exações sofridas pela Contribuinte, promovido pela DRJ a quo, dando provimento às razões de Impugnação opostas contra o lançamento de ofício procedido. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.484, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 15521.000284/2009 79, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.484): "Inicialmente, analisando os requisitos de admissibilidade do Recurso de Ofício, constatase que tal apelo foi tirado de v. Acórdão que exonerou débito tributário (considerando, aqui, principal e multas) em monta inferior ao atual valor de alçada que propiciaria seu manejo e consequente conhecimento por este E. CARF. Posto isso, tal montante está abaixo do mínimo de R$ 2.500.000,00 fixados pela Portaria MF nº 63/2017, acarretando no seu não conhecimento, considerandose definitivamente exonerado tal crédito fiscal, nos precisos termos e limites da r. decisão da DRJ a quo. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10320.723398/201409 Acórdão n.º 1402003.492 S1C4T2 Fl. 4 3 Tais circunstâncias e ocorrência também atraem a incidência da Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Como se extrai de tal entendimento sumular plenamente vigente deste E. Conselho, ainda que quando da prolatação do v. Acórdão recorrido a monta do débito cancelado enquadravase na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador de 2ª Instância administrativa. In casu, como mencionado, tal evento ocorre após a vigência Portaria MF nº 63/2017, não havendo mais justificativa e motivação para o conhecimento recursal. Diante de todo o exposto, voto por não conhecer do Recurso de Ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103, conforme voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 220DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.720041/2012-66
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção.
Numero da decisão: 2002-000.381
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento parcial.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento parcial. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Recorrente HENRIQUETA DE BELLI LEITE DE ALBUQUERQUE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento parcial. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 00 41 /2 01 2- 66 Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10480.720041/201266 Acórdão n.º 2002000.381 S2C0T2 Fl. 105 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 46/50), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual da contribuinte acima identificada, relativa ao exercício de 2009. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$26,85 para saldo de imposto a pagar de R$4.729,35. A notificação noticia a dedução indevida de despesas médicas no valor de R$17.100,00, consignando (fl.48): Impugnação Cientificada à contribuinte em 5/12/2011, a NL foi objeto de impugnação, em 3/1/2012, à fl. 2/34 dos autos, assim sintetizada na decisão de piso: após fazer referência à tempestividade da defesa, aduz que apresenta uma anomalia congênita, na região do palato, que reclama várias intervenções odontológicas e médicas; passo seguinte, informa que o otorrinolaringologista responsável por seu acompanhamento é custeado pelo plano de Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10480.720041/201266 Acórdão n.º 2002000.381 S2C0T2 Fl. 106 3 saúde (CAMED), mas que os tratamentos fonoaudiológico e odontológico têm sido realizados por profissionais não credenciados pelo seguro saúde; acrescenta que os recibos por ela apresentados são condizentes com o tratamento realizado e, portanto, passíveis de credibilidade, e que caberia à fiscalização buscar provas que pudessem contradizêlos; nesse sentido, diz que, no caso, devese velar pela presunção de veracidade das informações prestadas pela contribuinte, cabendo à Receita Federal abandonar a atitude passiva de sua fiscalização e ir a campo fazer um trabalho efetivo de auditoria; defende que caberia à fiscalização provar que os recibos apresentados pela contribuinte não eram idôneos, verbis: Em síntese, o que se depreende é que a escrituração a que se refere o art. 923, no caso das despesas médicas, deve ser tida como a guarda do recibo de pagamento de tais despesas, desde que contenha os dados destacados no art. 80, § 1º, inciso III. Não havendo tal recibo, pode ser feita a comprovação por meio da indicação do cheque nominativo pelo qual se efetuou o pagamento. Existindo tais recibos, incide então o art. 924 do RIR/1999, segundo o qual cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância das disposições legais. afirma que a fiscalização ultimamente tem pedido a comprovação do efetivo pagamento e não tem aceitado, como tal, o efetuado em moeda corrente; aduz, ainda, que possui mais de uma conta corrente, em bancos diversos, e, mensalmente, realiza saques em espécie para saldar pagamentos de contas em geral, salários de duas empregadas domésticas mensalistas e, também, de honorários de profissionais ligados à área de saúde. Conclui que seria absurda a afirmação de que, na praxe moderna, não mais existem pagamentos em dinheiro; na sequência, cita trechos de decisões administrativas e faz referência à pergunta 338 do texto “Perguntas e Respostas – IRPF 2007” e ao Manual de Preenchimento da Declaração de IRPF correspondente; por fim, requer o cancelamento da glosa efetuada, ao argumento de que as despesas forma devidamente comprovadas por meio de recibos válidos e legitimamente emitidos. A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, julgoua improcedente, em decisão assim ementada (fls. 56/61): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10480.720041/201266 Acórdão n.º 2002000.381 S2C0T2 Fl. 107 4 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A dedução a título de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, e comprovados por documentos hábeis e idôneos, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 17/12/2015 (fl. 66), a contribuinte, em 14/1/2016 (fl. 69), apresentou recurso voluntário, às fls. 69/99, no qual alega, em apertado resumo, que: não se conforma com a glosa das despesas médicas, uma vez que os serviços foram efetivamente foram prestados e remunerados; inexistiria na legislação de regência da matéria previsão para exigir do contribuinte outras provas que não os recibos; inexistiria obrigatoriedade de efetuar pagamentos utilizando cheques nominativos; nenhum argumento foi apresentado na autuação de forma a justificar a recusa aos recibos apresentados; indica a juntada de declarações das profissionais informadas; menciona decisão judicial no sentido de que os recibos médicos não poderiam ser desconsiderados pelo Fisco simplesmente sob a alegação de presunção de fraude; aduz que, uma vez apresentados recibos idôneos, caberia a fiscalização comprovar sua inidoneidade e fiscalizar os prestadores dos serviços médicos e não simplesmente glosar os pagamentos por presunção de fraude; requer o cancelamento da exigência, alegando que caberia ao Fisco provar que os recibos são fraudulentos. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10480.720041/201266 Acórdão n.º 2002000.381 S2C0T2 Fl. 108 5 Mérito Em relação às despesas médicas, são dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados. No que tange à comprovação, a dedução a título de despesas médicas é condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). Esta norma, no entanto, não dá aos recibos valor probante absoluto, ainda que atendidas todas as formalidades legais. A apresentação de recibos de pagamento com nome e CPF do emitente tem potencialidade probatória relativa, não impedindo a autoridade fiscal de coletar outros elementos de prova com o objetivo de formar convencimento a respeito da existência da despesa. Nesse sentido, o artigo 73, caput e § 1º do RIR/1999, autoriza a fiscalização a exigir provas complementares se existirem dúvidas quanto à existência efetiva das deduções declaradas: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º. (Grifei). Sobre o assunto, seguem decisões emanadas da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e da 1ª Turma, da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10480.720041/201266 Acórdão n.º 2002000.381 S2C0T2 Fl. 109 6 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) No caso, por ocasião do procedimento de fiscalização, a autoridade fiscal intimou a contribuinte a apresentar provas quanto ao efetivo pagamento de despesas médicas declaradas, conforme consignado às fls.47/48. Em sua impugnação, a contribuinte juntou os recibos emitidos pelas profissionais (fls.18/34). A DRJ manteve a autuação. Em seu recurso, a contribuinte junta novamente os recibos (fls.75/97), defendendo que os recibos e declarações emitidos pelas profissionais seriam os documentos hábeis a fazer a prova exigida, citando dispositivos legais e decisão judicial sobre a matéria. Como já exposto acima, os recibos médicos não são uma prova absoluta para fins da dedução. Nesse sentido, entendo possível a exigência fiscal de comprovação do pagamento da despesa ou, alternativamente, a efetiva prestação do serviço médico, por meio de receitas, exames, prescrição médica. É não só direito mas também dever da Fiscalização exigir provas adicionais quanto à despesa declarada em caso de dúvida quanto a sua efetividade ou ao seu pagamento. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10480.720041/201266 Acórdão n.º 2002000.381 S2C0T2 Fl. 110 7 Ao se beneficiar da dedução da despesa em sua Declaração de Ajuste Anual, o contribuinte deve se acautelar na guarda de elementos de provas da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. Inexiste qualquer disposição legal que imponha o pagamento sob determinada forma em detrimento do pagamento em espécie, mas, ao optar por pagamento em dinheiro, o sujeito passivo abriu mão da força probatória dos documentos bancários, restando prejudicada a comprovação dos pagamentos. Cabe ressaltar que a indicação do cheque nominativo, apesar de conter menos informações que o recibo, é aceito como meio de prova, evidenciando a força probante da efetiva comprovação do pagamento. Acrescentese que, na ausência de comprovantes bancários, poderia ter juntado prontuários e receituários médicos ou exames realizados, mas a contribuinte nada apresentou nesse sentido. Importa salientar que não é o Fisco quem precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas o contribuinte quem deve apresentar as devidas comprovações quando solicitado. Os recibos constituem declaração particular, com eficácia entre as partes. Em relação a terceiros, comprovam a declaração e não o fato declarado. E o ônus da prova do fato declarado compete ao contribuinte, interessado na prova da sua veracidade. É o que estabelece o artigo 408 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015): Art. 408. As declarações constantes do documento particular escrito e assinado ou somente assinado presumemse verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência de determinado fato, o documento particular prova a ciência, mas não o fato em si, incumbindo o ônus de proválo ao interessado em sua veracidade. (destaques acrescidos) O Código Civil também aborda a questão da presunção de veracidade dos documentos particulares e seus efeitos sobre terceiros: Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas. ... Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10480.720041/201266 Acórdão n.º 2002000.381 S2C0T2 Fl. 111 8 mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público.” (destaques acrescidos) Por fim, é de se registrar que no presente lançamento a recorrente não está sendo acusada de ter agido com dolo, fraude o simulação, situação em que exigiria aplicação de multa qualificada de 150%, conforme estabelecido no § 1o, art. 44, da Lei nº 9.430/96, e, portanto, a exigência fiscal não conflita com a presunção de boafé do contribuinte. Assim, na ausência da comprovação exigida, não há reparos a se fazer à decisão de piso. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.979467/2009-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.630
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.925294/2009-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.925294/200916, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 79 46 7/ 20 09 -1 6 Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10880.979467/200916 Resolução nº 1201000.630 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação cujo crédito é decorrente de pagamento a maior que o devido. No despacho decisório o direito creditório não foi reconhecido porque o pagamento em questão fora integralmente utilizado na quitação de débito devidamente declarado. Foi protocolada manifestação de inconformidade em que foi alegado que o crédito tinha origem em "antecipações" de CSLL do anocalendário de 2003. Também, que: ao final do ano de 2003 foi apurado prejuízo fiscal e que então a empresa passou a ter o direito de compensar os créditos; o crédito utilizado na PER/DCOMP foi informado tomandose como base o DARF recolhido, quando na verdade deveria ter sido utilizado o "Saldo Negativo" de CSLL; "foram feitas as devidas correções na DIPJ, onde equivocadamente não havia sido lançado o 'Saldo Negativo' de CSLL, porém todas as antecipações foram informadas bem como o resultado (prejuízo) do exercício". A manifestação foi considerada improcedente uma vez que, "os equívocos como o relatado pela contribuinte não são apenas formais, tendo inúmeras implicações materiais, pois, dependendo do tipo de crédito informado, o procedimento de análise é diferenciado, requerendo, inclusive, maiores detalhamento e comprovação por parte do contribuinte". Consta ainda de decisão que "não há como acatar a solicitação da contribuinte de se considerar que o crédito utilizado no PER/DCOMP é parte da composição do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2003". No Recurso Voluntário foi alegado que a) "o artigo 4° da IN/SRF n° 600/2005, vigente à época dos fatos, estabelecia expressamente que a autoridade fiscal deveria determinar a realização de diligencia fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que fosse verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. No caso em tela, este procedimento não foi adotado"; b) "... na hipótese de ocorrer erro no preenchimento de DCTF, e/ou de DIPJ, que não corresponda à verdade dos fatos como ocorre no caso sub examine o contribuinte estará sendo privado de fazer valer um direito seu, direito este amparado por nosso Código Tributário Nacional e pela legislação ordinária"; c) "... tendo ocorrido manifesto erro de preenchimento de declaração, caracterizando o erro de fato, e tendo em vista que o despacho decisório e o acórdão recorrido Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10880.979467/200916 Resolução nº 1201000.630 S1C2T1 Fl. 4 3 não foram prolatados com fundamento na verdade material dos fatos, requerse desde já a decretação da nulidade do acórdão recorrido, para que outro seja lavrado levandose em consideração os princípios do Direito Tributário" d) "... o crédito utilizado na PERD/COMP foi informado tomandose como base o 'DARF recolhido', enquanto o correto deveria ter sido o 'Saldo Negativo de CSLL'"; e) "... foram feitas as devidas retificações na DIPJ, na qual equivocadamente não havia sido lançado o saldo negativo de CSLL"; f) "... todas as antecipações foram informadas, bem como o resultado (negativo) do exercício"; g) "tendo em vista a clareza do mero erro formal perpetrado, com fundamento no comezinho principio tributário da verdade material, é imperioso que se considere que o crédito utilizado é parte da composição do saldo negativo de CSLL da DIPJ/2003". É o relatório. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10880.979467/200916 Resolução nº 1201000.630 S1C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.619, de 16/10/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10880.925294/200916, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.619): "Admissibilidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Mérito. Segundo o recorrente, o crédito indicado na Dcomp referese a pagamento de estimativa. No entanto, esse pagamento foi considerado para compor o saldo negativo do período conforme parte da DIPJ (ficha 12A) constante dos autos, este a efetiva origem do crédito. Ocorre que não consta dos autos a DIPJ integral do período, assim como as DCTFs correspondentes, pelo que não é possível verificar o total dos valores pagos por estimativa e se conferir o valor do saldo negativo do ano em tela. Fazse pois necessária a juntada aos autos da DIPJ integral do período e a demonstração do saldo negativo apurado. Conclusão. Em face do exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência para: a) que sejam juntadas as cópias da DIPJ e da DCTF (e eventuais retificadoras) do período correspondente; b) confirmação dos pagamentos/compensações das estimativas que compuseram o saldo negativo; c) verificação quanto à não utilização desse saldo negativo em outras Dcomps; O contribuinte poderá ser intimado a prestar esclarecimentos, a juízo da autoridade diligenciante. A conclusão deverá constar de relatório circunstanciado do qual se dará ciência ao interessado para que, querendo, se manifeste no prazo de trinta dias. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10880.979467/200916 Resolução nº 1201000.630 S1C2T1 Fl. 6 5 Com ou sem a manifestação do interessado, os autos deverão retornar a este colegiado para julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 53DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19311.720149/2014-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2010
LANÇAMENTO. INFRAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.
Numero da decisão: 1402-003.584
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício.
(Assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Junia Roberta Gouveia Sampaio- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mateus Ciccone (Presidente)
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1384; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1.493 1 1.492 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19311.720149/201437 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 1402003.584 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de novembro de 2018 Matéria Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ENERCOM INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2010 LANÇAMENTO. INFRAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. (Assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 01 49 /2 01 4- 37 Fl. 1496DF CARF MF 2 Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) Relatório Tratase de Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) por ter apurado a fiscalização omissão de receita, conforme se verifica pelos trechos do Termo de Verificação Fiscal (fls. 1.064/1.140) abaixo transcritos: III – APURAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS Análise da escrituração contábil do Sujeito Passivo aponta movimentação atípica, com créditos na conta de Títulos a Pagar, código 221020002, Grupo Passivo nãoCirculante, e débitos nas contas de Bancos Conta Movimento, no Ativo Circulante conta 111020005 Banco Itaú S.A e conta 111020016 Caixa Econômica Federal, conforme lançamentos relacionados a seguir: Conforme verificase no quadro acima, no histórico das operações o Sujeito Passivo informa que os valores referemse à recebimentos de empréstimos, transferência e depósitos efetuados pela empresa Flexfactor. Intimado a apresentar Manifestação, por escrito, esclarecendo de forma clara e objetiva tais lançamentos contábeis, acompanhada de documentação hábil e idônea com a qual se comprove a efetiva movimentação dos recursos, bem como os motivos que originaram tais transferências, e documentação comprobatória individual dos lançamentos contábeis, demonstrando a origem e aplicação dos recursos (cópias dos cheques ou extratos bancários das contas onde foram realizados os débitos, bem como os comprovantes dos pagamentos efetuados (recibos devidamente visados pelos Favorecidos, boletos com autenticação bancária, depósitos bancários autenticados, onde se possa identificar com clareza quais foram os Favorecidos pelos pagamentos), o Sujeito Passivo apresentou manifestação acompanhada apenas dos comprovantes das operações bancárias, informando que a Flexfactor presta serviços de contas a receber e contas a pagar para a Enercom, nos seguintes termos (...) Fl. 1497DF CARF MF Processo nº 19311.720149/201437 Acórdão n.º 1402003.584 S1C4T2 Fl. 1.494 3 o Sujeito Passivo apresentou alguns comprovantes das operações bancárias, deixandode apresentar documentos fundamentais para a comprovação das operações, a seguir listados: Contrato de prestação de serviços de contas a pagar e contas a receber entre a Flexfactor e a Enercom, bem como cópias das notas fiscais dos serviços prestados pela Flexfactor; Extratos Bancários; Conta gráfica, razão ou conta corrente, demonstrando a movimentação financeira completa entre as empresas, de forma analítica, referente ao anocalendário 2010; Comprovantes dos documentos efetivamente pagos pela Flexfactor em nome da Enercom. Com relação aos extratos bancários, o Sujeito Passivo reiterou que deixou de apresentálos pois entende que são documentos resguardados pelo sigilo garantido constitucionalmente no artigo 5º, incisos X e XII, da CF, de maneira que não está obrigada a fornecêlos à Receita Federal Brasil. O Sujeito Passivo afirma que os valores recebidos da Flexfactor foram originados de reembolso feitos pela Empresa à Enercom, mas, reembolsos referentes a quê? Quais são os valores efetivamente devidos? Quais as origens de tais valores? Quais os vencimentos? Como o próprio nome já define, a atividade da Flexfactor Fomento Mercantil Assessoria e Administração LTDA é factoring, ou seja, basicamente deveria atuar antecipando às empresas valores de recebíveis futuros em troca de juros. As empresas idôneas que operam neste ramo antecipam valores a receber de duplicatas ou outros títulos às empresas que necessitam de crédito para capital de giro. Esta antecipação gera receita para a factoring que desconta da empresa tomadora de recursos, juros proporcionais àquela antecipação. Logicamente que tais operações devem ser todas registradas contabilmente pelas partes, sendo que toda a documentação comprobatória deve ser apresentada à Fiscalização, quando assim requerida dentro do prazo legal. Na escrituração contábil do Sujeito Passivo não foram localizados pagamentos de serviços, nem de encargos financeiros à Empresa Flexfactor. Consultas nos sistemas de informação da RFB constatam que o Sujeito Passivo também não informou em nenhuma declaração o pagamento de algum tipo de serviço ou encargo à Flexfactor. Pesquisas efetuadas nos sistemas da RFB também constataram que durante o anocalendário 2010 a Flexfactor recebeu da Empresa Coplastil (outra empresa do grupo), a título de Fl. 1498DF CARF MF 4 remuneração de serviços prestados pessoa jurídica, o valor de R$ 151.620,94, conforme informado na DIRF daquela empresa. Observese que conforme a DIPJ n° 0001548734, apresentada pela Flexfactor em 23/08/2013, o total de receitas anuais declaradas foi de R$ 144.475,39. Desta forma, o total de receitas auferidas pela Empresa Flexfactor foram provenientes de serviços prestados à Coplastil, ficando claro desta forma não ter recebido nenhum valor por prestação de serviços à Enercom. Em uma operação financeira usual, é natural que as partes firmem contratos a serem seguidos, nos quais constem as condições das operações, como prazos, taxas, garantias, penalidades por descumprimento, etc. Não é razoável que empresas movimentem elevados montantes de recursos sem o mínimo de base documental que dê respaldo a estas operações. (...) Considerando que a Flexfactor Fomento Mercantil Assessoria e Administração LTDA. CNPJ 04.704.420/000100, conforme veremos adiante, é uma empresa diretamente ligado ao Grupo do qual faz parte a Enercom, (juntamente com as empresas Coplastil e Cobraplast), e que os valores transferidos pela Flexfactor à Enercom não tiveram suas origens comprovadas, conclui a Fiscalização que tais valores foram originados de receitas controladas à margem da escrituração contábil, que não foram oferecidas à tributação, configurando a infração de omissão de receitas, nos termos do artigo 24 da Lei n° 9.249/1995, e do artigo 288 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999, instituído pelo Decreto n° 3.000/1999. Sobre os créditos tributários apurados, a Fiscalização aplicou a multa qualificada de 150%. Além disso, reconheceu a responsabilidade solidária de pessoa jurídica relacionada e dos sócios de fato. Cientificados em 28/04/2014, o contribuinte e os responsáveis solidários apresentaram impugnações em 28/05/2014, nas quais alegaram, resumidamente, o seguinte: a) Ficou demonstrado que a empresa Flexfactor lhe emprestou quantias monetárias e prestou serviço típico de “contas a pagar e a receber”, gerando seus recebíveis e devolvendo o saldo dos valores após os pagamentos, cobrando mensalmente apenas o valor relativo a seus serviços . Em virtude dessa comprovação caberia a fiscalização o ônus de demonstrar, por meio de provas concretas, que tais operações não teriam ocorrido. b) A fiscalização não comprovou que os valores representariam receita operacional. Todavia, não foi comprovado pelo trabalho fiscal que a empresa Flexfactor teria realizado operações de compra e venda com a Impugnante. c) A mera existência de movimentação financeira é apenas indício de sinal exterior de riqueza não podendo ser tomada como prova suficiente para embasar a autuação fiscal. d) Que sua relação com a empresa Flexfactor teria iniciado na metade da década passada mediante o empréstimo de numerário ainda na fase préoperacional, a qual desde o início até o exercício de 2010, teria prestado serviços de administração de contas a pagar e a receber; Fl. 1499DF CARF MF Processo nº 19311.720149/201437 Acórdão n.º 1402003.584 S1C4T2 Fl. 1.495 5 e) Que estas operações entre as empresas de recebimento e envio de recursos financeiros teriam sido contabilizadas ora como “devolução parcial”, ou “devolução de empréstimo”, ora como “recebimento de empréstimo”; f) Que a opção de lançar as idas e vindas de numerário à Flexfactor com a natureza de empréstimo teria sido tomada justamente por ser conta contábil meramente patrimonial e não influenciar o resultado; g) Que, para comprovar suas alegações, teria juntado aos autos as ordens remetidas aos Bancos Itaú e CEF para a realização de TEDs tendo como favorecida a Flexfactor, bem como as mesmas ordens de TED emitidas pela Flexfactor em favor da Impugnante; h) Que, em meados de junho de 2010, em razão de problemas enfrentados pela Flexfactor, teria decidido contratar outra empresa para realizar o mesmo serviço, a Cobraplast Cobrança e Assessoria Financeira Ltda; i) Que, na ocasião, não teria encerrado completamente a relação com a Flexfactor, mas teria iniciado um processo de migração da administração dos recebíveis, dos pagamentos e das cobranças à Cobraplast. Tanto que teria solicitado à Flexfactor a devolução dos valores de sua propriedade que se encontravam em poder daquela empresa; j) Que, em 01/07/2010, a Flexfactor teria devolvido a importância de R$2.222.000,00, conforme poderia ser comprovado nos lançamentos efetuados no Livro Razão; l) Que a responsabilização solidária com fundamento no art. 124, I, do CTN exigiria a prova inequívoca do interesse comum na situação que constitua o fato gerado; m) Que as multas impostas nos autos de infração não poderiam ser cobradas do responsável solidário, conforme estaria disposto no art. 136 e no art. 137 do CTN; Em 23 de junho de 2016, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA) deu provimento à Impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 LANÇAMENTO. INFRAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Fl. 1500DF CARF MF 6 A decisão acima transcrita foi submetida ao Recurso de Ofício que ora se analisa. É o relatório Voto Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O acórdão recorrido entendeu que a autoridade fiscal não comprovou qualquer das situações previstas no artigo 281 do RIR/99, conforme se verifica pele trecho abaixo transcrito: Para que a Fiscalização acuse o contribuinte de ter cometido a infração de omissão de receitas ela deve, em regra, comprovar de maneira inequívoca a obtenção das receitas e a sua conseqüente omissão para efeitos de tributação. O ônus da prova, neste caso, é da Fiscalização. No entanto, a legislação prevê casos em que a Fiscalização pode se utilizar de presunções. Neste casos, basta ao Fisco demonstrar o fato indiciário que autoriza a utilização da presunção. Provando a ocorrência do fato indiciário, restará provada, por intermédio da presunção legal, a omissão de receitas. O art. 281 do RIR/99 traz alguns exemplos de presunção legal de omissão de receitas: Art.281.Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, §2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): I a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; II a falta de escrituração de pagamentos efetuados; III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. Ocorrendo uma das situações indicadas nos incisos I a III, situações estas que devem ser provadas pelo Fisco, a legislação autoriza que se chegue à conclusão de que houve omissão de receitas, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. Ou seja, quando o Fisco demonstra a ocorrência das situações mencionadas, inverte se o ônus da prova. O art. 42 da Lei nº 9.430/96 traz outro exemplo de presunção legal de omissão de receitas: Fl. 1501DF CARF MF Processo nº 19311.720149/201437 Acórdão n.º 1402003.584 S1C4T2 Fl. 1.496 7 Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Depreendese da norma acima reproduzida que caso o contribuinte seja intimado a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, e não o faça, a Fiscalização está autorizada a concluir que tais valores constituem receitas omitidas. Entretanto, para utilizar a presunção acima, a Fiscalização deve provar o fato indiciário, qual seja a) que houve o crédito dos valores em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira; b) que o contribuinte, regulamente intimado, não comprovou sua origem. Considerando que os lançamentos contábeis questionados apresentam valores debitados na conta Bancos Conta Movimento (Banco Itaú S.A e Caixa Econômica Federal), valores estes que, a priori, representariam créditos nas contas de depósito ou de investimento mantidas nas instituições financeiras, poderia ter a Fiscalização, para demonstrar a omissão de receitas, ter utilizado a presunção acima. Ocorre que, para utilizar a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96, a Fiscalização teria que comprovar, por intermédio dos extratos bancários, que os valores foram efetivamente creditados nas contas bancárias. Não basta o registro contábil. Sabese que a Fiscalização, por diversas vezes, intimou o contribuinte a apresentar os extratos bancários, e que este não o fez alegando direito ao sigilo nos termos do art. 5º, X e XII, da Constituição da República. Poderia então, a Fiscalização, solicitar os extratos bancários diretamente para as instituições financeiras, nos termos da Lei Complementar nº 105/2001. Fato é que, neste caso concreto, a Fiscalização não se utilizou da presunção legal prevista pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96. Este dispositivo legal não é citado no Termo de Verificação Fiscal nem tampouco consta da fundamentação legal contida nos autos de infração. Também não se utilizou de qualquer outra presunção legal. Sendo assim, deveria ter comprovado a obtenção das receitas e a sua conseqüente omissão de forma inequívoca, o que não fez. Fl. 1502DF CARF MF 8 Neste ponto, assiste razão ao contribuinte. Não há como concluir, de forma direta, como fez a Fiscalização, de que a falta de comprovação da situação fática que deu ensejo a um lançamento a débito na conta contábil Bancos Conta Movimento implica em omissão de receitas. Sendo assim, considero que a Fiscalização não comprovou a ocorrência da infração, razão pela qual devem ser cancelado os autos de infração. Em face do exposto, entendo que o conjunto de indícios trazidos aos autos não são suficientes para a comprovação do fato gerador relativo à omissão de receitas, motivo pelo qual, nego provimento ao recurso de ofício. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 1503DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.905325/2015-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2011
DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte.
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização de parte do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA. SELIC. MULTAS EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.769
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2011 DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização de parte do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. SELIC. MULTAS EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COFINS Recorrente KEKO ACESSORIOS S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2011 DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização de parte do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicandose o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. SELIC. MULTAS EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 53 25 /2 01 5- 53 Fl. 157DF CARF MF Processo nº 11020.905325/201553 Acórdão n.º 3402005.769 S3C4T2 Fl. 0 2 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, rejeitando as preliminares da defesa e não homologando as compensações apresentadas por não reconhecer o direito creditório postulado. O Despacho Decisório considerou que o crédito informado no PER/DCOMP foi parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em manifestação de inconformidade alegou preliminarmente a Contribuinte que é legítima detentora de créditos apresentados para compensação originados de pagamentos realizados de maneira indevida ou a maior e o despacho decisório, que não reconheceu o direito creditório e deixou de homologar a compensação deve ser declarado nulo em razão de: i)Ausência de fundamentação, resultando em desvio de finalidade na busca pela verdade material, uma vez que não foi diligenciado para aferição do crédito pleiteado e não intimou a Contribuinte a prestar informações; Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11020.905325/201553 Acórdão n.º 3402005.769 S3C4T2 Fl. 0 3 ii) É dever da Autoridade fiscal, por aplicação do artigo 7º do Decreto nº 70.235/72, instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações ao Contribuinte, apreensão de documentos fiscais, diligências até a sede da Empresa, entre outros expedientes; iii) Não foi respeitado o contraditório, o devido processo legal e a ampla defesa. No mérito, alegou a Contribuinte que: iv) Deve ser possibilitada posterior juntada de documentos que comprovem as alegações trazidas em manifestação de inconformidade, em respeito ao princípio administrativo da verdade material, possibilitando a comprovação do direito creditório; v) É ilegal e inconstitucional a multa aplicada sobre o montante do tributo devido, devendo ser aplicados os princípios constitucionais do não confisco, razoabilidade e proporcionalidade; vi) O percentual de multa aplicado para o caso de descumprimento de obrigação principal, mesmo que expressamente previsto na legislação pertinente, deveria sempre guardar proporção com o valor da prestação tributária exigida, bem como adequarse e/ou assemelharse aos novos critérios de aplicação de multas estabelecidos para as relações contratuais que envolvem questões de direito privado. O Acórdão nº 02073.159 manteve o despacho decisório. Regularmente cientificada desta decisão, a Recorrente interpôs tempestivamente o Recurso Voluntário ora em apreço, onde repisa os argumentos expostos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.753, de 24 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 11020.900612/201658, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.753): "Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11020.905325/201553 Acórdão n.º 3402005.769 S3C4T2 Fl. 0 4 Preliminar A Recorrente alega preliminarmente que o despacho decisório é nulo por não ser fundamentado e ferir os princípios constitucionais da ampla defesa, contraditório e devido processo legal, resultando em desvio de finalidade. Sem razão. Está correta a decisão recorrida ao concluir pela aplicação do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Com a detida análise dos autos é possível constatar que tanto o PERD/COMP, quanto a Manifestação de Inconformidade e o Recurso Voluntário, não estão instruídos com documentos passíveis de corroborar com as alegações da defesa. Ao invés de comprovar a certeza e liquidez ou, ainda, proceder à retificação da DCTF, demonstrando a suficiência do direito creditório para contrapor ao despacho decisório que não homologou a compensação, a Recorrente cingiuse em alegar a ausência das razões da não homologação, invocando os Princípios Constitucionais do Contraditório, Ampla Defesa e Devido Processo Legal, atribuindo o ônus da prova à Autoridade Fazendária. Ao contrário do que alega a Recorrente, aplicase o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito. Neste sentido, a 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais proferiu o Acórdão nº 3401003.907, acatando por unanimidade o voto do Conselheiro Relator Augusto Fiel Jorge D'Oliveira ao negar provimento ao Recurso Voluntário interposto no Processo Administrativo Fiscal nº 13832.000095/9970, conforme Ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1991 a 30/06/1992 ÔNUS DA PROVA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem do indeferimento de pedido de restituição/compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 11020.905325/201553 Acórdão n.º 3402005.769 S3C4T2 Fl. 0 5 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Transcrevese abaixo parte do fundamento que embasou o respeitável voto do julgado acima citado: Em se tratando de pedido de restituição combinado com pedido de compensação, é ônus do contribuinte provar que possui o direito de crédito e no montante por ele alegado, o que implica a guarda da documentação necessária para tanto não pelo prazo de 5 (cinco) anos da realização dos pagamentos, como pretende ver reconhecido o Recorrente, mas até o encerramento da discussão administrativa ou judicial em que pretende ver aquele direito de crédito reconhecido. Nesse sentido, vejam os dispositivos legais a seguir: CTN: "Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram". (grifos nossos) Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil): "Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e mais papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados" . (grifos nossos) Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99): "Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (Decreto Lei nº 486, de 1969, art. 4º). (...) Art.923.A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em Fl. 161DF CARF MF Processo nº 11020.905325/201553 Acórdão n.º 3402005.769 S3C4T2 Fl. 0 6 preceitos legais. (DecretoLei nº1.598, de 1977, art. 9º, §1º)". (grifos nossos) Neste caso, não se aplicam as hipóteses de nulidade previstas pelo artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972, uma vez que tanto o despacho decisório, quanto o acórdão recorrido estão motivados pela ausência de crédito suficiente para compensação com os débitos declarados. E não há que se falar em preterição do direito de defesa da Contribuinte. Portanto, afasto as preliminares invocadas no recurso em análise. Mérito Princípio da Verdade Material A Recorrente invoca o Princípio da Verdade Material para alegar que deveria o Agente Fiscal apurar os fatos independentemente de suposições ou indícios, possibilitando à manifestante a posterior juntada de documentos para comprovar o direito creditório. Com efeito, a busca pela verdade material deve prevalecer, possibilitando ao Contribuinte apresentar todos os meios de provas necessários para comprovação de seu direito. No entanto, é da Contribuinte o ônus da prova passível de contrapor a constatação de utilização dos créditos declarados para compensação, o que não ocorreu no presente caso, pois a Recorrente não apresentou qualquer documento passível de comprovar o direito alegado, tampouco procedeu à Retificação da DCTF no prazo concedido para manifestação de inconformidade. O Artigo 37 da Lei nº 9.430/1996 prevê que "Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios". Reiterase a aplicação do artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, bem como a incidência do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Neste sentido, citase o Acórdão nº 3302005.292, proferido pela 3ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da 3ª Seção deste Tribuna Administrativo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 Fl. 162DF CARF MF Processo nº 11020.905325/201553 Acórdão n.º 3402005.769 S3C4T2 Fl. 0 7 DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. AUSÊNCIA DE PROVA. INDEFERIMENTO. O direito creditório objeto de pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep será indeferido se o contribuinte não apresentar os documentos necessários a análise e confirmação do valor do crédito pleiteado/compensado. Para esse fim, o postulante deve apresentar à fiscalização, quando solicitado, os arquivos digitais e os documentos fiscais e contábeis necessários à comprovação dos créditos apropriados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de crédito decorrente do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, seja sob a forma de dedução, compensação ou ressarcimento, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros moratórios. COMPENSAÇÃO DECLARADA. ANÁLISE ANTES DE COMPLETADO O PRAZO DE CINCO ANOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há homologação tácita da compensação declarada quando o contribuinte é cientificado do despacho decisório não homologatório da compensação antes de completado o prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da correspondente declaração de compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA.. IMPRESCINDIBILIDADE DA NOVA PROVA. INDEFERIMENTO. Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E Fl. 163DF CARF MF Processo nº 11020.905325/201553 Acórdão n.º 3402005.769 S3C4T2 Fl. 0 8 ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. 1. No âmbito do processo administrativo fiscal, a produção da prova pericial somente se justifica nos casos a análise da prova exige conhecimento técnico especializado. Por não atender tal condição, a apreciação de documentos contábeis e fiscais prescinde de realização de perícia técnica. 2. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA IMPRESCINDÍVEL À COMPROVAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO NA FASE PROCEDIMENTAL DE FORMA DELIBERADA E INTENCIONAL. PRINCÍPIO DO NEMO AUDITUR PROPRIAM TURPITUDINEM ALLEGANS. REABERTURA DA INSTRUÇÃO PROBATÓRIA NA FASE RECURSAL. NÃO CABIMENTO. Se no curso do procedimento fiscal, após ser intimada e reintimada a recorrente, de forma deliberada e como estratégia de defesa, omitese de apresentar os arquivos digitais e a documentação contábil e fiscal necessária à apuração da certeza e liquidez do crédito da Cofins pleiteado, a reabertura da instrução probatória na fase recursal, inequivocamente, implicaria clara afronta ao princípio jurídico de que ninguém pode se beneficiar de sua própria torpeza (ou nemo auditur propriam turpitudinem allegans). DESPACHO DECISÓRIO PROFERIDO POR AUTORIDADE COMPETENTE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA INEXISTENTE. NULIDADE. IMPOSSIBILIDAE. Não é passível de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e que contenha todos os fundamentos fáticos e jurídicos suficientes para o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11020.905325/201553 Acórdão n.º 3402005.769 S3C4T2 Fl. 0 9 Recurso Voluntário Negado. Da alegação de Inaplicabilidade da multa em face do Princípio Constitucional do Não Confisco e dos Princípios Administrativos da Razoabilidade e da Proporcionalidade. A Recorrente questiona a multa aplicada, alegando tratarse de penalidade confiscatória, ilegal e inconstitucional. Alega que: O valor lançado a título de multa, flagrantemente ilegal como a seguir demonstrarseá, é manifestamente excessivo, ferindo, desta maneira o princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade. Neste contexto, é princípio básico que a pena, no caso a multa aplicada em face de infrações, não pode ultrapassar os estritos limites da lei – ou ainda, do direito como um todo valendo para o caso específico do direito tributário, a definição legal do tributo como insuscetível de servir como instrumento de penalização do contribuinte. (...) De outra banda, importa consignar que as obrigações acessórias, entre elas a multa, podem ter duas naturezas, sendo uma tributária e, neste caso, converterse em principal, e a outra de natureza punitiva, que, ipso jure, convertese também em principal. No primeiro caso, o que era princípio na legislação esparsa, convertese em mandamento constitucional e legal impeditivo da bitributação com a mesma base de cálculo, vedando o bis in idem a partir do mesmo fato gerador, expresso no art. 150, I da CF/88, antes focado. Ora ainda que tolerado durante a vigência da Constituição anterior e ainda que contrário ao princípio da tributação, o Código Tributário Nacional, como antes dito, mandava converter a obrigação acessória, qualquer que fosse sua natureza, administrativa ou punitiva, em obrigação principal. Contudo, a tolerância tinha origem na idéia de que a obrigação principal art. 113, 3º, do CTN surge com a ocorrência do fato gerador, e tinha por objeto não apenas o pagamento do tributo, mas também a penalidade pecuniária. (...) Assim, a multa em questão é totalmente inexigível, uma vez que fere explicitamente os princípios legais e constitucionais Fl. 165DF CARF MF Processo nº 11020.905325/201553 Acórdão n.º 3402005.769 S3C4T2 Fl. 0 10 acima referidos, devendo ser reformado o acórdão recorrido também neste ponto. Ocorre que o artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 é taxativo ao estabelecer a fixação de juros de mora e multa: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A multa aplicada atende ao limite de 20% (vinte por cento) estabelecido pelo § 2º acima transcrito. Portanto, não há que se alegar caráter confiscatório, tampouco ausência de razoabilidade e proporcionalidade. Por outro lado, incide a Súmula CARF nº 2, uma vez que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Taxa Selic A Recorrente questiona a aplicação da Taxa Selic na correção do crédito tributário, argumentando pela ilegalidade do cálculo de juros moratórios sobre débitos tributários. Não assiste razão à Recorrente, considerando a incidência da Súmula CARF 108, que assim dispõe: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11020.905325/201553 Acórdão n.º 3402005.769 S3C4T2 Fl. 0 11 Portanto, deve ser mantida a decisão recorrida. Dispositivo Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário, rejeito as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGO PROVIMENTO para manter na íntegra o acórdão recorrido. " Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 167DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.723215/2013-13
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SITUAÇÕES FÁTICAS SEMELHANTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA.
O Recurso Especial da Divergência deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados.
ACORDO DE PLR HOMOLOGADO POR UM SINDICATO EXTENSIVO ÀS DEMAIS LOCALIDADES DA EMPREGADORA ABRANGIDA POR OUTROS SINDICATOS. INADMISSIBILIDADE.
Em respeito aos princípios da unicidade sindical, em sua territorialidade, e da interpretação restritiva da legislação que leva à exclusão da tributação, não é aceitável um sindicato reger o acordo de PLR dos trabalhadores da mesma empresa em locais que são territorialmente abrangidos por outro sindicato.
Numero da decisão: 9202-007.292
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
(assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SITUAÇÕES FÁTICAS SEMELHANTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. O Recurso Especial da Divergência deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. ACORDO DE PLR HOMOLOGADO POR UM SINDICATO EXTENSIVO ÀS DEMAIS LOCALIDADES DA EMPREGADORA ABRANGIDA POR OUTROS SINDICATOS. INADMISSIBILIDADE. Em respeito aos princípios da unicidade sindical, em sua territorialidade, e da interpretação restritiva da legislação que leva à exclusão da tributação, não é aceitável um sindicato reger o acordo de PLR dos trabalhadores da mesma empresa em locais que são territorialmente abrangidos por outro sindicato.
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SITUAÇÕES FÁTICAS SEMELHANTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. O Recurso Especial da Divergência deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. ACORDO DE PLR HOMOLOGADO POR UM SINDICATO EXTENSIVO ÀS DEMAIS LOCALIDADES DA EMPREGADORA ABRANGIDA POR OUTROS SINDICATOS. INADMISSIBILIDADE. Em respeito aos princípios da unicidade sindical, em sua territorialidade, e da interpretação restritiva da legislação que leva à exclusão da tributação, não é aceitável um sindicato reger o acordo de PLR dos trabalhadores da mesma empresa em locais que são territorialmente abrangidos por outro sindicato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 32 15 /2 01 3- 13 Fl. 3075DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora (assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Tratase de processo onde se exige Contribuições Sociais a cargo da empresa, destinadas ao Regime Geral de Previdência Social e creditadas ao Fundo do Regime Geral de Previdência Social, bem como das contribuições destinadas a Outras Entidades e Fundos, das quais tratam o artigo 2º, § 1º e o art. 3º da Lei 11.457, de 16 de março de 2007, e das multas aplicadas por descumprimento de obrigações acessórias previstas na Lei nº 8.212/91. O lançamento envolve a cobrança da contribuição incidente sobre valores pagos a título de Participação nos Lucros e Resultado, de "reembolso pneus" e "auxílio residência e gratificação de gerente" considerados como salário indireto pela autoridade fiscal. Após o trâmite processual, a 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária deu provimento parcial ao recurso voluntário para, na parte que nos interessa, afastar a incidência das contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de PLR aos segurados empregados das filiais do Contribuinte localizadas em municípios diversos daquele da base territorial do sindicato representante da categoria. O acórdão 2201003.335 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI Nº 10.101/00. REQUISITOS. CUMPRIMENTO. Os valores pagos a título de PLR não sofrem incidência tributária somente se cumpridos os requisitos estabelecidos na Lei nº 10.101/00. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI Nº 10.101/00. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. APLICABILIDADE. Os valores pagos a título de PLR não sofrem incidência tributária somente se cumpridos os requisitos estabelecidos na Lei nº 10.101/00. Tais requisitos são aplicáveis aos segurados contribuintes individuais, não sendo permitido, porém a fixação Fl. 3076DF CARF MF Processo nº 10805.723215/201313 Acórdão n.º 9202007.292 CSRFT2 Fl. 3.076 3 de metas e resultados a serem atingidos unilateralmente, ou seja, sem a comprovação da participação dos trabalhadores e do sindicato. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AUXÍLIO ALUGUEL E GRATIFICAÇÃO DE FUNÇÃO. INTEGRAÇÃO. Os valores pagos a título de auxílio aluguel e gratificação de gerência integram o salário de contribuição posto que ostentam natureza remuneratória. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. REEMBOLSO PNEUS. NÃO INTEGRAÇÃO. Os valores pagos aos segurados empregados a título reembolso pneus, assim entendido o reembolso de percentual da nota fiscal, emitida por revendedor autorizado da aquisição de pneus fabricados pelo Contribuinte, não integram o salário de contribuição, posto que além de não possuírem natureza contraprestacional por serem igualmente disponíveis a todos os empregados, limitados em quantidade e no tempo, e onerosos ostentam características de benefício. O Conselheiro Relator concluiu: Quanto às demais unidades, escritório regionais na visão do Recorrente, entendo despiciendo, em razão da pequena quantidade de trabalhadores abrigados, a necessidade de ajuste específico com o sindicato da localidade. Mister realçar que não há na Lei nº 10.101/00, a determinação de que todas os estabelecimentos do empregador firmem acordos distintos, cada qual com o sindicato de sua base territorial. Novamente, ressalto haver incidência nos valores pagos aos dirigentes pelos motivos anteriormente mencionados. Pelo exposto, entendo caber parcial razão ao recorrente e dou provimento parcial nessa parte para excluir a incidência sobre os valores pagos aos segurados empregados dos estabelecimentos mencionados neste item. Após decisão pela rejeição dos seus embargos de declaração, a Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial ao qual foi dado parcial seguimento. Com base no acórdão paradigma nº 2301003.550, a Recorrente defende que há necessidade de se respeitar o princípio da territorialidade quando se trata da “competência” de sindicatos para negociar e celebrar acordos. Intimado o Contribuinte apresenta contrarrazões. Após fazer esclarecimentos sobre a delimitação da lide, pugna pelo não conhecimento do recurso por ausência de similitude fática e, no mérito, pelo não seu provimento. É o relatório. Fl. 3077DF CARF MF 4 Voto Vencido Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Da delimitação da lide: Conforme mencionado na peça de contrarrazões o presente recurso foi recebido apenas em relação a discussão que envolve a não incidência das Contribuições Previdenciárias sobre os valores pagos a título de PLR aos empregados dos estabelecimentos filiais da Recorrente; os citados valores foram pagos com base no acordo coletivo fixado pela Matriz localizada em base territorial distinta. Assim, foi devolvido ao este Colegiado a análise da validade de parte do lançamento denominado "P2 UNIDADES SEM ACORDO PPR", cujo relatório fiscal assim descreve: 106. Além dos já citados anteriormente, os estabelecimentos 59.179.838/000480, 59.179.838/001028, 59.179.838/001532, 59.179.838/003748, 59.179.838/004558, 59.179.838/004639, 59.179.838/004710, 59.179.838/004809, 59.179.838/005104 e 59.179.838/005287 não possuem Acordo Coletivo específico para pagamento de participação nos resultados. 107. Assim sendo, em relação às unidades acima referidas, por estarem em desacordo com a Lei, na medida em que não possuem Acordo Coletivo, ou qualquer outro instrumento, todos os pagamentos a título de participação nos resultados não se enquadram no disposto no art. 28, §9º, alínea j da Lei nº 8.212/91, e, portanto, integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. O presente recurso não se aproveita para a parte do lançamento referente ao estabelecimento filial registrado sob o CNPJ 59.179.838/005104, estabelecimento localizado na cidade de Juiz de Fora/MG cuja PLR paga foi considerada válida haja vista a conclusão do Colegiado recorrido pela existência de acordo coletivo nos termos em que exigido pela Lei nº 10.101/00. Do conhecimento: O Contribuinte em sua peça de contrarrazões defende o não conhecimento do recurso interposto. Sustenta não haver similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma, aquele teria baseado sua conclusão no fato de a autuação se referir a estabelecimentos classificados como meros escritórios regionais, com poucos funcionários cujas funções beneficiavam apenas a matriz. Tal especificidade não ocorreria no último caso onde o Colegiado paradigmático analisou lançamento lavrado contra filiais classificadas como verdadeiras unidades funcionais. Esclarece o Recorrido: Fl. 3078DF CARF MF Processo nº 10805.723215/201313 Acórdão n.º 9202007.292 CSRFT2 Fl. 3.077 5 Quanto aos demais estabelecimentos (000480; 001028; 0015 32; 003748; 004558; 004639; 004710; 004809 e 005287 únicos remanescentes na discussão), foi devidamente esclarecido, ao longo da fiscalização bem como deste processo administrativo, que, por se tratarem de meros escritórios regionais, o acordo coletivo aplicável a estes estabelecimentos é o da matriz da empresa, ou seja, o programa de participação nos resultados de Santo André. Neste aspecto, inicialmente destacase que os arestos trazidos pela União Federal não são específicos e, portanto, não poderiam ensejar a divergência supostamente demonstrada pela União. Isso porque, no presente caso é inequívoco que se tratam de escritórios regionais, com pouquíssimos empregados apenas direcionados à representação da empresa, ou seja, beneficiando apenas a matriz da empresa. Já os arestos trazidos pela União versam sobre estabelecimentos totalmente funcionais, com empregados que prestam serviços em benefício do próprio estabelecimento. Nenhum dos arestos trazidos pela União versa sobre escritórios regionais existentes unicamente para representação da empresa. Em que pese a argumentação apresentada, não há reparos a serem feitos no despacho que admitiu o recurso. Consultando o inteiro teor do acórdão paradigma nº 2301 003.550, em especial seu respectivo relatório, é possível verificar que os valores desconsiderados também se referiam a pagamentos a título de PLR para os empregados lotados em "escritórios regionais" do contribuinte. Transcrevese parte do relatório pela pertinência: Foilhe apresentado, no penúltimo dia em que compareceu na empresa, uma folha de papel intitulada “Termo de Aditamento”, firmado pelo contribuinte e pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas, de Material Elétrico e Eletrônico, Siderúrgicas, Veículos e de Autopeças de São Caetano do Sul, cujo local da assinatura foi São José dos Campos, reportandose aos escritórios regionais de em Porto Alegre, Recife, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Curitiba, Salvador, Campo de Provas de Indaiatuba e Brasília. Este “Termo de Aditamento” levou a Fiscalização a concluir que o Recorrente desejava estender os efeitos da PLR para outras unidades em que não havia qualquer acordo a respeito. Todavia o mencionado instrumento não apresenta qualquer sinal de registro no sindicado ou em órgão competente, o que contraria a Cláusula Décima do acordo apresentado. Conclui a Fiscalização que tal aditamento não pode servir de suporte aos pagamentos realizados a título de PLR nas filiais citadas. Observamos, portanto, a identidade fática necessária ao conhecimento do recurso. Fl. 3079DF CARF MF 6 Do mérito: O recurso interposto devolve a este Colegiado a discussão acerca da melhor interpretação a ser dada ao art. 28, §9º, alínea 'j' da Lei nº 8.212/91 e art. 2º, caput, inciso II, §2º e art. 4º, todos da Lei nº 10.101/00, em relação aos valores pagos a empregados lotados nas filiais do Contribuinte cuja localização não está abrangida pela base territorial do sindicato representante da categoria da empresa matriz. Como bem destacado no acórdão recorrido, o direito do trabalhador à participação nos lucros e resultados da empresa está previsto no art. 7º, XI da Constituição Federal que expressamente afasta tais verbas do conceito de remuneração, condicionado no entanto tal classificação aos requisitos de lei específica: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: ... XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Provocado a se manifestar sobre o citado dispositivo legal e seus efeitos sobre a Lei nº 8.212/91, o Supremo Tribunal Federal, no acórdão proferido no Ag. Reg. no Recurso Extraordinário nº 393.7642/RS, concluiu que se trata de norma constitucional de eficácia limitada. Portanto, nos casos de relação de emprego somente a partir da Medida Provisória (MP) nº 794, de 29 de dezembro de 1994, convertida posteriormente na Lei nº 10.101/00, passouse a admitir exclusão dos valores pagos a título de PLR do conceito de salário de contribuição nos termos do art. 28, §9º, j da Lei nº 8.212/91. Importante ter em mente que o objetivo primordial da PLR é a integração entre o capital e trabalho, permitindo que o empregado participe do resultado da atividade econômica da empresa. Tanto é assim que a Lei 10.101/00, nos dizeres de Alessandro Mendes Cardoso (2017: Estudos de Custeio Previdenciário, p. 22), "foi bastante sucinta ao regulamentar a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), no claro intuito de permitir que as partes, respeitados certos parâmetros, tenham liberdade de definir o plano mais compatível com sua realidade e os seus interesses". Vale destacar que essa liberdade negocial foi recentemente reconhecida com as alterações promovidas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), pela Reforma Trabalhista feita pela Lei nº 13.467/17, valendo citar a redação do art. 611A o qual prevê que a convenção coletiva e o acordo coletivo de trabalho têm prevalência sobre a lei quando, entre outros, dispuserem sobre participação nos lucros ou resultados da empresa. Assim, partindose da premissa de que a PLR não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, somente nos casos em que restar demonstrado abuso que leve a sua descaracterização será possível admitir a incidência da Contribuição Previdenciária. A Lei 10.101/00, no meu entender, possui como objetivo defender os interesses do empregado no que tange a negociação do plano de PLR, tanto é assim que em alguns casos trazem imposições que devem ser observadas. É o que ocorre com a exigência de o acordo ser celebrado com a presença de sindicado ou comissão eleita pelos empregados, Fl. 3080DF CARF MF Processo nº 10805.723215/201313 Acórdão n.º 9202007.292 CSRFT2 Fl. 3.078 7 vedando assim a instituição de regras unilaterais cumprindo com o objetivo de assegurar a representatividade do empregado garantindolhe apoio para negociar no mesmo patamar do seu empregador. Entretanto, tal obrigatoriedade de participação do sindicato não deve ser tomada como um requisito intransponível, podendo ser relativizada nos casos onde o pagamento favorecer ao trabalhador. O próprio Superior Tribunal de Justiça já se manifestou neste sentido, valendo citar parte do voto proferido pelo então Ministro Luiz Fux no Recurso Especial nº 865.489/RS: Destarte, a evolução legislativa da participação nos lucros ou resultados destacase pela necessidade de observação da livre negociação entre os empregados e a empresa para a fixação dos termos da participação nos resultados. Não obstante, conforme bem destacou a Corte de Origem, a intervenção do sindicato na negociação tem por finalidade tutelar os interesses dos empregados, tais como definição do modo de participação nos resultados; fixação de resultados atingíveis e que não causem riscos à saúde ou à segurança para serem alcançados; determinação de índices gerais e individuais de participação, entre outros. Vale dizer, o registro do acordo no sindicato é modo de comprovação dos termos da participação, possibilitando a exigência do cumprimento na forma acordada. O desrespeito a tais exigências afeta os trabalhadores, que poderiam, eventualmente, ser prejudicados numa negociação desassistida, não obtendo tudo aquilo que alcançariam com a presença de um terceiro não vulnerado pela relação de emprego. Com efeito, atendidos os demais requisitos da legislação que tornem possível a caracterização dos pagamentos como participação nos resultados, a ausência de intervenção do sindicato nas negociações e a falta de registro do acordo apenas afastam a vinculação dos empregados aos termos do acordo, podendo rediscutilos novamente. Devemos lembrar que o pagamento de verbas a título de participação nos lucros e resultados, embora previsto em lei, não tem caráter obrigatório. O contribuinte dentro da sua liberalidade optou por estender aos seus escritórios regionais os mesmos direitos previstos nos acordos firmados pelo sindicato da base territorial da empresa matriz. Assim e não sendo mais objeto de discussão a validade das cláusulas dos respectivos acordos, não se pode deixar de considerar que os empregados lotados nas filiais foram favorecidos com o pagamento dos valores objetos do lançamento. Sabendo o contribuinte da possibilidade de exigência da Contribuição Previdenciária e reflexos, provavelmente, teria deixado de estender a esses poucos funcionários o benefício da PLR e também tantos outros assegurados pelo plano válido firmado para os trabalhadores do estabelecimento matriz. Temos então um pagamento que atendeu a finalidade essencial do instituo da participação dos lucros e resultados nos termos em que previsto na Constituição Federal, devendo ser citado inclusive que, em regra, o sindicato da base territorial da matriz da empresa Fl. 3081DF CARF MF 8 ou do local onde se realiza o processo produtivo são sindicatos com mais representatividade do que aqueles que porventura representariam os escritórios regionais. Diante do exposto nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Voto Vencedor Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Redator designado Divergi da i. Relatora quanto ao mérito, mais especificamente quanto à possibilidade de extensão às filiais da Recorrente do benefício da nãoincidência tributária da contribuição sobre PLR de acordo firmado pela matriz com sindicato de base distinta, pelas razões a seguir expostas. O art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212. de 1991 define quais as verbas que não integram o salário de contribuição e não sofrem a incidência de contribuições previdenciárias, por sua natureza indenizatória ou assistencial. Confirase Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Pois bem, a Lei nº 10.101/2001 define os critérios para pagamento e as regras de tributação das parcelas pagas a título de Participação nos Lucros e Resultados PLR. Veja se: Art.2º. A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. §1º. Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Fl. 3082DF CARF MF Processo nº 10805.723215/201313 Acórdão n.º 9202007.292 CSRFT2 Fl. 3.079 9 I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Portanto, de plano, é patente a imposição legal da necessidade de representação do sindicato na negociação. Tratase de norma protetiva do trabalhador, instrumento de garantia com vistas à fixação de critérios justos e impessoais, e como tal não pode ser flexibilizada. No mesmo sentido, o artigo 611 do Decretolei n.º 5.452, de 1º de maio de1943 CLT, a saber: Art. 611 Convenção Coletiva de Trabalho é o acôrdo de caráter normativo, pelo qual dois ou mais Sindicatos representativos de categorias econômicas e profissionais estipulam condições de trabalho aplicáveis, no âmbito das respectivas representações, às relações individuais de trabalho. § 1º É facultado aos Sindicatos representativos de categorias profissionais celebrar Acordos Coletivos com uma ou mais emprêsas da correspondente categoria econômica, que estipulem condições de trabalho, aplicáveis no âmbito da emprêsa ou das acordantes respectivas relações de trabalho.(Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 2º As Federações e, na falta desta, as Confederações representativas de categorias econômicas ou profissionais poderão celebrar convenções coletivas de trabalho para reger as relações das categorias a elas vinculadas, inorganizadas em Sindicatos, no âmbito de suas representações. A intervenção sindical, portanto, é imprescindível, tanto na definição dos termos do acordo, definidores da participação dos lucros e resultados, como no acompanhamento das metas fixadas. São dois, portanto, os requisitos previstos em lei para a celebração de acordo sobre PLR: o primeiro, a existência de comissão escolhida entre as partes e, segundo, convenção ou acordo coletivo. No caso do acordo coletivo, como vimos, a participação do sindicato é imprescindível, até porque é exigência prevista no art. 611 da CLT, acima reproduzido. Não se trata de uma faculdade, mas de uma imposição legal, inarredável. Sobre a base territorial do sindicato, o art. 520 da CLT não deixa margem a dúvida. Confirase: Art. 520. Reconhecida como sindicato a associação profissional, serlheá expedida carta de reconhecimento, assinada pelo ministro do Trabalho, Indústria e Comércio, na qual será especificada a representação econômica ou profissional conferida e mencionada a base territorial outorgada. (Negritei.) Vale dizer, a cada sindicato é definida formalmente uma base territorial, a qual delimita o alcance de sua representação. Fl. 3083DF CARF MF 10 Se é assim, a participação sindical no acordo para pagamento da PLR deve ser, necessariamente e apenas, do sindicato que tenha competência territorial para representar os respectivos trabalhadores, em harmonia com o art. 8º, inciso II da CF e com o art. 520 da CLT. Isto é, não cabe ao empregador escolher o sindicato com o qual celebrará o acordo. E nem poderia ser de outro modo. O respeito aos princípios da unicidade sindical e da territorialidade é norma cogente, medida de proteção ao trabalhador, pois aproxima os representantes de seus representados. Portanto, a participação de sindicato de base territorial distinta não supre a exigência legal, pela simples razão de que esse sindicato não é aquele que representa os trabalhadores dessa base sindical. Travar a negociação com sindicato de base territorial diversa é o mesmo que não se ter a participação de sindicato na negociação. Nos dois casos descumprese da mesma forma o requisito formalmente estabelecido na legislação. Não cabe ao julgador administrativo flexibilizar a regra legal, até porque ela é bastante razoável. Qual a dificuldade em se ter a participação do sindicato da base territorial do trabalhador na negociação para a PLR? Por outro lado, o que justificaria o chamamento de representação sindical de outra base territorial? Não me sensibiliza, por outro lado, a alegação de que se trata de garantir o direito ao trabalhador à participação nos lucros e resultados, pois não é disso que aqui se trata, mas da incidência ou não da contribuição social sobre os pagamentos das referidas verbas. Se o empregador resolve, por sua conta e risco, flexibilizar as regras legais para pagamento da PLR, na impede que o faça, o que não pode é flexibilizar as regras para a não incidência da contribuição social. Ante o exposto, conheço do recurso e, no mérito, doulhe provimento. (assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 3084DF CARF MF
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Numero do processo: 11543.000649/2010-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2301-000.738
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que o contribuinte seja intimado a apresentar as peças do processo trabalhista que demonstrem a base de cálculo das verbas recebidas naquele processo, referidas no documento da efl. 43, no valor de RS133.517,01.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (Suplente convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que o contribuinte seja intimado a apresentar as peças do processo trabalhista que demonstrem a base de cálculo das verbas recebidas naquele processo, referidas no documento da efl. 43, no valor de RS133.517,01. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (Suplente convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face de Notificação de Lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física (efls. 35 a 39), exercício de 2009, decorrente de procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual no qual se apurou: 1) omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista e 2) dedução indevida de previdência oficial. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 43 .0 00 64 9/ 20 10 -9 0 Fl. 115DF CARF MF Processo nº 11543.000649/201090 Resolução nº 2301000.738 S2C3T1 Fl. 116 2 Constado relatório do acórdão recorrido: Inconformado, o interessado manifestouse contrariamente em 19/03/2010, afirmando,em síntese, que: · a responsabilidade pela retenção do imposto de renda é da fonte pagadora; · foi cerceado seu direito de defesa, pois a descrição dos fatos não discrimina as parcelas do rendimento considerado omitido; · o rendimento considerado omitido é composto por parcelas isentas e não tributáveis Para embasar seu pleito, foram anexados os documentos de fls. 33 a 44. A glosa da dedução indevida de previdência oficial não foi contestada na impugnação. A impugnação foi julgada improcedente e o crédito tributário foi integralmente mantido. O sujeito passivo interpôs, então, recurso voluntário em que reafirmou os questionamentos da impugnação, sem se referir à glosa da dedução indevida de previdência oficial. É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital, Relator. O recurso é tempestivo e dele conheço. Registro que não está na lide a questão da glosa da dedução indevida de previdência oficial, que restou definitivamente constituída. O recorrente alega que, do montante recebido, a parcela tributável seria somente a que assim declarara, ou seja, R$ 100.036,98, que também é o que consta do Alvará Judicial nº 1285/2008 (efl. 41). O Fisco, entretanto, considerou, com base nas informações prestadas pela fonte pagadora, que o valor tributável seria R$ R$ 195.354,61 e, portanto, apurou uma omissão de R$ 95.317,63. O recorrente sustenta que o valor considerado pelo Fisco seria isento, mas não logrou comprovar a natureza de cada verba que compunha o montante recebido. Embora tenha feito referência, na impugnação e no recurso voluntário, a uma planilha que apontaria as verbas recebidas, esse documento, se é que de fato existe, nunca foi apresentado. A informação mais analítica acerca dos valores que o contribuinte apresentou é um resumo do cálculo (efl. 43) que discrimina algumas verbas, mas apenas para efeito de liquidação, sem caracterizar a natureza de cada parcela que comporia o valor base. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 11543.000649/201090 Resolução nº 2301000.738 S2C3T1 Fl. 117 3 A ausência da planilha referida na impugnação foi uma das razões pelas quais a autoridade a quo indeferiu o pedido de exclusão das verbas. No recurso voluntário, o recorrente novamente faz referência a uma planilha que não juntou. Ou seja, o documento mais importante para sustentar o argumento do contribuinte, e que somente ele possui, não foi juntado. Porém, a julgar pelas informações dos autos, o documento que dá supedâneo às alegações do recorrente pode existir e, se for o caso, estará no processo judicial. Entendo, pois, que, em busca da verdade material, deve, o contribuinte, ser intimado para apresentar as peças do processo trabalhista que demonstrem, de maneira inconteste, a base de cálculo das verbas recebidas naquele processo, que estão referidas no documento apresentado (efl. 43), no valor de R$ 133.517,01. Conclusão Voto por converter o processo em diligência para que o contribuinte seja intimado a apresentar as peças do processo trabalhista que demonstrem a base de cálculo das verbas recebidas naquele processo, referidas no documento da efl. 43, no valor de RS133.517,01. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator Fl. 117DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.002182/2009-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO VERIFICADA. VÍCIO SANADO
Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando presente omissão alegada pela embargante, sendo necessário o saneamento do vício apontado.
Numero da decisão: 3302-006.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para sanar a omissão apontada com efeitos infringentes, para reconhecer o direito ao creditamento dos insumos ALCOOL ETÍLICO ABSOLUTO 99 GL; ÁLCOOL ETÍLICO HIDRATADO 96%; DELVOTEST-SP (KIT P/100 DETER. ANTIBIOTI.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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OMISSÃO VERIFICADA. VÍCIO SANADO Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando presente omissão alegada pela embargante, sendo necessário o saneamento do vício apontado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para sanar a omissão apontada com efeitos infringentes, para reconhecer o direito ao creditamento dos insumos ALCOOL ETÍLICO ABSOLUTO 99 GL; ÁLCOOL ETÍLICO HIDRATADO 96%; DELVOTESTSP (KIT P/100 DETER. ANTIBIOTI. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 21 82 /2 00 9- 21 Fl. 2318DF CARF MF Processo nº 10925.002182/200921 Acórdão n.º 3302006.142 S3C3T2 Fl. 3 2 Tratase de Embargos de declaração opostos pelo contribuinte recorrente em face do acórdão nº 3302004.883, proferido pela 2ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 3ª Seção de Julgamento do CARF, em 25/10/2017. Referido acórdão recebeu a seguinte emenda: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 Ementa: INSUMOS. DEFINIÇÃO CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes. CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÂO CUMULATIVAS. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. No âmbito do regime não cumulativo, independentemente de serem de apresentação ou de transporte, os materiais de embalagens utilizados no processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser estocado e comercializado, são considerados insumos de produção e, nessa condição, geram créditos básicos da referida contribuição. CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÂO CUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. Os serviços e bens utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos. CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, posteriores à fase de produção, não geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos. CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DE INSUMOS. Fl. 2319DF CARF MF Processo nº 10925.002182/200921 Acórdão n.º 3302006.142 S3C3T2 Fl. 4 3 Os custos com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte para o transporte de insumos a serem utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos. CRÉDITO DE FRETES. AQUISIÇÃO PRODUTOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. Os custos com fretes sobre a aquisição de produtos tributados à alíquota zero, geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Faz parte ainda do acórdão a descrição da decisão, nos seguintes termos: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar de erro material e rejeitar a preliminar de tarifação de provas e ofensa ao princípio da verdade material e ampla defesa. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito na aquisição da amónia, combustíveis e lubrificantes, peças de reposição, produtos de conservação e limpeza; em reconhecer o direito de crédito na aquisição de embalagem de transporte, o direito de crédito da planilha 5.a, exceto sobre serviços de manutenção na ETE, levantamento topográfico, elaboração de projetos, treinamentos, serviços de manutenção de câmara fria para armazenagem de produtos acabados, serviços de instalações elétricas, montagens, construção de muro, instalação de poço artesiano; para reconhecer o direito ao crédito na aquisição de fretes sobre venda de produto acabado (VENDA PROD. ACABADO), frete sobre venda de produto agropecuário (VENDA PROD. AGROP.), frete sobre aquisição de produtos tributados à alíquota zero, frete sobre de transferência de leite "in natura" dos postos de coleta até os estabelecimentos industriais e entre postos de coleta (TRANSFERÊNCIA PC E PCPC), fretes na remessa e retorno de amostras de produtos (leite in natura) dos estabelecimentos industriais ou postos de coleta da empresa para análise em estabelecimentos terceirizados (REMESSA ANÁLISE E RETORNO ANÁLISE), remessa e retomo para conserto para manutenção dos bens de produção (REMESSA CONSERTO E RETORNO CONSERTO), COMPRA DE INSUMOS, exceto relativo à aquisição de produtos com a descrição genérica de "diversos", "outras cargas", "conforme nf ou simplesmente sem descrição do produto adquirido; para reverter a glosa sobre os encargos de depreciação do imobilizado, exceto em relação à EMPILHADEIRA ELÉTRICA RETRAK STILL MOD1FME 17G115 SERIE:341832000829 NF:64150 E, ESTANTES INTERCAMBIÁVEIS ESTOQUE Fl. 2320DF CARF MF Processo nº 10925.002182/200921 Acórdão n.º 3302006.142 S3C3T2 Fl. 5 4 LONGA VIDA NT:56646 ÁGUIA SISTARMAZE, PRATELEIRAS DEPOSITO LEITE LONGA VIDA PRATELEIRAS ESTOQUE LEITE EM PO FRACIONADO NT8999ESMENA DO BRASILS/A, PRATELEIRAS EXPEDIÇÃO LEITE LONGA VIDA NT 8998 ESMENA DO BRASIL S/A, BALANÇA RODOVIÁRIA, BAL.ELETRÔNICA TRANSPALETI IRA MOD:PL3000 CAP 200KGX1 OOOG EM ACO CARBONO SÉRIE:P, EMPILHADEIRA ELÉTRICA RETRAK STILL MOD1FME 17 GI15 SERIE:341832000829 NF:64150 E, PRATELEIRAS DEPOSITO LEITE LONGA VIDA, CARREGADOR DE BATERIAS KLM NF312MACRO, TRANSPALETEIRA ELÉTRICA YALE NF:2519 MACROMAQ EQUIP, CARREGADOR DE BATERIAS KLM K8TM IND.COM.ELETROTÉCNICA, CARREGADOR DE BATERIA 48V / 140A MARCA KLM. Vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède que mantinha a glosa sobre as embalagens de transporte, sobre o frete na aquisição de produtos tributados à alíquota zero e sobre a despesa de depreciação da plastificadora. Vencida a Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar que mantinha a glosa sobre as embalagens de transporte e sobre a despesa de depreciação da plastificadora. Vencido o Conselheiro Walker Araújo que revertia a glosa dos créditos sobre serviços de manutenção na ETE. Vencido o Conselheiro José Fernandes do Nascimento que mantinha a glosa sobre o frete na aquisição de produtos tributados à alíquota zero. Vencida a Conselheira Lenisa R. Prado que revertia a glosa dos créditos sobre serviços de manutenção na ETE e as glosas em relação aos fretes sobre a transferência entre os Centros de Distribuição (TRANSFERÊNCIA CD), produto acabado (TRANSFERÊNCIA PROD. ACABADO), transferência do produto agropecuário para revenda (TRANSFERÊNCIA PROD. AGROP. P/ REVENDA). A embargante entende que o acórdão embargado estaria eivado de vício de omissão, fato esse que, nos termos do art. 65, do anexo II, RICARF, lhe conferiria o direito de oposição dos embargos de declaração. Protocolados tempestivamente os embargos da contribuinte, foi apontada a suposta omissão no seguinte sentido: (i) quanto ao creditamento de insumos descritos nas fls. 1483 a 1484, de seu recurso voluntário e, (ii) quanto ao creditamento sobre fretes tidos como consignação e remessa armazenagem. Promovido o juízo de admissibilidade, apenas o item "i" acima exposto, os demais não foram admitidos. Passase então a análise da suposta omissão apontada pela embargante. É o relatório. Fl. 2321DF CARF MF Processo nº 10925.002182/200921 Acórdão n.º 3302006.142 S3C3T2 Fl. 6 5 Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator: Os Embargos são tempestivos, tratam de matéria da competência deste Colegiado e atendem aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, submeto à esta Turma para julgamento. No entendimento da embargante, a decisão embargada não teria analisado a questão relacionada ao creditamento da contribuição de insumos referidos na planilha de fls. 2.288, motivo pelo qual haveria assim omissão quanto ao assunto. A conclusão do despacho de admissibilidade foi no sentido de haver a omissão apontada, nos seguintes termos: 2 Conclusão Com essas considerações, forte no § 3° do art. 65 do RICARF e para os fins do § 7° do mesmo artigo, com a redação que lhe foi dada pela Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, acolho parcialmente os embargos interpostos, para que o Colegiado manifestese expressamente sobre o direito à tomada de créditos nas aquisições dos itens constantes da tabela de fls. 2.288. Analisando o acórdão embargado verificase que realmente não houve menção quanto aos alegados insumos trazidos pela contribuinte em planilha inserta em seus embargos, razão pela qual devem ser submetidos a análise desse Colegiado. O conceito de insumo para crédito das contribuições para o PIS e Confis, embora firmado pelo STJ em sede de Recurso Repetitivo no REsp 1.221.170, há algum tempo já vinha sendo utilizado por esta C. Turma nas decisões referentes à matéria, conforme podemos notar do corpo da r. decisão oram embargada. Desta feita, não se afasta dos princípios outrora ditos na r. decisão embargada, quanto a análise do conceito de insumo para definir a possibilidade de creditamento das contribuições, motivo pelo qual devem ser submetidos os insumos apontados pela recorrente em seus embargos ao crivo de referida análise. Pois bem. Considerando o entendimento quanto ao conceito de insumo esposado no acórdão embargado, entendo que os produtos indicados pela contribuinte nele se encaixam, não devendo desta forma persistir a glosa dos créditos lançada pala autoridade fiscal. Assim, ressaltando que os créditos relacionado ao insumo amônia foi analisado pelo acórdão embargado, conforme destacado no despacho de admissibilidade dos embargos, devem ser garantidos os créditos da contribuições dos insumos: ALCOOL ETÍLICO ABSOLUTO 99 GL; ÁLCOOL ETÍLICO HIDRATADO 96%; DELVOTESTSP (KIT P/100 DETER. ANTIBIOTI; descritos na tabela de fls. 2.288. II Conclusão Fl. 2322DF CARF MF Processo nº 10925.002182/200921 Acórdão n.º 3302006.142 S3C3T2 Fl. 7 6 Por todo o exposto, voto por acolher os Embargos opostos pela contribuinte para sanar a omissão apontada, com efeitos infringentes, para reconhecer o direito ao creditamento dos insumos ALCOOL ETÍLICO ABSOLUTO 99 GL; ÁLCOOL ETÍLICO HIDRATADO 96%; DELVOTESTSP (KIT P/100 DETER. ANTIBIOTI. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 2323DF CARF MF
score : 1.0
